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Poesia Erotica Portuguesa Def2011

Poesia Erotica Portuguesa Def2011

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Antologia de poesía portuguesa seleccionada por Santiago Aguaded
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POESÍA ERÓTICA PORTUGUESA

Autores varios Recopilador: Santiago Aguaded Landero 26-Diciembre 2011

La voluptuosidad es la forma más corta del olvido. Malcolm de Chazal

Afonso Henriques Neto

UMA MENINA
água, tua música de pele e cheiro fluindo de florações impalpáveis, chuva acesa no centro do abismo, onde flutuam manhãs terra, teus passos tua voz teus ruídos de amor e um gozo além das cordilheiras do sonho tecendo galáxias, vertiginosa raiz ar, teu gesto marinho, olhos feitos do arremesso do mar e a centelha invisível a mover os labirintos do vento, cósmica serpente fogo, teu corpo de medusas e feridas vivas, vulcões, planeta todo luz, talvez paixão, pássaro tatuado nas estrelas, coração

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La flor es al mismo tiempo seno, boca y sexo, mujer entera, sexo-trinidad en la unidad. Malcom de Chazal extraido de Sens plastique.

Age de Carvalho
Vermelho Tua, de seda e feno no transe da metáfora a fenda soletrada-sol, vala de luz, vocabulário Tua, folhagem. O olho alcança o Olho, desce aos infernos: sonha o cabelo da urna, o vermelho da cifra, a ferida no centro da fogueira Tua, tua

é

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Armando Freitas Filho

Mademoiselle furta cor
Por esta fresta te espreito Por esta fresta te desvendo Por esta fresta cravo sonda contra esponja, e babo e te penetro teso e reto, e por inteiro ó seu corpo se entreabre: porta e perna, caixa e coxa. Por esta fenda tenda de pele que se franze, e rasga eu me adentro feito de espera e de esperma: e espremo - te aperto - e exprimo toda a cor da carne do amor que escrevo. Por esta fresta me espreito Por esta fenda me desvendo

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Artur Gomes

Galope
com espada em riste galopamos pradarias e lutamos ferozmente por dois segundos e meio tua fúria era louca que agarrei-me em tuas crinas pra não cair na lama mas o amor era tanto e tanto era o prazer que quando fomos pra cama não tinha mais o que fazer.

5

Eunice Arruda

Tema
Deliberadamente utilizamos todas as zonas erógenas submissos aos animais que transitavam a pele submissos a nossa disponibilidade imerecida sacudida por buzinas chuvas repentinas confundindo as marcas de um caminho já percorrido Deliberadamente entre suor e grunhido molhado o ritual foi cumprido Só então nos devolvemos

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Fernando Py

Após o banho, nua
Após o banho, nua
ainda, o corpo úmido ao meu encontro, visão, relembro, cálido êxtase, os seios entrevistos no decote frouxo, agora, nua, toalha molhando-se, ressurgem após o banho, fremindo, suave embalo, avidez de língua e mãos, nua, vens, perfume, sulcos na pele, ansiada espera, curvas, a entrega ao meu olhar, bocas, rosa túmida, pétala, sucção, espuma, resplandeces para mim, nua, após o banho.

7

Alice Ruiz Teu corpo seja brasa
teu corpo seja brasa
e o meu a casa que se consome no fogo um incêndio basta pra consumar esse jogo uma fogueira chega pra eu brincar de novo

8

Ferreira Gullar

Um sorriso
Quando com minhas mãos de labareda te acendo e em rosa embaixo te espetalas quando com o meu aceso archote e cego penetro a noite de tua flor que exala urina e mel que busco eu com toda essa assassina fúria de macho? que busco eu em fogo aqui embaixo? senão colher com a repentina mão do delírio uma outra flor: a do sorriso que no alto o teu rosto ilumina?

9

Gastão de Holanda

Nota biográfica
Na leitura do abismo e seus açores Teci a minha vida, entre moinhos Atirei-me à ventura dos caminhos E neles cultivei as mores dores. Jamais ultrapassei os domadores De outra profissão senão de espinhos, Não apurei o faro dos focinhos Mas despertei o mito dos amores. Embora da maldade dos tiranos Compusesse uma ópera canina, Eu tive a recompensa do teu ânus. Tesão com castidade não combina Nem fodas retardadas pelos anos: Ser puto de mulher, eis minha sina.

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Leila Míccolis

Exigência
Meu homem eu quero, enquanto puder, molhado e úmido feito mulher. Leila Míccolis

Poema para o namorado
Teu lado feminino me erotiza: são belos, sensuais e muito caros certos instantes gostosos, em que te encaro menos como homem e mais como menina: quando passas teus cremes para a pele, ou pões o avental pra cozinhar, ou quando em mim te esfregas até gozar os teus gozos sem fim, ou quando tuas mãos, leves e lésbicas, desabam como plumas sobre mim.

11

Leila Míccolis

Poema ao mais recente amor
Estar entre teus pêlos e dedos, entre tua densidade, neste transpirar sob medida aos teus gemidos. Estar entre teus trópicos, entre o teu desejo e o meu prazer; beber parte de teus líquens e teus rios percorrendo-te da foz até a origem, e pura a cada amor partir mais virgem.

12

Soares Feitosa

Femina
Não lavei os seios pois tinham o calor da tua mão. Não lavei as mãos pois tinham os sons do teu corpo. Não lavei o corpo pois tinha os rastros dos teus gestos; tinha também, o meu corpo a sagrada profanação do teu olhar que não lavei. Nem aqueles lençóis, não os lavei, nem os espelhos que continuam onde sempre estiveram: porque eles nos viram cúmplices, e a paixão, no paraíso, parece que era. Lavei, sim, lavei e perfumei a alma, em jasmim, que é tua, só tua, para te esperar como se nunca tivesses ido a nenhum lugar: donde apaguei todas as ausências que apaguei ao teu olhar.
Este poemeto, no modo mulher, é uma variante - e homenagem - do poema Lembranças, de Angela Schaun (Soares Feitosa)

13

Henry Corrêa de Araújo

Olho a olho
procuro onde teu corpo no escuro frente a frente concentro onde melhor te adentro palmo a palmo penetro onde animal te adestro corpo a corpo te sugo onde mulher o teu suco pouco a pouco retorno à condição vegetal.

14

La Fontaine , (se me escapa un francés)

Epigrama
Amar y follar: una unión de placeres que no separo. La voluptuosidad y los placeres son lo más raro que posee el alma. Carajo, coño y corazones se juntan en dulces efusiones ylos creyentes censuran a los locos. Piensa esto, mi amada: Amar sin follar, es más bien poco, y follar sin amar no es nada.

15

Ovídio

Os amores, V: 1-1, 9-26
Era intenso o calor, passava do meio dia; Estava eu em minha cama repousando. (...) Eis que vem corina numa túnica ligeira, Os cabelos lhe ocultando o alvo pescoço; Assim entrava na alcova a formosa Semiramis, Dizem, e Laís que amaram tantos homens. Tirei-lhe a túnica, mas sem empenho de vencer: Venceu-a, sem mágoa, a sua traição. Ficou em pé, sem roupa, ali diante de meus olhos. Em seu corpo não havia um só defeito. Que ombros e que braços me foi dado ver, tocar! Os belos seios, que doce comprimi-los! Que ventre mais polido logo abaixo do peito! Que primor de ancas, que juvenil a coxa! Por que pormenorizar? Nada vi não louvável, E lhe estreitei a nudez contra o meu corpo. O resto, quem não sabe? Exaustos, repousamos. Que outros meios-dias me sejam tão prósperos.

16

Rodrigo de Souza Leão

O vibrador
o vibrador de tanto vibrar gozou
Rodrigo de Souza Leão

Feministas
vivi nos sonhos das mulheres não era o falo e sim o carinho pois os homens pensam que mulheres querem carinho e querem falo são como animais almas enjauladas eu dou-lhes falo falo do falo e por mais que falo possa penetrar aí querem carinho vamos amar

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Rodrigo de Souza Leão

Os segredos de Raimunda Toada
Desnudou-se toda a realidade, Posso vê-la desnuda flor, Tão intensa a flor do amor. Digo-te isso sem maldade. Minha paixão feminina. Dos prazeres é sacerdotisa, Toca em mim feito brisa. Me banha tal água cristalina. Ó sublime paz que me devora, Ao vê-la cavalgando corcunda. Beleza em seu corpo mora. Mas prefiro, sincero sua bunda. Por isso Raimunda Toada. Empina, mostra a bundinha danada.

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Patrícia Clemente

Luto
Você me ama mas nunca me disse No tempo em que eu ainda te queria Se agora eu me aconchego junto a outro Me chama fria? E fez que pelo meio eu me sentisse Pediu-me mãe mas não tornou-me filha Se agora ao ser completa me comovo Me insulta, tia? Mandou que à sua lente me despisse Mas não desnuda sua alma à minha Se vejo em meu espelho que sou ouro, Me ofende. Mas como eu poderia? Diz: velha, fraca, feia, bruxa, puta. Diz que sou falsa, acusa hipocrisia, Mas não recuse ao morto amor seu luto Posso ser tudo, mas por ser Sofia. Porque o desejo seu me atormenta Mas seu desejo é só me ver sentida Se vivo ao sobressaltos seus quereres, É vida? E sei que o meu carinho só te tenta Se nego-te favores, decidida. E não me entrego à dor dos seus prazeres, Vencida.

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Patrícia Clemente

Seios
Sofia, eu no teu rosto busco espelho, Enquanto beijo os nós dos teus artelhos, Enquanto tocas com teus pés meus seios. E o corpo sabe: sou-te assemelhada, E leva o pé à tua coxa amada, Sou presa seduzida por teus cheiros. E o corpo sabe o quanto é aquecido Meu pé que sobe dentro do vestido, Sorrindo do macio dos teus pentelhos. E o corpo sabe: sou-te parecida, Toco a mim mesma ao te tocar, amiga, Se pouso, enfim, os dedos nos teus seios. E o corpo sabe bem que sou-te gêmea Me fazes louca, lúcida ou boêmia, No gesto em que se unem nossos seios. Sofia, no meu rosto tens espelho, De quanto bem me faz amar teus seios

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Carolina Kujawski

Um pensamento
A língua O beijo O cheiro Do amor A água A lágrima Que corre Cai, e grita E chora O beijo. A língua A fala, e fala Do amor Faz Constrói Destrói E briga Chora O beijo Do amado Lábios molhados Do amante Da água Da língua O beijo Um beijo E apenas Beijo O B E I J O

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Ana C. Pozza

Tirando a roupa
Gosto de tirar a roupa E sentir o teu caralho duro Enchendo de prazer a minha boca Deixando-me louca de tesão Enquanto vou sendo beijada com sofreguidão... Gosto de tirar a roupa Virar-me de costas E oferecer-me por inteiro Pedindo sorrateira A tua entrada no meu traseiro. Gosto de tirar a roupa E me sentir lambuzada Inteiramente desejada Pronta para comer E ser comida... Gosto de tirar a roupa Abrir as minhas pernas E ficar te sacaneando Oferecendo a minha vagina quente Cheia de vontade de ficar molhada. Gosto de tirar a roupa E me sentir uma puta Pronta para ser abusada Penetrada, amada Tonta de tesão e dor. Gosto de tirar a roupa E sentir as tuas mãos me envolvendo O teu dedo no meu cuzinho A tua língua na minha pombinha E a minha boca no teu pau. Gosto de tirar a roupa E de gritar como uma maluca Com o prazer doidivanas Que tu provocas no meu corpo Quando entra em mim ereto. Gosto de tirar a roupa E ser obscena

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Ser a tua pequena Ser a tua tarada Sempre pronta para tirar a roupa...

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Ylia Kazama Tesitura
1 Hoy tengo un deseo que me hace nueva... Mi intención "hombre de agua" es: obsesionarte con mi beso; amarte con fascinación, con adoración ferviente. Haremos el amor... delicadamente. 2 Cuando tu boca apenas me roza me convierte en una parcela llena de humedad. Me seduces a la liviandad. 3 Mi liviandad tu la provocas, con tu mirada de beso con tu beso de ... quiero!. 4 Tu cuerpo cálido es una invitación abierta al amor. No sólo a la demostración física... Hablo del sentimiento vasto e infinito. De la pasión que no decrece con la presencia, de la que se intensifica con la ausencia. Hablo de lo que me inspira tu esencia y contexto. Lleno de defectos, que bien claro miro y no me asusta; que asumo como algo tuyo. Hablo de algo muy sencillo: del amor que por ti siento.

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5 Me encanta como suenas, tu sabor, olor y textura. Me fascina como piensas, tu manera de mirar y locura. 6 A qué sabrá tu boca en la mañana? A membrillo?, a durazno?... a limón!. Cómo se oirá tu corazón en la mañana? Cómo un tambor?... cómo trombón?... cómo canción!. Cómo despertaras después de "eso", en la mañana? Humanamente?... amantemente?... Amadamente!. 7 La noche es un milagro. Transitar por ella me hace vasta. La obscuridad es vulnerabilidad en espacio impenetrable. Vulnerabilidad es la obscuridad. Vasta me hace transitar por ella. Es un milagro la noche 8 Mientras despierta sueño, que soy tu sueño. Que sueñas que te sueño y así... no duermo. 9 Pienso que estoy en tu pensamiento que piensas que te pienso y así.... me duerme.

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10 La noche ya llego... estoy dispuesta al amor. Dispuesta a tu amor... amanezco. 11 Acontece que amanece cuando el amor llega. 12 Vengo a descubrir que la inspiración algo te la da. Sólo falta un beso... te besan y ya!. 13 No sé sí estoy inspirada o sólo enamorada. 14 Entre el amor, la noche, el sueño, la realidad, el deseo; la pasión y la ternura está la tesitura.

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Urhacy Faustino

De boca aberta
Em nossas brigas não voam televisões, nem há corporais agressões: o verbo é a flecha que nos perfura mesmo nos tempos e modos que a gente se censura. Trocamos o costumeiro texto sacana por verborrágica luta insana e, se alguém se sente em desvantagem, apela pra figuras de linguagem, misturando metáforas, pleonasmos, com licenças poéticas, no orgasmo ao medirem forças dois titãs. Até que já sem fala, de manhã, mais sedentos que famintos, como taças nos bebemos um ao outro, extasiados de repente sem palavras, embrigados, (eis que a língua se enrola, a gramática falha), nos lambemos em nossa cama de batalha, onde desejos e tesões explodem atômicos em delírios guturais, gozando afônicos.

FIN

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FOTO DE ANA HATHERLY

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2 POEMAS DE PROPINA DE ANA HATHERLY Traducidos por Santiago Aguaded Landero (SAL)
O decifrador de imagens
O decifrador de imagens persegue um fantasma de vestígios como Ulisses amarrado ao querer do conhecer A descoberta é invenção provisória: as vozes não se vêem o que se vê não se ouve A imaginação ergue-se do arrepio da sombra guerrilha entre parênteses ergue-se da constante chacina procurando outra coisa outra causa o outro lado do ver

El descifrador de imágenes
El descifrador de imágenes persigue un fantasma de vestigios como Ulises amarrado al querer del conocer. El descubrimiento es invención provisional las voces no se ven lo que se ve no se oye La imaginación se yergue desde los escalofrios de la sombra guerrilla entre paréntesis yerguese de la constante chacina buscando otra cosa otra causa el otro lado del ver
Extraído del “o pavão negro”, 2003

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O que é o espaço?
O que é o espaço senão o intervalo por onde o pensamento desliza imaginando imagens? O biombo ritual da invenção oculta o espaço intermédio o interstício onde a percepção se refracta Pelas imagens entramos em diálogo com o indizível

¿que es el espacio?
¿Qué es el espacio sino el intervalo por donde el pensamiento se desliza imaginado imágenes? El biombo ritual de la invención oculta el espacio intermedio el intersticio donde la percepción se refracta Por las imágenes entramos en diálogo con lo indecible.

Extraído del “o pavão negro”, 2003

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