O agronegócio do algodão no Brasil e a importância do cultivo agroecológico no nordeste.

Diante das mudanças do mercado nacional e internacional os cultivos agroecológicos do nordeste são de suma importância para a manutenção do homem no campo e como alternativas de cultura rentável.

Por Mariana Calêncio
A cotonicultura está passando por um período recente de mudanças, seja no processo produtivo com mudanças nas tecnologias empregadas até na geografia de expansão da cultura, destacam-se o aumento da participação de países como Índia e China na produção mundial e da inserção do Brasil, Turquia e de países africanos como Mali. A expansão da cotonicultura está fortemente ligada ao aumento da produtividade, no entanto a áreas de cultivo é um fator importante para explicar o comportamento de países como o Brasil e a Turquia. Estima-se que a crise do setor algodoeiro do Brasil, entre meados da década de 1980 e meados da década de 1990, tenha provocado um desemprego na ordem de 800 mil trabalhadores diretos o que acarretou um dos maiores e rápidos êxodos rurais registrados pela história contemporânea. A partir dessa crise iniciou-se uma nova fase no Brasil, o polo produtivo migrou do Sudeste para o Centro-oeste, fazendo com que os estados líderes em produção passassem de São Paulo e Paraná para Mato Grosso, Bahia e Goiás. A mudança do eixo de produção foi também acompanhada da substituição de um modelo produtivo obsoleto, por um modelo agrícola empresarial de melhor desempenho impulsionado pelo ganho na qualidade da fibra, facilidade de financiamento de máquinas e equipamentos (resultados da desvalorização cambial em 1999) e a recuperação do preço no mercado internacional. Nessa nova etapa o estado do Mato Grosso foi bem sucedido, pois conseguiu aliar a política do governo local e o interesse empresarial promovendo a cotonicultura em extensas áreas adequadas a mecanização. O interesse empresarial agiu fazendo pesquisas de variedades mais adaptadas ao Cerrado e ao uso do algodão em uma relação unívoca com a produção de soja na região. Primeiramente a cultura do algodão afirmou-se como rotação de culturas já que o Cancro da Haste e o nematoide de cisto impossibilitavam o cultivo sucessivo da soja; e posteriormente como alternativa rentável que reduz os riscos associados à monocultura, no segundo quartel da década de 1990, a carência em logística desestimulou a produção da soja na região do Cerrado brasileiro. O interesse da governança local em incentivar o cultivo do algodão é evidenciado pela criação do Programa de Incentivo à Cultura do Algodão (Proalmat). O Proalmat inicialmente proporcionava a redução de 75% do ICMS, e estimulava a adoção de tecnologias consideradas adequadas. O mercado mundial de têxteis (principal destino da fibra de algodão) é fortemente condicionado por políticas reguladoras em alguns países-chave, como o Estados Unidos. Por se tratar de um setor que absorve muita mão-de-obra busca-se proteger o emprego doméstico

os mercados mundiais de têxteis e vestuários foram liberalizados e os efeitos sobre a produção primária e a indústria ainda não estão claros nem amadurecidos. como já salientado a cotonicultura tem relevância social significativa. esses tem valor de mercado cerca de 20% acima. São estes indicadores organizacionais e tecnológicos. A importância do cultivo agroecológico no Nordeste brasileiro como alternativa para região de semi-árido.impondo restrições ao livre fluxo de comércio. a cotonicultura ainda pode contribuir para o desenvolvimento da região. que sancionou o protecionismo fundamentando-se em um sistema de cota de exportações impostas aos países em desenvolvimento. Desta forma o algodão agroecológico não é competitivo frente ao algodão produzido no centro-oeste que está sob ótica empresarial. já que não serve para a subsistência é considerado uma cultura de compra de camisa . Para que haja desenvolvimento se faz necessário o apoio direto aos produtores rurais e da participação pública. A cotonicultura da Região Nordeste. É nesse contexto que Freire (2005) afirma que há três nichos de mercado: i) Algodões de tipos bons. são produtores familiares. na maioria das . colhidos a mão que durante o cultivo não tenha sido utilizados contaminantes. Para alguns a liberalização abre maior espaço de crescimento para países pobres e em desenvolvimento. os produtores agroecológicos produzem o algodão arbóreo em consorcio com outras culturas. Porém. outros consideram que muitos países em desenvolvimentos irão sofrer desvantagem a concorrência da China. a oferta ser pequena em relação a demanda. O principal marco regulatório foi o Acordo Multifibras (AMF). O algodão é constituinte principal da fonte de renda de pequenos produtores. a qualidade da fibra da planta arbórea e a possibilidade de produção de fibras coloridas podem representar vantagens. cujo valor de mercado podem ser de até 100% superior aos valores de referência. embora tenha pouca significância em termos de volume de produção tem enorme importância social e economica em vários estados. iii) Algodões coloridos naturalmente. Apesar de todas mudanças que vem ocorrendo. valor de mercado 30% acima. Após 2005. o cultivo do algodão absorve fundamentalmente pequenos e médios produtores e toda produção absorvida pela indústria local. Os produtores de algodão do Nordeste apresentam condições organizacionais bem específicas. tem base no cultivo de algodão arbóreo em pequenas propriedades com baixo rendimento e baixa utilização de capital. e fibras finas. que cultivam em áreas entre um e dois hectares sempre com técnicas rudimentares e com baixa utilização de equipamentos e insumos. Há ainda barreiras a serem vencidas como por exemplo a falta de informação técnica básica para os produtores. ii)Algodões de fibra longas e extralongas. O algodão cultivado na região semi-árida do Brasil tem qualidade superior e resistência ao estresse hídrico e por isso se torna viável a região. que distinguem o sistema de produção agroecológico do semi-árido do Brasil dos demais.

F. (mimeo). para a superação deste obstáculo é necessária a união dos produtores e o aumento da área cultivada. 7. Londrina.n. feijão de corda e gergelim e o volume ofertado pode ser insuficiente para a indústria. 2009. 2. p. Volume 4. P. Outro desafio à produtividade são os frequentes ataques do bicudo do algodoeiro e o aumento dos custo de transporte e logística. P. p. 20 p. certificação. 1993.vezes culturas de subsistências como milho. Algodão agroecológico: uma experiência no semi-árido cearense.B. 19-22. Cairo. 2005.F.. 3. LIMA. In: VIII REUNIÃO NACIONAL DO ALGODÃO. pecuária e Abastecimento (MAPA) . Janeiro de 2007.J.. LIMA.F.B. In: I CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DA IFOAM SOBRE ALGODÃO ORGÂNICO. E finalmente a falta de certificação. com o incremento da produção e a possível entrada no mercado europeu (principal comprador de produtos orgânicos) se faz necessária a certificação por órgão certificadores de respaldo internacional e normas mais exigentes. Algodão Orgânico: bases técnicas da produção. 1995. atualmente quem garante a procedência de acordo os padrões agroecológicos é a Adec e o Esplar que há mais de quinze anos se responsabilizam pela qualidade do produto agroecológico. Ministério da Agricultura. Referêncial: LIMA. Foz do Iguaçu.J. Out.J. industrialização e mercado. Revista agriculturas: experiências em agroecologia. Ecological management of mocó cotton in northeast Brazil. P. CONGRESSO BRASILEIRO DO ALGODÃO. Sustentabilidade da cotonicultura Brasileira e Expansão dos Mercados: Anais.B.. Cadeia produtiva do algodão. Campina grande: Embrapa Algodão. v. 2009. 2205-2210.

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