ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 Manejo de plantas daninhas
Tutores: Profº Dr.Antonio Alberto da Silva (UFV-MG) Profº Dr. José Ferreira da Silva (FUA-AM) Profº Dr. Francisco Affonso Ferreira (UFV-MG) Profº Dr. Lino Roberto Ferreira (UFV-MG)

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 1

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Ficha Catalográfica Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Controle de plantas daninhas. Tutores: Antônio Alberto da Silva; [e outros]; colaboração de José Ferreira da Silva, Francisco Affonso Ferreira, Lino Roberto Ferreira - Brasília, DF: ABEAS; Viçosa, MG: UFV; 2006. 268.: il (ABEAS. Curso Proteção de Plantas. Módulo 3 - 3.1;3.2;3.3;3.4;3.5,3.6). Inclui bibliografia. 1. Plantas daninhas - controle. I.Silva, Antônio Alberto, 1950 - II. Silva, José Francisco da. III.Ferreira, Francisco Afonso. IV.Ferreira, Lino Roberto. V.Silva, José Ferreira da. VI. Oliveira Júnior, Rubem Silveríco de. VII. Vargas, Leandro. VIII. Universidade Federal de Viçosa. IX. Título É proibida a reprodução total ou parcial deste módulo Direitos reservados a ABEAS e ao autor

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Módulo 3: 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário
Módulo 3.1 – Biologia e métodos de controle, 04 Módulo 3.2 – Herbicidas: classificação e mecanismos de ação, 48 Módulo 3.3 – Herbicidas: absorção, translocação, metabolismo, formulação e misturas, 102 Módulo 3.4 – Herbicidas: comportamento no solo, 135 Módulo 3.5 – Herbicidas: resistência de plantas, 196 Módulo 3.6 – Manejo de plantas daninhas em pastagens, 235

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.1 - Biologia e métodos de controle
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Francisco Affonso Ferreira Profº. Lino Roberto Ferreira Profº. José Barbosa dos Santos

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
4 Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário

Introdução, 06 1 - Planta daninha, 07 1.1 - Prejuízos causados pelas plantas daninhas, 08 1.1.1 - Prejuízos diretos, 08 1.1.2 - Prejuízos indiretos, 09 1.2 - Origem, estabelecimento e propagação das plantas daninhas, 10 1.3 - Classificação das plantas daninhas, 15 1.3.1 - Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas, 16 1.4 - Características de agressividade das plantas daninhas, 18 2 - Competição entre plantas daninhas e culturas, 19 2.1 - Fatores do ambiente passíveis de competição, 20 2.1.1 - Competição por água, 23 2.1.2 - Competição por luz, 25 2.1.3 - Competição por CO2, 28 2.1.4 - Competição por nutrientes, 28 3 – Alelopatia, 30 3.1 - Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas, 31 3.2 - Alelopatia entre culturas, 32 3.3 - Alelopatia das coberturas mortas, 32 4 - Competição e período crítico de competição, 33 5 - Métodos de controle de plantas daninhas, 36 5.1 - Controle preventivo, 36 5.2 - Controle cultural, 37 5.3 - Controle mecânico ou físico, 37 5.4 - Controle biológico, 39 5.5 - Controle químico, 40 6 - Manejo integrado de plantas daninhas (mipd), 42 Referências bibliográficas, 45

Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

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Como toda ciência. o controle de plantas daninhas. Os estudos de ecologia e da toxicologia humana e animal são conduzidos. é extremamente simples. Assim. principalmente. entretanto. o uso de herbicidas tornou-se prática indispensável. o ultra-som. antes do lançamento de qualquer herbicida. simultaneamente. ao amônio-glufosinato. cerca de 20-30% do custo de produção refere-se ao controle de plantas daninhas. economicidade do controle químico. no momento preciso e na quantidade necessária. de arroz. e a mão-de-obra rural existente é escassa e de baixa qualidade. usando métodos manuais. mecânicos ou químicos. física e química do solo.1 . Cerca de 92% da população. Os novos herbicidas estão cada vez mais seguros para o ambiente e o homem. 2005). Devido à dificuldade de se encontrar mão-de-obra no campo. Na verdade. esse percentual é ainda maior. fitotecnia. na região produtora de alimentos do Brasil. como cana-de-açúcar. vive hoje nas cidades. Em razão disso. fisiologia vegetal. cuidados técnicos 6 Módulo 3. ao imazaquin. visando o melhoramento de culturas para resistência a herbicidas. bioquímica. Todavia. climatologia. Em algumas culturas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Para um leigo. Novas técnicas estão sempre sendo pesquisadas e incorporadas. etc. o estudo das plantas daninhas é dinâmico. além da eficiência e. Muitos estudos estão sendo conduzidos em genética. destaca a importância da eficiência do controle de plantas daninhas. o produtor deve ser mais eficiente. as microondas e o raio laser estão sendo avaliados como futuros métodos de controle. com ajuda da física. mecanização agrícola. sendo mais eficientes no controle de plantas daninhas específicas e com doses cada vez mais baixas.Biologia e métodos de controle . deve utilizar menos mão-de-obra para produção de maior quantidade de alimentos. toda e qualquer técnica de manejo de plantas daninhas somente terá sucesso se for aplicada levando-se em conta conhecimentos detalhados da biologia das plantas infestantes da área. para uma população crescente de consumidores e decrescente de produtores. Em termos médios. de milho. química orgânica. em que os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF. São necessários. o Brasil dispõe de um dos maiores mercados do mundo. envolvendo principalmente conhecimentos nas áreas de morfologia e fisiologia. a eletricidade. é uma ciência multidisciplinar que depende de conhecimentos de botânica. Com relação aos defensivos agrícolas. fibras e energia. A demanda cada vez maior de alimentos. como exemplos. estão sendo desenvolvidos trabalhos objetivando a criação de cultivares de soja resistentes ao glyphosate. biologia. ou seja. isoenzimas e RAPD (biotecnologia) e sensoriamento remoto também são úteis na identificação de plantas daninhas. sendo um dos primeiros no "ranking" de vendas de agrotóxicos. técnicas de biologia molecular e sensoriamento remoto.

hoje.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas para atingir a máxima eficiência com o mínimo impacto negativo ao solo. por exemplo. devido à evolução e complexidade que atualmente atingiu a Ciência das Plantas Daninhas. citado por Marinis (1972). no seu processo. uma planta só deve ser considerada daninha se estiver direta ou indiretamente prejudicando uma determinada atividade humana. num conceito mais amplo. etc. podem ser extremamente úteis. Neste programa. levando-se em consideração as espécies daninhas infestantes. etc. cultural. Cruz (1979) salienta que é uma planta sem valor econômico ou que compete. Para Beal. Embora não se possa dizer que uma planta. promovendo a reciclagem de nutrientes. biológico e químico). o controle químico de plantas daninhas. podem-se citar espécies altamente competidoras com culturas sendo extremamente úteis no controle da erosão. algumas têm sido consideradas plantas Módulo 3. é um típico setor de tecnologia de ponta e. físico. as condições ambientais e o nível cultural do proprietário.1 . Uma planta pode ser daninha em determinado momento se estiver interferindo negativamente nos objetivos do homem. para se obter um controle que seja eficiente. à água e aos organismos não-alvos. é uma planta fora de lugar. pelo solo. mecânico. com o homem. são vários os conceitos de planta daninha: Shaw (1956). um campo no qual está muito presente o desafio maior do agronegócio brasileiro. ou. 1 . os equipamentos disponíveis na propriedade. associam-se os diversos métodos disponíveis (preventivo. plantas interferindo no desenvolvimento de culturas comerciais. o tipo de solo. econômico e que preserve a qualidade ambiental e a saúde do homem. Numa cultura.Biologia e métodos de controle 7 . sendo recomendado sempre um programa de controle integrado. fornecendo néctar para as abelhas fabricarem o mel. os conceitos de competitividade. porém esta mesma planta pode ser útil em outra situação. plantas ao lado de refinarias de petróleo. Na verdade. Fischer (1973) apresenta duas definições: “plantas cujas vantagens ainda não foram descobertas” e “plantas que interferem com os objetivos do homem em determinada situação”. Como exemplos. Por esse motivo. plantas estranhas no jardim. como a presença do milho em cultura da soja e da aveia em cultura do trigo. como.Planta daninha Definir planta daninha nem sempre é fácil. por isso mesmo. afirma que planta daninha é qualquer planta que ocorre onde não é desejada. seja daninha. Deve-se ressaltar que o herbicida é considerado apenas uma ferramenta a mais no manejo de plantas daninhas. em determinadas situações. a qualidade do produto produzido ou interferir negativamente no processo da colheita é considerada daninha. Segundo Rodrigues e Almeida (2005). por exemplos. citado por Fischer (1973). na sua essência. Uma planta cultivada também pode ser daninha se ela ocorrer numa área de outra cultura. qualquer planta estranha que vier a afetar a produtividade e. Entretanto. que é o de conciliar. sustentabilidade e eqüidade. a topografia da área. pois estas. servindo como planta medicinal. plantas tóxicas em pastagens. todos os conceitos baseiam-se na sua indesejabilidade em relação a uma atividade humana.

folhas. b) Crescem em condições adversas. furtam energia do homem. Esses valores tornam-se ainda mais significativos na agricultura moderna. ainda. como: a) Não são melhoradas geneticamente. etc. As consideradas verdadeiras possuem características especiais que permitem fixá-las como infestantes ou daninhas. Por exemplo: cafezinho (Palicourea marcgravii). num plantio rotacional trigo/soja. Por exemplo.1 . tubérculos de tiririca se desenvolvendo dentro tubérculos de batata (Fig. bulbos. raízes.) 1. geralmente com facilidade para disseminação pelo vento. as plantas daninhas causam outros prejuízos diretos. São exemplos a presença de sementes de picão-preto (Bidens pilosa) junto ao capulho do algodão. quando estas são colhidas junto com sementes de determinadas espécies de plantas daninhas proibidas. na realidade. capim-massambará (Sorghum halepense) e feijão-miúdo (Vigna ungiculata).1 . cavalinha (Equisetum 8 Módulo 3. seria fácil erradicar uma espécie daninha. oficial-de-sala (Asclepias curassavica). Possuem habilidade de produzir grande número de sementes por planta. por máquinas. Muitas espécies de plantas daninhas são. etc. 1). tubérculos.Prejuízos causados pelas plantas daninhas 1. etc. como é o caso de mudas cítricas produzidas em viveiro infestado com tiririca (Cyperus rotundus). que são atributos que facilitam a perpetuação da espécie. sementes de carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum) aderidas à lã. pêlo de animais. etc. as plantas de trigo que surgirem das sementes remanescentes no solo passam a ser consideradas daninhas à cultura da soja. d) Apresentam dormência e germinação desuniformes. c) São rústicas quanto ao ataque de pragas e doenças. como leiteiro (Euphorbia heterophylla). Além da redução da produtividade das culturas. b) São responsáveis pela não-certificação das sementes de culturas.000 sementes por planta. Exemplo: Desmodium totuosum. c) Podem intoxicar animais domésticos.Biologia e métodos de controle . que produz até 42. se todas as sementes germinassem de uma só vez. pois. água. arroz-vermelho (Oryza sativa).Prejuízos diretos As plantas daninhas. As comuns são aquelas que não possuem habilidade de sobreviver em condições adversas. capazes de se multiplicar por diversas maneiras (sementes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas comuns e outras plantas daninhas verdadeiras. É comum. por exemplo: a) Reduzem a qualidade do produto comercial. cerca de 20-30% do custo de produção de uma lavoura se deve ao custo do controle das plantas daninhas. onde se exige perfeito controle das plantas para melhor eficiência das máquinas colheitadeiras. rizomas. impedirem a certificação de mudas em torrão. quando presentes em pastagens. por misturas de sementes. Em média.1. as quais são facilmente dissemináveis por animais.1 . também. sementes de capim-carrapicho (Cenchrus echinatus) junto ao feno.

causado por um vírus à cultura do feijão. milho e plantas ornamentais.2 . Outro exemplo é o capim-massambará (Sorghum halepense). Módulo 3. durante a operação da colheita. ainda não introduzida no Brasil. pois. Esta última é a pior invasora para milho. arranha-gato (Acassia plumosa) e outras plantas espinhosas podem até impedir a colheita manual das culturas. ainda. Estas diminuem a eficiência das máquinas e aumentam as perdas durante a operação da colheita até mesmo quando em infestação moderada nas lavouras. Sida santaremnensis. dois meses mais tarde as plantas aparecem na superfície do solo. além dos prejuízos diretos que causam às culturas. algodoeirobravo (Ipomoea fistulosa). etc.). Ipomoea aristolochiaefolia. chibata (Arrabidae bilabiata) e outras que podem causar a morte de animais. podem. Algumas espécies. Sida cordifolia. São exemplos a erva-de-passarinho (Phoradendron rubrum) em citros e a erva-de-bruxa (Striga lutea) em milho.Biologia e métodos de controle 9 . Sida glaziovii. que germinam e parasitam as raízes do milho.Dano em batata inglesa devido à penetração e ao desenvolvimento de tuberculos de tiririca 1.1 . os nematóides: mais de 50 espécies de plantas daninhas hospedam Meloydogyne javanica e Heterodera (nematóide-do-cisto da soja). florescem rapidamente e iniciam novamente o ciclo parasitário. d) Algumas espécies exercem o parasitismo em citros. feijão e cana-de-açúcar. Figura 1 . Capimcarrapicho (Cenchrus echinatus). prejudicar ou mesmo até impedir a realização de certas práticas culturais e a colheita.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas piramidale). São exemplos destas espécies a corda-de-viola (Ipomoea grandifolia. infestante comum em lavouras de milho.000 sementes por planta.1. Outro exemplo de espécie de planta daninha que causa prejuízos diretos e indiretos é a Mucuna pruriens. Sida micrantha. samambaia (Pteridium aquilinium). que é hospedeiro do vírus do mosaico da cana-de-açúcar. que é transmitido pela mosca-branca após ter se “alimentado” de espécies do gênero Sida (Sida rhombifolia. os tricomas de suas folhas se rompem a um leve contato e liberam toxinas que causam inflamação na pele do trabalhador. Ela produz cerca de 5. como o mosaico-dourado do feijoeiro. esta espécie daninha dificulta tremendamente a colheita manual. flor-das-almas (Senecio brasiliensis).Prejuízos indiretos As plantas daninhas podem ser hospedeiras alternativas de pragas e doenças. Ipomoea purpurea e outras desse gênero). carrapicho-de-carneiro (Acathospermum hispidum).

aguapé (Eichornia crassipes). elas começaram a aparecer quando o homem iniciou suas atividades agrícolas. Todavia. ação de rios e mares. o estabelecimento envolve o processo de germinação da semente. a disseminação das plantas daninhas pode ser feita por vento.Biologia e métodos de controle . as plantas daninhas originaram-se. As plantas daninhas podem ser disseminadas por diversos meios. além da competição pelos recursos do meio. ou seja. dos distúrbios naturais. estabelecimento e propagação das plantas daninhas De acordo com Musik (1970) e Fischer (1973). Na verdade. como a tiririca (Cyperus rotundus) e a losna-brava (Artemisia verlotorum). como o é. Nestas áreas não é desejável a presença de plantas daninhas vivas ou mortas. porque ele é quem cria o ambiente favorável a elas. etc. etc. água.2 . Existem duas grandes teorias: a hidrosere. animais. refinarias de petróleo. separando as benéficas (denominadas plantas cultivadas) das maléficas (denominando-as de plantas daninhas). etc. Normalmente. incluindo o homem. tornando-se inviável economicamente. dificultando a manutenção de represas. Além disso. tubérculos. possuem seus mecanismos de ação ligados ao processo 10 Módulo 3. Estas são encontradas onde está o homem. além das partes das plântulas. também. crescimento e desenvolvimento da planta.Origem. problemas sérios em ambientes aquáticos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas As plantas daninhas. Estas. que se constitui num grande disseminador de tais plantas. ferrovias. vias públicas. pelas plantas cultivadas. prejudicando a pesca. como hipocótilo. Musik (1970) salienta que o homem é. Vários são os diásporos. segundo a qual a vida teve origem em terra firme. como glaciação. podem ser altamente inconvenientes em áreas não-cultivadas: áreas industriais. etc. onde podem dificultar o manejo da água. que afirma que a vida originou-se no meio líquido. também. muitos herbicidas atuam. têm o custo de controle muito elevado. provavelmente. pois a semente é uma das vias de entrada dos herbicidas. radícula. Os propágulos podem ser raízes. Do ponto de vista morfofisiológico. envolvendo os complexos aspectos morfogênicos e edafoclimáticos. Por outro lado. devido ao próprio conceito de planta daninha. como as olerícolas de modo geral. Exemplos: taboa (Typha angustifolia). os parques e os jardins. que apresentam duas características essenciais: dormência e reservas alimentícias. as plantas daninhas produzem muitas sementes. o responsável pela evolução das plantas daninhas. O estudo do processo germinativo das sementes é de fundamental importância para quem trabalha com o manejo de plantas daninhas. rizomas. Outras espécies de plantas daninhas podem ainda reduzir o valor da terra. o que assegura alta taxa de dispersão e restabelecimento de uma infestação. pelos quais as plantas podem perpetuar-se tanto por via seminífera como por via vegetativa.1 . também.. Causam. o estabelecimento de uma determinada planta daninha envolve os aspectos ecológicos da agregação e migração. inicialmente. 1. etc. desmoronamentos de montanhas. e a xerosere. quando presentes em áreas com culturas que apresentam pequena capacidade competitiva. caulículo. aumentando o custo da irrigação. o funcionamento de usinas hidrelétricas. A propagação vegetativa é um mecanismo de sobrevivência de grande importância nas plantas daninhas perenes.

As características físico-químicas das substâncias coloidais das sementes irão comandar o potencial da água nas sementes. que perdem muita umidade por ocasião de sua maturação e secagem. com o ressurgimento das atividades paralisadas ou reduzidas por ocasião da maturação da semente. são necessárias as seguintes condições ambientais favoráveis: água em quantidade suficiente. Com a embebição. É comum entre as espécies a presença do tegumento totalmente impermeável à água. porque as sementes ficam por períodos prolongados nos estágios iniciais da Módulo 3. A embebição também é influenciada pela temperatura (temperaturas mais elevadas. temperatura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinativo. a germinação consiste no processo que se inicia com o suprimento de água à semente seca e termina quando o crescimento da plântula se inicia. As principais substâncias responsáveis pela embebição são as proteínas. é necessário o suprimento contínuo de água. Do ponto de vista fisiológico. como adequado suprimento hídrico. ou seja. A temperatura ótima é aquela que permite a obtenção da maior percentagem de emergência no menor espaço de tempo. é de duas a três vezes o peso da semente. portanto. A germinação da semente é a reativação dos pontos de crescimento do embrião que haviam sido paralisados nos estágios finais da maturação morfisiológica da semente. Entretanto. em fases seguintes à reidratação. atmosfera apropriada à espécie (concentração de CO2 e O2) e luz (comprimento de onda e intensidade). Outro fator que pode influenciar a embebição é a permeabilidade do tegumento da semente à água. cada espécie requer uma temperatura ideal para germinação. 1986. A água é necessária para que ocorra a reidratação das sementes. a velocidade da germinação é menor. permeabilidade do tegumento à água e presença de água na forma líquida ou gasosa. e para isso são necessários alguns requisitos fundamentais: estarem as sementes viáveis e as condições ambientais serem favoráveis. menor tempo para embebição).1 . 1985). METIVIER. aumenta-se o potencial de pressão interna na membrana que envolve a semente (pressão de embebição). o qual pode atingir centenas de atmosferas. sendo dependente dos seguintes fatores: composição química da semente. Para que uma semente viável (condição intrínseca) possa germinar. FERRI. para a maioria das espécies. o que resulta numa diminuição do estande. Essas necessidades são definidas para cada espécie e estão relacionadas com o habitat de origem e com a melhor forma de preservar a espécie (normalmente as espécies daninhas somente germinam quando existem condições para sobrevivência). para o desenvolvimento do eixo embrionário em plântula independente. por onde sairá a radícula. A embebição das sementes é um processo físico que ocorre tanto nas sementes vivas quanto nas mortas. concentração de oxigênio e presença ou ausência de luz. Se a semente não estiver em estado de dormência e houver condições ambientais favoráveis. A quantidade de água necessária para reidratação. a celulose e as substâncias pécticas. O processo da germinação inicia-se. 1974. ela entrará em processo de germinação (PROPINIGIS. dando origem ao que se chama de semente dura. conforme ela seja fotoblástica positiva ou negativa. ocorre a ruptura do tegumento e saída da radícula.Biologia e métodos de controle 11 . Estas sementes permanecerão dormentes enquanto o tegumento estiver impermeável (semente dura). impedindo que a planta se estabeleça. Normalmente. provocando o rompimento do tegumento. Em temperaturas abaixo da ótima. temperatura adequada à espécie.

nessas condições. A necessidade de luz pode variar também em função do armazenamento. É importante salientar que a sensibilidade das sementes à luz é maior quando a semente está embebida. em regime de temperatura constante entre 25 e 30 °C.1 . devido à maior atividade metabólica. Há espécies cujas sementes somente germinam em regime de alternância de temperatura.Biologia e métodos de controle . pois sementes de muitas espécies não conseguem germinar quando a concentração de CO2 é muito elevada. O período de exposição pode ser curto. a fase gasosa do solo apresenta uma série de substâncias voláteis que são produzidas pelas plantas. como porosidade. Em algumas espécies tem-se observado.03% de CO2. ficam mais suscetíveis ao ataque de microrganismos patogênicos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinação e. em alguns casos. Existem espécies de plantas daninhas que somente germinam no escuro. esta prática não é utilizada para conservação de sementes. Através de concentrações elevadas de CO2 consegue-se evitar a germinação e auxiliar na conservação de sementes. que aumentam a necessidade de oxigênio pelo embrião. uma interdependência entre temperatura e outros fatores externos. ocorrendo a embebição de todos os tecidos da semente e uma expansão do tegumento 12 Módulo 3. como: a) altas temperaturas. ser inibidoras ou promotoras da germinação. passam a germinar rapidamente se ocorrer alternância de temperaturas alta e baixa. Sementes desta espécie dificilmente germinam totalmente no escuro. respiração. necessita de energia. ou. e b) fatores do solo. como em sementes de alface (alta percentagem de germinação em exposição por um a dois minutos). também. O efeito do CO2 é normalmente contrário ao do O2. causando crescente desorganização do mecanismo germinativo e impossibilitando que as sementes menos vigorosas completem a emergência. por se tratar de um processo que ocorre em células vivas. as sementes germinam em atmosferas com 20% de O2 e 0. Além destes. isto é. entretanto. a velocidade da germinação. as reações envolvem o fitocromo. esse fenômeno é semelhante ao fotoperiodismo observado para o florescimento. Como exemplo desta interdependência podem-se citar as espécies do gênero Amaranthus. ou muito curto. outras necessitam de breve iluminação e outras são indiferentes.001 segundo (sementes de fumo). outras em luz contínua. Temperatura acima da ótima tende a aumentar. A germinação. Em algumas espécies a necessidade de luz ocorre somente após a colheita e em outras por um longo período (por um ano ou mais). Todavia. em demasia. profundidade de semeadura. com uma rápida absorção de água pelos biocolóides. porcentagem de matéria orgânica. Em condições normais. como a grama-seda (Cynodon dactylon). A temperatura ótima está relacionada com as atividades das enzimas que participam dos diversos processos metabólicos que ocorrem durante a germinação e cujas ações somente se tornam eficientes em temperaturas específicas. em que a luz pode promover a germinação mesmo em temperaturas desfavoráveis. longo e de forma cíclica. O processo de germinação inicia-se. Neste caso. razão por que a germinação das sementes é influenciada pela composição do ar atmosférico que as envolve. obtida por meio do processo de oxidação na presença do oxigênio. A respiração envolve trocas de gases. atividade microbiana e teor de umidade. As necessidades e quantidades de 02 para germinação são influenciadas por outros fatores. portanto. apenas flash de 0. podendo. porque uma atmosfera rica em nitrogênio parece ser mais econômica e eficiente. ainda.

pela ação das lipases. primeiramente na região da radícula do embrião. é reativada e a enzima β-amilase é sintetizada de novo por estímulo hormonal (giberelinas) às expensas de aminoácidos originados de proteínas hidrolisadas e com a energia oriunda das atividades das fosforilases.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas envolvente. os lipídeos. é transformada em inositol e fósforo inorgânico. presente na semente seca. ocorrem a divisão e o alongamento celular. que é devida a condições intrínsecas inerentes à própria semente. pela ação das enzimas amilases. a quiescência é confundida. da glicólise e da respiração. síntese das amilases. por alguns autores. pela ação das enzimas proteolíticas. Nas primeiras 12 a 16 horas após o início da embebição. necessitam que a dormência seja superada de alguma forma. verifica-se inicialmente a ativação do m-RNA preexistente. frutose e maltose. são transformados em ácidos graxos (em oleaginosas. Esta fase da embebição coincide com o aumento da atividade metabólica. a drenagem de áreas encharcadas e as irrigações de solos secos podem estimular a germinação dessas sementes. É o caso das aveias silvestre e cultivada. Aumenta-se. O simples revolvimento do solo. Durante esta fase o ácido giberélico (giberelinas) estimula a ativação e. nas primeiras 24 horas iniciais. nas quais o melhoramento genético reduziu ou mesmo suprimiu tal atributo. é transformado em açúcares redutores e sacarose. e a fitina. ocorrem o metabolismo e a mobilização das reservas das sementes. o embrião passa a sintetizar e liberar giberelinas que se movem através do endosperma. Neste caso. enquanto a silvestre sobrevive por vários séculos sem a ajuda humana. por ação das fitases. lipídeos e carboidratos solúveis armazenados no embrião. os quais dependem do uso de aminoácidos. que é observada pelo aumento da respiração. porém a cultivada já não consegue viver sem ajuda do homem. as gorduras são convertidas em sacarose pelo ciclo do glioxilato. com a dormência. ao mesmo tempo. são transformadas em aminoácidos. pelo contrário. mecânica ou fisiológica. ou. em estado da quiescência. para germinarem. mesmo que as condições ambientes sejam favoráveis. podendo ser física. através da ação de duas enzimas: isocitrase e sintetase do malato).1 . também. acompanhada pelo aumento da síntese protéica no embrião. as sementes. Em conseqüência do aumento das atividades de diversas enzimas durante o processo de embebição. O amido. observa-se aumento nas sínteses de DNA e RNA.Biologia e métodos de controle 13 . que são plantas muito semelhantes e apresentam ciclos vegetativos praticamente iguais. a semente não germina. havendo formação de α-amilase e outras enzimas. incrementando-se a respiração e o alongamento celular. Outro aspecto relacionado com a semente é a quiescência. que é o repouso metabólico da semente devido a condições externas desfavoráveis. o homem sempre Módulo 3. e. iniciando-se o crescimento celular e a mitose. Uma outra razão é dormência. no solo. que envolve a oxidação da matéria orgânica da semente com formação de ATP e substâncias intermediárias necessárias ao processo anabólico da germinação. as proteínas. o número de ribossomos+RNA que incorporam os aminoácidos às proteínas. Um grande volume de sementes de plantas daninhas encontra-se. Propinigis (1974) cita como exemplo marcante a dormência das plantas daninhas comparada à das plantas cultivadas. que elevam a produção de glucose. Em cereais. Isso ocorre porque durante o processo da embebição a enzima β-amilase. as quais são essenciais para o desenvolvimento do embrião. No caso da dormência.

Isso pode ocorrer pela simples movimentação do solo. sendo um meio necessário de sobrevivência entre as plantas daninhas. garantindo a perpetuação da espécie. Acredita-se que muitas outras espécies de plantas daninhas apresentam mecanismos semelhantes. pode ocorrer germinação durante meses ou até anos. Como exemplos de espécies de plantas daninhas que apresentam mecanismos de dormência podem-se citar: a) ervaformigueira (Chenopodium album): produz sementes com tegumentos normal e duro. a semente permanece dormente (sementes com tegumento impermeável. b) língua-de-vaca (Rumex cryspus): germina melhor na presença de luz. inerente ou natural. as demais permanecem dormentes. durante o processo de maturação. O leiteiro (Euphorbia heterophylla).Biologia e métodos de controle . Os diversos tipos de dormência podem ser agrupados em: a) “Dormência primária”. contribuir para o desenvolvimento de métodos mais eficientes de controle de plantas daninhas. na temperatura e na composição atmosférica do solo ou até mesmo acelerar a liberação de compostos estimulantes da germinação. mas sem sucesso. sem dormência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas procurou erradicá-la. Certas espécies necessitam de condições especiais para germinarem. no futuro. Por esta razão. Segundo diversos autores. germinam todas. apenas 2 a 5% germinam. não germina de forma uniforme.1 . seria aquela que a semente adquire quando ainda está ligada à planta-mãe. e o inverno violento pode matar as plântulas. por exemplo). e persiste por longo tempo após completada a maturação. nas várias formas. e presença de algum inibidor fisiológico. Como a dormência não é a mesma em todas as sementes de uma planta. que pode expor as sementes à luz (mesmo por frações de segundos).. Já a aveia silvestre. 14 Módulo 3. b) “Dormência secundária”. como os nitratos. 1998).000 sementes/m2/10 cm de profundidade.000 e 50. ao oxigênio. requerendo condição especial para quebra da dormência. em um dado período. é um dos mais importantes mecanismos indiretos de dispersão. seria aquela que a semente adquire devido ao ambiente desfavorável. também chamada de induzida. e c) quinquilho (Datura stramonium): germina melhor no escuro. aumentando a sua população quando as condições retornam à sua normalidade. sobrevivendo no solo por muito tempo. podem ser várias as causas da dormência: embrião imaturo. provocar mudança nos teores de umidade. uma avaliação da composição florística de uma área em uma única época do ano não representa o potencial de infestação desta área. ou. Através deste mecanismo a espécie consegue sobreviver em estações desfavoráveis. Dormência pode ser definida como qualquer estágio no ciclo da vida no qual o crescimento ativo é suspenso por um período de tempo. por apresentar dormência. endógena. tegumento da semente impermeável à água e. por ser indiferente à luz. O amplo conhecimento da dormência poderá. sendo considerada uma espécie de planta daninha importante. O solo agrícola é um banco de sementes de plantas daninhas contendo entre 2. A dormência. é capaz de germinar até a profundidade de 25 cm no solo (VARGAS et al. A aveia cultivada amadurece no verão e suas sementes. Do total dessas sementes. Por isso. No retorno ao ambiente favorável. também chamada de dormência inata. mesmo sob intenso controle sempre haverá no solo sementes desta espécie.

possivelmente pelo maior teor de umidade junto às sementes (maior contato entre as sementes e o solo). As plantas que produzem sementes englobam as monocotiledôneas e dicotiledôneas.000 espécies. espécies que produzem sementes pequenas. como é o caso de Brachiaria plantaginea. Este grupo abrange quase todas as plantas consideradas daninhas (cerca de 30. Quanto ao ciclo de vida.0 cm no plantio convencional e somente até 1.800 são consideradas mais nocivas em razão de suas características e seu comportamento. que germina até a profundidade de 3. cerca de 1. de suas formas de reprodução e ciclo de vida para se desenvolver um bom programa de manejo integrado. entretanto. respectivamente (VARGAS et al. Uma Aração + E.Influência do tipo do preparo do solo na germinação de sementes de plantas daninhas Tipo de Preparo do Solo 1. Por estes e outros motivos é necessário conhecimento mais amplo das espécies de plantas daninhas. Uma Aração 2. sem o revolvimento do solo.1 .Classificação das plantas daninhas Em certos casos.5 cm no sistema de plantio direto. somente germinam quando estão até a profundidade de 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maior germinação foi observada (Quadro 1) no tratamento com (aração + enxada rotativa + ligeira compactação do solo). 1. onde no rastro da roda do trator observa-se cerca de 10% a mais de emergência de plantas daninhas. Estas podem ser anuais de inverno (que germinam no outono ou inverno. com aproximadamente 170. As anuais completam seu ciclo de vida (semente-semente) em um ano ou menos. causando a cada ano grandes perdas na agricultura. a emergência ocorre em menores profundidades. O Quadro 2 apresenta as 12 famílias mais importantes do mundo. a seletividade de alguns herbicidas baseia-se em diferenças morfológicas e fisiológicas existentes entre as espécies de plantas daninhas e cultivadas. em solos muito compactados. crescem na primavera e produzem frutos e morrem em meio ao verão) e anuais de verão (que germinam na primavera. Uma Aração + Enxada Rotativa 4.0 cm.000 espécies). Outro fator que influencia a profundidade de emergência é o sistema de cultivo. Uma Aração + Uma Gradagem 3. crescem no verão e Módulo 3. como Eleusine indica.. 1998). Quadro 1 . as plantas daninhas podem ser anuais. Espécies que produzem sementes grandes.Biologia e métodos de controle 15 . Destas. Sem Cultivo No de Sementes Emergidas m-2 103 134 206 328 80 As características físico-químicas do solo também influenciam a profundidade de emergência das sementes. podem germinar até a profundidades superiores a 15 e 25 cm. bianuais e perenes. assim. quando comparada com solos pouco compactados.3 . Rotativa + Compactação 5. Outro fator extremamente importante na germinação das sementes é a profundidade em que elas se encontram no solo. como as dos gêneros Ipomoea e Euphorbia. Isto pode ser observado facilmente em condições de campo.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas madurecem e morrem no outono). segundo Holm (1978) Famílias Gramineae Compositae Cyperaceae Poligoniaceae Amaranthaceae Cruciferae Leguminosae Convolvulaceae Euphorbiaceae Chenopodiaceae Malvaceae Solanaceae No Espécies 44 32 12 8 7 7 6 5 5 4 4 4 % Total de Espécies Daninhas 37% 43% 68% As plantas perenes são aquelas que vivem mais de dois anos e são caracterizadas pela renovação do crescimento ano após ano a partir do mesmo sistema radicular. etc. Cyperus rotundus.talo cilíndrico.1 . as plântulas se desenvolvem vegetativamente até o estágio de roseta. a simetria das pétalas. Para facilitar a correta identificação da espécie. Imperata brasilensis. e c) perenes lenhosas. que se reproduzem por sementes e por mecanismos vegetativos. o número de estames ou pétalas. há uma lista enorme de características vegetativas que levam às famílias. há nítida observância desses fatos. Echinocloa crusgalli. com nós e entrenós. Exemplos: Digitaria sanguinalis. Echinocloa cruspavonis e Bracharia plantaginea. a posição do ovário (inferior ou superior). livres ou unidas. há necessidade de um período frio para florescimento e frutificação. bainha normalmente aberta.Biologia e métodos de controle . 16 Módulo 3. As plantas bianuais vivem mais do que um.exemplo: dente-de-leão (Taraxacum officinale) . Caso a planta esteja sem sementes. como no caso de cenoura e alface silvestres. etc. e depois ocorre maturação e morte. porém menos do que dois anos.3. 1. o tipo de fruto. lígula normalmente presente. Quadro 2 .1 . entrenós com talo oco. Estas podem ser classificadas em: a) perenes herbáceas simples . que se reproduzem por sementes e podem também reproduzir-se vegetativamente se injuriadas ou cortadas. se as pétalas estão ausentes ou presentes. exemplos: Cynodon dactylon. que são plantas cujos caules têm crescimento secundário. b) perenes herbáceas mais complexas.. onde as estações do ano são bem definidas. Em certas regiões do Brasil. exemplo: Senna obtusifolia. Durante a primeira fase de crescimento. Eleusine indica. com incremento anual.Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas Graminae .Famílias de plantas daninhas e números de espécies mais importantes por família. deve-se primeiramente saber se a planta é mono ou dicotiledônea. principalmente no sul.

Cesalpinaceae . Convolvulaceae . Subfamília III . Exemplos: Amaranthus hybridus e Amaranthus viridis. estames 10. estames 3-12 inseridos no cálice. Raphanus raphanistrum e Lepidium virginicum.1 .flores muito pequenas e de cor verde. Chenopodiaceae . Exemplos: Cyperus esculentus e Cyperus rotundus. o fruto é uma síliqua. Exemplos: Senna obtusifolia. planta com escamas. Sonchus oleraceus e Xanthium cavanillesii. muitas vezes.folhas de disposição alternadas.língua-de-vaca.é subdividida em subfamílias: Subfamília I . Cyperaceae . bainha fechada sem lígula.flores vistosas com cálice e corola pentâmeros.presença de serocina. Ageratum conyzoides. folhas bipenadas ou penadas. hermafroditas e actinomorfas. com seiva mucilaginosa e talos fibrosos. Exemplo: Chenopodium album.estames tetradínamos (quatro comprimidos para dentro e quatro curvados para fora). Physalis e Datura.corola com estandarte interno. flores vistosas. Exemplos: Desmodium e Phaseolus. o fruto muitas vezes é uma cápsula ou um policoco.Papilionaceae . Subfamíla II . Exemplos: Ipomoea sp. Exemplos: Brassica rapa.corola irregular com estandarte interno. Melampodium perfoliatum. Convolvulus arvensis e Cuscuta sp.trepadoras com folhas alternadas e sem estípulas. folhas irregularmente recortadas. Polygonaceae . dividido em dois lóculos. seiva ácida e penetrante.talo triangular sem nós. brácteas espinhosas. talo estriado.Biologia e métodos de controle 17 . cinco estames de tamanho desigual. Solanaceae .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Compositae . estames inseridos no fundo do tubo polínico. usualmente anuais.Mimosaceae . corola em forma de tubo. cálice transformado em papus. estames livres e anteras unidas. Exemplos: Rumex crispus .Inflorescência em capítulo (flores muito pequenas e em dois tipos: tubulares e ligulares). com muitos estames em androceu tubular. geralmente (9) + 1. com odor forte e característico.Amaranthaceae . folhas nunca bipenadas. fruto em aquênio. Malvaceae . etc. nós dos talos inchados ou protuberantes. estames quatro a infinito. flores muito pequenas e de cor verde. Leguminosae . Cruciferae . Exemplos: Sida spp. inseridos na corola. Exemplos: Solanum. folhas e caules.corola actinomorfa. talos e folhas muitas vezes com espinho.. Acanthospermum australe. anteras agrupadas ao redor do estilete. inflorescências condensadas. Exemplos: Bidens pilosa.possuem cinco estames. sem estípulas. Módulo 3. o fruto é uma capsula. Exemplo: Mimosa e Acácia. em geral as folhas são penadas.

Cynodon dactylon (grama-seda): por sementes e estolões. rizomas. Muitas plantas daninhas apresentam mais de um mecanismo de reprodução. podem gerar mais dez plantas. Exemplos: Phoradendron rubrum (erva-de-passarinho). estolões.4 . bulbos. Exemplos: Sorghum halepense (capim-massambará): reproduz por sementes e rizomas. vento. etc. quando separadas. Isto ocorre pela ação de água.). usando os métodos de controle disponíveis. e mantém alguma viabilidade após passarem pelo aparelho digestivo de ovinos e eqüinos e só perdem o poder germinativo passando pelo aparelho digestivo das aves. homem. máquinas. e Cyperus rotundus: apenas um tubérculo. dominam as plantas cultivadas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. 18 Módulo 3. Echinoclhoa crusgali (capim-arroz) foi introduzido junto com as sementes importadas. Essas características de agressividade são: a) Elevada capacidade de produção de dissemínulos (sementes. no momento do cultivo do solo. 2) Disseminação zoócora (interna): as sementes ingeridas pelos animais passam pelo intestino e. Momordica charantia (melão-de-são-caetano) e Paspalum notatum (gramabatatais). etc. e cada tubérculo possui cerca de dez gemas que. Ipomoea sp. e Euphorbia heterophylla (amendoim-bravo). cujas sementes permanecem viáveis mesmo após 54 meses. Exemplos: Avena fatua (aveia-brava) germina até a 17 cm. b) Manutenção da viabilidade mesmo em condições desfavoráveis. e) Mecanismos alternativos de reprodução.Biologia e métodos de controle . sendo uma das estratégias de sobrevivência das plantas daninhas. por sementes e tubérculos. Isso ocorre devido aos inúmeros e complexos processos de dormência. e Cyperus rotundus (tiririca). c) Capacidade de germinar e emergir a grandes profundidades. muitas vezes. cortadas. com isso. a 20 cm.adere à lã das ovelhas. e Bidens pilosa (picãopreto) é transportado a longas distâncias nos pêlos de animais ou roupas dos operadores de máquinas. caso o homem não interfira. é a causa do insucesso dos herbicidas aplicados ao solo. e este foi o motivo de sua introdução no Brasil pela importação de animais ou lã. produz 126 tubérculos. Esta característica. d) Grande desuniformidade no processo germinativo. tubérculos. são distribuídas em outras áreas. (corda-de-viola). f) Facilidade de distribuição dos propágulos a grandes distâncias. em 60 dias. Exemplo: Convolvulus arvensis. através das fezes. Há duas situações distintas: 1) Disseminação auxócora (externa): Acanthospermum australe (carrapicho-de-carneiro) . Exemplos: Amaranthus retroflexus com 117.Características de agressividade das plantas daninhas As características das plantas daninhas verdadeiras fazem com que estas sejam mais agressivas em termos de desenvolvimento e ocupação rápida do solo.1 . a 12 cm.500 sementes por planta. Artemisia biennis: 107. além de tudo isso.400 sementes por planta. animais. etc. esta planta produz centenas de sementes viáveis. submersas em água ou após passarem pelo aparelho digestivo do porco ou boi.

as plantas daninhas germinam e crescem muito mais rápido. por exemplo. mostraram que 71 delas estavam viáveis um ano após. 2 . depreende-se que. uma relação de competição entre plantas vizinhas. assim. podendo ser agravados pela presença de outras plantas no mesmo espaço. Daí em diante vários outros conceitos foram emitidos. 1982). 44 após 30 anos e 36 após 38 anos. Na cultura da cebola. e a da ançarinha-branca. Em soja. a competição seria a luta que se inicia entre indivíduos quando uma planta está em um grupo de outras plantas. quando esta é conduzida por semeadura direta. em razão de a competição envolver vários fatores diretos e indiretos. afirmando que todas as plantas de um determinado lugar estão em estado de guerra entre si. 57 após 20 anos. cujas sementes foram enterradas em cápsulas porosas. numa situação de competição. respectivamente. Brachiaria plantaginea tem grande facilidade para dominar a área quando o controle não é efetuado no momento oportuno. envolve os aspectos da migração e agregação. Decandole (1820) foi quem primeiro conceituou competição. ou quando esta é rodeada pelos seus descendentes.1 .040 anos. À medida que a planta se desenvolve. que também lutam pelos mesmos fatores de crescimento. Essa grande longevidade se deve a inúmeros e complexos processos de dormência. seja da mesma espécie ou de espécies diferentes. em nível ecológico. nessas condições (KLINGMAN et al. pois nos programas de melhoramento genético tem-se procurado desenvolver cultivares que. Para Weaver e Clements (1938). gás carbônico e oxigênio em quantidades adequadas. gerando. a 20-100 cm de profundidade. luz. ambos os indivíduos são prejudicados. nutrientes e dióxido de carbono disponíveis em um determinado local e tempo. esses autores salientam que. Observações com 107 espécies de plantas daninhas. 68 após 10 anos. as plantas daninhas sempre levam vantagem competitiva sobre as plantas cultivadas. completando seu ciclo de vida. sobre outras. Já Odum (1969) afirma que competição significa uma luta por um fator.. esses fatores do ambiente tornam-se limitados. nos ecossistemas agrícolas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas g) Rápido desenvolvimento e crescimento inicial. tubérculos ou outras partes de Módulo 3. toda planta necessita de água. Locatelly e Doll (1977) definem competição como a luta que se estabelece entre a cultura e as plantas daninhas por água. Contudo. temperatura. Observações usando 14C mostraram que a semente do lótus da índia pode ser viável por 1. Do exposto. com pequeno porte e pouco crescimento vegetativo. daninhas ou não. frutos. por 1. h) Grande longevidade dos dissemínulos.700 anos.Biologia e métodos de controle 19 . crescer e reproduzir-se. muitas vezes é preferível falar-se em interferência de uma comunidade de plantas.Competição entre plantas daninhas e culturas Para germinar. a competição torna-se importante quando dois ou mais organismos lutam por algo que não existe em quantidade suficiente para todos. e. apresentem grande acúmulo de material em sementes. ou seja. luz. dominando facilmente a cultura. Muitas plantas daninhas crescem e se desenvolvem mais rápido que muitas culturas.

1985). cuja dependência é muito grande. Condições são fatores não diretamente consumíveis. já limitados no meio. entretanto. como acontece. 20 Módulo 3. Estas se estabelecem rapidamente. assim. Outro aspecto importante é a grande agressividade. Como ambas possuem suas demandas por água. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância. a qual ocorre porque. Devido à falta de mobilidade dos vegetais. luz. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso é limitado e é máxima quando o ponto de saturação é atingido. densidade do solo. Sabe-se. como água. 1985). em condições de sombreamento (PITELLI.Fatores do ambiente passíveis de competição A competição entre plantas é diferente daquela que ocorre entre animais. não sendo visível no início do desenvolvimento das plantas. capacidade de competir vantajosamente com as plantas daninhas verdadeiras. qualquer planta daninha que se estabeleça na cultura vai usar parte dos fatores de produção.. não apresentam. até que um nível ideal seja alcançado. Todavia. em sua maioria. em razão da influência extrema que estes exercem sobre a utilização dos recursos pelas plantas. até mesmo para o próprio desenvolvimento da cultura.1 . caso não haja interferência humana. mas também a qualidade do produto colhido. a produtividade das culturas e a qualidade dos produtos colhidos. algumas vezes observada no em realação às culturas. reduzindo não somente a produtividade da cultura. por exemplo. estes fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente. a cultura e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área. quase sempre esse acréscimo na produtividade econômica da espécie cultivada é acompanhado por decréscimo no potencial competitivo (PITELLI. que as plantas cultivadas. 2. nutrientes e luz. gás carbônico. etc. comprometendo. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. Recursos são os fatores consumíveis. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex: toxidez devido a excesso de Zn no solo). a grande capacidade de sobrevivência das plantas daninhas. fazendo o controle das plantas invasoras. a competição entre plantas é de natureza aparentemente passiva. devido ao refinamento genético a que foram e ainda são submetidas. (2003). Em ecossistemas agrícolas. como pH do solo. estabelece-se a competição. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interesse econômico. nessas circunstâncias.1 . nutrientes e CO2 e.Biologia e métodos de controle . na maioria das vezes. Para Santos et al. a superioridade das plantas daninhas na competição por esses recursos. Radosevich et al. diminuindo ou impedindo que as plantas cultivadas tenham acesso aos fatores de crescimento. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos. pode ser devido à ocorrência de alta densidade dessas invasoras na área. ou seja.

Contudo.. a depleção nos recursos e as respostas de crescimento. citado por RADOSEVICH et al. e correlações entre a presença de vizinhos. De acordo com Grime. (2005). A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. Portanto. Para Tilman. citados por Radosevich (1996) sugeriram que o mecanismo de competição por recursos deve ser demonstrado por depleção dos recursos associados à presença e abundância de plantas vizinhas. principalmente o fósforo.Biologia e métodos de controle 21 . porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. 1990. Na realidade.. mudanças morfológicas e fisiológicas nas respostas de crescimento que estejam associadas com variações nos recursos. Para Procópio et al. mesmo com baixos níveis do recurso (RADOSEVICH et al. Apesar de os debates continuarem a respeito da validade e relevância dessas duas teorias. pode-se concluir que determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer.1 .. e é desses autores a descrição que se segue. podendo utilizar os recursos disponíveis rapidamente. sucesso competitivo é a habilidade para extrair recursos escassos e para tolerar essa escassez de recursos. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas Módulo 3. os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta das plantas às variações dos recursos (GOLDBERG. um bom competidor poderia ser a espécie com menor requerimento de recursos. 2003). não estando.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. totalmente esclarecida. (1996) afirmam que duas dessas teorias (a de Grime e a de Tilman) têm recebido maior atenção do meio científico. Com base nessas teorias. 1996). ambas ajudam a explicar como espécies de plantas competem por recursos limitados e como as características das plantas influenciam sua habilidade competitiva. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (Radosevich et al. a elevada capacidade competitiva da espécie Desmodium tortuosum nas culturas da soja e do feijão pode ter como contribuição o maior acúmulo de nutrientes por essa planta daninha. respectivamente (RONCHI et al. Embora a maioria das definições atuais sobre competição englobe o critério de Goldberg. e o sucesso na competição é fortemente determinado pela capacidade da planta em capturar recursos. podem reduzir o conteúdo relativo de N-P-K nos tecidos dessa cultura para 28-39-28% e 1429-21% do total. nessa teoria. trabalhos mais recentes têm apresentado algumas justificativas para a baixa produtividade observada para as culturas quando em competição com espécies de plantas daninhas: Bidens pilosa e Leonurus sibiricus. desenvolvendo-se juntamente com plantas de café em fase inicial. várias outras teorias têm sido desenvolvidas para explicar a importância relativa dos componentes da competição e das características das plantas que lhes conferem competitividade superior. Radosevich et al. Portanto. Shainsk e Radosevich (1992). a competição é a tendência de plantas vizinhas utilizarem os mesmos recursos..1996). um bom competidor apresenta alta taxa de crescimento relativo. ainda. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. 1996). Assim.

que são capazes de prover quantidades limitadas dos fatores essenciais ao desenvolvimento das plantas. A competição pode ser intra-específica. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. interespecífica.Biologia e métodos de controle . as características que fazem com que uma espécie de planta seja altamente competitiva são as seguintes: • Ciclo de vida semelhante ao da cultura. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. desenvolvimento da cultura. o maior índice de área foliar. também. a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. na fase plantular. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis. como veranico e geadas. várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as culturas e as plantas daninhas: a) A competição é mais séria quando a cultura está na fase jovem. seja ela daninha ou não. ainda. • Desenvolvimento inicial rápido das raízes e. A competição entre plantas daninhas e culturas é um fator crítico para o desenvolvimento da cultura quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a cultura (RADOSEVICH. e sistema radicular muito desenvolvido. ou. ainda. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. Com base nos pontos descritos. b) As espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da cultura. • Plasticidade fenotípica e populacional. ou. se a cultura se estabelecer primeiro. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. nas primeiras seis a oito semanas após sua emergência. Todavia. entre outros fatores. envolvendo indivíduos de espécies diferentes. podendo.1 . 1996). As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. No entanto. parte aérea.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas sobre as culturas são o seu porte e sua arquitetura. nutrientes e espaço. c) As espécies daninhas competem por água. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. do seu vigor. se a população de plantas da cultura por área for baixa ou o estande desuniforme. liberar toxinas no solo. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. a menor susceptibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. e. dependendo da época de seu estabelecimento. desenvolvimento e crescimento rápido de uma grande superfície fotossintética mesmo. em função da espécie cultivada. em que cada órgão ou parte da planta luta pelo fotoassimilado produzido nas fontes. Entretando. d) Uma infestação moderada de plantas daninhas em lavouras pode ser tão danosa quanto uma infestação pesada. ocorre também a competição intraplanta ou endocompetição. Cardenas (1972) salienta que a competição deve-se a condições específicas quanto ao ambiente e ao solo. 22 Módulo 3. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. ela poderá cobrir rapidamente o solo. luz. isto é. Com base nesse conceito. comumente. que podem inibir a germinação e. grande número de estômatos por área foliar.

2002). que essas plantas com baixo requerimento de água sejam mais produtivas durante o período de limitada disponibilidade de água que as plantas com alto requerimento em água e. da percentagem de germinação e vigor das sementes.. torna-se fácil o manejo da cultura de modo que esta leve vantagem sobre o complexo daninho.1996).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Germinação desuniforme no tempo e no espaço (presença de dormência). • Produção de um elevado número de propágulos por planta. Normalmente. tendem a excluir as demais. as características fisiológicas das plantas. Disso resulta a importância do preparo do solo. maior exploração do solo em busca de água (PROCÓPIO et al.Biologia e métodos de controle 23 . portanto. da profundidade de plantio. ou seja. Conhecendo tais fatores. na fase inicial de seu desenvolvimento. mais competitivas (RADOSEVICH et al. é normal em alguns agroecossistemas. no manejo da cultura. A razão da elevada capacidade de sobrevivência de B. especialmente nitrogênio e carbono. em fases posteriores de desenvolvimento. portanto. • Adaptação às mais variadas condições ambientais. Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma cultura. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. como capacidade de remoção de água do solo.1. Em trabalho realizado por Procópio et al.. (2004b). ficou constatado que a planta daninha Bidens pilosa é capaz de extrair água do solo em tensões três vezes maiores do que as alcançadas pela soja e pelo feijão (Fig. (RADOSEVICH et al. por isso. regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. realizando. as condições para que a cultura se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. esta espécie drena grande parte de fotoassimilados para a produção de raízes (baixa relação parte aérea/raiz) as quais promovem. etc. o chamado manejo integrado de plantas daninhas. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo.1 .. etc. as plantas da cultura ficarem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas. da época correta de plantio. pequenas ou grandes. do cultivar adequado para a região.1 . 1996). pilosa com pouca água no solo pode estar relacionada com o fato de que. Desse modo. dessa forma. apresentam alta eficiência no uso da água (EUA = g de matéria seca produzida/g de H2O utilizada). como o método químico.. sem qualquer sinal de déficit hídrico. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da cultura e da vegetação daninha infestante da área a ser cultivada. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes. pois se estabelecem primeiro. • Produção e liberação no solo de substâncias alelopáticas. É de se esperar. em dias quentes. Certas espécies de plantas são capazes de usar menos água por unidade de matéria seca produzida que outras. especialmente nos trópicos. Módulo 3.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. mecânico ou biológico. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular. minimizando assim a competição ou até mesmo eliminando-a com a ajuda de outros métodos de controle. 2). magnitude da condutividade hidráulica das raízes. 2.

trigo. que correlaciona a água transpirada com a biomassa seca produzida. etc.1 . (2002). no ponto de murcha permanente Quadro 3 – Valor máximo do uso eficiente da água (UEA) por diferentes espécies vegetais Espécie vegetal Phaseolus vulgaris Glycine max Euphorbia heterophylla Bidens pilosa Desmodium tortuosum Fonte: Procópio et al.367 0.250 0.015 0.088 0. cultivado com diferentes espécies vegetais. em gramas). Alguns exemplos são apresentados no Quadro 3. Figura 2 . Por outro lado. Outra maneira de se estimar o consumo de água pelas plantas é através da eficiência transpiratória.073 0.112 0. Panicum maximun. como milho. Digitaria horizontalis. sorgo e cana-de-açúcar e grande número de espécies daninhas em nossas condições (Cyperus rotundus.). soja. O coeficiente transpiratório das diferentes espécies de plantas varia de 25 a 700.316 0.Potencial hídrico no solo. podendo competir melhor por este recurso em diferentes estádios fenológicos da cultura. Valores antes do florescimento Valores após o florescimento -------UEA – biomassa seca em g kg-1 de água fornecida------0. Cynodon dactylon. algumas culturas de gramíneas. pois são espécies que realizam o metabolismo C3 (plantas ineficientes).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Todavia. algodão. Amaranthus retroflexus.017 1.168 2. algumas espécies de plantas daninhas podem apresentar diferentes valores de EUA ao longo do ciclo. O abacaxi. por realizarem o metabolismo C4. por ser uma planta xerófila e apresentar uma rota fotossintética específica (CAM).963 24 Módulo 3. chamada de coeficiente transpiratório (CT = volume água transpirado em mL/produção de biomassa seca. Cenchrus echinatus. A maioria das culturas (feijão.) apresenta coeficiente transpiratório entre 500 e 700 (Quadro 4). tem um coeficiente transpiratório extremamente baixo.Biologia e métodos de controle . etc. apresentam um coeficiente transpiratório entre 150 e 350 (Quadro 4). Brachiaria plantaginea.

Coeficiente transpiratório 152 700 568 700 267 682 174 153 265 282 Fonte Blanco.2 . a competição das plantas daninhas pela luz deixa de existir. retroflexus. como Locatelly e Doll (1977). mesmo crescendo com outras espécies em condição imposta de estresse hídrico.. Observam-se. Bidens pilosa e Desmodium tortuosum. 2004 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Essa diferença na eficiência do uso da água é um fator importante na agressividade da espécie. como água e nutrientes.1. quando avaliadas isoladamente das plantas daninhas. pode ser devida à maior população e melhor utilização de outros recursos. como a de Sesbania exaltata. que compete vantajosamente por este fator de crescimento com a cultura do arroz. (2003) avaliaram o UER das culturas da soja e do feijão e das espécies de plantas daninhas Euphorbia heterophylla. o melhoramento genético imposto às culturas possibilitou a seleção de plantas com elevada capacidade de utilização da luz. a maior capacidade competitiva delas.. (1981. as quais. já que sua EUA é baixa.Volume de água transpirada (em mL) para acúmulo de 1 g de biomasa seca. observaram que a diferença na eficiência de uso da água entre Chenopodium album (C3) e Amaranthus retroflexus (C4) influenciou pouco a relação entre elas. não foi eliminado. com certeza devido à sua alta EUA. Quadro 4 . para diferentes espécies de plantas Espécie vegetal Amarantus hybridus* Glycine max Gossypium hirsutum Phaseolus vulgaris Panicum maximum* Oryza sativa Zea mays* Sorghum vulgare* Brachiaria brizantha* Eucalipto * Espécies que realizam o mecanismo C4. porém o uso eficiente da água não é o único mecanismo utilizado para sobreviver à competição por água. Provavelmente a espécie C3 contornou a deficiência hídrica pelo controle estomatal.Competição por luz Para alguns autores. Já A. apesar de as plantas daninhas avaliadas apresentarem menor eficiência na utilização da radiação fotossinteticamente ativa. dois mecanismos diferentes para sobreviver à competição por água: habilidade para utilizar um recurso rapidamente (espécie C4) e habilidade para continuar a desenvolver-se mesmo com baixos níveis do recurso (planta C3). 1977 Silva et al. apresentam maiores valores para o uso eficiente da radiação (UER). 1996). uma vez que a cultura tenha formado sombreamento completo. nesse exemplo. citados por Radosevich et al. observada em campo. a competição pela luz não é tão importante como a competição por água e por nutrientes. chegando inclusive a citar exceções. Esses autores salientam que. Pearcy et al. 2004 Silva et al.. verificando que as culturas foram capazes de produzir maior quantidade de biomassa por unidade de radiação captada. Módulo 3. Os autores afirmam que. Para outros autores. Santos et al.1 .Biologia e métodos de controle 25 .

como: alta afinidade pelo CO2. atividade ótima em temperaturas mais elevadas. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. catalisa a produção do ác. Este CO2 liberado é novamente fixado. Essas plantas não apresentam fotorrespiração detectável. substrato inicial da respiração. ocorrendo o ciclo de Calvin e Benson. Este fato evidencia que as plantas C4 necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. Estas plantas. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. por apresentarem dois sistemas carboxilativos. As plantas C4. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. sendo esta relação para as plantas C4 de 1:5:2. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. formando o ácido oxaloacético (AOA). é transportado para as células da bainha vascular das folhas. se se reduzir o acesso à luz. por ser ambígua quanto ao substrato. e. entretanto.1 . agora pela enzima ribulose 1. por difusão. as plantas C3 fotorrespiram intensamente. 3 fosfoglicérico e. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2 . É sabido que a relação molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3.5 difosfato carboxilase. localizada nas células do mesófilo foliar.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sabe-se que a competição pela luz é complexa sendo sua magnitude influenciada pela espécie. no ácido fosfoenolpirúvico. A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. não desassimilam o CO2 fixado. É muito comum imaginar que as espécies de metabolismo C4 são sempre mais eficientes que as plantas C3. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEP-carboxilase) apresenta algumas características. consumindo 2 ATPs. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico. isso só é verdade em determinadas condições. Em conseqüência da ação desta enzima. Todavia. por difusão. ou seja. quando comparadas com plantas de metabolismo do tipo C4 (Quadro 5). a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. atua especificamente como carboxilase. dependendo da espécie vegetal. e não satura em alta intensidade luminosa. logo. As plantas de rotas fotossintéticas do tipo C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson. também. se ela é umbrófila ou heliófila e. onde é fosforilado. baixo ponto de saturação luminosa. também. estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3.Biologia e métodos de controle . do glicolato. se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. Como toda esta energia é proveniente da luz. responsável pela fixação do CO2. onde estes produtos são descarboxilados. além do ciclo de Calvin e Benson. Em função destas e outras 26 Módulo 3. o ácido pirúvico. em seguida. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico). retorna às células do mesófilo. que ocorre em todas as plantas superiores. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes).

arroz. milho. nestas condições. ainda assim essas plantas continuam acumulando biomassa. Enzima primária carboxilativa 06. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. Ponto de compensação 04.) são cultivadas nos meses do ano que coincidem com períodos de elevada intensidade luminosa e temperatura. Relação CO2 : ATP:NADPH 08. quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontrase saturada quanto à luz. mandioca. soja. é comum. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. PEP-carboxilase (Km ≅ 5μM de CO2) Sem efeito 1:5:2 Não satura com aumento da luminosidade. quando presente. e. Considerando todas as áreas do globo terrestre. mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. No caso das plantas C4. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km) (Quadro 5). 07. Isso é possível porque este grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável. Echinochloa colonum. Cynodon dactylon. Anatomia foliar 05.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). Primeiro produto estável 03. Imperata cilindrica. Echinochloa crusgalli e Eleusine indica. Como a maioria das culturas agronômicas das regiões tropicais e subtropicais (algodão. alta luminosidade e até mesmo déficit hídrico temporário.0 a 10 ppm de CO2 Presença de bainha vascular com cloroplastos.Biologia e métodos de controle Fotossíntese C3 Presente: 25 a 30 % do valor da fotossíntese Ácido 3-fosfoglicérico Alto: 50-150 ppm de CO2 Ausência bainha vascular. levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente. as espécies C4 dominam completamente as C3. Sorghum halepense.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas características (Quadro 5). Efeito do oxigênio (21%) sobre a fotossíntese.1 . existem exceções. esta passa a atuar mais como oxidativa. nessas condições. Quadro 5 . Temperatura ótima para a fotossíntese 10. Fotossíntese x intensidade luminosa 09.Características diferenciais entre plantas com rotas fotossintéticas C3 e C4 Característica 01. Fotorrespiração 02. cana-de-açúcar. Isso acontece porque. torna-se evidente que plantas daninhas C4 serão aquelas que exercerão maior competição com as culturas. oito são plantas C4 anuais ou perenes: Cyperus rotundus. Taxa de fotossíntese líquida com saturação de luz Módulo 3. Panicum maximum. estima-se que. etc. entre as dez espécies de plantas daninhas mais nocivas do mundo. Próxima de 35 oC 40 a 80 mg CO2 dm-2 h-1 27 . Este fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). feijão. Além disso. liberando CO2. sem cloroplastos RuDP-carboxilase (Km ≅ 20μM de CO2) Inibição 1:3:2 Satura com 1/3 da luminosidade máxima Próxima de 25 oC 15 a 35 mg CO2 dm-2 h-1 Fotossíntese C4 Presente: não mensurável pelo método de troca de gases com o ambiente Ácido oxaloacético Baixo: 0.

Conteúdo de N na folha para atingir fotossíntese máxima Fonte: Ferri (1985). a competição por nutrientes depende. que são os dois processos principais de renovação da atmosfera do solo. Fotossíntese C3 450 a 1..1.1 .Competição por CO2 Com relação ao CO2. Por exemplo. em condições de solo encharcado.Biologia e métodos de controle . a alta infestação dessa planta daninha em lavouras de soja implica maior remoção desse nutriente para a massa total da espécie infestante. (2005) observaram que Desmodium toruosum é capaz 28 Módulo 3. 2004). deficiência de oxigênio e. a concentração de CO2 no mesófilo foliar necessária para que uma determinada espécie passe a acumular matéria seca é diferente. da quantidade e das espécies presentes. Molinia caerulea é mais tolerante a alta taxa de CO2 do que Erica tetralix. que oferece resistência à difusão e ao fluxo de massa. dentro de uma população mista de plantas. Richardia brasiliensis acumula 10 vezes menos N. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca. considerando as diferentes rotas fotossintéticas apresentadas por espécies de plantas daninhas e culturas. No entanto.Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e.5 % da biomassa seca 2. Isso acontece devido ao consumo do oxigênio pelos microrganismos do solo e em razão de sua renovação lenta. ele pode ser limitante. ou.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Característica 11. com muito maior ênfase. 20 vezes menos P e cinco vezes menos K compara à soja (PEDRINHO JÚNIOR et al. os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das culturas em nossos solos. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes. para as espécies de plantas C3. Sob condições normais. assim.4 . Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. Outro ponto a ser considerado é a “Interação Radicular Passiva”.000 g H2O / g biomassa seca 6. podem levar desvantagem na competição com espécies mais tolerantes em tais situações.3 . Determinadas espécies de plantas são mais sensíveis ao excesso de CO2 e. em conseqüência da “tortuosidade” da matriz do solo. deve-se considerar. Como a eficiência na captura de CO2 proveniente do ar é diferente entre plantas C3 e C4 (Quadro 5) e se sua concentração pode variar. Todavia.5 % da biomassa seca Fotossíntese C4 150 a 350 g H2O / g biomassa seca 3. a atmosfera edáfica contém menos oxigênio e mais CO2 do que o ar acima do solo.0 a 4. o aspecto competitivo não é comumente discutido e geralmente é considerado não-significante. Procópio et al. principalmente. em alto grau. Coeficiente transpiratório 11.1. por exemplo. por exemplo. em conseqüência disso. exercem forte competição com as culturas pelos nutrientes essenciais.5 a 7. 2.

competindo com uma espécie/planta por vaso Espécie Vegetal Bidens pilosa Commelina diffusa Leunurus sibiricus Nicandra physaloides Richardia brasiliensis Sida rhombifolia PTC* * 77 180 82 68 148 133 N 59 30 35 37 49 97 P K 72 67 42 37 33 38 62 68 61 57 83 105 Conteúdo relativo* de nutrientes Ca Mg S Cu Zn B Mn Fe Na 67 74 97 106 66 76 59 54 69 45 48 69 69 37 54 19 41 35 36 40 41 66 37 41 30 57 39 72 76 86 114 69 101 50 107 68 53 50 67 43 51 63 57 61 59 90 88 98 93 77 138 102 80 106 *Relativo ao conteúdo verificado na testemunha (cafeeiro sem competição). Além disso. outras espécies são competidoras também na utilização desse recurso. Em lavoura de arroz de sequeiro. em competição com o feijoeiro. Além da capacidade em extrair nutrientes do solo. Podese afirmar que. pela interferência imposta pela comunidade infestante. a competição depende do nutriente. Quadro 6 .4 vezes mais P por g de massa seca comparada à soja em mesma condição de recursos. e do contrário ocorreu com o manganês (85% imobilizado pela cultura).. em campo. acarretaram decréscimos consideráveis no conteúdo relativo de nutrientes de plantas de café. por ocasião do florescimento da cultura. sendo C. (2003). o manejo inadequado de nutrientes. avaliando os períodos de convivência e acúmulo de nutrientes de diferentes plantas daninhas e o cafeeiro. os autores observaram que Bidens pilosa. ** Período total de convivência da planta daninha com a muda de café no vaso Módulo 3. Para os autores.1 . Os acúmulos de cálcio e manganês no arroz foram reduzidos em 40 e 28%. estudando a distribuição dos nutrientes extraídos pelas plantas daninhas e pela cultura.Biologia e métodos de controle 29 . verificaram que as espécies infestantes. é capaz de formar três vezes mais matéria seca por unidade de P absorvida do solo.Conteúdo relativo* de nutrientes na parte aérea de plantas de café cultivadas em vasos (12 L de substrato). Cerca de 80% do cálcio foi imobilizado pelas plantas daninhas. diffusa a planta daninha que causou a maior diminuição no conteúdo relativo de nutrientes no cafeeiro (Quadro 6). poderá favorecer espécies vegetais que utilizam mais eficientemente esse recurso. 2004a). o grau de interferência varia consideravelmente com a espécie e com a densidade das plantas daninhas. com adição de subdoses. evidenciando elevada eficiência na utilização desse nutriente. respectivamente. Pitelli (1985). observou que a matéria seca acumulada foi equivalente para a cultura e as plantas daninhas. Ronchi et al. Bidens pilosa e Euphorbia heterophylla apresentam maior eficiência na utilização do N absorvido no solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas de acumular até 2. mesmo em baixas densidades. Isso demonstra que. além do acúmulo de matéria seca. comparadas à soja e ao feijão (PROCÓPIO et al. desenvolvida na presença da comunidade infestante.

quando cultivado sucessivamente na mesma área. denominados aleloquímicos. exsudação radicular.4% do carbono fotossintetizado (ROVIRA. 1984). caules. promovem uma interação bioquímica entre plantas. A primeira demonstração científica de auto-alelopatia foi feita em feijão-miúdo (Vigna unguiculata). ou condensados no orvalho. principalmente monoterpenos e sesquiterpenos (RICE. Os aleloquímicos. A quantidade dos compostos produzidos e a composição destes dependem da espécie e das condições ambientais. após muitos anos de cultivo da mesma espécie no solo. sobre a própria planta ou microrganismos ou vice-versa.Biologia e métodos de controle . Provavelmente. 1969). que não parecem relacionados diretamente com nenhuma função do metabolismo primário. lançados ao ambiente. 1988). Milhares de compostos secundários sintetizados por espécies vegetais estão isolados e estimasse que outros milhares existam na natureza. afetam o crescimento. Os efeitos podem ser deletérios ou benéficos sobre outra planta. os compostos secundários que. acumular e secretar uma grande variedade de metabólitos secundários. Em fruteiras (pessegueiros. A maioria dos aleloquímicos voláteis são compostos terpenóides. ou ainda alcançar o solo. Existe ainda a auto-alelopatia. apresentam potencial para exercer alelopatia em agroecossistemas. através de volatilização. existindo forte relação de dependência entre a produção destes metabólitos e 30 Módulo 3. As plantas são hábeis em produzir aleloquímicos em todos os seus órgãos.Alelopatia As plantas superiores desenvolveram notável capacidade de sintetizar. macieiras e citros) também ocorre a auto-inibição do desenvolvimento em plantios na mesma área. frutos e sementes). Essas substâncias alelopáticas são liberadas dos tecidos da planta para o ambiente de diferentes formas. insetos. ou seja. mas provavelmente estão associados com mecanismos ou estratégias químicas de adaptação às condições ambientais. lixiviação e decomposição dos resíduos da planta.1 . ou seja. Assim. os aleloquímicos podem ser absorvidos diretamente pela cutícula das plantas vizinhas. 1984). em raízes intactas. raízes. incluindo microrganismos. o comportamento ou a biologia da população de organismos de outra espécie são de interesse da alelopatia. metabólitos secundários podem inibir a própria planta que os produziu. quando lançados no ambiente. fungos e herbívoros. a maioria dos metabólitos secundários liberados pelas plantas está envolvida em interações com outros organismos. por meio dos próprios vapores. após serem transferidos para o ambiente (RICE. geralmente da ordem de 0.1 a 0. o estado sanitário. flores. onde são absorvidos pelas raízes (ALMEIDA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . As plantas podem exsudar naturalmente uma série de compostos orgânicos. Uma vez volatilizados. (folhas. como outras plantas.

foram eliminados genótipos possuidores de substâncias alelopáticas. espaço físico. O mecanismo de ação dos aleloquímicos não está ainda bem esclarecido. O eucalipto produz substâncias cuja presença é variável com as espécies. Cenchrus echinatus e Euphorbia heterophylla. alguns terpenos e muitos compostos fenólicos podem ser lixiviados. atividade enzimática. na cultura seguinte. microrganismos podem metabolizar polímeros presentes e produzir substâncias tóxicas.1 . O efeito alelopático das culturas sobre plantas daninhas é menos comum. o que dificulta a interpretação de resultados a campo. grama-seda. capim-massambará. As perdas da permeabilidade seletiva da membrana citoplasmática ocorrem pouco tempo após a morte da planta. segundo Almeida (1988).1 . Com a liberação direta dos compostos pelos tecidos. 1988).) e dos efeitos das substâncias alelopáticas que estas produzem. que promove toxicidade na cultura que o sucede (Almeida. aminoácidos e as substâncias pécticas. e sua persistência no solo varia com as variações do ambiente.Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas A interferência que as plantas daninhas causam sobre as culturas é decorrente da competição pelos fatores comuns (água. etc. apresentam razoável efeito alelopático. colza. A inibição sobre o desenvolvimento de plantas de pimentão por extratos de eucalipto é um exemplo. alcalóides. Módulo 3. Assim. os aleloquímicos podem ser liberados através dos resíduos. Os aleloquímicos podem ser liberados das células vivas ou mortas também pela ação da água. etc. O fungo Penicillium urticae produz fitotoxina patulina durante a decomposição dos resíduos do trigo. 1996). como nabo forrageiro. são: assimilação de nutrientes.Biologia e métodos de controle 31 . O desenvolvimento do tomateiro foi afetado por extratos de várias plantas daninhas. síntese de proteínas. aveia e centeio. açúcares. neblina e orvalho. 3. entre estes os ácidos. e essa deficiência de defesa das plantas cultivadas é atribuída à seleção a que estas têm sido submetidas ao longo do tempo. CO2. como Brachiaria plantaginea. como taninos. crescimento. luz. ao melhorar o paladar e diminuir a toxicidade. O capim-marmelada (Brachiaria plantaginea) afeta o desenvolvimento da soja tanto no crescimento quanto na capacidade de nodulação (ALMEIDA. em sistema de plantio direto. como tiririca. reduzindo a intensidade de infestação de algumas plantas daninhas. Por exemplo. permeabilidade da membrana celular. fotossíntese. Os alcalóides. Uma variedade de compostos químicos pode ser carreada da parte aérea das plantas por meio de chuva.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas as condições de ambiente (EINHELLIG. etc. Restos culturais de algumas culturas. etc. para outras características que não as de agressividade para com outras plantas. respiração. Os principais processos vitais afetados. nutrientes. 1988).

Atualmente. especialmente no que diz respeito às técnicas de rotação e consorciação. Normalmente. podendo os resíduos de plantas de mesma espécie dar origem a compostos diferentes. sabe-se que o processo de decomposição do material vegetal é variável com a qualidade dos tecidos. provoca efeitos alelopáticos pouco acentuados e por períodos curtos. quando cultivadas em casa de vegetação. Por isso. exsudato radicular proveniente de plantas de sorgo reduziu a área foliar de plantas de alface em 68. Se a cultura de verão for implantada com algum intervalo após a colheita desta cultura de inverno.Biologia e métodos de controle . por exemplo. 3.Alelopatia entre culturas A possibilidade de se desenvolverem efeitos alelopáticos benéficos ou maléficos entre culturas tem interesse agronômico.3 . A colza. hoje disseminado no Brasil por todos estados produtores de grãos. a incorporação dos resíduos deve ser feita com certa antecedência da semeadura das culturas. A taxa de decomposição é alta e a liberação dos compostos alelopáticos é. várias pesquisas estão sendo conduzidas visando identificar os compostos alelopáticos. Estes estudos irão contribuir de maneira decisiva para o manejo de plantas daninhas no sistema de plantio direto. Quanto a possíveis efeitos alelopáticos do material incorporado ao solo. conseqüentemente. Em condições de baixas temperaturas. reduzir o vigor vegetativo e provocar amarelecimento e clorose das folhas. provoca redução do estande da cultura da soja plantada imediatamente após a sua colheita. inferiores a 25 dias. A cobertura morta da cultura do inverno. redução do perfilhamento e até morte de plantas daninhas durante a fase inicial de desenvolvimento. possivelmente não ocorrerão problemas de fitotoxicidade. a fim de avaliar suas atividades sobre as diferentes espécies de plantas daninhas. os resíduos no solo são escassos e a temperatura e umidade no solo são suficientes para manter a atividade microbiana alta. a cobertura morta pode prevenir a germinação. por isso. degradando os aleloquímicos.1 . Outros pesquisadores avaliam e colecionam germoplasmas de plantas alelopáticas. quando começa a época chuvosa. como as adubações verdes. Os efeitos alelopáticos são transitórios. o que tem contribuído para que os agricultores do sul deixem de cultivar colza. assim como poderá ser um ponto de partida para síntese de novos compostos com atividade herbicida. 32 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3.4%.2 . o material fresco. os resíduos secos podem causar fitotoxicidade mais severa. os efeitos alelopáticos provocados pela incorporação de resíduos vegetais no solo são muitos variáveis. Essa cobertura é essencial para o sucesso do plantio direto. também rápida. usando solução nutritiva circulante entre os vasos de sorgo e alface. os tipos de solo e as condições climáticas. Segundo Barbosa (1996). normalmente cereais. Nas culturas de verão.Alelopatia das coberturas mortas No plantio direto. forma-se no final desta estação ou início da primavera. com efeitos biológicos e toxicidade diversos.

A este efeito global denominou-se “interferência”. interferência na colheita e outras). mas sem prejudicar também o ambiente. favorecendo a utilização de recursos pela planta cultivada. os quais são descritos a seguir. os efeitos negativos observados no crescimento. menor será o grau de interferência. Pitelli e Durigan (1984) sugeriram terminologia para períodos de convivência de plantas daninhas em culturas. alelopatia. densidade e distribuição). no desenvolvimento e na produtividade de uma cultura. ambos citados por Pitelli (1985). podendo ser alterado pelas condições de solo.Biologia e métodos de controle 33 . quanto maior for o período de convivência múltipla (culturaplantas daninhas). visando o mínimo possível de redução na produtividade. Geralmente. H. entre outros fatores. o estudo da época ideal de controle de plantas daninhas em cada cultura. No entanto. Módulo 3. utilizadas como cobertura vegetal. Essa idéia foi originalmente apresentada por Bleasdale (1960) e mais tarde modificada por Blanco (1972). Em trabalho realizado por Erasmo et al. devidos à presença de plantas daninhas. Os autores constataram elevada concentração de taninos condensados. uma infestação moderada de plantas daninhas poderá ser tão danosa à cultura quanto uma infestação pesada. o controle biológico de plantas daninhas também poderá ser uma opção no manejo integrado. Contudo. ao conjunto de ações que recebe uma determinada cultura em decorrência da presença da comunidade infestante num determinado local. espaçamento e densidade de plantio) e à época e extensão da convivência.Competição e período crítico de competição De acordo com Pitelli (1985). O grau de interferência entre plantas cultivadas e comunidades infestantes depende das manifestações de fatores ligados à comunidade infestante (composição específica. quanto menor o período de convivência entre cultura e plantas daninhas. portanto. (2004). referindo-se. sendo a possível causa dos efeitos alelopáticos. portanto. não devem ser atribuídos exclusivamente à competição imposta por estas. 4 . spinosus. esteróides livres e ogliconas esteróides. De maneira geral. mas resultante das pressões ambientais de ação direta (competição.1 . para o sucesso deste método. maior será o grau de interferência. sendo o esquema apresentado na Figura 3. clima e manejo. gerando menor intensidade de interferência na produtividade econômica. as espécies Mucuna aterrima. e. horizontalis. No futuro. Esse fato justifica. dependendo da época de seu estabelecimento. pode-se dizer que. pruriens e S. bicolor. M. o conhecimento das propriedades alelopáticas das plantas será fundamental. isto não é totalmente válido. porque dependerá da época e do ciclo da cultura em que esse período ocorrer. O manejo de plantas daninhas altera a cronologia natural dos eventos. lophanta e A. à própria cultura (espécie ou variedade. foram eficientes no controle das espécies daninhas D.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas objetivando o melhoramento genético.

em determinada época do ciclo da cultura. A aplicação de certas práticas culturais contribui para diminuição deste período. No entanto. É importante esclarecer o significado deste período em termos de competição: as espécies daninhas que emergirem neste período. a partir do plantio ou da emergência. Por exemplo. na prática este limite não pode ser considerado. este deve ser o período que as capinas ou o poder residual dos herbicidas devem cobrir. o final do período anterior à interferência seria a época ideal para o primeiro controle da vegetação infestante. após a semeadura ou o plantio. ou. principalmente. a própria cultura. em que a cultura pode conviver com a comunidade de plantas daninhas antes que a interferência se instale de maneira definitiva e reduza significativamente a produtividade da lavoura é denominado “período anterior à interferência” (PAI). n D De d d s si ad e Ambiente S ol o Ma ne j o Clima 34 Módulo 3. a Époc Dura çã o Período de convivê ncia lti Cu r va Es pé ci e s Espaçamento Densidade Densidade Cultura Grau de interferência rib st Di ui o çã Figura 3 . O limite superior deste período indica a época em que a interferência compromete irreversivelmente a produtividade econômica da cultura. permitindo menos cultivos ou o uso de herbicidas de menor poder residual. contribuindo para o próprio desenvolvimento da cultura. permitindo que a competição por recursos outros que não a adubação se instale de maneira mais rápida. qualitativamente. para que a produção não seja afetada quantitativa e. em que a cultura deve ser mantida livre da interferência de plantas daninhas. terão atingido tal estádio de desenvolvimento que promoverão uma interferência sobre a espécie cultivada. Teoricamente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas “Período total de prevenção da interferência” (PTPI) é o período.1 . impede o desenvolvimento das plantas daninhas. através. pois a comunidade teria acumulado energia e matéria orgânica que retornariam ao solo. capaz de reduzir significativamente sua produtividade econômica. Desse modo. a fertilização incrementa o crescimento inicial da cultura e das plantas daninhas. do sombreamento.Biologia e métodos de controle . Após esse período. toda e qualquer prática cultural que incremente o crescimento inicial da cultura pode contribuir para um decréscimo no período total de prevenção da interferência.Modelo esquemático dos fatores que influenciam o grau de interferência entre cultura e comunidades infestantes Aquele espaço de tempo. Na prática.

nas diferentes condições envolvendo solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pois a cultura e. Considerando a diversidade de fatores que influenciam o grau e os períodos de interferência apresentados. Em diversos trabalhos de pesquisa visando avaliar os efeitos da interferência de plantas daninhas em culturas (Quadro 7).66 d 80 d ----100 d 20 d 20 –100 d 30 d 21 d 21 – 30 d 42 d 40 d 30 d 30 . (2005) 22 – 38 d Dias et al.90 d (1982) 47 – 127 Kuva et al. (1980) Brighenti et al.. (2002) Souza et al. visando realizar com eficiência o manejo integrado das plantas daninhas.30 d Spadotto et al. Isso é normal. os cultivares utilizados e as composições específicas das comunidades infestantes foram diferentes.40 d 60 d 90 d 127 d 30 d 88 d 38 d 42 30 d 30 d 45 d 30 d 74 d 20 d 15 d 22 d 14 21 d 20 d Fonte Salgado et al. as plantas daninhas podem ter atingido um estádio tal de desenvolvimento que inviabilize o uso de práticas mecânicas ou o controle químico.1 . torna-se extremamente importante a pesquisa nesta área. Recentemente foi proposto o Período Anterior ao Dano no Rendimento Econômico (PADRE). a cultura deverá ser mantida livre das plantas daninhas no período compreendido entre o final do PAI até o momento em que as plantas daninhas que vierem a emergir não mais irão interferir na produtividade da cultura. Este seria o “período crítico de prevenção da interferência” (PCPI).Biologia e métodos de controle 35 . porque as condições em que foram conduzidas as pesquisas. espécies daninhas e culturas. (1981) Mascarenhas et al.30 d Victoria Filho (1994) 15 – 88 d Dias et al. Quadro 7 . não são idênticos para as mesmas culturas. baseado na hipótese de que aspectos econômicos como o custo de controle e o valor monetário dos grãos devem ser utilizados como critério para determinar o período aceitável de interferência das plantas daninhas antes de se decidir pelo seu controle (VIDAL et al. (2004) Soares et al.42 d Ramos e Pitelli (1994) 21 . PAI e PCPI. (2003) Alcântara et al. clima. (1982) Oliveira e Almeida 45 . (1994) 20 . Do ponto de vista prático.60 d (1982) Rolin e Cristofolleti 30 . os períodos PTPI.Períodos de convivência e de controle de plantas daninhas em diversas culturas anuais e bianuais Cultura Algodão Alho Girassol Cebola Arroz de sequeiro Cana-de-açúcar ( plantio de ano ) Cana-de-açúcar (plantio de ano e meio) Feijão Café (após plantio das mudas no inverno) Café (após plantio das mudas no verão) Milho Soja Dias Após Semeadura ou Plantio (d) PTPI PAI PCPI 66 d 08 d 08 . encontrados pelos diversos autores. 2005). ou.30 d Martins (1994) Módulo 3. (2005) 14 . (2003) 20 .

Eles abrangem desde o arranque das plantas com as mãos até o uso de sofisticados equipamentos de microondas para exterminar as sementes no solo. Em síntese. atualmente. deve ser feita até um nível no qual as perdas pela interferência sejam iguais ao incremento no custo do controle. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas. As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilizar sementes de elevada pureza.1 . tem-se a tiririca (Cyperus rotundus). por meio de estercos. grades e colheitadeiras. 36 Módulo 3. ou. que poderão se transformar em sérios problemas para a região. Já o capim-arroz (Echinochloa sp. que possui sementes muito pequenas e tubérculos que infestam novas áreas com grande facilidade. que não interfiram na produção econômica da cultura. Nestas legislações encontram-se os limites toleráveis de cada semente de planta daninha e também a lista de sementes proibidas por cultura ou grupo de culturas. além de outras espécies. um estado. pêlos de animais. o estabelecimento e.Biologia e métodos de controle . quarentena de animais introduzidos. Em nível local.Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. considerando uma cultura. a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas ainda por elas não infestadas. mudas com torrão. A falta desses cuidados tem causado ampla disseminação das mais diversas espécies.. etc.) e o arroz-vermelho (Oryza sativa) são distribuídos junto com as sementes de arroz. Como exemplo. etc. etc. 5. há legislações que regulamentam a entrada de sementes no país ou estado e sua comercialização interna.Métodos de controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mais variados possíveis e. limpeza de canais de irrigação. um município ou uma gleba de terra na propriedade. verifica-se grande evolução destes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5 . A redução da interferência das plantas daninhas. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. se espalham por novas áreas por meio de roupas e sapatos dos operadores. o elemento humano é a chave do controle preventivo. ou seja. Estas áreas podem ser um país. inspecionar cuidadosamente mudas adquiridas com torrão e também toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas.1 . limpar cuidadosamente máquinas. o picão-preto (Bidens pilosa) e o capim-carrapicho (Cenchrus echinatus). Em níveis federal e estadual.

5. Nas regiões subtropicais predominam mucuna-preta. A capina manual feita com enxada é muito eficaz e ainda muito utilizada na nossa agricultura. A redução entre linhas geralmente proporciona vantagem competitiva à maioria das culturas sobre as plantas daninhas sensíveis ao sombreamento. Ainda hoje é usado para o controle em hortas caseiras. crotalárias. Contudo. Tremoço. visando beneficiar o estabelecimento e desenvolvimento das culturas. como rotação de cultura. no mesmo solo. O arranque manual. em cana-de-açúcar. etc. numa agricultura mais intensiva. Coberturas verdes: as coberturas verdes são culturas geralmente muito competitivas com as plantas daninhas. apaga-fogo (Alternanthera tenella). uso de coberturas verdes. feijão-de-porco e lablabe. a queima. e caruru-rasteiro (Amarantus deflexus). estas plantas possuem também poder inibitório sobre outras e podem reduzir as infestações de algumas daninhas após serem incorporadas ao solo. em usar as próprias características ecológicas das culturas e plantas daninhas. a cobertura morta e o cultivo mecanizado. principalmente em regiões montanhosas. a interferência destas plantas daninhas aumenta muito. variação do espaçamento da cultura. ervilhaca. e para muitas famílias. jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. Variação do espaçamento: a variação do espaçamento entre linhas ou da densidade de plantas na linha pode contribuir para a redução da interferência das plantas daninhas sobre a cultura. onde há agricultura de subsistência. Essas práticas contribuem para impedir o aumento exagerado de determinadas plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5. exemplos: capim-arroz (Echinoclhoa sp. esta é a única fonte de trabalho. a inundação. Rotação de culturas: cada cultura agrícola geralmente é infestada por espécies daninhas que possuem exigências semelhantes às da cultura ou apresentam os mesmos hábitos de crescimento. O principal efeito é a melhoria das condições físico-químicas do solo.).Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. em Módulo 3. dependendo da arquitetura das plantas cultivadas e das espécies infestantes. Consiste. então. nabo. azevém anual. em lavouras de trigo. em lavouras de arroz. a roçada.1 .2 . a escolha da cultura em rotação deve recair sobre plantas com habito de crescimento e características culturais bem contrastantes. entretanto. ou monda. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas. em lavouras de milho. guandu.3 . Quando o principal objetivo é o controle de plantas daninhas. ano após ano. quando o principal método de controle é o uso de enxada.Biologia e métodos de controle 37 . a capina manual. mostarda. Quando são aplicadas as mesmas técnicas culturais seguidamente.Controle cultural O controle cultural consiste no uso de práticas comuns ao bom manejo da água e do solo. aveia e centeio são usadas na região Sul do Brasil.

em razão do custo do combustível. Provoca aumento de temperatura e. apenas não apresentando efeito sobre as plantas daninhas que se desenvolvem em solos encharcados. a roçada manual ou mecânica é um método muito importante para controlar plantas daninhas. são o custo do nivelamento do solo e a grande quantidade de água necessária para sua implantação. Também em terrenos baldios. A cobertura morta ainda pode apresentar efeitos alelopáticos úteis no controle de certas espécies daninhas. O espaço das entrelinhas é mantido roçado e. a cobertura do solo com restos vegetais da cultura anterior é de grande utilidade. O cultivo mecanizado. é de larga aceitação na agricultura brasileira. No plantio direto. utilizando filme de polietileno sobre a superfície do solo. através de adaptação de queimadores especiais em cultivadores tratorizados. é ineficiente para controlar plantas daninhas que 38 Módulo 3. na maioria dos casos. capim-kikuio (Penisetum clandestinum)). A cobertura do solo com restos vegetais em camada espessa ou com lâmina de polietileno é um meio físico-mecânico de controle das plantas daninhas.). são totalmente erradicadas sob inundação prolongada. Todavia. o alto custo da mão-de-obra e a dificuldade de encontrar operários no momento necessário e na quantidade desejada fazem com que este método seja apenas complementar a outros métodos. Em pomares e cafezais. beiras de estradas e pastagens a roçada é um método de controle de plantas daninhas dos mais importantes. Espécies perenes de difícil controle. além de outros efeitos importantes sobre as culturas implantadas na área. A cobertura provoca menor amplitude nas variações e no grau de umidade e da temperatura da superfície do solo. as sementes das plantas daninhas germinam e morrem em seguida. estimulando a germinação das sementes das plantas daninhas da camada superficial de solo. Outra técnica utilizada para o controle de plantas daninhas é a solarização. A inundação mata as plantas sensíveis. como tiririca (Cyperus rotundus). feito por cultivadores tracionados por animais ou tratores. como nos tabuleiros de arroz. grama-seda (Cynodon dactylon). para uso dirigido nesta cultura.Biologia e métodos de controle . em nível. principalmente em terrenos declivosos. que são posteriormente mortas devido à impossibilidade de emergência. devendo ser realizado quando as plantas daninhas estiverem ainda jovens e o solo não estiver muito úmido.1 . As principais limitações deste método são: a) dificuldade de controle de plantas daninhas na linha da cultura. além de muitas plantas daninhas anuais. esta técnica é de uso limitado no Brasil. em virtude da suspensão do fornecimento de oxigênio para suas raízes. Quanto à queima das plantas daninhas com lança-chamas. e b) baixa eficiência: quando realizado em condições de chuva (solo molhado). Os fatores limitantes deste método. como o capim-arroz (Echinochloa sp. sendo um dos principais métodos de controle de plantas daninhas em propriedades com menores áreas plantadas. por meio de outros métodos de controle. a fileira de plantas. Esta deve ser feita antes do plantio. já foi utilizada em algodão. É restrito a pequenas áreas de hortaliças.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas áreas maiores. onde o controle da erosão é fundamental. bem como sobre as plantas aquáticas. milho e trigo. a inundação é um efetivo método de controle de plantas daninhas. devido à temperatura excessivamente alta principalmente até 5 cm de profundidade. Em solos planos e nivelados. é mantida no limpo. Este sistema de plantio é usado em extensas áreas de plantio de soja. em solo úmido.

insetos. pode causar o enterrio das pequenas plântulas e. Entre os diversos exemplos de controle biológico no mundo. o fungo Coletotrichum gloeosporeoides pode ser usado para controlar o angiquinho (Aeschynomene virginica) em soja e milho. Dependendo do tamanho relativo das plantas cultivadas e daninhas. desde a pesquisa até a prática do controle biológico: a) Seleção de espécies de plantas daninhas a serem controladas. a eficiência do controle biológico é duvidosa quando ele é usado isoladamente. o deslocamento do solo sobre a linha. O cultivo quebra a relação íntima que existe entre raiz e solo. praticado com fins econômicos.4 . Nos Estados Unidos. uma vez eliminado o hospedeiro. ele não deve parasitar outras espécies. O controle biológico de plantas daninhas é muito complexo e seu estudo dever ser feito em etapas sucessivas. podem-se citar: na Austrália.) capazes de reduzir a população das plantas daninhas. o herbicida natural é registrado como Collego. nos pomares de citros. Isso é mantido por meio do equilíbrio populacional entre o inimigo natural e a planta hospedeira. porque pode controlar uma espécie e uma outra ser favorecida. com isso.Controle biológico O controle biológico consiste no uso de inimigos naturais (fungos. peixes.) com as larvas do inseto Cactoblastis cactorum. b) Seleção de inimigos naturais mais eficientes. De modo geral. No entanto. No Brasil. E. Deve também ser considerada como controle biológico a inibição alelopática de plantas daninhas exercida por outras plantas. a fim de correlacionar os níveis de infecção com a redução da densidade populacional do hospedeiro. ou seja. promover o controle das plantas daninhas na linha. e) Acompanhamento da introdução e do estabelecimento do agente biocontrolador no campo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas se reproduzem por partes vegetativas. reduzindo sua capacidade de competir. todas as espécies anuais. são facilmente controladas em condições de calor e solo seco. e. bactérias. até o momento. quando jovens (2-4 pares de folhas). Módulo 3. o cambará-de-espinho (Lantana camara) foi controlado pelos insetos Agromisa lantanae e Crocidosema lantanae. o controle biológico de plantas daninhas com inimigos naturais não tem sido. f) Avaliação da efetividade em diferentes épocas do ano. 5.1 . suspende a absorção de água e expõe a raiz às condições ambientais desfavoráveis. daninhas ou não (este assunto já foi discutido em módulo à parte). aves. vírus. o parasita deve ser altamente específico.Biologia e métodos de controle 39 . foi já usado o fungo Phythophthora palmivora. o que é uma tendência normal em condições de campo. no Havaí. c) Estudo e avaliação da ecologia dos vários inimigos naturais. d) Determinação da especificidade dos hospedeiros. com o nome de Devine. o controle do cactus ou figo-da-índia (Opuntia spp. para controlar Morrenia odorata. Para que este tipo de controle seja eficiente. através de enxadas cultivadoras especiais. etc.

ocorrem reuniões anuais de pesquisadores de herbicidas no cerrado (REPEC). novos grupos químicos de herbicidas surgiram: Amidas (1952). isolados de Fusarium graminearum vêm sendo estudados como agente de controle biológico de Egeria densa e de Egeria najas. o controle biológico. para discutir os avanços da área de plantas daninhas e seu controle. quando Bonnet (França). quando se pensa em seu uso como o único método de controle. mais seguro para o homem e para o ambiente. 5. então. ou. nos Estados Unidos. nos Estados Unidos.) e marcou o início do controle químico de plantas daninhas em escala comercial. plantas aquáticas submersas que causam problemas em reservatórios de hidrelétricas. Ainda.WSSA. 40 Módulo 3.4. no Brasil. Somente em 1942. para controle de folhas largas na cultura do trigo. nos EUA. indicando a necessidade de uso de outro método de controle. O objetivo das pesquisas em nível mundial é obter herbicidas mais eficazes com doses menores. O controle biológico é eficiente. e os trabalhos científicos sobre o assunto são publicados em revistas especializadas da SBCPD (Planta Daninha e Revista Barsileira de Herbicidas). em 1956. 2005). e temperaturas acima de 30 oC têm proporcionado melhor controle de Egeria (BORGES NETO et al. Zimmerman e Hitchock. 2. Carbamatos (1951).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas No Brasil. Miyazaki e Pitelli (2003) verificaram controle de até 100% das espécies aquáticas Egeria densa. foi criada a Weed Science Society of América . no Brasil. o sulfato ferroso foi avaliado por Bolley.1 . que se reúne de dois em dois anos em congresso nacional. Triazinas simétricas (1956).5 . em 1963. não podendo parasitar outras espécies. carpas e outros peixes herbívoros é possível para controle de outras plantas aquáticas. Shultz (Alemanha) e Bolley (EUA) evidenciaram ação dos sais de cobre sobre algumas folhas largas. Já se sabe que o fotoperíodo influencia a eficiência de controle das espécies de plantas daninhas pelo fungo.Controle químico As pesquisas visando o controle químico de plantas daninhas foram iniciadas entre 1897 e 1900. bem como a tecnologia de aplicação de herbicidas. Egeria najas e Ceratophyllum demersum pelo pacu (Piaractus mesopotamicus).Biologia e métodos de controle . que tem evoluído muito nos últimos anos. Também são áreas de interesse. químico. A partir de 1950. etc. Este herbicida é a base de muitos outros produtos sintetizados em laboratório (2. quando se controla uma espécie de planta daninha. quando associado a outros métodos de controle e será recomendado para espécies de plantas daninhas de controle comprovadamente difícil por métodos mecânicos e.5-T. A eficiência do controle biológico é duvidosa. hoje Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas (SBCPD).4-DB. O uso de tilápias. foi fundada a Sociedade Brasileira de Herbicidas e Plantas Daninhas (SBHPD). etc.. Em 1908. a alelopatia. Isso porque o parasita deve ser altamente específico.4-D. descobriram o 2. Devido ao grande desenvolvimento da área de controle químico de plantas daninhas. sempre uma outra é favorecida. entre outras. e.

desde que utilizado no momento adequado e de forma correta. Módulo 3.8 em 1997 (ANDEF/SINDAG. perfeitamente controlados e evitados. solo e alimentos quando manuseados incorretamente. o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas. lagos e água subterrânea). Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES e ALMEIDA. Mesmo em épocas chuvosas. sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática.6 em 1990 para 1. hoje está se tornando prática comum entre os pequenos. Permite o plantio a lanço e. uma vez que esta tecnologia. Pode controlar plantas daninhas de propagação vegetativa. evoluiu de 546.Biologia e métodos de controle 41 . que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. na quantidade e qualidade necessária. difícil de ser encontrada no momento certo. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. 2005). 5. cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. Este valor. Os riscos de uso existem. A tendência ainda é de aumento. sendo a de maior importância o controle cultural. Portanto. O conhecimento da fisiologia das plantas. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência das culturas. em milhões de dolares. 2005). ou. 3. Permite o cultivo mínimo ou plantio direto das culturas. alteração no espaçamento. Pode se atribuir essa grande aceitação do uso de herbicidas pelos produtores ao fato de o controle químico das plantas daninhas proporcionar as seguintes vantagens: 1. É eficiente no controle de plantas daninhas na linha de plantio e não afeta o sistema radicular das culturas. o controle químico das plantas daninhas é mais eficiente. que é cada vez mais cara.água (rios. principalmente. Menor dependência da mão-de-obra. É importante considerar que todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado.1 . havendo perigo de intoxicação do aplicador.214. Pode ocorrer também poluição do ambiente . dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. mas devem ser conhecidos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O consumo de herbicida no Brasil representa 7-9% do consumo total do mundo. quando for necessário. 2. 4. Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas. 6. O emprego do controle químico de plantas daninhas deve ser feito juntamente com outras práticas de controle.

a maneira integrada de cultivo. para culturas anuais. 3. Estudar os métodos usados na propriedade. esse fato. Desse modo. Desse modo. dos métodos empregados. social e econômico a curto e a longo prazo. constituindo-se.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 6 . Escolher a(s) tecnologia(s) de controle compatível(is) com sistema. no controle integrado. e elas são um bom guia para o programa de manejo: 1. Considerando as condições brasileiras. o manejo integrado de plantas daninhas. sua base reforçada no campo da entomologia quando pioneiros promoveram o estudo dos problemas do algodoeiro no Nordeste do país. A integração de diversos métodos de controle dentro do sistema de produção pode dificultar o crescimento e desenvolvimento de populações de espécies daninhas de difícil controle. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo.Biologia e métodos de controle . os métodos culturais se apresentam como os 42 Módulo 3. da capacidade competitiva da cultura. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco. Conhecer as espécies dominantes e suas interações. do período crítico de competição. tendo. Decidir quando o controle deve ser feito. Integrar os processos com as medidas de proteção das culturas. etc. 2. 10. pode reduzir a dependência do uso de herbicidas e atrasar ou prevenir o aumento de espécies perenes geralmente associadas a sistemas de cultivo. 8. em que se levam em conta todos os fatores que podem proporcionar à planta maior e melhor produção. Prever populações e mudanças de populações de plantas daninhas. O nível de controle das plantas daninhas obtido em uma lavoura dependerá da espécie infestante. 5. Avaliar os impactos ambiental. Identificar as espécies-problema e suas densidades.1 . que consiste em “um sistema ambiental do campo onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para a produção das culturas livres de danos econômicos da vegetação competitiva”. 7. Dez palavras-chave descrevem os processos recomendados. Monitorar sementes e espécies da área de produção. as quais possuem seu ciclo ou parte dele na época das águas. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. 6. Considerar os recursos e as necessidades do fazendeiro. no Brasil. 9. permite a esta aproveitar eficientemente os recursos do meio. propondo uma série de medidas que se enquadraram no conceito de integração (CONCEIÇÃO.Manejo integrado de plantas daninhas (mipd) Cada vez mais o manejo integrado de pragas vem ganhando reforços em todos os setores agrícolas. 4. fica evidente que. 2000). das condições ambientais.

em relação ao plantio convencional. sendo que em três anos a redução no banco de tubérculos no solo pode chegar a mais de 90% (JAKELAITIS et al.1 .. Em dois anos nesse sistema. com a adoção do sistema de plantio direto utilizando herbicidas sistêmicos para dessecação. Um bom exemplo da aplicação do Manejo Integrado pode ser observado pelo excelente manejo da tiririca na cultura do milho e do feijão graças à utilização do sistema de plantio direto e conhecimentos da biologia das espécies envolvidas. ou seja. como a cultura do milho e feijão. consegue-se ótimo manejo integrado da tiririca. ao controle cultural exercido pela falta de revolvimento do solo e conseqüente ausência de fragmentação das estruturas vegetativas da tiririca e à adoção de culturas altamente competitivas. independentemente se para produzir milho para grão ou para silagem. 2003). evitando assim sua disseminação e seu rápido crescimento. Outro exemplo de manejo integrado de plantas daninhas tem sido praticado em diversas regiões do Brasil quando se adota o sistema integrado agricultura-pecuária.. é possível obter redução nos níveis populacionais da tiririca a favor do plantio direto.. Ao contrário. tornando o sistema menos dependente do controle químico (JAKELAITIS et al. no milho para silagem toda palhada da cultura anterior e retirada da área. com uso de herbicidas sistêmicos usados como dessecantes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mais adequados para integração com o controle químico. os níveis populacionais da tiririca podem ser diminuídos. principalmente por luminosidade. Dessa forma. a ponto de não acarretar reduções de produção das culturas infestadas (Fig. ou incoporada ao solo. Os maiores benefícios do sistema de plantio direto no manejo integrado da tiririca são obtidos devido à integração do controle químico proporcionado pelo uso do herbicida sistêmico para dessecação da vegetação em pré-plantio. Além disso. principalmente no período de desenvolvimento das culturas sensíveis à interferência das plantas daninhas. Quando a finalidade de uso do solo é para milho grão.Biologia e métodos de controle 43 . no plantio convencional. aliado ao fato de não revolver o solo. toda a palhada da cultura permanece na área à superfície. tanto para a cultura do milho quanto para o feijoeiro. 2005) Módulo 3. têmse observado excelentes resultados no manejo da tiririca. aplicados no momento correto. No plantio direto. permanecendo dormentes (Fig. a forrageira cultivada em consórcio com a cultura principal reduz a interferência de muitas espécies de plantas daninhas. Dessa forma. visando a redução do número de propágulos de espécies de difícil controle em áreas agrícolas. 5). 45 dias após a emergência. aliado ao controle cultural. 4). Neste sistema. a capacidade de brotação dos tubérculos de tiririca coletados sob solo no sistema integrado é diminuída com o passar do tempo. 2004) e também mais estável do ponto de vista ambiental (SANTOS et al. da ordem de 90 a 95%. transformando esta espécie daninha extremamente problemática em uma espécie comum. no plantio direto.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 4 .População de tiririca nas culturas de milho e feijão nos sistemas de plantios convencional e direto (após dois anos de adoção do manejo integrado de plantas daninhas –MIPD) aos 30 DAP Figura 5 – Brotação de tubérculos de tiririca coletados em campo em áreas de plantio convencional e em área onde se adotou o plantio direto com o manejo integrado dessa espécie infestante.Biologia e métodos de controle . após três anos de adoção 44 Módulo 3.1 .

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Herbicidas: classificação e mecanismos de ação Tutores: Profº. José Barbosa dos Santos Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .ABEAS Universidade Federal de Viçosa .Manejo de plantas daninhas 3.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .2 . Antonio Alberto da Silva Profº.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília . Lino Roberto Ferreira Profº. Francisco Affonso Ferreira Profº.DF 2006 48 Módulo 3.

52 3 .3 .Algumas sulfoniluréias.3 .2 .Herbicidas inibidores da EPSPs. 68 4. 55 4. 75 4.Herbicidas inibidores da Protox.2 .8 .6.53 4 . 85 4.5.Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II.2 .Algumas imidazolinonas.2 .1 . 83 4.3 .Quanto à seletividade.Quanto à época de aplicação. 58 4. 54 4.1 .Quanto aos mecanismos de ação.1.4 .1.6.4.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I. 58 4. 53 4.1 .Caracterização de alguns herbicidas auxínicos.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA). 76 4.3 .2 .Características gerais. 80 4.4.7 . 55 4. 79 4.Mecanismo de ação.Principais características.Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos.Seletividade. 56 4.2. 74 4.Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX.Herbicidas inibidores da fotossistama II. 68 4.1 . 60 4.3.2 .2. 73 4. -51 2 .3.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 49 .5.1 .2.2 .1 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução. 73 4. 70 4.Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos.Principal herbicida do grupo.Mecanismo de ação.4 . 61 4.Mecanismo de ação.Herbicidas inibidores da acetolactato sintase.7.2 .Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos.4.5 .3 .Mecanismo de ação das cloroacetanilidas. 88 Módulo 3.1 .7.Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina.Mecanismos de seletividade. 62 4.3 .5. 79 4. 73 4.Principais características.Mecanismo de ação.1.3 . 79 4. 80 4.2.3.6.1 .Principais características. 75 4. 68 4. 77 4.Características gerais dos inibidores do fotossistema II.2 .Quanto à translocação. 51 1 .6 .Características de algumas cloroacetanilidas.

89 4. 93 4. 92 4. 88 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .Características gerais.Principais características.Caracterização de alguns inibidores da ACCase.1 .2 . 99 50 Módulo 3.3 . 95 Referências bibliográficas.Herbicidas inibidores de carotenóides.Mecanismos de ação.9.9 .9.2 .10 .1 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.9.2 . 91 4.Mecanismo de ação.8. 91 4.Herbicidas inibidores da ACCase.8.

estrutura química e mecanismo de ação (WARREN. Essas características individuais permitem estabelecer grupos afins de herbicidas com base em sua seletividade. Normalmente são recomendados para uso como dessecantes ou em aplicações dirigidas. do tipo de solo. o metribuzin é seletivo apenas quando aplicado em pré-emergência. Módulo 3. translocação. e mesmo assim a dose tolerada é dependente das condições edafoclimáticas. Exemplos: diquat. exemplo: a soja trasgênica resistente ao glyphosate. 1995a). das condições climáticas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Os herbicidas podem ser classificados de diversas maneiras. Todavia. Todavia. 1 . paraquat.2 . Herbicidas não-seletivos São aqueles que atuam indiscriminadamente sobre todas as espécies de plantas. da dose aplicada. tem-se 2. época de aplicação. é possível tornar um herbicida não-seletivo a seletivo para determinada espécie. Para soja. por exemplo. HESS. etc. pois depende do estádio de desenvolvimento das plantas. etc. imazethapyr para a soja. etc. Como exemplo. atrazine para o milho. a seletividade é sempre relativa. de acordo com as características de cada um. dentro de determinadas condições.4-D para a cana-deaçúcar. glyphosate. fomesafen para o feijão.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 51 . são mais tolerados por uma determinada espécie ou variedade de plantas do que por outras.Quanto à seletividade Herbicidas seletivos São aqueles que. por meio da biotecnologia.

a estes. Todavia. ou. exemplos: flumioxazin. eles devem ser aplicados em pré ou em pós-emergência das culturas ou das plantas daninhas. metribuzin. até mesmo em subdoses. eles somente devem ser aplicados em pós-emergência das plantas daninhas. Contudo. deve ser aplicado antes do plantio. como é o caso do trifluralin. Se o herbicida é absorvido pelas folhas e raízes. diz-se que este herbicida é aplicado em PPI. ele pode ser aplicado em pós-emergência de ambas (plantas daninhas e culturas).Quanto à época de aplicação Pré-plantio Quando o herbicida é muito volátil. etc. neste caso. pode-se também misturar. em culturas perenes como fruteiras. clorimuron-ethyl. como é o caso do metribuzin. ele necessita ser incorporado ao solo. estes devem ser aplicados antes da emergência (pré-emergência) desta ou de forma dirigida. quando atigem o solo. metsulfuron-methyl em trigo. que pode ser usado em tomate em pré e em pósemergência tardia ou após o transplante. pois em pós-emergência. exemplos: glyphosate. especialmente ao glyphosate. alguns herbicidas devem ser aplicados antes do plantio. etc.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . no sistema de plantio direto (cultivo mínimo). Esses produtos normalmente são não-seletivos. são desativados (sorvidos). paraquat. Quando aplicado após o preparo do solo e incorporado a este antes do plantio. porém têm como objetivo principal garantir o controle inicial das plantas daninhas na implantação da lavoura. na cultura da soja somente pode ser usado em pré-emergência. Também.2 . se o herbicida é seletivo para a cultura. em aplicação dirigida. ainda. Outro 52 Módulo 3. das condições nas quais ele apresenta melhor desempenho. feijão. apresentam curto efeito efeito residual e quase sempre são utilizados como dessecantes. por esta razão. ser não-seletivos para a cultura e. fotodegradável. reflorestamento e lavouras de café. etc. ou. Estes podem ou não auxiliar na dessecação das plantas. etc. de solubilidade muito baixa em água e. trigo. Quando são absorvidos apenas pelas folhas. apesar penetrarem também pelas raízes. ele é muito tóxico à soja. como é o caso do glyphosate e paraquat aplicados no plantio direto de milho. também. a sua aplicação em pré ou pós-emergência vai depender da tolerância da cultura e. exemplo: sethoxydim em tomate. imazaquin. pois muitas vezes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . aplicado em pré-plantio e incorporado. outros que possuem maior efeito residual no solo. Estes produtos podem. imazethapy. nicosulfuron em milho. Entretanto. visando facilitar o plantio e promover cobertura morta do solo. ou seja. feijão e soja. Pós-plantio Dependendo da atividade dos herbicidas sobre as plantas.

inibidores do fotossistema II. LIEBL.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas exemplo seria o herbicida atrazine. exemplos: paraquat.Quanto aos mecanismos de ação É interessante que se faça distinção entre os termos usados rotineiramente quando se refere a herbicida: “modo e mecanismo de ação de herbicida”.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 53 . THILL. inibidores do fotossistema I. É importante lembrar que um mesmo herbicida pode influenciar vários processos metabólicos na planta. inibidores da ACCase. inibidores do arranjo dos microtúbulos. CRAFTS. Módulo 3. 1973. inibidores da síntese de carotenóides.2 . podem apresentar ação de contato. etc. glyphosate. 3 . porque a morte rápida do tecido condutor (floema) limita a chegada de dose letal do herbicida a algumas estruturas reprodutivas das plantas.HESS. Inibidores da GS. inibidores da EPSPs. etc. já a primeira lesão bioquímica ou biofísica que resulta na morte ou ação final do produto é considerada “mecanismo de ação”. pelo floema ou por ambos. Quando o movimento (translocação) do herbicida é via floema ou floema e xilema. “Modo de ação” refere-se à seqüência completa de todas as reações que ocorrem desde o contato do produto com a planta até a sua morte ou ação final do produto. entretanto a primeira lesão que ele causa na planta pode caracterizar o seu mecanismo de ação (ASHTON. lactofen. (WARREN. Ele terá necessariamente que penetrar no tecido da planta. inibidores da PROTOX. ele é considerado sistêmico. quando utilizado em pós-emergência. porém com efeito final menor. a ação do produto pode ser mais rápida. 1995). atingir a célula e posteriormente a organela. etc.Quanto à translocação Os herbicidas podem ser de contato quando atuam próximo ou no local onde eles penetram nas plantas. os herbicidas podem ser classificados em: mimetizadores de auxinas (auxínicos). 2003a). 4 . Os herbicidas também podem se movimentar (translocar) nas plantas pelo xilema. aumentando a sua penetração pelas folhas. 1995. como é o caso de 2. picloram. Neste caso. deve-se adicionar à calda óleo mineral visando solubilizar parte da cera epicuticular. inibidores da ALS. O simples fato de um herbicida entrar em contato com a planta não é suficiente para que ele exerça sua ação tóxica. Estes produtos.4-D. onde atuará para que seus efeitos possam ser observados. nicosulfuron. recomendado para as culturas de milho e sorgo. Quanto ao mecanismo de ação. A este produto. flazasulfuron. imazethapyr. diquat. Estes herbicidas sistêmicos são capazes de se translocarem a grandes distâncias na planta. quando usados em doses muito elevadas.

o 2. Em conseqüência dos efeitos desses herbicidas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina Esta classe de herbicidas é uma das mais importantes em todo o mundo. em poucos dias ou semanas. 2003a). 1). Estes herbicidas induzem intensa proliferação celular em tecidos. em plantas sensíveis. pelo efeito destes produtos sobre o afrouxamento das paredes celulares. Os herbicidas auxínicos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. CRAFTS. impedindo o movimento dos fotoassimilados das folhas para o sistema radicular. Esse alongamento celular parece estar relacionado com a diminuição do potencial osmótico das células. as espécies sensíveis têm seu sistema radicular rapidamente destruído. Estudos sugerem que o metabolismo de ácidos nucléicos e os aspectos metabólicos da plasticidade da parede celular são seriamente afetados. conseqüentemente. epinastia das folhas e retorcimento do caule. podendo levá-las à morte. causando epinastia de folhas e caule. na síntese de ácidos nucléicos e proteínas (ASHTON. especialmente da carboximetilcelulase (CMC). sendo extensivamente utilizada em culturas de arroz. milho. engrossamento das gemas terminais e morte da planta (Fig. verificam-se rapidamente aumentos significativos da enzima celulase. Após aplicações de herbicidas auxínicos. 1973).Sintomas leves de intoxicação de plantas de algodão (A) e ação final do produto sobre plantas de Raphanus raphanistrum (B) 54 Módulo 3. porque eles marcaram o início do desenvolvimento da indústria química (THILL. rapidamente. que leva estas espécies a sofrer. provocado pelo acúmulo de proteí¬nas e. trigo e cana-de-açúcar e em pastagens.4-D e o MCPA são os mais importantes. quando aplicados em plantas sensíveis. além de interrupção do floema.1 . Figura 1 . Historicamente. induzem mudanças metabólicas e bioquímicas. Acredita-se que estes produtos interfiram na ação da enzima RNA-polimerase e. Por esse motivo. notadamente nas raízes. também. Essa perda da rigidez das paredes celulares é provocada pelo incremento na síntese da enzima celulase. mais especificamente.2 . verifica-se crescimento desorga¬nizado.

4.1. Estádio de desenvolvimento das plantas. sendo estes protegidos pelo esclerênquima em gramíneas (monocoti¬ledôneas). Arranjamento do tecido vascular em feixes dispersos.4-D para 2. principalmente em aplicações aéreas. em doses extremamente baixas. exigindo cuidados especiais para se realizar rotação de culturas. deve-se usar 0 2. se aplicado fora do estádio de desenvolvimento recomendado.1. Alguns desses produtos podem permanecer ativos no solo por longo período. se praticável. em uva. podendo. tomate. causada pela ação de herbicidas auxínicos. 2. derivados do ácido picolínico podem causar fitotoxicidade.. etc.1 . Nas culturas de arroz e trigo.Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos Todos os herbicidas auxíncos são derivados de ácidos fracos e podem ser formulados nos seus respectivos ácidos. Algumas espécies de plantas podem excretar estes herbicidas para o solo através de seu sistema radicular (exsudação radicular). 3. Na cultura do milho (4-6 folhas). Deriva.2 . além de facilitar a sua conjugação com aminoácidos e outros constituintes da planta. que são espécies altamente sensíveis. Essa característica especial das monocotiledôneas pode prevenir a destruição do floema pelo crescimento desorganizado das células.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. d) Evitar a aplicação quando o vento estiver em direção às culturas. Módulo 3. Aril hidroxilação do 2. podem causar sérios problemas técnicos.5 dicloro-4 hidroxifenoxiacético e 2.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 55 . c) Usar baixa pressão para aplicação. cada um dos diferentes princípios ativos.4-D após o perfilhamento e antes do emborrachamento. fumo. se aplicado em pós emergência total ocorrem sérios problemas de fitotoxicidade.Seletividade A seletividade dos herbicidas auxínicos pode ser dependente de diversos fatores: 1.2 .4-D. As seguintes medidas são recomendadas para reduzir problemas com a utilização destes herbicidas: a) Evitar o uso de formulações que apresentam elevada pressão de vapor (muito voláteis).3-D-4-OH. 4. b) Usar maior tamanho de gotas. e na cultura do milho. recebendo nomes comerciais diversos. ser comercializado isoladamente ou em misturas. Por exemplo. sendo esta a principal rota para o metabolismo do 2. É comum a aril hidroxilação resultar na perda da capacidade auxínica destes herbicidas. em condições de campo. algodão. comprometendo de maneira severa o rendimento de culturas e a qualidade do ambiente. resíduos deixados em pulverizadores mal lavados e contaminação de água de irrigação por estes herbicidas.4-D apenas em aplicação dirigida. exemplos: para arroz e trigo deve-se usar o 2. sais ou ésteres.

4-D. Usar. pka de 2.2 . em pastagens. para uso no plantio direto e em aplicações dirigidas. acumulando-se nas regiões meristemáticas dos pontos de crescimento.4 diclorofenoxiacético (2. é usado para controlar plantas daninhas perenes. persistência no ambiente. porque são altamente solúveis. enquanto as de éster são praticamente insolúveis e. ou.1. mais lixiviáveis. com menor movimentação. ALMEIDA. a atividade residual do 2. no mercado brasileiro. é encontrado em dife¬rentes formulações e marcas comerciais. gramados e culturas gramíneas (arroz. sendo esta a condição para ótima atividade do produto. Em mistura com o picloram. etc.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .4-D não excede a quatro semanas em solos argilosos e clima quente. Em doses normais. e com glyphosate. toxicidade. trigo. cana-de-açúcar. Transloca-se com grande eficiência em plantas com elevada atividade metabólica. É muito utilizado em misturas com inibidores da fotossíntese na cultura da cana-de-açúcar. Em solos secos e frios. Apresenta persistência curta a média nos solos. portanto. 2005). As formulações aminas são mais adsorvíveis no solo do que as de éster e.Em ambos os casos o 2.3 . em fruteiras e lavouras de café. volatilidade. a decomposição é consideravelmente reduzida. Em geral. As formulações ésteres e ácidas são prontamente absorvidas pelas folhas. Apresenta solubilidade de 600 mg L-1.4-D) foi o primeiro herbicida seletivo descoberto para o controle de plantas daninhas latifoliadas anuais.4-D se transloca por toda a planta pois se movimenta tanto pelo xilema quanto pelo xilema.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e) Tomar cuidado especial com a lavagem do pulverizador após as aplicações. além de detergente. plantas ganham maior tolerância com a idade.4-D Sal ou éster amina do ácido 2. Cada formulação pode apresentar características físico-químicas diferentes.). milho. conferindo ao produto características dife¬renciais quanto à seletividade. É recomendado para pastagens. Movimenta-se pelo floema e.Caracterização de alguns herbicidas auxínicos 2. amoníaco ou carvão ativado. e aquelas à base de sal são rapidamente absorvidas pelo sistema radicular das plantas. a resistência a estes herbicidas hormonais é reduzida. xilema. 4.8 e Koc médio de 20 mg g-1 de solo para formulações ácido ou sais e de 100 mL g-1 de solo para ésteres (RODRIGUES. entretanto. etc. durante o florescimento. Dicamba 56 Módulo 3. O 2.

milho e trigo e em pastagens. É muito pouco adsorvido pelos colóides de argila e mais pela matéria orgânica do solo. perenes e de árvores. pimentão. xilema. ALMEIDA.29. Apresenta longa persistência (meia-vida de 20 a 300 dias) e fácil mobilidade no solo.87. formando o Tordon.. em razão de sua longa persistência no solo (dois a três anos). pka: 1. considerando o controle de plantas daninhas herbáceas e arbustivas. Picloram O ácido 4-amino 3. Sendo um herbicida de alta solubilidade em água. Também.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O sal de dimetilamina do ácido 3.2 a pH 1. podendo se acumular no lençol freático raso. da evaporação. para controlar arbustos e árvores.000 mg L-1.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 57 . até mesmo quando cultivadas em solos adubados com esterco proveniente de pastagens tratadas com picloram e pastoreadas logo depois.). É muito utilizado para controlar algumas espécies de dicotiledôneas tolerantes ao 2. Esta mistura pode ser usada em área total ou em áreas localizadas. A mistura (picloram + 2. Dontor ou Manejo.5. o que dificulta a absorção e translocação do herbicida até as raízes (SILVA et al.4-D. pode permanecer ativo na matéria orgânica proveniente de pastagens tratadas com este produto (RODRIGUES. na região Sul do Brasil. e koc de 2 mg g-1 de solo. que podem apresentar severos sintomas de intoxicação. comuns em lavouras de trigo. ou. em solos de textura arenosa. como o cipó-de-veado (Polygonum convolvulus L. 6-dicloro-2-metoxibenzoico (dicamba) é facilmente translocado pelas plantas via floema e. pode ser feito o pincelamento ou a pulveri¬zação dos tocos. Apresenta maior efeito sobre dicotile¬dôneas. É fracamente adsorvido pela matéria orgânica ou argila. dependendo da intensidade. Apresenta pka: 2. do movimento capilar da água e. para evitar a rebrota de espécies-problema como o leiteiro (Peschiera funchsiaefolia) e outras. ou. Kow: 0. antes que se inicie o processo de cicatrização. tomate. na planta. fumo. porém extremamente persistente (a planta não consegue metabolizar rapidamente o picloram).4-D para o controle de plantas em culturas de canade-açúcar.4-D. está sujeito a lixiviação. etc. O picloram. Quando aplicação é feita no toco é fundamental que esta seja realizada imadiatamente após o corte da árvore. Apresenta solubilidade de 720. sendo recomendado de modo semelhante ao 2.). sendo muito utiliza¬do em misturas com o 2. Módulo 3.6 tricloro-2-piridinacarboxílico (picloram) é um produto extremamente ativo sobre dicotiledôneas. 2001). apre¬senta efeito lento. Kow: 1. 2005).3. Para o controle de árvores. e também com fluroxypyr formando o Plenum.4 a pH 7.2 .0 e 83. algodão. Deve ser observado o período residual para o cultivo de espécies altamente sensíveis (videira. e Koc médio de 16 mg g-1 de solo.4-D) é muito utilizada em pastagens para o controle de plantas daninhas anuais.

em área total para controle de plantas daninhas em pastagens e arroz. ALMEIDA.Herbicidas inibidores da fotossistama II São de grande importância na agricultura brasileira e mundial.36 a pH 7. sendo largamente utilizados nas cultu¬ras de grande interesse econômico.Mecanismo de ação Os pigmentos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Triclopyr O ácido [(3. É recomendado para uso em pós-emergência.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Este elétron é transferido para uma molécula de plastoquinona presa a uma mem¬brana do cloroplasto (Qa). Interromper imediatamente as aplicações se houver mudança na direção do vento. as proteínas e outras substâncias químicas envolvi¬das na reação da fotossíntese estão localizados nos cloroplastos. 2005). Seu grau de adsorção depende do pH do solo. gerando um elétron “excitado”. 2004). sua meia-vida é de 20 a 45 dias. campo de futebol. porém é rapidamente degradado no solo. chamada “Qb”. por sua vez. ALMEIDA. a energia luminosa capturada pelos pigmentos (clorofila e carotenóides) é transferida para um “centro de reação” especial (P680). em aplicação foliar..26 x 10-6 mm Hg a 25 oC.5. hortaliças. a quinona 58 Módulo 3. É também muito eficiente e seletivo para controlar dicotiledôneas infestantes de áreas cultivadas com gramas: jardins. 4. com ventos de 0 a 6 km h-1. açudes. algodão. milho. sem a interferência de inibidores do fotossistemoa II. Deve ser aplicado de outubro a março (no período chuvoso). e Koc médio de 20 mL g-1 de solo. sob condições de alta pluviosidade. soja. A molécula da plastoquinona “Qa” transfere o elétron. pka: 2. Nunca fazer aplicações aéreas a menos de 2. umidade relativa >50% e temperatura < 30°C. (FREITAS et al. entre outras (RODRIGUES. A aplicação poderá ser por equipamentos terestres ou por avião quando as áreas estiverem infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno e médio porte.1 .6-tricloro-2-piridinil) oxi] acético (triclopyr) apresenta ação semelhante ao picloram. Nas condições normais.68. Quando um segundo elétron é transferido para a plastoquinona “Qb”. O vento deverá estar soprando da cultura sensível para a área de aplicação.64 a pH 5 e 0. 4. etc. com as plantas em pleno vigor vegetativo.2. fruteiras. para uma outra molécula de plastoquinona. Apresenta solubilidade em água de 23 mg L-1. como arroz.. Kow: 2. cana-de-açúcar. dependendo do tipo de solo e das condições climáticas. 2005).2 . pode haver lixiviação (RODRIGUES.000 m de culturas sensíveis. durante a fase luminosa da fotossíntese. também presa na proteína. feijão.2 . Em solos leves. pressão de vapor de 1.

WELLER. dos fenóis. naftoquinonas. Muitos herbicidas inibidores do fotossistema II (derivados das triazinas. que ela tem uma configuração de cinco hélices que atravessam a membrana do cloroplasto (tilacóide) e duas hélices paralelas que se interligam. benzoquinonas. O sítio. por exemplo. por alguma razão não conhecida. 2003). impedindo sua destruição. fica entre a quarta e quinta hélices que atravessam as membranas dos cloroplastos e a hélice paralela que liga as duas.2. não evitam a destruição da proteína D-1 pela luz. etc. dioxobenzotiazoles e cianoacrilatos. (HESS. a função da plastohidroquinona é transferir elétrons entre os fotossis¬temas II (P68O) e I (P7OO). ou bolso. Estes herbicidas competem com a plastoquinona “Qb” parcialmente reduzida (QbH) pelo sítio na proteína D-1. Fonte: Warren e Hess (1995) Os derivados das triazinas e das uréias substituídas são conhecidos por se prenderem justamente ao sítio dos elétrons da proteína D-1. ocasio¬nando a saída da plastoquinona e interrompendo o fluxo de elétrons entre os fotossistemas. aumentam a estabilidade desta na presença da luz.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 59 . quinolonas. esta proteína é destruída rapidamente pela ação da luz. Essa proteína é chamada D-1. A associação com a proteína se dá com aminoácidos diferentes no sítio para cada biótipo. Atualmente. o que aumenta o efeito inibitório destes. seja válida para outros produtos desse mesmo grupo químico. com baixa afinidade para se prender na proteína. De modo geral. Esse fato demonstra que algo mais que a simples inibição do fotossistema II está ocorrendo. formando uma plastoidroquinona (QbH2). Diversos análogos do fenol foram descritos como inibidores fotossistema II. 1995a. prendendo-se. os herbicidas apresentam maior tempo de residência no sítio do que a plastoquinona “Qb”. Sabe-se.2 . bromoxynil e ioxynil). Estes herbicidas. De maneira simplificada. onde a plastoquinona “Qb” se prende e onde os herbicidas vão se prender também. quando se prendem à proteína. Além da competição em si pelo sítio na proteí¬na. como pode ser visto na Fig.) causam essa inibição prendendo-se na proteína. no sítio onde se prende a plastoquinona “Qb”. pironas. Herbicidas derivados do fenol (dinoseb. Alguns exemplos: piridonas. Isso impede que uma mudança na sequência de aminoácidos da proteína (mutação) tornando esse biotipo resistente aquele herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas reduzida torna-se protonada (dois íons de hidrogênio são adicionados). também. como fazem os “clássicos”.Esquema do transporte de elétrons na fotossíntese. sabe-se que a clorose foliar que Módulo 3. sendo conhecida também como proteína 32 kilodaltons. das uréias substituídas. Figura 2 . Plantas suscetíveis tratadas morrem mais rapidamente quando pulverizadas na presença da luz do que quando pulverizadas e colocadas no escuro. A proteína D-1 é hoje muito conhecida. ao sítio da plastoquinona “Qb”.

Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Em casos nor¬mais. 4. Esta clorofila não retorna ao estado anterior quando o fluxo de elétrons é interrompido pela ação do herbicida que se prendeu ao sítio da plastoquinona “Qb”. Esse excesso de energia (clorofila triple) causa o início da peroxidação de lipídios por dois mecanismos: a: formação direta de radical lipídico nos ácidos graxos insatura¬dos da membrana do cloroplasto. no estado de energia simples.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorre após o tratamento é devida a rompimentos na membrana dos pigmentos causados pela peroxidação de lipídios (ácidos graxos insaturados) da membrana (Fig. é sobrepujado pelo excesso de clorofila no estado de alta energia. 3). Essas reações dão início ao processo de peroxidação das membranas. plantas perenes somente são eliminadas por esses herbicidas quando tratadas via solo. todos eles podem ser absorvidos pelas raízes. não podendo transferir o elétron ao centro de reação P680 (fotossistema II). a velocidade de absorção foliar é diferente para cada produto deste grupo. Na presença do herbicida. a carga é repassada aos carotenóides. 1995). Figura 3 . Todos eles translocam-se nas plantas apenas via xilema. aparecendo os sinais de necrose foliar (WELLER. e b: a clorofila de carga tríplice também reage com oxigênio e produz um oxigênio reativo (oxigênio singlet). ela sai do estado neutro (sem carga) e vai para um estado de energia simples.2 .Características gerais dos inibidores do fotossistema II • • • • A taxa de fixação de CO2 pelas plantas sensíveis. tornase ainda mais carregada e mais reativa (estado de energia tríplice). dado pelos carotenóides. que é normalmente transferido para o centro de reação (P680). o sistema de prote¬ção. declina poucas horas após o tratamento. Essa molécula de oxigênio carregada contribui para o processo de formação dos radicais lipídicos nos ácidos graxos insaturados da membrana. Estes herbicidas não provocam nenhum sinal visível de intoxicação no sistema radicular das plantas. 60 Módulo 3.2. por esse motivo.Estrutura esquemática da membrana de um cloroplasto Fonte: Warren e Hess (1995) Quando a clorofila aceita um elétron. Essa molécula de clorofila. para que a clorofila não se destrua. entretanto. Aparentemente. tratadas com esses herbicidas.

A persistência agronômica destes herbicidas no solo é extremamente variável. menor reserva de carboidratos. necessita-se de boa cobertura foliar da planta e.2. Todavia. Plantas que estão se desenvolvendo em condições de baixa lumino¬sidade são mais suscetíveis a esses herbicidas. tem-se a seletividade do diuron para a cultura do algodão. também. É comum ocorrer efeito sinérgico quando se aplicam inibidores do fotostema II em mistura com outros herbicidas. podendo garantir a seletividade de determi¬nadas espécies.este fato pode ser devido à anatomia e. Apresentam pouca ou média mobilida¬de no perfil do solo. porque este produto é muito pouco móvel no perfil do solo. torna-se necessário fazer rotação com outros herbicidas que apresentam mecanismo de ação diferente. podendo levá-la à morte. ou se for aplicado em solo de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica. Como exemplo. 1995). o aparecimento de novas espé¬cies de plantas daninhas resistentes a estes herbicidas (atuam em sítio de ação específico). quando aplicadas diretamente no solo. Alguns herbicidas deste grupo apresentam seletividade “toponômica” ou seletividade por posição. Absorção diferencial por folhas e raízes . se o diuron for incorporado mecanicamente ao solo. Normalmente. Neste caso. as doses recomendadas. 4. podendo ser curta para alguns produtos (< 30 dias) ou muito longa (> 720 dias) para outros. são variáveis para cada tipo de solo. ou. estes herbicidas não apresentam problemas de deriva por volatilização. Todos os herbicidas inibidores do fotossistema II apresentam toxicidade muito baixa para mamíferos. Neste caso.3 . inseticidas ou fungi¬cidas inibidores da colinesterase. pode se verificar perda de seletividade do herbicida. o diuron não causa intoxicação à cultura do algodão quando utilizado em pré-emergência. de adição de adjuvante (estes produtos podem apresentar difícil penetração foliar e não são sistêmicos). Na realidade. ele poderá entrar em contato com o sistema radicular do algodão e causar severa intoxicação à cultura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Quando esses herbicidas são usados em pós-emergência. pois possuem pressão de vapor muito baixa. Tem sido observado.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 61 .Mecanismos de seletividade As causas pelas quais os herbicidas inibidores do fotossistema II são seletivos são diversas e variam de cultura para cultura (WELLER. morfologia das folhas e raízes e. ainda. estes herbicidas são muito adsorvidos pelos colóides orgânicos e minerais do solo.2 . Por este motivo. Em geral. não atingindo o local de sua absor¬ção pela planta (sistema radicular). o herbicida não será absorvido em quantidade suficiente para intoxicar a cultura. Módulo 3. ao tipo de formulação utilizado. ainda. Por estas razões. com relativa freqüência. Elas apresentam menor barreira cuticular à penetração dos herbicidas e.

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Translocação diferencial das raízes para as folhas - isto ocorre devido à presença de glândulas localizadas nas raízes e ao longo do xilema, que adsorvem estes produtos, impedindo que sejam translo¬cados até seus sítios de ação, localizados nos cloroplastos. Metabolismo diferencial - algumas espécies de plantas, em suas raízes ou em outras partes, possuem enzimas que são capazes de metabolizar as moléculas de determinados herbicidas, transformando-os rapida¬mente em produtos não-tóxicos para as plantas. Como exemplo, pode-se citar o milho e o sorgo, que apresentam em suas raízes teores elrvados de benzoxazinonas. Estes compostos podem promover rápida degradação da molécula de atrazine por meio de reações de hidroxilação, dealquilação, ou ainda a conjugação dessa molécula com polipetídeos naturais, tornando estas culturas tolerantes a este herbicida. Outro exemplo seria a seletividade da cultura de arroz ao herbicida propanil. Esta cultura apresenta concentrações de dez a trinta vezes da enzima arilacilamidase em realação às principais gramíneas infestantes do arroz. Elevadas concetrações da arilacilamidase, nas folhas de arroz, garantem a degradação do propanil antes que estes atinjam os cloroplastos (sítio de ação primário deste herbicida), o que não ocorre com as gramíneas infestantes dessa cultura. 4.2.4 - Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II Atrazine

O 6-cloro-N-etil-N’-(1-metiletil)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (atrazine) apresenta solubilidade em água de 33 mg L-1, pka: 1,7, kow: 481; e koc médio de 100 mg g-1 de solo (Rodrigues; Almeida, 2005). É moderadamente adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica, tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É lixiviável, sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 30 cm e também em águas subterrâneas. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química e física. Apresenta meia-vida no solo média de 60 dias e persistência média a longa nos solos nas doses recomendadas de 5 a 7 meses. Em solos tropicais e subtropicais sua persistência pode também ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas em condições de pH do solo elevado, clima frio e seco. Em diversas regiões do Brasil, em campo, tem sido observada intoxicação da aveia semeada até 150dias após aplicação de atrazine na cultura do milho. É muito utilizado na cultura do milho, sendo, também, recomendado para cana-de-açúcar, café, fruteiras, cacau, pimenta-do-reino, etc. Fumo e trigo são muito sensíveis ao atrazine. Quando aplicado em pós-emergência, tem-se observado ótima eficiência de controle das plantas daninhas mesmo com a redução da dose aplicada. Todavia, para isso, é necessário adicionar à calda óleo mineral, sendo mais eficiente para controlar plantas daninhas recém-emergidas (plantas com 1-2 pares de folhas). É muito utilizado em misturas com outros herbicidas em culturas de milho, cana-de-açúcar, fruteiras e outras. As plantas de milho e sorgo possuem a capacidade de metabolizar o atrazine absorvido,
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transformando-o por meio de reações de hidroxilação, dealquilação e conjugação, por ação de benzoxazinonas presentes nestas espécies, em compostos não-tóxicos. O atrazine é muito eficiente no controle de dicotiledôneas, porém apresenta eficiência apenas regular para controle de diversas monocotiledôneas. Na cultura do milho, é muito utilizado em pré-emergência, quando em mistura com o metolachlor, formando o “Primestra”, e também em pós-emergência precoce, quando em mistura com óleo mineral (Primóleo) para controle de dicotiledôneas e em mistura no tanque com o nicosulfuron ou outras sulfoniluréias (foramsulfuron + idosulfuron-methyl), em áreas com infestação mista (JAKELAITIS et al., 2005). Simazine

O 6-cloro-N,N`-dietil-1,3,5-triazina-2,4-diamina (simazine) apresenta solubilidade em água de 3,5 mg L-1, pka: 1,62, kow: 122; e koc médio de 130 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica e tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É pouco lixiviável, não sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 10 cm. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química, ocorrendo hidrólise, com formação de hidroxisimazine e dealquilação do grupo amino. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 5 a 7 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas. Pode ser usado em pré-emergência das plantas daninhas nas culturas de café, cana-deaçúcar, alfafa, fruteiras, etc., para controle de dicotiledôneas e algumas gramíneas. Em doses maiores que 10kg ha-1 do p.c., pode ser usado usado para limpeza de cercas e áreas industriais. É absorvido basicamente pelo sistema radicular das plantas, sendo pouco móvel no solo. É utilizado em misturas com o atrazine, visando minimizar efeitos do clima, principalmente oscilações pluviais, e também para aumentar o espectro de controle de espécies de plantas daninhas. Ametryn

O N-etil-N`-1(metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (ametryn) apresenta solubilidade em água de 200 mg L-1; pka: 4,1; kow: 427; e koc médio de 300 mg-1 de solo. É medianamente lixiviável nos solos arenosos (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua degradação no solo é, em maior parte microbiana, mas também química, por processos de oxidação e hidrólise.
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Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 4 a 6 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que nove meses se usado em doses elevadas, dependendo do clima e tipo de solo (meia-vida média no solo é de 60 dias). É reco¬mendado para as culturas de cana-de-açúcar, banana, café, abacaxi, citros, milho e videira, para controle de mono e dicotiledôneas. Pode ser absorvido facilmente pelas raízes e folhas de plantas. É pouco móvel no solo, por ser muito adsorvido por colóides orgânicos e minerais. Sua adsorção pelos colóides é muito influenciada pelo pH. Também pode apresentar adsorção negativa (dessorção), ocorrendo liberação para as plantas de moléculas anteriormente inativadas pelos colóides do solo. É muito utilizado em misturas com os herbicidas diuron, tebuthiuron, atrazine, trifolysulfuron-sodium, 2,4D, etc; principalmente quando recomen¬dado para de cultura da cana-de-açúcar (PROCÓPIO et al., 2003). É pouco lixiviado no solo, permanecendo na maioria das condições na camada superior (primeiros 30 cm). Prometryne

O N,N`-bis(1-metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (prometryne) apresenta solubilidade em água de 48 mg L-1; pka: 4,09; kow: 1.212; e koc médio de 400 mg g-1de solo. É pouco lixiviado em solos de textura média a argilosa, sendo facilmente degradado por microrganismos que o utilizam como fonte de energia. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 1 a 3 meses em condições tropicais e subtropicais, dependendo das condições de solo, do clima e da dose utilizada. Sua absorção é feita pelas folhas e raízes, sendo mais utilizado em pré-emergência. É recomendado para as culturas de quia¬bo, aipo, cenoura, alho, salsa, cebola, ervilha, etc. A cultura da cebola apresenta maior tolerância ao prometryne quando este é aplicado antes do transplante. Não apresenta seletividade para a cultura da cebola em semeadura direta. Metribuzin

O 4-amino-6-(1,1-dimetiletil)-metiltio-1,2,4-triazina-5-(4H)-ona (metribuzin) apresenta solubilidade em água de 1.100 mg L-1; kow: 44,7; e koc médio de 60 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É moderadamente adsorvido em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila. É um herbicida muito dependente das condições edafoclimáticas para seu bom funcionamento. Quando aplicado na superfície de solo seco e persistir nesta condição por sete dias,
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é desativado por fotodegra¬dação (SILVA, 1989). O metribuzin é também facilmente lixiviado no solo, não sendo recomendado seu uso em solo arenoso e, ou, com baixo teor de matéria orgânica. É absorvido tanto pelas folhas quanto pelas raízes. Controla diversas espécies de dicotiledôneas e algumas gramíneas. É recomendado para aplicação em pré-emergência nas culturas de batata, tomate, soja, café, cana-de-açúcar e mandioca para o controle de diversas infestantes dicotiledôneas. Não apresenta nenhum controle sobre Euphorbia heterophylla. Na cultura do tomate conduzida em semeadura direta, deve ser usado exclusivamente em pré-emergência, logo após a semeadura. No tomate transplantado, poderá ser usado também em pós-emergência, até dezdias após o transplante das mudas. É utilizado em misturas com outros herbicidas, especial¬mente com trifluralin e metolachlor, na cultura da soja. Linuron

O N-(3,4-diclorofenil)-N-metoxi-N-metiluréia (linuron) é um herbicida derivado do grupo das uréias, que apresenta solubilidade em água de 75 mg L-1, pka: zero; kow: 1.010; e koc médio de 400 mg g-1 de solo. É adsorvido principalmente em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila, sendo pouco lixiviável nestes tipos de solo, apresentando persistência de 2 a 5 meses. É recomendado para uso em soja, algodão, milho, batata, cenoura, rabanete, alho, cebola, etc., principalmente para aplicações em pré-emergência. Nas culturas de cenoura e de cebola, pode também ser usado em pós-emergência, quando as plantas daninhas estiverem com 1-2 pares de folhas. É mais facilmente absorvido pelas raízes, tendo a sua atividade muito influenciada pelas caracterís¬ticas físico-químicas do solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Diuron

O N`-(3,4-diclorofenil)-N,N-dimetiluréia (diuron) apresenta solubilidade em água de 42 mg L-1; pka: zero; kow: 589; e koc médio de 480 mg g-1 de solo e uma meia-vida média no solo de 90 dias com persistência de 4-8 meses (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É muito adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, sendo sua atividade altamente influenciada pelas características físico-químicas do solo; por esta razão, é pouco móvel no perfil do solo. Esta característica garante a “seletividade toponômica” do diuron para o algodão e outras culturas em solos de textura média a pesada. Todavia, em solos de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica, o diuron pode atingir o sistema radicular das culturas, tornando-as sensíveis. É recomendado para as culturas de algodão, cana-de-açúcar, citros, abacaxi, mandioca, seringueira, pimenta-do-reino, cacau, etc., para
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o controle de gramíneas e dicotiledôneas, sendo facilmente absorvido pelas raízes das plantas. O diuron, também, é muito recomendado em misturas com diversos herbicidas (paraquat, ametryn, 2,4-D, tebuthiuron, atrazine, MSMA, etc.), para uso em plantio direto, em aplicações dirigidas em diferentes culturas, em sistemas de plantio direto e convencional. Tebuthiuron

O N-[5-(1,1-dimetiletil)-1,3,4-tiadiazol-2-il]-N,N’-dimetiluréia (tebuthiuron) possui solubilidade em água de 2.570 mg L-1; pka: zero; kow: 671 e koc médio de 80 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, apresentando média lixiviação no perfil do solo. Quando usado em doses elevadas em cana-de-açúcar, recomenda-se não cultivar culturas sensíveis ao tebuthiuron, como feijão, amendoim e soja por um período inferior a dois anos e a três anos quando aplicado em pastagem. A persistência do tebuthiuron em regiões de elevada precipitação pluvial é de 12 a 15 meses; todavia, esta persistência é muito maior em regiões sujeitas a déficits hídricos prolongados. No Brasil, é recomendado para uso em cana-de-açúcar, pastagens e áreas nãocultivadas. Controla largo espectro de dicotiledôneas e monocotiledôneas anuais e perenes. É formulado como pó-molhável e suspensão concentrada. É recomendado para uso em préemergência na cultura da cana-de-açúcar, em aplicação isolada ou em misturas com outros produtos para o controle de plantas daninhas de folhas estreitas e largas que se propagam por sementes (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Também pode ser usado para eliminar árvores ou arbustos em pastagens. Neste caso, apresenta efeito lento, podendo demorar de 3 a 12 meses para eliminar a planta. Bentazon

O 3-(1-metiletil)-(1H)-2,1,3-benzotiodiazinona-4(3H)-ona 2-dióxido (bentazon) apre-senta solubilidade em água de 500 mg L-1; kow: 0,35; e koc médio de 34 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo, mostrando potencial de lixiviação muito reduzido, não sendo encontrado em profundidades superiores a 20 cm. Apresenta curta persistência no solo (inferior a 20 dias), não se observando efeito residual em culturas sucessoras (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para as culturas de amendoim, arroz, feijão, milho, soja e trigo. É utilizado exclusivamente em pós-emergência, devido à reduzida absorção radicular. Recomenda-se adição de um adjuvante oleoso à calda, para lhe facilitar a absorção por algumas
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kow: 193.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 67 . Contudo é totalmente ineficiente no controle de Euphorbia heterophylla e Amaranthus sp. o bentazon. 30 dias. exceto para a cultura do feijão onde a adição do adjuvante não é recomendada pois pode causar fitotoxicidade. umidade relativa do ar inferior a 70% e excesso de chuva. fitossanitárias ou cobertas de orvalho. Bidens pilosa. Commelina benghalensis. entre elas Acanthospermum australe. Não se adiciona surfatante à calda. Rhaphanus raphanistrum. -1 Módulo 3. Não atua sobre gramíneas. o uso de óleo mineral torna-se mais necessário. e koc médio de 149 mg g-1 de solo. com estas. inseticidas e fertilizantes foliares podem quebrar-lhe a seletividade para a cultura do arroz. Deve ser usado em aplicações seqüenciais com inseticidas: com os organofosforados observar intervalo mínimo entre as aplicações de 15 dias e.2 . É muito comum o uso do propanil em mistura com outros herbicidas. Requer um período de seis horas sem chuva. É fracamente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. no início do desenvolvimento (2 a 3 folhas). Todavia. Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. para assegurar sua absorção pelas plantas. pois inibem a enzima arilacilamidase responsável pelo rápido metabolismo do propanil nas plantas de arroz. sendo decomposto basicamente por microrganismos. preferencialmente. Propanil O N-(3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas espécies de plantas daninhas. visto que são comuns as combinações com graminicidas pós-emergentes.4-diclorofenil) propanamida (propanil) apresenta solubilidade em água de 500 mg L . após as aplicações. primeiro o graminicida e. ou com a cultura em precárias condições vegetativas. visando aumentar o espectro de controle das plantas daninhas. pka: zero. no inverno. horas de calor. nestas condições. razão pela qual. além de outras. em um intervalo de três dias. as misturas com fungicidas. para os carbamatos. É recomendado em pós-emergência da cultura do arroz e das plantas daninhas. Controla com eficiência diversas espécies de gramíneas. quando a infestação do terreno incluir espécies que lhe são tolerantes. ALMEIDA. Não utilizá-lo em lavouras onde as sementes foram tratadas com carbofuran (RODRIGUES. A eficácia é maior a temperaturas altas e reduz quando abaixo de 16 oC. de apenas três dias. aplica-se. 2005). A aplicação simultânea induz efeito antagônico. estando estas com bom vigor vegetativo. É compatível com a maioria dos herbicidas. É comum ser utilizado em mistura. no tanque. evitando períodos de estiagem. Deve ser aplicado sobre plantas daninhas no estádio de 2 a 4 folhas. Ipomoea grandifolia. Apresenta persistência muita curta no solo. Controla diversas espécies de folhas largas anuais. dicotiledôneas e ciperáceas. preferencialmente. com herbicidas recomendados para controlar plantas daninhas de folhas largas. evitando períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60%.

1. quando aplicados em préemergência. enquanto para peixes ela varia de baixa a moderada. Como estes herbicidas não se movimentam dentro da planta. • Os difeniléteres são fortemente adsorvidos pela matéria orgânica do solo e muito pouco lixiviados.3. se manifesta nas plantas próximo da superfície do solo. para que ela seja efetivamente controlada. HESS. Principais características As principais características dos herbicidas inibidores da Protox (WARREN. 1995) são: • Herbicidas deste grupo podem penetrar pelas raízes. os herbicidas deste grupo não têm ação. em decor¬rência do uso repetido destes.2 .3 . • A atividade herbicida acontece na presença da luz. após 4-6 horas de luz solar. em razão da maior sorção destes aos colóides do solo. É preciso que haja boa cobertura da planta. podendo variar de alguns dias a vários meses. tipo de solo e condições climáticas. durante a emergência das plântulas • A incorporação ao solo diminui a ação destes herbicidas. dando a impressão de que estão encharcadas pelo rompimento da membrana celular e 68 Módulo 3. no escuro. • Há muito pouca ou praticamente nenhuma translocação nas plantas tratadas. • A ação tóxica dos herbicidas inibidores da Protox. pelos caules e pelas folhas de plantas jovens.3. • A persistência no solo varia consideravelmente entre os herbicidas deste grupo.2 .Herbicidas inibidores da Protox 4. que pode variar com a dose aplicada. É comum ocorrer danos em culturas sucedâneas quando não se observa o período residual recomendado.Mecanismo de ação A atividade destes herbicidas é expressa por necrose foliar da planta tratada em pósemergência. • A toxicidade para pássaros e mamíferos é baixa. as necroses foliares têm o formato e a intensidade das gotículas de pulverização. • São poucos os relatos na literatura sobre o aparecimento de plantas daninhas que adquiriram resistência a estes herbicidas. 4. Os primeiros sintomas são manchas verde-escuras nas folhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . ou seja. • As partes tratadas da planta que são expostas à luz morrem rapidamente (dentro de um a dois dias).

Finalmente. Experiências realizadas por vários autores mostraram que o uso de um herbicida inibidor do transporte de elétrons na fotossíntese (diuron). o tecido é danificado por contato com o herbicida. Similarmente à aplicação pósemergência. sai do centro de reação do cloroplasto quando a Protox é inibida e se acumula no citoplasma. Figura 4 – Sintomas de intoxicação em plantas de pepino tratadas com fomesafen (A) e efeito residual no solo (carryover) em folhas de milho (B) Após a absorção e pequena translocação destes herbicidas até o local de ação. Esse pigmento interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (O2). precursor da protoporfirina IX. em tecidos tratados com os difeniléteres. reconhecidamente capaz de iniciar o processo de peroxidação de lipídios.2 . ácido levulênico. surgiram vários trabalhos que ajudaram no entendimento do mecanismo de ação desses herbicidas. Em seguida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas derramamento de líquido citoplasmático nos intervalos celulares (Fig. a luz é sempre necessária para a ação herbicida. Primeiramente foi mostrado que. o sintoma característico é a necrose do tecido que entrou em contato com o herbicida (WARREN. Foi mostrado que a protoporirina IX é acumulada fora dos plastídios. A protoporfirina IX formada no citoplasma. sem Mg. houve a formação de grande quantidade de oxigênio singleto (O2). tratando-se cloroplastos com um herbicida do grupo difenil-éter. ácido 4. responsável pela formação da Mg-protoporfirina IX. ou mesmo de um mutante de planta amarelo (não-fotossintetizante).6-dioxoheptanóico) serviam de proteção contra os difeniléteres. foi verificado que o protoporfirinogênio IX. não reduziu o dano ocasionado pela aplicação de um difeniléter. outras publicações comprovaram que o pigmento envolvido era a protoporfirina IX. Estas experiências demonstraram que o requerimento de luz para a atividade herbicida dos difeniléteres não está relacionado com a fotossíntese. como é que a protoporfirina IX estaria sendo acumulada? Num trabalho de 1993. HESS. Módulo 3. A estes sintomas iniciais segue-se a necrose. Quando estes herbicidas são usados em pré-emergência. um precursor da clorofila. 4A). e o produto formado não serve de substrato para a enzima Mg-quelatase. no momento em que a plântula emerge. Foi descoberto também que substâncias capazes de inibir a síntese da protoporfirina IX (gabaculina. conhecida simples¬mente pela abreviatura Protox. A oxidação enzimática ocorre então no citoplasma. Ficou então uma questão crucial para ser respondida: se a Protox é inibida. 1995). foi mostrado que a enzima inibida pelos herbicidas do grupo dos difeniléteres era a protoporfirinogênio oxidase.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 69 . No período de 1988-89.

além de outras. A acumula¬ção de protoporfirina em células humanas é conhecida por estar associada com algumas doenças. ou.3 . variando de dois a seis meses (ALMEIDA. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. quando adicionado na dieta de ratos. precursor na planta dos citocromos. kow: 794. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais. 2005). Com a inibição da protox no cloroplasto. a formação da protoporfirina IX. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas estando estas no estádio de 2 a 4 folhas. Ipomoea grandifolia. As conseqüências do descontrole são o aumento rápido do protoporfirinogênio IX.Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX Fomesafen O 5-(2-cloro-4-(trifluorometil) fenoxi-N-(metilsulfonil)-2-nitrobenzamida (fomesafen) apresenta solubilidade em água de 50 mg L-1 (ácido). Oxadiazon.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Bidens pilosa. 1995). Uma explicação final deve ser dada sobre o fato de que a protopor¬firina IX se acumula muito rapidamente em células de plantas tratadas com um difeniléter ou oxadiazon.2 . a partir do glutamato. entre elas Acanthospermum australe. O padrão de acumulação é o mesmo observado na doença Porfiria variegata. evitando períodos de estiagem. por exemplo. e koc médio de 60 mg g-1 de solo. RODRIGUES. Vale a pena salientar que a enzima protoporfirinogênio oxidase (protox) ocorre também nos mitocôndrios de células animais e que a enzima encontrada nos mitocôndrios é mais sensível aos herbicidas difeniléteres do que a enzima encontrada nos cloroplastos. Deve-se adicionar à calda o adjuvante recomendado pelo fabricante. pka: 2. a saída para o citoplasma. Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. Esse fato sugere um manuseio bem cuidadoso desses herbicidas. que é sintetizado a partir da protoporfirina IX com a interferência da Fe quelatase.83. Requer uma hora sem 70 Módulo 3. 4. Recomenda-se observar um intervalo mínimo de 150 dias entre a aplicação do fomesafen e a semeadura de milho e. sorgo. daí o aparecimento de necroses de forma tão rápida (4-6 horas). provoca níveis elevados de porfirina. a síntese de heme é também inibida. A acumulação rápida da protoporfirina IX sugere um descontrole na rota metabólica de síntese desta. Persistência alta no solo na dose recomendada. O grupo heme é conhecido pela ação de controle na síntese do ácido aminolevulínico (ALA). a oxidação pela Protox no citoplasma. A explicação mais plausível é a inibição da síntese do grupo heme. HESS. É registrado no Brasil para as culturas de soja e feijão.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (‘O2) e iniciar o processo de peroxidação dos lipídios da plasmalema. Euphorbia heterophylla. deixando de haver o controle sobre a síntese de ALA.3. o aparecimento do oxigênio singleto (forma reativa do oxigênnio) e a peroxidação dos ácidos graxos insaturados da plasmalema (WARREN. como a protoporfiria. Amaranthus hybridus.

400. Oxyfluorfen O 2-cloro-1-(3-etoxi-4-nitrofenoxi)-4-(trifluorometil)benzeno (oxyfluorfen) apresenta solubilidade em água < 0. Sida rhombifolia. O lactofen tem meia-vida no solo de três dias sendo completamente dissipado em menos de 30 dias. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais e. eucalipto e pinho.000 mg g-1de solo.2 . sendo utilizado em outros países. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais. e koc médio de 100. Lactofen O 2-etoxi-1-metil-2-oxoetil-5-[2-cloro-4-(trifluorometil)fenoxi-2-nitrobenzoato (lactofen) apresenta solubilidade em água de 0. arroz. para assegurar a absorção pelas plantas daninhas.000 mg g-1de solo. dependendo da exigência da cultura. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. como Euphorbia heterophylla. esta. É registrado no Brasil para as culturas de algodão. além de outras. milho e amendoim. É comum ser utilizado em mistura com o fluazifop-p-butil. kow: 29. videira. por isso. Em Módulo 3. visando aumentar o espectro de controle de plantas daninhas de folhas largas e. também. para o controle em pós-emergência de plantas daninhas dicotiledôneas e gramíneas e também com outros herbicidas. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas. visando aumentar espectro de controle de plantas daninhas. RODRIGUES. é resistente à lixiviação no perfil do solo. mas a cultura se recupera. não afetando as culturas em sucessão. café. podendo. incluindo algumas espécies-problema.1 mg L-1. É comum ser utilizado em mistura no tanque com outros herbicidas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 71 . Sua degradação no solo é essencialmente por fotólise e insignificante por microrganismos. pka: zero e koc médio de 10. Controla gramíneas e algumas espécies de dicotiledôneas. devido às condições de umidade e sombreamento (ALMEIDA. com clorose e necrose foliar e redução e crescimento. citros. O produto provoca intoxicação à cultura da soja. 2005).1 mg L-1. cana-de-açúcar. também. Apresenta meia-vida de 30 a 40 dias e persistência média de seis meses no solo. RODRIGUES. É registrado no Brasil para as culturas de soja.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorrência de chuvas após a aplicação. ambas anuais. no estádio de 2 a 4 folhas. ser ainda maior em viveiros. apresentando muito baixa lixiviação no perfil do solo (ALMEIDA. para inibir o aparecimento de biótipos resistentes a herbicidas. É utilizado em pré e pós emergência precoce. Commelina benghalensis. pka: zero. arroz e amendoim. 2005). nas culturas de nogueira.

Aplicar após o cultivo. em jato dirigido. Em cafezais adultos. em pré-emergência das plantas daninhas. age sobre o hipocótilo das plantas em germinação e nos meristemas foliares. também. kow: 63. aplicá-lo em mistura com o MSMA. quando estas atingirem a fase de duas folhas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Usar. podendo ser feitas duas aplicações anuais. Quando utilizado em pós-emergência. com elas mais desenvolvidas. apresenta lixiviação e movimentação lateral insignificantes. Em cana-de-açúcar. No Brasil. O alho e a cebola e. pka: zero. em pré-emer¬gência das plantas daninhas. Em cafezais jovens. em solo úmido. deve ser aplicado logo após a arruação ou esparramação. Não é metabolizado nas plantas. Em plantações de eucalipto e pinho. porém antes da emergência do arroz. pouco móvel. de forma a não atingir o algodoeiro. Oxadiazon O 3-[4. logo após o plantio. de forma a não atingir a folhagem. protetores de bicos. é recomendado para as culturas de arroz. ocasionando colapso das células. exceto nas variedades de eucalipto de folha pilosa.7 mg L-1 .100. sendo pouco absorvido pelo sistema radicular e. cebola. Nestas culturas deve ser utilizado em pré-emergência.4-oxadiazol-2-(3H)-ona (oxadiazon) apresenta solubilidade em água de 0. preferencialmente. as culturas que se reproduzem por bulbo são bastante tolerantes ao oxadiazon. Em viveiros. em solo úmido. do tipo de solo e das condições climáticas (RODRIGUES. atuando unicamente sobre órgãos da parte aérea.2 . logo após o corte. Em arroz irrigado. aplica-se logo após a semeadura ou até cinco dias depois. por esta razão e devido à sua baixa solubilidade em água. Sua persistência no solo é de dois a seis meses. é usado quando a cultura atinge desenvolvimento superior a 50 cm de altura. na cana-soca. é utilizado tanto em viveiros quanto em cafezais jovens e adultos. em aplicação dirigida. dependendo da dose aplicada. deve ser aplicado logo após a semeadura. Quando usado em pós-emergência. recomenda-se usar adjuvantes na calda. podendo se reaplicar depois que as referidas culturas atinjam a fase de três folhas. exige umidade no solo no momento da aplicação para penetrar neste. quando usado em pré emergência. pode ser usado em pré ou pós-emergência das plantas daninhas.2-dicloro-5(1-metiletoxi)fenil]-5-(dimetietil)-1. de maneira geral. e koc médio: 3. no máximo. Na cultura do arroz. ou. podendo ser pulverizado sobre as plantas. cenoura e cana-de-açúcar. aplica-se logo após o plantio. Em cenoura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas razão da sensibilidade à fotodecomposição. 2005).200 mg g-1 de solo. na faixa de plantio. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo. em préemergência das plantas daninhas. evitando a ação dos raios solares. Em algodão. se necessário. provoca o fechamento dos estômatos e deterioração das membranas celulares. após a rega. Em préemer¬gência. alho. Não tem ação sobre os tecidos radiculares. aplica-se logo após o plantio. em que se faz em jato dirigido. com as plantas daninhas ainda não emergidas. antes da emergência das plantas daninhas.3. ALMEIDA. deve ser aplicado em préemergência das plantas daninhas. e. também em pré72 Módulo 3. é utilizado em pré-emergência das plantas daninhas. Em café.

Todos os herbicidas deste grupo apresentam de moderada a baixa toxicidade para mamíferos. Apresentam ótima ação no controle de gramíneas.) na cultura de cana-de-açúcar. a formação do fuso cromático e movimentação dos cromossomas na fase da mitose (Figs. que corresponde à migração dos cromossomas da parte equatorial para os pólos das células. conseqüentemente. São eficientes apenas quando usados em pré-emergência. etc. 4. É comum aplicar o oxadiazon em misturas com herbicidas residuais (diuron. 5 e 6). Interferem em uma das fases da mitose.1 . pendimethalin e oryzalin). porque a sua ação principal se manifesta pelo impedimen¬to da formação do sistema radicular das plantas. 1995b).2 .2 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 73 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas emergência das invasoras. simazine. e responsáveis pela movimentação dos cromossomas para os pólos da célula. Possuem pouca ou nenhuma atividade foliar. Repetidas aplicações não resultam na maior degradação microbioló¬gica.4 . ametryn. Todos estes compostos (grupo das dinitroanilinas) interferem no movimento normal dos cromos¬somas durante a seqüência mitótica. tendo como conseqüência o aparecimento de células multinucleadas (aberrações). Estes herbicidas inibem o crescimento da radícula e a formação das raízes secundárias. semelhantemente à actimiosina encontrada nos músculos dos animais. Eles provocam a ruptura da seqüência mitótica (prófase > metáfase > anáfase > telófase) já iniciada (HESS.Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos 4. As dinitroanilinas inibem a polimerização destas proteínas e. 4.4. O efeito direto é sobre a divisão celular. Apresentam de moderada a muito baixa movimentação no solo.4.Mecanismo de ação Estes herbicidas pertencem ao grupo das dinitroanilinas (trifluralin.Principais características • • • • • • Paralisam o crescimento das raízes. Módulo 3. Estas proteínas são contráteis. O fuso cromático é formado por proteínas microtubulares denominadas tubulinas.

necessita ser incorporado mecanicamente ao solo logo após a sua aplicação (RODRIGUES. e outras.Mitose interrompida pela ação de herbicidas derivados das dininitoanilinas 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 . quiabo.4. brássicas. 2005).Seqüência normal da mitose Figura 6 .6-dinitro-N-N-dipropil-4-(trifluorometil) benzoamina (trifluralin) é um herbicida que apresenta excelente ação sobre as gramíneas anuais e perenes oriundas de sementes. sensível à luz e de solubilidade em água extremamente baixa (0. beterraba.Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos Trifluralin O 2. algodão. ervilha. cucurbitá¬ceas. a forte adsorção pode impedir a absorção 74 Módulo 3.2 . pimentão. alfafa. ALMEIDA. feijão.3 .3 mg L-1 a 25 °C). sendo recomendado para as culturas de soja. alho. em solos ricos em matéria orgânica. É fortemente adsorvido pelos colóides da matéria orgânica e pouco pelos da argila.1x10-4 mm Hg a 25 °C). tomate. cebola. Por ser um produto volátil (pressão de vapor de 1.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .

arroz. causar danos à cultura sucessora. sensível à luz e pouco móvel no solo. É absorvido principalmente pela radícula e praticamente não se transloca na planta.4-dimetil-2. Nos Estados Unidos da América do Norte. em 1954 (CDAA) (SLIFE.3 mg L-1. depois do glyphosate é o grupo de herbicida mais utilizado. É um herbicida de média volatilidade (pressão de vapor de 9. sua lixiviação é muito baixa e as doses recomendadas se dão em função das características físico-químicas do solo. a dose aplicada e as condições climáticas (RODRIGUES.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA) 4.4x10-5 mm Hg).5. Não há relatórios também sobre aumento de biodegradação no solo. motivo pelo qual a incorporação é recomendável em condições de solo seco e com período de estiagem. cana-de-açúcar. A lixiviação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas do trifluralin pelas raízes das plantas. É recomendado para uso em pré emergência da planta daninha e da cultura ou em PPI. Sua persistência no solo varia de 3 a 6 meses de acordo com o solo.000 mg g-1 de solo. kow: 118. milho.200 mg g-1 de solo. Apresenta pka: zero. desde o lançamento do primeiro herbicida desse grupo. É fortemente adsorvido pelos colóides do solo. motivo pelo qual não é aconselhável seu uso nestas condições. provocando inibição do crescimento radicular desta (SILVA et al. tabaco e trigo. é muito reduzida.000. soja. feijão. Apre¬senta degradação lenta no solo. assim como o movimento lateral no solo. 1998).6-dinitrobenzenoamina (pendimethalin) é registrado no Brasil para controle de gramíneas nas seguintes culturas: algodão.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 75 . Apesar do uso contínuo por tantos anos. em alguns casos de rotação de culturas (feijão/milho) em áreas de baixa fertilidade e mal manejadas. amendoim. 2005). Pendimethalin O N-(1-etilpropil)-3.000. pka zero.Principais características As cloroacetanilidas têm sido um dos grupos de herbicidas mais usados no mundo. O pendimethalin apresenta solubilidade de 0. café. 4. por causa do uso extensivo em soja e milho. podendo.. As princi¬pais características dos herbicidas do grupo das cloroacetamidas são: Módulo 3. ALMEIDA.5 . não existem ainda relatos do aparecimento de gramí¬neas que tenham adquirido resistência a esses herbicidas. A dose recomendada varia de acordo com as características fisico-químicas do solo.1 . 1995). por esta razão. e koc médio de 7. kow: 152. e koc médio de 17.2 . cebola. alho.

De modo geral. O maior uso das cloroacetanilidas está ligado ao controle. Em combinação com outros herbicidas. As cloroacetanilidas são aparentemente absorvidas pelas raízes (dicotiledôneas) e pelas partes acima da semente epicótilo (principal¬mente gramíneas). em préemergência. Devido a problemas de tolerância. logo após a emergência. mas não chegam a emergir. é muito difícil o estudo de translocação. As cloroacetanilidas estão relacionadas com a inibição da sín¬tese de lipídios.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . isoladamente. 76 Módulo 3. Cada cloroacetanilida que apareceu no mercado depois do herbicida CDAA apresentou características um pouco diferentes das outras. 1995). mas. As cloroacetanilidas apresentam normalmente pressão de vapor de média a alta. ácidos graxos. pelo fato de não terem ação pós-emergente. Muitos efeitos diferentes sobre vários processos bioquímicos já foram mostrados. terpenos. quando o fazem.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Controlam plântulas de muitas espécies de gramíneas anuais e algumas dicotiledôneas antes da emergência ou mesmo plantinhas. o efeito inibitório causado pelo alachlor é maior sobre as raízes. Há relatórios que as relacionam com a inibição da divisão celular e interferência com controle hormonal (SLIFE. o efeito residual no solo tem aumentado e a dependência dos fatores do solo tem diminuído. as sementes iniciam o processo de germinação. as cloroacetanilidas apresentam de baixa a média mobilidade nos solos. o controle não é consistente. ciperáceas mostram inibição da parte aérea. 4. A toxicidade das cloroacetanilidas a peixes. pássaros e mamíferos é muito baixa. Em razão de os efeitos desses herbicidas estarem ligados somente as plântulas.5. Em áreas tratadas com cloroacetanilidas. de espécies daninhas gramíneas e comelináceas.2 . possibili¬tando a utilização desses herbicidas nesta cultura. flavonóides e proteínas. porém. A mobilidade no solo varia entre os herbicidas deste grupo e depende das condições de umidade e do teor de matéria orgânica do solo. as cloroacetanilidas podem auxiliar no controle de dicotiledôneas. é um dos grupos mais estudados e com o qual mais se têm usado os protetores de herbicida. Os dados existentes indicam translocação muito pequena. e. o algodoeiro). A hipótese mais aceita atualmente é a inibição de ácidos graxos de cadeias muito longas. as doses têm sido reduzidas. exibem crescimento anormal. De maneira geral. o mecanismo bioquí¬mico primário de ação das cloroacetanilidas ainda não é bem conhecido.Mecanismo de ação das cloroacetanilidas Apesar de ter sido estudado extensivamente. naturalmente sensível a eles.2 . em dicotiledôneas (por exemplo. Gramíneas mostram inibição da emergência da primeira folha do coleóptilo. não há registros de problemas com deriva. Exemplo deste uso é a proteção do sorgo contra cloroacetanilidas.

antes da emergência das plantas daninhas. com isso. kow 794. ou. recomenda-se a mistura com graminicidas ou aplicação em seqüência ao trifluralin incorporado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos efeitos bioquímicos e fisiológicos relatados sobre o modo de ação destes herbicidas pode ser interpretada com base na inibição da síntese de proteínas. 4. exceto em solos arenosos e. deve ser utilizado logo após o plantio. A retirada do nucleófilo pode acontecer entre o halogênio das cloroacetanilidas e o nucleófilo. Pelo menos “in vitro”. Módulo 3. inibir a síntese de proteínas. Em café. logo após a semeadura da cultura. se a infestação for de Bidens pilosa. sendo este transferido (por exemplo. Em milho. incluindo lipídios. ALMEIDA. com baixo teor de matéria orgânica. Quando aplicado em solo seco. Em cana-de-açúcar. sendo esta enzima o ponto de começo de muitas rotas metabólicas. Em soja. É adsorvido pelos colóides do solo.. possuindo média a baixa mobilidade no solo e persistência de 6 a 20 semanas. o grupo amino do metionil-tRNA inicial).5. Richardia brasiliensis ou Sida sp. aplicá-lo após a arruação ou esparramação. é comum misturá-lo com atrazine ou cyanazine. sendo usado em pré-emergência. As cloroacetanilidas podem também alquilar aminoacil tRNAs específicos e. 2005). Apresenta solubilidade em água de 242 mg L-1.3 . não se deve utilizá-lo em solos arenosos. estando o solo com boas condições de umidade. em condições de alta infestação de Brachiaria plantaginea. a eficácia do produto reduz. mistura-se com metribuzin. Em café novo ou recepado. diuron ou atrazine. etc. amendoim e girassol. já foi mostrado que o herbicida alachlor é capaz de alquilar CoA. Em algodão. pka: zero. As cloroacetanilidas são conhecidas como agentes alquilantes e podem agir alquilando nucleófilos biológi¬cos. se não chover no prazo de até cinco dias. variável com o tipo de solo e as condições climáticas. soja ou amen¬doim no terreno tratado. pode-se cultivar milho. podendo ser misturado com ametryn. terpenos.6-dietil-N-(metoximetil)acetanilida (alachlor) é recomendado para controle de diversas espécies de gramíneas e comelináceas.Características de algumas cloroacetanilidas Alachlor O 2-cloro-2.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 77 . Os efeitos das cloroacetanilidas sobre a síntese de gorduras podem ser atribuídos à interferência no metabolismo da CoA. ácidos graxos. e koc médio de 120 mg g-1 de solo (RODRIGUES.2 .

é comum misturá-lo com latifolicidas. Controla essencialmente gramíneas anuais e algumas perenes de reprodução seminal. Para aumentar o espectro de ação sobre estas espécies. logo depois do plantio. Acetochlor O 2-cloro-N-(etoximetil)-N-(2-etil-6-metilfenil) acetanilida (acetochlor) é recomendado para uso em pré-emergência das plantas daninhas. feijão. girassol. sendo usado em outros países. Apresenta solubilidade em água de 488 mg L-1. Pelo fato de sua absorção ser quase total pelo coleóptilo das gramíneas e pelo epicótilo das dicotiledôneas.05. as comelináceas e um número reduzido de latifoliadas. podendo ser misturado. não deve ser utilizado em solos arenosos. kow: 3. para culturas de amendoim. devendo ser aplicado em seguida à semeadura. Em feijão. É sorvido pelos colóides de argila e matéria orgânica. apresentando persistência de 8 a 12 semanas. pka zero e kow 300. pka: zero. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . é essencial que sua aplicação seja feita antes da completa emergência das plantas. batata. sendo pouco lixiviado. Em café. é largamente utilizado em mistura com o atrazine. como atrazine.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas S-metolachlor O 2-cloro-N-(2-etil-6-metilfenil)-N-[(1S)-2-metoxi-1-metiletil)]acetanilida (s-metolachlor) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar. Em milho. sendo comum a mistura com outros herbicidas. cyanazine. etc. ALMEIDA. Em razão de sua absorção foliar ser quase nula.2 . sorgo e plantas ornamentais. deve ser aplicado logo após a arruação e. das condições climáticas e do tipo de solo. 2005). exceto em solos arenosos. restos de culturas e em boas condições de umidade. metribuzin. usa-se em cana-planta. dependendo da dose utilizada. Apresenta solubilidade em água de 223 mg L-1. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. Em milho. é utilizado apenas em pré-emergência das plantas daninhas. recomenda-se sua aplicação logo após a semeadura. livre de torrões. esparramação. a sua eficácia ficará comprometida se aplicado em solo seco e não ocorrer uma chuva de intensidade superior a 10mm no espaço de cinco dias (RODRIGUES. Devido à sensibilidade do s-metolachlor. Em cana-de-açúcar. milho e soja. sua lixiviação é fraca a moderada. ou. por provocar inoxicação à cultura. e koc médio de 200 mg g-1 de solo. mas no prazo máximo de três dias após a ultima gradagem. entre outros. A terra deve estar bem preparada. por esta razão. também. à fotodegradação e à volatilização. 78 Módulo 3.

São rapidamente absorvidos pelas folhas.6. Esta substância promove a degradação rápida das membranas (peroxidação de lipídios). 4. A toxicidade do diquat é alta e a do paraquat é muito alta.6. sendo largamente utilizados como dessecantes no “plantio direto”. Vale ressaltar que este não é o único sítio de ação destes herbicidas. Usualmente. Estes radicais livres formados pelos herbicidas paraquat e diquat não são os agentes responsáveis pelos sintomas de intoxicação observados. Durante o processo de auto-oxidação são produzidos radicais de superóxidos. por isso. reagem. ocasionando o vazamento do conteúdo celular e a morte do tecido. também. Em soja.1 . Nesta condição. Estes compostos possuem a capacidade de captar elétrons provenientes da fotossíntese (no fotossistema I) e formarem radicais livres. para formarem os radicais tóxicos. (WELLER. aplica-se logo após a semeadura. em várias partes do mundo e.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 79 . a morte das plantas devido à ação destes herbicidas é tão rápida na presença da luz que não dá tempo de eles se translocarem na planta. para mamíferos. na presença de luz. 4.2 . chuvas após 30 minutos de sua aplicação não mais influenciam a eficiência de controle das plantas daninhas.Características gerais • • • • • • • São altamente solúveis em água e. estes herbicidas capturam os elétrons provenientes da respiração. Módulo 3. WARREN. entre outros. produzindo radicais hidroxil. formulados em solução aquosa.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I São herbicidas derivados da amônia quaternária (paraquat e diquat). com metribuzin. para formarem o peróxido de hidrogênio.6 . antes da emergência das plantas daninhas e da cultura.Mecanismo de ação Poucas horas após a aplicação destes herbicidas. exceto em solos arenosos e. 1995a). A ação destes herbicidas é muito mais rápida na presença da luz do que no escuro. em aplicações dirigidas em diversas culturas. porque pequena atividade destes produtos é observada. ou.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas com atrazine ou cyanazine. os quais sofrem o processo de dismutação. Estes radicais são instáveis e rapidamente sofrem a auto-oxidação.2 . em pré-colheita para diversas culturas. também. Este composto e os superóxidos. com baixo teor de matéria orgânica. São cátions fortes. São rapidamente adsorvidos e inativados pelos colóides do solo. na presença de Mg. como dessecantes. verifica-se severa injúria nas folhas das plantas tratadas (necrose do limbo foliar). 4. no escuro. podendo ser misturado. O local de captura dos elétrons está próximo a ferredoxina e sua velocidade de ação depende da intensidade luminosa.

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4.6.3 - Principal herbicida do grupo Paraquat

O 1,1’-dimetil-4,4’-dicloreto de piridilio íon (paraquat) é um herbicida altamente solúvel em água (620.000 mg L-1); pka: zero; kow: 4,5; e koc estimada de 1.000.000 mg g-1 de solo. É inativado ao entrar em contato com o solo, por completa adsorção do cátion à argila. Esta ocorre devido à dupla carga positiva da molécula do paraquat, formando complexos com os locais de carga negativa, de onde não é removido mesmo com lavagens de solução saturada de sais, só sendo recuperado por fragmentação da argila com ácido sulfúrico 18 N. Por esta razão, sua lixiviação é nula e sua decomposição microbiana no solo é muito lenta. O paraquat pode ser usado para: • • • • • Dessecante em “plantio direto”. Para este fim, o paraquat é muito utilizado em mistura com o diuron, formando o Gramocil. Em pré-emergência de culturas, porém em pós-emergência das plantas daninhas. Aplicações dirigidas em culturas de milho, algodão, café, fruteiras e outras. Dessecante, em pré-colheita, para diversas culturas, visando viabilizar colheita mecânica e melhor qualidade fisiologia de sementes (DOMINGOS et al., 2001). Para limpeza de áreas não-cultivadas.

4.7 - Herbicidas inibidores da acetolactato sintase Os herbicidas derivados das sulfoniluréias, comercializados pela primeira vez em 1982, apresentam alto nível de atividade em doses muito pequenas. Atualmente, há vários herbicidas deste grupo no mercado. Através de pequenas modificações na estrutura química, a seletividade pode ser alterada de uma cultura para outra. Exemplos de culturas que são tolerantes a um ou mais herbicidas desse grupo químico são trigo, soja, arroz, milho, feijão, batata, beterraba, algodão, coníferas, canade-açúcar, etc. As sulfoniluréias inibem a síntese dos chamados aminoácidos ramificados (leucina, isoleucina e valina), através da inibição da enzima Aceto Lactato Sintase (ALS); esta inibição interrompe a síntese protéica, que, por sua vez, interfere na síntese do DNA e no crescimento celular. As plantas sensíveis tornam-se cloróticas, definham e morrem, no prazo de 7 a 14 dias após o tratamento. Essa enzima é inibida, também, pelos herbicidas dos grupos químicos imidazolinonas, triazolopyrimidines ou sulfonamidas e pyrimidinyl-oxybenzoatos (THILL, 1995; THILL, 2003a; BRIDGES, 2003c). Apesar do pouco tempo de uso, a literatura já registra muitas espécies de plantas daninhas que desenvolveram resistência aos inibidores da ALS.

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As principais características das sulfoniluréias são: • • Alguns são ativos em doses extremamente baixas; exemplo: o metsulfuronmethyl, que apresenta atividade na dose de 2 g ha-1 A maioria das sulfoniluréias apresenta bom controle de muitas espécies de folhas largas (dicotiledôneas); todavia, algumas possuem, também, ótima atividade contra gramíneas. A toxicidade aguda para mamíferos é muito baixa (5.500–6.500 mg kg-1 em ratos) para o herbicida chlorsulfuron, o mais estudado. Para outros análogos, a toxicidade é mais baixa ainda. As sulfoniluréias são ativas tanto em aplicações foliares quanto em aplicações no solo.

Apesar de quimicamente diferentes, as imidazolinonas têm o mesmo mecanismo de ação das sulfoniluréias, ou seja, inibem a enzima AHAS ou ALS. As principais caracte¬rísticas deste grupo são: • As imidazolinonas são recomendadas para controle em pré-emergência e em pósemergência de muitas folhas largas e gramíneas em cereais, soja e em áreas nãoagrícolas. • Estes herbicidas são potentes inibidores do crescimento vegetal. Plantas tratadas param de crescer quase que imediatamente após a aplicação. Dois a quatro dias após a aplicação desses herbicidas o ponto de crescimento (meriste¬ma apical) das plantas tratadas torna-se clorótico e, depois, necrótico e morre. A morte completa da planta vai ocorrer sete a dez dias após o tratamento. Plantas de maior porte podem levar mais tempo para morre¬r, mas a paralisação do crescimento é imediata. • Todos estes herbicidas são sistêmicos, ou seja, translocam pelo floema. Uma vez dentro do floema, por causa do pH alcalino, estes herbicidas, que são ácidos fracos, se dissociam e os ânions têm dificuldade para deixar o floema. • As imidazolinonas apresentam persistência de moderada a longa no solo. Maior sorção e, conseqüentemente, maior persistência ocorrem quando decrescem a umidade do solo, o pH e a temperatura e, também, quando os teores de matéria orgânica, óxidos de ferro e de alumínio no solo aumentam. • A dissipação no solo é, via de regra, por meio da degradação microbiana. Em condições de solo mais seco, mais herbicida é preso nos colóides do solo e menos produto é disponível para biodegra¬dação ou absorção pelas plantas, o que implica maior persistência e possível "carryover". As imidazolinonas são

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sensíveis à fotólise, mas esse processo de dissipação não é importante no solo. A fotólise é mais importante no meio aquático. • Pouca lixiviação tem sido reportada em condições de campo, apesar de os estudos de laboratório indicarem mobilidade moderada destes herbicidas no solo. • As imidazolinonas apresentam muito baixa ou nenhuma toxicidade para mamíferos. Esta toxicidade baixa pode ser explicada pela enzima-alvo, que não ocorre em animais, e também pelo fato de a excreção desses herbicidas ser muito rápida em animais-teste. Além das sulfoniluréias e das imidazolinonas, outros herbicidas, de grupos químicos diferentes, apresen¬tam o mesmo mecanismo de ação, ou seja, inibem a enzima ALS ou AHAS e, com isso, paralisam o crescimento das plantas (HESS, 1995c). Dente esses grupos químicos, podem-se destacar as triazolopirimidinas, ou sulfonamidas, e os piridinil-oxibenzoatos. As principais características do herbicida N - (2,6-diflluorofenil) - 5 - metil (1,2,4) triazolo [1,5a] pirimidina - 2 - sulfonamida (flumetsulan) e N-[2,6-diclorofenil] - 5 - etoxi - 7 - fluoro(1,2,4) triazolo – [(1,5c)] pirimidina - 2 - sulfonamida (diclosulan) são: Flumetsulan Diclosulan

• •

• • •

Apresentam ação pré-emergente sobre amplo espectro de plantas daninhas de folhas largas. As gramíneas, de maneira geral, são resistentes devido ao metabolismo mais rápido. Entre as culturas de folhas largas, a soja é tolerante. Possuem absorção radicular, mas a translocação é sistêmica, ou seja, translocamse tanto pelo floema quanto pelo xilema. A sorção no solo e a persistência aumentam quando o pH decresce e quando a matéria orgânica aumenta. A persistência no solo é mediana, não havendo casos relatados de "carryover". A dissipação no solo é devida ao ataque de microrganismos. Condições que favorecem a ação microbiana aceleram a dissipação destes herbicidas no solo. Possuem mobilidade no solo moderada, não se antevendo problemas de contaminação de depósitos subterrâneos de água. A toxicidade para mamíferos é muito baixa (Faixa Verde: DL50 > 6.000mg/kg em ratos).

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4.7.1 - Algumas sulfoniluréias Metsulfuron-Methyl

O ácido 2-[[[[(4-metoxi-6-metil-1,3,5-triazina-2-il)amino]carbonil]amino]sulfonil] benzóico (metsulfuron-methyl) apresenta solubilidade em água de 270 mg L-1; pka: 3,3; kow: 1,0 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 35 mg g-1g de solo. É pouco sorvido e muito lixiviado no solo, dependendo da textura e do teor de matéria orgânica. Sua persistência (meia-vida) no solo varia de 30 a 120 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para controle de plantas daninhas de folhas largas nas culturas de trigo, arroz, cana-de-açúcar, aveia, cevada, manejo de inverno e pastagens. Entre as espécies sensíveis encontram-se Raphanus raphanistrum, Raphanus sativus, Acanthospermum australe, Bidens pilosa, Ipomoea grandifolia, além de muitas outras. É recomendado para uso em pós-emergência, devendo ocorrer intervalo de seis horas sem chuva após a sua aplicação. A ação do produto nas plantas daninhas sensíveis pode ser observada através da clorose das folhas e morte das gemas apicais, com evolução para morte das plantas até 21 dias após aplicação. Em espécies menos sensíveis, observa-se paralisação de seu desenvolvimento. Culturas como trigo e arroz, para as quais é seletivo, conseguem metabolizá-lo rapidamente a compostos não-fitotóxicos. Nicosulfuron

O 2-[[[[(4,6-dimetoxi-2pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]-N,N-dimetil-3piridinacarboxamida (nicosulfuron) apresenta solubilidade em água de 360 mg L-1 a pH 5 e 12.200 a pH 6,85; pka: 4,3; kow: 0,44 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 30 mg g-1 de solo a pH 6,5. Quanto à sua persistência em condições de Brasil, sabe-se que culturas de soja, girassol, algodão e feijão poderão ser semeadas 30 dias após a aplicação do nicosulfuron; trigo, arroz e batata, 45 dias após a aplicação; e tomate, 60 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No Brasil, está registrado para a cultura do milho, sendo utilizado em pós-emergência em área total. Controla gramíneas, inclusive o capim-massambará (Sorghum halepense), e diversas espécies de dicotiledôneas. No momen¬to da aplicação, as plantas de milho devem estar com duas a seis folhas; as plantas daninhas dicotiledôneas, com duas a seis folhas; e as gramíneas, com até dois perfilhos. A aplicação deve ser feita estando o solo úmido e com as plantas daninhas em pleno vigor vegetativo. A ocorrência de chuvas uma hora após a aplicação não afeta a eficiência deste herbicida. A mistura do
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nicosulfuron com o atrazine no tanque do pulverizador aumenta o espectro de controle de plantas daninhas. Existem diferentes níveis de tolerância entre os híbridos de milho disponíveis no mercado brasileiro ao nicosulfuron. Por isso, antes de aplicar esse herbicida em cultura do milho consulte a lista de híbridos e variedades tolerantes a esse herbicida. A mistura desse herbicida com inseticidas carbamatos ou fosforados pode torná-lo não-seletivo ao milho (SILVA et al., 2005) Halosulfuron

O metil-3-cloro-5-(4,6-dimetoxipirimidin-2-carbomoilsulfamoil)-1-metillpirazole-4carboxilato (halosulfuron) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar, para controle de Cyperus rotundus. Apresenta solubilidade em água de 15 mg L-1 a pH 5,0 e 1.650 a pH 7,0; pka: 3,5; kow: 47 a pH 5,0 e 0,96 a pH 7,0; e koc médio de 93,5 mg g-1 de solo. Apresenta baixa adsorção no solo. Possui meia-vida média no solo em torno de 16 dias, variando com o tipo de solo e as condições climáticas (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua aplicação deve ser feita em pós-emergência das plantas daninhas, sendo o melhor período 30 a 40 dias após o plantio da cana-de-açúcar, quando as plantas daninhas deverão estar no final da fase vegetativa ou início do florescimento. As plantas de Cyperus rotundus devem estar em boas condições de desenvolvimento, sem efeito de estresse hídrico ou de baixa temperatura. Chlorimuron-ethyl

O ácido 2-[[[[(4-cloro-6-metoxi-pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]benzóico (chlorimuron-ethyl), no Brasil, encontra-se registrado para a cultura da soja, sendo usado em pósemergência. Apresenta solubilidade em água de 450 mg L-1 a pH 6,5; pka: 4,2; kow de 320 a pH 5,0 e 2,3 a pH 7,0; e koc médio de 110 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No solo, apresenta adsorção e lixiviação moderadas e meia-vida de 7,5 semanas. A persistência é maior em solos com pH mais elevado; em solos ácidos e com clima quente, a persistência é baixa. Manter intervalo de 60 dias entre a aplicação do chlorimuron-ethyl e a semeadura de trigo, milho, feijão e algodão. Para as outras culturas, fazer antes um bioensaio. Controla essencialmente espécies anuais de dicotiledôneas, sendo mais efetivo quando estas se encontram na fase inicial de crescimento (até seis folhas). Entre as espécies sensí¬veis encontram-se Desmodium tortuosum, Acathospermum australe, Ipomoea grandifolia, Bidens pilosa, além de outras. É comum misturá-lo com outros

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Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

exigindo intervalo de segurança acima de 180 dias após sua aplicação. se objetivo for controlar a Cyperus rotundus. 2005). ALMEIDA. sendo influenciada pela temperatura e pelo pH do solo (RODRIGUES. Sua persistência no solo é alta (meia-vida de sete meses). podendo afetar culturas de inverno que seguem à soja tratada com o produto (SILVA et al. 1999). para maior espectro de controle. de 5 a 8 folhas e em pleno desenvolvimento vegetativo.2. as dicotiledôneas.).0. não sendo recomendável cultivá-lo na modalidade de “milho safrinha” no mesmo ano agrícola da soja. em alguns tipos de Módulo 3. kow e koc não disponíveis. Quando usadas em pósemergência.5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-quinolina carboxílico (imazaquin) apresenta solubilidade em água de 60 mg L-1. Flazasulfuron O 1-(4. e valor médio de koc de 20 mg g-1 de solo a pH 7. Pode ser usado em pré ou em pós-emergência inicial das plantas daninhas. etc.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas herbicidas. para controle de dicotiledôneas em soja. porém não deve ser misturado com graminicidas. diuron.2 . É fracamente adsorvido em solo com pH alto.Algumas imidazolinonas Imazaquin O ácido 2-[4.0 e 2. Na cultura da cana. Sua degradação no solo é por ação microbiana e química.. evitando-se aplicar em períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60% (SILVA et al. O flazasulfuron deve ser aplicado em cobertura total das plantas daninhas e da cultura. 4. O milho é muito sensível a resíduo de imazaquin no solo. pode ser misturado no tanque do pulverizador com outros herbicidas (ametryn. pka.7. é facilmente lixiviável no solo.0 (RODRIGUES.8. seis folhas. as plantas de cana-de-açúcar devem possuir no máximo quatro folhas. kow: 2.. pka: 3.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 85 . Sua mobilidade no solo é inversamente proporcional ao teor de matéria orgânica.6-dimetoxipirimidin-2-il)-3-(3-trifluorometil-2-piridilsulfonil) uréia (Flazasulfuron) apresenta solubilidade em água de 27. ALMEIDA. estando o solo em boas condições de umidade.000 mg L-1 a pH 5. 2005). as gramíneas devem ter no máximo três perfilhos.100 a pH 7. e a tiririca (Cyperus rotundus). para se evitar o efeito “guarda-chuva”.2 . todavia. 1998). este herbicida deve ser aplicado isoladamente. porém esta adsorção aumenta em pH baixo. Apresenta meia-vida variando de 9 a 120 dias.

o que geralmente acontece entre 5 e 15 dias após a semeadura da soja.36 (RODRIGUES. com até quatro folhas. É registrado no Brasil para cultura da soja e do feijão. mas esta adsorção aumenta em pH baixo. além de outras. Apresenta lenta degradação no solo (meia-vida de 60 dias). Controla essencialmente plantas daninhas dicotiledôneas. entre as quais Euphorbia heterophylla. 2005). Imazamox O ácido nicotínico 2-(4-isopropil)-4-metil-1-metiletil-(1-metil-5-oxo-2-imidazolin-2-il)-5(metoximetil) (imazamox) apresenta solubilidade em água de 4.. e kow: 11 a pH 5. 1999).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Ipomoea grandifolia. essencialmente microbiana (meia-vida de 15 dias).413 mg L-1 e Kow: 5. Apresenta rápida degradação no solo. estando as dicotiledôneas. Recomenda-se a aplicação em pós-emergência precoce. podendo causar toxicidade a algumas culturas de inverno que forem cultivadas em sucessão à soja tratada com este herbicida (SILVA et al.. o que geralmente acontece entre 15 e 20 dias após a semeadura do feijão. É registrado no Brasil para uso exclusivo na cultura da soja.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas solo. pka: 3.5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-5-etil-piridina carboxílico (imazethapyr) apresenta solubilidade em água de 1. pouco lixiviado. pouco lixiviado (RODRIGUES. além de outras.2 . Hyptis suaveolens. no estádio cotiledonar. O milho e o sorgo são muito sensíveis ao resíduo de imazethapyr no solo. É registrado no Brasil para a cultura da soja. Imazethapyr O ácido 2-[4. entre um a três perfilhos. Bidens pilosa.0. ALMEIDA. Estudos preliminares têm demonstrado que este herbicida apresenta rápida degradação em condições de solos brasileiros (SILVA et al. Controla com eficiência diversas espécies de plantas daninhas: Euphorbia heterophylla.0 e 31 a pH 7. 86 Módulo 3. estando estas com até quatro folhas e de monocotiledôneas. Ipomoea grandifolia. sendo. Recomenda-se sua aplicação em pós-emergência das plantas daninhas dicotiledôneas.400 mg L-1. sendo utilizado em pré-plantio incorporado ou em pré-emergência das plantas daninhas. ALMEIDA. Sida rhombifolia. também. Controla. com eficiência.9. 2005). e as monocoti¬ledôneas. entre uma e quatro folhas. É fracamente adsorvido em solo com pH alto. 1999). também. É pouco adsorvido pelos colóides do solo e.

Módulo 3. Sua persistência no solo é longa (três a sete meses em solos tropicais e seis meses a dois anos em clima temperado. Também quando aplicado no tronco do eucalipito visando eliminar rebrota após a derrubada. em pós-emergência precoce na cultura do algodão.34 e meia-vida no solo de dois meses (RODRIGUES. dependendo do movimento capilar da água no perfil do solo (FIRMINO. com degradação mais rápida em clima quente e úmido.9 a 1. também. Pyrithiobac-sodium O sódio 2-cloro-6-[(4. Estudos de laboratório indicam que imazapyr tem alto potencial de se mover no perfil do solo. principalmente em solos arenosos. ALMEIDA. Kow: 0. pouco lixiviado. Imazapyr O ácido (+-)-2-[4.2 . pka: 2. 2005). a persistência biológica é dependente. Apresenta lenta degradação no solo. É pouco adsorvido pelos colóides do solo e.0 e pka: 1.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 87 .272 mg L-1 a pH 7. em condições aeróbicas. 2005).6. É fracamente adsorvido pelos colóides do solo. entre estas Euphorbia heterophylla. 7). 2001). sobretudo.benzoato (Pyrithiobac-sodium) apresenta solubilidade em água de 1610 mg L-1.5-dihidro-4-metil-4-(1-metietil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-piridina carboxílico (imazapyr) apresenta solubilidade em água de 11. pode ser exsudado pelas raízes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diversas espécies de plantas daninhas. ALMEIDA. essencialmente por via microbiana. da dosagem e dos fatores ambientais. vindo intoxicar as novas mudas plantadas para renovação da floresta. Em campo.36 (RODRIGUES. Apresenta degradação no solo essencialmente microbiana É registrado no Brasil para o controle de dicotiledôneas. podendo ocorrer lixiviação positiva (para baixo) ou negativa (reversa –para cima). Aplicações em altas doses para capinas de ruas pode intoxicar árvores utilizadas na arborização do ambiente (Fig.6-dimetoxipirimidina-2-il) tio]. não se processando em condições anaeróbicas. se aplicado em pósemergência precoce.

plantas tratadas com estes herbicidas param de crescer. SHANER.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . nas plantas tratadas. cultivadas em solo coletado à margem da rua tratada com o herbicida 4. 1995c.8 . O glyphosate se liga a esta enzima pela carboxila do ácido glutâmico (glutamina) na posição 418 da seqüência de aminoácidos (HESS. evitando a transformação do shikimato em corismato. Por outro lado.1 . Verificou-se. então. foi observado aumento acentuado na concentração de shikimato. que o ponto de ação era a enzima EPSP sintase (5 enolpiruvilshikimato-3-fosfato sintase). 2003).8. BRIDGES. nos níveis desses aminoácidos aromáticos (fenilalanina. Glyphosate inibe a EPSP sintase por competição com o substrato PEP (fosfoenolpi¬ruvato). 88 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 7 – Árvores mortas pela ação do imazapyr quando aplicado para capina química de rua (A).Mecanismo de ação Logo após a aplicação. tirosina e triptofano).2 . acreditam que a desregulação da rota do ácido shikímico resulta na perda de carbonos disponíveis para outras reações celulares na planta. Plantas normais cultivadas em solo sem resíduos de herbicidas (a) e plantas com sintomas de intoxicação do imazapyr (b). precursor comum na rota metabólica dos três aminoácidos aromáticos. pois fenilalanina. uma vez que 20% do carbono das plantas é utilizado nesta rota metabólica. Há redução acentuada. Alguns autores acham que a simples redução de aminoácidos e a acumulação de shikimato não seriam suficientes para a ação herbicida. A enzima EPSP sintase é sintetizada no citoplasma e transportada para dentro do cloroplasto onde atua.Herbicidas inibidores da EPSPs 4. tirosina e tryptofano são precursores da maioria dos compostos aromáticos nas plantas.

2 . • A translocação é melhor em plantas expostas à luz e que estejam com alta atividade metabólica.8. • A translocação é facilitada em condições de alta intensidade luminosa. para melhor eficiência de translocação para o sistema radicular.Características gerais Glyphosate O N-(fosfonometil) glicina (glyphosate) possui as seguintes características (BRIDGES. já foram obtidas culturas resistentes a glyphosate. de maneira geral. apresenta. em plantas anuais • Baixa vazão e menores gotículas são mais eficientes do que alta vazão e gotículas grandes. • Como a enzima afetada é exclusiva de plantas. • Através da engenharia genética. • A morte da planta ocorre lentamente: de 7 a 14 dias após a aplicação.2 . 2003c). como a soja e o algodão. • Apresentam espectro de controle muito amplo. poucas espécies de plantas daninhas foram identificadas como resistentes a estes herbicidas. • Requerem uma semana para matar plantas anuais (efeito final) e tempo ainda maior para espécies perenes. por causa de sua conjugação com sesquióxidos de ferro e alumínio. para não causar problemas de toxicidade para peixes. • Águas de pulverização contendo muitos sais solúveis (Ca e Mg) diminuem a atividade destes herbicidas. Módulo 3. praticamente não há seletividade. Quanto à resistência adiquirida pela pressão de seleção (aplicações repetidas do ghyphosate).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 89 . • Translocação simplástica em gramíneas e folhas largas. • Formulações usadas no meio aquático não contêm surfatantes. muito pouca toxicidade para animais. • Durante a primeira semana após a aplicação a folhagem não deve ser cortada. • Não apresentam atividade no solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.

Quando aplicado sobre plantas em condições de déficit hídrico prolongado. formulado como Roundup Transorb ou Zap Qi.. A não-ocorrência de chuvas até quatro horas após as aplicações garante absorção do glyphosate.2 .). Para aplicações dirigidas em culturas perenes (café. sal de amônia. parque de industrias. em Brachiaria decumbens e Digitaria horizontalis em quatro horas (Fig. o tempo mínimo sem chuvas após aplicação para se garantir a absorção foliar desse herbicida é de seis horas (JAKELAITIS et al. 200). etc. o glyphosate está sendo comercializado com diferentes formulações: sal isopropilamina. utilizado em diversas marcas comerciais.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . as suas principais recomendações são: • • • • • • • Para controle de plantas daninhas em áreas não-cultivadas (rodovias. ferrovias. Para controle seletivo de plantas daninhas em culturas geneticamente modificadas. 8).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • A absorção destes produtos pelas plantas é lenta. Na renovação de pastagens. reflorestamento e outras). 2001). esse tempo para penetração do glyphosate via foliar é maior (PIRES et al. sendo recomendado para diversas atividades agrícolas e não-agrícolas. ruas. Como dessecantes. para implantação do plantio direto de culturas. As formulações Roundup Transorb e Zap Qi se diferenciam das demais por apresentar penetração foliar mais rápida do que as demais existentes no mercado brasileiro. A ocorrência de chuva em intervalo de tempo menor que 4-6 horas pode reduzir a eficiência destes herbicidas. No Brasil.. cujo representante é o Zap Qi. Roundup WDG e Roundup Multiação. No Brasil. O efeito varia com a formulação. e sal potássico. 90 Módulo 3. enquanto para as demais formulações. englobando o Roundup original e o Roundup Transorb. utilizado nas formulações granulares. Para o controle de plantas daninhas aquáticas Como regulador de florescimento em cana-de-açúcar. fruteiras. Figura 8 – Eficiência de formulações de glyphosate em diversos períodos de simulação de chuva após a aplicação Atualmente o ghyphosate é o herbicida mais utilizado no mundo.

4-DB. De maneira geral. é necessária uma dose três vezes maior que a requerida para a ação em pósemergência. para controle de gramíneas anuais e perenes. acifluorfen. • As espécies não-gramíneas são todas tolerantes. As principais características deste grupo de herbicidas (THILL. Somente diclofop tem registro para uso no solo.Principais características Os compostos deste grupo apareceram no mercado de herbicidas a partir de 1975 e. a qual começa nas regiões meristemáticas e se espalha pela planta toda. há sempre necessidade da adição de um surfatante ou adjuvante. 1995) são: • São utilizados exclusivamente em pós-emergência. em fase de rápido crescimento. bentazon e metribuzin. • A morte das gramíneas suscetíveis é lenta.4D. • Apresentam lenta degradação no solo.9 .1 . 2. podem ser citados: sulfoniluréias. tanto para plantas daninhas quanto para culturas. • Para a atividade máxima ser atingida. eliminado.Herbicidas inibidores da ACCase 4. mas ocorre tanto pelo floema quanto pelo xilema. Espaçando-se as pulverizações por alguns dias. São muito utilizados para o controle de gramíneas anuais e perenes. provavelmente eles afetam a absorção foliar. Os sintomas incluem rápida parada do crescimento das raízes e da parte aérea e troca de pigmento nas folhas dentro de dois a quatro dias. • A seletividade varia entre espécies de gramíneas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 91 .2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. • São muito efetivos quando aplicados sobre plantas não-estressadas. novos produtos estão sendo desenvolvidos. WELLER. • Misturas no tanque desses graminicidas específicos com latifolicidas têm trazido uma série de problemas de antagonismo. até mesmo. 2. até hoje. seguida de necrose. bromoxynil. Entre os herbicidas que já mostraram ação antagônica. • Em doses normais. A translocação varia entre espécies. o problema é minimizado e. dicamba. Módulo 3. para que haja ação no solo. requerendo uma semana ou mais para a morte completa. imidazolinonas. MCPA.9. os herbicidas deste grupo não apresentam atividade suficiente para o controle de gramíneas em pré-emergência. • São prontamente absorvidos pela folhagem das plantas. a eficiência diminui quando as gramíneas estão se desenvolvendo em condições de déficit hídrico.

9. nas concentrações de 0. As folhas mais velhas apresentam sinais de senescência e mostram troca de pigmento. às sulfoniluréias e ao trifluralin. de maneira geral. Estudos feitos com sethoxydim mostraram que este herbicida inibe o crescimento e a acumulação de clorofila. já existem plantas daninhas que adquiriram resistência aos inibidores da biossíntese de lipídios. em 1987.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • Apesar do pouco tempo de uso. O caso mais relatado é o ocorrido na Austrália com a espécie Lolium rigidum. Foi verificado também que a divisão celular foi prejudicada por causa da inibição da formação da parede celular. e muitos autores 92 Módulo 3.2 .5 μM. para causar 50% de inibição em células de soja foi necessária uma concentração 47 vezes maior. o aumento na permeabilidade de membrana e os efeitos ultra-estruturais observados nas células. a formulação ácida é mais ativa que a formulação éster e o isômero “D” é muito mais ativo que o “L”. 4.5 a 0. necrótico. por exemplo. por isso. depois. Este herbicida é rapidamente absorvido pelas folhas e atinge os meristemas da planta. ele causou declínio na atividade respiratória. trabalhos realizados com diclofop-methyl começaram a desvendar o modo de ação dos graminicidas específicos.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Há diferenças também entre a atividade de isômeros e as formulações. o crescimento de raízes e parte aérea é paralisado. apesar de a quantidade que atinge a área meristemática ser muito pequena em relação ao que é aplicado.2 . resultando no aumento dos níveis de açúcar e antocianina. eles são tóxicos para mamíferos (classe toxicológica de I a III. Esta é uma reação-chave no início da biossíntese de lipídios. O tecido meristemático em gemas e nós torna-se clorótico e. Ademais. A partir de 1981. No caso de diclofopmethyl. o problema era na síntese de lipídios. quando o tecido meristemático decai. A inibição da ACCase explica perfeitamente a redução no crescimento. Como não houve interferência na absorção de acetato. Foi verificado que este herbicida inibe fortemente a incorporação de 14C-acetato em lipídios quando pontas de raízes de milho foram tratadas por 24 horas. Foi descoberto. Esta enzima. predominância da classe II) e. encontrada no estroma de plastídios. A diferença na tolerância entre espécies de gramíneas e folhas largas é muito grande. fica aparente a disfunção de membrana. A enzima afetada por estes herbicidas ocorre também nas células animais. também. para peixes.Mecanismos de ação Muitos dos estudos já realizados sobre o mecanismo de ação dos arilofenoxipropionatos foram feitos com o herbicida diclofop-methyl. converte o Acetil Coenzima A (Acetil-CoA) em Malonil Coenzima A (Malonil-CoA) pela adição de uma molécula de CO2 ao Acetil-CoA.1 μM de haloxyfop provocou 42% de inibição da incorporação de acetato em células de milho. surgindo células binucleadas. Em algumas horas. Enquanto 0. que mostrou resistência ao diclofop-methyl e resistência cruzada a outros graminicidas específicos. A translocação ocorre pelo xilema e pelo floema. que a ação dos graminicidas específicos era sobre a enzima Acetil Coenzima-A Carboxilase (ACCase). Após alguns dias da aplicação.

horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 70%.E)-(+/-)-2-[1-[[(-cloro-2-propenil)oxi]imino]propil]-5-[2-(etiltio)propil]-3-hidroxi. a transcarboxilase. kow: 15000 e persistência muito curta no solo. Controla grande número de espécies de gramíneas anuais no estádio de até 4 perfilhos e algumas perenes. É registrado no Brasil para as culturas de alface. ALMEIDA.2 . A enzima Acetil Coenzima A Carboxilase (ACCase) é. purificada e parcialmente caracterizada. a qual é ligada covalentemente ao grupo da biotina por um espaçador móvel. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas. Não apresenta mobilidade no solo. É um herbicida Módulo 3. algodão. e a proteína transporte da biotina (BCP). Clethodim O (E. que permite à biotina se mover entre os dois centros catalíticos (HESS. na realidade.2ciclohexeno-1-ona (clethodim) apresenta solubilidade em água de 5. cebola. mas a eficiência diminui pela metade. a não ser o fomesafen. 4. tabaco.Caracterização de alguns inibidores da ACCase Fluazifop-p-butil O ácido (R)-2-[4-[[5-(trifuorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propanóico (fluazifop-p-butil) apresenta solubilidade em água de 1. café. ALMEIDA 2005). kow: 4. pinho. a enzima funciona. citros. eucalipto.3 . 1995).700 mg g-1 de solo. Deve ser aplicado com as plantas em bom estado de vigor vegetativo. A ACCase de milho já foi isolada.1. com intervalo superior a cinco dias. e koc médio de 5. feijão.5. devendo ser utilizado seqüencialmente. 2005). WELLER. tomate. tendo uma persistência média de 30 dias (RODRIGUES.9. 1995). pka: 3.520 mg L-1. um complexo de três domínios: uma biotina carboxilase que promove a carboxilação da biotina com carbonato (CHO3). o qual é uma reação dependente de ATP. cenoura.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 93 . que transfere o CO2 da biotina para o Acetil-CoA. por incompatibilidade fisiológica (efeito antagônico). soja. Não deve ser misturado com herbicidas que controlam dicotiledôneas. É recomendado para uso em pós-emergência. A falta de lipídios provoca despolarização da membrana celular (THILL. evitando períodos de estiagem.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas julgam ser esta reação a que dosa o ritmo da biossíntese de lipídios. roseira e crisântemo. dois a três dias (RODRIGUES. Quando o substrato Acetil-CoA é substituído por Proprionil-CoA.1 mg L-1.

7. acifluorfen. como algodão. evitando períodos de estiagem. pinho e outras. com exceção do 2. kow: 11. quando provenientes de rizomas). amendoim. permitindo a aplicação dos dois numa só operação. não se deve adicionar óleo mineral à calda. para as culturas de soja.600 g ha-1. e koc médio de 33 mg g-1 de solo. no Brasil.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas graminicida.2 . É rapidamente absorvido pelas folhas. 94 Módulo 3. desde jovem até adiantado estádio de desenvolvimento. cenoura.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . controla gramíneas anuais. 2005). neste caso. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. perenes e tigüera de culturas gramíneas.3 mg L-1. pka: 4. Destaca-se pelo seu amplo espectro de ação no controle de gramíneas anuais.. Quando misturado com herbicidas recomendados para uso em pós-emergência que controlam plantas daninhas de folhas largas e que já contenham em sua formulação um adjuvante. como bentazon. Deve ser aplicado com as plantas daninhas em bom vigor vegetativo. tomate. não sendo prejudicada sua eficácia por chuvas que ocorram uma hora após sua aplicação. citros. aveia e trigo. e com 10 a 40 cm. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas (4 folhas até 6 perfilhos. É compatível com outros herbicidas usados em pós-emergência para controle de folhas largas. Haloxifop-methyl O ácido 2-[4-[[ (3-cloro-5-(trifluorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propiônico (haloxyfopmethyl) apresenta solubilidade em água de 9. ervilha. pode haver lixiviação do produto. feijão e eucalipto. há que observar um intervalo de dez dias entre o emprego de um e outro. É recomendado para uso em pós-emergência. A ação residual do produto na lavoura é de 30 a 40 dias. milho. podendo requerer reaplicação no caso de rebrotas (RODRIGUES. como Cynodon dactylon e Sorghum halepense. altamente seletivo para a cultura da soja e outras dicotiledôneas. soja. tais como: azevém. sistêmico. comuns em rotação de culturas com a soja. em condições de alta pluviosidade. eucalipto. ALMEIDA.3. café. tem ação sobre rebentos de gramíneas anuais que tenham sido roçadas. fomesafen e lactofen. feijão. em solos leves. É utilizado. quando provenientes de sementes. cebola. Nas doses de 360 .4-D. como é o caso normal em culturas perenes. tabaco. Em doses altas (120-360 g ha-1. Quando usado na dose de 120 g ha-1. É moderadamente adsorvido pelos colóides do solo. controla gramíneas perenes. de reprodução seminal. pois aumenta-lhe a fitotoxicidade.

feijão. É necessário adicioná-lo à calda adjuvante. melancia. Controla gramíneas anuais e algumas perenes. gladíolo. Supõe-se que seja seletivo para todas as culturas que não são gramíneas. o que acelera sua absorção. soja e tabaco. Deve ser aplicado em pós-emergência das plantas daninhas. encontra-se em fase de registro para abacaxi. Estes tecidos são normais. café. Apresenta curta persistência no solo. Não prejudica as culturas suscetíveis que sejam instaladas no terreno 30 dias após o tratamento. e koc médio de 100 mg g-1 de solo (RODRIGUES .10 . 2003a).700 mg L-1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sethoxydim O 2-[1-etoximina)butil] .0 de 25 ppm e a pH 7. é recomendado. melão e morango). amendoim. dependendo das condições climáticas e do tipo de solo. banana.Herbicidas inibidores de carotenóides Os grupos químicos izoxazolidinona e piridazinonas compõem a classe de herbicidas chamada inibidores de carotenóides. pka: 4. linho e mandioca. ALMEIDA. citros. eucalipto.ona (sethoxydim) apresenta solubilidade em água a pH 4.16. Módulo 3.0 de 4. 9). também. cenoura. É um herbicida registrado no Brasil para algodão. colza. gergelim. não sendo prejudicada a ação do sethoxydim por uma chuva que ocorra uma hora depois de sua aplicação. exceto pela falta de pigmentos verdes (clorofila) e amarelos (Fig. não prejudicando culturas sensíveis que sejam instaladas no terreno um mês após o tratamento. Em outros países. macieira e em hortícolas (batata. 2005). para as culturas de alfafa.2 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 95 . 4. kow: 45. como Cynodon dactylon. Tem uma meia-vida no solo de 4 a 11 dias. por ser a foliar a principal via de absorção do produto. girassol.1.5 – [2-(etiltio)propil]-3-hidroxi-2-ciclohexeno-1. O sintoma evidenciado pelas plantas tratadas é a produção de tecidos novos totalmente brancos (albinos). As plantas suscetíveis a estes herbicidas perdem a cor verde após o tratamento com estes herbicidas (BRIDGES. algumas vezes rosados ou violáceos. se bem que exija doses mais altas de aplicação.

nas quais ela é destruída (ABERNATHY. 1994). arroz. sem cor. Em condições normais. É importante salientar que estes herbicidas não têm efeito sobre carotenóides sintetizados antes da sua aplicação. perda de proplastídios e degradação dos ribossomos 70S. esta se torna funcional e absorve energia. o crescimento cessa e começam a surgir manchas necróticas. dissipando o excesso de energia. eles desenvolvem manchas cloróticas que progridem para necrose (ABERNATHY. mais reativo. passando do estado singlet para o estado triplet. devido à necessidade de renovação dos carotenóides. 1980). Estes produtos também possuem efeitos sobre a reação de Hill (MORELAND. Os herbicidas inibidores de pigmento são usados para controle seletivo de plantas daninhas gramíneas. do caroteno (MORELAND. 1994). que são dois precursores. com predomínio do phytoeno. a clorofila não se mantém sem a presença dos carotenóides. resultando no acúmulo de phytoeno e phytoflueno. não implica que estes herbicidas inibam diretamente a síntese de clorofila. a energia oriunda da forma triplet é dissipada através dos carotenóides. 1994). e de folhas largas nas culturas de algodão. A inibição da síntese de carotenóides leva à decomposição da clorofila pela luz. anuais e perenes. O local de ação mais estudado é onde atua a enzima phytoeno desidrogenase. Outras alterações provocadas por estes produtos são: redução da síntese protéica. como resultado da perda da fotoproteção fornecida pelos carotenóides à clorofila (MORELAND. tecidos formados antes da aplicação do herbicida não se mostram brancos imediatamente. Assim. cana-de-açúcar. Após a síntese da clorofila. Devido a este processo. pelas plantas tratadas. 1980). A produção dos novos tecidos albinos. devido à falta de clorofila. mas sim de gossipol e hemigossipol.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . contudo. A inibição desta enzima provoca o acúmulo de phytoeno. fumo 96 Módulo 3. quando os caratenóides não estão presentes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 – Sintomas de intoxicação de plantas de milho e feijão pelo clomazone. A inibição da enzima IPP (isopentyl pirophosphato isomerase) é o local provável da ação (Abernathy. ela não consegue se manter. Desse modo. porém. a clorofila que está no estado triplet não dissipa energia e inicia reações de degradação. devido à falta de carotenóides que a protegem da foto-oxidação. A perda da clorofila é resultado da sua oxidação pela luz (foto-oxidação). 1980). Os herbicidas inibidores destes pigmentos agem na rota de biossíntese de carotenóides. Assim. O herbicida clomazone parece ter um único local de ação e não causa acúmulo de phytoeno.2 . O crescimento da planta continua por alguns dias. que a protegem.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e soja. O clomazone apresenta alta solubilidade:1.07 e koc variando de 19 a 387 mg g-1 e curta persistência no solo sendo degradado rapidamente por microrganismos (RODRIGUES. Mesotrione O 2-(4-mesil-2nitrobenzoil) ciclohexano-1. afetando culturas sucessoras.192 mg L-1. e não existem casos registrados de plantas daninhas resistentes (ABERNATHY. são mais comercializados. chegando às raízes das culturas. No Brasil. o clomazone e o norflurazon. O inseticida funciona com “safener” protetor e pode ser usado no tratamento da semente ou em aplicação no sulco de semeadura. e persistência no superior a 150 dias. pka: zero. Quando aplicado sobre a superfície do solo. A dose recomendada varia com a cultura e o tipo de solo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 97 . apresentam atividade de solo e podem persistir. 1994). koc: 300 mg g-1. Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis. Apresenta solubilidade de 168. através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenil-piruvato-dioxigenase) nos cloroplastos – classificação nos grupos F2 (HRAC) e 28 (WSSA).3 .clorofenil) metil]-4. causando danos naquelas sensíveis (RODRIGUES. 2005). A seletividade às culturas se dá pela translocação reduzida pela destoxificação das moléculas herbicidas.7 mg L-1. com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas. O mesotrione inibe a biossíntese de caroteníodes. Controla diversas espécies de plantas dicotiledôneas e algumas gramíneas.4 . pode lixiviar e atingir camadas profundas. 2005).dimetil . Clomazone Norflurazon Esta classe herbicida apresenta baixa toxicidade para animais. ALMEIDA. A seletividade do clomazone ao algodão pode ser aumentada com adição de um inseticida organofosforado (ABERNATHY. O 2 – [(2 .3-diona (mesotrione) é um herbicida seletivo de ação sistêmica indicado para o controle em pós-emergência de plantas daninhas na cultura do milho.isoxazolidinona (clomazone) e o 4-cloro-5(metilamino)-2-3-[(trifluorometil)]fenil-3(H)-m-toluil) piradazinona (norflurazon) translocam-se na planta via xilema. Também são empregados em plantas daninhas aquáticas e no controle total da vegetação. ALMEIDA. pka: 3. 1994). Módulo 3.2 .

e meia-vida média de 28 dias (ALMEIDA.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Com exceção da cultura do algodão onde é recomendado em jato dirigido. milho. Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis. O isoxaflutole pertence ao grupo dos herbicidas inibidores da biossíntese do caroteno. que são essências para proteger a clorofila contra a decomposição pela luz solar através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenilpiruvato-dioxigenase).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Isoxaflutole O 5-ciclopropil-4-metilsufonil-4-trifluorometilbenzoil)-isoxazole (isoxaflutole) é um herbicida recomendado para as culturas de cana-de-açúcar. Inibe a biossíntese de carotenoides. que é um co-fator chave para síntese de pigmentos carotenóides e para o transporte de elétrons. mandioca e algodão para o controle de diversas gramíneas e algumas dicotiledôneas. Apresenta baixa solubilidade em água: 6.0 mg L-1 a 20 °C. RODRIGUES. 2005). baixa a média mobilidade nos solos dependendo de suas características ficas e químicas. com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas. 98 Módulo 3.2 . nas demais culturas deve ser aplicado em pré emergência. responsável pela biossíntese da quinona.

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Herbicidas: absorção. metabolismo.3 . formulação e misturas . formulação e misturas Tutores: Profº.Herbicidas: absorção. translocação.3 .Manejo de plantas daninhas 3.ABEAS Universidade Federal de Viçosa . José Francisco da Silva Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 . Francisco Affonso Ferreira Profº.DF 2006 102 Módulo 3. translocação. metabolismo. José Ferreira da Silva Profº.

Formulações líquidas.1 .2 – Incompatibilidade.1 .1.Penetração pelas raízes.1 – Introdução.Movimento ascendente.Absorção de herbicidas. 112 1.Formulações sólidas.4 . 120 4 – Formulação.1 .2 . formulação e misturas 103 .Translocação de alguns herbicidas.2 .Translocação de herbicidas. 104 1.Interceptação. metabolismo.Misturas de herbicidas.1 . 133 Módulo 3.1.4 . 116 2.3 . 131 Referências bibliográficas. 127 4. 104 1.Conceito de movimento simplástico e apoplástico. retenção e absorção de herbicida pela folha. 126 4.Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas.Mecanismo de absorção de herbicidas. 118 3 .4.2 .Veículo de aplicação (água). 117 2.Tipos de formulações.Interações entre herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário 1 .2. 116 2. 128 5 . 112 1.Penetração pelo caule.Fatores que influenciam a absorção através das raízes.3 .3 .Movimento descendente. 130 5.1 . 125 4. 111 1. 129 5.Metabolismo dos herbicidas nas plantas.2.Herbicidas: absorção.4. 104 1.3 .2 . 129 5. 127 4.1 . 117 2. 113 2 . 130 5.Interações de herbicidas com inseticidas em mistura.1.2 . translocação.

da translocação. principalmente quando se deseja controlar apenas algumas plantas. transloque e atinja a organela onde irá atuar. 104 Módulo 3. umidade relativa do ar e umidade do solo). a morfologia da planta e as condições ambientais exercem grande influência. retenção e absorção de herbicida pela folha A absorção foliar de um herbicida requer que o produto seja depositado sobre a folha e permaneça ali por um período de tempo suficiente. onde atua. que serão discutidos no item referente à tecnologia de aplicação.).1 . de estruturas jovens como radículas e caulículo e. 1. as folhas são a principal via de penetração. ou. A absorção de herbicidas pelas raízes ou pelas folhas é influenciada pela disponibilidade dos produtos nos locais de absorção e com fatores ambientais (temperatura. pelas sementes. Por sua vez. translocado e. A interceptação da gota pulverizada é função do método de aplicação e da distância entre o alvo e o bico do pulverizador. do metabolismo e da sensibilidade da planta a este herbicida e.3 . etc. A atrazina.4-DB precisa ser absorvido.Herbicidas: absorção. metabolizado para exercer sua ação herbicida. ou. o 2. Os herbicidas podem penetrar nas plantas através das suas estruturas aéreas (folhas. também. O caule (casca) de árvores ou arbustos pode também ser uma via de penetração de herbicidas. as estruturas jovens das plântulas (radícula e caulículo) e as sementes são as vias de penetração mais importantes para os herbicidas aplicados e. penetra pelas raízes. Por isso. tubérculos. luz. Quando os herbicidas são aplicados diretamente na parte aérea da planta (pós-emergência). atinge e penetra nos cloroplastos. ser aplicado no solo onde se desenvolve esta planta não é suficiente para que ele exerça a sua ação. transloca até as folhas e.Introdução A atividade biológica de um herbicida na planta é função da absorção. translocação.Interceptação. em um reflorestamento. Por outro lado. Há necessidade de que ele penetre na planta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . dentro de uma população mista. o simples fato de um herbicida atingir as folhas da planta e. Além disso. aí. formulação e misturas . ou. a seus metabólitos. flores e frutos) e subterrâneas (raízes.Absorção de herbicidas 1. caules. quando aplicada ao solo. ou quando. incorporados ao solo. as raízes. por exemplo. se deseja que as cepas das árvores não rebrotem após a derrubada. rizomas. que influenciam também a translocação destes até o sítio de ação. até ser absorvido. destruindo-os. metabolismo.2 . também. A principal via de penetração dos herbicidas na planta é função de uma série de fatores intrínsecos e extrínsecos (ambientais). estolões. ainda.

das condições climáticas e das espécies de plantas envolvidas (BRIDGES. razão pela qual muitos fatores influenciam. não são absorvidos pela superfície da cultícula e são solúveis em água e podem ser lavados caso ocorra chuva até mais de 24 horas após. 2. PIRES et al.Corte transversal de uma folha (esquemático). do método e da tecnologia de aplicação. porém são rapidamente absorvidos nos lipídios da cutícula e pouco lavados pela chuva. como tricomas (pêlos). translocação.3 . Dentre os aspectos relacionados com a morfologia da planta destacam-se o estádio de desenvolvimento (idade da planta). menos sujeitos a lavagem pela chuva. mas são rapidamente absorvidos e. a forma e a área do limbo foliar. ELAKKAD. 2003. Após a interceptação.Herbicidas: absorção. poros estomáticos.. deve haver um período crítico sem ocorrência de chuvas até que ocorra absorção de quantidade suficiente deste. para cada herbicida. denominada cutícula.. metabolismo. tanto a penetração dos herbicidas pelas folhas quanto pelas raízes. células da bainha do feixe. são solúveis em água. Figura 1 . Sais aniônicos (cargas negativas). Herbicidas lipofílicos (usualmente formulados como CE ou flowable) são pouco solúveis em água. como todas as estruturas aéreas das plantas. como o paraquat. Por exemplo. 2000. mostrando células-guarda. A perda do herbicida ou de sua atividade depende da ocorrência de chuva (intensidade e duração) neste intervalo. formulação e misturas . 2001). igualmente. são recobertas por uma camada morta (não-celular). por exemplo sais de sódio. Embora em menor proporção. não penetram rapidamente. As folhas. cavidade estomática. A influência da chuva sobre a eficiência dos herbicidas está também relacionada à formulação. 1981).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A morfologia da planta influencia a quantidade de herbicida interceptada e retida. JAKELAITIS et al. HESS. O corte transversal de uma folha está representado na Figura 1. lipofílica.4-D amina requer um período muito mais longo sem chuva do que o 2. xilema e floema Fonte: Mengel e Kirkby (1982) 105 Módulo 3. esta existe também nas raízes. A chuva pode causar perdas consideráveis de herbicidas das folhas das plantas. por isso.4-D ester para causar a mesma toxicidade em várias espécies sensíveis (BEHRENS. Também o nú¬mero e a abertura dos estômatos exercem pequena influência sobre a penetração dos herbicidas.. Sais catiônicos (carregados positivamente). o ângulo ou a orientação das folhas em rela¬ção ao jato de pulverização e as estruturas especializadas.

A composição química do revestimento epicuticular é muito variável entre as espécies de plantas (Quadro 1). Em geral.. separando as partículas de cera. incluindo as células-guarda dos estômatos e as células que envolvem a câmara subestomática. ainda. porém alguns componentes são comuns. Externamente. assim a sua permeabilidade. et al. de prato (ou disco). pode ser semifluida ou fluida. aumentando. cetonas. é referido como camada cuticular (Figura 2). etc.Herbicidas: absorção. aldeídos. Figura 2 . essa camada é uma complexa mistura de alcanos de longas cadeias (21 37 carbonos). Ela pode ter a forma de grânulos. metabolismo. acredita-se que a cutina aumente de volume (por embebição). a qual possui grupos de polaridade variáveis (Figura 2). (FERREIRA. Em consequência da variabilidade de seus componentes o grau de polaridade das cutículas varia muito. formulação e misturas . ésteres. funcionando como uma resina de troca de cátions. A cutina é o principal componente estrutural da cutícula. A camada cerosa que envolve a cutícula é mais rica em compostos menos polares do que a cutina. que é formada de fibrilos de celulose impregnados de pectina. freqüentemente. álcoois. translocação. ácidos graxos. Em presença de água. 2005). Entre a camada cuticular e a membrana citoplasmática tem-se a parede celular. de camadas superpostas e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A cutícula recobre todas as células da epiderme da planta.Representação esquemática dos principais componentes da camada cuticular e o seu grau lipofílico 106 Módulo 3.3 . O padrão de superfície da camada cuticular é bastante variável. a cutícula é recoberta por uma camada de cera. Esse conjunto.

A camada cuticular funciona como uma barreira à perda de água e também como uma barreira à entrada de pesticidas e microrganismos na planta.3 . Entretanto. As características da solução aplicada.8 7.0 8. translocação.3 8. metabolismo.5 Fonte: Sandoz Agro Ltda. sobre a penetração dos herbicidas pelas folhas. tanto os herbicidas polares quanto os não-polares penetram nas folhas das plantas. podem acontecer os pressupostos que se seguem (Figura 3).0 6.8 6. o herbicida.0 6.0 7. composição química e permeabilidade da cutícula. a tensão superficial da calda. O processo de absorção de um herbicida é complicado em razão da espessura. No momento em que os herbicidas entram em contato com a superfície foliar. são importantes nessa interação. etc. A maior barreira à penetração de um herbicida no citoplasma das células é a membrana citoplasmática.Herbicidas: absorção. via simplasto.2 7.6 6.2 7.0 7. a polaridade do composto. através dos plasmodesmas.0 7. é que essas barreiras não são totalmente rígidas e distintas.4 6. pode penetrar no citoplasma. Apesar das barreiras existentes (como a camada cuticular). As folhas das plantas apresentam muitas barreiras à penetração dos herbicidas. formulação e misturas 107 .6 8.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É conhecido o fato de que há uma interação bastante complexa entre a natureza química do produto aplicado e a superfície foliar. citado por Kissmann (1997). Quadro 1 . (1975).4 7.5 6.8 8. Existem dois tipos principais de superfícies: uma facilmente molhável (rica em álcoois) e outra de molhagem mais difícil (rica em alcanos).2 7.0 6. Módulo 3.Percentagem de compostos apolares e polares e pH do revestimento epicuticular de diversas espécies de plantas daninhas Espécies daninhas Cyperus rotundus Avena fátua Brachiaria plantaginea Cynodon dactylon Digitaria sanguinalis Echinochloa crus-galli Panicum dichotomiflorum Poa annua Sorghum halepense Amaranthus retroflexus Capsella bursa-pastoris Chenopodium album Datura stramonium Ipomoea purpurea Poligonum lapathifolium Portulaca oleracea Senna obtusifolia Sida spinosa Sinapsis arvensis Solanum nigrum Stellaria media Xhathium orientale Compostos NãoPolares 82 10 17 12 37 27 17 29 6 44 32 32 92 32 12 37 7 85 47 88 9 58 Compostos Polares 17 90 82 88 62 72 82 71 93 55 68 66 7 68 86 63 93 14 52 11 91 41 pH 7. (1991). Uma hipótese citada por Klingman e Ashton. tanto aos polares quanto aos não-polares.2 8.0 7. após atravessar a camada cuticular e a parede celular.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que variam em função da espécie.). penetrar na cutícula.Herbicidas: absorção. a cutícula de folhas nova é mais permeável à água do que a de folhas velhas. Schmidth et al. metabolismo. Para os herbicidas nãodissociáveis (amidas. uso de agentes ativadores de superfícies (surfatantes) e outros. (1981) atribuíram isto à maior polaridade da cutina encontrada nas folhas novas. O exato mecanismo de penetração não é totalmente conhecido para todos os herbicidas. na parede celular e atingir o interior da célula (pela plasmalema) – é a translocação simplástica.esta é chamada translocação apoplástica. A passagem de uma molécula de herbicida através da camada cuticular é um processo físico que pode ser influenciado por uma série de fatores. ésteres. mas permanecer absorvido nos componentes lipofílicos da cutícula (3). temperatura. permanecer sobre a superfície como um líquido viscoso ou na forma de cristal (2). o pH mais baixo aumenta a absorção do herbicida. mas sim à constituição lipídica e ao grau de impedimento da passagem de solutos. a rota hidrofílica. o pH da solução tem pouco ou nenhum efeito sobre a penetração. etc. Para os herbicidas orgânicos. 108 Módulo 3. fatores ambientais (luz. que inclui o movimento no floema (5) Fonte: Hess (1995) Uma grande diversidade de herbicidas. tamanho das partículas e concentração do herbicida. da idade da folha e do ambiente sob o qual a folha se desenvolve. penetrar. Apesar de a constituição física e química e a espessura poderem ser praticamente a mesma. Figura 3 . Há evidências de que a penetração de herbicidas decresce com o aumento da idade da folha (GROVER. que diferem em estrutura e polaridade. A absorção de herbicida não está necessariamente relacionada à espessura ou ao peso da cutícula. formulação e misturas . atravessa a camada cuticular. derivados de ácidos fracos. que inclui o movimento no xilema (4) e penetrar na cutícula.3 . espessura da cutícula. umidade relativa). representando os aspectos: volatilizar e perder para atmosfera ou ser lavado pela chuva (1). mas admite-se que os compostos não-polares sigam uma rota lipofílica e os compostos polares. translocação. CESSNA. 1991). como: potencial hidrogeniônico (pH). cerosidade e pilosidade da folha. Todos esses fatores podem influenciar a absorção de herbicidas. porque reduz sua polaridade. na parede celular e então translocar antes de atingir o simplasto .Diagrama hipotético.

Todavia. Condições de alta temperatura e luminosidade. É difícil ou mesmo impossível afirmar qual dos processos é mais influenciado pelas mudanças nas condições do ambiente. Os estômatos podem estar envolvidos. mais rápida absorção do herbicida. provocando a cristalização do herbicida na superfície foliar. sendo essa água de hidratação da cutícula a rota de penetração destes herbicidas. em condições de alta luminosidade e estresse hídrico no solo. Segundo Pires et al. Como os herbicidas atravessam a cutícula? A resposta para essa pergunta ainda não está bem esclarecida. luz e teores de umidade no solo e na planta. geralmente promovem a formação de cutículas mais impermeáveis. Em segundo lugar. Nas plantas estressadas.Herbicidas: absorção. Entretanto. houve rebrota acentuada da maioria delas. A elevação da umidade relativa aumenta o tempo de evaporação da gotícula pulverizada. a menos que a tensão superficial da solução pulverizada seja muito reduzida pelo uso de surfatantes na formulação ou no tanque do pulverizador. Nas plantas estressadas (déficit hídrico no solo). foi suficiente para ótimo controle das plantas tratadas. por provocar maior fluidez dos lipídios da camada cuticular e da membrana celular e. favorece a abertura dos estômatos e pode aumentar o transporte de solutos na planta. de duas formas. como temperatura do ar.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os fatores ambientais. Alta temperatura pode melhorar a absorção. dependendo das condições ambientais. ou baixa umidade relativa do ar e umidade do solo. O grau de impermeabilidade da cutícula pode ser atribuído ao incremento de sua espessura. o haloxyfop teve sua atividade reduzida de 92% para 12%. influenciam a atividade dos herbicidas nos aspectos de absorção. comparando pulverizações feitas em plantas de capim-massambará (Sorgum halepense) sem estresse e estressadas.. à alteração na composição das ceras ou ao aumento na formação de ceras epicuticulares. um intervalo sem chuvas de menos quatro e seis após a aplicação. umidade relativa. aumenta a hidratação da cutícula. a solução pulverizada poderia. que se mantém hidratada. metabolismo. Nestas. tanto a absorção quanto a translocação são menores (HESS. Supõe-se que os herbicidas lipofílicos se solubilizam nos componentes lipofílicos da camada cuticular e se difundem através da cutícula. Uma a duas semanas antes da aplicação. também pode apresentar efeitos negativos devido à maior rapidez do secamento da gota pulverizada. 2001 o glyphosate e o sulfosate apresentam máxima atividade em plantas não-estressadas. a infiltração pelos estômatos não é possível. 1995). Com relação aos herbicidas hidrofílicos. a cutícula sobre as células-guarda parece mais fina e mais permeável a substâncias do que a cutícula sobre outras células epidérmicas. translocação e grau de detoxificação. para o sulfosate e glyphosate. havendo maior absorção dos produtos polares com aumento da umidade (HESS. com a penetração de herbicidas nas folhas. 1995). A natureza da resposta para as diferentes condições ambientais varia com a espécie vegetal. em conjunto. A umidade relativa do ar tem efeito mais consistente sobre absorção de herbicidas. admite-se que a cutícula tenha estrutura porosa. e daí para o citoplasma das células do parênquima foliar. A maioria dos Módulo 3. mesmo quando o período sem chuva foi de até seis horas. mover-se através do poro de um estômato aberto para dentro da câmara subestomática. em tese. conseqüentemente. Primeiro.3 . formulação e misturas 109 . respectivamente. translocação.

aniônicos ou não-iônicos. metabolismo. 1980). da presença de outros aditivos e das espécies das plantas. Entretanto. contendo parte hidrofílica e lipofílica. ou surfatantes. atividade do herbicida. 1980). 1994). às quais alguns ingredientes são adicionados. o surfatante lipofílico é eficiente. do herbicida em questão. têm sido usados como aditivos nas pulverizações. Recentemente. Alguns trabalhos têm demonstrado que esse tipo de surfatante pode aumentar inclusive a translocação relativa do produto aplicado (KNOCHE. Vários autores afirmam que os surfatantes melhoram a penetração e. Eles geralmente são compostos de moléculas grandes.Herbicidas: absorção. LOADER. A estimulação da absorção pode ser causada pelo surfatante adicional ou por outros aditivos presentes nas duas formulações misturadas. em geral. no entanto. Também podem ocorrer interações negativas entre os dois herbicidas. Sulfato de amônio. No caso do sethoxydim. A adição somente do sal provoca decréscimo da atividade em aveia. incluindo picloram.. etc. na concentação de 1 a 10% (p/v). Eles podem também induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal e também aumentar a penetração cuticular. tem sido usado para melhorar a atividade de númerosos herbicidas. emulsões. Finalmente. quando sulfato de amônio é adicionado à solução. favorecendo mais ainda a penetração do herbicida. glyphosate e sethoxydim. a atividade do glyphosate é melhorada por surfatantes com alto balanço lipofílico-hidrofílico que pelos surfatantes hidrofílicos que são não-iônicos ou catiônicos (TURNER. e podem ser catiônicos. Destes. Este surfatantes são capazes de reduzir a tensão superficial ao ponto de a infiltração pelo estômato ocorrer. que têm vários propósitos. Diversos produtos químicos. Em alguns casos o surfatante pode provocar parcial solubilização da cera epicuticular. provoca efeito antagônico com glyphosate (TURNER. o desenvolvimento de surfatantes à base de organossilicones proporcionou avanço nesse ponto. melhorando a retenção e o espalhamento desta sobre a folhagem. Os resultados dos experimentos de campo. para melhorar a penetração ou atividade dos herbicidas aplicados às folhagens. translocação. Sulfato de amônio não melhora atividade do paraquat e na. mas preparados em soluções. a absorção de um herbicida pode ser influenciada pela presença de outro herbicida misturado na calda. proporção de 20% p/v.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surfatantes atualmente em uso atua aumentando a penetração cuticular e não consegue reduzir a tensão superficial adequadamente para permitir a penetração estomática. a eficiência do surfatante depende de sua natureza. formulação e misturas . No entanto. além de surfatantes e óleos. Por exemplo. os mais importantes são os agentes ativadores de superfície. 110 Módulo 3. não têm sido suficientemente positivos ou consistentes para adição de tais aditivos na calda de pulverização e para se tornar uma prática recomendada. A função primária do surfatante é reduzir a tensão superficial da gota. Os herbicidas são raramente aplicados na forma pura. LOADER.3 . a melhoria só ocorre se o surfatante também estiver presente. ou.

usando-se óleo como veículo. ou. molinate A penetração de herbicidas através da casca de plantas lenhosas é outra opção que pode ser aproveitada na prática. também. lignina. após a morte de suas células. Neste caso.3 .Grupos químicos de herbicidas e exemplos de ingredientes ativos que podem ser absorvidos do solo pelas radículas ou partes aéreas emergentes das plântulas Famílias de herbicidas Acetanilidas Ácidos ftálicos Difeniléteres Dinitroanilinas Tiocarbamatos Exemplo de produto acetochlor. Lenticelas são estruturas que atravessam o periderma. metolachlor DCPA oxyfluorfen trifluralin. Entretanto. tornando-a mais permeável aos herbicidas. Nas plantas jovens. visando evitar a rebrota das cepas. o herbicida será mecanicamente introduzido através da casca. portanto. que facilitam a penetração de herbicidas. Alternativa prática mais eficiente seria injetar o herbicida com equipamento próprio com uma pistola injetora. a barreira que a estria de Gaspary representa na raiz não está presente nestes tecidos. Para atuação de herbicidas aplicados à casca das árvores. Outros constituintes comumente encontrados nestas células são ácidos graxos. formulação e misturas 111 . alachlor. usando imazapyr 20 a 30 dias antes da derrubada das árvores de eucalipto. O caule da plântula durante a emergência tem uma cutícula muito pouco desenvolvida. principalmente os polares.Herbicidas: absorção. As células do periderma contêm tanino e são altamente suberizadas. é um sítio de entrada importante para muitos herbicidas aplicados ao solo que são ativos em sementes e durante a germinação e na emergência das plântulas (Quadro 2). Baseado na sua estrutura e composição.Penetração pelo caule A absorção de herbicidas pode ocorrer pelo caule das plantas jovens (durante emergência) e das adultas. aos herbicidas aplicados na parte aérea. Estes produtos são pulverizados ou pincelados no caule da planta. sendo esta uma rota de entrada de herbicidas em muitas espécies de gramíneas. Módulo 3. até a região do câmbio (xilema. pendimethalin butylate.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. desprovida da camada de cera. celuloses e terpenos. em diâmetro. floema). o periderma é um tecido protetor que substitui a epiderme. translocação. o periderma deve apresentar baixa permeabilidade à água e. butachlor. eles são preparados em formulações lipofílicas.3 . causa pequenas rupturas na casca. Quadro 2 . e. Este processo está sendo implantado em algumas empresas de reflorestamento. além de serem aplicados em altas concentrações (5-10%). sendo. metabolismo. O crescimento do caule. rotas importantes para a penetração de herbicidas pelo caule. Além do mais.

Também a concentração hidrogeniônica. O que acontece aos herbicidas nesse ponto não está completamente claro.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. a penetração de água e solutos. Muitos herbicidas com estruturas moleculares. Por exemplo. tamanhos e solubilidades diferentes são prontamente absorvidos pelas raízes. estar relacionado com a viscosidade da água (sob condições de baixa temperatura) e com reações químicas (absorção ativa). Embora raízes jovens sejam também cobertas por uma camada cerosa e as mais velhas sejam fortemente suberizadas.4 . passando em seguida à negativa (perda por exsudação). A entrada dos herbicidas pelas raízes não é tão limitada quanto pelas folhas. em grande parte. seguida por uma fase de absorção mais lenta. Os pêlos radiculares são responsáveis por aumento significativo da área disponível para a absorção de água e de herbicidas (Fig. ocorre. a principal zona de absorção está entre 5 e 50 mm de sua extremidade. a água que se move em direção ao xilema deve entrar no simplasto. ou. depois. principalmente quando o composto é sujeito à ionização. ocorre decréscimo nesta taxa até ela se tornar nula.3 . O sistema radicular das plantas superiores apresenta uma superfície de absorção extremamente grande. metabolismo. o que pode ocorrer pelo crescimento desta ou pela difusão do herbicida no estado gasoso e. com alta permeabilidade à água e a solutos (sais). Nas raízes jovens. em solução com a água. A rota mais importante de entrada é a passagem do herbicida junto com a água através dos pêlos radiculares existentes nas extremidades das raízes.Fatores que influenciam a absorção através das raízes A absorção de herbicidas pelas raízes é caracterizada por uma fase inicial de elevada taxa de absorção durante os 30 primeiros minutos até 2 horas. A disponibilidade dos herbicidas para as raízes é função das propriedades físico-químicas dos herbicidas e do solo e da distribuição espacial destes compostos e das raízes no solo. Esse fenômeno pode. pode influenciar a absorção de herbicidas pelas raízes. Se o herbicida for 112 Módulo 3.Herbicidas: absorção.Penetração pelas raízes Muitos herbicidas aplicados ao solo são absorvidos pelas raízes. e esta barreira é conhecida por ser impermeável à água. 4). translocação.4. formulação e misturas . Tem sido observado decréscimo na taxa de absorção de herbicidas devido ao abaixamento da temperatura. próxima à zona de absorção radicular. uma vez que nenhuma camada significativa de cera ou cutícula está presente nas partes das raízes onde a maior parte de absorção de herbicidas ocorre. normalmente. 1.4-D. Na endoderme ou antes dela. todas as paredes radiais contêm uma banda fortemente impregnada com suberina (estria de Gaspary).1 . a taxa de absorção aumenta rapidamente logo após a aplicação e. Na endoderme. Apesar de não existir nenhuma barreira cuticular na zona dos pêlos radiculares. até a zona de absorção das raízes. há uma barreira lipídica localizada na endoderme da raiz. para o 2. Os herbicidas têm que entrar em contato com a raiz.

Para os herbicidas polares. formulação e misturas 113 . Também atrazine e amitrole tiveram absorção passiva. segundo Donaldson et. influenciam a absorção. pelas raízes. a energia necessária à manutenção da seletividade da plasmalema é inibida. portanto. Donaldson et al. De modo geral. Também as propriedades físico-químicas dos herbicidas. Essas condições foram satisfeitas para absorção de 2. o que geralmente não é o caso da segunda fase. requerimento de oxigênio. Como a Módulo 3. entretanto. conseqüentemente. demanda energia. dependente da concentração.4-D é acumulado ativamente e o monuron.4-D. A segunda fase de absorção. também. passivamente. taxa de absorção não é função linear da concentração externa. A absorção de herbicidas pela raiz também pode ser limitada por ligações ou adsorção do herbicida nos componentes celulares.4.2 . (1973) a taxa de absorção de herbicida correlaciona-se com o coeficiente de partição óleo/água. também é ativa ou dependente de energia. apresentando baixo Q10.Mecanismo de absorção de herbicidas A primeira fase de absorção é independente de energia metabólica. em geral. é um processo ativo de absorção. Sendo os herbicidas. o produto atravessá-la livremente. 1. (1973) listam os seguintes critérios para a absorção ser ativa ou dependente de energia: Q10 ≥ 2. que consiste em atravessar a membrana citoplasmática (plasmalema). por exemplo. alta temperatura do solo e alto potencial de água no solo são condições que favorecem a transpiração e. além do pH da solução do solo. inibidores metabólicos. A linearidade é perdida quando o herbicida exerce efeito tóxico sobre a planta. e acumulação contra um gradiente de concentração. em parte. baixa umidade relativa do ar. mas hiperbólica. dependendo das características do produto. metabolismo. podem ser adsorvidas. existem herbicidas não-polares que são. ele pode penetrar no floema e. Até aí. para picloram. existe uma relação linear entre a concentração do produto disponível e a sua penetração pela raiz. estabelecendo um gradiente de concentração entre a parte externa da raiz (solução do solo) e a interna da planta (corrente de assimilados). Quanto à concentração do herbicida. ou. translocação. Os herbicidas solúveis na água.3 . al. Alta temperatura e irradiância. o pH que aumenta a sua polaridade beneficia também a sua absorção e penetração pelas raízes. Não há dados suficientes para o entendimento completo de mecanismo de absorção de todos os herbicidas. como lipofilicidade e pka. há evidências contrárias. portanto. A segunda fase da absorção. a corrente transpiratória correlaciona-se com o transporte destes para a parte aérea da planta. a absorção de herbicidas polares.. prontamente absorvidos pelas raízes. indicando que o 2. de onde se transloca até seu sítio de ação. sendo os herbicidas mais lipofílicos absorvidos mais rapidamente. atrazine e napropamide. dentro de determinados limites. no xilema. é um processo passivo a puramente físico e. Embora alguns trabalhos demonstrem estreita relação entre transpiração e absorção. A correlação entre transpiração e absorção é válida para os herbicidas polares.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas absorvido em solução com a água. inicialmente. Esta fase tem um Q10 maior que a fase inicial e é sensível a inibidores metabólicos. Uma vez dentro do citoplasma das células. se difundem nos espaços livres das células da epiderme do córtex da zona de absorção. então. mas não o foram para monuron. translocados via xilema. Triazinas e uréias.Herbicidas: absorção. absorção bloqueada por inibidores metabólicos. podendo.

Moléculas de herbicidas capazes de penetrar no xilema e. translocação.Moléculas de herbicidas capazes de penetrar nas paredes celulares translocam-se via apoplasto. formulação e misturas . o .Moléculas de herbicidas capazes de entrar no protoplasma via simplasto (passam de célula em célula através dos plasmodesmatas) e atingem o floema. metabolismo. difundem-se através das estrias de Caspary e atingem o xilema. os herbicidas podem ser acumulados contra um gradiente de concentração. Figura 4 . por Mengel e Kikby (1982). ou.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas translocação via xilema é muito mais rápida que a translocação via floema.Herbicidas: absorção. há tendência de aqueles herbicidas que são capazes de passar livremente do floema para o xilema serem de baixa ou nenhuma translocação via floema.(a) Secção transversal de uma raiz. mostrando suas principais estruturas. x . (b) Diagrama hipotético. e há várias explicações para isso. Estas incluem ligações nos tecidos do citoplasma.3 . partição nos lipídios do citoplasma ou metabolismo a produtos polares que 114 Módulo 3. • . representando a absorção de herbicidas pelas raízes Durante a fase de absorção dependente de energia. floema por ambas as vias (simplásticas ou apoplásticas).

Acumulação de herbicidas (ácidos fracos) no interior da célula (a) e sítios de dissociação dos herbicidas (b): bentazon. Essas moléculas dissociadas (ânions) são menos capazes de atravessar a plasmalema do que as moléculas neutras. os produtos de maior afinidade por substâncias lipofílicas (lipofilicidade) atravessam mais facilmente a plasmalema. chlorsulfuron. 2. como os derivados do ácido fenóxico acético. metabolismo. Uma vez que o pH no citoplasma é uma a duas unidades maior que o pH do meio externo da célula. benzóico ou picolínico. Figura 5 . A exsudação é um fenômeno limitado apenas às raízes integrais (sem cortes) e vivas. Várias classes de importantes compostos.Herbicidas: absorção. Normalmente. A exsudação também está relacionada com a detoxificação da planta. provavelmente. formulação e misturas 115 . como 2.3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas são menos hábeis para se difundir através da plasmalema. são exsudadas pelas raízes. onde. quando aplicadas nas folhas das plantas. correspondendo à zona de absorção. Os herbicidas não-polares seguem uma rota lipofílica até atingirem a plasmalema. impedem a ação seletiva desta.4-D. os ácidos fracos se dissociam mais e entram no citoplasma. podendo ser um dos fatores responsáveis pela tolerância desta ao herbicida. A zona da raiz mais ativa na exsudação é a zona de alongamento. fenilacético. acumulando-se no interior da célula (Figura 5).4-D. imazethapyr e sethoxydin Fonte: Stelling (1994) Módulo 3. Esta é a explicação alternativa para a acumulação de ácidos fracos. translocação. evidenciando que ela se dá por processo metabólico.

contrariamente ao simplasto. aquelas plantas que são capazes de se regenerar através de bulbos. e tendo em vista que há diferença de penetração de herbicida nas diferentes posições da parte aérea da planta. em 1971. Transporte a longa distância ocorre através dos tubos crivados (floema).Translocação de herbicidas Há várias razões pelas quais é importante o estudo de translocação de herbicidas. conseqüentemente. os quais formam um sistema contínuo no qual a água e os solutos se movimentam livremente. que não são capazes de se regenerar através de seus órgãos subterrâneos. translocação. para que produza controle eficiente. 116 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . metabolismo. formulação e misturas . com velocidade de 60 a 100 vezes maior que o movimento no sentido radial. tubérculos. 2. citados por Hay (1976). denominado plasmodesmas. basicamente. que são as membranas citoplasmáticas. sem atravessar as barreiras à permeabilidade. para exercerem a sua efetiva ação herbicida. O floema é o principal componente do simplasto. etc. cloroplastos.1 . quando ocorre completa cobertura da parte aérea pela calda herbicida pulverizada. Apoplástico .Herbicidas: absorção. os espaços intercelulares e o xilema. etc. O movimento de solutos e assimilados no interior das plantas superiores pode ser definido. em dois sentidos. incluindo as paredes celulares. é formado pelo conjunto de células mortas.3 . formando um conjunto contínuo através das intercomunicações do citoplasma. como visto a seguir. até atingirem as células companheiras. a translocação é também de grande importância. Íons e moléculas podem movi¬mentar-se de célula para célula através dessas estruturas. necessitam que determinada quantidade do produto seja capaz de translocar e atingir estes orgãos de recuperação.. rizomas. Para a maioria dos herbicidas aplicados ao solo. Se a translocação de um herbicida pode ser aumentada. o aumento na translocação de um produto aumentará a sua eficiência. podem ser mortas por herbicidas de contato. considerando que não é fácil atingir toda a superfície foliar de uma planta.foi definido por Crafts e Crisp. Entretanto. Muitos herbicidas são absorvidos pelas raízes ou pelas partes subterrâneas do caule e são translocados para outras áreas. Por outro lado. de onde são transpostos para o floema. principalmente de arbustos e árvores. menores serão os custos de aplicação e os riscos de causar prejuízos ao meio ambiente. como a massa total de células vivas de uma planta.Conceito de movimento simplástico e apoplástico Simplástico . Plantas jovens. estolons. então as doses aplicadas deste produto podem ser reduzidas. como ponto de crescimento.

A hipótese do transporte pelo fluxo de massa envolve uma corrente de solutos movendo-se da fonte (folhas. Substâncias fotossintetizadas nas folhas da base da planta são transportadas para as raízes. têm. são um dreno e.O decréscimo da concentração dos assimilados ao longo dos vasos.1. mas somente as células companheiras estão diretamente ligadas ao floema. Sabe-se. Contudo.2 . inicialmente.1. As células companheiras e as células parenquematosas. O movimento para dentro do floema (carregamento) deve ser um processo ativo. supunha-se que as substâncias (íons ou moléculas) rompiam essa barreira e penetravam no sistema simplástico das células. antes de alcançar os vasos menores do floema. causando elevação do potencial osmótico e. que descer até atingir o caule. A teoria do transporte pelo fluxo de massa baseia-se na elevação da concentração de assimilados (açúcares. para muitas substâncias. translocação. após o que podem subir pelo floema ou penetrar no xilema e se translocar com a corrente transpiratória. caules ou outros órgãos fotossintetizantes) para o dreno (áreas meristemáticas. das células de transferência e das células companheiras estão diretamente intercomunicados.5 vezes o diâmetro da célula. que a estria de Gaspary não está presente nos ápices Módulo 3. quando amadurecem. 2. Uma vez que estes assimilados se movem para dentro desses vasos. enquanto as produzidas nas folhas da parte superior da planta são transportadas para as folhas novas e os brotos terminais. Citoplasmas das células do mesófilo. Parte dessa distância ocorre pelo sistema apoplástico. para se translocarem das folhas para a parte superior da planta.1 . força o fluxo em massa do conteúdo nele existente. Estas células são conhecidas como células de transferências e parecem funcionar no carregamento dos vasos do floema e na transferência do floema para o xilema. hoje. metabolismo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. A alta pressão de turgor. é ainda desconhecido. estão envolvidas no fluxo de carregamento destes vasos.Movimento descendente Os assimilados e solutos se movem a uma distância média correspondente a 2. assume-se que esse movimento ocorra à custa de energia metabólica. no entanto. porém o mecanismo desse carregamento. Acredita-se que herbicidas e outras substâncias se movimentem juntamente com esse fluxo.Movimento ascendente Íons e moléculas podem difundir-se pelos espaços intercelulares e paredes celulares do córtex. raízes e tecidos ou órgãos de reserva). se transformam em uma fonte. As células com protoplasma muito denso e com pontuações na parte interna da parede celular permitem maior superfície de contato entre o sistema simplástico e o apoplástico. suporta essa teoria.Herbicidas: absorção. flores e frutos em desenvolvimento. nestes vasos. conseqüentemente. O movimento por esta rota para o interior da raiz é bloqueado pelas paredes longitudinais das “estrias de Gaspary”. primeiro. formulação e misturas 117 . na endoderme. Os assimilados. em direção contrária ao gradiente de concentração. à medida que se distancia da fonte. As folhas. penetração de água dentro destas células. que acompanham as células do floema.3 . de alguma forma ainda não definida. principalmente sacarose) dentro dos vasos.

quando aplicado em solução nutritiva. então.é altamente móvel na planta.4-D. relacionada com sua exsudação por elas. 1992). A morte ou injúria das raízes reduz a sua exsudação. pode danificar a cultura quando ele for injetado em algumas espécies que são capazes de excretá-lo através de suas raízes. é rapidamente absorvido e translocado para todas as partes da planta. ele se transloca até as raízes e. visando reduzir o sombreamento de culturas como o cacau. Apesar de apresentar pequena acumulação na raiz. A sua pequena acumulação nas raízes está. CIAMPOROVÁ. aproximadamente. 2. Ele transloca-se.Herbicidas: absorção. Apesar de se translocarem no sentido descendente. ou vazar para o xilema parenquimatoso e ser transportadas no sentido acrópeto pela corrente transpiratória.4-D. Essas substâncias podem. Picloram .1. formulação e misturas .3 . metabolismo. em grande proporção. o picloram é. Aplicado nas folhas do milho. xilema e acumulam-se nos pontos de crescimento (tecido meristemático). talvez por inibir o movimento junto à corrente transpiratória. ele se acumula nos pontos de crescimento. pode ser exsudado pelas raízes.Translocação de alguns herbicidas Dicamba . mover-se de célula para célula.parece movimentar-se prontamente em ambos os sistemas (apoplásticos e simplásticos). sendo exsudado. translocação. Aplicado nas raízes ou nas folhas.3 . podendo causar danos às plantas adjacentes às tratadas. que é a striga (erva-debruxa). A elevação da umidade relativa pode aumentar o movimento descendente do 2. 2. ser absorvido por plantas vizinhas não-tratadas. Se o produto é aplicado nas folhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas radiculares de células endodérmicas jovens e na região basal das raízes laterais em desenvolvimento (LUXOVÁ. Se a planta é retirada da solução com herbicida e colocada numa solução sem herbicida. semelhante ao 2. as condições ambientais favoráveis à transpiração (umidade relativa baixa. até certo ponto. principalmente. podendo. 118 Módulo 3.4-D. pelas raízes. pode controlar uma séria invasora do milho. O 2. A presença de folhas jovens na planta aumenta a translocação do produto para as raízes. ou. Em geral. Exsuda-se. também ocorre acumulação nas folhas jovens.4-D move-se do floema para o xilema e retorna à folha tratada. elevadas temperaturas e adequado suprimento de água no solo) são também favoráveis à translocação dos produtos que se movimentam pelo sistema apoplástico. espalhando-se rapidamente por toda a planta. A adição do ácido 2-cloroetil-fosfônico (ethrel) ao dicamba aumenta a sua translocação.3. Derivados do ácido fenóxico . O uso deste herbicida no raleamento de floresta. indicando ser este um processo que requer energia. para folhas e pontos de crescimento da planta. a concentração do produto diminui nas raízes e nas folhas fotossintetizadoras e se concentra nas regiões meristemáticas desta. Pequena acumulação ocorre nas raízes. pelo sistema simplástico.6-TBA .os representantes deste grupo translocam-se pelo floema e. 10 vezes mais tóxico às raízes que o 2. neste caso. Aplicado nas folhas das plantas. o que pode representar importante rota de passagem dos herbicidas do apoplasto para o simplasto. no sentido descendente. não se acumulam na raiz por causa do fenômeno da exsudação. nos pontos de crescimento e nas raízes. apesar de ser bastante móvel no sentido basípeto da planta.

portanto. A taxa de absorção decresce algum tempo após a aplicação. em plantas de algodão. quanto mais lipofílica for a imidazolinona. são bastante toleradas pelos citros e pelo algodão. promove o acúmulo de CO2 na câmara subestomática. que é concentrada nos tecidos meristemáticos.3 . mais rápida é absorvida pelas raízes e mais rápida é a translocação para o caule. Algumas uréias. Módulo 3. formulação e misturas 119 . Aplicados às folhas. Alguns trabalhos mostram que a translocação é aumentada pela redução da umidade relativa (elevação da transpiração). parece que ele atinge o xilema antes de necrosar o tecido e se move com a corrente transpiratória tão logo a planta seja exposta à luz. em razão de sua rapidez de ação. porém se translocam apenas do ponto de aplicação para as extremidades da parte da planta onde foram aplicadas. Algumas. penetram no simplasto. como herbicidas não translocáveis nas plantas. atingindo. A diferença de translocação do imazaquin pode ser a causa das diferenças na susceptibilidade entre as espécies. a translocação da folha para o caule parece não estar relacionada com a lipofilicidade. Aplicados às raízes. sob forte intensidade luminosa. A translocação das raízes para os caules parece estar relacionada com a lipofilicidade das imidazolinonas. onde atuam. sendo todas elas translocadas exclusivamente via xilema. concentrando-se nas extremidades das folhas. translocação. principalmente. dentro de 30 minutos elas podem ser detectadas no topo da planta. a pequena translocação do produto ocorre pelo sistema apoplástico. eles são considerados herbicidas de contato.os derivados da uréia substituída são translocados exclusivamente via apoplástica. por causa do fechamento dos estômatos (redução na taxa de transpiração). principalmente diuron. Quando o paraquat é aplicado no escuro. de alguma forma. os cloroplastos. Os estômatos fecham-se porque o herbicida. Altas concentrações destes produtos são encontradas em glândulas ricas em óleo (verdadeira barreira à translocação destes herbicidas) localizadas ao longo do caule e nas folhas da planta. em menor proporção. inicialmente. eles não se translocam de uma folha para outra. Ocorre paralisação da translocação em aveia uma hora após o tratamento. Na prática.a maioria das triazinas são mais facilmente absorvidas pelas raízes. principalmente quando aplicados durante o dia. Outros autores admitem que a translocação ocorrida na planta seja por difusão causada pelo rompimento das células. Entretanto. enquanto a translocação no milho continua por muito tempo. ametryn e atrazine. ao inibir a fotossíntese.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Uréias . mas pouco ativo em Avena fatua. Triazinas .estes herbicidas são absorvidos por folhas. metabolismo. espalham-se por toda a planta. onde inibem a síntese de aminoácidos. onde. Aparentemente. Imidazolinonas . Quando aplicadas às raízes das plantas. são também absorvidas pelas folhas. caules e raízes e se trans¬locam via floema ou xilema até os pontos de crescimento. Fatores que reduzem a transpiração da planta reduzem também a sua translocação. O sítio de ação dos herbicidas deste grupo é a enzima AHAS (ácido aceto hidroxi sintase). fluometuron e linuron. Contudo. A sua velocidade de ação é proporcional à intensidade luminosa. em solução nutritiva. Imazaquin é muito ativo no milho. na prática.Herbicidas: absorção. principalmente nos cloroplastos. como metribuzin. Bipiridílios – são considerados. Assim. As triazinas também se acumulam em glândulas ricas em óleos. aparecem os sintomas de toxidez.

causando a inativação do herbicida.Metabolismo dos herbicidas nas plantas A seletividade dos herbicidas pode ser atribuída a numerosos fatores. Os compostos geralmente encontrados em conjugação com 2. fenilalanina e triptofano.4-D). aminoácidos também são mecanismos de inativação do 2. o toleram. o estudo de seus metabolismos é relativamente recente. metabolismo. transformando-se em composto tóxico (2. formulação e misturas .4-D são: ácido aspártico. na planta. incluindo absorção. mas somente algumas espécies o degradam em velocidade suficientemente rápida para aumentar ou proporcionar a sua tolerância ao produto.4-DB → β oxidação → 2. na passagem do cloro de uma posição para outra. Algumas leguminosas. como a alfafa. também.6 T. A maioria das plantas degrada a cadeia do ácido acético. formando o 2. na época da colheita das estruturas utilizadas para a alimentação. há hidroxilação na posição anterior do cloro.5 T.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . Derivados dos ácidos fenóxicos Há três mecanismos básicos envolvidos no metabolismo dos derivados do ácido fenóxido acético (Figura 6): • degradação da cadeia do ácido acético. • hidroxilação do anel aromático.: auxínicos. valina. É importante saber não só que o herbicida é metabolizado. metabolismo. Uma das maneiras pelas quais as plantas se livram destes produtos é através do metabolismo destes. Para vários grupos de herbicidas (ex.Herbicidas: absorção. ácido glutâmico. Normalmente. O 2.4-D.4-DB também é metabolizado por algumas plantas (Figura 7). conhecer os seus metabólitos e a forma como são metabolizados. alanina. com conseqüente conjugação desta hidroxila com constituintes da planta. A transferência do cloro da posição '4' para a posição '3' e a passagem do cloro da posição '5' para posição ‘6’ do 2. 120 Módulo 3. A hidroxilação na posição ‘para’ inativa o produto.4. metabolismo o da molécula é uma das principais causas da seletividade. translocação. do metabolismo dos herbicidas nas plantas apenas em relação à sua detoxificação. leucina. A hidroxilação na posição ‘3’ e a sua conseqüente conjugação com glucose e.3 . mas. também o inativam. É muito importante saber se o herbicida é metabolizado ou não. As agências governa¬mentais estabelecem limites de tolerância de resíduos dos produtos na planta. Embora os herbicidas venham sendo usados há mais de 50 anos. aqui. Tratar-se-á. translocação. inibidores da ALS e da ACCase). etc.3. e • conjugação do composto com constituintes da planta. ou.

metabolismo. formulação e misturas 121 . sorgo e cana-de-açúcar.4-DB a 2. A taxa de degradação das triazinas em plantas superiores varia grandemente com as diferentes espécies.4-D em plantas superiores Figura 7 – β oxidação do 2. Figura 6 . translocação.4-D em plantas superiores Triazinas Algumas plantas. são altamente tolerantes às clorotriazinas (atrazine e simazine).3 . enquanto em espécies suscetíveis (feijão e pepino) a degradação Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas porque não o transformam em 2. elas são rapidamente degradadas (Figura 8). principalmente gramíneas como milho.4-D ou o fazem muito lentamente. dando tempo para que outros processos metabólicos realizem a sua degradação.Herbicidas: absorção.Biotransformação e rotas metabólicas do 2. antes da saturação dos sítios de ação do produto. Em espécies tolerantes.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas é mais lenta.Biotransformação e rotas metabólicas de atrazine em plantas superiores Os processos de inativação ocorrem pela hidroxilação. o que favorece a tolerância das plantas a estes herbicidas. mas a hidroxilação é mais intensa nas raízes. Esta substância ocorre em toda a planta de milho. Figura 8 . a taxa de degradação das triazinas parece ser. 122 Módulo 3. O metabolismo do metribuzin nas plantas superiores pode ser observado na Figura 9. Glutation-Stransferase é a enzima envolvida nessa conjugação. translocação. formulação e misturas . indicando que nestas a benzoxazinona é mais ativa.3 . Extratos das raízes e da parte aérea do milho são capazes de hidroxilar as clorotriazinas. A N-dealquilação é outra rota do metabolismo das triazinas. demetoxilação e dealquilação na posição ′N′ e por conjugação com peptídeos. Também pode ocorrer conjugação das triazinas com peptídeos. a base de seletividade destes herbicidas às plantas. primariamente. A substância catalisadora dessa reação foi identificada como benzoxazinona. metabolismo. Portanto.Herbicidas: absorção.

metabolismo. não se demonstrou. É um produto não-seletivo e de elevada eficiência no controle de plantas daninhas perenes. Propanil É uma exceção entre as amidas. translocação.Biotransformação e rotas metabólicas do metribuzim em plantas superiores Derivados dos ácidos benzóico A hidroxilação do anel aromático e a sua conjugação com outros constituintes da planta são demonstradas na prática. formando a correspondente anilina. formulação e misturas 123 . ou.Herbicidas: absorção. a ruptura do anel. Entretanto. Derivados da uréia As principais rotas do metabolismo das uréias substituídas estão relacionadas com a demetilação e.3 . e também com a conjugação com os constituintes da planta. incluindo as de raízes profundas. o 2. o propanil inibe o fotossistema II.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 . tanto na planta quanto no solo. demetoxilação e deaquilação. É considerado um herbicida completamente metabolizado pelas Módulo 3.6-TBA é considerado um herbicida estável. Entre os compostos deste grupo. ainda.3. Enquanto estas inibem raízes e pontos de crescimento.

formulação e misturas . translocação. principalmente com diversos tipos de carboidratos. podendo a mistura do propanil com estes compostos causar sensível redução na tolerância do arroz ao propanil ou até perda total de seletividade do propanil a essa cultura.Herbicidas: absorção.4-D com a do picloram (em algumas espécies de plantas latifoliadas). mostraram que somente 17% do picloram tinha sido metabolizado três meses após a sua aplicação. em trigo. 124 Módulo 3. como o capimarroz. ele se acumula e inibe a reação devido à menor atividade da enzima que o degrada. Trabalhos realizados por Redemann e outros. Entretanto.Hidrólise do propanil em plantas de arroz O metabólito 3-4-dicloroanilina formado pode ser conjugado com constituintes da planta.3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantas tolerantes (Figura 10). como o arroz. Picloram: É um produto altamente estável na planta e no solo. o picloram é mais de 10 vezes mais ativo. metabolismo. Nas plantas sensíveis. A sua alta atividade como arbusticida e arborecida está relacionada com a sua estabilidade na planta. por unidade de tempo.4-D é mais ativo que o picloram. A enzima envolvida nesse processo (arilacilamidase) é 10 a 20 vezes mais ativa no arroz que no capim-arroz. Comparando a atividade do 2. A velocidade de sua metabolização influencia decisivamente a tolerância da planta. considerando-se o tempo de ação. observou-se que o 2. Figura 10 . por causa de sua lenta degradação. sensível. citados por Foy (1976). razão pela qual o arroz é tolerante e o capim-arroz. Esta enzima é sensível aos inseticidas carbamatos e fosforados orgânicos. O 3-4-diclorolactoanilida é um composto intermediário e instável nas plantas tolerantes.

às vezes. tamponantes (deixam o pH dentro de uma faixa desejada). espessantes (aumentam a viscosidade). exceto água. Na legislação federal sobre produtos fitossanitários. 1997). que são capazes de reduzir muito a tensão superficial e até induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal. A formulação é a etapa final da industrialização. metabolismo. é comercializado em formulações diferentes em várias regiões do mundo.Formulação Formular um herbicida consiste em preparar seu ingrediente ativo na concentração adequada. Entre as classes de adjuvantes podem-se citar: emulsificantes (compatibilizam frações polares e apolares). mas a tendência atual. adicionando substâncias coadjuvantes. antievaporantes e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 .3 . Os surfatantes ou tensoativos são também adjuvantes. dispersantes (impedem a aglomeração de partículas). seja como molhantes. catiônicos (carregados positivamente) e não-iônicos (neutros). Os minerais também podem servir como veículo para aplicação de herbicidas. para poder cumprir eficazmente sua finalidade biológica. translocação. solventes (dissolvem o ingrediente ativo). é uma formulação universal que possa ser usada em diversos países. que é acrescida na preparação de defensivos para facilitar a aplicação ou aumentar a eficiência ou diminuir os riscos é classificada como adjuvante. no Brasil. Módulo 3. ou. tendo em vista que o produto final deve ser usado em determinadas condições técnicas de aplicação. penetrantes. segundo Kissmann (1997). adesivos. e surfatantes (agentes ativadores de superfície).Herbicidas: absorção. O mesmo ingrediente ativo. Recentemente surgiram os surfatantes à base de organossilicones. Eles podem ser aniônicos (carregados negativamente). por possuírem porções lipofílicas e hidrofílicas na mesma molécula. Os óleos não-fitotóxicos também têm grande uso como adjuvante. servindo de interface entre as superfícies. mantendo essas condições durante o armazenamento e transporte (ARAÚJO. Os surfatantes são classificados de acordo com sua carga elétrica ou tendência de ionizar a porção hidrofílica da molécula. ingrediente ativo é o composto com atividade biológica. espalhantes. Qualquer substância ou composto sem propriedade fitossanitária. quelatizantes (tiram reatividade de moléculas e íons). e os ingredientes inertes são os outros compostos adicionados na formulação. corantes (dão coloração ao produto formulado). também. formulação e misturas 125 . vegetais (apresentam porções variadas de ácidos graxos) e vegetais metilados (sofrem esterificação metílica). Estes compotos causam redução da tensão superficial. que não alteram o equilíbrio eletrolítico nas formulações e nas caldas. Eles podem ser: minerais (formulados com predominância de frações parafínicas de hidrocarbonetos). molhantes (permitem rápida umectação do produto em contato com a água). pelos estômatos. fazendo com que o herbicida penetre. adesivos (melhoram a aderência do produto com a superfície tratada).

A água quase sempre apresenta sais em dissolução. que são os principais causadores da dureza da água.0 > 534. possível injúria na cultura. os surfactantes favorecem o espalhamento uniforme da calda na superfície foliar.Classes de dureza da água Classes Água muito branda Água branda Água semidura Água dura Água muito dura ppm de CaCO3 71. tanto física (sem absorção ou repulsão entre os ingredientes) como química (sem alteração dos compostos) ou biologicamente (a mistura deve ser eficiente para o controle) e ser estável. translocação.Veículo de aplicação (água) O veículo mais importante para diluir formulações de produtos fitossanitários a serem aplicados por pulverização ou imersão é a água. custo. podem solubilizar substâncias não-polares da folha. equipamento de aplicação disponível. assim.0 126 Módulo 3. 1997). necessidade de armazenagem e tipo de ambiente em que a aplicação é feita. 1997). deve apresentar bom espalhamento. tornando-os indisponíveis.1 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Além da redução da tensão superficial. danosa a ela. tem que ser compatível. no mínimo. que deve ser de boa qualidade. metabolismo. e penetração foliar eficiente. caso esta já esteja instalada.4 142. aumentam a retenção e melhoram o contato da gotícula. nos seguintes fatores: características físicas e biológicas da planta daninha-alvo. como sendo fitotóxicos. ou seja. boa retenção na superfície da folha. Deve-se salientar que essa dureza é calculada em função do teor de CaCO3 . permanecer ativa por um longo período.3 . Um exemplo claro dessa ação ocorre com os compostos catiônicos (paraquat e diquat). Quadro 3 . Além disso. também.Herbicidas: absorção. favorecer mais a penetração do herbicida (RADOSEVICH. formulação e misturas .2-142. perigo de deriva e lixiviação. especialmente os de Ca++ e de Mg++. 4. Deve também permitir a associação de produtos. e não afetar os microrganismos benéficos e a cultura.2 71.4-320. por diminuírem ou eliminarem a seletividade de alguns herbicidas e até favorecerem ataques de fungos pela remoção da camada cerosa protetora ou por espalharem os esporos pela superfície vegetal (Kissmann. assumir conotações negativas em certos casos. Argilas e compostos orgânicos em suspenão na água podem absorver alguns tipos de ingredientes ativos.4 320. Também. que são inativados parcial ou totalmente.4-534. segundo Ozkan (1995). Os sufatantes podem. A escolha da formulação a ser usada baseia-se. Uma formulação de herbicida pode ser considerada de boa qualidade se atender aos seguintes requisitos: ser letal à planta daninha ou. causando desnaturação enzimática ou disfunção das membranas e.

após dispersão em água. Geralmente.3 . adicionado em água. com possíveis substituições e formações de compostos insolúveis. possui 50 a 80% de ingrediente ativo (ex: Sencor BR. formulação e misturas 127 . com conseqüente perda da função desses surfatantes. Outro fator muito importante que pode influir na estabilidade dos herbicidas e nos resultados é o pH da água.Tipos de formulações As formulações apresentam-se.ingredientes ativos à base de ácidos ou sais podem reagir na presença dos cátions Ca++ e Mg++ . As indústrias geralmente já formulam seus produtos para serem compatíveis com 20 até 320 ppm de carbonato de cálcio. ou acrescentando um quelatizante na água. Durante a aplicação. Possui a vantagem de ter.1 . o que isolaria a carga elétrica e suprimiria a reatividade de íons desta. de duas maneiras: acrescentando um surfatante não-iônico. 4. e este. não requerendo agitação durante aplicação. Pó solúvel (PS): nesta formulação o ingrediente ativo é totalmente solúvel em água. basicamente. Muitos produtos que ficam preparados em água por muito tempo.2 . que representa água semidura. Adiciona-se geralmente uma substância dispersante.2. Geralmente.5. descaracterizando sua ação biológica. vermiculita. antes da aplicação. precisa-se de uma agitação contínua no tanque. o que reduziria a tensão superficial dos líquidos.na presença de tensoativos aniônicos contendo Na+ ou K+. as caldas fitossanitárias apresentam mais estabilidade numa faixa de pH entre 6. no produto comercial. e a constante de dissociação também é dependente do pH. os elementos responsáveis pela dureza da água Ca++ e Mg++ podem substituí-los. formando compostos insolúveis.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A dureza da água interfere na qualidade das caldas dos herbicidas de duas maneiras: Nas formulações . segundo Kissmann (1997). Muitas moléculas sofrem dissociação quando em solução. cuja velocidade depende do pH. Valores extremos de pH podem afetar a estabilidade das caldas. A dureza da água pode ser corrigida.Formulações sólidas Pó molhável (PM): esta formulação é definida pela ABNT como formulação sólida de pó. sob a forma de suspensão.Herbicidas: absorção. Nos ingredientes ativos . 4. maior concentração de Módulo 3. etc). para evitar floculação e aumentar a establilidade da suspensão. nas formas sólida e líquida. transformase numa suspensão. para aplicação. Grânulos dispersíveis em água (GRDA ou dry flowable): é uma formulação sólida constituída de grânulos. podem sofrer degradação por hidrólise. É obtida pela moagem do ingrediente ativo absorvido em material inerte (sílica.0 e 6. metabolismo. translocação. para aplicação sob a forma de suspensão após desintegração e dispersão em água. O ingrediente ativo sólido está na forma de grânulos. 700 g kg-1 de metribuzin).

para aplicação após a diluição em água. metabolismo. Esta formulação contém as fases ‘oleosa’ (contendo o ingrediente ativo e o solvente orgânico surfatante) e ‘aquosa’ (que também pode conter 128 Módulo 3. sendo uma alternativa ao concentrado emulsionável (ex. Como vantagens estão a ausência do pó.Formulações líquidas Soluções (S): esta mistura é de natureza homogênea. acetona.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas princípios ativos. Granulados (GR): os grânulos são constituídos de veículos minerais. Neste tipo de formulação. dissolvido no solvente. podem ser aplicados em locais de difícil acesso. dispensam o uso da água. o princípio ativo sólido (micropartículas) é mantido suspenso em água. 1997) (ex. são mais seletivos. diferindo-se por possuírem partículas de maior tamanho. Possui maior penetração foliar. Suspo-emulsão: é uma formulação fluida e heterogênea. O concentrado emulsionável conta.2. que pode ser água. permanece por longos períodos em suspensão (mistura mais homogênea) e provoca menos desgaste nos bicos (ZAMBOLIM. 670 g L-1 de 2.3 . 110 g L-1 de fenoxaprop-p-ethyl). translocação. A solubilidade mínima necessária é de 12%.: Ordran 200 GR. formulação e misturas . composta do soluto. Seu processo de obtenção é o mais simples e barato. a baixa toxicidade e o fácil manuseio (ex. cuja concentração varia de 2 a 20%. Para que um produto seja formulado como solução. 700 g kg-1 de imazaquin). Emulsões concentradas: esta formulação é uma emulsão de ingrediente ativo de baixo ponto de fusão ou líquido. com isso. álcool.2 . 200 g kg-1 de molinate). VALE. 960 g L-1 de metolachlor). Suspensão concentrada (S) ou “flowable”: é uma formulação constituída por uma suspensão estável de ingrediente(s) ativo(s) num veículo líquido. 4-D). A importância desta formulação reside na possibilidade de poder compatibilizar dois tipos de formulações diferentes. Emulsões são sistemas termodinamicamente instáveis que consistem em dois líquidos imiscíveis. adiciona-se geralmente um surfatante (ex.Herbicidas: absorção.: Dual 960 CE. têm maiores custos e dependem de equipamentos adequados para aplicação e de umidade no solo para liberar o ingrediente ativo (ex. Devido à sua pouca penetração foliar. menor volume de calda para aplicação (ex: Scepter 70 DG. Microemulsão: é um caso específico de emulsão.: Karmex 500 SC. constituída de uma dispersão estável de ingredientes ativos na forma de partículas sólidas e de finos grânulos na fase aquosa. como a vermiculita.: Podium. e um agente emulsificante. 500 g L-1 de diuron). que pode conter outro(s) ingrediente(s) ativo(s) para aplicação após a diluição. ele deve ser solúvel em pelo menos 25% por litro do solvente. etc. basicamente. 4. que é o ingrediente ativo.: DMA 806 BR. sob a forma de emulsão. sendo um deles disperso como glóbulos de pequeno tamanho dentro do outro. requerendo. Em geral. e de princípio ativo. Pellets ou pastilhas: possuem ampla similaridade com os granulados. Concentrado emulsionável (CE): é uma formulação líquida homogênea. para aplicação após diluição em água. e do solvente. com um solvente nãopolar (o ingrediente ativo).

devido ao uso de doses menores de cada herbicida misturado. • Aumento da segurança da cultura. quando comparadas com aplicação de um princípio ativo isoladamente. metabolismo. a preparar misturas de herbicidas com diferentes princípios ativos. Módulo 3. A aparência é de um líquido transparente. Deve-se dar preferência às misturas prontas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ingrediente ativo solúvel em água. tolerância ou resistência) em relação aos herbicidas utilizados.Herbicidas: absorção. • Redução de resíduos na cultura e no solo devido ao uso de doses menores. bem como os fabricantes.1 . o controle mais efetivo de plantas daninhas e as menores quantidades de herbicidas aplicadas geralmente reduzem o custo total do manejo.Misturas de herbicidas O controle de plantas daninhas visa. especialmente as misturas. translocação. Houve grande expansão no uso de misturas e na aplicação sequencial de vários herbicidas em um único ciclo cultural. como: • Controle de maior número de espécies de plantas daninhas e redução do risco de aparecimento de genótipos resistentes. • As misturas foram primeiramente usadas para o controle não-seletivo e seu uso contínuo tornou-se importante. ou mesmo com outros agroquímicos/pesticidas. 5. Há menor chance de a cultura ser injuriada.3 . reduzir ou eliminar a competição destas com a cultura É importante lembrar que existem centenas de espécies de plantas daninhas e que estas apresentam as mais variadas características morfológicas e fisiológicas. É mais efetiva que uma única dose de um herbicida. além do conhecimento a respeito das interações entre os produtos. visando obter o máximo de controle de plantas daninhas e minimizar injúrias às culturas. além de surfatante). o manejo de herbicidas. que lhes conferem comportamento diferenciado (susceptibilidade. A idéia de combinação de herbicidas para controlar seletivamente plantas daninhas em culturas desenvolveu-se posteriormente. especialmente dos componentes mais persistentes. Além desse fato. homogêneo (ex. requer grande cuidado. entre outros aspectos. 5 .: Robust: 200 g de fluazifop-p-butil + 250 g L-1 de fomesafen).Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas A aplicação de misturas de herbicidas pode oferecer vantagens. • Redução de custos: o menor custo de aplicação. a necessidade de reduzir os custos de produção da cultura tem levado os produtores. entretanto. formulação e misturas 129 .

Menor desempenho da mistura pode ser resultado de qualquer incompatibilidade física ou biológica. • Pode melhorar o controle de plantas daninhas pela ampliação da seletividade.. Fatores como solubilidade. É a relação da efetividade de um material com o outro. 5. • Efeitos aditivos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é igual à soma dos seus efeitos quando aplicados separados. por exemplo. resultando em formação de precipitados.Herbicidas: absorção. 130 Módulo 3. com outro formulado como concentrado emulsionável tem elevada tendência a apresentar incompatibilidade física. A incompatibilidade denota a inabilidade de dois ou mais herbicidas em serem usados simultaneamente. é evitar possíveis incompatibilidades dos componentes da formulação. dependendo do modo como foi feita a mistura. pela adição de outro herbicida mais efetivo sobre determinada espécie de planta daninha predominante. 5. em razão da possível ação sinergística na planta daninha e ação antagônica sobre a cultura. de modo que sua aplicação não pode ser executada.2 . separação de fase. • Melhores resultados em campos com variados tipos de solos.3 . Estes herbicidas pré-misturados ou em misturas no tanque do pulverizador podem ser mais eficientes ou não.Interações entre herbicidas O termo interação descreve a ação conjunta dos herbicidas nas plantas. Quando dois ou mais herbicidas são aplicados juntos. juntos (misturados no tanque) ou ainda podem ser formulados juntos (comercializados numa mesma embalagem). em relação à de tanque. podem ser observados os seguintes efeitos sobre as plantas: • Efeitos sinérgicos: quando o efeito dos herbicidas aplicados juntos é maior que a soma dos efeitos isolados. eles podem ser aplicados separadamente (um após o outro). formulação e misturas . causada pela incompatibilidade. carga iônica e outros parâmetros físicos são responsáveis pela redução do desempenho dos produtos. etc. A incompatibilidade física é usualmente causada pela formulação e suas interações. metabolismo. • Efeitos antagônicos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é menor que a soma dos seus efeitos quando aplicados separadamente. complexação. A mistura de um herbicida formulado como pó-molhável. que resulta numa rápida sedimentação dos componentes da mistura. translocação. uma das vantagens da mistura formulada.3 . Por isso.Incompatibilidade Quando dois ou mais herbicidas são combinados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Controle por um período maior.

e E = percentagem ‘esperada’ de inibição do crescimento pelos herbicidas A+B a p+q L/ha. etc. etc. a mistura é aditiva. inseticidas organofosforados podem inibir. a mistura é antagônica. induzindo o Módulo 3. WARREN. este metabolismo.4-D. aumento da translocação. MCPA. principalmente quando a formulação éster do MCPA é usada. • Se a resposta observada foi menor que a esperada. por exemplo. O antagonismo do fenoxaprop com MCPA éster aumentou a tolerância do trigo sem reduzir o controle da aveia-brava (JORDAN. Organofosforados estão envolvidos com interações com nicosulfuron (SILVA et al. interações dos mecanismos de ação dos herbicidas envolvidos. • Se a resposta observada for igual à esperada. Inseticidas organoclorados não têm apresentado interações com herbicidas. A redução da penetração pela raiz pode resultar em antagonismo e aumentar a seletividade da cultura. ou reduzir. O antagonismo em misturas de tanque acontece quando uma reação adversa ocorre entre os herbicidas na solução. metabolismo. Do ponto de vista prático. os inibidores de lipídios não devem ser misturados com 2. formulação e misturas 131 . chlorsurfuron. entre o paraquat e o MCPA dimetylamina.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É interessante lembrar que esses efeitos podem ser diferentes entre espécies de plantas. 2005) A tolerância do milho a este herbicida é devido ao rápido metabolismo deste. O efeito da interação entre dois herbicidas pode ser estimado pela equação a deguir: em que: X = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida A e p L ha-1. É o antagonismo químico. Então. imazethapyr.3 . entretanto. resultando em menor efeito dos herbicidas sistêmicos.. 1995).Interações de herbicidas com inseticidas em mistura Em geral. O antagonismo também ocorre quando um herbicida de contato é aplicado com glyphosate ou com herbicidas auxínicos. 5. bentazon. chlorimuron. inibição do metabolismo. X+(100-Y) é a toxicidade esperada da mistura. • Se a resposta observada for maior que a esperada. etc. É o caso do trifluralin e diuron em algodão e trifluralin e metribuzin em soja. As bases para essa interação podem ser: aumento da penetração foliar dos herbicidas aplicados em pós emergência. imazaquin. Y = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida B e q L ha-1. Também pode ocorrer a redução da penetração foliar. seria ideal que a mistura apresentasse efeitos antagônicos para a cultura e sinergísticos para as plantas daninhas. translocação.4 . por exemplo. a mistura é sinérgica. a fitotoxicidade de alguns herbicidas tem mostrado ser influenciada por alguns inseticidas organofosforados ou metilcarbamatos. A absorção e a translocação do glyphosate ficam prejudicadas.Herbicidas: absorção. Várias misturas sinergísticas de herbicidas têm sido reportadas.

viabilizam a aplicação desses insumos de uma só vez. translocação.Herbicidas: absorção.3 . Os inseticidas protegem o algodão de alguma toxicidade do clomazone. A aplicação do terbufos em milho é antagonística aos resíduos do imazaquin no solo e tem dado considerável proteção ao milho. em ensaios preliminares apresentou efeitos aditivos. fomesafen e imazamox. Interações de herbicidas com fertilizantes em mistura Os herbicidas em misturas com fertilizantes. O organofosforado terbufos (Counter) tem causado maiores problemas na prática. bentazon. É interessante ressaltar o antagonismo entre phorate (Thimet). formulação e misturas . porém sem nenhuma base científica. metabolismo. 5. 132 Módulo 3. Os mecanismos dessa interação não são bem conhecidos. A aplicação de molibdênio na cultura do feijão. às vezes.5. disulfoton (Disyston) e o clomazone em algodão.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surgimento de sintomas de intoxicação nas plantas da cultura. se confirmados. Esses resultados. são usados por alguns produtores. em mistura com os herbicidas fluazifop-p-butil+fomesafen.

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Herbicidas: comportamento no solo 135 .DF 2006 Módulo 3.Herbicidas: comportamento no solo Tutores: Profº.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .Manejo de plantas daninhas 3. Rubem Sillvério de Oliveira Júnior Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .4 . Antonio Alberto da Silva Profº. Jose Barbosa dos Santos Profº.ABEAS Universidade Federal de Viçosa .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília . Rafael Vivian Profº.

Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo.2.2.4 – Lixiviação.4 .Relação entre KH e incorporação de herbicidas. 154 2.3 . 162 3.1 .5.Absorção pelas plantas.Herbicidas: comportamento no solo .4. 158 2.3 .6. 175 136 Módulo 3.Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação. 150 2. 142 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução. 162 3.Textura e mineralogia.1 .Fatores que influenciam a volatilização.pH do solo.4 – Sorção.4 – Solubilidade. 164 3.Degradação química.2. 150 2.3 . 158 2.Processos de transporte. 166 3.Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa).1 . 167 3. 138 1 .1 – Persistência.5. 147 2.2 .2 . 170 4. 167 3.5 . 139 2 .Alternativas para redução de perdas por volatilização.2 .5. 158 2. 175 4.1 .6. 141 2. 164 3. 170 4.Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in).Processos de retenção.Importância do estudo de herbicidas no solo.Pressão de vapor (P).2 – Absorção. 162 3.6 .Processos de transformação. 140 2.6 .Isotermas de sorção.2 .1 .2.2. 167 4 .4. 141 2. 160 3 .3 .Coeficiente de partição octanol-água (Kow).2 – Volatilização.2.3 – Adsorção.Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas.1 – Precipitação. 144 2. 166 3. 155 2.2 . 161 3.Relação entre PV e S.7 – Dessorção.Estimativa da sorção.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas. 141 2.5 .

1 .Considerações finais. 178 5.4 .3 . 183 6 .Herbicidas: comportamento no solo 137 . 186 Referências bibliográficas. 177 5 – Fitorremediação.A fitorremediação como mecanismo de biorremediação. 188 Módulo 3. 179 5.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.Estratégias para o sucesso da fitorremediação.Fotodecomposição ou fotólise.Problemas relacionados aos herbicidas residuais.2 . 182 5.

além da sua taxa de degradação. os estudos envolvendo a sorção de herbicidas em solos brasileiros sob condições de clima tropical são também fundamentais para avaliação da eficiência de controle das plantas daninhas do local. 138 Módulo 3. é fundamental que eles sejam adequadamente aplicados. assim como dos próprios recursos naturais que sustentam a produção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O uso do controle químico em plantas daninhas. entre outros fatores. Com isso. a qual está relacionada à atividade microbiológica.Herbicidas: comportamento no solo . da capacidade de sorção do solo. pois elevados índices de sorção podem comprometer a eficiência do herbicida.4 . observa-se maior preocupação quanto à contaminação do ambiente e a utilização racional dos recursos hídricos e do solo. cresce a importância do entendimento do destino final dessas moléculas e do estudo do comportamento no ambiente onde são aplicados. As práticas agrícolas. atualmente. para que seja preservada a qualidade final dos produtos colhidos. biodisponibilidade e recalcitrância do herbicida. No entanto. O seu tempo de permanência no ambiente depende. especialmente o solo e a água. inicia-se o processo de redistribuição e degradação dos herbicidas aplicados. entretanto. como o que ocorre para algumas moléculas simples e não-persistentes. o qual pode ser extremamente curto. para compostos altamente persistentes. o qual atua como o principal receptor e acumulador desses compostos. Ao atingirem o solo. ou perdurar por meses ou anos. Os exemplos apresentados destacam os estudos mais relevantes com herbicidas em solos. juntamente com os processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente. Embora escassos. tornando-se indiscutível a utilização de herbicidas no sistema agrícola. permitindo maior compreensão da dinâmica desses compostos no ambiente. 2001) e acabam alcançando direta ou indiretamente o solo. são responsáveis por grande parte da degradação desses recursos. constitui-se prática indispensável para a agricultura em larga escala. Nos últimos anos. da dinâmica do fluxo hídrico e do transporte de solutos. Neste capítulo são apresentados os principais conceitos relacionados ao comportamento de herbicidas no solo. Outro fator relevante é que 60 a 70% do total dos pesticidas aplicados nos campos agrícolas não atingem a superfície alvo de interesse (LAW.

de modo a minimizar os eventuais efeitos negativos que a sua presença possa causar ao ambiente. embora esses processos sejam descritos de forma isolada. No entanto.4 . PARKING. É responsável também pela ciclagem dos nutrientes. embora a capacidade de permanência do herbicida e sua degradação no solo sejam um processo-chave na determinação do fato que este terá ou não efeito na qualidade ambiental (Hinz. sendo responsável pelo suporte físico e de armazenagem dos nutrientes para as plantas. atividade e diversidade microbiana. além da remediação e imobilização de poluentes (GRANATSTAIN. 1992). uma vez que o herbicida é uma substância exógena ao meio. o estudo do comportamento de herbicidas no ambiente tem sido realizado através de estimativas das tendências a que estes estão sujeitos em função de três principais processos: retenção. 1994). conhecer os fatores do ambiente. BEZDICEK. segundo. além do próprio herbicida. que interagem entre si. procura-se descobrir as interações do herbicida com os componentes do solo. Outro fator relevante é que o solo atua na manutenção dos processos vitais. 2001).Importância do estudo de herbicidas no solo O estudo do comportamento de herbicidas no solo e no ambiente visa pelo menos dois objetivos principais: primeiramente. que afetam direta ou indiretamente a eficiência no controle de uma planta daninha. transformação e transporte (Figura 1). onde interagem inúmeros processos de ordem física. Atualmente. Promove a retenção e o movimento da água.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 .Herbicidas: comportamento no solo 139 . a sua avaliação é de difícil mensuração e repetibilidade. Módulo 3. química e biológica (DORAN. em razão de o solo ser considerado um ambiente heterogêneo sob influência de diversos fatores. suportando as cadeias alimentares.

transporte e retenção.Processos de retenção O solo é um sistema aberto e dinâmico no qual os seus constituintes podem. o processo de retenção.Representação esquemática da interação entre processos de retenção. o processo de retenção constitui-se num dos processos mais importantes para prever a movimentação dos herbicidas no solo e sua taxa de degradação (física.Herbicidas: comportamento no solo .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 . Sabe-se que as moléculas dos herbicidas. que engloba mecanismos específicos de dissipação dos herbicidas: absorção. Entretanto. transporte e transformação de um herbicida aplicado ao solo 2 . por sua vez. constantemente. precipitação e adsorção. Como os herbicidas movem-se.4 . A retenção refere-se à habilidade do solo de reter um pesticida ou outra molécula orgânica. A distinção entre adsorção verdadeira (na qual camadas moleculares se formam na 140 Módulo 3. normalmente. a compreensão dos fatores que regulam as interações de retenção é essencial para entender o comportamento dessas substâncias no solo. pode ser entendido como um processo geral de sorção de herbicidas no solo. química e biológica. estão sujeitas aos processos de movimento. química e biológica). movimentar-se ou sofrer transformação física. Entretanto. assim como conhecer qual a eficiência quando estes forem aplicado para o controle de plantas daninhas. quando em contato com o solo. o que resulta na dissipação destas. a partir da superfície do solo na forma de solução. evitando que ela se mova tanto dentro como para fora da matriz do solo.

Contudo. provocado pelo incremento da energia cinética das moléculas. Na prática. Esta é a razão pela qual os estudos de adsorção conduzidos em laboratório são realizados em condições de temperatura constante. a velocidade das reações químicas aumenta com a elevação da temperatura. principalmente com os constituintes orgânicos do solo. em alguns casos. distribuição de cargas. polaridade. a adsorção de herbicidas no solo depende das propriedades deste e do composto aplicado.2 . solubilidade. As quantidades do herbicida adsorvido aos constituintes do solo são diretamente proporcionais à superfície específica do material coloidal e decresce geralmente com o aumento da temperatura. o processo adsortivo de herbicidas. Além disso. natureza ácido/base dos herbicidas. funções químicas. 2. distribuição. ainda. a adsorção é usualmente determinada apenas através do desaparecimento da substância química da solução do solo. abordadas posteriormente. estrutura molecular. precipitação (na qual tanto uma fase sólida separada se forma nas superfícies sólidas como ligações covalentes com a superfície da partícula de solo acontecem) e absorção dos herbicidas pelas plantas e organismos é difícil. obtendo-se as curvas denominadas de isotermas de adsorção. 1990). as quais incluem tamanho. Dificilmente ocorrerá a absorção de herbicidas por partículas minerais ou orgânicas do solo. Dependendo do sentido dessa força.Absorção O termo absorção é usado especificamente quando as moléculas do herbicida são absorvidas pelo sistema radicular e outras partes subterrâneas das plantas. o herbicida pode ser adsorvido às partículas coloidais (orgânicas e minerais) do solo ou sofrer repulsão.1 . resultando num aumento da concentração na solução do solo. seja ele avaliado em condições laboratoriais ou em Módulo 3.Adsorção A adsorção caracteriza-se por um fenômeno temporário pelo qual uma substância dissolvida se fixa a uma superfície sólida ou líquida.4 .Herbicidas: comportamento no solo 141 . 2.3 . podendo favorecer.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superfície de uma partícula de solo). o termo adsorção é normalmente substituído por um outro mais geral. Essa fixação ocorre por interação de forças da superfície do adsorvente (solo) e do adsorvato (herbicida). ou. pela formação de uma fase sólida separada na superfície de uma partícula sólida do solo. Segundo Gevao (2000). configuração. a adsorção por ligações químicas.Precipitação A formação de precipitados entre as moléculas de herbicidas pode ocorrer pela junção das partículas dos argilominerais com o herbicida por ligações covalentes de alta força. denominado de sorção (KOSKINEN. em razão disso. entre outros. HARPER. 2.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas campo. o qual varia em função do mecanismo e da velocidade das reações envolvidas (Figura 2). 1993).Sorção Sorção refere-se a um processo geral. Essa força é extremamente fraca e de curtíssima distância. 2.4 . atmosféricos e aquáticos. reações de coordenação e ligações de troca. absorção e precipitação. Figura 2 . com força muita fraca. podendo ocorrer interação entre uma molécula polar e outra apolar. ligações eletrostáticas. pontes de hidrogênio. ocorrendo comumente em moléculas grandes de herbicidas. devido a um sincronismo no movimento eletrônico. expressando a atração elétron-núcleo.Herbicidas: comportamento no solo .Representação da determinação do tempo de equilíbrio necessário nos estudos de adsorção de herbicidas em solos As forças responsáveis pelas reações de sorção dos herbicidas no solo incluem: forças físicas. O processo individual de sorção é profundamente complexo. Esse tipo de ligação é muito mais importante nas ligações das moléculas dos herbicidas sobre a superfície da matéria orgânica do que pela 142 Módulo 3. As pontes de hidrogênio caracterizam-se por formar uma interação dipolo-dipolo. em virtude da heterogeneidade do solo e da sua continuidade com sistemas biológicos. ligações hidrofóbicas.4 . entre outras. com alta massa (SCHWARZENDBACH et al. a mais importante é a força de Van der Waals. envolvendo mole¬culas sem dipolo permanente. As pontes de hidrogênio são produzidas pelas atrações eletrostáticas entre o núcleo eletropositivo do hidrogênio e pares de elétrons expostos de átomos eletronegativos. depende do tempo de equilíbrio alcançado pelo material adsorvente (solo) e o adsorvido (herbicida). sem distinção entre os processos específicos de adsorção. Entre as forças físicas..

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superfície das argilas e ocorre com compostos contendo grupos >C=O + grupos –NH (ou –COOH, OH, >C=O ou – NH2) (Figura 3).

Figura 3 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por pontes de hidrogênio. Fonte: Senesi (1992).

Ligações hidrofóbicas estão associadas com a sorção de herbicidas apolares, os quais competem com as moléculas de água pelos sítios sortivos. Muitas das moléculas de herbicidas, principalmente os aromáticos, halogenados, fenóis e bifenóis, com baixa solubilidade em água, podem ligar-se à superfície das argilas por meio de ligações hidrofóbicas. Estas ligações são muito favorecidas quando são adicionados ao solo resíduos orgânicos naturais, aumentando o número de sítios hidrofóbicos de ligação. As ligações eletrostáticas envolvem cargas elétricas de superfície, formadas por complexas reações de adsorção, as quais podem ocorrer por adsorção por moléculas de água, por cátions, por troca aniônica e por compostos orgânicos naturais. A adsorção por troca aniônica é importante para solos pouco intemperizados de clima temperado. Contudo, em condições de solos brasileiros, desenvolvidos em condições de clima tropical e subtropical, predominam argilominerais (1:1) e elevados teores de óxidos de ferro e alumínio, com baixa capacidade de formar este tipo de ligação. As reações por coordenação envolvem ligações covalentes, de curta distância, e com sombreamento dos orbitais. São ligações muito fortes e a energia depende do número de elétrons em orbitais moleculares ligantes ou antiligantes. Essas ligações estão presentes, por exemplo, entre os prótons dos grupos funcionais de superfície e os átomos de hidrogênio (Fe-OH, Al-OH, COOH) e N2 (NH2). Esse tipo de ligação, formando complexos de esfera interna, torna difícil a separação e distinção entre o colóide e a molécula do herbicida. A protonação nada mais é que a formação de complexos de transferência de cargas na superfície mineral. Ocorre quando um grupo funcional forma um complexo com a superfície de um próton. O complexo pode ser extremamente estável, desenvolvendo sorção praticamente irreversível. Esse tipo de ligação ou mecanismo tem sido válido para herbicidas do grupo das striazinas, as quais se tornam catiônicas através da protonação, tanto na solução do solo como durante o processo de adsorção (Figura 4) (SCHWARZENDBACH et al., 1993).

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

143

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Figura 4 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por protonação do herbicida Fonte: Senesi (1992)

2.4.1 - Estimativa da sorção A avaliação da sorção é feita normalmente por meio da estimativa de coeficientes, denominados coeficientes de partição, coeficientes de partição solo-água, coeficientes de sorção ou constantes de adsorção. Neste capítulo será adotado o termo coeficiente de sorção para denominar a relação entre as concentrações de herbicida em solução e aquelas sorvidas ao solo. O coeficiente de sorção, Kd, pode ser estimado pela relação:

O Kd representa a relação entre a concentração do herbicida que permanece sorvido ao solo Cs (μg g-1) e a concentração do herbicida encontrada na solução de equilíbrio Cw (μg mL-1), para uma determinada quantidade específica do herbicida adicionado. Entretanto, como o teor de carbono orgânico, aparentemente, tem representado melhor a capacidade adsortiva dos herbicidas nos solos, principalmente para os compostos de caráter básico ou não-iônicos (KARICKHOFF, 1981; OLIVEIRA JR. et al., 1999), tem-se corrigido o Kd em relação ao teor de carbono orgânico do solo. A partir dessa normalização do Kd, obtém se o Koc, o qual permite a comparação da sorção entre diferentes solos e é um índice muito utilizado em métodos de classificação de mobilidade e em modelos de simulação do comportamento de pesticidas no solo. A normalização do Kd para o teor de carbono orgânico é feita pela relação:

Em que Koc representa o coeficiente de sorção normalizado para o teor de carbono orgânico do solo (L kg-1) e foc indica o teor (% ou dag kg-1) de carbono orgânico do solo, o qual é obtido dividindo-se o percentual de matéria orgânica por 1,72. Oliveira Jr. (1998), estudando a correlação entre as propriedades dos solos, verificou que os coeficientes de sorção (Kd e Koc) de diferentes herbicidas determinados em solos brasileiros correlacionaram-se significativamente com o teor de carbono orgânico e CTC dos solos para a
144 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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maior parte dos herbicidas. De modo geral, os herbicidas ácidos fracos (imazethapyr, metsulfuron, nicosulfuron e sulfometuron) foram os que apresentaram menor sorção, ao passo que os herbicidas básicos fracos (atrazine, hexazinone, simazine) e não-iônicos (alachlor) foram os mais sorvidos. No Brasil, o Koc tem sido amplamente utilizado para predizer a capacidade de sorção de diversos herbicidas no solo; também é utilizado juntamente com a textura para recomendar as dosagens dos herbicidas. Entretanto, a padronização do Kd em relação ao carbono orgânico do solo não é consenso entre os pesquisadores da área, pois a sorção de herbicidas à matéria orgânica do solo ocorre de forma heterogênea, em função dos mecanismos e da fração orgânica envolvida no processo sortivo, cujos índices podem não representar a realidade. Ao mesmo tempo, o Kd e Koc nem sempre são suficientemente exatos para descrever a sorção de um pesticida em uma faixa considerada de concentração. As relações entre as concentrações em solução e na fase sólida podem, então, ser descritas por isotermas, descritas no item 3.4.2. As estimativas dos coeficientes sortivos apresentados (Kd e Koc) geralmente são conduzidas em condições laboratoriais, empregando-se a cromatografia líquida e gasosa como técnicas analíticas na determinação das concentrações dos herbicidas nas fases sólida (solo) e líquida (solução do solo) propriamente ditas. Entretanto, devido aos custos envolvidos nessas análises, outras formas de estimar a capacidade de sorção desses compostos no solo podem ser utilizadas. Entre elas, a técnica de bioensaio representa um método simples e de grande valia na determinação da capacidade sortiva e de resíduos de herbicidas no solo. Inicialmente, para a utilização dessa técnica, são feitas curvas de dose-resposta para cada composto, utilizando-se plantas indicadoras específicas ao mecanismo de ação de cada herbicida. As curvas de dose-resposta devem ser feitas no solo a ser estudado e em material inerte, preferencialmente areia lavada, isentos de qualquer resíduo. Após a aplicação de doses conhecidas do herbicida, são realizadas avaliações nas plantas indicadoras, as quais incluem fitoxicidade, altura da planta, comprimento de raiz, massa seca da parte aérea e raízes (Figura 5). Após as avaliações, utilizam-se modelos de regressão não-linear, como o proposto por Seefeldt et al. (1995):

em que D e C representam os limites superior e inferior da curva, respectivamente; b, a declividade da curva; e C50, a dose correspondente a 50% de resposta. O limite superior da curva D corresponde à respota média da testemunha e o limite inferior da curva C é a resposta média das plantas que receberam os herbicidas. O b descreve a declividade da curva em torno do C50.

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Figura 5 - Curva de dose-resposta para massa seca da parte aérea (% em relação à testemunha) de Sorghum vulgare, em função de doses crescentes de sulfentrazone (X) em Argissolo Vermelho-Amarelo (– – –) e em areia (____) Fonte: Vivian et al. (2005)

A partir dos dados obtidos de (C50) em solo e areia, utiliza-se a equação a seguir para expressar a relação de adsorção (RA) do solo em relação à resposta obtida em areia para a espécie indicadora (SOUZA, 1994). Considera-se que valores de RA elevados indicam maior capacidade de sorção do herbicida estudado no solo e, conseqüentemente, menor potencial de lixiviação do composto no perfil do solo. Um exemplo de curva de dose-resposta utilizada para o herbicida trifloxysulfuron-sodium em solo e areia pode ser observado na Figura 6. RA = C50solo – C50 areia C50 areia

Figura 6 – Curva de dose-resposta em solo (a) e areia (b) para trifloxysulfuron-sodium

146

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

2.4.2 - Isotermas de sorção Quando se deseja estudar o comportamento dos herbicidas em diferentes concentrações no solo, deve-se observar que a sua sorção geralmente não ocorre de forma linear com o aumento do herbicida adicionado. Isso é devido à capacidade limitada de formar ligações com o material coloidal e a variação do coeficiente de sorção com a temperatura e umidade do solo. Para a determinação de uma isoterma de sorção, é necessário determinar o Kd em diferentes concentrações iniciais do herbicida em solução. As isotermas utilizadas para descrever o comportamento de herbicidas no solo, em diferentes concentrações iniciais, podem ser classificadas, conforme o seu comportamentodo, em S, H, C e. Tipo S: é uma curva não-linear e convexa em relação à abscissa. Inicialmente a adsorção é baixa, mas com o aumento da concentração do adsorvato na superfície adsorvida, ocorre aumento na adsorção pela associação entre as moléculas. Isso ocorre em razão da baixa afinidade do adsorvato pela interferência de outras substâncias. A água é um forte competidor na adsorção à superfície coloidal, e, com o aumento na concentração do soluto, essa competição se reduz. Tipo H: ocorre quando o adsorvato possui altíssima afinidade pelo adsorvente, e a máxima adsorção ocorre em baixas concentrações. Desse modo, até que não ocorra a máxima adsorção, não será possível detectar as moléculas na solução. Esse tipo de adsorção ocorre com moléculas extremamente catiônicas ou compostos orgânicos catiônicos, adsorvendo-se nos minerais das argilas.

Figura 7 – Comportamento das isotermas de sorção
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 147

em solo argilo-siltoso Fonte: Mervosh (1995) Segundo o manual de testes para avaliação da ecotoxicidade de agentes químicos. e a curva passa a ser de formato linear do tipo C. e 1/n é um fator de linearização. descritos a seguir: a) O modelo de Freundlich. determinando a intensidade da adsorção.Comportamento adsortivo do herbicida Clomazone. pode-se observar a equação empírica utilizada para descrever a isoterma de Freundlich e sua representação gráfica (Figura 8): Na equação. É o tipo de adsorção mais comum que ocorre com os herbicidas no solo. Kf. Existem dois modelos muito utilizados que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas conforme a sua concentração.Herbicidas: comportamento no solo . verifica-se que o incremento decresce na adsorção. Cs representa a quantidade do herbicida adsorvido no solo (mg g-1). embora empírico. o coeficiente de adsorção da isoterma de Freudlich.4 . em função da sua concentração. Esse modelo tem sido amplamente utilizado na determinação dos coeficientes de adsorção dos herbicidas no solo para uma determinada temperatura (CLEVELAND. considera que a afinidade inicial é alta e. reduzindo a energia de interação proporcionalmente ao recobrimento da superfície. Tipo L: apresenta-se como uma curva côncava em relação à abscissa. 1996). assim que a concentração deste aumenta. Caq a concentração de equilíbrio do herbicida na solução do solo (mg mL-1). definido pelo Ibama para o Brasil. o coeficiente de adsorção Kf é considerado nas análises de capacidade de 148 Módulo 3. verifica-se melhor ajuste pelos modelos de Freundlich e Langmuir. Figura 8 . usando regressão linear e não-linear (isotermas de Freundlich) a 25 ºC. diminuem a afinidade e declividade. Novos grupos funcionais são criados no processo de adsorção. conforme aumenta a cobertura da superfície. Quando n for igual a 1. dando origem ao Kfoc. a normalização do coeficiente de Freundlich em relação ao teor de carbono orgânico também pode ser calculada. De forma análoga ao Koc. Entre os modelos mais utilizados e que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas no solo. permitindo a continuidade do processo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Tipo C: a adsorção ocorre de forma linear conforme aumenta a concentração do adsorvato. o coeficiente de adsorção Kf aumenta linearmente conforme aumenta a concentração do herbicida. de forma não linear. A seguir.

Quando todos os grupos funcionais estiverem preenchidos. A energia de adsorção é a mesma para todos os sítios e independe da cobertura de superfície (Figura 9). Entretanto. verifica-se que outras avaliações são necessárias para definição do real comportamento de herbicidas no solo.4 . Quadro 1 – Classificação da capacidade de adsorção de agentes químicos no solo Kf 0 – 24 25 – 29 50 – 149 > 150 Classificação da Adsorção Baixa Média Grande Elevada b) O modelo de Langmuir baseia-se na adsorção em superfícies planas que apresentam número fixo de grupos funcionais e que cada um interagirá com uma molécula. Ce é a concentração de equilíbrio do herbicida na solução (mg mL-1) e K1 é o coeficiente de adsorção para o modelo de Langmuir. por haver inúmeros interferentes nos estudos de adsorção a campo e em laboratório.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas adsorção de herbicidas no solo. Esse modelo é expresso pela seguinte equação: em que Cm representa a quantidade máxima do herbicida adsorvido (mg g-1). tem-se a adsorção máxima.Herbicidas: comportamento no solo 149 . Figura 9 .Modelo da energia de adsorção em função da superfície de cobertura. Sua classificação varia de pequena a elevada e reflete parcialmente a capacidade de movimento e persistência do composto no ambiente (Quadro 1). segundo as isotermas de Langmuir e Freundlich Módulo 3.

16 ± 0.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. Já Faloni (1999). Isto pode ser observado segundo os valores de Kf (Quadro 2) para o herbicida 2. (1999).Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas Em solos tropicais e subtropicais altamente intemperizados. diuron e 2. Ela interfere em todos os processos sortivos que possam ocorrer.09 88. principalmente.Herbicidas: comportamento no solo . 1992).12 ± 0. Segundo Viera et al.4-D. É responsável também pela estabilidade da estrutura do solo e infiltração de água. ao compararem solos com diferentes propriedades. CAMARGO.23 0.4 . a matéria orgânica tem grande importância para os processos de retenção de cátions e complexação de elementos tóxicos e de micronutrientes.1 . dos teores de carbono orgânico do solo (VELINI. no solo contendo matéria orgânica. Thompson et al. No entanto. Mallawatantri e Mulla (1992) demonstraram que pelo menos 80% do incremento da sorção observada para metribuzin.05 A matéria orgânica é o principal componente que influencia a atividade dos herbicidas registrados para uso em solos tropicais.07 Dessorção Kf 1/n 22. estudando o comportamento do herbicida atrazine em Latossolo Roxo sob dois sistemas de manejo 150 Módulo 3.23 ± 0.05 20. principalmente para aqueles recomendados em pré-emergência de característica não-iônica ou para os catiônicos.48 ± 0.4-D em solo arenoso Solo calcinado Solo com MO MO = matéria orgânica Fonte: Viera et al. o pH. 2. constituindo-se num componente fundamental na sua capacidade produtiva (SANTOS. (1984).23 ± 0. também são importantes na sua sorção. aeração e atividade da biomassa microbiana. avaliando a persistência do herbicida 2. assim como a mineralogia do solo em questão. os quais serão abordados a seguir.08 1.87 ± 0. Quadro 2 . como herbicidas e metais pesados.80 ± 0. estava relacionado ao aumento do conteúdo de carbono orgânico. a sorção de herbicidas ao solo aumenta com o incremento da CTC (capacidade de troca catiônica). 1999).4-D no solo. o teor de matéria orgânica no solo desempenha importante papel quando se trata de contaminantes ambientais. em certos casos.03 0.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas Em geral.30 1. (1999) Adsorção Kf 1/n 39.5. caracterizando a grande influência da matéria orgânica na adsorção de herbicidas ácidos.4-D. verificaram que em solos com alto teor de matéria orgânica e baixo pH a lixiviação deste herbicida foi menor.28 ± 0.5 .Constantes de Freundlich obtidas a partir dos dados de adsorção de 2. da área superfícial específica das partículas coloidais da fração argila e.

Kd) em função do teor de carbono orgânico do solo. 1999). também percebeu que a matéria orgânica é a principal responsável pela adsorção deste herbicida. et al. essa característica pode ser considerada a mais importante para esses herbicidas. et al. notadamente os não-iônicos.4 . Fonte: Oliveira Jr. Figura 10 . as propriedades que mais se correlacionam com a sorção de herbicidas básicos e não-iônicos são a CTC e o teor de carbono orgânico (OLIVEIRA JR. Para alguns herbicidas.Sorção de alachlor (expressa pelo coeficiente de sorção..Herbicidas: comportamento no solo 151 . podendo-se ainda estimar a sorção de diversos herbicidas com base nos teores de carbono orgânico (Figura 11). No caso dos solos brasileiros. é possível obter uma predição dos valores de Kd com base nos teores de carbono orgânico do solo (Figura 10). Uma vez que a maior parte da CTC nos nossos solos está relacionada à matéria orgânica. não-polares como o alachlor.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (convencional e direto). (1998b) Módulo 3.

Diversos estudos mostraram que a fração húmica apresenta maior correlação com a sorção dos herbicidas. A fonte orgânica. aromaticidade. A disponibilização de maior ou menor número de sítios 152 Módulo 3. em relação ao teor de matéria orgânica total do solo. os quais variam conforme sua polaridade. Essas diferenças podem interferir não só na retenção dos herbicidas. 2000). A parte humificada é composta pelos ácido fúlvicos. Herbicidas iônicos (em faixa de pH com baixa dissociação) e os não-ônicos... normalmente. existe grande complexidade e variabilidade da matéria orgânica presente em diferentes solos. mas também na transformação e transporte destes (CORREIA. (1999) Teoricamente. 1990. 1997). Dentre os componentes da fração humificada. TRAGHETTA et al.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 11 . 2001).Relação entre o coeficiente de sorção (Kd) e o teor de carbono orgânico do solo para herbicidas ácidos (linhas cheias) e para herbicidas básicos ou não-iônicos (linhas tracejadas) em solos brasileiros Fonte: Oliveira Jr. et al. os minerais do solo e a população microbiana podem proporcionar a formação da diversidade de características dos compostos orgânicos do solo. os quais representam a fração mais ativa da matéria orgânica do solo (NETO et al. pela variação do pH do meio.. também foram demonstradas especificidades na sorção dos herbicidas. o clima. são citadas como um dos principais fatores que podem influenciar a sua capacidade de adsorção de pesticidas (WANG et al.Herbicidas: comportamento no solo . correlacionam-se melhor com os teores de humina do que os de ácidos húmicos ou fúlvicos da matéria orgânica do solo (PROCÓPIO et al. a matéria orgânica do solo encontra-se dividida em substâncias humificadas e não-humificadas. disponibilidade de sítios hidrofóbicos e grupos funcionais.. 999). húmicos e humina. As mudanças conformacionais provocadas nas moléculas da matéria orgânica. Entretanto.

é o principal parâmetro levado em consideração na recomendação da dosagem de herbicidas aplicados Módulo 3. na maioria dos trabalhos verificados. Contudo. entre outros. Além destes.Herbicidas: comportamento no solo 153 . a presença de íons saturantes dos grupos funcionais da matéria orgânica e a especificidade dos íons (PIRES. devido à proteção física e química das moléculas do herbicida na matéria orgânica. Prata (2001) também constatou que adição de vinhaça ao solo faz que o processo de mineralização do ametryn seja acelerado. sabe-se que sorção herbicida-matéria orgânica é mais estável do que aquela resultante da ligação com componentes minerais do solo. pode ocorrer menor ação microbiana na degradação dessas moléculas.4 .. Atualmente. é responsável pelas variações nos coeficientes de sorção de herbicidas encontrados na literatura. podendo representar maior permanência desta no meio ambiente. os tipos de minerais predominantes na fração argila. a adição de matéria orgânica ao solo acelera a degradação dos herbicidas. a relação da textura do solo com a quantidade de matéria orgânica presente.Simulação da adsorção de atrazine no modelo complexo de muscovita-ácido húmico. 2001) Outras características do solo também podem afetar a sorção de herbicidas à matéria orgânica: o material de origem do solo. como pode ser verificado na Figura 12.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas hidrofóbicos pelas mudanças conformacionais das moléculas também pode influenciar a sorção de herbicidas lipofílicos (PROCÓPIO et al. representando menor risco de contaminação dos lençóis freáticos (COX. Figura 12 . Fonte: Adaptado de Akim e Bailey (1998) Embora se verifique extrema quantidade de interferentes nas características de sorção de herbicidas à matéria orgânica. 1994). Dessa forma. formando complexos argilo-orgânicos. 1998). principalmente para aqueles cuja ação microbiana é a principal forma de degradação. a quantidade de matéria orgânica quimicamente protegida. os solos com altos teores de matéria-orgânica apresentam menor tendência geral de lixiviação dos herbicidas. Entretanto.

. principalmente. herbicidas e outras moléculas penetrem entre os planos basais e provoquem grande expansão do material. contribuindo significativamente para o aumento na sorção desses compostos (Quadro 4). citam-se a superestimação dos teores de matéria orgânica efetivamente capazes de adsorver as moléculas dos herbicidas e a profundiade de coleta (0-20 cm) utilizada na determinação dos teores de matéria orgânica do solo. Essas propriedades originam forças de atração de grande intensidade. e a matéria orgânica desempenha papel secundário no caso de solos oxídicos. Em relação aos erros de estimação. como no caso dos herbicidas ácidos ou em altas concentrações de carbono orgânico.5. também que. à fração mineral do solo. Esses minerais apresentam fraca atração dos cátions entre as camadas expansíveis. não ocorre correlação entre o comportamento do herbicida e as concentrações de argila. são característicos de regiões muito intemperizadas. uma elevação nas dosagens recomendadas para estes solos nem sempre é correta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas em pré-emergência. 2. permitindo que água. observou que a sorção do glyphosate é instantânea.4 . a riqueza de variação das argilas e a formação de compostos argilominerais representam diferentes possibilidades de adsorção dos herbicidas a essas partículas. minerais de argila expansíveis (2:1) e de maior área superfical específíca.Textura e mineralogia O conteúdo de areia. Entretanto. Já minerais 1:1. Sabe-se. de clima tropical e subtropical. Em diversos casos observados.Herbicidas: comportamento no solo . Apesar de existir grande possibilidade de os solos mais argilosos apresentarem maiores teores de matéria orgânica. como o Brasil. e não possuem a capacidade de expandir-se. Por sua vez. e ambos 154 Módulo 3. Prata (2002). a textura é ainda o atual parâmetro utilizado para recomendação da dose dos herbicidas aplicados em pré-emergência ou pré-plantio incorporado. Suas cargas podem ser geradas nas bordas do mineral pela dissociação de prótons H+ dos grupos OH. os erros de estimação dos teores de matéria orgânica e o desconhecimento da sorção específica de herbicidas por alguns argilominerais presentes são um dos inúmeros fatores que devem ser considerados para a adequação nas dosagens dos herbicidas atualmente recomendados. como a montmorilonita e vermiculita. possuem maior capacidade de adsorção de herbicidas (Quadro 3). podendo reter cátions. extremamente elevada e está relacionada. Existem também dados demonstrando que os óxidos de ferro possuem maior capacidade de adsorver os herbicidas em relação aos óxidos de alumínio (Quadro 5). principalmente naqueles com capacidade de doação de prótons com carga aniônica (herbicidas ácidos fracos). como a caulinita. Os óxidos de ferro e alumínio também atuam na sorção de diversos herbicidas. silte e argila presente no solo é responsável pela classificação das diferentes classes texturais dos solos. avaliando a adsorção e dessorção do glyphosate em três solos brasileiros com diferentes atributos mineralógicos. A formação de cargas nos minerais 2:1 ocorre pela substituição isomórfica nas camadas tetraédrica e octaédrica. A presença de argilas de baixa atividade.2 .

3 3.8 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas encontram-se presentes em grandes concentrações na maioria dos solos brasileiros. contribuindo em relação à capacidade sortiva nesses solos. para 2.3 . pH 3.Herbicidas: comportamento no solo 155 . A influência do pH do solo no processo de retenção e degradação dos herbicidas está estritamente relacionada à capacidade de dissociação eletrolítica . Módulo 3.Sorção de imazaquin em diferentes hidróxidos (Fe e Al) Tipo de Hidróxido Hidróxido-Fe Hidróxido-Al Fonte: Shaner (1989).3.6 5.0). principalmente nos daqueles com grande capacidade de inonizarem-se (catiônicos e aniônicos).653 174 2.3 .pKa dos compostos.5. que à medida que o pH do solo aumenta (2. Constante de Freundlich (Kf) 2.5 a 6. como os latossolos.Características de alguns minerais de argila importantes nos estudos de sorção de herbicidas em solo Característica Tipo de camada Capacidade de Expansão CTC (cmolc dm ) Área Superficial Específica (m2 g-1) -3 Montmorilonit Vermiculita a 2:1 2:1 Expansível 80-120 700-750 Ilita 1:1 Caulinita Não-expansível 2-10 25-50 2:1 NãoExpansão limitada expansível 120-200 15-40 500-700 75-125 Quadro 4 – Sorção de imazaquin em diferentes minerais de argila Mineral de Argila H-montmorilonita H-ilita Al-montmorilonita H-caolinita H-vermiculita Fonte: Dolling (1985).0 6.Dissociação eletrolítica.4 . pode-se verificar na Figura 13. o qual permanece disponível na solução do solo.4-D. Quadro 3 .pH do solo O pH é uma medida muito importante que pode interferir nos processos de sorção dos herbicidas. menor é a quantidade sorvida do herbicida no material coloidal.1. principalmente em solos muito intemperizados. Entretanto. a qual será abordada com mais detalhes no item 3.7 Partição do Imazaquin (Sólido/Líquido) (μG/g:μG/mL) 2326:1 238:1 40:1 2:1 0:1 Quadro 5 .

156 Módulo 3. por exemplo.4-D em função do aumento do pH do solo No caso de imidazolinonas aplicadas ao solo. verifica-se novamente o decréscimo do coeficiente sortivo (Kd) do herbicida com o aumento do pH do solo. devido ao fatop que o pH influenciar fortemente a ligação das imidazolinonas às frações húmica e mineral do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 13 – Sorção do herbicida 2.6 4.3 6. que a quantidade sorvida do herbicida aumenta à medida que o pH diminui.4 .Herbicidas: comportamento no solo .7 5.2 5. Verifica-se. Quadro 6 –Sorção de imazaquin sob diferentes pHs em dois solos Tipo de solo Franco-arenoso Franco-siltoso Fonte: Goetz (1986) pH 5.6 6. Goetz (1986) demonstrou que a quantidade de imazaquin que se liga a diferentes tipos de solo era diretamente relacionada ao pH (Quadro 6).5 Sorção (%) 53 53 0 62 40 25 Em trabalho similiar realizado com imazethapyr (Figura 14). novamente.

Fonte: Oliveira Jr. especialmente em termos de lixiviação desses herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 14 . é maior em solos com pH alto e 157 Módulo 3. conforme verificado na Figura 15. de modo geral.Herbicidas: comportamento no solo . Figura 15 – Efeito do pH na lixiviação do herbicida imazaquin em colunas de solo Fonte: Inoue et al.4 . além de possibilitar maior efeito do herbicida em culturas posteriormente instaladas no local.Coeficiente de sorção (Kd) constatado para o herbicida imazetaphyr. também. em função do aumento do pH do solo. a diminuição da sua capacidade sortiva com o acréscimo do pH do meio pode. por exemplo. têm maior capacidade de sorção desses herbicidas e operações como a calagem podem afetar significativamente o seu comportamento. (2002) O pH pode também influenciar diversos outros processos envolvidos na degradação dos herbicidas no solo: a lixiviação de chlorsulfuron. resultar em maior lixiviação do composto no perfil do solo. solos ácidos. (1998) Para herbicidas de maior persistência. Nesse caso.

Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa) O pKa representa a capacidade de dissociação que uma molécula do herbicida possui em água com diferentes pH. podendo ser encontrados na forma dissociada (ionizada) e não-dissociada (não-ionizada ou neutra).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas baixo teor de matéria orgânica.6. a qual tem sido utilizada para substâncias presentes em solução aquosa. menor será seu caráter ácido e menor a sua capacidade de ficar aniônico. Ao contrário. Já os herbicidas polares. Embora algumas propriedades estejam mais distintamente relacionadas aos processos específicos de retenção. podem ser classificados da seguinte forma: a) Herbicidas ácidos fracos: são os herbicidas cujas formas moleculares apresentam capacidade de doar prótons e formar íons carregados negativamente. e se adapta perfeitamente aos herbicidas em solução do solo. a maioria dos herbicidas possui em sua molécula uma região polar e outra apolar.Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo As principais propriedades físico-químicas de um herbicida que influenciam o seu comportamento são: coeficiente de partição octanol-água (Kow). 2. transformação e transporte. o conhecimento das características moleculares dos herbicidas é muito utilizado no estudo do seu comportamento no ambiente. possuem maior afinidade às partes argilosa e mineral do solo. capacidade de dissociação eletrolítica quando em solução aquosa (pKa). 1993).Coeficiente de partição octanol-água (Kow) Esta propriedade indica a afinidade que a molécula do herbicida tem em relação à fase polar (representada pela água) e apolar (representada pelo octanol). Geralmente os herbicidas apolares ou lipofílicos (Kow >10..6 .1 . Quanto mais polar for o herbicida. Para 158 Módulo 3. Entretanto.000) possuem maior potencial de se adsorverem a parte orgânica dos colóides do solo. solubilidade. Quanto maior for o pKa do herbicida.4 . diz-se que maior é a sua hidrofilicidade.2 . Essa definição está restrita apenas à definição clássica de Brönsted-Lowry.6. A polaridade é muito importante para penetração das moléculas dos herbicidas pela cutícula das folhas e também interfere nos processos sortivos com o solo. os hidrofílicos (Kow <10). embora a degradação do referido produto seja mais rápida em solos ácidos (GOMEZ DE BARREDA et al. 2. expressos normalmente na forma logarítmica (log Kow).Herbicidas: comportamento no solo . 2. herbicidas com características apolares são considerados lipofílicos. pressão de vapor (P) e constante da Lei de Henry (H). Os valores de Kow são adimensionais. Conforme a fórmula molecular e pKa dos herbicidas eles. O comportamento dos herbicidas é muito influenciado pelo seu pKa.

seu comportamento será semelhante ao das moléculas não-iônicas. passando a apresentar carga líquida positiva (Figura 17)..4 . 1995) e hexazinone. Módulo 3. podem atrair íons hidrogênio em uma solução ácida. maior será a tendência de o herbicida estar na sua forma molecular (neutra) e maior será sua capacidade de se adsorver nas partículas coloidais do solo. podendo facilmente ser adsorvidos às partículas de argila e aos grupos funcionais que formam a CTC do solo. 2001). maior será a tendência destes herbicidas de permanecer na sua forma dissociada ou protonada. por exemplo.4-D.4-D. Existe ainda um outro grupo de herbicidas tão básicos que possuem cargas positivas para todos os valores de pH verificados no solo (LEAVITT. Quanto menor o pH do solo em relação ao pKa do herbicida. quando o pH do solo for igual ao seu pKa. cyanazine (PIRES et al. sua forma molecular será favorecida. OLIVEIRA JR. Quando o pH do meio for superior ao pKa do herbicida. O 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas esses herbicidas. CONSTANTIN. pode liberar íons hidrogênio numa solução básica ou neutra (Figura 16). Nesse caso. PÈREZ. picloram e demais herbicidas pertencentes ao grupo das sulfoniluréias e imidazolinonas. sendo sorvidos ao solo de forma irreversível.Herbicidas: comportamento no solo 159 . Entretanto. este será prontamente dissociado e sua capacidade de ficar retido no solo será muito menor. 1980).8) b) Herbicidas bases fracas: são os herbicidas que apresentam a capacidade de receber prótons e formar íons carregados positivamente. como atrazine. podendo competir com os sítios de adsorção de nutrientes no solo. podendo reduzir sua capacidade de adsorção (KOGAN. a molécula estará 50% na sua forma molecular ou neutra e 50% na forma dissociada (aniônica). quando o pH do solo for inferior ao seu pKa. Quando o pH do solo for superior ao pKa destes herbicidas.Comportamento de ionização de um herbicida ácido (2. Alguns outros compostos que reagem semelhantemente ao 2. as concentrações da formas dissociada e neutra serão iguais. como o que ocorre para o paraquat e o diquat. quando o pH do solo for igual ao seu pKa. Alguns herbicidas de comportamento similar são simazine. pKa = 2. 2003. Da mesma forma que os herbicidas ácidos. Figura 16 .. Herbicidas pertencentes a essa classificação.4-D são dicamba.

Entre esses herbicidas estão incluídos trifluralin. Os herbicidas não-iônicos não reagem com a água e não carregam uma carga elétrica líquida. ser afetados pelo pH do solo e ficar retidos aos complexos argilominerais e ao material orgânico do solo. A informação da capacidade dessortiva do herbicida no solo pode ser muito importante. Em outros.4 . 2. (1993). muitos deles podem ser polares e. 160 Módulo 3. Conforme Southwick et al. em função dessa condição. em que na e nd representam as curvaturas obtidas nos ensaios de adsorção e dessorção. em alguns casos. A intensidade da dessorção reflete o grau de reversibilidade do processo sortivo. Contudo.Comportamento de ionização de um herbicida base fraca (atrazine. altíssima dessorção do herbicida.Herbicidas: comportamento no solo . esses efeitos são geralmente de menor intensidade. respectivamente. dando origem ao fenômeno denominado histerese (H). metolachlor. alachlor. EPTC e diuron. elevados índices de histerese indicam maior dificuldade de o herbicida sorvido retornar para a solução do solo. podendo ocorrer.7 . pKa = 1. embora se tenham verificado poucos estudos referentes a ensaios de dessorção na literatura. Alguns exemplos de herbicidas e sua classificação encontram-se no Quadro 7. comparativamente aos herbicidas iônicos. (2003) (Figura 18). Embora sejam não-iônicos. permanecendo em sua forma molecular na solução do solo. O índice H de histerese pode ser obtido pela equação H= na/nd. a sorção é praticamente irreversível e não ocorre retorno do herbicida à solução do solo.Dessorção A dessorção representa a liberação da molécula do herbicida anteriormente sorvida. como observado por Pusino et al. Neste caso.7) c) Herbicidas não-iônicos: os herbicidas que não doam nem recebem prótons na solução do solo são considerados não-iônicos. possibilitando maior permanência deste no ambiente. por relacionar o seu efeito residual e persistência no solo. as isotermas de sorção e de dessorção diferem entre si.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 17 .

a demanda hídrica para o abastecimento urbano. por influenciar a capacidade de contaminação dos recursos hídricos subsuperficiais. metribuzin. oryzalin. Pusino et al. industrial e agrícola Módulo 3.Herbicidas e sua classificação conforme fórmula e grupos funcionais Catiônicos Básicos Ácidos Diversos Organofosforados Dinitroanilidas Carbamatos Benzonitrila Ésteres Anilidas Uréias HERBICIDAS Iônicos Diquat. swep.4-D Alachlor. imazaquin. trifloxysulfuron-sodium. prophan Dichlobenil Isopropyl éster de 2. porém as mais aceitas.4-D.Herbicidas: comportamento no solo 161 .Processos de transporte O transporte de herbicidas no solo representa um dos processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente e se destaca. segundo Pignatello (1989). DSMA Não-iônicos Methoxychlor Trifluralin. chlorimuron-ethyl Bromacil. MCPA. Figura 18 . atrazine. prometone. metolachlor.Curvas de adsorção ( ) e dessorção ( ) observadas para triasulfuron em três solos com diferentes teores de argila e materia orgânica. são: • transformações químicas ou biológicas que o composto em questão pode sofrer. triclopyr. Além disso. os problemas de contaminação de aqüíferos no território brasileiro têm despertado pouco interesse dos pesquisadores. imazapyr. principalmente. cyanazine. paraquat Ametryn. propazine. isopropalin Chlorprophan. propanil. chloroxuron Diversas explicações têm sido propostas no intuito de elucidar a não-singularidade das isotermas de dessorção. picloram. propachlor Linuron. • falhas no estabelecimento do equilíbrio.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 . Embora freqüentes. 2. MSMA. simazine Dicamba. imazetaphyr. diuron. e • problemas inerentes à metodologia de determinação. (2003) 3 .

a volatilização e a lixiviação.5 <0. Quadro 8 . 1990). CARTER. a quantidade total de herbicida que pode ser perdida por meio desse processo normalmente não excede 1% do total aplicado (Tabela 6).Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in) Os termos run-off e run-in representam o movimento ou escorrimento em superfície e subsuperfície. o somatório de diferentes pesticidas carreados simultaneamente para uma mesma bacia hidrográfica pode comprometer a qualidade da água em relação ao seu aproveitamento posterior (DOMAGALSKY. como no caso do metolachlor (BUTTLE. 3. das práticas culturais. na maior parte dos casos. Entre alguns trabalhos citados na literatura.Herbicidas: comportamento no solo .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tem se elevado nos últimos anos e poucos estudos são conduzidos com o objetivo de retardar o transporte de herbicidas sob condições tropicais. 1994). além.1 . BOWMAN et al. Todavia.001 – 0. destaca-se o escorrimento superficial. mesmo quando a quantidade total transportada é pequena.90 <1 . é mais pronunciado quando o produto é aplicado e logo após ocorre chuva intensa no local.25 1-9 Referência Taylor (1995) Flury (1996) Vicary et al (1999a) Vicary et al (1999b) Em certos casos. em certas situações. 1993. pendimethalin e oxyfluorfen) em reservatórios de água. 2000).4 . No entanto. Os autores constataram que a maior parte da contaminação era proveniente do escorrimento superficial de áreas irrigadas pulverizadas e que a maior concentração de resíduos ocorria nos primeiros 15 minutos da água.. as perdas podem ser altas. juntamente com as moléculas dos herbicidas.a aplicado <2 . especialmente no caso de herbicidas aplicados em pré-emergência.Perdas de herbicidas no solo por diferentes processos de transporte Tipo de transporte Volatilização Lixiviação Run-off Fluxo preferêncial % de perda do i. em áreas irrigadas com intensa atividade agrícola. (1994) relataram a detecção de resíduos de herbicidas (oryzalin. na Carolina do Sul. do tipo de solo em questão. Keese et al.. para o qual se verificou perda do herbicida aderido aos sedimentos variando entre 9 e 58% do total aplicado ao solo. Já Pfeuffer e Rand (2004) monitoraram os pesticidas entre 1992 e 2001 no sul da Flórida. 1996. é claro. O arraste das partículas coloidais. A intensidade de perdas depende muito do sistema de plantio adotado (SETA et al. respectivamente. Dentre as principais formas de transporte nos estudos de herbicidas em solo. O maior potencial de movimento de herbicidas por escorrimento superficial ocorre logo após a aplicação. dos herbicidas no solo. da natureza e dose das aplicações e da declividade da área. de áreas pulverizadas para aquelas que não receberam diretamente o produto. constatando que os herbicidas ametryn e atrazine foram os compostos mais comumente encontrados em águas 162 Módulo 3.

solos úmidos perdem mais herbicida por volatilização que um solo seco. 3. EUA.8 2. No caso do clomazone (Quadro 9).5 9. (1995) C Recuperado (% do Total de 14C-Clomazone Aplicado) Temperatura de Incubação (°C) 5 15 25 35 DMS5% 1.3 7.0 NS b) Aumento da umidade do solo: o aumento da disponibilidade de água no solo facilita a perda de vapor.1 3.8 9.1 5.7 96.5 98.1 . Estudos apresentados por Rand (2004). juntamente com DDD e DDE foi o composto detectado com maior freqüência em sedimentos de rios de áreas agrícolas na Flórida. Em solos secos. para efeito de comparação da PV de dois produtos distintos.4 . esta é aumentada por: a) Elevação da temperatura: a temperatura do solo afeta a volatilização de produtos em função da alteração da pressão de vapor. os valores devem ser determinados à mesma temperatura.7 10.4 1. mas.4 60.2 .8 15.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superficiais.1 95.44 x 104 mm Hg. também mostraram que ametryn. Quadro 9 .2.8 4.5 92. sendo o efeito mais pronunciado quanto maior for a PV do herbicida. 25 °C) aos 84 dias após a aplicação ao solo 14 Volatilizado Mineralizado Total extraído do solo Não extraído (resíduos ligados) Total recuperado Fonte: Mervosh et al.8 78.4 15. Além disso. 3. É por isso que.Volatilização A volatilização é o processo pelo qual o herbicida presente na solução do solo passa para a forma de vapor. existe maior probabilidade de o herbicida ser sorvido diretamente às partículas de solo (Quadro 10). as perdas podem aumentar significativamente em função do aumento de temperatura. Módulo 3. de modo geral.8 93. podendo se perder para a atmosfera por evaporação.Fatores que influenciam a volatilização Vários fatores influenciam diretamente a volatilização de herbicidas presentes no solo.4 2. a elevação da temperatura aumenta a taxa de evaporação da água presente no solo.0 0.4 68. já que a água funciona como uma interfase entre a molécula e as partículas do solo.2 0.Herbicidas: comportamento no solo 163 .0 4.Efeitos da temperatura de incubação na distribuição de 14C-clomazone (PV=1.

3 15. a 25 °C).2. com a função de reduzir a evaporação.7 A volatilização pode ser tão significativa para alguns produtos que. % do Total Aplicado Solo Úmido Solo Seco (14% de Umidade) (1% de Umidade) 62. o uso de formulações granuladas em vez das líquidas pode contribuir para diminuir as perdas por volatilização. b) Formulação do produto: para muitos herbicidas com maior potencial de volatilização têm sido desenvolvidas novas formulações com adjuvantes. é a conseqüência de maior importância imediata da volatilização no que diz respeito às atividades agrícolas.2 81.2. Herbicidas mais solúveis.5 26. como o EPTC (S=370 mg L-1. principalmente. Existem. No caso do EPTC. o que.Herbicidas: comportamento no solo .3 .2 80.4 kg ha-1 à superfície do solo Temperatura do ar ( ) 0 4. 1994). TURCO. a pressão de vapor (P). a uma determinada temperatura.6 37.0 12.2 75. como o trifluralin (S = 0.4 12.Pressão de vapor (P) A pressão de vapor é a pressão exercida por um vapor em equilíbrio com um líquido. 3.4 15. por meio de suas propriedades químicas.Alternativas para redução de perdas por volatilização a) Incorporação de herbicidas ao solo: a incorporação pode ser feita tanto com implementos quanto pelo uso de irrigação após a aplicação do herbicida. como a estrutura. eles precisam ser incorporados imediatamente ao solo para que não haja redução substancial de sua eficiência. a formulação granulada pode reduzir entre 60 e 100% as perdas por volatilização (GRAVEEL. algumas alternativas que podem reduzir a volatilização e manter a eficiência desses herbicidas. necessitam ser mecanicamente incorporados ao solo. depois de sua aplicação.8 12.Efeito da temperatura na perda de EPTC após a aplicação de 3. principalmente da solubilidade do composto em questão. no entanto. sem dúvida.3 mg L-1. Além disso. sendo expressa normalmente em mm de Hg. 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 10 . ao passo que herbicidas menos solúveis. É uma indicação da 164 Módulo 3.0 67. podem ser incorporados com uma irrigação adequada.7 Fonte: Gray e Weierich (1965) °C Perda de EPTC em 24 h.2 . a 20 °C). neste caso. o peso molecular e.0 9. A escolha da forma de incorporação depende. O potencial de volatilização de um herbicida geralmente pode ser estimado indiretamente.4 .

4 x 10-8 1. como as sulfoniluréias.4 x 10-2 5.0 x 10-8 9.6 x 10-5 4. Quadro 11 .4 x 10-6 Potencial de Volatilização Muito baixo Baixo a moderado Baixo Baixo.5 x 10-6 3. mas pode ser significativo se não incorporado.0 x 10-12 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tendência da substância química em escapar na forma de gás. Muito alto. Além do valor específico da pressão de vapor. comparada a uma perda típica de 0 a 4% por lixiviação e 0-10% por escorrimento superficial (GRAVEEL. Perdas pequenas podem ocorrer sob alta temperatura. Pequeno.4 .1 x 10-4 3. Moderado.0 x 10-7 < 2. podendo aumentar sob certas condições. as quais muitas vezes incorporam adjuvantes com a finalidade de reduzir a volatilização.6 x 10-3 1. já não apresentam esses problemas. Perdas por volatilização são muito variáveis.9 x 10-8 -16 PV (mm Hg. solo úmido e vento. Perdas mínimas que não reduzem a eficácia do produto nãoincorporado. Nota-se que o problema de volatilização é particularmente importante para alguns grupos químicos. ou.0 x 10-8 < 1. 25 oC) 3. Portanto.Pressão de vapor (PV) e potencial de volatilização de alguns herbicidas Grupo Químico e Princípio Ativo Cloroacetamidas Acetochlor Alachlor Butachlor Metolachlor Dinitroanilinas Trifluralin Isopropalin* Oryzalin Pendimethalin Tiocarbamatos Butylate* EPTC* Molinate Vernolate* Sulfoniluréias Chlorimuronethyl Nicosulfuron Oxasulfuron Imidazolinonas Imazamethabenz* Imazapyr Imazaquin Imazethapyr Imazamox Piridazinonas Norflurazon Triazolopirimidin 1.Herbicidas: comportamento no solo .0 x 10-7 2. como as dinitroanilinas e os tiocarbamatos. Muito baixo 165 Módulo 3. 1994). Perdas ainda maiores se não incorporados e.1 x 10-5 1. a intensidade e a velocidade de volatilização de um herbicida dependem também da intensidade e velocidade de movimento até a interface (normalmente a superfície do solo) onde ocorre o processo. em solos úmidos Idem Idem Idem Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Perdas significativas quando não incorporado.2 x 10 <1. quanto maior a pressão de vapor.5 x 10-8 1. normalmente em razão da melhoria na qualidade de suas formulações. mais provável que um líquido vaporize-se. imidazolinonas e sulfonamidas. Grupos químicos de desenvolvimento mais recente.0 x 10-5 < 1.1 x 10-8 < 1.0 x 10-7 < 1.1 x 10-2 4. podendo ser de 10 a 90%. podendo ser perdido em quantidades significativas quando não incorporado ou em solo úmido. TURCO. Volátil.3 x 10-2 3. No Quadro 11 encontram-se valores de pressão de vapor de alguns herbicidas aplicados ao solo.

dentro de um mesmo grupo químico. a quantidade máxima de herbicida que se dissolve em água pura a uma determinada temperatura. De modo geral. Acima dessa concentração. dependendo se o herbicida for um sólido ou um líquido na temperatura do sistema: uma fase saturada de solução aquosa e uma fase líquida ou sólida do herbicida (LAVORENTI.8 x 10-15 3. No entanto.2. isto é.2. quanto mais iônico.9 x 10-8 Insignificante.4 . 1996). 3. exceto quando é exposto a condições quentes e secas por vários dias.7 x 10-5 6. PÈREZ.Relação entre PV e S A combinação de PV e S pode ser expressa através de uma constante denominada KH. 25 oC) 2. hidrólise e oxidação) e transporte (ex: volatilização da solução e lavagem da atmosfera pela água da chuva) também são afetados pela extensão da solubilidade em água dos herbicidas. mesmo quando forem iônicas (KOGAN. sem carga. Seu valor geralmente é expresso em mg L-1 (normalmente a 25 °C) e é um reflexo da polaridade da substância química. Hatzios (1998) e Rodrigues e Almeida (2005) 3. a solubilidade de um herbicida e sua sorção no solo estão inversamente correlacionadas. maior será a sua afinidade por água.Solubilidade A solubilidade (S) de um herbicida em água é. O KH é um coeficiente de partição entre o ar e a água (solução do solo). Insignificante. ou constante da lei de Henry.4 . Em geral. Por sua vez.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Grupo Químico e Princípio Ativo as Flumetsulam Cloransulammetil Derivados da uréia Linuron Diuron PV (mm Hg. Moléculas altamente solúveis são rapidamente distribuídas no ciclo hidrológico. mais provável que o composto em questão seja solúvel. Dos vários parâmetros que afetam o destino e o transporte de herbicidas. em razão de apresentarem coeficientes de sorção para solos e sedimentos relativamente baixos. são. exceto quando solo está quente e não é ativado pela chuva por vários dias após a aplicação. a solubilidade em água é um dos mais importantes. por definição. maior a sua solubilidade.Herbicidas: comportamento no solo . 2003). o aumento no peso molecular diminui a solubilidade. portanto. pouco ou não solúveis. Quanto maior a quantidade de grupos hidrofílicos na molécula do herbicida (mais polares). * Atualmente não registrados para uso no Brasil Fontes: Adaptado de Ahrens (1994). 166 Módulo 3. maior solubilidade resulta em menor sorção. Outros meios de degradação (ex: fotólise. duas fases distintas existirão. logo. há casos em que moléculas de elevada massa molecular apresentam baixa solubilidade.5 . moléculas orgânicas grandes.0 x 10-16 Potencial de Volatilização Desprezível Muito baixo 1.

A sorção regula o potencial de um herbicida ser Módulo 3.Relação entre KH e incorporação de herbicidas A aplicação de um herbicida na superfície gera uma alta concentração numa fina camada de solo.Absorção pelas plantas A porcentagem de herbicida que a planta absorve do solo é difícil de ser medida. mesmo compostos considerados não ou pouco voláteis podem apresentar certa perda. Quando se realiza a incorporação do herbicida. O KH é muito importante para os herbicidas na fase líquida do solo. do volume de solo.2. Experimentos em vaso demonstraram que as plantas podem absorver de 1 a 10% do total de herbicida disponível. podendo ser usado também como indicativo do potencial de volatilização de determinados herbicidas. Uma revisão bastante completa acerca das bases termodinâmicas e da determinação experimental de K¬H pode ser encontrada em Suntio et al.Lixiviação O destino de herbicidas aplicados ao solo depende muito das propriedades químicas da substância em questão. a distância torna a difusão para a superfície do solo mais difícil. em virtude da alta concentração numa fina camada superficial do solo. 3. ocorre a diluição da concentração.4 .Herbicidas: comportamento no solo 167 . Portanto. 3. Além disso. podendo reduzir as suas perdas. 3. Como a perda por volatilização é dada pelo produto de KH por concentração. portanto.6 .3 . das espécies presentes.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas sendo semelhante ao coeficiente de sorção (Kd) usado para descrever a sorção ao solo. dependendo da densidade de plantas. As duas propriedades mais importantes no que diz respeito ao processo de lixiviação são a sorção e a persistência do produto. Trabalhos feitos com outros herbicidas no campo mostram que as plantas podem remover de 2 a 5% do total de herbicida no solo (SHANER. (1988). etc. KH também pode ser usado como indicativo do potencial de volatilização de determinado herbicida. 1989). cujos valores elevados de KH indicam que os solutos são altamente voláteis A constante da lei de Henry é definida pela equação: KH e PV são constantes proporcionais. a absorção pelas plantas participa com pequena porcentagem na remoção do total presente no solo.

alguns estudos têm sido realizados com o intuito de prever o potencial desses compostos de atingir rios. A solubilidade é de importância secundária.9 Chlorotoluror 2.6 Diuron CMPA 7. Entre os estudos realizados. Em 1986. (1984) propuseram uma relação entre o Koc e a meia-vida (t ½ vida) dos herbicidas.1 mg L-1 Águas de superfície Águas subterrâneas Isoproturon 19.4 0. para classificá-los como lixiviadores (Koc < 300 (L kg-1) e t ½ vida > 21 dias) e não-lixiviadores (Koc > 500 (L kg-1) e t ½ vida < 14). Entre os critérios mais divulgados e aceitos para a classificação de herbicidas conforme seu potencial de lixiviação está o índice GUS (Groundwater Ubiquity Score).8 Bentazone 1. proposto por Gustafson (1989). embora solubilidades muito baixas possam limitar o transporte com a água. Alguns estudos. cuja equação a seguir estabelece que herbicidas com índice GUS<1.1 Fonte: 4.1 Bromoxynil 1.1 1.8 1.4 Environment Agency. em determinadas circunstâncias. do Reino Unido apontaram alguns dos herbicidas com excesso de resíduos nas amostras de águas avaliadas (Quadro 12). lagos e águas em profundidade.4 . 1999 Além das avaliações in locu.5 Isoproturon Diuron 10.4-D 5. Quadro 12 – Percentual de amostras de águas avaliadas no Reino Unido que excederam o limite de resíduos permitido Herbicidas com % amostras excedendo 0.1 Dichlobenil 1. a quantidade do herbicida perdido pela movimentação no perfil do solo é geralmente entre 0.6 Benazolin 2. esse percentual pode ser igual ou superior a 5% (Carter.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas perdido com sedimentos ou por lixiviação.1 a 1% do total aplicado. 2000). com o objetivo de verificar a contaminação das reservas hídricas por pesticidas.8 são considerados 168 Módulo 3.9 0. mas.6 Terbutryn 1.5 Atrazine Mecoprop 12. Cohen et al.4 Mecoprop Simazine 5.0 0. Em condições normais.Herbicidas: comportamento no solo . cujo critério é ainda utilizado pelo California Department of Food and Agriculture (CDFA).4 Linuron Chlorotoluron 3. esses modelos têm contribuído na redução dos custos de análise e também na prevenção de desastres ambientais.7 Atrazine 2. como o realizado pelo National Center for Ecotoxicology and Hazardous Substances. Widerson e Kim (1986) simplificaram essa caracterização e definiram que os herbicidas que possuíssem valor de Koc menor que 512 (L/kg) e meia-vida (t ½ vida) superior a 11 dias seriam classificados como lixiviadores. Embora empíricos.

ao passo que índices superiores a 2. 2001). cujo resultado representa. V (volatilidade) e IT (índice toxicológico). ele deve estar na solução do solo ou adsorvido a pequenas partículas.Herbicidas: comportamento no solo 169 . sendo adotada por inúmeros estudos que buscam relacionar o potencial de lixiviação dos herbicidas no solo com a contaminação de lençóis freáticos. Entretanto. para que o fluxo hídrico consiga carrear o herbicida pelo perfil do solo (OLIVEIRA JR. Recentemente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas como não-lixiviáveis. D (dose).8 são considerados de potencial lixiviador intermediário: GUS = log t½ * (4 – log Kfoc) A equação utiliza os valores de t½ vida do herbicida e o coeficiente de sorção normalizado para teor de carbono orgânico do solo. ácidos fúlvicos e húmicos de baixo peso molecular. além de possuir t ½ vida elevada. peptídeos e açúcares. entre outros. além da capacidade de lixiviação do herbicida. o seu efeito sobre o meio ambiente. cujo resultado final permite elencar os compostos em relação ao maior ou menor risco para o meio ambiente (Quadro 13). M (mobilidade). O índice é definido pela soma de inúmeros fatores: P (persistência).4 .8 e 2. Aqueles com valores entre 1.Relação de herbicidas classificados conforme somatório obtido pelo IRA – Índice de Risco Ambiental Herbicida Trifluralin Hexazinona Paraquat Imazapyr Triclopyr Oxyfluorfen Linuron Sulfentrazone Isoxaflutole Haloxyfop Oryzlain Glyphosate Fluazifop Amônio-glufosinato Sethoxydim P 2 3 4 3 1 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 D 4 1 3 1 1 2 1 1 1 1 3 3 1 1 1 V 4 1 1 1 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 M 1 4 1 4 4 1 2 4 4 3 1 1 1 1 1 IT 4 2 2 2 2 3 3 2 2 3 3 2 3 2 2 IRA 15 15 11 11 11 10 10 10 10 9 9 8 7 6 6 Módulo 3. aminoácidos. como argila. Kogan e Allister (2004) propuseram o IRA – Índice de Risco Ambiental. para que um herbicida seja lixiviado. Quadro 7 ..8 representam produtos lixiviáveis.

O seu cálculo deriva do modelo de primeira ordem definido pela equação: Ln C0/Ct = K * t em que C0 é a concentração inicial do herbicida. A equação anterior admite que a taxa de degradação diminui linearmente com o decréscimo da concentração. nos quais somente uma linha de dissipação é apresentada. 4.693. conforme fórmula que segue: t 1/2= 0. pode-se estimar a t ½ vida.Processos de transformação Os processos de transformação das moléculas de herbicidas presentes no solo e água são decorrentes da degradação dessas moléculas em compostos secundários. a qual é extremamente importante para predizer o risco de contaminação de lençóis freáticos.Herbicidas: comportamento no solo . CO2 e compostos inorgânicos (MELTING. De forma geral.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . a degradação refere-se a um conjunto de transformações físicas. Essas substâncias podem incluir produtos de degradação (metabólitos). e. considera-se que resíduos de herbicidas no solo sejam quaisquer substâncias resultantes da sua aplicação.1 . A degradação de moléculas de herbicidas no solo e o conhecimento dos principais mecanismos responsáveis pela aceleração ou pelo retardamento do processo influenciam diretamente a persistência desses compostos no ambiente. normalmente utilizam-se equações não-lineares de regressão (bi-exponen¬ciais) para o cálculo da t ½ vida de herbicidas no solo. Co a concentração inicial e k. em que Ct representa a concentração no tempo t. o ln será igual a 0. a constante de degradação.693/K Entretanto. 1993). químicas e biológicas que levam à formação de metabólitos ou à completa mineralização das moléculas. os intervalos de tempo 170 Módulo 3. a constante de degradação. até a sua completa mineralização. Ct a concentração no tempo t.4 . como a apresentada a seguir. Essa equação pode ainda ser simplificada assumindo que. A persistência desses compostos é normalmente medida pela meia-vida (t ½ vida). além da própria molécula do herbicida. Para modelos lineares. A t ½ vida é definida como o tempo necessário para que ocorra a dissipação de 50% da quantidade inicial do herbicida aplicado. e K. por análise de regressão linear. quando C0/Ct for igual a 2.Persistência De forma prática. obtendo-se como produto final água.

7 4. 9-12 (1982) 54-63 Novo et al.Herbicidas: comportamento no solo Prof. (1997) 171 3.0 Podzolico Vermelho-Amarelo 0-10 Chlorsulfur on Latossolo Eermelho-Escuro . Assim.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas considerados podem fornecer estimativas e interpretações errôneas da t ½ vida de herbicidas (BLUMHORST. No entanto.6 4. Quadro 14 .Valores de meia-vida (t ½ vida) observados para alguns herbicidas em solos do Brasil Herbicida Tipo de solo Classe Latossolo Vermelho-Escuro Atrazine Glei húmico Simazine Trifluralin Metribuzin Latossolo roxo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Módulo 3. (1997) Ravelli et al. embora a t ½ vida sirva de parâmetro para avaliação do tempo de permanência do herbicida no ambiente. (1993) 7-21 Ravelli et al.8 6.6 3.2 1. 1996).7 2. (1997) 10-16 Ravelli et al.3 1. (1997) Ravelli et al. pH e textura).2 a t1/2 Referência (dias) Nakagawa et al. dentro dos limites de uso agrícola.6 0. (1995) Nakagawa et al. (1997) Campanhola et al.Exemplos de classificações de herbicidas quanto à persistência no solo Inglaterra Classe Não-persistente Levemente persistente Moderadamente persistente Muito persistente Fonte: Adaptado de Roberts (1996) e Foloni (1997) t1/2 (dias) <5 5-21 22-60 >60 Brasil (IBAMA) Classe Não-persistente Medianamente persistente Persistente Altamente persistente t1/2 (dias) <30 30-180 180-360 >360 Quadro 15 . (cm) 0-14 0-10 0-30 50-200 0-40 100200 0-15 70-150 MO Argila Areia pH (%) (%) (H2O) (%) 45 28 17 39 47 44 47 48 61 48 56 40 63 72 20 48 46 44 28 27 27 24 5. Por outro lado. (1997) 8-13 Ravelli et al.8 5.1 7. população de microrganismos presentes.4 4. 56 (1995) 22 Blanco et al. ao aumentar a dose de aplicação do herbicida.4 .4 5. No Quadro 14 encontram-se exemplos de classificações adotadas na Inglaterra e no Brasil. No Quadro 15 são mostrados os valores de meia-vida de alguns herbicidas em solos do Brasil.6 5. em muitos casos.7 2.6 9. (1997) 54 5-29 8-21 8-26 Ravelli et al.3 1.3 0.4 5. para que o herbicida atinja e contamine águas superficiais e subsuperficias. Ct =C0 * e -kt Sabe-se que valores altos de t ½ vida contribuem. a t ½ vida poderá ser alterada e maior quantidade do herbicida estará disponível no ambiente. sua persistência é basicamente dependente de quatro fatores: solo (teor de carbono orgânico. a classificação de um herbicida como “persistente” ou “não-persistente” varia de acordo com o propósito da classificação.2 5.8 4. ambiente (temperatura e precipitação) e práticas culturais (sistema de plantio e doses aplicadas).

Herbicidas com maior persistência podem resultar no fenômeno denominado carryover. a qual é reduzida à medida que se afasta da camada superficial do solo. 172 Módulo 3. Entre as principais formas pelas quais os herbicidas são degradados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nas Figuras 19 e 20 são encontrados exemplos de comportamentos de persistência de herbicidas em um Latossolo Roxo distrófico (LRd). Isso ocorre principalmente para compostos cuja degradação é fortemente influenciada pela atividade microbiológica do solo.4 . Observa-se que os herbicidas tendem a persistir por período mais prolongado quando lixiviam mais rapidamente para horizontes subsuperficiais. as que seguem. que pode ser definido como sendo os resíduos fitotóxicos que permanecem no solo e que venham a afetar culturas sensíveis plantadas em rotação após aquelas culturas em que foi utilizado o herbicida. podem-se citar.Herbicidas: comportamento no solo . Eventuais alternativas para minimizar o problema de carryover incluem a redução das doses (pode não resolver o problema em certos tipos de solos) e a aplicação em faixas ou dirigida em vez de em área total (reduz a quantidade total de herbicida aplicado). É o caso do imazaquin em relação ao trifluralin.

4 .Herbicidas: comportamento no solo 173 . provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de imazaquin Fonte: Silva et al. 150 (B) e 180 (C) DAA. (1998) Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 19 .Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A).

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 20 .Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A). 150 (B) e 180 (C) DAA.Herbicidas: comportamento no solo . (1998) 174 Módulo 3. provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de trifluralin Fonte: Silva et al.4 .

As imidazolinonas. a hidrólise química é responsável. cujos principais mecanismos envolvidos são a oxirredução e hidrólise desses compostos. em um produto não-tóxico e desativado. pelo início de uma série de atividades degradativas que ocorrem no solo e torna-se indispensável para os processos de transformação das moléculas de herbicidas no solo. implicando a perda ou alteração da toxidez da molécula. Ativação: conversão. envolvendo mudanças estruturais na molécula. no qual ocorre a quebra de pontes químicas das moléculas herbicidas devido à substituição de um ou mais átomos por íons hidroxil da água (OH-). mas com potencialidade de ativação e toxidez. A hidrólise representa um processo geral de reação do herbicida com a água.2 . redução ou perda de um grupo funcional.3 . ou mais complexa. envolvendo várias reações seqüenciais. Estudos mais detalhados indicam que a biodegradação pode ser por: Alteração não-tóxica: conversão de uma molécula não-tóxica. O pH do solo também auxilia na velocidade da reação.Degradação química A degradação ou decomposição de herbicidas no solo por meio de reações químicas e nãobiológicas são comuns para diversas moléculas. 4. por exemplo são extremamente estáveis nas faixas de pH normalmente encontradas no solo e apresentam t ½ vida normalmente maior que seis meses. 1989). podendo se tornar recalcitrante e mais tóxico. Conjugação: quando o substrato torna-se mais complexo pela adição ou complexação com metabólicos microbianos. Detoxificação: conversão de uma molécula tóxica em um produto menos tóxico ou atóxico.Herbicidas: comportamento no solo 175 . A estabilidade desses herbicidas sugere que a hidrólise química não é um mecanismo importante na sua degradação no solo (SHANER. por ação enzimática. Esse fenômeno pode ocorrer em solos extremamente secos embora seja facilitada naqueles cuja condição se aproxima da sua capacidade de campo e com temperaturas elevadas.4 . Embora para a grande maioria dos herbicidas aplicados ao solo os processos de degradação mediados por microrganismos sejam mais importantes. Essa transformação pode ser primária. entre eles: • características estruturais do composto: quantidade de substituição e natureza do grupo introduzido no núcleo central da molécula. Módulo 3. como uma oxidação. O fenômeno da recalcitrância (baixa degradabilidade no solo) é bastante complexo e regulado por outros fatores.Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação O termo biodegradação refere-se à transformação biológica de um composto químico orgânico em outra forma. de um substrato não-tóxico em uma molécula com ação biocida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. em geral.

1997).4 . Além disso. ou. onde tem maiores chances de ser biodegradado. ainda. avaliando a degradação de pesticidas em várias profundidades. uma vez que está menos exposto ao contato direto com a microbiota do solo. Quando a biodegradação é acelerada. utilizando esse composto como fonte de C e N. Já Sanyal e Kulshrestha (1999) observaram a ação de diversos microrganismos na degradação acelerada de metolachlor. Alteração do espectro de toxidez: alteração no composto que provoca alteração do grupo de organismos específicos sensíveis à sua ação. de várias espécies de microrganismos do solo. Entretanto. os estudos ainda não permitem uma definição sobre a modificação ou atividade mircrobiana envolvida na degradação acelerada de herbicidas. é mais abundante nas camadas superficiais do solo..Herbicidas: comportamento no solo • . como fonte de energia (metabolismo). (2001) observaram a biodegradação acelerada de carbetamida por microflora adptada. Sabe-se. Hole et al. Contudo. a segunda. diminuindo com a profundidade. • ausência de fatores de crescimento ou condições favoráveis para os microrganismos decompositores e • ausência de microrganismo(s) com capacidade metabólica (enzima) capaz de degradar o produto. Portanto. sem fornecimento de energia para o seu crescimento (co-metabolismo) (MONTEIRO. os processos de biodegradação podem ocorrer em função da atuação de uma ou. 1993). Vários autores. com utilização do composto como fonte de carbono e energia. se um herbicida é lixiviado rapidamente da camada superficial do solo. pois outros fatores ambientais precisam ser considerados na interpretação desses resultados. mais comumente. 1996). ele pode acabar tornando-se mais persistente. RAVELLI et al. a ação microbiana pode modificar a estrutura química do produto. Mineralização: considerado sinônimo de degradação. Diversas dessas moléculas têm sido descritas como condicionadoras da microbiota do solo para sua degradação (FELSOT. entretanto. SHELTON.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas desativação de sistemas enzimáticos responsáveis pelas alterações na molécula do produto no solo. de que essa degradação seria devido ao aumento da atividade enzimática com maior ação degradativa sobre esses compostos. que a população microbiana. sendo um dos maiores mecanismos envolvidos na degradação de herbicidas. diz-se que ocorreu um processo natural de adaptação metabólica. Estes microrganismos podem utilizar os herbicidas tanto como substratos. • inacessibilidade do substrato às enzimas ou células microbianas capazes de promover a sua degradação. H2O. NH3 e íons inorgânicos. 1996. fornecendo nutrientes. representada principalmente por fungos e bactérias. A rota primária de degradação das 176 Módulo 3. Simples degradação: transformação de uma substância tóxica complexa em produtos mais simples.. observaram que a taxa de degradação diminui com a profundidade (VEEH et al. esse fenômeno tem sido questionado a partir de duas considerações: a primeira é de que a degradação acelerada seria resultado do aumento do número de microrganismos selecionados pelo herbicida e. embora os produtos finais sejam CO2.

Embora a energia solar que chega à superfície do solo na faixa abaixo de 295 nm seja considerada desprezível.4 . Fatores do ambiente (temperatura.Fotodecomposição ou fotólise A radiação solar na faixa do ultravioleta (290-450 nm) contém energia suficiente para causar transformações químicas dos herbicidas. Portanto. a energia luminosa pode ser absorvida por uma molécula intermediária e transferida à molécula do herbicida por colisão. é a reação fotonucleofílica de hidrólise. A maioria dos herbicidas apresenta coloração que tende ao branco. como as dinitroanilinas. possuem picos de absorção por volta de 370 nm. as de maior ação sobre os herbicidas são: a hidrólise. a isomerização e a polimerização. uma vez que a penetração de luz UV no solo é bastante limitada. O processo de fotodecomposição.4 . Estudos de dissipação no campo mostram a perda rápida das imidazolinonas a partir do solo. normalmente como os elétrons deslocados (cromóforos). o comprimento de onda efetivo na fotodegradação de herbicidas pode estar fora do espectro de absorção específico do composto. uréias substituídas (diuron. Outros exemplos de reações fotoquímicas comuns ocorrem nas bifenilas policloradas (PCBs). sendo a desalogenação a reação fotoquímica mais comum. e possui picos de absorção de luz na faixa do UV. diquat. começa quando a molécula do herbicida absorve a energia luminosa. estado de humificação da matéria orgânica. e os produtos da transformação resultantes dessas reações. a desalogenação. Compostos amarelados. como hidrólise. algumas vezes. monuron) e em pentaclorofenóis. oxirredução. disponibilidade de nutrientes. clethodim. vento e luz solar) podem afetar a transformação dos herbicidas tanto na água quanto no solo. Uma reação que também ocorre a partir da substituição de um halogênio de benzeno por uma hidroxila. além das próprias culturas. por exemplo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas imidazolinonas. parece ser a microbiana. aeração e micro/macrofauna) e as técnicas de aplicação. propriedades do solo (pH. a qual depende da insaturação eletrônica. 4. superfície mineral.. umidade. Exemplos de herbicidas que sofrem fotodecomposição incluem o trifluralin. na presença de um agente nucleofílico em solução aquosa. as quais podem levar à sua inativação. a oxidação. são os mesmos que os encontrados em decorrência de processos enzimáticos. Dentres as principais reações fotoquímicas. Geralmente a luz apresenta um papel de catalisador de reações químicas. cultivo e irrigação. triasulfuron. etc. podem afetar a persistência dos herbicidas. Isso causa a excitação de elétrons e pode resultar na quebra ou na formação de ligações químicas. ou próximo disso. paraquat. particularmente sob condições de alta umidade e temperatura. ou decomposição pela luz. Módulo 3. Além disso. Apenas aqueles herbicidas na ou próximos à superfície do solo ou sobre plantas serão passíveis de sofrerem fotodecomposição. bentazon e atrazine em solução aquosa.Herbicidas: comportamento no solo 177 .

especialmente se um período prolongado de seca acontece após a aplicação. A volatilização. 2003). e indústrias multinacionais. Esta alternativa . como a norte-americana Phytotech e a alemã BioPlanta.que consiste simplesmente em manejar ao longo de um certo tempo a degradação dos contaminantes que ocorre por meio de processos naturais .4 .Herbicidas: comportamento no solo . 2005). É possível que parte das perdas esteja relacionada ao processo de fotodegradação. DINARDI et al. No entanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considera-se que os produtos da fotodegradação sejam similares aos produzidos por processos químicos e biológicos de degradação. ou isoladamente. como Union Carbine. surgiram nos EUA e em grande parte da Europa inúmeras companhias que exploram a chamada “fitorremediação” para fins lucrativos. outros fatores podem estar envolvidos. nos últimos dez anos. Herbicidas aplicados à superfície do solo são freqüentemente perdidos. 1998. a degradação química e biológica e a sorção são alguns fatores que devem ser considerados para explicar o desaparecimento dos herbicidas do solo..tem-se mostrado viável nos casos em que ocorrem condições biogeoquimicamente favoráveis e pode ser efetiva na remediação de solos e águas subterrâneas quando utilizada paralelamente a outras tecno¬logias. A Figura 21 exemplifica as estruturas químicas de produtos de fotodegradação do metolachlor.Fitorremediação Recentemente. 178 Módulo 3. que se beneficiam do emprego da fitorremediação em suas áreas de produção e de pesquisa (GLASS. Figura 21 . se comprovada ao longo de um período de monitoramento. tem-se mostrado que a atenuação natural monitorada pode contribuir significativamente para o controle e a redução da contaminação de solos e águas subterrâneas (FURTADO. Mais especificamente. acentuada pela temperatura elevada na superfície do solo. Monsanto e Rhone-Poulanc.Estruturas químicas de quatro produtos de fotodegradação do metolachlor Fonte: Kochany e Maguire (1994) 5 .

comprovadamente. o termo biorremediação é amplamente utilizado para o processo de descontaminação de ambientes por microrganismos. 2005. incluindo compostos químicos aplicados para as diferentes atividades agrícolas. já se sabe que as espécies Stizolobium aterrimum e Canavalia ensiformis são. SANTOS et al. 2006).. Módulo 3. de ambientes contaminados por metais pesados e derivados de petróleo. Contudo. principalmente. VROUMSIA et al. de nutrientes e de substrato. Portanto. reduzindo-o ou até mesmo eliminando sua toxicidade. principalmente) capazes de se desenvolverem em meio contendo o material poluente. os herbicidas de longo efeito residual apresentam-se como principal problema à possibilidade de contaminação de culturas plantadas em sucessão e ao problema ambiental ocasionado por sua lixiviação direta ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo. eficientes na descontaminação de áreas tratadas com os herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron e que o provável mecanismo envolvido na descontaminação seja a interação da fitoestimulação e da fitodegradação. 2005). este trabalho abordará especificamente aspectos da técnica da utilização das plantas e sua microbiota associada.. No Brasil. Dessa maneira. os quais incluem a fitorremediação.1 . microrganismos do solo. algumas empresas estatais e privadas.A fitorremediação como mecanismo de biorremediação A biorremediação é o processo de remediação in situ de áreas contaminadas que emprega organismos vivos (microrganismos e plantas. 2005). 2003.... compostos nitroaromáticos e.. PROCÓPIO et al.. visando a descontaminação de ambientes (fitorreme¬diação) que apresentam resíduos de herbicidas em quantidade suficiente para causar interferência negativa nas diferentes atividades agrícolas ou comprometer a sustentabilidade ambiental.Herbicidas: comportamento no solo 179 . 2004.4 . 2004a. Petrobrás (2006) e Unicamp (FEA. b). A pesquisa referente à biorremediação (biodegradação) de áreas contaminadas por herbicidas é relativamente ampla e já bem consolidada. Quando se trata da descontaminação pela utilização de plantas isoladas ou estimulando a microbiota associada às suas raízes. incluindo o desenvolvimento de vários microrganismos comprovadamente eficientes na biodegradação de alguns compostos (BELLINASO et al. mais recentemente. são estimulados a degradar os contaminantes seja por utilização da molécula como fonte de nutrientes ou por co-metabolismo. pesquisam e exploram métodos de biorremediação. solventes halogenados. é no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Viçosa que se intensificam os estudos na área da fitorremediação de solos contaminados por herbicidas. As condições necessárias para essa degradação incluem a existência de receptores de elétrons. 5. A técnica é bem utilizada para remediação de áreas contaminadas com metais pesados (FRANCO. 2005. herbicidas (PIRES et al. YU et al. QUEROL et al. bem como instituições de pesquisa. podendo atingir cursos de águas subterrâneas. em particular bactérias. SIQUEIRA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Dentre os compostos de difícil degradação no solo. entre elas a Embrapa (2005). No processo de biorremediação in situ dito “tradicional”. 2000). 2003. Nesses estudos. tem-se a fitorremediação (ACCIOLY.

A utilização da fitorremediação para descontaminação de ambientes com resíduo de herbicidas é baseada na seletividade. BURKEN. Em trabalho realizado por Arthur et al. 1995. contaminado com o tebuthiuron. 2003..Herbicidas: comportamento no solo .. em solos rizosféricos de Kochia scoparia. elementos contaminantes. solventes clorados e subprodutos tóxicos da indústria (CUNNINGHAM et al. principalmente atrazine e metolachlor (ANDERSON et al. 1994. explosivos. conhecido como fitodegradação. o que caracteriza. devem ser consideradas para o emprego da fitorremediação em áreas contaminadas por herbicidas: • são contaminantes orgânicos que apresentam diversidade molecular.. o contaminante. (2005). COATS. CUNNINGHAM et al..4 . como bombeamento e tratamento. podem ainda sofrer parcial ou completa degradação ou ser transformados em compostos menos tóxicos.. como metais pesados. as plantas. 180 Módulo 3. Apesar das facilidades observadas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quando comparada com técnicas tradicionais. 2005). natural ou desenvolvida. constatou-se que. e em solos não vegetados. que atuam degradando o composto no solo. A seletividade deve-se ao fato de que os compostos orgânicos podem ser translocados para outros tecidos da planta e. PERKOVICH et al. hidrocar¬bonetos de petróleo. a aptidão rizosférica para a biorremediação desses compostos. 2001). 1996). é desenvolvido como agente para o controle do descontaminante. Contudo. agrotóxicos. entre outras. como a capacidade de metabolização do herbicida a um composto não-tóxico (ou menos tóxico) à planta e ao ambiente.. SCHNOOR. entre outros. 1996.. 2000. 1996). a fitorremediação tem sido considerada vantajosa. Apesar de ser utilizada em solos contaminados com substâncias orgânicas ou inorgânicas. no caso herbicida. um importante mecanismo de diminuição do herbicida por ação do fitorremediador parece ser a fitoestimulação. a meia-vida do atrazine foi de 50 dias. Esse fato é de ocorrência comum em espécies agrícolas e daninhas. SANTOS et al. Em trabalho realizado por Pires et al. ANDERSON. 1996.. (2000). promovido pela liberação de exsudatos radiculares. na qual há o estímulo à atividade microbiana. especialmente menos fitotóxicos. PROCÓPIO et al. 1996). SCRAMIN et al. foi comprovado que o solo proveniente da rizosfera de diversas espécies de leguminosas. Citam-se ainda outros mecanismos. volatilizados. ou remoção física da camada contaminada. no caso. estimulando o efeito rizosférico na aceleração da mineralização de alguns herbicidas. comparado ao solo não vegetado. apresentou maior atividade microbiana. tolerantes a certos herbicidas. aterrimum. principalmente por sua eficiência na descontaminação e pelo baixo custo (PERKOVICH et al. e • apresentam complexidade de análise diante das constantes transformações a que estão sujeitos. só recentemente tem-se apresentado como promissora técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas residuais (PIRES et al. Outros trabalhos relatam a contribuição das plantas. entre elas C.. duas limitações. subseqüentemente. ensiformis e S. em algumas plantas. que algumas espécies exibem a determinados compostos ou mecanismos de ação. de 193 dias. SIQUEIRA. combinados e/ou ligados a tecidos das plantas (compartimentalização) (ACCIOLY. 2004.

Herbicidas: comportamento no solo 181 . pelas condições ambientais e pelas características da espécie vegetal. REDDY et al. como. no papel eficiente das plantas. Para ser translocado. (1996) estudaram a degradação de isoproturon. (1982). Outras propriedades do solo podem intervir na fitorremediação e.. ligam-se às membranas lipídicas das raízes antes de entrarem no xilema.. as substâncias húmicas são relatadas como as principais responsáveis pela sorção de herbicidas (PUSINO et al. interferem ainda a constante de acidez (pKa) e a sua concentração (ALKORTA. persistência e concentração do herbicida. Para certas características das plantas e condições ambientais.. GARBISU. Para atrazine verificou-se que sua mineralização aumentava rapidamente com o aumento do pH (HOUOT et al. é sabido que valores de pH fora da faixa de neutralidade comprometem a atividade da microbiota do solo prejudicando diretamente os processos de fitorremediação. (2003a) e de acordo com Brigss et al. a matéria orgânica constitui o principal contribuinte para a CTC. com valores de Log Kow < 2. os efeitos benéficos nos processos de fitorremediação de herbicidas. levando à fitodegradação. Módulo 3. incrementam-se também a biomassa e atividade microbiana e a biotransformação das moléculas dos herbicidas no solo (WEED et al. 2001). com exceção do diuron em um dos solos. CELIS et al. é maior quando o Log Kow do pesticida varia de 0. ampliando dessa forma. 2000). Compostos que são menos hidrofóbicos.. não passam através das membranas lipídicas associadas com as camadas da epiderme das raízes. a absorção radicular de xenobióticos da água (em solução) está diretamente relacionada ao logaritmo do coeficiente de partição octanol-água (Kow) do composto. Solos com alto conteúdo deste mineral apresentam reduzida mineralização de atrazine.0. de baixa reatividade (caulinita). Dos componentes da matéria orgânica do solo. apesar de ter valores de pH mais altos que 6.4 . vários outros fatores poderão influenciar a capacidade descontaminadora de espécies vegetais em programas de fitorremediação. logo. com Log Kow > 2. Todavia. conseqüentemente. Walker et al. fundamental para promover o carreamento do herbicida absorvido para a parte aérea das plantas.1. sendo maior a absorção quando o valor de Log Kow é de 2. Em revisão feita por Pires et al.. 2000). Nas condições tropicais em que os solos são altamente intemperizados com predomínio de óxidos e hidróxidos de Fe e Al e argilas silicatadas 1:1. 1995. o conteúdo de argila. a absorção de compostos orgânicos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Segundo Burken e Schnoor (1996). Maior conteúdo de matéria orgânica reduz as amplitudes de variação da temperatura e umidade do solo. além do mecanismo de ação. diuron e metsulfuron-metil na solução do solo e na fração adsorvida em dois tipos de solos e encontraram que a meia-vida destes produtos foi menor em solução que na fração adsorvida.. 2003). o produto químico deve passar pelo simplasto da endoderme. Essa ligação ou exclusão leva a menor fluxo transpiratório sob valores de Log Kow que se distanciam de 2.1. além dessa característica.5 (HOUOT et al.1 (PIRES et al. 1997). as pesquisas devem direcionar esforços para obtenção de melhores resultados para as áreas contaminadas com os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo. por exemplo.5 a 3. 1995). o fluxo transpiratório.1. Compostos que são mais hidrofóbicos. como os herbicidas. Além disso.. Dessa maneira. pelas plantas é afetada pelas propriedades químicas do composto. 1992.

causando intoxicação às culturas de amendoim. Também o tebuthiuron. reduzindo com isso o número de aplicações. ALMEIDA... 2005). soja. BOVEY. eficiência em doses baixas. Existe ainda o impacto ambiental negativo ocasionado pela lixiviação dessas moléculas ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo. 2005. podendo chegar a até três anos o intervalo para o plantio de culturas sensíveis. entre outras (RODRIGUES.este herbicida apresenta elevada mobilidade em solos com baixos teores de argila e de carbono orgânico. Contudo. SANTOS et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5. especificidade e baixa toxicidade para os organismos não-alvos. como algodão. Outros herbicidas. Problemas resultantes dos processos de poluição e degradação dos recursos naturais por herbicidas têm recebido atenção especial.Herbicidas: comportamento no solo . para que se obtenha resultados satisfatórios. existindo uma conscientização dos problemas ambientais ou de saúde que podem ocorrer devido à má utilização desses compostos químicos (SANTOS et al. apresentam considerado efeito residual no solo. 1999). que é recomendado para uso em pré-emergência na cultura da canade-açúcar. o período de espera. os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo proporcionam a ocorrência de toxicidade em culturas sensíveis (carryover) plantadas após sua utilização. Mesmo possibilitando o controle efetivo de plantas daninhas por um período de tempo maior. que é utilizado em mistura com o ametryn na cultura da cana-de-açúcar ou puro na cultura do algodão em pós-emergência inicial.. as propriedades procuradas em um herbicida são sua pronta degradabilidade. 1988) ou mesmo estender-se por mais de sete anos. Além disso. batata. é essencial conhecer o tempo total necessário para a 182 Módulo 3.. a contar da data de sua aplicação. Produtos como o trifloxysulfuron-sodium. 2005). para o plantio de culturas sensíveis. como picloram e imazapyr. é de aproximadamente oito meses. apresenta longo período residual. portanto. sendo. tomate. 2005). fonte potencial para contaminação de aqüíferos. 2005). Mesmo sendo recomendado em concentrações baixas (em torno de 7. podendo atingir lençóis subterrâneos e se mover para outros ambientes com provável contaminação de outros ecossistemas.Problemas relacionados aos herbicidas residuais Atualmente.2 . OLIVEIRA. Áreas contami¬nadas por estes e outros herbicidas persistentes no solo são prioritárias nos programas de fitorremediação. apresenta problemas de carryover na cultura do feijão cultivado em seqüência. principalmente em sistemas agrícolas que necessitam utilizar esses produtos no manejo integrado de plantas daninhas (JAKELAITIS et al.4 . Sua persistência no solo pode variar de 11 a 14 meses em Latossolo Vermelho-Amarelo em lavouras de cana-de-açúcar (BLANCO. principalmente como resultado de aplicações seqüenciais ao longo dos anos na mesma área (CERDEIRA. 1987) de 15 a 25 meses em solo argiloso (MEYER. ALMEIDA.1984). quando simulada a reunião de todas as condições ambientais que favoreçam sua persistência (EMMERICH et al. feijão e soja quando cultivadas até dois anos após a sua aplicação.5 g ha-1) (RODRIGUES.

Dessa forma. que tanto pode tolerar como acumular o produto. Outro aspecto a ser observado é que. pedregoso. embora a maioria dos testes avalie plantas isoladas. 1996. 2003). além da aptidão ecológica da espécie vegetal a ser empregada. Módulo 3. além dos procedimentos para o correto emprego da técnica. O ideal seria reunir todas essas características numa só planta. daí a necessidade do conhecimento de estratégias que acelerem o processo de remediação.. VOSE et al. ACCIOLY. a escolha de plantas que apresentem tolerância ao herbicida é o primeiro passo na seleção de espécies potencialmente fitorremediadoras. concentração e/ou metabolização e tolerância ao herbicida. 2000. 1996. e • capacidade de desenvolver-se bem em ambientes diversos. SIQUEIRA. Dessa forma. entre outros fatores. sendo importante ressaltar algumas delas. • sistema radicular profundo e denso. • resistência a pragas e doenças.. ao mesmo tempo ou subseqüentemente. no caso da fitoestabilização. São conhecidas espécies que se desenvolvem bem em todos os ambientes. como oposto à transferência para a parte aérea. 2000. ser usadas em um mesmo local. Com base nas análises apresentadas por diversos autores (FERRO et al. várias espécies podem. algumas características devem ser consideradas na escolha da espécie vegetal a ser utilizada em programas de remediação de áreas contaminadas por herbicidas: • capacidade de absorção. • capacidade transpiratória elevada. porém. 1998. para promoverem maior descontaminação. • fácil controle ou erradicação.Herbicidas: comportamento no solo 183 . solo seco.. • alta taxa de crescimento e produção de biomassa. de clima quente ou frio. que.Estratégias para o sucesso da fitorremediação O sucesso no emprego da fitorremediação como técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas depende da natureza química e das propriedades do composto. a técnica pode apresentar algumas limitações de aplicação. as vezes é muito longo. aquela que for selecionada deve reunir o maior número delas. • retenção do herbicida nas raízes. evitando sua manipulação e disposição. 1994.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas descontaminação.4 . visando efetivar e diminuir o tempo de descontaminação. especialmente em árvores e plantas perenes. 5. PERKOVICH et al.. PIRES et al.3 . • elevada taxa de exsudação radicular.. com elevada umidade. a espécie vegetal ideal para remediar um solo contaminado por herbicidas seria uma cultura de alta produção de biomassa. CUNNINGHAM et al. • fácil aquisição ou multiplicação de propágulos. Em essência. NEWMAN et al. como sugerido por Miller (1996).. • fácil colheita. quando necessária a remoção da planta da área contaminada.

.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nos trabalhos realizados até o momento no Brasil. ensiformis e Lupinus albus possibilitaram o pleno desenvol¬vimento de Avena strigosa. possibilitando o posterior desenvolvimento de plantas de milho e feijão. provavelmente. (2006) constataram que a adição de composto orgânico ao solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron. 2003a. Além dos fatores mencionados. a permanência ou retirada da parte aérea das plantas de C. ALMEIDA.. SANTOS et al. tratado com o trifloxysulfuron-sodium. algumas especies vegetais utilizadas como cobertura do solo foram selecionadas (Figura 22). aterrimum. possibilitou maior eficiência no processo de remediação por essas leguminosas. utilizada como bioindicadora da presença do herbicida. Santos et al. aterrimum promoveu maior descontaminação da área tratada com trifloxysulfuron-sodium. Belo et al. das várias espécies testadas tolerantes ao herbicida tebuthiuron. evidenciada pelo maior desprendimento de dióxido de carbono. Essas culturas são sensíveis à presença desse herbicida (RODRIGUES. indicando que o produto pode estar sendo degradado internamente nos tecidos (fitodegradação) ou inativado por outros mecanismos rízosféricos. a fitoestimulação da microbiota associada à rizosfera (PROCOPIO et al. 2005b. aterrimum da área contaminada com trifloxysulfuron-sodium. as leguminosas C. sendo. Procópio et al. (2005) verificaram que. após o período de remediação. Também Pires et al. comparado ao mesmo solo não tratado com o herbicida. Nos trabalhos realizados por Procópio et al. 2004. 2006).Herbicidas: comportamento no solo . ensiformis. aterrimum e C. semelhante ao solo isento do herbicida (Figura 24). 2004b). não interferiu no desenvolvimento posterior de plantas de feijão. (2005) verificaram que o aumento da densidade populacional de S.4 . visando a seleção de espécies vegetais com potencial para emprego em programas de fitorremediação de herbicidas (PIRES et al. após a seleção de diversas espécies vegetais. além de melhorar o desenvolvimento das espécies vegetais S. feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) e mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) promoveram a fitorremediação de solo contaminado pelo herbicida trifloxysulfuron-sodium. comprovando a eficiência na descontaminação. (2006) observaram que o solo proveniente da rizosfera de S. apresentou maior atividade microbiana. 2005. outros mecanismos podem ser implementados no programa de fitorremediação visando maior eficiência no processo. evidenciando a contribuição da microbiota no processo de descontaminação. destacando-se a mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) e o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (Figura 23).. ensiformis e S. b. PROCÓPIO et al. Em outro trabalho.. 2005). 184 Módulo 3. (2004).

visando a fitorremediação de solos contaminados por esses herbicidas Figura 23 – Desenvolvimento de mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) (A) e feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (B). além do emprego de plantas e sua microbiota associada. para o sucesso da fitorremediação.5 e 15. removendo. visando a remediação Fonte: Procópio et al. (2004) Para Accioly e Siqueira (2000). amenizantes como a matéria orgânica do solo.0 g ha-1) (não-seletivo a essas culturas).4 . os quais. posteriormente cultivado (B) ou não (A) com mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). Módulo 3. o programa deve envolver. agiriam em conjunto.Herbicidas: comportamento no solo 185 . associados às práticas agronômicas. imobilizando ou tornando os contaminantes inofensivos ao ecossistema.0. em solos contaminados pelos herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron Figura 24 – Desenvolvimento de plantas de milho e de feijão em solo tratado com o herbicida trifloxysulfuron-sodium (0.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 22 – Etapa de seleção de espécies vegetais tolerantes ao trifloxysulfuron-sodium e ao tebuthiuron. 7.

podendo ser utilizada como fertilizante.4 . nos programas de fitorremediação de herbicidas. Este herbicida apresenta alta persistência no solo. absorção moderada à matéria orgânica e argila. KHAN. Entre os herbicidas. Esse fato denota a importância de pesquisas. fabricação de diversos produtos. BEKHI. além da possibilidade de inoculação de microrganismos junto à semeadura das plantas. havendo possibilidades de reciclagem da biomassa produzida. O resultado dos processos de transporte. alto potencial de escoamento. 2003. como o picloram e outros. espera-se maior aceitação de métodos de descontaminação in situ. essa técnica é 186 Módulo 3. O que se observa é que o conhecimento teórico das propriedades dos compostos do solo. Contudo. graças à atual preocupação na viabilidade das técnicas integradas de manejo. o sucesso do tratamento empregando planta aquáticas vai além do baixo custo. principalmente no solo. 2005). depende do somatório de diversos processos envolvidos. com o objetivo de prevenir quanto aos possíveis distúrbios ambientais provocados por esses compostos.Considerações finais O comportamento de herbicidas no ambiente. dos fatores climáticos envolvidos e dos mecanismos de interação herbicida–ambiente nem sempre representa o comportamento constatado em condições naturais a campo. ALMEIDA. que visam o menor impacto negativo ao ambiente. apesar de já ser bem conhecido o processo de biodegradação do atrazine por diversos microrganismos (BEKHI et al. além da capacidade remediadora. poucos são os trabalhos que apontam soluções para fitorremediação deste composto em ambientes aquáticos (MARCACCI. GLASS. retenção e transformação que ocorrem com as moléculas representa a capacidade de contaminação e persistência destas no meioambiente. baixa pressão de vapor. geração de energia. são pesquisas já iniciadas e fornecerão dados para maior eficiência nos processos de descontaminação de áreas que apresentam resíduos de outros herbicidas comprovadamente persistentes no ambiente.Herbicidas: comportamento no solo . Em se tratando de ambientes aquáticos. 1993. 2005).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Manejo da irrigação. 1986). e até proteínas para usos em rações (DINARDI et al. a fitorremediação surge como opção para o tratamento eficiente de solo e água contaminados por herbicidas de difícil decomposição nesses ambientes. Nessa área. ração animal. 6 .. solubilidade de baixa para moderada em água (RODRIGUES. os quais são responsáveis pelo destino final desses compostos. O tema cresce em complexidade na medida em que se tenta selecionar espécies vegetais que apresentem. incremento na população e número de espécies vegetais. sendo comumente detectado após um ano. Além disso. e uma abordagem detalhada da sua dinâmica seria difícil diante dos diversos interferentes relacionados ao seu comportamento. por perturbarem menos o ambiente. principalmente em solos brasileiros. Contudo. devido às suas características físico-químicas. hidrólise lenta. como papel. outros benefícios para o agricultor. 1998). o atrazine oferece elevado risco de contaminação de aqüíferos.

sem dúvida.Herbicidas: comportamento no solo 187 . um dos motivos pelo qual deve ser mais estudado. podendo ser aplicada a grandes áreas. Módulo 3.4 . a identificação dos problemas de contaminação e as opções de recuperação do ambiente afetado. este é.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas relativamente barata. comparada a outros processos de descontaminação. Embora o tema seja muito abrangente. quando todos os fatores envolvidos interagem. As implicações são claras: entendendo como os herbicidas e outros pesticidas aplicados ao solo se comportam. torna-se possível sua utilização com eficiência técnica e econômica.

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192 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 193

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194 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Leandro Vargas Profº. Evander Alves Ferreira

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
196 Módulo 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas

Como confirmar a resistência. 200 1.2 – Metabolização.1 .Manejo da resistência a herbicidas. 225 15 .6 . 213 10.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução. 212 10 .2 – Bipiridílios. 230 Referências bibliográficas.Características da resistência por grupos herbicidas. 219 13 .Mecanismos que conferem resistência.Fatores que favorecem o surgimento da resistência. 198 1 . 202 3 . 215 10.8 . 203 4 . 213 10.Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate.7 – Triazinas.4 .Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas.Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas.Derivados da glicina.5 .Absorção e translocação. 200 1. 216 10.Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida.Herbicidas: resistência de plantas 197 .Variabilidade genética. 217 10.Inibidores de ACCase.Resistência múltipla.Comentários finais.Evolução da resistência. 209 7 .Pressão de seleção. 214 10. 201 1. 202 2 .5 . 201 1.1 – Auxinas.Alteração do local de ação. 225 14. 229 16 . 218 12 . 208 5.A resistência de plantas daninhas no Brasil.Resistência cruzada. 214 10.4 – Dinitroanilinas. 215 10.2 .Culturas transgênicas.Uréias/amidas.Como evitar a resistência. 210 8 . 218 11 .3 – Compartimentalização.1 . 209 6 .3 .Diagnóstico da resistência a campo. 231 Módulo 3. 221 14 . 211 9 .1 .Inibidores de ALS. 204 5 . 208 5.

5% às dinitroanilinas e os 198 Módulo 3. ao fato de que o controle químico tem sido eficiente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O controle de plantas daninhas com uso de herbicidas é prática comum na agricultura mundial. No que se refere aos defensivos agrícolas. Uma das conseqüências do uso indiscriminado desses métodos tem sido o desenvolvimento de muitos casos de resistência a tais compostos por diversas espécies daninhas. e Daucus carota.Herbicidas: resistência de plantas . principalmente.9% resistem aos herbicidas inibidores da ALS. está prontamente disponível e profissionalmente desen¬volvido. havia mais de 100 espécies reconhecidamente resistentes em aproximadamente 40 países (HEAP. 1997). Depois disso. 1979). várias outras espécies. onde os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF 2005). 7% às uréias e amidas.6% aos inibidores da ACCase. 1977) Em menos de 30 anos. 1998). após o primeiro caso de resistência. no Canadá. os agricultores depositam confiança excessiva no controle químico das plantas daninhas.. foram descritas em gêneros como Amaranthus e Chenopodium. ALMEIDA. 2005). O uso repetido de um herbicida exerce uma pressão de seleção que leva ao aumento do número de indivíduos resistentes na população. 22. resistentes a herbicidas pertencentes ao grupo das auxinas (WEED SCIENCE. possui custo atrativo. hoje está se tornando prática comum até entre os pequenos. 1970). o Brasil é um dos maiores mercados do mundo. nos Estados Unidos. em diferentes países (RADOSEVICH.1% às auxinas sintéticas. atualmente. no estado de Washington (EUA). Esses biótipos pertencem a 171 espécies e estão distribuídos em 59 países. principalmente por grandes agricultores. 3. Na atualidade. Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES. os demais métodos de controle têm sido deixados de lado. sendo o quinto no "ranking" de vendas de agrotóxicos.7% aos bipiridílios. Em conseqüência. Já em 1970. A constatação da resistência de plantas daninhas aos herbicidas começou em 1957 com a identificação de biótipos de Commelina difusa.5 . Destes biótipos.9% às triazinas. uma vez que essa tecnologia. devido a uma mutação nos cloroplastos (RADOSEVICH et al. Estudos posteriores demonstraram que esta espécie era resistente a todas as triazinas. e a tendência de uso desses compostos é de aumento. 7. O largo uso de herbicidas deve-se. 1998a). Muitos outros casos foram relatados em diferentes locais do mundo e. Dessa maneira. a população de plantas resistentes pode aumentar até o ponto de comprometer o nível de controle (HRAC. com resistência a triazinas. 11. 8. foram descobertos biótipos de Senecio vulgaris resistentes a simazine (RYAN. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. há aproximadamente 284 biótipos de plantas daninhas que apresentam resistência a um ou mais mecanismos herbicidas (Quadro 1). 28.

5 .3% restantes aos demais grupos de herbicidas. Quadro 1 – Ocorrência de biótipos de plantas daninhas resistentes a diferentes grupos herbicidas Exemplo de herbicida Inibidores da ALS Inibição da acetolactato sintase (ALS) Clorsulfuron Inibidores do Fotossistema Inibição da fotossíntese no Atrazine II fotossistema II Inibição da acetil carboxilase Inibidores da ACCase Diclofop-methyl (ACCase) Bipiridílios Aceptores de eletrons do FSI Paraquat Auxinas sintéticas Ação semelhante ao ácido indolacético 2. Acredita-se que o maior número de biótipos resistentes aos herbicidas dos grupos inibidores de ALS. à eficiência e à grande área onde são empregados. aos auxínicos. apesar do longo tempo de introdução no mercado. Em 1983. Assim. As razões do não-surgimento de plantas daninhas resistentes. já que. A resistência de plantas daninhas a herbicidas assume grande importância.4-D Uréias e amidas Inibição da fotossíntese no FS II Chlorotoluron Dinitroanilinas e outros Inibição da formação dos microtúbulos Trifluralin Inibição da síntese de lipídios – não da Thiocarbamatos e outros Trialate ACCase Triazoles. e os demais mecanismos somavam 8%. porém acredita-se que esteja relacionado com o seu modo de ação. o controle dos biótipos resistentes com uso de herbicidas é seriamente comprometido. benzotiadiazinas e ftalimidas. 67% dos casos de resistência documentados eram de biótipos resistentes às triazinas. até o momento.Herbicidas: resistência de plantas 199 . aos bipiridílios. não são claras. 12%. A ocorrência de resistência múltipla agrava ainda mais o problema. a estes grupos de herbicidas. se deve à alta especificidade.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. restringindo esta prática a outros métodos menos eficientes. 13%. citado por HRAC (2004) Grupo de herbicida Mecanismo de ação Total ocorrência 82 65 33 22 23 20 10 8 4 6 2 7 284 Módulo 3. Isso ocorre para diversos biótipos de grande ocorrência em diversas partes do mundo tornando cada vez mais difícil e oneroso o controle desses biótipos. das triazinas e existentes atualmente. uréias e Branqueamento – inibição da Amitrole isoxazolidionas biossíntese de carotenóides Glicinas Inibição da EPSP sintase Glyphosate Inibição da divisão celular (inibição de Butachlor Chloracetamidas ácidos graxos de cadeias longas) Outros Diversos Diversos Total de biótipos de plantas daninhas observados no mundo Fonte: Adaptado de Retzinger. são dois ou mais os mecanismos que precisam ser substituídos. princi¬palmente quando não existe ou existem poucos herbicidas alternativos para serem usados no controle dos biótipos resistentes. Essas proporções mudaram com a introdução no mercado dos novos grupos herbicidas inibidores de ALS e ACCase. Não foram encontradas citações de plantas daninhas resistentes aos herbicidas perten¬centes aos grupos ariltriazolinonas. neste caso.

serão repassadas aos seus descendentes. cada trinca de bases nitrogenadas codifica um aminoácido que comporá a futura proteína. 1992).. 1992). O DNA é uma dupla hélice formada por bases nitrogenadas púricas (adenina e guanina) e pirimidicas (timina e citosina) que formam os genes. multiplicação do material genético. Na tradução do RNAm. durante o crescimento do indivíduo é de cerca de 10-4. a probabilidade de as suas características cinéticas serem modificadas é grande.1 .. que é a cópia do DNA pela enzima DNA polimerase. mutação de ponto. deleção ou substituição de uma base nitrogenada podem alterar um ou mais aminoácidos da proteína a ser formada. Mutação foi definida por De Vries como mudanças repentinas e hereditárias. A atividade da enzima pode ou não ser modificada. contudo. este produto 200 Módulo 3. e cai para 10-9 pela ação das enzimas reparadoras (SUZUKI et al. Caso ele componha o centro ativo da enzima. A ocorrência de erros na replicação ou transcrição da fita do DNA. a maioria delas é deletéria e a evolução só é possível porque algumas delas podem ser benéficas em determinadas situações (SUZUKI et al. longas e específicas seqüências de bases nitrogenadas. A grande maioria das alterações que ocorrem no DNA.Herbicidas: resistência de plantas . O DNA é um cordão de genes (SUZUKI et al. porém não a posição do gene individualmente” (BREWBAKER. e a tradução do RNAm com a montagem da proteína pelo ribossomo... A alteração de uma base nitrogenada. As etapas para produção de uma proteína são a transcrição. Os genes. 1992). A probabilidade de ocorrer erros na replicação do DNA. 1969). Biótipos resistentes podem ocorrer em uma população de plantas daninhas como resultado de mutações que provocam alterações no local de ação do herbicida (BETTS et al. resultando em uma proteína mutante. é preferível restringir. formando o RNA mensageiro (RNAm).. estando na dependência de qual aminoácido foi alterado.. existe. pode originar uma enzima com características funcionais distintas ou não da original. são responsáveis pela codificação das proteínas. Os erros de replicação e as lesões espontâneas geram a maior parte das mutações por substituição de base e mudança da matriz de leitura (SUZUKI et al. 1992). entretanto. A mutação é um processo biológico que vem ocorrendo desde que há vida no planeta. 1992). 1992). e a ocorrência de mutações que provoquem inserção.5 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . mesmo remota. teoricamente.Mecanismos que conferem resistência 1. a possibilidade de erro.Alteração do local de ação As informações genéticas de um organismo estão contidas em seu material genético (DNA). Se o aminoácido alterado for o ponto ou um dos pontos de acoplamento de uma molécula herbicida. na tradução do RNAm. que não provoquem a morte do indivíduo. afirmando que são “aquelas mudanças bruscas hereditárias que alteram a atividade. A seqüência linear de nucleotídios em um gene determina a seqüência linear de aminoácidos de uma proteína (SUZUKI et al.

têm-se plantas daninhas resistentes aos inibidores de ALS.5 . que podem estar relacionados com o tipo de mutação ocorrida. um herbicida que anteriormente era eficiente em inibir uma determinada enzima deixa de ter efeito sobre esta. Logicamente que. Uma pequena alteração no polipeptídio pode resultar em um grande efeito sobre a afinidade com a molécula herbicida (BETTS et al. a molécula herbicida. 1. Não há evidências. que a mutação possa ocorrer por ação de algum herbicida ou outro defensivo agrícola (KISSMANN. já que estes produtos. ou. (1991). são avaliados quanto à sua capacidade mutagênica. a planta pode morrer pela ação do(s) outro(s) mecanismo(s). devido a uma ou mais alterações na estrutura deste local. com as formas alélicas do gene. o tipo de mecanismo que está proporcionando a resistência. como o sol.. a não ser que ela apresente outros mecanismos de resistência. mais rapidamente do que plantas sensíveis. resistência múltipla. Fontes externas de radiação. Como exemplo.Herbicidas: resistência de plantas 201 . se o herbicida possuir mais de um mecanismo de ação. Desse modo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pode perder a atividade inibitória sobre esta nova enzima. 1996). A resistência de Arabidopsis thaliana às imidazolinonas se deve à alteração de um aminoácido da enzima ALS. e é muito improvável. A luz ultravioleta e o oxigênio são mutagênicos (BREWBAKER. Esse é o mecanismo de tolerância a herbicidas apresentado pela maioria das culturas.: plantas resistentes ao paraquat). e a planta torna-se resistente àquele herbicida e a outros que se ligam da mesma forma àquela enzima. tipo de molécula e. em uma população de biótipos resistentes ocorrem diferentes níveis de resistência ou de susceptibilidade. 1.3 . 1992).Metabolização A planta resistente possui a capacidade de decompor. 1969). podem provocar mutações no DNA. tornando-se inativa. conforme relatam Sathasivan et al. ou é removida das partes metabolicamente ativas da célula e armazenada em locais inativos. Acredita-se que os herbicidas não sejam capazes de provocar mutações. como é o caso da resistência de Lolium rigidum a triazinas e inibidores de ACCase. Módulo 3. Contudo. tornando-a não-tóxica.2 . antes de serem lançados no mercado. Alteração do local de ação significa que a molécula herbicida diminui sua capacidade de inibir esse ponto.Compartimentalização A molécula é conjugada com metabólitos da planta. como o vacúolo (ex. ou seja.

assim. a quantidade de herbicida que atinge o local de ação é bastante reduzida. proporcionar tolerância ou resistência a herbicidas. a resistência é a capacidade adquirida de alguns biótipos. também confere resistência a outras moléculas de diferentes grupos químicos.5 . e a resistência múltipla. resistência a herbicidas de todos os grupos químicos que possuem o mesmo local de ação. não chegando a ser suficiente para controlar a planta (ex. mesmo que pertencentes a diferentes grupos químicos. são resistentes a herbicidas de diferentes grupos químicos e com diferentes mecanismos.4 . 2 . no ponto de ação de um herbicida. A resistência pode ocorrer naturalmente (seleção) ou ser induzida com uso de técnicas de engenharia genética. A resistência cruzada ocorre quando um biótipo é resistente a dois ou mais herbicidas. sob condições normais. A resistência pode ser cruzada ou múltipla. Em uma população de plantas vão existir aquelas que. de uma população de plantas. A resistência cruzada não confere. uma planta sensível pode morrer quando submetida a uma determinada dose do herbicida. uma planta daninha pode ser sensível. Desse modo. toleram mais ou menos um determinado herbicida. assim. PRESTON. A resistência cruzada conferida pelo local de ação ocorre quando uma mudança bioquímica. Por outro lado. Biótipos de Lolium rigidum e Kochia scoparia. Já a tolerância é uma característica inata de uma espécie. controlam os membros da população. mesmo sofrendo injúrias. de sobreviver a determinados tratamentos herbicidas que. quando as plantas resistentes possuem dois ou mais mecanismos distintos que conferem resistência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. Assim. cultura de tecidos ou de agentes mutagênicos. em que as plantas são capazes de sobreviver e se reproduzir após o tratamento herbicida. apresentam 202 Módulo 3.: plantas resistentes aos bipiridílios). Uma planta é sensível a um herbicida quando o seu crescimento e desenvolvimento são alterados pela ação do produto.Absorção e translocação A absorção e a translocação são alteradas e. que possuem resistência cruzada a herbicidas inibidores de ALS. Relaciona-se com a variabilidade genética natural da espécie. Também podem existir variações no nível de resistência cruzada dos biótipos a herbicidas de grupos diferentes. 1998). Esses mecanismos podem. isoladamente ou associados.Herbicidas: resistência de plantas . necessariamente. devido a apenas um mecanismo de resistência. que agem no mesmo local na planta (POWLES.Resistência cruzada A resistência cruzada pode ser conferida a um biótipo por qualquer dos mecanismos que conferem resistência. tolerante ou resistente a um herbicida. naturalmente.

1998). dois ou mais mecanismos conferem resistência à apenas um herbicida ou a um grupo de herbicida. em biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores do FSII.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diferentes níveis de resistência aos diferentes grupos herbicidas que agem inibindo a ALS.Herbicidas: resistência de plantas 203 . PRESTON. Acredita-se que as moléculas não-metabolizadas sejam imobilizadas ou armazenadas de forma a evitar sua ação sobre a enzima. as dificuldades de controle dos biótipos resistentes aumentam ainda mais quando os mecanismos que conferem a resistência estão relacionados com o local de ação e com outros mecanismos como o metabolismo. é necessário empregar misturas de herbicidas que não tenham sua atividade afetada pelos mecanismos de Módulo 3. mas apresentam pequenos aumentos no metabolismo do herbicida diclofop. Para controlar estas plantas daninhas. PRESTON. um exemplo são biótipos de Alopecurus myosuroides encontrados na Austrália. entre eles diclofop. devido a outros mecanismos. devido à rápida metabolização da molécula por arilhidroxilação catalisada pelo Cyt P450 monoxigenase. da prolina 173. 1998). Foi detectado. 1998). resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. O metabolismo de herbicidas inibidores de ACCase e ALS é realizado pelo Cyt P450. é exemplificada por biótipos de Lolium rigidum. 1998). de forma semelhante à que ocorre na cultura do trigo. aumento da taxa de metabolismo dos herbicidas (POWLES. Nos casos mais simples. 3 . Isso se deve a pequenas diferenças de ligação entre a enzima e a molécula herbicida e a diferentes mutações que ocorrem no gene que codifica a enzima ALS (POWLES. PRESTON. As mutações já analisadas mostram substituição. A conjugação da molécula herbicida com glicose também foi encontrada. que é resistente a vários herbicidas inibidores da ALS. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. que não exibem alterações na enzima. no centro ativo A da ALS. encontrados na Austrália. já foram encontradas outras alterações na ALS tanto no centro ativo A como em outras partes da enzima (POWLES. pendimethalim e simazine. que resistem a 15 herbicidas diferentes. Biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona.Resistência múltipla A resistência múltipla é o maior problema atual. Já os casos mais complexos são aqueles em que dois ou mais mecanismos conferem resistência à diversos herbicidas de diferentes grupos químicos. A resistência cruzada.5 . imazamethabenz. Além disso. PRESTON. e futuro. relacionado a resistência de plantas daninhas a herbicidas. Conrudo.

Há poucos casos registrados de plantas com resistência múltipla (POWLES. 4 .. Existem biótipos de Lolium rigidum resistentes a herbicidas inibidores de ALS. 1992). provocando mudanças na flora de algumas regiões. devido ao metabolismo. e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas resistência em questão. dentro da população. 1992). 1990). PRESTON. assim. a população da próxima geração terá uma freqüência elevada dos tipos que tiveram maior sucesso em sobreviver e se multiplicar nas condições ambientais vigentes. as freqüências dos vários tipos. 1998). Em geral. e o da seleção: algumas formas apresentam maior sucesso na sobrevivência e reprodução do que outras. por causa da pressão de seleção exercida por repetidas aplicações de um mesmo herbicida. PRESTON. ALS e FSII e possuem ACCase e ALS mutadas (POWLES.Evolução da resistência A teoria da evolução de Darwin. 1998). é de biótipos de Lolium rigidum que metabolizam herbicidas inibidores da ACCase. 1994).5 . Darwin postulava que a espécie como um todo vai mudando porque os seus indivíduos evoluem na mesma direção. myosuroides metabolizam chlorotoluron e alguns herbicidas inibidores de ACCase e apresentam ACCase mutada. o da hereditariedade: a prole parece mais com seus pais do que com indivíduos não-aparentados. 204 Módulo 3. O surgimento de plantas daninhas resistentes a herbicidas é um exemplo de evolução de plantas como conseqüência de mudanças no ambiente provocadas pelo homem (MAXWELL. encontrado na Austrália. fisiológicas e de comportamento entre indivíduos. Desse modo. Contudo. devido a alterações na enzima. em determinado ambiente (SUZUKI et al. encontra condições para multiplicação (BETTS et al. irão mudar com o tempo e os indivíduos mais bem adaptados ao ambiente tornam-se predominantes (SUZUKI et al. Biótipos de Lolium rigidum e Alopecurus myosuroides constituem casos complexos. o caso mais complicado de resistência múltipla. e resistentes a chlorsulfuron. LEBARON. O uso repetido de herbicidas para controle de plantas tem exercido alta pressão de seleção. Muitas evidências sugerem que o aparecimento de resistência a um herbicida. 1992) (Quadro 2). em uma população de plantas. através da seleção natural. Os biótipos de A.Herbicidas: resistência de plantas .. pode ser resumida em três princípios: o da variação: existem variações morfológicas. MORTIMER. espécies ou biótipos de uma espécie que melhor se adaptam a uma determinada prática são selecionados e multiplicam-se rapidamente (HOLT.. dentro de qualquer população. é devido à seleção de um biótipo resistente preexistente que.

A intensidade dessa pressão de seleção sobre uma população de plantas daninhas. É evidente que a intensidade de seleção na prática não é tão intensa como mostrada na figura.9 99. apresentaram maiores área foliar.000. Em condições de seleção natural.9999 99. altura e produção de sementes. A menor capacidade competitiva.. (CONARD. não foram detectadas diferenças na capacidade competitiva de Abutilon therphrasti resistente a triazina (GRAY et al. maior produção que biótipos menos adaptados (SAARI et al. vai selecionando os indivíduos resistentes e aumentando a sua freqüência na população.0 50.0 90.000 1.000 100. biótipos com maior adaptação ecológica apresentam. em média. 1994). RADOSEVICH.0 Evolução Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Pouco perceptível Perceptível Evidente Fonte: Kissmann (1996) A utilização de herbicidas que são altamente efetivos no controle de uma planta daninha específica por um longo período de tempo induz uma grande pressão de seleção quando comparados com outras práticas de controle. Assim.. o crescimento e a produtividade de plantas resistentes a triazinas podem estar relacionados com a sua capacidade fotossintética limitada (STOWE.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 2 .Tempo para evolução da uma população de biótipos de plantas daninhas resistentes Ano 0 1 2 3 4 5 6 7 No de Plantas Resistentes 1 1 1 1 1 1 1 1 No de Plantas Sensíveis 1. assim. Os biótipos resistentes podem apresentar menor adaptação ecológica nesses ambientes e tornam-se predominantes devido à eliminação das plantas sensíveis..Herbicidas: resistência de plantas 205 . sensíveis às triazinas. conforme a Figura 1. Biótipos de Amaranthus retroflexus L. que apresenta 90% de eficácia de controle do biótipo suscetível.999 99. 1995). assim como as diferentes características biológicas. pois no campo existe o banco de sementes. determinam a probabilidade do desenvolvimento de resistência das plantas daninhas a herbicidas. HOLT. Módulo 3. 1996). que funciona como um reservatório de sementes suscetíveis e. Por outro lado. a aplicação do mesmo herbicida. 1988). 1979) e Chenopodium album (PARKS et al. aumenta esse tempo de aparecimento.000 10.000 100 10 5 2 % de Controle 99.5 .0 80.99 99.

As plantas que expressam o gene de resistência são selecionadas.Aumento da freqüência do biótipo resistente devido a aplicações repetidas e anuais do mesmo herbicida A maior questão ecológica associada com a evolução da resistência aos herbicidas envolve o entendimento das relações entre adaptação. ou levar muitos anos. provocando uma seleção direcional e progressiva de indivíduos que possuem genes de resistência. MORTIMER. Na Austrália. podendo ser bastante curtos. e a seleção natural favorecem o surgimento e a evolução da resistência. freqüência gênica.5 . tornando-se predominantes rapidamente na área.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 . com o mesmo mecanismo de ação. 206 Módulo 3.Herbicidas: resistência de plantas . Aplicações repetidas de herbicidas. como três anos após a introdução comercial (TARDIF. herança e fluxo gênico (MAXWELL. O tempo e a proporção de plantas resistentes em um local variam com a freqüência de uso do herbicida e dos seus efeitos biológicos. em uma população de plantas exerce alta pressão de seleção. PAWLES. A ocorrência de variações genéticas. Foram identificados biótipos de plantas daninhas resistentes a sulfoniluréias após quatro a cinco anos de uso contínuo de herbicidas deste grupo (MALLORY-SMITH et al. 1994). inibidor da EPSPs (Quadro 3). A resistência está ligada a fatores genéticos e é hereditária (KISSMANN. 1990). foram selecionados biótipos de Lolium rigidum resistentes ao diclofop-methyl em três gerações. como no caso do glyphosate. 1996). 1993). capazes de serem transmitidas hereditariamente.. partindo de uma população sensível e usando-se dose normal do herbicida.

As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos.4-D Triazinas Propanil Paraquat Inibidores da EPSPs Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Fonte: Weed Science (1998) Introdução 1948 1959 1962 1966 1974 1977 1982 Resistência 1957 1970 1991 1980 1996 1982 1984 Local EUA e Canadá EUA EUA Japão Austrália Austrália Austrália A indústria sempre buscou moléculas herbicidas com alto grau de segurança. como é o caso de plantas resistentes a triazinas. O objetivo foi atingido e surgiram os herbicidas modernos (inibidores de ALS e ACCase). 1998). Há dois tipos de herança: a citoplasmática (materna) e a nuclear. São eles: o número de alelos envolvidos na expressão da resistência. assim. a freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população inicialmente sensível. que agem em pontos únicos nas rotas metabólicas das plantas. o modo de herança do(s) alelo(s) da resistência (citoplasmática ou nuclear). Herança citoplasmática é aquela em que os caracteres hereditários são transmitidos via citoplasma.5 . A freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população sensível geralmente está entre 1 em 1016 e 1 em 106 (MORTIMER.Herbicidas: resistência de plantas 207 . somente a planta-mãe poderá transmitir a resistência para os filhos. conseqüentemente. maior será a probabilidade de seleção de um biótipo resistente. quando dois alelos estão envolvidos. Por outro lado. mais genes podem estar envolvidos (poligênica) e mais lenta será a evolução da resistência. significa que somente um gene é responsável pela resistência (monogênica) e a evolução será rápida. O número de alelos que conferem a resistência é importante. uma vez que uma alteração no seu ponto de ação (enzima) pode provocar a perda de sua atividade sobre as plantas e. Por sua vez. características como herança do tipo Módulo 3. tanto o pai como a mãe podem transmitir a resistência. o surgimento de plantas resistentes. as características reprodutivas da espécie. e a taxa de cruzamentos entre biótipos resistentes e sensíveis (MORTIMER. Contudo. se a herança for nuclear. dessa forma. a transmissão será via cromossômica e. O tipo de herança do(s) alelo(s) da resistência é ponto crucial no estabelecimento da resistência em uma população de plantas. quanto maior. Desse modo. Há seis fatores relacionados à população de plantas que interagem e determinam a probabilidade e o tempo de evolução da resistência. herbicidas com essas características exercem alta pressão de seleção e. possuem grandes possibilidades de selecionar biótipos resistentes. e quanto maior for a freqüência destes alelos. como é o caso de plantas resistentes aos inibidores de ALS. ou seja. a pressão de seleção. assim. altamente eficientes e específicos. alta eficiência e baixa toxicidade para o homem e o ambiente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 3 – Tempo de evolução da resistência para diferentes mecanismos de ação Herbicida 2. pois. Um gene é formado por um par de alelos. 1998).

As características reprodutivas. influenciam diretamente a dispersão das plantas resistentes. 1994). O uso de herbicidas altamente eficientes e com residual longo exerce alta pressão de seleção. e intercruzamento entre os biótipos sobreviventes. permite a dispersão da resistência principalmente em plantas com alta taxa de fecundação cruzada.1 . o processo da evolução da resistência a herbicidas passa por três estádios: eliminação dos biótipos altamente sensíveis. A alta pressão de seleção. que serão selecionados futuramente devido segregação e recombinação de genes (MORTIMER. favorecimento de um indivíduo em relação a outros. via pólen. que é medida pela eficiência de controle das plantas daninhasalvo e pela relativa redução da produção de sementes das plantas remanescentes. A alta eficiência dos herbicidas provoca a eliminação rápida dos biótipos sensíveis. de acordo com sua fenologia e seu crescimento (MORTIMER. já a contribuição do movimento de sementes é relativamente pequena (SAARI et al. ou. como dispersão de pólen e número de propágulos produ¬zidos. o mecanismo de polinização e as condições climáticas durante a floração (STALLINGS et al. provocando variações sazonais que podem ser observadas nas espécies. com maior rapidez no ambiente do que as do tipo citoplasmática (materna). 5 .Fatores que favorecem o surgimento da resistência 5. O fluxo gênico apresenta correlação com o fluxo de distribuição de pólen e varia com a espécie. entre plantas resistentes e sensíveis. restando apenas os mais tolerantes e resistentes. A dispersão da resistência via pólen é influenciada pela eficiência de dispersão e longevidade do pólen (MULUGETA et al. que será proporcional à dose e. Já os herbicidas com residual longo agem durante tempo maior. 1995). 1994)..Pressão de seleção Os fatores intensidade de seleção e sua duração contribuem para a pressão de seleção exercida pelos herbicidas. A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes e sensíveis determina a dispersão dos alelos de resistência na população. eliminação de todos os biótipos.. exceto os resistentes.. A duração da seleção é medida pelo tempo no qual o herbicida permanece com residual. Resumidamente. A intensidade e a duração da seleção interagem. 1998). ao tempo. imposta sobre uma população sensível proporciona espaço para o crescimento e desenvolvimento dos biótipos resistentes.Herbicidas: resistência de plantas . O uso repetido de um mesmo herbicida ou de herbicidas com mesmo 208 Módulo 3. controlando as plantas sensíveis em diversos fluxos germinativos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas nuclear disseminam-se. 1998). O intercâmbio de pólen. A intensidade de seleção é a resposta da população de plantas às repetidas aplicações de herbicidas. favorecendo o desenvolvimento da população resistente. e seleção destes dentro de uma população com alta tolerância.5 . gerando novos indivíduos com maior grau de resistência.

há dois caminhos para o aparecimento de plantas resistentes: a ocorrência de um gene ou de genes que conferem a resistência em freqüência muito baixa na população ou através de uma mutação (MORTIMER. 6 .5 . Toda população natural de plantas daninhas contém biótipos resistentes a herbicidas. A possibilidade de ocorrer resistência em uma população.Variabilidade genética A variabilidade genética das plantas daninhas. devido à mutação. O(s) gene(s) que conferem a resistência a um determinado herbicida pode(m) estar presente(s) em uma população antes mesmo que este herbicida seja lançado no mercado. torna inevitável o surgimento de plantas resistentes.Diagnóstico da resistência a campo A resistência é um fenômeno que evolui em uma lavoura durante vários anos. volume de calda. O controle insatisfatório de plantas daninhas não significa necessariamente que seja resistência. tipo de bicos e condições ambientais foram adequados? b) As falhas de controle foram para uma espécie apenas? c) As plantas não são resultado de reinfestação? Módulo 3. 1998a). quando se suspeitar da ocorrência de resistência. 1969).2 . deve-se responder às seguintes perguntas: a) Produto. 1998). Segundo HRAC (1998a). que se apresentam indiferentes à aplicação de algum herbicida (HRAC. altamente específicos e com longo residual. época ou estádio de aplicação. O gene ou os cromossomos mutantes são a fonte essencial de toda a variação genética (BREWBAKER.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mecanismo de ação. adjuvantes. calibração. inicialmente. é resultado da relação entre a freqüência da mutação e o tamanho da população. 5. dosagem. aliadas ao monocultivo e ao uso repetido do controle químico. contribuem grandemente para o surgimento de plantas resistentes. Geneticamente. produz alta pressão de seleção e aumenta a possibilidade de seleção de biótipos resistentes. associada à adequada intensidade e duração de seleção. baixa dormência das sementes. Características das plantas daninhas como alta diversidade genética. grande produção de polén e propágulos.Herbicidas: resistência de plantas 209 . A seleção altera as proporções entre as plantas sensíveis e resistentes.

1994). Após duas e quatro semanas.Como confirmar a resistência O método mais comum e recomendado pelo HRAC (1998b) é colher sementes das plantas suspeitas de resistência e de plantas sensíveis. semear em vasos e tratar com doses crescentes do herbicida em questão.Herbicidas: resistência de plantas . As diferenças entre biótipos resistentes e sensíveis de uma espécie podem ser quantitativamente expressas comparando-se as doses de herbicidas necessárias para reduzir 50% da população (DL50). das plantas tratadas com herbicida em comparação com as não-tratadas (MAXWELL. avaliar o controle e a produção de matéria fresca.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Se as respostas a estas perguntas forem afirmativas. Para servir como padrão sensível. Para se ter certeza de que as plantas colhidas representam a população. dose recomendada. 210 Módulo 3. As condições de aplicação devem seguir aquelas recomendadas pela empresa fabricante. Existem metodologias para estudo da maioria dos casos de resistência. para identificar o mecanismo exato da resistência. a) Ultimamente tem-se reptido aplicação de um mesmo herbicida ou herbicidas com mesmo mecanismo de ação? b) O herbicida em questão vem perdendo eficiência? c) Há casos de plantas resistentes a este herbicida? d) O herbicida não perdeu eficiência sobre outras espécies? Se a resposta a uma ou mais destas perguntas for afirmativa. Ponchio (1997) isolou a enzima ALS e avaliou a sua resposta a diferentes doses de herbicidas que agem sobre ela. da biomassa (GR50) ou da atividade da enzima (I50). devem-se colher sementes de plantas em locais que nunca receberam aplicação daquele herbicida. As doses a serem aplicadas são: metade da recomendada. duas e quatro vezes a dose recomendada. podem ser realizadas em nível de laboratório. 7 . Análises bioquímicas.5 .000 sementes. MORTIMER. deve-se iniciar a investigação dos fatores que levam à resistência. se a diferença de controle for pequena. indica que o provável mecanismo envolvido é metabolismo da molécula. Os resultados podem indicar se a resistência é devido à alteração no local de ação ou à metabolização da molécula. indica que o possível mecanismo de resistência está relacionado com o local de ação. Por outro lado. Se a diferença de controle entre os biótipos resistentes e sensíveis for grande. devendo-se realizar testes para confirmação. existe a possibilidade de ser resistência. deve-se colher em torno de 40 plantas ou 1. No Brasil.

O acompanhamento e a avaliação da eficiência das medidas adotadas para combate à resistência são indispensáveis para garantir o sucesso da prática. A adoção dessas práticas visa reduzir a pressão de seleção. Módulo 3. j) Usar sementes certificadas. k) Controlar plantas em áreas adjacentes (terraços. b) Colocar em prática o programa de manejo da resistência. já que a probabilidade de uma planta daninha tornar-se resistente aos dois mecanismos.Como evitar a resistência Antes que as falhas de controle apareçam na lavoura. através de diferentes métodos de controle e mecanismos herbicidas. a fim de minimizar o risco do surgimento de plantas resistentes (Quadro 4). b) Realizar aplicações seqüenciais. As práticas culturais visam aumentar o número de possibilidades de controle das plantas daninhas. e) Limitar aplicações de um mesmo herbicida. os herbicidas que compõem a mistura devem controlar o mesmo espectro de plantas daninhas e ter persistência similar e diferente mecanismo de ação e de detoxificação. d) Realizar rotação de mecanismo de ação. Para minimizar os riscos de resistência. g) Rotacionar o plantio de culturas. deve-se. em primeiro lugar: a) Erradicar imediatamente as plantas remanescentes. São elas: reduzir a pressão de seleção e controlar os indivíduos resistentes antes que eles possam se multiplicar. pós-colheita). juntamente com esta. é pequena. h) Rotacionar os métodos de controle de plantas daninhas. simultaneamente. c) Evitar a disseminação. algumas práticas podem ser implantadas. i) Acompanhar mudanças na flora.5 . Em caso de confirmação da resistência. l) Rotacionar o método de preparo do solo. devem-se realizar os testes e determinar medidas de manejo. Isso pode ser conseguido com adoção das seguintes práticas: a) Usar herbicidas com diferente mecanismo de ação. c) Usar mistura de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e de detoxificação. f) Usar herbicidas com menor pressão de seleção (residual e eficiência). 8 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A empresa fabricante deve ser informada e. A mistura de produtos com diferentes mecanismos de ação proporciona controle eficiente por maior número de anos do que ambos aplicados de forma isolada.Herbicidas: resistência de plantas 211 . para reduzir o acréscimo de sementes ao banco.

resistentes às triazinas.5 . Desse modo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 4 – Risco de evolução da resistência. as plantas que não são controladas com uso de herbicidas alternativos podem contribuir para a disseminação e o aumento da freqüência gênica dos alelos sensíveis.Manejo da resistência a herbicidas As estratégias de manejo vêm sendo discutidas continuamente por cientistas da área. assim. essas medidas podem agravar o problema. 1998). Essa tática somente será eficiente na redução da população dos biótipos resistentes em casos em que as diferenças de adaptabilidade entre os biótipos resistentes e sensíveis forem grandes (MORTIMER.Herbicidas: resistência de plantas . 1998). de acordo com as práticas de cultivo Opção de manejo Mecanismo herbicida usado Mistura de herbicidas Método de controle Rotação de cultura Infestação Controle nos últimos três anos Fonte: Adaptado de HRAC (1998d) Baixo Mais que dois Mais que dois mecanismos Cultural. O uso de altas doses pode intensificar a seleção. A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes é reduzida. As várias opções que vêm sendo sugeridas estão baseadas em somente dois processos biológicos: alteração da pressão de seleção e. favorecendo os alelos sensíveis (MORTIMER. no caso de a resistência ser monogênica. ou. mas reduzirá o número de genes na população capazes de associarem-se (MORTIMER. e com o passar do tempo a população de plantas resistentes será reduzida (MORTIMER. selecionar biótipos altamente resistentes. 1998). A seleção reversa ocorre na ausência da seleção herbicida. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. seleção reversa. Biótipos de Senecio vulgaris. 1998). O comportamento de uma população de plantas pode ser altamente modificado. rotação de culturas e métodos de controle e usando-se herbicidas com diferentes mecanismos de ação. são menos competitivos do que biótipos sensíveis. e os biótipos mais adaptados tendem a dominar o ambiente. mecânico e químico Completa Baixa Bom Risco de resistência Médio Dois mecanismos Dois mecanismos Cultural e químico Limitada Média Declinando Alto Um mecanismo Um mecanismo Químico Nenhuma Alta Ruim 9 . se a resistência for uma característica poligênica. pode ser conseguida com redução na dose do herbicida que selecionou as plantas resistentes. uso de misturas de herbicidas. a redução na pressão de seleção aumenta a probabilidade de associação desses genes em um biótipo. A redução na pressão de seleção. Por outro lado. neste caso. 212 Módulo 3. A baixa pressão de seleção poderá.

Os biótipos resistentes assumem importância. no Canadá. selecionou biótipos resistentes de Echinocloa crus-galli na Espanha. no Canadá. As empresas fabricantes de herbicidas. Os três primeiros casos de resistência identificados foram a esta classe herbicida.Auxinas As auxinas sintéticas 2. O terceiro caso foi em 1964.Herbicidas: resistência de plantas 213 . Módulo 3. que incluem mistura de herbicidas. e Matricaria perforata.1 . nos Estados Unidos. de constituir um grupo permanente de cientistas para estudar o assunto e propor soluções. 1996). foram identificados biótipos de Commelina diffusa. financiando pesquisas e com iniciativas educativas que visam esclarecer aspectos sobre a resistência e o modo de ação de cada herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considerando que a resistência é um problema que pode afetar intensamente o mercado de herbicidas. e de Daucus carota.4-D e MCPA revolucionaram o controle de espécies daninhas de folha larga em cereais na década de 1940 e têm sido usadas largamente desde então. Considerando o tempo e o uso extensivo destes herbicidas. Em 1957. as indústrias tomaram a iniciativa. O herbicida quinclorac. resistentes ao 2. 1998) O uso extensivo de 2. na França. na Espanha. que visam prolongar a vida útil das moléculas envolvidas na resistência. considerado uma auxina e usado para controle de gramíneas em arroz. fortemente defendidas pelas empresas. poucas plantas daninhas evoluíram resistência até hoje.4-D e MCPA em trigo selecionou Sinapis arvensis. quando biótipos resistentes de Convolvulus arvensis foram identificados nos Estados Unidos (WEED SCIENCE. O conhecimento do modo de ação dos herbicidas é fundamental na adoção de técnicas de manejo. Papaver rhoeas. por serem os três grupos de produtos com maiores problemas (KISSMANN. manejo e monitoramento dos casos de resistência.4-D. 1997).5 . estão empenhadas em desenvolver técnicas e estratégias para identificação. devido ao largo uso destes herbicidas para controlar grande número de espécies e ao restrito número de herbicidas com potencial para substituí-los (HEAP. responsáveis pelo HRAC. 10 . através do GCPF (Federação Global de Proteção de Plantas). inibidores de ALS e inibidores de ACCase.Características da resistência por grupos herbicidas 10. Este grupo chama-se HRAC (Herbicide Resistance Action Committee) e é formado por três subgrupos que estudam triazinas. rotação de mecanismos de ação e adoção de práticas culturais específicas.

1997). como o glyphosate. Os mecanismos que conferem resistência aos bipiridílios são redução na translocação e compartimentalização da molécula (PRESTON. com surgimento de apenas uma espécie resistente (HEAP. 20 são dicotiledôneas e sete são monocotiledôneas (HEAP. os herbicidas bipiridílios. respectivamente. Dentre estas. Os biótipos também apresentaram-se resistentes ao diclofop e sensíveis aos demais herbicidas graminicidas usados para seu controle.Herbicidas: resistência de plantas . de que o glyphosate apresenta baixo risco para selecionar biótipos resistentes.5 . pelo menos. e os herbicidas auxínicos e inibidores de ACCase.Derivados da glicina O herbicida glyphosate é o produto mais usado deste grupo. não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs. é considerado um produto com baixa probabilidade de selecionar espécies resistentes. 1994). 1997). que apresentam. 214 Módulo 3. nãotranslocáveis (de contato) e com baixa persistência biológica no solo. plantas de Conyza bonariensis resistentes ao paraquat (PRESTON. Atualmente existem comprovados no mundo seis casos de resistência ao glyphosate. Contudo. dez vezes nos últimos 15 anos. Depois disso. na Austrália. Segundo esses autores. os biótipos resistentes a este grupo herbicida não são considerados de grande importância (HEAP. selecionaram 26 espécies resistentes. Em 1996 foram identificados. limitado metabolismo pelas plantas e baixo poder residual.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. em 1980.2 . Aplicações de paraquat e diquat selecionaram 25 e duas espécies resistentes. (1997) demonstraram que os biótipos resistentes de Lolium rigidum foram dez vezes mais tolerantes ao glyphosate do que os biótipos sensíveis. (2002) trabalhando com Lolium rigidum. Lorraine-Colwill et al. foram identificados. Erigeron sumatrensis e Youngia japonica resistentes a estes herbicidas. 1994). O argumento mais convincente. em lavouras que usaram o produto para controlar plantas daninhas em pré-plantio. no Japão. selecionaram. 10. em uma vasta área.3 . é o longo tempo em que este vem sendo usado. Trabalhos realizados por Pratley et al. foram identificadas. resistentes ao glyphosate. que apresentam baixo residual. no Egito. 17 espécies resistentes. Após duas décadas de uso. 1997). Devido à pequena área infestada e ao número de herbicidas alternativos. Por apresentar mais de um mecanismo de ação. mais de um mecanismo de ação. entre plantas resistentes e suscetíveis as enzimas são igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas as populações. cada um.Bipiridílios Os herbicidas bipiridílios são herbicidas não-seletivos aplicados em pós-emergência. biótipos de Erigeron philadelphicus. biótipos de Lolium rigidum.

1997). HOWAT. na Austrália. 1998).Dinitroanilinas Os herbicidas do grupo dinitroanilinas. foram selecionados artificialmente (MORTIMER. Os herbicidas inibidores de ACCase são o primeiro grupo herbicida alternativo para controlar biótipos resistentes aos herbicidas do grupo dinitroanilina. Lolium rigidum e Avena fatua são as espécies com maior importância. em razão da área infestada e do número restrito de mecanismos alternativos para controle dos biótipos resistentes (HEAP. Dessa forma. 1997). Apesar do tempo de uso e do seu longo período residual. para controle de gramíneas. Estima-se que haja. considera-se que aquelas que resistem aos herbicidas inibidores de ACCase tenham a maior importância econômica.Herbicidas: resistência de plantas 215 . Biótipos de Lolium rigidum apresentam resistência cruzada às dinitroanilinas. translocação. como trifluralin. assim.4 . mais de 3. devido ao metabolismo dessas moléculas (MOSS. Módulo 3. Desse modo. são usados em pré-emergência para controlar plantas daninhas gramíneas em culturas oleaginosas. Entre as plantas resistentes. A identificação de biótipos resistentes ao glyphosate indica que a resistência a este produto deve ser prevenida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Esses trabalhos também demonstraram que não existem diferenças de absorção. somente cinco monocotiledôneas e uma dicotiledônea apresentam resistência a este grupo herbicida (HEAP.5 . em 16 países.Inibidores de ACCase Este grupo herbicida foi introduzido na década de 1970. além do químico. 1990). O uso de misturas herbicidas e emprego de mais de um método de controle. devem ser adotados. POWLES.000 locais com Lolium rigidum resistente e. Essas moléculas agem sobre a enzima ACCase e controlam com eficiência gramíneas em culturas mono e dicotiledôneas. 1998). metabolismo e sensibilidade da EPSPS ao glyphosate. Biótipos de Festuca rubra. 10. biótipos de Eleusine indica. 1998). em resposta ao tratamento com glyphosate.5 . a maior quantidade de EPSPs sintetizada poderia ser a causa da resistência. oryzalin e pendimethalin. A única diferença entre os biótipos foi o maior nível de RNAm encontrado nos biótipos resistentes. resistentes ao glyphosate. e isso fez com que fossem selecionados biótipos de Setaria viridis com resistência múltipla a estes mecanismos (HEAP. Nos Estados Unidos. devem ser usados com rotação de culturas e de herbicidas. 10. entre os biótipos resistentes e sensíveis. os cultivares de soja resistentes ao glyphosate. recentemente desenvolvidos. mais de 500 locais com Avena fatua (HEAP. no Canadá. 1990. Sorghum halepense e Amaranthus palmeri evoluíram resistência à trifluralin após 15 a 20 anos de uso em cereais e leguminosas. Há 17 espécies monocotiledôneas resistentes aos inibidores da ACCase. acredita-se que estes mecanismos não são as causas principais da resistência dos biótipos a este herbicida.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Biótipos de Lolium rigidum. Estes herbicidas são largamente usados devido a sua baixa toxicidade para animais. que vai desde a cultura da soja até área de produção de arroz irrigado e florestas implantadas. 1994). 1994). O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCase e do tipo de alelo do gene (POWLES.5 . 1997). em 14 países. Amaranthus strumarium e Sorghum bicolor (HEAP. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. 10. Nos últimos dez anos. o que se deve a vários fatores.Inibidores de ALS A introdução no mercado dos herbicidas inibidores de ALS ocorreu em 1982. 1998). há 50 espécies de plantas daninhas resistentes a estes produtos. A manutenção do potencial é vital para a sobrevivência da célula. a resistência aos inibidores da ALS tem sido atribuída a mudanças na seqüência de aminoácidos. desde gramíneas até dicotiledôneas e plantas daninhas perenes como a tiririca e a grama-seda. com o lançamento da molécula chlorsulfuron para uso em cereais (SAARI et al. 1994). um relacionado com a ACCase e outro com a membrana plasmática. em razão da sua eficiência e do reduzido impacto ambiental (SAARI et al. 2) alta eficácia da maioria dos herbicidas inibidores da ALS . 1997). alta seletividade para as culturas e alta eficiência com emprego de doses baixas (HESS. plantas resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase devem possuir mais de um mecanismo que proporcione a resistência. Assim. bem como a seu grande espectro de controle de plantas daninhas.. 1994). Dentre estas. Aproxi¬madamente cinco anos após o início do uso dos herbicidas inibidores de ALS. 4) a resistência aos herbicidas inibidores da ALS é determinada geneticamente por lócus simples e semidominante e alta freqüência inicial em todos os casos de resistência estudados até o momento. Entre as espécies descritas estão Kochia scoparia. AHRENS. 41 são dicotiledôneas e nove são monocotiledôneas.esses herbicidas podem atingir níveis de controle próximos a 100%. Em biótipos de Lolium rigidum. a repolarização das membranas ocorre independentemente da presença da ACCase mutada e existem muitas diferenças entre as membranas dos biótipos resistente e sensível (HEAP. 1994..Herbicidas: resistência de plantas . Os herbicidas inibidores da ALS apresentam alta freqüência de casos de resistência de plantas daninhas. A despolarização das membranas é um segundo mecanismo de ação atribuído aos herbicidas deste grupo. Essas características contribuíram para o surgimento rápido da resistência. Atualmente.6 . como: 1) a amplitude de recomendações possíveis.. surgiu a primeira espécie resistente (SAARI et al. este grupo herbicida vem apresentando o maior número de registros de plantas resistentes. 3) muitos herbicidas inibidores da ALS apresentam residual prolongado no solo e conseqüentemente aumentam a pressão de seleção para biótipos resistentes. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. Os herbicidas classificados como inibidores de ALS tornaram-se uma ferramenta de grande importância para agricultura. 5) trabalhos têm mostrado que os biótipos resistentes apresentam a mesma adaptabilidade ecológica que os biótipos sucetíveis dos inibidores 216 Módulo 3. selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona. PRESTON.

1994). mas não a todos os herbicidas do grupo das uréias.. A causa da resistência aos herbicidas inibidores de ALS está em mutações que ocorrem no DNA e no metabolismo da molécula herbicida. Christopher et al. Estima-se que a área infestada no mundo com plantas daninhas resistentes aos herbicidas triazinas seja superior a três milhões de hectares.Triazinas A maioria das plantas daninhas resistentes às triazinas foram localizadas em lavouras de milho na Europa e América do Norte. no centro ativo A da ALS. biótipos resistentes apresentam menor crescimento do que biótipos normais Módulo 3. em dez países. 1992). em um dos biótipos resistentes. contudo. Os diferentes níveis de resistência são atribuídos às diferenças na estrutura do centro de reação da D1 entre às espécies. como as triazinas e uréias substituídas. usando-se herbicidas alternativos (HEAP. 1997). O gene que codifica a enzima ALS nas espécies resistentes pode apresentar diferentes mutações. em nove países. que conferem alterações funcionais na enzima ALS (POWLES.Herbicidas: resistência de plantas 217 .7 . A rápida inativação metabólica é a base para a resistência do biótipo SR4/84 de Lolium rigidum ao chlorsulfuron (COTTERMAN. a resistência deste biótipo se deve à rápida metabolização do herbicida. outros aminoácidos da ALS podem ser substituídos e produzir plantas resistentes com características distintas. 1998). em 16 países. não está descartada a hipótese de que o metabolismo da molécula também esteja envolvido. Essas mutações não alteram a função biológica da ALS. serina ou treonina. O metabolismo das moléculas herbicidas é outro mecanismo usado por plantas daninhas para resistir a estes herbicidas. As espécies mais freqüentes são Chenopodium album. dessa forma. assim. SAARI et al. (1992) identificaram biótipos de Lolium rigidum resistentes ao herbicida chlorsulfuron. já que. histidina.. respondeu igualmente a um biótipo sensível ao herbicida. As plantas daninhas resistentes têm sido controladas com eficiência. PRESTON. glutamina. Além da prolina. A mutação na D1 provoca alto nível de resistência aos herbicidas do grupo triazinas. cinco de Polygonum e quatro de Chenopodium. FALCO. da prolina 173 por uma alanina. A resistência a imidazolinonas e sulfoniluréias é conferida por um gene dominante nuclear (MAZUR. Esta mutação afeta o fluxo de elétrons no FSII. porém a atividade da ALS. Entre as plantas resistentes relatadas existem nove espécies de Amaranthus. até o momento. e Solanum nigrum. e 6) a maioria dos casos de resistência aos inibidores da ALS estudados apresenta resistência cruzada aos diversos grupos químicos de herbicidas que tem este mecanismo de ação (VARGAS et al. 1989. Alterações na proteína D1 são as principais causas da ocorrência de plantas resistentes aos herbicidas que agem no fotossistema II.5 . até o momento. Já um segundo biótipo apresentou resistência devido à insensibilidade da enzima ALS ao inibidor.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas da ALS. Amaranthus retroflexus e Senecio vulgaris. 10. 2004). foi identificada somente uma mutação na proteína D1: a substituição da serina 264 por uma glicina. SAARI. entre elas a substituição. não foram encontrados biótipos resistentes que apresentem alteração na taxa de crescimento ou na capacidade competitiva. assim.

5 . com uso de herbicidas alternativos (HEAP. em 1982. O herbicida propanil é usado para controlar Echinocloa colona e E. em muitos países. A ocorrência destes biótipos resistentes inviabiliza o uso deste herbicida em lavouras da Colômbia. Isso demonstra que as triazinas apresentam maior risco de seleção de biótipos resistentes que as auxinas sintéticas (HEAP. Os biótipos de plantas daninhas resistentes às triazinas são controlados com eficiência. por possuírem capacidade de metabolizar herbicidas com diferentes mecanismos de ação.4.8 .Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida Os herbicidas selecionam biótipos resistentes com diferentes mecanismos de resistência (Quadro 5) e em diferentes períodos de tempo (Quadro 3). mas sim via herança materna. As diferenças se devem à variabilidade genética das espécies envolvidas. Atualmente. PRESTON.D 218 Mecanismo Local de ação alterado/metabolismo Local de ação alterado Local de ação alterado Local de ação alterado Metabolismo Desconhecido Módulo 3. A mutação responsável pela resistência às triazinas ocorreu no genoma do cloroplasto. 1997). apresentam sérios problemas de controle. Até o momento existem 64 espécies resistentes às triazinas e 17 resistentes aos auxínicos. 11 . crusgalli em lavouras de arroz. 1998).Herbicidas: resistência de plantas . Quadro 5 .Mecanismos de resistência de plantas daninhas a herbicidas pertencentes a diferentes grupos químicos Herbicida Triazinas Dinitroanilina Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Propanil 2. em 1983. além da facilidade que as espécies possuem de evoluir resistência para o herbicida e do número de mecanismos envolvidos. com e sem rotação. 10.Uréias/amidas A primeira espécie a apresentar resistência às uréias foi Alopecurus myosuroides no Reino Unido. da Costa Rica e dos Estados Unidos (HEAP. mais de 40 espécies apresentam resistência a este grupo e duas ao propanil. 1997).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (POWLES. ao tamanho da área e ao tempo em que este produto é usado na área. que pertence ao grupo das amidas. As diferenças relacionadas ao mecanismo de ação destes herbicidas podem ser a resposta para essa questão. 1998). dessa forma. resistentes a chlorotoluron. Biótipos de Alopecurus myosuroides. Os herbicidas triazinas e auxina sintéticas vêm sendo usados em milhões de hectares há mais de 30 anos. e na Alemanha. a resistência não é transmitida hereditariamente via pólen.

Até hoje foram constatados casos de resistência em 6 espécies de plantas daninhas. O primeiro caso de resistência. poderão ser evitados o surgimento de novos casos de resistência e o surgimento de plantas com resistência múltipla.Herbicidas: resistência de plantas 219 . até o presente momento. a alta especificidade e eficiência e o longo período residual contribuem para a evolução rápida da resistência aos herbicidas que agem inibindo as enzimas ALS e ACCase. Módulo 3. mostrou-se menos sensível a estes herbicidas e. lactofen.. relatado oficialmente. são elas: Lolium rigudum. A enzima ALS. fomesafen e acifluorfen (PONCHIO. Lolium multiflorum. um número limitado de populações de plantas daninhas sofreu pressão de seleção suficiente para o aparecimento de biótipos resistentes (CHRISTOFOLETI. desse modo. A alta freqüência inicial de indivíduos resistentes na população. Somente com o uso de todos os métodos de controle disponíveis conjuntamente. Eleusine indica. que é um problema muito maior do que a resistência cruzada. dos biótipos resistentes. aos herbicidas inibidores de ALS. 1997).A resistência de plantas daninhas no Brasil Atualmente são reconhecidos 15 casos de plantas daninhas resistentes no Brasil. mas são sensíveis aos herbicidas alternativos sulfentrazone. a vasta área tratada. LÓPEZ-OVEJERO. O glyphosate esta sendo usado intensivamente na agricultura há mais de 25 anos. bentazon. constitui-se na mais provável causa da resistência (PONCHIO.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os herbicidas dos grupos cloroacetamidas e inibidores da EPSPs (glyphosate).5 . foi o da planta daninha Bidens pilosa L. Conyza banariensis e Plantago lanceolata (WEED SCIENCE. O primeiro caso de resistência de plantas daninhas ao herbicida glyphosate foi registrado em 1996. Nos últimos dez anos foram identificadas mais espécies resistentes para os inibidores de ALS do que para qualquer outro mecanismo de ação. selecionaram biótipos resistentes devido ao seu emprego em vastas áreas (HEAP. 1997). Em razão de suas características. Estes biótipos foram encontrados em lavouras dos estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul e apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS. estes herbicidas apresentam alto potencial para selecionar plantas resistentes. VARGAS et al. (Quadro 6). 2003). Conyza canadensis. 12 . 2006). 1997. apesar de serem considerados de baixo risco. 1999).

. referentes à resistência em Euphorbia heterophylla L. O uso repetido destes herbicidas pode ser a principal causa da seleção dos biótipos resistentes. diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis. Não houve diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis relacionadas à taxa de germinação e à profundidade de germinação e emergência.Herbicidas: resistência de plantas . e Brachiaria plantaginea. Os resultados deste trabalho indicam que a resistência é conferida por um gene dominante nuclear e que os biótipos apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS.arroz Capim-pé-de-galinha Leiteiro Leiteiro Flecha Cuminho Azevém Losna-branca Nabiça Mecanismo de ação ao qual adquiriu resistência Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Auxina sintética Inibidores da ACCase Auxina sintética Auxina sintética Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ALS e PPO Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da EPSPs Inibidores da ALS Inibidores da ALS Biótipos de Euphorbia heterophylla. Estudos relacionados a inibidores da ALS em condições de laboratório e de campo. Estudos relacionados à capacidade competitiva e ao comportamento das sementes no solo não indicam. crusgalli Echinochloa crus-pavonis Eleusineiíndica Euphorbia heterophylla Euphorbia heterophylla Sagitaria montevidensis Fimbristylis miliacea Lolium multifolium Parthenium hysterophorus Raphanus sativus Fonte: Wees Science (2006) Nome comum Picão-preto Picão-preto Capim-marmelada Junquinho Capim-arroz Capim-colchão Capim. Os biótipos resistentes sobreviveram ao tratamento com dose 16 vezes maior que a dose de campo (de rótulo). estão sendo realizados na Universidade Federal de Viçosa. resistentes aos herbicidas inibidores de ALS.arroz Capim. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase.5 . 220 Módulo 3. até o momento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 6 . foram identificados em lavouras de soja nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná.Espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas ocorrentes no Brasil e seu provável mecanismo Biótipos resistentes Bidens pilosa Bidens subalternans Brachiaria plantaginea Cyperus difformis Echinochloa colonum Digitaria ciliaris Echinochloa crusgalli var. onde estes produtos são empregados há mais de cinco anos. porém são sensíveis a herbicidas com outros mecanismos de ação.

A diferença marcante entre populações resistentes e suscetíveis foi encontrada no translocação do glyphosate. observaram que aproximadamente 80% das plantas avaliadas resistiram a dose de até 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 13 . Nesse mesmo trabalho. Depois do tratamento com glyphosate os autores observaram acumulação do produto nas raízes de plantas suscetíveis e nas pontas das folhas de plantas resistentes (Quadro 7). Nas plantas resistentes e suscetíveis. densamente perfilhada. as enzimas foram igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas às populações.5 . herbácea. glaba. três aplicações de glyphosate por ciclo durante os últimos 8 a 10 anos..Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate Lolium multiflorum é uma espécie anual ou bianual. No Brasil. o mecanismo que confere resistência ao glyphosate ainda não foi determinado com clareza. em média. As plantas resistentes e suscetíveis foram igualmente capazes de absorver o herbicida aplicado. Originária do sul da Europa. ereta. Com relação ao Lolium rigidum. Vargas et al. que vinham recebendo. a dose de 360 g ha-1 foi suficiente para controlar o biótipo sensível. propaga-se apenas por sementes (LORENZI. de 30 a 90 cm de altura. Módulo 3.440 g ha-1 de glyphosate e.Herbicidas: resistência de plantas 221 . 2000). trabalhando com biótipos sucetíveis e resistentes de azevém (Lolium multiflorum). 20% a doses de até 11. 2004). foram identificados biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistentes ao glyphosate em lavouras de culturas anuais e em pomares (ROMAN et al. O primeiro caso de Lolium multiflorum resistente ao glyphosate foi relatado por Perez e Kogan (2002). Em todos esses casos a aplicação repetida e continuada de glyphosate para controle da vegetação é considerada a principal causa da seleção dos biótipos resistentes. Lorraine-Colwill et al. Este biótipo resistente foi identificado em pomares no Chile. morfologicamente muito variável. aproximadamente. (2004).520 g ha-1. (2002) não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs.

intermediário . é muito pouco provável que os maiores níveis de expressão da EPSPs dos indivíduos resistentes expliquem completamente a maior tolerância ao produto.5 44. (2002) % de inibição por glyphosate 0 hora após a aplicação 48 horas após a aplicação 42. 222 Módulo 3. (2002) observaram inicialmente que numa população de Lolium rigudum existiam plantas com diferentes níveis de resistência ao glyphosate e assim classificaram estes biótipos como suscetível.9 36. Quadro 8 – Inibição da EPSPS em teste in vitro População Suscetível Intermediário Resistente Altamente resistente Fonte: BAERSON et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 . a hipótese de alteração da EPSPS no sítio de ação é descartada. Os resultados do trabalho indicados no Quadro 8 mostram que a atividade da EPSPS das plantas resistentes é similar à atividade das plantas suscetíveis.5 . resistente e altamente resistente.6 ± 2. (2002). em biótipos de L.4 ± 8.6 ± 6.Translocação foliar do 14glyphosate aplicado em plantas resistentes e suscetíveis.3 ± 3.0 42.9 ± 4. rigidum após o pré-tratamento com glyphosate isopropilamina (450 g ha-1) Horas 2 4 8 24 48 Biótipos S R S R S R S R S R Acima do LA 30 ± 2 28 ± 4 40 ± 3 42 ± 4 36 ± 5 48 ± 5 19 ± 3 42 ± 5 15 ± 2 50 ± 1 C (% total absorvido) LA Abaixo do LA 13 ± 1 55 ± 2 11 ± 1 58 ± 5 11 ± 1 44 ± 3 10 ± 1 44 ± 4 11 ± 2 45 ± 3 10 ± 2 37 ± 3 08 ± 1 53 ± 3 10 ± 1 43 ± 4 10 ± 2 55 ± 3 11 ± 1 33 ± 3 14 Raízes 02 ± 0 02 ± 0 05 ± 1 04 ± 0 08 ± 1 05 ± 1 20 ± 2 05 ± 1 20 ± 4 06 ± 1 Lorraine-Colwill et al. Os autores isolaram a enzima EPSPS e realizaram testes in vitro de sua atividade na presença de glyphosate em todas as populações. sugerindo que o mecanismo de resistência não esta completamente baseado no sítio de ação. LA: local da aplicação.2 ± 2.3 ± 7. dessa forma.5 ± 2.8 Esses autores observaram superprodução da EPSPS induzida pela aplicação do glyphosate e também expressivo aumento no nível de EPSPS nas plantas resistentes e altamente resistentes.8 42. Os valores mostrados são a médias de 10-15 plantas dos biótipos resistente e suscetível. Baerson et al.0 38.5 43. com erros-padrão. Segundo Kogan e Pérez (2003).4 44.Herbicidas: resistência de plantas .

Evolução da intoxicação provocada por glyphosate sobre biótipos sensível (A). Tanto o biótipo resistente quanto o intermediário apresentaram elevados níveis de intoxicação (80%) aos 14 dias após a aplicação dos tratamentos (Fig. (2006a) Em recente trabalho realizado por Ferreira et al. observou-se que doses de até 3. Todavia. A dose de 200 g ha-1 foi suficiente para controlar 100% das plantas sensíveis (Fig. multiflorum observou-se redução na produção de massa seca da parte aérea.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 .Herbicidas: resistência de plantas 223 . Essa queda de produção foi mais severa no biótipo intermediário do que no resistente (Fig. 3A). (2006a) com três biótipos de Lolium multiflorum (biótipos sensível. intermediário e resistente ao herbicida glyphosate). em ambos os biótipos (resistente e com resistência intermediária) de L. Módulo 3.5 . 3 B e C. resistente (B) e de resistência intermediária (C) de Lolium multiflorum Fonte: Ferreira et al. 4).200 g ha-1 de glyphosate não controlaram os biótipos resistentes e de resistência intermediária.

2A).Biótipos resistente (R) e sensível (S) de L multiflorum cinco dias após tratamento com 800 g ha-1 de glyphosate (FERREIRA et al.5 . (2002) em Lolium rigudum. (2006) verificaram que tanto o suscetível quanto o resistente absorveram o glyphosate na mesma intensidade (Fig.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 3 . 224 Módulo 3. Todavia observaram diferença marcante na translocação do 14glyphosate entre os biótipos resistente (R) e sensível (S). que constataram maior acúmulo do produto marcado nas raízes do biótipo resistente. 2006a) O possível caso da resistência de L.Herbicidas: resistência de plantas . 5). multiflorum pode estar ligado a translocação diferencial deste herbicida pelos diferentes biótipos.. O biótipo R apresentou maior acúmulo de 14glyphosate na folha aplicada às 64 horas enquanto no suscetível observaram maior acúmulo desse herbicida nas raízes (Fig. (2006a) Figura 4 . Ferreira et al.Porcentagem de produção de massa seca dos biótipos resistente e intermediário tratados com glyphosate em relação à testemunha Fonte: Ferreira et al. Esses resultados se assemelham aos encontrados por Lorraine-Colwill et al.

1 . (A) – na água de lavagem. (B) .nas raízes de biótipos de L. No mundo.5 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 – Concentrações de glyphosate avaliadas em diferentes tempos após aplicação. correspondendo a um aumento de 11% em 2005 no total de 21 países onde o plantio de transgênicos é permitido (JAMES. Módulo 3. com uma área plantada de 9. (C) – na parte aérea e (D) .4 milhões de hectares de sementes.Culturas transgênicas Cultivares de soja e de outras culturas foram lançados recentemente no mercado. milhares de hectares cultivados com culturas transgênicas já foram incorporados no processo produtivo. Depois disso.na folha onde foi aplicado.Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas 14. 2005). perdendo apenas para Argentina e Estados Unidos (Quadro 9).Herbicidas: resistência de plantas 225 . (2006b) 14 . multiflorum resistente (R) e sensível (S) Fonte: Ferreira et al. O Brasil é hoje o terceiro produtor de transgênicos. a área de produção de transgênicos passou de 81 milhões de hectares em 2004 para 90 milhões.

1 < 0. comercialmente disponível em nove países em 2005 (Quadro 9) que.1 < 0. Uruguai. dos 21 países produtores de transgênicos. são: EUA.1 0. canola e mamão Soja. Importante destacar que o milho Bt.5 0.8 milhões de hectares (4%) em dois países: EUA e 226 Módulo 3. canola tolerante a herbicida.1 < 0.3 milhões de hectares. Paraguai. milho e algodão Soja e milho Algodão Soja e algodão Soja Milho Milho Algodão Arroz Milho Milho Milho Milho Milho Em 2005. foram: China.8 3. Outras cinco culturas listadas no Quadro 10 ocuparam entre 2% e 5% da área mundial cultivada com plantas derivadas da biotecnologia e incluem.3 milhões de hectares (5%) em quatro países: EUA. África do Sul e México. México. Canadá. Austrália. Índia. com crescimento de 22% no ano de 2003. Brasil. que.1 < 0.3 1.3 0. Romênia. A terceira cultura geneticamente modificada mais cultivada foi o algodão Bt.1 Culturas transgênicas Soja.3 0.5 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 9 . em ordem decrescente de área: milho tolerante a herbicida.4 milhões de hectares.1 < 0.5 milhões de hectares. milho.1 0. África do Sul e Colômbia.1 < 0. quando foram cultivados 12. Argentina.0 milhões de hectares. milho e canola Algodão Soja Algodão Soja.1 < 0. equivalente a 6% da área mundial com lavouras geneticamente modificadas. A soja tolerante a herbicida é atualmente a cultura geneticamente modificada dominante. 2).Herbicidas: resistência de plantas . em ordem decrescente de área cultivada.4 5. 11 são países em desenvolvimento e 10 industrializados (Fig. milho Bt tolerante a herbicida.8 1. Checa Superfície (milhões de ha-1) 49. milho e algodão Soja Soja. Ela ocupa 48.3 milhões de hectares (5%) em dois países: Canadá e EUA. O algodão Bt foi plantado em oito países.Superfície global de cultivos transgênicos em 2005 (em milhões de hectares) Ordem 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Fonte: James (2005) País EUA Argentina Brasil Canadá China Paraguai Índia África do Sul Uruguai Austrália México Romênia Filipinas Espanha Colômbia Irã Honduras Portugal Alemanha França Rep. sexta colocação em 2003. Canadá.8 17. cultivado em 4.1 9.3 0. em ordem decrescente de área cultivada. cultivado em 4. ocupou um total de 15. algodão. EUA. África do Sul e Argentina. representando 60% da área mundial destinada às plantas geneticamente modificadas em 90 milhões de hectares.1 0. Argentina. e que ocupou 4. cultivado em 3.

algodão Bt e tolerante a herbicida cultivado em 3 milhões de hectares (4%) em três países: EUA. os países produtores de culturas trangênicas em 2005. de 1996 a 2005 O Quadro 10 mostra.5 milhão de hectares (2%) em 3 países: EUA. em ordem crescente por área. 2005). e algodão tolerante a herbicida cultivado em 1. Austrália e África do Sul (JAMES.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Canadá. Quadro 10 – Princiapais lavouras geneticamente modificada em 2005 Culturas Soja tolerante a herbicida Milho Bt Algodão Bt Milho tolerante a herbicida Canola tolerante a herbicida Milho Bt/tolerante a herbicida Algodão Bt/tolerante a herbicida Algodão tolerante a herbicida Fonte: James (2005) % em relação ao total de áreas cultivadas 60 14 06 05 05 04 04 02 Módulo 3. em milhões de hectares.Herbicidas: resistência de plantas 227 . Austrália e México.5 . Figura 2 – Evolução da área de cultivo de transgênicos no mundo.

hoje conhecida como tecnologia do DNA recombinante ou engenharia genética (VALOIS.0 27. Quadro 11 –Área total de lavouras geneticamente modificadas no mundo entre os anos de 1996 e 2005 Ano 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Fonte: James (2005) Hectares (em milhões) 1. por meio de desenvolvimento de métodos refinados com o uso de técnicas de biologia molecular. como ferramenta da biotecnologia agrícola.7 67. de características desejadas) entre um organismo doador (que pode ser uma planta. Além disso. A biotecnologia agrícola utiliza a transgenia como uma ferramenta de pesquisa agrícola caracterizada pela transferência de genes de interesse agronômico (e.Herbicidas: resistência de plantas . surgiram as plantas que carregam em seu genoma a adição de DNA oriundo de uma fonte diferente de germoplasma paternal.0 A transgenia permite um melhoramento "pontual" através da inserção de um ou poucos genes e da conseqüente expressão de uma ou poucas características desejáveis (MONSANTO. com o objetivo de acelerá-lo e de ampliar a variedade de genes que podem ser introduzidos nas plantas. O Quadro 11 mostra a evolução do cultivo de plantas geneticamente modificada e tolerante a herbicidas durante o o período de 1996 a 2005. Nessse período. a transgenia. oferece maior precisão do que os cruzamentos. permitiram a manipulação do material genético. bem como da natureza química do material genético. como ocorre no melhoramento genético clássico (no cruzamento ocorre a "mistura" de metade da carga genética de cada variedade parental). denominadas de transgênicas. 228 Módulo 3.1 90.7 11. Já a transgenia é uma evolução desse processo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A descoberta das leis da hereditariedade. etc.) e plantas.7 81. 2005).2 52. conseqüentemente. com segurança (MONSANTO. e a decifração do código genético foram condições primordiais para o surgimento da biotecnologia moderna. 2001). um fungo. sem que sejam introduzidos outros genes. uma bactéria. que. uma vez que permite a inserção de genes cujas características são conhecidas com antecedência.9 42. a área cultivada com lavouras transgênicas cresceu mais de 47 vezes (JAMES. 2005). No melhoramento tradicional. cruzam-se as espécies sexualmente compatíveis e ocorre a combinação simultânea de vários genes. 2005).8 39.6 59. Assim.5 .

espera-se a ocorrência de profundas mudanças nos sistemas de controle. a substituição das moléculas herbicidas que vinham sendo usadas por outra. Espécies altamente sensíveis a esse produto serão eliminadas. No Brasil. No início serão observados apenas os benefícios da nova tecnologia. dessa forma. sendo hospedeira de pragas e moléstias. Em 2005 a soja transgênica foi oficialmente liberada para plantio no país. essas plantas apresentam grande potencial de se tornarem um sério problema de controle. porém com o decorrer dos anos existirá uma grande possibilidade de surgir problemas como a seleção das espécies consideradas tolerantes ou mesmo espécies resistentes (GAZZIERO. ROCHA et al. É uma planta perene que se reproduz por sementes aéreas. o glyphosate (GAZZIERO. Os produtos e as combinações de produtos utilizados na soja convencional serão substituídos pelo glyphosate. 2000). Borreria latifolia e Tridax procumbens são plantas consideradas tolerantes ao glyphosate. tendo em vista que vários produtos ou combinações de produtos utilizados atualmente serão substituídos por um único ingrediente ativo. deixando de fazer o controle das plantas Módulo 3.Herbicidas: resistência de plantas 229 . e outras consideradas tolerantes apresentam a possibilidade de disseminação e conseqüente aumento de infestação nas áreas cultivadas com soja transgênica. A dinâmica e o estabelecimento das plantas daninhas nos levam a antever uma provável mudança na composição das plantas infestantes. subterrâneas e multiplica-se também a partir do enraizamento de porções do caule (ROCHA 1999. 2005). C. que é um requisito para a seleção de plantas resistentes. Esse fato poderá levar a uma situação extrema. 2005). somente haverá.. em que a maioria da área cultivada empregará a mesma molécula herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 15 . benghalensis. por exemplo.Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas Os métodos de controle das plantas daninhas não sofrerão alteração. em que fatores como a intensidade e a rapidez da mudança na composição de uma comunidade são acentuados e inevitavelmente influenciados pelas práticas agrícolas e pela ação humana. as plantas daninhas apresentam composição e dinâmica de um país tropical. Muitos produrores de soja transgênica no Rio Grande do Sul preferem controlar as plantas daninhas com aplicação de pós-emergência feita na cultura.5 . será utilizado um único ingrediente ativo. se o manejo das plantas daninhas não for adequadamente utilizado na soja transgênica. o que significa alta pressão de seleção. é uma espécie que se adapta com facilidade a diferentes ambientes e apresenta intensa resposta à calagem e adubação do solo. como é o caso dos herbicidas para os quais estão sendo desenvolvidas culturas resistentes. Dessa forma. em alguns casos. Espécies como Commelina benghalensis. O risco do surgimento de casos de plantas daninhas resistentes é maior para aqueles herbicidas que já apresentam biótipos resistentes.

do número de genes envolvidos. o mesmo herbicida ou herbicidas. Na maioria dos casos. 16 . Commelina benghalensis. Euphorbia heterophylla. Contudo.). do padrão de herança. devem ser adotadas as práticas de manejo adequadas. como: uso de misturas de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e rotação destes mecanismos.5 . Sabe-se que sua evolução em uma área é dependente da pressão de seleção. Nas áreas com mais de 15 anos de uso têm sido feitas três aplicações/ano em doses que variam de 2 a 8 L ha-1. e em anos seguidos. 2003). sobre os quais tem sido aplicada doses de 16 L ha-1 do produto comercial sem sucesso. do fluxo gênico e da dispersão de propágulos. poucos cientistas estão se dedicando a essa área no Brasil. observou em pomares de maça tratados com glyphosate a seleção de Richardia brasiliensis. ao se realizar a aplicação. e as informações de que se dispõe são relacionadas a casos de outros países.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que germinam antes da semeadura da soja. trazendo prejuízos a cultura (THEISEN citado po GAZZIERO. o processo de competição entre a cultura e as plantas daninhas já se iniciou. 230 Módulo 3. levando a um considerável aumento nos custos de produção. O conhecimento desses pontos é importante para embasar previsões de proporções futuras entre plantas resistentes. Para que isso seja evitado.Herbicidas: resistência de plantas . com mesmo mecanismo de ação. além da resistência de azevém (Lolium sp. em condições semelhantes.Comentários finais A resistência de plantas daninhas a herbicidas é um fato consumado no Brasil. Vargas (2004). que poucas vezes podem ser generalizados para as nossas condições. da variabilidade genética da espécie daninha. estarão sujeitos à seleção de plantas daninhas resistentes. Estudos aprofundados sobre essa questão devem ser realizados com urgência no país. em outras espécies. Desse modo. tolerantes e sensíveis em áreas afetadas e para eleger métodos de manejo e controle das plantas tolerantes e resistentes que permitam impedir a multiplicação e a disseminação desse(s) gene(s) para outras populações. Biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistente ao glyphosate se tornaram um grave problema nas lavouras de soja transgênica no Rio Grande do Sul. agricultores que empregarem extensivamente. para que se possa entender e estabelecer estratégias específicas para os nossos casos.

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .6 .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .Manejo de plantas daninhas 3.ABEAS Universidade Federal de Viçosa .Manejo de plantas daninhas em pastagens Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Lino Roberto Ferreira Profº.DF 2006 Módulo 3. Ricardo Camara Werlang Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .6 .Manejo de plantas daninhas em pastagens 235 .

246 1. 237 1 . 259 2.Competição por água.Fatores do ambiente passíveis de competição.2 .Competição por luz.Uso de herbicidas na recuperação de pastagens.4. 244 1. 257 2. 252 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.Controle de plantas daninhas. 267 236 Módulo 3.1 . 253 2.Integração da agricultura e pecuária. 258 2.1.2 .3 . 252 2. 247 2 .1 .2 .1. 238 1.4.Controle preventivo.4.2 .Competição entre plantas daninhas e forrageiras.Controle químico. 246 1.Controle mecânico ou físico.3 .Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens.6 . 239 1.Competição por nutrientes.Uso de herbicidas na manutenção de pastagens.4 .3 .Controle cultural. 260 2.1.1 .1 .3 .Manejo de plantas daninhas em pastagens . 261 Referências bibliográficas. 243 1.Plantas tóxicas.

água e recursos genéticos animais e/ou vegetais. e na pecuária. representado pela pecuária extensiva. Os últimos dez anos têm sido decisivos para a economia brasileira. possibilitem convivência harmoniosa com a natureza. que penaliza os setores não-competitivos e ineficientes (EUCLIDES FILHO. competitivos e eficientes. em particular. sociais e políticas. A tomada de decisão na pecuária. e produtivos. 1997). diante das transformações que vêm se processando. essa tendência é muito mais complexa e envolve modificações muito mais profundas. além de produtivas. 1996) A pecuária brasileira está sendo influenciada pelo processo de globalização em andamento no mundo. qualidade. formas de produção que. Conseqüentemente. a formação do que pode ser denominado um novo status de cultura global (EUCLIDES FILHO. espera-se. Com relação aos sistemas de produção agrícolas. As mudanças que vêm ocorrendo nos sistemas de produção são reflexos de transformações econômicas. que são responsáveis pela reestruturação desde níveis e formas de informação. apesar de esse processo estar sendo propalado como a globalização da economia. em especial para a pecuária. dependendo de cada caso.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Atualmente. competitividade e sustentabilidade (EUCLIDES FILHO. ambientalmente corretos. 1997). afastando-se cada vez mais do modelo extrativista. e o segundo é o fato de possibilitarem o atendimento da grande demanda mundial por alimento produzido de forma natural. passando por mudança do estágio de conhecimento e culminando com o estabelecimento de um novo padrão de comportamento da sociedade como um todo. a humanidade coloca em segundo plano os tratados e previsões que fundamentaram a “revolução verde” e busca. em última instância. O primeiro é que elas viabilizam a competitividade brasileira. Dessa forma.6 . sistemas economicamente viáveis. produtor. consumidor. e aproximando-se. É importante ressaltar que. Uma das características que faz com que a atividade pecuária no Brasil seja altamente competitiva é o fato de o País possuir grandes áreas de pastagens e condições adequadas para o desenvolvimento destas. capazes de ser conservadores de recursos. As pastagens. indústria. em maior ou menor grau. como solo. eficiência. em geral. Módulo 3. ou seja. nesse contexto. isto é sinônimo de estabelecimento de sistemas sustentáveis. economia. parte expressiva do setor se distanciou da prática extrativista que por muitos anos caracterizou a atividade e tem sido um exemplo de capacidade de ajustes e adaptação à realidade do mercado atual. socialmente justos. Nesse período. como política. deve considerar os vários pontos determinantes dos segmentos envolvidos no setor. assumem dois aspectos fundamentais. com respeito ao ambiente e aos animais. a atividade pecuária tende a se tornar cada vez mais uma atividade empresarial. da intensificação total.Manejo de plantas daninhas em pastagens 237 . social. nesse contexto.

a degradação precisa ser revertida para garantir a produtividade e a viabilidade econômica da pecuária (MACEDO et al. pode-se considerar a luz como o principal fator (recurso) de competição destas com as forrageiras. Além dos impactos negativos na produção e desvalorização do patrimônio. até mesmo parcialmente. 2000). Isso ocorre porque a maioria das gramíneas forrageiras cultivadas no Brasil tem a sua eficiência fotossintética altamente dependente da intensidade da luz.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Diante da importante função assumida pela pastagem no contexto de pecuária empresarial e competitiva. mas também por espaço. má formação inicial. Estima-se que 80% dos quase 60 milhões de hectares da área de pastagens na região de Cerrados apresentam algum estágio de degradação (MACEDO et al. Pastagem degradada se constitui. 2000). sem possibilidade de recuperação natural. reduzindo a disponibilidade desses fatores para as forrageiras. ainda. espaço.. atualmente. ocasionar danos físicos aos animais. é lógico que o sucesso desse setor está estreitamente relacionado com a manutenção das pastagens em condições adequadas. devido à elevada capacidade competitiva das plantas daninhas. Em razão do porte arbustivo. Essas forrageiras. uma vez que estas plantas competem por luz. 1 . entre eles má escolha da espécie forrageira. Assim. é facilmente dominada pelas plantas daninhas. como ferimentos no úbere das vacas. agravam-se os efeitos ambientais pela erosão dos solos e assoreamento dos mananciais de água. água e nutrientes. Causada por diversos fatores. Nas Figuras 1 e 2 são apresentadas algumas das principais espécies de plantas daninhas das pastagens. e até mesmo arbóreo.Manejo de plantas daninhas em pastagens . de muitas espécies de plantas daninhas infestantes de pastagens em condições brasileiras. e aumenta o tempo de formação das áreas reformadas. bem manejadas e livres de plantas daninhas. nestas condições. têm a sua taxa de fotossíntese líquida altamente reduzida e. Degradação de pastagens é um processo evolutivo de perda de vigor e produtividade da forrageira. além de ser um ambiente propício para o desenvolvimento de parasitas.Competição entre plantas daninhas e forrageiras Pastagens produtivas significam pastagens bem formadas. Essa competição se dá principalmente por luz. se sombreadas. em um dos maiores problemas dos sistemas de produção de bovinos no Brasil Central. que afeta a produção e o desempenho animal e culmina com a degradação do solo e dos recursos naturais em função de manejos inadequados. No entanto. a presença de plantas daninhas em pastagens reduz a sua capacidade de suporte (unidade animal por ha). a prática demonstra outra realidade. pois são espécies que apresentam o metabolismo C4. ocasionado pela competição com as plantas daninhas. as quais dificultam o processo de produção pecuária..6 . 238 Módulo 3. falta de adubação de manutenção e manejo da pastagem inadequado. A presença delas em pastagens reduz a produtividade. por diminuir o potencial de formação de pasto pelas forrageiras. As plantas daninhas podem. nutrientes e água.

Isso ocorre porque. Recursos são os fatores consumíveis. A seguir serão abordados os principais fatores envolvidos na competição entre as plantas daninhas e as forrageiras. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. já limitados no meio. como água. reduzindo a produtividade da forrageira. até mesmo para o próprio desenvolvimento da forrageira. nutrientes e luz. qualquer planta daninha que se estabeleça na pastagem vai usar parte dos fatores de produção. Radosevich et al. ou até mesmo levá-los à morte. gás carbônico. na maioria das vezes. Como ambas possuem suas demandas por água.: toxidez devido a excesso de Zn no solo). nessas circunstâncias.Fatores do ambiente passíveis de competição Em ecossistemas agropastoris. nutrientes e CO2 e. esses fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas causados por espécies com espinhos. 1. estabelece-se a competição. a forrageira e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área. muito comuns em pastagens brasileiras.1 . luz. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso for limitado e máxima quando o ponto de saturação for atingido.6 .Manejo de plantas daninhas em pastagens 239 . caso eles se alimentem de plantas tóxicas. Módulo 3. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex.

Manejo de plantas daninhas em pastagens .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 – Principais plantas daninhas das pastagens (a) assa-peixe branco (Vernonia polyanthes). (e) ciganinha (Memora peregrina). (c) mata-pasto (Eupatorium maximilianii). (d) assa-peixe roxo (Vernonia glabrata).6 . (f) fedegoso (Senna ocidentalis). (b) leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). (g) guanxuma (Sida glaziovii) e (h) lobeira (Solanum lycocarpum) 240 Módulo 3.

(c) guizo-de-cascavel (Crotalaria spectabilis). fistulosa). (d) cafezinho (Palicourea marcgravii). (e) cambará (Lantana camara).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 – Principais plantas daninhas das pastagens . e plantas tóxicas . (b) arranha-gato (Acacia plumosa). (f) algodão-bravo (Ipomoea carnea sbsp. (h) ximbuva (Enterolobium contortisiliquum) e (i) samambaia (Pteridium aquilinum) Módulo 3.6 .Manejo de plantas daninhas em pastagens 241 .(a) camboatá (Tapirira guianensis). (g) mamona (Ricinus communis).

se a população de plantas da forrageira por área for baixa ou o estande for desuniforme. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos. ela poderá cobrir rapidamente o solo. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (RADOSEVICH et al. como pH do solo. Todavia. Determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. caracterizado pela pastagem degradada. por exemplo. 1996). a menor suscetibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. ainda. A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. como veranico e geadas. também. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. como: a competição é mais séria nos períodos iniciais de desenvolvimento da 242 Módulo 3. etc.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Condições são fatores não diretamente consumíveis.. A competição entre plantas daninhas e forrageiras é um fator crítico para o desenvolvimento da pastagem quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a forrageira. porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. o maior índice de área foliar. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância. em condições de sombreamento (PITELLI. densidade do solo. em áreas de pastagens degradadas a capacidade competitiva das plantas daninhas é ainda maior. seja ela daninha ou não. mesmo com baixos níveis do recurso no ambiente (RADOSEVICH et al. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. A competição pode ser intra-específica. 1990. 1996). até que um nível ideal seja alcançado. Várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as forrageiras e as plantas daninhas.Manejo de plantas daninhas em pastagens .. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. Entretanto. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. em razão da influência extrema que eles exercem na utilização dos recursos pelas plantas. cuja dependência é muito grande. como acontece.. 1996). 1985). do seu vigor.. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. totalmente esclarecida. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. No entanto. A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. se a forrageira se estabelecer primeiro. citado por RADOSEVICH et al. interespecífica. envolvendo indivíduos de espécies diferentes. Na realidade. Os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta destas às variações dos recursos (GOLDBERG. não estando. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. Contudo. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas daninhas em relação às culturas são o seu porte e sua arquitetura. e. dependendo da espécie cultivada.6 .

desenvolvimento e crescimento rápido de grande superfície fotossintética mesmo ainda na fase de plântula. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. Conhecendo esses fatores. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva.6 . principalmente se a forrageira possui metabolismo C4. Disso resulta a importância do preparo do solo. o chamado manejo integrado de plantas daninhas. especialmente nos trópicos em dias quentes. luz.1. que podem inibir a germinação e ou desenvolvimento da forrageira. tendem a excluir as demais. Normalmente. as condições para que ela se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. comumente.Manejo de plantas daninhas em pastagens 243 . como o químico ou mecânico. as espécies daninhas de maior porte do que as forrageiras exercem grande potencial competitivo com estas. etc. da profundidade de plantio. torna-se fácil o manejo da forrageira.: assa-peixe.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis. etc. Assim a competição é mais facilmente minimizada ou até mesmo eliminada com a integração de outros métodos de controle. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. da percentagem de germinação e vigor das sementes. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. como capacidade de remoção de água do solo. 1. das condições adequadas de pastejo e manejo adequado da forrageira. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da forrageira e da vegetação daninha infestante da área a ser formada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas forrageira. podendo. por isso. 1996). (Radosevich et al. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas. regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma pastagem. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular (maior profundidade do sistema radicular – ex. ciganinha e outras). dessa forma. é normal em alguns agroecossistemas. especialmente nitrogênio e carbono. pois se estabelecem primeiro. grande número de estômatos por área foliar. devido ao sombreamento. fazendo com que esta leve vantagem sobre o complexo de plantas daninhas. as características fisiológicas das plantas. que as plantas forrageiras fiquem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas.1 . são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. magnitude da condutividade hidráulica das raízes. sem qualquer sinal de déficit hídrico. pequenas ou grandes. e sistema radicular muito desenvolvido. Desse modo. e as espécies daninhas competem por água. da escolha da forrageira adequada para a região. no manejo da forrageira. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes. as espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da forrageira.. ainda. Módulo 3. da época correta de plantio. realizando. liberar toxinas no solo.. nutrientes e espaço.

requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). também. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase.Competição por luz A competição pela luz é muito complexa e sua magnitude é influenciada pela espécie. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. por ser ambígua quanto ao substrato. a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. dependendo da espécie vegetal. no ácido fosfoenolpirúvico. não desassimilam o CO2 fixado. quando comparadas com plantas C4. É sabido que a relação. onde esses produtos são descarboxilados. responsável pela fixação do CO2. de 1:5:2. molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. Elas não apresentam fotorrespiração detectável. logo. por apresentarem dois sistemas carboxilativos. baixo ponto de saturação luminosa. retorna às células do mesófilo.Manejo de plantas daninhas em pastagens . em seguida. considerando ambos os grupos em condições ótimas. que ocorre em todas as plantas superiores.5 difosfato carboxilase. A maior eficiência das plantas C4 em relação a C3 em condições adequadas de luminosidade e temperatura é o principal fator da superioridade de produção forrageira em condições tropicais (maioria C4). As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2. As plantas C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. ou seja. a superioridade das forrageiras utilizadas no Brasil (C4 em sua grande maioria) é dependente de certas condições. como a luminosidade adequada. Entretanto. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. localizada nas células do mesófilo foliar. as plantas C3 fotorrespiram intensamente. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. onde é fosforilado. substrato inicial da respiração. Em conseqüência da ação desta enzima. As plantas C4. Este CO2 liberado é novamente fixado. comparado a regiões temperadas. formando o ácido oxaloacético (AOA). é transportado para as células da bainha vascular das folhas.2 . por difusão. e. além do ciclo de Calvin e Benson. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. do glicolato. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico. o ácido pirúvico. sendo esta relação para as plantas C4. consumindo 2 ATPs. catalisa a produção do ác. ocorrendo o ciclo de Cavin e Benson. agora pela enzima ribulose 1. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. 3-fosfoglicérico e.6 .1. se ela é umbrófila ou heliófila e. Esse fato evidencia que as plantas C4 244 Módulo 3. Essas plantas. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. também. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico). por difusão.

. gênero Cynodon (SILVA et al.alongamento de folha. ocorre a necessidade de controle de invasoras. porém são influenciadas por fatores externos. Como a maioria das forrageiras das regiões tropicais e subtropicais . quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. Portanto. temperatura. 1995). Cada espécie de forrageira possui um padrão genético de crescimento e expansão foliar (determinado por suas características morfogênicas . é comum. liberando CO2. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. A luz como fonte de energia de todos os processos biológicos na forrageira é o componente principal na produção da pastagem. Como toda essa energia é proveniente da luz. a ocorrência de sombreamento por plantas daninhas implica redução drástica do potencial competitivo dessas forrageiras. nessas condições. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontra-se saturada quanto à luz e. aparecimento de folha e duração da folha) que. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km). REIS.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. 1994). Isso acontece porque. como água. atua especificamente como carboxilase. 1999) . estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. esta passa a atuar mais como oxidativa. e não satura em alta intensidade luminosa. Além disso. A combinação das características morfogênicas determina as três principais características estruturais das forrageiras: tamanho de folha. indica o potencial de produção de uma pastagem. Esse fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. as condições de luminosidade e temperatura serão preponderantes no desenvolvimento adequado das forrageiras. densidade de perfilhos e número de folhas por perfilho. Todavia. a fim de evitar o sombreamento. Isso é possível porque esse grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável. como: alta afinidade pelo CO2.Manejo de plantas daninhas em pastagens 245 . Essas características são genéticas.são plantas C4. No caso das plantas C4. atividade ótima em temperaturas mais elevadas. luminosidade alta e até mesmo déficit hídrico temporário. aliado a outros fatores. Em função destas e de outras características. levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente.. luminosidade e nutrientes. se for reduzido o acesso à luz. Módulo 3. nessas condições. as espécies C4 dominam completamente as C3. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). ainda assim elas continuam acumulando biomassa.espécies de Brachiaria (CORSI et al.6 . que são diretamente correlacionadas com a quantidade e qualidade da luz.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. 1998) e Pennisetum purpureum (RODRIGUES et al. gênero Panicum (RODRIGUES. conseqüentemente. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEPcarboxilase) apresenta algumas características.

.Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e.6 . visam melhoria das propriedades do solo. tem sido proposto recentemente. Essas tecnologias também proporcionam maior diversificação das atividades econômicas no meio rural (KICHEL. a queda na produtividade das lavouras.2 . melhoria das propriedades físicas do solo. MIRANDA.Integração da agricultura e pecuária A degradação das pastagens. Portes et al.3 . apesar de esse processo ser lento e silencioso. A integração agricultura e pecuária não será abordada em maior detalhe.Manejo de plantas daninhas em pastagens .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. além da quebra do ciclo de pragas e doenças. exercem forte competição com as forrageiras pelos nutrientes essenciais. Nesse sentido. o empobrecimento da fertilidade do solo. em conseqüência disso. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes. o aproveitamento da adubação residual e o preparo do solo mais elaborado podem ser vantajosos na redução dos custos e na eficiência de recuperação das pastagens degradadas (Macedo et al. a baixa retenção de água no solo e o aumento do processo erosivo são sintomas do manejo inadequado que prejudicam o meio ambiente.. 2001). 2000). a consorciação de lavouras e forrageiras. como alternativa de recuperação de pastagens degradadas. a utilização de culturas anuais em cultivos seqüenciais ou simultâneos como formas de sistemas de produção. doenças e plantas daninhas.1. É notório que o setor agropecuário brasileiro está passando por um processo de transição socioeconômica e agroambiental. a competição por nutrientes depende. tornando-o sustentável em termos econômicos e ecológicos (KICHEL et al. diversificação do sistema produtivo e de aumento da produtividade do empreendimento agrícola. que facilitam a ocorrência de pragas. As tecnologias para recuperação e manejo sustentável dos solos degradados dos Cerrados. evitando a erosão e quebra do equilíbrio.. 246 Módulo 3. 2000. os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das forrageiras em nossos solos. deve-se considerar. em alto grau. maior eficiência no uso de máquinas. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca. observam-se a expansão do plantio direto. 2001). 2000). por constituir-se em tema complexo e não ser objetivo do presente trabalho. Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. tanto para as áreas de pastagens como de agricultura. a preocupação da utilização racional de água e agroquímicos e a necessidade de maior competitividade e sustentabilidade (COBUCCI. 1. das espécies presentes. com maior ênfase. A venda de grãos das culturas.

Os biomas Pantanal e Cerrado possuem floras ricas em espécies. Na mesma raça há fatores ligados ao próprio indivíduo. 2002). A maioria das plantas tóxicas é consumida pelos animais em razão da escassez de alimentos nas pastagens e da mudança de animais famintos para pastagens que possuem plantas tóxicas (FREITAS et al. Portanto. como brotação. que causa fotossensibilização ("orelha frita"). certas raças toleram mais. 2002). folhas ou raízes de plantas que possuem grande quantidade de elementos químicos nocivos ao gado (AFONSO. até atingir a dose letal (AFONSO. peso. 1991). Tokarnia et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. como é o caso das mandiocas-do-mato (Manihot spp. e causa danos à saúde ou morte. em condições naturais. há outros fatores que também propiciam intoxicações. Existem também plantas com princípio tóxico cumulativo. AFONSO. além do grau de sensibilidade do animal a um princípio tóxico (AFONSO. POTT. estado sanitário e nutricional. mas também aquelas que provocam direta ou indiretamente perturbações na saúde do animal. O conceito sobre plantas tóxicas é relativo. Módulo 3. raiva ou outra doença. como idade. visto algumas serem tóxicas em uma região e em outra não (AFONSO.). No caso da espécie bovina. sexo. pois às vezes ela provoca intoxicações apenas em uma dessas fases. POTT.Plantas tóxicas Calcula-se que 12% das mortes de bovinos são causadas por sementes. arrecta). ingeridas espontânea ou acidentalmente pelo animal. consideram-se tóxicas todas as plantas que. A mais temível do Brasil é a erva-de-rato ou cafezinho (Palicourea marcgravii) (POTT. Por outro lado.3 . tóxicas. POTT. Algumas plantas cultivadas também são consideradas tóxicas. sendo algumas. os quais podem estar relacionados ao animal ou à planta. que o animal.Manejo de plantas daninhas em pastagens 247 . 2002). POTT. a ingestão de certas plantas em pequenas quantidades leva o animal a adquirir resistência ou tolerância ao princípio tóxico. outras menos. Segundo Howes (1933). Com relação à planta. Várias provocam sinais que podem ser confundidos com picada de cobra. citado por Hoehne (1939). certos venenos. Além da fome. e braquiária-d´água ou "tanner grass" (B. podem provocar danos que se refletem na sua saúde ou vitalidade. muitas das quais ingeridas pelo gado. vai retendo no seu organismo. deve-se considerar a sua fase vegetativa. plantas tóxicas não são somente vegetais que provocam verdadeiros envenenamentos e intoxicações agudas. floração e frutificação. que pode causar anemia devida a nitratos/nitritos. O tipo de solo também pode influenciar na toxidez de uma planta. 2002).. principalmente em bezerros. (2000) definem planta tóxica de interesse pecuário a que é ingerida por animais domésticos de fazenda. ingerindo pequenas quantidades diárias.6 . com comprovação experimental. subquadripara = B. como Brachiaria decumbens. 2000).

DL (100 g de folhas verdes). afeta o Rubiaceae em áreas sombreadas das beiras ciclo de Krebs das matas. cercar as matas e as capoeiras onde existir a planta. Nos bovinos. Rebrota após cortes e ácido lisérgico fogo. Ocorre em terra firme. os sintomas consistem em queda repentina do animal ao chão. O seu andar se torna desequilibrado (como se estivesse embriagado). com cafezinho Ácido exceção do extremo sul e do sertão (Palicourea monoflúornordestino. caindo com facilidade. lassidão e pêlos ásperos. sendo ingerida em qualquer época do ano. É muito comum em lagoas rasas. Quadro 1 – Principais plantas tóxicas encontradas no Brasil Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. A evolução da intoxicação é crônica e não há recuperação do animal Controle: erradicação. Perene. cochos e aguadas. Na Figura 2 estão apresentadas e no Quadro 1 listadas as de maior ocorrência e importância no Brasil. havendo pasto). Abobral e Paraguai. Com a evolução da intoxicação o animal apresenta sinais de origem nervosa. Aumenta em campos com excesso de gado ou perto de porteiras. durante semanas. Inicialmente os sinais apresentados são de emagrecimento progressivo. desequilíbrio do trem posterior. Às vezes o animal mostra.Manejo de plantas daninhas em pastagens . controle químico Arbusto responsável pela maioria das mortes de bovinos causadas por plantas tóxicas em terra firme. Cresce somente em solo de barro (LSD) (argiloso).6 . sendo Erva de rato. A principal forma de propagação é vegetativa. fistulosa) Convolvulaceae Figura 2 f 248 Módulo 3. Algodão-bravo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas São várias as espécies de plantas tóxicas presentes nas pastagens no Brasil. ou estado de embriaguez. flor e semente praticamente durante o ano todo. Possui distribuição ampla. Controle: erradicar as plantas. muito alagável. Causa a síndrome da morte súbita. São tóxicas as folhas e as sementes. exceto se for afogado depois. A semente pilosa (origem do nome algodão) é espalhada pela água. com um resumo das suas principais características. nas planícies de inundação dos rios Negro. Arbusto aquático. com as pernas traseiras abertas e instabilidade no trem posterior. canudo-de-pita (Ipomoea carnea subsp. encontrada em todo o País. iniciam poucas horas após ser completada a ingestão da dose letal. Possui boa Figura 2 d palatabilidade. o que é difícil de ocorrer no campo. os ramos que encostam no chão Alcalóides derivados do enraízam. marcgravii) acético. DL (9 kg de folhas verdes por dia. capoeiras e em pastos recém-formados. tremores musculares. trepador. uso de herbicidas. de 1 a 4 m de altura. sobrevindo a morte dentro de poucos minutos. respiração ofegante. antes de cair.

sonolência. hemorragia na pele e nas mucosas visíveis. devido ao efeito acumulativo). O animal sangra prolongadamente por qualquer ferimento. se habitue a ela e. Consistem nas manifestações de fotossensibilidade hepatógena. principalmente quando camará Triterpenóides transferido. planta somente em circunstâncias chumbinho ou especiais. utilizar ungüentos antiinflamatórios.6 . que aparece de repente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Arbusto ou subarbusto é cosmopolita. trôpego. controle cultural (calagem e aração do solo) e químico Módulo 3. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. fezes ressequidas e.000 g de folhas verdes ingerido durante três semanas a poucos meses. Inicialmente. Os animais apresentam andar incerto. culminando na morte. Sob condições naturais. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). Samambaia (Pteridium aquilinum) Substância Dennstaedtiacea radiomimética e e tiaminase Figura 2 i Planta tóxica de importância no Brasil e no mundo. que faz com que este. quando expostos ao solo. convulsões. Já na fase aguda. Controle: erradicar as plantas (herbicidas) e não transferir animais com fome para pastagens infestadas. extrato hepático e purgante oleoso Figura 2 e e medicar as lesões na pele. DL (1. em pequena quantidade. Controle: erradicação da planta. Causa febre alta. depois de comê-la por algum tempo. com fome. sendo a brotação a porção mais tóxica das partes aéreas. As plantas ocorrem em solo ácido. continue a procurá-la. apresentam tremores musculares. Ingestão em menores quantidades ocasionam hematúria intermitente. anemia. No tratamento os camara) animais devem ficar na sombra. os animais apresentam anorexia e diminuição ou parada dos movimentos do rúmen. emagrecimento. os bovinos ingerem a Cambará.Manejo de plantas daninhas em pastagens 249 . para provocar sintomas de intoxicação aguda. Muitos animais morrem nessa fase. sendo a correção e aração deste um método cultural de controle desta espécie. tem incordenação ao andar. Em eqüinos causa deficiência de vitamina B1. A planta toda é tóxica. mesmo cessada a fome. eventualmente diarréias enegrecidas. para áreas (Lantana (lantadene A e infestadas. lantadene B) Verbenaceae Deve-se administrar glicose. falta de apetite. manifestam fotossensibilidade sob forma de eritema e edema inflamatórios nas partes menos pigmentadas da pele e inquietação à procura de sombra. A fome faz o animal ingerir a planta. DL (variada).

com flor e semente em grande parte do ano. Morre na queimada. dificilmente o animal se recupera. por irritação do tubo digestivo. e a plântula encontra condições mais favoráveis na pastagem rapada e rala (degradada). grupo das outras menos tóxicas. as quais são o meio de propagação. É tóxica ao fígado. O consumo repetido de pequenas quantidades de semente pode dar imunidade. taperas. Já a intoxicação pelas sementes varia de aguda a subaguda. principalmente em situações de fome. Controle: É facilmente eliminada com mais de uma roçada. 250 Módulo 3. Perene. Uso de herbicidas. mas de ciclo curto. onde o solo é mais fértil. antes que forme sementes. em solos argilosos ou (toxoalbumina) arenosos. com copa. etc. geralmente não folha e ricina inundáveis. Os sinais apresentados têm predominância neuro-muscular. de 1 a 4 m de altura. perda de apetite.6 . com flor e fruto quase durante o ano todo. O fruto estoura ao sol e lança as sementes a vários metros de distância. A torta de mamona não bem detoxicada pelo calor também é tóxica. que germina melhor após o fogo.Manejo de plantas daninhas em pastagens . O bovino apresenta andar desequilibrado. na semente. No Brasil existem mais de 40 espécies Alcalóides do de Crotalaria.000 g de folhas frescas ou 200 g de sementes. mas das folhas não. com o animal apresentando fraqueza. em solos de vários tipos. Embora conste como pouco palatável. Após apresentar estes sinais. Há formas de folhas verdes e outras arroxeadas. Controle com herbicida. Controle: Pode ser praticamente eliminada com roçadeira (rebrota pouco). Os principais sinais na intoxicação por Crotalaria iniciamse por contrações abdominais. ereto. A parte aérea morre com a queima. mas retorna por semente. sendo umas mais. tanto as folhas como as sementes são tóxicas. antes da formação de sementes.um quarto dessa dose no caso de bezerro). de 50 a 100 cm de altura. Anual. que favorece a germinação. causando perturbação nervosa.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Mamona (Ricinus communis) Euphorbiaceae Figura 2 g Arbusto pouco lenhoso. Comum em áreas mexidas. geralmente férteis. Deve-se atentar para o seu aparecimento em leiras. apatia e diarréia sanguinolenta. A intoxicação pelas folhas é aguda. Possui ampla distribuição. Ocorre também eructação excessiva (arroto) acompanhada por sialorréia (baba). Comum em áreas ruderais como Ricinina beira de estrada. É palatável.. Há relatos de pirrolizidinas que o princípio tóxico desta planta se concentra mais nas flores e nas sementes. e dificuldade de caminhar longas distâncias. depósitos (alcalóide) na de lixo.500 g de folhas verdes ao dia foram suficientes para levar os bovinos à morte). geralmente férteis. Guizo-decascavel. chique-chique (Crotalaria spectabilis) Leguminosae Figura 2 c Planta ereta. as folhas foram observadas bem pastadas por bovinos no Pantanal. com tremores musculares. os animais mais novos são mais sensíveis . perda do equilíbrio ao caminhar e alteração do sistema nervoso sob forma de excitação ou depressão. procurando ficar deitado. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). ingerindo também flores e frutos. DL (2. DL (5. perturbações digestivas. leiras provenientes de desmatamento e pastagens cultivadas.

) tipo esteroidal Encontrado em todo o Brasil. o animal faz movimentos de pedalagem com os membros traseiros e dianteiros. perde as folhas na estação seca. cerram fortemente as pálpebras. Leguminosae especialmente no Nordeste e Triângulo Mineiro. copa larga.6 . Ocorre retração acentuada dos globos oculares e. embora. aproximadamente. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. a novembro.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Árvore de 8 a 18 m de altura. quando movimentados. O quadro de intoxicação se manifesta poucas horas após a ingestão das favas e a sua evolução é aguda. Semente espalhada tamboril pela fauna.500 g de favas que leva um bovino à morte na intoxicação experimental). às vezes. aparentemente. berram e morrem.300 a 1. Floresce de setembro a novembro. (1991). diminuição ou até perda total do apetite. não causem outros sinais de intoxicação. geralmente férteis. caem ou deitam-se precipitadamente. neste caso.Manejo de plantas daninhas em pastagens 251 . DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). Há citações de que as favas provocam aborto em vacas. Gibata ou chibata Glicosídeo do (Arrabidaea tipo esteróide bilabiata) cardioativo Bignoniaceae Trepadeira. Os bovinos ingerem a planta somente quando estão com fome. Comum em matas e (Enterolobium cerradões. Os animais. Os sintomas iniciam-se. Controle: Pastagens em abundância e erradicação da espécie. A parte tóxica Figura 2 h importante desta planta são os seus frutos. Afonso e Pott (2002) Módulo 3. Ficam logo em decúbito letal. fazendo movimentos de pedalagem. a planta não tem boa palatabilidade. DL (1. de 6 a 24 horas após a ingestão da planta. que amadurecem e caem no período da seca e apresentam boa palatabilidade para os bovinos. Em seguida provoca diarréia de coloração amarelada e fétida. solos arenosos ou contortisiliquum Saponina do argilosos. Os principais sinais apresentados pelo animal intoxicado se caracterizam por lassidão. Fonte: Freitas et al. planta tóxica mais importante das regiões de várzea da bacia amazônica. acompanhada de outras perturbações digestivas. mesmo em pequenas porções. Uso de herbicidas. DL (250 a 1. produz fruto de agosto Ximbuva. Causa lesões no tubo digestivo. próximo à morte. Controle: É facilmente eliminada com anelamento (descascar em volta do tronco).500 g de folhas verdes).

com o objetivo de reduzir as perdas causadas por estas plantas. biológico e químico. com o advento da chamada agricultura economicamente sustentável. obtido em uma pastagem. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. das condições ambientais.. segundo Victoria Filho (2000). sendo muito variados. Isso pode ser possível se o pecuarista proceder à absoluta racionalização do controle de plantas daninhas.1 . onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para produção das culturas livre de danos econômicos da vegetação daninha competitiva. ainda. os custos de controle. a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas 252 Módulo 3. constituindo-se. do período crítico de competição. A redução da interferência das plantas daninhas. mantendo a qualidade ambiental com a maximização de lucro para o agricultor. o estabelecimento e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . esse fato. economicamente.Controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mesmos empregados em outros sistemas de produção agrossilvopastoril. além de outras operações e a erosão do solo causada por água e vento. dependerá da espécie infestante. 2. ou seja. Dessa forma. tem sido preconizado o manejo integrado de plantas daninhas. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco (SILVA et al.6 . considerando uma forrageira. dos métodos empregados. mecânico ou físico. Atualmente. Visa. resguarda os seus aspectos benéficos e não causa danos à forrageira. aos animais e ao solo. por meio de métodos e equipamentos usados oportunamente. o manejo de plantas daninhas pode ser definido como a combinação racional de medidas preventivas associadas a medidas de controle e de erradicação.Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. elimina os prejuízos causados pelas plantas daninhas. O nível de controle das plantas daninhas.Manejo de plantas daninhas em pastagens . 2005). da capacidade competitiva da forrageira. cultural. se necessárias. ou. a energia gasta com tratos culturais. quando não há redução da sua produtividade econômica. O controle ideal é aquele que. Atualmente. assegurar a produção adequada de alimentos. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. em um determinado agroecossistema. recomenda-se o “manejo integrado das plantas daninhas”. etc. deve ser feita quando as perdas forem superiores ao incremento no custo devido ao controle. no controle integrado. Os métodos de controle podem ser: preventivo. que consiste num sistema ambientalmente correto no campo.

Quando da escolha dessa espécie. da quantidade e das espécies de plantas daninhas e de forrageira a ser Módulo 3. arbustos. histórico da área e outros. um estado. impedindo. As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilização de sementes de elevada pureza. pedaços de tronco e galhadas. qualidade. ou mesmo reduzindo os efeitos erosivos. que poderão se transformar em sérios problemas para a região. a quarentena de animais introduzidos em outras áreas. o elemento humano é a chave do controle preventivo. Em síntese. tocos. bem como a aplicação de adubos fosfatados. banco de sementes de plantas daninhas. clima (déficit hídrico e ocorrência de queimadas). análise da produtividade desejada. um município ou uma gleba de terra na propriedade. limpeza cuidadosa de máquinas. eliminando-se rebrota do cerrado de porte alto. inspeção cuidadosamente de mudas adquiridas com torrão e também de toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. A intensidade e os equipamentos a serem utilizados no preparo de solo dependem do tipo deste. Proporciona. palatabilidade e longevidade. Regionalmente. objetivo da produção. como a ciganinha (Memora peregrina). A escolha de espécies forrageiras adequadas para cada área e objetivo de pastejo é um importante componente do sucesso da atividade.realizado por meio de análise química e física do solo. que deve começar antes da implantação.Controle cultural O controle cultural reúne todas as práticas disponíveis para o estabelecimento das forragens em condições adequadas ao seu desenvolvimento e à sua persistência com boa produtividade. capoeiras. etc. condições favoráveis para a forrageira em relação às demais espécies presentes na área (plantas daninhas) e possibilita a vantagem competitiva da forrageira em relação às plantas daninhas. tipo de solo. e época de utilização da espécie. limpeza de canais de irrigação. As quantidades desses produtos dependem da espécie forrageira e do nível de produtividade desejado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ainda por elas não infestadas. pragas. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. devendo-se realizar a construção de terraços ou curvas de nível quando a área apresentar suscetibilidade ou risco de erosão ou até mesmo escorrimento superficial da água das chuvas. A conservação do solo é outro ponto importante. devem ser realizados no momento correto. assim. 2. topografia. o nível tecnológico a ser adotado. ainda.2 . e. impedimentos físicos ou mecânicos. A correção da acidez do solo e o fornecimento de cálcio e magnésio a este (quando necessária). os seguintes procedimentos devem ser observados: diagnóstico da área . Essas áreas podem ser um país. com uma limpeza adequada da área. grades.Manejo de plantas daninhas em pastagens 253 . o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas. O preparo do solo deve ser feito de modo a proporcionar ótima germinação e estabelecimento da forrageira. Outro componente importante do controle cultural é a formação adequada da pastagem.6 . principalmente.

podendo variar em certas regiões. evitando. Em áreas que apresentarem alta infestação de plantas daninhas ou outras forrageiras. com pouca palha. Outro componente do controle cultural muitas vezes desprezado é a quantidade e a qualidade das sementes das forrageiras. da germinação e do vigor. a sua pulverização. solo nivelado e livre de plantas daninhas. proporcionando. as sementes devem ser distribuídas na área e. produção e longevidade da forrageira. levando em consideração o resultado da análise de solo. Deve-se considerar para isso a disponibilidade hídrica e temperatura para cada região. potássio. para favorecer a germinação e eliminação delas. a exigência de cada espécie forrageira e o nível de produtividade desejado. a melhor época é de novembro a janeiro. livres de sementes de plantas daninhas e possuindo qualidade fisiológica (vigor e germinação). exceção feita aos fosfatos naturais reativos. poucos torrões. principalmente nos solos mistos e arenosos. O plantio na época correta e de forma correta é fator preponderante no estabelecimento adequado da forrageira. começando com as primeiras chuvas em setembro até março. o estabelecimento mais rápido da forrageira na área. O plantio com semeadeira deve seguir as mesmas exigências do 254 Módulo 3. que impõe restrição à emergência das plântulas.Manejo de plantas daninhas em pastagens . isto é. ou melhor. com maior peso no solo arenoso. para que o solo não fique aderido nele. para incorporar as sementes de 0. quando necessária. deve ser realizada em quantidades recomendadas. deve-se realizar o preparo do solo no mínimo 120 dias antes do plantio no período das águas. Entretanto. milho e outros. posteriormente. a época do plantio é muito ampla em quase todo o território nacional. quando recomendados. Para a maioria das forrageiras. deve-se passar o rolo compactador. ou seja. Deve-se. para que ocorra a decomposição desta sem interferir na germinação da forrageira. o preparo do solo deve ser escalonado. As sementes devem possibilitar a formação de estande adequado e uniforme. Em áreas com infestação elevada de plantas daninhas é recomendada a utilização de até 50% a mais da quantidade de semente. peso médio no misto e peso leve no argiloso. além das exigências térmicas. Portanto. assim.6 .5 a 4 cm de profundidade (dependendo do solo e da forrageira). assim. esta deve ser considerada como uma cultura que vai produzir por muitos anos. sendo este um fator importante na dinâmica competitiva da forrageira com as plantas daninhas. no entanto. Comumente. retardando o plantio da forrageira. O plantio pode ser realizado a lanço sobre o solo devidamente preparado com uma grade leve. evitar o preparo excessivo do solo. A quantidade de sementes a ser utilizada depende da espécie forrageira. a compactação da camada superficial deste. Logo após a última gradagem (niveladora). A correção adequada de nutrientes do solo é outro fator que melhora as condições de estabelecimento. Deve-se evitar a utilização do rolo em solo com excesso de umidade. devem ser antes do plantio e incorporados. Em áreas que apresentarem alta quantidade de palhada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas implantada. que. de modo geral. ao daquele utilizado para plantio de soja. enxofre e micronutrientes. o preparo do solo deve ser igual. tem vantagem competitiva a espécie que se estabelece primeiro na área. ou seja. algodão. Podem ser aplicados antes do plantio ou em cobertura. hídricas e de fotoperíodo da forrageira. exceto para estilosantes ou andropógon. A correção de fósforo. parcial ou totalmente fechada. como: pureza.

podendo-se realizar. isto é. dessa forma. Após a dessecação. desde que o plantio seja realizado na época recomendada para cada região. milho). e proporcionar a mais rápida e perfeita cobertura de solo. diminuir a competição interespecífica. As pragas mais importantes na formação de pastagens são: lagartas. A princípio. de preferência. na mesma operação. por curto período de tempo (10 a 30 dias). Esse sistema de plantio exige máquinas e equipamentos adequados. A adubação nitrogenada possibilita maior rapidez e quantidade de área foliar. eliminar a maior parte das gemas apicais. cupins subterrâneos e formigas. plantas daninhas de difícil controle por herbicidas e outros. deve-se passar o rolo compactador após o plantio. boa cobertura do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantio a lanço. tem como objetivo contribuir para a boa formação da pastagem. uma vez que vai garantir a longevidade e qualidade da pastagem. com profundidade de 0. A realização de adubações de cobertura nitrogenadas melhora as condições de desenvolvimento e estabelecimento da forrageira.6 . o nitrogênio é muito importante. recomenda-se a aplicação de nitrogênio de 30 a 40 dias após a emergência ou após o manejo de formação (primeiro pastejo). com o objetivo de auxiliar na boa formação da pastagem. deve-se iniciar o pastejo de 60 a 100 dias após a emergência da pastagem. Módulo 3. Toda vez que o nível de infestação for significativo. dependendo do equipamento e da espécie forrageira. com boa produção de carne/hectare.Manejo de plantas daninhas em pastagens 255 . sem limitações químicas e físicas. possivelmente. principalmente em solos de baixo teor de matéria orgânica. eliminando o excesso de plantas. trilheiros. Se a semeadeira não possuir sistema de compactação. por melhorar as condições desta. tocos. favorecendo o surgimento e estabelecimento de plantas daninhas. estimulando a emissão de novos perfilhos e raízes. sem erosão. distribuição uniforme da palhada. antecipar a utilização da forragem. proporcionando. animais jovens com alta lotação. o nitrogênio é o que proporciona o maior efeito no aumento de produtividade. A dose aplicada vai depender da análise de solo. Na formação de pastagem. reduzindo assim a produção de semente e translocação de nutrientes para estas. O manejo de formação da pastagem. Devem-se utilizar. Já o plantio direto exige as mesmas condições do plantio direto de grãos (soja. O não-controle dessas pragas pode comprometer a formação e a persistência da pastagem. compactação. O manejo da pastagem estabelecida é. aproveitando o maior valor nutritivo. espécie forrageira e produtividade desejada. colocando-se 10 a 20% a mais de sementes do que o sistema tradicional. ou antes da emissão da inflorescência (sementeira). Para gramíneas forrageiras de média a boa produtividade. ele deve ser controlado com defensivos específicos para cada tipo de praga. com espaçamento entre linhas de 13 a 40 cm. o método de controle cultural de plantas daninhas mais importante. Estando todos os nutrientes corrigidos. A manutenção da pastagem em condições ideais com o controle adequado de pragas também é componente do controle cultural de plantas daninhas. As vantagens desse manejo são: evitar o acamamento.5 a 4 cm. cupins. fechando o dossel mais rápido. para garantir o estande adequado e uniforme. a adubação da pastagem ou consórcio com outras espécies. também chamado de pastejo de uniformização. implicando o sombreamento e abafamento das plantas daninhas. maior sombreamento para plantas daninhas. realiza-se o plantio de linhas espaçadas de 13 a 40 cm.

A utilização da adubação de manutenção é extremamente econômica desde que seja escolhida a espécie de forrageira adequada às condições de clima e solo e que ela esteja bem formada e com manejo adequado. o pastejo pode ser classificado de três maneiras: contínuo . portanto. o beneficiamento da forrageira vai depender do manejo correto. etc. Uma das principais causas da degradação das pastagens é a redução da fertilidade do solo. nível de adubação ou fertilidade natural do solo. principalmente nitrogênio e fósforo. com 28 a 36 dias de pastejo. De maneira geral. categoria animal. portanto.6 . por evitar a entrada de plantas daninhas na pastagem. espécie forrageira.o animal fica sempre na mesma invernada ou pastagem. 256 Módulo 3. da intensidade de pastejo e do número de animais. A adubação de manutenção é.o animal explora duas invernadas alternadamente. A altura de pastejo depende da espécie forrageira. excesso de lotação (carga animal excessiva). marandu e andropógon (30 cm). sendo o manejo específico para cada região. e tifton (15 cm). um fator importante no controle integrado de plantas daninhas. De modo geral. maior aproveitamento do investimento empregado até o momento. está diretamente relacionada com a produtividade da pastagem. Outro método cultural de controle de plantas daninhas é a manutenção de animais oriundos de outras pastagens em área isolada por 24 a 48 horas. dependendo da espécie forrageira. evitando assim a infestação da pastagem com sementes de plantas daninhas presentes no trato digestivo desses animais. Humidícola e Dictioneura (15 cm).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ou seja. O manejo correto consiste na utilização de lotação adequada. finalidade de pastejo. Isso ocorre quando há pastejo excessivo (superpastejo). pisoteio demasiado e arranque de plantas. sistema de produção e outros. época do ano. alternado . e com o mesmo período de descanso. e rotacionado o animal usa de 3 a 40 piquetes ou invernadas. em razão dos nutrientes perdidos no processo produtivo. Este manejo pode facilitar o desenvolvimento da espécie forrageira ou das espécies de plantas daninhas. Esta prática também é considerada um método preventivo. épocas corretas de entrada e retirada dos animais (altura de pastejo). com período de pastejo de 1 a 15 dias.Manejo de plantas daninhas em pastagens . utilizada anualmente. como exemplo: tanzânia e mombaça (40 a 50 cm). Brachiaria decumbens (20 cm). exclusivamente. que pode chegar a mais de 40% do total de nutrientes ingeridos pelo animal em pastejo. recomenda-se devolver às pastagens 20% da receita bruta anual. com período de descanso de 24 a 39 dias. tornando a infestação da área uma questão de tempo. A melhoria das condições para o desenvolvimento das plantas daninhas ocorre quando o manejo empregado reduz as reservas e a capacidade competitiva e de restabelecimento da forrageira. A quantidade de adubação de manutenção. condições da propriedade (solo e clima). do potencial produtivo da forrageira. O tamanho e o número de piquetes dependem. A pastagem degradada não oferece condições à forrageira de competir com as plantas daninhas.

afeta a atividade microbiana deste. porém demanda equipamentos apropriados. Assim. por demandar muita mão-de-obra. elevado custo de controle. expondo-o à ação da erosão. No entanto. Entretanto. por também cortar a forrageira. O custo é relativamente inferior ao da roçada manual. jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. a inundação. os quais requerem manutenção adequada. e disponibiliza de forma desorganizada os nutrientes armazenados nos vegetais. danificando assim o sistema radicular e reduzindo o vigor da forrageira. As plantas roçadas podem rebrotar logo após a realização desta prática. Este método. A utilização do fogo é um método pouco eficiente. É um método relativamente seletivo. as espécies de plantas daninhas perenes que possuem reservas no sistema radicular rebrotam ou. No controle de plantas daninhas em pastagens. Seu rendimento operacional é maior do que o arranque. esta tem a tendência de aumentar a cada roçada. ou seja.3 . porém possui baixa eficiência e eficácia. possui a vantagem se ser altamente seletivo quanto à planta controlada. como o trator e a roçadeira. acarretando. pois reduz a quantidade de matéria orgânica do solo. Esta prática. aumentando a infestação. possui custo elevado. quando o principal método de controle é o uso de enxada. além de controlar as plantas daninhas. a capina manual. ocorrendo perda de nutrientes e degradação da fertilidade do solo.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. uma vez que a maioria das plantas se restabelece logo após o corte. ainda. Outro método muito empregado entre os pecuaristas é a roçada mecanizada. e algumas ainda perfilham. É um método não-seletivo. a roçada. ou monda. O arranque manual. induzindo o aparecimento de reboleiras. no entanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. rebrotam e perfilham. Um dos métodos mais utilizados no controle de plantas daninhas em pastagens é a roçada manual com foice. agride pouco a forrageira e pode ser empregado em locais de difícil acesso com máquinas (roçadeira). também controla a espécie forrageira. bem com a roçada manual.Manejo de plantas daninhas em pastagens 257 . devido à rebrota e ao restabelecimento das plantas daninhas. Serve para controlar plantas gramíneas. assim. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas. e na maioria dos casos a forrageira é mais suscetível à ocorrência de queimadas do que as plantas daninhas. contudo.6 . Possui baixa eficiência e eficácia. por possuir sistema radicular menos profundo e mais fácil de ser arrancado. é um método pouco eficiente e ineficaz. a queima. A parte aérea das plantas cortada ao entrar em contato com a superfície do solo vai desencadear os processos de decomposição e degradação. que possui rendimento operacional elevado e necessita de pouca mão-de-obra. como a maior parte desse material vegetal é constituída por tecidos de elevada relação C/N (na maioria Módulo 3. a cobertura morta e o cultivo mecanizado. Este método de controle exige muita mão-deobra e possui baixo rendimento operacional. deve ser repetida periodicamente. para plantas daninhas perenes a manutenção de parte do sistema radicular no solo possibilita a rebrota e o seu restabelecimento. Ainda hoje é usado no controle em hortas caseiras.

Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas. sendo o tempo de recuperação da área relativamente rápido.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas gramíneas). as instruções dos fabricantes e as leis governamentais que regulamentam o seu uso. • Maior rendimento na operação de controle de plantas daninhas. • Permite o menor revolvimento do solo . • Pode controlar plantas daninhas perenes e de propagação vegetativa. sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. O conhecimento da fisiologia das plantas. principalmente. o controle é mais eficiente. Os riscos de uso existem. quando for adotada juntamente com outros métodos de controle. em concentrações convenientes. As vantagens do uso do controle químico podem ser enumeradas: • Menor dependência da mão-de-obra.Controle químico No controle químico utilizam-se herbicidas que. observando-se as normas técnicas. lagos e água subterrânea). tanto fisiologicamente como quando aplicado de forma localizada. para garantir o restabelecimento da forrageira e o seu poder de competição com as plantas daninhas. • Mesmo em épocas chuvosas. que possui custo elevado. uma vez que reduz ou elimina a competição entre estas e a forrageira. dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas.6 . É eficiente no controle de plantas daninhas anuais e perenes e possui alto rendimento operacional. como o cultural e químico. proporcionando menor rebrota das plantas daninhas. a quantidade disponível deste nutriente no solo em um momento em que a forrageira dele necessita para seu restabelecimento. Todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. e este será imobilizado do solo. reduzindo. solo e alimentos . assim. • É eficiente no controle de plantas daninhas na pastagem sem afetar o sistema radicular da forrageira. Pode ocorrer também poluição do ambiente água (rios. têm a finalidade de inibir o desenvolvimento ou provocar a morte das plantas daninhas. O herbicida deve ser considerado uma ferramenta a mais e não como o único método de controle. havendo perigo de intoxicação do aplicador. após a realização da roçada. os microrganismos do solo demandam nitrogênio. mas devem ser conhecidos.4 . São necessárias pessoas capacitadas para uso correto dos herbicidas. os animais devem ser retirados da área. em certas regiões é difícil de ser encontrada no momento certo e na quantidade necessária. Na 258 Módulo 3. A utilização de herbicida seletivo no controle de plantas daninhas em pastagens tem demonstrado várias vantagens.plantio direto. perfeitamente controlados e evitados.Manejo de plantas daninhas em pastagens . A roçada é uma prática que controla plantas daninhas sem reservas no sistema radicular e as demais espécies.quando manuseados incorretamente. Por possuir seletividade. 2. ele causa menor dano à forrageira. Deve-se salientar que.

possuindo retorno rápido e certo. sendo comum a mistura entre alguns destes.Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens Na reforma de pastagens ocorre a necessidade da destruição da vegetação da área. cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. Módulo 3. O objetivo deste controle é reduzir a competição das plantas daninhas e possibilitar condições ideais ao rápido estabelecimento e desenvolvimento da forrageira. a utilização de herbicidas no controle de plantas daninhas tem se mostrado uma prática economicamente viável. 2. A seguir será abordado o manejo de plantas daninhas em pastagens utilizando-se herbicidas.4. sendo necessário o emprego conjunto do controle químico com herbicidas sistêmicos (Quadro 2). paraquat + diuron e 2. sendo estes de amplo espectro de ação e baixa persistência no ambiente (dessecantes). Os principais herbicidas utilizados com essa finalidade são glyphosate. A eliminação da vegetação pode ocorrer pelo emprego de práticas mecânicas ou por meio de controle químico com herbicidas. atividade metabólica e densidade de infestação). estádio de desenvolvimento. Os herbicidas a serem utilizados. sendo a de maior importância o controle cultural. são dependentes das plantas daninhas presentes na área e de seu desenvolvimento no momento da aplicação (Quadro 2). Quando a forrageira (monocotiledônea) estiver se estabelecendo na área e surgirem plantas daninhas dicotiledôneas. e distribuição de plantas daninhas (localizada ou não). A gradagem é um método mecânico de controle de plantas daninhas.1 . O emprego do controle químico deve ser feito juntamente com outras práticas de controle. porém não controla as espécies que possuem órgãos de reserva.4-D. desde que inserida em um manejo adequado de controle de plantas daninhas e recuperação da pastagem. também em estádios iniciais de desenvolvimento. sendo para isso realizada a destoca e gradagens. o emprego do controle químico se faz necessário. Os demais sistemas de plantio devem ser realizados em solo com preparo adequado. em pequenas doses.Manejo de plantas daninhas em pastagens 259 . Nesse caso. o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas. é prática viável. conhecimento do tipo da forrageira. como: conhecimento das condições de degradação da pastagem e decisões conjuntas para sua recuperação. uma vez que estes produtos são seletivos às gramíneas (Quadro 2). diquat. bem como suas misturas. o emprego de reguladores de crescimento. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência da forrageira.6 . biologia. paraquat. identificação correta das plantas daninhas (espécie. não possuindo torrões e tocos. com posterior implantação da forrageira. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta. Portanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas maioria dos casos. São necessários alguns fatores para o sucesso da utilização do controle químico no manejo integrado de plantas daninhas.

o que pode ser realizado pelo emprego de herbicidas. tornando esta competitiva e dificultando o estabelecimento de plantas daninhas. como o tebuthiuron (Quadro 2). como adubação e calagem. como: 2. A ausência de condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira proporciona o restabelecimento das plantas daninhas na área. são componentes fundamentais no sucesso do manejo de plantas daninhas e na recuperação da forrageira.6 . por possibilitar condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira.4-D + picloram. Os herbicidas podem ser utilizados para eliminar as plantas daninhas.3 . A ausência da complementação do controle químico com o controle cultural inviabiliza essa tecnologia.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. 2. a fim de proporcionar condições adequadas de restabelecimento da forrageira.4-D. através de produtos seletivos às gramíneas. É dependente da população adequada de plantas forrageiras na área e da viabilidade do seu sistema radicular. fluroxipir + picloram. triclopyr e tebuthiuron (Quadro 2).4-D.Uso de herbicidas na recuperação de pastagens A recuperação de pastagens é caracterizada pelo retorno às condições de produção destas sem ocorrer destruição da forrageira ou mesmo o revolvimento do solo. Eles possibilitam condições de rápida recuperação da pastagem e melhor aproveitamento do adubo e da calagem pela forrageira. o primeiro passo é a eliminação da competição pelas plantas daninhas. no meristema apical (ex. A eliminação de reboleiras de plantas daninhas perenes e arbustivas pode ser realizada com aplicação localizada nas folhagens. da espécie da forrageira. Entretanto. presença de comprometimento da fertilidade do solo com manutenção da integridade da forrageira.Manejo de plantas daninhas em pastagens . 2. como o 2.: na pindoba) ou mesmo no toco recémcortado de arbustos e árvores. A prática da recuperação é dependente. podem ser eliminados pela utilização de produtos granulados espalhados no solo na projeção da copa.4. do nível de infestação de plantas daninhas. 260 Módulo 3. Devese manter a pastagem sem pastoreio por um período de tempo após as práticas suficiente para recuperação desta. o controle de plantas daninhas é fundamental para a sustentabilidade do sistema de produção. Práticas culturais adequadas. das espécies de plantas daninhas presentes na área e do nível tecnológico empregado pelo pecuarista. A recuperação da pastagem demanda menor custo e possibilita a obtenção mais rápida de pasto. uma vez que implica disponibilizar condições adequadas ao restabelecimento e desenvolvimento da forrageira já implantada na área. que impõem dificuldades na pulverização ou mesmo no corte. 2. Na prática da recuperação das pastagens. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2).Uso de herbicidas na manutenção de pastagens O manejo adequado da pastagem é o principal fator responsável por sua longevidade e produtividade. Dentre os vários componentes do manejo de pastagens.4-D + picloram. 2. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2).2 . mesmo que os herbicidas sejam eficazes no controle das espécies infestantes.4. ainda. utilizando-se para isso o picloram. os arbustos com muitos espinhos. ou seja. quando comparada à formação ou mesmo à reforma.4-D + picloram.

joá (Solanum spp. melão-de-são-caetano (Momordica charantia).). trapoeraba (Commelina spp. Também é utilizado na dessecação para o plantio direto em pósemergência das plantas daninhas. Controla várias espécies de gramíneas e dicotiledôneas anuais. glyphosate potássico ou sulfosate. como: algodão. dente-de-leão (Taraxacum officinale).4-D Diversos Diuron + Gramocil paraquat Módulo 3. Mostarda (Brassica campestre).). Deve ser aplicado preferencialmente nos estádios iniciais de desenvolvimento das plantas daninhas. cordãode-frade (Leonotis spp. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. jurubeba (Solanum paniculatum). Controla plantas de folhas largas anuais e algumas perenes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Deve-se atentar para a manutenção da pastagem livre de pastoreio no momento e também por um período de tempo após a aplicação dos herbicidas.4-D com picloram. Não aplicar em plantas daninhas perenes adultas. Na dessecação para o sistema de plantio direto. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. visando redução das doses e maior eficiência de controle. que possuem persistência neste e no solo. entre outras. podendo causar sérios danos a culturas sensíveis adubadas com o esterco. mastruço (mentruz) (Coronopus didymus). ou cultivadas em área tratada por um período inferior à sua carência. picão-preto (Bidens pilosa).) e aguapé (Eichornia crassipes) Utilizado na renovação das pastagens. mamona (Ricinus communis). estando estas em estádio inicial de desenvolvimento. 2. guanxuma (Sida spp. café. serralha (Sonchus oleraceus). beldroega (Portulaca oleracea).6 . flor-roxa (Echium plantagineum). No controle em área total procede-se. Quadro 2 – Principais herbicidas recomendados na cultura das pastagens Nome técnico Nome comercial Observações Aplicação (pós-emergência) em área total em forrageiras monocotiledôneas controlando seletivamente as espécies dicotiledôneas. ao pastoreio da área. devendo ser aplicada a mistura de 2. Nabo-bravo (Brassica rapa). poaia (Richardia spp. não pode ser aplicado sobre a forrageira. Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. não ocasionando a morte delas em aplicação isolada. devido ao rápido metabolismo do 2. Esta prática também reduz a contaminação do esterco dos animais com esses herbicidas. com glyphosate. batata.).).4-D nessas plantas. picão-branco (Galinsoga parviflora). objetivando a recuperação da forrageira. usá-lo em mistura no tanque do pulverizador.Manejo de plantas daninhas em pastagens 261 . porém não elimina as plantas perenes. Plantas daninhas controladas: amendoim-bravo (Euphorbia spp). erva-moura (maria preta) (Solanum nigrum). Nabiça (Raphanus raphanistrum). mentrasto (Ageratum conyzoides). tomate. alface e outras hortaliças. que não se reproduzem por partes vegetativas. Recomenda-se aplicálo com ponta de pulverização que produza boa cobertura foliar. de ação por contato. em infestações mistas (de gramíneas e dicotiledôneas). para matar as plantas daninhas anuais (monocotiledôneas e dicotiledôneas). como tomate. em área total. feijão. carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum). previamente. soja. Por ser herbicida não-seletivo.). caruru (Amaranthus sp. corriola (lpomoea spp).

Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos.2 a 0. É utilizado no controle de plantas herbáceas tolerantes ao 2. timbó* (Serfania sp). preferencialmente. como: algodão. erva-lanceta (Solidago microglossa). com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. guanxuma (Sida rhombifolia). capixingui (Croton floribundus). batata. mio-mio (Baccharis coridifolia). batata.). carqueja (Bacharis trimera). caraguatá (Erygium spp). leiteiro* (Peschiera fuchsiaefolia). Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). É utilizado na reforma e recuperação da pastagem no controle de plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas e semi-arbustivas. No controle em área total procede-se. fumeiro (Solanum sp). feijão.4-D 262 Módulo 3. Deve-se atentar para o efeito da deriva. buva (Erigeron bonariensis). na erradicação de arbustos ou árvores isoladas utiliza-se o método da pulverização da copa ou. previamente. Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. arranha-gato* (Acacia sp. entre outras. Plantas daninhas controladas: assa-peixe branco (Vernonia polyanthes). tomate.Manejo de plantas daninhas em pastagens .4-D e para controlar arbustos e árvores. maria-mole (Senecio brasiliensis). erva-de-bicho (Polygonum punctatum). Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. espinilho (Fagara praecox). Plantas daninhas controladas (*aplicação no toco recém-roçado): amendoim-bravo (Euphorbia paniculata). guanxumas (Sida spp. Deve ser realizado durante a estação das chuvas. soja.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatantes 0.). deve-se roçar as plantas daninhas e esperar a rebrota vigorosa e bem enfolhada (30 a 40 cm para plantas herbáceas e 1 m para semilenhosas) para posterior aplicação.4-D + Tordon picloram 2. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. previamente. quando as plantas se encontram em pleno vigor vegetativo.). o de aplicação no toco recém-roçado.v Aterbane ou 0.3% de óleo mineral). Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. cheirosa (Hyptis suaveolens). jurubeba (Solanum paniculatum). principalmente em pulverizações aéreas que devem ser realizadas no mínimo a 2. picão-preto (Bidens pilosa). Utilizar surfatantes (0. Aplicação em pós-emergência em área total ou localizada. como: algodão. entre outras.). em pleno vigor vegetativo.4-D + Mannejo picloram 2. café. Caso contrário. e Sharnkya sp. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. ao pastoreio da área. café. No controle em área total procede-se. malva-branca (Sida cordifolia). Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. joá (Solanum sisymbrifolium). tomate. assapeixes (Vernonia spp. pulveriza-se por via terrestre ou aérea toda a área ou as reboleiras mais infestadas. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso).v.25% v.20 a 0. cambarazinho (Eupatorium laevigatum). a aplicação deve ser realizada cerca de 40 dias após a emergência das plantas daninhas.3% v.000 metros de distância de culturas sensíveis. No segundo caso. ao pastoreio da área. aguapé (Eichordia crassipes). fedegoso (Senna obtusifolia). canelade-perdiz (Croton glandulosus) e mata-pasto (Eupatorium maximilianii) e outras. 2. No primeiro caso.6 . cajussara (Solanum spp. tojo (Ulex europaeus) e trançagem (Plantago major). samambaia (Pteridium aquilinum). soja. feijão.

Neste caso. Pode ser utilizado. guanxuma (Sida rhombifolia). Por ser um herbicida sistêmico. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. Plantas daninhas controladas: assa-peixe-branco (Vernonia polyanthes). Em pastagem.Manejo de plantas daninhas em pastagens 263 . para assegurar sua absorção. assa-peixe-roxo (Vernonia westiniana). batata.2 a 0.4-D. malva branca (Sida cordifolia). plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso).6 . deve-se evitar o contato com as forrageiras. entre outras.). mamica-de-porca* (Fagara rhoifolium). Requer período de 4-6 horas sem chuvas após sua aplicação. tomate. controla plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas semi-arbustivas e arbustivas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatante 0. dependendo da formulação utilizada. usa-se para destruí-la. feijão. Bauhinia variegata).v ou óleo mineral 0. ainda. estando estas em boas condições metabólicas. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. joá (Solanum viarum). vassourinha (Sida santaremnensis). mata-pasto (Eupatorium maximilianii). evitando a rebrota destas após o revolvimento do solo. soja. Fluroxipir Plenum + picloram Glyphosate diversos Módulo 3. café. Controla de forma não-seletiva plantas daninhas mono e dicotiledôneas. principalmente para uso em áreas infestadas por plantas de difícil controle. Aplicação em pósemergência em área total ou localizada. quando se pretende renová-la. (*Em algumas condições ocorre a exigência de repasse no segundo ano com a aplicação de picloram no toco recém-roçado). controla plantas daninhas perenes e com órgãos de reserva. previamente. No controle em área total procede-se. ou reverter o terreno para outras culturas. É comum sua mistura ao 2. angiquinho* (Parapiptadenia sp). As plantas daninhas devem estar em pleno desenvolvimento vegetativo. por ser fortemente sorvido ao solo e não possuir efeito residual. como: algodão. guatanbú* (Aspidosperma sp. por não ser seletivo a elas. roseta* (Randia armata. ao pastoreio da área. assa-peixe branco do cerrado* (Vernonia ferruginea).v.5% v. malvão (Triunfetta bartramia). A dose recomendada depende das espécies e do estádio de desenvolvimento destas. Este herbicida não impõe restrições quanto à escolha das culturas subseqüentes. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. jovens ou adultas. Aplicar em pós-emergência das plantas daninhas. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas.3% v. em aplicações localizadas para controlar plantas em reboleiras. Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. aroeirinha* (Schinus terebenthifolius).

v em óleo diesel a baixa pressão no terço final do caule. No controle em área total procede-se. Deve-se utilizar ponta de pulverização do tipo cone cheio. aroeirinha (Schinus terebenthifolius). em pastagens infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno. Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. Aplicação deve ser localizada no toco recém-roçado. Triclopyr Garlon Picloram Padron 264 Módulo 3. feijão. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. O produto deve ser aplicado imediatamente após o corte. O produto é rapidamente degradado. médio e grande porte.0% v. deve-se fazer o corte abaixo do engrossamento da raiz da última roçada. cambará (Lantana camara). jurubeba (Solanum paniculatum) e outras. devem-se aplicar 15 a 20 mL por planta. Não adicionar óleo diesel nem surfatantes. Plantas daninhas controladas: erva-quente (Borreria alata). tomate. soja. roçadas várias vezes. Aplicar o produto molhando bem e uniformemente toda a folhagem da planta. como: algodão. assa-peixe (Vernonia polyanthes).) pata-de-vaca (Bauhinia variegata e Parapiptadenia sp. para evitar perda do produto. Plantas daninhas controladas: arranha-gato (Acacia plumosa). café. mamica-de-porca (Machaerium aculeatum). espinilho (Acacia farnesiana). plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Controle eficiente da pindoba (Orbinea speciosa) – 10 mL da solução 4. deve-se corta-las com enxadão abaixo do nível do solo e posteriormente aplicar o produto em caule e raízes decepadas até o ponto de encharcamento. Em plantas que possuem engrossamento do caule abaixo do nível do solo (ex. camboatá (Tapirira guianensis).aplicação de Garlon 5. molhando bem todo o toco até atingir o ponto de escorrimento. dependendo do tipo de solo e das condições climáticas. Controle de guatambu (Aspidosperma sp. aproximadamente 30-40 cm acima do nível do solo (cerca de 20 mL por planta). mesmo que a altura esteja abaixo da roçada recente. esta pode ser aérea ou terrestre. Na aplicação em área total não se deve utilizar óleo diesel. Em plantas já roçadas anteriormente. pata-de-vaca (Bauhinia variegata) e ciganinha (Memora peregrina).v de Garlon em óleo diesel para cada metro de altura desta planta. batata. deve-se aplicar o produto sobre o solo ao redor do toco. A aplicação deve ser realizada em plantas com desenvolvimento adequado.Manejo de plantas daninhas em pastagens . espinho-agulha (Barnadesia rosea). apresentando meiavida no solo de 20 a 45 dias. localizado no centro da projeção das folhas mais novas. não impondo restrições quanto a culturas subseqüentes. ao pastoreio da área. que deve ficar o mais próximo possível no momento da aplicação. queimada). leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. A aplicação deve ser realizada diretamente no meristema apical da planta. previamente. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. objetivando-se atingir o seu sistema radicular. cuidando para atingir o mínimo possível as folhas da forrageira.0% v.) e outras brotações de cerrado . Em plantas com toco de diâmetro inferior a 3 cm.: ciganinha).6 . Para plantas velhas. Roçar as plantas daninhas a serem controladas com foice o mais próximo possível do solo. que apresentam engrossamento visível próximo à superfície do solo. Os caules mais grossos devem ser rachados em cruz para proporcionar a maior absorção do produto. Não realizar aplicação em plantas secas e com atividade metabólica reduzida (estresse hídrico acentuado. entre outras.

arranha-gato ou unha-de-gato (Acacia plumosa). assa-peixe. leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). assa-peixe-roxo (Vernonia scabra). cega-jumento ou cajussara (Solanum rugosum). ou localizada nas reboleiras de infestantes que se pretende eliminar. Devido ao modo de absorção e translocação do herbicida. Em caso de lesões ocasionadas principalmente pela maior concentração localizada do produto. animais domésticos e pessoas desprotegidas por um período de 7 dias após a aplicação do produto. assa-peixe-do-cerrado (Gochnatia polymorpha). pois esta é importante para melhor absorção do herbicida e conseqüentemente agilizará o processo de morte desse arbusto. devendo. sendo elas dependentes das condições de infestação. assa-peixe-do-pará. quando em aplicação localizada. recuperação e manutenção). espinho-agulha (Barnadesia rósea). leiteiro-vermelho (Chrysophyllum marginatum). roseta ou limãozinho-de-goiá (Randia armata).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Formulação granulada aplicada a lanço. com granuladeira ou por via aérea. espécie infestante. lobeira (Solanum lycocarpum).Manejo de plantas daninhas em pastagens 265 . o aplicador proteger-se com equipamento de proteção adequado (luvas impermeáveis e outros). portanto. limão-bravo (Soliva sessilis). resultados mais rápidos e eficientes serão obtidos quando a aplicação for realizada pouco antes (ou no início) do período chuvoso (julho a dezembro nas regiões Sul e Centro-Oeste). capa-bode (Melochia tomentosa). No caso de aplicação em área total. A aplicação foliar pode ser localizada ou em área total. bem como de árvores frutíferas. embaixo da copa dos arbustos indesejáveis (plantas com espinhos e outras). cansanção ou urtigão (Cnidosculus urens). café-de-bugre (Solanum caavurana). carqueja (Bacharis trimera). a aplicação não deve ser feita em arbustos roçados ou queimados recentemente. jurubeba (Solanum fastigiatum). Usa-se em cobertura total do terreno. feijão. distribuindo-se os grânulos na projeção da copa. entretanto. esporão-de-galo (Celtis glycicarpa). operação na ocasião do controle (reforma. aroeirinha (Schinus terebinthifolius). pereiro (Aspidosperma eburneum). cruzeta (Strychnos parvifolia). assa-peixebranco. em ambos os casos. Tebuthiuro Graslan n São várias as maneiras de aplicação de herbicidas em pastagens. malícia ou dorme-dorme (Mimosa invisa). Plantas daninhas controladas: gramão ou grama-batatais (Paspalum notatum). formação. É aplicado em dose única em qualquer época do ano. É recomendado para solos arenosos e areno-argilosos. Não aplicar o produto em florestas ou reservas naturais.6 . mamica-de-porca (Fagara hiemalis) e tarumã (Vitex sp. Após a aplicação deste produto não se recomenda eliminar a parte aérea do arbusto de que se deseja o controle. folha-de-santana (Vernonia ferruginea). os danos tendem a desaparecer num período de 6 a 12 meses.). a área é caracterizada pela infestação menor do Módulo 3. espinho-agulha (Chuquiragua tomentosa). Mantenha afastados das áreas de aplicação crianças. fumo-bravo (Solanum verbascifolium). para reduzir os efeitos negativos à forrageira. tomate. mangueirinha ou camboatá-do-cerrado (Tapirira guianensis). No entanto. como soja. as culturas rotacionais poderão ser plantadas no mínimo 3 anos após a aplicação do herbicida. ou. esporão-de-galo (Pisonea aculeata). nível tecnológico do pecuarista e herbicida utilizado. algodão. ainda. veludo-vermelho (Chomelia pohliana). fumo. seu efeito restringe-se ao local de aplicação. Deve-se evitar a aplicação sobre ou perto de culturas anuais suscetíveis. limãozinho ou juvu (Acanthocladus brasiliensis). A localizada é denominada catação e constitui-se na eliminação de arbustos agrupados. os arbustos devem apresentar bom desenvolvimento foliar. chirca (Eupatorium bonifolium). cipó-prata (Banisteria metalicolor). A distribuição do produto deve ser uniforme na área. pepino e outras. taboca (Guadua angustifólia).

pode-se realizar a aplicação basal. A aplicação aérea é recomendada em grandes áreas que possuem obstáculos à pulverização tratorizada. em condições que impõem restrições à aplicação foliar ou ao corte dos arbustos. A principal vantagem da aplicação aérea é o alto rendimento operacional. Esta prática demanda maior nível tecnológico do pecuarista. necessidade de pista de pouso próximo à área e topografia adequada à pulverização aérea. Todavia. Outra forma de aplicação de herbicidas é em toco recém-roçado.Manejo de plantas daninhas em pastagens . uma vez que a maioria das culturas anuais e perenes é altamente sensível aos herbicidas reguladores de crescimento utilizados em pastagens. direcionadas por trabalhadores que acompanham o trator. pelas exigências quanto a monitoramento sistemático das condições meteorológicas. podendo ser realizada com pulverizador de barra. Os pulverizadores utilizados são o costal tracionado por uma pessoa. caracterizada pela deposição do herbicida granulado no solo na projeção da copa da planta daninha. A aplicação em área total é feita em áreas com infestação acima de 40% e está condicionada à topografia adequada da área.6 . denominado Burro Jet. podendo pulverizar até 300 ha por dia. canhão ou avião (aérea). o pulverizador tracionado por animal. Deve-se cuidar quanto à deriva próximo a áreas agrícolas. permitindo a mecanização com o trator. 266 Módulo 3. Essa forma de pulverização possui alto rendimento operacional e exigência baixa de mão-de-obra. ou mesmo um pulverizador tratorizado adaptado com várias saídas de pontas. É utilizado no controle de arbustos com espinhos e com arquitetura de galhos bem fechados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que 40% e disposta em reboleiras. tendo como objetivo aumentar a suscetibilidade das plantas daninhas aos herbicidas.

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