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UNIMEP CENTRO DE TECNOLOGIA UNIVERSIDADE METODISTA DE PIRACICABA CENTRO DE TECNOLOGIA SANTA BÁRBARA D´OESTE SISTEMAS

UNIMEP

CENTRO DE TECNOLOGIA

UNIVERSIDADE METODISTA DE PIRACICABA

CENTRO DE TECNOLOGIA

SANTA BÁRBARA D´OESTE

SISTEMAS FLUÍDO-MECÂNICOS

APOSTILA DIDÁTICA

Prof. Antonio Garrido Gallego Prof. Gilberto Martins

Índice

Introdução

 

1

Capítulo 1: Bombas

2

1.1 Classificação de bombas

2

1.2 Bombas volumétricas ou de deslocamento positivo

2

 

1.2.1 Bombas de embolo

3

1.2.2 Bombas rotativas

3

1.3

Turbobombas

 

3

1.3.1

Classificação das turbobombas

4

1.4 Principio de funcionamento de bombas centrifugas ou radiais

5

1.5 Principio de funcionamento de bombas axiais

7

1.6 Principio de funcionamento de bomba diagonal ou fluxo misto

7

1.7 Órgãos constitutivos de uma turbobomba

7

 

1.7.1

O rotor

7

Referências

10

Capítulo 2: Princípios básicos

11

2.1 Introdução

 

11

2.2 Escoamento do fluido

11

 

2.2.1 Fluido

11

2.2.2 Propriedades do fluido

11

2.2.3 Pressão

 

12

 

2.2.3.1

Lei de Pascal

12

2.2.3.2

Pressão absoluta e manométrica

13

2.2.3.3

Lei de Stevin

13

2.2.3.4

Carga de Pressão ou altura de coluna de líquido

13

2.2.3.5

Pressão de vapor

13

 

2.2.4 Escoamento

13

 

2.2.4.1

Característica da natureza do escoamento

14

2.3 Princípio de conservação

15

 

2.3.1 Conservação de massa

15

2.3.2 Conservação de energia

16

 

2.3.2.1

Equação de Bernoulli

16

2.4 Perda de carga

17

 

2.4.1

Perda de carga ao longo da canalização ou distribuída

17

 

2.4.1.1 Determinação do coeficiente f

17

2.4.1.2 Perda de carga em canalizações de PVC

19

2.4.1.3 Perda de carga em tubulações de ar

19

 

2.4.2

Perda de carga localizada

19

 

2.4.2.1 Método direto

20

2.4.2.2 Método do comprimento equivalente

20

Referências

22

1

a lista de exercícios

 

23

Capítulo 3: Altura manométrica do sistemas

24

3.1 Medição direta da altura manométrica

25

3.2 Altura manométrica de sucção

26

3.3 Altura manométrica de descarga

26

3.4 Curvas características do sistema

26

 

3.4.1

Levantamento da curva do sistema

26

3.5 Associação de sistemas

29

 

3.5.1 Associação

em série

29

3.5.2 Associação

em paralelo

30

3.5.3 Variação da curva característica do sistema

32

 

3.5.3.1 Variação dos níveis dos reservatórios ou das pressões de aspiração e recalque

32

3.5.3.2 Variação da perda de carga

32

3.6 Dimensionamento de sistemas de bombeamento

33

 

3.6.1 Vazão a ser recalcada

33

3.6.2 Diâmetro econômico para uma instalação elevatória

34

 

3.6.2.1

Fórmula de Bresse

34

3.6.3

Velocidade econômica

35

2 a lista de exercícios

36

Capítulo 4: Hidráulica de bombas centrífugas

38

4.1 Escolha primária das bombas – gráficos de seleção

38

4.2 Curvas características

39

4.2.1 Curva da altura manométrica x vazão

42

 

4.2.1.1 Curva tipo estável

42

4.2.1.2 Curva tipo instável

42

4.2.2 Curva da potência consumida x vazão

43

 

4.2.2.1 Tipo A

43

4.2.2.2 Tipo B

43

4.2.2.3 Tipo C

43

4.2.3 Curva do rendimento x vazão

43

 

4.2.3.1 Tipo A

44

4.2.3.2 Tipo B

44

4.3 Ponto de operação

45

4.3.1 1 0 Processo: Variação da curva da bomba

47

4.3.2 2 0 Processo: Variação da curva do sistema

47

4.3.3 3 0 Processo: Variação simultânea da curva da bomba e do sistema

47

4.4 Influência do tempo na curva característica da bomba do sistema

47

4.5 Operação próxima ao ponto de vazão nula

48

4.6 Bancada de ensaios de bomba

49

4.6.1 Medição da altura manométrica da bomba

50

4.6.2 Regulagem e medição da vazão

50

4.6.3 Medição da potência necessária ao acionamento

50

4.6.4 Medição do rendimento da bomba

51

4.6.5 Medição da rotação

51

4.6.6 Variação da rotação de acionamento

51

4.7 Leis de similaridade

51

4.7.1 Influência da rotação nas curvas características de uma bomba

52

4.7.2 Influência da variação do diâmetro do rotor nas curvas características de uma bomba

52

4.7.3 Influência do peso específico nas curvas características de uma bomba

55

4.8 Velocidade específica

56

Capítulo 5:Associação de bombas

58

5.1 Associação de bombas em série

59

5.2 Associação de bombas em paralelo

59

5.2.1

Associação em paralelo de bombas iguais com curvas estáveis

60

5.2.2

Associação em paralelo de bombas iguais com altura estática variável

61

5.2.3

Associação em paralelo de bombas diferentes com curvas estáveis

62

5.2.3

Associação em paralelo de bombas iguais com curvas instáveis

63

3 a lista de exercícios

64

Capítulo 6: Cavitação e NPSH

65

6.1 Pressão de vapor

65

6.2 Altura de colocação de uma bomba

65

6.3 Cavitação

66

6.4 Materiais a serem empregados para resistir à cavitação

68

6.5 Medidas destinadas a dificultar o aparecimento da cavitação

69

6.6 NPSH

70

6.7 Cálculo de referência do NPSH para bombas

71

6.7.1 Conforme KSB

71

6.7.2 Quando se conhece o rendimento máximo

71

4 a lista de exercícios

72

Capítulo 7: Ventiladores

73

7.1 Princípio de operação

73

7.2 Levantamento das curvas características de um ventilador

74

7.3 Leis de semelhança ou lei dos ventiladores

74

7.4 Tipos de ventiladores e principais características

75

7.6

Operação de ventiladores em série e em paralelo

78

 

7.6.1 Associação

em série

78

7.6.2 Associação

em paralelo

79

Capítulo 8: Sistemas de dutos

81

8.1

Projetos de sistema de dutos

81

8.1.1

O método das velocidades

81

8.1.2

O método de iguais perdas de carga

81

Referências

 

83

Apêndice

 

A.1

Propriedades da água

84

A.2

Propriedades do ar

84

A.3

Rugosidade absoluta de diversos materiais

84

A.3 a

Valores de k – perda de carga em peças especiais

85

A.4

Valores de C para entrada

85

A.5

Valores de C para saídas

86

A.6

Valores de C para cotovelos

88

A.7

Valores de C para expansões

90

A.8

Valores de C para contrações

91

A.9

Valores de C para junções

92

A.10

Valores de C para obstruções

94

A.11

Comprimento equivalente para Ferro e Aço

95

A.12

Comprimento equivalente para PVC

95

B.1

Rugosidade relativa de tubulações

96

B.2

Diagrama de Moody

96

B.3

Perda de carga em canalizações de PVC

97

B.4

Perda de carga em dutos (fluido – ar)

97

C

Catálogo de Bombas KSB

98

D

Norma Brasileira – 10

126

E

Difusor de Ar Circular

144

F

Difusor de Ar Retangular

152

G

Ventiladores

158

Sistemas Fluido-Mecânicos

São equipamentos que tem a função de promover o deslocamento de fluídos, de um ponto a outro de uma instalação, através da extração/adição de energia de/para um fluido de trabalho.

Os sistemas fluidomecânicos constituem de máquinas de fluido, pneumáticos.

As máquinas, nesta disciplina, são entendidas como transformadores de energia. São constituídas de um motor e um gerador, normalmente acoplados através de um eixo. O motor é acionado por uma certa modalidade de energia, transforma-a em trabalho, que é transmitido, através do eixo, ao gerador. Este, por seu lado, transforma-o na modalidade final de energia desejada.

e sistemas hidráulicos e

Podemos classificar as máquinas hidráulicas em:

1)

Máquinas Motrizes: Transformam a energia hidráulica do fluído em trabalho mecânico, principalmente nos geradores de energia elétrica. Exemplos: Turbinas - Francis - reação, radiais e helicoidal; - Kaplan - reação, axiais e pás orientadas; - Pelton - ação ou impulsão, de jatos e tangenciais; - Rodas hidráulicas ou roda d'água;

2)

Máquinas Geratrizes: Recebem força motriz (trabalho mecânico) geralmente de máquinas motrizes, para fornecer energia de pressão e cinética a um fluído. São inúmeros os equipamentos que tem essa função, por exemplo: compressores de ar, turbo-compressores, ventiladores, bombas, etc.

Como iremos estudar o deslocamento fluídos incompressíveis, trabalharemos na descrição e selecionamento de Bombas e Ventiladores, além desses equipamentos serem de grande uso em várias ramos industriais.

Outra classificação das máquinas hidráulicas é:

a) Máquinas de fluido: agente fornecedor ou receptor de energia no rotor é um fluído em escoamento através das fronteiras do volume de controle; são sub-divididas em máquinas de fluxo e máquinas de deslocamento, conforme tabela (1.1) e (1.2).

b) Controles hidráulicos e pneumáticos: fluído confinado transmite força, torque ou potência.

Tabela (1.1) Classificação de máquina de Fluido Máquinas de Fluxo

Fluido de trabalho

Designação

líquido

turbina hidráulica e bomba centrífuga

gás (neutro)

ventilador, turbocompressor

vapor (água, freon, etc)

turbina a vapor, turbocompressor frigorífico

gás de combustão

turbina a gás, motor de reação

Máquinas de Deslocamento:

Fluido de trabalho

Designação

líquido

bomba de engrenagens, de cavidade progressiva, de parafuso

gás (neutro)

compressor alternativo, compressor rotativo

vapor (freon, amônia, etc)

compressor alternativo, compressor rotativo

gás de combustão

motor alternativo de pistão

Tabela 1.2: Características Principais

Máquinas de fluxo

Máquinas de deslocamento

alta rotação

baixas e médias rotações

potência específica elevada (potência/peso)

 

potência específica média p/ baixa (potência/peso)

não há dispositivos com movimento alternativo

 

várias têm dispositivos com movimento alternativo

médias e baixas pressões de trabalho

 

altas e muito altas pressões de trabalho

não

operam

eficientemente

com

fluidos

de

adequadas para operar com fluidos de viscosidade elevada

viscosidade elevada

vazão contínua

na maior parte dos casos, vazão intermitente

energia

cinética

surge

no

processo

de

energia cinética não tem papel significativo no processo de transformação de energia

transformação de energia

 

na maioria dos casos, projeto hidrodinâmico e características construtivas mais complexas que as máquinas de deslocamento

na maioria dos casos, projeto hidrodinâmico e características construtivas mais simples que as máquinas de fluxo

Capítulo 1

Bombas

Bombas são máquinas hidráulicas que transferem energia ao fluído no estado líquido, e que tem a finalidade de transportá-lo de um ponto a outro através do seu escoamento.

Recebem energia de uma fonte motora qualquer e cedem parte desta energia ao fluído sob forma de pressão, energia cinética ou ambas, isto é, aumentam a pressão do líquido, a velocidade ou ambas as grandezas.

1.1 Classificação das bombas

Não existe uma terminologia homogênea sobre bombas, pois, há vários critérios para designá-las, entretanto, poderemos classificá-las em duas grandes categorias:

a) Bombas Volumétricas ou de Deslocamento Positivo;

b) Turbobombas

Tabela 1.3: Classificação de bombas

Bombas centrífugas

de fluxo axial

1 estágio rotor aberto multiestágio rotor fechado
1 estágio
rotor aberto
multiestágio
rotor fechado

dupla sucção

1 estágio

multiestágio

de fluxo radial (centrífugas)

de fluxo periférico

Bombas de deslocamento

alternativas

pistão

diafragma

rotor aberto

rotor fechado

rotor fechado

rotativas

pistão

lóbulo

engrenagem

parafuso

passo fixo

passo variável

1.2 Bombas volumétricas ou de deslocamento positivo

Este tipo de bomba tem por característica de funcionamento a transferência direta da energia mecânica cedida pela fonte motora, em energia potencial(energia de pressão). Esta transferência é obtida pela movimentação de um órgão mecânico da bomba que obriga o fluído a executar o mesmo movimento que ele está executando.

O fluído desloca o mesmo volume que realiza o órgão mecânico da bomba, em movimentos alternados.

A variação de órgãos mecânicos (êmbolos, diafragma, engrenagens, parafusos, etc) é responsável pela variação na classificação das bombas volumétricas ou de deslocamento positivo, as quais podem ser dividas em:

a) Bombas de Êmbolo ou Alternativas;

b) Bombas Rotativas;

1.2.1 Bombas de êmbolo

Nas bombas de êmbolo o órgão que produz o movimento do fluído é um tipo de pistão ou diafragma que, em movimentos alternativos aspira e expulsa o fluído bombeado.

Princípio de funcionamento observando a figura (1.1):

Princípio de funcionamento observando a figura (1.1): a ) Movimento de aspiração com conseqüente fechamento

a) Movimento de aspiração com conseqüente fechamento da válvula de descarga (2) e abertura da válvula de admissão (1) preenchendo de fluído o volume V1.

b) Movimento de descarga com conseqüente abertura da válvula de descarga (2) e fechamento da válvula de admissão (1) esvaziando o fluído do volume V1 imprimindo-lhe uma energia potencial (de pressão).

Observações Gerais:

a) A descarga através da bomba é intermitente;

b) As pressões variam periodicamente em cada ciclo;

c) Esta bomba é capaz de funcionar como bomba de ar,

fazendo vácuo, caso não haja fluído a aspirar.

Figura 1.1: Esquema de uma bomba deslocamento

1.2.2 Bombas rotativas

Esquema de uma bomba deslocamento 1.2.2 Bombas rotativas A denominação genérica, Bomba Rotativa, designa uma

A denominação genérica, Bomba Rotativa, designa uma série de bombas volumétricas comandadas por um movimento rotativo, dando a origem do nome.

As bombas rotativas podem ser:

a) um só rotor.: palheta, pistão rotativo e parafuso

simples;

b) rotores

parafuso palhetas.

múltiplos.:

parafusos,

engrenagens,

Figura 1.2: Corte de uma bomba de engrenagens

O funcionamento volumétrico de todas elas consiste no preenchimento dos interstícios entre rotor e carcaça, sendo que a somatória de todos eles, corresponde à vazão total.

que a somatória de todos eles, corresponde à vazão total. 1.3 Turbobombas Este tipo de bomba

1.3 Turbobombas

Este tipo de bomba tem por princípio de funcionamento a transferência de energia mecânica para o fluído a ser bombeado em forma de energia cinética, por sua vez, esta energia cinética é transformada em energia potencial (energia de pressão) sendo esta sua principal característica.

Basicamente as turbobombas são constituídas de duas partes fundamentais:

Rotor (impelidor) que é dotado de palhetas responsável pelo movimento do fluido e acionado através de um eixo que lhe transmite o movimento de rotação Difusor que é o responsável pela coleta do fluido que sai do rotor e encaminha a tubulação de recalque (saída), devido a sua forma geometria, este diminuni a velocidade de saída e aumenta a pressão.

1.3.1 Classificação das turbobombas

Em função dos tipos e formas dos rotores, as turbobombas podem ser divididas na seguinte classificação:

Quando a direção do fluído bombeado é, em geral, perpendicular ao eixo de rotação.

b) Centrífugas de Fluxo Misto (helicoidal) (figura 1.4)

Quando a direção do fluído bombeado é, em geral, inclinada em relação ao eixo de rotação.

c) Centrífugas de Fluxo Axial (figura 1.5)

Quando a direção do fluído bombeado é paralela em relação ao eixo de rotação.

bombeado é paralela em relação ao eixo de rotação. Figura c e n t r í

Figura

centrífuga

1.3:

Bomba

radial

ou

Figura c e n t r í f u g a 1.3: Bomba radial ou Figura

Figura 1.4: Bomba

periférico ou misto ou helicoidal

de

fluxo

1.4: Bomba periférico ou misto ou helicoidal de fluxo Figura 1.5: Bomba axial Existem diversas outras

Figura 1.5: Bomba axial

Existem diversas outras classificações das bombas centrífugas, não abrangendo necessariamente todos

os tipos.

Dentre tantas consideraremos:

a) Quanto ao número de bocas de sucção do rotor. (figura 1.6)

- Bombas de Simples Sucção: o rotor possui uma única boca de sucção.

- Bombas de Dupla Sucção: o líquido penetra no rotor pelos dois lados havendo, portanto, duas bocas de sucção.

pelos dois lados havendo, portanto, duas bocas de sucção. Figura 1.6: Rotor de simples (a) e

Figura 1.6: Rotor de simples (a) e dupla (b) sucção

O rotor de dupla sucção apresenta sobre o de simples sucção a vantagem de proporcionar o equilíbrio

dos empuxos axiais, eliminado a necessidade de um rolamento de grande tamanho para suportar a carga axial sobre o eixo.

b) Quanto ao número de rotores existentes dentro da carcaça.

- Bomba de simples estágio ou unicelular: a bomba possui um único rotor dentro da carcaça.

- Bomba de vários estágios ou multicelular: a bomba possui dois ou mais rotores dentro da carcaça.

O primeiro rotor aspira o fluído e, ao invés de recalcá-lo, encaminha-o antes aos outros rotores para que

seja novamente energizado e se torne, assim, capaz de atingir maiores alturas.

A bomba de vários estágios, é então, o resultado de uma associação de rotores em série dentro de uma

carcaça.

c) Quanto à pressão desenvolvida

- Bomba de baixa pressão: até 15 mca (1,5 kgf/cm 2 ) aproximadamente;

- Bomba de média pressão: de 15 a 50 mca (1,5 a 5,0 kgf/cm 2 ) aproximadamente;

- Bomba de alta pressão: acima de 50 mca (5,0 kgf/cm 2 ) aproximadamente.

d) Quanto à configuração mecânica.

- Bomba com rotor em balanço: o rotor ou rotores são montados na extremidade posterior do eixo de acionamento que por sua vez é fixado em balanço sobre um suporte de mancais. Este grupo de bombas também é subdividido em bombas monobloco, onde o eixo de acionamento da bomba é o próprio orgão acionador e não monoblocos onde eixos de acionamento e orgão acionador são distintos.

- Bomba com rotor entre mancais: Neste grupo de bombas o rotor ou rotores são montados num eixo apoiados por mancais em ambas as extremidades e os mesmos se situam entre eles, também é subdividido em simples e múltiplos estágios.

e) Bombas centrífugas tipo turbina (verticais)

Estas bombas podem ser subdivididas em:

1. bombas de poço profundo;

2. bombas tipo barril;

3. múltiplos ou único estágio;

4. rotores radiais ou semi-axiais;

5. bombas submersíveis para poços artesianos, etc.

1.4 Princípio de funcionamento de uma bomba centrífuga ou radial

Uma bomba centrífuga assemelha-se a um vaso cilíndrico aberto, parcialmente cheio de água e capaz de, acionado por uma fonte externa, girar em torno de seu eixo de simetria. Esse giro ao atingir o equilíbrio dinâmico, faz com que o vaso fique com uma velocidade angular ( = .n/30) constante e que a água suba pelas paredes do vaso compondo sua superfície livre um parabolóide de resolução. Quando a velocidade angular for suficientemente grande, a água sobe tanto pelas paredes do vaso, a ponto de descobrir sua região central. Assim ocorre aumento da pressão sobre as paredes e uma depressão junto ao centro do vaso.

Consideramos agora um vaso cilíndrico fechado e totalmente cheio de água, vaso esse passível de ligação por tubulação a dois reservatórios: um inferior, a qual se liga pelo centro e outro superior, e ao qual se

liga pela periferia. Ao acionar o vaso girante (rotor), a depressão central aspira o fluido que, sob a ação da força centrífuga, ganha, na periferia, a sobrepressão que o recalca para o reservatório superior. Teremos , assim, criado

a bomba centrífuga, conforme mostra a figura (1.7)

Uma bomba centrífuga para conseguir entrar em funcionamento (realizar movimento do fluído), deve estar sempre escorvada (Escorva é o processo no qual evita-se a entrada de ar na bomba, as suas influências serão explicadas mais adiante), isso significa que a tubulação antes e a própria bomba estão cheias do líquido a ser bombeado.

Vamos imaginar que a bomba esteja ligada na sua entrada a um tanque à pressão atmosférica, ao ser acionada a bomba, pelo movimento do impelidor será criado uma pressão menor do que a do tanque na entrada, fazendo com que o fluído se desloque para dentro da mesma. O fluído dentro do impelidor sofre movimento centrífugo, o qual é responsável pelo aumento da energia cinética do fluído. Quando o fluído sai do impelidor

atingindo a voluta ocorre uma transformação gradual da energia cinética para energia de pressão, obedecendo-se

a Equação da Conservação de Energia (Bernoulli). A pressão na saída da bomba dependerá da característica da instalação (tubulação e acessórios) e equipamentos (características de pressão e escoamento).

e equipamentos (características de pressão e escoamento). Figura 1.7: Princípio de funcionamento de uma bomba

Figura 1.7: Princípio de funcionamento de uma bomba centrífuga

Figura 1.8: Croqui de instalação de uma bomba do tipo centrífuga Na figura (1.8), é

Figura 1.8: Croqui de instalação de uma bomba do tipo centrífuga

Na figura (1.8), é apresentado um croqui de uma instalação de bomba do tipo centrífuga, note que, o tanque de sução quando está acima do nível da bomba possue sinal positivo (+), isso caracteriza energia fornecida à bomba.

1.5 Princípio de funcionamento de uma bomba axial

Neste tipo de bomba a força de sustentação provocada pelo escoamento do fluido em torno da palheta (perfil aerodinâmico) é responsável pelo seu funcionamento. Deve considerar que no movimento vertical de uma massa do fluido resulta em um vazio (depressão) abaixo da mesma e uma impulsão (sobrepressão) em sua parte superior, figura (1.9), e ao girar no interior da carcaça da bomba axial, sofrem as palhetas (perfis aerodinâmicos) um movimento relativo de translação em relação ao fluido, criando uma força de sustentação que produz a aceleração do fluido no sentido de recalque da bomba.

1.6 Princípio de funcionamento de uma bomba diagonal ou fluxo misto

O funcionamento é devido, em partes, à ação da força centrífuga e à ação da força de sustentação provocada pelo escoamento do fluido em torno da palheta. Conforme a geometria do rotor se caracteriza como mais próxima do tipo radial (bombas hélico-centrifugas) ou do tipo axial (bombas helicoidais ou semi-axiais), passa a ter maior influência a ação da força centrífuga ou a ação da força de sustentação, respectivamente.

passa a ter maior influência a ação da força centrífuga ou a ação da força de

Figura 1.9: Princípio de funcionamento de uma bomba axial

1.7 Órgãos constitutivos de uma turbobomba

Como vimos uma turbobomba é composta por órgãos principais que são o rotor e o difusor e órgãos complementares que são os anéis de desgaste, eixo, caixa de gaxetas e selo mecânico, rolamentos , acoplamento base da bomba e outros. A figura (1.11) mostra uma bomba expandida e a figura (1.12) mostra os componentes de uma bomba.

1.7.1 O rotor

É o órgão móvel que, acionado pela fonte externa de energia, energiza o fluido, aspirando-o às custas de uma depressão em sua região central e recalcando-o graças à sobrepressão periférica.

Podem ser classificados em:

Radiais, diagonais e axiais: conforme a trajetória do fluido;

De simples e dupla sucação: conforme recolha o fluido por um lado ou pelos lados;

Rotor fechado, semi-aberto ou aberto: conforme seu desenho mecânico. (figura 1.10)

Rotor fechado: são usados normalmente no bombeamento de liquidos limpos. O rotor possui discos dianteiro e traseiro e palhetas fixas a ambos. Com esse tipo de rotor evita-se o retorno de água à boca de sucção, sendo para tal necessário a existência de juntas móveis (anéis de desgastes) entre a carcaça e o rotor, separando a câmara de sucção da câmara de descarga. Rotor semi-aberto: possui apenas um disco ou parede traseira onde se fixam as palhetas. Rotor aberto: as paletas são presas no próprio cubo do rotor.

Existem outros desenhos de rotores visando aplicações especificas: (tabela 1.4)

de rotores visando aplicações especificas: (tabela 1.4) Figura 1.10: Rotor fechado (a), semi-aberto (b) e aberto

Figura 1.10: Rotor fechado (a), semi-aberto (b) e aberto (c).

Figura 1.11: Desenho explodido de uma bomba Item Nome da peça Item Nome da peça

Figura 1.11: Desenho explodido de uma bomba

Item

Nome da peça

Item

Nome da peça

01

flange de sucção

02

rotor

03

carcaça ou caixa espiral

04

flange de descarga

05

eixo

06

cavalete

07

caixa de óleo

08

rolamentos

09

retentor

10

tampa da caixa de óleo

11

defletor

12

sobreposta ou aperta-gaxetas

13

estojo de gaxetas

14

cadeado hidráulico

15

gaxetas

16

anel de desgaste traseiro

17

chaveta

18

furos de compensação

19

porca do rotor

20

anel de desgaste dianteiro

19 porca do rotor 20 anel de desgaste dianteiro Figura 1.12: Componentes de uma bomba centrífuga

Figura 1.12: Componentes de uma bomba centrífuga

Tabela 1.4: Variações construtivas dos rotores e suas respectivas aplicações

construtivas dos rotores e suas respectivas aplicações Referências •Carvalho, D.F "Instalações

Referências

•Carvalho, D.F "Instalações elevatórias - Bombas”, IPUC 1977. •Pfleiderer, C. e Petermann, M. "Máquinas de Fluxo." Editora LTC, Brasil. •Macintyre, A. J. "Bombas e Instalações de Bombeamento." Ed. Guanabara II, Brasil.

Capítulo 2

Princípios Básicos

2.1 Introdução

Para trabalharmos com fluídos devemos inicialmente conhecer algumas propriedades a eles pertencentes, bases para o nosso estudo. Não iremos aqui desenvolver equações, sendo indicado no final do capítulo a bibliografia de apoio.

2.2 Escoamento de fluídos:

2.2.1 Fluído

Fluído é toda substância, que se deforma continuamente sobre qualquer esforço tangencial aplicado na sua superfície livre. Existem algumas denominações de atribuição ao fluído como:

Fluído ideal, aquele que não possui viscosidade (resistência ao escoamento);

Fluído incompressível, aquele que não varia o volume sobre aplicação de uma tensão normal à sua área (pressão).

Para identificarmos os fluídos, descreveremos a seguir algumas de suas propriedades:

2.2.2 Propriedades dos fluídos

1. Peso Específico: relação entre a peso do fluido e o volume ocupado por esse fluido

 

P

=

(2.1)

 

V

onde:

= peso específico [N/m 3 ]

P

= peso do fluído [N]

 

V

= volume [m 3 ];

2.

Massa Específica ou Densidade: relação entre a massa do fluido e o volume ocupado por este fluido.

= m

 

(2.2)

 

V

onde:

= massa específica [Kg/m 3 ]

m

= massa do fluído [Kg]

V

= volume [m 3 ];

 

Se

pegarmos a massa de um fluído e multiplicarmos pela aceleração da gravidade (g), obtemos o peso

do fluído, portanto podemos escrever a equação abaixo, que relaciona:

=

g

 

(2.3)

3.

Densidade Relativa (d): É a relação entre o peso específico de um fluído de estudo e um fluido de referência (água a 15ºC no caso de liquido e ar no caso de gás).

d =

liquido

 

gas

(2.4)

 

=

 

agua

ar

4. Viscosidade: é a propriedade física de um fluído que exprime resistência ao cisalhamento interno, isto é, a qualquer força que tenda a produzir o escoamento entre suas camadas.

Num fluído real, as forças internas de atrito tendem a impedir o livre escoamento. A viscosidade tem uma importante influência no escoamento, notadamente através da perda de energia de pressão. A magnitude do efeito depende principalmente da temperatura e da natureza do fluído. Assim, qualquer valor indicado para a viscosidade de um fluído deve sempre indicar a sua temperatura, bem como naturalmente a unidade que a mesma é expressa. Notar que nos líquidos a viscosidade diminui com o aumento da temperatura, enquanto nos gases ela tende a aumentar.

Newton descobriu que em muitos fluídos a tensão de cisalhamento é proporcional ao gradiente de velocidade, ou seja:

 

du

 
 

=

 

dy

(2.5)

onde

 

é a tensão de cisalhamento [N/m 2 ]

 

é viscosidade dinâmica [ N.s/m 2 ] ou [kg/m.s]

u

é a velocidade [m /s]

y

é posição [m]

A

viscosidade dinâmica ou absoluta exprime a medida das forças internas do fluído e é justamente o

coeficiente de proporcionalidade entre a tensão de cisalhamento e o gradiente de velocidade da Lei de Newton. Os fluídos que obedecem essa lei, são chamados Fluídos Newtonianos, e os que não a obedecem são chamados Não-Newtonianos.

 

Nas aplicações correntes da técnica emprega-se a viscosidade cinemática, expressa pelo quociente do coeficiente de viscosidade absoluta e pela massa específica do fluído.

 

=

=

g

(2.6)

onde:

= [N.s/m 2 ]

 

g

 

= [m/s 2 ] = [N/m 3 ] = [m 2 /s]

No sistema físico (cgs) as unidades são o stoke e o centistoke.

 
 

1 stoke (1 st) = 1 cm 2 /s = 10 -4 m 2 /s

1 centistoke(1 cst) = 0,01 cm 2 /s = 10 -6 m 2 /s

 

A viscosidade varia sensivelmente com a temperatura. Na tabela (A.1) são apresentados valores da

viscosidade e outras propriedades da água para várias temperaturas.

2.2.3 Pressão

 
 

É

a tensão causada por uma força sobre a área onde se aplica esta força.

 

F

 

P =

A

(2.7)

onde:

P = pressão [N / m 2 ];

F = força normal a área [N];

A = área de estudo

2.2.3.1 Lei de Pascal

[m 2 ];

" A pressão aplicada sobre um fluído contido em um recipiente fechado age igualmente em todas as direções do fluído e perpendicularmente às paredes do recipiente".

É este princípio que permite, por exemplo o funcionamento do macaco hidráulico, onde uma força pequena F1 é aplicada sobre um embolo de área pequena, produzindo no fluido uma pressão P, que deve ser igual em todas as paredes do recipiente, assim, no êmbolo de maior área, a força resultante F2 é tão maior quanto maior for a relação entre as áreas dos êmbolos.

2.2.3.2 Pressão absoluta e pressão manométrica

2 . 3 . 2 Pressão absoluta e pressão manométrica Figura 2.1: Princípio de funcionamento do

Figura 2.1: Princípio de funcionamento do macaco hidráulico.

Pressão absoluta (p abs ) é a escala de pressão medida a partir do zero absoluto ou vácuo, sendo a soma da pressão atmosférica local (p atm ) mais a pressão manométrica (p man ) também chamada de relativa. Sua equação é:

p abs = p atm + p man

(2.8)

"A diferença de pressão entre dois pontos de um fluído em equilíbrio é igual ao produto do peso específico do fluído pela diferença de cotas entre dois pontos". Esse Teorema define a equação básica da estática para dois pontos em um fluído.

pp

b

a

=◊

h

(2.9)

A diferença de pressão absoluta entre a superfície livre e um ponto

dentro do reservatório é:

pp =

a

atm

+◊ h

(2.10)

Vasos comunicantes: pontos que estejam no mesmo nível estão sujeitos a mesma pressão.

2.2.3.4 Carga de Pressão ou Altura da Coluna de Líquido

2.2.3.4 Carga de Pressão ou Altura da Coluna de Líquido Figura 2.2: Teorema de Stevin Carga

Figura 2.2: Teorema de Stevin

Carga de pressão é a altura na qual pode ser elevada uma coluna de líquido quando está sob influência de uma certa pressão.

h

= P

h = altura de coluna de líquido

P = pressão [Pascal];

= peso específico [N / m 3 ];

É usual, quando se trata de especificação de bombas, relacionar a pressão necessária em metros de

coluna de fluído (mcf), como a maioria das bombas são ensaiadas com água a unidade de pressão mais utilizada

onde:

[m];

é metros de coluna d água (mca).

2.2.3.5 Pressão de Vapor

(2.11)

Para caracterizar o estado de uma substância pura são necessárias duas propriedades independentes. Para um gás ou mesmo um líquido, normalmente Pressão e Temperatura são propriedades independentes, entretanto, na região de mudança de fase elas são relacionadas, e portanto não são independentes. Portanto, para uma determinada substancia pura, para cada temperatura haverá um pressão na qual a coexistência das fases líquida e vapor. A essa pressão damos o nome de Pressão de Vapor. A tabela (A.1) traz valores de pressão de vapor para a água nas temperaturas mais usuais de trabalho.

2.2.4 Escoamento

Devemos inicialmente definir algum termos relacionados com escoamento como:

a) Regime Permanente: é quando no escoamento as propriedades do ponto (ex.: pressão, temperatura, etc) não variam com o tempo;

b) Regime Laminar: é aquele no qual os filetes de líquido são paralelos entre si e as velocidades em cada ponto são constantes;

c) Regime Turbulento.: é aquele no qual as partículas apresentam movimentos variáveis, com diferentes velocidades em modulo e direção de um instante para outro;

Para se caracterizar o tipo de escoamento, é utilizado o número de Reynolds (Re), que é definido como

a resistência que os líquidos oferecem ao escoamento é um fenômeno de inércia - viscosidade, que exprime a

relação entre as forças de inércia e as forças de atrito interno (forças de cisalhamento) atuantes no escoamento.

Re = v.D

onde:

Re = número adimensional

D

= diâmetro interno do tubo [m]

v

= velocidade média [m/s]

(2.12)

= viscosidade cinemática [m 2 /s]

A grande importância do número de Reynolds reside em que permite entre inúmeras outras aplicações:

1.

Estabelecer a lei de analogia entre dois encanamentos.

2. Caracterizar a natureza do escoamento

3. Calcular o coeficiente de perda de carga.

Quando os dispositivos de escoamento forem semelhantes, o regime do escoamento será o mesmo sempre que o número de Reynolds for o mesmo. Isto dá maior importância para estudos e ensaios de laboratório, quando se pode, por exemplo, usar ar ao invés de água, água ao invés de outros líquidos.

Suponhamos que temos dois encanamentos de igual diâmetro, igual rugosidade, sendo que em um escoa água e em outro ar. Como a viscosidade cinemática da água é da ordem de 15 vezes maior que a do ar, a velocidade do escoamento do ar deverá ser da ordem de 15 vezes maior que a da água, para manter o mesmo número de Reynolds e com isso o coeficiente de perda de carga também o será.

Em outras palavras, podemos realizar o escoamento usando ar, desde que com velocidades l5 vezes maior do que se teria de empregar no caso da água.

2.2.4.1 Caracterização da natureza do escoamento

O escoamento permanente pode ser laminar ou turbulento.

Experiência de Reynolds:

Deixando-se água escorrer por um cano transparente juntamente com um líquido colorido, forma-se um filete desse líquido. O movimento da água está em regime laminar.

No escoamento laminar ou regime laminar em um tubo cilíndrico, as extremidades dos vetores velocidades das partículas numa dada seção de escoamento formam uma superfície parabólica, e a velocidade máxima se verifica no eixo do tubo. A velocidade máxima da corrente é cerca de 1,5 a 2 vezes a velocidade média. Junto às paredes, as velocidades das partículas é praticamente nula.

O regime de escoamento laminar ocorre nos tubos capilares, no movimento de óleo em oleodutos, sabão

em tubos, etc.

Voltando à experiência de Reynolds, à medida que se aumenta a vazão da água abrindo-se a torneira, o filete vai se alterando podendo chegar a difundir-se na massa líquida, atingindo-se portanto o escoamento turbulento.

No escoamento turbulento, devido à natureza do movimento das partículas ocorrem deslocamentos transversais, produz-se uma distribuição uniforme das velocidades.

Mesmo no escoamento turbulento, junto às paredes ocorre um filme laminar cuja espessura é muito pequena e inversamente proporcional ao número de Reynolds (camada limite laminar).

Para se determinar o tipo de escoamento em uma canalização, calcula-se o número de Reynolds e compara-se o valor obtido com os seguintes valores:

Re

2000

---> Movimento Laminar

2000

Re

4000

---> Zona de Transição

Re 4000

---> Movimento Turbulento

Exemplo:

 

Mostrar que na prática o movimento da água em encanamento é sempre turbulento.

Resolução:

A

velocidade média em encanamentos de água geralmente varia em torno de 0,90 m/s.A temperatura

admitida de 20ºC e diâmetro de 38mm.

Re = v.D

0 90 0 038

. = 0 000001007

.

.

= 33962

onde.:

v = 0,90 m/s

D = 0,038 m

= 0,000001007 m2/s (tabela A.1)

Re = 33.962 (Este valor é bem superior a 4.000, define o movimento turbulento)

2.3 Princípios de conservação:

2.3.1

Conservação da massa

A conservação da massa apesar de ser um fato comprovado (para sistemas sob o prisma das Leis de

Newton), sua equação para volume de controle foi deduzida a partir do teorema de transporte de Reynolds e a idéia de sistema.

Para regime permanente, na sua forma integrada podemos escrevê-la da seguinte maneira:

m

onde:

= e Se
=
e
Se

m

s

m e = somatória das massas na entrada do volume de controle [Kg/s];

m s = somatória das massas na saída do volume de controle [Kg/s];

pegarmos a equação anterior e dividirmos pela massa específica do fluído nas entradas e saídas (para

fluídos incompressíveis) obtemos:

Volume Tempo

Volume Tempo

e

=

s

ou

Q

e

= Q

onde:

s

Q e = vazão volumétrica de entrada [m 3 /s; m 3 /h]

Q s = vazão volumétrica de saída

[m 3 /s; m 3 /h]

(2.13)

(2.14)

(2.15)

Vazão pode ser interpretada como o fluxo ou velocidade de fluído passando pela superfície ou área do volume de controle, logo:

Q=v A

onde:

(2.16)

v = velocidade com o fluído cruza a superfície [m/s];

A = superfície ou área de estudo do volume de controle[(m 2 ];

Portanto a equação da continuidade em termos de fluxo volumétrico fica:

v .

e

A

= v

es

.

A

s

2.3.2 Conservação da energia

2.3.2.1 Equação de Bernoulli

(2.17)

A equação de Bernoulli é um caso particular da equação de Euler, sendo usada para fluídos incompressíveis e em regime permanente e sem atrito. A partir dela podemos dizer que a energia total num ponto 1 de uma linha de corrente é igual a energia total a um ponto dois na mesma linha de corrente. Bernoulli confirma a conservação de energia ao longo de um escoamento.

Energia total

ponto

1

= Energia

total

ponto

2

(2.18)

A energia de um ponto é composta pelas energias abaixo relacionadas:

a)

Energia cinética ou energia devido ao deslocamento

 

2

v

E

c

=

2g

onde:

E c = energia cinética [m.c.f.];

v

= velocidade [m/s];

g

= aceleração da gravidade [m/s 2 ];

b)

Energia de pressão ou energia mecânica

E

p

= p

onde:

E p = energia de pressão [m.c.f.];

p = pressão do líquido [Pa];

= peso específico do fluído [N/m 3 ];

(2.19)

(2.20)

c)

Energia potencial ou de posição

E

pz

= Z

onde:

E pz = energia potencial [m.c.f.];

Z = altura em relação ao referencial [m];

Portanto a equação de Bernoulli fica:

E

c

+ E

p

+ E

pz

= constante =

v

2

p

++ Z

2

g

Se utilizarmos a equação de Bernoulli para dois pontos obtemos:

v

2g + p

2

1

v

2

2

1

p

2

1

2g

+ Z

=

+

+ Z

2

(2.21)

(2.22)

(2.23)

Quando consideramos a troca de calor e o trabalho envolvido em regime permanente temos a expressão:

q

W

v

2

2

2

v

2

1

p

1

=

2g + p

 

+

Z

2

2g

+

mg

mg

 

onde:

q

= fluxo de calor trocado [W]

 

W

m

+ Z

1

= potência trocada [W] = fluxo de massa que atravessa o volume de controle [kg/s]

2.4 Perdas de carga

(2.24)

Como foi observado no item anterior, na equação de Bernoulli para fluídos ideais a energia se conserva ao longo do escoamento, mas com os fluído reais existe um perda de energia devida a resistências do tipo internas (devido a viscosidade) e do tipo externas (devido ao atrito do fluído contra parede, variações de velocidades e mudanças de direção), a essa resistência daremos o nome de Perda de Carga . Devemos portanto adicioná-la na equação de Bernoulli para que a energia total entre dois pontos se conserve.

q

W

v

2

2

2

v

2

1

p

1

=

2g + p

 

+

Z

2

2g

+

 

mg

mg

 

+

Z +

1

H

onde:

H = perda de carga entre dois pontos (unidade m.c.f.);

As perdas de carga estão classificadas em:

a) Perdas de carga ao longo das canalizações; H c

b)

Perdas de carga localizadas; H d

2.4.1 Perdas de carga ao longo das canalizações ou distribuídas

(2.25)

A resistência ao escoamento ao longo das canalizações depende do comprimento, diâmetro do tubo, da

velocidade e viscosidade do fluído, da rugosidade das paredes do tubo, não dependendo da posição do tubo e nem

da pressão interna.

Existem várias formulas empíricas para o cálculo da perda de carga ao longo das canalizações, porém veremos apenas a fórmula universal, que é válida para qualquer líquido, e é empregada no chamado Método moderno ou racional.

Darcy e Weissbach chegaram a esta expressão:

H

c

onde:

2

=f L

v

D 2g

f = coeficiente de atrito [adimensional];

L

= comprimento do tubo [m];

D

= diâmetro do tubo [m];

v

= velocidade média de escoamento [m/s];

g

= aceleração da gravidade [m/s 2 ];

H = perda de carga [m];

(2.26)

 

A

velocidade do fluido de escoamento, segundo a equação da continuidade aplicada a dutos circulares, é

dada por:

 

 

4

Q

 

v =

D

2

(2.27)

Em dutos não circulares o diâmetro será o diâmetro equivalente (D eq )., e é calculado por:

D

eq = 4

A

P

onde:

A = área transversal do duto [m 2 ];

P = perímetro da seção transversal do duto [m].

(2.28)

Utilizando esta equação para um duto de seção circular, temos que D eq = D.

Para um duto de seção retangular de lados a e b, temos que D eq = 2ab/(a+b)

2.4.1.2 Determinação do coeficiente f

A determinação do coeficiente f leva em consideração se o escoamento é laminar ou turbulento:

a)

Escoamento Laminar -> Re < 2.000

 

O

coeficiente f não depende da rugosidade do escoamento, mas apenas do número de Reynolds

 

64

f

=

Re (equacao de Poiseuille)

A equação de perda de carga para regime laminar fica:

H

c

= 32

L

v

D

2

g

onde:

= Viscosidade cinemática [m 2 /s]

(2.28)

(2.29)

Esta fórmula serve para qualquer líquido e qualquer tubo, independente do material, do estado e da rugosidade das paredes. Como se vê, no escoamento laminar a perda é sempre proporcional, à velocidade.

b) Escoamento Turbulento ->

Re > 4.000

Para os escoamentos turbulentos, o coeficiente de atrito f é uma função de Re e da rugosidade do material ou k, ou da rugosidade relativa ( /D ou k/D). a rugosidade relativa pode ser obtida diretamente da figura (B.1) ou através dos valores da rugosidade absoluta pela tabela (A.3).

Outra forma f é através da forma iterativa através da equação transcendental apresentada por Colebrook

:

f

=

{

1

1,14 + 2

log

(

D

) - 2

log

[1+

9,3

Re( ) f ] D
Re(
)
f ]
D

}

2

Churchill propõe a seguinte equação para o cálculo de f:

f

=

onde:

8.[(

8

12 1

+

(A + B )

3/2

Re )

]

1/12

A = [2,457.

ln (

1

(7 / Re )

0,9

+

0,27.(

/ D) )]

16

e B

=

[ 37530

Re

] 16 A forma direta de obter f

(2.30)

(2.31)

é pelo diagrama de Moody (figura B.2), onde apresenta em abcissas o número de Reynolds (Re), e a esquerda o coeficiente de atrito f, ambos em escalas logarítmicas. Pode ser notado que o limite do escoamento laminar é considerado igual a 2.000.

a) Para Re < 2000, regime Laminar, usa-se a reta A de Poiseuille;

b) Para Re compreendido entre 2000 e 4000 tem-se o regime instável ou crítico de transição do laminar ao

turbulento, e o fator de resistência oscila em torno de uma curva que pode ser considerada independente da rugosidade.

c) Para Re > 4000, o regime é turbulento e temos uma curva representativa de f para cada viscosidade.

A linha D se aplica aos tubos lisos. A partir da curva E, para a direita verifica-se que f não depende mais de Re, mas apenas da rugosidade relativa /d, isso ocorre devido a camada limite laminar se tornar menor que as asperezas do tubo, devido ao regime de completa turbulência.

No diagrama de Moody, existe um termo /d, que relaciona a rugosidade que a tubulação possui com o

seu diâmetro. Pode ser notado que quanto maior a relação /d maior o valor do fator f e portanto maior a perda

de

carga.

Exemplo:

Exemplo:

Num oleoduto são bombeados 190 l/s de óleo cru a temperatura de 16ºC ( = 1,06 x 10 -5 (m 2 /s) ), sabendo-se que o encanamento é constituído por um conduto novo de aço comercial de 0,450m de diâmetro e com um comprimento de 1.000m. Calcular a perda de carga.

Resolução:

 

pelo enunciado

Q

= 190 l/s = 0,190 m 3 /s;

L

= 1000 m;

D

= 0,45 m

= 1,06 x 10 -5 (m 2 /s)

1º passo ---> v = Q/A

A = (

D 2 )/4 = ( 0,45 2 )/4 = 0.159 m 2

v = (0,190/0.159) = 1,19 m/s

2º passo ---> Re = (V.D)/

Re = (1,19 0,45)/ 1,06 x10 -5

Re = 5,05 x 10 4 (turbulento)

3 0 passo ---> Pela tabela de /d (A.3), obtemos /D = 0,0001;

4 0 passo ---> com os valores de /D e Re entramos no Diagrama de Moody (figura A.2)e obtemos

f = 0,021

5 0 passo ---> H c = f (L/D) (V 2 /2g)

H c = 0,021 (1000/0,45) (1,19 2 /(2 . 9,8)) = 3,37 m

2.4.1.2 Perda de carga em canalizações de PVC

Para cálculo da perda de carga contínua em tubulações de PVC pode ser usado diretamente, a figura

(B.3).

2.4.1.3 Perda de carga em tubulações de ar

Neste caso podemos usar a figura (B.4) para calcular a perda de carga neste dutos

Pode-se também utilizar a figura (B.4) para calcular a perda de carga em dutos não circulares utilizando

o valor de D eq calculado desta forma, desde que o outro parâmetro utilizado como entrada no ábaco seja a velocidade, calculada como V = Q/A.

No caso de querermos entrar na figura (B.4) para dutos não circulares com o valor da vazão diretamente, devemos utilizar um diâmetro equivalente para atrito (D eq.f ), que para dutos retangulares é calculado segundo a equação:

D

eq.f

= 1,30x

(ab )

0,625

(a + b )

0,25

(2.32)

Com o valor de D eq.f calculado dessa forma, a figura (B.4) pode ser utilizado diretamente para o cálculo da perda de carga, desde que se entre com o valor da vazão, pois com este procedimento, o valor de velocidade indicado na carta não corresponde à velocidade no duto retangular.

A velocidade real deve ser obtida de V = Q/A.

2.4.2 Perdas de carga localizadas

As perdas de cargas localizadas, também chamadas de perdas singulares são ocasionadas por mudanças

de direção e ou mudança de seção no escoamento. Estas mudanças ocasionam turbilhonamento e, devido à inércia, parte da energia mecânica disponível se converte em calor se dissipando, resultando portanto numa perda de energia ou perda de carga.

Exemplo de mudança de direção nas tubulações temos:

curvas;

cotovelos;

tês;

junções, etc.

Exemplo de mudanças de seção de escoamento nas tubulações temos:

entrada de tubulações; saídas de tubulações; válvulas; reduções; diafragmas, etc.

este tipo de perda deve ser somado a perda de carga distribuída.

Para calcular a perda de carga localizada existem dois métodos:

2.4.2.1 Método direto

A perda de carga localizadas pode ser dada diretamente por:

H

d

onde:

2

2

2

=K v

2g

=

v

v

,

c s

2g

,

c b

2g

C

= C

K = característica do acessório (tabela A.4)

(2.33)

C c,s = característica de junções ou bifurcações no duto principal (tabela A.5 à A.10)

C c,s = característica do junções ou bifurcações no duto secundário (tabela A.5 à A.10)

Para fins de aplicação prática pode-se considerar constante o valor de K para determinada singularidade desde que o escoamento seja turbulento, independentemente do diâmetro da tubulação, da velocidade e da natureza do fluído.

2.4.2.2 Método dos comprimentos equivalentes:

Uma canalização que possui ao longo de sua extensão diversas singularidades, eqüivale, sob o ponto de vista de perdas de carga, a um encanamento retilíneo de comprimento maior sem singularidades.

Pensando assim, os problemas que envolvem perda de carga são bastante simplificados.

O método consiste em adicionar à extensão da canalização, para efeito de cálculo, comprimentos tais

que corresponda à mesma perda de carga que causariam as peças especiais existentes na canalização.

As tabelas (A.11e A.12) apresentam os comprimentos equivalentes a perdas localizadas em metros de

canalização retilínea, baseada na fórmula de Darcy.

O encanamento com um certo comprimento que possui um registro ao longo de sua linha terá uma

perda de carga que será a soma da perda ao longo da canalização mais a perda de carga no registro.

O mesmo encanamento desprovido do registro poderá apresentar a mesma perda de carga se seu

comprimento foi convenientemente aumentado.

Procedimento para cálculo de perda de carga, com perdas localizadas e perdas ao longo da canalização simultaneamente.

O procedimento é calcular as perdas localizadas com as perdas distribuídas simultaneamente, na

equação geral.

2

H=f L

v

D 2g

(2.35)

Para isso o comprimento L será a soma do comprimento da tubulação reta (L c ), e os comprimentos equivalentes (L eq ) representante das peças, válvulas e conexões existentes ao longo da tubulação.

Exemplo: Calcule a altura h2 ( figura abaixo) suficiente para manter a vazão de 0,2 litros/ seg. no chuveiro (7). Inicialmente considere o encanamento de aço galvanizado de ½” (12,7mm).

Resolução:

Usaremos o método do comprimento equivalente

Número

acessório

L eq (tabela A.11)

Total

1

entrada na canalização

1 x 0,2

0,2

2,3,4,6

cotovelo 90º

4 x 0,4

1,6

5

registro gaveta

1 x 0,1

0,1

7

chuveiro (distância do solo)

1 * 2,0

2,0

 

L eq

=

3,9

Comprimento dos trechos retos de tubos:

L c = 10,0 + 2,0 + 1,0 + 1,0 + 0,5 = 14,5 m

L = L c + L eq = 14,5 + 3,9 = 18,4m

+ 0,5 = 14,5 m L = L c + L e q = 14,5 +

Logo, o valor de L que usaremos na equação (2.35) da perda de carga será de L = 18,4m.

Para determinar o valor de f precisamos do número de Reynolds (Re) e da rugosidade relativa ( /d)

como a vazão foi dada e vale 0,2 l/s = 0,2 x 10 -3 m 3 /s;

e o diâmetro da tubulação ½” (12,7mm). A área correspondente é de 1.27 x10 -4 m 2 .

A velocidade na tubulação será de v = Q/A = 1,58 m/s

pela tabela (A.1)

= 1,06 x 10 -5 (m 2 /s) (temperatura de 16ºC);

Re = vD/

= 1891,61 portanto regime laminar f = 64/Re = 0,03383

 

2

18 4

,

 

158

,

2

H=f L

v

2g

= 0 03383

,

3

2

 
 

D

 

12 7

,

10

 

9 81

,

= 6 23704

,

m

aplicando na equação (2.25) como não a troca de calor e nem trabalho a equação fica:

2

1

1

 

v

2

2

p

2

v 2g + p

 

1

=

+

 

2g

 

0

2

1 58

,

 

2

 

+

2

 

+

2g + h

2

=

2

9 81

,

substituindo os dados

+ Z

2

+

6 , 2374

=

H

8 , 36428

m

Referências

Fox e McDonalds, ”Introdução à Mecânica dos Fluidos”, 4 a ed., Ed. Guanabara

Lista de exercício nº1

1-) Uma placa infinita, se movimenta paralelamente a uma superfície horizontal fixa. Entre as duas superfícies existe um fluído com viscosidade de = 7,2x10 -3 poise (1 poise = 0,1kg/ms). Admitindo-se que o perfil de velocidade é linear com valor de 0,5m/s, determine:

a-) A Tensão de cisalhamento e a sua direção de aplicação, referente a placa móvel;

b-) A viscosidade cinemática do fluído (d= 0,8);

2-) Um eixo cilíndrico de diâmetro 80mm, gira no interior de um mancal de diâmetro 82mm. A folga entre o eixo e o mancal é preenchida pôr óleo com viscosidade dinâmica = 7,2x10 -3 Ns/m 2 . Determine a potência necessária para que o eixo gire com rotação constante n = 1200rpm. Supor que a distribuição de velocidade na folga é linear.

3-) Um mergulhador, mergulha no mar (d=1,025) e no rio (d=0,998), até a profundidade de 50 metros. Determine a pressão relativa e absoluta nas duas condições e verifique em qual local ele esteve sujeito a maior pressão. Em ambos os locais, a pressão atmosférica é de 101,3kPa e g= 10m/s 2 .

4-) Determine a pressão no ponto A em Pa manométrica devida à deflexão do mercúrio, d=13,6, no manômetro em da figura abaixo.

do mercúrio, d=13,6, no manômetro em da figura abaixo. 5-) Água escoa pelas tubulações A e

5-) Água escoa pelas tubulações A e B, um manômetro duplo U foi conectado entre as duas tubulações conforme apresentado na figura abaixo. Determinar a diferença de pressão entre as duas tubulações. Dados: d Hg =13,6; d óleo = 0,8; d H20 =1,0; H20 = 10000N/m 2 . As leituras no manômetro são dadas em cm.

d ó l e o = 0,8; d H 2 0 =1,0; H 2 0 =

Capítulo 3 Altura Manométrica do Sistema

Define-se a altura manométrica de um sistema elevatório como sendo a quantidade de energia que deve ser absorvida por unidade de peso de fluído que atravessa a bomba, energia esta necessária para transportar o fluído do reservatório de sucção para o reservatório de descarga, a diferença de pressão entre os dois reservatórios e a resistência natural que as tubulações e acessórios oferecem ao escoamento dos fluidos (perda de carga)com uma determinada vazão.

No sistema que estudaremos esta energia será fornecida por uma bomba centrífuga e a altura manométrica é um parâmetro fundamental para a escolha da mesma.

Figura 3.1: Distribuição ao longo de um sistema de bombeamento das alturas manométricas de sucção,
Figura 3.1: Distribuição ao longo de um sistema de bombeamento das alturas manométricas de sucção, recalque,
geométrica e total.
- p
rd
rs
=Hg + p
+
H
(3.1)
H man

onde:

Hs = altura de sucção

Hr = altura de recalque

Hg = Hs + Hr (desnível geométrico)

Hm = altura manométrica [m]

p rd = pressão no reservatório de descarga [N/m 2 ]

p rs = pressão no reservatório de sucção [N/m 2 ]

= peso específico [N/m 3 ]

H = perda de carga em m.c.f.

Quando ambos os reservatórios são abertos e sujeitos, portanto, à pressão atmosférica, temos:

p rd = p rs = p atm

(3.2)

e a equação (3.1) fica:

H

man

= H

g

+ H

3.1 Medição direta da altura manométrica

Numa instalação de bombeamento em funcionamento, poderemos obter manométrica diretamente da própria instalação.

a grandeza da altura

(3.3)

Poderá haver a necessidade de variar a vazão para atendimento do consumo. Esta variação de vazão, processada através da variação da abertura da válvula de recalque, torna, variável o valor da altura manométrica.

Com a colocação de um manômetro na sucção e na descarga da bomba é possível medir diretamente a altura manométrica desenvolvida pela bomba, qualquer que seja a vazão recalcada (ver figura. 3.2).

Se a bomba tem sucção positiva (está montada acima da linha de nível do reservatório de sucção) a expressão é:

H

man

=

p

d

+

p

s

+ Z

ds

(3.4)

p d p s
p d
p s

Figura 3.2: Medição direta da altura manométrica

onde:

p d = pressão lida no manômetro colocado na descarga [Pa]; p s = pressão lida no manômetro colocado na sucção [Pa]; = peso específico do fluído [N/m 3 ]; Z ds = é a diferença de cota entre as linhas de centro dos dois manômetros colocados na sucção e na

descarga.

dois manômetros colocados na sucção e na descarga. F i g u r a 3 .

Figura 3.3: Sucção positiva

3 . 3 : S u c ç ã o p o s i t i

Figura 3.4: Sucção negativa

Se a bomba tem sucção negativa (está montada abaixo do nível do reservatório de sucção) a bomba está afogada e a expressão da altura manométrica será

H

man

onde:

=

p

d

(

H

gs

Z

ds )

H gs = desnível do reservatório de sucção

(3.5)

Outra forma de obter a altura manométrica é pela diferença entre a altura manométrica de recalque (descarga) (H md ) e da a sucção (H ms ).

H

man

= H

md

- H

ms

3.2 Altura manométrica de sucção

(3.6)

É a soma da altura geométrica de sucção (H gs ), a pressão atuando no reservatório de sucção (p rs ) e a

perda de carga na sucção ( H s ).

H

ms

= H

gs

+ p

rs

+

H

s

(3.7)

O termo H gs pode ser positivo ou negativo, dependendo do tipo de instalação da sucção. A seguir serão apresentados alguns tipos.

a) Sucção Positiva

É quando o nível do líquido no reservatório de sucção está abaixo da linha de centro da bomba. Neste

caso o termo H gs é positivo (figura 3.3). É necessário usar uma válvula de retenção com crivo no início da

tubulação de aspiração, a “válvula pé” impede o retorno do fluido, quando a bomba está parada.

b) Sucção Afogada ou Negativa

É quando o nível do líquido no reservatório de sucção está acima da linha de centro da bomba. Neste

caso o termo H gs é negativo (figura 3.4). Neste caso não há necessidade de válvula de pé com crivo desde que o

nível da água permita encher completamente a bomba.

3.3 Altura manométrica de descarga

É a soma da altura geométrica de descarga (H gd ), a pressão atuando no reservatório de descarga (p rd ) e a

perda de carga na descarga (

H

md

= H

gd

+ p

rd

+

H

d

H d ).

3.4 Curvas características do sistema

(3.8)

Os sistemas de bombeamento são compostos por diversos elementos tais como bombas, tubulações, válvulas e acessórios, sendo todos necessários para obter-se a transferência do fluído de um ponto para outro.

Os parâmetros Vazão (Q) e Altura Manométrica (H man ) são fundamentais para o selecionamento da bomba adequada para um sistema.

Muitas vezes, no entanto, é necessário conhecer-se não somente um ponto de operação do sistema (Q e H man ) mas a "Curva Característica do Sistema", o comportamento ou relação entre a vazão e a altura manométrica. Esta curva é muito importante para se conhecer exatamente o ponto de trabalho da bomba.

3.4.1 Levantamento da curva do sistema

A curva característica do sistema é levantada, plotando-se a altura manométrica em função da vazão do sistema, conforme indicado a seguir:

1º) passoTomar uma das fórmulas para obtenção da altura manométrica;

2º) passoFixar algumas vazões dentro da faixa de operação do sistema. Sugere-se fixar cerca de cinco pontos, entre eles o ponto de vazão nulo (Q=0) e o ponto de vazão do projeto (Q=Qproj);

3º) passoCalcular a altura manométrica corresponde a cada vazão fixada obtendo-se a seguinte tabela:

Q (m 3 /h)

man (m.c.f.)

H

Q 1 = 0

H

man1 =

Q 2 =H man2 =

 

Q 3 =H man3 =

 

Q 4 = Q proj

H

man4 =

Q 5 =H man5 =

 

4º) passo Plotar os pontos obtidos num gráfico Q x Hman, obtendo-se assim a curva do sistema, conforme ilustrado a seguir:

Para o projeto de um sistema de tubulações, dimensiona-se o diâmetro dos dutos pela vazão

Para o projeto de um sistema de tubulações, dimensiona-se o diâmetro dos dutos pela vazão de projeto, e assim, faz-se o cálculo da perda de carga somente para esta vazão. Para não termos que recalcular para cada uma das vazões fixadas acima novamente a perda de carga, podemos trabalhar um pouco com as equações da altura manométrica (3.1) e da perda de carga (2.35), rearranjando-as da seguinte forma:

H

man

= Hg

+

P

rd

-P

rs

f

L

2

v

+

g

D

2g

Lembrando que Q = v.A e A = D 2 /4

substituindo-se na equação (3.9), obtemos:

H

man

= Hg

+

P

rd

-P

rs

L

Q

2

 

g

+

2

f

D

5

g

(3.9)

(3.10)

Nesta equação, os dois primeiros termos podem ser considerados constantes, e agrupados em uma única constante C 1 e o termo multiplicando Q 2 , se considerarmos que f não varia com a vazão (região plenamente turbulenta), pode ser considerada uma constante C 2 , assim, a equação fica sendo a de uma parábola:

H

man

=

C

1

+

C

2

.Q

2

(3.11)

Os valores de C 1 e C 2 podem ser determinados a partir dos pontos de vazão nula e vazão de

projeto:

Para Q = 0 temos

H

man ,0

=

C

2

=

Para Q = Q proj temos H

man proj

,

(

H

C

1

)

man proj

,

L

Q

2

proj

.

D

5

g

= 2

f

Exemplo:

Hg +

=

C

1

P

rd

-P

rs

+

g

C

2

.Q

= C

2

proj

1

Determine a curva do sistema do esquema abaixo,

(3.12)

(3.13)

Dados: vazão de 0,2 litros/ seg. 0,2 x 10 - 3 m 3 /s; aço

Dados:

vazão de 0,2 litros/ seg. 0,2 x 10 -3 m 3 /s;

aço galvanizado de ½” (12,7mm).

Resolução:

1) determinação da H man do sistema

H

man

onde:

C

1

=

=

C

1

Hg +

+

P

rd

C

2

.Q

-P

rs

2

g

(3.11)

= H

man , 0

pela figura Hg = 10 m

p rd = p rs = p atm

portanto

C

1 =

Hg = 10

m

e C 2 é pela equação (3.13)

C

2

= 2 f

L

D

5

g

acessório

L eq (tabela A.11)

Total

Sucção

cotovelo 90º

2 x 0,4

0,8

Descarga

válvula de retenção (leve)

1 x 1,1

1,1

registro gaveta

1 x 0,1

0,1

cotovelo 90º

1x 0,4

0,4

L eq =

2,4

Comprimento dos trechos retos de tubos: L c = 2+1+10 = 13 m

L = L c + L eq = 13 + 2,4 = 15,4m

A área correspondente é de 1.27 x10 -4 m 2 .

A velocidade na tubulação será de v = Q/A = 1,58 m/s

pela tabela (A.1)

Re = vD/ = 1891,61 portanto regime laminar f = 64/Re = 0,03383

= 1,06 x 10 -5 (m 2 /s) (temperatura de 16ºC);

C

2

=

2

f

L

D

5

g

=

2

0 03383

,

15 4

,

(

12 7

,

10

3

)

5

9 81

,

= 3214882481

,

portanto a expressão da altura manométrica será:

H

man

=

C

1

+

C

2

2

.Q = 10 + 3214882481, Q

2

fornecendo valore de Q e obtendo H termos a tabela abaixo, cuidado Q na expressão esta em m 3 /s e na tabela esta em m 3 /h.

Q (m 3 /h)

Q (m 3 /s)

man (m.c.f.)

H

Q 1 = 0

Q 1 = 0

man1 =10

H

Q 2 = 0,1

Q 2 = 0.000028

man2 =12,248

H

Q 3 = 0,5

Q 3 = 0,0014

man3 =16,202

H

Q 4 = Q proj =0,72

Q 4 = Q proj = 0,00020

man4 =22,859

H

Q 5 = 1

Q 5 = 0,00028

man5 =35,204

H

agora e só plotar H man (mcf) em função de Q (m 3 /h)

teremos a curva do sistema 3.5 Associação de sistemas Existem casos particulares de traçado da

teremos a curva do sistema

3.5 Associação de sistemas

Existem casos particulares de traçado da característica do sistema que devem ser ressaltados. São

eles:

3.5.1 Associação em série:

Consiste na combinação de diâmetros diferentes na mesma linha de descarga.

Quando estiver fluindo pelo sistema a vazão Q, o valor da altura manométrica será a soma das alturas manométricas correspondentes de cada sistema, obtendo-se a curva do sistema resultante.

A figura (3.6) mostra um esquema de uma instalação com diâmetros diferentes, onde escoa vazão Q, sejam H 1 a perda de carga no recalque no trecho com diâmetro , e H 2 a perda de carga no recalque no trecho com diâmetro ’. A perda de carga na sucção será representada por H s . A perda de carga total será a soma das perdas de carga nos trechos com diâmetro e ’e a perda de carga na sucção

HH

=++

s

1

H

H

2

(3.14)

A curva característica total do sistema será determinada por pontos, somando-se, para cada vazão, as perdas nos dois trechos. (figura 3.7). Neste caso desprezou a perda de carga na sucção devido ao comprimento da linha e o número de acessórios ser pequeno. Estas perdas estão representadas, separadamente, pelas curvas que partem da origem do sistema cartesiano e, somadas, dão, para cada vazão, a perda de carga total.

cartesiano e, somadas, dão, para cada vazão, a perda de carga total. Figura 3.5: Representação de

Figura 3.5: Representação de sistemas em série

Figura 3.6: Linha de recalque com diâmetro diferentes 3.5.2 Associação em paralelo: Figura 3.7: Curva

Figura 3.6: Linha de recalque com diâmetro diferentes

3.5.2 Associação em paralelo:

com diâmetro diferentes 3.5.2 Associação em paralelo: Figura 3.7: Curva do sistema na combinação de diâmetros

Figura 3.7: Curva do sistema na combinação de diâmetros

Consiste na combinação de várias descargas independentes derivando-se da mesma linha de descarga. (figura 3.8)

Quando estiver fluindo pelo sistema a vazão Q, para cada altura manométrica, somam-se as vazões correspondentes em cada sistema, obtendo-se a curva do sistema resultante.

Como já visto nos dois casos anteriores, o procedimento para o levantamento da curva do sistema resultante consiste inicialmente no levantamento da curva de cada sistema independentemente (como se não existisse nenhum outro) e em seguida obtém-se a curva resultante do sistema.

Considere-se a instalação com duas descargas independentes mostradas na figura (3.9), onde:

D: ponto de bifurcação da linha de recalque; Ho: desnível até o reservatório B; Ho’: desnível até o reservatório C; Q A : vazão aspirada e recalcada pela bomba; Q B : vazão encaminhada ao reservatório B Q c : vazão encaminhada ao reservatório C