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Discussão sobre conceitos de alfabetização, alfabetismo e letramento

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ALFABETIZAÇÃO E ALFABETISMO/LETRAMENTO: TRAJETÓRIAS E CONCEITUALIZAÇÕES DOS FENÔMENOS Luciana Piccoli1 – lucianapcl@yahoo.

com Resumo As definições dos fenômenos de alfabetização, alfabetismo e letramento estão relacionadas aos diferentes olhares lançados sobre tais processos. A investigação trata, portanto, da trajetória desses conceitos abordados por diferentes autores em um recorte da produção acadêmica na área da educação. Faz-se uma incursão sobre a origem dos termos, já que a história da alfabetização, do alfabetismo e do letramento entrelaça-se com a própria história de cada uma dessas palavras. Por fim, salienta-se a compreensão de alfabetização como o processo de aquisição da leitura e da escrita e faz-se a opção por alfabetismo no lugar de letramento no que se refere às práticas sociais, culturais e históricas que advêm da utilização de tais habilidades. Palavras-chave: Alfabetização. Alfabetismo. Letramento. Práticas de leitura e de escrita. Estado da arte. 1 Introdução A presença do conceito de alfabetização aliado ao de alfabetismo e ao de letramento tornou-se corrente na área da educação desde aproximadamente a década de 1980. As definições desses fenômenos, entretanto, são distintas e algumas vezes até imprecisas, dependendo tanto do contexto histórico no qual estão inseridas quanto das diferentes perspectivas teóricas e metodológicas que as embasam. Ao considerar que a compreensão dos diferentes olhares lançados sobre tais processos é significativa para a comunidade acadêmica, para a formação do professor e, conseqüentemente, para a aprendizagem de crianças, jovens e adultos no que se refere à leitura e à escrita, proponho-me a localizar produções acadêmicas que explicitam os fenômenos de alfabetização, alfabetismo e letramento. Mais especificamente, meu intuito é analisar, através de aproximações e distanciamentos, os conceitos anteriormente referidos, abordados por diferentes autores em um recorte da produção acadêmica na área da educação de crianças, jovens e adultos. Após explicitar os objetivos desta investigação teórica, é importante esclarecer que, dentre os vastos estudos pelos quais perpassam a temática da leitura e da escrita, faz-se necessária a realização de uma seleção dos autores e de suas respectivas pesquisas para posterior análise. Assim, o critério para a escolha dos autores foi o grau de intensidade da produção intelectual de cada um e, para a seleção dos estudos, a representatividade de cada perspectiva dentro dos múltiplos olhares pelos quais se torna possível visualizar os conceitos de alfabetização, alfabetismo e letramento. Ao considerar que minha intenção não é abarcar a totalidade das produções intelectuais, proponho-me a citar excertos, comentar aspectos e tecer considerações que possibilitem a visualização dos fenômenos através de algumas dimensões

Esta investigação é resultado de um recorte teórico da monografia de conclusão do Curso de Especialização em “Alfabetização e Letramento: articulações com a ação supervisora” da Universidade do Vale do Rio dos Sinos sob a orientação da Profª. Drª. Iole Maria Faviero Trindade - ioletrin@terra.com.br. Atualmente, sou professora da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre na Educação de Jovens e Adultos, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, tendo como orientadora a Profª. Drª. Maria Helena Degani Veit, exercendo a função de professora temporária do Departamento de Ensino e Currículo no Curso de Pedagogia da mesma Instituição.

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Cadernos FAPA – N. Especial. – 2008 – www.fapa.com.br/cadernosfapa

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em detrimento ao neologismo letramento. quero reiterar o fato de que os autores.]”. uma vez que fora traduzida. as obras e os excertos selecionados são resultado de uma escolha. 2 Diante do exposto. Contemporâneo a esse termo. em diferentes versões: alfabetização. a palavra literacy. há outras produções e trechos significativos para serem analisados. e “lectoescrita” é o termo que figura no dicionário técnico de alfabetização abordado. critique and proposals (grifo nosso). o artigo foi publicado em 1981 e intitula-se Reflections on the history of literacy: overview. professora na área da alfabetização e pesquisadora. alfabetismo. sociológica e educacional ou pedagógica. Sem dúvida. lectoescrita e cultura escrita.. serão utilizados tanto o termo alfabetismo quanto letramento. da definição de saber ler e escrever. uma vez que essa é uma tarefa imprescindível ao estudo proposto. explicita que analfabeto é a de uso mais antigo. Tomaz Tadeu da Silva escreveu uma nota para justificar a preferência pela palavra alfabetismo. 64). da língua inglesa. A autora (MORTATTI. história da palavra A história da alfabetização.. para caracterizar os estudos dos autores selecionados. que não tem instrução primária”. para designar esse fenômeno relacionado à leitura e à escrita.] o ignorante das letras do alfabeto. Sobre os usos da tradução de literacy. por vezes. naquela época. 3 Originalmente. p... na década de 1980.. do alfabetismo e do letramento entrelaça-se com a própria história de cada uma dessas palavras. [. entretanto. Farei uma breve incursão sobre a origem dos termos. Na tradução do texto de Graff3 (1990. Dentro desse campo de análise. não apresentando. explicita: Em síntese. que não sabe ler nem escrever e. evidenciando. ao analisar palavras desse campo semântico em três dicionários gerais da língua portuguesa. atualmente: “letramento” é a palavra mais recorrente utilizada na maioria dos textos acadêmicos sobre o tema e se encontra também no dicionário geral mais recente e nos dicionários técnicos de lingüística abordados. para o português. possivelmente.2 2 História do processo. aqui. no momento de seu ressurgimento. iletrado apresenta um significado semelhante ao de analfabeto. no Brasil. não cabe. referindo-se ao problema que envolvia o estado ou condição de analfabeto. é utilizada apenas no final do século XIX. em sentido que se quer semelhante ao de “letramento” e “alfabetismo”. que teria uma definição nos dicionários muito semelhante ao termo literacy: “[. “alfabetismo” (considerada mais “vernácula”) é utilizado em alguns textos acadêmicos.] qualidade ou estado de ser alfabetizado [. uma relação entre o significado da palavra e a realidade social. [. quais sejam: as perspectivas histórica. o sentido que assumem. remontando ao início do século XVIII e significando “[. na realidade brasileira. As palavras letrado e letramento remontam aos séculos XVIII e XIX..com. apresentado juntamente com “letramento” e encontrando-se também nos três dicionários gerais. respectivamente. Cadernos FAPA – N. – 2008 – www.fapa. p. na obra “Educação e letramento”. Mortatti (2004. Tais alternativas expressam a falta de um consenso. nas propostas e práticas alfabetizadoras decorrentes do pensamento de Emilia Ferreiro. quando sofrem influência do vocábulo inglês literacy e quando apontam a necessidade de ampliação. A palavra analfabetismo... o que não acontece com o termo alfabetismo que se refere justamente ao estado contrário. entretanto. p. O tradutor também atenta para o fato de que o vocábulo analfabetismo é amplamente conhecido na língua portuguesa.] “lectoescrita” é mais recorrentemente utilizado em sentido relativamente diferente. 2004.] sendo. realizar uma investigação que abarque todo o estado da arte da alfabetização. porém.br/cadernosfapa 41 . Nesta investigação. letramento. Especial. merece atenção especial. Tal seleção é atravessada pela minha história de vida e pelos diferentes papéis que nela desempenho ao ser estudante. 47). 38). nas últimas décadas... entretanto. também.que os conceituam de forma explícita.

.] a falta. 7-8). Cadernos FAPA – N. nas páginas iniciais. no prólogo de Letramento e alfabetização.. primeiramente. desde a primeira edição de Letramento: um tema em três gêneros. 7) explicita. depois. uma vez que “[.. Tfouni (2004. sem no entanto saber ler nem escrever”.fapa. efetivamente. A Prova Brasil. por fim. a norma-padrão. no âmbito social. exame do Ministério da Educação aplicado ao final do Ensino Fundamental. Kleiman (2004b. depois pelo gênero texto didático e.com. que a função da escola seria a de introduzir a criança no mundo da escrita. 9) situa o primeiro processo no campo individual e o segundo. em 1995 é uma evidência da ampliação de seu uso: “Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita” (2004a). com foco em leitura e solução de problemas. na qual a autora (1986.. p. Assim. em contextos específicos.Soares (2003.. presente em conversas informais entre professores. Soares (2003). tornando-a um cidadão funcionalmente letrado: “[.br/cadernosfapa 42 . é um exemplo de avaliação que procura mensurar o conhecimento de língua portuguesa e de matemática.. em artigos de revistas pedagógicas. letramento perpassa. teve sua origem no campo da educação e das ciências lingüísticas a partir da segunda metade dos anos de 1980. – 2008 – www. define o fenômeno como “[. explicita a utilização do neologismo letramento para suprir “[. p. a palavra letramento tornou-se abrangente. pelo gênero ensaio. no qual a autora (1988. iniciar. para objetivos específicos”. p. de uma palavra que pudesse ser usada para designar esse processo de estar exposto aos usos sociais da escrita. 15) levanta a hipótese de que é a partir desse fato que a palavra letramento recebe estatuto de termo técnico na área da educação e da lingüística para. Baseada em Scribner e Cole (1981). Em 1988. p. Uma das primeiras ocorrências do termo está presente na obra de Kato. ou língua falada culta.] focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição da escrita”.. primeiramente. em documentos oficiais de instituições escolares. A autora organizou a obra em três diferentes gêneros para discutir o tema. a complexidade desse campo de investigação para. então. Gnerre (1985. A presença do referido conceito no título de livro organizado por Kleiman e publicado. 19) explicita na introdução:4 “Podemos definir hoje o letramento como um conjunto de práticas sociais que usam a escrita. 3 Leitura e escrita: um complexo campo de investigação Ao considerar que as contribuições de diferentes ciências são fundamentais para a compreensão dos processos de alfabetização.] um sujeito capaz de fazer uso da linguagem escrita para sua necessidade individual de crescer cognitivamente e para atender às várias demandas de uma sociedade que prestigia esse tipo de linguagem como um dos instrumentos de comunicação”. em avaliações nacionais5 e internacionais de leitura e de escrita divulgadas pela mídia. p. seria uma conseqüência do letramento. em nossa língua. obra publicada pela primeira vez em 1995. enfatizo. Soares (2003. Desde então. a autora sugere que o termo letramento tenha sido cunhado por Mary A. Especial. p. Para Kato. alfabetismo e letramento. perpassando por vários espaços da sociedade. Tfouni estabelece uma distinção entre alfabetização e letramento no capítulo introdutório do livro Adultos não alfabetizados: o avesso do avesso. a análise dos fenômenos sob diferentes perspectivas teóricas e metodológicas.. no Brasil. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística. enquanto sistema simbólico e enquanto tecnologia.] o resultado da ação de ensinar ou de aprender a ler e escrever: o estado ou a condição que adquire em grupo social ou um indivíduo como conseqüência de ter-se apropriado da escrita”. Kato. tornar-se cada vez mais corrente nos discursos de especialistas. publicada em 1998. pelo gênero verbete. 15) explica que a palavra letramento. p. primeiramente. 28) explicita a complexidade dessa tarefa: 4 5 Na obra.

Desde então. artigo 4º. prontidão. organizado conjuntamente com Francisca Izabel Pereira Maciel (2000). utilizado pela autora. Até. Nele. Cadernos FAPA – N.] na [não-]alfabetização. Dos Princípios e Fins da Educação Nacional. Da Ordem Social. literatura para alfabetizandos (SOARES. arrolados por ordem de predominância: proposta didática. formação do alfabetizador. 1989. Apesar de o direito à educação estar garantido na legislação. houve uma multiplicação de estudos e pesquisas na área acadêmica e científica sobre o tema. no título II. em 1989. inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria”. seus direitos e interesses. que compreende o período de 1961 a 1989. este último com ênfase nos prérequisitos e nos métodos para a alfabetização. 1) afirma que é impossível deixar de reconhecer “[. alcançar uma boa compreensão da série de fatos e de idéias que são relevantes para o campo de estudos da escrita é uma façanha complexa. uma disputa acirrada era travada entre os defensores dos diferentes métodos na busca do reconhecimento da maior eficiência para ensinar a ler e a escrever. inciso I: “O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de: [. p. 2): Ao enfoque psicológico predominantemente de natureza fisiológica e neurológica. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 estabelece. Nas palavras de Soares (1989.. inciso I. e à perspectiva psicológica vieram juntar-se perspectivas que explicam 6 Há um estudo posterior de Soares. inciso I: “O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: [.8 as taxas de repetência e evasão eram alarmantes nas séries iniciais do Ensino Fundamental.. a sociologia. artigo 206.Podemos dizer que o campo de estudos da escrita. p. No embate contra o analfabetismo... no título VIII.com. para enfatizar que o problema era o insucesso na aprendizagem escolar. a autora apresenta um levantamento e uma avaliação da produção acadêmica e científica sobre o tema.br/cadernosfapa 43 .. concepção de alfabetização. 8 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) estabelece. Da Educação.. 9 Políticas públicas são compreendidas.6 Os artigos publicados em periódicos especializados. letra de forma/letra cursiva. ao termo alfabetização.. Da Educação. O mesmo texto aparece na LDBEN de 1996. cartilhas. caracterização do alfabetizador. a educação. A análise da produção acadêmica e científica resultou na identificação dos seguintes temas.7 o problema básico do sistema educacional brasileiro”. 17). sobretudo no quadro da Psicogênese. – 2008 – www. Especial. tais como a história.. é indeclinável dever do Estado garantir o acesso e a permanência na escola (grifo nosso). sua investigação passou a ser contemplada por diferentes áreas do conhecimento. Soares iniciou uma pesquisa sobre o estado da arte da alfabetização no contexto brasileiro que originou. a continuidade dos percursos escolares e a democratização do conhecimento. além de políticas públicas9 e de programas sociais empunharem a bandeira da alfabetização. havendo um distanciamento entre a democratização do acesso à escola. conceituação de língua escrita. da Cultura e do Desporto. o documento Alfabetização no Brasil: o estado do conhecimento. como foi constituído nas últimas décadas. p. dificuldades de aprendizagem.] igualdade de condições para o acesso e permanência na escola”. Por essa razão. segundo esses documentos. abrangendo o período de 1954 a 1986.fapa. a antropologia e a psicologia. método. como o conjunto de ações de governo que produz efeitos sobre determinado grupo social. seção I.] ensino fundamental. no título III. aqui. 7 Acrescento o prefixo negativo não. Quando a complexidade do fenômeno da alfabetização e a multiplicidade de olhares pelos quais se pode visualizar esse processo foi reconhecida. No ano seguinte. é um cruzamento estimulante das principais áreas de categorização das atividades intelectuais tradicionais no pensamento ocidental.] as abordagens psicológicas cognitivas. fatores determinantes de sucesso ou insucesso na aprendizagem da leitura e da escrita. artigo 3º. a lingüística. obrigatório e gratuito. a década de 1980. sistema fonológico/sistema ortográfico. avaliação. Assim. dissertações e teses foram analisados a partir de categorias para identificar sob quais facetas a alfabetização foi investigada. aproximadamente. capítulo III. língua oral/língua escrita. a autora (1989. Do Direito à Educação e do Dever de Educar. acrescentam-se [. Nessa época. as investigações sobre alfabetização centravam-se nos paradigmas psicológicos e pedagógicos.

dimensões e perspectivas”. em 1979. a dimensão histórica será visualizada através de Graff (1990) e Trindade (2004a). Por fim. que propõe novos olhares sobre o alfabetismo ao questionar os supostos efeitos e conseqüências no 10 Originalmente. princípios de organização e utilização de cartilhas. no artigo “Língua escrita.10 as investigações passaram a focalizar não mais o ensino. no capítulo “Sobre o estado da arte das pesquisas de alfabetização e de cartilhas” (2004b).com. as possibilidades de análise do fenômeno alfabetismo.] o ensino e a escola. de forma enumerativa e exemplificativa. Graff. 2006) e Gadotti (2005). uma vez que estes estão circunscritos a uma compreensão em extensão dos diferentes paradigmas que abordam os conceitos de alfabetização. qual seja. Especial. Através da busca bibliográfica sobre o tema no documento elaborado por Soares (1989). econômica e política..br/cadernosfapa 44 . a sociolingüística e a propriamente lingüística. textual. resultado da análise crítica a que se vem submetendo [. Diante do exposto. Ao retomar os objetivos desta investigação.fapa. 13-15). Assim. fundamental na tessitura da rede de relações entre as perspectivas. da sociologia e da educação na conceitualização dos fenômenos Inicio com o renomado historiador e pesquisador Harvey J. entre outras fontes. uma revisão teórica em profundidade não cabe nos seus limites. suas opções acerca dos fenômenos de alfabetização. que produziram impacto sobre a comunidade acadêmica a partir das décadas de 1970 e 1980 com a publicação de Psicogênese da língua escrita (1999). sob as perspectivas sociológica. anteriormente apresentadas. alfabetismo e letramento. nos catálogos da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd). o paradigma sociológico será focalizado a partir das vozes de Freire (1998. Primeiramente. a partir dos enfoques histórico e lingüístico. 4 Os olhares da história. em investigações recentes sobre letramento/alfabetismo. explicito as perspectivas e os respectivos autores que serão apresentados. Reitero que a seleção dos autores está intimamente relacionada ao fato de que tais pesquisadores conceituam. literária. elencando outras dimensões: discursiva. métodos e procedimentos. a obra foi publicada em espanhol sob o título “Los sistemas de escritura en el desarrollo del niño”. destacando aquela que se evidenciou desde a década de 1990. desde os estudos de Ferreiro e Teberosky sobre o processo de aquisição da língua escrita.outras facetas da alfabetização: a perspectiva psicolingüística. Trindade (2004a). – 2008 – www. p. a cultural. 11 O mesmo artigo está publicado na primeira parte do livro “Alfabetização e letramento” da referida autora (2004a). Soares (1995. explicitamente. alfabetismo e letramento. Na área da educação. tem produzido estudos sobre os condicionantes da alfabetização. Além disso. mas a aprendizagem da leitura e da escrita. A edição brasileira de 1999 comemora os vinte anos de publicação. a compreensão dos determinantes sociais e políticos da educação..11 menciona. abrindo o leque de alternativas de Gnerre e de seu estudo sobre o estado da arte da alfabetização. formação do professor alfabetizador – fosse desafiada por estudos e pesquisas provenientes de outros arcabouços teóricos. antropológica. Diante da amplitude do tema alfabetização e da exploração de seus variados vieses. a perspectiva educacional ou pedagógica será conduzida através das discussões de Ferreiro e Teberosky (1999). Todas essas facetas contribuíram para que a dimensão pedagógica – anteriormente centrada nas questões de pré-requisitos e preparação à alfabetização. que introduz o livro da autora. sociedade e cultura: relações. abre espaço para a discussão do estado do conhecimento das pesquisas de alfabetização e de cartilhas. Cadernos FAPA – N. Em seguida. as propostas de alfabetização e de letramento tornaram-se tema preponderante nas discussões. Ferreiro (2003) e Soares (2004b). a pesquisadora (2004b) corrobora o estado incipiente das pesquisas históricas e culturais acerca da alfabetização no Rio Grande do Sul e propõe tal estudo através de ambas as dimensões.

e o segundo. 34 grifo do autor) elenca três tarefas para o estudo e interpretação do conceito. lugar de nascimento. (GRAFF. vê-se. claramente. associa-o às práticas sociais da leitura e da escrita e apoia-se na definição que Graff faz do conceito. na ordem social e no progresso individual dos sujeitos.. 1990.. utilizar uma cruz. onde. o espacial e o gráfico [. mas não o menos importante. sexo. Níveis básicos ou primários de leitura e escrita constituem os únicos sinais ou indicações razoáveis que satisfazem esse critério essencial”. o tecnológico e o mecânico. da tese de doutoramento da autora. das práticas de leitura e de escrita em diferentes grupos sociais e da escolarização da aprendizagem do ler e do escrever. testamentos. Ao optar pelo termo alfabetismo. uma habilidade adquirida de forma distinta daquelas orais e/ou não-verbais. Em segundo lugar. em vez de letramento. culturais.. os países. das conseqüências sociais e culturais da imprensa. os usos que dele foram feitos.].. como. inventários.]”. além de outras variáveis adicionais (idade. aos “[.. os significados que lhe foram atribuídos. As fontes para o estudo histórico do alfabetismo (censos. escrituras.. as demandas colocadas sobre as habilidades alfabéticas. 51) reitera a necessidade da definição do conceito. é a publicação. 1990. – 2008 – www. apesar de carregarem suas especificidades... como livro. O autor (1990. que o primeiro está mais próximo às palavras analfabetismo e alfabetização. assinalando que é preciso fazer uma distinção entre suas várias matizes que. como poucos o fazem. registros de casamento e de exames catequéticos). através da exacerbada valorização do alfabetismo. O último critério. dados econômicos) são indicações sistemáticas e diretas para o estudo do alfabetismo.. o simbólico. a extensão cambiante da restrição social na distribuição e difusão do alfabetismo. Ao tratar da história do alfabetismo no Estado do Rio Grande do Sul. a autora justifica.] uma tecnologia ou conjunto de técnicas para a comunicação e a decodificação e reprodução de materiais escritos ou impressos [..] reconstrução dos contextos de leitura e escrita. p.] uma definição consistente que sirva comparativamente ao longo do tempo e através do espaço. é necessária “[. p. as medidas de alfabetismo (ler. 35) deixa explícito.” A partir do campo da historiografia e dos Estudos Culturais. p.. memorizar). que se fazem dessas habilidades. sociais. entre outros tipos. Primeiramente. 35) diferencia alfabetização de alfabetismo. No ensaio “O mito do alfabetismo”.” A perspectiva histórica contempla. por que e para quem o alfabetismo foi transmitido. quando.fapa. então. estão relacionadas: “[. Trindade (2004a. o estudo da história dos sistemas de escrita. a população considerada. independentemente da qualidade e complexidade de domínio das mesmas. trata da: [. escrever. são focalizadas as cartilhas e os métodos de alfabetização adotados no período entre 1890 e 1930. depoimentos escritos. ocupação. seu entendimento acerca do complexo conceito literacy. O autor atenta para o fato de que.br/cadernosfapa 45 . contrariamente o mais complexo. o visual e o artístico. É.. a época. uma base.. assinar. religião. o autor (GRAFF. A invenção de uma nova ordem para as cartilhas: ser maternal.] usos históricos.] o alfabetismo alfabético. possuir livros. Graff (1990. Especial. Cadernos FAPA – N.desenvolvimento sócio-econômico. relacionando o primeiro conceito ao processo de ensino e aprendizagem da leitura e da escrita. e as diferenças reais e simbólicas que emanaram da condição social do alfabetismo entre a população. portanto. Diante dos pesquisadores apresentados. Além disso. nacional e mestra: queres ler?. tamanho e estrutura da família. p. um fundamento. uma vez que é polissêmico. de Iole Maria Faviero Trindade (2004a). 40). afirmando que alfabetismo é “[. estado civil.. o contexto sócio-histórico no qual ele está inserido acaba sendo desconsiderado. portanto. a preferência pelo termo alfabetismo nos estudos históricos.. p.com. os graus nos quais essas demandas foram satisfeitas. etc. residência. o matemático (‘numerismo’). das possibilidades de acesso à escrita.

com. criador e de conhecimento que pode ser relacionada ao conceito de letramento em uma perspectiva sociológica. antecipem um mundo novo. podemos ir mais longe e dizer que a leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura do mundo mas por uma certa forma de ‘escrevê-lo’ ou de ‘reescrevêlo’. atenho-me àquela que mais diretamente se relaciona às práticas de leitura e de escrita: A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. Ambos os autores apresentam Paulo Freire para sustentar seus argumentos.br/cadernosfapa 46 . p.” O processo de alfabetização. o processo de alfabetização inicia com a “leitura” do mundo – do pequeno mundo onde os sujeitos estão inseridos – do qual emerge a leitura da palavra. o discurso crítico sobre o mundo é uma forma de refazê-lo.. Dentre a vasta produção teórica de Paulo Freire. salienta a linguagem como caminho de invenção de cidadania. em um artigo que relata a experiência de alfabetização de adultos realizada por Freire e sua equipe em São Tomé e Príncipe. Freire (2006. Em outras palavras: para Freire. na práxis. Em função disso. já que. uma vez que linguagem e realidade prendem-se dinamicamente. inseridas em um conjunto de representações de situações concretas possibilitam uma “[. p. p. É justamente a continuidade da frase que permite seu pleno entendimento.” (FREIRE. Ao propor uma compreensão crítica do ato de ler. a partir da continuidade de ambas as leituras – do mundo e da palavra –. de reescrevê-lo e.. “grávidas de mundo”.fapa. 21). O autor (FREIRE. à perspectiva sociológica. ao tratar das relações de aproximação e de distanciamento entre alfabetização e letramento. ao pensar em uma educação para os grupos populares. porém. Assim. estendendo-se na compreensão do mundo e na ação política do ser humano na sociedade. portanto. 1998. dessa maneira. então. Recentemente.. 41). muitas vezes. 11) tem sido alvo de distintas interpretações. Moacir Gadotti e Magda Becker Soares discutem a questão “Alfabetização e Letramento Têm o Mesmo Significado?”. de transformá-lo através de nossa prática consciente. Soares (2005). agora. mas amplia o conceito para a compreensão do mundo. está a vírgula.]” (FREIRE. originalmente. é um movimento dinâmico. em uma comunicação sobre as relações da biblioteca popular com a alfabetização de adultos e. 2006. cuja primeira edição foi publicada em 1982. O livro constituise em uma palestra sobre a importância do ato de ler. Para ele. A autora indica Freire como um precursor do conceito de letramento. As palavras. Sua célebre frase: “A leitura do mundo precede a leitura da palavra. A concepção de alfabetização freireana é um ato político. toma lugar a leitura da “palavramundo”. – 2008 – www. 2006. Freire enfatiza a necessidade de as palavras presentes no programa de alfabetização pertencerem ao universo vocabular dos grupos populares. que se refere às relações entre as práticas sociais de leitura e de escrita com as características sociais dos sujeitos que as exercem. à investigação sobre o valor simbólico da escrita em contextos sociais e sobre o lugar que a leitura e a escrita ocupam como bens culturais. o ponto final é antecipado para onde. Freire não restringe a leitura à decodificação pura da linguagem escrita. p. daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. já que o entendimento crítico do ato de ler ultrapassa a decodificação da linguagem escrita. enfatiza que é necessário distinguir esses processos tanto pedagógica como politicamente. carregadas da significação do povo. Como ler e escrever são atos indicotomizáveis.] ‘leitura’ mais crítica da ‘leitura’ anterior menos crítica do mundo [.Passo. Especial.. por último. com estrita ligação à democratização da cultura. uma vez que preconiza o sentido amplo da alfabetização: ir além do domínio do código escrito. 20) propõe a continuação deste percurso: “De alguma maneira. quer dizer. Cadernos FAPA – N. a imaginação torna-se essencial para que os sujeitos históricos e transformadores da realidade.

Partindo desse pressuposto. considera a escrita como cópia e a leitura. é possível afirmar que o termo alfabetização. com a condição de que o professor possa ajudá-las no processo. assim como o da educação. A ajuda consiste. Ferreiro (2003) argumenta ser possível optar pelo uso ou do termo alfabetização ou do termo letramento. Ferreiro também argumenta que o termo letramento acarretou na redução do conceito de alfabetização à decodificação. Ferreiro e Teberosky. Entretanto. nenhum dos conflitos pelos quais os sujeitos passam são considerados pelas práticas que utilizam os métodos de ensino da leitura e da escrita. Ferreiro e Teberosky não contrapõem uma prática pedagógica à proveniente dos métodos de alfabetização. em transmitir-lhes o equivalente sonoro das letras e exercitálas na realização gráfica da cópia. sem haver independência e precedência de um processo em relação ao outro. para as autoras. as determinações de objetivos e metas do alfabetismo/letramento. discorda da tradução de literacy por letramento. uma vez que é o acesso a essa cultura que desencadeia o processo de alfabetização. por sua vez. Anos após a intensa divulgação dos estudos sobre a psicogênese da língua escrita. apesar de serem referência nos estudos psicológicos e psicolingüísticos. Os métodos de alfabetização propõem um ingresso imediato ao código escrito. diante da efervescência do vocábulo letramento. enfatizando a distinção entre eles. através de uma lenta construção de critérios que lhe permitam compreendê-lo.Gadotti (2005). para Soares. A coerência lógica que as crianças exigem de si mesmas não é contabilizada pelas exigências escolares. as crianças chegam à escola nos mais diversos níveis de conceitualização da escrita. A autora faz essa afirmação por não aceitar a coexistência das duas palavras. privilegia as crianças que já percorreram um longo e prévio caminho na conceitualização do sistema alfabético. Apesar da dissonância entre os pesquisadores. Ao considerar que a educação sofre influência das dimensões anteriormente referidas.fapa. preferindo a expressão cultura escrita. mas oferecem subsídios para a compreensão do processo de aquisição da leitura e da escrita por parte da criança. jovens e adultos na cultura escrita. pretendendo ensinar aspectos que nem sempre coincidem com o que a criança consegue aprender. na conclusão de Psicogênese da língua escrita (1999). os enfoques centrais da perspectiva educacional ou pedagógica são as condições de promoção do alfabetismo/letramento. para a possibilidade de opção por um dos termos ser concretizada. As autoras (1999. A alfabetização e o letramento são Cadernos FAPA – N. p. As autoras. Soares (2004b) discorda da concepção de Ferreiro. os processos metodológicos e didáticos de inserção de crianças. Desse modo. basicamente. A percepção e o controle motor tomam o lugar do próprio saber lingüístico e da própria capacidade de compreensão do sujeito. afirma que utilizar o termo letramento como sinônimo de alfabetização é uma posição ideológica contrária à tradição freireana. A prática decorrente dos métodos de alfabetização. a partir da consideração das origens psicogenéticas e históricas da escrita. materializa-se nas práticas sociais de leitura e de escrita. pois reduz esse processo à técnica de leitura e de escrita e esvazia seu caráter político. no amplo sentido que Freire atribui à palavra.br/cadernosfapa 47 . as relações entre o grau de alfabetismo/letramento de diferentes contextos familiares e o sucesso ou fracasso na aprendizagem da língua escrita. Especial. 291) explicitam este distanciamento: Parte-se do pressuposto de que todas as crianças estão preparadas para aprender o código.com. O que a criança aprende – nossos dados assim o demonstram – é função do modo em que vai se apropriando do objeto. o significado da alfabetização precisaria ser ampliado para além da aprendizagem grafofônica e o significado do letramento necessitaria incorporar a aprendizagem do sistema de escrita. Além disso. – 2008 – www. é preferível conservar ambos os termos. a definem como uma forma particular de representação gráfica. justificando que um estaria compreendido no outro. inibindo ambos os domínios. como decifrado. ao afirmar que. expõem as conseqüências pedagógicas entre as propostas didáticas no ensino da leitura e da escrita e as concepções infantis.

fapa. para isso. por outro lado. mas. Grande parte das produções acadêmicas exige um processo de inferência da posição ocupada acerca do conceito abordado.processos simultâneos. Também se faz necessária a conciliação dessas duas dimensões da aprendizagem da língua escrita. assim Cadernos FAPA – N. contribuindo. isto é. que pressupõem formas de aprendizagem diferenciadas e procedimentos de ensino distintos. foi possível mapear as diferentes perspectivas pelas quais se torna possível visualizar os fenômenos. e as várias facetas da alfabetização. alfabetismo e letramento não é realizada. para enfrentar o fracasso na aprendizagem básica da língua escrita nas escolas brasileiras. ainda. só se pode desenvolver no contexto da e por meio da aprendizagem das relações fonemagrafema. mas interdependentes e indissociáveis: a alfabetização desenvolve-se no contexto de e por meio de práticas sociais de leitura e de escrita. as habilidades de codificação e decodificação da língua escrita. Nesse contexto.com. direta ou indiretamente. quais sejam: a imersão das crianças na cultura escrita. é preciso destacar que todos os estudos abordados nos diferentes campos do conhecimento apontam caminhos para uma reflexão sobre a prática pedagógica. isto é. o conhecimento e o reconhecimento dos processos de tradução da forma sonora da fala para a forma gráfica da escrita. que precisam estar adequados a cada faceta do processo em questão. é preciso estabelecer a distinção entre as várias facetas do letramento. sem perder a especificidade de cada fenômeno. quanto na formação continuada dos educadores. alfabetismo e letramento. culturais e históricas que advêm da utilização de tais habilidades. A definição e a interpretação dos termos alfabetização. 14. algumas considerações no intuito de propor fechamentos. Por isso. a autora (2004b) enfatiza que não existe um método para a aprendizagem inicial da língua escrita. por todos os autores. explicito alfabetização como o processo de aquisição da leitura e da escrita e faço a opção por alfabetismo no lugar de letramento no que se refere às práticas sociais. para a realização de discussões tanto no meio acadêmico. e este. As concepções de leitura e de escrita aqui apresentadas fornecem indicativos dos discursos circulantes de cada época. 5 Conclusão Diante da produção acadêmica aqui apresentada cabem. a identificação das relações fonema-grafema. das lutas pela supremacia de um sobre o outro. pois pressupõem ações pedagógicas distintas. de possibilitar a continuidade deste percurso que. Nesse sentido. Para concluir.br/cadernosfapa 48 . as possibilidades e os interesses de cada grupo e de cada criança devem ser levados em consideração. mas de naturezas diferentes que envolvem conhecimentos. p. pela natureza do tema. abrangendo a consciência fonológica e fonêmica. Soares (2004b. – 2008 – www. o professor das séries iniciais do Ensino Fundamental precisa ter subsídios teóricos e de metodologia de alfabetização. A partir da trajetória dos estudos sobre alfabetização. As características. Segundo Soares (2004b). em dependência da alfabetização. sua formação necessita ser revista e reformulada. a alfabetização se desenvolveria em um contexto de letramento. não se esgota neste momento. explicitamente. habilidades e competências específicos. o conhecimento e a interação com diferentes tipos de gêneros de material escrito. reconhecendo as facetas próprias dos mesmos e os procedimentos de ensino adequados a cada uma delas. por sua vez. Assim. Graff (1990) enfatiza que esta definição é essencial aos estudos que tratam do assunto. através de atividades de letramento. E. a participação em experiências variadas com a leitura e a escrita. grifo do autor) explicita a relação entre esses dois fenômenos: Não são processos independentes. mas uma multiplicidade deles. Especial. desde aqueles que descrevem historicamente os deslocamentos dos discursos até os que propõem alternativas de ação às práticas pedagógicas.

Angela B. Emilia. Educação e letramento. Key-words: Literacy. 5-16. n. p. Letramento: um tema em três gêneros. ed. 2005. the investigation deals with the history of this concept as approached by several authors inside a segment of the production of scholars within the educational field. Campinas: Mercado de Letras. Revista Brasileira de Educação. 1995. Brasília: MEC/INEP/COMPED. reimpr. Psicogênese da língua escrita. São Paulo: Paz e Terra. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. Magda Becker. Emilia. Alfabetização no Brasil: o estado do conhecimento. 27-30. As rupturas entre os discursos não são. The present paper aims at an in-depth analysis of the origin of the word. 2003. 7. Alfabetização e letramento têm o mesmo significado? Pátio: revista pedagógica. Teoria & Educação. Porto Alegre. LITERACY: HISTORY AND CONCEPTS OF THE PHENOMENON Abstract The definition of the phenomenon of literacy is linked to the different views cast upon such process.). SOARES. maio 2003. Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. 2000. 0. p. Linguagem. Através da localização das produções acadêmicas. Magda Becker. KLEIMAN. 2004a. Porto Alegre: Artes Médicas. Referências FERREIRO. 47. GRAFF. 1989. the comprehension of literacy in its strictest meaning is understood as the process of acquiring the ability to read and write. mas possibilitam a coexistência de diferentes paradigmas na contemporaneidade. As a conclusion. escrita e poder. cultural and historical practices that originate from the utilization of such abilities. Mary A. (Org. 2004b. Maurizzio. Therefore. 1985. FREIRE. Belo Horizonte: Autêntica./dez. São Paulo: Ed. 2006. SOARES. p. ed. FERREIRO.br/cadernosfapa 49 . p. SOARES. whereas in its broadest meaning it is related to the social. KLEIMAN.como das repercussões dos mesmos nas práticas pedagógicas. mai. REDUC. Ana. _____. foi possível perceber a “força” que cada perspectiva apresentou em determinado período. Cadernos FAPA – N. Campinas: Mercado de Letras. 30-64. 2. Reading and writing practices. 5. Maria do Rosário Longo. Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Francisca Izabel Pereira (Org. Moacir. In: ______ (Org. n. Modelos de letramento e as práticas de alfabetização na escola. 1990. Paulo. reimpr. dimensões e perspectivas. 2. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. Porto Alegre. sociedade e cultura: relações./jul. Alfabetização. 7. Magda Becker. n. São Paulo: Martins Fontes. São Paulo. Língua escrita. Brasília: INEP.com. O mito do alfabetismo. 7. 1998. GADOTTI.).fapa. TEBEROSKY. 48-49. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística. Angela B. ed. Alfabetização e cultura escrita. 1986. São Paulo: Ática. MORTATTI. 15-61. n. KATO. Harvey J. 2004. 34. entretanto. reimpr. SOARES. São Paulo: Cortez. MACIEL. since the history of literacy intertwines with the history of the word itself. Magda Becker. Rio de Janeiro. State-of-the-knowledge. – 2008 – www. Especial. limitadores que encerram um ciclo e iniciam outro. GNERRE. 1999. UNESP. 27.). Nova Escola. set. p.

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