LIBERDADE: RAZÃO E AUTONOMIA

“Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado” Immanuel Kant

1 – O problema da escolha sem autonomia em nossa sociedade. Sabemos que a liberdade, como apontou Sartre, expressa-se na escolha que fazemos durante todo o tempo. Porém, talvez as escolhas que estamos fazendo estejam corrompidas, talvez estejamos agindo sob influência de interesses que não são verdadeiramente nossos. Vejamos a música abaixo para situarmos melhor o problema que expomos: Adimirável Chip Novo

Pitty
Pane no sistema, alguém me desconfigurou Aonde estão meus olhos de robô? Eu não sabia, eu não tinha percebido Eu sempre achei que era vivo Parafuso e fluido em lugar de articulação Até achava que aqui batia um coração Nada é orgânico, é tudo programado E eu achando que tinha me libertado, Mas lá vem eles novamente e eu sei o que vão fazer: Reinstalar o sistema Pense, fale, compre, beba Leia, vote, não se esqueça Use, seja, ouça, diga Tenha, more, gaste e viva Pense, fale, compre, beba Leia, vote, não se esqueça Use, seja, ouça, diga...

escolhemos entre roubas da marca A ou B. pelos outdoors. compre. deus A ou B. beba Leia. pelo rádio. seja. ouça. é tudo programado E eu achando que tinha me libertado. ouça. carro A ou B. eu não tinha percebido Eu sempre achei que era vivo Parafuso e fluido em lugar de articulação Até achava que aqui batia um coração Nada é orgânico.. fale.Não senhor. Sim senhor. é verdade que . É verdade que há uma escolha. O refrão da música compõe-se de imperativos que nos são ininterruptamente transmitidos pela televisão. fale. pela internet. pelas revistas. eletrodoméstico A ou B. Sim senhor. Não senhor. diga Tenha. compre.. vote. Embora possamos passar a vida sem perceber. diga. Mas lá vem eles novamente e eu sei o que vão fazer: Reinstalar o sistema Pense. more. vote. alguém me desconfigurou Aonde estão meus olhos de robô? Eu não sabia. Admirável chip novo. Sim senhor Mas lá vem eles novamente e eu sei o que vão fazer: Reinstalar o sistema PITTY. pelos jornais. Não senhor. seja. por religiões e até pelos nossos amigos. refrigerante A ou B. não se esqueça Use. beba Leia. gaste e viva Pense. 2003. não se esqueça Use. Não senhor. Sim senhor Pane no sistema.

_________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 4 – Você já foi influenciado por propagandas a adquirir algo que não tinha muita necessidade? Exemplifique e explique como sua liberdade foi afetada. após sermos convencidos por uma propaganda..podemos escolher por A e não por B. Segundo a música. é verdade também que muitas vezes agimos influenciados sobre os imperativos que nos foram transmitidos. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 3 – Explique como a música. o problema da liberdade em nossa sociedade é ainda um problema não resolvido. retrata justamente o modo como somos “programados” a realizar escolhas que beneficiam interesses que não são necessariamente os nossos. ao comparar-nos com robôs. Sim senhor”. em cada um de nós é como se houvesse um chip. A música expressa que as escolhas que fazemos podem estar corrompidas pelo consumismo contemporâneo. . a música mostra a saída que é usada para tudo continuar do modo como está: “Lá vem eles novamente e eu sei o que vão fazer: reinstalar o sistema”. a comparação feita pela música. Isto é. somos livres? Explique. Não senhor. entre nós e os robôs. expressa que fazemos escolhas influenciadas por falsas necessidades. a fazer coisas que podem até estar contrárias a nossos interesses. a escolher coisas que não precisamos. e não de outra. 1 – Quais são os imperativos que a música demonstra que nos são impostos ininterruptamente? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 2 – Ao escolhermos um produto de uma marca. Caso não gostemos e fazemos algo contrário aos imperativos que nos foram transmitidos. VAMOS FILOSOFAR. Portanto.. Sim senhor. porém. como se não fôssemos livres. E ainda podemos aceitar estas coisas de bom grado: “Não senhor. trataremos neste período justamente das escolhas que fazemos e que podem ainda não serem suficientes para sermos livres. por interesses exteriores a nós mesmos. mostra que não somos livres.

_________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 5 – Desenhe um exemplo de propaganda que influencia as pessoas e. portanto. ingleses. como não podem condenar-nos a um auto-de-fé pelos nossos pensamentos secretos. embora. Boldmind: Que horrível alternativa! Éreis cem vezes mais felizes sob o jugo dos mouros que vos deixaram estagnar livremente no meio das vossas superstições e que. 2 – Ousar pensar: a saída de Voltaire para o problema da escolha sem autonomia em nossa sociedade. que cobrimos os mares com os nossos barcos e viemos ganhar para vós batalhas nos confins da Europa? Vede os . Vamos acompanhar o diálogo para encontrar esse caminho: Liberdade de pensamento “Boldmind: Sois. em um contexto diferente. tentou encontrar uma solução para o problema que estamos discutindo. Persuadiram o governo que se possuíssemos o senso comum todo o Estado ficaria em combustão e a nação tornar-se-ia a mais desgraçada da Terra. ele escreveu um verbete intitulado “Liberdade de Pensamento”. nem falar. Voltaire. embora vencedores. afeta a liberdade delas. Se falamos. Enfim. torna-se fácil interpretar as nossas palavras e mais ainda os nossos escritos. nós. assim. seja evidente. expondo um conflito entre um general inglês (Boldmind) e um funcionário da Inquisição na Espanha (Medroso). Boldmind: Achais que somos assim desgraçados. nem mesmo pensar. ameaçam-nos de sermos eternamente queimados por ordem do próprio Deus se não pensarmos como os dominicanos. não se arrogavam o direito inaudito de pôr as almas a ferros. Medroso: Que quereis? Não nos é permitido escrever. Deste conflito. Voltaire indicou o caminho para escolhermos sem seguir interesses que não são verdadeiramente nossos. Medroso: É verdade. No Dicionário filosófico. sargento dos dominicanos? Exerceis um bem vil ofício. mas gostei mais de ser criado deles do que ser vítima e preferi a desgraça de queimar o meu próximo à de ser eu próprio cozido. filósofo francês que viveu entre 1694 e 1778.

Se alguma vez as portas do inferno prevalecerem até esse ponto. pois estais seguro que a vossa religião é divina e que as portas do inferno não podem prevalecer contra ela. esses dogmas. haveis nascido com espírito. Medroso: Ai de mim! Sois bem mais homem que eu. trata-se de nosso santo pai. Quando assistimos a um espetáculo. se o cristianismo só se formou pela liberdade de pensamento. . em que se tornará o Santo Ofício? Boldmind: Se os primeiros cristãos não tivessem a liberdade de pensar. cada qual dá livremente a sua opinião e a paz não é perturbada. pode aprendê-la. por que injustiça desejaria aniquilar hoje essa liberdade sobre a qual está fundado? Quando vos propõem algum negócio interessante. porém. E foi por terem pensado que a Suécia. Boldmind: A vós apenas cabe aprender a pensar. como já aconteceu em Londres. e de Santo Antônio de Pádua. Ousai pensar por vós mesmo. algum insolente. toda a vossa ilha e metade da Alemanha gemem na pavorosa desgraça de não mais serem súditos do papa. Boldmind: Não cabe a vós acreditá-lo. por que contradição. sois uma ave na gaiola da Inquisição. Se assim é. se durante tanto tempo não tivesse sido permitido pensar livremente no império romano. o papa. protetor de algum mau poeta. não é verdade que não existiria cristianismo? Medroso: Que quereis dizer? Não vos entendo? Boldmind: Acredito. se. tornar-se-ia impossível aos cristãos estabelecer os seus dogmas. não o examinais demoradamente. Na Inglaterra.holandeses que vos desapossaram de quase todas as vossas descobertas na Índia e hoje se enfileiram entre os vossos protetores: pensais que sejam malditos de Deus por haverem concedido inteira liberdade à imprensa e por fazerem o comércio dos pensamentos humanos? Foi menos poderoso o império romano por Cícero haver escrito com liberdade? Medroso: Quem é Cícero? Nunca ouvi falar desse homem. Boldmind: Sois homem e isso basta. e sempre ouvi dizer que a religião romana está perdida se os homens começam a pensar. nada poderá destruíla. os dois partidos podem acabar alvejando-se com maçãs. Quem não sabe geometria. a confusão seria prodigiosa. Medroso: Não. quiser forçar todas as pessoas de gosto a considerarem bom o que lhes parece mau. mas pode ser reduzida a pouca coisa. o Santo Ofício aparou-vos as asas mas elas podem voltar a crescer. Medroso: Como posso examiná-lo? Não sou dominicano. antes de o concluirdes? Haverá no mundo maior interesse que o da nossa felicidade ou eterna desgraça? Existem sobre a Terra cem religiões e todas vos condenam à danação por acreditares nos vossos dogmas. Quero dizer que se Tibério e os primeiros imperadores dispusessem de dominicanos que houvessem impedido os primeiros cristãos de usar penas e tinta. que essas religiões consideram absurdos e ímpios. Medroso: Há quem diga que. a Dinamarca. não se trata aqui de Cícero. São estes tiranos dos espíritos que causaram parte das desgraças do mundo. examinai. se toda a gente pensasse por si. Boldmind: Pelo contrário. Portanto. Diz-se mesmo que se os homens continuassem a guiar-se pelas suas falsas luzes acabarão em breve por ater à simples adoração de Deus e à virtude. portanto. qualquer homem pode instruir-se: é vergonhoso que se deposite a alma nas mãos daqueles aos quais não se confiaria o dinheiro.

. Estátua de 1781. o que realmente necessitamos. sem sermos influenciados e manipulados por outrem? Voltaire. O problema que temos a resolver é: como fazer escolhas que reflitam o que realmente queremos. 1 VOLTAIRE. 1° edição.só somos felizes desde que cada qual goze livremente o direito de exprimir a sua opinião (. Museu de São Petesburgo.. pela personagem Boldmind. “Liberdade de pensamento” in Os pensadores. Voltaire. indicou que estas escolhas precisam passar pelo critério do pensamento: trata-se de ousar pensar por nós mesmos. Tradução de Bruno da Ponte e João Lopes Alves. sem entregar nossa alma seja a quem for. 244-246. pp. 1973.)”1. São Paulo: Abril Cultural. . sem aderir a nenhum projeto sem antes examiná-lo com cuidado.

. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 2 VOLTAIRE. Op cit. haveis nascido com espírito. qualquer homem pode instruir-se: é vergonhoso que se deposite a alma nas mãos daqueles aos quais não se confiaria o dinheiro. Ousai pensar por vós mesmo”2. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 5 – Como Voltaire resolveu a questão de fazermos escolhas sem sermos livres em nossa sociedade? Você concorda com a solução dele? Explique. Boldmind aconselhou: “A vós apenas cabe aprender a pensar. pode aprendê-la. Explique qual deve ser o comportamento de Medroso para que ele seja livre. 246. Quem não sabe geometria. sois uma ave na gaiola da Inquisição. .. o Santo Ofício aparou-vos as asas mas elas podem voltar a crescer. segundo Voltaire no texto Liberdade de pensamento? Como esse trabalho é classificado pela personagem Boldmind? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 3 – Existe liberdade de pensamento na Espanha sob a Inquisição? O que a personagem Medroso alega para defender o comportamento da Inquisição? Boldmind concorda com Medroso ? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 4 – Para que a personagem Medroso se tornasse livre..VAMOS FILOSOFAR. 1 – Qual é o problema relativo à liberdade a ser resolvido em nossa sociedade? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 2 – Que tipo de trabalho a personagem Medroso realiza. p.

querida. então deixo a cortina fechada É que a televisão me deixou burro. fala pra mãe Que eu nunca li num livro que um espirro fosse um vírus sem cura Vê se me entende pelo menos uma vez. Ô cride. fala pra mãe! TITÃS. criatura! Ô cride. Televisão Titãs A televisão me deixou burro. . 1985. muito burro demais Agora todas coisas que eu penso me parecem iguais O sorvete me deixou gripado pelo resto da vida E agora toda noite quando deito é boa noite. Ô cride. fala pra mãe ! A mãe diz pra eu fazer alguma coisa mas eu não faço nada A luz do sol me incomoda. criatura! Ô cride._________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 6 – Leia a letra da música abaixo e relacione-a com o texto de Voltaire para explicar se somos livres ao fazermos o que a televisão nos propõe. fala pra mãe Que tudo que a antena captar meu coração captura Vê se me entende pelo menos uma vez. muito burro demais E agora eu vivo dentro dessa jaula junto dos animais. Televisão. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 3 – Esclarecimento: a saída de Kant para o problema da escolha sem autonomia em nossa sociedade.

tal como Voltaire. Segundo Kant. Para isso. mas a guerra todo dia Dia a dia não E tracei a vida inteira planos tão incríveis . apenas orientamo-nos por razões alheias a nossa e. não C\'est fini la utopia. portanto. é preferir a orientação de outrem e não usarmos nosso entendimento com autonomia. não C\'est fini la utopia.Kant (1724 . por covardia e preguiça. mas a guerra todo dia Dia a dia não E tracei a vida inteira planos tão incríveis Tramo à luz do sol Apoiado em poesia e em tecnologia Agora à luz do sol Pacato cidadão Ô pacato da civilização Pacato cidadão Ô pacato da civilização Ô pacato cidadão. Kant aposta em um movimento do qual todos precisariam participar: trata-se de um esclarecimento que retiraria a humanidade da posição de menoridade. Nosso erro. assim. Um bom exemplo desse erro é a música abaixo: Pacato Cidadão Skank Composição: Samuel Rosa E Chico Amaral Ô pacato cidadão. damos origem a tutores que dizem o que devemos fazer sobre as mais variadas questões do dia-a-dia. te chamei a atenção Não foi à toa.1804) foi mais um filósofo que pensou nas condições de possibilidades da liberdade e. te chamei a atenção Não foi à toa. preocupou-se em impedir que fôssemos manipulados por interesses exteriores aos nossos. encontramo-nos na posição de menoridade por não usarmos nosso entendimento da maneira que deveríamos.

perder a amizade Pacato cidadão Ô pacato da civilização Pacato cidadão Ô pacato da civilização . te chamei a atenção Não foi à toa. mas a guerra todo dia Dia a dia não E tracei a vida inteira planos tão incríveis Tramo à luz do sol Apoiado em poesia e em tecnologia Agora à luz do sol Pra que tanta sujeira nas ruas e nos rios Qualquer coisa que se suje tem que limpar Se você não gosta dele.Tramo à luz do sol Apoiado em poesia e em tecnologia Agora à luz do sol Pra que tanta TV. não C\'est fini la utopia. diga logo a verdade Sem perder a cabeça. tanto tempo pra perder Qualquer coisa que se queira saber querer Tudo bem. dissipação de vez em quando é bão Misturar o brasileiro com alemão Pacato cidadão Ô pacato da civilização Ô pacato cidadão.

mesmo depois de alguns erros. ao invés de seguir irrefletidamente algum órgão de imprensa.Ô pacato cidadão. Essa conduta é bem diferente da conduta do “pacato cidadão” da música. e não só é diferente. te chamei a atenção Não foi à toa. Dessa forma. mas oposta. aprenderíamos a caminhar sozinhos. É assim que funciona o movimento proposto por Kant: deixar a pacatez de lado e pensarmos por nós mesmos sobre todas as questões que nos são pertinentes. expor publicamente nossas idéias: precisaríamos espalhar nossas idéias ao nosso entorno. movimentando o uso autônomo da razão naqueles que estão vivendo conosco. não C\'est fini la utopia. no movimento proposto por Kant. Nossa liberdade constrói-se pelo uso autônomo da razão e pela sua . Sairíamos da menoridade e findaríamos com os tutores se nós mesmos conduzirmo-nos nossas ações. na outra dinheiro Pacato cidadão Ô pacato da civilização Pacato cidadão Ô pacato da civilização. mas a guerra todo dia Dia a dia não E tracei a vida inteira planos tão incríveis Tramo à luz do sol Apoiado em poesia e em tecnologia Agora à luz do sol Consertar o rádio e o casamento é Corre a felicidade no asfalto cinzento Se abolir a escravidão do caboclo brasileiro Numa mão educação. precisaríamos. Agimos como um “pacato cidadão” e somos nós mesmos os culpados da posição de menoridade em que nos encontramos. isso só aconteceu por não caminharmos com a autonomia da nossa razão. Ao invés da identificação cega com um líder político ou religioso. Se hoje estamos dominados por tutores. Immanuel Kant (1704-1804) pensarmos para adquirir um entendimento próprio e a partir daí.

de Kant. quais seriam as conseqüências para os tutores ao expormos nossas idéias publicamente? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ . _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 4 – Segundo Kant.. Explique: a) o que é menoridade? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ b) qual é o movimento proposto por Kant e como ele funcionaria? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 3 – Relacione a idéia de “menoridade”. 1 – Kant e Voltaire têm um projeto parecido sobre a liberdade. então. ambos apostam na razão pra atingir este fim. e a ousadia de pensamento. VAMOS FILOSOFAR. Qual é esse projeto? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 2 – Kant propõem um movimento para acabar com a posição de menoridade em que se encontra a humanidade. trata-se do uso público da razão). na semelhança de seus objetivos e nos seus métodos: ambos anseiam a liberdade.publicidade (que aqui não deve ser entendida no sentido mercadológico. proposta por Voltaire.. encontram-se. as pessoas são livres. com a expressão “pacato cidadão” da música do Skank e explique se. proposto por Kant. O movimento de Esclarecimento. na sua cidade.

etiqueta Em minha calça está grudado um nome que não é meu de batismo ou de cartório um nome.. estranho._________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 5 – Kant e Voltaire têm um método em comum para alcançar a liberdade? Qual é ele e como funciona? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ SUGESTÃO DE ATIVIDADES A – TEXTO COMPLEMENTAR Eu. Meu blusão traz lembrete de bebida que jamais pus na boca. a marca de cigarro que não fumo. Minhas meias falam de produto que nunca experimentei mas são comunicados a meus pés.. nesta vida. até hoje não fumei. Em minha camiseta. Meu tênis é proclama colorido .

indispensabilidade. Meu lenço. Com que incidência demito-me de ser eu que antes era e me sabia tão diverso de outros. ainda que a moda seja negar minha identidade. letras falantes. escravo da matéria anunciada. minha xícara. meu relógio. desde a cabeça ao bico dos sapatos. são mensagens. meu aquilo. Estou. hábito. abuso.de alguma coisa não provada por este provador de longa idade. meu copo. premência. minha toalha de banho e sabonete. minha gravata e cinto e escova e pente. ordens de uso. estou na moda. meu isso. trocá-la por mil. açambarcando todas as marcas registradas. tão mim-mesmo. todos os logotipos do mercado. reincidência. e fazem de mim homem-anúncio itinerante. costume. É doce estar na moda. meu chaveiro. gritos visuais. .

tão minhas que no rosto se espelhavam. que moda ou suborno algum a compromete. principalmente). minhas idiossincrasias tão pessoais. . sentinte e solidário com outros seres diversos e conscientes de sua humana. cada olhar. e bem à vista exibo esta etiqueta global no corpo que desiste de ser veste e sandália de uma essência tão viva. Eu é que mimosamente pago para anunciar. para vender em bares festas praias pérgulas piscinas.ser pensante. e cada gesto. Agora sou anúncio. tiro glória de minha anulação. invencível condição. ora vulgar ora bizarro. Não sou – vê lá – anúncio contratado. E nisto me comprazo. em língua nacional ou em qualquer língua (qualquer. Onde terei jogado fora meu gosto e capacidade de escolher. independente.

. tão orgulhoso de ser não eu.CINEMA Forrest Gump: Filme que acompanha a personagem Forest Gamp que adere a várias situações da história do século XX sem o uso autônomo da razão. coisamente. meu nome novo é coisa. tarifados. Eu sou a coisa. 85-87. sou tecido. Carlos. como gostaria Kant. não de casa. somos livres? B .cada vinco da roupa resumia uma estética? Hoje sou costurado. O Corpo. recolocam. Record. Por me ostentar assim. DRUMMOND DE ANDRADE. Rio de Janeiro: Ed. Já não me convém o título de homem. sou gravado de forma universal. pp. objetos estáticos. mas artigo industrial. saio da estamparia. peço que meu nome retifiquem. A partir do poema acima. relacione o texto de Voltaire estudado no curso: transformados em coisa. da vitrine me tiram. 1984.

Tradução de Floriano de Sousa Fernandes. 1° edição. São Paulo: Abril Cultural. Os Pensadores. Tradução de Valério Rohden. São Paulo: Abril Cultural. 1° edição. Paulo Quintela. 1974. 1984. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. São Paulo: Brasiliense. Ensaios de Filosofia Ilustrada. Os Pensadores. VOLTAIRE. TORRES FILHO. 1987. 1997. Tânia Maria Bernkopf.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS HABERMAS. KANT. Mudança estrutural da esfera pública: investigações quanto a uma categoria da sociedade burguesa. 4° edição. 1985. Tradução de Marilena Chauí. Immanuel. 2° edição. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. Tradução de Manuela Pinto dos Santos e Alexandre Fradique Morujão. Textos seletos. Kothe. Fubens Rodrigues Torres Filho. 1973. _____. Petrópolis: Vozes. Tradução de Flávio R.Crítica da razão pura. Rubens Rodrigues. Jürgen. _____. .