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Aprender como crianças

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³Aprender como crianças´: análise do processo de ensino-aprendizagem da língua inglesa entre alunos do Projovem Urbano no município de Igarapé

-Açu (Pará) Jéssica de Fátima Figueiredoi RESUMO: O presente artigo é fruto de meu acompanhamento de alunos do Programa Nacional de Inclusão de Jovens ± Projovem Urbano como professora da disciplina língua inglesa no município de Igarapé-Açu. A pesquisa buscou investigar e analisar os processos de ensino-aprendizagem de língua estrangeira, no caso o Inglês, na educação de Jovens e Adultos (EJA) - você não vai focalizar só o Projovem? e seus percalços, levantando a discussão teórica em alguns aspectos correlacionados, sejam eles: as dificuldades de aprendizagem, os processos que ocorrem na aquisição de outra língua, aspectos socioculturais. Além disso, este estudo fundamenta-se nos Parâmetros Curriculares Nacionais ± Língua Estrangeira (Brasil, 1998), na Proposta Curricular para a Educação de Jovens e Adultos. É de alta relevância citar a abordagem sociointeracionista de ensino-aprendizagem proposta por Vygotsky (1994, 1995), bem como outros construtos e fatores que valorizam o contexto e o discurso do aluno no processo de aprendizagem de línguas. Palavras-chave: PROJOVEM, Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), Ensino-aprendizagem de Língua Inglesa, As dificuldades no Ensinoaprendizagem em estudantes Adultos.

INTRODUÇÃO Meu interesse pelo tema proposto, qual seja os percalços no processo de ensino-aprendizagem da língua inglesa entre alunos do Programa Nacional de Inclusão de Jovens ± Projovem Urbano no município de Igarapé-Açu surgiu em decorrência da minha prática como docente no referido Programa, na escola Nome da escola?. Neste artigo serão abordadas as concepções teóricas sobre linguagem (quais?), ensino -aprendizagem e de como se dá esse desenvolvimento na aquisição de uma nova língua por parte desses aprendizes adultos, bem como fatores que contribuem e permeiam o seu interesse em aprender a língua nessa faixa etária. Veremos também as considerações sobre os Parâmetros Curriculares Nacionais ± Língua Estrangeira (doravante PCNLE) (Brasil, 1998), assim como sobre a Proposta Curricular para a Educação de Jovens e Adultos: segundo segmento do Ensino Fundamental: 5ª a 8ª série, Língua Estrangeira (Brasil, 2002a). Além disso, apresento um breve panorama histórico da Educação de Jovens e Adultos no Brasil. Para finalizar, faço as considerações sobre a prática da língua estrangeira na vida destes estudantes.

p. Esta ultima com a seguinte metodologia: ProJovem Urbano. Na tentativa de reverter essa situação. ProJovem Campo. elaboração de planos e o desenvolvimento de experiências de ações comunitárias e a inclusão digital como instrumento de trabalho e comunicação. Foi com essa proposta de devolver a cidadania a estes Jovens e Adultos é que foi criado no ano de 2005 o Programa Nacional de Inclusão de jovens (PROJOVEM). que tem como finalidade elevar o grau escolaridade visando ao desenvolvimento humano e ao exercício cidadania. no entanto com este tipo de proposta de ensino acabava por assim dizer.i Graduada em Licenciatura Plena em Letras pela Universidade Federal do Pará O PROJOVEM Por muito tempo o sistema de ensino procurou atender exclusivamente as necessidades educacionais do publico infanto-juvenil. e desenvolvimento de ações comunitárias do interesse público. 2009.2007) O programa PROJOVEM tem diversas modalidades tais como: ProJovem Adolescente. Os objetivos do programa surgiu com o seguinte propósito: O PROJOVEM tem como finalidade proporcionar formação integral ao jovem. 9.1996). Segundo a LDB : A educação de jovens e adultos tem como um de seus objetivos oferecer educação básica a jovens e adultos que. a identificação de oportunidades de trabalho e capacitação. de uma classe de estudantes conhecida hoje: jovens e adultos. a identificação. uma exclusão. (BRASIL. ProJovem Trabalhador.16) de da de de . com o propósito de recuperar esse público que por motivos dos mais variados deixou de freqüentar as aulas dos ensinos fundamentais da escola. Além disso. ProJovem Urbano. qualificação profissional com certificação inicial. por meio de uma associação entre: elevação da escolaridade. qualificação profissional e do desenvolvimento de experiências partição cidadã. o Programa contribui especificamente para a re-inserção do jovem na escola. (PROJOVEM URBANO. tendo em vista a conclusão do ensino fundamental. o governo federal por pressões externas como da ONU (Organização das Nações Unidas) criou medidas socioeducativas.394. foram excluídos do sistema educacional na idade adequada. por diversos motivos. por meio da conclusão do ensino fundamental. neste estudo focaremos a modalidade ProJovem Urbano. (LEI Nº.

Ciências Humanas e Informática. suas necessidades de aprendizagem e as características de seu contexto de trabalho. tais como: Qualificação Profissional. Utilizar a leitura e a escrita. assim como outras formas contemporâneas de linguagem. a sociedade global e o planeta. tais como: obter ou renovar documentos pessoais. Assumir responsabilidades em relação ao seu grupo familiar e à sua comunidade. Acessar os meios necessários para exercer efetivamente seus direitos de cidadania.37-38): y y Afirmar sua dignidade como seres humanos. usas os serviços da rede pública disponíveis para jovens e suas famílias etc. planejar e documentar.E com esta meta é que foi implementado no município de Igarapé-Açú o programa. E primeiro lugar procurou atender aqueles que apesar de serem ³alfabetizados´. O programa objetivou em oferecer oportunidades a estes estudantes. Participação Cidadã. Compreender os processos sociais e os princípios científicos e tecnológicos que sustentam a produção da vida na atualidade. trabalhadores e cidadãos. Em segundo plano a qualificação profissional. expressar-se. Ciências da Natureza. Além destas o programa oferece áreas que auxiliam no desenvolvimento social destes estudantes. y y y y y y . considerando suas potencialidades. já que possui pontos atrativos. para se informar e aprender. p. de experimentar novas vivências de mundo ao mesmo tempo em que re-insere na sociedade como sujeitos. 2009. Matemática. Neste percebemos uma grande procura de interessados. No município estes alunos tinham aulas correspondentes ao ensino fundamental. onde estes jovens passariam a se inserir no mundo do trabalho. assim como frente aos problemas que afetam o país. com as seguintes disciplinas: Língua Portuguesa. A proposta do programa se baseia em tais fatores (PROJOVEM URBANO. além de apreciar a dimensão estética das produções culturais. Língua Inglesa. não concluíram o ensino fundamental. Utilizar tecnologias de informática necessárias à busca de informações e à inserção cultural e profissional. sejam elas na ampliação de conhecimentos. Desenvolver competências necessárias para o desenvolvimento de uma ocupação que gere renda. Estabelecer um projeto de desenvolvimento profissional..

A necessidade de se aprender língua inglesa não é de agora. As propostas citadas acima têm fundamental importância na efetivação y y y y y do programa. . pois servem de base para construção da cidadania na vida destes jovens que por muitas vezes foram excluídos da sociedade. sabemos que metas e objetivos nem sempre são alcançados.y Identificar problemas e necessidades de sua comunidade. no caso deste estudo a língua inglesa. No entanto. Refletir criticamente sobre sua própria prática. Exercer direitos e deveres da cidadania. planejar iniciativas concretas visando a sua superação e participar da respectiva implementação e avaliação. Conviver e trabalhar em grupo. este fenômeno começou nos meados da segunda guerra mundial. Exercitar valores de solidariedade e cooperação. participar de processos e instituições que caracterizam a vida pública numa sociedade democrática. no qual o governo e as universidades realizaram um projeto de ensino da língua inglesa. tanto pela inserção no sistema de ensino formal quanto pela identificação e o aproveitamento de outras oportunidades educativas. Mais ainda assim é preciso continuar a luta pelo direito à educação para todos. Continuar aprendendo ao longo da vida. valorizando a diversidade de opiniões e a resolução negociada de conflitos. PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS ± LÍNGUA ESTRANGEIRA Viver em uma sociedade competitiva nos impulsiona a buscar conhecimento. A exemplo disso temos a questão do aprendizado de outra língua. isso graças é claro a globalização. mundos e culturas diferentes. para quem sabe um dia vivermos em um país em que todos. posicionando-se ativamente contra qualquer forma de racismo e discriminação. fenômeno pelo qual promove a relação massificadora entre pessoas. além de saber ler e escrever utilize esse seu saber em suas práticas sociais.

permitindo que os alunos jovens e adultos ampliem a compreensão do mundo em que vivem. De acordo com a proposta curricular para a EJA-LE (Brasil. isso precisamente nos anos de 1935. ela deve centrar-se no engajamento discursivo de aprendiz. De acordo Luciano Amaral Oliveira apud Diógenes Cândido de Lima (2009. 2002ª: 67). como por exemplo.15) reformularam a seguinte proposta: A aprendizagem de língua estrangeira (LE) é uma possibilidade de aumentar a autopercepção do aluno como ser humano e cidadão. é proporcionado no estudante uma reflexão acerca do outro e de si próprio. o aluno acaba por entrar em contato com outra cultura. em sua capacidade de se engajar e engajar outros no discurso de modo a poder agir no mundo social. 1994) Segundo Luciano Amaral o ensino de inglês no Brasil se deu em decorrente as relações comerciais e políticas do Brasil entre outros países. ou seja.com o intuito de levar o conhecimento aos jovens para que pudesse se comunicar oralmente e em segundo plano por escrito. além disso. Nesse sentido estudar uma língua estrangeira (LE) faz com que o aluno aumente o seu conhecimento de mundo.24) Os movimentos migratórios que levaram para os Estados Unidos um grande contingente de imigrantes. propiciando um ambiente escolar que valoriza a identidade do individuo. portanto. No entanto não devemos nos esquecer que tal medida foi desenvolvida no ensino básico que conhecemos de ensino fundamental. o inglês nas escolas é que os PCNs (1997. Por esse motivo. a aprendizagem de língua estrangeira (LE) contribui para a construção da cidadania e favorece a participação social. que viria a dominar o ensino de línguas estrangeiras durante as décadas de 1950 e 1960. papel relevante na formação interdisciplinar dos alunos. tendo. Tais medidas de implementação da língua estrangeira (LE) na escola se deu por três fatores importantes. na medida em que favorece a reflexão sobre seus próprios hábitos e valores. Com medidas pra instaurar o ensino de Língua Estrangeira (LE). p. mais tarde que foi pra série da EJA. época em que o país estava passando por um forte crescimento econômico. O resultado dessas pesquisas foi o método audiolingual. Rodgers. que passaram a ter a necessidade de aprender a se comunicar em Inglês. A compreensão da existência do outro e os valores de outras comunidades. influenciando muitos professores até os dias atuais (Richards. tais como: A primeira é de natureza legalista: .

uma língua estrangeira. de seu primeiro ano de idade [. revelando um processo de aquisição da linguagem que teve grande desenvolvimento a partir. crenças e regras. ³A função primordial da fala. principalmente quando ela entra para a escola e tem maior oportunidade de interagir. a valores. pelo menos. Portanto. 30) ENSINO. a conquista da linguagem representa um marco no desenvolvimento humano. e. de qualquer parte do mundo. enquanto seu campo de socialização se estende. é efetuada explicitamente pelos pais através de instruções verbais durante atividades diárias..se torna mais apurado e ela alcança um nível lingüístico e cognitivo mais elevado. Finalmente. nas mais diversas circunstâncias de sua vida. assim como através de histórias que expressam valores culturais.cumprir o que o Ministério da Educação (MEC) determina por meio dos PCNs. Desta maneira. Assim podemos afirma que o papel da escola seria por assim dizer ³aperfeiçoar´ a linguagem já adquirida.incluindo a visão e audição . Essa criança aprendeu a falar e a entender o que lhe falam.´ . Segundo Cagliari (2009. seu sistema sensorial . Ponto importante para reforçar esta idéia. 1996). o contato social. antes mesmo de aprender a falar. A socialização através da linguagem pode ocorrer também de forma implícita.. p. ensinando os diversos tipos de situações em que essa linguagem pode ser empregada.14): Uma criança de 7 anos que entra na escola para se alfabetizar já é capaz de entender e falar a língua portuguesa com desembaraço e precisão. na maioria das vezes. por meio de participação em interações verbais que têm marcações sutis de papéis e status (Ely & Gleason. é a comunicação. a aprendizagem de línguas estrangeiras cumpre a função de ajudar o estudante a se desenvolver cognitivamente já que o auxilia na construção de conhecimento.] A criança de que falamos é qualquer criança normal. 2009.APRENDIZAGEM DE LÍNGUA INGLESA A linguagem é considerada a primeira forma de socialização da criança. tem-se que aprender. Ao longo que a criança se desenvolve. Segundo Vygotsky (1995). p. aproximadamente. Segunda razão: é de natureza social: o desenvolvimento da leitura em língua estrangeira pode ajudar o estudante no processo de inserção cultural. tanto nas crianças quanto nos adultos. por meio da linguagem a criança tem acesso. (LIMA.

Pensando em métodos de como este aluno pudesse adquirir tais habilidades. em especial os da EJA e como foco deste trabalho os alunos do PROJOVEM? A resposta a essa pergunta não é tão simples. no entanto na tentativa de não perder essas obras é que foi necessário a criação de métodos de aprendizado da língua do latim em universidades. os professores de latim buscaram uma forma adequada de ensiná-los. o Inglês este processo é bem diferente. p. Uma das formas foi a ajudar os estudantes a desenvolverem sua competência de leitura. se o estudante aprendesse à gramática e o vocabulário do latim por meio da tradução de textos do latim para a língua nativa do estudante e desta para o latim. hoje em dia existem algumas práticas de ensino. fonológicas e por meio da tradução. no caso a estrangeira. como assuntos que envolvam as regras gramaticais. Acreditava-se que. Mas será que essas medidas proposta acima. É muito comum essa prática de ensino. compreensão e produção de textos. porém . ficando apenas sua utilidade em grandes obras clássicas. seria necessário um estudo mais aprofundado na área. e em seguida perguntas em que o aluno identifique-os no texto proposto. para que este aluno pudesse obter habilidades de leitura e fala (Linguagem). Porém vale ressaltar que este método do qual conhecemos hoje. ele se tornaria competente na leitura de textos literários escritos em latim. Pois em primeiro caso. habilidades de leitura. Segundo Luciano Amaral Oliveira apud Diógenes Cândido de Lima (2009. mas com o fim do Império Romano no século V da Era Cristã esta língua falada desapareceu. a aquisição desta nova língua. este estudante não esta inserido em um meio em que se faz uso desta língua.tradução continuou e continua sendo usada pelos professores até hoje.Mas no caso da Língua Estrangeira (LE). nos livros didáticos é o que mais vemos textos longos e cheios de regras gramaticais e sintáticas. Segundo caso. Tal medida de ensino de Língua Estrangeira (LE) ficou no plano gramática . 23-24) Com esse objetivo em mente. Dessa forma. Antes o Latim era uma língua em uso. com a finalidade de pesquisar e estudar estes clássicos literários. o ensino de latim como língua estrangeira era feito por meio da analise detalhada das suas estruturas sintáticas. Tal postura vem desde os séculos passados. tem mesmo eficácia no aprendizado dos alunos. não é de agora.

ou preocupações familiares que de alguma maneira os afligiam durante as aulas. além dessas dificuldades citadas acima. um elevado número de alunos por turma. principalmente na EJA. é que mais de 70% dos estudantes nunca terem estudado LE na series iniciais. no caso língua inglesa é bem reduzida.]´ .. Mas não posso generalizar. É o que veremos no próximo ponto. com essa justificativa muitos deles chegavam atrasados em sala. AS DIFICLUDADES NO ENSINO ± APRENDIZAGEM EM ESTUDANTES ADULTOS. a maioria desses alunos de alguma forma tinha vínculo empregatício. era perceptível nestes alunos a falta de atenção. A tarefa de ensina LE não é fácil. Outro aspecto que não pode ser esquecido é a dificuldade na escrita devido a pouca habilidade de leitura. outro fator curioso. mesmo assim eles tentavam realizar suas atividades escolares. pois a carga horária na escola pra ensino de língua estrangeira. pois a escrita reproduz a seu modo e com regras próprias [. prejudicando o seu aprendizado no programa.neste estudo tentaremos ser o mais preciso possível. Além disso. pois segundo Perini (1985) ³Creio que ao se enfatizar o ensino da escrita não se deve ignorar a fala. pois muitos deles em meio a muitas dificuldades enfrentadas durante o dia. O que pude perceber que nas aulas durante as explicações sobre determinados assuntos. devido ao cansaço. sem falar no pouco grau de conhecimento de estudos desta classe de alunos devido a longos períodos longe da escola. No caso dos alunos do PROJOVEM URBANO do município de IgarapéAçú.. Entenda aqui não como crítica a escrita a estes alunos. não faziam os trabalhos de pesquisas ou extraclasses. no caso do Brasil a situação é bem desafiadora.

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394.Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. 2009 LDB . Manual do Educador ± Orientações Gerais. São Paulo. Ensino e Aprendizagem de Língua Inglesa. Brasília. LEI No. Ática. ± www.br. Luiz Carlos.gov. Para uma Nova Gramática do Português. de 20 de dezembro de 1996 PERINI.proJovem. acessado em 18/12/11 ________. A.Referências BRASIL / ProJovem. Web site oficial do Programa Nacional de Inclusão de Jovens ± ProJovem. Diógenes Cândido. CAGLIARI. 1985 PROJOVEM URBANO. Brasília: MEC. DF. São Paulo: Parábola Editora. Alfabetização e Linguística. 2009 LIMA. v. 9. 2002a. M. São Paulo: Scipione. Proposta curricular para educação de jovens e adultos ± Língua Estrangeira: segundo segmento do Ensino Fundamental: 5ª a 8ª série. 2009 .2.

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