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Manejo de Plantas Daninhas

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 Manejo de plantas daninhas
Tutores: Profº Dr.Antonio Alberto da Silva (UFV-MG) Profº Dr. José Ferreira da Silva (FUA-AM) Profº Dr. Francisco Affonso Ferreira (UFV-MG) Profº Dr. Lino Roberto Ferreira (UFV-MG)

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 1

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Ficha Catalográfica Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Controle de plantas daninhas. Tutores: Antônio Alberto da Silva; [e outros]; colaboração de José Ferreira da Silva, Francisco Affonso Ferreira, Lino Roberto Ferreira - Brasília, DF: ABEAS; Viçosa, MG: UFV; 2006. 268.: il (ABEAS. Curso Proteção de Plantas. Módulo 3 - 3.1;3.2;3.3;3.4;3.5,3.6). Inclui bibliografia. 1. Plantas daninhas - controle. I.Silva, Antônio Alberto, 1950 - II. Silva, José Francisco da. III.Ferreira, Francisco Afonso. IV.Ferreira, Lino Roberto. V.Silva, José Ferreira da. VI. Oliveira Júnior, Rubem Silveríco de. VII. Vargas, Leandro. VIII. Universidade Federal de Viçosa. IX. Título É proibida a reprodução total ou parcial deste módulo Direitos reservados a ABEAS e ao autor

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Módulo 3: 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário
Módulo 3.1 – Biologia e métodos de controle, 04 Módulo 3.2 – Herbicidas: classificação e mecanismos de ação, 48 Módulo 3.3 – Herbicidas: absorção, translocação, metabolismo, formulação e misturas, 102 Módulo 3.4 – Herbicidas: comportamento no solo, 135 Módulo 3.5 – Herbicidas: resistência de plantas, 196 Módulo 3.6 – Manejo de plantas daninhas em pastagens, 235

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.1 - Biologia e métodos de controle
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Francisco Affonso Ferreira Profº. Lino Roberto Ferreira Profº. José Barbosa dos Santos

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
4 Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário

Introdução, 06 1 - Planta daninha, 07 1.1 - Prejuízos causados pelas plantas daninhas, 08 1.1.1 - Prejuízos diretos, 08 1.1.2 - Prejuízos indiretos, 09 1.2 - Origem, estabelecimento e propagação das plantas daninhas, 10 1.3 - Classificação das plantas daninhas, 15 1.3.1 - Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas, 16 1.4 - Características de agressividade das plantas daninhas, 18 2 - Competição entre plantas daninhas e culturas, 19 2.1 - Fatores do ambiente passíveis de competição, 20 2.1.1 - Competição por água, 23 2.1.2 - Competição por luz, 25 2.1.3 - Competição por CO2, 28 2.1.4 - Competição por nutrientes, 28 3 – Alelopatia, 30 3.1 - Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas, 31 3.2 - Alelopatia entre culturas, 32 3.3 - Alelopatia das coberturas mortas, 32 4 - Competição e período crítico de competição, 33 5 - Métodos de controle de plantas daninhas, 36 5.1 - Controle preventivo, 36 5.2 - Controle cultural, 37 5.3 - Controle mecânico ou físico, 37 5.4 - Controle biológico, 39 5.5 - Controle químico, 40 6 - Manejo integrado de plantas daninhas (mipd), 42 Referências bibliográficas, 45

Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

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A demanda cada vez maior de alimentos. isoenzimas e RAPD (biotecnologia) e sensoriamento remoto também são úteis na identificação de plantas daninhas. cuidados técnicos 6 Módulo 3. de arroz. fisiologia vegetal. na região produtora de alimentos do Brasil. sendo um dos primeiros no "ranking" de vendas de agrotóxicos. o Brasil dispõe de um dos maiores mercados do mundo. ou seja. Com relação aos defensivos agrícolas. as microondas e o raio laser estão sendo avaliados como futuros métodos de controle. Novas técnicas estão sempre sendo pesquisadas e incorporadas.1 . com ajuda da física. toda e qualquer técnica de manejo de plantas daninhas somente terá sucesso se for aplicada levando-se em conta conhecimentos detalhados da biologia das plantas infestantes da área. de milho. biologia. Em razão disso. mecanização agrícola. Devido à dificuldade de se encontrar mão-de-obra no campo. entretanto. é uma ciência multidisciplinar que depende de conhecimentos de botânica. Cerca de 92% da população. o uso de herbicidas tornou-se prática indispensável. Muitos estudos estão sendo conduzidos em genética. 2005). visando o melhoramento de culturas para resistência a herbicidas. principalmente. climatologia. bioquímica. como exemplos. sendo mais eficientes no controle de plantas daninhas específicas e com doses cada vez mais baixas. é extremamente simples. ao imazaquin. Em termos médios. o produtor deve ser mais eficiente. física e química do solo. deve utilizar menos mão-de-obra para produção de maior quantidade de alimentos. estão sendo desenvolvidos trabalhos objetivando a criação de cultivares de soja resistentes ao glyphosate. destaca a importância da eficiência do controle de plantas daninhas. esse percentual é ainda maior. economicidade do controle químico. simultaneamente. ao amônio-glufosinato. usando métodos manuais. fitotecnia. etc. e a mão-de-obra rural existente é escassa e de baixa qualidade. além da eficiência e. Na verdade. Assim. fibras e energia. Os novos herbicidas estão cada vez mais seguros para o ambiente e o homem. Os estudos de ecologia e da toxicologia humana e animal são conduzidos. mecânicos ou químicos. no momento preciso e na quantidade necessária. envolvendo principalmente conhecimentos nas áreas de morfologia e fisiologia.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Para um leigo. antes do lançamento de qualquer herbicida. cerca de 20-30% do custo de produção refere-se ao controle de plantas daninhas. química orgânica. em que os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF. Todavia. o controle de plantas daninhas. vive hoje nas cidades. São necessários. o ultra-som.Biologia e métodos de controle . a eletricidade. técnicas de biologia molecular e sensoriamento remoto. para uma população crescente de consumidores e decrescente de produtores. como cana-de-açúcar. o estudo das plantas daninhas é dinâmico. Como toda ciência. Em algumas culturas.

Fischer (1973) apresenta duas definições: “plantas cujas vantagens ainda não foram descobertas” e “plantas que interferem com os objetivos do homem em determinada situação”. Uma planta pode ser daninha em determinado momento se estiver interferindo negativamente nos objetivos do homem. Uma planta cultivada também pode ser daninha se ela ocorrer numa área de outra cultura. como. as condições ambientais e o nível cultural do proprietário. por exemplo. como a presença do milho em cultura da soja e da aveia em cultura do trigo. Cruz (1979) salienta que é uma planta sem valor econômico ou que compete.Biologia e métodos de controle 7 . com o homem. afirma que planta daninha é qualquer planta que ocorre onde não é desejada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas para atingir a máxima eficiência com o mínimo impacto negativo ao solo. é uma planta fora de lugar. plantas ao lado de refinarias de petróleo. citado por Marinis (1972). por isso mesmo. no seu processo. na sua essência. todos os conceitos baseiam-se na sua indesejabilidade em relação a uma atividade humana. a topografia da área. seja daninha. plantas estranhas no jardim. o tipo de solo. 1 . hoje. citado por Fischer (1973). qualquer planta estranha que vier a afetar a produtividade e. podem-se citar espécies altamente competidoras com culturas sendo extremamente úteis no controle da erosão. Na verdade. pois estas. cultural. físico. em determinadas situações. associam-se os diversos métodos disponíveis (preventivo. Embora não se possa dizer que uma planta. Neste programa. Como exemplos.1 . fornecendo néctar para as abelhas fabricarem o mel. porém esta mesma planta pode ser útil em outra situação. pelo solo. servindo como planta medicinal. Entretanto. plantas tóxicas em pastagens. para se obter um controle que seja eficiente. algumas têm sido consideradas plantas Módulo 3. podem ser extremamente úteis. mecânico. os conceitos de competitividade. Para Beal. por exemplos.Planta daninha Definir planta daninha nem sempre é fácil. ou. etc. biológico e químico). à água e aos organismos não-alvos. os equipamentos disponíveis na propriedade. sustentabilidade e eqüidade. que é o de conciliar. plantas interferindo no desenvolvimento de culturas comerciais. um campo no qual está muito presente o desafio maior do agronegócio brasileiro. devido à evolução e complexidade que atualmente atingiu a Ciência das Plantas Daninhas. Por esse motivo. Segundo Rodrigues e Almeida (2005). promovendo a reciclagem de nutrientes. num conceito mais amplo. uma planta só deve ser considerada daninha se estiver direta ou indiretamente prejudicando uma determinada atividade humana. são vários os conceitos de planta daninha: Shaw (1956). é um típico setor de tecnologia de ponta e. Numa cultura. levando-se em consideração as espécies daninhas infestantes. Deve-se ressaltar que o herbicida é considerado apenas uma ferramenta a mais no manejo de plantas daninhas. econômico e que preserve a qualidade ambiental e a saúde do homem. a qualidade do produto produzido ou interferir negativamente no processo da colheita é considerada daninha. sendo recomendado sempre um programa de controle integrado. o controle químico de plantas daninhas. etc.

1. como: a) Não são melhoradas geneticamente. Possuem habilidade de produzir grande número de sementes por planta. capim-massambará (Sorghum halepense) e feijão-miúdo (Vigna ungiculata). etc. Em média. cerca de 20-30% do custo de produção de uma lavoura se deve ao custo do controle das plantas daninhas. que são atributos que facilitam a perpetuação da espécie. tubérculos de tiririca se desenvolvendo dentro tubérculos de batata (Fig. num plantio rotacional trigo/soja. capazes de se multiplicar por diversas maneiras (sementes. como leiteiro (Euphorbia heterophylla). quando presentes em pastagens.1 . As consideradas verdadeiras possuem características especiais que permitem fixá-las como infestantes ou daninhas. d) Apresentam dormência e germinação desuniformes. Muitas espécies de plantas daninhas são.) 1. São exemplos a presença de sementes de picão-preto (Bidens pilosa) junto ao capulho do algodão. Além da redução da produtividade das culturas.Prejuízos causados pelas plantas daninhas 1. Exemplo: Desmodium totuosum. c) Podem intoxicar animais domésticos. por máquinas. onde se exige perfeito controle das plantas para melhor eficiência das máquinas colheitadeiras. É comum. as quais são facilmente dissemináveis por animais.000 sementes por planta.Biologia e métodos de controle . arroz-vermelho (Oryza sativa). oficial-de-sala (Asclepias curassavica). como é o caso de mudas cítricas produzidas em viveiro infestado com tiririca (Cyperus rotundus).Prejuízos diretos As plantas daninhas. rizomas. etc. sementes de carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum) aderidas à lã. impedirem a certificação de mudas em torrão. Esses valores tornam-se ainda mais significativos na agricultura moderna. sementes de capim-carrapicho (Cenchrus echinatus) junto ao feno. bulbos. também. que produz até 42. Por exemplo: cafezinho (Palicourea marcgravii). quando estas são colhidas junto com sementes de determinadas espécies de plantas daninhas proibidas. cavalinha (Equisetum 8 Módulo 3. etc. geralmente com facilidade para disseminação pelo vento. c) São rústicas quanto ao ataque de pragas e doenças. furtam energia do homem. pois. se todas as sementes germinassem de uma só vez. por misturas de sementes. tubérculos. folhas. As comuns são aquelas que não possuem habilidade de sobreviver em condições adversas. raízes. as plantas de trigo que surgirem das sementes remanescentes no solo passam a ser consideradas daninhas à cultura da soja. b) Crescem em condições adversas. etc. na realidade. as plantas daninhas causam outros prejuízos diretos. b) São responsáveis pela não-certificação das sementes de culturas.1 . água. pêlo de animais. por exemplo: a) Reduzem a qualidade do produto comercial. seria fácil erradicar uma espécie daninha. Por exemplo. ainda.1 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas comuns e outras plantas daninhas verdadeiras. 1).

os tricomas de suas folhas se rompem a um leve contato e liberam toxinas que causam inflamação na pele do trabalhador. que é transmitido pela mosca-branca após ter se “alimentado” de espécies do gênero Sida (Sida rhombifolia. prejudicar ou mesmo até impedir a realização de certas práticas culturais e a colheita.2 . ainda não introduzida no Brasil.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas piramidale).Dano em batata inglesa devido à penetração e ao desenvolvimento de tuberculos de tiririca 1. algodoeirobravo (Ipomoea fistulosa). Sida micrantha. que é hospedeiro do vírus do mosaico da cana-de-açúcar. d) Algumas espécies exercem o parasitismo em citros. Ela produz cerca de 5. Sida glaziovii.Prejuízos indiretos As plantas daninhas podem ser hospedeiras alternativas de pragas e doenças. São exemplos a erva-de-passarinho (Phoradendron rubrum) em citros e a erva-de-bruxa (Striga lutea) em milho. Estas diminuem a eficiência das máquinas e aumentam as perdas durante a operação da colheita até mesmo quando em infestação moderada nas lavouras.000 sementes por planta. milho e plantas ornamentais. Outro exemplo é o capim-massambará (Sorghum halepense). pois. Ipomoea aristolochiaefolia. etc. florescem rapidamente e iniciam novamente o ciclo parasitário. Figura 1 . samambaia (Pteridium aquilinium).). Sida cordifolia. arranha-gato (Acassia plumosa) e outras plantas espinhosas podem até impedir a colheita manual das culturas. flor-das-almas (Senecio brasiliensis). Capimcarrapicho (Cenchrus echinatus). Outro exemplo de espécie de planta daninha que causa prejuízos diretos e indiretos é a Mucuna pruriens. durante a operação da colheita. podem. Sida santaremnensis. causado por um vírus à cultura do feijão. que germinam e parasitam as raízes do milho. feijão e cana-de-açúcar. infestante comum em lavouras de milho. Esta última é a pior invasora para milho. os nematóides: mais de 50 espécies de plantas daninhas hospedam Meloydogyne javanica e Heterodera (nematóide-do-cisto da soja).Biologia e métodos de controle 9 . Módulo 3. carrapicho-de-carneiro (Acathospermum hispidum).1. Ipomoea purpurea e outras desse gênero). esta espécie daninha dificulta tremendamente a colheita manual. chibata (Arrabidae bilabiata) e outras que podem causar a morte de animais. dois meses mais tarde as plantas aparecem na superfície do solo. São exemplos destas espécies a corda-de-viola (Ipomoea grandifolia. Algumas espécies. como o mosaico-dourado do feijoeiro. ainda. além dos prejuízos diretos que causam às culturas.1 .

Normalmente. além da competição pelos recursos do meio. pelas plantas cultivadas. o que assegura alta taxa de dispersão e restabelecimento de uma infestação. o responsável pela evolução das plantas daninhas. o funcionamento de usinas hidrelétricas. e a xerosere.Origem. possuem seus mecanismos de ação ligados ao processo 10 Módulo 3. etc. pois a semente é uma das vias de entrada dos herbicidas. como o é. tubérculos. ou seja. Por outro lado. como a tiririca (Cyperus rotundus) e a losna-brava (Artemisia verlotorum). Existem duas grandes teorias: a hidrosere. dificultando a manutenção de represas. radícula. como glaciação. quando presentes em áreas com culturas que apresentam pequena capacidade competitiva. o estabelecimento de uma determinada planta daninha envolve os aspectos ecológicos da agregação e migração. Estas. as plantas daninhas produzem muitas sementes. ferrovias. dos distúrbios naturais. como hipocótilo. provavelmente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas As plantas daninhas. O estudo do processo germinativo das sementes é de fundamental importância para quem trabalha com o manejo de plantas daninhas. animais. aumentando o custo da irrigação. envolvendo os complexos aspectos morfogênicos e edafoclimáticos. desmoronamentos de montanhas. Causam. Além disso. problemas sérios em ambientes aquáticos. como as olerícolas de modo geral. pelos quais as plantas podem perpetuar-se tanto por via seminífera como por via vegetativa. Na verdade. Os propágulos podem ser raízes. caulículo. porque ele é quem cria o ambiente favorável a elas. que apresentam duas características essenciais: dormência e reservas alimentícias. crescimento e desenvolvimento da planta.1 .2 . A propagação vegetativa é um mecanismo de sobrevivência de grande importância nas plantas daninhas perenes. Todavia. etc. inicialmente. aguapé (Eichornia crassipes). os parques e os jardins. etc. onde podem dificultar o manejo da água. além das partes das plântulas.. também. elas começaram a aparecer quando o homem iniciou suas atividades agrícolas. que se constitui num grande disseminador de tais plantas. devido ao próprio conceito de planta daninha. Nestas áreas não é desejável a presença de plantas daninhas vivas ou mortas. segundo a qual a vida teve origem em terra firme. refinarias de petróleo. Vários são os diásporos. o estabelecimento envolve o processo de germinação da semente. As plantas daninhas podem ser disseminadas por diversos meios. Exemplos: taboa (Typha angustifolia). também. muitos herbicidas atuam. também. incluindo o homem. Estas são encontradas onde está o homem. estabelecimento e propagação das plantas daninhas De acordo com Musik (1970) e Fischer (1973). as plantas daninhas originaram-se. Outras espécies de plantas daninhas podem ainda reduzir o valor da terra. que afirma que a vida originou-se no meio líquido. 1. ação de rios e mares. tornando-se inviável economicamente. Musik (1970) salienta que o homem é. etc. água. vias públicas. têm o custo de controle muito elevado. podem ser altamente inconvenientes em áreas não-cultivadas: áreas industriais. prejudicando a pesca. etc. rizomas. a disseminação das plantas daninhas pode ser feita por vento. separando as benéficas (denominadas plantas cultivadas) das maléficas (denominando-as de plantas daninhas). Do ponto de vista morfofisiológico.Biologia e métodos de controle .

impedindo que a planta se estabeleça. a velocidade da germinação é menor. Essas necessidades são definidas para cada espécie e estão relacionadas com o habitat de origem e com a melhor forma de preservar a espécie (normalmente as espécies daninhas somente germinam quando existem condições para sobrevivência). para a maioria das espécies. a celulose e as substâncias pécticas. A quantidade de água necessária para reidratação. 1985). com o ressurgimento das atividades paralisadas ou reduzidas por ocasião da maturação da semente. porque as sementes ficam por períodos prolongados nos estágios iniciais da Módulo 3. a germinação consiste no processo que se inicia com o suprimento de água à semente seca e termina quando o crescimento da plântula se inicia. A embebição das sementes é um processo físico que ocorre tanto nas sementes vivas quanto nas mortas. A germinação da semente é a reativação dos pontos de crescimento do embrião que haviam sido paralisados nos estágios finais da maturação morfisiológica da semente. As características físico-químicas das substâncias coloidais das sementes irão comandar o potencial da água nas sementes. 1986. Estas sementes permanecerão dormentes enquanto o tegumento estiver impermeável (semente dura). menor tempo para embebição). e para isso são necessários alguns requisitos fundamentais: estarem as sementes viáveis e as condições ambientais serem favoráveis. em fases seguintes à reidratação. METIVIER. Para que uma semente viável (condição intrínseca) possa germinar. o que resulta numa diminuição do estande.1 . O processo da germinação inicia-se. Em temperaturas abaixo da ótima. É comum entre as espécies a presença do tegumento totalmente impermeável à água. 1974. aumenta-se o potencial de pressão interna na membrana que envolve a semente (pressão de embebição). Com a embebição. como adequado suprimento hídrico. Normalmente. A embebição também é influenciada pela temperatura (temperaturas mais elevadas. Outro fator que pode influenciar a embebição é a permeabilidade do tegumento da semente à água. sendo dependente dos seguintes fatores: composição química da semente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinativo. A temperatura ótima é aquela que permite a obtenção da maior percentagem de emergência no menor espaço de tempo. Entretanto. Se a semente não estiver em estado de dormência e houver condições ambientais favoráveis. que perdem muita umidade por ocasião de sua maturação e secagem. cada espécie requer uma temperatura ideal para germinação. por onde sairá a radícula. A água é necessária para que ocorra a reidratação das sementes. são necessárias as seguintes condições ambientais favoráveis: água em quantidade suficiente. dando origem ao que se chama de semente dura. atmosfera apropriada à espécie (concentração de CO2 e O2) e luz (comprimento de onda e intensidade). As principais substâncias responsáveis pela embebição são as proteínas. para o desenvolvimento do eixo embrionário em plântula independente. portanto. o qual pode atingir centenas de atmosferas. temperatura adequada à espécie.Biologia e métodos de controle 11 . ou seja. temperatura. é de duas a três vezes o peso da semente. FERRI. provocando o rompimento do tegumento. é necessário o suprimento contínuo de água. Do ponto de vista fisiológico. ela entrará em processo de germinação (PROPINIGIS. conforme ela seja fotoblástica positiva ou negativa. ocorre a ruptura do tegumento e saída da radícula. permeabilidade do tegumento à água e presença de água na forma líquida ou gasosa. concentração de oxigênio e presença ou ausência de luz.

razão por que a germinação das sementes é influenciada pela composição do ar atmosférico que as envolve. O processo de germinação inicia-se. devido à maior atividade metabólica. ou muito curto. apenas flash de 0. por se tratar de um processo que ocorre em células vivas. a velocidade da germinação. portanto. Através de concentrações elevadas de CO2 consegue-se evitar a germinação e auxiliar na conservação de sementes. A respiração envolve trocas de gases. Todavia. Em algumas espécies a necessidade de luz ocorre somente após a colheita e em outras por um longo período (por um ano ou mais). em que a luz pode promover a germinação mesmo em temperaturas desfavoráveis. longo e de forma cíclica. A necessidade de luz pode variar também em função do armazenamento. como em sementes de alface (alta percentagem de germinação em exposição por um a dois minutos). É importante salientar que a sensibilidade das sementes à luz é maior quando a semente está embebida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinação e. Existem espécies de plantas daninhas que somente germinam no escuro. Em condições normais. ser inibidoras ou promotoras da germinação. passam a germinar rapidamente se ocorrer alternância de temperaturas alta e baixa. Além destes. O efeito do CO2 é normalmente contrário ao do O2. Sementes desta espécie dificilmente germinam totalmente no escuro. porque uma atmosfera rica em nitrogênio parece ser mais econômica e eficiente. A germinação. esta prática não é utilizada para conservação de sementes. em regime de temperatura constante entre 25 e 30 °C. nessas condições. como: a) altas temperaturas. entretanto. causando crescente desorganização do mecanismo germinativo e impossibilitando que as sementes menos vigorosas completem a emergência. profundidade de semeadura.Biologia e métodos de controle . também. uma interdependência entre temperatura e outros fatores externos. porcentagem de matéria orgânica. Temperatura acima da ótima tende a aumentar. as reações envolvem o fitocromo. A temperatura ótima está relacionada com as atividades das enzimas que participam dos diversos processos metabólicos que ocorrem durante a germinação e cujas ações somente se tornam eficientes em temperaturas específicas. necessita de energia. em alguns casos. obtida por meio do processo de oxidação na presença do oxigênio. como a grama-seda (Cynodon dactylon). As necessidades e quantidades de 02 para germinação são influenciadas por outros fatores. atividade microbiana e teor de umidade. ou. que aumentam a necessidade de oxigênio pelo embrião. outras em luz contínua.001 segundo (sementes de fumo). a fase gasosa do solo apresenta uma série de substâncias voláteis que são produzidas pelas plantas.1 . pois sementes de muitas espécies não conseguem germinar quando a concentração de CO2 é muito elevada. isto é. como porosidade. respiração. ficam mais suscetíveis ao ataque de microrganismos patogênicos.03% de CO2. as sementes germinam em atmosferas com 20% de O2 e 0. Neste caso. Como exemplo desta interdependência podem-se citar as espécies do gênero Amaranthus. outras necessitam de breve iluminação e outras são indiferentes. e b) fatores do solo. Em algumas espécies tem-se observado. com uma rápida absorção de água pelos biocolóides. podendo. em demasia. ainda. Há espécies cujas sementes somente germinam em regime de alternância de temperatura. ocorrendo a embebição de todos os tecidos da semente e uma expansão do tegumento 12 Módulo 3. O período de exposição pode ser curto. esse fenômeno é semelhante ao fotoperiodismo observado para o florescimento.

mesmo que as condições ambientes sejam favoráveis. Esta fase da embebição coincide com o aumento da atividade metabólica. pela ação das lipases.Biologia e métodos de controle 13 . que é devida a condições intrínsecas inerentes à própria semente. da glicólise e da respiração. Neste caso. os quais dependem do uso de aminoácidos. ao mesmo tempo. Propinigis (1974) cita como exemplo marcante a dormência das plantas daninhas comparada à das plantas cultivadas. é transformada em inositol e fósforo inorgânico. e. Durante esta fase o ácido giberélico (giberelinas) estimula a ativação e. para germinarem. por alguns autores. Isso ocorre porque durante o processo da embebição a enzima β-amilase. ou. Aumenta-se. as proteínas. que é o repouso metabólico da semente devido a condições externas desfavoráveis. por ação das fitases. são transformados em ácidos graxos (em oleaginosas. frutose e maltose. com a dormência. síntese das amilases. são transformadas em aminoácidos. Uma outra razão é dormência. havendo formação de α-amilase e outras enzimas. verifica-se inicialmente a ativação do m-RNA preexistente. Em conseqüência do aumento das atividades de diversas enzimas durante o processo de embebição. presente na semente seca. também. o embrião passa a sintetizar e liberar giberelinas que se movem através do endosperma. o homem sempre Módulo 3. as sementes. Um grande volume de sementes de plantas daninhas encontra-se. a drenagem de áreas encharcadas e as irrigações de solos secos podem estimular a germinação dessas sementes. o número de ribossomos+RNA que incorporam os aminoácidos às proteínas. no solo. podendo ser física. pelo contrário. Outro aspecto relacionado com a semente é a quiescência. nas primeiras 24 horas iniciais. pela ação das enzimas proteolíticas. acompanhada pelo aumento da síntese protéica no embrião.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas envolvente. que é observada pelo aumento da respiração. primeiramente na região da radícula do embrião. os lipídeos. Em cereais. que envolve a oxidação da matéria orgânica da semente com formação de ATP e substâncias intermediárias necessárias ao processo anabólico da germinação. No caso da dormência. necessitam que a dormência seja superada de alguma forma. O simples revolvimento do solo. as gorduras são convertidas em sacarose pelo ciclo do glioxilato. a quiescência é confundida. porém a cultivada já não consegue viver sem ajuda do homem. iniciando-se o crescimento celular e a mitose. É o caso das aveias silvestre e cultivada. ocorrem o metabolismo e a mobilização das reservas das sementes. e a fitina. através da ação de duas enzimas: isocitrase e sintetase do malato). que elevam a produção de glucose. que são plantas muito semelhantes e apresentam ciclos vegetativos praticamente iguais.1 . é transformado em açúcares redutores e sacarose. O amido. ocorrem a divisão e o alongamento celular. Nas primeiras 12 a 16 horas após o início da embebição. a semente não germina. é reativada e a enzima β-amilase é sintetizada de novo por estímulo hormonal (giberelinas) às expensas de aminoácidos originados de proteínas hidrolisadas e com a energia oriunda das atividades das fosforilases. as quais são essenciais para o desenvolvimento do embrião. em estado da quiescência. nas quais o melhoramento genético reduziu ou mesmo suprimiu tal atributo. lipídeos e carboidratos solúveis armazenados no embrião. mecânica ou fisiológica. incrementando-se a respiração e o alongamento celular. observa-se aumento nas sínteses de DNA e RNA. enquanto a silvestre sobrevive por vários séculos sem a ajuda humana. pela ação das enzimas amilases.

e presença de algum inibidor fisiológico. aumentando a sua população quando as condições retornam à sua normalidade. sem dormência. Dormência pode ser definida como qualquer estágio no ciclo da vida no qual o crescimento ativo é suspenso por um período de tempo. contribuir para o desenvolvimento de métodos mais eficientes de controle de plantas daninhas. ou. endógena. O amplo conhecimento da dormência poderá. em um dado período. ao oxigênio. Já a aveia silvestre. e c) quinquilho (Datura stramonium): germina melhor no escuro. Através deste mecanismo a espécie consegue sobreviver em estações desfavoráveis. Segundo diversos autores. e persiste por longo tempo após completada a maturação. nas várias formas. O leiteiro (Euphorbia heterophylla). Como a dormência não é a mesma em todas as sementes de uma planta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas procurou erradicá-la. provocar mudança nos teores de umidade. tegumento da semente impermeável à água e. Certas espécies necessitam de condições especiais para germinarem. b) “Dormência secundária”. mesmo sob intenso controle sempre haverá no solo sementes desta espécie. na temperatura e na composição atmosférica do solo ou até mesmo acelerar a liberação de compostos estimulantes da germinação. por ser indiferente à luz. A aveia cultivada amadurece no verão e suas sementes. sendo um meio necessário de sobrevivência entre as plantas daninhas. sobrevivendo no solo por muito tempo. Por isso. O solo agrícola é um banco de sementes de plantas daninhas contendo entre 2. 14 Módulo 3.000 sementes/m2/10 cm de profundidade. A dormência.Biologia e métodos de controle . seria aquela que a semente adquire devido ao ambiente desfavorável. No retorno ao ambiente favorável. também chamada de dormência inata. 1998). como os nitratos. requerendo condição especial para quebra da dormência.000 e 50. apenas 2 a 5% germinam. b) língua-de-vaca (Rumex cryspus): germina melhor na presença de luz. durante o processo de maturação. é capaz de germinar até a profundidade de 25 cm no solo (VARGAS et al.. não germina de forma uniforme. a semente permanece dormente (sementes com tegumento impermeável. Acredita-se que muitas outras espécies de plantas daninhas apresentam mecanismos semelhantes. Isso pode ocorrer pela simples movimentação do solo. Do total dessas sementes. também chamada de induzida. seria aquela que a semente adquire quando ainda está ligada à planta-mãe. as demais permanecem dormentes. por exemplo). germinam todas. Como exemplos de espécies de plantas daninhas que apresentam mecanismos de dormência podem-se citar: a) ervaformigueira (Chenopodium album): produz sementes com tegumentos normal e duro. pode ocorrer germinação durante meses ou até anos. Por esta razão. sendo considerada uma espécie de planta daninha importante. e o inverno violento pode matar as plântulas. podem ser várias as causas da dormência: embrião imaturo. no futuro. inerente ou natural. uma avaliação da composição florística de uma área em uma única época do ano não representa o potencial de infestação desta área. por apresentar dormência. que pode expor as sementes à luz (mesmo por frações de segundos). Os diversos tipos de dormência podem ser agrupados em: a) “Dormência primária”. é um dos mais importantes mecanismos indiretos de dispersão.1 . mas sem sucesso. garantindo a perpetuação da espécie.

possivelmente pelo maior teor de umidade junto às sementes (maior contato entre as sementes e o solo).000 espécies).0 cm. Isto pode ser observado facilmente em condições de campo. espécies que produzem sementes pequenas. assim. Uma Aração + E. as plantas daninhas podem ser anuais. Uma Aração 2. Outro fator que influencia a profundidade de emergência é o sistema de cultivo.000 espécies. a seletividade de alguns herbicidas baseia-se em diferenças morfológicas e fisiológicas existentes entre as espécies de plantas daninhas e cultivadas. podem germinar até a profundidades superiores a 15 e 25 cm. Quanto ao ciclo de vida. As anuais completam seu ciclo de vida (semente-semente) em um ano ou menos. Estas podem ser anuais de inverno (que germinam no outono ou inverno.1 . bianuais e perenes. somente germinam quando estão até a profundidade de 1. Rotativa + Compactação 5. As plantas que produzem sementes englobam as monocotiledôneas e dicotiledôneas. onde no rastro da roda do trator observa-se cerca de 10% a mais de emergência de plantas daninhas. crescem na primavera e produzem frutos e morrem em meio ao verão) e anuais de verão (que germinam na primavera.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maior germinação foi observada (Quadro 1) no tratamento com (aração + enxada rotativa + ligeira compactação do solo).800 são consideradas mais nocivas em razão de suas características e seu comportamento.3 . como as dos gêneros Ipomoea e Euphorbia. O Quadro 2 apresenta as 12 famílias mais importantes do mundo. Destas. Outro fator extremamente importante na germinação das sementes é a profundidade em que elas se encontram no solo.. Espécies que produzem sementes grandes. quando comparada com solos pouco compactados.5 cm no sistema de plantio direto. respectivamente (VARGAS et al. cerca de 1. Uma Aração + Enxada Rotativa 4.Biologia e métodos de controle 15 . sem o revolvimento do solo. Quadro 1 . Este grupo abrange quase todas as plantas consideradas daninhas (cerca de 30.Influência do tipo do preparo do solo na germinação de sementes de plantas daninhas Tipo de Preparo do Solo 1. em solos muito compactados. que germina até a profundidade de 3. como Eleusine indica. causando a cada ano grandes perdas na agricultura. Por estes e outros motivos é necessário conhecimento mais amplo das espécies de plantas daninhas. com aproximadamente 170.Classificação das plantas daninhas Em certos casos. a emergência ocorre em menores profundidades. 1. 1998). Sem Cultivo No de Sementes Emergidas m-2 103 134 206 328 80 As características físico-químicas do solo também influenciam a profundidade de emergência das sementes. de suas formas de reprodução e ciclo de vida para se desenvolver um bom programa de manejo integrado.0 cm no plantio convencional e somente até 1. crescem no verão e Módulo 3. Uma Aração + Uma Gradagem 3. entretanto. como é o caso de Brachiaria plantaginea.

onde as estações do ano são bem definidas. Imperata brasilensis. Em certas regiões do Brasil. principalmente no sul.exemplo: dente-de-leão (Taraxacum officinale) .talo cilíndrico. há nítida observância desses fatos. livres ou unidas. As plantas bianuais vivem mais do que um. Echinocloa cruspavonis e Bracharia plantaginea. que são plantas cujos caules têm crescimento secundário. bainha normalmente aberta. Quadro 2 . Exemplos: Digitaria sanguinalis. o tipo de fruto. com nós e entrenós.Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas Graminae . a posição do ovário (inferior ou superior).1 . se as pétalas estão ausentes ou presentes. que se reproduzem por sementes e por mecanismos vegetativos. a simetria das pétalas. Eleusine indica. Para facilitar a correta identificação da espécie.3.Famílias de plantas daninhas e números de espécies mais importantes por família. b) perenes herbáceas mais complexas. entrenós com talo oco. o número de estames ou pétalas. Durante a primeira fase de crescimento.. que se reproduzem por sementes e podem também reproduzir-se vegetativamente se injuriadas ou cortadas. segundo Holm (1978) Famílias Gramineae Compositae Cyperaceae Poligoniaceae Amaranthaceae Cruciferae Leguminosae Convolvulaceae Euphorbiaceae Chenopodiaceae Malvaceae Solanaceae No Espécies 44 32 12 8 7 7 6 5 5 4 4 4 % Total de Espécies Daninhas 37% 43% 68% As plantas perenes são aquelas que vivem mais de dois anos e são caracterizadas pela renovação do crescimento ano após ano a partir do mesmo sistema radicular. etc. porém menos do que dois anos. exemplos: Cynodon dactylon. Caso a planta esteja sem sementes. 16 Módulo 3. as plântulas se desenvolvem vegetativamente até o estágio de roseta.1 . como no caso de cenoura e alface silvestres. e depois ocorre maturação e morte.Biologia e métodos de controle . 1. deve-se primeiramente saber se a planta é mono ou dicotiledônea. etc. Estas podem ser classificadas em: a) perenes herbáceas simples . há necessidade de um período frio para florescimento e frutificação. Cyperus rotundus. Echinocloa crusgalli. lígula normalmente presente. com incremento anual.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas madurecem e morrem no outono). há uma lista enorme de características vegetativas que levam às famílias. e c) perenes lenhosas. exemplo: Senna obtusifolia.

o fruto é uma capsula.Cesalpinaceae . usualmente anuais.folhas de disposição alternadas. estames livres e anteras unidas. nós dos talos inchados ou protuberantes.língua-de-vaca. folhas nunca bipenadas. cinco estames de tamanho desigual. sem estípulas.. inseridos na corola. Melampodium perfoliatum.flores vistosas com cálice e corola pentâmeros. Cyperaceae . Exemplos: Sida spp. muitas vezes. Polygonaceae . Exemplos: Solanum. Exemplos: Cyperus esculentus e Cyperus rotundus.trepadoras com folhas alternadas e sem estípulas. com odor forte e característico.Amaranthaceae . estames 3-12 inseridos no cálice. o fruto é uma síliqua.estames tetradínamos (quatro comprimidos para dentro e quatro curvados para fora). Subfamília III . seiva ácida e penetrante. Exemplos: Amaranthus hybridus e Amaranthus viridis.Inflorescência em capítulo (flores muito pequenas e em dois tipos: tubulares e ligulares). flores muito pequenas e de cor verde. Exemplos: Brassica rapa.corola actinomorfa. Convolvulus arvensis e Cuscuta sp.é subdividida em subfamílias: Subfamília I .corola com estandarte interno. inflorescências condensadas. Chenopodiaceae . Sonchus oleraceus e Xanthium cavanillesii. bainha fechada sem lígula.Mimosaceae . folhas e caules.talo triangular sem nós. Exemplo: Chenopodium album. estames inseridos no fundo do tubo polínico. Acanthospermum australe. flores vistosas. geralmente (9) + 1. Cruciferae . Ageratum conyzoides. talo estriado.Papilionaceae .presença de serocina. planta com escamas.1 . cálice transformado em papus. Convolvulaceae . o fruto muitas vezes é uma cápsula ou um policoco. com seiva mucilaginosa e talos fibrosos. estames quatro a infinito. Subfamíla II .Biologia e métodos de controle 17 . estames 10. etc. brácteas espinhosas. Módulo 3. Solanaceae . Exemplos: Bidens pilosa. talos e folhas muitas vezes com espinho. Exemplos: Rumex crispus . com muitos estames em androceu tubular. fruto em aquênio. Exemplo: Mimosa e Acácia. anteras agrupadas ao redor do estilete.corola irregular com estandarte interno. Raphanus raphanistrum e Lepidium virginicum. em geral as folhas são penadas. corola em forma de tubo. folhas irregularmente recortadas. hermafroditas e actinomorfas. Leguminosae . Exemplos: Senna obtusifolia.possuem cinco estames. Physalis e Datura. Exemplos: Desmodium e Phaseolus. Malvaceae .flores muito pequenas e de cor verde. dividido em dois lóculos. Exemplos: Ipomoea sp. folhas bipenadas ou penadas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Compositae .

c) Capacidade de germinar e emergir a grandes profundidades. e) Mecanismos alternativos de reprodução. Momordica charantia (melão-de-são-caetano) e Paspalum notatum (gramabatatais). (corda-de-viola). vento. sendo uma das estratégias de sobrevivência das plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. Esta característica. e Cyperus rotundus: apenas um tubérculo. d) Grande desuniformidade no processo germinativo. estolões. bulbos. no momento do cultivo do solo. a 20 cm. Exemplo: Convolvulus arvensis. animais. f) Facilidade de distribuição dos propágulos a grandes distâncias.Características de agressividade das plantas daninhas As características das plantas daninhas verdadeiras fazem com que estas sejam mais agressivas em termos de desenvolvimento e ocupação rápida do solo. Cynodon dactylon (grama-seda): por sementes e estolões. e Cyperus rotundus (tiririca). além de tudo isso. em 60 dias. caso o homem não interfira. cujas sementes permanecem viáveis mesmo após 54 meses. Essas características de agressividade são: a) Elevada capacidade de produção de dissemínulos (sementes. Muitas plantas daninhas apresentam mais de um mecanismo de reprodução. são distribuídas em outras áreas. produz 126 tubérculos. Exemplos: Phoradendron rubrum (erva-de-passarinho). e este foi o motivo de sua introdução no Brasil pela importação de animais ou lã. por sementes e tubérculos. é a causa do insucesso dos herbicidas aplicados ao solo. Exemplos: Sorghum halepense (capim-massambará): reproduz por sementes e rizomas. Ipomoea sp. etc. cortadas. tubérculos. Artemisia biennis: 107. 18 Módulo 3. usando os métodos de controle disponíveis. Exemplos: Amaranthus retroflexus com 117. Isto ocorre pela ação de água. etc. homem. e Bidens pilosa (picãopreto) é transportado a longas distâncias nos pêlos de animais ou roupas dos operadores de máquinas. Exemplos: Avena fatua (aveia-brava) germina até a 17 cm. esta planta produz centenas de sementes viáveis.adere à lã das ovelhas. muitas vezes. Há duas situações distintas: 1) Disseminação auxócora (externa): Acanthospermum australe (carrapicho-de-carneiro) .4 .1 .400 sementes por planta. dominam as plantas cultivadas.Biologia e métodos de controle . podem gerar mais dez plantas.500 sementes por planta. com isso. e mantém alguma viabilidade após passarem pelo aparelho digestivo de ovinos e eqüinos e só perdem o poder germinativo passando pelo aparelho digestivo das aves.). Echinoclhoa crusgali (capim-arroz) foi introduzido junto com as sementes importadas. máquinas. b) Manutenção da viabilidade mesmo em condições desfavoráveis. 2) Disseminação zoócora (interna): as sementes ingeridas pelos animais passam pelo intestino e. através das fezes. e cada tubérculo possui cerca de dez gemas que. rizomas. etc. a 12 cm. Isso ocorre devido aos inúmeros e complexos processos de dormência. e Euphorbia heterophylla (amendoim-bravo). submersas em água ou após passarem pelo aparelho digestivo do porco ou boi. quando separadas.

quando esta é conduzida por semeadura direta. Essa grande longevidade se deve a inúmeros e complexos processos de dormência. uma relação de competição entre plantas vizinhas. Daí em diante vários outros conceitos foram emitidos. podendo ser agravados pela presença de outras plantas no mesmo espaço. que também lutam pelos mesmos fatores de crescimento. em razão de a competição envolver vários fatores diretos e indiretos. envolve os aspectos da migração e agregação. Do exposto. luz. e a da ançarinha-branca. ou seja. gerando. Observações usando 14C mostraram que a semente do lótus da índia pode ser viável por 1. toda planta necessita de água. tubérculos ou outras partes de Módulo 3. numa situação de competição. muitas vezes é preferível falar-se em interferência de uma comunidade de plantas. Locatelly e Doll (1977) definem competição como a luta que se estabelece entre a cultura e as plantas daninhas por água. completando seu ciclo de vida. a 20-100 cm de profundidade. luz. Na cultura da cebola. Observações com 107 espécies de plantas daninhas. 2 . nessas condições (KLINGMAN et al. 68 após 10 anos. frutos. daninhas ou não. Brachiaria plantaginea tem grande facilidade para dominar a área quando o controle não é efetuado no momento oportuno.040 anos. as plantas daninhas germinam e crescem muito mais rápido. crescer e reproduzir-se. a competição torna-se importante quando dois ou mais organismos lutam por algo que não existe em quantidade suficiente para todos. nutrientes e dióxido de carbono disponíveis em um determinado local e tempo. gás carbônico e oxigênio em quantidades adequadas. pois nos programas de melhoramento genético tem-se procurado desenvolver cultivares que. depreende-se que. dominando facilmente a cultura. 1982). Para Weaver e Clements (1938). sobre outras. e. assim. com pequeno porte e pouco crescimento vegetativo. esses autores salientam que. nos ecossistemas agrícolas. afirmando que todas as plantas de um determinado lugar estão em estado de guerra entre si.. mostraram que 71 delas estavam viáveis um ano após. 57 após 20 anos.1 . por exemplo. À medida que a planta se desenvolve. por 1. em nível ecológico. Em soja.700 anos. seja da mesma espécie ou de espécies diferentes. Muitas plantas daninhas crescem e se desenvolvem mais rápido que muitas culturas.Competição entre plantas daninhas e culturas Para germinar. h) Grande longevidade dos dissemínulos. temperatura. esses fatores do ambiente tornam-se limitados. 44 após 30 anos e 36 após 38 anos. respectivamente. cujas sementes foram enterradas em cápsulas porosas. Decandole (1820) foi quem primeiro conceituou competição.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas g) Rápido desenvolvimento e crescimento inicial. Já Odum (1969) afirma que competição significa uma luta por um fator. ou quando esta é rodeada pelos seus descendentes. Contudo. ambos os indivíduos são prejudicados. as plantas daninhas sempre levam vantagem competitiva sobre as plantas cultivadas.Biologia e métodos de controle 19 . apresentem grande acúmulo de material em sementes. a competição seria a luta que se inicia entre indivíduos quando uma planta está em um grupo de outras plantas.

estabelece-se a competição. Condições são fatores não diretamente consumíveis. a grande capacidade de sobrevivência das plantas daninhas.1 . entretanto. Todavia. Recursos são os fatores consumíveis. em condições de sombreamento (PITELLI. pode ser devido à ocorrência de alta densidade dessas invasoras na área. algumas vezes observada no em realação às culturas. Devido à falta de mobilidade dos vegetais. gás carbônico. como água. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso é limitado e é máxima quando o ponto de saturação é atingido. por exemplo. a superioridade das plantas daninhas na competição por esses recursos. luz. como acontece. diminuindo ou impedindo que as plantas cultivadas tenham acesso aos fatores de crescimento. a qual ocorre porque. em sua maioria. Em ecossistemas agrícolas. a produtividade das culturas e a qualidade dos produtos colhidos. comprometendo. 1985).Biologia e métodos de controle . capacidade de competir vantajosamente com as plantas daninhas verdadeiras. Sabe-se. na maioria das vezes. estes fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente. qualquer planta daninha que se estabeleça na cultura vai usar parte dos fatores de produção. a competição entre plantas é de natureza aparentemente passiva.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interesse econômico. a cultura e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área. como pH do solo. densidade do solo. nutrientes e CO2 e. Como ambas possuem suas demandas por água. não sendo visível no início do desenvolvimento das plantas. mas também a qualidade do produto colhido. Estas se estabelecem rapidamente. ou seja. assim. nutrientes e luz. Outro aspecto importante é a grande agressividade. até mesmo para o próprio desenvolvimento da cultura. (2003).. etc. quase sempre esse acréscimo na produtividade econômica da espécie cultivada é acompanhado por decréscimo no potencial competitivo (PITELLI.1 . reduzindo não somente a produtividade da cultura. que as plantas cultivadas. até que um nível ideal seja alcançado. cuja dependência é muito grande. em razão da influência extrema que estes exercem sobre a utilização dos recursos pelas plantas. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. devido ao refinamento genético a que foram e ainda são submetidas. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”.Fatores do ambiente passíveis de competição A competição entre plantas é diferente daquela que ocorre entre animais. nessas circunstâncias. caso não haja interferência humana. Radosevich et al. 1985). fazendo o controle das plantas invasoras. não apresentam. 20 Módulo 3. já limitados no meio. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex: toxidez devido a excesso de Zn no solo). 2. Para Santos et al. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância.

totalmente esclarecida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. (1996) afirmam que duas dessas teorias (a de Grime e a de Tilman) têm recebido maior atenção do meio científico. Contudo. ainda. mudanças morfológicas e fisiológicas nas respostas de crescimento que estejam associadas com variações nos recursos. Embora a maioria das definições atuais sobre competição englobe o critério de Goldberg.Biologia e métodos de controle 21 . principalmente o fósforo. os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta das plantas às variações dos recursos (GOLDBERG. De acordo com Grime. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (Radosevich et al. 1996). podem reduzir o conteúdo relativo de N-P-K nos tecidos dessa cultura para 28-39-28% e 1429-21% do total. pode-se concluir que determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer.. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. citados por Radosevich (1996) sugeriram que o mecanismo de competição por recursos deve ser demonstrado por depleção dos recursos associados à presença e abundância de plantas vizinhas. desenvolvendo-se juntamente com plantas de café em fase inicial. ambas ajudam a explicar como espécies de plantas competem por recursos limitados e como as características das plantas influenciam sua habilidade competitiva. 2003). trabalhos mais recentes têm apresentado algumas justificativas para a baixa produtividade observada para as culturas quando em competição com espécies de plantas daninhas: Bidens pilosa e Leonurus sibiricus. Radosevich et al. Para Procópio et al.1996). e o sucesso na competição é fortemente determinado pela capacidade da planta em capturar recursos. (2005). 1990.. e é desses autores a descrição que se segue. Shainsk e Radosevich (1992).1 . um bom competidor apresenta alta taxa de crescimento relativo. e correlações entre a presença de vizinhos. respectivamente (RONCHI et al. a competição é a tendência de plantas vizinhas utilizarem os mesmos recursos. não estando. a depleção nos recursos e as respostas de crescimento. porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. Portanto. Com base nessas teorias. podendo utilizar os recursos disponíveis rapidamente. A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. um bom competidor poderia ser a espécie com menor requerimento de recursos. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas Módulo 3.. citado por RADOSEVICH et al.. Apesar de os debates continuarem a respeito da validade e relevância dessas duas teorias. sucesso competitivo é a habilidade para extrair recursos escassos e para tolerar essa escassez de recursos. Para Tilman. nessa teoria. mesmo com baixos níveis do recurso (RADOSEVICH et al. Assim. a elevada capacidade competitiva da espécie Desmodium tortuosum nas culturas da soja e do feijão pode ter como contribuição o maior acúmulo de nutrientes por essa planta daninha. Portanto. 1996). Na realidade. várias outras teorias têm sido desenvolvidas para explicar a importância relativa dos componentes da competição e das características das plantas que lhes conferem competitividade superior.

• Desenvolvimento inicial rápido das raízes e. ou.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas sobre as culturas são o seu porte e sua arquitetura. na fase plantular. se a população de plantas da cultura por área for baixa ou o estande desuniforme. seja ela daninha ou não. ainda. desenvolvimento e crescimento rápido de uma grande superfície fotossintética mesmo. Todavia. dependendo da época de seu estabelecimento. envolvendo indivíduos de espécies diferentes. Com base nos pontos descritos. desenvolvimento da cultura. luz.1 . em que cada órgão ou parte da planta luta pelo fotoassimilado produzido nas fontes. interespecífica. b) As espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da cultura. ainda.Biologia e métodos de controle . e sistema radicular muito desenvolvido. Com base nesse conceito. A competição entre plantas daninhas e culturas é um fator crítico para o desenvolvimento da cultura quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a cultura (RADOSEVICH. nutrientes e espaço. isto é. • Plasticidade fenotípica e populacional. c) As espécies daninhas competem por água. grande número de estômatos por área foliar. d) Uma infestação moderada de plantas daninhas em lavouras pode ser tão danosa quanto uma infestação pesada. A competição pode ser intra-específica. também. a menor susceptibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. ou. Entretando. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. liberar toxinas no solo. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. e. 1996). se a cultura se estabelecer primeiro. parte aérea. o maior índice de área foliar. que podem inibir a germinação e. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. nas primeiras seis a oito semanas após sua emergência. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. do seu vigor. comumente. podendo. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis. No entanto. as características que fazem com que uma espécie de planta seja altamente competitiva são as seguintes: • Ciclo de vida semelhante ao da cultura. entre outros fatores. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as culturas e as plantas daninhas: a) A competição é mais séria quando a cultura está na fase jovem. Cardenas (1972) salienta que a competição deve-se a condições específicas quanto ao ambiente e ao solo. a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. ela poderá cobrir rapidamente o solo. como veranico e geadas. em função da espécie cultivada. que são capazes de prover quantidades limitadas dos fatores essenciais ao desenvolvimento das plantas. ocorre também a competição intraplanta ou endocompetição. 22 Módulo 3.

como o método químico. 2. como capacidade de remoção de água do solo. por isso. as condições para que a cultura se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. esta espécie drena grande parte de fotoassimilados para a produção de raízes (baixa relação parte aérea/raiz) as quais promovem. maior exploração do solo em busca de água (PROCÓPIO et al. o chamado manejo integrado de plantas daninhas. em fases posteriores de desenvolvimento. 2002). do cultivar adequado para a região. pilosa com pouca água no solo pode estar relacionada com o fato de que. • Produção de um elevado número de propágulos por planta.. regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma cultura.. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da cultura e da vegetação daninha infestante da área a ser cultivada. pequenas ou grandes. da percentagem de germinação e vigor das sementes.1 . no manejo da cultura. da época correta de plantio.Biologia e métodos de controle 23 . Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular. • Produção e liberação no solo de substâncias alelopáticas. realizando. torna-se fácil o manejo da cultura de modo que esta leve vantagem sobre o complexo daninho. ficou constatado que a planta daninha Bidens pilosa é capaz de extrair água do solo em tensões três vezes maiores do que as alcançadas pela soja e pelo feijão (Fig. da profundidade de plantio.1996). dessa forma. É de se esperar. 2).. pois se estabelecem primeiro. Normalmente. A razão da elevada capacidade de sobrevivência de B. em dias quentes. as plantas da cultura ficarem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas.1 . que são métodos culturais de controle de plantas daninhas. é normal em alguns agroecossistemas. portanto. apresentam alta eficiência no uso da água (EUA = g de matéria seca produzida/g de H2O utilizada). Disso resulta a importância do preparo do solo. minimizando assim a competição ou até mesmo eliminando-a com a ajuda de outros métodos de controle. na fase inicial de seu desenvolvimento.1. (RADOSEVICH et al.. especialmente nitrogênio e carbono. Conhecendo tais fatores. especialmente nos trópicos. sem qualquer sinal de déficit hídrico. tendem a excluir as demais. etc. etc. as características fisiológicas das plantas. Em trabalho realizado por Procópio et al. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. ou seja. 1996). Módulo 3.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. (2004b). • Adaptação às mais variadas condições ambientais. mais competitivas (RADOSEVICH et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Germinação desuniforme no tempo e no espaço (presença de dormência). que essas plantas com baixo requerimento de água sejam mais produtivas durante o período de limitada disponibilidade de água que as plantas com alto requerimento em água e. Certas espécies de plantas são capazes de usar menos água por unidade de matéria seca produzida que outras. portanto. magnitude da condutividade hidráulica das raízes. mecânico ou biológico. Desse modo.

trigo. tem um coeficiente transpiratório extremamente baixo.073 0.250 0. algodão. no ponto de murcha permanente Quadro 3 – Valor máximo do uso eficiente da água (UEA) por diferentes espécies vegetais Espécie vegetal Phaseolus vulgaris Glycine max Euphorbia heterophylla Bidens pilosa Desmodium tortuosum Fonte: Procópio et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Todavia.112 0.017 1. por ser uma planta xerófila e apresentar uma rota fotossintética específica (CAM).367 0. Figura 2 . soja. chamada de coeficiente transpiratório (CT = volume água transpirado em mL/produção de biomassa seca.1 .Potencial hídrico no solo. algumas culturas de gramíneas. em gramas).015 0. pois são espécies que realizam o metabolismo C3 (plantas ineficientes). etc.Biologia e métodos de controle . podendo competir melhor por este recurso em diferentes estádios fenológicos da cultura. Cenchrus echinatus. Alguns exemplos são apresentados no Quadro 3.168 2.963 24 Módulo 3. sorgo e cana-de-açúcar e grande número de espécies daninhas em nossas condições (Cyperus rotundus. Digitaria horizontalis. Brachiaria plantaginea. Amaranthus retroflexus.). Por outro lado. Valores antes do florescimento Valores após o florescimento -------UEA – biomassa seca em g kg-1 de água fornecida------0.088 0. O coeficiente transpiratório das diferentes espécies de plantas varia de 25 a 700. como milho. algumas espécies de plantas daninhas podem apresentar diferentes valores de EUA ao longo do ciclo.316 0.) apresenta coeficiente transpiratório entre 500 e 700 (Quadro 4). etc. apresentam um coeficiente transpiratório entre 150 e 350 (Quadro 4). por realizarem o metabolismo C4. cultivado com diferentes espécies vegetais. A maioria das culturas (feijão. (2002). que correlaciona a água transpirada com a biomassa seca produzida. Panicum maximun. Outra maneira de se estimar o consumo de água pelas plantas é através da eficiência transpiratória. O abacaxi. Cynodon dactylon.

Volume de água transpirada (em mL) para acúmulo de 1 g de biomasa seca. Já A. (1981. Bidens pilosa e Desmodium tortuosum.2 . apresentam maiores valores para o uso eficiente da radiação (UER). observaram que a diferença na eficiência de uso da água entre Chenopodium album (C3) e Amaranthus retroflexus (C4) influenciou pouco a relação entre elas.. citados por Radosevich et al. pode ser devida à maior população e melhor utilização de outros recursos. a maior capacidade competitiva delas. 1996). porém o uso eficiente da água não é o único mecanismo utilizado para sobreviver à competição por água. para diferentes espécies de plantas Espécie vegetal Amarantus hybridus* Glycine max Gossypium hirsutum Phaseolus vulgaris Panicum maximum* Oryza sativa Zea mays* Sorghum vulgare* Brachiaria brizantha* Eucalipto * Espécies que realizam o mecanismo C4. retroflexus. como Locatelly e Doll (1977). observada em campo. 2004 Silva et al. o melhoramento genético imposto às culturas possibilitou a seleção de plantas com elevada capacidade de utilização da luz.Competição por luz Para alguns autores. dois mecanismos diferentes para sobreviver à competição por água: habilidade para utilizar um recurso rapidamente (espécie C4) e habilidade para continuar a desenvolver-se mesmo com baixos níveis do recurso (planta C3). 2004 2. Santos et al.1 . 1977 Silva et al. uma vez que a cultura tenha formado sombreamento completo. não foi eliminado.. Módulo 3. verificando que as culturas foram capazes de produzir maior quantidade de biomassa por unidade de radiação captada. Pearcy et al. Observam-se. (2003) avaliaram o UER das culturas da soja e do feijão e das espécies de plantas daninhas Euphorbia heterophylla. como a de Sesbania exaltata. Coeficiente transpiratório 152 700 568 700 267 682 174 153 265 282 Fonte Blanco. nesse exemplo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Essa diferença na eficiência do uso da água é um fator importante na agressividade da espécie. que compete vantajosamente por este fator de crescimento com a cultura do arroz. Provavelmente a espécie C3 contornou a deficiência hídrica pelo controle estomatal.Biologia e métodos de controle 25 . Quadro 4 . Esses autores salientam que. a competição pela luz não é tão importante como a competição por água e por nutrientes. chegando inclusive a citar exceções. já que sua EUA é baixa. Os autores afirmam que. quando avaliadas isoladamente das plantas daninhas. a competição das plantas daninhas pela luz deixa de existir.. as quais. como água e nutrientes. com certeza devido à sua alta EUA. Para outros autores.1. apesar de as plantas daninhas avaliadas apresentarem menor eficiência na utilização da radiação fotossinteticamente ativa. mesmo crescendo com outras espécies em condição imposta de estresse hídrico.

sendo esta relação para as plantas C4 de 1:5:2. 3 fosfoglicérico e. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico. também. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEP-carboxilase) apresenta algumas características. Estas plantas. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). isso só é verdade em determinadas condições. também. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. Como toda esta energia é proveniente da luz.1 . e não satura em alta intensidade luminosa. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). logo. É sabido que a relação molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. em seguida. no ácido fosfoenolpirúvico. quando comparadas com plantas de metabolismo do tipo C4 (Quadro 5). por difusão. As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2 . É muito comum imaginar que as espécies de metabolismo C4 são sempre mais eficientes que as plantas C3. substrato inicial da respiração. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. por ser ambígua quanto ao substrato. Este CO2 liberado é novamente fixado.Biologia e métodos de controle . é transportado para as células da bainha vascular das folhas. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. retorna às células do mesófilo. não desassimilam o CO2 fixado. Em função destas e outras 26 Módulo 3. que ocorre em todas as plantas superiores. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. atua especificamente como carboxilase. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. dependendo da espécie vegetal. localizada nas células do mesófilo foliar. Em conseqüência da ação desta enzima. As plantas C4. onde estes produtos são descarboxilados. formando o ácido oxaloacético (AOA). As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). entretanto. por difusão. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. catalisa a produção do ác. por apresentarem dois sistemas carboxilativos. ou seja. do glicolato. ocorrendo o ciclo de Calvin e Benson. Este fato evidencia que as plantas C4 necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. As plantas de rotas fotossintéticas do tipo C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson. Essas plantas não apresentam fotorrespiração detectável. consumindo 2 ATPs. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico). se se reduzir o acesso à luz. além do ciclo de Calvin e Benson. responsável pela fixação do CO2. as plantas C3 fotorrespiram intensamente. Todavia. se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. agora pela enzima ribulose 1. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e.5 difosfato carboxilase. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sabe-se que a competição pela luz é complexa sendo sua magnitude influenciada pela espécie. a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. e. onde é fosforilado. baixo ponto de saturação luminosa. como: alta afinidade pelo CO2. atividade ótima em temperaturas mais elevadas. o ácido pirúvico. se ela é umbrófila ou heliófila e.

Panicum maximum. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. Como a maioria das culturas agronômicas das regiões tropicais e subtropicais (algodão. ainda assim essas plantas continuam acumulando biomassa. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). oito são plantas C4 anuais ou perenes: Cyperus rotundus. Relação CO2 : ATP:NADPH 08. Considerando todas as áreas do globo terrestre. Efeito do oxigênio (21%) sobre a fotossíntese. Fotossíntese x intensidade luminosa 09. cana-de-açúcar. e. alta luminosidade e até mesmo déficit hídrico temporário. Sorghum halepense. Anatomia foliar 05.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km) (Quadro 5). é comum. quando presente. nessas condições. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontrase saturada quanto à luz.Biologia e métodos de controle Fotossíntese C3 Presente: 25 a 30 % do valor da fotossíntese Ácido 3-fosfoglicérico Alto: 50-150 ppm de CO2 Ausência bainha vascular. torna-se evidente que plantas daninhas C4 serão aquelas que exercerão maior competição com as culturas. etc. soja. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. Echinochloa colonum. sem cloroplastos RuDP-carboxilase (Km ≅ 20μM de CO2) Inibição 1:3:2 Satura com 1/3 da luminosidade máxima Próxima de 25 oC 15 a 35 mg CO2 dm-2 h-1 Fotossíntese C4 Presente: não mensurável pelo método de troca de gases com o ambiente Ácido oxaloacético Baixo: 0. Próxima de 35 oC 40 a 80 mg CO2 dm-2 h-1 27 . Enzima primária carboxilativa 06. Quadro 5 .1 . estima-se que. levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente. arroz. entre as dez espécies de plantas daninhas mais nocivas do mundo.Características diferenciais entre plantas com rotas fotossintéticas C3 e C4 Característica 01. Este fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. existem exceções.) são cultivadas nos meses do ano que coincidem com períodos de elevada intensidade luminosa e temperatura. Primeiro produto estável 03. esta passa a atuar mais como oxidativa. Echinochloa crusgalli e Eleusine indica. Isso acontece porque. Taxa de fotossíntese líquida com saturação de luz Módulo 3. Além disso. liberando CO2. Ponto de compensação 04. Fotorrespiração 02. 07. as espécies C4 dominam completamente as C3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas características (Quadro 5). feijão. quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. No caso das plantas C4. PEP-carboxilase (Km ≅ 5μM de CO2) Sem efeito 1:5:2 Não satura com aumento da luminosidade. mandioca. Temperatura ótima para a fotossíntese 10.0 a 10 ppm de CO2 Presença de bainha vascular com cloroplastos. milho. Cynodon dactylon. Imperata cilindrica. nestas condições. Isso é possível porque este grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável.

Richardia brasiliensis acumula 10 vezes menos N. ele pode ser limitante. em condições de solo encharcado. podem levar desvantagem na competição com espécies mais tolerantes em tais situações. que são os dois processos principais de renovação da atmosfera do solo.Biologia e métodos de controle . Isso acontece devido ao consumo do oxigênio pelos microrganismos do solo e em razão de sua renovação lenta. No entanto. a concentração de CO2 no mesófilo foliar necessária para que uma determinada espécie passe a acumular matéria seca é diferente. Determinadas espécies de plantas são mais sensíveis ao excesso de CO2 e. Outro ponto a ser considerado é a “Interação Radicular Passiva”. para as espécies de plantas C3. deve-se considerar. por exemplo.4 .000 g H2O / g biomassa seca 6. Todavia.5 % da biomassa seca Fotossíntese C4 150 a 350 g H2O / g biomassa seca 3.3 . Molinia caerulea é mais tolerante a alta taxa de CO2 do que Erica tetralix. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca. 2004). (2005) observaram que Desmodium toruosum é capaz 28 Módulo 3. principalmente. que oferece resistência à difusão e ao fluxo de massa.5 a 7. ou. Fotossíntese C3 450 a 1. em conseqüência disso.Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e. 20 vezes menos P e cinco vezes menos K compara à soja (PEDRINHO JÚNIOR et al.1 .5 % da biomassa seca 2. dentro de uma população mista de plantas. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes. Por exemplo. em conseqüência da “tortuosidade” da matriz do solo.. 2. a alta infestação dessa planta daninha em lavouras de soja implica maior remoção desse nutriente para a massa total da espécie infestante.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Característica 11. em alto grau. da quantidade e das espécies presentes. Sob condições normais.0 a 4.Competição por CO2 Com relação ao CO2. assim. considerando as diferentes rotas fotossintéticas apresentadas por espécies de plantas daninhas e culturas.1. deficiência de oxigênio e. por exemplo.1. o aspecto competitivo não é comumente discutido e geralmente é considerado não-significante. Coeficiente transpiratório 11. Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das culturas em nossos solos. Como a eficiência na captura de CO2 proveniente do ar é diferente entre plantas C3 e C4 (Quadro 5) e se sua concentração pode variar. Conteúdo de N na folha para atingir fotossíntese máxima Fonte: Ferri (1985). exercem forte competição com as culturas pelos nutrientes essenciais. a atmosfera edáfica contém menos oxigênio e mais CO2 do que o ar acima do solo. Procópio et al. a competição por nutrientes depende. com muito maior ênfase.

Isso demonstra que. Os acúmulos de cálcio e manganês no arroz foram reduzidos em 40 e 28%. respectivamente. a competição depende do nutriente. além do acúmulo de matéria seca. os autores observaram que Bidens pilosa. Além da capacidade em extrair nutrientes do solo. desenvolvida na presença da comunidade infestante. estudando a distribuição dos nutrientes extraídos pelas plantas daninhas e pela cultura. Para os autores. outras espécies são competidoras também na utilização desse recurso. mesmo em baixas densidades. competindo com uma espécie/planta por vaso Espécie Vegetal Bidens pilosa Commelina diffusa Leunurus sibiricus Nicandra physaloides Richardia brasiliensis Sida rhombifolia PTC* * 77 180 82 68 148 133 N 59 30 35 37 49 97 P K 72 67 42 37 33 38 62 68 61 57 83 105 Conteúdo relativo* de nutrientes Ca Mg S Cu Zn B Mn Fe Na 67 74 97 106 66 76 59 54 69 45 48 69 69 37 54 19 41 35 36 40 41 66 37 41 30 57 39 72 76 86 114 69 101 50 107 68 53 50 67 43 51 63 57 61 59 90 88 98 93 77 138 102 80 106 *Relativo ao conteúdo verificado na testemunha (cafeeiro sem competição).. Além disso.1 . verificaram que as espécies infestantes.Biologia e métodos de controle 29 . diffusa a planta daninha que causou a maior diminuição no conteúdo relativo de nutrientes no cafeeiro (Quadro 6). sendo C.4 vezes mais P por g de massa seca comparada à soja em mesma condição de recursos. poderá favorecer espécies vegetais que utilizam mais eficientemente esse recurso. o grau de interferência varia consideravelmente com a espécie e com a densidade das plantas daninhas. Quadro 6 . comparadas à soja e ao feijão (PROCÓPIO et al. 2004a). e do contrário ocorreu com o manganês (85% imobilizado pela cultura). com adição de subdoses. Pitelli (1985). por ocasião do florescimento da cultura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas de acumular até 2. Bidens pilosa e Euphorbia heterophylla apresentam maior eficiência na utilização do N absorvido no solo. evidenciando elevada eficiência na utilização desse nutriente. (2003). Cerca de 80% do cálcio foi imobilizado pelas plantas daninhas. avaliando os períodos de convivência e acúmulo de nutrientes de diferentes plantas daninhas e o cafeeiro. observou que a matéria seca acumulada foi equivalente para a cultura e as plantas daninhas. Podese afirmar que. Ronchi et al. acarretaram decréscimos consideráveis no conteúdo relativo de nutrientes de plantas de café. o manejo inadequado de nutrientes. em competição com o feijoeiro. é capaz de formar três vezes mais matéria seca por unidade de P absorvida do solo. em campo.Conteúdo relativo* de nutrientes na parte aérea de plantas de café cultivadas em vasos (12 L de substrato). pela interferência imposta pela comunidade infestante. ** Período total de convivência da planta daninha com a muda de café no vaso Módulo 3. Em lavoura de arroz de sequeiro.

Milhares de compostos secundários sintetizados por espécies vegetais estão isolados e estimasse que outros milhares existam na natureza. A quantidade dos compostos produzidos e a composição destes dependem da espécie e das condições ambientais. quando cultivado sucessivamente na mesma área. o comportamento ou a biologia da população de organismos de outra espécie são de interesse da alelopatia. sobre a própria planta ou microrganismos ou vice-versa. 1984). caules. ou condensados no orvalho. As plantas podem exsudar naturalmente uma série de compostos orgânicos. A primeira demonstração científica de auto-alelopatia foi feita em feijão-miúdo (Vigna unguiculata).Alelopatia As plantas superiores desenvolveram notável capacidade de sintetizar. macieiras e citros) também ocorre a auto-inibição do desenvolvimento em plantios na mesma área. exsudação radicular. ou seja. As plantas são hábeis em produzir aleloquímicos em todos os seus órgãos. promovem uma interação bioquímica entre plantas. que não parecem relacionados diretamente com nenhuma função do metabolismo primário. através de volatilização. os compostos secundários que. lançados ao ambiente. após muitos anos de cultivo da mesma espécie no solo. afetam o crescimento. Os aleloquímicos. os aleloquímicos podem ser absorvidos diretamente pela cutícula das plantas vizinhas. acumular e secretar uma grande variedade de metabólitos secundários. 1969). por meio dos próprios vapores. (folhas. raízes. ou seja. fungos e herbívoros. Em fruteiras (pessegueiros.1 a 0. A maioria dos aleloquímicos voláteis são compostos terpenóides. a maioria dos metabólitos secundários liberados pelas plantas está envolvida em interações com outros organismos. apresentam potencial para exercer alelopatia em agroecossistemas. após serem transferidos para o ambiente (RICE. em raízes intactas. geralmente da ordem de 0. onde são absorvidos pelas raízes (ALMEIDA. Os efeitos podem ser deletérios ou benéficos sobre outra planta. Essas substâncias alelopáticas são liberadas dos tecidos da planta para o ambiente de diferentes formas. Assim. insetos. metabólitos secundários podem inibir a própria planta que os produziu. mas provavelmente estão associados com mecanismos ou estratégias químicas de adaptação às condições ambientais. o estado sanitário. quando lançados no ambiente. incluindo microrganismos.Biologia e métodos de controle . Existe ainda a auto-alelopatia. frutos e sementes).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . 1988). flores. principalmente monoterpenos e sesquiterpenos (RICE. denominados aleloquímicos. Provavelmente. lixiviação e decomposição dos resíduos da planta. Uma vez volatilizados. existindo forte relação de dependência entre a produção destes metabólitos e 30 Módulo 3. ou ainda alcançar o solo. como outras plantas.4% do carbono fotossintetizado (ROVIRA.1 . 1984).

neblina e orvalho. espaço físico. Os aleloquímicos podem ser liberados das células vivas ou mortas também pela ação da água. respiração.1 . alcalóides. O mecanismo de ação dos aleloquímicos não está ainda bem esclarecido. Os alcalóides. Os principais processos vitais afetados. os aleloquímicos podem ser liberados através dos resíduos. como tiririca. luz. para outras características que não as de agressividade para com outras plantas.) e dos efeitos das substâncias alelopáticas que estas produzem. nutrientes. crescimento. o que dificulta a interpretação de resultados a campo. Cenchrus echinatus e Euphorbia heterophylla.Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas A interferência que as plantas daninhas causam sobre as culturas é decorrente da competição pelos fatores comuns (água. segundo Almeida (1988). foram eliminados genótipos possuidores de substâncias alelopáticas. etc. O efeito alelopático das culturas sobre plantas daninhas é menos comum. etc.Biologia e métodos de controle 31 . O capim-marmelada (Brachiaria plantaginea) afeta o desenvolvimento da soja tanto no crescimento quanto na capacidade de nodulação (ALMEIDA. 1988). capim-massambará.1 . O eucalipto produz substâncias cuja presença é variável com as espécies. Por exemplo. etc. CO2. como nabo forrageiro. aveia e centeio. A inibição sobre o desenvolvimento de plantas de pimentão por extratos de eucalipto é um exemplo. O fungo Penicillium urticae produz fitotoxina patulina durante a decomposição dos resíduos do trigo. 1988). Restos culturais de algumas culturas. apresentam razoável efeito alelopático. como taninos. açúcares. são: assimilação de nutrientes. Assim. e sua persistência no solo varia com as variações do ambiente. As perdas da permeabilidade seletiva da membrana citoplasmática ocorrem pouco tempo após a morte da planta. e essa deficiência de defesa das plantas cultivadas é atribuída à seleção a que estas têm sido submetidas ao longo do tempo. etc. que promove toxicidade na cultura que o sucede (Almeida. na cultura seguinte. 1996). microrganismos podem metabolizar polímeros presentes e produzir substâncias tóxicas. alguns terpenos e muitos compostos fenólicos podem ser lixiviados. Com a liberação direta dos compostos pelos tecidos. reduzindo a intensidade de infestação de algumas plantas daninhas. entre estes os ácidos. aminoácidos e as substâncias pécticas. Uma variedade de compostos químicos pode ser carreada da parte aérea das plantas por meio de chuva. fotossíntese. grama-seda. síntese de proteínas. ao melhorar o paladar e diminuir a toxicidade. permeabilidade da membrana celular. Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas as condições de ambiente (EINHELLIG. em sistema de plantio direto. colza. atividade enzimática. 3. como Brachiaria plantaginea. O desenvolvimento do tomateiro foi afetado por extratos de várias plantas daninhas.

2 . usando solução nutritiva circulante entre os vasos de sorgo e alface. também rápida. a incorporação dos resíduos deve ser feita com certa antecedência da semeadura das culturas. especialmente no que diz respeito às técnicas de rotação e consorciação. como as adubações verdes. o material fresco. por exemplo. quando começa a época chuvosa. 32 Módulo 3. redução do perfilhamento e até morte de plantas daninhas durante a fase inicial de desenvolvimento. A cobertura morta da cultura do inverno. Essa cobertura é essencial para o sucesso do plantio direto. degradando os aleloquímicos.3 . por isso. 3. inferiores a 25 dias. os tipos de solo e as condições climáticas. Quanto a possíveis efeitos alelopáticos do material incorporado ao solo.4%. assim como poderá ser um ponto de partida para síntese de novos compostos com atividade herbicida. com efeitos biológicos e toxicidade diversos. forma-se no final desta estação ou início da primavera. a fim de avaliar suas atividades sobre as diferentes espécies de plantas daninhas. o que tem contribuído para que os agricultores do sul deixem de cultivar colza. os efeitos alelopáticos provocados pela incorporação de resíduos vegetais no solo são muitos variáveis. Normalmente. Estes estudos irão contribuir de maneira decisiva para o manejo de plantas daninhas no sistema de plantio direto. a cobertura morta pode prevenir a germinação. exsudato radicular proveniente de plantas de sorgo reduziu a área foliar de plantas de alface em 68. reduzir o vigor vegetativo e provocar amarelecimento e clorose das folhas. Segundo Barbosa (1996). Outros pesquisadores avaliam e colecionam germoplasmas de plantas alelopáticas. podendo os resíduos de plantas de mesma espécie dar origem a compostos diferentes. Nas culturas de verão. provoca efeitos alelopáticos pouco acentuados e por períodos curtos. os resíduos secos podem causar fitotoxicidade mais severa. Por isso. hoje disseminado no Brasil por todos estados produtores de grãos.Biologia e métodos de controle .Alelopatia entre culturas A possibilidade de se desenvolverem efeitos alelopáticos benéficos ou maléficos entre culturas tem interesse agronômico. Em condições de baixas temperaturas. possivelmente não ocorrerão problemas de fitotoxicidade. A colza. normalmente cereais. os resíduos no solo são escassos e a temperatura e umidade no solo são suficientes para manter a atividade microbiana alta. Se a cultura de verão for implantada com algum intervalo após a colheita desta cultura de inverno. provoca redução do estande da cultura da soja plantada imediatamente após a sua colheita.Alelopatia das coberturas mortas No plantio direto.1 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3. quando cultivadas em casa de vegetação. sabe-se que o processo de decomposição do material vegetal é variável com a qualidade dos tecidos. Os efeitos alelopáticos são transitórios. várias pesquisas estão sendo conduzidas visando identificar os compostos alelopáticos. conseqüentemente. Atualmente. A taxa de decomposição é alta e a liberação dos compostos alelopáticos é.

Esse fato justifica. densidade e distribuição). 4 . Pitelli e Durigan (1984) sugeriram terminologia para períodos de convivência de plantas daninhas em culturas. alelopatia. Contudo.Competição e período crítico de competição De acordo com Pitelli (1985). entre outros fatores. sendo o esquema apresentado na Figura 3. as espécies Mucuna aterrima. para o sucesso deste método. De maneira geral. porque dependerá da época e do ciclo da cultura em que esse período ocorrer. lophanta e A. H. uma infestação moderada de plantas daninhas poderá ser tão danosa à cultura quanto uma infestação pesada. ao conjunto de ações que recebe uma determinada cultura em decorrência da presença da comunidade infestante num determinado local. mas sem prejudicar também o ambiente. não devem ser atribuídos exclusivamente à competição imposta por estas. Os autores constataram elevada concentração de taninos condensados. interferência na colheita e outras). e. isto não é totalmente válido. O grau de interferência entre plantas cultivadas e comunidades infestantes depende das manifestações de fatores ligados à comunidade infestante (composição específica. horizontalis. No entanto. quanto maior for o período de convivência múltipla (culturaplantas daninhas). espaçamento e densidade de plantio) e à época e extensão da convivência. favorecendo a utilização de recursos pela planta cultivada. o estudo da época ideal de controle de plantas daninhas em cada cultura. sendo a possível causa dos efeitos alelopáticos. Essa idéia foi originalmente apresentada por Bleasdale (1960) e mais tarde modificada por Blanco (1972). Geralmente. (2004). utilizadas como cobertura vegetal. maior será o grau de interferência. A este efeito global denominou-se “interferência”. mas resultante das pressões ambientais de ação direta (competição. Em trabalho realizado por Erasmo et al. clima e manejo. ambos citados por Pitelli (1985). os quais são descritos a seguir. o controle biológico de plantas daninhas também poderá ser uma opção no manejo integrado. quanto menor o período de convivência entre cultura e plantas daninhas. O manejo de plantas daninhas altera a cronologia natural dos eventos. portanto. visando o mínimo possível de redução na produtividade. no desenvolvimento e na produtividade de uma cultura.Biologia e métodos de controle 33 . referindo-se. bicolor. à própria cultura (espécie ou variedade. gerando menor intensidade de interferência na produtividade econômica. M. os efeitos negativos observados no crescimento. podendo ser alterado pelas condições de solo. pode-se dizer que. portanto. devidos à presença de plantas daninhas. dependendo da época de seu estabelecimento. Módulo 3.1 . spinosus. menor será o grau de interferência. esteróides livres e ogliconas esteróides. foram eficientes no controle das espécies daninhas D. o conhecimento das propriedades alelopáticas das plantas será fundamental.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas objetivando o melhoramento genético. No futuro. pruriens e S.

a fertilização incrementa o crescimento inicial da cultura e das plantas daninhas. contribuindo para o próprio desenvolvimento da cultura. Desse modo. No entanto. O limite superior deste período indica a época em que a interferência compromete irreversivelmente a produtividade econômica da cultura. ou. Após esse período. na prática este limite não pode ser considerado. através. Na prática. terão atingido tal estádio de desenvolvimento que promoverão uma interferência sobre a espécie cultivada. em que a cultura deve ser mantida livre da interferência de plantas daninhas. para que a produção não seja afetada quantitativa e. permitindo que a competição por recursos outros que não a adubação se instale de maneira mais rápida.1 . Por exemplo. a própria cultura. a Époc Dura çã o Período de convivê ncia lti Cu r va Es pé ci e s Espaçamento Densidade Densidade Cultura Grau de interferência rib st Di ui o çã Figura 3 .Biologia e métodos de controle . capaz de reduzir significativamente sua produtividade econômica. permitindo menos cultivos ou o uso de herbicidas de menor poder residual. do sombreamento. este deve ser o período que as capinas ou o poder residual dos herbicidas devem cobrir. Teoricamente. principalmente. n D De d d s si ad e Ambiente S ol o Ma ne j o Clima 34 Módulo 3. em determinada época do ciclo da cultura. a partir do plantio ou da emergência. É importante esclarecer o significado deste período em termos de competição: as espécies daninhas que emergirem neste período. qualitativamente. toda e qualquer prática cultural que incremente o crescimento inicial da cultura pode contribuir para um decréscimo no período total de prevenção da interferência. o final do período anterior à interferência seria a época ideal para o primeiro controle da vegetação infestante.Modelo esquemático dos fatores que influenciam o grau de interferência entre cultura e comunidades infestantes Aquele espaço de tempo. A aplicação de certas práticas culturais contribui para diminuição deste período.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas “Período total de prevenção da interferência” (PTPI) é o período. impede o desenvolvimento das plantas daninhas. em que a cultura pode conviver com a comunidade de plantas daninhas antes que a interferência se instale de maneira definitiva e reduza significativamente a produtividade da lavoura é denominado “período anterior à interferência” (PAI). após a semeadura ou o plantio. pois a comunidade teria acumulado energia e matéria orgânica que retornariam ao solo.

30 d Victoria Filho (1994) 15 – 88 d Dias et al. (2005) 22 – 38 d Dias et al. (1982) Oliveira e Almeida 45 . 2005). Recentemente foi proposto o Período Anterior ao Dano no Rendimento Econômico (PADRE). Em diversos trabalhos de pesquisa visando avaliar os efeitos da interferência de plantas daninhas em culturas (Quadro 7). as plantas daninhas podem ter atingido um estádio tal de desenvolvimento que inviabilize o uso de práticas mecânicas ou o controle químico. (1981) Mascarenhas et al.Períodos de convivência e de controle de plantas daninhas em diversas culturas anuais e bianuais Cultura Algodão Alho Girassol Cebola Arroz de sequeiro Cana-de-açúcar ( plantio de ano ) Cana-de-açúcar (plantio de ano e meio) Feijão Café (após plantio das mudas no inverno) Café (após plantio das mudas no verão) Milho Soja Dias Após Semeadura ou Plantio (d) PTPI PAI PCPI 66 d 08 d 08 . (2002) Souza et al. os períodos PTPI. (2003) 20 . (2005) 14 . Este seria o “período crítico de prevenção da interferência” (PCPI). Do ponto de vista prático. ou. encontrados pelos diversos autores.40 d 60 d 90 d 127 d 30 d 88 d 38 d 42 30 d 30 d 45 d 30 d 74 d 20 d 15 d 22 d 14 21 d 20 d Fonte Salgado et al. Considerando a diversidade de fatores que influenciam o grau e os períodos de interferência apresentados. nas diferentes condições envolvendo solo. (1980) Brighenti et al. visando realizar com eficiência o manejo integrado das plantas daninhas.66 d 80 d ----100 d 20 d 20 –100 d 30 d 21 d 21 – 30 d 42 d 40 d 30 d 30 . porque as condições em que foram conduzidas as pesquisas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pois a cultura e. (2004) Soares et al.30 d Spadotto et al. Quadro 7 . (1994) 20 . torna-se extremamente importante a pesquisa nesta área. baseado na hipótese de que aspectos econômicos como o custo de controle e o valor monetário dos grãos devem ser utilizados como critério para determinar o período aceitável de interferência das plantas daninhas antes de se decidir pelo seu controle (VIDAL et al. PAI e PCPI. os cultivares utilizados e as composições específicas das comunidades infestantes foram diferentes.90 d (1982) 47 – 127 Kuva et al..1 . Isso é normal. a cultura deverá ser mantida livre das plantas daninhas no período compreendido entre o final do PAI até o momento em que as plantas daninhas que vierem a emergir não mais irão interferir na produtividade da cultura. clima. espécies daninhas e culturas.Biologia e métodos de controle 35 . não são idênticos para as mesmas culturas.42 d Ramos e Pitelli (1994) 21 .30 d Martins (1994) Módulo 3. (2003) Alcântara et al.60 d (1982) Rolin e Cristofolleti 30 .

um município ou uma gleba de terra na propriedade. Estas áreas podem ser um país. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas.Biologia e métodos de controle . tem-se a tiririca (Cyperus rotundus). etc. o elemento humano é a chave do controle preventivo. 5. As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilizar sementes de elevada pureza. Nestas legislações encontram-se os limites toleráveis de cada semente de planta daninha e também a lista de sementes proibidas por cultura ou grupo de culturas. um estado. além de outras espécies. Em nível local. etc. verifica-se grande evolução destes. deve ser feita até um nível no qual as perdas pela interferência sejam iguais ao incremento no custo do controle. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. considerando uma cultura. limpar cuidadosamente máquinas. Já o capim-arroz (Echinochloa sp. Como exemplo. quarentena de animais introduzidos. Eles abrangem desde o arranque das plantas com as mãos até o uso de sofisticados equipamentos de microondas para exterminar as sementes no solo. ou seja.1 . A redução da interferência das plantas daninhas. se espalham por novas áreas por meio de roupas e sapatos dos operadores. 36 Módulo 3. Em síntese. o estabelecimento e. mudas com torrão. A falta desses cuidados tem causado ampla disseminação das mais diversas espécies. que possui sementes muito pequenas e tubérculos que infestam novas áreas com grande facilidade.Métodos de controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mais variados possíveis e. limpeza de canais de irrigação. o picão-preto (Bidens pilosa) e o capim-carrapicho (Cenchrus echinatus). a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas ainda por elas não infestadas. inspecionar cuidadosamente mudas adquiridas com torrão e também toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. atualmente.1 . que não interfiram na produção econômica da cultura. pêlos de animais. por meio de estercos.) e o arroz-vermelho (Oryza sativa) são distribuídos junto com as sementes de arroz.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5 . Em níveis federal e estadual. etc.. ou. há legislações que regulamentam a entrada de sementes no país ou estado e sua comercialização interna. grades e colheitadeiras.Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. que poderão se transformar em sérios problemas para a região.

e para muitas famílias. Quando são aplicadas as mesmas técnicas culturais seguidamente. em usar as próprias características ecológicas das culturas e plantas daninhas. Variação do espaçamento: a variação do espaçamento entre linhas ou da densidade de plantas na linha pode contribuir para a redução da interferência das plantas daninhas sobre a cultura. em lavouras de milho. Nas regiões subtropicais predominam mucuna-preta.2 . a escolha da cultura em rotação deve recair sobre plantas com habito de crescimento e características culturais bem contrastantes. variação do espaçamento da cultura. Consiste.Controle cultural O controle cultural consiste no uso de práticas comuns ao bom manejo da água e do solo. O principal efeito é a melhoria das condições físico-químicas do solo. O arranque manual. visando beneficiar o estabelecimento e desenvolvimento das culturas. Coberturas verdes: as coberturas verdes são culturas geralmente muito competitivas com as plantas daninhas. uso de coberturas verdes. a cobertura morta e o cultivo mecanizado. estas plantas possuem também poder inibitório sobre outras e podem reduzir as infestações de algumas daninhas após serem incorporadas ao solo. numa agricultura mais intensiva.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5. azevém anual. como rotação de cultura. aveia e centeio são usadas na região Sul do Brasil. onde há agricultura de subsistência. exemplos: capim-arroz (Echinoclhoa sp. a roçada. A capina manual feita com enxada é muito eficaz e ainda muito utilizada na nossa agricultura. guandu. a capina manual. Rotação de culturas: cada cultura agrícola geralmente é infestada por espécies daninhas que possuem exigências semelhantes às da cultura ou apresentam os mesmos hábitos de crescimento. e caruru-rasteiro (Amarantus deflexus).1 . Contudo. Quando o principal objetivo é o controle de plantas daninhas. ou monda. ano após ano. mostarda. Essas práticas contribuem para impedir o aumento exagerado de determinadas plantas daninhas. em lavouras de arroz. feijão-de-porco e lablabe. ervilhaca. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas.Biologia e métodos de controle 37 . Ainda hoje é usado para o controle em hortas caseiras. esta é a única fonte de trabalho. nabo.). apaga-fogo (Alternanthera tenella).3 . principalmente em regiões montanhosas. dependendo da arquitetura das plantas cultivadas e das espécies infestantes. no mesmo solo.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. em Módulo 3. a interferência destas plantas daninhas aumenta muito. etc. Tremoço. entretanto. 5. a queima. em cana-de-açúcar. A redução entre linhas geralmente proporciona vantagem competitiva à maioria das culturas sobre as plantas daninhas sensíveis ao sombreamento. em lavouras de trigo. a inundação. jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. quando o principal método de controle é o uso de enxada. crotalárias. então.

No plantio direto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas áreas maiores. beiras de estradas e pastagens a roçada é um método de controle de plantas daninhas dos mais importantes. a inundação é um efetivo método de controle de plantas daninhas. Os fatores limitantes deste método. O cultivo mecanizado. A cobertura provoca menor amplitude nas variações e no grau de umidade e da temperatura da superfície do solo. esta técnica é de uso limitado no Brasil. em nível. e b) baixa eficiência: quando realizado em condições de chuva (solo molhado). As principais limitações deste método são: a) dificuldade de controle de plantas daninhas na linha da cultura. a cobertura do solo com restos vegetais da cultura anterior é de grande utilidade. A inundação mata as plantas sensíveis. como nos tabuleiros de arroz. na maioria dos casos. apenas não apresentando efeito sobre as plantas daninhas que se desenvolvem em solos encharcados. A cobertura morta ainda pode apresentar efeitos alelopáticos úteis no controle de certas espécies daninhas. feito por cultivadores tracionados por animais ou tratores.1 . que são posteriormente mortas devido à impossibilidade de emergência. em virtude da suspensão do fornecimento de oxigênio para suas raízes. são totalmente erradicadas sob inundação prolongada. Todavia. a roçada manual ou mecânica é um método muito importante para controlar plantas daninhas. devendo ser realizado quando as plantas daninhas estiverem ainda jovens e o solo não estiver muito úmido. por meio de outros métodos de controle. são o custo do nivelamento do solo e a grande quantidade de água necessária para sua implantação. como tiririca (Cyperus rotundus).). além de muitas plantas daninhas anuais. é de larga aceitação na agricultura brasileira. em solo úmido. É restrito a pequenas áreas de hortaliças. além de outros efeitos importantes sobre as culturas implantadas na área. Outra técnica utilizada para o controle de plantas daninhas é a solarização. Esta deve ser feita antes do plantio. Também em terrenos baldios. O espaço das entrelinhas é mantido roçado e. a fileira de plantas. Espécies perenes de difícil controle. grama-seda (Cynodon dactylon). é ineficiente para controlar plantas daninhas que 38 Módulo 3.Biologia e métodos de controle . capim-kikuio (Penisetum clandestinum)). onde o controle da erosão é fundamental. estimulando a germinação das sementes das plantas daninhas da camada superficial de solo. o alto custo da mão-de-obra e a dificuldade de encontrar operários no momento necessário e na quantidade desejada fazem com que este método seja apenas complementar a outros métodos. como o capim-arroz (Echinochloa sp. utilizando filme de polietileno sobre a superfície do solo. em razão do custo do combustível. milho e trigo. bem como sobre as plantas aquáticas. principalmente em terrenos declivosos. Este sistema de plantio é usado em extensas áreas de plantio de soja. Em pomares e cafezais. para uso dirigido nesta cultura. é mantida no limpo. já foi utilizada em algodão. Provoca aumento de temperatura e. A cobertura do solo com restos vegetais em camada espessa ou com lâmina de polietileno é um meio físico-mecânico de controle das plantas daninhas. devido à temperatura excessivamente alta principalmente até 5 cm de profundidade. Em solos planos e nivelados. as sementes das plantas daninhas germinam e morrem em seguida. Quanto à queima das plantas daninhas com lança-chamas. sendo um dos principais métodos de controle de plantas daninhas em propriedades com menores áreas plantadas. através de adaptação de queimadores especiais em cultivadores tratorizados.

uma vez eliminado o hospedeiro. a fim de correlacionar os níveis de infecção com a redução da densidade populacional do hospedeiro.4 . Nos Estados Unidos. desde a pesquisa até a prática do controle biológico: a) Seleção de espécies de plantas daninhas a serem controladas. aves.) capazes de reduzir a população das plantas daninhas. e. o fungo Coletotrichum gloeosporeoides pode ser usado para controlar o angiquinho (Aeschynomene virginica) em soja e milho. o deslocamento do solo sobre a linha. bactérias. o controle biológico de plantas daninhas com inimigos naturais não tem sido.Biologia e métodos de controle 39 . o controle do cactus ou figo-da-índia (Opuntia spp. etc. até o momento. com o nome de Devine. vírus. b) Seleção de inimigos naturais mais eficientes. no Havaí. o herbicida natural é registrado como Collego.Controle biológico O controle biológico consiste no uso de inimigos naturais (fungos. o parasita deve ser altamente específico. todas as espécies anuais. através de enxadas cultivadoras especiais. são facilmente controladas em condições de calor e solo seco. daninhas ou não (este assunto já foi discutido em módulo à parte). Para que este tipo de controle seja eficiente. insetos. Isso é mantido por meio do equilíbrio populacional entre o inimigo natural e a planta hospedeira. E. peixes. nos pomares de citros. para controlar Morrenia odorata. pode causar o enterrio das pequenas plântulas e. O controle biológico de plantas daninhas é muito complexo e seu estudo dever ser feito em etapas sucessivas.) com as larvas do inseto Cactoblastis cactorum. c) Estudo e avaliação da ecologia dos vários inimigos naturais. O cultivo quebra a relação íntima que existe entre raiz e solo. Deve também ser considerada como controle biológico a inibição alelopática de plantas daninhas exercida por outras plantas. praticado com fins econômicos. suspende a absorção de água e expõe a raiz às condições ambientais desfavoráveis. ele não deve parasitar outras espécies. No Brasil.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas se reproduzem por partes vegetativas. a eficiência do controle biológico é duvidosa quando ele é usado isoladamente. o que é uma tendência normal em condições de campo. o cambará-de-espinho (Lantana camara) foi controlado pelos insetos Agromisa lantanae e Crocidosema lantanae. Entre os diversos exemplos de controle biológico no mundo. f) Avaliação da efetividade em diferentes épocas do ano. foi já usado o fungo Phythophthora palmivora. com isso. De modo geral. 5. d) Determinação da especificidade dos hospedeiros.1 . No entanto. Dependendo do tamanho relativo das plantas cultivadas e daninhas. porque pode controlar uma espécie e uma outra ser favorecida. e) Acompanhamento da introdução e do estabelecimento do agente biocontrolador no campo. promover o controle das plantas daninhas na linha. podem-se citar: na Austrália. reduzindo sua capacidade de competir. ou seja. quando jovens (2-4 pares de folhas). Módulo 3.

Devido ao grande desenvolvimento da área de controle químico de plantas daninhas. para controle de folhas largas na cultura do trigo. Triazinas simétricas (1956). A eficiência do controle biológico é duvidosa. Isso porque o parasita deve ser altamente específico. 5. não podendo parasitar outras espécies. quando se pensa em seu uso como o único método de controle. nos Estados Unidos. o sulfato ferroso foi avaliado por Bolley. ocorrem reuniões anuais de pesquisadores de herbicidas no cerrado (REPEC).5 . químico. em 1956. Shultz (Alemanha) e Bolley (EUA) evidenciaram ação dos sais de cobre sobre algumas folhas largas. Somente em 1942. nos Estados Unidos. para discutir os avanços da área de plantas daninhas e seu controle.4-D. nos EUA. 40 Módulo 3. Também são áreas de interesse. etc. sempre uma outra é favorecida. que tem evoluído muito nos últimos anos. plantas aquáticas submersas que causam problemas em reservatórios de hidrelétricas. quando associado a outros métodos de controle e será recomendado para espécies de plantas daninhas de controle comprovadamente difícil por métodos mecânicos e. quando Bonnet (França). Este herbicida é a base de muitos outros produtos sintetizados em laboratório (2.. e. quando se controla uma espécie de planta daninha. mais seguro para o homem e para o ambiente. O uso de tilápias. Zimmerman e Hitchock. O controle biológico é eficiente. carpas e outros peixes herbívoros é possível para controle de outras plantas aquáticas.1 . 2. indicando a necessidade de uso de outro método de controle. etc. Em 1908.Controle químico As pesquisas visando o controle químico de plantas daninhas foram iniciadas entre 1897 e 1900.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas No Brasil.Biologia e métodos de controle . a alelopatia. e temperaturas acima de 30 oC têm proporcionado melhor controle de Egeria (BORGES NETO et al. foi fundada a Sociedade Brasileira de Herbicidas e Plantas Daninhas (SBHPD). que se reúne de dois em dois anos em congresso nacional.4-DB. em 1963. ou. o controle biológico. Ainda. foi criada a Weed Science Society of América . e os trabalhos científicos sobre o assunto são publicados em revistas especializadas da SBCPD (Planta Daninha e Revista Barsileira de Herbicidas). A partir de 1950. bem como a tecnologia de aplicação de herbicidas.WSSA. descobriram o 2. Carbamatos (1951). no Brasil. então. Já se sabe que o fotoperíodo influencia a eficiência de controle das espécies de plantas daninhas pelo fungo. 2005).5-T. novos grupos químicos de herbicidas surgiram: Amidas (1952).4. Egeria najas e Ceratophyllum demersum pelo pacu (Piaractus mesopotamicus). no Brasil.) e marcou o início do controle químico de plantas daninhas em escala comercial. hoje Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas (SBCPD). isolados de Fusarium graminearum vêm sendo estudados como agente de controle biológico de Egeria densa e de Egeria najas. entre outras. O objetivo das pesquisas em nível mundial é obter herbicidas mais eficazes com doses menores. Miyazaki e Pitelli (2003) verificaram controle de até 100% das espécies aquáticas Egeria densa.

solo e alimentos quando manuseados incorretamente. que é cada vez mais cara. Pode se atribuir essa grande aceitação do uso de herbicidas pelos produtores ao fato de o controle químico das plantas daninhas proporcionar as seguintes vantagens: 1. É importante considerar que todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. É eficiente no controle de plantas daninhas na linha de plantio e não afeta o sistema radicular das culturas. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. Pode controlar plantas daninhas de propagação vegetativa. 3.8 em 1997 (ANDEF/SINDAG. 4. o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas.água (rios. sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas. O emprego do controle químico de plantas daninhas deve ser feito juntamente com outras práticas de controle. sendo a de maior importância o controle cultural.1 . mas devem ser conhecidos. alteração no espaçamento. 5. 2005). difícil de ser encontrada no momento certo. Mesmo em épocas chuvosas. hoje está se tornando prática comum entre os pequenos. Este valor. Menor dependência da mão-de-obra. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência das culturas. Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES e ALMEIDA. 2. dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. na quantidade e qualidade necessária. havendo perigo de intoxicação do aplicador. quando for necessário. ou. perfeitamente controlados e evitados. lagos e água subterrânea). Portanto. evoluiu de 546. uma vez que esta tecnologia. A tendência ainda é de aumento.214.Biologia e métodos de controle 41 . O conhecimento da fisiologia das plantas. em milhões de dolares. o controle químico das plantas daninhas é mais eficiente. Pode ocorrer também poluição do ambiente . principalmente. 6. Permite o plantio a lanço e. Os riscos de uso existem. cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta. 2005). Permite o cultivo mínimo ou plantio direto das culturas. Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O consumo de herbicida no Brasil representa 7-9% do consumo total do mundo.6 em 1990 para 1.

Manejo integrado de plantas daninhas (mipd) Cada vez mais o manejo integrado de pragas vem ganhando reforços em todos os setores agrícolas. O nível de controle das plantas daninhas obtido em uma lavoura dependerá da espécie infestante. e elas são um bom guia para o programa de manejo: 1. Conhecer as espécies dominantes e suas interações. 8. 3. as quais possuem seu ciclo ou parte dele na época das águas. sua base reforçada no campo da entomologia quando pioneiros promoveram o estudo dos problemas do algodoeiro no Nordeste do país. 4.Biologia e métodos de controle . tendo. Desse modo. Integrar os processos com as medidas de proteção das culturas. A integração de diversos métodos de controle dentro do sistema de produção pode dificultar o crescimento e desenvolvimento de populações de espécies daninhas de difícil controle. 2. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco. Monitorar sementes e espécies da área de produção. pode reduzir a dependência do uso de herbicidas e atrasar ou prevenir o aumento de espécies perenes geralmente associadas a sistemas de cultivo. Estudar os métodos usados na propriedade. 5.1 . Identificar as espécies-problema e suas densidades. Decidir quando o controle deve ser feito. que consiste em “um sistema ambiental do campo onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para a produção das culturas livres de danos econômicos da vegetação competitiva”. propondo uma série de medidas que se enquadraram no conceito de integração (CONCEIÇÃO. esse fato. fica evidente que. o manejo integrado de plantas daninhas. em que se levam em conta todos os fatores que podem proporcionar à planta maior e melhor produção. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. Considerando as condições brasileiras. da capacidade competitiva da cultura. para culturas anuais. Desse modo. 7. do período crítico de competição. Escolher a(s) tecnologia(s) de controle compatível(is) com sistema. no controle integrado. Avaliar os impactos ambiental. etc. social e econômico a curto e a longo prazo. Dez palavras-chave descrevem os processos recomendados. 10. das condições ambientais. no Brasil. constituindo-se.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 6 . Prever populações e mudanças de populações de plantas daninhas. dos métodos empregados. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. a maneira integrada de cultivo. 6. os métodos culturais se apresentam como os 42 Módulo 3. Considerar os recursos e as necessidades do fazendeiro. 2000). 9. permite a esta aproveitar eficientemente os recursos do meio.

No plantio direto. toda a palhada da cultura permanece na área à superfície. ou seja.Biologia e métodos de controle 43 . principalmente por luminosidade. 2003). com a adoção do sistema de plantio direto utilizando herbicidas sistêmicos para dessecação. da ordem de 90 a 95%. 2004) e também mais estável do ponto de vista ambiental (SANTOS et al. no milho para silagem toda palhada da cultura anterior e retirada da área. em relação ao plantio convencional. com uso de herbicidas sistêmicos usados como dessecantes. 4). aplicados no momento correto. têmse observado excelentes resultados no manejo da tiririca. independentemente se para produzir milho para grão ou para silagem. é possível obter redução nos níveis populacionais da tiririca a favor do plantio direto. principalmente no período de desenvolvimento das culturas sensíveis à interferência das plantas daninhas. consegue-se ótimo manejo integrado da tiririca. a capacidade de brotação dos tubérculos de tiririca coletados sob solo no sistema integrado é diminuída com o passar do tempo. aliado ao controle cultural. a forrageira cultivada em consórcio com a cultura principal reduz a interferência de muitas espécies de plantas daninhas. Ao contrário. 5). no plantio direto. Além disso. visando a redução do número de propágulos de espécies de difícil controle em áreas agrícolas. Um bom exemplo da aplicação do Manejo Integrado pode ser observado pelo excelente manejo da tiririca na cultura do milho e do feijão graças à utilização do sistema de plantio direto e conhecimentos da biologia das espécies envolvidas. transformando esta espécie daninha extremamente problemática em uma espécie comum. sendo que em três anos a redução no banco de tubérculos no solo pode chegar a mais de 90% (JAKELAITIS et al. Dessa forma.1 . no plantio convencional. Neste sistema. tanto para a cultura do milho quanto para o feijoeiro. Em dois anos nesse sistema. Outro exemplo de manejo integrado de plantas daninhas tem sido praticado em diversas regiões do Brasil quando se adota o sistema integrado agricultura-pecuária. Os maiores benefícios do sistema de plantio direto no manejo integrado da tiririca são obtidos devido à integração do controle químico proporcionado pelo uso do herbicida sistêmico para dessecação da vegetação em pré-plantio.. Dessa forma. como a cultura do milho e feijão. evitando assim sua disseminação e seu rápido crescimento.. ao controle cultural exercido pela falta de revolvimento do solo e conseqüente ausência de fragmentação das estruturas vegetativas da tiririca e à adoção de culturas altamente competitivas. os níveis populacionais da tiririca podem ser diminuídos. Quando a finalidade de uso do solo é para milho grão. 45 dias após a emergência.. 2005) Módulo 3. aliado ao fato de não revolver o solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mais adequados para integração com o controle químico. ou incoporada ao solo. permanecendo dormentes (Fig. a ponto de não acarretar reduções de produção das culturas infestadas (Fig. tornando o sistema menos dependente do controle químico (JAKELAITIS et al.

Biologia e métodos de controle .1 .População de tiririca nas culturas de milho e feijão nos sistemas de plantios convencional e direto (após dois anos de adoção do manejo integrado de plantas daninhas –MIPD) aos 30 DAP Figura 5 – Brotação de tubérculos de tiririca coletados em campo em áreas de plantio convencional e em área onde se adotou o plantio direto com o manejo integrado dessa espécie infestante.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 4 . após três anos de adoção 44 Módulo 3.

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Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .Manejo de plantas daninhas 3.DF 2006 48 Módulo 3.2 . Lino Roberto Ferreira Profº.ABEAS Universidade Federal de Viçosa .2 .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 . Antonio Alberto da Silva Profº. Francisco Affonso Ferreira Profº. José Barbosa dos Santos Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação Tutores: Profº.

3 .Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II.Principais características.6.2 .1 .4 . 51 1 .Herbicidas inibidores da EPSPs. 80 4.52 3 .6. 68 4.1. 75 4.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I. 62 4.3.Quanto à translocação.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.Herbicidas inibidores da fotossistama II.3 .2.Principais características.4 .3 .5.Quanto aos mecanismos de ação.Mecanismo de ação.6.Mecanismo de ação das cloroacetanilidas. 55 4. 60 4.2 . 70 4. 56 4.Herbicidas inibidores da Protox.53 4 . 83 4.Principais características.2 . 77 4.Caracterização de alguns herbicidas auxínicos.Principal herbicida do grupo.1 .2 . 54 4.6 .7 . 55 4.Mecanismo de ação.Mecanismo de ação. 73 4. 74 4. 85 4.1 .1.Características de algumas cloroacetanilidas.2 .Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX.5. 79 4.4. 73 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 49 . 58 4.2 .7.1 .Mecanismo de ação.4.Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos. 75 4. 79 4. 68 4. 53 4.5 . 61 4.3 .Características gerais dos inibidores do fotossistema II. 76 4.2.Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos.2 .Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina.3 .Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos.3.3 .Características gerais.1.Herbicidas inibidores da acetolactato sintase. 88 Módulo 3.3.2.Quanto à seletividade.3 .1 .Quanto à época de aplicação.Algumas sulfoniluréias.2 . 58 4.2 .7.Algumas imidazolinonas.1 . 68 4.8 .2.Seletividade.5. 80 4. 73 4.1 . 79 4.Mecanismos de seletividade. -51 2 .4.1 .

Mecanismos de ação.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .3 .9 .8.Características gerais. 95 Referências bibliográficas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. 92 4.Herbicidas inibidores da ACCase.1 .2 .Principais características.9. 89 4.2 . 99 50 Módulo 3.8.10 .9. 91 4. 91 4.2 .9. 88 4.1 .Mecanismo de ação.Caracterização de alguns inibidores da ACCase.Herbicidas inibidores de carotenóides. 93 4.

época de aplicação. etc. etc. são mais tolerados por uma determinada espécie ou variedade de plantas do que por outras. a seletividade é sempre relativa. Todavia. Todavia. pois depende do estádio de desenvolvimento das plantas. Exemplos: diquat. é possível tornar um herbicida não-seletivo a seletivo para determinada espécie. paraquat. Normalmente são recomendados para uso como dessecantes ou em aplicações dirigidas. translocação. estrutura química e mecanismo de ação (WARREN. tem-se 2. atrazine para o milho. e mesmo assim a dose tolerada é dependente das condições edafoclimáticas. Para soja. do tipo de solo. das condições climáticas. imazethapyr para a soja. dentro de determinadas condições. etc.Quanto à seletividade Herbicidas seletivos São aqueles que. por meio da biotecnologia. o metribuzin é seletivo apenas quando aplicado em pré-emergência. exemplo: a soja trasgênica resistente ao glyphosate. por exemplo. 1995a). Módulo 3. HESS.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 51 . da dose aplicada. Como exemplo. de acordo com as características de cada um. fomesafen para o feijão. Essas características individuais permitem estabelecer grupos afins de herbicidas com base em sua seletividade. glyphosate. Herbicidas não-seletivos São aqueles que atuam indiscriminadamente sobre todas as espécies de plantas. 1 .2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Os herbicidas podem ser classificados de diversas maneiras.4-D para a cana-deaçúcar.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . eles somente devem ser aplicados em pós-emergência das plantas daninhas. no sistema de plantio direto (cultivo mínimo). clorimuron-ethyl. etc. etc. imazaquin. ou seja. trigo. estes devem ser aplicados antes da emergência (pré-emergência) desta ou de forma dirigida. Pós-plantio Dependendo da atividade dos herbicidas sobre as plantas. Também. pois muitas vezes. reflorestamento e lavouras de café. neste caso. também. exemplos: flumioxazin. são desativados (sorvidos). Estes produtos podem. exemplo: sethoxydim em tomate. até mesmo em subdoses. ele necessita ser incorporado ao solo. ou. das condições nas quais ele apresenta melhor desempenho. nicosulfuron em milho. ou. paraquat. imazethapy. apesar penetrarem também pelas raízes. Contudo. metsulfuron-methyl em trigo. se o herbicida é seletivo para a cultura. deve ser aplicado antes do plantio. pois em pós-emergência.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . que pode ser usado em tomate em pré e em pósemergência tardia ou após o transplante. como é o caso do trifluralin. Todavia. visando facilitar o plantio e promover cobertura morta do solo. de solubilidade muito baixa em água e. eles devem ser aplicados em pré ou em pós-emergência das culturas ou das plantas daninhas. Quando aplicado após o preparo do solo e incorporado a este antes do plantio. em aplicação dirigida. quando atigem o solo. diz-se que este herbicida é aplicado em PPI. especialmente ao glyphosate. a sua aplicação em pré ou pós-emergência vai depender da tolerância da cultura e. por esta razão. aplicado em pré-plantio e incorporado. feijão. porém têm como objetivo principal garantir o controle inicial das plantas daninhas na implantação da lavoura. na cultura da soja somente pode ser usado em pré-emergência. outros que possuem maior efeito residual no solo. como é o caso do glyphosate e paraquat aplicados no plantio direto de milho. a estes. em culturas perenes como fruteiras. etc. apresentam curto efeito efeito residual e quase sempre são utilizados como dessecantes. etc. Entretanto. Estes podem ou não auxiliar na dessecação das plantas. feijão e soja. Quando são absorvidos apenas pelas folhas. metribuzin. ser não-seletivos para a cultura e.2 . como é o caso do metribuzin. Se o herbicida é absorvido pelas folhas e raízes. Outro 52 Módulo 3. ele pode ser aplicado em pós-emergência de ambas (plantas daninhas e culturas). Esses produtos normalmente são não-seletivos. exemplos: glyphosate. ainda. pode-se também misturar.Quanto à época de aplicação Pré-plantio Quando o herbicida é muito volátil. alguns herbicidas devem ser aplicados antes do plantio. ele é muito tóxico à soja. fotodegradável.

2 . inibidores da ACCase. Estes herbicidas sistêmicos são capazes de se translocarem a grandes distâncias na planta. LIEBL. porque a morte rápida do tecido condutor (floema) limita a chegada de dose letal do herbicida a algumas estruturas reprodutivas das plantas. exemplos: paraquat. os herbicidas podem ser classificados em: mimetizadores de auxinas (auxínicos).HESS. inibidores do fotossistema I. onde atuará para que seus efeitos possam ser observados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas exemplo seria o herbicida atrazine. a ação do produto pode ser mais rápida. ele é considerado sistêmico. (WARREN. Quando o movimento (translocação) do herbicida é via floema ou floema e xilema. THILL. Estes produtos. flazasulfuron. inibidores da síntese de carotenóides. Inibidores da GS. inibidores da EPSPs. atingir a célula e posteriormente a organela. CRAFTS. Os herbicidas também podem se movimentar (translocar) nas plantas pelo xilema. inibidores do fotossistema II. recomendado para as culturas de milho e sorgo. quando usados em doses muito elevadas. inibidores da PROTOX. etc.4-D. etc. picloram.Quanto à translocação Os herbicidas podem ser de contato quando atuam próximo ou no local onde eles penetram nas plantas. podem apresentar ação de contato. quando utilizado em pós-emergência. lactofen. inibidores da ALS. já a primeira lesão bioquímica ou biofísica que resulta na morte ou ação final do produto é considerada “mecanismo de ação”. A este produto. 1995. Neste caso. deve-se adicionar à calda óleo mineral visando solubilizar parte da cera epicuticular. entretanto a primeira lesão que ele causa na planta pode caracterizar o seu mecanismo de ação (ASHTON. pelo floema ou por ambos. porém com efeito final menor. Quanto ao mecanismo de ação. como é o caso de 2. Módulo 3. 3 . nicosulfuron.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 53 . 1973. glyphosate. imazethapyr. aumentando a sua penetração pelas folhas. diquat. inibidores do arranjo dos microtúbulos.Quanto aos mecanismos de ação É interessante que se faça distinção entre os termos usados rotineiramente quando se refere a herbicida: “modo e mecanismo de ação de herbicida”. É importante lembrar que um mesmo herbicida pode influenciar vários processos metabólicos na planta. “Modo de ação” refere-se à seqüência completa de todas as reações que ocorrem desde o contato do produto com a planta até a sua morte ou ação final do produto. O simples fato de um herbicida entrar em contato com a planta não é suficiente para que ele exerça sua ação tóxica. 2003a). 4 . 1995). Ele terá necessariamente que penetrar no tecido da planta. etc.

em plantas sensíveis. provocado pelo acúmulo de proteí¬nas e. verificam-se rapidamente aumentos significativos da enzima celulase. conseqüentemente. Esse alongamento celular parece estar relacionado com a diminuição do potencial osmótico das células. Em conseqüência dos efeitos desses herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. notadamente nas raízes.Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina Esta classe de herbicidas é uma das mais importantes em todo o mundo. que leva estas espécies a sofrer.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .1 .2 . Acredita-se que estes produtos interfiram na ação da enzima RNA-polimerase e. na síntese de ácidos nucléicos e proteínas (ASHTON. trigo e cana-de-açúcar e em pastagens. também. podendo levá-las à morte. sendo extensivamente utilizada em culturas de arroz. Após aplicações de herbicidas auxínicos. Essa perda da rigidez das paredes celulares é provocada pelo incremento na síntese da enzima celulase. rapidamente. especialmente da carboximetilcelulase (CMC). Historicamente. epinastia das folhas e retorcimento do caule. mais especificamente. Por esse motivo. 2003a). além de interrupção do floema. induzem mudanças metabólicas e bioquímicas. 1). causando epinastia de folhas e caule. Estes herbicidas induzem intensa proliferação celular em tecidos. quando aplicados em plantas sensíveis. verifica-se crescimento desorga¬nizado. em poucos dias ou semanas. Os herbicidas auxínicos. o 2. engrossamento das gemas terminais e morte da planta (Fig. as espécies sensíveis têm seu sistema radicular rapidamente destruído. pelo efeito destes produtos sobre o afrouxamento das paredes celulares. milho. porque eles marcaram o início do desenvolvimento da indústria química (THILL. Figura 1 .4-D e o MCPA são os mais importantes. 1973). impedindo o movimento dos fotoassimilados das folhas para o sistema radicular. CRAFTS.Sintomas leves de intoxicação de plantas de algodão (A) e ação final do produto sobre plantas de Raphanus raphanistrum (B) 54 Módulo 3. Estudos sugerem que o metabolismo de ácidos nucléicos e os aspectos metabólicos da plasticidade da parede celular são seriamente afetados.

Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos Todos os herbicidas auxíncos são derivados de ácidos fracos e podem ser formulados nos seus respectivos ácidos.4-D. Na cultura do milho (4-6 folhas).2 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 55 . em uva. exemplos: para arroz e trigo deve-se usar o 2. 2. Algumas espécies de plantas podem excretar estes herbicidas para o solo através de seu sistema radicular (exsudação radicular).2 . algodão. Estádio de desenvolvimento das plantas. deve-se usar 0 2. principalmente em aplicações aéreas. cada um dos diferentes princípios ativos.1. e na cultura do milho. Nas culturas de arroz e trigo. Deriva. 3. recebendo nomes comerciais diversos. se praticável.Seletividade A seletividade dos herbicidas auxínicos pode ser dependente de diversos fatores: 1. Essa característica especial das monocotiledôneas pode prevenir a destruição do floema pelo crescimento desorganizado das células.3-D-4-OH.1. 4. resíduos deixados em pulverizadores mal lavados e contaminação de água de irrigação por estes herbicidas. tomate. derivados do ácido picolínico podem causar fitotoxicidade. Módulo 3. ser comercializado isoladamente ou em misturas. c) Usar baixa pressão para aplicação. em doses extremamente baixas. Arranjamento do tecido vascular em feixes dispersos.1 . fumo. sendo esta a principal rota para o metabolismo do 2. em condições de campo.5 dicloro-4 hidroxifenoxiacético e 2..4-D após o perfilhamento e antes do emborrachamento. b) Usar maior tamanho de gotas. podendo. d) Evitar a aplicação quando o vento estiver em direção às culturas. podem causar sérios problemas técnicos. Aril hidroxilação do 2. exigindo cuidados especiais para se realizar rotação de culturas. etc. comprometendo de maneira severa o rendimento de culturas e a qualidade do ambiente. 4. sais ou ésteres. É comum a aril hidroxilação resultar na perda da capacidade auxínica destes herbicidas. que são espécies altamente sensíveis.4-D para 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. se aplicado fora do estádio de desenvolvimento recomendado.4-D apenas em aplicação dirigida. As seguintes medidas são recomendadas para reduzir problemas com a utilização destes herbicidas: a) Evitar o uso de formulações que apresentam elevada pressão de vapor (muito voláteis). causada pela ação de herbicidas auxínicos. além de facilitar a sua conjugação com aminoácidos e outros constituintes da planta. Por exemplo. Alguns desses produtos podem permanecer ativos no solo por longo período. sendo estes protegidos pelo esclerênquima em gramíneas (monocoti¬ledôneas). se aplicado em pós emergência total ocorrem sérios problemas de fitotoxicidade.

a atividade residual do 2. É muito utilizado em misturas com inibidores da fotossíntese na cultura da cana-de-açúcar. pka de 2. e com glyphosate.1. Transloca-se com grande eficiência em plantas com elevada atividade metabólica. plantas ganham maior tolerância com a idade. acumulando-se nas regiões meristemáticas dos pontos de crescimento. com menor movimentação. além de detergente. é usado para controlar plantas daninhas perenes.4-D.4 diclorofenoxiacético (2. Cada formulação pode apresentar características físico-químicas diferentes. volatilidade. a decomposição é consideravelmente reduzida. no mercado brasileiro. milho. gramados e culturas gramíneas (arroz. a resistência a estes herbicidas hormonais é reduzida.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . enquanto as de éster são praticamente insolúveis e. para uso no plantio direto e em aplicações dirigidas. As formulações ésteres e ácidas são prontamente absorvidas pelas folhas. entretanto. em pastagens. persistência no ambiente. Dicamba 56 Módulo 3. Movimenta-se pelo floema e.3 .8 e Koc médio de 20 mg g-1 de solo para formulações ácido ou sais e de 100 mL g-1 de solo para ésteres (RODRIGUES. ou. xilema.4-D se transloca por toda a planta pois se movimenta tanto pelo xilema quanto pelo xilema. cana-de-açúcar.Caracterização de alguns herbicidas auxínicos 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e) Tomar cuidado especial com a lavagem do pulverizador após as aplicações. mais lixiviáveis. É recomendado para pastagens.4-D) foi o primeiro herbicida seletivo descoberto para o controle de plantas daninhas latifoliadas anuais.). sendo esta a condição para ótima atividade do produto. trigo.4-D Sal ou éster amina do ácido 2. em fruteiras e lavouras de café. ALMEIDA. Usar. etc. etc. Em solos secos e frios. porque são altamente solúveis. 2005). toxicidade. durante o florescimento. As formulações aminas são mais adsorvíveis no solo do que as de éster e. 4. Apresenta solubilidade de 600 mg L-1. Em mistura com o picloram. amoníaco ou carvão ativado. Apresenta persistência curta a média nos solos.2 . O 2.4-D não excede a quatro semanas em solos argilosos e clima quente. Em doses normais. portanto. e aquelas à base de sal são rapidamente absorvidas pelo sistema radicular das plantas. conferindo ao produto características dife¬renciais quanto à seletividade.Em ambos os casos o 2. Em geral. é encontrado em dife¬rentes formulações e marcas comerciais.

0 e 83. para controlar arbustos e árvores.000 mg L-1. perenes e de árvores.2 a pH 1. Deve ser observado o período residual para o cultivo de espécies altamente sensíveis (videira. sendo muito utiliza¬do em misturas com o 2.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 57 . pimentão. Kow: 0..3. É fracamente adsorvido pela matéria orgânica ou argila. sendo recomendado de modo semelhante ao 2. A mistura (picloram + 2. 6-dicloro-2-metoxibenzoico (dicamba) é facilmente translocado pelas plantas via floema e.2 .5. na planta. para evitar a rebrota de espécies-problema como o leiteiro (Peschiera funchsiaefolia) e outras. pode permanecer ativo na matéria orgânica proveniente de pastagens tratadas com este produto (RODRIGUES. Para o controle de árvores. na região Sul do Brasil. O picloram. ou. ou. podendo se acumular no lençol freático raso. está sujeito a lixiviação. Também. o que dificulta a absorção e translocação do herbicida até as raízes (SILVA et al. até mesmo quando cultivadas em solos adubados com esterco proveniente de pastagens tratadas com picloram e pastoreadas logo depois. Esta mistura pode ser usada em área total ou em áreas localizadas. 2001).4 a pH 7.4-D. Picloram O ácido 4-amino 3. dependendo da intensidade. Apresenta solubilidade de 720. como o cipó-de-veado (Polygonum convolvulus L. comuns em lavouras de trigo. fumo. algodão.). do movimento capilar da água e. apre¬senta efeito lento. considerando o controle de plantas daninhas herbáceas e arbustivas. antes que se inicie o processo de cicatrização. Kow: 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O sal de dimetilamina do ácido 3. Sendo um herbicida de alta solubilidade em água. ALMEIDA. que podem apresentar severos sintomas de intoxicação. É muito utilizado para controlar algumas espécies de dicotiledôneas tolerantes ao 2. Quando aplicação é feita no toco é fundamental que esta seja realizada imadiatamente após o corte da árvore.6 tricloro-2-piridinacarboxílico (picloram) é um produto extremamente ativo sobre dicotiledôneas. formando o Tordon.29. Módulo 3. e Koc médio de 16 mg g-1 de solo. tomate.4-D. milho e trigo e em pastagens. pode ser feito o pincelamento ou a pulveri¬zação dos tocos.4-D para o controle de plantas em culturas de canade-açúcar. É muito pouco adsorvido pelos colóides de argila e mais pela matéria orgânica do solo. e koc de 2 mg g-1 de solo.). e também com fluroxypyr formando o Plenum. porém extremamente persistente (a planta não consegue metabolizar rapidamente o picloram). Apresenta pka: 2. da evaporação. Apresenta maior efeito sobre dicotile¬dôneas.87. etc. Dontor ou Manejo. em solos de textura arenosa. 2005). pka: 1.4-D) é muito utilizada em pastagens para o controle de plantas daninhas anuais. Apresenta longa persistência (meia-vida de 20 a 300 dias) e fácil mobilidade no solo. em razão de sua longa persistência no solo (dois a três anos). xilema.

sendo largamente utilizados nas cultu¬ras de grande interesse econômico. A aplicação poderá ser por equipamentos terestres ou por avião quando as áreas estiverem infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno e médio porte. 2005). a quinona 58 Módulo 3.Herbicidas inibidores da fotossistama II São de grande importância na agricultura brasileira e mundial. com as plantas em pleno vigor vegetativo..5. sua meia-vida é de 20 a 45 dias. por sua vez. Deve ser aplicado de outubro a março (no período chuvoso). a energia luminosa capturada pelos pigmentos (clorofila e carotenóides) é transferida para um “centro de reação” especial (P680).2.36 a pH 7. campo de futebol. 4. gerando um elétron “excitado”. Nunca fazer aplicações aéreas a menos de 2. pka: 2. Em solos leves. em área total para controle de plantas daninhas em pastagens e arroz. Apresenta solubilidade em água de 23 mg L-1. e Koc médio de 20 mL g-1 de solo. 2004). Seu grau de adsorção depende do pH do solo. com ventos de 0 a 6 km h-1.. ALMEIDA. durante a fase luminosa da fotossíntese. chamada “Qb”. pode haver lixiviação (RODRIGUES. também presa na proteína. como arroz.2 . (FREITAS et al.Mecanismo de ação Os pigmentos. É recomendado para uso em pós-emergência. Interromper imediatamente as aplicações se houver mudança na direção do vento. Este elétron é transferido para uma molécula de plastoquinona presa a uma mem¬brana do cloroplasto (Qa). É também muito eficiente e seletivo para controlar dicotiledôneas infestantes de áreas cultivadas com gramas: jardins. entre outras (RODRIGUES. 4.26 x 10-6 mm Hg a 25 oC. sem a interferência de inibidores do fotossistemoa II. sob condições de alta pluviosidade. etc. as proteínas e outras substâncias químicas envolvi¬das na reação da fotossíntese estão localizados nos cloroplastos. cana-de-açúcar. em aplicação foliar. A molécula da plastoquinona “Qa” transfere o elétron. porém é rapidamente degradado no solo. Kow: 2. O vento deverá estar soprando da cultura sensível para a área de aplicação. para uma outra molécula de plastoquinona. 2005). pressão de vapor de 1. soja. umidade relativa >50% e temperatura < 30°C.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Triclopyr O ácido [(3.000 m de culturas sensíveis. algodão. hortaliças.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Quando um segundo elétron é transferido para a plastoquinona “Qb”. Nas condições normais.64 a pH 5 e 0.2 . dependendo do tipo de solo e das condições climáticas.6-tricloro-2-piridinil) oxi] acético (triclopyr) apresenta ação semelhante ao picloram. açudes.1 . ALMEIDA. feijão. fruteiras.68. milho.

etc.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 59 . Esse fato demonstra que algo mais que a simples inibição do fotossistema II está ocorrendo. quinolonas. Muitos herbicidas inibidores do fotossistema II (derivados das triazinas. também. aumentam a estabilidade desta na presença da luz. Essa proteína é chamada D-1. como pode ser visto na Fig. (HESS.2 . das uréias substituídas. sabe-se que a clorose foliar que Módulo 3. formando uma plastoidroquinona (QbH2). que ela tem uma configuração de cinco hélices que atravessam a membrana do cloroplasto (tilacóide) e duas hélices paralelas que se interligam. ao sítio da plastoquinona “Qb”. seja válida para outros produtos desse mesmo grupo químico. bromoxynil e ioxynil). De maneira simplificada. De modo geral. naftoquinonas. os herbicidas apresentam maior tempo de residência no sítio do que a plastoquinona “Qb”. Diversos análogos do fenol foram descritos como inibidores fotossistema II.2. com baixa afinidade para se prender na proteína. prendendo-se. Alguns exemplos: piridonas. esta proteína é destruída rapidamente pela ação da luz. não evitam a destruição da proteína D-1 pela luz. a função da plastohidroquinona é transferir elétrons entre os fotossis¬temas II (P68O) e I (P7OO). por exemplo. pironas. Estes herbicidas competem com a plastoquinona “Qb” parcialmente reduzida (QbH) pelo sítio na proteína D-1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas reduzida torna-se protonada (dois íons de hidrogênio são adicionados). como fazem os “clássicos”. Sabe-se. WELLER. ocasio¬nando a saída da plastoquinona e interrompendo o fluxo de elétrons entre os fotossistemas. benzoquinonas. Além da competição em si pelo sítio na proteí¬na. A associação com a proteína se dá com aminoácidos diferentes no sítio para cada biótipo.Esquema do transporte de elétrons na fotossíntese. A proteína D-1 é hoje muito conhecida. O sítio. onde a plastoquinona “Qb” se prende e onde os herbicidas vão se prender também. 1995a. dos fenóis.) causam essa inibição prendendo-se na proteína. no sítio onde se prende a plastoquinona “Qb”. o que aumenta o efeito inibitório destes. sendo conhecida também como proteína 32 kilodaltons. ou bolso. Plantas suscetíveis tratadas morrem mais rapidamente quando pulverizadas na presença da luz do que quando pulverizadas e colocadas no escuro. Isso impede que uma mudança na sequência de aminoácidos da proteína (mutação) tornando esse biotipo resistente aquele herbicida. Fonte: Warren e Hess (1995) Os derivados das triazinas e das uréias substituídas são conhecidos por se prenderem justamente ao sítio dos elétrons da proteína D-1. quando se prendem à proteína. Herbicidas derivados do fenol (dinoseb. fica entre a quarta e quinta hélices que atravessam as membranas dos cloroplastos e a hélice paralela que liga as duas. Atualmente. dioxobenzotiazoles e cianoacrilatos. por alguma razão não conhecida. 2003). Figura 2 . impedindo sua destruição. Estes herbicidas.

dado pelos carotenóides. 1995). Estes herbicidas não provocam nenhum sinal visível de intoxicação no sistema radicular das plantas. Aparentemente.2. 3). no estado de energia simples. Todos eles translocam-se nas plantas apenas via xilema. e b: a clorofila de carga tríplice também reage com oxigênio e produz um oxigênio reativo (oxigênio singlet). 60 Módulo 3. ela sai do estado neutro (sem carga) e vai para um estado de energia simples. por esse motivo. 4. tornase ainda mais carregada e mais reativa (estado de energia tríplice). a carga é repassada aos carotenóides. declina poucas horas após o tratamento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorre após o tratamento é devida a rompimentos na membrana dos pigmentos causados pela peroxidação de lipídios (ácidos graxos insaturados) da membrana (Fig. tratadas com esses herbicidas.Características gerais dos inibidores do fotossistema II • • • • A taxa de fixação de CO2 pelas plantas sensíveis. é sobrepujado pelo excesso de clorofila no estado de alta energia. o sistema de prote¬ção. aparecendo os sinais de necrose foliar (WELLER. para que a clorofila não se destrua.Estrutura esquemática da membrana de um cloroplasto Fonte: Warren e Hess (1995) Quando a clorofila aceita um elétron. Essa molécula de oxigênio carregada contribui para o processo de formação dos radicais lipídicos nos ácidos graxos insaturados da membrana. plantas perenes somente são eliminadas por esses herbicidas quando tratadas via solo. Em casos nor¬mais. Esse excesso de energia (clorofila triple) causa o início da peroxidação de lipídios por dois mecanismos: a: formação direta de radical lipídico nos ácidos graxos insatura¬dos da membrana do cloroplasto. todos eles podem ser absorvidos pelas raízes. Na presença do herbicida. Esta clorofila não retorna ao estado anterior quando o fluxo de elétrons é interrompido pela ação do herbicida que se prendeu ao sítio da plastoquinona “Qb”. que é normalmente transferido para o centro de reação (P680). Essa molécula de clorofila. Essas reações dão início ao processo de peroxidação das membranas.2 . Figura 3 .2 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . entretanto. a velocidade de absorção foliar é diferente para cada produto deste grupo. não podendo transferir o elétron ao centro de reação P680 (fotossistema II).

Tem sido observado. Absorção diferencial por folhas e raízes . Apresentam pouca ou média mobilida¬de no perfil do solo. 4.Mecanismos de seletividade As causas pelas quais os herbicidas inibidores do fotossistema II são seletivos são diversas e variam de cultura para cultura (WELLER. ao tipo de formulação utilizado. podendo ser curta para alguns produtos (< 30 dias) ou muito longa (> 720 dias) para outros. estes herbicidas são muito adsorvidos pelos colóides orgânicos e minerais do solo. não atingindo o local de sua absor¬ção pela planta (sistema radicular). Neste caso. Por estas razões. Normalmente. torna-se necessário fazer rotação com outros herbicidas que apresentam mecanismo de ação diferente. o diuron não causa intoxicação à cultura do algodão quando utilizado em pré-emergência. Como exemplo. quando aplicadas diretamente no solo. Por este motivo. podendo garantir a seletividade de determi¬nadas espécies. 1995).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Quando esses herbicidas são usados em pós-emergência.este fato pode ser devido à anatomia e. Módulo 3. Todavia. Em geral. Alguns herbicidas deste grupo apresentam seletividade “toponômica” ou seletividade por posição. ou se for aplicado em solo de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica. tem-se a seletividade do diuron para a cultura do algodão. Neste caso. Na realidade. Plantas que estão se desenvolvendo em condições de baixa lumino¬sidade são mais suscetíveis a esses herbicidas. as doses recomendadas. morfologia das folhas e raízes e. necessita-se de boa cobertura foliar da planta e. A persistência agronômica destes herbicidas no solo é extremamente variável. o aparecimento de novas espé¬cies de plantas daninhas resistentes a estes herbicidas (atuam em sítio de ação específico). pois possuem pressão de vapor muito baixa.2 . se o diuron for incorporado mecanicamente ao solo. são variáveis para cada tipo de solo. ou. ainda.2. também. É comum ocorrer efeito sinérgico quando se aplicam inibidores do fotostema II em mistura com outros herbicidas. porque este produto é muito pouco móvel no perfil do solo. ainda.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 61 . Todos os herbicidas inibidores do fotossistema II apresentam toxicidade muito baixa para mamíferos. menor reserva de carboidratos. com relativa freqüência. inseticidas ou fungi¬cidas inibidores da colinesterase. Elas apresentam menor barreira cuticular à penetração dos herbicidas e. estes herbicidas não apresentam problemas de deriva por volatilização. pode se verificar perda de seletividade do herbicida.3 . de adição de adjuvante (estes produtos podem apresentar difícil penetração foliar e não são sistêmicos). o herbicida não será absorvido em quantidade suficiente para intoxicar a cultura. podendo levá-la à morte. ele poderá entrar em contato com o sistema radicular do algodão e causar severa intoxicação à cultura.

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Translocação diferencial das raízes para as folhas - isto ocorre devido à presença de glândulas localizadas nas raízes e ao longo do xilema, que adsorvem estes produtos, impedindo que sejam translo¬cados até seus sítios de ação, localizados nos cloroplastos. Metabolismo diferencial - algumas espécies de plantas, em suas raízes ou em outras partes, possuem enzimas que são capazes de metabolizar as moléculas de determinados herbicidas, transformando-os rapida¬mente em produtos não-tóxicos para as plantas. Como exemplo, pode-se citar o milho e o sorgo, que apresentam em suas raízes teores elrvados de benzoxazinonas. Estes compostos podem promover rápida degradação da molécula de atrazine por meio de reações de hidroxilação, dealquilação, ou ainda a conjugação dessa molécula com polipetídeos naturais, tornando estas culturas tolerantes a este herbicida. Outro exemplo seria a seletividade da cultura de arroz ao herbicida propanil. Esta cultura apresenta concentrações de dez a trinta vezes da enzima arilacilamidase em realação às principais gramíneas infestantes do arroz. Elevadas concetrações da arilacilamidase, nas folhas de arroz, garantem a degradação do propanil antes que estes atinjam os cloroplastos (sítio de ação primário deste herbicida), o que não ocorre com as gramíneas infestantes dessa cultura. 4.2.4 - Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II Atrazine

O 6-cloro-N-etil-N’-(1-metiletil)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (atrazine) apresenta solubilidade em água de 33 mg L-1, pka: 1,7, kow: 481; e koc médio de 100 mg g-1 de solo (Rodrigues; Almeida, 2005). É moderadamente adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica, tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É lixiviável, sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 30 cm e também em águas subterrâneas. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química e física. Apresenta meia-vida no solo média de 60 dias e persistência média a longa nos solos nas doses recomendadas de 5 a 7 meses. Em solos tropicais e subtropicais sua persistência pode também ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas em condições de pH do solo elevado, clima frio e seco. Em diversas regiões do Brasil, em campo, tem sido observada intoxicação da aveia semeada até 150dias após aplicação de atrazine na cultura do milho. É muito utilizado na cultura do milho, sendo, também, recomendado para cana-de-açúcar, café, fruteiras, cacau, pimenta-do-reino, etc. Fumo e trigo são muito sensíveis ao atrazine. Quando aplicado em pós-emergência, tem-se observado ótima eficiência de controle das plantas daninhas mesmo com a redução da dose aplicada. Todavia, para isso, é necessário adicionar à calda óleo mineral, sendo mais eficiente para controlar plantas daninhas recém-emergidas (plantas com 1-2 pares de folhas). É muito utilizado em misturas com outros herbicidas em culturas de milho, cana-de-açúcar, fruteiras e outras. As plantas de milho e sorgo possuem a capacidade de metabolizar o atrazine absorvido,
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transformando-o por meio de reações de hidroxilação, dealquilação e conjugação, por ação de benzoxazinonas presentes nestas espécies, em compostos não-tóxicos. O atrazine é muito eficiente no controle de dicotiledôneas, porém apresenta eficiência apenas regular para controle de diversas monocotiledôneas. Na cultura do milho, é muito utilizado em pré-emergência, quando em mistura com o metolachlor, formando o “Primestra”, e também em pós-emergência precoce, quando em mistura com óleo mineral (Primóleo) para controle de dicotiledôneas e em mistura no tanque com o nicosulfuron ou outras sulfoniluréias (foramsulfuron + idosulfuron-methyl), em áreas com infestação mista (JAKELAITIS et al., 2005). Simazine

O 6-cloro-N,N`-dietil-1,3,5-triazina-2,4-diamina (simazine) apresenta solubilidade em água de 3,5 mg L-1, pka: 1,62, kow: 122; e koc médio de 130 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica e tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É pouco lixiviável, não sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 10 cm. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química, ocorrendo hidrólise, com formação de hidroxisimazine e dealquilação do grupo amino. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 5 a 7 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas. Pode ser usado em pré-emergência das plantas daninhas nas culturas de café, cana-deaçúcar, alfafa, fruteiras, etc., para controle de dicotiledôneas e algumas gramíneas. Em doses maiores que 10kg ha-1 do p.c., pode ser usado usado para limpeza de cercas e áreas industriais. É absorvido basicamente pelo sistema radicular das plantas, sendo pouco móvel no solo. É utilizado em misturas com o atrazine, visando minimizar efeitos do clima, principalmente oscilações pluviais, e também para aumentar o espectro de controle de espécies de plantas daninhas. Ametryn

O N-etil-N`-1(metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (ametryn) apresenta solubilidade em água de 200 mg L-1; pka: 4,1; kow: 427; e koc médio de 300 mg-1 de solo. É medianamente lixiviável nos solos arenosos (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua degradação no solo é, em maior parte microbiana, mas também química, por processos de oxidação e hidrólise.
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Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 4 a 6 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que nove meses se usado em doses elevadas, dependendo do clima e tipo de solo (meia-vida média no solo é de 60 dias). É reco¬mendado para as culturas de cana-de-açúcar, banana, café, abacaxi, citros, milho e videira, para controle de mono e dicotiledôneas. Pode ser absorvido facilmente pelas raízes e folhas de plantas. É pouco móvel no solo, por ser muito adsorvido por colóides orgânicos e minerais. Sua adsorção pelos colóides é muito influenciada pelo pH. Também pode apresentar adsorção negativa (dessorção), ocorrendo liberação para as plantas de moléculas anteriormente inativadas pelos colóides do solo. É muito utilizado em misturas com os herbicidas diuron, tebuthiuron, atrazine, trifolysulfuron-sodium, 2,4D, etc; principalmente quando recomen¬dado para de cultura da cana-de-açúcar (PROCÓPIO et al., 2003). É pouco lixiviado no solo, permanecendo na maioria das condições na camada superior (primeiros 30 cm). Prometryne

O N,N`-bis(1-metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (prometryne) apresenta solubilidade em água de 48 mg L-1; pka: 4,09; kow: 1.212; e koc médio de 400 mg g-1de solo. É pouco lixiviado em solos de textura média a argilosa, sendo facilmente degradado por microrganismos que o utilizam como fonte de energia. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 1 a 3 meses em condições tropicais e subtropicais, dependendo das condições de solo, do clima e da dose utilizada. Sua absorção é feita pelas folhas e raízes, sendo mais utilizado em pré-emergência. É recomendado para as culturas de quia¬bo, aipo, cenoura, alho, salsa, cebola, ervilha, etc. A cultura da cebola apresenta maior tolerância ao prometryne quando este é aplicado antes do transplante. Não apresenta seletividade para a cultura da cebola em semeadura direta. Metribuzin

O 4-amino-6-(1,1-dimetiletil)-metiltio-1,2,4-triazina-5-(4H)-ona (metribuzin) apresenta solubilidade em água de 1.100 mg L-1; kow: 44,7; e koc médio de 60 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É moderadamente adsorvido em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila. É um herbicida muito dependente das condições edafoclimáticas para seu bom funcionamento. Quando aplicado na superfície de solo seco e persistir nesta condição por sete dias,
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é desativado por fotodegra¬dação (SILVA, 1989). O metribuzin é também facilmente lixiviado no solo, não sendo recomendado seu uso em solo arenoso e, ou, com baixo teor de matéria orgânica. É absorvido tanto pelas folhas quanto pelas raízes. Controla diversas espécies de dicotiledôneas e algumas gramíneas. É recomendado para aplicação em pré-emergência nas culturas de batata, tomate, soja, café, cana-de-açúcar e mandioca para o controle de diversas infestantes dicotiledôneas. Não apresenta nenhum controle sobre Euphorbia heterophylla. Na cultura do tomate conduzida em semeadura direta, deve ser usado exclusivamente em pré-emergência, logo após a semeadura. No tomate transplantado, poderá ser usado também em pós-emergência, até dezdias após o transplante das mudas. É utilizado em misturas com outros herbicidas, especial¬mente com trifluralin e metolachlor, na cultura da soja. Linuron

O N-(3,4-diclorofenil)-N-metoxi-N-metiluréia (linuron) é um herbicida derivado do grupo das uréias, que apresenta solubilidade em água de 75 mg L-1, pka: zero; kow: 1.010; e koc médio de 400 mg g-1 de solo. É adsorvido principalmente em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila, sendo pouco lixiviável nestes tipos de solo, apresentando persistência de 2 a 5 meses. É recomendado para uso em soja, algodão, milho, batata, cenoura, rabanete, alho, cebola, etc., principalmente para aplicações em pré-emergência. Nas culturas de cenoura e de cebola, pode também ser usado em pós-emergência, quando as plantas daninhas estiverem com 1-2 pares de folhas. É mais facilmente absorvido pelas raízes, tendo a sua atividade muito influenciada pelas caracterís¬ticas físico-químicas do solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Diuron

O N`-(3,4-diclorofenil)-N,N-dimetiluréia (diuron) apresenta solubilidade em água de 42 mg L-1; pka: zero; kow: 589; e koc médio de 480 mg g-1 de solo e uma meia-vida média no solo de 90 dias com persistência de 4-8 meses (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É muito adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, sendo sua atividade altamente influenciada pelas características físico-químicas do solo; por esta razão, é pouco móvel no perfil do solo. Esta característica garante a “seletividade toponômica” do diuron para o algodão e outras culturas em solos de textura média a pesada. Todavia, em solos de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica, o diuron pode atingir o sistema radicular das culturas, tornando-as sensíveis. É recomendado para as culturas de algodão, cana-de-açúcar, citros, abacaxi, mandioca, seringueira, pimenta-do-reino, cacau, etc., para
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o controle de gramíneas e dicotiledôneas, sendo facilmente absorvido pelas raízes das plantas. O diuron, também, é muito recomendado em misturas com diversos herbicidas (paraquat, ametryn, 2,4-D, tebuthiuron, atrazine, MSMA, etc.), para uso em plantio direto, em aplicações dirigidas em diferentes culturas, em sistemas de plantio direto e convencional. Tebuthiuron

O N-[5-(1,1-dimetiletil)-1,3,4-tiadiazol-2-il]-N,N’-dimetiluréia (tebuthiuron) possui solubilidade em água de 2.570 mg L-1; pka: zero; kow: 671 e koc médio de 80 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, apresentando média lixiviação no perfil do solo. Quando usado em doses elevadas em cana-de-açúcar, recomenda-se não cultivar culturas sensíveis ao tebuthiuron, como feijão, amendoim e soja por um período inferior a dois anos e a três anos quando aplicado em pastagem. A persistência do tebuthiuron em regiões de elevada precipitação pluvial é de 12 a 15 meses; todavia, esta persistência é muito maior em regiões sujeitas a déficits hídricos prolongados. No Brasil, é recomendado para uso em cana-de-açúcar, pastagens e áreas nãocultivadas. Controla largo espectro de dicotiledôneas e monocotiledôneas anuais e perenes. É formulado como pó-molhável e suspensão concentrada. É recomendado para uso em préemergência na cultura da cana-de-açúcar, em aplicação isolada ou em misturas com outros produtos para o controle de plantas daninhas de folhas estreitas e largas que se propagam por sementes (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Também pode ser usado para eliminar árvores ou arbustos em pastagens. Neste caso, apresenta efeito lento, podendo demorar de 3 a 12 meses para eliminar a planta. Bentazon

O 3-(1-metiletil)-(1H)-2,1,3-benzotiodiazinona-4(3H)-ona 2-dióxido (bentazon) apre-senta solubilidade em água de 500 mg L-1; kow: 0,35; e koc médio de 34 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo, mostrando potencial de lixiviação muito reduzido, não sendo encontrado em profundidades superiores a 20 cm. Apresenta curta persistência no solo (inferior a 20 dias), não se observando efeito residual em culturas sucessoras (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para as culturas de amendoim, arroz, feijão, milho, soja e trigo. É utilizado exclusivamente em pós-emergência, devido à reduzida absorção radicular. Recomenda-se adição de um adjuvante oleoso à calda, para lhe facilitar a absorção por algumas
66 Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

visando aumentar o espectro de controle das plantas daninhas. dicotiledôneas e ciperáceas. para assegurar sua absorção pelas plantas. nestas condições. com estas. exceto para a cultura do feijão onde a adição do adjuvante não é recomendada pois pode causar fitotoxicidade. inseticidas e fertilizantes foliares podem quebrar-lhe a seletividade para a cultura do arroz. em um intervalo de três dias. 30 dias. preferencialmente. Controla com eficiência diversas espécies de gramíneas. o uso de óleo mineral torna-se mais necessário. no tanque. A eficácia é maior a temperaturas altas e reduz quando abaixo de 16 oC. Não se adiciona surfatante à calda. no inverno. além de outras. aplica-se. umidade relativa do ar inferior a 70% e excesso de chuva. Controla diversas espécies de folhas largas anuais. preferencialmente. primeiro o graminicida e. Rhaphanus raphanistrum. no início do desenvolvimento (2 a 3 folhas). Deve ser aplicado sobre plantas daninhas no estádio de 2 a 4 folhas.2 . kow: 193. Não utilizá-lo em lavouras onde as sementes foram tratadas com carbofuran (RODRIGUES. ALMEIDA. Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. É compatível com a maioria dos herbicidas. evitando períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60%. fitossanitárias ou cobertas de orvalho. evitando períodos de estiagem. Apresenta persistência muita curta no solo. para os carbamatos.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 67 . Não atua sobre gramíneas. o bentazon. -1 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas espécies de plantas daninhas. sendo decomposto basicamente por microrganismos. pka: zero. 2005). e koc médio de 149 mg g-1 de solo. visto que são comuns as combinações com graminicidas pós-emergentes. A aplicação simultânea induz efeito antagônico. estando estas com bom vigor vegetativo. ou com a cultura em precárias condições vegetativas. Deve ser usado em aplicações seqüenciais com inseticidas: com os organofosforados observar intervalo mínimo entre as aplicações de 15 dias e. É fracamente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. com herbicidas recomendados para controlar plantas daninhas de folhas largas. razão pela qual. É muito comum o uso do propanil em mistura com outros herbicidas.4-diclorofenil) propanamida (propanil) apresenta solubilidade em água de 500 mg L . Propanil O N-(3. Ipomoea grandifolia. de apenas três dias. Requer um período de seis horas sem chuva. pois inibem a enzima arilacilamidase responsável pelo rápido metabolismo do propanil nas plantas de arroz. É comum ser utilizado em mistura. após as aplicações. as misturas com fungicidas. Commelina benghalensis. entre elas Acanthospermum australe. Bidens pilosa. Contudo é totalmente ineficiente no controle de Euphorbia heterophylla e Amaranthus sp. quando a infestação do terreno incluir espécies que lhe são tolerantes. horas de calor. É recomendado em pós-emergência da cultura do arroz e das plantas daninhas. Todavia.

ou seja. • São poucos os relatos na literatura sobre o aparecimento de plantas daninhas que adquiriram resistência a estes herbicidas.3. após 4-6 horas de luz solar.2 . enquanto para peixes ela varia de baixa a moderada. 1995) são: • Herbicidas deste grupo podem penetrar pelas raízes. Como estes herbicidas não se movimentam dentro da planta. dando a impressão de que estão encharcadas pelo rompimento da membrana celular e 68 Módulo 3.Herbicidas inibidores da Protox 4. para que ela seja efetivamente controlada. no escuro. • A ação tóxica dos herbicidas inibidores da Protox. Principais características As principais características dos herbicidas inibidores da Protox (WARREN.3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. podendo variar de alguns dias a vários meses. • Os difeniléteres são fortemente adsorvidos pela matéria orgânica do solo e muito pouco lixiviados.Mecanismo de ação A atividade destes herbicidas é expressa por necrose foliar da planta tratada em pósemergência. se manifesta nas plantas próximo da superfície do solo. tipo de solo e condições climáticas. que pode variar com a dose aplicada. as necroses foliares têm o formato e a intensidade das gotículas de pulverização. os herbicidas deste grupo não têm ação. • As partes tratadas da planta que são expostas à luz morrem rapidamente (dentro de um a dois dias). • A persistência no solo varia consideravelmente entre os herbicidas deste grupo. em decor¬rência do uso repetido destes. • Há muito pouca ou praticamente nenhuma translocação nas plantas tratadas.3. durante a emergência das plântulas • A incorporação ao solo diminui a ação destes herbicidas.1.2 . Os primeiros sintomas são manchas verde-escuras nas folhas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . HESS. • A toxicidade para pássaros e mamíferos é baixa. em razão da maior sorção destes aos colóides do solo. pelos caules e pelas folhas de plantas jovens. • A atividade herbicida acontece na presença da luz. É preciso que haja boa cobertura da planta. quando aplicados em préemergência. 4. É comum ocorrer danos em culturas sucedâneas quando não se observa o período residual recomendado.

Foi descoberto também que substâncias capazes de inibir a síntese da protoporfirina IX (gabaculina. Foi mostrado que a protoporirina IX é acumulada fora dos plastídios. tratando-se cloroplastos com um herbicida do grupo difenil-éter. em tecidos tratados com os difeniléteres. Finalmente. ácido 4. a luz é sempre necessária para a ação herbicida. reconhecidamente capaz de iniciar o processo de peroxidação de lipídios. o tecido é danificado por contato com o herbicida. conhecida simples¬mente pela abreviatura Protox. sai do centro de reação do cloroplasto quando a Protox é inibida e se acumula no citoplasma. foi verificado que o protoporfirinogênio IX. A protoporfirina IX formada no citoplasma. Similarmente à aplicação pósemergência. ou mesmo de um mutante de planta amarelo (não-fotossintetizante).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas derramamento de líquido citoplasmático nos intervalos celulares (Fig. o sintoma característico é a necrose do tecido que entrou em contato com o herbicida (WARREN. e o produto formado não serve de substrato para a enzima Mg-quelatase. não reduziu o dano ocasionado pela aplicação de um difeniléter. Esse pigmento interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (O2). Módulo 3.2 . 1995). precursor da protoporfirina IX. HESS. Quando estes herbicidas são usados em pré-emergência. foi mostrado que a enzima inibida pelos herbicidas do grupo dos difeniléteres era a protoporfirinogênio oxidase. Figura 4 – Sintomas de intoxicação em plantas de pepino tratadas com fomesafen (A) e efeito residual no solo (carryover) em folhas de milho (B) Após a absorção e pequena translocação destes herbicidas até o local de ação. Experiências realizadas por vários autores mostraram que o uso de um herbicida inibidor do transporte de elétrons na fotossíntese (diuron).6-dioxoheptanóico) serviam de proteção contra os difeniléteres. outras publicações comprovaram que o pigmento envolvido era a protoporfirina IX. houve a formação de grande quantidade de oxigênio singleto (O2). 4A). no momento em que a plântula emerge.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 69 . Primeiramente foi mostrado que. como é que a protoporfirina IX estaria sendo acumulada? Num trabalho de 1993. No período de 1988-89. surgiram vários trabalhos que ajudaram no entendimento do mecanismo de ação desses herbicidas. um precursor da clorofila. ácido levulênico. responsável pela formação da Mg-protoporfirina IX. Em seguida. A estes sintomas iniciais segue-se a necrose. A oxidação enzimática ocorre então no citoplasma. sem Mg. Estas experiências demonstraram que o requerimento de luz para a atividade herbicida dos difeniléteres não está relacionado com a fotossíntese. Ficou então uma questão crucial para ser respondida: se a Protox é inibida.

provoca níveis elevados de porfirina. Recomenda-se observar um intervalo mínimo de 150 dias entre a aplicação do fomesafen e a semeadura de milho e. 4. a formação da protoporfirina IX. Oxadiazon. Persistência alta no solo na dose recomendada. precursor na planta dos citocromos. a saída para o citoplasma. pka: 2. Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. variando de dois a seis meses (ALMEIDA. 2005). O grupo heme é conhecido pela ação de controle na síntese do ácido aminolevulínico (ALA). Com a inibição da protox no cloroplasto. e koc médio de 60 mg g-1 de solo. kow: 794. As conseqüências do descontrole são o aumento rápido do protoporfirinogênio IX.Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX Fomesafen O 5-(2-cloro-4-(trifluorometil) fenoxi-N-(metilsulfonil)-2-nitrobenzamida (fomesafen) apresenta solubilidade em água de 50 mg L-1 (ácido).2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (‘O2) e iniciar o processo de peroxidação dos lipídios da plasmalema. Vale a pena salientar que a enzima protoporfirinogênio oxidase (protox) ocorre também nos mitocôndrios de células animais e que a enzima encontrada nos mitocôndrios é mais sensível aos herbicidas difeniléteres do que a enzima encontrada nos cloroplastos. como a protoporfiria. A acumulação rápida da protoporfirina IX sugere um descontrole na rota metabólica de síntese desta. O padrão de acumulação é o mesmo observado na doença Porfiria variegata. Esse fato sugere um manuseio bem cuidadoso desses herbicidas.3 . a partir do glutamato. a oxidação pela Protox no citoplasma. por exemplo. a síntese de heme é também inibida.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . além de outras. É registrado no Brasil para as culturas de soja e feijão. Requer uma hora sem 70 Módulo 3. entre elas Acanthospermum australe. sorgo. ou. Deve-se adicionar à calda o adjuvante recomendado pelo fabricante. Bidens pilosa.3. A explicação mais plausível é a inibição da síntese do grupo heme. evitando períodos de estiagem. HESS. Uma explicação final deve ser dada sobre o fato de que a protopor¬firina IX se acumula muito rapidamente em células de plantas tratadas com um difeniléter ou oxadiazon. Amaranthus hybridus. RODRIGUES. A acumula¬ção de protoporfirina em células humanas é conhecida por estar associada com algumas doenças. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. Ipomoea grandifolia. Euphorbia heterophylla. daí o aparecimento de necroses de forma tão rápida (4-6 horas). o aparecimento do oxigênio singleto (forma reativa do oxigênnio) e a peroxidação dos ácidos graxos insaturados da plasmalema (WARREN. 1995).83. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas estando estas no estádio de 2 a 4 folhas. deixando de haver o controle sobre a síntese de ALA. quando adicionado na dieta de ratos. que é sintetizado a partir da protoporfirina IX com a interferência da Fe quelatase. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais.

kow: 29. ambas anuais. O produto provoca intoxicação à cultura da soja. videira. 2005).1 mg L-1. no estádio de 2 a 4 folhas. Sida rhombifolia. Oxyfluorfen O 2-cloro-1-(3-etoxi-4-nitrofenoxi)-4-(trifluorometil)benzeno (oxyfluorfen) apresenta solubilidade em água < 0. para assegurar a absorção pelas plantas daninhas. Controla gramíneas e algumas espécies de dicotiledôneas. Em Módulo 3. também.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorrência de chuvas após a aplicação. pka: zero. café. incluindo algumas espécies-problema. É comum ser utilizado em mistura no tanque com outros herbicidas. visando aumentar o espectro de controle de plantas daninhas de folhas largas e. pka: zero e koc médio de 10. RODRIGUES. É comum ser utilizado em mistura com o fluazifop-p-butil. sendo utilizado em outros países. visando aumentar espectro de controle de plantas daninhas. não afetando as culturas em sucessão. nas culturas de nogueira.000 mg g-1de solo. 2005). Commelina benghalensis. devido às condições de umidade e sombreamento (ALMEIDA. cana-de-açúcar. ser ainda maior em viveiros. como Euphorbia heterophylla. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais e. Sua degradação no solo é essencialmente por fotólise e insignificante por microrganismos. apresentando muito baixa lixiviação no perfil do solo (ALMEIDA. arroz e amendoim. milho e amendoim.1 mg L-1.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 71 . Lactofen O 2-etoxi-1-metil-2-oxoetil-5-[2-cloro-4-(trifluorometil)fenoxi-2-nitrobenzoato (lactofen) apresenta solubilidade em água de 0. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. eucalipto e pinho. para inibir o aparecimento de biótipos resistentes a herbicidas.000 mg g-1de solo. O lactofen tem meia-vida no solo de três dias sendo completamente dissipado em menos de 30 dias.400. mas a cultura se recupera. Apresenta meia-vida de 30 a 40 dias e persistência média de seis meses no solo. por isso. para o controle em pós-emergência de plantas daninhas dicotiledôneas e gramíneas e também com outros herbicidas. citros. arroz. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais. podendo. também. RODRIGUES. com clorose e necrose foliar e redução e crescimento. além de outras. e koc médio de 100. é resistente à lixiviação no perfil do solo. É utilizado em pré e pós emergência precoce. É registrado no Brasil para as culturas de soja. esta. dependendo da exigência da cultura. É registrado no Brasil para as culturas de algodão.2 . É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas.

também.2 . Na cultura do arroz. Sua persistência no solo é de dois a seis meses. cenoura e cana-de-açúcar. na faixa de plantio. em solo úmido. Em plantações de eucalipto e pinho. após a rega. Usar. aplicá-lo em mistura com o MSMA. cebola. com elas mais desenvolvidas. protetores de bicos. em pré-emergência das plantas daninhas. Em viveiros. ou. 2005). É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo. se necessário. Oxadiazon O 3-[4. deve ser aplicado em préemergência das plantas daninhas. quando estas atingirem a fase de duas folhas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Aplicar após o cultivo. Em cenoura. dependendo da dose aplicada. Em algodão. na cana-soca. ocasionando colapso das células. de forma a não atingir o algodoeiro. de forma a não atingir a folhagem. podendo se reaplicar depois que as referidas culturas atinjam a fase de três folhas. em jato dirigido.100. pode ser usado em pré ou pós-emergência das plantas daninhas. aplica-se logo após o plantio. porém antes da emergência do arroz. alho. aplica-se logo após o plantio. Em cana-de-açúcar. pouco móvel.7 mg L-1 . quando usado em pré emergência. Não tem ação sobre os tecidos radiculares. Em cafezais jovens. é utilizado em pré-emergência das plantas daninhas. aplica-se logo após a semeadura ou até cinco dias depois. é usado quando a cultura atinge desenvolvimento superior a 50 cm de altura. antes da emergência das plantas daninhas. em aplicação dirigida. kow: 63. O alho e a cebola e. Quando usado em pós-emergência. também em pré72 Módulo 3. preferencialmente. e koc médio: 3. do tipo de solo e das condições climáticas (RODRIGUES. No Brasil. Não é metabolizado nas plantas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas razão da sensibilidade à fotodecomposição. e. evitando a ação dos raios solares. Em arroz irrigado.4-oxadiazol-2-(3H)-ona (oxadiazon) apresenta solubilidade em água de 0. provoca o fechamento dos estômatos e deterioração das membranas celulares. recomenda-se usar adjuvantes na calda. as culturas que se reproduzem por bulbo são bastante tolerantes ao oxadiazon. é utilizado tanto em viveiros quanto em cafezais jovens e adultos. exige umidade no solo no momento da aplicação para penetrar neste. por esta razão e devido à sua baixa solubilidade em água. Em cafezais adultos. podendo ser pulverizado sobre as plantas.200 mg g-1 de solo. age sobre o hipocótilo das plantas em germinação e nos meristemas foliares. Nestas culturas deve ser utilizado em pré-emergência. é recomendado para as culturas de arroz. Quando utilizado em pós-emergência. ALMEIDA. deve ser aplicado logo após a arruação ou esparramação. atuando unicamente sobre órgãos da parte aérea. no máximo. exceto nas variedades de eucalipto de folha pilosa. em que se faz em jato dirigido. com as plantas daninhas ainda não emergidas.2-dicloro-5(1-metiletoxi)fenil]-5-(dimetietil)-1. deve ser aplicado logo após a semeadura. em solo úmido.3. apresenta lixiviação e movimentação lateral insignificantes. logo após o corte. podendo ser feitas duas aplicações anuais. pka: zero. Em café. logo após o plantio. em préemergência das plantas daninhas. de maneira geral. Em préemer¬gência. em pré-emer¬gência das plantas daninhas. sendo pouco absorvido pelo sistema radicular e.

O efeito direto é sobre a divisão celular.4. ametryn. Repetidas aplicações não resultam na maior degradação microbioló¬gica. 5 e 6). 4.Principais características • • • • • • Paralisam o crescimento das raízes.Mecanismo de ação Estes herbicidas pertencem ao grupo das dinitroanilinas (trifluralin.4 . que corresponde à migração dos cromossomas da parte equatorial para os pólos das células. As dinitroanilinas inibem a polimerização destas proteínas e. simazine. Todos estes compostos (grupo das dinitroanilinas) interferem no movimento normal dos cromos¬somas durante a seqüência mitótica. porque a sua ação principal se manifesta pelo impedimen¬to da formação do sistema radicular das plantas. Estas proteínas são contráteis.2 . Estes herbicidas inibem o crescimento da radícula e a formação das raízes secundárias. Todos os herbicidas deste grupo apresentam de moderada a baixa toxicidade para mamíferos. etc.) na cultura de cana-de-açúcar. a formação do fuso cromático e movimentação dos cromossomas na fase da mitose (Figs. É comum aplicar o oxadiazon em misturas com herbicidas residuais (diuron. conseqüentemente. pendimethalin e oryzalin).Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos 4. Interferem em uma das fases da mitose. São eficientes apenas quando usados em pré-emergência.1 . 1995b). semelhantemente à actimiosina encontrada nos músculos dos animais. O fuso cromático é formado por proteínas microtubulares denominadas tubulinas.4. 4. Apresentam ótima ação no controle de gramíneas. Possuem pouca ou nenhuma atividade foliar. tendo como conseqüência o aparecimento de células multinucleadas (aberrações). Apresentam de moderada a muito baixa movimentação no solo. Módulo 3. e responsáveis pela movimentação dos cromossomas para os pólos da célula.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas emergência das invasoras. Eles provocam a ruptura da seqüência mitótica (prófase > metáfase > anáfase > telófase) já iniciada (HESS.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 73 .

2 . alfafa. pimentão. cucurbitá¬ceas. Por ser um produto volátil (pressão de vapor de 1.3 mg L-1 a 25 °C). 2005). alho. ervilha. brássicas.1x10-4 mm Hg a 25 °C). beterraba. cebola. a forte adsorção pode impedir a absorção 74 Módulo 3. necessita ser incorporado mecanicamente ao solo logo após a sua aplicação (RODRIGUES.4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 .Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos Trifluralin O 2. em solos ricos em matéria orgânica.Seqüência normal da mitose Figura 6 . sendo recomendado para as culturas de soja. sensível à luz e de solubilidade em água extremamente baixa (0. tomate. É fortemente adsorvido pelos colóides da matéria orgânica e pouco pelos da argila.Mitose interrompida pela ação de herbicidas derivados das dininitoanilinas 4.3 . quiabo. feijão.6-dinitro-N-N-dipropil-4-(trifluorometil) benzoamina (trifluralin) é um herbicida que apresenta excelente ação sobre as gramíneas anuais e perenes oriundas de sementes. ALMEIDA.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . e outras. algodão.

ALMEIDA. As princi¬pais características dos herbicidas do grupo das cloroacetamidas são: Módulo 3. A lixiviação. É recomendado para uso em pré emergência da planta daninha e da cultura ou em PPI. tabaco e trigo. cana-de-açúcar. podendo. Não há relatórios também sobre aumento de biodegradação no solo.000.000 mg g-1 de solo.5 .4x10-5 mm Hg).Principais características As cloroacetanilidas têm sido um dos grupos de herbicidas mais usados no mundo. Apesar do uso contínuo por tantos anos. e koc médio de 7. sensível à luz e pouco móvel no solo. não existem ainda relatos do aparecimento de gramí¬neas que tenham adquirido resistência a esses herbicidas.4-dimetil-2. kow: 118. cebola. a dose aplicada e as condições climáticas (RODRIGUES. provocando inibição do crescimento radicular desta (SILVA et al. 1998).000. Nos Estados Unidos da América do Norte. e koc médio de 17. por causa do uso extensivo em soja e milho. em 1954 (CDAA) (SLIFE.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA) 4.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas do trifluralin pelas raízes das plantas. em alguns casos de rotação de culturas (feijão/milho) em áreas de baixa fertilidade e mal manejadas. amendoim. 2005). Apre¬senta degradação lenta no solo.200 mg g-1 de solo. café. milho. É absorvido principalmente pela radícula e praticamente não se transloca na planta. Sua persistência no solo varia de 3 a 6 meses de acordo com o solo. É fortemente adsorvido pelos colóides do solo. alho.3 mg L-1. arroz. soja. 4. causar danos à cultura sucessora.1 . desde o lançamento do primeiro herbicida desse grupo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 75 . feijão. 1995). assim como o movimento lateral no solo. É um herbicida de média volatilidade (pressão de vapor de 9. motivo pelo qual a incorporação é recomendável em condições de solo seco e com período de estiagem. depois do glyphosate é o grupo de herbicida mais utilizado. sua lixiviação é muito baixa e as doses recomendadas se dão em função das características físico-químicas do solo.5.6-dinitrobenzenoamina (pendimethalin) é registrado no Brasil para controle de gramíneas nas seguintes culturas: algodão. kow: 152. motivo pelo qual não é aconselhável seu uso nestas condições.. por esta razão. pka zero. é muito reduzida. Pendimethalin O N-(1-etilpropil)-3. A dose recomendada varia de acordo com as características fisico-químicas do solo. O pendimethalin apresenta solubilidade de 0. Apresenta pka: zero.

de espécies daninhas gramíneas e comelináceas. De modo geral. 4. 1995). mas não chegam a emergir. ácidos graxos. exibem crescimento anormal. em préemergência.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .2 .5. O maior uso das cloroacetanilidas está ligado ao controle. não há registros de problemas com deriva. o algodoeiro). e. mas. as doses têm sido reduzidas. é um dos grupos mais estudados e com o qual mais se têm usado os protetores de herbicida. Exemplo deste uso é a proteção do sorgo contra cloroacetanilidas. flavonóides e proteínas. Muitos efeitos diferentes sobre vários processos bioquímicos já foram mostrados. o efeito inibitório causado pelo alachlor é maior sobre as raízes. as cloroacetanilidas apresentam de baixa a média mobilidade nos solos. logo após a emergência. Os dados existentes indicam translocação muito pequena. Há relatórios que as relacionam com a inibição da divisão celular e interferência com controle hormonal (SLIFE. A hipótese mais aceita atualmente é a inibição de ácidos graxos de cadeias muito longas. Em áreas tratadas com cloroacetanilidas. 76 Módulo 3.2 . pelo fato de não terem ação pós-emergente.Mecanismo de ação das cloroacetanilidas Apesar de ter sido estudado extensivamente. quando o fazem. Em razão de os efeitos desses herbicidas estarem ligados somente as plântulas. possibili¬tando a utilização desses herbicidas nesta cultura. naturalmente sensível a eles. ciperáceas mostram inibição da parte aérea. isoladamente. As cloroacetanilidas apresentam normalmente pressão de vapor de média a alta. o controle não é consistente. o efeito residual no solo tem aumentado e a dependência dos fatores do solo tem diminuído. De maneira geral. as cloroacetanilidas podem auxiliar no controle de dicotiledôneas. Gramíneas mostram inibição da emergência da primeira folha do coleóptilo. em dicotiledôneas (por exemplo. Em combinação com outros herbicidas. A toxicidade das cloroacetanilidas a peixes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Controlam plântulas de muitas espécies de gramíneas anuais e algumas dicotiledôneas antes da emergência ou mesmo plantinhas. o mecanismo bioquí¬mico primário de ação das cloroacetanilidas ainda não é bem conhecido. terpenos. porém. As cloroacetanilidas são aparentemente absorvidas pelas raízes (dicotiledôneas) e pelas partes acima da semente epicótilo (principal¬mente gramíneas). Cada cloroacetanilida que apareceu no mercado depois do herbicida CDAA apresentou características um pouco diferentes das outras. A mobilidade no solo varia entre os herbicidas deste grupo e depende das condições de umidade e do teor de matéria orgânica do solo. as sementes iniciam o processo de germinação. pássaros e mamíferos é muito baixa. Devido a problemas de tolerância. é muito difícil o estudo de translocação. As cloroacetanilidas estão relacionadas com a inibição da sín¬tese de lipídios.

ou. o grupo amino do metionil-tRNA inicial). Em milho. já foi mostrado que o herbicida alachlor é capaz de alquilar CoA. Os efeitos das cloroacetanilidas sobre a síntese de gorduras podem ser atribuídos à interferência no metabolismo da CoA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos efeitos bioquímicos e fisiológicos relatados sobre o modo de ação destes herbicidas pode ser interpretada com base na inibição da síntese de proteínas.. Em café. É adsorvido pelos colóides do solo. recomenda-se a mistura com graminicidas ou aplicação em seqüência ao trifluralin incorporado. logo após a semeadura da cultura. Em café novo ou recepado. As cloroacetanilidas são conhecidas como agentes alquilantes e podem agir alquilando nucleófilos biológi¬cos. pka: zero. se não chover no prazo de até cinco dias. sendo esta enzima o ponto de começo de muitas rotas metabólicas. As cloroacetanilidas podem também alquilar aminoacil tRNAs específicos e. etc. Pelo menos “in vitro”. sendo este transferido (por exemplo. com baixo teor de matéria orgânica.6-dietil-N-(metoximetil)acetanilida (alachlor) é recomendado para controle de diversas espécies de gramíneas e comelináceas. podendo ser misturado com ametryn. aplicá-lo após a arruação ou esparramação.3 . variável com o tipo de solo e as condições climáticas. ácidos graxos. amendoim e girassol. estando o solo com boas condições de umidade. sendo usado em pré-emergência. ALMEIDA. diuron ou atrazine. em condições de alta infestação de Brachiaria plantaginea. Em cana-de-açúcar. com isso. Apresenta solubilidade em água de 242 mg L-1. possuindo média a baixa mobilidade no solo e persistência de 6 a 20 semanas. terpenos. não se deve utilizá-lo em solos arenosos. a eficácia do produto reduz. é comum misturá-lo com atrazine ou cyanazine. incluindo lipídios. deve ser utilizado logo após o plantio.5.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 77 . kow 794. e koc médio de 120 mg g-1 de solo (RODRIGUES. Em soja. 4. Módulo 3. 2005). soja ou amen¬doim no terreno tratado.2 . A retirada do nucleófilo pode acontecer entre o halogênio das cloroacetanilidas e o nucleófilo. exceto em solos arenosos e. inibir a síntese de proteínas. Quando aplicado em solo seco. Em algodão. mistura-se com metribuzin. pode-se cultivar milho. antes da emergência das plantas daninhas.Características de algumas cloroacetanilidas Alachlor O 2-cloro-2. se a infestação for de Bidens pilosa. Richardia brasiliensis ou Sida sp.

é utilizado apenas em pré-emergência das plantas daninhas. usa-se em cana-planta. sua lixiviação é fraca a moderada. ALMEIDA. como atrazine. a sua eficácia ficará comprometida se aplicado em solo seco e não ocorrer uma chuva de intensidade superior a 10mm no espaço de cinco dias (RODRIGUES. recomenda-se sua aplicação logo após a semeadura. Em cana-de-açúcar. 78 Módulo 3. é comum misturá-lo com latifolicidas. Controla essencialmente gramíneas anuais e algumas perenes de reprodução seminal. deve ser aplicado logo após a arruação e. pka: zero. entre outros. Apresenta solubilidade em água de 223 mg L-1. Devido à sensibilidade do s-metolachlor. por provocar inoxicação à cultura. apresentando persistência de 8 a 12 semanas. Apresenta solubilidade em água de 488 mg L-1. é essencial que sua aplicação seja feita antes da completa emergência das plantas. Em feijão. 2005).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas S-metolachlor O 2-cloro-N-(2-etil-6-metilfenil)-N-[(1S)-2-metoxi-1-metiletil)]acetanilida (s-metolachlor) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar. kow: 3. feijão. restos de culturas e em boas condições de umidade. devendo ser aplicado em seguida à semeadura. Para aumentar o espectro de ação sobre estas espécies. das condições climáticas e do tipo de solo. para culturas de amendoim. sendo usado em outros países. mas no prazo máximo de três dias após a ultima gradagem. É sorvido pelos colóides de argila e matéria orgânica. Acetochlor O 2-cloro-N-(etoximetil)-N-(2-etil-6-metilfenil) acetanilida (acetochlor) é recomendado para uso em pré-emergência das plantas daninhas. girassol. sendo pouco lixiviado.05. Pelo fato de sua absorção ser quase total pelo coleóptilo das gramíneas e pelo epicótilo das dicotiledôneas. esparramação. sorgo e plantas ornamentais. exceto em solos arenosos. milho e soja. Em milho. Em café. as comelináceas e um número reduzido de latifoliadas. é largamente utilizado em mistura com o atrazine. não deve ser utilizado em solos arenosos. também. por esta razão. e koc médio de 200 mg g-1 de solo. A terra deve estar bem preparada. livre de torrões. podendo ser misturado. metribuzin. Em milho. ou. à fotodegradação e à volatilização. Em razão de sua absorção foliar ser quase nula. cyanazine. dependendo da dose utilizada. logo depois do plantio.2 . etc. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo. sendo comum a mistura com outros herbicidas. batata. pka zero e kow 300.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .

Nesta condição. Estes compostos possuem a capacidade de captar elétrons provenientes da fotossíntese (no fotossistema I) e formarem radicais livres. 4. Usualmente. Em soja.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas com atrazine ou cyanazine. os quais sofrem o processo de dismutação.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I São herbicidas derivados da amônia quaternária (paraquat e diquat). 4. Estes radicais livres formados pelos herbicidas paraquat e diquat não são os agentes responsáveis pelos sintomas de intoxicação observados. ou. verifica-se severa injúria nas folhas das plantas tratadas (necrose do limbo foliar). produzindo radicais hidroxil. a morte das plantas devido à ação destes herbicidas é tão rápida na presença da luz que não dá tempo de eles se translocarem na planta.Mecanismo de ação Poucas horas após a aplicação destes herbicidas. para mamíferos. como dessecantes. com baixo teor de matéria orgânica.2 . para formarem o peróxido de hidrogênio. porque pequena atividade destes produtos é observada. São cátions fortes. por isso. 1995a). antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. podendo ser misturado.1 . reagem. A toxicidade do diquat é alta e a do paraquat é muito alta. 4. em pré-colheita para diversas culturas. no escuro. Este composto e os superóxidos. Durante o processo de auto-oxidação são produzidos radicais de superóxidos. para formarem os radicais tóxicos. (WELLER. WARREN. também. O local de captura dos elétrons está próximo a ferredoxina e sua velocidade de ação depende da intensidade luminosa. Vale ressaltar que este não é o único sítio de ação destes herbicidas. exceto em solos arenosos e. aplica-se logo após a semeadura. São rapidamente absorvidos pelas folhas. formulados em solução aquosa. Esta substância promove a degradação rápida das membranas (peroxidação de lipídios). A ação destes herbicidas é muito mais rápida na presença da luz do que no escuro. São rapidamente adsorvidos e inativados pelos colóides do solo. com metribuzin.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 79 . entre outros.6.6 . sendo largamente utilizados como dessecantes no “plantio direto”. em várias partes do mundo e. na presença de luz. ocasionando o vazamento do conteúdo celular e a morte do tecido. Estes radicais são instáveis e rapidamente sofrem a auto-oxidação. estes herbicidas capturam os elétrons provenientes da respiração. em aplicações dirigidas em diversas culturas. chuvas após 30 minutos de sua aplicação não mais influenciam a eficiência de controle das plantas daninhas.6.Características gerais • • • • • • • São altamente solúveis em água e.2 . também. na presença de Mg. Módulo 3.

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4.6.3 - Principal herbicida do grupo Paraquat

O 1,1’-dimetil-4,4’-dicloreto de piridilio íon (paraquat) é um herbicida altamente solúvel em água (620.000 mg L-1); pka: zero; kow: 4,5; e koc estimada de 1.000.000 mg g-1 de solo. É inativado ao entrar em contato com o solo, por completa adsorção do cátion à argila. Esta ocorre devido à dupla carga positiva da molécula do paraquat, formando complexos com os locais de carga negativa, de onde não é removido mesmo com lavagens de solução saturada de sais, só sendo recuperado por fragmentação da argila com ácido sulfúrico 18 N. Por esta razão, sua lixiviação é nula e sua decomposição microbiana no solo é muito lenta. O paraquat pode ser usado para: • • • • • Dessecante em “plantio direto”. Para este fim, o paraquat é muito utilizado em mistura com o diuron, formando o Gramocil. Em pré-emergência de culturas, porém em pós-emergência das plantas daninhas. Aplicações dirigidas em culturas de milho, algodão, café, fruteiras e outras. Dessecante, em pré-colheita, para diversas culturas, visando viabilizar colheita mecânica e melhor qualidade fisiologia de sementes (DOMINGOS et al., 2001). Para limpeza de áreas não-cultivadas.

4.7 - Herbicidas inibidores da acetolactato sintase Os herbicidas derivados das sulfoniluréias, comercializados pela primeira vez em 1982, apresentam alto nível de atividade em doses muito pequenas. Atualmente, há vários herbicidas deste grupo no mercado. Através de pequenas modificações na estrutura química, a seletividade pode ser alterada de uma cultura para outra. Exemplos de culturas que são tolerantes a um ou mais herbicidas desse grupo químico são trigo, soja, arroz, milho, feijão, batata, beterraba, algodão, coníferas, canade-açúcar, etc. As sulfoniluréias inibem a síntese dos chamados aminoácidos ramificados (leucina, isoleucina e valina), através da inibição da enzima Aceto Lactato Sintase (ALS); esta inibição interrompe a síntese protéica, que, por sua vez, interfere na síntese do DNA e no crescimento celular. As plantas sensíveis tornam-se cloróticas, definham e morrem, no prazo de 7 a 14 dias após o tratamento. Essa enzima é inibida, também, pelos herbicidas dos grupos químicos imidazolinonas, triazolopyrimidines ou sulfonamidas e pyrimidinyl-oxybenzoatos (THILL, 1995; THILL, 2003a; BRIDGES, 2003c). Apesar do pouco tempo de uso, a literatura já registra muitas espécies de plantas daninhas que desenvolveram resistência aos inibidores da ALS.

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As principais características das sulfoniluréias são: • • Alguns são ativos em doses extremamente baixas; exemplo: o metsulfuronmethyl, que apresenta atividade na dose de 2 g ha-1 A maioria das sulfoniluréias apresenta bom controle de muitas espécies de folhas largas (dicotiledôneas); todavia, algumas possuem, também, ótima atividade contra gramíneas. A toxicidade aguda para mamíferos é muito baixa (5.500–6.500 mg kg-1 em ratos) para o herbicida chlorsulfuron, o mais estudado. Para outros análogos, a toxicidade é mais baixa ainda. As sulfoniluréias são ativas tanto em aplicações foliares quanto em aplicações no solo.

Apesar de quimicamente diferentes, as imidazolinonas têm o mesmo mecanismo de ação das sulfoniluréias, ou seja, inibem a enzima AHAS ou ALS. As principais caracte¬rísticas deste grupo são: • As imidazolinonas são recomendadas para controle em pré-emergência e em pósemergência de muitas folhas largas e gramíneas em cereais, soja e em áreas nãoagrícolas. • Estes herbicidas são potentes inibidores do crescimento vegetal. Plantas tratadas param de crescer quase que imediatamente após a aplicação. Dois a quatro dias após a aplicação desses herbicidas o ponto de crescimento (meriste¬ma apical) das plantas tratadas torna-se clorótico e, depois, necrótico e morre. A morte completa da planta vai ocorrer sete a dez dias após o tratamento. Plantas de maior porte podem levar mais tempo para morre¬r, mas a paralisação do crescimento é imediata. • Todos estes herbicidas são sistêmicos, ou seja, translocam pelo floema. Uma vez dentro do floema, por causa do pH alcalino, estes herbicidas, que são ácidos fracos, se dissociam e os ânions têm dificuldade para deixar o floema. • As imidazolinonas apresentam persistência de moderada a longa no solo. Maior sorção e, conseqüentemente, maior persistência ocorrem quando decrescem a umidade do solo, o pH e a temperatura e, também, quando os teores de matéria orgânica, óxidos de ferro e de alumínio no solo aumentam. • A dissipação no solo é, via de regra, por meio da degradação microbiana. Em condições de solo mais seco, mais herbicida é preso nos colóides do solo e menos produto é disponível para biodegra¬dação ou absorção pelas plantas, o que implica maior persistência e possível "carryover". As imidazolinonas são

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sensíveis à fotólise, mas esse processo de dissipação não é importante no solo. A fotólise é mais importante no meio aquático. • Pouca lixiviação tem sido reportada em condições de campo, apesar de os estudos de laboratório indicarem mobilidade moderada destes herbicidas no solo. • As imidazolinonas apresentam muito baixa ou nenhuma toxicidade para mamíferos. Esta toxicidade baixa pode ser explicada pela enzima-alvo, que não ocorre em animais, e também pelo fato de a excreção desses herbicidas ser muito rápida em animais-teste. Além das sulfoniluréias e das imidazolinonas, outros herbicidas, de grupos químicos diferentes, apresen¬tam o mesmo mecanismo de ação, ou seja, inibem a enzima ALS ou AHAS e, com isso, paralisam o crescimento das plantas (HESS, 1995c). Dente esses grupos químicos, podem-se destacar as triazolopirimidinas, ou sulfonamidas, e os piridinil-oxibenzoatos. As principais características do herbicida N - (2,6-diflluorofenil) - 5 - metil (1,2,4) triazolo [1,5a] pirimidina - 2 - sulfonamida (flumetsulan) e N-[2,6-diclorofenil] - 5 - etoxi - 7 - fluoro(1,2,4) triazolo – [(1,5c)] pirimidina - 2 - sulfonamida (diclosulan) são: Flumetsulan Diclosulan

• •

• • •

Apresentam ação pré-emergente sobre amplo espectro de plantas daninhas de folhas largas. As gramíneas, de maneira geral, são resistentes devido ao metabolismo mais rápido. Entre as culturas de folhas largas, a soja é tolerante. Possuem absorção radicular, mas a translocação é sistêmica, ou seja, translocamse tanto pelo floema quanto pelo xilema. A sorção no solo e a persistência aumentam quando o pH decresce e quando a matéria orgânica aumenta. A persistência no solo é mediana, não havendo casos relatados de "carryover". A dissipação no solo é devida ao ataque de microrganismos. Condições que favorecem a ação microbiana aceleram a dissipação destes herbicidas no solo. Possuem mobilidade no solo moderada, não se antevendo problemas de contaminação de depósitos subterrâneos de água. A toxicidade para mamíferos é muito baixa (Faixa Verde: DL50 > 6.000mg/kg em ratos).

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4.7.1 - Algumas sulfoniluréias Metsulfuron-Methyl

O ácido 2-[[[[(4-metoxi-6-metil-1,3,5-triazina-2-il)amino]carbonil]amino]sulfonil] benzóico (metsulfuron-methyl) apresenta solubilidade em água de 270 mg L-1; pka: 3,3; kow: 1,0 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 35 mg g-1g de solo. É pouco sorvido e muito lixiviado no solo, dependendo da textura e do teor de matéria orgânica. Sua persistência (meia-vida) no solo varia de 30 a 120 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para controle de plantas daninhas de folhas largas nas culturas de trigo, arroz, cana-de-açúcar, aveia, cevada, manejo de inverno e pastagens. Entre as espécies sensíveis encontram-se Raphanus raphanistrum, Raphanus sativus, Acanthospermum australe, Bidens pilosa, Ipomoea grandifolia, além de muitas outras. É recomendado para uso em pós-emergência, devendo ocorrer intervalo de seis horas sem chuva após a sua aplicação. A ação do produto nas plantas daninhas sensíveis pode ser observada através da clorose das folhas e morte das gemas apicais, com evolução para morte das plantas até 21 dias após aplicação. Em espécies menos sensíveis, observa-se paralisação de seu desenvolvimento. Culturas como trigo e arroz, para as quais é seletivo, conseguem metabolizá-lo rapidamente a compostos não-fitotóxicos. Nicosulfuron

O 2-[[[[(4,6-dimetoxi-2pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]-N,N-dimetil-3piridinacarboxamida (nicosulfuron) apresenta solubilidade em água de 360 mg L-1 a pH 5 e 12.200 a pH 6,85; pka: 4,3; kow: 0,44 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 30 mg g-1 de solo a pH 6,5. Quanto à sua persistência em condições de Brasil, sabe-se que culturas de soja, girassol, algodão e feijão poderão ser semeadas 30 dias após a aplicação do nicosulfuron; trigo, arroz e batata, 45 dias após a aplicação; e tomate, 60 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No Brasil, está registrado para a cultura do milho, sendo utilizado em pós-emergência em área total. Controla gramíneas, inclusive o capim-massambará (Sorghum halepense), e diversas espécies de dicotiledôneas. No momen¬to da aplicação, as plantas de milho devem estar com duas a seis folhas; as plantas daninhas dicotiledôneas, com duas a seis folhas; e as gramíneas, com até dois perfilhos. A aplicação deve ser feita estando o solo úmido e com as plantas daninhas em pleno vigor vegetativo. A ocorrência de chuvas uma hora após a aplicação não afeta a eficiência deste herbicida. A mistura do
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nicosulfuron com o atrazine no tanque do pulverizador aumenta o espectro de controle de plantas daninhas. Existem diferentes níveis de tolerância entre os híbridos de milho disponíveis no mercado brasileiro ao nicosulfuron. Por isso, antes de aplicar esse herbicida em cultura do milho consulte a lista de híbridos e variedades tolerantes a esse herbicida. A mistura desse herbicida com inseticidas carbamatos ou fosforados pode torná-lo não-seletivo ao milho (SILVA et al., 2005) Halosulfuron

O metil-3-cloro-5-(4,6-dimetoxipirimidin-2-carbomoilsulfamoil)-1-metillpirazole-4carboxilato (halosulfuron) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar, para controle de Cyperus rotundus. Apresenta solubilidade em água de 15 mg L-1 a pH 5,0 e 1.650 a pH 7,0; pka: 3,5; kow: 47 a pH 5,0 e 0,96 a pH 7,0; e koc médio de 93,5 mg g-1 de solo. Apresenta baixa adsorção no solo. Possui meia-vida média no solo em torno de 16 dias, variando com o tipo de solo e as condições climáticas (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua aplicação deve ser feita em pós-emergência das plantas daninhas, sendo o melhor período 30 a 40 dias após o plantio da cana-de-açúcar, quando as plantas daninhas deverão estar no final da fase vegetativa ou início do florescimento. As plantas de Cyperus rotundus devem estar em boas condições de desenvolvimento, sem efeito de estresse hídrico ou de baixa temperatura. Chlorimuron-ethyl

O ácido 2-[[[[(4-cloro-6-metoxi-pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]benzóico (chlorimuron-ethyl), no Brasil, encontra-se registrado para a cultura da soja, sendo usado em pósemergência. Apresenta solubilidade em água de 450 mg L-1 a pH 6,5; pka: 4,2; kow de 320 a pH 5,0 e 2,3 a pH 7,0; e koc médio de 110 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No solo, apresenta adsorção e lixiviação moderadas e meia-vida de 7,5 semanas. A persistência é maior em solos com pH mais elevado; em solos ácidos e com clima quente, a persistência é baixa. Manter intervalo de 60 dias entre a aplicação do chlorimuron-ethyl e a semeadura de trigo, milho, feijão e algodão. Para as outras culturas, fazer antes um bioensaio. Controla essencialmente espécies anuais de dicotiledôneas, sendo mais efetivo quando estas se encontram na fase inicial de crescimento (até seis folhas). Entre as espécies sensí¬veis encontram-se Desmodium tortuosum, Acathospermum australe, Ipomoea grandifolia, Bidens pilosa, além de outras. É comum misturá-lo com outros

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Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

para controle de dicotiledôneas em soja. É fracamente adsorvido em solo com pH alto. Flazasulfuron O 1-(4. estando o solo em boas condições de umidade. este herbicida deve ser aplicado isoladamente. em alguns tipos de Módulo 3. 1999). Sua degradação no solo é por ação microbiana e química.5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-quinolina carboxílico (imazaquin) apresenta solubilidade em água de 60 mg L-1. kow: 2. ALMEIDA.100 a pH 7. para se evitar o efeito “guarda-chuva”. as dicotiledôneas. etc. se objetivo for controlar a Cyperus rotundus.2. Sua mobilidade no solo é inversamente proporcional ao teor de matéria orgânica.6-dimetoxipirimidin-2-il)-3-(3-trifluorometil-2-piridilsulfonil) uréia (Flazasulfuron) apresenta solubilidade em água de 27. 2005).000 mg L-1 a pH 5. todavia. O flazasulfuron deve ser aplicado em cobertura total das plantas daninhas e da cultura. evitando-se aplicar em períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60% (SILVA et al..Algumas imidazolinonas Imazaquin O ácido 2-[4. e a tiririca (Cyperus rotundus). kow e koc não disponíveis.0. ALMEIDA.0 e 2. não sendo recomendável cultivá-lo na modalidade de “milho safrinha” no mesmo ano agrícola da soja.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas herbicidas. pka: 3. sendo influenciada pela temperatura e pelo pH do solo (RODRIGUES. e valor médio de koc de 20 mg g-1 de solo a pH 7. 1998). de 5 a 8 folhas e em pleno desenvolvimento vegetativo.2 .).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 85 . Sua persistência no solo é alta (meia-vida de sete meses). 4. Apresenta meia-vida variando de 9 a 120 dias. para maior espectro de controle.8.0 (RODRIGUES. pode ser misturado no tanque do pulverizador com outros herbicidas (ametryn. Quando usadas em pósemergência. exigindo intervalo de segurança acima de 180 dias após sua aplicação. porém esta adsorção aumenta em pH baixo. as gramíneas devem ter no máximo três perfilhos. O milho é muito sensível a resíduo de imazaquin no solo. Pode ser usado em pré ou em pós-emergência inicial das plantas daninhas. 2005). é facilmente lixiviável no solo. seis folhas. podendo afetar culturas de inverno que seguem à soja tratada com o produto (SILVA et al. as plantas de cana-de-açúcar devem possuir no máximo quatro folhas. pka. porém não deve ser misturado com graminicidas. Na cultura da cana.7.2 . diuron..

Hyptis suaveolens. sendo. também. 1999). com até quatro folhas.36 (RODRIGUES.2 . também. Controla. podendo causar toxicidade a algumas culturas de inverno que forem cultivadas em sucessão à soja tratada com este herbicida (SILVA et al. É pouco adsorvido pelos colóides do solo e. além de outras.400 mg L-1. Recomenda-se a aplicação em pós-emergência precoce. Sida rhombifolia.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas solo. ALMEIDA.. Controla com eficiência diversas espécies de plantas daninhas: Euphorbia heterophylla.5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-5-etil-piridina carboxílico (imazethapyr) apresenta solubilidade em água de 1. É registrado no Brasil para cultura da soja e do feijão. entre um a três perfilhos. Controla essencialmente plantas daninhas dicotiledôneas. além de outras. estando as dicotiledôneas. entre uma e quatro folhas. Apresenta lenta degradação no solo (meia-vida de 60 dias). no estádio cotiledonar. 2005). o que geralmente acontece entre 15 e 20 dias após a semeadura do feijão. Estudos preliminares têm demonstrado que este herbicida apresenta rápida degradação em condições de solos brasileiros (SILVA et al. e as monocoti¬ledôneas. É registrado no Brasil para a cultura da soja. pouco lixiviado. Ipomoea grandifolia. mas esta adsorção aumenta em pH baixo. Imazamox O ácido nicotínico 2-(4-isopropil)-4-metil-1-metiletil-(1-metil-5-oxo-2-imidazolin-2-il)-5(metoximetil) (imazamox) apresenta solubilidade em água de 4.0 e 31 a pH 7. Apresenta rápida degradação no solo. essencialmente microbiana (meia-vida de 15 dias). Bidens pilosa. pouco lixiviado (RODRIGUES. o que geralmente acontece entre 5 e 15 dias após a semeadura da soja. Imazethapyr O ácido 2-[4.9. 1999). 2005). 86 Módulo 3. Ipomoea grandifolia.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . É registrado no Brasil para uso exclusivo na cultura da soja. O milho e o sorgo são muito sensíveis ao resíduo de imazethapyr no solo. estando estas com até quatro folhas e de monocotiledôneas. É fracamente adsorvido em solo com pH alto. ALMEIDA. e kow: 11 a pH 5.0. Recomenda-se sua aplicação em pós-emergência das plantas daninhas dicotiledôneas. pka: 3.. entre as quais Euphorbia heterophylla. com eficiência.413 mg L-1 e Kow: 5. sendo utilizado em pré-plantio incorporado ou em pré-emergência das plantas daninhas.

Em campo. ALMEIDA. Apresenta lenta degradação no solo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 87 . sobretudo. Aplicações em altas doses para capinas de ruas pode intoxicar árvores utilizadas na arborização do ambiente (Fig. É fracamente adsorvido pelos colóides do solo. entre estas Euphorbia heterophylla. Kow: 0.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diversas espécies de plantas daninhas. essencialmente por via microbiana. pode ser exsudado pelas raízes. 2001). podendo ocorrer lixiviação positiva (para baixo) ou negativa (reversa –para cima).9 a 1. Imazapyr O ácido (+-)-2-[4. com degradação mais rápida em clima quente e úmido. 7). se aplicado em pósemergência precoce.5-dihidro-4-metil-4-(1-metietil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-piridina carboxílico (imazapyr) apresenta solubilidade em água de 11.benzoato (Pyrithiobac-sodium) apresenta solubilidade em água de 1610 mg L-1. também.6. Sua persistência no solo é longa (três a sete meses em solos tropicais e seis meses a dois anos em clima temperado.2 . É pouco adsorvido pelos colóides do solo e. vindo intoxicar as novas mudas plantadas para renovação da floresta.272 mg L-1 a pH 7. Também quando aplicado no tronco do eucalipito visando eliminar rebrota após a derrubada.6-dimetoxipirimidina-2-il) tio]. pouco lixiviado. da dosagem e dos fatores ambientais. Módulo 3. dependendo do movimento capilar da água no perfil do solo (FIRMINO. em condições aeróbicas. Pyrithiobac-sodium O sódio 2-cloro-6-[(4. principalmente em solos arenosos. Estudos de laboratório indicam que imazapyr tem alto potencial de se mover no perfil do solo. 2005). pka: 2. não se processando em condições anaeróbicas. a persistência biológica é dependente. em pós-emergência precoce na cultura do algodão. ALMEIDA. Apresenta degradação no solo essencialmente microbiana É registrado no Brasil para o controle de dicotiledôneas.0 e pka: 1. 2005).36 (RODRIGUES.34 e meia-vida no solo de dois meses (RODRIGUES.

Glyphosate inibe a EPSP sintase por competição com o substrato PEP (fosfoenolpi¬ruvato).2 . Há redução acentuada. tirosina e tryptofano são precursores da maioria dos compostos aromáticos nas plantas. precursor comum na rota metabólica dos três aminoácidos aromáticos.Mecanismo de ação Logo após a aplicação. acreditam que a desregulação da rota do ácido shikímico resulta na perda de carbonos disponíveis para outras reações celulares na planta. evitando a transformação do shikimato em corismato.1 . Plantas normais cultivadas em solo sem resíduos de herbicidas (a) e plantas com sintomas de intoxicação do imazapyr (b).8. então. Por outro lado. O glyphosate se liga a esta enzima pela carboxila do ácido glutâmico (glutamina) na posição 418 da seqüência de aminoácidos (HESS. nas plantas tratadas. cultivadas em solo coletado à margem da rua tratada com o herbicida 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . pois fenilalanina.Herbicidas inibidores da EPSPs 4. tirosina e triptofano). 88 Módulo 3. uma vez que 20% do carbono das plantas é utilizado nesta rota metabólica. Verificou-se. Alguns autores acham que a simples redução de aminoácidos e a acumulação de shikimato não seriam suficientes para a ação herbicida. foi observado aumento acentuado na concentração de shikimato.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 7 – Árvores mortas pela ação do imazapyr quando aplicado para capina química de rua (A). plantas tratadas com estes herbicidas param de crescer. que o ponto de ação era a enzima EPSP sintase (5 enolpiruvilshikimato-3-fosfato sintase). nos níveis desses aminoácidos aromáticos (fenilalanina. 1995c. SHANER.8 . BRIDGES. 2003). A enzima EPSP sintase é sintetizada no citoplasma e transportada para dentro do cloroplasto onde atua.

de maneira geral. Módulo 3. • Translocação simplástica em gramíneas e folhas largas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. • Águas de pulverização contendo muitos sais solúveis (Ca e Mg) diminuem a atividade destes herbicidas. • Requerem uma semana para matar plantas anuais (efeito final) e tempo ainda maior para espécies perenes. • A translocação é melhor em plantas expostas à luz e que estejam com alta atividade metabólica.Características gerais Glyphosate O N-(fosfonometil) glicina (glyphosate) possui as seguintes características (BRIDGES.2 . 2003c). praticamente não há seletividade. apresenta. • Através da engenharia genética. para melhor eficiência de translocação para o sistema radicular. por causa de sua conjugação com sesquióxidos de ferro e alumínio. • Como a enzima afetada é exclusiva de plantas. • Apresentam espectro de controle muito amplo. como a soja e o algodão. • A morte da planta ocorre lentamente: de 7 a 14 dias após a aplicação. em plantas anuais • Baixa vazão e menores gotículas são mais eficientes do que alta vazão e gotículas grandes. • Durante a primeira semana após a aplicação a folhagem não deve ser cortada.2 . • A translocação é facilitada em condições de alta intensidade luminosa.8. já foram obtidas culturas resistentes a glyphosate. poucas espécies de plantas daninhas foram identificadas como resistentes a estes herbicidas. Quanto à resistência adiquirida pela pressão de seleção (aplicações repetidas do ghyphosate). muito pouca toxicidade para animais.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 89 . • Não apresentam atividade no solo. • Formulações usadas no meio aquático não contêm surfatantes. para não causar problemas de toxicidade para peixes.

ruas. formulado como Roundup Transorb ou Zap Qi. 2001). utilizado em diversas marcas comerciais. e sal potássico. as suas principais recomendações são: • • • • • • • Para controle de plantas daninhas em áreas não-cultivadas (rodovias. O efeito varia com a formulação.. Para controle seletivo de plantas daninhas em culturas geneticamente modificadas. Para aplicações dirigidas em culturas perenes (café. Figura 8 – Eficiência de formulações de glyphosate em diversos períodos de simulação de chuva após a aplicação Atualmente o ghyphosate é o herbicida mais utilizado no mundo. No Brasil.). 200). sendo recomendado para diversas atividades agrícolas e não-agrícolas. Quando aplicado sobre plantas em condições de déficit hídrico prolongado. sal de amônia. o glyphosate está sendo comercializado com diferentes formulações: sal isopropilamina. reflorestamento e outras). cujo representante é o Zap Qi. em Brachiaria decumbens e Digitaria horizontalis em quatro horas (Fig. utilizado nas formulações granulares. 8). o tempo mínimo sem chuvas após aplicação para se garantir a absorção foliar desse herbicida é de seis horas (JAKELAITIS et al. enquanto para as demais formulações. englobando o Roundup original e o Roundup Transorb. 90 Módulo 3.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . ferrovias.. Roundup WDG e Roundup Multiação. Como dessecantes. fruteiras. esse tempo para penetração do glyphosate via foliar é maior (PIRES et al. Na renovação de pastagens. A não-ocorrência de chuvas até quatro horas após as aplicações garante absorção do glyphosate.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • A absorção destes produtos pelas plantas é lenta. As formulações Roundup Transorb e Zap Qi se diferenciam das demais por apresentar penetração foliar mais rápida do que as demais existentes no mercado brasileiro. parque de industrias. para implantação do plantio direto de culturas. A ocorrência de chuva em intervalo de tempo menor que 4-6 horas pode reduzir a eficiência destes herbicidas. Para o controle de plantas daninhas aquáticas Como regulador de florescimento em cana-de-açúcar. No Brasil. etc.

São muito utilizados para o controle de gramíneas anuais e perenes. Somente diclofop tem registro para uso no solo. Espaçando-se as pulverizações por alguns dias. dicamba.1 . a eficiência diminui quando as gramíneas estão se desenvolvendo em condições de déficit hídrico.4-DB. a qual começa nas regiões meristemáticas e se espalha pela planta toda. requerendo uma semana ou mais para a morte completa.4D.2 . imidazolinonas. até mesmo. • São muito efetivos quando aplicados sobre plantas não-estressadas. para que haja ação no solo. em fase de rápido crescimento. 2. os herbicidas deste grupo não apresentam atividade suficiente para o controle de gramíneas em pré-emergência. • A seletividade varia entre espécies de gramíneas. • As espécies não-gramíneas são todas tolerantes. Os sintomas incluem rápida parada do crescimento das raízes e da parte aérea e troca de pigmento nas folhas dentro de dois a quatro dias. De maneira geral. 2. até hoje. Entre os herbicidas que já mostraram ação antagônica. bentazon e metribuzin. seguida de necrose. • Misturas no tanque desses graminicidas específicos com latifolicidas têm trazido uma série de problemas de antagonismo. • A morte das gramíneas suscetíveis é lenta. bromoxynil. • Em doses normais. WELLER. provavelmente eles afetam a absorção foliar. A translocação varia entre espécies. As principais características deste grupo de herbicidas (THILL.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. • Apresentam lenta degradação no solo. tanto para plantas daninhas quanto para culturas. para controle de gramíneas anuais e perenes. 1995) são: • São utilizados exclusivamente em pós-emergência. acifluorfen. novos produtos estão sendo desenvolvidos.Principais características Os compostos deste grupo apareceram no mercado de herbicidas a partir de 1975 e.9 . MCPA.9. mas ocorre tanto pelo floema quanto pelo xilema. eliminado.Herbicidas inibidores da ACCase 4. é necessária uma dose três vezes maior que a requerida para a ação em pósemergência. podem ser citados: sulfoniluréias.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 91 . • São prontamente absorvidos pela folhagem das plantas. Módulo 3. há sempre necessidade da adição de um surfatante ou adjuvante. • Para a atividade máxima ser atingida. o problema é minimizado e.

2 .1 μM de haloxyfop provocou 42% de inibição da incorporação de acetato em células de milho. Após alguns dias da aplicação. nas concentrações de 0. Estudos feitos com sethoxydim mostraram que este herbicida inibe o crescimento e a acumulação de clorofila. quando o tecido meristemático decai. Como não houve interferência na absorção de acetato. por exemplo. e muitos autores 92 Módulo 3. predominância da classe II) e. necrótico. A inibição da ACCase explica perfeitamente a redução no crescimento.5 μM. em 1987. às sulfoniluréias e ao trifluralin. Este herbicida é rapidamente absorvido pelas folhas e atinge os meristemas da planta. A diferença na tolerância entre espécies de gramíneas e folhas largas é muito grande. surgindo células binucleadas. também. já existem plantas daninhas que adquiriram resistência aos inibidores da biossíntese de lipídios. A translocação ocorre pelo xilema e pelo floema. O tecido meristemático em gemas e nós torna-se clorótico e. A enzima afetada por estes herbicidas ocorre também nas células animais. Ademais. converte o Acetil Coenzima A (Acetil-CoA) em Malonil Coenzima A (Malonil-CoA) pela adição de uma molécula de CO2 ao Acetil-CoA. As folhas mais velhas apresentam sinais de senescência e mostram troca de pigmento. 4. Foi verificado também que a divisão celular foi prejudicada por causa da inibição da formação da parede celular. por isso.9. o crescimento de raízes e parte aérea é paralisado. Há diferenças também entre a atividade de isômeros e as formulações. para peixes. o problema era na síntese de lipídios.5 a 0. Esta é uma reação-chave no início da biossíntese de lipídios. Foi verificado que este herbicida inibe fortemente a incorporação de 14C-acetato em lipídios quando pontas de raízes de milho foram tratadas por 24 horas. fica aparente a disfunção de membrana. A partir de 1981. para causar 50% de inibição em células de soja foi necessária uma concentração 47 vezes maior. Esta enzima. o aumento na permeabilidade de membrana e os efeitos ultra-estruturais observados nas células. de maneira geral.2 . ele causou declínio na atividade respiratória. que mostrou resistência ao diclofop-methyl e resistência cruzada a outros graminicidas específicos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • Apesar do pouco tempo de uso.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . depois. eles são tóxicos para mamíferos (classe toxicológica de I a III. Em algumas horas. resultando no aumento dos níveis de açúcar e antocianina. trabalhos realizados com diclofop-methyl começaram a desvendar o modo de ação dos graminicidas específicos. O caso mais relatado é o ocorrido na Austrália com a espécie Lolium rigidum. que a ação dos graminicidas específicos era sobre a enzima Acetil Coenzima-A Carboxilase (ACCase). Enquanto 0. apesar de a quantidade que atinge a área meristemática ser muito pequena em relação ao que é aplicado. a formulação ácida é mais ativa que a formulação éster e o isômero “D” é muito mais ativo que o “L”.Mecanismos de ação Muitos dos estudos já realizados sobre o mecanismo de ação dos arilofenoxipropionatos foram feitos com o herbicida diclofop-methyl. encontrada no estroma de plastídios. Foi descoberto. No caso de diclofopmethyl.

Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 93 . WELLER. A falta de lipídios provoca despolarização da membrana celular (THILL. e a proteína transporte da biotina (BCP). purificada e parcialmente caracterizada. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas. Clethodim O (E. A ACCase de milho já foi isolada. cebola. por incompatibilidade fisiológica (efeito antagônico).1.520 mg L-1. tomate. kow: 15000 e persistência muito curta no solo. ALMEIDA. a transcarboxilase. e koc médio de 5.Caracterização de alguns inibidores da ACCase Fluazifop-p-butil O ácido (R)-2-[4-[[5-(trifuorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propanóico (fluazifop-p-butil) apresenta solubilidade em água de 1.9. kow: 4. feijão. 1995). devendo ser utilizado seqüencialmente.E)-(+/-)-2-[1-[[(-cloro-2-propenil)oxi]imino]propil]-5-[2-(etiltio)propil]-3-hidroxi.2 . com intervalo superior a cinco dias. Não deve ser misturado com herbicidas que controlam dicotiledôneas. Quando o substrato Acetil-CoA é substituído por Proprionil-CoA. pka: 3. 4. a enzima funciona. É recomendado para uso em pós-emergência. A enzima Acetil Coenzima A Carboxilase (ACCase) é. o qual é uma reação dependente de ATP. um complexo de três domínios: uma biotina carboxilase que promove a carboxilação da biotina com carbonato (CHO3). É registrado no Brasil para as culturas de alface.5. que transfere o CO2 da biotina para o Acetil-CoA. Deve ser aplicado com as plantas em bom estado de vigor vegetativo. na realidade. Controla grande número de espécies de gramíneas anuais no estádio de até 4 perfilhos e algumas perenes. 2005). Não apresenta mobilidade no solo.1 mg L-1. dois a três dias (RODRIGUES. café. a qual é ligada covalentemente ao grupo da biotina por um espaçador móvel.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas julgam ser esta reação a que dosa o ritmo da biossíntese de lipídios. mas a eficiência diminui pela metade. eucalipto. É um herbicida Módulo 3. soja. evitando períodos de estiagem.3 . horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 70%. citros. 1995). a não ser o fomesafen.700 mg g-1 de solo.2ciclohexeno-1-ona (clethodim) apresenta solubilidade em água de 5. cenoura. pinho. ALMEIDA 2005). roseira e crisântemo. que permite à biotina se mover entre os dois centros catalíticos (HESS. tendo uma persistência média de 30 dias (RODRIGUES. algodão. tabaco.

pois aumenta-lhe a fitotoxicidade. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. feijão. Em doses altas (120-360 g ha-1. como algodão. É compatível com outros herbicidas usados em pós-emergência para controle de folhas largas. altamente seletivo para a cultura da soja e outras dicotiledôneas. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas (4 folhas até 6 perfilhos. há que observar um intervalo de dez dias entre o emprego de um e outro. em solos leves.600 g ha-1. pode haver lixiviação do produto. não se deve adicionar óleo mineral à calda. É recomendado para uso em pós-emergência. podendo requerer reaplicação no caso de rebrotas (RODRIGUES. kow: 11. quando provenientes de sementes. de reprodução seminal. amendoim. controla gramíneas perenes. fomesafen e lactofen.. Nas doses de 360 . Quando usado na dose de 120 g ha-1. É rapidamente absorvido pelas folhas. cenoura. evitando períodos de estiagem. permitindo a aplicação dos dois numa só operação. como bentazon. tomate. como Cynodon dactylon e Sorghum halepense. soja. sistêmico. tais como: azevém. Quando misturado com herbicidas recomendados para uso em pós-emergência que controlam plantas daninhas de folhas largas e que já contenham em sua formulação um adjuvante. citros. acifluorfen. tem ação sobre rebentos de gramíneas anuais que tenham sido roçadas. para as culturas de soja. Destaca-se pelo seu amplo espectro de ação no controle de gramíneas anuais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas graminicida. não sendo prejudicada sua eficácia por chuvas que ocorram uma hora após sua aplicação. no Brasil.2 . controla gramíneas anuais. Haloxifop-methyl O ácido 2-[4-[[ (3-cloro-5-(trifluorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propiônico (haloxyfopmethyl) apresenta solubilidade em água de 9. 94 Módulo 3.4-D.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . quando provenientes de rizomas). em condições de alta pluviosidade. Deve ser aplicado com as plantas daninhas em bom vigor vegetativo. desde jovem até adiantado estádio de desenvolvimento. aveia e trigo. milho. neste caso. 2005). feijão e eucalipto. comuns em rotação de culturas com a soja. e com 10 a 40 cm. eucalipto. É utilizado. com exceção do 2. perenes e tigüera de culturas gramíneas. ALMEIDA.3 mg L-1. ervilha. e koc médio de 33 mg g-1 de solo. É moderadamente adsorvido pelos colóides do solo.7. pinho e outras. A ação residual do produto na lavoura é de 30 a 40 dias.3. pka: 4. cebola. tabaco. como é o caso normal em culturas perenes. café.

não prejudicando culturas sensíveis que sejam instaladas no terreno um mês após o tratamento. encontra-se em fase de registro para abacaxi. Tem uma meia-vida no solo de 4 a 11 dias. O sintoma evidenciado pelas plantas tratadas é a produção de tecidos novos totalmente brancos (albinos). As plantas suscetíveis a estes herbicidas perdem a cor verde após o tratamento com estes herbicidas (BRIDGES. Deve ser aplicado em pós-emergência das plantas daninhas. melancia. 4.5 – [2-(etiltio)propil]-3-hidroxi-2-ciclohexeno-1.ona (sethoxydim) apresenta solubilidade em água a pH 4. Controla gramíneas anuais e algumas perenes. 9). Apresenta curta persistência no solo. macieira e em hortícolas (batata. café. linho e mandioca. algumas vezes rosados ou violáceos. gergelim. kow: 45. Supõe-se que seja seletivo para todas as culturas que não são gramíneas.0 de 4.700 mg L-1.2 . É um herbicida registrado no Brasil para algodão. feijão.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sethoxydim O 2-[1-etoximina)butil] . gladíolo. dependendo das condições climáticas e do tipo de solo. É necessário adicioná-lo à calda adjuvante. colza. Módulo 3. 2003a). Estes tecidos são normais. por ser a foliar a principal via de absorção do produto. banana. e koc médio de 100 mg g-1 de solo (RODRIGUES .Herbicidas inibidores de carotenóides Os grupos químicos izoxazolidinona e piridazinonas compõem a classe de herbicidas chamada inibidores de carotenóides. amendoim. eucalipto. girassol.10 . não sendo prejudicada a ação do sethoxydim por uma chuva que ocorra uma hora depois de sua aplicação. é recomendado.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 95 . pka: 4. exceto pela falta de pigmentos verdes (clorofila) e amarelos (Fig. Em outros países.16. para as culturas de alfafa. melão e morango). se bem que exija doses mais altas de aplicação. citros. 2005). ALMEIDA. o que acelera sua absorção. Não prejudica as culturas suscetíveis que sejam instaladas no terreno 30 dias após o tratamento. soja e tabaco. cenoura. como Cynodon dactylon.0 de 25 ppm e a pH 7. também.1.

eles desenvolvem manchas cloróticas que progridem para necrose (ABERNATHY. passando do estado singlet para o estado triplet. resultando no acúmulo de phytoeno e phytoflueno. Os herbicidas inibidores de pigmento são usados para controle seletivo de plantas daninhas gramíneas. Assim. 1994). Em condições normais. sem cor. Devido a este processo. A inibição da síntese de carotenóides leva à decomposição da clorofila pela luz. que são dois precursores. tecidos formados antes da aplicação do herbicida não se mostram brancos imediatamente. porém. fumo 96 Módulo 3. A inibição da enzima IPP (isopentyl pirophosphato isomerase) é o local provável da ação (Abernathy. É importante salientar que estes herbicidas não têm efeito sobre carotenóides sintetizados antes da sua aplicação. 1980). arroz. a energia oriunda da forma triplet é dissipada através dos carotenóides. A perda da clorofila é resultado da sua oxidação pela luz (foto-oxidação). O crescimento da planta continua por alguns dias. a clorofila não se mantém sem a presença dos carotenóides. anuais e perenes. Estes produtos também possuem efeitos sobre a reação de Hill (MORELAND. 1980). 1994). mas sim de gossipol e hemigossipol. ela não consegue se manter. Outras alterações provocadas por estes produtos são: redução da síntese protéica. nas quais ela é destruída (ABERNATHY. 1980). A inibição desta enzima provoca o acúmulo de phytoeno. 1994). contudo. pelas plantas tratadas. e de folhas largas nas culturas de algodão. devido à falta de clorofila.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 – Sintomas de intoxicação de plantas de milho e feijão pelo clomazone. dissipando o excesso de energia. Desse modo. devido à falta de carotenóides que a protegem da foto-oxidação. como resultado da perda da fotoproteção fornecida pelos carotenóides à clorofila (MORELAND. perda de proplastídios e degradação dos ribossomos 70S. a clorofila que está no estado triplet não dissipa energia e inicia reações de degradação. cana-de-açúcar. o crescimento cessa e começam a surgir manchas necróticas. devido à necessidade de renovação dos carotenóides. Os herbicidas inibidores destes pigmentos agem na rota de biossíntese de carotenóides. mais reativo. quando os caratenóides não estão presentes.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .2 . A produção dos novos tecidos albinos. que a protegem. Após a síntese da clorofila. O herbicida clomazone parece ter um único local de ação e não causa acúmulo de phytoeno. Assim. esta se torna funcional e absorve energia. O local de ação mais estudado é onde atua a enzima phytoeno desidrogenase. não implica que estes herbicidas inibam diretamente a síntese de clorofila. com predomínio do phytoeno. do caroteno (MORELAND.

O mesotrione inibe a biossíntese de caroteníodes. e persistência no superior a 150 dias. Quando aplicado sobre a superfície do solo.7 mg L-1.2 . Clomazone Norflurazon Esta classe herbicida apresenta baixa toxicidade para animais. koc: 300 mg g-1. Também são empregados em plantas daninhas aquáticas e no controle total da vegetação. chegando às raízes das culturas. o clomazone e o norflurazon.192 mg L-1.07 e koc variando de 19 a 387 mg g-1 e curta persistência no solo sendo degradado rapidamente por microrganismos (RODRIGUES. 1994). Controla diversas espécies de plantas dicotiledôneas e algumas gramíneas. causando danos naquelas sensíveis (RODRIGUES. No Brasil.3-diona (mesotrione) é um herbicida seletivo de ação sistêmica indicado para o controle em pós-emergência de plantas daninhas na cultura do milho. pka: 3. 2005). ALMEIDA. pka: zero. A seletividade do clomazone ao algodão pode ser aumentada com adição de um inseticida organofosforado (ABERNATHY.dimetil .clorofenil) metil]-4. Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis. 2005). Mesotrione O 2-(4-mesil-2nitrobenzoil) ciclohexano-1. são mais comercializados. A seletividade às culturas se dá pela translocação reduzida pela destoxificação das moléculas herbicidas. através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenil-piruvato-dioxigenase) nos cloroplastos – classificação nos grupos F2 (HRAC) e 28 (WSSA). Apresenta solubilidade de 168. O clomazone apresenta alta solubilidade:1. O inseticida funciona com “safener” protetor e pode ser usado no tratamento da semente ou em aplicação no sulco de semeadura.4 .isoxazolidinona (clomazone) e o 4-cloro-5(metilamino)-2-3-[(trifluorometil)]fenil-3(H)-m-toluil) piradazinona (norflurazon) translocam-se na planta via xilema.3 . pode lixiviar e atingir camadas profundas. e não existem casos registrados de plantas daninhas resistentes (ABERNATHY. Módulo 3. 1994). ALMEIDA. A dose recomendada varia com a cultura e o tipo de solo. apresentam atividade de solo e podem persistir. O 2 – [(2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e soja. afetando culturas sucessoras.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 97 . com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Isoxaflutole O 5-ciclopropil-4-metilsufonil-4-trifluorometilbenzoil)-isoxazole (isoxaflutole) é um herbicida recomendado para as culturas de cana-de-açúcar.2 . com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas. milho. RODRIGUES. baixa a média mobilidade nos solos dependendo de suas características ficas e químicas. Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis. que é um co-fator chave para síntese de pigmentos carotenóides e para o transporte de elétrons. Apresenta baixa solubilidade em água: 6. nas demais culturas deve ser aplicado em pré emergência. responsável pela biossíntese da quinona.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .0 mg L-1 a 20 °C. 98 Módulo 3. O isoxaflutole pertence ao grupo dos herbicidas inibidores da biossíntese do caroteno. mandioca e algodão para o controle de diversas gramíneas e algumas dicotiledôneas. 2005). e meia-vida média de 28 dias (ALMEIDA. que são essências para proteger a clorofila contra a decomposição pela luz solar através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenilpiruvato-dioxigenase). Com exceção da cultura do algodão onde é recomendado em jato dirigido. Inibe a biossíntese de carotenoides.

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translocação.3 .Herbicidas: absorção. metabolismo. José Ferreira da Silva Profº. formulação e misturas Tutores: Profº. translocação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .DF 2006 102 Módulo 3. metabolismo. Francisco Affonso Ferreira Profº. formulação e misturas . José Francisco da Silva Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .Herbicidas: absorção.Manejo de plantas daninhas 3.3 .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .ABEAS Universidade Federal de Viçosa .

4 .2 .1.1 – Introdução. 104 1.1 .3 .Interações entre herbicidas.4. 116 2. 113 2 .1 . 127 4.2 – Incompatibilidade. 131 Referências bibliográficas.Formulações líquidas.Translocação de herbicidas.1.1 .1 .Conceito de movimento simplástico e apoplástico. 125 4. 130 5.2.2. 104 1. 129 5.Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas.2 . 126 4.Formulações sólidas. 130 5. 120 4 – Formulação. 129 5.2 .Fatores que influenciam a absorção através das raízes.Movimento descendente. 127 4.4 .1.1 .Veículo de aplicação (água). metabolismo. 111 1. 112 1.1 .3 . retenção e absorção de herbicida pela folha.Movimento ascendente.Tipos de formulações. formulação e misturas 103 .Mecanismo de absorção de herbicidas.Misturas de herbicidas.3 .Translocação de alguns herbicidas.Penetração pelo caule.3 .Penetração pelas raízes. 117 2.2 . 118 3 .Absorção de herbicidas.4.Interações de herbicidas com inseticidas em mistura. 112 1. 104 1.Metabolismo dos herbicidas nas plantas.Interceptação. 116 2.Herbicidas: absorção.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário 1 . 133 Módulo 3. translocação. 117 2. 128 5 .

formulação e misturas . tubérculos. O caule (casca) de árvores ou arbustos pode também ser uma via de penetração de herbicidas. a seus metabólitos. se deseja que as cepas das árvores não rebrotem após a derrubada. Por isso. Há necessidade de que ele penetre na planta. incorporados ao solo. quando aplicada ao solo. 1. do metabolismo e da sensibilidade da planta a este herbicida e. ainda. Por outro lado. da translocação.2 . A interceptação da gota pulverizada é função do método de aplicação e da distância entre o alvo e o bico do pulverizador. etc. que influenciam também a translocação destes até o sítio de ação. as estruturas jovens das plântulas (radícula e caulículo) e as sementes são as vias de penetração mais importantes para os herbicidas aplicados e. estolões. o simples fato de um herbicida atingir as folhas da planta e. as raízes. principalmente quando se deseja controlar apenas algumas plantas.Absorção de herbicidas 1. dentro de uma população mista. ou. retenção e absorção de herbicida pela folha A absorção foliar de um herbicida requer que o produto seja depositado sobre a folha e permaneça ali por um período de tempo suficiente. transloca até as folhas e. onde atua. de estruturas jovens como radículas e caulículo e. 104 Módulo 3. por exemplo.). aí. atinge e penetra nos cloroplastos. A absorção de herbicidas pelas raízes ou pelas folhas é influenciada pela disponibilidade dos produtos nos locais de absorção e com fatores ambientais (temperatura. metabolismo. translocado e. ser aplicado no solo onde se desenvolve esta planta não é suficiente para que ele exerça a sua ação. rizomas. o 2. destruindo-os. que serão discutidos no item referente à tecnologia de aplicação. Além disso. A principal via de penetração dos herbicidas na planta é função de uma série de fatores intrínsecos e extrínsecos (ambientais). a morfologia da planta e as condições ambientais exercem grande influência. também. transloque e atinja a organela onde irá atuar. ou. ou quando. umidade relativa do ar e umidade do solo).Introdução A atividade biológica de um herbicida na planta é função da absorção. A atrazina. Quando os herbicidas são aplicados diretamente na parte aérea da planta (pós-emergência). ou. luz.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . translocação. pelas sementes.4-DB precisa ser absorvido. até ser absorvido. penetra pelas raízes. caules. as folhas são a principal via de penetração. também. metabolizado para exercer sua ação herbicida.Herbicidas: absorção. Os herbicidas podem penetrar nas plantas através das suas estruturas aéreas (folhas.Interceptação.1 . Por sua vez. em um reflorestamento.3 . flores e frutos) e subterrâneas (raízes.

translocação. o ângulo ou a orientação das folhas em rela¬ção ao jato de pulverização e as estruturas especializadas.4-D amina requer um período muito mais longo sem chuva do que o 2. poros estomáticos. são recobertas por uma camada morta (não-celular). Após a interceptação. As folhas. tanto a penetração dos herbicidas pelas folhas quanto pelas raízes. Por exemplo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A morfologia da planta influencia a quantidade de herbicida interceptada e retida. não penetram rapidamente. denominada cutícula.4-D ester para causar a mesma toxicidade em várias espécies sensíveis (BEHRENS. são solúveis em água. metabolismo. JAKELAITIS et al. 2. menos sujeitos a lavagem pela chuva. 2000. A influência da chuva sobre a eficiência dos herbicidas está também relacionada à formulação.3 . razão pela qual muitos fatores influenciam. A perda do herbicida ou de sua atividade depende da ocorrência de chuva (intensidade e duração) neste intervalo. PIRES et al. das condições climáticas e das espécies de plantas envolvidas (BRIDGES. Embora em menor proporção. a forma e a área do limbo foliar. HESS. O corte transversal de uma folha está representado na Figura 1. cavidade estomática. como o paraquat... porém são rapidamente absorvidos nos lipídios da cutícula e pouco lavados pela chuva. por exemplo sais de sódio. ELAKKAD. Dentre os aspectos relacionados com a morfologia da planta destacam-se o estádio de desenvolvimento (idade da planta). como tricomas (pêlos).Herbicidas: absorção. mostrando células-guarda. deve haver um período crítico sem ocorrência de chuvas até que ocorra absorção de quantidade suficiente deste. xilema e floema Fonte: Mengel e Kirkby (1982) 105 Módulo 3. células da bainha do feixe. por isso.. A chuva pode causar perdas consideráveis de herbicidas das folhas das plantas. 2001). esta existe também nas raízes. do método e da tecnologia de aplicação. não são absorvidos pela superfície da cultícula e são solúveis em água e podem ser lavados caso ocorra chuva até mais de 24 horas após. mas são rapidamente absorvidos e. como todas as estruturas aéreas das plantas. 1981). Figura 1 . 2003. Sais catiônicos (carregados positivamente). igualmente. Também o nú¬mero e a abertura dos estômatos exercem pequena influência sobre a penetração dos herbicidas. lipofílica. Sais aniônicos (cargas negativas).Corte transversal de uma folha (esquemático). Herbicidas lipofílicos (usualmente formulados como CE ou flowable) são pouco solúveis em água. para cada herbicida. formulação e misturas .

assim a sua permeabilidade.Herbicidas: absorção. A cutina é o principal componente estrutural da cutícula. Externamente. aldeídos.Representação esquemática dos principais componentes da camada cuticular e o seu grau lipofílico 106 Módulo 3. álcoois.. porém alguns componentes são comuns. ésteres. translocação. Em presença de água. funcionando como uma resina de troca de cátions. ainda. a cutícula é recoberta por uma camada de cera. A composição química do revestimento epicuticular é muito variável entre as espécies de plantas (Quadro 1). pode ser semifluida ou fluida. é referido como camada cuticular (Figura 2). cetonas. Figura 2 . Em consequência da variabilidade de seus componentes o grau de polaridade das cutículas varia muito. A camada cerosa que envolve a cutícula é mais rica em compostos menos polares do que a cutina. que é formada de fibrilos de celulose impregnados de pectina.3 . separando as partículas de cera. 2005). incluindo as células-guarda dos estômatos e as células que envolvem a câmara subestomática. Entre a camada cuticular e a membrana citoplasmática tem-se a parede celular. ácidos graxos. essa camada é uma complexa mistura de alcanos de longas cadeias (21 37 carbonos). Ela pode ter a forma de grânulos. acredita-se que a cutina aumente de volume (por embebição). O padrão de superfície da camada cuticular é bastante variável. Em geral. aumentando. formulação e misturas . a qual possui grupos de polaridade variáveis (Figura 2). de prato (ou disco). de camadas superpostas e. (FERREIRA. etc. et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A cutícula recobre todas as células da epiderme da planta. freqüentemente. metabolismo. Esse conjunto.

2 8.0 7. através dos plasmodesmas. via simplasto.3 8. Existem dois tipos principais de superfícies: uma facilmente molhável (rica em álcoois) e outra de molhagem mais difícil (rica em alcanos). o herbicida. a tensão superficial da calda. Uma hipótese citada por Klingman e Ashton. (1991).0 6. sobre a penetração dos herbicidas pelas folhas. Apesar das barreiras existentes (como a camada cuticular). metabolismo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É conhecido o fato de que há uma interação bastante complexa entre a natureza química do produto aplicado e a superfície foliar.0 6.2 7. citado por Kissmann (1997). A maior barreira à penetração de um herbicida no citoplasma das células é a membrana citoplasmática.6 6.8 7. são importantes nessa interação.0 7. No momento em que os herbicidas entram em contato com a superfície foliar.0 7.2 7. formulação e misturas 107 .6 8. Quadro 1 . é que essas barreiras não são totalmente rígidas e distintas. após atravessar a camada cuticular e a parede celular.0 6.5 Fonte: Sandoz Agro Ltda. Módulo 3.5 6. pode penetrar no citoplasma.4 7.2 7. composição química e permeabilidade da cutícula. a polaridade do composto. tanto os herbicidas polares quanto os não-polares penetram nas folhas das plantas.Herbicidas: absorção.0 7.8 6. A camada cuticular funciona como uma barreira à perda de água e também como uma barreira à entrada de pesticidas e microrganismos na planta.3 . Entretanto.8 8. O processo de absorção de um herbicida é complicado em razão da espessura. etc.4 6. podem acontecer os pressupostos que se seguem (Figura 3). As folhas das plantas apresentam muitas barreiras à penetração dos herbicidas.Percentagem de compostos apolares e polares e pH do revestimento epicuticular de diversas espécies de plantas daninhas Espécies daninhas Cyperus rotundus Avena fátua Brachiaria plantaginea Cynodon dactylon Digitaria sanguinalis Echinochloa crus-galli Panicum dichotomiflorum Poa annua Sorghum halepense Amaranthus retroflexus Capsella bursa-pastoris Chenopodium album Datura stramonium Ipomoea purpurea Poligonum lapathifolium Portulaca oleracea Senna obtusifolia Sida spinosa Sinapsis arvensis Solanum nigrum Stellaria media Xhathium orientale Compostos NãoPolares 82 10 17 12 37 27 17 29 6 44 32 32 92 32 12 37 7 85 47 88 9 58 Compostos Polares 17 90 82 88 62 72 82 71 93 55 68 66 7 68 86 63 93 14 52 11 91 41 pH 7. As características da solução aplicada.0 8. tanto aos polares quanto aos não-polares. translocação. (1975).

representando os aspectos: volatilizar e perder para atmosfera ou ser lavado pela chuva (1). espessura da cutícula. da idade da folha e do ambiente sob o qual a folha se desenvolve.3 . temperatura. atravessa a camada cuticular. cerosidade e pilosidade da folha. fatores ambientais (luz. ésteres. CESSNA. derivados de ácidos fracos. mas sim à constituição lipídica e ao grau de impedimento da passagem de solutos. na parede celular e então translocar antes de atingir o simplasto . que diferem em estrutura e polaridade. a cutícula de folhas nova é mais permeável à água do que a de folhas velhas. 108 Módulo 3. O exato mecanismo de penetração não é totalmente conhecido para todos os herbicidas. como: potencial hidrogeniônico (pH). Figura 3 . o pH da solução tem pouco ou nenhum efeito sobre a penetração. penetrar. Todos esses fatores podem influenciar a absorção de herbicidas. translocação.Diagrama hipotético. penetrar na cutícula. mas admite-se que os compostos não-polares sigam uma rota lipofílica e os compostos polares. formulação e misturas . Para os herbicidas orgânicos.Herbicidas: absorção.esta é chamada translocação apoplástica. umidade relativa). A passagem de uma molécula de herbicida através da camada cuticular é um processo físico que pode ser influenciado por uma série de fatores. que inclui o movimento no xilema (4) e penetrar na cutícula. Para os herbicidas nãodissociáveis (amidas. tamanho das partículas e concentração do herbicida. etc. metabolismo. permanecer sobre a superfície como um líquido viscoso ou na forma de cristal (2). o pH mais baixo aumenta a absorção do herbicida. A absorção de herbicida não está necessariamente relacionada à espessura ou ao peso da cutícula.). uso de agentes ativadores de superfícies (surfatantes) e outros. que inclui o movimento no floema (5) Fonte: Hess (1995) Uma grande diversidade de herbicidas. Há evidências de que a penetração de herbicidas decresce com o aumento da idade da folha (GROVER. Apesar de a constituição física e química e a espessura poderem ser praticamente a mesma. 1991). a rota hidrofílica. Schmidth et al. na parede celular e atingir o interior da célula (pela plasmalema) – é a translocação simplástica. mas permanecer absorvido nos componentes lipofílicos da cutícula (3).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que variam em função da espécie. (1981) atribuíram isto à maior polaridade da cutina encontrada nas folhas novas. porque reduz sua polaridade.

Entretanto. a infiltração pelos estômatos não é possível. Primeiro. A maioria dos Módulo 3. O grau de impermeabilidade da cutícula pode ser atribuído ao incremento de sua espessura.. em condições de alta luminosidade e estresse hídrico no solo. luz e teores de umidade no solo e na planta. Alta temperatura pode melhorar a absorção. à alteração na composição das ceras ou ao aumento na formação de ceras epicuticulares. Em segundo lugar. formulação e misturas 109 . Nestas. É difícil ou mesmo impossível afirmar qual dos processos é mais influenciado pelas mudanças nas condições do ambiente. com a penetração de herbicidas nas folhas. sendo essa água de hidratação da cutícula a rota de penetração destes herbicidas. Com relação aos herbicidas hidrofílicos. a menos que a tensão superficial da solução pulverizada seja muito reduzida pelo uso de surfatantes na formulação ou no tanque do pulverizador. dependendo das condições ambientais.Herbicidas: absorção. por provocar maior fluidez dos lipídios da camada cuticular e da membrana celular e. Nas plantas estressadas. umidade relativa. A natureza da resposta para as diferentes condições ambientais varia com a espécie vegetal. Supõe-se que os herbicidas lipofílicos se solubilizam nos componentes lipofílicos da camada cuticular e se difundem através da cutícula. Condições de alta temperatura e luminosidade. Todavia. conseqüentemente.3 . mesmo quando o período sem chuva foi de até seis horas. também pode apresentar efeitos negativos devido à maior rapidez do secamento da gota pulverizada. admite-se que a cutícula tenha estrutura porosa. mais rápida absorção do herbicida. para o sulfosate e glyphosate. havendo maior absorção dos produtos polares com aumento da umidade (HESS. como temperatura do ar. Segundo Pires et al. comparando pulverizações feitas em plantas de capim-massambará (Sorgum halepense) sem estresse e estressadas. o haloxyfop teve sua atividade reduzida de 92% para 12%. metabolismo. houve rebrota acentuada da maioria delas. translocação e grau de detoxificação. A elevação da umidade relativa aumenta o tempo de evaporação da gotícula pulverizada. 2001 o glyphosate e o sulfosate apresentam máxima atividade em plantas não-estressadas. aumenta a hidratação da cutícula. influenciam a atividade dos herbicidas nos aspectos de absorção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os fatores ambientais. translocação. A umidade relativa do ar tem efeito mais consistente sobre absorção de herbicidas. foi suficiente para ótimo controle das plantas tratadas. mover-se através do poro de um estômato aberto para dentro da câmara subestomática. Uma a duas semanas antes da aplicação. 1995). que se mantém hidratada. tanto a absorção quanto a translocação são menores (HESS. geralmente promovem a formação de cutículas mais impermeáveis. a cutícula sobre as células-guarda parece mais fina e mais permeável a substâncias do que a cutícula sobre outras células epidérmicas. 1995). Como os herbicidas atravessam a cutícula? A resposta para essa pergunta ainda não está bem esclarecida. a solução pulverizada poderia. um intervalo sem chuvas de menos quatro e seis após a aplicação. em tese. Nas plantas estressadas (déficit hídrico no solo). provocando a cristalização do herbicida na superfície foliar. favorece a abertura dos estômatos e pode aumentar o transporte de solutos na planta. de duas formas. Os estômatos podem estar envolvidos. e daí para o citoplasma das células do parênquima foliar. ou baixa umidade relativa do ar e umidade do solo. em conjunto. respectivamente.

Sulfato de amônio. da presença de outros aditivos e das espécies das plantas. A estimulação da absorção pode ser causada pelo surfatante adicional ou por outros aditivos presentes nas duas formulações misturadas. No caso do sethoxydim. Em alguns casos o surfatante pode provocar parcial solubilização da cera epicuticular. Também podem ocorrer interações negativas entre os dois herbicidas. translocação. Vários autores afirmam que os surfatantes melhoram a penetração e. favorecendo mais ainda a penetração do herbicida. Este surfatantes são capazes de reduzir a tensão superficial ao ponto de a infiltração pelo estômato ocorrer. proporção de 20% p/v. na concentação de 1 a 10% (p/v). 1980). emulsões. Destes. contendo parte hidrofílica e lipofílica. Finalmente. têm sido usados como aditivos nas pulverizações. quando sulfato de amônio é adicionado à solução. Os resultados dos experimentos de campo. além de surfatantes e óleos. para melhorar a penetração ou atividade dos herbicidas aplicados às folhagens. ou. incluindo picloram. Alguns trabalhos têm demonstrado que esse tipo de surfatante pode aumentar inclusive a translocação relativa do produto aplicado (KNOCHE. Sulfato de amônio não melhora atividade do paraquat e na. 1980).3 . Os herbicidas são raramente aplicados na forma pura. LOADER. etc. tem sido usado para melhorar a atividade de númerosos herbicidas. No entanto. que têm vários propósitos. os mais importantes são os agentes ativadores de superfície.. LOADER. a melhoria só ocorre se o surfatante também estiver presente. 110 Módulo 3. melhorando a retenção e o espalhamento desta sobre a folhagem. atividade do herbicida. glyphosate e sethoxydim. e podem ser catiônicos. do herbicida em questão. Recentemente. Eles podem também induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal e também aumentar a penetração cuticular. no entanto. provoca efeito antagônico com glyphosate (TURNER. Eles geralmente são compostos de moléculas grandes. Por exemplo. o desenvolvimento de surfatantes à base de organossilicones proporcionou avanço nesse ponto. 1994). às quais alguns ingredientes são adicionados. o surfatante lipofílico é eficiente. a atividade do glyphosate é melhorada por surfatantes com alto balanço lipofílico-hidrofílico que pelos surfatantes hidrofílicos que são não-iônicos ou catiônicos (TURNER. a absorção de um herbicida pode ser influenciada pela presença de outro herbicida misturado na calda. em geral. metabolismo. ou surfatantes. a eficiência do surfatante depende de sua natureza. mas preparados em soluções.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surfatantes atualmente em uso atua aumentando a penetração cuticular e não consegue reduzir a tensão superficial adequadamente para permitir a penetração estomática.Herbicidas: absorção. aniônicos ou não-iônicos. formulação e misturas . A adição somente do sal provoca decréscimo da atividade em aveia. não têm sido suficientemente positivos ou consistentes para adição de tais aditivos na calda de pulverização e para se tornar uma prática recomendada. Diversos produtos químicos. Entretanto. A função primária do surfatante é reduzir a tensão superficial da gota.

desprovida da camada de cera. portanto. o periderma é um tecido protetor que substitui a epiderme. Alternativa prática mais eficiente seria injetar o herbicida com equipamento próprio com uma pistola injetora. metabolismo. floema). As células do periderma contêm tanino e são altamente suberizadas. e. O crescimento do caule. é um sítio de entrada importante para muitos herbicidas aplicados ao solo que são ativos em sementes e durante a germinação e na emergência das plântulas (Quadro 2). Outros constituintes comumente encontrados nestas células são ácidos graxos. visando evitar a rebrota das cepas. o periderma deve apresentar baixa permeabilidade à água e. que facilitam a penetração de herbicidas. Estes produtos são pulverizados ou pincelados no caule da planta.3 . usando-se óleo como veículo. em diâmetro.Penetração pelo caule A absorção de herbicidas pode ocorrer pelo caule das plantas jovens (durante emergência) e das adultas. O caule da plântula durante a emergência tem uma cutícula muito pouco desenvolvida. Além do mais. Neste caso. além de serem aplicados em altas concentrações (5-10%). rotas importantes para a penetração de herbicidas pelo caule. sendo. celuloses e terpenos. Entretanto. formulação e misturas 111 . principalmente os polares.3 . também. Nas plantas jovens. Quadro 2 . Lenticelas são estruturas que atravessam o periderma. eles são preparados em formulações lipofílicas. translocação. o herbicida será mecanicamente introduzido através da casca. causa pequenas rupturas na casca. ou. Módulo 3. molinate A penetração de herbicidas através da casca de plantas lenhosas é outra opção que pode ser aproveitada na prática. aos herbicidas aplicados na parte aérea. alachlor. sendo esta uma rota de entrada de herbicidas em muitas espécies de gramíneas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. Este processo está sendo implantado em algumas empresas de reflorestamento. Baseado na sua estrutura e composição.Herbicidas: absorção.Grupos químicos de herbicidas e exemplos de ingredientes ativos que podem ser absorvidos do solo pelas radículas ou partes aéreas emergentes das plântulas Famílias de herbicidas Acetanilidas Ácidos ftálicos Difeniléteres Dinitroanilinas Tiocarbamatos Exemplo de produto acetochlor. usando imazapyr 20 a 30 dias antes da derrubada das árvores de eucalipto. lignina. Para atuação de herbicidas aplicados à casca das árvores. até a região do câmbio (xilema. pendimethalin butylate. a barreira que a estria de Gaspary representa na raiz não está presente nestes tecidos. metolachlor DCPA oxyfluorfen trifluralin. após a morte de suas células. tornando-a mais permeável aos herbicidas. butachlor.

Os pêlos radiculares são responsáveis por aumento significativo da área disponível para a absorção de água e de herbicidas (Fig.4. Na endoderme. Embora raízes jovens sejam também cobertas por uma camada cerosa e as mais velhas sejam fortemente suberizadas. ocorre. A entrada dos herbicidas pelas raízes não é tão limitada quanto pelas folhas. há uma barreira lipídica localizada na endoderme da raiz.4-D. o que pode ocorrer pelo crescimento desta ou pela difusão do herbicida no estado gasoso e. seguida por uma fase de absorção mais lenta. em solução com a água. passando em seguida à negativa (perda por exsudação). normalmente. e esta barreira é conhecida por ser impermeável à água. a principal zona de absorção está entre 5 e 50 mm de sua extremidade. 4). todas as paredes radiais contêm uma banda fortemente impregnada com suberina (estria de Gaspary). até a zona de absorção das raízes. formulação e misturas .Fatores que influenciam a absorção através das raízes A absorção de herbicidas pelas raízes é caracterizada por uma fase inicial de elevada taxa de absorção durante os 30 primeiros minutos até 2 horas.3 . Esse fenômeno pode. Também a concentração hidrogeniônica. próxima à zona de absorção radicular. uma vez que nenhuma camada significativa de cera ou cutícula está presente nas partes das raízes onde a maior parte de absorção de herbicidas ocorre. ocorre decréscimo nesta taxa até ela se tornar nula. em grande parte. Tem sido observado decréscimo na taxa de absorção de herbicidas devido ao abaixamento da temperatura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. Se o herbicida for 112 Módulo 3. A rota mais importante de entrada é a passagem do herbicida junto com a água através dos pêlos radiculares existentes nas extremidades das raízes.Penetração pelas raízes Muitos herbicidas aplicados ao solo são absorvidos pelas raízes. A disponibilidade dos herbicidas para as raízes é função das propriedades físico-químicas dos herbicidas e do solo e da distribuição espacial destes compostos e das raízes no solo. a penetração de água e solutos. Muitos herbicidas com estruturas moleculares.1 . pode influenciar a absorção de herbicidas pelas raízes. O sistema radicular das plantas superiores apresenta uma superfície de absorção extremamente grande. principalmente quando o composto é sujeito à ionização. Por exemplo.4 . tamanhos e solubilidades diferentes são prontamente absorvidos pelas raízes. Na endoderme ou antes dela. a água que se move em direção ao xilema deve entrar no simplasto. metabolismo. Apesar de não existir nenhuma barreira cuticular na zona dos pêlos radiculares. ou. Nas raízes jovens. Os herbicidas têm que entrar em contato com a raiz. O que acontece aos herbicidas nesse ponto não está completamente claro. para o 2. translocação. 1. depois.Herbicidas: absorção. estar relacionado com a viscosidade da água (sob condições de baixa temperatura) e com reações químicas (absorção ativa). com alta permeabilidade à água e a solutos (sais). a taxa de absorção aumenta rapidamente logo após a aplicação e.

o pH que aumenta a sua polaridade beneficia também a sua absorção e penetração pelas raízes. translocação. translocados via xilema. prontamente absorvidos pelas raízes. Também as propriedades físico-químicas dos herbicidas. (1973) a taxa de absorção de herbicida correlaciona-se com o coeficiente de partição óleo/água. estabelecendo um gradiente de concentração entre a parte externa da raiz (solução do solo) e a interna da planta (corrente de assimilados). Quanto à concentração do herbicida. podem ser adsorvidas. ele pode penetrar no floema e. que consiste em atravessar a membrana citoplasmática (plasmalema). podendo. influenciam a absorção. há evidências contrárias. Os herbicidas solúveis na água. absorção bloqueada por inibidores metabólicos. (1973) listam os seguintes critérios para a absorção ser ativa ou dependente de energia: Q10 ≥ 2. taxa de absorção não é função linear da concentração externa..3 . e acumulação contra um gradiente de concentração. mas hiperbólica. mas não o foram para monuron. demanda energia. A linearidade é perdida quando o herbicida exerce efeito tóxico sobre a planta. existem herbicidas não-polares que são. Como a Módulo 3. portanto. passivamente. inibidores metabólicos. além do pH da solução do solo. Donaldson et al. é um processo passivo a puramente físico e. A absorção de herbicidas pela raiz também pode ser limitada por ligações ou adsorção do herbicida nos componentes celulares. em parte. em geral. conseqüentemente. pelas raízes. metabolismo. dependente da concentração. formulação e misturas 113 . a absorção de herbicidas polares. também.4-D é acumulado ativamente e o monuron. para picloram. se difundem nos espaços livres das células da epiderme do córtex da zona de absorção. Uma vez dentro do citoplasma das células. Alta temperatura e irradiância. Até aí. é um processo ativo de absorção. Esta fase tem um Q10 maior que a fase inicial e é sensível a inibidores metabólicos. alta temperatura do solo e alto potencial de água no solo são condições que favorecem a transpiração e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas absorvido em solução com a água. Não há dados suficientes para o entendimento completo de mecanismo de absorção de todos os herbicidas.4. 1. entretanto. de onde se transloca até seu sítio de ação. baixa umidade relativa do ar. A correlação entre transpiração e absorção é válida para os herbicidas polares. A segunda fase de absorção. segundo Donaldson et. atrazine e napropamide. Triazinas e uréias. também é ativa ou dependente de energia. como lipofilicidade e pka. o que geralmente não é o caso da segunda fase. dentro de determinados limites.4-D. portanto. indicando que o 2.2 . a energia necessária à manutenção da seletividade da plasmalema é inibida. Embora alguns trabalhos demonstrem estreita relação entre transpiração e absorção. existe uma relação linear entre a concentração do produto disponível e a sua penetração pela raiz. De modo geral. Para os herbicidas polares. al.Mecanismo de absorção de herbicidas A primeira fase de absorção é independente de energia metabólica. apresentando baixo Q10. Sendo os herbicidas. no xilema. o produto atravessá-la livremente. Essas condições foram satisfeitas para absorção de 2. dependendo das características do produto. A segunda fase da absorção. por exemplo. inicialmente. Também atrazine e amitrole tiveram absorção passiva. sendo os herbicidas mais lipofílicos absorvidos mais rapidamente. a corrente transpiratória correlaciona-se com o transporte destes para a parte aérea da planta.Herbicidas: absorção. ou. então. requerimento de oxigênio.

há tendência de aqueles herbicidas que são capazes de passar livremente do floema para o xilema serem de baixa ou nenhuma translocação via floema. representando a absorção de herbicidas pelas raízes Durante a fase de absorção dependente de energia. o .Herbicidas: absorção. x . (b) Diagrama hipotético.Moléculas de herbicidas capazes de penetrar no xilema e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas translocação via xilema é muito mais rápida que a translocação via floema. formulação e misturas . difundem-se através das estrias de Caspary e atingem o xilema. Estas incluem ligações nos tecidos do citoplasma. ou. metabolismo. translocação. os herbicidas podem ser acumulados contra um gradiente de concentração. partição nos lipídios do citoplasma ou metabolismo a produtos polares que 114 Módulo 3. por Mengel e Kikby (1982).Moléculas de herbicidas capazes de penetrar nas paredes celulares translocam-se via apoplasto.Moléculas de herbicidas capazes de entrar no protoplasma via simplasto (passam de célula em célula através dos plasmodesmatas) e atingem o floema. e há várias explicações para isso.3 . mostrando suas principais estruturas. Figura 4 . floema por ambas as vias (simplásticas ou apoplásticas). • .(a) Secção transversal de uma raiz.

Os herbicidas não-polares seguem uma rota lipofílica até atingirem a plasmalema.Herbicidas: absorção. A exsudação é um fenômeno limitado apenas às raízes integrais (sem cortes) e vivas. os ácidos fracos se dissociam mais e entram no citoplasma. os produtos de maior afinidade por substâncias lipofílicas (lipofilicidade) atravessam mais facilmente a plasmalema. Esta é a explicação alternativa para a acumulação de ácidos fracos. como 2. evidenciando que ela se dá por processo metabólico. Normalmente. metabolismo. podendo ser um dos fatores responsáveis pela tolerância desta ao herbicida. 2. fenilacético. formulação e misturas 115 . acumulando-se no interior da célula (Figura 5). como os derivados do ácido fenóxico acético. A zona da raiz mais ativa na exsudação é a zona de alongamento.4-D. quando aplicadas nas folhas das plantas. correspondendo à zona de absorção. Figura 5 .3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas são menos hábeis para se difundir através da plasmalema.4-D. imazethapyr e sethoxydin Fonte: Stelling (1994) Módulo 3. Várias classes de importantes compostos. A exsudação também está relacionada com a detoxificação da planta. provavelmente. onde.Acumulação de herbicidas (ácidos fracos) no interior da célula (a) e sítios de dissociação dos herbicidas (b): bentazon. benzóico ou picolínico. Essas moléculas dissociadas (ânions) são menos capazes de atravessar a plasmalema do que as moléculas neutras. Uma vez que o pH no citoplasma é uma a duas unidades maior que o pH do meio externo da célula. impedem a ação seletiva desta. translocação. chlorsulfuron. são exsudadas pelas raízes.

metabolismo. 116 Módulo 3. translocação. incluindo as paredes celulares. Plantas jovens. com velocidade de 60 a 100 vezes maior que o movimento no sentido radial. Para a maioria dos herbicidas aplicados ao solo. é formado pelo conjunto de células mortas. como visto a seguir. formulação e misturas . Se a translocação de um herbicida pode ser aumentada. então as doses aplicadas deste produto podem ser reduzidas. rizomas. Íons e moléculas podem movi¬mentar-se de célula para célula através dessas estruturas. e tendo em vista que há diferença de penetração de herbicida nas diferentes posições da parte aérea da planta. principalmente de arbustos e árvores. em 1971. aquelas plantas que são capazes de se regenerar através de bulbos. Apoplástico . que são as membranas citoplasmáticas. podem ser mortas por herbicidas de contato.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 .Conceito de movimento simplástico e apoplástico Simplástico . para exercerem a sua efetiva ação herbicida..Translocação de herbicidas Há várias razões pelas quais é importante o estudo de translocação de herbicidas. basicamente. menores serão os custos de aplicação e os riscos de causar prejuízos ao meio ambiente. citados por Hay (1976). o aumento na translocação de um produto aumentará a sua eficiência. O movimento de solutos e assimilados no interior das plantas superiores pode ser definido. considerando que não é fácil atingir toda a superfície foliar de uma planta.foi definido por Crafts e Crisp. como ponto de crescimento. necessitam que determinada quantidade do produto seja capaz de translocar e atingir estes orgãos de recuperação. em dois sentidos. 2. etc. Por outro lado. quando ocorre completa cobertura da parte aérea pela calda herbicida pulverizada. até atingirem as células companheiras.contrariamente ao simplasto. estolons. Transporte a longa distância ocorre através dos tubos crivados (floema). de onde são transpostos para o floema. os espaços intercelulares e o xilema.3 . cloroplastos.1 . etc. denominado plasmodesmas. sem atravessar as barreiras à permeabilidade. como a massa total de células vivas de uma planta. a translocação é também de grande importância. O floema é o principal componente do simplasto. conseqüentemente. Muitos herbicidas são absorvidos pelas raízes ou pelas partes subterrâneas do caule e são translocados para outras áreas. que não são capazes de se regenerar através de seus órgãos subterrâneos.Herbicidas: absorção. formando um conjunto contínuo através das intercomunicações do citoplasma. para que produza controle eficiente. tubérculos. os quais formam um sistema contínuo no qual a água e os solutos se movimentam livremente. Entretanto.

O decréscimo da concentração dos assimilados ao longo dos vasos. Estas células são conhecidas como células de transferências e parecem funcionar no carregamento dos vasos do floema e na transferência do floema para o xilema. para muitas substâncias. Citoplasmas das células do mesófilo. se transformam em uma fonte. quando amadurecem. supunha-se que as substâncias (íons ou moléculas) rompiam essa barreira e penetravam no sistema simplástico das células. 2. principalmente sacarose) dentro dos vasos. flores e frutos em desenvolvimento. que a estria de Gaspary não está presente nos ápices Módulo 3. penetração de água dentro destas células. é ainda desconhecido. As células companheiras e as células parenquematosas. têm. para se translocarem das folhas para a parte superior da planta. em direção contrária ao gradiente de concentração.1. enquanto as produzidas nas folhas da parte superior da planta são transportadas para as folhas novas e os brotos terminais. As folhas.Movimento descendente Os assimilados e solutos se movem a uma distância média correspondente a 2. O movimento por esta rota para o interior da raiz é bloqueado pelas paredes longitudinais das “estrias de Gaspary”. porém o mecanismo desse carregamento. hoje. A teoria do transporte pelo fluxo de massa baseia-se na elevação da concentração de assimilados (açúcares. de alguma forma ainda não definida. antes de alcançar os vasos menores do floema. das células de transferência e das células companheiras estão diretamente intercomunicados. A hipótese do transporte pelo fluxo de massa envolve uma corrente de solutos movendo-se da fonte (folhas. que acompanham as células do floema. Uma vez que estes assimilados se movem para dentro desses vasos. caules ou outros órgãos fotossintetizantes) para o dreno (áreas meristemáticas. estão envolvidas no fluxo de carregamento destes vasos. As células com protoplasma muito denso e com pontuações na parte interna da parede celular permitem maior superfície de contato entre o sistema simplástico e o apoplástico. Os assimilados.1 . conseqüentemente. à medida que se distancia da fonte.5 vezes o diâmetro da célula. nestes vasos.Herbicidas: absorção. na endoderme. O movimento para dentro do floema (carregamento) deve ser um processo ativo. suporta essa teoria. no entanto. Parte dessa distância ocorre pelo sistema apoplástico. Sabe-se. A alta pressão de turgor. Acredita-se que herbicidas e outras substâncias se movimentem juntamente com esse fluxo. causando elevação do potencial osmótico e. após o que podem subir pelo floema ou penetrar no xilema e se translocar com a corrente transpiratória. Contudo.2 . translocação. primeiro. são um dreno e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. raízes e tecidos ou órgãos de reserva). Substâncias fotossintetizadas nas folhas da base da planta são transportadas para as raízes. força o fluxo em massa do conteúdo nele existente. formulação e misturas 117 . inicialmente.Movimento ascendente Íons e moléculas podem difundir-se pelos espaços intercelulares e paredes celulares do córtex. assume-se que esse movimento ocorra à custa de energia metabólica.1. que descer até atingir o caule. metabolismo. mas somente as células companheiras estão diretamente ligadas ao floema.3 .

ser absorvido por plantas vizinhas não-tratadas. sendo exsudado. o picloram é. Pequena acumulação ocorre nas raízes. pelas raízes.4-D.Translocação de alguns herbicidas Dicamba . podendo. A elevação da umidade relativa pode aumentar o movimento descendente do 2. Derivados do ácido fenóxico .6-TBA . formulação e misturas . Picloram . até certo ponto. mover-se de célula para célula. Essas substâncias podem.3 . A sua pequena acumulação nas raízes está.parece movimentar-se prontamente em ambos os sistemas (apoplásticos e simplásticos). 2. ou. A adição do ácido 2-cloroetil-fosfônico (ethrel) ao dicamba aumenta a sua translocação.4-D. as condições ambientais favoráveis à transpiração (umidade relativa baixa. Aplicado nas folhas das plantas. 10 vezes mais tóxico às raízes que o 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas radiculares de células endodérmicas jovens e na região basal das raízes laterais em desenvolvimento (LUXOVÁ. Se a planta é retirada da solução com herbicida e colocada numa solução sem herbicida. o que pode representar importante rota de passagem dos herbicidas do apoplasto para o simplasto. Exsuda-se. Aplicado nas folhas do milho. ou vazar para o xilema parenquimatoso e ser transportadas no sentido acrópeto pela corrente transpiratória. Ele transloca-se. elevadas temperaturas e adequado suprimento de água no solo) são também favoráveis à translocação dos produtos que se movimentam pelo sistema apoplástico. aproximadamente. ele se transloca até as raízes e. também ocorre acumulação nas folhas jovens.quando aplicado em solução nutritiva.3. metabolismo. xilema e acumulam-se nos pontos de crescimento (tecido meristemático).Herbicidas: absorção. A morte ou injúria das raízes reduz a sua exsudação. a concentração do produto diminui nas raízes e nas folhas fotossintetizadoras e se concentra nas regiões meristemáticas desta. relacionada com sua exsudação por elas.os representantes deste grupo translocam-se pelo floema e. principalmente. Em geral. é rapidamente absorvido e translocado para todas as partes da planta. que é a striga (erva-debruxa). Se o produto é aplicado nas folhas. Apesar de apresentar pequena acumulação na raiz. ele se acumula nos pontos de crescimento. neste caso. CIAMPOROVÁ. semelhante ao 2. para folhas e pontos de crescimento da planta. translocação. indicando ser este um processo que requer energia. nos pontos de crescimento e nas raízes. pode danificar a cultura quando ele for injetado em algumas espécies que são capazes de excretá-lo através de suas raízes. A presença de folhas jovens na planta aumenta a translocação do produto para as raízes. pelo sistema simplástico.é altamente móvel na planta.3 . talvez por inibir o movimento junto à corrente transpiratória. O uso deste herbicida no raleamento de floresta.1. no sentido descendente. não se acumulam na raiz por causa do fenômeno da exsudação. pode controlar uma séria invasora do milho. Aplicado nas raízes ou nas folhas. visando reduzir o sombreamento de culturas como o cacau. em grande proporção. então. 118 Módulo 3.4-D move-se do floema para o xilema e retorna à folha tratada. espalhando-se rapidamente por toda a planta.4-D. 1992). apesar de ser bastante móvel no sentido basípeto da planta. podendo causar danos às plantas adjacentes às tratadas. 2. O 2. Apesar de se translocarem no sentido descendente. pode ser exsudado pelas raízes.

de alguma forma. Aplicados às folhas. Imidazolinonas .estes herbicidas são absorvidos por folhas. penetram no simplasto. A sua velocidade de ação é proporcional à intensidade luminosa. principalmente nos cloroplastos. O sítio de ação dos herbicidas deste grupo é a enzima AHAS (ácido aceto hidroxi sintase). em razão de sua rapidez de ação. atingindo. ametryn e atrazine. em menor proporção. Alguns trabalhos mostram que a translocação é aumentada pela redução da umidade relativa (elevação da transpiração). dentro de 30 minutos elas podem ser detectadas no topo da planta. Outros autores admitem que a translocação ocorrida na planta seja por difusão causada pelo rompimento das células. mais rápida é absorvida pelas raízes e mais rápida é a translocação para o caule. Imazaquin é muito ativo no milho. onde atuam. quanto mais lipofílica for a imidazolinona. sendo todas elas translocadas exclusivamente via xilema. são bastante toleradas pelos citros e pelo algodão. translocação. Quando o paraquat é aplicado no escuro. onde. Quando aplicadas às raízes das plantas. Fatores que reduzem a transpiração da planta reduzem também a sua translocação. principalmente. principalmente diuron. promove o acúmulo de CO2 na câmara subestomática. Algumas. A diferença de translocação do imazaquin pode ser a causa das diferenças na susceptibilidade entre as espécies. aparecem os sintomas de toxidez. Assim.os derivados da uréia substituída são translocados exclusivamente via apoplástica.3 . portanto. inicialmente. formulação e misturas 119 .a maioria das triazinas são mais facilmente absorvidas pelas raízes. Algumas uréias. Contudo. Altas concentrações destes produtos são encontradas em glândulas ricas em óleo (verdadeira barreira à translocação destes herbicidas) localizadas ao longo do caule e nas folhas da planta. principalmente quando aplicados durante o dia. porém se translocam apenas do ponto de aplicação para as extremidades da parte da planta onde foram aplicadas. sob forte intensidade luminosa. onde inibem a síntese de aminoácidos. Entretanto. concentrando-se nas extremidades das folhas. Módulo 3. que é concentrada nos tecidos meristemáticos. parece que ele atinge o xilema antes de necrosar o tecido e se move com a corrente transpiratória tão logo a planta seja exposta à luz. metabolismo. como metribuzin. como herbicidas não translocáveis nas plantas. ao inibir a fotossíntese. os cloroplastos. Aparentemente. A taxa de absorção decresce algum tempo após a aplicação. Triazinas . enquanto a translocação no milho continua por muito tempo. mas pouco ativo em Avena fatua. caules e raízes e se trans¬locam via floema ou xilema até os pontos de crescimento. Os estômatos fecham-se porque o herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Uréias .Herbicidas: absorção. em solução nutritiva. por causa do fechamento dos estômatos (redução na taxa de transpiração). na prática. eles não se translocam de uma folha para outra. espalham-se por toda a planta. são também absorvidas pelas folhas. Bipiridílios – são considerados. Aplicados às raízes. em plantas de algodão. A translocação das raízes para os caules parece estar relacionada com a lipofilicidade das imidazolinonas. a translocação da folha para o caule parece não estar relacionada com a lipofilicidade. a pequena translocação do produto ocorre pelo sistema apoplástico. As triazinas também se acumulam em glândulas ricas em óleos. Na prática. Ocorre paralisação da translocação em aveia uma hora após o tratamento. eles são considerados herbicidas de contato. fluometuron e linuron.

metabolismo. Uma das maneiras pelas quais as plantas se livram destes produtos é através do metabolismo destes. Embora os herbicidas venham sendo usados há mais de 50 anos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 .6 T. na época da colheita das estruturas utilizadas para a alimentação. Normalmente.3. como a alfafa.4-DB também é metabolizado por algumas plantas (Figura 7). Para vários grupos de herbicidas (ex. ou.Metabolismo dos herbicidas nas plantas A seletividade dos herbicidas pode ser atribuída a numerosos fatores.4-DB → β oxidação → 2. formando o 2. 120 Módulo 3. aminoácidos também são mecanismos de inativação do 2. ácido glutâmico. metabolismo. A maioria das plantas degrada a cadeia do ácido acético. Derivados dos ácidos fenóxicos Há três mecanismos básicos envolvidos no metabolismo dos derivados do ácido fenóxido acético (Figura 6): • degradação da cadeia do ácido acético.4-D são: ácido aspártico. formulação e misturas . A transferência do cloro da posição '4' para a posição '3' e a passagem do cloro da posição '5' para posição ‘6’ do 2. valina. também. É muito importante saber se o herbicida é metabolizado ou não. É importante saber não só que o herbicida é metabolizado. transformando-se em composto tóxico (2. fenilalanina e triptofano. o toleram. etc. inibidores da ALS e da ACCase). e • conjugação do composto com constituintes da planta. mas somente algumas espécies o degradam em velocidade suficientemente rápida para aumentar ou proporcionar a sua tolerância ao produto. também o inativam. aqui.Herbicidas: absorção. conhecer os seus metabólitos e a forma como são metabolizados. do metabolismo dos herbicidas nas plantas apenas em relação à sua detoxificação.4-D). alanina. translocação. O 2. metabolismo o da molécula é uma das principais causas da seletividade. incluindo absorção. A hidroxilação na posição ‘para’ inativa o produto. Tratar-se-á. mas. o estudo de seus metabolismos é relativamente recente. Os compostos geralmente encontrados em conjugação com 2. na passagem do cloro de uma posição para outra. As agências governa¬mentais estabelecem limites de tolerância de resíduos dos produtos na planta. há hidroxilação na posição anterior do cloro. translocação. com conseqüente conjugação desta hidroxila com constituintes da planta. leucina. na planta.3 . Algumas leguminosas.: auxínicos.4. • hidroxilação do anel aromático.5 T.4-D. A hidroxilação na posição ‘3’ e a sua conseqüente conjugação com glucose e. causando a inativação do herbicida.

4-D ou o fazem muito lentamente.Biotransformação e rotas metabólicas do 2. formulação e misturas 121 . sorgo e cana-de-açúcar. elas são rapidamente degradadas (Figura 8). são altamente tolerantes às clorotriazinas (atrazine e simazine). antes da saturação dos sítios de ação do produto.4-D em plantas superiores Figura 7 – β oxidação do 2. enquanto em espécies suscetíveis (feijão e pepino) a degradação Módulo 3.3 .4-DB a 2. principalmente gramíneas como milho. metabolismo. translocação.4-D em plantas superiores Triazinas Algumas plantas. Em espécies tolerantes. A taxa de degradação das triazinas em plantas superiores varia grandemente com as diferentes espécies.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas porque não o transformam em 2.Herbicidas: absorção. Figura 6 . dando tempo para que outros processos metabólicos realizem a sua degradação.

Herbicidas: absorção. indicando que nestas a benzoxazinona é mais ativa. O metabolismo do metribuzin nas plantas superiores pode ser observado na Figura 9.Biotransformação e rotas metabólicas de atrazine em plantas superiores Os processos de inativação ocorrem pela hidroxilação. mas a hidroxilação é mais intensa nas raízes. Figura 8 . Também pode ocorrer conjugação das triazinas com peptídeos. 122 Módulo 3.3 . A substância catalisadora dessa reação foi identificada como benzoxazinona.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas é mais lenta. Portanto. formulação e misturas . metabolismo. o que favorece a tolerância das plantas a estes herbicidas. demetoxilação e dealquilação na posição ′N′ e por conjugação com peptídeos. Extratos das raízes e da parte aérea do milho são capazes de hidroxilar as clorotriazinas. a base de seletividade destes herbicidas às plantas. A N-dealquilação é outra rota do metabolismo das triazinas. Glutation-Stransferase é a enzima envolvida nessa conjugação. Esta substância ocorre em toda a planta de milho. primariamente. a taxa de degradação das triazinas parece ser. translocação.

a ruptura do anel.3 . não se demonstrou. É um produto não-seletivo e de elevada eficiência no controle de plantas daninhas perenes.Biotransformação e rotas metabólicas do metribuzim em plantas superiores Derivados dos ácidos benzóico A hidroxilação do anel aromático e a sua conjugação com outros constituintes da planta são demonstradas na prática. formando a correspondente anilina. metabolismo. É considerado um herbicida completamente metabolizado pelas Módulo 3. Propanil É uma exceção entre as amidas. demetoxilação e deaquilação. Enquanto estas inibem raízes e pontos de crescimento. e também com a conjugação com os constituintes da planta.Herbicidas: absorção. Entretanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 .6-TBA é considerado um herbicida estável. formulação e misturas 123 . ou. tanto na planta quanto no solo. Entre os compostos deste grupo. incluindo as de raízes profundas. o propanil inibe o fotossistema II. o 2.3. ainda. translocação. Derivados da uréia As principais rotas do metabolismo das uréias substituídas estão relacionadas com a demetilação e.

Comparando a atividade do 2. Figura 10 .4-D é mais ativo que o picloram. citados por Foy (1976). A enzima envolvida nesse processo (arilacilamidase) é 10 a 20 vezes mais ativa no arroz que no capim-arroz.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantas tolerantes (Figura 10). metabolismo. translocação. como o arroz. Esta enzima é sensível aos inseticidas carbamatos e fosforados orgânicos. principalmente com diversos tipos de carboidratos. Trabalhos realizados por Redemann e outros. Picloram: É um produto altamente estável na planta e no solo. sensível. A sua alta atividade como arbusticida e arborecida está relacionada com a sua estabilidade na planta. considerando-se o tempo de ação. podendo a mistura do propanil com estes compostos causar sensível redução na tolerância do arroz ao propanil ou até perda total de seletividade do propanil a essa cultura. Nas plantas sensíveis. em trigo.3 . mostraram que somente 17% do picloram tinha sido metabolizado três meses após a sua aplicação. A velocidade de sua metabolização influencia decisivamente a tolerância da planta.Hidrólise do propanil em plantas de arroz O metabólito 3-4-dicloroanilina formado pode ser conjugado com constituintes da planta. observou-se que o 2. o picloram é mais de 10 vezes mais ativo. formulação e misturas . O 3-4-diclorolactoanilida é um composto intermediário e instável nas plantas tolerantes.Herbicidas: absorção. razão pela qual o arroz é tolerante e o capim-arroz. como o capimarroz. 124 Módulo 3.4-D com a do picloram (em algumas espécies de plantas latifoliadas). Entretanto. por unidade de tempo. ele se acumula e inibe a reação devido à menor atividade da enzima que o degrada. por causa de sua lenta degradação.

pelos estômatos. Na legislação federal sobre produtos fitossanitários. mantendo essas condições durante o armazenamento e transporte (ARAÚJO. vegetais (apresentam porções variadas de ácidos graxos) e vegetais metilados (sofrem esterificação metílica). molhantes (permitem rápida umectação do produto em contato com a água). catiônicos (carregados positivamente) e não-iônicos (neutros). A formulação é a etapa final da industrialização. metabolismo. Estes compotos causam redução da tensão superficial. tendo em vista que o produto final deve ser usado em determinadas condições técnicas de aplicação. Entre as classes de adjuvantes podem-se citar: emulsificantes (compatibilizam frações polares e apolares). que são capazes de reduzir muito a tensão superficial e até induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal. Qualquer substância ou composto sem propriedade fitossanitária. às vezes. para poder cumprir eficazmente sua finalidade biológica. Módulo 3. seja como molhantes. servindo de interface entre as superfícies. e surfatantes (agentes ativadores de superfície). é comercializado em formulações diferentes em várias regiões do mundo. também. translocação. corantes (dão coloração ao produto formulado). tamponantes (deixam o pH dentro de uma faixa desejada). Os surfatantes ou tensoativos são também adjuvantes. solventes (dissolvem o ingrediente ativo). exceto água. espessantes (aumentam a viscosidade).3 . formulação e misturas 125 . antievaporantes e. Eles podem ser aniônicos (carregados negativamente). adesivos (melhoram a aderência do produto com a superfície tratada). O mesmo ingrediente ativo. 1997).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . fazendo com que o herbicida penetre. que não alteram o equilíbrio eletrolítico nas formulações e nas caldas. é uma formulação universal que possa ser usada em diversos países. Recentemente surgiram os surfatantes à base de organossilicones. que é acrescida na preparação de defensivos para facilitar a aplicação ou aumentar a eficiência ou diminuir os riscos é classificada como adjuvante. penetrantes. mas a tendência atual. adicionando substâncias coadjuvantes. Os surfatantes são classificados de acordo com sua carga elétrica ou tendência de ionizar a porção hidrofílica da molécula. segundo Kissmann (1997). e os ingredientes inertes são os outros compostos adicionados na formulação.Formulação Formular um herbicida consiste em preparar seu ingrediente ativo na concentração adequada. adesivos. Eles podem ser: minerais (formulados com predominância de frações parafínicas de hidrocarbonetos). espalhantes. dispersantes (impedem a aglomeração de partículas). por possuírem porções lipofílicas e hidrofílicas na mesma molécula. ingrediente ativo é o composto com atividade biológica. Os óleos não-fitotóxicos também têm grande uso como adjuvante.Herbicidas: absorção. Os minerais também podem servir como veículo para aplicação de herbicidas. ou. quelatizantes (tiram reatividade de moléculas e íons). no Brasil.

Veículo de aplicação (água) O veículo mais importante para diluir formulações de produtos fitossanitários a serem aplicados por pulverização ou imersão é a água. metabolismo. perigo de deriva e lixiviação. tornando-os indisponíveis. Uma formulação de herbicida pode ser considerada de boa qualidade se atender aos seguintes requisitos: ser letal à planta daninha ou.0 126 Módulo 3. permanecer ativa por um longo período. 1997). por diminuírem ou eliminarem a seletividade de alguns herbicidas e até favorecerem ataques de fungos pela remoção da camada cerosa protetora ou por espalharem os esporos pela superfície vegetal (Kissmann. Deve-se salientar que essa dureza é calculada em função do teor de CaCO3 . necessidade de armazenagem e tipo de ambiente em que a aplicação é feita.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Além da redução da tensão superficial. favorecer mais a penetração do herbicida (RADOSEVICH. causando desnaturação enzimática ou disfunção das membranas e. Um exemplo claro dessa ação ocorre com os compostos catiônicos (paraquat e diquat). especialmente os de Ca++ e de Mg++. tem que ser compatível. nos seguintes fatores: características físicas e biológicas da planta daninha-alvo. Deve também permitir a associação de produtos. danosa a ela. formulação e misturas . Além disso. os surfactantes favorecem o espalhamento uniforme da calda na superfície foliar. Também. também. deve apresentar bom espalhamento. segundo Ozkan (1995).1 . custo. 1997). assim. Argilas e compostos orgânicos em suspenão na água podem absorver alguns tipos de ingredientes ativos. equipamento de aplicação disponível.4-320. A escolha da formulação a ser usada baseia-se. que são inativados parcial ou totalmente. podem solubilizar substâncias não-polares da folha. tanto física (sem absorção ou repulsão entre os ingredientes) como química (sem alteração dos compostos) ou biologicamente (a mistura deve ser eficiente para o controle) e ser estável. e não afetar os microrganismos benéficos e a cultura. 4. A água quase sempre apresenta sais em dissolução.0 > 534. possível injúria na cultura. que são os principais causadores da dureza da água.2 71.4-534.2-142. no mínimo. ou seja. Os sufatantes podem. assumir conotações negativas em certos casos.Herbicidas: absorção.4 142. aumentam a retenção e melhoram o contato da gotícula.3 . e penetração foliar eficiente. caso esta já esteja instalada. translocação. boa retenção na superfície da folha.4 320. Quadro 3 . como sendo fitotóxicos. que deve ser de boa qualidade.Classes de dureza da água Classes Água muito branda Água branda Água semidura Água dura Água muito dura ppm de CaCO3 71.

sob a forma de suspensão. não requerendo agitação durante aplicação. maior concentração de Módulo 3. formulação e misturas 127 . os elementos responsáveis pela dureza da água Ca++ e Mg++ podem substituí-los. As indústrias geralmente já formulam seus produtos para serem compatíveis com 20 até 320 ppm de carbonato de cálcio.3 . Valores extremos de pH podem afetar a estabilidade das caldas. para aplicação. vermiculita.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A dureza da água interfere na qualidade das caldas dos herbicidas de duas maneiras: Nas formulações . Muitos produtos que ficam preparados em água por muito tempo.5. o que reduziria a tensão superficial dos líquidos.Formulações sólidas Pó molhável (PM): esta formulação é definida pela ABNT como formulação sólida de pó. O ingrediente ativo sólido está na forma de grânulos.ingredientes ativos à base de ácidos ou sais podem reagir na presença dos cátions Ca++ e Mg++ .0 e 6. descaracterizando sua ação biológica. Outro fator muito importante que pode influir na estabilidade dos herbicidas e nos resultados é o pH da água. precisa-se de uma agitação contínua no tanque. transformase numa suspensão. 4. ou acrescentando um quelatizante na água.2. A dureza da água pode ser corrigida. possui 50 a 80% de ingrediente ativo (ex: Sencor BR. para evitar floculação e aumentar a establilidade da suspensão. de duas maneiras: acrescentando um surfatante não-iônico. formando compostos insolúveis. segundo Kissmann (1997). Pó solúvel (PS): nesta formulação o ingrediente ativo é totalmente solúvel em água. nas formas sólida e líquida. 700 g kg-1 de metribuzin). com conseqüente perda da função desses surfatantes. após dispersão em água. e a constante de dissociação também é dependente do pH. etc). com possíveis substituições e formações de compostos insolúveis. adicionado em água.2 . cuja velocidade depende do pH. podem sofrer degradação por hidrólise.Tipos de formulações As formulações apresentam-se. Grânulos dispersíveis em água (GRDA ou dry flowable): é uma formulação sólida constituída de grânulos. Nos ingredientes ativos .na presença de tensoativos aniônicos contendo Na+ ou K+. basicamente. que representa água semidura. Adiciona-se geralmente uma substância dispersante. Geralmente. É obtida pela moagem do ingrediente ativo absorvido em material inerte (sílica. Muitas moléculas sofrem dissociação quando em solução. antes da aplicação. e este. Geralmente. o que isolaria a carga elétrica e suprimiria a reatividade de íons desta. 4.1 . para aplicação sob a forma de suspensão após desintegração e dispersão em água. as caldas fitossanitárias apresentam mais estabilidade numa faixa de pH entre 6. metabolismo. Durante a aplicação. Possui a vantagem de ter. translocação. no produto comercial.Herbicidas: absorção.

: Karmex 500 SC. metabolismo. 4-D). composta do soluto. que pode conter outro(s) ingrediente(s) ativo(s) para aplicação após a diluição.: Dual 960 CE.3 . Emulsões concentradas: esta formulação é uma emulsão de ingrediente ativo de baixo ponto de fusão ou líquido. 500 g L-1 de diuron). requerendo. podem ser aplicados em locais de difícil acesso. que pode ser água. e um agente emulsificante. como a vermiculita. translocação. adiciona-se geralmente um surfatante (ex. Emulsões são sistemas termodinamicamente instáveis que consistem em dois líquidos imiscíveis. sendo um deles disperso como glóbulos de pequeno tamanho dentro do outro. Esta formulação contém as fases ‘oleosa’ (contendo o ingrediente ativo e o solvente orgânico surfatante) e ‘aquosa’ (que também pode conter 128 Módulo 3. Pellets ou pastilhas: possuem ampla similaridade com os granulados. com um solvente nãopolar (o ingrediente ativo).2. 700 g kg-1 de imazaquin). 110 g L-1 de fenoxaprop-p-ethyl). Para que um produto seja formulado como solução.2 . Microemulsão: é um caso específico de emulsão. acetona.: Podium. para aplicação após a diluição em água. VALE. para aplicação após diluição em água. Suspensão concentrada (S) ou “flowable”: é uma formulação constituída por uma suspensão estável de ingrediente(s) ativo(s) num veículo líquido. Suspo-emulsão: é uma formulação fluida e heterogênea. e de princípio ativo. têm maiores custos e dependem de equipamentos adequados para aplicação e de umidade no solo para liberar o ingrediente ativo (ex. 1997) (ex. Em geral. A importância desta formulação reside na possibilidade de poder compatibilizar dois tipos de formulações diferentes. menor volume de calda para aplicação (ex: Scepter 70 DG. Seu processo de obtenção é o mais simples e barato. e do solvente. formulação e misturas . etc.Formulações líquidas Soluções (S): esta mistura é de natureza homogênea. Devido à sua pouca penetração foliar. sendo uma alternativa ao concentrado emulsionável (ex. que é o ingrediente ativo. dispensam o uso da água. A solubilidade mínima necessária é de 12%. 4. O concentrado emulsionável conta. Concentrado emulsionável (CE): é uma formulação líquida homogênea. dissolvido no solvente. sob a forma de emulsão. álcool. 670 g L-1 de 2. constituída de uma dispersão estável de ingredientes ativos na forma de partículas sólidas e de finos grânulos na fase aquosa.: DMA 806 BR. 200 g kg-1 de molinate). Possui maior penetração foliar. permanece por longos períodos em suspensão (mistura mais homogênea) e provoca menos desgaste nos bicos (ZAMBOLIM. a baixa toxicidade e o fácil manuseio (ex. 960 g L-1 de metolachlor). o princípio ativo sólido (micropartículas) é mantido suspenso em água. Granulados (GR): os grânulos são constituídos de veículos minerais. com isso. diferindo-se por possuírem partículas de maior tamanho.Herbicidas: absorção. Como vantagens estão a ausência do pó.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas princípios ativos. ele deve ser solúvel em pelo menos 25% por litro do solvente. Neste tipo de formulação. basicamente. cuja concentração varia de 2 a 20%. são mais seletivos.: Ordran 200 GR.

• Redução de custos: o menor custo de aplicação. que lhes conferem comportamento diferenciado (susceptibilidade. além do conhecimento a respeito das interações entre os produtos. • Aumento da segurança da cultura. Módulo 3. 5. translocação. entre outros aspectos. tolerância ou resistência) em relação aos herbicidas utilizados. Há menor chance de a cultura ser injuriada. além de surfatante). entretanto. especialmente as misturas. metabolismo. visando obter o máximo de controle de plantas daninhas e minimizar injúrias às culturas. A idéia de combinação de herbicidas para controlar seletivamente plantas daninhas em culturas desenvolveu-se posteriormente.Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas A aplicação de misturas de herbicidas pode oferecer vantagens. • As misturas foram primeiramente usadas para o controle não-seletivo e seu uso contínuo tornou-se importante. quando comparadas com aplicação de um princípio ativo isoladamente. a preparar misturas de herbicidas com diferentes princípios ativos.Misturas de herbicidas O controle de plantas daninhas visa.1 . homogêneo (ex. requer grande cuidado. devido ao uso de doses menores de cada herbicida misturado.3 . como: • Controle de maior número de espécies de plantas daninhas e redução do risco de aparecimento de genótipos resistentes. 5 .Herbicidas: absorção. Deve-se dar preferência às misturas prontas. reduzir ou eliminar a competição destas com a cultura É importante lembrar que existem centenas de espécies de plantas daninhas e que estas apresentam as mais variadas características morfológicas e fisiológicas. bem como os fabricantes. formulação e misturas 129 . o controle mais efetivo de plantas daninhas e as menores quantidades de herbicidas aplicadas geralmente reduzem o custo total do manejo. É mais efetiva que uma única dose de um herbicida. • Redução de resíduos na cultura e no solo devido ao uso de doses menores. especialmente dos componentes mais persistentes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ingrediente ativo solúvel em água. Além desse fato. A aparência é de um líquido transparente. a necessidade de reduzir os custos de produção da cultura tem levado os produtores. ou mesmo com outros agroquímicos/pesticidas.: Robust: 200 g de fluazifop-p-butil + 250 g L-1 de fomesafen). o manejo de herbicidas. Houve grande expansão no uso de misturas e na aplicação sequencial de vários herbicidas em um único ciclo cultural.

resultando em formação de precipitados. • Pode melhorar o controle de plantas daninhas pela ampliação da seletividade. A incompatibilidade física é usualmente causada pela formulação e suas interações.Incompatibilidade Quando dois ou mais herbicidas são combinados. formulação e misturas .2 . A mistura de um herbicida formulado como pó-molhável. 5. podem ser observados os seguintes efeitos sobre as plantas: • Efeitos sinérgicos: quando o efeito dos herbicidas aplicados juntos é maior que a soma dos efeitos isolados. em razão da possível ação sinergística na planta daninha e ação antagônica sobre a cultura. • Efeitos antagônicos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é menor que a soma dos seus efeitos quando aplicados separadamente. Menor desempenho da mistura pode ser resultado de qualquer incompatibilidade física ou biológica. A incompatibilidade denota a inabilidade de dois ou mais herbicidas em serem usados simultaneamente.. uma das vantagens da mistura formulada. com outro formulado como concentrado emulsionável tem elevada tendência a apresentar incompatibilidade física. eles podem ser aplicados separadamente (um após o outro). metabolismo. Por isso.3 . causada pela incompatibilidade. por exemplo. dependendo do modo como foi feita a mistura. juntos (misturados no tanque) ou ainda podem ser formulados juntos (comercializados numa mesma embalagem).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Controle por um período maior.3 . É a relação da efetividade de um material com o outro. translocação. de modo que sua aplicação não pode ser executada. etc. 130 Módulo 3. é evitar possíveis incompatibilidades dos componentes da formulação.Interações entre herbicidas O termo interação descreve a ação conjunta dos herbicidas nas plantas. Fatores como solubilidade. separação de fase. que resulta numa rápida sedimentação dos componentes da mistura. Estes herbicidas pré-misturados ou em misturas no tanque do pulverizador podem ser mais eficientes ou não. Quando dois ou mais herbicidas são aplicados juntos. 5. carga iônica e outros parâmetros físicos são responsáveis pela redução do desempenho dos produtos. • Melhores resultados em campos com variados tipos de solos.Herbicidas: absorção. • Efeitos aditivos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é igual à soma dos seus efeitos quando aplicados separados. complexação. pela adição de outro herbicida mais efetivo sobre determinada espécie de planta daninha predominante. em relação à de tanque.

• Se a resposta observada for maior que a esperada. O antagonismo do fenoxaprop com MCPA éster aumentou a tolerância do trigo sem reduzir o controle da aveia-brava (JORDAN. A redução da penetração pela raiz pode resultar em antagonismo e aumentar a seletividade da cultura. É o caso do trifluralin e diuron em algodão e trifluralin e metribuzin em soja. 1995). resultando em menor efeito dos herbicidas sistêmicos.Herbicidas: absorção.Interações de herbicidas com inseticidas em mistura Em geral. a mistura é sinérgica. chlorsurfuron. Também pode ocorrer a redução da penetração foliar. este metabolismo. por exemplo. formulação e misturas 131 . os inibidores de lipídios não devem ser misturados com 2. aumento da translocação. bentazon. principalmente quando a formulação éster do MCPA é usada. A absorção e a translocação do glyphosate ficam prejudicadas. MCPA. inibição do metabolismo. a fitotoxicidade de alguns herbicidas tem mostrado ser influenciada por alguns inseticidas organofosforados ou metilcarbamatos. As bases para essa interação podem ser: aumento da penetração foliar dos herbicidas aplicados em pós emergência. X+(100-Y) é a toxicidade esperada da mistura. etc. • Se a resposta observada foi menor que a esperada. seria ideal que a mistura apresentasse efeitos antagônicos para a cultura e sinergísticos para as plantas daninhas.3 . a mistura é aditiva.. Y = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida B e q L ha-1. Então. O antagonismo também ocorre quando um herbicida de contato é aplicado com glyphosate ou com herbicidas auxínicos. induzindo o Módulo 3. WARREN. chlorimuron. entretanto. Inseticidas organoclorados não têm apresentado interações com herbicidas. interações dos mecanismos de ação dos herbicidas envolvidos. a mistura é antagônica. entre o paraquat e o MCPA dimetylamina. Organofosforados estão envolvidos com interações com nicosulfuron (SILVA et al. metabolismo. 2005) A tolerância do milho a este herbicida é devido ao rápido metabolismo deste. Várias misturas sinergísticas de herbicidas têm sido reportadas.4-D. imazaquin. etc. por exemplo.4 . e E = percentagem ‘esperada’ de inibição do crescimento pelos herbicidas A+B a p+q L/ha. Do ponto de vista prático. imazethapyr. O efeito da interação entre dois herbicidas pode ser estimado pela equação a deguir: em que: X = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida A e p L ha-1. inseticidas organofosforados podem inibir. • Se a resposta observada for igual à esperada. ou reduzir.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É interessante lembrar que esses efeitos podem ser diferentes entre espécies de plantas. É o antagonismo químico. 5. O antagonismo em misturas de tanque acontece quando uma reação adversa ocorre entre os herbicidas na solução. etc. translocação.

5. Os mecanismos dessa interação não são bem conhecidos. porém sem nenhuma base científica. A aplicação de molibdênio na cultura do feijão.3 . viabilizam a aplicação desses insumos de uma só vez.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surgimento de sintomas de intoxicação nas plantas da cultura. 132 Módulo 3. O organofosforado terbufos (Counter) tem causado maiores problemas na prática. Esses resultados. A aplicação do terbufos em milho é antagonística aos resíduos do imazaquin no solo e tem dado considerável proteção ao milho. às vezes. disulfoton (Disyston) e o clomazone em algodão. são usados por alguns produtores. em mistura com os herbicidas fluazifop-p-butil+fomesafen. translocação. É interessante ressaltar o antagonismo entre phorate (Thimet). formulação e misturas .Herbicidas: absorção. 5. bentazon. Interações de herbicidas com fertilizantes em mistura Os herbicidas em misturas com fertilizantes. Os inseticidas protegem o algodão de alguma toxicidade do clomazone. em ensaios preliminares apresentou efeitos aditivos. metabolismo. se confirmados. fomesafen e imazamox.

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Herbicidas: comportamento no solo Tutores: Profº.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 . Rafael Vivian Profº.Manejo de plantas daninhas 3.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .4 .DF 2006 Módulo 3.4 .ABEAS Universidade Federal de Viçosa . Jose Barbosa dos Santos Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Rubem Sillvério de Oliveira Júnior Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .Herbicidas: comportamento no solo 135 .

158 2.6 .Alternativas para redução de perdas por volatilização.1 .1 – Persistência.2. 155 2.5. 164 3.5.Isotermas de sorção.Absorção pelas plantas.5.Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa). 175 136 Módulo 3.Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação.Relação entre PV e S.Coeficiente de partição octanol-água (Kow).Pressão de vapor (P).4 – Lixiviação.Processos de transformação.5 . 150 2.2. 170 4.1 .1 .2.7 – Dessorção. 139 2 .4 – Sorção. 141 2.Processos de retenção. 147 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.2 .Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in).2 .3 . 162 3.5 .4 .3 .2.3 – Adsorção.2 – Absorção. 160 3 . 141 2.6.6. 158 2.Estimativa da sorção. 167 3. 167 4 . 164 3.4.3 .2 – Volatilização.Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo.2.Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas. 138 1 . 162 3. 167 3. 144 2.Fatores que influenciam a volatilização.2. 161 3. 158 2. 162 3.4.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas. 170 4.Degradação química.Textura e mineralogia. 166 3.1 . 154 2.pH do solo.2 .1 – Precipitação.3 .1 .Herbicidas: comportamento no solo .6 . 141 2.4 – Solubilidade. 142 2.2 . 166 3.2 . 140 2.Importância do estudo de herbicidas no solo. 150 2. 175 4.Relação entre KH e incorporação de herbicidas.Processos de transporte.

Fotodecomposição ou fotólise.3 . 182 5.Problemas relacionados aos herbicidas residuais.1 . 177 5 – Fitorremediação. 179 5.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. 186 Referências bibliográficas.4 .Herbicidas: comportamento no solo 137 .Considerações finais.Estratégias para o sucesso da fitorremediação.A fitorremediação como mecanismo de biorremediação. 183 6 . 188 Módulo 3.4 .2 . 178 5.

atualmente. As práticas agrícolas. como o que ocorre para algumas moléculas simples e não-persistentes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O uso do controle químico em plantas daninhas. entretanto. da capacidade de sorção do solo. Com isso. biodisponibilidade e recalcitrância do herbicida. 2001) e acabam alcançando direta ou indiretamente o solo. os estudos envolvendo a sorção de herbicidas em solos brasileiros sob condições de clima tropical são também fundamentais para avaliação da eficiência de controle das plantas daninhas do local. Embora escassos. 138 Módulo 3. a qual está relacionada à atividade microbiológica. permitindo maior compreensão da dinâmica desses compostos no ambiente. Ao atingirem o solo. Nos últimos anos. tornando-se indiscutível a utilização de herbicidas no sistema agrícola. Neste capítulo são apresentados os principais conceitos relacionados ao comportamento de herbicidas no solo. é fundamental que eles sejam adequadamente aplicados. para que seja preservada a qualidade final dos produtos colhidos. Outro fator relevante é que 60 a 70% do total dos pesticidas aplicados nos campos agrícolas não atingem a superfície alvo de interesse (LAW. são responsáveis por grande parte da degradação desses recursos. juntamente com os processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente. constitui-se prática indispensável para a agricultura em larga escala. da dinâmica do fluxo hídrico e do transporte de solutos. além da sua taxa de degradação. cresce a importância do entendimento do destino final dessas moléculas e do estudo do comportamento no ambiente onde são aplicados. entre outros fatores. especialmente o solo e a água.4 . Os exemplos apresentados destacam os estudos mais relevantes com herbicidas em solos. pois elevados índices de sorção podem comprometer a eficiência do herbicida. o qual pode ser extremamente curto. para compostos altamente persistentes. inicia-se o processo de redistribuição e degradação dos herbicidas aplicados. O seu tempo de permanência no ambiente depende.Herbicidas: comportamento no solo . observa-se maior preocupação quanto à contaminação do ambiente e a utilização racional dos recursos hídricos e do solo. assim como dos próprios recursos naturais que sustentam a produção. o qual atua como o principal receptor e acumulador desses compostos. ou perdurar por meses ou anos. No entanto.

que interagem entre si. 2001). embora esses processos sejam descritos de forma isolada. o estudo do comportamento de herbicidas no ambiente tem sido realizado através de estimativas das tendências a que estes estão sujeitos em função de três principais processos: retenção. É responsável também pela ciclagem dos nutrientes.4 . uma vez que o herbicida é uma substância exógena ao meio. atividade e diversidade microbiana. além da remediação e imobilização de poluentes (GRANATSTAIN. Promove a retenção e o movimento da água.Herbicidas: comportamento no solo 139 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . embora a capacidade de permanência do herbicida e sua degradação no solo sejam um processo-chave na determinação do fato que este terá ou não efeito na qualidade ambiental (Hinz. Outro fator relevante é que o solo atua na manutenção dos processos vitais. de modo a minimizar os eventuais efeitos negativos que a sua presença possa causar ao ambiente.Importância do estudo de herbicidas no solo O estudo do comportamento de herbicidas no solo e no ambiente visa pelo menos dois objetivos principais: primeiramente. Atualmente. BEZDICEK. 1992). onde interagem inúmeros processos de ordem física. No entanto. segundo. procura-se descobrir as interações do herbicida com os componentes do solo. transformação e transporte (Figura 1). que afetam direta ou indiretamente a eficiência no controle de uma planta daninha. conhecer os fatores do ambiente. em razão de o solo ser considerado um ambiente heterogêneo sob influência de diversos fatores. suportando as cadeias alimentares. PARKING. 1994). sendo responsável pelo suporte físico e de armazenagem dos nutrientes para as plantas. a sua avaliação é de difícil mensuração e repetibilidade. Módulo 3. além do próprio herbicida. química e biológica (DORAN.

a compreensão dos fatores que regulam as interações de retenção é essencial para entender o comportamento dessas substâncias no solo. o processo de retenção constitui-se num dos processos mais importantes para prever a movimentação dos herbicidas no solo e sua taxa de degradação (física. pode ser entendido como um processo geral de sorção de herbicidas no solo. assim como conhecer qual a eficiência quando estes forem aplicado para o controle de plantas daninhas. movimentar-se ou sofrer transformação física. A retenção refere-se à habilidade do solo de reter um pesticida ou outra molécula orgânica. o processo de retenção. transporte e retenção.Representação esquemática da interação entre processos de retenção. constantemente. química e biológica). Entretanto. Sabe-se que as moléculas dos herbicidas. evitando que ela se mova tanto dentro como para fora da matriz do solo. transporte e transformação de um herbicida aplicado ao solo 2 . estão sujeitas aos processos de movimento.Herbicidas: comportamento no solo . química e biológica. o que resulta na dissipação destas. precipitação e adsorção. normalmente. por sua vez.4 . A distinção entre adsorção verdadeira (na qual camadas moleculares se formam na 140 Módulo 3. Entretanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 .Processos de retenção O solo é um sistema aberto e dinâmico no qual os seus constituintes podem. que engloba mecanismos específicos de dissipação dos herbicidas: absorção. quando em contato com o solo. Como os herbicidas movem-se. a partir da superfície do solo na forma de solução.

2. a adsorção de herbicidas no solo depende das propriedades deste e do composto aplicado. resultando num aumento da concentração na solução do solo. 2. abordadas posteriormente. estrutura molecular. Contudo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superfície de uma partícula de solo).4 .1 . pela formação de uma fase sólida separada na superfície de uma partícula sólida do solo. provocado pelo incremento da energia cinética das moléculas. seja ele avaliado em condições laboratoriais ou em Módulo 3. o processo adsortivo de herbicidas. Na prática. 1990). Esta é a razão pela qual os estudos de adsorção conduzidos em laboratório são realizados em condições de temperatura constante. ou. ainda. entre outros. denominado de sorção (KOSKINEN.Herbicidas: comportamento no solo 141 . o herbicida pode ser adsorvido às partículas coloidais (orgânicas e minerais) do solo ou sofrer repulsão. as quais incluem tamanho. a adsorção é usualmente determinada apenas através do desaparecimento da substância química da solução do solo.Absorção O termo absorção é usado especificamente quando as moléculas do herbicida são absorvidas pelo sistema radicular e outras partes subterrâneas das plantas. Segundo Gevao (2000). obtendo-se as curvas denominadas de isotermas de adsorção. polaridade. Dificilmente ocorrerá a absorção de herbicidas por partículas minerais ou orgânicas do solo. a velocidade das reações químicas aumenta com a elevação da temperatura. funções químicas. Além disso. configuração. em alguns casos. podendo favorecer. 2. HARPER.Precipitação A formação de precipitados entre as moléculas de herbicidas pode ocorrer pela junção das partículas dos argilominerais com o herbicida por ligações covalentes de alta força. As quantidades do herbicida adsorvido aos constituintes do solo são diretamente proporcionais à superfície específica do material coloidal e decresce geralmente com o aumento da temperatura. Dependendo do sentido dessa força. distribuição. solubilidade. precipitação (na qual tanto uma fase sólida separada se forma nas superfícies sólidas como ligações covalentes com a superfície da partícula de solo acontecem) e absorção dos herbicidas pelas plantas e organismos é difícil.3 . em razão disso. principalmente com os constituintes orgânicos do solo. o termo adsorção é normalmente substituído por um outro mais geral. Essa fixação ocorre por interação de forças da superfície do adsorvente (solo) e do adsorvato (herbicida). a adsorção por ligações químicas.Adsorção A adsorção caracteriza-se por um fenômeno temporário pelo qual uma substância dissolvida se fixa a uma superfície sólida ou líquida. natureza ácido/base dos herbicidas.2 . distribuição de cargas.

4 .Herbicidas: comportamento no solo . atmosféricos e aquáticos. a mais importante é a força de Van der Waals.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas campo. devido a um sincronismo no movimento eletrônico. expressando a atração elétron-núcleo. envolvendo mole¬culas sem dipolo permanente. O processo individual de sorção é profundamente complexo. absorção e precipitação. depende do tempo de equilíbrio alcançado pelo material adsorvente (solo) e o adsorvido (herbicida). Figura 2 . As pontes de hidrogênio caracterizam-se por formar uma interação dipolo-dipolo. ligações eletrostáticas.. com alta massa (SCHWARZENDBACH et al. ocorrendo comumente em moléculas grandes de herbicidas.Representação da determinação do tempo de equilíbrio necessário nos estudos de adsorção de herbicidas em solos As forças responsáveis pelas reações de sorção dos herbicidas no solo incluem: forças físicas.4 . sem distinção entre os processos específicos de adsorção. com força muita fraca. 1993). 2. pontes de hidrogênio. As pontes de hidrogênio são produzidas pelas atrações eletrostáticas entre o núcleo eletropositivo do hidrogênio e pares de elétrons expostos de átomos eletronegativos. Essa força é extremamente fraca e de curtíssima distância. Entre as forças físicas. reações de coordenação e ligações de troca. Esse tipo de ligação é muito mais importante nas ligações das moléculas dos herbicidas sobre a superfície da matéria orgânica do que pela 142 Módulo 3. ligações hidrofóbicas. entre outras. podendo ocorrer interação entre uma molécula polar e outra apolar. em virtude da heterogeneidade do solo e da sua continuidade com sistemas biológicos. o qual varia em função do mecanismo e da velocidade das reações envolvidas (Figura 2).Sorção Sorção refere-se a um processo geral.

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superfície das argilas e ocorre com compostos contendo grupos >C=O + grupos –NH (ou –COOH, OH, >C=O ou – NH2) (Figura 3).

Figura 3 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por pontes de hidrogênio. Fonte: Senesi (1992).

Ligações hidrofóbicas estão associadas com a sorção de herbicidas apolares, os quais competem com as moléculas de água pelos sítios sortivos. Muitas das moléculas de herbicidas, principalmente os aromáticos, halogenados, fenóis e bifenóis, com baixa solubilidade em água, podem ligar-se à superfície das argilas por meio de ligações hidrofóbicas. Estas ligações são muito favorecidas quando são adicionados ao solo resíduos orgânicos naturais, aumentando o número de sítios hidrofóbicos de ligação. As ligações eletrostáticas envolvem cargas elétricas de superfície, formadas por complexas reações de adsorção, as quais podem ocorrer por adsorção por moléculas de água, por cátions, por troca aniônica e por compostos orgânicos naturais. A adsorção por troca aniônica é importante para solos pouco intemperizados de clima temperado. Contudo, em condições de solos brasileiros, desenvolvidos em condições de clima tropical e subtropical, predominam argilominerais (1:1) e elevados teores de óxidos de ferro e alumínio, com baixa capacidade de formar este tipo de ligação. As reações por coordenação envolvem ligações covalentes, de curta distância, e com sombreamento dos orbitais. São ligações muito fortes e a energia depende do número de elétrons em orbitais moleculares ligantes ou antiligantes. Essas ligações estão presentes, por exemplo, entre os prótons dos grupos funcionais de superfície e os átomos de hidrogênio (Fe-OH, Al-OH, COOH) e N2 (NH2). Esse tipo de ligação, formando complexos de esfera interna, torna difícil a separação e distinção entre o colóide e a molécula do herbicida. A protonação nada mais é que a formação de complexos de transferência de cargas na superfície mineral. Ocorre quando um grupo funcional forma um complexo com a superfície de um próton. O complexo pode ser extremamente estável, desenvolvendo sorção praticamente irreversível. Esse tipo de ligação ou mecanismo tem sido válido para herbicidas do grupo das striazinas, as quais se tornam catiônicas através da protonação, tanto na solução do solo como durante o processo de adsorção (Figura 4) (SCHWARZENDBACH et al., 1993).

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Figura 4 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por protonação do herbicida Fonte: Senesi (1992)

2.4.1 - Estimativa da sorção A avaliação da sorção é feita normalmente por meio da estimativa de coeficientes, denominados coeficientes de partição, coeficientes de partição solo-água, coeficientes de sorção ou constantes de adsorção. Neste capítulo será adotado o termo coeficiente de sorção para denominar a relação entre as concentrações de herbicida em solução e aquelas sorvidas ao solo. O coeficiente de sorção, Kd, pode ser estimado pela relação:

O Kd representa a relação entre a concentração do herbicida que permanece sorvido ao solo Cs (μg g-1) e a concentração do herbicida encontrada na solução de equilíbrio Cw (μg mL-1), para uma determinada quantidade específica do herbicida adicionado. Entretanto, como o teor de carbono orgânico, aparentemente, tem representado melhor a capacidade adsortiva dos herbicidas nos solos, principalmente para os compostos de caráter básico ou não-iônicos (KARICKHOFF, 1981; OLIVEIRA JR. et al., 1999), tem-se corrigido o Kd em relação ao teor de carbono orgânico do solo. A partir dessa normalização do Kd, obtém se o Koc, o qual permite a comparação da sorção entre diferentes solos e é um índice muito utilizado em métodos de classificação de mobilidade e em modelos de simulação do comportamento de pesticidas no solo. A normalização do Kd para o teor de carbono orgânico é feita pela relação:

Em que Koc representa o coeficiente de sorção normalizado para o teor de carbono orgânico do solo (L kg-1) e foc indica o teor (% ou dag kg-1) de carbono orgânico do solo, o qual é obtido dividindo-se o percentual de matéria orgânica por 1,72. Oliveira Jr. (1998), estudando a correlação entre as propriedades dos solos, verificou que os coeficientes de sorção (Kd e Koc) de diferentes herbicidas determinados em solos brasileiros correlacionaram-se significativamente com o teor de carbono orgânico e CTC dos solos para a
144 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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maior parte dos herbicidas. De modo geral, os herbicidas ácidos fracos (imazethapyr, metsulfuron, nicosulfuron e sulfometuron) foram os que apresentaram menor sorção, ao passo que os herbicidas básicos fracos (atrazine, hexazinone, simazine) e não-iônicos (alachlor) foram os mais sorvidos. No Brasil, o Koc tem sido amplamente utilizado para predizer a capacidade de sorção de diversos herbicidas no solo; também é utilizado juntamente com a textura para recomendar as dosagens dos herbicidas. Entretanto, a padronização do Kd em relação ao carbono orgânico do solo não é consenso entre os pesquisadores da área, pois a sorção de herbicidas à matéria orgânica do solo ocorre de forma heterogênea, em função dos mecanismos e da fração orgânica envolvida no processo sortivo, cujos índices podem não representar a realidade. Ao mesmo tempo, o Kd e Koc nem sempre são suficientemente exatos para descrever a sorção de um pesticida em uma faixa considerada de concentração. As relações entre as concentrações em solução e na fase sólida podem, então, ser descritas por isotermas, descritas no item 3.4.2. As estimativas dos coeficientes sortivos apresentados (Kd e Koc) geralmente são conduzidas em condições laboratoriais, empregando-se a cromatografia líquida e gasosa como técnicas analíticas na determinação das concentrações dos herbicidas nas fases sólida (solo) e líquida (solução do solo) propriamente ditas. Entretanto, devido aos custos envolvidos nessas análises, outras formas de estimar a capacidade de sorção desses compostos no solo podem ser utilizadas. Entre elas, a técnica de bioensaio representa um método simples e de grande valia na determinação da capacidade sortiva e de resíduos de herbicidas no solo. Inicialmente, para a utilização dessa técnica, são feitas curvas de dose-resposta para cada composto, utilizando-se plantas indicadoras específicas ao mecanismo de ação de cada herbicida. As curvas de dose-resposta devem ser feitas no solo a ser estudado e em material inerte, preferencialmente areia lavada, isentos de qualquer resíduo. Após a aplicação de doses conhecidas do herbicida, são realizadas avaliações nas plantas indicadoras, as quais incluem fitoxicidade, altura da planta, comprimento de raiz, massa seca da parte aérea e raízes (Figura 5). Após as avaliações, utilizam-se modelos de regressão não-linear, como o proposto por Seefeldt et al. (1995):

em que D e C representam os limites superior e inferior da curva, respectivamente; b, a declividade da curva; e C50, a dose correspondente a 50% de resposta. O limite superior da curva D corresponde à respota média da testemunha e o limite inferior da curva C é a resposta média das plantas que receberam os herbicidas. O b descreve a declividade da curva em torno do C50.

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Figura 5 - Curva de dose-resposta para massa seca da parte aérea (% em relação à testemunha) de Sorghum vulgare, em função de doses crescentes de sulfentrazone (X) em Argissolo Vermelho-Amarelo (– – –) e em areia (____) Fonte: Vivian et al. (2005)

A partir dos dados obtidos de (C50) em solo e areia, utiliza-se a equação a seguir para expressar a relação de adsorção (RA) do solo em relação à resposta obtida em areia para a espécie indicadora (SOUZA, 1994). Considera-se que valores de RA elevados indicam maior capacidade de sorção do herbicida estudado no solo e, conseqüentemente, menor potencial de lixiviação do composto no perfil do solo. Um exemplo de curva de dose-resposta utilizada para o herbicida trifloxysulfuron-sodium em solo e areia pode ser observado na Figura 6. RA = C50solo – C50 areia C50 areia

Figura 6 – Curva de dose-resposta em solo (a) e areia (b) para trifloxysulfuron-sodium

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Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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2.4.2 - Isotermas de sorção Quando se deseja estudar o comportamento dos herbicidas em diferentes concentrações no solo, deve-se observar que a sua sorção geralmente não ocorre de forma linear com o aumento do herbicida adicionado. Isso é devido à capacidade limitada de formar ligações com o material coloidal e a variação do coeficiente de sorção com a temperatura e umidade do solo. Para a determinação de uma isoterma de sorção, é necessário determinar o Kd em diferentes concentrações iniciais do herbicida em solução. As isotermas utilizadas para descrever o comportamento de herbicidas no solo, em diferentes concentrações iniciais, podem ser classificadas, conforme o seu comportamentodo, em S, H, C e. Tipo S: é uma curva não-linear e convexa em relação à abscissa. Inicialmente a adsorção é baixa, mas com o aumento da concentração do adsorvato na superfície adsorvida, ocorre aumento na adsorção pela associação entre as moléculas. Isso ocorre em razão da baixa afinidade do adsorvato pela interferência de outras substâncias. A água é um forte competidor na adsorção à superfície coloidal, e, com o aumento na concentração do soluto, essa competição se reduz. Tipo H: ocorre quando o adsorvato possui altíssima afinidade pelo adsorvente, e a máxima adsorção ocorre em baixas concentrações. Desse modo, até que não ocorra a máxima adsorção, não será possível detectar as moléculas na solução. Esse tipo de adsorção ocorre com moléculas extremamente catiônicas ou compostos orgânicos catiônicos, adsorvendo-se nos minerais das argilas.

Figura 7 – Comportamento das isotermas de sorção
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 147

4 . Figura 8 . pode-se observar a equação empírica utilizada para descrever a isoterma de Freundlich e sua representação gráfica (Figura 8): Na equação. Caq a concentração de equilíbrio do herbicida na solução do solo (mg mL-1). Cs representa a quantidade do herbicida adsorvido no solo (mg g-1). e 1/n é um fator de linearização. Novos grupos funcionais são criados no processo de adsorção. permitindo a continuidade do processo. Esse modelo tem sido amplamente utilizado na determinação dos coeficientes de adsorção dos herbicidas no solo para uma determinada temperatura (CLEVELAND. conforme aumenta a cobertura da superfície. descritos a seguir: a) O modelo de Freundlich. dando origem ao Kfoc.Herbicidas: comportamento no solo . o coeficiente de adsorção da isoterma de Freudlich. considera que a afinidade inicial é alta e. e a curva passa a ser de formato linear do tipo C. 1996). assim que a concentração deste aumenta. usando regressão linear e não-linear (isotermas de Freundlich) a 25 ºC. Kf. Entre os modelos mais utilizados e que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas no solo. em função da sua concentração. embora empírico. verifica-se melhor ajuste pelos modelos de Freundlich e Langmuir. A seguir. de forma não linear. verifica-se que o incremento decresce na adsorção. Quando n for igual a 1.Comportamento adsortivo do herbicida Clomazone. definido pelo Ibama para o Brasil. em solo argilo-siltoso Fonte: Mervosh (1995) Segundo o manual de testes para avaliação da ecotoxicidade de agentes químicos. Tipo L: apresenta-se como uma curva côncava em relação à abscissa. De forma análoga ao Koc. diminuem a afinidade e declividade. o coeficiente de adsorção Kf é considerado nas análises de capacidade de 148 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Tipo C: a adsorção ocorre de forma linear conforme aumenta a concentração do adsorvato. reduzindo a energia de interação proporcionalmente ao recobrimento da superfície. É o tipo de adsorção mais comum que ocorre com os herbicidas no solo. o coeficiente de adsorção Kf aumenta linearmente conforme aumenta a concentração do herbicida. a normalização do coeficiente de Freundlich em relação ao teor de carbono orgânico também pode ser calculada. determinando a intensidade da adsorção. Existem dois modelos muito utilizados que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas conforme a sua concentração.

Sua classificação varia de pequena a elevada e reflete parcialmente a capacidade de movimento e persistência do composto no ambiente (Quadro 1).Modelo da energia de adsorção em função da superfície de cobertura. Figura 9 . Quando todos os grupos funcionais estiverem preenchidos. Quadro 1 – Classificação da capacidade de adsorção de agentes químicos no solo Kf 0 – 24 25 – 29 50 – 149 > 150 Classificação da Adsorção Baixa Média Grande Elevada b) O modelo de Langmuir baseia-se na adsorção em superfícies planas que apresentam número fixo de grupos funcionais e que cada um interagirá com uma molécula.4 . verifica-se que outras avaliações são necessárias para definição do real comportamento de herbicidas no solo. tem-se a adsorção máxima. Esse modelo é expresso pela seguinte equação: em que Cm representa a quantidade máxima do herbicida adsorvido (mg g-1). Entretanto.Herbicidas: comportamento no solo 149 . por haver inúmeros interferentes nos estudos de adsorção a campo e em laboratório. segundo as isotermas de Langmuir e Freundlich Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas adsorção de herbicidas no solo. A energia de adsorção é a mesma para todos os sítios e independe da cobertura de superfície (Figura 9). Ce é a concentração de equilíbrio do herbicida na solução (mg mL-1) e K1 é o coeficiente de adsorção para o modelo de Langmuir.

assim como a mineralogia do solo em questão.80 ± 0.23 0.07 Dessorção Kf 1/n 22.4-D em solo arenoso Solo calcinado Solo com MO MO = matéria orgânica Fonte: Viera et al.30 1. verificaram que em solos com alto teor de matéria orgânica e baixo pH a lixiviação deste herbicida foi menor. É responsável também pela estabilidade da estrutura do solo e infiltração de água. (1999) Adsorção Kf 1/n 39.Constantes de Freundlich obtidas a partir dos dados de adsorção de 2.16 ± 0.87 ± 0. Mallawatantri e Mulla (1992) demonstraram que pelo menos 80% do incremento da sorção observada para metribuzin. também são importantes na sua sorção. no solo contendo matéria orgânica. 1992). da área superfícial específica das partículas coloidais da fração argila e.4 . o teor de matéria orgânica no solo desempenha importante papel quando se trata de contaminantes ambientais. avaliando a persistência do herbicida 2. No entanto.48 ± 0. Segundo Viera et al.23 ± 0. ao compararem solos com diferentes propriedades. constituindo-se num componente fundamental na sua capacidade produtiva (SANTOS. estava relacionado ao aumento do conteúdo de carbono orgânico. 1999).5 .08 1.4-D no solo. aeração e atividade da biomassa microbiana. diuron e 2.28 ± 0. Isto pode ser observado segundo os valores de Kf (Quadro 2) para o herbicida 2. principalmente para aqueles recomendados em pré-emergência de característica não-iônica ou para os catiônicos. Já Faloni (1999). (1984).23 ± 0. em certos casos. os quais serão abordados a seguir.4-D. como herbicidas e metais pesados. o pH.5. principalmente. 2.12 ± 0.05 A matéria orgânica é o principal componente que influencia a atividade dos herbicidas registrados para uso em solos tropicais. Ela interfere em todos os processos sortivos que possam ocorrer. Quadro 2 . CAMARGO. caracterizando a grande influência da matéria orgânica na adsorção de herbicidas ácidos. estudando o comportamento do herbicida atrazine em Latossolo Roxo sob dois sistemas de manejo 150 Módulo 3. dos teores de carbono orgânico do solo (VELINI.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2.Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas Em solos tropicais e subtropicais altamente intemperizados.05 20.09 88.03 0.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas Em geral.1 . Thompson et al. (1999).Herbicidas: comportamento no solo . a sorção de herbicidas ao solo aumenta com o incremento da CTC (capacidade de troca catiônica). a matéria orgânica tem grande importância para os processos de retenção de cátions e complexação de elementos tóxicos e de micronutrientes.4-D.

é possível obter uma predição dos valores de Kd com base nos teores de carbono orgânico do solo (Figura 10). podendo-se ainda estimar a sorção de diversos herbicidas com base nos teores de carbono orgânico (Figura 11). 1999). Kd) em função do teor de carbono orgânico do solo. as propriedades que mais se correlacionam com a sorção de herbicidas básicos e não-iônicos são a CTC e o teor de carbono orgânico (OLIVEIRA JR. essa característica pode ser considerada a mais importante para esses herbicidas. No caso dos solos brasileiros. Para alguns herbicidas. também percebeu que a matéria orgânica é a principal responsável pela adsorção deste herbicida. Figura 10 . notadamente os não-iônicos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (convencional e direto). (1998b) Módulo 3.4 . et al. Uma vez que a maior parte da CTC nos nossos solos está relacionada à matéria orgânica.Herbicidas: comportamento no solo 151 . Fonte: Oliveira Jr.Sorção de alachlor (expressa pelo coeficiente de sorção. et al. não-polares como o alachlor..

1990. et al. são citadas como um dos principais fatores que podem influenciar a sua capacidade de adsorção de pesticidas (WANG et al. TRAGHETTA et al. Entretanto. A parte humificada é composta pelos ácido fúlvicos. As mudanças conformacionais provocadas nas moléculas da matéria orgânica. Essas diferenças podem interferir não só na retenção dos herbicidas.. (1999) Teoricamente.. húmicos e humina. aromaticidade. normalmente. a matéria orgânica do solo encontra-se dividida em substâncias humificadas e não-humificadas. existe grande complexidade e variabilidade da matéria orgânica presente em diferentes solos. o clima. correlacionam-se melhor com os teores de humina do que os de ácidos húmicos ou fúlvicos da matéria orgânica do solo (PROCÓPIO et al. Herbicidas iônicos (em faixa de pH com baixa dissociação) e os não-ônicos. 2001). também foram demonstradas especificidades na sorção dos herbicidas.4 . mas também na transformação e transporte destes (CORREIA. A disponibilização de maior ou menor número de sítios 152 Módulo 3. A fonte orgânica. 1997). os minerais do solo e a população microbiana podem proporcionar a formação da diversidade de características dos compostos orgânicos do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 11 . os quais variam conforme sua polaridade.. disponibilidade de sítios hidrofóbicos e grupos funcionais. os quais representam a fração mais ativa da matéria orgânica do solo (NETO et al.Herbicidas: comportamento no solo . 2000). em relação ao teor de matéria orgânica total do solo. pela variação do pH do meio. 999). Dentre os componentes da fração humificada.Relação entre o coeficiente de sorção (Kd) e o teor de carbono orgânico do solo para herbicidas ácidos (linhas cheias) e para herbicidas básicos ou não-iônicos (linhas tracejadas) em solos brasileiros Fonte: Oliveira Jr.. Diversos estudos mostraram que a fração húmica apresenta maior correlação com a sorção dos herbicidas.

devido à proteção física e química das moléculas do herbicida na matéria orgânica. Figura 12 . formando complexos argilo-orgânicos. na maioria dos trabalhos verificados.Herbicidas: comportamento no solo 153 .. a presença de íons saturantes dos grupos funcionais da matéria orgânica e a especificidade dos íons (PIRES. Prata (2001) também constatou que adição de vinhaça ao solo faz que o processo de mineralização do ametryn seja acelerado. 1994). Fonte: Adaptado de Akim e Bailey (1998) Embora se verifique extrema quantidade de interferentes nas características de sorção de herbicidas à matéria orgânica. pode ocorrer menor ação microbiana na degradação dessas moléculas.4 . principalmente para aqueles cuja ação microbiana é a principal forma de degradação. é responsável pelas variações nos coeficientes de sorção de herbicidas encontrados na literatura. Além destes. a relação da textura do solo com a quantidade de matéria orgânica presente. é o principal parâmetro levado em consideração na recomendação da dosagem de herbicidas aplicados Módulo 3. como pode ser verificado na Figura 12. 2001) Outras características do solo também podem afetar a sorção de herbicidas à matéria orgânica: o material de origem do solo. sabe-se que sorção herbicida-matéria orgânica é mais estável do que aquela resultante da ligação com componentes minerais do solo.Simulação da adsorção de atrazine no modelo complexo de muscovita-ácido húmico. podendo representar maior permanência desta no meio ambiente. os solos com altos teores de matéria-orgânica apresentam menor tendência geral de lixiviação dos herbicidas. a adição de matéria orgânica ao solo acelera a degradação dos herbicidas. os tipos de minerais predominantes na fração argila. Dessa forma. a quantidade de matéria orgânica quimicamente protegida. Atualmente. Contudo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas hidrofóbicos pelas mudanças conformacionais das moléculas também pode influenciar a sorção de herbicidas lipofílicos (PROCÓPIO et al. 1998). representando menor risco de contaminação dos lençóis freáticos (COX. entre outros. Entretanto.

de clima tropical e subtropical. silte e argila presente no solo é responsável pela classificação das diferentes classes texturais dos solos. como a caulinita.4 . Já minerais 1:1.2 . Os óxidos de ferro e alumínio também atuam na sorção de diversos herbicidas. herbicidas e outras moléculas penetrem entre os planos basais e provoquem grande expansão do material. possuem maior capacidade de adsorção de herbicidas (Quadro 3). Essas propriedades originam forças de atração de grande intensidade. como no caso dos herbicidas ácidos ou em altas concentrações de carbono orgânico. e a matéria orgânica desempenha papel secundário no caso de solos oxídicos. permitindo que água. e não possuem a capacidade de expandir-se. contribuindo significativamente para o aumento na sorção desses compostos (Quadro 4). Em diversos casos observados. a textura é ainda o atual parâmetro utilizado para recomendação da dose dos herbicidas aplicados em pré-emergência ou pré-plantio incorporado. Sabe-se. Em relação aos erros de estimação.Herbicidas: comportamento no solo . principalmente naqueles com capacidade de doação de prótons com carga aniônica (herbicidas ácidos fracos). não ocorre correlação entre o comportamento do herbicida e as concentrações de argila. e ambos 154 Módulo 3. uma elevação nas dosagens recomendadas para estes solos nem sempre é correta. também que. Esses minerais apresentam fraca atração dos cátions entre as camadas expansíveis. observou que a sorção do glyphosate é instantânea.5. a riqueza de variação das argilas e a formação de compostos argilominerais representam diferentes possibilidades de adsorção dos herbicidas a essas partículas. Existem também dados demonstrando que os óxidos de ferro possuem maior capacidade de adsorver os herbicidas em relação aos óxidos de alumínio (Quadro 5). são característicos de regiões muito intemperizadas. minerais de argila expansíveis (2:1) e de maior área superfical específíca. A formação de cargas nos minerais 2:1 ocorre pela substituição isomórfica nas camadas tetraédrica e octaédrica. Prata (2002). os erros de estimação dos teores de matéria orgânica e o desconhecimento da sorção específica de herbicidas por alguns argilominerais presentes são um dos inúmeros fatores que devem ser considerados para a adequação nas dosagens dos herbicidas atualmente recomendados. A presença de argilas de baixa atividade. como a montmorilonita e vermiculita. podendo reter cátions. como o Brasil. extremamente elevada e está relacionada. principalmente. à fração mineral do solo.Textura e mineralogia O conteúdo de areia. citam-se a superestimação dos teores de matéria orgânica efetivamente capazes de adsorver as moléculas dos herbicidas e a profundiade de coleta (0-20 cm) utilizada na determinação dos teores de matéria orgânica do solo. avaliando a adsorção e dessorção do glyphosate em três solos brasileiros com diferentes atributos mineralógicos. 2. Por sua vez. Suas cargas podem ser geradas nas bordas do mineral pela dissociação de prótons H+ dos grupos OH.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas em pré-emergência. Entretanto.. Apesar de existir grande possibilidade de os solos mais argilosos apresentarem maiores teores de matéria orgânica.

1. principalmente nos daqueles com grande capacidade de inonizarem-se (catiônicos e aniônicos).8 4.pKa dos compostos. pode-se verificar na Figura 13. A influência do pH do solo no processo de retenção e degradação dos herbicidas está estritamente relacionada à capacidade de dissociação eletrolítica .5 a 6.3 .4-D. como os latossolos.6 5.4 .653 174 2. Quadro 3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas encontram-se presentes em grandes concentrações na maioria dos solos brasileiros.3 3.0).Características de alguns minerais de argila importantes nos estudos de sorção de herbicidas em solo Característica Tipo de camada Capacidade de Expansão CTC (cmolc dm ) Área Superficial Específica (m2 g-1) -3 Montmorilonit Vermiculita a 2:1 2:1 Expansível 80-120 700-750 Ilita 1:1 Caulinita Não-expansível 2-10 25-50 2:1 NãoExpansão limitada expansível 120-200 15-40 500-700 75-125 Quadro 4 – Sorção de imazaquin em diferentes minerais de argila Mineral de Argila H-montmorilonita H-ilita Al-montmorilonita H-caolinita H-vermiculita Fonte: Dolling (1985).5. a qual será abordada com mais detalhes no item 3.Dissociação eletrolítica. contribuindo em relação à capacidade sortiva nesses solos.Herbicidas: comportamento no solo 155 .0 6.3 . menor é a quantidade sorvida do herbicida no material coloidal. principalmente em solos muito intemperizados.Sorção de imazaquin em diferentes hidróxidos (Fe e Al) Tipo de Hidróxido Hidróxido-Fe Hidróxido-Al Fonte: Shaner (1989). Entretanto. para 2.pH do solo O pH é uma medida muito importante que pode interferir nos processos de sorção dos herbicidas.7 Partição do Imazaquin (Sólido/Líquido) (μG/g:μG/mL) 2326:1 238:1 40:1 2:1 0:1 Quadro 5 . que à medida que o pH do solo aumenta (2. Constante de Freundlich (Kf) 2.3. Módulo 3. o qual permanece disponível na solução do solo. pH 3.

5 Sorção (%) 53 53 0 62 40 25 Em trabalho similiar realizado com imazethapyr (Figura 14).4 .2 5.Herbicidas: comportamento no solo .7 5. devido ao fatop que o pH influenciar fortemente a ligação das imidazolinonas às frações húmica e mineral do solo. por exemplo.3 6. Goetz (1986) demonstrou que a quantidade de imazaquin que se liga a diferentes tipos de solo era diretamente relacionada ao pH (Quadro 6).6 4. 156 Módulo 3. novamente. Quadro 6 –Sorção de imazaquin sob diferentes pHs em dois solos Tipo de solo Franco-arenoso Franco-siltoso Fonte: Goetz (1986) pH 5. que a quantidade sorvida do herbicida aumenta à medida que o pH diminui.4-D em função do aumento do pH do solo No caso de imidazolinonas aplicadas ao solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 13 – Sorção do herbicida 2.6 6. verifica-se novamente o decréscimo do coeficiente sortivo (Kd) do herbicida com o aumento do pH do solo. Verifica-se.

de modo geral. resultar em maior lixiviação do composto no perfil do solo. a diminuição da sua capacidade sortiva com o acréscimo do pH do meio pode. Figura 15 – Efeito do pH na lixiviação do herbicida imazaquin em colunas de solo Fonte: Inoue et al. Fonte: Oliveira Jr. (1998) Para herbicidas de maior persistência. especialmente em termos de lixiviação desses herbicidas. têm maior capacidade de sorção desses herbicidas e operações como a calagem podem afetar significativamente o seu comportamento.Herbicidas: comportamento no solo . (2002) O pH pode também influenciar diversos outros processos envolvidos na degradação dos herbicidas no solo: a lixiviação de chlorsulfuron. solos ácidos. em função do aumento do pH do solo.Coeficiente de sorção (Kd) constatado para o herbicida imazetaphyr.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 14 .4 . é maior em solos com pH alto e 157 Módulo 3. conforme verificado na Figura 15. além de possibilitar maior efeito do herbicida em culturas posteriormente instaladas no local. também. por exemplo. Nesse caso.

O comportamento dos herbicidas é muito influenciado pelo seu pKa.2 . 2.. Quanto maior for o pKa do herbicida. 2. a maioria dos herbicidas possui em sua molécula uma região polar e outra apolar. e se adapta perfeitamente aos herbicidas em solução do solo. Para 158 Módulo 3. 1993).6 . Ao contrário. menor será seu caráter ácido e menor a sua capacidade de ficar aniônico.4 .6. possuem maior afinidade às partes argilosa e mineral do solo. Já os herbicidas polares. diz-se que maior é a sua hidrofilicidade. solubilidade. o conhecimento das características moleculares dos herbicidas é muito utilizado no estudo do seu comportamento no ambiente.Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo As principais propriedades físico-químicas de um herbicida que influenciam o seu comportamento são: coeficiente de partição octanol-água (Kow). Quanto mais polar for o herbicida. os hidrofílicos (Kow <10). transformação e transporte.6.Herbicidas: comportamento no solo . capacidade de dissociação eletrolítica quando em solução aquosa (pKa). Conforme a fórmula molecular e pKa dos herbicidas eles. Os valores de Kow são adimensionais. podendo ser encontrados na forma dissociada (ionizada) e não-dissociada (não-ionizada ou neutra). a qual tem sido utilizada para substâncias presentes em solução aquosa.Coeficiente de partição octanol-água (Kow) Esta propriedade indica a afinidade que a molécula do herbicida tem em relação à fase polar (representada pela água) e apolar (representada pelo octanol). pressão de vapor (P) e constante da Lei de Henry (H). Essa definição está restrita apenas à definição clássica de Brönsted-Lowry. herbicidas com características apolares são considerados lipofílicos.000) possuem maior potencial de se adsorverem a parte orgânica dos colóides do solo. 2. Entretanto. podem ser classificados da seguinte forma: a) Herbicidas ácidos fracos: são os herbicidas cujas formas moleculares apresentam capacidade de doar prótons e formar íons carregados negativamente.1 .Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa) O pKa representa a capacidade de dissociação que uma molécula do herbicida possui em água com diferentes pH. Geralmente os herbicidas apolares ou lipofílicos (Kow >10.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas baixo teor de matéria orgânica. expressos normalmente na forma logarítmica (log Kow). Embora algumas propriedades estejam mais distintamente relacionadas aos processos específicos de retenção. A polaridade é muito importante para penetração das moléculas dos herbicidas pela cutícula das folhas e também interfere nos processos sortivos com o solo. embora a degradação do referido produto seja mais rápida em solos ácidos (GOMEZ DE BARREDA et al.

sua forma molecular será favorecida. podendo competir com os sítios de adsorção de nutrientes no solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas esses herbicidas. 1995) e hexazinone. Entretanto. por exemplo.Comportamento de ionização de um herbicida ácido (2. 2003.. Alguns outros compostos que reagem semelhantemente ao 2. pKa = 2. cyanazine (PIRES et al.4-D são dicamba.4-D. picloram e demais herbicidas pertencentes ao grupo das sulfoniluréias e imidazolinonas. a molécula estará 50% na sua forma molecular ou neutra e 50% na forma dissociada (aniônica).. Herbicidas pertencentes a essa classificação. OLIVEIRA JR. Alguns herbicidas de comportamento similar são simazine. Da mesma forma que os herbicidas ácidos. este será prontamente dissociado e sua capacidade de ficar retido no solo será muito menor. 2001). podendo facilmente ser adsorvidos às partículas de argila e aos grupos funcionais que formam a CTC do solo. Existe ainda um outro grupo de herbicidas tão básicos que possuem cargas positivas para todos os valores de pH verificados no solo (LEAVITT. como o que ocorre para o paraquat e o diquat. quando o pH do solo for inferior ao seu pKa. quando o pH do solo for igual ao seu pKa. CONSTANTIN. as concentrações da formas dissociada e neutra serão iguais.8) b) Herbicidas bases fracas: são os herbicidas que apresentam a capacidade de receber prótons e formar íons carregados positivamente. pode liberar íons hidrogênio numa solução básica ou neutra (Figura 16).4-D. Quanto menor o pH do solo em relação ao pKa do herbicida. Quando o pH do meio for superior ao pKa do herbicida. passando a apresentar carga líquida positiva (Figura 17). 1980).4 . Módulo 3. Figura 16 . seu comportamento será semelhante ao das moléculas não-iônicas.Herbicidas: comportamento no solo 159 . podendo reduzir sua capacidade de adsorção (KOGAN. podem atrair íons hidrogênio em uma solução ácida. maior será a tendência destes herbicidas de permanecer na sua forma dissociada ou protonada. sendo sorvidos ao solo de forma irreversível. PÈREZ. como atrazine. Quando o pH do solo for superior ao pKa destes herbicidas. O 2. Nesse caso. quando o pH do solo for igual ao seu pKa. maior será a tendência de o herbicida estar na sua forma molecular (neutra) e maior será sua capacidade de se adsorver nas partículas coloidais do solo.

metolachlor. comparativamente aos herbicidas iônicos. alachlor. Entre esses herbicidas estão incluídos trifluralin. Embora sejam não-iônicos. Contudo. Neste caso. 160 Módulo 3. elevados índices de histerese indicam maior dificuldade de o herbicida sorvido retornar para a solução do solo. Alguns exemplos de herbicidas e sua classificação encontram-se no Quadro 7. em função dessa condição. a sorção é praticamente irreversível e não ocorre retorno do herbicida à solução do solo. (2003) (Figura 18). podendo ocorrer.Herbicidas: comportamento no solo . embora se tenham verificado poucos estudos referentes a ensaios de dessorção na literatura. A informação da capacidade dessortiva do herbicida no solo pode ser muito importante. 2. (1993).7 . Conforme Southwick et al. Os herbicidas não-iônicos não reagem com a água e não carregam uma carga elétrica líquida. esses efeitos são geralmente de menor intensidade. altíssima dessorção do herbicida. como observado por Pusino et al. Em outros. respectivamente. possibilitando maior permanência deste no ambiente. A intensidade da dessorção reflete o grau de reversibilidade do processo sortivo.4 .7) c) Herbicidas não-iônicos: os herbicidas que não doam nem recebem prótons na solução do solo são considerados não-iônicos. O índice H de histerese pode ser obtido pela equação H= na/nd. ser afetados pelo pH do solo e ficar retidos aos complexos argilominerais e ao material orgânico do solo. muitos deles podem ser polares e. dando origem ao fenômeno denominado histerese (H).Comportamento de ionização de um herbicida base fraca (atrazine. as isotermas de sorção e de dessorção diferem entre si. permanecendo em sua forma molecular na solução do solo. pKa = 1. por relacionar o seu efeito residual e persistência no solo. EPTC e diuron.Dessorção A dessorção representa a liberação da molécula do herbicida anteriormente sorvida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 17 . em que na e nd representam as curvaturas obtidas nos ensaios de adsorção e dessorção. em alguns casos.

Curvas de adsorção ( ) e dessorção ( ) observadas para triasulfuron em três solos com diferentes teores de argila e materia orgânica. • falhas no estabelecimento do equilíbrio. Pusino et al.Herbicidas e sua classificação conforme fórmula e grupos funcionais Catiônicos Básicos Ácidos Diversos Organofosforados Dinitroanilidas Carbamatos Benzonitrila Ésteres Anilidas Uréias HERBICIDAS Iônicos Diquat. Embora freqüentes. trifloxysulfuron-sodium. por influenciar a capacidade de contaminação dos recursos hídricos subsuperficiais. cyanazine. industrial e agrícola Módulo 3. propazine. picloram.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 . e • problemas inerentes à metodologia de determinação. chlorimuron-ethyl Bromacil. imazapyr. prophan Dichlobenil Isopropyl éster de 2. paraquat Ametryn. isopropalin Chlorprophan.4-D.4-D Alachlor. os problemas de contaminação de aqüíferos no território brasileiro têm despertado pouco interesse dos pesquisadores. DSMA Não-iônicos Methoxychlor Trifluralin. a demanda hídrica para o abastecimento urbano. imazetaphyr. principalmente.Herbicidas: comportamento no solo 161 .Processos de transporte O transporte de herbicidas no solo representa um dos processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente e se destaca. MSMA. segundo Pignatello (1989).4 . triclopyr. propachlor Linuron. propanil. Figura 18 . chloroxuron Diversas explicações têm sido propostas no intuito de elucidar a não-singularidade das isotermas de dessorção. porém as mais aceitas. MCPA. imazaquin. (2003) 3 . prometone. simazine Dicamba. 2. metolachlor. metribuzin. são: • transformações químicas ou biológicas que o composto em questão pode sofrer. atrazine. Além disso. oryzalin. swep. diuron.

é claro. BOWMAN et al.Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in) Os termos run-off e run-in representam o movimento ou escorrimento em superfície e subsuperfície. Os autores constataram que a maior parte da contaminação era proveniente do escorrimento superficial de áreas irrigadas pulverizadas e que a maior concentração de resíduos ocorria nos primeiros 15 minutos da água. dos herbicidas no solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tem se elevado nos últimos anos e poucos estudos são conduzidos com o objetivo de retardar o transporte de herbicidas sob condições tropicais.25 1-9 Referência Taylor (1995) Flury (1996) Vicary et al (1999a) Vicary et al (1999b) Em certos casos. em certas situações.5 <0. de áreas pulverizadas para aquelas que não receberam diretamente o produto. juntamente com as moléculas dos herbicidas. é mais pronunciado quando o produto é aplicado e logo após ocorre chuva intensa no local. especialmente no caso de herbicidas aplicados em pré-emergência.90 <1 .Herbicidas: comportamento no solo . Entre alguns trabalhos citados na literatura. respectivamente. como no caso do metolachlor (BUTTLE. Todavia. 1993. Dentre as principais formas de transporte nos estudos de herbicidas em solo. as perdas podem ser altas.. 1990). O maior potencial de movimento de herbicidas por escorrimento superficial ocorre logo após a aplicação. na Carolina do Sul. constatando que os herbicidas ametryn e atrazine foram os compostos mais comumente encontrados em águas 162 Módulo 3.. Já Pfeuffer e Rand (2004) monitoraram os pesticidas entre 1992 e 2001 no sul da Flórida. em áreas irrigadas com intensa atividade agrícola.a aplicado <2 . da natureza e dose das aplicações e da declividade da área. do tipo de solo em questão. na maior parte dos casos. 1994). O arraste das partículas coloidais. 2000). No entanto. além.1 .Perdas de herbicidas no solo por diferentes processos de transporte Tipo de transporte Volatilização Lixiviação Run-off Fluxo preferêncial % de perda do i. pendimethalin e oxyfluorfen) em reservatórios de água. 3. Keese et al. a volatilização e a lixiviação.4 .001 – 0. o somatório de diferentes pesticidas carreados simultaneamente para uma mesma bacia hidrográfica pode comprometer a qualidade da água em relação ao seu aproveitamento posterior (DOMAGALSKY. Quadro 8 . mesmo quando a quantidade total transportada é pequena. 1996. destaca-se o escorrimento superficial. a quantidade total de herbicida que pode ser perdida por meio desse processo normalmente não excede 1% do total aplicado (Tabela 6). das práticas culturais. para o qual se verificou perda do herbicida aderido aos sedimentos variando entre 9 e 58% do total aplicado ao solo. (1994) relataram a detecção de resíduos de herbicidas (oryzalin. CARTER. A intensidade de perdas depende muito do sistema de plantio adotado (SETA et al.

2. de modo geral.2 .4 1.8 15. podendo se perder para a atmosfera por evaporação. EUA.4 68. 3. esta é aumentada por: a) Elevação da temperatura: a temperatura do solo afeta a volatilização de produtos em função da alteração da pressão de vapor.4 60. Estudos apresentados por Rand (2004).Fatores que influenciam a volatilização Vários fatores influenciam diretamente a volatilização de herbicidas presentes no solo.4 2. Além disso.Volatilização A volatilização é o processo pelo qual o herbicida presente na solução do solo passa para a forma de vapor. É por isso que.1 .8 9.4 15.1 3. já que a água funciona como uma interfase entre a molécula e as partículas do solo.44 x 104 mm Hg. 25 °C) aos 84 dias após a aplicação ao solo 14 Volatilizado Mineralizado Total extraído do solo Não extraído (resíduos ligados) Total recuperado Fonte: Mervosh et al.0 0.8 2.Herbicidas: comportamento no solo 163 .4 .8 93.7 10. mas. 3.3 7. a elevação da temperatura aumenta a taxa de evaporação da água presente no solo. existe maior probabilidade de o herbicida ser sorvido diretamente às partículas de solo (Quadro 10).0 4. Em solos secos.8 4. juntamente com DDD e DDE foi o composto detectado com maior freqüência em sedimentos de rios de áreas agrícolas na Flórida.Efeitos da temperatura de incubação na distribuição de 14C-clomazone (PV=1.5 9. para efeito de comparação da PV de dois produtos distintos.7 96.2 0. os valores devem ser determinados à mesma temperatura.5 98.1 5. No caso do clomazone (Quadro 9).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superficiais.8 78. (1995) C Recuperado (% do Total de 14C-Clomazone Aplicado) Temperatura de Incubação (°C) 5 15 25 35 DMS5% 1.5 92. sendo o efeito mais pronunciado quanto maior for a PV do herbicida.1 95. também mostraram que ametryn.0 NS b) Aumento da umidade do solo: o aumento da disponibilidade de água no solo facilita a perda de vapor. as perdas podem aumentar significativamente em função do aumento de temperatura. Quadro 9 . Módulo 3. solos úmidos perdem mais herbicida por volatilização que um solo seco.

O potencial de volatilização de um herbicida geralmente pode ser estimado indiretamente.Pressão de vapor (P) A pressão de vapor é a pressão exercida por um vapor em equilíbrio com um líquido.3 mg L-1.Herbicidas: comportamento no solo . Existem. principalmente da solubilidade do composto em questão. ao passo que herbicidas menos solúveis. A escolha da forma de incorporação depende. a formulação granulada pode reduzir entre 60 e 100% as perdas por volatilização (GRAVEEL. 3. o que. por meio de suas propriedades químicas. Herbicidas mais solúveis. TURCO.4 kg ha-1 à superfície do solo Temperatura do ar ( ) 0 4.6 37. como o EPTC (S=370 mg L-1. 3.2 81.5 26. com a função de reduzir a evaporação. 1994).Alternativas para redução de perdas por volatilização a) Incorporação de herbicidas ao solo: a incorporação pode ser feita tanto com implementos quanto pelo uso de irrigação após a aplicação do herbicida.0 67.2 80. a pressão de vapor (P). no entanto.3 . % do Total Aplicado Solo Úmido Solo Seco (14% de Umidade) (1% de Umidade) 62. neste caso. a 25 °C).7 A volatilização pode ser tão significativa para alguns produtos que.4 12.2.2. a 20 °C). o uso de formulações granuladas em vez das líquidas pode contribuir para diminuir as perdas por volatilização.7 Fonte: Gray e Weierich (1965) °C Perda de EPTC em 24 h.2 75. sendo expressa normalmente em mm de Hg. Além disso. eles precisam ser incorporados imediatamente ao solo para que não haja redução substancial de sua eficiência.8 12.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 10 . como o trifluralin (S = 0. como a estrutura. principalmente. o peso molecular e. é a conseqüência de maior importância imediata da volatilização no que diz respeito às atividades agrícolas. a uma determinada temperatura. No caso do EPTC.0 9. sem dúvida. b) Formulação do produto: para muitos herbicidas com maior potencial de volatilização têm sido desenvolvidas novas formulações com adjuvantes.2 . depois de sua aplicação.0 12. É uma indicação da 164 Módulo 3.3 15. podem ser incorporados com uma irrigação adequada.4 15. algumas alternativas que podem reduzir a volatilização e manter a eficiência desses herbicidas.4 . necessitam ser mecanicamente incorporados ao solo.Efeito da temperatura na perda de EPTC após a aplicação de 3.

Moderado. Perdas mínimas que não reduzem a eficácia do produto nãoincorporado. Portanto. quanto maior a pressão de vapor.0 x 10-7 2. normalmente em razão da melhoria na qualidade de suas formulações.4 x 10-8 1.Pressão de vapor (PV) e potencial de volatilização de alguns herbicidas Grupo Químico e Princípio Ativo Cloroacetamidas Acetochlor Alachlor Butachlor Metolachlor Dinitroanilinas Trifluralin Isopropalin* Oryzalin Pendimethalin Tiocarbamatos Butylate* EPTC* Molinate Vernolate* Sulfoniluréias Chlorimuronethyl Nicosulfuron Oxasulfuron Imidazolinonas Imazamethabenz* Imazapyr Imazaquin Imazethapyr Imazamox Piridazinonas Norflurazon Triazolopirimidin 1.1 x 10-8 < 1.0 x 10-7 < 2.4 . podendo ser perdido em quantidades significativas quando não incorporado ou em solo úmido.0 x 10-7 < 1. Muito alto.9 x 10-8 -16 PV (mm Hg.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tendência da substância química em escapar na forma de gás.4 x 10-2 5.5 x 10-8 1.0 x 10-8 9. Grupos químicos de desenvolvimento mais recente.0 x 10-8 < 1. Quadro 11 . Nota-se que o problema de volatilização é particularmente importante para alguns grupos químicos. como as dinitroanilinas e os tiocarbamatos. Muito baixo 165 Módulo 3. 25 oC) 3. como as sulfoniluréias. em solos úmidos Idem Idem Idem Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Perdas significativas quando não incorporado.2 x 10 <1.0 x 10-12 1.1 x 10-4 3. 1994). ou. mais provável que um líquido vaporize-se. Volátil.1 x 10-5 1. mas pode ser significativo se não incorporado.Herbicidas: comportamento no solo . a intensidade e a velocidade de volatilização de um herbicida dependem também da intensidade e velocidade de movimento até a interface (normalmente a superfície do solo) onde ocorre o processo. imidazolinonas e sulfonamidas. Perdas ainda maiores se não incorporados e.6 x 10-5 4. comparada a uma perda típica de 0 a 4% por lixiviação e 0-10% por escorrimento superficial (GRAVEEL. No Quadro 11 encontram-se valores de pressão de vapor de alguns herbicidas aplicados ao solo. solo úmido e vento. Perdas pequenas podem ocorrer sob alta temperatura. Perdas por volatilização são muito variáveis. Pequeno.6 x 10-3 1.1 x 10-2 4. Além do valor específico da pressão de vapor. já não apresentam esses problemas.0 x 10-5 < 1. podendo aumentar sob certas condições.5 x 10-6 3. podendo ser de 10 a 90%.4 x 10-6 Potencial de Volatilização Muito baixo Baixo a moderado Baixo Baixo.3 x 10-2 3. TURCO. as quais muitas vezes incorporam adjuvantes com a finalidade de reduzir a volatilização.

Outros meios de degradação (ex: fotólise. Dos vários parâmetros que afetam o destino e o transporte de herbicidas. hidrólise e oxidação) e transporte (ex: volatilização da solução e lavagem da atmosfera pela água da chuva) também são afetados pela extensão da solubilidade em água dos herbicidas. 25 oC) 2. exceto quando solo está quente e não é ativado pela chuva por vários dias após a aplicação. Por sua vez. PÈREZ. isto é. De modo geral. a quantidade máxima de herbicida que se dissolve em água pura a uma determinada temperatura. em razão de apresentarem coeficientes de sorção para solos e sedimentos relativamente baixos. Em geral. sem carga. a solubilidade em água é um dos mais importantes.4 .7 x 10-5 6. a solubilidade de um herbicida e sua sorção no solo estão inversamente correlacionadas. Seu valor geralmente é expresso em mg L-1 (normalmente a 25 °C) e é um reflexo da polaridade da substância química. há casos em que moléculas de elevada massa molecular apresentam baixa solubilidade. maior a sua solubilidade. moléculas orgânicas grandes. o aumento no peso molecular diminui a solubilidade. 166 Módulo 3.2. maior solubilidade resulta em menor sorção.0 x 10-16 Potencial de Volatilização Desprezível Muito baixo 1. quanto mais iônico.8 x 10-15 3. No entanto. pouco ou não solúveis. Acima dessa concentração. maior será a sua afinidade por água. 2003). O KH é um coeficiente de partição entre o ar e a água (solução do solo).Herbicidas: comportamento no solo . portanto. 3. Hatzios (1998) e Rodrigues e Almeida (2005) 3.4 .2. são.Solubilidade A solubilidade (S) de um herbicida em água é. * Atualmente não registrados para uso no Brasil Fontes: Adaptado de Ahrens (1994). dependendo se o herbicida for um sólido ou um líquido na temperatura do sistema: uma fase saturada de solução aquosa e uma fase líquida ou sólida do herbicida (LAVORENTI. duas fases distintas existirão.9 x 10-8 Insignificante. mesmo quando forem iônicas (KOGAN. dentro de um mesmo grupo químico.5 .Relação entre PV e S A combinação de PV e S pode ser expressa através de uma constante denominada KH. exceto quando é exposto a condições quentes e secas por vários dias.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Grupo Químico e Princípio Ativo as Flumetsulam Cloransulammetil Derivados da uréia Linuron Diuron PV (mm Hg. mais provável que o composto em questão seja solúvel. 1996). ou constante da lei de Henry. por definição. logo. Insignificante. Quanto maior a quantidade de grupos hidrofílicos na molécula do herbicida (mais polares). Moléculas altamente solúveis são rapidamente distribuídas no ciclo hidrológico.

Portanto. podendo reduzir as suas perdas. podendo ser usado também como indicativo do potencial de volatilização de determinados herbicidas.Absorção pelas plantas A porcentagem de herbicida que a planta absorve do solo é difícil de ser medida.Lixiviação O destino de herbicidas aplicados ao solo depende muito das propriedades químicas da substância em questão. Além disso.Relação entre KH e incorporação de herbicidas A aplicação de um herbicida na superfície gera uma alta concentração numa fina camada de solo. 3. Trabalhos feitos com outros herbicidas no campo mostram que as plantas podem remover de 2 a 5% do total de herbicida no solo (SHANER.6 . 3. a distância torna a difusão para a superfície do solo mais difícil. 3. KH também pode ser usado como indicativo do potencial de volatilização de determinado herbicida. Experimentos em vaso demonstraram que as plantas podem absorver de 1 a 10% do total de herbicida disponível. em virtude da alta concentração numa fina camada superficial do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas sendo semelhante ao coeficiente de sorção (Kd) usado para descrever a sorção ao solo. cujos valores elevados de KH indicam que os solutos são altamente voláteis A constante da lei de Henry é definida pela equação: KH e PV são constantes proporcionais. Como a perda por volatilização é dada pelo produto de KH por concentração. 1989).Herbicidas: comportamento no solo 167 .3 . dependendo da densidade de plantas. das espécies presentes. do volume de solo. etc. portanto. (1988).4 . As duas propriedades mais importantes no que diz respeito ao processo de lixiviação são a sorção e a persistência do produto.2. mesmo compostos considerados não ou pouco voláteis podem apresentar certa perda. Quando se realiza a incorporação do herbicida. A sorção regula o potencial de um herbicida ser Módulo 3.4 . a absorção pelas plantas participa com pequena porcentagem na remoção do total presente no solo. ocorre a diluição da concentração. O KH é muito importante para os herbicidas na fase líquida do solo. Uma revisão bastante completa acerca das bases termodinâmicas e da determinação experimental de K¬H pode ser encontrada em Suntio et al.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas perdido com sedimentos ou por lixiviação. a quantidade do herbicida perdido pela movimentação no perfil do solo é geralmente entre 0. Entre os estudos realizados.Herbicidas: comportamento no solo . lagos e águas em profundidade. esses modelos têm contribuído na redução dos custos de análise e também na prevenção de desastres ambientais.8 são considerados 168 Módulo 3. Entre os critérios mais divulgados e aceitos para a classificação de herbicidas conforme seu potencial de lixiviação está o índice GUS (Groundwater Ubiquity Score). (1984) propuseram uma relação entre o Koc e a meia-vida (t ½ vida) dos herbicidas.4 Environment Agency.1 Fonte: 4.1 Bromoxynil 1.9 Chlorotoluror 2.5 Isoproturon Diuron 10. para classificá-los como lixiviadores (Koc < 300 (L kg-1) e t ½ vida > 21 dias) e não-lixiviadores (Koc > 500 (L kg-1) e t ½ vida < 14).5 Atrazine Mecoprop 12.1 Dichlobenil 1. com o objetivo de verificar a contaminação das reservas hídricas por pesticidas.0 0.4 0.4 Mecoprop Simazine 5.7 Atrazine 2. embora solubilidades muito baixas possam limitar o transporte com a água. cujo critério é ainda utilizado pelo California Department of Food and Agriculture (CDFA).1 1.4-D 5. Em condições normais. proposto por Gustafson (1989). 1999 Além das avaliações in locu. Cohen et al. Embora empíricos.1 a 1% do total aplicado. Alguns estudos. do Reino Unido apontaram alguns dos herbicidas com excesso de resíduos nas amostras de águas avaliadas (Quadro 12). mas. alguns estudos têm sido realizados com o intuito de prever o potencial desses compostos de atingir rios. Widerson e Kim (1986) simplificaram essa caracterização e definiram que os herbicidas que possuíssem valor de Koc menor que 512 (L/kg) e meia-vida (t ½ vida) superior a 11 dias seriam classificados como lixiviadores. cuja equação a seguir estabelece que herbicidas com índice GUS<1.9 0.4 Linuron Chlorotoluron 3. Em 1986. A solubilidade é de importância secundária. em determinadas circunstâncias.6 Benazolin 2.8 Bentazone 1.6 Terbutryn 1. 2000). Quadro 12 – Percentual de amostras de águas avaliadas no Reino Unido que excederam o limite de resíduos permitido Herbicidas com % amostras excedendo 0. esse percentual pode ser igual ou superior a 5% (Carter.6 Diuron CMPA 7.4 . como o realizado pelo National Center for Ecotoxicology and Hazardous Substances.8 1.1 mg L-1 Águas de superfície Águas subterrâneas Isoproturon 19.

o seu efeito sobre o meio ambiente. D (dose).8 e 2. além de possuir t ½ vida elevada.Herbicidas: comportamento no solo 169 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas como não-lixiviáveis.8 representam produtos lixiviáveis.Relação de herbicidas classificados conforme somatório obtido pelo IRA – Índice de Risco Ambiental Herbicida Trifluralin Hexazinona Paraquat Imazapyr Triclopyr Oxyfluorfen Linuron Sulfentrazone Isoxaflutole Haloxyfop Oryzlain Glyphosate Fluazifop Amônio-glufosinato Sethoxydim P 2 3 4 3 1 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 D 4 1 3 1 1 2 1 1 1 1 3 3 1 1 1 V 4 1 1 1 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 M 1 4 1 4 4 1 2 4 4 3 1 1 1 1 1 IT 4 2 2 2 2 3 3 2 2 3 3 2 3 2 2 IRA 15 15 11 11 11 10 10 10 10 9 9 8 7 6 6 Módulo 3. para que o fluxo hídrico consiga carrear o herbicida pelo perfil do solo (OLIVEIRA JR. aminoácidos. V (volatilidade) e IT (índice toxicológico). Recentemente. ele deve estar na solução do solo ou adsorvido a pequenas partículas. peptídeos e açúcares. Entretanto. para que um herbicida seja lixiviado. além da capacidade de lixiviação do herbicida.4 . O índice é definido pela soma de inúmeros fatores: P (persistência). ao passo que índices superiores a 2. 2001). ácidos fúlvicos e húmicos de baixo peso molecular. entre outros. cujo resultado final permite elencar os compostos em relação ao maior ou menor risco para o meio ambiente (Quadro 13). M (mobilidade). Quadro 7 .. Aqueles com valores entre 1. sendo adotada por inúmeros estudos que buscam relacionar o potencial de lixiviação dos herbicidas no solo com a contaminação de lençóis freáticos. Kogan e Allister (2004) propuseram o IRA – Índice de Risco Ambiental. cujo resultado representa.8 são considerados de potencial lixiviador intermediário: GUS = log t½ * (4 – log Kfoc) A equação utiliza os valores de t½ vida do herbicida e o coeficiente de sorção normalizado para teor de carbono orgânico do solo. como argila.

Co a concentração inicial e k. quando C0/Ct for igual a 2. 1993).Persistência De forma prática.1 . 4. por análise de regressão linear. a degradação refere-se a um conjunto de transformações físicas. além da própria molécula do herbicida. até a sua completa mineralização. como a apresentada a seguir. A degradação de moléculas de herbicidas no solo e o conhecimento dos principais mecanismos responsáveis pela aceleração ou pelo retardamento do processo influenciam diretamente a persistência desses compostos no ambiente.693. CO2 e compostos inorgânicos (MELTING.Processos de transformação Os processos de transformação das moléculas de herbicidas presentes no solo e água são decorrentes da degradação dessas moléculas em compostos secundários. A persistência desses compostos é normalmente medida pela meia-vida (t ½ vida). Ct a concentração no tempo t. químicas e biológicas que levam à formação de metabólitos ou à completa mineralização das moléculas. Para modelos lineares.693/K Entretanto. considera-se que resíduos de herbicidas no solo sejam quaisquer substâncias resultantes da sua aplicação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . a constante de degradação. Essa equação pode ainda ser simplificada assumindo que. em que Ct representa a concentração no tempo t. Essas substâncias podem incluir produtos de degradação (metabólitos). O seu cálculo deriva do modelo de primeira ordem definido pela equação: Ln C0/Ct = K * t em que C0 é a concentração inicial do herbicida. nos quais somente uma linha de dissipação é apresentada. e. a qual é extremamente importante para predizer o risco de contaminação de lençóis freáticos. e K. obtendo-se como produto final água. pode-se estimar a t ½ vida. A t ½ vida é definida como o tempo necessário para que ocorra a dissipação de 50% da quantidade inicial do herbicida aplicado.Herbicidas: comportamento no solo . De forma geral. o ln será igual a 0. conforme fórmula que segue: t 1/2= 0. os intervalos de tempo 170 Módulo 3. normalmente utilizam-se equações não-lineares de regressão (bi-exponen¬ciais) para o cálculo da t ½ vida de herbicidas no solo.4 . A equação anterior admite que a taxa de degradação diminui linearmente com o decréscimo da concentração. a constante de degradação.

6 5. a classificação de um herbicida como “persistente” ou “não-persistente” varia de acordo com o propósito da classificação.7 2. 56 (1995) 22 Blanco et al. para que o herbicida atinja e contamine águas superficiais e subsuperficias. (1997) 171 3. (1995) Nakagawa et al.8 4.6 0. (1997) Campanhola et al.4 4.2 1.3 1. a t ½ vida poderá ser alterada e maior quantidade do herbicida estará disponível no ambiente.4 5.2 5. (1997) Ravelli et al.Herbicidas: comportamento no solo Prof. 9-12 (1982) 54-63 Novo et al.6 4. (1997) 8-13 Ravelli et al.6 3.7 4. ambiente (temperatura e precipitação) e práticas culturais (sistema de plantio e doses aplicadas). 1996). No entanto. sua persistência é basicamente dependente de quatro fatores: solo (teor de carbono orgânico. Ct =C0 * e -kt Sabe-se que valores altos de t ½ vida contribuem.4 .8 6. Assim. dentro dos limites de uso agrícola. (1997) 54 5-29 8-21 8-26 Ravelli et al. pH e textura).3 0.3 1. No Quadro 14 encontram-se exemplos de classificações adotadas na Inglaterra e no Brasil.2 a t1/2 Referência (dias) Nakagawa et al.1 7.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas considerados podem fornecer estimativas e interpretações errôneas da t ½ vida de herbicidas (BLUMHORST. população de microrganismos presentes.Valores de meia-vida (t ½ vida) observados para alguns herbicidas em solos do Brasil Herbicida Tipo de solo Classe Latossolo Vermelho-Escuro Atrazine Glei húmico Simazine Trifluralin Metribuzin Latossolo roxo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Módulo 3. (cm) 0-14 0-10 0-30 50-200 0-40 100200 0-15 70-150 MO Argila Areia pH (%) (%) (H2O) (%) 45 28 17 39 47 44 47 48 61 48 56 40 63 72 20 48 46 44 28 27 27 24 5. Por outro lado. em muitos casos.Exemplos de classificações de herbicidas quanto à persistência no solo Inglaterra Classe Não-persistente Levemente persistente Moderadamente persistente Muito persistente Fonte: Adaptado de Roberts (1996) e Foloni (1997) t1/2 (dias) <5 5-21 22-60 >60 Brasil (IBAMA) Classe Não-persistente Medianamente persistente Persistente Altamente persistente t1/2 (dias) <30 30-180 180-360 >360 Quadro 15 .4 5. (1993) 7-21 Ravelli et al.8 5. No Quadro 15 são mostrados os valores de meia-vida de alguns herbicidas em solos do Brasil. ao aumentar a dose de aplicação do herbicida.6 9. Quadro 14 . (1997) 10-16 Ravelli et al.7 2. (1997) Ravelli et al. embora a t ½ vida sirva de parâmetro para avaliação do tempo de permanência do herbicida no ambiente.0 Podzolico Vermelho-Amarelo 0-10 Chlorsulfur on Latossolo Eermelho-Escuro .

podem-se citar.Herbicidas: comportamento no solo . Eventuais alternativas para minimizar o problema de carryover incluem a redução das doses (pode não resolver o problema em certos tipos de solos) e a aplicação em faixas ou dirigida em vez de em área total (reduz a quantidade total de herbicida aplicado). Isso ocorre principalmente para compostos cuja degradação é fortemente influenciada pela atividade microbiológica do solo. É o caso do imazaquin em relação ao trifluralin.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nas Figuras 19 e 20 são encontrados exemplos de comportamentos de persistência de herbicidas em um Latossolo Roxo distrófico (LRd). Herbicidas com maior persistência podem resultar no fenômeno denominado carryover. as que seguem. Entre as principais formas pelas quais os herbicidas são degradados. a qual é reduzida à medida que se afasta da camada superficial do solo. Observa-se que os herbicidas tendem a persistir por período mais prolongado quando lixiviam mais rapidamente para horizontes subsuperficiais. que pode ser definido como sendo os resíduos fitotóxicos que permanecem no solo e que venham a afetar culturas sensíveis plantadas em rotação após aquelas culturas em que foi utilizado o herbicida. 172 Módulo 3.

provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de imazaquin Fonte: Silva et al.Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 19 .Herbicidas: comportamento no solo 173 . (1998) Módulo 3. 150 (B) e 180 (C) DAA.4 .

Herbicidas: comportamento no solo .Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A). (1998) 174 Módulo 3. provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de trifluralin Fonte: Silva et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 20 .4 . 150 (B) e 180 (C) DAA.

implicando a perda ou alteração da toxidez da molécula. Módulo 3. no qual ocorre a quebra de pontes químicas das moléculas herbicidas devido à substituição de um ou mais átomos por íons hidroxil da água (OH-). entre eles: • características estruturais do composto: quantidade de substituição e natureza do grupo introduzido no núcleo central da molécula.4 .3 . pelo início de uma série de atividades degradativas que ocorrem no solo e torna-se indispensável para os processos de transformação das moléculas de herbicidas no solo.Herbicidas: comportamento no solo 175 . mas com potencialidade de ativação e toxidez. Embora para a grande maioria dos herbicidas aplicados ao solo os processos de degradação mediados por microrganismos sejam mais importantes. envolvendo mudanças estruturais na molécula. em um produto não-tóxico e desativado. envolvendo várias reações seqüenciais. como uma oxidação. Estudos mais detalhados indicam que a biodegradação pode ser por: Alteração não-tóxica: conversão de uma molécula não-tóxica. em geral. podendo se tornar recalcitrante e mais tóxico. Detoxificação: conversão de uma molécula tóxica em um produto menos tóxico ou atóxico. A estabilidade desses herbicidas sugere que a hidrólise química não é um mecanismo importante na sua degradação no solo (SHANER.Degradação química A degradação ou decomposição de herbicidas no solo por meio de reações químicas e nãobiológicas são comuns para diversas moléculas. Essa transformação pode ser primária.Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação O termo biodegradação refere-se à transformação biológica de um composto químico orgânico em outra forma.2 . Conjugação: quando o substrato torna-se mais complexo pela adição ou complexação com metabólicos microbianos. O fenômeno da recalcitrância (baixa degradabilidade no solo) é bastante complexo e regulado por outros fatores. redução ou perda de um grupo funcional. O pH do solo também auxilia na velocidade da reação. de um substrato não-tóxico em uma molécula com ação biocida. 4. cujos principais mecanismos envolvidos são a oxirredução e hidrólise desses compostos. Esse fenômeno pode ocorrer em solos extremamente secos embora seja facilitada naqueles cuja condição se aproxima da sua capacidade de campo e com temperaturas elevadas. a hidrólise química é responsável. por ação enzimática. A hidrólise representa um processo geral de reação do herbicida com a água.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. Ativação: conversão. ou mais complexa. 1989). por exemplo são extremamente estáveis nas faixas de pH normalmente encontradas no solo e apresentam t ½ vida normalmente maior que seis meses. As imidazolinonas.

avaliando a degradação de pesticidas em várias profundidades.4 .. ele pode acabar tornando-se mais persistente. SHELTON. Sabe-se. de várias espécies de microrganismos do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas desativação de sistemas enzimáticos responsáveis pelas alterações na molécula do produto no solo. 1993). A rota primária de degradação das 176 Módulo 3.Herbicidas: comportamento no solo • . Já Sanyal e Kulshrestha (1999) observaram a ação de diversos microrganismos na degradação acelerada de metolachlor. 1996. • ausência de fatores de crescimento ou condições favoráveis para os microrganismos decompositores e • ausência de microrganismo(s) com capacidade metabólica (enzima) capaz de degradar o produto. H2O. onde tem maiores chances de ser biodegradado. 1996). uma vez que está menos exposto ao contato direto com a microbiota do solo. NH3 e íons inorgânicos. entretanto. esse fenômeno tem sido questionado a partir de duas considerações: a primeira é de que a degradação acelerada seria resultado do aumento do número de microrganismos selecionados pelo herbicida e. embora os produtos finais sejam CO2. representada principalmente por fungos e bactérias. se um herbicida é lixiviado rapidamente da camada superficial do solo. Alteração do espectro de toxidez: alteração no composto que provoca alteração do grupo de organismos específicos sensíveis à sua ação. os processos de biodegradação podem ocorrer em função da atuação de uma ou. Quando a biodegradação é acelerada. que a população microbiana. mais comumente. ainda. • inacessibilidade do substrato às enzimas ou células microbianas capazes de promover a sua degradação. Estes microrganismos podem utilizar os herbicidas tanto como substratos. Mineralização: considerado sinônimo de degradação. Contudo. observaram que a taxa de degradação diminui com a profundidade (VEEH et al. Portanto. Entretanto. a segunda. (2001) observaram a biodegradação acelerada de carbetamida por microflora adptada. ou. Simples degradação: transformação de uma substância tóxica complexa em produtos mais simples. RAVELLI et al. os estudos ainda não permitem uma definição sobre a modificação ou atividade mircrobiana envolvida na degradação acelerada de herbicidas. Além disso. Hole et al. sendo um dos maiores mecanismos envolvidos na degradação de herbicidas.. 1997). diminuindo com a profundidade. utilizando esse composto como fonte de C e N. fornecendo nutrientes. com utilização do composto como fonte de carbono e energia. é mais abundante nas camadas superficiais do solo. de que essa degradação seria devido ao aumento da atividade enzimática com maior ação degradativa sobre esses compostos. como fonte de energia (metabolismo). sem fornecimento de energia para o seu crescimento (co-metabolismo) (MONTEIRO. Diversas dessas moléculas têm sido descritas como condicionadoras da microbiota do solo para sua degradação (FELSOT. a ação microbiana pode modificar a estrutura química do produto. diz-se que ocorreu um processo natural de adaptação metabólica. pois outros fatores ambientais precisam ser considerados na interpretação desses resultados. Vários autores.

monuron) e em pentaclorofenóis. a oxidação. além das próprias culturas. triasulfuron. ou decomposição pela luz. paraquat. Fatores do ambiente (temperatura. O processo de fotodecomposição.Fotodecomposição ou fotólise A radiação solar na faixa do ultravioleta (290-450 nm) contém energia suficiente para causar transformações químicas dos herbicidas. Dentres as principais reações fotoquímicas. Módulo 3. Apenas aqueles herbicidas na ou próximos à superfície do solo ou sobre plantas serão passíveis de sofrerem fotodecomposição. A maioria dos herbicidas apresenta coloração que tende ao branco. como as dinitroanilinas. podem afetar a persistência dos herbicidas. como hidrólise. a desalogenação. clethodim. estado de humificação da matéria orgânica. oxirredução. possuem picos de absorção por volta de 370 nm. o comprimento de onda efetivo na fotodegradação de herbicidas pode estar fora do espectro de absorção específico do composto. a qual depende da insaturação eletrônica. sendo a desalogenação a reação fotoquímica mais comum. vento e luz solar) podem afetar a transformação dos herbicidas tanto na água quanto no solo. a isomerização e a polimerização. etc. por exemplo. na presença de um agente nucleofílico em solução aquosa. 4. bentazon e atrazine em solução aquosa. superfície mineral.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas imidazolinonas. umidade. Compostos amarelados. parece ser a microbiana. Estudos de dissipação no campo mostram a perda rápida das imidazolinonas a partir do solo. Portanto. Isso causa a excitação de elétrons e pode resultar na quebra ou na formação de ligações químicas. Embora a energia solar que chega à superfície do solo na faixa abaixo de 295 nm seja considerada desprezível. começa quando a molécula do herbicida absorve a energia luminosa. e possui picos de absorção de luz na faixa do UV. uréias substituídas (diuron. aeração e micro/macrofauna) e as técnicas de aplicação. as quais podem levar à sua inativação. Além disso. diquat.Herbicidas: comportamento no solo 177 . Exemplos de herbicidas que sofrem fotodecomposição incluem o trifluralin. é a reação fotonucleofílica de hidrólise.. Geralmente a luz apresenta um papel de catalisador de reações químicas. e os produtos da transformação resultantes dessas reações.4 . normalmente como os elétrons deslocados (cromóforos). ou próximo disso. propriedades do solo (pH. disponibilidade de nutrientes. Uma reação que também ocorre a partir da substituição de um halogênio de benzeno por uma hidroxila. uma vez que a penetração de luz UV no solo é bastante limitada. são os mesmos que os encontrados em decorrência de processos enzimáticos. particularmente sob condições de alta umidade e temperatura. a energia luminosa pode ser absorvida por uma molécula intermediária e transferida à molécula do herbicida por colisão. cultivo e irrigação. as de maior ação sobre os herbicidas são: a hidrólise. Outros exemplos de reações fotoquímicas comuns ocorrem nas bifenilas policloradas (PCBs). algumas vezes.4 .

como a norte-americana Phytotech e a alemã BioPlanta. 178 Módulo 3. se comprovada ao longo de um período de monitoramento. que se beneficiam do emprego da fitorremediação em suas áreas de produção e de pesquisa (GLASS. 2005).Herbicidas: comportamento no solo . 1998. 2003). surgiram nos EUA e em grande parte da Europa inúmeras companhias que exploram a chamada “fitorremediação” para fins lucrativos. Monsanto e Rhone-Poulanc.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considera-se que os produtos da fotodegradação sejam similares aos produzidos por processos químicos e biológicos de degradação. No entanto. É possível que parte das perdas esteja relacionada ao processo de fotodegradação.Estruturas químicas de quatro produtos de fotodegradação do metolachlor Fonte: Kochany e Maguire (1994) 5 . especialmente se um período prolongado de seca acontece após a aplicação. Herbicidas aplicados à superfície do solo são freqüentemente perdidos. DINARDI et al.Fitorremediação Recentemente.tem-se mostrado viável nos casos em que ocorrem condições biogeoquimicamente favoráveis e pode ser efetiva na remediação de solos e águas subterrâneas quando utilizada paralelamente a outras tecno¬logias. A Figura 21 exemplifica as estruturas químicas de produtos de fotodegradação do metolachlor. A volatilização.que consiste simplesmente em manejar ao longo de um certo tempo a degradação dos contaminantes que ocorre por meio de processos naturais . como Union Carbine. ou isoladamente. acentuada pela temperatura elevada na superfície do solo. nos últimos dez anos. e indústrias multinacionais.4 . a degradação química e biológica e a sorção são alguns fatores que devem ser considerados para explicar o desaparecimento dos herbicidas do solo. Mais especificamente. tem-se mostrado que a atenuação natural monitorada pode contribuir significativamente para o controle e a redução da contaminação de solos e águas subterrâneas (FURTADO. Esta alternativa .. Figura 21 . outros fatores podem estar envolvidos.

2000). No Brasil. tem-se a fitorremediação (ACCIOLY. os herbicidas de longo efeito residual apresentam-se como principal problema à possibilidade de contaminação de culturas plantadas em sucessão e ao problema ambiental ocasionado por sua lixiviação direta ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo. este trabalho abordará especificamente aspectos da técnica da utilização das plantas e sua microbiota associada. VROUMSIA et al. o termo biorremediação é amplamente utilizado para o processo de descontaminação de ambientes por microrganismos. Portanto. Quando se trata da descontaminação pela utilização de plantas isoladas ou estimulando a microbiota associada às suas raízes. 2003. 2004a. 2005). 5.. b).. Dessa maneira. PROCÓPIO et al. Nesses estudos. principalmente. microrganismos do solo. 2005. QUEROL et al. As condições necessárias para essa degradação incluem a existência de receptores de elétrons..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Dentre os compostos de difícil degradação no solo. SIQUEIRA. YU et al.A fitorremediação como mecanismo de biorremediação A biorremediação é o processo de remediação in situ de áreas contaminadas que emprega organismos vivos (microrganismos e plantas. Petrobrás (2006) e Unicamp (FEA. entre elas a Embrapa (2005)... Contudo. algumas empresas estatais e privadas.. mais recentemente. são estimulados a degradar os contaminantes seja por utilização da molécula como fonte de nutrientes ou por co-metabolismo. já se sabe que as espécies Stizolobium aterrimum e Canavalia ensiformis são. comprovadamente. solventes halogenados. 2006). A pesquisa referente à biorremediação (biodegradação) de áreas contaminadas por herbicidas é relativamente ampla e já bem consolidada. No processo de biorremediação in situ dito “tradicional”. Módulo 3. 2005). é no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Viçosa que se intensificam os estudos na área da fitorremediação de solos contaminados por herbicidas. compostos nitroaromáticos e. os quais incluem a fitorremediação. A técnica é bem utilizada para remediação de áreas contaminadas com metais pesados (FRANCO. herbicidas (PIRES et al. visando a descontaminação de ambientes (fitorreme¬diação) que apresentam resíduos de herbicidas em quantidade suficiente para causar interferência negativa nas diferentes atividades agrícolas ou comprometer a sustentabilidade ambiental. podendo atingir cursos de águas subterrâneas. 2003. reduzindo-o ou até mesmo eliminando sua toxicidade.. principalmente) capazes de se desenvolverem em meio contendo o material poluente. de ambientes contaminados por metais pesados e derivados de petróleo.4 . em particular bactérias. de nutrientes e de substrato. bem como instituições de pesquisa. pesquisam e exploram métodos de biorremediação.Herbicidas: comportamento no solo 179 . incluindo o desenvolvimento de vários microrganismos comprovadamente eficientes na biodegradação de alguns compostos (BELLINASO et al. SANTOS et al. 2004.1 . 2005. eficientes na descontaminação de áreas tratadas com os herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron e que o provável mecanismo envolvido na descontaminação seja a interação da fitoestimulação e da fitodegradação. incluindo compostos químicos aplicados para as diferentes atividades agrícolas.

as plantas.. 1996. Contudo. em algumas plantas.Herbicidas: comportamento no solo . entre elas C. no caso. 1996). 2005). como a capacidade de metabolização do herbicida a um composto não-tóxico (ou menos tóxico) à planta e ao ambiente. subseqüentemente. Esse fato é de ocorrência comum em espécies agrícolas e daninhas. especialmente menos fitotóxicos. como metais pesados.4 . o contaminante. combinados e/ou ligados a tecidos das plantas (compartimentalização) (ACCIOLY.. ou remoção física da camada contaminada. 2001). Em trabalho realizado por Arthur et al. COATS. (2005). principalmente por sua eficiência na descontaminação e pelo baixo custo (PERKOVICH et al. a aptidão rizosférica para a biorremediação desses compostos. Outros trabalhos relatam a contribuição das plantas. 1996). de 193 dias. 2000. solventes clorados e subprodutos tóxicos da indústria (CUNNINGHAM et al. um importante mecanismo de diminuição do herbicida por ação do fitorremediador parece ser a fitoestimulação... BURKEN. Apesar das facilidades observadas. e • apresentam complexidade de análise diante das constantes transformações a que estão sujeitos. entre outros. Citam-se ainda outros mecanismos. tolerantes a certos herbicidas. Apesar de ser utilizada em solos contaminados com substâncias orgânicas ou inorgânicas. CUNNINGHAM et al. SCHNOOR. elementos contaminantes. 1995. constatou-se que. 1994. conhecido como fitodegradação. (2000). o que caracteriza. e em solos não vegetados.. é desenvolvido como agente para o controle do descontaminante.. ensiformis e S. SIQUEIRA. hidrocar¬bonetos de petróleo. que algumas espécies exibem a determinados compostos ou mecanismos de ação. estimulando o efeito rizosférico na aceleração da mineralização de alguns herbicidas. 1996). Em trabalho realizado por Pires et al. foi comprovado que o solo proveniente da rizosfera de diversas espécies de leguminosas. a fitorremediação tem sido considerada vantajosa. SCRAMIN et al. principalmente atrazine e metolachlor (ANDERSON et al.. 2004. PROCÓPIO et al. promovido pela liberação de exsudatos radiculares. aterrimum. 1996. comparado ao solo não vegetado. a meia-vida do atrazine foi de 50 dias. só recentemente tem-se apresentado como promissora técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas residuais (PIRES et al. no caso herbicida. A seletividade deve-se ao fato de que os compostos orgânicos podem ser translocados para outros tecidos da planta e. apresentou maior atividade microbiana. como bombeamento e tratamento. duas limitações. em solos rizosféricos de Kochia scoparia. na qual há o estímulo à atividade microbiana. volatilizados. entre outras. 180 Módulo 3. natural ou desenvolvida. A utilização da fitorremediação para descontaminação de ambientes com resíduo de herbicidas é baseada na seletividade. podem ainda sofrer parcial ou completa degradação ou ser transformados em compostos menos tóxicos. agrotóxicos. PERKOVICH et al. que atuam degradando o composto no solo. 2003. ANDERSON. explosivos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quando comparada com técnicas tradicionais. SANTOS et al. devem ser consideradas para o emprego da fitorremediação em áreas contaminadas por herbicidas: • são contaminantes orgânicos que apresentam diversidade molecular. contaminado com o tebuthiuron...

Solos com alto conteúdo deste mineral apresentam reduzida mineralização de atrazine. 2003). as pesquisas devem direcionar esforços para obtenção de melhores resultados para as áreas contaminadas com os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo. é sabido que valores de pH fora da faixa de neutralidade comprometem a atividade da microbiota do solo prejudicando diretamente os processos de fitorremediação. as substâncias húmicas são relatadas como as principais responsáveis pela sorção de herbicidas (PUSINO et al.. a absorção de compostos orgânicos. REDDY et al.Herbicidas: comportamento no solo 181 . 1995).1.5 (HOUOT et al. não passam através das membranas lipídicas associadas com as camadas da epiderme das raízes.. Walker et al. o fluxo transpiratório.1. a absorção radicular de xenobióticos da água (em solução) está diretamente relacionada ao logaritmo do coeficiente de partição octanol-água (Kow) do composto. logo. 1995. persistência e concentração do herbicida. o produto químico deve passar pelo simplasto da endoderme. com valores de Log Kow < 2. levando à fitodegradação. Todavia. Maior conteúdo de matéria orgânica reduz as amplitudes de variação da temperatura e umidade do solo. como. CELIS et al. ampliando dessa forma. 2000). Para certas características das plantas e condições ambientais. Dessa maneira. Além disso. fundamental para promover o carreamento do herbicida absorvido para a parte aérea das plantas..1 (PIRES et al. Outras propriedades do solo podem intervir na fitorremediação e. com exceção do diuron em um dos solos.1. 1992. (1996) estudaram a degradação de isoproturon. 2001). Em revisão feita por Pires et al.. 2000). a matéria orgânica constitui o principal contribuinte para a CTC. pelas condições ambientais e pelas características da espécie vegetal.. Para atrazine verificou-se que sua mineralização aumentava rapidamente com o aumento do pH (HOUOT et al. ligam-se às membranas lipídicas das raízes antes de entrarem no xilema. de baixa reatividade (caulinita). por exemplo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Segundo Burken e Schnoor (1996).. pelas plantas é afetada pelas propriedades químicas do composto.4 . 1997). como os herbicidas. conseqüentemente. Nas condições tropicais em que os solos são altamente intemperizados com predomínio de óxidos e hidróxidos de Fe e Al e argilas silicatadas 1:1. (2003a) e de acordo com Brigss et al. os efeitos benéficos nos processos de fitorremediação de herbicidas. Módulo 3. Para ser translocado. diuron e metsulfuron-metil na solução do solo e na fração adsorvida em dois tipos de solos e encontraram que a meia-vida destes produtos foi menor em solução que na fração adsorvida.0. Compostos que são mais hidrofóbicos. com Log Kow > 2. além dessa característica. é maior quando o Log Kow do pesticida varia de 0. incrementam-se também a biomassa e atividade microbiana e a biotransformação das moléculas dos herbicidas no solo (WEED et al. Compostos que são menos hidrofóbicos. o conteúdo de argila.5 a 3. Essa ligação ou exclusão leva a menor fluxo transpiratório sob valores de Log Kow que se distanciam de 2. sendo maior a absorção quando o valor de Log Kow é de 2. além do mecanismo de ação. GARBISU. vários outros fatores poderão influenciar a capacidade descontaminadora de espécies vegetais em programas de fitorremediação. Dos componentes da matéria orgânica do solo. no papel eficiente das plantas. (1982).. interferem ainda a constante de acidez (pKa) e a sua concentração (ALKORTA. apesar de ter valores de pH mais altos que 6.

é de aproximadamente oito meses. tomate. soja. existindo uma conscientização dos problemas ambientais ou de saúde que podem ocorrer devido à má utilização desses compostos químicos (SANTOS et al. Sua persistência no solo pode variar de 11 a 14 meses em Latossolo Vermelho-Amarelo em lavouras de cana-de-açúcar (BLANCO. portanto.. Também o tebuthiuron. BOVEY. OLIVEIRA. batata. feijão e soja quando cultivadas até dois anos após a sua aplicação. as propriedades procuradas em um herbicida são sua pronta degradabilidade.. é essencial conhecer o tempo total necessário para a 182 Módulo 3. Produtos como o trifloxysulfuron-sodium. causando intoxicação às culturas de amendoim. apresentam considerado efeito residual no solo. podendo atingir lençóis subterrâneos e se mover para outros ambientes com provável contaminação de outros ecossistemas. 2005).4 . reduzindo com isso o número de aplicações. 2005). o período de espera. entre outras (RODRIGUES. 2005). como picloram e imazapyr. Outros herbicidas. especificidade e baixa toxicidade para os organismos não-alvos. Mesmo possibilitando o controle efetivo de plantas daninhas por um período de tempo maior.2 . 1988) ou mesmo estender-se por mais de sete anos. quando simulada a reunião de todas as condições ambientais que favoreçam sua persistência (EMMERICH et al. para que se obtenha resultados satisfatórios. Contudo. para o plantio de culturas sensíveis. Existe ainda o impacto ambiental negativo ocasionado pela lixiviação dessas moléculas ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo. a contar da data de sua aplicação. sendo. Além disso. 1987) de 15 a 25 meses em solo argiloso (MEYER. Áreas contami¬nadas por estes e outros herbicidas persistentes no solo são prioritárias nos programas de fitorremediação. podendo chegar a até três anos o intervalo para o plantio de culturas sensíveis. apresenta longo período residual. como algodão. que é recomendado para uso em pré-emergência na cultura da canade-açúcar.1984). ALMEIDA. Problemas resultantes dos processos de poluição e degradação dos recursos naturais por herbicidas têm recebido atenção especial. Mesmo sendo recomendado em concentrações baixas (em torno de 7. eficiência em doses baixas. ALMEIDA. fonte potencial para contaminação de aqüíferos. SANTOS et al. 1999). principalmente como resultado de aplicações seqüenciais ao longo dos anos na mesma área (CERDEIRA..5 g ha-1) (RODRIGUES..Herbicidas: comportamento no solo .este herbicida apresenta elevada mobilidade em solos com baixos teores de argila e de carbono orgânico.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5.Problemas relacionados aos herbicidas residuais Atualmente. 2005). que é utilizado em mistura com o ametryn na cultura da cana-de-açúcar ou puro na cultura do algodão em pós-emergência inicial. 2005. principalmente em sistemas agrícolas que necessitam utilizar esses produtos no manejo integrado de plantas daninhas (JAKELAITIS et al. apresenta problemas de carryover na cultura do feijão cultivado em seqüência. os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo proporcionam a ocorrência de toxicidade em culturas sensíveis (carryover) plantadas após sua utilização.

CUNNINGHAM et al. sendo importante ressaltar algumas delas. O ideal seria reunir todas essas características numa só planta. ao mesmo tempo ou subseqüentemente. embora a maioria dos testes avalie plantas isoladas. concentração e/ou metabolização e tolerância ao herbicida.Estratégias para o sucesso da fitorremediação O sucesso no emprego da fitorremediação como técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas depende da natureza química e das propriedades do composto. para promoverem maior descontaminação. entre outros fatores. • fácil aquisição ou multiplicação de propágulos. além da aptidão ecológica da espécie vegetal a ser empregada. Dessa forma. pedregoso. aquela que for selecionada deve reunir o maior número delas. com elevada umidade.. visando efetivar e diminuir o tempo de descontaminação. 2000. NEWMAN et al. PIRES et al. São conhecidas espécies que se desenvolvem bem em todos os ambientes. de clima quente ou frio. ACCIOLY. daí a necessidade do conhecimento de estratégias que acelerem o processo de remediação. Dessa forma. a técnica pode apresentar algumas limitações de aplicação.. 2003). • fácil colheita.. que tanto pode tolerar como acumular o produto. • capacidade transpiratória elevada. 5. no caso da fitoestabilização.Herbicidas: comportamento no solo 183 . várias espécies podem.3 . as vezes é muito longo. especialmente em árvores e plantas perenes. como oposto à transferência para a parte aérea. • resistência a pragas e doenças. solo seco. • retenção do herbicida nas raízes. 1998. 1996. • fácil controle ou erradicação.. VOSE et al. • sistema radicular profundo e denso.4 . 1996. quando necessária a remoção da planta da área contaminada. 2000. a espécie vegetal ideal para remediar um solo contaminado por herbicidas seria uma cultura de alta produção de biomassa. ser usadas em um mesmo local. Outro aspecto a ser observado é que. como sugerido por Miller (1996). além dos procedimentos para o correto emprego da técnica. Com base nas análises apresentadas por diversos autores (FERRO et al.. Em essência. e • capacidade de desenvolver-se bem em ambientes diversos. evitando sua manipulação e disposição. 1994. que.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas descontaminação.. PERKOVICH et al. SIQUEIRA. • alta taxa de crescimento e produção de biomassa. • elevada taxa de exsudação radicular. porém. a escolha de plantas que apresentem tolerância ao herbicida é o primeiro passo na seleção de espécies potencialmente fitorremediadoras. Módulo 3. algumas características devem ser consideradas na escolha da espécie vegetal a ser utilizada em programas de remediação de áreas contaminadas por herbicidas: • capacidade de absorção.

a permanência ou retirada da parte aérea das plantas de C. (2005) verificaram que. PROCÓPIO et al. indicando que o produto pode estar sendo degradado internamente nos tecidos (fitodegradação) ou inativado por outros mecanismos rízosféricos. semelhante ao solo isento do herbicida (Figura 24). comparado ao mesmo solo não tratado com o herbicida. SANTOS et al. aterrimum e C. as leguminosas C... após a seleção de diversas espécies vegetais. das várias espécies testadas tolerantes ao herbicida tebuthiuron. Essas culturas são sensíveis à presença desse herbicida (RODRIGUES.. aterrimum promoveu maior descontaminação da área tratada com trifloxysulfuron-sodium.4 . Em outro trabalho. após o período de remediação. apresentou maior atividade microbiana. (2004). Belo et al. evidenciada pelo maior desprendimento de dióxido de carbono. além de melhorar o desenvolvimento das espécies vegetais S. possibilitando o posterior desenvolvimento de plantas de milho e feijão. Também Pires et al. (2006) constataram que a adição de composto orgânico ao solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron. visando a seleção de espécies vegetais com potencial para emprego em programas de fitorremediação de herbicidas (PIRES et al. 2004. ensiformis e Lupinus albus possibilitaram o pleno desenvol¬vimento de Avena strigosa. Nos trabalhos realizados por Procópio et al. 2004b). b. ALMEIDA. ensiformis e S. tratado com o trifloxysulfuron-sodium. destacando-se a mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) e o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (Figura 23). a fitoestimulação da microbiota associada à rizosfera (PROCOPIO et al. evidenciando a contribuição da microbiota no processo de descontaminação. aterrimum. 2006). 2005. 184 Módulo 3. Além dos fatores mencionados. provavelmente. 2005). utilizada como bioindicadora da presença do herbicida. 2005b. não interferiu no desenvolvimento posterior de plantas de feijão. ensiformis. 2003a.Herbicidas: comportamento no solo . possibilitou maior eficiência no processo de remediação por essas leguminosas.. feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) e mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) promoveram a fitorremediação de solo contaminado pelo herbicida trifloxysulfuron-sodium. algumas especies vegetais utilizadas como cobertura do solo foram selecionadas (Figura 22). Procópio et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nos trabalhos realizados até o momento no Brasil. (2005) verificaram que o aumento da densidade populacional de S. sendo. Santos et al. comprovando a eficiência na descontaminação. (2006) observaram que o solo proveniente da rizosfera de S. outros mecanismos podem ser implementados no programa de fitorremediação visando maior eficiência no processo. aterrimum da área contaminada com trifloxysulfuron-sodium.

em solos contaminados pelos herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron Figura 24 – Desenvolvimento de plantas de milho e de feijão em solo tratado com o herbicida trifloxysulfuron-sodium (0. os quais. além do emprego de plantas e sua microbiota associada. visando a fitorremediação de solos contaminados por esses herbicidas Figura 23 – Desenvolvimento de mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) (A) e feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (B). Módulo 3.0 g ha-1) (não-seletivo a essas culturas). (2004) Para Accioly e Siqueira (2000). agiriam em conjunto. associados às práticas agronômicas. imobilizando ou tornando os contaminantes inofensivos ao ecossistema.0. para o sucesso da fitorremediação. o programa deve envolver.Herbicidas: comportamento no solo 185 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 22 – Etapa de seleção de espécies vegetais tolerantes ao trifloxysulfuron-sodium e ao tebuthiuron. 7.4 .5 e 15. removendo. visando a remediação Fonte: Procópio et al. posteriormente cultivado (B) ou não (A) com mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). amenizantes como a matéria orgânica do solo.

havendo possibilidades de reciclagem da biomassa produzida. 1986). por perturbarem menos o ambiente. solubilidade de baixa para moderada em água (RODRIGUES. fabricação de diversos produtos. como o picloram e outros. O tema cresce em complexidade na medida em que se tenta selecionar espécies vegetais que apresentem. Este herbicida apresenta alta persistência no solo. alto potencial de escoamento. e uma abordagem detalhada da sua dinâmica seria difícil diante dos diversos interferentes relacionados ao seu comportamento. apesar de já ser bem conhecido o processo de biodegradação do atrazine por diversos microrganismos (BEKHI et al. nos programas de fitorremediação de herbicidas. o atrazine oferece elevado risco de contaminação de aqüíferos. Entre os herbicidas. geração de energia. principalmente em solos brasileiros. além da capacidade remediadora. espera-se maior aceitação de métodos de descontaminação in situ. retenção e transformação que ocorrem com as moléculas representa a capacidade de contaminação e persistência destas no meioambiente. devido às suas características físico-químicas. o sucesso do tratamento empregando planta aquáticas vai além do baixo custo. Esse fato denota a importância de pesquisas.. são pesquisas já iniciadas e fornecerão dados para maior eficiência nos processos de descontaminação de áreas que apresentam resíduos de outros herbicidas comprovadamente persistentes no ambiente. Além disso. 1993. como papel.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Manejo da irrigação. Contudo. absorção moderada à matéria orgânica e argila. ração animal. 2005). BEKHI. Contudo. incremento na população e número de espécies vegetais. GLASS. sendo comumente detectado após um ano.Herbicidas: comportamento no solo . além da possibilidade de inoculação de microrganismos junto à semeadura das plantas. com o objetivo de prevenir quanto aos possíveis distúrbios ambientais provocados por esses compostos. 2003. O que se observa é que o conhecimento teórico das propriedades dos compostos do solo. 6 . 1998). KHAN. depende do somatório de diversos processos envolvidos. outros benefícios para o agricultor. graças à atual preocupação na viabilidade das técnicas integradas de manejo. baixa pressão de vapor. podendo ser utilizada como fertilizante. 2005). ALMEIDA. O resultado dos processos de transporte.4 . que visam o menor impacto negativo ao ambiente. Em se tratando de ambientes aquáticos. Nessa área. hidrólise lenta. essa técnica é 186 Módulo 3. a fitorremediação surge como opção para o tratamento eficiente de solo e água contaminados por herbicidas de difícil decomposição nesses ambientes. os quais são responsáveis pelo destino final desses compostos. principalmente no solo. e até proteínas para usos em rações (DINARDI et al.Considerações finais O comportamento de herbicidas no ambiente. poucos são os trabalhos que apontam soluções para fitorremediação deste composto em ambientes aquáticos (MARCACCI. dos fatores climáticos envolvidos e dos mecanismos de interação herbicida–ambiente nem sempre representa o comportamento constatado em condições naturais a campo.

quando todos os fatores envolvidos interagem. a identificação dos problemas de contaminação e as opções de recuperação do ambiente afetado. As implicações são claras: entendendo como os herbicidas e outros pesticidas aplicados ao solo se comportam. um dos motivos pelo qual deve ser mais estudado. sem dúvida. comparada a outros processos de descontaminação.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas relativamente barata. podendo ser aplicada a grandes áreas. Embora o tema seja muito abrangente.Herbicidas: comportamento no solo 187 . Módulo 3. torna-se possível sua utilização com eficiência técnica e econômica. este é.

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192 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; PROCÓPIO, S. O.; CECON, P. R.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A. Seleção de plantas tolerantes ao tebuthiuron e com potencial para fitorremediação. Revista CERES, v. 50, n. 291, p. 583-594, 2003b. PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; QUEIROZ, M. E. L. R.; PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A.; CECON, P. R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de tebuthiuron. Planta Daninha, v. 21, n. 3, p. 451-458, 2003a. PIRES, N. M.; OLIVEIRA JR., R. S.; PAES, J. M. V., SILVA, E. Avaliação do impacto ambiental causado pelo uso de herbicidas. Viçosa, MG: Sociedade de Investigações Florestais, 1995. 22 p. (Boletim Técnico SIF, 11). PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A. A.; SANTOS, E. A. Fitorremediação de solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium por mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). Planta Daninha, v. 23, n.4, p. 719-724, 2005a. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A.A.; SANTOS, E. A.; CARGNELUTTI FILHO, C. Development of bean plants in soil contaminated with the herbicide trifloxysulfuron-sodium after Stizolobium aterrimum and Canavalia ensiformis cultivation. Crop Protection, 2006 (em fase de publicação) PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A. Potencial de espécies vegetais para a remediação do herbicida trifloxysulfuronsodium. Planta Daninha, v. 23, n. 1, p. 9-16, 2005b. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A.; FERREIRA, L .R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de solos contaminados com o herbicida trifloxysulfuron sodium. Planta Daninha, v. 22, n. 2, p. 315322, 2004. PUSINO, A. et al. Influence of organic matter and its clay complexes on metolachlor adsorption on soil. Pesticide Science, v. 36, p. 283-286, 1992. QUEROL, X.; ALASTUEY, A.; MORENO, N.; ALVAREZ-AYUSO, E.; GARCÍA-SÁNCHEZ, A.; CAMA, J.; AYORA, C.; SIMÓN, M. Immobilization of heavy metals in polluted soils by the addition of zeolitic material synthesized from coal fly ash. Chemosphere, v. 62, n. 2, p. 171-180, 2006. RAVELLI, A.; PANTANI, O.; CALAMAI, L.; FUSI, P. Rates of chlorsulfuron degradation in three Brazilian soils. Weed Res., v. 37, p. 51-59, 1997. REDDY, K. N. et al. Chlorimuron adsorption, desorption and degradation in soils from conventional tillage and no-tillage systems. Journal of Environmental Quality, v. 24, p. 760 767, 1995. ROBERTS, T. R. Assessing the environmental fate of agrochemicals. J. Environ. Sci. Health, B, v. 31, n. 3, p. 325-335, 1996. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR, 2005. 648 p. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR: Grafmarke, 2005. 591 p.
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 193

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194 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Leandro Vargas Profº. Evander Alves Ferreira

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
196 Módulo 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas

210 8 .Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida. 215 10. 204 5 .4 – Dinitroanilinas. 203 4 .Manejo da resistência a herbicidas. 218 11 .8 .Herbicidas: resistência de plantas 197 .Inibidores de ALS.Resistência cruzada. 217 10.5 . 225 14.Diagnóstico da resistência a campo.Como confirmar a resistência.1 .Alteração do local de ação.7 – Triazinas.Comentários finais.2 – Bipiridílios.Evolução da resistência.6 . 213 10. 229 16 . 209 7 .3 – Compartimentalização.Como evitar a resistência. 201 1. 200 1. 209 6 . 202 3 .5 . 201 1.4 .Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate.Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas. 198 1 .1 . 214 10. 208 5. 231 Módulo 3. 202 2 . 219 13 .Variabilidade genética. 212 10 .Características da resistência por grupos herbicidas.Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas. 221 14 .Absorção e translocação.3 . 215 10.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.Derivados da glicina.1 . 211 9 .Culturas transgênicas. 208 5. 214 10.2 – Metabolização.Inibidores de ACCase. 225 15 .Mecanismos que conferem resistência.2 . 230 Referências bibliográficas. 200 1.Pressão de seleção.Fatores que favorecem o surgimento da resistência. 218 12 .A resistência de plantas daninhas no Brasil.Resistência múltipla. 216 10.Uréias/amidas. 213 10.1 – Auxinas.

foram descritas em gêneros como Amaranthus e Chenopodium. uma vez que essa tecnologia.5 . em diferentes países (RADOSEVICH. 11.. principalmente por grandes agricultores.Herbicidas: resistência de plantas . 1979).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O controle de plantas daninhas com uso de herbicidas é prática comum na agricultura mundial. 3. Dessa maneira. onde os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF 2005). está prontamente disponível e profissionalmente desen¬volvido. Destes biótipos. ao fato de que o controle químico tem sido eficiente. Na atualidade. foram descobertos biótipos de Senecio vulgaris resistentes a simazine (RYAN.9% às triazinas. nos Estados Unidos. os agricultores depositam confiança excessiva no controle químico das plantas daninhas. os demais métodos de controle têm sido deixados de lado. devido a uma mutação nos cloroplastos (RADOSEVICH et al. O largo uso de herbicidas deve-se. 28. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. 1998a). resistentes a herbicidas pertencentes ao grupo das auxinas (WEED SCIENCE. com resistência a triazinas. Esses biótipos pertencem a 171 espécies e estão distribuídos em 59 países. ALMEIDA.5% às dinitroanilinas e os 198 Módulo 3. atualmente. várias outras espécies. e Daucus carota. Em conseqüência. a população de plantas resistentes pode aumentar até o ponto de comprometer o nível de controle (HRAC. 22. 1970).6% aos inibidores da ACCase. principalmente. há aproximadamente 284 biótipos de plantas daninhas que apresentam resistência a um ou mais mecanismos herbicidas (Quadro 1). o Brasil é um dos maiores mercados do mundo. 1998).7% aos bipiridílios. 7% às uréias e amidas. 8. Muitos outros casos foram relatados em diferentes locais do mundo e. Depois disso. 1977) Em menos de 30 anos. hoje está se tornando prática comum até entre os pequenos. Estudos posteriores demonstraram que esta espécie era resistente a todas as triazinas. após o primeiro caso de resistência. No que se refere aos defensivos agrícolas. e a tendência de uso desses compostos é de aumento.9% resistem aos herbicidas inibidores da ALS. 2005). sendo o quinto no "ranking" de vendas de agrotóxicos. O uso repetido de um herbicida exerce uma pressão de seleção que leva ao aumento do número de indivíduos resistentes na população. 1997). possui custo atrativo. no estado de Washington (EUA). Uma das conseqüências do uso indiscriminado desses métodos tem sido o desenvolvimento de muitos casos de resistência a tais compostos por diversas espécies daninhas. 7. A constatação da resistência de plantas daninhas aos herbicidas começou em 1957 com a identificação de biótipos de Commelina difusa. no Canadá. havia mais de 100 espécies reconhecidamente resistentes em aproximadamente 40 países (HEAP. Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES. Já em 1970.1% às auxinas sintéticas.

13%. benzotiadiazinas e ftalimidas. apesar do longo tempo de introdução no mercado. uréias e Branqueamento – inibição da Amitrole isoxazolidionas biossíntese de carotenóides Glicinas Inibição da EPSP sintase Glyphosate Inibição da divisão celular (inibição de Butachlor Chloracetamidas ácidos graxos de cadeias longas) Outros Diversos Diversos Total de biótipos de plantas daninhas observados no mundo Fonte: Adaptado de Retzinger. e os demais mecanismos somavam 8%. Não foram encontradas citações de plantas daninhas resistentes aos herbicidas perten¬centes aos grupos ariltriazolinonas. a estes grupos de herbicidas. A resistência de plantas daninhas a herbicidas assume grande importância. A ocorrência de resistência múltipla agrava ainda mais o problema. Quadro 1 – Ocorrência de biótipos de plantas daninhas resistentes a diferentes grupos herbicidas Exemplo de herbicida Inibidores da ALS Inibição da acetolactato sintase (ALS) Clorsulfuron Inibidores do Fotossistema Inibição da fotossíntese no Atrazine II fotossistema II Inibição da acetil carboxilase Inibidores da ACCase Diclofop-methyl (ACCase) Bipiridílios Aceptores de eletrons do FSI Paraquat Auxinas sintéticas Ação semelhante ao ácido indolacético 2. já que.4-D Uréias e amidas Inibição da fotossíntese no FS II Chlorotoluron Dinitroanilinas e outros Inibição da formação dos microtúbulos Trifluralin Inibição da síntese de lipídios – não da Thiocarbamatos e outros Trialate ACCase Triazoles. não são claras.3% restantes aos demais grupos de herbicidas. neste caso. 12%.Herbicidas: resistência de plantas 199 . 67% dos casos de resistência documentados eram de biótipos resistentes às triazinas. aos auxínicos. restringindo esta prática a outros métodos menos eficientes. Essas proporções mudaram com a introdução no mercado dos novos grupos herbicidas inibidores de ALS e ACCase. à eficiência e à grande área onde são empregados. citado por HRAC (2004) Grupo de herbicida Mecanismo de ação Total ocorrência 82 65 33 22 23 20 10 8 4 6 2 7 284 Módulo 3. aos bipiridílios. das triazinas e existentes atualmente. Em 1983. Acredita-se que o maior número de biótipos resistentes aos herbicidas dos grupos inibidores de ALS. se deve à alta especificidade. porém acredita-se que esteja relacionado com o seu modo de ação. As razões do não-surgimento de plantas daninhas resistentes. Isso ocorre para diversos biótipos de grande ocorrência em diversas partes do mundo tornando cada vez mais difícil e oneroso o controle desses biótipos.5 . Assim. até o momento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. princi¬palmente quando não existe ou existem poucos herbicidas alternativos para serem usados no controle dos biótipos resistentes. são dois ou mais os mecanismos que precisam ser substituídos. o controle dos biótipos resistentes com uso de herbicidas é seriamente comprometido.

1992)... a maioria delas é deletéria e a evolução só é possível porque algumas delas podem ser benéficas em determinadas situações (SUZUKI et al. e a tradução do RNAm com a montagem da proteína pelo ribossomo. este produto 200 Módulo 3. 1969). 1992).. estando na dependência de qual aminoácido foi alterado. a probabilidade de as suas características cinéticas serem modificadas é grande.. A ocorrência de erros na replicação ou transcrição da fita do DNA. 1992). são responsáveis pela codificação das proteínas. formando o RNA mensageiro (RNAm). A seqüência linear de nucleotídios em um gene determina a seqüência linear de aminoácidos de uma proteína (SUZUKI et al. Na tradução do RNAm. multiplicação do material genético.5 .1 . que é a cópia do DNA pela enzima DNA polimerase. a possibilidade de erro.Mecanismos que conferem resistência 1. longas e específicas seqüências de bases nitrogenadas. Biótipos resistentes podem ocorrer em uma população de plantas daninhas como resultado de mutações que provocam alterações no local de ação do herbicida (BETTS et al. cada trinca de bases nitrogenadas codifica um aminoácido que comporá a futura proteína. 1992). contudo. resultando em uma proteína mutante. entretanto. A atividade da enzima pode ou não ser modificada.. O DNA é uma dupla hélice formada por bases nitrogenadas púricas (adenina e guanina) e pirimidicas (timina e citosina) que formam os genes. deleção ou substituição de uma base nitrogenada podem alterar um ou mais aminoácidos da proteína a ser formada. porém não a posição do gene individualmente” (BREWBAKER. A mutação é um processo biológico que vem ocorrendo desde que há vida no planeta. Os erros de replicação e as lesões espontâneas geram a maior parte das mutações por substituição de base e mudança da matriz de leitura (SUZUKI et al. O DNA é um cordão de genes (SUZUKI et al. serão repassadas aos seus descendentes. 1992). pode originar uma enzima com características funcionais distintas ou não da original. na tradução do RNAm. durante o crescimento do indivíduo é de cerca de 10-4. mutação de ponto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . Mutação foi definida por De Vries como mudanças repentinas e hereditárias.Alteração do local de ação As informações genéticas de um organismo estão contidas em seu material genético (DNA).Herbicidas: resistência de plantas . é preferível restringir. As etapas para produção de uma proteína são a transcrição. Os genes. e cai para 10-9 pela ação das enzimas reparadoras (SUZUKI et al. teoricamente. Se o aminoácido alterado for o ponto ou um dos pontos de acoplamento de uma molécula herbicida. existe. afirmando que são “aquelas mudanças bruscas hereditárias que alteram a atividade.. A probabilidade de ocorrer erros na replicação do DNA. Caso ele componha o centro ativo da enzima. 1992). A grande maioria das alterações que ocorrem no DNA. e a ocorrência de mutações que provoquem inserção. mesmo remota. A alteração de uma base nitrogenada. que não provoquem a morte do indivíduo.

o tipo de mecanismo que está proporcionando a resistência. A resistência de Arabidopsis thaliana às imidazolinonas se deve à alteração de um aminoácido da enzima ALS. 1. 1996). 1969). Alteração do local de ação significa que a molécula herbicida diminui sua capacidade de inibir esse ponto. Esse é o mecanismo de tolerância a herbicidas apresentado pela maioria das culturas. ou. como o vacúolo (ex. Módulo 3. Fontes externas de radiação. (1991). têm-se plantas daninhas resistentes aos inibidores de ALS. a molécula herbicida. 1992). mais rapidamente do que plantas sensíveis. e a planta torna-se resistente àquele herbicida e a outros que se ligam da mesma forma àquela enzima. tornando-se inativa. podem provocar mutações no DNA. um herbicida que anteriormente era eficiente em inibir uma determinada enzima deixa de ter efeito sobre esta.3 .. antes de serem lançados no mercado. Uma pequena alteração no polipeptídio pode resultar em um grande efeito sobre a afinidade com a molécula herbicida (BETTS et al. a planta pode morrer pela ação do(s) outro(s) mecanismo(s).2 . em uma população de biótipos resistentes ocorrem diferentes níveis de resistência ou de susceptibilidade.Compartimentalização A molécula é conjugada com metabólitos da planta.5 . que podem estar relacionados com o tipo de mutação ocorrida. ou seja. como é o caso da resistência de Lolium rigidum a triazinas e inibidores de ACCase. Como exemplo.Herbicidas: resistência de plantas 201 . a não ser que ela apresente outros mecanismos de resistência. conforme relatam Sathasivan et al. são avaliados quanto à sua capacidade mutagênica. já que estes produtos. resistência múltipla. A luz ultravioleta e o oxigênio são mutagênicos (BREWBAKER. se o herbicida possuir mais de um mecanismo de ação. Não há evidências.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pode perder a atividade inibitória sobre esta nova enzima. tornando-a não-tóxica. Logicamente que.: plantas resistentes ao paraquat). ou é removida das partes metabolicamente ativas da célula e armazenada em locais inativos. Contudo.Metabolização A planta resistente possui a capacidade de decompor. tipo de molécula e. como o sol. com as formas alélicas do gene. e é muito improvável. devido a uma ou mais alterações na estrutura deste local. 1. que a mutação possa ocorrer por ação de algum herbicida ou outro defensivo agrícola (KISSMANN. Acredita-se que os herbicidas não sejam capazes de provocar mutações. Desse modo.

PRESTON. A resistência pode ser cruzada ou múltipla. são resistentes a herbicidas de diferentes grupos químicos e com diferentes mecanismos. de uma população de plantas. Uma planta é sensível a um herbicida quando o seu crescimento e desenvolvimento são alterados pela ação do produto.Herbicidas: resistência de plantas . necessariamente.Resistência cruzada A resistência cruzada pode ser conferida a um biótipo por qualquer dos mecanismos que conferem resistência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. Também podem existir variações no nível de resistência cruzada dos biótipos a herbicidas de grupos diferentes. A resistência pode ocorrer naturalmente (seleção) ou ser induzida com uso de técnicas de engenharia genética. 2 . Assim. 1998). em que as plantas são capazes de sobreviver e se reproduzir após o tratamento herbicida. Em uma população de plantas vão existir aquelas que. Esses mecanismos podem. Desse modo. que agem no mesmo local na planta (POWLES.4 . resistência a herbicidas de todos os grupos químicos que possuem o mesmo local de ação. uma planta sensível pode morrer quando submetida a uma determinada dose do herbicida. Já a tolerância é uma característica inata de uma espécie. apresentam 202 Módulo 3.: plantas resistentes aos bipiridílios). não chegando a ser suficiente para controlar a planta (ex.5 . mesmo sofrendo injúrias. proporcionar tolerância ou resistência a herbicidas. Por outro lado. que possuem resistência cruzada a herbicidas inibidores de ALS. assim. naturalmente. controlam os membros da população. A resistência cruzada não confere. tolerante ou resistente a um herbicida. Relaciona-se com a variabilidade genética natural da espécie. devido a apenas um mecanismo de resistência. a resistência é a capacidade adquirida de alguns biótipos. uma planta daninha pode ser sensível. quando as plantas resistentes possuem dois ou mais mecanismos distintos que conferem resistência. assim. cultura de tecidos ou de agentes mutagênicos. a quantidade de herbicida que atinge o local de ação é bastante reduzida. no ponto de ação de um herbicida. A resistência cruzada conferida pelo local de ação ocorre quando uma mudança bioquímica. Biótipos de Lolium rigidum e Kochia scoparia. sob condições normais. isoladamente ou associados. e a resistência múltipla. mesmo que pertencentes a diferentes grupos químicos. A resistência cruzada ocorre quando um biótipo é resistente a dois ou mais herbicidas.Absorção e translocação A absorção e a translocação são alteradas e. também confere resistência a outras moléculas de diferentes grupos químicos. toleram mais ou menos um determinado herbicida. de sobreviver a determinados tratamentos herbicidas que.

3 . PRESTON. de forma semelhante à que ocorre na cultura do trigo.Herbicidas: resistência de plantas 203 . PRESTON. da prolina 173. Acredita-se que as moléculas não-metabolizadas sejam imobilizadas ou armazenadas de forma a evitar sua ação sobre a enzima. imazamethabenz. O metabolismo de herbicidas inibidores de ACCase e ALS é realizado pelo Cyt P450. as dificuldades de controle dos biótipos resistentes aumentam ainda mais quando os mecanismos que conferem a resistência estão relacionados com o local de ação e com outros mecanismos como o metabolismo. A conjugação da molécula herbicida com glicose também foi encontrada. é necessário empregar misturas de herbicidas que não tenham sua atividade afetada pelos mecanismos de Módulo 3. PRESTON.5 . selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona. Conrudo. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase.Resistência múltipla A resistência múltipla é o maior problema atual. que não exibem alterações na enzima. Para controlar estas plantas daninhas. um exemplo são biótipos de Alopecurus myosuroides encontrados na Austrália. Isso se deve a pequenas diferenças de ligação entre a enzima e a molécula herbicida e a diferentes mutações que ocorrem no gene que codifica a enzima ALS (POWLES. 1998). O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. devido à rápida metabolização da molécula por arilhidroxilação catalisada pelo Cyt P450 monoxigenase. devido a outros mecanismos. relacionado a resistência de plantas daninhas a herbicidas. mas apresentam pequenos aumentos no metabolismo do herbicida diclofop. 1998). que é resistente a vários herbicidas inibidores da ALS. Além disso. pendimethalim e simazine. As mutações já analisadas mostram substituição. 1998). aumento da taxa de metabolismo dos herbicidas (POWLES. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. PRESTON. 1998). e futuro. dois ou mais mecanismos conferem resistência à apenas um herbicida ou a um grupo de herbicida. encontrados na Austrália. já foram encontradas outras alterações na ALS tanto no centro ativo A como em outras partes da enzima (POWLES. Nos casos mais simples. em biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores do FSII. no centro ativo A da ALS. Biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. é exemplificada por biótipos de Lolium rigidum. A resistência cruzada. Foi detectado. Já os casos mais complexos são aqueles em que dois ou mais mecanismos conferem resistência à diversos herbicidas de diferentes grupos químicos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diferentes níveis de resistência aos diferentes grupos herbicidas que agem inibindo a ALS. entre eles diclofop. que resistem a 15 herbicidas diferentes.

. ALS e FSII e possuem ACCase e ALS mutadas (POWLES. por causa da pressão de seleção exercida por repetidas aplicações de um mesmo herbicida. e resistentes a chlorsulfuron. encontrado na Austrália. e. Biótipos de Lolium rigidum e Alopecurus myosuroides constituem casos complexos. encontra condições para multiplicação (BETTS et al. devido a alterações na enzima. Contudo. provocando mudanças na flora de algumas regiões. Há poucos casos registrados de plantas com resistência múltipla (POWLES. é de biótipos de Lolium rigidum que metabolizam herbicidas inibidores da ACCase. 1998). em uma população de plantas. fisiológicas e de comportamento entre indivíduos. PRESTON. 1994). Desse modo. o caso mais complicado de resistência múltipla. espécies ou biótipos de uma espécie que melhor se adaptam a uma determinada prática são selecionados e multiplicam-se rapidamente (HOLT.5 . Muitas evidências sugerem que o aparecimento de resistência a um herbicida. Existem biótipos de Lolium rigidum resistentes a herbicidas inibidores de ALS. 4 . MORTIMER. dentro da população. em determinado ambiente (SUZUKI et al. através da seleção natural.Herbicidas: resistência de plantas . LEBARON. é devido à seleção de um biótipo resistente preexistente que. pode ser resumida em três princípios: o da variação: existem variações morfológicas. 1992). 1992) (Quadro 2). o da hereditariedade: a prole parece mais com seus pais do que com indivíduos não-aparentados. O surgimento de plantas daninhas resistentes a herbicidas é um exemplo de evolução de plantas como conseqüência de mudanças no ambiente provocadas pelo homem (MAXWELL.Evolução da resistência A teoria da evolução de Darwin. 1992). myosuroides metabolizam chlorotoluron e alguns herbicidas inibidores de ACCase e apresentam ACCase mutada.. as freqüências dos vários tipos. a população da próxima geração terá uma freqüência elevada dos tipos que tiveram maior sucesso em sobreviver e se multiplicar nas condições ambientais vigentes. irão mudar com o tempo e os indivíduos mais bem adaptados ao ambiente tornam-se predominantes (SUZUKI et al. Darwin postulava que a espécie como um todo vai mudando porque os seus indivíduos evoluem na mesma direção. 1990). Em geral. e o da seleção: algumas formas apresentam maior sucesso na sobrevivência e reprodução do que outras. assim. PRESTON. 204 Módulo 3. O uso repetido de herbicidas para controle de plantas tem exercido alta pressão de seleção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas resistência em questão. Os biótipos de A. dentro de qualquer população. 1998).. devido ao metabolismo.

conforme a Figura 1. que funciona como um reservatório de sementes suscetíveis e.9999 99. em média. vai selecionando os indivíduos resistentes e aumentando a sua freqüência na população. A intensidade dessa pressão de seleção sobre uma população de plantas daninhas. Assim. apresentaram maiores área foliar.99 99.000 10. Módulo 3. 1995).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 2 .000 100.Herbicidas: resistência de plantas 205 ..9 99.000. sensíveis às triazinas. o crescimento e a produtividade de plantas resistentes a triazinas podem estar relacionados com a sua capacidade fotossintética limitada (STOWE.000 100 10 5 2 % de Controle 99. 1979) e Chenopodium album (PARKS et al. A menor capacidade competitiva. não foram detectadas diferenças na capacidade competitiva de Abutilon therphrasti resistente a triazina (GRAY et al. RADOSEVICH.000 1. 1996).0 80. HOLT. pois no campo existe o banco de sementes..0 90. maior produção que biótipos menos adaptados (SAARI et al.0 Evolução Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Pouco perceptível Perceptível Evidente Fonte: Kissmann (1996) A utilização de herbicidas que são altamente efetivos no controle de uma planta daninha específica por um longo período de tempo induz uma grande pressão de seleção quando comparados com outras práticas de controle.5 . assim. Os biótipos resistentes podem apresentar menor adaptação ecológica nesses ambientes e tornam-se predominantes devido à eliminação das plantas sensíveis.999 99. 1994). altura e produção de sementes. 1988). assim como as diferentes características biológicas..Tempo para evolução da uma população de biótipos de plantas daninhas resistentes Ano 0 1 2 3 4 5 6 7 No de Plantas Resistentes 1 1 1 1 1 1 1 1 No de Plantas Sensíveis 1. determinam a probabilidade do desenvolvimento de resistência das plantas daninhas a herbicidas. É evidente que a intensidade de seleção na prática não é tão intensa como mostrada na figura. Em condições de seleção natural.0 50. que apresenta 90% de eficácia de controle do biótipo suscetível. (CONARD. biótipos com maior adaptação ecológica apresentam. Por outro lado. aumenta esse tempo de aparecimento. a aplicação do mesmo herbicida. Biótipos de Amaranthus retroflexus L.

Aplicações repetidas de herbicidas. foram selecionados biótipos de Lolium rigidum resistentes ao diclofop-methyl em três gerações. As plantas que expressam o gene de resistência são selecionadas. freqüência gênica. 206 Módulo 3.5 . MORTIMER. tornando-se predominantes rapidamente na área.Aumento da freqüência do biótipo resistente devido a aplicações repetidas e anuais do mesmo herbicida A maior questão ecológica associada com a evolução da resistência aos herbicidas envolve o entendimento das relações entre adaptação. 1996). Na Austrália. PAWLES. inibidor da EPSPs (Quadro 3). capazes de serem transmitidas hereditariamente.. 1993). podendo ser bastante curtos. partindo de uma população sensível e usando-se dose normal do herbicida. Foram identificados biótipos de plantas daninhas resistentes a sulfoniluréias após quatro a cinco anos de uso contínuo de herbicidas deste grupo (MALLORY-SMITH et al. como no caso do glyphosate. ou levar muitos anos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 . O tempo e a proporção de plantas resistentes em um local variam com a freqüência de uso do herbicida e dos seus efeitos biológicos. A resistência está ligada a fatores genéticos e é hereditária (KISSMANN. herança e fluxo gênico (MAXWELL. provocando uma seleção direcional e progressiva de indivíduos que possuem genes de resistência. e a seleção natural favorecem o surgimento e a evolução da resistência. 1990). com o mesmo mecanismo de ação. 1994).Herbicidas: resistência de plantas . como três anos após a introdução comercial (TARDIF. em uma população de plantas exerce alta pressão de seleção. A ocorrência de variações genéticas.

São eles: o número de alelos envolvidos na expressão da resistência. Desse modo. O número de alelos que conferem a resistência é importante. que agem em pontos únicos nas rotas metabólicas das plantas. Há seis fatores relacionados à população de plantas que interagem e determinam a probabilidade e o tempo de evolução da resistência. conseqüentemente. somente a planta-mãe poderá transmitir a resistência para os filhos. Por sua vez. e quanto maior for a freqüência destes alelos.5 . possuem grandes possibilidades de selecionar biótipos resistentes. a freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população inicialmente sensível. Contudo. alta eficiência e baixa toxicidade para o homem e o ambiente. Um gene é formado por um par de alelos. como é o caso de plantas resistentes aos inibidores de ALS. uma vez que uma alteração no seu ponto de ação (enzima) pode provocar a perda de sua atividade sobre as plantas e. 1998). assim. o modo de herança do(s) alelo(s) da resistência (citoplasmática ou nuclear). o surgimento de plantas resistentes. O tipo de herança do(s) alelo(s) da resistência é ponto crucial no estabelecimento da resistência em uma população de plantas. O objetivo foi atingido e surgiram os herbicidas modernos (inibidores de ALS e ACCase).Herbicidas: resistência de plantas 207 . A freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população sensível geralmente está entre 1 em 1016 e 1 em 106 (MORTIMER. maior será a probabilidade de seleção de um biótipo resistente. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. mais genes podem estar envolvidos (poligênica) e mais lenta será a evolução da resistência. ou seja. e a taxa de cruzamentos entre biótipos resistentes e sensíveis (MORTIMER. pois. se a herança for nuclear.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 3 – Tempo de evolução da resistência para diferentes mecanismos de ação Herbicida 2. a pressão de seleção. significa que somente um gene é responsável pela resistência (monogênica) e a evolução será rápida. herbicidas com essas características exercem alta pressão de seleção e. como é o caso de plantas resistentes a triazinas. a transmissão será via cromossômica e. quando dois alelos estão envolvidos. características como herança do tipo Módulo 3. quanto maior. altamente eficientes e específicos.4-D Triazinas Propanil Paraquat Inibidores da EPSPs Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Fonte: Weed Science (1998) Introdução 1948 1959 1962 1966 1974 1977 1982 Resistência 1957 1970 1991 1980 1996 1982 1984 Local EUA e Canadá EUA EUA Japão Austrália Austrália Austrália A indústria sempre buscou moléculas herbicidas com alto grau de segurança. 1998). dessa forma. tanto o pai como a mãe podem transmitir a resistência. Há dois tipos de herança: a citoplasmática (materna) e a nuclear. Por outro lado. Herança citoplasmática é aquela em que os caracteres hereditários são transmitidos via citoplasma. assim. as características reprodutivas da espécie.

. 1994). controlando as plantas sensíveis em diversos fluxos germinativos. O uso repetido de um mesmo herbicida ou de herbicidas com mesmo 208 Módulo 3. imposta sobre uma população sensível proporciona espaço para o crescimento e desenvolvimento dos biótipos resistentes. permite a dispersão da resistência principalmente em plantas com alta taxa de fecundação cruzada. restando apenas os mais tolerantes e resistentes. exceto os resistentes. Já os herbicidas com residual longo agem durante tempo maior. 1994). provocando variações sazonais que podem ser observadas nas espécies. O intercâmbio de pólen. A alta pressão de seleção.Fatores que favorecem o surgimento da resistência 5. entre plantas resistentes e sensíveis. 1998). que será proporcional à dose e. As características reprodutivas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas nuclear disseminam-se.Herbicidas: resistência de plantas . ou. que é medida pela eficiência de controle das plantas daninhasalvo e pela relativa redução da produção de sementes das plantas remanescentes. e intercruzamento entre os biótipos sobreviventes. A intensidade e a duração da seleção interagem. como dispersão de pólen e número de propágulos produ¬zidos. A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes e sensíveis determina a dispersão dos alelos de resistência na população. Resumidamente. o processo da evolução da resistência a herbicidas passa por três estádios: eliminação dos biótipos altamente sensíveis. já a contribuição do movimento de sementes é relativamente pequena (SAARI et al.1 . O uso de herbicidas altamente eficientes e com residual longo exerce alta pressão de seleção. ao tempo. 5 . eliminação de todos os biótipos. 1995). gerando novos indivíduos com maior grau de resistência. via pólen. favorecendo o desenvolvimento da população resistente. 1998). A alta eficiência dos herbicidas provoca a eliminação rápida dos biótipos sensíveis. de acordo com sua fenologia e seu crescimento (MORTIMER. A intensidade de seleção é a resposta da população de plantas às repetidas aplicações de herbicidas. A duração da seleção é medida pelo tempo no qual o herbicida permanece com residual.. favorecimento de um indivíduo em relação a outros. O fluxo gênico apresenta correlação com o fluxo de distribuição de pólen e varia com a espécie. influenciam diretamente a dispersão das plantas resistentes. o mecanismo de polinização e as condições climáticas durante a floração (STALLINGS et al. A dispersão da resistência via pólen é influenciada pela eficiência de dispersão e longevidade do pólen (MULUGETA et al. e seleção destes dentro de uma população com alta tolerância.Pressão de seleção Os fatores intensidade de seleção e sua duração contribuem para a pressão de seleção exercida pelos herbicidas..5 . com maior rapidez no ambiente do que as do tipo citoplasmática (materna). que serão selecionados futuramente devido segregação e recombinação de genes (MORTIMER.

Características das plantas daninhas como alta diversidade genética. há dois caminhos para o aparecimento de plantas resistentes: a ocorrência de um gene ou de genes que conferem a resistência em freqüência muito baixa na população ou através de uma mutação (MORTIMER. Toda população natural de plantas daninhas contém biótipos resistentes a herbicidas. adjuvantes.Herbicidas: resistência de plantas 209 .5 . tipo de bicos e condições ambientais foram adequados? b) As falhas de controle foram para uma espécie apenas? c) As plantas não são resultado de reinfestação? Módulo 3. época ou estádio de aplicação. produz alta pressão de seleção e aumenta a possibilidade de seleção de biótipos resistentes. quando se suspeitar da ocorrência de resistência. 5.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mecanismo de ação. dosagem. inicialmente. 1998). que se apresentam indiferentes à aplicação de algum herbicida (HRAC. contribuem grandemente para o surgimento de plantas resistentes. volume de calda. A possibilidade de ocorrer resistência em uma população. 6 . é resultado da relação entre a freqüência da mutação e o tamanho da população. grande produção de polén e propágulos.2 . altamente específicos e com longo residual. calibração. O(s) gene(s) que conferem a resistência a um determinado herbicida pode(m) estar presente(s) em uma população antes mesmo que este herbicida seja lançado no mercado. aliadas ao monocultivo e ao uso repetido do controle químico. devido à mutação. 1998a). deve-se responder às seguintes perguntas: a) Produto. O controle insatisfatório de plantas daninhas não significa necessariamente que seja resistência. A seleção altera as proporções entre as plantas sensíveis e resistentes. associada à adequada intensidade e duração de seleção. baixa dormência das sementes. 1969). torna inevitável o surgimento de plantas resistentes.Diagnóstico da resistência a campo A resistência é um fenômeno que evolui em uma lavoura durante vários anos.Variabilidade genética A variabilidade genética das plantas daninhas. Geneticamente. Segundo HRAC (1998a). O gene ou os cromossomos mutantes são a fonte essencial de toda a variação genética (BREWBAKER.

Os resultados podem indicar se a resistência é devido à alteração no local de ação ou à metabolização da molécula. 1994). As doses a serem aplicadas são: metade da recomendada. existe a possibilidade de ser resistência. para identificar o mecanismo exato da resistência.000 sementes. Análises bioquímicas. da biomassa (GR50) ou da atividade da enzima (I50). indica que o possível mecanismo de resistência está relacionado com o local de ação. a) Ultimamente tem-se reptido aplicação de um mesmo herbicida ou herbicidas com mesmo mecanismo de ação? b) O herbicida em questão vem perdendo eficiência? c) Há casos de plantas resistentes a este herbicida? d) O herbicida não perdeu eficiência sobre outras espécies? Se a resposta a uma ou mais destas perguntas for afirmativa. devem-se colher sementes de plantas em locais que nunca receberam aplicação daquele herbicida. semear em vasos e tratar com doses crescentes do herbicida em questão. 7 . 210 Módulo 3. avaliar o controle e a produção de matéria fresca. As diferenças entre biótipos resistentes e sensíveis de uma espécie podem ser quantitativamente expressas comparando-se as doses de herbicidas necessárias para reduzir 50% da população (DL50). Para se ter certeza de que as plantas colhidas representam a população. deve-se colher em torno de 40 plantas ou 1. dose recomendada.5 . duas e quatro vezes a dose recomendada. Se a diferença de controle entre os biótipos resistentes e sensíveis for grande. deve-se iniciar a investigação dos fatores que levam à resistência.Como confirmar a resistência O método mais comum e recomendado pelo HRAC (1998b) é colher sementes das plantas suspeitas de resistência e de plantas sensíveis. No Brasil. podem ser realizadas em nível de laboratório. indica que o provável mecanismo envolvido é metabolismo da molécula. MORTIMER. As condições de aplicação devem seguir aquelas recomendadas pela empresa fabricante. Por outro lado.Herbicidas: resistência de plantas . Ponchio (1997) isolou a enzima ALS e avaliou a sua resposta a diferentes doses de herbicidas que agem sobre ela. das plantas tratadas com herbicida em comparação com as não-tratadas (MAXWELL. devendo-se realizar testes para confirmação. Após duas e quatro semanas. Existem metodologias para estudo da maioria dos casos de resistência. se a diferença de controle for pequena. Para servir como padrão sensível.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Se as respostas a estas perguntas forem afirmativas.

São elas: reduzir a pressão de seleção e controlar os indivíduos resistentes antes que eles possam se multiplicar. Isso pode ser conseguido com adoção das seguintes práticas: a) Usar herbicidas com diferente mecanismo de ação. l) Rotacionar o método de preparo do solo. k) Controlar plantas em áreas adjacentes (terraços. pós-colheita). d) Realizar rotação de mecanismo de ação.Como evitar a resistência Antes que as falhas de controle apareçam na lavoura. A adoção dessas práticas visa reduzir a pressão de seleção. i) Acompanhar mudanças na flora. j) Usar sementes certificadas. 8 . Para minimizar os riscos de resistência. As práticas culturais visam aumentar o número de possibilidades de controle das plantas daninhas. O acompanhamento e a avaliação da eficiência das medidas adotadas para combate à resistência são indispensáveis para garantir o sucesso da prática. Módulo 3. já que a probabilidade de uma planta daninha tornar-se resistente aos dois mecanismos. a fim de minimizar o risco do surgimento de plantas resistentes (Quadro 4). juntamente com esta.Herbicidas: resistência de plantas 211 . devem-se realizar os testes e determinar medidas de manejo. A mistura de produtos com diferentes mecanismos de ação proporciona controle eficiente por maior número de anos do que ambos aplicados de forma isolada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A empresa fabricante deve ser informada e. deve-se. f) Usar herbicidas com menor pressão de seleção (residual e eficiência). b) Colocar em prática o programa de manejo da resistência.5 . c) Evitar a disseminação. para reduzir o acréscimo de sementes ao banco. c) Usar mistura de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e de detoxificação. é pequena. Em caso de confirmação da resistência. simultaneamente. b) Realizar aplicações seqüenciais. g) Rotacionar o plantio de culturas. e) Limitar aplicações de um mesmo herbicida. através de diferentes métodos de controle e mecanismos herbicidas. h) Rotacionar os métodos de controle de plantas daninhas. algumas práticas podem ser implantadas. os herbicidas que compõem a mistura devem controlar o mesmo espectro de plantas daninhas e ter persistência similar e diferente mecanismo de ação e de detoxificação. em primeiro lugar: a) Erradicar imediatamente as plantas remanescentes.

assim. rotação de culturas e métodos de controle e usando-se herbicidas com diferentes mecanismos de ação. 1998). no caso de a resistência ser monogênica. selecionar biótipos altamente resistentes. são menos competitivos do que biótipos sensíveis. pode ser conseguida com redução na dose do herbicida que selecionou as plantas resistentes. A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes é reduzida. as plantas que não são controladas com uso de herbicidas alternativos podem contribuir para a disseminação e o aumento da freqüência gênica dos alelos sensíveis. 1998). 1998).5 . A baixa pressão de seleção poderá.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 4 – Risco de evolução da resistência. O uso de altas doses pode intensificar a seleção. favorecendo os alelos sensíveis (MORTIMER. a redução na pressão de seleção aumenta a probabilidade de associação desses genes em um biótipo. Desse modo. mas reduzirá o número de genes na população capazes de associarem-se (MORTIMER. 1998). mecânico e químico Completa Baixa Bom Risco de resistência Médio Dois mecanismos Dois mecanismos Cultural e químico Limitada Média Declinando Alto Um mecanismo Um mecanismo Químico Nenhuma Alta Ruim 9 . A seleção reversa ocorre na ausência da seleção herbicida. uso de misturas de herbicidas. O comportamento de uma população de plantas pode ser altamente modificado. Por outro lado. Essa tática somente será eficiente na redução da população dos biótipos resistentes em casos em que as diferenças de adaptabilidade entre os biótipos resistentes e sensíveis forem grandes (MORTIMER. e com o passar do tempo a população de plantas resistentes será reduzida (MORTIMER. neste caso. 212 Módulo 3. ou. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. de acordo com as práticas de cultivo Opção de manejo Mecanismo herbicida usado Mistura de herbicidas Método de controle Rotação de cultura Infestação Controle nos últimos três anos Fonte: Adaptado de HRAC (1998d) Baixo Mais que dois Mais que dois mecanismos Cultural.Herbicidas: resistência de plantas . seleção reversa. As várias opções que vêm sendo sugeridas estão baseadas em somente dois processos biológicos: alteração da pressão de seleção e. se a resistência for uma característica poligênica. Biótipos de Senecio vulgaris. e os biótipos mais adaptados tendem a dominar o ambiente.Manejo da resistência a herbicidas As estratégias de manejo vêm sendo discutidas continuamente por cientistas da área. essas medidas podem agravar o problema. A redução na pressão de seleção. resistentes às triazinas.

na Espanha. Em 1957. financiando pesquisas e com iniciativas educativas que visam esclarecer aspectos sobre a resistência e o modo de ação de cada herbicida.1 .Auxinas As auxinas sintéticas 2. O conhecimento do modo de ação dos herbicidas é fundamental na adoção de técnicas de manejo.4-D e MCPA em trigo selecionou Sinapis arvensis. manejo e monitoramento dos casos de resistência. quando biótipos resistentes de Convolvulus arvensis foram identificados nos Estados Unidos (WEED SCIENCE. Este grupo chama-se HRAC (Herbicide Resistance Action Committee) e é formado por três subgrupos que estudam triazinas.Características da resistência por grupos herbicidas 10. e de Daucus carota.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considerando que a resistência é um problema que pode afetar intensamente o mercado de herbicidas. Módulo 3. 10 . Papaver rhoeas. 1996). estão empenhadas em desenvolver técnicas e estratégias para identificação. que incluem mistura de herbicidas. O terceiro caso foi em 1964. considerado uma auxina e usado para controle de gramíneas em arroz. na França. no Canadá. responsáveis pelo HRAC. poucas plantas daninhas evoluíram resistência até hoje. foram identificados biótipos de Commelina diffusa. nos Estados Unidos. fortemente defendidas pelas empresas. inibidores de ALS e inibidores de ACCase.4-D. e Matricaria perforata. por serem os três grupos de produtos com maiores problemas (KISSMANN. selecionou biótipos resistentes de Echinocloa crus-galli na Espanha. que visam prolongar a vida útil das moléculas envolvidas na resistência. as indústrias tomaram a iniciativa. 1998) O uso extensivo de 2.5 . devido ao largo uso destes herbicidas para controlar grande número de espécies e ao restrito número de herbicidas com potencial para substituí-los (HEAP. através do GCPF (Federação Global de Proteção de Plantas). Os biótipos resistentes assumem importância.4-D e MCPA revolucionaram o controle de espécies daninhas de folha larga em cereais na década de 1940 e têm sido usadas largamente desde então. no Canadá. de constituir um grupo permanente de cientistas para estudar o assunto e propor soluções. Considerando o tempo e o uso extensivo destes herbicidas. Os três primeiros casos de resistência identificados foram a esta classe herbicida. resistentes ao 2.Herbicidas: resistência de plantas 213 . O herbicida quinclorac. 1997). As empresas fabricantes de herbicidas. rotação de mecanismos de ação e adoção de práticas culturais específicas.

1997). 1997). 10. Trabalhos realizados por Pratley et al. 20 são dicotiledôneas e sete são monocotiledôneas (HEAP. e os herbicidas auxínicos e inibidores de ACCase. no Japão. Depois disso. Após duas décadas de uso. que apresentam baixo residual. cada um. nãotranslocáveis (de contato) e com baixa persistência biológica no solo.2 . 17 espécies resistentes. Erigeron sumatrensis e Youngia japonica resistentes a estes herbicidas. 1997). foram identificadas. como o glyphosate. Dentre estas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. Aplicações de paraquat e diquat selecionaram 25 e duas espécies resistentes.Herbicidas: resistência de plantas . em lavouras que usaram o produto para controlar plantas daninhas em pré-plantio. selecionaram 26 espécies resistentes. em 1980. Contudo. pelo menos. Os mecanismos que conferem resistência aos bipiridílios são redução na translocação e compartimentalização da molécula (PRESTON.3 . na Austrália. que apresentam.5 . os herbicidas bipiridílios. os biótipos resistentes a este grupo herbicida não são considerados de grande importância (HEAP. Lorraine-Colwill et al. no Egito. resistentes ao glyphosate.Bipiridílios Os herbicidas bipiridílios são herbicidas não-seletivos aplicados em pós-emergência. mais de um mecanismo de ação. plantas de Conyza bonariensis resistentes ao paraquat (PRESTON. dez vezes nos últimos 15 anos.Derivados da glicina O herbicida glyphosate é o produto mais usado deste grupo. Em 1996 foram identificados. selecionaram. Segundo esses autores. Devido à pequena área infestada e ao número de herbicidas alternativos. em uma vasta área. não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs. 214 Módulo 3. Atualmente existem comprovados no mundo seis casos de resistência ao glyphosate. 1994). biótipos de Lolium rigidum. (1997) demonstraram que os biótipos resistentes de Lolium rigidum foram dez vezes mais tolerantes ao glyphosate do que os biótipos sensíveis. Os biótipos também apresentaram-se resistentes ao diclofop e sensíveis aos demais herbicidas graminicidas usados para seu controle. O argumento mais convincente. respectivamente. biótipos de Erigeron philadelphicus. de que o glyphosate apresenta baixo risco para selecionar biótipos resistentes. é o longo tempo em que este vem sendo usado. (2002) trabalhando com Lolium rigidum. é considerado um produto com baixa probabilidade de selecionar espécies resistentes. Por apresentar mais de um mecanismo de ação. 1994). entre plantas resistentes e suscetíveis as enzimas são igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas as populações. limitado metabolismo pelas plantas e baixo poder residual. com surgimento de apenas uma espécie resistente (HEAP. foram identificados.

A identificação de biótipos resistentes ao glyphosate indica que a resistência a este produto deve ser prevenida. Módulo 3. translocação. Biótipos de Lolium rigidum apresentam resistência cruzada às dinitroanilinas. para controle de gramíneas. somente cinco monocotiledôneas e uma dicotiledônea apresentam resistência a este grupo herbicida (HEAP. Essas moléculas agem sobre a enzima ACCase e controlam com eficiência gramíneas em culturas mono e dicotiledôneas.Herbicidas: resistência de plantas 215 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Esses trabalhos também demonstraram que não existem diferenças de absorção. O uso de misturas herbicidas e emprego de mais de um método de controle. considera-se que aquelas que resistem aos herbicidas inibidores de ACCase tenham a maior importância econômica. são usados em pré-emergência para controlar plantas daninhas gramíneas em culturas oleaginosas. devido ao metabolismo dessas moléculas (MOSS.5 .Dinitroanilinas Os herbicidas do grupo dinitroanilinas. 10. em 16 países. 1998). mais de 3. na Austrália. Desse modo. assim. HOWAT.000 locais com Lolium rigidum resistente e. 1990). a maior quantidade de EPSPs sintetizada poderia ser a causa da resistência. metabolismo e sensibilidade da EPSPS ao glyphosate. entre os biótipos resistentes e sensíveis. acredita-se que estes mecanismos não são as causas principais da resistência dos biótipos a este herbicida. Há 17 espécies monocotiledôneas resistentes aos inibidores da ACCase. recentemente desenvolvidos. 1998). 1997). Entre as plantas resistentes. Estima-se que haja. POWLES. Lolium rigidum e Avena fatua são as espécies com maior importância. em resposta ao tratamento com glyphosate. mais de 500 locais com Avena fatua (HEAP.4 . resistentes ao glyphosate. 1997). 1998). como trifluralin. A única diferença entre os biótipos foi o maior nível de RNAm encontrado nos biótipos resistentes. Apesar do tempo de uso e do seu longo período residual. além do químico. devem ser adotados. Os herbicidas inibidores de ACCase são o primeiro grupo herbicida alternativo para controlar biótipos resistentes aos herbicidas do grupo dinitroanilina. 10. oryzalin e pendimethalin. biótipos de Eleusine indica.Inibidores de ACCase Este grupo herbicida foi introduzido na década de 1970. Sorghum halepense e Amaranthus palmeri evoluíram resistência à trifluralin após 15 a 20 anos de uso em cereais e leguminosas. e isso fez com que fossem selecionados biótipos de Setaria viridis com resistência múltipla a estes mecanismos (HEAP. devem ser usados com rotação de culturas e de herbicidas. os cultivares de soja resistentes ao glyphosate. Nos Estados Unidos. Biótipos de Festuca rubra. 1990. no Canadá. Dessa forma. em razão da área infestada e do número restrito de mecanismos alternativos para controle dos biótipos resistentes (HEAP.5 . foram selecionados artificialmente (MORTIMER.

em 14 países.Inibidores de ALS A introdução no mercado dos herbicidas inibidores de ALS ocorreu em 1982. desde gramíneas até dicotiledôneas e plantas daninhas perenes como a tiririca e a grama-seda. 2) alta eficácia da maioria dos herbicidas inibidores da ALS . A manutenção do potencial é vital para a sobrevivência da célula. 1994). Atualmente. com o lançamento da molécula chlorsulfuron para uso em cereais (SAARI et al. Aproxi¬madamente cinco anos após o início do uso dos herbicidas inibidores de ALS. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. plantas resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase devem possuir mais de um mecanismo que proporcione a resistência. que vai desde a cultura da soja até área de produção de arroz irrigado e florestas implantadas. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo.5 . Amaranthus strumarium e Sorghum bicolor (HEAP.. O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. Essas características contribuíram para o surgimento rápido da resistência. selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona. surgiu a primeira espécie resistente (SAARI et al.. Os herbicidas classificados como inibidores de ALS tornaram-se uma ferramenta de grande importância para agricultura. Entre as espécies descritas estão Kochia scoparia. 4) a resistência aos herbicidas inibidores da ALS é determinada geneticamente por lócus simples e semidominante e alta freqüência inicial em todos os casos de resistência estudados até o momento. 1994). Nos últimos dez anos. como: 1) a amplitude de recomendações possíveis.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Biótipos de Lolium rigidum. AHRENS. Estes herbicidas são largamente usados devido a sua baixa toxicidade para animais. há 50 espécies de plantas daninhas resistentes a estes produtos.Herbicidas: resistência de plantas . Em biótipos de Lolium rigidum. 1997). 41 são dicotiledôneas e nove são monocotiledôneas. bem como a seu grande espectro de controle de plantas daninhas. este grupo herbicida vem apresentando o maior número de registros de plantas resistentes. o que se deve a vários fatores. 1998). 3) muitos herbicidas inibidores da ALS apresentam residual prolongado no solo e conseqüentemente aumentam a pressão de seleção para biótipos resistentes. 1994). 1997).6 . 1994). 10. PRESTON. Dentre estas. alta seletividade para as culturas e alta eficiência com emprego de doses baixas (HESS. 1994. um relacionado com a ACCase e outro com a membrana plasmática. Os herbicidas inibidores da ALS apresentam alta freqüência de casos de resistência de plantas daninhas.esses herbicidas podem atingir níveis de controle próximos a 100%. a resistência aos inibidores da ALS tem sido atribuída a mudanças na seqüência de aminoácidos. em razão da sua eficiência e do reduzido impacto ambiental (SAARI et al. 5) trabalhos têm mostrado que os biótipos resistentes apresentam a mesma adaptabilidade ecológica que os biótipos sucetíveis dos inibidores 216 Módulo 3. Assim. A despolarização das membranas é um segundo mecanismo de ação atribuído aos herbicidas deste grupo.. a repolarização das membranas ocorre independentemente da presença da ACCase mutada e existem muitas diferenças entre as membranas dos biótipos resistente e sensível (HEAP.

como as triazinas e uréias substituídas. serina ou treonina. Esta mutação afeta o fluxo de elétrons no FSII. no centro ativo A da ALS. glutamina. assim. porém a atividade da ALS.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas da ALS. O gene que codifica a enzima ALS nas espécies resistentes pode apresentar diferentes mutações. O metabolismo das moléculas herbicidas é outro mecanismo usado por plantas daninhas para resistir a estes herbicidas. entre elas a substituição. Estima-se que a área infestada no mundo com plantas daninhas resistentes aos herbicidas triazinas seja superior a três milhões de hectares. FALCO. Os diferentes níveis de resistência são atribuídos às diferenças na estrutura do centro de reação da D1 entre às espécies. em 16 países. SAARI et al. já que. foi identificada somente uma mutação na proteína D1: a substituição da serina 264 por uma glicina. que conferem alterações funcionais na enzima ALS (POWLES. Alterações na proteína D1 são as principais causas da ocorrência de plantas resistentes aos herbicidas que agem no fotossistema II. biótipos resistentes apresentam menor crescimento do que biótipos normais Módulo 3.. mas não a todos os herbicidas do grupo das uréias. SAARI. usando-se herbicidas alternativos (HEAP. Entre as plantas resistentes relatadas existem nove espécies de Amaranthus. 1994). cinco de Polygonum e quatro de Chenopodium. da prolina 173 por uma alanina. até o momento. assim.7 . outros aminoácidos da ALS podem ser substituídos e produzir plantas resistentes com características distintas. Já um segundo biótipo apresentou resistência devido à insensibilidade da enzima ALS ao inibidor. (1992) identificaram biótipos de Lolium rigidum resistentes ao herbicida chlorsulfuron. As espécies mais freqüentes são Chenopodium album.. 10. Além da prolina.Triazinas A maioria das plantas daninhas resistentes às triazinas foram localizadas em lavouras de milho na Europa e América do Norte. dessa forma. a resistência deste biótipo se deve à rápida metabolização do herbicida. em nove países. respondeu igualmente a um biótipo sensível ao herbicida. 2004). A rápida inativação metabólica é a base para a resistência do biótipo SR4/84 de Lolium rigidum ao chlorsulfuron (COTTERMAN. não foram encontrados biótipos resistentes que apresentem alteração na taxa de crescimento ou na capacidade competitiva.Herbicidas: resistência de plantas 217 . e 6) a maioria dos casos de resistência aos inibidores da ALS estudados apresenta resistência cruzada aos diversos grupos químicos de herbicidas que tem este mecanismo de ação (VARGAS et al. Essas mutações não alteram a função biológica da ALS. A resistência a imidazolinonas e sulfoniluréias é conferida por um gene dominante nuclear (MAZUR. não está descartada a hipótese de que o metabolismo da molécula também esteja envolvido. em dez países. As plantas daninhas resistentes têm sido controladas com eficiência. 1998).5 . em um dos biótipos resistentes. contudo. histidina. e Solanum nigrum. PRESTON. A causa da resistência aos herbicidas inibidores de ALS está em mutações que ocorrem no DNA e no metabolismo da molécula herbicida. 1992). 1997). A mutação na D1 provoca alto nível de resistência aos herbicidas do grupo triazinas. 1989. Christopher et al. até o momento. Amaranthus retroflexus e Senecio vulgaris.

em 1983. além da facilidade que as espécies possuem de evoluir resistência para o herbicida e do número de mecanismos envolvidos. 10.5 . 11 . Atualmente. 1998). 1998). dessa forma. Isso demonstra que as triazinas apresentam maior risco de seleção de biótipos resistentes que as auxinas sintéticas (HEAP. mais de 40 espécies apresentam resistência a este grupo e duas ao propanil.Mecanismos de resistência de plantas daninhas a herbicidas pertencentes a diferentes grupos químicos Herbicida Triazinas Dinitroanilina Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Propanil 2. Até o momento existem 64 espécies resistentes às triazinas e 17 resistentes aos auxínicos.Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida Os herbicidas selecionam biótipos resistentes com diferentes mecanismos de resistência (Quadro 5) e em diferentes períodos de tempo (Quadro 3). A ocorrência destes biótipos resistentes inviabiliza o uso deste herbicida em lavouras da Colômbia. apresentam sérios problemas de controle. que pertence ao grupo das amidas. Os herbicidas triazinas e auxina sintéticas vêm sendo usados em milhões de hectares há mais de 30 anos. crusgalli em lavouras de arroz. 1997). Quadro 5 . a resistência não é transmitida hereditariamente via pólen. O herbicida propanil é usado para controlar Echinocloa colona e E. Biótipos de Alopecurus myosuroides.Herbicidas: resistência de plantas .4. 1997). e na Alemanha. As diferenças se devem à variabilidade genética das espécies envolvidas. em muitos países. com uso de herbicidas alternativos (HEAP. mas sim via herança materna. As diferenças relacionadas ao mecanismo de ação destes herbicidas podem ser a resposta para essa questão. ao tamanho da área e ao tempo em que este produto é usado na área. A mutação responsável pela resistência às triazinas ocorreu no genoma do cloroplasto. com e sem rotação. da Costa Rica e dos Estados Unidos (HEAP. Os biótipos de plantas daninhas resistentes às triazinas são controlados com eficiência. por possuírem capacidade de metabolizar herbicidas com diferentes mecanismos de ação. resistentes a chlorotoluron. em 1982.8 .Uréias/amidas A primeira espécie a apresentar resistência às uréias foi Alopecurus myosuroides no Reino Unido. PRESTON.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (POWLES.D 218 Mecanismo Local de ação alterado/metabolismo Local de ação alterado Local de ação alterado Local de ação alterado Metabolismo Desconhecido Módulo 3.

lactofen. Conyza canadensis.Herbicidas: resistência de plantas 219 . 2006). VARGAS et al.5 . 1997). Até hoje foram constatados casos de resistência em 6 espécies de plantas daninhas.A resistência de plantas daninhas no Brasil Atualmente são reconhecidos 15 casos de plantas daninhas resistentes no Brasil. constitui-se na mais provável causa da resistência (PONCHIO. um número limitado de populações de plantas daninhas sofreu pressão de seleção suficiente para o aparecimento de biótipos resistentes (CHRISTOFOLETI. bentazon. Estes biótipos foram encontrados em lavouras dos estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul e apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS. Em razão de suas características. Conyza banariensis e Plantago lanceolata (WEED SCIENCE. Nos últimos dez anos foram identificadas mais espécies resistentes para os inibidores de ALS do que para qualquer outro mecanismo de ação. apesar de serem considerados de baixo risco. selecionaram biótipos resistentes devido ao seu emprego em vastas áreas (HEAP. poderão ser evitados o surgimento de novos casos de resistência e o surgimento de plantas com resistência múltipla. que é um problema muito maior do que a resistência cruzada. mas são sensíveis aos herbicidas alternativos sulfentrazone. A alta freqüência inicial de indivíduos resistentes na população. O glyphosate esta sendo usado intensivamente na agricultura há mais de 25 anos. são elas: Lolium rigudum. Eleusine indica. foi o da planta daninha Bidens pilosa L. desse modo. 1997). a alta especificidade e eficiência e o longo período residual contribuem para a evolução rápida da resistência aos herbicidas que agem inibindo as enzimas ALS e ACCase. mostrou-se menos sensível a estes herbicidas e. estes herbicidas apresentam alto potencial para selecionar plantas resistentes. Módulo 3. 12 . 1997. A enzima ALS. (Quadro 6). Somente com o uso de todos os métodos de controle disponíveis conjuntamente. aos herbicidas inibidores de ALS. 2003). 1999).. O primeiro caso de resistência de plantas daninhas ao herbicida glyphosate foi registrado em 1996. dos biótipos resistentes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os herbicidas dos grupos cloroacetamidas e inibidores da EPSPs (glyphosate). fomesafen e acifluorfen (PONCHIO. LÓPEZ-OVEJERO. relatado oficialmente. Lolium multiflorum. até o presente momento. O primeiro caso de resistência. a vasta área tratada.

Estudos relacionados à capacidade competitiva e ao comportamento das sementes no solo não indicam..Herbicidas: resistência de plantas . foram identificados em lavouras de soja nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná.arroz Capim-pé-de-galinha Leiteiro Leiteiro Flecha Cuminho Azevém Losna-branca Nabiça Mecanismo de ação ao qual adquiriu resistência Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Auxina sintética Inibidores da ACCase Auxina sintética Auxina sintética Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ALS e PPO Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da EPSPs Inibidores da ALS Inibidores da ALS Biótipos de Euphorbia heterophylla. Os resultados deste trabalho indicam que a resistência é conferida por um gene dominante nuclear e que os biótipos apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS. até o momento. Não houve diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis relacionadas à taxa de germinação e à profundidade de germinação e emergência. onde estes produtos são empregados há mais de cinco anos. referentes à resistência em Euphorbia heterophylla L. Estudos relacionados a inibidores da ALS em condições de laboratório e de campo.Espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas ocorrentes no Brasil e seu provável mecanismo Biótipos resistentes Bidens pilosa Bidens subalternans Brachiaria plantaginea Cyperus difformis Echinochloa colonum Digitaria ciliaris Echinochloa crusgalli var. resistentes aos herbicidas inibidores de ALS. 220 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 6 . diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. Os biótipos resistentes sobreviveram ao tratamento com dose 16 vezes maior que a dose de campo (de rótulo). crusgalli Echinochloa crus-pavonis Eleusineiíndica Euphorbia heterophylla Euphorbia heterophylla Sagitaria montevidensis Fimbristylis miliacea Lolium multifolium Parthenium hysterophorus Raphanus sativus Fonte: Wees Science (2006) Nome comum Picão-preto Picão-preto Capim-marmelada Junquinho Capim-arroz Capim-colchão Capim. estão sendo realizados na Universidade Federal de Viçosa.arroz Capim. e Brachiaria plantaginea.5 . porém são sensíveis a herbicidas com outros mecanismos de ação. O uso repetido destes herbicidas pode ser a principal causa da seleção dos biótipos resistentes.

em média. Vargas et al.5 . Nesse mesmo trabalho. a dose de 360 g ha-1 foi suficiente para controlar o biótipo sensível. O primeiro caso de Lolium multiflorum resistente ao glyphosate foi relatado por Perez e Kogan (2002). (2004). três aplicações de glyphosate por ciclo durante os últimos 8 a 10 anos. Este biótipo resistente foi identificado em pomares no Chile. (2002) não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs. trabalhando com biótipos sucetíveis e resistentes de azevém (Lolium multiflorum). Originária do sul da Europa. Módulo 3. 2004). Depois do tratamento com glyphosate os autores observaram acumulação do produto nas raízes de plantas suscetíveis e nas pontas das folhas de plantas resistentes (Quadro 7). ereta. foram identificados biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistentes ao glyphosate em lavouras de culturas anuais e em pomares (ROMAN et al. Nas plantas resistentes e suscetíveis.Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate Lolium multiflorum é uma espécie anual ou bianual.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 13 . aproximadamente. As plantas resistentes e suscetíveis foram igualmente capazes de absorver o herbicida aplicado. Lorraine-Colwill et al.440 g ha-1 de glyphosate e. densamente perfilhada. o mecanismo que confere resistência ao glyphosate ainda não foi determinado com clareza. herbácea. as enzimas foram igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas às populações. Em todos esses casos a aplicação repetida e continuada de glyphosate para controle da vegetação é considerada a principal causa da seleção dos biótipos resistentes.Herbicidas: resistência de plantas 221 .520 g ha-1. glaba. observaram que aproximadamente 80% das plantas avaliadas resistiram a dose de até 1. Com relação ao Lolium rigidum. 2000). que vinham recebendo. de 30 a 90 cm de altura. morfologicamente muito variável.. A diferença marcante entre populações resistentes e suscetíveis foi encontrada no translocação do glyphosate. propaga-se apenas por sementes (LORENZI. 20% a doses de até 11. No Brasil.

0 42.3 ± 3. sugerindo que o mecanismo de resistência não esta completamente baseado no sítio de ação. com erros-padrão. é muito pouco provável que os maiores níveis de expressão da EPSPs dos indivíduos resistentes expliquem completamente a maior tolerância ao produto. resistente e altamente resistente. Os autores isolaram a enzima EPSPS e realizaram testes in vitro de sua atividade na presença de glyphosate em todas as populações. (2002) % de inibição por glyphosate 0 hora após a aplicação 48 horas após a aplicação 42.6 ± 6.2 ± 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 .4 ± 8.6 ± 2.9 ± 4.8 42.5 ± 2. Os valores mostrados são a médias de 10-15 plantas dos biótipos resistente e suscetível.Herbicidas: resistência de plantas . Quadro 8 – Inibição da EPSPS em teste in vitro População Suscetível Intermediário Resistente Altamente resistente Fonte: BAERSON et al. 222 Módulo 3.Translocação foliar do 14glyphosate aplicado em plantas resistentes e suscetíveis. Baerson et al. a hipótese de alteração da EPSPS no sítio de ação é descartada. em biótipos de L.4 44. rigidum após o pré-tratamento com glyphosate isopropilamina (450 g ha-1) Horas 2 4 8 24 48 Biótipos S R S R S R S R S R Acima do LA 30 ± 2 28 ± 4 40 ± 3 42 ± 4 36 ± 5 48 ± 5 19 ± 3 42 ± 5 15 ± 2 50 ± 1 C (% total absorvido) LA Abaixo do LA 13 ± 1 55 ± 2 11 ± 1 58 ± 5 11 ± 1 44 ± 3 10 ± 1 44 ± 4 11 ± 2 45 ± 3 10 ± 2 37 ± 3 08 ± 1 53 ± 3 10 ± 1 43 ± 4 10 ± 2 55 ± 3 11 ± 1 33 ± 3 14 Raízes 02 ± 0 02 ± 0 05 ± 1 04 ± 0 08 ± 1 05 ± 1 20 ± 2 05 ± 1 20 ± 4 06 ± 1 Lorraine-Colwill et al.5 .5 43.0 38. intermediário . (2002) observaram inicialmente que numa população de Lolium rigudum existiam plantas com diferentes níveis de resistência ao glyphosate e assim classificaram estes biótipos como suscetível. (2002).3 ± 7.9 36. LA: local da aplicação.8 Esses autores observaram superprodução da EPSPS induzida pela aplicação do glyphosate e também expressivo aumento no nível de EPSPS nas plantas resistentes e altamente resistentes. Os resultados do trabalho indicados no Quadro 8 mostram que a atividade da EPSPS das plantas resistentes é similar à atividade das plantas suscetíveis. dessa forma. Segundo Kogan e Pérez (2003).5 44.

(2006a) com três biótipos de Lolium multiflorum (biótipos sensível. multiflorum observou-se redução na produção de massa seca da parte aérea.200 g ha-1 de glyphosate não controlaram os biótipos resistentes e de resistência intermediária.Herbicidas: resistência de plantas 223 . intermediário e resistente ao herbicida glyphosate). 3 B e C.5 . em ambos os biótipos (resistente e com resistência intermediária) de L. A dose de 200 g ha-1 foi suficiente para controlar 100% das plantas sensíveis (Fig. 3A). observou-se que doses de até 3. Tanto o biótipo resistente quanto o intermediário apresentaram elevados níveis de intoxicação (80%) aos 14 dias após a aplicação dos tratamentos (Fig.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 . 4). resistente (B) e de resistência intermediária (C) de Lolium multiflorum Fonte: Ferreira et al. (2006a) Em recente trabalho realizado por Ferreira et al.Evolução da intoxicação provocada por glyphosate sobre biótipos sensível (A). Módulo 3. Todavia. Essa queda de produção foi mais severa no biótipo intermediário do que no resistente (Fig.

multiflorum pode estar ligado a translocação diferencial deste herbicida pelos diferentes biótipos. Todavia observaram diferença marcante na translocação do 14glyphosate entre os biótipos resistente (R) e sensível (S). (2002) em Lolium rigudum. Esses resultados se assemelham aos encontrados por Lorraine-Colwill et al.5 . 2006a) O possível caso da resistência de L. (2006) verificaram que tanto o suscetível quanto o resistente absorveram o glyphosate na mesma intensidade (Fig.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 3 .Porcentagem de produção de massa seca dos biótipos resistente e intermediário tratados com glyphosate em relação à testemunha Fonte: Ferreira et al. O biótipo R apresentou maior acúmulo de 14glyphosate na folha aplicada às 64 horas enquanto no suscetível observaram maior acúmulo desse herbicida nas raízes (Fig. que constataram maior acúmulo do produto marcado nas raízes do biótipo resistente. 224 Módulo 3.Herbicidas: resistência de plantas . 2A).. 5). (2006a) Figura 4 . Ferreira et al.Biótipos resistente (R) e sensível (S) de L multiflorum cinco dias após tratamento com 800 g ha-1 de glyphosate (FERREIRA et al.

(A) – na água de lavagem. a área de produção de transgênicos passou de 81 milhões de hectares em 2004 para 90 milhões. milhares de hectares cultivados com culturas transgênicas já foram incorporados no processo produtivo.1 . (2006b) 14 .4 milhões de hectares de sementes. (C) – na parte aérea e (D) .na folha onde foi aplicado. No mundo. Módulo 3. correspondendo a um aumento de 11% em 2005 no total de 21 países onde o plantio de transgênicos é permitido (JAMES.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 – Concentrações de glyphosate avaliadas em diferentes tempos após aplicação. Depois disso. multiflorum resistente (R) e sensível (S) Fonte: Ferreira et al. com uma área plantada de 9. O Brasil é hoje o terceiro produtor de transgênicos.Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas 14. 2005).5 .Herbicidas: resistência de plantas 225 . perdendo apenas para Argentina e Estados Unidos (Quadro 9).nas raízes de biótipos de L. (B) .Culturas transgênicas Cultivares de soja e de outras culturas foram lançados recentemente no mercado.

8 3.5 0.8 milhões de hectares (4%) em dois países: EUA e 226 Módulo 3.1 0. em ordem decrescente de área cultivada. Canadá.3 milhões de hectares. em ordem decrescente de área: milho tolerante a herbicida.3 milhões de hectares (5%) em quatro países: EUA.3 1. comercialmente disponível em nove países em 2005 (Quadro 9) que.1 < 0.1 < 0. canola e mamão Soja. Argentina.3 0. cultivado em 4.1 < 0. Paraguai.1 9. Argentina. representando 60% da área mundial destinada às plantas geneticamente modificadas em 90 milhões de hectares. cultivado em 4.1 0.4 5.3 milhões de hectares (5%) em dois países: Canadá e EUA. milho e canola Algodão Soja Algodão Soja. 2). Brasil. quando foram cultivados 12. e que ocupou 4. Romênia. Ela ocupa 48. Checa Superfície (milhões de ha-1) 49. milho Bt tolerante a herbicida. milho e algodão Soja e milho Algodão Soja e algodão Soja Milho Milho Algodão Arroz Milho Milho Milho Milho Milho Em 2005.8 1. algodão.3 0.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 9 . EUA. com crescimento de 22% no ano de 2003. ocupou um total de 15.1 Culturas transgênicas Soja. Austrália.3 0. A soja tolerante a herbicida é atualmente a cultura geneticamente modificada dominante.1 < 0.8 17. Importante destacar que o milho Bt. Outras cinco culturas listadas no Quadro 10 ocuparam entre 2% e 5% da área mundial cultivada com plantas derivadas da biotecnologia e incluem.Herbicidas: resistência de plantas .5 . milho. Canadá.1 0. México. são: EUA. milho e algodão Soja Soja.1 < 0.1 < 0.0 milhões de hectares.5 milhões de hectares. 11 são países em desenvolvimento e 10 industrializados (Fig.4 milhões de hectares. que. equivalente a 6% da área mundial com lavouras geneticamente modificadas. África do Sul e Colômbia.1 < 0. cultivado em 3. A terceira cultura geneticamente modificada mais cultivada foi o algodão Bt. Uruguai. foram: China. dos 21 países produtores de transgênicos. África do Sul e Argentina.Superfície global de cultivos transgênicos em 2005 (em milhões de hectares) Ordem 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Fonte: James (2005) País EUA Argentina Brasil Canadá China Paraguai Índia África do Sul Uruguai Austrália México Romênia Filipinas Espanha Colômbia Irã Honduras Portugal Alemanha França Rep. em ordem decrescente de área cultivada. Índia. África do Sul e México. sexta colocação em 2003. O algodão Bt foi plantado em oito países. canola tolerante a herbicida.

os países produtores de culturas trangênicas em 2005. Figura 2 – Evolução da área de cultivo de transgênicos no mundo. 2005). Austrália e África do Sul (JAMES. e algodão tolerante a herbicida cultivado em 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Canadá. Quadro 10 – Princiapais lavouras geneticamente modificada em 2005 Culturas Soja tolerante a herbicida Milho Bt Algodão Bt Milho tolerante a herbicida Canola tolerante a herbicida Milho Bt/tolerante a herbicida Algodão Bt/tolerante a herbicida Algodão tolerante a herbicida Fonte: James (2005) % em relação ao total de áreas cultivadas 60 14 06 05 05 04 04 02 Módulo 3. em ordem crescente por área. em milhões de hectares. Austrália e México.5 milhão de hectares (2%) em 3 países: EUA. de 1996 a 2005 O Quadro 10 mostra.Herbicidas: resistência de plantas 227 . algodão Bt e tolerante a herbicida cultivado em 3 milhões de hectares (4%) em três países: EUA.5 .

que.7 67. conseqüentemente.7 81. com o objetivo de acelerá-lo e de ampliar a variedade de genes que podem ser introduzidos nas plantas. Quadro 11 –Área total de lavouras geneticamente modificadas no mundo entre os anos de 1996 e 2005 Ano 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Fonte: James (2005) Hectares (em milhões) 1. O Quadro 11 mostra a evolução do cultivo de plantas geneticamente modificada e tolerante a herbicidas durante o o período de 1996 a 2005. um fungo. hoje conhecida como tecnologia do DNA recombinante ou engenharia genética (VALOIS. Nessse período.0 A transgenia permite um melhoramento "pontual" através da inserção de um ou poucos genes e da conseqüente expressão de uma ou poucas características desejáveis (MONSANTO.8 39. surgiram as plantas que carregam em seu genoma a adição de DNA oriundo de uma fonte diferente de germoplasma paternal. cruzam-se as espécies sexualmente compatíveis e ocorre a combinação simultânea de vários genes.5 . etc. uma bactéria. denominadas de transgênicas. com segurança (MONSANTO.0 27. A biotecnologia agrícola utiliza a transgenia como uma ferramenta de pesquisa agrícola caracterizada pela transferência de genes de interesse agronômico (e. e a decifração do código genético foram condições primordiais para o surgimento da biotecnologia moderna.6 59. 2005). Além disso. 228 Módulo 3.7 11. a área cultivada com lavouras transgênicas cresceu mais de 47 vezes (JAMES.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A descoberta das leis da hereditariedade. como ferramenta da biotecnologia agrícola. sem que sejam introduzidos outros genes. por meio de desenvolvimento de métodos refinados com o uso de técnicas de biologia molecular. uma vez que permite a inserção de genes cujas características são conhecidas com antecedência.) e plantas. como ocorre no melhoramento genético clássico (no cruzamento ocorre a "mistura" de metade da carga genética de cada variedade parental). oferece maior precisão do que os cruzamentos.1 90. No melhoramento tradicional. bem como da natureza química do material genético. Assim.9 42. Já a transgenia é uma evolução desse processo. 2005). a transgenia. permitiram a manipulação do material genético.2 52. de características desejadas) entre um organismo doador (que pode ser uma planta.Herbicidas: resistência de plantas . 2001). 2005).

em alguns casos. deixando de fazer o controle das plantas Módulo 3. é uma espécie que se adapta com facilidade a diferentes ambientes e apresenta intensa resposta à calagem e adubação do solo. em que fatores como a intensidade e a rapidez da mudança na composição de uma comunidade são acentuados e inevitavelmente influenciados pelas práticas agrícolas e pela ação humana. subterrâneas e multiplica-se também a partir do enraizamento de porções do caule (ROCHA 1999. as plantas daninhas apresentam composição e dinâmica de um país tropical. porém com o decorrer dos anos existirá uma grande possibilidade de surgir problemas como a seleção das espécies consideradas tolerantes ou mesmo espécies resistentes (GAZZIERO. espera-se a ocorrência de profundas mudanças nos sistemas de controle. que é um requisito para a seleção de plantas resistentes. e outras consideradas tolerantes apresentam a possibilidade de disseminação e conseqüente aumento de infestação nas áreas cultivadas com soja transgênica. o que significa alta pressão de seleção. a substituição das moléculas herbicidas que vinham sendo usadas por outra..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 15 . somente haverá. No início serão observados apenas os benefícios da nova tecnologia. Esse fato poderá levar a uma situação extrema. 2000).Herbicidas: resistência de plantas 229 . sendo hospedeira de pragas e moléstias. em que a maioria da área cultivada empregará a mesma molécula herbicida. Espécies como Commelina benghalensis. Borreria latifolia e Tridax procumbens são plantas consideradas tolerantes ao glyphosate. benghalensis. A dinâmica e o estabelecimento das plantas daninhas nos levam a antever uma provável mudança na composição das plantas infestantes. tendo em vista que vários produtos ou combinações de produtos utilizados atualmente serão substituídos por um único ingrediente ativo. 2005). Espécies altamente sensíveis a esse produto serão eliminadas. dessa forma. o glyphosate (GAZZIERO. Em 2005 a soja transgênica foi oficialmente liberada para plantio no país. C. Dessa forma. No Brasil. essas plantas apresentam grande potencial de se tornarem um sério problema de controle. como é o caso dos herbicidas para os quais estão sendo desenvolvidas culturas resistentes. por exemplo. O risco do surgimento de casos de plantas daninhas resistentes é maior para aqueles herbicidas que já apresentam biótipos resistentes.Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas Os métodos de controle das plantas daninhas não sofrerão alteração.5 . Muitos produrores de soja transgênica no Rio Grande do Sul preferem controlar as plantas daninhas com aplicação de pós-emergência feita na cultura. será utilizado um único ingrediente ativo. ROCHA et al. se o manejo das plantas daninhas não for adequadamente utilizado na soja transgênica. É uma planta perene que se reproduz por sementes aéreas. 2005). Os produtos e as combinações de produtos utilizados na soja convencional serão substituídos pelo glyphosate.

Euphorbia heterophylla.Comentários finais A resistência de plantas daninhas a herbicidas é um fato consumado no Brasil. e as informações de que se dispõe são relacionadas a casos de outros países. Biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistente ao glyphosate se tornaram um grave problema nas lavouras de soja transgênica no Rio Grande do Sul. observou em pomares de maça tratados com glyphosate a seleção de Richardia brasiliensis.5 . levando a um considerável aumento nos custos de produção.). trazendo prejuízos a cultura (THEISEN citado po GAZZIERO. com mesmo mecanismo de ação. em condições semelhantes. Contudo. Sabe-se que sua evolução em uma área é dependente da pressão de seleção. que poucas vezes podem ser generalizados para as nossas condições. 2003). ao se realizar a aplicação. do padrão de herança. Para que isso seja evitado. o mesmo herbicida ou herbicidas.Herbicidas: resistência de plantas . poucos cientistas estão se dedicando a essa área no Brasil. o processo de competição entre a cultura e as plantas daninhas já se iniciou. em outras espécies. do fluxo gênico e da dispersão de propágulos. Vargas (2004). 230 Módulo 3. 16 . Nas áreas com mais de 15 anos de uso têm sido feitas três aplicações/ano em doses que variam de 2 a 8 L ha-1. estarão sujeitos à seleção de plantas daninhas resistentes. Desse modo. da variabilidade genética da espécie daninha. Na maioria dos casos. para que se possa entender e estabelecer estratégias específicas para os nossos casos. agricultores que empregarem extensivamente. além da resistência de azevém (Lolium sp. e em anos seguidos. do número de genes envolvidos. Estudos aprofundados sobre essa questão devem ser realizados com urgência no país. tolerantes e sensíveis em áreas afetadas e para eleger métodos de manejo e controle das plantas tolerantes e resistentes que permitam impedir a multiplicação e a disseminação desse(s) gene(s) para outras populações.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que germinam antes da semeadura da soja. como: uso de misturas de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e rotação destes mecanismos. O conhecimento desses pontos é importante para embasar previsões de proporções futuras entre plantas resistentes. devem ser adotadas as práticas de manejo adequadas. sobre os quais tem sido aplicada doses de 16 L ha-1 do produto comercial sem sucesso. Commelina benghalensis.

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ABEAS Universidade Federal de Viçosa . Ricardo Camara Werlang Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .6 .Manejo de plantas daninhas em pastagens Tutores: Profº.Manejo de plantas daninhas 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .6 . Antonio Alberto da Silva Profº. Lino Roberto Ferreira Profº.Manejo de plantas daninhas em pastagens 235 .DF 2006 Módulo 3.

Controle químico.6 .Manejo de plantas daninhas em pastagens .1. 246 1.2 .Uso de herbicidas na manutenção de pastagens. 243 1.3 .Integração da agricultura e pecuária.Uso de herbicidas na recuperação de pastagens.Fatores do ambiente passíveis de competição.1.3 .2 .1 .Controle cultural.Controle preventivo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.4.1 . 259 2. 258 2.2 .Controle mecânico ou físico.Controle de plantas daninhas. 247 2 .Competição por luz.1 .Plantas tóxicas.4. 253 2.Competição entre plantas daninhas e forrageiras.2 .3 .Competição por nutrientes. 257 2.Competição por água. 238 1. 237 1 .3 .4. 267 236 Módulo 3. 261 Referências bibliográficas. 244 1. 252 2. 252 2.Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens.1 . 239 1.4 .1. 246 1. 260 2.

em última instância. afastando-se cada vez mais do modelo extrativista. produtor. e na pecuária. a formação do que pode ser denominado um novo status de cultura global (EUCLIDES FILHO. com respeito ao ambiente e aos animais. e aproximando-se. economia. diante das transformações que vêm se processando. em especial para a pecuária. a humanidade coloca em segundo plano os tratados e previsões que fundamentaram a “revolução verde” e busca. 1997). nesse contexto. As mudanças que vêm ocorrendo nos sistemas de produção são reflexos de transformações econômicas. indústria. em particular. social. É importante ressaltar que. Módulo 3. Os últimos dez anos têm sido decisivos para a economia brasileira. essa tendência é muito mais complexa e envolve modificações muito mais profundas. competitivos e eficientes. capazes de ser conservadores de recursos. Dessa forma. sociais e políticas. A tomada de decisão na pecuária. que penaliza os setores não-competitivos e ineficientes (EUCLIDES FILHO. dependendo de cada caso.6 . assumem dois aspectos fundamentais. competitividade e sustentabilidade (EUCLIDES FILHO. deve considerar os vários pontos determinantes dos segmentos envolvidos no setor. O primeiro é que elas viabilizam a competitividade brasileira. espera-se. 1996) A pecuária brasileira está sendo influenciada pelo processo de globalização em andamento no mundo. socialmente justos. da intensificação total. em maior ou menor grau. Conseqüentemente. possibilitem convivência harmoniosa com a natureza. ou seja. apesar de esse processo estar sendo propalado como a globalização da economia. a atividade pecuária tende a se tornar cada vez mais uma atividade empresarial. água e recursos genéticos animais e/ou vegetais. representado pela pecuária extensiva. 1997). isto é sinônimo de estabelecimento de sistemas sustentáveis. que são responsáveis pela reestruturação desde níveis e formas de informação. Com relação aos sistemas de produção agrícolas. formas de produção que. Nesse período. parte expressiva do setor se distanciou da prática extrativista que por muitos anos caracterizou a atividade e tem sido um exemplo de capacidade de ajustes e adaptação à realidade do mercado atual. qualidade. As pastagens. passando por mudança do estágio de conhecimento e culminando com o estabelecimento de um novo padrão de comportamento da sociedade como um todo. Uma das características que faz com que a atividade pecuária no Brasil seja altamente competitiva é o fato de o País possuir grandes áreas de pastagens e condições adequadas para o desenvolvimento destas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Atualmente. e produtivos. como solo. nesse contexto. além de produtivas. em geral. e o segundo é o fato de possibilitarem o atendimento da grande demanda mundial por alimento produzido de forma natural. eficiência. sistemas economicamente viáveis. consumidor. ambientalmente corretos. como política.Manejo de plantas daninhas em pastagens 237 .

é facilmente dominada pelas plantas daninhas. se sombreadas. falta de adubação de manutenção e manejo da pastagem inadequado. espaço. bem manejadas e livres de plantas daninhas. e até mesmo arbóreo. Isso ocorre porque a maioria das gramíneas forrageiras cultivadas no Brasil tem a sua eficiência fotossintética altamente dependente da intensidade da luz. as quais dificultam o processo de produção pecuária. nutrientes e água. sem possibilidade de recuperação natural. ocasionar danos físicos aos animais. atualmente. Em razão do porte arbustivo. que afeta a produção e o desempenho animal e culmina com a degradação do solo e dos recursos naturais em função de manejos inadequados.. a presença de plantas daninhas em pastagens reduz a sua capacidade de suporte (unidade animal por ha). Estima-se que 80% dos quase 60 milhões de hectares da área de pastagens na região de Cerrados apresentam algum estágio de degradação (MACEDO et al.. Causada por diversos fatores.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Diante da importante função assumida pela pastagem no contexto de pecuária empresarial e competitiva. Nas Figuras 1 e 2 são apresentadas algumas das principais espécies de plantas daninhas das pastagens.Competição entre plantas daninhas e forrageiras Pastagens produtivas significam pastagens bem formadas. como ferimentos no úbere das vacas. 238 Módulo 3. mas também por espaço. até mesmo parcialmente. 1 . No entanto. agravam-se os efeitos ambientais pela erosão dos solos e assoreamento dos mananciais de água. Essas forrageiras. Essa competição se dá principalmente por luz. A presença delas em pastagens reduz a produtividade. têm a sua taxa de fotossíntese líquida altamente reduzida e. além de ser um ambiente propício para o desenvolvimento de parasitas. pois são espécies que apresentam o metabolismo C4. ainda.Manejo de plantas daninhas em pastagens . água e nutrientes. de muitas espécies de plantas daninhas infestantes de pastagens em condições brasileiras. a degradação precisa ser revertida para garantir a produtividade e a viabilidade econômica da pecuária (MACEDO et al. 2000). pode-se considerar a luz como o principal fator (recurso) de competição destas com as forrageiras. uma vez que estas plantas competem por luz. e aumenta o tempo de formação das áreas reformadas. Degradação de pastagens é um processo evolutivo de perda de vigor e produtividade da forrageira. devido à elevada capacidade competitiva das plantas daninhas. Além dos impactos negativos na produção e desvalorização do patrimônio. Assim. má formação inicial. As plantas daninhas podem. a prática demonstra outra realidade. Pastagem degradada se constitui. é lógico que o sucesso desse setor está estreitamente relacionado com a manutenção das pastagens em condições adequadas. por diminuir o potencial de formação de pasto pelas forrageiras. ocasionado pela competição com as plantas daninhas. nestas condições. em um dos maiores problemas dos sistemas de produção de bovinos no Brasil Central. 2000). reduzindo a disponibilidade desses fatores para as forrageiras. entre eles má escolha da espécie forrageira.6 .

A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso for limitado e máxima quando o ponto de saturação for atingido. qualquer planta daninha que se estabeleça na pastagem vai usar parte dos fatores de produção. nutrientes e luz. Isso ocorre porque. Como ambas possuem suas demandas por água. 1. já limitados no meio.1 . Radosevich et al.Manejo de plantas daninhas em pastagens 239 . caso eles se alimentem de plantas tóxicas. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. como água. reduzindo a produtividade da forrageira. Módulo 3.: toxidez devido a excesso de Zn no solo).Fatores do ambiente passíveis de competição Em ecossistemas agropastoris. nessas circunstâncias. nutrientes e CO2 e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas causados por espécies com espinhos. até mesmo para o próprio desenvolvimento da forrageira. luz. gás carbônico. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex. muito comuns em pastagens brasileiras.6 . A seguir serão abordados os principais fatores envolvidos na competição entre as plantas daninhas e as forrageiras. Recursos são os fatores consumíveis. esses fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente. ou até mesmo levá-los à morte. a forrageira e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área. na maioria das vezes. estabelece-se a competição.

(c) mata-pasto (Eupatorium maximilianii). (g) guanxuma (Sida glaziovii) e (h) lobeira (Solanum lycocarpum) 240 Módulo 3. (b) leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). (f) fedegoso (Senna ocidentalis). (e) ciganinha (Memora peregrina).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 – Principais plantas daninhas das pastagens (a) assa-peixe branco (Vernonia polyanthes). (d) assa-peixe roxo (Vernonia glabrata).6 .Manejo de plantas daninhas em pastagens .

(e) cambará (Lantana camara). e plantas tóxicas . (b) arranha-gato (Acacia plumosa). (g) mamona (Ricinus communis). (h) ximbuva (Enterolobium contortisiliquum) e (i) samambaia (Pteridium aquilinum) Módulo 3.6 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 – Principais plantas daninhas das pastagens . fistulosa). (f) algodão-bravo (Ipomoea carnea sbsp. (d) cafezinho (Palicourea marcgravii).(c) guizo-de-cascavel (Crotalaria spectabilis).Manejo de plantas daninhas em pastagens 241 .(a) camboatá (Tapirira guianensis).

etc. 1996). Várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as forrageiras e as plantas daninhas. como veranico e geadas. se a forrageira se estabelecer primeiro. densidade do solo. Contudo. a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (RADOSEVICH et al.Manejo de plantas daninhas em pastagens . o maior índice de área foliar.. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas daninhas em relação às culturas são o seu porte e sua arquitetura. como: a competição é mais séria nos períodos iniciais de desenvolvimento da 242 Módulo 3. por exemplo. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. envolvendo indivíduos de espécies diferentes. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância. também. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. ainda.. Todavia. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. Na realidade. cuja dependência é muito grande. em áreas de pastagens degradadas a capacidade competitiva das plantas daninhas é ainda maior.. em condições de sombreamento (PITELLI. porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. A competição pode ser intra-específica. dependendo da espécie cultivada. se a população de plantas da forrageira por área for baixa ou o estande for desuniforme. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. até que um nível ideal seja alcançado. No entanto. não estando. Os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta destas às variações dos recursos (GOLDBERG. e.6 .. mesmo com baixos níveis do recurso no ambiente (RADOSEVICH et al. citado por RADOSEVICH et al. seja ela daninha ou não. totalmente esclarecida. A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. em razão da influência extrema que eles exercem na utilização dos recursos pelas plantas. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. como pH do solo. do seu vigor. a menor suscetibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. A competição entre plantas daninhas e forrageiras é um fator crítico para o desenvolvimento da pastagem quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a forrageira. Determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer. interespecífica. como acontece. caracterizado pela pastagem degradada. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Condições são fatores não diretamente consumíveis. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. ela poderá cobrir rapidamente o solo. 1990. 1996). 1985). 1996). Entretanto. A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura.

que são métodos culturais de controle de plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas forrageira. especialmente nitrogênio e carbono. que as plantas forrageiras fiquem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas. da escolha da forrageira adequada para a região. as espécies daninhas de maior porte do que as forrageiras exercem grande potencial competitivo com estas. as espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da forrageira. sem qualquer sinal de déficit hídrico. podendo. da profundidade de plantio. como o químico ou mecânico. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes. tendem a excluir as demais.1. liberar toxinas no solo. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. principalmente se a forrageira possui metabolismo C4.1 . e as espécies daninhas competem por água. Conhecendo esses fatores. etc. realizando. Módulo 3. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis. 1. Disso resulta a importância do preparo do solo. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. comumente. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo.: assa-peixe.6 . devido ao sombreamento. regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. Assim a competição é mais facilmente minimizada ou até mesmo eliminada com a integração de outros métodos de controle. as condições para que ela se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. da percentagem de germinação e vigor das sementes. ciganinha e outras). Normalmente. da época correta de plantio. que podem inibir a germinação e ou desenvolvimento da forrageira. no manejo da forrageira. (Radosevich et al. nutrientes e espaço. magnitude da condutividade hidráulica das raízes. especialmente nos trópicos em dias quentes. grande número de estômatos por área foliar. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. pequenas ou grandes. por isso. pois se estabelecem primeiro. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da forrageira e da vegetação daninha infestante da área a ser formada.. fazendo com que esta leve vantagem sobre o complexo de plantas daninhas. desenvolvimento e crescimento rápido de grande superfície fotossintética mesmo ainda na fase de plântula. Desse modo. e sistema radicular muito desenvolvido. dessa forma.. luz. as características fisiológicas das plantas. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. das condições adequadas de pastejo e manejo adequado da forrageira. Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma pastagem. etc.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo.Manejo de plantas daninhas em pastagens 243 . o chamado manejo integrado de plantas daninhas. é normal em alguns agroecossistemas. 1996). ainda. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular (maior profundidade do sistema radicular – ex. como capacidade de remoção de água do solo. torna-se fácil o manejo da forrageira.

se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. por difusão. Essas plantas. agora pela enzima ribulose 1. Esse fato evidencia que as plantas C4 244 Módulo 3. ocorrendo o ciclo de Cavin e Benson. consumindo 2 ATPs. além do ciclo de Calvin e Benson. por difusão. não desassimilam o CO2 fixado. também. As plantas C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson. As plantas C4. A maior eficiência das plantas C4 em relação a C3 em condições adequadas de luminosidade e temperatura é o principal fator da superioridade de produção forrageira em condições tropicais (maioria C4). dependendo da espécie vegetal. o ácido pirúvico. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. se ela é umbrófila ou heliófila e. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). retorna às células do mesófilo. ou seja. a superioridade das forrageiras utilizadas no Brasil (C4 em sua grande maioria) é dependente de certas condições. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2.5 difosfato carboxilase. molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. também. Elas não apresentam fotorrespiração detectável. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo.Manejo de plantas daninhas em pastagens . a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. quando comparadas com plantas C4. em seguida. é transportado para as células da bainha vascular das folhas. e.2 . responsável pela fixação do CO2. onde esses produtos são descarboxilados. A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco).6 . baixo ponto de saturação luminosa. 3-fosfoglicérico e. substrato inicial da respiração. Em conseqüência da ação desta enzima. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. as plantas C3 fotorrespiram intensamente. logo. no ácido fosfoenolpirúvico. por apresentarem dois sistemas carboxilativos. que ocorre em todas as plantas superiores. Entretanto. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese.Competição por luz A competição pela luz é muito complexa e sua magnitude é influenciada pela espécie. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. considerando ambos os grupos em condições ótimas. Este CO2 liberado é novamente fixado. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. de 1:5:2. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico). liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico. por ser ambígua quanto ao substrato. onde é fosforilado. catalisa a produção do ác. do glicolato. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. localizada nas células do mesófilo foliar. sendo esta relação para as plantas C4. É sabido que a relação. comparado a regiões temperadas. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos.1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. formando o ácido oxaloacético (AOA). como a luminosidade adequada.

Como toda essa energia é proveniente da luz. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEPcarboxilase) apresenta algumas características. A luz como fonte de energia de todos os processos biológicos na forrageira é o componente principal na produção da pastagem. Módulo 3. atua especificamente como carboxilase. a ocorrência de sombreamento por plantas daninhas implica redução drástica do potencial competitivo dessas forrageiras. Em função destas e de outras características. nessas condições. 1994). 1995). conseqüentemente. temperatura. como água.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. densidade de perfilhos e número de folhas por perfilho.Manejo de plantas daninhas em pastagens 245 . A combinação das características morfogênicas determina as três principais características estruturais das forrageiras: tamanho de folha. ainda assim elas continuam acumulando biomassa. Isso é possível porque esse grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável. nessas condições. 1998) e Pennisetum purpureum (RODRIGUES et al. Cada espécie de forrageira possui um padrão genético de crescimento e expansão foliar (determinado por suas características morfogênicas . Além disso. 1999) . mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. ocorre a necessidade de controle de invasoras. No caso das plantas C4. atividade ótima em temperaturas mais elevadas. gênero Panicum (RODRIGUES. Isso acontece porque. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. que são diretamente correlacionadas com a quantidade e qualidade da luz. Como a maioria das forrageiras das regiões tropicais e subtropicais . REIS. porém são influenciadas por fatores externos. como: alta afinidade pelo CO2. as espécies C4 dominam completamente as C3. gênero Cynodon (SILVA et al. estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. e não satura em alta intensidade luminosa. a fim de evitar o sombreamento. esta passa a atuar mais como oxidativa. quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas..são plantas C4.alongamento de folha. é comum. indica o potencial de produção de uma pastagem. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontra-se saturada quanto à luz e. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia).. Essas características são genéticas. levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente.espécies de Brachiaria (CORSI et al.6 . luminosidade alta e até mesmo déficit hídrico temporário. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km). luminosidade e nutrientes.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). aliado a outros fatores. as condições de luminosidade e temperatura serão preponderantes no desenvolvimento adequado das forrageiras. aparecimento de folha e duração da folha) que. liberando CO2. Portanto. Todavia. se for reduzido o acesso à luz. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. Esse fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima.

Nesse sentido. tornando-o sustentável em termos econômicos e ecológicos (KICHEL et al. tem sido proposto recentemente.. que facilitam a ocorrência de pragas. a preocupação da utilização racional de água e agroquímicos e a necessidade de maior competitividade e sustentabilidade (COBUCCI. com maior ênfase. a queda na produtividade das lavouras. Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. visam melhoria das propriedades do solo. apesar de esse processo ser lento e silencioso. diversificação do sistema produtivo e de aumento da produtividade do empreendimento agrícola. deve-se considerar.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1.3 . É notório que o setor agropecuário brasileiro está passando por um processo de transição socioeconômica e agroambiental. Portes et al. a utilização de culturas anuais em cultivos seqüenciais ou simultâneos como formas de sistemas de produção. 246 Módulo 3. por constituir-se em tema complexo e não ser objetivo do presente trabalho.1. maior eficiência no uso de máquinas. A integração agricultura e pecuária não será abordada em maior detalhe.. a consorciação de lavouras e forrageiras. melhoria das propriedades físicas do solo. tanto para as áreas de pastagens como de agricultura. o empobrecimento da fertilidade do solo. 2000). A venda de grãos das culturas. como alternativa de recuperação de pastagens degradadas. a competição por nutrientes depende. o aproveitamento da adubação residual e o preparo do solo mais elaborado podem ser vantajosos na redução dos custos e na eficiência de recuperação das pastagens degradadas (Macedo et al. observam-se a expansão do plantio direto. 2001). Essas tecnologias também proporcionam maior diversificação das atividades econômicas no meio rural (KICHEL.Integração da agricultura e pecuária A degradação das pastagens.6 ..2 .Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e. 2000). em alto grau. os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das forrageiras em nossos solos. evitando a erosão e quebra do equilíbrio. exercem forte competição com as forrageiras pelos nutrientes essenciais. 2000. 2001). a baixa retenção de água no solo e o aumento do processo erosivo são sintomas do manejo inadequado que prejudicam o meio ambiente. em conseqüência disso. MIRANDA. 1. As tecnologias para recuperação e manejo sustentável dos solos degradados dos Cerrados. das espécies presentes. além da quebra do ciclo de pragas e doenças. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca.Manejo de plantas daninhas em pastagens . Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes. doenças e plantas daninhas.

peso. 2002). há outros fatores que também propiciam intoxicações. POTT. tóxicas. mas também aquelas que provocam direta ou indiretamente perturbações na saúde do animal. O conceito sobre plantas tóxicas é relativo. consideram-se tóxicas todas as plantas que. Com relação à planta. que pode causar anemia devida a nitratos/nitritos. Na mesma raça há fatores ligados ao próprio indivíduo.6 .Plantas tóxicas Calcula-se que 12% das mortes de bovinos são causadas por sementes. plantas tóxicas não são somente vegetais que provocam verdadeiros envenenamentos e intoxicações agudas. certos venenos. principalmente em bezerros. Portanto. e braquiária-d´água ou "tanner grass" (B. sendo algumas. O tipo de solo também pode influenciar na toxidez de uma planta. que causa fotossensibilização ("orelha frita"). subquadripara = B. os quais podem estar relacionados ao animal ou à planta. Por outro lado. ingerindo pequenas quantidades diárias. em condições naturais. (2000) definem planta tóxica de interesse pecuário a que é ingerida por animais domésticos de fazenda. raiva ou outra doença. estado sanitário e nutricional. com comprovação experimental. podem provocar danos que se refletem na sua saúde ou vitalidade. 2002). Algumas plantas cultivadas também são consideradas tóxicas. além do grau de sensibilidade do animal a um princípio tóxico (AFONSO. 2000). floração e frutificação. como brotação. como Brachiaria decumbens. arrecta). e causa danos à saúde ou morte. pois às vezes ela provoca intoxicações apenas em uma dessas fases. sexo.). Além da fome.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. deve-se considerar a sua fase vegetativa. outras menos. citado por Hoehne (1939). No caso da espécie bovina. 1991). Os biomas Pantanal e Cerrado possuem floras ricas em espécies.. POTT. A mais temível do Brasil é a erva-de-rato ou cafezinho (Palicourea marcgravii) (POTT. a ingestão de certas plantas em pequenas quantidades leva o animal a adquirir resistência ou tolerância ao princípio tóxico. folhas ou raízes de plantas que possuem grande quantidade de elementos químicos nocivos ao gado (AFONSO. Existem também plantas com princípio tóxico cumulativo. certas raças toleram mais. como idade.Manejo de plantas daninhas em pastagens 247 . Tokarnia et al. muitas das quais ingeridas pelo gado. POTT. A maioria das plantas tóxicas é consumida pelos animais em razão da escassez de alimentos nas pastagens e da mudança de animais famintos para pastagens que possuem plantas tóxicas (FREITAS et al. POTT. AFONSO. ingeridas espontânea ou acidentalmente pelo animal. que o animal. 2002).3 . vai retendo no seu organismo. até atingir a dose letal (AFONSO. Módulo 3. Segundo Howes (1933). como é o caso das mandiocas-do-mato (Manihot spp. visto algumas serem tóxicas em uma região e em outra não (AFONSO. Várias provocam sinais que podem ser confundidos com picada de cobra. 2002).

sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. fistulosa) Convolvulaceae Figura 2 f 248 Módulo 3. Com a evolução da intoxicação o animal apresenta sinais de origem nervosa. São tóxicas as folhas e as sementes. sendo ingerida em qualquer época do ano. A semente pilosa (origem do nome algodão) é espalhada pela água.6 . de 1 a 4 m de altura. iniciam poucas horas após ser completada a ingestão da dose letal. os sintomas consistem em queda repentina do animal ao chão. afeta o Rubiaceae em áreas sombreadas das beiras ciclo de Krebs das matas. Perene. uso de herbicidas. trepador. A principal forma de propagação é vegetativa. flor e semente praticamente durante o ano todo. antes de cair. o que é difícil de ocorrer no campo. Cresce somente em solo de barro (LSD) (argiloso). Na Figura 2 estão apresentadas e no Quadro 1 listadas as de maior ocorrência e importância no Brasil.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas São várias as espécies de plantas tóxicas presentes nas pastagens no Brasil. É muito comum em lagoas rasas. os ramos que encostam no chão Alcalóides derivados do enraízam. sobrevindo a morte dentro de poucos minutos. Causa a síndrome da morte súbita. lassidão e pêlos ásperos. O seu andar se torna desequilibrado (como se estivesse embriagado). Quadro 1 – Principais plantas tóxicas encontradas no Brasil Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). muito alagável. ou estado de embriaguez. Ocorre em terra firme. Inicialmente os sinais apresentados são de emagrecimento progressivo. Possui boa Figura 2 d palatabilidade. Às vezes o animal mostra. Aumenta em campos com excesso de gado ou perto de porteiras. Rebrota após cortes e ácido lisérgico fogo. capoeiras e em pastos recém-formados. durante semanas. com um resumo das suas principais características. cochos e aguadas. controle químico Arbusto responsável pela maioria das mortes de bovinos causadas por plantas tóxicas em terra firme. com cafezinho Ácido exceção do extremo sul e do sertão (Palicourea monoflúornordestino. nas planícies de inundação dos rios Negro. cercar as matas e as capoeiras onde existir a planta. Controle: erradicar as plantas. Abobral e Paraguai. DL (100 g de folhas verdes). encontrada em todo o País. A evolução da intoxicação é crônica e não há recuperação do animal Controle: erradicação. com as pernas traseiras abertas e instabilidade no trem posterior. caindo com facilidade. havendo pasto). Algodão-bravo. marcgravii) acético.Manejo de plantas daninhas em pastagens . tremores musculares. sendo Erva de rato. canudo-de-pita (Ipomoea carnea subsp. Possui distribuição ampla. DL (9 kg de folhas verdes por dia. respiração ofegante. Arbusto aquático. Nos bovinos. exceto se for afogado depois. desequilíbrio do trem posterior.

os animais apresentam anorexia e diminuição ou parada dos movimentos do rúmen. continue a procurá-la. trôpego. principalmente quando camará Triterpenóides transferido. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. No tratamento os camara) animais devem ficar na sombra. fezes ressequidas e. hemorragia na pele e nas mucosas visíveis. que faz com que este. sendo a brotação a porção mais tóxica das partes aéreas. se habitue a ela e. A fome faz o animal ingerir a planta. para áreas (Lantana (lantadene A e infestadas. planta somente em circunstâncias chumbinho ou especiais. Inicialmente. Muitos animais morrem nessa fase.6 . em pequena quantidade. Controle: erradicar as plantas (herbicidas) e não transferir animais com fome para pastagens infestadas. quando expostos ao solo. manifestam fotossensibilidade sob forma de eritema e edema inflamatórios nas partes menos pigmentadas da pele e inquietação à procura de sombra. utilizar ungüentos antiinflamatórios.Manejo de plantas daninhas em pastagens 249 . DL (1. para provocar sintomas de intoxicação aguda. falta de apetite. extrato hepático e purgante oleoso Figura 2 e e medicar as lesões na pele. os bovinos ingerem a Cambará. DL (variada). sendo a correção e aração deste um método cultural de controle desta espécie. anemia. Ingestão em menores quantidades ocasionam hematúria intermitente. As plantas ocorrem em solo ácido. devido ao efeito acumulativo). O animal sangra prolongadamente por qualquer ferimento. lantadene B) Verbenaceae Deve-se administrar glicose. Em eqüinos causa deficiência de vitamina B1. Já na fase aguda. emagrecimento. Causa febre alta. Controle: erradicação da planta. sonolência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Arbusto ou subarbusto é cosmopolita.000 g de folhas verdes ingerido durante três semanas a poucos meses. apresentam tremores musculares. Consistem nas manifestações de fotossensibilidade hepatógena. mesmo cessada a fome. convulsões. controle cultural (calagem e aração do solo) e químico Módulo 3. Samambaia (Pteridium aquilinum) Substância Dennstaedtiacea radiomimética e e tiaminase Figura 2 i Planta tóxica de importância no Brasil e no mundo. depois de comê-la por algum tempo. A planta toda é tóxica. eventualmente diarréias enegrecidas. culminando na morte. com fome. Os animais apresentam andar incerto. tem incordenação ao andar. que aparece de repente. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). Sob condições naturais.

com o animal apresentando fraqueza.. Ocorre também eructação excessiva (arroto) acompanhada por sialorréia (baba). etc. em solos de vários tipos. Os sinais apresentados têm predominância neuro-muscular. O fruto estoura ao sol e lança as sementes a vários metros de distância.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Mamona (Ricinus communis) Euphorbiaceae Figura 2 g Arbusto pouco lenhoso. geralmente não folha e ricina inundáveis. O consumo repetido de pequenas quantidades de semente pode dar imunidade. sendo umas mais. e a plântula encontra condições mais favoráveis na pastagem rapada e rala (degradada). Controle: É facilmente eliminada com mais de uma roçada. geralmente férteis. de 50 a 100 cm de altura. que favorece a germinação. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. DL (5. taperas. O bovino apresenta andar desequilibrado. Embora conste como pouco palatável. Possui ampla distribuição. causando perturbação nervosa. dificilmente o animal se recupera. chique-chique (Crotalaria spectabilis) Leguminosae Figura 2 c Planta ereta. antes que forme sementes. É palatável. em solos argilosos ou (toxoalbumina) arenosos. É tóxica ao fígado. Controle: Pode ser praticamente eliminada com roçadeira (rebrota pouco). os animais mais novos são mais sensíveis . 250 Módulo 3. mas retorna por semente. mas das folhas não. A parte aérea morre com a queima. mas de ciclo curto. Deve-se atentar para o seu aparecimento em leiras. as folhas foram observadas bem pastadas por bovinos no Pantanal.um quarto dessa dose no caso de bezerro). DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). Comum em áreas ruderais como Ricinina beira de estrada. com tremores musculares. A intoxicação pelas folhas é aguda.000 g de folhas frescas ou 200 g de sementes. procurando ficar deitado.6 . No Brasil existem mais de 40 espécies Alcalóides do de Crotalaria.500 g de folhas verdes ao dia foram suficientes para levar os bovinos à morte). tanto as folhas como as sementes são tóxicas. perturbações digestivas. grupo das outras menos tóxicas. A torta de mamona não bem detoxicada pelo calor também é tóxica. geralmente férteis. Após apresentar estes sinais. por irritação do tubo digestivo. na semente. Já a intoxicação pelas sementes varia de aguda a subaguda. ingerindo também flores e frutos. Uso de herbicidas. Perene. Controle com herbicida. perda de apetite. que germina melhor após o fogo. apatia e diarréia sanguinolenta.Manejo de plantas daninhas em pastagens . Os principais sinais na intoxicação por Crotalaria iniciamse por contrações abdominais. com flor e semente em grande parte do ano. e dificuldade de caminhar longas distâncias. as quais são o meio de propagação. com copa. Morre na queimada. de 1 a 4 m de altura. Há formas de folhas verdes e outras arroxeadas. Comum em áreas mexidas. onde o solo é mais fértil. Anual. Guizo-decascavel. principalmente em situações de fome. antes da formação de sementes. perda do equilíbrio ao caminhar e alteração do sistema nervoso sob forma de excitação ou depressão. ereto. Há relatos de pirrolizidinas que o princípio tóxico desta planta se concentra mais nas flores e nas sementes. depósitos (alcalóide) na de lixo. leiras provenientes de desmatamento e pastagens cultivadas. DL (2. com flor e fruto quase durante o ano todo.

caem ou deitam-se precipitadamente. DL (250 a 1. solos arenosos ou contortisiliquum Saponina do argilosos. Fonte: Freitas et al. (1991). Ocorre retração acentuada dos globos oculares e. planta tóxica mais importante das regiões de várzea da bacia amazônica. geralmente férteis. ) tipo esteroidal Encontrado em todo o Brasil. Os bovinos ingerem a planta somente quando estão com fome. fazendo movimentos de pedalagem. berram e morrem. o animal faz movimentos de pedalagem com os membros traseiros e dianteiros. aparentemente. às vezes. Controle: Pastagens em abundância e erradicação da espécie. mesmo em pequenas porções. Em seguida provoca diarréia de coloração amarelada e fétida.Manejo de plantas daninhas em pastagens 251 . cerram fortemente as pálpebras. A parte tóxica Figura 2 h importante desta planta são os seus frutos.500 g de folhas verdes).500 g de favas que leva um bovino à morte na intoxicação experimental). Ficam logo em decúbito letal.6 . Os sintomas iniciam-se. próximo à morte. Os principais sinais apresentados pelo animal intoxicado se caracterizam por lassidão. Semente espalhada tamboril pela fauna. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). quando movimentados. embora. Gibata ou chibata Glicosídeo do (Arrabidaea tipo esteróide bilabiata) cardioativo Bignoniaceae Trepadeira. O quadro de intoxicação se manifesta poucas horas após a ingestão das favas e a sua evolução é aguda. Controle: É facilmente eliminada com anelamento (descascar em volta do tronco). Floresce de setembro a novembro. produz fruto de agosto Ximbuva. Os animais. acompanhada de outras perturbações digestivas. Há citações de que as favas provocam aborto em vacas.300 a 1. Uso de herbicidas. DL (1. a planta não tem boa palatabilidade. neste caso. não causem outros sinais de intoxicação. copa larga.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Árvore de 8 a 18 m de altura. Comum em matas e (Enterolobium cerradões. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. Afonso e Pott (2002) Módulo 3. perde as folhas na estação seca. a novembro. Causa lesões no tubo digestivo. aproximadamente. Leguminosae especialmente no Nordeste e Triângulo Mineiro. de 6 a 24 horas após a ingestão da planta. diminuição ou até perda total do apetite. que amadurecem e caem no período da seca e apresentam boa palatabilidade para os bovinos.

os custos de controle. tem sido preconizado o manejo integrado de plantas daninhas. a energia gasta com tratos culturais. a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas 252 Módulo 3. além de outras operações e a erosão do solo causada por água e vento. com o advento da chamada agricultura economicamente sustentável. em um determinado agroecossistema. biológico e químico. o estabelecimento e. Atualmente. no controle integrado. que consiste num sistema ambientalmente correto no campo. constituindo-se. das condições ambientais. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado.Manejo de plantas daninhas em pastagens . O controle ideal é aquele que.Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. recomenda-se o “manejo integrado das plantas daninhas”. O nível de controle das plantas daninhas. com o objetivo de reduzir as perdas causadas por estas plantas. por meio de métodos e equipamentos usados oportunamente. 2. ainda. ou seja.. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. dependerá da espécie infestante.1 . mecânico ou físico.6 . sendo muito variados. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco (SILVA et al. deve ser feita quando as perdas forem superiores ao incremento no custo devido ao controle. Os métodos de controle podem ser: preventivo. Visa. quando não há redução da sua produtividade econômica. cultural.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . Isso pode ser possível se o pecuarista proceder à absoluta racionalização do controle de plantas daninhas. segundo Victoria Filho (2000). obtido em uma pastagem. se necessárias. da capacidade competitiva da forrageira. dos métodos empregados. A redução da interferência das plantas daninhas. elimina os prejuízos causados pelas plantas daninhas. assegurar a produção adequada de alimentos. ou. esse fato. do período crítico de competição. Atualmente. mantendo a qualidade ambiental com a maximização de lucro para o agricultor. onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para produção das culturas livre de danos econômicos da vegetação daninha competitiva. resguarda os seus aspectos benéficos e não causa danos à forrageira. etc. aos animais e ao solo. economicamente. o manejo de plantas daninhas pode ser definido como a combinação racional de medidas preventivas associadas a medidas de controle e de erradicação.Controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mesmos empregados em outros sistemas de produção agrossilvopastoril. 2005). Dessa forma. considerando uma forrageira.

Regionalmente. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. como a ciganinha (Memora peregrina). um município ou uma gleba de terra na propriedade. impedindo. impedimentos físicos ou mecânicos. tipo de solo. capoeiras.realizado por meio de análise química e física do solo. ainda.2 . assim. inspeção cuidadosamente de mudas adquiridas com torrão e também de toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. com uma limpeza adequada da área. pedaços de tronco e galhadas. As quantidades desses produtos dependem da espécie forrageira e do nível de produtividade desejado. topografia. pragas. bem como a aplicação de adubos fosfatados. limpeza cuidadosa de máquinas. eliminando-se rebrota do cerrado de porte alto.Manejo de plantas daninhas em pastagens 253 .6 . análise da produtividade desejada. os seguintes procedimentos devem ser observados: diagnóstico da área .Controle cultural O controle cultural reúne todas as práticas disponíveis para o estabelecimento das forragens em condições adequadas ao seu desenvolvimento e à sua persistência com boa produtividade. objetivo da produção. clima (déficit hídrico e ocorrência de queimadas). devem ser realizados no momento correto. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas. Essas áreas podem ser um país. Outro componente importante do controle cultural é a formação adequada da pastagem. A correção da acidez do solo e o fornecimento de cálcio e magnésio a este (quando necessária). da quantidade e das espécies de plantas daninhas e de forrageira a ser Módulo 3. A escolha de espécies forrageiras adequadas para cada área e objetivo de pastejo é um importante componente do sucesso da atividade. Em síntese. o nível tecnológico a ser adotado. condições favoráveis para a forrageira em relação às demais espécies presentes na área (plantas daninhas) e possibilita a vantagem competitiva da forrageira em relação às plantas daninhas. um estado. limpeza de canais de irrigação. Proporciona. etc. histórico da área e outros. As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilização de sementes de elevada pureza.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ainda por elas não infestadas. o elemento humano é a chave do controle preventivo. e época de utilização da espécie. qualidade. A conservação do solo é outro ponto importante. a quarentena de animais introduzidos em outras áreas. O preparo do solo deve ser feito de modo a proporcionar ótima germinação e estabelecimento da forrageira. que poderão se transformar em sérios problemas para a região. e. grades. Quando da escolha dessa espécie. palatabilidade e longevidade. A intensidade e os equipamentos a serem utilizados no preparo de solo dependem do tipo deste. 2. arbustos. que deve começar antes da implantação. banco de sementes de plantas daninhas. devendo-se realizar a construção de terraços ou curvas de nível quando a área apresentar suscetibilidade ou risco de erosão ou até mesmo escorrimento superficial da água das chuvas. ou mesmo reduzindo os efeitos erosivos. principalmente. tocos.

a época do plantio é muito ampla em quase todo o território nacional. sendo este um fator importante na dinâmica competitiva da forrageira com as plantas daninhas. enxofre e micronutrientes. evitando. no entanto. assim. parcial ou totalmente fechada. ou seja. começando com as primeiras chuvas em setembro até março. Logo após a última gradagem (niveladora). as sementes devem ser distribuídas na área e. O plantio na época correta e de forma correta é fator preponderante no estabelecimento adequado da forrageira. para favorecer a germinação e eliminação delas. A quantidade de sementes a ser utilizada depende da espécie forrageira. além das exigências térmicas. da germinação e do vigor. o estabelecimento mais rápido da forrageira na área. Podem ser aplicados antes do plantio ou em cobertura. para incorporar as sementes de 0. com pouca palha. solo nivelado e livre de plantas daninhas. retardando o plantio da forrageira. de modo geral. algodão.5 a 4 cm de profundidade (dependendo do solo e da forrageira). que. para que ocorra a decomposição desta sem interferir na germinação da forrageira. As sementes devem possibilitar a formação de estande adequado e uniforme. Outro componente do controle cultural muitas vezes desprezado é a quantidade e a qualidade das sementes das forrageiras. ao daquele utilizado para plantio de soja.Manejo de plantas daninhas em pastagens . Para a maioria das forrageiras. Comumente. a exigência de cada espécie forrageira e o nível de produtividade desejado. esta deve ser considerada como uma cultura que vai produzir por muitos anos. levando em consideração o resultado da análise de solo. principalmente nos solos mistos e arenosos. como: pureza. exceto para estilosantes ou andropógon. devem ser antes do plantio e incorporados. que impõe restrição à emergência das plântulas. hídricas e de fotoperíodo da forrageira. ou melhor. potássio. deve-se realizar o preparo do solo no mínimo 120 dias antes do plantio no período das águas. o preparo do solo deve ser igual. Em áreas com infestação elevada de plantas daninhas é recomendada a utilização de até 50% a mais da quantidade de semente. produção e longevidade da forrageira. Deve-se. posteriormente. Em áreas que apresentarem alta quantidade de palhada. Em áreas que apresentarem alta infestação de plantas daninhas ou outras forrageiras. poucos torrões.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas implantada. exceção feita aos fosfatos naturais reativos. proporcionando. o preparo do solo deve ser escalonado. livres de sementes de plantas daninhas e possuindo qualidade fisiológica (vigor e germinação). quando necessária. O plantio pode ser realizado a lanço sobre o solo devidamente preparado com uma grade leve. podendo variar em certas regiões. milho e outros. Deve-se evitar a utilização do rolo em solo com excesso de umidade. tem vantagem competitiva a espécie que se estabelece primeiro na área. assim. isto é. A correção adequada de nutrientes do solo é outro fator que melhora as condições de estabelecimento. Portanto. deve ser realizada em quantidades recomendadas. a sua pulverização. para que o solo não fique aderido nele. com maior peso no solo arenoso. evitar o preparo excessivo do solo. O plantio com semeadeira deve seguir as mesmas exigências do 254 Módulo 3. ou seja.6 . A correção de fósforo. a compactação da camada superficial deste. peso médio no misto e peso leve no argiloso. Deve-se considerar para isso a disponibilidade hídrica e temperatura para cada região. deve-se passar o rolo compactador. quando recomendados. a melhor época é de novembro a janeiro. Entretanto.

ou antes da emissão da inflorescência (sementeira). implicando o sombreamento e abafamento das plantas daninhas. possivelmente. plantas daninhas de difícil controle por herbicidas e outros. Toda vez que o nível de infestação for significativo. milho). sem erosão. principalmente em solos de baixo teor de matéria orgânica. O manejo da pastagem estabelecida é.Manejo de plantas daninhas em pastagens 255 . Na formação de pastagem. com espaçamento entre linhas de 13 a 40 cm. a adubação da pastagem ou consórcio com outras espécies. diminuir a competição interespecífica. podendo-se realizar. Já o plantio direto exige as mesmas condições do plantio direto de grãos (soja. o nitrogênio é muito importante. Para gramíneas forrageiras de média a boa produtividade.5 a 4 cm.6 . trilheiros. ele deve ser controlado com defensivos específicos para cada tipo de praga. realiza-se o plantio de linhas espaçadas de 13 a 40 cm. dessa forma. eliminando o excesso de plantas. As vantagens desse manejo são: evitar o acamamento. distribuição uniforme da palhada. Módulo 3. na mesma operação. desde que o plantio seja realizado na época recomendada para cada região. espécie forrageira e produtividade desejada. recomenda-se a aplicação de nitrogênio de 30 a 40 dias após a emergência ou após o manejo de formação (primeiro pastejo). com o objetivo de auxiliar na boa formação da pastagem. deve-se passar o rolo compactador após o plantio. maior sombreamento para plantas daninhas. Estando todos os nutrientes corrigidos. de preferência. O não-controle dessas pragas pode comprometer a formação e a persistência da pastagem.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantio a lanço. As pragas mais importantes na formação de pastagens são: lagartas. o método de controle cultural de plantas daninhas mais importante. tocos. compactação. A princípio. tem como objetivo contribuir para a boa formação da pastagem. Após a dessecação. animais jovens com alta lotação. Devem-se utilizar. isto é. o nitrogênio é o que proporciona o maior efeito no aumento de produtividade. para garantir o estande adequado e uniforme. boa cobertura do solo. com boa produção de carne/hectare. por melhorar as condições desta. Se a semeadeira não possuir sistema de compactação. sem limitações químicas e físicas. uma vez que vai garantir a longevidade e qualidade da pastagem. cupins subterrâneos e formigas. A dose aplicada vai depender da análise de solo. A realização de adubações de cobertura nitrogenadas melhora as condições de desenvolvimento e estabelecimento da forrageira. Esse sistema de plantio exige máquinas e equipamentos adequados. antecipar a utilização da forragem. deve-se iniciar o pastejo de 60 a 100 dias após a emergência da pastagem. eliminar a maior parte das gemas apicais. dependendo do equipamento e da espécie forrageira. O manejo de formação da pastagem. estimulando a emissão de novos perfilhos e raízes. aproveitando o maior valor nutritivo. por curto período de tempo (10 a 30 dias). A manutenção da pastagem em condições ideais com o controle adequado de pragas também é componente do controle cultural de plantas daninhas. também chamado de pastejo de uniformização. proporcionando. favorecendo o surgimento e estabelecimento de plantas daninhas. com profundidade de 0. A adubação nitrogenada possibilita maior rapidez e quantidade de área foliar. reduzindo assim a produção de semente e translocação de nutrientes para estas. colocando-se 10 a 20% a mais de sementes do que o sistema tradicional. cupins. e proporcionar a mais rápida e perfeita cobertura de solo. fechando o dossel mais rápido.

256 Módulo 3. A pastagem degradada não oferece condições à forrageira de competir com as plantas daninhas. que pode chegar a mais de 40% do total de nutrientes ingeridos pelo animal em pastejo. e com o mesmo período de descanso. o beneficiamento da forrageira vai depender do manejo correto. evitando assim a infestação da pastagem com sementes de plantas daninhas presentes no trato digestivo desses animais. recomenda-se devolver às pastagens 20% da receita bruta anual. e tifton (15 cm). dependendo da espécie forrageira. em razão dos nutrientes perdidos no processo produtivo. finalidade de pastejo. De maneira geral. Uma das principais causas da degradação das pastagens é a redução da fertilidade do solo. Brachiaria decumbens (20 cm). um fator importante no controle integrado de plantas daninhas. tornando a infestação da área uma questão de tempo. O manejo correto consiste na utilização de lotação adequada. exclusivamente. pisoteio demasiado e arranque de plantas. A altura de pastejo depende da espécie forrageira.o animal explora duas invernadas alternadamente. está diretamente relacionada com a produtividade da pastagem. o pastejo pode ser classificado de três maneiras: contínuo . épocas corretas de entrada e retirada dos animais (altura de pastejo). sistema de produção e outros. Humidícola e Dictioneura (15 cm). A adubação de manutenção é.6 . como exemplo: tanzânia e mombaça (40 a 50 cm). portanto. nível de adubação ou fertilidade natural do solo. utilizada anualmente. maior aproveitamento do investimento empregado até o momento. e rotacionado o animal usa de 3 a 40 piquetes ou invernadas. com 28 a 36 dias de pastejo. com período de pastejo de 1 a 15 dias. sendo o manejo específico para cada região. A melhoria das condições para o desenvolvimento das plantas daninhas ocorre quando o manejo empregado reduz as reservas e a capacidade competitiva e de restabelecimento da forrageira. espécie forrageira. De modo geral. alternado . Isso ocorre quando há pastejo excessivo (superpastejo). etc.o animal fica sempre na mesma invernada ou pastagem. principalmente nitrogênio e fósforo. A quantidade de adubação de manutenção. categoria animal.Manejo de plantas daninhas em pastagens . Outro método cultural de controle de plantas daninhas é a manutenção de animais oriundos de outras pastagens em área isolada por 24 a 48 horas. por evitar a entrada de plantas daninhas na pastagem. condições da propriedade (solo e clima). excesso de lotação (carga animal excessiva). da intensidade de pastejo e do número de animais. marandu e andropógon (30 cm). Esta prática também é considerada um método preventivo. A utilização da adubação de manutenção é extremamente econômica desde que seja escolhida a espécie de forrageira adequada às condições de clima e solo e que ela esteja bem formada e com manejo adequado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ou seja. com período de descanso de 24 a 39 dias. portanto. Este manejo pode facilitar o desenvolvimento da espécie forrageira ou das espécies de plantas daninhas. do potencial produtivo da forrageira. época do ano. O tamanho e o número de piquetes dependem.

O custo é relativamente inferior ao da roçada manual. como o trator e a roçadeira. por também cortar a forrageira. porém demanda equipamentos apropriados. os quais requerem manutenção adequada. por demandar muita mão-de-obra.Manejo de plantas daninhas em pastagens 257 . a cobertura morta e o cultivo mecanizado. elevado custo de controle. Esta prática. porém possui baixa eficiência e eficácia. deve ser repetida periodicamente. possui a vantagem se ser altamente seletivo quanto à planta controlada. a roçada. além de controlar as plantas daninhas. uma vez que a maioria das plantas se restabelece logo após o corte. e na maioria dos casos a forrageira é mais suscetível à ocorrência de queimadas do que as plantas daninhas. induzindo o aparecimento de reboleiras.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. também controla a espécie forrageira. Este método de controle exige muita mão-deobra e possui baixo rendimento operacional. Assim. É um método não-seletivo. aumentando a infestação. quando o principal método de controle é o uso de enxada. Entretanto. assim. Este método. A utilização do fogo é um método pouco eficiente. acarretando. bem com a roçada manual. pois reduz a quantidade de matéria orgânica do solo. expondo-o à ação da erosão. a queima. as espécies de plantas daninhas perenes que possuem reservas no sistema radicular rebrotam ou. ou seja.6 . Outro método muito empregado entre os pecuaristas é a roçada mecanizada. a inundação. ocorrendo perda de nutrientes e degradação da fertilidade do solo. devido à rebrota e ao restabelecimento das plantas daninhas. por possuir sistema radicular menos profundo e mais fácil de ser arrancado. esta tem a tendência de aumentar a cada roçada. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas. que possui rendimento operacional elevado e necessita de pouca mão-de-obra. e algumas ainda perfilham.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. O arranque manual. A parte aérea das plantas cortada ao entrar em contato com a superfície do solo vai desencadear os processos de decomposição e degradação. É um método relativamente seletivo. afeta a atividade microbiana deste. rebrotam e perfilham.3 . agride pouco a forrageira e pode ser empregado em locais de difícil acesso com máquinas (roçadeira). como a maior parte desse material vegetal é constituída por tecidos de elevada relação C/N (na maioria Módulo 3. As plantas roçadas podem rebrotar logo após a realização desta prática. e disponibiliza de forma desorganizada os nutrientes armazenados nos vegetais. a capina manual. ainda. Um dos métodos mais utilizados no controle de plantas daninhas em pastagens é a roçada manual com foice. possui custo elevado. para plantas daninhas perenes a manutenção de parte do sistema radicular no solo possibilita a rebrota e o seu restabelecimento. Seu rendimento operacional é maior do que o arranque. contudo. Serve para controlar plantas gramíneas. No controle de plantas daninhas em pastagens. ou monda. no entanto. é um método pouco eficiente e ineficaz. jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. No entanto. Ainda hoje é usado no controle em hortas caseiras. danificando assim o sistema radicular e reduzindo o vigor da forrageira. Possui baixa eficiência e eficácia.

As vantagens do uso do controle químico podem ser enumeradas: • Menor dependência da mão-de-obra.Manejo de plantas daninhas em pastagens . sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. uma vez que reduz ou elimina a competição entre estas e a forrageira. lagos e água subterrânea). • Mesmo em épocas chuvosas. Pode ocorrer também poluição do ambiente água (rios. Os riscos de uso existem. O conhecimento da fisiologia das plantas. dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. A utilização de herbicida seletivo no controle de plantas daninhas em pastagens tem demonstrado várias vantagens. Por possuir seletividade. havendo perigo de intoxicação do aplicador. para garantir o restabelecimento da forrageira e o seu poder de competição com as plantas daninhas. quando for adotada juntamente com outros métodos de controle. os animais devem ser retirados da área. que possui custo elevado. 2. A roçada é uma prática que controla plantas daninhas sem reservas no sistema radicular e as demais espécies. Todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. • Pode controlar plantas daninhas perenes e de propagação vegetativa.plantio direto. mas devem ser conhecidos.quando manuseados incorretamente. proporcionando menor rebrota das plantas daninhas. têm a finalidade de inibir o desenvolvimento ou provocar a morte das plantas daninhas. e este será imobilizado do solo. Na 258 Módulo 3. perfeitamente controlados e evitados. solo e alimentos . tanto fisiologicamente como quando aplicado de forma localizada. assim. como o cultural e químico. Deve-se salientar que. observando-se as normas técnicas. sendo o tempo de recuperação da área relativamente rápido. as instruções dos fabricantes e as leis governamentais que regulamentam o seu uso. • É eficiente no controle de plantas daninhas na pastagem sem afetar o sistema radicular da forrageira. em certas regiões é difícil de ser encontrada no momento certo e na quantidade necessária.4 . O herbicida deve ser considerado uma ferramenta a mais e não como o único método de controle. a quantidade disponível deste nutriente no solo em um momento em que a forrageira dele necessita para seu restabelecimento. após a realização da roçada.6 . • Maior rendimento na operação de controle de plantas daninhas. É eficiente no controle de plantas daninhas anuais e perenes e possui alto rendimento operacional. os microrganismos do solo demandam nitrogênio. em concentrações convenientes. Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas. reduzindo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas gramíneas). o controle é mais eficiente. • Permite o menor revolvimento do solo .Controle químico No controle químico utilizam-se herbicidas que. principalmente. São necessárias pessoas capacitadas para uso correto dos herbicidas. ele causa menor dano à forrageira.

o emprego de reguladores de crescimento. com posterior implantação da forrageira. em pequenas doses. e distribuição de plantas daninhas (localizada ou não). Nesse caso. uma vez que estes produtos são seletivos às gramíneas (Quadro 2).6 .Manejo de plantas daninhas em pastagens 259 . bem como suas misturas.4. A seguir será abordado o manejo de plantas daninhas em pastagens utilizando-se herbicidas. estádio de desenvolvimento. Portanto. a utilização de herbicidas no controle de plantas daninhas tem se mostrado uma prática economicamente viável. Quando a forrageira (monocotiledônea) estiver se estabelecendo na área e surgirem plantas daninhas dicotiledôneas. Os herbicidas a serem utilizados. sendo estes de amplo espectro de ação e baixa persistência no ambiente (dessecantes). atividade metabólica e densidade de infestação). o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas. sendo necessário o emprego conjunto do controle químico com herbicidas sistêmicos (Quadro 2). O emprego do controle químico deve ser feito juntamente com outras práticas de controle. Os demais sistemas de plantio devem ser realizados em solo com preparo adequado. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. identificação correta das plantas daninhas (espécie.1 . porém não controla as espécies que possuem órgãos de reserva. O objetivo deste controle é reduzir a competição das plantas daninhas e possibilitar condições ideais ao rápido estabelecimento e desenvolvimento da forrageira. é prática viável. Os principais herbicidas utilizados com essa finalidade são glyphosate. sendo a de maior importância o controle cultural. desde que inserida em um manejo adequado de controle de plantas daninhas e recuperação da pastagem. possuindo retorno rápido e certo. Módulo 3. como: conhecimento das condições de degradação da pastagem e decisões conjuntas para sua recuperação. diquat. biologia. também em estádios iniciais de desenvolvimento. paraquat. são dependentes das plantas daninhas presentes na área e de seu desenvolvimento no momento da aplicação (Quadro 2). 2.Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens Na reforma de pastagens ocorre a necessidade da destruição da vegetação da área. não possuindo torrões e tocos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas maioria dos casos. São necessários alguns fatores para o sucesso da utilização do controle químico no manejo integrado de plantas daninhas. o emprego do controle químico se faz necessário. A eliminação da vegetação pode ocorrer pelo emprego de práticas mecânicas ou por meio de controle químico com herbicidas. conhecimento do tipo da forrageira. cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. sendo para isso realizada a destoca e gradagens. A gradagem é um método mecânico de controle de plantas daninhas. paraquat + diuron e 2.4-D. sendo comum a mistura entre alguns destes. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência da forrageira.

4. como: 2. Eles possibilitam condições de rápida recuperação da pastagem e melhor aproveitamento do adubo e da calagem pela forrageira. triclopyr e tebuthiuron (Quadro 2). o controle de plantas daninhas é fundamental para a sustentabilidade do sistema de produção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2.Uso de herbicidas na recuperação de pastagens A recuperação de pastagens é caracterizada pelo retorno às condições de produção destas sem ocorrer destruição da forrageira ou mesmo o revolvimento do solo. o que pode ser realizado pelo emprego de herbicidas. no meristema apical (ex. do nível de infestação de plantas daninhas. A prática da recuperação é dependente.4-D + picloram.3 . a fim de proporcionar condições adequadas de restabelecimento da forrageira. por possibilitar condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira. como o 2.4-D. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2).4-D + picloram. são componentes fundamentais no sucesso do manejo de plantas daninhas e na recuperação da forrageira. ou seja. A ausência de condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira proporciona o restabelecimento das plantas daninhas na área. presença de comprometimento da fertilidade do solo com manutenção da integridade da forrageira.4. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2).4-D. Os herbicidas podem ser utilizados para eliminar as plantas daninhas. o primeiro passo é a eliminação da competição pelas plantas daninhas. podem ser eliminados pela utilização de produtos granulados espalhados no solo na projeção da copa. que impõem dificuldades na pulverização ou mesmo no corte. 2.Manejo de plantas daninhas em pastagens .2 . A eliminação de reboleiras de plantas daninhas perenes e arbustivas pode ser realizada com aplicação localizada nas folhagens. das espécies de plantas daninhas presentes na área e do nível tecnológico empregado pelo pecuarista. 260 Módulo 3. através de produtos seletivos às gramíneas. 2.Uso de herbicidas na manutenção de pastagens O manejo adequado da pastagem é o principal fator responsável por sua longevidade e produtividade. fluroxipir + picloram. 2. Dentre os vários componentes do manejo de pastagens. Na prática da recuperação das pastagens. A ausência da complementação do controle químico com o controle cultural inviabiliza essa tecnologia. Devese manter a pastagem sem pastoreio por um período de tempo após as práticas suficiente para recuperação desta. Entretanto. A recuperação da pastagem demanda menor custo e possibilita a obtenção mais rápida de pasto. 2. utilizando-se para isso o picloram.4-D + picloram. Práticas culturais adequadas. tornando esta competitiva e dificultando o estabelecimento de plantas daninhas. da espécie da forrageira. É dependente da população adequada de plantas forrageiras na área e da viabilidade do seu sistema radicular. os arbustos com muitos espinhos. ainda. como adubação e calagem.: na pindoba) ou mesmo no toco recémcortado de arbustos e árvores. quando comparada à formação ou mesmo à reforma. mesmo que os herbicidas sejam eficazes no controle das espécies infestantes. como o tebuthiuron (Quadro 2).6 . uma vez que implica disponibilizar condições adequadas ao restabelecimento e desenvolvimento da forrageira já implantada na área.

) e aguapé (Eichornia crassipes) Utilizado na renovação das pastagens. mamona (Ricinus communis). Na dessecação para o sistema de plantio direto. porém não elimina as plantas perenes. Recomenda-se aplicálo com ponta de pulverização que produza boa cobertura foliar. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. alface e outras hortaliças. em infestações mistas (de gramíneas e dicotiledôneas). picão-preto (Bidens pilosa). guanxuma (Sida spp. em área total. objetivando a recuperação da forrageira. tomate. entre outras. carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum). estando estas em estádio inicial de desenvolvimento. batata. Também é utilizado na dessecação para o plantio direto em pósemergência das plantas daninhas. Esta prática também reduz a contaminação do esterco dos animais com esses herbicidas. mentrasto (Ageratum conyzoides). ao pastoreio da área. para matar as plantas daninhas anuais (monocotiledôneas e dicotiledôneas). Deve ser aplicado preferencialmente nos estádios iniciais de desenvolvimento das plantas daninhas. Controla plantas de folhas largas anuais e algumas perenes. podendo causar sérios danos a culturas sensíveis adubadas com o esterco. devendo ser aplicada a mistura de 2.). beldroega (Portulaca oleracea). Nabo-bravo (Brassica rapa). serralha (Sonchus oleraceus).6 .). que não se reproduzem por partes vegetativas. Quadro 2 – Principais herbicidas recomendados na cultura das pastagens Nome técnico Nome comercial Observações Aplicação (pós-emergência) em área total em forrageiras monocotiledôneas controlando seletivamente as espécies dicotiledôneas.). No controle em área total procede-se. Por ser herbicida não-seletivo. Não aplicar em plantas daninhas perenes adultas. Plantas daninhas controladas: amendoim-bravo (Euphorbia spp).). glyphosate potássico ou sulfosate. como tomate. devido ao rápido metabolismo do 2. mastruço (mentruz) (Coronopus didymus). caruru (Amaranthus sp. não pode ser aplicado sobre a forrageira. previamente. trapoeraba (Commelina spp.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Deve-se atentar para a manutenção da pastagem livre de pastoreio no momento e também por um período de tempo após a aplicação dos herbicidas. café. jurubeba (Solanum paniculatum). joá (Solanum spp. visando redução das doses e maior eficiência de controle. Nabiça (Raphanus raphanistrum). ou cultivadas em área tratada por um período inferior à sua carência. cordãode-frade (Leonotis spp. flor-roxa (Echium plantagineum). dente-de-leão (Taraxacum officinale). 2.). Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. corriola (lpomoea spp).4-D Diversos Diuron + Gramocil paraquat Módulo 3. soja. poaia (Richardia spp. picão-branco (Galinsoga parviflora). como: algodão.4-D nessas plantas. feijão. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas.4-D com picloram. não ocasionando a morte delas em aplicação isolada. que possuem persistência neste e no solo. com glyphosate. Mostarda (Brassica campestre). de ação por contato. usá-lo em mistura no tanque do pulverizador.Manejo de plantas daninhas em pastagens 261 . Controla várias espécies de gramíneas e dicotiledôneas anuais. erva-moura (maria preta) (Solanum nigrum). melão-de-são-caetano (Momordica charantia).

joá (Solanum sisymbrifolium). jurubeba (Solanum paniculatum). como: algodão. tomate. o de aplicação no toco recém-roçado. maria-mole (Senecio brasiliensis). Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. tojo (Ulex europaeus) e trançagem (Plantago major). erva-de-bicho (Polygonum punctatum). em pleno vigor vegetativo.20 a 0. pulveriza-se por via terrestre ou aérea toda a área ou as reboleiras mais infestadas. como: algodão.000 metros de distância de culturas sensíveis. leiteiro* (Peschiera fuchsiaefolia).v. assapeixes (Vernonia spp.4-D e para controlar arbustos e árvores. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. Caso contrário. espinilho (Fagara praecox). ao pastoreio da área. Deve-se atentar para o efeito da deriva. Deve ser realizado durante a estação das chuvas. timbó* (Serfania sp). batata. cambarazinho (Eupatorium laevigatum). buva (Erigeron bonariensis). Aplicação em pós-emergência em área total ou localizada. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). 2.). com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas.v Aterbane ou 0.3% v. mio-mio (Baccharis coridifolia).). feijão. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatantes 0. No primeiro caso.Manejo de plantas daninhas em pastagens .6 . quando as plantas se encontram em pleno vigor vegetativo. a aplicação deve ser realizada cerca de 40 dias após a emergência das plantas daninhas. café.25% v. na erradicação de arbustos ou árvores isoladas utiliza-se o método da pulverização da copa ou. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. preferencialmente. malva-branca (Sida cordifolia). erva-lanceta (Solidago microglossa). cajussara (Solanum spp.).4-D + Tordon picloram 2. café. Utilizar surfatantes (0. entre outras.4-D + Mannejo picloram 2. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. No segundo caso. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. aguapé (Eichordia crassipes).). soja. ao pastoreio da área. cheirosa (Hyptis suaveolens). soja. Plantas daninhas controladas: assa-peixe branco (Vernonia polyanthes). samambaia (Pteridium aquilinum). canelade-perdiz (Croton glandulosus) e mata-pasto (Eupatorium maximilianii) e outras. É utilizado na reforma e recuperação da pastagem no controle de plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas e semi-arbustivas. guanxuma (Sida rhombifolia). feijão. caraguatá (Erygium spp). No controle em área total procede-se. entre outras.3% de óleo mineral).2 a 0. fumeiro (Solanum sp). fedegoso (Senna obtusifolia). picão-preto (Bidens pilosa). arranha-gato* (Acacia sp. guanxumas (Sida spp. principalmente em pulverizações aéreas que devem ser realizadas no mínimo a 2. batata. No controle em área total procede-se. É utilizado no controle de plantas herbáceas tolerantes ao 2. previamente. e Sharnkya sp. previamente. tomate. deve-se roçar as plantas daninhas e esperar a rebrota vigorosa e bem enfolhada (30 a 40 cm para plantas herbáceas e 1 m para semilenhosas) para posterior aplicação. Plantas daninhas controladas (*aplicação no toco recém-roçado): amendoim-bravo (Euphorbia paniculata). carqueja (Bacharis trimera). capixingui (Croton floribundus).4-D 262 Módulo 3.

quando se pretende renová-la.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatante 0. Este herbicida não impõe restrições quanto à escolha das culturas subseqüentes. A dose recomendada depende das espécies e do estádio de desenvolvimento destas.6 . malvão (Triunfetta bartramia). deve-se evitar o contato com as forrageiras. mamica-de-porca* (Fagara rhoifolium). dependendo da formulação utilizada. feijão. controla plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas semi-arbustivas e arbustivas. Plantas daninhas controladas: assa-peixe-branco (Vernonia polyanthes). em aplicações localizadas para controlar plantas em reboleiras. previamente. ao pastoreio da área. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. tomate. batata. (*Em algumas condições ocorre a exigência de repasse no segundo ano com a aplicação de picloram no toco recém-roçado). Por ser um herbicida sistêmico. Aplicar em pós-emergência das plantas daninhas. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. angiquinho* (Parapiptadenia sp). Pode ser utilizado. roseta* (Randia armata. Bauhinia variegata). controla plantas daninhas perenes e com órgãos de reserva. Requer período de 4-6 horas sem chuvas após sua aplicação. No controle em área total procede-se. ou reverter o terreno para outras culturas. Controla de forma não-seletiva plantas daninhas mono e dicotiledôneas. para assegurar sua absorção. assa-peixe branco do cerrado* (Vernonia ferruginea). Aplicação em pósemergência em área total ou localizada. estando estas em boas condições metabólicas. entre outras. por ser fortemente sorvido ao solo e não possuir efeito residual.5% v.3% v. Em pastagem. malva branca (Sida cordifolia). Neste caso.4-D. Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. principalmente para uso em áreas infestadas por plantas de difícil controle. por não ser seletivo a elas.2 a 0. como: algodão. café. aroeirinha* (Schinus terebenthifolius). vassourinha (Sida santaremnensis). mata-pasto (Eupatorium maximilianii). Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente.). soja. guatanbú* (Aspidosperma sp. joá (Solanum viarum).v ou óleo mineral 0. evitando a rebrota destas após o revolvimento do solo. plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). ainda. guanxuma (Sida rhombifolia). usa-se para destruí-la.v. É comum sua mistura ao 2. As plantas daninhas devem estar em pleno desenvolvimento vegetativo. jovens ou adultas.Manejo de plantas daninhas em pastagens 263 . Fluroxipir Plenum + picloram Glyphosate diversos Módulo 3. assa-peixe-roxo (Vernonia westiniana). Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Controle eficiente da pindoba (Orbinea speciosa) – 10 mL da solução 4. assa-peixe (Vernonia polyanthes). mesmo que a altura esteja abaixo da roçada recente. Controle de guatambu (Aspidosperma sp. No controle em área total procede-se. feijão. apresentando meiavida no solo de 20 a 45 dias. leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia).v de Garlon em óleo diesel para cada metro de altura desta planta. Triclopyr Garlon Picloram Padron 264 Módulo 3. Aplicação deve ser localizada no toco recém-roçado.) e outras brotações de cerrado . Não realizar aplicação em plantas secas e com atividade metabólica reduzida (estresse hídrico acentuado. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. mamica-de-porca (Machaerium aculeatum). entre outras.) pata-de-vaca (Bauhinia variegata e Parapiptadenia sp. Na aplicação em área total não se deve utilizar óleo diesel. que deve ficar o mais próximo possível no momento da aplicação. batata. cuidando para atingir o mínimo possível as folhas da forrageira.: ciganinha). médio e grande porte. Os caules mais grossos devem ser rachados em cruz para proporcionar a maior absorção do produto. O produto é rapidamente degradado. aroeirinha (Schinus terebenthifolius). Em plantas com toco de diâmetro inferior a 3 cm.0% v. queimada). não impondo restrições quanto a culturas subseqüentes. Deve-se utilizar ponta de pulverização do tipo cone cheio. como: algodão. esta pode ser aérea ou terrestre. Plantas daninhas controladas: erva-quente (Borreria alata). Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. dependendo do tipo de solo e das condições climáticas. espinilho (Acacia farnesiana). Roçar as plantas daninhas a serem controladas com foice o mais próximo possível do solo. Plantas daninhas controladas: arranha-gato (Acacia plumosa). objetivando-se atingir o seu sistema radicular. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. Não adicionar óleo diesel nem surfatantes. deve-se fazer o corte abaixo do engrossamento da raiz da última roçada.Manejo de plantas daninhas em pastagens . jurubeba (Solanum paniculatum) e outras. espinho-agulha (Barnadesia rosea). aproximadamente 30-40 cm acima do nível do solo (cerca de 20 mL por planta). ao pastoreio da área. O produto deve ser aplicado imediatamente após o corte. molhando bem todo o toco até atingir o ponto de escorrimento. plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). para evitar perda do produto. Em plantas já roçadas anteriormente. em pastagens infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno. deve-se corta-las com enxadão abaixo do nível do solo e posteriormente aplicar o produto em caule e raízes decepadas até o ponto de encharcamento. localizado no centro da projeção das folhas mais novas. café. tomate. Para plantas velhas. deve-se aplicar o produto sobre o solo ao redor do toco. Em plantas que possuem engrossamento do caule abaixo do nível do solo (ex. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. roçadas várias vezes.0% v. Aplicar o produto molhando bem e uniformemente toda a folhagem da planta. devem-se aplicar 15 a 20 mL por planta. previamente. A aplicação deve ser realizada diretamente no meristema apical da planta.aplicação de Garlon 5.v em óleo diesel a baixa pressão no terço final do caule. soja. A aplicação deve ser realizada em plantas com desenvolvimento adequado. pata-de-vaca (Bauhinia variegata) e ciganinha (Memora peregrina).6 . cambará (Lantana camara). camboatá (Tapirira guianensis). que apresentam engrossamento visível próximo à superfície do solo.

quando em aplicação localizada. tomate. ou localizada nas reboleiras de infestantes que se pretende eliminar. É recomendado para solos arenosos e areno-argilosos. pepino e outras. esporão-de-galo (Pisonea aculeata).). bem como de árvores frutíferas. No caso de aplicação em área total. arranha-gato ou unha-de-gato (Acacia plumosa). seu efeito restringe-se ao local de aplicação. pois esta é importante para melhor absorção do herbicida e conseqüentemente agilizará o processo de morte desse arbusto. mangueirinha ou camboatá-do-cerrado (Tapirira guianensis). malícia ou dorme-dorme (Mimosa invisa). cipó-prata (Banisteria metalicolor). a área é caracterizada pela infestação menor do Módulo 3. pereiro (Aspidosperma eburneum). o aplicador proteger-se com equipamento de proteção adequado (luvas impermeáveis e outros). entretanto. nível tecnológico do pecuarista e herbicida utilizado. chirca (Eupatorium bonifolium). os danos tendem a desaparecer num período de 6 a 12 meses. assa-peixe. assa-peixebranco. mamica-de-porca (Fagara hiemalis) e tarumã (Vitex sp. aroeirinha (Schinus terebinthifolius). espécie infestante. algodão. ainda. Em caso de lesões ocasionadas principalmente pela maior concentração localizada do produto. Devido ao modo de absorção e translocação do herbicida. formação. Usa-se em cobertura total do terreno. esporão-de-galo (Celtis glycicarpa). como soja. distribuindo-se os grânulos na projeção da copa. portanto. em ambos os casos. as culturas rotacionais poderão ser plantadas no mínimo 3 anos após a aplicação do herbicida. carqueja (Bacharis trimera). taboca (Guadua angustifólia). fumo-bravo (Solanum verbascifolium). A localizada é denominada catação e constitui-se na eliminação de arbustos agrupados. assa-peixe-do-pará. Não aplicar o produto em florestas ou reservas naturais. Deve-se evitar a aplicação sobre ou perto de culturas anuais suscetíveis. operação na ocasião do controle (reforma. limãozinho ou juvu (Acanthocladus brasiliensis). A aplicação foliar pode ser localizada ou em área total. Tebuthiuro Graslan n São várias as maneiras de aplicação de herbicidas em pastagens. embaixo da copa dos arbustos indesejáveis (plantas com espinhos e outras). espinho-agulha (Barnadesia rósea).Manejo de plantas daninhas em pastagens 265 . É aplicado em dose única em qualquer época do ano. leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). roseta ou limãozinho-de-goiá (Randia armata). cansanção ou urtigão (Cnidosculus urens). feijão. recuperação e manutenção).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Formulação granulada aplicada a lanço. ou. para reduzir os efeitos negativos à forrageira. folha-de-santana (Vernonia ferruginea). animais domésticos e pessoas desprotegidas por um período de 7 dias após a aplicação do produto. cruzeta (Strychnos parvifolia). No entanto. devendo. A distribuição do produto deve ser uniforme na área. Plantas daninhas controladas: gramão ou grama-batatais (Paspalum notatum). Mantenha afastados das áreas de aplicação crianças.6 . assa-peixe-roxo (Vernonia scabra). espinho-agulha (Chuquiragua tomentosa). capa-bode (Melochia tomentosa). limão-bravo (Soliva sessilis). Após a aplicação deste produto não se recomenda eliminar a parte aérea do arbusto de que se deseja o controle. os arbustos devem apresentar bom desenvolvimento foliar. leiteiro-vermelho (Chrysophyllum marginatum). com granuladeira ou por via aérea. café-de-bugre (Solanum caavurana). jurubeba (Solanum fastigiatum). cega-jumento ou cajussara (Solanum rugosum). fumo. lobeira (Solanum lycocarpum). sendo elas dependentes das condições de infestação. veludo-vermelho (Chomelia pohliana). a aplicação não deve ser feita em arbustos roçados ou queimados recentemente. resultados mais rápidos e eficientes serão obtidos quando a aplicação for realizada pouco antes (ou no início) do período chuvoso (julho a dezembro nas regiões Sul e Centro-Oeste). assa-peixe-do-cerrado (Gochnatia polymorpha).

Outra forma de aplicação de herbicidas é em toco recém-roçado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que 40% e disposta em reboleiras. Deve-se cuidar quanto à deriva próximo a áreas agrícolas. em condições que impõem restrições à aplicação foliar ou ao corte dos arbustos. A aplicação aérea é recomendada em grandes áreas que possuem obstáculos à pulverização tratorizada. podendo pulverizar até 300 ha por dia. uma vez que a maioria das culturas anuais e perenes é altamente sensível aos herbicidas reguladores de crescimento utilizados em pastagens. direcionadas por trabalhadores que acompanham o trator. Os pulverizadores utilizados são o costal tracionado por uma pessoa. permitindo a mecanização com o trator. Todavia. Essa forma de pulverização possui alto rendimento operacional e exigência baixa de mão-de-obra. A aplicação em área total é feita em áreas com infestação acima de 40% e está condicionada à topografia adequada da área. denominado Burro Jet. o pulverizador tracionado por animal. Esta prática demanda maior nível tecnológico do pecuarista. tendo como objetivo aumentar a suscetibilidade das plantas daninhas aos herbicidas. É utilizado no controle de arbustos com espinhos e com arquitetura de galhos bem fechados.6 . canhão ou avião (aérea). A principal vantagem da aplicação aérea é o alto rendimento operacional.Manejo de plantas daninhas em pastagens . caracterizada pela deposição do herbicida granulado no solo na projeção da copa da planta daninha. 266 Módulo 3. pode-se realizar a aplicação basal. podendo ser realizada com pulverizador de barra. necessidade de pista de pouso próximo à área e topografia adequada à pulverização aérea. ou mesmo um pulverizador tratorizado adaptado com várias saídas de pontas. pelas exigências quanto a monitoramento sistemático das condições meteorológicas.

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