ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 Manejo de plantas daninhas
Tutores: Profº Dr.Antonio Alberto da Silva (UFV-MG) Profº Dr. José Ferreira da Silva (FUA-AM) Profº Dr. Francisco Affonso Ferreira (UFV-MG) Profº Dr. Lino Roberto Ferreira (UFV-MG)

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 1

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Ficha Catalográfica Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Controle de plantas daninhas. Tutores: Antônio Alberto da Silva; [e outros]; colaboração de José Ferreira da Silva, Francisco Affonso Ferreira, Lino Roberto Ferreira - Brasília, DF: ABEAS; Viçosa, MG: UFV; 2006. 268.: il (ABEAS. Curso Proteção de Plantas. Módulo 3 - 3.1;3.2;3.3;3.4;3.5,3.6). Inclui bibliografia. 1. Plantas daninhas - controle. I.Silva, Antônio Alberto, 1950 - II. Silva, José Francisco da. III.Ferreira, Francisco Afonso. IV.Ferreira, Lino Roberto. V.Silva, José Ferreira da. VI. Oliveira Júnior, Rubem Silveríco de. VII. Vargas, Leandro. VIII. Universidade Federal de Viçosa. IX. Título É proibida a reprodução total ou parcial deste módulo Direitos reservados a ABEAS e ao autor

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Módulo 3: 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário
Módulo 3.1 – Biologia e métodos de controle, 04 Módulo 3.2 – Herbicidas: classificação e mecanismos de ação, 48 Módulo 3.3 – Herbicidas: absorção, translocação, metabolismo, formulação e misturas, 102 Módulo 3.4 – Herbicidas: comportamento no solo, 135 Módulo 3.5 – Herbicidas: resistência de plantas, 196 Módulo 3.6 – Manejo de plantas daninhas em pastagens, 235

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.1 - Biologia e métodos de controle
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Francisco Affonso Ferreira Profº. Lino Roberto Ferreira Profº. José Barbosa dos Santos

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
4 Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário

Introdução, 06 1 - Planta daninha, 07 1.1 - Prejuízos causados pelas plantas daninhas, 08 1.1.1 - Prejuízos diretos, 08 1.1.2 - Prejuízos indiretos, 09 1.2 - Origem, estabelecimento e propagação das plantas daninhas, 10 1.3 - Classificação das plantas daninhas, 15 1.3.1 - Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas, 16 1.4 - Características de agressividade das plantas daninhas, 18 2 - Competição entre plantas daninhas e culturas, 19 2.1 - Fatores do ambiente passíveis de competição, 20 2.1.1 - Competição por água, 23 2.1.2 - Competição por luz, 25 2.1.3 - Competição por CO2, 28 2.1.4 - Competição por nutrientes, 28 3 – Alelopatia, 30 3.1 - Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas, 31 3.2 - Alelopatia entre culturas, 32 3.3 - Alelopatia das coberturas mortas, 32 4 - Competição e período crítico de competição, 33 5 - Métodos de controle de plantas daninhas, 36 5.1 - Controle preventivo, 36 5.2 - Controle cultural, 37 5.3 - Controle mecânico ou físico, 37 5.4 - Controle biológico, 39 5.5 - Controle químico, 40 6 - Manejo integrado de plantas daninhas (mipd), 42 Referências bibliográficas, 45

Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

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o uso de herbicidas tornou-se prática indispensável. toda e qualquer técnica de manejo de plantas daninhas somente terá sucesso se for aplicada levando-se em conta conhecimentos detalhados da biologia das plantas infestantes da área. para uma população crescente de consumidores e decrescente de produtores. A demanda cada vez maior de alimentos. ao imazaquin. sendo mais eficientes no controle de plantas daninhas específicas e com doses cada vez mais baixas. sendo um dos primeiros no "ranking" de vendas de agrotóxicos. é uma ciência multidisciplinar que depende de conhecimentos de botânica. de arroz. como exemplos. Na verdade. isoenzimas e RAPD (biotecnologia) e sensoriamento remoto também são úteis na identificação de plantas daninhas. Em termos médios. a eletricidade. Em razão disso. Muitos estudos estão sendo conduzidos em genética. fitotecnia. São necessários. climatologia. física e química do solo. com ajuda da física.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Para um leigo. bioquímica. entretanto. fisiologia vegetal. Como toda ciência. biologia. 2005). o produtor deve ser mais eficiente. destaca a importância da eficiência do controle de plantas daninhas. simultaneamente. cerca de 20-30% do custo de produção refere-se ao controle de plantas daninhas. antes do lançamento de qualquer herbicida. esse percentual é ainda maior. de milho. técnicas de biologia molecular e sensoriamento remoto. Com relação aos defensivos agrícolas.1 . em que os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF. como cana-de-açúcar. e a mão-de-obra rural existente é escassa e de baixa qualidade. Cerca de 92% da população. o ultra-som. mecanização agrícola. etc. Os novos herbicidas estão cada vez mais seguros para o ambiente e o homem. estão sendo desenvolvidos trabalhos objetivando a criação de cultivares de soja resistentes ao glyphosate. Assim. envolvendo principalmente conhecimentos nas áreas de morfologia e fisiologia. ou seja. cuidados técnicos 6 Módulo 3. visando o melhoramento de culturas para resistência a herbicidas. química orgânica. Os estudos de ecologia e da toxicologia humana e animal são conduzidos. além da eficiência e. economicidade do controle químico. Devido à dificuldade de se encontrar mão-de-obra no campo. Todavia. o Brasil dispõe de um dos maiores mercados do mundo. usando métodos manuais. mecânicos ou químicos. fibras e energia. na região produtora de alimentos do Brasil. ao amônio-glufosinato. o estudo das plantas daninhas é dinâmico. no momento preciso e na quantidade necessária. o controle de plantas daninhas. as microondas e o raio laser estão sendo avaliados como futuros métodos de controle. é extremamente simples. Novas técnicas estão sempre sendo pesquisadas e incorporadas. principalmente. vive hoje nas cidades. deve utilizar menos mão-de-obra para produção de maior quantidade de alimentos.Biologia e métodos de controle . Em algumas culturas.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas para atingir a máxima eficiência com o mínimo impacto negativo ao solo. podem ser extremamente úteis. por isso mesmo. são vários os conceitos de planta daninha: Shaw (1956). Segundo Rodrigues e Almeida (2005). no seu processo. porém esta mesma planta pode ser útil em outra situação. para se obter um controle que seja eficiente. podem-se citar espécies altamente competidoras com culturas sendo extremamente úteis no controle da erosão. servindo como planta medicinal. que é o de conciliar. devido à evolução e complexidade que atualmente atingiu a Ciência das Plantas Daninhas. promovendo a reciclagem de nutrientes. com o homem. Fischer (1973) apresenta duas definições: “plantas cujas vantagens ainda não foram descobertas” e “plantas que interferem com os objetivos do homem em determinada situação”. Uma planta pode ser daninha em determinado momento se estiver interferindo negativamente nos objetivos do homem. sustentabilidade e eqüidade. em determinadas situações. os conceitos de competitividade. à água e aos organismos não-alvos. todos os conceitos baseiam-se na sua indesejabilidade em relação a uma atividade humana. afirma que planta daninha é qualquer planta que ocorre onde não é desejada. o controle químico de plantas daninhas. é uma planta fora de lugar. hoje. Entretanto. como a presença do milho em cultura da soja e da aveia em cultura do trigo. plantas estranhas no jardim. físico. etc. fornecendo néctar para as abelhas fabricarem o mel. as condições ambientais e o nível cultural do proprietário. uma planta só deve ser considerada daninha se estiver direta ou indiretamente prejudicando uma determinada atividade humana. a topografia da área. plantas tóxicas em pastagens. levando-se em consideração as espécies daninhas infestantes. Uma planta cultivada também pode ser daninha se ela ocorrer numa área de outra cultura.Planta daninha Definir planta daninha nem sempre é fácil. qualquer planta estranha que vier a afetar a produtividade e. na sua essência.Biologia e métodos de controle 7 . econômico e que preserve a qualidade ambiental e a saúde do homem. ou. cultural. por exemplos.1 . Por esse motivo. pois estas. etc. associam-se os diversos métodos disponíveis (preventivo. um campo no qual está muito presente o desafio maior do agronegócio brasileiro. 1 . pelo solo. plantas ao lado de refinarias de petróleo. Na verdade. Neste programa. algumas têm sido consideradas plantas Módulo 3. seja daninha. os equipamentos disponíveis na propriedade. a qualidade do produto produzido ou interferir negativamente no processo da colheita é considerada daninha. num conceito mais amplo. plantas interferindo no desenvolvimento de culturas comerciais. como. Para Beal. Cruz (1979) salienta que é uma planta sem valor econômico ou que compete. Embora não se possa dizer que uma planta. é um típico setor de tecnologia de ponta e. Numa cultura. mecânico. Como exemplos. o tipo de solo. citado por Marinis (1972). por exemplo. citado por Fischer (1973). sendo recomendado sempre um programa de controle integrado. Deve-se ressaltar que o herbicida é considerado apenas uma ferramenta a mais no manejo de plantas daninhas. biológico e químico).

Possuem habilidade de produzir grande número de sementes por planta. As comuns são aquelas que não possuem habilidade de sobreviver em condições adversas. se todas as sementes germinassem de uma só vez. d) Apresentam dormência e germinação desuniformes. ainda.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas comuns e outras plantas daninhas verdadeiras. impedirem a certificação de mudas em torrão. as plantas daninhas causam outros prejuízos diretos. como: a) Não são melhoradas geneticamente. raízes. b) Crescem em condições adversas. folhas. que produz até 42. São exemplos a presença de sementes de picão-preto (Bidens pilosa) junto ao capulho do algodão. Em média. Esses valores tornam-se ainda mais significativos na agricultura moderna. etc. etc.Biologia e métodos de controle . etc. as plantas de trigo que surgirem das sementes remanescentes no solo passam a ser consideradas daninhas à cultura da soja. pois. oficial-de-sala (Asclepias curassavica). 1). num plantio rotacional trigo/soja. capazes de se multiplicar por diversas maneiras (sementes. também. pêlo de animais. Por exemplo: cafezinho (Palicourea marcgravii).1 . quando estas são colhidas junto com sementes de determinadas espécies de plantas daninhas proibidas. Além da redução da produtividade das culturas. como é o caso de mudas cítricas produzidas em viveiro infestado com tiririca (Cyperus rotundus). tubérculos. É comum. Exemplo: Desmodium totuosum. como leiteiro (Euphorbia heterophylla).Prejuízos causados pelas plantas daninhas 1. rizomas. c) Podem intoxicar animais domésticos. na realidade. cavalinha (Equisetum 8 Módulo 3. quando presentes em pastagens. Muitas espécies de plantas daninhas são. capim-massambará (Sorghum halepense) e feijão-miúdo (Vigna ungiculata).Prejuízos diretos As plantas daninhas. furtam energia do homem. por máquinas. as quais são facilmente dissemináveis por animais. que são atributos que facilitam a perpetuação da espécie. sementes de capim-carrapicho (Cenchrus echinatus) junto ao feno. Por exemplo. por exemplo: a) Reduzem a qualidade do produto comercial. arroz-vermelho (Oryza sativa). sementes de carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum) aderidas à lã. por misturas de sementes. As consideradas verdadeiras possuem características especiais que permitem fixá-las como infestantes ou daninhas. onde se exige perfeito controle das plantas para melhor eficiência das máquinas colheitadeiras.000 sementes por planta.1. geralmente com facilidade para disseminação pelo vento.1 . c) São rústicas quanto ao ataque de pragas e doenças. tubérculos de tiririca se desenvolvendo dentro tubérculos de batata (Fig.1 . bulbos. cerca de 20-30% do custo de produção de uma lavoura se deve ao custo do controle das plantas daninhas. etc. b) São responsáveis pela não-certificação das sementes de culturas. água. seria fácil erradicar uma espécie daninha.) 1.

dois meses mais tarde as plantas aparecem na superfície do solo. que germinam e parasitam as raízes do milho.000 sementes por planta. prejudicar ou mesmo até impedir a realização de certas práticas culturais e a colheita. que é transmitido pela mosca-branca após ter se “alimentado” de espécies do gênero Sida (Sida rhombifolia. Estas diminuem a eficiência das máquinas e aumentam as perdas durante a operação da colheita até mesmo quando em infestação moderada nas lavouras. Outro exemplo de espécie de planta daninha que causa prejuízos diretos e indiretos é a Mucuna pruriens. Módulo 3. Sida cordifolia. feijão e cana-de-açúcar. algodoeirobravo (Ipomoea fistulosa). etc.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas piramidale). Ipomoea purpurea e outras desse gênero). Sida glaziovii.Biologia e métodos de controle 9 . florescem rapidamente e iniciam novamente o ciclo parasitário. chibata (Arrabidae bilabiata) e outras que podem causar a morte de animais.1 .Prejuízos indiretos As plantas daninhas podem ser hospedeiras alternativas de pragas e doenças. esta espécie daninha dificulta tremendamente a colheita manual. Sida micrantha. durante a operação da colheita.1. pois. d) Algumas espécies exercem o parasitismo em citros. Esta última é a pior invasora para milho. flor-das-almas (Senecio brasiliensis). Ela produz cerca de 5. carrapicho-de-carneiro (Acathospermum hispidum). podem. além dos prejuízos diretos que causam às culturas. Outro exemplo é o capim-massambará (Sorghum halepense). Capimcarrapicho (Cenchrus echinatus).). ainda. que é hospedeiro do vírus do mosaico da cana-de-açúcar. os tricomas de suas folhas se rompem a um leve contato e liberam toxinas que causam inflamação na pele do trabalhador. causado por um vírus à cultura do feijão. ainda não introduzida no Brasil. milho e plantas ornamentais. Sida santaremnensis. samambaia (Pteridium aquilinium).Dano em batata inglesa devido à penetração e ao desenvolvimento de tuberculos de tiririca 1. como o mosaico-dourado do feijoeiro. arranha-gato (Acassia plumosa) e outras plantas espinhosas podem até impedir a colheita manual das culturas. infestante comum em lavouras de milho.2 . São exemplos destas espécies a corda-de-viola (Ipomoea grandifolia. os nematóides: mais de 50 espécies de plantas daninhas hospedam Meloydogyne javanica e Heterodera (nematóide-do-cisto da soja). Ipomoea aristolochiaefolia. São exemplos a erva-de-passarinho (Phoradendron rubrum) em citros e a erva-de-bruxa (Striga lutea) em milho. Algumas espécies. Figura 1 .

a disseminação das plantas daninhas pode ser feita por vento. além da competição pelos recursos do meio.Biologia e métodos de controle . pelas plantas cultivadas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas As plantas daninhas. etc. Nestas áreas não é desejável a presença de plantas daninhas vivas ou mortas. e a xerosere. segundo a qual a vida teve origem em terra firme. tornando-se inviável economicamente. Outras espécies de plantas daninhas podem ainda reduzir o valor da terra. Vários são os diásporos. que afirma que a vida originou-se no meio líquido. Existem duas grandes teorias: a hidrosere. ou seja. animais. o estabelecimento envolve o processo de germinação da semente. pelos quais as plantas podem perpetuar-se tanto por via seminífera como por via vegetativa. etc. envolvendo os complexos aspectos morfogênicos e edafoclimáticos. A propagação vegetativa é um mecanismo de sobrevivência de grande importância nas plantas daninhas perenes. as plantas daninhas originaram-se. separando as benéficas (denominadas plantas cultivadas) das maléficas (denominando-as de plantas daninhas). os parques e os jardins. elas começaram a aparecer quando o homem iniciou suas atividades agrícolas. as plantas daninhas produzem muitas sementes. desmoronamentos de montanhas. Estas. ferrovias.Origem. o responsável pela evolução das plantas daninhas. onde podem dificultar o manejo da água. etc. provavelmente. água. Na verdade. o que assegura alta taxa de dispersão e restabelecimento de uma infestação. radícula. aumentando o custo da irrigação.. O estudo do processo germinativo das sementes é de fundamental importância para quem trabalha com o manejo de plantas daninhas. Musik (1970) salienta que o homem é. Exemplos: taboa (Typha angustifolia). dos distúrbios naturais. têm o custo de controle muito elevado. Estas são encontradas onde está o homem. o estabelecimento de uma determinada planta daninha envolve os aspectos ecológicos da agregação e migração.2 . aguapé (Eichornia crassipes). que se constitui num grande disseminador de tais plantas. prejudicando a pesca. devido ao próprio conceito de planta daninha. como hipocótilo. porque ele é quem cria o ambiente favorável a elas. Normalmente. problemas sérios em ambientes aquáticos. Do ponto de vista morfofisiológico. etc. como glaciação. refinarias de petróleo.1 . Causam. além das partes das plântulas. vias públicas. possuem seus mecanismos de ação ligados ao processo 10 Módulo 3. estabelecimento e propagação das plantas daninhas De acordo com Musik (1970) e Fischer (1973). 1. rizomas. ação de rios e mares. tubérculos. Todavia. pois a semente é uma das vias de entrada dos herbicidas. também. podem ser altamente inconvenientes em áreas não-cultivadas: áreas industriais. quando presentes em áreas com culturas que apresentam pequena capacidade competitiva. Por outro lado. inicialmente. como a tiririca (Cyperus rotundus) e a losna-brava (Artemisia verlotorum). que apresentam duas características essenciais: dormência e reservas alimentícias. Os propágulos podem ser raízes. como o é. o funcionamento de usinas hidrelétricas. As plantas daninhas podem ser disseminadas por diversos meios. Além disso. dificultando a manutenção de represas. também. também. crescimento e desenvolvimento da planta. etc. como as olerícolas de modo geral. incluindo o homem. caulículo. muitos herbicidas atuam.

concentração de oxigênio e presença ou ausência de luz. ou seja. são necessárias as seguintes condições ambientais favoráveis: água em quantidade suficiente. temperatura adequada à espécie. ocorre a ruptura do tegumento e saída da radícula. cada espécie requer uma temperatura ideal para germinação.1 . A quantidade de água necessária para reidratação. 1986. A embebição também é influenciada pela temperatura (temperaturas mais elevadas. 1974. com o ressurgimento das atividades paralisadas ou reduzidas por ocasião da maturação da semente. para o desenvolvimento do eixo embrionário em plântula independente. por onde sairá a radícula. atmosfera apropriada à espécie (concentração de CO2 e O2) e luz (comprimento de onda e intensidade). A temperatura ótima é aquela que permite a obtenção da maior percentagem de emergência no menor espaço de tempo. Essas necessidades são definidas para cada espécie e estão relacionadas com o habitat de origem e com a melhor forma de preservar a espécie (normalmente as espécies daninhas somente germinam quando existem condições para sobrevivência). 1985). Com a embebição. permeabilidade do tegumento à água e presença de água na forma líquida ou gasosa. ela entrará em processo de germinação (PROPINIGIS. A embebição das sementes é um processo físico que ocorre tanto nas sementes vivas quanto nas mortas. a celulose e as substâncias pécticas. Estas sementes permanecerão dormentes enquanto o tegumento estiver impermeável (semente dura). dando origem ao que se chama de semente dura. a germinação consiste no processo que se inicia com o suprimento de água à semente seca e termina quando o crescimento da plântula se inicia. Para que uma semente viável (condição intrínseca) possa germinar.Biologia e métodos de controle 11 . sendo dependente dos seguintes fatores: composição química da semente. em fases seguintes à reidratação. FERRI. A germinação da semente é a reativação dos pontos de crescimento do embrião que haviam sido paralisados nos estágios finais da maturação morfisiológica da semente. A água é necessária para que ocorra a reidratação das sementes. É comum entre as espécies a presença do tegumento totalmente impermeável à água. é necessário o suprimento contínuo de água. que perdem muita umidade por ocasião de sua maturação e secagem. As principais substâncias responsáveis pela embebição são as proteínas. o que resulta numa diminuição do estande. Entretanto. porque as sementes ficam por períodos prolongados nos estágios iniciais da Módulo 3. para a maioria das espécies. menor tempo para embebição). O processo da germinação inicia-se.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinativo. As características físico-químicas das substâncias coloidais das sementes irão comandar o potencial da água nas sementes. é de duas a três vezes o peso da semente. METIVIER. impedindo que a planta se estabeleça. o qual pode atingir centenas de atmosferas. como adequado suprimento hídrico. Normalmente. a velocidade da germinação é menor. portanto. provocando o rompimento do tegumento. e para isso são necessários alguns requisitos fundamentais: estarem as sementes viáveis e as condições ambientais serem favoráveis. Outro fator que pode influenciar a embebição é a permeabilidade do tegumento da semente à água. temperatura. Se a semente não estiver em estado de dormência e houver condições ambientais favoráveis. Em temperaturas abaixo da ótima. Do ponto de vista fisiológico. conforme ela seja fotoblástica positiva ou negativa. aumenta-se o potencial de pressão interna na membrana que envolve a semente (pressão de embebição).

em regime de temperatura constante entre 25 e 30 °C. pois sementes de muitas espécies não conseguem germinar quando a concentração de CO2 é muito elevada. nessas condições. É importante salientar que a sensibilidade das sementes à luz é maior quando a semente está embebida. e b) fatores do solo. As necessidades e quantidades de 02 para germinação são influenciadas por outros fatores. ocorrendo a embebição de todos os tecidos da semente e uma expansão do tegumento 12 Módulo 3. entretanto. que aumentam a necessidade de oxigênio pelo embrião. outras em luz contínua. podendo. A germinação. isto é.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinação e. passam a germinar rapidamente se ocorrer alternância de temperaturas alta e baixa.03% de CO2. uma interdependência entre temperatura e outros fatores externos. Como exemplo desta interdependência podem-se citar as espécies do gênero Amaranthus. Todavia. Sementes desta espécie dificilmente germinam totalmente no escuro. Neste caso. O efeito do CO2 é normalmente contrário ao do O2. por se tratar de um processo que ocorre em células vivas. a fase gasosa do solo apresenta uma série de substâncias voláteis que são produzidas pelas plantas. apenas flash de 0. as sementes germinam em atmosferas com 20% de O2 e 0. como em sementes de alface (alta percentagem de germinação em exposição por um a dois minutos). profundidade de semeadura. A temperatura ótima está relacionada com as atividades das enzimas que participam dos diversos processos metabólicos que ocorrem durante a germinação e cujas ações somente se tornam eficientes em temperaturas específicas. O processo de germinação inicia-se. Em condições normais. a velocidade da germinação. Temperatura acima da ótima tende a aumentar. causando crescente desorganização do mecanismo germinativo e impossibilitando que as sementes menos vigorosas completem a emergência. O período de exposição pode ser curto. ainda. com uma rápida absorção de água pelos biocolóides. portanto. Em algumas espécies a necessidade de luz ocorre somente após a colheita e em outras por um longo período (por um ano ou mais). ou muito curto. necessita de energia. como a grama-seda (Cynodon dactylon). porque uma atmosfera rica em nitrogênio parece ser mais econômica e eficiente. Existem espécies de plantas daninhas que somente germinam no escuro. longo e de forma cíclica. as reações envolvem o fitocromo. Através de concentrações elevadas de CO2 consegue-se evitar a germinação e auxiliar na conservação de sementes. ou. ser inibidoras ou promotoras da germinação. Em algumas espécies tem-se observado. como: a) altas temperaturas. também. em alguns casos. Além destes. porcentagem de matéria orgânica. em que a luz pode promover a germinação mesmo em temperaturas desfavoráveis. Há espécies cujas sementes somente germinam em regime de alternância de temperatura. esta prática não é utilizada para conservação de sementes. atividade microbiana e teor de umidade. respiração. esse fenômeno é semelhante ao fotoperiodismo observado para o florescimento. razão por que a germinação das sementes é influenciada pela composição do ar atmosférico que as envolve. obtida por meio do processo de oxidação na presença do oxigênio.001 segundo (sementes de fumo). em demasia. A necessidade de luz pode variar também em função do armazenamento. ficam mais suscetíveis ao ataque de microrganismos patogênicos. outras necessitam de breve iluminação e outras são indiferentes. como porosidade.1 .Biologia e métodos de controle . devido à maior atividade metabólica. A respiração envolve trocas de gases.

Um grande volume de sementes de plantas daninhas encontra-se. ocorrem o metabolismo e a mobilização das reservas das sementes. da glicólise e da respiração. os lipídeos. as proteínas. e a fitina.1 . e. Em conseqüência do aumento das atividades de diversas enzimas durante o processo de embebição. o embrião passa a sintetizar e liberar giberelinas que se movem através do endosperma. síntese das amilases. ocorrem a divisão e o alongamento celular. pela ação das enzimas proteolíticas. também. observa-se aumento nas sínteses de DNA e RNA. que envolve a oxidação da matéria orgânica da semente com formação de ATP e substâncias intermediárias necessárias ao processo anabólico da germinação. que elevam a produção de glucose. incrementando-se a respiração e o alongamento celular. pelo contrário. por ação das fitases. primeiramente na região da radícula do embrião. as sementes. Aumenta-se. pela ação das lipases. são transformadas em aminoácidos. verifica-se inicialmente a ativação do m-RNA preexistente. os quais dependem do uso de aminoácidos. mesmo que as condições ambientes sejam favoráveis. podendo ser física. O simples revolvimento do solo. o número de ribossomos+RNA que incorporam os aminoácidos às proteínas. Nas primeiras 12 a 16 horas após o início da embebição. necessitam que a dormência seja superada de alguma forma. Isso ocorre porque durante o processo da embebição a enzima β-amilase.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas envolvente. ou. enquanto a silvestre sobrevive por vários séculos sem a ajuda humana. a semente não germina. em estado da quiescência. que é devida a condições intrínsecas inerentes à própria semente. nas quais o melhoramento genético reduziu ou mesmo suprimiu tal atributo. lipídeos e carboidratos solúveis armazenados no embrião. é transformado em açúcares redutores e sacarose. mecânica ou fisiológica. iniciando-se o crescimento celular e a mitose. Em cereais. o homem sempre Módulo 3. Propinigis (1974) cita como exemplo marcante a dormência das plantas daninhas comparada à das plantas cultivadas. O amido. no solo. pela ação das enzimas amilases. Uma outra razão é dormência. Esta fase da embebição coincide com o aumento da atividade metabólica. é reativada e a enzima β-amilase é sintetizada de novo por estímulo hormonal (giberelinas) às expensas de aminoácidos originados de proteínas hidrolisadas e com a energia oriunda das atividades das fosforilases. ao mesmo tempo. as gorduras são convertidas em sacarose pelo ciclo do glioxilato. Outro aspecto relacionado com a semente é a quiescência. porém a cultivada já não consegue viver sem ajuda do homem. para germinarem. Durante esta fase o ácido giberélico (giberelinas) estimula a ativação e. a drenagem de áreas encharcadas e as irrigações de solos secos podem estimular a germinação dessas sementes. que é observada pelo aumento da respiração. por alguns autores. são transformados em ácidos graxos (em oleaginosas. frutose e maltose. Neste caso. é transformada em inositol e fósforo inorgânico. acompanhada pelo aumento da síntese protéica no embrião. que são plantas muito semelhantes e apresentam ciclos vegetativos praticamente iguais. É o caso das aveias silvestre e cultivada.Biologia e métodos de controle 13 . havendo formação de α-amilase e outras enzimas. a quiescência é confundida. as quais são essenciais para o desenvolvimento do embrião. No caso da dormência. que é o repouso metabólico da semente devido a condições externas desfavoráveis. com a dormência. nas primeiras 24 horas iniciais. presente na semente seca. através da ação de duas enzimas: isocitrase e sintetase do malato).

como os nitratos. O leiteiro (Euphorbia heterophylla). Segundo diversos autores. Como exemplos de espécies de plantas daninhas que apresentam mecanismos de dormência podem-se citar: a) ervaformigueira (Chenopodium album): produz sementes com tegumentos normal e duro. Dormência pode ser definida como qualquer estágio no ciclo da vida no qual o crescimento ativo é suspenso por um período de tempo. requerendo condição especial para quebra da dormência. germinam todas.000 e 50. endógena. A dormência. em um dado período.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas procurou erradicá-la. sobrevivendo no solo por muito tempo. 1998). seria aquela que a semente adquire devido ao ambiente desfavorável. Através deste mecanismo a espécie consegue sobreviver em estações desfavoráveis. aumentando a sua população quando as condições retornam à sua normalidade. e c) quinquilho (Datura stramonium): germina melhor no escuro. O solo agrícola é um banco de sementes de plantas daninhas contendo entre 2. e o inverno violento pode matar as plântulas. na temperatura e na composição atmosférica do solo ou até mesmo acelerar a liberação de compostos estimulantes da germinação. Acredita-se que muitas outras espécies de plantas daninhas apresentam mecanismos semelhantes. por exemplo). Por esta razão. No retorno ao ambiente favorável. provocar mudança nos teores de umidade. ao oxigênio. Como a dormência não é a mesma em todas as sementes de uma planta. também chamada de dormência inata. podem ser várias as causas da dormência: embrião imaturo. uma avaliação da composição florística de uma área em uma única época do ano não representa o potencial de infestação desta área. b) língua-de-vaca (Rumex cryspus): germina melhor na presença de luz. contribuir para o desenvolvimento de métodos mais eficientes de controle de plantas daninhas. mas sem sucesso. não germina de forma uniforme. ou. O amplo conhecimento da dormência poderá. é um dos mais importantes mecanismos indiretos de dispersão. Do total dessas sementes. Certas espécies necessitam de condições especiais para germinarem. e persiste por longo tempo após completada a maturação. inerente ou natural. durante o processo de maturação. nas várias formas. a semente permanece dormente (sementes com tegumento impermeável. Os diversos tipos de dormência podem ser agrupados em: a) “Dormência primária”. pode ocorrer germinação durante meses ou até anos.. sendo considerada uma espécie de planta daninha importante. sendo um meio necessário de sobrevivência entre as plantas daninhas.000 sementes/m2/10 cm de profundidade. Já a aveia silvestre. tegumento da semente impermeável à água e. que pode expor as sementes à luz (mesmo por frações de segundos). Por isso.Biologia e métodos de controle . é capaz de germinar até a profundidade de 25 cm no solo (VARGAS et al. as demais permanecem dormentes. também chamada de induzida. A aveia cultivada amadurece no verão e suas sementes. 14 Módulo 3. no futuro. e presença de algum inibidor fisiológico. apenas 2 a 5% germinam.1 . garantindo a perpetuação da espécie. por apresentar dormência. mesmo sob intenso controle sempre haverá no solo sementes desta espécie. sem dormência. seria aquela que a semente adquire quando ainda está ligada à planta-mãe. b) “Dormência secundária”. por ser indiferente à luz. Isso pode ocorrer pela simples movimentação do solo.

Uma Aração + Uma Gradagem 3. Rotativa + Compactação 5. Uma Aração + Enxada Rotativa 4. possivelmente pelo maior teor de umidade junto às sementes (maior contato entre as sementes e o solo). Estas podem ser anuais de inverno (que germinam no outono ou inverno. Sem Cultivo No de Sementes Emergidas m-2 103 134 206 328 80 As características físico-químicas do solo também influenciam a profundidade de emergência das sementes. sem o revolvimento do solo. crescem na primavera e produzem frutos e morrem em meio ao verão) e anuais de verão (que germinam na primavera.Biologia e métodos de controle 15 . como é o caso de Brachiaria plantaginea.000 espécies.3 .000 espécies).800 são consideradas mais nocivas em razão de suas características e seu comportamento. 1. Outro fator extremamente importante na germinação das sementes é a profundidade em que elas se encontram no solo.0 cm. assim. como Eleusine indica. Este grupo abrange quase todas as plantas consideradas daninhas (cerca de 30. Quadro 1 .. somente germinam quando estão até a profundidade de 1. espécies que produzem sementes pequenas. de suas formas de reprodução e ciclo de vida para se desenvolver um bom programa de manejo integrado. causando a cada ano grandes perdas na agricultura. a seletividade de alguns herbicidas baseia-se em diferenças morfológicas e fisiológicas existentes entre as espécies de plantas daninhas e cultivadas.1 . As plantas que produzem sementes englobam as monocotiledôneas e dicotiledôneas.Influência do tipo do preparo do solo na germinação de sementes de plantas daninhas Tipo de Preparo do Solo 1. Destas.5 cm no sistema de plantio direto. podem germinar até a profundidades superiores a 15 e 25 cm. entretanto. O Quadro 2 apresenta as 12 famílias mais importantes do mundo. Quanto ao ciclo de vida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maior germinação foi observada (Quadro 1) no tratamento com (aração + enxada rotativa + ligeira compactação do solo). as plantas daninhas podem ser anuais. Uma Aração + E. onde no rastro da roda do trator observa-se cerca de 10% a mais de emergência de plantas daninhas. respectivamente (VARGAS et al. Espécies que produzem sementes grandes. que germina até a profundidade de 3. com aproximadamente 170. As anuais completam seu ciclo de vida (semente-semente) em um ano ou menos. 1998). crescem no verão e Módulo 3. bianuais e perenes. cerca de 1.Classificação das plantas daninhas Em certos casos. em solos muito compactados. a emergência ocorre em menores profundidades. quando comparada com solos pouco compactados. Por estes e outros motivos é necessário conhecimento mais amplo das espécies de plantas daninhas.0 cm no plantio convencional e somente até 1. Isto pode ser observado facilmente em condições de campo. como as dos gêneros Ipomoea e Euphorbia. Outro fator que influencia a profundidade de emergência é o sistema de cultivo. Uma Aração 2.

Echinocloa crusgalli. etc. com incremento anual.Biologia e métodos de controle .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas madurecem e morrem no outono). que são plantas cujos caules têm crescimento secundário.exemplo: dente-de-leão (Taraxacum officinale) . que se reproduzem por sementes e por mecanismos vegetativos. lígula normalmente presente.1 . exemplo: Senna obtusifolia. e depois ocorre maturação e morte. há nítida observância desses fatos.Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas Graminae .. Durante a primeira fase de crescimento. Exemplos: Digitaria sanguinalis. a simetria das pétalas. e c) perenes lenhosas. onde as estações do ano são bem definidas. entrenós com talo oco. a posição do ovário (inferior ou superior).1 . As plantas bianuais vivem mais do que um. segundo Holm (1978) Famílias Gramineae Compositae Cyperaceae Poligoniaceae Amaranthaceae Cruciferae Leguminosae Convolvulaceae Euphorbiaceae Chenopodiaceae Malvaceae Solanaceae No Espécies 44 32 12 8 7 7 6 5 5 4 4 4 % Total de Espécies Daninhas 37% 43% 68% As plantas perenes são aquelas que vivem mais de dois anos e são caracterizadas pela renovação do crescimento ano após ano a partir do mesmo sistema radicular. b) perenes herbáceas mais complexas. Estas podem ser classificadas em: a) perenes herbáceas simples .talo cilíndrico.3. deve-se primeiramente saber se a planta é mono ou dicotiledônea. com nós e entrenós. bainha normalmente aberta. se as pétalas estão ausentes ou presentes. Em certas regiões do Brasil. há uma lista enorme de características vegetativas que levam às famílias. as plântulas se desenvolvem vegetativamente até o estágio de roseta. principalmente no sul. livres ou unidas. o tipo de fruto. como no caso de cenoura e alface silvestres. etc. Echinocloa cruspavonis e Bracharia plantaginea. Cyperus rotundus. há necessidade de um período frio para florescimento e frutificação. Para facilitar a correta identificação da espécie. exemplos: Cynodon dactylon. 16 Módulo 3. que se reproduzem por sementes e podem também reproduzir-se vegetativamente se injuriadas ou cortadas. Eleusine indica. Caso a planta esteja sem sementes. o número de estames ou pétalas. porém menos do que dois anos. 1. Imperata brasilensis. Quadro 2 .Famílias de plantas daninhas e números de espécies mais importantes por família.

Convolvulus arvensis e Cuscuta sp. Exemplos: Senna obtusifolia. estames inseridos no fundo do tubo polínico.Amaranthaceae .flores muito pequenas e de cor verde. etc. Chenopodiaceae .Papilionaceae . flores muito pequenas e de cor verde.presença de serocina. Sonchus oleraceus e Xanthium cavanillesii. Acanthospermum australe. estames quatro a infinito. corola em forma de tubo. folhas irregularmente recortadas.trepadoras com folhas alternadas e sem estípulas. Exemplos: Sida spp. com odor forte e característico. sem estípulas. Subfamíla II . geralmente (9) + 1. cálice transformado em papus.Mimosaceae . flores vistosas. com muitos estames em androceu tubular.corola com estandarte interno. estames livres e anteras unidas. fruto em aquênio. brácteas espinhosas.corola actinomorfa. Exemplos: Bidens pilosa. Exemplos: Ipomoea sp.é subdividida em subfamílias: Subfamília I .língua-de-vaca.Inflorescência em capítulo (flores muito pequenas e em dois tipos: tubulares e ligulares). Cyperaceae . Raphanus raphanistrum e Lepidium virginicum. com seiva mucilaginosa e talos fibrosos.. Malvaceae .talo triangular sem nós. Módulo 3. hermafroditas e actinomorfas.flores vistosas com cálice e corola pentâmeros. cinco estames de tamanho desigual. Melampodium perfoliatum. Exemplo: Chenopodium album. nós dos talos inchados ou protuberantes. Cruciferae . Exemplo: Mimosa e Acácia. inflorescências condensadas. estames 3-12 inseridos no cálice. folhas nunca bipenadas. o fruto muitas vezes é uma cápsula ou um policoco. planta com escamas. Polygonaceae . Subfamília III . usualmente anuais. Leguminosae .folhas de disposição alternadas.possuem cinco estames. Exemplos: Solanum. dividido em dois lóculos. inseridos na corola. anteras agrupadas ao redor do estilete. Exemplos: Desmodium e Phaseolus. Exemplos: Rumex crispus . o fruto é uma síliqua. em geral as folhas são penadas. Solanaceae .1 .Biologia e métodos de controle 17 . Exemplos: Brassica rapa. Ageratum conyzoides.estames tetradínamos (quatro comprimidos para dentro e quatro curvados para fora).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Compositae . talo estriado. Exemplos: Amaranthus hybridus e Amaranthus viridis. talos e folhas muitas vezes com espinho. seiva ácida e penetrante. o fruto é uma capsula.Cesalpinaceae . bainha fechada sem lígula. folhas e caules. folhas bipenadas ou penadas.corola irregular com estandarte interno. estames 10. Convolvulaceae . muitas vezes. Exemplos: Cyperus esculentus e Cyperus rotundus. Physalis e Datura.

estolões. Exemplo: Convolvulus arvensis. 2) Disseminação zoócora (interna): as sementes ingeridas pelos animais passam pelo intestino e. e) Mecanismos alternativos de reprodução. c) Capacidade de germinar e emergir a grandes profundidades. Exemplos: Avena fatua (aveia-brava) germina até a 17 cm. e mantém alguma viabilidade após passarem pelo aparelho digestivo de ovinos e eqüinos e só perdem o poder germinativo passando pelo aparelho digestivo das aves. podem gerar mais dez plantas. Muitas plantas daninhas apresentam mais de um mecanismo de reprodução. vento. rizomas. e Cyperus rotundus: apenas um tubérculo. etc. f) Facilidade de distribuição dos propágulos a grandes distâncias. Momordica charantia (melão-de-são-caetano) e Paspalum notatum (gramabatatais).Características de agressividade das plantas daninhas As características das plantas daninhas verdadeiras fazem com que estas sejam mais agressivas em termos de desenvolvimento e ocupação rápida do solo. por sementes e tubérculos.Biologia e métodos de controle .400 sementes por planta. através das fezes.500 sementes por planta. cortadas. em 60 dias. Isto ocorre pela ação de água. e Bidens pilosa (picãopreto) é transportado a longas distâncias nos pêlos de animais ou roupas dos operadores de máquinas. são distribuídas em outras áreas. muitas vezes. Exemplos: Sorghum halepense (capim-massambará): reproduz por sementes e rizomas. a 20 cm. Cynodon dactylon (grama-seda): por sementes e estolões. Exemplos: Amaranthus retroflexus com 117. Artemisia biennis: 107. homem. é a causa do insucesso dos herbicidas aplicados ao solo. Ipomoea sp. submersas em água ou após passarem pelo aparelho digestivo do porco ou boi. quando separadas. Exemplos: Phoradendron rubrum (erva-de-passarinho). máquinas. e cada tubérculo possui cerca de dez gemas que. animais. 18 Módulo 3. (corda-de-viola). dominam as plantas cultivadas. sendo uma das estratégias de sobrevivência das plantas daninhas. etc.adere à lã das ovelhas. Echinoclhoa crusgali (capim-arroz) foi introduzido junto com as sementes importadas. usando os métodos de controle disponíveis.4 . e este foi o motivo de sua introdução no Brasil pela importação de animais ou lã. Essas características de agressividade são: a) Elevada capacidade de produção de dissemínulos (sementes.).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. Há duas situações distintas: 1) Disseminação auxócora (externa): Acanthospermum australe (carrapicho-de-carneiro) . com isso.1 . no momento do cultivo do solo. tubérculos. a 12 cm. cujas sementes permanecem viáveis mesmo após 54 meses. b) Manutenção da viabilidade mesmo em condições desfavoráveis. e Cyperus rotundus (tiririca). Esta característica. d) Grande desuniformidade no processo germinativo. produz 126 tubérculos. bulbos. esta planta produz centenas de sementes viáveis. Isso ocorre devido aos inúmeros e complexos processos de dormência. caso o homem não interfira. e Euphorbia heterophylla (amendoim-bravo). etc. além de tudo isso.

Para Weaver e Clements (1938). a competição seria a luta que se inicia entre indivíduos quando uma planta está em um grupo de outras plantas.040 anos. crescer e reproduzir-se. por 1. assim. muitas vezes é preferível falar-se em interferência de uma comunidade de plantas. completando seu ciclo de vida. nessas condições (KLINGMAN et al. luz. Observações usando 14C mostraram que a semente do lótus da índia pode ser viável por 1. mostraram que 71 delas estavam viáveis um ano após. podendo ser agravados pela presença de outras plantas no mesmo espaço.. ou quando esta é rodeada pelos seus descendentes. e a da ançarinha-branca. ou seja. Na cultura da cebola. frutos. apresentem grande acúmulo de material em sementes. gerando. h) Grande longevidade dos dissemínulos. a 20-100 cm de profundidade. dominando facilmente a cultura. e. 44 após 30 anos e 36 após 38 anos. seja da mesma espécie ou de espécies diferentes. Decandole (1820) foi quem primeiro conceituou competição. afirmando que todas as plantas de um determinado lugar estão em estado de guerra entre si. nutrientes e dióxido de carbono disponíveis em um determinado local e tempo. daninhas ou não. Muitas plantas daninhas crescem e se desenvolvem mais rápido que muitas culturas. nos ecossistemas agrícolas. 2 . que também lutam pelos mesmos fatores de crescimento.1 . em nível ecológico. com pequeno porte e pouco crescimento vegetativo. esses autores salientam que. Locatelly e Doll (1977) definem competição como a luta que se estabelece entre a cultura e as plantas daninhas por água. esses fatores do ambiente tornam-se limitados. Brachiaria plantaginea tem grande facilidade para dominar a área quando o controle não é efetuado no momento oportuno. temperatura. ambos os indivíduos são prejudicados. gás carbônico e oxigênio em quantidades adequadas. numa situação de competição. luz. Em soja.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas g) Rápido desenvolvimento e crescimento inicial. cujas sementes foram enterradas em cápsulas porosas. Contudo. tubérculos ou outras partes de Módulo 3. Daí em diante vários outros conceitos foram emitidos. Do exposto. 1982). respectivamente. a competição torna-se importante quando dois ou mais organismos lutam por algo que não existe em quantidade suficiente para todos. 68 após 10 anos. envolve os aspectos da migração e agregação. as plantas daninhas sempre levam vantagem competitiva sobre as plantas cultivadas. toda planta necessita de água.Biologia e métodos de controle 19 . depreende-se que. Observações com 107 espécies de plantas daninhas. pois nos programas de melhoramento genético tem-se procurado desenvolver cultivares que.Competição entre plantas daninhas e culturas Para germinar. as plantas daninhas germinam e crescem muito mais rápido. Essa grande longevidade se deve a inúmeros e complexos processos de dormência. À medida que a planta se desenvolve. 57 após 20 anos. em razão de a competição envolver vários fatores diretos e indiretos. Já Odum (1969) afirma que competição significa uma luta por um fator. por exemplo. sobre outras. quando esta é conduzida por semeadura direta. uma relação de competição entre plantas vizinhas.700 anos.

ou seja. Outro aspecto importante é a grande agressividade. 1985). luz. não apresentam. Sabe-se. nutrientes e luz. diminuindo ou impedindo que as plantas cultivadas tenham acesso aos fatores de crescimento. Todavia. que as plantas cultivadas. Recursos são os fatores consumíveis. gás carbônico. fazendo o controle das plantas invasoras. mas também a qualidade do produto colhido. Radosevich et al. a produtividade das culturas e a qualidade dos produtos colhidos. em condições de sombreamento (PITELLI. como pH do solo. por exemplo. Para Santos et al. a grande capacidade de sobrevivência das plantas daninhas. quase sempre esse acréscimo na produtividade econômica da espécie cultivada é acompanhado por decréscimo no potencial competitivo (PITELLI. estes fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interesse econômico. estabelece-se a competição. a cultura e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área. Devido à falta de mobilidade dos vegetais. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. como acontece. Condições são fatores não diretamente consumíveis. Como ambas possuem suas demandas por água. qualquer planta daninha que se estabeleça na cultura vai usar parte dos fatores de produção. não sendo visível no início do desenvolvimento das plantas. já limitados no meio. a qual ocorre porque. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex: toxidez devido a excesso de Zn no solo). a superioridade das plantas daninhas na competição por esses recursos. cuja dependência é muito grande. a competição entre plantas é de natureza aparentemente passiva. 1985). até mesmo para o próprio desenvolvimento da cultura. nessas circunstâncias. Estas se estabelecem rapidamente. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso é limitado e é máxima quando o ponto de saturação é atingido. até que um nível ideal seja alcançado. assim. 20 Módulo 3. pode ser devido à ocorrência de alta densidade dessas invasoras na área. na maioria das vezes. em sua maioria. devido ao refinamento genético a que foram e ainda são submetidas.Biologia e métodos de controle . caso não haja interferência humana.. 2. em razão da influência extrema que estes exercem sobre a utilização dos recursos pelas plantas.1 . reduzindo não somente a produtividade da cultura. (2003). entretanto. algumas vezes observada no em realação às culturas. etc.Fatores do ambiente passíveis de competição A competição entre plantas é diferente daquela que ocorre entre animais. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. Em ecossistemas agrícolas. nutrientes e CO2 e. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos. capacidade de competir vantajosamente com as plantas daninhas verdadeiras. densidade do solo. como água.1 . comprometendo.

ambas ajudam a explicar como espécies de plantas competem por recursos limitados e como as características das plantas influenciam sua habilidade competitiva.. 1996). respectivamente (RONCHI et al. citado por RADOSEVICH et al. De acordo com Grime. sucesso competitivo é a habilidade para extrair recursos escassos e para tolerar essa escassez de recursos. (1996) afirmam que duas dessas teorias (a de Grime e a de Tilman) têm recebido maior atenção do meio científico. pode-se concluir que determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer. podem reduzir o conteúdo relativo de N-P-K nos tecidos dessa cultura para 28-39-28% e 1429-21% do total. não estando. podendo utilizar os recursos disponíveis rapidamente. Portanto. A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. Contudo. porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. trabalhos mais recentes têm apresentado algumas justificativas para a baixa produtividade observada para as culturas quando em competição com espécies de plantas daninhas: Bidens pilosa e Leonurus sibiricus.Biologia e métodos de controle 21 . 1996). mudanças morfológicas e fisiológicas nas respostas de crescimento que estejam associadas com variações nos recursos.. desenvolvendo-se juntamente com plantas de café em fase inicial. 2003). a competição é a tendência de plantas vizinhas utilizarem os mesmos recursos. (2005).1996). citados por Radosevich (1996) sugeriram que o mecanismo de competição por recursos deve ser demonstrado por depleção dos recursos associados à presença e abundância de plantas vizinhas. um bom competidor poderia ser a espécie com menor requerimento de recursos. os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta das plantas às variações dos recursos (GOLDBERG. Embora a maioria das definições atuais sobre competição englobe o critério de Goldberg. Com base nessas teorias. a elevada capacidade competitiva da espécie Desmodium tortuosum nas culturas da soja e do feijão pode ter como contribuição o maior acúmulo de nutrientes por essa planta daninha.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. nessa teoria. Apesar de os debates continuarem a respeito da validade e relevância dessas duas teorias. mesmo com baixos níveis do recurso (RADOSEVICH et al. várias outras teorias têm sido desenvolvidas para explicar a importância relativa dos componentes da competição e das características das plantas que lhes conferem competitividade superior. Para Procópio et al. Na realidade. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas Módulo 3. e o sucesso na competição é fortemente determinado pela capacidade da planta em capturar recursos. e é desses autores a descrição que se segue.. a depleção nos recursos e as respostas de crescimento. Radosevich et al. ainda. principalmente o fósforo. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (Radosevich et al. e correlações entre a presença de vizinhos. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. Shainsk e Radosevich (1992)..1 . totalmente esclarecida. Assim. 1990. Para Tilman. Portanto. um bom competidor apresenta alta taxa de crescimento relativo.

ou. seja ela daninha ou não. nas primeiras seis a oito semanas após sua emergência. No entanto. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. ocorre também a competição intraplanta ou endocompetição. a menor susceptibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. e. interespecífica. 1996). parte aérea. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. ela poderá cobrir rapidamente o solo. que são capazes de prover quantidades limitadas dos fatores essenciais ao desenvolvimento das plantas. várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as culturas e as plantas daninhas: a) A competição é mais séria quando a cultura está na fase jovem. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. A competição entre plantas daninhas e culturas é um fator crítico para o desenvolvimento da cultura quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a cultura (RADOSEVICH. também. grande número de estômatos por área foliar. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. Cardenas (1972) salienta que a competição deve-se a condições específicas quanto ao ambiente e ao solo. as características que fazem com que uma espécie de planta seja altamente competitiva são as seguintes: • Ciclo de vida semelhante ao da cultura. ainda. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis. ou. a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. dependendo da época de seu estabelecimento. e sistema radicular muito desenvolvido. na fase plantular. Entretando. • Plasticidade fenotípica e populacional. ainda.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas sobre as culturas são o seu porte e sua arquitetura. liberar toxinas no solo. d) Uma infestação moderada de plantas daninhas em lavouras pode ser tão danosa quanto uma infestação pesada.1 . b) As espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da cultura. se a cultura se estabelecer primeiro. em que cada órgão ou parte da planta luta pelo fotoassimilado produzido nas fontes. 22 Módulo 3. Com base nos pontos descritos. isto é. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. desenvolvimento da cultura. como veranico e geadas. podendo. A competição pode ser intra-específica. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. comumente. desenvolvimento e crescimento rápido de uma grande superfície fotossintética mesmo. entre outros fatores. envolvendo indivíduos de espécies diferentes.Biologia e métodos de controle . nutrientes e espaço. • Desenvolvimento inicial rápido das raízes e. Todavia. luz. do seu vigor. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. c) As espécies daninhas competem por água. Com base nesse conceito. em função da espécie cultivada. se a população de plantas da cultura por área for baixa ou o estande desuniforme. que podem inibir a germinação e. o maior índice de área foliar. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula.

o chamado manejo integrado de plantas daninhas. em dias quentes. 2).1. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes. portanto. É de se esperar. da época correta de plantio.Biologia e métodos de controle 23 . 2002).. pilosa com pouca água no solo pode estar relacionada com o fato de que. as condições para que a cultura se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. (RADOSEVICH et al. no manejo da cultura. Normalmente.1996). Certas espécies de plantas são capazes de usar menos água por unidade de matéria seca produzida que outras. Módulo 3. magnitude da condutividade hidráulica das raízes. especialmente nos trópicos. realizando. Conhecendo tais fatores. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas. dessa forma. • Produção de um elevado número de propágulos por planta. etc. da profundidade de plantio. mais competitivas (RADOSEVICH et al. portanto. na fase inicial de seu desenvolvimento. que essas plantas com baixo requerimento de água sejam mais produtivas durante o período de limitada disponibilidade de água que as plantas com alto requerimento em água e. as características fisiológicas das plantas. Disso resulta a importância do preparo do solo. 1996). torna-se fácil o manejo da cultura de modo que esta leve vantagem sobre o complexo daninho. mecânico ou biológico. pois se estabelecem primeiro.1 . apresentam alta eficiência no uso da água (EUA = g de matéria seca produzida/g de H2O utilizada)... A razão da elevada capacidade de sobrevivência de B. pequenas ou grandes. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. especialmente nitrogênio e carbono. 2. ou seja. como o método químico.1 . (2004b). O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. como capacidade de remoção de água do solo. tendem a excluir as demais. por isso. do cultivar adequado para a região. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular. regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da cultura e da vegetação daninha infestante da área a ser cultivada. as plantas da cultura ficarem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas. • Adaptação às mais variadas condições ambientais. em fases posteriores de desenvolvimento. esta espécie drena grande parte de fotoassimilados para a produção de raízes (baixa relação parte aérea/raiz) as quais promovem. etc. Em trabalho realizado por Procópio et al. é normal em alguns agroecossistemas. • Produção e liberação no solo de substâncias alelopáticas.. maior exploração do solo em busca de água (PROCÓPIO et al. ficou constatado que a planta daninha Bidens pilosa é capaz de extrair água do solo em tensões três vezes maiores do que as alcançadas pela soja e pelo feijão (Fig. sem qualquer sinal de déficit hídrico. Desse modo. minimizando assim a competição ou até mesmo eliminando-a com a ajuda de outros métodos de controle.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Germinação desuniforme no tempo e no espaço (presença de dormência). da percentagem de germinação e vigor das sementes. Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma cultura.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Todavia. Figura 2 . algumas espécies de plantas daninhas podem apresentar diferentes valores de EUA ao longo do ciclo. (2002). soja. Cenchrus echinatus.Biologia e métodos de controle .Potencial hídrico no solo.250 0. podendo competir melhor por este recurso em diferentes estádios fenológicos da cultura. O coeficiente transpiratório das diferentes espécies de plantas varia de 25 a 700. Digitaria horizontalis. O abacaxi. como milho.316 0.) apresenta coeficiente transpiratório entre 500 e 700 (Quadro 4).073 0. Outra maneira de se estimar o consumo de água pelas plantas é através da eficiência transpiratória. sorgo e cana-de-açúcar e grande número de espécies daninhas em nossas condições (Cyperus rotundus. algodão. Amaranthus retroflexus.367 0.). Brachiaria plantaginea. Alguns exemplos são apresentados no Quadro 3. chamada de coeficiente transpiratório (CT = volume água transpirado em mL/produção de biomassa seca. etc.963 24 Módulo 3. por ser uma planta xerófila e apresentar uma rota fotossintética específica (CAM). em gramas). A maioria das culturas (feijão.015 0. no ponto de murcha permanente Quadro 3 – Valor máximo do uso eficiente da água (UEA) por diferentes espécies vegetais Espécie vegetal Phaseolus vulgaris Glycine max Euphorbia heterophylla Bidens pilosa Desmodium tortuosum Fonte: Procópio et al. trigo. apresentam um coeficiente transpiratório entre 150 e 350 (Quadro 4).1 . etc. algumas culturas de gramíneas. por realizarem o metabolismo C4.112 0. Panicum maximun. Por outro lado.168 2. tem um coeficiente transpiratório extremamente baixo. cultivado com diferentes espécies vegetais.088 0. que correlaciona a água transpirada com a biomassa seca produzida. pois são espécies que realizam o metabolismo C3 (plantas ineficientes). Cynodon dactylon.017 1. Valores antes do florescimento Valores após o florescimento -------UEA – biomassa seca em g kg-1 de água fornecida------0.

Os autores afirmam que. Já A. Para outros autores. (1981. Bidens pilosa e Desmodium tortuosum. verificando que as culturas foram capazes de produzir maior quantidade de biomassa por unidade de radiação captada. Observam-se. porém o uso eficiente da água não é o único mecanismo utilizado para sobreviver à competição por água.. Esses autores salientam que. apesar de as plantas daninhas avaliadas apresentarem menor eficiência na utilização da radiação fotossinteticamente ativa. mesmo crescendo com outras espécies em condição imposta de estresse hídrico.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Essa diferença na eficiência do uso da água é um fator importante na agressividade da espécie. Pearcy et al.Volume de água transpirada (em mL) para acúmulo de 1 g de biomasa seca. Coeficiente transpiratório 152 700 568 700 267 682 174 153 265 282 Fonte Blanco. citados por Radosevich et al. Módulo 3. a competição pela luz não é tão importante como a competição por água e por nutrientes. como Locatelly e Doll (1977). com certeza devido à sua alta EUA. como água e nutrientes. Quadro 4 . observaram que a diferença na eficiência de uso da água entre Chenopodium album (C3) e Amaranthus retroflexus (C4) influenciou pouco a relação entre elas.2 .Biologia e métodos de controle 25 . como a de Sesbania exaltata. 1996). uma vez que a cultura tenha formado sombreamento completo. dois mecanismos diferentes para sobreviver à competição por água: habilidade para utilizar um recurso rapidamente (espécie C4) e habilidade para continuar a desenvolver-se mesmo com baixos níveis do recurso (planta C3). as quais. pode ser devida à maior população e melhor utilização de outros recursos. a maior capacidade competitiva delas.Competição por luz Para alguns autores. Provavelmente a espécie C3 contornou a deficiência hídrica pelo controle estomatal.1 . o melhoramento genético imposto às culturas possibilitou a seleção de plantas com elevada capacidade de utilização da luz.. que compete vantajosamente por este fator de crescimento com a cultura do arroz.1. chegando inclusive a citar exceções.. retroflexus. 2004 2. observada em campo. apresentam maiores valores para o uso eficiente da radiação (UER). (2003) avaliaram o UER das culturas da soja e do feijão e das espécies de plantas daninhas Euphorbia heterophylla. 1977 Silva et al. não foi eliminado. a competição das plantas daninhas pela luz deixa de existir. já que sua EUA é baixa. 2004 Silva et al. para diferentes espécies de plantas Espécie vegetal Amarantus hybridus* Glycine max Gossypium hirsutum Phaseolus vulgaris Panicum maximum* Oryza sativa Zea mays* Sorghum vulgare* Brachiaria brizantha* Eucalipto * Espécies que realizam o mecanismo C4. nesse exemplo. Santos et al. quando avaliadas isoladamente das plantas daninhas.

atividade ótima em temperaturas mais elevadas. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. É muito comum imaginar que as espécies de metabolismo C4 são sempre mais eficientes que as plantas C3. responsável pela fixação do CO2. por difusão. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEP-carboxilase) apresenta algumas características. atua especificamente como carboxilase. consumindo 2 ATPs. Essas plantas não apresentam fotorrespiração detectável. se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. ocorrendo o ciclo de Calvin e Benson. quando comparadas com plantas de metabolismo do tipo C4 (Quadro 5). 3 fosfoglicérico e. também. isso só é verdade em determinadas condições. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). por ser ambígua quanto ao substrato. logo. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico). estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. Este fato evidencia que as plantas C4 necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. e não satura em alta intensidade luminosa. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. que ocorre em todas as plantas superiores. Estas plantas. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. também. catalisa a produção do ác. Este CO2 liberado é novamente fixado. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. ou seja. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. e.5 difosfato carboxilase. baixo ponto de saturação luminosa. onde é fosforilado. As plantas de rotas fotossintéticas do tipo C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson. é transportado para as células da bainha vascular das folhas. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. Todavia. Como toda esta energia é proveniente da luz. no ácido fosfoenolpirúvico.1 . além do ciclo de Calvin e Benson. por difusão. do glicolato. localizada nas células do mesófilo foliar. como: alta afinidade pelo CO2. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico. substrato inicial da respiração. onde estes produtos são descarboxilados. as plantas C3 fotorrespiram intensamente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sabe-se que a competição pela luz é complexa sendo sua magnitude influenciada pela espécie. formando o ácido oxaloacético (AOA). As plantas C4. agora pela enzima ribulose 1. o ácido pirúvico. a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. se se reduzir o acesso à luz. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. retorna às células do mesófilo. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. Em função destas e outras 26 Módulo 3. É sabido que a relação molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. não desassimilam o CO2 fixado. sendo esta relação para as plantas C4 de 1:5:2. por apresentarem dois sistemas carboxilativos.Biologia e métodos de controle . entretanto. em seguida. As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2 . Em conseqüência da ação desta enzima. dependendo da espécie vegetal. se ela é umbrófila ou heliófila e.

Relação CO2 : ATP:NADPH 08. nestas condições. Sorghum halepense. Imperata cilindrica. existem exceções. Panicum maximum. milho. e. Este fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. Echinochloa colonum. Echinochloa crusgalli e Eleusine indica. oito são plantas C4 anuais ou perenes: Cyperus rotundus. liberando CO2. quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. Considerando todas as áreas do globo terrestre. sem cloroplastos RuDP-carboxilase (Km ≅ 20μM de CO2) Inibição 1:3:2 Satura com 1/3 da luminosidade máxima Próxima de 25 oC 15 a 35 mg CO2 dm-2 h-1 Fotossíntese C4 Presente: não mensurável pelo método de troca de gases com o ambiente Ácido oxaloacético Baixo: 0. feijão. arroz. entre as dez espécies de plantas daninhas mais nocivas do mundo. nessas condições. cana-de-açúcar. Além disso. Fotossíntese x intensidade luminosa 09. Como a maioria das culturas agronômicas das regiões tropicais e subtropicais (algodão. Temperatura ótima para a fotossíntese 10. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1.) são cultivadas nos meses do ano que coincidem com períodos de elevada intensidade luminosa e temperatura. torna-se evidente que plantas daninhas C4 serão aquelas que exercerão maior competição com as culturas. mandioca. Ponto de compensação 04. Enzima primária carboxilativa 06.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). Anatomia foliar 05.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas características (Quadro 5). as espécies C4 dominam completamente as C3. PEP-carboxilase (Km ≅ 5μM de CO2) Sem efeito 1:5:2 Não satura com aumento da luminosidade. Primeiro produto estável 03. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). Isso é possível porque este grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável. Isso acontece porque. Cynodon dactylon.Biologia e métodos de controle Fotossíntese C3 Presente: 25 a 30 % do valor da fotossíntese Ácido 3-fosfoglicérico Alto: 50-150 ppm de CO2 Ausência bainha vascular.1 . porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km) (Quadro 5).Características diferenciais entre plantas com rotas fotossintéticas C3 e C4 Característica 01. 07. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontrase saturada quanto à luz. No caso das plantas C4. é comum. esta passa a atuar mais como oxidativa. levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente.0 a 10 ppm de CO2 Presença de bainha vascular com cloroplastos. quando presente. estima-se que. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. alta luminosidade e até mesmo déficit hídrico temporário. soja. mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. Efeito do oxigênio (21%) sobre a fotossíntese. Quadro 5 . Taxa de fotossíntese líquida com saturação de luz Módulo 3. etc. Próxima de 35 oC 40 a 80 mg CO2 dm-2 h-1 27 . Fotorrespiração 02. ainda assim essas plantas continuam acumulando biomassa.

4 .1.. Richardia brasiliensis acumula 10 vezes menos N. Todavia. Fotossíntese C3 450 a 1. (2005) observaram que Desmodium toruosum é capaz 28 Módulo 3. Sob condições normais.5 a 7. a concentração de CO2 no mesófilo foliar necessária para que uma determinada espécie passe a acumular matéria seca é diferente. 20 vezes menos P e cinco vezes menos K compara à soja (PEDRINHO JÚNIOR et al. os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das culturas em nossos solos. 2004). o aspecto competitivo não é comumente discutido e geralmente é considerado não-significante. podem levar desvantagem na competição com espécies mais tolerantes em tais situações. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes. Determinadas espécies de plantas são mais sensíveis ao excesso de CO2 e. ele pode ser limitante.Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e.5 % da biomassa seca Fotossíntese C4 150 a 350 g H2O / g biomassa seca 3.1 .Biologia e métodos de controle . que oferece resistência à difusão e ao fluxo de massa. por exemplo. para as espécies de plantas C3. em alto grau. exercem forte competição com as culturas pelos nutrientes essenciais.5 % da biomassa seca 2. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca.0 a 4.1.000 g H2O / g biomassa seca 6. da quantidade e das espécies presentes. Procópio et al. Molinia caerulea é mais tolerante a alta taxa de CO2 do que Erica tetralix. a atmosfera edáfica contém menos oxigênio e mais CO2 do que o ar acima do solo. principalmente. com muito maior ênfase. assim. 2. em conseqüência disso. No entanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Característica 11. a alta infestação dessa planta daninha em lavouras de soja implica maior remoção desse nutriente para a massa total da espécie infestante.Competição por CO2 Com relação ao CO2. Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. ou. em condições de solo encharcado. Como a eficiência na captura de CO2 proveniente do ar é diferente entre plantas C3 e C4 (Quadro 5) e se sua concentração pode variar. deve-se considerar.3 . Outro ponto a ser considerado é a “Interação Radicular Passiva”. deficiência de oxigênio e. por exemplo. que são os dois processos principais de renovação da atmosfera do solo. dentro de uma população mista de plantas. Isso acontece devido ao consumo do oxigênio pelos microrganismos do solo e em razão de sua renovação lenta. em conseqüência da “tortuosidade” da matriz do solo. Por exemplo. Coeficiente transpiratório 11. a competição por nutrientes depende. Conteúdo de N na folha para atingir fotossíntese máxima Fonte: Ferri (1985). considerando as diferentes rotas fotossintéticas apresentadas por espécies de plantas daninhas e culturas.

em competição com o feijoeiro. Pitelli (1985). pela interferência imposta pela comunidade infestante. acarretaram decréscimos consideráveis no conteúdo relativo de nutrientes de plantas de café. Ronchi et al. em campo. com adição de subdoses. Cerca de 80% do cálcio foi imobilizado pelas plantas daninhas.4 vezes mais P por g de massa seca comparada à soja em mesma condição de recursos. avaliando os períodos de convivência e acúmulo de nutrientes de diferentes plantas daninhas e o cafeeiro.1 . (2003). a competição depende do nutriente. além do acúmulo de matéria seca.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas de acumular até 2. diffusa a planta daninha que causou a maior diminuição no conteúdo relativo de nutrientes no cafeeiro (Quadro 6). estudando a distribuição dos nutrientes extraídos pelas plantas daninhas e pela cultura. observou que a matéria seca acumulada foi equivalente para a cultura e as plantas daninhas.Biologia e métodos de controle 29 . Quadro 6 . e do contrário ocorreu com o manganês (85% imobilizado pela cultura). comparadas à soja e ao feijão (PROCÓPIO et al. o grau de interferência varia consideravelmente com a espécie e com a densidade das plantas daninhas.Conteúdo relativo* de nutrientes na parte aérea de plantas de café cultivadas em vasos (12 L de substrato). Além disso. o manejo inadequado de nutrientes. Para os autores. ** Período total de convivência da planta daninha com a muda de café no vaso Módulo 3. é capaz de formar três vezes mais matéria seca por unidade de P absorvida do solo. competindo com uma espécie/planta por vaso Espécie Vegetal Bidens pilosa Commelina diffusa Leunurus sibiricus Nicandra physaloides Richardia brasiliensis Sida rhombifolia PTC* * 77 180 82 68 148 133 N 59 30 35 37 49 97 P K 72 67 42 37 33 38 62 68 61 57 83 105 Conteúdo relativo* de nutrientes Ca Mg S Cu Zn B Mn Fe Na 67 74 97 106 66 76 59 54 69 45 48 69 69 37 54 19 41 35 36 40 41 66 37 41 30 57 39 72 76 86 114 69 101 50 107 68 53 50 67 43 51 63 57 61 59 90 88 98 93 77 138 102 80 106 *Relativo ao conteúdo verificado na testemunha (cafeeiro sem competição). os autores observaram que Bidens pilosa. desenvolvida na presença da comunidade infestante. Bidens pilosa e Euphorbia heterophylla apresentam maior eficiência na utilização do N absorvido no solo. Os acúmulos de cálcio e manganês no arroz foram reduzidos em 40 e 28%. por ocasião do florescimento da cultura. mesmo em baixas densidades. outras espécies são competidoras também na utilização desse recurso. respectivamente. verificaram que as espécies infestantes. Podese afirmar que. sendo C. poderá favorecer espécies vegetais que utilizam mais eficientemente esse recurso. Isso demonstra que. Além da capacidade em extrair nutrientes do solo. Em lavoura de arroz de sequeiro.. evidenciando elevada eficiência na utilização desse nutriente. 2004a).

(folhas. quando lançados no ambiente. ou seja. Assim. raízes. após serem transferidos para o ambiente (RICE. ou seja. Os efeitos podem ser deletérios ou benéficos sobre outra planta. flores. Existe ainda a auto-alelopatia. os compostos secundários que. frutos e sementes). ou ainda alcançar o solo. 1984). geralmente da ordem de 0. lixiviação e decomposição dos resíduos da planta. principalmente monoterpenos e sesquiterpenos (RICE. fungos e herbívoros. A primeira demonstração científica de auto-alelopatia foi feita em feijão-miúdo (Vigna unguiculata). caules. denominados aleloquímicos. macieiras e citros) também ocorre a auto-inibição do desenvolvimento em plantios na mesma área.Biologia e métodos de controle . Milhares de compostos secundários sintetizados por espécies vegetais estão isolados e estimasse que outros milhares existam na natureza. A maioria dos aleloquímicos voláteis são compostos terpenóides. exsudação radicular. Em fruteiras (pessegueiros.1 a 0.Alelopatia As plantas superiores desenvolveram notável capacidade de sintetizar. a maioria dos metabólitos secundários liberados pelas plantas está envolvida em interações com outros organismos. Uma vez volatilizados. o estado sanitário. apresentam potencial para exercer alelopatia em agroecossistemas. através de volatilização. promovem uma interação bioquímica entre plantas. por meio dos próprios vapores. existindo forte relação de dependência entre a produção destes metabólitos e 30 Módulo 3.4% do carbono fotossintetizado (ROVIRA. quando cultivado sucessivamente na mesma área. Os aleloquímicos. onde são absorvidos pelas raízes (ALMEIDA. incluindo microrganismos. que não parecem relacionados diretamente com nenhuma função do metabolismo primário.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . 1969). acumular e secretar uma grande variedade de metabólitos secundários. Essas substâncias alelopáticas são liberadas dos tecidos da planta para o ambiente de diferentes formas. os aleloquímicos podem ser absorvidos diretamente pela cutícula das plantas vizinhas. A quantidade dos compostos produzidos e a composição destes dependem da espécie e das condições ambientais. sobre a própria planta ou microrganismos ou vice-versa. após muitos anos de cultivo da mesma espécie no solo. o comportamento ou a biologia da população de organismos de outra espécie são de interesse da alelopatia. em raízes intactas. 1984).1 . ou condensados no orvalho. insetos. As plantas podem exsudar naturalmente uma série de compostos orgânicos. metabólitos secundários podem inibir a própria planta que os produziu. Provavelmente. lançados ao ambiente. 1988). como outras plantas. afetam o crescimento. As plantas são hábeis em produzir aleloquímicos em todos os seus órgãos. mas provavelmente estão associados com mecanismos ou estratégias químicas de adaptação às condições ambientais.

Módulo 3. entre estes os ácidos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas as condições de ambiente (EINHELLIG. como taninos. etc.1 . A inibição sobre o desenvolvimento de plantas de pimentão por extratos de eucalipto é um exemplo. aveia e centeio. crescimento. alguns terpenos e muitos compostos fenólicos podem ser lixiviados. alcalóides. aminoácidos e as substâncias pécticas. os aleloquímicos podem ser liberados através dos resíduos. atividade enzimática. segundo Almeida (1988). foram eliminados genótipos possuidores de substâncias alelopáticas. O eucalipto produz substâncias cuja presença é variável com as espécies. luz.Biologia e métodos de controle 31 . grama-seda. O fungo Penicillium urticae produz fitotoxina patulina durante a decomposição dos resíduos do trigo. como nabo forrageiro. 3. Cenchrus echinatus e Euphorbia heterophylla. Os alcalóides. fotossíntese. que promove toxicidade na cultura que o sucede (Almeida. capim-massambará. Restos culturais de algumas culturas. como tiririca. O efeito alelopático das culturas sobre plantas daninhas é menos comum.) e dos efeitos das substâncias alelopáticas que estas produzem.1 . 1996). e sua persistência no solo varia com as variações do ambiente. microrganismos podem metabolizar polímeros presentes e produzir substâncias tóxicas. Assim. 1988). CO2. etc. Com a liberação direta dos compostos pelos tecidos. respiração. neblina e orvalho. Uma variedade de compostos químicos pode ser carreada da parte aérea das plantas por meio de chuva. etc. espaço físico. são: assimilação de nutrientes. Os aleloquímicos podem ser liberados das células vivas ou mortas também pela ação da água. para outras características que não as de agressividade para com outras plantas.Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas A interferência que as plantas daninhas causam sobre as culturas é decorrente da competição pelos fatores comuns (água. permeabilidade da membrana celular. em sistema de plantio direto. como Brachiaria plantaginea. As perdas da permeabilidade seletiva da membrana citoplasmática ocorrem pouco tempo após a morte da planta. reduzindo a intensidade de infestação de algumas plantas daninhas. nutrientes. síntese de proteínas. o que dificulta a interpretação de resultados a campo. ao melhorar o paladar e diminuir a toxicidade. O capim-marmelada (Brachiaria plantaginea) afeta o desenvolvimento da soja tanto no crescimento quanto na capacidade de nodulação (ALMEIDA. 1988). Por exemplo. apresentam razoável efeito alelopático. etc. e essa deficiência de defesa das plantas cultivadas é atribuída à seleção a que estas têm sido submetidas ao longo do tempo. Os principais processos vitais afetados. O desenvolvimento do tomateiro foi afetado por extratos de várias plantas daninhas. O mecanismo de ação dos aleloquímicos não está ainda bem esclarecido. na cultura seguinte. colza. açúcares.

usando solução nutritiva circulante entre os vasos de sorgo e alface. Quanto a possíveis efeitos alelopáticos do material incorporado ao solo.Biologia e métodos de controle . normalmente cereais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3. Essa cobertura é essencial para o sucesso do plantio direto. Estes estudos irão contribuir de maneira decisiva para o manejo de plantas daninhas no sistema de plantio direto. Em condições de baixas temperaturas. os tipos de solo e as condições climáticas.3 . exsudato radicular proveniente de plantas de sorgo reduziu a área foliar de plantas de alface em 68. Atualmente. várias pesquisas estão sendo conduzidas visando identificar os compostos alelopáticos. a cobertura morta pode prevenir a germinação. por exemplo. a incorporação dos resíduos deve ser feita com certa antecedência da semeadura das culturas. provoca redução do estande da cultura da soja plantada imediatamente após a sua colheita. quando cultivadas em casa de vegetação. como as adubações verdes. sabe-se que o processo de decomposição do material vegetal é variável com a qualidade dos tecidos. Normalmente. especialmente no que diz respeito às técnicas de rotação e consorciação. conseqüentemente. reduzir o vigor vegetativo e provocar amarelecimento e clorose das folhas. hoje disseminado no Brasil por todos estados produtores de grãos. assim como poderá ser um ponto de partida para síntese de novos compostos com atividade herbicida. 3. forma-se no final desta estação ou início da primavera. 32 Módulo 3. com efeitos biológicos e toxicidade diversos.2 . Outros pesquisadores avaliam e colecionam germoplasmas de plantas alelopáticas.Alelopatia das coberturas mortas No plantio direto.4%. os efeitos alelopáticos provocados pela incorporação de resíduos vegetais no solo são muitos variáveis. inferiores a 25 dias. provoca efeitos alelopáticos pouco acentuados e por períodos curtos. A cobertura morta da cultura do inverno. os resíduos no solo são escassos e a temperatura e umidade no solo são suficientes para manter a atividade microbiana alta. Nas culturas de verão. a fim de avaliar suas atividades sobre as diferentes espécies de plantas daninhas. os resíduos secos podem causar fitotoxicidade mais severa. o que tem contribuído para que os agricultores do sul deixem de cultivar colza. Se a cultura de verão for implantada com algum intervalo após a colheita desta cultura de inverno.Alelopatia entre culturas A possibilidade de se desenvolverem efeitos alelopáticos benéficos ou maléficos entre culturas tem interesse agronômico. Segundo Barbosa (1996).1 . podendo os resíduos de plantas de mesma espécie dar origem a compostos diferentes. o material fresco. possivelmente não ocorrerão problemas de fitotoxicidade. Os efeitos alelopáticos são transitórios. por isso. também rápida. Por isso. degradando os aleloquímicos. A taxa de decomposição é alta e a liberação dos compostos alelopáticos é. redução do perfilhamento e até morte de plantas daninhas durante a fase inicial de desenvolvimento. A colza. quando começa a época chuvosa.

o conhecimento das propriedades alelopáticas das plantas será fundamental. esteróides livres e ogliconas esteróides. sendo a possível causa dos efeitos alelopáticos. menor será o grau de interferência. no desenvolvimento e na produtividade de uma cultura. quanto menor o período de convivência entre cultura e plantas daninhas. pode-se dizer que. lophanta e A. interferência na colheita e outras). entre outros fatores. porque dependerá da época e do ciclo da cultura em que esse período ocorrer. utilizadas como cobertura vegetal. horizontalis. gerando menor intensidade de interferência na produtividade econômica. quanto maior for o período de convivência múltipla (culturaplantas daninhas). espaçamento e densidade de plantio) e à época e extensão da convivência. e. maior será o grau de interferência. Contudo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas objetivando o melhoramento genético. densidade e distribuição). O grau de interferência entre plantas cultivadas e comunidades infestantes depende das manifestações de fatores ligados à comunidade infestante (composição específica.Biologia e métodos de controle 33 . foram eficientes no controle das espécies daninhas D. pruriens e S. os efeitos negativos observados no crescimento. não devem ser atribuídos exclusivamente à competição imposta por estas. De maneira geral. devidos à presença de plantas daninhas. ao conjunto de ações que recebe uma determinada cultura em decorrência da presença da comunidade infestante num determinado local. H. Essa idéia foi originalmente apresentada por Bleasdale (1960) e mais tarde modificada por Blanco (1972). ambos citados por Pitelli (1985). Em trabalho realizado por Erasmo et al. Pitelli e Durigan (1984) sugeriram terminologia para períodos de convivência de plantas daninhas em culturas. Módulo 3. spinosus. para o sucesso deste método.Competição e período crítico de competição De acordo com Pitelli (1985). Geralmente. clima e manejo. Os autores constataram elevada concentração de taninos condensados. o estudo da época ideal de controle de plantas daninhas em cada cultura. No futuro. M. portanto. os quais são descritos a seguir.1 . (2004). favorecendo a utilização de recursos pela planta cultivada. à própria cultura (espécie ou variedade. as espécies Mucuna aterrima. o controle biológico de plantas daninhas também poderá ser uma opção no manejo integrado. sendo o esquema apresentado na Figura 3. 4 . mas sem prejudicar também o ambiente. alelopatia. Esse fato justifica. visando o mínimo possível de redução na produtividade. No entanto. A este efeito global denominou-se “interferência”. isto não é totalmente válido. portanto. dependendo da época de seu estabelecimento. bicolor. mas resultante das pressões ambientais de ação direta (competição. uma infestação moderada de plantas daninhas poderá ser tão danosa à cultura quanto uma infestação pesada. O manejo de plantas daninhas altera a cronologia natural dos eventos. referindo-se. podendo ser alterado pelas condições de solo.

pois a comunidade teria acumulado energia e matéria orgânica que retornariam ao solo. impede o desenvolvimento das plantas daninhas. toda e qualquer prática cultural que incremente o crescimento inicial da cultura pode contribuir para um decréscimo no período total de prevenção da interferência. qualitativamente.Biologia e métodos de controle . a partir do plantio ou da emergência. A aplicação de certas práticas culturais contribui para diminuição deste período. para que a produção não seja afetada quantitativa e. o final do período anterior à interferência seria a época ideal para o primeiro controle da vegetação infestante. n D De d d s si ad e Ambiente S ol o Ma ne j o Clima 34 Módulo 3. na prática este limite não pode ser considerado. através. a Époc Dura çã o Período de convivê ncia lti Cu r va Es pé ci e s Espaçamento Densidade Densidade Cultura Grau de interferência rib st Di ui o çã Figura 3 . após a semeadura ou o plantio. O limite superior deste período indica a época em que a interferência compromete irreversivelmente a produtividade econômica da cultura.Modelo esquemático dos fatores que influenciam o grau de interferência entre cultura e comunidades infestantes Aquele espaço de tempo.1 . Desse modo. Por exemplo. em que a cultura deve ser mantida livre da interferência de plantas daninhas. É importante esclarecer o significado deste período em termos de competição: as espécies daninhas que emergirem neste período. No entanto. em determinada época do ciclo da cultura. terão atingido tal estádio de desenvolvimento que promoverão uma interferência sobre a espécie cultivada. do sombreamento. a própria cultura. este deve ser o período que as capinas ou o poder residual dos herbicidas devem cobrir. contribuindo para o próprio desenvolvimento da cultura. principalmente. a fertilização incrementa o crescimento inicial da cultura e das plantas daninhas. capaz de reduzir significativamente sua produtividade econômica. permitindo menos cultivos ou o uso de herbicidas de menor poder residual. Teoricamente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas “Período total de prevenção da interferência” (PTPI) é o período. ou. permitindo que a competição por recursos outros que não a adubação se instale de maneira mais rápida. Após esse período. em que a cultura pode conviver com a comunidade de plantas daninhas antes que a interferência se instale de maneira definitiva e reduza significativamente a produtividade da lavoura é denominado “período anterior à interferência” (PAI). Na prática.

. (2005) 22 – 38 d Dias et al.30 d Victoria Filho (1994) 15 – 88 d Dias et al. torna-se extremamente importante a pesquisa nesta área. nas diferentes condições envolvendo solo. (2003) 20 . visando realizar com eficiência o manejo integrado das plantas daninhas. PAI e PCPI.90 d (1982) 47 – 127 Kuva et al.Biologia e métodos de controle 35 . Do ponto de vista prático. 2005). (1981) Mascarenhas et al. (1982) Oliveira e Almeida 45 . encontrados pelos diversos autores. os cultivares utilizados e as composições específicas das comunidades infestantes foram diferentes. a cultura deverá ser mantida livre das plantas daninhas no período compreendido entre o final do PAI até o momento em que as plantas daninhas que vierem a emergir não mais irão interferir na produtividade da cultura. espécies daninhas e culturas. Considerando a diversidade de fatores que influenciam o grau e os períodos de interferência apresentados. não são idênticos para as mesmas culturas. Quadro 7 .30 d Martins (1994) Módulo 3. Recentemente foi proposto o Período Anterior ao Dano no Rendimento Econômico (PADRE). os períodos PTPI.60 d (1982) Rolin e Cristofolleti 30 .1 . (2002) Souza et al. (2005) 14 . as plantas daninhas podem ter atingido um estádio tal de desenvolvimento que inviabilize o uso de práticas mecânicas ou o controle químico. clima.40 d 60 d 90 d 127 d 30 d 88 d 38 d 42 30 d 30 d 45 d 30 d 74 d 20 d 15 d 22 d 14 21 d 20 d Fonte Salgado et al. ou. (1994) 20 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pois a cultura e. Isso é normal.Períodos de convivência e de controle de plantas daninhas em diversas culturas anuais e bianuais Cultura Algodão Alho Girassol Cebola Arroz de sequeiro Cana-de-açúcar ( plantio de ano ) Cana-de-açúcar (plantio de ano e meio) Feijão Café (após plantio das mudas no inverno) Café (após plantio das mudas no verão) Milho Soja Dias Após Semeadura ou Plantio (d) PTPI PAI PCPI 66 d 08 d 08 . baseado na hipótese de que aspectos econômicos como o custo de controle e o valor monetário dos grãos devem ser utilizados como critério para determinar o período aceitável de interferência das plantas daninhas antes de se decidir pelo seu controle (VIDAL et al. (2003) Alcântara et al. porque as condições em que foram conduzidas as pesquisas. (2004) Soares et al. (1980) Brighenti et al. Em diversos trabalhos de pesquisa visando avaliar os efeitos da interferência de plantas daninhas em culturas (Quadro 7).30 d Spadotto et al.42 d Ramos e Pitelli (1994) 21 . Este seria o “período crítico de prevenção da interferência” (PCPI).66 d 80 d ----100 d 20 d 20 –100 d 30 d 21 d 21 – 30 d 42 d 40 d 30 d 30 .

um estado.1 . etc. tem-se a tiririca (Cyperus rotundus). grades e colheitadeiras.Biologia e métodos de controle . As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilizar sementes de elevada pureza. mudas com torrão.Métodos de controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mais variados possíveis e. etc.. etc. limpeza de canais de irrigação. que poderão se transformar em sérios problemas para a região.) e o arroz-vermelho (Oryza sativa) são distribuídos junto com as sementes de arroz.Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. o elemento humano é a chave do controle preventivo. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. Em nível local. 5. por meio de estercos. pêlos de animais. a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas ainda por elas não infestadas. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5 . Em níveis federal e estadual. deve ser feita até um nível no qual as perdas pela interferência sejam iguais ao incremento no custo do controle. Já o capim-arroz (Echinochloa sp. Em síntese. que possui sementes muito pequenas e tubérculos que infestam novas áreas com grande facilidade. um município ou uma gleba de terra na propriedade. o estabelecimento e. inspecionar cuidadosamente mudas adquiridas com torrão e também toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. considerando uma cultura. Como exemplo. Eles abrangem desde o arranque das plantas com as mãos até o uso de sofisticados equipamentos de microondas para exterminar as sementes no solo. Nestas legislações encontram-se os limites toleráveis de cada semente de planta daninha e também a lista de sementes proibidas por cultura ou grupo de culturas. A falta desses cuidados tem causado ampla disseminação das mais diversas espécies. limpar cuidadosamente máquinas. quarentena de animais introduzidos. Estas áreas podem ser um país. além de outras espécies. A redução da interferência das plantas daninhas. atualmente.1 . ou. ou seja. se espalham por novas áreas por meio de roupas e sapatos dos operadores. o picão-preto (Bidens pilosa) e o capim-carrapicho (Cenchrus echinatus). 36 Módulo 3. há legislações que regulamentam a entrada de sementes no país ou estado e sua comercialização interna. verifica-se grande evolução destes. que não interfiram na produção econômica da cultura.

numa agricultura mais intensiva. em lavouras de milho. e para muitas famílias. em lavouras de arroz. Variação do espaçamento: a variação do espaçamento entre linhas ou da densidade de plantas na linha pode contribuir para a redução da interferência das plantas daninhas sobre a cultura.). O arranque manual. Consiste. mostarda. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas. quando o principal método de controle é o uso de enxada. entretanto. e caruru-rasteiro (Amarantus deflexus). nabo.1 . apaga-fogo (Alternanthera tenella). a cobertura morta e o cultivo mecanizado.2 . a queima.Biologia e métodos de controle 37 . a capina manual. em Módulo 3. ervilhaca. Ainda hoje é usado para o controle em hortas caseiras. A redução entre linhas geralmente proporciona vantagem competitiva à maioria das culturas sobre as plantas daninhas sensíveis ao sombreamento. exemplos: capim-arroz (Echinoclhoa sp. Contudo. etc. como rotação de cultura. em usar as próprias características ecológicas das culturas e plantas daninhas. em cana-de-açúcar. feijão-de-porco e lablabe. guandu. Quando o principal objetivo é o controle de plantas daninhas. principalmente em regiões montanhosas. onde há agricultura de subsistência. jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. esta é a única fonte de trabalho. A capina manual feita com enxada é muito eficaz e ainda muito utilizada na nossa agricultura. Nas regiões subtropicais predominam mucuna-preta. azevém anual. ano após ano. a roçada. Rotação de culturas: cada cultura agrícola geralmente é infestada por espécies daninhas que possuem exigências semelhantes às da cultura ou apresentam os mesmos hábitos de crescimento. Coberturas verdes: as coberturas verdes são culturas geralmente muito competitivas com as plantas daninhas. a interferência destas plantas daninhas aumenta muito.Controle cultural O controle cultural consiste no uso de práticas comuns ao bom manejo da água e do solo. em lavouras de trigo. crotalárias. então. O principal efeito é a melhoria das condições físico-químicas do solo. no mesmo solo. uso de coberturas verdes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. ou monda. Tremoço. Quando são aplicadas as mesmas técnicas culturais seguidamente. Essas práticas contribuem para impedir o aumento exagerado de determinadas plantas daninhas. a escolha da cultura em rotação deve recair sobre plantas com habito de crescimento e características culturais bem contrastantes. dependendo da arquitetura das plantas cultivadas e das espécies infestantes. a inundação. visando beneficiar o estabelecimento e desenvolvimento das culturas.3 . estas plantas possuem também poder inibitório sobre outras e podem reduzir as infestações de algumas daninhas após serem incorporadas ao solo. variação do espaçamento da cultura. 5. aveia e centeio são usadas na região Sul do Brasil.

para uso dirigido nesta cultura. na maioria dos casos. utilizando filme de polietileno sobre a superfície do solo.Biologia e métodos de controle . Outra técnica utilizada para o controle de plantas daninhas é a solarização. é de larga aceitação na agricultura brasileira. Quanto à queima das plantas daninhas com lança-chamas. devido à temperatura excessivamente alta principalmente até 5 cm de profundidade. em razão do custo do combustível. bem como sobre as plantas aquáticas. como nos tabuleiros de arroz. as sementes das plantas daninhas germinam e morrem em seguida. onde o controle da erosão é fundamental. Esta deve ser feita antes do plantio.1 . como o capim-arroz (Echinochloa sp. estimulando a germinação das sementes das plantas daninhas da camada superficial de solo. a cobertura do solo com restos vegetais da cultura anterior é de grande utilidade.). é ineficiente para controlar plantas daninhas que 38 Módulo 3. A cobertura do solo com restos vegetais em camada espessa ou com lâmina de polietileno é um meio físico-mecânico de controle das plantas daninhas. através de adaptação de queimadores especiais em cultivadores tratorizados. em virtude da suspensão do fornecimento de oxigênio para suas raízes. milho e trigo. A cobertura morta ainda pode apresentar efeitos alelopáticos úteis no controle de certas espécies daninhas. a roçada manual ou mecânica é um método muito importante para controlar plantas daninhas. esta técnica é de uso limitado no Brasil. apenas não apresentando efeito sobre as plantas daninhas que se desenvolvem em solos encharcados. além de outros efeitos importantes sobre as culturas implantadas na área. feito por cultivadores tracionados por animais ou tratores. o alto custo da mão-de-obra e a dificuldade de encontrar operários no momento necessário e na quantidade desejada fazem com que este método seja apenas complementar a outros métodos. em solo úmido.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas áreas maiores. é mantida no limpo. por meio de outros métodos de controle. que são posteriormente mortas devido à impossibilidade de emergência. são totalmente erradicadas sob inundação prolongada. grama-seda (Cynodon dactylon). Os fatores limitantes deste método. são o custo do nivelamento do solo e a grande quantidade de água necessária para sua implantação. Espécies perenes de difícil controle. devendo ser realizado quando as plantas daninhas estiverem ainda jovens e o solo não estiver muito úmido. além de muitas plantas daninhas anuais. beiras de estradas e pastagens a roçada é um método de controle de plantas daninhas dos mais importantes. principalmente em terrenos declivosos. Provoca aumento de temperatura e. É restrito a pequenas áreas de hortaliças. a inundação é um efetivo método de controle de plantas daninhas. já foi utilizada em algodão. capim-kikuio (Penisetum clandestinum)). O cultivo mecanizado. A cobertura provoca menor amplitude nas variações e no grau de umidade e da temperatura da superfície do solo. Também em terrenos baldios. como tiririca (Cyperus rotundus). Este sistema de plantio é usado em extensas áreas de plantio de soja. As principais limitações deste método são: a) dificuldade de controle de plantas daninhas na linha da cultura. e b) baixa eficiência: quando realizado em condições de chuva (solo molhado). Em pomares e cafezais. sendo um dos principais métodos de controle de plantas daninhas em propriedades com menores áreas plantadas. No plantio direto. em nível. A inundação mata as plantas sensíveis. O espaço das entrelinhas é mantido roçado e. Todavia. Em solos planos e nivelados. a fileira de plantas.

praticado com fins econômicos. ele não deve parasitar outras espécies. vírus. quando jovens (2-4 pares de folhas). Deve também ser considerada como controle biológico a inibição alelopática de plantas daninhas exercida por outras plantas. e) Acompanhamento da introdução e do estabelecimento do agente biocontrolador no campo. Nos Estados Unidos. peixes. Entre os diversos exemplos de controle biológico no mundo.Controle biológico O controle biológico consiste no uso de inimigos naturais (fungos. De modo geral. promover o controle das plantas daninhas na linha. o controle biológico de plantas daninhas com inimigos naturais não tem sido. o parasita deve ser altamente específico. ou seja. para controlar Morrenia odorata.Biologia e métodos de controle 39 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas se reproduzem por partes vegetativas. b) Seleção de inimigos naturais mais eficientes. o controle do cactus ou figo-da-índia (Opuntia spp. no Havaí. o fungo Coletotrichum gloeosporeoides pode ser usado para controlar o angiquinho (Aeschynomene virginica) em soja e milho. todas as espécies anuais. d) Determinação da especificidade dos hospedeiros. suspende a absorção de água e expõe a raiz às condições ambientais desfavoráveis. a eficiência do controle biológico é duvidosa quando ele é usado isoladamente. o que é uma tendência normal em condições de campo. são facilmente controladas em condições de calor e solo seco. o cambará-de-espinho (Lantana camara) foi controlado pelos insetos Agromisa lantanae e Crocidosema lantanae. com o nome de Devine. No entanto. porque pode controlar uma espécie e uma outra ser favorecida. aves. desde a pesquisa até a prática do controle biológico: a) Seleção de espécies de plantas daninhas a serem controladas. daninhas ou não (este assunto já foi discutido em módulo à parte). a fim de correlacionar os níveis de infecção com a redução da densidade populacional do hospedeiro. bactérias. insetos.) capazes de reduzir a população das plantas daninhas. com isso. O cultivo quebra a relação íntima que existe entre raiz e solo. reduzindo sua capacidade de competir. pode causar o enterrio das pequenas plântulas e. Módulo 3. c) Estudo e avaliação da ecologia dos vários inimigos naturais. uma vez eliminado o hospedeiro. Dependendo do tamanho relativo das plantas cultivadas e daninhas. O controle biológico de plantas daninhas é muito complexo e seu estudo dever ser feito em etapas sucessivas. o deslocamento do solo sobre a linha.1 . o herbicida natural é registrado como Collego. Isso é mantido por meio do equilíbrio populacional entre o inimigo natural e a planta hospedeira. f) Avaliação da efetividade em diferentes épocas do ano. foi já usado o fungo Phythophthora palmivora. nos pomares de citros. E. e. podem-se citar: na Austrália. Para que este tipo de controle seja eficiente. etc. através de enxadas cultivadoras especiais. até o momento.) com as larvas do inseto Cactoblastis cactorum. No Brasil. 5.4 .

e temperaturas acima de 30 oC têm proporcionado melhor controle de Egeria (BORGES NETO et al. quando Bonnet (França).Controle químico As pesquisas visando o controle químico de plantas daninhas foram iniciadas entre 1897 e 1900. foi fundada a Sociedade Brasileira de Herbicidas e Plantas Daninhas (SBHPD). plantas aquáticas submersas que causam problemas em reservatórios de hidrelétricas. descobriram o 2. Shultz (Alemanha) e Bolley (EUA) evidenciaram ação dos sais de cobre sobre algumas folhas largas.. bem como a tecnologia de aplicação de herbicidas. foi criada a Weed Science Society of América . Somente em 1942. Devido ao grande desenvolvimento da área de controle químico de plantas daninhas. Também são áreas de interesse. nos EUA. quando se pensa em seu uso como o único método de controle.4-DB. quando associado a outros métodos de controle e será recomendado para espécies de plantas daninhas de controle comprovadamente difícil por métodos mecânicos e. que se reúne de dois em dois anos em congresso nacional. O controle biológico é eficiente. sempre uma outra é favorecida.5 . que tem evoluído muito nos últimos anos.4. Egeria najas e Ceratophyllum demersum pelo pacu (Piaractus mesopotamicus). Triazinas simétricas (1956). no Brasil. e.1 . Carbamatos (1951). hoje Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas (SBCPD). Já se sabe que o fotoperíodo influencia a eficiência de controle das espécies de plantas daninhas pelo fungo. nos Estados Unidos. indicando a necessidade de uso de outro método de controle. em 1956. Zimmerman e Hitchock. carpas e outros peixes herbívoros é possível para controle de outras plantas aquáticas. 40 Módulo 3. no Brasil. mais seguro para o homem e para o ambiente. A partir de 1950.4-D. para controle de folhas largas na cultura do trigo. entre outras. Isso porque o parasita deve ser altamente específico.5-T. 2. etc. etc. nos Estados Unidos. para discutir os avanços da área de plantas daninhas e seu controle. quando se controla uma espécie de planta daninha. A eficiência do controle biológico é duvidosa. 5.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas No Brasil. isolados de Fusarium graminearum vêm sendo estudados como agente de controle biológico de Egeria densa e de Egeria najas. o sulfato ferroso foi avaliado por Bolley. então.WSSA. ou. químico. Em 1908. Ainda. não podendo parasitar outras espécies.) e marcou o início do controle químico de plantas daninhas em escala comercial. em 1963. O uso de tilápias. novos grupos químicos de herbicidas surgiram: Amidas (1952). e os trabalhos científicos sobre o assunto são publicados em revistas especializadas da SBCPD (Planta Daninha e Revista Barsileira de Herbicidas).Biologia e métodos de controle . Este herbicida é a base de muitos outros produtos sintetizados em laboratório (2. Miyazaki e Pitelli (2003) verificaram controle de até 100% das espécies aquáticas Egeria densa. o controle biológico. ocorrem reuniões anuais de pesquisadores de herbicidas no cerrado (REPEC). 2005). a alelopatia. O objetivo das pesquisas em nível mundial é obter herbicidas mais eficazes com doses menores.

2. havendo perigo de intoxicação do aplicador. Módulo 3.Biologia e métodos de controle 41 . evoluiu de 546. A tendência ainda é de aumento. mas devem ser conhecidos. Pode se atribuir essa grande aceitação do uso de herbicidas pelos produtores ao fato de o controle químico das plantas daninhas proporcionar as seguintes vantagens: 1. É eficiente no controle de plantas daninhas na linha de plantio e não afeta o sistema radicular das culturas. o controle químico das plantas daninhas é mais eficiente. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência das culturas.6 em 1990 para 1. 6. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. Portanto. Mesmo em épocas chuvosas. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta. 3. Este valor. Permite o plantio a lanço e. Permite o cultivo mínimo ou plantio direto das culturas. difícil de ser encontrada no momento certo. que é cada vez mais cara. 2005). lagos e água subterrânea). cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. perfeitamente controlados e evitados. O emprego do controle químico de plantas daninhas deve ser feito juntamente com outras práticas de controle. alteração no espaçamento. Menor dependência da mão-de-obra. É importante considerar que todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. 5. ou. hoje está se tornando prática comum entre os pequenos. principalmente. quando for necessário. uma vez que esta tecnologia.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O consumo de herbicida no Brasil representa 7-9% do consumo total do mundo.água (rios. sendo a de maior importância o controle cultural. Os riscos de uso existem. Pode ocorrer também poluição do ambiente . 4. o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas. solo e alimentos quando manuseados incorretamente. O conhecimento da fisiologia das plantas. Pode controlar plantas daninhas de propagação vegetativa. sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. em milhões de dolares.8 em 1997 (ANDEF/SINDAG.1 . Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES e ALMEIDA. 2005). na quantidade e qualidade necessária. Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas.214.

Escolher a(s) tecnologia(s) de controle compatível(is) com sistema. fica evidente que. Desse modo. 10. O nível de controle das plantas daninhas obtido em uma lavoura dependerá da espécie infestante. Integrar os processos com as medidas de proteção das culturas.Manejo integrado de plantas daninhas (mipd) Cada vez mais o manejo integrado de pragas vem ganhando reforços em todos os setores agrícolas. para culturas anuais. no controle integrado. 4. Dez palavras-chave descrevem os processos recomendados. Decidir quando o controle deve ser feito. permite a esta aproveitar eficientemente os recursos do meio. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. 2000). A integração de diversos métodos de controle dentro do sistema de produção pode dificultar o crescimento e desenvolvimento de populações de espécies daninhas de difícil controle. da capacidade competitiva da cultura. Considerando as condições brasileiras. constituindo-se.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 6 . 2. Considerar os recursos e as necessidades do fazendeiro. tendo. etc. as quais possuem seu ciclo ou parte dele na época das águas. e elas são um bom guia para o programa de manejo: 1. propondo uma série de medidas que se enquadraram no conceito de integração (CONCEIÇÃO. os métodos culturais se apresentam como os 42 Módulo 3. dos métodos empregados. pode reduzir a dependência do uso de herbicidas e atrasar ou prevenir o aumento de espécies perenes geralmente associadas a sistemas de cultivo. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. do período crítico de competição. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco. Estudar os métodos usados na propriedade. sua base reforçada no campo da entomologia quando pioneiros promoveram o estudo dos problemas do algodoeiro no Nordeste do país. que consiste em “um sistema ambiental do campo onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para a produção das culturas livres de danos econômicos da vegetação competitiva”. Conhecer as espécies dominantes e suas interações. 6. 3.Biologia e métodos de controle . 7. 8. Monitorar sementes e espécies da área de produção.1 . 5. Avaliar os impactos ambiental. Prever populações e mudanças de populações de plantas daninhas. a maneira integrada de cultivo. das condições ambientais. no Brasil. em que se levam em conta todos os fatores que podem proporcionar à planta maior e melhor produção. esse fato. o manejo integrado de plantas daninhas. 9. Identificar as espécies-problema e suas densidades. social e econômico a curto e a longo prazo. Desse modo.

a forrageira cultivada em consórcio com a cultura principal reduz a interferência de muitas espécies de plantas daninhas. aliado ao fato de não revolver o solo. evitando assim sua disseminação e seu rápido crescimento. em relação ao plantio convencional. da ordem de 90 a 95%. tanto para a cultura do milho quanto para o feijoeiro. Ao contrário. ou seja. 4). independentemente se para produzir milho para grão ou para silagem. Dessa forma.. consegue-se ótimo manejo integrado da tiririca. 2004) e também mais estável do ponto de vista ambiental (SANTOS et al. é possível obter redução nos níveis populacionais da tiririca a favor do plantio direto. permanecendo dormentes (Fig. 2005) Módulo 3. visando a redução do número de propágulos de espécies de difícil controle em áreas agrícolas. com a adoção do sistema de plantio direto utilizando herbicidas sistêmicos para dessecação. a ponto de não acarretar reduções de produção das culturas infestadas (Fig. Além disso. no plantio convencional. sendo que em três anos a redução no banco de tubérculos no solo pode chegar a mais de 90% (JAKELAITIS et al. ou incoporada ao solo. Neste sistema. 5). Outro exemplo de manejo integrado de plantas daninhas tem sido praticado em diversas regiões do Brasil quando se adota o sistema integrado agricultura-pecuária. toda a palhada da cultura permanece na área à superfície. Em dois anos nesse sistema.. Um bom exemplo da aplicação do Manejo Integrado pode ser observado pelo excelente manejo da tiririca na cultura do milho e do feijão graças à utilização do sistema de plantio direto e conhecimentos da biologia das espécies envolvidas.. têmse observado excelentes resultados no manejo da tiririca. 45 dias após a emergência.Biologia e métodos de controle 43 .1 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mais adequados para integração com o controle químico. principalmente no período de desenvolvimento das culturas sensíveis à interferência das plantas daninhas. 2003). com uso de herbicidas sistêmicos usados como dessecantes. No plantio direto. os níveis populacionais da tiririca podem ser diminuídos. Dessa forma. Quando a finalidade de uso do solo é para milho grão. no milho para silagem toda palhada da cultura anterior e retirada da área. transformando esta espécie daninha extremamente problemática em uma espécie comum. tornando o sistema menos dependente do controle químico (JAKELAITIS et al. a capacidade de brotação dos tubérculos de tiririca coletados sob solo no sistema integrado é diminuída com o passar do tempo. Os maiores benefícios do sistema de plantio direto no manejo integrado da tiririca são obtidos devido à integração do controle químico proporcionado pelo uso do herbicida sistêmico para dessecação da vegetação em pré-plantio. aplicados no momento correto. aliado ao controle cultural. principalmente por luminosidade. como a cultura do milho e feijão. ao controle cultural exercido pela falta de revolvimento do solo e conseqüente ausência de fragmentação das estruturas vegetativas da tiririca e à adoção de culturas altamente competitivas. no plantio direto.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 4 .Biologia e métodos de controle .1 . após três anos de adoção 44 Módulo 3.População de tiririca nas culturas de milho e feijão nos sistemas de plantios convencional e direto (após dois anos de adoção do manejo integrado de plantas daninhas –MIPD) aos 30 DAP Figura 5 – Brotação de tubérculos de tiririca coletados em campo em áreas de plantio convencional e em área onde se adotou o plantio direto com o manejo integrado dessa espécie infestante.

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Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Lino Roberto Ferreira Profº.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 . Antonio Alberto da Silva Profº.Manejo de plantas daninhas 3.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília . Francisco Affonso Ferreira Profº.DF 2006 48 Módulo 3. José Barbosa dos Santos Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .ABEAS Universidade Federal de Viçosa .2 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação Tutores: Profº.2 .

61 4.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA).1 . 80 4.Características gerais dos inibidores do fotossistema II.5.Caracterização de alguns herbicidas auxínicos.5.7.Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos.3 .1. 54 4. 79 4.Mecanismos de seletividade.2 . 70 4.3. 68 4.7.52 3 .Algumas imidazolinonas.3 . 80 4.1.1 .Seletividade.6.2 .5.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I. 56 4. -51 2 .Quanto à seletividade.Quanto à translocação.Mecanismo de ação.1 . 60 4.Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos. 75 4.Algumas sulfoniluréias.6 . 85 4.1 . 77 4. 55 4.Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos.3 .2 .2.53 4 .7 .2 . 79 4. 73 4. 55 4.Herbicidas inibidores da acetolactato sintase. 53 4.1 .1 . 74 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 49 .Herbicidas inibidores da Protox.Principais características.Mecanismo de ação das cloroacetanilidas. 79 4.1 .Características de algumas cloroacetanilidas.3 .Quanto aos mecanismos de ação.Quanto à época de aplicação.3.3 . 73 4.2 .Características gerais.Mecanismo de ação.4.Mecanismo de ação.2.4.2. 51 1 .2.Herbicidas inibidores da EPSPs.6.4. 83 4. 68 4.5 .Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina.2 .4 .3 .Principais características.Herbicidas inibidores da fotossistama II.Mecanismo de ação. 62 4.4 . 73 4.1 .2 . 76 4.Principal herbicida do grupo.Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II. 68 4.1.2 . 58 4.8 . 75 4.2 .Principais características.3.3 .6. 58 4. 88 Módulo 3.Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX.

89 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .1 .8. 95 Referências bibliográficas. 99 50 Módulo 3.Mecanismos de ação. 91 4.Caracterização de alguns inibidores da ACCase.9 .3 .2 .2 . 93 4. 88 4.1 .Principais características. 91 4.Características gerais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.Herbicidas inibidores de carotenóides.9.8. 92 4.9.2 .Herbicidas inibidores da ACCase.Mecanismo de ação.10 .9.

de acordo com as características de cada um.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 51 . 1995a). Como exemplo. época de aplicação. etc. fomesafen para o feijão. e mesmo assim a dose tolerada é dependente das condições edafoclimáticas. Herbicidas não-seletivos São aqueles que atuam indiscriminadamente sobre todas as espécies de plantas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Os herbicidas podem ser classificados de diversas maneiras. paraquat. etc. do tipo de solo.Quanto à seletividade Herbicidas seletivos São aqueles que. HESS.4-D para a cana-deaçúcar. glyphosate. dentro de determinadas condições.2 . translocação. da dose aplicada. é possível tornar um herbicida não-seletivo a seletivo para determinada espécie. a seletividade é sempre relativa. Essas características individuais permitem estabelecer grupos afins de herbicidas com base em sua seletividade. pois depende do estádio de desenvolvimento das plantas. etc. Para soja. são mais tolerados por uma determinada espécie ou variedade de plantas do que por outras. exemplo: a soja trasgênica resistente ao glyphosate. das condições climáticas. Normalmente são recomendados para uso como dessecantes ou em aplicações dirigidas. por exemplo. Todavia. tem-se 2. Módulo 3. o metribuzin é seletivo apenas quando aplicado em pré-emergência. 1 . por meio da biotecnologia. imazethapyr para a soja. atrazine para o milho. Exemplos: diquat. estrutura química e mecanismo de ação (WARREN. Todavia.

diz-se que este herbicida é aplicado em PPI. etc. pode-se também misturar. apesar penetrarem também pelas raízes. eles devem ser aplicados em pré ou em pós-emergência das culturas ou das plantas daninhas. apresentam curto efeito efeito residual e quase sempre são utilizados como dessecantes. Outro 52 Módulo 3. etc. feijão. ou. imazaquin. eles somente devem ser aplicados em pós-emergência das plantas daninhas. Se o herbicida é absorvido pelas folhas e raízes. ou seja. Pós-plantio Dependendo da atividade dos herbicidas sobre as plantas. aplicado em pré-plantio e incorporado. Também. trigo. na cultura da soja somente pode ser usado em pré-emergência. quando atigem o solo. exemplos: glyphosate. ainda. como é o caso do glyphosate e paraquat aplicados no plantio direto de milho. Quando aplicado após o preparo do solo e incorporado a este antes do plantio.Quanto à época de aplicação Pré-plantio Quando o herbicida é muito volátil. como é o caso do metribuzin. até mesmo em subdoses. porém têm como objetivo principal garantir o controle inicial das plantas daninhas na implantação da lavoura. das condições nas quais ele apresenta melhor desempenho. no sistema de plantio direto (cultivo mínimo). exemplo: sethoxydim em tomate. exemplos: flumioxazin. Estes podem ou não auxiliar na dessecação das plantas. estes devem ser aplicados antes da emergência (pré-emergência) desta ou de forma dirigida. fotodegradável. nicosulfuron em milho. em culturas perenes como fruteiras. de solubilidade muito baixa em água e. etc. Estes produtos podem. Esses produtos normalmente são não-seletivos. em aplicação dirigida. ele é muito tóxico à soja. deve ser aplicado antes do plantio. metribuzin. metsulfuron-methyl em trigo. a estes. por esta razão. outros que possuem maior efeito residual no solo. a sua aplicação em pré ou pós-emergência vai depender da tolerância da cultura e.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . etc. ele pode ser aplicado em pós-emergência de ambas (plantas daninhas e culturas). são desativados (sorvidos). reflorestamento e lavouras de café.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . Contudo. clorimuron-ethyl. Entretanto. alguns herbicidas devem ser aplicados antes do plantio. pois muitas vezes. que pode ser usado em tomate em pré e em pósemergência tardia ou após o transplante. pois em pós-emergência. ser não-seletivos para a cultura e. Quando são absorvidos apenas pelas folhas. Todavia. visando facilitar o plantio e promover cobertura morta do solo. ele necessita ser incorporado ao solo. também. neste caso. imazethapy. se o herbicida é seletivo para a cultura. como é o caso do trifluralin. paraquat. ou. feijão e soja.2 . especialmente ao glyphosate.

inibidores da ALS. a ação do produto pode ser mais rápida. Neste caso. LIEBL. O simples fato de um herbicida entrar em contato com a planta não é suficiente para que ele exerça sua ação tóxica. os herbicidas podem ser classificados em: mimetizadores de auxinas (auxínicos). porque a morte rápida do tecido condutor (floema) limita a chegada de dose letal do herbicida a algumas estruturas reprodutivas das plantas. 4 . glyphosate. onde atuará para que seus efeitos possam ser observados. pelo floema ou por ambos. 2003a). inibidores da EPSPs. CRAFTS. picloram. Estes produtos. É importante lembrar que um mesmo herbicida pode influenciar vários processos metabólicos na planta. Ele terá necessariamente que penetrar no tecido da planta. como é o caso de 2. (WARREN. Quanto ao mecanismo de ação. 3 . Inibidores da GS. inibidores do fotossistema II. entretanto a primeira lesão que ele causa na planta pode caracterizar o seu mecanismo de ação (ASHTON. 1995). ele é considerado sistêmico. exemplos: paraquat. flazasulfuron. Estes herbicidas sistêmicos são capazes de se translocarem a grandes distâncias na planta. inibidores do arranjo dos microtúbulos. inibidores da síntese de carotenóides.Quanto à translocação Os herbicidas podem ser de contato quando atuam próximo ou no local onde eles penetram nas plantas. lactofen. etc. podem apresentar ação de contato.Quanto aos mecanismos de ação É interessante que se faça distinção entre os termos usados rotineiramente quando se refere a herbicida: “modo e mecanismo de ação de herbicida”. atingir a célula e posteriormente a organela.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 53 . recomendado para as culturas de milho e sorgo. A este produto. deve-se adicionar à calda óleo mineral visando solubilizar parte da cera epicuticular. 1973. já a primeira lesão bioquímica ou biofísica que resulta na morte ou ação final do produto é considerada “mecanismo de ação”. imazethapyr.4-D. THILL.2 . “Modo de ação” refere-se à seqüência completa de todas as reações que ocorrem desde o contato do produto com a planta até a sua morte ou ação final do produto. inibidores da ACCase. Módulo 3. quando utilizado em pós-emergência.HESS. 1995. Quando o movimento (translocação) do herbicida é via floema ou floema e xilema. inibidores do fotossistema I. etc. nicosulfuron. porém com efeito final menor. etc. inibidores da PROTOX. aumentando a sua penetração pelas folhas. quando usados em doses muito elevadas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas exemplo seria o herbicida atrazine. diquat. Os herbicidas também podem se movimentar (translocar) nas plantas pelo xilema.

Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina Esta classe de herbicidas é uma das mais importantes em todo o mundo. verificam-se rapidamente aumentos significativos da enzima celulase. especialmente da carboximetilcelulase (CMC). Historicamente. além de interrupção do floema. Após aplicações de herbicidas auxínicos. Os herbicidas auxínicos. engrossamento das gemas terminais e morte da planta (Fig. mais especificamente.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .4-D e o MCPA são os mais importantes. trigo e cana-de-açúcar e em pastagens. em poucos dias ou semanas. notadamente nas raízes. Em conseqüência dos efeitos desses herbicidas. conseqüentemente. causando epinastia de folhas e caule. as espécies sensíveis têm seu sistema radicular rapidamente destruído. Estes herbicidas induzem intensa proliferação celular em tecidos. Por esse motivo. sendo extensivamente utilizada em culturas de arroz. o 2. em plantas sensíveis. CRAFTS. Essa perda da rigidez das paredes celulares é provocada pelo incremento na síntese da enzima celulase.2 . Acredita-se que estes produtos interfiram na ação da enzima RNA-polimerase e. pelo efeito destes produtos sobre o afrouxamento das paredes celulares. quando aplicados em plantas sensíveis. rapidamente. verifica-se crescimento desorga¬nizado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. 1). epinastia das folhas e retorcimento do caule. Estudos sugerem que o metabolismo de ácidos nucléicos e os aspectos metabólicos da plasticidade da parede celular são seriamente afetados. porque eles marcaram o início do desenvolvimento da indústria química (THILL.Sintomas leves de intoxicação de plantas de algodão (A) e ação final do produto sobre plantas de Raphanus raphanistrum (B) 54 Módulo 3. induzem mudanças metabólicas e bioquímicas. que leva estas espécies a sofrer. podendo levá-las à morte. 2003a). Esse alongamento celular parece estar relacionado com a diminuição do potencial osmótico das células. também. Figura 1 .1 . 1973). provocado pelo acúmulo de proteí¬nas e. na síntese de ácidos nucléicos e proteínas (ASHTON. impedindo o movimento dos fotoassimilados das folhas para o sistema radicular. milho.

Nas culturas de arroz e trigo. Essa característica especial das monocotiledôneas pode prevenir a destruição do floema pelo crescimento desorganizado das células.1. sais ou ésteres. em doses extremamente baixas. 3.5 dicloro-4 hidroxifenoxiacético e 2. 2.4-D apenas em aplicação dirigida.4-D para 2. Por exemplo. Estádio de desenvolvimento das plantas. deve-se usar 0 2. cada um dos diferentes princípios ativos. que são espécies altamente sensíveis. em condições de campo. e na cultura do milho. Aril hidroxilação do 2.4-D.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 55 . As seguintes medidas são recomendadas para reduzir problemas com a utilização destes herbicidas: a) Evitar o uso de formulações que apresentam elevada pressão de vapor (muito voláteis). Algumas espécies de plantas podem excretar estes herbicidas para o solo através de seu sistema radicular (exsudação radicular).Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos Todos os herbicidas auxíncos são derivados de ácidos fracos e podem ser formulados nos seus respectivos ácidos. se praticável. podem causar sérios problemas técnicos.. Módulo 3. 4. se aplicado em pós emergência total ocorrem sérios problemas de fitotoxicidade. comprometendo de maneira severa o rendimento de culturas e a qualidade do ambiente.Seletividade A seletividade dos herbicidas auxínicos pode ser dependente de diversos fatores: 1. recebendo nomes comerciais diversos. principalmente em aplicações aéreas. etc. Alguns desses produtos podem permanecer ativos no solo por longo período. Na cultura do milho (4-6 folhas). 4. b) Usar maior tamanho de gotas.3-D-4-OH. É comum a aril hidroxilação resultar na perda da capacidade auxínica destes herbicidas. em uva. sendo estes protegidos pelo esclerênquima em gramíneas (monocoti¬ledôneas). derivados do ácido picolínico podem causar fitotoxicidade. c) Usar baixa pressão para aplicação. exigindo cuidados especiais para se realizar rotação de culturas. algodão. causada pela ação de herbicidas auxínicos. Arranjamento do tecido vascular em feixes dispersos.1. exemplos: para arroz e trigo deve-se usar o 2.1 .2 . se aplicado fora do estádio de desenvolvimento recomendado. fumo. além de facilitar a sua conjugação com aminoácidos e outros constituintes da planta.4-D após o perfilhamento e antes do emborrachamento. ser comercializado isoladamente ou em misturas. sendo esta a principal rota para o metabolismo do 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.2 . tomate. podendo. Deriva. d) Evitar a aplicação quando o vento estiver em direção às culturas. resíduos deixados em pulverizadores mal lavados e contaminação de água de irrigação por estes herbicidas.

Caracterização de alguns herbicidas auxínicos 2.4-D Sal ou éster amina do ácido 2. é encontrado em dife¬rentes formulações e marcas comerciais. enquanto as de éster são praticamente insolúveis e. Apresenta persistência curta a média nos solos. milho. cana-de-açúcar. etc. para uso no plantio direto e em aplicações dirigidas. entretanto. sendo esta a condição para ótima atividade do produto. Em doses normais.8 e Koc médio de 20 mg g-1 de solo para formulações ácido ou sais e de 100 mL g-1 de solo para ésteres (RODRIGUES. As formulações aminas são mais adsorvíveis no solo do que as de éster e.4-D não excede a quatro semanas em solos argilosos e clima quente. 2005). toxicidade. a decomposição é consideravelmente reduzida.3 . além de detergente. trigo. ALMEIDA. conferindo ao produto características dife¬renciais quanto à seletividade. mais lixiviáveis.). O 2. xilema. no mercado brasileiro. e aquelas à base de sal são rapidamente absorvidas pelo sistema radicular das plantas. é usado para controlar plantas daninhas perenes. acumulando-se nas regiões meristemáticas dos pontos de crescimento.4-D se transloca por toda a planta pois se movimenta tanto pelo xilema quanto pelo xilema.Em ambos os casos o 2. porque são altamente solúveis. É recomendado para pastagens.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e) Tomar cuidado especial com a lavagem do pulverizador após as aplicações.4-D) foi o primeiro herbicida seletivo descoberto para o controle de plantas daninhas latifoliadas anuais. plantas ganham maior tolerância com a idade. Em geral. a atividade residual do 2. gramados e culturas gramíneas (arroz. Dicamba 56 Módulo 3.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .1. durante o florescimento. Cada formulação pode apresentar características físico-químicas diferentes. em fruteiras e lavouras de café. pka de 2. com menor movimentação. Em solos secos e frios. e com glyphosate. 4. É muito utilizado em misturas com inibidores da fotossíntese na cultura da cana-de-açúcar. As formulações ésteres e ácidas são prontamente absorvidas pelas folhas. a resistência a estes herbicidas hormonais é reduzida. em pastagens. amoníaco ou carvão ativado.4 diclorofenoxiacético (2.4-D. portanto. Transloca-se com grande eficiência em plantas com elevada atividade metabólica. ou. Apresenta solubilidade de 600 mg L-1. Em mistura com o picloram. etc. volatilidade. persistência no ambiente. Movimenta-se pelo floema e. Usar.

o que dificulta a absorção e translocação do herbicida até as raízes (SILVA et al.4-D para o controle de plantas em culturas de canade-açúcar. pode ser feito o pincelamento ou a pulveri¬zação dos tocos. Para o controle de árvores. formando o Tordon. comuns em lavouras de trigo. ALMEIDA.3. ou. pka: 1. para controlar arbustos e árvores.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O sal de dimetilamina do ácido 3. etc. ou. 2005). em razão de sua longa persistência no solo (dois a três anos). considerando o controle de plantas daninhas herbáceas e arbustivas. Dontor ou Manejo. 6-dicloro-2-metoxibenzoico (dicamba) é facilmente translocado pelas plantas via floema e.2 a pH 1. perenes e de árvores. Picloram O ácido 4-amino 3. Esta mistura pode ser usada em área total ou em áreas localizadas.5. Apresenta maior efeito sobre dicotile¬dôneas. antes que se inicie o processo de cicatrização.0 e 83. sendo muito utiliza¬do em misturas com o 2. como o cipó-de-veado (Polygonum convolvulus L.). fumo.4-D. A mistura (picloram + 2. algodão. pimentão.87. Deve ser observado o período residual para o cultivo de espécies altamente sensíveis (videira. Apresenta pka: 2. sendo recomendado de modo semelhante ao 2. e Koc médio de 16 mg g-1 de solo.4-D) é muito utilizada em pastagens para o controle de plantas daninhas anuais.. É muito pouco adsorvido pelos colóides de argila e mais pela matéria orgânica do solo.4-D. Também. apre¬senta efeito lento. da evaporação. está sujeito a lixiviação. pode permanecer ativo na matéria orgânica proveniente de pastagens tratadas com este produto (RODRIGUES. que podem apresentar severos sintomas de intoxicação. Apresenta solubilidade de 720. Sendo um herbicida de alta solubilidade em água. tomate.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 57 . dependendo da intensidade. O picloram. do movimento capilar da água e.6 tricloro-2-piridinacarboxílico (picloram) é um produto extremamente ativo sobre dicotiledôneas. Quando aplicação é feita no toco é fundamental que esta seja realizada imadiatamente após o corte da árvore. Kow: 1. xilema. na planta. Kow: 0. Módulo 3. e koc de 2 mg g-1 de solo. É fracamente adsorvido pela matéria orgânica ou argila.29.2 . milho e trigo e em pastagens. em solos de textura arenosa.). 2001). e também com fluroxypyr formando o Plenum. É muito utilizado para controlar algumas espécies de dicotiledôneas tolerantes ao 2. porém extremamente persistente (a planta não consegue metabolizar rapidamente o picloram).4 a pH 7. para evitar a rebrota de espécies-problema como o leiteiro (Peschiera funchsiaefolia) e outras. podendo se acumular no lençol freático raso.000 mg L-1. Apresenta longa persistência (meia-vida de 20 a 300 dias) e fácil mobilidade no solo. até mesmo quando cultivadas em solos adubados com esterco proveniente de pastagens tratadas com picloram e pastoreadas logo depois. na região Sul do Brasil.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Triclopyr O ácido [(3. ALMEIDA.2. a quinona 58 Módulo 3. cana-de-açúcar.000 m de culturas sensíveis. para uma outra molécula de plastoquinona. milho.Herbicidas inibidores da fotossistama II São de grande importância na agricultura brasileira e mundial. pode haver lixiviação (RODRIGUES. com as plantas em pleno vigor vegetativo. com ventos de 0 a 6 km h-1.26 x 10-6 mm Hg a 25 oC. hortaliças. 2005). também presa na proteína.64 a pH 5 e 0. feijão. Em solos leves. fruteiras. É também muito eficiente e seletivo para controlar dicotiledôneas infestantes de áreas cultivadas com gramas: jardins. 4. 4. gerando um elétron “excitado”. 2005).36 a pH 7.. algodão. 2004). Quando um segundo elétron é transferido para a plastoquinona “Qb”. etc. as proteínas e outras substâncias químicas envolvi¬das na reação da fotossíntese estão localizados nos cloroplastos.5. (FREITAS et al..2 . soja. O vento deverá estar soprando da cultura sensível para a área de aplicação. pka: 2. Apresenta solubilidade em água de 23 mg L-1. ALMEIDA. pressão de vapor de 1. por sua vez. sendo largamente utilizados nas cultu¬ras de grande interesse econômico. Nas condições normais. açudes. dependendo do tipo de solo e das condições climáticas. porém é rapidamente degradado no solo.6-tricloro-2-piridinil) oxi] acético (triclopyr) apresenta ação semelhante ao picloram.68. em área total para controle de plantas daninhas em pastagens e arroz. chamada “Qb”. A aplicação poderá ser por equipamentos terestres ou por avião quando as áreas estiverem infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno e médio porte. A molécula da plastoquinona “Qa” transfere o elétron. e Koc médio de 20 mL g-1 de solo. umidade relativa >50% e temperatura < 30°C. como arroz. em aplicação foliar. Seu grau de adsorção depende do pH do solo. sem a interferência de inibidores do fotossistemoa II.2 . Interromper imediatamente as aplicações se houver mudança na direção do vento. campo de futebol. É recomendado para uso em pós-emergência. Este elétron é transferido para uma molécula de plastoquinona presa a uma mem¬brana do cloroplasto (Qa). Nunca fazer aplicações aéreas a menos de 2. entre outras (RODRIGUES. sob condições de alta pluviosidade. a energia luminosa capturada pelos pigmentos (clorofila e carotenóides) é transferida para um “centro de reação” especial (P680). Deve ser aplicado de outubro a março (no período chuvoso). Kow: 2.1 . durante a fase luminosa da fotossíntese. sua meia-vida é de 20 a 45 dias.Mecanismo de ação Os pigmentos.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .

benzoquinonas. etc.2 . fica entre a quarta e quinta hélices que atravessam as membranas dos cloroplastos e a hélice paralela que liga as duas. bromoxynil e ioxynil). como pode ser visto na Fig. das uréias substituídas.2. 2003). que ela tem uma configuração de cinco hélices que atravessam a membrana do cloroplasto (tilacóide) e duas hélices paralelas que se interligam. A proteína D-1 é hoje muito conhecida. 1995a. quando se prendem à proteína. Além da competição em si pelo sítio na proteí¬na. Herbicidas derivados do fenol (dinoseb. dioxobenzotiazoles e cianoacrilatos. com baixa afinidade para se prender na proteína. Sabe-se.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas reduzida torna-se protonada (dois íons de hidrogênio são adicionados). por alguma razão não conhecida. ao sítio da plastoquinona “Qb”. ocasio¬nando a saída da plastoquinona e interrompendo o fluxo de elétrons entre os fotossistemas. por exemplo. Essa proteína é chamada D-1. a função da plastohidroquinona é transferir elétrons entre os fotossis¬temas II (P68O) e I (P7OO). Estes herbicidas. O sítio.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 59 . onde a plastoquinona “Qb” se prende e onde os herbicidas vão se prender também. Atualmente. como fazem os “clássicos”. Figura 2 . aumentam a estabilidade desta na presença da luz. A associação com a proteína se dá com aminoácidos diferentes no sítio para cada biótipo. WELLER. dos fenóis. formando uma plastoidroquinona (QbH2). pironas. no sítio onde se prende a plastoquinona “Qb”. Isso impede que uma mudança na sequência de aminoácidos da proteína (mutação) tornando esse biotipo resistente aquele herbicida. Diversos análogos do fenol foram descritos como inibidores fotossistema II. Esse fato demonstra que algo mais que a simples inibição do fotossistema II está ocorrendo. naftoquinonas. Plantas suscetíveis tratadas morrem mais rapidamente quando pulverizadas na presença da luz do que quando pulverizadas e colocadas no escuro. Estes herbicidas competem com a plastoquinona “Qb” parcialmente reduzida (QbH) pelo sítio na proteína D-1. De modo geral. também. ou bolso. prendendo-se. (HESS. Fonte: Warren e Hess (1995) Os derivados das triazinas e das uréias substituídas são conhecidos por se prenderem justamente ao sítio dos elétrons da proteína D-1. o que aumenta o efeito inibitório destes. os herbicidas apresentam maior tempo de residência no sítio do que a plastoquinona “Qb”. seja válida para outros produtos desse mesmo grupo químico. não evitam a destruição da proteína D-1 pela luz. Muitos herbicidas inibidores do fotossistema II (derivados das triazinas. De maneira simplificada. esta proteína é destruída rapidamente pela ação da luz. quinolonas. sabe-se que a clorose foliar que Módulo 3.) causam essa inibição prendendo-se na proteína. impedindo sua destruição.Esquema do transporte de elétrons na fotossíntese. Alguns exemplos: piridonas. sendo conhecida também como proteína 32 kilodaltons.

a velocidade de absorção foliar é diferente para cada produto deste grupo. tratadas com esses herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorre após o tratamento é devida a rompimentos na membrana dos pigmentos causados pela peroxidação de lipídios (ácidos graxos insaturados) da membrana (Fig. 4. ela sai do estado neutro (sem carga) e vai para um estado de energia simples. dado pelos carotenóides. Estes herbicidas não provocam nenhum sinal visível de intoxicação no sistema radicular das plantas. declina poucas horas após o tratamento. 1995). que é normalmente transferido para o centro de reação (P680). a carga é repassada aos carotenóides. e b: a clorofila de carga tríplice também reage com oxigênio e produz um oxigênio reativo (oxigênio singlet).2 . Esse excesso de energia (clorofila triple) causa o início da peroxidação de lipídios por dois mecanismos: a: formação direta de radical lipídico nos ácidos graxos insatura¬dos da membrana do cloroplasto. Na presença do herbicida. é sobrepujado pelo excesso de clorofila no estado de alta energia. tornase ainda mais carregada e mais reativa (estado de energia tríplice). Essas reações dão início ao processo de peroxidação das membranas. 60 Módulo 3.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . não podendo transferir o elétron ao centro de reação P680 (fotossistema II). Essa molécula de clorofila. para que a clorofila não se destrua. todos eles podem ser absorvidos pelas raízes.2 .2.Estrutura esquemática da membrana de um cloroplasto Fonte: Warren e Hess (1995) Quando a clorofila aceita um elétron. Em casos nor¬mais. entretanto. Essa molécula de oxigênio carregada contribui para o processo de formação dos radicais lipídicos nos ácidos graxos insaturados da membrana. 3).Características gerais dos inibidores do fotossistema II • • • • A taxa de fixação de CO2 pelas plantas sensíveis. plantas perenes somente são eliminadas por esses herbicidas quando tratadas via solo. por esse motivo. o sistema de prote¬ção. no estado de energia simples. Todos eles translocam-se nas plantas apenas via xilema. Esta clorofila não retorna ao estado anterior quando o fluxo de elétrons é interrompido pela ação do herbicida que se prendeu ao sítio da plastoquinona “Qb”. aparecendo os sinais de necrose foliar (WELLER. Figura 3 . Aparentemente.

Todos os herbicidas inibidores do fotossistema II apresentam toxicidade muito baixa para mamíferos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Quando esses herbicidas são usados em pós-emergência.2. estes herbicidas não apresentam problemas de deriva por volatilização. de adição de adjuvante (estes produtos podem apresentar difícil penetração foliar e não são sistêmicos). ainda. ao tipo de formulação utilizado. tem-se a seletividade do diuron para a cultura do algodão. pois possuem pressão de vapor muito baixa. são variáveis para cada tipo de solo. inseticidas ou fungi¬cidas inibidores da colinesterase. Apresentam pouca ou média mobilida¬de no perfil do solo. as doses recomendadas. A persistência agronômica destes herbicidas no solo é extremamente variável. Por este motivo. se o diuron for incorporado mecanicamente ao solo. porque este produto é muito pouco móvel no perfil do solo.3 . necessita-se de boa cobertura foliar da planta e. 1995). menor reserva de carboidratos. podendo ser curta para alguns produtos (< 30 dias) ou muito longa (> 720 dias) para outros.este fato pode ser devido à anatomia e. o diuron não causa intoxicação à cultura do algodão quando utilizado em pré-emergência. pode se verificar perda de seletividade do herbicida. Plantas que estão se desenvolvendo em condições de baixa lumino¬sidade são mais suscetíveis a esses herbicidas.2 . quando aplicadas diretamente no solo. Alguns herbicidas deste grupo apresentam seletividade “toponômica” ou seletividade por posição. ou. Em geral. podendo garantir a seletividade de determi¬nadas espécies. Todavia. torna-se necessário fazer rotação com outros herbicidas que apresentam mecanismo de ação diferente. Módulo 3. Tem sido observado. Na realidade. Como exemplo. morfologia das folhas e raízes e. o herbicida não será absorvido em quantidade suficiente para intoxicar a cultura. Absorção diferencial por folhas e raízes . não atingindo o local de sua absor¬ção pela planta (sistema radicular). Neste caso.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 61 . Por estas razões. com relativa freqüência.Mecanismos de seletividade As causas pelas quais os herbicidas inibidores do fotossistema II são seletivos são diversas e variam de cultura para cultura (WELLER. Elas apresentam menor barreira cuticular à penetração dos herbicidas e. também. Neste caso. 4. Normalmente. estes herbicidas são muito adsorvidos pelos colóides orgânicos e minerais do solo. ou se for aplicado em solo de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica. o aparecimento de novas espé¬cies de plantas daninhas resistentes a estes herbicidas (atuam em sítio de ação específico). É comum ocorrer efeito sinérgico quando se aplicam inibidores do fotostema II em mistura com outros herbicidas. ainda. podendo levá-la à morte. ele poderá entrar em contato com o sistema radicular do algodão e causar severa intoxicação à cultura.

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Translocação diferencial das raízes para as folhas - isto ocorre devido à presença de glândulas localizadas nas raízes e ao longo do xilema, que adsorvem estes produtos, impedindo que sejam translo¬cados até seus sítios de ação, localizados nos cloroplastos. Metabolismo diferencial - algumas espécies de plantas, em suas raízes ou em outras partes, possuem enzimas que são capazes de metabolizar as moléculas de determinados herbicidas, transformando-os rapida¬mente em produtos não-tóxicos para as plantas. Como exemplo, pode-se citar o milho e o sorgo, que apresentam em suas raízes teores elrvados de benzoxazinonas. Estes compostos podem promover rápida degradação da molécula de atrazine por meio de reações de hidroxilação, dealquilação, ou ainda a conjugação dessa molécula com polipetídeos naturais, tornando estas culturas tolerantes a este herbicida. Outro exemplo seria a seletividade da cultura de arroz ao herbicida propanil. Esta cultura apresenta concentrações de dez a trinta vezes da enzima arilacilamidase em realação às principais gramíneas infestantes do arroz. Elevadas concetrações da arilacilamidase, nas folhas de arroz, garantem a degradação do propanil antes que estes atinjam os cloroplastos (sítio de ação primário deste herbicida), o que não ocorre com as gramíneas infestantes dessa cultura. 4.2.4 - Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II Atrazine

O 6-cloro-N-etil-N’-(1-metiletil)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (atrazine) apresenta solubilidade em água de 33 mg L-1, pka: 1,7, kow: 481; e koc médio de 100 mg g-1 de solo (Rodrigues; Almeida, 2005). É moderadamente adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica, tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É lixiviável, sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 30 cm e também em águas subterrâneas. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química e física. Apresenta meia-vida no solo média de 60 dias e persistência média a longa nos solos nas doses recomendadas de 5 a 7 meses. Em solos tropicais e subtropicais sua persistência pode também ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas em condições de pH do solo elevado, clima frio e seco. Em diversas regiões do Brasil, em campo, tem sido observada intoxicação da aveia semeada até 150dias após aplicação de atrazine na cultura do milho. É muito utilizado na cultura do milho, sendo, também, recomendado para cana-de-açúcar, café, fruteiras, cacau, pimenta-do-reino, etc. Fumo e trigo são muito sensíveis ao atrazine. Quando aplicado em pós-emergência, tem-se observado ótima eficiência de controle das plantas daninhas mesmo com a redução da dose aplicada. Todavia, para isso, é necessário adicionar à calda óleo mineral, sendo mais eficiente para controlar plantas daninhas recém-emergidas (plantas com 1-2 pares de folhas). É muito utilizado em misturas com outros herbicidas em culturas de milho, cana-de-açúcar, fruteiras e outras. As plantas de milho e sorgo possuem a capacidade de metabolizar o atrazine absorvido,
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transformando-o por meio de reações de hidroxilação, dealquilação e conjugação, por ação de benzoxazinonas presentes nestas espécies, em compostos não-tóxicos. O atrazine é muito eficiente no controle de dicotiledôneas, porém apresenta eficiência apenas regular para controle de diversas monocotiledôneas. Na cultura do milho, é muito utilizado em pré-emergência, quando em mistura com o metolachlor, formando o “Primestra”, e também em pós-emergência precoce, quando em mistura com óleo mineral (Primóleo) para controle de dicotiledôneas e em mistura no tanque com o nicosulfuron ou outras sulfoniluréias (foramsulfuron + idosulfuron-methyl), em áreas com infestação mista (JAKELAITIS et al., 2005). Simazine

O 6-cloro-N,N`-dietil-1,3,5-triazina-2,4-diamina (simazine) apresenta solubilidade em água de 3,5 mg L-1, pka: 1,62, kow: 122; e koc médio de 130 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica e tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É pouco lixiviável, não sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 10 cm. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química, ocorrendo hidrólise, com formação de hidroxisimazine e dealquilação do grupo amino. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 5 a 7 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas. Pode ser usado em pré-emergência das plantas daninhas nas culturas de café, cana-deaçúcar, alfafa, fruteiras, etc., para controle de dicotiledôneas e algumas gramíneas. Em doses maiores que 10kg ha-1 do p.c., pode ser usado usado para limpeza de cercas e áreas industriais. É absorvido basicamente pelo sistema radicular das plantas, sendo pouco móvel no solo. É utilizado em misturas com o atrazine, visando minimizar efeitos do clima, principalmente oscilações pluviais, e também para aumentar o espectro de controle de espécies de plantas daninhas. Ametryn

O N-etil-N`-1(metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (ametryn) apresenta solubilidade em água de 200 mg L-1; pka: 4,1; kow: 427; e koc médio de 300 mg-1 de solo. É medianamente lixiviável nos solos arenosos (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua degradação no solo é, em maior parte microbiana, mas também química, por processos de oxidação e hidrólise.
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Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 4 a 6 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que nove meses se usado em doses elevadas, dependendo do clima e tipo de solo (meia-vida média no solo é de 60 dias). É reco¬mendado para as culturas de cana-de-açúcar, banana, café, abacaxi, citros, milho e videira, para controle de mono e dicotiledôneas. Pode ser absorvido facilmente pelas raízes e folhas de plantas. É pouco móvel no solo, por ser muito adsorvido por colóides orgânicos e minerais. Sua adsorção pelos colóides é muito influenciada pelo pH. Também pode apresentar adsorção negativa (dessorção), ocorrendo liberação para as plantas de moléculas anteriormente inativadas pelos colóides do solo. É muito utilizado em misturas com os herbicidas diuron, tebuthiuron, atrazine, trifolysulfuron-sodium, 2,4D, etc; principalmente quando recomen¬dado para de cultura da cana-de-açúcar (PROCÓPIO et al., 2003). É pouco lixiviado no solo, permanecendo na maioria das condições na camada superior (primeiros 30 cm). Prometryne

O N,N`-bis(1-metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (prometryne) apresenta solubilidade em água de 48 mg L-1; pka: 4,09; kow: 1.212; e koc médio de 400 mg g-1de solo. É pouco lixiviado em solos de textura média a argilosa, sendo facilmente degradado por microrganismos que o utilizam como fonte de energia. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 1 a 3 meses em condições tropicais e subtropicais, dependendo das condições de solo, do clima e da dose utilizada. Sua absorção é feita pelas folhas e raízes, sendo mais utilizado em pré-emergência. É recomendado para as culturas de quia¬bo, aipo, cenoura, alho, salsa, cebola, ervilha, etc. A cultura da cebola apresenta maior tolerância ao prometryne quando este é aplicado antes do transplante. Não apresenta seletividade para a cultura da cebola em semeadura direta. Metribuzin

O 4-amino-6-(1,1-dimetiletil)-metiltio-1,2,4-triazina-5-(4H)-ona (metribuzin) apresenta solubilidade em água de 1.100 mg L-1; kow: 44,7; e koc médio de 60 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É moderadamente adsorvido em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila. É um herbicida muito dependente das condições edafoclimáticas para seu bom funcionamento. Quando aplicado na superfície de solo seco e persistir nesta condição por sete dias,
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é desativado por fotodegra¬dação (SILVA, 1989). O metribuzin é também facilmente lixiviado no solo, não sendo recomendado seu uso em solo arenoso e, ou, com baixo teor de matéria orgânica. É absorvido tanto pelas folhas quanto pelas raízes. Controla diversas espécies de dicotiledôneas e algumas gramíneas. É recomendado para aplicação em pré-emergência nas culturas de batata, tomate, soja, café, cana-de-açúcar e mandioca para o controle de diversas infestantes dicotiledôneas. Não apresenta nenhum controle sobre Euphorbia heterophylla. Na cultura do tomate conduzida em semeadura direta, deve ser usado exclusivamente em pré-emergência, logo após a semeadura. No tomate transplantado, poderá ser usado também em pós-emergência, até dezdias após o transplante das mudas. É utilizado em misturas com outros herbicidas, especial¬mente com trifluralin e metolachlor, na cultura da soja. Linuron

O N-(3,4-diclorofenil)-N-metoxi-N-metiluréia (linuron) é um herbicida derivado do grupo das uréias, que apresenta solubilidade em água de 75 mg L-1, pka: zero; kow: 1.010; e koc médio de 400 mg g-1 de solo. É adsorvido principalmente em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila, sendo pouco lixiviável nestes tipos de solo, apresentando persistência de 2 a 5 meses. É recomendado para uso em soja, algodão, milho, batata, cenoura, rabanete, alho, cebola, etc., principalmente para aplicações em pré-emergência. Nas culturas de cenoura e de cebola, pode também ser usado em pós-emergência, quando as plantas daninhas estiverem com 1-2 pares de folhas. É mais facilmente absorvido pelas raízes, tendo a sua atividade muito influenciada pelas caracterís¬ticas físico-químicas do solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Diuron

O N`-(3,4-diclorofenil)-N,N-dimetiluréia (diuron) apresenta solubilidade em água de 42 mg L-1; pka: zero; kow: 589; e koc médio de 480 mg g-1 de solo e uma meia-vida média no solo de 90 dias com persistência de 4-8 meses (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É muito adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, sendo sua atividade altamente influenciada pelas características físico-químicas do solo; por esta razão, é pouco móvel no perfil do solo. Esta característica garante a “seletividade toponômica” do diuron para o algodão e outras culturas em solos de textura média a pesada. Todavia, em solos de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica, o diuron pode atingir o sistema radicular das culturas, tornando-as sensíveis. É recomendado para as culturas de algodão, cana-de-açúcar, citros, abacaxi, mandioca, seringueira, pimenta-do-reino, cacau, etc., para
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o controle de gramíneas e dicotiledôneas, sendo facilmente absorvido pelas raízes das plantas. O diuron, também, é muito recomendado em misturas com diversos herbicidas (paraquat, ametryn, 2,4-D, tebuthiuron, atrazine, MSMA, etc.), para uso em plantio direto, em aplicações dirigidas em diferentes culturas, em sistemas de plantio direto e convencional. Tebuthiuron

O N-[5-(1,1-dimetiletil)-1,3,4-tiadiazol-2-il]-N,N’-dimetiluréia (tebuthiuron) possui solubilidade em água de 2.570 mg L-1; pka: zero; kow: 671 e koc médio de 80 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, apresentando média lixiviação no perfil do solo. Quando usado em doses elevadas em cana-de-açúcar, recomenda-se não cultivar culturas sensíveis ao tebuthiuron, como feijão, amendoim e soja por um período inferior a dois anos e a três anos quando aplicado em pastagem. A persistência do tebuthiuron em regiões de elevada precipitação pluvial é de 12 a 15 meses; todavia, esta persistência é muito maior em regiões sujeitas a déficits hídricos prolongados. No Brasil, é recomendado para uso em cana-de-açúcar, pastagens e áreas nãocultivadas. Controla largo espectro de dicotiledôneas e monocotiledôneas anuais e perenes. É formulado como pó-molhável e suspensão concentrada. É recomendado para uso em préemergência na cultura da cana-de-açúcar, em aplicação isolada ou em misturas com outros produtos para o controle de plantas daninhas de folhas estreitas e largas que se propagam por sementes (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Também pode ser usado para eliminar árvores ou arbustos em pastagens. Neste caso, apresenta efeito lento, podendo demorar de 3 a 12 meses para eliminar a planta. Bentazon

O 3-(1-metiletil)-(1H)-2,1,3-benzotiodiazinona-4(3H)-ona 2-dióxido (bentazon) apre-senta solubilidade em água de 500 mg L-1; kow: 0,35; e koc médio de 34 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo, mostrando potencial de lixiviação muito reduzido, não sendo encontrado em profundidades superiores a 20 cm. Apresenta curta persistência no solo (inferior a 20 dias), não se observando efeito residual em culturas sucessoras (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para as culturas de amendoim, arroz, feijão, milho, soja e trigo. É utilizado exclusivamente em pós-emergência, devido à reduzida absorção radicular. Recomenda-se adição de um adjuvante oleoso à calda, para lhe facilitar a absorção por algumas
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em um intervalo de três dias. nestas condições. o bentazon. A eficácia é maior a temperaturas altas e reduz quando abaixo de 16 oC. no tanque. estando estas com bom vigor vegetativo. exceto para a cultura do feijão onde a adição do adjuvante não é recomendada pois pode causar fitotoxicidade. dicotiledôneas e ciperáceas. além de outras. Controla diversas espécies de folhas largas anuais. e koc médio de 149 mg g-1 de solo. para os carbamatos. Requer um período de seis horas sem chuva. 30 dias. visto que são comuns as combinações com graminicidas pós-emergentes. 2005). ou com a cultura em precárias condições vegetativas. ALMEIDA. o uso de óleo mineral torna-se mais necessário. É recomendado em pós-emergência da cultura do arroz e das plantas daninhas. kow: 193. evitando períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60%. pois inibem a enzima arilacilamidase responsável pelo rápido metabolismo do propanil nas plantas de arroz. É comum ser utilizado em mistura. sendo decomposto basicamente por microrganismos. razão pela qual. preferencialmente. Contudo é totalmente ineficiente no controle de Euphorbia heterophylla e Amaranthus sp.4-diclorofenil) propanamida (propanil) apresenta solubilidade em água de 500 mg L . Deve ser aplicado sobre plantas daninhas no estádio de 2 a 4 folhas. no início do desenvolvimento (2 a 3 folhas). para assegurar sua absorção pelas plantas. É compatível com a maioria dos herbicidas. Controla com eficiência diversas espécies de gramíneas. A aplicação simultânea induz efeito antagônico. evitando períodos de estiagem. Não se adiciona surfatante à calda. inseticidas e fertilizantes foliares podem quebrar-lhe a seletividade para a cultura do arroz. quando a infestação do terreno incluir espécies que lhe são tolerantes. com estas. -1 Módulo 3.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 67 . Propanil O N-(3. entre elas Acanthospermum australe. visando aumentar o espectro de controle das plantas daninhas. preferencialmente. Rhaphanus raphanistrum. aplica-se. fitossanitárias ou cobertas de orvalho. após as aplicações. Ipomoea grandifolia. as misturas com fungicidas. primeiro o graminicida e. pka: zero. no inverno. É fracamente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. umidade relativa do ar inferior a 70% e excesso de chuva.2 . de apenas três dias.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas espécies de plantas daninhas. Não utilizá-lo em lavouras onde as sementes foram tratadas com carbofuran (RODRIGUES. Apresenta persistência muita curta no solo. horas de calor. Deve ser usado em aplicações seqüenciais com inseticidas: com os organofosforados observar intervalo mínimo entre as aplicações de 15 dias e. É muito comum o uso do propanil em mistura com outros herbicidas. com herbicidas recomendados para controlar plantas daninhas de folhas largas. Bidens pilosa. Todavia. Não atua sobre gramíneas. Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. Commelina benghalensis.

É preciso que haja boa cobertura da planta. • Há muito pouca ou praticamente nenhuma translocação nas plantas tratadas.2 . • A persistência no solo varia consideravelmente entre os herbicidas deste grupo. durante a emergência das plântulas • A incorporação ao solo diminui a ação destes herbicidas.3. • A toxicidade para pássaros e mamíferos é baixa. Principais características As principais características dos herbicidas inibidores da Protox (WARREN. em decor¬rência do uso repetido destes. tipo de solo e condições climáticas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .3 . HESS. 1995) são: • Herbicidas deste grupo podem penetrar pelas raízes. enquanto para peixes ela varia de baixa a moderada. as necroses foliares têm o formato e a intensidade das gotículas de pulverização. após 4-6 horas de luz solar. pelos caules e pelas folhas de plantas jovens. podendo variar de alguns dias a vários meses.Mecanismo de ação A atividade destes herbicidas é expressa por necrose foliar da planta tratada em pósemergência.3. dando a impressão de que estão encharcadas pelo rompimento da membrana celular e 68 Módulo 3. ou seja.1.Herbicidas inibidores da Protox 4. É comum ocorrer danos em culturas sucedâneas quando não se observa o período residual recomendado. • Os difeniléteres são fortemente adsorvidos pela matéria orgânica do solo e muito pouco lixiviados. 4. • As partes tratadas da planta que são expostas à luz morrem rapidamente (dentro de um a dois dias). • A ação tóxica dos herbicidas inibidores da Protox.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. que pode variar com a dose aplicada. em razão da maior sorção destes aos colóides do solo. no escuro.2 . se manifesta nas plantas próximo da superfície do solo. Como estes herbicidas não se movimentam dentro da planta. • São poucos os relatos na literatura sobre o aparecimento de plantas daninhas que adquiriram resistência a estes herbicidas. os herbicidas deste grupo não têm ação. Os primeiros sintomas são manchas verde-escuras nas folhas. • A atividade herbicida acontece na presença da luz. quando aplicados em préemergência. para que ela seja efetivamente controlada.

Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 69 . ácido 4. A oxidação enzimática ocorre então no citoplasma. Similarmente à aplicação pósemergência. A protoporfirina IX formada no citoplasma. Foi descoberto também que substâncias capazes de inibir a síntese da protoporfirina IX (gabaculina. sai do centro de reação do cloroplasto quando a Protox é inibida e se acumula no citoplasma. a luz é sempre necessária para a ação herbicida. Primeiramente foi mostrado que. conhecida simples¬mente pela abreviatura Protox. No período de 1988-89. ou mesmo de um mutante de planta amarelo (não-fotossintetizante). Experiências realizadas por vários autores mostraram que o uso de um herbicida inibidor do transporte de elétrons na fotossíntese (diuron). Em seguida. surgiram vários trabalhos que ajudaram no entendimento do mecanismo de ação desses herbicidas. responsável pela formação da Mg-protoporfirina IX. 1995).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas derramamento de líquido citoplasmático nos intervalos celulares (Fig. reconhecidamente capaz de iniciar o processo de peroxidação de lipídios. ácido levulênico. Foi mostrado que a protoporirina IX é acumulada fora dos plastídios. 4A). um precursor da clorofila. sem Mg.2 .6-dioxoheptanóico) serviam de proteção contra os difeniléteres. outras publicações comprovaram que o pigmento envolvido era a protoporfirina IX. houve a formação de grande quantidade de oxigênio singleto (O2). Finalmente. e o produto formado não serve de substrato para a enzima Mg-quelatase. não reduziu o dano ocasionado pela aplicação de um difeniléter. Esse pigmento interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (O2). foi mostrado que a enzima inibida pelos herbicidas do grupo dos difeniléteres era a protoporfirinogênio oxidase. como é que a protoporfirina IX estaria sendo acumulada? Num trabalho de 1993. Estas experiências demonstraram que o requerimento de luz para a atividade herbicida dos difeniléteres não está relacionado com a fotossíntese. HESS. Módulo 3. o sintoma característico é a necrose do tecido que entrou em contato com o herbicida (WARREN. no momento em que a plântula emerge. tratando-se cloroplastos com um herbicida do grupo difenil-éter. precursor da protoporfirina IX. o tecido é danificado por contato com o herbicida. em tecidos tratados com os difeniléteres. foi verificado que o protoporfirinogênio IX. Quando estes herbicidas são usados em pré-emergência. Figura 4 – Sintomas de intoxicação em plantas de pepino tratadas com fomesafen (A) e efeito residual no solo (carryover) em folhas de milho (B) Após a absorção e pequena translocação destes herbicidas até o local de ação. A estes sintomas iniciais segue-se a necrose. Ficou então uma questão crucial para ser respondida: se a Protox é inibida.

1995). A acumulação rápida da protoporfirina IX sugere um descontrole na rota metabólica de síntese desta. Recomenda-se observar um intervalo mínimo de 150 dias entre a aplicação do fomesafen e a semeadura de milho e. A explicação mais plausível é a inibição da síntese do grupo heme. Persistência alta no solo na dose recomendada. a oxidação pela Protox no citoplasma. Euphorbia heterophylla. Amaranthus hybridus. 2005).83.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . a partir do glutamato.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (‘O2) e iniciar o processo de peroxidação dos lipídios da plasmalema.3.Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX Fomesafen O 5-(2-cloro-4-(trifluorometil) fenoxi-N-(metilsulfonil)-2-nitrobenzamida (fomesafen) apresenta solubilidade em água de 50 mg L-1 (ácido). ou. RODRIGUES. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais. Vale a pena salientar que a enzima protoporfirinogênio oxidase (protox) ocorre também nos mitocôndrios de células animais e que a enzima encontrada nos mitocôndrios é mais sensível aos herbicidas difeniléteres do que a enzima encontrada nos cloroplastos. daí o aparecimento de necroses de forma tão rápida (4-6 horas). variando de dois a seis meses (ALMEIDA. sorgo. Uma explicação final deve ser dada sobre o fato de que a protopor¬firina IX se acumula muito rapidamente em células de plantas tratadas com um difeniléter ou oxadiazon. entre elas Acanthospermum australe. por exemplo.3 . o aparecimento do oxigênio singleto (forma reativa do oxigênnio) e a peroxidação dos ácidos graxos insaturados da plasmalema (WARREN. a formação da protoporfirina IX. como a protoporfiria. evitando períodos de estiagem. Ipomoea grandifolia. que é sintetizado a partir da protoporfirina IX com a interferência da Fe quelatase. quando adicionado na dieta de ratos. O grupo heme é conhecido pela ação de controle na síntese do ácido aminolevulínico (ALA). pka: 2. a saída para o citoplasma. É registrado no Brasil para as culturas de soja e feijão. HESS. As conseqüências do descontrole são o aumento rápido do protoporfirinogênio IX. A acumula¬ção de protoporfirina em células humanas é conhecida por estar associada com algumas doenças. a síntese de heme é também inibida. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%.2 . deixando de haver o controle sobre a síntese de ALA. 4. Esse fato sugere um manuseio bem cuidadoso desses herbicidas. precursor na planta dos citocromos. além de outras. e koc médio de 60 mg g-1 de solo. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas estando estas no estádio de 2 a 4 folhas. provoca níveis elevados de porfirina. Oxadiazon. Requer uma hora sem 70 Módulo 3. Com a inibição da protox no cloroplasto. Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. Bidens pilosa. Deve-se adicionar à calda o adjuvante recomendado pelo fabricante. kow: 794. O padrão de acumulação é o mesmo observado na doença Porfiria variegata.

devido às condições de umidade e sombreamento (ALMEIDA. por isso. ser ainda maior em viveiros. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. pka: zero. também. também. ambas anuais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorrência de chuvas após a aplicação. podendo. Sida rhombifolia. Sua degradação no solo é essencialmente por fotólise e insignificante por microrganismos. pka: zero e koc médio de 10. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas. arroz e amendoim. kow: 29.1 mg L-1. visando aumentar espectro de controle de plantas daninhas.1 mg L-1. videira. e koc médio de 100. não afetando as culturas em sucessão. Em Módulo 3. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais.400. É utilizado em pré e pós emergência precoce. RODRIGUES. eucalipto e pinho. além de outras. O produto provoca intoxicação à cultura da soja. Commelina benghalensis. arroz. É comum ser utilizado em mistura com o fluazifop-p-butil. apresentando muito baixa lixiviação no perfil do solo (ALMEIDA. é resistente à lixiviação no perfil do solo. para inibir o aparecimento de biótipos resistentes a herbicidas. citros.000 mg g-1de solo. É registrado no Brasil para as culturas de algodão. mas a cultura se recupera. É registrado no Brasil para as culturas de soja. Lactofen O 2-etoxi-1-metil-2-oxoetil-5-[2-cloro-4-(trifluorometil)fenoxi-2-nitrobenzoato (lactofen) apresenta solubilidade em água de 0. dependendo da exigência da cultura. nas culturas de nogueira. 2005).2 . para assegurar a absorção pelas plantas daninhas. com clorose e necrose foliar e redução e crescimento. cana-de-açúcar. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais e. RODRIGUES. como Euphorbia heterophylla. sendo utilizado em outros países. É comum ser utilizado em mistura no tanque com outros herbicidas. Controla gramíneas e algumas espécies de dicotiledôneas. incluindo algumas espécies-problema.000 mg g-1de solo. café. O lactofen tem meia-vida no solo de três dias sendo completamente dissipado em menos de 30 dias. para o controle em pós-emergência de plantas daninhas dicotiledôneas e gramíneas e também com outros herbicidas. 2005). milho e amendoim. Oxyfluorfen O 2-cloro-1-(3-etoxi-4-nitrofenoxi)-4-(trifluorometil)benzeno (oxyfluorfen) apresenta solubilidade em água < 0. no estádio de 2 a 4 folhas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 71 . visando aumentar o espectro de controle de plantas daninhas de folhas largas e. esta. Apresenta meia-vida de 30 a 40 dias e persistência média de seis meses no solo.

é utilizado tanto em viveiros quanto em cafezais jovens e adultos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas razão da sensibilidade à fotodecomposição. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo.2-dicloro-5(1-metiletoxi)fenil]-5-(dimetietil)-1. também em pré72 Módulo 3. protetores de bicos. com elas mais desenvolvidas. Sua persistência no solo é de dois a seis meses. age sobre o hipocótilo das plantas em germinação e nos meristemas foliares. em pré-emergência das plantas daninhas. Não é metabolizado nas plantas. dependendo da dose aplicada. Nestas culturas deve ser utilizado em pré-emergência. é usado quando a cultura atinge desenvolvimento superior a 50 cm de altura. pka: zero. e. ALMEIDA. pode ser usado em pré ou pós-emergência das plantas daninhas. Em préemer¬gência. quando usado em pré emergência. apresenta lixiviação e movimentação lateral insignificantes.7 mg L-1 . Em algodão. porém antes da emergência do arroz.2 . Não tem ação sobre os tecidos radiculares. podendo ser feitas duas aplicações anuais. cebola. alho. Oxadiazon O 3-[4. aplica-se logo após o plantio. Em cafezais adultos. por esta razão e devido à sua baixa solubilidade em água. kow: 63. No Brasil. Quando usado em pós-emergência. em jato dirigido. no máximo. Quando utilizado em pós-emergência. na faixa de plantio. exceto nas variedades de eucalipto de folha pilosa. Na cultura do arroz. podendo se reaplicar depois que as referidas culturas atinjam a fase de três folhas. Em café. atuando unicamente sobre órgãos da parte aérea. se necessário. provoca o fechamento dos estômatos e deterioração das membranas celulares. Em cafezais jovens. é utilizado em pré-emergência das plantas daninhas. em aplicação dirigida.4-oxadiazol-2-(3H)-ona (oxadiazon) apresenta solubilidade em água de 0. logo após o corte.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . também. aplica-se logo após a semeadura ou até cinco dias depois.200 mg g-1 de solo. antes da emergência das plantas daninhas. Usar. cenoura e cana-de-açúcar. do tipo de solo e das condições climáticas (RODRIGUES. quando estas atingirem a fase de duas folhas. O alho e a cebola e. deve ser aplicado logo após a semeadura. pouco móvel. Em cana-de-açúcar.100. Em viveiros. Aplicar após o cultivo. de maneira geral. aplicá-lo em mistura com o MSMA. Em arroz irrigado. preferencialmente. e koc médio: 3. Em plantações de eucalipto e pinho. em solo úmido. recomenda-se usar adjuvantes na calda. em solo úmido. com as plantas daninhas ainda não emergidas. evitando a ação dos raios solares. em pré-emer¬gência das plantas daninhas. exige umidade no solo no momento da aplicação para penetrar neste. de forma a não atingir o algodoeiro. deve ser aplicado logo após a arruação ou esparramação. as culturas que se reproduzem por bulbo são bastante tolerantes ao oxadiazon. ocasionando colapso das células. em préemergência das plantas daninhas.3. Em cenoura. aplica-se logo após o plantio. 2005). deve ser aplicado em préemergência das plantas daninhas. após a rega. é recomendado para as culturas de arroz. de forma a não atingir a folhagem. em que se faz em jato dirigido. podendo ser pulverizado sobre as plantas. sendo pouco absorvido pelo sistema radicular e. na cana-soca. logo após o plantio. ou.

O fuso cromático é formado por proteínas microtubulares denominadas tubulinas. 1995b). Apresentam de moderada a muito baixa movimentação no solo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 73 . Estas proteínas são contráteis.1 .2 . É comum aplicar o oxadiazon em misturas com herbicidas residuais (diuron.4. As dinitroanilinas inibem a polimerização destas proteínas e.) na cultura de cana-de-açúcar. que corresponde à migração dos cromossomas da parte equatorial para os pólos das células. Todos os herbicidas deste grupo apresentam de moderada a baixa toxicidade para mamíferos.4. 5 e 6). etc.2 . Todos estes compostos (grupo das dinitroanilinas) interferem no movimento normal dos cromos¬somas durante a seqüência mitótica. Repetidas aplicações não resultam na maior degradação microbioló¬gica. conseqüentemente.4 . tendo como conseqüência o aparecimento de células multinucleadas (aberrações). Eles provocam a ruptura da seqüência mitótica (prófase > metáfase > anáfase > telófase) já iniciada (HESS. porque a sua ação principal se manifesta pelo impedimen¬to da formação do sistema radicular das plantas. semelhantemente à actimiosina encontrada nos músculos dos animais. e responsáveis pela movimentação dos cromossomas para os pólos da célula. a formação do fuso cromático e movimentação dos cromossomas na fase da mitose (Figs.Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos 4. Possuem pouca ou nenhuma atividade foliar. Estes herbicidas inibem o crescimento da radícula e a formação das raízes secundárias. O efeito direto é sobre a divisão celular. 4. 4. Interferem em uma das fases da mitose.Principais características • • • • • • Paralisam o crescimento das raízes. pendimethalin e oryzalin). Apresentam ótima ação no controle de gramíneas.Mecanismo de ação Estes herbicidas pertencem ao grupo das dinitroanilinas (trifluralin. simazine. São eficientes apenas quando usados em pré-emergência. ametryn. Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas emergência das invasoras.

cucurbitá¬ceas.Seqüência normal da mitose Figura 6 . cebola.2 . É fortemente adsorvido pelos colóides da matéria orgânica e pouco pelos da argila. feijão. pimentão. 2005). a forte adsorção pode impedir a absorção 74 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 .4. em solos ricos em matéria orgânica. beterraba.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . ALMEIDA. sensível à luz e de solubilidade em água extremamente baixa (0.1x10-4 mm Hg a 25 °C).3 mg L-1 a 25 °C). alfafa. quiabo. sendo recomendado para as culturas de soja. e outras. alho.Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos Trifluralin O 2.Mitose interrompida pela ação de herbicidas derivados das dininitoanilinas 4. ervilha.3 . algodão. Por ser um produto volátil (pressão de vapor de 1.6-dinitro-N-N-dipropil-4-(trifluorometil) benzoamina (trifluralin) é um herbicida que apresenta excelente ação sobre as gramíneas anuais e perenes oriundas de sementes. brássicas. tomate. necessita ser incorporado mecanicamente ao solo logo após a sua aplicação (RODRIGUES.

motivo pelo qual a incorporação é recomendável em condições de solo seco e com período de estiagem. Nos Estados Unidos da América do Norte. café. soja. O pendimethalin apresenta solubilidade de 0.Principais características As cloroacetanilidas têm sido um dos grupos de herbicidas mais usados no mundo. ALMEIDA. Sua persistência no solo varia de 3 a 6 meses de acordo com o solo. não existem ainda relatos do aparecimento de gramí¬neas que tenham adquirido resistência a esses herbicidas. milho. provocando inibição do crescimento radicular desta (SILVA et al.5 . Pendimethalin O N-(1-etilpropil)-3. e koc médio de 7.2 . arroz. por causa do uso extensivo em soja e milho.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas do trifluralin pelas raízes das plantas.4-dimetil-2. assim como o movimento lateral no solo. 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 75 . é muito reduzida. podendo.6-dinitrobenzenoamina (pendimethalin) é registrado no Brasil para controle de gramíneas nas seguintes culturas: algodão. cebola. A dose recomendada varia de acordo com as características fisico-químicas do solo. causar danos à cultura sucessora. em alguns casos de rotação de culturas (feijão/milho) em áreas de baixa fertilidade e mal manejadas. sua lixiviação é muito baixa e as doses recomendadas se dão em função das características físico-químicas do solo. e koc médio de 17. Não há relatórios também sobre aumento de biodegradação no solo. 1998). a dose aplicada e as condições climáticas (RODRIGUES.5. kow: 118. por esta razão. motivo pelo qual não é aconselhável seu uso nestas condições.4x10-5 mm Hg). cana-de-açúcar. alho. tabaco e trigo. 1995). É um herbicida de média volatilidade (pressão de vapor de 9. As princi¬pais características dos herbicidas do grupo das cloroacetamidas são: Módulo 3.200 mg g-1 de solo. amendoim.3 mg L-1. Apesar do uso contínuo por tantos anos. É absorvido principalmente pela radícula e praticamente não se transloca na planta.1 . Apre¬senta degradação lenta no solo. depois do glyphosate é o grupo de herbicida mais utilizado.000 mg g-1 de solo. pka zero.000.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA) 4.. desde o lançamento do primeiro herbicida desse grupo. 2005).000. sensível à luz e pouco móvel no solo. em 1954 (CDAA) (SLIFE. feijão. É recomendado para uso em pré emergência da planta daninha e da cultura ou em PPI. kow: 152. É fortemente adsorvido pelos colóides do solo. Apresenta pka: zero. A lixiviação.

as cloroacetanilidas apresentam de baixa a média mobilidade nos solos. as cloroacetanilidas podem auxiliar no controle de dicotiledôneas. pelo fato de não terem ação pós-emergente. A toxicidade das cloroacetanilidas a peixes. exibem crescimento anormal.2 . possibili¬tando a utilização desses herbicidas nesta cultura. ácidos graxos. mas não chegam a emergir. Os dados existentes indicam translocação muito pequena. é um dos grupos mais estudados e com o qual mais se têm usado os protetores de herbicida. Cada cloroacetanilida que apareceu no mercado depois do herbicida CDAA apresentou características um pouco diferentes das outras. as sementes iniciam o processo de germinação. o controle não é consistente. as doses têm sido reduzidas. o efeito residual no solo tem aumentado e a dependência dos fatores do solo tem diminuído. Há relatórios que as relacionam com a inibição da divisão celular e interferência com controle hormonal (SLIFE. Devido a problemas de tolerância. em dicotiledôneas (por exemplo. flavonóides e proteínas. De modo geral. Exemplo deste uso é a proteção do sorgo contra cloroacetanilidas. Em razão de os efeitos desses herbicidas estarem ligados somente as plântulas. Muitos efeitos diferentes sobre vários processos bioquímicos já foram mostrados. As cloroacetanilidas estão relacionadas com a inibição da sín¬tese de lipídios. terpenos. o mecanismo bioquí¬mico primário de ação das cloroacetanilidas ainda não é bem conhecido. naturalmente sensível a eles. não há registros de problemas com deriva. o algodoeiro). é muito difícil o estudo de translocação. De maneira geral. o efeito inibitório causado pelo alachlor é maior sobre as raízes.5. 76 Módulo 3. ciperáceas mostram inibição da parte aérea.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . As cloroacetanilidas apresentam normalmente pressão de vapor de média a alta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Controlam plântulas de muitas espécies de gramíneas anuais e algumas dicotiledôneas antes da emergência ou mesmo plantinhas. Gramíneas mostram inibição da emergência da primeira folha do coleóptilo. 1995). As cloroacetanilidas são aparentemente absorvidas pelas raízes (dicotiledôneas) e pelas partes acima da semente epicótilo (principal¬mente gramíneas). e. de espécies daninhas gramíneas e comelináceas. 4.Mecanismo de ação das cloroacetanilidas Apesar de ter sido estudado extensivamente. A mobilidade no solo varia entre os herbicidas deste grupo e depende das condições de umidade e do teor de matéria orgânica do solo. em préemergência.2 . mas. A hipótese mais aceita atualmente é a inibição de ácidos graxos de cadeias muito longas. O maior uso das cloroacetanilidas está ligado ao controle. Em áreas tratadas com cloroacetanilidas. isoladamente. logo após a emergência. porém. pássaros e mamíferos é muito baixa. Em combinação com outros herbicidas. quando o fazem.

soja ou amen¬doim no terreno tratado. Módulo 3. As cloroacetanilidas podem também alquilar aminoacil tRNAs específicos e. inibir a síntese de proteínas. Em soja. incluindo lipídios. A retirada do nucleófilo pode acontecer entre o halogênio das cloroacetanilidas e o nucleófilo. 2005).3 . estando o solo com boas condições de umidade. ou. não se deve utilizá-lo em solos arenosos. se não chover no prazo de até cinco dias. é comum misturá-lo com atrazine ou cyanazine. diuron ou atrazine. sendo usado em pré-emergência. o grupo amino do metionil-tRNA inicial). terpenos. sendo esta enzima o ponto de começo de muitas rotas metabólicas. Em cana-de-açúcar.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 77 . e koc médio de 120 mg g-1 de solo (RODRIGUES. Pelo menos “in vitro”. possuindo média a baixa mobilidade no solo e persistência de 6 a 20 semanas. se a infestação for de Bidens pilosa..Características de algumas cloroacetanilidas Alachlor O 2-cloro-2. logo após a semeadura da cultura. sendo este transferido (por exemplo. ALMEIDA. ácidos graxos.2 . Em milho. em condições de alta infestação de Brachiaria plantaginea. mistura-se com metribuzin. pka: zero. Apresenta solubilidade em água de 242 mg L-1. kow 794. Quando aplicado em solo seco. Os efeitos das cloroacetanilidas sobre a síntese de gorduras podem ser atribuídos à interferência no metabolismo da CoA. já foi mostrado que o herbicida alachlor é capaz de alquilar CoA. amendoim e girassol. pode-se cultivar milho. variável com o tipo de solo e as condições climáticas. exceto em solos arenosos e. Richardia brasiliensis ou Sida sp. recomenda-se a mistura com graminicidas ou aplicação em seqüência ao trifluralin incorporado. 4. com baixo teor de matéria orgânica. deve ser utilizado logo após o plantio. Em algodão. Em café.6-dietil-N-(metoximetil)acetanilida (alachlor) é recomendado para controle de diversas espécies de gramíneas e comelináceas. aplicá-lo após a arruação ou esparramação. antes da emergência das plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos efeitos bioquímicos e fisiológicos relatados sobre o modo de ação destes herbicidas pode ser interpretada com base na inibição da síntese de proteínas. com isso. podendo ser misturado com ametryn. As cloroacetanilidas são conhecidas como agentes alquilantes e podem agir alquilando nucleófilos biológi¬cos. a eficácia do produto reduz. É adsorvido pelos colóides do solo. etc. Em café novo ou recepado.5.

ALMEIDA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas S-metolachlor O 2-cloro-N-(2-etil-6-metilfenil)-N-[(1S)-2-metoxi-1-metiletil)]acetanilida (s-metolachlor) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . logo depois do plantio. é largamente utilizado em mistura com o atrazine. sendo comum a mistura com outros herbicidas. Em café. Em milho. Apresenta solubilidade em água de 488 mg L-1. a sua eficácia ficará comprometida se aplicado em solo seco e não ocorrer uma chuva de intensidade superior a 10mm no espaço de cinco dias (RODRIGUES. feijão. cyanazine. Apresenta solubilidade em água de 223 mg L-1. Em cana-de-açúcar. mas no prazo máximo de três dias após a ultima gradagem. A terra deve estar bem preparada. etc. pka: zero. à fotodegradação e à volatilização. é essencial que sua aplicação seja feita antes da completa emergência das plantas. esparramação. é comum misturá-lo com latifolicidas. sendo pouco lixiviado. entre outros. usa-se em cana-planta. recomenda-se sua aplicação logo após a semeadura. devendo ser aplicado em seguida à semeadura. Em feijão. Para aumentar o espectro de ação sobre estas espécies. para culturas de amendoim. apresentando persistência de 8 a 12 semanas. e koc médio de 200 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo. metribuzin. kow: 3. É sorvido pelos colóides de argila e matéria orgânica. Pelo fato de sua absorção ser quase total pelo coleóptilo das gramíneas e pelo epicótilo das dicotiledôneas. Em milho. também.2 . ou. dependendo da dose utilizada. como atrazine. girassol. podendo ser misturado. sorgo e plantas ornamentais. Acetochlor O 2-cloro-N-(etoximetil)-N-(2-etil-6-metilfenil) acetanilida (acetochlor) é recomendado para uso em pré-emergência das plantas daninhas. 2005). exceto em solos arenosos. as comelináceas e um número reduzido de latifoliadas. restos de culturas e em boas condições de umidade. não deve ser utilizado em solos arenosos. pka zero e kow 300. por provocar inoxicação à cultura. Em razão de sua absorção foliar ser quase nula. batata. das condições climáticas e do tipo de solo. por esta razão. milho e soja. deve ser aplicado logo após a arruação e. Controla essencialmente gramíneas anuais e algumas perenes de reprodução seminal. sendo usado em outros países. Devido à sensibilidade do s-metolachlor. sua lixiviação é fraca a moderada. é utilizado apenas em pré-emergência das plantas daninhas. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. 78 Módulo 3.05. livre de torrões.

O local de captura dos elétrons está próximo a ferredoxina e sua velocidade de ação depende da intensidade luminosa.2 . São rapidamente adsorvidos e inativados pelos colóides do solo. podendo ser misturado. para formarem os radicais tóxicos. em aplicações dirigidas em diversas culturas. A ação destes herbicidas é muito mais rápida na presença da luz do que no escuro. com metribuzin. estes herbicidas capturam os elétrons provenientes da respiração. porque pequena atividade destes produtos é observada. Nesta condição. Vale ressaltar que este não é o único sítio de ação destes herbicidas. em pré-colheita para diversas culturas. Este composto e os superóxidos. formulados em solução aquosa. reagem. aplica-se logo após a semeadura. Em soja. por isso.Características gerais • • • • • • • São altamente solúveis em água e. Esta substância promove a degradação rápida das membranas (peroxidação de lipídios). também. Estes radicais livres formados pelos herbicidas paraquat e diquat não são os agentes responsáveis pelos sintomas de intoxicação observados. na presença de Mg. sendo largamente utilizados como dessecantes no “plantio direto”. como dessecantes. 4.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I São herbicidas derivados da amônia quaternária (paraquat e diquat). produzindo radicais hidroxil.6 . para formarem o peróxido de hidrogênio.6.2 . Usualmente. ocasionando o vazamento do conteúdo celular e a morte do tecido. (WELLER. Estes compostos possuem a capacidade de captar elétrons provenientes da fotossíntese (no fotossistema I) e formarem radicais livres. A toxicidade do diquat é alta e a do paraquat é muito alta. com baixo teor de matéria orgânica. ou. 1995a). chuvas após 30 minutos de sua aplicação não mais influenciam a eficiência de controle das plantas daninhas. Módulo 3. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. Estes radicais são instáveis e rapidamente sofrem a auto-oxidação. na presença de luz.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas com atrazine ou cyanazine. para mamíferos. entre outros. verifica-se severa injúria nas folhas das plantas tratadas (necrose do limbo foliar). no escuro. WARREN.1 . a morte das plantas devido à ação destes herbicidas é tão rápida na presença da luz que não dá tempo de eles se translocarem na planta.6. São rapidamente absorvidos pelas folhas. 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 79 . exceto em solos arenosos e. São cátions fortes. 4.Mecanismo de ação Poucas horas após a aplicação destes herbicidas. Durante o processo de auto-oxidação são produzidos radicais de superóxidos. os quais sofrem o processo de dismutação. também. em várias partes do mundo e.

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4.6.3 - Principal herbicida do grupo Paraquat

O 1,1’-dimetil-4,4’-dicloreto de piridilio íon (paraquat) é um herbicida altamente solúvel em água (620.000 mg L-1); pka: zero; kow: 4,5; e koc estimada de 1.000.000 mg g-1 de solo. É inativado ao entrar em contato com o solo, por completa adsorção do cátion à argila. Esta ocorre devido à dupla carga positiva da molécula do paraquat, formando complexos com os locais de carga negativa, de onde não é removido mesmo com lavagens de solução saturada de sais, só sendo recuperado por fragmentação da argila com ácido sulfúrico 18 N. Por esta razão, sua lixiviação é nula e sua decomposição microbiana no solo é muito lenta. O paraquat pode ser usado para: • • • • • Dessecante em “plantio direto”. Para este fim, o paraquat é muito utilizado em mistura com o diuron, formando o Gramocil. Em pré-emergência de culturas, porém em pós-emergência das plantas daninhas. Aplicações dirigidas em culturas de milho, algodão, café, fruteiras e outras. Dessecante, em pré-colheita, para diversas culturas, visando viabilizar colheita mecânica e melhor qualidade fisiologia de sementes (DOMINGOS et al., 2001). Para limpeza de áreas não-cultivadas.

4.7 - Herbicidas inibidores da acetolactato sintase Os herbicidas derivados das sulfoniluréias, comercializados pela primeira vez em 1982, apresentam alto nível de atividade em doses muito pequenas. Atualmente, há vários herbicidas deste grupo no mercado. Através de pequenas modificações na estrutura química, a seletividade pode ser alterada de uma cultura para outra. Exemplos de culturas que são tolerantes a um ou mais herbicidas desse grupo químico são trigo, soja, arroz, milho, feijão, batata, beterraba, algodão, coníferas, canade-açúcar, etc. As sulfoniluréias inibem a síntese dos chamados aminoácidos ramificados (leucina, isoleucina e valina), através da inibição da enzima Aceto Lactato Sintase (ALS); esta inibição interrompe a síntese protéica, que, por sua vez, interfere na síntese do DNA e no crescimento celular. As plantas sensíveis tornam-se cloróticas, definham e morrem, no prazo de 7 a 14 dias após o tratamento. Essa enzima é inibida, também, pelos herbicidas dos grupos químicos imidazolinonas, triazolopyrimidines ou sulfonamidas e pyrimidinyl-oxybenzoatos (THILL, 1995; THILL, 2003a; BRIDGES, 2003c). Apesar do pouco tempo de uso, a literatura já registra muitas espécies de plantas daninhas que desenvolveram resistência aos inibidores da ALS.

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As principais características das sulfoniluréias são: • • Alguns são ativos em doses extremamente baixas; exemplo: o metsulfuronmethyl, que apresenta atividade na dose de 2 g ha-1 A maioria das sulfoniluréias apresenta bom controle de muitas espécies de folhas largas (dicotiledôneas); todavia, algumas possuem, também, ótima atividade contra gramíneas. A toxicidade aguda para mamíferos é muito baixa (5.500–6.500 mg kg-1 em ratos) para o herbicida chlorsulfuron, o mais estudado. Para outros análogos, a toxicidade é mais baixa ainda. As sulfoniluréias são ativas tanto em aplicações foliares quanto em aplicações no solo.

Apesar de quimicamente diferentes, as imidazolinonas têm o mesmo mecanismo de ação das sulfoniluréias, ou seja, inibem a enzima AHAS ou ALS. As principais caracte¬rísticas deste grupo são: • As imidazolinonas são recomendadas para controle em pré-emergência e em pósemergência de muitas folhas largas e gramíneas em cereais, soja e em áreas nãoagrícolas. • Estes herbicidas são potentes inibidores do crescimento vegetal. Plantas tratadas param de crescer quase que imediatamente após a aplicação. Dois a quatro dias após a aplicação desses herbicidas o ponto de crescimento (meriste¬ma apical) das plantas tratadas torna-se clorótico e, depois, necrótico e morre. A morte completa da planta vai ocorrer sete a dez dias após o tratamento. Plantas de maior porte podem levar mais tempo para morre¬r, mas a paralisação do crescimento é imediata. • Todos estes herbicidas são sistêmicos, ou seja, translocam pelo floema. Uma vez dentro do floema, por causa do pH alcalino, estes herbicidas, que são ácidos fracos, se dissociam e os ânions têm dificuldade para deixar o floema. • As imidazolinonas apresentam persistência de moderada a longa no solo. Maior sorção e, conseqüentemente, maior persistência ocorrem quando decrescem a umidade do solo, o pH e a temperatura e, também, quando os teores de matéria orgânica, óxidos de ferro e de alumínio no solo aumentam. • A dissipação no solo é, via de regra, por meio da degradação microbiana. Em condições de solo mais seco, mais herbicida é preso nos colóides do solo e menos produto é disponível para biodegra¬dação ou absorção pelas plantas, o que implica maior persistência e possível "carryover". As imidazolinonas são

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sensíveis à fotólise, mas esse processo de dissipação não é importante no solo. A fotólise é mais importante no meio aquático. • Pouca lixiviação tem sido reportada em condições de campo, apesar de os estudos de laboratório indicarem mobilidade moderada destes herbicidas no solo. • As imidazolinonas apresentam muito baixa ou nenhuma toxicidade para mamíferos. Esta toxicidade baixa pode ser explicada pela enzima-alvo, que não ocorre em animais, e também pelo fato de a excreção desses herbicidas ser muito rápida em animais-teste. Além das sulfoniluréias e das imidazolinonas, outros herbicidas, de grupos químicos diferentes, apresen¬tam o mesmo mecanismo de ação, ou seja, inibem a enzima ALS ou AHAS e, com isso, paralisam o crescimento das plantas (HESS, 1995c). Dente esses grupos químicos, podem-se destacar as triazolopirimidinas, ou sulfonamidas, e os piridinil-oxibenzoatos. As principais características do herbicida N - (2,6-diflluorofenil) - 5 - metil (1,2,4) triazolo [1,5a] pirimidina - 2 - sulfonamida (flumetsulan) e N-[2,6-diclorofenil] - 5 - etoxi - 7 - fluoro(1,2,4) triazolo – [(1,5c)] pirimidina - 2 - sulfonamida (diclosulan) são: Flumetsulan Diclosulan

• •

• • •

Apresentam ação pré-emergente sobre amplo espectro de plantas daninhas de folhas largas. As gramíneas, de maneira geral, são resistentes devido ao metabolismo mais rápido. Entre as culturas de folhas largas, a soja é tolerante. Possuem absorção radicular, mas a translocação é sistêmica, ou seja, translocamse tanto pelo floema quanto pelo xilema. A sorção no solo e a persistência aumentam quando o pH decresce e quando a matéria orgânica aumenta. A persistência no solo é mediana, não havendo casos relatados de "carryover". A dissipação no solo é devida ao ataque de microrganismos. Condições que favorecem a ação microbiana aceleram a dissipação destes herbicidas no solo. Possuem mobilidade no solo moderada, não se antevendo problemas de contaminação de depósitos subterrâneos de água. A toxicidade para mamíferos é muito baixa (Faixa Verde: DL50 > 6.000mg/kg em ratos).

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4.7.1 - Algumas sulfoniluréias Metsulfuron-Methyl

O ácido 2-[[[[(4-metoxi-6-metil-1,3,5-triazina-2-il)amino]carbonil]amino]sulfonil] benzóico (metsulfuron-methyl) apresenta solubilidade em água de 270 mg L-1; pka: 3,3; kow: 1,0 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 35 mg g-1g de solo. É pouco sorvido e muito lixiviado no solo, dependendo da textura e do teor de matéria orgânica. Sua persistência (meia-vida) no solo varia de 30 a 120 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para controle de plantas daninhas de folhas largas nas culturas de trigo, arroz, cana-de-açúcar, aveia, cevada, manejo de inverno e pastagens. Entre as espécies sensíveis encontram-se Raphanus raphanistrum, Raphanus sativus, Acanthospermum australe, Bidens pilosa, Ipomoea grandifolia, além de muitas outras. É recomendado para uso em pós-emergência, devendo ocorrer intervalo de seis horas sem chuva após a sua aplicação. A ação do produto nas plantas daninhas sensíveis pode ser observada através da clorose das folhas e morte das gemas apicais, com evolução para morte das plantas até 21 dias após aplicação. Em espécies menos sensíveis, observa-se paralisação de seu desenvolvimento. Culturas como trigo e arroz, para as quais é seletivo, conseguem metabolizá-lo rapidamente a compostos não-fitotóxicos. Nicosulfuron

O 2-[[[[(4,6-dimetoxi-2pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]-N,N-dimetil-3piridinacarboxamida (nicosulfuron) apresenta solubilidade em água de 360 mg L-1 a pH 5 e 12.200 a pH 6,85; pka: 4,3; kow: 0,44 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 30 mg g-1 de solo a pH 6,5. Quanto à sua persistência em condições de Brasil, sabe-se que culturas de soja, girassol, algodão e feijão poderão ser semeadas 30 dias após a aplicação do nicosulfuron; trigo, arroz e batata, 45 dias após a aplicação; e tomate, 60 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No Brasil, está registrado para a cultura do milho, sendo utilizado em pós-emergência em área total. Controla gramíneas, inclusive o capim-massambará (Sorghum halepense), e diversas espécies de dicotiledôneas. No momen¬to da aplicação, as plantas de milho devem estar com duas a seis folhas; as plantas daninhas dicotiledôneas, com duas a seis folhas; e as gramíneas, com até dois perfilhos. A aplicação deve ser feita estando o solo úmido e com as plantas daninhas em pleno vigor vegetativo. A ocorrência de chuvas uma hora após a aplicação não afeta a eficiência deste herbicida. A mistura do
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nicosulfuron com o atrazine no tanque do pulverizador aumenta o espectro de controle de plantas daninhas. Existem diferentes níveis de tolerância entre os híbridos de milho disponíveis no mercado brasileiro ao nicosulfuron. Por isso, antes de aplicar esse herbicida em cultura do milho consulte a lista de híbridos e variedades tolerantes a esse herbicida. A mistura desse herbicida com inseticidas carbamatos ou fosforados pode torná-lo não-seletivo ao milho (SILVA et al., 2005) Halosulfuron

O metil-3-cloro-5-(4,6-dimetoxipirimidin-2-carbomoilsulfamoil)-1-metillpirazole-4carboxilato (halosulfuron) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar, para controle de Cyperus rotundus. Apresenta solubilidade em água de 15 mg L-1 a pH 5,0 e 1.650 a pH 7,0; pka: 3,5; kow: 47 a pH 5,0 e 0,96 a pH 7,0; e koc médio de 93,5 mg g-1 de solo. Apresenta baixa adsorção no solo. Possui meia-vida média no solo em torno de 16 dias, variando com o tipo de solo e as condições climáticas (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua aplicação deve ser feita em pós-emergência das plantas daninhas, sendo o melhor período 30 a 40 dias após o plantio da cana-de-açúcar, quando as plantas daninhas deverão estar no final da fase vegetativa ou início do florescimento. As plantas de Cyperus rotundus devem estar em boas condições de desenvolvimento, sem efeito de estresse hídrico ou de baixa temperatura. Chlorimuron-ethyl

O ácido 2-[[[[(4-cloro-6-metoxi-pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]benzóico (chlorimuron-ethyl), no Brasil, encontra-se registrado para a cultura da soja, sendo usado em pósemergência. Apresenta solubilidade em água de 450 mg L-1 a pH 6,5; pka: 4,2; kow de 320 a pH 5,0 e 2,3 a pH 7,0; e koc médio de 110 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No solo, apresenta adsorção e lixiviação moderadas e meia-vida de 7,5 semanas. A persistência é maior em solos com pH mais elevado; em solos ácidos e com clima quente, a persistência é baixa. Manter intervalo de 60 dias entre a aplicação do chlorimuron-ethyl e a semeadura de trigo, milho, feijão e algodão. Para as outras culturas, fazer antes um bioensaio. Controla essencialmente espécies anuais de dicotiledôneas, sendo mais efetivo quando estas se encontram na fase inicial de crescimento (até seis folhas). Entre as espécies sensí¬veis encontram-se Desmodium tortuosum, Acathospermum australe, Ipomoea grandifolia, Bidens pilosa, além de outras. É comum misturá-lo com outros

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seis folhas. exigindo intervalo de segurança acima de 180 dias após sua aplicação. Quando usadas em pósemergência. 1998).. É fracamente adsorvido em solo com pH alto. sendo influenciada pela temperatura e pelo pH do solo (RODRIGUES.. etc.0 (RODRIGUES. se objetivo for controlar a Cyperus rotundus. este herbicida deve ser aplicado isoladamente. para se evitar o efeito “guarda-chuva”. Sua degradação no solo é por ação microbiana e química. pka. Na cultura da cana.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas herbicidas. as plantas de cana-de-açúcar devem possuir no máximo quatro folhas. ALMEIDA. porém esta adsorção aumenta em pH baixo. kow: 2.2 . diuron. evitando-se aplicar em períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60% (SILVA et al. 2005). ALMEIDA. Sua mobilidade no solo é inversamente proporcional ao teor de matéria orgânica. Sua persistência no solo é alta (meia-vida de sete meses). para maior espectro de controle.100 a pH 7.Algumas imidazolinonas Imazaquin O ácido 2-[4. as gramíneas devem ter no máximo três perfilhos. todavia. Pode ser usado em pré ou em pós-emergência inicial das plantas daninhas.7. 1999).2. O flazasulfuron deve ser aplicado em cobertura total das plantas daninhas e da cultura. e a tiririca (Cyperus rotundus). as dicotiledôneas. kow e koc não disponíveis. porém não deve ser misturado com graminicidas.2 .5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-quinolina carboxílico (imazaquin) apresenta solubilidade em água de 60 mg L-1.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 85 .000 mg L-1 a pH 5.6-dimetoxipirimidin-2-il)-3-(3-trifluorometil-2-piridilsulfonil) uréia (Flazasulfuron) apresenta solubilidade em água de 27. em alguns tipos de Módulo 3. estando o solo em boas condições de umidade. podendo afetar culturas de inverno que seguem à soja tratada com o produto (SILVA et al.0 e 2. não sendo recomendável cultivá-lo na modalidade de “milho safrinha” no mesmo ano agrícola da soja.). pode ser misturado no tanque do pulverizador com outros herbicidas (ametryn. de 5 a 8 folhas e em pleno desenvolvimento vegetativo. pka: 3. O milho é muito sensível a resíduo de imazaquin no solo. 4. Flazasulfuron O 1-(4. e valor médio de koc de 20 mg g-1 de solo a pH 7. para controle de dicotiledôneas em soja.0. 2005).8. é facilmente lixiviável no solo. Apresenta meia-vida variando de 9 a 120 dias.

1999). além de outras. Hyptis suaveolens. É registrado no Brasil para uso exclusivo na cultura da soja. mas esta adsorção aumenta em pH baixo.. e as monocoti¬ledôneas. Sida rhombifolia. Controla com eficiência diversas espécies de plantas daninhas: Euphorbia heterophylla. ALMEIDA. e kow: 11 a pH 5.413 mg L-1 e Kow: 5. 86 Módulo 3. com eficiência. 2005). entre as quais Euphorbia heterophylla. o que geralmente acontece entre 5 e 15 dias após a semeadura da soja.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .400 mg L-1.2 . entre um a três perfilhos. pouco lixiviado (RODRIGUES. É pouco adsorvido pelos colóides do solo e. essencialmente microbiana (meia-vida de 15 dias). É registrado no Brasil para cultura da soja e do feijão. É fracamente adsorvido em solo com pH alto.0. O milho e o sorgo são muito sensíveis ao resíduo de imazethapyr no solo. Estudos preliminares têm demonstrado que este herbicida apresenta rápida degradação em condições de solos brasileiros (SILVA et al. Apresenta rápida degradação no solo. 1999).9. o que geralmente acontece entre 15 e 20 dias após a semeadura do feijão. também. ALMEIDA.. Recomenda-se a aplicação em pós-emergência precoce. Controla essencialmente plantas daninhas dicotiledôneas.0 e 31 a pH 7. Apresenta lenta degradação no solo (meia-vida de 60 dias). Ipomoea grandifolia. Ipomoea grandifolia. com até quatro folhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas solo. Imazamox O ácido nicotínico 2-(4-isopropil)-4-metil-1-metiletil-(1-metil-5-oxo-2-imidazolin-2-il)-5(metoximetil) (imazamox) apresenta solubilidade em água de 4. pouco lixiviado. É registrado no Brasil para a cultura da soja.36 (RODRIGUES. sendo. além de outras. estando as dicotiledôneas. também.5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-5-etil-piridina carboxílico (imazethapyr) apresenta solubilidade em água de 1. entre uma e quatro folhas. Imazethapyr O ácido 2-[4. Controla. podendo causar toxicidade a algumas culturas de inverno que forem cultivadas em sucessão à soja tratada com este herbicida (SILVA et al. Recomenda-se sua aplicação em pós-emergência das plantas daninhas dicotiledôneas. sendo utilizado em pré-plantio incorporado ou em pré-emergência das plantas daninhas. 2005). estando estas com até quatro folhas e de monocotiledôneas. Bidens pilosa. pka: 3. no estádio cotiledonar.

pode ser exsudado pelas raízes. podendo ocorrer lixiviação positiva (para baixo) ou negativa (reversa –para cima). também. entre estas Euphorbia heterophylla. 7).5-dihidro-4-metil-4-(1-metietil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-piridina carboxílico (imazapyr) apresenta solubilidade em água de 11. pouco lixiviado. Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diversas espécies de plantas daninhas. pka: 2. Em campo. 2001). Pyrithiobac-sodium O sódio 2-cloro-6-[(4. Apresenta lenta degradação no solo. principalmente em solos arenosos. 2005). com degradação mais rápida em clima quente e úmido.0 e pka: 1. em pós-emergência precoce na cultura do algodão.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 87 . vindo intoxicar as novas mudas plantadas para renovação da floresta.6-dimetoxipirimidina-2-il) tio]. Estudos de laboratório indicam que imazapyr tem alto potencial de se mover no perfil do solo.6.36 (RODRIGUES. Aplicações em altas doses para capinas de ruas pode intoxicar árvores utilizadas na arborização do ambiente (Fig. É pouco adsorvido pelos colóides do solo e. em condições aeróbicas.272 mg L-1 a pH 7. 2005). ALMEIDA. a persistência biológica é dependente. não se processando em condições anaeróbicas.benzoato (Pyrithiobac-sodium) apresenta solubilidade em água de 1610 mg L-1. Kow: 0.34 e meia-vida no solo de dois meses (RODRIGUES. Sua persistência no solo é longa (três a sete meses em solos tropicais e seis meses a dois anos em clima temperado. ALMEIDA. Também quando aplicado no tronco do eucalipito visando eliminar rebrota após a derrubada. sobretudo.2 . se aplicado em pósemergência precoce. Apresenta degradação no solo essencialmente microbiana É registrado no Brasil para o controle de dicotiledôneas. da dosagem e dos fatores ambientais. essencialmente por via microbiana. É fracamente adsorvido pelos colóides do solo. Imazapyr O ácido (+-)-2-[4. dependendo do movimento capilar da água no perfil do solo (FIRMINO.9 a 1.

Há redução acentuada.8.Mecanismo de ação Logo após a aplicação. nos níveis desses aminoácidos aromáticos (fenilalanina. 88 Módulo 3. nas plantas tratadas. Verificou-se. Alguns autores acham que a simples redução de aminoácidos e a acumulação de shikimato não seriam suficientes para a ação herbicida.2 . tirosina e tryptofano são precursores da maioria dos compostos aromáticos nas plantas. O glyphosate se liga a esta enzima pela carboxila do ácido glutâmico (glutamina) na posição 418 da seqüência de aminoácidos (HESS. acreditam que a desregulação da rota do ácido shikímico resulta na perda de carbonos disponíveis para outras reações celulares na planta. BRIDGES. plantas tratadas com estes herbicidas param de crescer. Glyphosate inibe a EPSP sintase por competição com o substrato PEP (fosfoenolpi¬ruvato). tirosina e triptofano). A enzima EPSP sintase é sintetizada no citoplasma e transportada para dentro do cloroplasto onde atua. uma vez que 20% do carbono das plantas é utilizado nesta rota metabólica. SHANER. que o ponto de ação era a enzima EPSP sintase (5 enolpiruvilshikimato-3-fosfato sintase).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .1 . precursor comum na rota metabólica dos três aminoácidos aromáticos. Por outro lado. evitando a transformação do shikimato em corismato. então. 2003).8 .Herbicidas inibidores da EPSPs 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 7 – Árvores mortas pela ação do imazapyr quando aplicado para capina química de rua (A). 1995c. foi observado aumento acentuado na concentração de shikimato. cultivadas em solo coletado à margem da rua tratada com o herbicida 4. Plantas normais cultivadas em solo sem resíduos de herbicidas (a) e plantas com sintomas de intoxicação do imazapyr (b). pois fenilalanina.

• Apresentam espectro de controle muito amplo. • Não apresentam atividade no solo.8. • Águas de pulverização contendo muitos sais solúveis (Ca e Mg) diminuem a atividade destes herbicidas. muito pouca toxicidade para animais. apresenta. Quanto à resistência adiquirida pela pressão de seleção (aplicações repetidas do ghyphosate).2 . para melhor eficiência de translocação para o sistema radicular. já foram obtidas culturas resistentes a glyphosate. • A translocação é facilitada em condições de alta intensidade luminosa. para não causar problemas de toxicidade para peixes. • Requerem uma semana para matar plantas anuais (efeito final) e tempo ainda maior para espécies perenes. por causa de sua conjugação com sesquióxidos de ferro e alumínio. em plantas anuais • Baixa vazão e menores gotículas são mais eficientes do que alta vazão e gotículas grandes. • Translocação simplástica em gramíneas e folhas largas. como a soja e o algodão. • Durante a primeira semana após a aplicação a folhagem não deve ser cortada. • A morte da planta ocorre lentamente: de 7 a 14 dias após a aplicação.2 .Características gerais Glyphosate O N-(fosfonometil) glicina (glyphosate) possui as seguintes características (BRIDGES. • A translocação é melhor em plantas expostas à luz e que estejam com alta atividade metabólica. poucas espécies de plantas daninhas foram identificadas como resistentes a estes herbicidas. • Através da engenharia genética. 2003c).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 89 . Módulo 3. de maneira geral. praticamente não há seletividade. • Formulações usadas no meio aquático não contêm surfatantes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. • Como a enzima afetada é exclusiva de plantas.

200). o tempo mínimo sem chuvas após aplicação para se garantir a absorção foliar desse herbicida é de seis horas (JAKELAITIS et al. Para controle seletivo de plantas daninhas em culturas geneticamente modificadas. ferrovias. utilizado em diversas marcas comerciais. o glyphosate está sendo comercializado com diferentes formulações: sal isopropilamina. Quando aplicado sobre plantas em condições de déficit hídrico prolongado. As formulações Roundup Transorb e Zap Qi se diferenciam das demais por apresentar penetração foliar mais rápida do que as demais existentes no mercado brasileiro. utilizado nas formulações granulares. O efeito varia com a formulação. reflorestamento e outras). sendo recomendado para diversas atividades agrícolas e não-agrícolas. em Brachiaria decumbens e Digitaria horizontalis em quatro horas (Fig. Roundup WDG e Roundup Multiação. para implantação do plantio direto de culturas. parque de industrias. 90 Módulo 3. Como dessecantes. enquanto para as demais formulações.).. etc.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • A absorção destes produtos pelas plantas é lenta. formulado como Roundup Transorb ou Zap Qi. No Brasil. as suas principais recomendações são: • • • • • • • Para controle de plantas daninhas em áreas não-cultivadas (rodovias. Figura 8 – Eficiência de formulações de glyphosate em diversos períodos de simulação de chuva após a aplicação Atualmente o ghyphosate é o herbicida mais utilizado no mundo. e sal potássico. A ocorrência de chuva em intervalo de tempo menor que 4-6 horas pode reduzir a eficiência destes herbicidas. Para o controle de plantas daninhas aquáticas Como regulador de florescimento em cana-de-açúcar.. ruas. 8).2 . Na renovação de pastagens. sal de amônia. fruteiras. esse tempo para penetração do glyphosate via foliar é maior (PIRES et al. A não-ocorrência de chuvas até quatro horas após as aplicações garante absorção do glyphosate. Para aplicações dirigidas em culturas perenes (café. 2001).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . No Brasil. cujo representante é o Zap Qi. englobando o Roundup original e o Roundup Transorb.

• São prontamente absorvidos pela folhagem das plantas. requerendo uma semana ou mais para a morte completa. é necessária uma dose três vezes maior que a requerida para a ação em pósemergência. As principais características deste grupo de herbicidas (THILL. eliminado. para controle de gramíneas anuais e perenes. podem ser citados: sulfoniluréias. 2. para que haja ação no solo. • São muito efetivos quando aplicados sobre plantas não-estressadas. acifluorfen. São muito utilizados para o controle de gramíneas anuais e perenes. WELLER. a eficiência diminui quando as gramíneas estão se desenvolvendo em condições de déficit hídrico. imidazolinonas. • A morte das gramíneas suscetíveis é lenta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. até mesmo. Módulo 3.1 . • A seletividade varia entre espécies de gramíneas. tanto para plantas daninhas quanto para culturas. • Misturas no tanque desses graminicidas específicos com latifolicidas têm trazido uma série de problemas de antagonismo. até hoje.Herbicidas inibidores da ACCase 4. seguida de necrose. novos produtos estão sendo desenvolvidos. bentazon e metribuzin. De maneira geral. 2.2 . mas ocorre tanto pelo floema quanto pelo xilema. em fase de rápido crescimento. dicamba. MCPA. a qual começa nas regiões meristemáticas e se espalha pela planta toda. Espaçando-se as pulverizações por alguns dias. Os sintomas incluem rápida parada do crescimento das raízes e da parte aérea e troca de pigmento nas folhas dentro de dois a quatro dias. provavelmente eles afetam a absorção foliar. o problema é minimizado e. os herbicidas deste grupo não apresentam atividade suficiente para o controle de gramíneas em pré-emergência. • Em doses normais. bromoxynil.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 91 . • Para a atividade máxima ser atingida.4-DB.9. Entre os herbicidas que já mostraram ação antagônica. há sempre necessidade da adição de um surfatante ou adjuvante.4D.9 . A translocação varia entre espécies.Principais características Os compostos deste grupo apareceram no mercado de herbicidas a partir de 1975 e. Somente diclofop tem registro para uso no solo. 1995) são: • São utilizados exclusivamente em pós-emergência. • Apresentam lenta degradação no solo. • As espécies não-gramíneas são todas tolerantes.

ele causou declínio na atividade respiratória.5 μM. para peixes. Há diferenças também entre a atividade de isômeros e as formulações. A diferença na tolerância entre espécies de gramíneas e folhas largas é muito grande. Foi descoberto. Enquanto 0. predominância da classe II) e. que a ação dos graminicidas específicos era sobre a enzima Acetil Coenzima-A Carboxilase (ACCase). trabalhos realizados com diclofop-methyl começaram a desvendar o modo de ação dos graminicidas específicos. e muitos autores 92 Módulo 3. A translocação ocorre pelo xilema e pelo floema. Em algumas horas. depois. o aumento na permeabilidade de membrana e os efeitos ultra-estruturais observados nas células.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . encontrada no estroma de plastídios. fica aparente a disfunção de membrana. de maneira geral. Após alguns dias da aplicação. Esta é uma reação-chave no início da biossíntese de lipídios.5 a 0. Este herbicida é rapidamente absorvido pelas folhas e atinge os meristemas da planta.9. também.Mecanismos de ação Muitos dos estudos já realizados sobre o mecanismo de ação dos arilofenoxipropionatos foram feitos com o herbicida diclofop-methyl. já existem plantas daninhas que adquiriram resistência aos inibidores da biossíntese de lipídios. Esta enzima.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • Apesar do pouco tempo de uso.1 μM de haloxyfop provocou 42% de inibição da incorporação de acetato em células de milho. 4. O caso mais relatado é o ocorrido na Austrália com a espécie Lolium rigidum. As folhas mais velhas apresentam sinais de senescência e mostram troca de pigmento. surgindo células binucleadas.2 . a formulação ácida é mais ativa que a formulação éster e o isômero “D” é muito mais ativo que o “L”. o problema era na síntese de lipídios. Foi verificado também que a divisão celular foi prejudicada por causa da inibição da formação da parede celular. que mostrou resistência ao diclofop-methyl e resistência cruzada a outros graminicidas específicos. O tecido meristemático em gemas e nós torna-se clorótico e. às sulfoniluréias e ao trifluralin. A inibição da ACCase explica perfeitamente a redução no crescimento. para causar 50% de inibição em células de soja foi necessária uma concentração 47 vezes maior.2 . Foi verificado que este herbicida inibe fortemente a incorporação de 14C-acetato em lipídios quando pontas de raízes de milho foram tratadas por 24 horas. por isso. em 1987. por exemplo. resultando no aumento dos níveis de açúcar e antocianina. Como não houve interferência na absorção de acetato. quando o tecido meristemático decai. nas concentrações de 0. Estudos feitos com sethoxydim mostraram que este herbicida inibe o crescimento e a acumulação de clorofila. apesar de a quantidade que atinge a área meristemática ser muito pequena em relação ao que é aplicado. A enzima afetada por estes herbicidas ocorre também nas células animais. No caso de diclofopmethyl. eles são tóxicos para mamíferos (classe toxicológica de I a III. Ademais. o crescimento de raízes e parte aérea é paralisado. necrótico. A partir de 1981. converte o Acetil Coenzima A (Acetil-CoA) em Malonil Coenzima A (Malonil-CoA) pela adição de uma molécula de CO2 ao Acetil-CoA.

mas a eficiência diminui pela metade. com intervalo superior a cinco dias. que permite à biotina se mover entre os dois centros catalíticos (HESS. É registrado no Brasil para as culturas de alface. a qual é ligada covalentemente ao grupo da biotina por um espaçador móvel. a enzima funciona. A ACCase de milho já foi isolada. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas. algodão. citros. feijão. 1995). Clethodim O (E.E)-(+/-)-2-[1-[[(-cloro-2-propenil)oxi]imino]propil]-5-[2-(etiltio)propil]-3-hidroxi. A enzima Acetil Coenzima A Carboxilase (ACCase) é. É um herbicida Módulo 3. tabaco. A falta de lipídios provoca despolarização da membrana celular (THILL. café. soja. Não deve ser misturado com herbicidas que controlam dicotiledôneas. a não ser o fomesafen. purificada e parcialmente caracterizada. Não apresenta mobilidade no solo. devendo ser utilizado seqüencialmente.1 mg L-1. dois a três dias (RODRIGUES. e koc médio de 5.1. eucalipto. evitando períodos de estiagem. Quando o substrato Acetil-CoA é substituído por Proprionil-CoA. tendo uma persistência média de 30 dias (RODRIGUES. tomate.Caracterização de alguns inibidores da ACCase Fluazifop-p-butil O ácido (R)-2-[4-[[5-(trifuorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propanóico (fluazifop-p-butil) apresenta solubilidade em água de 1.520 mg L-1. que transfere o CO2 da biotina para o Acetil-CoA. pinho. ALMEIDA 2005).2 . cenoura. kow: 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas julgam ser esta reação a que dosa o ritmo da biossíntese de lipídios. e a proteína transporte da biotina (BCP). a transcarboxilase. Deve ser aplicado com as plantas em bom estado de vigor vegetativo. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 70%.9. 4.700 mg g-1 de solo. WELLER. pka: 3.5.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 93 . cebola. Controla grande número de espécies de gramíneas anuais no estádio de até 4 perfilhos e algumas perenes. ALMEIDA. 2005). roseira e crisântemo. por incompatibilidade fisiológica (efeito antagônico). É recomendado para uso em pós-emergência. kow: 15000 e persistência muito curta no solo. um complexo de três domínios: uma biotina carboxilase que promove a carboxilação da biotina com carbonato (CHO3). na realidade.3 . o qual é uma reação dependente de ATP.2ciclohexeno-1-ona (clethodim) apresenta solubilidade em água de 5. 1995).

3 mg L-1. aveia e trigo. tomate. kow: 11. É moderadamente adsorvido pelos colóides do solo. cebola. podendo requerer reaplicação no caso de rebrotas (RODRIGUES. É utilizado. pois aumenta-lhe a fitotoxicidade. Deve ser aplicado com as plantas daninhas em bom vigor vegetativo.2 . em solos leves. comuns em rotação de culturas com a soja. É recomendado para uso em pós-emergência. 2005).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas graminicida. fomesafen e lactofen. quando provenientes de sementes. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. tais como: azevém. feijão e eucalipto. Em doses altas (120-360 g ha-1. não sendo prejudicada sua eficácia por chuvas que ocorram uma hora após sua aplicação. Quando usado na dose de 120 g ha-1. há que observar um intervalo de dez dias entre o emprego de um e outro. como algodão. altamente seletivo para a cultura da soja e outras dicotiledôneas. neste caso. A ação residual do produto na lavoura é de 30 a 40 dias. pinho e outras.7. como Cynodon dactylon e Sorghum halepense. amendoim. pode haver lixiviação do produto. soja. tabaco. evitando períodos de estiagem.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . acifluorfen. Nas doses de 360 . feijão. ALMEIDA. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas (4 folhas até 6 perfilhos. controla gramíneas anuais. Quando misturado com herbicidas recomendados para uso em pós-emergência que controlam plantas daninhas de folhas largas e que já contenham em sua formulação um adjuvante. É compatível com outros herbicidas usados em pós-emergência para controle de folhas largas. desde jovem até adiantado estádio de desenvolvimento. tem ação sobre rebentos de gramíneas anuais que tenham sido roçadas. citros. não se deve adicionar óleo mineral à calda.4-D. milho. sistêmico. Haloxifop-methyl O ácido 2-[4-[[ (3-cloro-5-(trifluorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propiônico (haloxyfopmethyl) apresenta solubilidade em água de 9. de reprodução seminal. É rapidamente absorvido pelas folhas. em condições de alta pluviosidade. como bentazon. para as culturas de soja. como é o caso normal em culturas perenes.3. e koc médio de 33 mg g-1 de solo. 94 Módulo 3. café. cenoura. quando provenientes de rizomas). perenes e tigüera de culturas gramíneas..600 g ha-1. Destaca-se pelo seu amplo espectro de ação no controle de gramíneas anuais. eucalipto. pka: 4. permitindo a aplicação dos dois numa só operação. ervilha. e com 10 a 40 cm. com exceção do 2. no Brasil. controla gramíneas perenes.

2 . Não prejudica as culturas suscetíveis que sejam instaladas no terreno 30 dias após o tratamento. kow: 45. 9). e koc médio de 100 mg g-1 de solo (RODRIGUES .5 – [2-(etiltio)propil]-3-hidroxi-2-ciclohexeno-1. é recomendado. colza. encontra-se em fase de registro para abacaxi. O sintoma evidenciado pelas plantas tratadas é a produção de tecidos novos totalmente brancos (albinos). É necessário adicioná-lo à calda adjuvante.0 de 25 ppm e a pH 7.Herbicidas inibidores de carotenóides Os grupos químicos izoxazolidinona e piridazinonas compõem a classe de herbicidas chamada inibidores de carotenóides. 2003a). cenoura. Controla gramíneas anuais e algumas perenes. soja e tabaco.0 de 4. Em outros países.10 . Apresenta curta persistência no solo. se bem que exija doses mais altas de aplicação. pka: 4.1. eucalipto. melancia. por ser a foliar a principal via de absorção do produto. citros.700 mg L-1. Estes tecidos são normais. não prejudicando culturas sensíveis que sejam instaladas no terreno um mês após o tratamento. Deve ser aplicado em pós-emergência das plantas daninhas. 2005). As plantas suscetíveis a estes herbicidas perdem a cor verde após o tratamento com estes herbicidas (BRIDGES. melão e morango). ALMEIDA. amendoim. girassol. também. como Cynodon dactylon. não sendo prejudicada a ação do sethoxydim por uma chuva que ocorra uma hora depois de sua aplicação.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 95 . dependendo das condições climáticas e do tipo de solo. macieira e em hortícolas (batata. feijão.ona (sethoxydim) apresenta solubilidade em água a pH 4. Tem uma meia-vida no solo de 4 a 11 dias. banana. para as culturas de alfafa. 4.16. linho e mandioca.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sethoxydim O 2-[1-etoximina)butil] . gergelim. exceto pela falta de pigmentos verdes (clorofila) e amarelos (Fig. É um herbicida registrado no Brasil para algodão. o que acelera sua absorção. Módulo 3. café. gladíolo. Supõe-se que seja seletivo para todas as culturas que não são gramíneas. algumas vezes rosados ou violáceos.

O herbicida clomazone parece ter um único local de ação e não causa acúmulo de phytoeno. Desse modo. esta se torna funcional e absorve energia. que a protegem. A inibição da síntese de carotenóides leva à decomposição da clorofila pela luz.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 – Sintomas de intoxicação de plantas de milho e feijão pelo clomazone. o crescimento cessa e começam a surgir manchas necróticas. devido à falta de carotenóides que a protegem da foto-oxidação. Em condições normais. devido à falta de clorofila. mais reativo. perda de proplastídios e degradação dos ribossomos 70S. pelas plantas tratadas. nas quais ela é destruída (ABERNATHY. quando os caratenóides não estão presentes. A perda da clorofila é resultado da sua oxidação pela luz (foto-oxidação). não implica que estes herbicidas inibam diretamente a síntese de clorofila. e de folhas largas nas culturas de algodão. eles desenvolvem manchas cloróticas que progridem para necrose (ABERNATHY. cana-de-açúcar. 1980). 1994). sem cor. Os herbicidas inibidores de pigmento são usados para controle seletivo de plantas daninhas gramíneas. Assim. ela não consegue se manter. É importante salientar que estes herbicidas não têm efeito sobre carotenóides sintetizados antes da sua aplicação. resultando no acúmulo de phytoeno e phytoflueno. 1980). passando do estado singlet para o estado triplet. O local de ação mais estudado é onde atua a enzima phytoeno desidrogenase. dissipando o excesso de energia. A produção dos novos tecidos albinos. contudo. que são dois precursores. a energia oriunda da forma triplet é dissipada através dos carotenóides. fumo 96 Módulo 3. com predomínio do phytoeno. 1980). 1994). Outras alterações provocadas por estes produtos são: redução da síntese protéica. Após a síntese da clorofila. Assim. 1994). arroz. Os herbicidas inibidores destes pigmentos agem na rota de biossíntese de carotenóides. A inibição da enzima IPP (isopentyl pirophosphato isomerase) é o local provável da ação (Abernathy.2 . anuais e perenes. Estes produtos também possuem efeitos sobre a reação de Hill (MORELAND. A inibição desta enzima provoca o acúmulo de phytoeno. a clorofila que está no estado triplet não dissipa energia e inicia reações de degradação. a clorofila não se mantém sem a presença dos carotenóides. porém. O crescimento da planta continua por alguns dias. como resultado da perda da fotoproteção fornecida pelos carotenóides à clorofila (MORELAND. mas sim de gossipol e hemigossipol. Devido a este processo. tecidos formados antes da aplicação do herbicida não se mostram brancos imediatamente. devido à necessidade de renovação dos carotenóides.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . do caroteno (MORELAND.

causando danos naquelas sensíveis (RODRIGUES. ALMEIDA. O clomazone apresenta alta solubilidade:1. Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis.2 . Também são empregados em plantas daninhas aquáticas e no controle total da vegetação. No Brasil. Clomazone Norflurazon Esta classe herbicida apresenta baixa toxicidade para animais. e não existem casos registrados de plantas daninhas resistentes (ABERNATHY. 1994).192 mg L-1.clorofenil) metil]-4. A seletividade do clomazone ao algodão pode ser aumentada com adição de um inseticida organofosforado (ABERNATHY. afetando culturas sucessoras. pka: 3. pode lixiviar e atingir camadas profundas. A seletividade às culturas se dá pela translocação reduzida pela destoxificação das moléculas herbicidas. Quando aplicado sobre a superfície do solo. com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas. A dose recomendada varia com a cultura e o tipo de solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e soja. koc: 300 mg g-1. Mesotrione O 2-(4-mesil-2nitrobenzoil) ciclohexano-1. chegando às raízes das culturas. são mais comercializados. O mesotrione inibe a biossíntese de caroteníodes.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 97 .7 mg L-1. O 2 – [(2 . através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenil-piruvato-dioxigenase) nos cloroplastos – classificação nos grupos F2 (HRAC) e 28 (WSSA).isoxazolidinona (clomazone) e o 4-cloro-5(metilamino)-2-3-[(trifluorometil)]fenil-3(H)-m-toluil) piradazinona (norflurazon) translocam-se na planta via xilema. 2005). e persistência no superior a 150 dias. Módulo 3.07 e koc variando de 19 a 387 mg g-1 e curta persistência no solo sendo degradado rapidamente por microrganismos (RODRIGUES. pka: zero.3 . ALMEIDA. O inseticida funciona com “safener” protetor e pode ser usado no tratamento da semente ou em aplicação no sulco de semeadura.dimetil . 2005). apresentam atividade de solo e podem persistir.4 . Apresenta solubilidade de 168. 1994). o clomazone e o norflurazon.3-diona (mesotrione) é um herbicida seletivo de ação sistêmica indicado para o controle em pós-emergência de plantas daninhas na cultura do milho. Controla diversas espécies de plantas dicotiledôneas e algumas gramíneas.

Com exceção da cultura do algodão onde é recomendado em jato dirigido. RODRIGUES.0 mg L-1 a 20 °C. baixa a média mobilidade nos solos dependendo de suas características ficas e químicas. Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis. e meia-vida média de 28 dias (ALMEIDA. O isoxaflutole pertence ao grupo dos herbicidas inibidores da biossíntese do caroteno.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Isoxaflutole O 5-ciclopropil-4-metilsufonil-4-trifluorometilbenzoil)-isoxazole (isoxaflutole) é um herbicida recomendado para as culturas de cana-de-açúcar. nas demais culturas deve ser aplicado em pré emergência. mandioca e algodão para o controle de diversas gramíneas e algumas dicotiledôneas. com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas.2 . Inibe a biossíntese de carotenoides. que são essências para proteger a clorofila contra a decomposição pela luz solar através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenilpiruvato-dioxigenase). responsável pela biossíntese da quinona.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . 98 Módulo 3. 2005). milho. que é um co-fator chave para síntese de pigmentos carotenóides e para o transporte de elétrons. Apresenta baixa solubilidade em água: 6.

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José Francisco da Silva Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .Herbicidas: absorção. formulação e misturas Tutores: Profº.ABEAS Universidade Federal de Viçosa .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .DF 2006 102 Módulo 3. metabolismo. José Ferreira da Silva Profº.Herbicidas: absorção. translocação. metabolismo. translocação. Francisco Affonso Ferreira Profº.3 . formulação e misturas .3 .Manejo de plantas daninhas 3.

130 5. 118 3 . 104 1.1 .Translocação de herbicidas.Conceito de movimento simplástico e apoplástico. 117 2.Penetração pelo caule.3 .1 .Formulações sólidas.2 . 104 1.Formulações líquidas. 113 2 . translocação.Penetração pelas raízes.Interceptação.Metabolismo dos herbicidas nas plantas.1. 112 1. 131 Referências bibliográficas.Herbicidas: absorção. 127 4.2 . 128 5 .4 .2 .3 .2 . 120 4 – Formulação.Interações de herbicidas com inseticidas em mistura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário 1 .Interações entre herbicidas.Veículo de aplicação (água).1 – Introdução.2.Tipos de formulações.2 – Incompatibilidade.1.Misturas de herbicidas. 104 1.4. retenção e absorção de herbicida pela folha.3 . 129 5.Movimento descendente. 116 2. metabolismo. 117 2.1 .1 . 126 4.4.2. 129 5.Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas. 125 4. formulação e misturas 103 .4 . 130 5. 127 4.Movimento ascendente.1 .1 .1. 111 1.3 .2 .Fatores que influenciam a absorção através das raízes. 116 2. 112 1.Absorção de herbicidas.Mecanismo de absorção de herbicidas. 133 Módulo 3.Translocação de alguns herbicidas.

metabolizado para exercer sua ação herbicida. rizomas. também. de estruturas jovens como radículas e caulículo e. ou quando. tubérculos. umidade relativa do ar e umidade do solo). até ser absorvido.Introdução A atividade biológica de um herbicida na planta é função da absorção. metabolismo.Herbicidas: absorção. também. luz. quando aplicada ao solo.2 . transloca até as folhas e. principalmente quando se deseja controlar apenas algumas plantas. transloque e atinja a organela onde irá atuar.Interceptação. Por outro lado. Os herbicidas podem penetrar nas plantas através das suas estruturas aéreas (folhas. Quando os herbicidas são aplicados diretamente na parte aérea da planta (pós-emergência). as raízes. ou. translocado e. que influenciam também a translocação destes até o sítio de ação. atinge e penetra nos cloroplastos. flores e frutos) e subterrâneas (raízes. formulação e misturas . Há necessidade de que ele penetre na planta. estolões.3 . a morfologia da planta e as condições ambientais exercem grande influência.1 . da translocação.Absorção de herbicidas 1. onde atua. ou. 104 Módulo 3. Além disso. incorporados ao solo. do metabolismo e da sensibilidade da planta a este herbicida e. A absorção de herbicidas pelas raízes ou pelas folhas é influenciada pela disponibilidade dos produtos nos locais de absorção e com fatores ambientais (temperatura. o 2. etc.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . por exemplo. penetra pelas raízes. a seus metabólitos. A atrazina.). ser aplicado no solo onde se desenvolve esta planta não é suficiente para que ele exerça a sua ação. ainda. em um reflorestamento.4-DB precisa ser absorvido. aí. O caule (casca) de árvores ou arbustos pode também ser uma via de penetração de herbicidas. caules. o simples fato de um herbicida atingir as folhas da planta e. Por isso. as estruturas jovens das plântulas (radícula e caulículo) e as sementes são as vias de penetração mais importantes para os herbicidas aplicados e. translocação. as folhas são a principal via de penetração. retenção e absorção de herbicida pela folha A absorção foliar de um herbicida requer que o produto seja depositado sobre a folha e permaneça ali por um período de tempo suficiente. A interceptação da gota pulverizada é função do método de aplicação e da distância entre o alvo e o bico do pulverizador. 1. ou. que serão discutidos no item referente à tecnologia de aplicação. destruindo-os. A principal via de penetração dos herbicidas na planta é função de uma série de fatores intrínsecos e extrínsecos (ambientais). Por sua vez. se deseja que as cepas das árvores não rebrotem após a derrubada. pelas sementes. dentro de uma população mista.

translocação. 1981). As folhas. mas são rapidamente absorvidos e. A chuva pode causar perdas consideráveis de herbicidas das folhas das plantas. do método e da tecnologia de aplicação. 2003. Embora em menor proporção. como todas as estruturas aéreas das plantas. Herbicidas lipofílicos (usualmente formulados como CE ou flowable) são pouco solúveis em água. são recobertas por uma camada morta (não-celular). a forma e a área do limbo foliar. razão pela qual muitos fatores influenciam. 2. porém são rapidamente absorvidos nos lipídios da cutícula e pouco lavados pela chuva. células da bainha do feixe. não são absorvidos pela superfície da cultícula e são solúveis em água e podem ser lavados caso ocorra chuva até mais de 24 horas após. lipofílica. JAKELAITIS et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A morfologia da planta influencia a quantidade de herbicida interceptada e retida. por exemplo sais de sódio. cavidade estomática. ELAKKAD. xilema e floema Fonte: Mengel e Kirkby (1982) 105 Módulo 3. Após a interceptação. das condições climáticas e das espécies de plantas envolvidas (BRIDGES.. menos sujeitos a lavagem pela chuva. A perda do herbicida ou de sua atividade depende da ocorrência de chuva (intensidade e duração) neste intervalo. O corte transversal de uma folha está representado na Figura 1. deve haver um período crítico sem ocorrência de chuvas até que ocorra absorção de quantidade suficiente deste. o ângulo ou a orientação das folhas em rela¬ção ao jato de pulverização e as estruturas especializadas. tanto a penetração dos herbicidas pelas folhas quanto pelas raízes. PIRES et al. Sais aniônicos (cargas negativas). 2001). igualmente.. como o paraquat. 2000..Corte transversal de uma folha (esquemático). HESS. formulação e misturas . A influência da chuva sobre a eficiência dos herbicidas está também relacionada à formulação. Também o nú¬mero e a abertura dos estômatos exercem pequena influência sobre a penetração dos herbicidas. Figura 1 . poros estomáticos. são solúveis em água. metabolismo.3 . por isso. Dentre os aspectos relacionados com a morfologia da planta destacam-se o estádio de desenvolvimento (idade da planta). não penetram rapidamente. para cada herbicida.Herbicidas: absorção. denominada cutícula.4-D amina requer um período muito mais longo sem chuva do que o 2. Por exemplo. Sais catiônicos (carregados positivamente).4-D ester para causar a mesma toxicidade em várias espécies sensíveis (BEHRENS. esta existe também nas raízes. mostrando células-guarda. como tricomas (pêlos).

A cutina é o principal componente estrutural da cutícula. a qual possui grupos de polaridade variáveis (Figura 2). aumentando. é referido como camada cuticular (Figura 2). Em presença de água. et al. ácidos graxos. de prato (ou disco). aldeídos. separando as partículas de cera. porém alguns componentes são comuns. álcoois. pode ser semifluida ou fluida.Representação esquemática dos principais componentes da camada cuticular e o seu grau lipofílico 106 Módulo 3. acredita-se que a cutina aumente de volume (por embebição). O padrão de superfície da camada cuticular é bastante variável.. etc. translocação. Figura 2 . funcionando como uma resina de troca de cátions. assim a sua permeabilidade. de camadas superpostas e. Ela pode ter a forma de grânulos. A composição química do revestimento epicuticular é muito variável entre as espécies de plantas (Quadro 1). Em consequência da variabilidade de seus componentes o grau de polaridade das cutículas varia muito.Herbicidas: absorção. Esse conjunto. metabolismo. essa camada é uma complexa mistura de alcanos de longas cadeias (21 37 carbonos). A camada cerosa que envolve a cutícula é mais rica em compostos menos polares do que a cutina.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A cutícula recobre todas as células da epiderme da planta. incluindo as células-guarda dos estômatos e as células que envolvem a câmara subestomática. a cutícula é recoberta por uma camada de cera. ésteres. Entre a camada cuticular e a membrana citoplasmática tem-se a parede celular.3 . (FERREIRA. que é formada de fibrilos de celulose impregnados de pectina. ainda. Externamente. formulação e misturas . 2005). Em geral. cetonas. freqüentemente.

0 7.2 8.Percentagem de compostos apolares e polares e pH do revestimento epicuticular de diversas espécies de plantas daninhas Espécies daninhas Cyperus rotundus Avena fátua Brachiaria plantaginea Cynodon dactylon Digitaria sanguinalis Echinochloa crus-galli Panicum dichotomiflorum Poa annua Sorghum halepense Amaranthus retroflexus Capsella bursa-pastoris Chenopodium album Datura stramonium Ipomoea purpurea Poligonum lapathifolium Portulaca oleracea Senna obtusifolia Sida spinosa Sinapsis arvensis Solanum nigrum Stellaria media Xhathium orientale Compostos NãoPolares 82 10 17 12 37 27 17 29 6 44 32 32 92 32 12 37 7 85 47 88 9 58 Compostos Polares 17 90 82 88 62 72 82 71 93 55 68 66 7 68 86 63 93 14 52 11 91 41 pH 7. citado por Kissmann (1997). através dos plasmodesmas. Entretanto. tanto aos polares quanto aos não-polares. Módulo 3. composição química e permeabilidade da cutícula. Existem dois tipos principais de superfícies: uma facilmente molhável (rica em álcoois) e outra de molhagem mais difícil (rica em alcanos). (1991).5 6. A maior barreira à penetração de um herbicida no citoplasma das células é a membrana citoplasmática. via simplasto. são importantes nessa interação.8 6. Quadro 1 .0 6. Uma hipótese citada por Klingman e Ashton. formulação e misturas 107 .6 8. translocação. A camada cuticular funciona como uma barreira à perda de água e também como uma barreira à entrada de pesticidas e microrganismos na planta. etc. tanto os herbicidas polares quanto os não-polares penetram nas folhas das plantas. é que essas barreiras não são totalmente rígidas e distintas.6 6.0 7.5 Fonte: Sandoz Agro Ltda. metabolismo. após atravessar a camada cuticular e a parede celular. a tensão superficial da calda.0 7.0 6. Apesar das barreiras existentes (como a camada cuticular). pode penetrar no citoplasma.0 8. podem acontecer os pressupostos que se seguem (Figura 3). a polaridade do composto.8 8. o herbicida.4 6. As folhas das plantas apresentam muitas barreiras à penetração dos herbicidas. No momento em que os herbicidas entram em contato com a superfície foliar. sobre a penetração dos herbicidas pelas folhas.0 7.8 7.0 6.Herbicidas: absorção. As características da solução aplicada.3 8.2 7. O processo de absorção de um herbicida é complicado em razão da espessura. (1975).4 7.2 7.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É conhecido o fato de que há uma interação bastante complexa entre a natureza química do produto aplicado e a superfície foliar.2 7.3 .

cerosidade e pilosidade da folha. Há evidências de que a penetração de herbicidas decresce com o aumento da idade da folha (GROVER. da idade da folha e do ambiente sob o qual a folha se desenvolve. a rota hidrofílica. formulação e misturas . (1981) atribuíram isto à maior polaridade da cutina encontrada nas folhas novas. penetrar. espessura da cutícula. uso de agentes ativadores de superfícies (surfatantes) e outros. representando os aspectos: volatilizar e perder para atmosfera ou ser lavado pela chuva (1). temperatura. mas permanecer absorvido nos componentes lipofílicos da cutícula (3). mas admite-se que os compostos não-polares sigam uma rota lipofílica e os compostos polares. Schmidth et al. a cutícula de folhas nova é mais permeável à água do que a de folhas velhas. 108 Módulo 3. Para os herbicidas orgânicos. etc. ésteres.Herbicidas: absorção. Figura 3 . penetrar na cutícula. que diferem em estrutura e polaridade. que inclui o movimento no floema (5) Fonte: Hess (1995) Uma grande diversidade de herbicidas. atravessa a camada cuticular. A passagem de uma molécula de herbicida através da camada cuticular é um processo físico que pode ser influenciado por uma série de fatores. umidade relativa).esta é chamada translocação apoplástica. CESSNA. 1991). O exato mecanismo de penetração não é totalmente conhecido para todos os herbicidas. permanecer sobre a superfície como um líquido viscoso ou na forma de cristal (2).Diagrama hipotético. derivados de ácidos fracos. A absorção de herbicida não está necessariamente relacionada à espessura ou ao peso da cutícula. Apesar de a constituição física e química e a espessura poderem ser praticamente a mesma. na parede celular e então translocar antes de atingir o simplasto .3 . porque reduz sua polaridade. Para os herbicidas nãodissociáveis (amidas. que inclui o movimento no xilema (4) e penetrar na cutícula. o pH mais baixo aumenta a absorção do herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que variam em função da espécie. tamanho das partículas e concentração do herbicida. translocação. mas sim à constituição lipídica e ao grau de impedimento da passagem de solutos. fatores ambientais (luz. na parede celular e atingir o interior da célula (pela plasmalema) – é a translocação simplástica. metabolismo.). o pH da solução tem pouco ou nenhum efeito sobre a penetração. como: potencial hidrogeniônico (pH). Todos esses fatores podem influenciar a absorção de herbicidas.

Todavia. aumenta a hidratação da cutícula.3 . umidade relativa. Em segundo lugar. translocação. favorece a abertura dos estômatos e pode aumentar o transporte de solutos na planta. à alteração na composição das ceras ou ao aumento na formação de ceras epicuticulares. respectivamente. formulação e misturas 109 . houve rebrota acentuada da maioria delas. mais rápida absorção do herbicida. Condições de alta temperatura e luminosidade. 1995). Supõe-se que os herbicidas lipofílicos se solubilizam nos componentes lipofílicos da camada cuticular e se difundem através da cutícula. A natureza da resposta para as diferentes condições ambientais varia com a espécie vegetal.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os fatores ambientais. em condições de alta luminosidade e estresse hídrico no solo. mover-se através do poro de um estômato aberto para dentro da câmara subestomática. havendo maior absorção dos produtos polares com aumento da umidade (HESS. Entretanto. 1995). por provocar maior fluidez dos lipídios da camada cuticular e da membrana celular e. influenciam a atividade dos herbicidas nos aspectos de absorção. Nas plantas estressadas. o haloxyfop teve sua atividade reduzida de 92% para 12%. mesmo quando o período sem chuva foi de até seis horas.Herbicidas: absorção. a menos que a tensão superficial da solução pulverizada seja muito reduzida pelo uso de surfatantes na formulação ou no tanque do pulverizador. Primeiro. A elevação da umidade relativa aumenta o tempo de evaporação da gotícula pulverizada. Com relação aos herbicidas hidrofílicos. A umidade relativa do ar tem efeito mais consistente sobre absorção de herbicidas. admite-se que a cutícula tenha estrutura porosa. um intervalo sem chuvas de menos quatro e seis após a aplicação. geralmente promovem a formação de cutículas mais impermeáveis. com a penetração de herbicidas nas folhas. Os estômatos podem estar envolvidos. em conjunto. translocação e grau de detoxificação. 2001 o glyphosate e o sulfosate apresentam máxima atividade em plantas não-estressadas. dependendo das condições ambientais. a cutícula sobre as células-guarda parece mais fina e mais permeável a substâncias do que a cutícula sobre outras células epidérmicas. Uma a duas semanas antes da aplicação. em tese. luz e teores de umidade no solo e na planta. Alta temperatura pode melhorar a absorção. de duas formas. para o sulfosate e glyphosate. É difícil ou mesmo impossível afirmar qual dos processos é mais influenciado pelas mudanças nas condições do ambiente. comparando pulverizações feitas em plantas de capim-massambará (Sorgum halepense) sem estresse e estressadas. Nestas.. que se mantém hidratada. tanto a absorção quanto a translocação são menores (HESS. O grau de impermeabilidade da cutícula pode ser atribuído ao incremento de sua espessura. a infiltração pelos estômatos não é possível. como temperatura do ar. a solução pulverizada poderia. Nas plantas estressadas (déficit hídrico no solo). sendo essa água de hidratação da cutícula a rota de penetração destes herbicidas. conseqüentemente. ou baixa umidade relativa do ar e umidade do solo. e daí para o citoplasma das células do parênquima foliar. provocando a cristalização do herbicida na superfície foliar. também pode apresentar efeitos negativos devido à maior rapidez do secamento da gota pulverizada. A maioria dos Módulo 3. metabolismo. Segundo Pires et al. Como os herbicidas atravessam a cutícula? A resposta para essa pergunta ainda não está bem esclarecida. foi suficiente para ótimo controle das plantas tratadas.

Os resultados dos experimentos de campo. Sulfato de amônio não melhora atividade do paraquat e na. incluindo picloram. No caso do sethoxydim. quando sulfato de amônio é adicionado à solução. os mais importantes são os agentes ativadores de superfície. Eles geralmente são compostos de moléculas grandes. da presença de outros aditivos e das espécies das plantas. 110 Módulo 3. Vários autores afirmam que os surfatantes melhoram a penetração e. No entanto. mas preparados em soluções. Sulfato de amônio. Em alguns casos o surfatante pode provocar parcial solubilização da cera epicuticular. ou. etc. o desenvolvimento de surfatantes à base de organossilicones proporcionou avanço nesse ponto. tem sido usado para melhorar a atividade de númerosos herbicidas.Herbicidas: absorção.3 . melhorando a retenção e o espalhamento desta sobre a folhagem. A função primária do surfatante é reduzir a tensão superficial da gota. para melhorar a penetração ou atividade dos herbicidas aplicados às folhagens. a melhoria só ocorre se o surfatante também estiver presente. e podem ser catiônicos. emulsões. Também podem ocorrer interações negativas entre os dois herbicidas. Alguns trabalhos têm demonstrado que esse tipo de surfatante pode aumentar inclusive a translocação relativa do produto aplicado (KNOCHE. a atividade do glyphosate é melhorada por surfatantes com alto balanço lipofílico-hidrofílico que pelos surfatantes hidrofílicos que são não-iônicos ou catiônicos (TURNER. não têm sido suficientemente positivos ou consistentes para adição de tais aditivos na calda de pulverização e para se tornar uma prática recomendada. LOADER. aniônicos ou não-iônicos. a eficiência do surfatante depende de sua natureza. além de surfatantes e óleos. Recentemente. ou surfatantes. translocação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surfatantes atualmente em uso atua aumentando a penetração cuticular e não consegue reduzir a tensão superficial adequadamente para permitir a penetração estomática. metabolismo. 1980).. proporção de 20% p/v. às quais alguns ingredientes são adicionados. Entretanto. A estimulação da absorção pode ser causada pelo surfatante adicional ou por outros aditivos presentes nas duas formulações misturadas. favorecendo mais ainda a penetração do herbicida. LOADER. Destes. Eles podem também induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal e também aumentar a penetração cuticular. Este surfatantes são capazes de reduzir a tensão superficial ao ponto de a infiltração pelo estômato ocorrer. têm sido usados como aditivos nas pulverizações. Diversos produtos químicos. o surfatante lipofílico é eficiente. A adição somente do sal provoca decréscimo da atividade em aveia. Finalmente. em geral. glyphosate e sethoxydim. no entanto. Por exemplo. na concentação de 1 a 10% (p/v). formulação e misturas . a absorção de um herbicida pode ser influenciada pela presença de outro herbicida misturado na calda. 1994). atividade do herbicida. contendo parte hidrofílica e lipofílica. Os herbicidas são raramente aplicados na forma pura. que têm vários propósitos. do herbicida em questão. 1980). provoca efeito antagônico com glyphosate (TURNER.

tornando-a mais permeável aos herbicidas. após a morte de suas células. em diâmetro. usando imazapyr 20 a 30 dias antes da derrubada das árvores de eucalipto. é um sítio de entrada importante para muitos herbicidas aplicados ao solo que são ativos em sementes e durante a germinação e na emergência das plântulas (Quadro 2). usando-se óleo como veículo. Baseado na sua estrutura e composição. também. formulação e misturas 111 .3 . Para atuação de herbicidas aplicados à casca das árvores. desprovida da camada de cera. floema). rotas importantes para a penetração de herbicidas pelo caule. Nas plantas jovens. Este processo está sendo implantado em algumas empresas de reflorestamento. e. sendo esta uma rota de entrada de herbicidas em muitas espécies de gramíneas. Módulo 3.Herbicidas: absorção. aos herbicidas aplicados na parte aérea.3 . O caule da plântula durante a emergência tem uma cutícula muito pouco desenvolvida. portanto. Entretanto.Grupos químicos de herbicidas e exemplos de ingredientes ativos que podem ser absorvidos do solo pelas radículas ou partes aéreas emergentes das plântulas Famílias de herbicidas Acetanilidas Ácidos ftálicos Difeniléteres Dinitroanilinas Tiocarbamatos Exemplo de produto acetochlor. metabolismo. sendo. o periderma deve apresentar baixa permeabilidade à água e. Quadro 2 . Alternativa prática mais eficiente seria injetar o herbicida com equipamento próprio com uma pistola injetora. alachlor. ou. As células do periderma contêm tanino e são altamente suberizadas. a barreira que a estria de Gaspary representa na raiz não está presente nestes tecidos. o periderma é um tecido protetor que substitui a epiderme. visando evitar a rebrota das cepas. Lenticelas são estruturas que atravessam o periderma. que facilitam a penetração de herbicidas. pendimethalin butylate. O crescimento do caule. Além do mais. o herbicida será mecanicamente introduzido através da casca. translocação.Penetração pelo caule A absorção de herbicidas pode ocorrer pelo caule das plantas jovens (durante emergência) e das adultas. lignina. principalmente os polares. molinate A penetração de herbicidas através da casca de plantas lenhosas é outra opção que pode ser aproveitada na prática. Neste caso. além de serem aplicados em altas concentrações (5-10%). Outros constituintes comumente encontrados nestas células são ácidos graxos. eles são preparados em formulações lipofílicas. celuloses e terpenos. metolachlor DCPA oxyfluorfen trifluralin. butachlor. até a região do câmbio (xilema.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. causa pequenas rupturas na casca. Estes produtos são pulverizados ou pincelados no caule da planta.

Tem sido observado decréscimo na taxa de absorção de herbicidas devido ao abaixamento da temperatura. O sistema radicular das plantas superiores apresenta uma superfície de absorção extremamente grande. Na endoderme. A disponibilidade dos herbicidas para as raízes é função das propriedades físico-químicas dos herbicidas e do solo e da distribuição espacial destes compostos e das raízes no solo.Herbicidas: absorção. com alta permeabilidade à água e a solutos (sais). e esta barreira é conhecida por ser impermeável à água. Embora raízes jovens sejam também cobertas por uma camada cerosa e as mais velhas sejam fortemente suberizadas. O que acontece aos herbicidas nesse ponto não está completamente claro. próxima à zona de absorção radicular. para o 2.4-D. a penetração de água e solutos. formulação e misturas . há uma barreira lipídica localizada na endoderme da raiz. em grande parte.Penetração pelas raízes Muitos herbicidas aplicados ao solo são absorvidos pelas raízes. A rota mais importante de entrada é a passagem do herbicida junto com a água através dos pêlos radiculares existentes nas extremidades das raízes. a taxa de absorção aumenta rapidamente logo após a aplicação e. passando em seguida à negativa (perda por exsudação). Também a concentração hidrogeniônica.1 . o que pode ocorrer pelo crescimento desta ou pela difusão do herbicida no estado gasoso e. Os herbicidas têm que entrar em contato com a raiz. Apesar de não existir nenhuma barreira cuticular na zona dos pêlos radiculares. ou. Na endoderme ou antes dela. principalmente quando o composto é sujeito à ionização. A entrada dos herbicidas pelas raízes não é tão limitada quanto pelas folhas. pode influenciar a absorção de herbicidas pelas raízes. metabolismo. normalmente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. Nas raízes jovens. tamanhos e solubilidades diferentes são prontamente absorvidos pelas raízes.4.Fatores que influenciam a absorção através das raízes A absorção de herbicidas pelas raízes é caracterizada por uma fase inicial de elevada taxa de absorção durante os 30 primeiros minutos até 2 horas.3 . a água que se move em direção ao xilema deve entrar no simplasto. Por exemplo. 1.4 . a principal zona de absorção está entre 5 e 50 mm de sua extremidade. Muitos herbicidas com estruturas moleculares. todas as paredes radiais contêm uma banda fortemente impregnada com suberina (estria de Gaspary). 4). até a zona de absorção das raízes. seguida por uma fase de absorção mais lenta. Os pêlos radiculares são responsáveis por aumento significativo da área disponível para a absorção de água e de herbicidas (Fig. em solução com a água. uma vez que nenhuma camada significativa de cera ou cutícula está presente nas partes das raízes onde a maior parte de absorção de herbicidas ocorre. ocorre. estar relacionado com a viscosidade da água (sob condições de baixa temperatura) e com reações químicas (absorção ativa). Se o herbicida for 112 Módulo 3. ocorre decréscimo nesta taxa até ela se tornar nula. translocação. depois. Esse fenômeno pode.

De modo geral. inibidores metabólicos. Também as propriedades físico-químicas dos herbicidas.4-D é acumulado ativamente e o monuron. a absorção de herbicidas polares. para picloram. além do pH da solução do solo. de onde se transloca até seu sítio de ação. podendo. em geral. mas hiperbólica. segundo Donaldson et. (1973) listam os seguintes critérios para a absorção ser ativa ou dependente de energia: Q10 ≥ 2. a energia necessária à manutenção da seletividade da plasmalema é inibida. baixa umidade relativa do ar. A segunda fase da absorção. A correlação entre transpiração e absorção é válida para os herbicidas polares. sendo os herbicidas mais lipofílicos absorvidos mais rapidamente. Para os herbicidas polares. demanda energia.4-D. conseqüentemente. Como a Módulo 3. translocação. como lipofilicidade e pka. a corrente transpiratória correlaciona-se com o transporte destes para a parte aérea da planta. pelas raízes.4. A linearidade é perdida quando o herbicida exerce efeito tóxico sobre a planta. entretanto. 1. Donaldson et al. atrazine e napropamide. translocados via xilema. que consiste em atravessar a membrana citoplasmática (plasmalema).Herbicidas: absorção. estabelecendo um gradiente de concentração entre a parte externa da raiz (solução do solo) e a interna da planta (corrente de assimilados). A segunda fase de absorção. o produto atravessá-la livremente. (1973) a taxa de absorção de herbicida correlaciona-se com o coeficiente de partição óleo/água. portanto. passivamente. alta temperatura do solo e alto potencial de água no solo são condições que favorecem a transpiração e. é um processo ativo de absorção. portanto. Até aí. apresentando baixo Q10. em parte. Essas condições foram satisfeitas para absorção de 2. também. Triazinas e uréias. ele pode penetrar no floema e. Uma vez dentro do citoplasma das células. al. Embora alguns trabalhos demonstrem estreita relação entre transpiração e absorção. A absorção de herbicidas pela raiz também pode ser limitada por ligações ou adsorção do herbicida nos componentes celulares. é um processo passivo a puramente físico e. Sendo os herbicidas. e acumulação contra um gradiente de concentração. no xilema. ou. dependente da concentração.2 . influenciam a absorção. Os herbicidas solúveis na água. metabolismo. há evidências contrárias. taxa de absorção não é função linear da concentração externa. então. indicando que o 2. Quanto à concentração do herbicida. prontamente absorvidos pelas raízes. se difundem nos espaços livres das células da epiderme do córtex da zona de absorção. inicialmente. o que geralmente não é o caso da segunda fase. requerimento de oxigênio. existe uma relação linear entre a concentração do produto disponível e a sua penetração pela raiz. absorção bloqueada por inibidores metabólicos. dependendo das características do produto. por exemplo. Alta temperatura e irradiância. formulação e misturas 113 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas absorvido em solução com a água. podem ser adsorvidas. o pH que aumenta a sua polaridade beneficia também a sua absorção e penetração pelas raízes.3 . mas não o foram para monuron. Também atrazine e amitrole tiveram absorção passiva. também é ativa ou dependente de energia. dentro de determinados limites.Mecanismo de absorção de herbicidas A primeira fase de absorção é independente de energia metabólica.. existem herbicidas não-polares que são. Não há dados suficientes para o entendimento completo de mecanismo de absorção de todos os herbicidas. Esta fase tem um Q10 maior que a fase inicial e é sensível a inibidores metabólicos.

há tendência de aqueles herbicidas que são capazes de passar livremente do floema para o xilema serem de baixa ou nenhuma translocação via floema. ou.Moléculas de herbicidas capazes de penetrar no xilema e.Moléculas de herbicidas capazes de penetrar nas paredes celulares translocam-se via apoplasto. o . formulação e misturas . translocação.Herbicidas: absorção. (b) Diagrama hipotético. por Mengel e Kikby (1982). mostrando suas principais estruturas. • .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas translocação via xilema é muito mais rápida que a translocação via floema. floema por ambas as vias (simplásticas ou apoplásticas). Figura 4 . partição nos lipídios do citoplasma ou metabolismo a produtos polares que 114 Módulo 3. x .3 . e há várias explicações para isso. difundem-se através das estrias de Caspary e atingem o xilema. representando a absorção de herbicidas pelas raízes Durante a fase de absorção dependente de energia. Estas incluem ligações nos tecidos do citoplasma. metabolismo. os herbicidas podem ser acumulados contra um gradiente de concentração.Moléculas de herbicidas capazes de entrar no protoplasma via simplasto (passam de célula em célula através dos plasmodesmatas) e atingem o floema.(a) Secção transversal de uma raiz.

evidenciando que ela se dá por processo metabólico. são exsudadas pelas raízes.4-D. como os derivados do ácido fenóxico acético. onde. formulação e misturas 115 . fenilacético. A exsudação é um fenômeno limitado apenas às raízes integrais (sem cortes) e vivas.3 . impedem a ação seletiva desta. Figura 5 . benzóico ou picolínico. Essas moléculas dissociadas (ânions) são menos capazes de atravessar a plasmalema do que as moléculas neutras. os produtos de maior afinidade por substâncias lipofílicas (lipofilicidade) atravessam mais facilmente a plasmalema. como 2. provavelmente. 2. Os herbicidas não-polares seguem uma rota lipofílica até atingirem a plasmalema.4-D. Várias classes de importantes compostos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas são menos hábeis para se difundir através da plasmalema. Uma vez que o pH no citoplasma é uma a duas unidades maior que o pH do meio externo da célula. acumulando-se no interior da célula (Figura 5). Esta é a explicação alternativa para a acumulação de ácidos fracos. A exsudação também está relacionada com a detoxificação da planta. os ácidos fracos se dissociam mais e entram no citoplasma.Acumulação de herbicidas (ácidos fracos) no interior da célula (a) e sítios de dissociação dos herbicidas (b): bentazon. imazethapyr e sethoxydin Fonte: Stelling (1994) Módulo 3. metabolismo. translocação. quando aplicadas nas folhas das plantas. podendo ser um dos fatores responsáveis pela tolerância desta ao herbicida. A zona da raiz mais ativa na exsudação é a zona de alongamento.Herbicidas: absorção. correspondendo à zona de absorção. Normalmente. chlorsulfuron.

O movimento de solutos e assimilados no interior das plantas superiores pode ser definido. Muitos herbicidas são absorvidos pelas raízes ou pelas partes subterrâneas do caule e são translocados para outras áreas. que não são capazes de se regenerar através de seus órgãos subterrâneos. como ponto de crescimento. incluindo as paredes celulares. 116 Módulo 3. para exercerem a sua efetiva ação herbicida. os quais formam um sistema contínuo no qual a água e os solutos se movimentam livremente. etc.contrariamente ao simplasto. translocação. aquelas plantas que são capazes de se regenerar através de bulbos.Conceito de movimento simplástico e apoplástico Simplástico . considerando que não é fácil atingir toda a superfície foliar de uma planta. como visto a seguir. Para a maioria dos herbicidas aplicados ao solo. basicamente. e tendo em vista que há diferença de penetração de herbicida nas diferentes posições da parte aérea da planta. formulação e misturas . citados por Hay (1976). de onde são transpostos para o floema. Plantas jovens. formando um conjunto contínuo através das intercomunicações do citoplasma. em 1971. etc. podem ser mortas por herbicidas de contato. rizomas. denominado plasmodesmas.1 . com velocidade de 60 a 100 vezes maior que o movimento no sentido radial.3 .Translocação de herbicidas Há várias razões pelas quais é importante o estudo de translocação de herbicidas. até atingirem as células companheiras.foi definido por Crafts e Crisp. para que produza controle eficiente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . conseqüentemente. quando ocorre completa cobertura da parte aérea pela calda herbicida pulverizada. em dois sentidos.. sem atravessar as barreiras à permeabilidade. os espaços intercelulares e o xilema. Se a translocação de um herbicida pode ser aumentada. estolons. principalmente de arbustos e árvores. é formado pelo conjunto de células mortas. Apoplástico . tubérculos. Íons e moléculas podem movi¬mentar-se de célula para célula através dessas estruturas. como a massa total de células vivas de uma planta. Por outro lado. menores serão os custos de aplicação e os riscos de causar prejuízos ao meio ambiente. o aumento na translocação de um produto aumentará a sua eficiência. O floema é o principal componente do simplasto. Transporte a longa distância ocorre através dos tubos crivados (floema).Herbicidas: absorção. a translocação é também de grande importância. 2. que são as membranas citoplasmáticas. necessitam que determinada quantidade do produto seja capaz de translocar e atingir estes orgãos de recuperação. metabolismo. Entretanto. então as doses aplicadas deste produto podem ser reduzidas. cloroplastos.

após o que podem subir pelo floema ou penetrar no xilema e se translocar com a corrente transpiratória. raízes e tecidos ou órgãos de reserva). conseqüentemente. se transformam em uma fonte. à medida que se distancia da fonte.2 . Uma vez que estes assimilados se movem para dentro desses vasos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2.1. que acompanham as células do floema. A alta pressão de turgor. 2. das células de transferência e das células companheiras estão diretamente intercomunicados. em direção contrária ao gradiente de concentração. penetração de água dentro destas células. enquanto as produzidas nas folhas da parte superior da planta são transportadas para as folhas novas e os brotos terminais. Acredita-se que herbicidas e outras substâncias se movimentem juntamente com esse fluxo. porém o mecanismo desse carregamento. para se translocarem das folhas para a parte superior da planta. A hipótese do transporte pelo fluxo de massa envolve uma corrente de solutos movendo-se da fonte (folhas.Herbicidas: absorção. são um dreno e. inicialmente. Os assimilados.Movimento ascendente Íons e moléculas podem difundir-se pelos espaços intercelulares e paredes celulares do córtex. que descer até atingir o caule. Parte dessa distância ocorre pelo sistema apoplástico. O movimento para dentro do floema (carregamento) deve ser um processo ativo. Substâncias fotossintetizadas nas folhas da base da planta são transportadas para as raízes. força o fluxo em massa do conteúdo nele existente. Citoplasmas das células do mesófilo.1. As células com protoplasma muito denso e com pontuações na parte interna da parede celular permitem maior superfície de contato entre o sistema simplástico e o apoplástico. têm. hoje. nestes vasos. Contudo. supunha-se que as substâncias (íons ou moléculas) rompiam essa barreira e penetravam no sistema simplástico das células. A teoria do transporte pelo fluxo de massa baseia-se na elevação da concentração de assimilados (açúcares. principalmente sacarose) dentro dos vasos. que a estria de Gaspary não está presente nos ápices Módulo 3. Sabe-se.5 vezes o diâmetro da célula. flores e frutos em desenvolvimento. Estas células são conhecidas como células de transferências e parecem funcionar no carregamento dos vasos do floema e na transferência do floema para o xilema. na endoderme. formulação e misturas 117 . antes de alcançar os vasos menores do floema.3 .Movimento descendente Os assimilados e solutos se movem a uma distância média correspondente a 2. mas somente as células companheiras estão diretamente ligadas ao floema. As células companheiras e as células parenquematosas. causando elevação do potencial osmótico e. assume-se que esse movimento ocorra à custa de energia metabólica. O movimento por esta rota para o interior da raiz é bloqueado pelas paredes longitudinais das “estrias de Gaspary”. estão envolvidas no fluxo de carregamento destes vasos. para muitas substâncias. suporta essa teoria. quando amadurecem.O decréscimo da concentração dos assimilados ao longo dos vasos. As folhas. translocação. metabolismo. primeiro. caules ou outros órgãos fotossintetizantes) para o dreno (áreas meristemáticas. de alguma forma ainda não definida. no entanto.1 . é ainda desconhecido.

relacionada com sua exsudação por elas.3 . Exsuda-se. pode danificar a cultura quando ele for injetado em algumas espécies que são capazes de excretá-lo através de suas raízes.quando aplicado em solução nutritiva. O uso deste herbicida no raleamento de floresta. xilema e acumulam-se nos pontos de crescimento (tecido meristemático).4-D.é altamente móvel na planta. Em geral. aproximadamente. Essas substâncias podem. Apesar de se translocarem no sentido descendente. A adição do ácido 2-cloroetil-fosfônico (ethrel) ao dicamba aumenta a sua translocação. O 2. 1992). formulação e misturas . ou vazar para o xilema parenquimatoso e ser transportadas no sentido acrópeto pela corrente transpiratória. 10 vezes mais tóxico às raízes que o 2. Picloram . Apesar de apresentar pequena acumulação na raiz. Se o produto é aplicado nas folhas. pode ser exsudado pelas raízes. Aplicado nas raízes ou nas folhas. A elevação da umidade relativa pode aumentar o movimento descendente do 2. principalmente. Se a planta é retirada da solução com herbicida e colocada numa solução sem herbicida. também ocorre acumulação nas folhas jovens. CIAMPOROVÁ.parece movimentar-se prontamente em ambos os sistemas (apoplásticos e simplásticos). neste caso. nos pontos de crescimento e nas raízes. A presença de folhas jovens na planta aumenta a translocação do produto para as raízes. A morte ou injúria das raízes reduz a sua exsudação. ou. mover-se de célula para célula. Pequena acumulação ocorre nas raízes. 118 Módulo 3.4-D.os representantes deste grupo translocam-se pelo floema e.4-D move-se do floema para o xilema e retorna à folha tratada. Aplicado nas folhas do milho. Ele transloca-se.4-D. Derivados do ácido fenóxico . talvez por inibir o movimento junto à corrente transpiratória. Aplicado nas folhas das plantas. pelo sistema simplástico. ser absorvido por plantas vizinhas não-tratadas. espalhando-se rapidamente por toda a planta. A sua pequena acumulação nas raízes está. no sentido descendente. metabolismo. então. elevadas temperaturas e adequado suprimento de água no solo) são também favoráveis à translocação dos produtos que se movimentam pelo sistema apoplástico.6-TBA . podendo causar danos às plantas adjacentes às tratadas. sendo exsudado. indicando ser este um processo que requer energia. 2. é rapidamente absorvido e translocado para todas as partes da planta. que é a striga (erva-debruxa). o que pode representar importante rota de passagem dos herbicidas do apoplasto para o simplasto. apesar de ser bastante móvel no sentido basípeto da planta.Translocação de alguns herbicidas Dicamba . visando reduzir o sombreamento de culturas como o cacau. pelas raízes. até certo ponto. ele se transloca até as raízes e. translocação.3.Herbicidas: absorção. 2. as condições ambientais favoráveis à transpiração (umidade relativa baixa. a concentração do produto diminui nas raízes e nas folhas fotossintetizadoras e se concentra nas regiões meristemáticas desta. não se acumulam na raiz por causa do fenômeno da exsudação. semelhante ao 2. podendo. em grande proporção. para folhas e pontos de crescimento da planta.3 . ele se acumula nos pontos de crescimento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas radiculares de células endodérmicas jovens e na região basal das raízes laterais em desenvolvimento (LUXOVÁ. pode controlar uma séria invasora do milho. o picloram é.1.

O sítio de ação dos herbicidas deste grupo é a enzima AHAS (ácido aceto hidroxi sintase).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Uréias . Ocorre paralisação da translocação em aveia uma hora após o tratamento. translocação. dentro de 30 minutos elas podem ser detectadas no topo da planta.a maioria das triazinas são mais facilmente absorvidas pelas raízes. eles são considerados herbicidas de contato. enquanto a translocação no milho continua por muito tempo. Quando aplicadas às raízes das plantas. Aplicados às folhas. Altas concentrações destes produtos são encontradas em glândulas ricas em óleo (verdadeira barreira à translocação destes herbicidas) localizadas ao longo do caule e nas folhas da planta. em solução nutritiva. em menor proporção. em plantas de algodão. porém se translocam apenas do ponto de aplicação para as extremidades da parte da planta onde foram aplicadas. a translocação da folha para o caule parece não estar relacionada com a lipofilicidade. atingindo. Quando o paraquat é aplicado no escuro. Os estômatos fecham-se porque o herbicida. A translocação das raízes para os caules parece estar relacionada com a lipofilicidade das imidazolinonas. aparecem os sintomas de toxidez. por causa do fechamento dos estômatos (redução na taxa de transpiração). caules e raízes e se trans¬locam via floema ou xilema até os pontos de crescimento. penetram no simplasto. onde. onde inibem a síntese de aminoácidos.3 . Outros autores admitem que a translocação ocorrida na planta seja por difusão causada pelo rompimento das células. como metribuzin. principalmente. que é concentrada nos tecidos meristemáticos. inicialmente. concentrando-se nas extremidades das folhas. os cloroplastos. mas pouco ativo em Avena fatua. fluometuron e linuron. de alguma forma. como herbicidas não translocáveis nas plantas. em razão de sua rapidez de ação. Fatores que reduzem a transpiração da planta reduzem também a sua translocação. A taxa de absorção decresce algum tempo após a aplicação. metabolismo. principalmente quando aplicados durante o dia. Algumas. A sua velocidade de ação é proporcional à intensidade luminosa. ametryn e atrazine.os derivados da uréia substituída são translocados exclusivamente via apoplástica. sob forte intensidade luminosa. Imidazolinonas . Bipiridílios – são considerados. A diferença de translocação do imazaquin pode ser a causa das diferenças na susceptibilidade entre as espécies. principalmente nos cloroplastos. parece que ele atinge o xilema antes de necrosar o tecido e se move com a corrente transpiratória tão logo a planta seja exposta à luz. portanto. Triazinas . mais rápida é absorvida pelas raízes e mais rápida é a translocação para o caule. onde atuam. promove o acúmulo de CO2 na câmara subestomática. na prática. Aparentemente. Alguns trabalhos mostram que a translocação é aumentada pela redução da umidade relativa (elevação da transpiração). são também absorvidas pelas folhas. Aplicados às raízes.Herbicidas: absorção. Módulo 3.estes herbicidas são absorvidos por folhas. Algumas uréias. sendo todas elas translocadas exclusivamente via xilema. quanto mais lipofílica for a imidazolinona. são bastante toleradas pelos citros e pelo algodão. ao inibir a fotossíntese. Na prática. principalmente diuron. espalham-se por toda a planta. Imazaquin é muito ativo no milho. eles não se translocam de uma folha para outra. formulação e misturas 119 . As triazinas também se acumulam em glândulas ricas em óleos. Assim. Entretanto. a pequena translocação do produto ocorre pelo sistema apoplástico. Contudo.

transformando-se em composto tóxico (2. na época da colheita das estruturas utilizadas para a alimentação. valina. na planta. o estudo de seus metabolismos é relativamente recente. etc.4-DB → β oxidação → 2. A maioria das plantas degrada a cadeia do ácido acético.6 T. com conseqüente conjugação desta hidroxila com constituintes da planta. A hidroxilação na posição ‘3’ e a sua conseqüente conjugação com glucose e. Uma das maneiras pelas quais as plantas se livram destes produtos é através do metabolismo destes.3 . também. ácido glutâmico. Derivados dos ácidos fenóxicos Há três mecanismos básicos envolvidos no metabolismo dos derivados do ácido fenóxido acético (Figura 6): • degradação da cadeia do ácido acético. mas. É muito importante saber se o herbicida é metabolizado ou não. como a alfafa.4-D são: ácido aspártico. translocação. As agências governa¬mentais estabelecem limites de tolerância de resíduos dos produtos na planta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 .4-D). inibidores da ALS e da ACCase). causando a inativação do herbicida. A transferência do cloro da posição '4' para a posição '3' e a passagem do cloro da posição '5' para posição ‘6’ do 2. • hidroxilação do anel aromático.Metabolismo dos herbicidas nas plantas A seletividade dos herbicidas pode ser atribuída a numerosos fatores. metabolismo o da molécula é uma das principais causas da seletividade. 120 Módulo 3. alanina. também o inativam. ou. há hidroxilação na posição anterior do cloro. formulação e misturas . na passagem do cloro de uma posição para outra. O 2. A hidroxilação na posição ‘para’ inativa o produto.Herbicidas: absorção. do metabolismo dos herbicidas nas plantas apenas em relação à sua detoxificação. mas somente algumas espécies o degradam em velocidade suficientemente rápida para aumentar ou proporcionar a sua tolerância ao produto. leucina. Os compostos geralmente encontrados em conjugação com 2. metabolismo. Normalmente. aminoácidos também são mecanismos de inativação do 2. Algumas leguminosas. fenilalanina e triptofano.5 T.3. Tratar-se-á. Para vários grupos de herbicidas (ex.4-DB também é metabolizado por algumas plantas (Figura 7). metabolismo. Embora os herbicidas venham sendo usados há mais de 50 anos. É importante saber não só que o herbicida é metabolizado. incluindo absorção. conhecer os seus metabólitos e a forma como são metabolizados.4. translocação. e • conjugação do composto com constituintes da planta.4-D. o toleram. aqui. formando o 2.: auxínicos.

4-DB a 2.4-D ou o fazem muito lentamente.Biotransformação e rotas metabólicas do 2.4-D em plantas superiores Triazinas Algumas plantas. principalmente gramíneas como milho. são altamente tolerantes às clorotriazinas (atrazine e simazine). antes da saturação dos sítios de ação do produto. elas são rapidamente degradadas (Figura 8).Herbicidas: absorção.4-D em plantas superiores Figura 7 – β oxidação do 2. enquanto em espécies suscetíveis (feijão e pepino) a degradação Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas porque não o transformam em 2. Em espécies tolerantes. formulação e misturas 121 . translocação. Figura 6 .3 . dando tempo para que outros processos metabólicos realizem a sua degradação. A taxa de degradação das triazinas em plantas superiores varia grandemente com as diferentes espécies. metabolismo. sorgo e cana-de-açúcar.

o que favorece a tolerância das plantas a estes herbicidas. 122 Módulo 3. A substância catalisadora dessa reação foi identificada como benzoxazinona. translocação. primariamente. mas a hidroxilação é mais intensa nas raízes. Esta substância ocorre em toda a planta de milho. demetoxilação e dealquilação na posição ′N′ e por conjugação com peptídeos. a taxa de degradação das triazinas parece ser.Biotransformação e rotas metabólicas de atrazine em plantas superiores Os processos de inativação ocorrem pela hidroxilação. Extratos das raízes e da parte aérea do milho são capazes de hidroxilar as clorotriazinas. Glutation-Stransferase é a enzima envolvida nessa conjugação. metabolismo. Figura 8 .3 . Também pode ocorrer conjugação das triazinas com peptídeos. Portanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas é mais lenta. O metabolismo do metribuzin nas plantas superiores pode ser observado na Figura 9. formulação e misturas . A N-dealquilação é outra rota do metabolismo das triazinas. indicando que nestas a benzoxazinona é mais ativa.Herbicidas: absorção. a base de seletividade destes herbicidas às plantas.

metabolismo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 . translocação. e também com a conjugação com os constituintes da planta. Derivados da uréia As principais rotas do metabolismo das uréias substituídas estão relacionadas com a demetilação e. incluindo as de raízes profundas. ainda. Propanil É uma exceção entre as amidas. Entretanto. tanto na planta quanto no solo. não se demonstrou.Herbicidas: absorção. formulação e misturas 123 . ou. o propanil inibe o fotossistema II. É considerado um herbicida completamente metabolizado pelas Módulo 3. Entre os compostos deste grupo. Enquanto estas inibem raízes e pontos de crescimento. a ruptura do anel.3 . É um produto não-seletivo e de elevada eficiência no controle de plantas daninhas perenes.3.Biotransformação e rotas metabólicas do metribuzim em plantas superiores Derivados dos ácidos benzóico A hidroxilação do anel aromático e a sua conjugação com outros constituintes da planta são demonstradas na prática. demetoxilação e deaquilação. formando a correspondente anilina. o 2.6-TBA é considerado um herbicida estável.

ele se acumula e inibe a reação devido à menor atividade da enzima que o degrada. Trabalhos realizados por Redemann e outros.Hidrólise do propanil em plantas de arroz O metabólito 3-4-dicloroanilina formado pode ser conjugado com constituintes da planta.3 . em trigo.4-D é mais ativo que o picloram. por unidade de tempo. citados por Foy (1976). razão pela qual o arroz é tolerante e o capim-arroz. podendo a mistura do propanil com estes compostos causar sensível redução na tolerância do arroz ao propanil ou até perda total de seletividade do propanil a essa cultura. Esta enzima é sensível aos inseticidas carbamatos e fosforados orgânicos. A sua alta atividade como arbusticida e arborecida está relacionada com a sua estabilidade na planta. A enzima envolvida nesse processo (arilacilamidase) é 10 a 20 vezes mais ativa no arroz que no capim-arroz. translocação. A velocidade de sua metabolização influencia decisivamente a tolerância da planta. Figura 10 . sensível. mostraram que somente 17% do picloram tinha sido metabolizado três meses após a sua aplicação. observou-se que o 2. por causa de sua lenta degradação. metabolismo. O 3-4-diclorolactoanilida é um composto intermediário e instável nas plantas tolerantes. como o arroz.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantas tolerantes (Figura 10).4-D com a do picloram (em algumas espécies de plantas latifoliadas). Nas plantas sensíveis. o picloram é mais de 10 vezes mais ativo.Herbicidas: absorção. Comparando a atividade do 2. Entretanto. formulação e misturas . como o capimarroz. considerando-se o tempo de ação. principalmente com diversos tipos de carboidratos. Picloram: É um produto altamente estável na planta e no solo. 124 Módulo 3.

seja como molhantes. mas a tendência atual. ou. Eles podem ser: minerais (formulados com predominância de frações parafínicas de hidrocarbonetos). Os minerais também podem servir como veículo para aplicação de herbicidas. fazendo com que o herbicida penetre. metabolismo. é comercializado em formulações diferentes em várias regiões do mundo. é uma formulação universal que possa ser usada em diversos países.Herbicidas: absorção. antievaporantes e. adicionando substâncias coadjuvantes. pelos estômatos. tendo em vista que o produto final deve ser usado em determinadas condições técnicas de aplicação. segundo Kissmann (1997). espessantes (aumentam a viscosidade). exceto água. que é acrescida na preparação de defensivos para facilitar a aplicação ou aumentar a eficiência ou diminuir os riscos é classificada como adjuvante. molhantes (permitem rápida umectação do produto em contato com a água). às vezes. dispersantes (impedem a aglomeração de partículas). Módulo 3. Os surfatantes ou tensoativos são também adjuvantes. vegetais (apresentam porções variadas de ácidos graxos) e vegetais metilados (sofrem esterificação metílica). Estes compotos causam redução da tensão superficial. Na legislação federal sobre produtos fitossanitários.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . formulação e misturas 125 . também. tamponantes (deixam o pH dentro de uma faixa desejada).3 . translocação. ingrediente ativo é o composto com atividade biológica. O mesmo ingrediente ativo. 1997). por possuírem porções lipofílicas e hidrofílicas na mesma molécula. penetrantes. catiônicos (carregados positivamente) e não-iônicos (neutros). e os ingredientes inertes são os outros compostos adicionados na formulação. Qualquer substância ou composto sem propriedade fitossanitária. adesivos (melhoram a aderência do produto com a superfície tratada). espalhantes. A formulação é a etapa final da industrialização. Eles podem ser aniônicos (carregados negativamente). no Brasil. e surfatantes (agentes ativadores de superfície). para poder cumprir eficazmente sua finalidade biológica. solventes (dissolvem o ingrediente ativo). que não alteram o equilíbrio eletrolítico nas formulações e nas caldas. quelatizantes (tiram reatividade de moléculas e íons). adesivos. Os surfatantes são classificados de acordo com sua carga elétrica ou tendência de ionizar a porção hidrofílica da molécula. Recentemente surgiram os surfatantes à base de organossilicones. que são capazes de reduzir muito a tensão superficial e até induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal. corantes (dão coloração ao produto formulado). Os óleos não-fitotóxicos também têm grande uso como adjuvante. Entre as classes de adjuvantes podem-se citar: emulsificantes (compatibilizam frações polares e apolares). servindo de interface entre as superfícies.Formulação Formular um herbicida consiste em preparar seu ingrediente ativo na concentração adequada. mantendo essas condições durante o armazenamento e transporte (ARAÚJO.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Além da redução da tensão superficial. Argilas e compostos orgânicos em suspenão na água podem absorver alguns tipos de ingredientes ativos. deve apresentar bom espalhamento. Deve também permitir a associação de produtos.2-142. Deve-se salientar que essa dureza é calculada em função do teor de CaCO3 .4-534. por diminuírem ou eliminarem a seletividade de alguns herbicidas e até favorecerem ataques de fungos pela remoção da camada cerosa protetora ou por espalharem os esporos pela superfície vegetal (Kissmann.Herbicidas: absorção. no mínimo. custo. os surfactantes favorecem o espalhamento uniforme da calda na superfície foliar. necessidade de armazenagem e tipo de ambiente em que a aplicação é feita.1 . caso esta já esteja instalada. Também. possível injúria na cultura. assumir conotações negativas em certos casos. causando desnaturação enzimática ou disfunção das membranas e. que deve ser de boa qualidade. permanecer ativa por um longo período. que são inativados parcial ou totalmente.Veículo de aplicação (água) O veículo mais importante para diluir formulações de produtos fitossanitários a serem aplicados por pulverização ou imersão é a água. Os sufatantes podem. danosa a ela. metabolismo. tanto física (sem absorção ou repulsão entre os ingredientes) como química (sem alteração dos compostos) ou biologicamente (a mistura deve ser eficiente para o controle) e ser estável. podem solubilizar substâncias não-polares da folha.2 71. Quadro 3 . aumentam a retenção e melhoram o contato da gotícula.Classes de dureza da água Classes Água muito branda Água branda Água semidura Água dura Água muito dura ppm de CaCO3 71. Uma formulação de herbicida pode ser considerada de boa qualidade se atender aos seguintes requisitos: ser letal à planta daninha ou.4 142. que são os principais causadores da dureza da água. 1997). translocação. Além disso. também. ou seja. especialmente os de Ca++ e de Mg++.0 126 Módulo 3. como sendo fitotóxicos. 1997). tornando-os indisponíveis. boa retenção na superfície da folha. formulação e misturas . perigo de deriva e lixiviação.3 . assim.4-320. e penetração foliar eficiente. nos seguintes fatores: características físicas e biológicas da planta daninha-alvo.0 > 534. tem que ser compatível. A água quase sempre apresenta sais em dissolução.4 320. favorecer mais a penetração do herbicida (RADOSEVICH. A escolha da formulação a ser usada baseia-se. segundo Ozkan (1995). 4. e não afetar os microrganismos benéficos e a cultura. equipamento de aplicação disponível. Um exemplo claro dessa ação ocorre com os compostos catiônicos (paraquat e diquat).

translocação. Adiciona-se geralmente uma substância dispersante. com conseqüente perda da função desses surfatantes. precisa-se de uma agitação contínua no tanque. 700 g kg-1 de metribuzin). Outro fator muito importante que pode influir na estabilidade dos herbicidas e nos resultados é o pH da água. Geralmente. os elementos responsáveis pela dureza da água Ca++ e Mg++ podem substituí-los. As indústrias geralmente já formulam seus produtos para serem compatíveis com 20 até 320 ppm de carbonato de cálcio. 4. basicamente. etc).Formulações sólidas Pó molhável (PM): esta formulação é definida pela ABNT como formulação sólida de pó. formando compostos insolúveis. Pó solúvel (PS): nesta formulação o ingrediente ativo é totalmente solúvel em água. as caldas fitossanitárias apresentam mais estabilidade numa faixa de pH entre 6.2.1 . o que isolaria a carga elétrica e suprimiria a reatividade de íons desta. transformase numa suspensão. com possíveis substituições e formações de compostos insolúveis. Muitos produtos que ficam preparados em água por muito tempo. de duas maneiras: acrescentando um surfatante não-iônico. A dureza da água pode ser corrigida. ou acrescentando um quelatizante na água.Tipos de formulações As formulações apresentam-se. Possui a vantagem de ter. vermiculita. metabolismo.na presença de tensoativos aniônicos contendo Na+ ou K+. Muitas moléculas sofrem dissociação quando em solução. Geralmente. 4. para aplicação. possui 50 a 80% de ingrediente ativo (ex: Sencor BR. no produto comercial. É obtida pela moagem do ingrediente ativo absorvido em material inerte (sílica. formulação e misturas 127 . Valores extremos de pH podem afetar a estabilidade das caldas. Grânulos dispersíveis em água (GRDA ou dry flowable): é uma formulação sólida constituída de grânulos. O ingrediente ativo sólido está na forma de grânulos. após dispersão em água. que representa água semidura.Herbicidas: absorção. cuja velocidade depende do pH. adicionado em água. o que reduziria a tensão superficial dos líquidos. Durante a aplicação. maior concentração de Módulo 3. para evitar floculação e aumentar a establilidade da suspensão. podem sofrer degradação por hidrólise.3 . e a constante de dissociação também é dependente do pH. e este. sob a forma de suspensão. para aplicação sob a forma de suspensão após desintegração e dispersão em água. não requerendo agitação durante aplicação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A dureza da água interfere na qualidade das caldas dos herbicidas de duas maneiras: Nas formulações .2 .5. segundo Kissmann (1997). Nos ingredientes ativos . antes da aplicação.ingredientes ativos à base de ácidos ou sais podem reagir na presença dos cátions Ca++ e Mg++ . nas formas sólida e líquida.0 e 6. descaracterizando sua ação biológica.

Concentrado emulsionável (CE): é uma formulação líquida homogênea. e um agente emulsificante. Para que um produto seja formulado como solução. A solubilidade mínima necessária é de 12%.Herbicidas: absorção. para aplicação após diluição em água. 4-D). Neste tipo de formulação. 200 g kg-1 de molinate). Devido à sua pouca penetração foliar. Esta formulação contém as fases ‘oleosa’ (contendo o ingrediente ativo e o solvente orgânico surfatante) e ‘aquosa’ (que também pode conter 128 Módulo 3. VALE. são mais seletivos. têm maiores custos e dependem de equipamentos adequados para aplicação e de umidade no solo para liberar o ingrediente ativo (ex. para aplicação após a diluição em água. diferindo-se por possuírem partículas de maior tamanho.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas princípios ativos. composta do soluto. constituída de uma dispersão estável de ingredientes ativos na forma de partículas sólidas e de finos grânulos na fase aquosa. metabolismo. Emulsões são sistemas termodinamicamente instáveis que consistem em dois líquidos imiscíveis. que pode ser água. Suspensão concentrada (S) ou “flowable”: é uma formulação constituída por uma suspensão estável de ingrediente(s) ativo(s) num veículo líquido. que pode conter outro(s) ingrediente(s) ativo(s) para aplicação após a diluição. 700 g kg-1 de imazaquin). sob a forma de emulsão. sendo um deles disperso como glóbulos de pequeno tamanho dentro do outro. Em geral. como a vermiculita. dissolvido no solvente. Seu processo de obtenção é o mais simples e barato. Granulados (GR): os grânulos são constituídos de veículos minerais. podem ser aplicados em locais de difícil acesso. menor volume de calda para aplicação (ex: Scepter 70 DG. Suspo-emulsão: é uma formulação fluida e heterogênea. A importância desta formulação reside na possibilidade de poder compatibilizar dois tipos de formulações diferentes. 960 g L-1 de metolachlor). formulação e misturas .3 . adiciona-se geralmente um surfatante (ex. 110 g L-1 de fenoxaprop-p-ethyl). Pellets ou pastilhas: possuem ampla similaridade com os granulados. Como vantagens estão a ausência do pó. translocação. álcool. permanece por longos períodos em suspensão (mistura mais homogênea) e provoca menos desgaste nos bicos (ZAMBOLIM. basicamente. com um solvente nãopolar (o ingrediente ativo). e do solvente. sendo uma alternativa ao concentrado emulsionável (ex. o princípio ativo sólido (micropartículas) é mantido suspenso em água. com isso.Formulações líquidas Soluções (S): esta mistura é de natureza homogênea.: Dual 960 CE.: Ordran 200 GR. e de princípio ativo. a baixa toxicidade e o fácil manuseio (ex. ele deve ser solúvel em pelo menos 25% por litro do solvente. etc.: Podium. O concentrado emulsionável conta. que é o ingrediente ativo.2. Microemulsão: é um caso específico de emulsão. Emulsões concentradas: esta formulação é uma emulsão de ingrediente ativo de baixo ponto de fusão ou líquido.: Karmex 500 SC. acetona. 1997) (ex. 4. requerendo. dispensam o uso da água. 670 g L-1 de 2. 500 g L-1 de diuron).: DMA 806 BR.2 . Possui maior penetração foliar. cuja concentração varia de 2 a 20%.

como: • Controle de maior número de espécies de plantas daninhas e redução do risco de aparecimento de genótipos resistentes. além de surfatante). a necessidade de reduzir os custos de produção da cultura tem levado os produtores. • Aumento da segurança da cultura. • Redução de resíduos na cultura e no solo devido ao uso de doses menores. A aparência é de um líquido transparente. translocação. ou mesmo com outros agroquímicos/pesticidas. visando obter o máximo de controle de plantas daninhas e minimizar injúrias às culturas. Há menor chance de a cultura ser injuriada. Houve grande expansão no uso de misturas e na aplicação sequencial de vários herbicidas em um único ciclo cultural. o manejo de herbicidas. homogêneo (ex.3 .1 . que lhes conferem comportamento diferenciado (susceptibilidade. A idéia de combinação de herbicidas para controlar seletivamente plantas daninhas em culturas desenvolveu-se posteriormente. a preparar misturas de herbicidas com diferentes princípios ativos. • Redução de custos: o menor custo de aplicação. • As misturas foram primeiramente usadas para o controle não-seletivo e seu uso contínuo tornou-se importante. metabolismo. bem como os fabricantes.: Robust: 200 g de fluazifop-p-butil + 250 g L-1 de fomesafen). tolerância ou resistência) em relação aos herbicidas utilizados. devido ao uso de doses menores de cada herbicida misturado. Deve-se dar preferência às misturas prontas. entretanto. requer grande cuidado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ingrediente ativo solúvel em água. 5 . Módulo 3. quando comparadas com aplicação de um princípio ativo isoladamente. o controle mais efetivo de plantas daninhas e as menores quantidades de herbicidas aplicadas geralmente reduzem o custo total do manejo.Herbicidas: absorção. É mais efetiva que uma única dose de um herbicida. 5. entre outros aspectos.Misturas de herbicidas O controle de plantas daninhas visa.Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas A aplicação de misturas de herbicidas pode oferecer vantagens. Além desse fato. reduzir ou eliminar a competição destas com a cultura É importante lembrar que existem centenas de espécies de plantas daninhas e que estas apresentam as mais variadas características morfológicas e fisiológicas. especialmente as misturas. além do conhecimento a respeito das interações entre os produtos. especialmente dos componentes mais persistentes. formulação e misturas 129 .

etc. causada pela incompatibilidade. pela adição de outro herbicida mais efetivo sobre determinada espécie de planta daninha predominante. separação de fase.Incompatibilidade Quando dois ou mais herbicidas são combinados. é evitar possíveis incompatibilidades dos componentes da formulação. por exemplo. metabolismo. • Efeitos aditivos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é igual à soma dos seus efeitos quando aplicados separados.Herbicidas: absorção. juntos (misturados no tanque) ou ainda podem ser formulados juntos (comercializados numa mesma embalagem). • Efeitos antagônicos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é menor que a soma dos seus efeitos quando aplicados separadamente. translocação. resultando em formação de precipitados. uma das vantagens da mistura formulada.2 . A incompatibilidade denota a inabilidade de dois ou mais herbicidas em serem usados simultaneamente. de modo que sua aplicação não pode ser executada. A mistura de um herbicida formulado como pó-molhável. Fatores como solubilidade. complexação. 130 Módulo 3. 5. com outro formulado como concentrado emulsionável tem elevada tendência a apresentar incompatibilidade física. eles podem ser aplicados separadamente (um após o outro). 5.Interações entre herbicidas O termo interação descreve a ação conjunta dos herbicidas nas plantas. dependendo do modo como foi feita a mistura.. carga iônica e outros parâmetros físicos são responsáveis pela redução do desempenho dos produtos. • Pode melhorar o controle de plantas daninhas pela ampliação da seletividade. formulação e misturas . É a relação da efetividade de um material com o outro. • Melhores resultados em campos com variados tipos de solos. em relação à de tanque.3 . que resulta numa rápida sedimentação dos componentes da mistura. Estes herbicidas pré-misturados ou em misturas no tanque do pulverizador podem ser mais eficientes ou não. Por isso.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Controle por um período maior. em razão da possível ação sinergística na planta daninha e ação antagônica sobre a cultura. Quando dois ou mais herbicidas são aplicados juntos. Menor desempenho da mistura pode ser resultado de qualquer incompatibilidade física ou biológica. A incompatibilidade física é usualmente causada pela formulação e suas interações.3 . podem ser observados os seguintes efeitos sobre as plantas: • Efeitos sinérgicos: quando o efeito dos herbicidas aplicados juntos é maior que a soma dos efeitos isolados.

O efeito da interação entre dois herbicidas pode ser estimado pela equação a deguir: em que: X = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida A e p L ha-1. os inibidores de lipídios não devem ser misturados com 2. translocação. etc.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É interessante lembrar que esses efeitos podem ser diferentes entre espécies de plantas. a fitotoxicidade de alguns herbicidas tem mostrado ser influenciada por alguns inseticidas organofosforados ou metilcarbamatos. a mistura é antagônica. chlorsurfuron. metabolismo. etc. 2005) A tolerância do milho a este herbicida é devido ao rápido metabolismo deste. inibição do metabolismo. resultando em menor efeito dos herbicidas sistêmicos. É o antagonismo químico. • Se a resposta observada foi menor que a esperada. Várias misturas sinergísticas de herbicidas têm sido reportadas. 5. Organofosforados estão envolvidos com interações com nicosulfuron (SILVA et al. Também pode ocorrer a redução da penetração foliar. O antagonismo em misturas de tanque acontece quando uma reação adversa ocorre entre os herbicidas na solução. Inseticidas organoclorados não têm apresentado interações com herbicidas. este metabolismo. • Se a resposta observada for maior que a esperada. chlorimuron. seria ideal que a mistura apresentasse efeitos antagônicos para a cultura e sinergísticos para as plantas daninhas. As bases para essa interação podem ser: aumento da penetração foliar dos herbicidas aplicados em pós emergência.4-D. imazaquin. X+(100-Y) é a toxicidade esperada da mistura.Herbicidas: absorção. • Se a resposta observada for igual à esperada. A redução da penetração pela raiz pode resultar em antagonismo e aumentar a seletividade da cultura. a mistura é sinérgica. O antagonismo do fenoxaprop com MCPA éster aumentou a tolerância do trigo sem reduzir o controle da aveia-brava (JORDAN. bentazon. O antagonismo também ocorre quando um herbicida de contato é aplicado com glyphosate ou com herbicidas auxínicos. e E = percentagem ‘esperada’ de inibição do crescimento pelos herbicidas A+B a p+q L/ha. A absorção e a translocação do glyphosate ficam prejudicadas.. aumento da translocação. imazethapyr. Do ponto de vista prático. WARREN. por exemplo.3 . MCPA. inseticidas organofosforados podem inibir. principalmente quando a formulação éster do MCPA é usada. ou reduzir. por exemplo. interações dos mecanismos de ação dos herbicidas envolvidos.4 . Y = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida B e q L ha-1. a mistura é aditiva. É o caso do trifluralin e diuron em algodão e trifluralin e metribuzin em soja. entre o paraquat e o MCPA dimetylamina. 1995). Então. etc. formulação e misturas 131 . induzindo o Módulo 3. entretanto.Interações de herbicidas com inseticidas em mistura Em geral.

porém sem nenhuma base científica. translocação. metabolismo. viabilizam a aplicação desses insumos de uma só vez. às vezes.3 . fomesafen e imazamox.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surgimento de sintomas de intoxicação nas plantas da cultura. Esses resultados. É interessante ressaltar o antagonismo entre phorate (Thimet). O organofosforado terbufos (Counter) tem causado maiores problemas na prática. 5. são usados por alguns produtores. Os mecanismos dessa interação não são bem conhecidos. 132 Módulo 3. em mistura com os herbicidas fluazifop-p-butil+fomesafen. A aplicação de molibdênio na cultura do feijão. bentazon. se confirmados. formulação e misturas . Os inseticidas protegem o algodão de alguma toxicidade do clomazone. em ensaios preliminares apresentou efeitos aditivos. disulfoton (Disyston) e o clomazone em algodão. A aplicação do terbufos em milho é antagonística aos resíduos do imazaquin no solo e tem dado considerável proteção ao milho. Interações de herbicidas com fertilizantes em mistura Os herbicidas em misturas com fertilizantes.Herbicidas: absorção.5.

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5. 3. S.3 . Quantificação dos herbicidas glyphosate e sulfosate na água após simulação de chuva. M. F. Water permeability and fine structure of cuticular membranes isolated enzimatically from leaves of Clivia miniata Reg. N. R. 18. R. L. 2000.. M.... A. A. KNOCHE. 21. G.) Beauv. PRICE. MENEGEL. ALMEIDA. 1975. F. 1981. H. C. KISSMANN. 74.. C. Z. Dordrecht: Kluwe Academic Publishers.Herbicidas: absorção. L. p. PIRES. MERRIDA. SILVA. v. FERREIRA. G. New York: Wiley & Sons. Guia de herbicidas. p. p.. SCHMIDT. R.. v. CIAMPOROVÁ. J. 1982. M. 1997. LOADER. Aplicações seqüenciais e épocas e doses e aplicação de herbicidas em mistura com chlorpirifos no milho e em plantas daninhas.. 20. Londrina. 1982. In: KOLEK. A. 2005. E. 221-239. PR: Edição dos Autores. A.. Penetration of 2. 253. F. p. ZAMBOLIM. (Eds. v. V. 1997. J.. Planta Daninha. v. Herbicide formulations. RODRIGUES. J. L. Palestras e mesas redondas..I. 263-276. 3. n.ed. v. 61. metabolismo. adjuvants and spray drift management. C.. OLIVEIRA. A. Amer. E.. L. formulação e misturas . VALE. p. NORRIS.. CARDOSO. T. T. 1994. W. E. H. 23. A. Effect of ammonium sulphate and other additives upon the phytotoxicity of glyphosate to Agropyron repens (L. A.. In: CLUTER. 589 p. 139. 189 p.. A. 72. RADOSEWICH. SILVA.) London: Academic Press. K. 204 285. (Eds.P. New York: John Willey Y Linos. Brasília. K. C. n. Viçosa. HOLT. K. Organosilicone surfactant performance in agricultural spray application: a review. Maecel Dexker. Pflanzenphysiol.. 1997.4-D in relation to cuticle thickness. A. SILVA. JAKELAITIS.. LUXOVÁ. SCHONHERR. translocação. Bot. p. 591 p.. KLINGMAN. M.. Weed Sci. 41.. S. 1992. Root Structure. N... K. Mechanism of herbicide absorption across plant membranes and acumulation in plant cells... p. Handbook of Weed Managemment Systems. F. The use of model system to study the cuticular penetration of 14C-MCPA and 14C-MCPB. LIVINGSTONE. M. KIRKBY. Caxambu. 665 p. F. M. 2005. p. In: CONGRESSO BRASILEIRO DA CIÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS. 217-243.. 1974 OZKAN. TURNER. P. 1994. in the plant cuticle. M. X. E. KOZINKA. Adjuvantes para caldas de produtos fitossanitários. Weed Res. 1997. 134 Módulo 3. 34. D.) Physiology of the plant root sistem. In: SMITH. A. FERREIRA. CHERSA. 1980. C. 527-534. 491-499. Weed science – principles and practices.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas KIRKWOOD. 42. FREITAS. A. ALVIN.ed. Weed Res. R. 42 p. F. MG: SBCPD. Inc. STERLING. Mod. p. Planta Daninha. 2. MCKAY. I.. p. 105. Inc. MG. 431 p. Controle de doenças de plantas.. Principles of plant nutrition. F. M. Georgia. Bern/Switzerland. I. v. Weed ecology implications for management. R.. D. B. V.. 1995.. v. Ced. ASHTON. J.

Herbicidas: comportamento no solo 135 . Rubem Sillvério de Oliveira Júnior Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior . Rafael Vivian Profº.Manejo de plantas daninhas 3.4 . Jose Barbosa dos Santos Profº.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 . Antonio Alberto da Silva Profº.4 .Herbicidas: comportamento no solo Tutores: Profº.DF 2006 Módulo 3.ABEAS Universidade Federal de Viçosa .

Processos de transformação. 166 3.Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in).3 .Herbicidas: comportamento no solo .Pressão de vapor (P). 147 2.1 – Persistência. 158 2. 170 4.7 – Dessorção.2.pH do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.5. 162 3.1 .2 . 150 2. 158 2.5 . 141 2.Relação entre PV e S. 142 2.3 . 141 2. 164 3. 154 2.2.Absorção pelas plantas.2.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas.2.2 .4 – Sorção.6. 167 3.3 .1 – Precipitação.2 . 139 2 .5.Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo.4 – Solubilidade.1 .4.1 . 155 2.6 .Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação.2 . 175 4. 167 3.4.Degradação química.Importância do estudo de herbicidas no solo. 140 2. 162 3.4 . 170 4.2 – Volatilização.6.Processos de retenção.1 .Fatores que influenciam a volatilização.Isotermas de sorção.2. 150 2. 141 2.5.2.Relação entre KH e incorporação de herbicidas. 158 2.Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas.Alternativas para redução de perdas por volatilização.1 .3 – Adsorção.2 . 160 3 . 138 1 . 144 2. 162 3. 175 136 Módulo 3.Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa).5 .4 – Lixiviação.Textura e mineralogia.Estimativa da sorção. 167 4 .Coeficiente de partição octanol-água (Kow).6 . 161 3.2 – Absorção.3 . 166 3.Processos de transporte. 164 3.

4 .Herbicidas: comportamento no solo 137 . 182 5. 178 5.Considerações finais.Problemas relacionados aos herbicidas residuais.3 . 188 Módulo 3. 186 Referências bibliográficas.A fitorremediação como mecanismo de biorremediação. 179 5.2 .Estratégias para o sucesso da fitorremediação. 183 6 . 177 5 – Fitorremediação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.1 .4 .Fotodecomposição ou fotólise.

4 . As práticas agrícolas. da capacidade de sorção do solo. a qual está relacionada à atividade microbiológica. Os exemplos apresentados destacam os estudos mais relevantes com herbicidas em solos. constitui-se prática indispensável para a agricultura em larga escala. pois elevados índices de sorção podem comprometer a eficiência do herbicida. Ao atingirem o solo. tornando-se indiscutível a utilização de herbicidas no sistema agrícola.Herbicidas: comportamento no solo . Neste capítulo são apresentados os principais conceitos relacionados ao comportamento de herbicidas no solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O uso do controle químico em plantas daninhas. Com isso. os estudos envolvendo a sorção de herbicidas em solos brasileiros sob condições de clima tropical são também fundamentais para avaliação da eficiência de controle das plantas daninhas do local. para que seja preservada a qualidade final dos produtos colhidos. 2001) e acabam alcançando direta ou indiretamente o solo. são responsáveis por grande parte da degradação desses recursos. O seu tempo de permanência no ambiente depende. o qual atua como o principal receptor e acumulador desses compostos. juntamente com os processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente. entre outros fatores. observa-se maior preocupação quanto à contaminação do ambiente e a utilização racional dos recursos hídricos e do solo. ou perdurar por meses ou anos. No entanto. além da sua taxa de degradação. 138 Módulo 3. para compostos altamente persistentes. cresce a importância do entendimento do destino final dessas moléculas e do estudo do comportamento no ambiente onde são aplicados. como o que ocorre para algumas moléculas simples e não-persistentes. entretanto. especialmente o solo e a água. Nos últimos anos. Embora escassos. o qual pode ser extremamente curto. biodisponibilidade e recalcitrância do herbicida. atualmente. assim como dos próprios recursos naturais que sustentam a produção. permitindo maior compreensão da dinâmica desses compostos no ambiente. da dinâmica do fluxo hídrico e do transporte de solutos. é fundamental que eles sejam adequadamente aplicados. inicia-se o processo de redistribuição e degradação dos herbicidas aplicados. Outro fator relevante é que 60 a 70% do total dos pesticidas aplicados nos campos agrícolas não atingem a superfície alvo de interesse (LAW.

É responsável também pela ciclagem dos nutrientes. além da remediação e imobilização de poluentes (GRANATSTAIN.Herbicidas: comportamento no solo 139 . Promove a retenção e o movimento da água. 2001). sendo responsável pelo suporte físico e de armazenagem dos nutrientes para as plantas. suportando as cadeias alimentares. a sua avaliação é de difícil mensuração e repetibilidade. transformação e transporte (Figura 1). que afetam direta ou indiretamente a eficiência no controle de uma planta daninha. PARKING. Módulo 3. 1992). BEZDICEK. embora a capacidade de permanência do herbicida e sua degradação no solo sejam um processo-chave na determinação do fato que este terá ou não efeito na qualidade ambiental (Hinz. conhecer os fatores do ambiente. química e biológica (DORAN. No entanto. embora esses processos sejam descritos de forma isolada. 1994). atividade e diversidade microbiana. uma vez que o herbicida é uma substância exógena ao meio. de modo a minimizar os eventuais efeitos negativos que a sua presença possa causar ao ambiente. em razão de o solo ser considerado um ambiente heterogêneo sob influência de diversos fatores.Importância do estudo de herbicidas no solo O estudo do comportamento de herbicidas no solo e no ambiente visa pelo menos dois objetivos principais: primeiramente. Atualmente. o estudo do comportamento de herbicidas no ambiente tem sido realizado através de estimativas das tendências a que estes estão sujeitos em função de três principais processos: retenção. procura-se descobrir as interações do herbicida com os componentes do solo. Outro fator relevante é que o solo atua na manutenção dos processos vitais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . que interagem entre si. onde interagem inúmeros processos de ordem física. segundo. além do próprio herbicida.4 .

a partir da superfície do solo na forma de solução.4 . o que resulta na dissipação destas. transporte e transformação de um herbicida aplicado ao solo 2 .Representação esquemática da interação entre processos de retenção. normalmente. Entretanto.Herbicidas: comportamento no solo . A retenção refere-se à habilidade do solo de reter um pesticida ou outra molécula orgânica. constantemente. movimentar-se ou sofrer transformação física. por sua vez. quando em contato com o solo. o processo de retenção constitui-se num dos processos mais importantes para prever a movimentação dos herbicidas no solo e sua taxa de degradação (física. o processo de retenção. Sabe-se que as moléculas dos herbicidas. precipitação e adsorção. estão sujeitas aos processos de movimento. Como os herbicidas movem-se. assim como conhecer qual a eficiência quando estes forem aplicado para o controle de plantas daninhas. A distinção entre adsorção verdadeira (na qual camadas moleculares se formam na 140 Módulo 3. química e biológica). química e biológica. pode ser entendido como um processo geral de sorção de herbicidas no solo. Entretanto. transporte e retenção. evitando que ela se mova tanto dentro como para fora da matriz do solo.Processos de retenção O solo é um sistema aberto e dinâmico no qual os seus constituintes podem.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 . a compreensão dos fatores que regulam as interações de retenção é essencial para entender o comportamento dessas substâncias no solo. que engloba mecanismos específicos de dissipação dos herbicidas: absorção.

a adsorção de herbicidas no solo depende das propriedades deste e do composto aplicado. Segundo Gevao (2000). em razão disso. Dificilmente ocorrerá a absorção de herbicidas por partículas minerais ou orgânicas do solo. distribuição. o herbicida pode ser adsorvido às partículas coloidais (orgânicas e minerais) do solo ou sofrer repulsão. o termo adsorção é normalmente substituído por um outro mais geral. Na prática. resultando num aumento da concentração na solução do solo. ainda. em alguns casos. 2. distribuição de cargas.Herbicidas: comportamento no solo 141 . estrutura molecular. ou. Contudo. denominado de sorção (KOSKINEN.4 . provocado pelo incremento da energia cinética das moléculas. a adsorção por ligações químicas.1 . As quantidades do herbicida adsorvido aos constituintes do solo são diretamente proporcionais à superfície específica do material coloidal e decresce geralmente com o aumento da temperatura. a adsorção é usualmente determinada apenas através do desaparecimento da substância química da solução do solo. Além disso. podendo favorecer. solubilidade. a velocidade das reações químicas aumenta com a elevação da temperatura. HARPER. entre outros. configuração. Esta é a razão pela qual os estudos de adsorção conduzidos em laboratório são realizados em condições de temperatura constante.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superfície de uma partícula de solo).2 .Precipitação A formação de precipitados entre as moléculas de herbicidas pode ocorrer pela junção das partículas dos argilominerais com o herbicida por ligações covalentes de alta força. polaridade. seja ele avaliado em condições laboratoriais ou em Módulo 3. pela formação de uma fase sólida separada na superfície de uma partícula sólida do solo.Adsorção A adsorção caracteriza-se por um fenômeno temporário pelo qual uma substância dissolvida se fixa a uma superfície sólida ou líquida. obtendo-se as curvas denominadas de isotermas de adsorção. 2. precipitação (na qual tanto uma fase sólida separada se forma nas superfícies sólidas como ligações covalentes com a superfície da partícula de solo acontecem) e absorção dos herbicidas pelas plantas e organismos é difícil. principalmente com os constituintes orgânicos do solo. abordadas posteriormente. funções químicas. Dependendo do sentido dessa força. 1990).Absorção O termo absorção é usado especificamente quando as moléculas do herbicida são absorvidas pelo sistema radicular e outras partes subterrâneas das plantas. as quais incluem tamanho. 2. o processo adsortivo de herbicidas. natureza ácido/base dos herbicidas. Essa fixação ocorre por interação de forças da superfície do adsorvente (solo) e do adsorvato (herbicida).3 .

1993). Figura 2 . depende do tempo de equilíbrio alcançado pelo material adsorvente (solo) e o adsorvido (herbicida).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas campo. ligações hidrofóbicas. Entre as forças físicas. ocorrendo comumente em moléculas grandes de herbicidas. ligações eletrostáticas. absorção e precipitação. com alta massa (SCHWARZENDBACH et al.4 ..Sorção Sorção refere-se a um processo geral. com força muita fraca. reações de coordenação e ligações de troca. pontes de hidrogênio. podendo ocorrer interação entre uma molécula polar e outra apolar. As pontes de hidrogênio caracterizam-se por formar uma interação dipolo-dipolo. sem distinção entre os processos específicos de adsorção. atmosféricos e aquáticos. a mais importante é a força de Van der Waals. envolvendo mole¬culas sem dipolo permanente. As pontes de hidrogênio são produzidas pelas atrações eletrostáticas entre o núcleo eletropositivo do hidrogênio e pares de elétrons expostos de átomos eletronegativos. expressando a atração elétron-núcleo. devido a um sincronismo no movimento eletrônico. O processo individual de sorção é profundamente complexo. o qual varia em função do mecanismo e da velocidade das reações envolvidas (Figura 2). em virtude da heterogeneidade do solo e da sua continuidade com sistemas biológicos. Essa força é extremamente fraca e de curtíssima distância. 2. Esse tipo de ligação é muito mais importante nas ligações das moléculas dos herbicidas sobre a superfície da matéria orgânica do que pela 142 Módulo 3.Herbicidas: comportamento no solo .Representação da determinação do tempo de equilíbrio necessário nos estudos de adsorção de herbicidas em solos As forças responsáveis pelas reações de sorção dos herbicidas no solo incluem: forças físicas.4 . entre outras.

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superfície das argilas e ocorre com compostos contendo grupos >C=O + grupos –NH (ou –COOH, OH, >C=O ou – NH2) (Figura 3).

Figura 3 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por pontes de hidrogênio. Fonte: Senesi (1992).

Ligações hidrofóbicas estão associadas com a sorção de herbicidas apolares, os quais competem com as moléculas de água pelos sítios sortivos. Muitas das moléculas de herbicidas, principalmente os aromáticos, halogenados, fenóis e bifenóis, com baixa solubilidade em água, podem ligar-se à superfície das argilas por meio de ligações hidrofóbicas. Estas ligações são muito favorecidas quando são adicionados ao solo resíduos orgânicos naturais, aumentando o número de sítios hidrofóbicos de ligação. As ligações eletrostáticas envolvem cargas elétricas de superfície, formadas por complexas reações de adsorção, as quais podem ocorrer por adsorção por moléculas de água, por cátions, por troca aniônica e por compostos orgânicos naturais. A adsorção por troca aniônica é importante para solos pouco intemperizados de clima temperado. Contudo, em condições de solos brasileiros, desenvolvidos em condições de clima tropical e subtropical, predominam argilominerais (1:1) e elevados teores de óxidos de ferro e alumínio, com baixa capacidade de formar este tipo de ligação. As reações por coordenação envolvem ligações covalentes, de curta distância, e com sombreamento dos orbitais. São ligações muito fortes e a energia depende do número de elétrons em orbitais moleculares ligantes ou antiligantes. Essas ligações estão presentes, por exemplo, entre os prótons dos grupos funcionais de superfície e os átomos de hidrogênio (Fe-OH, Al-OH, COOH) e N2 (NH2). Esse tipo de ligação, formando complexos de esfera interna, torna difícil a separação e distinção entre o colóide e a molécula do herbicida. A protonação nada mais é que a formação de complexos de transferência de cargas na superfície mineral. Ocorre quando um grupo funcional forma um complexo com a superfície de um próton. O complexo pode ser extremamente estável, desenvolvendo sorção praticamente irreversível. Esse tipo de ligação ou mecanismo tem sido válido para herbicidas do grupo das striazinas, as quais se tornam catiônicas através da protonação, tanto na solução do solo como durante o processo de adsorção (Figura 4) (SCHWARZENDBACH et al., 1993).

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Figura 4 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por protonação do herbicida Fonte: Senesi (1992)

2.4.1 - Estimativa da sorção A avaliação da sorção é feita normalmente por meio da estimativa de coeficientes, denominados coeficientes de partição, coeficientes de partição solo-água, coeficientes de sorção ou constantes de adsorção. Neste capítulo será adotado o termo coeficiente de sorção para denominar a relação entre as concentrações de herbicida em solução e aquelas sorvidas ao solo. O coeficiente de sorção, Kd, pode ser estimado pela relação:

O Kd representa a relação entre a concentração do herbicida que permanece sorvido ao solo Cs (μg g-1) e a concentração do herbicida encontrada na solução de equilíbrio Cw (μg mL-1), para uma determinada quantidade específica do herbicida adicionado. Entretanto, como o teor de carbono orgânico, aparentemente, tem representado melhor a capacidade adsortiva dos herbicidas nos solos, principalmente para os compostos de caráter básico ou não-iônicos (KARICKHOFF, 1981; OLIVEIRA JR. et al., 1999), tem-se corrigido o Kd em relação ao teor de carbono orgânico do solo. A partir dessa normalização do Kd, obtém se o Koc, o qual permite a comparação da sorção entre diferentes solos e é um índice muito utilizado em métodos de classificação de mobilidade e em modelos de simulação do comportamento de pesticidas no solo. A normalização do Kd para o teor de carbono orgânico é feita pela relação:

Em que Koc representa o coeficiente de sorção normalizado para o teor de carbono orgânico do solo (L kg-1) e foc indica o teor (% ou dag kg-1) de carbono orgânico do solo, o qual é obtido dividindo-se o percentual de matéria orgânica por 1,72. Oliveira Jr. (1998), estudando a correlação entre as propriedades dos solos, verificou que os coeficientes de sorção (Kd e Koc) de diferentes herbicidas determinados em solos brasileiros correlacionaram-se significativamente com o teor de carbono orgânico e CTC dos solos para a
144 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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maior parte dos herbicidas. De modo geral, os herbicidas ácidos fracos (imazethapyr, metsulfuron, nicosulfuron e sulfometuron) foram os que apresentaram menor sorção, ao passo que os herbicidas básicos fracos (atrazine, hexazinone, simazine) e não-iônicos (alachlor) foram os mais sorvidos. No Brasil, o Koc tem sido amplamente utilizado para predizer a capacidade de sorção de diversos herbicidas no solo; também é utilizado juntamente com a textura para recomendar as dosagens dos herbicidas. Entretanto, a padronização do Kd em relação ao carbono orgânico do solo não é consenso entre os pesquisadores da área, pois a sorção de herbicidas à matéria orgânica do solo ocorre de forma heterogênea, em função dos mecanismos e da fração orgânica envolvida no processo sortivo, cujos índices podem não representar a realidade. Ao mesmo tempo, o Kd e Koc nem sempre são suficientemente exatos para descrever a sorção de um pesticida em uma faixa considerada de concentração. As relações entre as concentrações em solução e na fase sólida podem, então, ser descritas por isotermas, descritas no item 3.4.2. As estimativas dos coeficientes sortivos apresentados (Kd e Koc) geralmente são conduzidas em condições laboratoriais, empregando-se a cromatografia líquida e gasosa como técnicas analíticas na determinação das concentrações dos herbicidas nas fases sólida (solo) e líquida (solução do solo) propriamente ditas. Entretanto, devido aos custos envolvidos nessas análises, outras formas de estimar a capacidade de sorção desses compostos no solo podem ser utilizadas. Entre elas, a técnica de bioensaio representa um método simples e de grande valia na determinação da capacidade sortiva e de resíduos de herbicidas no solo. Inicialmente, para a utilização dessa técnica, são feitas curvas de dose-resposta para cada composto, utilizando-se plantas indicadoras específicas ao mecanismo de ação de cada herbicida. As curvas de dose-resposta devem ser feitas no solo a ser estudado e em material inerte, preferencialmente areia lavada, isentos de qualquer resíduo. Após a aplicação de doses conhecidas do herbicida, são realizadas avaliações nas plantas indicadoras, as quais incluem fitoxicidade, altura da planta, comprimento de raiz, massa seca da parte aérea e raízes (Figura 5). Após as avaliações, utilizam-se modelos de regressão não-linear, como o proposto por Seefeldt et al. (1995):

em que D e C representam os limites superior e inferior da curva, respectivamente; b, a declividade da curva; e C50, a dose correspondente a 50% de resposta. O limite superior da curva D corresponde à respota média da testemunha e o limite inferior da curva C é a resposta média das plantas que receberam os herbicidas. O b descreve a declividade da curva em torno do C50.

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Figura 5 - Curva de dose-resposta para massa seca da parte aérea (% em relação à testemunha) de Sorghum vulgare, em função de doses crescentes de sulfentrazone (X) em Argissolo Vermelho-Amarelo (– – –) e em areia (____) Fonte: Vivian et al. (2005)

A partir dos dados obtidos de (C50) em solo e areia, utiliza-se a equação a seguir para expressar a relação de adsorção (RA) do solo em relação à resposta obtida em areia para a espécie indicadora (SOUZA, 1994). Considera-se que valores de RA elevados indicam maior capacidade de sorção do herbicida estudado no solo e, conseqüentemente, menor potencial de lixiviação do composto no perfil do solo. Um exemplo de curva de dose-resposta utilizada para o herbicida trifloxysulfuron-sodium em solo e areia pode ser observado na Figura 6. RA = C50solo – C50 areia C50 areia

Figura 6 – Curva de dose-resposta em solo (a) e areia (b) para trifloxysulfuron-sodium

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Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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2.4.2 - Isotermas de sorção Quando se deseja estudar o comportamento dos herbicidas em diferentes concentrações no solo, deve-se observar que a sua sorção geralmente não ocorre de forma linear com o aumento do herbicida adicionado. Isso é devido à capacidade limitada de formar ligações com o material coloidal e a variação do coeficiente de sorção com a temperatura e umidade do solo. Para a determinação de uma isoterma de sorção, é necessário determinar o Kd em diferentes concentrações iniciais do herbicida em solução. As isotermas utilizadas para descrever o comportamento de herbicidas no solo, em diferentes concentrações iniciais, podem ser classificadas, conforme o seu comportamentodo, em S, H, C e. Tipo S: é uma curva não-linear e convexa em relação à abscissa. Inicialmente a adsorção é baixa, mas com o aumento da concentração do adsorvato na superfície adsorvida, ocorre aumento na adsorção pela associação entre as moléculas. Isso ocorre em razão da baixa afinidade do adsorvato pela interferência de outras substâncias. A água é um forte competidor na adsorção à superfície coloidal, e, com o aumento na concentração do soluto, essa competição se reduz. Tipo H: ocorre quando o adsorvato possui altíssima afinidade pelo adsorvente, e a máxima adsorção ocorre em baixas concentrações. Desse modo, até que não ocorra a máxima adsorção, não será possível detectar as moléculas na solução. Esse tipo de adsorção ocorre com moléculas extremamente catiônicas ou compostos orgânicos catiônicos, adsorvendo-se nos minerais das argilas.

Figura 7 – Comportamento das isotermas de sorção
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 147

Existem dois modelos muito utilizados que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas conforme a sua concentração. em função da sua concentração. Figura 8 . e a curva passa a ser de formato linear do tipo C. assim que a concentração deste aumenta. Esse modelo tem sido amplamente utilizado na determinação dos coeficientes de adsorção dos herbicidas no solo para uma determinada temperatura (CLEVELAND.Herbicidas: comportamento no solo . 1996). embora empírico. dando origem ao Kfoc. e 1/n é um fator de linearização. Novos grupos funcionais são criados no processo de adsorção. o coeficiente de adsorção Kf aumenta linearmente conforme aumenta a concentração do herbicida.Comportamento adsortivo do herbicida Clomazone. considera que a afinidade inicial é alta e. diminuem a afinidade e declividade. conforme aumenta a cobertura da superfície. De forma análoga ao Koc. Entre os modelos mais utilizados e que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas no solo. pode-se observar a equação empírica utilizada para descrever a isoterma de Freundlich e sua representação gráfica (Figura 8): Na equação. verifica-se que o incremento decresce na adsorção. reduzindo a energia de interação proporcionalmente ao recobrimento da superfície. Quando n for igual a 1. usando regressão linear e não-linear (isotermas de Freundlich) a 25 ºC. a normalização do coeficiente de Freundlich em relação ao teor de carbono orgânico também pode ser calculada. A seguir.4 . Cs representa a quantidade do herbicida adsorvido no solo (mg g-1). descritos a seguir: a) O modelo de Freundlich. em solo argilo-siltoso Fonte: Mervosh (1995) Segundo o manual de testes para avaliação da ecotoxicidade de agentes químicos. o coeficiente de adsorção Kf é considerado nas análises de capacidade de 148 Módulo 3. Caq a concentração de equilíbrio do herbicida na solução do solo (mg mL-1). definido pelo Ibama para o Brasil. verifica-se melhor ajuste pelos modelos de Freundlich e Langmuir. permitindo a continuidade do processo. o coeficiente de adsorção da isoterma de Freudlich. É o tipo de adsorção mais comum que ocorre com os herbicidas no solo. de forma não linear. Kf. Tipo L: apresenta-se como uma curva côncava em relação à abscissa. determinando a intensidade da adsorção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Tipo C: a adsorção ocorre de forma linear conforme aumenta a concentração do adsorvato.

Sua classificação varia de pequena a elevada e reflete parcialmente a capacidade de movimento e persistência do composto no ambiente (Quadro 1). A energia de adsorção é a mesma para todos os sítios e independe da cobertura de superfície (Figura 9).Herbicidas: comportamento no solo 149 . segundo as isotermas de Langmuir e Freundlich Módulo 3. Figura 9 . Quadro 1 – Classificação da capacidade de adsorção de agentes químicos no solo Kf 0 – 24 25 – 29 50 – 149 > 150 Classificação da Adsorção Baixa Média Grande Elevada b) O modelo de Langmuir baseia-se na adsorção em superfícies planas que apresentam número fixo de grupos funcionais e que cada um interagirá com uma molécula. Esse modelo é expresso pela seguinte equação: em que Cm representa a quantidade máxima do herbicida adsorvido (mg g-1). Quando todos os grupos funcionais estiverem preenchidos. Ce é a concentração de equilíbrio do herbicida na solução (mg mL-1) e K1 é o coeficiente de adsorção para o modelo de Langmuir. tem-se a adsorção máxima.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas adsorção de herbicidas no solo.Modelo da energia de adsorção em função da superfície de cobertura. por haver inúmeros interferentes nos estudos de adsorção a campo e em laboratório. Entretanto. verifica-se que outras avaliações são necessárias para definição do real comportamento de herbicidas no solo.4 .

aeração e atividade da biomassa microbiana. assim como a mineralogia do solo em questão. diuron e 2. no solo contendo matéria orgânica.07 Dessorção Kf 1/n 22.4 . verificaram que em solos com alto teor de matéria orgânica e baixo pH a lixiviação deste herbicida foi menor.23 ± 0.23 0. estudando o comportamento do herbicida atrazine em Latossolo Roxo sob dois sistemas de manejo 150 Módulo 3. caracterizando a grande influência da matéria orgânica na adsorção de herbicidas ácidos.03 0. Já Faloni (1999).5 . avaliando a persistência do herbicida 2.Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas Em solos tropicais e subtropicais altamente intemperizados.05 A matéria orgânica é o principal componente que influencia a atividade dos herbicidas registrados para uso em solos tropicais. Quadro 2 . Thompson et al.05 20. em certos casos.80 ± 0.12 ± 0. Ela interfere em todos os processos sortivos que possam ocorrer. a sorção de herbicidas ao solo aumenta com o incremento da CTC (capacidade de troca catiônica).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. 1999). 1992). No entanto.4-D em solo arenoso Solo calcinado Solo com MO MO = matéria orgânica Fonte: Viera et al.28 ± 0. CAMARGO. dos teores de carbono orgânico do solo (VELINI. o pH.4-D no solo.09 88.Herbicidas: comportamento no solo . (1984).Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas Em geral.87 ± 0. Segundo Viera et al. (1999) Adsorção Kf 1/n 39. Mallawatantri e Mulla (1992) demonstraram que pelo menos 80% do incremento da sorção observada para metribuzin.5. principalmente. principalmente para aqueles recomendados em pré-emergência de característica não-iônica ou para os catiônicos. como herbicidas e metais pesados. É responsável também pela estabilidade da estrutura do solo e infiltração de água.08 1.23 ± 0. ao compararem solos com diferentes propriedades. da área superfícial específica das partículas coloidais da fração argila e. Isto pode ser observado segundo os valores de Kf (Quadro 2) para o herbicida 2. estava relacionado ao aumento do conteúdo de carbono orgânico.1 .30 1. também são importantes na sua sorção. a matéria orgânica tem grande importância para os processos de retenção de cátions e complexação de elementos tóxicos e de micronutrientes. constituindo-se num componente fundamental na sua capacidade produtiva (SANTOS. os quais serão abordados a seguir. o teor de matéria orgânica no solo desempenha importante papel quando se trata de contaminantes ambientais.4-D.4-D.Constantes de Freundlich obtidas a partir dos dados de adsorção de 2. (1999).16 ± 0.48 ± 0. 2.

Kd) em função do teor de carbono orgânico do solo. et al.Herbicidas: comportamento no solo 151 . Uma vez que a maior parte da CTC nos nossos solos está relacionada à matéria orgânica.. podendo-se ainda estimar a sorção de diversos herbicidas com base nos teores de carbono orgânico (Figura 11). Figura 10 . também percebeu que a matéria orgânica é a principal responsável pela adsorção deste herbicida. as propriedades que mais se correlacionam com a sorção de herbicidas básicos e não-iônicos são a CTC e o teor de carbono orgânico (OLIVEIRA JR.Sorção de alachlor (expressa pelo coeficiente de sorção. 1999). notadamente os não-iônicos. et al. Para alguns herbicidas. não-polares como o alachlor. Fonte: Oliveira Jr. (1998b) Módulo 3. essa característica pode ser considerada a mais importante para esses herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (convencional e direto).4 . é possível obter uma predição dos valores de Kd com base nos teores de carbono orgânico do solo (Figura 10). No caso dos solos brasileiros.

et al.Herbicidas: comportamento no solo . (1999) Teoricamente.4 .. pela variação do pH do meio..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 11 . também foram demonstradas especificidades na sorção dos herbicidas.Relação entre o coeficiente de sorção (Kd) e o teor de carbono orgânico do solo para herbicidas ácidos (linhas cheias) e para herbicidas básicos ou não-iônicos (linhas tracejadas) em solos brasileiros Fonte: Oliveira Jr. 1990. A parte humificada é composta pelos ácido fúlvicos. Diversos estudos mostraram que a fração húmica apresenta maior correlação com a sorção dos herbicidas. As mudanças conformacionais provocadas nas moléculas da matéria orgânica. os quais representam a fração mais ativa da matéria orgânica do solo (NETO et al. são citadas como um dos principais fatores que podem influenciar a sua capacidade de adsorção de pesticidas (WANG et al.. húmicos e humina. Dentre os componentes da fração humificada. Essas diferenças podem interferir não só na retenção dos herbicidas. 2001).. normalmente. aromaticidade. em relação ao teor de matéria orgânica total do solo. TRAGHETTA et al. 1997). existe grande complexidade e variabilidade da matéria orgânica presente em diferentes solos. 2000). 999). mas também na transformação e transporte destes (CORREIA. A fonte orgânica. Entretanto. os quais variam conforme sua polaridade. os minerais do solo e a população microbiana podem proporcionar a formação da diversidade de características dos compostos orgânicos do solo. A disponibilização de maior ou menor número de sítios 152 Módulo 3. a matéria orgânica do solo encontra-se dividida em substâncias humificadas e não-humificadas. disponibilidade de sítios hidrofóbicos e grupos funcionais. Herbicidas iônicos (em faixa de pH com baixa dissociação) e os não-ônicos. o clima. correlacionam-se melhor com os teores de humina do que os de ácidos húmicos ou fúlvicos da matéria orgânica do solo (PROCÓPIO et al.

1994). a quantidade de matéria orgânica quimicamente protegida. Prata (2001) também constatou que adição de vinhaça ao solo faz que o processo de mineralização do ametryn seja acelerado. formando complexos argilo-orgânicos. principalmente para aqueles cuja ação microbiana é a principal forma de degradação. sabe-se que sorção herbicida-matéria orgânica é mais estável do que aquela resultante da ligação com componentes minerais do solo. podendo representar maior permanência desta no meio ambiente.4 . a presença de íons saturantes dos grupos funcionais da matéria orgânica e a especificidade dos íons (PIRES. como pode ser verificado na Figura 12. devido à proteção física e química das moléculas do herbicida na matéria orgânica. Fonte: Adaptado de Akim e Bailey (1998) Embora se verifique extrema quantidade de interferentes nas características de sorção de herbicidas à matéria orgânica. a adição de matéria orgânica ao solo acelera a degradação dos herbicidas. Figura 12 . representando menor risco de contaminação dos lençóis freáticos (COX. é responsável pelas variações nos coeficientes de sorção de herbicidas encontrados na literatura. pode ocorrer menor ação microbiana na degradação dessas moléculas. os solos com altos teores de matéria-orgânica apresentam menor tendência geral de lixiviação dos herbicidas.. na maioria dos trabalhos verificados. é o principal parâmetro levado em consideração na recomendação da dosagem de herbicidas aplicados Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas hidrofóbicos pelas mudanças conformacionais das moléculas também pode influenciar a sorção de herbicidas lipofílicos (PROCÓPIO et al. entre outros. Contudo.Herbicidas: comportamento no solo 153 . Além destes. Dessa forma. 1998).Simulação da adsorção de atrazine no modelo complexo de muscovita-ácido húmico. Atualmente. 2001) Outras características do solo também podem afetar a sorção de herbicidas à matéria orgânica: o material de origem do solo. Entretanto. os tipos de minerais predominantes na fração argila. a relação da textura do solo com a quantidade de matéria orgânica presente.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas em pré-emergência. e não possuem a capacidade de expandir-se. Entretanto. Já minerais 1:1. contribuindo significativamente para o aumento na sorção desses compostos (Quadro 4). extremamente elevada e está relacionada.. como o Brasil. Em relação aos erros de estimação. silte e argila presente no solo é responsável pela classificação das diferentes classes texturais dos solos. e ambos 154 Módulo 3.Herbicidas: comportamento no solo . A presença de argilas de baixa atividade. uma elevação nas dosagens recomendadas para estes solos nem sempre é correta. não ocorre correlação entre o comportamento do herbicida e as concentrações de argila.5.4 . como a caulinita. Essas propriedades originam forças de atração de grande intensidade. à fração mineral do solo. principalmente. possuem maior capacidade de adsorção de herbicidas (Quadro 3). minerais de argila expansíveis (2:1) e de maior área superfical específíca. principalmente naqueles com capacidade de doação de prótons com carga aniônica (herbicidas ácidos fracos). também que. avaliando a adsorção e dessorção do glyphosate em três solos brasileiros com diferentes atributos mineralógicos. Suas cargas podem ser geradas nas bordas do mineral pela dissociação de prótons H+ dos grupos OH. Por sua vez. Apesar de existir grande possibilidade de os solos mais argilosos apresentarem maiores teores de matéria orgânica. a riqueza de variação das argilas e a formação de compostos argilominerais representam diferentes possibilidades de adsorção dos herbicidas a essas partículas. podendo reter cátions. a textura é ainda o atual parâmetro utilizado para recomendação da dose dos herbicidas aplicados em pré-emergência ou pré-plantio incorporado. observou que a sorção do glyphosate é instantânea. os erros de estimação dos teores de matéria orgânica e o desconhecimento da sorção específica de herbicidas por alguns argilominerais presentes são um dos inúmeros fatores que devem ser considerados para a adequação nas dosagens dos herbicidas atualmente recomendados. de clima tropical e subtropical. Os óxidos de ferro e alumínio também atuam na sorção de diversos herbicidas. Sabe-se. Em diversos casos observados. Esses minerais apresentam fraca atração dos cátions entre as camadas expansíveis. A formação de cargas nos minerais 2:1 ocorre pela substituição isomórfica nas camadas tetraédrica e octaédrica. e a matéria orgânica desempenha papel secundário no caso de solos oxídicos. citam-se a superestimação dos teores de matéria orgânica efetivamente capazes de adsorver as moléculas dos herbicidas e a profundiade de coleta (0-20 cm) utilizada na determinação dos teores de matéria orgânica do solo.2 . Prata (2002). são característicos de regiões muito intemperizadas. permitindo que água.Textura e mineralogia O conteúdo de areia. como no caso dos herbicidas ácidos ou em altas concentrações de carbono orgânico. herbicidas e outras moléculas penetrem entre os planos basais e provoquem grande expansão do material. como a montmorilonita e vermiculita. Existem também dados demonstrando que os óxidos de ferro possuem maior capacidade de adsorver os herbicidas em relação aos óxidos de alumínio (Quadro 5). 2.

pH do solo O pH é uma medida muito importante que pode interferir nos processos de sorção dos herbicidas.0 6.653 174 2.3 . a qual será abordada com mais detalhes no item 3. como os latossolos. Quadro 3 .7 Partição do Imazaquin (Sólido/Líquido) (μG/g:μG/mL) 2326:1 238:1 40:1 2:1 0:1 Quadro 5 . principalmente em solos muito intemperizados.Herbicidas: comportamento no solo 155 . que à medida que o pH do solo aumenta (2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas encontram-se presentes em grandes concentrações na maioria dos solos brasileiros. Módulo 3.1.4-D.3 . pH 3.0).pKa dos compostos.Dissociação eletrolítica. Constante de Freundlich (Kf) 2. para 2. menor é a quantidade sorvida do herbicida no material coloidal.6 5.5.Características de alguns minerais de argila importantes nos estudos de sorção de herbicidas em solo Característica Tipo de camada Capacidade de Expansão CTC (cmolc dm ) Área Superficial Específica (m2 g-1) -3 Montmorilonit Vermiculita a 2:1 2:1 Expansível 80-120 700-750 Ilita 1:1 Caulinita Não-expansível 2-10 25-50 2:1 NãoExpansão limitada expansível 120-200 15-40 500-700 75-125 Quadro 4 – Sorção de imazaquin em diferentes minerais de argila Mineral de Argila H-montmorilonita H-ilita Al-montmorilonita H-caolinita H-vermiculita Fonte: Dolling (1985). Entretanto. A influência do pH do solo no processo de retenção e degradação dos herbicidas está estritamente relacionada à capacidade de dissociação eletrolítica . contribuindo em relação à capacidade sortiva nesses solos.3. o qual permanece disponível na solução do solo.5 a 6.4 . pode-se verificar na Figura 13.8 4. principalmente nos daqueles com grande capacidade de inonizarem-se (catiônicos e aniônicos).3 3.Sorção de imazaquin em diferentes hidróxidos (Fe e Al) Tipo de Hidróxido Hidróxido-Fe Hidróxido-Al Fonte: Shaner (1989).

3 6.7 5.4 . verifica-se novamente o decréscimo do coeficiente sortivo (Kd) do herbicida com o aumento do pH do solo.6 6.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 13 – Sorção do herbicida 2. novamente. Goetz (1986) demonstrou que a quantidade de imazaquin que se liga a diferentes tipos de solo era diretamente relacionada ao pH (Quadro 6). Verifica-se. que a quantidade sorvida do herbicida aumenta à medida que o pH diminui. devido ao fatop que o pH influenciar fortemente a ligação das imidazolinonas às frações húmica e mineral do solo.4-D em função do aumento do pH do solo No caso de imidazolinonas aplicadas ao solo.Herbicidas: comportamento no solo .6 4. por exemplo. 156 Módulo 3.5 Sorção (%) 53 53 0 62 40 25 Em trabalho similiar realizado com imazethapyr (Figura 14).2 5. Quadro 6 –Sorção de imazaquin sob diferentes pHs em dois solos Tipo de solo Franco-arenoso Franco-siltoso Fonte: Goetz (1986) pH 5.

Nesse caso. em função do aumento do pH do solo. especialmente em termos de lixiviação desses herbicidas. resultar em maior lixiviação do composto no perfil do solo.4 . de modo geral.Coeficiente de sorção (Kd) constatado para o herbicida imazetaphyr. Fonte: Oliveira Jr.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 14 . (1998) Para herbicidas de maior persistência. solos ácidos. conforme verificado na Figura 15. (2002) O pH pode também influenciar diversos outros processos envolvidos na degradação dos herbicidas no solo: a lixiviação de chlorsulfuron. por exemplo. além de possibilitar maior efeito do herbicida em culturas posteriormente instaladas no local. também. é maior em solos com pH alto e 157 Módulo 3.Herbicidas: comportamento no solo . têm maior capacidade de sorção desses herbicidas e operações como a calagem podem afetar significativamente o seu comportamento. Figura 15 – Efeito do pH na lixiviação do herbicida imazaquin em colunas de solo Fonte: Inoue et al. a diminuição da sua capacidade sortiva com o acréscimo do pH do meio pode.

Coeficiente de partição octanol-água (Kow) Esta propriedade indica a afinidade que a molécula do herbicida tem em relação à fase polar (representada pela água) e apolar (representada pelo octanol).2 . diz-se que maior é a sua hidrofilicidade. Já os herbicidas polares. capacidade de dissociação eletrolítica quando em solução aquosa (pKa).6 . Ao contrário. herbicidas com características apolares são considerados lipofílicos..1 .Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo As principais propriedades físico-químicas de um herbicida que influenciam o seu comportamento são: coeficiente de partição octanol-água (Kow). e se adapta perfeitamente aos herbicidas em solução do solo.000) possuem maior potencial de se adsorverem a parte orgânica dos colóides do solo. 2. Geralmente os herbicidas apolares ou lipofílicos (Kow >10. 2. Os valores de Kow são adimensionais. podendo ser encontrados na forma dissociada (ionizada) e não-dissociada (não-ionizada ou neutra). Quanto maior for o pKa do herbicida.Herbicidas: comportamento no solo . os hidrofílicos (Kow <10).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas baixo teor de matéria orgânica. expressos normalmente na forma logarítmica (log Kow). Embora algumas propriedades estejam mais distintamente relacionadas aos processos específicos de retenção. transformação e transporte. a maioria dos herbicidas possui em sua molécula uma região polar e outra apolar. Para 158 Módulo 3. menor será seu caráter ácido e menor a sua capacidade de ficar aniônico. A polaridade é muito importante para penetração das moléculas dos herbicidas pela cutícula das folhas e também interfere nos processos sortivos com o solo. 2.4 . 1993). O comportamento dos herbicidas é muito influenciado pelo seu pKa.6. embora a degradação do referido produto seja mais rápida em solos ácidos (GOMEZ DE BARREDA et al. possuem maior afinidade às partes argilosa e mineral do solo. a qual tem sido utilizada para substâncias presentes em solução aquosa. podem ser classificados da seguinte forma: a) Herbicidas ácidos fracos: são os herbicidas cujas formas moleculares apresentam capacidade de doar prótons e formar íons carregados negativamente. solubilidade. Conforme a fórmula molecular e pKa dos herbicidas eles.6. Entretanto.Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa) O pKa representa a capacidade de dissociação que uma molécula do herbicida possui em água com diferentes pH. Quanto mais polar for o herbicida. Essa definição está restrita apenas à definição clássica de Brönsted-Lowry. pressão de vapor (P) e constante da Lei de Henry (H). o conhecimento das características moleculares dos herbicidas é muito utilizado no estudo do seu comportamento no ambiente.

sendo sorvidos ao solo de forma irreversível.. Módulo 3. Quanto menor o pH do solo em relação ao pKa do herbicida. quando o pH do solo for igual ao seu pKa. podendo facilmente ser adsorvidos às partículas de argila e aos grupos funcionais que formam a CTC do solo. 1980). Nesse caso. Herbicidas pertencentes a essa classificação. 2003. O 2.4-D. quando o pH do solo for igual ao seu pKa. cyanazine (PIRES et al.8) b) Herbicidas bases fracas: são os herbicidas que apresentam a capacidade de receber prótons e formar íons carregados positivamente. Quando o pH do solo for superior ao pKa destes herbicidas.4 ..4-D são dicamba. picloram e demais herbicidas pertencentes ao grupo das sulfoniluréias e imidazolinonas. Alguns herbicidas de comportamento similar são simazine. quando o pH do solo for inferior ao seu pKa. maior será a tendência destes herbicidas de permanecer na sua forma dissociada ou protonada. as concentrações da formas dissociada e neutra serão iguais. pode liberar íons hidrogênio numa solução básica ou neutra (Figura 16). CONSTANTIN. por exemplo. sua forma molecular será favorecida. este será prontamente dissociado e sua capacidade de ficar retido no solo será muito menor. maior será a tendência de o herbicida estar na sua forma molecular (neutra) e maior será sua capacidade de se adsorver nas partículas coloidais do solo.Comportamento de ionização de um herbicida ácido (2.4-D. a molécula estará 50% na sua forma molecular ou neutra e 50% na forma dissociada (aniônica). seu comportamento será semelhante ao das moléculas não-iônicas.Herbicidas: comportamento no solo 159 . PÈREZ. 2001). podendo competir com os sítios de adsorção de nutrientes no solo. Alguns outros compostos que reagem semelhantemente ao 2. podendo reduzir sua capacidade de adsorção (KOGAN. Existe ainda um outro grupo de herbicidas tão básicos que possuem cargas positivas para todos os valores de pH verificados no solo (LEAVITT. podem atrair íons hidrogênio em uma solução ácida. Figura 16 . pKa = 2. passando a apresentar carga líquida positiva (Figura 17). Entretanto. como atrazine. 1995) e hexazinone. Da mesma forma que os herbicidas ácidos. Quando o pH do meio for superior ao pKa do herbicida. como o que ocorre para o paraquat e o diquat. OLIVEIRA JR.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas esses herbicidas.

em que na e nd representam as curvaturas obtidas nos ensaios de adsorção e dessorção. A informação da capacidade dessortiva do herbicida no solo pode ser muito importante. em função dessa condição. 2. Os herbicidas não-iônicos não reagem com a água e não carregam uma carga elétrica líquida. EPTC e diuron. Entre esses herbicidas estão incluídos trifluralin. possibilitando maior permanência deste no ambiente. elevados índices de histerese indicam maior dificuldade de o herbicida sorvido retornar para a solução do solo. esses efeitos são geralmente de menor intensidade. alachlor.7 . Contudo. a sorção é praticamente irreversível e não ocorre retorno do herbicida à solução do solo.4 .Dessorção A dessorção representa a liberação da molécula do herbicida anteriormente sorvida. Conforme Southwick et al.Herbicidas: comportamento no solo . embora se tenham verificado poucos estudos referentes a ensaios de dessorção na literatura.7) c) Herbicidas não-iônicos: os herbicidas que não doam nem recebem prótons na solução do solo são considerados não-iônicos. A intensidade da dessorção reflete o grau de reversibilidade do processo sortivo. como observado por Pusino et al. 160 Módulo 3. pKa = 1. as isotermas de sorção e de dessorção diferem entre si. muitos deles podem ser polares e. Neste caso. podendo ocorrer. permanecendo em sua forma molecular na solução do solo. em alguns casos. comparativamente aos herbicidas iônicos. respectivamente. dando origem ao fenômeno denominado histerese (H). Embora sejam não-iônicos. altíssima dessorção do herbicida. O índice H de histerese pode ser obtido pela equação H= na/nd. por relacionar o seu efeito residual e persistência no solo. ser afetados pelo pH do solo e ficar retidos aos complexos argilominerais e ao material orgânico do solo. Em outros. (2003) (Figura 18).Comportamento de ionização de um herbicida base fraca (atrazine.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 17 . Alguns exemplos de herbicidas e sua classificação encontram-se no Quadro 7. (1993). metolachlor.

swep. imazapyr.4-D. e • problemas inerentes à metodologia de determinação. MSMA. simazine Dicamba.Curvas de adsorção ( ) e dessorção ( ) observadas para triasulfuron em três solos com diferentes teores de argila e materia orgânica. picloram. (2003) 3 . principalmente. Figura 18 . imazaquin. industrial e agrícola Módulo 3. triclopyr. atrazine. • falhas no estabelecimento do equilíbrio.Herbicidas: comportamento no solo 161 . cyanazine. Além disso. a demanda hídrica para o abastecimento urbano. imazetaphyr. oryzalin. por influenciar a capacidade de contaminação dos recursos hídricos subsuperficiais. chlorimuron-ethyl Bromacil. porém as mais aceitas. propazine.Processos de transporte O transporte de herbicidas no solo representa um dos processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente e se destaca. paraquat Ametryn. metolachlor. trifloxysulfuron-sodium.Herbicidas e sua classificação conforme fórmula e grupos funcionais Catiônicos Básicos Ácidos Diversos Organofosforados Dinitroanilidas Carbamatos Benzonitrila Ésteres Anilidas Uréias HERBICIDAS Iônicos Diquat. DSMA Não-iônicos Methoxychlor Trifluralin. isopropalin Chlorprophan. metribuzin. diuron. prometone. propanil. chloroxuron Diversas explicações têm sido propostas no intuito de elucidar a não-singularidade das isotermas de dessorção.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 . são: • transformações químicas ou biológicas que o composto em questão pode sofrer. Embora freqüentes. os problemas de contaminação de aqüíferos no território brasileiro têm despertado pouco interesse dos pesquisadores. MCPA. propachlor Linuron. prophan Dichlobenil Isopropyl éster de 2. Pusino et al. segundo Pignatello (1989).4-D Alachlor. 2.

de áreas pulverizadas para aquelas que não receberam diretamente o produto. é mais pronunciado quando o produto é aplicado e logo após ocorre chuva intensa no local.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tem se elevado nos últimos anos e poucos estudos são conduzidos com o objetivo de retardar o transporte de herbicidas sob condições tropicais. BOWMAN et al. do tipo de solo em questão. 2000). especialmente no caso de herbicidas aplicados em pré-emergência.a aplicado <2 .1 . em áreas irrigadas com intensa atividade agrícola. além. é claro. Keese et al. Todavia. No entanto. destaca-se o escorrimento superficial. Entre alguns trabalhos citados na literatura.4 .. juntamente com as moléculas dos herbicidas. respectivamente.Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in) Os termos run-off e run-in representam o movimento ou escorrimento em superfície e subsuperfície.001 – 0.25 1-9 Referência Taylor (1995) Flury (1996) Vicary et al (1999a) Vicary et al (1999b) Em certos casos. 1994). Dentre as principais formas de transporte nos estudos de herbicidas em solo. 1990). em certas situações. A intensidade de perdas depende muito do sistema de plantio adotado (SETA et al. Já Pfeuffer e Rand (2004) monitoraram os pesticidas entre 1992 e 2001 no sul da Flórida.Herbicidas: comportamento no solo . como no caso do metolachlor (BUTTLE. na Carolina do Sul.Perdas de herbicidas no solo por diferentes processos de transporte Tipo de transporte Volatilização Lixiviação Run-off Fluxo preferêncial % de perda do i. 1996. as perdas podem ser altas. na maior parte dos casos.90 <1 . O arraste das partículas coloidais. a volatilização e a lixiviação. CARTER. o somatório de diferentes pesticidas carreados simultaneamente para uma mesma bacia hidrográfica pode comprometer a qualidade da água em relação ao seu aproveitamento posterior (DOMAGALSKY. da natureza e dose das aplicações e da declividade da área. 3. pendimethalin e oxyfluorfen) em reservatórios de água. O maior potencial de movimento de herbicidas por escorrimento superficial ocorre logo após a aplicação. das práticas culturais. a quantidade total de herbicida que pode ser perdida por meio desse processo normalmente não excede 1% do total aplicado (Tabela 6). para o qual se verificou perda do herbicida aderido aos sedimentos variando entre 9 e 58% do total aplicado ao solo. mesmo quando a quantidade total transportada é pequena. Quadro 8 . 1993.5 <0. (1994) relataram a detecção de resíduos de herbicidas (oryzalin. Os autores constataram que a maior parte da contaminação era proveniente do escorrimento superficial de áreas irrigadas pulverizadas e que a maior concentração de resíduos ocorria nos primeiros 15 minutos da água. dos herbicidas no solo. constatando que os herbicidas ametryn e atrazine foram os compostos mais comumente encontrados em águas 162 Módulo 3..

existe maior probabilidade de o herbicida ser sorvido diretamente às partículas de solo (Quadro 10). sendo o efeito mais pronunciado quanto maior for a PV do herbicida.0 0. já que a água funciona como uma interfase entre a molécula e as partículas do solo. solos úmidos perdem mais herbicida por volatilização que um solo seco. os valores devem ser determinados à mesma temperatura. 25 °C) aos 84 dias após a aplicação ao solo 14 Volatilizado Mineralizado Total extraído do solo Não extraído (resíduos ligados) Total recuperado Fonte: Mervosh et al.44 x 104 mm Hg.Efeitos da temperatura de incubação na distribuição de 14C-clomazone (PV=1.Fatores que influenciam a volatilização Vários fatores influenciam diretamente a volatilização de herbicidas presentes no solo. Além disso. juntamente com DDD e DDE foi o composto detectado com maior freqüência em sedimentos de rios de áreas agrícolas na Flórida. (1995) C Recuperado (% do Total de 14C-Clomazone Aplicado) Temperatura de Incubação (°C) 5 15 25 35 DMS5% 1.5 92.4 2.8 9.4 60. de modo geral.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superficiais. É por isso que.4 1.8 15.1 5.0 NS b) Aumento da umidade do solo: o aumento da disponibilidade de água no solo facilita a perda de vapor.4 . também mostraram que ametryn. 3.2 0.2 . Módulo 3. Em solos secos. Estudos apresentados por Rand (2004).4 68.4 15.8 93. 3.5 98. as perdas podem aumentar significativamente em função do aumento de temperatura. para efeito de comparação da PV de dois produtos distintos. Quadro 9 .Herbicidas: comportamento no solo 163 .8 78. podendo se perder para a atmosfera por evaporação.8 2.8 4.7 10. a elevação da temperatura aumenta a taxa de evaporação da água presente no solo.0 4.7 96.2. esta é aumentada por: a) Elevação da temperatura: a temperatura do solo afeta a volatilização de produtos em função da alteração da pressão de vapor.1 . EUA. No caso do clomazone (Quadro 9).1 3. mas.1 95.3 7.5 9.Volatilização A volatilização é o processo pelo qual o herbicida presente na solução do solo passa para a forma de vapor.

Herbicidas: comportamento no solo . % do Total Aplicado Solo Úmido Solo Seco (14% de Umidade) (1% de Umidade) 62.Pressão de vapor (P) A pressão de vapor é a pressão exercida por um vapor em equilíbrio com um líquido.4 kg ha-1 à superfície do solo Temperatura do ar ( ) 0 4. A escolha da forma de incorporação depende.2 80. b) Formulação do produto: para muitos herbicidas com maior potencial de volatilização têm sido desenvolvidas novas formulações com adjuvantes. com a função de reduzir a evaporação.4 12.8 12.0 12. a 20 °C). como o EPTC (S=370 mg L-1.2. Além disso. TURCO. É uma indicação da 164 Módulo 3. 3. como o trifluralin (S = 0. depois de sua aplicação. sendo expressa normalmente em mm de Hg.3 15. como a estrutura.7 A volatilização pode ser tão significativa para alguns produtos que. No caso do EPTC.0 67. eles precisam ser incorporados imediatamente ao solo para que não haja redução substancial de sua eficiência.6 37. por meio de suas propriedades químicas. principalmente da solubilidade do composto em questão.2 75. sem dúvida.2 81.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 10 . ao passo que herbicidas menos solúveis. o que. a 25 °C). a pressão de vapor (P).Alternativas para redução de perdas por volatilização a) Incorporação de herbicidas ao solo: a incorporação pode ser feita tanto com implementos quanto pelo uso de irrigação após a aplicação do herbicida. 1994). O potencial de volatilização de um herbicida geralmente pode ser estimado indiretamente. a formulação granulada pode reduzir entre 60 e 100% as perdas por volatilização (GRAVEEL.Efeito da temperatura na perda de EPTC após a aplicação de 3. necessitam ser mecanicamente incorporados ao solo. o uso de formulações granuladas em vez das líquidas pode contribuir para diminuir as perdas por volatilização.3 . o peso molecular e. Herbicidas mais solúveis.2.0 9. a uma determinada temperatura.7 Fonte: Gray e Weierich (1965) °C Perda de EPTC em 24 h.5 26. principalmente.3 mg L-1. 3.4 15. neste caso.4 . podem ser incorporados com uma irrigação adequada. no entanto.2 . algumas alternativas que podem reduzir a volatilização e manter a eficiência desses herbicidas. Existem. é a conseqüência de maior importância imediata da volatilização no que diz respeito às atividades agrícolas.

0 x 10-5 < 1. solo úmido e vento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tendência da substância química em escapar na forma de gás. ou.4 x 10-8 1. mais provável que um líquido vaporize-se. imidazolinonas e sulfonamidas. Além do valor específico da pressão de vapor.6 x 10-3 1.4 x 10-2 5. podendo aumentar sob certas condições. Quadro 11 . Perdas por volatilização são muito variáveis. 25 oC) 3. mas pode ser significativo se não incorporado. Grupos químicos de desenvolvimento mais recente.1 x 10-5 1.0 x 10-12 1.9 x 10-8 -16 PV (mm Hg. como as dinitroanilinas e os tiocarbamatos.Herbicidas: comportamento no solo .5 x 10-6 3. em solos úmidos Idem Idem Idem Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Perdas significativas quando não incorporado. as quais muitas vezes incorporam adjuvantes com a finalidade de reduzir a volatilização. podendo ser de 10 a 90%.4 x 10-6 Potencial de Volatilização Muito baixo Baixo a moderado Baixo Baixo.3 x 10-2 3. Pequeno. No Quadro 11 encontram-se valores de pressão de vapor de alguns herbicidas aplicados ao solo. Moderado.2 x 10 <1.0 x 10-7 < 1. quanto maior a pressão de vapor.6 x 10-5 4. Perdas mínimas que não reduzem a eficácia do produto nãoincorporado.0 x 10-7 2. Volátil. Portanto. Nota-se que o problema de volatilização é particularmente importante para alguns grupos químicos. podendo ser perdido em quantidades significativas quando não incorporado ou em solo úmido. Muito baixo 165 Módulo 3.0 x 10-8 9.5 x 10-8 1.0 x 10-7 < 2. já não apresentam esses problemas. como as sulfoniluréias. Muito alto.1 x 10-4 3. TURCO.0 x 10-8 < 1. Perdas ainda maiores se não incorporados e. normalmente em razão da melhoria na qualidade de suas formulações. a intensidade e a velocidade de volatilização de um herbicida dependem também da intensidade e velocidade de movimento até a interface (normalmente a superfície do solo) onde ocorre o processo.4 . comparada a uma perda típica de 0 a 4% por lixiviação e 0-10% por escorrimento superficial (GRAVEEL.Pressão de vapor (PV) e potencial de volatilização de alguns herbicidas Grupo Químico e Princípio Ativo Cloroacetamidas Acetochlor Alachlor Butachlor Metolachlor Dinitroanilinas Trifluralin Isopropalin* Oryzalin Pendimethalin Tiocarbamatos Butylate* EPTC* Molinate Vernolate* Sulfoniluréias Chlorimuronethyl Nicosulfuron Oxasulfuron Imidazolinonas Imazamethabenz* Imazapyr Imazaquin Imazethapyr Imazamox Piridazinonas Norflurazon Triazolopirimidin 1. Perdas pequenas podem ocorrer sob alta temperatura.1 x 10-2 4. 1994).1 x 10-8 < 1.

isto é. dependendo se o herbicida for um sólido ou um líquido na temperatura do sistema: uma fase saturada de solução aquosa e uma fase líquida ou sólida do herbicida (LAVORENTI.4 .0 x 10-16 Potencial de Volatilização Desprezível Muito baixo 1. Seu valor geralmente é expresso em mg L-1 (normalmente a 25 °C) e é um reflexo da polaridade da substância química. Acima dessa concentração. há casos em que moléculas de elevada massa molecular apresentam baixa solubilidade. ou constante da lei de Henry. a solubilidade em água é um dos mais importantes. portanto. são. moléculas orgânicas grandes. Em geral. a quantidade máxima de herbicida que se dissolve em água pura a uma determinada temperatura. hidrólise e oxidação) e transporte (ex: volatilização da solução e lavagem da atmosfera pela água da chuva) também são afetados pela extensão da solubilidade em água dos herbicidas. dentro de um mesmo grupo químico. pouco ou não solúveis. duas fases distintas existirão. Insignificante. De modo geral. Moléculas altamente solúveis são rapidamente distribuídas no ciclo hidrológico.5 .7 x 10-5 6. 1996). 166 Módulo 3. maior a sua solubilidade. 2003). quanto mais iônico. O KH é um coeficiente de partição entre o ar e a água (solução do solo). Quanto maior a quantidade de grupos hidrofílicos na molécula do herbicida (mais polares). a solubilidade de um herbicida e sua sorção no solo estão inversamente correlacionadas.8 x 10-15 3. exceto quando solo está quente e não é ativado pela chuva por vários dias após a aplicação. em razão de apresentarem coeficientes de sorção para solos e sedimentos relativamente baixos. 25 oC) 2. Por sua vez.Solubilidade A solubilidade (S) de um herbicida em água é. mesmo quando forem iônicas (KOGAN. No entanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Grupo Químico e Princípio Ativo as Flumetsulam Cloransulammetil Derivados da uréia Linuron Diuron PV (mm Hg. mais provável que o composto em questão seja solúvel. PÈREZ. sem carga. Hatzios (1998) e Rodrigues e Almeida (2005) 3. maior será a sua afinidade por água.Herbicidas: comportamento no solo . Dos vários parâmetros que afetam o destino e o transporte de herbicidas.Relação entre PV e S A combinação de PV e S pode ser expressa através de uma constante denominada KH. exceto quando é exposto a condições quentes e secas por vários dias.9 x 10-8 Insignificante. Outros meios de degradação (ex: fotólise. por definição. o aumento no peso molecular diminui a solubilidade. maior solubilidade resulta em menor sorção.4 .2.2. * Atualmente não registrados para uso no Brasil Fontes: Adaptado de Ahrens (1994). 3. logo.

das espécies presentes. etc. do volume de solo. Quando se realiza a incorporação do herbicida. KH também pode ser usado como indicativo do potencial de volatilização de determinado herbicida. ocorre a diluição da concentração. dependendo da densidade de plantas. Experimentos em vaso demonstraram que as plantas podem absorver de 1 a 10% do total de herbicida disponível.6 . mesmo compostos considerados não ou pouco voláteis podem apresentar certa perda. A sorção regula o potencial de um herbicida ser Módulo 3.Relação entre KH e incorporação de herbicidas A aplicação de um herbicida na superfície gera uma alta concentração numa fina camada de solo. Trabalhos feitos com outros herbicidas no campo mostram que as plantas podem remover de 2 a 5% do total de herbicida no solo (SHANER.Lixiviação O destino de herbicidas aplicados ao solo depende muito das propriedades químicas da substância em questão. 3. em virtude da alta concentração numa fina camada superficial do solo. podendo reduzir as suas perdas. a absorção pelas plantas participa com pequena porcentagem na remoção do total presente no solo.4 . Uma revisão bastante completa acerca das bases termodinâmicas e da determinação experimental de K¬H pode ser encontrada em Suntio et al. podendo ser usado também como indicativo do potencial de volatilização de determinados herbicidas.2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas sendo semelhante ao coeficiente de sorção (Kd) usado para descrever a sorção ao solo. portanto.Herbicidas: comportamento no solo 167 . 1989). As duas propriedades mais importantes no que diz respeito ao processo de lixiviação são a sorção e a persistência do produto. O KH é muito importante para os herbicidas na fase líquida do solo. 3. cujos valores elevados de KH indicam que os solutos são altamente voláteis A constante da lei de Henry é definida pela equação: KH e PV são constantes proporcionais. (1988).Absorção pelas plantas A porcentagem de herbicida que a planta absorve do solo é difícil de ser medida. Além disso. Como a perda por volatilização é dada pelo produto de KH por concentração.3 . 3. a distância torna a difusão para a superfície do solo mais difícil.4 . Portanto.

cuja equação a seguir estabelece que herbicidas com índice GUS<1. Quadro 12 – Percentual de amostras de águas avaliadas no Reino Unido que excederam o limite de resíduos permitido Herbicidas com % amostras excedendo 0. Em condições normais. embora solubilidades muito baixas possam limitar o transporte com a água. Em 1986. Cohen et al. esse percentual pode ser igual ou superior a 5% (Carter. Entre os critérios mais divulgados e aceitos para a classificação de herbicidas conforme seu potencial de lixiviação está o índice GUS (Groundwater Ubiquity Score).6 Diuron CMPA 7. com o objetivo de verificar a contaminação das reservas hídricas por pesticidas.4 0.5 Atrazine Mecoprop 12. como o realizado pelo National Center for Ecotoxicology and Hazardous Substances.1 1. para classificá-los como lixiviadores (Koc < 300 (L kg-1) e t ½ vida > 21 dias) e não-lixiviadores (Koc > 500 (L kg-1) e t ½ vida < 14).4 Environment Agency. Embora empíricos. lagos e águas em profundidade.8 Bentazone 1.6 Terbutryn 1.8 1.1 Fonte: 4.1 Bromoxynil 1. 1999 Além das avaliações in locu.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas perdido com sedimentos ou por lixiviação.6 Benazolin 2.1 Dichlobenil 1.Herbicidas: comportamento no solo . A solubilidade é de importância secundária. do Reino Unido apontaram alguns dos herbicidas com excesso de resíduos nas amostras de águas avaliadas (Quadro 12).1 a 1% do total aplicado. mas. Entre os estudos realizados. a quantidade do herbicida perdido pela movimentação no perfil do solo é geralmente entre 0. proposto por Gustafson (1989). cujo critério é ainda utilizado pelo California Department of Food and Agriculture (CDFA).4-D 5. Widerson e Kim (1986) simplificaram essa caracterização e definiram que os herbicidas que possuíssem valor de Koc menor que 512 (L/kg) e meia-vida (t ½ vida) superior a 11 dias seriam classificados como lixiviadores.9 0.4 Mecoprop Simazine 5. esses modelos têm contribuído na redução dos custos de análise e também na prevenção de desastres ambientais.7 Atrazine 2.1 mg L-1 Águas de superfície Águas subterrâneas Isoproturon 19. em determinadas circunstâncias.8 são considerados 168 Módulo 3. Alguns estudos. alguns estudos têm sido realizados com o intuito de prever o potencial desses compostos de atingir rios.4 Linuron Chlorotoluron 3. (1984) propuseram uma relação entre o Koc e a meia-vida (t ½ vida) dos herbicidas. 2000).4 .0 0.9 Chlorotoluror 2.5 Isoproturon Diuron 10.

Quadro 7 . Kogan e Allister (2004) propuseram o IRA – Índice de Risco Ambiental.Relação de herbicidas classificados conforme somatório obtido pelo IRA – Índice de Risco Ambiental Herbicida Trifluralin Hexazinona Paraquat Imazapyr Triclopyr Oxyfluorfen Linuron Sulfentrazone Isoxaflutole Haloxyfop Oryzlain Glyphosate Fluazifop Amônio-glufosinato Sethoxydim P 2 3 4 3 1 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 D 4 1 3 1 1 2 1 1 1 1 3 3 1 1 1 V 4 1 1 1 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 M 1 4 1 4 4 1 2 4 4 3 1 1 1 1 1 IT 4 2 2 2 2 3 3 2 2 3 3 2 3 2 2 IRA 15 15 11 11 11 10 10 10 10 9 9 8 7 6 6 Módulo 3. sendo adotada por inúmeros estudos que buscam relacionar o potencial de lixiviação dos herbicidas no solo com a contaminação de lençóis freáticos.8 representam produtos lixiviáveis. ele deve estar na solução do solo ou adsorvido a pequenas partículas.8 e 2.8 são considerados de potencial lixiviador intermediário: GUS = log t½ * (4 – log Kfoc) A equação utiliza os valores de t½ vida do herbicida e o coeficiente de sorção normalizado para teor de carbono orgânico do solo. como argila. Entretanto.. Recentemente.4 . para que um herbicida seja lixiviado. aminoácidos. M (mobilidade). D (dose). para que o fluxo hídrico consiga carrear o herbicida pelo perfil do solo (OLIVEIRA JR. V (volatilidade) e IT (índice toxicológico). cujo resultado representa. peptídeos e açúcares. ao passo que índices superiores a 2. além de possuir t ½ vida elevada.Herbicidas: comportamento no solo 169 . cujo resultado final permite elencar os compostos em relação ao maior ou menor risco para o meio ambiente (Quadro 13). Aqueles com valores entre 1. o seu efeito sobre o meio ambiente. além da capacidade de lixiviação do herbicida. entre outros. 2001).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas como não-lixiviáveis. ácidos fúlvicos e húmicos de baixo peso molecular. O índice é definido pela soma de inúmeros fatores: P (persistência).

pode-se estimar a t ½ vida. A equação anterior admite que a taxa de degradação diminui linearmente com o decréscimo da concentração. conforme fórmula que segue: t 1/2= 0. até a sua completa mineralização. 4. como a apresentada a seguir. o ln será igual a 0. CO2 e compostos inorgânicos (MELTING. Essa equação pode ainda ser simplificada assumindo que.1 .693/K Entretanto. por análise de regressão linear. normalmente utilizam-se equações não-lineares de regressão (bi-exponen¬ciais) para o cálculo da t ½ vida de herbicidas no solo. Para modelos lineares. e K.Persistência De forma prática.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . a qual é extremamente importante para predizer o risco de contaminação de lençóis freáticos.Processos de transformação Os processos de transformação das moléculas de herbicidas presentes no solo e água são decorrentes da degradação dessas moléculas em compostos secundários.693. químicas e biológicas que levam à formação de metabólitos ou à completa mineralização das moléculas. O seu cálculo deriva do modelo de primeira ordem definido pela equação: Ln C0/Ct = K * t em que C0 é a concentração inicial do herbicida. obtendo-se como produto final água.Herbicidas: comportamento no solo . A t ½ vida é definida como o tempo necessário para que ocorra a dissipação de 50% da quantidade inicial do herbicida aplicado. considera-se que resíduos de herbicidas no solo sejam quaisquer substâncias resultantes da sua aplicação.4 . a constante de degradação. Co a concentração inicial e k. a constante de degradação. além da própria molécula do herbicida. os intervalos de tempo 170 Módulo 3. A persistência desses compostos é normalmente medida pela meia-vida (t ½ vida). 1993). Ct a concentração no tempo t. Essas substâncias podem incluir produtos de degradação (metabólitos). em que Ct representa a concentração no tempo t. A degradação de moléculas de herbicidas no solo e o conhecimento dos principais mecanismos responsáveis pela aceleração ou pelo retardamento do processo influenciam diretamente a persistência desses compostos no ambiente. nos quais somente uma linha de dissipação é apresentada. De forma geral. e. quando C0/Ct for igual a 2. a degradação refere-se a um conjunto de transformações físicas.

8 6. (1995) Nakagawa et al. 1996).2 1. No Quadro 14 encontram-se exemplos de classificações adotadas na Inglaterra e no Brasil. a t ½ vida poderá ser alterada e maior quantidade do herbicida estará disponível no ambiente.4 5. Quadro 14 .4 4. dentro dos limites de uso agrícola.2 a t1/2 Referência (dias) Nakagawa et al.8 5.7 2.3 1.4 .Herbicidas: comportamento no solo Prof.3 0. sua persistência é basicamente dependente de quatro fatores: solo (teor de carbono orgânico.6 4. ambiente (temperatura e precipitação) e práticas culturais (sistema de plantio e doses aplicadas).7 2.6 3. (1997) Campanhola et al.0 Podzolico Vermelho-Amarelo 0-10 Chlorsulfur on Latossolo Eermelho-Escuro .6 5. Ct =C0 * e -kt Sabe-se que valores altos de t ½ vida contribuem.4 5. (1997) 10-16 Ravelli et al.Exemplos de classificações de herbicidas quanto à persistência no solo Inglaterra Classe Não-persistente Levemente persistente Moderadamente persistente Muito persistente Fonte: Adaptado de Roberts (1996) e Foloni (1997) t1/2 (dias) <5 5-21 22-60 >60 Brasil (IBAMA) Classe Não-persistente Medianamente persistente Persistente Altamente persistente t1/2 (dias) <30 30-180 180-360 >360 Quadro 15 .8 4.6 0. No entanto. 9-12 (1982) 54-63 Novo et al. (1997) 8-13 Ravelli et al. (1997) Ravelli et al. Assim. (1997) 171 3. No Quadro 15 são mostrados os valores de meia-vida de alguns herbicidas em solos do Brasil. (cm) 0-14 0-10 0-30 50-200 0-40 100200 0-15 70-150 MO Argila Areia pH (%) (%) (H2O) (%) 45 28 17 39 47 44 47 48 61 48 56 40 63 72 20 48 46 44 28 27 27 24 5.6 9. (1997) Ravelli et al. (1993) 7-21 Ravelli et al. (1997) 54 5-29 8-21 8-26 Ravelli et al. 56 (1995) 22 Blanco et al.1 7.3 1. embora a t ½ vida sirva de parâmetro para avaliação do tempo de permanência do herbicida no ambiente.7 4. para que o herbicida atinja e contamine águas superficiais e subsuperficias. a classificação de um herbicida como “persistente” ou “não-persistente” varia de acordo com o propósito da classificação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas considerados podem fornecer estimativas e interpretações errôneas da t ½ vida de herbicidas (BLUMHORST. em muitos casos. população de microrganismos presentes. ao aumentar a dose de aplicação do herbicida. pH e textura).2 5.Valores de meia-vida (t ½ vida) observados para alguns herbicidas em solos do Brasil Herbicida Tipo de solo Classe Latossolo Vermelho-Escuro Atrazine Glei húmico Simazine Trifluralin Metribuzin Latossolo roxo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Módulo 3. Por outro lado.

podem-se citar. Entre as principais formas pelas quais os herbicidas são degradados. Herbicidas com maior persistência podem resultar no fenômeno denominado carryover. É o caso do imazaquin em relação ao trifluralin. Isso ocorre principalmente para compostos cuja degradação é fortemente influenciada pela atividade microbiológica do solo. Observa-se que os herbicidas tendem a persistir por período mais prolongado quando lixiviam mais rapidamente para horizontes subsuperficiais. a qual é reduzida à medida que se afasta da camada superficial do solo. 172 Módulo 3. as que seguem.Herbicidas: comportamento no solo . que pode ser definido como sendo os resíduos fitotóxicos que permanecem no solo e que venham a afetar culturas sensíveis plantadas em rotação após aquelas culturas em que foi utilizado o herbicida. Eventuais alternativas para minimizar o problema de carryover incluem a redução das doses (pode não resolver o problema em certos tipos de solos) e a aplicação em faixas ou dirigida em vez de em área total (reduz a quantidade total de herbicida aplicado).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nas Figuras 19 e 20 são encontrados exemplos de comportamentos de persistência de herbicidas em um Latossolo Roxo distrófico (LRd).4 .

Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A). (1998) Módulo 3.4 . 150 (B) e 180 (C) DAA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 19 . provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de imazaquin Fonte: Silva et al.Herbicidas: comportamento no solo 173 .

(1998) 174 Módulo 3.Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A). 150 (B) e 180 (C) DAA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 20 .Herbicidas: comportamento no solo . provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de trifluralin Fonte: Silva et al.4 .

no qual ocorre a quebra de pontes químicas das moléculas herbicidas devido à substituição de um ou mais átomos por íons hidroxil da água (OH-). O fenômeno da recalcitrância (baixa degradabilidade no solo) é bastante complexo e regulado por outros fatores. implicando a perda ou alteração da toxidez da molécula. em um produto não-tóxico e desativado. O pH do solo também auxilia na velocidade da reação.Herbicidas: comportamento no solo 175 . envolvendo várias reações seqüenciais. Essa transformação pode ser primária.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. cujos principais mecanismos envolvidos são a oxirredução e hidrólise desses compostos. entre eles: • características estruturais do composto: quantidade de substituição e natureza do grupo introduzido no núcleo central da molécula.Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação O termo biodegradação refere-se à transformação biológica de um composto químico orgânico em outra forma. por ação enzimática. Esse fenômeno pode ocorrer em solos extremamente secos embora seja facilitada naqueles cuja condição se aproxima da sua capacidade de campo e com temperaturas elevadas. A hidrólise representa um processo geral de reação do herbicida com a água. por exemplo são extremamente estáveis nas faixas de pH normalmente encontradas no solo e apresentam t ½ vida normalmente maior que seis meses.2 .4 . Módulo 3.Degradação química A degradação ou decomposição de herbicidas no solo por meio de reações químicas e nãobiológicas são comuns para diversas moléculas. 1989). ou mais complexa. pelo início de uma série de atividades degradativas que ocorrem no solo e torna-se indispensável para os processos de transformação das moléculas de herbicidas no solo. como uma oxidação. Detoxificação: conversão de uma molécula tóxica em um produto menos tóxico ou atóxico. Estudos mais detalhados indicam que a biodegradação pode ser por: Alteração não-tóxica: conversão de uma molécula não-tóxica. Ativação: conversão. em geral. A estabilidade desses herbicidas sugere que a hidrólise química não é um mecanismo importante na sua degradação no solo (SHANER. As imidazolinonas. Conjugação: quando o substrato torna-se mais complexo pela adição ou complexação com metabólicos microbianos.3 . 4. mas com potencialidade de ativação e toxidez. redução ou perda de um grupo funcional. Embora para a grande maioria dos herbicidas aplicados ao solo os processos de degradação mediados por microrganismos sejam mais importantes. envolvendo mudanças estruturais na molécula. podendo se tornar recalcitrante e mais tóxico. a hidrólise química é responsável. de um substrato não-tóxico em uma molécula com ação biocida.

• ausência de fatores de crescimento ou condições favoráveis para os microrganismos decompositores e • ausência de microrganismo(s) com capacidade metabólica (enzima) capaz de degradar o produto. fornecendo nutrientes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas desativação de sistemas enzimáticos responsáveis pelas alterações na molécula do produto no solo. RAVELLI et al. Sabe-se. uma vez que está menos exposto ao contato direto com a microbiota do solo. Portanto. 1996). diz-se que ocorreu um processo natural de adaptação metabólica. de que essa degradação seria devido ao aumento da atividade enzimática com maior ação degradativa sobre esses compostos. sendo um dos maiores mecanismos envolvidos na degradação de herbicidas. é mais abundante nas camadas superficiais do solo. H2O. Mineralização: considerado sinônimo de degradação. como fonte de energia (metabolismo). Simples degradação: transformação de uma substância tóxica complexa em produtos mais simples. a ação microbiana pode modificar a estrutura química do produto. A rota primária de degradação das 176 Módulo 3. sem fornecimento de energia para o seu crescimento (co-metabolismo) (MONTEIRO. se um herbicida é lixiviado rapidamente da camada superficial do solo. mais comumente. Diversas dessas moléculas têm sido descritas como condicionadoras da microbiota do solo para sua degradação (FELSOT. a segunda. 1996. os processos de biodegradação podem ocorrer em função da atuação de uma ou. (2001) observaram a biodegradação acelerada de carbetamida por microflora adptada.. SHELTON. Alteração do espectro de toxidez: alteração no composto que provoca alteração do grupo de organismos específicos sensíveis à sua ação. diminuindo com a profundidade. Já Sanyal e Kulshrestha (1999) observaram a ação de diversos microrganismos na degradação acelerada de metolachlor. ele pode acabar tornando-se mais persistente. avaliando a degradação de pesticidas em várias profundidades. Hole et al. onde tem maiores chances de ser biodegradado. ainda. representada principalmente por fungos e bactérias. de várias espécies de microrganismos do solo. com utilização do composto como fonte de carbono e energia. NH3 e íons inorgânicos. Além disso. 1993). pois outros fatores ambientais precisam ser considerados na interpretação desses resultados. • inacessibilidade do substrato às enzimas ou células microbianas capazes de promover a sua degradação. entretanto. 1997). Entretanto. utilizando esse composto como fonte de C e N. Estes microrganismos podem utilizar os herbicidas tanto como substratos. ou.. esse fenômeno tem sido questionado a partir de duas considerações: a primeira é de que a degradação acelerada seria resultado do aumento do número de microrganismos selecionados pelo herbicida e.4 . observaram que a taxa de degradação diminui com a profundidade (VEEH et al. os estudos ainda não permitem uma definição sobre a modificação ou atividade mircrobiana envolvida na degradação acelerada de herbicidas.Herbicidas: comportamento no solo • . Vários autores. Contudo. embora os produtos finais sejam CO2. Quando a biodegradação é acelerada. que a população microbiana.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas imidazolinonas. a qual depende da insaturação eletrônica. como hidrólise. são os mesmos que os encontrados em decorrência de processos enzimáticos. Outros exemplos de reações fotoquímicas comuns ocorrem nas bifenilas policloradas (PCBs).4 . Estudos de dissipação no campo mostram a perda rápida das imidazolinonas a partir do solo. oxirredução. Apenas aqueles herbicidas na ou próximos à superfície do solo ou sobre plantas serão passíveis de sofrerem fotodecomposição. cultivo e irrigação. podem afetar a persistência dos herbicidas. é a reação fotonucleofílica de hidrólise. na presença de um agente nucleofílico em solução aquosa. a isomerização e a polimerização. diquat. e possui picos de absorção de luz na faixa do UV. Uma reação que também ocorre a partir da substituição de um halogênio de benzeno por uma hidroxila. além das próprias culturas. uréias substituídas (diuron. como as dinitroanilinas. Dentres as principais reações fotoquímicas. vento e luz solar) podem afetar a transformação dos herbicidas tanto na água quanto no solo. a oxidação. a energia luminosa pode ser absorvida por uma molécula intermediária e transferida à molécula do herbicida por colisão.Fotodecomposição ou fotólise A radiação solar na faixa do ultravioleta (290-450 nm) contém energia suficiente para causar transformações químicas dos herbicidas. algumas vezes. o comprimento de onda efetivo na fotodegradação de herbicidas pode estar fora do espectro de absorção específico do composto. A maioria dos herbicidas apresenta coloração que tende ao branco. etc. e os produtos da transformação resultantes dessas reações. normalmente como os elétrons deslocados (cromóforos). clethodim. paraquat. começa quando a molécula do herbicida absorve a energia luminosa. possuem picos de absorção por volta de 370 nm. as quais podem levar à sua inativação. bentazon e atrazine em solução aquosa. as de maior ação sobre os herbicidas são: a hidrólise.. a desalogenação. Exemplos de herbicidas que sofrem fotodecomposição incluem o trifluralin. Geralmente a luz apresenta um papel de catalisador de reações químicas. ou próximo disso. triasulfuron. aeração e micro/macrofauna) e as técnicas de aplicação. 4.4 .Herbicidas: comportamento no solo 177 . Módulo 3. particularmente sob condições de alta umidade e temperatura. umidade. estado de humificação da matéria orgânica. por exemplo. uma vez que a penetração de luz UV no solo é bastante limitada. O processo de fotodecomposição. propriedades do solo (pH. monuron) e em pentaclorofenóis. sendo a desalogenação a reação fotoquímica mais comum. Compostos amarelados. Portanto. Fatores do ambiente (temperatura. Além disso. parece ser a microbiana. ou decomposição pela luz. Embora a energia solar que chega à superfície do solo na faixa abaixo de 295 nm seja considerada desprezível. disponibilidade de nutrientes. superfície mineral. Isso causa a excitação de elétrons e pode resultar na quebra ou na formação de ligações químicas.

Mais especificamente. Figura 21 . ou isoladamente. A Figura 21 exemplifica as estruturas químicas de produtos de fotodegradação do metolachlor. nos últimos dez anos. outros fatores podem estar envolvidos. 2003). se comprovada ao longo de um período de monitoramento. a degradação química e biológica e a sorção são alguns fatores que devem ser considerados para explicar o desaparecimento dos herbicidas do solo. e indústrias multinacionais.que consiste simplesmente em manejar ao longo de um certo tempo a degradação dos contaminantes que ocorre por meio de processos naturais . É possível que parte das perdas esteja relacionada ao processo de fotodegradação. como a norte-americana Phytotech e a alemã BioPlanta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considera-se que os produtos da fotodegradação sejam similares aos produzidos por processos químicos e biológicos de degradação. acentuada pela temperatura elevada na superfície do solo. 2005).Herbicidas: comportamento no solo . Herbicidas aplicados à superfície do solo são freqüentemente perdidos. que se beneficiam do emprego da fitorremediação em suas áreas de produção e de pesquisa (GLASS. A volatilização. DINARDI et al. especialmente se um período prolongado de seca acontece após a aplicação. 1998.4 . surgiram nos EUA e em grande parte da Europa inúmeras companhias que exploram a chamada “fitorremediação” para fins lucrativos. 178 Módulo 3. No entanto. Esta alternativa . Monsanto e Rhone-Poulanc..Fitorremediação Recentemente. tem-se mostrado que a atenuação natural monitorada pode contribuir significativamente para o controle e a redução da contaminação de solos e águas subterrâneas (FURTADO.tem-se mostrado viável nos casos em que ocorrem condições biogeoquimicamente favoráveis e pode ser efetiva na remediação de solos e águas subterrâneas quando utilizada paralelamente a outras tecno¬logias.Estruturas químicas de quatro produtos de fotodegradação do metolachlor Fonte: Kochany e Maguire (1994) 5 . como Union Carbine.

2006). Portanto.Herbicidas: comportamento no solo 179 . os herbicidas de longo efeito residual apresentam-se como principal problema à possibilidade de contaminação de culturas plantadas em sucessão e ao problema ambiental ocasionado por sua lixiviação direta ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo. As condições necessárias para essa degradação incluem a existência de receptores de elétrons. principalmente. tem-se a fitorremediação (ACCIOLY. em particular bactérias. reduzindo-o ou até mesmo eliminando sua toxicidade.. bem como instituições de pesquisa. 2005). principalmente) capazes de se desenvolverem em meio contendo o material poluente. os quais incluem a fitorremediação. b). Módulo 3.. comprovadamente. 2000). eficientes na descontaminação de áreas tratadas com os herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron e que o provável mecanismo envolvido na descontaminação seja a interação da fitoestimulação e da fitodegradação. é no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Viçosa que se intensificam os estudos na área da fitorremediação de solos contaminados por herbicidas.. pesquisam e exploram métodos de biorremediação. 2005. VROUMSIA et al. compostos nitroaromáticos e. 2005). QUEROL et al.. Petrobrás (2006) e Unicamp (FEA. visando a descontaminação de ambientes (fitorreme¬diação) que apresentam resíduos de herbicidas em quantidade suficiente para causar interferência negativa nas diferentes atividades agrícolas ou comprometer a sustentabilidade ambiental. Nesses estudos. Quando se trata da descontaminação pela utilização de plantas isoladas ou estimulando a microbiota associada às suas raízes. No Brasil. 2004a. 5. herbicidas (PIRES et al.4 . o termo biorremediação é amplamente utilizado para o processo de descontaminação de ambientes por microrganismos. de ambientes contaminados por metais pesados e derivados de petróleo. 2003. SANTOS et al.. 2003. mais recentemente.1 . PROCÓPIO et al. podendo atingir cursos de águas subterrâneas.. incluindo compostos químicos aplicados para as diferentes atividades agrícolas. já se sabe que as espécies Stizolobium aterrimum e Canavalia ensiformis são.A fitorremediação como mecanismo de biorremediação A biorremediação é o processo de remediação in situ de áreas contaminadas que emprega organismos vivos (microrganismos e plantas. SIQUEIRA. A técnica é bem utilizada para remediação de áreas contaminadas com metais pesados (FRANCO. entre elas a Embrapa (2005). No processo de biorremediação in situ dito “tradicional”. Dessa maneira. este trabalho abordará especificamente aspectos da técnica da utilização das plantas e sua microbiota associada. são estimulados a degradar os contaminantes seja por utilização da molécula como fonte de nutrientes ou por co-metabolismo. A pesquisa referente à biorremediação (biodegradação) de áreas contaminadas por herbicidas é relativamente ampla e já bem consolidada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Dentre os compostos de difícil degradação no solo. de nutrientes e de substrato. Contudo. algumas empresas estatais e privadas. 2004. solventes halogenados. YU et al. 2005. microrganismos do solo.. incluindo o desenvolvimento de vários microrganismos comprovadamente eficientes na biodegradação de alguns compostos (BELLINASO et al.

o que caracteriza.. de 193 dias. 180 Módulo 3. em solos rizosféricos de Kochia scoparia. 1996. tolerantes a certos herbicidas. Contudo.. hidrocar¬bonetos de petróleo. SIQUEIRA. 1994. Em trabalho realizado por Pires et al. (2005). ensiformis e S. ANDERSON. CUNNINGHAM et al. COATS. entre outras. foi comprovado que o solo proveniente da rizosfera de diversas espécies de leguminosas. explosivos. que algumas espécies exibem a determinados compostos ou mecanismos de ação. aterrimum.. 1996. contaminado com o tebuthiuron.. PROCÓPIO et al. Apesar das facilidades observadas.. SANTOS et al. ou remoção física da camada contaminada. 2004. PERKOVICH et al..Herbicidas: comportamento no solo . SCHNOOR. apresentou maior atividade microbiana.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quando comparada com técnicas tradicionais. como a capacidade de metabolização do herbicida a um composto não-tóxico (ou menos tóxico) à planta e ao ambiente. um importante mecanismo de diminuição do herbicida por ação do fitorremediador parece ser a fitoestimulação. 2003.4 . volatilizados. como bombeamento e tratamento. podem ainda sofrer parcial ou completa degradação ou ser transformados em compostos menos tóxicos. constatou-se que. 1995. especialmente menos fitotóxicos. A seletividade deve-se ao fato de que os compostos orgânicos podem ser translocados para outros tecidos da planta e. o contaminante. promovido pela liberação de exsudatos radiculares.. no caso herbicida. comparado ao solo não vegetado. 1996). combinados e/ou ligados a tecidos das plantas (compartimentalização) (ACCIOLY. e • apresentam complexidade de análise diante das constantes transformações a que estão sujeitos. entre outros. elementos contaminantes. só recentemente tem-se apresentado como promissora técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas residuais (PIRES et al. agrotóxicos. como metais pesados. solventes clorados e subprodutos tóxicos da indústria (CUNNINGHAM et al. 2000. entre elas C. as plantas. estimulando o efeito rizosférico na aceleração da mineralização de alguns herbicidas. 2005). na qual há o estímulo à atividade microbiana. no caso. A utilização da fitorremediação para descontaminação de ambientes com resíduo de herbicidas é baseada na seletividade. SCRAMIN et al. duas limitações. Outros trabalhos relatam a contribuição das plantas. a meia-vida do atrazine foi de 50 dias. a fitorremediação tem sido considerada vantajosa. 2001). Apesar de ser utilizada em solos contaminados com substâncias orgânicas ou inorgânicas. natural ou desenvolvida. Em trabalho realizado por Arthur et al.. em algumas plantas. Citam-se ainda outros mecanismos. 1996). 1996). (2000). principalmente por sua eficiência na descontaminação e pelo baixo custo (PERKOVICH et al. é desenvolvido como agente para o controle do descontaminante. BURKEN. e em solos não vegetados. conhecido como fitodegradação. Esse fato é de ocorrência comum em espécies agrícolas e daninhas. que atuam degradando o composto no solo. a aptidão rizosférica para a biorremediação desses compostos.. principalmente atrazine e metolachlor (ANDERSON et al. subseqüentemente. devem ser consideradas para o emprego da fitorremediação em áreas contaminadas por herbicidas: • são contaminantes orgânicos que apresentam diversidade molecular.

1992. como.1. o fluxo transpiratório. os efeitos benéficos nos processos de fitorremediação de herbicidas. 1997).. Além disso. com exceção do diuron em um dos solos. Para certas características das plantas e condições ambientais. por exemplo. apesar de ter valores de pH mais altos que 6. a absorção radicular de xenobióticos da água (em solução) está diretamente relacionada ao logaritmo do coeficiente de partição octanol-água (Kow) do composto. Em revisão feita por Pires et al. no papel eficiente das plantas.1.Herbicidas: comportamento no solo 181 . REDDY et al. diuron e metsulfuron-metil na solução do solo e na fração adsorvida em dois tipos de solos e encontraram que a meia-vida destes produtos foi menor em solução que na fração adsorvida. como os herbicidas. Outras propriedades do solo podem intervir na fitorremediação e. além dessa característica. Dessa maneira. pelas plantas é afetada pelas propriedades químicas do composto. é sabido que valores de pH fora da faixa de neutralidade comprometem a atividade da microbiota do solo prejudicando diretamente os processos de fitorremediação. Essa ligação ou exclusão leva a menor fluxo transpiratório sob valores de Log Kow que se distanciam de 2. Nas condições tropicais em que os solos são altamente intemperizados com predomínio de óxidos e hidróxidos de Fe e Al e argilas silicatadas 1:1. o conteúdo de argila. Solos com alto conteúdo deste mineral apresentam reduzida mineralização de atrazine. 1995). Compostos que são menos hidrofóbicos. o produto químico deve passar pelo simplasto da endoderme. persistência e concentração do herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Segundo Burken e Schnoor (1996). incrementam-se também a biomassa e atividade microbiana e a biotransformação das moléculas dos herbicidas no solo (WEED et al. a matéria orgânica constitui o principal contribuinte para a CTC. logo. 2003). sendo maior a absorção quando o valor de Log Kow é de 2. pelas condições ambientais e pelas características da espécie vegetal.. Módulo 3. conseqüentemente.0.. Para ser translocado. Todavia. (2003a) e de acordo com Brigss et al. 2000). GARBISU.. interferem ainda a constante de acidez (pKa) e a sua concentração (ALKORTA. (1982).5 (HOUOT et al. além do mecanismo de ação. CELIS et al.4 . Walker et al. (1996) estudaram a degradação de isoproturon.5 a 3. as pesquisas devem direcionar esforços para obtenção de melhores resultados para as áreas contaminadas com os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo. 1995. Compostos que são mais hidrofóbicos. ligam-se às membranas lipídicas das raízes antes de entrarem no xilema. Maior conteúdo de matéria orgânica reduz as amplitudes de variação da temperatura e umidade do solo. Para atrazine verificou-se que sua mineralização aumentava rapidamente com o aumento do pH (HOUOT et al. 2001). as substâncias húmicas são relatadas como as principais responsáveis pela sorção de herbicidas (PUSINO et al.. é maior quando o Log Kow do pesticida varia de 0. fundamental para promover o carreamento do herbicida absorvido para a parte aérea das plantas. Dos componentes da matéria orgânica do solo. de baixa reatividade (caulinita). com Log Kow > 2. com valores de Log Kow < 2.. não passam através das membranas lipídicas associadas com as camadas da epiderme das raízes. levando à fitodegradação.1..1 (PIRES et al. ampliando dessa forma. 2000). vários outros fatores poderão influenciar a capacidade descontaminadora de espécies vegetais em programas de fitorremediação. a absorção de compostos orgânicos.

1988) ou mesmo estender-se por mais de sete anos. SANTOS et al.este herbicida apresenta elevada mobilidade em solos com baixos teores de argila e de carbono orgânico. Também o tebuthiuron.2 . tomate. OLIVEIRA. 2005). para o plantio de culturas sensíveis. apresenta problemas de carryover na cultura do feijão cultivado em seqüência. as propriedades procuradas em um herbicida são sua pronta degradabilidade. que é recomendado para uso em pré-emergência na cultura da canade-açúcar. que é utilizado em mistura com o ametryn na cultura da cana-de-açúcar ou puro na cultura do algodão em pós-emergência inicial.. o período de espera.1984). como picloram e imazapyr. principalmente como resultado de aplicações seqüenciais ao longo dos anos na mesma área (CERDEIRA. para que se obtenha resultados satisfatórios. Além disso. Sua persistência no solo pode variar de 11 a 14 meses em Latossolo Vermelho-Amarelo em lavouras de cana-de-açúcar (BLANCO. 2005). é de aproximadamente oito meses. portanto. Mesmo sendo recomendado em concentrações baixas (em torno de 7. podendo atingir lençóis subterrâneos e se mover para outros ambientes com provável contaminação de outros ecossistemas. Existe ainda o impacto ambiental negativo ocasionado pela lixiviação dessas moléculas ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo. ALMEIDA. como algodão. a contar da data de sua aplicação. Contudo. especificidade e baixa toxicidade para os organismos não-alvos.Herbicidas: comportamento no solo .4 . principalmente em sistemas agrícolas que necessitam utilizar esses produtos no manejo integrado de plantas daninhas (JAKELAITIS et al. Problemas resultantes dos processos de poluição e degradação dos recursos naturais por herbicidas têm recebido atenção especial.5 g ha-1) (RODRIGUES. quando simulada a reunião de todas as condições ambientais que favoreçam sua persistência (EMMERICH et al. podendo chegar a até três anos o intervalo para o plantio de culturas sensíveis. reduzindo com isso o número de aplicações.Problemas relacionados aos herbicidas residuais Atualmente. entre outras (RODRIGUES. Mesmo possibilitando o controle efetivo de plantas daninhas por um período de tempo maior. 2005. fonte potencial para contaminação de aqüíferos. Produtos como o trifloxysulfuron-sodium. 2005). soja. causando intoxicação às culturas de amendoim. eficiência em doses baixas. apresentam considerado efeito residual no solo.. ALMEIDA..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5. feijão e soja quando cultivadas até dois anos após a sua aplicação. é essencial conhecer o tempo total necessário para a 182 Módulo 3. 1987) de 15 a 25 meses em solo argiloso (MEYER. Outros herbicidas. apresenta longo período residual. 1999). batata. existindo uma conscientização dos problemas ambientais ou de saúde que podem ocorrer devido à má utilização desses compostos químicos (SANTOS et al. sendo.. os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo proporcionam a ocorrência de toxicidade em culturas sensíveis (carryover) plantadas após sua utilização. 2005). Áreas contami¬nadas por estes e outros herbicidas persistentes no solo são prioritárias nos programas de fitorremediação. BOVEY.

. 1994. ao mesmo tempo ou subseqüentemente.. quando necessária a remoção da planta da área contaminada. 2000.. para promoverem maior descontaminação.3 . VOSE et al. daí a necessidade do conhecimento de estratégias que acelerem o processo de remediação. que. as vezes é muito longo. 2003). 1998. ACCIOLY. Em essência. Módulo 3. São conhecidas espécies que se desenvolvem bem em todos os ambientes. solo seco. • alta taxa de crescimento e produção de biomassa. 1996. especialmente em árvores e plantas perenes. • fácil aquisição ou multiplicação de propágulos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas descontaminação. a escolha de plantas que apresentem tolerância ao herbicida é o primeiro passo na seleção de espécies potencialmente fitorremediadoras. SIQUEIRA. além da aptidão ecológica da espécie vegetal a ser empregada. várias espécies podem. O ideal seria reunir todas essas características numa só planta.Estratégias para o sucesso da fitorremediação O sucesso no emprego da fitorremediação como técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas depende da natureza química e das propriedades do composto. e • capacidade de desenvolver-se bem em ambientes diversos.. • sistema radicular profundo e denso. PERKOVICH et al. 1996. embora a maioria dos testes avalie plantas isoladas. Outro aspecto a ser observado é que. • fácil controle ou erradicação.. Dessa forma. • elevada taxa de exsudação radicular. • fácil colheita. com elevada umidade. CUNNINGHAM et al. algumas características devem ser consideradas na escolha da espécie vegetal a ser utilizada em programas de remediação de áreas contaminadas por herbicidas: • capacidade de absorção. PIRES et al.4 . de clima quente ou frio. 5. • retenção do herbicida nas raízes. além dos procedimentos para o correto emprego da técnica. a espécie vegetal ideal para remediar um solo contaminado por herbicidas seria uma cultura de alta produção de biomassa. que tanto pode tolerar como acumular o produto.Herbicidas: comportamento no solo 183 . Dessa forma. sendo importante ressaltar algumas delas.. a técnica pode apresentar algumas limitações de aplicação. 2000. NEWMAN et al. como sugerido por Miller (1996). concentração e/ou metabolização e tolerância ao herbicida. aquela que for selecionada deve reunir o maior número delas. • capacidade transpiratória elevada. porém. Com base nas análises apresentadas por diversos autores (FERRO et al. no caso da fitoestabilização. • resistência a pragas e doenças. como oposto à transferência para a parte aérea. ser usadas em um mesmo local. pedregoso. evitando sua manipulação e disposição. visando efetivar e diminuir o tempo de descontaminação. entre outros fatores.

destacando-se a mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) e o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (Figura 23). utilizada como bioindicadora da presença do herbicida.Herbicidas: comportamento no solo . possibilitou maior eficiência no processo de remediação por essas leguminosas. (2006) constataram que a adição de composto orgânico ao solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron. Também Pires et al. provavelmente. (2004). 2004. a fitoestimulação da microbiota associada à rizosfera (PROCOPIO et al.. Além dos fatores mencionados. Nos trabalhos realizados por Procópio et al. SANTOS et al. algumas especies vegetais utilizadas como cobertura do solo foram selecionadas (Figura 22). ALMEIDA. Essas culturas são sensíveis à presença desse herbicida (RODRIGUES.. Santos et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nos trabalhos realizados até o momento no Brasil. apresentou maior atividade microbiana. as leguminosas C.. ensiformis. feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) e mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) promoveram a fitorremediação de solo contaminado pelo herbicida trifloxysulfuron-sodium. b. aterrimum promoveu maior descontaminação da área tratada com trifloxysulfuron-sodium. não interferiu no desenvolvimento posterior de plantas de feijão. 2005. ensiformis e Lupinus albus possibilitaram o pleno desenvol¬vimento de Avena strigosa. 184 Módulo 3. aterrimum da área contaminada com trifloxysulfuron-sodium. (2006) observaram que o solo proveniente da rizosfera de S. das várias espécies testadas tolerantes ao herbicida tebuthiuron. semelhante ao solo isento do herbicida (Figura 24). 2003a. PROCÓPIO et al. evidenciada pelo maior desprendimento de dióxido de carbono. indicando que o produto pode estar sendo degradado internamente nos tecidos (fitodegradação) ou inativado por outros mecanismos rízosféricos. tratado com o trifloxysulfuron-sodium.. Procópio et al. aterrimum. comparado ao mesmo solo não tratado com o herbicida. ensiformis e S. evidenciando a contribuição da microbiota no processo de descontaminação. após o período de remediação. além de melhorar o desenvolvimento das espécies vegetais S. sendo. 2006). possibilitando o posterior desenvolvimento de plantas de milho e feijão. (2005) verificaram que. 2004b). outros mecanismos podem ser implementados no programa de fitorremediação visando maior eficiência no processo. 2005b. visando a seleção de espécies vegetais com potencial para emprego em programas de fitorremediação de herbicidas (PIRES et al. comprovando a eficiência na descontaminação. Em outro trabalho.4 . a permanência ou retirada da parte aérea das plantas de C. (2005) verificaram que o aumento da densidade populacional de S. após a seleção de diversas espécies vegetais. aterrimum e C. Belo et al. 2005).

associados às práticas agronômicas.0 g ha-1) (não-seletivo a essas culturas). imobilizando ou tornando os contaminantes inofensivos ao ecossistema. posteriormente cultivado (B) ou não (A) com mucuna-preta (Stizolobium aterrimum).0.4 . o programa deve envolver. visando a fitorremediação de solos contaminados por esses herbicidas Figura 23 – Desenvolvimento de mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) (A) e feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (B). Módulo 3.Herbicidas: comportamento no solo 185 . removendo. visando a remediação Fonte: Procópio et al. além do emprego de plantas e sua microbiota associada. os quais. amenizantes como a matéria orgânica do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 22 – Etapa de seleção de espécies vegetais tolerantes ao trifloxysulfuron-sodium e ao tebuthiuron. para o sucesso da fitorremediação. 7.5 e 15. em solos contaminados pelos herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron Figura 24 – Desenvolvimento de plantas de milho e de feijão em solo tratado com o herbicida trifloxysulfuron-sodium (0. agiriam em conjunto. (2004) Para Accioly e Siqueira (2000).

alto potencial de escoamento. solubilidade de baixa para moderada em água (RODRIGUES. 2005). 1986). podendo ser utilizada como fertilizante. Além disso. como papel. apesar de já ser bem conhecido o processo de biodegradação do atrazine por diversos microrganismos (BEKHI et al. fabricação de diversos produtos.. poucos são os trabalhos que apontam soluções para fitorremediação deste composto em ambientes aquáticos (MARCACCI. além da possibilidade de inoculação de microrganismos junto à semeadura das plantas. e uma abordagem detalhada da sua dinâmica seria difícil diante dos diversos interferentes relacionados ao seu comportamento. graças à atual preocupação na viabilidade das técnicas integradas de manejo. KHAN. principalmente em solos brasileiros. 2005). devido às suas características físico-químicas. incremento na população e número de espécies vegetais. principalmente no solo. hidrólise lenta. essa técnica é 186 Módulo 3. geração de energia. Esse fato denota a importância de pesquisas. o atrazine oferece elevado risco de contaminação de aqüíferos.Herbicidas: comportamento no solo . espera-se maior aceitação de métodos de descontaminação in situ. são pesquisas já iniciadas e fornecerão dados para maior eficiência nos processos de descontaminação de áreas que apresentam resíduos de outros herbicidas comprovadamente persistentes no ambiente. BEKHI. o sucesso do tratamento empregando planta aquáticas vai além do baixo custo. sendo comumente detectado após um ano.4 . com o objetivo de prevenir quanto aos possíveis distúrbios ambientais provocados por esses compostos. Contudo. 1998).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Manejo da irrigação. retenção e transformação que ocorrem com as moléculas representa a capacidade de contaminação e persistência destas no meioambiente. havendo possibilidades de reciclagem da biomassa produzida. Este herbicida apresenta alta persistência no solo. Contudo. Entre os herbicidas. e até proteínas para usos em rações (DINARDI et al. 6 . os quais são responsáveis pelo destino final desses compostos. 1993. 2003. O resultado dos processos de transporte. baixa pressão de vapor. outros benefícios para o agricultor. Nessa área. por perturbarem menos o ambiente. além da capacidade remediadora. depende do somatório de diversos processos envolvidos. GLASS. O tema cresce em complexidade na medida em que se tenta selecionar espécies vegetais que apresentem. ALMEIDA. Em se tratando de ambientes aquáticos. a fitorremediação surge como opção para o tratamento eficiente de solo e água contaminados por herbicidas de difícil decomposição nesses ambientes. que visam o menor impacto negativo ao ambiente. absorção moderada à matéria orgânica e argila. O que se observa é que o conhecimento teórico das propriedades dos compostos do solo. nos programas de fitorremediação de herbicidas. como o picloram e outros.Considerações finais O comportamento de herbicidas no ambiente. ração animal. dos fatores climáticos envolvidos e dos mecanismos de interação herbicida–ambiente nem sempre representa o comportamento constatado em condições naturais a campo.

torna-se possível sua utilização com eficiência técnica e econômica.Herbicidas: comportamento no solo 187 . sem dúvida. As implicações são claras: entendendo como os herbicidas e outros pesticidas aplicados ao solo se comportam. Embora o tema seja muito abrangente. Módulo 3. este é. comparada a outros processos de descontaminação. quando todos os fatores envolvidos interagem.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas relativamente barata.4 . podendo ser aplicada a grandes áreas. um dos motivos pelo qual deve ser mais estudado. a identificação dos problemas de contaminação e as opções de recuperação do ambiente afetado.

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

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192 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; PROCÓPIO, S. O.; CECON, P. R.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A. Seleção de plantas tolerantes ao tebuthiuron e com potencial para fitorremediação. Revista CERES, v. 50, n. 291, p. 583-594, 2003b. PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; QUEIROZ, M. E. L. R.; PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A.; CECON, P. R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de tebuthiuron. Planta Daninha, v. 21, n. 3, p. 451-458, 2003a. PIRES, N. M.; OLIVEIRA JR., R. S.; PAES, J. M. V., SILVA, E. Avaliação do impacto ambiental causado pelo uso de herbicidas. Viçosa, MG: Sociedade de Investigações Florestais, 1995. 22 p. (Boletim Técnico SIF, 11). PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A. A.; SANTOS, E. A. Fitorremediação de solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium por mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). Planta Daninha, v. 23, n.4, p. 719-724, 2005a. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A.A.; SANTOS, E. A.; CARGNELUTTI FILHO, C. Development of bean plants in soil contaminated with the herbicide trifloxysulfuron-sodium after Stizolobium aterrimum and Canavalia ensiformis cultivation. Crop Protection, 2006 (em fase de publicação) PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A. Potencial de espécies vegetais para a remediação do herbicida trifloxysulfuronsodium. Planta Daninha, v. 23, n. 1, p. 9-16, 2005b. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A.; FERREIRA, L .R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de solos contaminados com o herbicida trifloxysulfuron sodium. Planta Daninha, v. 22, n. 2, p. 315322, 2004. PUSINO, A. et al. Influence of organic matter and its clay complexes on metolachlor adsorption on soil. Pesticide Science, v. 36, p. 283-286, 1992. QUEROL, X.; ALASTUEY, A.; MORENO, N.; ALVAREZ-AYUSO, E.; GARCÍA-SÁNCHEZ, A.; CAMA, J.; AYORA, C.; SIMÓN, M. Immobilization of heavy metals in polluted soils by the addition of zeolitic material synthesized from coal fly ash. Chemosphere, v. 62, n. 2, p. 171-180, 2006. RAVELLI, A.; PANTANI, O.; CALAMAI, L.; FUSI, P. Rates of chlorsulfuron degradation in three Brazilian soils. Weed Res., v. 37, p. 51-59, 1997. REDDY, K. N. et al. Chlorimuron adsorption, desorption and degradation in soils from conventional tillage and no-tillage systems. Journal of Environmental Quality, v. 24, p. 760 767, 1995. ROBERTS, T. R. Assessing the environmental fate of agrochemicals. J. Environ. Sci. Health, B, v. 31, n. 3, p. 325-335, 1996. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR, 2005. 648 p. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR: Grafmarke, 2005. 591 p.
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 193

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194 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Leandro Vargas Profº. Evander Alves Ferreira

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
196 Módulo 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas

201 1.Variabilidade genética. 215 10. 204 5 . 201 1. 213 10.Mecanismos que conferem resistência.Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida. 217 10.Derivados da glicina. 200 1. 202 3 . 200 1.2 – Metabolização.1 . 209 6 . 213 10.Diagnóstico da resistência a campo. 216 10.Alteração do local de ação. 219 13 . 225 14.Como evitar a resistência. 231 Módulo 3. 225 15 . 214 10.Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate.4 – Dinitroanilinas. 218 12 .Absorção e translocação.Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução. 210 8 .Características da resistência por grupos herbicidas.A resistência de plantas daninhas no Brasil.4 .Culturas transgênicas.Inibidores de ACCase.6 .Comentários finais. 209 7 .7 – Triazinas. 215 10. 208 5.Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas.2 .1 – Auxinas.5 .Fatores que favorecem o surgimento da resistência. 229 16 . 218 11 . 198 1 .5 . 212 10 . 221 14 .Pressão de seleção.3 .Resistência cruzada.1 . 203 4 .3 – Compartimentalização.Inibidores de ALS. 211 9 .Como confirmar a resistência.1 . 230 Referências bibliográficas.Manejo da resistência a herbicidas. 202 2 . 208 5.Herbicidas: resistência de plantas 197 .Uréias/amidas.8 .2 – Bipiridílios.Evolução da resistência.Resistência múltipla. 214 10.

atualmente.1% às auxinas sintéticas. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. a população de plantas resistentes pode aumentar até o ponto de comprometer o nível de controle (HRAC. Já em 1970. Dessa maneira.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O controle de plantas daninhas com uso de herbicidas é prática comum na agricultura mundial.. após o primeiro caso de resistência. Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES. Na atualidade. Estudos posteriores demonstraram que esta espécie era resistente a todas as triazinas. 1977) Em menos de 30 anos. 11. foram descobertos biótipos de Senecio vulgaris resistentes a simazine (RYAN. nos Estados Unidos. e Daucus carota. ao fato de que o controle químico tem sido eficiente. no Canadá.6% aos inibidores da ACCase. 3. 2005).7% aos bipiridílios. possui custo atrativo. 7.Herbicidas: resistência de plantas . havia mais de 100 espécies reconhecidamente resistentes em aproximadamente 40 países (HEAP. o Brasil é um dos maiores mercados do mundo. O largo uso de herbicidas deve-se. há aproximadamente 284 biótipos de plantas daninhas que apresentam resistência a um ou mais mecanismos herbicidas (Quadro 1).5% às dinitroanilinas e os 198 Módulo 3. O uso repetido de um herbicida exerce uma pressão de seleção que leva ao aumento do número de indivíduos resistentes na população. 1998). 28. 22. uma vez que essa tecnologia. 1997). devido a uma mutação nos cloroplastos (RADOSEVICH et al.9% resistem aos herbicidas inibidores da ALS. 7% às uréias e amidas. várias outras espécies. A constatação da resistência de plantas daninhas aos herbicidas começou em 1957 com a identificação de biótipos de Commelina difusa. hoje está se tornando prática comum até entre os pequenos. em diferentes países (RADOSEVICH. onde os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF 2005). os demais métodos de controle têm sido deixados de lado. os agricultores depositam confiança excessiva no controle químico das plantas daninhas. principalmente por grandes agricultores.5 . ALMEIDA. Uma das conseqüências do uso indiscriminado desses métodos tem sido o desenvolvimento de muitos casos de resistência a tais compostos por diversas espécies daninhas. foram descritas em gêneros como Amaranthus e Chenopodium. No que se refere aos defensivos agrícolas. está prontamente disponível e profissionalmente desen¬volvido. no estado de Washington (EUA). 1979). e a tendência de uso desses compostos é de aumento. 1998a). Em conseqüência. Muitos outros casos foram relatados em diferentes locais do mundo e. Depois disso. Destes biótipos. 1970). resistentes a herbicidas pertencentes ao grupo das auxinas (WEED SCIENCE.9% às triazinas. com resistência a triazinas. Esses biótipos pertencem a 171 espécies e estão distribuídos em 59 países. sendo o quinto no "ranking" de vendas de agrotóxicos. principalmente. 8.

67% dos casos de resistência documentados eram de biótipos resistentes às triazinas. As razões do não-surgimento de plantas daninhas resistentes.5 . Essas proporções mudaram com a introdução no mercado dos novos grupos herbicidas inibidores de ALS e ACCase. a estes grupos de herbicidas. porém acredita-se que esteja relacionado com o seu modo de ação. aos bipiridílios. Assim. 13%. até o momento. citado por HRAC (2004) Grupo de herbicida Mecanismo de ação Total ocorrência 82 65 33 22 23 20 10 8 4 6 2 7 284 Módulo 3. não são claras. A ocorrência de resistência múltipla agrava ainda mais o problema. A resistência de plantas daninhas a herbicidas assume grande importância. princi¬palmente quando não existe ou existem poucos herbicidas alternativos para serem usados no controle dos biótipos resistentes. se deve à alta especificidade. Isso ocorre para diversos biótipos de grande ocorrência em diversas partes do mundo tornando cada vez mais difícil e oneroso o controle desses biótipos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. o controle dos biótipos resistentes com uso de herbicidas é seriamente comprometido. são dois ou mais os mecanismos que precisam ser substituídos. Em 1983. das triazinas e existentes atualmente. à eficiência e à grande área onde são empregados.4-D Uréias e amidas Inibição da fotossíntese no FS II Chlorotoluron Dinitroanilinas e outros Inibição da formação dos microtúbulos Trifluralin Inibição da síntese de lipídios – não da Thiocarbamatos e outros Trialate ACCase Triazoles. Acredita-se que o maior número de biótipos resistentes aos herbicidas dos grupos inibidores de ALS. Não foram encontradas citações de plantas daninhas resistentes aos herbicidas perten¬centes aos grupos ariltriazolinonas. Quadro 1 – Ocorrência de biótipos de plantas daninhas resistentes a diferentes grupos herbicidas Exemplo de herbicida Inibidores da ALS Inibição da acetolactato sintase (ALS) Clorsulfuron Inibidores do Fotossistema Inibição da fotossíntese no Atrazine II fotossistema II Inibição da acetil carboxilase Inibidores da ACCase Diclofop-methyl (ACCase) Bipiridílios Aceptores de eletrons do FSI Paraquat Auxinas sintéticas Ação semelhante ao ácido indolacético 2. aos auxínicos. 12%. uréias e Branqueamento – inibição da Amitrole isoxazolidionas biossíntese de carotenóides Glicinas Inibição da EPSP sintase Glyphosate Inibição da divisão celular (inibição de Butachlor Chloracetamidas ácidos graxos de cadeias longas) Outros Diversos Diversos Total de biótipos de plantas daninhas observados no mundo Fonte: Adaptado de Retzinger. e os demais mecanismos somavam 8%. já que. neste caso. apesar do longo tempo de introdução no mercado.Herbicidas: resistência de plantas 199 . restringindo esta prática a outros métodos menos eficientes. benzotiadiazinas e ftalimidas.3% restantes aos demais grupos de herbicidas.

teoricamente. A atividade da enzima pode ou não ser modificada. Caso ele componha o centro ativo da enzima. A grande maioria das alterações que ocorrem no DNA. A ocorrência de erros na replicação ou transcrição da fita do DNA. resultando em uma proteína mutante.. A probabilidade de ocorrer erros na replicação do DNA.. cada trinca de bases nitrogenadas codifica um aminoácido que comporá a futura proteína. contudo. A mutação é um processo biológico que vem ocorrendo desde que há vida no planeta. 1992). As etapas para produção de uma proteína são a transcrição. porém não a posição do gene individualmente” (BREWBAKER. que é a cópia do DNA pela enzima DNA polimerase. mutação de ponto. e cai para 10-9 pela ação das enzimas reparadoras (SUZUKI et al.Mecanismos que conferem resistência 1. serão repassadas aos seus descendentes. é preferível restringir. e a tradução do RNAm com a montagem da proteína pelo ribossomo. Os erros de replicação e as lesões espontâneas geram a maior parte das mutações por substituição de base e mudança da matriz de leitura (SUZUKI et al.1 . Biótipos resistentes podem ocorrer em uma população de plantas daninhas como resultado de mutações que provocam alterações no local de ação do herbicida (BETTS et al. Mutação foi definida por De Vries como mudanças repentinas e hereditárias. 1969).5 . deleção ou substituição de uma base nitrogenada podem alterar um ou mais aminoácidos da proteína a ser formada. a maioria delas é deletéria e a evolução só é possível porque algumas delas podem ser benéficas em determinadas situações (SUZUKI et al. multiplicação do material genético. 1992). longas e específicas seqüências de bases nitrogenadas. O DNA é um cordão de genes (SUZUKI et al. 1992). O DNA é uma dupla hélice formada por bases nitrogenadas púricas (adenina e guanina) e pirimidicas (timina e citosina) que formam os genes. afirmando que são “aquelas mudanças bruscas hereditárias que alteram a atividade. na tradução do RNAm.. A seqüência linear de nucleotídios em um gene determina a seqüência linear de aminoácidos de uma proteína (SUZUKI et al. estando na dependência de qual aminoácido foi alterado. a possibilidade de erro. durante o crescimento do indivíduo é de cerca de 10-4. 1992). Se o aminoácido alterado for o ponto ou um dos pontos de acoplamento de uma molécula herbicida. que não provoquem a morte do indivíduo. e a ocorrência de mutações que provoquem inserção.. A alteração de uma base nitrogenada. a probabilidade de as suas características cinéticas serem modificadas é grande. pode originar uma enzima com características funcionais distintas ou não da original. existe. este produto 200 Módulo 3. são responsáveis pela codificação das proteínas. mesmo remota. 1992).. formando o RNA mensageiro (RNAm). 1992). Na tradução do RNAm.Alteração do local de ação As informações genéticas de um organismo estão contidas em seu material genético (DNA). Os genes.. entretanto.Herbicidas: resistência de plantas .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 .

(1991).: plantas resistentes ao paraquat). um herbicida que anteriormente era eficiente em inibir uma determinada enzima deixa de ter efeito sobre esta. 1969).Herbicidas: resistência de plantas 201 . como é o caso da resistência de Lolium rigidum a triazinas e inibidores de ACCase. são avaliados quanto à sua capacidade mutagênica. Desse modo. já que estes produtos. com as formas alélicas do gene. 1. como o vacúolo (ex. que podem estar relacionados com o tipo de mutação ocorrida. que a mutação possa ocorrer por ação de algum herbicida ou outro defensivo agrícola (KISSMANN. podem provocar mutações no DNA.3 . a molécula herbicida. Acredita-se que os herbicidas não sejam capazes de provocar mutações.Metabolização A planta resistente possui a capacidade de decompor. A resistência de Arabidopsis thaliana às imidazolinonas se deve à alteração de um aminoácido da enzima ALS. ou. Como exemplo. como o sol. em uma população de biótipos resistentes ocorrem diferentes níveis de resistência ou de susceptibilidade.2 . Alteração do local de ação significa que a molécula herbicida diminui sua capacidade de inibir esse ponto. Uma pequena alteração no polipeptídio pode resultar em um grande efeito sobre a afinidade com a molécula herbicida (BETTS et al. 1. a não ser que ela apresente outros mecanismos de resistência. Fontes externas de radiação. se o herbicida possuir mais de um mecanismo de ação. resistência múltipla. mais rapidamente do que plantas sensíveis.Compartimentalização A molécula é conjugada com metabólitos da planta. ou seja. 1996). conforme relatam Sathasivan et al. o tipo de mecanismo que está proporcionando a resistência. devido a uma ou mais alterações na estrutura deste local. têm-se plantas daninhas resistentes aos inibidores de ALS. antes de serem lançados no mercado.5 . Logicamente que. Contudo. tornando-se inativa.. ou é removida das partes metabolicamente ativas da célula e armazenada em locais inativos. Módulo 3. Esse é o mecanismo de tolerância a herbicidas apresentado pela maioria das culturas. 1992). e a planta torna-se resistente àquele herbicida e a outros que se ligam da mesma forma àquela enzima. Não há evidências. tornando-a não-tóxica. tipo de molécula e. a planta pode morrer pela ação do(s) outro(s) mecanismo(s). A luz ultravioleta e o oxigênio são mutagênicos (BREWBAKER.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pode perder a atividade inibitória sobre esta nova enzima. e é muito improvável.

Por outro lado. resistência a herbicidas de todos os grupos químicos que possuem o mesmo local de ação. também confere resistência a outras moléculas de diferentes grupos químicos. mesmo que pertencentes a diferentes grupos químicos. tolerante ou resistente a um herbicida.4 . de uma população de plantas. a resistência é a capacidade adquirida de alguns biótipos. Já a tolerância é uma característica inata de uma espécie. a quantidade de herbicida que atinge o local de ação é bastante reduzida. necessariamente. Desse modo. que agem no mesmo local na planta (POWLES. isoladamente ou associados. A resistência cruzada não confere. A resistência cruzada ocorre quando um biótipo é resistente a dois ou mais herbicidas. que possuem resistência cruzada a herbicidas inibidores de ALS.Herbicidas: resistência de plantas . Em uma população de plantas vão existir aquelas que.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. apresentam 202 Módulo 3. sob condições normais. Relaciona-se com a variabilidade genética natural da espécie. 2 . devido a apenas um mecanismo de resistência. 1998). e a resistência múltipla.5 . naturalmente.: plantas resistentes aos bipiridílios). assim. toleram mais ou menos um determinado herbicida. proporcionar tolerância ou resistência a herbicidas. assim. cultura de tecidos ou de agentes mutagênicos. Esses mecanismos podem. no ponto de ação de um herbicida. Uma planta é sensível a um herbicida quando o seu crescimento e desenvolvimento são alterados pela ação do produto. de sobreviver a determinados tratamentos herbicidas que.Resistência cruzada A resistência cruzada pode ser conferida a um biótipo por qualquer dos mecanismos que conferem resistência. Assim. A resistência pode ocorrer naturalmente (seleção) ou ser induzida com uso de técnicas de engenharia genética. Também podem existir variações no nível de resistência cruzada dos biótipos a herbicidas de grupos diferentes. quando as plantas resistentes possuem dois ou mais mecanismos distintos que conferem resistência. mesmo sofrendo injúrias. não chegando a ser suficiente para controlar a planta (ex. em que as plantas são capazes de sobreviver e se reproduzir após o tratamento herbicida. são resistentes a herbicidas de diferentes grupos químicos e com diferentes mecanismos. A resistência cruzada conferida pelo local de ação ocorre quando uma mudança bioquímica. Biótipos de Lolium rigidum e Kochia scoparia. controlam os membros da população.Absorção e translocação A absorção e a translocação são alteradas e. A resistência pode ser cruzada ou múltipla. uma planta daninha pode ser sensível. uma planta sensível pode morrer quando submetida a uma determinada dose do herbicida. PRESTON.

O metabolismo de herbicidas inibidores de ACCase e ALS é realizado pelo Cyt P450. encontrados na Austrália. Nos casos mais simples. PRESTON. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. 1998). O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCCase e do tipo de alelo do gene (POWLES.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diferentes níveis de resistência aos diferentes grupos herbicidas que agem inibindo a ALS. já foram encontradas outras alterações na ALS tanto no centro ativo A como em outras partes da enzima (POWLES. As mutações já analisadas mostram substituição. PRESTON. devido à rápida metabolização da molécula por arilhidroxilação catalisada pelo Cyt P450 monoxigenase. e futuro. Conrudo. imazamethabenz. devido a outros mecanismos. pendimethalim e simazine. 3 . Para controlar estas plantas daninhas. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. um exemplo são biótipos de Alopecurus myosuroides encontrados na Austrália. Biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. Isso se deve a pequenas diferenças de ligação entre a enzima e a molécula herbicida e a diferentes mutações que ocorrem no gene que codifica a enzima ALS (POWLES. mas apresentam pequenos aumentos no metabolismo do herbicida diclofop. entre eles diclofop. é exemplificada por biótipos de Lolium rigidum. dois ou mais mecanismos conferem resistência à apenas um herbicida ou a um grupo de herbicida.5 . as dificuldades de controle dos biótipos resistentes aumentam ainda mais quando os mecanismos que conferem a resistência estão relacionados com o local de ação e com outros mecanismos como o metabolismo.Herbicidas: resistência de plantas 203 . de forma semelhante à que ocorre na cultura do trigo. no centro ativo A da ALS. Além disso. que resistem a 15 herbicidas diferentes. em biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores do FSII. selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona. aumento da taxa de metabolismo dos herbicidas (POWLES. 1998). relacionado a resistência de plantas daninhas a herbicidas. é necessário empregar misturas de herbicidas que não tenham sua atividade afetada pelos mecanismos de Módulo 3. A resistência cruzada. 1998). PRESTON. Foi detectado. que não exibem alterações na enzima.Resistência múltipla A resistência múltipla é o maior problema atual. Acredita-se que as moléculas não-metabolizadas sejam imobilizadas ou armazenadas de forma a evitar sua ação sobre a enzima. que é resistente a vários herbicidas inibidores da ALS. Já os casos mais complexos são aqueles em que dois ou mais mecanismos conferem resistência à diversos herbicidas de diferentes grupos químicos. da prolina 173. A conjugação da molécula herbicida com glicose também foi encontrada. 1998). PRESTON.

O uso repetido de herbicidas para controle de plantas tem exercido alta pressão de seleção. Os biótipos de A.. Desse modo. 1992). LEBARON.. a população da próxima geração terá uma freqüência elevada dos tipos que tiveram maior sucesso em sobreviver e se multiplicar nas condições ambientais vigentes. myosuroides metabolizam chlorotoluron e alguns herbicidas inibidores de ACCase e apresentam ACCase mutada.Herbicidas: resistência de plantas . através da seleção natural. em determinado ambiente (SUZUKI et al. Existem biótipos de Lolium rigidum resistentes a herbicidas inibidores de ALS. e o da seleção: algumas formas apresentam maior sucesso na sobrevivência e reprodução do que outras. o da hereditariedade: a prole parece mais com seus pais do que com indivíduos não-aparentados. Darwin postulava que a espécie como um todo vai mudando porque os seus indivíduos evoluem na mesma direção. MORTIMER. 204 Módulo 3. PRESTON.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas resistência em questão. e resistentes a chlorsulfuron. 1994). irão mudar com o tempo e os indivíduos mais bem adaptados ao ambiente tornam-se predominantes (SUZUKI et al.Evolução da resistência A teoria da evolução de Darwin. devido ao metabolismo. 4 . Em geral. e. é de biótipos de Lolium rigidum que metabolizam herbicidas inibidores da ACCase. encontrado na Austrália. 1998). assim. O surgimento de plantas daninhas resistentes a herbicidas é um exemplo de evolução de plantas como conseqüência de mudanças no ambiente provocadas pelo homem (MAXWELL. pode ser resumida em três princípios: o da variação: existem variações morfológicas. espécies ou biótipos de uma espécie que melhor se adaptam a uma determinada prática são selecionados e multiplicam-se rapidamente (HOLT. em uma população de plantas. as freqüências dos vários tipos. Muitas evidências sugerem que o aparecimento de resistência a um herbicida. encontra condições para multiplicação (BETTS et al. Há poucos casos registrados de plantas com resistência múltipla (POWLES. é devido à seleção de um biótipo resistente preexistente que. dentro da população. ALS e FSII e possuem ACCase e ALS mutadas (POWLES. 1992). Contudo. Biótipos de Lolium rigidum e Alopecurus myosuroides constituem casos complexos. fisiológicas e de comportamento entre indivíduos..5 . 1992) (Quadro 2). dentro de qualquer população. provocando mudanças na flora de algumas regiões. por causa da pressão de seleção exercida por repetidas aplicações de um mesmo herbicida. PRESTON. 1998). 1990). o caso mais complicado de resistência múltipla. devido a alterações na enzima.

apresentaram maiores área foliar. assim.000 100 10 5 2 % de Controle 99.0 Evolução Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Pouco perceptível Perceptível Evidente Fonte: Kissmann (1996) A utilização de herbicidas que são altamente efetivos no controle de uma planta daninha específica por um longo período de tempo induz uma grande pressão de seleção quando comparados com outras práticas de controle. 1988).99 99. A menor capacidade competitiva. Em condições de seleção natural. assim como as diferentes características biológicas. aumenta esse tempo de aparecimento.999 99. vai selecionando os indivíduos resistentes e aumentando a sua freqüência na população. determinam a probabilidade do desenvolvimento de resistência das plantas daninhas a herbicidas.9 99. maior produção que biótipos menos adaptados (SAARI et al. sensíveis às triazinas. 1996).0 90.Tempo para evolução da uma população de biótipos de plantas daninhas resistentes Ano 0 1 2 3 4 5 6 7 No de Plantas Resistentes 1 1 1 1 1 1 1 1 No de Plantas Sensíveis 1. A intensidade dessa pressão de seleção sobre uma população de plantas daninhas. Biótipos de Amaranthus retroflexus L.. conforme a Figura 1.0 80. 1995)..000 1. 1994). a aplicação do mesmo herbicida.000.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 2 . Módulo 3. pois no campo existe o banco de sementes. altura e produção de sementes.Herbicidas: resistência de plantas 205 . HOLT. não foram detectadas diferenças na capacidade competitiva de Abutilon therphrasti resistente a triazina (GRAY et al.9999 99.5 .0 50.. que apresenta 90% de eficácia de controle do biótipo suscetível. o crescimento e a produtividade de plantas resistentes a triazinas podem estar relacionados com a sua capacidade fotossintética limitada (STOWE. Por outro lado. biótipos com maior adaptação ecológica apresentam. (CONARD. É evidente que a intensidade de seleção na prática não é tão intensa como mostrada na figura. Assim. que funciona como um reservatório de sementes suscetíveis e. RADOSEVICH. 1979) e Chenopodium album (PARKS et al.000 100. Os biótipos resistentes podem apresentar menor adaptação ecológica nesses ambientes e tornam-se predominantes devido à eliminação das plantas sensíveis. em média.000 10.

1993). 206 Módulo 3. partindo de uma população sensível e usando-se dose normal do herbicida.Aumento da freqüência do biótipo resistente devido a aplicações repetidas e anuais do mesmo herbicida A maior questão ecológica associada com a evolução da resistência aos herbicidas envolve o entendimento das relações entre adaptação. foram selecionados biótipos de Lolium rigidum resistentes ao diclofop-methyl em três gerações. como três anos após a introdução comercial (TARDIF..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 . Aplicações repetidas de herbicidas. 1994). com o mesmo mecanismo de ação. tornando-se predominantes rapidamente na área. em uma população de plantas exerce alta pressão de seleção. herança e fluxo gênico (MAXWELL. 1996). freqüência gênica. podendo ser bastante curtos. como no caso do glyphosate. A ocorrência de variações genéticas. A resistência está ligada a fatores genéticos e é hereditária (KISSMANN. As plantas que expressam o gene de resistência são selecionadas. Na Austrália. ou levar muitos anos. Foram identificados biótipos de plantas daninhas resistentes a sulfoniluréias após quatro a cinco anos de uso contínuo de herbicidas deste grupo (MALLORY-SMITH et al. inibidor da EPSPs (Quadro 3). provocando uma seleção direcional e progressiva de indivíduos que possuem genes de resistência. e a seleção natural favorecem o surgimento e a evolução da resistência. O tempo e a proporção de plantas resistentes em um local variam com a freqüência de uso do herbicida e dos seus efeitos biológicos.Herbicidas: resistência de plantas . 1990). MORTIMER.5 . PAWLES. capazes de serem transmitidas hereditariamente.

o modo de herança do(s) alelo(s) da resistência (citoplasmática ou nuclear). herbicidas com essas características exercem alta pressão de seleção e. pois. significa que somente um gene é responsável pela resistência (monogênica) e a evolução será rápida. somente a planta-mãe poderá transmitir a resistência para os filhos. O objetivo foi atingido e surgiram os herbicidas modernos (inibidores de ALS e ACCase). assim. Herança citoplasmática é aquela em que os caracteres hereditários são transmitidos via citoplasma. alta eficiência e baixa toxicidade para o homem e o ambiente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 3 – Tempo de evolução da resistência para diferentes mecanismos de ação Herbicida 2. Há seis fatores relacionados à população de plantas que interagem e determinam a probabilidade e o tempo de evolução da resistência. conseqüentemente. São eles: o número de alelos envolvidos na expressão da resistência. assim. quando dois alelos estão envolvidos. se a herança for nuclear.5 . altamente eficientes e específicos. Por outro lado. como é o caso de plantas resistentes a triazinas. Por sua vez. Desse modo. O número de alelos que conferem a resistência é importante. como é o caso de plantas resistentes aos inibidores de ALS. características como herança do tipo Módulo 3. Contudo.Herbicidas: resistência de plantas 207 . As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. a freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população inicialmente sensível. e a taxa de cruzamentos entre biótipos resistentes e sensíveis (MORTIMER. uma vez que uma alteração no seu ponto de ação (enzima) pode provocar a perda de sua atividade sobre as plantas e. 1998). maior será a probabilidade de seleção de um biótipo resistente. ou seja. possuem grandes possibilidades de selecionar biótipos resistentes. e quanto maior for a freqüência destes alelos. o surgimento de plantas resistentes. quanto maior. A freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população sensível geralmente está entre 1 em 1016 e 1 em 106 (MORTIMER. mais genes podem estar envolvidos (poligênica) e mais lenta será a evolução da resistência. Há dois tipos de herança: a citoplasmática (materna) e a nuclear. a pressão de seleção.4-D Triazinas Propanil Paraquat Inibidores da EPSPs Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Fonte: Weed Science (1998) Introdução 1948 1959 1962 1966 1974 1977 1982 Resistência 1957 1970 1991 1980 1996 1982 1984 Local EUA e Canadá EUA EUA Japão Austrália Austrália Austrália A indústria sempre buscou moléculas herbicidas com alto grau de segurança. O tipo de herança do(s) alelo(s) da resistência é ponto crucial no estabelecimento da resistência em uma população de plantas. que agem em pontos únicos nas rotas metabólicas das plantas. Um gene é formado por um par de alelos. a transmissão será via cromossômica e. as características reprodutivas da espécie. tanto o pai como a mãe podem transmitir a resistência. 1998). dessa forma.

controlando as plantas sensíveis em diversos fluxos germinativos. o mecanismo de polinização e as condições climáticas durante a floração (STALLINGS et al. e intercruzamento entre os biótipos sobreviventes. provocando variações sazonais que podem ser observadas nas espécies. eliminação de todos os biótipos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas nuclear disseminam-se. 1995). O uso repetido de um mesmo herbicida ou de herbicidas com mesmo 208 Módulo 3. ou. via pólen. e seleção destes dentro de uma população com alta tolerância.Herbicidas: resistência de plantas . 5 .1 . favorecendo o desenvolvimento da população resistente. A duração da seleção é medida pelo tempo no qual o herbicida permanece com residual. de acordo com sua fenologia e seu crescimento (MORTIMER. A intensidade e a duração da seleção interagem. O uso de herbicidas altamente eficientes e com residual longo exerce alta pressão de seleção.Pressão de seleção Os fatores intensidade de seleção e sua duração contribuem para a pressão de seleção exercida pelos herbicidas. A alta pressão de seleção. como dispersão de pólen e número de propágulos produ¬zidos. que é medida pela eficiência de controle das plantas daninhasalvo e pela relativa redução da produção de sementes das plantas remanescentes. 1994). com maior rapidez no ambiente do que as do tipo citoplasmática (materna). Resumidamente. As características reprodutivas. entre plantas resistentes e sensíveis. A intensidade de seleção é a resposta da população de plantas às repetidas aplicações de herbicidas. que será proporcional à dose e. A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes e sensíveis determina a dispersão dos alelos de resistência na população. gerando novos indivíduos com maior grau de resistência. restando apenas os mais tolerantes e resistentes.. 1994). O intercâmbio de pólen. 1998). A alta eficiência dos herbicidas provoca a eliminação rápida dos biótipos sensíveis.5 .Fatores que favorecem o surgimento da resistência 5. que serão selecionados futuramente devido segregação e recombinação de genes (MORTIMER. exceto os resistentes. O fluxo gênico apresenta correlação com o fluxo de distribuição de pólen e varia com a espécie.. o processo da evolução da resistência a herbicidas passa por três estádios: eliminação dos biótipos altamente sensíveis. favorecimento de um indivíduo em relação a outros. imposta sobre uma população sensível proporciona espaço para o crescimento e desenvolvimento dos biótipos resistentes. já a contribuição do movimento de sementes é relativamente pequena (SAARI et al. 1998). ao tempo. Já os herbicidas com residual longo agem durante tempo maior.. permite a dispersão da resistência principalmente em plantas com alta taxa de fecundação cruzada. influenciam diretamente a dispersão das plantas resistentes. A dispersão da resistência via pólen é influenciada pela eficiência de dispersão e longevidade do pólen (MULUGETA et al.

2 . calibração. torna inevitável o surgimento de plantas resistentes. O(s) gene(s) que conferem a resistência a um determinado herbicida pode(m) estar presente(s) em uma população antes mesmo que este herbicida seja lançado no mercado. grande produção de polén e propágulos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mecanismo de ação. Características das plantas daninhas como alta diversidade genética. que se apresentam indiferentes à aplicação de algum herbicida (HRAC. baixa dormência das sementes.5 . associada à adequada intensidade e duração de seleção. tipo de bicos e condições ambientais foram adequados? b) As falhas de controle foram para uma espécie apenas? c) As plantas não são resultado de reinfestação? Módulo 3.Diagnóstico da resistência a campo A resistência é um fenômeno que evolui em uma lavoura durante vários anos. 1998). volume de calda. 1998a). altamente específicos e com longo residual. 1969). é resultado da relação entre a freqüência da mutação e o tamanho da população. dosagem. 6 .Herbicidas: resistência de plantas 209 . Segundo HRAC (1998a). Toda população natural de plantas daninhas contém biótipos resistentes a herbicidas. Geneticamente. época ou estádio de aplicação. deve-se responder às seguintes perguntas: a) Produto. A seleção altera as proporções entre as plantas sensíveis e resistentes. devido à mutação. O gene ou os cromossomos mutantes são a fonte essencial de toda a variação genética (BREWBAKER. inicialmente. adjuvantes. aliadas ao monocultivo e ao uso repetido do controle químico. A possibilidade de ocorrer resistência em uma população. quando se suspeitar da ocorrência de resistência. 5. contribuem grandemente para o surgimento de plantas resistentes. produz alta pressão de seleção e aumenta a possibilidade de seleção de biótipos resistentes. O controle insatisfatório de plantas daninhas não significa necessariamente que seja resistência.Variabilidade genética A variabilidade genética das plantas daninhas. há dois caminhos para o aparecimento de plantas resistentes: a ocorrência de um gene ou de genes que conferem a resistência em freqüência muito baixa na população ou através de uma mutação (MORTIMER.

avaliar o controle e a produção de matéria fresca.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Se as respostas a estas perguntas forem afirmativas. da biomassa (GR50) ou da atividade da enzima (I50). As diferenças entre biótipos resistentes e sensíveis de uma espécie podem ser quantitativamente expressas comparando-se as doses de herbicidas necessárias para reduzir 50% da população (DL50).Como confirmar a resistência O método mais comum e recomendado pelo HRAC (1998b) é colher sementes das plantas suspeitas de resistência e de plantas sensíveis. As doses a serem aplicadas são: metade da recomendada. existe a possibilidade de ser resistência. As condições de aplicação devem seguir aquelas recomendadas pela empresa fabricante. Existem metodologias para estudo da maioria dos casos de resistência. Análises bioquímicas. das plantas tratadas com herbicida em comparação com as não-tratadas (MAXWELL. Após duas e quatro semanas. Para servir como padrão sensível. duas e quatro vezes a dose recomendada. MORTIMER. deve-se colher em torno de 40 plantas ou 1. dose recomendada. Os resultados podem indicar se a resistência é devido à alteração no local de ação ou à metabolização da molécula. 210 Módulo 3. semear em vasos e tratar com doses crescentes do herbicida em questão. Ponchio (1997) isolou a enzima ALS e avaliou a sua resposta a diferentes doses de herbicidas que agem sobre ela. a) Ultimamente tem-se reptido aplicação de um mesmo herbicida ou herbicidas com mesmo mecanismo de ação? b) O herbicida em questão vem perdendo eficiência? c) Há casos de plantas resistentes a este herbicida? d) O herbicida não perdeu eficiência sobre outras espécies? Se a resposta a uma ou mais destas perguntas for afirmativa. devem-se colher sementes de plantas em locais que nunca receberam aplicação daquele herbicida. para identificar o mecanismo exato da resistência.5 . 7 . podem ser realizadas em nível de laboratório. Se a diferença de controle entre os biótipos resistentes e sensíveis for grande. deve-se iniciar a investigação dos fatores que levam à resistência. Por outro lado. se a diferença de controle for pequena. No Brasil.000 sementes. indica que o possível mecanismo de resistência está relacionado com o local de ação. 1994). Para se ter certeza de que as plantas colhidas representam a população. indica que o provável mecanismo envolvido é metabolismo da molécula.Herbicidas: resistência de plantas . devendo-se realizar testes para confirmação.

b) Realizar aplicações seqüenciais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A empresa fabricante deve ser informada e. juntamente com esta. O acompanhamento e a avaliação da eficiência das medidas adotadas para combate à resistência são indispensáveis para garantir o sucesso da prática. algumas práticas podem ser implantadas. e) Limitar aplicações de um mesmo herbicida. simultaneamente. através de diferentes métodos de controle e mecanismos herbicidas.5 . A mistura de produtos com diferentes mecanismos de ação proporciona controle eficiente por maior número de anos do que ambos aplicados de forma isolada. em primeiro lugar: a) Erradicar imediatamente as plantas remanescentes. devem-se realizar os testes e determinar medidas de manejo. A adoção dessas práticas visa reduzir a pressão de seleção. é pequena. l) Rotacionar o método de preparo do solo. Para minimizar os riscos de resistência. já que a probabilidade de uma planta daninha tornar-se resistente aos dois mecanismos.Herbicidas: resistência de plantas 211 . k) Controlar plantas em áreas adjacentes (terraços. São elas: reduzir a pressão de seleção e controlar os indivíduos resistentes antes que eles possam se multiplicar. c) Evitar a disseminação. b) Colocar em prática o programa de manejo da resistência. 8 . deve-se. d) Realizar rotação de mecanismo de ação. a fim de minimizar o risco do surgimento de plantas resistentes (Quadro 4). c) Usar mistura de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e de detoxificação. g) Rotacionar o plantio de culturas. Módulo 3. Isso pode ser conseguido com adoção das seguintes práticas: a) Usar herbicidas com diferente mecanismo de ação. os herbicidas que compõem a mistura devem controlar o mesmo espectro de plantas daninhas e ter persistência similar e diferente mecanismo de ação e de detoxificação. h) Rotacionar os métodos de controle de plantas daninhas. As práticas culturais visam aumentar o número de possibilidades de controle das plantas daninhas. i) Acompanhar mudanças na flora. j) Usar sementes certificadas. Em caso de confirmação da resistência.Como evitar a resistência Antes que as falhas de controle apareçam na lavoura. para reduzir o acréscimo de sementes ao banco. pós-colheita). f) Usar herbicidas com menor pressão de seleção (residual e eficiência).

são menos competitivos do que biótipos sensíveis. pode ser conseguida com redução na dose do herbicida que selecionou as plantas resistentes. selecionar biótipos altamente resistentes. A redução na pressão de seleção. seleção reversa.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 4 – Risco de evolução da resistência. Por outro lado. e com o passar do tempo a população de plantas resistentes será reduzida (MORTIMER. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. Essa tática somente será eficiente na redução da população dos biótipos resistentes em casos em que as diferenças de adaptabilidade entre os biótipos resistentes e sensíveis forem grandes (MORTIMER. a redução na pressão de seleção aumenta a probabilidade de associação desses genes em um biótipo. 1998). 212 Módulo 3. resistentes às triazinas. Biótipos de Senecio vulgaris. essas medidas podem agravar o problema. A baixa pressão de seleção poderá. ou. neste caso. as plantas que não são controladas com uso de herbicidas alternativos podem contribuir para a disseminação e o aumento da freqüência gênica dos alelos sensíveis. de acordo com as práticas de cultivo Opção de manejo Mecanismo herbicida usado Mistura de herbicidas Método de controle Rotação de cultura Infestação Controle nos últimos três anos Fonte: Adaptado de HRAC (1998d) Baixo Mais que dois Mais que dois mecanismos Cultural. 1998). Desse modo. uso de misturas de herbicidas. O uso de altas doses pode intensificar a seleção. mas reduzirá o número de genes na população capazes de associarem-se (MORTIMER. 1998). O comportamento de uma população de plantas pode ser altamente modificado. mecânico e químico Completa Baixa Bom Risco de resistência Médio Dois mecanismos Dois mecanismos Cultural e químico Limitada Média Declinando Alto Um mecanismo Um mecanismo Químico Nenhuma Alta Ruim 9 . As várias opções que vêm sendo sugeridas estão baseadas em somente dois processos biológicos: alteração da pressão de seleção e. rotação de culturas e métodos de controle e usando-se herbicidas com diferentes mecanismos de ação. e os biótipos mais adaptados tendem a dominar o ambiente.Herbicidas: resistência de plantas . A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes é reduzida. no caso de a resistência ser monogênica.Manejo da resistência a herbicidas As estratégias de manejo vêm sendo discutidas continuamente por cientistas da área. 1998). favorecendo os alelos sensíveis (MORTIMER. assim.5 . A seleção reversa ocorre na ausência da seleção herbicida. se a resistência for uma característica poligênica.

Este grupo chama-se HRAC (Herbicide Resistance Action Committee) e é formado por três subgrupos que estudam triazinas. na Espanha. que visam prolongar a vida útil das moléculas envolvidas na resistência. 1998) O uso extensivo de 2. considerado uma auxina e usado para controle de gramíneas em arroz.Auxinas As auxinas sintéticas 2. rotação de mecanismos de ação e adoção de práticas culturais específicas. nos Estados Unidos. fortemente defendidas pelas empresas. As empresas fabricantes de herbicidas. inibidores de ALS e inibidores de ACCase. por serem os três grupos de produtos com maiores problemas (KISSMANN.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considerando que a resistência é um problema que pode afetar intensamente o mercado de herbicidas. 1996). Módulo 3. e Matricaria perforata. responsáveis pelo HRAC. que incluem mistura de herbicidas. as indústrias tomaram a iniciativa.4-D. estão empenhadas em desenvolver técnicas e estratégias para identificação. 1997).4-D e MCPA em trigo selecionou Sinapis arvensis. O herbicida quinclorac. Considerando o tempo e o uso extensivo destes herbicidas.4-D e MCPA revolucionaram o controle de espécies daninhas de folha larga em cereais na década de 1940 e têm sido usadas largamente desde então. no Canadá. O conhecimento do modo de ação dos herbicidas é fundamental na adoção de técnicas de manejo. selecionou biótipos resistentes de Echinocloa crus-galli na Espanha. foram identificados biótipos de Commelina diffusa. através do GCPF (Federação Global de Proteção de Plantas). poucas plantas daninhas evoluíram resistência até hoje.5 . Papaver rhoeas.1 . quando biótipos resistentes de Convolvulus arvensis foram identificados nos Estados Unidos (WEED SCIENCE. de constituir um grupo permanente de cientistas para estudar o assunto e propor soluções.Herbicidas: resistência de plantas 213 .Características da resistência por grupos herbicidas 10. no Canadá. e de Daucus carota. resistentes ao 2. financiando pesquisas e com iniciativas educativas que visam esclarecer aspectos sobre a resistência e o modo de ação de cada herbicida. O terceiro caso foi em 1964. Os três primeiros casos de resistência identificados foram a esta classe herbicida. Os biótipos resistentes assumem importância. devido ao largo uso destes herbicidas para controlar grande número de espécies e ao restrito número de herbicidas com potencial para substituí-los (HEAP. Em 1957. manejo e monitoramento dos casos de resistência. na França. 10 .

mais de um mecanismo de ação. é o longo tempo em que este vem sendo usado.5 . dez vezes nos últimos 15 anos. 1997). cada um. Em 1996 foram identificados. (1997) demonstraram que os biótipos resistentes de Lolium rigidum foram dez vezes mais tolerantes ao glyphosate do que os biótipos sensíveis. Trabalhos realizados por Pratley et al. em lavouras que usaram o produto para controlar plantas daninhas em pré-plantio. Erigeron sumatrensis e Youngia japonica resistentes a estes herbicidas. limitado metabolismo pelas plantas e baixo poder residual. Lorraine-Colwill et al. Contudo. Devido à pequena área infestada e ao número de herbicidas alternativos. Por apresentar mais de um mecanismo de ação.Herbicidas: resistência de plantas . de que o glyphosate apresenta baixo risco para selecionar biótipos resistentes. não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs. biótipos de Lolium rigidum. em uma vasta área. 17 espécies resistentes. no Egito. nãotranslocáveis (de contato) e com baixa persistência biológica no solo. os herbicidas bipiridílios. Os biótipos também apresentaram-se resistentes ao diclofop e sensíveis aos demais herbicidas graminicidas usados para seu controle. O argumento mais convincente. resistentes ao glyphosate.Bipiridílios Os herbicidas bipiridílios são herbicidas não-seletivos aplicados em pós-emergência. entre plantas resistentes e suscetíveis as enzimas são igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas as populações. foram identificadas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10.3 . Após duas décadas de uso. Segundo esses autores. Os mecanismos que conferem resistência aos bipiridílios são redução na translocação e compartimentalização da molécula (PRESTON. Atualmente existem comprovados no mundo seis casos de resistência ao glyphosate. (2002) trabalhando com Lolium rigidum. plantas de Conyza bonariensis resistentes ao paraquat (PRESTON. em 1980. pelo menos. 1997). com surgimento de apenas uma espécie resistente (HEAP. como o glyphosate. 1994). foram identificados. na Austrália. que apresentam. selecionaram 26 espécies resistentes. 1997). os biótipos resistentes a este grupo herbicida não são considerados de grande importância (HEAP. Dentre estas. Depois disso. 10.2 . respectivamente.Derivados da glicina O herbicida glyphosate é o produto mais usado deste grupo. 214 Módulo 3. no Japão. e os herbicidas auxínicos e inibidores de ACCase. é considerado um produto com baixa probabilidade de selecionar espécies resistentes. 20 são dicotiledôneas e sete são monocotiledôneas (HEAP. que apresentam baixo residual. biótipos de Erigeron philadelphicus. 1994). selecionaram. Aplicações de paraquat e diquat selecionaram 25 e duas espécies resistentes.

Herbicidas: resistência de plantas 215 . 1998). Biótipos de Lolium rigidum apresentam resistência cruzada às dinitroanilinas. 1998). os cultivares de soja resistentes ao glyphosate. Essas moléculas agem sobre a enzima ACCase e controlam com eficiência gramíneas em culturas mono e dicotiledôneas. 10. Biótipos de Festuca rubra. Lolium rigidum e Avena fatua são as espécies com maior importância. Desse modo. como trifluralin.4 . somente cinco monocotiledôneas e uma dicotiledônea apresentam resistência a este grupo herbicida (HEAP. Sorghum halepense e Amaranthus palmeri evoluíram resistência à trifluralin após 15 a 20 anos de uso em cereais e leguminosas. biótipos de Eleusine indica. em resposta ao tratamento com glyphosate. A identificação de biótipos resistentes ao glyphosate indica que a resistência a este produto deve ser prevenida. devido ao metabolismo dessas moléculas (MOSS. em razão da área infestada e do número restrito de mecanismos alternativos para controle dos biótipos resistentes (HEAP. Há 17 espécies monocotiledôneas resistentes aos inibidores da ACCase. são usados em pré-emergência para controlar plantas daninhas gramíneas em culturas oleaginosas. assim. mais de 3. e isso fez com que fossem selecionados biótipos de Setaria viridis com resistência múltipla a estes mecanismos (HEAP. Estima-se que haja. metabolismo e sensibilidade da EPSPS ao glyphosate. resistentes ao glyphosate. Entre as plantas resistentes. 1998). para controle de gramíneas. mais de 500 locais com Avena fatua (HEAP.Dinitroanilinas Os herbicidas do grupo dinitroanilinas.5 . Módulo 3. 1997).Inibidores de ACCase Este grupo herbicida foi introduzido na década de 1970.000 locais com Lolium rigidum resistente e. O uso de misturas herbicidas e emprego de mais de um método de controle.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Esses trabalhos também demonstraram que não existem diferenças de absorção. POWLES.5 . A única diferença entre os biótipos foi o maior nível de RNAm encontrado nos biótipos resistentes. Dessa forma. recentemente desenvolvidos. 1990). 1990. acredita-se que estes mecanismos não são as causas principais da resistência dos biótipos a este herbicida. devem ser usados com rotação de culturas e de herbicidas. Nos Estados Unidos. em 16 países. 10. considera-se que aquelas que resistem aos herbicidas inibidores de ACCase tenham a maior importância econômica. Os herbicidas inibidores de ACCase são o primeiro grupo herbicida alternativo para controlar biótipos resistentes aos herbicidas do grupo dinitroanilina. a maior quantidade de EPSPs sintetizada poderia ser a causa da resistência. oryzalin e pendimethalin. devem ser adotados. entre os biótipos resistentes e sensíveis. na Austrália. foram selecionados artificialmente (MORTIMER. HOWAT. 1997). no Canadá. além do químico. Apesar do tempo de uso e do seu longo período residual. translocação.

Aproxi¬madamente cinco anos após o início do uso dos herbicidas inibidores de ALS. Amaranthus strumarium e Sorghum bicolor (HEAP. a resistência aos inibidores da ALS tem sido atribuída a mudanças na seqüência de aminoácidos. 3) muitos herbicidas inibidores da ALS apresentam residual prolongado no solo e conseqüentemente aumentam a pressão de seleção para biótipos resistentes. Assim. Dentre estas. Os herbicidas inibidores da ALS apresentam alta freqüência de casos de resistência de plantas daninhas. em razão da sua eficiência e do reduzido impacto ambiental (SAARI et al. 41 são dicotiledôneas e nove são monocotiledôneas. 10.Herbicidas: resistência de plantas . Nos últimos dez anos. 1994). com o lançamento da molécula chlorsulfuron para uso em cereais (SAARI et al. 1997). Atualmente. 2) alta eficácia da maioria dos herbicidas inibidores da ALS . A manutenção do potencial é vital para a sobrevivência da célula.. O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. Essas características contribuíram para o surgimento rápido da resistência. AHRENS. que vai desde a cultura da soja até área de produção de arroz irrigado e florestas implantadas.. em 14 países. a repolarização das membranas ocorre independentemente da presença da ACCase mutada e existem muitas diferenças entre as membranas dos biótipos resistente e sensível (HEAP. bem como a seu grande espectro de controle de plantas daninhas. 1997).Inibidores de ALS A introdução no mercado dos herbicidas inibidores de ALS ocorreu em 1982. um relacionado com a ACCase e outro com a membrana plasmática. o que se deve a vários fatores. 1998). plantas resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase devem possuir mais de um mecanismo que proporcione a resistência.. 1994). A despolarização das membranas é um segundo mecanismo de ação atribuído aos herbicidas deste grupo. selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona. 1994). PRESTON. Estes herbicidas são largamente usados devido a sua baixa toxicidade para animais.5 . há 50 espécies de plantas daninhas resistentes a estes produtos. desde gramíneas até dicotiledôneas e plantas daninhas perenes como a tiririca e a grama-seda. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo.6 . 1994. Entre as espécies descritas estão Kochia scoparia. 1994).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Biótipos de Lolium rigidum. Em biótipos de Lolium rigidum. Os herbicidas classificados como inibidores de ALS tornaram-se uma ferramenta de grande importância para agricultura. alta seletividade para as culturas e alta eficiência com emprego de doses baixas (HESS.esses herbicidas podem atingir níveis de controle próximos a 100%. como: 1) a amplitude de recomendações possíveis. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. este grupo herbicida vem apresentando o maior número de registros de plantas resistentes. 5) trabalhos têm mostrado que os biótipos resistentes apresentam a mesma adaptabilidade ecológica que os biótipos sucetíveis dos inibidores 216 Módulo 3. surgiu a primeira espécie resistente (SAARI et al. 4) a resistência aos herbicidas inibidores da ALS é determinada geneticamente por lócus simples e semidominante e alta freqüência inicial em todos os casos de resistência estudados até o momento.

1994). e Solanum nigrum.Herbicidas: resistência de plantas 217 . entre elas a substituição. no centro ativo A da ALS. Estima-se que a área infestada no mundo com plantas daninhas resistentes aos herbicidas triazinas seja superior a três milhões de hectares. As plantas daninhas resistentes têm sido controladas com eficiência. não está descartada a hipótese de que o metabolismo da molécula também esteja envolvido. 1992). biótipos resistentes apresentam menor crescimento do que biótipos normais Módulo 3. já que. foi identificada somente uma mutação na proteína D1: a substituição da serina 264 por uma glicina. histidina. assim. dessa forma. Os diferentes níveis de resistência são atribuídos às diferenças na estrutura do centro de reação da D1 entre às espécies. O metabolismo das moléculas herbicidas é outro mecanismo usado por plantas daninhas para resistir a estes herbicidas. assim. em dez países. As espécies mais freqüentes são Chenopodium album. O gene que codifica a enzima ALS nas espécies resistentes pode apresentar diferentes mutações. Entre as plantas resistentes relatadas existem nove espécies de Amaranthus. contudo. A mutação na D1 provoca alto nível de resistência aos herbicidas do grupo triazinas. porém a atividade da ALS. Amaranthus retroflexus e Senecio vulgaris. (1992) identificaram biótipos de Lolium rigidum resistentes ao herbicida chlorsulfuron. até o momento. não foram encontrados biótipos resistentes que apresentem alteração na taxa de crescimento ou na capacidade competitiva. 2004). até o momento. Já um segundo biótipo apresentou resistência devido à insensibilidade da enzima ALS ao inibidor.5 . 10. respondeu igualmente a um biótipo sensível ao herbicida. Além da prolina. PRESTON. Alterações na proteína D1 são as principais causas da ocorrência de plantas resistentes aos herbicidas que agem no fotossistema II. mas não a todos os herbicidas do grupo das uréias. SAARI.7 .. e 6) a maioria dos casos de resistência aos inibidores da ALS estudados apresenta resistência cruzada aos diversos grupos químicos de herbicidas que tem este mecanismo de ação (VARGAS et al. usando-se herbicidas alternativos (HEAP. serina ou treonina. como as triazinas e uréias substituídas. 1997). 1989.Triazinas A maioria das plantas daninhas resistentes às triazinas foram localizadas em lavouras de milho na Europa e América do Norte. que conferem alterações funcionais na enzima ALS (POWLES. Christopher et al. cinco de Polygonum e quatro de Chenopodium. da prolina 173 por uma alanina.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas da ALS.. Essas mutações não alteram a função biológica da ALS. em 16 países. glutamina. A causa da resistência aos herbicidas inibidores de ALS está em mutações que ocorrem no DNA e no metabolismo da molécula herbicida. SAARI et al. em um dos biótipos resistentes. A rápida inativação metabólica é a base para a resistência do biótipo SR4/84 de Lolium rigidum ao chlorsulfuron (COTTERMAN. 1998). em nove países. a resistência deste biótipo se deve à rápida metabolização do herbicida. FALCO. outros aminoácidos da ALS podem ser substituídos e produzir plantas resistentes com características distintas. A resistência a imidazolinonas e sulfoniluréias é conferida por um gene dominante nuclear (MAZUR. Esta mutação afeta o fluxo de elétrons no FSII.

Biótipos de Alopecurus myosuroides. 10.8 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (POWLES. A mutação responsável pela resistência às triazinas ocorreu no genoma do cloroplasto. e na Alemanha. crusgalli em lavouras de arroz. da Costa Rica e dos Estados Unidos (HEAP. Atualmente.Uréias/amidas A primeira espécie a apresentar resistência às uréias foi Alopecurus myosuroides no Reino Unido. a resistência não é transmitida hereditariamente via pólen.Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida Os herbicidas selecionam biótipos resistentes com diferentes mecanismos de resistência (Quadro 5) e em diferentes períodos de tempo (Quadro 3). 1997).Mecanismos de resistência de plantas daninhas a herbicidas pertencentes a diferentes grupos químicos Herbicida Triazinas Dinitroanilina Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Propanil 2. 11 . por possuírem capacidade de metabolizar herbicidas com diferentes mecanismos de ação. em 1983.4. Até o momento existem 64 espécies resistentes às triazinas e 17 resistentes aos auxínicos. Os biótipos de plantas daninhas resistentes às triazinas são controlados com eficiência. dessa forma.D 218 Mecanismo Local de ação alterado/metabolismo Local de ação alterado Local de ação alterado Local de ação alterado Metabolismo Desconhecido Módulo 3. que pertence ao grupo das amidas. ao tamanho da área e ao tempo em que este produto é usado na área. em 1982. em muitos países. Isso demonstra que as triazinas apresentam maior risco de seleção de biótipos resistentes que as auxinas sintéticas (HEAP. 1997). Os herbicidas triazinas e auxina sintéticas vêm sendo usados em milhões de hectares há mais de 30 anos. 1998). As diferenças relacionadas ao mecanismo de ação destes herbicidas podem ser a resposta para essa questão. Quadro 5 . A ocorrência destes biótipos resistentes inviabiliza o uso deste herbicida em lavouras da Colômbia. apresentam sérios problemas de controle. resistentes a chlorotoluron. As diferenças se devem à variabilidade genética das espécies envolvidas. mais de 40 espécies apresentam resistência a este grupo e duas ao propanil. além da facilidade que as espécies possuem de evoluir resistência para o herbicida e do número de mecanismos envolvidos. 1998). com e sem rotação.5 . com uso de herbicidas alternativos (HEAP. PRESTON. mas sim via herança materna. O herbicida propanil é usado para controlar Echinocloa colona e E.Herbicidas: resistência de plantas .

Conyza canadensis. bentazon. lactofen. Eleusine indica. poderão ser evitados o surgimento de novos casos de resistência e o surgimento de plantas com resistência múltipla. Conyza banariensis e Plantago lanceolata (WEED SCIENCE. mostrou-se menos sensível a estes herbicidas e. 1999). selecionaram biótipos resistentes devido ao seu emprego em vastas áreas (HEAP.. A alta freqüência inicial de indivíduos resistentes na população. um número limitado de populações de plantas daninhas sofreu pressão de seleção suficiente para o aparecimento de biótipos resistentes (CHRISTOFOLETI. 12 . 2003). foi o da planta daninha Bidens pilosa L. até o presente momento. aos herbicidas inibidores de ALS. fomesafen e acifluorfen (PONCHIO. 1997). apesar de serem considerados de baixo risco. O primeiro caso de resistência. Lolium multiflorum. dos biótipos resistentes. a alta especificidade e eficiência e o longo período residual contribuem para a evolução rápida da resistência aos herbicidas que agem inibindo as enzimas ALS e ACCase. desse modo. 2006). mas são sensíveis aos herbicidas alternativos sulfentrazone. (Quadro 6). O primeiro caso de resistência de plantas daninhas ao herbicida glyphosate foi registrado em 1996. O glyphosate esta sendo usado intensivamente na agricultura há mais de 25 anos. Módulo 3. Até hoje foram constatados casos de resistência em 6 espécies de plantas daninhas. a vasta área tratada. estes herbicidas apresentam alto potencial para selecionar plantas resistentes.5 . são elas: Lolium rigudum.Herbicidas: resistência de plantas 219 . que é um problema muito maior do que a resistência cruzada.A resistência de plantas daninhas no Brasil Atualmente são reconhecidos 15 casos de plantas daninhas resistentes no Brasil. Nos últimos dez anos foram identificadas mais espécies resistentes para os inibidores de ALS do que para qualquer outro mecanismo de ação. relatado oficialmente. Somente com o uso de todos os métodos de controle disponíveis conjuntamente. LÓPEZ-OVEJERO. 1997. Estes biótipos foram encontrados em lavouras dos estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul e apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS. 1997). VARGAS et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os herbicidas dos grupos cloroacetamidas e inibidores da EPSPs (glyphosate). Em razão de suas características. A enzima ALS. constitui-se na mais provável causa da resistência (PONCHIO.

Os resultados deste trabalho indicam que a resistência é conferida por um gene dominante nuclear e que os biótipos apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS.Herbicidas: resistência de plantas . Estudos relacionados a inibidores da ALS em condições de laboratório e de campo.Espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas ocorrentes no Brasil e seu provável mecanismo Biótipos resistentes Bidens pilosa Bidens subalternans Brachiaria plantaginea Cyperus difformis Echinochloa colonum Digitaria ciliaris Echinochloa crusgalli var. e Brachiaria plantaginea. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. estão sendo realizados na Universidade Federal de Viçosa. referentes à resistência em Euphorbia heterophylla L. foram identificados em lavouras de soja nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná.arroz Capim-pé-de-galinha Leiteiro Leiteiro Flecha Cuminho Azevém Losna-branca Nabiça Mecanismo de ação ao qual adquiriu resistência Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Auxina sintética Inibidores da ACCase Auxina sintética Auxina sintética Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ALS e PPO Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da EPSPs Inibidores da ALS Inibidores da ALS Biótipos de Euphorbia heterophylla. onde estes produtos são empregados há mais de cinco anos.5 . 220 Módulo 3. porém são sensíveis a herbicidas com outros mecanismos de ação. diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis.. O uso repetido destes herbicidas pode ser a principal causa da seleção dos biótipos resistentes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 6 . resistentes aos herbicidas inibidores de ALS. Não houve diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis relacionadas à taxa de germinação e à profundidade de germinação e emergência.arroz Capim. Os biótipos resistentes sobreviveram ao tratamento com dose 16 vezes maior que a dose de campo (de rótulo). até o momento. Estudos relacionados à capacidade competitiva e ao comportamento das sementes no solo não indicam. crusgalli Echinochloa crus-pavonis Eleusineiíndica Euphorbia heterophylla Euphorbia heterophylla Sagitaria montevidensis Fimbristylis miliacea Lolium multifolium Parthenium hysterophorus Raphanus sativus Fonte: Wees Science (2006) Nome comum Picão-preto Picão-preto Capim-marmelada Junquinho Capim-arroz Capim-colchão Capim.

Vargas et al. Em todos esses casos a aplicação repetida e continuada de glyphosate para controle da vegetação é considerada a principal causa da seleção dos biótipos resistentes. Depois do tratamento com glyphosate os autores observaram acumulação do produto nas raízes de plantas suscetíveis e nas pontas das folhas de plantas resistentes (Quadro 7).5 . morfologicamente muito variável. foram identificados biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistentes ao glyphosate em lavouras de culturas anuais e em pomares (ROMAN et al. em média.Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate Lolium multiflorum é uma espécie anual ou bianual. Originária do sul da Europa. Lorraine-Colwill et al. Módulo 3. As plantas resistentes e suscetíveis foram igualmente capazes de absorver o herbicida aplicado. observaram que aproximadamente 80% das plantas avaliadas resistiram a dose de até 1. três aplicações de glyphosate por ciclo durante os últimos 8 a 10 anos. (2004). (2002) não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs.520 g ha-1. Este biótipo resistente foi identificado em pomares no Chile.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 13 . O primeiro caso de Lolium multiflorum resistente ao glyphosate foi relatado por Perez e Kogan (2002). A diferença marcante entre populações resistentes e suscetíveis foi encontrada no translocação do glyphosate. 20% a doses de até 11. aproximadamente. No Brasil. 2000). 2004). as enzimas foram igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas às populações. glaba. propaga-se apenas por sementes (LORENZI.Herbicidas: resistência de plantas 221 .. trabalhando com biótipos sucetíveis e resistentes de azevém (Lolium multiflorum). herbácea. densamente perfilhada. o mecanismo que confere resistência ao glyphosate ainda não foi determinado com clareza. Nesse mesmo trabalho. Com relação ao Lolium rigidum. a dose de 360 g ha-1 foi suficiente para controlar o biótipo sensível. de 30 a 90 cm de altura. ereta. que vinham recebendo.440 g ha-1 de glyphosate e. Nas plantas resistentes e suscetíveis.

rigidum após o pré-tratamento com glyphosate isopropilamina (450 g ha-1) Horas 2 4 8 24 48 Biótipos S R S R S R S R S R Acima do LA 30 ± 2 28 ± 4 40 ± 3 42 ± 4 36 ± 5 48 ± 5 19 ± 3 42 ± 5 15 ± 2 50 ± 1 C (% total absorvido) LA Abaixo do LA 13 ± 1 55 ± 2 11 ± 1 58 ± 5 11 ± 1 44 ± 3 10 ± 1 44 ± 4 11 ± 2 45 ± 3 10 ± 2 37 ± 3 08 ± 1 53 ± 3 10 ± 1 43 ± 4 10 ± 2 55 ± 3 11 ± 1 33 ± 3 14 Raízes 02 ± 0 02 ± 0 05 ± 1 04 ± 0 08 ± 1 05 ± 1 20 ± 2 05 ± 1 20 ± 4 06 ± 1 Lorraine-Colwill et al.Translocação foliar do 14glyphosate aplicado em plantas resistentes e suscetíveis.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 .6 ± 6.0 42. Segundo Kogan e Pérez (2003). Quadro 8 – Inibição da EPSPS em teste in vitro População Suscetível Intermediário Resistente Altamente resistente Fonte: BAERSON et al.4 44.5 .3 ± 7. Baerson et al.2 ± 2. (2002). 222 Módulo 3. (2002) % de inibição por glyphosate 0 hora após a aplicação 48 horas após a aplicação 42.0 38.5 44. Os autores isolaram a enzima EPSPS e realizaram testes in vitro de sua atividade na presença de glyphosate em todas as populações.5 ± 2.8 42. com erros-padrão.3 ± 3. Os valores mostrados são a médias de 10-15 plantas dos biótipos resistente e suscetível. dessa forma. resistente e altamente resistente. em biótipos de L.8 Esses autores observaram superprodução da EPSPS induzida pela aplicação do glyphosate e também expressivo aumento no nível de EPSPS nas plantas resistentes e altamente resistentes. sugerindo que o mecanismo de resistência não esta completamente baseado no sítio de ação. é muito pouco provável que os maiores níveis de expressão da EPSPs dos indivíduos resistentes expliquem completamente a maior tolerância ao produto.4 ± 8.9 ± 4. LA: local da aplicação. a hipótese de alteração da EPSPS no sítio de ação é descartada.5 43.9 36. (2002) observaram inicialmente que numa população de Lolium rigudum existiam plantas com diferentes níveis de resistência ao glyphosate e assim classificaram estes biótipos como suscetível. intermediário .6 ± 2. Os resultados do trabalho indicados no Quadro 8 mostram que a atividade da EPSPS das plantas resistentes é similar à atividade das plantas suscetíveis.Herbicidas: resistência de plantas .

intermediário e resistente ao herbicida glyphosate). em ambos os biótipos (resistente e com resistência intermediária) de L. (2006a) Em recente trabalho realizado por Ferreira et al. multiflorum observou-se redução na produção de massa seca da parte aérea. 3A). Todavia. Essa queda de produção foi mais severa no biótipo intermediário do que no resistente (Fig. A dose de 200 g ha-1 foi suficiente para controlar 100% das plantas sensíveis (Fig. (2006a) com três biótipos de Lolium multiflorum (biótipos sensível.200 g ha-1 de glyphosate não controlaram os biótipos resistentes e de resistência intermediária. resistente (B) e de resistência intermediária (C) de Lolium multiflorum Fonte: Ferreira et al. Módulo 3. 3 B e C. observou-se que doses de até 3.Evolução da intoxicação provocada por glyphosate sobre biótipos sensível (A).5 . Tanto o biótipo resistente quanto o intermediário apresentaram elevados níveis de intoxicação (80%) aos 14 dias após a aplicação dos tratamentos (Fig. 4).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 .Herbicidas: resistência de plantas 223 .

.5 . multiflorum pode estar ligado a translocação diferencial deste herbicida pelos diferentes biótipos.Porcentagem de produção de massa seca dos biótipos resistente e intermediário tratados com glyphosate em relação à testemunha Fonte: Ferreira et al. 2A). Todavia observaram diferença marcante na translocação do 14glyphosate entre os biótipos resistente (R) e sensível (S). que constataram maior acúmulo do produto marcado nas raízes do biótipo resistente. 2006a) O possível caso da resistência de L. Ferreira et al. (2006a) Figura 4 . Esses resultados se assemelham aos encontrados por Lorraine-Colwill et al. (2006) verificaram que tanto o suscetível quanto o resistente absorveram o glyphosate na mesma intensidade (Fig.Herbicidas: resistência de plantas .Biótipos resistente (R) e sensível (S) de L multiflorum cinco dias após tratamento com 800 g ha-1 de glyphosate (FERREIRA et al. (2002) em Lolium rigudum. O biótipo R apresentou maior acúmulo de 14glyphosate na folha aplicada às 64 horas enquanto no suscetível observaram maior acúmulo desse herbicida nas raízes (Fig. 5).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 3 . 224 Módulo 3.

4 milhões de hectares de sementes. Depois disso.Herbicidas: resistência de plantas 225 .Culturas transgênicas Cultivares de soja e de outras culturas foram lançados recentemente no mercado. O Brasil é hoje o terceiro produtor de transgênicos. (A) – na água de lavagem. com uma área plantada de 9.nas raízes de biótipos de L.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 – Concentrações de glyphosate avaliadas em diferentes tempos após aplicação. (2006b) 14 . 2005). multiflorum resistente (R) e sensível (S) Fonte: Ferreira et al.Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas 14.1 . Módulo 3. a área de produção de transgênicos passou de 81 milhões de hectares em 2004 para 90 milhões. No mundo.5 . perdendo apenas para Argentina e Estados Unidos (Quadro 9). (C) – na parte aérea e (D) . (B) . correspondendo a um aumento de 11% em 2005 no total de 21 países onde o plantio de transgênicos é permitido (JAMES. milhares de hectares cultivados com culturas transgênicas já foram incorporados no processo produtivo.na folha onde foi aplicado.

8 milhões de hectares (4%) em dois países: EUA e 226 Módulo 3. ocupou um total de 15. foram: China.1 < 0.1 < 0. cultivado em 4. quando foram cultivados 12.1 9.8 1. em ordem decrescente de área cultivada. Checa Superfície (milhões de ha-1) 49.3 0.Superfície global de cultivos transgênicos em 2005 (em milhões de hectares) Ordem 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Fonte: James (2005) País EUA Argentina Brasil Canadá China Paraguai Índia África do Sul Uruguai Austrália México Romênia Filipinas Espanha Colômbia Irã Honduras Portugal Alemanha França Rep. milho e canola Algodão Soja Algodão Soja.3 milhões de hectares.3 1. A terceira cultura geneticamente modificada mais cultivada foi o algodão Bt. Romênia.8 17.1 < 0. Argentina. Ela ocupa 48. Importante destacar que o milho Bt. equivalente a 6% da área mundial com lavouras geneticamente modificadas.Herbicidas: resistência de plantas .5 . cultivado em 3. Austrália.4 milhões de hectares.3 0.1 Culturas transgênicas Soja. milho e algodão Soja e milho Algodão Soja e algodão Soja Milho Milho Algodão Arroz Milho Milho Milho Milho Milho Em 2005. algodão.1 < 0.1 0. em ordem decrescente de área cultivada. África do Sul e Argentina. são: EUA. 2). Paraguai.5 0. 11 são países em desenvolvimento e 10 industrializados (Fig.8 3. milho Bt tolerante a herbicida. África do Sul e México.3 milhões de hectares (5%) em quatro países: EUA.0 milhões de hectares.1 < 0. comercialmente disponível em nove países em 2005 (Quadro 9) que. Uruguai. representando 60% da área mundial destinada às plantas geneticamente modificadas em 90 milhões de hectares. canola e mamão Soja. canola tolerante a herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 9 .4 5. dos 21 países produtores de transgênicos.3 0. Brasil.1 0. e que ocupou 4.5 milhões de hectares. Canadá.3 milhões de hectares (5%) em dois países: Canadá e EUA. EUA. Outras cinco culturas listadas no Quadro 10 ocuparam entre 2% e 5% da área mundial cultivada com plantas derivadas da biotecnologia e incluem. que. cultivado em 4. em ordem decrescente de área: milho tolerante a herbicida. com crescimento de 22% no ano de 2003. África do Sul e Colômbia. A soja tolerante a herbicida é atualmente a cultura geneticamente modificada dominante.1 < 0.1 < 0. O algodão Bt foi plantado em oito países. Canadá. Índia. milho e algodão Soja Soja. México. sexta colocação em 2003. Argentina. milho.1 0.

Herbicidas: resistência de plantas 227 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Canadá. Austrália e África do Sul (JAMES. Austrália e México.5 . algodão Bt e tolerante a herbicida cultivado em 3 milhões de hectares (4%) em três países: EUA. em milhões de hectares. os países produtores de culturas trangênicas em 2005. Figura 2 – Evolução da área de cultivo de transgênicos no mundo. em ordem crescente por área. de 1996 a 2005 O Quadro 10 mostra. Quadro 10 – Princiapais lavouras geneticamente modificada em 2005 Culturas Soja tolerante a herbicida Milho Bt Algodão Bt Milho tolerante a herbicida Canola tolerante a herbicida Milho Bt/tolerante a herbicida Algodão Bt/tolerante a herbicida Algodão tolerante a herbicida Fonte: James (2005) % em relação ao total de áreas cultivadas 60 14 06 05 05 04 04 02 Módulo 3. 2005).5 milhão de hectares (2%) em 3 países: EUA. e algodão tolerante a herbicida cultivado em 1.

como ferramenta da biotecnologia agrícola. por meio de desenvolvimento de métodos refinados com o uso de técnicas de biologia molecular. denominadas de transgênicas. O Quadro 11 mostra a evolução do cultivo de plantas geneticamente modificada e tolerante a herbicidas durante o o período de 1996 a 2005. a área cultivada com lavouras transgênicas cresceu mais de 47 vezes (JAMES. a transgenia. como ocorre no melhoramento genético clássico (no cruzamento ocorre a "mistura" de metade da carga genética de cada variedade parental). cruzam-se as espécies sexualmente compatíveis e ocorre a combinação simultânea de vários genes. que. 2005). 2005). A biotecnologia agrícola utiliza a transgenia como uma ferramenta de pesquisa agrícola caracterizada pela transferência de genes de interesse agronômico (e.0 A transgenia permite um melhoramento "pontual" através da inserção de um ou poucos genes e da conseqüente expressão de uma ou poucas características desejáveis (MONSANTO. Quadro 11 –Área total de lavouras geneticamente modificadas no mundo entre os anos de 1996 e 2005 Ano 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Fonte: James (2005) Hectares (em milhões) 1.) e plantas. 2001).7 67.9 42. conseqüentemente.5 .8 39. de características desejadas) entre um organismo doador (que pode ser uma planta. No melhoramento tradicional. 2005).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A descoberta das leis da hereditariedade. uma bactéria.0 27. sem que sejam introduzidos outros genes. Nessse período. permitiram a manipulação do material genético. surgiram as plantas que carregam em seu genoma a adição de DNA oriundo de uma fonte diferente de germoplasma paternal. e a decifração do código genético foram condições primordiais para o surgimento da biotecnologia moderna.Herbicidas: resistência de plantas . etc.7 11. oferece maior precisão do que os cruzamentos. uma vez que permite a inserção de genes cujas características são conhecidas com antecedência. 228 Módulo 3.7 81. Já a transgenia é uma evolução desse processo.6 59. hoje conhecida como tecnologia do DNA recombinante ou engenharia genética (VALOIS.2 52. com o objetivo de acelerá-lo e de ampliar a variedade de genes que podem ser introduzidos nas plantas. Além disso. com segurança (MONSANTO.1 90. bem como da natureza química do material genético. Assim. um fungo.

em que fatores como a intensidade e a rapidez da mudança na composição de uma comunidade são acentuados e inevitavelmente influenciados pelas práticas agrícolas e pela ação humana. e outras consideradas tolerantes apresentam a possibilidade de disseminação e conseqüente aumento de infestação nas áreas cultivadas com soja transgênica. É uma planta perene que se reproduz por sementes aéreas. ROCHA et al. a substituição das moléculas herbicidas que vinham sendo usadas por outra. C. que é um requisito para a seleção de plantas resistentes. Espécies altamente sensíveis a esse produto serão eliminadas. Em 2005 a soja transgênica foi oficialmente liberada para plantio no país.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 15 . em alguns casos. o que significa alta pressão de seleção. por exemplo.Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas Os métodos de controle das plantas daninhas não sofrerão alteração. somente haverá. benghalensis.. como é o caso dos herbicidas para os quais estão sendo desenvolvidas culturas resistentes. O risco do surgimento de casos de plantas daninhas resistentes é maior para aqueles herbicidas que já apresentam biótipos resistentes. No início serão observados apenas os benefícios da nova tecnologia. 2005). o glyphosate (GAZZIERO. Borreria latifolia e Tridax procumbens são plantas consideradas tolerantes ao glyphosate. espera-se a ocorrência de profundas mudanças nos sistemas de controle.5 . Esse fato poderá levar a uma situação extrema. as plantas daninhas apresentam composição e dinâmica de um país tropical. será utilizado um único ingrediente ativo. dessa forma. Os produtos e as combinações de produtos utilizados na soja convencional serão substituídos pelo glyphosate. subterrâneas e multiplica-se também a partir do enraizamento de porções do caule (ROCHA 1999. essas plantas apresentam grande potencial de se tornarem um sério problema de controle. A dinâmica e o estabelecimento das plantas daninhas nos levam a antever uma provável mudança na composição das plantas infestantes. porém com o decorrer dos anos existirá uma grande possibilidade de surgir problemas como a seleção das espécies consideradas tolerantes ou mesmo espécies resistentes (GAZZIERO. Muitos produrores de soja transgênica no Rio Grande do Sul preferem controlar as plantas daninhas com aplicação de pós-emergência feita na cultura. sendo hospedeira de pragas e moléstias. tendo em vista que vários produtos ou combinações de produtos utilizados atualmente serão substituídos por um único ingrediente ativo. deixando de fazer o controle das plantas Módulo 3.Herbicidas: resistência de plantas 229 . Espécies como Commelina benghalensis. Dessa forma. 2005). 2000). No Brasil. é uma espécie que se adapta com facilidade a diferentes ambientes e apresenta intensa resposta à calagem e adubação do solo. se o manejo das plantas daninhas não for adequadamente utilizado na soja transgênica. em que a maioria da área cultivada empregará a mesma molécula herbicida.

5 . que poucas vezes podem ser generalizados para as nossas condições. e em anos seguidos. poucos cientistas estão se dedicando a essa área no Brasil. Estudos aprofundados sobre essa questão devem ser realizados com urgência no país.).Comentários finais A resistência de plantas daninhas a herbicidas é um fato consumado no Brasil. Commelina benghalensis. trazendo prejuízos a cultura (THEISEN citado po GAZZIERO. com mesmo mecanismo de ação. 16 . Biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistente ao glyphosate se tornaram um grave problema nas lavouras de soja transgênica no Rio Grande do Sul. o mesmo herbicida ou herbicidas. como: uso de misturas de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e rotação destes mecanismos. levando a um considerável aumento nos custos de produção. em outras espécies. Contudo.Herbicidas: resistência de plantas . Sabe-se que sua evolução em uma área é dependente da pressão de seleção. e as informações de que se dispõe são relacionadas a casos de outros países. Euphorbia heterophylla. 2003). do fluxo gênico e da dispersão de propágulos. do padrão de herança. do número de genes envolvidos. tolerantes e sensíveis em áreas afetadas e para eleger métodos de manejo e controle das plantas tolerantes e resistentes que permitam impedir a multiplicação e a disseminação desse(s) gene(s) para outras populações. Para que isso seja evitado. Nas áreas com mais de 15 anos de uso têm sido feitas três aplicações/ano em doses que variam de 2 a 8 L ha-1. Desse modo. ao se realizar a aplicação. em condições semelhantes. além da resistência de azevém (Lolium sp. sobre os quais tem sido aplicada doses de 16 L ha-1 do produto comercial sem sucesso. observou em pomares de maça tratados com glyphosate a seleção de Richardia brasiliensis. agricultores que empregarem extensivamente. devem ser adotadas as práticas de manejo adequadas. 230 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que germinam antes da semeadura da soja. da variabilidade genética da espécie daninha. O conhecimento desses pontos é importante para embasar previsões de proporções futuras entre plantas resistentes. Vargas (2004). para que se possa entender e estabelecer estratégias específicas para os nossos casos. o processo de competição entre a cultura e as plantas daninhas já se iniciou. estarão sujeitos à seleção de plantas daninhas resistentes. Na maioria dos casos.

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Manejo de plantas daninhas 3.DF 2006 Módulo 3.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília . Antonio Alberto da Silva Profº.6 . Lino Roberto Ferreira Profº.Manejo de plantas daninhas em pastagens 235 .Manejo de plantas daninhas em pastagens Tutores: Profº.ABEAS Universidade Federal de Viçosa .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .6 . Ricardo Camara Werlang Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .

Plantas tóxicas.Competição por luz. 253 2.4.2 .2 . 243 1. 252 2.1 .Competição por água. 252 2.4.3 .Competição entre plantas daninhas e forrageiras.1 . 238 1. 260 2.6 .Controle cultural.3 . 237 1 .Controle mecânico ou físico.1.2 .Controle químico. 257 2. 239 1.3 .2 . 259 2.Controle preventivo.1 . 267 236 Módulo 3.Integração da agricultura e pecuária. 261 Referências bibliográficas.Uso de herbicidas na recuperação de pastagens.Fatores do ambiente passíveis de competição. 246 1.4 .1 . 244 1.Controle de plantas daninhas. 258 2. 247 2 .Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens.Competição por nutrientes.1.Manejo de plantas daninhas em pastagens .Uso de herbicidas na manutenção de pastagens.1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução. 246 1.3 .4.

Com relação aos sistemas de produção agrícolas. indústria. consumidor. ambientalmente corretos. em maior ou menor grau. social. As pastagens. assumem dois aspectos fundamentais. e o segundo é o fato de possibilitarem o atendimento da grande demanda mundial por alimento produzido de forma natural. Uma das características que faz com que a atividade pecuária no Brasil seja altamente competitiva é o fato de o País possuir grandes áreas de pastagens e condições adequadas para o desenvolvimento destas. afastando-se cada vez mais do modelo extrativista. produtor. nesse contexto. socialmente justos. parte expressiva do setor se distanciou da prática extrativista que por muitos anos caracterizou a atividade e tem sido um exemplo de capacidade de ajustes e adaptação à realidade do mercado atual. Conseqüentemente. nesse contexto. a humanidade coloca em segundo plano os tratados e previsões que fundamentaram a “revolução verde” e busca. competitivos e eficientes. a formação do que pode ser denominado um novo status de cultura global (EUCLIDES FILHO. dependendo de cada caso. com respeito ao ambiente e aos animais. eficiência. competitividade e sustentabilidade (EUCLIDES FILHO. apesar de esse processo estar sendo propalado como a globalização da economia. Nesse período. 1997). 1997). sistemas economicamente viáveis. em última instância. que penaliza os setores não-competitivos e ineficientes (EUCLIDES FILHO. da intensificação total. sociais e políticas. em particular. As mudanças que vêm ocorrendo nos sistemas de produção são reflexos de transformações econômicas. possibilitem convivência harmoniosa com a natureza. capazes de ser conservadores de recursos. representado pela pecuária extensiva. a atividade pecuária tende a se tornar cada vez mais uma atividade empresarial. e produtivos. ou seja. formas de produção que. diante das transformações que vêm se processando. em geral. deve considerar os vários pontos determinantes dos segmentos envolvidos no setor.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Atualmente. e na pecuária. além de produtivas. isto é sinônimo de estabelecimento de sistemas sustentáveis.Manejo de plantas daninhas em pastagens 237 . Módulo 3. O primeiro é que elas viabilizam a competitividade brasileira. e aproximando-se. A tomada de decisão na pecuária. passando por mudança do estágio de conhecimento e culminando com o estabelecimento de um novo padrão de comportamento da sociedade como um todo. essa tendência é muito mais complexa e envolve modificações muito mais profundas. como política. Os últimos dez anos têm sido decisivos para a economia brasileira. como solo. qualidade. que são responsáveis pela reestruturação desde níveis e formas de informação.6 . economia. 1996) A pecuária brasileira está sendo influenciada pelo processo de globalização em andamento no mundo. É importante ressaltar que. água e recursos genéticos animais e/ou vegetais. Dessa forma. em especial para a pecuária. espera-se.

238 Módulo 3. e até mesmo arbóreo. mas também por espaço. se sombreadas. As plantas daninhas podem.. têm a sua taxa de fotossíntese líquida altamente reduzida e. Essa competição se dá principalmente por luz. sem possibilidade de recuperação natural. atualmente. ocasionado pela competição com as plantas daninhas. de muitas espécies de plantas daninhas infestantes de pastagens em condições brasileiras. entre eles má escolha da espécie forrageira. Em razão do porte arbustivo. Estima-se que 80% dos quase 60 milhões de hectares da área de pastagens na região de Cerrados apresentam algum estágio de degradação (MACEDO et al. a prática demonstra outra realidade.Manejo de plantas daninhas em pastagens . em um dos maiores problemas dos sistemas de produção de bovinos no Brasil Central. é facilmente dominada pelas plantas daninhas. por diminuir o potencial de formação de pasto pelas forrageiras. e aumenta o tempo de formação das áreas reformadas. 2000). nutrientes e água. No entanto. até mesmo parcialmente. Além dos impactos negativos na produção e desvalorização do patrimônio. Pastagem degradada se constitui. espaço. bem manejadas e livres de plantas daninhas.6 . má formação inicial. pode-se considerar a luz como o principal fator (recurso) de competição destas com as forrageiras. é lógico que o sucesso desse setor está estreitamente relacionado com a manutenção das pastagens em condições adequadas. que afeta a produção e o desempenho animal e culmina com a degradação do solo e dos recursos naturais em função de manejos inadequados.. ainda.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Diante da importante função assumida pela pastagem no contexto de pecuária empresarial e competitiva. nestas condições. A presença delas em pastagens reduz a produtividade. água e nutrientes. 1 . a presença de plantas daninhas em pastagens reduz a sua capacidade de suporte (unidade animal por ha). agravam-se os efeitos ambientais pela erosão dos solos e assoreamento dos mananciais de água. Isso ocorre porque a maioria das gramíneas forrageiras cultivadas no Brasil tem a sua eficiência fotossintética altamente dependente da intensidade da luz. além de ser um ambiente propício para o desenvolvimento de parasitas. reduzindo a disponibilidade desses fatores para as forrageiras. Degradação de pastagens é um processo evolutivo de perda de vigor e produtividade da forrageira. falta de adubação de manutenção e manejo da pastagem inadequado. Nas Figuras 1 e 2 são apresentadas algumas das principais espécies de plantas daninhas das pastagens. como ferimentos no úbere das vacas. Assim.Competição entre plantas daninhas e forrageiras Pastagens produtivas significam pastagens bem formadas. a degradação precisa ser revertida para garantir a produtividade e a viabilidade econômica da pecuária (MACEDO et al. ocasionar danos físicos aos animais. uma vez que estas plantas competem por luz. devido à elevada capacidade competitiva das plantas daninhas. 2000). Essas forrageiras. pois são espécies que apresentam o metabolismo C4. Causada por diversos fatores. as quais dificultam o processo de produção pecuária.

gás carbônico.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas causados por espécies com espinhos. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex. A seguir serão abordados os principais fatores envolvidos na competição entre as plantas daninhas e as forrageiras. luz. nutrientes e luz.6 . reduzindo a produtividade da forrageira. Módulo 3.1 . estabelece-se a competição. ou até mesmo levá-los à morte. Isso ocorre porque. a forrageira e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área. já limitados no meio. muito comuns em pastagens brasileiras. até mesmo para o próprio desenvolvimento da forrageira. Recursos são os fatores consumíveis.Fatores do ambiente passíveis de competição Em ecossistemas agropastoris. caso eles se alimentem de plantas tóxicas. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”.Manejo de plantas daninhas em pastagens 239 . Como ambas possuem suas demandas por água. nessas circunstâncias. como água. na maioria das vezes. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso for limitado e máxima quando o ponto de saturação for atingido. nutrientes e CO2 e.: toxidez devido a excesso de Zn no solo). qualquer planta daninha que se estabeleça na pastagem vai usar parte dos fatores de produção. Radosevich et al. esses fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente. 1.

6 . (c) mata-pasto (Eupatorium maximilianii). (d) assa-peixe roxo (Vernonia glabrata). (g) guanxuma (Sida glaziovii) e (h) lobeira (Solanum lycocarpum) 240 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 – Principais plantas daninhas das pastagens (a) assa-peixe branco (Vernonia polyanthes).Manejo de plantas daninhas em pastagens . (b) leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). (f) fedegoso (Senna ocidentalis). (e) ciganinha (Memora peregrina).

(a) camboatá (Tapirira guianensis).6 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 – Principais plantas daninhas das pastagens . (e) cambará (Lantana camara).(c) guizo-de-cascavel (Crotalaria spectabilis). (h) ximbuva (Enterolobium contortisiliquum) e (i) samambaia (Pteridium aquilinum) Módulo 3. e plantas tóxicas . (b) arranha-gato (Acacia plumosa). fistulosa). (f) algodão-bravo (Ipomoea carnea sbsp. (d) cafezinho (Palicourea marcgravii).Manejo de plantas daninhas em pastagens 241 . (g) mamona (Ricinus communis).

Todavia. envolvendo indivíduos de espécies diferentes. também. Determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. Várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as forrageiras e as plantas daninhas. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. 1985). como veranico e geadas. em condições de sombreamento (PITELLI. mesmo com baixos níveis do recurso no ambiente (RADOSEVICH et al. A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. densidade do solo. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (RADOSEVICH et al. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras.. Entretanto. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Condições são fatores não diretamente consumíveis. totalmente esclarecida. por exemplo.. se a população de plantas da forrageira por área for baixa ou o estande for desuniforme. A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. No entanto. dependendo da espécie cultivada. em áreas de pastagens degradadas a capacidade competitiva das plantas daninhas é ainda maior. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas.. Os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta destas às variações dos recursos (GOLDBERG. se a forrageira se estabelecer primeiro. etc. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. em razão da influência extrema que eles exercem na utilização dos recursos pelas plantas. como acontece. o maior índice de área foliar. ela poderá cobrir rapidamente o solo. caracterizado pela pastagem degradada. a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. 1996). 1996). Na realidade. não estando..Manejo de plantas daninhas em pastagens . porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. cuja dependência é muito grande. como pH do solo. e. A competição entre plantas daninhas e forrageiras é um fator crítico para o desenvolvimento da pastagem quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a forrageira. como: a competição é mais séria nos períodos iniciais de desenvolvimento da 242 Módulo 3. 1990. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas daninhas em relação às culturas são o seu porte e sua arquitetura. 1996). a menor suscetibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos. do seu vigor. ainda. seja ela daninha ou não. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. Contudo.6 . A competição pode ser intra-específica. citado por RADOSEVICH et al. interespecífica. até que um nível ideal seja alcançado.

e sistema radicular muito desenvolvido. no manejo da forrageira. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. como o químico ou mecânico. Normalmente. nutrientes e espaço. como capacidade de remoção de água do solo. torna-se fácil o manejo da forrageira. que podem inibir a germinação e ou desenvolvimento da forrageira. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. principalmente se a forrageira possui metabolismo C4. ciganinha e outras). liberar toxinas no solo. da escolha da forrageira adequada para a região. pois se estabelecem primeiro. devido ao sombreamento. fazendo com que esta leve vantagem sobre o complexo de plantas daninhas.. etc. que as plantas forrageiras fiquem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas.. dessa forma. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. e as espécies daninhas competem por água.1. Módulo 3. comumente. é normal em alguns agroecossistemas. especialmente nitrogênio e carbono. desenvolvimento e crescimento rápido de grande superfície fotossintética mesmo ainda na fase de plântula. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular (maior profundidade do sistema radicular – ex.1 . da época correta de plantio. o chamado manejo integrado de plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas forrageira. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. sem qualquer sinal de déficit hídrico. etc. por isso. luz.6 . o profissional necessita ter o conhecimento profundo da forrageira e da vegetação daninha infestante da área a ser formada. das condições adequadas de pastejo e manejo adequado da forrageira. Desse modo. as espécies daninhas de maior porte do que as forrageiras exercem grande potencial competitivo com estas. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. 1.: assa-peixe. podendo. as condições para que ela se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma pastagem. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. as características fisiológicas das plantas. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes. (Radosevich et al. Conhecendo esses fatores. pequenas ou grandes. as espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da forrageira.Manejo de plantas daninhas em pastagens 243 . da profundidade de plantio. 1996). ainda. magnitude da condutividade hidráulica das raízes. da percentagem de germinação e vigor das sementes. regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. Assim a competição é mais facilmente minimizada ou até mesmo eliminada com a integração de outros métodos de controle. Disso resulta a importância do preparo do solo. especialmente nos trópicos em dias quentes. tendem a excluir as demais. realizando. grande número de estômatos por área foliar.

ocorrendo o ciclo de Cavin e Benson. Esse fato evidencia que as plantas C4 244 Módulo 3. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. por difusão. ou seja. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. também. não desassimilam o CO2 fixado. do glicolato. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. catalisa a produção do ác. comparado a regiões temperadas. como a luminosidade adequada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). retorna às células do mesófilo. localizada nas células do mesófilo foliar. por ser ambígua quanto ao substrato. onde esses produtos são descarboxilados. É sabido que a relação. Elas não apresentam fotorrespiração detectável. dependendo da espécie vegetal. Este CO2 liberado é novamente fixado. logo. 3-fosfoglicérico e. consumindo 2 ATPs. Entretanto. formando o ácido oxaloacético (AOA).5 difosfato carboxilase. se ela é umbrófila ou heliófila e. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. responsável pela fixação do CO2. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados.Competição por luz A competição pela luz é muito complexa e sua magnitude é influenciada pela espécie. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. onde é fosforilado. por apresentarem dois sistemas carboxilativos. A maior eficiência das plantas C4 em relação a C3 em condições adequadas de luminosidade e temperatura é o principal fator da superioridade de produção forrageira em condições tropicais (maioria C4). além do ciclo de Calvin e Benson. as plantas C3 fotorrespiram intensamente. considerando ambos os grupos em condições ótimas. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. substrato inicial da respiração. Em conseqüência da ação desta enzima. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. no ácido fosfoenolpirúvico. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2. também. As plantas C4.2 . em seguida. quando comparadas com plantas C4. se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. agora pela enzima ribulose 1. sendo esta relação para as plantas C4. Essas plantas.1. de 1:5:2. que ocorre em todas as plantas superiores. o ácido pirúvico. é transportado para as células da bainha vascular das folhas. As plantas C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson. A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). por difusão. baixo ponto de saturação luminosa. a superioridade das forrageiras utilizadas no Brasil (C4 em sua grande maioria) é dependente de certas condições. e. molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase.Manejo de plantas daninhas em pastagens .6 . de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico). liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa.

Módulo 3. Além disso. nessas condições. atividade ótima em temperaturas mais elevadas. e não satura em alta intensidade luminosa. as espécies C4 dominam completamente as C3. 1998) e Pennisetum purpureum (RODRIGUES et al. ocorre a necessidade de controle de invasoras. Isso é possível porque esse grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável. aliado a outros fatores.alongamento de folha. No caso das plantas C4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. as condições de luminosidade e temperatura serão preponderantes no desenvolvimento adequado das forrageiras. porém são influenciadas por fatores externos. A combinação das características morfogênicas determina as três principais características estruturais das forrageiras: tamanho de folha. Como toda essa energia é proveniente da luz. mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km). luminosidade alta e até mesmo déficit hídrico temporário. ainda assim elas continuam acumulando biomassa. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontra-se saturada quanto à luz e..são plantas C4. 1999) . se for reduzido o acesso à luz. gênero Cynodon (SILVA et al.. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEPcarboxilase) apresenta algumas características. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). como: alta afinidade pelo CO2. aparecimento de folha e duração da folha) que. conseqüentemente. REIS. quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas.Manejo de plantas daninhas em pastagens 245 . a fim de evitar o sombreamento. estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. atua especificamente como carboxilase. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. 1994). Essas características são genéticas.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). temperatura.6 . Cada espécie de forrageira possui um padrão genético de crescimento e expansão foliar (determinado por suas características morfogênicas . Portanto. levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente. é comum. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. densidade de perfilhos e número de folhas por perfilho. indica o potencial de produção de uma pastagem. 1995). Esse fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. Todavia. liberando CO2. Como a maioria das forrageiras das regiões tropicais e subtropicais . a ocorrência de sombreamento por plantas daninhas implica redução drástica do potencial competitivo dessas forrageiras. Em função destas e de outras características. luminosidade e nutrientes. nessas condições.espécies de Brachiaria (CORSI et al. como água. esta passa a atuar mais como oxidativa. A luz como fonte de energia de todos os processos biológicos na forrageira é o componente principal na produção da pastagem. que são diretamente correlacionadas com a quantidade e qualidade da luz. gênero Panicum (RODRIGUES. Isso acontece porque.

em conseqüência disso. MIRANDA.6 . evitando a erosão e quebra do equilíbrio. 246 Módulo 3. visam melhoria das propriedades do solo. como alternativa de recuperação de pastagens degradadas.1. diversificação do sistema produtivo e de aumento da produtividade do empreendimento agrícola. 2000). por constituir-se em tema complexo e não ser objetivo do presente trabalho.3 .. Portes et al. 2001). o aproveitamento da adubação residual e o preparo do solo mais elaborado podem ser vantajosos na redução dos custos e na eficiência de recuperação das pastagens degradadas (Macedo et al. doenças e plantas daninhas. que facilitam a ocorrência de pragas. exercem forte competição com as forrageiras pelos nutrientes essenciais. É notório que o setor agropecuário brasileiro está passando por um processo de transição socioeconômica e agroambiental. Essas tecnologias também proporcionam maior diversificação das atividades econômicas no meio rural (KICHEL. As tecnologias para recuperação e manejo sustentável dos solos degradados dos Cerrados. Nesse sentido. 2000. a queda na produtividade das lavouras. a competição por nutrientes depende. maior eficiência no uso de máquinas. apesar de esse processo ser lento e silencioso. com maior ênfase.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1.. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca. o empobrecimento da fertilidade do solo. Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. a baixa retenção de água no solo e o aumento do processo erosivo são sintomas do manejo inadequado que prejudicam o meio ambiente. os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das forrageiras em nossos solos. 1. deve-se considerar.Manejo de plantas daninhas em pastagens . em alto grau. a utilização de culturas anuais em cultivos seqüenciais ou simultâneos como formas de sistemas de produção. a preocupação da utilização racional de água e agroquímicos e a necessidade de maior competitividade e sustentabilidade (COBUCCI. tanto para as áreas de pastagens como de agricultura. das espécies presentes. melhoria das propriedades físicas do solo. observam-se a expansão do plantio direto. 2001). tem sido proposto recentemente. A integração agricultura e pecuária não será abordada em maior detalhe.2 . a consorciação de lavouras e forrageiras.Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes. além da quebra do ciclo de pragas e doenças. A venda de grãos das culturas. tornando-o sustentável em termos econômicos e ecológicos (KICHEL et al.. 2000).Integração da agricultura e pecuária A degradação das pastagens.

plantas tóxicas não são somente vegetais que provocam verdadeiros envenenamentos e intoxicações agudas. principalmente em bezerros. AFONSO.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. 2002). POTT. 2002). muitas das quais ingeridas pelo gado. como é o caso das mandiocas-do-mato (Manihot spp. Segundo Howes (1933). 2002).. raiva ou outra doença. citado por Hoehne (1939). 2002). que causa fotossensibilização ("orelha frita"). a ingestão de certas plantas em pequenas quantidades leva o animal a adquirir resistência ou tolerância ao princípio tóxico. Módulo 3. POTT. consideram-se tóxicas todas as plantas que. os quais podem estar relacionados ao animal ou à planta. há outros fatores que também propiciam intoxicações. subquadripara = B. outras menos.3 . No caso da espécie bovina. Por outro lado. e braquiária-d´água ou "tanner grass" (B. em condições naturais. Várias provocam sinais que podem ser confundidos com picada de cobra. floração e frutificação. certas raças toleram mais.Manejo de plantas daninhas em pastagens 247 . Os biomas Pantanal e Cerrado possuem floras ricas em espécies. POTT. A maioria das plantas tóxicas é consumida pelos animais em razão da escassez de alimentos nas pastagens e da mudança de animais famintos para pastagens que possuem plantas tóxicas (FREITAS et al. e causa danos à saúde ou morte. 1991). podem provocar danos que se refletem na sua saúde ou vitalidade. Existem também plantas com princípio tóxico cumulativo. visto algumas serem tóxicas em uma região e em outra não (AFONSO. Portanto. estado sanitário e nutricional. que o animal. folhas ou raízes de plantas que possuem grande quantidade de elementos químicos nocivos ao gado (AFONSO.6 . deve-se considerar a sua fase vegetativa. arrecta). Além da fome. ingerindo pequenas quantidades diárias. que pode causar anemia devida a nitratos/nitritos. tóxicas. até atingir a dose letal (AFONSO. como brotação. 2000). (2000) definem planta tóxica de interesse pecuário a que é ingerida por animais domésticos de fazenda. como idade. Com relação à planta. peso. A mais temível do Brasil é a erva-de-rato ou cafezinho (Palicourea marcgravii) (POTT. Na mesma raça há fatores ligados ao próprio indivíduo. com comprovação experimental. O tipo de solo também pode influenciar na toxidez de uma planta. sendo algumas. sexo. mas também aquelas que provocam direta ou indiretamente perturbações na saúde do animal. ingeridas espontânea ou acidentalmente pelo animal. Tokarnia et al. pois às vezes ela provoca intoxicações apenas em uma dessas fases.Plantas tóxicas Calcula-se que 12% das mortes de bovinos são causadas por sementes. além do grau de sensibilidade do animal a um princípio tóxico (AFONSO. O conceito sobre plantas tóxicas é relativo. vai retendo no seu organismo. POTT.). Algumas plantas cultivadas também são consideradas tóxicas. certos venenos. como Brachiaria decumbens.

durante semanas. Com a evolução da intoxicação o animal apresenta sinais de origem nervosa. cochos e aguadas. sendo Erva de rato. Ocorre em terra firme. A evolução da intoxicação é crônica e não há recuperação do animal Controle: erradicação. Causa a síndrome da morte súbita. capoeiras e em pastos recém-formados. desequilíbrio do trem posterior. exceto se for afogado depois. Cresce somente em solo de barro (LSD) (argiloso). Rebrota após cortes e ácido lisérgico fogo. canudo-de-pita (Ipomoea carnea subsp.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas São várias as espécies de plantas tóxicas presentes nas pastagens no Brasil. com cafezinho Ácido exceção do extremo sul e do sertão (Palicourea monoflúornordestino. sendo ingerida em qualquer época do ano. com um resumo das suas principais características. caindo com facilidade. Nos bovinos. É muito comum em lagoas rasas. fistulosa) Convolvulaceae Figura 2 f 248 Módulo 3. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. lassidão e pêlos ásperos. Algodão-bravo. Inicialmente os sinais apresentados são de emagrecimento progressivo. Aumenta em campos com excesso de gado ou perto de porteiras. Possui boa Figura 2 d palatabilidade. Às vezes o animal mostra. A semente pilosa (origem do nome algodão) é espalhada pela água.Manejo de plantas daninhas em pastagens .6 . iniciam poucas horas após ser completada a ingestão da dose letal. uso de herbicidas. nas planícies de inundação dos rios Negro. DL (9 kg de folhas verdes por dia. A principal forma de propagação é vegetativa. Quadro 1 – Principais plantas tóxicas encontradas no Brasil Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). marcgravii) acético. o que é difícil de ocorrer no campo. trepador. Abobral e Paraguai. com as pernas traseiras abertas e instabilidade no trem posterior. havendo pasto). Arbusto aquático. ou estado de embriaguez. de 1 a 4 m de altura. Possui distribuição ampla. respiração ofegante. Na Figura 2 estão apresentadas e no Quadro 1 listadas as de maior ocorrência e importância no Brasil. os sintomas consistem em queda repentina do animal ao chão. os ramos que encostam no chão Alcalóides derivados do enraízam. sobrevindo a morte dentro de poucos minutos. tremores musculares. afeta o Rubiaceae em áreas sombreadas das beiras ciclo de Krebs das matas. antes de cair. flor e semente praticamente durante o ano todo. DL (100 g de folhas verdes). muito alagável. Perene. Controle: erradicar as plantas. encontrada em todo o País. O seu andar se torna desequilibrado (como se estivesse embriagado). cercar as matas e as capoeiras onde existir a planta. controle químico Arbusto responsável pela maioria das mortes de bovinos causadas por plantas tóxicas em terra firme. São tóxicas as folhas e as sementes.

A planta toda é tóxica. falta de apetite. Causa febre alta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Arbusto ou subarbusto é cosmopolita. No tratamento os camara) animais devem ficar na sombra. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. quando expostos ao solo. DL (1. extrato hepático e purgante oleoso Figura 2 e e medicar as lesões na pele. convulsões. devido ao efeito acumulativo). sonolência. Sob condições naturais. que faz com que este. para áreas (Lantana (lantadene A e infestadas. Controle: erradicação da planta. que aparece de repente. tem incordenação ao andar. Samambaia (Pteridium aquilinum) Substância Dennstaedtiacea radiomimética e e tiaminase Figura 2 i Planta tóxica de importância no Brasil e no mundo. hemorragia na pele e nas mucosas visíveis. planta somente em circunstâncias chumbinho ou especiais. controle cultural (calagem e aração do solo) e químico Módulo 3. DL (variada). lantadene B) Verbenaceae Deve-se administrar glicose. anemia. sendo a correção e aração deste um método cultural de controle desta espécie.6 . manifestam fotossensibilidade sob forma de eritema e edema inflamatórios nas partes menos pigmentadas da pele e inquietação à procura de sombra. Inicialmente. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal).Manejo de plantas daninhas em pastagens 249 . Ingestão em menores quantidades ocasionam hematúria intermitente.000 g de folhas verdes ingerido durante três semanas a poucos meses. trôpego. As plantas ocorrem em solo ácido. mesmo cessada a fome. A fome faz o animal ingerir a planta. com fome. principalmente quando camará Triterpenóides transferido. Já na fase aguda. se habitue a ela e. O animal sangra prolongadamente por qualquer ferimento. Controle: erradicar as plantas (herbicidas) e não transferir animais com fome para pastagens infestadas. culminando na morte. os bovinos ingerem a Cambará. depois de comê-la por algum tempo. emagrecimento. utilizar ungüentos antiinflamatórios. continue a procurá-la. Em eqüinos causa deficiência de vitamina B1. para provocar sintomas de intoxicação aguda. eventualmente diarréias enegrecidas. sendo a brotação a porção mais tóxica das partes aéreas. Muitos animais morrem nessa fase. os animais apresentam anorexia e diminuição ou parada dos movimentos do rúmen. em pequena quantidade. fezes ressequidas e. apresentam tremores musculares. Os animais apresentam andar incerto. Consistem nas manifestações de fotossensibilidade hepatógena.

leiras provenientes de desmatamento e pastagens cultivadas. as quais são o meio de propagação. dificilmente o animal se recupera. principalmente em situações de fome. DL (2. sendo umas mais. É tóxica ao fígado. que favorece a germinação. de 1 a 4 m de altura. e dificuldade de caminhar longas distâncias. No Brasil existem mais de 40 espécies Alcalóides do de Crotalaria. grupo das outras menos tóxicas.. A torta de mamona não bem detoxicada pelo calor também é tóxica. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). geralmente férteis. depósitos (alcalóide) na de lixo. mas das folhas não. com flor e semente em grande parte do ano. O fruto estoura ao sol e lança as sementes a vários metros de distância. Os sinais apresentados têm predominância neuro-muscular. as folhas foram observadas bem pastadas por bovinos no Pantanal. com o animal apresentando fraqueza. Há formas de folhas verdes e outras arroxeadas. Comum em áreas mexidas. que germina melhor após o fogo.000 g de folhas frescas ou 200 g de sementes. Morre na queimada. O bovino apresenta andar desequilibrado. etc. geralmente não folha e ricina inundáveis. Controle com herbicida. A parte aérea morre com a queima. causando perturbação nervosa. chique-chique (Crotalaria spectabilis) Leguminosae Figura 2 c Planta ereta. os animais mais novos são mais sensíveis . Deve-se atentar para o seu aparecimento em leiras. perda de apetite. Perene. e a plântula encontra condições mais favoráveis na pastagem rapada e rala (degradada). Uso de herbicidas. antes que forme sementes. taperas. DL (5. na semente. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Mamona (Ricinus communis) Euphorbiaceae Figura 2 g Arbusto pouco lenhoso. ereto. 250 Módulo 3. mas retorna por semente. mas de ciclo curto. antes da formação de sementes. ingerindo também flores e frutos.um quarto dessa dose no caso de bezerro). com flor e fruto quase durante o ano todo.500 g de folhas verdes ao dia foram suficientes para levar os bovinos à morte). Ocorre também eructação excessiva (arroto) acompanhada por sialorréia (baba). geralmente férteis. O consumo repetido de pequenas quantidades de semente pode dar imunidade.6 . Anual. Embora conste como pouco palatável. Controle: É facilmente eliminada com mais de uma roçada. Os principais sinais na intoxicação por Crotalaria iniciamse por contrações abdominais. apatia e diarréia sanguinolenta. perturbações digestivas. procurando ficar deitado. Há relatos de pirrolizidinas que o princípio tóxico desta planta se concentra mais nas flores e nas sementes. É palatável. por irritação do tubo digestivo. Após apresentar estes sinais. perda do equilíbrio ao caminhar e alteração do sistema nervoso sob forma de excitação ou depressão. onde o solo é mais fértil.Manejo de plantas daninhas em pastagens . com copa. Já a intoxicação pelas sementes varia de aguda a subaguda. A intoxicação pelas folhas é aguda. com tremores musculares. de 50 a 100 cm de altura. Possui ampla distribuição. em solos argilosos ou (toxoalbumina) arenosos. em solos de vários tipos. Controle: Pode ser praticamente eliminada com roçadeira (rebrota pouco). tanto as folhas como as sementes são tóxicas. Comum em áreas ruderais como Ricinina beira de estrada. Guizo-decascavel.

Causa lesões no tubo digestivo. solos arenosos ou contortisiliquum Saponina do argilosos. Afonso e Pott (2002) Módulo 3. Semente espalhada tamboril pela fauna. Controle: É facilmente eliminada com anelamento (descascar em volta do tronco). aproximadamente. copa larga. quando movimentados.500 g de folhas verdes). Os bovinos ingerem a planta somente quando estão com fome. perde as folhas na estação seca. embora. Comum em matas e (Enterolobium cerradões. A parte tóxica Figura 2 h importante desta planta são os seus frutos. Fonte: Freitas et al. que amadurecem e caem no período da seca e apresentam boa palatabilidade para os bovinos. berram e morrem. Leguminosae especialmente no Nordeste e Triângulo Mineiro. acompanhada de outras perturbações digestivas. neste caso. DL (1. Ficam logo em decúbito letal. ) tipo esteroidal Encontrado em todo o Brasil. a novembro. não causem outros sinais de intoxicação. a planta não tem boa palatabilidade. Os sintomas iniciam-se. de 6 a 24 horas após a ingestão da planta. o animal faz movimentos de pedalagem com os membros traseiros e dianteiros.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Árvore de 8 a 18 m de altura. DL (250 a 1.6 . Uso de herbicidas. Os animais. planta tóxica mais importante das regiões de várzea da bacia amazônica. fazendo movimentos de pedalagem.300 a 1. Há citações de que as favas provocam aborto em vacas. às vezes. geralmente férteis. aparentemente. diminuição ou até perda total do apetite.Manejo de plantas daninhas em pastagens 251 . DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). Controle: Pastagens em abundância e erradicação da espécie. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. Os principais sinais apresentados pelo animal intoxicado se caracterizam por lassidão. caem ou deitam-se precipitadamente.500 g de favas que leva um bovino à morte na intoxicação experimental). Floresce de setembro a novembro. Em seguida provoca diarréia de coloração amarelada e fétida. cerram fortemente as pálpebras. (1991). produz fruto de agosto Ximbuva. Ocorre retração acentuada dos globos oculares e. próximo à morte. Gibata ou chibata Glicosídeo do (Arrabidaea tipo esteróide bilabiata) cardioativo Bignoniaceae Trepadeira. mesmo em pequenas porções. O quadro de intoxicação se manifesta poucas horas após a ingestão das favas e a sua evolução é aguda.

recomenda-se o “manejo integrado das plantas daninhas”. etc.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para produção das culturas livre de danos econômicos da vegetação daninha competitiva. se necessárias. com o objetivo de reduzir as perdas causadas por estas plantas. além de outras operações e a erosão do solo causada por água e vento. ou seja. A redução da interferência das plantas daninhas. constituindo-se. elimina os prejuízos causados pelas plantas daninhas. Atualmente. tem sido preconizado o manejo integrado de plantas daninhas. mecânico ou físico. considerando uma forrageira.1 . ainda. obtido em uma pastagem. o manejo de plantas daninhas pode ser definido como a combinação racional de medidas preventivas associadas a medidas de controle e de erradicação.. biológico e químico. a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas 252 Módulo 3. dependerá da espécie infestante. economicamente. mantendo a qualidade ambiental com a maximização de lucro para o agricultor. Dessa forma. dos métodos empregados. resguarda os seus aspectos benéficos e não causa danos à forrageira. do período crítico de competição. aos animais e ao solo. em um determinado agroecossistema. O controle ideal é aquele que.Manejo de plantas daninhas em pastagens . por meio de métodos e equipamentos usados oportunamente. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo.Controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mesmos empregados em outros sistemas de produção agrossilvopastoril. assegurar a produção adequada de alimentos. Atualmente. a energia gasta com tratos culturais. O nível de controle das plantas daninhas. que consiste num sistema ambientalmente correto no campo.Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. o estabelecimento e. quando não há redução da sua produtividade econômica. deve ser feita quando as perdas forem superiores ao incremento no custo devido ao controle. Isso pode ser possível se o pecuarista proceder à absoluta racionalização do controle de plantas daninhas.6 . da capacidade competitiva da forrageira. Visa. esse fato. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco (SILVA et al. sendo muito variados. cultural. com o advento da chamada agricultura economicamente sustentável. das condições ambientais. 2005). Os métodos de controle podem ser: preventivo. segundo Victoria Filho (2000). os custos de controle. no controle integrado. ou. 2.

A conservação do solo é outro ponto importante. Em síntese. assim. com uma limpeza adequada da área. A correção da acidez do solo e o fornecimento de cálcio e magnésio a este (quando necessária). Proporciona. da quantidade e das espécies de plantas daninhas e de forrageira a ser Módulo 3. que poderão se transformar em sérios problemas para a região. impedimentos físicos ou mecânicos. os seguintes procedimentos devem ser observados: diagnóstico da área . eliminando-se rebrota do cerrado de porte alto. principalmente. um município ou uma gleba de terra na propriedade. A escolha de espécies forrageiras adequadas para cada área e objetivo de pastejo é um importante componente do sucesso da atividade. histórico da área e outros. palatabilidade e longevidade. um estado. que deve começar antes da implantação. devem ser realizados no momento correto. pragas. capoeiras. As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilização de sementes de elevada pureza. A intensidade e os equipamentos a serem utilizados no preparo de solo dependem do tipo deste. condições favoráveis para a forrageira em relação às demais espécies presentes na área (plantas daninhas) e possibilita a vantagem competitiva da forrageira em relação às plantas daninhas. limpeza cuidadosa de máquinas.6 . O preparo do solo deve ser feito de modo a proporcionar ótima germinação e estabelecimento da forrageira. objetivo da produção.realizado por meio de análise química e física do solo. como a ciganinha (Memora peregrina).Controle cultural O controle cultural reúne todas as práticas disponíveis para o estabelecimento das forragens em condições adequadas ao seu desenvolvimento e à sua persistência com boa produtividade. 2. ou mesmo reduzindo os efeitos erosivos. bem como a aplicação de adubos fosfatados. devendo-se realizar a construção de terraços ou curvas de nível quando a área apresentar suscetibilidade ou risco de erosão ou até mesmo escorrimento superficial da água das chuvas. pedaços de tronco e galhadas. Regionalmente. arbustos. clima (déficit hídrico e ocorrência de queimadas). inspeção cuidadosamente de mudas adquiridas com torrão e também de toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. o elemento humano é a chave do controle preventivo. etc. impedindo. ainda. qualidade. análise da produtividade desejada.2 . topografia. tocos. Outro componente importante do controle cultural é a formação adequada da pastagem. grades. tipo de solo. e. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas. o nível tecnológico a ser adotado. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. banco de sementes de plantas daninhas. Essas áreas podem ser um país.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ainda por elas não infestadas. a quarentena de animais introduzidos em outras áreas.Manejo de plantas daninhas em pastagens 253 . As quantidades desses produtos dependem da espécie forrageira e do nível de produtividade desejado. Quando da escolha dessa espécie. e época de utilização da espécie. limpeza de canais de irrigação.

assim. para que ocorra a decomposição desta sem interferir na germinação da forrageira. podendo variar em certas regiões. ou seja. Em áreas com infestação elevada de plantas daninhas é recomendada a utilização de até 50% a mais da quantidade de semente. Deve-se. deve ser realizada em quantidades recomendadas. com pouca palha. quando recomendados.Manejo de plantas daninhas em pastagens . exceto para estilosantes ou andropógon. as sementes devem ser distribuídas na área e. da germinação e do vigor. ao daquele utilizado para plantio de soja. como: pureza. Deve-se considerar para isso a disponibilidade hídrica e temperatura para cada região. tem vantagem competitiva a espécie que se estabelece primeiro na área. Podem ser aplicados antes do plantio ou em cobertura. Outro componente do controle cultural muitas vezes desprezado é a quantidade e a qualidade das sementes das forrageiras. que impõe restrição à emergência das plântulas. a exigência de cada espécie forrageira e o nível de produtividade desejado. deve-se realizar o preparo do solo no mínimo 120 dias antes do plantio no período das águas. hídricas e de fotoperíodo da forrageira. potássio. para incorporar as sementes de 0. solo nivelado e livre de plantas daninhas. posteriormente.6 . O plantio na época correta e de forma correta é fator preponderante no estabelecimento adequado da forrageira. Logo após a última gradagem (niveladora). A quantidade de sementes a ser utilizada depende da espécie forrageira. O plantio pode ser realizado a lanço sobre o solo devidamente preparado com uma grade leve. começando com as primeiras chuvas em setembro até março. ou melhor. poucos torrões. enxofre e micronutrientes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas implantada. As sementes devem possibilitar a formação de estande adequado e uniforme. o preparo do solo deve ser escalonado. para que o solo não fique aderido nele. o preparo do solo deve ser igual. evitar o preparo excessivo do solo. isto é. com maior peso no solo arenoso. milho e outros. algodão. Para a maioria das forrageiras. proporcionando. para favorecer a germinação e eliminação delas. levando em consideração o resultado da análise de solo. livres de sementes de plantas daninhas e possuindo qualidade fisiológica (vigor e germinação). devem ser antes do plantio e incorporados. além das exigências térmicas. a sua pulverização. peso médio no misto e peso leve no argiloso. esta deve ser considerada como uma cultura que vai produzir por muitos anos. ou seja. sendo este um fator importante na dinâmica competitiva da forrageira com as plantas daninhas. a compactação da camada superficial deste. produção e longevidade da forrageira. no entanto. a melhor época é de novembro a janeiro. exceção feita aos fosfatos naturais reativos. que. A correção de fósforo. a época do plantio é muito ampla em quase todo o território nacional. Comumente. parcial ou totalmente fechada. Portanto. retardando o plantio da forrageira. quando necessária. A correção adequada de nutrientes do solo é outro fator que melhora as condições de estabelecimento. assim. o estabelecimento mais rápido da forrageira na área. principalmente nos solos mistos e arenosos. Deve-se evitar a utilização do rolo em solo com excesso de umidade. O plantio com semeadeira deve seguir as mesmas exigências do 254 Módulo 3. Em áreas que apresentarem alta quantidade de palhada. de modo geral. evitando. Em áreas que apresentarem alta infestação de plantas daninhas ou outras forrageiras.5 a 4 cm de profundidade (dependendo do solo e da forrageira). deve-se passar o rolo compactador. Entretanto.

com espaçamento entre linhas de 13 a 40 cm. podendo-se realizar. reduzindo assim a produção de semente e translocação de nutrientes para estas. deve-se iniciar o pastejo de 60 a 100 dias após a emergência da pastagem. cupins. tem como objetivo contribuir para a boa formação da pastagem. boa cobertura do solo. com boa produção de carne/hectare. diminuir a competição interespecífica. Na formação de pastagem. O manejo de formação da pastagem. realiza-se o plantio de linhas espaçadas de 13 a 40 cm. compactação. favorecendo o surgimento e estabelecimento de plantas daninhas. sem erosão. uma vez que vai garantir a longevidade e qualidade da pastagem. Estando todos os nutrientes corrigidos. ele deve ser controlado com defensivos específicos para cada tipo de praga. milho). proporcionando. implicando o sombreamento e abafamento das plantas daninhas. animais jovens com alta lotação. distribuição uniforme da palhada. eliminando o excesso de plantas. colocando-se 10 a 20% a mais de sementes do que o sistema tradicional. na mesma operação. recomenda-se a aplicação de nitrogênio de 30 a 40 dias após a emergência ou após o manejo de formação (primeiro pastejo). O manejo da pastagem estabelecida é. espécie forrageira e produtividade desejada. A princípio. também chamado de pastejo de uniformização.6 . deve-se passar o rolo compactador após o plantio. o método de controle cultural de plantas daninhas mais importante. de preferência. desde que o plantio seja realizado na época recomendada para cada região. com profundidade de 0. Esse sistema de plantio exige máquinas e equipamentos adequados. Toda vez que o nível de infestação for significativo. cupins subterrâneos e formigas. principalmente em solos de baixo teor de matéria orgânica. tocos. A realização de adubações de cobertura nitrogenadas melhora as condições de desenvolvimento e estabelecimento da forrageira. Após a dessecação. A manutenção da pastagem em condições ideais com o controle adequado de pragas também é componente do controle cultural de plantas daninhas. e proporcionar a mais rápida e perfeita cobertura de solo. Para gramíneas forrageiras de média a boa produtividade. plantas daninhas de difícil controle por herbicidas e outros. o nitrogênio é muito importante. dependendo do equipamento e da espécie forrageira.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantio a lanço. a adubação da pastagem ou consórcio com outras espécies. As vantagens desse manejo são: evitar o acamamento. Se a semeadeira não possuir sistema de compactação.Manejo de plantas daninhas em pastagens 255 . o nitrogênio é o que proporciona o maior efeito no aumento de produtividade. O não-controle dessas pragas pode comprometer a formação e a persistência da pastagem. isto é. por melhorar as condições desta. Devem-se utilizar. dessa forma. por curto período de tempo (10 a 30 dias). sem limitações químicas e físicas. fechando o dossel mais rápido.5 a 4 cm. antecipar a utilização da forragem. A dose aplicada vai depender da análise de solo. As pragas mais importantes na formação de pastagens são: lagartas. Módulo 3. ou antes da emissão da inflorescência (sementeira). Já o plantio direto exige as mesmas condições do plantio direto de grãos (soja. possivelmente. maior sombreamento para plantas daninhas. com o objetivo de auxiliar na boa formação da pastagem. eliminar a maior parte das gemas apicais. aproveitando o maior valor nutritivo. estimulando a emissão de novos perfilhos e raízes. trilheiros. A adubação nitrogenada possibilita maior rapidez e quantidade de área foliar. para garantir o estande adequado e uniforme.

recomenda-se devolver às pastagens 20% da receita bruta anual. alternado . O manejo correto consiste na utilização de lotação adequada. categoria animal.Manejo de plantas daninhas em pastagens . evitando assim a infestação da pastagem com sementes de plantas daninhas presentes no trato digestivo desses animais. sendo o manejo específico para cada região. Este manejo pode facilitar o desenvolvimento da espécie forrageira ou das espécies de plantas daninhas. em razão dos nutrientes perdidos no processo produtivo. da intensidade de pastejo e do número de animais. dependendo da espécie forrageira. com 28 a 36 dias de pastejo. Humidícola e Dictioneura (15 cm). A quantidade de adubação de manutenção.6 . Esta prática também é considerada um método preventivo. portanto. como exemplo: tanzânia e mombaça (40 a 50 cm). nível de adubação ou fertilidade natural do solo.o animal explora duas invernadas alternadamente. época do ano. etc. Outro método cultural de controle de plantas daninhas é a manutenção de animais oriundos de outras pastagens em área isolada por 24 a 48 horas. A altura de pastejo depende da espécie forrageira. marandu e andropógon (30 cm). De maneira geral. utilizada anualmente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ou seja. De modo geral. Uma das principais causas da degradação das pastagens é a redução da fertilidade do solo. por evitar a entrada de plantas daninhas na pastagem. o beneficiamento da forrageira vai depender do manejo correto. Isso ocorre quando há pastejo excessivo (superpastejo). épocas corretas de entrada e retirada dos animais (altura de pastejo). tornando a infestação da área uma questão de tempo. condições da propriedade (solo e clima). e rotacionado o animal usa de 3 a 40 piquetes ou invernadas. do potencial produtivo da forrageira. e com o mesmo período de descanso. A melhoria das condições para o desenvolvimento das plantas daninhas ocorre quando o manejo empregado reduz as reservas e a capacidade competitiva e de restabelecimento da forrageira. que pode chegar a mais de 40% do total de nutrientes ingeridos pelo animal em pastejo. sistema de produção e outros. 256 Módulo 3.o animal fica sempre na mesma invernada ou pastagem. A utilização da adubação de manutenção é extremamente econômica desde que seja escolhida a espécie de forrageira adequada às condições de clima e solo e que ela esteja bem formada e com manejo adequado. espécie forrageira. exclusivamente. o pastejo pode ser classificado de três maneiras: contínuo . A pastagem degradada não oferece condições à forrageira de competir com as plantas daninhas. A adubação de manutenção é. pisoteio demasiado e arranque de plantas. Brachiaria decumbens (20 cm). O tamanho e o número de piquetes dependem. maior aproveitamento do investimento empregado até o momento. finalidade de pastejo. excesso de lotação (carga animal excessiva). está diretamente relacionada com a produtividade da pastagem. com período de pastejo de 1 a 15 dias. portanto. com período de descanso de 24 a 39 dias. principalmente nitrogênio e fósforo. um fator importante no controle integrado de plantas daninhas. e tifton (15 cm).

por também cortar a forrageira. por possuir sistema radicular menos profundo e mais fácil de ser arrancado. esta tem a tendência de aumentar a cada roçada. Ainda hoje é usado no controle em hortas caseiras. bem com a roçada manual. além de controlar as plantas daninhas. ocorrendo perda de nutrientes e degradação da fertilidade do solo. expondo-o à ação da erosão. ou seja. a capina manual. como a maior parte desse material vegetal é constituída por tecidos de elevada relação C/N (na maioria Módulo 3. quando o principal método de controle é o uso de enxada. jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. a roçada. No entanto. Possui baixa eficiência e eficácia. Um dos métodos mais utilizados no controle de plantas daninhas em pastagens é a roçada manual com foice. Assim. A parte aérea das plantas cortada ao entrar em contato com a superfície do solo vai desencadear os processos de decomposição e degradação. e disponibiliza de forma desorganizada os nutrientes armazenados nos vegetais. porém possui baixa eficiência e eficácia. Este método. as espécies de plantas daninhas perenes que possuem reservas no sistema radicular rebrotam ou. uma vez que a maioria das plantas se restabelece logo após o corte. a cobertura morta e o cultivo mecanizado. para plantas daninhas perenes a manutenção de parte do sistema radicular no solo possibilita a rebrota e o seu restabelecimento. As plantas roçadas podem rebrotar logo após a realização desta prática. os quais requerem manutenção adequada. elevado custo de controle.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. A utilização do fogo é um método pouco eficiente. ou monda. que possui rendimento operacional elevado e necessita de pouca mão-de-obra. também controla a espécie forrageira. como o trator e a roçadeira. Entretanto. possui custo elevado. rebrotam e perfilham. Serve para controlar plantas gramíneas. É um método relativamente seletivo. Esta prática. e algumas ainda perfilham. deve ser repetida periodicamente. e na maioria dos casos a forrageira é mais suscetível à ocorrência de queimadas do que as plantas daninhas. É um método não-seletivo. agride pouco a forrageira e pode ser empregado em locais de difícil acesso com máquinas (roçadeira). ainda. por demandar muita mão-de-obra. Outro método muito empregado entre os pecuaristas é a roçada mecanizada. é um método pouco eficiente e ineficaz. aumentando a infestação. devido à rebrota e ao restabelecimento das plantas daninhas. No controle de plantas daninhas em pastagens. possui a vantagem se ser altamente seletivo quanto à planta controlada. Este método de controle exige muita mão-deobra e possui baixo rendimento operacional. porém demanda equipamentos apropriados. induzindo o aparecimento de reboleiras. a inundação. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas. assim. O arranque manual. acarretando. pois reduz a quantidade de matéria orgânica do solo. afeta a atividade microbiana deste. contudo. O custo é relativamente inferior ao da roçada manual.6 .3 .Manejo de plantas daninhas em pastagens 257 . Seu rendimento operacional é maior do que o arranque. no entanto.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. danificando assim o sistema radicular e reduzindo o vigor da forrageira. a queima.

2. assim. para garantir o restabelecimento da forrageira e o seu poder de competição com as plantas daninhas. têm a finalidade de inibir o desenvolvimento ou provocar a morte das plantas daninhas. havendo perigo de intoxicação do aplicador. os animais devem ser retirados da área.plantio direto. Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas. Por possuir seletividade. lagos e água subterrânea). sendo o tempo de recuperação da área relativamente rápido. mas devem ser conhecidos. A utilização de herbicida seletivo no controle de plantas daninhas em pastagens tem demonstrado várias vantagens. Na 258 Módulo 3. • Mesmo em épocas chuvosas. os microrganismos do solo demandam nitrogênio.Manejo de plantas daninhas em pastagens . como o cultural e químico.Controle químico No controle químico utilizam-se herbicidas que. principalmente. As vantagens do uso do controle químico podem ser enumeradas: • Menor dependência da mão-de-obra. São necessárias pessoas capacitadas para uso correto dos herbicidas. as instruções dos fabricantes e as leis governamentais que regulamentam o seu uso. A roçada é uma prática que controla plantas daninhas sem reservas no sistema radicular e as demais espécies. • Permite o menor revolvimento do solo . após a realização da roçada. Pode ocorrer também poluição do ambiente água (rios. É eficiente no controle de plantas daninhas anuais e perenes e possui alto rendimento operacional. Os riscos de uso existem. • Maior rendimento na operação de controle de plantas daninhas. em certas regiões é difícil de ser encontrada no momento certo e na quantidade necessária.4 . reduzindo. • É eficiente no controle de plantas daninhas na pastagem sem afetar o sistema radicular da forrageira. dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas.6 . perfeitamente controlados e evitados. solo e alimentos . ele causa menor dano à forrageira.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas gramíneas). O conhecimento da fisiologia das plantas. Todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. e este será imobilizado do solo. a quantidade disponível deste nutriente no solo em um momento em que a forrageira dele necessita para seu restabelecimento. o controle é mais eficiente. em concentrações convenientes.quando manuseados incorretamente. observando-se as normas técnicas. sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. O herbicida deve ser considerado uma ferramenta a mais e não como o único método de controle. tanto fisiologicamente como quando aplicado de forma localizada. quando for adotada juntamente com outros métodos de controle. Deve-se salientar que. proporcionando menor rebrota das plantas daninhas. • Pode controlar plantas daninhas perenes e de propagação vegetativa. uma vez que reduz ou elimina a competição entre estas e a forrageira. que possui custo elevado.

São necessários alguns fatores para o sucesso da utilização do controle químico no manejo integrado de plantas daninhas. Quando a forrageira (monocotiledônea) estiver se estabelecendo na área e surgirem plantas daninhas dicotiledôneas. Os principais herbicidas utilizados com essa finalidade são glyphosate. A eliminação da vegetação pode ocorrer pelo emprego de práticas mecânicas ou por meio de controle químico com herbicidas. A gradagem é um método mecânico de controle de plantas daninhas. porém não controla as espécies que possuem órgãos de reserva. Nesse caso. também em estádios iniciais de desenvolvimento. Portanto. o emprego do controle químico se faz necessário. 2. conhecimento do tipo da forrageira. como: conhecimento das condições de degradação da pastagem e decisões conjuntas para sua recuperação.6 . diquat.Manejo de plantas daninhas em pastagens 259 . O emprego do controle químico deve ser feito juntamente com outras práticas de controle.4-D. o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas. identificação correta das plantas daninhas (espécie. não possuindo torrões e tocos. atividade metabólica e densidade de infestação).1 .4. sendo comum a mistura entre alguns destes. a utilização de herbicidas no controle de plantas daninhas tem se mostrado uma prática economicamente viável. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência da forrageira. Os herbicidas a serem utilizados. Módulo 3. desde que inserida em um manejo adequado de controle de plantas daninhas e recuperação da pastagem. é prática viável. o emprego de reguladores de crescimento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas maioria dos casos. sendo necessário o emprego conjunto do controle químico com herbicidas sistêmicos (Quadro 2). bem como suas misturas. possuindo retorno rápido e certo. são dependentes das plantas daninhas presentes na área e de seu desenvolvimento no momento da aplicação (Quadro 2). biologia. A seguir será abordado o manejo de plantas daninhas em pastagens utilizando-se herbicidas. paraquat + diuron e 2. estádio de desenvolvimento. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta. sendo estes de amplo espectro de ação e baixa persistência no ambiente (dessecantes). cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. sendo a de maior importância o controle cultural. paraquat. com posterior implantação da forrageira. sendo para isso realizada a destoca e gradagens. O objetivo deste controle é reduzir a competição das plantas daninhas e possibilitar condições ideais ao rápido estabelecimento e desenvolvimento da forrageira. em pequenas doses. Os demais sistemas de plantio devem ser realizados em solo com preparo adequado.Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens Na reforma de pastagens ocorre a necessidade da destruição da vegetação da área. e distribuição de plantas daninhas (localizada ou não). uma vez que estes produtos são seletivos às gramíneas (Quadro 2).

Práticas culturais adequadas. A prática da recuperação é dependente. da espécie da forrageira. a fim de proporcionar condições adequadas de restabelecimento da forrageira. 2. como: 2. 260 Módulo 3.4-D + picloram. fluroxipir + picloram. mesmo que os herbicidas sejam eficazes no controle das espécies infestantes.4-D + picloram.2 .4-D + picloram. A ausência da complementação do controle químico com o controle cultural inviabiliza essa tecnologia. ou seja. A eliminação de reboleiras de plantas daninhas perenes e arbustivas pode ser realizada com aplicação localizada nas folhagens. ainda.Manejo de plantas daninhas em pastagens .6 . Dentre os vários componentes do manejo de pastagens.4.Uso de herbicidas na manutenção de pastagens O manejo adequado da pastagem é o principal fator responsável por sua longevidade e produtividade. 2.4-D. utilizando-se para isso o picloram. 2. podem ser eliminados pela utilização de produtos granulados espalhados no solo na projeção da copa.3 . É dependente da população adequada de plantas forrageiras na área e da viabilidade do seu sistema radicular. Os herbicidas podem ser utilizados para eliminar as plantas daninhas. Na prática da recuperação das pastagens. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2). que impõem dificuldades na pulverização ou mesmo no corte. Eles possibilitam condições de rápida recuperação da pastagem e melhor aproveitamento do adubo e da calagem pela forrageira. do nível de infestação de plantas daninhas. no meristema apical (ex. como o tebuthiuron (Quadro 2). triclopyr e tebuthiuron (Quadro 2). o controle de plantas daninhas é fundamental para a sustentabilidade do sistema de produção. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2). A ausência de condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira proporciona o restabelecimento das plantas daninhas na área. Devese manter a pastagem sem pastoreio por um período de tempo após as práticas suficiente para recuperação desta.4-D. A recuperação da pastagem demanda menor custo e possibilita a obtenção mais rápida de pasto. por possibilitar condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira. tornando esta competitiva e dificultando o estabelecimento de plantas daninhas. Entretanto. o primeiro passo é a eliminação da competição pelas plantas daninhas. como o 2. 2. quando comparada à formação ou mesmo à reforma.Uso de herbicidas na recuperação de pastagens A recuperação de pastagens é caracterizada pelo retorno às condições de produção destas sem ocorrer destruição da forrageira ou mesmo o revolvimento do solo.4. são componentes fundamentais no sucesso do manejo de plantas daninhas e na recuperação da forrageira.: na pindoba) ou mesmo no toco recémcortado de arbustos e árvores. uma vez que implica disponibilizar condições adequadas ao restabelecimento e desenvolvimento da forrageira já implantada na área. como adubação e calagem.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. através de produtos seletivos às gramíneas. presença de comprometimento da fertilidade do solo com manutenção da integridade da forrageira. das espécies de plantas daninhas presentes na área e do nível tecnológico empregado pelo pecuarista. os arbustos com muitos espinhos. o que pode ser realizado pelo emprego de herbicidas.

jurubeba (Solanum paniculatum).Manejo de plantas daninhas em pastagens 261 . picão-preto (Bidens pilosa). No controle em área total procede-se. Também é utilizado na dessecação para o plantio direto em pósemergência das plantas daninhas. café. Deve ser aplicado preferencialmente nos estádios iniciais de desenvolvimento das plantas daninhas. devendo ser aplicada a mistura de 2.). para matar as plantas daninhas anuais (monocotiledôneas e dicotiledôneas). mastruço (mentruz) (Coronopus didymus). ao pastoreio da área. Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. picão-branco (Galinsoga parviflora). glyphosate potássico ou sulfosate. que não se reproduzem por partes vegetativas. como tomate. com glyphosate. feijão. em área total. de ação por contato. Recomenda-se aplicálo com ponta de pulverização que produza boa cobertura foliar.4-D com picloram. Nabiça (Raphanus raphanistrum). como: algodão.). previamente. Na dessecação para o sistema de plantio direto. Esta prática também reduz a contaminação do esterco dos animais com esses herbicidas. 2. visando redução das doses e maior eficiência de controle.). mentrasto (Ageratum conyzoides). poaia (Richardia spp. que possuem persistência neste e no solo. corriola (lpomoea spp). batata. devido ao rápido metabolismo do 2. serralha (Sonchus oleraceus). objetivando a recuperação da forrageira. Plantas daninhas controladas: amendoim-bravo (Euphorbia spp). mamona (Ricinus communis). trapoeraba (Commelina spp. estando estas em estádio inicial de desenvolvimento. Mostarda (Brassica campestre). caruru (Amaranthus sp. carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum). beldroega (Portulaca oleracea). alface e outras hortaliças. em infestações mistas (de gramíneas e dicotiledôneas). porém não elimina as plantas perenes.).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Deve-se atentar para a manutenção da pastagem livre de pastoreio no momento e também por um período de tempo após a aplicação dos herbicidas. Quadro 2 – Principais herbicidas recomendados na cultura das pastagens Nome técnico Nome comercial Observações Aplicação (pós-emergência) em área total em forrageiras monocotiledôneas controlando seletivamente as espécies dicotiledôneas. cordãode-frade (Leonotis spp. podendo causar sérios danos a culturas sensíveis adubadas com o esterco. ou cultivadas em área tratada por um período inferior à sua carência. tomate. Por ser herbicida não-seletivo. guanxuma (Sida spp.4-D Diversos Diuron + Gramocil paraquat Módulo 3. joá (Solanum spp. entre outras. usá-lo em mistura no tanque do pulverizador. não pode ser aplicado sobre a forrageira. erva-moura (maria preta) (Solanum nigrum). melão-de-são-caetano (Momordica charantia). Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas.) e aguapé (Eichornia crassipes) Utilizado na renovação das pastagens. não ocasionando a morte delas em aplicação isolada. flor-roxa (Echium plantagineum). Não aplicar em plantas daninhas perenes adultas. dente-de-leão (Taraxacum officinale). Controla várias espécies de gramíneas e dicotiledôneas anuais. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. Nabo-bravo (Brassica rapa).4-D nessas plantas.). soja. Controla plantas de folhas largas anuais e algumas perenes.6 .

capixingui (Croton floribundus). entre outras.3% de óleo mineral). cambarazinho (Eupatorium laevigatum). deve-se roçar as plantas daninhas e esperar a rebrota vigorosa e bem enfolhada (30 a 40 cm para plantas herbáceas e 1 m para semilenhosas) para posterior aplicação. É utilizado na reforma e recuperação da pastagem no controle de plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas e semi-arbustivas. o de aplicação no toco recém-roçado. leiteiro* (Peschiera fuchsiaefolia). na erradicação de arbustos ou árvores isoladas utiliza-se o método da pulverização da copa ou. como: algodão. tomate.25% v. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado.Manejo de plantas daninhas em pastagens . joá (Solanum sisymbrifolium). erva-de-bicho (Polygonum punctatum). jurubeba (Solanum paniculatum).4-D 262 Módulo 3. Caso contrário. No controle em área total procede-se. Plantas daninhas controladas: assa-peixe branco (Vernonia polyanthes). picão-preto (Bidens pilosa). assapeixes (Vernonia spp. 2. batata. No segundo caso. preferencialmente. Plantas daninhas controladas (*aplicação no toco recém-roçado): amendoim-bravo (Euphorbia paniculata).). como: algodão. café. em pleno vigor vegetativo. fumeiro (Solanum sp). ao pastoreio da área. batata. caraguatá (Erygium spp). No controle em área total procede-se. buva (Erigeron bonariensis). feijão. e Sharnkya sp. tojo (Ulex europaeus) e trançagem (Plantago major). ao pastoreio da área. a aplicação deve ser realizada cerca de 40 dias após a emergência das plantas daninhas.v.2 a 0. fedegoso (Senna obtusifolia). cheirosa (Hyptis suaveolens). mio-mio (Baccharis coridifolia). arranha-gato* (Acacia sp.).). Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). maria-mole (Senecio brasiliensis). quando as plantas se encontram em pleno vigor vegetativo.). Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso).6 . com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. previamente.4-D e para controlar arbustos e árvores. aguapé (Eichordia crassipes). soja. erva-lanceta (Solidago microglossa). guanxumas (Sida spp. carqueja (Bacharis trimera). No primeiro caso. guanxuma (Sida rhombifolia).000 metros de distância de culturas sensíveis. Deve-se atentar para o efeito da deriva. É utilizado no controle de plantas herbáceas tolerantes ao 2.4-D + Tordon picloram 2. entre outras. tomate. espinilho (Fagara praecox). Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. cajussara (Solanum spp. previamente. malva-branca (Sida cordifolia). timbó* (Serfania sp). feijão. samambaia (Pteridium aquilinum). Aplicação em pós-emergência em área total ou localizada. Deve ser realizado durante a estação das chuvas. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. Utilizar surfatantes (0. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. principalmente em pulverizações aéreas que devem ser realizadas no mínimo a 2. canelade-perdiz (Croton glandulosus) e mata-pasto (Eupatorium maximilianii) e outras. café.v Aterbane ou 0. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. soja.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatantes 0.3% v. pulveriza-se por via terrestre ou aérea toda a área ou as reboleiras mais infestadas. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas.4-D + Mannejo picloram 2.20 a 0.

usa-se para destruí-la. guanxuma (Sida rhombifolia). jovens ou adultas. Bauhinia variegata). No controle em área total procede-se. deve-se evitar o contato com as forrageiras. Por ser um herbicida sistêmico.4-D. Aplicar em pós-emergência das plantas daninhas. aroeirinha* (Schinus terebenthifolius). controla plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas semi-arbustivas e arbustivas.3% v. principalmente para uso em áreas infestadas por plantas de difícil controle. controla plantas daninhas perenes e com órgãos de reserva. por não ser seletivo a elas. guatanbú* (Aspidosperma sp. Neste caso. joá (Solanum viarum). previamente. batata.). feijão. por ser fortemente sorvido ao solo e não possuir efeito residual. malva branca (Sida cordifolia).2 a 0. Este herbicida não impõe restrições quanto à escolha das culturas subseqüentes. quando se pretende renová-la. ou reverter o terreno para outras culturas. para assegurar sua absorção. entre outras. A dose recomendada depende das espécies e do estádio de desenvolvimento destas. Requer período de 4-6 horas sem chuvas após sua aplicação. em aplicações localizadas para controlar plantas em reboleiras. Controla de forma não-seletiva plantas daninhas mono e dicotiledôneas. plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. Pode ser utilizado.Manejo de plantas daninhas em pastagens 263 .5% v. tomate. Fluroxipir Plenum + picloram Glyphosate diversos Módulo 3. evitando a rebrota destas após o revolvimento do solo. malvão (Triunfetta bartramia). roseta* (Randia armata. soja. mata-pasto (Eupatorium maximilianii). estando estas em boas condições metabólicas. Plantas daninhas controladas: assa-peixe-branco (Vernonia polyanthes). Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. Aplicação em pósemergência em área total ou localizada. assa-peixe branco do cerrado* (Vernonia ferruginea). café. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. vassourinha (Sida santaremnensis).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatante 0. As plantas daninhas devem estar em pleno desenvolvimento vegetativo.6 . como: algodão.v ou óleo mineral 0. É comum sua mistura ao 2. Em pastagem.v. angiquinho* (Parapiptadenia sp). (*Em algumas condições ocorre a exigência de repasse no segundo ano com a aplicação de picloram no toco recém-roçado). com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. assa-peixe-roxo (Vernonia westiniana). ainda. dependendo da formulação utilizada. Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. ao pastoreio da área. mamica-de-porca* (Fagara rhoifolium).

mamica-de-porca (Machaerium aculeatum). A aplicação deve ser realizada diretamente no meristema apical da planta. em pastagens infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno. molhando bem todo o toco até atingir o ponto de escorrimento.v em óleo diesel a baixa pressão no terço final do caule. camboatá (Tapirira guianensis). aproximadamente 30-40 cm acima do nível do solo (cerca de 20 mL por planta). Não adicionar óleo diesel nem surfatantes. Plantas daninhas controladas: arranha-gato (Acacia plumosa). Na aplicação em área total não se deve utilizar óleo diesel. Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. que deve ficar o mais próximo possível no momento da aplicação. devem-se aplicar 15 a 20 mL por planta. médio e grande porte. plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). Plantas daninhas controladas: erva-quente (Borreria alata).) e outras brotações de cerrado . Aplicação deve ser localizada no toco recém-roçado. Os caules mais grossos devem ser rachados em cruz para proporcionar a maior absorção do produto. leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). Em plantas já roçadas anteriormente. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. espinho-agulha (Barnadesia rosea). O produto é rapidamente degradado. soja.6 . apresentando meiavida no solo de 20 a 45 dias.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Controle eficiente da pindoba (Orbinea speciosa) – 10 mL da solução 4. A aplicação deve ser realizada em plantas com desenvolvimento adequado.: ciganinha). Em plantas que possuem engrossamento do caule abaixo do nível do solo (ex. localizado no centro da projeção das folhas mais novas.0% v. No controle em área total procede-se.aplicação de Garlon 5.Manejo de plantas daninhas em pastagens . objetivando-se atingir o seu sistema radicular. queimada). dependendo do tipo de solo e das condições climáticas. cambará (Lantana camara). Controle de guatambu (Aspidosperma sp. O produto deve ser aplicado imediatamente após o corte. pata-de-vaca (Bauhinia variegata) e ciganinha (Memora peregrina). que apresentam engrossamento visível próximo à superfície do solo. batata. Roçar as plantas daninhas a serem controladas com foice o mais próximo possível do solo. tomate. feijão. previamente. não impondo restrições quanto a culturas subseqüentes.0% v. ao pastoreio da área. mesmo que a altura esteja abaixo da roçada recente. roçadas várias vezes. Triclopyr Garlon Picloram Padron 264 Módulo 3. deve-se corta-las com enxadão abaixo do nível do solo e posteriormente aplicar o produto em caule e raízes decepadas até o ponto de encharcamento. Para plantas velhas. assa-peixe (Vernonia polyanthes). Aplicar o produto molhando bem e uniformemente toda a folhagem da planta. esta pode ser aérea ou terrestre. entre outras. como: algodão. Não realizar aplicação em plantas secas e com atividade metabólica reduzida (estresse hídrico acentuado. Em plantas com toco de diâmetro inferior a 3 cm. espinilho (Acacia farnesiana). para evitar perda do produto. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. jurubeba (Solanum paniculatum) e outras. cuidando para atingir o mínimo possível as folhas da forrageira.) pata-de-vaca (Bauhinia variegata e Parapiptadenia sp. Deve-se utilizar ponta de pulverização do tipo cone cheio. aroeirinha (Schinus terebenthifolius). Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. café. deve-se aplicar o produto sobre o solo ao redor do toco. deve-se fazer o corte abaixo do engrossamento da raiz da última roçada.v de Garlon em óleo diesel para cada metro de altura desta planta.

fumo-bravo (Solanum verbascifolium). animais domésticos e pessoas desprotegidas por um período de 7 dias após a aplicação do produto. os arbustos devem apresentar bom desenvolvimento foliar. esporão-de-galo (Pisonea aculeata). embaixo da copa dos arbustos indesejáveis (plantas com espinhos e outras). seu efeito restringe-se ao local de aplicação. lobeira (Solanum lycocarpum). assa-peixe-do-cerrado (Gochnatia polymorpha). arranha-gato ou unha-de-gato (Acacia plumosa). tomate. quando em aplicação localizada. Devido ao modo de absorção e translocação do herbicida. No caso de aplicação em área total. como soja. Usa-se em cobertura total do terreno. a área é caracterizada pela infestação menor do Módulo 3. resultados mais rápidos e eficientes serão obtidos quando a aplicação for realizada pouco antes (ou no início) do período chuvoso (julho a dezembro nas regiões Sul e Centro-Oeste). assa-peixe. cruzeta (Strychnos parvifolia). para reduzir os efeitos negativos à forrageira. É aplicado em dose única em qualquer época do ano. bem como de árvores frutíferas.6 . cansanção ou urtigão (Cnidosculus urens). leiteiro-vermelho (Chrysophyllum marginatum). as culturas rotacionais poderão ser plantadas no mínimo 3 anos após a aplicação do herbicida. leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). jurubeba (Solanum fastigiatum). o aplicador proteger-se com equipamento de proteção adequado (luvas impermeáveis e outros). assa-peixebranco. formação. devendo. entretanto. Não aplicar o produto em florestas ou reservas naturais. Após a aplicação deste produto não se recomenda eliminar a parte aérea do arbusto de que se deseja o controle. chirca (Eupatorium bonifolium). taboca (Guadua angustifólia). café-de-bugre (Solanum caavurana). malícia ou dorme-dorme (Mimosa invisa). mangueirinha ou camboatá-do-cerrado (Tapirira guianensis). A aplicação foliar pode ser localizada ou em área total. Plantas daninhas controladas: gramão ou grama-batatais (Paspalum notatum). a aplicação não deve ser feita em arbustos roçados ou queimados recentemente. nível tecnológico do pecuarista e herbicida utilizado. espécie infestante. distribuindo-se os grânulos na projeção da copa. algodão. sendo elas dependentes das condições de infestação. fumo. No entanto.). os danos tendem a desaparecer num período de 6 a 12 meses. assa-peixe-do-pará.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Formulação granulada aplicada a lanço. espinho-agulha (Chuquiragua tomentosa). A distribuição do produto deve ser uniforme na área. cipó-prata (Banisteria metalicolor). ou localizada nas reboleiras de infestantes que se pretende eliminar. portanto. recuperação e manutenção). É recomendado para solos arenosos e areno-argilosos.Manejo de plantas daninhas em pastagens 265 . assa-peixe-roxo (Vernonia scabra). Tebuthiuro Graslan n São várias as maneiras de aplicação de herbicidas em pastagens. pois esta é importante para melhor absorção do herbicida e conseqüentemente agilizará o processo de morte desse arbusto. feijão. limão-bravo (Soliva sessilis). Mantenha afastados das áreas de aplicação crianças. espinho-agulha (Barnadesia rósea). Em caso de lesões ocasionadas principalmente pela maior concentração localizada do produto. em ambos os casos. folha-de-santana (Vernonia ferruginea). esporão-de-galo (Celtis glycicarpa). aroeirinha (Schinus terebinthifolius). com granuladeira ou por via aérea. limãozinho ou juvu (Acanthocladus brasiliensis). ainda. A localizada é denominada catação e constitui-se na eliminação de arbustos agrupados. Deve-se evitar a aplicação sobre ou perto de culturas anuais suscetíveis. operação na ocasião do controle (reforma. ou. cega-jumento ou cajussara (Solanum rugosum). pereiro (Aspidosperma eburneum). pepino e outras. roseta ou limãozinho-de-goiá (Randia armata). mamica-de-porca (Fagara hiemalis) e tarumã (Vitex sp. veludo-vermelho (Chomelia pohliana). capa-bode (Melochia tomentosa). carqueja (Bacharis trimera).

Outra forma de aplicação de herbicidas é em toco recém-roçado.6 . denominado Burro Jet. caracterizada pela deposição do herbicida granulado no solo na projeção da copa da planta daninha. Esta prática demanda maior nível tecnológico do pecuarista. A aplicação aérea é recomendada em grandes áreas que possuem obstáculos à pulverização tratorizada. permitindo a mecanização com o trator. ou mesmo um pulverizador tratorizado adaptado com várias saídas de pontas. uma vez que a maioria das culturas anuais e perenes é altamente sensível aos herbicidas reguladores de crescimento utilizados em pastagens. necessidade de pista de pouso próximo à área e topografia adequada à pulverização aérea.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que 40% e disposta em reboleiras. o pulverizador tracionado por animal.Manejo de plantas daninhas em pastagens . Essa forma de pulverização possui alto rendimento operacional e exigência baixa de mão-de-obra. É utilizado no controle de arbustos com espinhos e com arquitetura de galhos bem fechados. A aplicação em área total é feita em áreas com infestação acima de 40% e está condicionada à topografia adequada da área. A principal vantagem da aplicação aérea é o alto rendimento operacional. Os pulverizadores utilizados são o costal tracionado por uma pessoa. tendo como objetivo aumentar a suscetibilidade das plantas daninhas aos herbicidas. em condições que impõem restrições à aplicação foliar ou ao corte dos arbustos. pelas exigências quanto a monitoramento sistemático das condições meteorológicas. canhão ou avião (aérea). direcionadas por trabalhadores que acompanham o trator. Deve-se cuidar quanto à deriva próximo a áreas agrícolas. pode-se realizar a aplicação basal. podendo ser realizada com pulverizador de barra. Todavia. 266 Módulo 3. podendo pulverizar até 300 ha por dia.

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