ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 Manejo de plantas daninhas
Tutores: Profº Dr.Antonio Alberto da Silva (UFV-MG) Profº Dr. José Ferreira da Silva (FUA-AM) Profº Dr. Francisco Affonso Ferreira (UFV-MG) Profº Dr. Lino Roberto Ferreira (UFV-MG)

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 1

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Ficha Catalográfica Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Controle de plantas daninhas. Tutores: Antônio Alberto da Silva; [e outros]; colaboração de José Ferreira da Silva, Francisco Affonso Ferreira, Lino Roberto Ferreira - Brasília, DF: ABEAS; Viçosa, MG: UFV; 2006. 268.: il (ABEAS. Curso Proteção de Plantas. Módulo 3 - 3.1;3.2;3.3;3.4;3.5,3.6). Inclui bibliografia. 1. Plantas daninhas - controle. I.Silva, Antônio Alberto, 1950 - II. Silva, José Francisco da. III.Ferreira, Francisco Afonso. IV.Ferreira, Lino Roberto. V.Silva, José Ferreira da. VI. Oliveira Júnior, Rubem Silveríco de. VII. Vargas, Leandro. VIII. Universidade Federal de Viçosa. IX. Título É proibida a reprodução total ou parcial deste módulo Direitos reservados a ABEAS e ao autor

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Módulo 3: 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário
Módulo 3.1 – Biologia e métodos de controle, 04 Módulo 3.2 – Herbicidas: classificação e mecanismos de ação, 48 Módulo 3.3 – Herbicidas: absorção, translocação, metabolismo, formulação e misturas, 102 Módulo 3.4 – Herbicidas: comportamento no solo, 135 Módulo 3.5 – Herbicidas: resistência de plantas, 196 Módulo 3.6 – Manejo de plantas daninhas em pastagens, 235

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.1 - Biologia e métodos de controle
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Francisco Affonso Ferreira Profº. Lino Roberto Ferreira Profº. José Barbosa dos Santos

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
4 Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário

Introdução, 06 1 - Planta daninha, 07 1.1 - Prejuízos causados pelas plantas daninhas, 08 1.1.1 - Prejuízos diretos, 08 1.1.2 - Prejuízos indiretos, 09 1.2 - Origem, estabelecimento e propagação das plantas daninhas, 10 1.3 - Classificação das plantas daninhas, 15 1.3.1 - Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas, 16 1.4 - Características de agressividade das plantas daninhas, 18 2 - Competição entre plantas daninhas e culturas, 19 2.1 - Fatores do ambiente passíveis de competição, 20 2.1.1 - Competição por água, 23 2.1.2 - Competição por luz, 25 2.1.3 - Competição por CO2, 28 2.1.4 - Competição por nutrientes, 28 3 – Alelopatia, 30 3.1 - Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas, 31 3.2 - Alelopatia entre culturas, 32 3.3 - Alelopatia das coberturas mortas, 32 4 - Competição e período crítico de competição, 33 5 - Métodos de controle de plantas daninhas, 36 5.1 - Controle preventivo, 36 5.2 - Controle cultural, 37 5.3 - Controle mecânico ou físico, 37 5.4 - Controle biológico, 39 5.5 - Controle químico, 40 6 - Manejo integrado de plantas daninhas (mipd), 42 Referências bibliográficas, 45

Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

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Os estudos de ecologia e da toxicologia humana e animal são conduzidos. 2005). o uso de herbicidas tornou-se prática indispensável. o produtor deve ser mais eficiente. como cana-de-açúcar. química orgânica.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Para um leigo. a eletricidade. de arroz. o ultra-som. etc. simultaneamente. A demanda cada vez maior de alimentos. mecanização agrícola. cuidados técnicos 6 Módulo 3. Com relação aos defensivos agrícolas. Assim. de milho. fibras e energia.1 . além da eficiência e. biologia. em que os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF. sendo mais eficientes no controle de plantas daninhas específicas e com doses cada vez mais baixas. como exemplos. Os novos herbicidas estão cada vez mais seguros para o ambiente e o homem. fitotecnia. Cerca de 92% da população. Todavia. Muitos estudos estão sendo conduzidos em genética. e a mão-de-obra rural existente é escassa e de baixa qualidade. o estudo das plantas daninhas é dinâmico. Em termos médios. usando métodos manuais. esse percentual é ainda maior. as microondas e o raio laser estão sendo avaliados como futuros métodos de controle. São necessários. toda e qualquer técnica de manejo de plantas daninhas somente terá sucesso se for aplicada levando-se em conta conhecimentos detalhados da biologia das plantas infestantes da área. fisiologia vegetal. sendo um dos primeiros no "ranking" de vendas de agrotóxicos. com ajuda da física. ao imazaquin. climatologia. bioquímica. Devido à dificuldade de se encontrar mão-de-obra no campo. Como toda ciência. envolvendo principalmente conhecimentos nas áreas de morfologia e fisiologia. Em algumas culturas. ao amônio-glufosinato. economicidade do controle químico. Novas técnicas estão sempre sendo pesquisadas e incorporadas. no momento preciso e na quantidade necessária. Na verdade. destaca a importância da eficiência do controle de plantas daninhas. deve utilizar menos mão-de-obra para produção de maior quantidade de alimentos. na região produtora de alimentos do Brasil. vive hoje nas cidades. é uma ciência multidisciplinar que depende de conhecimentos de botânica. técnicas de biologia molecular e sensoriamento remoto. entretanto. antes do lançamento de qualquer herbicida. o Brasil dispõe de um dos maiores mercados do mundo. cerca de 20-30% do custo de produção refere-se ao controle de plantas daninhas.Biologia e métodos de controle . Em razão disso. é extremamente simples. principalmente. estão sendo desenvolvidos trabalhos objetivando a criação de cultivares de soja resistentes ao glyphosate. o controle de plantas daninhas. para uma população crescente de consumidores e decrescente de produtores. física e química do solo. ou seja. isoenzimas e RAPD (biotecnologia) e sensoriamento remoto também são úteis na identificação de plantas daninhas. visando o melhoramento de culturas para resistência a herbicidas. mecânicos ou químicos.

etc. os conceitos de competitividade. Para Beal. a qualidade do produto produzido ou interferir negativamente no processo da colheita é considerada daninha. o tipo de solo. por isso mesmo. físico. sustentabilidade e eqüidade. é uma planta fora de lugar. cultural. pelo solo. seja daninha. sendo recomendado sempre um programa de controle integrado. Entretanto. porém esta mesma planta pode ser útil em outra situação. todos os conceitos baseiam-se na sua indesejabilidade em relação a uma atividade humana. plantas tóxicas em pastagens. por exemplos. um campo no qual está muito presente o desafio maior do agronegócio brasileiro. são vários os conceitos de planta daninha: Shaw (1956). podem ser extremamente úteis. na sua essência. como a presença do milho em cultura da soja e da aveia em cultura do trigo. servindo como planta medicinal. 1 . com o homem. Por esse motivo. etc. mecânico. afirma que planta daninha é qualquer planta que ocorre onde não é desejada. Uma planta pode ser daninha em determinado momento se estiver interferindo negativamente nos objetivos do homem. podem-se citar espécies altamente competidoras com culturas sendo extremamente úteis no controle da erosão. fornecendo néctar para as abelhas fabricarem o mel.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas para atingir a máxima eficiência com o mínimo impacto negativo ao solo. qualquer planta estranha que vier a afetar a produtividade e. num conceito mais amplo. por exemplo. que é o de conciliar. à água e aos organismos não-alvos. Como exemplos. biológico e químico). Na verdade. Deve-se ressaltar que o herbicida é considerado apenas uma ferramenta a mais no manejo de plantas daninhas. os equipamentos disponíveis na propriedade. Cruz (1979) salienta que é uma planta sem valor econômico ou que compete. o controle químico de plantas daninhas. plantas ao lado de refinarias de petróleo. como.Biologia e métodos de controle 7 . Fischer (1973) apresenta duas definições: “plantas cujas vantagens ainda não foram descobertas” e “plantas que interferem com os objetivos do homem em determinada situação”.Planta daninha Definir planta daninha nem sempre é fácil. Segundo Rodrigues e Almeida (2005). citado por Marinis (1972).1 . as condições ambientais e o nível cultural do proprietário. hoje. algumas têm sido consideradas plantas Módulo 3. levando-se em consideração as espécies daninhas infestantes. citado por Fischer (1973). Neste programa. plantas estranhas no jardim. é um típico setor de tecnologia de ponta e. pois estas. ou. para se obter um controle que seja eficiente. Embora não se possa dizer que uma planta. no seu processo. plantas interferindo no desenvolvimento de culturas comerciais. Uma planta cultivada também pode ser daninha se ela ocorrer numa área de outra cultura. em determinadas situações. Numa cultura. econômico e que preserve a qualidade ambiental e a saúde do homem. uma planta só deve ser considerada daninha se estiver direta ou indiretamente prejudicando uma determinada atividade humana. associam-se os diversos métodos disponíveis (preventivo. a topografia da área. promovendo a reciclagem de nutrientes. devido à evolução e complexidade que atualmente atingiu a Ciência das Plantas Daninhas.

oficial-de-sala (Asclepias curassavica). geralmente com facilidade para disseminação pelo vento.000 sementes por planta. capim-massambará (Sorghum halepense) e feijão-miúdo (Vigna ungiculata). onde se exige perfeito controle das plantas para melhor eficiência das máquinas colheitadeiras. raízes. arroz-vermelho (Oryza sativa). As comuns são aquelas que não possuem habilidade de sobreviver em condições adversas. Por exemplo. c) São rústicas quanto ao ataque de pragas e doenças. ainda. Por exemplo: cafezinho (Palicourea marcgravii). sementes de capim-carrapicho (Cenchrus echinatus) junto ao feno.1 . por máquinas. que produz até 42. quando presentes em pastagens. Além da redução da produtividade das culturas.1 . Muitas espécies de plantas daninhas são. b) São responsáveis pela não-certificação das sementes de culturas.Biologia e métodos de controle .Prejuízos diretos As plantas daninhas. que são atributos que facilitam a perpetuação da espécie. etc. etc. num plantio rotacional trigo/soja. água. seria fácil erradicar uma espécie daninha. capazes de se multiplicar por diversas maneiras (sementes. também. folhas. cerca de 20-30% do custo de produção de uma lavoura se deve ao custo do controle das plantas daninhas. furtam energia do homem. se todas as sementes germinassem de uma só vez. As consideradas verdadeiras possuem características especiais que permitem fixá-las como infestantes ou daninhas. quando estas são colhidas junto com sementes de determinadas espécies de plantas daninhas proibidas. Em média. como: a) Não são melhoradas geneticamente. cavalinha (Equisetum 8 Módulo 3. Possuem habilidade de produzir grande número de sementes por planta. as plantas de trigo que surgirem das sementes remanescentes no solo passam a ser consideradas daninhas à cultura da soja. etc. rizomas. tubérculos de tiririca se desenvolvendo dentro tubérculos de batata (Fig.Prejuízos causados pelas plantas daninhas 1. as quais são facilmente dissemináveis por animais. c) Podem intoxicar animais domésticos. como é o caso de mudas cítricas produzidas em viveiro infestado com tiririca (Cyperus rotundus).1 . Esses valores tornam-se ainda mais significativos na agricultura moderna. sementes de carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum) aderidas à lã. b) Crescem em condições adversas. por misturas de sementes. tubérculos.1. impedirem a certificação de mudas em torrão. na realidade. Exemplo: Desmodium totuosum. 1). É comum. São exemplos a presença de sementes de picão-preto (Bidens pilosa) junto ao capulho do algodão. como leiteiro (Euphorbia heterophylla). pois. bulbos. por exemplo: a) Reduzem a qualidade do produto comercial. etc. as plantas daninhas causam outros prejuízos diretos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas comuns e outras plantas daninhas verdadeiras.) 1. pêlo de animais. d) Apresentam dormência e germinação desuniformes.

carrapicho-de-carneiro (Acathospermum hispidum).Prejuízos indiretos As plantas daninhas podem ser hospedeiras alternativas de pragas e doenças. dois meses mais tarde as plantas aparecem na superfície do solo. arranha-gato (Acassia plumosa) e outras plantas espinhosas podem até impedir a colheita manual das culturas. flor-das-almas (Senecio brasiliensis). chibata (Arrabidae bilabiata) e outras que podem causar a morte de animais.2 . além dos prejuízos diretos que causam às culturas. como o mosaico-dourado do feijoeiro. São exemplos destas espécies a corda-de-viola (Ipomoea grandifolia. que germinam e parasitam as raízes do milho. Sida glaziovii. Ipomoea purpurea e outras desse gênero). samambaia (Pteridium aquilinium).000 sementes por planta. ainda. pois. que é transmitido pela mosca-branca após ter se “alimentado” de espécies do gênero Sida (Sida rhombifolia.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas piramidale). Sida cordifolia.1. etc. Outro exemplo de espécie de planta daninha que causa prejuízos diretos e indiretos é a Mucuna pruriens. Ipomoea aristolochiaefolia. infestante comum em lavouras de milho. os tricomas de suas folhas se rompem a um leve contato e liberam toxinas que causam inflamação na pele do trabalhador. Sida santaremnensis. milho e plantas ornamentais. Esta última é a pior invasora para milho.1 . esta espécie daninha dificulta tremendamente a colheita manual. algodoeirobravo (Ipomoea fistulosa). d) Algumas espécies exercem o parasitismo em citros. Outro exemplo é o capim-massambará (Sorghum halepense). Ela produz cerca de 5. feijão e cana-de-açúcar. Estas diminuem a eficiência das máquinas e aumentam as perdas durante a operação da colheita até mesmo quando em infestação moderada nas lavouras. ainda não introduzida no Brasil. podem.Biologia e métodos de controle 9 . Módulo 3. durante a operação da colheita. causado por um vírus à cultura do feijão. Sida micrantha. que é hospedeiro do vírus do mosaico da cana-de-açúcar. São exemplos a erva-de-passarinho (Phoradendron rubrum) em citros e a erva-de-bruxa (Striga lutea) em milho. florescem rapidamente e iniciam novamente o ciclo parasitário. os nematóides: mais de 50 espécies de plantas daninhas hospedam Meloydogyne javanica e Heterodera (nematóide-do-cisto da soja). Algumas espécies. Capimcarrapicho (Cenchrus echinatus). Figura 1 .).Dano em batata inglesa devido à penetração e ao desenvolvimento de tuberculos de tiririca 1. prejudicar ou mesmo até impedir a realização de certas práticas culturais e a colheita.

a disseminação das plantas daninhas pode ser feita por vento.. podem ser altamente inconvenientes em áreas não-cultivadas: áreas industriais. que afirma que a vida originou-se no meio líquido. como o é. etc.1 . A propagação vegetativa é um mecanismo de sobrevivência de grande importância nas plantas daninhas perenes. como a tiririca (Cyperus rotundus) e a losna-brava (Artemisia verlotorum). o responsável pela evolução das plantas daninhas. As plantas daninhas podem ser disseminadas por diversos meios. tubérculos. Outras espécies de plantas daninhas podem ainda reduzir o valor da terra. ou seja. que apresentam duas características essenciais: dormência e reservas alimentícias. e a xerosere. O estudo do processo germinativo das sementes é de fundamental importância para quem trabalha com o manejo de plantas daninhas. dos distúrbios naturais. pelos quais as plantas podem perpetuar-se tanto por via seminífera como por via vegetativa. etc. como glaciação. crescimento e desenvolvimento da planta. problemas sérios em ambientes aquáticos. 1. o funcionamento de usinas hidrelétricas. porque ele é quem cria o ambiente favorável a elas. ferrovias. como hipocótilo. Por outro lado. Os propágulos podem ser raízes.2 . Normalmente. desmoronamentos de montanhas. também. o estabelecimento envolve o processo de germinação da semente. Na verdade. aumentando o custo da irrigação. onde podem dificultar o manejo da água. estabelecimento e propagação das plantas daninhas De acordo com Musik (1970) e Fischer (1973). Todavia. animais. têm o custo de controle muito elevado. Exemplos: taboa (Typha angustifolia). etc. possuem seus mecanismos de ação ligados ao processo 10 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas As plantas daninhas. Causam. prejudicando a pesca. Existem duas grandes teorias: a hidrosere. as plantas daninhas originaram-se. incluindo o homem. como as olerícolas de modo geral. provavelmente. devido ao próprio conceito de planta daninha. água. Estas são encontradas onde está o homem. vias públicas. Do ponto de vista morfofisiológico. etc. ação de rios e mares. segundo a qual a vida teve origem em terra firme. quando presentes em áreas com culturas que apresentam pequena capacidade competitiva. refinarias de petróleo. pois a semente é uma das vias de entrada dos herbicidas. radícula. pelas plantas cultivadas. inicialmente. Além disso. o estabelecimento de uma determinada planta daninha envolve os aspectos ecológicos da agregação e migração. o que assegura alta taxa de dispersão e restabelecimento de uma infestação. Musik (1970) salienta que o homem é. tornando-se inviável economicamente. os parques e os jardins.Origem. muitos herbicidas atuam. caulículo. também. Vários são os diásporos. etc. além das partes das plântulas. envolvendo os complexos aspectos morfogênicos e edafoclimáticos. também. Nestas áreas não é desejável a presença de plantas daninhas vivas ou mortas. separando as benéficas (denominadas plantas cultivadas) das maléficas (denominando-as de plantas daninhas). Estas. rizomas. elas começaram a aparecer quando o homem iniciou suas atividades agrícolas. as plantas daninhas produzem muitas sementes. dificultando a manutenção de represas. que se constitui num grande disseminador de tais plantas. aguapé (Eichornia crassipes).Biologia e métodos de controle . além da competição pelos recursos do meio.

impedindo que a planta se estabeleça. Normalmente. cada espécie requer uma temperatura ideal para germinação. em fases seguintes à reidratação. conforme ela seja fotoblástica positiva ou negativa. como adequado suprimento hídrico. a velocidade da germinação é menor. Do ponto de vista fisiológico. Em temperaturas abaixo da ótima.Biologia e métodos de controle 11 . A temperatura ótima é aquela que permite a obtenção da maior percentagem de emergência no menor espaço de tempo. A germinação da semente é a reativação dos pontos de crescimento do embrião que haviam sido paralisados nos estágios finais da maturação morfisiológica da semente. e para isso são necessários alguns requisitos fundamentais: estarem as sementes viáveis e as condições ambientais serem favoráveis. temperatura adequada à espécie. a germinação consiste no processo que se inicia com o suprimento de água à semente seca e termina quando o crescimento da plântula se inicia. ou seja. para o desenvolvimento do eixo embrionário em plântula independente. FERRI. o qual pode atingir centenas de atmosferas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinativo. por onde sairá a radícula. 1985). Essas necessidades são definidas para cada espécie e estão relacionadas com o habitat de origem e com a melhor forma de preservar a espécie (normalmente as espécies daninhas somente germinam quando existem condições para sobrevivência). METIVIER. Estas sementes permanecerão dormentes enquanto o tegumento estiver impermeável (semente dura). dando origem ao que se chama de semente dura. a celulose e as substâncias pécticas. Para que uma semente viável (condição intrínseca) possa germinar. é de duas a três vezes o peso da semente. As características físico-químicas das substâncias coloidais das sementes irão comandar o potencial da água nas sementes. ocorre a ruptura do tegumento e saída da radícula. A água é necessária para que ocorra a reidratação das sementes. concentração de oxigênio e presença ou ausência de luz. que perdem muita umidade por ocasião de sua maturação e secagem. são necessárias as seguintes condições ambientais favoráveis: água em quantidade suficiente. menor tempo para embebição). É comum entre as espécies a presença do tegumento totalmente impermeável à água. para a maioria das espécies. o que resulta numa diminuição do estande. Com a embebição. atmosfera apropriada à espécie (concentração de CO2 e O2) e luz (comprimento de onda e intensidade). 1974. porque as sementes ficam por períodos prolongados nos estágios iniciais da Módulo 3. aumenta-se o potencial de pressão interna na membrana que envolve a semente (pressão de embebição). A embebição também é influenciada pela temperatura (temperaturas mais elevadas. com o ressurgimento das atividades paralisadas ou reduzidas por ocasião da maturação da semente.1 . portanto. sendo dependente dos seguintes fatores: composição química da semente. permeabilidade do tegumento à água e presença de água na forma líquida ou gasosa. 1986. Se a semente não estiver em estado de dormência e houver condições ambientais favoráveis. ela entrará em processo de germinação (PROPINIGIS. A quantidade de água necessária para reidratação. As principais substâncias responsáveis pela embebição são as proteínas. é necessário o suprimento contínuo de água. provocando o rompimento do tegumento. A embebição das sementes é um processo físico que ocorre tanto nas sementes vivas quanto nas mortas. O processo da germinação inicia-se. Outro fator que pode influenciar a embebição é a permeabilidade do tegumento da semente à água. Entretanto. temperatura.

em que a luz pode promover a germinação mesmo em temperaturas desfavoráveis. Através de concentrações elevadas de CO2 consegue-se evitar a germinação e auxiliar na conservação de sementes. Existem espécies de plantas daninhas que somente germinam no escuro. O processo de germinação inicia-se. devido à maior atividade metabólica. ainda. esta prática não é utilizada para conservação de sementes. ou muito curto. A temperatura ótima está relacionada com as atividades das enzimas que participam dos diversos processos metabólicos que ocorrem durante a germinação e cujas ações somente se tornam eficientes em temperaturas específicas. esse fenômeno é semelhante ao fotoperiodismo observado para o florescimento. Há espécies cujas sementes somente germinam em regime de alternância de temperatura. como porosidade. Neste caso. por se tratar de um processo que ocorre em células vivas. longo e de forma cíclica. É importante salientar que a sensibilidade das sementes à luz é maior quando a semente está embebida. como: a) altas temperaturas. Em condições normais. O período de exposição pode ser curto.Biologia e métodos de controle . as reações envolvem o fitocromo. porque uma atmosfera rica em nitrogênio parece ser mais econômica e eficiente. em demasia. necessita de energia. Temperatura acima da ótima tende a aumentar. porcentagem de matéria orgânica. em alguns casos. profundidade de semeadura. as sementes germinam em atmosferas com 20% de O2 e 0. razão por que a germinação das sementes é influenciada pela composição do ar atmosférico que as envolve. obtida por meio do processo de oxidação na presença do oxigênio. Em algumas espécies tem-se observado. As necessidades e quantidades de 02 para germinação são influenciadas por outros fatores. respiração. ser inibidoras ou promotoras da germinação. que aumentam a necessidade de oxigênio pelo embrião. outras em luz contínua. O efeito do CO2 é normalmente contrário ao do O2. apenas flash de 0. entretanto. ocorrendo a embebição de todos os tecidos da semente e uma expansão do tegumento 12 Módulo 3. a velocidade da germinação. a fase gasosa do solo apresenta uma série de substâncias voláteis que são produzidas pelas plantas. como em sementes de alface (alta percentagem de germinação em exposição por um a dois minutos). atividade microbiana e teor de umidade. Todavia. ou. portanto. também. Além destes. em regime de temperatura constante entre 25 e 30 °C. ficam mais suscetíveis ao ataque de microrganismos patogênicos. outras necessitam de breve iluminação e outras são indiferentes. com uma rápida absorção de água pelos biocolóides. A germinação. causando crescente desorganização do mecanismo germinativo e impossibilitando que as sementes menos vigorosas completem a emergência. podendo. passam a germinar rapidamente se ocorrer alternância de temperaturas alta e baixa.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinação e.03% de CO2. uma interdependência entre temperatura e outros fatores externos. pois sementes de muitas espécies não conseguem germinar quando a concentração de CO2 é muito elevada.1 . nessas condições. isto é.001 segundo (sementes de fumo). Sementes desta espécie dificilmente germinam totalmente no escuro. Em algumas espécies a necessidade de luz ocorre somente após a colheita e em outras por um longo período (por um ano ou mais). A necessidade de luz pode variar também em função do armazenamento. e b) fatores do solo. A respiração envolve trocas de gases. como a grama-seda (Cynodon dactylon). Como exemplo desta interdependência podem-se citar as espécies do gênero Amaranthus.

enquanto a silvestre sobrevive por vários séculos sem a ajuda humana. Uma outra razão é dormência. os lipídeos. No caso da dormência. as proteínas. que elevam a produção de glucose. necessitam que a dormência seja superada de alguma forma. O simples revolvimento do solo. mecânica ou fisiológica. É o caso das aveias silvestre e cultivada. pela ação das enzimas proteolíticas. primeiramente na região da radícula do embrião. a semente não germina. nas quais o melhoramento genético reduziu ou mesmo suprimiu tal atributo. é reativada e a enzima β-amilase é sintetizada de novo por estímulo hormonal (giberelinas) às expensas de aminoácidos originados de proteínas hidrolisadas e com a energia oriunda das atividades das fosforilases. nas primeiras 24 horas iniciais. as sementes. Durante esta fase o ácido giberélico (giberelinas) estimula a ativação e. com a dormência. as quais são essenciais para o desenvolvimento do embrião. que é observada pelo aumento da respiração. incrementando-se a respiração e o alongamento celular. presente na semente seca. havendo formação de α-amilase e outras enzimas. a quiescência é confundida. o embrião passa a sintetizar e liberar giberelinas que se movem através do endosperma. em estado da quiescência. que é devida a condições intrínsecas inerentes à própria semente. também. a drenagem de áreas encharcadas e as irrigações de solos secos podem estimular a germinação dessas sementes. são transformadas em aminoácidos. e a fitina. o homem sempre Módulo 3. as gorduras são convertidas em sacarose pelo ciclo do glioxilato. observa-se aumento nas sínteses de DNA e RNA. Aumenta-se. são transformados em ácidos graxos (em oleaginosas. acompanhada pelo aumento da síntese protéica no embrião. pela ação das enzimas amilases. que são plantas muito semelhantes e apresentam ciclos vegetativos praticamente iguais. Outro aspecto relacionado com a semente é a quiescência. pela ação das lipases. os quais dependem do uso de aminoácidos. mesmo que as condições ambientes sejam favoráveis. Em conseqüência do aumento das atividades de diversas enzimas durante o processo de embebição. Propinigis (1974) cita como exemplo marcante a dormência das plantas daninhas comparada à das plantas cultivadas. por ação das fitases. da glicólise e da respiração.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas envolvente. que envolve a oxidação da matéria orgânica da semente com formação de ATP e substâncias intermediárias necessárias ao processo anabólico da germinação. o número de ribossomos+RNA que incorporam os aminoácidos às proteínas. porém a cultivada já não consegue viver sem ajuda do homem. Em cereais. frutose e maltose. iniciando-se o crescimento celular e a mitose. Isso ocorre porque durante o processo da embebição a enzima β-amilase. Um grande volume de sementes de plantas daninhas encontra-se. ocorrem a divisão e o alongamento celular. podendo ser física.Biologia e métodos de controle 13 .1 . O amido. Neste caso. pelo contrário. ocorrem o metabolismo e a mobilização das reservas das sementes. é transformada em inositol e fósforo inorgânico. e. no solo. verifica-se inicialmente a ativação do m-RNA preexistente. Nas primeiras 12 a 16 horas após o início da embebição. através da ação de duas enzimas: isocitrase e sintetase do malato). síntese das amilases. para germinarem. lipídeos e carboidratos solúveis armazenados no embrião. ou. por alguns autores. que é o repouso metabólico da semente devido a condições externas desfavoráveis. Esta fase da embebição coincide com o aumento da atividade metabólica. é transformado em açúcares redutores e sacarose. ao mesmo tempo.

garantindo a perpetuação da espécie. é um dos mais importantes mecanismos indiretos de dispersão. sem dormência. ou. e o inverno violento pode matar as plântulas. por exemplo). A aveia cultivada amadurece no verão e suas sementes.000 sementes/m2/10 cm de profundidade. seria aquela que a semente adquire devido ao ambiente desfavorável. mesmo sob intenso controle sempre haverá no solo sementes desta espécie. não germina de forma uniforme. seria aquela que a semente adquire quando ainda está ligada à planta-mãe. em um dado período. também chamada de dormência inata. ao oxigênio. nas várias formas. provocar mudança nos teores de umidade. 1998). No retorno ao ambiente favorável. aumentando a sua população quando as condições retornam à sua normalidade. O leiteiro (Euphorbia heterophylla). sendo um meio necessário de sobrevivência entre as plantas daninhas. b) língua-de-vaca (Rumex cryspus): germina melhor na presença de luz. Já a aveia silvestre. uma avaliação da composição florística de uma área em uma única época do ano não representa o potencial de infestação desta área. é capaz de germinar até a profundidade de 25 cm no solo (VARGAS et al. Por esta razão. sendo considerada uma espécie de planta daninha importante. pode ocorrer germinação durante meses ou até anos. Como a dormência não é a mesma em todas as sementes de uma planta. e c) quinquilho (Datura stramonium): germina melhor no escuro. tegumento da semente impermeável à água e. Como exemplos de espécies de plantas daninhas que apresentam mecanismos de dormência podem-se citar: a) ervaformigueira (Chenopodium album): produz sementes com tegumentos normal e duro. 14 Módulo 3. b) “Dormência secundária”. endógena. O amplo conhecimento da dormência poderá. no futuro. durante o processo de maturação. as demais permanecem dormentes. que pode expor as sementes à luz (mesmo por frações de segundos). requerendo condição especial para quebra da dormência. Do total dessas sementes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas procurou erradicá-la. sobrevivendo no solo por muito tempo. O solo agrícola é um banco de sementes de plantas daninhas contendo entre 2.000 e 50. contribuir para o desenvolvimento de métodos mais eficientes de controle de plantas daninhas.1 . Os diversos tipos de dormência podem ser agrupados em: a) “Dormência primária”. mas sem sucesso. podem ser várias as causas da dormência: embrião imaturo. Acredita-se que muitas outras espécies de plantas daninhas apresentam mecanismos semelhantes. na temperatura e na composição atmosférica do solo ou até mesmo acelerar a liberação de compostos estimulantes da germinação. Certas espécies necessitam de condições especiais para germinarem. Segundo diversos autores. Através deste mecanismo a espécie consegue sobreviver em estações desfavoráveis. por ser indiferente à luz. Por isso. por apresentar dormência. como os nitratos. A dormência. também chamada de induzida. apenas 2 a 5% germinam.Biologia e métodos de controle . Dormência pode ser definida como qualquer estágio no ciclo da vida no qual o crescimento ativo é suspenso por um período de tempo. a semente permanece dormente (sementes com tegumento impermeável. Isso pode ocorrer pela simples movimentação do solo. inerente ou natural.. germinam todas. e presença de algum inibidor fisiológico. e persiste por longo tempo após completada a maturação.

Uma Aração + Uma Gradagem 3. sem o revolvimento do solo. Outro fator que influencia a profundidade de emergência é o sistema de cultivo.Classificação das plantas daninhas Em certos casos. espécies que produzem sementes pequenas. como é o caso de Brachiaria plantaginea. Rotativa + Compactação 5.800 são consideradas mais nocivas em razão de suas características e seu comportamento. causando a cada ano grandes perdas na agricultura. quando comparada com solos pouco compactados.5 cm no sistema de plantio direto. a emergência ocorre em menores profundidades. Sem Cultivo No de Sementes Emergidas m-2 103 134 206 328 80 As características físico-químicas do solo também influenciam a profundidade de emergência das sementes. Uma Aração + Enxada Rotativa 4. crescem no verão e Módulo 3. possivelmente pelo maior teor de umidade junto às sementes (maior contato entre as sementes e o solo). entretanto. assim. O Quadro 2 apresenta as 12 famílias mais importantes do mundo. Uma Aração 2.000 espécies. 1. crescem na primavera e produzem frutos e morrem em meio ao verão) e anuais de verão (que germinam na primavera. Por estes e outros motivos é necessário conhecimento mais amplo das espécies de plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maior germinação foi observada (Quadro 1) no tratamento com (aração + enxada rotativa + ligeira compactação do solo). bianuais e perenes. cerca de 1. As plantas que produzem sementes englobam as monocotiledôneas e dicotiledôneas. Outro fator extremamente importante na germinação das sementes é a profundidade em que elas se encontram no solo.Biologia e métodos de controle 15 .0 cm. podem germinar até a profundidades superiores a 15 e 25 cm. As anuais completam seu ciclo de vida (semente-semente) em um ano ou menos. Espécies que produzem sementes grandes. Destas. Estas podem ser anuais de inverno (que germinam no outono ou inverno. onde no rastro da roda do trator observa-se cerca de 10% a mais de emergência de plantas daninhas. Quadro 1 .000 espécies). as plantas daninhas podem ser anuais.3 . Este grupo abrange quase todas as plantas consideradas daninhas (cerca de 30.1 . como as dos gêneros Ipomoea e Euphorbia. como Eleusine indica. Isto pode ser observado facilmente em condições de campo. 1998). respectivamente (VARGAS et al. com aproximadamente 170..0 cm no plantio convencional e somente até 1. de suas formas de reprodução e ciclo de vida para se desenvolver um bom programa de manejo integrado. Uma Aração + E.Influência do tipo do preparo do solo na germinação de sementes de plantas daninhas Tipo de Preparo do Solo 1. que germina até a profundidade de 3. Quanto ao ciclo de vida. somente germinam quando estão até a profundidade de 1. a seletividade de alguns herbicidas baseia-se em diferenças morfológicas e fisiológicas existentes entre as espécies de plantas daninhas e cultivadas. em solos muito compactados.

como no caso de cenoura e alface silvestres.Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas Graminae .Famílias de plantas daninhas e números de espécies mais importantes por família. e depois ocorre maturação e morte. lígula normalmente presente. etc. Para facilitar a correta identificação da espécie. Exemplos: Digitaria sanguinalis. Caso a planta esteja sem sementes. as plântulas se desenvolvem vegetativamente até o estágio de roseta. deve-se primeiramente saber se a planta é mono ou dicotiledônea. 1. Cyperus rotundus. livres ou unidas.. que se reproduzem por sementes e por mecanismos vegetativos. se as pétalas estão ausentes ou presentes. segundo Holm (1978) Famílias Gramineae Compositae Cyperaceae Poligoniaceae Amaranthaceae Cruciferae Leguminosae Convolvulaceae Euphorbiaceae Chenopodiaceae Malvaceae Solanaceae No Espécies 44 32 12 8 7 7 6 5 5 4 4 4 % Total de Espécies Daninhas 37% 43% 68% As plantas perenes são aquelas que vivem mais de dois anos e são caracterizadas pela renovação do crescimento ano após ano a partir do mesmo sistema radicular. a posição do ovário (inferior ou superior). exemplos: Cynodon dactylon. b) perenes herbáceas mais complexas.1 . Quadro 2 . onde as estações do ano são bem definidas. e c) perenes lenhosas. há necessidade de um período frio para florescimento e frutificação. entrenós com talo oco. Echinocloa cruspavonis e Bracharia plantaginea. o número de estames ou pétalas.1 . a simetria das pétalas. bainha normalmente aberta. principalmente no sul. 16 Módulo 3. com incremento anual. Estas podem ser classificadas em: a) perenes herbáceas simples . Echinocloa crusgalli.3. o tipo de fruto. exemplo: Senna obtusifolia. há uma lista enorme de características vegetativas que levam às famílias. Durante a primeira fase de crescimento.exemplo: dente-de-leão (Taraxacum officinale) . que se reproduzem por sementes e podem também reproduzir-se vegetativamente se injuriadas ou cortadas. As plantas bianuais vivem mais do que um. porém menos do que dois anos. que são plantas cujos caules têm crescimento secundário.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas madurecem e morrem no outono). Em certas regiões do Brasil.Biologia e métodos de controle . etc. Imperata brasilensis.talo cilíndrico. há nítida observância desses fatos. com nós e entrenós. Eleusine indica.

Exemplo: Mimosa e Acácia. talos e folhas muitas vezes com espinho.flores vistosas com cálice e corola pentâmeros. flores muito pequenas e de cor verde. Cyperaceae .língua-de-vaca. estames 10. Exemplos: Solanum. Convolvulus arvensis e Cuscuta sp. Exemplos: Desmodium e Phaseolus.possuem cinco estames.talo triangular sem nós. o fruto muitas vezes é uma cápsula ou um policoco.Papilionaceae .trepadoras com folhas alternadas e sem estípulas. bainha fechada sem lígula. estames livres e anteras unidas. estames quatro a infinito. brácteas espinhosas. Solanaceae . Raphanus raphanistrum e Lepidium virginicum. Exemplos: Brassica rapa. Exemplos: Amaranthus hybridus e Amaranthus viridis. Malvaceae . planta com escamas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Compositae . cálice transformado em papus.Inflorescência em capítulo (flores muito pequenas e em dois tipos: tubulares e ligulares). Subfamíla II .corola actinomorfa..Amaranthaceae . estames 3-12 inseridos no cálice.Cesalpinaceae . Módulo 3. o fruto é uma síliqua.estames tetradínamos (quatro comprimidos para dentro e quatro curvados para fora). fruto em aquênio. etc. inseridos na corola. muitas vezes. Chenopodiaceae . Exemplos: Senna obtusifolia. Convolvulaceae . estames inseridos no fundo do tubo polínico. Leguminosae . Cruciferae . folhas irregularmente recortadas. com muitos estames em androceu tubular. talo estriado. usualmente anuais. anteras agrupadas ao redor do estilete. cinco estames de tamanho desigual. Sonchus oleraceus e Xanthium cavanillesii. dividido em dois lóculos. flores vistosas. geralmente (9) + 1. Subfamília III . folhas nunca bipenadas. Physalis e Datura. Melampodium perfoliatum. nós dos talos inchados ou protuberantes. Exemplos: Sida spp.Biologia e métodos de controle 17 . Ageratum conyzoides. Exemplo: Chenopodium album. Acanthospermum australe. com seiva mucilaginosa e talos fibrosos.Mimosaceae . corola em forma de tubo. hermafroditas e actinomorfas. folhas bipenadas ou penadas. Exemplos: Cyperus esculentus e Cyperus rotundus. Exemplos: Rumex crispus .folhas de disposição alternadas.corola irregular com estandarte interno.corola com estandarte interno. seiva ácida e penetrante. o fruto é uma capsula. com odor forte e característico. inflorescências condensadas. Polygonaceae . em geral as folhas são penadas.1 .flores muito pequenas e de cor verde. Exemplos: Bidens pilosa.é subdividida em subfamílias: Subfamília I . folhas e caules. Exemplos: Ipomoea sp. sem estípulas.presença de serocina.

e Euphorbia heterophylla (amendoim-bravo). sendo uma das estratégias de sobrevivência das plantas daninhas.400 sementes por planta. e Bidens pilosa (picãopreto) é transportado a longas distâncias nos pêlos de animais ou roupas dos operadores de máquinas.4 . Isso ocorre devido aos inúmeros e complexos processos de dormência. etc. são distribuídas em outras áreas. f) Facilidade de distribuição dos propágulos a grandes distâncias.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. Isto ocorre pela ação de água. d) Grande desuniformidade no processo germinativo. vento. tubérculos.adere à lã das ovelhas. cujas sementes permanecem viáveis mesmo após 54 meses. caso o homem não interfira. 2) Disseminação zoócora (interna): as sementes ingeridas pelos animais passam pelo intestino e. por sementes e tubérculos. e mantém alguma viabilidade após passarem pelo aparelho digestivo de ovinos e eqüinos e só perdem o poder germinativo passando pelo aparelho digestivo das aves. a 12 cm. e cada tubérculo possui cerca de dez gemas que. além de tudo isso. etc. animais. Ipomoea sp. etc. e este foi o motivo de sua introdução no Brasil pela importação de animais ou lã. b) Manutenção da viabilidade mesmo em condições desfavoráveis. Exemplos: Avena fatua (aveia-brava) germina até a 17 cm. é a causa do insucesso dos herbicidas aplicados ao solo. muitas vezes. máquinas.Características de agressividade das plantas daninhas As características das plantas daninhas verdadeiras fazem com que estas sejam mais agressivas em termos de desenvolvimento e ocupação rápida do solo. através das fezes. rizomas. Momordica charantia (melão-de-são-caetano) e Paspalum notatum (gramabatatais). e) Mecanismos alternativos de reprodução. no momento do cultivo do solo. submersas em água ou após passarem pelo aparelho digestivo do porco ou boi. Esta característica. homem. usando os métodos de controle disponíveis. c) Capacidade de germinar e emergir a grandes profundidades. 18 Módulo 3. e Cyperus rotundus (tiririca). Exemplos: Amaranthus retroflexus com 117. e Cyperus rotundus: apenas um tubérculo. Há duas situações distintas: 1) Disseminação auxócora (externa): Acanthospermum australe (carrapicho-de-carneiro) . Exemplos: Sorghum halepense (capim-massambará): reproduz por sementes e rizomas. quando separadas. dominam as plantas cultivadas. (corda-de-viola). estolões. Muitas plantas daninhas apresentam mais de um mecanismo de reprodução. com isso. Echinoclhoa crusgali (capim-arroz) foi introduzido junto com as sementes importadas. Essas características de agressividade são: a) Elevada capacidade de produção de dissemínulos (sementes. cortadas. a 20 cm. Artemisia biennis: 107. Exemplo: Convolvulus arvensis. Cynodon dactylon (grama-seda): por sementes e estolões. bulbos.). podem gerar mais dez plantas. em 60 dias.1 . esta planta produz centenas de sementes viáveis.500 sementes por planta. Exemplos: Phoradendron rubrum (erva-de-passarinho).Biologia e métodos de controle . produz 126 tubérculos.

Biologia e métodos de controle 19 . Na cultura da cebola.040 anos. por 1. cujas sementes foram enterradas em cápsulas porosas. uma relação de competição entre plantas vizinhas. afirmando que todas as plantas de um determinado lugar estão em estado de guerra entre si. Essa grande longevidade se deve a inúmeros e complexos processos de dormência. sobre outras. e.700 anos. Em soja. muitas vezes é preferível falar-se em interferência de uma comunidade de plantas. quando esta é conduzida por semeadura direta. Decandole (1820) foi quem primeiro conceituou competição. Para Weaver e Clements (1938).1 . 44 após 30 anos e 36 após 38 anos.Competição entre plantas daninhas e culturas Para germinar. seja da mesma espécie ou de espécies diferentes. Muitas plantas daninhas crescem e se desenvolvem mais rápido que muitas culturas. que também lutam pelos mesmos fatores de crescimento. depreende-se que. completando seu ciclo de vida. toda planta necessita de água. luz. dominando facilmente a cultura. podendo ser agravados pela presença de outras plantas no mesmo espaço. mostraram que 71 delas estavam viáveis um ano após. a competição seria a luta que se inicia entre indivíduos quando uma planta está em um grupo de outras plantas. Do exposto. Observações com 107 espécies de plantas daninhas. nutrientes e dióxido de carbono disponíveis em um determinado local e tempo. 68 após 10 anos. em razão de a competição envolver vários fatores diretos e indiretos. respectivamente. pois nos programas de melhoramento genético tem-se procurado desenvolver cultivares que. Locatelly e Doll (1977) definem competição como a luta que se estabelece entre a cultura e as plantas daninhas por água. temperatura. daninhas ou não. tubérculos ou outras partes de Módulo 3. nos ecossistemas agrícolas. a 20-100 cm de profundidade. as plantas daninhas sempre levam vantagem competitiva sobre as plantas cultivadas. crescer e reproduzir-se. assim. Brachiaria plantaginea tem grande facilidade para dominar a área quando o controle não é efetuado no momento oportuno. 1982)..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas g) Rápido desenvolvimento e crescimento inicial. Contudo. por exemplo. e a da ançarinha-branca. esses fatores do ambiente tornam-se limitados. 57 após 20 anos. À medida que a planta se desenvolve. em nível ecológico. luz. envolve os aspectos da migração e agregação. 2 . apresentem grande acúmulo de material em sementes. numa situação de competição. gerando. ambos os indivíduos são prejudicados. nessas condições (KLINGMAN et al. Já Odum (1969) afirma que competição significa uma luta por um fator. ou quando esta é rodeada pelos seus descendentes. Observações usando 14C mostraram que a semente do lótus da índia pode ser viável por 1. com pequeno porte e pouco crescimento vegetativo. esses autores salientam que. as plantas daninhas germinam e crescem muito mais rápido. h) Grande longevidade dos dissemínulos. frutos. gás carbônico e oxigênio em quantidades adequadas. Daí em diante vários outros conceitos foram emitidos. ou seja. a competição torna-se importante quando dois ou mais organismos lutam por algo que não existe em quantidade suficiente para todos.

gás carbônico. devido ao refinamento genético a que foram e ainda são submetidas. (2003). 20 Módulo 3. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex: toxidez devido a excesso de Zn no solo). entretanto.1 . a grande capacidade de sobrevivência das plantas daninhas. como pH do solo. pode ser devido à ocorrência de alta densidade dessas invasoras na área. estes fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente. como água. na maioria das vezes. cuja dependência é muito grande. não apresentam. reduzindo não somente a produtividade da cultura. a qual ocorre porque. a competição entre plantas é de natureza aparentemente passiva. que as plantas cultivadas.1 . assim. 1985). a produtividade das culturas e a qualidade dos produtos colhidos. estabelece-se a competição. a cultura e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área. Condições são fatores não diretamente consumíveis. algumas vezes observada no em realação às culturas. Para Santos et al. caso não haja interferência humana. não sendo visível no início do desenvolvimento das plantas. etc. mas também a qualidade do produto colhido. diminuindo ou impedindo que as plantas cultivadas tenham acesso aos fatores de crescimento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interesse econômico. Sabe-se. luz. ou seja. por exemplo. em sua maioria. Devido à falta de mobilidade dos vegetais. Radosevich et al.Biologia e métodos de controle . comprometendo. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. Outro aspecto importante é a grande agressividade. qualquer planta daninha que se estabeleça na cultura vai usar parte dos fatores de produção. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos. nutrientes e luz. em condições de sombreamento (PITELLI. 2. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância.. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. Recursos são os fatores consumíveis. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso é limitado e é máxima quando o ponto de saturação é atingido. a superioridade das plantas daninhas na competição por esses recursos. até que um nível ideal seja alcançado. nutrientes e CO2 e. Em ecossistemas agrícolas. nessas circunstâncias. Estas se estabelecem rapidamente. já limitados no meio. até mesmo para o próprio desenvolvimento da cultura. em razão da influência extrema que estes exercem sobre a utilização dos recursos pelas plantas. Todavia.Fatores do ambiente passíveis de competição A competição entre plantas é diferente daquela que ocorre entre animais. 1985). capacidade de competir vantajosamente com as plantas daninhas verdadeiras. quase sempre esse acréscimo na produtividade econômica da espécie cultivada é acompanhado por decréscimo no potencial competitivo (PITELLI. como acontece. densidade do solo. fazendo o controle das plantas invasoras. Como ambas possuem suas demandas por água.

(2005). e é desses autores a descrição que se segue. um bom competidor poderia ser a espécie com menor requerimento de recursos.. os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta das plantas às variações dos recursos (GOLDBERG. um bom competidor apresenta alta taxa de crescimento relativo. Na realidade. porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. a elevada capacidade competitiva da espécie Desmodium tortuosum nas culturas da soja e do feijão pode ter como contribuição o maior acúmulo de nutrientes por essa planta daninha. Para Tilman. Assim. Para Procópio et al. várias outras teorias têm sido desenvolvidas para explicar a importância relativa dos componentes da competição e das características das plantas que lhes conferem competitividade superior. De acordo com Grime. Embora a maioria das definições atuais sobre competição englobe o critério de Goldberg. Shainsk e Radosevich (1992). 2003).. e correlações entre a presença de vizinhos. ainda.Biologia e métodos de controle 21 . sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (Radosevich et al.1996). trabalhos mais recentes têm apresentado algumas justificativas para a baixa produtividade observada para as culturas quando em competição com espécies de plantas daninhas: Bidens pilosa e Leonurus sibiricus. desenvolvendo-se juntamente com plantas de café em fase inicial. 1996). citado por RADOSEVICH et al. (1996) afirmam que duas dessas teorias (a de Grime e a de Tilman) têm recebido maior atenção do meio científico.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas Módulo 3. 1990. a depleção nos recursos e as respostas de crescimento. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. respectivamente (RONCHI et al. sucesso competitivo é a habilidade para extrair recursos escassos e para tolerar essa escassez de recursos. principalmente o fósforo. citados por Radosevich (1996) sugeriram que o mecanismo de competição por recursos deve ser demonstrado por depleção dos recursos associados à presença e abundância de plantas vizinhas. A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. Portanto. e o sucesso na competição é fortemente determinado pela capacidade da planta em capturar recursos. Apesar de os debates continuarem a respeito da validade e relevância dessas duas teorias.1 . Contudo. Radosevich et al. pode-se concluir que determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer. podendo utilizar os recursos disponíveis rapidamente. totalmente esclarecida. 1996). mudanças morfológicas e fisiológicas nas respostas de crescimento que estejam associadas com variações nos recursos. não estando. mesmo com baixos níveis do recurso (RADOSEVICH et al. a competição é a tendência de plantas vizinhas utilizarem os mesmos recursos.. Portanto. Com base nessas teorias. podem reduzir o conteúdo relativo de N-P-K nos tecidos dessa cultura para 28-39-28% e 1429-21% do total. nessa teoria. ambas ajudam a explicar como espécies de plantas competem por recursos limitados e como as características das plantas influenciam sua habilidade competitiva..

a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. nas primeiras seis a oito semanas após sua emergência. várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as culturas e as plantas daninhas: a) A competição é mais séria quando a cultura está na fase jovem. Com base nesse conceito. que podem inibir a germinação e. seja ela daninha ou não. ela poderá cobrir rapidamente o solo. parte aérea. na fase plantular. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. comumente. A competição entre plantas daninhas e culturas é um fator crítico para o desenvolvimento da cultura quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a cultura (RADOSEVICH. isto é. podendo. ou. desenvolvimento da cultura. a menor susceptibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. o maior índice de área foliar. se a população de plantas da cultura por área for baixa ou o estande desuniforme. em que cada órgão ou parte da planta luta pelo fotoassimilado produzido nas fontes. e. também. ainda. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. grande número de estômatos por área foliar. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. desenvolvimento e crescimento rápido de uma grande superfície fotossintética mesmo. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. ainda. e sistema radicular muito desenvolvido. dependendo da época de seu estabelecimento. interespecífica. do seu vigor. Cardenas (1972) salienta que a competição deve-se a condições específicas quanto ao ambiente e ao solo. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. Entretando. d) Uma infestação moderada de plantas daninhas em lavouras pode ser tão danosa quanto uma infestação pesada.Biologia e métodos de controle .1 . c) As espécies daninhas competem por água. se a cultura se estabelecer primeiro. que são capazes de prover quantidades limitadas dos fatores essenciais ao desenvolvimento das plantas. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. luz. em função da espécie cultivada. • Plasticidade fenotípica e populacional. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. ocorre também a competição intraplanta ou endocompetição. entre outros fatores. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. No entanto. nutrientes e espaço. • Desenvolvimento inicial rápido das raízes e. Todavia. Com base nos pontos descritos. 1996). liberar toxinas no solo. 22 Módulo 3. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis. ou.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas sobre as culturas são o seu porte e sua arquitetura. as características que fazem com que uma espécie de planta seja altamente competitiva são as seguintes: • Ciclo de vida semelhante ao da cultura. A competição pode ser intra-específica. como veranico e geadas. b) As espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da cultura. envolvendo indivíduos de espécies diferentes.

em fases posteriores de desenvolvimento. as condições para que a cultura se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas. Desse modo. as plantas da cultura ficarem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas. da percentagem de germinação e vigor das sementes. ou seja. • Produção e liberação no solo de substâncias alelopáticas. Certas espécies de plantas são capazes de usar menos água por unidade de matéria seca produzida que outras. por isso. minimizando assim a competição ou até mesmo eliminando-a com a ajuda de outros métodos de controle. ficou constatado que a planta daninha Bidens pilosa é capaz de extrair água do solo em tensões três vezes maiores do que as alcançadas pela soja e pelo feijão (Fig. Disso resulta a importância do preparo do solo. (RADOSEVICH et al. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes.. portanto. as características fisiológicas das plantas. 2002).1.. sem qualquer sinal de déficit hídrico. 2). etc..1 . Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma cultura. 1996). pilosa com pouca água no solo pode estar relacionada com o fato de que. que essas plantas com baixo requerimento de água sejam mais produtivas durante o período de limitada disponibilidade de água que as plantas com alto requerimento em água e. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. especialmente nitrogênio e carbono. como capacidade de remoção de água do solo. especialmente nos trópicos. etc. torna-se fácil o manejo da cultura de modo que esta leve vantagem sobre o complexo daninho. mais competitivas (RADOSEVICH et al. Em trabalho realizado por Procópio et al.Biologia e métodos de controle 23 . maior exploração do solo em busca de água (PROCÓPIO et al. pois se estabelecem primeiro. da profundidade de plantio. como o método químico. o chamado manejo integrado de plantas daninhas. portanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Germinação desuniforme no tempo e no espaço (presença de dormência). realizando. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da cultura e da vegetação daninha infestante da área a ser cultivada. em dias quentes. Normalmente. no manejo da cultura. regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. da época correta de plantio. esta espécie drena grande parte de fotoassimilados para a produção de raízes (baixa relação parte aérea/raiz) as quais promovem. é normal em alguns agroecossistemas. 2. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular. pequenas ou grandes.1 . magnitude da condutividade hidráulica das raízes. dessa forma. • Produção de um elevado número de propágulos por planta. mecânico ou biológico.1996). • Adaptação às mais variadas condições ambientais. na fase inicial de seu desenvolvimento. tendem a excluir as demais. apresentam alta eficiência no uso da água (EUA = g de matéria seca produzida/g de H2O utilizada). É de se esperar. (2004b). Módulo 3. Conhecendo tais fatores..Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. do cultivar adequado para a região. A razão da elevada capacidade de sobrevivência de B.

Digitaria horizontalis. Amaranthus retroflexus. soja.112 0. Valores antes do florescimento Valores após o florescimento -------UEA – biomassa seca em g kg-1 de água fornecida------0. apresentam um coeficiente transpiratório entre 150 e 350 (Quadro 4).017 1.367 0. etc.015 0. Cynodon dactylon. que correlaciona a água transpirada com a biomassa seca produzida. O abacaxi. algumas culturas de gramíneas.168 2. algodão. etc. trigo. no ponto de murcha permanente Quadro 3 – Valor máximo do uso eficiente da água (UEA) por diferentes espécies vegetais Espécie vegetal Phaseolus vulgaris Glycine max Euphorbia heterophylla Bidens pilosa Desmodium tortuosum Fonte: Procópio et al. Brachiaria plantaginea. por ser uma planta xerófila e apresentar uma rota fotossintética específica (CAM). Figura 2 . A maioria das culturas (feijão. chamada de coeficiente transpiratório (CT = volume água transpirado em mL/produção de biomassa seca. algumas espécies de plantas daninhas podem apresentar diferentes valores de EUA ao longo do ciclo.Potencial hídrico no solo. podendo competir melhor por este recurso em diferentes estádios fenológicos da cultura. sorgo e cana-de-açúcar e grande número de espécies daninhas em nossas condições (Cyperus rotundus. Panicum maximun. como milho. O coeficiente transpiratório das diferentes espécies de plantas varia de 25 a 700.). pois são espécies que realizam o metabolismo C3 (plantas ineficientes).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Todavia. cultivado com diferentes espécies vegetais.Biologia e métodos de controle . em gramas). Cenchrus echinatus.963 24 Módulo 3. por realizarem o metabolismo C4.250 0. Outra maneira de se estimar o consumo de água pelas plantas é através da eficiência transpiratória. tem um coeficiente transpiratório extremamente baixo.1 .088 0.073 0.316 0. Por outro lado.) apresenta coeficiente transpiratório entre 500 e 700 (Quadro 4). (2002). Alguns exemplos são apresentados no Quadro 3.

nesse exemplo.Competição por luz Para alguns autores. 1996). Observam-se. como a de Sesbania exaltata.Volume de água transpirada (em mL) para acúmulo de 1 g de biomasa seca. Coeficiente transpiratório 152 700 568 700 267 682 174 153 265 282 Fonte Blanco. Bidens pilosa e Desmodium tortuosum. mesmo crescendo com outras espécies em condição imposta de estresse hídrico. Já A. já que sua EUA é baixa. não foi eliminado.. 2004 Silva et al. (2003) avaliaram o UER das culturas da soja e do feijão e das espécies de plantas daninhas Euphorbia heterophylla.1.1 . quando avaliadas isoladamente das plantas daninhas. verificando que as culturas foram capazes de produzir maior quantidade de biomassa por unidade de radiação captada. porém o uso eficiente da água não é o único mecanismo utilizado para sobreviver à competição por água. Para outros autores. a maior capacidade competitiva delas. Os autores afirmam que. o melhoramento genético imposto às culturas possibilitou a seleção de plantas com elevada capacidade de utilização da luz. que compete vantajosamente por este fator de crescimento com a cultura do arroz. Módulo 3. dois mecanismos diferentes para sobreviver à competição por água: habilidade para utilizar um recurso rapidamente (espécie C4) e habilidade para continuar a desenvolver-se mesmo com baixos níveis do recurso (planta C3). apesar de as plantas daninhas avaliadas apresentarem menor eficiência na utilização da radiação fotossinteticamente ativa. como Locatelly e Doll (1977). apresentam maiores valores para o uso eficiente da radiação (UER).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Essa diferença na eficiência do uso da água é um fator importante na agressividade da espécie. Pearcy et al.. Quadro 4 . chegando inclusive a citar exceções. como água e nutrientes. a competição das plantas daninhas pela luz deixa de existir. 2004 2. observada em campo. observaram que a diferença na eficiência de uso da água entre Chenopodium album (C3) e Amaranthus retroflexus (C4) influenciou pouco a relação entre elas. as quais. Santos et al. para diferentes espécies de plantas Espécie vegetal Amarantus hybridus* Glycine max Gossypium hirsutum Phaseolus vulgaris Panicum maximum* Oryza sativa Zea mays* Sorghum vulgare* Brachiaria brizantha* Eucalipto * Espécies que realizam o mecanismo C4. Esses autores salientam que.. pode ser devida à maior população e melhor utilização de outros recursos. (1981. a competição pela luz não é tão importante como a competição por água e por nutrientes. uma vez que a cultura tenha formado sombreamento completo.Biologia e métodos de controle 25 .2 . retroflexus. 1977 Silva et al. com certeza devido à sua alta EUA. Provavelmente a espécie C3 contornou a deficiência hídrica pelo controle estomatal. citados por Radosevich et al.

isso só é verdade em determinadas condições. Estas plantas. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. as plantas C3 fotorrespiram intensamente. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEP-carboxilase) apresenta algumas características. ocorrendo o ciclo de Calvin e Benson. 3 fosfoglicérico e. Todavia. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. por difusão. logo. catalisa a produção do ác. no ácido fosfoenolpirúvico. também. onde é fosforilado.5 difosfato carboxilase. do glicolato. agora pela enzima ribulose 1. que ocorre em todas as plantas superiores. As plantas C4. Este fato evidencia que as plantas C4 necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. é transportado para as células da bainha vascular das folhas. o ácido pirúvico. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. em seguida.1 . É sabido que a relação molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. por difusão. localizada nas células do mesófilo foliar. se se reduzir o acesso à luz. substrato inicial da respiração. sendo esta relação para as plantas C4 de 1:5:2. Este CO2 liberado é novamente fixado. formando o ácido oxaloacético (AOA). estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. É muito comum imaginar que as espécies de metabolismo C4 são sempre mais eficientes que as plantas C3. Essas plantas não apresentam fotorrespiração detectável. e.Biologia e métodos de controle . responsável pela fixação do CO2. Em conseqüência da ação desta enzima. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). atua especificamente como carboxilase. As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2 . como: alta afinidade pelo CO2. não desassimilam o CO2 fixado. dependendo da espécie vegetal. Em função destas e outras 26 Módulo 3. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. se ela é umbrófila ou heliófila e. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). e não satura em alta intensidade luminosa. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. atividade ótima em temperaturas mais elevadas. consumindo 2 ATPs. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. ou seja. Como toda esta energia é proveniente da luz. se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. As plantas de rotas fotossintéticas do tipo C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico. retorna às células do mesófilo. baixo ponto de saturação luminosa. além do ciclo de Calvin e Benson. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. por apresentarem dois sistemas carboxilativos. também. A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. por ser ambígua quanto ao substrato. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico). onde estes produtos são descarboxilados. entretanto. quando comparadas com plantas de metabolismo do tipo C4 (Quadro 5).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sabe-se que a competição pela luz é complexa sendo sua magnitude influenciada pela espécie.

Ponto de compensação 04. arroz. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km) (Quadro 5).Características diferenciais entre plantas com rotas fotossintéticas C3 e C4 Característica 01. Como a maioria das culturas agronômicas das regiões tropicais e subtropicais (algodão. alta luminosidade e até mesmo déficit hídrico temporário. Imperata cilindrica. oito são plantas C4 anuais ou perenes: Cyperus rotundus. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. Enzima primária carboxilativa 06. Cynodon dactylon. Panicum maximum. cana-de-açúcar. é comum. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. Este fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima.Biologia e métodos de controle Fotossíntese C3 Presente: 25 a 30 % do valor da fotossíntese Ácido 3-fosfoglicérico Alto: 50-150 ppm de CO2 Ausência bainha vascular. levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente. Echinochloa colonum. sem cloroplastos RuDP-carboxilase (Km ≅ 20μM de CO2) Inibição 1:3:2 Satura com 1/3 da luminosidade máxima Próxima de 25 oC 15 a 35 mg CO2 dm-2 h-1 Fotossíntese C4 Presente: não mensurável pelo método de troca de gases com o ambiente Ácido oxaloacético Baixo: 0. Temperatura ótima para a fotossíntese 10. Isso acontece porque. as espécies C4 dominam completamente as C3. torna-se evidente que plantas daninhas C4 serão aquelas que exercerão maior competição com as culturas. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontrase saturada quanto à luz. PEP-carboxilase (Km ≅ 5μM de CO2) Sem efeito 1:5:2 Não satura com aumento da luminosidade.) são cultivadas nos meses do ano que coincidem com períodos de elevada intensidade luminosa e temperatura. ainda assim essas plantas continuam acumulando biomassa. Fotorrespiração 02. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). Echinochloa crusgalli e Eleusine indica.1 . Fotossíntese x intensidade luminosa 09. e. nessas condições. quando presente. Efeito do oxigênio (21%) sobre a fotossíntese. Quadro 5 . Primeiro produto estável 03. mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. Isso é possível porque este grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas características (Quadro 5). Sorghum halepense. existem exceções. 07. No caso das plantas C4. Considerando todas as áreas do globo terrestre. entre as dez espécies de plantas daninhas mais nocivas do mundo. milho. nestas condições. soja. quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. Taxa de fotossíntese líquida com saturação de luz Módulo 3. esta passa a atuar mais como oxidativa. etc. Além disso.0 a 10 ppm de CO2 Presença de bainha vascular com cloroplastos. Próxima de 35 oC 40 a 80 mg CO2 dm-2 h-1 27 . mandioca. estima-se que. feijão. liberando CO2. Relação CO2 : ATP:NADPH 08. Anatomia foliar 05.

ele pode ser limitante. Como a eficiência na captura de CO2 proveniente do ar é diferente entre plantas C3 e C4 (Quadro 5) e se sua concentração pode variar. dentro de uma população mista de plantas. Outro ponto a ser considerado é a “Interação Radicular Passiva”. No entanto. Sob condições normais. Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. principalmente. a atmosfera edáfica contém menos oxigênio e mais CO2 do que o ar acima do solo. o aspecto competitivo não é comumente discutido e geralmente é considerado não-significante.Competição por CO2 Com relação ao CO2. Coeficiente transpiratório 11. em conseqüência da “tortuosidade” da matriz do solo. 20 vezes menos P e cinco vezes menos K compara à soja (PEDRINHO JÚNIOR et al. Richardia brasiliensis acumula 10 vezes menos N.5 % da biomassa seca Fotossíntese C4 150 a 350 g H2O / g biomassa seca 3. os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das culturas em nossos solos.0 a 4. da quantidade e das espécies presentes. assim. em conseqüência disso.5 % da biomassa seca 2. para as espécies de plantas C3.. Conteúdo de N na folha para atingir fotossíntese máxima Fonte: Ferri (1985). Molinia caerulea é mais tolerante a alta taxa de CO2 do que Erica tetralix. deficiência de oxigênio e. Isso acontece devido ao consumo do oxigênio pelos microrganismos do solo e em razão de sua renovação lenta. exercem forte competição com as culturas pelos nutrientes essenciais.Biologia e métodos de controle . 2004). (2005) observaram que Desmodium toruosum é capaz 28 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Característica 11.Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e.1. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca. em alto grau. com muito maior ênfase. por exemplo. considerando as diferentes rotas fotossintéticas apresentadas por espécies de plantas daninhas e culturas. em condições de solo encharcado. a competição por nutrientes depende. ou.5 a 7. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes.1.000 g H2O / g biomassa seca 6. a alta infestação dessa planta daninha em lavouras de soja implica maior remoção desse nutriente para a massa total da espécie infestante.1 . Procópio et al. podem levar desvantagem na competição com espécies mais tolerantes em tais situações. 2. Todavia.4 . deve-se considerar. por exemplo.3 . que são os dois processos principais de renovação da atmosfera do solo. Fotossíntese C3 450 a 1. que oferece resistência à difusão e ao fluxo de massa. a concentração de CO2 no mesófilo foliar necessária para que uma determinada espécie passe a acumular matéria seca é diferente. Determinadas espécies de plantas são mais sensíveis ao excesso de CO2 e. Por exemplo.

em competição com o feijoeiro. em campo. por ocasião do florescimento da cultura. Ronchi et al. competindo com uma espécie/planta por vaso Espécie Vegetal Bidens pilosa Commelina diffusa Leunurus sibiricus Nicandra physaloides Richardia brasiliensis Sida rhombifolia PTC* * 77 180 82 68 148 133 N 59 30 35 37 49 97 P K 72 67 42 37 33 38 62 68 61 57 83 105 Conteúdo relativo* de nutrientes Ca Mg S Cu Zn B Mn Fe Na 67 74 97 106 66 76 59 54 69 45 48 69 69 37 54 19 41 35 36 40 41 66 37 41 30 57 39 72 76 86 114 69 101 50 107 68 53 50 67 43 51 63 57 61 59 90 88 98 93 77 138 102 80 106 *Relativo ao conteúdo verificado na testemunha (cafeeiro sem competição). é capaz de formar três vezes mais matéria seca por unidade de P absorvida do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas de acumular até 2. Cerca de 80% do cálcio foi imobilizado pelas plantas daninhas. Pitelli (1985). acarretaram decréscimos consideráveis no conteúdo relativo de nutrientes de plantas de café. desenvolvida na presença da comunidade infestante.. poderá favorecer espécies vegetais que utilizam mais eficientemente esse recurso. avaliando os períodos de convivência e acúmulo de nutrientes de diferentes plantas daninhas e o cafeeiro. ** Período total de convivência da planta daninha com a muda de café no vaso Módulo 3. o manejo inadequado de nutrientes. Para os autores. verificaram que as espécies infestantes. sendo C. além do acúmulo de matéria seca. comparadas à soja e ao feijão (PROCÓPIO et al. o grau de interferência varia consideravelmente com a espécie e com a densidade das plantas daninhas. Bidens pilosa e Euphorbia heterophylla apresentam maior eficiência na utilização do N absorvido no solo. estudando a distribuição dos nutrientes extraídos pelas plantas daninhas e pela cultura. Além da capacidade em extrair nutrientes do solo. com adição de subdoses. pela interferência imposta pela comunidade infestante. evidenciando elevada eficiência na utilização desse nutriente. Além disso.4 vezes mais P por g de massa seca comparada à soja em mesma condição de recursos. mesmo em baixas densidades. a competição depende do nutriente. os autores observaram que Bidens pilosa.Conteúdo relativo* de nutrientes na parte aérea de plantas de café cultivadas em vasos (12 L de substrato).Biologia e métodos de controle 29 . Os acúmulos de cálcio e manganês no arroz foram reduzidos em 40 e 28%. Podese afirmar que. observou que a matéria seca acumulada foi equivalente para a cultura e as plantas daninhas. respectivamente. Isso demonstra que. e do contrário ocorreu com o manganês (85% imobilizado pela cultura).1 . Em lavoura de arroz de sequeiro. 2004a). Quadro 6 . diffusa a planta daninha que causou a maior diminuição no conteúdo relativo de nutrientes no cafeeiro (Quadro 6). (2003). outras espécies são competidoras também na utilização desse recurso.

que não parecem relacionados diretamente com nenhuma função do metabolismo primário. A quantidade dos compostos produzidos e a composição destes dependem da espécie e das condições ambientais. através de volatilização. após serem transferidos para o ambiente (RICE. promovem uma interação bioquímica entre plantas. 1969). Milhares de compostos secundários sintetizados por espécies vegetais estão isolados e estimasse que outros milhares existam na natureza. ou condensados no orvalho. sobre a própria planta ou microrganismos ou vice-versa. a maioria dos metabólitos secundários liberados pelas plantas está envolvida em interações com outros organismos. Essas substâncias alelopáticas são liberadas dos tecidos da planta para o ambiente de diferentes formas. macieiras e citros) também ocorre a auto-inibição do desenvolvimento em plantios na mesma área. A primeira demonstração científica de auto-alelopatia foi feita em feijão-miúdo (Vigna unguiculata). o comportamento ou a biologia da população de organismos de outra espécie são de interesse da alelopatia. 1988). afetam o crescimento. em raízes intactas. Assim. Existe ainda a auto-alelopatia. ou ainda alcançar o solo. Os aleloquímicos. exsudação radicular. flores. Em fruteiras (pessegueiros. ou seja. os compostos secundários que. acumular e secretar uma grande variedade de metabólitos secundários. 1984). denominados aleloquímicos.4% do carbono fotossintetizado (ROVIRA. Provavelmente. como outras plantas. A maioria dos aleloquímicos voláteis são compostos terpenóides.1 . apresentam potencial para exercer alelopatia em agroecossistemas. (folhas. Uma vez volatilizados. quando cultivado sucessivamente na mesma área. As plantas são hábeis em produzir aleloquímicos em todos os seus órgãos. 1984). Os efeitos podem ser deletérios ou benéficos sobre outra planta. frutos e sementes). insetos. As plantas podem exsudar naturalmente uma série de compostos orgânicos. por meio dos próprios vapores. raízes. lançados ao ambiente. onde são absorvidos pelas raízes (ALMEIDA. geralmente da ordem de 0.Biologia e métodos de controle . principalmente monoterpenos e sesquiterpenos (RICE.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . incluindo microrganismos. quando lançados no ambiente. fungos e herbívoros. lixiviação e decomposição dos resíduos da planta.1 a 0. após muitos anos de cultivo da mesma espécie no solo. os aleloquímicos podem ser absorvidos diretamente pela cutícula das plantas vizinhas. existindo forte relação de dependência entre a produção destes metabólitos e 30 Módulo 3. metabólitos secundários podem inibir a própria planta que os produziu. caules. ou seja.Alelopatia As plantas superiores desenvolveram notável capacidade de sintetizar. o estado sanitário. mas provavelmente estão associados com mecanismos ou estratégias químicas de adaptação às condições ambientais.

) e dos efeitos das substâncias alelopáticas que estas produzem. e essa deficiência de defesa das plantas cultivadas é atribuída à seleção a que estas têm sido submetidas ao longo do tempo. Cenchrus echinatus e Euphorbia heterophylla. O fungo Penicillium urticae produz fitotoxina patulina durante a decomposição dos resíduos do trigo. O eucalipto produz substâncias cuja presença é variável com as espécies. como taninos. As perdas da permeabilidade seletiva da membrana citoplasmática ocorrem pouco tempo após a morte da planta. apresentam razoável efeito alelopático. O mecanismo de ação dos aleloquímicos não está ainda bem esclarecido. reduzindo a intensidade de infestação de algumas plantas daninhas. CO2. como nabo forrageiro. açúcares. Os alcalóides. Os aleloquímicos podem ser liberados das células vivas ou mortas também pela ação da água. O desenvolvimento do tomateiro foi afetado por extratos de várias plantas daninhas.1 . permeabilidade da membrana celular. Assim. 3. O efeito alelopático das culturas sobre plantas daninhas é menos comum. Os principais processos vitais afetados.Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas A interferência que as plantas daninhas causam sobre as culturas é decorrente da competição pelos fatores comuns (água. ao melhorar o paladar e diminuir a toxicidade. para outras características que não as de agressividade para com outras plantas. A inibição sobre o desenvolvimento de plantas de pimentão por extratos de eucalipto é um exemplo. alcalóides. colza. Uma variedade de compostos químicos pode ser carreada da parte aérea das plantas por meio de chuva. em sistema de plantio direto. aveia e centeio. síntese de proteínas. e sua persistência no solo varia com as variações do ambiente. crescimento. como tiririca. Módulo 3. etc. espaço físico. 1996). Por exemplo. como Brachiaria plantaginea. na cultura seguinte. os aleloquímicos podem ser liberados através dos resíduos. etc. entre estes os ácidos. 1988). fotossíntese. luz. são: assimilação de nutrientes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas as condições de ambiente (EINHELLIG. neblina e orvalho. respiração. Com a liberação direta dos compostos pelos tecidos. atividade enzimática. O capim-marmelada (Brachiaria plantaginea) afeta o desenvolvimento da soja tanto no crescimento quanto na capacidade de nodulação (ALMEIDA. 1988).1 . alguns terpenos e muitos compostos fenólicos podem ser lixiviados. que promove toxicidade na cultura que o sucede (Almeida. o que dificulta a interpretação de resultados a campo. grama-seda. etc. aminoácidos e as substâncias pécticas.Biologia e métodos de controle 31 . segundo Almeida (1988). capim-massambará. etc. microrganismos podem metabolizar polímeros presentes e produzir substâncias tóxicas. foram eliminados genótipos possuidores de substâncias alelopáticas. Restos culturais de algumas culturas. nutrientes.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3.4%. A taxa de decomposição é alta e a liberação dos compostos alelopáticos é. reduzir o vigor vegetativo e provocar amarelecimento e clorose das folhas.Alelopatia das coberturas mortas No plantio direto. os resíduos secos podem causar fitotoxicidade mais severa.2 . a fim de avaliar suas atividades sobre as diferentes espécies de plantas daninhas. sabe-se que o processo de decomposição do material vegetal é variável com a qualidade dos tecidos. com efeitos biológicos e toxicidade diversos. A colza. quando começa a época chuvosa. Estes estudos irão contribuir de maneira decisiva para o manejo de plantas daninhas no sistema de plantio direto. por isso. redução do perfilhamento e até morte de plantas daninhas durante a fase inicial de desenvolvimento. Nas culturas de verão.1 . a incorporação dos resíduos deve ser feita com certa antecedência da semeadura das culturas. os efeitos alelopáticos provocados pela incorporação de resíduos vegetais no solo são muitos variáveis. várias pesquisas estão sendo conduzidas visando identificar os compostos alelopáticos. provoca redução do estande da cultura da soja plantada imediatamente após a sua colheita.Biologia e métodos de controle . como as adubações verdes. Em condições de baixas temperaturas. Outros pesquisadores avaliam e colecionam germoplasmas de plantas alelopáticas.3 . os resíduos no solo são escassos e a temperatura e umidade no solo são suficientes para manter a atividade microbiana alta. Quanto a possíveis efeitos alelopáticos do material incorporado ao solo. provoca efeitos alelopáticos pouco acentuados e por períodos curtos. Atualmente. podendo os resíduos de plantas de mesma espécie dar origem a compostos diferentes. o que tem contribuído para que os agricultores do sul deixem de cultivar colza. também rápida. 32 Módulo 3. possivelmente não ocorrerão problemas de fitotoxicidade. 3. a cobertura morta pode prevenir a germinação. especialmente no que diz respeito às técnicas de rotação e consorciação. Por isso. Se a cultura de verão for implantada com algum intervalo após a colheita desta cultura de inverno. os tipos de solo e as condições climáticas. inferiores a 25 dias. Os efeitos alelopáticos são transitórios. Essa cobertura é essencial para o sucesso do plantio direto.Alelopatia entre culturas A possibilidade de se desenvolverem efeitos alelopáticos benéficos ou maléficos entre culturas tem interesse agronômico. A cobertura morta da cultura do inverno. por exemplo. normalmente cereais. Segundo Barbosa (1996). forma-se no final desta estação ou início da primavera. hoje disseminado no Brasil por todos estados produtores de grãos. usando solução nutritiva circulante entre os vasos de sorgo e alface. degradando os aleloquímicos. Normalmente. o material fresco. quando cultivadas em casa de vegetação. assim como poderá ser um ponto de partida para síntese de novos compostos com atividade herbicida. exsudato radicular proveniente de plantas de sorgo reduziu a área foliar de plantas de alface em 68. conseqüentemente.

alelopatia. visando o mínimo possível de redução na produtividade. portanto. os efeitos negativos observados no crescimento. spinosus. esteróides livres e ogliconas esteróides. utilizadas como cobertura vegetal. Essa idéia foi originalmente apresentada por Bleasdale (1960) e mais tarde modificada por Blanco (1972). horizontalis. podendo ser alterado pelas condições de solo. e. quanto menor o período de convivência entre cultura e plantas daninhas. gerando menor intensidade de interferência na produtividade econômica. isto não é totalmente válido. porque dependerá da época e do ciclo da cultura em que esse período ocorrer. mas resultante das pressões ambientais de ação direta (competição. A este efeito global denominou-se “interferência”. interferência na colheita e outras). Os autores constataram elevada concentração de taninos condensados. lophanta e A. (2004).1 . densidade e distribuição).Competição e período crítico de competição De acordo com Pitelli (1985). o controle biológico de plantas daninhas também poderá ser uma opção no manejo integrado. referindo-se. menor será o grau de interferência. as espécies Mucuna aterrima. devidos à presença de plantas daninhas. No futuro. M.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas objetivando o melhoramento genético. foram eficientes no controle das espécies daninhas D. à própria cultura (espécie ou variedade. o conhecimento das propriedades alelopáticas das plantas será fundamental. mas sem prejudicar também o ambiente. pode-se dizer que. Módulo 3. Contudo. ao conjunto de ações que recebe uma determinada cultura em decorrência da presença da comunidade infestante num determinado local. espaçamento e densidade de plantio) e à época e extensão da convivência. no desenvolvimento e na produtividade de uma cultura. De maneira geral. não devem ser atribuídos exclusivamente à competição imposta por estas. No entanto. sendo a possível causa dos efeitos alelopáticos. quanto maior for o período de convivência múltipla (culturaplantas daninhas). 4 . Esse fato justifica. para o sucesso deste método. Pitelli e Durigan (1984) sugeriram terminologia para períodos de convivência de plantas daninhas em culturas. H.Biologia e métodos de controle 33 . sendo o esquema apresentado na Figura 3. maior será o grau de interferência. os quais são descritos a seguir. O grau de interferência entre plantas cultivadas e comunidades infestantes depende das manifestações de fatores ligados à comunidade infestante (composição específica. pruriens e S. uma infestação moderada de plantas daninhas poderá ser tão danosa à cultura quanto uma infestação pesada. favorecendo a utilização de recursos pela planta cultivada. portanto. Em trabalho realizado por Erasmo et al. O manejo de plantas daninhas altera a cronologia natural dos eventos. bicolor. ambos citados por Pitelli (1985). clima e manejo. Geralmente. entre outros fatores. dependendo da época de seu estabelecimento. o estudo da época ideal de controle de plantas daninhas em cada cultura.

a Époc Dura çã o Período de convivê ncia lti Cu r va Es pé ci e s Espaçamento Densidade Densidade Cultura Grau de interferência rib st Di ui o çã Figura 3 . ou. principalmente. contribuindo para o próprio desenvolvimento da cultura. após a semeadura ou o plantio. pois a comunidade teria acumulado energia e matéria orgânica que retornariam ao solo. a partir do plantio ou da emergência. impede o desenvolvimento das plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas “Período total de prevenção da interferência” (PTPI) é o período. Teoricamente. Desse modo. permitindo menos cultivos ou o uso de herbicidas de menor poder residual. para que a produção não seja afetada quantitativa e. Por exemplo. do sombreamento. Após esse período.Biologia e métodos de controle . o final do período anterior à interferência seria a época ideal para o primeiro controle da vegetação infestante. É importante esclarecer o significado deste período em termos de competição: as espécies daninhas que emergirem neste período. A aplicação de certas práticas culturais contribui para diminuição deste período. toda e qualquer prática cultural que incremente o crescimento inicial da cultura pode contribuir para um decréscimo no período total de prevenção da interferência.Modelo esquemático dos fatores que influenciam o grau de interferência entre cultura e comunidades infestantes Aquele espaço de tempo. O limite superior deste período indica a época em que a interferência compromete irreversivelmente a produtividade econômica da cultura. em determinada época do ciclo da cultura. qualitativamente. capaz de reduzir significativamente sua produtividade econômica. terão atingido tal estádio de desenvolvimento que promoverão uma interferência sobre a espécie cultivada. em que a cultura pode conviver com a comunidade de plantas daninhas antes que a interferência se instale de maneira definitiva e reduza significativamente a produtividade da lavoura é denominado “período anterior à interferência” (PAI). a fertilização incrementa o crescimento inicial da cultura e das plantas daninhas. n D De d d s si ad e Ambiente S ol o Ma ne j o Clima 34 Módulo 3. No entanto. este deve ser o período que as capinas ou o poder residual dos herbicidas devem cobrir. permitindo que a competição por recursos outros que não a adubação se instale de maneira mais rápida.1 . na prática este limite não pode ser considerado. Na prática. em que a cultura deve ser mantida livre da interferência de plantas daninhas. através. a própria cultura.

90 d (1982) 47 – 127 Kuva et al. nas diferentes condições envolvendo solo. (2002) Souza et al.Biologia e métodos de controle 35 .42 d Ramos e Pitelli (1994) 21 . Isso é normal. (2005) 22 – 38 d Dias et al.30 d Martins (1994) Módulo 3.. torna-se extremamente importante a pesquisa nesta área. ou. visando realizar com eficiência o manejo integrado das plantas daninhas. Considerando a diversidade de fatores que influenciam o grau e os períodos de interferência apresentados. as plantas daninhas podem ter atingido um estádio tal de desenvolvimento que inviabilize o uso de práticas mecânicas ou o controle químico. baseado na hipótese de que aspectos econômicos como o custo de controle e o valor monetário dos grãos devem ser utilizados como critério para determinar o período aceitável de interferência das plantas daninhas antes de se decidir pelo seu controle (VIDAL et al. Em diversos trabalhos de pesquisa visando avaliar os efeitos da interferência de plantas daninhas em culturas (Quadro 7). (2005) 14 . (2003) 20 . encontrados pelos diversos autores. (2004) Soares et al.30 d Spadotto et al. (1980) Brighenti et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pois a cultura e.30 d Victoria Filho (1994) 15 – 88 d Dias et al. não são idênticos para as mesmas culturas. os períodos PTPI. (2003) Alcântara et al. Quadro 7 . a cultura deverá ser mantida livre das plantas daninhas no período compreendido entre o final do PAI até o momento em que as plantas daninhas que vierem a emergir não mais irão interferir na produtividade da cultura.1 . Do ponto de vista prático. espécies daninhas e culturas. Este seria o “período crítico de prevenção da interferência” (PCPI). (1994) 20 . os cultivares utilizados e as composições específicas das comunidades infestantes foram diferentes. PAI e PCPI. 2005). (1982) Oliveira e Almeida 45 . porque as condições em que foram conduzidas as pesquisas. Recentemente foi proposto o Período Anterior ao Dano no Rendimento Econômico (PADRE). clima.60 d (1982) Rolin e Cristofolleti 30 .Períodos de convivência e de controle de plantas daninhas em diversas culturas anuais e bianuais Cultura Algodão Alho Girassol Cebola Arroz de sequeiro Cana-de-açúcar ( plantio de ano ) Cana-de-açúcar (plantio de ano e meio) Feijão Café (após plantio das mudas no inverno) Café (após plantio das mudas no verão) Milho Soja Dias Após Semeadura ou Plantio (d) PTPI PAI PCPI 66 d 08 d 08 . (1981) Mascarenhas et al.66 d 80 d ----100 d 20 d 20 –100 d 30 d 21 d 21 – 30 d 42 d 40 d 30 d 30 .40 d 60 d 90 d 127 d 30 d 88 d 38 d 42 30 d 30 d 45 d 30 d 74 d 20 d 15 d 22 d 14 21 d 20 d Fonte Salgado et al.

considerando uma cultura. A falta desses cuidados tem causado ampla disseminação das mais diversas espécies. a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas ainda por elas não infestadas. grades e colheitadeiras. A redução da interferência das plantas daninhas.1 .Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilizar sementes de elevada pureza. o estabelecimento e. além de outras espécies.Métodos de controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mais variados possíveis e. 36 Módulo 3. ou seja. ou. atualmente. quarentena de animais introduzidos.) e o arroz-vermelho (Oryza sativa) são distribuídos junto com as sementes de arroz. por meio de estercos. Como exemplo. Nestas legislações encontram-se os limites toleráveis de cada semente de planta daninha e também a lista de sementes proibidas por cultura ou grupo de culturas. Em síntese. há legislações que regulamentam a entrada de sementes no país ou estado e sua comercialização interna. Em nível local. se espalham por novas áreas por meio de roupas e sapatos dos operadores. mudas com torrão. o picão-preto (Bidens pilosa) e o capim-carrapicho (Cenchrus echinatus).. etc. que possui sementes muito pequenas e tubérculos que infestam novas áreas com grande facilidade. Eles abrangem desde o arranque das plantas com as mãos até o uso de sofisticados equipamentos de microondas para exterminar as sementes no solo. um município ou uma gleba de terra na propriedade. um estado. que poderão se transformar em sérios problemas para a região. Em níveis federal e estadual.Biologia e métodos de controle . etc.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5 . Estas áreas podem ser um país. limpeza de canais de irrigação.1 . etc. verifica-se grande evolução destes. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas. Já o capim-arroz (Echinochloa sp. inspecionar cuidadosamente mudas adquiridas com torrão e também toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. deve ser feita até um nível no qual as perdas pela interferência sejam iguais ao incremento no custo do controle. tem-se a tiririca (Cyperus rotundus). pêlos de animais. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. 5. o elemento humano é a chave do controle preventivo. que não interfiram na produção econômica da cultura. limpar cuidadosamente máquinas.

apaga-fogo (Alternanthera tenella). visando beneficiar o estabelecimento e desenvolvimento das culturas. O arranque manual.Biologia e métodos de controle 37 . a escolha da cultura em rotação deve recair sobre plantas com habito de crescimento e características culturais bem contrastantes. Variação do espaçamento: a variação do espaçamento entre linhas ou da densidade de plantas na linha pode contribuir para a redução da interferência das plantas daninhas sobre a cultura. O principal efeito é a melhoria das condições físico-químicas do solo. nabo.3 . em lavouras de trigo. como rotação de cultura. aveia e centeio são usadas na região Sul do Brasil. Quando o principal objetivo é o controle de plantas daninhas. em lavouras de milho. no mesmo solo. Ainda hoje é usado para o controle em hortas caseiras. em Módulo 3. a inundação. Tremoço. entretanto. em cana-de-açúcar. guandu. feijão-de-porco e lablabe. em usar as próprias características ecológicas das culturas e plantas daninhas.). e caruru-rasteiro (Amarantus deflexus). 5.2 . uso de coberturas verdes. esta é a única fonte de trabalho. Quando são aplicadas as mesmas técnicas culturais seguidamente. Essas práticas contribuem para impedir o aumento exagerado de determinadas plantas daninhas.Controle cultural O controle cultural consiste no uso de práticas comuns ao bom manejo da água e do solo. a queima. em lavouras de arroz.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas. mostarda. a interferência destas plantas daninhas aumenta muito. ervilhaca. ou monda. jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. etc. estas plantas possuem também poder inibitório sobre outras e podem reduzir as infestações de algumas daninhas após serem incorporadas ao solo. crotalárias. Nas regiões subtropicais predominam mucuna-preta. a cobertura morta e o cultivo mecanizado. Rotação de culturas: cada cultura agrícola geralmente é infestada por espécies daninhas que possuem exigências semelhantes às da cultura ou apresentam os mesmos hábitos de crescimento. A redução entre linhas geralmente proporciona vantagem competitiva à maioria das culturas sobre as plantas daninhas sensíveis ao sombreamento. Consiste. dependendo da arquitetura das plantas cultivadas e das espécies infestantes. Contudo. ano após ano. principalmente em regiões montanhosas. então. a capina manual. variação do espaçamento da cultura. numa agricultura mais intensiva.1 . a roçada. azevém anual.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5. Coberturas verdes: as coberturas verdes são culturas geralmente muito competitivas com as plantas daninhas. onde há agricultura de subsistência. e para muitas famílias. A capina manual feita com enxada é muito eficaz e ainda muito utilizada na nossa agricultura. exemplos: capim-arroz (Echinoclhoa sp. quando o principal método de controle é o uso de enxada.

as sementes das plantas daninhas germinam e morrem em seguida. A cobertura provoca menor amplitude nas variações e no grau de umidade e da temperatura da superfície do solo. são totalmente erradicadas sob inundação prolongada. Outra técnica utilizada para o controle de plantas daninhas é a solarização. A cobertura do solo com restos vegetais em camada espessa ou com lâmina de polietileno é um meio físico-mecânico de controle das plantas daninhas. a inundação é um efetivo método de controle de plantas daninhas. em nível. apenas não apresentando efeito sobre as plantas daninhas que se desenvolvem em solos encharcados.1 . Em pomares e cafezais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas áreas maiores. para uso dirigido nesta cultura. na maioria dos casos. é mantida no limpo. em razão do custo do combustível. É restrito a pequenas áreas de hortaliças. sendo um dos principais métodos de controle de plantas daninhas em propriedades com menores áreas plantadas. grama-seda (Cynodon dactylon). esta técnica é de uso limitado no Brasil. Os fatores limitantes deste método. a cobertura do solo com restos vegetais da cultura anterior é de grande utilidade.Biologia e métodos de controle . e b) baixa eficiência: quando realizado em condições de chuva (solo molhado).). devido à temperatura excessivamente alta principalmente até 5 cm de profundidade. a roçada manual ou mecânica é um método muito importante para controlar plantas daninhas. Este sistema de plantio é usado em extensas áreas de plantio de soja. Quanto à queima das plantas daninhas com lança-chamas. como tiririca (Cyperus rotundus). como o capim-arroz (Echinochloa sp. As principais limitações deste método são: a) dificuldade de controle de plantas daninhas na linha da cultura. além de muitas plantas daninhas anuais. além de outros efeitos importantes sobre as culturas implantadas na área. Esta deve ser feita antes do plantio. Provoca aumento de temperatura e. o alto custo da mão-de-obra e a dificuldade de encontrar operários no momento necessário e na quantidade desejada fazem com que este método seja apenas complementar a outros métodos. já foi utilizada em algodão. onde o controle da erosão é fundamental. utilizando filme de polietileno sobre a superfície do solo. bem como sobre as plantas aquáticas. Todavia. em virtude da suspensão do fornecimento de oxigênio para suas raízes. é de larga aceitação na agricultura brasileira. estimulando a germinação das sementes das plantas daninhas da camada superficial de solo. é ineficiente para controlar plantas daninhas que 38 Módulo 3. capim-kikuio (Penisetum clandestinum)). como nos tabuleiros de arroz. em solo úmido. milho e trigo. que são posteriormente mortas devido à impossibilidade de emergência. feito por cultivadores tracionados por animais ou tratores. beiras de estradas e pastagens a roçada é um método de controle de plantas daninhas dos mais importantes. a fileira de plantas. principalmente em terrenos declivosos. O espaço das entrelinhas é mantido roçado e. No plantio direto. através de adaptação de queimadores especiais em cultivadores tratorizados. devendo ser realizado quando as plantas daninhas estiverem ainda jovens e o solo não estiver muito úmido. A inundação mata as plantas sensíveis. A cobertura morta ainda pode apresentar efeitos alelopáticos úteis no controle de certas espécies daninhas. Em solos planos e nivelados. Também em terrenos baldios. Espécies perenes de difícil controle. são o custo do nivelamento do solo e a grande quantidade de água necessária para sua implantação. O cultivo mecanizado. por meio de outros métodos de controle.

4 . b) Seleção de inimigos naturais mais eficientes. Entre os diversos exemplos de controle biológico no mundo. d) Determinação da especificidade dos hospedeiros. praticado com fins econômicos. Para que este tipo de controle seja eficiente. desde a pesquisa até a prática do controle biológico: a) Seleção de espécies de plantas daninhas a serem controladas. até o momento. 5. o deslocamento do solo sobre a linha.Controle biológico O controle biológico consiste no uso de inimigos naturais (fungos. vírus. com isso. quando jovens (2-4 pares de folhas). aves. O controle biológico de plantas daninhas é muito complexo e seu estudo dever ser feito em etapas sucessivas. o que é uma tendência normal em condições de campo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas se reproduzem por partes vegetativas. o herbicida natural é registrado como Collego. porque pode controlar uma espécie e uma outra ser favorecida. podem-se citar: na Austrália. a eficiência do controle biológico é duvidosa quando ele é usado isoladamente. insetos. nos pomares de citros. De modo geral. são facilmente controladas em condições de calor e solo seco.1 . o parasita deve ser altamente específico. uma vez eliminado o hospedeiro. daninhas ou não (este assunto já foi discutido em módulo à parte). No Brasil. ou seja. foi já usado o fungo Phythophthora palmivora. bactérias. o controle biológico de plantas daninhas com inimigos naturais não tem sido. com o nome de Devine. reduzindo sua capacidade de competir. para controlar Morrenia odorata. peixes. Dependendo do tamanho relativo das plantas cultivadas e daninhas. c) Estudo e avaliação da ecologia dos vários inimigos naturais. E. No entanto. promover o controle das plantas daninhas na linha. o fungo Coletotrichum gloeosporeoides pode ser usado para controlar o angiquinho (Aeschynomene virginica) em soja e milho. Nos Estados Unidos. Módulo 3. o cambará-de-espinho (Lantana camara) foi controlado pelos insetos Agromisa lantanae e Crocidosema lantanae. o controle do cactus ou figo-da-índia (Opuntia spp. etc. e. f) Avaliação da efetividade em diferentes épocas do ano. O cultivo quebra a relação íntima que existe entre raiz e solo. Deve também ser considerada como controle biológico a inibição alelopática de plantas daninhas exercida por outras plantas. suspende a absorção de água e expõe a raiz às condições ambientais desfavoráveis. ele não deve parasitar outras espécies. e) Acompanhamento da introdução e do estabelecimento do agente biocontrolador no campo.) capazes de reduzir a população das plantas daninhas. todas as espécies anuais. a fim de correlacionar os níveis de infecção com a redução da densidade populacional do hospedeiro. pode causar o enterrio das pequenas plântulas e.) com as larvas do inseto Cactoblastis cactorum.Biologia e métodos de controle 39 . através de enxadas cultivadoras especiais. Isso é mantido por meio do equilíbrio populacional entre o inimigo natural e a planta hospedeira. no Havaí.

2005).5-T. mais seguro para o homem e para o ambiente. o controle biológico. Egeria najas e Ceratophyllum demersum pelo pacu (Piaractus mesopotamicus). quando se pensa em seu uso como o único método de controle. Ainda.) e marcou o início do controle químico de plantas daninhas em escala comercial. para discutir os avanços da área de plantas daninhas e seu controle. Shultz (Alemanha) e Bolley (EUA) evidenciaram ação dos sais de cobre sobre algumas folhas largas.. quando se controla uma espécie de planta daninha.1 . o sulfato ferroso foi avaliado por Bolley. Somente em 1942. Devido ao grande desenvolvimento da área de controle químico de plantas daninhas. Isso porque o parasita deve ser altamente específico. a alelopatia. O controle biológico é eficiente. ocorrem reuniões anuais de pesquisadores de herbicidas no cerrado (REPEC). hoje Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas (SBCPD). quando Bonnet (França). que se reúne de dois em dois anos em congresso nacional. quando associado a outros métodos de controle e será recomendado para espécies de plantas daninhas de controle comprovadamente difícil por métodos mecânicos e.5 . que tem evoluído muito nos últimos anos. e os trabalhos científicos sobre o assunto são publicados em revistas especializadas da SBCPD (Planta Daninha e Revista Barsileira de Herbicidas). 40 Módulo 3. no Brasil.Biologia e métodos de controle . e temperaturas acima de 30 oC têm proporcionado melhor controle de Egeria (BORGES NETO et al. Miyazaki e Pitelli (2003) verificaram controle de até 100% das espécies aquáticas Egeria densa. químico. 2. para controle de folhas largas na cultura do trigo. e. ou.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas No Brasil.4-D. O objetivo das pesquisas em nível mundial é obter herbicidas mais eficazes com doses menores. nos Estados Unidos. Zimmerman e Hitchock. em 1956. Em 1908.Controle químico As pesquisas visando o controle químico de plantas daninhas foram iniciadas entre 1897 e 1900. Este herbicida é a base de muitos outros produtos sintetizados em laboratório (2.4-DB. nos Estados Unidos. bem como a tecnologia de aplicação de herbicidas. Triazinas simétricas (1956). foi fundada a Sociedade Brasileira de Herbicidas e Plantas Daninhas (SBHPD). etc. foi criada a Weed Science Society of América . plantas aquáticas submersas que causam problemas em reservatórios de hidrelétricas. no Brasil.WSSA. etc. não podendo parasitar outras espécies. em 1963. novos grupos químicos de herbicidas surgiram: Amidas (1952). O uso de tilápias. descobriram o 2. Já se sabe que o fotoperíodo influencia a eficiência de controle das espécies de plantas daninhas pelo fungo. Também são áreas de interesse. isolados de Fusarium graminearum vêm sendo estudados como agente de controle biológico de Egeria densa e de Egeria najas. 5. Carbamatos (1951). sempre uma outra é favorecida. indicando a necessidade de uso de outro método de controle. nos EUA. então. entre outras.4. carpas e outros peixes herbívoros é possível para controle de outras plantas aquáticas. A partir de 1950. A eficiência do controle biológico é duvidosa.

sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. 2005).Biologia e métodos de controle 41 . hoje está se tornando prática comum entre os pequenos. 3. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta.6 em 1990 para 1.214. Os riscos de uso existem. cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. A tendência ainda é de aumento. Menor dependência da mão-de-obra. Mesmo em épocas chuvosas. ou. 6. O emprego do controle químico de plantas daninhas deve ser feito juntamente com outras práticas de controle. Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES e ALMEIDA. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. uma vez que esta tecnologia. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores.1 . solo e alimentos quando manuseados incorretamente. lagos e água subterrânea). Pode controlar plantas daninhas de propagação vegetativa. difícil de ser encontrada no momento certo. Módulo 3. o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas. Permite o cultivo mínimo ou plantio direto das culturas. Pode ocorrer também poluição do ambiente . que é cada vez mais cara. evoluiu de 546. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência das culturas.água (rios. Portanto. alteração no espaçamento. É eficiente no controle de plantas daninhas na linha de plantio e não afeta o sistema radicular das culturas. É importante considerar que todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. O conhecimento da fisiologia das plantas.8 em 1997 (ANDEF/SINDAG. havendo perigo de intoxicação do aplicador. o controle químico das plantas daninhas é mais eficiente. quando for necessário. Pode se atribuir essa grande aceitação do uso de herbicidas pelos produtores ao fato de o controle químico das plantas daninhas proporcionar as seguintes vantagens: 1. dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. na quantidade e qualidade necessária. principalmente. perfeitamente controlados e evitados. 2005). em milhões de dolares.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O consumo de herbicida no Brasil representa 7-9% do consumo total do mundo. mas devem ser conhecidos. 5. 2. 4. sendo a de maior importância o controle cultural. Permite o plantio a lanço e. Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas. Este valor.

Considerar os recursos e as necessidades do fazendeiro. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. O nível de controle das plantas daninhas obtido em uma lavoura dependerá da espécie infestante. constituindo-se. das condições ambientais.Biologia e métodos de controle . o manejo integrado de plantas daninhas. dos métodos empregados. os métodos culturais se apresentam como os 42 Módulo 3. Avaliar os impactos ambiental. Prever populações e mudanças de populações de plantas daninhas. Identificar as espécies-problema e suas densidades. sua base reforçada no campo da entomologia quando pioneiros promoveram o estudo dos problemas do algodoeiro no Nordeste do país. Conhecer as espécies dominantes e suas interações. A integração de diversos métodos de controle dentro do sistema de produção pode dificultar o crescimento e desenvolvimento de populações de espécies daninhas de difícil controle. 6. 10. 7. as quais possuem seu ciclo ou parte dele na época das águas. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco. 2.1 . para culturas anuais. no controle integrado. esse fato. 2000). social e econômico a curto e a longo prazo. 4. 3. da capacidade competitiva da cultura. pode reduzir a dependência do uso de herbicidas e atrasar ou prevenir o aumento de espécies perenes geralmente associadas a sistemas de cultivo. a maneira integrada de cultivo. Integrar os processos com as medidas de proteção das culturas.Manejo integrado de plantas daninhas (mipd) Cada vez mais o manejo integrado de pragas vem ganhando reforços em todos os setores agrícolas. Decidir quando o controle deve ser feito. Estudar os métodos usados na propriedade. em que se levam em conta todos os fatores que podem proporcionar à planta maior e melhor produção. 5. tendo. etc. Monitorar sementes e espécies da área de produção. no Brasil. fica evidente que. Considerando as condições brasileiras. Desse modo. 8.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 6 . Escolher a(s) tecnologia(s) de controle compatível(is) com sistema. que consiste em “um sistema ambiental do campo onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para a produção das culturas livres de danos econômicos da vegetação competitiva”. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. e elas são um bom guia para o programa de manejo: 1. permite a esta aproveitar eficientemente os recursos do meio. Dez palavras-chave descrevem os processos recomendados. Desse modo. 9. do período crítico de competição. propondo uma série de medidas que se enquadraram no conceito de integração (CONCEIÇÃO.

é possível obter redução nos níveis populacionais da tiririca a favor do plantio direto. da ordem de 90 a 95%. Dessa forma.1 .. aliado ao fato de não revolver o solo. transformando esta espécie daninha extremamente problemática em uma espécie comum. Além disso. sendo que em três anos a redução no banco de tubérculos no solo pode chegar a mais de 90% (JAKELAITIS et al. No plantio direto. 5). Ao contrário. no plantio convencional. Os maiores benefícios do sistema de plantio direto no manejo integrado da tiririca são obtidos devido à integração do controle químico proporcionado pelo uso do herbicida sistêmico para dessecação da vegetação em pré-plantio. a forrageira cultivada em consórcio com a cultura principal reduz a interferência de muitas espécies de plantas daninhas. no milho para silagem toda palhada da cultura anterior e retirada da área. ao controle cultural exercido pela falta de revolvimento do solo e conseqüente ausência de fragmentação das estruturas vegetativas da tiririca e à adoção de culturas altamente competitivas. principalmente por luminosidade. Outro exemplo de manejo integrado de plantas daninhas tem sido praticado em diversas regiões do Brasil quando se adota o sistema integrado agricultura-pecuária.Biologia e métodos de controle 43 . têmse observado excelentes resultados no manejo da tiririca.. no plantio direto. a capacidade de brotação dos tubérculos de tiririca coletados sob solo no sistema integrado é diminuída com o passar do tempo. toda a palhada da cultura permanece na área à superfície. os níveis populacionais da tiririca podem ser diminuídos. em relação ao plantio convencional. Quando a finalidade de uso do solo é para milho grão. Dessa forma. permanecendo dormentes (Fig. Em dois anos nesse sistema. consegue-se ótimo manejo integrado da tiririca. 2004) e também mais estável do ponto de vista ambiental (SANTOS et al. Um bom exemplo da aplicação do Manejo Integrado pode ser observado pelo excelente manejo da tiririca na cultura do milho e do feijão graças à utilização do sistema de plantio direto e conhecimentos da biologia das espécies envolvidas. com uso de herbicidas sistêmicos usados como dessecantes. evitando assim sua disseminação e seu rápido crescimento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mais adequados para integração com o controle químico. 45 dias após a emergência. principalmente no período de desenvolvimento das culturas sensíveis à interferência das plantas daninhas. tornando o sistema menos dependente do controle químico (JAKELAITIS et al. ou seja. ou incoporada ao solo.. independentemente se para produzir milho para grão ou para silagem. 2003). aplicados no momento correto. como a cultura do milho e feijão. a ponto de não acarretar reduções de produção das culturas infestadas (Fig. 2005) Módulo 3. tanto para a cultura do milho quanto para o feijoeiro. 4). visando a redução do número de propágulos de espécies de difícil controle em áreas agrícolas. aliado ao controle cultural. Neste sistema. com a adoção do sistema de plantio direto utilizando herbicidas sistêmicos para dessecação.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 4 .Biologia e métodos de controle . após três anos de adoção 44 Módulo 3.População de tiririca nas culturas de milho e feijão nos sistemas de plantios convencional e direto (após dois anos de adoção do manejo integrado de plantas daninhas –MIPD) aos 30 DAP Figura 5 – Brotação de tubérculos de tiririca coletados em campo em áreas de plantio convencional e em área onde se adotou o plantio direto com o manejo integrado dessa espécie infestante.1 .

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José Barbosa dos Santos Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .ABEAS Universidade Federal de Viçosa .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação Tutores: Profº. Francisco Affonso Ferreira Profº.DF 2006 48 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 . Lino Roberto Ferreira Profº. Antonio Alberto da Silva Profº.Manejo de plantas daninhas 3.2 .2 .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .

73 4.2 .52 3 . 80 4.Principal herbicida do grupo.4.1 .Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos.Mecanismo de ação. 79 4. 74 4.Características gerais.7.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I. 88 Módulo 3.6.Quanto aos mecanismos de ação.5 . 77 4.1 .Caracterização de alguns herbicidas auxínicos.3 .2.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 49 .Algumas imidazolinonas. 76 4.2.Herbicidas inibidores da fotossistama II.5.5. 61 4.6.Quanto à translocação. 62 4. 55 4. 60 4. 73 4.4 . 56 4.2 .8 . 51 1 .2 .7 . 73 4.3 .3 .2 .1.6 .Características de algumas cloroacetanilidas.3. 53 4. 68 4.1 .3 .Principais características. 75 4.Mecanismo de ação.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA).Quanto à época de aplicação.4 .3.1.Principais características.Seletividade.6. 58 4.2 .7.3 .Mecanismo de ação das cloroacetanilidas.3 .2 .Principais características.Quanto à seletividade.3.5.Algumas sulfoniluréias. 85 4. 70 4.Herbicidas inibidores da Protox. 79 4.1.3 . 68 4. 68 4.Mecanismo de ação.Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos.2.1 .Mecanismos de seletividade.Mecanismo de ação.53 4 .4.1 .Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina. 83 4. 54 4.Herbicidas inibidores da acetolactato sintase. 55 4. 58 4.1 .Características gerais dos inibidores do fotossistema II. 79 4.2 .Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos.2 .4.Herbicidas inibidores da EPSPs. 75 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução. -51 2 .2.Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II.Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX.1 . 80 4.1 .2 .

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.3 .9. 93 4. 88 4.Mecanismo de ação. 92 4.8.1 .1 . 89 4.9 .Mecanismos de ação. 91 4.2 .9.8.2 .2 .Herbicidas inibidores da ACCase.9. 95 Referências bibliográficas.Características gerais.10 .Principais características.Caracterização de alguns inibidores da ACCase. 91 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .Herbicidas inibidores de carotenóides. 99 50 Módulo 3.

Exemplos: diquat. translocação. são mais tolerados por uma determinada espécie ou variedade de plantas do que por outras. das condições climáticas. de acordo com as características de cada um. glyphosate. e mesmo assim a dose tolerada é dependente das condições edafoclimáticas.Quanto à seletividade Herbicidas seletivos São aqueles que. é possível tornar um herbicida não-seletivo a seletivo para determinada espécie. por exemplo. Essas características individuais permitem estabelecer grupos afins de herbicidas com base em sua seletividade.2 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 51 . fomesafen para o feijão. por meio da biotecnologia. da dose aplicada. 1 . estrutura química e mecanismo de ação (WARREN. HESS. pois depende do estádio de desenvolvimento das plantas. imazethapyr para a soja. Herbicidas não-seletivos São aqueles que atuam indiscriminadamente sobre todas as espécies de plantas. Todavia. exemplo: a soja trasgênica resistente ao glyphosate.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Os herbicidas podem ser classificados de diversas maneiras. Todavia. tem-se 2. 1995a). Normalmente são recomendados para uso como dessecantes ou em aplicações dirigidas. Módulo 3. a seletividade é sempre relativa. época de aplicação. Para soja. etc. atrazine para o milho. paraquat. o metribuzin é seletivo apenas quando aplicado em pré-emergência. do tipo de solo. etc. Como exemplo.4-D para a cana-deaçúcar. etc. dentro de determinadas condições.

aplicado em pré-plantio e incorporado. ou seja. em culturas perenes como fruteiras.2 . são desativados (sorvidos). eles devem ser aplicados em pré ou em pós-emergência das culturas ou das plantas daninhas. Pós-plantio Dependendo da atividade dos herbicidas sobre as plantas. ser não-seletivos para a cultura e. exemplos: flumioxazin. especialmente ao glyphosate. ou. ele necessita ser incorporado ao solo. pois em pós-emergência. até mesmo em subdoses. outros que possuem maior efeito residual no solo. pode-se também misturar. visando facilitar o plantio e promover cobertura morta do solo. Todavia. Entretanto.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . reflorestamento e lavouras de café. ou. deve ser aplicado antes do plantio. como é o caso do glyphosate e paraquat aplicados no plantio direto de milho. paraquat. pois muitas vezes. apesar penetrarem também pelas raízes. ele é muito tóxico à soja. feijão. etc. de solubilidade muito baixa em água e. Quando são absorvidos apenas pelas folhas. eles somente devem ser aplicados em pós-emergência das plantas daninhas. ainda. exemplo: sethoxydim em tomate.Quanto à época de aplicação Pré-plantio Quando o herbicida é muito volátil. Contudo. clorimuron-ethyl. Estes produtos podem. estes devem ser aplicados antes da emergência (pré-emergência) desta ou de forma dirigida. porém têm como objetivo principal garantir o controle inicial das plantas daninhas na implantação da lavoura. ele pode ser aplicado em pós-emergência de ambas (plantas daninhas e culturas). em aplicação dirigida. apresentam curto efeito efeito residual e quase sempre são utilizados como dessecantes. alguns herbicidas devem ser aplicados antes do plantio. Estes podem ou não auxiliar na dessecação das plantas. como é o caso do trifluralin. etc. como é o caso do metribuzin. imazethapy. metsulfuron-methyl em trigo. se o herbicida é seletivo para a cultura. quando atigem o solo. Também. Se o herbicida é absorvido pelas folhas e raízes. das condições nas quais ele apresenta melhor desempenho. na cultura da soja somente pode ser usado em pré-emergência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . Quando aplicado após o preparo do solo e incorporado a este antes do plantio. trigo. a estes. metribuzin. neste caso. diz-se que este herbicida é aplicado em PPI. Outro 52 Módulo 3. etc. exemplos: glyphosate. no sistema de plantio direto (cultivo mínimo). Esses produtos normalmente são não-seletivos. que pode ser usado em tomate em pré e em pósemergência tardia ou após o transplante. por esta razão. etc. também. nicosulfuron em milho. fotodegradável. imazaquin. feijão e soja. a sua aplicação em pré ou pós-emergência vai depender da tolerância da cultura e.

onde atuará para que seus efeitos possam ser observados. já a primeira lesão bioquímica ou biofísica que resulta na morte ou ação final do produto é considerada “mecanismo de ação”. os herbicidas podem ser classificados em: mimetizadores de auxinas (auxínicos). como é o caso de 2. Estes herbicidas sistêmicos são capazes de se translocarem a grandes distâncias na planta.4-D. Módulo 3. 4 . Ele terá necessariamente que penetrar no tecido da planta. A este produto. (WARREN. ele é considerado sistêmico. THILL. inibidores da EPSPs. CRAFTS. 1995). nicosulfuron. O simples fato de um herbicida entrar em contato com a planta não é suficiente para que ele exerça sua ação tóxica. picloram. 1995. É importante lembrar que um mesmo herbicida pode influenciar vários processos metabólicos na planta. Inibidores da GS. inibidores da PROTOX. a ação do produto pode ser mais rápida. etc. exemplos: paraquat. inibidores da ALS. entretanto a primeira lesão que ele causa na planta pode caracterizar o seu mecanismo de ação (ASHTON. Estes produtos.Quanto à translocação Os herbicidas podem ser de contato quando atuam próximo ou no local onde eles penetram nas plantas. etc.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas exemplo seria o herbicida atrazine. inibidores da ACCase. “Modo de ação” refere-se à seqüência completa de todas as reações que ocorrem desde o contato do produto com a planta até a sua morte ou ação final do produto. inibidores do fotossistema II. inibidores do fotossistema I.Quanto aos mecanismos de ação É interessante que se faça distinção entre os termos usados rotineiramente quando se refere a herbicida: “modo e mecanismo de ação de herbicida”. 2003a). quando usados em doses muito elevadas. flazasulfuron. Quando o movimento (translocação) do herbicida é via floema ou floema e xilema. inibidores do arranjo dos microtúbulos. 1973. recomendado para as culturas de milho e sorgo.HESS. atingir a célula e posteriormente a organela. podem apresentar ação de contato. aumentando a sua penetração pelas folhas. quando utilizado em pós-emergência. Quanto ao mecanismo de ação. LIEBL. deve-se adicionar à calda óleo mineral visando solubilizar parte da cera epicuticular. porque a morte rápida do tecido condutor (floema) limita a chegada de dose letal do herbicida a algumas estruturas reprodutivas das plantas. pelo floema ou por ambos. porém com efeito final menor.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 53 . Neste caso.2 . etc. glyphosate. Os herbicidas também podem se movimentar (translocar) nas plantas pelo xilema. diquat. inibidores da síntese de carotenóides. 3 . lactofen. imazethapyr.

impedindo o movimento dos fotoassimilados das folhas para o sistema radicular. as espécies sensíveis têm seu sistema radicular rapidamente destruído. causando epinastia de folhas e caule. CRAFTS.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Essa perda da rigidez das paredes celulares é provocada pelo incremento na síntese da enzima celulase. 2003a). Historicamente. epinastia das folhas e retorcimento do caule. sendo extensivamente utilizada em culturas de arroz. Após aplicações de herbicidas auxínicos. conseqüentemente. pelo efeito destes produtos sobre o afrouxamento das paredes celulares. Esse alongamento celular parece estar relacionado com a diminuição do potencial osmótico das células.Sintomas leves de intoxicação de plantas de algodão (A) e ação final do produto sobre plantas de Raphanus raphanistrum (B) 54 Módulo 3. quando aplicados em plantas sensíveis. em poucos dias ou semanas. verifica-se crescimento desorga¬nizado. rapidamente. o 2. Por esse motivo. engrossamento das gemas terminais e morte da planta (Fig. notadamente nas raízes. Acredita-se que estes produtos interfiram na ação da enzima RNA-polimerase e. induzem mudanças metabólicas e bioquímicas. milho. trigo e cana-de-açúcar e em pastagens. Estes herbicidas induzem intensa proliferação celular em tecidos.4-D e o MCPA são os mais importantes. provocado pelo acúmulo de proteí¬nas e. além de interrupção do floema. 1). Os herbicidas auxínicos. em plantas sensíveis. especialmente da carboximetilcelulase (CMC).1 . que leva estas espécies a sofrer. na síntese de ácidos nucléicos e proteínas (ASHTON. 1973). mais especificamente. Em conseqüência dos efeitos desses herbicidas. também. podendo levá-las à morte. Estudos sugerem que o metabolismo de ácidos nucléicos e os aspectos metabólicos da plasticidade da parede celular são seriamente afetados. porque eles marcaram o início do desenvolvimento da indústria química (THILL.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. Figura 1 . verificam-se rapidamente aumentos significativos da enzima celulase.Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina Esta classe de herbicidas é uma das mais importantes em todo o mundo.

As seguintes medidas são recomendadas para reduzir problemas com a utilização destes herbicidas: a) Evitar o uso de formulações que apresentam elevada pressão de vapor (muito voláteis). 2. podem causar sérios problemas técnicos.4-D. Alguns desses produtos podem permanecer ativos no solo por longo período.3-D-4-OH. resíduos deixados em pulverizadores mal lavados e contaminação de água de irrigação por estes herbicidas.Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos Todos os herbicidas auxíncos são derivados de ácidos fracos e podem ser formulados nos seus respectivos ácidos.1. Deriva. deve-se usar 0 2. que são espécies altamente sensíveis. em uva. 3. Estádio de desenvolvimento das plantas. Na cultura do milho (4-6 folhas). cada um dos diferentes princípios ativos. 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. Arranjamento do tecido vascular em feixes dispersos.2 .4-D apenas em aplicação dirigida. causada pela ação de herbicidas auxínicos.1. fumo. sendo estes protegidos pelo esclerênquima em gramíneas (monocoti¬ledôneas). e na cultura do milho.4-D para 2. 4. sais ou ésteres.Seletividade A seletividade dos herbicidas auxínicos pode ser dependente de diversos fatores: 1. Aril hidroxilação do 2. É comum a aril hidroxilação resultar na perda da capacidade auxínica destes herbicidas. ser comercializado isoladamente ou em misturas. exigindo cuidados especiais para se realizar rotação de culturas.. Algumas espécies de plantas podem excretar estes herbicidas para o solo através de seu sistema radicular (exsudação radicular).1 . podendo. Por exemplo. além de facilitar a sua conjugação com aminoácidos e outros constituintes da planta. etc. d) Evitar a aplicação quando o vento estiver em direção às culturas. Essa característica especial das monocotiledôneas pode prevenir a destruição do floema pelo crescimento desorganizado das células. derivados do ácido picolínico podem causar fitotoxicidade. Módulo 3. exemplos: para arroz e trigo deve-se usar o 2.2 . se praticável. em condições de campo.4-D após o perfilhamento e antes do emborrachamento. se aplicado em pós emergência total ocorrem sérios problemas de fitotoxicidade. se aplicado fora do estádio de desenvolvimento recomendado. b) Usar maior tamanho de gotas. algodão. sendo esta a principal rota para o metabolismo do 2.5 dicloro-4 hidroxifenoxiacético e 2. Nas culturas de arroz e trigo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 55 . tomate. principalmente em aplicações aéreas. comprometendo de maneira severa o rendimento de culturas e a qualidade do ambiente. em doses extremamente baixas. c) Usar baixa pressão para aplicação. recebendo nomes comerciais diversos.

Em mistura com o picloram. plantas ganham maior tolerância com a idade. é usado para controlar plantas daninhas perenes. mais lixiviáveis.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . amoníaco ou carvão ativado. xilema. pka de 2. enquanto as de éster são praticamente insolúveis e. volatilidade. É recomendado para pastagens. entretanto. porque são altamente solúveis. As formulações aminas são mais adsorvíveis no solo do que as de éster e. portanto. em fruteiras e lavouras de café.4 diclorofenoxiacético (2. a atividade residual do 2. trigo. Dicamba 56 Módulo 3.4-D não excede a quatro semanas em solos argilosos e clima quente.8 e Koc médio de 20 mg g-1 de solo para formulações ácido ou sais e de 100 mL g-1 de solo para ésteres (RODRIGUES. a resistência a estes herbicidas hormonais é reduzida. etc. persistência no ambiente. sendo esta a condição para ótima atividade do produto. Cada formulação pode apresentar características físico-químicas diferentes.). toxicidade.2 . Apresenta persistência curta a média nos solos. Em geral.4-D.Em ambos os casos o 2. gramados e culturas gramíneas (arroz. 2005). em pastagens. As formulações ésteres e ácidas são prontamente absorvidas pelas folhas.4-D se transloca por toda a planta pois se movimenta tanto pelo xilema quanto pelo xilema.4-D Sal ou éster amina do ácido 2. ou. no mercado brasileiro.4-D) foi o primeiro herbicida seletivo descoberto para o controle de plantas daninhas latifoliadas anuais. conferindo ao produto características dife¬renciais quanto à seletividade. É muito utilizado em misturas com inibidores da fotossíntese na cultura da cana-de-açúcar.3 . é encontrado em dife¬rentes formulações e marcas comerciais. ALMEIDA. milho. com menor movimentação. e com glyphosate. O 2. para uso no plantio direto e em aplicações dirigidas. a decomposição é consideravelmente reduzida. e aquelas à base de sal são rapidamente absorvidas pelo sistema radicular das plantas. acumulando-se nas regiões meristemáticas dos pontos de crescimento. 4. Movimenta-se pelo floema e. etc. além de detergente.Caracterização de alguns herbicidas auxínicos 2. Transloca-se com grande eficiência em plantas com elevada atividade metabólica.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e) Tomar cuidado especial com a lavagem do pulverizador após as aplicações.1. Em doses normais. Em solos secos e frios. Usar. Apresenta solubilidade de 600 mg L-1. durante o florescimento. cana-de-açúcar.

4-D) é muito utilizada em pastagens para o controle de plantas daninhas anuais. e koc de 2 mg g-1 de solo. o que dificulta a absorção e translocação do herbicida até as raízes (SILVA et al.4 a pH 7. 2005). Quando aplicação é feita no toco é fundamental que esta seja realizada imadiatamente após o corte da árvore.4-D. sendo muito utiliza¬do em misturas com o 2. podendo se acumular no lençol freático raso. pka: 1. ou. É muito utilizado para controlar algumas espécies de dicotiledôneas tolerantes ao 2. É muito pouco adsorvido pelos colóides de argila e mais pela matéria orgânica do solo.6 tricloro-2-piridinacarboxílico (picloram) é um produto extremamente ativo sobre dicotiledôneas. para evitar a rebrota de espécies-problema como o leiteiro (Peschiera funchsiaefolia) e outras. Apresenta pka: 2. Para o controle de árvores.4-D para o controle de plantas em culturas de canade-açúcar. sendo recomendado de modo semelhante ao 2. Apresenta longa persistência (meia-vida de 20 a 300 dias) e fácil mobilidade no solo. Picloram O ácido 4-amino 3. dependendo da intensidade.87. como o cipó-de-veado (Polygonum convolvulus L. Esta mistura pode ser usada em área total ou em áreas localizadas.). que podem apresentar severos sintomas de intoxicação. Dontor ou Manejo. O picloram.0 e 83.5. milho e trigo e em pastagens. Apresenta solubilidade de 720. pode ser feito o pincelamento ou a pulveri¬zação dos tocos.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 57 . A mistura (picloram + 2.2 a pH 1. Apresenta maior efeito sobre dicotile¬dôneas. 6-dicloro-2-metoxibenzoico (dicamba) é facilmente translocado pelas plantas via floema e. Kow: 0. algodão. xilema. É fracamente adsorvido pela matéria orgânica ou argila. em solos de textura arenosa. e também com fluroxypyr formando o Plenum.. formando o Tordon.). da evaporação. comuns em lavouras de trigo. Módulo 3. Também. considerando o controle de plantas daninhas herbáceas e arbustivas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O sal de dimetilamina do ácido 3.4-D. até mesmo quando cultivadas em solos adubados com esterco proveniente de pastagens tratadas com picloram e pastoreadas logo depois. do movimento capilar da água e. perenes e de árvores. antes que se inicie o processo de cicatrização. ALMEIDA. apre¬senta efeito lento. pode permanecer ativo na matéria orgânica proveniente de pastagens tratadas com este produto (RODRIGUES. ou.29.3. pimentão. na região Sul do Brasil. 2001). porém extremamente persistente (a planta não consegue metabolizar rapidamente o picloram). para controlar arbustos e árvores. Kow: 1. Deve ser observado o período residual para o cultivo de espécies altamente sensíveis (videira. em razão de sua longa persistência no solo (dois a três anos). e Koc médio de 16 mg g-1 de solo. tomate. fumo. está sujeito a lixiviação. na planta. Sendo um herbicida de alta solubilidade em água.000 mg L-1. etc.2 .

2005). ALMEIDA.. 4. pressão de vapor de 1.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Triclopyr O ácido [(3. feijão. hortaliças. Nas condições normais. Quando um segundo elétron é transferido para a plastoquinona “Qb”. etc. porém é rapidamente degradado no solo.68. Kow: 2. por sua vez. açudes. O vento deverá estar soprando da cultura sensível para a área de aplicação. para uma outra molécula de plastoquinona. gerando um elétron “excitado”.5. entre outras (RODRIGUES. dependendo do tipo de solo e das condições climáticas. em área total para controle de plantas daninhas em pastagens e arroz. em aplicação foliar. com as plantas em pleno vigor vegetativo. sua meia-vida é de 20 a 45 dias. 4. ALMEIDA. Nunca fazer aplicações aéreas a menos de 2.. as proteínas e outras substâncias químicas envolvi¬das na reação da fotossíntese estão localizados nos cloroplastos. Em solos leves. Deve ser aplicado de outubro a março (no período chuvoso). algodão. cana-de-açúcar. pka: 2. durante a fase luminosa da fotossíntese. como arroz. Apresenta solubilidade em água de 23 mg L-1. É recomendado para uso em pós-emergência.2.Herbicidas inibidores da fotossistama II São de grande importância na agricultura brasileira e mundial. umidade relativa >50% e temperatura < 30°C.1 . milho. É também muito eficiente e seletivo para controlar dicotiledôneas infestantes de áreas cultivadas com gramas: jardins.Mecanismo de ação Os pigmentos.64 a pH 5 e 0. sob condições de alta pluviosidade. a quinona 58 Módulo 3. também presa na proteína.6-tricloro-2-piridinil) oxi] acético (triclopyr) apresenta ação semelhante ao picloram. A molécula da plastoquinona “Qa” transfere o elétron. A aplicação poderá ser por equipamentos terestres ou por avião quando as áreas estiverem infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno e médio porte. campo de futebol. (FREITAS et al.000 m de culturas sensíveis. Seu grau de adsorção depende do pH do solo. com ventos de 0 a 6 km h-1. a energia luminosa capturada pelos pigmentos (clorofila e carotenóides) é transferida para um “centro de reação” especial (P680).36 a pH 7. 2004).26 x 10-6 mm Hg a 25 oC. e Koc médio de 20 mL g-1 de solo. sem a interferência de inibidores do fotossistemoa II. pode haver lixiviação (RODRIGUES. sendo largamente utilizados nas cultu¬ras de grande interesse econômico. 2005). soja. Este elétron é transferido para uma molécula de plastoquinona presa a uma mem¬brana do cloroplasto (Qa). fruteiras. Interromper imediatamente as aplicações se houver mudança na direção do vento.2 . chamada “Qb”.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .

Figura 2 . dioxobenzotiazoles e cianoacrilatos. ao sítio da plastoquinona “Qb”. WELLER. seja válida para outros produtos desse mesmo grupo químico. Essa proteína é chamada D-1. pironas. quinolonas. Plantas suscetíveis tratadas morrem mais rapidamente quando pulverizadas na presença da luz do que quando pulverizadas e colocadas no escuro. a função da plastohidroquinona é transferir elétrons entre os fotossis¬temas II (P68O) e I (P7OO). sabe-se que a clorose foliar que Módulo 3. não evitam a destruição da proteína D-1 pela luz. Atualmente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas reduzida torna-se protonada (dois íons de hidrogênio são adicionados). Diversos análogos do fenol foram descritos como inibidores fotossistema II. por exemplo. bromoxynil e ioxynil). no sítio onde se prende a plastoquinona “Qb”. como pode ser visto na Fig. Muitos herbicidas inibidores do fotossistema II (derivados das triazinas. O sítio. ocasio¬nando a saída da plastoquinona e interrompendo o fluxo de elétrons entre os fotossistemas. etc. por alguma razão não conhecida. esta proteína é destruída rapidamente pela ação da luz. Além da competição em si pelo sítio na proteí¬na. Estes herbicidas competem com a plastoquinona “Qb” parcialmente reduzida (QbH) pelo sítio na proteína D-1.2. prendendo-se. aumentam a estabilidade desta na presença da luz. Alguns exemplos: piridonas. Isso impede que uma mudança na sequência de aminoácidos da proteína (mutação) tornando esse biotipo resistente aquele herbicida.2 . impedindo sua destruição. Fonte: Warren e Hess (1995) Os derivados das triazinas e das uréias substituídas são conhecidos por se prenderem justamente ao sítio dos elétrons da proteína D-1. ou bolso. fica entre a quarta e quinta hélices que atravessam as membranas dos cloroplastos e a hélice paralela que liga as duas. (HESS. naftoquinonas. onde a plastoquinona “Qb” se prende e onde os herbicidas vão se prender também. Esse fato demonstra que algo mais que a simples inibição do fotossistema II está ocorrendo. Estes herbicidas. dos fenóis. De maneira simplificada. também.Esquema do transporte de elétrons na fotossíntese. 1995a. das uréias substituídas. Herbicidas derivados do fenol (dinoseb. A proteína D-1 é hoje muito conhecida. A associação com a proteína se dá com aminoácidos diferentes no sítio para cada biótipo. que ela tem uma configuração de cinco hélices que atravessam a membrana do cloroplasto (tilacóide) e duas hélices paralelas que se interligam. sendo conhecida também como proteína 32 kilodaltons.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 59 . benzoquinonas. De modo geral. 2003). com baixa afinidade para se prender na proteína. quando se prendem à proteína.) causam essa inibição prendendo-se na proteína. formando uma plastoidroquinona (QbH2). como fazem os “clássicos”. os herbicidas apresentam maior tempo de residência no sítio do que a plastoquinona “Qb”. Sabe-se. o que aumenta o efeito inibitório destes.

por esse motivo. entretanto. 3). Figura 3 . declina poucas horas após o tratamento. 1995). dado pelos carotenóides. Todos eles translocam-se nas plantas apenas via xilema.2 . a velocidade de absorção foliar é diferente para cada produto deste grupo. todos eles podem ser absorvidos pelas raízes. Esse excesso de energia (clorofila triple) causa o início da peroxidação de lipídios por dois mecanismos: a: formação direta de radical lipídico nos ácidos graxos insatura¬dos da membrana do cloroplasto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorre após o tratamento é devida a rompimentos na membrana dos pigmentos causados pela peroxidação de lipídios (ácidos graxos insaturados) da membrana (Fig. 60 Módulo 3. Essa molécula de clorofila.Características gerais dos inibidores do fotossistema II • • • • A taxa de fixação de CO2 pelas plantas sensíveis. Essa molécula de oxigênio carregada contribui para o processo de formação dos radicais lipídicos nos ácidos graxos insaturados da membrana. tratadas com esses herbicidas. Essas reações dão início ao processo de peroxidação das membranas. Esta clorofila não retorna ao estado anterior quando o fluxo de elétrons é interrompido pela ação do herbicida que se prendeu ao sítio da plastoquinona “Qb”. Em casos nor¬mais. é sobrepujado pelo excesso de clorofila no estado de alta energia. aparecendo os sinais de necrose foliar (WELLER.2. no estado de energia simples. e b: a clorofila de carga tríplice também reage com oxigênio e produz um oxigênio reativo (oxigênio singlet). tornase ainda mais carregada e mais reativa (estado de energia tríplice).2 . que é normalmente transferido para o centro de reação (P680). ela sai do estado neutro (sem carga) e vai para um estado de energia simples. plantas perenes somente são eliminadas por esses herbicidas quando tratadas via solo. a carga é repassada aos carotenóides.Estrutura esquemática da membrana de um cloroplasto Fonte: Warren e Hess (1995) Quando a clorofila aceita um elétron. Estes herbicidas não provocam nenhum sinal visível de intoxicação no sistema radicular das plantas. para que a clorofila não se destrua. o sistema de prote¬ção. não podendo transferir o elétron ao centro de reação P680 (fotossistema II). 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Na presença do herbicida. Aparentemente.

Por estas razões.2 .2. 1995). ao tipo de formulação utilizado. Plantas que estão se desenvolvendo em condições de baixa lumino¬sidade são mais suscetíveis a esses herbicidas.Mecanismos de seletividade As causas pelas quais os herbicidas inibidores do fotossistema II são seletivos são diversas e variam de cultura para cultura (WELLER. também. se o diuron for incorporado mecanicamente ao solo. Neste caso. são variáveis para cada tipo de solo. o diuron não causa intoxicação à cultura do algodão quando utilizado em pré-emergência. Tem sido observado. Como exemplo. 4. estes herbicidas são muito adsorvidos pelos colóides orgânicos e minerais do solo. torna-se necessário fazer rotação com outros herbicidas que apresentam mecanismo de ação diferente. Apresentam pouca ou média mobilida¬de no perfil do solo. podendo levá-la à morte. podendo garantir a seletividade de determi¬nadas espécies. Absorção diferencial por folhas e raízes . estes herbicidas não apresentam problemas de deriva por volatilização. o aparecimento de novas espé¬cies de plantas daninhas resistentes a estes herbicidas (atuam em sítio de ação específico). Na realidade. A persistência agronômica destes herbicidas no solo é extremamente variável. ainda. Por este motivo. pois possuem pressão de vapor muito baixa. Módulo 3.este fato pode ser devido à anatomia e. ele poderá entrar em contato com o sistema radicular do algodão e causar severa intoxicação à cultura. as doses recomendadas. não atingindo o local de sua absor¬ção pela planta (sistema radicular). Neste caso. quando aplicadas diretamente no solo. de adição de adjuvante (estes produtos podem apresentar difícil penetração foliar e não são sistêmicos). morfologia das folhas e raízes e. ainda. Alguns herbicidas deste grupo apresentam seletividade “toponômica” ou seletividade por posição. podendo ser curta para alguns produtos (< 30 dias) ou muito longa (> 720 dias) para outros. ou. inseticidas ou fungi¬cidas inibidores da colinesterase. Todavia. ou se for aplicado em solo de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica. tem-se a seletividade do diuron para a cultura do algodão. Em geral. o herbicida não será absorvido em quantidade suficiente para intoxicar a cultura. necessita-se de boa cobertura foliar da planta e. menor reserva de carboidratos. Normalmente. Todos os herbicidas inibidores do fotossistema II apresentam toxicidade muito baixa para mamíferos.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 61 . Elas apresentam menor barreira cuticular à penetração dos herbicidas e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Quando esses herbicidas são usados em pós-emergência.3 . pode se verificar perda de seletividade do herbicida. É comum ocorrer efeito sinérgico quando se aplicam inibidores do fotostema II em mistura com outros herbicidas. porque este produto é muito pouco móvel no perfil do solo. com relativa freqüência.

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Translocação diferencial das raízes para as folhas - isto ocorre devido à presença de glândulas localizadas nas raízes e ao longo do xilema, que adsorvem estes produtos, impedindo que sejam translo¬cados até seus sítios de ação, localizados nos cloroplastos. Metabolismo diferencial - algumas espécies de plantas, em suas raízes ou em outras partes, possuem enzimas que são capazes de metabolizar as moléculas de determinados herbicidas, transformando-os rapida¬mente em produtos não-tóxicos para as plantas. Como exemplo, pode-se citar o milho e o sorgo, que apresentam em suas raízes teores elrvados de benzoxazinonas. Estes compostos podem promover rápida degradação da molécula de atrazine por meio de reações de hidroxilação, dealquilação, ou ainda a conjugação dessa molécula com polipetídeos naturais, tornando estas culturas tolerantes a este herbicida. Outro exemplo seria a seletividade da cultura de arroz ao herbicida propanil. Esta cultura apresenta concentrações de dez a trinta vezes da enzima arilacilamidase em realação às principais gramíneas infestantes do arroz. Elevadas concetrações da arilacilamidase, nas folhas de arroz, garantem a degradação do propanil antes que estes atinjam os cloroplastos (sítio de ação primário deste herbicida), o que não ocorre com as gramíneas infestantes dessa cultura. 4.2.4 - Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II Atrazine

O 6-cloro-N-etil-N’-(1-metiletil)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (atrazine) apresenta solubilidade em água de 33 mg L-1, pka: 1,7, kow: 481; e koc médio de 100 mg g-1 de solo (Rodrigues; Almeida, 2005). É moderadamente adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica, tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É lixiviável, sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 30 cm e também em águas subterrâneas. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química e física. Apresenta meia-vida no solo média de 60 dias e persistência média a longa nos solos nas doses recomendadas de 5 a 7 meses. Em solos tropicais e subtropicais sua persistência pode também ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas em condições de pH do solo elevado, clima frio e seco. Em diversas regiões do Brasil, em campo, tem sido observada intoxicação da aveia semeada até 150dias após aplicação de atrazine na cultura do milho. É muito utilizado na cultura do milho, sendo, também, recomendado para cana-de-açúcar, café, fruteiras, cacau, pimenta-do-reino, etc. Fumo e trigo são muito sensíveis ao atrazine. Quando aplicado em pós-emergência, tem-se observado ótima eficiência de controle das plantas daninhas mesmo com a redução da dose aplicada. Todavia, para isso, é necessário adicionar à calda óleo mineral, sendo mais eficiente para controlar plantas daninhas recém-emergidas (plantas com 1-2 pares de folhas). É muito utilizado em misturas com outros herbicidas em culturas de milho, cana-de-açúcar, fruteiras e outras. As plantas de milho e sorgo possuem a capacidade de metabolizar o atrazine absorvido,
62 Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

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transformando-o por meio de reações de hidroxilação, dealquilação e conjugação, por ação de benzoxazinonas presentes nestas espécies, em compostos não-tóxicos. O atrazine é muito eficiente no controle de dicotiledôneas, porém apresenta eficiência apenas regular para controle de diversas monocotiledôneas. Na cultura do milho, é muito utilizado em pré-emergência, quando em mistura com o metolachlor, formando o “Primestra”, e também em pós-emergência precoce, quando em mistura com óleo mineral (Primóleo) para controle de dicotiledôneas e em mistura no tanque com o nicosulfuron ou outras sulfoniluréias (foramsulfuron + idosulfuron-methyl), em áreas com infestação mista (JAKELAITIS et al., 2005). Simazine

O 6-cloro-N,N`-dietil-1,3,5-triazina-2,4-diamina (simazine) apresenta solubilidade em água de 3,5 mg L-1, pka: 1,62, kow: 122; e koc médio de 130 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica e tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É pouco lixiviável, não sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 10 cm. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química, ocorrendo hidrólise, com formação de hidroxisimazine e dealquilação do grupo amino. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 5 a 7 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas. Pode ser usado em pré-emergência das plantas daninhas nas culturas de café, cana-deaçúcar, alfafa, fruteiras, etc., para controle de dicotiledôneas e algumas gramíneas. Em doses maiores que 10kg ha-1 do p.c., pode ser usado usado para limpeza de cercas e áreas industriais. É absorvido basicamente pelo sistema radicular das plantas, sendo pouco móvel no solo. É utilizado em misturas com o atrazine, visando minimizar efeitos do clima, principalmente oscilações pluviais, e também para aumentar o espectro de controle de espécies de plantas daninhas. Ametryn

O N-etil-N`-1(metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (ametryn) apresenta solubilidade em água de 200 mg L-1; pka: 4,1; kow: 427; e koc médio de 300 mg-1 de solo. É medianamente lixiviável nos solos arenosos (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua degradação no solo é, em maior parte microbiana, mas também química, por processos de oxidação e hidrólise.
Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 63

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Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 4 a 6 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que nove meses se usado em doses elevadas, dependendo do clima e tipo de solo (meia-vida média no solo é de 60 dias). É reco¬mendado para as culturas de cana-de-açúcar, banana, café, abacaxi, citros, milho e videira, para controle de mono e dicotiledôneas. Pode ser absorvido facilmente pelas raízes e folhas de plantas. É pouco móvel no solo, por ser muito adsorvido por colóides orgânicos e minerais. Sua adsorção pelos colóides é muito influenciada pelo pH. Também pode apresentar adsorção negativa (dessorção), ocorrendo liberação para as plantas de moléculas anteriormente inativadas pelos colóides do solo. É muito utilizado em misturas com os herbicidas diuron, tebuthiuron, atrazine, trifolysulfuron-sodium, 2,4D, etc; principalmente quando recomen¬dado para de cultura da cana-de-açúcar (PROCÓPIO et al., 2003). É pouco lixiviado no solo, permanecendo na maioria das condições na camada superior (primeiros 30 cm). Prometryne

O N,N`-bis(1-metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (prometryne) apresenta solubilidade em água de 48 mg L-1; pka: 4,09; kow: 1.212; e koc médio de 400 mg g-1de solo. É pouco lixiviado em solos de textura média a argilosa, sendo facilmente degradado por microrganismos que o utilizam como fonte de energia. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 1 a 3 meses em condições tropicais e subtropicais, dependendo das condições de solo, do clima e da dose utilizada. Sua absorção é feita pelas folhas e raízes, sendo mais utilizado em pré-emergência. É recomendado para as culturas de quia¬bo, aipo, cenoura, alho, salsa, cebola, ervilha, etc. A cultura da cebola apresenta maior tolerância ao prometryne quando este é aplicado antes do transplante. Não apresenta seletividade para a cultura da cebola em semeadura direta. Metribuzin

O 4-amino-6-(1,1-dimetiletil)-metiltio-1,2,4-triazina-5-(4H)-ona (metribuzin) apresenta solubilidade em água de 1.100 mg L-1; kow: 44,7; e koc médio de 60 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É moderadamente adsorvido em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila. É um herbicida muito dependente das condições edafoclimáticas para seu bom funcionamento. Quando aplicado na superfície de solo seco e persistir nesta condição por sete dias,
64 Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

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é desativado por fotodegra¬dação (SILVA, 1989). O metribuzin é também facilmente lixiviado no solo, não sendo recomendado seu uso em solo arenoso e, ou, com baixo teor de matéria orgânica. É absorvido tanto pelas folhas quanto pelas raízes. Controla diversas espécies de dicotiledôneas e algumas gramíneas. É recomendado para aplicação em pré-emergência nas culturas de batata, tomate, soja, café, cana-de-açúcar e mandioca para o controle de diversas infestantes dicotiledôneas. Não apresenta nenhum controle sobre Euphorbia heterophylla. Na cultura do tomate conduzida em semeadura direta, deve ser usado exclusivamente em pré-emergência, logo após a semeadura. No tomate transplantado, poderá ser usado também em pós-emergência, até dezdias após o transplante das mudas. É utilizado em misturas com outros herbicidas, especial¬mente com trifluralin e metolachlor, na cultura da soja. Linuron

O N-(3,4-diclorofenil)-N-metoxi-N-metiluréia (linuron) é um herbicida derivado do grupo das uréias, que apresenta solubilidade em água de 75 mg L-1, pka: zero; kow: 1.010; e koc médio de 400 mg g-1 de solo. É adsorvido principalmente em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila, sendo pouco lixiviável nestes tipos de solo, apresentando persistência de 2 a 5 meses. É recomendado para uso em soja, algodão, milho, batata, cenoura, rabanete, alho, cebola, etc., principalmente para aplicações em pré-emergência. Nas culturas de cenoura e de cebola, pode também ser usado em pós-emergência, quando as plantas daninhas estiverem com 1-2 pares de folhas. É mais facilmente absorvido pelas raízes, tendo a sua atividade muito influenciada pelas caracterís¬ticas físico-químicas do solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Diuron

O N`-(3,4-diclorofenil)-N,N-dimetiluréia (diuron) apresenta solubilidade em água de 42 mg L-1; pka: zero; kow: 589; e koc médio de 480 mg g-1 de solo e uma meia-vida média no solo de 90 dias com persistência de 4-8 meses (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É muito adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, sendo sua atividade altamente influenciada pelas características físico-químicas do solo; por esta razão, é pouco móvel no perfil do solo. Esta característica garante a “seletividade toponômica” do diuron para o algodão e outras culturas em solos de textura média a pesada. Todavia, em solos de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica, o diuron pode atingir o sistema radicular das culturas, tornando-as sensíveis. É recomendado para as culturas de algodão, cana-de-açúcar, citros, abacaxi, mandioca, seringueira, pimenta-do-reino, cacau, etc., para
Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 65

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o controle de gramíneas e dicotiledôneas, sendo facilmente absorvido pelas raízes das plantas. O diuron, também, é muito recomendado em misturas com diversos herbicidas (paraquat, ametryn, 2,4-D, tebuthiuron, atrazine, MSMA, etc.), para uso em plantio direto, em aplicações dirigidas em diferentes culturas, em sistemas de plantio direto e convencional. Tebuthiuron

O N-[5-(1,1-dimetiletil)-1,3,4-tiadiazol-2-il]-N,N’-dimetiluréia (tebuthiuron) possui solubilidade em água de 2.570 mg L-1; pka: zero; kow: 671 e koc médio de 80 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, apresentando média lixiviação no perfil do solo. Quando usado em doses elevadas em cana-de-açúcar, recomenda-se não cultivar culturas sensíveis ao tebuthiuron, como feijão, amendoim e soja por um período inferior a dois anos e a três anos quando aplicado em pastagem. A persistência do tebuthiuron em regiões de elevada precipitação pluvial é de 12 a 15 meses; todavia, esta persistência é muito maior em regiões sujeitas a déficits hídricos prolongados. No Brasil, é recomendado para uso em cana-de-açúcar, pastagens e áreas nãocultivadas. Controla largo espectro de dicotiledôneas e monocotiledôneas anuais e perenes. É formulado como pó-molhável e suspensão concentrada. É recomendado para uso em préemergência na cultura da cana-de-açúcar, em aplicação isolada ou em misturas com outros produtos para o controle de plantas daninhas de folhas estreitas e largas que se propagam por sementes (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Também pode ser usado para eliminar árvores ou arbustos em pastagens. Neste caso, apresenta efeito lento, podendo demorar de 3 a 12 meses para eliminar a planta. Bentazon

O 3-(1-metiletil)-(1H)-2,1,3-benzotiodiazinona-4(3H)-ona 2-dióxido (bentazon) apre-senta solubilidade em água de 500 mg L-1; kow: 0,35; e koc médio de 34 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo, mostrando potencial de lixiviação muito reduzido, não sendo encontrado em profundidades superiores a 20 cm. Apresenta curta persistência no solo (inferior a 20 dias), não se observando efeito residual em culturas sucessoras (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para as culturas de amendoim, arroz, feijão, milho, soja e trigo. É utilizado exclusivamente em pós-emergência, devido à reduzida absorção radicular. Recomenda-se adição de um adjuvante oleoso à calda, para lhe facilitar a absorção por algumas
66 Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. Controla com eficiência diversas espécies de gramíneas. inseticidas e fertilizantes foliares podem quebrar-lhe a seletividade para a cultura do arroz. pois inibem a enzima arilacilamidase responsável pelo rápido metabolismo do propanil nas plantas de arroz. razão pela qual. É fracamente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. primeiro o graminicida e. com estas. para assegurar sua absorção pelas plantas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas espécies de plantas daninhas. Não se adiciona surfatante à calda. após as aplicações. Rhaphanus raphanistrum. o bentazon. exceto para a cultura do feijão onde a adição do adjuvante não é recomendada pois pode causar fitotoxicidade. o uso de óleo mineral torna-se mais necessário. Propanil O N-(3. em um intervalo de três dias. no tanque. É muito comum o uso do propanil em mistura com outros herbicidas. visto que são comuns as combinações com graminicidas pós-emergentes. A eficácia é maior a temperaturas altas e reduz quando abaixo de 16 oC. umidade relativa do ar inferior a 70% e excesso de chuva. É comum ser utilizado em mistura. ou com a cultura em precárias condições vegetativas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 67 . entre elas Acanthospermum australe.2 . Commelina benghalensis.4-diclorofenil) propanamida (propanil) apresenta solubilidade em água de 500 mg L . aplica-se. Não atua sobre gramíneas. quando a infestação do terreno incluir espécies que lhe são tolerantes. de apenas três dias. kow: 193. nestas condições. preferencialmente. É compatível com a maioria dos herbicidas. visando aumentar o espectro de controle das plantas daninhas. sendo decomposto basicamente por microrganismos. e koc médio de 149 mg g-1 de solo. pka: zero. Apresenta persistência muita curta no solo. Ipomoea grandifolia. Deve ser aplicado sobre plantas daninhas no estádio de 2 a 4 folhas. evitando períodos de estiagem. Bidens pilosa. as misturas com fungicidas. dicotiledôneas e ciperáceas. horas de calor. Deve ser usado em aplicações seqüenciais com inseticidas: com os organofosforados observar intervalo mínimo entre as aplicações de 15 dias e. para os carbamatos. preferencialmente. Não utilizá-lo em lavouras onde as sementes foram tratadas com carbofuran (RODRIGUES. Controla diversas espécies de folhas largas anuais. além de outras. com herbicidas recomendados para controlar plantas daninhas de folhas largas. Contudo é totalmente ineficiente no controle de Euphorbia heterophylla e Amaranthus sp. 2005). -1 Módulo 3. 30 dias. no início do desenvolvimento (2 a 3 folhas). Requer um período de seis horas sem chuva. ALMEIDA. evitando períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60%. no inverno. Todavia. É recomendado em pós-emergência da cultura do arroz e das plantas daninhas. estando estas com bom vigor vegetativo. A aplicação simultânea induz efeito antagônico. fitossanitárias ou cobertas de orvalho.

É comum ocorrer danos em culturas sucedâneas quando não se observa o período residual recomendado. que pode variar com a dose aplicada. • As partes tratadas da planta que são expostas à luz morrem rapidamente (dentro de um a dois dias). após 4-6 horas de luz solar. pelos caules e pelas folhas de plantas jovens.2 . • A ação tóxica dos herbicidas inibidores da Protox. quando aplicados em préemergência.1. dando a impressão de que estão encharcadas pelo rompimento da membrana celular e 68 Módulo 3. Como estes herbicidas não se movimentam dentro da planta.3 . • A persistência no solo varia consideravelmente entre os herbicidas deste grupo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . no escuro. durante a emergência das plântulas • A incorporação ao solo diminui a ação destes herbicidas. enquanto para peixes ela varia de baixa a moderada. em decor¬rência do uso repetido destes. podendo variar de alguns dias a vários meses. É preciso que haja boa cobertura da planta. se manifesta nas plantas próximo da superfície do solo.3. as necroses foliares têm o formato e a intensidade das gotículas de pulverização. para que ela seja efetivamente controlada. Os primeiros sintomas são manchas verde-escuras nas folhas. HESS. • Há muito pouca ou praticamente nenhuma translocação nas plantas tratadas. os herbicidas deste grupo não têm ação. 1995) são: • Herbicidas deste grupo podem penetrar pelas raízes. • A atividade herbicida acontece na presença da luz. • São poucos os relatos na literatura sobre o aparecimento de plantas daninhas que adquiriram resistência a estes herbicidas. ou seja.Mecanismo de ação A atividade destes herbicidas é expressa por necrose foliar da planta tratada em pósemergência. Principais características As principais características dos herbicidas inibidores da Protox (WARREN. 4. em razão da maior sorção destes aos colóides do solo. • Os difeniléteres são fortemente adsorvidos pela matéria orgânica do solo e muito pouco lixiviados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. • A toxicidade para pássaros e mamíferos é baixa.3.Herbicidas inibidores da Protox 4. tipo de solo e condições climáticas.2 .

Quando estes herbicidas são usados em pré-emergência. tratando-se cloroplastos com um herbicida do grupo difenil-éter.6-dioxoheptanóico) serviam de proteção contra os difeniléteres. Figura 4 – Sintomas de intoxicação em plantas de pepino tratadas com fomesafen (A) e efeito residual no solo (carryover) em folhas de milho (B) Após a absorção e pequena translocação destes herbicidas até o local de ação. houve a formação de grande quantidade de oxigênio singleto (O2). ou mesmo de um mutante de planta amarelo (não-fotossintetizante). A oxidação enzimática ocorre então no citoplasma. um precursor da clorofila. precursor da protoporfirina IX. o sintoma característico é a necrose do tecido que entrou em contato com o herbicida (WARREN. foi mostrado que a enzima inibida pelos herbicidas do grupo dos difeniléteres era a protoporfirinogênio oxidase. sai do centro de reação do cloroplasto quando a Protox é inibida e se acumula no citoplasma. responsável pela formação da Mg-protoporfirina IX. Foi descoberto também que substâncias capazes de inibir a síntese da protoporfirina IX (gabaculina. não reduziu o dano ocasionado pela aplicação de um difeniléter. conhecida simples¬mente pela abreviatura Protox. surgiram vários trabalhos que ajudaram no entendimento do mecanismo de ação desses herbicidas. o tecido é danificado por contato com o herbicida. no momento em que a plântula emerge. Em seguida. a luz é sempre necessária para a ação herbicida. A protoporfirina IX formada no citoplasma. outras publicações comprovaram que o pigmento envolvido era a protoporfirina IX. Experiências realizadas por vários autores mostraram que o uso de um herbicida inibidor do transporte de elétrons na fotossíntese (diuron). reconhecidamente capaz de iniciar o processo de peroxidação de lipídios. A estes sintomas iniciais segue-se a necrose. e o produto formado não serve de substrato para a enzima Mg-quelatase. No período de 1988-89. 1995). Foi mostrado que a protoporirina IX é acumulada fora dos plastídios.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 69 . 4A). Estas experiências demonstraram que o requerimento de luz para a atividade herbicida dos difeniléteres não está relacionado com a fotossíntese. Primeiramente foi mostrado que. ácido levulênico. HESS. Similarmente à aplicação pósemergência. Finalmente. sem Mg.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas derramamento de líquido citoplasmático nos intervalos celulares (Fig. Esse pigmento interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (O2). em tecidos tratados com os difeniléteres. como é que a protoporfirina IX estaria sendo acumulada? Num trabalho de 1993. Ficou então uma questão crucial para ser respondida: se a Protox é inibida. ácido 4. Módulo 3. foi verificado que o protoporfirinogênio IX.2 .

1995). A acumula¬ção de protoporfirina em células humanas é conhecida por estar associada com algumas doenças. Amaranthus hybridus. variando de dois a seis meses (ALMEIDA. kow: 794. a saída para o citoplasma.3 . que é sintetizado a partir da protoporfirina IX com a interferência da Fe quelatase.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (‘O2) e iniciar o processo de peroxidação dos lipídios da plasmalema. Ipomoea grandifolia. Requer uma hora sem 70 Módulo 3. Vale a pena salientar que a enzima protoporfirinogênio oxidase (protox) ocorre também nos mitocôndrios de células animais e que a enzima encontrada nos mitocôndrios é mais sensível aos herbicidas difeniléteres do que a enzima encontrada nos cloroplastos. Oxadiazon. Euphorbia heterophylla. Esse fato sugere um manuseio bem cuidadoso desses herbicidas. a partir do glutamato. daí o aparecimento de necroses de forma tão rápida (4-6 horas). As conseqüências do descontrole são o aumento rápido do protoporfirinogênio IX. como a protoporfiria. Com a inibição da protox no cloroplasto.3. Recomenda-se observar um intervalo mínimo de 150 dias entre a aplicação do fomesafen e a semeadura de milho e. O grupo heme é conhecido pela ação de controle na síntese do ácido aminolevulínico (ALA). horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. Persistência alta no solo na dose recomendada. É registrado no Brasil para as culturas de soja e feijão. RODRIGUES. a formação da protoporfirina IX. HESS. sorgo. por exemplo. evitando períodos de estiagem. A explicação mais plausível é a inibição da síntese do grupo heme. precursor na planta dos citocromos. O padrão de acumulação é o mesmo observado na doença Porfiria variegata. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas estando estas no estádio de 2 a 4 folhas. Bidens pilosa. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais. entre elas Acanthospermum australe.83.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . além de outras. A acumulação rápida da protoporfirina IX sugere um descontrole na rota metabólica de síntese desta. deixando de haver o controle sobre a síntese de ALA. Deve-se adicionar à calda o adjuvante recomendado pelo fabricante. o aparecimento do oxigênio singleto (forma reativa do oxigênnio) e a peroxidação dos ácidos graxos insaturados da plasmalema (WARREN. a oxidação pela Protox no citoplasma. 2005). quando adicionado na dieta de ratos. e koc médio de 60 mg g-1 de solo.Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX Fomesafen O 5-(2-cloro-4-(trifluorometil) fenoxi-N-(metilsulfonil)-2-nitrobenzamida (fomesafen) apresenta solubilidade em água de 50 mg L-1 (ácido). provoca níveis elevados de porfirina. pka: 2.2 . 4. Uma explicação final deve ser dada sobre o fato de que a protopor¬firina IX se acumula muito rapidamente em células de plantas tratadas com um difeniléter ou oxadiazon. ou. a síntese de heme é também inibida.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorrência de chuvas após a aplicação. RODRIGUES. videira. para inibir o aparecimento de biótipos resistentes a herbicidas. com clorose e necrose foliar e redução e crescimento.400.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 71 .000 mg g-1de solo. dependendo da exigência da cultura. Sua degradação no solo é essencialmente por fotólise e insignificante por microrganismos. é resistente à lixiviação no perfil do solo. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais. Lactofen O 2-etoxi-1-metil-2-oxoetil-5-[2-cloro-4-(trifluorometil)fenoxi-2-nitrobenzoato (lactofen) apresenta solubilidade em água de 0.1 mg L-1. incluindo algumas espécies-problema. É utilizado em pré e pós emergência precoce. apresentando muito baixa lixiviação no perfil do solo (ALMEIDA. É comum ser utilizado em mistura no tanque com outros herbicidas. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais e. Oxyfluorfen O 2-cloro-1-(3-etoxi-4-nitrofenoxi)-4-(trifluorometil)benzeno (oxyfluorfen) apresenta solubilidade em água < 0. e koc médio de 100. Controla gramíneas e algumas espécies de dicotiledôneas. 2005).2 . eucalipto e pinho. Commelina benghalensis. visando aumentar espectro de controle de plantas daninhas. Apresenta meia-vida de 30 a 40 dias e persistência média de seis meses no solo. citros. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. Sida rhombifolia. O lactofen tem meia-vida no solo de três dias sendo completamente dissipado em menos de 30 dias. no estádio de 2 a 4 folhas. cana-de-açúcar.000 mg g-1de solo. por isso. milho e amendoim. sendo utilizado em outros países. É registrado no Brasil para as culturas de soja. 2005). não afetando as culturas em sucessão. mas a cultura se recupera. além de outras. ser ainda maior em viveiros. arroz. pka: zero. para assegurar a absorção pelas plantas daninhas. visando aumentar o espectro de controle de plantas daninhas de folhas largas e. para o controle em pós-emergência de plantas daninhas dicotiledôneas e gramíneas e também com outros herbicidas. como Euphorbia heterophylla. também. também. arroz e amendoim. O produto provoca intoxicação à cultura da soja. esta. devido às condições de umidade e sombreamento (ALMEIDA. nas culturas de nogueira. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas. É comum ser utilizado em mistura com o fluazifop-p-butil. café. pka: zero e koc médio de 10.1 mg L-1. kow: 29. ambas anuais. Em Módulo 3. RODRIGUES. É registrado no Brasil para as culturas de algodão. podendo.

Em viveiros.200 mg g-1 de solo. as culturas que se reproduzem por bulbo são bastante tolerantes ao oxadiazon. Quando usado em pós-emergência. deve ser aplicado em préemergência das plantas daninhas. na cana-soca. de forma a não atingir o algodoeiro.100. podendo ser feitas duas aplicações anuais. Em cafezais adultos. em pré-emer¬gência das plantas daninhas. e. na faixa de plantio. Usar. O alho e a cebola e. cenoura e cana-de-açúcar. aplica-se logo após o plantio. também.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Em préemer¬gência. cebola.4-oxadiazol-2-(3H)-ona (oxadiazon) apresenta solubilidade em água de 0. dependendo da dose aplicada. pka: zero. Em arroz irrigado. e koc médio: 3. antes da emergência das plantas daninhas. kow: 63. Na cultura do arroz. recomenda-se usar adjuvantes na calda. preferencialmente. de forma a não atingir a folhagem. Não é metabolizado nas plantas. é usado quando a cultura atinge desenvolvimento superior a 50 cm de altura. age sobre o hipocótilo das plantas em germinação e nos meristemas foliares. se necessário. também em pré72 Módulo 3. alho. podendo se reaplicar depois que as referidas culturas atinjam a fase de três folhas. Oxadiazon O 3-[4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas razão da sensibilidade à fotodecomposição. Em plantações de eucalipto e pinho. por esta razão e devido à sua baixa solubilidade em água. aplica-se logo após a semeadura ou até cinco dias depois. Aplicar após o cultivo. sendo pouco absorvido pelo sistema radicular e. em que se faz em jato dirigido. 2005). Sua persistência no solo é de dois a seis meses. ou. deve ser aplicado logo após a semeadura. ocasionando colapso das células. com elas mais desenvolvidas. logo após o plantio. quando estas atingirem a fase de duas folhas. No Brasil. quando usado em pré emergência. Em cafezais jovens. Em algodão. em préemergência das plantas daninhas. Em cana-de-açúcar. Quando utilizado em pós-emergência. atuando unicamente sobre órgãos da parte aérea. no máximo. evitando a ação dos raios solares. Não tem ação sobre os tecidos radiculares. do tipo de solo e das condições climáticas (RODRIGUES. podendo ser pulverizado sobre as plantas. após a rega.3.7 mg L-1 . pode ser usado em pré ou pós-emergência das plantas daninhas. é utilizado em pré-emergência das plantas daninhas. aplica-se logo após o plantio. em aplicação dirigida. ALMEIDA. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo. é utilizado tanto em viveiros quanto em cafezais jovens e adultos. Em café. exceto nas variedades de eucalipto de folha pilosa. provoca o fechamento dos estômatos e deterioração das membranas celulares. porém antes da emergência do arroz.2 . em solo úmido. com as plantas daninhas ainda não emergidas. apresenta lixiviação e movimentação lateral insignificantes. pouco móvel. exige umidade no solo no momento da aplicação para penetrar neste. em solo úmido.2-dicloro-5(1-metiletoxi)fenil]-5-(dimetietil)-1. protetores de bicos. em jato dirigido. é recomendado para as culturas de arroz. Nestas culturas deve ser utilizado em pré-emergência. deve ser aplicado logo após a arruação ou esparramação. Em cenoura. aplicá-lo em mistura com o MSMA. em pré-emergência das plantas daninhas. de maneira geral. logo após o corte.

Eles provocam a ruptura da seqüência mitótica (prófase > metáfase > anáfase > telófase) já iniciada (HESS. Interferem em uma das fases da mitose.4 .Mecanismo de ação Estes herbicidas pertencem ao grupo das dinitroanilinas (trifluralin. As dinitroanilinas inibem a polimerização destas proteínas e. 4. 5 e 6). Repetidas aplicações não resultam na maior degradação microbioló¬gica. e responsáveis pela movimentação dos cromossomas para os pólos da célula. O fuso cromático é formado por proteínas microtubulares denominadas tubulinas. Todos estes compostos (grupo das dinitroanilinas) interferem no movimento normal dos cromos¬somas durante a seqüência mitótica. pendimethalin e oryzalin).Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 73 . O efeito direto é sobre a divisão celular. São eficientes apenas quando usados em pré-emergência. ametryn. Apresentam de moderada a muito baixa movimentação no solo.4. que corresponde à migração dos cromossomas da parte equatorial para os pólos das células. simazine.4. conseqüentemente. É comum aplicar o oxadiazon em misturas com herbicidas residuais (diuron. 4.1 .2 . Todos os herbicidas deste grupo apresentam de moderada a baixa toxicidade para mamíferos. 1995b). porque a sua ação principal se manifesta pelo impedimen¬to da formação do sistema radicular das plantas. Estes herbicidas inibem o crescimento da radícula e a formação das raízes secundárias.2 .) na cultura de cana-de-açúcar. semelhantemente à actimiosina encontrada nos músculos dos animais. a formação do fuso cromático e movimentação dos cromossomas na fase da mitose (Figs. tendo como conseqüência o aparecimento de células multinucleadas (aberrações). etc. Módulo 3. Possuem pouca ou nenhuma atividade foliar. Estas proteínas são contráteis. Apresentam ótima ação no controle de gramíneas.Principais características • • • • • • Paralisam o crescimento das raízes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas emergência das invasoras.

6-dinitro-N-N-dipropil-4-(trifluorometil) benzoamina (trifluralin) é um herbicida que apresenta excelente ação sobre as gramíneas anuais e perenes oriundas de sementes. ALMEIDA. em solos ricos em matéria orgânica. sendo recomendado para as culturas de soja.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 . cebola. beterraba.3 . ervilha. a forte adsorção pode impedir a absorção 74 Módulo 3.3 mg L-1 a 25 °C). tomate. necessita ser incorporado mecanicamente ao solo logo após a sua aplicação (RODRIGUES. pimentão. algodão. 2005). É fortemente adsorvido pelos colóides da matéria orgânica e pouco pelos da argila.2 . Por ser um produto volátil (pressão de vapor de 1.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . sensível à luz e de solubilidade em água extremamente baixa (0. cucurbitá¬ceas.Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos Trifluralin O 2.1x10-4 mm Hg a 25 °C).Seqüência normal da mitose Figura 6 .4. alfafa.Mitose interrompida pela ação de herbicidas derivados das dininitoanilinas 4. feijão. quiabo. e outras. brássicas. alho.

4-dimetil-2. soja. motivo pelo qual a incorporação é recomendável em condições de solo seco e com período de estiagem. É recomendado para uso em pré emergência da planta daninha e da cultura ou em PPI. causar danos à cultura sucessora. 4. podendo.200 mg g-1 de solo.3 mg L-1. a dose aplicada e as condições climáticas (RODRIGUES.2 . desde o lançamento do primeiro herbicida desse grupo. Pendimethalin O N-(1-etilpropil)-3. O pendimethalin apresenta solubilidade de 0. em 1954 (CDAA) (SLIFE.4x10-5 mm Hg). cana-de-açúcar. não existem ainda relatos do aparecimento de gramí¬neas que tenham adquirido resistência a esses herbicidas. e koc médio de 17. assim como o movimento lateral no solo.5 . tabaco e trigo. sensível à luz e pouco móvel no solo. por esta razão. As princi¬pais características dos herbicidas do grupo das cloroacetamidas são: Módulo 3. e koc médio de 7.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas do trifluralin pelas raízes das plantas. milho. É absorvido principalmente pela radícula e praticamente não se transloca na planta.000.1 . pka zero.6-dinitrobenzenoamina (pendimethalin) é registrado no Brasil para controle de gramíneas nas seguintes culturas: algodão. 1998). depois do glyphosate é o grupo de herbicida mais utilizado. sua lixiviação é muito baixa e as doses recomendadas se dão em função das características físico-químicas do solo. em alguns casos de rotação de culturas (feijão/milho) em áreas de baixa fertilidade e mal manejadas. 1995).Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA) 4. alho. kow: 152. Apre¬senta degradação lenta no solo. A lixiviação. É um herbicida de média volatilidade (pressão de vapor de 9. É fortemente adsorvido pelos colóides do solo. A dose recomendada varia de acordo com as características fisico-químicas do solo. por causa do uso extensivo em soja e milho. provocando inibição do crescimento radicular desta (SILVA et al..000 mg g-1 de solo. kow: 118.Principais características As cloroacetanilidas têm sido um dos grupos de herbicidas mais usados no mundo. feijão. arroz.000. cebola. Sua persistência no solo varia de 3 a 6 meses de acordo com o solo. é muito reduzida.5. 2005). amendoim.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 75 . Não há relatórios também sobre aumento de biodegradação no solo. café. Nos Estados Unidos da América do Norte. ALMEIDA. Apresenta pka: zero. Apesar do uso contínuo por tantos anos. motivo pelo qual não é aconselhável seu uso nestas condições.

flavonóides e proteínas. ciperáceas mostram inibição da parte aérea.2 . Há relatórios que as relacionam com a inibição da divisão celular e interferência com controle hormonal (SLIFE. exibem crescimento anormal. as sementes iniciam o processo de germinação. porém.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . o controle não é consistente. Em razão de os efeitos desses herbicidas estarem ligados somente as plântulas. De modo geral. de espécies daninhas gramíneas e comelináceas. mas. pássaros e mamíferos é muito baixa. naturalmente sensível a eles. o efeito inibitório causado pelo alachlor é maior sobre as raízes. o mecanismo bioquí¬mico primário de ação das cloroacetanilidas ainda não é bem conhecido. Os dados existentes indicam translocação muito pequena. 1995). As cloroacetanilidas apresentam normalmente pressão de vapor de média a alta. 4. Exemplo deste uso é a proteção do sorgo contra cloroacetanilidas. pelo fato de não terem ação pós-emergente. Cada cloroacetanilida que apareceu no mercado depois do herbicida CDAA apresentou características um pouco diferentes das outras. é um dos grupos mais estudados e com o qual mais se têm usado os protetores de herbicida. A hipótese mais aceita atualmente é a inibição de ácidos graxos de cadeias muito longas. é muito difícil o estudo de translocação. De maneira geral. Muitos efeitos diferentes sobre vários processos bioquímicos já foram mostrados. As cloroacetanilidas são aparentemente absorvidas pelas raízes (dicotiledôneas) e pelas partes acima da semente epicótilo (principal¬mente gramíneas).Mecanismo de ação das cloroacetanilidas Apesar de ter sido estudado extensivamente. as doses têm sido reduzidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Controlam plântulas de muitas espécies de gramíneas anuais e algumas dicotiledôneas antes da emergência ou mesmo plantinhas. isoladamente. terpenos. o algodoeiro). A toxicidade das cloroacetanilidas a peixes. ácidos graxos. não há registros de problemas com deriva. As cloroacetanilidas estão relacionadas com a inibição da sín¬tese de lipídios. Gramíneas mostram inibição da emergência da primeira folha do coleóptilo. mas não chegam a emergir. quando o fazem. logo após a emergência. e. as cloroacetanilidas apresentam de baixa a média mobilidade nos solos. possibili¬tando a utilização desses herbicidas nesta cultura. Em combinação com outros herbicidas.2 . em dicotiledôneas (por exemplo. as cloroacetanilidas podem auxiliar no controle de dicotiledôneas. O maior uso das cloroacetanilidas está ligado ao controle.5. Devido a problemas de tolerância. em préemergência. o efeito residual no solo tem aumentado e a dependência dos fatores do solo tem diminuído. A mobilidade no solo varia entre os herbicidas deste grupo e depende das condições de umidade e do teor de matéria orgânica do solo. 76 Módulo 3. Em áreas tratadas com cloroacetanilidas.

com baixo teor de matéria orgânica.6-dietil-N-(metoximetil)acetanilida (alachlor) é recomendado para controle de diversas espécies de gramíneas e comelináceas. Em algodão. terpenos. o grupo amino do metionil-tRNA inicial). a eficácia do produto reduz.5. ALMEIDA. sendo usado em pré-emergência. sendo este transferido (por exemplo. Em milho. estando o solo com boas condições de umidade. pka: zero. podendo ser misturado com ametryn. 2005). pode-se cultivar milho. e koc médio de 120 mg g-1 de solo (RODRIGUES. deve ser utilizado logo após o plantio. logo após a semeadura da cultura. ácidos graxos. aplicá-lo após a arruação ou esparramação. diuron ou atrazine. em condições de alta infestação de Brachiaria plantaginea.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 77 . antes da emergência das plantas daninhas. etc. já foi mostrado que o herbicida alachlor é capaz de alquilar CoA. mistura-se com metribuzin. Apresenta solubilidade em água de 242 mg L-1. kow 794. exceto em solos arenosos e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos efeitos bioquímicos e fisiológicos relatados sobre o modo de ação destes herbicidas pode ser interpretada com base na inibição da síntese de proteínas. amendoim e girassol. As cloroacetanilidas são conhecidas como agentes alquilantes e podem agir alquilando nucleófilos biológi¬cos. é comum misturá-lo com atrazine ou cyanazine. se não chover no prazo de até cinco dias. Quando aplicado em solo seco. Em café novo ou recepado. com isso.Características de algumas cloroacetanilidas Alachlor O 2-cloro-2. As cloroacetanilidas podem também alquilar aminoacil tRNAs específicos e. sendo esta enzima o ponto de começo de muitas rotas metabólicas. Em soja. Em café. incluindo lipídios. variável com o tipo de solo e as condições climáticas. Em cana-de-açúcar. 4. soja ou amen¬doim no terreno tratado. Richardia brasiliensis ou Sida sp. Pelo menos “in vitro”. não se deve utilizá-lo em solos arenosos. inibir a síntese de proteínas. se a infestação for de Bidens pilosa.3 . Os efeitos das cloroacetanilidas sobre a síntese de gorduras podem ser atribuídos à interferência no metabolismo da CoA. recomenda-se a mistura com graminicidas ou aplicação em seqüência ao trifluralin incorporado. É adsorvido pelos colóides do solo.2 . Módulo 3. ou. possuindo média a baixa mobilidade no solo e persistência de 6 a 20 semanas. A retirada do nucleófilo pode acontecer entre o halogênio das cloroacetanilidas e o nucleófilo..

sua lixiviação é fraca a moderada.05. é utilizado apenas em pré-emergência das plantas daninhas. Em milho. à fotodegradação e à volatilização. Acetochlor O 2-cloro-N-(etoximetil)-N-(2-etil-6-metilfenil) acetanilida (acetochlor) é recomendado para uso em pré-emergência das plantas daninhas. batata. metribuzin. ALMEIDA. entre outros. sendo comum a mistura com outros herbicidas. Em milho. Devido à sensibilidade do s-metolachlor. Em café. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. Em razão de sua absorção foliar ser quase nula. livre de torrões. como atrazine. ou. Pelo fato de sua absorção ser quase total pelo coleóptilo das gramíneas e pelo epicótilo das dicotiledôneas. sendo pouco lixiviado. Controla essencialmente gramíneas anuais e algumas perenes de reprodução seminal. pka zero e kow 300. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo. deve ser aplicado logo após a arruação e. logo depois do plantio. recomenda-se sua aplicação logo após a semeadura. dependendo da dose utilizada.2 . não deve ser utilizado em solos arenosos. etc. por esta razão. sorgo e plantas ornamentais. é largamente utilizado em mistura com o atrazine. a sua eficácia ficará comprometida se aplicado em solo seco e não ocorrer uma chuva de intensidade superior a 10mm no espaço de cinco dias (RODRIGUES. 2005). é comum misturá-lo com latifolicidas. cyanazine. sendo usado em outros países. É sorvido pelos colóides de argila e matéria orgânica. Apresenta solubilidade em água de 223 mg L-1. mas no prazo máximo de três dias após a ultima gradagem. kow: 3. Para aumentar o espectro de ação sobre estas espécies. para culturas de amendoim. A terra deve estar bem preparada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas S-metolachlor O 2-cloro-N-(2-etil-6-metilfenil)-N-[(1S)-2-metoxi-1-metiletil)]acetanilida (s-metolachlor) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar. das condições climáticas e do tipo de solo. também. Em feijão. Apresenta solubilidade em água de 488 mg L-1. apresentando persistência de 8 a 12 semanas. é essencial que sua aplicação seja feita antes da completa emergência das plantas. milho e soja. 78 Módulo 3. podendo ser misturado. girassol. por provocar inoxicação à cultura. esparramação. usa-se em cana-planta. e koc médio de 200 mg g-1 de solo. pka: zero. exceto em solos arenosos. feijão. devendo ser aplicado em seguida à semeadura. Em cana-de-açúcar. as comelináceas e um número reduzido de latifoliadas. restos de culturas e em boas condições de umidade.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .

2 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 79 . os quais sofrem o processo de dismutação. por isso. WARREN. em pré-colheita para diversas culturas. Estes radicais são instáveis e rapidamente sofrem a auto-oxidação. produzindo radicais hidroxil. A toxicidade do diquat é alta e a do paraquat é muito alta. Estes radicais livres formados pelos herbicidas paraquat e diquat não são os agentes responsáveis pelos sintomas de intoxicação observados. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura.6. como dessecantes. 1995a).Mecanismo de ação Poucas horas após a aplicação destes herbicidas.Características gerais • • • • • • • São altamente solúveis em água e.6. com baixo teor de matéria orgânica. reagem. Usualmente. ou. em aplicações dirigidas em diversas culturas. na presença de Mg. São cátions fortes. Módulo 3. Durante o processo de auto-oxidação são produzidos radicais de superóxidos. O local de captura dos elétrons está próximo a ferredoxina e sua velocidade de ação depende da intensidade luminosa. sendo largamente utilizados como dessecantes no “plantio direto”. para mamíferos. podendo ser misturado. a morte das plantas devido à ação destes herbicidas é tão rápida na presença da luz que não dá tempo de eles se translocarem na planta. na presença de luz. exceto em solos arenosos e. também. com metribuzin.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas com atrazine ou cyanazine. Em soja. (WELLER.2 .Herbicidas Inibidores do Fotossistema I São herbicidas derivados da amônia quaternária (paraquat e diquat). verifica-se severa injúria nas folhas das plantas tratadas (necrose do limbo foliar). 4. A ação destes herbicidas é muito mais rápida na presença da luz do que no escuro. porque pequena atividade destes produtos é observada. no escuro. Vale ressaltar que este não é o único sítio de ação destes herbicidas. Esta substância promove a degradação rápida das membranas (peroxidação de lipídios). Nesta condição. para formarem o peróxido de hidrogênio. Este composto e os superóxidos. 4.6 . estes herbicidas capturam os elétrons provenientes da respiração. formulados em solução aquosa. entre outros. São rapidamente adsorvidos e inativados pelos colóides do solo. em várias partes do mundo e. Estes compostos possuem a capacidade de captar elétrons provenientes da fotossíntese (no fotossistema I) e formarem radicais livres. também. ocasionando o vazamento do conteúdo celular e a morte do tecido. chuvas após 30 minutos de sua aplicação não mais influenciam a eficiência de controle das plantas daninhas. São rapidamente absorvidos pelas folhas. 4. aplica-se logo após a semeadura.1 . para formarem os radicais tóxicos.

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4.6.3 - Principal herbicida do grupo Paraquat

O 1,1’-dimetil-4,4’-dicloreto de piridilio íon (paraquat) é um herbicida altamente solúvel em água (620.000 mg L-1); pka: zero; kow: 4,5; e koc estimada de 1.000.000 mg g-1 de solo. É inativado ao entrar em contato com o solo, por completa adsorção do cátion à argila. Esta ocorre devido à dupla carga positiva da molécula do paraquat, formando complexos com os locais de carga negativa, de onde não é removido mesmo com lavagens de solução saturada de sais, só sendo recuperado por fragmentação da argila com ácido sulfúrico 18 N. Por esta razão, sua lixiviação é nula e sua decomposição microbiana no solo é muito lenta. O paraquat pode ser usado para: • • • • • Dessecante em “plantio direto”. Para este fim, o paraquat é muito utilizado em mistura com o diuron, formando o Gramocil. Em pré-emergência de culturas, porém em pós-emergência das plantas daninhas. Aplicações dirigidas em culturas de milho, algodão, café, fruteiras e outras. Dessecante, em pré-colheita, para diversas culturas, visando viabilizar colheita mecânica e melhor qualidade fisiologia de sementes (DOMINGOS et al., 2001). Para limpeza de áreas não-cultivadas.

4.7 - Herbicidas inibidores da acetolactato sintase Os herbicidas derivados das sulfoniluréias, comercializados pela primeira vez em 1982, apresentam alto nível de atividade em doses muito pequenas. Atualmente, há vários herbicidas deste grupo no mercado. Através de pequenas modificações na estrutura química, a seletividade pode ser alterada de uma cultura para outra. Exemplos de culturas que são tolerantes a um ou mais herbicidas desse grupo químico são trigo, soja, arroz, milho, feijão, batata, beterraba, algodão, coníferas, canade-açúcar, etc. As sulfoniluréias inibem a síntese dos chamados aminoácidos ramificados (leucina, isoleucina e valina), através da inibição da enzima Aceto Lactato Sintase (ALS); esta inibição interrompe a síntese protéica, que, por sua vez, interfere na síntese do DNA e no crescimento celular. As plantas sensíveis tornam-se cloróticas, definham e morrem, no prazo de 7 a 14 dias após o tratamento. Essa enzima é inibida, também, pelos herbicidas dos grupos químicos imidazolinonas, triazolopyrimidines ou sulfonamidas e pyrimidinyl-oxybenzoatos (THILL, 1995; THILL, 2003a; BRIDGES, 2003c). Apesar do pouco tempo de uso, a literatura já registra muitas espécies de plantas daninhas que desenvolveram resistência aos inibidores da ALS.

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As principais características das sulfoniluréias são: • • Alguns são ativos em doses extremamente baixas; exemplo: o metsulfuronmethyl, que apresenta atividade na dose de 2 g ha-1 A maioria das sulfoniluréias apresenta bom controle de muitas espécies de folhas largas (dicotiledôneas); todavia, algumas possuem, também, ótima atividade contra gramíneas. A toxicidade aguda para mamíferos é muito baixa (5.500–6.500 mg kg-1 em ratos) para o herbicida chlorsulfuron, o mais estudado. Para outros análogos, a toxicidade é mais baixa ainda. As sulfoniluréias são ativas tanto em aplicações foliares quanto em aplicações no solo.

Apesar de quimicamente diferentes, as imidazolinonas têm o mesmo mecanismo de ação das sulfoniluréias, ou seja, inibem a enzima AHAS ou ALS. As principais caracte¬rísticas deste grupo são: • As imidazolinonas são recomendadas para controle em pré-emergência e em pósemergência de muitas folhas largas e gramíneas em cereais, soja e em áreas nãoagrícolas. • Estes herbicidas são potentes inibidores do crescimento vegetal. Plantas tratadas param de crescer quase que imediatamente após a aplicação. Dois a quatro dias após a aplicação desses herbicidas o ponto de crescimento (meriste¬ma apical) das plantas tratadas torna-se clorótico e, depois, necrótico e morre. A morte completa da planta vai ocorrer sete a dez dias após o tratamento. Plantas de maior porte podem levar mais tempo para morre¬r, mas a paralisação do crescimento é imediata. • Todos estes herbicidas são sistêmicos, ou seja, translocam pelo floema. Uma vez dentro do floema, por causa do pH alcalino, estes herbicidas, que são ácidos fracos, se dissociam e os ânions têm dificuldade para deixar o floema. • As imidazolinonas apresentam persistência de moderada a longa no solo. Maior sorção e, conseqüentemente, maior persistência ocorrem quando decrescem a umidade do solo, o pH e a temperatura e, também, quando os teores de matéria orgânica, óxidos de ferro e de alumínio no solo aumentam. • A dissipação no solo é, via de regra, por meio da degradação microbiana. Em condições de solo mais seco, mais herbicida é preso nos colóides do solo e menos produto é disponível para biodegra¬dação ou absorção pelas plantas, o que implica maior persistência e possível "carryover". As imidazolinonas são

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sensíveis à fotólise, mas esse processo de dissipação não é importante no solo. A fotólise é mais importante no meio aquático. • Pouca lixiviação tem sido reportada em condições de campo, apesar de os estudos de laboratório indicarem mobilidade moderada destes herbicidas no solo. • As imidazolinonas apresentam muito baixa ou nenhuma toxicidade para mamíferos. Esta toxicidade baixa pode ser explicada pela enzima-alvo, que não ocorre em animais, e também pelo fato de a excreção desses herbicidas ser muito rápida em animais-teste. Além das sulfoniluréias e das imidazolinonas, outros herbicidas, de grupos químicos diferentes, apresen¬tam o mesmo mecanismo de ação, ou seja, inibem a enzima ALS ou AHAS e, com isso, paralisam o crescimento das plantas (HESS, 1995c). Dente esses grupos químicos, podem-se destacar as triazolopirimidinas, ou sulfonamidas, e os piridinil-oxibenzoatos. As principais características do herbicida N - (2,6-diflluorofenil) - 5 - metil (1,2,4) triazolo [1,5a] pirimidina - 2 - sulfonamida (flumetsulan) e N-[2,6-diclorofenil] - 5 - etoxi - 7 - fluoro(1,2,4) triazolo – [(1,5c)] pirimidina - 2 - sulfonamida (diclosulan) são: Flumetsulan Diclosulan

• •

• • •

Apresentam ação pré-emergente sobre amplo espectro de plantas daninhas de folhas largas. As gramíneas, de maneira geral, são resistentes devido ao metabolismo mais rápido. Entre as culturas de folhas largas, a soja é tolerante. Possuem absorção radicular, mas a translocação é sistêmica, ou seja, translocamse tanto pelo floema quanto pelo xilema. A sorção no solo e a persistência aumentam quando o pH decresce e quando a matéria orgânica aumenta. A persistência no solo é mediana, não havendo casos relatados de "carryover". A dissipação no solo é devida ao ataque de microrganismos. Condições que favorecem a ação microbiana aceleram a dissipação destes herbicidas no solo. Possuem mobilidade no solo moderada, não se antevendo problemas de contaminação de depósitos subterrâneos de água. A toxicidade para mamíferos é muito baixa (Faixa Verde: DL50 > 6.000mg/kg em ratos).

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4.7.1 - Algumas sulfoniluréias Metsulfuron-Methyl

O ácido 2-[[[[(4-metoxi-6-metil-1,3,5-triazina-2-il)amino]carbonil]amino]sulfonil] benzóico (metsulfuron-methyl) apresenta solubilidade em água de 270 mg L-1; pka: 3,3; kow: 1,0 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 35 mg g-1g de solo. É pouco sorvido e muito lixiviado no solo, dependendo da textura e do teor de matéria orgânica. Sua persistência (meia-vida) no solo varia de 30 a 120 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para controle de plantas daninhas de folhas largas nas culturas de trigo, arroz, cana-de-açúcar, aveia, cevada, manejo de inverno e pastagens. Entre as espécies sensíveis encontram-se Raphanus raphanistrum, Raphanus sativus, Acanthospermum australe, Bidens pilosa, Ipomoea grandifolia, além de muitas outras. É recomendado para uso em pós-emergência, devendo ocorrer intervalo de seis horas sem chuva após a sua aplicação. A ação do produto nas plantas daninhas sensíveis pode ser observada através da clorose das folhas e morte das gemas apicais, com evolução para morte das plantas até 21 dias após aplicação. Em espécies menos sensíveis, observa-se paralisação de seu desenvolvimento. Culturas como trigo e arroz, para as quais é seletivo, conseguem metabolizá-lo rapidamente a compostos não-fitotóxicos. Nicosulfuron

O 2-[[[[(4,6-dimetoxi-2pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]-N,N-dimetil-3piridinacarboxamida (nicosulfuron) apresenta solubilidade em água de 360 mg L-1 a pH 5 e 12.200 a pH 6,85; pka: 4,3; kow: 0,44 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 30 mg g-1 de solo a pH 6,5. Quanto à sua persistência em condições de Brasil, sabe-se que culturas de soja, girassol, algodão e feijão poderão ser semeadas 30 dias após a aplicação do nicosulfuron; trigo, arroz e batata, 45 dias após a aplicação; e tomate, 60 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No Brasil, está registrado para a cultura do milho, sendo utilizado em pós-emergência em área total. Controla gramíneas, inclusive o capim-massambará (Sorghum halepense), e diversas espécies de dicotiledôneas. No momen¬to da aplicação, as plantas de milho devem estar com duas a seis folhas; as plantas daninhas dicotiledôneas, com duas a seis folhas; e as gramíneas, com até dois perfilhos. A aplicação deve ser feita estando o solo úmido e com as plantas daninhas em pleno vigor vegetativo. A ocorrência de chuvas uma hora após a aplicação não afeta a eficiência deste herbicida. A mistura do
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nicosulfuron com o atrazine no tanque do pulverizador aumenta o espectro de controle de plantas daninhas. Existem diferentes níveis de tolerância entre os híbridos de milho disponíveis no mercado brasileiro ao nicosulfuron. Por isso, antes de aplicar esse herbicida em cultura do milho consulte a lista de híbridos e variedades tolerantes a esse herbicida. A mistura desse herbicida com inseticidas carbamatos ou fosforados pode torná-lo não-seletivo ao milho (SILVA et al., 2005) Halosulfuron

O metil-3-cloro-5-(4,6-dimetoxipirimidin-2-carbomoilsulfamoil)-1-metillpirazole-4carboxilato (halosulfuron) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar, para controle de Cyperus rotundus. Apresenta solubilidade em água de 15 mg L-1 a pH 5,0 e 1.650 a pH 7,0; pka: 3,5; kow: 47 a pH 5,0 e 0,96 a pH 7,0; e koc médio de 93,5 mg g-1 de solo. Apresenta baixa adsorção no solo. Possui meia-vida média no solo em torno de 16 dias, variando com o tipo de solo e as condições climáticas (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua aplicação deve ser feita em pós-emergência das plantas daninhas, sendo o melhor período 30 a 40 dias após o plantio da cana-de-açúcar, quando as plantas daninhas deverão estar no final da fase vegetativa ou início do florescimento. As plantas de Cyperus rotundus devem estar em boas condições de desenvolvimento, sem efeito de estresse hídrico ou de baixa temperatura. Chlorimuron-ethyl

O ácido 2-[[[[(4-cloro-6-metoxi-pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]benzóico (chlorimuron-ethyl), no Brasil, encontra-se registrado para a cultura da soja, sendo usado em pósemergência. Apresenta solubilidade em água de 450 mg L-1 a pH 6,5; pka: 4,2; kow de 320 a pH 5,0 e 2,3 a pH 7,0; e koc médio de 110 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No solo, apresenta adsorção e lixiviação moderadas e meia-vida de 7,5 semanas. A persistência é maior em solos com pH mais elevado; em solos ácidos e com clima quente, a persistência é baixa. Manter intervalo de 60 dias entre a aplicação do chlorimuron-ethyl e a semeadura de trigo, milho, feijão e algodão. Para as outras culturas, fazer antes um bioensaio. Controla essencialmente espécies anuais de dicotiledôneas, sendo mais efetivo quando estas se encontram na fase inicial de crescimento (até seis folhas). Entre as espécies sensí¬veis encontram-se Desmodium tortuosum, Acathospermum australe, Ipomoea grandifolia, Bidens pilosa, além de outras. É comum misturá-lo com outros

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Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

as plantas de cana-de-açúcar devem possuir no máximo quatro folhas. podendo afetar culturas de inverno que seguem à soja tratada com o produto (SILVA et al. O flazasulfuron deve ser aplicado em cobertura total das plantas daninhas e da cultura. Flazasulfuron O 1-(4.100 a pH 7. Na cultura da cana. para maior espectro de controle. evitando-se aplicar em períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60% (SILVA et al. exigindo intervalo de segurança acima de 180 dias após sua aplicação.6-dimetoxipirimidin-2-il)-3-(3-trifluorometil-2-piridilsulfonil) uréia (Flazasulfuron) apresenta solubilidade em água de 27.2 . 1999).2.000 mg L-1 a pH 5. para controle de dicotiledôneas em soja. Apresenta meia-vida variando de 9 a 120 dias.2 . kow: 2. Quando usadas em pósemergência. 2005). É fracamente adsorvido em solo com pH alto. Pode ser usado em pré ou em pós-emergência inicial das plantas daninhas. as gramíneas devem ter no máximo três perfilhos. diuron. todavia. Sua persistência no solo é alta (meia-vida de sete meses). 1998). as dicotiledôneas. de 5 a 8 folhas e em pleno desenvolvimento vegetativo.5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-quinolina carboxílico (imazaquin) apresenta solubilidade em água de 60 mg L-1. porém não deve ser misturado com graminicidas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 85 . e valor médio de koc de 20 mg g-1 de solo a pH 7. porém esta adsorção aumenta em pH baixo.7. pka: 3.8. ALMEIDA. e a tiririca (Cyperus rotundus). etc.0 e 2.. kow e koc não disponíveis.0 (RODRIGUES. é facilmente lixiviável no solo.Algumas imidazolinonas Imazaquin O ácido 2-[4. pode ser misturado no tanque do pulverizador com outros herbicidas (ametryn.0. não sendo recomendável cultivá-lo na modalidade de “milho safrinha” no mesmo ano agrícola da soja. O milho é muito sensível a resíduo de imazaquin no solo. estando o solo em boas condições de umidade.). sendo influenciada pela temperatura e pelo pH do solo (RODRIGUES. seis folhas. Sua degradação no solo é por ação microbiana e química. 4. 2005). em alguns tipos de Módulo 3.. para se evitar o efeito “guarda-chuva”.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas herbicidas. ALMEIDA. Sua mobilidade no solo é inversamente proporcional ao teor de matéria orgânica. se objetivo for controlar a Cyperus rotundus. pka. este herbicida deve ser aplicado isoladamente.

Controla essencialmente plantas daninhas dicotiledôneas. Controla com eficiência diversas espécies de plantas daninhas: Euphorbia heterophylla.. além de outras.413 mg L-1 e Kow: 5.5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-5-etil-piridina carboxílico (imazethapyr) apresenta solubilidade em água de 1.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . estando estas com até quatro folhas e de monocotiledôneas. 86 Módulo 3. É registrado no Brasil para cultura da soja e do feijão.400 mg L-1. Bidens pilosa. Recomenda-se sua aplicação em pós-emergência das plantas daninhas dicotiledôneas. entre as quais Euphorbia heterophylla. entre um a três perfilhos. 1999). pouco lixiviado. Sida rhombifolia. Apresenta rápida degradação no solo. com até quatro folhas. Ipomoea grandifolia. ALMEIDA. mas esta adsorção aumenta em pH baixo. ALMEIDA. É registrado no Brasil para a cultura da soja..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas solo. 2005).9. também. e as monocoti¬ledôneas. Recomenda-se a aplicação em pós-emergência precoce. pouco lixiviado (RODRIGUES. sendo utilizado em pré-plantio incorporado ou em pré-emergência das plantas daninhas. O milho e o sorgo são muito sensíveis ao resíduo de imazethapyr no solo. e kow: 11 a pH 5. Controla. Estudos preliminares têm demonstrado que este herbicida apresenta rápida degradação em condições de solos brasileiros (SILVA et al. 2005). o que geralmente acontece entre 15 e 20 dias após a semeadura do feijão.2 . É fracamente adsorvido em solo com pH alto. Imazamox O ácido nicotínico 2-(4-isopropil)-4-metil-1-metiletil-(1-metil-5-oxo-2-imidazolin-2-il)-5(metoximetil) (imazamox) apresenta solubilidade em água de 4.36 (RODRIGUES.0 e 31 a pH 7. essencialmente microbiana (meia-vida de 15 dias). Imazethapyr O ácido 2-[4. também. Hyptis suaveolens. É registrado no Brasil para uso exclusivo na cultura da soja. Apresenta lenta degradação no solo (meia-vida de 60 dias). podendo causar toxicidade a algumas culturas de inverno que forem cultivadas em sucessão à soja tratada com este herbicida (SILVA et al. no estádio cotiledonar. entre uma e quatro folhas. Ipomoea grandifolia. sendo. pka: 3. 1999).0. o que geralmente acontece entre 5 e 15 dias após a semeadura da soja. É pouco adsorvido pelos colóides do solo e. com eficiência. estando as dicotiledôneas. além de outras.

Sua persistência no solo é longa (três a sete meses em solos tropicais e seis meses a dois anos em clima temperado. Pyrithiobac-sodium O sódio 2-cloro-6-[(4.0 e pka: 1. 7). Aplicações em altas doses para capinas de ruas pode intoxicar árvores utilizadas na arborização do ambiente (Fig. Também quando aplicado no tronco do eucalipito visando eliminar rebrota após a derrubada.34 e meia-vida no solo de dois meses (RODRIGUES. Imazapyr O ácido (+-)-2-[4. pouco lixiviado. também. em pós-emergência precoce na cultura do algodão. sobretudo. 2001). 2005). É pouco adsorvido pelos colóides do solo e. 2005). Kow: 0. Em campo. se aplicado em pósemergência precoce. dependendo do movimento capilar da água no perfil do solo (FIRMINO.36 (RODRIGUES. Apresenta lenta degradação no solo.9 a 1. pode ser exsudado pelas raízes. vindo intoxicar as novas mudas plantadas para renovação da floresta. ALMEIDA. essencialmente por via microbiana. entre estas Euphorbia heterophylla. ALMEIDA.benzoato (Pyrithiobac-sodium) apresenta solubilidade em água de 1610 mg L-1. a persistência biológica é dependente. Módulo 3. podendo ocorrer lixiviação positiva (para baixo) ou negativa (reversa –para cima).6. principalmente em solos arenosos.272 mg L-1 a pH 7.2 . em condições aeróbicas. pka: 2. Apresenta degradação no solo essencialmente microbiana É registrado no Brasil para o controle de dicotiledôneas. É fracamente adsorvido pelos colóides do solo. Estudos de laboratório indicam que imazapyr tem alto potencial de se mover no perfil do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diversas espécies de plantas daninhas. da dosagem e dos fatores ambientais.5-dihidro-4-metil-4-(1-metietil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-piridina carboxílico (imazapyr) apresenta solubilidade em água de 11. com degradação mais rápida em clima quente e úmido. não se processando em condições anaeróbicas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 87 .6-dimetoxipirimidina-2-il) tio].

A enzima EPSP sintase é sintetizada no citoplasma e transportada para dentro do cloroplasto onde atua. nas plantas tratadas. 88 Módulo 3. Plantas normais cultivadas em solo sem resíduos de herbicidas (a) e plantas com sintomas de intoxicação do imazapyr (b). 2003).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 7 – Árvores mortas pela ação do imazapyr quando aplicado para capina química de rua (A). Alguns autores acham que a simples redução de aminoácidos e a acumulação de shikimato não seriam suficientes para a ação herbicida. foi observado aumento acentuado na concentração de shikimato.8.Herbicidas inibidores da EPSPs 4. evitando a transformação do shikimato em corismato. uma vez que 20% do carbono das plantas é utilizado nesta rota metabólica. O glyphosate se liga a esta enzima pela carboxila do ácido glutâmico (glutamina) na posição 418 da seqüência de aminoácidos (HESS. tirosina e tryptofano são precursores da maioria dos compostos aromáticos nas plantas. nos níveis desses aminoácidos aromáticos (fenilalanina. acreditam que a desregulação da rota do ácido shikímico resulta na perda de carbonos disponíveis para outras reações celulares na planta.Mecanismo de ação Logo após a aplicação. Há redução acentuada. Verificou-se. tirosina e triptofano). cultivadas em solo coletado à margem da rua tratada com o herbicida 4. SHANER.8 . 1995c. pois fenilalanina. BRIDGES. então. Por outro lado. plantas tratadas com estes herbicidas param de crescer.2 . que o ponto de ação era a enzima EPSP sintase (5 enolpiruvilshikimato-3-fosfato sintase). Glyphosate inibe a EPSP sintase por competição com o substrato PEP (fosfoenolpi¬ruvato). precursor comum na rota metabólica dos três aminoácidos aromáticos.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .1 .

Módulo 3. • Formulações usadas no meio aquático não contêm surfatantes. de maneira geral. • Translocação simplástica em gramíneas e folhas largas.Características gerais Glyphosate O N-(fosfonometil) glicina (glyphosate) possui as seguintes características (BRIDGES. • A translocação é melhor em plantas expostas à luz e que estejam com alta atividade metabólica. • A morte da planta ocorre lentamente: de 7 a 14 dias após a aplicação. • Não apresentam atividade no solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. para não causar problemas de toxicidade para peixes. já foram obtidas culturas resistentes a glyphosate. • Requerem uma semana para matar plantas anuais (efeito final) e tempo ainda maior para espécies perenes. Quanto à resistência adiquirida pela pressão de seleção (aplicações repetidas do ghyphosate). apresenta. muito pouca toxicidade para animais. para melhor eficiência de translocação para o sistema radicular. praticamente não há seletividade. • Águas de pulverização contendo muitos sais solúveis (Ca e Mg) diminuem a atividade destes herbicidas. • Como a enzima afetada é exclusiva de plantas. • Através da engenharia genética. • A translocação é facilitada em condições de alta intensidade luminosa.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 89 .8. como a soja e o algodão. • Durante a primeira semana após a aplicação a folhagem não deve ser cortada. 2003c). por causa de sua conjugação com sesquióxidos de ferro e alumínio. em plantas anuais • Baixa vazão e menores gotículas são mais eficientes do que alta vazão e gotículas grandes. • Apresentam espectro de controle muito amplo. poucas espécies de plantas daninhas foram identificadas como resistentes a estes herbicidas.2 .2 .

Na renovação de pastagens. enquanto para as demais formulações. Roundup WDG e Roundup Multiação. etc.. o glyphosate está sendo comercializado com diferentes formulações: sal isopropilamina. reflorestamento e outras). utilizado nas formulações granulares. o tempo mínimo sem chuvas após aplicação para se garantir a absorção foliar desse herbicida é de seis horas (JAKELAITIS et al. fruteiras. englobando o Roundup original e o Roundup Transorb. formulado como Roundup Transorb ou Zap Qi. O efeito varia com a formulação.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .. A ocorrência de chuva em intervalo de tempo menor que 4-6 horas pode reduzir a eficiência destes herbicidas.). para implantação do plantio direto de culturas. cujo representante é o Zap Qi. Para controle seletivo de plantas daninhas em culturas geneticamente modificadas. Para aplicações dirigidas em culturas perenes (café. esse tempo para penetração do glyphosate via foliar é maior (PIRES et al. em Brachiaria decumbens e Digitaria horizontalis em quatro horas (Fig. 8).2 . Para o controle de plantas daninhas aquáticas Como regulador de florescimento em cana-de-açúcar. Como dessecantes. ruas. ferrovias. sendo recomendado para diversas atividades agrícolas e não-agrícolas. 200). As formulações Roundup Transorb e Zap Qi se diferenciam das demais por apresentar penetração foliar mais rápida do que as demais existentes no mercado brasileiro. utilizado em diversas marcas comerciais. Figura 8 – Eficiência de formulações de glyphosate em diversos períodos de simulação de chuva após a aplicação Atualmente o ghyphosate é o herbicida mais utilizado no mundo. No Brasil. 90 Módulo 3. 2001). as suas principais recomendações são: • • • • • • • Para controle de plantas daninhas em áreas não-cultivadas (rodovias.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • A absorção destes produtos pelas plantas é lenta. sal de amônia. Quando aplicado sobre plantas em condições de déficit hídrico prolongado. e sal potássico. A não-ocorrência de chuvas até quatro horas após as aplicações garante absorção do glyphosate. parque de industrias. No Brasil.

2. • São muito efetivos quando aplicados sobre plantas não-estressadas.Principais características Os compostos deste grupo apareceram no mercado de herbicidas a partir de 1975 e. • Apresentam lenta degradação no solo. dicamba. acifluorfen. 1995) são: • São utilizados exclusivamente em pós-emergência. há sempre necessidade da adição de um surfatante ou adjuvante. De maneira geral. Somente diclofop tem registro para uso no solo. a eficiência diminui quando as gramíneas estão se desenvolvendo em condições de déficit hídrico. 2. podem ser citados: sulfoniluréias.9 . • Para a atividade máxima ser atingida. Os sintomas incluem rápida parada do crescimento das raízes e da parte aérea e troca de pigmento nas folhas dentro de dois a quatro dias. eliminado. São muito utilizados para o controle de gramíneas anuais e perenes.Herbicidas inibidores da ACCase 4. • São prontamente absorvidos pela folhagem das plantas. tanto para plantas daninhas quanto para culturas. imidazolinonas. • Misturas no tanque desses graminicidas específicos com latifolicidas têm trazido uma série de problemas de antagonismo. bromoxynil. Entre os herbicidas que já mostraram ação antagônica. MCPA.9.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.2 . • As espécies não-gramíneas são todas tolerantes. A translocação varia entre espécies.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 91 . até mesmo. WELLER. a qual começa nas regiões meristemáticas e se espalha pela planta toda. requerendo uma semana ou mais para a morte completa. As principais características deste grupo de herbicidas (THILL. provavelmente eles afetam a absorção foliar. os herbicidas deste grupo não apresentam atividade suficiente para o controle de gramíneas em pré-emergência. é necessária uma dose três vezes maior que a requerida para a ação em pósemergência. para que haja ação no solo. novos produtos estão sendo desenvolvidos. para controle de gramíneas anuais e perenes.4D. Espaçando-se as pulverizações por alguns dias.1 . • A seletividade varia entre espécies de gramíneas. • Em doses normais. até hoje. o problema é minimizado e.4-DB. mas ocorre tanto pelo floema quanto pelo xilema. em fase de rápido crescimento. bentazon e metribuzin. • A morte das gramíneas suscetíveis é lenta. seguida de necrose. Módulo 3.

A diferença na tolerância entre espécies de gramíneas e folhas largas é muito grande. o problema era na síntese de lipídios. predominância da classe II) e. Foi verificado também que a divisão celular foi prejudicada por causa da inibição da formação da parede celular.5 μM. ele causou declínio na atividade respiratória. por exemplo. Após alguns dias da aplicação.1 μM de haloxyfop provocou 42% de inibição da incorporação de acetato em células de milho. que a ação dos graminicidas específicos era sobre a enzima Acetil Coenzima-A Carboxilase (ACCase). também. A enzima afetada por estes herbicidas ocorre também nas células animais.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Estudos feitos com sethoxydim mostraram que este herbicida inibe o crescimento e a acumulação de clorofila. para peixes. para causar 50% de inibição em células de soja foi necessária uma concentração 47 vezes maior. necrótico.Mecanismos de ação Muitos dos estudos já realizados sobre o mecanismo de ação dos arilofenoxipropionatos foram feitos com o herbicida diclofop-methyl. Foi verificado que este herbicida inibe fortemente a incorporação de 14C-acetato em lipídios quando pontas de raízes de milho foram tratadas por 24 horas. apesar de a quantidade que atinge a área meristemática ser muito pequena em relação ao que é aplicado. depois. Foi descoberto. Como não houve interferência na absorção de acetato.5 a 0. quando o tecido meristemático decai. A partir de 1981.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • Apesar do pouco tempo de uso. encontrada no estroma de plastídios. fica aparente a disfunção de membrana. nas concentrações de 0. que mostrou resistência ao diclofop-methyl e resistência cruzada a outros graminicidas específicos. eles são tóxicos para mamíferos (classe toxicológica de I a III. o aumento na permeabilidade de membrana e os efeitos ultra-estruturais observados nas células. A translocação ocorre pelo xilema e pelo floema. A inibição da ACCase explica perfeitamente a redução no crescimento. às sulfoniluréias e ao trifluralin. a formulação ácida é mais ativa que a formulação éster e o isômero “D” é muito mais ativo que o “L”. converte o Acetil Coenzima A (Acetil-CoA) em Malonil Coenzima A (Malonil-CoA) pela adição de uma molécula de CO2 ao Acetil-CoA. Em algumas horas. As folhas mais velhas apresentam sinais de senescência e mostram troca de pigmento.2 . O tecido meristemático em gemas e nós torna-se clorótico e. resultando no aumento dos níveis de açúcar e antocianina. em 1987. Há diferenças também entre a atividade de isômeros e as formulações. Ademais. O caso mais relatado é o ocorrido na Austrália com a espécie Lolium rigidum. e muitos autores 92 Módulo 3. de maneira geral.9. já existem plantas daninhas que adquiriram resistência aos inibidores da biossíntese de lipídios. 4. Esta enzima. o crescimento de raízes e parte aérea é paralisado. trabalhos realizados com diclofop-methyl começaram a desvendar o modo de ação dos graminicidas específicos. Enquanto 0.2 . Esta é uma reação-chave no início da biossíntese de lipídios. Este herbicida é rapidamente absorvido pelas folhas e atinge os meristemas da planta. surgindo células binucleadas. No caso de diclofopmethyl. por isso.

1995). kow: 4. WELLER.2ciclohexeno-1-ona (clethodim) apresenta solubilidade em água de 5. Controla grande número de espécies de gramíneas anuais no estádio de até 4 perfilhos e algumas perenes. É recomendado para uso em pós-emergência. tomate. roseira e crisântemo. 4. devendo ser utilizado seqüencialmente.1. A falta de lipídios provoca despolarização da membrana celular (THILL. soja. e a proteína transporte da biotina (BCP). Quando o substrato Acetil-CoA é substituído por Proprionil-CoA. feijão. por incompatibilidade fisiológica (efeito antagônico). café.1 mg L-1. Não deve ser misturado com herbicidas que controlam dicotiledôneas.3 . É um herbicida Módulo 3. cenoura. pka: 3.700 mg g-1 de solo. ALMEIDA. purificada e parcialmente caracterizada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas julgam ser esta reação a que dosa o ritmo da biossíntese de lipídios.E)-(+/-)-2-[1-[[(-cloro-2-propenil)oxi]imino]propil]-5-[2-(etiltio)propil]-3-hidroxi. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas. pinho. citros. A ACCase de milho já foi isolada.2 . um complexo de três domínios: uma biotina carboxilase que promove a carboxilação da biotina com carbonato (CHO3). a não ser o fomesafen. que transfere o CO2 da biotina para o Acetil-CoA. evitando períodos de estiagem. 2005). Não apresenta mobilidade no solo.9. ALMEIDA 2005). A enzima Acetil Coenzima A Carboxilase (ACCase) é.5.Caracterização de alguns inibidores da ACCase Fluazifop-p-butil O ácido (R)-2-[4-[[5-(trifuorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propanóico (fluazifop-p-butil) apresenta solubilidade em água de 1. que permite à biotina se mover entre os dois centros catalíticos (HESS. na realidade. tabaco. a qual é ligada covalentemente ao grupo da biotina por um espaçador móvel. É registrado no Brasil para as culturas de alface. tendo uma persistência média de 30 dias (RODRIGUES. Deve ser aplicado com as plantas em bom estado de vigor vegetativo. cebola.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 93 . 1995). algodão. a transcarboxilase. com intervalo superior a cinco dias. dois a três dias (RODRIGUES.520 mg L-1. mas a eficiência diminui pela metade. eucalipto. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 70%. Clethodim O (E. kow: 15000 e persistência muito curta no solo. o qual é uma reação dependente de ATP. e koc médio de 5. a enzima funciona.

como Cynodon dactylon e Sorghum halepense. cebola. pode haver lixiviação do produto. comuns em rotação de culturas com a soja. controla gramíneas anuais. ervilha. cenoura. É compatível com outros herbicidas usados em pós-emergência para controle de folhas largas. como é o caso normal em culturas perenes. sistêmico. pois aumenta-lhe a fitotoxicidade. kow: 11. soja. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas (4 folhas até 6 perfilhos. tais como: azevém. neste caso.7. Destaca-se pelo seu amplo espectro de ação no controle de gramíneas anuais. Haloxifop-methyl O ácido 2-[4-[[ (3-cloro-5-(trifluorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propiônico (haloxyfopmethyl) apresenta solubilidade em água de 9. quando provenientes de rizomas). controla gramíneas perenes. acifluorfen. tabaco. Nas doses de 360 . Quando misturado com herbicidas recomendados para uso em pós-emergência que controlam plantas daninhas de folhas largas e que já contenham em sua formulação um adjuvante. café. como bentazon. como algodão. de reprodução seminal. não sendo prejudicada sua eficácia por chuvas que ocorram uma hora após sua aplicação. É utilizado. evitando períodos de estiagem. altamente seletivo para a cultura da soja e outras dicotiledôneas. aveia e trigo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . não se deve adicionar óleo mineral à calda. pinho e outras. podendo requerer reaplicação no caso de rebrotas (RODRIGUES. Deve ser aplicado com as plantas daninhas em bom vigor vegetativo. permitindo a aplicação dos dois numa só operação. É rapidamente absorvido pelas folhas. e com 10 a 40 cm. em solos leves. com exceção do 2. feijão.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas graminicida. eucalipto. 2005).3 mg L-1. há que observar um intervalo de dez dias entre o emprego de um e outro.2 . no Brasil. para as culturas de soja..3. e koc médio de 33 mg g-1 de solo. citros.4-D. É moderadamente adsorvido pelos colóides do solo. 94 Módulo 3. Quando usado na dose de 120 g ha-1. amendoim. É recomendado para uso em pós-emergência.600 g ha-1. milho. tem ação sobre rebentos de gramíneas anuais que tenham sido roçadas. em condições de alta pluviosidade. ALMEIDA. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. tomate. pka: 4. desde jovem até adiantado estádio de desenvolvimento. perenes e tigüera de culturas gramíneas. fomesafen e lactofen. quando provenientes de sementes. A ação residual do produto na lavoura é de 30 a 40 dias. Em doses altas (120-360 g ha-1. feijão e eucalipto.

macieira e em hortícolas (batata. algumas vezes rosados ou violáceos. 2005). não sendo prejudicada a ação do sethoxydim por uma chuva que ocorra uma hora depois de sua aplicação. para as culturas de alfafa. e koc médio de 100 mg g-1 de solo (RODRIGUES . não prejudicando culturas sensíveis que sejam instaladas no terreno um mês após o tratamento. É um herbicida registrado no Brasil para algodão. dependendo das condições climáticas e do tipo de solo. Apresenta curta persistência no solo. Módulo 3. café.5 – [2-(etiltio)propil]-3-hidroxi-2-ciclohexeno-1. banana. 2003a). 4. melão e morango). amendoim. colza. se bem que exija doses mais altas de aplicação.700 mg L-1.Herbicidas inibidores de carotenóides Os grupos químicos izoxazolidinona e piridazinonas compõem a classe de herbicidas chamada inibidores de carotenóides. citros. Deve ser aplicado em pós-emergência das plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sethoxydim O 2-[1-etoximina)butil] . cenoura. Tem uma meia-vida no solo de 4 a 11 dias. As plantas suscetíveis a estes herbicidas perdem a cor verde após o tratamento com estes herbicidas (BRIDGES. linho e mandioca. gergelim.2 . feijão. melancia. É necessário adicioná-lo à calda adjuvante. também.0 de 25 ppm e a pH 7. pka: 4. exceto pela falta de pigmentos verdes (clorofila) e amarelos (Fig. por ser a foliar a principal via de absorção do produto. kow: 45. é recomendado. 9).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 95 . Não prejudica as culturas suscetíveis que sejam instaladas no terreno 30 dias após o tratamento. Estes tecidos são normais.ona (sethoxydim) apresenta solubilidade em água a pH 4. O sintoma evidenciado pelas plantas tratadas é a produção de tecidos novos totalmente brancos (albinos). encontra-se em fase de registro para abacaxi.1. eucalipto. como Cynodon dactylon.0 de 4. Em outros países.10 . Controla gramíneas anuais e algumas perenes. ALMEIDA. gladíolo. girassol. Supõe-se que seja seletivo para todas as culturas que não são gramíneas. soja e tabaco.16. o que acelera sua absorção.

ela não consegue se manter. A produção dos novos tecidos albinos. tecidos formados antes da aplicação do herbicida não se mostram brancos imediatamente. anuais e perenes. A inibição da enzima IPP (isopentyl pirophosphato isomerase) é o local provável da ação (Abernathy. nas quais ela é destruída (ABERNATHY. dissipando o excesso de energia. a clorofila não se mantém sem a presença dos carotenóides. O crescimento da planta continua por alguns dias. A inibição desta enzima provoca o acúmulo de phytoeno. pelas plantas tratadas. devido à necessidade de renovação dos carotenóides. arroz. mas sim de gossipol e hemigossipol. que a protegem. 1994).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . quando os caratenóides não estão presentes. contudo. A perda da clorofila é resultado da sua oxidação pela luz (foto-oxidação). fumo 96 Módulo 3. 1980). Assim. 1994). 1980). Após a síntese da clorofila. o crescimento cessa e começam a surgir manchas necróticas. devido à falta de clorofila. Desse modo. Os herbicidas inibidores de pigmento são usados para controle seletivo de plantas daninhas gramíneas. passando do estado singlet para o estado triplet. sem cor. do caroteno (MORELAND. que são dois precursores. Em condições normais. Os herbicidas inibidores destes pigmentos agem na rota de biossíntese de carotenóides. Assim.2 . Estes produtos também possuem efeitos sobre a reação de Hill (MORELAND. a clorofila que está no estado triplet não dissipa energia e inicia reações de degradação. a energia oriunda da forma triplet é dissipada através dos carotenóides. devido à falta de carotenóides que a protegem da foto-oxidação. com predomínio do phytoeno. esta se torna funcional e absorve energia.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 – Sintomas de intoxicação de plantas de milho e feijão pelo clomazone. 1980). É importante salientar que estes herbicidas não têm efeito sobre carotenóides sintetizados antes da sua aplicação. O local de ação mais estudado é onde atua a enzima phytoeno desidrogenase. perda de proplastídios e degradação dos ribossomos 70S. como resultado da perda da fotoproteção fornecida pelos carotenóides à clorofila (MORELAND. 1994). eles desenvolvem manchas cloróticas que progridem para necrose (ABERNATHY. resultando no acúmulo de phytoeno e phytoflueno. porém. cana-de-açúcar. Outras alterações provocadas por estes produtos são: redução da síntese protéica. A inibição da síntese de carotenóides leva à decomposição da clorofila pela luz. O herbicida clomazone parece ter um único local de ação e não causa acúmulo de phytoeno. mais reativo. Devido a este processo. não implica que estes herbicidas inibam diretamente a síntese de clorofila. e de folhas largas nas culturas de algodão.

koc: 300 mg g-1. são mais comercializados. ALMEIDA. afetando culturas sucessoras. pka: zero. O inseticida funciona com “safener” protetor e pode ser usado no tratamento da semente ou em aplicação no sulco de semeadura. e não existem casos registrados de plantas daninhas resistentes (ABERNATHY. ALMEIDA.isoxazolidinona (clomazone) e o 4-cloro-5(metilamino)-2-3-[(trifluorometil)]fenil-3(H)-m-toluil) piradazinona (norflurazon) translocam-se na planta via xilema.2 .clorofenil) metil]-4. 2005). Quando aplicado sobre a superfície do solo. Também são empregados em plantas daninhas aquáticas e no controle total da vegetação. A seletividade às culturas se dá pela translocação reduzida pela destoxificação das moléculas herbicidas. 1994). Controla diversas espécies de plantas dicotiledôneas e algumas gramíneas. 2005). Mesotrione O 2-(4-mesil-2nitrobenzoil) ciclohexano-1. A seletividade do clomazone ao algodão pode ser aumentada com adição de um inseticida organofosforado (ABERNATHY.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 97 . com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas. O mesotrione inibe a biossíntese de caroteníodes.3 . O clomazone apresenta alta solubilidade:1.4 . pode lixiviar e atingir camadas profundas. No Brasil. e persistência no superior a 150 dias. apresentam atividade de solo e podem persistir. Módulo 3.07 e koc variando de 19 a 387 mg g-1 e curta persistência no solo sendo degradado rapidamente por microrganismos (RODRIGUES.7 mg L-1.192 mg L-1.3-diona (mesotrione) é um herbicida seletivo de ação sistêmica indicado para o controle em pós-emergência de plantas daninhas na cultura do milho. causando danos naquelas sensíveis (RODRIGUES. através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenil-piruvato-dioxigenase) nos cloroplastos – classificação nos grupos F2 (HRAC) e 28 (WSSA). Clomazone Norflurazon Esta classe herbicida apresenta baixa toxicidade para animais. o clomazone e o norflurazon. Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis. Apresenta solubilidade de 168. pka: 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e soja. chegando às raízes das culturas. O 2 – [(2 .dimetil . 1994). A dose recomendada varia com a cultura e o tipo de solo.

O isoxaflutole pertence ao grupo dos herbicidas inibidores da biossíntese do caroteno. Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis. que é um co-fator chave para síntese de pigmentos carotenóides e para o transporte de elétrons. que são essências para proteger a clorofila contra a decomposição pela luz solar através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenilpiruvato-dioxigenase). 98 Módulo 3. baixa a média mobilidade nos solos dependendo de suas características ficas e químicas. Apresenta baixa solubilidade em água: 6. Inibe a biossíntese de carotenoides. mandioca e algodão para o controle de diversas gramíneas e algumas dicotiledôneas. 2005). milho. responsável pela biossíntese da quinona.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Isoxaflutole O 5-ciclopropil-4-metilsufonil-4-trifluorometilbenzoil)-isoxazole (isoxaflutole) é um herbicida recomendado para as culturas de cana-de-açúcar. e meia-vida média de 28 dias (ALMEIDA.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . nas demais culturas deve ser aplicado em pré emergência. com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas. Com exceção da cultura do algodão onde é recomendado em jato dirigido.0 mg L-1 a 20 °C. RODRIGUES.2 .

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formulação e misturas . metabolismo.3 .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .DF 2006 102 Módulo 3. metabolismo. translocação. formulação e misturas Tutores: Profº.ABEAS Universidade Federal de Viçosa . José Ferreira da Silva Profº. José Francisco da Silva Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .Herbicidas: absorção.3 . translocação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .Herbicidas: absorção. Francisco Affonso Ferreira Profº.Manejo de plantas daninhas 3.

2 . 113 2 . 111 1. 117 2.Interceptação.2.Interações entre herbicidas.Absorção de herbicidas. 112 1.3 . 104 1. 118 3 .Formulações líquidas.Movimento ascendente.Translocação de alguns herbicidas. 130 5. translocação. 128 5 .Tipos de formulações.Veículo de aplicação (água). 131 Referências bibliográficas.1.1. 116 2.2 .Translocação de herbicidas. 112 1.1 .Conceito de movimento simplástico e apoplástico. metabolismo.2 .Fatores que influenciam a absorção através das raízes.3 . 127 4. 120 4 – Formulação.1 .1 – Introdução.Movimento descendente.2 . 129 5. 127 4. 117 2.Formulações sólidas.4.1 .1 . formulação e misturas 103 .Penetração pelas raízes.4. 104 1.Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas.2.2 – Incompatibilidade.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário 1 .3 .2 .Penetração pelo caule.4 . 133 Módulo 3.Mecanismo de absorção de herbicidas.Metabolismo dos herbicidas nas plantas. 126 4.1.Misturas de herbicidas. 129 5.1 . retenção e absorção de herbicida pela folha. 116 2.1 .3 .4 . 104 1. 125 4.Interações de herbicidas com inseticidas em mistura.Herbicidas: absorção. 130 5.

flores e frutos) e subterrâneas (raízes. pelas sementes. ou. luz. ou quando. tubérculos. etc. metabolismo. ou. destruindo-os. o 2. Por isso. Os herbicidas podem penetrar nas plantas através das suas estruturas aéreas (folhas. por exemplo. caules. o simples fato de um herbicida atingir as folhas da planta e.Introdução A atividade biológica de um herbicida na planta é função da absorção. translocado e. onde atua. umidade relativa do ar e umidade do solo). que influenciam também a translocação destes até o sítio de ação. A absorção de herbicidas pelas raízes ou pelas folhas é influenciada pela disponibilidade dos produtos nos locais de absorção e com fatores ambientais (temperatura. Há necessidade de que ele penetre na planta. do metabolismo e da sensibilidade da planta a este herbicida e.3 . translocação. se deseja que as cepas das árvores não rebrotem após a derrubada. também. quando aplicada ao solo. aí. principalmente quando se deseja controlar apenas algumas plantas. retenção e absorção de herbicida pela folha A absorção foliar de um herbicida requer que o produto seja depositado sobre a folha e permaneça ali por um período de tempo suficiente. metabolizado para exercer sua ação herbicida. Quando os herbicidas são aplicados diretamente na parte aérea da planta (pós-emergência). transloque e atinja a organela onde irá atuar. da translocação. até ser absorvido. ainda. as folhas são a principal via de penetração.4-DB precisa ser absorvido. as estruturas jovens das plântulas (radícula e caulículo) e as sementes são as vias de penetração mais importantes para os herbicidas aplicados e. de estruturas jovens como radículas e caulículo e.Herbicidas: absorção. penetra pelas raízes. estolões. dentro de uma população mista. A principal via de penetração dos herbicidas na planta é função de uma série de fatores intrínsecos e extrínsecos (ambientais). O caule (casca) de árvores ou arbustos pode também ser uma via de penetração de herbicidas. Além disso. a morfologia da planta e as condições ambientais exercem grande influência. em um reflorestamento. ou. A interceptação da gota pulverizada é função do método de aplicação e da distância entre o alvo e o bico do pulverizador. 1. ser aplicado no solo onde se desenvolve esta planta não é suficiente para que ele exerça a sua ação. A atrazina. incorporados ao solo. a seus metabólitos.Absorção de herbicidas 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . Por outro lado. rizomas. transloca até as folhas e.1 .Interceptação. Por sua vez. atinge e penetra nos cloroplastos. formulação e misturas .). que serão discutidos no item referente à tecnologia de aplicação. 104 Módulo 3. as raízes.2 . também.

porém são rapidamente absorvidos nos lipídios da cutícula e pouco lavados pela chuva... Também o nú¬mero e a abertura dos estômatos exercem pequena influência sobre a penetração dos herbicidas. lipofílica.. 2003. formulação e misturas . como tricomas (pêlos). As folhas. igualmente. HESS.4-D amina requer um período muito mais longo sem chuva do que o 2. são recobertas por uma camada morta (não-celular). são solúveis em água. como o paraquat. Herbicidas lipofílicos (usualmente formulados como CE ou flowable) são pouco solúveis em água. células da bainha do feixe. JAKELAITIS et al. para cada herbicida. 1981). como todas as estruturas aéreas das plantas. Figura 1 .Herbicidas: absorção. não penetram rapidamente. mostrando células-guarda. translocação. razão pela qual muitos fatores influenciam. 2. metabolismo. a forma e a área do limbo foliar. cavidade estomática. xilema e floema Fonte: Mengel e Kirkby (1982) 105 Módulo 3.3 . poros estomáticos. denominada cutícula. Por exemplo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A morfologia da planta influencia a quantidade de herbicida interceptada e retida. Sais catiônicos (carregados positivamente). mas são rapidamente absorvidos e. Após a interceptação. ELAKKAD. do método e da tecnologia de aplicação. 2000. por exemplo sais de sódio. Embora em menor proporção. menos sujeitos a lavagem pela chuva. PIRES et al. não são absorvidos pela superfície da cultícula e são solúveis em água e podem ser lavados caso ocorra chuva até mais de 24 horas após. A chuva pode causar perdas consideráveis de herbicidas das folhas das plantas. por isso. das condições climáticas e das espécies de plantas envolvidas (BRIDGES.Corte transversal de uma folha (esquemático). tanto a penetração dos herbicidas pelas folhas quanto pelas raízes. Sais aniônicos (cargas negativas). A influência da chuva sobre a eficiência dos herbicidas está também relacionada à formulação. O corte transversal de uma folha está representado na Figura 1. deve haver um período crítico sem ocorrência de chuvas até que ocorra absorção de quantidade suficiente deste. 2001). A perda do herbicida ou de sua atividade depende da ocorrência de chuva (intensidade e duração) neste intervalo.4-D ester para causar a mesma toxicidade em várias espécies sensíveis (BEHRENS. esta existe também nas raízes. o ângulo ou a orientação das folhas em rela¬ção ao jato de pulverização e as estruturas especializadas. Dentre os aspectos relacionados com a morfologia da planta destacam-se o estádio de desenvolvimento (idade da planta).

(FERREIRA. aumentando. formulação e misturas . de prato (ou disco). Esse conjunto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A cutícula recobre todas as células da epiderme da planta. assim a sua permeabilidade. Ela pode ter a forma de grânulos.Herbicidas: absorção. freqüentemente. A cutina é o principal componente estrutural da cutícula. A composição química do revestimento epicuticular é muito variável entre as espécies de plantas (Quadro 1). Em geral. Entre a camada cuticular e a membrana citoplasmática tem-se a parede celular.3 . metabolismo. funcionando como uma resina de troca de cátions. essa camada é uma complexa mistura de alcanos de longas cadeias (21 37 carbonos). porém alguns componentes são comuns. Em presença de água. é referido como camada cuticular (Figura 2). incluindo as células-guarda dos estômatos e as células que envolvem a câmara subestomática. 2005). de camadas superpostas e.Representação esquemática dos principais componentes da camada cuticular e o seu grau lipofílico 106 Módulo 3. ainda. Figura 2 . etc. A camada cerosa que envolve a cutícula é mais rica em compostos menos polares do que a cutina.. a qual possui grupos de polaridade variáveis (Figura 2). translocação. que é formada de fibrilos de celulose impregnados de pectina. cetonas. O padrão de superfície da camada cuticular é bastante variável. et al. álcoois. a cutícula é recoberta por uma camada de cera. separando as partículas de cera. pode ser semifluida ou fluida. Em consequência da variabilidade de seus componentes o grau de polaridade das cutículas varia muito. Externamente. ácidos graxos. aldeídos. acredita-se que a cutina aumente de volume (por embebição). ésteres.

O processo de absorção de um herbicida é complicado em razão da espessura. a tensão superficial da calda. a polaridade do composto.5 6. No momento em que os herbicidas entram em contato com a superfície foliar.4 6.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É conhecido o fato de que há uma interação bastante complexa entre a natureza química do produto aplicado e a superfície foliar. através dos plasmodesmas. A camada cuticular funciona como uma barreira à perda de água e também como uma barreira à entrada de pesticidas e microrganismos na planta. metabolismo.3 8. (1991). Quadro 1 .0 7. são importantes nessa interação. composição química e permeabilidade da cutícula.2 8. via simplasto. Entretanto.5 Fonte: Sandoz Agro Ltda.0 6. citado por Kissmann (1997).0 6.2 7. translocação.Herbicidas: absorção. tanto aos polares quanto aos não-polares.3 . tanto os herbicidas polares quanto os não-polares penetram nas folhas das plantas. Módulo 3.6 6. A maior barreira à penetração de um herbicida no citoplasma das células é a membrana citoplasmática. Existem dois tipos principais de superfícies: uma facilmente molhável (rica em álcoois) e outra de molhagem mais difícil (rica em alcanos).6 8. pode penetrar no citoplasma.2 7.2 7.0 6. (1975). As características da solução aplicada. é que essas barreiras não são totalmente rígidas e distintas.8 6.0 7. o herbicida.Percentagem de compostos apolares e polares e pH do revestimento epicuticular de diversas espécies de plantas daninhas Espécies daninhas Cyperus rotundus Avena fátua Brachiaria plantaginea Cynodon dactylon Digitaria sanguinalis Echinochloa crus-galli Panicum dichotomiflorum Poa annua Sorghum halepense Amaranthus retroflexus Capsella bursa-pastoris Chenopodium album Datura stramonium Ipomoea purpurea Poligonum lapathifolium Portulaca oleracea Senna obtusifolia Sida spinosa Sinapsis arvensis Solanum nigrum Stellaria media Xhathium orientale Compostos NãoPolares 82 10 17 12 37 27 17 29 6 44 32 32 92 32 12 37 7 85 47 88 9 58 Compostos Polares 17 90 82 88 62 72 82 71 93 55 68 66 7 68 86 63 93 14 52 11 91 41 pH 7. Apesar das barreiras existentes (como a camada cuticular). As folhas das plantas apresentam muitas barreiras à penetração dos herbicidas.8 8.0 7. após atravessar a camada cuticular e a parede celular. sobre a penetração dos herbicidas pelas folhas.0 8. podem acontecer os pressupostos que se seguem (Figura 3).8 7. etc.0 7. Uma hipótese citada por Klingman e Ashton.4 7. formulação e misturas 107 .

que diferem em estrutura e polaridade. porque reduz sua polaridade. da idade da folha e do ambiente sob o qual a folha se desenvolve. A absorção de herbicida não está necessariamente relacionada à espessura ou ao peso da cutícula. mas permanecer absorvido nos componentes lipofílicos da cutícula (3).Herbicidas: absorção. permanecer sobre a superfície como um líquido viscoso ou na forma de cristal (2). uso de agentes ativadores de superfícies (surfatantes) e outros. umidade relativa). o pH da solução tem pouco ou nenhum efeito sobre a penetração. espessura da cutícula. cerosidade e pilosidade da folha. fatores ambientais (luz. formulação e misturas . O exato mecanismo de penetração não é totalmente conhecido para todos os herbicidas. 1991).Diagrama hipotético. como: potencial hidrogeniônico (pH). penetrar. que inclui o movimento no floema (5) Fonte: Hess (1995) Uma grande diversidade de herbicidas.). CESSNA. a cutícula de folhas nova é mais permeável à água do que a de folhas velhas. atravessa a camada cuticular. que inclui o movimento no xilema (4) e penetrar na cutícula. Schmidth et al. metabolismo. Apesar de a constituição física e química e a espessura poderem ser praticamente a mesma. temperatura. a rota hidrofílica. Para os herbicidas orgânicos. mas admite-se que os compostos não-polares sigam uma rota lipofílica e os compostos polares. Figura 3 . ésteres. o pH mais baixo aumenta a absorção do herbicida. mas sim à constituição lipídica e ao grau de impedimento da passagem de solutos.3 . 108 Módulo 3. na parede celular e atingir o interior da célula (pela plasmalema) – é a translocação simplástica. representando os aspectos: volatilizar e perder para atmosfera ou ser lavado pela chuva (1). tamanho das partículas e concentração do herbicida. derivados de ácidos fracos.esta é chamada translocação apoplástica. etc. translocação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que variam em função da espécie. penetrar na cutícula. Para os herbicidas nãodissociáveis (amidas. Todos esses fatores podem influenciar a absorção de herbicidas. Há evidências de que a penetração de herbicidas decresce com o aumento da idade da folha (GROVER. na parede celular e então translocar antes de atingir o simplasto . (1981) atribuíram isto à maior polaridade da cutina encontrada nas folhas novas. A passagem de uma molécula de herbicida através da camada cuticular é um processo físico que pode ser influenciado por uma série de fatores.

mais rápida absorção do herbicida. Nestas.. Em segundo lugar. de duas formas. a infiltração pelos estômatos não é possível. conseqüentemente. Os estômatos podem estar envolvidos. influenciam a atividade dos herbicidas nos aspectos de absorção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os fatores ambientais. em conjunto. um intervalo sem chuvas de menos quatro e seis após a aplicação. a menos que a tensão superficial da solução pulverizada seja muito reduzida pelo uso de surfatantes na formulação ou no tanque do pulverizador. É difícil ou mesmo impossível afirmar qual dos processos é mais influenciado pelas mudanças nas condições do ambiente. Segundo Pires et al. 2001 o glyphosate e o sulfosate apresentam máxima atividade em plantas não-estressadas. Primeiro. translocação. por provocar maior fluidez dos lipídios da camada cuticular e da membrana celular e. 1995). o haloxyfop teve sua atividade reduzida de 92% para 12%. Uma a duas semanas antes da aplicação. A umidade relativa do ar tem efeito mais consistente sobre absorção de herbicidas. Condições de alta temperatura e luminosidade.3 . mesmo quando o período sem chuva foi de até seis horas. também pode apresentar efeitos negativos devido à maior rapidez do secamento da gota pulverizada. para o sulfosate e glyphosate. havendo maior absorção dos produtos polares com aumento da umidade (HESS. e daí para o citoplasma das células do parênquima foliar. Nas plantas estressadas (déficit hídrico no solo). aumenta a hidratação da cutícula. Nas plantas estressadas. a cutícula sobre as células-guarda parece mais fina e mais permeável a substâncias do que a cutícula sobre outras células epidérmicas. metabolismo. Supõe-se que os herbicidas lipofílicos se solubilizam nos componentes lipofílicos da camada cuticular e se difundem através da cutícula. dependendo das condições ambientais. Como os herbicidas atravessam a cutícula? A resposta para essa pergunta ainda não está bem esclarecida. Todavia. sendo essa água de hidratação da cutícula a rota de penetração destes herbicidas. Entretanto. a solução pulverizada poderia. O grau de impermeabilidade da cutícula pode ser atribuído ao incremento de sua espessura. comparando pulverizações feitas em plantas de capim-massambará (Sorgum halepense) sem estresse e estressadas. mover-se através do poro de um estômato aberto para dentro da câmara subestomática. 1995). geralmente promovem a formação de cutículas mais impermeáveis. respectivamente. translocação e grau de detoxificação. favorece a abertura dos estômatos e pode aumentar o transporte de solutos na planta.Herbicidas: absorção. com a penetração de herbicidas nas folhas. que se mantém hidratada. luz e teores de umidade no solo e na planta. formulação e misturas 109 . ou baixa umidade relativa do ar e umidade do solo. Alta temperatura pode melhorar a absorção. tanto a absorção quanto a translocação são menores (HESS. provocando a cristalização do herbicida na superfície foliar. em condições de alta luminosidade e estresse hídrico no solo. A maioria dos Módulo 3. à alteração na composição das ceras ou ao aumento na formação de ceras epicuticulares. em tese. Com relação aos herbicidas hidrofílicos. houve rebrota acentuada da maioria delas. A elevação da umidade relativa aumenta o tempo de evaporação da gotícula pulverizada. admite-se que a cutícula tenha estrutura porosa. como temperatura do ar. A natureza da resposta para as diferentes condições ambientais varia com a espécie vegetal. umidade relativa. foi suficiente para ótimo controle das plantas tratadas.

têm sido usados como aditivos nas pulverizações. Eles geralmente são compostos de moléculas grandes. o surfatante lipofílico é eficiente. A adição somente do sal provoca decréscimo da atividade em aveia. e podem ser catiônicos. a atividade do glyphosate é melhorada por surfatantes com alto balanço lipofílico-hidrofílico que pelos surfatantes hidrofílicos que são não-iônicos ou catiônicos (TURNER. formulação e misturas . a melhoria só ocorre se o surfatante também estiver presente.Herbicidas: absorção. Destes. Sulfato de amônio não melhora atividade do paraquat e na. quando sulfato de amônio é adicionado à solução.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surfatantes atualmente em uso atua aumentando a penetração cuticular e não consegue reduzir a tensão superficial adequadamente para permitir a penetração estomática. Diversos produtos químicos. Os resultados dos experimentos de campo. mas preparados em soluções. os mais importantes são os agentes ativadores de superfície. incluindo picloram. LOADER. 1994). Este surfatantes são capazes de reduzir a tensão superficial ao ponto de a infiltração pelo estômato ocorrer. Também podem ocorrer interações negativas entre os dois herbicidas. não têm sido suficientemente positivos ou consistentes para adição de tais aditivos na calda de pulverização e para se tornar uma prática recomendada. provoca efeito antagônico com glyphosate (TURNER. LOADER. em geral. etc. Por exemplo. para melhorar a penetração ou atividade dos herbicidas aplicados às folhagens. Entretanto. No entanto. Alguns trabalhos têm demonstrado que esse tipo de surfatante pode aumentar inclusive a translocação relativa do produto aplicado (KNOCHE. a eficiência do surfatante depende de sua natureza. Recentemente. glyphosate e sethoxydim. proporção de 20% p/v. 1980). tem sido usado para melhorar a atividade de númerosos herbicidas. 1980). no entanto. além de surfatantes e óleos. Em alguns casos o surfatante pode provocar parcial solubilização da cera epicuticular. favorecendo mais ainda a penetração do herbicida.3 . ou. No caso do sethoxydim. que têm vários propósitos. melhorando a retenção e o espalhamento desta sobre a folhagem. ou surfatantes. do herbicida em questão. metabolismo. A função primária do surfatante é reduzir a tensão superficial da gota. atividade do herbicida. contendo parte hidrofílica e lipofílica. Finalmente. emulsões. Eles podem também induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal e também aumentar a penetração cuticular. translocação. 110 Módulo 3. o desenvolvimento de surfatantes à base de organossilicones proporcionou avanço nesse ponto. Os herbicidas são raramente aplicados na forma pura. às quais alguns ingredientes são adicionados. A estimulação da absorção pode ser causada pelo surfatante adicional ou por outros aditivos presentes nas duas formulações misturadas. na concentação de 1 a 10% (p/v). da presença de outros aditivos e das espécies das plantas.. aniônicos ou não-iônicos. a absorção de um herbicida pode ser influenciada pela presença de outro herbicida misturado na calda. Sulfato de amônio. Vários autores afirmam que os surfatantes melhoram a penetração e.

o periderma é um tecido protetor que substitui a epiderme. portanto. eles são preparados em formulações lipofílicas. formulação e misturas 111 . molinate A penetração de herbicidas através da casca de plantas lenhosas é outra opção que pode ser aproveitada na prática. O crescimento do caule. Estes produtos são pulverizados ou pincelados no caule da planta. Entretanto. até a região do câmbio (xilema. é um sítio de entrada importante para muitos herbicidas aplicados ao solo que são ativos em sementes e durante a germinação e na emergência das plântulas (Quadro 2). além de serem aplicados em altas concentrações (5-10%). Módulo 3. Para atuação de herbicidas aplicados à casca das árvores. floema). lignina.Penetração pelo caule A absorção de herbicidas pode ocorrer pelo caule das plantas jovens (durante emergência) e das adultas. a barreira que a estria de Gaspary representa na raiz não está presente nestes tecidos. também. pendimethalin butylate. o periderma deve apresentar baixa permeabilidade à água e. Este processo está sendo implantado em algumas empresas de reflorestamento. tornando-a mais permeável aos herbicidas.3 . principalmente os polares. o herbicida será mecanicamente introduzido através da casca. ou. causa pequenas rupturas na casca. sendo. Lenticelas são estruturas que atravessam o periderma. sendo esta uma rota de entrada de herbicidas em muitas espécies de gramíneas. Quadro 2 . alachlor. após a morte de suas células. metabolismo. desprovida da camada de cera. translocação. butachlor. Além do mais. Outros constituintes comumente encontrados nestas células são ácidos graxos. Nas plantas jovens. rotas importantes para a penetração de herbicidas pelo caule. Neste caso. metolachlor DCPA oxyfluorfen trifluralin. visando evitar a rebrota das cepas. e.Herbicidas: absorção.Grupos químicos de herbicidas e exemplos de ingredientes ativos que podem ser absorvidos do solo pelas radículas ou partes aéreas emergentes das plântulas Famílias de herbicidas Acetanilidas Ácidos ftálicos Difeniléteres Dinitroanilinas Tiocarbamatos Exemplo de produto acetochlor. Alternativa prática mais eficiente seria injetar o herbicida com equipamento próprio com uma pistola injetora.3 . aos herbicidas aplicados na parte aérea. usando-se óleo como veículo. que facilitam a penetração de herbicidas. As células do periderma contêm tanino e são altamente suberizadas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. em diâmetro. celuloses e terpenos. Baseado na sua estrutura e composição. O caule da plântula durante a emergência tem uma cutícula muito pouco desenvolvida. usando imazapyr 20 a 30 dias antes da derrubada das árvores de eucalipto.

com alta permeabilidade à água e a solutos (sais). Na endoderme ou antes dela. para o 2. normalmente. em grande parte.1 . e esta barreira é conhecida por ser impermeável à água. A disponibilidade dos herbicidas para as raízes é função das propriedades físico-químicas dos herbicidas e do solo e da distribuição espacial destes compostos e das raízes no solo. uma vez que nenhuma camada significativa de cera ou cutícula está presente nas partes das raízes onde a maior parte de absorção de herbicidas ocorre.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. todas as paredes radiais contêm uma banda fortemente impregnada com suberina (estria de Gaspary). próxima à zona de absorção radicular. seguida por uma fase de absorção mais lenta. principalmente quando o composto é sujeito à ionização. Se o herbicida for 112 Módulo 3. Por exemplo. metabolismo. passando em seguida à negativa (perda por exsudação). Apesar de não existir nenhuma barreira cuticular na zona dos pêlos radiculares. depois.Penetração pelas raízes Muitos herbicidas aplicados ao solo são absorvidos pelas raízes. translocação. Os herbicidas têm que entrar em contato com a raiz. tamanhos e solubilidades diferentes são prontamente absorvidos pelas raízes. a principal zona de absorção está entre 5 e 50 mm de sua extremidade. Os pêlos radiculares são responsáveis por aumento significativo da área disponível para a absorção de água e de herbicidas (Fig. 1.4 . estar relacionado com a viscosidade da água (sob condições de baixa temperatura) e com reações químicas (absorção ativa). Tem sido observado decréscimo na taxa de absorção de herbicidas devido ao abaixamento da temperatura. Esse fenômeno pode. em solução com a água. Nas raízes jovens. ocorre. Também a concentração hidrogeniônica. a taxa de absorção aumenta rapidamente logo após a aplicação e. A entrada dos herbicidas pelas raízes não é tão limitada quanto pelas folhas.Herbicidas: absorção. O sistema radicular das plantas superiores apresenta uma superfície de absorção extremamente grande. ou. a penetração de água e solutos. A rota mais importante de entrada é a passagem do herbicida junto com a água através dos pêlos radiculares existentes nas extremidades das raízes. Muitos herbicidas com estruturas moleculares. O que acontece aos herbicidas nesse ponto não está completamente claro. ocorre decréscimo nesta taxa até ela se tornar nula. Na endoderme.4-D. Embora raízes jovens sejam também cobertas por uma camada cerosa e as mais velhas sejam fortemente suberizadas. a água que se move em direção ao xilema deve entrar no simplasto. formulação e misturas . pode influenciar a absorção de herbicidas pelas raízes. há uma barreira lipídica localizada na endoderme da raiz. 4).4. o que pode ocorrer pelo crescimento desta ou pela difusão do herbicida no estado gasoso e.Fatores que influenciam a absorção através das raízes A absorção de herbicidas pelas raízes é caracterizada por uma fase inicial de elevada taxa de absorção durante os 30 primeiros minutos até 2 horas. até a zona de absorção das raízes.3 .

portanto. Uma vez dentro do citoplasma das células. indicando que o 2. como lipofilicidade e pka. portanto. Triazinas e uréias. no xilema. o que geralmente não é o caso da segunda fase. entretanto. existe uma relação linear entre a concentração do produto disponível e a sua penetração pela raiz. e acumulação contra um gradiente de concentração. inibidores metabólicos. A absorção de herbicidas pela raiz também pode ser limitada por ligações ou adsorção do herbicida nos componentes celulares. taxa de absorção não é função linear da concentração externa.2 . além do pH da solução do solo. sendo os herbicidas mais lipofílicos absorvidos mais rapidamente. existem herbicidas não-polares que são.4-D.4-D é acumulado ativamente e o monuron. prontamente absorvidos pelas raízes. há evidências contrárias.3 . conseqüentemente.Mecanismo de absorção de herbicidas A primeira fase de absorção é independente de energia metabólica. ele pode penetrar no floema e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas absorvido em solução com a água. também é ativa ou dependente de energia. a corrente transpiratória correlaciona-se com o transporte destes para a parte aérea da planta. é um processo passivo a puramente físico e. então. o pH que aumenta a sua polaridade beneficia também a sua absorção e penetração pelas raízes. a absorção de herbicidas polares. translocados via xilema.. a energia necessária à manutenção da seletividade da plasmalema é inibida. De modo geral. se difundem nos espaços livres das células da epiderme do córtex da zona de absorção. A linearidade é perdida quando o herbicida exerce efeito tóxico sobre a planta. Como a Módulo 3. por exemplo. é um processo ativo de absorção. translocação. estabelecendo um gradiente de concentração entre a parte externa da raiz (solução do solo) e a interna da planta (corrente de assimilados). al. A segunda fase de absorção. A segunda fase da absorção.Herbicidas: absorção. podem ser adsorvidas. o produto atravessá-la livremente. atrazine e napropamide. também. Não há dados suficientes para o entendimento completo de mecanismo de absorção de todos os herbicidas. de onde se transloca até seu sítio de ação. Os herbicidas solúveis na água. Sendo os herbicidas. mas não o foram para monuron. demanda energia. dependendo das características do produto. influenciam a absorção. Alta temperatura e irradiância. Embora alguns trabalhos demonstrem estreita relação entre transpiração e absorção. Quanto à concentração do herbicida. dentro de determinados limites. inicialmente. Também atrazine e amitrole tiveram absorção passiva. Donaldson et al. que consiste em atravessar a membrana citoplasmática (plasmalema). ou. metabolismo. baixa umidade relativa do ar. Esta fase tem um Q10 maior que a fase inicial e é sensível a inibidores metabólicos. Também as propriedades físico-químicas dos herbicidas. apresentando baixo Q10. para picloram. passivamente. requerimento de oxigênio. Essas condições foram satisfeitas para absorção de 2. em geral. em parte. podendo. A correlação entre transpiração e absorção é válida para os herbicidas polares. absorção bloqueada por inibidores metabólicos. 1. dependente da concentração. (1973) a taxa de absorção de herbicida correlaciona-se com o coeficiente de partição óleo/água.4. (1973) listam os seguintes critérios para a absorção ser ativa ou dependente de energia: Q10 ≥ 2. pelas raízes. segundo Donaldson et. mas hiperbólica. formulação e misturas 113 . Para os herbicidas polares. Até aí. alta temperatura do solo e alto potencial de água no solo são condições que favorecem a transpiração e.

mostrando suas principais estruturas. o . há tendência de aqueles herbicidas que são capazes de passar livremente do floema para o xilema serem de baixa ou nenhuma translocação via floema. • .Moléculas de herbicidas capazes de entrar no protoplasma via simplasto (passam de célula em célula através dos plasmodesmatas) e atingem o floema. translocação. Figura 4 . Estas incluem ligações nos tecidos do citoplasma. partição nos lipídios do citoplasma ou metabolismo a produtos polares que 114 Módulo 3. ou. difundem-se através das estrias de Caspary e atingem o xilema. x . floema por ambas as vias (simplásticas ou apoplásticas).Moléculas de herbicidas capazes de penetrar no xilema e.(a) Secção transversal de uma raiz.3 . representando a absorção de herbicidas pelas raízes Durante a fase de absorção dependente de energia. (b) Diagrama hipotético. os herbicidas podem ser acumulados contra um gradiente de concentração.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas translocação via xilema é muito mais rápida que a translocação via floema. e há várias explicações para isso. metabolismo. formulação e misturas .Herbicidas: absorção. por Mengel e Kikby (1982).Moléculas de herbicidas capazes de penetrar nas paredes celulares translocam-se via apoplasto.

Os herbicidas não-polares seguem uma rota lipofílica até atingirem a plasmalema. evidenciando que ela se dá por processo metabólico. onde. quando aplicadas nas folhas das plantas.Herbicidas: absorção. imazethapyr e sethoxydin Fonte: Stelling (1994) Módulo 3. como os derivados do ácido fenóxico acético. benzóico ou picolínico. chlorsulfuron. Normalmente. impedem a ação seletiva desta. A exsudação também está relacionada com a detoxificação da planta. provavelmente. formulação e misturas 115 .3 . podendo ser um dos fatores responsáveis pela tolerância desta ao herbicida. correspondendo à zona de absorção. Uma vez que o pH no citoplasma é uma a duas unidades maior que o pH do meio externo da célula.4-D. metabolismo. são exsudadas pelas raízes.Acumulação de herbicidas (ácidos fracos) no interior da célula (a) e sítios de dissociação dos herbicidas (b): bentazon. 2. translocação. como 2. Essas moléculas dissociadas (ânions) são menos capazes de atravessar a plasmalema do que as moléculas neutras. Esta é a explicação alternativa para a acumulação de ácidos fracos. Figura 5 . fenilacético. Várias classes de importantes compostos. os ácidos fracos se dissociam mais e entram no citoplasma.4-D. os produtos de maior afinidade por substâncias lipofílicas (lipofilicidade) atravessam mais facilmente a plasmalema.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas são menos hábeis para se difundir através da plasmalema. A zona da raiz mais ativa na exsudação é a zona de alongamento. acumulando-se no interior da célula (Figura 5). A exsudação é um fenômeno limitado apenas às raízes integrais (sem cortes) e vivas.

como ponto de crescimento. Para a maioria dos herbicidas aplicados ao solo.foi definido por Crafts e Crisp. formando um conjunto contínuo através das intercomunicações do citoplasma. os quais formam um sistema contínuo no qual a água e os solutos se movimentam livremente. Se a translocação de um herbicida pode ser aumentada. cloroplastos.Herbicidas: absorção. denominado plasmodesmas. 2.3 . incluindo as paredes celulares. aquelas plantas que são capazes de se regenerar através de bulbos. como visto a seguir. etc. o aumento na translocação de um produto aumentará a sua eficiência. Por outro lado. necessitam que determinada quantidade do produto seja capaz de translocar e atingir estes orgãos de recuperação. citados por Hay (1976). em 1971. quando ocorre completa cobertura da parte aérea pela calda herbicida pulverizada. considerando que não é fácil atingir toda a superfície foliar de uma planta. de onde são transpostos para o floema.1 . os espaços intercelulares e o xilema.contrariamente ao simplasto. em dois sentidos. podem ser mortas por herbicidas de contato. Íons e moléculas podem movi¬mentar-se de célula para célula através dessas estruturas. então as doses aplicadas deste produto podem ser reduzidas.Conceito de movimento simplástico e apoplástico Simplástico . sem atravessar as barreiras à permeabilidade. Entretanto. Transporte a longa distância ocorre através dos tubos crivados (floema). e tendo em vista que há diferença de penetração de herbicida nas diferentes posições da parte aérea da planta. é formado pelo conjunto de células mortas. até atingirem as células companheiras. Apoplástico . estolons. a translocação é também de grande importância.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . translocação. O floema é o principal componente do simplasto. para que produza controle eficiente. com velocidade de 60 a 100 vezes maior que o movimento no sentido radial. Muitos herbicidas são absorvidos pelas raízes ou pelas partes subterrâneas do caule e são translocados para outras áreas. formulação e misturas . principalmente de arbustos e árvores. basicamente. como a massa total de células vivas de uma planta. O movimento de solutos e assimilados no interior das plantas superiores pode ser definido. conseqüentemente. Plantas jovens. que não são capazes de se regenerar através de seus órgãos subterrâneos. rizomas. tubérculos.Translocação de herbicidas Há várias razões pelas quais é importante o estudo de translocação de herbicidas. 116 Módulo 3. que são as membranas citoplasmáticas. menores serão os custos de aplicação e os riscos de causar prejuízos ao meio ambiente. etc.. para exercerem a sua efetiva ação herbicida. metabolismo.

Os assimilados. primeiro. Sabe-se. quando amadurecem.3 . no entanto. As células com protoplasma muito denso e com pontuações na parte interna da parede celular permitem maior superfície de contato entre o sistema simplástico e o apoplástico. enquanto as produzidas nas folhas da parte superior da planta são transportadas para as folhas novas e os brotos terminais. A alta pressão de turgor. antes de alcançar os vasos menores do floema. As folhas.Movimento descendente Os assimilados e solutos se movem a uma distância média correspondente a 2. têm. inicialmente. nestes vasos. 2. flores e frutos em desenvolvimento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. mas somente as células companheiras estão diretamente ligadas ao floema. metabolismo. A teoria do transporte pelo fluxo de massa baseia-se na elevação da concentração de assimilados (açúcares. hoje. conseqüentemente.Movimento ascendente Íons e moléculas podem difundir-se pelos espaços intercelulares e paredes celulares do córtex. de alguma forma ainda não definida. Parte dessa distância ocorre pelo sistema apoplástico.1. A hipótese do transporte pelo fluxo de massa envolve uma corrente de solutos movendo-se da fonte (folhas. porém o mecanismo desse carregamento.O decréscimo da concentração dos assimilados ao longo dos vasos. caules ou outros órgãos fotossintetizantes) para o dreno (áreas meristemáticas. são um dreno e. para se translocarem das folhas para a parte superior da planta. raízes e tecidos ou órgãos de reserva). que acompanham as células do floema.Herbicidas: absorção. se transformam em uma fonte.5 vezes o diâmetro da célula. Uma vez que estes assimilados se movem para dentro desses vasos. para muitas substâncias. das células de transferência e das células companheiras estão diretamente intercomunicados. que descer até atingir o caule. após o que podem subir pelo floema ou penetrar no xilema e se translocar com a corrente transpiratória. que a estria de Gaspary não está presente nos ápices Módulo 3. força o fluxo em massa do conteúdo nele existente. Substâncias fotossintetizadas nas folhas da base da planta são transportadas para as raízes. formulação e misturas 117 . na endoderme. Acredita-se que herbicidas e outras substâncias se movimentem juntamente com esse fluxo. Estas células são conhecidas como células de transferências e parecem funcionar no carregamento dos vasos do floema e na transferência do floema para o xilema. supunha-se que as substâncias (íons ou moléculas) rompiam essa barreira e penetravam no sistema simplástico das células. O movimento por esta rota para o interior da raiz é bloqueado pelas paredes longitudinais das “estrias de Gaspary”.2 . suporta essa teoria. Contudo. Citoplasmas das células do mesófilo.1. assume-se que esse movimento ocorra à custa de energia metabólica. principalmente sacarose) dentro dos vasos. em direção contrária ao gradiente de concentração. translocação. As células companheiras e as células parenquematosas. penetração de água dentro destas células. O movimento para dentro do floema (carregamento) deve ser um processo ativo. causando elevação do potencial osmótico e. estão envolvidas no fluxo de carregamento destes vasos. é ainda desconhecido. à medida que se distancia da fonte.1 .

apesar de ser bastante móvel no sentido basípeto da planta. formulação e misturas . podendo. Aplicado nas folhas do milho. que é a striga (erva-debruxa). não se acumulam na raiz por causa do fenômeno da exsudação. ele se transloca até as raízes e.Translocação de alguns herbicidas Dicamba . a concentração do produto diminui nas raízes e nas folhas fotossintetizadoras e se concentra nas regiões meristemáticas desta. pode controlar uma séria invasora do milho. até certo ponto.4-D. neste caso. O 2. Essas substâncias podem. 2. Derivados do ácido fenóxico . translocação. semelhante ao 2. ou.é altamente móvel na planta. principalmente. o picloram é. aproximadamente. pelas raízes. elevadas temperaturas e adequado suprimento de água no solo) são também favoráveis à translocação dos produtos que se movimentam pelo sistema apoplástico.Herbicidas: absorção. relacionada com sua exsudação por elas. Ele transloca-se. ou vazar para o xilema parenquimatoso e ser transportadas no sentido acrópeto pela corrente transpiratória.4-D. pode danificar a cultura quando ele for injetado em algumas espécies que são capazes de excretá-lo através de suas raízes. Aplicado nas raízes ou nas folhas. as condições ambientais favoráveis à transpiração (umidade relativa baixa. é rapidamente absorvido e translocado para todas as partes da planta.parece movimentar-se prontamente em ambos os sistemas (apoplásticos e simplásticos). o que pode representar importante rota de passagem dos herbicidas do apoplasto para o simplasto. Se a planta é retirada da solução com herbicida e colocada numa solução sem herbicida. Picloram . nos pontos de crescimento e nas raízes. em grande proporção.4-D. 118 Módulo 3. para folhas e pontos de crescimento da planta. ser absorvido por plantas vizinhas não-tratadas. também ocorre acumulação nas folhas jovens. metabolismo. O uso deste herbicida no raleamento de floresta. A sua pequena acumulação nas raízes está. no sentido descendente. podendo causar danos às plantas adjacentes às tratadas. A elevação da umidade relativa pode aumentar o movimento descendente do 2. Exsuda-se. mover-se de célula para célula. pode ser exsudado pelas raízes. xilema e acumulam-se nos pontos de crescimento (tecido meristemático). Se o produto é aplicado nas folhas. então. Em geral. Apesar de se translocarem no sentido descendente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas radiculares de células endodérmicas jovens e na região basal das raízes laterais em desenvolvimento (LUXOVÁ. 1992).3 . espalhando-se rapidamente por toda a planta.4-D move-se do floema para o xilema e retorna à folha tratada. indicando ser este um processo que requer energia. ele se acumula nos pontos de crescimento. Pequena acumulação ocorre nas raízes. A adição do ácido 2-cloroetil-fosfônico (ethrel) ao dicamba aumenta a sua translocação. pelo sistema simplástico.3 . CIAMPOROVÁ.3. A presença de folhas jovens na planta aumenta a translocação do produto para as raízes. Aplicado nas folhas das plantas. Apesar de apresentar pequena acumulação na raiz.quando aplicado em solução nutritiva. talvez por inibir o movimento junto à corrente transpiratória. sendo exsudado. 10 vezes mais tóxico às raízes que o 2.6-TBA . A morte ou injúria das raízes reduz a sua exsudação. visando reduzir o sombreamento de culturas como o cacau.1.os representantes deste grupo translocam-se pelo floema e. 2.

Fatores que reduzem a transpiração da planta reduzem também a sua translocação. a translocação da folha para o caule parece não estar relacionada com a lipofilicidade. Altas concentrações destes produtos são encontradas em glândulas ricas em óleo (verdadeira barreira à translocação destes herbicidas) localizadas ao longo do caule e nas folhas da planta.3 . espalham-se por toda a planta. A taxa de absorção decresce algum tempo após a aplicação. portanto. Imazaquin é muito ativo no milho. formulação e misturas 119 . Módulo 3. mais rápida é absorvida pelas raízes e mais rápida é a translocação para o caule. como metribuzin. principalmente nos cloroplastos.a maioria das triazinas são mais facilmente absorvidas pelas raízes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Uréias . Aplicados às raízes. Algumas uréias. sendo todas elas translocadas exclusivamente via xilema. em solução nutritiva. porém se translocam apenas do ponto de aplicação para as extremidades da parte da planta onde foram aplicadas. inicialmente. A diferença de translocação do imazaquin pode ser a causa das diferenças na susceptibilidade entre as espécies. parece que ele atinge o xilema antes de necrosar o tecido e se move com a corrente transpiratória tão logo a planta seja exposta à luz. Bipiridílios – são considerados. Algumas. ametryn e atrazine. As triazinas também se acumulam em glândulas ricas em óleos. Ocorre paralisação da translocação em aveia uma hora após o tratamento. Triazinas . Imidazolinonas . quanto mais lipofílica for a imidazolinona. Assim. principalmente quando aplicados durante o dia. sob forte intensidade luminosa. principalmente diuron. Outros autores admitem que a translocação ocorrida na planta seja por difusão causada pelo rompimento das células. são bastante toleradas pelos citros e pelo algodão. de alguma forma. na prática. promove o acúmulo de CO2 na câmara subestomática. Quando o paraquat é aplicado no escuro. eles não se translocam de uma folha para outra. onde inibem a síntese de aminoácidos. atingindo. A sua velocidade de ação é proporcional à intensidade luminosa. mas pouco ativo em Avena fatua. metabolismo. concentrando-se nas extremidades das folhas.estes herbicidas são absorvidos por folhas. principalmente. Os estômatos fecham-se porque o herbicida. Entretanto. aparecem os sintomas de toxidez. que é concentrada nos tecidos meristemáticos.Herbicidas: absorção. ao inibir a fotossíntese. enquanto a translocação no milho continua por muito tempo. fluometuron e linuron. dentro de 30 minutos elas podem ser detectadas no topo da planta. em plantas de algodão. como herbicidas não translocáveis nas plantas. em menor proporção. onde atuam. A translocação das raízes para os caules parece estar relacionada com a lipofilicidade das imidazolinonas. são também absorvidas pelas folhas.os derivados da uréia substituída são translocados exclusivamente via apoplástica. Quando aplicadas às raízes das plantas. Aparentemente. penetram no simplasto. caules e raízes e se trans¬locam via floema ou xilema até os pontos de crescimento. translocação. em razão de sua rapidez de ação. Alguns trabalhos mostram que a translocação é aumentada pela redução da umidade relativa (elevação da transpiração). Aplicados às folhas. O sítio de ação dos herbicidas deste grupo é a enzima AHAS (ácido aceto hidroxi sintase). os cloroplastos. por causa do fechamento dos estômatos (redução na taxa de transpiração). Na prática. onde. eles são considerados herbicidas de contato. Contudo. a pequena translocação do produto ocorre pelo sistema apoplástico.

conhecer os seus metabólitos e a forma como são metabolizados.: auxínicos.4-DB também é metabolizado por algumas plantas (Figura 7). também.4-D são: ácido aspártico. leucina. do metabolismo dos herbicidas nas plantas apenas em relação à sua detoxificação. aminoácidos também são mecanismos de inativação do 2. incluindo absorção. etc. formulação e misturas . Algumas leguminosas. A hidroxilação na posição ‘3’ e a sua conseqüente conjugação com glucose e. translocação.3 . como a alfafa. valina. translocação.4-D. também o inativam. na planta. ou. o estudo de seus metabolismos é relativamente recente. Os compostos geralmente encontrados em conjugação com 2. com conseqüente conjugação desta hidroxila com constituintes da planta. Derivados dos ácidos fenóxicos Há três mecanismos básicos envolvidos no metabolismo dos derivados do ácido fenóxido acético (Figura 6): • degradação da cadeia do ácido acético. metabolismo.3. A transferência do cloro da posição '4' para a posição '3' e a passagem do cloro da posição '5' para posição ‘6’ do 2. Embora os herbicidas venham sendo usados há mais de 50 anos. aqui. • hidroxilação do anel aromático.Metabolismo dos herbicidas nas plantas A seletividade dos herbicidas pode ser atribuída a numerosos fatores. As agências governa¬mentais estabelecem limites de tolerância de resíduos dos produtos na planta.4-DB → β oxidação → 2. alanina. mas. e • conjugação do composto com constituintes da planta.5 T.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . A hidroxilação na posição ‘para’ inativa o produto. transformando-se em composto tóxico (2. metabolismo o da molécula é uma das principais causas da seletividade. há hidroxilação na posição anterior do cloro. É muito importante saber se o herbicida é metabolizado ou não. causando a inativação do herbicida.4. 120 Módulo 3. inibidores da ALS e da ACCase). na passagem do cloro de uma posição para outra. ácido glutâmico. Para vários grupos de herbicidas (ex. na época da colheita das estruturas utilizadas para a alimentação. Normalmente.Herbicidas: absorção. formando o 2. metabolismo. É importante saber não só que o herbicida é metabolizado. o toleram. Uma das maneiras pelas quais as plantas se livram destes produtos é através do metabolismo destes. fenilalanina e triptofano. mas somente algumas espécies o degradam em velocidade suficientemente rápida para aumentar ou proporcionar a sua tolerância ao produto. A maioria das plantas degrada a cadeia do ácido acético. O 2.4-D). Tratar-se-á.6 T.

dando tempo para que outros processos metabólicos realizem a sua degradação.4-D em plantas superiores Triazinas Algumas plantas. translocação. elas são rapidamente degradadas (Figura 8).4-D ou o fazem muito lentamente. Em espécies tolerantes.4-D em plantas superiores Figura 7 – β oxidação do 2. A taxa de degradação das triazinas em plantas superiores varia grandemente com as diferentes espécies. formulação e misturas 121 . antes da saturação dos sítios de ação do produto. Figura 6 . sorgo e cana-de-açúcar. principalmente gramíneas como milho.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas porque não o transformam em 2.4-DB a 2.Herbicidas: absorção. enquanto em espécies suscetíveis (feijão e pepino) a degradação Módulo 3. metabolismo. são altamente tolerantes às clorotriazinas (atrazine e simazine).3 .Biotransformação e rotas metabólicas do 2.

o que favorece a tolerância das plantas a estes herbicidas. primariamente. indicando que nestas a benzoxazinona é mais ativa. A N-dealquilação é outra rota do metabolismo das triazinas. demetoxilação e dealquilação na posição ′N′ e por conjugação com peptídeos.Biotransformação e rotas metabólicas de atrazine em plantas superiores Os processos de inativação ocorrem pela hidroxilação. metabolismo. Portanto. Glutation-Stransferase é a enzima envolvida nessa conjugação. a base de seletividade destes herbicidas às plantas. A substância catalisadora dessa reação foi identificada como benzoxazinona. formulação e misturas . Extratos das raízes e da parte aérea do milho são capazes de hidroxilar as clorotriazinas.Herbicidas: absorção. 122 Módulo 3. mas a hidroxilação é mais intensa nas raízes. Figura 8 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas é mais lenta. Também pode ocorrer conjugação das triazinas com peptídeos. O metabolismo do metribuzin nas plantas superiores pode ser observado na Figura 9.3 . Esta substância ocorre em toda a planta de milho. translocação. a taxa de degradação das triazinas parece ser.

formulação e misturas 123 . Entre os compostos deste grupo. o propanil inibe o fotossistema II. e também com a conjugação com os constituintes da planta.6-TBA é considerado um herbicida estável. a ruptura do anel. Entretanto. o 2. ou. incluindo as de raízes profundas.Biotransformação e rotas metabólicas do metribuzim em plantas superiores Derivados dos ácidos benzóico A hidroxilação do anel aromático e a sua conjugação com outros constituintes da planta são demonstradas na prática.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 . não se demonstrou.3. tanto na planta quanto no solo.3 . É considerado um herbicida completamente metabolizado pelas Módulo 3. Derivados da uréia As principais rotas do metabolismo das uréias substituídas estão relacionadas com a demetilação e. ainda. metabolismo. Propanil É uma exceção entre as amidas. demetoxilação e deaquilação.Herbicidas: absorção. formando a correspondente anilina. É um produto não-seletivo e de elevada eficiência no controle de plantas daninhas perenes. translocação. Enquanto estas inibem raízes e pontos de crescimento.

sensível. Picloram: É um produto altamente estável na planta e no solo. mostraram que somente 17% do picloram tinha sido metabolizado três meses após a sua aplicação. Entretanto. A sua alta atividade como arbusticida e arborecida está relacionada com a sua estabilidade na planta. por unidade de tempo. translocação. considerando-se o tempo de ação.3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantas tolerantes (Figura 10). por causa de sua lenta degradação. A enzima envolvida nesse processo (arilacilamidase) é 10 a 20 vezes mais ativa no arroz que no capim-arroz. metabolismo. ele se acumula e inibe a reação devido à menor atividade da enzima que o degrada. como o capimarroz. formulação e misturas . Nas plantas sensíveis.Hidrólise do propanil em plantas de arroz O metabólito 3-4-dicloroanilina formado pode ser conjugado com constituintes da planta.4-D com a do picloram (em algumas espécies de plantas latifoliadas). citados por Foy (1976). razão pela qual o arroz é tolerante e o capim-arroz. como o arroz. observou-se que o 2. Trabalhos realizados por Redemann e outros.4-D é mais ativo que o picloram. em trigo. Esta enzima é sensível aos inseticidas carbamatos e fosforados orgânicos.Herbicidas: absorção. 124 Módulo 3. principalmente com diversos tipos de carboidratos. Comparando a atividade do 2. O 3-4-diclorolactoanilida é um composto intermediário e instável nas plantas tolerantes. o picloram é mais de 10 vezes mais ativo. podendo a mistura do propanil com estes compostos causar sensível redução na tolerância do arroz ao propanil ou até perda total de seletividade do propanil a essa cultura. A velocidade de sua metabolização influencia decisivamente a tolerância da planta. Figura 10 .

vegetais (apresentam porções variadas de ácidos graxos) e vegetais metilados (sofrem esterificação metílica). adicionando substâncias coadjuvantes. para poder cumprir eficazmente sua finalidade biológica. que são capazes de reduzir muito a tensão superficial e até induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal. Entre as classes de adjuvantes podem-se citar: emulsificantes (compatibilizam frações polares e apolares). dispersantes (impedem a aglomeração de partículas). mas a tendência atual. solventes (dissolvem o ingrediente ativo). que é acrescida na preparação de defensivos para facilitar a aplicação ou aumentar a eficiência ou diminuir os riscos é classificada como adjuvante. seja como molhantes.Formulação Formular um herbicida consiste em preparar seu ingrediente ativo na concentração adequada. Eles podem ser: minerais (formulados com predominância de frações parafínicas de hidrocarbonetos). espalhantes. quelatizantes (tiram reatividade de moléculas e íons). catiônicos (carregados positivamente) e não-iônicos (neutros). no Brasil.Herbicidas: absorção. penetrantes. Os surfatantes ou tensoativos são também adjuvantes. A formulação é a etapa final da industrialização. 1997). que não alteram o equilíbrio eletrolítico nas formulações e nas caldas. fazendo com que o herbicida penetre. às vezes. é comercializado em formulações diferentes em várias regiões do mundo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . por possuírem porções lipofílicas e hidrofílicas na mesma molécula. Os minerais também podem servir como veículo para aplicação de herbicidas. ou. segundo Kissmann (1997). corantes (dão coloração ao produto formulado). molhantes (permitem rápida umectação do produto em contato com a água). mantendo essas condições durante o armazenamento e transporte (ARAÚJO. O mesmo ingrediente ativo. translocação. Módulo 3.3 . Os óleos não-fitotóxicos também têm grande uso como adjuvante. metabolismo. Recentemente surgiram os surfatantes à base de organossilicones. tamponantes (deixam o pH dentro de uma faixa desejada). Qualquer substância ou composto sem propriedade fitossanitária. servindo de interface entre as superfícies. ingrediente ativo é o composto com atividade biológica. e os ingredientes inertes são os outros compostos adicionados na formulação. Na legislação federal sobre produtos fitossanitários. antievaporantes e. adesivos. Eles podem ser aniônicos (carregados negativamente). pelos estômatos. adesivos (melhoram a aderência do produto com a superfície tratada). Os surfatantes são classificados de acordo com sua carga elétrica ou tendência de ionizar a porção hidrofílica da molécula. é uma formulação universal que possa ser usada em diversos países. exceto água. Estes compotos causam redução da tensão superficial. e surfatantes (agentes ativadores de superfície). espessantes (aumentam a viscosidade). formulação e misturas 125 . tendo em vista que o produto final deve ser usado em determinadas condições técnicas de aplicação. também.

que deve ser de boa qualidade. nos seguintes fatores: características físicas e biológicas da planta daninha-alvo. Um exemplo claro dessa ação ocorre com os compostos catiônicos (paraquat e diquat). formulação e misturas . assim. translocação. Deve também permitir a associação de produtos. favorecer mais a penetração do herbicida (RADOSEVICH. e não afetar os microrganismos benéficos e a cultura. especialmente os de Ca++ e de Mg++. A água quase sempre apresenta sais em dissolução.Veículo de aplicação (água) O veículo mais importante para diluir formulações de produtos fitossanitários a serem aplicados por pulverização ou imersão é a água. necessidade de armazenagem e tipo de ambiente em que a aplicação é feita.1 . assumir conotações negativas em certos casos. Argilas e compostos orgânicos em suspenão na água podem absorver alguns tipos de ingredientes ativos.Classes de dureza da água Classes Água muito branda Água branda Água semidura Água dura Água muito dura ppm de CaCO3 71. metabolismo.2-142. que são os principais causadores da dureza da água. causando desnaturação enzimática ou disfunção das membranas e.4 142. ou seja. deve apresentar bom espalhamento. Deve-se salientar que essa dureza é calculada em função do teor de CaCO3 .3 .Herbicidas: absorção. custo. possível injúria na cultura. por diminuírem ou eliminarem a seletividade de alguns herbicidas e até favorecerem ataques de fungos pela remoção da camada cerosa protetora ou por espalharem os esporos pela superfície vegetal (Kissmann. podem solubilizar substâncias não-polares da folha. 4. no mínimo. Além disso.0 126 Módulo 3. boa retenção na superfície da folha.2 71. também.4-534. segundo Ozkan (1995). que são inativados parcial ou totalmente. danosa a ela. os surfactantes favorecem o espalhamento uniforme da calda na superfície foliar. como sendo fitotóxicos. caso esta já esteja instalada. tem que ser compatível. Também. tornando-os indisponíveis.4 320.0 > 534. 1997). tanto física (sem absorção ou repulsão entre os ingredientes) como química (sem alteração dos compostos) ou biologicamente (a mistura deve ser eficiente para o controle) e ser estável.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Além da redução da tensão superficial. 1997). Os sufatantes podem. aumentam a retenção e melhoram o contato da gotícula. Uma formulação de herbicida pode ser considerada de boa qualidade se atender aos seguintes requisitos: ser letal à planta daninha ou. perigo de deriva e lixiviação. permanecer ativa por um longo período. equipamento de aplicação disponível. Quadro 3 .4-320. e penetração foliar eficiente. A escolha da formulação a ser usada baseia-se.

o que reduziria a tensão superficial dos líquidos. cuja velocidade depende do pH. após dispersão em água. descaracterizando sua ação biológica.Formulações sólidas Pó molhável (PM): esta formulação é definida pela ABNT como formulação sólida de pó.3 . 700 g kg-1 de metribuzin). os elementos responsáveis pela dureza da água Ca++ e Mg++ podem substituí-los. com possíveis substituições e formações de compostos insolúveis. transformase numa suspensão. 4. nas formas sólida e líquida. metabolismo.Herbicidas: absorção. maior concentração de Módulo 3. Geralmente.2 . basicamente. para evitar floculação e aumentar a establilidade da suspensão. Muitas moléculas sofrem dissociação quando em solução. Grânulos dispersíveis em água (GRDA ou dry flowable): é uma formulação sólida constituída de grânulos. o que isolaria a carga elétrica e suprimiria a reatividade de íons desta. as caldas fitossanitárias apresentam mais estabilidade numa faixa de pH entre 6. Valores extremos de pH podem afetar a estabilidade das caldas. As indústrias geralmente já formulam seus produtos para serem compatíveis com 20 até 320 ppm de carbonato de cálcio.0 e 6. antes da aplicação. Possui a vantagem de ter. Pó solúvel (PS): nesta formulação o ingrediente ativo é totalmente solúvel em água. para aplicação sob a forma de suspensão após desintegração e dispersão em água. translocação.na presença de tensoativos aniônicos contendo Na+ ou K+. possui 50 a 80% de ingrediente ativo (ex: Sencor BR. sob a forma de suspensão. e a constante de dissociação também é dependente do pH. não requerendo agitação durante aplicação. Adiciona-se geralmente uma substância dispersante. Geralmente.1 . e este. Nos ingredientes ativos . para aplicação. etc). formando compostos insolúveis. O ingrediente ativo sólido está na forma de grânulos. precisa-se de uma agitação contínua no tanque. A dureza da água pode ser corrigida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A dureza da água interfere na qualidade das caldas dos herbicidas de duas maneiras: Nas formulações . Muitos produtos que ficam preparados em água por muito tempo. É obtida pela moagem do ingrediente ativo absorvido em material inerte (sílica. que representa água semidura. Durante a aplicação. podem sofrer degradação por hidrólise. formulação e misturas 127 .ingredientes ativos à base de ácidos ou sais podem reagir na presença dos cátions Ca++ e Mg++ .2. segundo Kissmann (1997). Outro fator muito importante que pode influir na estabilidade dos herbicidas e nos resultados é o pH da água.Tipos de formulações As formulações apresentam-se. vermiculita. 4. com conseqüente perda da função desses surfatantes.5. adicionado em água. ou acrescentando um quelatizante na água. no produto comercial. de duas maneiras: acrescentando um surfatante não-iônico.

960 g L-1 de metolachlor). Neste tipo de formulação. requerendo.Formulações líquidas Soluções (S): esta mistura é de natureza homogênea. sendo um deles disperso como glóbulos de pequeno tamanho dentro do outro. Suspo-emulsão: é uma formulação fluida e heterogênea.Herbicidas: absorção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas princípios ativos. Em geral. Emulsões são sistemas termodinamicamente instáveis que consistem em dois líquidos imiscíveis. O concentrado emulsionável conta. 1997) (ex. e um agente emulsificante. para aplicação após a diluição em água. menor volume de calda para aplicação (ex: Scepter 70 DG. adiciona-se geralmente um surfatante (ex.: Podium. com um solvente nãopolar (o ingrediente ativo). diferindo-se por possuírem partículas de maior tamanho.: Dual 960 CE. A importância desta formulação reside na possibilidade de poder compatibilizar dois tipos de formulações diferentes. dissolvido no solvente. Granulados (GR): os grânulos são constituídos de veículos minerais. sendo uma alternativa ao concentrado emulsionável (ex. sob a forma de emulsão.: Ordran 200 GR. que pode conter outro(s) ingrediente(s) ativo(s) para aplicação após a diluição. constituída de uma dispersão estável de ingredientes ativos na forma de partículas sólidas e de finos grânulos na fase aquosa. podem ser aplicados em locais de difícil acesso. basicamente. e de princípio ativo. cuja concentração varia de 2 a 20%.2 . como a vermiculita. que é o ingrediente ativo. translocação. Pellets ou pastilhas: possuem ampla similaridade com os granulados. Microemulsão: é um caso específico de emulsão. dispensam o uso da água. ele deve ser solúvel em pelo menos 25% por litro do solvente. Possui maior penetração foliar. Para que um produto seja formulado como solução. metabolismo. Esta formulação contém as fases ‘oleosa’ (contendo o ingrediente ativo e o solvente orgânico surfatante) e ‘aquosa’ (que também pode conter 128 Módulo 3. etc. 670 g L-1 de 2. que pode ser água. 700 g kg-1 de imazaquin). 500 g L-1 de diuron). Devido à sua pouca penetração foliar. 4. Emulsões concentradas: esta formulação é uma emulsão de ingrediente ativo de baixo ponto de fusão ou líquido. formulação e misturas . para aplicação após diluição em água. VALE. A solubilidade mínima necessária é de 12%.: DMA 806 BR. Concentrado emulsionável (CE): é uma formulação líquida homogênea. composta do soluto. e do solvente. 110 g L-1 de fenoxaprop-p-ethyl). Como vantagens estão a ausência do pó. são mais seletivos. a baixa toxicidade e o fácil manuseio (ex. com isso. 200 g kg-1 de molinate).2. 4-D). Suspensão concentrada (S) ou “flowable”: é uma formulação constituída por uma suspensão estável de ingrediente(s) ativo(s) num veículo líquido. acetona.3 . têm maiores custos e dependem de equipamentos adequados para aplicação e de umidade no solo para liberar o ingrediente ativo (ex. permanece por longos períodos em suspensão (mistura mais homogênea) e provoca menos desgaste nos bicos (ZAMBOLIM. o princípio ativo sólido (micropartículas) é mantido suspenso em água. álcool.: Karmex 500 SC. Seu processo de obtenção é o mais simples e barato.

Deve-se dar preferência às misturas prontas. A aparência é de um líquido transparente. • Redução de custos: o menor custo de aplicação. como: • Controle de maior número de espécies de plantas daninhas e redução do risco de aparecimento de genótipos resistentes. 5 .Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas A aplicação de misturas de herbicidas pode oferecer vantagens. Há menor chance de a cultura ser injuriada.Misturas de herbicidas O controle de plantas daninhas visa. quando comparadas com aplicação de um princípio ativo isoladamente. • Aumento da segurança da cultura.1 . ou mesmo com outros agroquímicos/pesticidas. além de surfatante). entre outros aspectos. visando obter o máximo de controle de plantas daninhas e minimizar injúrias às culturas. que lhes conferem comportamento diferenciado (susceptibilidade. translocação. devido ao uso de doses menores de cada herbicida misturado.: Robust: 200 g de fluazifop-p-butil + 250 g L-1 de fomesafen).Herbicidas: absorção. • Redução de resíduos na cultura e no solo devido ao uso de doses menores. A idéia de combinação de herbicidas para controlar seletivamente plantas daninhas em culturas desenvolveu-se posteriormente. É mais efetiva que uma única dose de um herbicida. o controle mais efetivo de plantas daninhas e as menores quantidades de herbicidas aplicadas geralmente reduzem o custo total do manejo.3 . homogêneo (ex. 5. Módulo 3. • As misturas foram primeiramente usadas para o controle não-seletivo e seu uso contínuo tornou-se importante. requer grande cuidado. além do conhecimento a respeito das interações entre os produtos. reduzir ou eliminar a competição destas com a cultura É importante lembrar que existem centenas de espécies de plantas daninhas e que estas apresentam as mais variadas características morfológicas e fisiológicas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ingrediente ativo solúvel em água. especialmente as misturas. formulação e misturas 129 . a preparar misturas de herbicidas com diferentes princípios ativos. Houve grande expansão no uso de misturas e na aplicação sequencial de vários herbicidas em um único ciclo cultural. entretanto. bem como os fabricantes. especialmente dos componentes mais persistentes. o manejo de herbicidas. Além desse fato. tolerância ou resistência) em relação aos herbicidas utilizados. a necessidade de reduzir os custos de produção da cultura tem levado os produtores. metabolismo.

A incompatibilidade denota a inabilidade de dois ou mais herbicidas em serem usados simultaneamente. metabolismo. • Efeitos aditivos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é igual à soma dos seus efeitos quando aplicados separados. Quando dois ou mais herbicidas são aplicados juntos.3 . 5. complexação. que resulta numa rápida sedimentação dos componentes da mistura. eles podem ser aplicados separadamente (um após o outro). uma das vantagens da mistura formulada. em relação à de tanque.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Controle por um período maior. É a relação da efetividade de um material com o outro.. por exemplo. Menor desempenho da mistura pode ser resultado de qualquer incompatibilidade física ou biológica.Herbicidas: absorção. com outro formulado como concentrado emulsionável tem elevada tendência a apresentar incompatibilidade física.Incompatibilidade Quando dois ou mais herbicidas são combinados. Estes herbicidas pré-misturados ou em misturas no tanque do pulverizador podem ser mais eficientes ou não. A mistura de um herbicida formulado como pó-molhável.3 . é evitar possíveis incompatibilidades dos componentes da formulação. formulação e misturas . • Pode melhorar o controle de plantas daninhas pela ampliação da seletividade. de modo que sua aplicação não pode ser executada. A incompatibilidade física é usualmente causada pela formulação e suas interações. Por isso. carga iônica e outros parâmetros físicos são responsáveis pela redução do desempenho dos produtos. em razão da possível ação sinergística na planta daninha e ação antagônica sobre a cultura.2 . • Efeitos antagônicos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é menor que a soma dos seus efeitos quando aplicados separadamente. • Melhores resultados em campos com variados tipos de solos. 130 Módulo 3. Fatores como solubilidade.Interações entre herbicidas O termo interação descreve a ação conjunta dos herbicidas nas plantas. separação de fase. translocação. resultando em formação de precipitados. 5. juntos (misturados no tanque) ou ainda podem ser formulados juntos (comercializados numa mesma embalagem). pela adição de outro herbicida mais efetivo sobre determinada espécie de planta daninha predominante. dependendo do modo como foi feita a mistura. etc. podem ser observados os seguintes efeitos sobre as plantas: • Efeitos sinérgicos: quando o efeito dos herbicidas aplicados juntos é maior que a soma dos efeitos isolados. causada pela incompatibilidade.

chlorimuron. 1995). entre o paraquat e o MCPA dimetylamina. O antagonismo em misturas de tanque acontece quando uma reação adversa ocorre entre os herbicidas na solução. • Se a resposta observada for maior que a esperada. este metabolismo. seria ideal que a mistura apresentasse efeitos antagônicos para a cultura e sinergísticos para as plantas daninhas.Herbicidas: absorção.. interações dos mecanismos de ação dos herbicidas envolvidos. a mistura é aditiva. chlorsurfuron. Inseticidas organoclorados não têm apresentado interações com herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É interessante lembrar que esses efeitos podem ser diferentes entre espécies de plantas.Interações de herbicidas com inseticidas em mistura Em geral. Do ponto de vista prático. Y = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida B e q L ha-1. É o caso do trifluralin e diuron em algodão e trifluralin e metribuzin em soja. induzindo o Módulo 3. etc. aumento da translocação. As bases para essa interação podem ser: aumento da penetração foliar dos herbicidas aplicados em pós emergência. imazethapyr. O efeito da interação entre dois herbicidas pode ser estimado pela equação a deguir: em que: X = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida A e p L ha-1. inibição do metabolismo. • Se a resposta observada foi menor que a esperada. ou reduzir. formulação e misturas 131 . etc. Várias misturas sinergísticas de herbicidas têm sido reportadas. bentazon. entretanto. por exemplo. resultando em menor efeito dos herbicidas sistêmicos. etc. WARREN. a fitotoxicidade de alguns herbicidas tem mostrado ser influenciada por alguns inseticidas organofosforados ou metilcarbamatos. 5. principalmente quando a formulação éster do MCPA é usada. imazaquin. translocação. inseticidas organofosforados podem inibir. os inibidores de lipídios não devem ser misturados com 2. A absorção e a translocação do glyphosate ficam prejudicadas. X+(100-Y) é a toxicidade esperada da mistura. É o antagonismo químico. Então. metabolismo.3 . MCPA. Organofosforados estão envolvidos com interações com nicosulfuron (SILVA et al. O antagonismo do fenoxaprop com MCPA éster aumentou a tolerância do trigo sem reduzir o controle da aveia-brava (JORDAN. e E = percentagem ‘esperada’ de inibição do crescimento pelos herbicidas A+B a p+q L/ha. por exemplo.4 . O antagonismo também ocorre quando um herbicida de contato é aplicado com glyphosate ou com herbicidas auxínicos. A redução da penetração pela raiz pode resultar em antagonismo e aumentar a seletividade da cultura. Também pode ocorrer a redução da penetração foliar. 2005) A tolerância do milho a este herbicida é devido ao rápido metabolismo deste. a mistura é sinérgica. • Se a resposta observada for igual à esperada. a mistura é antagônica.4-D.

O organofosforado terbufos (Counter) tem causado maiores problemas na prática. 5. 132 Módulo 3. A aplicação de molibdênio na cultura do feijão.3 . bentazon. A aplicação do terbufos em milho é antagonística aos resíduos do imazaquin no solo e tem dado considerável proteção ao milho. porém sem nenhuma base científica. Esses resultados.5. Os mecanismos dessa interação não são bem conhecidos. são usados por alguns produtores. às vezes. Os inseticidas protegem o algodão de alguma toxicidade do clomazone. em mistura com os herbicidas fluazifop-p-butil+fomesafen. se confirmados.Herbicidas: absorção. viabilizam a aplicação desses insumos de uma só vez. formulação e misturas . fomesafen e imazamox. disulfoton (Disyston) e o clomazone em algodão.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surgimento de sintomas de intoxicação nas plantas da cultura. metabolismo. Interações de herbicidas com fertilizantes em mistura Os herbicidas em misturas com fertilizantes. em ensaios preliminares apresentou efeitos aditivos. É interessante ressaltar o antagonismo entre phorate (Thimet). translocação.

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Herbicidas: comportamento no solo Tutores: Profº. Jose Barbosa dos Santos Profº.Manejo de plantas daninhas 3.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .DF 2006 Módulo 3.4 . Rafael Vivian Profº.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 . Rubem Sillvério de Oliveira Júnior Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .ABEAS Universidade Federal de Viçosa .4 .Herbicidas: comportamento no solo 135 . Antonio Alberto da Silva Profº.

141 2. 161 3.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas. 141 2. 140 2. 167 3. 170 4. 164 3. 162 3. 158 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.Relação entre KH e incorporação de herbicidas.3 .4 – Lixiviação.3 – Adsorção.2.3 . 141 2.4.Fatores que influenciam a volatilização.Coeficiente de partição octanol-água (Kow).Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in).2. 150 2.3 . 160 3 .Processos de transformação.Pressão de vapor (P). 164 3.6. 166 3.Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo.4 – Sorção.Textura e mineralogia.6 .2.Herbicidas: comportamento no solo . 162 3.Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa).Estimativa da sorção.6.2.1 .5.6 .5.2.1 – Precipitação.2 . 162 3.2 – Volatilização. 167 4 .3 .4 .5 .2 .5 .2 .2 – Absorção.pH do solo. 154 2. 166 3. 142 2.5. 170 4. 147 2.Isotermas de sorção.2 .Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação.2 .1 . 158 2. 150 2. 139 2 . 144 2. 175 136 Módulo 3.Degradação química.1 .Importância do estudo de herbicidas no solo.7 – Dessorção.Processos de retenção.Absorção pelas plantas.1 .Processos de transporte. 155 2. 138 1 .4 – Solubilidade.4.1 . 167 3. 158 2.Alternativas para redução de perdas por volatilização.1 – Persistência.Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas.2.Relação entre PV e S. 175 4.

4 .1 .3 . 186 Referências bibliográficas.Problemas relacionados aos herbicidas residuais.Considerações finais. 179 5. 182 5. 188 Módulo 3.A fitorremediação como mecanismo de biorremediação.Fotodecomposição ou fotólise.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.4 .2 .Herbicidas: comportamento no solo 137 . 177 5 – Fitorremediação.Estratégias para o sucesso da fitorremediação. 183 6 . 178 5.

juntamente com os processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente.4 . Neste capítulo são apresentados os principais conceitos relacionados ao comportamento de herbicidas no solo. pois elevados índices de sorção podem comprometer a eficiência do herbicida. como o que ocorre para algumas moléculas simples e não-persistentes. Embora escassos. da dinâmica do fluxo hídrico e do transporte de solutos. os estudos envolvendo a sorção de herbicidas em solos brasileiros sob condições de clima tropical são também fundamentais para avaliação da eficiência de controle das plantas daninhas do local. entretanto. observa-se maior preocupação quanto à contaminação do ambiente e a utilização racional dos recursos hídricos e do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O uso do controle químico em plantas daninhas. tornando-se indiscutível a utilização de herbicidas no sistema agrícola. da capacidade de sorção do solo. No entanto. 2001) e acabam alcançando direta ou indiretamente o solo. além da sua taxa de degradação. assim como dos próprios recursos naturais que sustentam a produção. Com isso. constitui-se prática indispensável para a agricultura em larga escala. As práticas agrícolas. O seu tempo de permanência no ambiente depende. para compostos altamente persistentes. Os exemplos apresentados destacam os estudos mais relevantes com herbicidas em solos. ou perdurar por meses ou anos. é fundamental que eles sejam adequadamente aplicados. o qual atua como o principal receptor e acumulador desses compostos. Nos últimos anos. para que seja preservada a qualidade final dos produtos colhidos.Herbicidas: comportamento no solo . entre outros fatores. 138 Módulo 3. especialmente o solo e a água. inicia-se o processo de redistribuição e degradação dos herbicidas aplicados. o qual pode ser extremamente curto. permitindo maior compreensão da dinâmica desses compostos no ambiente. são responsáveis por grande parte da degradação desses recursos. biodisponibilidade e recalcitrância do herbicida. Outro fator relevante é que 60 a 70% do total dos pesticidas aplicados nos campos agrícolas não atingem a superfície alvo de interesse (LAW. Ao atingirem o solo. cresce a importância do entendimento do destino final dessas moléculas e do estudo do comportamento no ambiente onde são aplicados. atualmente. a qual está relacionada à atividade microbiológica.

Atualmente. o estudo do comportamento de herbicidas no ambiente tem sido realizado através de estimativas das tendências a que estes estão sujeitos em função de três principais processos: retenção. conhecer os fatores do ambiente. Outro fator relevante é que o solo atua na manutenção dos processos vitais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . É responsável também pela ciclagem dos nutrientes. onde interagem inúmeros processos de ordem física. embora a capacidade de permanência do herbicida e sua degradação no solo sejam um processo-chave na determinação do fato que este terá ou não efeito na qualidade ambiental (Hinz. No entanto. além do próprio herbicida. procura-se descobrir as interações do herbicida com os componentes do solo. além da remediação e imobilização de poluentes (GRANATSTAIN. que interagem entre si. química e biológica (DORAN. de modo a minimizar os eventuais efeitos negativos que a sua presença possa causar ao ambiente. uma vez que o herbicida é uma substância exógena ao meio. 2001). Promove a retenção e o movimento da água. Módulo 3. atividade e diversidade microbiana. PARKING. segundo. em razão de o solo ser considerado um ambiente heterogêneo sob influência de diversos fatores. a sua avaliação é de difícil mensuração e repetibilidade. embora esses processos sejam descritos de forma isolada. transformação e transporte (Figura 1). 1994). 1992). que afetam direta ou indiretamente a eficiência no controle de uma planta daninha. suportando as cadeias alimentares. sendo responsável pelo suporte físico e de armazenagem dos nutrientes para as plantas.Herbicidas: comportamento no solo 139 .4 . BEZDICEK.Importância do estudo de herbicidas no solo O estudo do comportamento de herbicidas no solo e no ambiente visa pelo menos dois objetivos principais: primeiramente.

4 .Representação esquemática da interação entre processos de retenção. a partir da superfície do solo na forma de solução. constantemente. normalmente. o que resulta na dissipação destas. Entretanto. A distinção entre adsorção verdadeira (na qual camadas moleculares se formam na 140 Módulo 3. Sabe-se que as moléculas dos herbicidas. o processo de retenção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 .Herbicidas: comportamento no solo . por sua vez. o processo de retenção constitui-se num dos processos mais importantes para prever a movimentação dos herbicidas no solo e sua taxa de degradação (física. transporte e retenção. transporte e transformação de um herbicida aplicado ao solo 2 . evitando que ela se mova tanto dentro como para fora da matriz do solo. Entretanto. precipitação e adsorção. assim como conhecer qual a eficiência quando estes forem aplicado para o controle de plantas daninhas. estão sujeitas aos processos de movimento. a compreensão dos fatores que regulam as interações de retenção é essencial para entender o comportamento dessas substâncias no solo.Processos de retenção O solo é um sistema aberto e dinâmico no qual os seus constituintes podem. movimentar-se ou sofrer transformação física. quando em contato com o solo. que engloba mecanismos específicos de dissipação dos herbicidas: absorção. A retenção refere-se à habilidade do solo de reter um pesticida ou outra molécula orgânica. Como os herbicidas movem-se. química e biológica. pode ser entendido como um processo geral de sorção de herbicidas no solo. química e biológica).

Precipitação A formação de precipitados entre as moléculas de herbicidas pode ocorrer pela junção das partículas dos argilominerais com o herbicida por ligações covalentes de alta força. Esta é a razão pela qual os estudos de adsorção conduzidos em laboratório são realizados em condições de temperatura constante. ou. em alguns casos. Dependendo do sentido dessa força. funções químicas. natureza ácido/base dos herbicidas. polaridade. as quais incluem tamanho. Essa fixação ocorre por interação de forças da superfície do adsorvente (solo) e do adsorvato (herbicida). solubilidade. distribuição de cargas. o herbicida pode ser adsorvido às partículas coloidais (orgânicas e minerais) do solo ou sofrer repulsão.3 . o termo adsorção é normalmente substituído por um outro mais geral. Segundo Gevao (2000). distribuição. 2. Contudo. principalmente com os constituintes orgânicos do solo. podendo favorecer. Dificilmente ocorrerá a absorção de herbicidas por partículas minerais ou orgânicas do solo.Absorção O termo absorção é usado especificamente quando as moléculas do herbicida são absorvidas pelo sistema radicular e outras partes subterrâneas das plantas. resultando num aumento da concentração na solução do solo. 1990). 2.Adsorção A adsorção caracteriza-se por um fenômeno temporário pelo qual uma substância dissolvida se fixa a uma superfície sólida ou líquida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superfície de uma partícula de solo). a adsorção por ligações químicas. ainda. a velocidade das reações químicas aumenta com a elevação da temperatura. em razão disso.Herbicidas: comportamento no solo 141 .1 .4 . denominado de sorção (KOSKINEN. Além disso. configuração. estrutura molecular. pela formação de uma fase sólida separada na superfície de uma partícula sólida do solo. a adsorção é usualmente determinada apenas através do desaparecimento da substância química da solução do solo. HARPER. a adsorção de herbicidas no solo depende das propriedades deste e do composto aplicado. abordadas posteriormente. obtendo-se as curvas denominadas de isotermas de adsorção. o processo adsortivo de herbicidas. provocado pelo incremento da energia cinética das moléculas. Na prática. seja ele avaliado em condições laboratoriais ou em Módulo 3. entre outros. precipitação (na qual tanto uma fase sólida separada se forma nas superfícies sólidas como ligações covalentes com a superfície da partícula de solo acontecem) e absorção dos herbicidas pelas plantas e organismos é difícil. As quantidades do herbicida adsorvido aos constituintes do solo são diretamente proporcionais à superfície específica do material coloidal e decresce geralmente com o aumento da temperatura. 2.2 .

envolvendo mole¬culas sem dipolo permanente. As pontes de hidrogênio são produzidas pelas atrações eletrostáticas entre o núcleo eletropositivo do hidrogênio e pares de elétrons expostos de átomos eletronegativos. pontes de hidrogênio.Herbicidas: comportamento no solo . a mais importante é a força de Van der Waals. entre outras.. depende do tempo de equilíbrio alcançado pelo material adsorvente (solo) e o adsorvido (herbicida). o qual varia em função do mecanismo e da velocidade das reações envolvidas (Figura 2). Esse tipo de ligação é muito mais importante nas ligações das moléculas dos herbicidas sobre a superfície da matéria orgânica do que pela 142 Módulo 3. expressando a atração elétron-núcleo. com alta massa (SCHWARZENDBACH et al. 2. sem distinção entre os processos específicos de adsorção. devido a um sincronismo no movimento eletrônico.Representação da determinação do tempo de equilíbrio necessário nos estudos de adsorção de herbicidas em solos As forças responsáveis pelas reações de sorção dos herbicidas no solo incluem: forças físicas.4 . Entre as forças físicas. absorção e precipitação. podendo ocorrer interação entre uma molécula polar e outra apolar.Sorção Sorção refere-se a um processo geral.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas campo. atmosféricos e aquáticos. com força muita fraca. reações de coordenação e ligações de troca. O processo individual de sorção é profundamente complexo. em virtude da heterogeneidade do solo e da sua continuidade com sistemas biológicos. ligações eletrostáticas. Essa força é extremamente fraca e de curtíssima distância.4 . Figura 2 . 1993). ocorrendo comumente em moléculas grandes de herbicidas. ligações hidrofóbicas. As pontes de hidrogênio caracterizam-se por formar uma interação dipolo-dipolo.

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superfície das argilas e ocorre com compostos contendo grupos >C=O + grupos –NH (ou –COOH, OH, >C=O ou – NH2) (Figura 3).

Figura 3 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por pontes de hidrogênio. Fonte: Senesi (1992).

Ligações hidrofóbicas estão associadas com a sorção de herbicidas apolares, os quais competem com as moléculas de água pelos sítios sortivos. Muitas das moléculas de herbicidas, principalmente os aromáticos, halogenados, fenóis e bifenóis, com baixa solubilidade em água, podem ligar-se à superfície das argilas por meio de ligações hidrofóbicas. Estas ligações são muito favorecidas quando são adicionados ao solo resíduos orgânicos naturais, aumentando o número de sítios hidrofóbicos de ligação. As ligações eletrostáticas envolvem cargas elétricas de superfície, formadas por complexas reações de adsorção, as quais podem ocorrer por adsorção por moléculas de água, por cátions, por troca aniônica e por compostos orgânicos naturais. A adsorção por troca aniônica é importante para solos pouco intemperizados de clima temperado. Contudo, em condições de solos brasileiros, desenvolvidos em condições de clima tropical e subtropical, predominam argilominerais (1:1) e elevados teores de óxidos de ferro e alumínio, com baixa capacidade de formar este tipo de ligação. As reações por coordenação envolvem ligações covalentes, de curta distância, e com sombreamento dos orbitais. São ligações muito fortes e a energia depende do número de elétrons em orbitais moleculares ligantes ou antiligantes. Essas ligações estão presentes, por exemplo, entre os prótons dos grupos funcionais de superfície e os átomos de hidrogênio (Fe-OH, Al-OH, COOH) e N2 (NH2). Esse tipo de ligação, formando complexos de esfera interna, torna difícil a separação e distinção entre o colóide e a molécula do herbicida. A protonação nada mais é que a formação de complexos de transferência de cargas na superfície mineral. Ocorre quando um grupo funcional forma um complexo com a superfície de um próton. O complexo pode ser extremamente estável, desenvolvendo sorção praticamente irreversível. Esse tipo de ligação ou mecanismo tem sido válido para herbicidas do grupo das striazinas, as quais se tornam catiônicas através da protonação, tanto na solução do solo como durante o processo de adsorção (Figura 4) (SCHWARZENDBACH et al., 1993).

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Figura 4 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por protonação do herbicida Fonte: Senesi (1992)

2.4.1 - Estimativa da sorção A avaliação da sorção é feita normalmente por meio da estimativa de coeficientes, denominados coeficientes de partição, coeficientes de partição solo-água, coeficientes de sorção ou constantes de adsorção. Neste capítulo será adotado o termo coeficiente de sorção para denominar a relação entre as concentrações de herbicida em solução e aquelas sorvidas ao solo. O coeficiente de sorção, Kd, pode ser estimado pela relação:

O Kd representa a relação entre a concentração do herbicida que permanece sorvido ao solo Cs (μg g-1) e a concentração do herbicida encontrada na solução de equilíbrio Cw (μg mL-1), para uma determinada quantidade específica do herbicida adicionado. Entretanto, como o teor de carbono orgânico, aparentemente, tem representado melhor a capacidade adsortiva dos herbicidas nos solos, principalmente para os compostos de caráter básico ou não-iônicos (KARICKHOFF, 1981; OLIVEIRA JR. et al., 1999), tem-se corrigido o Kd em relação ao teor de carbono orgânico do solo. A partir dessa normalização do Kd, obtém se o Koc, o qual permite a comparação da sorção entre diferentes solos e é um índice muito utilizado em métodos de classificação de mobilidade e em modelos de simulação do comportamento de pesticidas no solo. A normalização do Kd para o teor de carbono orgânico é feita pela relação:

Em que Koc representa o coeficiente de sorção normalizado para o teor de carbono orgânico do solo (L kg-1) e foc indica o teor (% ou dag kg-1) de carbono orgânico do solo, o qual é obtido dividindo-se o percentual de matéria orgânica por 1,72. Oliveira Jr. (1998), estudando a correlação entre as propriedades dos solos, verificou que os coeficientes de sorção (Kd e Koc) de diferentes herbicidas determinados em solos brasileiros correlacionaram-se significativamente com o teor de carbono orgânico e CTC dos solos para a
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maior parte dos herbicidas. De modo geral, os herbicidas ácidos fracos (imazethapyr, metsulfuron, nicosulfuron e sulfometuron) foram os que apresentaram menor sorção, ao passo que os herbicidas básicos fracos (atrazine, hexazinone, simazine) e não-iônicos (alachlor) foram os mais sorvidos. No Brasil, o Koc tem sido amplamente utilizado para predizer a capacidade de sorção de diversos herbicidas no solo; também é utilizado juntamente com a textura para recomendar as dosagens dos herbicidas. Entretanto, a padronização do Kd em relação ao carbono orgânico do solo não é consenso entre os pesquisadores da área, pois a sorção de herbicidas à matéria orgânica do solo ocorre de forma heterogênea, em função dos mecanismos e da fração orgânica envolvida no processo sortivo, cujos índices podem não representar a realidade. Ao mesmo tempo, o Kd e Koc nem sempre são suficientemente exatos para descrever a sorção de um pesticida em uma faixa considerada de concentração. As relações entre as concentrações em solução e na fase sólida podem, então, ser descritas por isotermas, descritas no item 3.4.2. As estimativas dos coeficientes sortivos apresentados (Kd e Koc) geralmente são conduzidas em condições laboratoriais, empregando-se a cromatografia líquida e gasosa como técnicas analíticas na determinação das concentrações dos herbicidas nas fases sólida (solo) e líquida (solução do solo) propriamente ditas. Entretanto, devido aos custos envolvidos nessas análises, outras formas de estimar a capacidade de sorção desses compostos no solo podem ser utilizadas. Entre elas, a técnica de bioensaio representa um método simples e de grande valia na determinação da capacidade sortiva e de resíduos de herbicidas no solo. Inicialmente, para a utilização dessa técnica, são feitas curvas de dose-resposta para cada composto, utilizando-se plantas indicadoras específicas ao mecanismo de ação de cada herbicida. As curvas de dose-resposta devem ser feitas no solo a ser estudado e em material inerte, preferencialmente areia lavada, isentos de qualquer resíduo. Após a aplicação de doses conhecidas do herbicida, são realizadas avaliações nas plantas indicadoras, as quais incluem fitoxicidade, altura da planta, comprimento de raiz, massa seca da parte aérea e raízes (Figura 5). Após as avaliações, utilizam-se modelos de regressão não-linear, como o proposto por Seefeldt et al. (1995):

em que D e C representam os limites superior e inferior da curva, respectivamente; b, a declividade da curva; e C50, a dose correspondente a 50% de resposta. O limite superior da curva D corresponde à respota média da testemunha e o limite inferior da curva C é a resposta média das plantas que receberam os herbicidas. O b descreve a declividade da curva em torno do C50.

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Figura 5 - Curva de dose-resposta para massa seca da parte aérea (% em relação à testemunha) de Sorghum vulgare, em função de doses crescentes de sulfentrazone (X) em Argissolo Vermelho-Amarelo (– – –) e em areia (____) Fonte: Vivian et al. (2005)

A partir dos dados obtidos de (C50) em solo e areia, utiliza-se a equação a seguir para expressar a relação de adsorção (RA) do solo em relação à resposta obtida em areia para a espécie indicadora (SOUZA, 1994). Considera-se que valores de RA elevados indicam maior capacidade de sorção do herbicida estudado no solo e, conseqüentemente, menor potencial de lixiviação do composto no perfil do solo. Um exemplo de curva de dose-resposta utilizada para o herbicida trifloxysulfuron-sodium em solo e areia pode ser observado na Figura 6. RA = C50solo – C50 areia C50 areia

Figura 6 – Curva de dose-resposta em solo (a) e areia (b) para trifloxysulfuron-sodium

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Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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2.4.2 - Isotermas de sorção Quando se deseja estudar o comportamento dos herbicidas em diferentes concentrações no solo, deve-se observar que a sua sorção geralmente não ocorre de forma linear com o aumento do herbicida adicionado. Isso é devido à capacidade limitada de formar ligações com o material coloidal e a variação do coeficiente de sorção com a temperatura e umidade do solo. Para a determinação de uma isoterma de sorção, é necessário determinar o Kd em diferentes concentrações iniciais do herbicida em solução. As isotermas utilizadas para descrever o comportamento de herbicidas no solo, em diferentes concentrações iniciais, podem ser classificadas, conforme o seu comportamentodo, em S, H, C e. Tipo S: é uma curva não-linear e convexa em relação à abscissa. Inicialmente a adsorção é baixa, mas com o aumento da concentração do adsorvato na superfície adsorvida, ocorre aumento na adsorção pela associação entre as moléculas. Isso ocorre em razão da baixa afinidade do adsorvato pela interferência de outras substâncias. A água é um forte competidor na adsorção à superfície coloidal, e, com o aumento na concentração do soluto, essa competição se reduz. Tipo H: ocorre quando o adsorvato possui altíssima afinidade pelo adsorvente, e a máxima adsorção ocorre em baixas concentrações. Desse modo, até que não ocorra a máxima adsorção, não será possível detectar as moléculas na solução. Esse tipo de adsorção ocorre com moléculas extremamente catiônicas ou compostos orgânicos catiônicos, adsorvendo-se nos minerais das argilas.

Figura 7 – Comportamento das isotermas de sorção
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 147

o coeficiente de adsorção da isoterma de Freudlich. embora empírico. reduzindo a energia de interação proporcionalmente ao recobrimento da superfície. Novos grupos funcionais são criados no processo de adsorção. em função da sua concentração. diminuem a afinidade e declividade. Cs representa a quantidade do herbicida adsorvido no solo (mg g-1). É o tipo de adsorção mais comum que ocorre com os herbicidas no solo.Herbicidas: comportamento no solo . assim que a concentração deste aumenta. pode-se observar a equação empírica utilizada para descrever a isoterma de Freundlich e sua representação gráfica (Figura 8): Na equação. De forma análoga ao Koc. dando origem ao Kfoc. verifica-se que o incremento decresce na adsorção. descritos a seguir: a) O modelo de Freundlich. definido pelo Ibama para o Brasil. 1996). Existem dois modelos muito utilizados que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas conforme a sua concentração.Comportamento adsortivo do herbicida Clomazone. Tipo L: apresenta-se como uma curva côncava em relação à abscissa. permitindo a continuidade do processo. o coeficiente de adsorção Kf é considerado nas análises de capacidade de 148 Módulo 3. Caq a concentração de equilíbrio do herbicida na solução do solo (mg mL-1). verifica-se melhor ajuste pelos modelos de Freundlich e Langmuir. e a curva passa a ser de formato linear do tipo C. em solo argilo-siltoso Fonte: Mervosh (1995) Segundo o manual de testes para avaliação da ecotoxicidade de agentes químicos. Quando n for igual a 1. usando regressão linear e não-linear (isotermas de Freundlich) a 25 ºC.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Tipo C: a adsorção ocorre de forma linear conforme aumenta a concentração do adsorvato. Entre os modelos mais utilizados e que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas no solo. Esse modelo tem sido amplamente utilizado na determinação dos coeficientes de adsorção dos herbicidas no solo para uma determinada temperatura (CLEVELAND. o coeficiente de adsorção Kf aumenta linearmente conforme aumenta a concentração do herbicida. conforme aumenta a cobertura da superfície. de forma não linear. Figura 8 . Kf. a normalização do coeficiente de Freundlich em relação ao teor de carbono orgânico também pode ser calculada. considera que a afinidade inicial é alta e. e 1/n é um fator de linearização.4 . determinando a intensidade da adsorção. A seguir.

segundo as isotermas de Langmuir e Freundlich Módulo 3.4 . Quando todos os grupos funcionais estiverem preenchidos. por haver inúmeros interferentes nos estudos de adsorção a campo e em laboratório. Ce é a concentração de equilíbrio do herbicida na solução (mg mL-1) e K1 é o coeficiente de adsorção para o modelo de Langmuir. Quadro 1 – Classificação da capacidade de adsorção de agentes químicos no solo Kf 0 – 24 25 – 29 50 – 149 > 150 Classificação da Adsorção Baixa Média Grande Elevada b) O modelo de Langmuir baseia-se na adsorção em superfícies planas que apresentam número fixo de grupos funcionais e que cada um interagirá com uma molécula. Esse modelo é expresso pela seguinte equação: em que Cm representa a quantidade máxima do herbicida adsorvido (mg g-1). Sua classificação varia de pequena a elevada e reflete parcialmente a capacidade de movimento e persistência do composto no ambiente (Quadro 1). verifica-se que outras avaliações são necessárias para definição do real comportamento de herbicidas no solo. A energia de adsorção é a mesma para todos os sítios e independe da cobertura de superfície (Figura 9). Entretanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas adsorção de herbicidas no solo. tem-se a adsorção máxima.Herbicidas: comportamento no solo 149 . Figura 9 .Modelo da energia de adsorção em função da superfície de cobertura.

03 0.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas Em geral. 1999).28 ± 0. principalmente. (1984).23 0. verificaram que em solos com alto teor de matéria orgânica e baixo pH a lixiviação deste herbicida foi menor. estava relacionado ao aumento do conteúdo de carbono orgânico.Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas Em solos tropicais e subtropicais altamente intemperizados.23 ± 0. 2. No entanto.30 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2.4-D em solo arenoso Solo calcinado Solo com MO MO = matéria orgânica Fonte: Viera et al. Já Faloni (1999). o teor de matéria orgânica no solo desempenha importante papel quando se trata de contaminantes ambientais. 1992). Isto pode ser observado segundo os valores de Kf (Quadro 2) para o herbicida 2.05 20. também são importantes na sua sorção. a matéria orgânica tem grande importância para os processos de retenção de cátions e complexação de elementos tóxicos e de micronutrientes.07 Dessorção Kf 1/n 22.48 ± 0. no solo contendo matéria orgânica. Thompson et al. aeração e atividade da biomassa microbiana. estudando o comportamento do herbicida atrazine em Latossolo Roxo sob dois sistemas de manejo 150 Módulo 3. dos teores de carbono orgânico do solo (VELINI.08 1.4-D no solo.4-D. Mallawatantri e Mulla (1992) demonstraram que pelo menos 80% do incremento da sorção observada para metribuzin. diuron e 2. a sorção de herbicidas ao solo aumenta com o incremento da CTC (capacidade de troca catiônica). (1999).4-D. É responsável também pela estabilidade da estrutura do solo e infiltração de água. avaliando a persistência do herbicida 2. principalmente para aqueles recomendados em pré-emergência de característica não-iônica ou para os catiônicos. (1999) Adsorção Kf 1/n 39. como herbicidas e metais pesados. assim como a mineralogia do solo em questão. ao compararem solos com diferentes propriedades. CAMARGO.5 .Herbicidas: comportamento no solo .12 ± 0. em certos casos. Segundo Viera et al.4 .87 ± 0.5.Constantes de Freundlich obtidas a partir dos dados de adsorção de 2. constituindo-se num componente fundamental na sua capacidade produtiva (SANTOS. Ela interfere em todos os processos sortivos que possam ocorrer.80 ± 0. da área superfícial específica das partículas coloidais da fração argila e.16 ± 0. o pH. os quais serão abordados a seguir. Quadro 2 .23 ± 0.09 88.1 .05 A matéria orgânica é o principal componente que influencia a atividade dos herbicidas registrados para uso em solos tropicais. caracterizando a grande influência da matéria orgânica na adsorção de herbicidas ácidos.

as propriedades que mais se correlacionam com a sorção de herbicidas básicos e não-iônicos são a CTC e o teor de carbono orgânico (OLIVEIRA JR. et al. essa característica pode ser considerada a mais importante para esses herbicidas. Para alguns herbicidas. 1999). Kd) em função do teor de carbono orgânico do solo. não-polares como o alachlor. também percebeu que a matéria orgânica é a principal responsável pela adsorção deste herbicida.Herbicidas: comportamento no solo 151 .4 . é possível obter uma predição dos valores de Kd com base nos teores de carbono orgânico do solo (Figura 10). Figura 10 .. Uma vez que a maior parte da CTC nos nossos solos está relacionada à matéria orgânica. notadamente os não-iônicos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (convencional e direto). et al. No caso dos solos brasileiros. Fonte: Oliveira Jr. (1998b) Módulo 3. podendo-se ainda estimar a sorção de diversos herbicidas com base nos teores de carbono orgânico (Figura 11).Sorção de alachlor (expressa pelo coeficiente de sorção.

os quais representam a fração mais ativa da matéria orgânica do solo (NETO et al. et al. 1990. em relação ao teor de matéria orgânica total do solo. correlacionam-se melhor com os teores de humina do que os de ácidos húmicos ou fúlvicos da matéria orgânica do solo (PROCÓPIO et al. A disponibilização de maior ou menor número de sítios 152 Módulo 3. são citadas como um dos principais fatores que podem influenciar a sua capacidade de adsorção de pesticidas (WANG et al. 2000). 2001). A parte humificada é composta pelos ácido fúlvicos. disponibilidade de sítios hidrofóbicos e grupos funcionais. a matéria orgânica do solo encontra-se dividida em substâncias humificadas e não-humificadas.. As mudanças conformacionais provocadas nas moléculas da matéria orgânica... pela variação do pH do meio. normalmente. os minerais do solo e a população microbiana podem proporcionar a formação da diversidade de características dos compostos orgânicos do solo. aromaticidade. os quais variam conforme sua polaridade. Diversos estudos mostraram que a fração húmica apresenta maior correlação com a sorção dos herbicidas. (1999) Teoricamente.Herbicidas: comportamento no solo . o clima. 999). húmicos e humina. Essas diferenças podem interferir não só na retenção dos herbicidas.. 1997). Entretanto.4 . existe grande complexidade e variabilidade da matéria orgânica presente em diferentes solos. Herbicidas iônicos (em faixa de pH com baixa dissociação) e os não-ônicos. mas também na transformação e transporte destes (CORREIA. A fonte orgânica. também foram demonstradas especificidades na sorção dos herbicidas.Relação entre o coeficiente de sorção (Kd) e o teor de carbono orgânico do solo para herbicidas ácidos (linhas cheias) e para herbicidas básicos ou não-iônicos (linhas tracejadas) em solos brasileiros Fonte: Oliveira Jr. TRAGHETTA et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 11 . Dentre os componentes da fração humificada.

principalmente para aqueles cuja ação microbiana é a principal forma de degradação. 2001) Outras características do solo também podem afetar a sorção de herbicidas à matéria orgânica: o material de origem do solo. a adição de matéria orgânica ao solo acelera a degradação dos herbicidas.Simulação da adsorção de atrazine no modelo complexo de muscovita-ácido húmico. formando complexos argilo-orgânicos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas hidrofóbicos pelas mudanças conformacionais das moléculas também pode influenciar a sorção de herbicidas lipofílicos (PROCÓPIO et al. Contudo. pode ocorrer menor ação microbiana na degradação dessas moléculas. Além destes. Figura 12 . os solos com altos teores de matéria-orgânica apresentam menor tendência geral de lixiviação dos herbicidas. é o principal parâmetro levado em consideração na recomendação da dosagem de herbicidas aplicados Módulo 3. devido à proteção física e química das moléculas do herbicida na matéria orgânica. os tipos de minerais predominantes na fração argila. 1998). Entretanto.4 . a quantidade de matéria orgânica quimicamente protegida. é responsável pelas variações nos coeficientes de sorção de herbicidas encontrados na literatura. Fonte: Adaptado de Akim e Bailey (1998) Embora se verifique extrema quantidade de interferentes nas características de sorção de herbicidas à matéria orgânica. como pode ser verificado na Figura 12. na maioria dos trabalhos verificados. Dessa forma. representando menor risco de contaminação dos lençóis freáticos (COX. Prata (2001) também constatou que adição de vinhaça ao solo faz que o processo de mineralização do ametryn seja acelerado. sabe-se que sorção herbicida-matéria orgânica é mais estável do que aquela resultante da ligação com componentes minerais do solo. Atualmente.Herbicidas: comportamento no solo 153 . a presença de íons saturantes dos grupos funcionais da matéria orgânica e a especificidade dos íons (PIRES. podendo representar maior permanência desta no meio ambiente. entre outros.. 1994). a relação da textura do solo com a quantidade de matéria orgânica presente.

observou que a sorção do glyphosate é instantânea.Textura e mineralogia O conteúdo de areia. a textura é ainda o atual parâmetro utilizado para recomendação da dose dos herbicidas aplicados em pré-emergência ou pré-plantio incorporado. A presença de argilas de baixa atividade. Apesar de existir grande possibilidade de os solos mais argilosos apresentarem maiores teores de matéria orgânica. principalmente. permitindo que água. são característicos de regiões muito intemperizadas. Esses minerais apresentam fraca atração dos cátions entre as camadas expansíveis. podendo reter cátions. como a caulinita. como no caso dos herbicidas ácidos ou em altas concentrações de carbono orgânico. de clima tropical e subtropical. Prata (2002). silte e argila presente no solo é responsável pela classificação das diferentes classes texturais dos solos. extremamente elevada e está relacionada. Sabe-se. como a montmorilonita e vermiculita. A formação de cargas nos minerais 2:1 ocorre pela substituição isomórfica nas camadas tetraédrica e octaédrica. Já minerais 1:1.. Por sua vez. e não possuem a capacidade de expandir-se.5. uma elevação nas dosagens recomendadas para estes solos nem sempre é correta. não ocorre correlação entre o comportamento do herbicida e as concentrações de argila. os erros de estimação dos teores de matéria orgânica e o desconhecimento da sorção específica de herbicidas por alguns argilominerais presentes são um dos inúmeros fatores que devem ser considerados para a adequação nas dosagens dos herbicidas atualmente recomendados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas em pré-emergência. Suas cargas podem ser geradas nas bordas do mineral pela dissociação de prótons H+ dos grupos OH. e a matéria orgânica desempenha papel secundário no caso de solos oxídicos. Existem também dados demonstrando que os óxidos de ferro possuem maior capacidade de adsorver os herbicidas em relação aos óxidos de alumínio (Quadro 5).2 . principalmente naqueles com capacidade de doação de prótons com carga aniônica (herbicidas ácidos fracos). também que. e ambos 154 Módulo 3. Os óxidos de ferro e alumínio também atuam na sorção de diversos herbicidas. Em diversos casos observados. Em relação aos erros de estimação. possuem maior capacidade de adsorção de herbicidas (Quadro 3). contribuindo significativamente para o aumento na sorção desses compostos (Quadro 4). a riqueza de variação das argilas e a formação de compostos argilominerais representam diferentes possibilidades de adsorção dos herbicidas a essas partículas. citam-se a superestimação dos teores de matéria orgânica efetivamente capazes de adsorver as moléculas dos herbicidas e a profundiade de coleta (0-20 cm) utilizada na determinação dos teores de matéria orgânica do solo.4 . avaliando a adsorção e dessorção do glyphosate em três solos brasileiros com diferentes atributos mineralógicos. herbicidas e outras moléculas penetrem entre os planos basais e provoquem grande expansão do material. à fração mineral do solo. minerais de argila expansíveis (2:1) e de maior área superfical específíca. como o Brasil. Entretanto. Essas propriedades originam forças de atração de grande intensidade. 2.Herbicidas: comportamento no solo .

que à medida que o pH do solo aumenta (2. principalmente em solos muito intemperizados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas encontram-se presentes em grandes concentrações na maioria dos solos brasileiros. como os latossolos.5 a 6. Módulo 3. a qual será abordada com mais detalhes no item 3. pode-se verificar na Figura 13.Herbicidas: comportamento no solo 155 .Dissociação eletrolítica.1.pH do solo O pH é uma medida muito importante que pode interferir nos processos de sorção dos herbicidas.4-D. principalmente nos daqueles com grande capacidade de inonizarem-se (catiônicos e aniônicos).3 3. Entretanto.4 . o qual permanece disponível na solução do solo.Sorção de imazaquin em diferentes hidróxidos (Fe e Al) Tipo de Hidróxido Hidróxido-Fe Hidróxido-Al Fonte: Shaner (1989).653 174 2.3. contribuindo em relação à capacidade sortiva nesses solos.6 5. menor é a quantidade sorvida do herbicida no material coloidal. Quadro 3 . A influência do pH do solo no processo de retenção e degradação dos herbicidas está estritamente relacionada à capacidade de dissociação eletrolítica .0 6.3 .pKa dos compostos.5.7 Partição do Imazaquin (Sólido/Líquido) (μG/g:μG/mL) 2326:1 238:1 40:1 2:1 0:1 Quadro 5 .0).8 4. pH 3. para 2. Constante de Freundlich (Kf) 2.3 .Características de alguns minerais de argila importantes nos estudos de sorção de herbicidas em solo Característica Tipo de camada Capacidade de Expansão CTC (cmolc dm ) Área Superficial Específica (m2 g-1) -3 Montmorilonit Vermiculita a 2:1 2:1 Expansível 80-120 700-750 Ilita 1:1 Caulinita Não-expansível 2-10 25-50 2:1 NãoExpansão limitada expansível 120-200 15-40 500-700 75-125 Quadro 4 – Sorção de imazaquin em diferentes minerais de argila Mineral de Argila H-montmorilonita H-ilita Al-montmorilonita H-caolinita H-vermiculita Fonte: Dolling (1985).

6 6.4 . verifica-se novamente o decréscimo do coeficiente sortivo (Kd) do herbicida com o aumento do pH do solo.4-D em função do aumento do pH do solo No caso de imidazolinonas aplicadas ao solo. Goetz (1986) demonstrou que a quantidade de imazaquin que se liga a diferentes tipos de solo era diretamente relacionada ao pH (Quadro 6).Herbicidas: comportamento no solo .6 4. por exemplo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 13 – Sorção do herbicida 2. que a quantidade sorvida do herbicida aumenta à medida que o pH diminui. Quadro 6 –Sorção de imazaquin sob diferentes pHs em dois solos Tipo de solo Franco-arenoso Franco-siltoso Fonte: Goetz (1986) pH 5.3 6. 156 Módulo 3.2 5. novamente. Verifica-se.7 5. devido ao fatop que o pH influenciar fortemente a ligação das imidazolinonas às frações húmica e mineral do solo.5 Sorção (%) 53 53 0 62 40 25 Em trabalho similiar realizado com imazethapyr (Figura 14).

de modo geral. resultar em maior lixiviação do composto no perfil do solo. Figura 15 – Efeito do pH na lixiviação do herbicida imazaquin em colunas de solo Fonte: Inoue et al.Coeficiente de sorção (Kd) constatado para o herbicida imazetaphyr. (2002) O pH pode também influenciar diversos outros processos envolvidos na degradação dos herbicidas no solo: a lixiviação de chlorsulfuron.4 . em função do aumento do pH do solo. têm maior capacidade de sorção desses herbicidas e operações como a calagem podem afetar significativamente o seu comportamento. por exemplo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 14 . é maior em solos com pH alto e 157 Módulo 3. também. a diminuição da sua capacidade sortiva com o acréscimo do pH do meio pode. Fonte: Oliveira Jr. solos ácidos. especialmente em termos de lixiviação desses herbicidas. Nesse caso. (1998) Para herbicidas de maior persistência. conforme verificado na Figura 15.Herbicidas: comportamento no solo . além de possibilitar maior efeito do herbicida em culturas posteriormente instaladas no local.

Quanto maior for o pKa do herbicida. podendo ser encontrados na forma dissociada (ionizada) e não-dissociada (não-ionizada ou neutra). transformação e transporte. expressos normalmente na forma logarítmica (log Kow).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas baixo teor de matéria orgânica. os hidrofílicos (Kow <10). O comportamento dos herbicidas é muito influenciado pelo seu pKa.1 . Já os herbicidas polares. 2. Para 158 Módulo 3. embora a degradação do referido produto seja mais rápida em solos ácidos (GOMEZ DE BARREDA et al. Entretanto. o conhecimento das características moleculares dos herbicidas é muito utilizado no estudo do seu comportamento no ambiente.4 . a qual tem sido utilizada para substâncias presentes em solução aquosa. A polaridade é muito importante para penetração das moléculas dos herbicidas pela cutícula das folhas e também interfere nos processos sortivos com o solo.Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo As principais propriedades físico-químicas de um herbicida que influenciam o seu comportamento são: coeficiente de partição octanol-água (Kow). diz-se que maior é a sua hidrofilicidade. Conforme a fórmula molecular e pKa dos herbicidas eles.6. herbicidas com características apolares são considerados lipofílicos. e se adapta perfeitamente aos herbicidas em solução do solo. possuem maior afinidade às partes argilosa e mineral do solo. 2. podem ser classificados da seguinte forma: a) Herbicidas ácidos fracos: são os herbicidas cujas formas moleculares apresentam capacidade de doar prótons e formar íons carregados negativamente. pressão de vapor (P) e constante da Lei de Henry (H). Ao contrário. Essa definição está restrita apenas à definição clássica de Brönsted-Lowry.6. a maioria dos herbicidas possui em sua molécula uma região polar e outra apolar.Coeficiente de partição octanol-água (Kow) Esta propriedade indica a afinidade que a molécula do herbicida tem em relação à fase polar (representada pela água) e apolar (representada pelo octanol).Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa) O pKa representa a capacidade de dissociação que uma molécula do herbicida possui em água com diferentes pH. solubilidade.Herbicidas: comportamento no solo . 2. Os valores de Kow são adimensionais. Geralmente os herbicidas apolares ou lipofílicos (Kow >10. menor será seu caráter ácido e menor a sua capacidade de ficar aniônico.000) possuem maior potencial de se adsorverem a parte orgânica dos colóides do solo. Embora algumas propriedades estejam mais distintamente relacionadas aos processos específicos de retenção.6 . Quanto mais polar for o herbicida. 1993).2 . capacidade de dissociação eletrolítica quando em solução aquosa (pKa)..

8) b) Herbicidas bases fracas: são os herbicidas que apresentam a capacidade de receber prótons e formar íons carregados positivamente. Da mesma forma que os herbicidas ácidos. 1980). Figura 16 . Módulo 3. as concentrações da formas dissociada e neutra serão iguais. como o que ocorre para o paraquat e o diquat. como atrazine. Alguns outros compostos que reagem semelhantemente ao 2. quando o pH do solo for igual ao seu pKa.4-D. OLIVEIRA JR. este será prontamente dissociado e sua capacidade de ficar retido no solo será muito menor.4-D. maior será a tendência destes herbicidas de permanecer na sua forma dissociada ou protonada. PÈREZ. maior será a tendência de o herbicida estar na sua forma molecular (neutra) e maior será sua capacidade de se adsorver nas partículas coloidais do solo. podem atrair íons hidrogênio em uma solução ácida. Entretanto. picloram e demais herbicidas pertencentes ao grupo das sulfoniluréias e imidazolinonas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas esses herbicidas. O 2. CONSTANTIN. Alguns herbicidas de comportamento similar são simazine. 1995) e hexazinone. 2001). sendo sorvidos ao solo de forma irreversível. podendo competir com os sítios de adsorção de nutrientes no solo. Existe ainda um outro grupo de herbicidas tão básicos que possuem cargas positivas para todos os valores de pH verificados no solo (LEAVITT. Quanto menor o pH do solo em relação ao pKa do herbicida. por exemplo.Herbicidas: comportamento no solo 159 . seu comportamento será semelhante ao das moléculas não-iônicas.Comportamento de ionização de um herbicida ácido (2. passando a apresentar carga líquida positiva (Figura 17). quando o pH do solo for inferior ao seu pKa. Nesse caso. a molécula estará 50% na sua forma molecular ou neutra e 50% na forma dissociada (aniônica). Herbicidas pertencentes a essa classificação. podendo reduzir sua capacidade de adsorção (KOGAN. Quando o pH do meio for superior ao pKa do herbicida. cyanazine (PIRES et al. pode liberar íons hidrogênio numa solução básica ou neutra (Figura 16). pKa = 2. 2003.. quando o pH do solo for igual ao seu pKa.4-D são dicamba. sua forma molecular será favorecida. Quando o pH do solo for superior ao pKa destes herbicidas.4 .. podendo facilmente ser adsorvidos às partículas de argila e aos grupos funcionais que formam a CTC do solo.

7 . as isotermas de sorção e de dessorção diferem entre si. Alguns exemplos de herbicidas e sua classificação encontram-se no Quadro 7. embora se tenham verificado poucos estudos referentes a ensaios de dessorção na literatura. permanecendo em sua forma molecular na solução do solo. ser afetados pelo pH do solo e ficar retidos aos complexos argilominerais e ao material orgânico do solo. podendo ocorrer. EPTC e diuron.7) c) Herbicidas não-iônicos: os herbicidas que não doam nem recebem prótons na solução do solo são considerados não-iônicos. em função dessa condição. altíssima dessorção do herbicida. como observado por Pusino et al.Dessorção A dessorção representa a liberação da molécula do herbicida anteriormente sorvida. Entre esses herbicidas estão incluídos trifluralin. possibilitando maior permanência deste no ambiente. elevados índices de histerese indicam maior dificuldade de o herbicida sorvido retornar para a solução do solo. A informação da capacidade dessortiva do herbicida no solo pode ser muito importante. alachlor. Neste caso.Comportamento de ionização de um herbicida base fraca (atrazine.Herbicidas: comportamento no solo . Contudo. metolachlor.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 17 . 160 Módulo 3. Em outros. O índice H de histerese pode ser obtido pela equação H= na/nd. comparativamente aos herbicidas iônicos. (1993). 2.4 . esses efeitos são geralmente de menor intensidade. respectivamente. Conforme Southwick et al. (2003) (Figura 18). dando origem ao fenômeno denominado histerese (H). Embora sejam não-iônicos. por relacionar o seu efeito residual e persistência no solo. em que na e nd representam as curvaturas obtidas nos ensaios de adsorção e dessorção. A intensidade da dessorção reflete o grau de reversibilidade do processo sortivo. muitos deles podem ser polares e. Os herbicidas não-iônicos não reagem com a água e não carregam uma carga elétrica líquida. a sorção é praticamente irreversível e não ocorre retorno do herbicida à solução do solo. em alguns casos. pKa = 1.

imazetaphyr. e • problemas inerentes à metodologia de determinação. chloroxuron Diversas explicações têm sido propostas no intuito de elucidar a não-singularidade das isotermas de dessorção. • falhas no estabelecimento do equilíbrio. (2003) 3 .Curvas de adsorção ( ) e dessorção ( ) observadas para triasulfuron em três solos com diferentes teores de argila e materia orgânica. diuron. são: • transformações químicas ou biológicas que o composto em questão pode sofrer. a demanda hídrica para o abastecimento urbano. propanil. isopropalin Chlorprophan. propachlor Linuron. os problemas de contaminação de aqüíferos no território brasileiro têm despertado pouco interesse dos pesquisadores. segundo Pignatello (1989). imazapyr. trifloxysulfuron-sodium. propazine. triclopyr. prometone. industrial e agrícola Módulo 3.Herbicidas: comportamento no solo 161 . cyanazine.Processos de transporte O transporte de herbicidas no solo representa um dos processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente e se destaca. imazaquin. chlorimuron-ethyl Bromacil.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 . MCPA. Figura 18 . MSMA. atrazine. oryzalin. prophan Dichlobenil Isopropyl éster de 2. principalmente. Além disso. paraquat Ametryn. metolachlor. DSMA Não-iônicos Methoxychlor Trifluralin. picloram. metribuzin. Embora freqüentes. swep. Pusino et al.Herbicidas e sua classificação conforme fórmula e grupos funcionais Catiônicos Básicos Ácidos Diversos Organofosforados Dinitroanilidas Carbamatos Benzonitrila Ésteres Anilidas Uréias HERBICIDAS Iônicos Diquat. porém as mais aceitas.4-D.4 . 2.4-D Alachlor. por influenciar a capacidade de contaminação dos recursos hídricos subsuperficiais. simazine Dicamba.

a volatilização e a lixiviação. é mais pronunciado quando o produto é aplicado e logo após ocorre chuva intensa no local. 1996. 2000). Quadro 8 . além. destaca-se o escorrimento superficial. 1994). 3. das práticas culturais. mesmo quando a quantidade total transportada é pequena. No entanto. como no caso do metolachlor (BUTTLE.5 <0.Perdas de herbicidas no solo por diferentes processos de transporte Tipo de transporte Volatilização Lixiviação Run-off Fluxo preferêncial % de perda do i.a aplicado <2 . Dentre as principais formas de transporte nos estudos de herbicidas em solo.25 1-9 Referência Taylor (1995) Flury (1996) Vicary et al (1999a) Vicary et al (1999b) Em certos casos. O maior potencial de movimento de herbicidas por escorrimento superficial ocorre logo após a aplicação. pendimethalin e oxyfluorfen) em reservatórios de água. especialmente no caso de herbicidas aplicados em pré-emergência. a quantidade total de herbicida que pode ser perdida por meio desse processo normalmente não excede 1% do total aplicado (Tabela 6).Herbicidas: comportamento no solo . Já Pfeuffer e Rand (2004) monitoraram os pesticidas entre 1992 e 2001 no sul da Flórida. Entre alguns trabalhos citados na literatura. 1990). dos herbicidas no solo. BOWMAN et al. 1993. Os autores constataram que a maior parte da contaminação era proveniente do escorrimento superficial de áreas irrigadas pulverizadas e que a maior concentração de resíduos ocorria nos primeiros 15 minutos da água.90 <1 . de áreas pulverizadas para aquelas que não receberam diretamente o produto. as perdas podem ser altas.Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in) Os termos run-off e run-in representam o movimento ou escorrimento em superfície e subsuperfície. em certas situações. CARTER. O arraste das partículas coloidais. constatando que os herbicidas ametryn e atrazine foram os compostos mais comumente encontrados em águas 162 Módulo 3.. é claro. respectivamente.. em áreas irrigadas com intensa atividade agrícola. na Carolina do Sul. da natureza e dose das aplicações e da declividade da área. na maior parte dos casos. Keese et al. do tipo de solo em questão.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tem se elevado nos últimos anos e poucos estudos são conduzidos com o objetivo de retardar o transporte de herbicidas sob condições tropicais. Todavia. A intensidade de perdas depende muito do sistema de plantio adotado (SETA et al.4 .001 – 0.1 . juntamente com as moléculas dos herbicidas. (1994) relataram a detecção de resíduos de herbicidas (oryzalin. para o qual se verificou perda do herbicida aderido aos sedimentos variando entre 9 e 58% do total aplicado ao solo. o somatório de diferentes pesticidas carreados simultaneamente para uma mesma bacia hidrográfica pode comprometer a qualidade da água em relação ao seu aproveitamento posterior (DOMAGALSKY.

44 x 104 mm Hg. existe maior probabilidade de o herbicida ser sorvido diretamente às partículas de solo (Quadro 10).8 2.1 5. 25 °C) aos 84 dias após a aplicação ao solo 14 Volatilizado Mineralizado Total extraído do solo Não extraído (resíduos ligados) Total recuperado Fonte: Mervosh et al. Estudos apresentados por Rand (2004). Módulo 3. sendo o efeito mais pronunciado quanto maior for a PV do herbicida. Além disso. EUA. mas.Fatores que influenciam a volatilização Vários fatores influenciam diretamente a volatilização de herbicidas presentes no solo. os valores devem ser determinados à mesma temperatura. já que a água funciona como uma interfase entre a molécula e as partículas do solo. as perdas podem aumentar significativamente em função do aumento de temperatura.4 . podendo se perder para a atmosfera por evaporação.5 9. solos úmidos perdem mais herbicida por volatilização que um solo seco.5 98.Herbicidas: comportamento no solo 163 .2 . juntamente com DDD e DDE foi o composto detectado com maior freqüência em sedimentos de rios de áreas agrícolas na Flórida.4 60.2. (1995) C Recuperado (% do Total de 14C-Clomazone Aplicado) Temperatura de Incubação (°C) 5 15 25 35 DMS5% 1.4 15. de modo geral. É por isso que.7 10.8 9.4 1. Quadro 9 .Efeitos da temperatura de incubação na distribuição de 14C-clomazone (PV=1.3 7.4 2. esta é aumentada por: a) Elevação da temperatura: a temperatura do solo afeta a volatilização de produtos em função da alteração da pressão de vapor.0 0.0 NS b) Aumento da umidade do solo: o aumento da disponibilidade de água no solo facilita a perda de vapor.2 0. 3.4 68. 3. a elevação da temperatura aumenta a taxa de evaporação da água presente no solo.1 . Em solos secos.8 78. também mostraram que ametryn.8 93.7 96.Volatilização A volatilização é o processo pelo qual o herbicida presente na solução do solo passa para a forma de vapor.1 95.0 4. No caso do clomazone (Quadro 9).8 15.1 3.8 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superficiais. para efeito de comparação da PV de dois produtos distintos.5 92.

O potencial de volatilização de um herbicida geralmente pode ser estimado indiretamente. no entanto.2 80. a 20 °C). Herbicidas mais solúveis.0 67.3 15. é a conseqüência de maior importância imediata da volatilização no que diz respeito às atividades agrícolas.Pressão de vapor (P) A pressão de vapor é a pressão exercida por um vapor em equilíbrio com um líquido. a pressão de vapor (P).3 mg L-1. sendo expressa normalmente em mm de Hg. principalmente da solubilidade do composto em questão.4 kg ha-1 à superfície do solo Temperatura do ar ( ) 0 4. Além disso. depois de sua aplicação.Efeito da temperatura na perda de EPTC após a aplicação de 3. No caso do EPTC. por meio de suas propriedades químicas. a formulação granulada pode reduzir entre 60 e 100% as perdas por volatilização (GRAVEEL.8 12. o que. como o EPTC (S=370 mg L-1. sem dúvida. necessitam ser mecanicamente incorporados ao solo. como o trifluralin (S = 0.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 10 .0 12. É uma indicação da 164 Módulo 3.4 15.2.6 37.5 26. como a estrutura. o peso molecular e. 3.7 Fonte: Gray e Weierich (1965) °C Perda de EPTC em 24 h.7 A volatilização pode ser tão significativa para alguns produtos que. b) Formulação do produto: para muitos herbicidas com maior potencial de volatilização têm sido desenvolvidas novas formulações com adjuvantes.2 . neste caso. 1994). a uma determinada temperatura.Alternativas para redução de perdas por volatilização a) Incorporação de herbicidas ao solo: a incorporação pode ser feita tanto com implementos quanto pelo uso de irrigação após a aplicação do herbicida. principalmente. A escolha da forma de incorporação depende. a 25 °C).3 .4 .Herbicidas: comportamento no solo . ao passo que herbicidas menos solúveis. algumas alternativas que podem reduzir a volatilização e manter a eficiência desses herbicidas. Existem. TURCO.4 12.2.0 9. 3. eles precisam ser incorporados imediatamente ao solo para que não haja redução substancial de sua eficiência.2 75. o uso de formulações granuladas em vez das líquidas pode contribuir para diminuir as perdas por volatilização. % do Total Aplicado Solo Úmido Solo Seco (14% de Umidade) (1% de Umidade) 62.2 81. podem ser incorporados com uma irrigação adequada. com a função de reduzir a evaporação.

Além do valor específico da pressão de vapor.0 x 10-7 < 1. Nota-se que o problema de volatilização é particularmente importante para alguns grupos químicos. Pequeno.0 x 10-5 < 1. Perdas pequenas podem ocorrer sob alta temperatura.1 x 10-4 3. Volátil.5 x 10-6 3.1 x 10-5 1.0 x 10-8 9.Herbicidas: comportamento no solo . Portanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tendência da substância química em escapar na forma de gás. quanto maior a pressão de vapor. TURCO. No Quadro 11 encontram-se valores de pressão de vapor de alguns herbicidas aplicados ao solo.9 x 10-8 -16 PV (mm Hg.Pressão de vapor (PV) e potencial de volatilização de alguns herbicidas Grupo Químico e Princípio Ativo Cloroacetamidas Acetochlor Alachlor Butachlor Metolachlor Dinitroanilinas Trifluralin Isopropalin* Oryzalin Pendimethalin Tiocarbamatos Butylate* EPTC* Molinate Vernolate* Sulfoniluréias Chlorimuronethyl Nicosulfuron Oxasulfuron Imidazolinonas Imazamethabenz* Imazapyr Imazaquin Imazethapyr Imazamox Piridazinonas Norflurazon Triazolopirimidin 1.4 x 10-8 1. 25 oC) 3.2 x 10 <1. imidazolinonas e sulfonamidas.0 x 10-7 2. Perdas ainda maiores se não incorporados e. solo úmido e vento. normalmente em razão da melhoria na qualidade de suas formulações.1 x 10-2 4.3 x 10-2 3. Perdas por volatilização são muito variáveis. podendo ser perdido em quantidades significativas quando não incorporado ou em solo úmido. Grupos químicos de desenvolvimento mais recente.1 x 10-8 < 1. a intensidade e a velocidade de volatilização de um herbicida dependem também da intensidade e velocidade de movimento até a interface (normalmente a superfície do solo) onde ocorre o processo.5 x 10-8 1.4 x 10-6 Potencial de Volatilização Muito baixo Baixo a moderado Baixo Baixo. Quadro 11 . Muito alto. podendo ser de 10 a 90%. como as sulfoniluréias. mais provável que um líquido vaporize-se. mas pode ser significativo se não incorporado.0 x 10-12 1.6 x 10-5 4. 1994).0 x 10-8 < 1. Perdas mínimas que não reduzem a eficácia do produto nãoincorporado. podendo aumentar sob certas condições. as quais muitas vezes incorporam adjuvantes com a finalidade de reduzir a volatilização.4 . comparada a uma perda típica de 0 a 4% por lixiviação e 0-10% por escorrimento superficial (GRAVEEL. como as dinitroanilinas e os tiocarbamatos. já não apresentam esses problemas.4 x 10-2 5.6 x 10-3 1. Muito baixo 165 Módulo 3.0 x 10-7 < 2. em solos úmidos Idem Idem Idem Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Perdas significativas quando não incorporado. ou. Moderado.

8 x 10-15 3. 25 oC) 2. PÈREZ. Acima dessa concentração. hidrólise e oxidação) e transporte (ex: volatilização da solução e lavagem da atmosfera pela água da chuva) também são afetados pela extensão da solubilidade em água dos herbicidas. Moléculas altamente solúveis são rapidamente distribuídas no ciclo hidrológico. O KH é um coeficiente de partição entre o ar e a água (solução do solo).4 . exceto quando é exposto a condições quentes e secas por vários dias. a solubilidade em água é um dos mais importantes. ou constante da lei de Henry. há casos em que moléculas de elevada massa molecular apresentam baixa solubilidade. duas fases distintas existirão. Hatzios (1998) e Rodrigues e Almeida (2005) 3. 3.Herbicidas: comportamento no solo . dependendo se o herbicida for um sólido ou um líquido na temperatura do sistema: uma fase saturada de solução aquosa e uma fase líquida ou sólida do herbicida (LAVORENTI. Em geral. 1996). em razão de apresentarem coeficientes de sorção para solos e sedimentos relativamente baixos.5 . Insignificante. maior será a sua afinidade por água.4 . mesmo quando forem iônicas (KOGAN. quanto mais iônico.7 x 10-5 6. pouco ou não solúveis. exceto quando solo está quente e não é ativado pela chuva por vários dias após a aplicação. são.Solubilidade A solubilidade (S) de um herbicida em água é. mais provável que o composto em questão seja solúvel. logo. De modo geral. Dos vários parâmetros que afetam o destino e o transporte de herbicidas.0 x 10-16 Potencial de Volatilização Desprezível Muito baixo 1.9 x 10-8 Insignificante.Relação entre PV e S A combinação de PV e S pode ser expressa através de uma constante denominada KH. * Atualmente não registrados para uso no Brasil Fontes: Adaptado de Ahrens (1994). sem carga. a solubilidade de um herbicida e sua sorção no solo estão inversamente correlacionadas. Por sua vez. por definição. 166 Módulo 3. moléculas orgânicas grandes.2. isto é. dentro de um mesmo grupo químico. Outros meios de degradação (ex: fotólise. o aumento no peso molecular diminui a solubilidade. maior a sua solubilidade. portanto. maior solubilidade resulta em menor sorção.2. Seu valor geralmente é expresso em mg L-1 (normalmente a 25 °C) e é um reflexo da polaridade da substância química. 2003).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Grupo Químico e Princípio Ativo as Flumetsulam Cloransulammetil Derivados da uréia Linuron Diuron PV (mm Hg. No entanto. Quanto maior a quantidade de grupos hidrofílicos na molécula do herbicida (mais polares). a quantidade máxima de herbicida que se dissolve em água pura a uma determinada temperatura.

As duas propriedades mais importantes no que diz respeito ao processo de lixiviação são a sorção e a persistência do produto. podendo ser usado também como indicativo do potencial de volatilização de determinados herbicidas. O KH é muito importante para os herbicidas na fase líquida do solo. a distância torna a difusão para a superfície do solo mais difícil. dependendo da densidade de plantas. cujos valores elevados de KH indicam que os solutos são altamente voláteis A constante da lei de Henry é definida pela equação: KH e PV são constantes proporcionais. 1989). em virtude da alta concentração numa fina camada superficial do solo. Experimentos em vaso demonstraram que as plantas podem absorver de 1 a 10% do total de herbicida disponível. (1988). Uma revisão bastante completa acerca das bases termodinâmicas e da determinação experimental de K¬H pode ser encontrada em Suntio et al. ocorre a diluição da concentração.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas sendo semelhante ao coeficiente de sorção (Kd) usado para descrever a sorção ao solo. Quando se realiza a incorporação do herbicida. 3. das espécies presentes.6 .4 . A sorção regula o potencial de um herbicida ser Módulo 3.2. a absorção pelas plantas participa com pequena porcentagem na remoção do total presente no solo. podendo reduzir as suas perdas.4 .Absorção pelas plantas A porcentagem de herbicida que a planta absorve do solo é difícil de ser medida. Como a perda por volatilização é dada pelo produto de KH por concentração. 3.Herbicidas: comportamento no solo 167 . KH também pode ser usado como indicativo do potencial de volatilização de determinado herbicida.3 . 3. etc. mesmo compostos considerados não ou pouco voláteis podem apresentar certa perda.Lixiviação O destino de herbicidas aplicados ao solo depende muito das propriedades químicas da substância em questão. Além disso. Portanto.Relação entre KH e incorporação de herbicidas A aplicação de um herbicida na superfície gera uma alta concentração numa fina camada de solo. Trabalhos feitos com outros herbicidas no campo mostram que as plantas podem remover de 2 a 5% do total de herbicida no solo (SHANER. portanto. do volume de solo.

6 Benazolin 2.4 Mecoprop Simazine 5. proposto por Gustafson (1989). para classificá-los como lixiviadores (Koc < 300 (L kg-1) e t ½ vida > 21 dias) e não-lixiviadores (Koc > 500 (L kg-1) e t ½ vida < 14).1 mg L-1 Águas de superfície Águas subterrâneas Isoproturon 19. embora solubilidades muito baixas possam limitar o transporte com a água.1 a 1% do total aplicado. esse percentual pode ser igual ou superior a 5% (Carter. como o realizado pelo National Center for Ecotoxicology and Hazardous Substances. a quantidade do herbicida perdido pela movimentação no perfil do solo é geralmente entre 0. (1984) propuseram uma relação entre o Koc e a meia-vida (t ½ vida) dos herbicidas. 2000).4 Linuron Chlorotoluron 3. do Reino Unido apontaram alguns dos herbicidas com excesso de resíduos nas amostras de águas avaliadas (Quadro 12).7 Atrazine 2. Entre os critérios mais divulgados e aceitos para a classificação de herbicidas conforme seu potencial de lixiviação está o índice GUS (Groundwater Ubiquity Score).8 Bentazone 1.8 são considerados 168 Módulo 3.0 0.1 1.1 Fonte: 4. cujo critério é ainda utilizado pelo California Department of Food and Agriculture (CDFA).1 Bromoxynil 1.4-D 5.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas perdido com sedimentos ou por lixiviação.9 0. com o objetivo de verificar a contaminação das reservas hídricas por pesticidas.4 Environment Agency. esses modelos têm contribuído na redução dos custos de análise e também na prevenção de desastres ambientais. Em condições normais.9 Chlorotoluror 2.5 Isoproturon Diuron 10. em determinadas circunstâncias. Entre os estudos realizados.1 Dichlobenil 1. Cohen et al.Herbicidas: comportamento no solo . mas. cuja equação a seguir estabelece que herbicidas com índice GUS<1. Quadro 12 – Percentual de amostras de águas avaliadas no Reino Unido que excederam o limite de resíduos permitido Herbicidas com % amostras excedendo 0. Alguns estudos. Widerson e Kim (1986) simplificaram essa caracterização e definiram que os herbicidas que possuíssem valor de Koc menor que 512 (L/kg) e meia-vida (t ½ vida) superior a 11 dias seriam classificados como lixiviadores. Em 1986.5 Atrazine Mecoprop 12. A solubilidade é de importância secundária.6 Terbutryn 1. lagos e águas em profundidade. Embora empíricos. 1999 Além das avaliações in locu.6 Diuron CMPA 7.8 1. alguns estudos têm sido realizados com o intuito de prever o potencial desses compostos de atingir rios.4 0.

para que um herbicida seja lixiviado. ao passo que índices superiores a 2. Recentemente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas como não-lixiviáveis. ele deve estar na solução do solo ou adsorvido a pequenas partículas. ácidos fúlvicos e húmicos de baixo peso molecular. Quadro 7 . peptídeos e açúcares. entre outros.4 . O índice é definido pela soma de inúmeros fatores: P (persistência). V (volatilidade) e IT (índice toxicológico).Herbicidas: comportamento no solo 169 . como argila. D (dose). Aqueles com valores entre 1.8 e 2. o seu efeito sobre o meio ambiente. cujo resultado representa. além de possuir t ½ vida elevada.. aminoácidos.8 representam produtos lixiviáveis. sendo adotada por inúmeros estudos que buscam relacionar o potencial de lixiviação dos herbicidas no solo com a contaminação de lençóis freáticos. Kogan e Allister (2004) propuseram o IRA – Índice de Risco Ambiental.8 são considerados de potencial lixiviador intermediário: GUS = log t½ * (4 – log Kfoc) A equação utiliza os valores de t½ vida do herbicida e o coeficiente de sorção normalizado para teor de carbono orgânico do solo. M (mobilidade). para que o fluxo hídrico consiga carrear o herbicida pelo perfil do solo (OLIVEIRA JR. Entretanto. além da capacidade de lixiviação do herbicida. cujo resultado final permite elencar os compostos em relação ao maior ou menor risco para o meio ambiente (Quadro 13).Relação de herbicidas classificados conforme somatório obtido pelo IRA – Índice de Risco Ambiental Herbicida Trifluralin Hexazinona Paraquat Imazapyr Triclopyr Oxyfluorfen Linuron Sulfentrazone Isoxaflutole Haloxyfop Oryzlain Glyphosate Fluazifop Amônio-glufosinato Sethoxydim P 2 3 4 3 1 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 D 4 1 3 1 1 2 1 1 1 1 3 3 1 1 1 V 4 1 1 1 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 M 1 4 1 4 4 1 2 4 4 3 1 1 1 1 1 IT 4 2 2 2 2 3 3 2 2 3 3 2 3 2 2 IRA 15 15 11 11 11 10 10 10 10 9 9 8 7 6 6 Módulo 3. 2001).

por análise de regressão linear. os intervalos de tempo 170 Módulo 3.4 . 1993).693. normalmente utilizam-se equações não-lineares de regressão (bi-exponen¬ciais) para o cálculo da t ½ vida de herbicidas no solo. além da própria molécula do herbicida. Essa equação pode ainda ser simplificada assumindo que. a constante de degradação. a degradação refere-se a um conjunto de transformações físicas. e. Ct a concentração no tempo t. a qual é extremamente importante para predizer o risco de contaminação de lençóis freáticos. A t ½ vida é definida como o tempo necessário para que ocorra a dissipação de 50% da quantidade inicial do herbicida aplicado. e K. considera-se que resíduos de herbicidas no solo sejam quaisquer substâncias resultantes da sua aplicação.Persistência De forma prática. Essas substâncias podem incluir produtos de degradação (metabólitos). Para modelos lineares. Co a concentração inicial e k. a constante de degradação. em que Ct representa a concentração no tempo t. O seu cálculo deriva do modelo de primeira ordem definido pela equação: Ln C0/Ct = K * t em que C0 é a concentração inicial do herbicida. De forma geral. conforme fórmula que segue: t 1/2= 0. A degradação de moléculas de herbicidas no solo e o conhecimento dos principais mecanismos responsáveis pela aceleração ou pelo retardamento do processo influenciam diretamente a persistência desses compostos no ambiente. pode-se estimar a t ½ vida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . A persistência desses compostos é normalmente medida pela meia-vida (t ½ vida). A equação anterior admite que a taxa de degradação diminui linearmente com o decréscimo da concentração.Processos de transformação Os processos de transformação das moléculas de herbicidas presentes no solo e água são decorrentes da degradação dessas moléculas em compostos secundários.1 . CO2 e compostos inorgânicos (MELTING.693/K Entretanto.Herbicidas: comportamento no solo . químicas e biológicas que levam à formação de metabólitos ou à completa mineralização das moléculas. como a apresentada a seguir. o ln será igual a 0. 4. quando C0/Ct for igual a 2. nos quais somente uma linha de dissipação é apresentada. até a sua completa mineralização. obtendo-se como produto final água.

9-12 (1982) 54-63 Novo et al.3 0.8 6.Valores de meia-vida (t ½ vida) observados para alguns herbicidas em solos do Brasil Herbicida Tipo de solo Classe Latossolo Vermelho-Escuro Atrazine Glei húmico Simazine Trifluralin Metribuzin Latossolo roxo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Módulo 3. ao aumentar a dose de aplicação do herbicida.7 4. dentro dos limites de uso agrícola.2 1. ambiente (temperatura e precipitação) e práticas culturais (sistema de plantio e doses aplicadas). Por outro lado. pH e textura).7 2. No Quadro 15 são mostrados os valores de meia-vida de alguns herbicidas em solos do Brasil.4 .8 5. (1997) 10-16 Ravelli et al. para que o herbicida atinja e contamine águas superficiais e subsuperficias.3 1.6 5. (1995) Nakagawa et al. (1997) Campanhola et al. 1996). No entanto.4 4. (1997) 8-13 Ravelli et al.1 7.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas considerados podem fornecer estimativas e interpretações errôneas da t ½ vida de herbicidas (BLUMHORST. população de microrganismos presentes. a classificação de um herbicida como “persistente” ou “não-persistente” varia de acordo com o propósito da classificação. a t ½ vida poderá ser alterada e maior quantidade do herbicida estará disponível no ambiente.Exemplos de classificações de herbicidas quanto à persistência no solo Inglaterra Classe Não-persistente Levemente persistente Moderadamente persistente Muito persistente Fonte: Adaptado de Roberts (1996) e Foloni (1997) t1/2 (dias) <5 5-21 22-60 >60 Brasil (IBAMA) Classe Não-persistente Medianamente persistente Persistente Altamente persistente t1/2 (dias) <30 30-180 180-360 >360 Quadro 15 . (1997) Ravelli et al.7 2. (1997) 54 5-29 8-21 8-26 Ravelli et al. (1997) Ravelli et al.6 3. em muitos casos.0 Podzolico Vermelho-Amarelo 0-10 Chlorsulfur on Latossolo Eermelho-Escuro . embora a t ½ vida sirva de parâmetro para avaliação do tempo de permanência do herbicida no ambiente.8 4. Ct =C0 * e -kt Sabe-se que valores altos de t ½ vida contribuem. (1993) 7-21 Ravelli et al.4 5. No Quadro 14 encontram-se exemplos de classificações adotadas na Inglaterra e no Brasil.4 5.2 5. Assim. sua persistência é basicamente dependente de quatro fatores: solo (teor de carbono orgânico.6 0. (1997) 171 3. (cm) 0-14 0-10 0-30 50-200 0-40 100200 0-15 70-150 MO Argila Areia pH (%) (%) (H2O) (%) 45 28 17 39 47 44 47 48 61 48 56 40 63 72 20 48 46 44 28 27 27 24 5.6 9. Quadro 14 .3 1.Herbicidas: comportamento no solo Prof.2 a t1/2 Referência (dias) Nakagawa et al. 56 (1995) 22 Blanco et al.6 4.

podem-se citar. a qual é reduzida à medida que se afasta da camada superficial do solo. Eventuais alternativas para minimizar o problema de carryover incluem a redução das doses (pode não resolver o problema em certos tipos de solos) e a aplicação em faixas ou dirigida em vez de em área total (reduz a quantidade total de herbicida aplicado). que pode ser definido como sendo os resíduos fitotóxicos que permanecem no solo e que venham a afetar culturas sensíveis plantadas em rotação após aquelas culturas em que foi utilizado o herbicida.4 . É o caso do imazaquin em relação ao trifluralin. Herbicidas com maior persistência podem resultar no fenômeno denominado carryover.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nas Figuras 19 e 20 são encontrados exemplos de comportamentos de persistência de herbicidas em um Latossolo Roxo distrófico (LRd). 172 Módulo 3. Isso ocorre principalmente para compostos cuja degradação é fortemente influenciada pela atividade microbiológica do solo. as que seguem. Observa-se que os herbicidas tendem a persistir por período mais prolongado quando lixiviam mais rapidamente para horizontes subsuperficiais.Herbicidas: comportamento no solo . Entre as principais formas pelas quais os herbicidas são degradados.

provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de imazaquin Fonte: Silva et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 19 . (1998) Módulo 3.Herbicidas: comportamento no solo 173 .Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A).4 . 150 (B) e 180 (C) DAA.

150 (B) e 180 (C) DAA. provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de trifluralin Fonte: Silva et al.4 . (1998) 174 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 20 .Herbicidas: comportamento no solo .Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A).

Conjugação: quando o substrato torna-se mais complexo pela adição ou complexação com metabólicos microbianos.Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação O termo biodegradação refere-se à transformação biológica de um composto químico orgânico em outra forma. Estudos mais detalhados indicam que a biodegradação pode ser por: Alteração não-tóxica: conversão de uma molécula não-tóxica. Esse fenômeno pode ocorrer em solos extremamente secos embora seja facilitada naqueles cuja condição se aproxima da sua capacidade de campo e com temperaturas elevadas. Módulo 3. 4. entre eles: • características estruturais do composto: quantidade de substituição e natureza do grupo introduzido no núcleo central da molécula. Embora para a grande maioria dos herbicidas aplicados ao solo os processos de degradação mediados por microrganismos sejam mais importantes. A estabilidade desses herbicidas sugere que a hidrólise química não é um mecanismo importante na sua degradação no solo (SHANER. envolvendo várias reações seqüenciais. implicando a perda ou alteração da toxidez da molécula. no qual ocorre a quebra de pontes químicas das moléculas herbicidas devido à substituição de um ou mais átomos por íons hidroxil da água (OH-). por exemplo são extremamente estáveis nas faixas de pH normalmente encontradas no solo e apresentam t ½ vida normalmente maior que seis meses. O pH do solo também auxilia na velocidade da reação. podendo se tornar recalcitrante e mais tóxico. em geral. em um produto não-tóxico e desativado. A hidrólise representa um processo geral de reação do herbicida com a água. cujos principais mecanismos envolvidos são a oxirredução e hidrólise desses compostos. Ativação: conversão. Detoxificação: conversão de uma molécula tóxica em um produto menos tóxico ou atóxico. envolvendo mudanças estruturais na molécula. pelo início de uma série de atividades degradativas que ocorrem no solo e torna-se indispensável para os processos de transformação das moléculas de herbicidas no solo. de um substrato não-tóxico em uma molécula com ação biocida. ou mais complexa.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. por ação enzimática.Degradação química A degradação ou decomposição de herbicidas no solo por meio de reações químicas e nãobiológicas são comuns para diversas moléculas. redução ou perda de um grupo funcional. como uma oxidação. mas com potencialidade de ativação e toxidez.4 . As imidazolinonas. O fenômeno da recalcitrância (baixa degradabilidade no solo) é bastante complexo e regulado por outros fatores.Herbicidas: comportamento no solo 175 . Essa transformação pode ser primária.2 .3 . a hidrólise química é responsável. 1989).

H2O. (2001) observaram a biodegradação acelerada de carbetamida por microflora adptada. representada principalmente por fungos e bactérias. esse fenômeno tem sido questionado a partir de duas considerações: a primeira é de que a degradação acelerada seria resultado do aumento do número de microrganismos selecionados pelo herbicida e. diminuindo com a profundidade. Sabe-se. Entretanto. embora os produtos finais sejam CO2. SHELTON. é mais abundante nas camadas superficiais do solo. 1996). Mineralização: considerado sinônimo de degradação. os estudos ainda não permitem uma definição sobre a modificação ou atividade mircrobiana envolvida na degradação acelerada de herbicidas. a ação microbiana pode modificar a estrutura química do produto. com utilização do composto como fonte de carbono e energia. Além disso. Contudo. 1996. sendo um dos maiores mecanismos envolvidos na degradação de herbicidas. de que essa degradação seria devido ao aumento da atividade enzimática com maior ação degradativa sobre esses compostos. entretanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas desativação de sistemas enzimáticos responsáveis pelas alterações na molécula do produto no solo. onde tem maiores chances de ser biodegradado. • ausência de fatores de crescimento ou condições favoráveis para os microrganismos decompositores e • ausência de microrganismo(s) com capacidade metabólica (enzima) capaz de degradar o produto. uma vez que está menos exposto ao contato direto com a microbiota do solo. os processos de biodegradação podem ocorrer em função da atuação de uma ou. Diversas dessas moléculas têm sido descritas como condicionadoras da microbiota do solo para sua degradação (FELSOT. diz-se que ocorreu um processo natural de adaptação metabólica. RAVELLI et al. Estes microrganismos podem utilizar os herbicidas tanto como substratos. a segunda. Vários autores.4 . como fonte de energia (metabolismo).Herbicidas: comportamento no solo • .. 1997). • inacessibilidade do substrato às enzimas ou células microbianas capazes de promover a sua degradação. avaliando a degradação de pesticidas em várias profundidades. observaram que a taxa de degradação diminui com a profundidade (VEEH et al. Quando a biodegradação é acelerada. mais comumente. A rota primária de degradação das 176 Módulo 3. ainda. que a população microbiana. Simples degradação: transformação de uma substância tóxica complexa em produtos mais simples. utilizando esse composto como fonte de C e N.. Portanto. Alteração do espectro de toxidez: alteração no composto que provoca alteração do grupo de organismos específicos sensíveis à sua ação. pois outros fatores ambientais precisam ser considerados na interpretação desses resultados. 1993). se um herbicida é lixiviado rapidamente da camada superficial do solo. ele pode acabar tornando-se mais persistente. ou. Hole et al. fornecendo nutrientes. sem fornecimento de energia para o seu crescimento (co-metabolismo) (MONTEIRO. Já Sanyal e Kulshrestha (1999) observaram a ação de diversos microrganismos na degradação acelerada de metolachlor. de várias espécies de microrganismos do solo. NH3 e íons inorgânicos.

umidade. e os produtos da transformação resultantes dessas reações. oxirredução. 4. superfície mineral. Isso causa a excitação de elétrons e pode resultar na quebra ou na formação de ligações químicas. clethodim. Compostos amarelados. como hidrólise. é a reação fotonucleofílica de hidrólise. Exemplos de herbicidas que sofrem fotodecomposição incluem o trifluralin.4 . Portanto. parece ser a microbiana. normalmente como os elétrons deslocados (cromóforos). Apenas aqueles herbicidas na ou próximos à superfície do solo ou sobre plantas serão passíveis de sofrerem fotodecomposição. paraquat. na presença de um agente nucleofílico em solução aquosa. a energia luminosa pode ser absorvida por uma molécula intermediária e transferida à molécula do herbicida por colisão. Além disso. ou próximo disso. Outros exemplos de reações fotoquímicas comuns ocorrem nas bifenilas policloradas (PCBs). propriedades do solo (pH. o comprimento de onda efetivo na fotodegradação de herbicidas pode estar fora do espectro de absorção específico do composto. estado de humificação da matéria orgânica. a qual depende da insaturação eletrônica.4 . sendo a desalogenação a reação fotoquímica mais comum. além das próprias culturas. Estudos de dissipação no campo mostram a perda rápida das imidazolinonas a partir do solo. as de maior ação sobre os herbicidas são: a hidrólise. monuron) e em pentaclorofenóis. disponibilidade de nutrientes. Fatores do ambiente (temperatura.Herbicidas: comportamento no solo 177 . Geralmente a luz apresenta um papel de catalisador de reações químicas. possuem picos de absorção por volta de 370 nm. A maioria dos herbicidas apresenta coloração que tende ao branco.Fotodecomposição ou fotólise A radiação solar na faixa do ultravioleta (290-450 nm) contém energia suficiente para causar transformações químicas dos herbicidas. e possui picos de absorção de luz na faixa do UV. são os mesmos que os encontrados em decorrência de processos enzimáticos. Dentres as principais reações fotoquímicas. podem afetar a persistência dos herbicidas. triasulfuron. ou decomposição pela luz. cultivo e irrigação. começa quando a molécula do herbicida absorve a energia luminosa. a oxidação. uma vez que a penetração de luz UV no solo é bastante limitada. Módulo 3. etc. Uma reação que também ocorre a partir da substituição de um halogênio de benzeno por uma hidroxila. por exemplo. particularmente sob condições de alta umidade e temperatura.. como as dinitroanilinas. O processo de fotodecomposição. as quais podem levar à sua inativação. vento e luz solar) podem afetar a transformação dos herbicidas tanto na água quanto no solo. aeração e micro/macrofauna) e as técnicas de aplicação. a desalogenação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas imidazolinonas. a isomerização e a polimerização. uréias substituídas (diuron. algumas vezes. Embora a energia solar que chega à superfície do solo na faixa abaixo de 295 nm seja considerada desprezível. diquat. bentazon e atrazine em solução aquosa.

acentuada pela temperatura elevada na superfície do solo. 1998.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considera-se que os produtos da fotodegradação sejam similares aos produzidos por processos químicos e biológicos de degradação. a degradação química e biológica e a sorção são alguns fatores que devem ser considerados para explicar o desaparecimento dos herbicidas do solo. especialmente se um período prolongado de seca acontece após a aplicação. Mais especificamente. A volatilização. 178 Módulo 3. nos últimos dez anos. como Union Carbine. e indústrias multinacionais. Monsanto e Rhone-Poulanc. A Figura 21 exemplifica as estruturas químicas de produtos de fotodegradação do metolachlor. surgiram nos EUA e em grande parte da Europa inúmeras companhias que exploram a chamada “fitorremediação” para fins lucrativos. que se beneficiam do emprego da fitorremediação em suas áreas de produção e de pesquisa (GLASS. tem-se mostrado que a atenuação natural monitorada pode contribuir significativamente para o controle e a redução da contaminação de solos e águas subterrâneas (FURTADO.Herbicidas: comportamento no solo .4 .Fitorremediação Recentemente. Figura 21 .que consiste simplesmente em manejar ao longo de um certo tempo a degradação dos contaminantes que ocorre por meio de processos naturais ..Estruturas químicas de quatro produtos de fotodegradação do metolachlor Fonte: Kochany e Maguire (1994) 5 . outros fatores podem estar envolvidos. 2005). se comprovada ao longo de um período de monitoramento. Herbicidas aplicados à superfície do solo são freqüentemente perdidos. No entanto. como a norte-americana Phytotech e a alemã BioPlanta. 2003). DINARDI et al. É possível que parte das perdas esteja relacionada ao processo de fotodegradação. Esta alternativa .tem-se mostrado viável nos casos em que ocorrem condições biogeoquimicamente favoráveis e pode ser efetiva na remediação de solos e águas subterrâneas quando utilizada paralelamente a outras tecno¬logias. ou isoladamente.

2005. SIQUEIRA. Nesses estudos.. 2004a. QUEROL et al. A pesquisa referente à biorremediação (biodegradação) de áreas contaminadas por herbicidas é relativamente ampla e já bem consolidada. YU et al. principalmente) capazes de se desenvolverem em meio contendo o material poluente. incluindo o desenvolvimento de vários microrganismos comprovadamente eficientes na biodegradação de alguns compostos (BELLINASO et al. tem-se a fitorremediação (ACCIOLY. mais recentemente.. solventes halogenados. b). 2005).Herbicidas: comportamento no solo 179 . de ambientes contaminados por metais pesados e derivados de petróleo. SANTOS et al. 5. A técnica é bem utilizada para remediação de áreas contaminadas com metais pesados (FRANCO. No processo de biorremediação in situ dito “tradicional”.. 2005). 2005. microrganismos do solo. 2003. este trabalho abordará especificamente aspectos da técnica da utilização das plantas e sua microbiota associada. entre elas a Embrapa (2005).4 . em particular bactérias. Portanto.. comprovadamente. os quais incluem a fitorremediação. compostos nitroaromáticos e. de nutrientes e de substrato. VROUMSIA et al. reduzindo-o ou até mesmo eliminando sua toxicidade. bem como instituições de pesquisa. No Brasil. 2004. já se sabe que as espécies Stizolobium aterrimum e Canavalia ensiformis são. principalmente. algumas empresas estatais e privadas. 2003.. é no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Viçosa que se intensificam os estudos na área da fitorremediação de solos contaminados por herbicidas..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Dentre os compostos de difícil degradação no solo. herbicidas (PIRES et al. são estimulados a degradar os contaminantes seja por utilização da molécula como fonte de nutrientes ou por co-metabolismo. As condições necessárias para essa degradação incluem a existência de receptores de elétrons. o termo biorremediação é amplamente utilizado para o processo de descontaminação de ambientes por microrganismos. Dessa maneira. 2000). PROCÓPIO et al. Petrobrás (2006) e Unicamp (FEA. Módulo 3. Contudo. podendo atingir cursos de águas subterrâneas. pesquisam e exploram métodos de biorremediação.. visando a descontaminação de ambientes (fitorreme¬diação) que apresentam resíduos de herbicidas em quantidade suficiente para causar interferência negativa nas diferentes atividades agrícolas ou comprometer a sustentabilidade ambiental. 2006). incluindo compostos químicos aplicados para as diferentes atividades agrícolas.1 . os herbicidas de longo efeito residual apresentam-se como principal problema à possibilidade de contaminação de culturas plantadas em sucessão e ao problema ambiental ocasionado por sua lixiviação direta ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo. eficientes na descontaminação de áreas tratadas com os herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron e que o provável mecanismo envolvido na descontaminação seja a interação da fitoestimulação e da fitodegradação.A fitorremediação como mecanismo de biorremediação A biorremediação é o processo de remediação in situ de áreas contaminadas que emprega organismos vivos (microrganismos e plantas. Quando se trata da descontaminação pela utilização de plantas isoladas ou estimulando a microbiota associada às suas raízes.

só recentemente tem-se apresentado como promissora técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas residuais (PIRES et al. Esse fato é de ocorrência comum em espécies agrícolas e daninhas. Contudo. BURKEN. Citam-se ainda outros mecanismos. 2003. hidrocar¬bonetos de petróleo. um importante mecanismo de diminuição do herbicida por ação do fitorremediador parece ser a fitoestimulação. conhecido como fitodegradação. em algumas plantas. promovido pela liberação de exsudatos radiculares. as plantas. o contaminante. Em trabalho realizado por Pires et al. Outros trabalhos relatam a contribuição das plantas. (2000).. e • apresentam complexidade de análise diante das constantes transformações a que estão sujeitos. aterrimum. CUNNINGHAM et al. 1996. agrotóxicos. PERKOVICH et al. 2001). principalmente atrazine e metolachlor (ANDERSON et al.. (2005). tolerantes a certos herbicidas. e em solos não vegetados. 1995. entre elas C. na qual há o estímulo à atividade microbiana. a aptidão rizosférica para a biorremediação desses compostos. especialmente menos fitotóxicos. devem ser consideradas para o emprego da fitorremediação em áreas contaminadas por herbicidas: • são contaminantes orgânicos que apresentam diversidade molecular. no caso. de 193 dias. constatou-se que.. 1994. 1996. 1996). apresentou maior atividade microbiana... como metais pesados. entre outros. Apesar de ser utilizada em solos contaminados com substâncias orgânicas ou inorgânicas. duas limitações. SCRAMIN et al. principalmente por sua eficiência na descontaminação e pelo baixo custo (PERKOVICH et al. ou remoção física da camada contaminada. no caso herbicida. ANDERSON.. entre outras. ensiformis e S. SIQUEIRA. a meia-vida do atrazine foi de 50 dias. o que caracteriza.. 2005). contaminado com o tebuthiuron.4 . PROCÓPIO et al. solventes clorados e subprodutos tóxicos da indústria (CUNNINGHAM et al. que algumas espécies exibem a determinados compostos ou mecanismos de ação. Em trabalho realizado por Arthur et al. podem ainda sofrer parcial ou completa degradação ou ser transformados em compostos menos tóxicos.. 1996). SANTOS et al. 180 Módulo 3. A utilização da fitorremediação para descontaminação de ambientes com resíduo de herbicidas é baseada na seletividade. a fitorremediação tem sido considerada vantajosa. natural ou desenvolvida. comparado ao solo não vegetado. Apesar das facilidades observadas. subseqüentemente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quando comparada com técnicas tradicionais. elementos contaminantes. 1996). 2000. volatilizados. é desenvolvido como agente para o controle do descontaminante. foi comprovado que o solo proveniente da rizosfera de diversas espécies de leguminosas. SCHNOOR. em solos rizosféricos de Kochia scoparia. estimulando o efeito rizosférico na aceleração da mineralização de alguns herbicidas. como bombeamento e tratamento. A seletividade deve-se ao fato de que os compostos orgânicos podem ser translocados para outros tecidos da planta e. explosivos. COATS.Herbicidas: comportamento no solo . que atuam degradando o composto no solo.. combinados e/ou ligados a tecidos das plantas (compartimentalização) (ACCIOLY. como a capacidade de metabolização do herbicida a um composto não-tóxico (ou menos tóxico) à planta e ao ambiente. 2004.

1 (PIRES et al. como os herbicidas. Para ser translocado. Walker et al. Essa ligação ou exclusão leva a menor fluxo transpiratório sob valores de Log Kow que se distanciam de 2. com Log Kow > 2. os efeitos benéficos nos processos de fitorremediação de herbicidas..5 a 3. interferem ainda a constante de acidez (pKa) e a sua concentração (ALKORTA. 1995). GARBISU. o fluxo transpiratório.. (1982).0. sendo maior a absorção quando o valor de Log Kow é de 2. 2003). levando à fitodegradação. persistência e concentração do herbicida. 1997). conseqüentemente. (2003a) e de acordo com Brigss et al. diuron e metsulfuron-metil na solução do solo e na fração adsorvida em dois tipos de solos e encontraram que a meia-vida destes produtos foi menor em solução que na fração adsorvida.1. no papel eficiente das plantas. pelas condições ambientais e pelas características da espécie vegetal. a absorção de compostos orgânicos. Dos componentes da matéria orgânica do solo. como. é maior quando o Log Kow do pesticida varia de 0. Para atrazine verificou-se que sua mineralização aumentava rapidamente com o aumento do pH (HOUOT et al. Para certas características das plantas e condições ambientais. ampliando dessa forma. Além disso. apesar de ter valores de pH mais altos que 6. 2000). Compostos que são mais hidrofóbicos. por exemplo. Dessa maneira. Nas condições tropicais em que os solos são altamente intemperizados com predomínio de óxidos e hidróxidos de Fe e Al e argilas silicatadas 1:1. 1995. a matéria orgânica constitui o principal contribuinte para a CTC. CELIS et al. ligam-se às membranas lipídicas das raízes antes de entrarem no xilema.Herbicidas: comportamento no solo 181 . Módulo 3. REDDY et al. as substâncias húmicas são relatadas como as principais responsáveis pela sorção de herbicidas (PUSINO et al. com valores de Log Kow < 2.1. 1992. as pesquisas devem direcionar esforços para obtenção de melhores resultados para as áreas contaminadas com os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo. Maior conteúdo de matéria orgânica reduz as amplitudes de variação da temperatura e umidade do solo. 2001). vários outros fatores poderão influenciar a capacidade descontaminadora de espécies vegetais em programas de fitorremediação. pelas plantas é afetada pelas propriedades químicas do composto. (1996) estudaram a degradação de isoproturon. Todavia. o produto químico deve passar pelo simplasto da endoderme. fundamental para promover o carreamento do herbicida absorvido para a parte aérea das plantas. é sabido que valores de pH fora da faixa de neutralidade comprometem a atividade da microbiota do solo prejudicando diretamente os processos de fitorremediação. Em revisão feita por Pires et al.. além do mecanismo de ação. com exceção do diuron em um dos solos. Outras propriedades do solo podem intervir na fitorremediação e.1.. a absorção radicular de xenobióticos da água (em solução) está diretamente relacionada ao logaritmo do coeficiente de partição octanol-água (Kow) do composto. não passam através das membranas lipídicas associadas com as camadas da epiderme das raízes. 2000).5 (HOUOT et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Segundo Burken e Schnoor (1996)... de baixa reatividade (caulinita).4 . Compostos que são menos hidrofóbicos. logo. o conteúdo de argila. além dessa característica.. incrementam-se também a biomassa e atividade microbiana e a biotransformação das moléculas dos herbicidas no solo (WEED et al. Solos com alto conteúdo deste mineral apresentam reduzida mineralização de atrazine.

batata. apresenta longo período residual. que é recomendado para uso em pré-emergência na cultura da canade-açúcar. portanto. Outros herbicidas. Áreas contami¬nadas por estes e outros herbicidas persistentes no solo são prioritárias nos programas de fitorremediação. que é utilizado em mistura com o ametryn na cultura da cana-de-açúcar ou puro na cultura do algodão em pós-emergência inicial. 2005. Além disso. causando intoxicação às culturas de amendoim.5 g ha-1) (RODRIGUES. Sua persistência no solo pode variar de 11 a 14 meses em Latossolo Vermelho-Amarelo em lavouras de cana-de-açúcar (BLANCO. ALMEIDA.4 . reduzindo com isso o número de aplicações. Existe ainda o impacto ambiental negativo ocasionado pela lixiviação dessas moléculas ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo. é essencial conhecer o tempo total necessário para a 182 Módulo 3. entre outras (RODRIGUES. principalmente como resultado de aplicações seqüenciais ao longo dos anos na mesma área (CERDEIRA. 1988) ou mesmo estender-se por mais de sete anos.. sendo. tomate. 2005). como picloram e imazapyr. como algodão. Mesmo sendo recomendado em concentrações baixas (em torno de 7. a contar da data de sua aplicação.2 . existindo uma conscientização dos problemas ambientais ou de saúde que podem ocorrer devido à má utilização desses compostos químicos (SANTOS et al. principalmente em sistemas agrícolas que necessitam utilizar esses produtos no manejo integrado de plantas daninhas (JAKELAITIS et al. especificidade e baixa toxicidade para os organismos não-alvos. as propriedades procuradas em um herbicida são sua pronta degradabilidade. eficiência em doses baixas.1984). é de aproximadamente oito meses. apresenta problemas de carryover na cultura do feijão cultivado em seqüência. 2005). Produtos como o trifloxysulfuron-sodium. os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo proporcionam a ocorrência de toxicidade em culturas sensíveis (carryover) plantadas após sua utilização. podendo atingir lençóis subterrâneos e se mover para outros ambientes com provável contaminação de outros ecossistemas. Também o tebuthiuron. OLIVEIRA. 1987) de 15 a 25 meses em solo argiloso (MEYER. SANTOS et al. feijão e soja quando cultivadas até dois anos após a sua aplicação.. podendo chegar a até três anos o intervalo para o plantio de culturas sensíveis. apresentam considerado efeito residual no solo. Mesmo possibilitando o controle efetivo de plantas daninhas por um período de tempo maior. 2005). Contudo. quando simulada a reunião de todas as condições ambientais que favoreçam sua persistência (EMMERICH et al. Problemas resultantes dos processos de poluição e degradação dos recursos naturais por herbicidas têm recebido atenção especial.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5.Problemas relacionados aos herbicidas residuais Atualmente. fonte potencial para contaminação de aqüíferos. para que se obtenha resultados satisfatórios.Herbicidas: comportamento no solo .este herbicida apresenta elevada mobilidade em solos com baixos teores de argila e de carbono orgânico. soja. BOVEY... 2005). o período de espera. ALMEIDA. 1999). para o plantio de culturas sensíveis.

2000. a técnica pode apresentar algumas limitações de aplicação. como oposto à transferência para a parte aérea. 1996. evitando sua manipulação e disposição.3 .4 . • capacidade transpiratória elevada. Módulo 3. a escolha de plantas que apresentem tolerância ao herbicida é o primeiro passo na seleção de espécies potencialmente fitorremediadoras. Dessa forma.. • fácil colheita. 2000. de clima quente ou frio. • fácil aquisição ou multiplicação de propágulos. que tanto pode tolerar como acumular o produto. • sistema radicular profundo e denso. Outro aspecto a ser observado é que. concentração e/ou metabolização e tolerância ao herbicida. 1994. • fácil controle ou erradicação. para promoverem maior descontaminação. especialmente em árvores e plantas perenes. Dessa forma. 2003). NEWMAN et al.. porém. SIQUEIRA. São conhecidas espécies que se desenvolvem bem em todos os ambientes. 1996. Com base nas análises apresentadas por diversos autores (FERRO et al. aquela que for selecionada deve reunir o maior número delas. daí a necessidade do conhecimento de estratégias que acelerem o processo de remediação. • elevada taxa de exsudação radicular. 1998. sendo importante ressaltar algumas delas. as vezes é muito longo. e • capacidade de desenvolver-se bem em ambientes diversos.Herbicidas: comportamento no solo 183 . visando efetivar e diminuir o tempo de descontaminação. Em essência. quando necessária a remoção da planta da área contaminada.. como sugerido por Miller (1996). embora a maioria dos testes avalie plantas isoladas.. que. • alta taxa de crescimento e produção de biomassa. PIRES et al. • resistência a pragas e doenças.Estratégias para o sucesso da fitorremediação O sucesso no emprego da fitorremediação como técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas depende da natureza química e das propriedades do composto. ACCIOLY. CUNNINGHAM et al. 5.. VOSE et al. a espécie vegetal ideal para remediar um solo contaminado por herbicidas seria uma cultura de alta produção de biomassa. além da aptidão ecológica da espécie vegetal a ser empregada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas descontaminação. com elevada umidade. no caso da fitoestabilização. entre outros fatores. ao mesmo tempo ou subseqüentemente. algumas características devem ser consideradas na escolha da espécie vegetal a ser utilizada em programas de remediação de áreas contaminadas por herbicidas: • capacidade de absorção. pedregoso. além dos procedimentos para o correto emprego da técnica. solo seco.. várias espécies podem. O ideal seria reunir todas essas características numa só planta. PERKOVICH et al. ser usadas em um mesmo local. • retenção do herbicida nas raízes.

após a seleção de diversas espécies vegetais. feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) e mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) promoveram a fitorremediação de solo contaminado pelo herbicida trifloxysulfuron-sodium. (2006) constataram que a adição de composto orgânico ao solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron. ALMEIDA. 2006). Em outro trabalho.. destacando-se a mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) e o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (Figura 23). tratado com o trifloxysulfuron-sodium. aterrimum e C. aterrimum da área contaminada com trifloxysulfuron-sodium. as leguminosas C. evidenciada pelo maior desprendimento de dióxido de carbono. 184 Módulo 3. visando a seleção de espécies vegetais com potencial para emprego em programas de fitorremediação de herbicidas (PIRES et al. indicando que o produto pode estar sendo degradado internamente nos tecidos (fitodegradação) ou inativado por outros mecanismos rízosféricos. provavelmente. PROCÓPIO et al. além de melhorar o desenvolvimento das espécies vegetais S. aterrimum.. utilizada como bioindicadora da presença do herbicida. Procópio et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nos trabalhos realizados até o momento no Brasil.4 . apresentou maior atividade microbiana. aterrimum promoveu maior descontaminação da área tratada com trifloxysulfuron-sodium. SANTOS et al. (2006) observaram que o solo proveniente da rizosfera de S. ensiformis e Lupinus albus possibilitaram o pleno desenvol¬vimento de Avena strigosa. após o período de remediação. sendo. 2005. b. semelhante ao solo isento do herbicida (Figura 24). algumas especies vegetais utilizadas como cobertura do solo foram selecionadas (Figura 22). (2004). possibilitando o posterior desenvolvimento de plantas de milho e feijão. Além dos fatores mencionados. Essas culturas são sensíveis à presença desse herbicida (RODRIGUES. 2003a. Santos et al.. outros mecanismos podem ser implementados no programa de fitorremediação visando maior eficiência no processo. não interferiu no desenvolvimento posterior de plantas de feijão. evidenciando a contribuição da microbiota no processo de descontaminação. 2005).. comparado ao mesmo solo não tratado com o herbicida. possibilitou maior eficiência no processo de remediação por essas leguminosas. a permanência ou retirada da parte aérea das plantas de C. Nos trabalhos realizados por Procópio et al. 2004. 2005b. comprovando a eficiência na descontaminação. (2005) verificaram que. Belo et al. Também Pires et al. (2005) verificaram que o aumento da densidade populacional de S. 2004b).Herbicidas: comportamento no solo . das várias espécies testadas tolerantes ao herbicida tebuthiuron. ensiformis e S. ensiformis. a fitoestimulação da microbiota associada à rizosfera (PROCOPIO et al.

4 .0 g ha-1) (não-seletivo a essas culturas). os quais. agiriam em conjunto. além do emprego de plantas e sua microbiota associada. visando a remediação Fonte: Procópio et al.0. (2004) Para Accioly e Siqueira (2000). imobilizando ou tornando os contaminantes inofensivos ao ecossistema. posteriormente cultivado (B) ou não (A) com mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). para o sucesso da fitorremediação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 22 – Etapa de seleção de espécies vegetais tolerantes ao trifloxysulfuron-sodium e ao tebuthiuron.5 e 15.Herbicidas: comportamento no solo 185 . associados às práticas agronômicas. Módulo 3. visando a fitorremediação de solos contaminados por esses herbicidas Figura 23 – Desenvolvimento de mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) (A) e feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (B). em solos contaminados pelos herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron Figura 24 – Desenvolvimento de plantas de milho e de feijão em solo tratado com o herbicida trifloxysulfuron-sodium (0. removendo. 7. amenizantes como a matéria orgânica do solo. o programa deve envolver.

baixa pressão de vapor. 2005). com o objetivo de prevenir quanto aos possíveis distúrbios ambientais provocados por esses compostos. fabricação de diversos produtos. dos fatores climáticos envolvidos e dos mecanismos de interação herbicida–ambiente nem sempre representa o comportamento constatado em condições naturais a campo. geração de energia. depende do somatório de diversos processos envolvidos. o sucesso do tratamento empregando planta aquáticas vai além do baixo custo. ração animal.. 1986). outros benefícios para o agricultor. alto potencial de escoamento. Contudo. 1998). por perturbarem menos o ambiente. hidrólise lenta.4 . espera-se maior aceitação de métodos de descontaminação in situ. incremento na população e número de espécies vegetais. GLASS. O resultado dos processos de transporte. e uma abordagem detalhada da sua dinâmica seria difícil diante dos diversos interferentes relacionados ao seu comportamento. além da capacidade remediadora. podendo ser utilizada como fertilizante. nos programas de fitorremediação de herbicidas. absorção moderada à matéria orgânica e argila. BEKHI. 2005). Nessa área. Além disso. 1993. Entre os herbicidas. principalmente no solo. são pesquisas já iniciadas e fornecerão dados para maior eficiência nos processos de descontaminação de áreas que apresentam resíduos de outros herbicidas comprovadamente persistentes no ambiente. o atrazine oferece elevado risco de contaminação de aqüíferos. a fitorremediação surge como opção para o tratamento eficiente de solo e água contaminados por herbicidas de difícil decomposição nesses ambientes. retenção e transformação que ocorrem com as moléculas representa a capacidade de contaminação e persistência destas no meioambiente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Manejo da irrigação. 6 . sendo comumente detectado após um ano. os quais são responsáveis pelo destino final desses compostos. KHAN. poucos são os trabalhos que apontam soluções para fitorremediação deste composto em ambientes aquáticos (MARCACCI. Este herbicida apresenta alta persistência no solo. e até proteínas para usos em rações (DINARDI et al. como o picloram e outros. essa técnica é 186 Módulo 3. Em se tratando de ambientes aquáticos. além da possibilidade de inoculação de microrganismos junto à semeadura das plantas. Contudo. que visam o menor impacto negativo ao ambiente. solubilidade de baixa para moderada em água (RODRIGUES. graças à atual preocupação na viabilidade das técnicas integradas de manejo. havendo possibilidades de reciclagem da biomassa produzida.Herbicidas: comportamento no solo . apesar de já ser bem conhecido o processo de biodegradação do atrazine por diversos microrganismos (BEKHI et al. como papel. O tema cresce em complexidade na medida em que se tenta selecionar espécies vegetais que apresentem. 2003. devido às suas características físico-químicas.Considerações finais O comportamento de herbicidas no ambiente. Esse fato denota a importância de pesquisas. principalmente em solos brasileiros. O que se observa é que o conhecimento teórico das propriedades dos compostos do solo. ALMEIDA.

torna-se possível sua utilização com eficiência técnica e econômica. As implicações são claras: entendendo como os herbicidas e outros pesticidas aplicados ao solo se comportam. sem dúvida. este é.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas relativamente barata. quando todos os fatores envolvidos interagem.4 . um dos motivos pelo qual deve ser mais estudado. a identificação dos problemas de contaminação e as opções de recuperação do ambiente afetado. Módulo 3. podendo ser aplicada a grandes áreas.Herbicidas: comportamento no solo 187 . Embora o tema seja muito abrangente. comparada a outros processos de descontaminação.

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

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192 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; PROCÓPIO, S. O.; CECON, P. R.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A. Seleção de plantas tolerantes ao tebuthiuron e com potencial para fitorremediação. Revista CERES, v. 50, n. 291, p. 583-594, 2003b. PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; QUEIROZ, M. E. L. R.; PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A.; CECON, P. R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de tebuthiuron. Planta Daninha, v. 21, n. 3, p. 451-458, 2003a. PIRES, N. M.; OLIVEIRA JR., R. S.; PAES, J. M. V., SILVA, E. Avaliação do impacto ambiental causado pelo uso de herbicidas. Viçosa, MG: Sociedade de Investigações Florestais, 1995. 22 p. (Boletim Técnico SIF, 11). PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A. A.; SANTOS, E. A. Fitorremediação de solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium por mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). Planta Daninha, v. 23, n.4, p. 719-724, 2005a. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A.A.; SANTOS, E. A.; CARGNELUTTI FILHO, C. Development of bean plants in soil contaminated with the herbicide trifloxysulfuron-sodium after Stizolobium aterrimum and Canavalia ensiformis cultivation. Crop Protection, 2006 (em fase de publicação) PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A. Potencial de espécies vegetais para a remediação do herbicida trifloxysulfuronsodium. Planta Daninha, v. 23, n. 1, p. 9-16, 2005b. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A.; FERREIRA, L .R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de solos contaminados com o herbicida trifloxysulfuron sodium. Planta Daninha, v. 22, n. 2, p. 315322, 2004. PUSINO, A. et al. Influence of organic matter and its clay complexes on metolachlor adsorption on soil. Pesticide Science, v. 36, p. 283-286, 1992. QUEROL, X.; ALASTUEY, A.; MORENO, N.; ALVAREZ-AYUSO, E.; GARCÍA-SÁNCHEZ, A.; CAMA, J.; AYORA, C.; SIMÓN, M. Immobilization of heavy metals in polluted soils by the addition of zeolitic material synthesized from coal fly ash. Chemosphere, v. 62, n. 2, p. 171-180, 2006. RAVELLI, A.; PANTANI, O.; CALAMAI, L.; FUSI, P. Rates of chlorsulfuron degradation in three Brazilian soils. Weed Res., v. 37, p. 51-59, 1997. REDDY, K. N. et al. Chlorimuron adsorption, desorption and degradation in soils from conventional tillage and no-tillage systems. Journal of Environmental Quality, v. 24, p. 760 767, 1995. ROBERTS, T. R. Assessing the environmental fate of agrochemicals. J. Environ. Sci. Health, B, v. 31, n. 3, p. 325-335, 1996. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR, 2005. 648 p. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR: Grafmarke, 2005. 591 p.
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 193

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Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Leandro Vargas Profº. Evander Alves Ferreira

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
196 Módulo 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas

217 10. 201 1.Uréias/amidas. 213 10.3 .Evolução da resistência. 230 Referências bibliográficas.2 – Bipiridílios.Fatores que favorecem o surgimento da resistência.5 . 202 2 .Culturas transgênicas.Variabilidade genética.Resistência múltipla.3 – Compartimentalização. 212 10 .Alteração do local de ação.Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas.4 . 229 16 .Derivados da glicina.Comentários finais. 215 10. 209 6 .Mecanismos que conferem resistência.5 .Como evitar a resistência.Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate. 198 1 . 208 5.1 .2 . 231 Módulo 3. 218 11 .4 – Dinitroanilinas.Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida.6 .1 – Auxinas.1 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução. 203 4 .Como confirmar a resistência.2 – Metabolização.Inibidores de ACCase.8 . 211 9 . 208 5. 216 10. 201 1. 225 15 . 209 7 .7 – Triazinas. 202 3 .Diagnóstico da resistência a campo.Manejo da resistência a herbicidas. 218 12 . 225 14.Características da resistência por grupos herbicidas.Pressão de seleção.Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas.Resistência cruzada.1 . 214 10.Absorção e translocação.A resistência de plantas daninhas no Brasil. 200 1. 213 10. 200 1. 210 8 .Inibidores de ALS.Herbicidas: resistência de plantas 197 . 215 10. 214 10. 221 14 . 219 13 . 204 5 .

ALMEIDA. ao fato de que o controle químico tem sido eficiente. 1997). foram descritas em gêneros como Amaranthus e Chenopodium.9% às triazinas. o Brasil é um dos maiores mercados do mundo. O largo uso de herbicidas deve-se.9% resistem aos herbicidas inibidores da ALS.6% aos inibidores da ACCase.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O controle de plantas daninhas com uso de herbicidas é prática comum na agricultura mundial. atualmente. sendo o quinto no "ranking" de vendas de agrotóxicos. 3. 1998). O uso repetido de um herbicida exerce uma pressão de seleção que leva ao aumento do número de indivíduos resistentes na população. com resistência a triazinas. várias outras espécies. principalmente. há aproximadamente 284 biótipos de plantas daninhas que apresentam resistência a um ou mais mecanismos herbicidas (Quadro 1). A constatação da resistência de plantas daninhas aos herbicidas começou em 1957 com a identificação de biótipos de Commelina difusa. resistentes a herbicidas pertencentes ao grupo das auxinas (WEED SCIENCE. Já em 1970. 1977) Em menos de 30 anos. em diferentes países (RADOSEVICH. 22. 1970). a população de plantas resistentes pode aumentar até o ponto de comprometer o nível de controle (HRAC. uma vez que essa tecnologia. 8. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. hoje está se tornando prática comum até entre os pequenos.5% às dinitroanilinas e os 198 Módulo 3. nos Estados Unidos. após o primeiro caso de resistência. 7% às uréias e amidas. 7. principalmente por grandes agricultores. Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES. Esses biótipos pertencem a 171 espécies e estão distribuídos em 59 países. Destes biótipos. Estudos posteriores demonstraram que esta espécie era resistente a todas as triazinas.1% às auxinas sintéticas. no estado de Washington (EUA). Dessa maneira. devido a uma mutação nos cloroplastos (RADOSEVICH et al.. havia mais de 100 espécies reconhecidamente resistentes em aproximadamente 40 países (HEAP. os agricultores depositam confiança excessiva no controle químico das plantas daninhas. Em conseqüência. possui custo atrativo. Uma das conseqüências do uso indiscriminado desses métodos tem sido o desenvolvimento de muitos casos de resistência a tais compostos por diversas espécies daninhas. Na atualidade. onde os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF 2005). está prontamente disponível e profissionalmente desen¬volvido.7% aos bipiridílios. foram descobertos biótipos de Senecio vulgaris resistentes a simazine (RYAN. e Daucus carota. os demais métodos de controle têm sido deixados de lado. 1998a). Depois disso.Herbicidas: resistência de plantas . No que se refere aos defensivos agrícolas. 28. 1979). e a tendência de uso desses compostos é de aumento. no Canadá. 11.5 . 2005). Muitos outros casos foram relatados em diferentes locais do mundo e.

uréias e Branqueamento – inibição da Amitrole isoxazolidionas biossíntese de carotenóides Glicinas Inibição da EPSP sintase Glyphosate Inibição da divisão celular (inibição de Butachlor Chloracetamidas ácidos graxos de cadeias longas) Outros Diversos Diversos Total de biótipos de plantas daninhas observados no mundo Fonte: Adaptado de Retzinger.5 . Não foram encontradas citações de plantas daninhas resistentes aos herbicidas perten¬centes aos grupos ariltriazolinonas. 13%. As razões do não-surgimento de plantas daninhas resistentes. Quadro 1 – Ocorrência de biótipos de plantas daninhas resistentes a diferentes grupos herbicidas Exemplo de herbicida Inibidores da ALS Inibição da acetolactato sintase (ALS) Clorsulfuron Inibidores do Fotossistema Inibição da fotossíntese no Atrazine II fotossistema II Inibição da acetil carboxilase Inibidores da ACCase Diclofop-methyl (ACCase) Bipiridílios Aceptores de eletrons do FSI Paraquat Auxinas sintéticas Ação semelhante ao ácido indolacético 2. citado por HRAC (2004) Grupo de herbicida Mecanismo de ação Total ocorrência 82 65 33 22 23 20 10 8 4 6 2 7 284 Módulo 3. neste caso. apesar do longo tempo de introdução no mercado. restringindo esta prática a outros métodos menos eficientes. Essas proporções mudaram com a introdução no mercado dos novos grupos herbicidas inibidores de ALS e ACCase. 12%. Acredita-se que o maior número de biótipos resistentes aos herbicidas dos grupos inibidores de ALS. aos auxínicos. A ocorrência de resistência múltipla agrava ainda mais o problema. porém acredita-se que esteja relacionado com o seu modo de ação. já que.4-D Uréias e amidas Inibição da fotossíntese no FS II Chlorotoluron Dinitroanilinas e outros Inibição da formação dos microtúbulos Trifluralin Inibição da síntese de lipídios – não da Thiocarbamatos e outros Trialate ACCase Triazoles. até o momento. A resistência de plantas daninhas a herbicidas assume grande importância. Isso ocorre para diversos biótipos de grande ocorrência em diversas partes do mundo tornando cada vez mais difícil e oneroso o controle desses biótipos. 67% dos casos de resistência documentados eram de biótipos resistentes às triazinas.3% restantes aos demais grupos de herbicidas. Em 1983. a estes grupos de herbicidas. princi¬palmente quando não existe ou existem poucos herbicidas alternativos para serem usados no controle dos biótipos resistentes.Herbicidas: resistência de plantas 199 . Assim. não são claras. das triazinas e existentes atualmente. à eficiência e à grande área onde são empregados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. se deve à alta especificidade. aos bipiridílios. e os demais mecanismos somavam 8%. benzotiadiazinas e ftalimidas. o controle dos biótipos resistentes com uso de herbicidas é seriamente comprometido. são dois ou mais os mecanismos que precisam ser substituídos.

1992). que não provoquem a morte do indivíduo. a maioria delas é deletéria e a evolução só é possível porque algumas delas podem ser benéficas em determinadas situações (SUZUKI et al.Alteração do local de ação As informações genéticas de um organismo estão contidas em seu material genético (DNA). afirmando que são “aquelas mudanças bruscas hereditárias que alteram a atividade. durante o crescimento do indivíduo é de cerca de 10-4. A grande maioria das alterações que ocorrem no DNA. 1969). é preferível restringir. Se o aminoácido alterado for o ponto ou um dos pontos de acoplamento de uma molécula herbicida.. A mutação é um processo biológico que vem ocorrendo desde que há vida no planeta. A atividade da enzima pode ou não ser modificada.Herbicidas: resistência de plantas . Caso ele componha o centro ativo da enzima. e a tradução do RNAm com a montagem da proteína pelo ribossomo. 1992). a probabilidade de as suas características cinéticas serem modificadas é grande.. pode originar uma enzima com características funcionais distintas ou não da original. são responsáveis pela codificação das proteínas.1 . porém não a posição do gene individualmente” (BREWBAKER.. longas e específicas seqüências de bases nitrogenadas. estando na dependência de qual aminoácido foi alterado. contudo. serão repassadas aos seus descendentes.5 . e a ocorrência de mutações que provoquem inserção. este produto 200 Módulo 3. Mutação foi definida por De Vries como mudanças repentinas e hereditárias. Os erros de replicação e as lesões espontâneas geram a maior parte das mutações por substituição de base e mudança da matriz de leitura (SUZUKI et al. entretanto. Biótipos resistentes podem ocorrer em uma população de plantas daninhas como resultado de mutações que provocam alterações no local de ação do herbicida (BETTS et al. existe. mesmo remota. O DNA é uma dupla hélice formada por bases nitrogenadas púricas (adenina e guanina) e pirimidicas (timina e citosina) que formam os genes. A ocorrência de erros na replicação ou transcrição da fita do DNA. 1992). As etapas para produção de uma proteína são a transcrição. O DNA é um cordão de genes (SUZUKI et al. teoricamente.. 1992). A probabilidade de ocorrer erros na replicação do DNA. Os genes. formando o RNA mensageiro (RNAm).Mecanismos que conferem resistência 1. resultando em uma proteína mutante. mutação de ponto. A seqüência linear de nucleotídios em um gene determina a seqüência linear de aminoácidos de uma proteína (SUZUKI et al. e cai para 10-9 pela ação das enzimas reparadoras (SUZUKI et al. que é a cópia do DNA pela enzima DNA polimerase. multiplicação do material genético. a possibilidade de erro. 1992). deleção ou substituição de uma base nitrogenada podem alterar um ou mais aminoácidos da proteína a ser formada. A alteração de uma base nitrogenada. cada trinca de bases nitrogenadas codifica um aminoácido que comporá a futura proteína..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . na tradução do RNAm.. 1992). Na tradução do RNAm.

com as formas alélicas do gene. tornando-a não-tóxica. se o herbicida possuir mais de um mecanismo de ação. e a planta torna-se resistente àquele herbicida e a outros que se ligam da mesma forma àquela enzima. ou seja. a não ser que ela apresente outros mecanismos de resistência. ou é removida das partes metabolicamente ativas da célula e armazenada em locais inativos.: plantas resistentes ao paraquat). Uma pequena alteração no polipeptídio pode resultar em um grande efeito sobre a afinidade com a molécula herbicida (BETTS et al. antes de serem lançados no mercado. como o vacúolo (ex. Não há evidências. resistência múltipla. Contudo. Logicamente que.. 1969). podem provocar mutações no DNA. que a mutação possa ocorrer por ação de algum herbicida ou outro defensivo agrícola (KISSMANN. como é o caso da resistência de Lolium rigidum a triazinas e inibidores de ACCase. Acredita-se que os herbicidas não sejam capazes de provocar mutações. ou.5 . em uma população de biótipos resistentes ocorrem diferentes níveis de resistência ou de susceptibilidade. mais rapidamente do que plantas sensíveis. a molécula herbicida. (1991). o tipo de mecanismo que está proporcionando a resistência. A luz ultravioleta e o oxigênio são mutagênicos (BREWBAKER. Alteração do local de ação significa que a molécula herbicida diminui sua capacidade de inibir esse ponto. conforme relatam Sathasivan et al. são avaliados quanto à sua capacidade mutagênica. tipo de molécula e. 1996).3 .2 . como o sol.Herbicidas: resistência de plantas 201 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pode perder a atividade inibitória sobre esta nova enzima.Compartimentalização A molécula é conjugada com metabólitos da planta. têm-se plantas daninhas resistentes aos inibidores de ALS. Desse modo. Módulo 3.Metabolização A planta resistente possui a capacidade de decompor. já que estes produtos. 1992). devido a uma ou mais alterações na estrutura deste local. Como exemplo. 1. A resistência de Arabidopsis thaliana às imidazolinonas se deve à alteração de um aminoácido da enzima ALS. Esse é o mecanismo de tolerância a herbicidas apresentado pela maioria das culturas. a planta pode morrer pela ação do(s) outro(s) mecanismo(s). e é muito improvável. 1. tornando-se inativa. Fontes externas de radiação. que podem estar relacionados com o tipo de mutação ocorrida. um herbicida que anteriormente era eficiente em inibir uma determinada enzima deixa de ter efeito sobre esta.

de uma população de plantas. A resistência pode ocorrer naturalmente (seleção) ou ser induzida com uso de técnicas de engenharia genética. 1998). assim. resistência a herbicidas de todos os grupos químicos que possuem o mesmo local de ação. proporcionar tolerância ou resistência a herbicidas. Biótipos de Lolium rigidum e Kochia scoparia. assim. mesmo sofrendo injúrias. Em uma população de plantas vão existir aquelas que. uma planta daninha pode ser sensível. 2 . são resistentes a herbicidas de diferentes grupos químicos e com diferentes mecanismos. que possuem resistência cruzada a herbicidas inibidores de ALS. devido a apenas um mecanismo de resistência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. quando as plantas resistentes possuem dois ou mais mecanismos distintos que conferem resistência. em que as plantas são capazes de sobreviver e se reproduzir após o tratamento herbicida. toleram mais ou menos um determinado herbicida. e a resistência múltipla. A resistência pode ser cruzada ou múltipla. A resistência cruzada não confere. uma planta sensível pode morrer quando submetida a uma determinada dose do herbicida. isoladamente ou associados. a resistência é a capacidade adquirida de alguns biótipos. tolerante ou resistente a um herbicida.Resistência cruzada A resistência cruzada pode ser conferida a um biótipo por qualquer dos mecanismos que conferem resistência. naturalmente.: plantas resistentes aos bipiridílios). mesmo que pertencentes a diferentes grupos químicos. também confere resistência a outras moléculas de diferentes grupos químicos. Desse modo. controlam os membros da população. apresentam 202 Módulo 3. PRESTON. necessariamente. Já a tolerância é uma característica inata de uma espécie. A resistência cruzada conferida pelo local de ação ocorre quando uma mudança bioquímica. A resistência cruzada ocorre quando um biótipo é resistente a dois ou mais herbicidas. Relaciona-se com a variabilidade genética natural da espécie. Por outro lado.Herbicidas: resistência de plantas . Esses mecanismos podem. que agem no mesmo local na planta (POWLES. sob condições normais. cultura de tecidos ou de agentes mutagênicos. no ponto de ação de um herbicida. Assim. Também podem existir variações no nível de resistência cruzada dos biótipos a herbicidas de grupos diferentes.5 .4 . de sobreviver a determinados tratamentos herbicidas que.Absorção e translocação A absorção e a translocação são alteradas e. a quantidade de herbicida que atinge o local de ação é bastante reduzida. não chegando a ser suficiente para controlar a planta (ex. Uma planta é sensível a um herbicida quando o seu crescimento e desenvolvimento são alterados pela ação do produto.

3 . Acredita-se que as moléculas não-metabolizadas sejam imobilizadas ou armazenadas de forma a evitar sua ação sobre a enzima. é necessário empregar misturas de herbicidas que não tenham sua atividade afetada pelos mecanismos de Módulo 3. Foi detectado. é exemplificada por biótipos de Lolium rigidum. que não exibem alterações na enzima. Nos casos mais simples. entre eles diclofop. em biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores do FSII. devido a outros mecanismos. Biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase.Herbicidas: resistência de plantas 203 . selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona. PRESTON. as dificuldades de controle dos biótipos resistentes aumentam ainda mais quando os mecanismos que conferem a resistência estão relacionados com o local de ação e com outros mecanismos como o metabolismo. imazamethabenz. no centro ativo A da ALS. As mutações já analisadas mostram substituição.Resistência múltipla A resistência múltipla é o maior problema atual. aumento da taxa de metabolismo dos herbicidas (POWLES. PRESTON. que resistem a 15 herbicidas diferentes. de forma semelhante à que ocorre na cultura do trigo. 1998). encontrados na Austrália. A resistência cruzada. Para controlar estas plantas daninhas. Conrudo. A conjugação da molécula herbicida com glicose também foi encontrada. devido à rápida metabolização da molécula por arilhidroxilação catalisada pelo Cyt P450 monoxigenase. Já os casos mais complexos são aqueles em que dois ou mais mecanismos conferem resistência à diversos herbicidas de diferentes grupos químicos. O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. PRESTON. O metabolismo de herbicidas inibidores de ACCase e ALS é realizado pelo Cyt P450. 1998).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diferentes níveis de resistência aos diferentes grupos herbicidas que agem inibindo a ALS. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. mas apresentam pequenos aumentos no metabolismo do herbicida diclofop. PRESTON. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. Isso se deve a pequenas diferenças de ligação entre a enzima e a molécula herbicida e a diferentes mutações que ocorrem no gene que codifica a enzima ALS (POWLES. dois ou mais mecanismos conferem resistência à apenas um herbicida ou a um grupo de herbicida. Além disso. e futuro. já foram encontradas outras alterações na ALS tanto no centro ativo A como em outras partes da enzima (POWLES. 1998). que é resistente a vários herbicidas inibidores da ALS. 1998). um exemplo são biótipos de Alopecurus myosuroides encontrados na Austrália.5 . relacionado a resistência de plantas daninhas a herbicidas. pendimethalim e simazine. da prolina 173.

O uso repetido de herbicidas para controle de plantas tem exercido alta pressão de seleção. espécies ou biótipos de uma espécie que melhor se adaptam a uma determinada prática são selecionados e multiplicam-se rapidamente (HOLT.Herbicidas: resistência de plantas .. 1992). Muitas evidências sugerem que o aparecimento de resistência a um herbicida. o caso mais complicado de resistência múltipla. 1992). pode ser resumida em três princípios: o da variação: existem variações morfológicas. encontra condições para multiplicação (BETTS et al. é de biótipos de Lolium rigidum que metabolizam herbicidas inibidores da ACCase. 204 Módulo 3. Os biótipos de A. LEBARON. e. ALS e FSII e possuem ACCase e ALS mutadas (POWLES. myosuroides metabolizam chlorotoluron e alguns herbicidas inibidores de ACCase e apresentam ACCase mutada. em determinado ambiente (SUZUKI et al. 1998).5 . fisiológicas e de comportamento entre indivíduos. 1992) (Quadro 2). MORTIMER. dentro da população. dentro de qualquer população. encontrado na Austrália.Evolução da resistência A teoria da evolução de Darwin. Contudo. irão mudar com o tempo e os indivíduos mais bem adaptados ao ambiente tornam-se predominantes (SUZUKI et al. as freqüências dos vários tipos. PRESTON. por causa da pressão de seleção exercida por repetidas aplicações de um mesmo herbicida. a população da próxima geração terá uma freqüência elevada dos tipos que tiveram maior sucesso em sobreviver e se multiplicar nas condições ambientais vigentes. o da hereditariedade: a prole parece mais com seus pais do que com indivíduos não-aparentados. Darwin postulava que a espécie como um todo vai mudando porque os seus indivíduos evoluem na mesma direção. através da seleção natural. Biótipos de Lolium rigidum e Alopecurus myosuroides constituem casos complexos. devido ao metabolismo. devido a alterações na enzima.. Em geral. e resistentes a chlorsulfuron. provocando mudanças na flora de algumas regiões. é devido à seleção de um biótipo resistente preexistente que. Desse modo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas resistência em questão. O surgimento de plantas daninhas resistentes a herbicidas é um exemplo de evolução de plantas como conseqüência de mudanças no ambiente provocadas pelo homem (MAXWELL. assim. em uma população de plantas. Existem biótipos de Lolium rigidum resistentes a herbicidas inibidores de ALS. e o da seleção: algumas formas apresentam maior sucesso na sobrevivência e reprodução do que outras. 1990). 1998).. Há poucos casos registrados de plantas com resistência múltipla (POWLES. 4 . PRESTON. 1994).

.0 80.Herbicidas: resistência de plantas 205 . 1988). A menor capacidade competitiva. assim. assim como as diferentes características biológicas. RADOSEVICH. 1996).000 1.000 10. É evidente que a intensidade de seleção na prática não é tão intensa como mostrada na figura. Módulo 3. conforme a Figura 1. aumenta esse tempo de aparecimento.000 100.9 99.0 Evolução Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Pouco perceptível Perceptível Evidente Fonte: Kissmann (1996) A utilização de herbicidas que são altamente efetivos no controle de uma planta daninha específica por um longo período de tempo induz uma grande pressão de seleção quando comparados com outras práticas de controle. HOLT.000 100 10 5 2 % de Controle 99.9999 99.99 99.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 2 . sensíveis às triazinas. A intensidade dessa pressão de seleção sobre uma população de plantas daninhas. que funciona como um reservatório de sementes suscetíveis e.. em média. Os biótipos resistentes podem apresentar menor adaptação ecológica nesses ambientes e tornam-se predominantes devido à eliminação das plantas sensíveis. (CONARD.. que apresenta 90% de eficácia de controle do biótipo suscetível. vai selecionando os indivíduos resistentes e aumentando a sua freqüência na população.0 50. não foram detectadas diferenças na capacidade competitiva de Abutilon therphrasti resistente a triazina (GRAY et al. maior produção que biótipos menos adaptados (SAARI et al. pois no campo existe o banco de sementes. Assim.999 99.5 .0 90. o crescimento e a produtividade de plantas resistentes a triazinas podem estar relacionados com a sua capacidade fotossintética limitada (STOWE. apresentaram maiores área foliar. 1994). determinam a probabilidade do desenvolvimento de resistência das plantas daninhas a herbicidas. 1995).Tempo para evolução da uma população de biótipos de plantas daninhas resistentes Ano 0 1 2 3 4 5 6 7 No de Plantas Resistentes 1 1 1 1 1 1 1 1 No de Plantas Sensíveis 1.000. a aplicação do mesmo herbicida. altura e produção de sementes. biótipos com maior adaptação ecológica apresentam. Por outro lado. 1979) e Chenopodium album (PARKS et al. Em condições de seleção natural. Biótipos de Amaranthus retroflexus L.

Herbicidas: resistência de plantas . herança e fluxo gênico (MAXWELL. e a seleção natural favorecem o surgimento e a evolução da resistência. MORTIMER. foram selecionados biótipos de Lolium rigidum resistentes ao diclofop-methyl em três gerações. em uma população de plantas exerce alta pressão de seleção.5 . 1994). O tempo e a proporção de plantas resistentes em um local variam com a freqüência de uso do herbicida e dos seus efeitos biológicos. Na Austrália. freqüência gênica. provocando uma seleção direcional e progressiva de indivíduos que possuem genes de resistência.Aumento da freqüência do biótipo resistente devido a aplicações repetidas e anuais do mesmo herbicida A maior questão ecológica associada com a evolução da resistência aos herbicidas envolve o entendimento das relações entre adaptação. PAWLES. ou levar muitos anos. capazes de serem transmitidas hereditariamente. com o mesmo mecanismo de ação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 . 1993).. partindo de uma população sensível e usando-se dose normal do herbicida. A resistência está ligada a fatores genéticos e é hereditária (KISSMANN. tornando-se predominantes rapidamente na área. A ocorrência de variações genéticas. 1996). inibidor da EPSPs (Quadro 3). 1990). como no caso do glyphosate. As plantas que expressam o gene de resistência são selecionadas. Foram identificados biótipos de plantas daninhas resistentes a sulfoniluréias após quatro a cinco anos de uso contínuo de herbicidas deste grupo (MALLORY-SMITH et al. podendo ser bastante curtos. Aplicações repetidas de herbicidas. 206 Módulo 3. como três anos após a introdução comercial (TARDIF.

ou seja. O número de alelos que conferem a resistência é importante. conseqüentemente. mais genes podem estar envolvidos (poligênica) e mais lenta será a evolução da resistência. a pressão de seleção. São eles: o número de alelos envolvidos na expressão da resistência. quando dois alelos estão envolvidos. o surgimento de plantas resistentes. O objetivo foi atingido e surgiram os herbicidas modernos (inibidores de ALS e ACCase). Contudo. assim.Herbicidas: resistência de plantas 207 . herbicidas com essas características exercem alta pressão de seleção e. a transmissão será via cromossômica e. Por sua vez. o modo de herança do(s) alelo(s) da resistência (citoplasmática ou nuclear). Há seis fatores relacionados à população de plantas que interagem e determinam a probabilidade e o tempo de evolução da resistência. a freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população inicialmente sensível. Desse modo. 1998). como é o caso de plantas resistentes aos inibidores de ALS. Um gene é formado por um par de alelos. alta eficiência e baixa toxicidade para o homem e o ambiente. como é o caso de plantas resistentes a triazinas. e a taxa de cruzamentos entre biótipos resistentes e sensíveis (MORTIMER. se a herança for nuclear. somente a planta-mãe poderá transmitir a resistência para os filhos. significa que somente um gene é responsável pela resistência (monogênica) e a evolução será rápida. quanto maior.5 . maior será a probabilidade de seleção de um biótipo resistente. uma vez que uma alteração no seu ponto de ação (enzima) pode provocar a perda de sua atividade sobre as plantas e. altamente eficientes e específicos. dessa forma. as características reprodutivas da espécie. 1998). Herança citoplasmática é aquela em que os caracteres hereditários são transmitidos via citoplasma. possuem grandes possibilidades de selecionar biótipos resistentes. pois.4-D Triazinas Propanil Paraquat Inibidores da EPSPs Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Fonte: Weed Science (1998) Introdução 1948 1959 1962 1966 1974 1977 1982 Resistência 1957 1970 1991 1980 1996 1982 1984 Local EUA e Canadá EUA EUA Japão Austrália Austrália Austrália A indústria sempre buscou moléculas herbicidas com alto grau de segurança. Por outro lado. características como herança do tipo Módulo 3. A freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população sensível geralmente está entre 1 em 1016 e 1 em 106 (MORTIMER. e quanto maior for a freqüência destes alelos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 3 – Tempo de evolução da resistência para diferentes mecanismos de ação Herbicida 2. tanto o pai como a mãe podem transmitir a resistência. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. assim. Há dois tipos de herança: a citoplasmática (materna) e a nuclear. O tipo de herança do(s) alelo(s) da resistência é ponto crucial no estabelecimento da resistência em uma população de plantas. que agem em pontos únicos nas rotas metabólicas das plantas.

A alta eficiência dos herbicidas provoca a eliminação rápida dos biótipos sensíveis. A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes e sensíveis determina a dispersão dos alelos de resistência na população.Herbicidas: resistência de plantas . e intercruzamento entre os biótipos sobreviventes. A duração da seleção é medida pelo tempo no qual o herbicida permanece com residual.. e seleção destes dentro de uma população com alta tolerância. ao tempo. que é medida pela eficiência de controle das plantas daninhasalvo e pela relativa redução da produção de sementes das plantas remanescentes. o processo da evolução da resistência a herbicidas passa por três estádios: eliminação dos biótipos altamente sensíveis. 1998). O intercâmbio de pólen. o mecanismo de polinização e as condições climáticas durante a floração (STALLINGS et al. que será proporcional à dose e. que serão selecionados futuramente devido segregação e recombinação de genes (MORTIMER.Fatores que favorecem o surgimento da resistência 5.5 . controlando as plantas sensíveis em diversos fluxos germinativos.1 . O uso repetido de um mesmo herbicida ou de herbicidas com mesmo 208 Módulo 3. gerando novos indivíduos com maior grau de resistência. A alta pressão de seleção. imposta sobre uma população sensível proporciona espaço para o crescimento e desenvolvimento dos biótipos resistentes. A intensidade de seleção é a resposta da população de plantas às repetidas aplicações de herbicidas. 5 . como dispersão de pólen e número de propágulos produ¬zidos. O uso de herbicidas altamente eficientes e com residual longo exerce alta pressão de seleção. ou. A intensidade e a duração da seleção interagem. exceto os resistentes. já a contribuição do movimento de sementes é relativamente pequena (SAARI et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas nuclear disseminam-se.. permite a dispersão da resistência principalmente em plantas com alta taxa de fecundação cruzada. A dispersão da resistência via pólen é influenciada pela eficiência de dispersão e longevidade do pólen (MULUGETA et al. favorecimento de um indivíduo em relação a outros. 1998). 1995). via pólen. eliminação de todos os biótipos. provocando variações sazonais que podem ser observadas nas espécies. favorecendo o desenvolvimento da população resistente. 1994). O fluxo gênico apresenta correlação com o fluxo de distribuição de pólen e varia com a espécie. Resumidamente. entre plantas resistentes e sensíveis.Pressão de seleção Os fatores intensidade de seleção e sua duração contribuem para a pressão de seleção exercida pelos herbicidas. As características reprodutivas. Já os herbicidas com residual longo agem durante tempo maior. de acordo com sua fenologia e seu crescimento (MORTIMER.. influenciam diretamente a dispersão das plantas resistentes. 1994). restando apenas os mais tolerantes e resistentes. com maior rapidez no ambiente do que as do tipo citoplasmática (materna).

5.Diagnóstico da resistência a campo A resistência é um fenômeno que evolui em uma lavoura durante vários anos. inicialmente. dosagem. há dois caminhos para o aparecimento de plantas resistentes: a ocorrência de um gene ou de genes que conferem a resistência em freqüência muito baixa na população ou através de uma mutação (MORTIMER. O gene ou os cromossomos mutantes são a fonte essencial de toda a variação genética (BREWBAKER. produz alta pressão de seleção e aumenta a possibilidade de seleção de biótipos resistentes. altamente específicos e com longo residual. 1998). Segundo HRAC (1998a). calibração. quando se suspeitar da ocorrência de resistência. associada à adequada intensidade e duração de seleção. Características das plantas daninhas como alta diversidade genética.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mecanismo de ação. deve-se responder às seguintes perguntas: a) Produto.2 . grande produção de polén e propágulos. época ou estádio de aplicação. 6 . 1969). A possibilidade de ocorrer resistência em uma população. adjuvantes.5 . aliadas ao monocultivo e ao uso repetido do controle químico. baixa dormência das sementes.Herbicidas: resistência de plantas 209 . O controle insatisfatório de plantas daninhas não significa necessariamente que seja resistência. é resultado da relação entre a freqüência da mutação e o tamanho da população. tipo de bicos e condições ambientais foram adequados? b) As falhas de controle foram para uma espécie apenas? c) As plantas não são resultado de reinfestação? Módulo 3.Variabilidade genética A variabilidade genética das plantas daninhas. contribuem grandemente para o surgimento de plantas resistentes. Geneticamente. Toda população natural de plantas daninhas contém biótipos resistentes a herbicidas. O(s) gene(s) que conferem a resistência a um determinado herbicida pode(m) estar presente(s) em uma população antes mesmo que este herbicida seja lançado no mercado. que se apresentam indiferentes à aplicação de algum herbicida (HRAC. A seleção altera as proporções entre as plantas sensíveis e resistentes. volume de calda. torna inevitável o surgimento de plantas resistentes. 1998a). devido à mutação.

para identificar o mecanismo exato da resistência.000 sementes. das plantas tratadas com herbicida em comparação com as não-tratadas (MAXWELL. indica que o provável mecanismo envolvido é metabolismo da molécula. dose recomendada. Por outro lado. As condições de aplicação devem seguir aquelas recomendadas pela empresa fabricante. As diferenças entre biótipos resistentes e sensíveis de uma espécie podem ser quantitativamente expressas comparando-se as doses de herbicidas necessárias para reduzir 50% da população (DL50). deve-se iniciar a investigação dos fatores que levam à resistência. Para se ter certeza de que as plantas colhidas representam a população. devendo-se realizar testes para confirmação. 210 Módulo 3.Como confirmar a resistência O método mais comum e recomendado pelo HRAC (1998b) é colher sementes das plantas suspeitas de resistência e de plantas sensíveis. No Brasil.5 . semear em vasos e tratar com doses crescentes do herbicida em questão. 1994). existe a possibilidade de ser resistência. podem ser realizadas em nível de laboratório. duas e quatro vezes a dose recomendada. a) Ultimamente tem-se reptido aplicação de um mesmo herbicida ou herbicidas com mesmo mecanismo de ação? b) O herbicida em questão vem perdendo eficiência? c) Há casos de plantas resistentes a este herbicida? d) O herbicida não perdeu eficiência sobre outras espécies? Se a resposta a uma ou mais destas perguntas for afirmativa. 7 . Para servir como padrão sensível.Herbicidas: resistência de plantas . As doses a serem aplicadas são: metade da recomendada. Após duas e quatro semanas. Ponchio (1997) isolou a enzima ALS e avaliou a sua resposta a diferentes doses de herbicidas que agem sobre ela. Análises bioquímicas. avaliar o controle e a produção de matéria fresca. se a diferença de controle for pequena. deve-se colher em torno de 40 plantas ou 1. Existem metodologias para estudo da maioria dos casos de resistência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Se as respostas a estas perguntas forem afirmativas. da biomassa (GR50) ou da atividade da enzima (I50). MORTIMER. devem-se colher sementes de plantas em locais que nunca receberam aplicação daquele herbicida. Os resultados podem indicar se a resistência é devido à alteração no local de ação ou à metabolização da molécula. indica que o possível mecanismo de resistência está relacionado com o local de ação. Se a diferença de controle entre os biótipos resistentes e sensíveis for grande.

algumas práticas podem ser implantadas. devem-se realizar os testes e determinar medidas de manejo. os herbicidas que compõem a mistura devem controlar o mesmo espectro de plantas daninhas e ter persistência similar e diferente mecanismo de ação e de detoxificação. e) Limitar aplicações de um mesmo herbicida.5 . As práticas culturais visam aumentar o número de possibilidades de controle das plantas daninhas. l) Rotacionar o método de preparo do solo. para reduzir o acréscimo de sementes ao banco. c) Usar mistura de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e de detoxificação. j) Usar sementes certificadas. d) Realizar rotação de mecanismo de ação. em primeiro lugar: a) Erradicar imediatamente as plantas remanescentes. através de diferentes métodos de controle e mecanismos herbicidas. b) Colocar em prática o programa de manejo da resistência. a fim de minimizar o risco do surgimento de plantas resistentes (Quadro 4). Para minimizar os riscos de resistência. A mistura de produtos com diferentes mecanismos de ação proporciona controle eficiente por maior número de anos do que ambos aplicados de forma isolada. k) Controlar plantas em áreas adjacentes (terraços. é pequena. f) Usar herbicidas com menor pressão de seleção (residual e eficiência). g) Rotacionar o plantio de culturas. São elas: reduzir a pressão de seleção e controlar os indivíduos resistentes antes que eles possam se multiplicar. já que a probabilidade de uma planta daninha tornar-se resistente aos dois mecanismos.Herbicidas: resistência de plantas 211 . juntamente com esta. simultaneamente. deve-se. i) Acompanhar mudanças na flora.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A empresa fabricante deve ser informada e. h) Rotacionar os métodos de controle de plantas daninhas. Em caso de confirmação da resistência. b) Realizar aplicações seqüenciais. O acompanhamento e a avaliação da eficiência das medidas adotadas para combate à resistência são indispensáveis para garantir o sucesso da prática. pós-colheita). Isso pode ser conseguido com adoção das seguintes práticas: a) Usar herbicidas com diferente mecanismo de ação. 8 . c) Evitar a disseminação. A adoção dessas práticas visa reduzir a pressão de seleção.Como evitar a resistência Antes que as falhas de controle apareçam na lavoura. Módulo 3.

O uso de altas doses pode intensificar a seleção. assim. de acordo com as práticas de cultivo Opção de manejo Mecanismo herbicida usado Mistura de herbicidas Método de controle Rotação de cultura Infestação Controle nos últimos três anos Fonte: Adaptado de HRAC (1998d) Baixo Mais que dois Mais que dois mecanismos Cultural. e com o passar do tempo a população de plantas resistentes será reduzida (MORTIMER. uso de misturas de herbicidas. 1998). rotação de culturas e métodos de controle e usando-se herbicidas com diferentes mecanismos de ação. A seleção reversa ocorre na ausência da seleção herbicida. Por outro lado. essas medidas podem agravar o problema. A baixa pressão de seleção poderá. no caso de a resistência ser monogênica. Essa tática somente será eficiente na redução da população dos biótipos resistentes em casos em que as diferenças de adaptabilidade entre os biótipos resistentes e sensíveis forem grandes (MORTIMER.Herbicidas: resistência de plantas . 1998). 212 Módulo 3. se a resistência for uma característica poligênica. O comportamento de uma população de plantas pode ser altamente modificado. 1998). favorecendo os alelos sensíveis (MORTIMER. 1998). A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes é reduzida. seleção reversa. selecionar biótipos altamente resistentes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 4 – Risco de evolução da resistência. neste caso. Biótipos de Senecio vulgaris.Manejo da resistência a herbicidas As estratégias de manejo vêm sendo discutidas continuamente por cientistas da área. e os biótipos mais adaptados tendem a dominar o ambiente.5 . mas reduzirá o número de genes na população capazes de associarem-se (MORTIMER. Desse modo. resistentes às triazinas. mecânico e químico Completa Baixa Bom Risco de resistência Médio Dois mecanismos Dois mecanismos Cultural e químico Limitada Média Declinando Alto Um mecanismo Um mecanismo Químico Nenhuma Alta Ruim 9 . as plantas que não são controladas com uso de herbicidas alternativos podem contribuir para a disseminação e o aumento da freqüência gênica dos alelos sensíveis. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. são menos competitivos do que biótipos sensíveis. As várias opções que vêm sendo sugeridas estão baseadas em somente dois processos biológicos: alteração da pressão de seleção e. A redução na pressão de seleção. pode ser conseguida com redução na dose do herbicida que selecionou as plantas resistentes. ou. a redução na pressão de seleção aumenta a probabilidade de associação desses genes em um biótipo.

que visam prolongar a vida útil das moléculas envolvidas na resistência. 1998) O uso extensivo de 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considerando que a resistência é um problema que pode afetar intensamente o mercado de herbicidas. responsáveis pelo HRAC. Considerando o tempo e o uso extensivo destes herbicidas. inibidores de ALS e inibidores de ACCase. Os biótipos resistentes assumem importância. 10 . Papaver rhoeas. 1997).Auxinas As auxinas sintéticas 2. por serem os três grupos de produtos com maiores problemas (KISSMANN. rotação de mecanismos de ação e adoção de práticas culturais específicas. manejo e monitoramento dos casos de resistência. O conhecimento do modo de ação dos herbicidas é fundamental na adoção de técnicas de manejo. Módulo 3. as indústrias tomaram a iniciativa. através do GCPF (Federação Global de Proteção de Plantas). foram identificados biótipos de Commelina diffusa.1 . Este grupo chama-se HRAC (Herbicide Resistance Action Committee) e é formado por três subgrupos que estudam triazinas. no Canadá. 1996).4-D e MCPA revolucionaram o controle de espécies daninhas de folha larga em cereais na década de 1940 e têm sido usadas largamente desde então. quando biótipos resistentes de Convolvulus arvensis foram identificados nos Estados Unidos (WEED SCIENCE. e de Daucus carota. financiando pesquisas e com iniciativas educativas que visam esclarecer aspectos sobre a resistência e o modo de ação de cada herbicida.Características da resistência por grupos herbicidas 10.5 . estão empenhadas em desenvolver técnicas e estratégias para identificação. na Espanha.4-D e MCPA em trigo selecionou Sinapis arvensis. Os três primeiros casos de resistência identificados foram a esta classe herbicida. poucas plantas daninhas evoluíram resistência até hoje. nos Estados Unidos. O herbicida quinclorac.Herbicidas: resistência de plantas 213 . na França. Em 1957. de constituir um grupo permanente de cientistas para estudar o assunto e propor soluções. que incluem mistura de herbicidas. selecionou biótipos resistentes de Echinocloa crus-galli na Espanha. resistentes ao 2. devido ao largo uso destes herbicidas para controlar grande número de espécies e ao restrito número de herbicidas com potencial para substituí-los (HEAP. e Matricaria perforata.4-D. O terceiro caso foi em 1964. no Canadá. As empresas fabricantes de herbicidas. fortemente defendidas pelas empresas. considerado uma auxina e usado para controle de gramíneas em arroz.

Os mecanismos que conferem resistência aos bipiridílios são redução na translocação e compartimentalização da molécula (PRESTON. (1997) demonstraram que os biótipos resistentes de Lolium rigidum foram dez vezes mais tolerantes ao glyphosate do que os biótipos sensíveis.Bipiridílios Os herbicidas bipiridílios são herbicidas não-seletivos aplicados em pós-emergência.3 . selecionaram 26 espécies resistentes. 1994). nãotranslocáveis (de contato) e com baixa persistência biológica no solo. plantas de Conyza bonariensis resistentes ao paraquat (PRESTON. Trabalhos realizados por Pratley et al. entre plantas resistentes e suscetíveis as enzimas são igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas as populações. 1997). Depois disso.Derivados da glicina O herbicida glyphosate é o produto mais usado deste grupo. é considerado um produto com baixa probabilidade de selecionar espécies resistentes. 20 são dicotiledôneas e sete são monocotiledôneas (HEAP. os biótipos resistentes a este grupo herbicida não são considerados de grande importância (HEAP. Dentre estas. na Austrália. Por apresentar mais de um mecanismo de ação. respectivamente.2 . 1994). em 1980. 1997). que apresentam. no Egito. Aplicações de paraquat e diquat selecionaram 25 e duas espécies resistentes.5 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. biótipos de Lolium rigidum. Segundo esses autores. Os biótipos também apresentaram-se resistentes ao diclofop e sensíveis aos demais herbicidas graminicidas usados para seu controle. Contudo. Em 1996 foram identificados. de que o glyphosate apresenta baixo risco para selecionar biótipos resistentes. Atualmente existem comprovados no mundo seis casos de resistência ao glyphosate. foram identificadas. resistentes ao glyphosate. Erigeron sumatrensis e Youngia japonica resistentes a estes herbicidas. é o longo tempo em que este vem sendo usado. no Japão. dez vezes nos últimos 15 anos. os herbicidas bipiridílios. em uma vasta área. 17 espécies resistentes. não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs. Após duas décadas de uso. pelo menos. selecionaram. que apresentam baixo residual. 10. Devido à pequena área infestada e ao número de herbicidas alternativos. limitado metabolismo pelas plantas e baixo poder residual.Herbicidas: resistência de plantas . e os herbicidas auxínicos e inibidores de ACCase. biótipos de Erigeron philadelphicus. 214 Módulo 3. foram identificados. mais de um mecanismo de ação. O argumento mais convincente. com surgimento de apenas uma espécie resistente (HEAP. em lavouras que usaram o produto para controlar plantas daninhas em pré-plantio. Lorraine-Colwill et al. 1997). como o glyphosate. cada um. (2002) trabalhando com Lolium rigidum.

1990). Nos Estados Unidos. Módulo 3. 1990. recentemente desenvolvidos. em 16 países. considera-se que aquelas que resistem aos herbicidas inibidores de ACCase tenham a maior importância econômica. foram selecionados artificialmente (MORTIMER. oryzalin e pendimethalin.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Esses trabalhos também demonstraram que não existem diferenças de absorção. Dessa forma. Lolium rigidum e Avena fatua são as espécies com maior importância.5 . a maior quantidade de EPSPs sintetizada poderia ser a causa da resistência. biótipos de Eleusine indica. A única diferença entre os biótipos foi o maior nível de RNAm encontrado nos biótipos resistentes. assim.4 .Inibidores de ACCase Este grupo herbicida foi introduzido na década de 1970. 1998). O uso de misturas herbicidas e emprego de mais de um método de controle.000 locais com Lolium rigidum resistente e. na Austrália. translocação. HOWAT. no Canadá. Essas moléculas agem sobre a enzima ACCase e controlam com eficiência gramíneas em culturas mono e dicotiledôneas. devem ser usados com rotação de culturas e de herbicidas. em resposta ao tratamento com glyphosate. em razão da área infestada e do número restrito de mecanismos alternativos para controle dos biótipos resistentes (HEAP. Apesar do tempo de uso e do seu longo período residual. A identificação de biótipos resistentes ao glyphosate indica que a resistência a este produto deve ser prevenida. Biótipos de Festuca rubra. os cultivares de soja resistentes ao glyphosate. e isso fez com que fossem selecionados biótipos de Setaria viridis com resistência múltipla a estes mecanismos (HEAP.Dinitroanilinas Os herbicidas do grupo dinitroanilinas. metabolismo e sensibilidade da EPSPS ao glyphosate. devido ao metabolismo dessas moléculas (MOSS. devem ser adotados. mais de 3. Desse modo. 1997). são usados em pré-emergência para controlar plantas daninhas gramíneas em culturas oleaginosas. POWLES. para controle de gramíneas. como trifluralin. além do químico. Há 17 espécies monocotiledôneas resistentes aos inibidores da ACCase. mais de 500 locais com Avena fatua (HEAP. 1998). 1997). acredita-se que estes mecanismos não são as causas principais da resistência dos biótipos a este herbicida. 10. Os herbicidas inibidores de ACCase são o primeiro grupo herbicida alternativo para controlar biótipos resistentes aos herbicidas do grupo dinitroanilina. Estima-se que haja. resistentes ao glyphosate. entre os biótipos resistentes e sensíveis.Herbicidas: resistência de plantas 215 . Sorghum halepense e Amaranthus palmeri evoluíram resistência à trifluralin após 15 a 20 anos de uso em cereais e leguminosas. 1998). Entre as plantas resistentes. somente cinco monocotiledôneas e uma dicotiledônea apresentam resistência a este grupo herbicida (HEAP. Biótipos de Lolium rigidum apresentam resistência cruzada às dinitroanilinas. 10.5 .

O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. Os herbicidas classificados como inibidores de ALS tornaram-se uma ferramenta de grande importância para agricultura. Assim. como: 1) a amplitude de recomendações possíveis. Aproxi¬madamente cinco anos após o início do uso dos herbicidas inibidores de ALS. 5) trabalhos têm mostrado que os biótipos resistentes apresentam a mesma adaptabilidade ecológica que os biótipos sucetíveis dos inibidores 216 Módulo 3. Amaranthus strumarium e Sorghum bicolor (HEAP. o que se deve a vários fatores. 1998). 4) a resistência aos herbicidas inibidores da ALS é determinada geneticamente por lócus simples e semidominante e alta freqüência inicial em todos os casos de resistência estudados até o momento.6 .Herbicidas: resistência de plantas . 1997).esses herbicidas podem atingir níveis de controle próximos a 100%. 1994. que vai desde a cultura da soja até área de produção de arroz irrigado e florestas implantadas.Inibidores de ALS A introdução no mercado dos herbicidas inibidores de ALS ocorreu em 1982. AHRENS. 1994). 1994). com o lançamento da molécula chlorsulfuron para uso em cereais (SAARI et al. Nos últimos dez anos. PRESTON. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase.. um relacionado com a ACCase e outro com a membrana plasmática. em razão da sua eficiência e do reduzido impacto ambiental (SAARI et al. este grupo herbicida vem apresentando o maior número de registros de plantas resistentes. 1994).. 1997). selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona. 1994). 10. plantas resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase devem possuir mais de um mecanismo que proporcione a resistência. 41 são dicotiledôneas e nove são monocotiledôneas.5 . 3) muitos herbicidas inibidores da ALS apresentam residual prolongado no solo e conseqüentemente aumentam a pressão de seleção para biótipos resistentes. surgiu a primeira espécie resistente (SAARI et al. Em biótipos de Lolium rigidum. Os herbicidas inibidores da ALS apresentam alta freqüência de casos de resistência de plantas daninhas. há 50 espécies de plantas daninhas resistentes a estes produtos. alta seletividade para as culturas e alta eficiência com emprego de doses baixas (HESS. Estes herbicidas são largamente usados devido a sua baixa toxicidade para animais.. a repolarização das membranas ocorre independentemente da presença da ACCase mutada e existem muitas diferenças entre as membranas dos biótipos resistente e sensível (HEAP. a resistência aos inibidores da ALS tem sido atribuída a mudanças na seqüência de aminoácidos. 2) alta eficácia da maioria dos herbicidas inibidores da ALS . Entre as espécies descritas estão Kochia scoparia. Atualmente. A despolarização das membranas é um segundo mecanismo de ação atribuído aos herbicidas deste grupo. A manutenção do potencial é vital para a sobrevivência da célula. Essas características contribuíram para o surgimento rápido da resistência. desde gramíneas até dicotiledôneas e plantas daninhas perenes como a tiririca e a grama-seda. Dentre estas. em 14 países. bem como a seu grande espectro de controle de plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Biótipos de Lolium rigidum.

até o momento. Já um segundo biótipo apresentou resistência devido à insensibilidade da enzima ALS ao inibidor. contudo. Esta mutação afeta o fluxo de elétrons no FSII. FALCO. e 6) a maioria dos casos de resistência aos inibidores da ALS estudados apresenta resistência cruzada aos diversos grupos químicos de herbicidas que tem este mecanismo de ação (VARGAS et al. em nove países. porém a atividade da ALS. não foram encontrados biótipos resistentes que apresentem alteração na taxa de crescimento ou na capacidade competitiva.. assim. em um dos biótipos resistentes. em dez países. As espécies mais freqüentes são Chenopodium album. 1992).Triazinas A maioria das plantas daninhas resistentes às triazinas foram localizadas em lavouras de milho na Europa e América do Norte. respondeu igualmente a um biótipo sensível ao herbicida. não está descartada a hipótese de que o metabolismo da molécula também esteja envolvido. biótipos resistentes apresentam menor crescimento do que biótipos normais Módulo 3.7 . A rápida inativação metabólica é a base para a resistência do biótipo SR4/84 de Lolium rigidum ao chlorsulfuron (COTTERMAN. entre elas a substituição. 1994). histidina. cinco de Polygonum e quatro de Chenopodium. outros aminoácidos da ALS podem ser substituídos e produzir plantas resistentes com características distintas. mas não a todos os herbicidas do grupo das uréias. dessa forma. 1997). Christopher et al. serina ou treonina. PRESTON. Essas mutações não alteram a função biológica da ALS. como as triazinas e uréias substituídas. A mutação na D1 provoca alto nível de resistência aos herbicidas do grupo triazinas. 1989. até o momento. Além da prolina. a resistência deste biótipo se deve à rápida metabolização do herbicida. Amaranthus retroflexus e Senecio vulgaris. (1992) identificaram biótipos de Lolium rigidum resistentes ao herbicida chlorsulfuron. 2004). da prolina 173 por uma alanina. no centro ativo A da ALS. que conferem alterações funcionais na enzima ALS (POWLES. usando-se herbicidas alternativos (HEAP. Os diferentes níveis de resistência são atribuídos às diferenças na estrutura do centro de reação da D1 entre às espécies. Estima-se que a área infestada no mundo com plantas daninhas resistentes aos herbicidas triazinas seja superior a três milhões de hectares. O metabolismo das moléculas herbicidas é outro mecanismo usado por plantas daninhas para resistir a estes herbicidas. assim. 1998).5 . A resistência a imidazolinonas e sulfoniluréias é conferida por um gene dominante nuclear (MAZUR. Alterações na proteína D1 são as principais causas da ocorrência de plantas resistentes aos herbicidas que agem no fotossistema II. glutamina. 10. Entre as plantas resistentes relatadas existem nove espécies de Amaranthus.. As plantas daninhas resistentes têm sido controladas com eficiência. SAARI. já que. foi identificada somente uma mutação na proteína D1: a substituição da serina 264 por uma glicina. e Solanum nigrum. A causa da resistência aos herbicidas inibidores de ALS está em mutações que ocorrem no DNA e no metabolismo da molécula herbicida.Herbicidas: resistência de plantas 217 . em 16 países. O gene que codifica a enzima ALS nas espécies resistentes pode apresentar diferentes mutações. SAARI et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas da ALS.

Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida Os herbicidas selecionam biótipos resistentes com diferentes mecanismos de resistência (Quadro 5) e em diferentes períodos de tempo (Quadro 3). dessa forma. A ocorrência destes biótipos resistentes inviabiliza o uso deste herbicida em lavouras da Colômbia. apresentam sérios problemas de controle. em 1983.8 . além da facilidade que as espécies possuem de evoluir resistência para o herbicida e do número de mecanismos envolvidos. Atualmente. 1997). crusgalli em lavouras de arroz. por possuírem capacidade de metabolizar herbicidas com diferentes mecanismos de ação. 1997). mas sim via herança materna. PRESTON.Uréias/amidas A primeira espécie a apresentar resistência às uréias foi Alopecurus myosuroides no Reino Unido. As diferenças relacionadas ao mecanismo de ação destes herbicidas podem ser a resposta para essa questão. Isso demonstra que as triazinas apresentam maior risco de seleção de biótipos resistentes que as auxinas sintéticas (HEAP. Quadro 5 . ao tamanho da área e ao tempo em que este produto é usado na área. com e sem rotação. em 1982. O herbicida propanil é usado para controlar Echinocloa colona e E. Os herbicidas triazinas e auxina sintéticas vêm sendo usados em milhões de hectares há mais de 30 anos. que pertence ao grupo das amidas. A mutação responsável pela resistência às triazinas ocorreu no genoma do cloroplasto.5 . da Costa Rica e dos Estados Unidos (HEAP.D 218 Mecanismo Local de ação alterado/metabolismo Local de ação alterado Local de ação alterado Local de ação alterado Metabolismo Desconhecido Módulo 3.Herbicidas: resistência de plantas . 10. Até o momento existem 64 espécies resistentes às triazinas e 17 resistentes aos auxínicos. e na Alemanha. Biótipos de Alopecurus myosuroides. a resistência não é transmitida hereditariamente via pólen.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (POWLES.Mecanismos de resistência de plantas daninhas a herbicidas pertencentes a diferentes grupos químicos Herbicida Triazinas Dinitroanilina Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Propanil 2. com uso de herbicidas alternativos (HEAP. 1998). As diferenças se devem à variabilidade genética das espécies envolvidas. mais de 40 espécies apresentam resistência a este grupo e duas ao propanil. 11 .4. 1998). em muitos países. resistentes a chlorotoluron. Os biótipos de plantas daninhas resistentes às triazinas são controlados com eficiência.

a alta especificidade e eficiência e o longo período residual contribuem para a evolução rápida da resistência aos herbicidas que agem inibindo as enzimas ALS e ACCase. até o presente momento. O glyphosate esta sendo usado intensivamente na agricultura há mais de 25 anos. selecionaram biótipos resistentes devido ao seu emprego em vastas áreas (HEAP. O primeiro caso de resistência. relatado oficialmente. Conyza banariensis e Plantago lanceolata (WEED SCIENCE. que é um problema muito maior do que a resistência cruzada. foi o da planta daninha Bidens pilosa L. são elas: Lolium rigudum. fomesafen e acifluorfen (PONCHIO. poderão ser evitados o surgimento de novos casos de resistência e o surgimento de plantas com resistência múltipla. Lolium multiflorum. lactofen. constitui-se na mais provável causa da resistência (PONCHIO. apesar de serem considerados de baixo risco.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os herbicidas dos grupos cloroacetamidas e inibidores da EPSPs (glyphosate). 1999). Estes biótipos foram encontrados em lavouras dos estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul e apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS. um número limitado de populações de plantas daninhas sofreu pressão de seleção suficiente para o aparecimento de biótipos resistentes (CHRISTOFOLETI. a vasta área tratada. estes herbicidas apresentam alto potencial para selecionar plantas resistentes. A alta freqüência inicial de indivíduos resistentes na população. O primeiro caso de resistência de plantas daninhas ao herbicida glyphosate foi registrado em 1996. desse modo. Nos últimos dez anos foram identificadas mais espécies resistentes para os inibidores de ALS do que para qualquer outro mecanismo de ação. Até hoje foram constatados casos de resistência em 6 espécies de plantas daninhas.5 . mostrou-se menos sensível a estes herbicidas e. A enzima ALS. Conyza canadensis. (Quadro 6). bentazon. Módulo 3. 2003). Eleusine indica. Em razão de suas características.Herbicidas: resistência de plantas 219 .. 12 . 1997. aos herbicidas inibidores de ALS. mas são sensíveis aos herbicidas alternativos sulfentrazone. 1997). Somente com o uso de todos os métodos de controle disponíveis conjuntamente.A resistência de plantas daninhas no Brasil Atualmente são reconhecidos 15 casos de plantas daninhas resistentes no Brasil. dos biótipos resistentes. 1997). VARGAS et al. LÓPEZ-OVEJERO. 2006).

Espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas ocorrentes no Brasil e seu provável mecanismo Biótipos resistentes Bidens pilosa Bidens subalternans Brachiaria plantaginea Cyperus difformis Echinochloa colonum Digitaria ciliaris Echinochloa crusgalli var..5 . O uso repetido destes herbicidas pode ser a principal causa da seleção dos biótipos resistentes. crusgalli Echinochloa crus-pavonis Eleusineiíndica Euphorbia heterophylla Euphorbia heterophylla Sagitaria montevidensis Fimbristylis miliacea Lolium multifolium Parthenium hysterophorus Raphanus sativus Fonte: Wees Science (2006) Nome comum Picão-preto Picão-preto Capim-marmelada Junquinho Capim-arroz Capim-colchão Capim. resistentes aos herbicidas inibidores de ALS. 220 Módulo 3. onde estes produtos são empregados há mais de cinco anos. diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis. foram identificados em lavouras de soja nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná. Estudos relacionados a inibidores da ALS em condições de laboratório e de campo. Estudos relacionados à capacidade competitiva e ao comportamento das sementes no solo não indicam.arroz Capim-pé-de-galinha Leiteiro Leiteiro Flecha Cuminho Azevém Losna-branca Nabiça Mecanismo de ação ao qual adquiriu resistência Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Auxina sintética Inibidores da ACCase Auxina sintética Auxina sintética Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ALS e PPO Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da EPSPs Inibidores da ALS Inibidores da ALS Biótipos de Euphorbia heterophylla. e Brachiaria plantaginea. Não houve diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis relacionadas à taxa de germinação e à profundidade de germinação e emergência. até o momento. referentes à resistência em Euphorbia heterophylla L. Os biótipos resistentes sobreviveram ao tratamento com dose 16 vezes maior que a dose de campo (de rótulo). Os resultados deste trabalho indicam que a resistência é conferida por um gene dominante nuclear e que os biótipos apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS.Herbicidas: resistência de plantas . estão sendo realizados na Universidade Federal de Viçosa.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 6 .arroz Capim. porém são sensíveis a herbicidas com outros mecanismos de ação. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase.

três aplicações de glyphosate por ciclo durante os últimos 8 a 10 anos. Em todos esses casos a aplicação repetida e continuada de glyphosate para controle da vegetação é considerada a principal causa da seleção dos biótipos resistentes. (2002) não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs. observaram que aproximadamente 80% das plantas avaliadas resistiram a dose de até 1. aproximadamente.520 g ha-1. trabalhando com biótipos sucetíveis e resistentes de azevém (Lolium multiflorum). (2004). Com relação ao Lolium rigidum. herbácea. que vinham recebendo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 13 .Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate Lolium multiflorum é uma espécie anual ou bianual.. Originária do sul da Europa. Nas plantas resistentes e suscetíveis. de 30 a 90 cm de altura. No Brasil. Este biótipo resistente foi identificado em pomares no Chile. em média. Depois do tratamento com glyphosate os autores observaram acumulação do produto nas raízes de plantas suscetíveis e nas pontas das folhas de plantas resistentes (Quadro 7). 2004). O primeiro caso de Lolium multiflorum resistente ao glyphosate foi relatado por Perez e Kogan (2002).5 . foram identificados biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistentes ao glyphosate em lavouras de culturas anuais e em pomares (ROMAN et al. o mecanismo que confere resistência ao glyphosate ainda não foi determinado com clareza. 2000). Módulo 3. as enzimas foram igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas às populações. Vargas et al.Herbicidas: resistência de plantas 221 . Lorraine-Colwill et al. a dose de 360 g ha-1 foi suficiente para controlar o biótipo sensível. 20% a doses de até 11.440 g ha-1 de glyphosate e. propaga-se apenas por sementes (LORENZI. A diferença marcante entre populações resistentes e suscetíveis foi encontrada no translocação do glyphosate. As plantas resistentes e suscetíveis foram igualmente capazes de absorver o herbicida aplicado. Nesse mesmo trabalho. morfologicamente muito variável. glaba. ereta. densamente perfilhada.

a hipótese de alteração da EPSPS no sítio de ação é descartada. Segundo Kogan e Pérez (2003). Os valores mostrados são a médias de 10-15 plantas dos biótipos resistente e suscetível.8 Esses autores observaram superprodução da EPSPS induzida pela aplicação do glyphosate e também expressivo aumento no nível de EPSPS nas plantas resistentes e altamente resistentes. LA: local da aplicação.6 ± 2. intermediário .2 ± 2.4 ± 8. dessa forma.5 44.9 36. é muito pouco provável que os maiores níveis de expressão da EPSPs dos indivíduos resistentes expliquem completamente a maior tolerância ao produto.5 . com erros-padrão.0 38. sugerindo que o mecanismo de resistência não esta completamente baseado no sítio de ação. em biótipos de L.9 ± 4.Herbicidas: resistência de plantas . (2002). 222 Módulo 3.6 ± 6.4 44. Baerson et al.3 ± 3.3 ± 7.0 42.8 42. resistente e altamente resistente. rigidum após o pré-tratamento com glyphosate isopropilamina (450 g ha-1) Horas 2 4 8 24 48 Biótipos S R S R S R S R S R Acima do LA 30 ± 2 28 ± 4 40 ± 3 42 ± 4 36 ± 5 48 ± 5 19 ± 3 42 ± 5 15 ± 2 50 ± 1 C (% total absorvido) LA Abaixo do LA 13 ± 1 55 ± 2 11 ± 1 58 ± 5 11 ± 1 44 ± 3 10 ± 1 44 ± 4 11 ± 2 45 ± 3 10 ± 2 37 ± 3 08 ± 1 53 ± 3 10 ± 1 43 ± 4 10 ± 2 55 ± 3 11 ± 1 33 ± 3 14 Raízes 02 ± 0 02 ± 0 05 ± 1 04 ± 0 08 ± 1 05 ± 1 20 ± 2 05 ± 1 20 ± 4 06 ± 1 Lorraine-Colwill et al.5 ± 2. Os resultados do trabalho indicados no Quadro 8 mostram que a atividade da EPSPS das plantas resistentes é similar à atividade das plantas suscetíveis. (2002) observaram inicialmente que numa população de Lolium rigudum existiam plantas com diferentes níveis de resistência ao glyphosate e assim classificaram estes biótipos como suscetível.Translocação foliar do 14glyphosate aplicado em plantas resistentes e suscetíveis.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 . (2002) % de inibição por glyphosate 0 hora após a aplicação 48 horas após a aplicação 42.5 43. Os autores isolaram a enzima EPSPS e realizaram testes in vitro de sua atividade na presença de glyphosate em todas as populações. Quadro 8 – Inibição da EPSPS em teste in vitro População Suscetível Intermediário Resistente Altamente resistente Fonte: BAERSON et al.

Evolução da intoxicação provocada por glyphosate sobre biótipos sensível (A). Todavia. Essa queda de produção foi mais severa no biótipo intermediário do que no resistente (Fig. intermediário e resistente ao herbicida glyphosate). 4). em ambos os biótipos (resistente e com resistência intermediária) de L.5 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 . 3A). Módulo 3.Herbicidas: resistência de plantas 223 . Tanto o biótipo resistente quanto o intermediário apresentaram elevados níveis de intoxicação (80%) aos 14 dias após a aplicação dos tratamentos (Fig. (2006a) com três biótipos de Lolium multiflorum (biótipos sensível. (2006a) Em recente trabalho realizado por Ferreira et al. A dose de 200 g ha-1 foi suficiente para controlar 100% das plantas sensíveis (Fig.200 g ha-1 de glyphosate não controlaram os biótipos resistentes e de resistência intermediária. multiflorum observou-se redução na produção de massa seca da parte aérea. resistente (B) e de resistência intermediária (C) de Lolium multiflorum Fonte: Ferreira et al. 3 B e C. observou-se que doses de até 3.

Esses resultados se assemelham aos encontrados por Lorraine-Colwill et al.Porcentagem de produção de massa seca dos biótipos resistente e intermediário tratados com glyphosate em relação à testemunha Fonte: Ferreira et al. 2A). Ferreira et al. que constataram maior acúmulo do produto marcado nas raízes do biótipo resistente. Todavia observaram diferença marcante na translocação do 14glyphosate entre os biótipos resistente (R) e sensível (S).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 3 . 224 Módulo 3. O biótipo R apresentou maior acúmulo de 14glyphosate na folha aplicada às 64 horas enquanto no suscetível observaram maior acúmulo desse herbicida nas raízes (Fig.5 . (2006a) Figura 4 .Herbicidas: resistência de plantas . (2002) em Lolium rigudum. 2006a) O possível caso da resistência de L..Biótipos resistente (R) e sensível (S) de L multiflorum cinco dias após tratamento com 800 g ha-1 de glyphosate (FERREIRA et al. (2006) verificaram que tanto o suscetível quanto o resistente absorveram o glyphosate na mesma intensidade (Fig. 5). multiflorum pode estar ligado a translocação diferencial deste herbicida pelos diferentes biótipos.

correspondendo a um aumento de 11% em 2005 no total de 21 países onde o plantio de transgênicos é permitido (JAMES. O Brasil é hoje o terceiro produtor de transgênicos. Módulo 3.nas raízes de biótipos de L. Depois disso.na folha onde foi aplicado.5 . multiflorum resistente (R) e sensível (S) Fonte: Ferreira et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 – Concentrações de glyphosate avaliadas em diferentes tempos após aplicação. milhares de hectares cultivados com culturas transgênicas já foram incorporados no processo produtivo. a área de produção de transgênicos passou de 81 milhões de hectares em 2004 para 90 milhões. perdendo apenas para Argentina e Estados Unidos (Quadro 9). com uma área plantada de 9.Culturas transgênicas Cultivares de soja e de outras culturas foram lançados recentemente no mercado.Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas 14. (2006b) 14 .Herbicidas: resistência de plantas 225 . (A) – na água de lavagem. (C) – na parte aérea e (D) .4 milhões de hectares de sementes. No mundo. (B) . 2005).1 .

3 0.1 < 0. milho e algodão Soja Soja.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 9 . cultivado em 3. Austrália. Brasil. cultivado em 4. EUA. Argentina.1 0.1 < 0. quando foram cultivados 12. milho e canola Algodão Soja Algodão Soja. Canadá.3 0. com crescimento de 22% no ano de 2003. Romênia. 2).Superfície global de cultivos transgênicos em 2005 (em milhões de hectares) Ordem 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Fonte: James (2005) País EUA Argentina Brasil Canadá China Paraguai Índia África do Sul Uruguai Austrália México Romênia Filipinas Espanha Colômbia Irã Honduras Portugal Alemanha França Rep. sexta colocação em 2003. em ordem decrescente de área cultivada. milho.1 9.8 milhões de hectares (4%) em dois países: EUA e 226 Módulo 3.1 0.3 1.8 17.0 milhões de hectares.3 0. Checa Superfície (milhões de ha-1) 49. A soja tolerante a herbicida é atualmente a cultura geneticamente modificada dominante. representando 60% da área mundial destinada às plantas geneticamente modificadas em 90 milhões de hectares.5 milhões de hectares.1 < 0.5 . Importante destacar que o milho Bt. Ela ocupa 48.3 milhões de hectares. equivalente a 6% da área mundial com lavouras geneticamente modificadas. Paraguai.8 3. algodão.1 0. e que ocupou 4.8 1. África do Sul e Argentina.3 milhões de hectares (5%) em dois países: Canadá e EUA. Canadá.1 < 0. em ordem decrescente de área cultivada. são: EUA.1 Culturas transgênicas Soja. O algodão Bt foi plantado em oito países.3 milhões de hectares (5%) em quatro países: EUA. milho e algodão Soja e milho Algodão Soja e algodão Soja Milho Milho Algodão Arroz Milho Milho Milho Milho Milho Em 2005. Índia.1 < 0.5 0. canola tolerante a herbicida.Herbicidas: resistência de plantas . que. 11 são países em desenvolvimento e 10 industrializados (Fig. dos 21 países produtores de transgênicos. Outras cinco culturas listadas no Quadro 10 ocuparam entre 2% e 5% da área mundial cultivada com plantas derivadas da biotecnologia e incluem. Uruguai.1 < 0. África do Sul e México. cultivado em 4. canola e mamão Soja. A terceira cultura geneticamente modificada mais cultivada foi o algodão Bt. comercialmente disponível em nove países em 2005 (Quadro 9) que. em ordem decrescente de área: milho tolerante a herbicida. ocupou um total de 15. México.4 5. Argentina. milho Bt tolerante a herbicida. África do Sul e Colômbia.4 milhões de hectares.1 < 0. foram: China.

Herbicidas: resistência de plantas 227 . em ordem crescente por área.5 milhão de hectares (2%) em 3 países: EUA. 2005).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Canadá. de 1996 a 2005 O Quadro 10 mostra. os países produtores de culturas trangênicas em 2005. Quadro 10 – Princiapais lavouras geneticamente modificada em 2005 Culturas Soja tolerante a herbicida Milho Bt Algodão Bt Milho tolerante a herbicida Canola tolerante a herbicida Milho Bt/tolerante a herbicida Algodão Bt/tolerante a herbicida Algodão tolerante a herbicida Fonte: James (2005) % em relação ao total de áreas cultivadas 60 14 06 05 05 04 04 02 Módulo 3. e algodão tolerante a herbicida cultivado em 1. em milhões de hectares. Figura 2 – Evolução da área de cultivo de transgênicos no mundo. Austrália e México. Austrália e África do Sul (JAMES.5 . algodão Bt e tolerante a herbicida cultivado em 3 milhões de hectares (4%) em três países: EUA.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A descoberta das leis da hereditariedade. a área cultivada com lavouras transgênicas cresceu mais de 47 vezes (JAMES. No melhoramento tradicional. hoje conhecida como tecnologia do DNA recombinante ou engenharia genética (VALOIS. por meio de desenvolvimento de métodos refinados com o uso de técnicas de biologia molecular. Além disso. com o objetivo de acelerá-lo e de ampliar a variedade de genes que podem ser introduzidos nas plantas.0 27.5 .6 59.7 81. conseqüentemente.7 11. sem que sejam introduzidos outros genes. Já a transgenia é uma evolução desse processo. como ocorre no melhoramento genético clássico (no cruzamento ocorre a "mistura" de metade da carga genética de cada variedade parental).9 42. a transgenia.2 52. bem como da natureza química do material genético. Quadro 11 –Área total de lavouras geneticamente modificadas no mundo entre os anos de 1996 e 2005 Ano 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Fonte: James (2005) Hectares (em milhões) 1. 2005). Nessse período. permitiram a manipulação do material genético. oferece maior precisão do que os cruzamentos.8 39. etc. que. 2005).Herbicidas: resistência de plantas . como ferramenta da biotecnologia agrícola.1 90. 228 Módulo 3. uma vez que permite a inserção de genes cujas características são conhecidas com antecedência. 2001). surgiram as plantas que carregam em seu genoma a adição de DNA oriundo de uma fonte diferente de germoplasma paternal. de características desejadas) entre um organismo doador (que pode ser uma planta. denominadas de transgênicas.7 67. 2005). uma bactéria. A biotecnologia agrícola utiliza a transgenia como uma ferramenta de pesquisa agrícola caracterizada pela transferência de genes de interesse agronômico (e.0 A transgenia permite um melhoramento "pontual" através da inserção de um ou poucos genes e da conseqüente expressão de uma ou poucas características desejáveis (MONSANTO. Assim.) e plantas. O Quadro 11 mostra a evolução do cultivo de plantas geneticamente modificada e tolerante a herbicidas durante o o período de 1996 a 2005. um fungo. e a decifração do código genético foram condições primordiais para o surgimento da biotecnologia moderna. cruzam-se as espécies sexualmente compatíveis e ocorre a combinação simultânea de vários genes. com segurança (MONSANTO.

Espécies altamente sensíveis a esse produto serão eliminadas. 2005). benghalensis.5 . em que a maioria da área cultivada empregará a mesma molécula herbicida. Em 2005 a soja transgênica foi oficialmente liberada para plantio no país. A dinâmica e o estabelecimento das plantas daninhas nos levam a antever uma provável mudança na composição das plantas infestantes. Espécies como Commelina benghalensis. que é um requisito para a seleção de plantas resistentes.. como é o caso dos herbicidas para os quais estão sendo desenvolvidas culturas resistentes. as plantas daninhas apresentam composição e dinâmica de um país tropical. ROCHA et al. por exemplo. é uma espécie que se adapta com facilidade a diferentes ambientes e apresenta intensa resposta à calagem e adubação do solo. No Brasil. se o manejo das plantas daninhas não for adequadamente utilizado na soja transgênica. o que significa alta pressão de seleção. Esse fato poderá levar a uma situação extrema. Muitos produrores de soja transgênica no Rio Grande do Sul preferem controlar as plantas daninhas com aplicação de pós-emergência feita na cultura. O risco do surgimento de casos de plantas daninhas resistentes é maior para aqueles herbicidas que já apresentam biótipos resistentes. 2005). sendo hospedeira de pragas e moléstias. tendo em vista que vários produtos ou combinações de produtos utilizados atualmente serão substituídos por um único ingrediente ativo. 2000).Herbicidas: resistência de plantas 229 . em alguns casos. será utilizado um único ingrediente ativo. essas plantas apresentam grande potencial de se tornarem um sério problema de controle. espera-se a ocorrência de profundas mudanças nos sistemas de controle. Os produtos e as combinações de produtos utilizados na soja convencional serão substituídos pelo glyphosate. C. No início serão observados apenas os benefícios da nova tecnologia. deixando de fazer o controle das plantas Módulo 3. somente haverá. subterrâneas e multiplica-se também a partir do enraizamento de porções do caule (ROCHA 1999. em que fatores como a intensidade e a rapidez da mudança na composição de uma comunidade são acentuados e inevitavelmente influenciados pelas práticas agrícolas e pela ação humana. porém com o decorrer dos anos existirá uma grande possibilidade de surgir problemas como a seleção das espécies consideradas tolerantes ou mesmo espécies resistentes (GAZZIERO. a substituição das moléculas herbicidas que vinham sendo usadas por outra.Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas Os métodos de controle das plantas daninhas não sofrerão alteração. Borreria latifolia e Tridax procumbens são plantas consideradas tolerantes ao glyphosate. É uma planta perene que se reproduz por sementes aéreas. o glyphosate (GAZZIERO. Dessa forma. e outras consideradas tolerantes apresentam a possibilidade de disseminação e conseqüente aumento de infestação nas áreas cultivadas com soja transgênica.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 15 . dessa forma.

O conhecimento desses pontos é importante para embasar previsões de proporções futuras entre plantas resistentes. e em anos seguidos. Biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistente ao glyphosate se tornaram um grave problema nas lavouras de soja transgênica no Rio Grande do Sul. 2003). tolerantes e sensíveis em áreas afetadas e para eleger métodos de manejo e controle das plantas tolerantes e resistentes que permitam impedir a multiplicação e a disseminação desse(s) gene(s) para outras populações. o mesmo herbicida ou herbicidas. poucos cientistas estão se dedicando a essa área no Brasil. ao se realizar a aplicação. o processo de competição entre a cultura e as plantas daninhas já se iniciou. em outras espécies. Desse modo. 230 Módulo 3. sobre os quais tem sido aplicada doses de 16 L ha-1 do produto comercial sem sucesso. do fluxo gênico e da dispersão de propágulos. agricultores que empregarem extensivamente.Comentários finais A resistência de plantas daninhas a herbicidas é um fato consumado no Brasil. trazendo prejuízos a cultura (THEISEN citado po GAZZIERO. da variabilidade genética da espécie daninha. que poucas vezes podem ser generalizados para as nossas condições. Estudos aprofundados sobre essa questão devem ser realizados com urgência no país. estarão sujeitos à seleção de plantas daninhas resistentes.5 . observou em pomares de maça tratados com glyphosate a seleção de Richardia brasiliensis. Commelina benghalensis. do padrão de herança. com mesmo mecanismo de ação. levando a um considerável aumento nos custos de produção. Na maioria dos casos. além da resistência de azevém (Lolium sp. 16 . como: uso de misturas de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e rotação destes mecanismos. e as informações de que se dispõe são relacionadas a casos de outros países. em condições semelhantes. Para que isso seja evitado. Nas áreas com mais de 15 anos de uso têm sido feitas três aplicações/ano em doses que variam de 2 a 8 L ha-1. Sabe-se que sua evolução em uma área é dependente da pressão de seleção. do número de genes envolvidos.Herbicidas: resistência de plantas . Contudo. Euphorbia heterophylla.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que germinam antes da semeadura da soja. para que se possa entender e estabelecer estratégias específicas para os nossos casos.). devem ser adotadas as práticas de manejo adequadas. Vargas (2004).

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UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .6 . Ricardo Camara Werlang Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .DF 2006 Módulo 3.Manejo de plantas daninhas em pastagens Tutores: Profº.ABEAS Universidade Federal de Viçosa .Manejo de plantas daninhas 3. Lino Roberto Ferreira Profº.Manejo de plantas daninhas em pastagens 235 . Antonio Alberto da Silva Profº.6 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .

Integração da agricultura e pecuária.1 . 253 2. 243 1.3 .6 .Controle de plantas daninhas.Fatores do ambiente passíveis de competição.3 .Competição por água.4.Manejo de plantas daninhas em pastagens . 261 Referências bibliográficas. 246 1.1 .1 . 247 2 .Controle cultural.Competição entre plantas daninhas e forrageiras.4 .Competição por luz. 246 1. 260 2. 252 2.Uso de herbicidas na manutenção de pastagens. 258 2.Controle mecânico ou físico. 237 1 .Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens.2 . 238 1.Competição por nutrientes. 259 2.Uso de herbicidas na recuperação de pastagens.1.3 . 244 1.2 .1.1 .1.4.Plantas tóxicas.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.3 .Controle preventivo.4. 267 236 Módulo 3. 252 2.2 . 257 2. 239 1.Controle químico.

As mudanças que vêm ocorrendo nos sistemas de produção são reflexos de transformações econômicas. e aproximando-se. indústria. Nesse período. essa tendência é muito mais complexa e envolve modificações muito mais profundas. competitividade e sustentabilidade (EUCLIDES FILHO.Manejo de plantas daninhas em pastagens 237 . como política. representado pela pecuária extensiva. afastando-se cada vez mais do modelo extrativista.6 . dependendo de cada caso. com respeito ao ambiente e aos animais. eficiência. assumem dois aspectos fundamentais. em última instância. e produtivos. em geral. em maior ou menor grau. como solo. Conseqüentemente. da intensificação total. A tomada de decisão na pecuária. nesse contexto. Uma das características que faz com que a atividade pecuária no Brasil seja altamente competitiva é o fato de o País possuir grandes áreas de pastagens e condições adequadas para o desenvolvimento destas. O primeiro é que elas viabilizam a competitividade brasileira. formas de produção que. capazes de ser conservadores de recursos. a atividade pecuária tende a se tornar cada vez mais uma atividade empresarial. É importante ressaltar que. 1996) A pecuária brasileira está sendo influenciada pelo processo de globalização em andamento no mundo. As pastagens. produtor. ou seja. Dessa forma. parte expressiva do setor se distanciou da prática extrativista que por muitos anos caracterizou a atividade e tem sido um exemplo de capacidade de ajustes e adaptação à realidade do mercado atual. sistemas economicamente viáveis. 1997). além de produtivas. sociais e políticas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Atualmente. que são responsáveis pela reestruturação desde níveis e formas de informação. diante das transformações que vêm se processando. competitivos e eficientes. social. Os últimos dez anos têm sido decisivos para a economia brasileira. qualidade. economia. que penaliza os setores não-competitivos e ineficientes (EUCLIDES FILHO. socialmente justos. a humanidade coloca em segundo plano os tratados e previsões que fundamentaram a “revolução verde” e busca. em especial para a pecuária. ambientalmente corretos. e na pecuária. 1997). apesar de esse processo estar sendo propalado como a globalização da economia. deve considerar os vários pontos determinantes dos segmentos envolvidos no setor. Módulo 3. isto é sinônimo de estabelecimento de sistemas sustentáveis. passando por mudança do estágio de conhecimento e culminando com o estabelecimento de um novo padrão de comportamento da sociedade como um todo. consumidor. Com relação aos sistemas de produção agrícolas. e o segundo é o fato de possibilitarem o atendimento da grande demanda mundial por alimento produzido de forma natural. espera-se. possibilitem convivência harmoniosa com a natureza. a formação do que pode ser denominado um novo status de cultura global (EUCLIDES FILHO. água e recursos genéticos animais e/ou vegetais. em particular. nesse contexto.

Nas Figuras 1 e 2 são apresentadas algumas das principais espécies de plantas daninhas das pastagens. até mesmo parcialmente. Degradação de pastagens é um processo evolutivo de perda de vigor e produtividade da forrageira. sem possibilidade de recuperação natural. as quais dificultam o processo de produção pecuária. a degradação precisa ser revertida para garantir a produtividade e a viabilidade econômica da pecuária (MACEDO et al. espaço.Competição entre plantas daninhas e forrageiras Pastagens produtivas significam pastagens bem formadas. reduzindo a disponibilidade desses fatores para as forrageiras. além de ser um ambiente propício para o desenvolvimento de parasitas. mas também por espaço. se sombreadas.. e até mesmo arbóreo. é facilmente dominada pelas plantas daninhas. Além dos impactos negativos na produção e desvalorização do patrimônio. ainda. atualmente. Estima-se que 80% dos quase 60 milhões de hectares da área de pastagens na região de Cerrados apresentam algum estágio de degradação (MACEDO et al. Isso ocorre porque a maioria das gramíneas forrageiras cultivadas no Brasil tem a sua eficiência fotossintética altamente dependente da intensidade da luz. devido à elevada capacidade competitiva das plantas daninhas. bem manejadas e livres de plantas daninhas. falta de adubação de manutenção e manejo da pastagem inadequado. Essas forrageiras. Em razão do porte arbustivo.Manejo de plantas daninhas em pastagens . As plantas daninhas podem. de muitas espécies de plantas daninhas infestantes de pastagens em condições brasileiras. por diminuir o potencial de formação de pasto pelas forrageiras. ocasionado pela competição com as plantas daninhas. 1 . pois são espécies que apresentam o metabolismo C4. No entanto.6 . Assim. e aumenta o tempo de formação das áreas reformadas. Essa competição se dá principalmente por luz.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Diante da importante função assumida pela pastagem no contexto de pecuária empresarial e competitiva. pode-se considerar a luz como o principal fator (recurso) de competição destas com as forrageiras. Pastagem degradada se constitui. agravam-se os efeitos ambientais pela erosão dos solos e assoreamento dos mananciais de água. Causada por diversos fatores. entre eles má escolha da espécie forrageira. em um dos maiores problemas dos sistemas de produção de bovinos no Brasil Central. 238 Módulo 3. é lógico que o sucesso desse setor está estreitamente relacionado com a manutenção das pastagens em condições adequadas.. 2000). água e nutrientes. má formação inicial. que afeta a produção e o desempenho animal e culmina com a degradação do solo e dos recursos naturais em função de manejos inadequados. a presença de plantas daninhas em pastagens reduz a sua capacidade de suporte (unidade animal por ha). 2000). têm a sua taxa de fotossíntese líquida altamente reduzida e. a prática demonstra outra realidade. nutrientes e água. ocasionar danos físicos aos animais. A presença delas em pastagens reduz a produtividade. como ferimentos no úbere das vacas. nestas condições. uma vez que estas plantas competem por luz.

Fatores do ambiente passíveis de competição Em ecossistemas agropastoris. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. Isso ocorre porque. nessas circunstâncias. estabelece-se a competição. reduzindo a produtividade da forrageira. já limitados no meio. gás carbônico. Como ambas possuem suas demandas por água. esses fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente. ou até mesmo levá-los à morte. qualquer planta daninha que se estabeleça na pastagem vai usar parte dos fatores de produção. A seguir serão abordados os principais fatores envolvidos na competição entre as plantas daninhas e as forrageiras. nutrientes e CO2 e. caso eles se alimentem de plantas tóxicas. Recursos são os fatores consumíveis. na maioria das vezes. até mesmo para o próprio desenvolvimento da forrageira. Radosevich et al.Manejo de plantas daninhas em pastagens 239 .6 . A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso for limitado e máxima quando o ponto de saturação for atingido. 1. Módulo 3.: toxidez devido a excesso de Zn no solo). muito comuns em pastagens brasileiras. luz.1 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas causados por espécies com espinhos. a forrageira e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex. nutrientes e luz. como água.

(e) ciganinha (Memora peregrina).Manejo de plantas daninhas em pastagens . (g) guanxuma (Sida glaziovii) e (h) lobeira (Solanum lycocarpum) 240 Módulo 3. (d) assa-peixe roxo (Vernonia glabrata).6 . (b) leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 – Principais plantas daninhas das pastagens (a) assa-peixe branco (Vernonia polyanthes). (c) mata-pasto (Eupatorium maximilianii). (f) fedegoso (Senna ocidentalis).

(h) ximbuva (Enterolobium contortisiliquum) e (i) samambaia (Pteridium aquilinum) Módulo 3. fistulosa). (b) arranha-gato (Acacia plumosa).(c) guizo-de-cascavel (Crotalaria spectabilis). (f) algodão-bravo (Ipomoea carnea sbsp. (g) mamona (Ricinus communis).Manejo de plantas daninhas em pastagens 241 .6 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 – Principais plantas daninhas das pastagens . e plantas tóxicas . (e) cambará (Lantana camara). (d) cafezinho (Palicourea marcgravii).(a) camboatá (Tapirira guianensis).

e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. e. porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. A competição entre plantas daninhas e forrageiras é um fator crítico para o desenvolvimento da pastagem quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a forrageira. No entanto. 1996). também.. ainda. 1990. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos.. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. 1996). a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. mesmo com baixos níveis do recurso no ambiente (RADOSEVICH et al. citado por RADOSEVICH et al. Determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer. caracterizado pela pastagem degradada. em áreas de pastagens degradadas a capacidade competitiva das plantas daninhas é ainda maior. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (RADOSEVICH et al. A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. envolvendo indivíduos de espécies diferentes. Várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as forrageiras e as plantas daninhas. o maior índice de área foliar. a menor suscetibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. 1985). como acontece. como veranico e geadas. se a população de plantas da forrageira por área for baixa ou o estande for desuniforme. como: a competição é mais séria nos períodos iniciais de desenvolvimento da 242 Módulo 3. em condições de sombreamento (PITELLI. dependendo da espécie cultivada. 1996). cuja dependência é muito grande. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. Entretanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Condições são fatores não diretamente consumíveis. Todavia. em razão da influência extrema que eles exercem na utilização dos recursos pelas plantas. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. Os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta destas às variações dos recursos (GOLDBERG. etc. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas daninhas em relação às culturas são o seu porte e sua arquitetura..Manejo de plantas daninhas em pastagens . do seu vigor. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. densidade do solo. não estando. totalmente esclarecida. ela poderá cobrir rapidamente o solo. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. seja ela daninha ou não. por exemplo. até que um nível ideal seja alcançado. A competição pode ser intra-específica. A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. interespecífica. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. como pH do solo. se a forrageira se estabelecer primeiro.. Na realidade.6 . A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância. Contudo.

nutrientes e espaço.. é normal em alguns agroecossistemas. realizando. podendo. Disso resulta a importância do preparo do solo.1 .1. as espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da forrageira. Desse modo. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes. e sistema radicular muito desenvolvido. 1996). que podem inibir a germinação e ou desenvolvimento da forrageira. no manejo da forrageira. como o químico ou mecânico. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas. sem qualquer sinal de déficit hídrico. ainda. fazendo com que esta leve vantagem sobre o complexo de plantas daninhas. especialmente nitrogênio e carbono. o chamado manejo integrado de plantas daninhas. que as plantas forrageiras fiquem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas. grande número de estômatos por área foliar. liberar toxinas no solo. da profundidade de plantio. ciganinha e outras). Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. Assim a competição é mais facilmente minimizada ou até mesmo eliminada com a integração de outros métodos de controle. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. da época correta de plantio. torna-se fácil o manejo da forrageira. desenvolvimento e crescimento rápido de grande superfície fotossintética mesmo ainda na fase de plântula. comumente. Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma pastagem. e as espécies daninhas competem por água.Manejo de plantas daninhas em pastagens 243 . especialmente nos trópicos em dias quentes. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular (maior profundidade do sistema radicular – ex. as espécies daninhas de maior porte do que as forrageiras exercem grande potencial competitivo com estas.6 . luz. as condições para que ela se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. 1. dessa forma. principalmente se a forrageira possui metabolismo C4.: assa-peixe. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da forrageira e da vegetação daninha infestante da área a ser formada. regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. pequenas ou grandes..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas forrageira. da percentagem de germinação e vigor das sementes. as características fisiológicas das plantas. etc. Normalmente. magnitude da condutividade hidráulica das raízes. Módulo 3. pois se estabelecem primeiro. da escolha da forrageira adequada para a região. por isso. Conhecendo esses fatores. das condições adequadas de pastejo e manejo adequado da forrageira. (Radosevich et al. devido ao sombreamento. como capacidade de remoção de água do solo. tendem a excluir as demais. etc.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo.

5 difosfato carboxilase. ou seja. substrato inicial da respiração. Essas plantas. a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. As plantas C4. Em conseqüência da ação desta enzima. 3-fosfoglicérico e. formando o ácido oxaloacético (AOA). sendo esta relação para as plantas C4. É sabido que a relação. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. por difusão. por difusão. A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). As plantas C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson. consumindo 2 ATPs.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. no ácido fosfoenolpirúvico. Elas não apresentam fotorrespiração detectável. o ácido pirúvico. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. localizada nas células do mesófilo foliar. ocorrendo o ciclo de Cavin e Benson. onde esses produtos são descarboxilados. catalisa a produção do ác. Este CO2 liberado é novamente fixado. quando comparadas com plantas C4. de 1:5:2. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. baixo ponto de saturação luminosa. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. se ela é umbrófila ou heliófila e. e. onde é fosforilado. agora pela enzima ribulose 1. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. A maior eficiência das plantas C4 em relação a C3 em condições adequadas de luminosidade e temperatura é o principal fator da superioridade de produção forrageira em condições tropicais (maioria C4). responsável pela fixação do CO2. retorna às células do mesófilo. também. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. as plantas C3 fotorrespiram intensamente. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. logo. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico). considerando ambos os grupos em condições ótimas. dependendo da espécie vegetal. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa.Manejo de plantas daninhas em pastagens . Esse fato evidencia que as plantas C4 244 Módulo 3. em seguida. a superioridade das forrageiras utilizadas no Brasil (C4 em sua grande maioria) é dependente de certas condições. como a luminosidade adequada. além do ciclo de Calvin e Benson. Entretanto. As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2.2 . do glicolato. também. não desassimilam o CO2 fixado.1. comparado a regiões temperadas. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. que ocorre em todas as plantas superiores. se a rota fotossintética que ela apresenta é C3.Competição por luz A competição pela luz é muito complexa e sua magnitude é influenciada pela espécie. é transportado para as células da bainha vascular das folhas. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo.6 . por ser ambígua quanto ao substrato. por apresentarem dois sistemas carboxilativos.

gênero Panicum (RODRIGUES. REIS. esta passa a atuar mais como oxidativa.. é comum. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEPcarboxilase) apresenta algumas características. quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. liberando CO2. 1998) e Pennisetum purpureum (RODRIGUES et al. atua especificamente como carboxilase. Esse fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. Essas características são genéticas. as espécies C4 dominam completamente as C3. luminosidade e nutrientes. Isso acontece porque. densidade de perfilhos e número de folhas por perfilho.Manejo de plantas daninhas em pastagens 245 . temperatura. luminosidade alta e até mesmo déficit hídrico temporário. atividade ótima em temperaturas mais elevadas. aparecimento de folha e duração da folha) que. a ocorrência de sombreamento por plantas daninhas implica redução drástica do potencial competitivo dessas forrageiras. Todavia. Como a maioria das forrageiras das regiões tropicais e subtropicais . conseqüentemente. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km).6 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. como água. levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente. Cada espécie de forrageira possui um padrão genético de crescimento e expansão foliar (determinado por suas características morfogênicas . os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). Como toda essa energia é proveniente da luz. ocorre a necessidade de controle de invasoras. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. Módulo 3. se for reduzido o acesso à luz. A combinação das características morfogênicas determina as três principais características estruturais das forrageiras: tamanho de folha. 1999) .5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontra-se saturada quanto à luz e. que são diretamente correlacionadas com a quantidade e qualidade da luz. Portanto. Em função destas e de outras características. e não satura em alta intensidade luminosa.são plantas C4. nessas condições. como: alta afinidade pelo CO2. 1995). No caso das plantas C4.alongamento de folha. indica o potencial de produção de uma pastagem. nessas condições. a fim de evitar o sombreamento. 1994). Além disso. Isso é possível porque esse grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável. aliado a outros fatores.espécies de Brachiaria (CORSI et al. as condições de luminosidade e temperatura serão preponderantes no desenvolvimento adequado das forrageiras.. A luz como fonte de energia de todos os processos biológicos na forrageira é o componente principal na produção da pastagem. ainda assim elas continuam acumulando biomassa. gênero Cynodon (SILVA et al. porém são influenciadas por fatores externos.

em conseqüência disso.3 . Essas tecnologias também proporcionam maior diversificação das atividades econômicas no meio rural (KICHEL. a consorciação de lavouras e forrageiras.Integração da agricultura e pecuária A degradação das pastagens. a competição por nutrientes depende. 2001). A venda de grãos das culturas. Nesse sentido. visam melhoria das propriedades do solo. A integração agricultura e pecuária não será abordada em maior detalhe. maior eficiência no uso de máquinas. É notório que o setor agropecuário brasileiro está passando por um processo de transição socioeconômica e agroambiental.Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e. evitando a erosão e quebra do equilíbrio. doenças e plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. 2001). como alternativa de recuperação de pastagens degradadas. a preocupação da utilização racional de água e agroquímicos e a necessidade de maior competitividade e sustentabilidade (COBUCCI. Portes et al.Manejo de plantas daninhas em pastagens . o aproveitamento da adubação residual e o preparo do solo mais elaborado podem ser vantajosos na redução dos custos e na eficiência de recuperação das pastagens degradadas (Macedo et al. o empobrecimento da fertilidade do solo. 2000. MIRANDA. que facilitam a ocorrência de pragas. 2000). As tecnologias para recuperação e manejo sustentável dos solos degradados dos Cerrados. tanto para as áreas de pastagens como de agricultura. com maior ênfase. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes. Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. apesar de esse processo ser lento e silencioso. em alto grau. observam-se a expansão do plantio direto. 2000).2 .. das espécies presentes.1.. 1. a queda na produtividade das lavouras. diversificação do sistema produtivo e de aumento da produtividade do empreendimento agrícola. por constituir-se em tema complexo e não ser objetivo do presente trabalho. deve-se considerar. exercem forte competição com as forrageiras pelos nutrientes essenciais.6 . além da quebra do ciclo de pragas e doenças. os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das forrageiras em nossos solos.. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca. a baixa retenção de água no solo e o aumento do processo erosivo são sintomas do manejo inadequado que prejudicam o meio ambiente. tornando-o sustentável em termos econômicos e ecológicos (KICHEL et al. tem sido proposto recentemente. a utilização de culturas anuais em cultivos seqüenciais ou simultâneos como formas de sistemas de produção. melhoria das propriedades físicas do solo. 246 Módulo 3.

que o animal. (2000) definem planta tóxica de interesse pecuário a que é ingerida por animais domésticos de fazenda. mas também aquelas que provocam direta ou indiretamente perturbações na saúde do animal. ingerindo pequenas quantidades diárias. Existem também plantas com princípio tóxico cumulativo. 2002). sexo. Com relação à planta. pois às vezes ela provoca intoxicações apenas em uma dessas fases. certos venenos. vai retendo no seu organismo. POTT. POTT. a ingestão de certas plantas em pequenas quantidades leva o animal a adquirir resistência ou tolerância ao princípio tóxico. citado por Hoehne (1939). arrecta). Portanto. em condições naturais. deve-se considerar a sua fase vegetativa. 2002). Por outro lado.Plantas tóxicas Calcula-se que 12% das mortes de bovinos são causadas por sementes. POTT.6 . como idade. e causa danos à saúde ou morte. peso. outras menos.. os quais podem estar relacionados ao animal ou à planta. como Brachiaria decumbens. Algumas plantas cultivadas também são consideradas tóxicas. podem provocar danos que se refletem na sua saúde ou vitalidade. como brotação. com comprovação experimental. O tipo de solo também pode influenciar na toxidez de uma planta. subquadripara = B. principalmente em bezerros. POTT. sendo algumas. 1991). que pode causar anemia devida a nitratos/nitritos. O conceito sobre plantas tóxicas é relativo. 2002). estado sanitário e nutricional.). que causa fotossensibilização ("orelha frita"). plantas tóxicas não são somente vegetais que provocam verdadeiros envenenamentos e intoxicações agudas. além do grau de sensibilidade do animal a um princípio tóxico (AFONSO. muitas das quais ingeridas pelo gado. Na mesma raça há fatores ligados ao próprio indivíduo. até atingir a dose letal (AFONSO. tóxicas. floração e frutificação. A maioria das plantas tóxicas é consumida pelos animais em razão da escassez de alimentos nas pastagens e da mudança de animais famintos para pastagens que possuem plantas tóxicas (FREITAS et al. raiva ou outra doença. certas raças toleram mais. e braquiária-d´água ou "tanner grass" (B. 2000).3 . No caso da espécie bovina. há outros fatores que também propiciam intoxicações. 2002). Além da fome. Os biomas Pantanal e Cerrado possuem floras ricas em espécies.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. folhas ou raízes de plantas que possuem grande quantidade de elementos químicos nocivos ao gado (AFONSO. Módulo 3. Tokarnia et al. como é o caso das mandiocas-do-mato (Manihot spp. A mais temível do Brasil é a erva-de-rato ou cafezinho (Palicourea marcgravii) (POTT.Manejo de plantas daninhas em pastagens 247 . ingeridas espontânea ou acidentalmente pelo animal. AFONSO. visto algumas serem tóxicas em uma região e em outra não (AFONSO. Segundo Howes (1933). consideram-se tóxicas todas as plantas que. Várias provocam sinais que podem ser confundidos com picada de cobra.

Causa a síndrome da morte súbita. com cafezinho Ácido exceção do extremo sul e do sertão (Palicourea monoflúornordestino. sendo ingerida em qualquer época do ano. Rebrota após cortes e ácido lisérgico fogo. O seu andar se torna desequilibrado (como se estivesse embriagado). São tóxicas as folhas e as sementes. Perene. lassidão e pêlos ásperos. DL (100 g de folhas verdes). Aumenta em campos com excesso de gado ou perto de porteiras. Com a evolução da intoxicação o animal apresenta sinais de origem nervosa. respiração ofegante. trepador. Nos bovinos. iniciam poucas horas após ser completada a ingestão da dose letal. Controle: erradicar as plantas. o que é difícil de ocorrer no campo. uso de herbicidas. durante semanas. com as pernas traseiras abertas e instabilidade no trem posterior. fistulosa) Convolvulaceae Figura 2 f 248 Módulo 3. controle químico Arbusto responsável pela maioria das mortes de bovinos causadas por plantas tóxicas em terra firme. muito alagável. DL (9 kg de folhas verdes por dia. marcgravii) acético. sendo Erva de rato. A semente pilosa (origem do nome algodão) é espalhada pela água. A principal forma de propagação é vegetativa. havendo pasto). Possui distribuição ampla. Na Figura 2 estão apresentadas e no Quadro 1 listadas as de maior ocorrência e importância no Brasil. Ocorre em terra firme. cochos e aguadas. nas planícies de inundação dos rios Negro. capoeiras e em pastos recém-formados. sobrevindo a morte dentro de poucos minutos. Cresce somente em solo de barro (LSD) (argiloso). Inicialmente os sinais apresentados são de emagrecimento progressivo. Algodão-bravo. ou estado de embriaguez. Abobral e Paraguai.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas São várias as espécies de plantas tóxicas presentes nas pastagens no Brasil. exceto se for afogado depois. É muito comum em lagoas rasas. os sintomas consistem em queda repentina do animal ao chão. canudo-de-pita (Ipomoea carnea subsp. flor e semente praticamente durante o ano todo. Às vezes o animal mostra.Manejo de plantas daninhas em pastagens . os ramos que encostam no chão Alcalóides derivados do enraízam. Arbusto aquático. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. com um resumo das suas principais características. tremores musculares. de 1 a 4 m de altura. antes de cair. encontrada em todo o País. cercar as matas e as capoeiras onde existir a planta. desequilíbrio do trem posterior. afeta o Rubiaceae em áreas sombreadas das beiras ciclo de Krebs das matas. A evolução da intoxicação é crônica e não há recuperação do animal Controle: erradicação. Possui boa Figura 2 d palatabilidade. Quadro 1 – Principais plantas tóxicas encontradas no Brasil Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal).6 . caindo com facilidade.

Controle: erradicação da planta. A fome faz o animal ingerir a planta. convulsões. que faz com que este. Samambaia (Pteridium aquilinum) Substância Dennstaedtiacea radiomimética e e tiaminase Figura 2 i Planta tóxica de importância no Brasil e no mundo. fezes ressequidas e. continue a procurá-la. que aparece de repente. Ingestão em menores quantidades ocasionam hematúria intermitente. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). Controle: erradicar as plantas (herbicidas) e não transferir animais com fome para pastagens infestadas. falta de apetite. emagrecimento. controle cultural (calagem e aração do solo) e químico Módulo 3. lantadene B) Verbenaceae Deve-se administrar glicose. mesmo cessada a fome.Manejo de plantas daninhas em pastagens 249 . utilizar ungüentos antiinflamatórios. tem incordenação ao andar. No tratamento os camara) animais devem ficar na sombra. Consistem nas manifestações de fotossensibilidade hepatógena. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. Causa febre alta. sendo a correção e aração deste um método cultural de controle desta espécie. DL (variada). Os animais apresentam andar incerto. DL (1. depois de comê-la por algum tempo. apresentam tremores musculares. trôpego. culminando na morte. os bovinos ingerem a Cambará.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Arbusto ou subarbusto é cosmopolita. sonolência. planta somente em circunstâncias chumbinho ou especiais. hemorragia na pele e nas mucosas visíveis. quando expostos ao solo. eventualmente diarréias enegrecidas. extrato hepático e purgante oleoso Figura 2 e e medicar as lesões na pele. os animais apresentam anorexia e diminuição ou parada dos movimentos do rúmen. para áreas (Lantana (lantadene A e infestadas. para provocar sintomas de intoxicação aguda. Sob condições naturais. A planta toda é tóxica. Muitos animais morrem nessa fase. O animal sangra prolongadamente por qualquer ferimento.6 . Já na fase aguda. principalmente quando camará Triterpenóides transferido. se habitue a ela e. Inicialmente. Em eqüinos causa deficiência de vitamina B1. As plantas ocorrem em solo ácido. devido ao efeito acumulativo). com fome. sendo a brotação a porção mais tóxica das partes aéreas. em pequena quantidade. anemia.000 g de folhas verdes ingerido durante três semanas a poucos meses. manifestam fotossensibilidade sob forma de eritema e edema inflamatórios nas partes menos pigmentadas da pele e inquietação à procura de sombra.

depósitos (alcalóide) na de lixo. antes da formação de sementes. geralmente férteis. 250 Módulo 3. A torta de mamona não bem detoxicada pelo calor também é tóxica. Comum em áreas mexidas.6 . procurando ficar deitado. etc. geralmente férteis. leiras provenientes de desmatamento e pastagens cultivadas. DL (2. por irritação do tubo digestivo.500 g de folhas verdes ao dia foram suficientes para levar os bovinos à morte). DL (5. as quais são o meio de propagação. mas de ciclo curto. causando perturbação nervosa. Controle com herbicida. Deve-se atentar para o seu aparecimento em leiras. Comum em áreas ruderais como Ricinina beira de estrada. e dificuldade de caminhar longas distâncias. Os sinais apresentados têm predominância neuro-muscular. grupo das outras menos tóxicas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Mamona (Ricinus communis) Euphorbiaceae Figura 2 g Arbusto pouco lenhoso.um quarto dessa dose no caso de bezerro). Morre na queimada. A intoxicação pelas folhas é aguda. Perene. que favorece a germinação. O fruto estoura ao sol e lança as sementes a vários metros de distância. Há relatos de pirrolizidinas que o princípio tóxico desta planta se concentra mais nas flores e nas sementes. de 1 a 4 m de altura. principalmente em situações de fome. perda do equilíbrio ao caminhar e alteração do sistema nervoso sob forma de excitação ou depressão. mas retorna por semente. sendo umas mais. em solos de vários tipos. Anual. que germina melhor após o fogo. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. Controle: É facilmente eliminada com mais de uma roçada. Guizo-decascavel. com copa. geralmente não folha e ricina inundáveis. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). com o animal apresentando fraqueza.Manejo de plantas daninhas em pastagens . Possui ampla distribuição. No Brasil existem mais de 40 espécies Alcalóides do de Crotalaria. taperas. de 50 a 100 cm de altura. A parte aérea morre com a queima. O consumo repetido de pequenas quantidades de semente pode dar imunidade. antes que forme sementes. mas das folhas não. com flor e semente em grande parte do ano. Os principais sinais na intoxicação por Crotalaria iniciamse por contrações abdominais. Uso de herbicidas. apatia e diarréia sanguinolenta. tanto as folhas como as sementes são tóxicas. O bovino apresenta andar desequilibrado. chique-chique (Crotalaria spectabilis) Leguminosae Figura 2 c Planta ereta. Há formas de folhas verdes e outras arroxeadas. os animais mais novos são mais sensíveis . perturbações digestivas. em solos argilosos ou (toxoalbumina) arenosos. e a plântula encontra condições mais favoráveis na pastagem rapada e rala (degradada). ingerindo também flores e frutos. as folhas foram observadas bem pastadas por bovinos no Pantanal. Controle: Pode ser praticamente eliminada com roçadeira (rebrota pouco). É palatável. onde o solo é mais fértil. Embora conste como pouco palatável. na semente. É tóxica ao fígado.. perda de apetite. dificilmente o animal se recupera. com flor e fruto quase durante o ano todo. Ocorre também eructação excessiva (arroto) acompanhada por sialorréia (baba). com tremores musculares. ereto.000 g de folhas frescas ou 200 g de sementes. Já a intoxicação pelas sementes varia de aguda a subaguda. Após apresentar estes sinais.

Fonte: Freitas et al. o animal faz movimentos de pedalagem com os membros traseiros e dianteiros. Controle: É facilmente eliminada com anelamento (descascar em volta do tronco). fazendo movimentos de pedalagem. Gibata ou chibata Glicosídeo do (Arrabidaea tipo esteróide bilabiata) cardioativo Bignoniaceae Trepadeira. de 6 a 24 horas após a ingestão da planta. Causa lesões no tubo digestivo. caem ou deitam-se precipitadamente. que amadurecem e caem no período da seca e apresentam boa palatabilidade para os bovinos. a novembro. produz fruto de agosto Ximbuva.500 g de favas que leva um bovino à morte na intoxicação experimental). DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal).6 . mesmo em pequenas porções. próximo à morte. aproximadamente. Leguminosae especialmente no Nordeste e Triângulo Mineiro.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Árvore de 8 a 18 m de altura. Semente espalhada tamboril pela fauna. berram e morrem. Ocorre retração acentuada dos globos oculares e. DL (250 a 1. Os sintomas iniciam-se. geralmente férteis. acompanhada de outras perturbações digestivas. copa larga. não causem outros sinais de intoxicação. quando movimentados. Afonso e Pott (2002) Módulo 3. DL (1. O quadro de intoxicação se manifesta poucas horas após a ingestão das favas e a sua evolução é aguda. Uso de herbicidas. embora. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. Ficam logo em decúbito letal. Em seguida provoca diarréia de coloração amarelada e fétida. Os bovinos ingerem a planta somente quando estão com fome. (1991). diminuição ou até perda total do apetite. aparentemente. solos arenosos ou contortisiliquum Saponina do argilosos. Os animais.Manejo de plantas daninhas em pastagens 251 . ) tipo esteroidal Encontrado em todo o Brasil. Os principais sinais apresentados pelo animal intoxicado se caracterizam por lassidão. a planta não tem boa palatabilidade. Há citações de que as favas provocam aborto em vacas. perde as folhas na estação seca. Floresce de setembro a novembro. planta tóxica mais importante das regiões de várzea da bacia amazônica.500 g de folhas verdes). neste caso. às vezes. Controle: Pastagens em abundância e erradicação da espécie.300 a 1. A parte tóxica Figura 2 h importante desta planta são os seus frutos. Comum em matas e (Enterolobium cerradões. cerram fortemente as pálpebras.

Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. constituindo-se. cultural. por meio de métodos e equipamentos usados oportunamente. do período crítico de competição. se necessárias. O controle ideal é aquele que. A redução da interferência das plantas daninhas. onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para produção das culturas livre de danos econômicos da vegetação daninha competitiva. no controle integrado. o manejo de plantas daninhas pode ser definido como a combinação racional de medidas preventivas associadas a medidas de controle e de erradicação. O nível de controle das plantas daninhas. sendo muito variados.Manejo de plantas daninhas em pastagens . com o objetivo de reduzir as perdas causadas por estas plantas. esse fato.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . deve ser feita quando as perdas forem superiores ao incremento no custo devido ao controle.1 . tem sido preconizado o manejo integrado de plantas daninhas. mecânico ou físico. ou. considerando uma forrageira. 2.Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. ainda.. Atualmente. assegurar a produção adequada de alimentos. etc. da capacidade competitiva da forrageira. obtido em uma pastagem. biológico e químico. ou seja. a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas 252 Módulo 3. além de outras operações e a erosão do solo causada por água e vento. os custos de controle. dos métodos empregados. Atualmente. aos animais e ao solo. resguarda os seus aspectos benéficos e não causa danos à forrageira. quando não há redução da sua produtividade econômica. das condições ambientais. o estabelecimento e. 2005). Os métodos de controle podem ser: preventivo. mantendo a qualidade ambiental com a maximização de lucro para o agricultor. Visa. elimina os prejuízos causados pelas plantas daninhas.Controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mesmos empregados em outros sistemas de produção agrossilvopastoril. recomenda-se o “manejo integrado das plantas daninhas”. que consiste num sistema ambientalmente correto no campo. em um determinado agroecossistema. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco (SILVA et al. dependerá da espécie infestante. Isso pode ser possível se o pecuarista proceder à absoluta racionalização do controle de plantas daninhas. Dessa forma. a energia gasta com tratos culturais.6 . segundo Victoria Filho (2000). economicamente. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. com o advento da chamada agricultura economicamente sustentável.

As quantidades desses produtos dependem da espécie forrageira e do nível de produtividade desejado. topografia. capoeiras. ou mesmo reduzindo os efeitos erosivos. O preparo do solo deve ser feito de modo a proporcionar ótima germinação e estabelecimento da forrageira. objetivo da produção. eliminando-se rebrota do cerrado de porte alto. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas. devendo-se realizar a construção de terraços ou curvas de nível quando a área apresentar suscetibilidade ou risco de erosão ou até mesmo escorrimento superficial da água das chuvas. A intensidade e os equipamentos a serem utilizados no preparo de solo dependem do tipo deste. impedindo. Em síntese. um estado. inspeção cuidadosamente de mudas adquiridas com torrão e também de toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. principalmente. impedimentos físicos ou mecânicos. que deve começar antes da implantação.2 . um município ou uma gleba de terra na propriedade. Regionalmente. Essas áreas podem ser um país. Outro componente importante do controle cultural é a formação adequada da pastagem. e época de utilização da espécie. que poderão se transformar em sérios problemas para a região. da quantidade e das espécies de plantas daninhas e de forrageira a ser Módulo 3. qualidade. A escolha de espécies forrageiras adequadas para cada área e objetivo de pastejo é um importante componente do sucesso da atividade. pedaços de tronco e galhadas. limpeza de canais de irrigação. análise da produtividade desejada. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. clima (déficit hídrico e ocorrência de queimadas). tipo de solo.6 . limpeza cuidadosa de máquinas. bem como a aplicação de adubos fosfatados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ainda por elas não infestadas. ainda. etc. Proporciona. o nível tecnológico a ser adotado. arbustos. tocos. A conservação do solo é outro ponto importante. pragas.Controle cultural O controle cultural reúne todas as práticas disponíveis para o estabelecimento das forragens em condições adequadas ao seu desenvolvimento e à sua persistência com boa produtividade. o elemento humano é a chave do controle preventivo. As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilização de sementes de elevada pureza. histórico da área e outros. com uma limpeza adequada da área. condições favoráveis para a forrageira em relação às demais espécies presentes na área (plantas daninhas) e possibilita a vantagem competitiva da forrageira em relação às plantas daninhas. banco de sementes de plantas daninhas.realizado por meio de análise química e física do solo. assim. A correção da acidez do solo e o fornecimento de cálcio e magnésio a este (quando necessária). a quarentena de animais introduzidos em outras áreas.Manejo de plantas daninhas em pastagens 253 . grades. como a ciganinha (Memora peregrina). os seguintes procedimentos devem ser observados: diagnóstico da área . Quando da escolha dessa espécie. 2. devem ser realizados no momento correto. palatabilidade e longevidade. e.

devem ser antes do plantio e incorporados. Comumente. que. para incorporar as sementes de 0. A quantidade de sementes a ser utilizada depende da espécie forrageira. ao daquele utilizado para plantio de soja. A correção de fósforo. posteriormente. isto é. ou seja. evitando. podendo variar em certas regiões. Em áreas que apresentarem alta quantidade de palhada. a exigência de cada espécie forrageira e o nível de produtividade desejado. como: pureza. Logo após a última gradagem (niveladora).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas implantada. com pouca palha. deve-se realizar o preparo do solo no mínimo 120 dias antes do plantio no período das águas. retardando o plantio da forrageira. quando recomendados. exceto para estilosantes ou andropógon. quando necessária. a melhor época é de novembro a janeiro. Deve-se evitar a utilização do rolo em solo com excesso de umidade.5 a 4 cm de profundidade (dependendo do solo e da forrageira). deve-se passar o rolo compactador. além das exigências térmicas. Para a maioria das forrageiras. para favorecer a germinação e eliminação delas. Outro componente do controle cultural muitas vezes desprezado é a quantidade e a qualidade das sementes das forrageiras. o estabelecimento mais rápido da forrageira na área. começando com as primeiras chuvas em setembro até março. O plantio na época correta e de forma correta é fator preponderante no estabelecimento adequado da forrageira. Em áreas com infestação elevada de plantas daninhas é recomendada a utilização de até 50% a mais da quantidade de semente. enxofre e micronutrientes. da germinação e do vigor. ou melhor.Manejo de plantas daninhas em pastagens . no entanto. milho e outros. Entretanto. as sementes devem ser distribuídas na área e. que impõe restrição à emergência das plântulas. deve ser realizada em quantidades recomendadas. Podem ser aplicados antes do plantio ou em cobertura. livres de sementes de plantas daninhas e possuindo qualidade fisiológica (vigor e germinação). potássio. Deve-se considerar para isso a disponibilidade hídrica e temperatura para cada região. de modo geral. solo nivelado e livre de plantas daninhas. proporcionando. ou seja. o preparo do solo deve ser igual. tem vantagem competitiva a espécie que se estabelece primeiro na área. evitar o preparo excessivo do solo. a sua pulverização. esta deve ser considerada como uma cultura que vai produzir por muitos anos. sendo este um fator importante na dinâmica competitiva da forrageira com as plantas daninhas. poucos torrões. o preparo do solo deve ser escalonado. hídricas e de fotoperíodo da forrageira. assim. Portanto. Deve-se. com maior peso no solo arenoso. para que o solo não fique aderido nele. a compactação da camada superficial deste. parcial ou totalmente fechada. exceção feita aos fosfatos naturais reativos. peso médio no misto e peso leve no argiloso. para que ocorra a decomposição desta sem interferir na germinação da forrageira. A correção adequada de nutrientes do solo é outro fator que melhora as condições de estabelecimento. Em áreas que apresentarem alta infestação de plantas daninhas ou outras forrageiras. levando em consideração o resultado da análise de solo. O plantio pode ser realizado a lanço sobre o solo devidamente preparado com uma grade leve. principalmente nos solos mistos e arenosos. O plantio com semeadeira deve seguir as mesmas exigências do 254 Módulo 3. assim.6 . As sementes devem possibilitar a formação de estande adequado e uniforme. produção e longevidade da forrageira. a época do plantio é muito ampla em quase todo o território nacional. algodão.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantio a lanço. com espaçamento entre linhas de 13 a 40 cm. fechando o dossel mais rápido. o método de controle cultural de plantas daninhas mais importante. de preferência. Esse sistema de plantio exige máquinas e equipamentos adequados. Devem-se utilizar. sem limitações químicas e físicas. para garantir o estande adequado e uniforme. realiza-se o plantio de linhas espaçadas de 13 a 40 cm. diminuir a competição interespecífica. A realização de adubações de cobertura nitrogenadas melhora as condições de desenvolvimento e estabelecimento da forrageira. cupins subterrâneos e formigas. plantas daninhas de difícil controle por herbicidas e outros. Módulo 3. por melhorar as condições desta. deve-se iniciar o pastejo de 60 a 100 dias após a emergência da pastagem. O manejo de formação da pastagem. Estando todos os nutrientes corrigidos. O não-controle dessas pragas pode comprometer a formação e a persistência da pastagem. implicando o sombreamento e abafamento das plantas daninhas. deve-se passar o rolo compactador após o plantio. colocando-se 10 a 20% a mais de sementes do que o sistema tradicional. O manejo da pastagem estabelecida é.6 . animais jovens com alta lotação. A adubação nitrogenada possibilita maior rapidez e quantidade de área foliar. com boa produção de carne/hectare. proporcionando. trilheiros. podendo-se realizar. o nitrogênio é o que proporciona o maior efeito no aumento de produtividade. desde que o plantio seja realizado na época recomendada para cada região. Se a semeadeira não possuir sistema de compactação. As vantagens desse manejo são: evitar o acamamento. antecipar a utilização da forragem. aproveitando o maior valor nutritivo. recomenda-se a aplicação de nitrogênio de 30 a 40 dias após a emergência ou após o manejo de formação (primeiro pastejo). Na formação de pastagem. As pragas mais importantes na formação de pastagens são: lagartas. tocos. ele deve ser controlado com defensivos específicos para cada tipo de praga. ou antes da emissão da inflorescência (sementeira). cupins. milho). tem como objetivo contribuir para a boa formação da pastagem. A manutenção da pastagem em condições ideais com o controle adequado de pragas também é componente do controle cultural de plantas daninhas. Toda vez que o nível de infestação for significativo. com o objetivo de auxiliar na boa formação da pastagem. o nitrogênio é muito importante.Manejo de plantas daninhas em pastagens 255 . a adubação da pastagem ou consórcio com outras espécies. dessa forma. distribuição uniforme da palhada. A princípio. A dose aplicada vai depender da análise de solo. boa cobertura do solo. também chamado de pastejo de uniformização. favorecendo o surgimento e estabelecimento de plantas daninhas. Para gramíneas forrageiras de média a boa produtividade. maior sombreamento para plantas daninhas. e proporcionar a mais rápida e perfeita cobertura de solo.5 a 4 cm. na mesma operação. compactação. principalmente em solos de baixo teor de matéria orgânica. possivelmente. Após a dessecação. reduzindo assim a produção de semente e translocação de nutrientes para estas. com profundidade de 0. dependendo do equipamento e da espécie forrageira. espécie forrageira e produtividade desejada. Já o plantio direto exige as mesmas condições do plantio direto de grãos (soja. uma vez que vai garantir a longevidade e qualidade da pastagem. eliminando o excesso de plantas. isto é. por curto período de tempo (10 a 30 dias). sem erosão. estimulando a emissão de novos perfilhos e raízes. eliminar a maior parte das gemas apicais.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ou seja. De maneira geral. com período de descanso de 24 a 39 dias. Esta prática também é considerada um método preventivo. do potencial produtivo da forrageira. épocas corretas de entrada e retirada dos animais (altura de pastejo). finalidade de pastejo. excesso de lotação (carga animal excessiva). sistema de produção e outros. e rotacionado o animal usa de 3 a 40 piquetes ou invernadas. A adubação de manutenção é. tornando a infestação da área uma questão de tempo. com 28 a 36 dias de pastejo. condições da propriedade (solo e clima). maior aproveitamento do investimento empregado até o momento. A quantidade de adubação de manutenção.6 . o beneficiamento da forrageira vai depender do manejo correto. em razão dos nutrientes perdidos no processo produtivo. A utilização da adubação de manutenção é extremamente econômica desde que seja escolhida a espécie de forrageira adequada às condições de clima e solo e que ela esteja bem formada e com manejo adequado. exclusivamente. portanto. A melhoria das condições para o desenvolvimento das plantas daninhas ocorre quando o manejo empregado reduz as reservas e a capacidade competitiva e de restabelecimento da forrageira. alternado . com período de pastejo de 1 a 15 dias. como exemplo: tanzânia e mombaça (40 a 50 cm). De modo geral. dependendo da espécie forrageira. Brachiaria decumbens (20 cm). época do ano. categoria animal. nível de adubação ou fertilidade natural do solo. Este manejo pode facilitar o desenvolvimento da espécie forrageira ou das espécies de plantas daninhas. por evitar a entrada de plantas daninhas na pastagem. e tifton (15 cm). da intensidade de pastejo e do número de animais. e com o mesmo período de descanso. que pode chegar a mais de 40% do total de nutrientes ingeridos pelo animal em pastejo. Uma das principais causas da degradação das pastagens é a redução da fertilidade do solo. espécie forrageira. um fator importante no controle integrado de plantas daninhas. sendo o manejo específico para cada região. O tamanho e o número de piquetes dependem. evitando assim a infestação da pastagem com sementes de plantas daninhas presentes no trato digestivo desses animais. recomenda-se devolver às pastagens 20% da receita bruta anual. pisoteio demasiado e arranque de plantas. está diretamente relacionada com a produtividade da pastagem. utilizada anualmente. principalmente nitrogênio e fósforo. O manejo correto consiste na utilização de lotação adequada. etc. Isso ocorre quando há pastejo excessivo (superpastejo). o pastejo pode ser classificado de três maneiras: contínuo . Outro método cultural de controle de plantas daninhas é a manutenção de animais oriundos de outras pastagens em área isolada por 24 a 48 horas. portanto. 256 Módulo 3. A pastagem degradada não oferece condições à forrageira de competir com as plantas daninhas. A altura de pastejo depende da espécie forrageira.o animal explora duas invernadas alternadamente.o animal fica sempre na mesma invernada ou pastagem. Humidícola e Dictioneura (15 cm). marandu e andropógon (30 cm).Manejo de plantas daninhas em pastagens .

expondo-o à ação da erosão.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. É um método não-seletivo. acarretando. No controle de plantas daninhas em pastagens. por também cortar a forrageira. Seu rendimento operacional é maior do que o arranque. Assim. bem com a roçada manual. quando o principal método de controle é o uso de enxada. uma vez que a maioria das plantas se restabelece logo após o corte. como a maior parte desse material vegetal é constituída por tecidos de elevada relação C/N (na maioria Módulo 3. O arranque manual. induzindo o aparecimento de reboleiras. Um dos métodos mais utilizados no controle de plantas daninhas em pastagens é a roçada manual com foice. ou monda. danificando assim o sistema radicular e reduzindo o vigor da forrageira. devido à rebrota e ao restabelecimento das plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. ou seja. por demandar muita mão-de-obra. também controla a espécie forrageira. a inundação. porém possui baixa eficiência e eficácia. Este método de controle exige muita mão-deobra e possui baixo rendimento operacional. a roçada. A parte aérea das plantas cortada ao entrar em contato com a superfície do solo vai desencadear os processos de decomposição e degradação. elevado custo de controle. possui a vantagem se ser altamente seletivo quanto à planta controlada. aumentando a infestação. como o trator e a roçadeira. assim. que possui rendimento operacional elevado e necessita de pouca mão-de-obra. Ainda hoje é usado no controle em hortas caseiras. e algumas ainda perfilham. Entretanto. no entanto. Serve para controlar plantas gramíneas. jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. Esta prática. agride pouco a forrageira e pode ser empregado em locais de difícil acesso com máquinas (roçadeira). as espécies de plantas daninhas perenes que possuem reservas no sistema radicular rebrotam ou. e disponibiliza de forma desorganizada os nutrientes armazenados nos vegetais. No entanto. Possui baixa eficiência e eficácia. contudo. possui custo elevado. é um método pouco eficiente e ineficaz. afeta a atividade microbiana deste. a cobertura morta e o cultivo mecanizado. A utilização do fogo é um método pouco eficiente. para plantas daninhas perenes a manutenção de parte do sistema radicular no solo possibilita a rebrota e o seu restabelecimento. Este método. rebrotam e perfilham. ocorrendo perda de nutrientes e degradação da fertilidade do solo. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas. esta tem a tendência de aumentar a cada roçada. As plantas roçadas podem rebrotar logo após a realização desta prática. a queima. e na maioria dos casos a forrageira é mais suscetível à ocorrência de queimadas do que as plantas daninhas. deve ser repetida periodicamente.6 . a capina manual. ainda. É um método relativamente seletivo. Outro método muito empregado entre os pecuaristas é a roçada mecanizada. porém demanda equipamentos apropriados. O custo é relativamente inferior ao da roçada manual. além de controlar as plantas daninhas.3 .Manejo de plantas daninhas em pastagens 257 . por possuir sistema radicular menos profundo e mais fácil de ser arrancado. os quais requerem manutenção adequada. pois reduz a quantidade de matéria orgânica do solo.

O conhecimento da fisiologia das plantas. os animais devem ser retirados da área.6 . como o cultural e químico. É eficiente no controle de plantas daninhas anuais e perenes e possui alto rendimento operacional. Deve-se salientar que. proporcionando menor rebrota das plantas daninhas. A utilização de herbicida seletivo no controle de plantas daninhas em pastagens tem demonstrado várias vantagens. sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. Por possuir seletividade. os microrganismos do solo demandam nitrogênio. perfeitamente controlados e evitados. • É eficiente no controle de plantas daninhas na pastagem sem afetar o sistema radicular da forrageira. São necessárias pessoas capacitadas para uso correto dos herbicidas. quando for adotada juntamente com outros métodos de controle. mas devem ser conhecidos. solo e alimentos . As vantagens do uso do controle químico podem ser enumeradas: • Menor dependência da mão-de-obra.plantio direto.Manejo de plantas daninhas em pastagens . assim.Controle químico No controle químico utilizam-se herbicidas que. Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas.4 . sendo o tempo de recuperação da área relativamente rápido. as instruções dos fabricantes e as leis governamentais que regulamentam o seu uso. dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. observando-se as normas técnicas. uma vez que reduz ou elimina a competição entre estas e a forrageira.quando manuseados incorretamente. O herbicida deve ser considerado uma ferramenta a mais e não como o único método de controle. a quantidade disponível deste nutriente no solo em um momento em que a forrageira dele necessita para seu restabelecimento. • Mesmo em épocas chuvosas. 2. em concentrações convenientes. havendo perigo de intoxicação do aplicador. para garantir o restabelecimento da forrageira e o seu poder de competição com as plantas daninhas. Na 258 Módulo 3. em certas regiões é difícil de ser encontrada no momento certo e na quantidade necessária. que possui custo elevado. após a realização da roçada. A roçada é uma prática que controla plantas daninhas sem reservas no sistema radicular e as demais espécies. Todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. tanto fisiologicamente como quando aplicado de forma localizada. Os riscos de uso existem. principalmente. e este será imobilizado do solo. • Maior rendimento na operação de controle de plantas daninhas. • Permite o menor revolvimento do solo . reduzindo. Pode ocorrer também poluição do ambiente água (rios. têm a finalidade de inibir o desenvolvimento ou provocar a morte das plantas daninhas. o controle é mais eficiente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas gramíneas). • Pode controlar plantas daninhas perenes e de propagação vegetativa. ele causa menor dano à forrageira. lagos e água subterrânea).

não possuindo torrões e tocos. São necessários alguns fatores para o sucesso da utilização do controle químico no manejo integrado de plantas daninhas.6 . a utilização de herbicidas no controle de plantas daninhas tem se mostrado uma prática economicamente viável. sendo para isso realizada a destoca e gradagens. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência da forrageira. o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas. e distribuição de plantas daninhas (localizada ou não). A eliminação da vegetação pode ocorrer pelo emprego de práticas mecânicas ou por meio de controle químico com herbicidas. estádio de desenvolvimento. O emprego do controle químico deve ser feito juntamente com outras práticas de controle.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas maioria dos casos.Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens Na reforma de pastagens ocorre a necessidade da destruição da vegetação da área. sendo a de maior importância o controle cultural. em pequenas doses. Nesse caso. diquat. identificação correta das plantas daninhas (espécie.4-D. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. Os principais herbicidas utilizados com essa finalidade são glyphosate. com posterior implantação da forrageira. Os demais sistemas de plantio devem ser realizados em solo com preparo adequado. biologia. possuindo retorno rápido e certo. o emprego de reguladores de crescimento. como: conhecimento das condições de degradação da pastagem e decisões conjuntas para sua recuperação. Quando a forrageira (monocotiledônea) estiver se estabelecendo na área e surgirem plantas daninhas dicotiledôneas. Módulo 3. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta. sendo estes de amplo espectro de ação e baixa persistência no ambiente (dessecantes). atividade metabólica e densidade de infestação). sendo comum a mistura entre alguns destes. uma vez que estes produtos são seletivos às gramíneas (Quadro 2). porém não controla as espécies que possuem órgãos de reserva.Manejo de plantas daninhas em pastagens 259 .4. também em estádios iniciais de desenvolvimento. A seguir será abordado o manejo de plantas daninhas em pastagens utilizando-se herbicidas. paraquat. 2. conhecimento do tipo da forrageira.1 . é prática viável. A gradagem é um método mecânico de controle de plantas daninhas. sendo necessário o emprego conjunto do controle químico com herbicidas sistêmicos (Quadro 2). O objetivo deste controle é reduzir a competição das plantas daninhas e possibilitar condições ideais ao rápido estabelecimento e desenvolvimento da forrageira. paraquat + diuron e 2. são dependentes das plantas daninhas presentes na área e de seu desenvolvimento no momento da aplicação (Quadro 2). Os herbicidas a serem utilizados. desde que inserida em um manejo adequado de controle de plantas daninhas e recuperação da pastagem. cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. bem como suas misturas. Portanto. o emprego do controle químico se faz necessário.

É dependente da população adequada de plantas forrageiras na área e da viabilidade do seu sistema radicular. das espécies de plantas daninhas presentes na área e do nível tecnológico empregado pelo pecuarista.: na pindoba) ou mesmo no toco recémcortado de arbustos e árvores. através de produtos seletivos às gramíneas. no meristema apical (ex. por possibilitar condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira.4-D + picloram. A eliminação de reboleiras de plantas daninhas perenes e arbustivas pode ser realizada com aplicação localizada nas folhagens. como o 2.Uso de herbicidas na manutenção de pastagens O manejo adequado da pastagem é o principal fator responsável por sua longevidade e produtividade. 2.4-D + picloram. triclopyr e tebuthiuron (Quadro 2). da espécie da forrageira. utilizando-se para isso o picloram.Uso de herbicidas na recuperação de pastagens A recuperação de pastagens é caracterizada pelo retorno às condições de produção destas sem ocorrer destruição da forrageira ou mesmo o revolvimento do solo. Dentre os vários componentes do manejo de pastagens.6 . A prática da recuperação é dependente. Na prática da recuperação das pastagens. 260 Módulo 3. A ausência da complementação do controle químico com o controle cultural inviabiliza essa tecnologia. podem ser eliminados pela utilização de produtos granulados espalhados no solo na projeção da copa. 2. o que pode ser realizado pelo emprego de herbicidas. do nível de infestação de plantas daninhas. quando comparada à formação ou mesmo à reforma. fluroxipir + picloram. A recuperação da pastagem demanda menor custo e possibilita a obtenção mais rápida de pasto. como o tebuthiuron (Quadro 2). como adubação e calagem. o primeiro passo é a eliminação da competição pelas plantas daninhas. A ausência de condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira proporciona o restabelecimento das plantas daninhas na área. Entretanto. presença de comprometimento da fertilidade do solo com manutenção da integridade da forrageira.4-D.2 . Eles possibilitam condições de rápida recuperação da pastagem e melhor aproveitamento do adubo e da calagem pela forrageira.Manejo de plantas daninhas em pastagens . como: 2.4. os arbustos com muitos espinhos. Os herbicidas podem ser utilizados para eliminar as plantas daninhas. uma vez que implica disponibilizar condições adequadas ao restabelecimento e desenvolvimento da forrageira já implantada na área.3 . 2. Devese manter a pastagem sem pastoreio por um período de tempo após as práticas suficiente para recuperação desta. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2). Práticas culturais adequadas. mesmo que os herbicidas sejam eficazes no controle das espécies infestantes. o controle de plantas daninhas é fundamental para a sustentabilidade do sistema de produção. a fim de proporcionar condições adequadas de restabelecimento da forrageira. ainda.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. 2. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2). são componentes fundamentais no sucesso do manejo de plantas daninhas e na recuperação da forrageira.4-D.4.4-D + picloram. tornando esta competitiva e dificultando o estabelecimento de plantas daninhas. que impõem dificuldades na pulverização ou mesmo no corte. ou seja.

Controla plantas de folhas largas anuais e algumas perenes.). glyphosate potássico ou sulfosate. dente-de-leão (Taraxacum officinale). Plantas daninhas controladas: amendoim-bravo (Euphorbia spp). caruru (Amaranthus sp. em infestações mistas (de gramíneas e dicotiledôneas). trapoeraba (Commelina spp. erva-moura (maria preta) (Solanum nigrum). Quadro 2 – Principais herbicidas recomendados na cultura das pastagens Nome técnico Nome comercial Observações Aplicação (pós-emergência) em área total em forrageiras monocotiledôneas controlando seletivamente as espécies dicotiledôneas. carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum). cordãode-frade (Leonotis spp. usá-lo em mistura no tanque do pulverizador. Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. flor-roxa (Echium plantagineum).). devendo ser aplicada a mistura de 2. Controla várias espécies de gramíneas e dicotiledôneas anuais. feijão. corriola (lpomoea spp). Nabiça (Raphanus raphanistrum). soja. em área total.4-D nessas plantas. não pode ser aplicado sobre a forrageira. para matar as plantas daninhas anuais (monocotiledôneas e dicotiledôneas). mamona (Ricinus communis). café.). objetivando a recuperação da forrageira. devido ao rápido metabolismo do 2. Na dessecação para o sistema de plantio direto. joá (Solanum spp.4-D Diversos Diuron + Gramocil paraquat Módulo 3. beldroega (Portulaca oleracea).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Deve-se atentar para a manutenção da pastagem livre de pastoreio no momento e também por um período de tempo após a aplicação dos herbicidas. Não aplicar em plantas daninhas perenes adultas. Esta prática também reduz a contaminação do esterco dos animais com esses herbicidas. com glyphosate. ou cultivadas em área tratada por um período inferior à sua carência. como: algodão. Recomenda-se aplicálo com ponta de pulverização que produza boa cobertura foliar. picão-branco (Galinsoga parviflora). previamente. Deve ser aplicado preferencialmente nos estádios iniciais de desenvolvimento das plantas daninhas. guanxuma (Sida spp.6 . ao pastoreio da área. Mostarda (Brassica campestre). poaia (Richardia spp. No controle em área total procede-se. jurubeba (Solanum paniculatum). mastruço (mentruz) (Coronopus didymus). que possuem persistência neste e no solo. 2. estando estas em estádio inicial de desenvolvimento. serralha (Sonchus oleraceus). Também é utilizado na dessecação para o plantio direto em pósemergência das plantas daninhas. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. Nabo-bravo (Brassica rapa). tomate. Por ser herbicida não-seletivo.Manejo de plantas daninhas em pastagens 261 . podendo causar sérios danos a culturas sensíveis adubadas com o esterco. porém não elimina as plantas perenes.). como tomate. batata. picão-preto (Bidens pilosa). de ação por contato. visando redução das doses e maior eficiência de controle. mentrasto (Ageratum conyzoides). Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. não ocasionando a morte delas em aplicação isolada.).4-D com picloram. melão-de-são-caetano (Momordica charantia). que não se reproduzem por partes vegetativas. alface e outras hortaliças.) e aguapé (Eichornia crassipes) Utilizado na renovação das pastagens. entre outras.

maria-mole (Senecio brasiliensis). feijão. o de aplicação no toco recém-roçado. em pleno vigor vegetativo.). cheirosa (Hyptis suaveolens). No segundo caso. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). mio-mio (Baccharis coridifolia). arranha-gato* (Acacia sp. malva-branca (Sida cordifolia).4-D 262 Módulo 3. Utilizar surfatantes (0. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). café.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatantes 0. jurubeba (Solanum paniculatum).).v Aterbane ou 0. quando as plantas se encontram em pleno vigor vegetativo. previamente. No primeiro caso. joá (Solanum sisymbrifolium). batata. No controle em área total procede-se. pulveriza-se por via terrestre ou aérea toda a área ou as reboleiras mais infestadas. aguapé (Eichordia crassipes). com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas.25% v. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. tomate. entre outras. canelade-perdiz (Croton glandulosus) e mata-pasto (Eupatorium maximilianii) e outras. picão-preto (Bidens pilosa). Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. guanxumas (Sida spp. É utilizado no controle de plantas herbáceas tolerantes ao 2. Plantas daninhas controladas: assa-peixe branco (Vernonia polyanthes).000 metros de distância de culturas sensíveis. cajussara (Solanum spp. soja. café. Caso contrário. preferencialmente. capixingui (Croton floribundus).20 a 0. soja. ao pastoreio da área. Deve ser realizado durante a estação das chuvas. erva-lanceta (Solidago microglossa). Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. e Sharnkya sp.4-D e para controlar arbustos e árvores. espinilho (Fagara praecox). assapeixes (Vernonia spp. como: algodão. 2. timbó* (Serfania sp). No controle em área total procede-se. feijão. tomate.Manejo de plantas daninhas em pastagens . fedegoso (Senna obtusifolia). batata. É utilizado na reforma e recuperação da pastagem no controle de plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas e semi-arbustivas. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. ao pastoreio da área. a aplicação deve ser realizada cerca de 40 dias após a emergência das plantas daninhas. samambaia (Pteridium aquilinum).).3% v. entre outras. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. Aplicação em pós-emergência em área total ou localizada. Deve-se atentar para o efeito da deriva.6 . erva-de-bicho (Polygonum punctatum).v. previamente. fumeiro (Solanum sp).). Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. tojo (Ulex europaeus) e trançagem (Plantago major). caraguatá (Erygium spp).3% de óleo mineral).4-D + Tordon picloram 2. leiteiro* (Peschiera fuchsiaefolia). deve-se roçar as plantas daninhas e esperar a rebrota vigorosa e bem enfolhada (30 a 40 cm para plantas herbáceas e 1 m para semilenhosas) para posterior aplicação. como: algodão. buva (Erigeron bonariensis). guanxuma (Sida rhombifolia).4-D + Mannejo picloram 2. carqueja (Bacharis trimera). na erradicação de arbustos ou árvores isoladas utiliza-se o método da pulverização da copa ou. Plantas daninhas controladas (*aplicação no toco recém-roçado): amendoim-bravo (Euphorbia paniculata). principalmente em pulverizações aéreas que devem ser realizadas no mínimo a 2.2 a 0. cambarazinho (Eupatorium laevigatum).

6 . É comum sua mistura ao 2. (*Em algumas condições ocorre a exigência de repasse no segundo ano com a aplicação de picloram no toco recém-roçado). guatanbú* (Aspidosperma sp. A dose recomendada depende das espécies e do estádio de desenvolvimento destas. deve-se evitar o contato com as forrageiras. controla plantas daninhas perenes e com órgãos de reserva. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas.). Plantas daninhas controladas: assa-peixe-branco (Vernonia polyanthes). Requer período de 4-6 horas sem chuvas após sua aplicação. principalmente para uso em áreas infestadas por plantas de difícil controle. café. mamica-de-porca* (Fagara rhoifolium). ainda. angiquinho* (Parapiptadenia sp). Pode ser utilizado. soja. tomate. previamente. dependendo da formulação utilizada.v ou óleo mineral 0. assa-peixe branco do cerrado* (Vernonia ferruginea). entre outras. por não ser seletivo a elas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatante 0. roseta* (Randia armata.4-D. mata-pasto (Eupatorium maximilianii). Bauhinia variegata). malva branca (Sida cordifolia). plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso).2 a 0. ou reverter o terreno para outras culturas. Este herbicida não impõe restrições quanto à escolha das culturas subseqüentes. ao pastoreio da área. como: algodão. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado.v. jovens ou adultas. evitando a rebrota destas após o revolvimento do solo.5% v. Por ser um herbicida sistêmico.Manejo de plantas daninhas em pastagens 263 . usa-se para destruí-la. Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. por ser fortemente sorvido ao solo e não possuir efeito residual. aroeirinha* (Schinus terebenthifolius). Aplicar em pós-emergência das plantas daninhas. Aplicação em pósemergência em área total ou localizada. assa-peixe-roxo (Vernonia westiniana). Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. quando se pretende renová-la. batata. joá (Solanum viarum). Controla de forma não-seletiva plantas daninhas mono e dicotiledôneas. Em pastagem. guanxuma (Sida rhombifolia). Neste caso. As plantas daninhas devem estar em pleno desenvolvimento vegetativo. feijão.3% v. estando estas em boas condições metabólicas. Fluroxipir Plenum + picloram Glyphosate diversos Módulo 3. para assegurar sua absorção. vassourinha (Sida santaremnensis). malvão (Triunfetta bartramia). No controle em área total procede-se. controla plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas semi-arbustivas e arbustivas. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. em aplicações localizadas para controlar plantas em reboleiras.

Aplicação deve ser localizada no toco recém-roçado. devem-se aplicar 15 a 20 mL por planta. localizado no centro da projeção das folhas mais novas. pata-de-vaca (Bauhinia variegata) e ciganinha (Memora peregrina). Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. camboatá (Tapirira guianensis).6 . entre outras. Roçar as plantas daninhas a serem controladas com foice o mais próximo possível do solo. que apresentam engrossamento visível próximo à superfície do solo. não impondo restrições quanto a culturas subseqüentes. roçadas várias vezes. mamica-de-porca (Machaerium aculeatum).0% v. em pastagens infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno. apresentando meiavida no solo de 20 a 45 dias. aproximadamente 30-40 cm acima do nível do solo (cerca de 20 mL por planta). Na aplicação em área total não se deve utilizar óleo diesel. molhando bem todo o toco até atingir o ponto de escorrimento. mesmo que a altura esteja abaixo da roçada recente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Controle eficiente da pindoba (Orbinea speciosa) – 10 mL da solução 4. aroeirinha (Schinus terebenthifolius). ao pastoreio da área. O produto é rapidamente degradado. que deve ficar o mais próximo possível no momento da aplicação.v em óleo diesel a baixa pressão no terço final do caule. Triclopyr Garlon Picloram Padron 264 Módulo 3. deve-se aplicar o produto sobre o solo ao redor do toco. leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). Em plantas que possuem engrossamento do caule abaixo do nível do solo (ex.aplicação de Garlon 5. plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). Em plantas já roçadas anteriormente. dependendo do tipo de solo e das condições climáticas. No controle em área total procede-se. Para plantas velhas. Plantas daninhas controladas: erva-quente (Borreria alata). feijão. previamente. Os caules mais grossos devem ser rachados em cruz para proporcionar a maior absorção do produto. cambará (Lantana camara). Controle de guatambu (Aspidosperma sp. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. esta pode ser aérea ou terrestre.) e outras brotações de cerrado . espinilho (Acacia farnesiana). Em plantas com toco de diâmetro inferior a 3 cm. Deve-se utilizar ponta de pulverização do tipo cone cheio.0% v. Plantas daninhas controladas: arranha-gato (Acacia plumosa).) pata-de-vaca (Bauhinia variegata e Parapiptadenia sp. deve-se fazer o corte abaixo do engrossamento da raiz da última roçada. O produto deve ser aplicado imediatamente após o corte. objetivando-se atingir o seu sistema radicular. assa-peixe (Vernonia polyanthes). queimada). Não adicionar óleo diesel nem surfatantes. A aplicação deve ser realizada em plantas com desenvolvimento adequado. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. espinho-agulha (Barnadesia rosea). Aplicar o produto molhando bem e uniformemente toda a folhagem da planta. soja. batata. jurubeba (Solanum paniculatum) e outras. Não realizar aplicação em plantas secas e com atividade metabólica reduzida (estresse hídrico acentuado. para evitar perda do produto. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. A aplicação deve ser realizada diretamente no meristema apical da planta.: ciganinha). médio e grande porte.Manejo de plantas daninhas em pastagens . café. deve-se corta-las com enxadão abaixo do nível do solo e posteriormente aplicar o produto em caule e raízes decepadas até o ponto de encharcamento. tomate. cuidando para atingir o mínimo possível as folhas da forrageira. como: algodão.v de Garlon em óleo diesel para cada metro de altura desta planta.

Em caso de lesões ocasionadas principalmente pela maior concentração localizada do produto. leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). assa-peixe-roxo (Vernonia scabra). É aplicado em dose única em qualquer época do ano. mangueirinha ou camboatá-do-cerrado (Tapirira guianensis). chirca (Eupatorium bonifolium). assa-peixe-do-pará. Tebuthiuro Graslan n São várias as maneiras de aplicação de herbicidas em pastagens. com granuladeira ou por via aérea. nível tecnológico do pecuarista e herbicida utilizado. veludo-vermelho (Chomelia pohliana). roseta ou limãozinho-de-goiá (Randia armata). cipó-prata (Banisteria metalicolor). limãozinho ou juvu (Acanthocladus brasiliensis). tomate. Devido ao modo de absorção e translocação do herbicida. espinho-agulha (Barnadesia rósea). os danos tendem a desaparecer num período de 6 a 12 meses. assa-peixebranco. embaixo da copa dos arbustos indesejáveis (plantas com espinhos e outras). feijão. devendo. arranha-gato ou unha-de-gato (Acacia plumosa). portanto. capa-bode (Melochia tomentosa). resultados mais rápidos e eficientes serão obtidos quando a aplicação for realizada pouco antes (ou no início) do período chuvoso (julho a dezembro nas regiões Sul e Centro-Oeste).6 . pereiro (Aspidosperma eburneum). algodão.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Formulação granulada aplicada a lanço.). a área é caracterizada pela infestação menor do Módulo 3. espécie infestante. taboca (Guadua angustifólia). aroeirinha (Schinus terebinthifolius). fumo-bravo (Solanum verbascifolium). cruzeta (Strychnos parvifolia). leiteiro-vermelho (Chrysophyllum marginatum). formação. entretanto. assa-peixe-do-cerrado (Gochnatia polymorpha). o aplicador proteger-se com equipamento de proteção adequado (luvas impermeáveis e outros). seu efeito restringe-se ao local de aplicação. bem como de árvores frutíferas. limão-bravo (Soliva sessilis). café-de-bugre (Solanum caavurana). ou localizada nas reboleiras de infestantes que se pretende eliminar. carqueja (Bacharis trimera). A distribuição do produto deve ser uniforme na área. Após a aplicação deste produto não se recomenda eliminar a parte aérea do arbusto de que se deseja o controle. as culturas rotacionais poderão ser plantadas no mínimo 3 anos após a aplicação do herbicida. a aplicação não deve ser feita em arbustos roçados ou queimados recentemente. Não aplicar o produto em florestas ou reservas naturais. espinho-agulha (Chuquiragua tomentosa). cansanção ou urtigão (Cnidosculus urens). ou. fumo. pepino e outras. pois esta é importante para melhor absorção do herbicida e conseqüentemente agilizará o processo de morte desse arbusto. A aplicação foliar pode ser localizada ou em área total. Deve-se evitar a aplicação sobre ou perto de culturas anuais suscetíveis. cega-jumento ou cajussara (Solanum rugosum). esporão-de-galo (Celtis glycicarpa). para reduzir os efeitos negativos à forrageira.Manejo de plantas daninhas em pastagens 265 . folha-de-santana (Vernonia ferruginea). distribuindo-se os grânulos na projeção da copa. os arbustos devem apresentar bom desenvolvimento foliar. operação na ocasião do controle (reforma. É recomendado para solos arenosos e areno-argilosos. ainda. esporão-de-galo (Pisonea aculeata). animais domésticos e pessoas desprotegidas por um período de 7 dias após a aplicação do produto. como soja. Plantas daninhas controladas: gramão ou grama-batatais (Paspalum notatum). assa-peixe. No entanto. quando em aplicação localizada. em ambos os casos. recuperação e manutenção). Mantenha afastados das áreas de aplicação crianças. A localizada é denominada catação e constitui-se na eliminação de arbustos agrupados. lobeira (Solanum lycocarpum). jurubeba (Solanum fastigiatum). malícia ou dorme-dorme (Mimosa invisa). mamica-de-porca (Fagara hiemalis) e tarumã (Vitex sp. No caso de aplicação em área total. sendo elas dependentes das condições de infestação. Usa-se em cobertura total do terreno.

podendo ser realizada com pulverizador de barra. A aplicação em área total é feita em áreas com infestação acima de 40% e está condicionada à topografia adequada da área. Todavia. tendo como objetivo aumentar a suscetibilidade das plantas daninhas aos herbicidas. direcionadas por trabalhadores que acompanham o trator. ou mesmo um pulverizador tratorizado adaptado com várias saídas de pontas. caracterizada pela deposição do herbicida granulado no solo na projeção da copa da planta daninha. Deve-se cuidar quanto à deriva próximo a áreas agrícolas. permitindo a mecanização com o trator. o pulverizador tracionado por animal. Esta prática demanda maior nível tecnológico do pecuarista.Manejo de plantas daninhas em pastagens . 266 Módulo 3. podendo pulverizar até 300 ha por dia. Os pulverizadores utilizados são o costal tracionado por uma pessoa. denominado Burro Jet.6 . Outra forma de aplicação de herbicidas é em toco recém-roçado. em condições que impõem restrições à aplicação foliar ou ao corte dos arbustos. uma vez que a maioria das culturas anuais e perenes é altamente sensível aos herbicidas reguladores de crescimento utilizados em pastagens.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que 40% e disposta em reboleiras. pelas exigências quanto a monitoramento sistemático das condições meteorológicas. Essa forma de pulverização possui alto rendimento operacional e exigência baixa de mão-de-obra. pode-se realizar a aplicação basal. É utilizado no controle de arbustos com espinhos e com arquitetura de galhos bem fechados. A principal vantagem da aplicação aérea é o alto rendimento operacional. A aplicação aérea é recomendada em grandes áreas que possuem obstáculos à pulverização tratorizada. canhão ou avião (aérea). necessidade de pista de pouso próximo à área e topografia adequada à pulverização aérea.

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