Sociologia III

Profª Maria da Luz Alves Ferreira.

TEORIA DA TROCA SOCIAL 

A teoria da troca conhece seu maior sucesso nos anos 50 e 60 com Homans, Sociólogo de Havard, que utilizando por base a psicologia behaviorista ele decodifica as formas elementares da vida social e afirma que o comportamento social é uma troca de atividades, tangível ou impalpável, vantajosa ou custosa para algumas pessoas

 A teoria da troca social se ocupa das intenções recíprocas envolvendo grupos e pessoas que trocam itens de valor social e simbólico dos quais se beneficiam. . e na sociologia americana como fundamento para a diferenciação de poder em relações sociais. originou com os sociólogos franceses com a fonte de solidariedade social.

nas quais dois grupos dão e recebem um do outro (A B). Os funcionalistas descobriram uma conexão entre as práticas de troca e a solidariedade social. . são os grupos e não indivíduos que são os parceiros da troca. gera solidariedade mecânica. a troca direta ou restrita. ao passo que a troca indireta ou generalizada envolvendo uma rede de numerosos parceiros que não dão aqueles de quem recebem (A B C A) gera solidariedade orgânica à nos estudos coletivistas o indivíduo é insignificante.

. punição. oferta e a demanda. estímulo a resposta. custos. lucros e investimentos. Homans (1961). contrariando a perspectiva coletivista propõe uma teoria da troca social individualista em que as interações estão limitadas a reciprocidade diretas. Esta vertente sublinha o significado do indivíduo único mediante o emprego de conceitos chaves em economia e psicologia como recompensa.

conflito.. desvio negociação. tornando a idéia de troca uma constante na história das ciências sociais. moral etc. constitui uma trivialidade sociológica que abarca questões com as quais a disciplina lida desde seu surgimento como cooperação. justiça.Principais características da teoria da troca  Lembrar que a vida social é constituída de interdependências e trocas. .

desde os primórdios da teoria social que os autores têm considerado o fato das pessoas desenvolverem laços de dependência com outras pessoas e consequentemente terem que recorrer ao mecanismo da troca. Para Bredemeier. .

o ambiente fará Y. . entre outras. eficiência. capacidade de negociação. estratégia. à o pressuposto básico da teoria da troca é que os indivíduos apreendem como funciona o ambiente ao qual eles têm que adaptar-se na medida em que este é estruturado de forma que se o indivíduo fizer X. A troca social envolve lidar com questões como: poder.

fazer X e o ambiente fazer Y. . ou seja. O indivíduo se ocupa em conjugar sua ações para que chegue ao fim determinado.

etc. Os indivíduos desejam coisas de várias naturezas. .). eles procurarão conjugar de maneira ótima suas ações. ou material (um carro novo. uma roupa nova. E para obter estas coisas. à situação. adaptando-se dessa forma . seja afetiva (um sentimento). procurando maximizar ganhos e minimizar custos.

organizando suas preferências através do cálculo de probabilidade e avaliação das conseqüências dos seus atos. . As pessoas agem de forma racional. dada a maneira pela qual o ator percebe a situação. o sentido no qual a teoria da troca supõe que as pessoas são racionais é simplesmente o que define a tomada de decisão racional como o esforço para conseguir recompensas e evitar custos.

os indivíduos são concebidos como seres que agem racionalmente. calculando as probabilidades e avaliando as conseqüências de seus atos. avaliando suas preferências. TRIPÉ IMPORTANTE . Nesta linha.

ou pela instrumentalidade. seja a ação que garantirá esta sensação motivada pela tradição. . pela emoção. pelo valor. Chamamos de racional a decisão que guia-se pela preferência em estar melhor do que pior. a natureza da recompensa. não se colocando em questão na teoria da troca.

entendido como aquele capaz de atingir a maior recompensa ao menor custo. . Resultados ótimos dependerão da escolha de um curso de ação racional.

. Suas escolhas serão norteadas pelos seus valores os quais dependem de interações anteriores das mesmas com o ambiente. A teoria da troca considera que as pessoas farão tudo que puderem para otimizar sua adaptação seja agindo sobre o ambiente de tal forma a este responder favoravelmente.

e são capazes de modificar seus valores para se ajustarem às adaptações que fazem na realidade. As pessoas de uma forma geral se sacrificam muito por coisas às quais dão grande valor. .

os quais operam nos mercados. Estes. São as trocas que fazem dos controles internos o que são. nas burocracias.  . determinam os atos adaptativos subseqüentes segundo a resposta que encontrarem no ambiente. nos grupos de solidariedade e nas equipes de cooperação etc. Existem diversos modos de troca. os quais constituem estruturas sociais que fornecem diferentes regras para operação destas trocas.

segundo os quais os atores são capazes de calcular as conseqüências de suas ações. . utiliza-se dos pressupostos da teoria da escolha racional. Para a teoria da troca os indivíduos são racionais e orientam as suas ações no sentido de conjugar os esforços para auferir maiores recompensas e evitar custos. toda a ação é precedida de cálculos probabilísticos.

. Ponto principal desta perspectiva é que as pessoas conjugam as escolhas mais capazes de otimizar a adaptação visando a maximização das recompensas e consequentemente minimizando as perdas e/ou custos.

A probabilidade da pessoa fazer X vai estar condicionada às seguintes variáveis de recompensa. esperando que o ambiente faça Y. Interdependência: a pessoa fará X. custo e capacidade de recursos tais como: .

1) se o indivíduo julgar que as   . 2) se estas ocupam um lugar mais alto na sua escala de preferências. 3) se essa recompensa não lhe tiver sido oferecida no passado recente. conseqüências são recompensadoras.

como de capacidade para desempenhar a ação no intuito de auferir a recompensa. 6) se o indivíduo julgar que dispõe tanto de recursos. 4) se a mesma acontecer imediatamente após a ação. 5) se a ação envolver baixo ou nenhum custo.   .

Destacamse dois enfoques desta teoria: . burocracias e grupos). Embora existam vários modos de troca (em mercados. cada qual com regras de operação específica para cada campo.

. A perspectiva individualista ( de inspiração anglo-americana): concebe a troca como uma forma de barganha entre duas pessoas que buscam racionalmente seus objetivos e trocam recursos econômicos. são as regras do mercado que vão intermediar as ações. dentro de relações de mercado. que embora sejam escassos. ou seja. são utilizados pelo ator para conseguir seus objetivos.

O que vai orientar a ação não são valores utilitários/econômicos mas simbólicos e/ou rituais. mas adaptam-se às regras e/ou normas por motivos sociais. . A perspectiva coletivista (de inspiração francesa): os indivíduos não buscam a maximização de suas ações no sentido econômico.

como o sentimento de justiça. . quanto grupos em geral e os indivíduos tendem a ter recompensas e cooperam através de sua participação social por meio da lealdade mútua e compartilhamento de alguns valores ou sentimentos. No enfoque coletivista o intercâmbio se dá tanto entre os indivíduos.

Conformam-se com as normas por motivos sociais e os valores que guiam a troca não são utilitários. mas sim simbólicos ou rituais . à as pessoas não buscam a maximização de lucros no sentido econômico. O que importa é o fato de compartilhamento e cooperação mútua. A base da troca fundamenta-se nos grupos e não nos indivíduos.

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