ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 Manejo de plantas daninhas
Tutores: Profº Dr.Antonio Alberto da Silva (UFV-MG) Profº Dr. José Ferreira da Silva (FUA-AM) Profº Dr. Francisco Affonso Ferreira (UFV-MG) Profº Dr. Lino Roberto Ferreira (UFV-MG)

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 1

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Ficha Catalográfica Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Controle de plantas daninhas. Tutores: Antônio Alberto da Silva; [e outros]; colaboração de José Ferreira da Silva, Francisco Affonso Ferreira, Lino Roberto Ferreira - Brasília, DF: ABEAS; Viçosa, MG: UFV; 2006. 268.: il (ABEAS. Curso Proteção de Plantas. Módulo 3 - 3.1;3.2;3.3;3.4;3.5,3.6). Inclui bibliografia. 1. Plantas daninhas - controle. I.Silva, Antônio Alberto, 1950 - II. Silva, José Francisco da. III.Ferreira, Francisco Afonso. IV.Ferreira, Lino Roberto. V.Silva, José Ferreira da. VI. Oliveira Júnior, Rubem Silveríco de. VII. Vargas, Leandro. VIII. Universidade Federal de Viçosa. IX. Título É proibida a reprodução total ou parcial deste módulo Direitos reservados a ABEAS e ao autor

2

Módulo 3: 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário
Módulo 3.1 – Biologia e métodos de controle, 04 Módulo 3.2 – Herbicidas: classificação e mecanismos de ação, 48 Módulo 3.3 – Herbicidas: absorção, translocação, metabolismo, formulação e misturas, 102 Módulo 3.4 – Herbicidas: comportamento no solo, 135 Módulo 3.5 – Herbicidas: resistência de plantas, 196 Módulo 3.6 – Manejo de plantas daninhas em pastagens, 235

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas

3

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.1 - Biologia e métodos de controle
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Francisco Affonso Ferreira Profº. Lino Roberto Ferreira Profº. José Barbosa dos Santos

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
4 Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário

Introdução, 06 1 - Planta daninha, 07 1.1 - Prejuízos causados pelas plantas daninhas, 08 1.1.1 - Prejuízos diretos, 08 1.1.2 - Prejuízos indiretos, 09 1.2 - Origem, estabelecimento e propagação das plantas daninhas, 10 1.3 - Classificação das plantas daninhas, 15 1.3.1 - Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas, 16 1.4 - Características de agressividade das plantas daninhas, 18 2 - Competição entre plantas daninhas e culturas, 19 2.1 - Fatores do ambiente passíveis de competição, 20 2.1.1 - Competição por água, 23 2.1.2 - Competição por luz, 25 2.1.3 - Competição por CO2, 28 2.1.4 - Competição por nutrientes, 28 3 – Alelopatia, 30 3.1 - Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas, 31 3.2 - Alelopatia entre culturas, 32 3.3 - Alelopatia das coberturas mortas, 32 4 - Competição e período crítico de competição, 33 5 - Métodos de controle de plantas daninhas, 36 5.1 - Controle preventivo, 36 5.2 - Controle cultural, 37 5.3 - Controle mecânico ou físico, 37 5.4 - Controle biológico, 39 5.5 - Controle químico, 40 6 - Manejo integrado de plantas daninhas (mipd), 42 Referências bibliográficas, 45

Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

5

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Para um leigo. climatologia. entretanto. o estudo das plantas daninhas é dinâmico. na região produtora de alimentos do Brasil. Assim. as microondas e o raio laser estão sendo avaliados como futuros métodos de controle. o ultra-som. mecanização agrícola.1 . Em razão disso. com ajuda da física. cuidados técnicos 6 Módulo 3. a eletricidade. etc. Como toda ciência. além da eficiência e. isoenzimas e RAPD (biotecnologia) e sensoriamento remoto também são úteis na identificação de plantas daninhas. o Brasil dispõe de um dos maiores mercados do mundo. Com relação aos defensivos agrícolas. Novas técnicas estão sempre sendo pesquisadas e incorporadas. o produtor deve ser mais eficiente. de arroz. Na verdade. ao imazaquin. mecânicos ou químicos. ou seja. de milho. estão sendo desenvolvidos trabalhos objetivando a criação de cultivares de soja resistentes ao glyphosate. como exemplos. Devido à dificuldade de se encontrar mão-de-obra no campo. química orgânica. usando métodos manuais. esse percentual é ainda maior. Os estudos de ecologia e da toxicologia humana e animal são conduzidos. é extremamente simples. física e química do solo. principalmente. antes do lançamento de qualquer herbicida. A demanda cada vez maior de alimentos. bioquímica. no momento preciso e na quantidade necessária. Em termos médios. visando o melhoramento de culturas para resistência a herbicidas. sendo mais eficientes no controle de plantas daninhas específicas e com doses cada vez mais baixas. é uma ciência multidisciplinar que depende de conhecimentos de botânica. o uso de herbicidas tornou-se prática indispensável. sendo um dos primeiros no "ranking" de vendas de agrotóxicos. como cana-de-açúcar. deve utilizar menos mão-de-obra para produção de maior quantidade de alimentos. simultaneamente. fibras e energia. Cerca de 92% da população. fitotecnia.Biologia e métodos de controle . Todavia. economicidade do controle químico. envolvendo principalmente conhecimentos nas áreas de morfologia e fisiologia. 2005). cerca de 20-30% do custo de produção refere-se ao controle de plantas daninhas. Muitos estudos estão sendo conduzidos em genética. São necessários. e a mão-de-obra rural existente é escassa e de baixa qualidade. vive hoje nas cidades. para uma população crescente de consumidores e decrescente de produtores. toda e qualquer técnica de manejo de plantas daninhas somente terá sucesso se for aplicada levando-se em conta conhecimentos detalhados da biologia das plantas infestantes da área. o controle de plantas daninhas. técnicas de biologia molecular e sensoriamento remoto. fisiologia vegetal. destaca a importância da eficiência do controle de plantas daninhas. ao amônio-glufosinato. biologia. em que os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF. Em algumas culturas. Os novos herbicidas estão cada vez mais seguros para o ambiente e o homem.

mecânico. algumas têm sido consideradas plantas Módulo 3. como a presença do milho em cultura da soja e da aveia em cultura do trigo. por exemplos. Na verdade. físico. num conceito mais amplo. cultural. um campo no qual está muito presente o desafio maior do agronegócio brasileiro. é um típico setor de tecnologia de ponta e. biológico e químico). pois estas. Fischer (1973) apresenta duas definições: “plantas cujas vantagens ainda não foram descobertas” e “plantas que interferem com os objetivos do homem em determinada situação”. Uma planta cultivada também pode ser daninha se ela ocorrer numa área de outra cultura. Numa cultura.Biologia e métodos de controle 7 . Cruz (1979) salienta que é uma planta sem valor econômico ou que compete. Segundo Rodrigues e Almeida (2005). são vários os conceitos de planta daninha: Shaw (1956). Deve-se ressaltar que o herbicida é considerado apenas uma ferramenta a mais no manejo de plantas daninhas. por isso mesmo. é uma planta fora de lugar. citado por Fischer (1973). plantas interferindo no desenvolvimento de culturas comerciais. para se obter um controle que seja eficiente. afirma que planta daninha é qualquer planta que ocorre onde não é desejada.1 . seja daninha. promovendo a reciclagem de nutrientes. Embora não se possa dizer que uma planta. podem-se citar espécies altamente competidoras com culturas sendo extremamente úteis no controle da erosão. a qualidade do produto produzido ou interferir negativamente no processo da colheita é considerada daninha. etc. pelo solo. em determinadas situações. como. devido à evolução e complexidade que atualmente atingiu a Ciência das Plantas Daninhas. à água e aos organismos não-alvos. plantas tóxicas em pastagens. com o homem. Uma planta pode ser daninha em determinado momento se estiver interferindo negativamente nos objetivos do homem. associam-se os diversos métodos disponíveis (preventivo. Entretanto. econômico e que preserve a qualidade ambiental e a saúde do homem. sustentabilidade e eqüidade. fornecendo néctar para as abelhas fabricarem o mel. Por esse motivo. plantas estranhas no jardim. qualquer planta estranha que vier a afetar a produtividade e. etc. o tipo de solo. citado por Marinis (1972). ou. plantas ao lado de refinarias de petróleo. as condições ambientais e o nível cultural do proprietário. sendo recomendado sempre um programa de controle integrado. que é o de conciliar. levando-se em consideração as espécies daninhas infestantes. 1 . no seu processo. uma planta só deve ser considerada daninha se estiver direta ou indiretamente prejudicando uma determinada atividade humana. servindo como planta medicinal. os conceitos de competitividade. podem ser extremamente úteis. por exemplo. Como exemplos. porém esta mesma planta pode ser útil em outra situação. a topografia da área. Neste programa. os equipamentos disponíveis na propriedade. o controle químico de plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas para atingir a máxima eficiência com o mínimo impacto negativo ao solo. na sua essência.Planta daninha Definir planta daninha nem sempre é fácil. hoje. todos os conceitos baseiam-se na sua indesejabilidade em relação a uma atividade humana. Para Beal.

água.Prejuízos diretos As plantas daninhas.1 . como leiteiro (Euphorbia heterophylla).Prejuízos causados pelas plantas daninhas 1. ainda. Além da redução da produtividade das culturas. tubérculos de tiririca se desenvolvendo dentro tubérculos de batata (Fig. São exemplos a presença de sementes de picão-preto (Bidens pilosa) junto ao capulho do algodão. na realidade. pêlo de animais. por exemplo: a) Reduzem a qualidade do produto comercial. as plantas daninhas causam outros prejuízos diretos. etc. arroz-vermelho (Oryza sativa). por misturas de sementes. Exemplo: Desmodium totuosum. como: a) Não são melhoradas geneticamente. Possuem habilidade de produzir grande número de sementes por planta. Em média. por máquinas. num plantio rotacional trigo/soja. capim-massambará (Sorghum halepense) e feijão-miúdo (Vigna ungiculata). folhas. que produz até 42. d) Apresentam dormência e germinação desuniformes. sementes de capim-carrapicho (Cenchrus echinatus) junto ao feno. também. Esses valores tornam-se ainda mais significativos na agricultura moderna. se todas as sementes germinassem de uma só vez. etc. rizomas. c) São rústicas quanto ao ataque de pragas e doenças. como é o caso de mudas cítricas produzidas em viveiro infestado com tiririca (Cyperus rotundus). capazes de se multiplicar por diversas maneiras (sementes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas comuns e outras plantas daninhas verdadeiras.) 1. oficial-de-sala (Asclepias curassavica). cavalinha (Equisetum 8 Módulo 3. As comuns são aquelas que não possuem habilidade de sobreviver em condições adversas.Biologia e métodos de controle . Por exemplo: cafezinho (Palicourea marcgravii). que são atributos que facilitam a perpetuação da espécie. quando presentes em pastagens. cerca de 20-30% do custo de produção de uma lavoura se deve ao custo do controle das plantas daninhas. c) Podem intoxicar animais domésticos. onde se exige perfeito controle das plantas para melhor eficiência das máquinas colheitadeiras. b) Crescem em condições adversas. raízes. etc. impedirem a certificação de mudas em torrão.1. furtam energia do homem.1 . geralmente com facilidade para disseminação pelo vento. as quais são facilmente dissemináveis por animais. É comum.000 sementes por planta. 1). etc. As consideradas verdadeiras possuem características especiais que permitem fixá-las como infestantes ou daninhas. tubérculos. sementes de carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum) aderidas à lã. quando estas são colhidas junto com sementes de determinadas espécies de plantas daninhas proibidas. bulbos. Por exemplo. seria fácil erradicar uma espécie daninha. b) São responsáveis pela não-certificação das sementes de culturas. pois. Muitas espécies de plantas daninhas são.1 . as plantas de trigo que surgirem das sementes remanescentes no solo passam a ser consideradas daninhas à cultura da soja.

Sida santaremnensis. Sida cordifolia. podem. Esta última é a pior invasora para milho. Ela produz cerca de 5. São exemplos destas espécies a corda-de-viola (Ipomoea grandifolia. samambaia (Pteridium aquilinium).). como o mosaico-dourado do feijoeiro.Dano em batata inglesa devido à penetração e ao desenvolvimento de tuberculos de tiririca 1. ainda não introduzida no Brasil. Estas diminuem a eficiência das máquinas e aumentam as perdas durante a operação da colheita até mesmo quando em infestação moderada nas lavouras. causado por um vírus à cultura do feijão. chibata (Arrabidae bilabiata) e outras que podem causar a morte de animais. carrapicho-de-carneiro (Acathospermum hispidum). feijão e cana-de-açúcar. d) Algumas espécies exercem o parasitismo em citros. Sida glaziovii. Sida micrantha.Biologia e métodos de controle 9 . Figura 1 .Prejuízos indiretos As plantas daninhas podem ser hospedeiras alternativas de pragas e doenças. que é hospedeiro do vírus do mosaico da cana-de-açúcar. Módulo 3. prejudicar ou mesmo até impedir a realização de certas práticas culturais e a colheita. Outro exemplo é o capim-massambará (Sorghum halepense). Ipomoea purpurea e outras desse gênero). algodoeirobravo (Ipomoea fistulosa). Outro exemplo de espécie de planta daninha que causa prejuízos diretos e indiretos é a Mucuna pruriens. ainda. Ipomoea aristolochiaefolia. etc. Algumas espécies. durante a operação da colheita. que germinam e parasitam as raízes do milho. infestante comum em lavouras de milho. Capimcarrapicho (Cenchrus echinatus).1. além dos prejuízos diretos que causam às culturas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas piramidale). os nematóides: mais de 50 espécies de plantas daninhas hospedam Meloydogyne javanica e Heterodera (nematóide-do-cisto da soja). os tricomas de suas folhas se rompem a um leve contato e liberam toxinas que causam inflamação na pele do trabalhador.1 . florescem rapidamente e iniciam novamente o ciclo parasitário. arranha-gato (Acassia plumosa) e outras plantas espinhosas podem até impedir a colheita manual das culturas.2 . São exemplos a erva-de-passarinho (Phoradendron rubrum) em citros e a erva-de-bruxa (Striga lutea) em milho. dois meses mais tarde as plantas aparecem na superfície do solo. pois. flor-das-almas (Senecio brasiliensis).000 sementes por planta. que é transmitido pela mosca-branca após ter se “alimentado” de espécies do gênero Sida (Sida rhombifolia. milho e plantas ornamentais. esta espécie daninha dificulta tremendamente a colheita manual.

Nestas áreas não é desejável a presença de plantas daninhas vivas ou mortas. As plantas daninhas podem ser disseminadas por diversos meios. 1. separando as benéficas (denominadas plantas cultivadas) das maléficas (denominando-as de plantas daninhas). dificultando a manutenção de represas. elas começaram a aparecer quando o homem iniciou suas atividades agrícolas. Normalmente. como as olerícolas de modo geral. Os propágulos podem ser raízes. o responsável pela evolução das plantas daninhas. ferrovias. como glaciação. envolvendo os complexos aspectos morfogênicos e edafoclimáticos.1 . têm o custo de controle muito elevado. porque ele é quem cria o ambiente favorável a elas. Vários são os diásporos. aumentando o custo da irrigação. etc. etc. além das partes das plântulas. o que assegura alta taxa de dispersão e restabelecimento de uma infestação. pelas plantas cultivadas. etc. onde podem dificultar o manejo da água. etc. podem ser altamente inconvenientes em áreas não-cultivadas: áreas industriais. possuem seus mecanismos de ação ligados ao processo 10 Módulo 3. pelos quais as plantas podem perpetuar-se tanto por via seminífera como por via vegetativa. animais. Estas. também. estabelecimento e propagação das plantas daninhas De acordo com Musik (1970) e Fischer (1973). pois a semente é uma das vias de entrada dos herbicidas. Por outro lado. Outras espécies de plantas daninhas podem ainda reduzir o valor da terra.Biologia e métodos de controle . o estabelecimento envolve o processo de germinação da semente. incluindo o homem. que apresentam duas características essenciais: dormência e reservas alimentícias. as plantas daninhas produzem muitas sementes. Do ponto de vista morfofisiológico. que se constitui num grande disseminador de tais plantas. ação de rios e mares. caulículo. Causam. como a tiririca (Cyperus rotundus) e a losna-brava (Artemisia verlotorum).2 . problemas sérios em ambientes aquáticos. como o é. que afirma que a vida originou-se no meio líquido.Origem. tornando-se inviável economicamente. dos distúrbios naturais. Exemplos: taboa (Typha angustifolia). ou seja. aguapé (Eichornia crassipes). rizomas. segundo a qual a vida teve origem em terra firme. muitos herbicidas atuam. Todavia. Existem duas grandes teorias: a hidrosere. devido ao próprio conceito de planta daninha. desmoronamentos de montanhas. as plantas daninhas originaram-se. crescimento e desenvolvimento da planta. O estudo do processo germinativo das sementes é de fundamental importância para quem trabalha com o manejo de plantas daninhas. água. prejudicando a pesca. tubérculos. radícula. também. A propagação vegetativa é um mecanismo de sobrevivência de grande importância nas plantas daninhas perenes. e a xerosere.. o funcionamento de usinas hidrelétricas. a disseminação das plantas daninhas pode ser feita por vento. também. refinarias de petróleo. o estabelecimento de uma determinada planta daninha envolve os aspectos ecológicos da agregação e migração. além da competição pelos recursos do meio. quando presentes em áreas com culturas que apresentam pequena capacidade competitiva.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas As plantas daninhas. vias públicas. como hipocótilo. Na verdade. os parques e os jardins. Musik (1970) salienta que o homem é. Além disso. provavelmente. inicialmente. etc. Estas são encontradas onde está o homem.

a velocidade da germinação é menor. Essas necessidades são definidas para cada espécie e estão relacionadas com o habitat de origem e com a melhor forma de preservar a espécie (normalmente as espécies daninhas somente germinam quando existem condições para sobrevivência). provocando o rompimento do tegumento. para o desenvolvimento do eixo embrionário em plântula independente. ou seja. Outro fator que pode influenciar a embebição é a permeabilidade do tegumento da semente à água. 1974. O processo da germinação inicia-se. para a maioria das espécies. permeabilidade do tegumento à água e presença de água na forma líquida ou gasosa. a celulose e as substâncias pécticas. FERRI. A água é necessária para que ocorra a reidratação das sementes. concentração de oxigênio e presença ou ausência de luz. a germinação consiste no processo que se inicia com o suprimento de água à semente seca e termina quando o crescimento da plântula se inicia. Se a semente não estiver em estado de dormência e houver condições ambientais favoráveis. A temperatura ótima é aquela que permite a obtenção da maior percentagem de emergência no menor espaço de tempo. com o ressurgimento das atividades paralisadas ou reduzidas por ocasião da maturação da semente. como adequado suprimento hídrico. Com a embebição. que perdem muita umidade por ocasião de sua maturação e secagem. 1985). ocorre a ruptura do tegumento e saída da radícula. o que resulta numa diminuição do estande. e para isso são necessários alguns requisitos fundamentais: estarem as sementes viáveis e as condições ambientais serem favoráveis. Do ponto de vista fisiológico. Estas sementes permanecerão dormentes enquanto o tegumento estiver impermeável (semente dura). ela entrará em processo de germinação (PROPINIGIS. temperatura. aumenta-se o potencial de pressão interna na membrana que envolve a semente (pressão de embebição). As características físico-químicas das substâncias coloidais das sementes irão comandar o potencial da água nas sementes. Em temperaturas abaixo da ótima. dando origem ao que se chama de semente dura. Para que uma semente viável (condição intrínseca) possa germinar. o qual pode atingir centenas de atmosferas. é necessário o suprimento contínuo de água.1 . sendo dependente dos seguintes fatores: composição química da semente. cada espécie requer uma temperatura ideal para germinação. menor tempo para embebição). METIVIER. 1986. são necessárias as seguintes condições ambientais favoráveis: água em quantidade suficiente. por onde sairá a radícula. Normalmente. A germinação da semente é a reativação dos pontos de crescimento do embrião que haviam sido paralisados nos estágios finais da maturação morfisiológica da semente. impedindo que a planta se estabeleça. atmosfera apropriada à espécie (concentração de CO2 e O2) e luz (comprimento de onda e intensidade). portanto. A embebição das sementes é um processo físico que ocorre tanto nas sementes vivas quanto nas mortas. As principais substâncias responsáveis pela embebição são as proteínas. A quantidade de água necessária para reidratação. A embebição também é influenciada pela temperatura (temperaturas mais elevadas. Entretanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinativo.Biologia e métodos de controle 11 . temperatura adequada à espécie. É comum entre as espécies a presença do tegumento totalmente impermeável à água. é de duas a três vezes o peso da semente. em fases seguintes à reidratação. conforme ela seja fotoblástica positiva ou negativa. porque as sementes ficam por períodos prolongados nos estágios iniciais da Módulo 3.

razão por que a germinação das sementes é influenciada pela composição do ar atmosférico que as envolve. atividade microbiana e teor de umidade.1 . Em algumas espécies tem-se observado. esta prática não é utilizada para conservação de sementes. esse fenômeno é semelhante ao fotoperiodismo observado para o florescimento. em que a luz pode promover a germinação mesmo em temperaturas desfavoráveis. porcentagem de matéria orgânica. uma interdependência entre temperatura e outros fatores externos. isto é. com uma rápida absorção de água pelos biocolóides. O efeito do CO2 é normalmente contrário ao do O2. Existem espécies de plantas daninhas que somente germinam no escuro. nessas condições. longo e de forma cíclica. ou muito curto. Todavia. podendo. Através de concentrações elevadas de CO2 consegue-se evitar a germinação e auxiliar na conservação de sementes. porque uma atmosfera rica em nitrogênio parece ser mais econômica e eficiente. como a grama-seda (Cynodon dactylon). as reações envolvem o fitocromo. a fase gasosa do solo apresenta uma série de substâncias voláteis que são produzidas pelas plantas. que aumentam a necessidade de oxigênio pelo embrião. a velocidade da germinação. também. profundidade de semeadura. outras em luz contínua. como porosidade. as sementes germinam em atmosferas com 20% de O2 e 0. pois sementes de muitas espécies não conseguem germinar quando a concentração de CO2 é muito elevada. apenas flash de 0. ou. como em sementes de alface (alta percentagem de germinação em exposição por um a dois minutos). portanto. obtida por meio do processo de oxidação na presença do oxigênio. em demasia. como: a) altas temperaturas. entretanto. respiração. Em algumas espécies a necessidade de luz ocorre somente após a colheita e em outras por um longo período (por um ano ou mais). O processo de germinação inicia-se. por se tratar de um processo que ocorre em células vivas.Biologia e métodos de controle . ocorrendo a embebição de todos os tecidos da semente e uma expansão do tegumento 12 Módulo 3. causando crescente desorganização do mecanismo germinativo e impossibilitando que as sementes menos vigorosas completem a emergência. As necessidades e quantidades de 02 para germinação são influenciadas por outros fatores. Neste caso. Como exemplo desta interdependência podem-se citar as espécies do gênero Amaranthus. outras necessitam de breve iluminação e outras são indiferentes. Em condições normais. É importante salientar que a sensibilidade das sementes à luz é maior quando a semente está embebida. ainda. A respiração envolve trocas de gases. Temperatura acima da ótima tende a aumentar. em alguns casos.001 segundo (sementes de fumo). Além destes. passam a germinar rapidamente se ocorrer alternância de temperaturas alta e baixa. ficam mais suscetíveis ao ataque de microrganismos patogênicos. A necessidade de luz pode variar também em função do armazenamento. O período de exposição pode ser curto. ser inibidoras ou promotoras da germinação. A germinação.03% de CO2. necessita de energia. em regime de temperatura constante entre 25 e 30 °C. Há espécies cujas sementes somente germinam em regime de alternância de temperatura. A temperatura ótima está relacionada com as atividades das enzimas que participam dos diversos processos metabólicos que ocorrem durante a germinação e cujas ações somente se tornam eficientes em temperaturas específicas. devido à maior atividade metabólica. e b) fatores do solo. Sementes desta espécie dificilmente germinam totalmente no escuro.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinação e.

mesmo que as condições ambientes sejam favoráveis. nas quais o melhoramento genético reduziu ou mesmo suprimiu tal atributo. primeiramente na região da radícula do embrião. ocorrem o metabolismo e a mobilização das reservas das sementes. que é observada pelo aumento da respiração. pela ação das lipases. por alguns autores. mecânica ou fisiológica. acompanhada pelo aumento da síntese protéica no embrião. observa-se aumento nas sínteses de DNA e RNA. que é devida a condições intrínsecas inerentes à própria semente. que elevam a produção de glucose. É o caso das aveias silvestre e cultivada. Durante esta fase o ácido giberélico (giberelinas) estimula a ativação e. pela ação das enzimas amilases. Esta fase da embebição coincide com o aumento da atividade metabólica. havendo formação de α-amilase e outras enzimas. presente na semente seca. Outro aspecto relacionado com a semente é a quiescência. ou. Em conseqüência do aumento das atividades de diversas enzimas durante o processo de embebição. O amido. são transformadas em aminoácidos. a quiescência é confundida. Um grande volume de sementes de plantas daninhas encontra-se. Propinigis (1974) cita como exemplo marcante a dormência das plantas daninhas comparada à das plantas cultivadas. as sementes. O simples revolvimento do solo. as proteínas. ocorrem a divisão e o alongamento celular. frutose e maltose. podendo ser física. pela ação das enzimas proteolíticas. Uma outra razão é dormência. é reativada e a enzima β-amilase é sintetizada de novo por estímulo hormonal (giberelinas) às expensas de aminoácidos originados de proteínas hidrolisadas e com a energia oriunda das atividades das fosforilases. a drenagem de áreas encharcadas e as irrigações de solos secos podem estimular a germinação dessas sementes. são transformados em ácidos graxos (em oleaginosas. no solo. por ação das fitases. e a fitina. Nas primeiras 12 a 16 horas após o início da embebição. iniciando-se o crescimento celular e a mitose. é transformado em açúcares redutores e sacarose. através da ação de duas enzimas: isocitrase e sintetase do malato). que são plantas muito semelhantes e apresentam ciclos vegetativos praticamente iguais. Em cereais. incrementando-se a respiração e o alongamento celular. o número de ribossomos+RNA que incorporam os aminoácidos às proteínas. pelo contrário. que envolve a oxidação da matéria orgânica da semente com formação de ATP e substâncias intermediárias necessárias ao processo anabólico da germinação. também. enquanto a silvestre sobrevive por vários séculos sem a ajuda humana. da glicólise e da respiração. que é o repouso metabólico da semente devido a condições externas desfavoráveis. em estado da quiescência. os lipídeos. é transformada em inositol e fósforo inorgânico. No caso da dormência. Neste caso. porém a cultivada já não consegue viver sem ajuda do homem.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas envolvente. os quais dependem do uso de aminoácidos. o homem sempre Módulo 3. com a dormência.Biologia e métodos de controle 13 . as quais são essenciais para o desenvolvimento do embrião. verifica-se inicialmente a ativação do m-RNA preexistente. as gorduras são convertidas em sacarose pelo ciclo do glioxilato. Aumenta-se. necessitam que a dormência seja superada de alguma forma. a semente não germina. e.1 . síntese das amilases. ao mesmo tempo. o embrião passa a sintetizar e liberar giberelinas que se movem através do endosperma. nas primeiras 24 horas iniciais. para germinarem. Isso ocorre porque durante o processo da embebição a enzima β-amilase. lipídeos e carboidratos solúveis armazenados no embrião.

também chamada de dormência inata. aumentando a sua população quando as condições retornam à sua normalidade. no futuro. germinam todas. Por isso. No retorno ao ambiente favorável. 1998). Segundo diversos autores. ou. Isso pode ocorrer pela simples movimentação do solo. não germina de forma uniforme. Dormência pode ser definida como qualquer estágio no ciclo da vida no qual o crescimento ativo é suspenso por um período de tempo..Biologia e métodos de controle . como os nitratos. e o inverno violento pode matar as plântulas. A aveia cultivada amadurece no verão e suas sementes. Através deste mecanismo a espécie consegue sobreviver em estações desfavoráveis. e presença de algum inibidor fisiológico. sem dormência. e c) quinquilho (Datura stramonium): germina melhor no escuro. é capaz de germinar até a profundidade de 25 cm no solo (VARGAS et al. A dormência. Os diversos tipos de dormência podem ser agrupados em: a) “Dormência primária”. nas várias formas. por exemplo). em um dado período. podem ser várias as causas da dormência: embrião imaturo. pode ocorrer germinação durante meses ou até anos. contribuir para o desenvolvimento de métodos mais eficientes de controle de plantas daninhas. b) língua-de-vaca (Rumex cryspus): germina melhor na presença de luz. Acredita-se que muitas outras espécies de plantas daninhas apresentam mecanismos semelhantes. as demais permanecem dormentes. Como exemplos de espécies de plantas daninhas que apresentam mecanismos de dormência podem-se citar: a) ervaformigueira (Chenopodium album): produz sementes com tegumentos normal e duro. provocar mudança nos teores de umidade. Certas espécies necessitam de condições especiais para germinarem. por apresentar dormência. sendo considerada uma espécie de planta daninha importante.1 . seria aquela que a semente adquire quando ainda está ligada à planta-mãe. Já a aveia silvestre. apenas 2 a 5% germinam. é um dos mais importantes mecanismos indiretos de dispersão. inerente ou natural. garantindo a perpetuação da espécie. Do total dessas sementes. por ser indiferente à luz. O leiteiro (Euphorbia heterophylla). tegumento da semente impermeável à água e. uma avaliação da composição florística de uma área em uma única época do ano não representa o potencial de infestação desta área.000 e 50. 14 Módulo 3. Por esta razão. durante o processo de maturação. também chamada de induzida. O solo agrícola é um banco de sementes de plantas daninhas contendo entre 2. que pode expor as sementes à luz (mesmo por frações de segundos). mas sem sucesso. sendo um meio necessário de sobrevivência entre as plantas daninhas. mesmo sob intenso controle sempre haverá no solo sementes desta espécie.000 sementes/m2/10 cm de profundidade. ao oxigênio. sobrevivendo no solo por muito tempo. requerendo condição especial para quebra da dormência. O amplo conhecimento da dormência poderá. na temperatura e na composição atmosférica do solo ou até mesmo acelerar a liberação de compostos estimulantes da germinação. Como a dormência não é a mesma em todas as sementes de uma planta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas procurou erradicá-la. a semente permanece dormente (sementes com tegumento impermeável. e persiste por longo tempo após completada a maturação. seria aquela que a semente adquire devido ao ambiente desfavorável. endógena. b) “Dormência secundária”.

como Eleusine indica. sem o revolvimento do solo. quando comparada com solos pouco compactados. Este grupo abrange quase todas as plantas consideradas daninhas (cerca de 30. Espécies que produzem sementes grandes. a seletividade de alguns herbicidas baseia-se em diferenças morfológicas e fisiológicas existentes entre as espécies de plantas daninhas e cultivadas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maior germinação foi observada (Quadro 1) no tratamento com (aração + enxada rotativa + ligeira compactação do solo).800 são consideradas mais nocivas em razão de suas características e seu comportamento. em solos muito compactados. as plantas daninhas podem ser anuais. entretanto. assim. Quanto ao ciclo de vida. 1998). podem germinar até a profundidades superiores a 15 e 25 cm. crescem no verão e Módulo 3.000 espécies. Rotativa + Compactação 5. Isto pode ser observado facilmente em condições de campo. cerca de 1. Sem Cultivo No de Sementes Emergidas m-2 103 134 206 328 80 As características físico-químicas do solo também influenciam a profundidade de emergência das sementes. Outro fator extremamente importante na germinação das sementes é a profundidade em que elas se encontram no solo.1 . de suas formas de reprodução e ciclo de vida para se desenvolver um bom programa de manejo integrado. onde no rastro da roda do trator observa-se cerca de 10% a mais de emergência de plantas daninhas. como as dos gêneros Ipomoea e Euphorbia. Uma Aração + Enxada Rotativa 4.5 cm no sistema de plantio direto. Uma Aração + Uma Gradagem 3.3 . bianuais e perenes. como é o caso de Brachiaria plantaginea.Influência do tipo do preparo do solo na germinação de sementes de plantas daninhas Tipo de Preparo do Solo 1. possivelmente pelo maior teor de umidade junto às sementes (maior contato entre as sementes e o solo). Destas. As anuais completam seu ciclo de vida (semente-semente) em um ano ou menos. Outro fator que influencia a profundidade de emergência é o sistema de cultivo. crescem na primavera e produzem frutos e morrem em meio ao verão) e anuais de verão (que germinam na primavera. Por estes e outros motivos é necessário conhecimento mais amplo das espécies de plantas daninhas. 1. As plantas que produzem sementes englobam as monocotiledôneas e dicotiledôneas.0 cm no plantio convencional e somente até 1. Quadro 1 . que germina até a profundidade de 3. somente germinam quando estão até a profundidade de 1.Classificação das plantas daninhas Em certos casos. Uma Aração 2.. causando a cada ano grandes perdas na agricultura. com aproximadamente 170. respectivamente (VARGAS et al. Uma Aração + E. Estas podem ser anuais de inverno (que germinam no outono ou inverno.Biologia e métodos de controle 15 .000 espécies). O Quadro 2 apresenta as 12 famílias mais importantes do mundo. espécies que produzem sementes pequenas. a emergência ocorre em menores profundidades.0 cm.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas madurecem e morrem no outono). que se reproduzem por sementes e por mecanismos vegetativos. lígula normalmente presente. e depois ocorre maturação e morte. há uma lista enorme de características vegetativas que levam às famílias. Imperata brasilensis. porém menos do que dois anos. Caso a planta esteja sem sementes.3. como no caso de cenoura e alface silvestres.1 . As plantas bianuais vivem mais do que um. com nós e entrenós. Estas podem ser classificadas em: a) perenes herbáceas simples . exemplos: Cynodon dactylon. entrenós com talo oco. 16 Módulo 3. onde as estações do ano são bem definidas. etc. há necessidade de um período frio para florescimento e frutificação. e c) perenes lenhosas. bainha normalmente aberta.exemplo: dente-de-leão (Taraxacum officinale) . Eleusine indica. as plântulas se desenvolvem vegetativamente até o estágio de roseta. segundo Holm (1978) Famílias Gramineae Compositae Cyperaceae Poligoniaceae Amaranthaceae Cruciferae Leguminosae Convolvulaceae Euphorbiaceae Chenopodiaceae Malvaceae Solanaceae No Espécies 44 32 12 8 7 7 6 5 5 4 4 4 % Total de Espécies Daninhas 37% 43% 68% As plantas perenes são aquelas que vivem mais de dois anos e são caracterizadas pela renovação do crescimento ano após ano a partir do mesmo sistema radicular. há nítida observância desses fatos. 1.Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas Graminae . deve-se primeiramente saber se a planta é mono ou dicotiledônea. o número de estames ou pétalas.Biologia e métodos de controle . Em certas regiões do Brasil. que se reproduzem por sementes e podem também reproduzir-se vegetativamente se injuriadas ou cortadas.1 . a posição do ovário (inferior ou superior). Quadro 2 . Cyperus rotundus.talo cilíndrico. se as pétalas estão ausentes ou presentes. Para facilitar a correta identificação da espécie. Durante a primeira fase de crescimento.Famílias de plantas daninhas e números de espécies mais importantes por família. que são plantas cujos caules têm crescimento secundário.. principalmente no sul. b) perenes herbáceas mais complexas. com incremento anual. exemplo: Senna obtusifolia. Echinocloa cruspavonis e Bracharia plantaginea. a simetria das pétalas. Echinocloa crusgalli. o tipo de fruto. etc. Exemplos: Digitaria sanguinalis. livres ou unidas.

flores muito pequenas e de cor verde. cinco estames de tamanho desigual. talos e folhas muitas vezes com espinho. folhas bipenadas ou penadas. com seiva mucilaginosa e talos fibrosos. em geral as folhas são penadas. estames quatro a infinito. etc. Exemplos: Sida spp.Mimosaceae .folhas de disposição alternadas. Subfamília III . corola em forma de tubo. Exemplos: Bidens pilosa. com muitos estames em androceu tubular. Sonchus oleraceus e Xanthium cavanillesii.corola com estandarte interno.talo triangular sem nós. Ageratum conyzoides. usualmente anuais. o fruto é uma capsula. folhas e caules. folhas irregularmente recortadas. com odor forte e característico. Cruciferae . Exemplos: Desmodium e Phaseolus. o fruto muitas vezes é uma cápsula ou um policoco. Acanthospermum australe.Papilionaceae .corola irregular com estandarte interno.corola actinomorfa.Biologia e métodos de controle 17 . Solanaceae .língua-de-vaca. talo estriado.possuem cinco estames. Raphanus raphanistrum e Lepidium virginicum. inflorescências condensadas. seiva ácida e penetrante. estames livres e anteras unidas. Chenopodiaceae . Convolvulaceae . Exemplos: Rumex crispus . planta com escamas. Leguminosae . estames inseridos no fundo do tubo polínico. folhas nunca bipenadas.Amaranthaceae . Subfamíla II . Exemplos: Solanum. flores vistosas.Cesalpinaceae .presença de serocina.é subdividida em subfamílias: Subfamília I . inseridos na corola. estames 3-12 inseridos no cálice. Cyperaceae . muitas vezes.estames tetradínamos (quatro comprimidos para dentro e quatro curvados para fora). flores muito pequenas e de cor verde. dividido em dois lóculos. Exemplos: Ipomoea sp. Exemplos: Brassica rapa.trepadoras com folhas alternadas e sem estípulas. Exemplos: Senna obtusifolia. Módulo 3. Exemplo: Chenopodium album. hermafroditas e actinomorfas. Convolvulus arvensis e Cuscuta sp. fruto em aquênio. Physalis e Datura. sem estípulas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Compositae . nós dos talos inchados ou protuberantes.flores vistosas com cálice e corola pentâmeros. Melampodium perfoliatum.. Exemplo: Mimosa e Acácia. estames 10.Inflorescência em capítulo (flores muito pequenas e em dois tipos: tubulares e ligulares). cálice transformado em papus. Exemplos: Cyperus esculentus e Cyperus rotundus.1 . Malvaceae . geralmente (9) + 1. Exemplos: Amaranthus hybridus e Amaranthus viridis. anteras agrupadas ao redor do estilete. o fruto é uma síliqua. Polygonaceae . brácteas espinhosas. bainha fechada sem lígula.

cortadas. muitas vezes. Exemplos: Amaranthus retroflexus com 117. 18 Módulo 3. e Euphorbia heterophylla (amendoim-bravo). e Bidens pilosa (picãopreto) é transportado a longas distâncias nos pêlos de animais ou roupas dos operadores de máquinas. Exemplos: Avena fatua (aveia-brava) germina até a 17 cm. podem gerar mais dez plantas. Echinoclhoa crusgali (capim-arroz) foi introduzido junto com as sementes importadas. animais. Cynodon dactylon (grama-seda): por sementes e estolões. e) Mecanismos alternativos de reprodução. (corda-de-viola). quando separadas. e Cyperus rotundus (tiririca). e este foi o motivo de sua introdução no Brasil pela importação de animais ou lã. c) Capacidade de germinar e emergir a grandes profundidades. com isso.400 sementes por planta. etc. cujas sementes permanecem viáveis mesmo após 54 meses. é a causa do insucesso dos herbicidas aplicados ao solo. sendo uma das estratégias de sobrevivência das plantas daninhas. estolões. são distribuídas em outras áreas. e mantém alguma viabilidade após passarem pelo aparelho digestivo de ovinos e eqüinos e só perdem o poder germinativo passando pelo aparelho digestivo das aves. a 12 cm. caso o homem não interfira. no momento do cultivo do solo. Exemplos: Sorghum halepense (capim-massambará): reproduz por sementes e rizomas. bulbos. Isto ocorre pela ação de água. b) Manutenção da viabilidade mesmo em condições desfavoráveis. e Cyperus rotundus: apenas um tubérculo. Exemplos: Phoradendron rubrum (erva-de-passarinho). Há duas situações distintas: 1) Disseminação auxócora (externa): Acanthospermum australe (carrapicho-de-carneiro) . 2) Disseminação zoócora (interna): as sementes ingeridas pelos animais passam pelo intestino e. homem. Muitas plantas daninhas apresentam mais de um mecanismo de reprodução. dominam as plantas cultivadas.500 sementes por planta. usando os métodos de controle disponíveis. Ipomoea sp.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. Esta característica. d) Grande desuniformidade no processo germinativo. tubérculos. f) Facilidade de distribuição dos propágulos a grandes distâncias. Momordica charantia (melão-de-são-caetano) e Paspalum notatum (gramabatatais).Biologia e métodos de controle . Exemplo: Convolvulus arvensis. rizomas. em 60 dias.4 . Isso ocorre devido aos inúmeros e complexos processos de dormência.adere à lã das ovelhas. Artemisia biennis: 107. submersas em água ou após passarem pelo aparelho digestivo do porco ou boi. produz 126 tubérculos. por sementes e tubérculos.1 . além de tudo isso. esta planta produz centenas de sementes viáveis.Características de agressividade das plantas daninhas As características das plantas daninhas verdadeiras fazem com que estas sejam mais agressivas em termos de desenvolvimento e ocupação rápida do solo. Essas características de agressividade são: a) Elevada capacidade de produção de dissemínulos (sementes. máquinas. a 20 cm. etc. etc.). vento. através das fezes. e cada tubérculo possui cerca de dez gemas que.

dominando facilmente a cultura.Biologia e métodos de controle 19 .Competição entre plantas daninhas e culturas Para germinar. Essa grande longevidade se deve a inúmeros e complexos processos de dormência. toda planta necessita de água. luz. nessas condições (KLINGMAN et al. frutos. Muitas plantas daninhas crescem e se desenvolvem mais rápido que muitas culturas. e. que também lutam pelos mesmos fatores de crescimento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas g) Rápido desenvolvimento e crescimento inicial. Em soja. com pequeno porte e pouco crescimento vegetativo. 1982). sobre outras. em nível ecológico. a 20-100 cm de profundidade. 44 após 30 anos e 36 após 38 anos. À medida que a planta se desenvolve. Contudo. muitas vezes é preferível falar-se em interferência de uma comunidade de plantas. seja da mesma espécie ou de espécies diferentes. Já Odum (1969) afirma que competição significa uma luta por um fator. Na cultura da cebola. nutrientes e dióxido de carbono disponíveis em um determinado local e tempo. Locatelly e Doll (1977) definem competição como a luta que se estabelece entre a cultura e as plantas daninhas por água. a competição torna-se importante quando dois ou mais organismos lutam por algo que não existe em quantidade suficiente para todos.1 . luz. podendo ser agravados pela presença de outras plantas no mesmo espaço. daninhas ou não. assim.. 57 após 20 anos. Decandole (1820) foi quem primeiro conceituou competição. gerando. 2 . crescer e reproduzir-se. numa situação de competição. por exemplo. ambos os indivíduos são prejudicados. cujas sementes foram enterradas em cápsulas porosas. apresentem grande acúmulo de material em sementes. Observações usando 14C mostraram que a semente do lótus da índia pode ser viável por 1. Do exposto. esses autores salientam que. tubérculos ou outras partes de Módulo 3. por 1. nos ecossistemas agrícolas. ou quando esta é rodeada pelos seus descendentes. h) Grande longevidade dos dissemínulos. esses fatores do ambiente tornam-se limitados.700 anos. e a da ançarinha-branca. pois nos programas de melhoramento genético tem-se procurado desenvolver cultivares que. as plantas daninhas germinam e crescem muito mais rápido. 68 após 10 anos. envolve os aspectos da migração e agregação. temperatura. completando seu ciclo de vida. Para Weaver e Clements (1938). Brachiaria plantaginea tem grande facilidade para dominar a área quando o controle não é efetuado no momento oportuno. as plantas daninhas sempre levam vantagem competitiva sobre as plantas cultivadas. Daí em diante vários outros conceitos foram emitidos. depreende-se que. mostraram que 71 delas estavam viáveis um ano após. em razão de a competição envolver vários fatores diretos e indiretos. ou seja.040 anos. quando esta é conduzida por semeadura direta. uma relação de competição entre plantas vizinhas. gás carbônico e oxigênio em quantidades adequadas. afirmando que todas as plantas de um determinado lugar estão em estado de guerra entre si. a competição seria a luta que se inicia entre indivíduos quando uma planta está em um grupo de outras plantas. Observações com 107 espécies de plantas daninhas. respectivamente.

fazendo o controle das plantas invasoras. Para Santos et al. ou seja. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância. por exemplo. luz. caso não haja interferência humana. a grande capacidade de sobrevivência das plantas daninhas. nessas circunstâncias. Recursos são os fatores consumíveis. gás carbônico. em sua maioria. não apresentam. diminuindo ou impedindo que as plantas cultivadas tenham acesso aos fatores de crescimento. não sendo visível no início do desenvolvimento das plantas. 1985). 20 Módulo 3. comprometendo. Como ambas possuem suas demandas por água. etc. devido ao refinamento genético a que foram e ainda são submetidas. cuja dependência é muito grande. entretanto. reduzindo não somente a produtividade da cultura. algumas vezes observada no em realação às culturas. Condições são fatores não diretamente consumíveis.1 . a qual ocorre porque. (2003)..1 . nutrientes e luz.Fatores do ambiente passíveis de competição A competição entre plantas é diferente daquela que ocorre entre animais. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. a competição entre plantas é de natureza aparentemente passiva. qualquer planta daninha que se estabeleça na cultura vai usar parte dos fatores de produção. a produtividade das culturas e a qualidade dos produtos colhidos.Biologia e métodos de controle . quase sempre esse acréscimo na produtividade econômica da espécie cultivada é acompanhado por decréscimo no potencial competitivo (PITELLI. estes fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente. já limitados no meio. mas também a qualidade do produto colhido. a cultura e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. Todavia. na maioria das vezes. Estas se estabelecem rapidamente. nutrientes e CO2 e. até mesmo para o próprio desenvolvimento da cultura. Outro aspecto importante é a grande agressividade. como pH do solo. como acontece. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex: toxidez devido a excesso de Zn no solo). densidade do solo. capacidade de competir vantajosamente com as plantas daninhas verdadeiras. que as plantas cultivadas. em condições de sombreamento (PITELLI. 1985). até que um nível ideal seja alcançado. a superioridade das plantas daninhas na competição por esses recursos. assim. como água. Sabe-se. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso é limitado e é máxima quando o ponto de saturação é atingido. Radosevich et al. pode ser devido à ocorrência de alta densidade dessas invasoras na área. Devido à falta de mobilidade dos vegetais. Em ecossistemas agrícolas. 2. em razão da influência extrema que estes exercem sobre a utilização dos recursos pelas plantas. estabelece-se a competição.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interesse econômico. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos.

porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. pode-se concluir que determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer.Biologia e métodos de controle 21 . nessa teoria. e correlações entre a presença de vizinhos. um bom competidor poderia ser a espécie com menor requerimento de recursos. De acordo com Grime. Shainsk e Radosevich (1992). e é desses autores a descrição que se segue. Apesar de os debates continuarem a respeito da validade e relevância dessas duas teorias.. principalmente o fósforo. 2003). citados por Radosevich (1996) sugeriram que o mecanismo de competição por recursos deve ser demonstrado por depleção dos recursos associados à presença e abundância de plantas vizinhas. Embora a maioria das definições atuais sobre competição englobe o critério de Goldberg. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. 1996). várias outras teorias têm sido desenvolvidas para explicar a importância relativa dos componentes da competição e das características das plantas que lhes conferem competitividade superior. ainda. podem reduzir o conteúdo relativo de N-P-K nos tecidos dessa cultura para 28-39-28% e 1429-21% do total. um bom competidor apresenta alta taxa de crescimento relativo. 1990. trabalhos mais recentes têm apresentado algumas justificativas para a baixa produtividade observada para as culturas quando em competição com espécies de plantas daninhas: Bidens pilosa e Leonurus sibiricus. desenvolvendo-se juntamente com plantas de café em fase inicial. Portanto.1 . Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas Módulo 3. Na realidade. A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. a elevada capacidade competitiva da espécie Desmodium tortuosum nas culturas da soja e do feijão pode ter como contribuição o maior acúmulo de nutrientes por essa planta daninha. (2005). Assim. Portanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. sucesso competitivo é a habilidade para extrair recursos escassos e para tolerar essa escassez de recursos. podendo utilizar os recursos disponíveis rapidamente. a competição é a tendência de plantas vizinhas utilizarem os mesmos recursos. mudanças morfológicas e fisiológicas nas respostas de crescimento que estejam associadas com variações nos recursos. os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta das plantas às variações dos recursos (GOLDBERG. 1996).. Com base nessas teorias. não estando. Radosevich et al.. Para Procópio et al. ambas ajudam a explicar como espécies de plantas competem por recursos limitados e como as características das plantas influenciam sua habilidade competitiva. citado por RADOSEVICH et al. totalmente esclarecida. a depleção nos recursos e as respostas de crescimento. Contudo. respectivamente (RONCHI et al. mesmo com baixos níveis do recurso (RADOSEVICH et al.1996). e o sucesso na competição é fortemente determinado pela capacidade da planta em capturar recursos.. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (Radosevich et al. Para Tilman. (1996) afirmam que duas dessas teorias (a de Grime e a de Tilman) têm recebido maior atenção do meio científico.

as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. No entanto. ocorre também a competição intraplanta ou endocompetição. ou. liberar toxinas no solo. d) Uma infestação moderada de plantas daninhas em lavouras pode ser tão danosa quanto uma infestação pesada. ainda. envolvendo indivíduos de espécies diferentes. c) As espécies daninhas competem por água. na fase plantular. parte aérea. se a população de plantas da cultura por área for baixa ou o estande desuniforme. 1996). interespecífica. e sistema radicular muito desenvolvido. Cardenas (1972) salienta que a competição deve-se a condições específicas quanto ao ambiente e ao solo. entre outros fatores. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. o maior índice de área foliar. podendo. as características que fazem com que uma espécie de planta seja altamente competitiva são as seguintes: • Ciclo de vida semelhante ao da cultura. comumente. ou. como veranico e geadas. Todavia. Com base nos pontos descritos. do seu vigor. que são capazes de prover quantidades limitadas dos fatores essenciais ao desenvolvimento das plantas. também. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. • Plasticidade fenotípica e populacional.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas sobre as culturas são o seu porte e sua arquitetura. em função da espécie cultivada. desenvolvimento da cultura. se a cultura se estabelecer primeiro. várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as culturas e as plantas daninhas: a) A competição é mais séria quando a cultura está na fase jovem. luz. seja ela daninha ou não. nas primeiras seis a oito semanas após sua emergência. isto é. b) As espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da cultura. a menor susceptibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. que podem inibir a germinação e.1 . desenvolvimento e crescimento rápido de uma grande superfície fotossintética mesmo. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis. Entretando. ainda. em que cada órgão ou parte da planta luta pelo fotoassimilado produzido nas fontes. A competição pode ser intra-específica. ela poderá cobrir rapidamente o solo. grande número de estômatos por área foliar. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. nutrientes e espaço. 22 Módulo 3.Biologia e métodos de controle . Com base nesse conceito. e. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. dependendo da época de seu estabelecimento. A competição entre plantas daninhas e culturas é um fator crítico para o desenvolvimento da cultura quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a cultura (RADOSEVICH. • Desenvolvimento inicial rápido das raízes e. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas.

da profundidade de plantio. ficou constatado que a planta daninha Bidens pilosa é capaz de extrair água do solo em tensões três vezes maiores do que as alcançadas pela soja e pelo feijão (Fig.Biologia e métodos de controle 23 . pois se estabelecem primeiro. mecânico ou biológico. do cultivar adequado para a região. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas. (RADOSEVICH et al.1 .1 . como o método químico. na fase inicial de seu desenvolvimento..1996). 2. etc. maior exploração do solo em busca de água (PROCÓPIO et al. • Produção e liberação no solo de substâncias alelopáticas. dessa forma.. torna-se fácil o manejo da cultura de modo que esta leve vantagem sobre o complexo daninho. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes. ou seja.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. especialmente nos trópicos. Em trabalho realizado por Procópio et al. como capacidade de remoção de água do solo. da época correta de plantio. etc. sem qualquer sinal de déficit hídrico. por isso. tendem a excluir as demais. apresentam alta eficiência no uso da água (EUA = g de matéria seca produzida/g de H2O utilizada). regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. (2004b). pilosa com pouca água no solo pode estar relacionada com o fato de que. minimizando assim a competição ou até mesmo eliminando-a com a ajuda de outros métodos de controle. as plantas da cultura ficarem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas.. é normal em alguns agroecossistemas. da percentagem de germinação e vigor das sementes. no manejo da cultura. Disso resulta a importância do preparo do solo. Conhecendo tais fatores. • Adaptação às mais variadas condições ambientais. que essas plantas com baixo requerimento de água sejam mais produtivas durante o período de limitada disponibilidade de água que as plantas com alto requerimento em água e. • Produção de um elevado número de propágulos por planta. as condições para que a cultura se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular. em dias quentes. pequenas ou grandes.1. realizando. o chamado manejo integrado de plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Germinação desuniforme no tempo e no espaço (presença de dormência). especialmente nitrogênio e carbono. Módulo 3. 2). magnitude da condutividade hidráulica das raízes. 1996). portanto. mais competitivas (RADOSEVICH et al. Normalmente. esta espécie drena grande parte de fotoassimilados para a produção de raízes (baixa relação parte aérea/raiz) as quais promovem. as características fisiológicas das plantas. em fases posteriores de desenvolvimento.. Certas espécies de plantas são capazes de usar menos água por unidade de matéria seca produzida que outras. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da cultura e da vegetação daninha infestante da área a ser cultivada. Desse modo. 2002). Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. portanto. Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma cultura. A razão da elevada capacidade de sobrevivência de B. É de se esperar.

apresentam um coeficiente transpiratório entre 150 e 350 (Quadro 4). soja.316 0.) apresenta coeficiente transpiratório entre 500 e 700 (Quadro 4).963 24 Módulo 3. Valores antes do florescimento Valores após o florescimento -------UEA – biomassa seca em g kg-1 de água fornecida------0. (2002). sorgo e cana-de-açúcar e grande número de espécies daninhas em nossas condições (Cyperus rotundus. Amaranthus retroflexus. no ponto de murcha permanente Quadro 3 – Valor máximo do uso eficiente da água (UEA) por diferentes espécies vegetais Espécie vegetal Phaseolus vulgaris Glycine max Euphorbia heterophylla Bidens pilosa Desmodium tortuosum Fonte: Procópio et al. tem um coeficiente transpiratório extremamente baixo. etc.112 0. O abacaxi. algumas culturas de gramíneas.088 0. por realizarem o metabolismo C4. pois são espécies que realizam o metabolismo C3 (plantas ineficientes). Digitaria horizontalis. chamada de coeficiente transpiratório (CT = volume água transpirado em mL/produção de biomassa seca. A maioria das culturas (feijão.367 0. algumas espécies de plantas daninhas podem apresentar diferentes valores de EUA ao longo do ciclo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Todavia. Outra maneira de se estimar o consumo de água pelas plantas é através da eficiência transpiratória. cultivado com diferentes espécies vegetais. em gramas).168 2. Alguns exemplos são apresentados no Quadro 3.073 0. trigo.017 1.015 0. podendo competir melhor por este recurso em diferentes estádios fenológicos da cultura. que correlaciona a água transpirada com a biomassa seca produzida. Cynodon dactylon.Biologia e métodos de controle . como milho. por ser uma planta xerófila e apresentar uma rota fotossintética específica (CAM).Potencial hídrico no solo. etc. O coeficiente transpiratório das diferentes espécies de plantas varia de 25 a 700.250 0. Panicum maximun. Cenchrus echinatus.1 . algodão. Por outro lado. Brachiaria plantaginea.). Figura 2 .

com certeza devido à sua alta EUA. pode ser devida à maior população e melhor utilização de outros recursos. observada em campo. Bidens pilosa e Desmodium tortuosum. não foi eliminado. retroflexus. chegando inclusive a citar exceções. Santos et al. para diferentes espécies de plantas Espécie vegetal Amarantus hybridus* Glycine max Gossypium hirsutum Phaseolus vulgaris Panicum maximum* Oryza sativa Zea mays* Sorghum vulgare* Brachiaria brizantha* Eucalipto * Espécies que realizam o mecanismo C4. como a de Sesbania exaltata. a competição pela luz não é tão importante como a competição por água e por nutrientes.2 . uma vez que a cultura tenha formado sombreamento completo. citados por Radosevich et al. 1977 Silva et al. quando avaliadas isoladamente das plantas daninhas.1 . Para outros autores. dois mecanismos diferentes para sobreviver à competição por água: habilidade para utilizar um recurso rapidamente (espécie C4) e habilidade para continuar a desenvolver-se mesmo com baixos níveis do recurso (planta C3). 1996). Esses autores salientam que. Módulo 3. que compete vantajosamente por este fator de crescimento com a cultura do arroz. Quadro 4 . (2003) avaliaram o UER das culturas da soja e do feijão e das espécies de plantas daninhas Euphorbia heterophylla. como água e nutrientes.. as quais. observaram que a diferença na eficiência de uso da água entre Chenopodium album (C3) e Amaranthus retroflexus (C4) influenciou pouco a relação entre elas.1. mesmo crescendo com outras espécies em condição imposta de estresse hídrico. porém o uso eficiente da água não é o único mecanismo utilizado para sobreviver à competição por água. como Locatelly e Doll (1977). Coeficiente transpiratório 152 700 568 700 267 682 174 153 265 282 Fonte Blanco. Já A.Volume de água transpirada (em mL) para acúmulo de 1 g de biomasa seca. Os autores afirmam que. (1981.. Pearcy et al. verificando que as culturas foram capazes de produzir maior quantidade de biomassa por unidade de radiação captada.Biologia e métodos de controle 25 . a maior capacidade competitiva delas. 2004 Silva et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Essa diferença na eficiência do uso da água é um fator importante na agressividade da espécie. 2004 2. o melhoramento genético imposto às culturas possibilitou a seleção de plantas com elevada capacidade de utilização da luz. já que sua EUA é baixa. apesar de as plantas daninhas avaliadas apresentarem menor eficiência na utilização da radiação fotossinteticamente ativa. apresentam maiores valores para o uso eficiente da radiação (UER).. Observam-se.Competição por luz Para alguns autores. Provavelmente a espécie C3 contornou a deficiência hídrica pelo controle estomatal. a competição das plantas daninhas pela luz deixa de existir. nesse exemplo.

estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. agora pela enzima ribulose 1. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. as plantas C3 fotorrespiram intensamente. atividade ótima em temperaturas mais elevadas. onde estes produtos são descarboxilados. isso só é verdade em determinadas condições. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. entretanto. ou seja. dependendo da espécie vegetal. que ocorre em todas as plantas superiores.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sabe-se que a competição pela luz é complexa sendo sua magnitude influenciada pela espécie.1 . no ácido fosfoenolpirúvico.5 difosfato carboxilase. catalisa a produção do ác. As plantas de rotas fotossintéticas do tipo C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson.Biologia e métodos de controle . do glicolato. formando o ácido oxaloacético (AOA). localizada nas células do mesófilo foliar. em seguida. quando comparadas com plantas de metabolismo do tipo C4 (Quadro 5). sendo esta relação para as plantas C4 de 1:5:2. por apresentarem dois sistemas carboxilativos. também. e. É sabido que a relação molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). Estas plantas. Essas plantas não apresentam fotorrespiração detectável. Todavia. baixo ponto de saturação luminosa. consumindo 2 ATPs. atua especificamente como carboxilase. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. se ela é umbrófila ou heliófila e. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. e não satura em alta intensidade luminosa. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEP-carboxilase) apresenta algumas características. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. por difusão. logo. Como toda esta energia é proveniente da luz. As plantas C4. Em função destas e outras 26 Módulo 3. não desassimilam o CO2 fixado. substrato inicial da respiração. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. se se reduzir o acesso à luz. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico). As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2 . onde é fosforilado. por ser ambígua quanto ao substrato. retorna às células do mesófilo. Em conseqüência da ação desta enzima. É muito comum imaginar que as espécies de metabolismo C4 são sempre mais eficientes que as plantas C3. como: alta afinidade pelo CO2. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). também. responsável pela fixação do CO2. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. ocorrendo o ciclo de Calvin e Benson. Este CO2 liberado é novamente fixado. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. é transportado para as células da bainha vascular das folhas. o ácido pirúvico. por difusão. 3 fosfoglicérico e. Este fato evidencia que as plantas C4 necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. além do ciclo de Calvin e Benson.

levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente.Biologia e métodos de controle Fotossíntese C3 Presente: 25 a 30 % do valor da fotossíntese Ácido 3-fosfoglicérico Alto: 50-150 ppm de CO2 Ausência bainha vascular. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. cana-de-açúcar. é comum. mandioca. Ponto de compensação 04. Fotossíntese x intensidade luminosa 09. Relação CO2 : ATP:NADPH 08. Primeiro produto estável 03. Considerando todas as áreas do globo terrestre. esta passa a atuar mais como oxidativa. soja. as espécies C4 dominam completamente as C3.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). a enzima carboxilativa das plantas C3 encontrase saturada quanto à luz. Taxa de fotossíntese líquida com saturação de luz Módulo 3. Este fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. Isso acontece porque. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km) (Quadro 5). torna-se evidente que plantas daninhas C4 serão aquelas que exercerão maior competição com as culturas. quando presente. e. alta luminosidade e até mesmo déficit hídrico temporário. Além disso. Anatomia foliar 05. Como a maioria das culturas agronômicas das regiões tropicais e subtropicais (algodão. nessas condições. Quadro 5 . mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. arroz.0 a 10 ppm de CO2 Presença de bainha vascular com cloroplastos. Isso é possível porque este grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável. liberando CO2.1 . chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. No caso das plantas C4. Fotorrespiração 02. entre as dez espécies de plantas daninhas mais nocivas do mundo. estima-se que. Temperatura ótima para a fotossíntese 10. etc. PEP-carboxilase (Km ≅ 5μM de CO2) Sem efeito 1:5:2 Não satura com aumento da luminosidade. Próxima de 35 oC 40 a 80 mg CO2 dm-2 h-1 27 . existem exceções. Echinochloa crusgalli e Eleusine indica. sem cloroplastos RuDP-carboxilase (Km ≅ 20μM de CO2) Inibição 1:3:2 Satura com 1/3 da luminosidade máxima Próxima de 25 oC 15 a 35 mg CO2 dm-2 h-1 Fotossíntese C4 Presente: não mensurável pelo método de troca de gases com o ambiente Ácido oxaloacético Baixo: 0. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). Enzima primária carboxilativa 06. milho. Efeito do oxigênio (21%) sobre a fotossíntese. Panicum maximum. Echinochloa colonum. Cynodon dactylon.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas características (Quadro 5). feijão. Imperata cilindrica. quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. oito são plantas C4 anuais ou perenes: Cyperus rotundus.Características diferenciais entre plantas com rotas fotossintéticas C3 e C4 Característica 01. 07. ainda assim essas plantas continuam acumulando biomassa.) são cultivadas nos meses do ano que coincidem com períodos de elevada intensidade luminosa e temperatura. nestas condições. Sorghum halepense.

para as espécies de plantas C3. em conseqüência disso. a alta infestação dessa planta daninha em lavouras de soja implica maior remoção desse nutriente para a massa total da espécie infestante.5 % da biomassa seca 2.1 . Richardia brasiliensis acumula 10 vezes menos N. Como a eficiência na captura de CO2 proveniente do ar é diferente entre plantas C3 e C4 (Quadro 5) e se sua concentração pode variar. que são os dois processos principais de renovação da atmosfera do solo. considerando as diferentes rotas fotossintéticas apresentadas por espécies de plantas daninhas e culturas. deve-se considerar. com muito maior ênfase. os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das culturas em nossos solos. assim. 20 vezes menos P e cinco vezes menos K compara à soja (PEDRINHO JÚNIOR et al. da quantidade e das espécies presentes.. Coeficiente transpiratório 11. a concentração de CO2 no mesófilo foliar necessária para que uma determinada espécie passe a acumular matéria seca é diferente.5 a 7. Outro ponto a ser considerado é a “Interação Radicular Passiva”. Sob condições normais.5 % da biomassa seca Fotossíntese C4 150 a 350 g H2O / g biomassa seca 3. Molinia caerulea é mais tolerante a alta taxa de CO2 do que Erica tetralix. Fotossíntese C3 450 a 1.3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Característica 11. o aspecto competitivo não é comumente discutido e geralmente é considerado não-significante. 2004).Competição por CO2 Com relação ao CO2. deficiência de oxigênio e. em alto grau. a atmosfera edáfica contém menos oxigênio e mais CO2 do que o ar acima do solo. por exemplo. Todavia. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes. dentro de uma população mista de plantas. 2. a competição por nutrientes depende. que oferece resistência à difusão e ao fluxo de massa. ele pode ser limitante. em condições de solo encharcado. Por exemplo.1.Biologia e métodos de controle .Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e.1. Isso acontece devido ao consumo do oxigênio pelos microrganismos do solo e em razão de sua renovação lenta.4 . Conteúdo de N na folha para atingir fotossíntese máxima Fonte: Ferri (1985).000 g H2O / g biomassa seca 6.0 a 4. Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. podem levar desvantagem na competição com espécies mais tolerantes em tais situações. No entanto. por exemplo. Procópio et al. em conseqüência da “tortuosidade” da matriz do solo. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca. Determinadas espécies de plantas são mais sensíveis ao excesso de CO2 e. principalmente. exercem forte competição com as culturas pelos nutrientes essenciais. ou. (2005) observaram que Desmodium toruosum é capaz 28 Módulo 3.

estudando a distribuição dos nutrientes extraídos pelas plantas daninhas e pela cultura. Cerca de 80% do cálcio foi imobilizado pelas plantas daninhas. Além da capacidade em extrair nutrientes do solo. poderá favorecer espécies vegetais que utilizam mais eficientemente esse recurso. Quadro 6 . em campo. competindo com uma espécie/planta por vaso Espécie Vegetal Bidens pilosa Commelina diffusa Leunurus sibiricus Nicandra physaloides Richardia brasiliensis Sida rhombifolia PTC* * 77 180 82 68 148 133 N 59 30 35 37 49 97 P K 72 67 42 37 33 38 62 68 61 57 83 105 Conteúdo relativo* de nutrientes Ca Mg S Cu Zn B Mn Fe Na 67 74 97 106 66 76 59 54 69 45 48 69 69 37 54 19 41 35 36 40 41 66 37 41 30 57 39 72 76 86 114 69 101 50 107 68 53 50 67 43 51 63 57 61 59 90 88 98 93 77 138 102 80 106 *Relativo ao conteúdo verificado na testemunha (cafeeiro sem competição).Biologia e métodos de controle 29 . é capaz de formar três vezes mais matéria seca por unidade de P absorvida do solo. desenvolvida na presença da comunidade infestante.. a competição depende do nutriente. Podese afirmar que. acarretaram decréscimos consideráveis no conteúdo relativo de nutrientes de plantas de café. respectivamente. Isso demonstra que. os autores observaram que Bidens pilosa. o grau de interferência varia consideravelmente com a espécie e com a densidade das plantas daninhas. Os acúmulos de cálcio e manganês no arroz foram reduzidos em 40 e 28%. e do contrário ocorreu com o manganês (85% imobilizado pela cultura). comparadas à soja e ao feijão (PROCÓPIO et al. por ocasião do florescimento da cultura. outras espécies são competidoras também na utilização desse recurso. verificaram que as espécies infestantes. ** Período total de convivência da planta daninha com a muda de café no vaso Módulo 3. (2003). Para os autores. com adição de subdoses. 2004a). diffusa a planta daninha que causou a maior diminuição no conteúdo relativo de nutrientes no cafeeiro (Quadro 6).Conteúdo relativo* de nutrientes na parte aérea de plantas de café cultivadas em vasos (12 L de substrato). o manejo inadequado de nutrientes. avaliando os períodos de convivência e acúmulo de nutrientes de diferentes plantas daninhas e o cafeeiro. mesmo em baixas densidades.1 . observou que a matéria seca acumulada foi equivalente para a cultura e as plantas daninhas. pela interferência imposta pela comunidade infestante. Em lavoura de arroz de sequeiro. Pitelli (1985).4 vezes mais P por g de massa seca comparada à soja em mesma condição de recursos. Além disso. evidenciando elevada eficiência na utilização desse nutriente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas de acumular até 2. Ronchi et al. em competição com o feijoeiro. além do acúmulo de matéria seca. sendo C. Bidens pilosa e Euphorbia heterophylla apresentam maior eficiência na utilização do N absorvido no solo.

existindo forte relação de dependência entre a produção destes metabólitos e 30 Módulo 3. Os aleloquímicos. exsudação radicular. quando cultivado sucessivamente na mesma área. As plantas podem exsudar naturalmente uma série de compostos orgânicos. metabólitos secundários podem inibir a própria planta que os produziu. denominados aleloquímicos. Existe ainda a auto-alelopatia. raízes.Biologia e métodos de controle . insetos. As plantas são hábeis em produzir aleloquímicos em todos os seus órgãos. sobre a própria planta ou microrganismos ou vice-versa. quando lançados no ambiente. A primeira demonstração científica de auto-alelopatia foi feita em feijão-miúdo (Vigna unguiculata). geralmente da ordem de 0. ou seja. mas provavelmente estão associados com mecanismos ou estratégias químicas de adaptação às condições ambientais.1 . Em fruteiras (pessegueiros. que não parecem relacionados diretamente com nenhuma função do metabolismo primário. Os efeitos podem ser deletérios ou benéficos sobre outra planta. afetam o crescimento. Provavelmente. apresentam potencial para exercer alelopatia em agroecossistemas. ou ainda alcançar o solo. caules. A maioria dos aleloquímicos voláteis são compostos terpenóides. 1988). lixiviação e decomposição dos resíduos da planta. promovem uma interação bioquímica entre plantas. acumular e secretar uma grande variedade de metabólitos secundários. a maioria dos metabólitos secundários liberados pelas plantas está envolvida em interações com outros organismos. 1984). Milhares de compostos secundários sintetizados por espécies vegetais estão isolados e estimasse que outros milhares existam na natureza. por meio dos próprios vapores. flores. os compostos secundários que. (folhas. onde são absorvidos pelas raízes (ALMEIDA. 1969). como outras plantas. Assim. após serem transferidos para o ambiente (RICE. principalmente monoterpenos e sesquiterpenos (RICE. Uma vez volatilizados. A quantidade dos compostos produzidos e a composição destes dependem da espécie e das condições ambientais. frutos e sementes). 1984). macieiras e citros) também ocorre a auto-inibição do desenvolvimento em plantios na mesma área. os aleloquímicos podem ser absorvidos diretamente pela cutícula das plantas vizinhas. após muitos anos de cultivo da mesma espécie no solo. o comportamento ou a biologia da população de organismos de outra espécie são de interesse da alelopatia.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . ou seja. através de volatilização.4% do carbono fotossintetizado (ROVIRA. ou condensados no orvalho. incluindo microrganismos. fungos e herbívoros. lançados ao ambiente.Alelopatia As plantas superiores desenvolveram notável capacidade de sintetizar. Essas substâncias alelopáticas são liberadas dos tecidos da planta para o ambiente de diferentes formas. o estado sanitário.1 a 0. em raízes intactas.

como nabo forrageiro. 1996). Por exemplo. etc. grama-seda. respiração. Restos culturais de algumas culturas. etc. alguns terpenos e muitos compostos fenólicos podem ser lixiviados. nutrientes. Os principais processos vitais afetados. Assim. aveia e centeio. As perdas da permeabilidade seletiva da membrana citoplasmática ocorrem pouco tempo após a morte da planta. como taninos. etc. CO2. permeabilidade da membrana celular. como Brachiaria plantaginea. Módulo 3. luz.) e dos efeitos das substâncias alelopáticas que estas produzem. espaço físico. segundo Almeida (1988). microrganismos podem metabolizar polímeros presentes e produzir substâncias tóxicas. capim-massambará. apresentam razoável efeito alelopático. síntese de proteínas.1 . Uma variedade de compostos químicos pode ser carreada da parte aérea das plantas por meio de chuva. ao melhorar o paladar e diminuir a toxicidade. aminoácidos e as substâncias pécticas. O fungo Penicillium urticae produz fitotoxina patulina durante a decomposição dos resíduos do trigo. neblina e orvalho. como tiririca. 1988). etc. Com a liberação direta dos compostos pelos tecidos. são: assimilação de nutrientes. O mecanismo de ação dos aleloquímicos não está ainda bem esclarecido. na cultura seguinte. entre estes os ácidos. Os aleloquímicos podem ser liberados das células vivas ou mortas também pela ação da água. reduzindo a intensidade de infestação de algumas plantas daninhas. e sua persistência no solo varia com as variações do ambiente. Os alcalóides. açúcares.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas as condições de ambiente (EINHELLIG. atividade enzimática. o que dificulta a interpretação de resultados a campo. os aleloquímicos podem ser liberados através dos resíduos. fotossíntese. crescimento. O efeito alelopático das culturas sobre plantas daninhas é menos comum. alcalóides. 1988). 3. O capim-marmelada (Brachiaria plantaginea) afeta o desenvolvimento da soja tanto no crescimento quanto na capacidade de nodulação (ALMEIDA.Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas A interferência que as plantas daninhas causam sobre as culturas é decorrente da competição pelos fatores comuns (água. O desenvolvimento do tomateiro foi afetado por extratos de várias plantas daninhas. O eucalipto produz substâncias cuja presença é variável com as espécies. foram eliminados genótipos possuidores de substâncias alelopáticas. A inibição sobre o desenvolvimento de plantas de pimentão por extratos de eucalipto é um exemplo. Cenchrus echinatus e Euphorbia heterophylla. colza. para outras características que não as de agressividade para com outras plantas.Biologia e métodos de controle 31 .1 . em sistema de plantio direto. que promove toxicidade na cultura que o sucede (Almeida. e essa deficiência de defesa das plantas cultivadas é atribuída à seleção a que estas têm sido submetidas ao longo do tempo.

Alelopatia entre culturas A possibilidade de se desenvolverem efeitos alelopáticos benéficos ou maléficos entre culturas tem interesse agronômico. 32 Módulo 3. quando começa a época chuvosa. os resíduos no solo são escassos e a temperatura e umidade no solo são suficientes para manter a atividade microbiana alta. A colza. normalmente cereais. especialmente no que diz respeito às técnicas de rotação e consorciação. os tipos de solo e as condições climáticas. os resíduos secos podem causar fitotoxicidade mais severa.Biologia e métodos de controle . A cobertura morta da cultura do inverno.4%.Alelopatia das coberturas mortas No plantio direto. Outros pesquisadores avaliam e colecionam germoplasmas de plantas alelopáticas. Em condições de baixas temperaturas. inferiores a 25 dias. possivelmente não ocorrerão problemas de fitotoxicidade. os efeitos alelopáticos provocados pela incorporação de resíduos vegetais no solo são muitos variáveis. Atualmente. Segundo Barbosa (1996). redução do perfilhamento e até morte de plantas daninhas durante a fase inicial de desenvolvimento. 3. provoca efeitos alelopáticos pouco acentuados e por períodos curtos. podendo os resíduos de plantas de mesma espécie dar origem a compostos diferentes.1 . Normalmente. assim como poderá ser um ponto de partida para síntese de novos compostos com atividade herbicida. várias pesquisas estão sendo conduzidas visando identificar os compostos alelopáticos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3. Os efeitos alelopáticos são transitórios. Nas culturas de verão. Se a cultura de verão for implantada com algum intervalo após a colheita desta cultura de inverno. como as adubações verdes. usando solução nutritiva circulante entre os vasos de sorgo e alface. a fim de avaliar suas atividades sobre as diferentes espécies de plantas daninhas. degradando os aleloquímicos. Essa cobertura é essencial para o sucesso do plantio direto. A taxa de decomposição é alta e a liberação dos compostos alelopáticos é. também rápida. com efeitos biológicos e toxicidade diversos. provoca redução do estande da cultura da soja plantada imediatamente após a sua colheita. Quanto a possíveis efeitos alelopáticos do material incorporado ao solo. reduzir o vigor vegetativo e provocar amarelecimento e clorose das folhas. o que tem contribuído para que os agricultores do sul deixem de cultivar colza. conseqüentemente. o material fresco. quando cultivadas em casa de vegetação. a incorporação dos resíduos deve ser feita com certa antecedência da semeadura das culturas.3 . forma-se no final desta estação ou início da primavera. exsudato radicular proveniente de plantas de sorgo reduziu a área foliar de plantas de alface em 68. Por isso. por exemplo. por isso. a cobertura morta pode prevenir a germinação. sabe-se que o processo de decomposição do material vegetal é variável com a qualidade dos tecidos.2 . hoje disseminado no Brasil por todos estados produtores de grãos. Estes estudos irão contribuir de maneira decisiva para o manejo de plantas daninhas no sistema de plantio direto.

portanto. H. O grau de interferência entre plantas cultivadas e comunidades infestantes depende das manifestações de fatores ligados à comunidade infestante (composição específica. horizontalis. não devem ser atribuídos exclusivamente à competição imposta por estas. utilizadas como cobertura vegetal. esteróides livres e ogliconas esteróides. porque dependerá da época e do ciclo da cultura em que esse período ocorrer. o controle biológico de plantas daninhas também poderá ser uma opção no manejo integrado. espaçamento e densidade de plantio) e à época e extensão da convivência. para o sucesso deste método. M. bicolor. o conhecimento das propriedades alelopáticas das plantas será fundamental. à própria cultura (espécie ou variedade. interferência na colheita e outras). Em trabalho realizado por Erasmo et al. Essa idéia foi originalmente apresentada por Bleasdale (1960) e mais tarde modificada por Blanco (1972). pruriens e S. dependendo da época de seu estabelecimento. No entanto. quanto maior for o período de convivência múltipla (culturaplantas daninhas). gerando menor intensidade de interferência na produtividade econômica. sendo a possível causa dos efeitos alelopáticos. no desenvolvimento e na produtividade de uma cultura. O manejo de plantas daninhas altera a cronologia natural dos eventos. sendo o esquema apresentado na Figura 3. Os autores constataram elevada concentração de taninos condensados. mas sem prejudicar também o ambiente. spinosus. isto não é totalmente válido. favorecendo a utilização de recursos pela planta cultivada. menor será o grau de interferência. e. referindo-se. maior será o grau de interferência. clima e manejo. ao conjunto de ações que recebe uma determinada cultura em decorrência da presença da comunidade infestante num determinado local. Pitelli e Durigan (1984) sugeriram terminologia para períodos de convivência de plantas daninhas em culturas. ambos citados por Pitelli (1985). quanto menor o período de convivência entre cultura e plantas daninhas. entre outros fatores. De maneira geral. mas resultante das pressões ambientais de ação direta (competição. os efeitos negativos observados no crescimento. uma infestação moderada de plantas daninhas poderá ser tão danosa à cultura quanto uma infestação pesada. o estudo da época ideal de controle de plantas daninhas em cada cultura. Esse fato justifica. as espécies Mucuna aterrima. lophanta e A. pode-se dizer que. portanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas objetivando o melhoramento genético.1 . (2004).Biologia e métodos de controle 33 .Competição e período crítico de competição De acordo com Pitelli (1985). Contudo. densidade e distribuição). os quais são descritos a seguir. Módulo 3. A este efeito global denominou-se “interferência”. foram eficientes no controle das espécies daninhas D. podendo ser alterado pelas condições de solo. visando o mínimo possível de redução na produtividade. 4 . Geralmente. No futuro. alelopatia. devidos à presença de plantas daninhas.

n D De d d s si ad e Ambiente S ol o Ma ne j o Clima 34 Módulo 3. principalmente. A aplicação de certas práticas culturais contribui para diminuição deste período. terão atingido tal estádio de desenvolvimento que promoverão uma interferência sobre a espécie cultivada. o final do período anterior à interferência seria a época ideal para o primeiro controle da vegetação infestante. através. em que a cultura pode conviver com a comunidade de plantas daninhas antes que a interferência se instale de maneira definitiva e reduza significativamente a produtividade da lavoura é denominado “período anterior à interferência” (PAI). após a semeadura ou o plantio. permitindo menos cultivos ou o uso de herbicidas de menor poder residual. para que a produção não seja afetada quantitativa e.Modelo esquemático dos fatores que influenciam o grau de interferência entre cultura e comunidades infestantes Aquele espaço de tempo. contribuindo para o próprio desenvolvimento da cultura. qualitativamente. ou. capaz de reduzir significativamente sua produtividade econômica. toda e qualquer prática cultural que incremente o crescimento inicial da cultura pode contribuir para um decréscimo no período total de prevenção da interferência. a Époc Dura çã o Período de convivê ncia lti Cu r va Es pé ci e s Espaçamento Densidade Densidade Cultura Grau de interferência rib st Di ui o çã Figura 3 . a própria cultura. Na prática. na prática este limite não pode ser considerado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas “Período total de prevenção da interferência” (PTPI) é o período. Por exemplo. a partir do plantio ou da emergência. Desse modo. a fertilização incrementa o crescimento inicial da cultura e das plantas daninhas. É importante esclarecer o significado deste período em termos de competição: as espécies daninhas que emergirem neste período. No entanto. pois a comunidade teria acumulado energia e matéria orgânica que retornariam ao solo. Após esse período.1 . em que a cultura deve ser mantida livre da interferência de plantas daninhas. em determinada época do ciclo da cultura. este deve ser o período que as capinas ou o poder residual dos herbicidas devem cobrir.Biologia e métodos de controle . impede o desenvolvimento das plantas daninhas. permitindo que a competição por recursos outros que não a adubação se instale de maneira mais rápida. Teoricamente. O limite superior deste período indica a época em que a interferência compromete irreversivelmente a produtividade econômica da cultura. do sombreamento.

encontrados pelos diversos autores. não são idênticos para as mesmas culturas. (2005) 22 – 38 d Dias et al.42 d Ramos e Pitelli (1994) 21 . torna-se extremamente importante a pesquisa nesta área. PAI e PCPI. (2003) Alcântara et al. Do ponto de vista prático.Períodos de convivência e de controle de plantas daninhas em diversas culturas anuais e bianuais Cultura Algodão Alho Girassol Cebola Arroz de sequeiro Cana-de-açúcar ( plantio de ano ) Cana-de-açúcar (plantio de ano e meio) Feijão Café (após plantio das mudas no inverno) Café (após plantio das mudas no verão) Milho Soja Dias Após Semeadura ou Plantio (d) PTPI PAI PCPI 66 d 08 d 08 .30 d Victoria Filho (1994) 15 – 88 d Dias et al.1 . baseado na hipótese de que aspectos econômicos como o custo de controle e o valor monetário dos grãos devem ser utilizados como critério para determinar o período aceitável de interferência das plantas daninhas antes de se decidir pelo seu controle (VIDAL et al.. Considerando a diversidade de fatores que influenciam o grau e os períodos de interferência apresentados. clima. espécies daninhas e culturas. os períodos PTPI. as plantas daninhas podem ter atingido um estádio tal de desenvolvimento que inviabilize o uso de práticas mecânicas ou o controle químico. Isso é normal.40 d 60 d 90 d 127 d 30 d 88 d 38 d 42 30 d 30 d 45 d 30 d 74 d 20 d 15 d 22 d 14 21 d 20 d Fonte Salgado et al. a cultura deverá ser mantida livre das plantas daninhas no período compreendido entre o final do PAI até o momento em que as plantas daninhas que vierem a emergir não mais irão interferir na produtividade da cultura. porque as condições em que foram conduzidas as pesquisas. (2005) 14 . (2002) Souza et al. os cultivares utilizados e as composições específicas das comunidades infestantes foram diferentes.60 d (1982) Rolin e Cristofolleti 30 . visando realizar com eficiência o manejo integrado das plantas daninhas. ou. Recentemente foi proposto o Período Anterior ao Dano no Rendimento Econômico (PADRE). (1981) Mascarenhas et al. Quadro 7 . nas diferentes condições envolvendo solo. Este seria o “período crítico de prevenção da interferência” (PCPI).90 d (1982) 47 – 127 Kuva et al. (2004) Soares et al. (1980) Brighenti et al.66 d 80 d ----100 d 20 d 20 –100 d 30 d 21 d 21 – 30 d 42 d 40 d 30 d 30 . (2003) 20 . Em diversos trabalhos de pesquisa visando avaliar os efeitos da interferência de plantas daninhas em culturas (Quadro 7).30 d Martins (1994) Módulo 3. (1982) Oliveira e Almeida 45 . (1994) 20 . 2005).Biologia e métodos de controle 35 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pois a cultura e.30 d Spadotto et al.

quarentena de animais introduzidos. o picão-preto (Bidens pilosa) e o capim-carrapicho (Cenchrus echinatus). 5. a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas ainda por elas não infestadas. o elemento humano é a chave do controle preventivo.Biologia e métodos de controle . mudas com torrão. etc. etc. ou seja.1 .Métodos de controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mais variados possíveis e. Em nível local. limpeza de canais de irrigação.Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. um estado. A falta desses cuidados tem causado ampla disseminação das mais diversas espécies. tem-se a tiririca (Cyperus rotundus). limpar cuidadosamente máquinas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5 .) e o arroz-vermelho (Oryza sativa) são distribuídos junto com as sementes de arroz. se espalham por novas áreas por meio de roupas e sapatos dos operadores. Nestas legislações encontram-se os limites toleráveis de cada semente de planta daninha e também a lista de sementes proibidas por cultura ou grupo de culturas. A redução da interferência das plantas daninhas. Eles abrangem desde o arranque das plantas com as mãos até o uso de sofisticados equipamentos de microondas para exterminar as sementes no solo. Em síntese. grades e colheitadeiras. verifica-se grande evolução destes. Já o capim-arroz (Echinochloa sp. deve ser feita até um nível no qual as perdas pela interferência sejam iguais ao incremento no custo do controle. atualmente. Estas áreas podem ser um país. As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilizar sementes de elevada pureza. há legislações que regulamentam a entrada de sementes no país ou estado e sua comercialização interna. um município ou uma gleba de terra na propriedade. ou.. pêlos de animais. Em níveis federal e estadual. 36 Módulo 3. considerando uma cultura. Como exemplo. inspecionar cuidadosamente mudas adquiridas com torrão e também toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. além de outras espécies. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas. por meio de estercos. etc. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. o estabelecimento e. que possui sementes muito pequenas e tubérculos que infestam novas áreas com grande facilidade. que não interfiram na produção econômica da cultura. que poderão se transformar em sérios problemas para a região.1 .

então. ano após ano. Essas práticas contribuem para impedir o aumento exagerado de determinadas plantas daninhas. Rotação de culturas: cada cultura agrícola geralmente é infestada por espécies daninhas que possuem exigências semelhantes às da cultura ou apresentam os mesmos hábitos de crescimento. crotalárias. ervilhaca. numa agricultura mais intensiva. e caruru-rasteiro (Amarantus deflexus). Ainda hoje é usado para o controle em hortas caseiras. em lavouras de trigo. principalmente em regiões montanhosas. Nas regiões subtropicais predominam mucuna-preta. mostarda. dependendo da arquitetura das plantas cultivadas e das espécies infestantes. uso de coberturas verdes. em lavouras de arroz.3 . ou monda. exemplos: capim-arroz (Echinoclhoa sp. entretanto. Quando o principal objetivo é o controle de plantas daninhas. no mesmo solo. Tremoço. como rotação de cultura. O principal efeito é a melhoria das condições físico-químicas do solo. a capina manual. e para muitas famílias. a roçada.). azevém anual. variação do espaçamento da cultura. onde há agricultura de subsistência. em lavouras de milho. em cana-de-açúcar. em usar as próprias características ecológicas das culturas e plantas daninhas.Biologia e métodos de controle 37 . A redução entre linhas geralmente proporciona vantagem competitiva à maioria das culturas sobre as plantas daninhas sensíveis ao sombreamento. A capina manual feita com enxada é muito eficaz e ainda muito utilizada na nossa agricultura. apaga-fogo (Alternanthera tenella). em Módulo 3. a inundação.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. quando o principal método de controle é o uso de enxada. aveia e centeio são usadas na região Sul do Brasil. guandu. Contudo. feijão-de-porco e lablabe. nabo. Consiste. O arranque manual. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas. Variação do espaçamento: a variação do espaçamento entre linhas ou da densidade de plantas na linha pode contribuir para a redução da interferência das plantas daninhas sobre a cultura.Controle cultural O controle cultural consiste no uso de práticas comuns ao bom manejo da água e do solo. Coberturas verdes: as coberturas verdes são culturas geralmente muito competitivas com as plantas daninhas. visando beneficiar o estabelecimento e desenvolvimento das culturas. estas plantas possuem também poder inibitório sobre outras e podem reduzir as infestações de algumas daninhas após serem incorporadas ao solo. a escolha da cultura em rotação deve recair sobre plantas com habito de crescimento e características culturais bem contrastantes.1 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5. 5. Quando são aplicadas as mesmas técnicas culturais seguidamente. a interferência destas plantas daninhas aumenta muito.2 . jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. a cobertura morta e o cultivo mecanizado. esta é a única fonte de trabalho. a queima. etc.

para uso dirigido nesta cultura. O espaço das entrelinhas é mantido roçado e. em solo úmido. além de outros efeitos importantes sobre as culturas implantadas na área. Quanto à queima das plantas daninhas com lança-chamas. grama-seda (Cynodon dactylon). As principais limitações deste método são: a) dificuldade de controle de plantas daninhas na linha da cultura. milho e trigo. Provoca aumento de temperatura e. em nível. Os fatores limitantes deste método. O cultivo mecanizado. a roçada manual ou mecânica é um método muito importante para controlar plantas daninhas. o alto custo da mão-de-obra e a dificuldade de encontrar operários no momento necessário e na quantidade desejada fazem com que este método seja apenas complementar a outros métodos. A inundação mata as plantas sensíveis. Em solos planos e nivelados. estimulando a germinação das sementes das plantas daninhas da camada superficial de solo. beiras de estradas e pastagens a roçada é um método de controle de plantas daninhas dos mais importantes. Outra técnica utilizada para o controle de plantas daninhas é a solarização. A cobertura provoca menor amplitude nas variações e no grau de umidade e da temperatura da superfície do solo. é mantida no limpo. Todavia. Em pomares e cafezais. A cobertura morta ainda pode apresentar efeitos alelopáticos úteis no controle de certas espécies daninhas. a cobertura do solo com restos vegetais da cultura anterior é de grande utilidade. através de adaptação de queimadores especiais em cultivadores tratorizados. além de muitas plantas daninhas anuais. A cobertura do solo com restos vegetais em camada espessa ou com lâmina de polietileno é um meio físico-mecânico de controle das plantas daninhas. No plantio direto. devendo ser realizado quando as plantas daninhas estiverem ainda jovens e o solo não estiver muito úmido. como nos tabuleiros de arroz. que são posteriormente mortas devido à impossibilidade de emergência. e b) baixa eficiência: quando realizado em condições de chuva (solo molhado). a fileira de plantas. já foi utilizada em algodão. são totalmente erradicadas sob inundação prolongada. em virtude da suspensão do fornecimento de oxigênio para suas raízes. devido à temperatura excessivamente alta principalmente até 5 cm de profundidade. é de larga aceitação na agricultura brasileira.). como o capim-arroz (Echinochloa sp. sendo um dos principais métodos de controle de plantas daninhas em propriedades com menores áreas plantadas. em razão do custo do combustível. as sementes das plantas daninhas germinam e morrem em seguida. por meio de outros métodos de controle. como tiririca (Cyperus rotundus). apenas não apresentando efeito sobre as plantas daninhas que se desenvolvem em solos encharcados. principalmente em terrenos declivosos. a inundação é um efetivo método de controle de plantas daninhas.Biologia e métodos de controle . é ineficiente para controlar plantas daninhas que 38 Módulo 3. feito por cultivadores tracionados por animais ou tratores. É restrito a pequenas áreas de hortaliças. onde o controle da erosão é fundamental. Também em terrenos baldios. utilizando filme de polietileno sobre a superfície do solo. esta técnica é de uso limitado no Brasil. bem como sobre as plantas aquáticas. capim-kikuio (Penisetum clandestinum)). Este sistema de plantio é usado em extensas áreas de plantio de soja. na maioria dos casos. são o custo do nivelamento do solo e a grande quantidade de água necessária para sua implantação. Espécies perenes de difícil controle.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas áreas maiores. Esta deve ser feita antes do plantio.1 .

o herbicida natural é registrado como Collego. o deslocamento do solo sobre a linha.1 . b) Seleção de inimigos naturais mais eficientes. O cultivo quebra a relação íntima que existe entre raiz e solo. peixes. reduzindo sua capacidade de competir. etc.4 . De modo geral. daninhas ou não (este assunto já foi discutido em módulo à parte). são facilmente controladas em condições de calor e solo seco.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas se reproduzem por partes vegetativas.) capazes de reduzir a população das plantas daninhas. o cambará-de-espinho (Lantana camara) foi controlado pelos insetos Agromisa lantanae e Crocidosema lantanae. Para que este tipo de controle seja eficiente. com isso. e. o controle do cactus ou figo-da-índia (Opuntia spp. podem-se citar: na Austrália. Módulo 3. vírus. No entanto. aves. suspende a absorção de água e expõe a raiz às condições ambientais desfavoráveis. insetos.Biologia e métodos de controle 39 . bactérias. O controle biológico de plantas daninhas é muito complexo e seu estudo dever ser feito em etapas sucessivas. No Brasil. E. foi já usado o fungo Phythophthora palmivora. Nos Estados Unidos. no Havaí. o que é uma tendência normal em condições de campo. até o momento. f) Avaliação da efetividade em diferentes épocas do ano. 5. pode causar o enterrio das pequenas plântulas e. ele não deve parasitar outras espécies. a fim de correlacionar os níveis de infecção com a redução da densidade populacional do hospedeiro. c) Estudo e avaliação da ecologia dos vários inimigos naturais.Controle biológico O controle biológico consiste no uso de inimigos naturais (fungos. e) Acompanhamento da introdução e do estabelecimento do agente biocontrolador no campo. porque pode controlar uma espécie e uma outra ser favorecida. o fungo Coletotrichum gloeosporeoides pode ser usado para controlar o angiquinho (Aeschynomene virginica) em soja e milho.) com as larvas do inseto Cactoblastis cactorum. através de enxadas cultivadoras especiais. promover o controle das plantas daninhas na linha. praticado com fins econômicos. a eficiência do controle biológico é duvidosa quando ele é usado isoladamente. Entre os diversos exemplos de controle biológico no mundo. todas as espécies anuais. o parasita deve ser altamente específico. Isso é mantido por meio do equilíbrio populacional entre o inimigo natural e a planta hospedeira. ou seja. o controle biológico de plantas daninhas com inimigos naturais não tem sido. Deve também ser considerada como controle biológico a inibição alelopática de plantas daninhas exercida por outras plantas. para controlar Morrenia odorata. quando jovens (2-4 pares de folhas). uma vez eliminado o hospedeiro. Dependendo do tamanho relativo das plantas cultivadas e daninhas. com o nome de Devine. nos pomares de citros. d) Determinação da especificidade dos hospedeiros. desde a pesquisa até a prática do controle biológico: a) Seleção de espécies de plantas daninhas a serem controladas.

para controle de folhas largas na cultura do trigo. ocorrem reuniões anuais de pesquisadores de herbicidas no cerrado (REPEC). descobriram o 2.1 . nos EUA..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas No Brasil. O uso de tilápias. o sulfato ferroso foi avaliado por Bolley. químico. Também são áreas de interesse. Triazinas simétricas (1956). quando se pensa em seu uso como o único método de controle. o controle biológico. a alelopatia. e os trabalhos científicos sobre o assunto são publicados em revistas especializadas da SBCPD (Planta Daninha e Revista Barsileira de Herbicidas). em 1956. O objetivo das pesquisas em nível mundial é obter herbicidas mais eficazes com doses menores. quando se controla uma espécie de planta daninha. sempre uma outra é favorecida. ou. Zimmerman e Hitchock. Este herbicida é a base de muitos outros produtos sintetizados em laboratório (2. no Brasil. 2. então. novos grupos químicos de herbicidas surgiram: Amidas (1952). hoje Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas (SBCPD). bem como a tecnologia de aplicação de herbicidas. Em 1908.Biologia e métodos de controle .) e marcou o início do controle químico de plantas daninhas em escala comercial. nos Estados Unidos. etc. foi fundada a Sociedade Brasileira de Herbicidas e Plantas Daninhas (SBHPD). que tem evoluído muito nos últimos anos. Ainda. Egeria najas e Ceratophyllum demersum pelo pacu (Piaractus mesopotamicus).5 . quando Bonnet (França). que se reúne de dois em dois anos em congresso nacional. não podendo parasitar outras espécies. Já se sabe que o fotoperíodo influencia a eficiência de controle das espécies de plantas daninhas pelo fungo.4-DB. plantas aquáticas submersas que causam problemas em reservatórios de hidrelétricas. entre outras. para discutir os avanços da área de plantas daninhas e seu controle.4-D. Shultz (Alemanha) e Bolley (EUA) evidenciaram ação dos sais de cobre sobre algumas folhas largas. Carbamatos (1951). etc. no Brasil. carpas e outros peixes herbívoros é possível para controle de outras plantas aquáticas. 40 Módulo 3. indicando a necessidade de uso de outro método de controle. quando associado a outros métodos de controle e será recomendado para espécies de plantas daninhas de controle comprovadamente difícil por métodos mecânicos e.WSSA.5-T. A eficiência do controle biológico é duvidosa.Controle químico As pesquisas visando o controle químico de plantas daninhas foram iniciadas entre 1897 e 1900. Isso porque o parasita deve ser altamente específico. mais seguro para o homem e para o ambiente. em 1963.4. Devido ao grande desenvolvimento da área de controle químico de plantas daninhas. isolados de Fusarium graminearum vêm sendo estudados como agente de controle biológico de Egeria densa e de Egeria najas. Somente em 1942. e. e temperaturas acima de 30 oC têm proporcionado melhor controle de Egeria (BORGES NETO et al. 2005). Miyazaki e Pitelli (2003) verificaram controle de até 100% das espécies aquáticas Egeria densa. 5. foi criada a Weed Science Society of América . nos Estados Unidos. A partir de 1950. O controle biológico é eficiente.

evoluiu de 546. Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas. Mesmo em épocas chuvosas. havendo perigo de intoxicação do aplicador. 3. É eficiente no controle de plantas daninhas na linha de plantio e não afeta o sistema radicular das culturas. perfeitamente controlados e evitados. Pode controlar plantas daninhas de propagação vegetativa. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência das culturas. mas devem ser conhecidos.Biologia e métodos de controle 41 . 2.1 . Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES e ALMEIDA. Este valor. 4. o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas.água (rios. o controle químico das plantas daninhas é mais eficiente.6 em 1990 para 1. hoje está se tornando prática comum entre os pequenos. O conhecimento da fisiologia das plantas. 6. Menor dependência da mão-de-obra. sendo a de maior importância o controle cultural. O emprego do controle químico de plantas daninhas deve ser feito juntamente com outras práticas de controle. 5. principalmente. difícil de ser encontrada no momento certo. Módulo 3. 2005). ou. sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. em milhões de dolares. Permite o plantio a lanço e. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. alteração no espaçamento. uma vez que esta tecnologia.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O consumo de herbicida no Brasil representa 7-9% do consumo total do mundo. 2005). dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. lagos e água subterrânea). Pode ocorrer também poluição do ambiente . A tendência ainda é de aumento. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta. que é cada vez mais cara. Os riscos de uso existem. solo e alimentos quando manuseados incorretamente. Pode se atribuir essa grande aceitação do uso de herbicidas pelos produtores ao fato de o controle químico das plantas daninhas proporcionar as seguintes vantagens: 1. quando for necessário. Permite o cultivo mínimo ou plantio direto das culturas.214. na quantidade e qualidade necessária.8 em 1997 (ANDEF/SINDAG. É importante considerar que todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. Portanto.

da capacidade competitiva da cultura. tendo.Biologia e métodos de controle . fica evidente que. e elas são um bom guia para o programa de manejo: 1. Conhecer as espécies dominantes e suas interações.1 . 10. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. Avaliar os impactos ambiental. etc. do período crítico de competição.Manejo integrado de plantas daninhas (mipd) Cada vez mais o manejo integrado de pragas vem ganhando reforços em todos os setores agrícolas. 8. Estudar os métodos usados na propriedade. esse fato. 2. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. Considerando as condições brasileiras. 2000). para culturas anuais. Integrar os processos com as medidas de proteção das culturas. a maneira integrada de cultivo. propondo uma série de medidas que se enquadraram no conceito de integração (CONCEIÇÃO. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco. o manejo integrado de plantas daninhas. constituindo-se. que consiste em “um sistema ambiental do campo onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para a produção das culturas livres de danos econômicos da vegetação competitiva”. os métodos culturais se apresentam como os 42 Módulo 3. A integração de diversos métodos de controle dentro do sistema de produção pode dificultar o crescimento e desenvolvimento de populações de espécies daninhas de difícil controle. no Brasil. Desse modo. das condições ambientais. 4. Escolher a(s) tecnologia(s) de controle compatível(is) com sistema. 5. Desse modo. as quais possuem seu ciclo ou parte dele na época das águas. no controle integrado. Identificar as espécies-problema e suas densidades. Monitorar sementes e espécies da área de produção. Decidir quando o controle deve ser feito. Dez palavras-chave descrevem os processos recomendados. 9. 6. Prever populações e mudanças de populações de plantas daninhas. 3. pode reduzir a dependência do uso de herbicidas e atrasar ou prevenir o aumento de espécies perenes geralmente associadas a sistemas de cultivo. 7. dos métodos empregados. em que se levam em conta todos os fatores que podem proporcionar à planta maior e melhor produção. sua base reforçada no campo da entomologia quando pioneiros promoveram o estudo dos problemas do algodoeiro no Nordeste do país. permite a esta aproveitar eficientemente os recursos do meio. Considerar os recursos e as necessidades do fazendeiro. social e econômico a curto e a longo prazo. O nível de controle das plantas daninhas obtido em uma lavoura dependerá da espécie infestante.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 6 .

têmse observado excelentes resultados no manejo da tiririca. no milho para silagem toda palhada da cultura anterior e retirada da área. Além disso. transformando esta espécie daninha extremamente problemática em uma espécie comum. no plantio direto. consegue-se ótimo manejo integrado da tiririca. visando a redução do número de propágulos de espécies de difícil controle em áreas agrícolas. ao controle cultural exercido pela falta de revolvimento do solo e conseqüente ausência de fragmentação das estruturas vegetativas da tiririca e à adoção de culturas altamente competitivas. Outro exemplo de manejo integrado de plantas daninhas tem sido praticado em diversas regiões do Brasil quando se adota o sistema integrado agricultura-pecuária. no plantio convencional. independentemente se para produzir milho para grão ou para silagem. 2003). a ponto de não acarretar reduções de produção das culturas infestadas (Fig.1 . 2004) e também mais estável do ponto de vista ambiental (SANTOS et al. Dessa forma. principalmente por luminosidade. tornando o sistema menos dependente do controle químico (JAKELAITIS et al. ou seja. No plantio direto. 45 dias após a emergência. sendo que em três anos a redução no banco de tubérculos no solo pode chegar a mais de 90% (JAKELAITIS et al. aplicados no momento correto. aliado ao fato de não revolver o solo. Dessa forma. como a cultura do milho e feijão. a forrageira cultivada em consórcio com a cultura principal reduz a interferência de muitas espécies de plantas daninhas. em relação ao plantio convencional. com a adoção do sistema de plantio direto utilizando herbicidas sistêmicos para dessecação. a capacidade de brotação dos tubérculos de tiririca coletados sob solo no sistema integrado é diminuída com o passar do tempo. é possível obter redução nos níveis populacionais da tiririca a favor do plantio direto.. aliado ao controle cultural.Biologia e métodos de controle 43 . Em dois anos nesse sistema. da ordem de 90 a 95%. 5). Neste sistema. Ao contrário. tanto para a cultura do milho quanto para o feijoeiro. evitando assim sua disseminação e seu rápido crescimento. ou incoporada ao solo.. Quando a finalidade de uso do solo é para milho grão. os níveis populacionais da tiririca podem ser diminuídos. Os maiores benefícios do sistema de plantio direto no manejo integrado da tiririca são obtidos devido à integração do controle químico proporcionado pelo uso do herbicida sistêmico para dessecação da vegetação em pré-plantio. toda a palhada da cultura permanece na área à superfície. principalmente no período de desenvolvimento das culturas sensíveis à interferência das plantas daninhas. permanecendo dormentes (Fig. com uso de herbicidas sistêmicos usados como dessecantes. 2005) Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mais adequados para integração com o controle químico.. Um bom exemplo da aplicação do Manejo Integrado pode ser observado pelo excelente manejo da tiririca na cultura do milho e do feijão graças à utilização do sistema de plantio direto e conhecimentos da biologia das espécies envolvidas. 4).

1 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 4 .População de tiririca nas culturas de milho e feijão nos sistemas de plantios convencional e direto (após dois anos de adoção do manejo integrado de plantas daninhas –MIPD) aos 30 DAP Figura 5 – Brotação de tubérculos de tiririca coletados em campo em áreas de plantio convencional e em área onde se adotou o plantio direto com o manejo integrado dessa espécie infestante.Biologia e métodos de controle . após três anos de adoção 44 Módulo 3.

Dormência e germinação. Dados estatísticos. Disponível em: <www. O Biológico.343-50. A importância dos estudos ecológicos nos programas de controle de plantas daninhas. H. p. 2. 3. PITELLI. G. W. v. p. A. MARTINS. L. Planta daninha. Períodos de interferência de Commelina benghalensis na cultura do café recém-plantada. Planta daninha. R. ALVES. (IAPAR. n..G.G. M. L. 2005. 398-404. OLIVEIRA JR. IAPAR. 22. Potencial de espécies utilizadas como adubo verde no manejo integrado de plantas daninhas.. 2003. Manejo integrado em defesa vegetal. 2004. P.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Referências bibliográficas ALMEIDA. p. Módulo 3. In: ZAMBOLIM. n. p.br>. AZEVEDO. C. GORGATI. n. S. L. C. S. A. 251-257. M. São Paulo: EPU. 1. Z. São Paulo: EPU.. p. L. v. n. 1988. A alelopatia e as plantas. S. C. L. (Ed. 93-99. T. R. Herbicidas em cultura de algodão. v.andef. J. FERREIRA.) Manejo Integrado: Doenças. 2000. n.gov. Acesso em: 2 jan. FREITAS. Circula. 23 p.. R. 1994. p. v. Planta daninha.) Fisiologia vegetal 2. A. CRUZ. CONCEIÇÃO. R.. A.10. ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE DEFESA FITOSANITÁRIA – ANDEF. E.. Interferência de capim-marmelada na cultura da soja. FERREIRA. A. L.. R. 2005. 1986. V. A. R. P. ERASMO. 71-79. p. n. METIVIER. A. Campinas. 53). A. A. KUVA... Períodos de interferência de plantas daninhas na cultura do girassol. M. Influência do fotoperíodo e da temperatura na intensidade de doença causada por Fusarium graminearum em Egeria densa e E. n.capim-braquiária (Brachiaria decumbens) e capimcolonião (Panicum maximum). C. In: FERRI. 553-560. pragas e plantas daninhas. N. A. A. R. 1972. L. JAKELAITIS. A.Biologia e métodos de controle 45 .. D. JAKELAITIS. A. 23. Planta Daninha. 22. najas. v. 362 p. 2005. São Paulo: CATI. GRAVENA. Planta Daninha. AGNES. 4. MACHADO. BRIGHENTI. 401 p. 416 p. C. BLANCO. p. 449-456.. 3. LEMES.. Viçosa: UFV. v. v... F. 2004. Q. L.. n. SILVA. M. R.. PITELLI. A.. (Ed. E. et al. R. G. MIRANDA. 1985. BORGES NETO. L. p.. 1. 2. 337342. 2004. v. DIAS. 37-44.. SILVA. 23. C. F. S. FERRI. Dinâmica populacional de plantas daninhas sob diferentes sistemas de manejo nas culturas de milho e feijão. Planta Daninha. A. Períodos de interferência das plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar: III . 1979.. SILVA. v.38. 60 p. 21. M. 2003. F. Manejo de Plantas daninhas no consórcio de milho com capim-braquiária (Brachiaria decumbens). Planta Daninha. Planta daninha. L. F. R.1 . SARMENTO. n. 21. 22. CASTRO. et al. 3. 2005. 12. Fisiologia Vegetal 1.

A. Atividade microbiana do solo após aplicação de herbicidas em sistemas de plantio direto e convencional. SILVA. Edição especial. O. M. Revista Brasileira de Ciência do Solo. F. 29. PITELLI. A.1 . 136-144. p. p. RICE. Weed biology and control. p.. P. Agiplan. MENDONÇA. Acta Scientiarum. 1996. PEDRINHO JÚNIOR. Planta Daninha. 2002. L. PIRES. In: Weed ecology implicatios for manegements. R. L. B. A. p. 29. Absorção e utilização do nitrogênio pelas culturas da soja e do feijão e por plantas daninhas. J. Physiological aspects of competition. P. S. A. 3541. SILVA. 35-57. v. Fisiologia de sementes. B. Rev. v. 2005. B. 1969. R. F. 1345-1351. n. S. MENDONÇA. PIRES. PROCÓPIO. p. JAKELAITIS. p. v. F. R. p. S. Planta daninha. R. COSTA. SANTOS. E. Londrina. 22.. A. 5. D. RADOSEVICH.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas MIYAZAKI. p. A. 2005. C.. Y. E. 20. p. J. 46 Módulo 3. DONAGEMMA. SP. D. RONCHI. 1. 2003. TERRA. 23. Plant root exudades. n. 591 p. ROVIRA. Ecologia. Acúmulo de nutrientes pelo cafeeiro sob interferência de plantas daninhas.. 373-379. Efeitos de diferentes períodos de controle da comunidade infestante sobre a produtividade da cultura do milho. R. 5. SILVA. ALVES. 3. B. PITELLI. BIANCO... SILVA. A.. Ponto de murcha permanente de soja. SILVA. SANTOS. A. O. GHERSA. P. 21. 2004a. New York: John Willey and sons. A. 10. n. E. F. 273 p. 422 p. A. 22.. 1970. A. n.. 1969. 2004b. FERREIRA. 217-301. J. D. C. S. feijão e plantas daninhas... E. Absorção e utilização do fósforo pelas culturas da soja e do feijão e por plantas daninhas. 4. L. R. MATTOS. L. Análise do crescimento e eficiência no uso da água pelas culturas de soja e do feijão e por plantas daninhas. n. v. RODRIGUES. A.. E. v. F.. n. Alellopthy. P. S. K.. COSTA.. v. Orlando: Academic Press.ed. Acúmulo de massa seca e macronutrientes por plantas de Glycine max e Richardia brasiliensis. PR: Grafmarke. S. M... C. SILVA. SANTOS. São Paulo: Livraria Pioneira. A. n. HERNANDEZ. SANTOS. F. 2. A. 1. J. MARTINS. 1974. Planta Daninha.. PROCÓPIO. G. R.. O. 2005.... Planta Daninha.ed. PITELLI. Planta daninha. PROCÓPIO.. L. 2. MENDONÇA. A. R. 21. n. 78 p.Biologia e métodos de controle . N. Pesquisa Agropecuária Brasileira. ALMEIDA. 3. Períodos de interferência das plantas daninhas na cultura do algodoeiro (Gossypium hirsutum). Brasília: Ministério da Agricultura... F. 2003. v. ODUM. J. 53-61.. 24. 53-59. SANTOS. B. 22. najas and Ceratophyllum demersum.O... C. 1523-1531. v.. F. A. J. 365-374. 219-227. S. S. p. SALGADO. A. J. 2004. E. 35. A. p. 2002. v.. Planta Daninha. S. n. p. Guia de herbicidas. T. v... n. Evaluation of the biocontrol potential of pacu (Piaractus mesopotamicus) for Egeria densa.. HOLT. J.683-691. MUSIK T. v. D. A. 3. S. Bot. New York: McGraw-Hill Book Company. Planta Daninha. SILVA. A. 1984. PROPINIGIS. M. Editora da USP.. D. 1994. E. D.. VIVIAN. PROCÓPIO. A. RAMOS.1. B. A.

SP. In: SEMINÁRIO SOBRE PRAGAS. Determinaçao do período crítico para prevenção da interferência de plantas daninhas na cultura de soja: uso do modelo broken-stick. 1938. PROCÓPIO. p. n. J. E. A. B. 387-396. n. N. 147-153. 3. 2005. Período anterior ao dano no rendimento econômico (PADRE): nova abordagem sobre os períodos de interferência entre plantas daninhas e cultivadas.. R. 1. p. A.. 2003. 1. A. 1998. Planta Daninha. 1994. 8-31. Captação e aproveitamento da radiação solar pelas culturas da soja e do feijão e por plantas daninhas. 5. v. 2004. SPADOTTO. A. J.. n. FLECK. A. T. W.. R. DOENÇAS E PLANTAS DANINHAS DO FEIJOEIRO. CARDOSO. 34. 3. C.. Manejo integrado de plantas daninhas do feijoeiro (Phaseolus vulgaris).. R. D. A.1 . C. CLEMENTS F. A. 62. C.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas SANTOS.... 2. L. BRAZ. n.. Anais. S. 100-111. J.). n. Profundidade de germinação de sementes de leiteiro. L. T. SILVA.. Períodos de interferência das plantas daninhas na cultura de cebola (Allium cepa) transplantada. Módulo 3.. 1994. SILVA. Planta daninha.Biologia e métodos de controle 47 . p. VARGAS. E. v. DIAS. 1994. Plant ecology. 601 p. v. SILVA. L. Piracicaba.. p. A. New York: Mc Graw-HILL Book Company. submetido a diferentes teores de água em convivência com braquiária. SOARES. D. Revista Floresta.. S. COSTA. SILVA.. 12. VIDAL. 4. A.. R. SILVA. A.. n. LUIZ. B. MARCONDES. (Euphorbia heterophylla L. v. Boletim Informativo da SBCPD. O. Planta Daninha. G. G. A. Piracicaba: ESALQ. Índice de consumo e eficiência do uso da água em eucalipto.. v. J. 21. PITELLI.. A. v. D. Bragantia. WEAVER. MEROTTO JR. A. 23. p. SEDIYAMA. VICTORIA FILHO. J. 59-62. C. A. SIQUEIRA. p. 387-396. p. 3. A. 2003. 67...

Lino Roberto Ferreira Profº.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 . Antonio Alberto da Silva Profº.2 . José Barbosa dos Santos Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .2 .DF 2006 48 Módulo 3.ABEAS Universidade Federal de Viçosa . Francisco Affonso Ferreira Profº.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .Manejo de plantas daninhas 3.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação Tutores: Profº.

1.5.1 .Herbicidas inibidores da acetolactato sintase.Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II. 62 4.Algumas sulfoniluréias.2.2. 70 4. 79 4.2 .Características gerais dos inibidores do fotossistema II.4 . 61 4. 60 4.Quanto aos mecanismos de ação.3 . 80 4.Herbicidas inibidores da EPSPs. 58 4.1.4.Algumas imidazolinonas. 73 4. 80 4.2 . 55 4.6 .4 . 55 4.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA).3. 75 4.5. 76 4.4. 79 4.Mecanismo de ação.2 .1 .7 . 68 4.2 .Principais características.3 .Quanto à época de aplicação.1 .2 . 79 4. -51 2 .3 .1 .5 . 68 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 49 .7.Mecanismo de ação.1 .Mecanismos de seletividade.Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina.6.Quanto à translocação.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I. 85 4.Mecanismo de ação.3 .1 .Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos.3.1 . 54 4.2 .Características gerais. 53 4. 51 1 . 73 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.1.Mecanismo de ação das cloroacetanilidas.Principais características.52 3 .2 .3 . 75 4.Principal herbicida do grupo.7. 58 4.Herbicidas inibidores da Protox.2. 77 4.Principais características. 68 4.8 .6.5.Seletividade.2 .2 .3 .2.Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos.6. 56 4.Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX. 88 Módulo 3.Quanto à seletividade.3 .Mecanismo de ação.53 4 . 83 4.Características de algumas cloroacetanilidas. 73 4.1 .Herbicidas inibidores da fotossistama II.Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos.4.Caracterização de alguns herbicidas auxínicos. 74 4.3.

91 4.9.Mecanismo de ação. 91 4.2 .Herbicidas inibidores de carotenóides.2 .1 .9.10 .1 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .8. 95 Referências bibliográficas.Herbicidas inibidores da ACCase.8.Principais características. 99 50 Módulo 3.9 .2 .Características gerais. 88 4. 89 4.9. 93 4. 92 4.Caracterização de alguns inibidores da ACCase.3 .Mecanismos de ação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.

da dose aplicada. exemplo: a soja trasgênica resistente ao glyphosate. translocação. Exemplos: diquat. por exemplo. fomesafen para o feijão. e mesmo assim a dose tolerada é dependente das condições edafoclimáticas. 1 . são mais tolerados por uma determinada espécie ou variedade de plantas do que por outras.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Os herbicidas podem ser classificados de diversas maneiras.Quanto à seletividade Herbicidas seletivos São aqueles que.4-D para a cana-deaçúcar. época de aplicação.2 . Módulo 3. atrazine para o milho. Normalmente são recomendados para uso como dessecantes ou em aplicações dirigidas. estrutura química e mecanismo de ação (WARREN. etc. Herbicidas não-seletivos São aqueles que atuam indiscriminadamente sobre todas as espécies de plantas. por meio da biotecnologia. etc. a seletividade é sempre relativa. o metribuzin é seletivo apenas quando aplicado em pré-emergência. Para soja. Como exemplo. dentro de determinadas condições. HESS. de acordo com as características de cada um. é possível tornar um herbicida não-seletivo a seletivo para determinada espécie. etc. das condições climáticas. Todavia. pois depende do estádio de desenvolvimento das plantas. do tipo de solo. Essas características individuais permitem estabelecer grupos afins de herbicidas com base em sua seletividade. imazethapyr para a soja. tem-se 2. paraquat.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 51 . glyphosate. Todavia. 1995a).

etc. em culturas perenes como fruteiras. ou. etc. que pode ser usado em tomate em pré e em pósemergência tardia ou após o transplante.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . trigo. como é o caso do metribuzin. feijão e soja. em aplicação dirigida. na cultura da soja somente pode ser usado em pré-emergência. metribuzin. deve ser aplicado antes do plantio.2 . alguns herbicidas devem ser aplicados antes do plantio. ou seja.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . visando facilitar o plantio e promover cobertura morta do solo. Também. também. etc. neste caso. de solubilidade muito baixa em água e. exemplos: flumioxazin. eles devem ser aplicados em pré ou em pós-emergência das culturas ou das plantas daninhas. eles somente devem ser aplicados em pós-emergência das plantas daninhas. se o herbicida é seletivo para a cultura. quando atigem o solo.Quanto à época de aplicação Pré-plantio Quando o herbicida é muito volátil. como é o caso do glyphosate e paraquat aplicados no plantio direto de milho. ele pode ser aplicado em pós-emergência de ambas (plantas daninhas e culturas). nicosulfuron em milho. Pós-plantio Dependendo da atividade dos herbicidas sobre as plantas. apresentam curto efeito efeito residual e quase sempre são utilizados como dessecantes. fotodegradável. pois em pós-emergência. imazaquin. etc. Outro 52 Módulo 3. ele necessita ser incorporado ao solo. até mesmo em subdoses. a sua aplicação em pré ou pós-emergência vai depender da tolerância da cultura e. especialmente ao glyphosate. clorimuron-ethyl. por esta razão. Entretanto. Esses produtos normalmente são não-seletivos. estes devem ser aplicados antes da emergência (pré-emergência) desta ou de forma dirigida. apesar penetrarem também pelas raízes. Todavia. Quando aplicado após o preparo do solo e incorporado a este antes do plantio. aplicado em pré-plantio e incorporado. imazethapy. porém têm como objetivo principal garantir o controle inicial das plantas daninhas na implantação da lavoura. ele é muito tóxico à soja. reflorestamento e lavouras de café. Estes podem ou não auxiliar na dessecação das plantas. pois muitas vezes. a estes. exemplo: sethoxydim em tomate. ou. outros que possuem maior efeito residual no solo. diz-se que este herbicida é aplicado em PPI. Se o herbicida é absorvido pelas folhas e raízes. metsulfuron-methyl em trigo. feijão. pode-se também misturar. são desativados (sorvidos). no sistema de plantio direto (cultivo mínimo). paraquat. Contudo. Estes produtos podem. como é o caso do trifluralin. Quando são absorvidos apenas pelas folhas. exemplos: glyphosate. das condições nas quais ele apresenta melhor desempenho. ainda. ser não-seletivos para a cultura e.

Estes herbicidas sistêmicos são capazes de se translocarem a grandes distâncias na planta. atingir a célula e posteriormente a organela.HESS. (WARREN. 3 . “Modo de ação” refere-se à seqüência completa de todas as reações que ocorrem desde o contato do produto com a planta até a sua morte ou ação final do produto. inibidores do fotossistema I. onde atuará para que seus efeitos possam ser observados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas exemplo seria o herbicida atrazine. Quanto ao mecanismo de ação. inibidores do fotossistema II. 1973. flazasulfuron. recomendado para as culturas de milho e sorgo.Quanto à translocação Os herbicidas podem ser de contato quando atuam próximo ou no local onde eles penetram nas plantas.Quanto aos mecanismos de ação É interessante que se faça distinção entre os termos usados rotineiramente quando se refere a herbicida: “modo e mecanismo de ação de herbicida”. 2003a). inibidores da EPSPs. O simples fato de um herbicida entrar em contato com a planta não é suficiente para que ele exerça sua ação tóxica. entretanto a primeira lesão que ele causa na planta pode caracterizar o seu mecanismo de ação (ASHTON. CRAFTS. Ele terá necessariamente que penetrar no tecido da planta. 4 . etc. imazethapyr. inibidores da ACCase. inibidores da PROTOX. Módulo 3. exemplos: paraquat. inibidores da síntese de carotenóides. porque a morte rápida do tecido condutor (floema) limita a chegada de dose letal do herbicida a algumas estruturas reprodutivas das plantas. pelo floema ou por ambos. inibidores da ALS. como é o caso de 2. THILL. É importante lembrar que um mesmo herbicida pode influenciar vários processos metabólicos na planta. Quando o movimento (translocação) do herbicida é via floema ou floema e xilema. etc. 1995). inibidores do arranjo dos microtúbulos. glyphosate. quando utilizado em pós-emergência. Estes produtos. podem apresentar ação de contato. a ação do produto pode ser mais rápida.2 . deve-se adicionar à calda óleo mineral visando solubilizar parte da cera epicuticular.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 53 . Neste caso. picloram. Inibidores da GS. diquat. A este produto.4-D. nicosulfuron. ele é considerado sistêmico. aumentando a sua penetração pelas folhas. já a primeira lesão bioquímica ou biofísica que resulta na morte ou ação final do produto é considerada “mecanismo de ação”. 1995. Os herbicidas também podem se movimentar (translocar) nas plantas pelo xilema. os herbicidas podem ser classificados em: mimetizadores de auxinas (auxínicos). quando usados em doses muito elevadas. lactofen. porém com efeito final menor. LIEBL. etc.

provocado pelo acúmulo de proteí¬nas e. Estes herbicidas induzem intensa proliferação celular em tecidos. trigo e cana-de-açúcar e em pastagens. Historicamente. CRAFTS. conseqüentemente. além de interrupção do floema. induzem mudanças metabólicas e bioquímicas. em plantas sensíveis. causando epinastia de folhas e caule. em poucos dias ou semanas. podendo levá-las à morte.2 . Os herbicidas auxínicos. impedindo o movimento dos fotoassimilados das folhas para o sistema radicular. o 2. 2003a). Em conseqüência dos efeitos desses herbicidas. milho. Essa perda da rigidez das paredes celulares é provocada pelo incremento na síntese da enzima celulase. Estudos sugerem que o metabolismo de ácidos nucléicos e os aspectos metabólicos da plasticidade da parede celular são seriamente afetados. epinastia das folhas e retorcimento do caule. porque eles marcaram o início do desenvolvimento da indústria química (THILL. especialmente da carboximetilcelulase (CMC).Sintomas leves de intoxicação de plantas de algodão (A) e ação final do produto sobre plantas de Raphanus raphanistrum (B) 54 Módulo 3. na síntese de ácidos nucléicos e proteínas (ASHTON. Após aplicações de herbicidas auxínicos.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . verifica-se crescimento desorga¬nizado. também. rapidamente. Esse alongamento celular parece estar relacionado com a diminuição do potencial osmótico das células. engrossamento das gemas terminais e morte da planta (Fig. as espécies sensíveis têm seu sistema radicular rapidamente destruído. verificam-se rapidamente aumentos significativos da enzima celulase. 1973). Acredita-se que estes produtos interfiram na ação da enzima RNA-polimerase e. quando aplicados em plantas sensíveis. pelo efeito destes produtos sobre o afrouxamento das paredes celulares. Figura 1 . Por esse motivo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina Esta classe de herbicidas é uma das mais importantes em todo o mundo.1 . que leva estas espécies a sofrer. mais especificamente. notadamente nas raízes.4-D e o MCPA são os mais importantes. 1). sendo extensivamente utilizada em culturas de arroz.

fumo. Arranjamento do tecido vascular em feixes dispersos. se aplicado fora do estádio de desenvolvimento recomendado.3-D-4-OH. As seguintes medidas são recomendadas para reduzir problemas com a utilização destes herbicidas: a) Evitar o uso de formulações que apresentam elevada pressão de vapor (muito voláteis).4-D após o perfilhamento e antes do emborrachamento.4-D. Na cultura do milho (4-6 folhas).4-D para 2. em doses extremamente baixas. em uva.2 . comprometendo de maneira severa o rendimento de culturas e a qualidade do ambiente. Aril hidroxilação do 2. etc. causada pela ação de herbicidas auxínicos. Deriva. ser comercializado isoladamente ou em misturas. 2. Por exemplo. 3. É comum a aril hidroxilação resultar na perda da capacidade auxínica destes herbicidas. sendo estes protegidos pelo esclerênquima em gramíneas (monocoti¬ledôneas). sais ou ésteres. podendo. Essa característica especial das monocotiledôneas pode prevenir a destruição do floema pelo crescimento desorganizado das células. Nas culturas de arroz e trigo.2 . em condições de campo.1.5 dicloro-4 hidroxifenoxiacético e 2.. 4. Módulo 3. se aplicado em pós emergência total ocorrem sérios problemas de fitotoxicidade. sendo esta a principal rota para o metabolismo do 2. 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 55 .1 . além de facilitar a sua conjugação com aminoácidos e outros constituintes da planta. cada um dos diferentes princípios ativos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. exigindo cuidados especiais para se realizar rotação de culturas.Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos Todos os herbicidas auxíncos são derivados de ácidos fracos e podem ser formulados nos seus respectivos ácidos. e na cultura do milho. c) Usar baixa pressão para aplicação. se praticável. podem causar sérios problemas técnicos.1. resíduos deixados em pulverizadores mal lavados e contaminação de água de irrigação por estes herbicidas. algodão. d) Evitar a aplicação quando o vento estiver em direção às culturas. Alguns desses produtos podem permanecer ativos no solo por longo período. derivados do ácido picolínico podem causar fitotoxicidade. que são espécies altamente sensíveis. recebendo nomes comerciais diversos. deve-se usar 0 2. principalmente em aplicações aéreas. tomate. Estádio de desenvolvimento das plantas.Seletividade A seletividade dos herbicidas auxínicos pode ser dependente de diversos fatores: 1. Algumas espécies de plantas podem excretar estes herbicidas para o solo através de seu sistema radicular (exsudação radicular). exemplos: para arroz e trigo deve-se usar o 2. b) Usar maior tamanho de gotas.4-D apenas em aplicação dirigida.

3 . Cada formulação pode apresentar características físico-químicas diferentes. toxicidade. Apresenta persistência curta a média nos solos. xilema. pka de 2. e aquelas à base de sal são rapidamente absorvidas pelo sistema radicular das plantas. a atividade residual do 2. é usado para controlar plantas daninhas perenes. Transloca-se com grande eficiência em plantas com elevada atividade metabólica. Em mistura com o picloram.4-D.4-D) foi o primeiro herbicida seletivo descoberto para o controle de plantas daninhas latifoliadas anuais.4 diclorofenoxiacético (2. entretanto. no mercado brasileiro. a decomposição é consideravelmente reduzida. 2005). Dicamba 56 Módulo 3. ou. durante o florescimento.Em ambos os casos o 2. etc. Usar. volatilidade.4-D se transloca por toda a planta pois se movimenta tanto pelo xilema quanto pelo xilema. em pastagens. sendo esta a condição para ótima atividade do produto. Em geral. etc. Em solos secos e frios. portanto. é encontrado em dife¬rentes formulações e marcas comerciais. além de detergente. É muito utilizado em misturas com inibidores da fotossíntese na cultura da cana-de-açúcar. É recomendado para pastagens. Movimenta-se pelo floema e. enquanto as de éster são praticamente insolúveis e. cana-de-açúcar. mais lixiviáveis. amoníaco ou carvão ativado. conferindo ao produto características dife¬renciais quanto à seletividade.Caracterização de alguns herbicidas auxínicos 2. milho.). para uso no plantio direto e em aplicações dirigidas. Apresenta solubilidade de 600 mg L-1. O 2. e com glyphosate.2 . plantas ganham maior tolerância com a idade.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . persistência no ambiente.8 e Koc médio de 20 mg g-1 de solo para formulações ácido ou sais e de 100 mL g-1 de solo para ésteres (RODRIGUES. 4. ALMEIDA. As formulações aminas são mais adsorvíveis no solo do que as de éster e. As formulações ésteres e ácidas são prontamente absorvidas pelas folhas. com menor movimentação. trigo. acumulando-se nas regiões meristemáticas dos pontos de crescimento.4-D não excede a quatro semanas em solos argilosos e clima quente. a resistência a estes herbicidas hormonais é reduzida. gramados e culturas gramíneas (arroz. porque são altamente solúveis. em fruteiras e lavouras de café.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e) Tomar cuidado especial com a lavagem do pulverizador após as aplicações. Em doses normais.4-D Sal ou éster amina do ácido 2.1.

87. Apresenta longa persistência (meia-vida de 20 a 300 dias) e fácil mobilidade no solo. para controlar arbustos e árvores.). e Koc médio de 16 mg g-1 de solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O sal de dimetilamina do ácido 3.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 57 . considerando o controle de plantas daninhas herbáceas e arbustivas. ou. dependendo da intensidade. Sendo um herbicida de alta solubilidade em água. Picloram O ácido 4-amino 3. 2001). Esta mistura pode ser usada em área total ou em áreas localizadas. até mesmo quando cultivadas em solos adubados com esterco proveniente de pastagens tratadas com picloram e pastoreadas logo depois. fumo.000 mg L-1. algodão. podendo se acumular no lençol freático raso. Apresenta pka: 2.4-D para o controle de plantas em culturas de canade-açúcar. 6-dicloro-2-metoxibenzoico (dicamba) é facilmente translocado pelas plantas via floema e.2 . comuns em lavouras de trigo.4-D. em solos de textura arenosa. na planta. A mistura (picloram + 2. e também com fluroxypyr formando o Plenum. em razão de sua longa persistência no solo (dois a três anos).3.5. ALMEIDA. da evaporação. como o cipó-de-veado (Polygonum convolvulus L. Apresenta maior efeito sobre dicotile¬dôneas.6 tricloro-2-piridinacarboxílico (picloram) é um produto extremamente ativo sobre dicotiledôneas. tomate. Para o controle de árvores. do movimento capilar da água e. sendo recomendado de modo semelhante ao 2. formando o Tordon. É muito utilizado para controlar algumas espécies de dicotiledôneas tolerantes ao 2. É muito pouco adsorvido pelos colóides de argila e mais pela matéria orgânica do solo. ou. O picloram. que podem apresentar severos sintomas de intoxicação.4-D) é muito utilizada em pastagens para o controle de plantas daninhas anuais. Kow: 1. milho e trigo e em pastagens. Apresenta solubilidade de 720.29. xilema. sendo muito utiliza¬do em misturas com o 2. para evitar a rebrota de espécies-problema como o leiteiro (Peschiera funchsiaefolia) e outras. É fracamente adsorvido pela matéria orgânica ou argila. e koc de 2 mg g-1 de solo. porém extremamente persistente (a planta não consegue metabolizar rapidamente o picloram).2 a pH 1.). Também. o que dificulta a absorção e translocação do herbicida até as raízes (SILVA et al. Deve ser observado o período residual para o cultivo de espécies altamente sensíveis (videira. pode ser feito o pincelamento ou a pulveri¬zação dos tocos. Dontor ou Manejo. antes que se inicie o processo de cicatrização. pka: 1. Módulo 3.0 e 83. 2005).4 a pH 7. etc. na região Sul do Brasil.4-D. Kow: 0. pimentão. apre¬senta efeito lento. Quando aplicação é feita no toco é fundamental que esta seja realizada imadiatamente após o corte da árvore.. perenes e de árvores. pode permanecer ativo na matéria orgânica proveniente de pastagens tratadas com este produto (RODRIGUES. está sujeito a lixiviação.

É também muito eficiente e seletivo para controlar dicotiledôneas infestantes de áreas cultivadas com gramas: jardins. dependendo do tipo de solo e das condições climáticas.. sua meia-vida é de 20 a 45 dias. Deve ser aplicado de outubro a março (no período chuvoso). Seu grau de adsorção depende do pH do solo. A aplicação poderá ser por equipamentos terestres ou por avião quando as áreas estiverem infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno e médio porte. ALMEIDA. cana-de-açúcar. sem a interferência de inibidores do fotossistemoa II. A molécula da plastoquinona “Qa” transfere o elétron. 2004). e Koc médio de 20 mL g-1 de solo. 4. com as plantas em pleno vigor vegetativo. (FREITAS et al. Apresenta solubilidade em água de 23 mg L-1. sendo largamente utilizados nas cultu¬ras de grande interesse econômico. a energia luminosa capturada pelos pigmentos (clorofila e carotenóides) é transferida para um “centro de reação” especial (P680). soja. também presa na proteína. para uma outra molécula de plastoquinona. pka: 2. pressão de vapor de 1. O vento deverá estar soprando da cultura sensível para a área de aplicação.5.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Triclopyr O ácido [(3. algodão. 4. É recomendado para uso em pós-emergência.2. as proteínas e outras substâncias químicas envolvi¬das na reação da fotossíntese estão localizados nos cloroplastos. campo de futebol. etc. hortaliças. chamada “Qb”. 2005). milho. por sua vez. Kow: 2.64 a pH 5 e 0.. com ventos de 0 a 6 km h-1. porém é rapidamente degradado no solo. a quinona 58 Módulo 3.1 . fruteiras. como arroz. Quando um segundo elétron é transferido para a plastoquinona “Qb”. pode haver lixiviação (RODRIGUES.2 . durante a fase luminosa da fotossíntese.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .26 x 10-6 mm Hg a 25 oC. ALMEIDA. Em solos leves.6-tricloro-2-piridinil) oxi] acético (triclopyr) apresenta ação semelhante ao picloram. entre outras (RODRIGUES. em área total para controle de plantas daninhas em pastagens e arroz. Nas condições normais. sob condições de alta pluviosidade.000 m de culturas sensíveis.Mecanismo de ação Os pigmentos. Interromper imediatamente as aplicações se houver mudança na direção do vento.2 .36 a pH 7. umidade relativa >50% e temperatura < 30°C. 2005).Herbicidas inibidores da fotossistama II São de grande importância na agricultura brasileira e mundial. Nunca fazer aplicações aéreas a menos de 2. feijão. açudes.68. gerando um elétron “excitado”. Este elétron é transferido para uma molécula de plastoquinona presa a uma mem¬brana do cloroplasto (Qa). em aplicação foliar.

como pode ser visto na Fig. WELLER. 1995a. fica entre a quarta e quinta hélices que atravessam as membranas dos cloroplastos e a hélice paralela que liga as duas. sendo conhecida também como proteína 32 kilodaltons.Esquema do transporte de elétrons na fotossíntese. Herbicidas derivados do fenol (dinoseb. Diversos análogos do fenol foram descritos como inibidores fotossistema II. Sabe-se.2. Figura 2 . Alguns exemplos: piridonas. Além da competição em si pelo sítio na proteí¬na. ocasio¬nando a saída da plastoquinona e interrompendo o fluxo de elétrons entre os fotossistemas. quinolonas. De maneira simplificada. formando uma plastoidroquinona (QbH2). quando se prendem à proteína. ou bolso. dos fenóis. aumentam a estabilidade desta na presença da luz. Esse fato demonstra que algo mais que a simples inibição do fotossistema II está ocorrendo. das uréias substituídas.2 . por alguma razão não conhecida. também. onde a plastoquinona “Qb” se prende e onde os herbicidas vão se prender também. naftoquinonas. o que aumenta o efeito inibitório destes. seja válida para outros produtos desse mesmo grupo químico. bromoxynil e ioxynil). etc. impedindo sua destruição. não evitam a destruição da proteína D-1 pela luz. que ela tem uma configuração de cinco hélices que atravessam a membrana do cloroplasto (tilacóide) e duas hélices paralelas que se interligam. (HESS. com baixa afinidade para se prender na proteína.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas reduzida torna-se protonada (dois íons de hidrogênio são adicionados).) causam essa inibição prendendo-se na proteína. Fonte: Warren e Hess (1995) Os derivados das triazinas e das uréias substituídas são conhecidos por se prenderem justamente ao sítio dos elétrons da proteína D-1. prendendo-se. 2003). no sítio onde se prende a plastoquinona “Qb”. De modo geral. a função da plastohidroquinona é transferir elétrons entre os fotossis¬temas II (P68O) e I (P7OO). Atualmente. como fazem os “clássicos”. Isso impede que uma mudança na sequência de aminoácidos da proteína (mutação) tornando esse biotipo resistente aquele herbicida. ao sítio da plastoquinona “Qb”. benzoquinonas. Estes herbicidas. sabe-se que a clorose foliar que Módulo 3. Estes herbicidas competem com a plastoquinona “Qb” parcialmente reduzida (QbH) pelo sítio na proteína D-1.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 59 . Muitos herbicidas inibidores do fotossistema II (derivados das triazinas. esta proteína é destruída rapidamente pela ação da luz. Essa proteína é chamada D-1. O sítio. A associação com a proteína se dá com aminoácidos diferentes no sítio para cada biótipo. por exemplo. Plantas suscetíveis tratadas morrem mais rapidamente quando pulverizadas na presença da luz do que quando pulverizadas e colocadas no escuro. A proteína D-1 é hoje muito conhecida. dioxobenzotiazoles e cianoacrilatos. os herbicidas apresentam maior tempo de residência no sítio do que a plastoquinona “Qb”. pironas.

4. Esse excesso de energia (clorofila triple) causa o início da peroxidação de lipídios por dois mecanismos: a: formação direta de radical lipídico nos ácidos graxos insatura¬dos da membrana do cloroplasto. a carga é repassada aos carotenóides. Essas reações dão início ao processo de peroxidação das membranas.Estrutura esquemática da membrana de um cloroplasto Fonte: Warren e Hess (1995) Quando a clorofila aceita um elétron. não podendo transferir o elétron ao centro de reação P680 (fotossistema II). para que a clorofila não se destrua. por esse motivo. Essa molécula de oxigênio carregada contribui para o processo de formação dos radicais lipídicos nos ácidos graxos insaturados da membrana. 3). 1995). dado pelos carotenóides.2 . plantas perenes somente são eliminadas por esses herbicidas quando tratadas via solo. 60 Módulo 3. e b: a clorofila de carga tríplice também reage com oxigênio e produz um oxigênio reativo (oxigênio singlet). Todos eles translocam-se nas plantas apenas via xilema. tornase ainda mais carregada e mais reativa (estado de energia tríplice). é sobrepujado pelo excesso de clorofila no estado de alta energia. tratadas com esses herbicidas. a velocidade de absorção foliar é diferente para cada produto deste grupo. Estes herbicidas não provocam nenhum sinal visível de intoxicação no sistema radicular das plantas. todos eles podem ser absorvidos pelas raízes.2.2 . Figura 3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorre após o tratamento é devida a rompimentos na membrana dos pigmentos causados pela peroxidação de lipídios (ácidos graxos insaturados) da membrana (Fig. no estado de energia simples. que é normalmente transferido para o centro de reação (P680). entretanto. Essa molécula de clorofila. o sistema de prote¬ção. ela sai do estado neutro (sem carga) e vai para um estado de energia simples. Aparentemente.Características gerais dos inibidores do fotossistema II • • • • A taxa de fixação de CO2 pelas plantas sensíveis. Em casos nor¬mais.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . declina poucas horas após o tratamento. Na presença do herbicida. Esta clorofila não retorna ao estado anterior quando o fluxo de elétrons é interrompido pela ação do herbicida que se prendeu ao sítio da plastoquinona “Qb”. aparecendo os sinais de necrose foliar (WELLER.

pois possuem pressão de vapor muito baixa. ou. o diuron não causa intoxicação à cultura do algodão quando utilizado em pré-emergência. ainda.2. torna-se necessário fazer rotação com outros herbicidas que apresentam mecanismo de ação diferente. A persistência agronômica destes herbicidas no solo é extremamente variável. pode se verificar perda de seletividade do herbicida. ele poderá entrar em contato com o sistema radicular do algodão e causar severa intoxicação à cultura. não atingindo o local de sua absor¬ção pela planta (sistema radicular). as doses recomendadas. podendo garantir a seletividade de determi¬nadas espécies. Normalmente. ao tipo de formulação utilizado. se o diuron for incorporado mecanicamente ao solo. Todos os herbicidas inibidores do fotossistema II apresentam toxicidade muito baixa para mamíferos.Mecanismos de seletividade As causas pelas quais os herbicidas inibidores do fotossistema II são seletivos são diversas e variam de cultura para cultura (WELLER.este fato pode ser devido à anatomia e. 4. são variáveis para cada tipo de solo. Como exemplo. É comum ocorrer efeito sinérgico quando se aplicam inibidores do fotostema II em mistura com outros herbicidas. podendo levá-la à morte.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Quando esses herbicidas são usados em pós-emergência. Em geral. quando aplicadas diretamente no solo. Tem sido observado. de adição de adjuvante (estes produtos podem apresentar difícil penetração foliar e não são sistêmicos). ainda. Apresentam pouca ou média mobilida¬de no perfil do solo. Por este motivo. Alguns herbicidas deste grupo apresentam seletividade “toponômica” ou seletividade por posição. ou se for aplicado em solo de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica. 1995). Elas apresentam menor barreira cuticular à penetração dos herbicidas e. o herbicida não será absorvido em quantidade suficiente para intoxicar a cultura. Plantas que estão se desenvolvendo em condições de baixa lumino¬sidade são mais suscetíveis a esses herbicidas. Absorção diferencial por folhas e raízes . o aparecimento de novas espé¬cies de plantas daninhas resistentes a estes herbicidas (atuam em sítio de ação específico). com relativa freqüência. também. Neste caso. Módulo 3. estes herbicidas não apresentam problemas de deriva por volatilização. porque este produto é muito pouco móvel no perfil do solo. Por estas razões. estes herbicidas são muito adsorvidos pelos colóides orgânicos e minerais do solo. podendo ser curta para alguns produtos (< 30 dias) ou muito longa (> 720 dias) para outros. morfologia das folhas e raízes e. Neste caso.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 61 .3 .2 . Todavia. tem-se a seletividade do diuron para a cultura do algodão. Na realidade. menor reserva de carboidratos. inseticidas ou fungi¬cidas inibidores da colinesterase. necessita-se de boa cobertura foliar da planta e.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Translocação diferencial das raízes para as folhas - isto ocorre devido à presença de glândulas localizadas nas raízes e ao longo do xilema, que adsorvem estes produtos, impedindo que sejam translo¬cados até seus sítios de ação, localizados nos cloroplastos. Metabolismo diferencial - algumas espécies de plantas, em suas raízes ou em outras partes, possuem enzimas que são capazes de metabolizar as moléculas de determinados herbicidas, transformando-os rapida¬mente em produtos não-tóxicos para as plantas. Como exemplo, pode-se citar o milho e o sorgo, que apresentam em suas raízes teores elrvados de benzoxazinonas. Estes compostos podem promover rápida degradação da molécula de atrazine por meio de reações de hidroxilação, dealquilação, ou ainda a conjugação dessa molécula com polipetídeos naturais, tornando estas culturas tolerantes a este herbicida. Outro exemplo seria a seletividade da cultura de arroz ao herbicida propanil. Esta cultura apresenta concentrações de dez a trinta vezes da enzima arilacilamidase em realação às principais gramíneas infestantes do arroz. Elevadas concetrações da arilacilamidase, nas folhas de arroz, garantem a degradação do propanil antes que estes atinjam os cloroplastos (sítio de ação primário deste herbicida), o que não ocorre com as gramíneas infestantes dessa cultura. 4.2.4 - Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II Atrazine

O 6-cloro-N-etil-N’-(1-metiletil)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (atrazine) apresenta solubilidade em água de 33 mg L-1, pka: 1,7, kow: 481; e koc médio de 100 mg g-1 de solo (Rodrigues; Almeida, 2005). É moderadamente adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica, tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É lixiviável, sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 30 cm e também em águas subterrâneas. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química e física. Apresenta meia-vida no solo média de 60 dias e persistência média a longa nos solos nas doses recomendadas de 5 a 7 meses. Em solos tropicais e subtropicais sua persistência pode também ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas em condições de pH do solo elevado, clima frio e seco. Em diversas regiões do Brasil, em campo, tem sido observada intoxicação da aveia semeada até 150dias após aplicação de atrazine na cultura do milho. É muito utilizado na cultura do milho, sendo, também, recomendado para cana-de-açúcar, café, fruteiras, cacau, pimenta-do-reino, etc. Fumo e trigo são muito sensíveis ao atrazine. Quando aplicado em pós-emergência, tem-se observado ótima eficiência de controle das plantas daninhas mesmo com a redução da dose aplicada. Todavia, para isso, é necessário adicionar à calda óleo mineral, sendo mais eficiente para controlar plantas daninhas recém-emergidas (plantas com 1-2 pares de folhas). É muito utilizado em misturas com outros herbicidas em culturas de milho, cana-de-açúcar, fruteiras e outras. As plantas de milho e sorgo possuem a capacidade de metabolizar o atrazine absorvido,
62 Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

transformando-o por meio de reações de hidroxilação, dealquilação e conjugação, por ação de benzoxazinonas presentes nestas espécies, em compostos não-tóxicos. O atrazine é muito eficiente no controle de dicotiledôneas, porém apresenta eficiência apenas regular para controle de diversas monocotiledôneas. Na cultura do milho, é muito utilizado em pré-emergência, quando em mistura com o metolachlor, formando o “Primestra”, e também em pós-emergência precoce, quando em mistura com óleo mineral (Primóleo) para controle de dicotiledôneas e em mistura no tanque com o nicosulfuron ou outras sulfoniluréias (foramsulfuron + idosulfuron-methyl), em áreas com infestação mista (JAKELAITIS et al., 2005). Simazine

O 6-cloro-N,N`-dietil-1,3,5-triazina-2,4-diamina (simazine) apresenta solubilidade em água de 3,5 mg L-1, pka: 1,62, kow: 122; e koc médio de 130 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica e tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É pouco lixiviável, não sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 10 cm. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química, ocorrendo hidrólise, com formação de hidroxisimazine e dealquilação do grupo amino. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 5 a 7 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas. Pode ser usado em pré-emergência das plantas daninhas nas culturas de café, cana-deaçúcar, alfafa, fruteiras, etc., para controle de dicotiledôneas e algumas gramíneas. Em doses maiores que 10kg ha-1 do p.c., pode ser usado usado para limpeza de cercas e áreas industriais. É absorvido basicamente pelo sistema radicular das plantas, sendo pouco móvel no solo. É utilizado em misturas com o atrazine, visando minimizar efeitos do clima, principalmente oscilações pluviais, e também para aumentar o espectro de controle de espécies de plantas daninhas. Ametryn

O N-etil-N`-1(metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (ametryn) apresenta solubilidade em água de 200 mg L-1; pka: 4,1; kow: 427; e koc médio de 300 mg-1 de solo. É medianamente lixiviável nos solos arenosos (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua degradação no solo é, em maior parte microbiana, mas também química, por processos de oxidação e hidrólise.
Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 63

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 4 a 6 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que nove meses se usado em doses elevadas, dependendo do clima e tipo de solo (meia-vida média no solo é de 60 dias). É reco¬mendado para as culturas de cana-de-açúcar, banana, café, abacaxi, citros, milho e videira, para controle de mono e dicotiledôneas. Pode ser absorvido facilmente pelas raízes e folhas de plantas. É pouco móvel no solo, por ser muito adsorvido por colóides orgânicos e minerais. Sua adsorção pelos colóides é muito influenciada pelo pH. Também pode apresentar adsorção negativa (dessorção), ocorrendo liberação para as plantas de moléculas anteriormente inativadas pelos colóides do solo. É muito utilizado em misturas com os herbicidas diuron, tebuthiuron, atrazine, trifolysulfuron-sodium, 2,4D, etc; principalmente quando recomen¬dado para de cultura da cana-de-açúcar (PROCÓPIO et al., 2003). É pouco lixiviado no solo, permanecendo na maioria das condições na camada superior (primeiros 30 cm). Prometryne

O N,N`-bis(1-metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (prometryne) apresenta solubilidade em água de 48 mg L-1; pka: 4,09; kow: 1.212; e koc médio de 400 mg g-1de solo. É pouco lixiviado em solos de textura média a argilosa, sendo facilmente degradado por microrganismos que o utilizam como fonte de energia. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 1 a 3 meses em condições tropicais e subtropicais, dependendo das condições de solo, do clima e da dose utilizada. Sua absorção é feita pelas folhas e raízes, sendo mais utilizado em pré-emergência. É recomendado para as culturas de quia¬bo, aipo, cenoura, alho, salsa, cebola, ervilha, etc. A cultura da cebola apresenta maior tolerância ao prometryne quando este é aplicado antes do transplante. Não apresenta seletividade para a cultura da cebola em semeadura direta. Metribuzin

O 4-amino-6-(1,1-dimetiletil)-metiltio-1,2,4-triazina-5-(4H)-ona (metribuzin) apresenta solubilidade em água de 1.100 mg L-1; kow: 44,7; e koc médio de 60 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É moderadamente adsorvido em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila. É um herbicida muito dependente das condições edafoclimáticas para seu bom funcionamento. Quando aplicado na superfície de solo seco e persistir nesta condição por sete dias,
64 Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

é desativado por fotodegra¬dação (SILVA, 1989). O metribuzin é também facilmente lixiviado no solo, não sendo recomendado seu uso em solo arenoso e, ou, com baixo teor de matéria orgânica. É absorvido tanto pelas folhas quanto pelas raízes. Controla diversas espécies de dicotiledôneas e algumas gramíneas. É recomendado para aplicação em pré-emergência nas culturas de batata, tomate, soja, café, cana-de-açúcar e mandioca para o controle de diversas infestantes dicotiledôneas. Não apresenta nenhum controle sobre Euphorbia heterophylla. Na cultura do tomate conduzida em semeadura direta, deve ser usado exclusivamente em pré-emergência, logo após a semeadura. No tomate transplantado, poderá ser usado também em pós-emergência, até dezdias após o transplante das mudas. É utilizado em misturas com outros herbicidas, especial¬mente com trifluralin e metolachlor, na cultura da soja. Linuron

O N-(3,4-diclorofenil)-N-metoxi-N-metiluréia (linuron) é um herbicida derivado do grupo das uréias, que apresenta solubilidade em água de 75 mg L-1, pka: zero; kow: 1.010; e koc médio de 400 mg g-1 de solo. É adsorvido principalmente em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila, sendo pouco lixiviável nestes tipos de solo, apresentando persistência de 2 a 5 meses. É recomendado para uso em soja, algodão, milho, batata, cenoura, rabanete, alho, cebola, etc., principalmente para aplicações em pré-emergência. Nas culturas de cenoura e de cebola, pode também ser usado em pós-emergência, quando as plantas daninhas estiverem com 1-2 pares de folhas. É mais facilmente absorvido pelas raízes, tendo a sua atividade muito influenciada pelas caracterís¬ticas físico-químicas do solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Diuron

O N`-(3,4-diclorofenil)-N,N-dimetiluréia (diuron) apresenta solubilidade em água de 42 mg L-1; pka: zero; kow: 589; e koc médio de 480 mg g-1 de solo e uma meia-vida média no solo de 90 dias com persistência de 4-8 meses (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É muito adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, sendo sua atividade altamente influenciada pelas características físico-químicas do solo; por esta razão, é pouco móvel no perfil do solo. Esta característica garante a “seletividade toponômica” do diuron para o algodão e outras culturas em solos de textura média a pesada. Todavia, em solos de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica, o diuron pode atingir o sistema radicular das culturas, tornando-as sensíveis. É recomendado para as culturas de algodão, cana-de-açúcar, citros, abacaxi, mandioca, seringueira, pimenta-do-reino, cacau, etc., para
Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 65

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

o controle de gramíneas e dicotiledôneas, sendo facilmente absorvido pelas raízes das plantas. O diuron, também, é muito recomendado em misturas com diversos herbicidas (paraquat, ametryn, 2,4-D, tebuthiuron, atrazine, MSMA, etc.), para uso em plantio direto, em aplicações dirigidas em diferentes culturas, em sistemas de plantio direto e convencional. Tebuthiuron

O N-[5-(1,1-dimetiletil)-1,3,4-tiadiazol-2-il]-N,N’-dimetiluréia (tebuthiuron) possui solubilidade em água de 2.570 mg L-1; pka: zero; kow: 671 e koc médio de 80 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, apresentando média lixiviação no perfil do solo. Quando usado em doses elevadas em cana-de-açúcar, recomenda-se não cultivar culturas sensíveis ao tebuthiuron, como feijão, amendoim e soja por um período inferior a dois anos e a três anos quando aplicado em pastagem. A persistência do tebuthiuron em regiões de elevada precipitação pluvial é de 12 a 15 meses; todavia, esta persistência é muito maior em regiões sujeitas a déficits hídricos prolongados. No Brasil, é recomendado para uso em cana-de-açúcar, pastagens e áreas nãocultivadas. Controla largo espectro de dicotiledôneas e monocotiledôneas anuais e perenes. É formulado como pó-molhável e suspensão concentrada. É recomendado para uso em préemergência na cultura da cana-de-açúcar, em aplicação isolada ou em misturas com outros produtos para o controle de plantas daninhas de folhas estreitas e largas que se propagam por sementes (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Também pode ser usado para eliminar árvores ou arbustos em pastagens. Neste caso, apresenta efeito lento, podendo demorar de 3 a 12 meses para eliminar a planta. Bentazon

O 3-(1-metiletil)-(1H)-2,1,3-benzotiodiazinona-4(3H)-ona 2-dióxido (bentazon) apre-senta solubilidade em água de 500 mg L-1; kow: 0,35; e koc médio de 34 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo, mostrando potencial de lixiviação muito reduzido, não sendo encontrado em profundidades superiores a 20 cm. Apresenta curta persistência no solo (inferior a 20 dias), não se observando efeito residual em culturas sucessoras (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para as culturas de amendoim, arroz, feijão, milho, soja e trigo. É utilizado exclusivamente em pós-emergência, devido à reduzida absorção radicular. Recomenda-se adição de um adjuvante oleoso à calda, para lhe facilitar a absorção por algumas
66 Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

É recomendado em pós-emergência da cultura do arroz e das plantas daninhas. nestas condições. A aplicação simultânea induz efeito antagônico. É fracamente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. para os carbamatos. Propanil O N-(3. sendo decomposto basicamente por microrganismos. umidade relativa do ar inferior a 70% e excesso de chuva. o bentazon. Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. visto que são comuns as combinações com graminicidas pós-emergentes. quando a infestação do terreno incluir espécies que lhe são tolerantes. razão pela qual. para assegurar sua absorção pelas plantas. ou com a cultura em precárias condições vegetativas. Não utilizá-lo em lavouras onde as sementes foram tratadas com carbofuran (RODRIGUES. Requer um período de seis horas sem chuva. Rhaphanus raphanistrum. após as aplicações. pois inibem a enzima arilacilamidase responsável pelo rápido metabolismo do propanil nas plantas de arroz. no inverno. Contudo é totalmente ineficiente no controle de Euphorbia heterophylla e Amaranthus sp. horas de calor. evitando períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60%. com herbicidas recomendados para controlar plantas daninhas de folhas largas. 30 dias. Todavia. o uso de óleo mineral torna-se mais necessário. É comum ser utilizado em mistura. aplica-se. É compatível com a maioria dos herbicidas.4-diclorofenil) propanamida (propanil) apresenta solubilidade em água de 500 mg L . Deve ser aplicado sobre plantas daninhas no estádio de 2 a 4 folhas. evitando períodos de estiagem. no tanque. Bidens pilosa. -1 Módulo 3. estando estas com bom vigor vegetativo. Ipomoea grandifolia. Commelina benghalensis. pka: zero. preferencialmente.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 67 . com estas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas espécies de plantas daninhas. É muito comum o uso do propanil em mistura com outros herbicidas. ALMEIDA. e koc médio de 149 mg g-1 de solo. Não se adiciona surfatante à calda. Deve ser usado em aplicações seqüenciais com inseticidas: com os organofosforados observar intervalo mínimo entre as aplicações de 15 dias e. Apresenta persistência muita curta no solo. Controla diversas espécies de folhas largas anuais. primeiro o graminicida e. preferencialmente. entre elas Acanthospermum australe. de apenas três dias. em um intervalo de três dias. kow: 193. visando aumentar o espectro de controle das plantas daninhas. além de outras. 2005). fitossanitárias ou cobertas de orvalho. Não atua sobre gramíneas. dicotiledôneas e ciperáceas. as misturas com fungicidas. A eficácia é maior a temperaturas altas e reduz quando abaixo de 16 oC. no início do desenvolvimento (2 a 3 folhas). exceto para a cultura do feijão onde a adição do adjuvante não é recomendada pois pode causar fitotoxicidade. Controla com eficiência diversas espécies de gramíneas.2 . inseticidas e fertilizantes foliares podem quebrar-lhe a seletividade para a cultura do arroz.

as necroses foliares têm o formato e a intensidade das gotículas de pulverização.Mecanismo de ação A atividade destes herbicidas é expressa por necrose foliar da planta tratada em pósemergência. podendo variar de alguns dias a vários meses. para que ela seja efetivamente controlada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. tipo de solo e condições climáticas. 4. no escuro.2 . • A toxicidade para pássaros e mamíferos é baixa. • Há muito pouca ou praticamente nenhuma translocação nas plantas tratadas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .2 . HESS. É comum ocorrer danos em culturas sucedâneas quando não se observa o período residual recomendado. enquanto para peixes ela varia de baixa a moderada. Como estes herbicidas não se movimentam dentro da planta. • A atividade herbicida acontece na presença da luz.1. durante a emergência das plântulas • A incorporação ao solo diminui a ação destes herbicidas. É preciso que haja boa cobertura da planta. • São poucos os relatos na literatura sobre o aparecimento de plantas daninhas que adquiriram resistência a estes herbicidas. se manifesta nas plantas próximo da superfície do solo. Principais características As principais características dos herbicidas inibidores da Protox (WARREN. • A persistência no solo varia consideravelmente entre os herbicidas deste grupo.3. 1995) são: • Herbicidas deste grupo podem penetrar pelas raízes. que pode variar com a dose aplicada. • A ação tóxica dos herbicidas inibidores da Protox. dando a impressão de que estão encharcadas pelo rompimento da membrana celular e 68 Módulo 3. Os primeiros sintomas são manchas verde-escuras nas folhas. • As partes tratadas da planta que são expostas à luz morrem rapidamente (dentro de um a dois dias).3. • Os difeniléteres são fortemente adsorvidos pela matéria orgânica do solo e muito pouco lixiviados. após 4-6 horas de luz solar. os herbicidas deste grupo não têm ação. em razão da maior sorção destes aos colóides do solo. ou seja.Herbicidas inibidores da Protox 4. quando aplicados em préemergência. pelos caules e pelas folhas de plantas jovens. em decor¬rência do uso repetido destes.3 .

sai do centro de reação do cloroplasto quando a Protox é inibida e se acumula no citoplasma. sem Mg. 4A). No período de 1988-89. precursor da protoporfirina IX.6-dioxoheptanóico) serviam de proteção contra os difeniléteres. Em seguida. como é que a protoporfirina IX estaria sendo acumulada? Num trabalho de 1993. no momento em que a plântula emerge. ácido 4. Estas experiências demonstraram que o requerimento de luz para a atividade herbicida dos difeniléteres não está relacionado com a fotossíntese.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas derramamento de líquido citoplasmático nos intervalos celulares (Fig. Esse pigmento interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (O2). foi verificado que o protoporfirinogênio IX. Módulo 3. Foi descoberto também que substâncias capazes de inibir a síntese da protoporfirina IX (gabaculina. HESS. Primeiramente foi mostrado que. Similarmente à aplicação pósemergência. ou mesmo de um mutante de planta amarelo (não-fotossintetizante). um precursor da clorofila.2 . não reduziu o dano ocasionado pela aplicação de um difeniléter. tratando-se cloroplastos com um herbicida do grupo difenil-éter. Foi mostrado que a protoporirina IX é acumulada fora dos plastídios.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 69 . A oxidação enzimática ocorre então no citoplasma. Quando estes herbicidas são usados em pré-emergência. o tecido é danificado por contato com o herbicida. ácido levulênico. e o produto formado não serve de substrato para a enzima Mg-quelatase. Finalmente. reconhecidamente capaz de iniciar o processo de peroxidação de lipídios. outras publicações comprovaram que o pigmento envolvido era a protoporfirina IX. a luz é sempre necessária para a ação herbicida. foi mostrado que a enzima inibida pelos herbicidas do grupo dos difeniléteres era a protoporfirinogênio oxidase. responsável pela formação da Mg-protoporfirina IX. surgiram vários trabalhos que ajudaram no entendimento do mecanismo de ação desses herbicidas. A estes sintomas iniciais segue-se a necrose. em tecidos tratados com os difeniléteres. o sintoma característico é a necrose do tecido que entrou em contato com o herbicida (WARREN. Figura 4 – Sintomas de intoxicação em plantas de pepino tratadas com fomesafen (A) e efeito residual no solo (carryover) em folhas de milho (B) Após a absorção e pequena translocação destes herbicidas até o local de ação. conhecida simples¬mente pela abreviatura Protox. 1995). Experiências realizadas por vários autores mostraram que o uso de um herbicida inibidor do transporte de elétrons na fotossíntese (diuron). Ficou então uma questão crucial para ser respondida: se a Protox é inibida. A protoporfirina IX formada no citoplasma. houve a formação de grande quantidade de oxigênio singleto (O2).

horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. por exemplo. o aparecimento do oxigênio singleto (forma reativa do oxigênnio) e a peroxidação dos ácidos graxos insaturados da plasmalema (WARREN. Bidens pilosa. Requer uma hora sem 70 Módulo 3.3 .Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX Fomesafen O 5-(2-cloro-4-(trifluorometil) fenoxi-N-(metilsulfonil)-2-nitrobenzamida (fomesafen) apresenta solubilidade em água de 50 mg L-1 (ácido). a oxidação pela Protox no citoplasma. daí o aparecimento de necroses de forma tão rápida (4-6 horas). A acumulação rápida da protoporfirina IX sugere um descontrole na rota metabólica de síntese desta. A acumula¬ção de protoporfirina em células humanas é conhecida por estar associada com algumas doenças. deixando de haver o controle sobre a síntese de ALA.2 . Amaranthus hybridus.3. a síntese de heme é também inibida. O padrão de acumulação é o mesmo observado na doença Porfiria variegata. 4. HESS. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas estando estas no estádio de 2 a 4 folhas. pka: 2. a saída para o citoplasma.83. Euphorbia heterophylla.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . a formação da protoporfirina IX. evitando períodos de estiagem. Esse fato sugere um manuseio bem cuidadoso desses herbicidas. É registrado no Brasil para as culturas de soja e feijão. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais. variando de dois a seis meses (ALMEIDA. A explicação mais plausível é a inibição da síntese do grupo heme. 1995). Vale a pena salientar que a enzima protoporfirinogênio oxidase (protox) ocorre também nos mitocôndrios de células animais e que a enzima encontrada nos mitocôndrios é mais sensível aos herbicidas difeniléteres do que a enzima encontrada nos cloroplastos. entre elas Acanthospermum australe. Com a inibição da protox no cloroplasto. como a protoporfiria. Uma explicação final deve ser dada sobre o fato de que a protopor¬firina IX se acumula muito rapidamente em células de plantas tratadas com um difeniléter ou oxadiazon. kow: 794. a partir do glutamato. sorgo. O grupo heme é conhecido pela ação de controle na síntese do ácido aminolevulínico (ALA). Ipomoea grandifolia. Deve-se adicionar à calda o adjuvante recomendado pelo fabricante. 2005). As conseqüências do descontrole são o aumento rápido do protoporfirinogênio IX. Persistência alta no solo na dose recomendada. e koc médio de 60 mg g-1 de solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (‘O2) e iniciar o processo de peroxidação dos lipídios da plasmalema. precursor na planta dos citocromos. RODRIGUES. Oxadiazon. que é sintetizado a partir da protoporfirina IX com a interferência da Fe quelatase. Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. além de outras. quando adicionado na dieta de ratos. provoca níveis elevados de porfirina. ou. Recomenda-se observar um intervalo mínimo de 150 dias entre a aplicação do fomesafen e a semeadura de milho e.

sendo utilizado em outros países. Controla gramíneas e algumas espécies de dicotiledôneas. para inibir o aparecimento de biótipos resistentes a herbicidas.000 mg g-1de solo. podendo. É comum ser utilizado em mistura no tanque com outros herbicidas. 2005). visando aumentar espectro de controle de plantas daninhas. arroz. pka: zero e koc médio de 10. kow: 29. milho e amendoim. Commelina benghalensis.400.000 mg g-1de solo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 71 . eucalipto e pinho. para assegurar a absorção pelas plantas daninhas. citros. ser ainda maior em viveiros.2 . cana-de-açúcar. por isso. também. RODRIGUES. O produto provoca intoxicação à cultura da soja. para o controle em pós-emergência de plantas daninhas dicotiledôneas e gramíneas e também com outros herbicidas. devido às condições de umidade e sombreamento (ALMEIDA. É comum ser utilizado em mistura com o fluazifop-p-butil. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. Oxyfluorfen O 2-cloro-1-(3-etoxi-4-nitrofenoxi)-4-(trifluorometil)benzeno (oxyfluorfen) apresenta solubilidade em água < 0. com clorose e necrose foliar e redução e crescimento. no estádio de 2 a 4 folhas. visando aumentar o espectro de controle de plantas daninhas de folhas largas e. como Euphorbia heterophylla. É registrado no Brasil para as culturas de soja. videira. arroz e amendoim.1 mg L-1. ambas anuais. nas culturas de nogueira. Sida rhombifolia. Lactofen O 2-etoxi-1-metil-2-oxoetil-5-[2-cloro-4-(trifluorometil)fenoxi-2-nitrobenzoato (lactofen) apresenta solubilidade em água de 0. mas a cultura se recupera. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais. e koc médio de 100. apresentando muito baixa lixiviação no perfil do solo (ALMEIDA. pka: zero. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas. 2005). O lactofen tem meia-vida no solo de três dias sendo completamente dissipado em menos de 30 dias.1 mg L-1. dependendo da exigência da cultura. além de outras. café. também. esta. Sua degradação no solo é essencialmente por fotólise e insignificante por microrganismos. incluindo algumas espécies-problema.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorrência de chuvas após a aplicação. não afetando as culturas em sucessão. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais e. É registrado no Brasil para as culturas de algodão. é resistente à lixiviação no perfil do solo. RODRIGUES. Apresenta meia-vida de 30 a 40 dias e persistência média de seis meses no solo. Em Módulo 3. É utilizado em pré e pós emergência precoce.

podendo ser feitas duas aplicações anuais. No Brasil. em pré-emer¬gência das plantas daninhas. em aplicação dirigida. protetores de bicos. atuando unicamente sobre órgãos da parte aérea.4-oxadiazol-2-(3H)-ona (oxadiazon) apresenta solubilidade em água de 0. cebola. age sobre o hipocótilo das plantas em germinação e nos meristemas foliares. kow: 63. Quando utilizado em pós-emergência. Em café.100. ou. Na cultura do arroz. alho. cenoura e cana-de-açúcar.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas razão da sensibilidade à fotodecomposição. por esta razão e devido à sua baixa solubilidade em água. na faixa de plantio. apresenta lixiviação e movimentação lateral insignificantes. Em plantações de eucalipto e pinho. Em arroz irrigado. Oxadiazon O 3-[4. em solo úmido. no máximo. porém antes da emergência do arroz. Em cafezais adultos. Em cana-de-açúcar.3. exceto nas variedades de eucalipto de folha pilosa. Aplicar após o cultivo. com elas mais desenvolvidas. dependendo da dose aplicada. é utilizado em pré-emergência das plantas daninhas. com as plantas daninhas ainda não emergidas. 2005). Sua persistência no solo é de dois a seis meses. pouco móvel. Usar. O alho e a cebola e. preferencialmente. é usado quando a cultura atinge desenvolvimento superior a 50 cm de altura. em préemergência das plantas daninhas. ALMEIDA. também. quando usado em pré emergência. após a rega. em que se faz em jato dirigido. deve ser aplicado em préemergência das plantas daninhas. aplicá-lo em mistura com o MSMA. se necessário.200 mg g-1 de solo. Em cafezais jovens. Em cenoura. pka: zero. e koc médio: 3. provoca o fechamento dos estômatos e deterioração das membranas celulares.2-dicloro-5(1-metiletoxi)fenil]-5-(dimetietil)-1. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo. é utilizado tanto em viveiros quanto em cafezais jovens e adultos. na cana-soca. Quando usado em pós-emergência. em solo úmido. aplica-se logo após o plantio. é recomendado para as culturas de arroz. ocasionando colapso das células. podendo se reaplicar depois que as referidas culturas atinjam a fase de três folhas. antes da emergência das plantas daninhas. recomenda-se usar adjuvantes na calda. em pré-emergência das plantas daninhas. também em pré72 Módulo 3. pode ser usado em pré ou pós-emergência das plantas daninhas. de maneira geral. aplica-se logo após a semeadura ou até cinco dias depois. Não tem ação sobre os tecidos radiculares. de forma a não atingir o algodoeiro. em jato dirigido.2 . exige umidade no solo no momento da aplicação para penetrar neste. quando estas atingirem a fase de duas folhas. Nestas culturas deve ser utilizado em pré-emergência. deve ser aplicado logo após a semeadura. sendo pouco absorvido pelo sistema radicular e. podendo ser pulverizado sobre as plantas. de forma a não atingir a folhagem. Em préemer¬gência. aplica-se logo após o plantio.7 mg L-1 . Em viveiros.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . e. logo após o plantio. do tipo de solo e das condições climáticas (RODRIGUES. logo após o corte. as culturas que se reproduzem por bulbo são bastante tolerantes ao oxadiazon. evitando a ação dos raios solares. Em algodão. deve ser aplicado logo após a arruação ou esparramação. Não é metabolizado nas plantas.

a formação do fuso cromático e movimentação dos cromossomas na fase da mitose (Figs. São eficientes apenas quando usados em pré-emergência. Repetidas aplicações não resultam na maior degradação microbioló¬gica. O fuso cromático é formado por proteínas microtubulares denominadas tubulinas. 5 e 6). pendimethalin e oryzalin).4. conseqüentemente. As dinitroanilinas inibem a polimerização destas proteínas e. 4. Apresentam de moderada a muito baixa movimentação no solo.Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos 4.) na cultura de cana-de-açúcar. Estes herbicidas inibem o crescimento da radícula e a formação das raízes secundárias. que corresponde à migração dos cromossomas da parte equatorial para os pólos das células. Módulo 3. simazine. porque a sua ação principal se manifesta pelo impedimen¬to da formação do sistema radicular das plantas. Interferem em uma das fases da mitose. semelhantemente à actimiosina encontrada nos músculos dos animais. 4.4 . Apresentam ótima ação no controle de gramíneas. e responsáveis pela movimentação dos cromossomas para os pólos da célula.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 73 . etc.4.Mecanismo de ação Estes herbicidas pertencem ao grupo das dinitroanilinas (trifluralin.2 .1 . 1995b). Eles provocam a ruptura da seqüência mitótica (prófase > metáfase > anáfase > telófase) já iniciada (HESS. Possuem pouca ou nenhuma atividade foliar.Principais características • • • • • • Paralisam o crescimento das raízes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas emergência das invasoras. tendo como conseqüência o aparecimento de células multinucleadas (aberrações). Estas proteínas são contráteis. ametryn. É comum aplicar o oxadiazon em misturas com herbicidas residuais (diuron.2 . Todos os herbicidas deste grupo apresentam de moderada a baixa toxicidade para mamíferos. O efeito direto é sobre a divisão celular. Todos estes compostos (grupo das dinitroanilinas) interferem no movimento normal dos cromos¬somas durante a seqüência mitótica.

a forte adsorção pode impedir a absorção 74 Módulo 3. em solos ricos em matéria orgânica.4. beterraba. 2005). ervilha.3 . cebola. sensível à luz e de solubilidade em água extremamente baixa (0. tomate. sendo recomendado para as culturas de soja.6-dinitro-N-N-dipropil-4-(trifluorometil) benzoamina (trifluralin) é um herbicida que apresenta excelente ação sobre as gramíneas anuais e perenes oriundas de sementes.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . feijão. alho.1x10-4 mm Hg a 25 °C). quiabo. necessita ser incorporado mecanicamente ao solo logo após a sua aplicação (RODRIGUES. É fortemente adsorvido pelos colóides da matéria orgânica e pouco pelos da argila.3 mg L-1 a 25 °C). ALMEIDA. Por ser um produto volátil (pressão de vapor de 1.Seqüência normal da mitose Figura 6 .Mitose interrompida pela ação de herbicidas derivados das dininitoanilinas 4. brássicas.Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos Trifluralin O 2. alfafa. pimentão. cucurbitá¬ceas. algodão. e outras.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 .

causar danos à cultura sucessora. A lixiviação. kow: 152. cebola.200 mg g-1 de solo.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA) 4. soja.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 75 .2 . assim como o movimento lateral no solo..6-dinitrobenzenoamina (pendimethalin) é registrado no Brasil para controle de gramíneas nas seguintes culturas: algodão.000. sua lixiviação é muito baixa e as doses recomendadas se dão em função das características físico-químicas do solo. amendoim. podendo. Nos Estados Unidos da América do Norte. e koc médio de 7. Pendimethalin O N-(1-etilpropil)-3. É um herbicida de média volatilidade (pressão de vapor de 9. provocando inibição do crescimento radicular desta (SILVA et al. tabaco e trigo.000.5 .000 mg g-1 de solo. milho.3 mg L-1. O pendimethalin apresenta solubilidade de 0. motivo pelo qual a incorporação é recomendável em condições de solo seco e com período de estiagem.5. e koc médio de 17.4x10-5 mm Hg). café. alho. ALMEIDA. É fortemente adsorvido pelos colóides do solo.1 . 1998). Apre¬senta degradação lenta no solo. kow: 118. em alguns casos de rotação de culturas (feijão/milho) em áreas de baixa fertilidade e mal manejadas. em 1954 (CDAA) (SLIFE. As princi¬pais características dos herbicidas do grupo das cloroacetamidas são: Módulo 3. 2005).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas do trifluralin pelas raízes das plantas. É absorvido principalmente pela radícula e praticamente não se transloca na planta. Sua persistência no solo varia de 3 a 6 meses de acordo com o solo.Principais características As cloroacetanilidas têm sido um dos grupos de herbicidas mais usados no mundo. 4. motivo pelo qual não é aconselhável seu uso nestas condições. sensível à luz e pouco móvel no solo. A dose recomendada varia de acordo com as características fisico-químicas do solo. por causa do uso extensivo em soja e milho. arroz. não existem ainda relatos do aparecimento de gramí¬neas que tenham adquirido resistência a esses herbicidas. pka zero. a dose aplicada e as condições climáticas (RODRIGUES. é muito reduzida. Apesar do uso contínuo por tantos anos. Apresenta pka: zero. É recomendado para uso em pré emergência da planta daninha e da cultura ou em PPI. Não há relatórios também sobre aumento de biodegradação no solo. depois do glyphosate é o grupo de herbicida mais utilizado. feijão.4-dimetil-2. cana-de-açúcar. por esta razão. 1995). desde o lançamento do primeiro herbicida desse grupo.

5. A toxicidade das cloroacetanilidas a peixes. as sementes iniciam o processo de germinação. pelo fato de não terem ação pós-emergente.2 . quando o fazem. Exemplo deste uso é a proteção do sorgo contra cloroacetanilidas. Cada cloroacetanilida que apareceu no mercado depois do herbicida CDAA apresentou características um pouco diferentes das outras.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Devido a problemas de tolerância. o efeito residual no solo tem aumentado e a dependência dos fatores do solo tem diminuído. o controle não é consistente. 76 Módulo 3.2 . o mecanismo bioquí¬mico primário de ação das cloroacetanilidas ainda não é bem conhecido. A hipótese mais aceita atualmente é a inibição de ácidos graxos de cadeias muito longas. mas não chegam a emergir. isoladamente. As cloroacetanilidas são aparentemente absorvidas pelas raízes (dicotiledôneas) e pelas partes acima da semente epicótilo (principal¬mente gramíneas). ácidos graxos. ciperáceas mostram inibição da parte aérea. não há registros de problemas com deriva. possibili¬tando a utilização desses herbicidas nesta cultura. as cloroacetanilidas podem auxiliar no controle de dicotiledôneas. Em áreas tratadas com cloroacetanilidas. exibem crescimento anormal. As cloroacetanilidas apresentam normalmente pressão de vapor de média a alta. em préemergência. Em combinação com outros herbicidas. é muito difícil o estudo de translocação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Controlam plântulas de muitas espécies de gramíneas anuais e algumas dicotiledôneas antes da emergência ou mesmo plantinhas. flavonóides e proteínas. é um dos grupos mais estudados e com o qual mais se têm usado os protetores de herbicida. mas. A mobilidade no solo varia entre os herbicidas deste grupo e depende das condições de umidade e do teor de matéria orgânica do solo. O maior uso das cloroacetanilidas está ligado ao controle. logo após a emergência. Os dados existentes indicam translocação muito pequena. o algodoeiro). o efeito inibitório causado pelo alachlor é maior sobre as raízes. pássaros e mamíferos é muito baixa. de espécies daninhas gramíneas e comelináceas. As cloroacetanilidas estão relacionadas com a inibição da sín¬tese de lipídios. em dicotiledôneas (por exemplo. 4. e. porém. terpenos. as cloroacetanilidas apresentam de baixa a média mobilidade nos solos. as doses têm sido reduzidas. Muitos efeitos diferentes sobre vários processos bioquímicos já foram mostrados. De maneira geral.Mecanismo de ação das cloroacetanilidas Apesar de ter sido estudado extensivamente. naturalmente sensível a eles. Em razão de os efeitos desses herbicidas estarem ligados somente as plântulas. Gramíneas mostram inibição da emergência da primeira folha do coleóptilo. 1995). De modo geral. Há relatórios que as relacionam com a inibição da divisão celular e interferência com controle hormonal (SLIFE.

ou. antes da emergência das plantas daninhas. etc. a eficácia do produto reduz. terpenos. inibir a síntese de proteínas. estando o solo com boas condições de umidade. se não chover no prazo de até cinco dias. pode-se cultivar milho. o grupo amino do metionil-tRNA inicial). kow 794. ácidos graxos.. Richardia brasiliensis ou Sida sp. Os efeitos das cloroacetanilidas sobre a síntese de gorduras podem ser atribuídos à interferência no metabolismo da CoA. em condições de alta infestação de Brachiaria plantaginea. incluindo lipídios. se a infestação for de Bidens pilosa. possuindo média a baixa mobilidade no solo e persistência de 6 a 20 semanas. Em café. sendo este transferido (por exemplo.3 . Em algodão. As cloroacetanilidas podem também alquilar aminoacil tRNAs específicos e. Apresenta solubilidade em água de 242 mg L-1. recomenda-se a mistura com graminicidas ou aplicação em seqüência ao trifluralin incorporado. Em cana-de-açúcar. deve ser utilizado logo após o plantio.Características de algumas cloroacetanilidas Alachlor O 2-cloro-2. exceto em solos arenosos e. variável com o tipo de solo e as condições climáticas. é comum misturá-lo com atrazine ou cyanazine.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 77 . com isso. amendoim e girassol. 2005). sendo usado em pré-emergência. Em café novo ou recepado. já foi mostrado que o herbicida alachlor é capaz de alquilar CoA. pka: zero. Quando aplicado em solo seco. É adsorvido pelos colóides do solo.2 . e koc médio de 120 mg g-1 de solo (RODRIGUES. A retirada do nucleófilo pode acontecer entre o halogênio das cloroacetanilidas e o nucleófilo. podendo ser misturado com ametryn. soja ou amen¬doim no terreno tratado. Em milho. aplicá-lo após a arruação ou esparramação. 4. diuron ou atrazine.5. Módulo 3.6-dietil-N-(metoximetil)acetanilida (alachlor) é recomendado para controle de diversas espécies de gramíneas e comelináceas. não se deve utilizá-lo em solos arenosos. Pelo menos “in vitro”. mistura-se com metribuzin. Em soja. com baixo teor de matéria orgânica. sendo esta enzima o ponto de começo de muitas rotas metabólicas. As cloroacetanilidas são conhecidas como agentes alquilantes e podem agir alquilando nucleófilos biológi¬cos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos efeitos bioquímicos e fisiológicos relatados sobre o modo de ação destes herbicidas pode ser interpretada com base na inibição da síntese de proteínas. ALMEIDA. logo após a semeadura da cultura.

apresentando persistência de 8 a 12 semanas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas S-metolachlor O 2-cloro-N-(2-etil-6-metilfenil)-N-[(1S)-2-metoxi-1-metiletil)]acetanilida (s-metolachlor) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar. É sorvido pelos colóides de argila e matéria orgânica. milho e soja. Em café. Apresenta solubilidade em água de 223 mg L-1. por provocar inoxicação à cultura. 78 Módulo 3. Em milho. como atrazine. feijão. logo depois do plantio. sua lixiviação é fraca a moderada. Em feijão. das condições climáticas e do tipo de solo. Controla essencialmente gramíneas anuais e algumas perenes de reprodução seminal. mas no prazo máximo de três dias após a ultima gradagem. esparramação. para culturas de amendoim. por esta razão. também. Acetochlor O 2-cloro-N-(etoximetil)-N-(2-etil-6-metilfenil) acetanilida (acetochlor) é recomendado para uso em pré-emergência das plantas daninhas. pka: zero. girassol. 2005). sendo comum a mistura com outros herbicidas. podendo ser misturado. A terra deve estar bem preparada. livre de torrões. ALMEIDA. deve ser aplicado logo após a arruação e. e koc médio de 200 mg g-1 de solo. não deve ser utilizado em solos arenosos. kow: 3. dependendo da dose utilizada. usa-se em cana-planta. batata. etc.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Devido à sensibilidade do s-metolachlor. Para aumentar o espectro de ação sobre estas espécies. metribuzin. as comelináceas e um número reduzido de latifoliadas. cyanazine. exceto em solos arenosos. entre outros. Em razão de sua absorção foliar ser quase nula. Em milho. é essencial que sua aplicação seja feita antes da completa emergência das plantas. sendo pouco lixiviado. ou. é largamente utilizado em mistura com o atrazine. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. à fotodegradação e à volatilização. pka zero e kow 300.05. recomenda-se sua aplicação logo após a semeadura.2 . restos de culturas e em boas condições de umidade. a sua eficácia ficará comprometida se aplicado em solo seco e não ocorrer uma chuva de intensidade superior a 10mm no espaço de cinco dias (RODRIGUES. é utilizado apenas em pré-emergência das plantas daninhas. Pelo fato de sua absorção ser quase total pelo coleóptilo das gramíneas e pelo epicótilo das dicotiledôneas. devendo ser aplicado em seguida à semeadura. sorgo e plantas ornamentais. Apresenta solubilidade em água de 488 mg L-1. é comum misturá-lo com latifolicidas. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo. Em cana-de-açúcar. sendo usado em outros países.

Estes radicais livres formados pelos herbicidas paraquat e diquat não são os agentes responsáveis pelos sintomas de intoxicação observados. para mamíferos. também.1 . em várias partes do mundo e. São cátions fortes. em pré-colheita para diversas culturas. na presença de Mg. também. os quais sofrem o processo de dismutação. com metribuzin.2 . 4. chuvas após 30 minutos de sua aplicação não mais influenciam a eficiência de controle das plantas daninhas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 79 . WARREN. aplica-se logo após a semeadura. reagem. Vale ressaltar que este não é o único sítio de ação destes herbicidas. 4.6. com baixo teor de matéria orgânica. Estes compostos possuem a capacidade de captar elétrons provenientes da fotossíntese (no fotossistema I) e formarem radicais livres.6 . formulados em solução aquosa. estes herbicidas capturam os elétrons provenientes da respiração.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas com atrazine ou cyanazine. (WELLER. porque pequena atividade destes produtos é observada. no escuro. 4.Mecanismo de ação Poucas horas após a aplicação destes herbicidas.Características gerais • • • • • • • São altamente solúveis em água e. entre outros. Módulo 3. São rapidamente absorvidos pelas folhas. Estes radicais são instáveis e rapidamente sofrem a auto-oxidação. ocasionando o vazamento do conteúdo celular e a morte do tecido. verifica-se severa injúria nas folhas das plantas tratadas (necrose do limbo foliar).2 . produzindo radicais hidroxil. Durante o processo de auto-oxidação são produzidos radicais de superóxidos. a morte das plantas devido à ação destes herbicidas é tão rápida na presença da luz que não dá tempo de eles se translocarem na planta. em aplicações dirigidas em diversas culturas. Esta substância promove a degradação rápida das membranas (peroxidação de lipídios). Em soja. O local de captura dos elétrons está próximo a ferredoxina e sua velocidade de ação depende da intensidade luminosa. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. Nesta condição. 1995a). A toxicidade do diquat é alta e a do paraquat é muito alta. A ação destes herbicidas é muito mais rápida na presença da luz do que no escuro. como dessecantes. para formarem os radicais tóxicos. para formarem o peróxido de hidrogênio.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I São herbicidas derivados da amônia quaternária (paraquat e diquat). podendo ser misturado. São rapidamente adsorvidos e inativados pelos colóides do solo. exceto em solos arenosos e. sendo largamente utilizados como dessecantes no “plantio direto”. Este composto e os superóxidos.6. Usualmente. por isso. ou. na presença de luz.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

4.6.3 - Principal herbicida do grupo Paraquat

O 1,1’-dimetil-4,4’-dicloreto de piridilio íon (paraquat) é um herbicida altamente solúvel em água (620.000 mg L-1); pka: zero; kow: 4,5; e koc estimada de 1.000.000 mg g-1 de solo. É inativado ao entrar em contato com o solo, por completa adsorção do cátion à argila. Esta ocorre devido à dupla carga positiva da molécula do paraquat, formando complexos com os locais de carga negativa, de onde não é removido mesmo com lavagens de solução saturada de sais, só sendo recuperado por fragmentação da argila com ácido sulfúrico 18 N. Por esta razão, sua lixiviação é nula e sua decomposição microbiana no solo é muito lenta. O paraquat pode ser usado para: • • • • • Dessecante em “plantio direto”. Para este fim, o paraquat é muito utilizado em mistura com o diuron, formando o Gramocil. Em pré-emergência de culturas, porém em pós-emergência das plantas daninhas. Aplicações dirigidas em culturas de milho, algodão, café, fruteiras e outras. Dessecante, em pré-colheita, para diversas culturas, visando viabilizar colheita mecânica e melhor qualidade fisiologia de sementes (DOMINGOS et al., 2001). Para limpeza de áreas não-cultivadas.

4.7 - Herbicidas inibidores da acetolactato sintase Os herbicidas derivados das sulfoniluréias, comercializados pela primeira vez em 1982, apresentam alto nível de atividade em doses muito pequenas. Atualmente, há vários herbicidas deste grupo no mercado. Através de pequenas modificações na estrutura química, a seletividade pode ser alterada de uma cultura para outra. Exemplos de culturas que são tolerantes a um ou mais herbicidas desse grupo químico são trigo, soja, arroz, milho, feijão, batata, beterraba, algodão, coníferas, canade-açúcar, etc. As sulfoniluréias inibem a síntese dos chamados aminoácidos ramificados (leucina, isoleucina e valina), através da inibição da enzima Aceto Lactato Sintase (ALS); esta inibição interrompe a síntese protéica, que, por sua vez, interfere na síntese do DNA e no crescimento celular. As plantas sensíveis tornam-se cloróticas, definham e morrem, no prazo de 7 a 14 dias após o tratamento. Essa enzima é inibida, também, pelos herbicidas dos grupos químicos imidazolinonas, triazolopyrimidines ou sulfonamidas e pyrimidinyl-oxybenzoatos (THILL, 1995; THILL, 2003a; BRIDGES, 2003c). Apesar do pouco tempo de uso, a literatura já registra muitas espécies de plantas daninhas que desenvolveram resistência aos inibidores da ALS.

80

Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

As principais características das sulfoniluréias são: • • Alguns são ativos em doses extremamente baixas; exemplo: o metsulfuronmethyl, que apresenta atividade na dose de 2 g ha-1 A maioria das sulfoniluréias apresenta bom controle de muitas espécies de folhas largas (dicotiledôneas); todavia, algumas possuem, também, ótima atividade contra gramíneas. A toxicidade aguda para mamíferos é muito baixa (5.500–6.500 mg kg-1 em ratos) para o herbicida chlorsulfuron, o mais estudado. Para outros análogos, a toxicidade é mais baixa ainda. As sulfoniluréias são ativas tanto em aplicações foliares quanto em aplicações no solo.

Apesar de quimicamente diferentes, as imidazolinonas têm o mesmo mecanismo de ação das sulfoniluréias, ou seja, inibem a enzima AHAS ou ALS. As principais caracte¬rísticas deste grupo são: • As imidazolinonas são recomendadas para controle em pré-emergência e em pósemergência de muitas folhas largas e gramíneas em cereais, soja e em áreas nãoagrícolas. • Estes herbicidas são potentes inibidores do crescimento vegetal. Plantas tratadas param de crescer quase que imediatamente após a aplicação. Dois a quatro dias após a aplicação desses herbicidas o ponto de crescimento (meriste¬ma apical) das plantas tratadas torna-se clorótico e, depois, necrótico e morre. A morte completa da planta vai ocorrer sete a dez dias após o tratamento. Plantas de maior porte podem levar mais tempo para morre¬r, mas a paralisação do crescimento é imediata. • Todos estes herbicidas são sistêmicos, ou seja, translocam pelo floema. Uma vez dentro do floema, por causa do pH alcalino, estes herbicidas, que são ácidos fracos, se dissociam e os ânions têm dificuldade para deixar o floema. • As imidazolinonas apresentam persistência de moderada a longa no solo. Maior sorção e, conseqüentemente, maior persistência ocorrem quando decrescem a umidade do solo, o pH e a temperatura e, também, quando os teores de matéria orgânica, óxidos de ferro e de alumínio no solo aumentam. • A dissipação no solo é, via de regra, por meio da degradação microbiana. Em condições de solo mais seco, mais herbicida é preso nos colóides do solo e menos produto é disponível para biodegra¬dação ou absorção pelas plantas, o que implica maior persistência e possível "carryover". As imidazolinonas são

Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

81

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

sensíveis à fotólise, mas esse processo de dissipação não é importante no solo. A fotólise é mais importante no meio aquático. • Pouca lixiviação tem sido reportada em condições de campo, apesar de os estudos de laboratório indicarem mobilidade moderada destes herbicidas no solo. • As imidazolinonas apresentam muito baixa ou nenhuma toxicidade para mamíferos. Esta toxicidade baixa pode ser explicada pela enzima-alvo, que não ocorre em animais, e também pelo fato de a excreção desses herbicidas ser muito rápida em animais-teste. Além das sulfoniluréias e das imidazolinonas, outros herbicidas, de grupos químicos diferentes, apresen¬tam o mesmo mecanismo de ação, ou seja, inibem a enzima ALS ou AHAS e, com isso, paralisam o crescimento das plantas (HESS, 1995c). Dente esses grupos químicos, podem-se destacar as triazolopirimidinas, ou sulfonamidas, e os piridinil-oxibenzoatos. As principais características do herbicida N - (2,6-diflluorofenil) - 5 - metil (1,2,4) triazolo [1,5a] pirimidina - 2 - sulfonamida (flumetsulan) e N-[2,6-diclorofenil] - 5 - etoxi - 7 - fluoro(1,2,4) triazolo – [(1,5c)] pirimidina - 2 - sulfonamida (diclosulan) são: Flumetsulan Diclosulan

• •

• • •

Apresentam ação pré-emergente sobre amplo espectro de plantas daninhas de folhas largas. As gramíneas, de maneira geral, são resistentes devido ao metabolismo mais rápido. Entre as culturas de folhas largas, a soja é tolerante. Possuem absorção radicular, mas a translocação é sistêmica, ou seja, translocamse tanto pelo floema quanto pelo xilema. A sorção no solo e a persistência aumentam quando o pH decresce e quando a matéria orgânica aumenta. A persistência no solo é mediana, não havendo casos relatados de "carryover". A dissipação no solo é devida ao ataque de microrganismos. Condições que favorecem a ação microbiana aceleram a dissipação destes herbicidas no solo. Possuem mobilidade no solo moderada, não se antevendo problemas de contaminação de depósitos subterrâneos de água. A toxicidade para mamíferos é muito baixa (Faixa Verde: DL50 > 6.000mg/kg em ratos).

82

Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

4.7.1 - Algumas sulfoniluréias Metsulfuron-Methyl

O ácido 2-[[[[(4-metoxi-6-metil-1,3,5-triazina-2-il)amino]carbonil]amino]sulfonil] benzóico (metsulfuron-methyl) apresenta solubilidade em água de 270 mg L-1; pka: 3,3; kow: 1,0 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 35 mg g-1g de solo. É pouco sorvido e muito lixiviado no solo, dependendo da textura e do teor de matéria orgânica. Sua persistência (meia-vida) no solo varia de 30 a 120 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para controle de plantas daninhas de folhas largas nas culturas de trigo, arroz, cana-de-açúcar, aveia, cevada, manejo de inverno e pastagens. Entre as espécies sensíveis encontram-se Raphanus raphanistrum, Raphanus sativus, Acanthospermum australe, Bidens pilosa, Ipomoea grandifolia, além de muitas outras. É recomendado para uso em pós-emergência, devendo ocorrer intervalo de seis horas sem chuva após a sua aplicação. A ação do produto nas plantas daninhas sensíveis pode ser observada através da clorose das folhas e morte das gemas apicais, com evolução para morte das plantas até 21 dias após aplicação. Em espécies menos sensíveis, observa-se paralisação de seu desenvolvimento. Culturas como trigo e arroz, para as quais é seletivo, conseguem metabolizá-lo rapidamente a compostos não-fitotóxicos. Nicosulfuron

O 2-[[[[(4,6-dimetoxi-2pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]-N,N-dimetil-3piridinacarboxamida (nicosulfuron) apresenta solubilidade em água de 360 mg L-1 a pH 5 e 12.200 a pH 6,85; pka: 4,3; kow: 0,44 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 30 mg g-1 de solo a pH 6,5. Quanto à sua persistência em condições de Brasil, sabe-se que culturas de soja, girassol, algodão e feijão poderão ser semeadas 30 dias após a aplicação do nicosulfuron; trigo, arroz e batata, 45 dias após a aplicação; e tomate, 60 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No Brasil, está registrado para a cultura do milho, sendo utilizado em pós-emergência em área total. Controla gramíneas, inclusive o capim-massambará (Sorghum halepense), e diversas espécies de dicotiledôneas. No momen¬to da aplicação, as plantas de milho devem estar com duas a seis folhas; as plantas daninhas dicotiledôneas, com duas a seis folhas; e as gramíneas, com até dois perfilhos. A aplicação deve ser feita estando o solo úmido e com as plantas daninhas em pleno vigor vegetativo. A ocorrência de chuvas uma hora após a aplicação não afeta a eficiência deste herbicida. A mistura do
Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 83

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

nicosulfuron com o atrazine no tanque do pulverizador aumenta o espectro de controle de plantas daninhas. Existem diferentes níveis de tolerância entre os híbridos de milho disponíveis no mercado brasileiro ao nicosulfuron. Por isso, antes de aplicar esse herbicida em cultura do milho consulte a lista de híbridos e variedades tolerantes a esse herbicida. A mistura desse herbicida com inseticidas carbamatos ou fosforados pode torná-lo não-seletivo ao milho (SILVA et al., 2005) Halosulfuron

O metil-3-cloro-5-(4,6-dimetoxipirimidin-2-carbomoilsulfamoil)-1-metillpirazole-4carboxilato (halosulfuron) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar, para controle de Cyperus rotundus. Apresenta solubilidade em água de 15 mg L-1 a pH 5,0 e 1.650 a pH 7,0; pka: 3,5; kow: 47 a pH 5,0 e 0,96 a pH 7,0; e koc médio de 93,5 mg g-1 de solo. Apresenta baixa adsorção no solo. Possui meia-vida média no solo em torno de 16 dias, variando com o tipo de solo e as condições climáticas (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua aplicação deve ser feita em pós-emergência das plantas daninhas, sendo o melhor período 30 a 40 dias após o plantio da cana-de-açúcar, quando as plantas daninhas deverão estar no final da fase vegetativa ou início do florescimento. As plantas de Cyperus rotundus devem estar em boas condições de desenvolvimento, sem efeito de estresse hídrico ou de baixa temperatura. Chlorimuron-ethyl

O ácido 2-[[[[(4-cloro-6-metoxi-pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]benzóico (chlorimuron-ethyl), no Brasil, encontra-se registrado para a cultura da soja, sendo usado em pósemergência. Apresenta solubilidade em água de 450 mg L-1 a pH 6,5; pka: 4,2; kow de 320 a pH 5,0 e 2,3 a pH 7,0; e koc médio de 110 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No solo, apresenta adsorção e lixiviação moderadas e meia-vida de 7,5 semanas. A persistência é maior em solos com pH mais elevado; em solos ácidos e com clima quente, a persistência é baixa. Manter intervalo de 60 dias entre a aplicação do chlorimuron-ethyl e a semeadura de trigo, milho, feijão e algodão. Para as outras culturas, fazer antes um bioensaio. Controla essencialmente espécies anuais de dicotiledôneas, sendo mais efetivo quando estas se encontram na fase inicial de crescimento (até seis folhas). Entre as espécies sensí¬veis encontram-se Desmodium tortuosum, Acathospermum australe, Ipomoea grandifolia, Bidens pilosa, além de outras. É comum misturá-lo com outros

84

Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

etc.Algumas imidazolinonas Imazaquin O ácido 2-[4. não sendo recomendável cultivá-lo na modalidade de “milho safrinha” no mesmo ano agrícola da soja.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 85 . para controle de dicotiledôneas em soja. este herbicida deve ser aplicado isoladamente.0 (RODRIGUES.0. O milho é muito sensível a resíduo de imazaquin no solo. Sua mobilidade no solo é inversamente proporcional ao teor de matéria orgânica. Sua degradação no solo é por ação microbiana e química. estando o solo em boas condições de umidade. de 5 a 8 folhas e em pleno desenvolvimento vegetativo. para maior espectro de controle. em alguns tipos de Módulo 3. as plantas de cana-de-açúcar devem possuir no máximo quatro folhas. e a tiririca (Cyperus rotundus).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas herbicidas. Flazasulfuron O 1-(4. 2005). porém esta adsorção aumenta em pH baixo. diuron. 2005). kow e koc não disponíveis.000 mg L-1 a pH 5. Quando usadas em pósemergência.7. Pode ser usado em pré ou em pós-emergência inicial das plantas daninhas. kow: 2..0 e 2. se objetivo for controlar a Cyperus rotundus. todavia.6-dimetoxipirimidin-2-il)-3-(3-trifluorometil-2-piridilsulfonil) uréia (Flazasulfuron) apresenta solubilidade em água de 27. e valor médio de koc de 20 mg g-1 de solo a pH 7. pka. 1999).8.2 . ALMEIDA. O flazasulfuron deve ser aplicado em cobertura total das plantas daninhas e da cultura.100 a pH 7.2.5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-quinolina carboxílico (imazaquin) apresenta solubilidade em água de 60 mg L-1. as dicotiledôneas. ALMEIDA. É fracamente adsorvido em solo com pH alto. Na cultura da cana. exigindo intervalo de segurança acima de 180 dias após sua aplicação. é facilmente lixiviável no solo. Apresenta meia-vida variando de 9 a 120 dias. evitando-se aplicar em períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60% (SILVA et al. pka: 3. pode ser misturado no tanque do pulverizador com outros herbicidas (ametryn. para se evitar o efeito “guarda-chuva”. Sua persistência no solo é alta (meia-vida de sete meses).). porém não deve ser misturado com graminicidas.. as gramíneas devem ter no máximo três perfilhos. podendo afetar culturas de inverno que seguem à soja tratada com o produto (SILVA et al.2 . 4. sendo influenciada pela temperatura e pelo pH do solo (RODRIGUES. 1998). seis folhas.

pouco lixiviado (RODRIGUES. o que geralmente acontece entre 5 e 15 dias após a semeadura da soja. entre um a três perfilhos. Recomenda-se a aplicação em pós-emergência precoce. É pouco adsorvido pelos colóides do solo e. também. estando as dicotiledôneas. e as monocoti¬ledôneas. 2005). pouco lixiviado.5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-5-etil-piridina carboxílico (imazethapyr) apresenta solubilidade em água de 1. Ipomoea grandifolia. É registrado no Brasil para uso exclusivo na cultura da soja. entre uma e quatro folhas. essencialmente microbiana (meia-vida de 15 dias). sendo utilizado em pré-plantio incorporado ou em pré-emergência das plantas daninhas. Bidens pilosa. Imazethapyr O ácido 2-[4. mas esta adsorção aumenta em pH baixo.0. pka: 3. Controla com eficiência diversas espécies de plantas daninhas: Euphorbia heterophylla. 1999). Hyptis suaveolens.400 mg L-1. Ipomoea grandifolia.. O milho e o sorgo são muito sensíveis ao resíduo de imazethapyr no solo. com até quatro folhas. Estudos preliminares têm demonstrado que este herbicida apresenta rápida degradação em condições de solos brasileiros (SILVA et al. além de outras. Apresenta lenta degradação no solo (meia-vida de 60 dias). além de outras. É fracamente adsorvido em solo com pH alto. sendo.9.2 .36 (RODRIGUES. ALMEIDA. também. 1999).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas solo. no estádio cotiledonar. Imazamox O ácido nicotínico 2-(4-isopropil)-4-metil-1-metiletil-(1-metil-5-oxo-2-imidazolin-2-il)-5(metoximetil) (imazamox) apresenta solubilidade em água de 4. o que geralmente acontece entre 15 e 20 dias após a semeadura do feijão. 2005). Controla.. com eficiência. estando estas com até quatro folhas e de monocotiledôneas. 86 Módulo 3.0 e 31 a pH 7. Apresenta rápida degradação no solo. podendo causar toxicidade a algumas culturas de inverno que forem cultivadas em sucessão à soja tratada com este herbicida (SILVA et al. e kow: 11 a pH 5.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . ALMEIDA. É registrado no Brasil para cultura da soja e do feijão. Recomenda-se sua aplicação em pós-emergência das plantas daninhas dicotiledôneas.413 mg L-1 e Kow: 5. É registrado no Brasil para a cultura da soja. Sida rhombifolia. Controla essencialmente plantas daninhas dicotiledôneas. entre as quais Euphorbia heterophylla.

sobretudo. Aplicações em altas doses para capinas de ruas pode intoxicar árvores utilizadas na arborização do ambiente (Fig. dependendo do movimento capilar da água no perfil do solo (FIRMINO. podendo ocorrer lixiviação positiva (para baixo) ou negativa (reversa –para cima). da dosagem e dos fatores ambientais. Sua persistência no solo é longa (três a sete meses em solos tropicais e seis meses a dois anos em clima temperado. a persistência biológica é dependente.0 e pka: 1.6-dimetoxipirimidina-2-il) tio].272 mg L-1 a pH 7.36 (RODRIGUES.34 e meia-vida no solo de dois meses (RODRIGUES. Pyrithiobac-sodium O sódio 2-cloro-6-[(4. É fracamente adsorvido pelos colóides do solo. Módulo 3. Em campo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 87 . Apresenta lenta degradação no solo. se aplicado em pósemergência precoce. Kow: 0.5-dihidro-4-metil-4-(1-metietil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-piridina carboxílico (imazapyr) apresenta solubilidade em água de 11.9 a 1. Apresenta degradação no solo essencialmente microbiana É registrado no Brasil para o controle de dicotiledôneas. 2005).2 .6. em pós-emergência precoce na cultura do algodão. também. É pouco adsorvido pelos colóides do solo e. pode ser exsudado pelas raízes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diversas espécies de plantas daninhas. não se processando em condições anaeróbicas. 2005). com degradação mais rápida em clima quente e úmido. 7). em condições aeróbicas. vindo intoxicar as novas mudas plantadas para renovação da floresta. pouco lixiviado. entre estas Euphorbia heterophylla. principalmente em solos arenosos. essencialmente por via microbiana. Imazapyr O ácido (+-)-2-[4. Também quando aplicado no tronco do eucalipito visando eliminar rebrota após a derrubada. ALMEIDA. pka: 2. Estudos de laboratório indicam que imazapyr tem alto potencial de se mover no perfil do solo.benzoato (Pyrithiobac-sodium) apresenta solubilidade em água de 1610 mg L-1. ALMEIDA. 2001).

1 . O glyphosate se liga a esta enzima pela carboxila do ácido glutâmico (glutamina) na posição 418 da seqüência de aminoácidos (HESS. tirosina e triptofano).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 7 – Árvores mortas pela ação do imazapyr quando aplicado para capina química de rua (A). então. Plantas normais cultivadas em solo sem resíduos de herbicidas (a) e plantas com sintomas de intoxicação do imazapyr (b).Mecanismo de ação Logo após a aplicação. uma vez que 20% do carbono das plantas é utilizado nesta rota metabólica. 88 Módulo 3. SHANER. A enzima EPSP sintase é sintetizada no citoplasma e transportada para dentro do cloroplasto onde atua. Há redução acentuada. pois fenilalanina.8. que o ponto de ação era a enzima EPSP sintase (5 enolpiruvilshikimato-3-fosfato sintase). nos níveis desses aminoácidos aromáticos (fenilalanina. evitando a transformação do shikimato em corismato. BRIDGES.8 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Verificou-se. 1995c. Por outro lado. 2003).2 . Glyphosate inibe a EPSP sintase por competição com o substrato PEP (fosfoenolpi¬ruvato). precursor comum na rota metabólica dos três aminoácidos aromáticos. nas plantas tratadas. foi observado aumento acentuado na concentração de shikimato.Herbicidas inibidores da EPSPs 4. Alguns autores acham que a simples redução de aminoácidos e a acumulação de shikimato não seriam suficientes para a ação herbicida. cultivadas em solo coletado à margem da rua tratada com o herbicida 4. plantas tratadas com estes herbicidas param de crescer. tirosina e tryptofano são precursores da maioria dos compostos aromáticos nas plantas. acreditam que a desregulação da rota do ácido shikímico resulta na perda de carbonos disponíveis para outras reações celulares na planta.

• Não apresentam atividade no solo.2 . • Como a enzima afetada é exclusiva de plantas.8. de maneira geral. para não causar problemas de toxicidade para peixes. • A translocação é melhor em plantas expostas à luz e que estejam com alta atividade metabólica. como a soja e o algodão. apresenta. • Translocação simplástica em gramíneas e folhas largas. muito pouca toxicidade para animais. já foram obtidas culturas resistentes a glyphosate.2 . em plantas anuais • Baixa vazão e menores gotículas são mais eficientes do que alta vazão e gotículas grandes. • Formulações usadas no meio aquático não contêm surfatantes. • A morte da planta ocorre lentamente: de 7 a 14 dias após a aplicação. • Durante a primeira semana após a aplicação a folhagem não deve ser cortada. • Requerem uma semana para matar plantas anuais (efeito final) e tempo ainda maior para espécies perenes. Módulo 3. praticamente não há seletividade. para melhor eficiência de translocação para o sistema radicular.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. • Através da engenharia genética. Quanto à resistência adiquirida pela pressão de seleção (aplicações repetidas do ghyphosate). poucas espécies de plantas daninhas foram identificadas como resistentes a estes herbicidas. • Apresentam espectro de controle muito amplo. por causa de sua conjugação com sesquióxidos de ferro e alumínio. • A translocação é facilitada em condições de alta intensidade luminosa. 2003c). • Águas de pulverização contendo muitos sais solúveis (Ca e Mg) diminuem a atividade destes herbicidas.Características gerais Glyphosate O N-(fosfonometil) glicina (glyphosate) possui as seguintes características (BRIDGES.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 89 .

cujo representante é o Zap Qi. A ocorrência de chuva em intervalo de tempo menor que 4-6 horas pode reduzir a eficiência destes herbicidas. o glyphosate está sendo comercializado com diferentes formulações: sal isopropilamina. 8).). e sal potássico. Roundup WDG e Roundup Multiação. ferrovias. Para controle seletivo de plantas daninhas em culturas geneticamente modificadas. esse tempo para penetração do glyphosate via foliar é maior (PIRES et al. englobando o Roundup original e o Roundup Transorb. O efeito varia com a formulação. sal de amônia. as suas principais recomendações são: • • • • • • • Para controle de plantas daninhas em áreas não-cultivadas (rodovias. utilizado nas formulações granulares. 200). ruas.2 . Como dessecantes. parque de industrias. A não-ocorrência de chuvas até quatro horas após as aplicações garante absorção do glyphosate. o tempo mínimo sem chuvas após aplicação para se garantir a absorção foliar desse herbicida é de seis horas (JAKELAITIS et al. enquanto para as demais formulações.. formulado como Roundup Transorb ou Zap Qi. para implantação do plantio direto de culturas. Figura 8 – Eficiência de formulações de glyphosate em diversos períodos de simulação de chuva após a aplicação Atualmente o ghyphosate é o herbicida mais utilizado no mundo. em Brachiaria decumbens e Digitaria horizontalis em quatro horas (Fig. Para aplicações dirigidas em culturas perenes (café.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • A absorção destes produtos pelas plantas é lenta. Quando aplicado sobre plantas em condições de déficit hídrico prolongado. fruteiras. As formulações Roundup Transorb e Zap Qi se diferenciam das demais por apresentar penetração foliar mais rápida do que as demais existentes no mercado brasileiro. Na renovação de pastagens. sendo recomendado para diversas atividades agrícolas e não-agrícolas. Para o controle de plantas daninhas aquáticas Como regulador de florescimento em cana-de-açúcar. 90 Módulo 3. utilizado em diversas marcas comerciais. etc. No Brasil.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . reflorestamento e outras).. 2001). No Brasil.

Módulo 3. São muito utilizados para o controle de gramíneas anuais e perenes. eliminado. para controle de gramíneas anuais e perenes. • As espécies não-gramíneas são todas tolerantes. • Misturas no tanque desses graminicidas específicos com latifolicidas têm trazido uma série de problemas de antagonismo.4-DB. tanto para plantas daninhas quanto para culturas. • São prontamente absorvidos pela folhagem das plantas.9 . acifluorfen. seguida de necrose. A translocação varia entre espécies. novos produtos estão sendo desenvolvidos. Somente diclofop tem registro para uso no solo. Espaçando-se as pulverizações por alguns dias. a eficiência diminui quando as gramíneas estão se desenvolvendo em condições de déficit hídrico.9. bentazon e metribuzin. bromoxynil. o problema é minimizado e. 2. a qual começa nas regiões meristemáticas e se espalha pela planta toda. provavelmente eles afetam a absorção foliar. é necessária uma dose três vezes maior que a requerida para a ação em pósemergência. até mesmo. As principais características deste grupo de herbicidas (THILL.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 91 . • São muito efetivos quando aplicados sobre plantas não-estressadas. em fase de rápido crescimento.4D. mas ocorre tanto pelo floema quanto pelo xilema. imidazolinonas. podem ser citados: sulfoniluréias. Os sintomas incluem rápida parada do crescimento das raízes e da parte aérea e troca de pigmento nas folhas dentro de dois a quatro dias.1 . até hoje. • Em doses normais.Herbicidas inibidores da ACCase 4. • A morte das gramíneas suscetíveis é lenta.2 . os herbicidas deste grupo não apresentam atividade suficiente para o controle de gramíneas em pré-emergência. dicamba. • Apresentam lenta degradação no solo. • A seletividade varia entre espécies de gramíneas.Principais características Os compostos deste grupo apareceram no mercado de herbicidas a partir de 1975 e. De maneira geral. MCPA. para que haja ação no solo. Entre os herbicidas que já mostraram ação antagônica. requerendo uma semana ou mais para a morte completa.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. 2. há sempre necessidade da adição de um surfatante ou adjuvante. WELLER. 1995) são: • São utilizados exclusivamente em pós-emergência. • Para a atividade máxima ser atingida.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • Apesar do pouco tempo de uso. apesar de a quantidade que atinge a área meristemática ser muito pequena em relação ao que é aplicado.5 μM. que a ação dos graminicidas específicos era sobre a enzima Acetil Coenzima-A Carboxilase (ACCase). o problema era na síntese de lipídios. converte o Acetil Coenzima A (Acetil-CoA) em Malonil Coenzima A (Malonil-CoA) pela adição de uma molécula de CO2 ao Acetil-CoA.1 μM de haloxyfop provocou 42% de inibição da incorporação de acetato em células de milho. Estudos feitos com sethoxydim mostraram que este herbicida inibe o crescimento e a acumulação de clorofila. A diferença na tolerância entre espécies de gramíneas e folhas largas é muito grande. O tecido meristemático em gemas e nós torna-se clorótico e.5 a 0. por exemplo. quando o tecido meristemático decai. já existem plantas daninhas que adquiriram resistência aos inibidores da biossíntese de lipídios. O caso mais relatado é o ocorrido na Austrália com a espécie Lolium rigidum. Após alguns dias da aplicação. a formulação ácida é mais ativa que a formulação éster e o isômero “D” é muito mais ativo que o “L”. predominância da classe II) e. A inibição da ACCase explica perfeitamente a redução no crescimento. o aumento na permeabilidade de membrana e os efeitos ultra-estruturais observados nas células. às sulfoniluréias e ao trifluralin. ele causou declínio na atividade respiratória. o crescimento de raízes e parte aérea é paralisado. fica aparente a disfunção de membrana. A translocação ocorre pelo xilema e pelo floema. resultando no aumento dos níveis de açúcar e antocianina. A enzima afetada por estes herbicidas ocorre também nas células animais. em 1987.9. por isso. que mostrou resistência ao diclofop-methyl e resistência cruzada a outros graminicidas específicos. encontrada no estroma de plastídios. Foi verificado que este herbicida inibe fortemente a incorporação de 14C-acetato em lipídios quando pontas de raízes de milho foram tratadas por 24 horas. Como não houve interferência na absorção de acetato. Ademais. Há diferenças também entre a atividade de isômeros e as formulações. trabalhos realizados com diclofop-methyl começaram a desvendar o modo de ação dos graminicidas específicos. nas concentrações de 0. para peixes. surgindo células binucleadas. necrótico. também. Esta é uma reação-chave no início da biossíntese de lipídios. para causar 50% de inibição em células de soja foi necessária uma concentração 47 vezes maior.2 . Foi descoberto.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Em algumas horas. Este herbicida é rapidamente absorvido pelas folhas e atinge os meristemas da planta. e muitos autores 92 Módulo 3. As folhas mais velhas apresentam sinais de senescência e mostram troca de pigmento.Mecanismos de ação Muitos dos estudos já realizados sobre o mecanismo de ação dos arilofenoxipropionatos foram feitos com o herbicida diclofop-methyl. Esta enzima. de maneira geral.2 . Foi verificado também que a divisão celular foi prejudicada por causa da inibição da formação da parede celular. A partir de 1981. eles são tóxicos para mamíferos (classe toxicológica de I a III. No caso de diclofopmethyl. 4. Enquanto 0. depois.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas julgam ser esta reação a que dosa o ritmo da biossíntese de lipídios. cenoura. Clethodim O (E. citros. kow: 15000 e persistência muito curta no solo. evitando períodos de estiagem. algodão. feijão.700 mg g-1 de solo. a não ser o fomesafen. purificada e parcialmente caracterizada. 1995). ALMEIDA.Caracterização de alguns inibidores da ACCase Fluazifop-p-butil O ácido (R)-2-[4-[[5-(trifuorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propanóico (fluazifop-p-butil) apresenta solubilidade em água de 1. 2005).1. o qual é uma reação dependente de ATP. na realidade. A falta de lipídios provoca despolarização da membrana celular (THILL.520 mg L-1. que transfere o CO2 da biotina para o Acetil-CoA.2 . kow: 4. É registrado no Brasil para as culturas de alface. a enzima funciona. dois a três dias (RODRIGUES. eucalipto.5. e a proteína transporte da biotina (BCP). que permite à biotina se mover entre os dois centros catalíticos (HESS. um complexo de três domínios: uma biotina carboxilase que promove a carboxilação da biotina com carbonato (CHO3). pka: 3. É recomendado para uso em pós-emergência. WELLER. cebola.3 .9. A ACCase de milho já foi isolada. Quando o substrato Acetil-CoA é substituído por Proprionil-CoA. tomate. café. e koc médio de 5. tendo uma persistência média de 30 dias (RODRIGUES.2ciclohexeno-1-ona (clethodim) apresenta solubilidade em água de 5. tabaco. 1995). por incompatibilidade fisiológica (efeito antagônico). horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 70%. pinho. mas a eficiência diminui pela metade.1 mg L-1. A enzima Acetil Coenzima A Carboxilase (ACCase) é. É um herbicida Módulo 3. roseira e crisântemo. Não deve ser misturado com herbicidas que controlam dicotiledôneas. a qual é ligada covalentemente ao grupo da biotina por um espaçador móvel. a transcarboxilase. soja. ALMEIDA 2005). Controla grande número de espécies de gramíneas anuais no estádio de até 4 perfilhos e algumas perenes. 4. Deve ser aplicado com as plantas em bom estado de vigor vegetativo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 93 . com intervalo superior a cinco dias. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas. devendo ser utilizado seqüencialmente. Não apresenta mobilidade no solo.E)-(+/-)-2-[1-[[(-cloro-2-propenil)oxi]imino]propil]-5-[2-(etiltio)propil]-3-hidroxi.

controla gramíneas perenes. permitindo a aplicação dos dois numa só operação. desde jovem até adiantado estádio de desenvolvimento. tomate. comuns em rotação de culturas com a soja. feijão. sistêmico. Deve ser aplicado com as plantas daninhas em bom vigor vegetativo. de reprodução seminal. aveia e trigo. pois aumenta-lhe a fitotoxicidade.7. ervilha.. evitando períodos de estiagem. como bentazon. não sendo prejudicada sua eficácia por chuvas que ocorram uma hora após sua aplicação. É recomendado para uso em pós-emergência. neste caso. como é o caso normal em culturas perenes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas graminicida.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . e koc médio de 33 mg g-1 de solo. pinho e outras.600 g ha-1. cenoura. É moderadamente adsorvido pelos colóides do solo. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas (4 folhas até 6 perfilhos. acifluorfen. para as culturas de soja. eucalipto. café. tabaco. como Cynodon dactylon e Sorghum halepense. em condições de alta pluviosidade. ALMEIDA. 94 Módulo 3. É rapidamente absorvido pelas folhas. tais como: azevém. cebola. Em doses altas (120-360 g ha-1. altamente seletivo para a cultura da soja e outras dicotiledôneas. com exceção do 2. feijão e eucalipto.3 mg L-1. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. Quando misturado com herbicidas recomendados para uso em pós-emergência que controlam plantas daninhas de folhas largas e que já contenham em sua formulação um adjuvante. há que observar um intervalo de dez dias entre o emprego de um e outro. soja. controla gramíneas anuais. pka: 4. Quando usado na dose de 120 g ha-1. como algodão. Nas doses de 360 .2 . pode haver lixiviação do produto. e com 10 a 40 cm. Haloxifop-methyl O ácido 2-[4-[[ (3-cloro-5-(trifluorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propiônico (haloxyfopmethyl) apresenta solubilidade em água de 9. É utilizado. 2005). fomesafen e lactofen. Destaca-se pelo seu amplo espectro de ação no controle de gramíneas anuais. perenes e tigüera de culturas gramíneas. É compatível com outros herbicidas usados em pós-emergência para controle de folhas largas. no Brasil. quando provenientes de rizomas). milho. citros. podendo requerer reaplicação no caso de rebrotas (RODRIGUES. A ação residual do produto na lavoura é de 30 a 40 dias. não se deve adicionar óleo mineral à calda. quando provenientes de sementes.3. em solos leves. kow: 11.4-D. amendoim. tem ação sobre rebentos de gramíneas anuais que tenham sido roçadas.

citros. cenoura. 9). eucalipto. amendoim. dependendo das condições climáticas e do tipo de solo. linho e mandioca. também. Módulo 3. exceto pela falta de pigmentos verdes (clorofila) e amarelos (Fig. girassol.0 de 4. 2005). Controla gramíneas anuais e algumas perenes. pka: 4.5 – [2-(etiltio)propil]-3-hidroxi-2-ciclohexeno-1.0 de 25 ppm e a pH 7. 4. não sendo prejudicada a ação do sethoxydim por uma chuva que ocorra uma hora depois de sua aplicação. gladíolo.16. o que acelera sua absorção. por ser a foliar a principal via de absorção do produto. para as culturas de alfafa.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sethoxydim O 2-[1-etoximina)butil] .Herbicidas inibidores de carotenóides Os grupos químicos izoxazolidinona e piridazinonas compõem a classe de herbicidas chamada inibidores de carotenóides. melão e morango). colza.1. como Cynodon dactylon. O sintoma evidenciado pelas plantas tratadas é a produção de tecidos novos totalmente brancos (albinos). se bem que exija doses mais altas de aplicação.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 95 . Não prejudica as culturas suscetíveis que sejam instaladas no terreno 30 dias após o tratamento. algumas vezes rosados ou violáceos. gergelim. não prejudicando culturas sensíveis que sejam instaladas no terreno um mês após o tratamento.ona (sethoxydim) apresenta solubilidade em água a pH 4. é recomendado. Em outros países. kow: 45. soja e tabaco. As plantas suscetíveis a estes herbicidas perdem a cor verde após o tratamento com estes herbicidas (BRIDGES. café. feijão. banana.2 . e koc médio de 100 mg g-1 de solo (RODRIGUES . Estes tecidos são normais. Deve ser aplicado em pós-emergência das plantas daninhas. ALMEIDA. É um herbicida registrado no Brasil para algodão.10 . Apresenta curta persistência no solo. Supõe-se que seja seletivo para todas as culturas que não são gramíneas.700 mg L-1. É necessário adicioná-lo à calda adjuvante. macieira e em hortícolas (batata. melancia. Tem uma meia-vida no solo de 4 a 11 dias. 2003a). encontra-se em fase de registro para abacaxi.

que são dois precursores. nas quais ela é destruída (ABERNATHY. A inibição da síntese de carotenóides leva à decomposição da clorofila pela luz. devido à falta de clorofila. 1980). 1994). não implica que estes herbicidas inibam diretamente a síntese de clorofila. a clorofila não se mantém sem a presença dos carotenóides. passando do estado singlet para o estado triplet. quando os caratenóides não estão presentes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 – Sintomas de intoxicação de plantas de milho e feijão pelo clomazone. a energia oriunda da forma triplet é dissipada através dos carotenóides. fumo 96 Módulo 3. cana-de-açúcar. tecidos formados antes da aplicação do herbicida não se mostram brancos imediatamente. dissipando o excesso de energia.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . perda de proplastídios e degradação dos ribossomos 70S. Outras alterações provocadas por estes produtos são: redução da síntese protéica. 1980). Devido a este processo. 1994). Os herbicidas inibidores destes pigmentos agem na rota de biossíntese de carotenóides. mais reativo. eles desenvolvem manchas cloróticas que progridem para necrose (ABERNATHY. sem cor. que a protegem. Os herbicidas inibidores de pigmento são usados para controle seletivo de plantas daninhas gramíneas. o crescimento cessa e começam a surgir manchas necróticas. resultando no acúmulo de phytoeno e phytoflueno. 1980). esta se torna funcional e absorve energia. A inibição da enzima IPP (isopentyl pirophosphato isomerase) é o local provável da ação (Abernathy. A perda da clorofila é resultado da sua oxidação pela luz (foto-oxidação). O local de ação mais estudado é onde atua a enzima phytoeno desidrogenase.2 . A inibição desta enzima provoca o acúmulo de phytoeno. É importante salientar que estes herbicidas não têm efeito sobre carotenóides sintetizados antes da sua aplicação. do caroteno (MORELAND. Em condições normais. a clorofila que está no estado triplet não dissipa energia e inicia reações de degradação. mas sim de gossipol e hemigossipol. Após a síntese da clorofila. Desse modo. Assim. e de folhas largas nas culturas de algodão. arroz. Assim. A produção dos novos tecidos albinos. devido à falta de carotenóides que a protegem da foto-oxidação. 1994). devido à necessidade de renovação dos carotenóides. ela não consegue se manter. com predomínio do phytoeno. anuais e perenes. Estes produtos também possuem efeitos sobre a reação de Hill (MORELAND. contudo. porém. como resultado da perda da fotoproteção fornecida pelos carotenóides à clorofila (MORELAND. O herbicida clomazone parece ter um único local de ação e não causa acúmulo de phytoeno. O crescimento da planta continua por alguns dias. pelas plantas tratadas.

A seletividade do clomazone ao algodão pode ser aumentada com adição de um inseticida organofosforado (ABERNATHY.192 mg L-1. ALMEIDA. causando danos naquelas sensíveis (RODRIGUES. pka: 3.4 . Apresenta solubilidade de 168.07 e koc variando de 19 a 387 mg g-1 e curta persistência no solo sendo degradado rapidamente por microrganismos (RODRIGUES.isoxazolidinona (clomazone) e o 4-cloro-5(metilamino)-2-3-[(trifluorometil)]fenil-3(H)-m-toluil) piradazinona (norflurazon) translocam-se na planta via xilema. Clomazone Norflurazon Esta classe herbicida apresenta baixa toxicidade para animais. O mesotrione inibe a biossíntese de caroteníodes. O 2 – [(2 . o clomazone e o norflurazon.2 . pode lixiviar e atingir camadas profundas.dimetil . Também são empregados em plantas daninhas aquáticas e no controle total da vegetação. ALMEIDA. afetando culturas sucessoras.clorofenil) metil]-4. 2005). No Brasil. A dose recomendada varia com a cultura e o tipo de solo. Quando aplicado sobre a superfície do solo.3-diona (mesotrione) é um herbicida seletivo de ação sistêmica indicado para o controle em pós-emergência de plantas daninhas na cultura do milho. chegando às raízes das culturas. são mais comercializados. Controla diversas espécies de plantas dicotiledôneas e algumas gramíneas.7 mg L-1. e persistência no superior a 150 dias. Módulo 3. 1994). koc: 300 mg g-1. apresentam atividade de solo e podem persistir. com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas. Mesotrione O 2-(4-mesil-2nitrobenzoil) ciclohexano-1. Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis. 2005). O inseticida funciona com “safener” protetor e pode ser usado no tratamento da semente ou em aplicação no sulco de semeadura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e soja.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 97 . O clomazone apresenta alta solubilidade:1. através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenil-piruvato-dioxigenase) nos cloroplastos – classificação nos grupos F2 (HRAC) e 28 (WSSA). pka: zero. A seletividade às culturas se dá pela translocação reduzida pela destoxificação das moléculas herbicidas. 1994).3 . e não existem casos registrados de plantas daninhas resistentes (ABERNATHY.

2005). que é um co-fator chave para síntese de pigmentos carotenóides e para o transporte de elétrons. RODRIGUES. baixa a média mobilidade nos solos dependendo de suas características ficas e químicas. nas demais culturas deve ser aplicado em pré emergência. que são essências para proteger a clorofila contra a decomposição pela luz solar através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenilpiruvato-dioxigenase). e meia-vida média de 28 dias (ALMEIDA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Isoxaflutole O 5-ciclopropil-4-metilsufonil-4-trifluorometilbenzoil)-isoxazole (isoxaflutole) é um herbicida recomendado para as culturas de cana-de-açúcar. responsável pela biossíntese da quinona. Inibe a biossíntese de carotenoides.0 mg L-1 a 20 °C. Com exceção da cultura do algodão onde é recomendado em jato dirigido. 98 Módulo 3. Apresenta baixa solubilidade em água: 6.2 . milho. Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis. com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas. mandioca e algodão para o controle de diversas gramíneas e algumas dicotiledôneas. O isoxaflutole pertence ao grupo dos herbicidas inibidores da biossíntese do caroteno.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .

L. 373-395. D. 365-380. v. 2003. 1973. Dissertação (Mestrado em Fitotecnia) – Universidade Federal de Viçosa. HESS. BRIDGES. Controle de plantas daninhas na cultura de milho-pipoca com herbicidas aplicados em pós-emergência. C. J. Efeito de dessecantes. 491-500. 21. C. R..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Referências bibliográficas ABERHATHY. FIRMINO. In: Herbicide action course. West Laf ayette: Purdue University. Mode of action of lipid biosyntesis inhibitors (Graminicides – Accase Inhibitors). J.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 99 . D. 1994. L. Imidazolinones.. v. p. Glyphosate-type herbicidas.. F.159. 23. SILVA. BRIDGES. Mode of action of pigment inhibitors. BRIDGES. DOMINGOS. 504 p. F. SILVA. do enleiramento e da chuva simulada no rendimento e qualidade fisiológica das sementes de feijão. 2001. In: HERBICIDE ACTION COURSE. p. F. SILVA. Mode of action of photosynthesis inhibitors. C. épocas de colheita. v. SILVA. A. HESS. A. 72 f. A. R. A. D. 787p. F. F. In: Herbicide action course. p. Revista Ceres. E. Planta Daninha. 2003. West Lafayette: Purdue University. HESS. Glufosinate: use and mode of action. p.. D.2 . D. Pigment inhibitors uses and mode of action. ASHTON. In: Herbicide action course. p. 1995a. D. JAKELAIS. p. 2003b. West Lafayette: Purdue University. A. FREITAS. BARBOSA.. SILVA. 1994. 1995b. F. BRIDGES. 1.. S. 48. F. C. M.. West Lafayette: Purdue University. West Lafayette: Purdue University. n. D.. New York: John Willey & Sons.. 2001. A. A. West Lafayette: Purdue University. Módulo 3. FERREIRA. D. 1995d. Mecanism of action of inhibitors of aminoacid biosyntesis. SILVA. n. 501-513. F. D. Inhibitors of amino acid biosynthesis. 2003a. n. Viçosa-MG. p. Purdue University: Indiana. R. 787 p. In: Herbicide action course. Purdue University: Indiana. 2005. F. Sorção e movimento do imazapyr em três solos. 397-410. Planta Daninha. A. 1995c. West Lafayette: Purdue University. 2001. CRAFTS. 787p. In: Herbicide action course. In: Herbicides action course. Mode of action of herbicides that disrupt mitosis. HESS. Summary of lectures. 277 p. FERREIRA. Eficiência do triclopyr no controle de plantas daninhas em gramado (Paspalum notatum).. C. 2003c. S. In: Herbicide action course. L. 787p. 285-296. Mode of action of herbicides. 509-516. J.. A. In: Herbicide action course. G. HESS. 3. R.

triazolopyrimidine. E. A. Cell growth disrupters and inhibitors.. SLIFE. 279310. M. Planta Daninha. D. F.. Plant Physiology. VARGAS . A. p. Inhibitors of aromatic amino acid biosyntesis (glyphosate). L. SILVA.. R. PROCÓPIO. sob estas condições em soja. J. n. W. WELLER. A. R. 1995. FERREIRA. THILL. 1998. 1999.. A. Londrina. PR: 2005. 5. p. F.. FERREIRA. F. West Lafayette: Purdue University. R. West Lafayette: Purdue University. In: Herbicide action course. SILVA. UFV. n. v. 459-465. Piracicaba.ed. p. L. BRIDGES. S. 787 p... p.. A. Annual review. 279-285. L. v. R. D. A. A. p. R. RODRIGUES.R. Tese (Doutorado) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”. SILVA. FERREIRA. S. p. SILVA. A. S. FERREIRA. Inhibitors of roots and/or shoots of seedling chloroacetamides. p. Persistência do grupo das imidazolinonas e efeitos sobre culturas sucessoras de milho e sorgo. n. 17. C. FREITAS. SHANNER. 2002. Controle de Digitaria Horizontalis pelos herbicidas glyphosate. 3. SILVA. FERREIRA. WERLANG. STAB –Açúcar álcool e subprodutos. 610. 2005.. 1989. 267-291. A. Avaliação da atividade residual no solo de imazaquin e trifluralin através de bioensaios com milho. 21. 19. N. D. n. LIEBL. OLIVEIRA Jr. 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas JAKELAITIS. JAKELAIS. Manejo de plantas daninhas na cultura de cana-de-açúcar. L. 138 f.. R. 1989. A. In: Herbicide action course. R. ALMEIDA.. SILVA.. Viçosa. SILVA. S. 291-295.2 . F. 1995. F. MORELAND. 2003. Acta Scientiarum. Rockville. S. 2003.. A. 5. 1999. A. MIRANDA. D. F.. v. 514-529.. L. 150 p. F. FERREIRA. D. 3. p. West Lafayette: Purdue University. A. R. 411-463. West Lafayette: Purdue University. CASTRO FILHO. v. Guia de Herbicidas. In: Herbicide action course. A. Sulfonylurea. In: Herbicide action course.. V. p. A. Contole de plantas daninhas em pastagens. 2003.. 2003. Planta Daninha. In: SIMÓSIO SOBRE MANEJO ESTRATÉGICO DA PASTAGEM. B. 2001. OLIVEIRA JUNIOR. and sulfonylaminocarbonyl-triazolinone herbicides. sulfosate e glyphosate potássico submetidos a diferentes intervalos de chuva após a aplicação. Growth regulator herbicides. G. 527-534. Flazasulfuron: épocas e doses de aplicação em relação ao controle de plantas daninhas e seletividade para cana-de-açúcar. A. 44-47... D.. Bioatividade do alachor e do metribuzin sob diferentes manejos de água e efeitos do metribuzin. E. 787 p.. West Lafayette: Purdue University. 591 p. In: Herbicide action course. SILVA.. p. Mechanisms of action of herbicides. A. p. 1980. OLIVEIRA JUNIOR. FERREIRA. Viçosa. SHANER. L. Acta Scientiarum. SILVA. Growth regulator herbicides. 225-260. A. 3.. West Lafayette: Purdue University. A. MG: 2003. In: Herbicide action course. A. 23. 100 Módulo 3. n. Aplicações seqüências e épocas de aplicação de herbicidas em misturas com chlorpirifos no milho e em plantas daninhas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . A. O. THILL.

. 1995. In: Herbicide action course. West Lafayette: Purdue University. WELLER. 1995b. In: Herbicide action course. C. HESS. G. WELLER. In: Herbicide action course. S. 787 p.. WELLER. G.F. West Lafayette: Purdue University. F. F . 1995a. Mode of action of inhibitors of protoporphyrinogen oxidase (Diphenilethers and oxadiazon). West Lafayette: Purdue University.D. D. Photosystem II inhibitors. West Lafayette: Purdue University. 1995. F. F. 1995. Sulfonilureas and triazolopyrimidines.2 . 787 p. WELLER. F. S. Classification of herbicides.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 101 . 1995. Lipid biosyntesis inhibitors. In: Herbicide action course. p. 2003. In: Herbicide action course.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas THILL. West Lafayette: Purdue University. In: Herbicide action course. C. Superoxide generators and protoporphyrinogen oxidase inhibitors (Diphenyleters and Oxadiazon).C.C.. WARREN. In: Herbicide action course. HESS.. THILL. D. 787 p. G. C. West Lafayette: Purdue University.D. 787 p. 787 p.. S. 787 p. WARREN. WARREN. West Lafayette: Purdue University. Módulo 3. 131-184. Superoxide generators and protoporphyrinogen oxidase inhibitors (Paraquat and Diquat). G. S. WARREN.

translocação. José Ferreira da Silva Profº.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .DF 2006 102 Módulo 3. formulação e misturas Tutores: Profº.3 . translocação.Manejo de plantas daninhas 3. formulação e misturas .3 . metabolismo. José Francisco da Silva Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .Herbicidas: absorção.ABEAS Universidade Federal de Viçosa .Herbicidas: absorção. Francisco Affonso Ferreira Profº. metabolismo.

Metabolismo dos herbicidas nas plantas.Formulações sólidas.1. 117 2. metabolismo. 104 1. 129 5.2 .3 .4.3 .Movimento ascendente. 104 1. translocação. 118 3 . 113 2 .1 .1.4.2 . 127 4.Veículo de aplicação (água). 120 4 – Formulação.1 – Introdução.Absorção de herbicidas. retenção e absorção de herbicida pela folha.2 . 111 1. 126 4. 129 5. 117 2.4 .3 .Movimento descendente.Formulações líquidas.2 – Incompatibilidade. 112 1. 116 2.Translocação de alguns herbicidas.Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas.2 .Herbicidas: absorção.2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário 1 .3 .1 .1 .2.2 .Misturas de herbicidas.Interceptação. 128 5 . 125 4. 116 2.Interações entre herbicidas. 130 5.Penetração pelo caule.4 .1 .1 . 127 4. 112 1.Fatores que influenciam a absorção através das raízes.Translocação de herbicidas. 130 5.1. 131 Referências bibliográficas. formulação e misturas 103 . 104 1.Penetração pelas raízes.Tipos de formulações. 133 Módulo 3.Conceito de movimento simplástico e apoplástico.Mecanismo de absorção de herbicidas.Interações de herbicidas com inseticidas em mistura.1 .

aí. atinge e penetra nos cloroplastos.4-DB precisa ser absorvido. 104 Módulo 3.Herbicidas: absorção. caules. transloca até as folhas e.1 .Interceptação.3 . Além disso. ainda. estolões. ser aplicado no solo onde se desenvolve esta planta não é suficiente para que ele exerça a sua ação. dentro de uma população mista. que influenciam também a translocação destes até o sítio de ação. penetra pelas raízes. as estruturas jovens das plântulas (radícula e caulículo) e as sementes são as vias de penetração mais importantes para os herbicidas aplicados e. rizomas. pelas sementes. de estruturas jovens como radículas e caulículo e. se deseja que as cepas das árvores não rebrotem após a derrubada. o 2. por exemplo. também. onde atua. quando aplicada ao solo. A absorção de herbicidas pelas raízes ou pelas folhas é influenciada pela disponibilidade dos produtos nos locais de absorção e com fatores ambientais (temperatura.Absorção de herbicidas 1. transloque e atinja a organela onde irá atuar. metabolizado para exercer sua ação herbicida. A interceptação da gota pulverizada é função do método de aplicação e da distância entre o alvo e o bico do pulverizador. ou. ou. Por isso. as folhas são a principal via de penetração. que serão discutidos no item referente à tecnologia de aplicação. A atrazina.2 . translocação. também.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 .Introdução A atividade biológica de um herbicida na planta é função da absorção. destruindo-os. O caule (casca) de árvores ou arbustos pode também ser uma via de penetração de herbicidas. principalmente quando se deseja controlar apenas algumas plantas. do metabolismo e da sensibilidade da planta a este herbicida e. A principal via de penetração dos herbicidas na planta é função de uma série de fatores intrínsecos e extrínsecos (ambientais). da translocação. Quando os herbicidas são aplicados diretamente na parte aérea da planta (pós-emergência). metabolismo. tubérculos.). Por outro lado. luz. ou quando. a morfologia da planta e as condições ambientais exercem grande influência. formulação e misturas . o simples fato de um herbicida atingir as folhas da planta e. Os herbicidas podem penetrar nas plantas através das suas estruturas aéreas (folhas. as raízes. umidade relativa do ar e umidade do solo). 1. Por sua vez. a seus metabólitos. incorporados ao solo. até ser absorvido. flores e frutos) e subterrâneas (raízes. etc. Há necessidade de que ele penetre na planta. retenção e absorção de herbicida pela folha A absorção foliar de um herbicida requer que o produto seja depositado sobre a folha e permaneça ali por um período de tempo suficiente. translocado e. em um reflorestamento. ou.

por exemplo sais de sódio. menos sujeitos a lavagem pela chuva.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A morfologia da planta influencia a quantidade de herbicida interceptada e retida. Sais aniônicos (cargas negativas). O corte transversal de uma folha está representado na Figura 1. A chuva pode causar perdas consideráveis de herbicidas das folhas das plantas. por isso. Por exemplo. deve haver um período crítico sem ocorrência de chuvas até que ocorra absorção de quantidade suficiente deste. xilema e floema Fonte: Mengel e Kirkby (1982) 105 Módulo 3. tanto a penetração dos herbicidas pelas folhas quanto pelas raízes.4-D ester para causar a mesma toxicidade em várias espécies sensíveis (BEHRENS. formulação e misturas . A perda do herbicida ou de sua atividade depende da ocorrência de chuva (intensidade e duração) neste intervalo. não são absorvidos pela superfície da cultícula e são solúveis em água e podem ser lavados caso ocorra chuva até mais de 24 horas após. lipofílica. do método e da tecnologia de aplicação. mostrando células-guarda. Herbicidas lipofílicos (usualmente formulados como CE ou flowable) são pouco solúveis em água. PIRES et al. Dentre os aspectos relacionados com a morfologia da planta destacam-se o estádio de desenvolvimento (idade da planta). Também o nú¬mero e a abertura dos estômatos exercem pequena influência sobre a penetração dos herbicidas.Herbicidas: absorção. poros estomáticos. Figura 1 . HESS. 2003. A influência da chuva sobre a eficiência dos herbicidas está também relacionada à formulação. células da bainha do feixe. ELAKKAD.3 . a forma e a área do limbo foliar. As folhas. Sais catiônicos (carregados positivamente). 2. mas são rapidamente absorvidos e. Embora em menor proporção.. o ângulo ou a orientação das folhas em rela¬ção ao jato de pulverização e as estruturas especializadas. cavidade estomática. são recobertas por uma camada morta (não-celular). Após a interceptação. das condições climáticas e das espécies de plantas envolvidas (BRIDGES. não penetram rapidamente. 2000. para cada herbicida. porém são rapidamente absorvidos nos lipídios da cutícula e pouco lavados pela chuva. igualmente. como todas as estruturas aéreas das plantas. denominada cutícula. como o paraquat. esta existe também nas raízes. como tricomas (pêlos). 2001)..4-D amina requer um período muito mais longo sem chuva do que o 2. translocação. razão pela qual muitos fatores influenciam. 1981). metabolismo.Corte transversal de uma folha (esquemático). são solúveis em água.. JAKELAITIS et al.

Herbicidas: absorção. álcoois. a cutícula é recoberta por uma camada de cera. Ela pode ter a forma de grânulos. aldeídos.. freqüentemente. A composição química do revestimento epicuticular é muito variável entre as espécies de plantas (Quadro 1). O padrão de superfície da camada cuticular é bastante variável. a qual possui grupos de polaridade variáveis (Figura 2). pode ser semifluida ou fluida. et al. ácidos graxos. porém alguns componentes são comuns. de camadas superpostas e. Esse conjunto. metabolismo. assim a sua permeabilidade. etc. que é formada de fibrilos de celulose impregnados de pectina. A camada cerosa que envolve a cutícula é mais rica em compostos menos polares do que a cutina. Figura 2 .3 . 2005).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A cutícula recobre todas as células da epiderme da planta. formulação e misturas . Em consequência da variabilidade de seus componentes o grau de polaridade das cutículas varia muito. (FERREIRA. translocação. aumentando. essa camada é uma complexa mistura de alcanos de longas cadeias (21 37 carbonos). Em geral. separando as partículas de cera. cetonas. A cutina é o principal componente estrutural da cutícula. ainda.Representação esquemática dos principais componentes da camada cuticular e o seu grau lipofílico 106 Módulo 3. funcionando como uma resina de troca de cátions. de prato (ou disco). ésteres. Em presença de água. Externamente. incluindo as células-guarda dos estômatos e as células que envolvem a câmara subestomática. é referido como camada cuticular (Figura 2). Entre a camada cuticular e a membrana citoplasmática tem-se a parede celular. acredita-se que a cutina aumente de volume (por embebição).

Herbicidas: absorção. Módulo 3.8 8. o herbicida. a polaridade do composto.2 7.Percentagem de compostos apolares e polares e pH do revestimento epicuticular de diversas espécies de plantas daninhas Espécies daninhas Cyperus rotundus Avena fátua Brachiaria plantaginea Cynodon dactylon Digitaria sanguinalis Echinochloa crus-galli Panicum dichotomiflorum Poa annua Sorghum halepense Amaranthus retroflexus Capsella bursa-pastoris Chenopodium album Datura stramonium Ipomoea purpurea Poligonum lapathifolium Portulaca oleracea Senna obtusifolia Sida spinosa Sinapsis arvensis Solanum nigrum Stellaria media Xhathium orientale Compostos NãoPolares 82 10 17 12 37 27 17 29 6 44 32 32 92 32 12 37 7 85 47 88 9 58 Compostos Polares 17 90 82 88 62 72 82 71 93 55 68 66 7 68 86 63 93 14 52 11 91 41 pH 7. As características da solução aplicada.0 8.5 Fonte: Sandoz Agro Ltda.3 . No momento em que os herbicidas entram em contato com a superfície foliar. Quadro 1 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É conhecido o fato de que há uma interação bastante complexa entre a natureza química do produto aplicado e a superfície foliar.0 7.6 6.0 7.8 7. Apesar das barreiras existentes (como a camada cuticular). Existem dois tipos principais de superfícies: uma facilmente molhável (rica em álcoois) e outra de molhagem mais difícil (rica em alcanos). O processo de absorção de um herbicida é complicado em razão da espessura. tanto aos polares quanto aos não-polares.2 7. após atravessar a camada cuticular e a parede celular. Uma hipótese citada por Klingman e Ashton. é que essas barreiras não são totalmente rígidas e distintas. citado por Kissmann (1997).0 6. podem acontecer os pressupostos que se seguem (Figura 3).5 6.2 8.0 7. são importantes nessa interação.6 8.0 6. formulação e misturas 107 . composição química e permeabilidade da cutícula. através dos plasmodesmas. sobre a penetração dos herbicidas pelas folhas. Entretanto. translocação. (1991). tanto os herbicidas polares quanto os não-polares penetram nas folhas das plantas. A camada cuticular funciona como uma barreira à perda de água e também como uma barreira à entrada de pesticidas e microrganismos na planta.4 6. a tensão superficial da calda.2 7. (1975). A maior barreira à penetração de um herbicida no citoplasma das células é a membrana citoplasmática. As folhas das plantas apresentam muitas barreiras à penetração dos herbicidas.0 6.3 8. etc.4 7. pode penetrar no citoplasma. metabolismo.0 7.8 6. via simplasto.

na parede celular e atingir o interior da célula (pela plasmalema) – é a translocação simplástica. que inclui o movimento no xilema (4) e penetrar na cutícula. espessura da cutícula. penetrar na cutícula. formulação e misturas . umidade relativa). que inclui o movimento no floema (5) Fonte: Hess (1995) Uma grande diversidade de herbicidas. porque reduz sua polaridade. A passagem de uma molécula de herbicida através da camada cuticular é um processo físico que pode ser influenciado por uma série de fatores. 108 Módulo 3. mas admite-se que os compostos não-polares sigam uma rota lipofílica e os compostos polares. Todos esses fatores podem influenciar a absorção de herbicidas. Há evidências de que a penetração de herbicidas decresce com o aumento da idade da folha (GROVER. Schmidth et al. na parede celular e então translocar antes de atingir o simplasto . etc. o pH da solução tem pouco ou nenhum efeito sobre a penetração. mas permanecer absorvido nos componentes lipofílicos da cutícula (3). tamanho das partículas e concentração do herbicida. 1991). representando os aspectos: volatilizar e perder para atmosfera ou ser lavado pela chuva (1). Apesar de a constituição física e química e a espessura poderem ser praticamente a mesma. Para os herbicidas orgânicos.3 . ésteres. atravessa a camada cuticular. a rota hidrofílica. da idade da folha e do ambiente sob o qual a folha se desenvolve. CESSNA. translocação. O exato mecanismo de penetração não é totalmente conhecido para todos os herbicidas. Para os herbicidas nãodissociáveis (amidas. (1981) atribuíram isto à maior polaridade da cutina encontrada nas folhas novas.). a cutícula de folhas nova é mais permeável à água do que a de folhas velhas.Herbicidas: absorção. como: potencial hidrogeniônico (pH). fatores ambientais (luz. temperatura. cerosidade e pilosidade da folha. A absorção de herbicida não está necessariamente relacionada à espessura ou ao peso da cutícula. o pH mais baixo aumenta a absorção do herbicida.Diagrama hipotético. que diferem em estrutura e polaridade.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que variam em função da espécie. metabolismo. permanecer sobre a superfície como um líquido viscoso ou na forma de cristal (2). penetrar. mas sim à constituição lipídica e ao grau de impedimento da passagem de solutos. Figura 3 . derivados de ácidos fracos. uso de agentes ativadores de superfícies (surfatantes) e outros.esta é chamada translocação apoplástica.

admite-se que a cutícula tenha estrutura porosa. Os estômatos podem estar envolvidos. Nestas. a menos que a tensão superficial da solução pulverizada seja muito reduzida pelo uso de surfatantes na formulação ou no tanque do pulverizador. 1995). havendo maior absorção dos produtos polares com aumento da umidade (HESS. dependendo das condições ambientais. Nas plantas estressadas (déficit hídrico no solo). translocação. favorece a abertura dos estômatos e pode aumentar o transporte de solutos na planta. respectivamente. 2001 o glyphosate e o sulfosate apresentam máxima atividade em plantas não-estressadas. Primeiro.. que se mantém hidratada. A natureza da resposta para as diferentes condições ambientais varia com a espécie vegetal. 1995). por provocar maior fluidez dos lipídios da camada cuticular e da membrana celular e. Uma a duas semanas antes da aplicação. Condições de alta temperatura e luminosidade. geralmente promovem a formação de cutículas mais impermeáveis. mais rápida absorção do herbicida. provocando a cristalização do herbicida na superfície foliar. O grau de impermeabilidade da cutícula pode ser atribuído ao incremento de sua espessura. mover-se através do poro de um estômato aberto para dentro da câmara subestomática. a cutícula sobre as células-guarda parece mais fina e mais permeável a substâncias do que a cutícula sobre outras células epidérmicas. a solução pulverizada poderia. sendo essa água de hidratação da cutícula a rota de penetração destes herbicidas. A elevação da umidade relativa aumenta o tempo de evaporação da gotícula pulverizada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os fatores ambientais. formulação e misturas 109 . Em segundo lugar. o haloxyfop teve sua atividade reduzida de 92% para 12%. influenciam a atividade dos herbicidas nos aspectos de absorção. de duas formas. e daí para o citoplasma das células do parênquima foliar. foi suficiente para ótimo controle das plantas tratadas. em conjunto. A umidade relativa do ar tem efeito mais consistente sobre absorção de herbicidas. em condições de alta luminosidade e estresse hídrico no solo. Segundo Pires et al. umidade relativa. Com relação aos herbicidas hidrofílicos. translocação e grau de detoxificação. Como os herbicidas atravessam a cutícula? A resposta para essa pergunta ainda não está bem esclarecida. para o sulfosate e glyphosate. metabolismo. É difícil ou mesmo impossível afirmar qual dos processos é mais influenciado pelas mudanças nas condições do ambiente.3 . luz e teores de umidade no solo e na planta. como temperatura do ar. conseqüentemente. Nas plantas estressadas. tanto a absorção quanto a translocação são menores (HESS. Supõe-se que os herbicidas lipofílicos se solubilizam nos componentes lipofílicos da camada cuticular e se difundem através da cutícula. ou baixa umidade relativa do ar e umidade do solo. também pode apresentar efeitos negativos devido à maior rapidez do secamento da gota pulverizada. Alta temperatura pode melhorar a absorção. Todavia. em tese. um intervalo sem chuvas de menos quatro e seis após a aplicação. houve rebrota acentuada da maioria delas. à alteração na composição das ceras ou ao aumento na formação de ceras epicuticulares. mesmo quando o período sem chuva foi de até seis horas. com a penetração de herbicidas nas folhas. aumenta a hidratação da cutícula.Herbicidas: absorção. Entretanto. A maioria dos Módulo 3. a infiltração pelos estômatos não é possível. comparando pulverizações feitas em plantas de capim-massambará (Sorgum halepense) sem estresse e estressadas.

tem sido usado para melhorar a atividade de númerosos herbicidas. que têm vários propósitos. atividade do herbicida. Eles geralmente são compostos de moléculas grandes. os mais importantes são os agentes ativadores de superfície. a eficiência do surfatante depende de sua natureza. 1980). etc. e podem ser catiônicos. não têm sido suficientemente positivos ou consistentes para adição de tais aditivos na calda de pulverização e para se tornar uma prática recomendada. a atividade do glyphosate é melhorada por surfatantes com alto balanço lipofílico-hidrofílico que pelos surfatantes hidrofílicos que são não-iônicos ou catiônicos (TURNER. em geral. Destes. Alguns trabalhos têm demonstrado que esse tipo de surfatante pode aumentar inclusive a translocação relativa do produto aplicado (KNOCHE. Os resultados dos experimentos de campo. Eles podem também induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal e também aumentar a penetração cuticular.3 . a absorção de um herbicida pode ser influenciada pela presença de outro herbicida misturado na calda. o surfatante lipofílico é eficiente. Recentemente. o desenvolvimento de surfatantes à base de organossilicones proporcionou avanço nesse ponto. metabolismo. Diversos produtos químicos. mas preparados em soluções.. translocação. do herbicida em questão. A estimulação da absorção pode ser causada pelo surfatante adicional ou por outros aditivos presentes nas duas formulações misturadas. provoca efeito antagônico com glyphosate (TURNER. Por exemplo. A adição somente do sal provoca decréscimo da atividade em aveia. LOADER. formulação e misturas . a melhoria só ocorre se o surfatante também estiver presente. Vários autores afirmam que os surfatantes melhoram a penetração e. contendo parte hidrofílica e lipofílica. no entanto. 1994). melhorando a retenção e o espalhamento desta sobre a folhagem. 1980). Sulfato de amônio não melhora atividade do paraquat e na. têm sido usados como aditivos nas pulverizações.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surfatantes atualmente em uso atua aumentando a penetração cuticular e não consegue reduzir a tensão superficial adequadamente para permitir a penetração estomática. quando sulfato de amônio é adicionado à solução. ou. na concentação de 1 a 10% (p/v). Este surfatantes são capazes de reduzir a tensão superficial ao ponto de a infiltração pelo estômato ocorrer. proporção de 20% p/v. 110 Módulo 3. emulsões. A função primária do surfatante é reduzir a tensão superficial da gota. Finalmente. Sulfato de amônio. Também podem ocorrer interações negativas entre os dois herbicidas.Herbicidas: absorção. aniônicos ou não-iônicos. para melhorar a penetração ou atividade dos herbicidas aplicados às folhagens. No caso do sethoxydim. incluindo picloram. da presença de outros aditivos e das espécies das plantas. às quais alguns ingredientes são adicionados. Entretanto. Em alguns casos o surfatante pode provocar parcial solubilização da cera epicuticular. favorecendo mais ainda a penetração do herbicida. ou surfatantes. Os herbicidas são raramente aplicados na forma pura. No entanto. glyphosate e sethoxydim. além de surfatantes e óleos. LOADER.

3 . butachlor. desprovida da camada de cera. O caule da plântula durante a emergência tem uma cutícula muito pouco desenvolvida.3 . Módulo 3. Lenticelas são estruturas que atravessam o periderma. metolachlor DCPA oxyfluorfen trifluralin. floema). Além do mais. usando imazapyr 20 a 30 dias antes da derrubada das árvores de eucalipto. aos herbicidas aplicados na parte aérea. após a morte de suas células.Penetração pelo caule A absorção de herbicidas pode ocorrer pelo caule das plantas jovens (durante emergência) e das adultas. Outros constituintes comumente encontrados nestas células são ácidos graxos. Quadro 2 . rotas importantes para a penetração de herbicidas pelo caule. também.Herbicidas: absorção. Neste caso.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. em diâmetro. o periderma deve apresentar baixa permeabilidade à água e. O crescimento do caule. e. usando-se óleo como veículo. lignina. Para atuação de herbicidas aplicados à casca das árvores. Entretanto. que facilitam a penetração de herbicidas. eles são preparados em formulações lipofílicas. principalmente os polares. translocação. celuloses e terpenos. alachlor. Nas plantas jovens. As células do periderma contêm tanino e são altamente suberizadas. metabolismo. causa pequenas rupturas na casca. Baseado na sua estrutura e composição. formulação e misturas 111 .Grupos químicos de herbicidas e exemplos de ingredientes ativos que podem ser absorvidos do solo pelas radículas ou partes aéreas emergentes das plântulas Famílias de herbicidas Acetanilidas Ácidos ftálicos Difeniléteres Dinitroanilinas Tiocarbamatos Exemplo de produto acetochlor. Este processo está sendo implantado em algumas empresas de reflorestamento. a barreira que a estria de Gaspary representa na raiz não está presente nestes tecidos. sendo esta uma rota de entrada de herbicidas em muitas espécies de gramíneas. pendimethalin butylate. além de serem aplicados em altas concentrações (5-10%). visando evitar a rebrota das cepas. Alternativa prática mais eficiente seria injetar o herbicida com equipamento próprio com uma pistola injetora. até a região do câmbio (xilema. ou. tornando-a mais permeável aos herbicidas. o herbicida será mecanicamente introduzido através da casca. Estes produtos são pulverizados ou pincelados no caule da planta. portanto. é um sítio de entrada importante para muitos herbicidas aplicados ao solo que são ativos em sementes e durante a germinação e na emergência das plântulas (Quadro 2). sendo. o periderma é um tecido protetor que substitui a epiderme. molinate A penetração de herbicidas através da casca de plantas lenhosas é outra opção que pode ser aproveitada na prática.

até a zona de absorção das raízes. estar relacionado com a viscosidade da água (sob condições de baixa temperatura) e com reações químicas (absorção ativa). A entrada dos herbicidas pelas raízes não é tão limitada quanto pelas folhas. Os pêlos radiculares são responsáveis por aumento significativo da área disponível para a absorção de água e de herbicidas (Fig. seguida por uma fase de absorção mais lenta. a água que se move em direção ao xilema deve entrar no simplasto. Também a concentração hidrogeniônica. Os herbicidas têm que entrar em contato com a raiz.Penetração pelas raízes Muitos herbicidas aplicados ao solo são absorvidos pelas raízes. O que acontece aos herbicidas nesse ponto não está completamente claro.Fatores que influenciam a absorção através das raízes A absorção de herbicidas pelas raízes é caracterizada por uma fase inicial de elevada taxa de absorção durante os 30 primeiros minutos até 2 horas. 1. a principal zona de absorção está entre 5 e 50 mm de sua extremidade. principalmente quando o composto é sujeito à ionização. depois.Herbicidas: absorção. A disponibilidade dos herbicidas para as raízes é função das propriedades físico-químicas dos herbicidas e do solo e da distribuição espacial destes compostos e das raízes no solo. ocorre decréscimo nesta taxa até ela se tornar nula. formulação e misturas . a penetração de água e solutos. Tem sido observado decréscimo na taxa de absorção de herbicidas devido ao abaixamento da temperatura. ocorre. pode influenciar a absorção de herbicidas pelas raízes. Apesar de não existir nenhuma barreira cuticular na zona dos pêlos radiculares.4. com alta permeabilidade à água e a solutos (sais). Muitos herbicidas com estruturas moleculares.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. metabolismo. O sistema radicular das plantas superiores apresenta uma superfície de absorção extremamente grande. o que pode ocorrer pelo crescimento desta ou pela difusão do herbicida no estado gasoso e. Na endoderme ou antes dela. em grande parte. há uma barreira lipídica localizada na endoderme da raiz. A rota mais importante de entrada é a passagem do herbicida junto com a água através dos pêlos radiculares existentes nas extremidades das raízes.4-D. normalmente. Esse fenômeno pode. Nas raízes jovens. passando em seguida à negativa (perda por exsudação). em solução com a água. Na endoderme. 4). ou.3 . uma vez que nenhuma camada significativa de cera ou cutícula está presente nas partes das raízes onde a maior parte de absorção de herbicidas ocorre. para o 2.1 . tamanhos e solubilidades diferentes são prontamente absorvidos pelas raízes. próxima à zona de absorção radicular. translocação. Se o herbicida for 112 Módulo 3. todas as paredes radiais contêm uma banda fortemente impregnada com suberina (estria de Gaspary). Embora raízes jovens sejam também cobertas por uma camada cerosa e as mais velhas sejam fortemente suberizadas. a taxa de absorção aumenta rapidamente logo após a aplicação e. Por exemplo. e esta barreira é conhecida por ser impermeável à água.4 .

requerimento de oxigênio. translocação. A linearidade é perdida quando o herbicida exerce efeito tóxico sobre a planta. Para os herbicidas polares. é um processo ativo de absorção. como lipofilicidade e pka.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas absorvido em solução com a água. estabelecendo um gradiente de concentração entre a parte externa da raiz (solução do solo) e a interna da planta (corrente de assimilados). também. Donaldson et al. e acumulação contra um gradiente de concentração. portanto..4-D. (1973) a taxa de absorção de herbicida correlaciona-se com o coeficiente de partição óleo/água. mas hiperbólica. a corrente transpiratória correlaciona-se com o transporte destes para a parte aérea da planta.3 . podendo. é um processo passivo a puramente físico e. Quanto à concentração do herbicida. demanda energia. entretanto. passivamente. para picloram. a absorção de herbicidas polares. formulação e misturas 113 . inibidores metabólicos. alta temperatura do solo e alto potencial de água no solo são condições que favorecem a transpiração e. o que geralmente não é o caso da segunda fase. influenciam a absorção.Mecanismo de absorção de herbicidas A primeira fase de absorção é independente de energia metabólica.4. portanto. o produto atravessá-la livremente. A segunda fase de absorção. em parte. 1. A absorção de herbicidas pela raiz também pode ser limitada por ligações ou adsorção do herbicida nos componentes celulares.Herbicidas: absorção. podem ser adsorvidas. a energia necessária à manutenção da seletividade da plasmalema é inibida. Essas condições foram satisfeitas para absorção de 2. prontamente absorvidos pelas raízes. apresentando baixo Q10. al. em geral. A segunda fase da absorção. Também atrazine e amitrole tiveram absorção passiva. de onde se transloca até seu sítio de ação.2 . dentro de determinados limites. que consiste em atravessar a membrana citoplasmática (plasmalema). existe uma relação linear entre a concentração do produto disponível e a sua penetração pela raiz. conseqüentemente. De modo geral. inicialmente. mas não o foram para monuron. translocados via xilema. Triazinas e uréias. Os herbicidas solúveis na água. Como a Módulo 3.4-D é acumulado ativamente e o monuron. além do pH da solução do solo. metabolismo. o pH que aumenta a sua polaridade beneficia também a sua absorção e penetração pelas raízes. A correlação entre transpiração e absorção é válida para os herbicidas polares. Esta fase tem um Q10 maior que a fase inicial e é sensível a inibidores metabólicos. Também as propriedades físico-químicas dos herbicidas. dependendo das características do produto. então. Não há dados suficientes para o entendimento completo de mecanismo de absorção de todos os herbicidas. pelas raízes. por exemplo. taxa de absorção não é função linear da concentração externa. Alta temperatura e irradiância. Sendo os herbicidas. Uma vez dentro do citoplasma das células. há evidências contrárias. ou. segundo Donaldson et. se difundem nos espaços livres das células da epiderme do córtex da zona de absorção. Até aí. ele pode penetrar no floema e. atrazine e napropamide. (1973) listam os seguintes critérios para a absorção ser ativa ou dependente de energia: Q10 ≥ 2. sendo os herbicidas mais lipofílicos absorvidos mais rapidamente. indicando que o 2. existem herbicidas não-polares que são. no xilema. absorção bloqueada por inibidores metabólicos. Embora alguns trabalhos demonstrem estreita relação entre transpiração e absorção. dependente da concentração. também é ativa ou dependente de energia. baixa umidade relativa do ar.

Moléculas de herbicidas capazes de penetrar nas paredes celulares translocam-se via apoplasto. floema por ambas as vias (simplásticas ou apoplásticas). translocação. (b) Diagrama hipotético. metabolismo. e há várias explicações para isso. formulação e misturas . por Mengel e Kikby (1982). há tendência de aqueles herbicidas que são capazes de passar livremente do floema para o xilema serem de baixa ou nenhuma translocação via floema.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas translocação via xilema é muito mais rápida que a translocação via floema. Estas incluem ligações nos tecidos do citoplasma.(a) Secção transversal de uma raiz. x . Figura 4 .3 .Moléculas de herbicidas capazes de penetrar no xilema e.Moléculas de herbicidas capazes de entrar no protoplasma via simplasto (passam de célula em célula através dos plasmodesmatas) e atingem o floema. • .Herbicidas: absorção. os herbicidas podem ser acumulados contra um gradiente de concentração. difundem-se através das estrias de Caspary e atingem o xilema. partição nos lipídios do citoplasma ou metabolismo a produtos polares que 114 Módulo 3. representando a absorção de herbicidas pelas raízes Durante a fase de absorção dependente de energia. ou. mostrando suas principais estruturas. o .

evidenciando que ela se dá por processo metabólico. Os herbicidas não-polares seguem uma rota lipofílica até atingirem a plasmalema. os ácidos fracos se dissociam mais e entram no citoplasma. Várias classes de importantes compostos. imazethapyr e sethoxydin Fonte: Stelling (1994) Módulo 3. metabolismo. translocação. Uma vez que o pH no citoplasma é uma a duas unidades maior que o pH do meio externo da célula. 2. são exsudadas pelas raízes. A exsudação também está relacionada com a detoxificação da planta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas são menos hábeis para se difundir através da plasmalema. como 2. impedem a ação seletiva desta. correspondendo à zona de absorção. chlorsulfuron. Figura 5 .Herbicidas: absorção.4-D. Normalmente. A exsudação é um fenômeno limitado apenas às raízes integrais (sem cortes) e vivas. onde.3 . fenilacético. Essas moléculas dissociadas (ânions) são menos capazes de atravessar a plasmalema do que as moléculas neutras. formulação e misturas 115 . provavelmente. como os derivados do ácido fenóxico acético. Esta é a explicação alternativa para a acumulação de ácidos fracos.Acumulação de herbicidas (ácidos fracos) no interior da célula (a) e sítios de dissociação dos herbicidas (b): bentazon. A zona da raiz mais ativa na exsudação é a zona de alongamento. quando aplicadas nas folhas das plantas.4-D. acumulando-se no interior da célula (Figura 5). os produtos de maior afinidade por substâncias lipofílicas (lipofilicidade) atravessam mais facilmente a plasmalema. podendo ser um dos fatores responsáveis pela tolerância desta ao herbicida. benzóico ou picolínico.

Se a translocação de um herbicida pode ser aumentada. etc.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . com velocidade de 60 a 100 vezes maior que o movimento no sentido radial. quando ocorre completa cobertura da parte aérea pela calda herbicida pulverizada. que são as membranas citoplasmáticas. tubérculos. os quais formam um sistema contínuo no qual a água e os solutos se movimentam livremente. 2. incluindo as paredes celulares. de onde são transpostos para o floema. podem ser mortas por herbicidas de contato. sem atravessar as barreiras à permeabilidade. que não são capazes de se regenerar através de seus órgãos subterrâneos. Transporte a longa distância ocorre através dos tubos crivados (floema). rizomas. necessitam que determinada quantidade do produto seja capaz de translocar e atingir estes orgãos de recuperação. metabolismo.contrariamente ao simplasto. conseqüentemente. em 1971. O movimento de solutos e assimilados no interior das plantas superiores pode ser definido. Plantas jovens. os espaços intercelulares e o xilema. etc.. até atingirem as células companheiras. formando um conjunto contínuo através das intercomunicações do citoplasma. como a massa total de células vivas de uma planta. aquelas plantas que são capazes de se regenerar através de bulbos.Translocação de herbicidas Há várias razões pelas quais é importante o estudo de translocação de herbicidas. Por outro lado. para exercerem a sua efetiva ação herbicida.foi definido por Crafts e Crisp. considerando que não é fácil atingir toda a superfície foliar de uma planta. O floema é o principal componente do simplasto. 116 Módulo 3.1 . estolons.Herbicidas: absorção. em dois sentidos. a translocação é também de grande importância.3 . Para a maioria dos herbicidas aplicados ao solo. para que produza controle eficiente. denominado plasmodesmas. o aumento na translocação de um produto aumentará a sua eficiência. então as doses aplicadas deste produto podem ser reduzidas.Conceito de movimento simplástico e apoplástico Simplástico . e tendo em vista que há diferença de penetração de herbicida nas diferentes posições da parte aérea da planta. citados por Hay (1976). basicamente. principalmente de arbustos e árvores. Entretanto. Muitos herbicidas são absorvidos pelas raízes ou pelas partes subterrâneas do caule e são translocados para outras áreas. Íons e moléculas podem movi¬mentar-se de célula para célula através dessas estruturas. como ponto de crescimento. cloroplastos. é formado pelo conjunto de células mortas. Apoplástico . translocação. como visto a seguir. menores serão os custos de aplicação e os riscos de causar prejuízos ao meio ambiente. formulação e misturas .

O movimento para dentro do floema (carregamento) deve ser um processo ativo. para se translocarem das folhas para a parte superior da planta. que acompanham as células do floema. penetração de água dentro destas células.1 . quando amadurecem.Movimento ascendente Íons e moléculas podem difundir-se pelos espaços intercelulares e paredes celulares do córtex. Citoplasmas das células do mesófilo. no entanto. que a estria de Gaspary não está presente nos ápices Módulo 3. se transformam em uma fonte. em direção contrária ao gradiente de concentração. As células companheiras e as células parenquematosas. de alguma forma ainda não definida. nestes vasos. Contudo. raízes e tecidos ou órgãos de reserva). à medida que se distancia da fonte. porém o mecanismo desse carregamento.1. translocação. causando elevação do potencial osmótico e. na endoderme. principalmente sacarose) dentro dos vasos. A teoria do transporte pelo fluxo de massa baseia-se na elevação da concentração de assimilados (açúcares. estão envolvidas no fluxo de carregamento destes vasos.2 .3 . das células de transferência e das células companheiras estão diretamente intercomunicados. caules ou outros órgãos fotossintetizantes) para o dreno (áreas meristemáticas. Os assimilados. para muitas substâncias. As células com protoplasma muito denso e com pontuações na parte interna da parede celular permitem maior superfície de contato entre o sistema simplástico e o apoplástico.O decréscimo da concentração dos assimilados ao longo dos vasos.5 vezes o diâmetro da célula. O movimento por esta rota para o interior da raiz é bloqueado pelas paredes longitudinais das “estrias de Gaspary”. é ainda desconhecido. supunha-se que as substâncias (íons ou moléculas) rompiam essa barreira e penetravam no sistema simplástico das células. enquanto as produzidas nas folhas da parte superior da planta são transportadas para as folhas novas e os brotos terminais. Sabe-se. inicialmente. metabolismo. A alta pressão de turgor. primeiro. suporta essa teoria. que descer até atingir o caule. têm. hoje. Acredita-se que herbicidas e outras substâncias se movimentem juntamente com esse fluxo. flores e frutos em desenvolvimento. após o que podem subir pelo floema ou penetrar no xilema e se translocar com a corrente transpiratória. mas somente as células companheiras estão diretamente ligadas ao floema.Herbicidas: absorção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2.Movimento descendente Os assimilados e solutos se movem a uma distância média correspondente a 2. assume-se que esse movimento ocorra à custa de energia metabólica. A hipótese do transporte pelo fluxo de massa envolve uma corrente de solutos movendo-se da fonte (folhas. são um dreno e. 2. Substâncias fotossintetizadas nas folhas da base da planta são transportadas para as raízes. antes de alcançar os vasos menores do floema. força o fluxo em massa do conteúdo nele existente. Uma vez que estes assimilados se movem para dentro desses vasos. formulação e misturas 117 . Estas células são conhecidas como células de transferências e parecem funcionar no carregamento dos vasos do floema e na transferência do floema para o xilema.1. Parte dessa distância ocorre pelo sistema apoplástico. As folhas. conseqüentemente.

ou vazar para o xilema parenquimatoso e ser transportadas no sentido acrópeto pela corrente transpiratória.Translocação de alguns herbicidas Dicamba . CIAMPOROVÁ. nos pontos de crescimento e nas raízes.6-TBA . até certo ponto. translocação. relacionada com sua exsudação por elas. para folhas e pontos de crescimento da planta.4-D. podendo. 118 Módulo 3. Pequena acumulação ocorre nas raízes. as condições ambientais favoráveis à transpiração (umidade relativa baixa. A presença de folhas jovens na planta aumenta a translocação do produto para as raízes. é rapidamente absorvido e translocado para todas as partes da planta.4-D. também ocorre acumulação nas folhas jovens. metabolismo. Em geral. formulação e misturas . xilema e acumulam-se nos pontos de crescimento (tecido meristemático).Herbicidas: absorção. visando reduzir o sombreamento de culturas como o cacau. pode danificar a cultura quando ele for injetado em algumas espécies que são capazes de excretá-lo através de suas raízes. apesar de ser bastante móvel no sentido basípeto da planta. o picloram é. neste caso. talvez por inibir o movimento junto à corrente transpiratória.parece movimentar-se prontamente em ambos os sistemas (apoplásticos e simplásticos). o que pode representar importante rota de passagem dos herbicidas do apoplasto para o simplasto. espalhando-se rapidamente por toda a planta. principalmente. então. Aplicado nas raízes ou nas folhas. em grande proporção.é altamente móvel na planta. pelo sistema simplástico.4-D.4-D move-se do floema para o xilema e retorna à folha tratada. Apesar de se translocarem no sentido descendente. aproximadamente. A elevação da umidade relativa pode aumentar o movimento descendente do 2. pode controlar uma séria invasora do milho. semelhante ao 2. ele se acumula nos pontos de crescimento.3. que é a striga (erva-debruxa). Derivados do ácido fenóxico . A morte ou injúria das raízes reduz a sua exsudação. mover-se de célula para célula.3 . ou. 10 vezes mais tóxico às raízes que o 2. pode ser exsudado pelas raízes. Exsuda-se.os representantes deste grupo translocam-se pelo floema e. Se o produto é aplicado nas folhas. 1992). Essas substâncias podem. Picloram . Aplicado nas folhas das plantas.quando aplicado em solução nutritiva. A sua pequena acumulação nas raízes está. 2. a concentração do produto diminui nas raízes e nas folhas fotossintetizadoras e se concentra nas regiões meristemáticas desta. A adição do ácido 2-cloroetil-fosfônico (ethrel) ao dicamba aumenta a sua translocação. Se a planta é retirada da solução com herbicida e colocada numa solução sem herbicida.3 . O 2. sendo exsudado. pelas raízes. indicando ser este um processo que requer energia. não se acumulam na raiz por causa do fenômeno da exsudação. 2. Apesar de apresentar pequena acumulação na raiz. Aplicado nas folhas do milho.1. Ele transloca-se. no sentido descendente. podendo causar danos às plantas adjacentes às tratadas. ele se transloca até as raízes e. O uso deste herbicida no raleamento de floresta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas radiculares de células endodérmicas jovens e na região basal das raízes laterais em desenvolvimento (LUXOVÁ. elevadas temperaturas e adequado suprimento de água no solo) são também favoráveis à translocação dos produtos que se movimentam pelo sistema apoplástico. ser absorvido por plantas vizinhas não-tratadas.

quanto mais lipofílica for a imidazolinona.os derivados da uréia substituída são translocados exclusivamente via apoplástica. por causa do fechamento dos estômatos (redução na taxa de transpiração). na prática. espalham-se por toda a planta. sob forte intensidade luminosa. A diferença de translocação do imazaquin pode ser a causa das diferenças na susceptibilidade entre as espécies. eles não se translocam de uma folha para outra. enquanto a translocação no milho continua por muito tempo. os cloroplastos. principalmente nos cloroplastos. Na prática. concentrando-se nas extremidades das folhas. Imidazolinonas . Algumas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Uréias . metabolismo. inicialmente. a pequena translocação do produto ocorre pelo sistema apoplástico. onde. onde atuam. principalmente. caules e raízes e se trans¬locam via floema ou xilema até os pontos de crescimento. que é concentrada nos tecidos meristemáticos. em menor proporção. Ocorre paralisação da translocação em aveia uma hora após o tratamento. Entretanto. sendo todas elas translocadas exclusivamente via xilema. Assim. dentro de 30 minutos elas podem ser detectadas no topo da planta.a maioria das triazinas são mais facilmente absorvidas pelas raízes. Os estômatos fecham-se porque o herbicida. ao inibir a fotossíntese. aparecem os sintomas de toxidez. principalmente quando aplicados durante o dia. Fatores que reduzem a transpiração da planta reduzem também a sua translocação. Contudo. atingindo. Outros autores admitem que a translocação ocorrida na planta seja por difusão causada pelo rompimento das células. Imazaquin é muito ativo no milho.Herbicidas: absorção. de alguma forma. translocação. onde inibem a síntese de aminoácidos. O sítio de ação dos herbicidas deste grupo é a enzima AHAS (ácido aceto hidroxi sintase). Aplicados às raízes. mais rápida é absorvida pelas raízes e mais rápida é a translocação para o caule. Alguns trabalhos mostram que a translocação é aumentada pela redução da umidade relativa (elevação da transpiração). A taxa de absorção decresce algum tempo após a aplicação. Aparentemente. mas pouco ativo em Avena fatua. Quando aplicadas às raízes das plantas. Bipiridílios – são considerados. fluometuron e linuron. A sua velocidade de ação é proporcional à intensidade luminosa. parece que ele atinge o xilema antes de necrosar o tecido e se move com a corrente transpiratória tão logo a planta seja exposta à luz. A translocação das raízes para os caules parece estar relacionada com a lipofilicidade das imidazolinonas. são também absorvidas pelas folhas. penetram no simplasto. principalmente diuron. em razão de sua rapidez de ação. a translocação da folha para o caule parece não estar relacionada com a lipofilicidade. Quando o paraquat é aplicado no escuro. Módulo 3.estes herbicidas são absorvidos por folhas. portanto. Algumas uréias. como herbicidas não translocáveis nas plantas. como metribuzin. Aplicados às folhas. eles são considerados herbicidas de contato.3 . Altas concentrações destes produtos são encontradas em glândulas ricas em óleo (verdadeira barreira à translocação destes herbicidas) localizadas ao longo do caule e nas folhas da planta. ametryn e atrazine. em solução nutritiva. em plantas de algodão. são bastante toleradas pelos citros e pelo algodão. porém se translocam apenas do ponto de aplicação para as extremidades da parte da planta onde foram aplicadas. As triazinas também se acumulam em glândulas ricas em óleos. promove o acúmulo de CO2 na câmara subestomática. Triazinas . formulação e misturas 119 .

como a alfafa. alanina. também. conhecer os seus metabólitos e a forma como são metabolizados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . o estudo de seus metabolismos é relativamente recente. 120 Módulo 3.4-DB também é metabolizado por algumas plantas (Figura 7). na passagem do cloro de uma posição para outra. metabolismo. na planta. formando o 2.6 T. É importante saber não só que o herbicida é metabolizado. A maioria das plantas degrada a cadeia do ácido acético. • hidroxilação do anel aromático. mas. Algumas leguminosas. Embora os herbicidas venham sendo usados há mais de 50 anos. etc.Metabolismo dos herbicidas nas plantas A seletividade dos herbicidas pode ser atribuída a numerosos fatores. O 2.4-D são: ácido aspártico. o toleram. ácido glutâmico. com conseqüente conjugação desta hidroxila com constituintes da planta. A hidroxilação na posição ‘3’ e a sua conseqüente conjugação com glucose e.4-D. metabolismo.4.3. aqui. translocação. Os compostos geralmente encontrados em conjugação com 2. A hidroxilação na posição ‘para’ inativa o produto. Para vários grupos de herbicidas (ex. As agências governa¬mentais estabelecem limites de tolerância de resíduos dos produtos na planta. Derivados dos ácidos fenóxicos Há três mecanismos básicos envolvidos no metabolismo dos derivados do ácido fenóxido acético (Figura 6): • degradação da cadeia do ácido acético. também o inativam. inibidores da ALS e da ACCase). formulação e misturas . na época da colheita das estruturas utilizadas para a alimentação. incluindo absorção. fenilalanina e triptofano.3 . Uma das maneiras pelas quais as plantas se livram destes produtos é através do metabolismo destes. aminoácidos também são mecanismos de inativação do 2. translocação. Tratar-se-á.4-DB → β oxidação → 2. Normalmente. É muito importante saber se o herbicida é metabolizado ou não.: auxínicos. causando a inativação do herbicida.5 T. transformando-se em composto tóxico (2. A transferência do cloro da posição '4' para a posição '3' e a passagem do cloro da posição '5' para posição ‘6’ do 2. do metabolismo dos herbicidas nas plantas apenas em relação à sua detoxificação. mas somente algumas espécies o degradam em velocidade suficientemente rápida para aumentar ou proporcionar a sua tolerância ao produto. valina. ou. leucina. há hidroxilação na posição anterior do cloro. e • conjugação do composto com constituintes da planta.4-D).Herbicidas: absorção. metabolismo o da molécula é uma das principais causas da seletividade.

4-D ou o fazem muito lentamente.Herbicidas: absorção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas porque não o transformam em 2.3 . dando tempo para que outros processos metabólicos realizem a sua degradação.4-D em plantas superiores Triazinas Algumas plantas.4-D em plantas superiores Figura 7 – β oxidação do 2.4-DB a 2. Em espécies tolerantes. formulação e misturas 121 . enquanto em espécies suscetíveis (feijão e pepino) a degradação Módulo 3. Figura 6 . principalmente gramíneas como milho. metabolismo. antes da saturação dos sítios de ação do produto.Biotransformação e rotas metabólicas do 2. A taxa de degradação das triazinas em plantas superiores varia grandemente com as diferentes espécies. sorgo e cana-de-açúcar. translocação. elas são rapidamente degradadas (Figura 8). são altamente tolerantes às clorotriazinas (atrazine e simazine).

o que favorece a tolerância das plantas a estes herbicidas. a base de seletividade destes herbicidas às plantas. metabolismo.Biotransformação e rotas metabólicas de atrazine em plantas superiores Os processos de inativação ocorrem pela hidroxilação. indicando que nestas a benzoxazinona é mais ativa. primariamente. O metabolismo do metribuzin nas plantas superiores pode ser observado na Figura 9.Herbicidas: absorção. 122 Módulo 3. Extratos das raízes e da parte aérea do milho são capazes de hidroxilar as clorotriazinas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas é mais lenta. Esta substância ocorre em toda a planta de milho. Também pode ocorrer conjugação das triazinas com peptídeos. A substância catalisadora dessa reação foi identificada como benzoxazinona. formulação e misturas . Figura 8 . Glutation-Stransferase é a enzima envolvida nessa conjugação. a taxa de degradação das triazinas parece ser. A N-dealquilação é outra rota do metabolismo das triazinas. Portanto.3 . mas a hidroxilação é mais intensa nas raízes. demetoxilação e dealquilação na posição ′N′ e por conjugação com peptídeos. translocação.

É um produto não-seletivo e de elevada eficiência no controle de plantas daninhas perenes. tanto na planta quanto no solo.Biotransformação e rotas metabólicas do metribuzim em plantas superiores Derivados dos ácidos benzóico A hidroxilação do anel aromático e a sua conjugação com outros constituintes da planta são demonstradas na prática. Derivados da uréia As principais rotas do metabolismo das uréias substituídas estão relacionadas com a demetilação e. ou. o propanil inibe o fotossistema II. Entretanto.3 . formando a correspondente anilina. a ruptura do anel.6-TBA é considerado um herbicida estável. Entre os compostos deste grupo.Herbicidas: absorção. translocação. incluindo as de raízes profundas. metabolismo. formulação e misturas 123 . Propanil É uma exceção entre as amidas. ainda. demetoxilação e deaquilação. o 2. e também com a conjugação com os constituintes da planta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 .3. Enquanto estas inibem raízes e pontos de crescimento. É considerado um herbicida completamente metabolizado pelas Módulo 3. não se demonstrou.

A velocidade de sua metabolização influencia decisivamente a tolerância da planta. considerando-se o tempo de ação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantas tolerantes (Figura 10). translocação. ele se acumula e inibe a reação devido à menor atividade da enzima que o degrada. podendo a mistura do propanil com estes compostos causar sensível redução na tolerância do arroz ao propanil ou até perda total de seletividade do propanil a essa cultura. razão pela qual o arroz é tolerante e o capim-arroz. principalmente com diversos tipos de carboidratos. Trabalhos realizados por Redemann e outros. A enzima envolvida nesse processo (arilacilamidase) é 10 a 20 vezes mais ativa no arroz que no capim-arroz. o picloram é mais de 10 vezes mais ativo. A sua alta atividade como arbusticida e arborecida está relacionada com a sua estabilidade na planta.3 . Entretanto. Esta enzima é sensível aos inseticidas carbamatos e fosforados orgânicos.4-D é mais ativo que o picloram. como o arroz. Figura 10 .4-D com a do picloram (em algumas espécies de plantas latifoliadas). por causa de sua lenta degradação. observou-se que o 2. O 3-4-diclorolactoanilida é um composto intermediário e instável nas plantas tolerantes. em trigo. citados por Foy (1976). Comparando a atividade do 2. Nas plantas sensíveis. mostraram que somente 17% do picloram tinha sido metabolizado três meses após a sua aplicação. Picloram: É um produto altamente estável na planta e no solo. 124 Módulo 3. como o capimarroz.Hidrólise do propanil em plantas de arroz O metabólito 3-4-dicloroanilina formado pode ser conjugado com constituintes da planta. por unidade de tempo. metabolismo. sensível. formulação e misturas .Herbicidas: absorção.

translocação. espalhantes. O mesmo ingrediente ativo. para poder cumprir eficazmente sua finalidade biológica. Na legislação federal sobre produtos fitossanitários. Qualquer substância ou composto sem propriedade fitossanitária.Formulação Formular um herbicida consiste em preparar seu ingrediente ativo na concentração adequada. formulação e misturas 125 . Módulo 3. adicionando substâncias coadjuvantes. antievaporantes e. é uma formulação universal que possa ser usada em diversos países. catiônicos (carregados positivamente) e não-iônicos (neutros). pelos estômatos. dispersantes (impedem a aglomeração de partículas). segundo Kissmann (1997). e os ingredientes inertes são os outros compostos adicionados na formulação. fazendo com que o herbicida penetre. solventes (dissolvem o ingrediente ativo). espessantes (aumentam a viscosidade). é comercializado em formulações diferentes em várias regiões do mundo. Os óleos não-fitotóxicos também têm grande uso como adjuvante. por possuírem porções lipofílicas e hidrofílicas na mesma molécula. exceto água. ou.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . ingrediente ativo é o composto com atividade biológica. A formulação é a etapa final da industrialização. mas a tendência atual. 1997). mantendo essas condições durante o armazenamento e transporte (ARAÚJO. adesivos (melhoram a aderência do produto com a superfície tratada). Eles podem ser aniônicos (carregados negativamente). corantes (dão coloração ao produto formulado). servindo de interface entre as superfícies. que são capazes de reduzir muito a tensão superficial e até induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal. adesivos. tendo em vista que o produto final deve ser usado em determinadas condições técnicas de aplicação. Entre as classes de adjuvantes podem-se citar: emulsificantes (compatibilizam frações polares e apolares). seja como molhantes. vegetais (apresentam porções variadas de ácidos graxos) e vegetais metilados (sofrem esterificação metílica). no Brasil. Estes compotos causam redução da tensão superficial. tamponantes (deixam o pH dentro de uma faixa desejada). molhantes (permitem rápida umectação do produto em contato com a água). e surfatantes (agentes ativadores de superfície). quelatizantes (tiram reatividade de moléculas e íons). Eles podem ser: minerais (formulados com predominância de frações parafínicas de hidrocarbonetos). penetrantes.3 . que não alteram o equilíbrio eletrolítico nas formulações e nas caldas.Herbicidas: absorção. às vezes. Os surfatantes ou tensoativos são também adjuvantes. também. Os surfatantes são classificados de acordo com sua carga elétrica ou tendência de ionizar a porção hidrofílica da molécula. Recentemente surgiram os surfatantes à base de organossilicones. que é acrescida na preparação de defensivos para facilitar a aplicação ou aumentar a eficiência ou diminuir os riscos é classificada como adjuvante. metabolismo. Os minerais também podem servir como veículo para aplicação de herbicidas.

assumir conotações negativas em certos casos. como sendo fitotóxicos. Também. translocação. podem solubilizar substâncias não-polares da folha. possível injúria na cultura.2 71. Um exemplo claro dessa ação ocorre com os compostos catiônicos (paraquat e diquat). danosa a ela. Quadro 3 . A água quase sempre apresenta sais em dissolução. Os sufatantes podem.1 . 1997). assim.4-534. causando desnaturação enzimática ou disfunção das membranas e.4 142. ou seja. especialmente os de Ca++ e de Mg++. Além disso. Uma formulação de herbicida pode ser considerada de boa qualidade se atender aos seguintes requisitos: ser letal à planta daninha ou. perigo de deriva e lixiviação. por diminuírem ou eliminarem a seletividade de alguns herbicidas e até favorecerem ataques de fungos pela remoção da camada cerosa protetora ou por espalharem os esporos pela superfície vegetal (Kissmann. que são os principais causadores da dureza da água. favorecer mais a penetração do herbicida (RADOSEVICH. no mínimo. permanecer ativa por um longo período. e não afetar os microrganismos benéficos e a cultura. formulação e misturas .Herbicidas: absorção. os surfactantes favorecem o espalhamento uniforme da calda na superfície foliar. A escolha da formulação a ser usada baseia-se. e penetração foliar eficiente.Classes de dureza da água Classes Água muito branda Água branda Água semidura Água dura Água muito dura ppm de CaCO3 71. tornando-os indisponíveis. equipamento de aplicação disponível. tanto física (sem absorção ou repulsão entre os ingredientes) como química (sem alteração dos compostos) ou biologicamente (a mistura deve ser eficiente para o controle) e ser estável. necessidade de armazenagem e tipo de ambiente em que a aplicação é feita. 4. também. deve apresentar bom espalhamento. que deve ser de boa qualidade.3 . boa retenção na superfície da folha. segundo Ozkan (1995). que são inativados parcial ou totalmente.4-320.0 > 534. tem que ser compatível. 1997).Veículo de aplicação (água) O veículo mais importante para diluir formulações de produtos fitossanitários a serem aplicados por pulverização ou imersão é a água. Deve-se salientar que essa dureza é calculada em função do teor de CaCO3 . Deve também permitir a associação de produtos.0 126 Módulo 3.2-142.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Além da redução da tensão superficial. custo. aumentam a retenção e melhoram o contato da gotícula. caso esta já esteja instalada. metabolismo. Argilas e compostos orgânicos em suspenão na água podem absorver alguns tipos de ingredientes ativos. nos seguintes fatores: características físicas e biológicas da planta daninha-alvo.4 320.

A dureza da água pode ser corrigida. de duas maneiras: acrescentando um surfatante não-iônico. 700 g kg-1 de metribuzin). para aplicação sob a forma de suspensão após desintegração e dispersão em água. após dispersão em água. descaracterizando sua ação biológica. as caldas fitossanitárias apresentam mais estabilidade numa faixa de pH entre 6. nas formas sólida e líquida. com conseqüente perda da função desses surfatantes. Adiciona-se geralmente uma substância dispersante. Muitas moléculas sofrem dissociação quando em solução. antes da aplicação. podem sofrer degradação por hidrólise. o que isolaria a carga elétrica e suprimiria a reatividade de íons desta. e este. etc). segundo Kissmann (1997). que representa água semidura. sob a forma de suspensão. basicamente. 4. não requerendo agitação durante aplicação.na presença de tensoativos aniônicos contendo Na+ ou K+. Nos ingredientes ativos .2. para evitar floculação e aumentar a establilidade da suspensão.ingredientes ativos à base de ácidos ou sais podem reagir na presença dos cátions Ca++ e Mg++ . ou acrescentando um quelatizante na água. maior concentração de Módulo 3. para aplicação. com possíveis substituições e formações de compostos insolúveis. transformase numa suspensão.2 . Geralmente. e a constante de dissociação também é dependente do pH. os elementos responsáveis pela dureza da água Ca++ e Mg++ podem substituí-los. É obtida pela moagem do ingrediente ativo absorvido em material inerte (sílica.Herbicidas: absorção. Durante a aplicação. 4. Possui a vantagem de ter. metabolismo. precisa-se de uma agitação contínua no tanque. Pó solúvel (PS): nesta formulação o ingrediente ativo é totalmente solúvel em água. translocação. vermiculita.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A dureza da água interfere na qualidade das caldas dos herbicidas de duas maneiras: Nas formulações . formando compostos insolúveis. formulação e misturas 127 . Valores extremos de pH podem afetar a estabilidade das caldas. possui 50 a 80% de ingrediente ativo (ex: Sencor BR. Muitos produtos que ficam preparados em água por muito tempo.Formulações sólidas Pó molhável (PM): esta formulação é definida pela ABNT como formulação sólida de pó. o que reduziria a tensão superficial dos líquidos.5.0 e 6. O ingrediente ativo sólido está na forma de grânulos. Outro fator muito importante que pode influir na estabilidade dos herbicidas e nos resultados é o pH da água. Geralmente. cuja velocidade depende do pH.1 . Grânulos dispersíveis em água (GRDA ou dry flowable): é uma formulação sólida constituída de grânulos. adicionado em água.Tipos de formulações As formulações apresentam-se. no produto comercial. As indústrias geralmente já formulam seus produtos para serem compatíveis com 20 até 320 ppm de carbonato de cálcio.3 .

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas princípios ativos. 670 g L-1 de 2.: Dual 960 CE.3 . com isso. O concentrado emulsionável conta. etc. Suspo-emulsão: é uma formulação fluida e heterogênea. Microemulsão: é um caso específico de emulsão. como a vermiculita. sob a forma de emulsão. constituída de uma dispersão estável de ingredientes ativos na forma de partículas sólidas e de finos grânulos na fase aquosa. e um agente emulsificante. têm maiores custos e dependem de equipamentos adequados para aplicação e de umidade no solo para liberar o ingrediente ativo (ex. com um solvente nãopolar (o ingrediente ativo). Como vantagens estão a ausência do pó.: DMA 806 BR. e do solvente.Formulações líquidas Soluções (S): esta mistura é de natureza homogênea. Suspensão concentrada (S) ou “flowable”: é uma formulação constituída por uma suspensão estável de ingrediente(s) ativo(s) num veículo líquido. 200 g kg-1 de molinate). menor volume de calda para aplicação (ex: Scepter 70 DG. dispensam o uso da água. metabolismo. Emulsões concentradas: esta formulação é uma emulsão de ingrediente ativo de baixo ponto de fusão ou líquido. Concentrado emulsionável (CE): é uma formulação líquida homogênea. o princípio ativo sólido (micropartículas) é mantido suspenso em água. Pellets ou pastilhas: possuem ampla similaridade com os granulados. podem ser aplicados em locais de difícil acesso. 700 g kg-1 de imazaquin). translocação. 1997) (ex. composta do soluto. que pode ser água. diferindo-se por possuírem partículas de maior tamanho. Possui maior penetração foliar. e de princípio ativo. Esta formulação contém as fases ‘oleosa’ (contendo o ingrediente ativo e o solvente orgânico surfatante) e ‘aquosa’ (que também pode conter 128 Módulo 3. são mais seletivos. Em geral. permanece por longos períodos em suspensão (mistura mais homogênea) e provoca menos desgaste nos bicos (ZAMBOLIM. acetona. ele deve ser solúvel em pelo menos 25% por litro do solvente. adiciona-se geralmente um surfatante (ex.2. sendo uma alternativa ao concentrado emulsionável (ex. cuja concentração varia de 2 a 20%. a baixa toxicidade e o fácil manuseio (ex. 4-D).2 . dissolvido no solvente. A importância desta formulação reside na possibilidade de poder compatibilizar dois tipos de formulações diferentes.: Karmex 500 SC. que pode conter outro(s) ingrediente(s) ativo(s) para aplicação após a diluição. Emulsões são sistemas termodinamicamente instáveis que consistem em dois líquidos imiscíveis.: Ordran 200 GR. Seu processo de obtenção é o mais simples e barato. requerendo. Devido à sua pouca penetração foliar.: Podium. que é o ingrediente ativo. Neste tipo de formulação. Granulados (GR): os grânulos são constituídos de veículos minerais. 500 g L-1 de diuron). VALE. para aplicação após diluição em água. 110 g L-1 de fenoxaprop-p-ethyl). para aplicação após a diluição em água. basicamente. 4. álcool. sendo um deles disperso como glóbulos de pequeno tamanho dentro do outro. A solubilidade mínima necessária é de 12%. formulação e misturas . Para que um produto seja formulado como solução.Herbicidas: absorção. 960 g L-1 de metolachlor).

entretanto. quando comparadas com aplicação de um princípio ativo isoladamente. Deve-se dar preferência às misturas prontas. especialmente as misturas. 5. Além desse fato. reduzir ou eliminar a competição destas com a cultura É importante lembrar que existem centenas de espécies de plantas daninhas e que estas apresentam as mais variadas características morfológicas e fisiológicas. além do conhecimento a respeito das interações entre os produtos. A idéia de combinação de herbicidas para controlar seletivamente plantas daninhas em culturas desenvolveu-se posteriormente. • Aumento da segurança da cultura.Misturas de herbicidas O controle de plantas daninhas visa. • Redução de resíduos na cultura e no solo devido ao uso de doses menores.1 . especialmente dos componentes mais persistentes. visando obter o máximo de controle de plantas daninhas e minimizar injúrias às culturas. requer grande cuidado. translocação. devido ao uso de doses menores de cada herbicida misturado. A aparência é de um líquido transparente. Houve grande expansão no uso de misturas e na aplicação sequencial de vários herbicidas em um único ciclo cultural.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ingrediente ativo solúvel em água.: Robust: 200 g de fluazifop-p-butil + 250 g L-1 de fomesafen).Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas A aplicação de misturas de herbicidas pode oferecer vantagens. 5 . Há menor chance de a cultura ser injuriada. formulação e misturas 129 . entre outros aspectos. bem como os fabricantes. que lhes conferem comportamento diferenciado (susceptibilidade. o manejo de herbicidas.Herbicidas: absorção. homogêneo (ex. É mais efetiva que uma única dose de um herbicida. Módulo 3. como: • Controle de maior número de espécies de plantas daninhas e redução do risco de aparecimento de genótipos resistentes. o controle mais efetivo de plantas daninhas e as menores quantidades de herbicidas aplicadas geralmente reduzem o custo total do manejo. ou mesmo com outros agroquímicos/pesticidas. a preparar misturas de herbicidas com diferentes princípios ativos. tolerância ou resistência) em relação aos herbicidas utilizados. além de surfatante). metabolismo.3 . • Redução de custos: o menor custo de aplicação. • As misturas foram primeiramente usadas para o controle não-seletivo e seu uso contínuo tornou-se importante. a necessidade de reduzir os custos de produção da cultura tem levado os produtores.

em relação à de tanque. etc.Interações entre herbicidas O termo interação descreve a ação conjunta dos herbicidas nas plantas. uma das vantagens da mistura formulada. eles podem ser aplicados separadamente (um após o outro). pela adição de outro herbicida mais efetivo sobre determinada espécie de planta daninha predominante. com outro formulado como concentrado emulsionável tem elevada tendência a apresentar incompatibilidade física. A incompatibilidade denota a inabilidade de dois ou mais herbicidas em serem usados simultaneamente. podem ser observados os seguintes efeitos sobre as plantas: • Efeitos sinérgicos: quando o efeito dos herbicidas aplicados juntos é maior que a soma dos efeitos isolados.2 .3 . 5. • Melhores resultados em campos com variados tipos de solos.Herbicidas: absorção. metabolismo. dependendo do modo como foi feita a mistura. formulação e misturas . Menor desempenho da mistura pode ser resultado de qualquer incompatibilidade física ou biológica. • Efeitos antagônicos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é menor que a soma dos seus efeitos quando aplicados separadamente. que resulta numa rápida sedimentação dos componentes da mistura. carga iônica e outros parâmetros físicos são responsáveis pela redução do desempenho dos produtos. complexação. A incompatibilidade física é usualmente causada pela formulação e suas interações. • Pode melhorar o controle de plantas daninhas pela ampliação da seletividade. 5. resultando em formação de precipitados.Incompatibilidade Quando dois ou mais herbicidas são combinados. é evitar possíveis incompatibilidades dos componentes da formulação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Controle por um período maior. Quando dois ou mais herbicidas são aplicados juntos.. separação de fase. • Efeitos aditivos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é igual à soma dos seus efeitos quando aplicados separados.3 . Fatores como solubilidade. causada pela incompatibilidade. translocação. Estes herbicidas pré-misturados ou em misturas no tanque do pulverizador podem ser mais eficientes ou não. É a relação da efetividade de um material com o outro. 130 Módulo 3. de modo que sua aplicação não pode ser executada. em razão da possível ação sinergística na planta daninha e ação antagônica sobre a cultura. A mistura de um herbicida formulado como pó-molhável. Por isso. por exemplo. juntos (misturados no tanque) ou ainda podem ser formulados juntos (comercializados numa mesma embalagem).

principalmente quando a formulação éster do MCPA é usada. • Se a resposta observada for igual à esperada. 5. A redução da penetração pela raiz pode resultar em antagonismo e aumentar a seletividade da cultura.3 . É o caso do trifluralin e diuron em algodão e trifluralin e metribuzin em soja. por exemplo. X+(100-Y) é a toxicidade esperada da mistura. a mistura é sinérgica. Várias misturas sinergísticas de herbicidas têm sido reportadas. A absorção e a translocação do glyphosate ficam prejudicadas. a mistura é aditiva. É o antagonismo químico. MCPA. induzindo o Módulo 3. etc. Organofosforados estão envolvidos com interações com nicosulfuron (SILVA et al. chlorimuron. Então. O antagonismo também ocorre quando um herbicida de contato é aplicado com glyphosate ou com herbicidas auxínicos. O efeito da interação entre dois herbicidas pode ser estimado pela equação a deguir: em que: X = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida A e p L ha-1. inseticidas organofosforados podem inibir. formulação e misturas 131 . inibição do metabolismo. Também pode ocorrer a redução da penetração foliar. Y = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida B e q L ha-1.Herbicidas: absorção. imazaquin.Interações de herbicidas com inseticidas em mistura Em geral. 2005) A tolerância do milho a este herbicida é devido ao rápido metabolismo deste.. O antagonismo em misturas de tanque acontece quando uma reação adversa ocorre entre os herbicidas na solução. interações dos mecanismos de ação dos herbicidas envolvidos. O antagonismo do fenoxaprop com MCPA éster aumentou a tolerância do trigo sem reduzir o controle da aveia-brava (JORDAN. • Se a resposta observada for maior que a esperada.4-D. este metabolismo. bentazon. WARREN. os inibidores de lipídios não devem ser misturados com 2. etc. ou reduzir. Do ponto de vista prático. a fitotoxicidade de alguns herbicidas tem mostrado ser influenciada por alguns inseticidas organofosforados ou metilcarbamatos. a mistura é antagônica.4 . por exemplo. e E = percentagem ‘esperada’ de inibição do crescimento pelos herbicidas A+B a p+q L/ha. seria ideal que a mistura apresentasse efeitos antagônicos para a cultura e sinergísticos para as plantas daninhas. entretanto. As bases para essa interação podem ser: aumento da penetração foliar dos herbicidas aplicados em pós emergência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É interessante lembrar que esses efeitos podem ser diferentes entre espécies de plantas. 1995). • Se a resposta observada foi menor que a esperada. Inseticidas organoclorados não têm apresentado interações com herbicidas. etc. resultando em menor efeito dos herbicidas sistêmicos. metabolismo. entre o paraquat e o MCPA dimetylamina. translocação. imazethapyr. aumento da translocação. chlorsurfuron.

em ensaios preliminares apresentou efeitos aditivos. metabolismo. viabilizam a aplicação desses insumos de uma só vez. O organofosforado terbufos (Counter) tem causado maiores problemas na prática. A aplicação de molibdênio na cultura do feijão. bentazon. às vezes.3 . 132 Módulo 3. são usados por alguns produtores. A aplicação do terbufos em milho é antagonística aos resíduos do imazaquin no solo e tem dado considerável proteção ao milho. Interações de herbicidas com fertilizantes em mistura Os herbicidas em misturas com fertilizantes. Esses resultados.5. disulfoton (Disyston) e o clomazone em algodão. em mistura com os herbicidas fluazifop-p-butil+fomesafen.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surgimento de sintomas de intoxicação nas plantas da cultura.Herbicidas: absorção. translocação. Os mecanismos dessa interação não são bem conhecidos. 5. porém sem nenhuma base científica. se confirmados. formulação e misturas . É interessante ressaltar o antagonismo entre phorate (Thimet). fomesafen e imazamox. Os inseticidas protegem o algodão de alguma toxicidade do clomazone.

BAYER. JORDAN. Adsorption of some herbicides by soil and roots. Módulo 3. 52. 56-58. D. GROVER. W. 1995.. HAY. sulfosate e glifosate potássico submetidos a diferentes intervalos de chuva após a aplicação. 19. LEONARD. D. SILVA. Absorption of 2. J.. ELAKKAD.. 1976. MARQUES. A.) Herbicides physiology. SANTOS. KAUFMANN. 1969.. 2. In: Herbicide action couse. SILVA. A. 1997. VENTRELLA. 1995.. WHARRIE. Rev. R. p. JAKELAITIS. 2005.Herbicidas: absorção. A.. 1994. A.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Referências bibliográficas ARAÚJO. A.. Aduvantes.. H. 638. HESS.4-D. B. J. F. West Lafayette: Purdue University. BUKOVAK. A. 611-619. T. Vol. H. p. Plant Phisiol. v. R. L. Picloram and related compounds. R. v. MORTON. M. formulação e misturas 133 . HULL. L. P. HANCE.. In: Hebicide action course.. Composição química da cera epicuticular e caracterização da superfície foliar em genótipos de cana-de-açúcar. p. p. 4. DONALDSON. T. West Lafayette: Purdue University. Herbicide combinations and interactions.J.4dichlorophenoxyacetic acid and 3-(p-chlorophenyl)1. West lafayette: Purdue University. C. M. ecology. FERREIRA. S. R. D. West lafayette: Purdue University. p. n. p. J.) Herbicides chemistry. M. A. biochemistry. Can.. Weed Sci. J. Cyanamid Química do Brasil.. 49. v. O. Associação Regional do Estado do Paraná. p. G.. v. APPLEBY. R.3 . 344-365. Bocca Raton: CCR Press. p. Herbicide transport in plants. 349. J. By Audus. 335-360. 777-813. 232-234. FERREIRA. V. D. 421.. 2001. L. R. L. In: KEARNEY. vol. A. C. 365-393. 1991.. 29. C. (Eds. R. Environmental influences on cuticle development and resultant foliar penetration. H. G. 1976. n. 378. A. Influence of rainfall on the phytotoxicity of foliarly applied 2. degradation and mode of action. WARREN. DAWSON. In: Herbicide action curse. A. J. GROVER. D. O. HESS. PROCÓPIO. E. 1-dimthylurea (monuron) by barley roots. S. A.. p. Environmental chemistry of herbicides. In: Herbicides physiology. Curitiba. N. E. J. R. Controle de Digitaria horizontalis pelos herbicidas glyphosate. Herbicides entry into plants. F. Destino final das embalagens de agrotóxicos (Produtos Fitotassanitários). ecology. 2. E. In: Herbicide action curse. J. J. p.. 302 p. BEHRENS. Vol. Ed. CESSNA. 2003. DEMUNER. 1. Plant Sci. A. 2. M. 1975. 23. Uptake of herbicides from soils by shoots. 40 p.. Bot. vol.. Planta Daninha.. FOY. 1976. 42. MIRANDA. p. Absorption. Planta Daninha. BRIDGES. A. 1973. v.. biochemistry. v.. D.. L.. 1981. translocação. (Ed. p. J.. metabolismo. P. In: AUDUS. 787 p. I. SENAR. 279-285.

L. Organosilicone surfactant performance in agricultural spray application: a review. A. p. A. E. p. STERLING. G. p. JAKELAITIS.. Weed Sci. FREITAS. R. v.. FERREIRA. (Eds. L. formulação e misturas . VALE. Mod.. A. A. C. Palestras e mesas redondas.. C. A. p. n. CHERSA. 23. CARDOSO. 204 285. K. Handbook of Weed Managemment Systems. 217-243. 1982.. ALMEIDA.. S. ASHTON.. v. adjuvants and spray drift management. Guia de herbicidas. V. Bern/Switzerland. 2005. Herbicide formulations. LUXOVÁ. MCKAY. CIAMPOROVÁ. K. 1992. Planta Daninha.4-D in relation to cuticle thickness.. HOLT. n... SILVA. ALVIN. N. In: KOLEK.I. G.. In: SMITH. (Eds. Bot. Planta Daninha. 1997. 18. I. p. New York: John Willey Y Linos. 72. 134 Módulo 3.. Ced. Inc. C. p.. A. E. F.. A. In: CONGRESSO BRASILEIRO DA CIÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS.. LOADER. p. F. v. Weed ecology implications for management. Water permeability and fine structure of cuticular membranes isolated enzimatically from leaves of Clivia miniata Reg. T. Amer. T. Quantificação dos herbicidas glyphosate e sulfosate na água após simulação de chuva. 74.. TURNER. 5. Adjuvantes para caldas de produtos fitossanitários. p. Weed science – principles and practices. Inc. 527-534. v. Aplicações seqüenciais e épocas e doses e aplicação de herbicidas em mistura com chlorpirifos no milho e em plantas daninhas. 253. M.P. KIRKBY. PR: Edição dos Autores. C. translocação. 1994. 2. FERREIRA. Effect of ammonium sulphate and other additives upon the phytotoxicity of glyphosate to Agropyron repens (L.) Physiology of the plant root sistem. E. 591 p. K. R.Herbicidas: absorção. p. KNOCHE. PRICE. M. Z. 1994. Principles of plant nutrition. 105. 1982. 431 p. v. N. M. The use of model system to study the cuticular penetration of 14C-MCPA and 14C-MCPB. 61. A. R. 263-276. Controle de doenças de plantas. 21.. New York: Wiley & Sons. 589 p. M. 3. Londrina. SILVA. M. Viçosa. Caxambu.. 1997. J. ZAMBOLIM. MG: SBCPD. R. 491-499. 1981. V. L. 1980. A. S. J.. 3. 139. J. PIRES. I. 1997.. H. D. RODRIGUES.ed.. 221-239... F. MG. KOZINKA. 20. 41. OLIVEIRA. v. Root Structure. 2000. v. Dordrecht: Kluwe Academic Publishers.. KISSMANN. F. NORRIS. In: CLUTER.. E.. 1995. Brasília. 1974 OZKAN. SCHMIDT. P. D.. 189 p. F. RADOSEWICH. Penetration of 2. p. R. Pflanzenphysiol. metabolismo.) London: Academic Press. Weed Res.ed. J... 1997. 42 p. A. SILVA. in the plant cuticle.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas KIRKWOOD. M. C. H. X.3 . Weed Res. F. Georgia.. 1975. MENEGEL. Mechanism of herbicide absorption across plant membranes and acumulation in plant cells. M. MERRIDA. Maecel Dexker. L. 2005. 42. B. F. 34. KLINGMAN. LIVINGSTONE. SCHONHERR.. M. 665 p. A.) Beauv. K. W.

Rubem Sillvério de Oliveira Júnior Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior . Antonio Alberto da Silva Profº.Herbicidas: comportamento no solo 135 .4 .4 .Herbicidas: comportamento no solo Tutores: Profº. Rafael Vivian Profº.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .ABEAS Universidade Federal de Viçosa .Manejo de plantas daninhas 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .DF 2006 Módulo 3. Jose Barbosa dos Santos Profº.

139 2 .5.2 .2.1 .6. 142 2.Estimativa da sorção.Fatores que influenciam a volatilização.2 – Volatilização.Relação entre PV e S.1 – Persistência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução. 141 2.4 – Sorção. 141 2.Processos de transporte. 138 1 .2.5 .Coeficiente de partição octanol-água (Kow).Isotermas de sorção. 161 3.Degradação química.4 .Herbicidas: comportamento no solo .5.Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas. 170 4. 150 2.Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo.1 – Precipitação.Relação entre KH e incorporação de herbicidas. 162 3. 170 4. 158 2.5. 150 2. 158 2.2 .3 .Processos de transformação.pH do solo.2 . 175 4.5 . 154 2.2.3 . 158 2. 167 4 .Textura e mineralogia. 166 3.Absorção pelas plantas. 164 3.2 – Absorção. 167 3.1 .2. 160 3 .2 .2.6 .1 .6. 162 3. 162 3. 164 3. 140 2.Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação.1 . 144 2. 167 3.7 – Dessorção.Processos de retenção.2.3 – Adsorção.4.Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in).1 .3 .Alternativas para redução de perdas por volatilização. 147 2. 155 2.4 – Lixiviação.Importância do estudo de herbicidas no solo.Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa).Pressão de vapor (P).6 . 166 3.4.4 – Solubilidade.3 .Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas. 141 2. 175 136 Módulo 3.2 .

Fotodecomposição ou fotólise. 183 6 .3 .2 .Estratégias para o sucesso da fitorremediação.Problemas relacionados aos herbicidas residuais.Herbicidas: comportamento no solo 137 .Considerações finais.1 .4 . 177 5 – Fitorremediação. 188 Módulo 3. 179 5. 182 5.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. 178 5. 186 Referências bibliográficas.A fitorremediação como mecanismo de biorremediação.

os estudos envolvendo a sorção de herbicidas em solos brasileiros sob condições de clima tropical são também fundamentais para avaliação da eficiência de controle das plantas daninhas do local. da dinâmica do fluxo hídrico e do transporte de solutos. No entanto.Herbicidas: comportamento no solo . Com isso.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O uso do controle químico em plantas daninhas. são responsáveis por grande parte da degradação desses recursos. tornando-se indiscutível a utilização de herbicidas no sistema agrícola.4 . inicia-se o processo de redistribuição e degradação dos herbicidas aplicados. juntamente com os processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente. O seu tempo de permanência no ambiente depende. Os exemplos apresentados destacam os estudos mais relevantes com herbicidas em solos. atualmente. As práticas agrícolas. a qual está relacionada à atividade microbiológica. Nos últimos anos. ou perdurar por meses ou anos. Ao atingirem o solo. para compostos altamente persistentes. Outro fator relevante é que 60 a 70% do total dos pesticidas aplicados nos campos agrícolas não atingem a superfície alvo de interesse (LAW. o qual pode ser extremamente curto. Neste capítulo são apresentados os principais conceitos relacionados ao comportamento de herbicidas no solo. observa-se maior preocupação quanto à contaminação do ambiente e a utilização racional dos recursos hídricos e do solo. 2001) e acabam alcançando direta ou indiretamente o solo. para que seja preservada a qualidade final dos produtos colhidos. permitindo maior compreensão da dinâmica desses compostos no ambiente. é fundamental que eles sejam adequadamente aplicados. 138 Módulo 3. especialmente o solo e a água. Embora escassos. além da sua taxa de degradação. como o que ocorre para algumas moléculas simples e não-persistentes. entretanto. entre outros fatores. assim como dos próprios recursos naturais que sustentam a produção. constitui-se prática indispensável para a agricultura em larga escala. pois elevados índices de sorção podem comprometer a eficiência do herbicida. o qual atua como o principal receptor e acumulador desses compostos. biodisponibilidade e recalcitrância do herbicida. cresce a importância do entendimento do destino final dessas moléculas e do estudo do comportamento no ambiente onde são aplicados. da capacidade de sorção do solo.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . Atualmente. uma vez que o herbicida é uma substância exógena ao meio. química e biológica (DORAN. atividade e diversidade microbiana. de modo a minimizar os eventuais efeitos negativos que a sua presença possa causar ao ambiente. conhecer os fatores do ambiente. 2001).Importância do estudo de herbicidas no solo O estudo do comportamento de herbicidas no solo e no ambiente visa pelo menos dois objetivos principais: primeiramente. É responsável também pela ciclagem dos nutrientes. Módulo 3. que afetam direta ou indiretamente a eficiência no controle de uma planta daninha. que interagem entre si. PARKING. suportando as cadeias alimentares. segundo. Outro fator relevante é que o solo atua na manutenção dos processos vitais. a sua avaliação é de difícil mensuração e repetibilidade. além do próprio herbicida. BEZDICEK. além da remediação e imobilização de poluentes (GRANATSTAIN. sendo responsável pelo suporte físico e de armazenagem dos nutrientes para as plantas.4 . 1992). onde interagem inúmeros processos de ordem física. 1994). Promove a retenção e o movimento da água. embora esses processos sejam descritos de forma isolada. procura-se descobrir as interações do herbicida com os componentes do solo. No entanto.Herbicidas: comportamento no solo 139 . transformação e transporte (Figura 1). em razão de o solo ser considerado um ambiente heterogêneo sob influência de diversos fatores. embora a capacidade de permanência do herbicida e sua degradação no solo sejam um processo-chave na determinação do fato que este terá ou não efeito na qualidade ambiental (Hinz. o estudo do comportamento de herbicidas no ambiente tem sido realizado através de estimativas das tendências a que estes estão sujeitos em função de três principais processos: retenção.

A distinção entre adsorção verdadeira (na qual camadas moleculares se formam na 140 Módulo 3.Representação esquemática da interação entre processos de retenção. a partir da superfície do solo na forma de solução. Entretanto. quando em contato com o solo.4 . o processo de retenção constitui-se num dos processos mais importantes para prever a movimentação dos herbicidas no solo e sua taxa de degradação (física. normalmente. pode ser entendido como um processo geral de sorção de herbicidas no solo. Como os herbicidas movem-se. que engloba mecanismos específicos de dissipação dos herbicidas: absorção. assim como conhecer qual a eficiência quando estes forem aplicado para o controle de plantas daninhas. química e biológica. evitando que ela se mova tanto dentro como para fora da matriz do solo. transporte e retenção. química e biológica). Entretanto. a compreensão dos fatores que regulam as interações de retenção é essencial para entender o comportamento dessas substâncias no solo. precipitação e adsorção. movimentar-se ou sofrer transformação física. o processo de retenção. por sua vez. estão sujeitas aos processos de movimento.Processos de retenção O solo é um sistema aberto e dinâmico no qual os seus constituintes podem. o que resulta na dissipação destas. Sabe-se que as moléculas dos herbicidas. constantemente.Herbicidas: comportamento no solo . A retenção refere-se à habilidade do solo de reter um pesticida ou outra molécula orgânica. transporte e transformação de um herbicida aplicado ao solo 2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 .

em razão disso. Dependendo do sentido dessa força. HARPER. 2. distribuição de cargas. ou. Contudo. Dificilmente ocorrerá a absorção de herbicidas por partículas minerais ou orgânicas do solo. pela formação de uma fase sólida separada na superfície de uma partícula sólida do solo. provocado pelo incremento da energia cinética das moléculas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superfície de uma partícula de solo). solubilidade. o processo adsortivo de herbicidas. 1990). funções químicas.3 . polaridade. a adsorção por ligações químicas. Essa fixação ocorre por interação de forças da superfície do adsorvente (solo) e do adsorvato (herbicida). configuração. seja ele avaliado em condições laboratoriais ou em Módulo 3. denominado de sorção (KOSKINEN. em alguns casos.2 . a adsorção é usualmente determinada apenas através do desaparecimento da substância química da solução do solo.Herbicidas: comportamento no solo 141 . distribuição. a velocidade das reações químicas aumenta com a elevação da temperatura. entre outros. obtendo-se as curvas denominadas de isotermas de adsorção. estrutura molecular. ainda. natureza ácido/base dos herbicidas.4 . As quantidades do herbicida adsorvido aos constituintes do solo são diretamente proporcionais à superfície específica do material coloidal e decresce geralmente com o aumento da temperatura.Adsorção A adsorção caracteriza-se por um fenômeno temporário pelo qual uma substância dissolvida se fixa a uma superfície sólida ou líquida. o termo adsorção é normalmente substituído por um outro mais geral. Esta é a razão pela qual os estudos de adsorção conduzidos em laboratório são realizados em condições de temperatura constante. o herbicida pode ser adsorvido às partículas coloidais (orgânicas e minerais) do solo ou sofrer repulsão. Segundo Gevao (2000). a adsorção de herbicidas no solo depende das propriedades deste e do composto aplicado. principalmente com os constituintes orgânicos do solo. Na prática.Precipitação A formação de precipitados entre as moléculas de herbicidas pode ocorrer pela junção das partículas dos argilominerais com o herbicida por ligações covalentes de alta força. resultando num aumento da concentração na solução do solo. podendo favorecer. precipitação (na qual tanto uma fase sólida separada se forma nas superfícies sólidas como ligações covalentes com a superfície da partícula de solo acontecem) e absorção dos herbicidas pelas plantas e organismos é difícil. Além disso.Absorção O termo absorção é usado especificamente quando as moléculas do herbicida são absorvidas pelo sistema radicular e outras partes subterrâneas das plantas. 2. abordadas posteriormente. as quais incluem tamanho.1 . 2.

ocorrendo comumente em moléculas grandes de herbicidas. ligações eletrostáticas. 1993). ligações hidrofóbicas. As pontes de hidrogênio caracterizam-se por formar uma interação dipolo-dipolo. envolvendo mole¬culas sem dipolo permanente. Figura 2 . a mais importante é a força de Van der Waals.4 . absorção e precipitação. sem distinção entre os processos específicos de adsorção. expressando a atração elétron-núcleo. o qual varia em função do mecanismo e da velocidade das reações envolvidas (Figura 2). Essa força é extremamente fraca e de curtíssima distância. podendo ocorrer interação entre uma molécula polar e outra apolar.4 . As pontes de hidrogênio são produzidas pelas atrações eletrostáticas entre o núcleo eletropositivo do hidrogênio e pares de elétrons expostos de átomos eletronegativos. com alta massa (SCHWARZENDBACH et al. pontes de hidrogênio. com força muita fraca. Entre as forças físicas. Esse tipo de ligação é muito mais importante nas ligações das moléculas dos herbicidas sobre a superfície da matéria orgânica do que pela 142 Módulo 3. em virtude da heterogeneidade do solo e da sua continuidade com sistemas biológicos. depende do tempo de equilíbrio alcançado pelo material adsorvente (solo) e o adsorvido (herbicida).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas campo. 2.Herbicidas: comportamento no solo . entre outras. devido a um sincronismo no movimento eletrônico.Representação da determinação do tempo de equilíbrio necessário nos estudos de adsorção de herbicidas em solos As forças responsáveis pelas reações de sorção dos herbicidas no solo incluem: forças físicas. reações de coordenação e ligações de troca.. O processo individual de sorção é profundamente complexo.Sorção Sorção refere-se a um processo geral. atmosféricos e aquáticos.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

superfície das argilas e ocorre com compostos contendo grupos >C=O + grupos –NH (ou –COOH, OH, >C=O ou – NH2) (Figura 3).

Figura 3 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por pontes de hidrogênio. Fonte: Senesi (1992).

Ligações hidrofóbicas estão associadas com a sorção de herbicidas apolares, os quais competem com as moléculas de água pelos sítios sortivos. Muitas das moléculas de herbicidas, principalmente os aromáticos, halogenados, fenóis e bifenóis, com baixa solubilidade em água, podem ligar-se à superfície das argilas por meio de ligações hidrofóbicas. Estas ligações são muito favorecidas quando são adicionados ao solo resíduos orgânicos naturais, aumentando o número de sítios hidrofóbicos de ligação. As ligações eletrostáticas envolvem cargas elétricas de superfície, formadas por complexas reações de adsorção, as quais podem ocorrer por adsorção por moléculas de água, por cátions, por troca aniônica e por compostos orgânicos naturais. A adsorção por troca aniônica é importante para solos pouco intemperizados de clima temperado. Contudo, em condições de solos brasileiros, desenvolvidos em condições de clima tropical e subtropical, predominam argilominerais (1:1) e elevados teores de óxidos de ferro e alumínio, com baixa capacidade de formar este tipo de ligação. As reações por coordenação envolvem ligações covalentes, de curta distância, e com sombreamento dos orbitais. São ligações muito fortes e a energia depende do número de elétrons em orbitais moleculares ligantes ou antiligantes. Essas ligações estão presentes, por exemplo, entre os prótons dos grupos funcionais de superfície e os átomos de hidrogênio (Fe-OH, Al-OH, COOH) e N2 (NH2). Esse tipo de ligação, formando complexos de esfera interna, torna difícil a separação e distinção entre o colóide e a molécula do herbicida. A protonação nada mais é que a formação de complexos de transferência de cargas na superfície mineral. Ocorre quando um grupo funcional forma um complexo com a superfície de um próton. O complexo pode ser extremamente estável, desenvolvendo sorção praticamente irreversível. Esse tipo de ligação ou mecanismo tem sido válido para herbicidas do grupo das striazinas, as quais se tornam catiônicas através da protonação, tanto na solução do solo como durante o processo de adsorção (Figura 4) (SCHWARZENDBACH et al., 1993).

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

143

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Figura 4 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por protonação do herbicida Fonte: Senesi (1992)

2.4.1 - Estimativa da sorção A avaliação da sorção é feita normalmente por meio da estimativa de coeficientes, denominados coeficientes de partição, coeficientes de partição solo-água, coeficientes de sorção ou constantes de adsorção. Neste capítulo será adotado o termo coeficiente de sorção para denominar a relação entre as concentrações de herbicida em solução e aquelas sorvidas ao solo. O coeficiente de sorção, Kd, pode ser estimado pela relação:

O Kd representa a relação entre a concentração do herbicida que permanece sorvido ao solo Cs (μg g-1) e a concentração do herbicida encontrada na solução de equilíbrio Cw (μg mL-1), para uma determinada quantidade específica do herbicida adicionado. Entretanto, como o teor de carbono orgânico, aparentemente, tem representado melhor a capacidade adsortiva dos herbicidas nos solos, principalmente para os compostos de caráter básico ou não-iônicos (KARICKHOFF, 1981; OLIVEIRA JR. et al., 1999), tem-se corrigido o Kd em relação ao teor de carbono orgânico do solo. A partir dessa normalização do Kd, obtém se o Koc, o qual permite a comparação da sorção entre diferentes solos e é um índice muito utilizado em métodos de classificação de mobilidade e em modelos de simulação do comportamento de pesticidas no solo. A normalização do Kd para o teor de carbono orgânico é feita pela relação:

Em que Koc representa o coeficiente de sorção normalizado para o teor de carbono orgânico do solo (L kg-1) e foc indica o teor (% ou dag kg-1) de carbono orgânico do solo, o qual é obtido dividindo-se o percentual de matéria orgânica por 1,72. Oliveira Jr. (1998), estudando a correlação entre as propriedades dos solos, verificou que os coeficientes de sorção (Kd e Koc) de diferentes herbicidas determinados em solos brasileiros correlacionaram-se significativamente com o teor de carbono orgânico e CTC dos solos para a
144 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

maior parte dos herbicidas. De modo geral, os herbicidas ácidos fracos (imazethapyr, metsulfuron, nicosulfuron e sulfometuron) foram os que apresentaram menor sorção, ao passo que os herbicidas básicos fracos (atrazine, hexazinone, simazine) e não-iônicos (alachlor) foram os mais sorvidos. No Brasil, o Koc tem sido amplamente utilizado para predizer a capacidade de sorção de diversos herbicidas no solo; também é utilizado juntamente com a textura para recomendar as dosagens dos herbicidas. Entretanto, a padronização do Kd em relação ao carbono orgânico do solo não é consenso entre os pesquisadores da área, pois a sorção de herbicidas à matéria orgânica do solo ocorre de forma heterogênea, em função dos mecanismos e da fração orgânica envolvida no processo sortivo, cujos índices podem não representar a realidade. Ao mesmo tempo, o Kd e Koc nem sempre são suficientemente exatos para descrever a sorção de um pesticida em uma faixa considerada de concentração. As relações entre as concentrações em solução e na fase sólida podem, então, ser descritas por isotermas, descritas no item 3.4.2. As estimativas dos coeficientes sortivos apresentados (Kd e Koc) geralmente são conduzidas em condições laboratoriais, empregando-se a cromatografia líquida e gasosa como técnicas analíticas na determinação das concentrações dos herbicidas nas fases sólida (solo) e líquida (solução do solo) propriamente ditas. Entretanto, devido aos custos envolvidos nessas análises, outras formas de estimar a capacidade de sorção desses compostos no solo podem ser utilizadas. Entre elas, a técnica de bioensaio representa um método simples e de grande valia na determinação da capacidade sortiva e de resíduos de herbicidas no solo. Inicialmente, para a utilização dessa técnica, são feitas curvas de dose-resposta para cada composto, utilizando-se plantas indicadoras específicas ao mecanismo de ação de cada herbicida. As curvas de dose-resposta devem ser feitas no solo a ser estudado e em material inerte, preferencialmente areia lavada, isentos de qualquer resíduo. Após a aplicação de doses conhecidas do herbicida, são realizadas avaliações nas plantas indicadoras, as quais incluem fitoxicidade, altura da planta, comprimento de raiz, massa seca da parte aérea e raízes (Figura 5). Após as avaliações, utilizam-se modelos de regressão não-linear, como o proposto por Seefeldt et al. (1995):

em que D e C representam os limites superior e inferior da curva, respectivamente; b, a declividade da curva; e C50, a dose correspondente a 50% de resposta. O limite superior da curva D corresponde à respota média da testemunha e o limite inferior da curva C é a resposta média das plantas que receberam os herbicidas. O b descreve a declividade da curva em torno do C50.

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

145

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Figura 5 - Curva de dose-resposta para massa seca da parte aérea (% em relação à testemunha) de Sorghum vulgare, em função de doses crescentes de sulfentrazone (X) em Argissolo Vermelho-Amarelo (– – –) e em areia (____) Fonte: Vivian et al. (2005)

A partir dos dados obtidos de (C50) em solo e areia, utiliza-se a equação a seguir para expressar a relação de adsorção (RA) do solo em relação à resposta obtida em areia para a espécie indicadora (SOUZA, 1994). Considera-se que valores de RA elevados indicam maior capacidade de sorção do herbicida estudado no solo e, conseqüentemente, menor potencial de lixiviação do composto no perfil do solo. Um exemplo de curva de dose-resposta utilizada para o herbicida trifloxysulfuron-sodium em solo e areia pode ser observado na Figura 6. RA = C50solo – C50 areia C50 areia

Figura 6 – Curva de dose-resposta em solo (a) e areia (b) para trifloxysulfuron-sodium

146

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

2.4.2 - Isotermas de sorção Quando se deseja estudar o comportamento dos herbicidas em diferentes concentrações no solo, deve-se observar que a sua sorção geralmente não ocorre de forma linear com o aumento do herbicida adicionado. Isso é devido à capacidade limitada de formar ligações com o material coloidal e a variação do coeficiente de sorção com a temperatura e umidade do solo. Para a determinação de uma isoterma de sorção, é necessário determinar o Kd em diferentes concentrações iniciais do herbicida em solução. As isotermas utilizadas para descrever o comportamento de herbicidas no solo, em diferentes concentrações iniciais, podem ser classificadas, conforme o seu comportamentodo, em S, H, C e. Tipo S: é uma curva não-linear e convexa em relação à abscissa. Inicialmente a adsorção é baixa, mas com o aumento da concentração do adsorvato na superfície adsorvida, ocorre aumento na adsorção pela associação entre as moléculas. Isso ocorre em razão da baixa afinidade do adsorvato pela interferência de outras substâncias. A água é um forte competidor na adsorção à superfície coloidal, e, com o aumento na concentração do soluto, essa competição se reduz. Tipo H: ocorre quando o adsorvato possui altíssima afinidade pelo adsorvente, e a máxima adsorção ocorre em baixas concentrações. Desse modo, até que não ocorra a máxima adsorção, não será possível detectar as moléculas na solução. Esse tipo de adsorção ocorre com moléculas extremamente catiônicas ou compostos orgânicos catiônicos, adsorvendo-se nos minerais das argilas.

Figura 7 – Comportamento das isotermas de sorção
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 147

Herbicidas: comportamento no solo . pode-se observar a equação empírica utilizada para descrever a isoterma de Freundlich e sua representação gráfica (Figura 8): Na equação. É o tipo de adsorção mais comum que ocorre com os herbicidas no solo. Existem dois modelos muito utilizados que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas conforme a sua concentração. Cs representa a quantidade do herbicida adsorvido no solo (mg g-1).Comportamento adsortivo do herbicida Clomazone. verifica-se que o incremento decresce na adsorção. o coeficiente de adsorção Kf aumenta linearmente conforme aumenta a concentração do herbicida. Tipo L: apresenta-se como uma curva côncava em relação à abscissa. Novos grupos funcionais são criados no processo de adsorção. Quando n for igual a 1. Kf. permitindo a continuidade do processo. A seguir. embora empírico. e a curva passa a ser de formato linear do tipo C.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Tipo C: a adsorção ocorre de forma linear conforme aumenta a concentração do adsorvato. De forma análoga ao Koc. 1996). verifica-se melhor ajuste pelos modelos de Freundlich e Langmuir. considera que a afinidade inicial é alta e. dando origem ao Kfoc. reduzindo a energia de interação proporcionalmente ao recobrimento da superfície. assim que a concentração deste aumenta. Figura 8 . conforme aumenta a cobertura da superfície. em função da sua concentração. de forma não linear. Entre os modelos mais utilizados e que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas no solo. determinando a intensidade da adsorção. Caq a concentração de equilíbrio do herbicida na solução do solo (mg mL-1). definido pelo Ibama para o Brasil. usando regressão linear e não-linear (isotermas de Freundlich) a 25 ºC. o coeficiente de adsorção da isoterma de Freudlich. e 1/n é um fator de linearização. Esse modelo tem sido amplamente utilizado na determinação dos coeficientes de adsorção dos herbicidas no solo para uma determinada temperatura (CLEVELAND. descritos a seguir: a) O modelo de Freundlich. a normalização do coeficiente de Freundlich em relação ao teor de carbono orgânico também pode ser calculada. diminuem a afinidade e declividade. o coeficiente de adsorção Kf é considerado nas análises de capacidade de 148 Módulo 3.4 . em solo argilo-siltoso Fonte: Mervosh (1995) Segundo o manual de testes para avaliação da ecotoxicidade de agentes químicos.

Quando todos os grupos funcionais estiverem preenchidos.Modelo da energia de adsorção em função da superfície de cobertura. Quadro 1 – Classificação da capacidade de adsorção de agentes químicos no solo Kf 0 – 24 25 – 29 50 – 149 > 150 Classificação da Adsorção Baixa Média Grande Elevada b) O modelo de Langmuir baseia-se na adsorção em superfícies planas que apresentam número fixo de grupos funcionais e que cada um interagirá com uma molécula.Herbicidas: comportamento no solo 149 . por haver inúmeros interferentes nos estudos de adsorção a campo e em laboratório. tem-se a adsorção máxima.4 . A energia de adsorção é a mesma para todos os sítios e independe da cobertura de superfície (Figura 9). Figura 9 . verifica-se que outras avaliações são necessárias para definição do real comportamento de herbicidas no solo. Sua classificação varia de pequena a elevada e reflete parcialmente a capacidade de movimento e persistência do composto no ambiente (Quadro 1). Esse modelo é expresso pela seguinte equação: em que Cm representa a quantidade máxima do herbicida adsorvido (mg g-1). Entretanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas adsorção de herbicidas no solo. Ce é a concentração de equilíbrio do herbicida na solução (mg mL-1) e K1 é o coeficiente de adsorção para o modelo de Langmuir. segundo as isotermas de Langmuir e Freundlich Módulo 3.

4-D. verificaram que em solos com alto teor de matéria orgânica e baixo pH a lixiviação deste herbicida foi menor. no solo contendo matéria orgânica. Isto pode ser observado segundo os valores de Kf (Quadro 2) para o herbicida 2.23 ± 0. constituindo-se num componente fundamental na sua capacidade produtiva (SANTOS. estava relacionado ao aumento do conteúdo de carbono orgânico. o teor de matéria orgânica no solo desempenha importante papel quando se trata de contaminantes ambientais. a sorção de herbicidas ao solo aumenta com o incremento da CTC (capacidade de troca catiônica). Segundo Viera et al. No entanto.4-D em solo arenoso Solo calcinado Solo com MO MO = matéria orgânica Fonte: Viera et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. da área superfícial específica das partículas coloidais da fração argila e.4 .09 88.16 ± 0.Constantes de Freundlich obtidas a partir dos dados de adsorção de 2. em certos casos. ao compararem solos com diferentes propriedades. (1999).5. Thompson et al.05 A matéria orgânica é o principal componente que influencia a atividade dos herbicidas registrados para uso em solos tropicais. também são importantes na sua sorção. (1984).08 1. dos teores de carbono orgânico do solo (VELINI.5 . (1999) Adsorção Kf 1/n 39.30 1. Mallawatantri e Mulla (1992) demonstraram que pelo menos 80% do incremento da sorção observada para metribuzin. aeração e atividade da biomassa microbiana. caracterizando a grande influência da matéria orgânica na adsorção de herbicidas ácidos.48 ± 0.Herbicidas: comportamento no solo . assim como a mineralogia do solo em questão.03 0. principalmente.07 Dessorção Kf 1/n 22. avaliando a persistência do herbicida 2. 1999). diuron e 2. o pH.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas Em geral.4-D no solo. os quais serão abordados a seguir. como herbicidas e metais pesados.1 . CAMARGO. 2.12 ± 0.Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas Em solos tropicais e subtropicais altamente intemperizados.05 20. principalmente para aqueles recomendados em pré-emergência de característica não-iônica ou para os catiônicos.87 ± 0.4-D. É responsável também pela estabilidade da estrutura do solo e infiltração de água. Ela interfere em todos os processos sortivos que possam ocorrer. Já Faloni (1999).80 ± 0. Quadro 2 . 1992). a matéria orgânica tem grande importância para os processos de retenção de cátions e complexação de elementos tóxicos e de micronutrientes.23 0.23 ± 0.28 ± 0. estudando o comportamento do herbicida atrazine em Latossolo Roxo sob dois sistemas de manejo 150 Módulo 3.

é possível obter uma predição dos valores de Kd com base nos teores de carbono orgânico do solo (Figura 10).Sorção de alachlor (expressa pelo coeficiente de sorção. essa característica pode ser considerada a mais importante para esses herbicidas. também percebeu que a matéria orgânica é a principal responsável pela adsorção deste herbicida. No caso dos solos brasileiros. podendo-se ainda estimar a sorção de diversos herbicidas com base nos teores de carbono orgânico (Figura 11). Fonte: Oliveira Jr.Herbicidas: comportamento no solo 151 . Kd) em função do teor de carbono orgânico do solo. Para alguns herbicidas. 1999). (1998b) Módulo 3. Uma vez que a maior parte da CTC nos nossos solos está relacionada à matéria orgânica.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (convencional e direto). as propriedades que mais se correlacionam com a sorção de herbicidas básicos e não-iônicos são a CTC e o teor de carbono orgânico (OLIVEIRA JR. et al. et al.. Figura 10 . notadamente os não-iônicos.4 . não-polares como o alachlor.

pela variação do pH do meio. Essas diferenças podem interferir não só na retenção dos herbicidas. os quais variam conforme sua polaridade. A fonte orgânica. os minerais do solo e a população microbiana podem proporcionar a formação da diversidade de características dos compostos orgânicos do solo. também foram demonstradas especificidades na sorção dos herbicidas. Entretanto. aromaticidade.4 . correlacionam-se melhor com os teores de humina do que os de ácidos húmicos ou fúlvicos da matéria orgânica do solo (PROCÓPIO et al. existe grande complexidade e variabilidade da matéria orgânica presente em diferentes solos. húmicos e humina. Diversos estudos mostraram que a fração húmica apresenta maior correlação com a sorção dos herbicidas. disponibilidade de sítios hidrofóbicos e grupos funcionais. são citadas como um dos principais fatores que podem influenciar a sua capacidade de adsorção de pesticidas (WANG et al. 2000). et al. As mudanças conformacionais provocadas nas moléculas da matéria orgânica. 999).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 11 . a matéria orgânica do solo encontra-se dividida em substâncias humificadas e não-humificadas. 1990. 1997). A disponibilização de maior ou menor número de sítios 152 Módulo 3. TRAGHETTA et al.. o clima.Herbicidas: comportamento no solo . A parte humificada é composta pelos ácido fúlvicos. normalmente. Herbicidas iônicos (em faixa de pH com baixa dissociação) e os não-ônicos. em relação ao teor de matéria orgânica total do solo.. 2001). mas também na transformação e transporte destes (CORREIA. Dentre os componentes da fração humificada...Relação entre o coeficiente de sorção (Kd) e o teor de carbono orgânico do solo para herbicidas ácidos (linhas cheias) e para herbicidas básicos ou não-iônicos (linhas tracejadas) em solos brasileiros Fonte: Oliveira Jr. os quais representam a fração mais ativa da matéria orgânica do solo (NETO et al. (1999) Teoricamente.

Entretanto. é responsável pelas variações nos coeficientes de sorção de herbicidas encontrados na literatura. podendo representar maior permanência desta no meio ambiente. Além destes. os solos com altos teores de matéria-orgânica apresentam menor tendência geral de lixiviação dos herbicidas.Herbicidas: comportamento no solo 153 .Simulação da adsorção de atrazine no modelo complexo de muscovita-ácido húmico. representando menor risco de contaminação dos lençóis freáticos (COX. entre outros. Figura 12 . os tipos de minerais predominantes na fração argila. é o principal parâmetro levado em consideração na recomendação da dosagem de herbicidas aplicados Módulo 3. Contudo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas hidrofóbicos pelas mudanças conformacionais das moléculas também pode influenciar a sorção de herbicidas lipofílicos (PROCÓPIO et al. 1998). sabe-se que sorção herbicida-matéria orgânica é mais estável do que aquela resultante da ligação com componentes minerais do solo. a relação da textura do solo com a quantidade de matéria orgânica presente. Prata (2001) também constatou que adição de vinhaça ao solo faz que o processo de mineralização do ametryn seja acelerado. Fonte: Adaptado de Akim e Bailey (1998) Embora se verifique extrema quantidade de interferentes nas características de sorção de herbicidas à matéria orgânica. devido à proteção física e química das moléculas do herbicida na matéria orgânica. como pode ser verificado na Figura 12. Dessa forma. 1994). a quantidade de matéria orgânica quimicamente protegida.4 . pode ocorrer menor ação microbiana na degradação dessas moléculas.. na maioria dos trabalhos verificados. principalmente para aqueles cuja ação microbiana é a principal forma de degradação. a presença de íons saturantes dos grupos funcionais da matéria orgânica e a especificidade dos íons (PIRES. a adição de matéria orgânica ao solo acelera a degradação dos herbicidas. Atualmente. 2001) Outras características do solo também podem afetar a sorção de herbicidas à matéria orgânica: o material de origem do solo. formando complexos argilo-orgânicos.

Existem também dados demonstrando que os óxidos de ferro possuem maior capacidade de adsorver os herbicidas em relação aos óxidos de alumínio (Quadro 5). Em relação aos erros de estimação. à fração mineral do solo. A presença de argilas de baixa atividade. e não possuem a capacidade de expandir-se. Os óxidos de ferro e alumínio também atuam na sorção de diversos herbicidas.. observou que a sorção do glyphosate é instantânea. avaliando a adsorção e dessorção do glyphosate em três solos brasileiros com diferentes atributos mineralógicos. Entretanto. herbicidas e outras moléculas penetrem entre os planos basais e provoquem grande expansão do material. contribuindo significativamente para o aumento na sorção desses compostos (Quadro 4). Apesar de existir grande possibilidade de os solos mais argilosos apresentarem maiores teores de matéria orgânica.5. uma elevação nas dosagens recomendadas para estes solos nem sempre é correta. como a montmorilonita e vermiculita. e a matéria orgânica desempenha papel secundário no caso de solos oxídicos. como o Brasil. também que.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas em pré-emergência. Prata (2002). são característicos de regiões muito intemperizadas. 2. principalmente. silte e argila presente no solo é responsável pela classificação das diferentes classes texturais dos solos. citam-se a superestimação dos teores de matéria orgânica efetivamente capazes de adsorver as moléculas dos herbicidas e a profundiade de coleta (0-20 cm) utilizada na determinação dos teores de matéria orgânica do solo. possuem maior capacidade de adsorção de herbicidas (Quadro 3). como no caso dos herbicidas ácidos ou em altas concentrações de carbono orgânico.2 . principalmente naqueles com capacidade de doação de prótons com carga aniônica (herbicidas ácidos fracos). Essas propriedades originam forças de atração de grande intensidade. Esses minerais apresentam fraca atração dos cátions entre as camadas expansíveis. como a caulinita. a textura é ainda o atual parâmetro utilizado para recomendação da dose dos herbicidas aplicados em pré-emergência ou pré-plantio incorporado. A formação de cargas nos minerais 2:1 ocorre pela substituição isomórfica nas camadas tetraédrica e octaédrica. os erros de estimação dos teores de matéria orgânica e o desconhecimento da sorção específica de herbicidas por alguns argilominerais presentes são um dos inúmeros fatores que devem ser considerados para a adequação nas dosagens dos herbicidas atualmente recomendados. Sabe-se. e ambos 154 Módulo 3.Herbicidas: comportamento no solo . Por sua vez. permitindo que água. Em diversos casos observados. podendo reter cátions. minerais de argila expansíveis (2:1) e de maior área superfical específíca. de clima tropical e subtropical.4 . não ocorre correlação entre o comportamento do herbicida e as concentrações de argila. Suas cargas podem ser geradas nas bordas do mineral pela dissociação de prótons H+ dos grupos OH. Já minerais 1:1. a riqueza de variação das argilas e a formação de compostos argilominerais representam diferentes possibilidades de adsorção dos herbicidas a essas partículas.Textura e mineralogia O conteúdo de areia. extremamente elevada e está relacionada.

pode-se verificar na Figura 13.1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas encontram-se presentes em grandes concentrações na maioria dos solos brasileiros. principalmente nos daqueles com grande capacidade de inonizarem-se (catiônicos e aniônicos). A influência do pH do solo no processo de retenção e degradação dos herbicidas está estritamente relacionada à capacidade de dissociação eletrolítica .4-D.Sorção de imazaquin em diferentes hidróxidos (Fe e Al) Tipo de Hidróxido Hidróxido-Fe Hidróxido-Al Fonte: Shaner (1989).8 4. como os latossolos. Módulo 3. menor é a quantidade sorvida do herbicida no material coloidal. pH 3.7 Partição do Imazaquin (Sólido/Líquido) (μG/g:μG/mL) 2326:1 238:1 40:1 2:1 0:1 Quadro 5 .0 6. Constante de Freundlich (Kf) 2.pKa dos compostos.3 . o qual permanece disponível na solução do solo.0). que à medida que o pH do solo aumenta (2.5 a 6.3. principalmente em solos muito intemperizados.653 174 2.4 .Características de alguns minerais de argila importantes nos estudos de sorção de herbicidas em solo Característica Tipo de camada Capacidade de Expansão CTC (cmolc dm ) Área Superficial Específica (m2 g-1) -3 Montmorilonit Vermiculita a 2:1 2:1 Expansível 80-120 700-750 Ilita 1:1 Caulinita Não-expansível 2-10 25-50 2:1 NãoExpansão limitada expansível 120-200 15-40 500-700 75-125 Quadro 4 – Sorção de imazaquin em diferentes minerais de argila Mineral de Argila H-montmorilonita H-ilita Al-montmorilonita H-caolinita H-vermiculita Fonte: Dolling (1985). contribuindo em relação à capacidade sortiva nesses solos.3 3.pH do solo O pH é uma medida muito importante que pode interferir nos processos de sorção dos herbicidas.Herbicidas: comportamento no solo 155 .Dissociação eletrolítica. para 2. a qual será abordada com mais detalhes no item 3. Quadro 3 .5.3 . Entretanto.6 5.

que a quantidade sorvida do herbicida aumenta à medida que o pH diminui. Verifica-se. Quadro 6 –Sorção de imazaquin sob diferentes pHs em dois solos Tipo de solo Franco-arenoso Franco-siltoso Fonte: Goetz (1986) pH 5. novamente. por exemplo.5 Sorção (%) 53 53 0 62 40 25 Em trabalho similiar realizado com imazethapyr (Figura 14). devido ao fatop que o pH influenciar fortemente a ligação das imidazolinonas às frações húmica e mineral do solo.3 6.4-D em função do aumento do pH do solo No caso de imidazolinonas aplicadas ao solo.4 .7 5.Herbicidas: comportamento no solo . Goetz (1986) demonstrou que a quantidade de imazaquin que se liga a diferentes tipos de solo era diretamente relacionada ao pH (Quadro 6).2 5. verifica-se novamente o decréscimo do coeficiente sortivo (Kd) do herbicida com o aumento do pH do solo.6 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 13 – Sorção do herbicida 2. 156 Módulo 3.6 6.

4 . é maior em solos com pH alto e 157 Módulo 3. Nesse caso. a diminuição da sua capacidade sortiva com o acréscimo do pH do meio pode.Coeficiente de sorção (Kd) constatado para o herbicida imazetaphyr. especialmente em termos de lixiviação desses herbicidas. (2002) O pH pode também influenciar diversos outros processos envolvidos na degradação dos herbicidas no solo: a lixiviação de chlorsulfuron. resultar em maior lixiviação do composto no perfil do solo. também. por exemplo. além de possibilitar maior efeito do herbicida em culturas posteriormente instaladas no local. têm maior capacidade de sorção desses herbicidas e operações como a calagem podem afetar significativamente o seu comportamento. Figura 15 – Efeito do pH na lixiviação do herbicida imazaquin em colunas de solo Fonte: Inoue et al. Fonte: Oliveira Jr. de modo geral.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 14 .Herbicidas: comportamento no solo . (1998) Para herbicidas de maior persistência. em função do aumento do pH do solo. conforme verificado na Figura 15. solos ácidos.

Embora algumas propriedades estejam mais distintamente relacionadas aos processos específicos de retenção.6 .Coeficiente de partição octanol-água (Kow) Esta propriedade indica a afinidade que a molécula do herbicida tem em relação à fase polar (representada pela água) e apolar (representada pelo octanol).Herbicidas: comportamento no solo . o conhecimento das características moleculares dos herbicidas é muito utilizado no estudo do seu comportamento no ambiente. 2.000) possuem maior potencial de se adsorverem a parte orgânica dos colóides do solo. transformação e transporte. Ao contrário. Para 158 Módulo 3. solubilidade. expressos normalmente na forma logarítmica (log Kow). Conforme a fórmula molecular e pKa dos herbicidas eles. embora a degradação do referido produto seja mais rápida em solos ácidos (GOMEZ DE BARREDA et al. Quanto maior for o pKa do herbicida. A polaridade é muito importante para penetração das moléculas dos herbicidas pela cutícula das folhas e também interfere nos processos sortivos com o solo.Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa) O pKa representa a capacidade de dissociação que uma molécula do herbicida possui em água com diferentes pH. podendo ser encontrados na forma dissociada (ionizada) e não-dissociada (não-ionizada ou neutra).2 . os hidrofílicos (Kow <10). pressão de vapor (P) e constante da Lei de Henry (H). 1993). 2.1 .6. menor será seu caráter ácido e menor a sua capacidade de ficar aniônico. diz-se que maior é a sua hidrofilicidade. Os valores de Kow são adimensionais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas baixo teor de matéria orgânica. Entretanto. Essa definição está restrita apenas à definição clássica de Brönsted-Lowry. herbicidas com características apolares são considerados lipofílicos. O comportamento dos herbicidas é muito influenciado pelo seu pKa. Quanto mais polar for o herbicida. capacidade de dissociação eletrolítica quando em solução aquosa (pKa). e se adapta perfeitamente aos herbicidas em solução do solo.6. possuem maior afinidade às partes argilosa e mineral do solo. a qual tem sido utilizada para substâncias presentes em solução aquosa. Geralmente os herbicidas apolares ou lipofílicos (Kow >10.4 .. 2. a maioria dos herbicidas possui em sua molécula uma região polar e outra apolar. podem ser classificados da seguinte forma: a) Herbicidas ácidos fracos: são os herbicidas cujas formas moleculares apresentam capacidade de doar prótons e formar íons carregados negativamente. Já os herbicidas polares.Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo As principais propriedades físico-químicas de um herbicida que influenciam o seu comportamento são: coeficiente de partição octanol-água (Kow).

Módulo 3. PÈREZ. como atrazine. 1995) e hexazinone. pKa = 2. podendo competir com os sítios de adsorção de nutrientes no solo. O 2. quando o pH do solo for igual ao seu pKa. Da mesma forma que os herbicidas ácidos. 2001).Herbicidas: comportamento no solo 159 . maior será a tendência de o herbicida estar na sua forma molecular (neutra) e maior será sua capacidade de se adsorver nas partículas coloidais do solo. pode liberar íons hidrogênio numa solução básica ou neutra (Figura 16). Entretanto. como o que ocorre para o paraquat e o diquat. Quando o pH do meio for superior ao pKa do herbicida.. podendo facilmente ser adsorvidos às partículas de argila e aos grupos funcionais que formam a CTC do solo.. por exemplo. sendo sorvidos ao solo de forma irreversível. Quando o pH do solo for superior ao pKa destes herbicidas. picloram e demais herbicidas pertencentes ao grupo das sulfoniluréias e imidazolinonas.4-D. podendo reduzir sua capacidade de adsorção (KOGAN. Existe ainda um outro grupo de herbicidas tão básicos que possuem cargas positivas para todos os valores de pH verificados no solo (LEAVITT.8) b) Herbicidas bases fracas: são os herbicidas que apresentam a capacidade de receber prótons e formar íons carregados positivamente. quando o pH do solo for inferior ao seu pKa. as concentrações da formas dissociada e neutra serão iguais. Alguns herbicidas de comportamento similar são simazine. Quanto menor o pH do solo em relação ao pKa do herbicida. cyanazine (PIRES et al.4-D. Herbicidas pertencentes a essa classificação. CONSTANTIN. passando a apresentar carga líquida positiva (Figura 17). OLIVEIRA JR. Alguns outros compostos que reagem semelhantemente ao 2.4 . maior será a tendência destes herbicidas de permanecer na sua forma dissociada ou protonada. seu comportamento será semelhante ao das moléculas não-iônicas. 1980). podem atrair íons hidrogênio em uma solução ácida.4-D são dicamba. a molécula estará 50% na sua forma molecular ou neutra e 50% na forma dissociada (aniônica). Nesse caso.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas esses herbicidas. Figura 16 .Comportamento de ionização de um herbicida ácido (2. sua forma molecular será favorecida. este será prontamente dissociado e sua capacidade de ficar retido no solo será muito menor. 2003. quando o pH do solo for igual ao seu pKa.

possibilitando maior permanência deste no ambiente. 160 Módulo 3. elevados índices de histerese indicam maior dificuldade de o herbicida sorvido retornar para a solução do solo. Alguns exemplos de herbicidas e sua classificação encontram-se no Quadro 7. permanecendo em sua forma molecular na solução do solo. por relacionar o seu efeito residual e persistência no solo. muitos deles podem ser polares e. embora se tenham verificado poucos estudos referentes a ensaios de dessorção na literatura. ser afetados pelo pH do solo e ficar retidos aos complexos argilominerais e ao material orgânico do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 17 . podendo ocorrer. altíssima dessorção do herbicida. EPTC e diuron. 2.7 . em alguns casos. alachlor. comparativamente aos herbicidas iônicos. Embora sejam não-iônicos. metolachlor. (1993). pKa = 1. dando origem ao fenômeno denominado histerese (H). as isotermas de sorção e de dessorção diferem entre si.Comportamento de ionização de um herbicida base fraca (atrazine. Conforme Southwick et al. A intensidade da dessorção reflete o grau de reversibilidade do processo sortivo. a sorção é praticamente irreversível e não ocorre retorno do herbicida à solução do solo. em que na e nd representam as curvaturas obtidas nos ensaios de adsorção e dessorção. respectivamente. Em outros.Herbicidas: comportamento no solo . em função dessa condição. como observado por Pusino et al. esses efeitos são geralmente de menor intensidade.7) c) Herbicidas não-iônicos: os herbicidas que não doam nem recebem prótons na solução do solo são considerados não-iônicos. Contudo.Dessorção A dessorção representa a liberação da molécula do herbicida anteriormente sorvida. O índice H de histerese pode ser obtido pela equação H= na/nd. Entre esses herbicidas estão incluídos trifluralin. Neste caso. Os herbicidas não-iônicos não reagem com a água e não carregam uma carga elétrica líquida.4 . (2003) (Figura 18). A informação da capacidade dessortiva do herbicida no solo pode ser muito importante.

porém as mais aceitas. Figura 18 . oryzalin. principalmente. atrazine.4 . metolachlor. trifloxysulfuron-sodium. triclopyr. propanil. segundo Pignatello (1989). 2. chlorimuron-ethyl Bromacil.Processos de transporte O transporte de herbicidas no solo representa um dos processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente e se destaca. e • problemas inerentes à metodologia de determinação. imazaquin. metribuzin. os problemas de contaminação de aqüíferos no território brasileiro têm despertado pouco interesse dos pesquisadores. isopropalin Chlorprophan.4-D Alachlor. DSMA Não-iônicos Methoxychlor Trifluralin.Curvas de adsorção ( ) e dessorção ( ) observadas para triasulfuron em três solos com diferentes teores de argila e materia orgânica.Herbicidas: comportamento no solo 161 . propachlor Linuron. paraquat Ametryn. (2003) 3 . propazine. cyanazine. chloroxuron Diversas explicações têm sido propostas no intuito de elucidar a não-singularidade das isotermas de dessorção. por influenciar a capacidade de contaminação dos recursos hídricos subsuperficiais. são: • transformações químicas ou biológicas que o composto em questão pode sofrer. swep. MCPA. industrial e agrícola Módulo 3. picloram. prometone. imazapyr. imazetaphyr. Embora freqüentes. prophan Dichlobenil Isopropyl éster de 2. Além disso. MSMA.Herbicidas e sua classificação conforme fórmula e grupos funcionais Catiônicos Básicos Ácidos Diversos Organofosforados Dinitroanilidas Carbamatos Benzonitrila Ésteres Anilidas Uréias HERBICIDAS Iônicos Diquat. diuron. Pusino et al. a demanda hídrica para o abastecimento urbano. • falhas no estabelecimento do equilíbrio. simazine Dicamba.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 .4-D.

3. 1994).. No entanto. Keese et al. como no caso do metolachlor (BUTTLE. Quadro 8 . o somatório de diferentes pesticidas carreados simultaneamente para uma mesma bacia hidrográfica pode comprometer a qualidade da água em relação ao seu aproveitamento posterior (DOMAGALSKY. especialmente no caso de herbicidas aplicados em pré-emergência. é claro. em áreas irrigadas com intensa atividade agrícola.001 – 0. as perdas podem ser altas. Já Pfeuffer e Rand (2004) monitoraram os pesticidas entre 1992 e 2001 no sul da Flórida. a quantidade total de herbicida que pode ser perdida por meio desse processo normalmente não excede 1% do total aplicado (Tabela 6). Os autores constataram que a maior parte da contaminação era proveniente do escorrimento superficial de áreas irrigadas pulverizadas e que a maior concentração de resíduos ocorria nos primeiros 15 minutos da água. Todavia.Herbicidas: comportamento no solo . 1993. na Carolina do Sul. CARTER. Entre alguns trabalhos citados na literatura.4 .5 <0. (1994) relataram a detecção de resíduos de herbicidas (oryzalin. para o qual se verificou perda do herbicida aderido aos sedimentos variando entre 9 e 58% do total aplicado ao solo. de áreas pulverizadas para aquelas que não receberam diretamente o produto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tem se elevado nos últimos anos e poucos estudos são conduzidos com o objetivo de retardar o transporte de herbicidas sob condições tropicais. O maior potencial de movimento de herbicidas por escorrimento superficial ocorre logo após a aplicação. 1990). em certas situações.1 . destaca-se o escorrimento superficial.90 <1 .Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in) Os termos run-off e run-in representam o movimento ou escorrimento em superfície e subsuperfície. a volatilização e a lixiviação. da natureza e dose das aplicações e da declividade da área. das práticas culturais. O arraste das partículas coloidais. mesmo quando a quantidade total transportada é pequena. é mais pronunciado quando o produto é aplicado e logo após ocorre chuva intensa no local. 2000).. Dentre as principais formas de transporte nos estudos de herbicidas em solo. na maior parte dos casos.Perdas de herbicidas no solo por diferentes processos de transporte Tipo de transporte Volatilização Lixiviação Run-off Fluxo preferêncial % de perda do i. respectivamente. pendimethalin e oxyfluorfen) em reservatórios de água. do tipo de solo em questão.a aplicado <2 . juntamente com as moléculas dos herbicidas. dos herbicidas no solo. 1996.25 1-9 Referência Taylor (1995) Flury (1996) Vicary et al (1999a) Vicary et al (1999b) Em certos casos. além. BOWMAN et al. constatando que os herbicidas ametryn e atrazine foram os compostos mais comumente encontrados em águas 162 Módulo 3. A intensidade de perdas depende muito do sistema de plantio adotado (SETA et al.

25 °C) aos 84 dias após a aplicação ao solo 14 Volatilizado Mineralizado Total extraído do solo Não extraído (resíduos ligados) Total recuperado Fonte: Mervosh et al. podendo se perder para a atmosfera por evaporação.4 60.8 15. de modo geral.1 .2 0.4 68.5 92. os valores devem ser determinados à mesma temperatura.8 78. No caso do clomazone (Quadro 9). mas. (1995) C Recuperado (% do Total de 14C-Clomazone Aplicado) Temperatura de Incubação (°C) 5 15 25 35 DMS5% 1. existe maior probabilidade de o herbicida ser sorvido diretamente às partículas de solo (Quadro 10).8 9.4 . Além disso.0 0.7 10. Quadro 9 . também mostraram que ametryn.1 95.Herbicidas: comportamento no solo 163 . EUA. Em solos secos. solos úmidos perdem mais herbicida por volatilização que um solo seco.8 93. sendo o efeito mais pronunciado quanto maior for a PV do herbicida. Módulo 3.4 2. a elevação da temperatura aumenta a taxa de evaporação da água presente no solo. esta é aumentada por: a) Elevação da temperatura: a temperatura do solo afeta a volatilização de produtos em função da alteração da pressão de vapor.5 98.1 3.Fatores que influenciam a volatilização Vários fatores influenciam diretamente a volatilização de herbicidas presentes no solo.5 9.Efeitos da temperatura de incubação na distribuição de 14C-clomazone (PV=1.4 15.1 5.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superficiais.2.8 2.2 .8 4.Volatilização A volatilização é o processo pelo qual o herbicida presente na solução do solo passa para a forma de vapor. É por isso que. para efeito de comparação da PV de dois produtos distintos.3 7. já que a água funciona como uma interfase entre a molécula e as partículas do solo.0 NS b) Aumento da umidade do solo: o aumento da disponibilidade de água no solo facilita a perda de vapor.7 96. as perdas podem aumentar significativamente em função do aumento de temperatura. Estudos apresentados por Rand (2004). 3. juntamente com DDD e DDE foi o composto detectado com maior freqüência em sedimentos de rios de áreas agrícolas na Flórida. 3.4 1.44 x 104 mm Hg.0 4.

depois de sua aplicação. sem dúvida. 3.4 kg ha-1 à superfície do solo Temperatura do ar ( ) 0 4. no entanto. a 20 °C).3 15. sendo expressa normalmente em mm de Hg.4 15.2 75.7 Fonte: Gray e Weierich (1965) °C Perda de EPTC em 24 h. é a conseqüência de maior importância imediata da volatilização no que diz respeito às atividades agrícolas. o uso de formulações granuladas em vez das líquidas pode contribuir para diminuir as perdas por volatilização. ao passo que herbicidas menos solúveis.2 81. necessitam ser mecanicamente incorporados ao solo. principalmente da solubilidade do composto em questão. por meio de suas propriedades químicas. algumas alternativas que podem reduzir a volatilização e manter a eficiência desses herbicidas. como o trifluralin (S = 0.0 9.Efeito da temperatura na perda de EPTC após a aplicação de 3. o peso molecular e. com a função de reduzir a evaporação.4 12.3 .8 12. % do Total Aplicado Solo Úmido Solo Seco (14% de Umidade) (1% de Umidade) 62.Pressão de vapor (P) A pressão de vapor é a pressão exercida por um vapor em equilíbrio com um líquido. podem ser incorporados com uma irrigação adequada.Alternativas para redução de perdas por volatilização a) Incorporação de herbicidas ao solo: a incorporação pode ser feita tanto com implementos quanto pelo uso de irrigação após a aplicação do herbicida. a formulação granulada pode reduzir entre 60 e 100% as perdas por volatilização (GRAVEEL. a uma determinada temperatura.2 80. neste caso. principalmente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 10 . 3.4 . o que. como a estrutura. a pressão de vapor (P). como o EPTC (S=370 mg L-1. É uma indicação da 164 Módulo 3. b) Formulação do produto: para muitos herbicidas com maior potencial de volatilização têm sido desenvolvidas novas formulações com adjuvantes. TURCO.2 . No caso do EPTC. Além disso. Herbicidas mais solúveis.2. 1994).6 37.0 67. eles precisam ser incorporados imediatamente ao solo para que não haja redução substancial de sua eficiência.2.0 12.3 mg L-1.7 A volatilização pode ser tão significativa para alguns produtos que.Herbicidas: comportamento no solo . A escolha da forma de incorporação depende. Existem. O potencial de volatilização de um herbicida geralmente pode ser estimado indiretamente.5 26. a 25 °C).

mais provável que um líquido vaporize-se.4 x 10-2 5. Além do valor específico da pressão de vapor.2 x 10 <1. quanto maior a pressão de vapor.0 x 10-7 < 1. em solos úmidos Idem Idem Idem Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Perdas significativas quando não incorporado. mas pode ser significativo se não incorporado.9 x 10-8 -16 PV (mm Hg. já não apresentam esses problemas.1 x 10-4 3.3 x 10-2 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tendência da substância química em escapar na forma de gás.0 x 10-8 < 1. Moderado. podendo ser perdido em quantidades significativas quando não incorporado ou em solo úmido.0 x 10-8 9.0 x 10-7 2. podendo aumentar sob certas condições. Perdas por volatilização são muito variáveis.1 x 10-2 4. a intensidade e a velocidade de volatilização de um herbicida dependem também da intensidade e velocidade de movimento até a interface (normalmente a superfície do solo) onde ocorre o processo. No Quadro 11 encontram-se valores de pressão de vapor de alguns herbicidas aplicados ao solo.0 x 10-5 < 1. comparada a uma perda típica de 0 a 4% por lixiviação e 0-10% por escorrimento superficial (GRAVEEL.5 x 10-6 3. 25 oC) 3.5 x 10-8 1.Herbicidas: comportamento no solo . Quadro 11 . Portanto. normalmente em razão da melhoria na qualidade de suas formulações. Perdas ainda maiores se não incorporados e. Nota-se que o problema de volatilização é particularmente importante para alguns grupos químicos. TURCO.4 . Perdas mínimas que não reduzem a eficácia do produto nãoincorporado. como as sulfoniluréias. podendo ser de 10 a 90%. Grupos químicos de desenvolvimento mais recente. ou.0 x 10-7 < 2. Volátil. 1994). Muito baixo 165 Módulo 3.6 x 10-3 1. solo úmido e vento. Pequeno. Muito alto.1 x 10-8 < 1. as quais muitas vezes incorporam adjuvantes com a finalidade de reduzir a volatilização.1 x 10-5 1.Pressão de vapor (PV) e potencial de volatilização de alguns herbicidas Grupo Químico e Princípio Ativo Cloroacetamidas Acetochlor Alachlor Butachlor Metolachlor Dinitroanilinas Trifluralin Isopropalin* Oryzalin Pendimethalin Tiocarbamatos Butylate* EPTC* Molinate Vernolate* Sulfoniluréias Chlorimuronethyl Nicosulfuron Oxasulfuron Imidazolinonas Imazamethabenz* Imazapyr Imazaquin Imazethapyr Imazamox Piridazinonas Norflurazon Triazolopirimidin 1. Perdas pequenas podem ocorrer sob alta temperatura.0 x 10-12 1. imidazolinonas e sulfonamidas.4 x 10-6 Potencial de Volatilização Muito baixo Baixo a moderado Baixo Baixo. como as dinitroanilinas e os tiocarbamatos.6 x 10-5 4.4 x 10-8 1.

quanto mais iônico.2. 1996). a solubilidade em água é um dos mais importantes.4 . a solubilidade de um herbicida e sua sorção no solo estão inversamente correlacionadas. maior a sua solubilidade. exceto quando solo está quente e não é ativado pela chuva por vários dias após a aplicação.8 x 10-15 3. portanto. * Atualmente não registrados para uso no Brasil Fontes: Adaptado de Ahrens (1994). Outros meios de degradação (ex: fotólise.2. 166 Módulo 3. em razão de apresentarem coeficientes de sorção para solos e sedimentos relativamente baixos. De modo geral. sem carga. por definição. Quanto maior a quantidade de grupos hidrofílicos na molécula do herbicida (mais polares). o aumento no peso molecular diminui a solubilidade.4 .7 x 10-5 6.Relação entre PV e S A combinação de PV e S pode ser expressa através de uma constante denominada KH. exceto quando é exposto a condições quentes e secas por vários dias. ou constante da lei de Henry. 2003). há casos em que moléculas de elevada massa molecular apresentam baixa solubilidade.9 x 10-8 Insignificante.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Grupo Químico e Princípio Ativo as Flumetsulam Cloransulammetil Derivados da uréia Linuron Diuron PV (mm Hg. Acima dessa concentração. duas fases distintas existirão. a quantidade máxima de herbicida que se dissolve em água pura a uma determinada temperatura. No entanto.0 x 10-16 Potencial de Volatilização Desprezível Muito baixo 1. 3. logo. maior solubilidade resulta em menor sorção.5 . 25 oC) 2. O KH é um coeficiente de partição entre o ar e a água (solução do solo). dependendo se o herbicida for um sólido ou um líquido na temperatura do sistema: uma fase saturada de solução aquosa e uma fase líquida ou sólida do herbicida (LAVORENTI. PÈREZ. Seu valor geralmente é expresso em mg L-1 (normalmente a 25 °C) e é um reflexo da polaridade da substância química. mais provável que o composto em questão seja solúvel.Herbicidas: comportamento no solo . Dos vários parâmetros que afetam o destino e o transporte de herbicidas. maior será a sua afinidade por água. pouco ou não solúveis. são.Solubilidade A solubilidade (S) de um herbicida em água é. Moléculas altamente solúveis são rapidamente distribuídas no ciclo hidrológico. Hatzios (1998) e Rodrigues e Almeida (2005) 3. hidrólise e oxidação) e transporte (ex: volatilização da solução e lavagem da atmosfera pela água da chuva) também são afetados pela extensão da solubilidade em água dos herbicidas. moléculas orgânicas grandes. Em geral. dentro de um mesmo grupo químico. mesmo quando forem iônicas (KOGAN. Insignificante. isto é. Por sua vez.

3 .Relação entre KH e incorporação de herbicidas A aplicação de um herbicida na superfície gera uma alta concentração numa fina camada de solo. KH também pode ser usado como indicativo do potencial de volatilização de determinado herbicida. etc.Herbicidas: comportamento no solo 167 . podendo ser usado também como indicativo do potencial de volatilização de determinados herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas sendo semelhante ao coeficiente de sorção (Kd) usado para descrever a sorção ao solo. a absorção pelas plantas participa com pequena porcentagem na remoção do total presente no solo.Lixiviação O destino de herbicidas aplicados ao solo depende muito das propriedades químicas da substância em questão. Quando se realiza a incorporação do herbicida.4 . Como a perda por volatilização é dada pelo produto de KH por concentração.Absorção pelas plantas A porcentagem de herbicida que a planta absorve do solo é difícil de ser medida. Além disso. A sorção regula o potencial de um herbicida ser Módulo 3. 3. As duas propriedades mais importantes no que diz respeito ao processo de lixiviação são a sorção e a persistência do produto. (1988). dependendo da densidade de plantas. 3. podendo reduzir as suas perdas. 1989). ocorre a diluição da concentração. Trabalhos feitos com outros herbicidas no campo mostram que as plantas podem remover de 2 a 5% do total de herbicida no solo (SHANER. O KH é muito importante para os herbicidas na fase líquida do solo. Experimentos em vaso demonstraram que as plantas podem absorver de 1 a 10% do total de herbicida disponível.6 . cujos valores elevados de KH indicam que os solutos são altamente voláteis A constante da lei de Henry é definida pela equação: KH e PV são constantes proporcionais.2. 3. em virtude da alta concentração numa fina camada superficial do solo. do volume de solo.4 . a distância torna a difusão para a superfície do solo mais difícil. Uma revisão bastante completa acerca das bases termodinâmicas e da determinação experimental de K¬H pode ser encontrada em Suntio et al. mesmo compostos considerados não ou pouco voláteis podem apresentar certa perda. portanto. Portanto. das espécies presentes.

mas. Embora empíricos. em determinadas circunstâncias. Alguns estudos. cujo critério é ainda utilizado pelo California Department of Food and Agriculture (CDFA). lagos e águas em profundidade.7 Atrazine 2. esses modelos têm contribuído na redução dos custos de análise e também na prevenção de desastres ambientais.6 Benazolin 2. Em 1986.8 são considerados 168 Módulo 3. 1999 Além das avaliações in locu.1 1. para classificá-los como lixiviadores (Koc < 300 (L kg-1) e t ½ vida > 21 dias) e não-lixiviadores (Koc > 500 (L kg-1) e t ½ vida < 14). 2000).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas perdido com sedimentos ou por lixiviação.1 Bromoxynil 1. Cohen et al. Entre os critérios mais divulgados e aceitos para a classificação de herbicidas conforme seu potencial de lixiviação está o índice GUS (Groundwater Ubiquity Score).1 a 1% do total aplicado. como o realizado pelo National Center for Ecotoxicology and Hazardous Substances.8 1.8 Bentazone 1. esse percentual pode ser igual ou superior a 5% (Carter. cuja equação a seguir estabelece que herbicidas com índice GUS<1. a quantidade do herbicida perdido pela movimentação no perfil do solo é geralmente entre 0.9 Chlorotoluror 2. alguns estudos têm sido realizados com o intuito de prever o potencial desses compostos de atingir rios.6 Diuron CMPA 7.6 Terbutryn 1.4-D 5. A solubilidade é de importância secundária.4 Linuron Chlorotoluron 3. (1984) propuseram uma relação entre o Koc e a meia-vida (t ½ vida) dos herbicidas.1 Dichlobenil 1. embora solubilidades muito baixas possam limitar o transporte com a água. com o objetivo de verificar a contaminação das reservas hídricas por pesticidas.5 Isoproturon Diuron 10.1 Fonte: 4. Widerson e Kim (1986) simplificaram essa caracterização e definiram que os herbicidas que possuíssem valor de Koc menor que 512 (L/kg) e meia-vida (t ½ vida) superior a 11 dias seriam classificados como lixiviadores.5 Atrazine Mecoprop 12.1 mg L-1 Águas de superfície Águas subterrâneas Isoproturon 19. Entre os estudos realizados.0 0.Herbicidas: comportamento no solo . Em condições normais.9 0.4 0.4 Environment Agency.4 Mecoprop Simazine 5. Quadro 12 – Percentual de amostras de águas avaliadas no Reino Unido que excederam o limite de resíduos permitido Herbicidas com % amostras excedendo 0. do Reino Unido apontaram alguns dos herbicidas com excesso de resíduos nas amostras de águas avaliadas (Quadro 12). proposto por Gustafson (1989).4 .

aminoácidos. V (volatilidade) e IT (índice toxicológico).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas como não-lixiviáveis. peptídeos e açúcares. cujo resultado representa.Relação de herbicidas classificados conforme somatório obtido pelo IRA – Índice de Risco Ambiental Herbicida Trifluralin Hexazinona Paraquat Imazapyr Triclopyr Oxyfluorfen Linuron Sulfentrazone Isoxaflutole Haloxyfop Oryzlain Glyphosate Fluazifop Amônio-glufosinato Sethoxydim P 2 3 4 3 1 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 D 4 1 3 1 1 2 1 1 1 1 3 3 1 1 1 V 4 1 1 1 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 M 1 4 1 4 4 1 2 4 4 3 1 1 1 1 1 IT 4 2 2 2 2 3 3 2 2 3 3 2 3 2 2 IRA 15 15 11 11 11 10 10 10 10 9 9 8 7 6 6 Módulo 3. além da capacidade de lixiviação do herbicida. Entretanto.. Recentemente. Quadro 7 . M (mobilidade).8 e 2. cujo resultado final permite elencar os compostos em relação ao maior ou menor risco para o meio ambiente (Quadro 13). além de possuir t ½ vida elevada. 2001). ácidos fúlvicos e húmicos de baixo peso molecular. sendo adotada por inúmeros estudos que buscam relacionar o potencial de lixiviação dos herbicidas no solo com a contaminação de lençóis freáticos. ao passo que índices superiores a 2.Herbicidas: comportamento no solo 169 . O índice é definido pela soma de inúmeros fatores: P (persistência). Aqueles com valores entre 1.8 são considerados de potencial lixiviador intermediário: GUS = log t½ * (4 – log Kfoc) A equação utiliza os valores de t½ vida do herbicida e o coeficiente de sorção normalizado para teor de carbono orgânico do solo. Kogan e Allister (2004) propuseram o IRA – Índice de Risco Ambiental. D (dose).4 . ele deve estar na solução do solo ou adsorvido a pequenas partículas. o seu efeito sobre o meio ambiente. para que o fluxo hídrico consiga carrear o herbicida pelo perfil do solo (OLIVEIRA JR. entre outros. como argila. para que um herbicida seja lixiviado.8 representam produtos lixiviáveis.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . 4.Persistência De forma prática. normalmente utilizam-se equações não-lineares de regressão (bi-exponen¬ciais) para o cálculo da t ½ vida de herbicidas no solo.693/K Entretanto. a qual é extremamente importante para predizer o risco de contaminação de lençóis freáticos. considera-se que resíduos de herbicidas no solo sejam quaisquer substâncias resultantes da sua aplicação. até a sua completa mineralização. Co a concentração inicial e k.693. De forma geral. Essa equação pode ainda ser simplificada assumindo que. obtendo-se como produto final água. além da própria molécula do herbicida.1 . a degradação refere-se a um conjunto de transformações físicas. 1993). o ln será igual a 0. Essas substâncias podem incluir produtos de degradação (metabólitos). Para modelos lineares. a constante de degradação. e. quando C0/Ct for igual a 2. a constante de degradação. A equação anterior admite que a taxa de degradação diminui linearmente com o decréscimo da concentração. A persistência desses compostos é normalmente medida pela meia-vida (t ½ vida). como a apresentada a seguir. pode-se estimar a t ½ vida. em que Ct representa a concentração no tempo t. químicas e biológicas que levam à formação de metabólitos ou à completa mineralização das moléculas.Herbicidas: comportamento no solo . nos quais somente uma linha de dissipação é apresentada. CO2 e compostos inorgânicos (MELTING. conforme fórmula que segue: t 1/2= 0.4 .Processos de transformação Os processos de transformação das moléculas de herbicidas presentes no solo e água são decorrentes da degradação dessas moléculas em compostos secundários. A degradação de moléculas de herbicidas no solo e o conhecimento dos principais mecanismos responsáveis pela aceleração ou pelo retardamento do processo influenciam diretamente a persistência desses compostos no ambiente. por análise de regressão linear. os intervalos de tempo 170 Módulo 3. A t ½ vida é definida como o tempo necessário para que ocorra a dissipação de 50% da quantidade inicial do herbicida aplicado. e K. O seu cálculo deriva do modelo de primeira ordem definido pela equação: Ln C0/Ct = K * t em que C0 é a concentração inicial do herbicida. Ct a concentração no tempo t.

(1997) Ravelli et al. (1997) 54 5-29 8-21 8-26 Ravelli et al. para que o herbicida atinja e contamine águas superficiais e subsuperficias.6 3.8 6. ao aumentar a dose de aplicação do herbicida.Herbicidas: comportamento no solo Prof.7 2. Assim.1 7.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas considerados podem fornecer estimativas e interpretações errôneas da t ½ vida de herbicidas (BLUMHORST. (1997) Ravelli et al. 9-12 (1982) 54-63 Novo et al. ambiente (temperatura e precipitação) e práticas culturais (sistema de plantio e doses aplicadas).3 0. sua persistência é basicamente dependente de quatro fatores: solo (teor de carbono orgânico. população de microrganismos presentes. a classificação de um herbicida como “persistente” ou “não-persistente” varia de acordo com o propósito da classificação.7 4.7 2.3 1. (1995) Nakagawa et al. (1993) 7-21 Ravelli et al. (1997) Campanhola et al. No entanto.0 Podzolico Vermelho-Amarelo 0-10 Chlorsulfur on Latossolo Eermelho-Escuro .6 5.8 4.2 a t1/2 Referência (dias) Nakagawa et al. (cm) 0-14 0-10 0-30 50-200 0-40 100200 0-15 70-150 MO Argila Areia pH (%) (%) (H2O) (%) 45 28 17 39 47 44 47 48 61 48 56 40 63 72 20 48 46 44 28 27 27 24 5. Ct =C0 * e -kt Sabe-se que valores altos de t ½ vida contribuem.4 5.2 1.3 1. embora a t ½ vida sirva de parâmetro para avaliação do tempo de permanência do herbicida no ambiente.4 . No Quadro 14 encontram-se exemplos de classificações adotadas na Inglaterra e no Brasil. a t ½ vida poderá ser alterada e maior quantidade do herbicida estará disponível no ambiente. (1997) 171 3. (1997) 10-16 Ravelli et al. dentro dos limites de uso agrícola.Valores de meia-vida (t ½ vida) observados para alguns herbicidas em solos do Brasil Herbicida Tipo de solo Classe Latossolo Vermelho-Escuro Atrazine Glei húmico Simazine Trifluralin Metribuzin Latossolo roxo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Módulo 3. Quadro 14 . No Quadro 15 são mostrados os valores de meia-vida de alguns herbicidas em solos do Brasil.4 4.4 5. Por outro lado. 56 (1995) 22 Blanco et al.8 5. pH e textura).6 0. (1997) 8-13 Ravelli et al.2 5. em muitos casos.6 9.Exemplos de classificações de herbicidas quanto à persistência no solo Inglaterra Classe Não-persistente Levemente persistente Moderadamente persistente Muito persistente Fonte: Adaptado de Roberts (1996) e Foloni (1997) t1/2 (dias) <5 5-21 22-60 >60 Brasil (IBAMA) Classe Não-persistente Medianamente persistente Persistente Altamente persistente t1/2 (dias) <30 30-180 180-360 >360 Quadro 15 .6 4. 1996).

Entre as principais formas pelas quais os herbicidas são degradados. 172 Módulo 3. podem-se citar. que pode ser definido como sendo os resíduos fitotóxicos que permanecem no solo e que venham a afetar culturas sensíveis plantadas em rotação após aquelas culturas em que foi utilizado o herbicida. as que seguem. É o caso do imazaquin em relação ao trifluralin.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nas Figuras 19 e 20 são encontrados exemplos de comportamentos de persistência de herbicidas em um Latossolo Roxo distrófico (LRd). Isso ocorre principalmente para compostos cuja degradação é fortemente influenciada pela atividade microbiológica do solo.4 . a qual é reduzida à medida que se afasta da camada superficial do solo. Observa-se que os herbicidas tendem a persistir por período mais prolongado quando lixiviam mais rapidamente para horizontes subsuperficiais.Herbicidas: comportamento no solo . Herbicidas com maior persistência podem resultar no fenômeno denominado carryover. Eventuais alternativas para minimizar o problema de carryover incluem a redução das doses (pode não resolver o problema em certos tipos de solos) e a aplicação em faixas ou dirigida em vez de em área total (reduz a quantidade total de herbicida aplicado).

provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de imazaquin Fonte: Silva et al.4 .Herbicidas: comportamento no solo 173 . 150 (B) e 180 (C) DAA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 19 . (1998) Módulo 3.Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A).

150 (B) e 180 (C) DAA.Herbicidas: comportamento no solo .Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 20 .4 . (1998) 174 Módulo 3. provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de trifluralin Fonte: Silva et al.

Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação O termo biodegradação refere-se à transformação biológica de um composto químico orgânico em outra forma. de um substrato não-tóxico em uma molécula com ação biocida. 4. O pH do solo também auxilia na velocidade da reação. Esse fenômeno pode ocorrer em solos extremamente secos embora seja facilitada naqueles cuja condição se aproxima da sua capacidade de campo e com temperaturas elevadas.Herbicidas: comportamento no solo 175 . por exemplo são extremamente estáveis nas faixas de pH normalmente encontradas no solo e apresentam t ½ vida normalmente maior que seis meses. redução ou perda de um grupo funcional.3 . mas com potencialidade de ativação e toxidez. cujos principais mecanismos envolvidos são a oxirredução e hidrólise desses compostos. Embora para a grande maioria dos herbicidas aplicados ao solo os processos de degradação mediados por microrganismos sejam mais importantes. 1989). Estudos mais detalhados indicam que a biodegradação pode ser por: Alteração não-tóxica: conversão de uma molécula não-tóxica.Degradação química A degradação ou decomposição de herbicidas no solo por meio de reações químicas e nãobiológicas são comuns para diversas moléculas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. pelo início de uma série de atividades degradativas que ocorrem no solo e torna-se indispensável para os processos de transformação das moléculas de herbicidas no solo. podendo se tornar recalcitrante e mais tóxico. envolvendo várias reações seqüenciais. As imidazolinonas. ou mais complexa. O fenômeno da recalcitrância (baixa degradabilidade no solo) é bastante complexo e regulado por outros fatores. A estabilidade desses herbicidas sugere que a hidrólise química não é um mecanismo importante na sua degradação no solo (SHANER. em um produto não-tóxico e desativado. envolvendo mudanças estruturais na molécula. Ativação: conversão.2 . no qual ocorre a quebra de pontes químicas das moléculas herbicidas devido à substituição de um ou mais átomos por íons hidroxil da água (OH-). Conjugação: quando o substrato torna-se mais complexo pela adição ou complexação com metabólicos microbianos. por ação enzimática. implicando a perda ou alteração da toxidez da molécula. como uma oxidação. Detoxificação: conversão de uma molécula tóxica em um produto menos tóxico ou atóxico. em geral. Módulo 3. A hidrólise representa um processo geral de reação do herbicida com a água. entre eles: • características estruturais do composto: quantidade de substituição e natureza do grupo introduzido no núcleo central da molécula. a hidrólise química é responsável. Essa transformação pode ser primária.4 .

os estudos ainda não permitem uma definição sobre a modificação ou atividade mircrobiana envolvida na degradação acelerada de herbicidas. 1996). Contudo. ainda. Alteração do espectro de toxidez: alteração no composto que provoca alteração do grupo de organismos específicos sensíveis à sua ação. representada principalmente por fungos e bactérias. sem fornecimento de energia para o seu crescimento (co-metabolismo) (MONTEIRO. uma vez que está menos exposto ao contato direto com a microbiota do solo. ele pode acabar tornando-se mais persistente. os processos de biodegradação podem ocorrer em função da atuação de uma ou. Mineralização: considerado sinônimo de degradação. a ação microbiana pode modificar a estrutura química do produto. fornecendo nutrientes. 1993). onde tem maiores chances de ser biodegradado.4 .. SHELTON. A rota primária de degradação das 176 Módulo 3. diminuindo com a profundidade. Sabe-se. Portanto. Estes microrganismos podem utilizar os herbicidas tanto como substratos. Entretanto. ou. NH3 e íons inorgânicos. RAVELLI et al. como fonte de energia (metabolismo). avaliando a degradação de pesticidas em várias profundidades. de várias espécies de microrganismos do solo. sendo um dos maiores mecanismos envolvidos na degradação de herbicidas. esse fenômeno tem sido questionado a partir de duas considerações: a primeira é de que a degradação acelerada seria resultado do aumento do número de microrganismos selecionados pelo herbicida e.Herbicidas: comportamento no solo • . Simples degradação: transformação de uma substância tóxica complexa em produtos mais simples. 1996. Além disso. se um herbicida é lixiviado rapidamente da camada superficial do solo. 1997). que a população microbiana. com utilização do composto como fonte de carbono e energia. Quando a biodegradação é acelerada. Diversas dessas moléculas têm sido descritas como condicionadoras da microbiota do solo para sua degradação (FELSOT. de que essa degradação seria devido ao aumento da atividade enzimática com maior ação degradativa sobre esses compostos. é mais abundante nas camadas superficiais do solo. pois outros fatores ambientais precisam ser considerados na interpretação desses resultados. (2001) observaram a biodegradação acelerada de carbetamida por microflora adptada. embora os produtos finais sejam CO2. Hole et al. Vários autores.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas desativação de sistemas enzimáticos responsáveis pelas alterações na molécula do produto no solo. observaram que a taxa de degradação diminui com a profundidade (VEEH et al.. • inacessibilidade do substrato às enzimas ou células microbianas capazes de promover a sua degradação. diz-se que ocorreu um processo natural de adaptação metabólica. Já Sanyal e Kulshrestha (1999) observaram a ação de diversos microrganismos na degradação acelerada de metolachlor. mais comumente. utilizando esse composto como fonte de C e N. entretanto. a segunda. H2O. • ausência de fatores de crescimento ou condições favoráveis para os microrganismos decompositores e • ausência de microrganismo(s) com capacidade metabólica (enzima) capaz de degradar o produto.

e possui picos de absorção de luz na faixa do UV. Isso causa a excitação de elétrons e pode resultar na quebra ou na formação de ligações químicas. Estudos de dissipação no campo mostram a perda rápida das imidazolinonas a partir do solo. aeração e micro/macrofauna) e as técnicas de aplicação. A maioria dos herbicidas apresenta coloração que tende ao branco. triasulfuron. estado de humificação da matéria orgânica.4 . a qual depende da insaturação eletrônica. 4. monuron) e em pentaclorofenóis. disponibilidade de nutrientes. uréias substituídas (diuron. oxirredução. é a reação fotonucleofílica de hidrólise. podem afetar a persistência dos herbicidas. etc. as de maior ação sobre os herbicidas são: a hidrólise.Herbicidas: comportamento no solo 177 . propriedades do solo (pH. algumas vezes. Geralmente a luz apresenta um papel de catalisador de reações químicas. as quais podem levar à sua inativação. são os mesmos que os encontrados em decorrência de processos enzimáticos. começa quando a molécula do herbicida absorve a energia luminosa. e os produtos da transformação resultantes dessas reações. umidade. paraquat. o comprimento de onda efetivo na fotodegradação de herbicidas pode estar fora do espectro de absorção específico do composto. parece ser a microbiana. Portanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas imidazolinonas. ou decomposição pela luz. O processo de fotodecomposição. como hidrólise. Fatores do ambiente (temperatura. uma vez que a penetração de luz UV no solo é bastante limitada. possuem picos de absorção por volta de 370 nm. a isomerização e a polimerização.4 . Apenas aqueles herbicidas na ou próximos à superfície do solo ou sobre plantas serão passíveis de sofrerem fotodecomposição. normalmente como os elétrons deslocados (cromóforos). vento e luz solar) podem afetar a transformação dos herbicidas tanto na água quanto no solo. sendo a desalogenação a reação fotoquímica mais comum. diquat. a energia luminosa pode ser absorvida por uma molécula intermediária e transferida à molécula do herbicida por colisão. a desalogenação.. a oxidação. bentazon e atrazine em solução aquosa. além das próprias culturas. Exemplos de herbicidas que sofrem fotodecomposição incluem o trifluralin. na presença de um agente nucleofílico em solução aquosa. cultivo e irrigação. particularmente sob condições de alta umidade e temperatura. Embora a energia solar que chega à superfície do solo na faixa abaixo de 295 nm seja considerada desprezível. por exemplo. Além disso. como as dinitroanilinas. Dentres as principais reações fotoquímicas. Compostos amarelados. Outros exemplos de reações fotoquímicas comuns ocorrem nas bifenilas policloradas (PCBs). ou próximo disso. Módulo 3. Uma reação que também ocorre a partir da substituição de um halogênio de benzeno por uma hidroxila. superfície mineral. clethodim.Fotodecomposição ou fotólise A radiação solar na faixa do ultravioleta (290-450 nm) contém energia suficiente para causar transformações químicas dos herbicidas.

1998. DINARDI et al. A volatilização. No entanto. outros fatores podem estar envolvidos.4 ..que consiste simplesmente em manejar ao longo de um certo tempo a degradação dos contaminantes que ocorre por meio de processos naturais . 2005). Herbicidas aplicados à superfície do solo são freqüentemente perdidos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considera-se que os produtos da fotodegradação sejam similares aos produzidos por processos químicos e biológicos de degradação.Estruturas químicas de quatro produtos de fotodegradação do metolachlor Fonte: Kochany e Maguire (1994) 5 . tem-se mostrado que a atenuação natural monitorada pode contribuir significativamente para o controle e a redução da contaminação de solos e águas subterrâneas (FURTADO.tem-se mostrado viável nos casos em que ocorrem condições biogeoquimicamente favoráveis e pode ser efetiva na remediação de solos e águas subterrâneas quando utilizada paralelamente a outras tecno¬logias. É possível que parte das perdas esteja relacionada ao processo de fotodegradação. 178 Módulo 3. a degradação química e biológica e a sorção são alguns fatores que devem ser considerados para explicar o desaparecimento dos herbicidas do solo. que se beneficiam do emprego da fitorremediação em suas áreas de produção e de pesquisa (GLASS. acentuada pela temperatura elevada na superfície do solo. como a norte-americana Phytotech e a alemã BioPlanta. Esta alternativa .Fitorremediação Recentemente. A Figura 21 exemplifica as estruturas químicas de produtos de fotodegradação do metolachlor. Figura 21 . se comprovada ao longo de um período de monitoramento. como Union Carbine.Herbicidas: comportamento no solo . nos últimos dez anos. especialmente se um período prolongado de seca acontece após a aplicação. 2003). Monsanto e Rhone-Poulanc. e indústrias multinacionais. surgiram nos EUA e em grande parte da Europa inúmeras companhias que exploram a chamada “fitorremediação” para fins lucrativos. ou isoladamente. Mais especificamente.

Módulo 3.. As condições necessárias para essa degradação incluem a existência de receptores de elétrons. é no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Viçosa que se intensificam os estudos na área da fitorremediação de solos contaminados por herbicidas. Portanto. de nutrientes e de substrato. Contudo. compostos nitroaromáticos e. QUEROL et al. pesquisam e exploram métodos de biorremediação. YU et al. A pesquisa referente à biorremediação (biodegradação) de áreas contaminadas por herbicidas é relativamente ampla e já bem consolidada. 2005. SANTOS et al. 2003.. b). os quais incluem a fitorremediação. reduzindo-o ou até mesmo eliminando sua toxicidade. VROUMSIA et al. em particular bactérias.Herbicidas: comportamento no solo 179 . No processo de biorremediação in situ dito “tradicional”. incluindo o desenvolvimento de vários microrganismos comprovadamente eficientes na biodegradação de alguns compostos (BELLINASO et al. este trabalho abordará especificamente aspectos da técnica da utilização das plantas e sua microbiota associada. são estimulados a degradar os contaminantes seja por utilização da molécula como fonte de nutrientes ou por co-metabolismo. 2005). Dessa maneira. visando a descontaminação de ambientes (fitorreme¬diação) que apresentam resíduos de herbicidas em quantidade suficiente para causar interferência negativa nas diferentes atividades agrícolas ou comprometer a sustentabilidade ambiental. PROCÓPIO et al. 2000). microrganismos do solo. algumas empresas estatais e privadas. 5. Quando se trata da descontaminação pela utilização de plantas isoladas ou estimulando a microbiota associada às suas raízes. herbicidas (PIRES et al..1 . tem-se a fitorremediação (ACCIOLY. eficientes na descontaminação de áreas tratadas com os herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron e que o provável mecanismo envolvido na descontaminação seja a interação da fitoestimulação e da fitodegradação. 2005. 2006). mais recentemente. incluindo compostos químicos aplicados para as diferentes atividades agrícolas. A técnica é bem utilizada para remediação de áreas contaminadas com metais pesados (FRANCO.. No Brasil. comprovadamente. de ambientes contaminados por metais pesados e derivados de petróleo. solventes halogenados. 2004. 2004a. 2003. principalmente.. já se sabe que as espécies Stizolobium aterrimum e Canavalia ensiformis são.A fitorremediação como mecanismo de biorremediação A biorremediação é o processo de remediação in situ de áreas contaminadas que emprega organismos vivos (microrganismos e plantas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Dentre os compostos de difícil degradação no solo. 2005). podendo atingir cursos de águas subterrâneas. principalmente) capazes de se desenvolverem em meio contendo o material poluente. o termo biorremediação é amplamente utilizado para o processo de descontaminação de ambientes por microrganismos. os herbicidas de longo efeito residual apresentam-se como principal problema à possibilidade de contaminação de culturas plantadas em sucessão e ao problema ambiental ocasionado por sua lixiviação direta ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo. Nesses estudos. Petrobrás (2006) e Unicamp (FEA.4 . entre elas a Embrapa (2005)... bem como instituições de pesquisa. SIQUEIRA.

explosivos. 2003. no caso herbicida. SCRAMIN et al. tolerantes a certos herbicidas. um importante mecanismo de diminuição do herbicida por ação do fitorremediador parece ser a fitoestimulação. contaminado com o tebuthiuron. A seletividade deve-se ao fato de que os compostos orgânicos podem ser translocados para outros tecidos da planta e. só recentemente tem-se apresentado como promissora técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas residuais (PIRES et al. principalmente atrazine e metolachlor (ANDERSON et al. hidrocar¬bonetos de petróleo. PROCÓPIO et al. constatou-se que. Em trabalho realizado por Arthur et al. SCHNOOR. que algumas espécies exibem a determinados compostos ou mecanismos de ação. que atuam degradando o composto no solo. e • apresentam complexidade de análise diante das constantes transformações a que estão sujeitos. a aptidão rizosférica para a biorremediação desses compostos. entre outros. ou remoção física da camada contaminada. 2005). 1996)... como bombeamento e tratamento. foi comprovado que o solo proveniente da rizosfera de diversas espécies de leguminosas.Herbicidas: comportamento no solo . comparado ao solo não vegetado.. natural ou desenvolvida.. Citam-se ainda outros mecanismos. em solos rizosféricos de Kochia scoparia. 1994. Contudo. duas limitações. as plantas. como metais pesados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quando comparada com técnicas tradicionais. SIQUEIRA. SANTOS et al. (2000). 1996.. ensiformis e S. devem ser consideradas para o emprego da fitorremediação em áreas contaminadas por herbicidas: • são contaminantes orgânicos que apresentam diversidade molecular. de 193 dias. Apesar das facilidades observadas. (2005). agrotóxicos. estimulando o efeito rizosférico na aceleração da mineralização de alguns herbicidas. elementos contaminantes. principalmente por sua eficiência na descontaminação e pelo baixo custo (PERKOVICH et al. a fitorremediação tem sido considerada vantajosa.4 . na qual há o estímulo à atividade microbiana. CUNNINGHAM et al. COATS. podem ainda sofrer parcial ou completa degradação ou ser transformados em compostos menos tóxicos. no caso. 1996). solventes clorados e subprodutos tóxicos da indústria (CUNNINGHAM et al. promovido pela liberação de exsudatos radiculares. o que caracteriza. A utilização da fitorremediação para descontaminação de ambientes com resíduo de herbicidas é baseada na seletividade. PERKOVICH et al. Esse fato é de ocorrência comum em espécies agrícolas e daninhas. Outros trabalhos relatam a contribuição das plantas. 2001).. 2004. e em solos não vegetados. é desenvolvido como agente para o controle do descontaminante. volatilizados. entre elas C. entre outras. como a capacidade de metabolização do herbicida a um composto não-tóxico (ou menos tóxico) à planta e ao ambiente. 180 Módulo 3. aterrimum. 1995. BURKEN. combinados e/ou ligados a tecidos das plantas (compartimentalização) (ACCIOLY. a meia-vida do atrazine foi de 50 dias. o contaminante. especialmente menos fitotóxicos... Em trabalho realizado por Pires et al.. 1996). Apesar de ser utilizada em solos contaminados com substâncias orgânicas ou inorgânicas. apresentou maior atividade microbiana. ANDERSON. em algumas plantas. 2000. conhecido como fitodegradação. subseqüentemente. 1996.

como. logo. a matéria orgânica constitui o principal contribuinte para a CTC.0. o fluxo transpiratório. 1995. incrementam-se também a biomassa e atividade microbiana e a biotransformação das moléculas dos herbicidas no solo (WEED et al. GARBISU.4 .. no papel eficiente das plantas. Maior conteúdo de matéria orgânica reduz as amplitudes de variação da temperatura e umidade do solo. Outras propriedades do solo podem intervir na fitorremediação e. Módulo 3.. 1997).. 2000). levando à fitodegradação. ligam-se às membranas lipídicas das raízes antes de entrarem no xilema. de baixa reatividade (caulinita). a absorção de compostos orgânicos. 1992. sendo maior a absorção quando o valor de Log Kow é de 2. ampliando dessa forma. vários outros fatores poderão influenciar a capacidade descontaminadora de espécies vegetais em programas de fitorremediação.1. Essa ligação ou exclusão leva a menor fluxo transpiratório sob valores de Log Kow que se distanciam de 2. 2000). 2001). com Log Kow > 2. conseqüentemente. 1995). interferem ainda a constante de acidez (pKa) e a sua concentração (ALKORTA. CELIS et al. Dos componentes da matéria orgânica do solo. (2003a) e de acordo com Brigss et al. como os herbicidas. não passam através das membranas lipídicas associadas com as camadas da epiderme das raízes. Em revisão feita por Pires et al. o produto químico deve passar pelo simplasto da endoderme. apesar de ter valores de pH mais altos que 6. com exceção do diuron em um dos solos. é maior quando o Log Kow do pesticida varia de 0. as pesquisas devem direcionar esforços para obtenção de melhores resultados para as áreas contaminadas com os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo. Walker et al.Herbicidas: comportamento no solo 181 .. Todavia. com valores de Log Kow < 2. pelas condições ambientais e pelas características da espécie vegetal.1.1.5 (HOUOT et al. Para atrazine verificou-se que sua mineralização aumentava rapidamente com o aumento do pH (HOUOT et al. por exemplo. os efeitos benéficos nos processos de fitorremediação de herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Segundo Burken e Schnoor (1996). Para certas características das plantas e condições ambientais.5 a 3..1 (PIRES et al. além dessa característica. Compostos que são menos hidrofóbicos. além do mecanismo de ação. (1996) estudaram a degradação de isoproturon. Para ser translocado.. diuron e metsulfuron-metil na solução do solo e na fração adsorvida em dois tipos de solos e encontraram que a meia-vida destes produtos foi menor em solução que na fração adsorvida. a absorção radicular de xenobióticos da água (em solução) está diretamente relacionada ao logaritmo do coeficiente de partição octanol-água (Kow) do composto. as substâncias húmicas são relatadas como as principais responsáveis pela sorção de herbicidas (PUSINO et al. Além disso. 2003). REDDY et al. Dessa maneira. o conteúdo de argila. pelas plantas é afetada pelas propriedades químicas do composto. Compostos que são mais hidrofóbicos. persistência e concentração do herbicida. Nas condições tropicais em que os solos são altamente intemperizados com predomínio de óxidos e hidróxidos de Fe e Al e argilas silicatadas 1:1.. Solos com alto conteúdo deste mineral apresentam reduzida mineralização de atrazine. é sabido que valores de pH fora da faixa de neutralidade comprometem a atividade da microbiota do solo prejudicando diretamente os processos de fitorremediação. fundamental para promover o carreamento do herbicida absorvido para a parte aérea das plantas. (1982).

podendo atingir lençóis subterrâneos e se mover para outros ambientes com provável contaminação de outros ecossistemas. Além disso. Mesmo possibilitando o controle efetivo de plantas daninhas por um período de tempo maior. batata. 2005. é de aproximadamente oito meses. ALMEIDA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5. as propriedades procuradas em um herbicida são sua pronta degradabilidade.1984). o período de espera. Áreas contami¬nadas por estes e outros herbicidas persistentes no solo são prioritárias nos programas de fitorremediação.. Outros herbicidas.5 g ha-1) (RODRIGUES. feijão e soja quando cultivadas até dois anos após a sua aplicação.2 . ALMEIDA.. 1987) de 15 a 25 meses em solo argiloso (MEYER. quando simulada a reunião de todas as condições ambientais que favoreçam sua persistência (EMMERICH et al. 1999). BOVEY. Contudo. Sua persistência no solo pode variar de 11 a 14 meses em Latossolo Vermelho-Amarelo em lavouras de cana-de-açúcar (BLANCO. para o plantio de culturas sensíveis. Também o tebuthiuron. Mesmo sendo recomendado em concentrações baixas (em torno de 7. apresenta longo período residual. sendo. apresentam considerado efeito residual no solo. Problemas resultantes dos processos de poluição e degradação dos recursos naturais por herbicidas têm recebido atenção especial. existindo uma conscientização dos problemas ambientais ou de saúde que podem ocorrer devido à má utilização desses compostos químicos (SANTOS et al. 2005). SANTOS et al. como picloram e imazapyr. tomate. podendo chegar a até três anos o intervalo para o plantio de culturas sensíveis. a contar da data de sua aplicação. para que se obtenha resultados satisfatórios. como algodão.este herbicida apresenta elevada mobilidade em solos com baixos teores de argila e de carbono orgânico. reduzindo com isso o número de aplicações.Herbicidas: comportamento no solo .4 . 2005). Existe ainda o impacto ambiental negativo ocasionado pela lixiviação dessas moléculas ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo. eficiência em doses baixas. que é recomendado para uso em pré-emergência na cultura da canade-açúcar. OLIVEIRA. Produtos como o trifloxysulfuron-sodium. portanto. 1988) ou mesmo estender-se por mais de sete anos... principalmente como resultado de aplicações seqüenciais ao longo dos anos na mesma área (CERDEIRA. apresenta problemas de carryover na cultura do feijão cultivado em seqüência.Problemas relacionados aos herbicidas residuais Atualmente. os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo proporcionam a ocorrência de toxicidade em culturas sensíveis (carryover) plantadas após sua utilização. 2005). causando intoxicação às culturas de amendoim. fonte potencial para contaminação de aqüíferos. é essencial conhecer o tempo total necessário para a 182 Módulo 3. 2005). que é utilizado em mistura com o ametryn na cultura da cana-de-açúcar ou puro na cultura do algodão em pós-emergência inicial. principalmente em sistemas agrícolas que necessitam utilizar esses produtos no manejo integrado de plantas daninhas (JAKELAITIS et al. soja. especificidade e baixa toxicidade para os organismos não-alvos. entre outras (RODRIGUES.

de clima quente ou frio. 5. porém.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas descontaminação. • sistema radicular profundo e denso. ACCIOLY. PERKOVICH et al. além dos procedimentos para o correto emprego da técnica. • retenção do herbicida nas raízes. Com base nas análises apresentadas por diversos autores (FERRO et al.Herbicidas: comportamento no solo 183 . concentração e/ou metabolização e tolerância ao herbicida. SIQUEIRA. ser usadas em um mesmo local.4 . e • capacidade de desenvolver-se bem em ambientes diversos. 2003). NEWMAN et al. como sugerido por Miller (1996). visando efetivar e diminuir o tempo de descontaminação. aquela que for selecionada deve reunir o maior número delas. ao mesmo tempo ou subseqüentemente. que. quando necessária a remoção da planta da área contaminada. especialmente em árvores e plantas perenes.Estratégias para o sucesso da fitorremediação O sucesso no emprego da fitorremediação como técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas depende da natureza química e das propriedades do composto. várias espécies podem. 1996. 2000. a espécie vegetal ideal para remediar um solo contaminado por herbicidas seria uma cultura de alta produção de biomassa. São conhecidas espécies que se desenvolvem bem em todos os ambientes. CUNNINGHAM et al. • resistência a pragas e doenças. com elevada umidade. • alta taxa de crescimento e produção de biomassa.. solo seco. PIRES et al. 2000.. • fácil controle ou erradicação. daí a necessidade do conhecimento de estratégias que acelerem o processo de remediação. Em essência. Módulo 3. O ideal seria reunir todas essas características numa só planta. • elevada taxa de exsudação radicular. como oposto à transferência para a parte aérea. 1998.. a escolha de plantas que apresentem tolerância ao herbicida é o primeiro passo na seleção de espécies potencialmente fitorremediadoras. algumas características devem ser consideradas na escolha da espécie vegetal a ser utilizada em programas de remediação de áreas contaminadas por herbicidas: • capacidade de absorção. • fácil aquisição ou multiplicação de propágulos. Outro aspecto a ser observado é que. VOSE et al. além da aptidão ecológica da espécie vegetal a ser empregada. 1996. sendo importante ressaltar algumas delas. Dessa forma. pedregoso. que tanto pode tolerar como acumular o produto. Dessa forma. • capacidade transpiratória elevada. no caso da fitoestabilização... embora a maioria dos testes avalie plantas isoladas. evitando sua manipulação e disposição. a técnica pode apresentar algumas limitações de aplicação.. as vezes é muito longo. 1994. entre outros fatores. • fácil colheita.3 . para promoverem maior descontaminação.

ALMEIDA. 2004b). (2004). 2004. 2005b. provavelmente. Santos et al. possibilitou maior eficiência no processo de remediação por essas leguminosas. evidenciando a contribuição da microbiota no processo de descontaminação. evidenciada pelo maior desprendimento de dióxido de carbono. a fitoestimulação da microbiota associada à rizosfera (PROCOPIO et al. 184 Módulo 3. das várias espécies testadas tolerantes ao herbicida tebuthiuron. feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) e mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) promoveram a fitorremediação de solo contaminado pelo herbicida trifloxysulfuron-sodium. Também Pires et al. outros mecanismos podem ser implementados no programa de fitorremediação visando maior eficiência no processo. após a seleção de diversas espécies vegetais.Herbicidas: comportamento no solo . não interferiu no desenvolvimento posterior de plantas de feijão. comparado ao mesmo solo não tratado com o herbicida. b. SANTOS et al. (2005) verificaram que o aumento da densidade populacional de S.. comprovando a eficiência na descontaminação. ensiformis e S.. Além dos fatores mencionados. a permanência ou retirada da parte aérea das plantas de C. semelhante ao solo isento do herbicida (Figura 24).. aterrimum da área contaminada com trifloxysulfuron-sodium. (2006) constataram que a adição de composto orgânico ao solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron. PROCÓPIO et al.. aterrimum e C. 2006). além de melhorar o desenvolvimento das espécies vegetais S. 2005. utilizada como bioindicadora da presença do herbicida. indicando que o produto pode estar sendo degradado internamente nos tecidos (fitodegradação) ou inativado por outros mecanismos rízosféricos. as leguminosas C. ensiformis.4 . Nos trabalhos realizados por Procópio et al. apresentou maior atividade microbiana. Procópio et al. após o período de remediação. 2005). Em outro trabalho. algumas especies vegetais utilizadas como cobertura do solo foram selecionadas (Figura 22). (2006) observaram que o solo proveniente da rizosfera de S. ensiformis e Lupinus albus possibilitaram o pleno desenvol¬vimento de Avena strigosa. Belo et al. aterrimum. Essas culturas são sensíveis à presença desse herbicida (RODRIGUES. destacando-se a mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) e o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (Figura 23).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nos trabalhos realizados até o momento no Brasil. visando a seleção de espécies vegetais com potencial para emprego em programas de fitorremediação de herbicidas (PIRES et al. 2003a. (2005) verificaram que. aterrimum promoveu maior descontaminação da área tratada com trifloxysulfuron-sodium. sendo. tratado com o trifloxysulfuron-sodium. possibilitando o posterior desenvolvimento de plantas de milho e feijão.

5 e 15. em solos contaminados pelos herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron Figura 24 – Desenvolvimento de plantas de milho e de feijão em solo tratado com o herbicida trifloxysulfuron-sodium (0. para o sucesso da fitorremediação. removendo. os quais. imobilizando ou tornando os contaminantes inofensivos ao ecossistema. além do emprego de plantas e sua microbiota associada.0.0 g ha-1) (não-seletivo a essas culturas).4 . associados às práticas agronômicas. agiriam em conjunto. Módulo 3. (2004) Para Accioly e Siqueira (2000). o programa deve envolver.Herbicidas: comportamento no solo 185 . amenizantes como a matéria orgânica do solo. visando a fitorremediação de solos contaminados por esses herbicidas Figura 23 – Desenvolvimento de mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) (A) e feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (B).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 22 – Etapa de seleção de espécies vegetais tolerantes ao trifloxysulfuron-sodium e ao tebuthiuron. 7. posteriormente cultivado (B) ou não (A) com mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). visando a remediação Fonte: Procópio et al.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Manejo da irrigação. 6 . Esse fato denota a importância de pesquisas. havendo possibilidades de reciclagem da biomassa produzida. essa técnica é 186 Módulo 3. principalmente no solo. os quais são responsáveis pelo destino final desses compostos. Entre os herbicidas. como papel. o sucesso do tratamento empregando planta aquáticas vai além do baixo custo. O tema cresce em complexidade na medida em que se tenta selecionar espécies vegetais que apresentem. solubilidade de baixa para moderada em água (RODRIGUES. 1998). apesar de já ser bem conhecido o processo de biodegradação do atrazine por diversos microrganismos (BEKHI et al. fabricação de diversos produtos. absorção moderada à matéria orgânica e argila. outros benefícios para o agricultor. ração animal. devido às suas características físico-químicas. 2005). BEKHI. Contudo.4 .Considerações finais O comportamento de herbicidas no ambiente. espera-se maior aceitação de métodos de descontaminação in situ. que visam o menor impacto negativo ao ambiente. retenção e transformação que ocorrem com as moléculas representa a capacidade de contaminação e persistência destas no meioambiente. ALMEIDA. 2003. como o picloram e outros. O que se observa é que o conhecimento teórico das propriedades dos compostos do solo. Nessa área. depende do somatório de diversos processos envolvidos. Contudo. Em se tratando de ambientes aquáticos. podendo ser utilizada como fertilizante. 1986). 1993. com o objetivo de prevenir quanto aos possíveis distúrbios ambientais provocados por esses compostos. GLASS. alto potencial de escoamento.Herbicidas: comportamento no solo . hidrólise lenta. o atrazine oferece elevado risco de contaminação de aqüíferos. poucos são os trabalhos que apontam soluções para fitorremediação deste composto em ambientes aquáticos (MARCACCI. a fitorremediação surge como opção para o tratamento eficiente de solo e água contaminados por herbicidas de difícil decomposição nesses ambientes.. são pesquisas já iniciadas e fornecerão dados para maior eficiência nos processos de descontaminação de áreas que apresentam resíduos de outros herbicidas comprovadamente persistentes no ambiente. 2005). graças à atual preocupação na viabilidade das técnicas integradas de manejo. geração de energia. O resultado dos processos de transporte. KHAN. e uma abordagem detalhada da sua dinâmica seria difícil diante dos diversos interferentes relacionados ao seu comportamento. dos fatores climáticos envolvidos e dos mecanismos de interação herbicida–ambiente nem sempre representa o comportamento constatado em condições naturais a campo. principalmente em solos brasileiros. Além disso. além da capacidade remediadora. além da possibilidade de inoculação de microrganismos junto à semeadura das plantas. sendo comumente detectado após um ano. nos programas de fitorremediação de herbicidas. incremento na população e número de espécies vegetais. e até proteínas para usos em rações (DINARDI et al. por perturbarem menos o ambiente. Este herbicida apresenta alta persistência no solo. baixa pressão de vapor.

Módulo 3. este é. quando todos os fatores envolvidos interagem. sem dúvida.Herbicidas: comportamento no solo 187 .4 . podendo ser aplicada a grandes áreas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas relativamente barata. Embora o tema seja muito abrangente. torna-se possível sua utilização com eficiência técnica e econômica. As implicações são claras: entendendo como os herbicidas e outros pesticidas aplicados ao solo se comportam. um dos motivos pelo qual deve ser mais estudado. comparada a outros processos de descontaminação. a identificação dos problemas de contaminação e as opções de recuperação do ambiente afetado.

Transport of herbicides and nutrients in surface runoff from cropland in Southern Ontario. G.. ANDERSON. W. 299-352. v. R. Agropec. F. 1994. J.Herbicidas: comportamento no solo . C. R. O. C. ARTHUR. BLANCO. P. 26. WAGGER. n. p. PERALBA. A. Runoff of sulfonylurea herbicides in relation to tillage system and rainfall intensity. A.. Pesq. V. MG: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. Screening rhizosphere soil samples for the ability to mineralize elevated concentrations of atrazine and metolachlor.4 . n. J. v. R. G. M. p. 5. J. COATS. J. Qual. L. A. C. 1995. (Eds. GAYLARDE. J. G. T. SCHAEFER. J. p.). propazine. 1318-1326. A. p. p. 1997. TOPP. ALKORTA.. v. H.. Degradation of atrazine.. T. SIQUEIRA.. p.. 42.. Environ. GREER. ALVAREZ V. n. T.ed. Food Chem. R. HENRIQUES. Air.. S. F. GERMON P.. v. M. Sci. BELLINASO. p. 273-276. E. 1994. 119. Food Chem. AFYUNI. v. 2006 (Em fase de publicação) BLANCO. R. v. M. D. ANDERSON. A. B. Contaminação química e biorremediação do solo. C. W. G. Soil Sci. GARBISU.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Referências bibliográficas ACCIOLY. KING. J. Planta Daninha. Water. 1551 1557.. R. B... Herbicide handbook.. R. 34. KHAN. Viçosa. 191-194. 2000. M. 74. 1. 1987. J.. 43. F.. PERKOVICH.. n. Planta Daninha. A. G. B. FERREIRA. 1993. 1994.. Agric. M. p. v. 30. MACHADO. COATS. Degradation of atrazine by Pseudomonas: N-dealkylation and dehalogenation of atrazine and its metabolites. C. SANTOS.. KRUGER. Soil Poll. In: NOVAIS. T. ANDERSON. A. H. 15.. Agric. M. D. v. W. 1. 473-484.. E. 681-687.. S. 22. Tópicos em ciência do solo. Enhanced degradation of a mixture of three herbicides in the rhizosphere of a herbicide-tolerant plant. I. 1986. BEHKI. C. J.. BELO. 130-140. BOWMAN. 2001. M. p. p. 746-749. T.. Bras. and simazine by Rhodococcus strain B-30. p. 188 Módulo 3. Chemosphere. Environ. J. v. v. Can.. 2. AHRENS. J. BLANCO. A. p.... J. COATS. OLIVEIRA.. v. DICK. LEIDY. Persistência e lixiviação do herbicida simazina em solo barrento cultivado com milho. Fitorremediação de herbicidas em solo enriquecido com matéria orgânica. 2000. FEMS Microbiology Ecology. 28. Biores. v. Persistência de herbicidas em Latossolo Vermelho-Amarelo em cultura de cana-de-açúcar. J. L. E. 59-66. 1997. Phytoremediation of organic contaminants in soils... Health. 352 p. E. E. WALL. Technol. A. 2003. L. U. A.. 1237-1241. SILVA.. R. H.. R. R. 2. M.. Biodegradation of the herbicide trifluralin by bacteria isolated from soil. Champaign: Weed Science Society of America.. M. A. J. L..B. 75-90. B. 79. SANTOS. Degradation of an atrazine and metolachlor herbicide mixture in pesticide-contaminated soils from two agrochemical dealerships in Iowa. 7. BEHKI.

Comportamento de metribuzin e trifluralina no solo e sua absorção por soja.. SCHWAB. S. 2006. CELIS.1633002266/noticia. (Eds. HERMOSIN. Uso da biodiversidade na agricultura. BUTTLE.). 131. Pestc. p. BROMILOW. Agropec. 2. S. National Centre for Ecotoxicology and hazardous substances. v. CARTER. Engin. 138.1209214647/foldernoticia. A..Sc. v..4 . 13. C. 958-963. CREEGER.. L. M.sede. DOLLING. CUNNINGHAM. F. Birmingham. Thesis Department of Chemistry) – University of Birmingham. FORMAGI. J. Environ. EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA – EMBRAPA. Disponível em: :<http://www21. Water Resour. N.. M.. 1996. N. Chem. CAMPANHOLA. 495-504. T. D. SOBRINHO. LORD. 1997. J. P. RUEGG. EVANS. RENARD. H. S.. p. 13. p.. Thesis (M. 1984. 19.2005-12-06. CORNEJO. C. N. 5. COHEN. DINARDI. v. CERDEIRA. J. D. A. p. Herbicide and nitrate residues in surface and groundwater from sugarcane área in Brazil. p. (Fórum de Estudos Contábeis. Bolletino Chimico Farmacêutico. 3. 4. 113-122. SEIBER. 1985.. R... S. HELMER. 26. ENVIRONMENT AGENCY.. n. 297-325. A. V. M.br/noticias/banco_de_noticias/2005/folder. W. 1999. 40. 472-479. Módulo 3. v. Sorption of triazafluron by iron and humic acid-coated montmorillonite. J. CARSEL. Pesticides in the aquatic environment 1996. Phytoremediation of soils contaminated with organic pollutants.. Metolachlor transport in surface runoff. UK. 382-386. G. n. Weed Research. Wallingford. Pesticides and pesticide degradation products in stormwater runoff: Sacramento River Basin. E. p. BURKEN. Journal of Environmental Quality. PELEGRINE. DOMAGALSKY. Bull. ANDERSON. 953-964. 1985. Acesso em: 23 jan. D. J. Sci. 198 f. Symp. v. EMMERICH. J... 1982. 2003. F..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas BRIGSS. A. G. Rio de Janeiro: Faculdades Integradas Claretianas. 55-114. L. BRITO. p.. R. A. 531 538. SCHNOOR.. v. A. D. R. Advances in Agronomy. Series.. E.. p. v. COX L. 1999. 1984. 32.2005-0815. CONEGLIAN. In: KRUEGER. Environ. J.Herbicidas: comportamento no solo 189 . ENFIELD.. A. Studies of interactions of some imidazolinone herbicides with clays. J. Journal of Environmental Quality.1289017113/ mostra_noticia>. v.. p. G. 1982. R.. A. 17. patways and processes. C. Bras. K. M. Pesq. California. 1990. 565571. Am. Herbicide movement in soils: principles. H. G. A. na indústria e na preservação ambiental. 56. 2000.embrapa.. BROMILOW. Relationship between lipphilicity and root uptake and translocation of non-ionized chemicals by barley. 3). L. Treatment and disposal of wastes.. K. Oxon. R. v. Qual. G.. LANE. 1996. M. Fate and effectiveness of tebuthiuron applied to a rangeland watershed. T.. 15 p. R. p. 1996. 122. Potential for pesticide contamination of ground water resulting from agricultural uses. p. n. n. J. L. Phytoremediation: plant uptake of atrazine and role of root exudates. v. C.2005-11-03. Fitorremediação. R. J.

MG. p. 34. 1994. 1989. L. D. 1998. I. D.. GLASS. Chem. J. Avaliação da periculosidade ambiental segundo a nova proposta do IBAMA. Remoção de metais pesados por quitina e quitosana isoladas de Cunninghamella elegans. Champaign: Weed Science Society of America. Proceedings.. HOLE. FERRO. 1997.. 615625.. S. Enhanced diodegradation of soil pesticides: interactions between physicochemical processes and microbial ecology. p. p. FURTADO. Disponível em: <www. 32.. Viçosa.. 3. BUGBEE.4 . E.. HATZIOS. C. In: CONGRESSO BRASILEIRO DA CIÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS – Palestras e Mesas Redondas. 2001. 1965. vol. O. Needham: Glass Associates. v. et al. M. S. Soil Biology and Biochemestry. Weeds. J. R.agr. p. 175-189. SOULAS. UK: 1993. Factors affecting mobility of pesticides in soil. CARBONNEL. 739-745. v.. Journal of Environmental Quality. D. GRAVEEL. GOMEZ DE BARREDA. 2006. D. 788-793. 1993. D. A. G. 35. Hycrest crested wheatgrass accelerates the degradation of pentachlorophenol in soil. 26-45. The 1998 United Status Market for Phytoremediation. Groudwater ubiquity score: a simple method for assessing pesticide leachibility. K. Soil solution and mobility characterization of imazaquin. Abstract. SHLETON. Madison: Soils Sciences Society of America. 1994. FRANCO. 139 p.. v. S.. 8. M. A. 272 279. In: LINEE. E. J. 277-251. B. FELSOT. 1998. Brighton. Herbicide handbook – supplement to seventh edition. HARPER. n. p.2. Vol. R. SIMS. TURCO. S. G. Soil Biology and Biochemistry. Brighton. 141-147. 243-247. In: BRIGHTON CROP CONFERENCE – WEEDS. 1986. Viçosa. J. 13. n. A. (Eds. 33. D. 1993. et al.. Reviews of weed science. A. L. 464 507. A.. GUSTAFSON. H. B. N... p. Toxicol. 2000.... FOLONI. WALKER. 207 225.. In: PURDUE UNIVERSITY.br>. Sulfonylureas and quinclorac degradation in water. S. 190 Módulo 3. 809-814. p. Acesso em: 10 jan. 21. Weed Sci. S. B. 2004. ABDELLAH. G. Brazilian Journal of Microbiology. GOETZ. L. J. R. 104 p... TOPP.. v. Rapid degradation of carbetamide upon repeated application to Autralian soils.. 1997. MAIA. De BARREDA. v. A. O. Herbicide action course. Y.. G. In: DUKE. WEIERICH. Sorption and degradation of pesticides and organic chemical in soils. R. (Ed.Herbicidas: comportamento no solo .). American Society of Agronomy. K. MG: SBCPD. 5. HOUOT. p. n. A.. 339-357. Factors affecting the vapor loss of EPTC from soils. p. v. Sorption-desorption and herbicide behavior in soil. West Lafayette: Purdue University. maio de 2005. R.unicamp.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas FACULDADE DE ENGENHARIA AGRÍCOLA – FEA/UNICAMP. R. UK. Química e Derivados. Environ. Remediação de solos. Champaign: Weed Science Society of America. v. WEHTJE. MUNOZ. 23. Dependence of accelerated degradation of atrazine on soil pH in French and Canadian soils. p. PORTO. C.. F. p. CASES. D. L. F. C. 2. 4. HAJEK. G. n. E.. p. GRAY. M. LORENZO.). 6. 1994.. p.

646 p. 20. J. C. LEAVITT. A. CAMPER... n.. W. New York: Marcel Dekker. Phytoremediation. H.... R. 2005 JURY. HARPER. NAKAGAWA. ANDREA. C. v. MAGUIRE. SCHWITZGUÉBEL. p. 30. SP: 1996. v... K. RAVANEL. KOCHANY. 471476. L. v... 1981. v. v. p. n. p. Herbicide adsorption and organic carbon contents on adjacent low-input versus conventional farms. 4. SIMS.. T. n.. A. RAVETON. Qual. In: EMBRAPA – CNPMA. 21. Weed Science... KARICKHOFF. In: CHENG. R. J. 1996. 2) LAVORENTI. J. MALLAWATANTRI. 1990. 42. v. E. R. 2002. J. R. R. M. S. In: EMBRAPA – CNPMA.Herbicidas: comportamento no solo 191 . The retention process: mechanisms. p. 422-428. 36. Herbicide runoff from ornamental container nurseries. R. T. Conjugation of atrazine in vetiver (Chrysopogon zizanioides Nash) grown in hydroponics. T. MULLA. 1992. W. B. Campinas. P. 1980. Soil microbial ecology: applications in agricultural and environmental management. Biodegradação de herbicidas. v. WILSON. R. Agric.. J. 1988. O. Available online 12 March 2005. 23. 81-115. H. In: Crops and Soils Magazine. p. 2. D. 13-14. 537 543. R. MEYER. Tebuthiuron formulation and placement effects on response of woody plants and soil residue. In Press Corrected Proof. Pesticides in the soil environment: processes. L. S. C. Efeitos de herbicidas no consórcio de milho com Brachiaria brizantha. WHITWELL. Disponível em: <http://www. 1994. Evaluation of pesticide groundwater pollution potential from standard indices of soil-chemical adsorption and biodegradation. Agric. p. CONSTANTIN. 4. 69-78. R. LUCHINI. n. D. Bras. W.. Comportamento da atrazina em solos brasileiros em condicoes de laboratorio. n. Environ. J. M. E. F. 1. R. A. 1987. Anais. PEREIRA.). H.. 833-846. Anais.M. p. KEESE. FARMER. FOCHT. R. 10. v. VIANA. 2001. Campinas. J.. Comportamento de herbicidas no meio ambiente. Chemosphere. Clomazone fate in soil as affected by microbial activity. MARCHIORI JR. MELTING. JAKELAITIS. J. MONTEIRO. W.. Qual. Workshop sobre biodegradação.. 320-324. n. 120-128. 125-132. S. 1. L. A. Agropec. MUSUMECI. Campinas. 373-378. B. J. Sunlight photodegradation of metolacchlor in water. E. p. p. MILLER.. Pesq. v.. S.. p. impacts and modelling. W. 1995.. Environ. Soil.. Calagem e o potencial de lixiviação de imazaquin em colunas de solo. 406-412. n. KOSKINEN. F. C. A. n. Campinas. P. J. Qual. temperature and soil moisture. J. Disponível em: 18 jun.. L. A. Módulo 3. W.gwrtac. 16. 4. D. J.S. BOVEY. D. p. p. A. SP: 1996.. C. SILVA. Food. R. Chem. chemical pH. SILVA.. Chem.. 1996.. Food. 43. J.4 . Semi-empirical estimation of hydrophobic pollutants on natural sediments and soils. OLIVEIRA JR. Planta Daninha. N. P. p. A. TORMENA. Environmental and Experimental Botany. (Ed. 546-551.. v. 8. M. G. Planta Daninha.. Workshop sobre biodegradação. G. R. STOLLER... M. 1994. FERREIRA. 2. Environ.. 2. L. n.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas INOUE. 23. RILLEY. 1993.. MARCACCI. Madison: Soil Science Society of America. MERVOSH..org>. (Book Series.. M. p. 51-57. 1995. 1996.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

NEWMAN, L. A.; DOTY, S. L.; GERY, K. L.; HEILMAN, P. E.; MUIZNIEKS, I.; SHANG, T. Q.; SIEMIENIEC, S. T. Phytoremediation of organic contaminants: a review of phytoremediation research at the university of Washington. Journal Soil Contaminant., v. 7, p. 531-542, 1998. NOVO, M. C. S. S.; BLANCO, H. G.; AMBRÓSIO, L. A.; COELHO, R. R.; GIMENEZ, R. B. F.; ARCAS, J. B. Determinação de resíduos do herbicida trifluralin em latossolo roxo com soja. Turrialba, v. 43, n. 1, p. 66-71, 1993. OLIVEIRA JR., R. S. Relação entre propriedades químicas e físicas do solo e sorção, dessorção e potencial de lixiviação de herbicidas. 1998. 86 f. Tese (Doutorado em Fitotecnia) – Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG, 1998. OLIVEIRA JR., R. S.; KOSKINEN, W. C.; FERREIRA, F. A. Sorption and leaching potential of herbicides in Brazilian soils. In: WEED SCIENCE SOCIETY OF AMERICA MEETING, 39., 1999, San Diego-CA. Abstracts... Lawrence: WSSA, 1999. p. 47. OLIVEIRA JR., R. S.; KOSKINEN, W. C.; FERREIRA, F. A.; KHAKURAL, B. R.; MULLA, D. J.; ROBERT, P. C. Spatial variability of imazethapyr sorption coefficients. In: WEED SCIENCE SOCIETY OF AMERICA MEETING, 38., 1998, Chicago-IL. Abstracts... Lawrence: WSSA, 1998a. p. 86. OLIVEIRA JR., R. S.; KOSKINEN, W. C.; FERREIRA, F. A.; KHAKURAL, B. R.; MULLA, D. J.; ROBERT, P. C. Spatial variability of alachlor sorption coefficients. ANNUAL MEETING ABSTRACTS AMERICAN SOCIETY OF AGRONOMY, CROP SCIENCE SOCIETY OF AMERICA, SOIL SCIENCE SOCIETY OF AMERICA, 1998, Baltimore-MD. Abstracts... Baltimore: ASA/CSSA/SSSA, 1998b. p. 206. PATROBRAS: Remediação de área contaminadas por combustíveis. Disponível em: <http://www.remas.ufsc.br/projeto_petrobras.htm>. Acesso em: 23 jan. 2006. PERKOVICH, B. S.; ANDERSON, T. A.; KRUGER, E. L.; COATS, J .R. Enhanced mineralization of [14C] atrazine in K. scoparia rhizosferic soil from a pesticide-contaminated site. Pesticide Science, v. 46, p. 391-396, 1996. PIGNATELLO, J. J. Sorption dynamics of organic compounds in soils and sediments. In: SAWHNEY, B. L.; BROWN, K. W. (Eds.). Reactions and movement of organic chemicals in soils. Madison: Soil Society of America and the American Society of Agronomy, 1989. p. 45 79. (SSSA Special Publication, 22) PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; PROCÓPIO, S. O. Phytoremediation of herbicidepolluted soils. Planta daninha, v .21, n. 2, p. 335-341, 2003a PIRES, F. R.; SOUZA, C. M. CECON, P. R.; SANTOS, J. B.; TÓTOLA, M. R.; PROCÓPIO, S. O.; SILVA, A. A.; SILVA, C. S. W. Inferências sobre atividade rizosférica de espécies com potencial para fitorremediação do herbicida tebuthiuron. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v. 29, p. 627-634, 2005c. PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; CECON, P. R.; PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B. Fitorremediação de solos contaminados com tebuthiuron utilizando-se espécies cultivadas para adubação verde. Planta Daninha, v. 23, n. 4, p. 711-717, 2005b.
192 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; PROCÓPIO, S. O.; CECON, P. R.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A. Seleção de plantas tolerantes ao tebuthiuron e com potencial para fitorremediação. Revista CERES, v. 50, n. 291, p. 583-594, 2003b. PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; QUEIROZ, M. E. L. R.; PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A.; CECON, P. R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de tebuthiuron. Planta Daninha, v. 21, n. 3, p. 451-458, 2003a. PIRES, N. M.; OLIVEIRA JR., R. S.; PAES, J. M. V., SILVA, E. Avaliação do impacto ambiental causado pelo uso de herbicidas. Viçosa, MG: Sociedade de Investigações Florestais, 1995. 22 p. (Boletim Técnico SIF, 11). PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A. A.; SANTOS, E. A. Fitorremediação de solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium por mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). Planta Daninha, v. 23, n.4, p. 719-724, 2005a. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A.A.; SANTOS, E. A.; CARGNELUTTI FILHO, C. Development of bean plants in soil contaminated with the herbicide trifloxysulfuron-sodium after Stizolobium aterrimum and Canavalia ensiformis cultivation. Crop Protection, 2006 (em fase de publicação) PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A. Potencial de espécies vegetais para a remediação do herbicida trifloxysulfuronsodium. Planta Daninha, v. 23, n. 1, p. 9-16, 2005b. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A.; FERREIRA, L .R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de solos contaminados com o herbicida trifloxysulfuron sodium. Planta Daninha, v. 22, n. 2, p. 315322, 2004. PUSINO, A. et al. Influence of organic matter and its clay complexes on metolachlor adsorption on soil. Pesticide Science, v. 36, p. 283-286, 1992. QUEROL, X.; ALASTUEY, A.; MORENO, N.; ALVAREZ-AYUSO, E.; GARCÍA-SÁNCHEZ, A.; CAMA, J.; AYORA, C.; SIMÓN, M. Immobilization of heavy metals in polluted soils by the addition of zeolitic material synthesized from coal fly ash. Chemosphere, v. 62, n. 2, p. 171-180, 2006. RAVELLI, A.; PANTANI, O.; CALAMAI, L.; FUSI, P. Rates of chlorsulfuron degradation in three Brazilian soils. Weed Res., v. 37, p. 51-59, 1997. REDDY, K. N. et al. Chlorimuron adsorption, desorption and degradation in soils from conventional tillage and no-tillage systems. Journal of Environmental Quality, v. 24, p. 760 767, 1995. ROBERTS, T. R. Assessing the environmental fate of agrochemicals. J. Environ. Sci. Health, B, v. 31, n. 3, p. 325-335, 1996. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR, 2005. 648 p. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR: Grafmarke, 2005. 591 p.
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 193

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

SANIAL, D.; KULSHRESTHA, G. Effect of repeated metolachlor applications on its persistence and field soil and degradation kinetics in mixed microbial cultures. Biology and fertility of soils, v. 30, p. 124-131, 1999. SANTOS, E. A.; SANTOS, J. B.; FERREIRA, L. R.; COSTA, M. D.; SILVA, A. A. Fitoestimulação por Stizolobium aterrimum como processo de remediação de solos contaminados por trifloxysulfuron-sodium. Planta Daninha, 2006 (Em fase de publicação) SANTOS, J. B.; JAKELAITIS, A.; SILVA, A.A.; VIVIAN, R.; COSTA, M.D.; SILVA, A.F. Atividade microbiana do solo após aplicação de herbicidas em sistemas de plantio direto e convencional. Planta Daninha, v. 23, n. 4, p. 683-691, 2005. SANTOS, J. B.; PROCÓPIO, S. O.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A.; FERREIRA, L. R. Fitorremediação do herbicida trifloxysulfuron sodium. Planta Daninha, v. 22, n. 02, p. 323-330, 2004a. SANTOS, J. B.; PROCÓPIO, S. O.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A. Seletividade do herbicida trifloxysulfuron sodium para fins de fitorremediação. Revista Ceres, v. 51, n. 293, p. 129-141, 2004b. SCRAMIN, S.; SKORUPA, L. A.; MELO, I. S. Utilização de plantas na remediação de solos contaminados por herbicidas – levantamento da flora existente em áreas de cultivo de cana-deaçúcar. In: MELO, I. S. et al. Biodegradação. Jaguariúna, SP: EMBRAPA Meio Ambiente, 2001. p. 369-371. SENESI, N. Binding mechanisms of pesticides to soil humic substances. The Science of the Total Environment, v. 63, n. 123/124, p. 63-76, 1992. SETA, A. K.; BLEVINS, R. L.; FRYE, W. W.; BARFIELD, B. J. Reducing soil erosion and agricultural chemical losses with conservation tillage. J. Environ. Qual., v. 22, n. 3, p. 661-665, 1993. SHANER, D. L. Factors affecting soil and foliar bioavailability of the imidazolinone herbicides. Princeton: American Cyanamid Company, 1989. 24 p. SILVA, A. A.; FREITAS, F. M.; FERREIRA, L. R.; JAKELAITIS, A.; SILVA, A. F. Aplicações seqüenciais e épocas de aplicação de herbicidas em mistura com chlorpirifos no milho e em plantas daninhas. Planta Daninha, v. 23, n. 3, p. 527-534, 2005. SILVA, A. A.; OLIVEIRA JR., R. S.; CASTRO FILHO, J. E. Avaliação da atividade residual no solo de imazaquin e trifluralin através de bioensaios com milho. Acta Scientiarum, v. 20, n. 3, p. 291-295, 1998. SUNTIO, L. R.; SHIU, W. Y.; MACKAY, D.; SEIBER, J. N.; GLOTFELTY, D. Critical review of Henry's law constants for pesticides. Environ. Cont. Toxicol., v. 103, p. 1-59, 1988. VEEH, R. H.; INSKEEP, W. P.; CAMPER, A. K. Soil depth and temperature effects on microbial degradation of 2,4-D. J. Environ. Qual., v. 25, n. 1., p. 5-11, 1996. VELINI, E. D. Comportamento de herbicidas no solo. In: KIMOTO, T.; VELINI, E. D.; GOTO, R.; KOJIMA, K. (Coord.) Simpósio Nacional sobre Manejo Integrado de Plantas Daninhas em Hortaliças. Botucatu: FCA-UNESP, 1992. p. 44-64.
194 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

VOSE, J. M.; SWANK, W. T.; HARVEY, G. J.; CLINTON, B. D.; SOBEK, C. Leaf water relations and sapflow in Eastern cottonwood (Populus detoides Bartr.) trees planted for phytoremediation of a groundwater pollutant. Intern. Journal of Phytoremediaton, v. 2, p. 53 73, 2000. VROUMSIA, T. A; STEIMAN, R. B.; SEIGLE-MURANDI, F. B. J.; BENOIT-GUYOD, F. Fungal bioconversion of 2,4-dichlorophenoxyacetic acid (2,4-D) and 2,4-dichlorophenol (2,4 DCP). Chemosphere, v. 60, p. 1471-1480, 2005 WAGENET, R. J.; RAO, P. S. C. Modelling pesticide fate in soils. In: CHENG, H. H. (Ed.). Pesticides in the soil environment: processes, impacts and modelling. Madison: Soil Science Society of America, 1990. p. 351-399. (Book Series, 2). WALKER, A.; WELCH, S. J.; ROBERTS, S. J. Introduction and transfer of enhanced biodegradation of the herbicide napropamide in soils. Pesticide Science, v. 47, p. 131-135, 1996. WEED, D. A. J.; KANWAR, R. S.; STOLTENBERG, D. E.; PFEIFFER, R. L. Dissipation and distribuition of herbicides in the soil profile. Journal of Environmental Quality, v. 24, p. 68 79, 1995. YU, Y. L.; WANG, X.; LUO, Y. M.; YANG, J. F.; YU, J. Q.; FAN, D. F. Fungal degradation of metsulfuron-methyl in pure cultures and soil. Chemosphere, v. 60, p. 460-466, 2005.

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

195

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Leandro Vargas Profº. Evander Alves Ferreira

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
196 Módulo 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas

7 – Triazinas.5 . 217 10. 212 10 . 215 10.A resistência de plantas daninhas no Brasil.Inibidores de ACCase.1 – Auxinas.Como evitar a resistência. 229 16 . 204 5 .Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas.Fatores que favorecem o surgimento da resistência.Evolução da resistência.Manejo da resistência a herbicidas.Diagnóstico da resistência a campo. 209 7 . 213 10.1 .Características da resistência por grupos herbicidas.1 .Variabilidade genética. 200 1.6 .2 – Bipiridílios.3 – Compartimentalização.Herbicidas: resistência de plantas 197 .Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas. 202 2 . 215 10. 198 1 .1 . 231 Módulo 3. 225 15 .3 . 209 6 . 218 11 . 201 1.Uréias/amidas.8 . 218 12 .Absorção e translocação. 216 10.Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate. 200 1.Resistência cruzada. 214 10. 214 10.Resistência múltipla. 201 1.2 – Metabolização. 211 9 .Alteração do local de ação.Como confirmar a resistência.4 .4 – Dinitroanilinas.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução. 225 14. 219 13 . 210 8 . 208 5. 202 3 .5 . 203 4 . 221 14 .Inibidores de ALS.Derivados da glicina. 230 Referências bibliográficas.Mecanismos que conferem resistência.Comentários finais. 213 10.Culturas transgênicas.Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida.Pressão de seleção. 208 5.

5 . Muitos outros casos foram relatados em diferentes locais do mundo e. 2005). O largo uso de herbicidas deve-se. resistentes a herbicidas pertencentes ao grupo das auxinas (WEED SCIENCE. 22. Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES.9% resistem aos herbicidas inibidores da ALS. uma vez que essa tecnologia.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O controle de plantas daninhas com uso de herbicidas é prática comum na agricultura mundial.1% às auxinas sintéticas.. 3. os agricultores depositam confiança excessiva no controle químico das plantas daninhas. atualmente. 28. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. o Brasil é um dos maiores mercados do mundo. Dessa maneira. 11. os demais métodos de controle têm sido deixados de lado. nos Estados Unidos. ao fato de que o controle químico tem sido eficiente. no estado de Washington (EUA). O uso repetido de um herbicida exerce uma pressão de seleção que leva ao aumento do número de indivíduos resistentes na população. principalmente por grandes agricultores. em diferentes países (RADOSEVICH. ALMEIDA. e Daucus carota. 1970). Uma das conseqüências do uso indiscriminado desses métodos tem sido o desenvolvimento de muitos casos de resistência a tais compostos por diversas espécies daninhas. Destes biótipos. está prontamente disponível e profissionalmente desen¬volvido. hoje está se tornando prática comum até entre os pequenos. A constatação da resistência de plantas daninhas aos herbicidas começou em 1957 com a identificação de biótipos de Commelina difusa. possui custo atrativo. Depois disso. 1977) Em menos de 30 anos. após o primeiro caso de resistência. e a tendência de uso desses compostos é de aumento. foram descritas em gêneros como Amaranthus e Chenopodium.6% aos inibidores da ACCase. 7. há aproximadamente 284 biótipos de plantas daninhas que apresentam resistência a um ou mais mecanismos herbicidas (Quadro 1). 8. onde os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF 2005). Esses biótipos pertencem a 171 espécies e estão distribuídos em 59 países. 1997). Já em 1970. no Canadá. No que se refere aos defensivos agrícolas.5% às dinitroanilinas e os 198 Módulo 3.7% aos bipiridílios. Estudos posteriores demonstraram que esta espécie era resistente a todas as triazinas. 1998). Na atualidade. foram descobertos biótipos de Senecio vulgaris resistentes a simazine (RYAN. várias outras espécies. 1998a). a população de plantas resistentes pode aumentar até o ponto de comprometer o nível de controle (HRAC. Em conseqüência. 7% às uréias e amidas. sendo o quinto no "ranking" de vendas de agrotóxicos. havia mais de 100 espécies reconhecidamente resistentes em aproximadamente 40 países (HEAP. principalmente.Herbicidas: resistência de plantas . 1979). devido a uma mutação nos cloroplastos (RADOSEVICH et al.9% às triazinas. com resistência a triazinas.

Essas proporções mudaram com a introdução no mercado dos novos grupos herbicidas inibidores de ALS e ACCase. princi¬palmente quando não existe ou existem poucos herbicidas alternativos para serem usados no controle dos biótipos resistentes. aos auxínicos. uréias e Branqueamento – inibição da Amitrole isoxazolidionas biossíntese de carotenóides Glicinas Inibição da EPSP sintase Glyphosate Inibição da divisão celular (inibição de Butachlor Chloracetamidas ácidos graxos de cadeias longas) Outros Diversos Diversos Total de biótipos de plantas daninhas observados no mundo Fonte: Adaptado de Retzinger. das triazinas e existentes atualmente. 67% dos casos de resistência documentados eram de biótipos resistentes às triazinas. a estes grupos de herbicidas. Assim. benzotiadiazinas e ftalimidas. até o momento. A resistência de plantas daninhas a herbicidas assume grande importância. à eficiência e à grande área onde são empregados. e os demais mecanismos somavam 8%. são dois ou mais os mecanismos que precisam ser substituídos. porém acredita-se que esteja relacionado com o seu modo de ação. As razões do não-surgimento de plantas daninhas resistentes. restringindo esta prática a outros métodos menos eficientes. neste caso. já que. Acredita-se que o maior número de biótipos resistentes aos herbicidas dos grupos inibidores de ALS. aos bipiridílios.3% restantes aos demais grupos de herbicidas. Em 1983. se deve à alta especificidade.Herbicidas: resistência de plantas 199 . 13%.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. A ocorrência de resistência múltipla agrava ainda mais o problema.5 . apesar do longo tempo de introdução no mercado. Isso ocorre para diversos biótipos de grande ocorrência em diversas partes do mundo tornando cada vez mais difícil e oneroso o controle desses biótipos. citado por HRAC (2004) Grupo de herbicida Mecanismo de ação Total ocorrência 82 65 33 22 23 20 10 8 4 6 2 7 284 Módulo 3.4-D Uréias e amidas Inibição da fotossíntese no FS II Chlorotoluron Dinitroanilinas e outros Inibição da formação dos microtúbulos Trifluralin Inibição da síntese de lipídios – não da Thiocarbamatos e outros Trialate ACCase Triazoles. 12%. não são claras. Quadro 1 – Ocorrência de biótipos de plantas daninhas resistentes a diferentes grupos herbicidas Exemplo de herbicida Inibidores da ALS Inibição da acetolactato sintase (ALS) Clorsulfuron Inibidores do Fotossistema Inibição da fotossíntese no Atrazine II fotossistema II Inibição da acetil carboxilase Inibidores da ACCase Diclofop-methyl (ACCase) Bipiridílios Aceptores de eletrons do FSI Paraquat Auxinas sintéticas Ação semelhante ao ácido indolacético 2. o controle dos biótipos resistentes com uso de herbicidas é seriamente comprometido. Não foram encontradas citações de plantas daninhas resistentes aos herbicidas perten¬centes aos grupos ariltriazolinonas.

A atividade da enzima pode ou não ser modificada. Se o aminoácido alterado for o ponto ou um dos pontos de acoplamento de uma molécula herbicida. O DNA é uma dupla hélice formada por bases nitrogenadas púricas (adenina e guanina) e pirimidicas (timina e citosina) que formam os genes. multiplicação do material genético. serão repassadas aos seus descendentes. A probabilidade de ocorrer erros na replicação do DNA. cada trinca de bases nitrogenadas codifica um aminoácido que comporá a futura proteína. entretanto. estando na dependência de qual aminoácido foi alterado. A mutação é um processo biológico que vem ocorrendo desde que há vida no planeta. a maioria delas é deletéria e a evolução só é possível porque algumas delas podem ser benéficas em determinadas situações (SUZUKI et al. 1992). A grande maioria das alterações que ocorrem no DNA. 1969). resultando em uma proteína mutante. As etapas para produção de uma proteína são a transcrição. Mutação foi definida por De Vries como mudanças repentinas e hereditárias. 1992). longas e específicas seqüências de bases nitrogenadas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . contudo. mutação de ponto. mesmo remota. e a ocorrência de mutações que provoquem inserção. e a tradução do RNAm com a montagem da proteína pelo ribossomo... na tradução do RNAm. O DNA é um cordão de genes (SUZUKI et al. 1992). que não provoquem a morte do indivíduo. e cai para 10-9 pela ação das enzimas reparadoras (SUZUKI et al. pode originar uma enzima com características funcionais distintas ou não da original.. 1992). formando o RNA mensageiro (RNAm). durante o crescimento do indivíduo é de cerca de 10-4. 1992).Herbicidas: resistência de plantas ..Mecanismos que conferem resistência 1.5 . que é a cópia do DNA pela enzima DNA polimerase. porém não a posição do gene individualmente” (BREWBAKER. 1992). A alteração de uma base nitrogenada. afirmando que são “aquelas mudanças bruscas hereditárias que alteram a atividade. teoricamente. Caso ele componha o centro ativo da enzima. é preferível restringir. a possibilidade de erro.. Na tradução do RNAm. Biótipos resistentes podem ocorrer em uma população de plantas daninhas como resultado de mutações que provocam alterações no local de ação do herbicida (BETTS et al. deleção ou substituição de uma base nitrogenada podem alterar um ou mais aminoácidos da proteína a ser formada. existe.Alteração do local de ação As informações genéticas de um organismo estão contidas em seu material genético (DNA). Os erros de replicação e as lesões espontâneas geram a maior parte das mutações por substituição de base e mudança da matriz de leitura (SUZUKI et al.. a probabilidade de as suas características cinéticas serem modificadas é grande. A ocorrência de erros na replicação ou transcrição da fita do DNA. A seqüência linear de nucleotídios em um gene determina a seqüência linear de aminoácidos de uma proteína (SUZUKI et al. são responsáveis pela codificação das proteínas. Os genes. este produto 200 Módulo 3.1 .

como o sol.Metabolização A planta resistente possui a capacidade de decompor.: plantas resistentes ao paraquat). Desse modo. devido a uma ou mais alterações na estrutura deste local. a não ser que ela apresente outros mecanismos de resistência. Contudo. um herbicida que anteriormente era eficiente em inibir uma determinada enzima deixa de ter efeito sobre esta. Não há evidências. podem provocar mutações no DNA. Esse é o mecanismo de tolerância a herbicidas apresentado pela maioria das culturas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pode perder a atividade inibitória sobre esta nova enzima.Compartimentalização A molécula é conjugada com metabólitos da planta. 1969).Herbicidas: resistência de plantas 201 . como o vacúolo (ex. conforme relatam Sathasivan et al.5 . 1996). Módulo 3. Uma pequena alteração no polipeptídio pode resultar em um grande efeito sobre a afinidade com a molécula herbicida (BETTS et al. que podem estar relacionados com o tipo de mutação ocorrida. A luz ultravioleta e o oxigênio são mutagênicos (BREWBAKER. têm-se plantas daninhas resistentes aos inibidores de ALS. tipo de molécula e. com as formas alélicas do gene. e é muito improvável. são avaliados quanto à sua capacidade mutagênica. Acredita-se que os herbicidas não sejam capazes de provocar mutações. já que estes produtos. ou seja.2 . A resistência de Arabidopsis thaliana às imidazolinonas se deve à alteração de um aminoácido da enzima ALS. (1991). ou. e a planta torna-se resistente àquele herbicida e a outros que se ligam da mesma forma àquela enzima. a molécula herbicida. 1. ou é removida das partes metabolicamente ativas da célula e armazenada em locais inativos. tornando-se inativa. Alteração do local de ação significa que a molécula herbicida diminui sua capacidade de inibir esse ponto. em uma população de biótipos resistentes ocorrem diferentes níveis de resistência ou de susceptibilidade. se o herbicida possuir mais de um mecanismo de ação.. 1. a planta pode morrer pela ação do(s) outro(s) mecanismo(s). tornando-a não-tóxica. 1992). Logicamente que.3 . Fontes externas de radiação. resistência múltipla. como é o caso da resistência de Lolium rigidum a triazinas e inibidores de ACCase. antes de serem lançados no mercado. mais rapidamente do que plantas sensíveis. o tipo de mecanismo que está proporcionando a resistência. que a mutação possa ocorrer por ação de algum herbicida ou outro defensivo agrícola (KISSMANN. Como exemplo.

resistência a herbicidas de todos os grupos químicos que possuem o mesmo local de ação. PRESTON. Assim. tolerante ou resistente a um herbicida. A resistência cruzada conferida pelo local de ação ocorre quando uma mudança bioquímica. 2 . Já a tolerância é uma característica inata de uma espécie. A resistência pode ser cruzada ou múltipla. Uma planta é sensível a um herbicida quando o seu crescimento e desenvolvimento são alterados pela ação do produto. em que as plantas são capazes de sobreviver e se reproduzir após o tratamento herbicida.Absorção e translocação A absorção e a translocação são alteradas e. assim. são resistentes a herbicidas de diferentes grupos químicos e com diferentes mecanismos. mesmo que pertencentes a diferentes grupos químicos. uma planta sensível pode morrer quando submetida a uma determinada dose do herbicida. apresentam 202 Módulo 3. sob condições normais. proporcionar tolerância ou resistência a herbicidas. necessariamente. também confere resistência a outras moléculas de diferentes grupos químicos. Biótipos de Lolium rigidum e Kochia scoparia. Esses mecanismos podem. A resistência cruzada não confere. que agem no mesmo local na planta (POWLES. mesmo sofrendo injúrias. de sobreviver a determinados tratamentos herbicidas que. a resistência é a capacidade adquirida de alguns biótipos. assim. A resistência pode ocorrer naturalmente (seleção) ou ser induzida com uso de técnicas de engenharia genética. 1998). Desse modo.Herbicidas: resistência de plantas .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. quando as plantas resistentes possuem dois ou mais mecanismos distintos que conferem resistência. Também podem existir variações no nível de resistência cruzada dos biótipos a herbicidas de grupos diferentes. isoladamente ou associados. Por outro lado. A resistência cruzada ocorre quando um biótipo é resistente a dois ou mais herbicidas. no ponto de ação de um herbicida. devido a apenas um mecanismo de resistência. e a resistência múltipla. naturalmente. não chegando a ser suficiente para controlar a planta (ex.: plantas resistentes aos bipiridílios). toleram mais ou menos um determinado herbicida. Relaciona-se com a variabilidade genética natural da espécie. Em uma população de plantas vão existir aquelas que.5 . cultura de tecidos ou de agentes mutagênicos. controlam os membros da população. uma planta daninha pode ser sensível. a quantidade de herbicida que atinge o local de ação é bastante reduzida. de uma população de plantas.4 . que possuem resistência cruzada a herbicidas inibidores de ALS.Resistência cruzada A resistência cruzada pode ser conferida a um biótipo por qualquer dos mecanismos que conferem resistência.

devido à rápida metabolização da molécula por arilhidroxilação catalisada pelo Cyt P450 monoxigenase. Já os casos mais complexos são aqueles em que dois ou mais mecanismos conferem resistência à diversos herbicidas de diferentes grupos químicos. PRESTON. imazamethabenz. As mutações já analisadas mostram substituição. A conjugação da molécula herbicida com glicose também foi encontrada. em biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores do FSII. 1998). mas apresentam pequenos aumentos no metabolismo do herbicida diclofop. 1998). O metabolismo de herbicidas inibidores de ACCase e ALS é realizado pelo Cyt P450. no centro ativo A da ALS.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diferentes níveis de resistência aos diferentes grupos herbicidas que agem inibindo a ALS. 1998). PRESTON. de forma semelhante à que ocorre na cultura do trigo. pendimethalim e simazine. que resistem a 15 herbicidas diferentes. é necessário empregar misturas de herbicidas que não tenham sua atividade afetada pelos mecanismos de Módulo 3. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. PRESTON. já foram encontradas outras alterações na ALS tanto no centro ativo A como em outras partes da enzima (POWLES. Para controlar estas plantas daninhas. selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona. da prolina 173. que não exibem alterações na enzima. entre eles diclofop. aumento da taxa de metabolismo dos herbicidas (POWLES. que é resistente a vários herbicidas inibidores da ALS.5 . PRESTON.Resistência múltipla A resistência múltipla é o maior problema atual. Nos casos mais simples. Acredita-se que as moléculas não-metabolizadas sejam imobilizadas ou armazenadas de forma a evitar sua ação sobre a enzima. e futuro. é exemplificada por biótipos de Lolium rigidum. um exemplo são biótipos de Alopecurus myosuroides encontrados na Austrália. Foi detectado.Herbicidas: resistência de plantas 203 . Isso se deve a pequenas diferenças de ligação entre a enzima e a molécula herbicida e a diferentes mutações que ocorrem no gene que codifica a enzima ALS (POWLES. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. 3 . Além disso. relacionado a resistência de plantas daninhas a herbicidas. Conrudo. encontrados na Austrália. O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. 1998). dois ou mais mecanismos conferem resistência à apenas um herbicida ou a um grupo de herbicida. devido a outros mecanismos. Biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. A resistência cruzada. as dificuldades de controle dos biótipos resistentes aumentam ainda mais quando os mecanismos que conferem a resistência estão relacionados com o local de ação e com outros mecanismos como o metabolismo.

1990). é de biótipos de Lolium rigidum que metabolizam herbicidas inibidores da ACCase. fisiológicas e de comportamento entre indivíduos. O uso repetido de herbicidas para controle de plantas tem exercido alta pressão de seleção.. é devido à seleção de um biótipo resistente preexistente que. 1998). o caso mais complicado de resistência múltipla. o da hereditariedade: a prole parece mais com seus pais do que com indivíduos não-aparentados. MORTIMER. 4 . em determinado ambiente (SUZUKI et al. 1992) (Quadro 2). Desse modo. em uma população de plantas. dentro da população. 204 Módulo 3. irão mudar com o tempo e os indivíduos mais bem adaptados ao ambiente tornam-se predominantes (SUZUKI et al. Há poucos casos registrados de plantas com resistência múltipla (POWLES. 1998). e. devido a alterações na enzima. Biótipos de Lolium rigidum e Alopecurus myosuroides constituem casos complexos. através da seleção natural. devido ao metabolismo. Existem biótipos de Lolium rigidum resistentes a herbicidas inibidores de ALS.. PRESTON. e o da seleção: algumas formas apresentam maior sucesso na sobrevivência e reprodução do que outras. dentro de qualquer população. por causa da pressão de seleção exercida por repetidas aplicações de um mesmo herbicida. Em geral. a população da próxima geração terá uma freqüência elevada dos tipos que tiveram maior sucesso em sobreviver e se multiplicar nas condições ambientais vigentes.5 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas resistência em questão. 1992). Darwin postulava que a espécie como um todo vai mudando porque os seus indivíduos evoluem na mesma direção.Herbicidas: resistência de plantas . Contudo. Muitas evidências sugerem que o aparecimento de resistência a um herbicida. O surgimento de plantas daninhas resistentes a herbicidas é um exemplo de evolução de plantas como conseqüência de mudanças no ambiente provocadas pelo homem (MAXWELL. pode ser resumida em três princípios: o da variação: existem variações morfológicas. LEBARON. Os biótipos de A. encontrado na Austrália. provocando mudanças na flora de algumas regiões. 1992). encontra condições para multiplicação (BETTS et al. PRESTON. e resistentes a chlorsulfuron. myosuroides metabolizam chlorotoluron e alguns herbicidas inibidores de ACCase e apresentam ACCase mutada. 1994). assim. espécies ou biótipos de uma espécie que melhor se adaptam a uma determinada prática são selecionados e multiplicam-se rapidamente (HOLT. ALS e FSII e possuem ACCase e ALS mutadas (POWLES.. as freqüências dos vários tipos.Evolução da resistência A teoria da evolução de Darwin.

000 1..99 99.. 1988). Biótipos de Amaranthus retroflexus L. assim. vai selecionando os indivíduos resistentes e aumentando a sua freqüência na população. sensíveis às triazinas. Os biótipos resistentes podem apresentar menor adaptação ecológica nesses ambientes e tornam-se predominantes devido à eliminação das plantas sensíveis. apresentaram maiores área foliar.5 . conforme a Figura 1. que apresenta 90% de eficácia de controle do biótipo suscetível.Tempo para evolução da uma população de biótipos de plantas daninhas resistentes Ano 0 1 2 3 4 5 6 7 No de Plantas Resistentes 1 1 1 1 1 1 1 1 No de Plantas Sensíveis 1. 1995).9 99. RADOSEVICH.. biótipos com maior adaptação ecológica apresentam. 1996). determinam a probabilidade do desenvolvimento de resistência das plantas daninhas a herbicidas. a aplicação do mesmo herbicida. que funciona como um reservatório de sementes suscetíveis e. A menor capacidade competitiva.0 90. altura e produção de sementes.9999 99. aumenta esse tempo de aparecimento. não foram detectadas diferenças na capacidade competitiva de Abutilon therphrasti resistente a triazina (GRAY et al. HOLT. Módulo 3. maior produção que biótipos menos adaptados (SAARI et al. Assim. A intensidade dessa pressão de seleção sobre uma população de plantas daninhas. (CONARD.Herbicidas: resistência de plantas 205 . É evidente que a intensidade de seleção na prática não é tão intensa como mostrada na figura. pois no campo existe o banco de sementes. assim como as diferentes características biológicas. Em condições de seleção natural.0 50.0 Evolução Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Pouco perceptível Perceptível Evidente Fonte: Kissmann (1996) A utilização de herbicidas que são altamente efetivos no controle de uma planta daninha específica por um longo período de tempo induz uma grande pressão de seleção quando comparados com outras práticas de controle.999 99. Por outro lado. em média.0 80.000 100 10 5 2 % de Controle 99.000 100. 1994). 1979) e Chenopodium album (PARKS et al.000. o crescimento e a produtividade de plantas resistentes a triazinas podem estar relacionados com a sua capacidade fotossintética limitada (STOWE.000 10.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 2 .

ou levar muitos anos. Foram identificados biótipos de plantas daninhas resistentes a sulfoniluréias após quatro a cinco anos de uso contínuo de herbicidas deste grupo (MALLORY-SMITH et al. MORTIMER. 1990). As plantas que expressam o gene de resistência são selecionadas. inibidor da EPSPs (Quadro 3). como no caso do glyphosate. A resistência está ligada a fatores genéticos e é hereditária (KISSMANN. Aplicações repetidas de herbicidas.. foram selecionados biótipos de Lolium rigidum resistentes ao diclofop-methyl em três gerações.5 . com o mesmo mecanismo de ação. tornando-se predominantes rapidamente na área. 1994).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 . 206 Módulo 3. 1996). herança e fluxo gênico (MAXWELL. A ocorrência de variações genéticas. como três anos após a introdução comercial (TARDIF. em uma população de plantas exerce alta pressão de seleção. 1993). partindo de uma população sensível e usando-se dose normal do herbicida. capazes de serem transmitidas hereditariamente. O tempo e a proporção de plantas resistentes em um local variam com a freqüência de uso do herbicida e dos seus efeitos biológicos.Herbicidas: resistência de plantas . freqüência gênica. Na Austrália.Aumento da freqüência do biótipo resistente devido a aplicações repetidas e anuais do mesmo herbicida A maior questão ecológica associada com a evolução da resistência aos herbicidas envolve o entendimento das relações entre adaptação. provocando uma seleção direcional e progressiva de indivíduos que possuem genes de resistência. podendo ser bastante curtos. e a seleção natural favorecem o surgimento e a evolução da resistência. PAWLES.

assim. o modo de herança do(s) alelo(s) da resistência (citoplasmática ou nuclear). A freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população sensível geralmente está entre 1 em 1016 e 1 em 106 (MORTIMER. Desse modo. assim. maior será a probabilidade de seleção de um biótipo resistente. 1998). a freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população inicialmente sensível. e a taxa de cruzamentos entre biótipos resistentes e sensíveis (MORTIMER. O tipo de herança do(s) alelo(s) da resistência é ponto crucial no estabelecimento da resistência em uma população de plantas. somente a planta-mãe poderá transmitir a resistência para os filhos. O número de alelos que conferem a resistência é importante. Contudo. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. o surgimento de plantas resistentes. alta eficiência e baixa toxicidade para o homem e o ambiente. altamente eficientes e específicos. pois. as características reprodutivas da espécie. uma vez que uma alteração no seu ponto de ação (enzima) pode provocar a perda de sua atividade sobre as plantas e. tanto o pai como a mãe podem transmitir a resistência. a transmissão será via cromossômica e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 3 – Tempo de evolução da resistência para diferentes mecanismos de ação Herbicida 2. 1998). quanto maior.4-D Triazinas Propanil Paraquat Inibidores da EPSPs Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Fonte: Weed Science (1998) Introdução 1948 1959 1962 1966 1974 1977 1982 Resistência 1957 1970 1991 1980 1996 1982 1984 Local EUA e Canadá EUA EUA Japão Austrália Austrália Austrália A indústria sempre buscou moléculas herbicidas com alto grau de segurança. Há dois tipos de herança: a citoplasmática (materna) e a nuclear. que agem em pontos únicos nas rotas metabólicas das plantas. quando dois alelos estão envolvidos. Há seis fatores relacionados à população de plantas que interagem e determinam a probabilidade e o tempo de evolução da resistência. Por sua vez. Um gene é formado por um par de alelos. características como herança do tipo Módulo 3.Herbicidas: resistência de plantas 207 . como é o caso de plantas resistentes a triazinas. possuem grandes possibilidades de selecionar biótipos resistentes. dessa forma. São eles: o número de alelos envolvidos na expressão da resistência. Herança citoplasmática é aquela em que os caracteres hereditários são transmitidos via citoplasma. herbicidas com essas características exercem alta pressão de seleção e.5 . significa que somente um gene é responsável pela resistência (monogênica) e a evolução será rápida. se a herança for nuclear. mais genes podem estar envolvidos (poligênica) e mais lenta será a evolução da resistência. Por outro lado. ou seja. como é o caso de plantas resistentes aos inibidores de ALS. O objetivo foi atingido e surgiram os herbicidas modernos (inibidores de ALS e ACCase). conseqüentemente. e quanto maior for a freqüência destes alelos. a pressão de seleção.

que serão selecionados futuramente devido segregação e recombinação de genes (MORTIMER. O fluxo gênico apresenta correlação com o fluxo de distribuição de pólen e varia com a espécie. A intensidade e a duração da seleção interagem.5 . A duração da seleção é medida pelo tempo no qual o herbicida permanece com residual. ou.. O intercâmbio de pólen. imposta sobre uma população sensível proporciona espaço para o crescimento e desenvolvimento dos biótipos resistentes. 1994). 1995).Herbicidas: resistência de plantas . Resumidamente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas nuclear disseminam-se. provocando variações sazonais que podem ser observadas nas espécies. 5 . Já os herbicidas com residual longo agem durante tempo maior. como dispersão de pólen e número de propágulos produ¬zidos. eliminação de todos os biótipos. entre plantas resistentes e sensíveis. que será proporcional à dose e. já a contribuição do movimento de sementes é relativamente pequena (SAARI et al. A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes e sensíveis determina a dispersão dos alelos de resistência na população. As características reprodutivas. restando apenas os mais tolerantes e resistentes. 1994). A dispersão da resistência via pólen é influenciada pela eficiência de dispersão e longevidade do pólen (MULUGETA et al. O uso repetido de um mesmo herbicida ou de herbicidas com mesmo 208 Módulo 3. o mecanismo de polinização e as condições climáticas durante a floração (STALLINGS et al. A alta eficiência dos herbicidas provoca a eliminação rápida dos biótipos sensíveis. controlando as plantas sensíveis em diversos fluxos germinativos.Pressão de seleção Os fatores intensidade de seleção e sua duração contribuem para a pressão de seleção exercida pelos herbicidas. A intensidade de seleção é a resposta da população de plantas às repetidas aplicações de herbicidas.Fatores que favorecem o surgimento da resistência 5. e intercruzamento entre os biótipos sobreviventes. via pólen. 1998). e seleção destes dentro de uma população com alta tolerância. influenciam diretamente a dispersão das plantas resistentes. gerando novos indivíduos com maior grau de resistência. permite a dispersão da resistência principalmente em plantas com alta taxa de fecundação cruzada. que é medida pela eficiência de controle das plantas daninhasalvo e pela relativa redução da produção de sementes das plantas remanescentes. 1998). favorecendo o desenvolvimento da população resistente. com maior rapidez no ambiente do que as do tipo citoplasmática (materna). de acordo com sua fenologia e seu crescimento (MORTIMER. O uso de herbicidas altamente eficientes e com residual longo exerce alta pressão de seleção.1 . ao tempo. o processo da evolução da resistência a herbicidas passa por três estádios: eliminação dos biótipos altamente sensíveis. A alta pressão de seleção... exceto os resistentes. favorecimento de um indivíduo em relação a outros.

grande produção de polén e propágulos. baixa dormência das sementes. volume de calda. 1969).Variabilidade genética A variabilidade genética das plantas daninhas. que se apresentam indiferentes à aplicação de algum herbicida (HRAC. A seleção altera as proporções entre as plantas sensíveis e resistentes. O controle insatisfatório de plantas daninhas não significa necessariamente que seja resistência. inicialmente.5 . deve-se responder às seguintes perguntas: a) Produto. A possibilidade de ocorrer resistência em uma população.2 . Toda população natural de plantas daninhas contém biótipos resistentes a herbicidas. contribuem grandemente para o surgimento de plantas resistentes. época ou estádio de aplicação. quando se suspeitar da ocorrência de resistência. adjuvantes. produz alta pressão de seleção e aumenta a possibilidade de seleção de biótipos resistentes. torna inevitável o surgimento de plantas resistentes. O(s) gene(s) que conferem a resistência a um determinado herbicida pode(m) estar presente(s) em uma população antes mesmo que este herbicida seja lançado no mercado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mecanismo de ação. associada à adequada intensidade e duração de seleção. aliadas ao monocultivo e ao uso repetido do controle químico. tipo de bicos e condições ambientais foram adequados? b) As falhas de controle foram para uma espécie apenas? c) As plantas não são resultado de reinfestação? Módulo 3. Segundo HRAC (1998a). O gene ou os cromossomos mutantes são a fonte essencial de toda a variação genética (BREWBAKER. 1998a). devido à mutação. é resultado da relação entre a freqüência da mutação e o tamanho da população. calibração.Diagnóstico da resistência a campo A resistência é um fenômeno que evolui em uma lavoura durante vários anos. Geneticamente. há dois caminhos para o aparecimento de plantas resistentes: a ocorrência de um gene ou de genes que conferem a resistência em freqüência muito baixa na população ou através de uma mutação (MORTIMER. dosagem.Herbicidas: resistência de plantas 209 . 1998). Características das plantas daninhas como alta diversidade genética. 6 . 5. altamente específicos e com longo residual.

MORTIMER. das plantas tratadas com herbicida em comparação com as não-tratadas (MAXWELL. No Brasil. Ponchio (1997) isolou a enzima ALS e avaliou a sua resposta a diferentes doses de herbicidas que agem sobre ela. da biomassa (GR50) ou da atividade da enzima (I50). avaliar o controle e a produção de matéria fresca. Após duas e quatro semanas. podem ser realizadas em nível de laboratório. 210 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Se as respostas a estas perguntas forem afirmativas. Para servir como padrão sensível. deve-se iniciar a investigação dos fatores que levam à resistência.5 . a) Ultimamente tem-se reptido aplicação de um mesmo herbicida ou herbicidas com mesmo mecanismo de ação? b) O herbicida em questão vem perdendo eficiência? c) Há casos de plantas resistentes a este herbicida? d) O herbicida não perdeu eficiência sobre outras espécies? Se a resposta a uma ou mais destas perguntas for afirmativa. 7 . devem-se colher sementes de plantas em locais que nunca receberam aplicação daquele herbicida. Os resultados podem indicar se a resistência é devido à alteração no local de ação ou à metabolização da molécula. para identificar o mecanismo exato da resistência. duas e quatro vezes a dose recomendada. semear em vasos e tratar com doses crescentes do herbicida em questão. Para se ter certeza de que as plantas colhidas representam a população. Por outro lado. devendo-se realizar testes para confirmação. deve-se colher em torno de 40 plantas ou 1. As doses a serem aplicadas são: metade da recomendada. dose recomendada. As condições de aplicação devem seguir aquelas recomendadas pela empresa fabricante.000 sementes. As diferenças entre biótipos resistentes e sensíveis de uma espécie podem ser quantitativamente expressas comparando-se as doses de herbicidas necessárias para reduzir 50% da população (DL50). existe a possibilidade de ser resistência. 1994). indica que o provável mecanismo envolvido é metabolismo da molécula. Análises bioquímicas. se a diferença de controle for pequena.Como confirmar a resistência O método mais comum e recomendado pelo HRAC (1998b) é colher sementes das plantas suspeitas de resistência e de plantas sensíveis. Se a diferença de controle entre os biótipos resistentes e sensíveis for grande.Herbicidas: resistência de plantas . indica que o possível mecanismo de resistência está relacionado com o local de ação. Existem metodologias para estudo da maioria dos casos de resistência.

l) Rotacionar o método de preparo do solo. em primeiro lugar: a) Erradicar imediatamente as plantas remanescentes. a fim de minimizar o risco do surgimento de plantas resistentes (Quadro 4). juntamente com esta. c) Evitar a disseminação. algumas práticas podem ser implantadas. c) Usar mistura de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e de detoxificação. b) Colocar em prática o programa de manejo da resistência. i) Acompanhar mudanças na flora. Isso pode ser conseguido com adoção das seguintes práticas: a) Usar herbicidas com diferente mecanismo de ação. São elas: reduzir a pressão de seleção e controlar os indivíduos resistentes antes que eles possam se multiplicar. 8 . d) Realizar rotação de mecanismo de ação. Módulo 3. O acompanhamento e a avaliação da eficiência das medidas adotadas para combate à resistência são indispensáveis para garantir o sucesso da prática. e) Limitar aplicações de um mesmo herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A empresa fabricante deve ser informada e. h) Rotacionar os métodos de controle de plantas daninhas. f) Usar herbicidas com menor pressão de seleção (residual e eficiência). deve-se. As práticas culturais visam aumentar o número de possibilidades de controle das plantas daninhas.Herbicidas: resistência de plantas 211 . simultaneamente. Em caso de confirmação da resistência. através de diferentes métodos de controle e mecanismos herbicidas. A mistura de produtos com diferentes mecanismos de ação proporciona controle eficiente por maior número de anos do que ambos aplicados de forma isolada. A adoção dessas práticas visa reduzir a pressão de seleção. k) Controlar plantas em áreas adjacentes (terraços. pós-colheita). para reduzir o acréscimo de sementes ao banco. Para minimizar os riscos de resistência. os herbicidas que compõem a mistura devem controlar o mesmo espectro de plantas daninhas e ter persistência similar e diferente mecanismo de ação e de detoxificação. j) Usar sementes certificadas. devem-se realizar os testes e determinar medidas de manejo.5 . b) Realizar aplicações seqüenciais. g) Rotacionar o plantio de culturas. é pequena. já que a probabilidade de uma planta daninha tornar-se resistente aos dois mecanismos.Como evitar a resistência Antes que as falhas de controle apareçam na lavoura.

1998). A redução na pressão de seleção. A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes é reduzida. 1998). ou. assim.Herbicidas: resistência de plantas . mas reduzirá o número de genes na população capazes de associarem-se (MORTIMER. e os biótipos mais adaptados tendem a dominar o ambiente. 212 Módulo 3. resistentes às triazinas. se a resistência for uma característica poligênica. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. favorecendo os alelos sensíveis (MORTIMER. A seleção reversa ocorre na ausência da seleção herbicida. rotação de culturas e métodos de controle e usando-se herbicidas com diferentes mecanismos de ação. no caso de a resistência ser monogênica. de acordo com as práticas de cultivo Opção de manejo Mecanismo herbicida usado Mistura de herbicidas Método de controle Rotação de cultura Infestação Controle nos últimos três anos Fonte: Adaptado de HRAC (1998d) Baixo Mais que dois Mais que dois mecanismos Cultural. mecânico e químico Completa Baixa Bom Risco de resistência Médio Dois mecanismos Dois mecanismos Cultural e químico Limitada Média Declinando Alto Um mecanismo Um mecanismo Químico Nenhuma Alta Ruim 9 . 1998). a redução na pressão de seleção aumenta a probabilidade de associação desses genes em um biótipo. Por outro lado. seleção reversa. As várias opções que vêm sendo sugeridas estão baseadas em somente dois processos biológicos: alteração da pressão de seleção e. e com o passar do tempo a população de plantas resistentes será reduzida (MORTIMER. selecionar biótipos altamente resistentes. Desse modo. O comportamento de uma população de plantas pode ser altamente modificado. A baixa pressão de seleção poderá.5 . essas medidas podem agravar o problema. as plantas que não são controladas com uso de herbicidas alternativos podem contribuir para a disseminação e o aumento da freqüência gênica dos alelos sensíveis.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 4 – Risco de evolução da resistência. Essa tática somente será eficiente na redução da população dos biótipos resistentes em casos em que as diferenças de adaptabilidade entre os biótipos resistentes e sensíveis forem grandes (MORTIMER. 1998). O uso de altas doses pode intensificar a seleção. uso de misturas de herbicidas.Manejo da resistência a herbicidas As estratégias de manejo vêm sendo discutidas continuamente por cientistas da área. Biótipos de Senecio vulgaris. neste caso. são menos competitivos do que biótipos sensíveis. pode ser conseguida com redução na dose do herbicida que selecionou as plantas resistentes.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considerando que a resistência é um problema que pode afetar intensamente o mercado de herbicidas.5 . quando biótipos resistentes de Convolvulus arvensis foram identificados nos Estados Unidos (WEED SCIENCE. financiando pesquisas e com iniciativas educativas que visam esclarecer aspectos sobre a resistência e o modo de ação de cada herbicida. nos Estados Unidos. O conhecimento do modo de ação dos herbicidas é fundamental na adoção de técnicas de manejo. inibidores de ALS e inibidores de ACCase. estão empenhadas em desenvolver técnicas e estratégias para identificação.4-D. Em 1957. As empresas fabricantes de herbicidas. de constituir um grupo permanente de cientistas para estudar o assunto e propor soluções. e Matricaria perforata. no Canadá. as indústrias tomaram a iniciativa. Este grupo chama-se HRAC (Herbicide Resistance Action Committee) e é formado por três subgrupos que estudam triazinas. 10 . na França. 1998) O uso extensivo de 2.Herbicidas: resistência de plantas 213 .4-D e MCPA em trigo selecionou Sinapis arvensis. responsáveis pelo HRAC. manejo e monitoramento dos casos de resistência.Auxinas As auxinas sintéticas 2.4-D e MCPA revolucionaram o controle de espécies daninhas de folha larga em cereais na década de 1940 e têm sido usadas largamente desde então. Os três primeiros casos de resistência identificados foram a esta classe herbicida. Os biótipos resistentes assumem importância. e de Daucus carota. Papaver rhoeas. 1996). selecionou biótipos resistentes de Echinocloa crus-galli na Espanha. O terceiro caso foi em 1964. que incluem mistura de herbicidas. através do GCPF (Federação Global de Proteção de Plantas). foram identificados biótipos de Commelina diffusa.Características da resistência por grupos herbicidas 10. O herbicida quinclorac. considerado uma auxina e usado para controle de gramíneas em arroz. Considerando o tempo e o uso extensivo destes herbicidas. devido ao largo uso destes herbicidas para controlar grande número de espécies e ao restrito número de herbicidas com potencial para substituí-los (HEAP. 1997). poucas plantas daninhas evoluíram resistência até hoje. resistentes ao 2.1 . por serem os três grupos de produtos com maiores problemas (KISSMANN. que visam prolongar a vida útil das moléculas envolvidas na resistência. no Canadá. na Espanha. fortemente defendidas pelas empresas. rotação de mecanismos de ação e adoção de práticas culturais específicas. Módulo 3.

como o glyphosate. 1994). Os mecanismos que conferem resistência aos bipiridílios são redução na translocação e compartimentalização da molécula (PRESTON. Dentre estas. na Austrália. Aplicações de paraquat e diquat selecionaram 25 e duas espécies resistentes. Atualmente existem comprovados no mundo seis casos de resistência ao glyphosate.3 . 17 espécies resistentes. e os herbicidas auxínicos e inibidores de ACCase. 214 Módulo 3. de que o glyphosate apresenta baixo risco para selecionar biótipos resistentes. 1994). dez vezes nos últimos 15 anos. em uma vasta área. plantas de Conyza bonariensis resistentes ao paraquat (PRESTON. Contudo. os biótipos resistentes a este grupo herbicida não são considerados de grande importância (HEAP. entre plantas resistentes e suscetíveis as enzimas são igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas as populações.Bipiridílios Os herbicidas bipiridílios são herbicidas não-seletivos aplicados em pós-emergência. Erigeron sumatrensis e Youngia japonica resistentes a estes herbicidas. Depois disso. no Japão.2 . 10. Segundo esses autores. mais de um mecanismo de ação. resistentes ao glyphosate. limitado metabolismo pelas plantas e baixo poder residual. respectivamente. não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs. selecionaram 26 espécies resistentes. cada um.5 . Por apresentar mais de um mecanismo de ação. (2002) trabalhando com Lolium rigidum. nãotranslocáveis (de contato) e com baixa persistência biológica no solo. em 1980. no Egito. selecionaram. Lorraine-Colwill et al. os herbicidas bipiridílios. foram identificados. é o longo tempo em que este vem sendo usado. que apresentam.Herbicidas: resistência de plantas . em lavouras que usaram o produto para controlar plantas daninhas em pré-plantio. 1997). com surgimento de apenas uma espécie resistente (HEAP. pelo menos. biótipos de Erigeron philadelphicus. 20 são dicotiledôneas e sete são monocotiledôneas (HEAP. Após duas décadas de uso. Trabalhos realizados por Pratley et al. foram identificadas. biótipos de Lolium rigidum. Devido à pequena área infestada e ao número de herbicidas alternativos. Em 1996 foram identificados. O argumento mais convincente.Derivados da glicina O herbicida glyphosate é o produto mais usado deste grupo. 1997).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. 1997). é considerado um produto com baixa probabilidade de selecionar espécies resistentes. que apresentam baixo residual. Os biótipos também apresentaram-se resistentes ao diclofop e sensíveis aos demais herbicidas graminicidas usados para seu controle. (1997) demonstraram que os biótipos resistentes de Lolium rigidum foram dez vezes mais tolerantes ao glyphosate do que os biótipos sensíveis.

Dinitroanilinas Os herbicidas do grupo dinitroanilinas. 1998). resistentes ao glyphosate. assim. em resposta ao tratamento com glyphosate. 1997). em 16 países. Lolium rigidum e Avena fatua são as espécies com maior importância. devem ser adotados. 1990. 10. Desse modo. 10. para controle de gramíneas. em razão da área infestada e do número restrito de mecanismos alternativos para controle dos biótipos resistentes (HEAP. além do químico. entre os biótipos resistentes e sensíveis. 1990). Biótipos de Festuca rubra. Há 17 espécies monocotiledôneas resistentes aos inibidores da ACCase. translocação. mais de 3. biótipos de Eleusine indica. considera-se que aquelas que resistem aos herbicidas inibidores de ACCase tenham a maior importância econômica. Entre as plantas resistentes. acredita-se que estes mecanismos não são as causas principais da resistência dos biótipos a este herbicida.Inibidores de ACCase Este grupo herbicida foi introduzido na década de 1970. e isso fez com que fossem selecionados biótipos de Setaria viridis com resistência múltipla a estes mecanismos (HEAP. devem ser usados com rotação de culturas e de herbicidas.5 . Nos Estados Unidos. 1998).000 locais com Lolium rigidum resistente e. os cultivares de soja resistentes ao glyphosate. oryzalin e pendimethalin. Biótipos de Lolium rigidum apresentam resistência cruzada às dinitroanilinas. Dessa forma. metabolismo e sensibilidade da EPSPS ao glyphosate. são usados em pré-emergência para controlar plantas daninhas gramíneas em culturas oleaginosas. Os herbicidas inibidores de ACCase são o primeiro grupo herbicida alternativo para controlar biótipos resistentes aos herbicidas do grupo dinitroanilina.4 . 1998). na Austrália. como trifluralin.Herbicidas: resistência de plantas 215 . devido ao metabolismo dessas moléculas (MOSS. 1997). O uso de misturas herbicidas e emprego de mais de um método de controle. mais de 500 locais com Avena fatua (HEAP. Estima-se que haja. Apesar do tempo de uso e do seu longo período residual. a maior quantidade de EPSPs sintetizada poderia ser a causa da resistência. POWLES. recentemente desenvolvidos. somente cinco monocotiledôneas e uma dicotiledônea apresentam resistência a este grupo herbicida (HEAP.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Esses trabalhos também demonstraram que não existem diferenças de absorção. Módulo 3. no Canadá. Essas moléculas agem sobre a enzima ACCase e controlam com eficiência gramíneas em culturas mono e dicotiledôneas. Sorghum halepense e Amaranthus palmeri evoluíram resistência à trifluralin após 15 a 20 anos de uso em cereais e leguminosas. A única diferença entre os biótipos foi o maior nível de RNAm encontrado nos biótipos resistentes. foram selecionados artificialmente (MORTIMER. HOWAT.5 . A identificação de biótipos resistentes ao glyphosate indica que a resistência a este produto deve ser prevenida.

Os herbicidas classificados como inibidores de ALS tornaram-se uma ferramenta de grande importância para agricultura. 1994). bem como a seu grande espectro de controle de plantas daninhas. Dentre estas. PRESTON. 10. como: 1) a amplitude de recomendações possíveis. a resistência aos inibidores da ALS tem sido atribuída a mudanças na seqüência de aminoácidos. Atualmente. 3) muitos herbicidas inibidores da ALS apresentam residual prolongado no solo e conseqüentemente aumentam a pressão de seleção para biótipos resistentes. este grupo herbicida vem apresentando o maior número de registros de plantas resistentes. plantas resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase devem possuir mais de um mecanismo que proporcione a resistência. 1994). apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. em razão da sua eficiência e do reduzido impacto ambiental (SAARI et al.5 . 1998). 1997). Nos últimos dez anos. A despolarização das membranas é um segundo mecanismo de ação atribuído aos herbicidas deste grupo. 1994). Aproxi¬madamente cinco anos após o início do uso dos herbicidas inibidores de ALS.Inibidores de ALS A introdução no mercado dos herbicidas inibidores de ALS ocorreu em 1982. 5) trabalhos têm mostrado que os biótipos resistentes apresentam a mesma adaptabilidade ecológica que os biótipos sucetíveis dos inibidores 216 Módulo 3. 1994.. AHRENS. o que se deve a vários fatores. 1997). Entre as espécies descritas estão Kochia scoparia.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Biótipos de Lolium rigidum. Assim. desde gramíneas até dicotiledôneas e plantas daninhas perenes como a tiririca e a grama-seda. selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona. alta seletividade para as culturas e alta eficiência com emprego de doses baixas (HESS. um relacionado com a ACCase e outro com a membrana plasmática. há 50 espécies de plantas daninhas resistentes a estes produtos. 41 são dicotiledôneas e nove são monocotiledôneas. Essas características contribuíram para o surgimento rápido da resistência. com o lançamento da molécula chlorsulfuron para uso em cereais (SAARI et al. 4) a resistência aos herbicidas inibidores da ALS é determinada geneticamente por lócus simples e semidominante e alta freqüência inicial em todos os casos de resistência estudados até o momento.. a repolarização das membranas ocorre independentemente da presença da ACCase mutada e existem muitas diferenças entre as membranas dos biótipos resistente e sensível (HEAP.esses herbicidas podem atingir níveis de controle próximos a 100%. em 14 países. Amaranthus strumarium e Sorghum bicolor (HEAP. A manutenção do potencial é vital para a sobrevivência da célula. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. Os herbicidas inibidores da ALS apresentam alta freqüência de casos de resistência de plantas daninhas. Estes herbicidas são largamente usados devido a sua baixa toxicidade para animais. surgiu a primeira espécie resistente (SAARI et al.Herbicidas: resistência de plantas . 2) alta eficácia da maioria dos herbicidas inibidores da ALS . que vai desde a cultura da soja até área de produção de arroz irrigado e florestas implantadas. 1994). Em biótipos de Lolium rigidum.6 . O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCase e do tipo de alelo do gene (POWLES..

assim. biótipos resistentes apresentam menor crescimento do que biótipos normais Módulo 3. histidina.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas da ALS. Além da prolina. 10. usando-se herbicidas alternativos (HEAP. como as triazinas e uréias substituídas. serina ou treonina. até o momento. PRESTON.Herbicidas: resistência de plantas 217 . As espécies mais freqüentes são Chenopodium album. O metabolismo das moléculas herbicidas é outro mecanismo usado por plantas daninhas para resistir a estes herbicidas. não foram encontrados biótipos resistentes que apresentem alteração na taxa de crescimento ou na capacidade competitiva.Triazinas A maioria das plantas daninhas resistentes às triazinas foram localizadas em lavouras de milho na Europa e América do Norte. foi identificada somente uma mutação na proteína D1: a substituição da serina 264 por uma glicina. assim. e Solanum nigrum. 1992).5 . em um dos biótipos resistentes.. porém a atividade da ALS. SAARI et al. Essas mutações não alteram a função biológica da ALS. 1997). em dez países. 1989. dessa forma. Esta mutação afeta o fluxo de elétrons no FSII. A resistência a imidazolinonas e sulfoniluréias é conferida por um gene dominante nuclear (MAZUR. da prolina 173 por uma alanina. glutamina. Já um segundo biótipo apresentou resistência devido à insensibilidade da enzima ALS ao inibidor. 1994). Estima-se que a área infestada no mundo com plantas daninhas resistentes aos herbicidas triazinas seja superior a três milhões de hectares. outros aminoácidos da ALS podem ser substituídos e produzir plantas resistentes com características distintas. O gene que codifica a enzima ALS nas espécies resistentes pode apresentar diferentes mutações. a resistência deste biótipo se deve à rápida metabolização do herbicida. Christopher et al. no centro ativo A da ALS. Os diferentes níveis de resistência são atribuídos às diferenças na estrutura do centro de reação da D1 entre às espécies.. até o momento. Entre as plantas resistentes relatadas existem nove espécies de Amaranthus. contudo.7 . FALCO. em 16 países. SAARI. e 6) a maioria dos casos de resistência aos inibidores da ALS estudados apresenta resistência cruzada aos diversos grupos químicos de herbicidas que tem este mecanismo de ação (VARGAS et al. A mutação na D1 provoca alto nível de resistência aos herbicidas do grupo triazinas. que conferem alterações funcionais na enzima ALS (POWLES. Amaranthus retroflexus e Senecio vulgaris. Alterações na proteína D1 são as principais causas da ocorrência de plantas resistentes aos herbicidas que agem no fotossistema II. já que. mas não a todos os herbicidas do grupo das uréias. entre elas a substituição. A rápida inativação metabólica é a base para a resistência do biótipo SR4/84 de Lolium rigidum ao chlorsulfuron (COTTERMAN. A causa da resistência aos herbicidas inibidores de ALS está em mutações que ocorrem no DNA e no metabolismo da molécula herbicida. em nove países. (1992) identificaram biótipos de Lolium rigidum resistentes ao herbicida chlorsulfuron. As plantas daninhas resistentes têm sido controladas com eficiência. cinco de Polygonum e quatro de Chenopodium. respondeu igualmente a um biótipo sensível ao herbicida. 2004). 1998). não está descartada a hipótese de que o metabolismo da molécula também esteja envolvido.

Herbicidas: resistência de plantas . Isso demonstra que as triazinas apresentam maior risco de seleção de biótipos resistentes que as auxinas sintéticas (HEAP. crusgalli em lavouras de arroz.Mecanismos de resistência de plantas daninhas a herbicidas pertencentes a diferentes grupos químicos Herbicida Triazinas Dinitroanilina Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Propanil 2. dessa forma. A mutação responsável pela resistência às triazinas ocorreu no genoma do cloroplasto.8 . 1998). 11 . As diferenças relacionadas ao mecanismo de ação destes herbicidas podem ser a resposta para essa questão. em 1983.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (POWLES. mais de 40 espécies apresentam resistência a este grupo e duas ao propanil. 1997). mas sim via herança materna.5 . 1998). da Costa Rica e dos Estados Unidos (HEAP. ao tamanho da área e ao tempo em que este produto é usado na área.Uréias/amidas A primeira espécie a apresentar resistência às uréias foi Alopecurus myosuroides no Reino Unido. 10. além da facilidade que as espécies possuem de evoluir resistência para o herbicida e do número de mecanismos envolvidos.Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida Os herbicidas selecionam biótipos resistentes com diferentes mecanismos de resistência (Quadro 5) e em diferentes períodos de tempo (Quadro 3). 1997). com uso de herbicidas alternativos (HEAP.D 218 Mecanismo Local de ação alterado/metabolismo Local de ação alterado Local de ação alterado Local de ação alterado Metabolismo Desconhecido Módulo 3. com e sem rotação. Os herbicidas triazinas e auxina sintéticas vêm sendo usados em milhões de hectares há mais de 30 anos. PRESTON. a resistência não é transmitida hereditariamente via pólen. que pertence ao grupo das amidas. Atualmente. e na Alemanha. apresentam sérios problemas de controle. em muitos países. em 1982.4. Biótipos de Alopecurus myosuroides. Os biótipos de plantas daninhas resistentes às triazinas são controlados com eficiência. Até o momento existem 64 espécies resistentes às triazinas e 17 resistentes aos auxínicos. resistentes a chlorotoluron. O herbicida propanil é usado para controlar Echinocloa colona e E. A ocorrência destes biótipos resistentes inviabiliza o uso deste herbicida em lavouras da Colômbia. Quadro 5 . por possuírem capacidade de metabolizar herbicidas com diferentes mecanismos de ação. As diferenças se devem à variabilidade genética das espécies envolvidas.

1997). a vasta área tratada.Herbicidas: resistência de plantas 219 . Em razão de suas características. mas são sensíveis aos herbicidas alternativos sulfentrazone.. Eleusine indica. estes herbicidas apresentam alto potencial para selecionar plantas resistentes. A alta freqüência inicial de indivíduos resistentes na população.5 . Lolium multiflorum. Estes biótipos foram encontrados em lavouras dos estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul e apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS. Somente com o uso de todos os métodos de controle disponíveis conjuntamente. Conyza canadensis. VARGAS et al. 2006). 1997. até o presente momento. constitui-se na mais provável causa da resistência (PONCHIO. fomesafen e acifluorfen (PONCHIO. Módulo 3. poderão ser evitados o surgimento de novos casos de resistência e o surgimento de plantas com resistência múltipla. selecionaram biótipos resistentes devido ao seu emprego em vastas áreas (HEAP. desse modo. são elas: Lolium rigudum. Nos últimos dez anos foram identificadas mais espécies resistentes para os inibidores de ALS do que para qualquer outro mecanismo de ação. bentazon. lactofen. 1997).A resistência de plantas daninhas no Brasil Atualmente são reconhecidos 15 casos de plantas daninhas resistentes no Brasil. Conyza banariensis e Plantago lanceolata (WEED SCIENCE. 1999). aos herbicidas inibidores de ALS. Até hoje foram constatados casos de resistência em 6 espécies de plantas daninhas. O primeiro caso de resistência de plantas daninhas ao herbicida glyphosate foi registrado em 1996.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os herbicidas dos grupos cloroacetamidas e inibidores da EPSPs (glyphosate). a alta especificidade e eficiência e o longo período residual contribuem para a evolução rápida da resistência aos herbicidas que agem inibindo as enzimas ALS e ACCase. um número limitado de populações de plantas daninhas sofreu pressão de seleção suficiente para o aparecimento de biótipos resistentes (CHRISTOFOLETI. apesar de serem considerados de baixo risco. 12 . relatado oficialmente. mostrou-se menos sensível a estes herbicidas e. LÓPEZ-OVEJERO. O primeiro caso de resistência. O glyphosate esta sendo usado intensivamente na agricultura há mais de 25 anos. A enzima ALS. que é um problema muito maior do que a resistência cruzada. (Quadro 6). dos biótipos resistentes. 2003). foi o da planta daninha Bidens pilosa L.

resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. O uso repetido destes herbicidas pode ser a principal causa da seleção dos biótipos resistentes.5 .arroz Capim. Não houve diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis relacionadas à taxa de germinação e à profundidade de germinação e emergência. referentes à resistência em Euphorbia heterophylla L. Estudos relacionados à capacidade competitiva e ao comportamento das sementes no solo não indicam.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 6 . Os biótipos resistentes sobreviveram ao tratamento com dose 16 vezes maior que a dose de campo (de rótulo). até o momento.arroz Capim-pé-de-galinha Leiteiro Leiteiro Flecha Cuminho Azevém Losna-branca Nabiça Mecanismo de ação ao qual adquiriu resistência Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Auxina sintética Inibidores da ACCase Auxina sintética Auxina sintética Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ALS e PPO Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da EPSPs Inibidores da ALS Inibidores da ALS Biótipos de Euphorbia heterophylla. estão sendo realizados na Universidade Federal de Viçosa. foram identificados em lavouras de soja nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná. porém são sensíveis a herbicidas com outros mecanismos de ação.Herbicidas: resistência de plantas . onde estes produtos são empregados há mais de cinco anos. diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis. Os resultados deste trabalho indicam que a resistência é conferida por um gene dominante nuclear e que os biótipos apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS. e Brachiaria plantaginea.. crusgalli Echinochloa crus-pavonis Eleusineiíndica Euphorbia heterophylla Euphorbia heterophylla Sagitaria montevidensis Fimbristylis miliacea Lolium multifolium Parthenium hysterophorus Raphanus sativus Fonte: Wees Science (2006) Nome comum Picão-preto Picão-preto Capim-marmelada Junquinho Capim-arroz Capim-colchão Capim. resistentes aos herbicidas inibidores de ALS.Espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas ocorrentes no Brasil e seu provável mecanismo Biótipos resistentes Bidens pilosa Bidens subalternans Brachiaria plantaginea Cyperus difformis Echinochloa colonum Digitaria ciliaris Echinochloa crusgalli var. Estudos relacionados a inibidores da ALS em condições de laboratório e de campo. 220 Módulo 3.

Vargas et al. que vinham recebendo. 20% a doses de até 11.Herbicidas: resistência de plantas 221 . herbácea. glaba. observaram que aproximadamente 80% das plantas avaliadas resistiram a dose de até 1. Nas plantas resistentes e suscetíveis. No Brasil.520 g ha-1. o mecanismo que confere resistência ao glyphosate ainda não foi determinado com clareza. densamente perfilhada. Em todos esses casos a aplicação repetida e continuada de glyphosate para controle da vegetação é considerada a principal causa da seleção dos biótipos resistentes. foram identificados biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistentes ao glyphosate em lavouras de culturas anuais e em pomares (ROMAN et al. Este biótipo resistente foi identificado em pomares no Chile. Com relação ao Lolium rigidum.440 g ha-1 de glyphosate e. (2004). ereta. as enzimas foram igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas às populações.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 13 . trabalhando com biótipos sucetíveis e resistentes de azevém (Lolium multiflorum). As plantas resistentes e suscetíveis foram igualmente capazes de absorver o herbicida aplicado. Nesse mesmo trabalho. Lorraine-Colwill et al. Módulo 3. em média. aproximadamente. a dose de 360 g ha-1 foi suficiente para controlar o biótipo sensível.Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate Lolium multiflorum é uma espécie anual ou bianual. três aplicações de glyphosate por ciclo durante os últimos 8 a 10 anos. de 30 a 90 cm de altura. 2004)..5 . A diferença marcante entre populações resistentes e suscetíveis foi encontrada no translocação do glyphosate. Depois do tratamento com glyphosate os autores observaram acumulação do produto nas raízes de plantas suscetíveis e nas pontas das folhas de plantas resistentes (Quadro 7). O primeiro caso de Lolium multiflorum resistente ao glyphosate foi relatado por Perez e Kogan (2002). (2002) não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs. Originária do sul da Europa. propaga-se apenas por sementes (LORENZI. 2000). morfologicamente muito variável.

0 42.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 .0 38. é muito pouco provável que os maiores níveis de expressão da EPSPs dos indivíduos resistentes expliquem completamente a maior tolerância ao produto.4 44.4 ± 8. Os resultados do trabalho indicados no Quadro 8 mostram que a atividade da EPSPS das plantas resistentes é similar à atividade das plantas suscetíveis. a hipótese de alteração da EPSPS no sítio de ação é descartada.5 43.8 Esses autores observaram superprodução da EPSPS induzida pela aplicação do glyphosate e também expressivo aumento no nível de EPSPS nas plantas resistentes e altamente resistentes. LA: local da aplicação.3 ± 7. (2002) % de inibição por glyphosate 0 hora após a aplicação 48 horas após a aplicação 42. sugerindo que o mecanismo de resistência não esta completamente baseado no sítio de ação. Baerson et al. com erros-padrão. Quadro 8 – Inibição da EPSPS em teste in vitro População Suscetível Intermediário Resistente Altamente resistente Fonte: BAERSON et al. rigidum após o pré-tratamento com glyphosate isopropilamina (450 g ha-1) Horas 2 4 8 24 48 Biótipos S R S R S R S R S R Acima do LA 30 ± 2 28 ± 4 40 ± 3 42 ± 4 36 ± 5 48 ± 5 19 ± 3 42 ± 5 15 ± 2 50 ± 1 C (% total absorvido) LA Abaixo do LA 13 ± 1 55 ± 2 11 ± 1 58 ± 5 11 ± 1 44 ± 3 10 ± 1 44 ± 4 11 ± 2 45 ± 3 10 ± 2 37 ± 3 08 ± 1 53 ± 3 10 ± 1 43 ± 4 10 ± 2 55 ± 3 11 ± 1 33 ± 3 14 Raízes 02 ± 0 02 ± 0 05 ± 1 04 ± 0 08 ± 1 05 ± 1 20 ± 2 05 ± 1 20 ± 4 06 ± 1 Lorraine-Colwill et al. (2002) observaram inicialmente que numa população de Lolium rigudum existiam plantas com diferentes níveis de resistência ao glyphosate e assim classificaram estes biótipos como suscetível. (2002).Herbicidas: resistência de plantas .5 .2 ± 2.5 44.9 36. Segundo Kogan e Pérez (2003).8 42. intermediário .Translocação foliar do 14glyphosate aplicado em plantas resistentes e suscetíveis.5 ± 2.6 ± 6. 222 Módulo 3.6 ± 2. Os autores isolaram a enzima EPSPS e realizaram testes in vitro de sua atividade na presença de glyphosate em todas as populações. resistente e altamente resistente. dessa forma. em biótipos de L. Os valores mostrados são a médias de 10-15 plantas dos biótipos resistente e suscetível.3 ± 3.9 ± 4.

4). (2006a) Em recente trabalho realizado por Ferreira et al. intermediário e resistente ao herbicida glyphosate). em ambos os biótipos (resistente e com resistência intermediária) de L. A dose de 200 g ha-1 foi suficiente para controlar 100% das plantas sensíveis (Fig. Módulo 3.5 . resistente (B) e de resistência intermediária (C) de Lolium multiflorum Fonte: Ferreira et al.Evolução da intoxicação provocada por glyphosate sobre biótipos sensível (A). (2006a) com três biótipos de Lolium multiflorum (biótipos sensível. 3 B e C. Essa queda de produção foi mais severa no biótipo intermediário do que no resistente (Fig.200 g ha-1 de glyphosate não controlaram os biótipos resistentes e de resistência intermediária. observou-se que doses de até 3. Tanto o biótipo resistente quanto o intermediário apresentaram elevados níveis de intoxicação (80%) aos 14 dias após a aplicação dos tratamentos (Fig.Herbicidas: resistência de plantas 223 . 3A). Todavia.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 . multiflorum observou-se redução na produção de massa seca da parte aérea.

(2002) em Lolium rigudum. que constataram maior acúmulo do produto marcado nas raízes do biótipo resistente.Herbicidas: resistência de plantas . Ferreira et al. (2006a) Figura 4 . O biótipo R apresentou maior acúmulo de 14glyphosate na folha aplicada às 64 horas enquanto no suscetível observaram maior acúmulo desse herbicida nas raízes (Fig. Esses resultados se assemelham aos encontrados por Lorraine-Colwill et al. 5). multiflorum pode estar ligado a translocação diferencial deste herbicida pelos diferentes biótipos. 224 Módulo 3.5 .Porcentagem de produção de massa seca dos biótipos resistente e intermediário tratados com glyphosate em relação à testemunha Fonte: Ferreira et al. 2A).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 3 .. Todavia observaram diferença marcante na translocação do 14glyphosate entre os biótipos resistente (R) e sensível (S).Biótipos resistente (R) e sensível (S) de L multiflorum cinco dias após tratamento com 800 g ha-1 de glyphosate (FERREIRA et al. 2006a) O possível caso da resistência de L. (2006) verificaram que tanto o suscetível quanto o resistente absorveram o glyphosate na mesma intensidade (Fig.

(2006b) 14 . Módulo 3.1 . O Brasil é hoje o terceiro produtor de transgênicos. a área de produção de transgênicos passou de 81 milhões de hectares em 2004 para 90 milhões. com uma área plantada de 9.5 .4 milhões de hectares de sementes. multiflorum resistente (R) e sensível (S) Fonte: Ferreira et al. (A) – na água de lavagem. No mundo.nas raízes de biótipos de L. 2005). (C) – na parte aérea e (D) . Depois disso. (B) .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 – Concentrações de glyphosate avaliadas em diferentes tempos após aplicação. perdendo apenas para Argentina e Estados Unidos (Quadro 9). correspondendo a um aumento de 11% em 2005 no total de 21 países onde o plantio de transgênicos é permitido (JAMES.Culturas transgênicas Cultivares de soja e de outras culturas foram lançados recentemente no mercado.Herbicidas: resistência de plantas 225 . milhares de hectares cultivados com culturas transgênicas já foram incorporados no processo produtivo.Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas 14.na folha onde foi aplicado.

1 < 0. 2). dos 21 países produtores de transgênicos. cultivado em 4.Superfície global de cultivos transgênicos em 2005 (em milhões de hectares) Ordem 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Fonte: James (2005) País EUA Argentina Brasil Canadá China Paraguai Índia África do Sul Uruguai Austrália México Romênia Filipinas Espanha Colômbia Irã Honduras Portugal Alemanha França Rep. Brasil.1 < 0. sexta colocação em 2003. África do Sul e Colômbia.1 Culturas transgênicas Soja. quando foram cultivados 12. África do Sul e México.4 5.8 milhões de hectares (4%) em dois países: EUA e 226 Módulo 3. Canadá. representando 60% da área mundial destinada às plantas geneticamente modificadas em 90 milhões de hectares. ocupou um total de 15. A terceira cultura geneticamente modificada mais cultivada foi o algodão Bt. algodão.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 9 .Herbicidas: resistência de plantas . comercialmente disponível em nove países em 2005 (Quadro 9) que.1 0. milho e algodão Soja Soja. Romênia.3 0.5 milhões de hectares. Outras cinco culturas listadas no Quadro 10 ocuparam entre 2% e 5% da área mundial cultivada com plantas derivadas da biotecnologia e incluem. milho e canola Algodão Soja Algodão Soja.8 3.5 . África do Sul e Argentina. A soja tolerante a herbicida é atualmente a cultura geneticamente modificada dominante. cultivado em 4.1 < 0. Índia. em ordem decrescente de área cultivada. canola e mamão Soja.8 1. Austrália. 11 são países em desenvolvimento e 10 industrializados (Fig. Argentina. são: EUA. México.3 milhões de hectares (5%) em dois países: Canadá e EUA.1 < 0. equivalente a 6% da área mundial com lavouras geneticamente modificadas.1 < 0.3 0. EUA. em ordem decrescente de área cultivada. e que ocupou 4.1 < 0.3 milhões de hectares. milho.4 milhões de hectares. O algodão Bt foi plantado em oito países.5 0. foram: China. Paraguai.0 milhões de hectares. milho Bt tolerante a herbicida. Ela ocupa 48. Importante destacar que o milho Bt.1 < 0.8 17. Argentina.1 0.3 0.3 milhões de hectares (5%) em quatro países: EUA. Checa Superfície (milhões de ha-1) 49. canola tolerante a herbicida.3 1. Canadá. cultivado em 3. que. em ordem decrescente de área: milho tolerante a herbicida. Uruguai.1 0.1 9. milho e algodão Soja e milho Algodão Soja e algodão Soja Milho Milho Algodão Arroz Milho Milho Milho Milho Milho Em 2005. com crescimento de 22% no ano de 2003.

algodão Bt e tolerante a herbicida cultivado em 3 milhões de hectares (4%) em três países: EUA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Canadá. em milhões de hectares. de 1996 a 2005 O Quadro 10 mostra. em ordem crescente por área. 2005).5 . e algodão tolerante a herbicida cultivado em 1. Figura 2 – Evolução da área de cultivo de transgênicos no mundo. os países produtores de culturas trangênicas em 2005. Austrália e África do Sul (JAMES.5 milhão de hectares (2%) em 3 países: EUA. Austrália e México. Quadro 10 – Princiapais lavouras geneticamente modificada em 2005 Culturas Soja tolerante a herbicida Milho Bt Algodão Bt Milho tolerante a herbicida Canola tolerante a herbicida Milho Bt/tolerante a herbicida Algodão Bt/tolerante a herbicida Algodão tolerante a herbicida Fonte: James (2005) % em relação ao total de áreas cultivadas 60 14 06 05 05 04 04 02 Módulo 3.Herbicidas: resistência de plantas 227 .

oferece maior precisão do que os cruzamentos. a transgenia. Além disso. por meio de desenvolvimento de métodos refinados com o uso de técnicas de biologia molecular. denominadas de transgênicas. uma vez que permite a inserção de genes cujas características são conhecidas com antecedência. permitiram a manipulação do material genético. hoje conhecida como tecnologia do DNA recombinante ou engenharia genética (VALOIS. A biotecnologia agrícola utiliza a transgenia como uma ferramenta de pesquisa agrícola caracterizada pela transferência de genes de interesse agronômico (e.) e plantas. como ferramenta da biotecnologia agrícola. como ocorre no melhoramento genético clássico (no cruzamento ocorre a "mistura" de metade da carga genética de cada variedade parental). cruzam-se as espécies sexualmente compatíveis e ocorre a combinação simultânea de vários genes. conseqüentemente. a área cultivada com lavouras transgênicas cresceu mais de 47 vezes (JAMES. 2005).7 67.5 . de características desejadas) entre um organismo doador (que pode ser uma planta. 228 Módulo 3. 2005). Assim. Já a transgenia é uma evolução desse processo. bem como da natureza química do material genético.7 81.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A descoberta das leis da hereditariedade. No melhoramento tradicional.0 A transgenia permite um melhoramento "pontual" através da inserção de um ou poucos genes e da conseqüente expressão de uma ou poucas características desejáveis (MONSANTO.9 42. Nessse período. um fungo. 2005). com segurança (MONSANTO. Quadro 11 –Área total de lavouras geneticamente modificadas no mundo entre os anos de 1996 e 2005 Ano 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Fonte: James (2005) Hectares (em milhões) 1.7 11. que. com o objetivo de acelerá-lo e de ampliar a variedade de genes que podem ser introduzidos nas plantas. etc.0 27.2 52.6 59. O Quadro 11 mostra a evolução do cultivo de plantas geneticamente modificada e tolerante a herbicidas durante o o período de 1996 a 2005.8 39. sem que sejam introduzidos outros genes. uma bactéria.1 90. 2001). e a decifração do código genético foram condições primordiais para o surgimento da biotecnologia moderna. surgiram as plantas que carregam em seu genoma a adição de DNA oriundo de uma fonte diferente de germoplasma paternal.Herbicidas: resistência de plantas .

espera-se a ocorrência de profundas mudanças nos sistemas de controle. se o manejo das plantas daninhas não for adequadamente utilizado na soja transgênica. subterrâneas e multiplica-se também a partir do enraizamento de porções do caule (ROCHA 1999. dessa forma. No Brasil. será utilizado um único ingrediente ativo. por exemplo. No início serão observados apenas os benefícios da nova tecnologia. benghalensis. o glyphosate (GAZZIERO. 2000). 2005). deixando de fazer o controle das plantas Módulo 3. É uma planta perene que se reproduz por sementes aéreas. 2005). A dinâmica e o estabelecimento das plantas daninhas nos levam a antever uma provável mudança na composição das plantas infestantes. as plantas daninhas apresentam composição e dinâmica de um país tropical. Espécies como Commelina benghalensis.Herbicidas: resistência de plantas 229 . Em 2005 a soja transgênica foi oficialmente liberada para plantio no país. essas plantas apresentam grande potencial de se tornarem um sério problema de controle. em que a maioria da área cultivada empregará a mesma molécula herbicida. Borreria latifolia e Tridax procumbens são plantas consideradas tolerantes ao glyphosate. que é um requisito para a seleção de plantas resistentes. o que significa alta pressão de seleção. Muitos produrores de soja transgênica no Rio Grande do Sul preferem controlar as plantas daninhas com aplicação de pós-emergência feita na cultura. e outras consideradas tolerantes apresentam a possibilidade de disseminação e conseqüente aumento de infestação nas áreas cultivadas com soja transgênica..Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas Os métodos de controle das plantas daninhas não sofrerão alteração. somente haverá. porém com o decorrer dos anos existirá uma grande possibilidade de surgir problemas como a seleção das espécies consideradas tolerantes ou mesmo espécies resistentes (GAZZIERO. tendo em vista que vários produtos ou combinações de produtos utilizados atualmente serão substituídos por um único ingrediente ativo. Espécies altamente sensíveis a esse produto serão eliminadas. Esse fato poderá levar a uma situação extrema. é uma espécie que se adapta com facilidade a diferentes ambientes e apresenta intensa resposta à calagem e adubação do solo. em alguns casos. C. em que fatores como a intensidade e a rapidez da mudança na composição de uma comunidade são acentuados e inevitavelmente influenciados pelas práticas agrícolas e pela ação humana. O risco do surgimento de casos de plantas daninhas resistentes é maior para aqueles herbicidas que já apresentam biótipos resistentes. como é o caso dos herbicidas para os quais estão sendo desenvolvidas culturas resistentes.5 . a substituição das moléculas herbicidas que vinham sendo usadas por outra. sendo hospedeira de pragas e moléstias. ROCHA et al. Os produtos e as combinações de produtos utilizados na soja convencional serão substituídos pelo glyphosate.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 15 . Dessa forma.

e em anos seguidos. o processo de competição entre a cultura e as plantas daninhas já se iniciou. Commelina benghalensis. do padrão de herança. do número de genes envolvidos. devem ser adotadas as práticas de manejo adequadas. Euphorbia heterophylla.Herbicidas: resistência de plantas . Na maioria dos casos. levando a um considerável aumento nos custos de produção. 2003). ao se realizar a aplicação. Para que isso seja evitado. observou em pomares de maça tratados com glyphosate a seleção de Richardia brasiliensis. O conhecimento desses pontos é importante para embasar previsões de proporções futuras entre plantas resistentes.Comentários finais A resistência de plantas daninhas a herbicidas é um fato consumado no Brasil. 16 . para que se possa entender e estabelecer estratégias específicas para os nossos casos. 230 Módulo 3. trazendo prejuízos a cultura (THEISEN citado po GAZZIERO. em condições semelhantes. agricultores que empregarem extensivamente.5 . poucos cientistas estão se dedicando a essa área no Brasil. Biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistente ao glyphosate se tornaram um grave problema nas lavouras de soja transgênica no Rio Grande do Sul. da variabilidade genética da espécie daninha. tolerantes e sensíveis em áreas afetadas e para eleger métodos de manejo e controle das plantas tolerantes e resistentes que permitam impedir a multiplicação e a disseminação desse(s) gene(s) para outras populações.). com mesmo mecanismo de ação. do fluxo gênico e da dispersão de propágulos. e as informações de que se dispõe são relacionadas a casos de outros países. estarão sujeitos à seleção de plantas daninhas resistentes. Vargas (2004). Desse modo. em outras espécies. o mesmo herbicida ou herbicidas. Contudo. Estudos aprofundados sobre essa questão devem ser realizados com urgência no país. além da resistência de azevém (Lolium sp. Nas áreas com mais de 15 anos de uso têm sido feitas três aplicações/ano em doses que variam de 2 a 8 L ha-1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que germinam antes da semeadura da soja. Sabe-se que sua evolução em uma área é dependente da pressão de seleção. sobre os quais tem sido aplicada doses de 16 L ha-1 do produto comercial sem sucesso. como: uso de misturas de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e rotação destes mecanismos. que poucas vezes podem ser generalizados para as nossas condições.

1909-1913. O. HEAP. 2006 – (aceito para publicação) FERREIRA. 1998c. p. BAERSON. Weed tecnhology. 43.. A... 184-189. D.. VARGAS. M. Plant physiology: v. As plantas daninhas e soja resistente ao glyphosate no Brasil. v. 1969. Dados estatísticos. 100. CHRISTOFFOLETI. Principais aspectos da resistência de plantas daninhas ao herbicida glyphosate. 21. 43. STOLTENBERG. C. L. p. J. 4. L. The occurrence of herbicide-Resistant weeds worldwide. SANTOS. Partnership in the management of resistance. Planta Daninha. 50.. J. Productivity and intranspecific competitive ability of a velvetleaf (Abutilon theophrasti) biotype resistant to atrazine. Investigating the mechanism of glyphosate resistance in rigid ryegrass Lolium ridigum)... SILVA. 1992. GRAY.. Pesticide Biochemistry Physiology. BURNSIDE.html>. Weed Science. 2. BETTS. J. SAARI. 3. WYSE.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Referências bibliográficas ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE DEFESA FITOSANITÁRIA –ANDEF. 2002. J. L. n. VARGAS. E. Genética na agricultura. 2005.gov.edu/orgs/hrac/ partnership. A. HOLTUM. Acesso em: 12 jan. BALKE. In: SEMINÁRIO-TALLER IBEROAMERICANO-RESISTENCIA A HERBICIDAS Y CULTIVOS TRANGÊNICOS. B. L. n. 6. Weed Sci. D. J. B. I. HERBICIDE RESISTANCE ACTION COMMITTEE – HRAC. GRONWALD. S. Translocação de glyphosate em de plantas de Lolium multiflorum resistentes e sensível a esse herbicida.. v. 1992. T. BREWBAKER. N. K..5 . n. 1995. 2006 – (aceito para publicação) GAZZIERO. CHRISTOPHER. Mechanism of inheritance of diclofop resistance in italian ryegrass (Lolium multiflorum). P. Rapid metabolic inactivation is the basis for cross-resistance to chlorsulfuron in diclofop-methyl-resistant rigid ryegrass (Lolium rigidum) biotype SR4/84. N. 1997. 11p. CD-ROM. p. Web: <http://ipmwww. J. 1992. 721-730. J. J. L. v. 182-192. p. EHLKE. 5 p. J. Planta Daninha.ncsu. Resistance to Acetolactate synthaseinhibiting herbicides in anual ryegrass (Lolium rigidum) involves at least two mechanisms. E. Rationale for developing herbicide-resistant crops. Weed Science. v. et al. J.. v. SANTOS. 2003. SILVA. L. Tolerância de biótipos de Lolium multiflorum ao glyphosate.com/paper/resist97. Módulo 3. Disponível em: <www.. 1992. 619-626. R. n. E. 3. POWLES.. n.br>. p.. 4. n. p. A. W. LOPEZ-OVEJERO. p.Herbicidas: resistência de plantas 231 ... A. A. B. 217 p.andef. D. 2005. SOMERS. S. P. D. 621-25. COTTERMAN. C. 40. R.. L. E. FERREIRA. São Paulo: USP. A.A.htm>. J. Planta Daninha. 2006. 507-515. A. Web: <http://Weedscience. A.

J. A. M. Weed science. 441-470. 32. C. Investigations into the mechanism of glyphosate resistance in Lolium rigidum. 1. edu/orgs/hrac/monograph1. O que é biotecnologia? Disponível em: <http://www. In: POWLES. p. M.Herbicidas: resistência de plantas . D. J. West Lafayette: Purdue University. KOGAN. v. GRAHAM. MALLORY-SMITH. Acesso em: 19 jan. 1990. n. J. A.html>. Selection for herbicide resistance. 2003.A. v. Web: <http:// ipmwww. D. et al. Herbicide cross-resistance in slender foxtail (Alopecurus myosuroides). M. F. 6.. Web: <http:// ipmwww. Annual Review of Plant Physiology and Plant Molecular Biology. 74. 1989. SP: 2000. K. MOSS. 1998d. 1998. HERBICIDE RESISTANCE ACTION COMMITTEE – HRAC.. 1998. S. A. 2006. p.ed.br/ biotecnologia/oque/oque. 1-25. Web: <http://ipmwww. PÉREZ. 9 p. A.. MAZUR. p. Nova Odessa. p. n. F.edu/orgs/ hrac/guideline. n. M. Ediciones Universidad Católica de Chile. JAMES. 141-149. Herbicide resistance in plants: biology and biochemistry. Boca Raton: 1994.htm>. Situação global da comercialização de lavouras geneticamente modificadas (GM): 2005. 10-23.html>. R. The development of herbicide resistant crops. 40. KISSMANN. ncsu. C. B. S. v. HOLTUM. Plantas daninhas do Brasil – Terrestres. Identification of sulfonylurea herbicideresistance prickly lettuce (Lactuca serriola).monsanto. THILL.ncsu.. Pest. 163-168. 32 p. B. 1996. The role of HRAC in the management of weed resistance. LORENZI. C. H. LORRAINE-COLWILL. S. ncsu. FALCO. M..htm>. 1.. 232 Módulo 3. Weed technology. How to minimize resistance risks and how to respond to cases of suspected and confirmed resistance. parasitas e tóxicas.com. 1990. JUTSUM. São Paulo: Basf Brasileira S. MORTIMER. 608 p. v.. D. In: Herbicide action course.ncsu. Physiol. C. 1998a. J. p. S.asp>. 13 p.. Significance and distribution of herbicide resistance.5 . J.ncsu. 1998b. . MONSANTO. 4. Web: <http://ipmwww. aquáticas. 10 p. Weed technology. DIAL. Web: <http://ipmwww. 2005. 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas HERBICIDE RESISTANCE ACTION COMMITTEE – HRAC. p. Herbicidas.edu/orgs/hrac/ weedresis. 62-72. n.. Fundamentos fisiológicos y bioquímicos del modo de acción. HOLT.edu/ orgs/hrac/hoetomil. Review of graminicide resistance. H. A. p. J. 1994. MAXWELL. 33 p. J. D. R. 7 p. HERBICIDE RESISTANCE ACTION COMMITTEE – HRAC. HESS. 3. v. B. Managing weed resistance: the role of the agrochemica industry.edu/orgs/hrac/brighton. A. Biochem. Resistência de plantas a herbicidas. 38.G..html>. 492-496. MORTIMER. 233 p. M. 1990. Mechanism of action of inhibitors of amino acid biosynthesis. Guideline to the management of herbicide resistance. LEBARON. A. 2003.

A. Resistance to photosystem I disruptin herbicides. STEINBACK. Resistance to acetolactate synthase inhibiting herbicides. C. SAARI. v. 316-318. F. 3. G. L. THILL. PRESTON. HAUGHN. Herbicide cross resistance and multiple resistance in plants. 1995. 1. n. POWLES. 43. KOGAN. K. D. SP. R. S. v. Weed Science. J. M. F.. 1. C. v. Piracicaba. Cultivar: 1999. J. BELAS. p. D.. Weed technology. 3. v. v. D. PONCHIO. MURAI.. Herbicide resistance in plants: biology and biochemistry. 4. Brasil.5 . A. 2002. ARNTZEN. p. ROCHA. p. K. R. D.. columbia. RYAN. B. 2006. L. N. 4. RIZZARDI. Herbicide susceptibility and biological fitness of triazine-resistant and susceptible common lambsquarters (Chenopodium album). 1988. 1996.com/byyear/year. n. D. A. Tese (Doutorado) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”.. p.. B. COTTERMAN.ed. 24-25. D. Boca Raton: 1994.. Weed science. P. 1997. S. invasoras e tolerantes. v. RADOSEVICH. D. Weed Res.. 1970.. S. v. 5. Mechanism of atrazine resistance in lambsquarters and pigweed. 301-306. J. 517-522. S. Weed science. Módulo 3. A. a herbicidas inibidores da enzima ALS/AHAS. Resistência de biótipos de Bidens pilosa L. 178-185.weedscience.. CALVIN. R. PEREZ. M.. v. HOWAT.. Access: 19 Jan. G. Pollen-mediated gene flow of sulfonylurea-resistant kochia (Kochia scoparia). A. SUZUKI. D. p. Web: <http://ipmwww. Herbicide resistance in plants: biology and biochemistry. v. G. p.. L. 18. n. 161167. p. E. S. GRIFFITHS. MILLER. 1044-1050. Resistência de azevém (Lolium multiflorum) ao herbicida glyphosate. HOLTUM.. 1992.. A. J. J.. MALLORY-SMITH. J. p. n.htm>. 2. Effects of photosystem II inhibitors on thylakoid membranes of two common groundsel (Senecio vulgaris) biotypes. 61-82. C. 1977. p. B. In: POWLES. 83-139. RODELLA. W. Comparison of triazine-resistant and -susceptible biotypes of Senecio vulgaris and their F1 hybrids. In: POWLES. 95 102. S. et al. 143 f. VARGAS. HOLTUM. n. p. 614-616.. n. Herbicide-resistant weeds in Austrália.. 1. 44. S. SATHASIVAN. Plant physiology. M. A. R. S. 2004. n. J. S. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. A. STALLINGS. LEWONTIN. Weed Science. Molecular basis of imidazolinone herbicide resistance in Arabidopsis thaliana var. 25. SHAFII. C. RADOSEVICH.. R. 1997.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PARKS. E. Planta Daninha.edu/orgs/hrac/mono2. Plant physiology. 26 p. p.Herbicidas: resistência de plantas 233 . E. POWLES. n. 18. H. Web: <http://www.. 633 p. 1990. J... v. L. Boca Raton: 1994. C. PRESTON. 1998. p. T. PR. CURRAN. R. B.htm>. 1998. C.. 1. 4. G. ROTH. 183-189. 1991. ncsu. W... Weed Science. THILL. Ocorrência de Commelina villosa como planta daninha em áreas agrícolas no Estado do Paraná. N. ROMAN. A. M. n. C. 12-19. D. Planta Daninha. C. B. 97. Introdução à genética. Resistance of common groundsel to simazine and atrazine.. P. 22. STOWE. C.. Glyphosate-resistant Lolium multiflorum in Chilean orchards. HOLT. 2000. p. J. 43. ROCHA. MARTINS. W. 87. C. HARTWIG..

T. Viçosa-MG: JARD Prod. Web: <http://www. L. B. 1. TAVARES. Manual de manejo e controle de plantas daninhas. S. 27-53. ROMAN.. 131 p. 1998. VALVERDE. 234 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas VALOIS. BORÉM. E. C.com/contacts/ resgroups/rice-workshop. RS: Embrapa Uva e Vinho.. A. Cadernos de Ciência & Tecnologia. Acesso em: 17 jan. SEDIYAMA. A. S. A. Gráficas. Resistência de plantas daninhas a herbicidas.htm>. v. VARGAS. 2006.weedscience.asp>.. n. Disponível em: <http://www.5 . 2 p. Passo Fundo.Herbicidas: resistência de plantas . 1999. Prevention and management of herbicide resistant weeds in rice-workshop.. SILVA.org/in. A. A. Importância dos transgênicos para a agricultura.. F. WEED SCIENCE – INTERNATIONAL SURVEY OF HERBICIDE RESISTANT WEEDS. 2001.. L. FERREIRA. 652 p. 18. C. p. E. 2004. VARGAS.weedscience.

6 . Lino Roberto Ferreira Profº.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .DF 2006 Módulo 3. Antonio Alberto da Silva Profº.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 . Ricardo Camara Werlang Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .Manejo de plantas daninhas em pastagens Tutores: Profº.6 .Manejo de plantas daninhas em pastagens 235 .Manejo de plantas daninhas 3.ABEAS Universidade Federal de Viçosa .

238 1.Plantas tóxicas.1 .6 .Competição por luz. 257 2.2 . 252 2.Competição por nutrientes.1. 244 1.Controle de plantas daninhas.Manejo de plantas daninhas em pastagens . 246 1. 239 1.4. 258 2.Competição por água. 267 236 Módulo 3. 247 2 .4. 252 2.4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.4 .Controle químico.Integração da agricultura e pecuária.2 . 243 1. 237 1 .3 . 246 1.2 .Uso de herbicidas na manutenção de pastagens.Controle mecânico ou físico.1.2 .3 .1. 253 2. 259 2.3 .Uso de herbicidas na recuperação de pastagens.Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens. 261 Referências bibliográficas.1 .Controle preventivo. 260 2.3 .Controle cultural.Competição entre plantas daninhas e forrageiras.Fatores do ambiente passíveis de competição.1 .1 .

em maior ou menor grau. como solo. em última instância. O primeiro é que elas viabilizam a competitividade brasileira. essa tendência é muito mais complexa e envolve modificações muito mais profundas. e produtivos. capazes de ser conservadores de recursos. em geral. sistemas economicamente viáveis. representado pela pecuária extensiva. consumidor.Manejo de plantas daninhas em pastagens 237 . apesar de esse processo estar sendo propalado como a globalização da economia. Dessa forma. passando por mudança do estágio de conhecimento e culminando com o estabelecimento de um novo padrão de comportamento da sociedade como um todo. que penaliza os setores não-competitivos e ineficientes (EUCLIDES FILHO. Os últimos dez anos têm sido decisivos para a economia brasileira. nesse contexto. deve considerar os vários pontos determinantes dos segmentos envolvidos no setor. em particular. e o segundo é o fato de possibilitarem o atendimento da grande demanda mundial por alimento produzido de forma natural. diante das transformações que vêm se processando. qualidade. como política. espera-se. a formação do que pode ser denominado um novo status de cultura global (EUCLIDES FILHO. produtor. nesse contexto. em especial para a pecuária. parte expressiva do setor se distanciou da prática extrativista que por muitos anos caracterizou a atividade e tem sido um exemplo de capacidade de ajustes e adaptação à realidade do mercado atual. Módulo 3. eficiência. indústria. e aproximando-se. socialmente justos. água e recursos genéticos animais e/ou vegetais. social. Conseqüentemente. da intensificação total. afastando-se cada vez mais do modelo extrativista. com respeito ao ambiente e aos animais. a atividade pecuária tende a se tornar cada vez mais uma atividade empresarial. isto é sinônimo de estabelecimento de sistemas sustentáveis. As mudanças que vêm ocorrendo nos sistemas de produção são reflexos de transformações econômicas. além de produtivas. dependendo de cada caso. assumem dois aspectos fundamentais. Nesse período. e na pecuária.6 . 1996) A pecuária brasileira está sendo influenciada pelo processo de globalização em andamento no mundo. ambientalmente corretos. sociais e políticas. Uma das características que faz com que a atividade pecuária no Brasil seja altamente competitiva é o fato de o País possuir grandes áreas de pastagens e condições adequadas para o desenvolvimento destas. É importante ressaltar que. que são responsáveis pela reestruturação desde níveis e formas de informação. 1997). Com relação aos sistemas de produção agrícolas. economia. ou seja. possibilitem convivência harmoniosa com a natureza.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Atualmente. A tomada de decisão na pecuária. competitivos e eficientes. competitividade e sustentabilidade (EUCLIDES FILHO. As pastagens. formas de produção que. a humanidade coloca em segundo plano os tratados e previsões que fundamentaram a “revolução verde” e busca. 1997).

nutrientes e água. água e nutrientes. pois são espécies que apresentam o metabolismo C4. uma vez que estas plantas competem por luz. reduzindo a disponibilidade desses fatores para as forrageiras.. Estima-se que 80% dos quase 60 milhões de hectares da área de pastagens na região de Cerrados apresentam algum estágio de degradação (MACEDO et al. A presença delas em pastagens reduz a produtividade. nestas condições. espaço. atualmente. Assim. além de ser um ambiente propício para o desenvolvimento de parasitas. entre eles má escolha da espécie forrageira. a prática demonstra outra realidade. ainda. até mesmo parcialmente. falta de adubação de manutenção e manejo da pastagem inadequado. se sombreadas. 2000). sem possibilidade de recuperação natural.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Diante da importante função assumida pela pastagem no contexto de pecuária empresarial e competitiva. pode-se considerar a luz como o principal fator (recurso) de competição destas com as forrageiras. é facilmente dominada pelas plantas daninhas. 2000). Além dos impactos negativos na produção e desvalorização do patrimônio. têm a sua taxa de fotossíntese líquida altamente reduzida e.Manejo de plantas daninhas em pastagens . Em razão do porte arbustivo. de muitas espécies de plantas daninhas infestantes de pastagens em condições brasileiras. a degradação precisa ser revertida para garantir a produtividade e a viabilidade econômica da pecuária (MACEDO et al. 1 . ocasionado pela competição com as plantas daninhas. As plantas daninhas podem. Degradação de pastagens é um processo evolutivo de perda de vigor e produtividade da forrageira. em um dos maiores problemas dos sistemas de produção de bovinos no Brasil Central. devido à elevada capacidade competitiva das plantas daninhas. Nas Figuras 1 e 2 são apresentadas algumas das principais espécies de plantas daninhas das pastagens. No entanto. ocasionar danos físicos aos animais. a presença de plantas daninhas em pastagens reduz a sua capacidade de suporte (unidade animal por ha). as quais dificultam o processo de produção pecuária. Essas forrageiras. que afeta a produção e o desempenho animal e culmina com a degradação do solo e dos recursos naturais em função de manejos inadequados. má formação inicial. agravam-se os efeitos ambientais pela erosão dos solos e assoreamento dos mananciais de água. Causada por diversos fatores. e aumenta o tempo de formação das áreas reformadas. é lógico que o sucesso desse setor está estreitamente relacionado com a manutenção das pastagens em condições adequadas. 238 Módulo 3. como ferimentos no úbere das vacas. Pastagem degradada se constitui. por diminuir o potencial de formação de pasto pelas forrageiras. bem manejadas e livres de plantas daninhas. e até mesmo arbóreo.. Essa competição se dá principalmente por luz. Isso ocorre porque a maioria das gramíneas forrageiras cultivadas no Brasil tem a sua eficiência fotossintética altamente dependente da intensidade da luz.Competição entre plantas daninhas e forrageiras Pastagens produtivas significam pastagens bem formadas. mas também por espaço.6 .

ou até mesmo levá-los à morte. como água. até mesmo para o próprio desenvolvimento da forrageira. luz. qualquer planta daninha que se estabeleça na pastagem vai usar parte dos fatores de produção.Manejo de plantas daninhas em pastagens 239 .1 . estabelece-se a competição. Recursos são os fatores consumíveis. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. a forrageira e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área. gás carbônico.: toxidez devido a excesso de Zn no solo).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas causados por espécies com espinhos. nutrientes e CO2 e. A seguir serão abordados os principais fatores envolvidos na competição entre as plantas daninhas e as forrageiras.6 . A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso for limitado e máxima quando o ponto de saturação for atingido. nutrientes e luz. na maioria das vezes. caso eles se alimentem de plantas tóxicas. já limitados no meio. Como ambas possuem suas demandas por água. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex. Isso ocorre porque. muito comuns em pastagens brasileiras. nessas circunstâncias. reduzindo a produtividade da forrageira. esses fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente. 1.Fatores do ambiente passíveis de competição Em ecossistemas agropastoris. Módulo 3. Radosevich et al.

Manejo de plantas daninhas em pastagens .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 – Principais plantas daninhas das pastagens (a) assa-peixe branco (Vernonia polyanthes). (g) guanxuma (Sida glaziovii) e (h) lobeira (Solanum lycocarpum) 240 Módulo 3. (d) assa-peixe roxo (Vernonia glabrata). (c) mata-pasto (Eupatorium maximilianii). (e) ciganinha (Memora peregrina).6 . (f) fedegoso (Senna ocidentalis). (b) leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia).

(c) guizo-de-cascavel (Crotalaria spectabilis). (g) mamona (Ricinus communis). fistulosa). e plantas tóxicas .6 .Manejo de plantas daninhas em pastagens 241 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 – Principais plantas daninhas das pastagens . (b) arranha-gato (Acacia plumosa). (h) ximbuva (Enterolobium contortisiliquum) e (i) samambaia (Pteridium aquilinum) Módulo 3.(a) camboatá (Tapirira guianensis). (e) cambará (Lantana camara). (f) algodão-bravo (Ipomoea carnea sbsp. (d) cafezinho (Palicourea marcgravii).

ela poderá cobrir rapidamente o solo. também. A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. Os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta destas às variações dos recursos (GOLDBERG. em razão da influência extrema que eles exercem na utilização dos recursos pelas plantas. ainda. Entretanto. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas daninhas em relação às culturas são o seu porte e sua arquitetura. se a forrageira se estabelecer primeiro. a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. Todavia. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. 1990. como: a competição é mais séria nos períodos iniciais de desenvolvimento da 242 Módulo 3. o maior índice de área foliar. Na realidade. 1985). a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. em áreas de pastagens degradadas a capacidade competitiva das plantas daninhas é ainda maior. 1996). citado por RADOSEVICH et al. por exemplo. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (RADOSEVICH et al. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância. porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. Determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. mesmo com baixos níveis do recurso no ambiente (RADOSEVICH et al. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. A competição pode ser intra-específica. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos. como acontece. não estando. se a população de plantas da forrageira por área for baixa ou o estande for desuniforme. A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. dependendo da espécie cultivada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Condições são fatores não diretamente consumíveis. seja ela daninha ou não. Contudo. No entanto. interespecífica.. do seu vigor.. caracterizado pela pastagem degradada.Manejo de plantas daninhas em pastagens . em condições de sombreamento (PITELLI. totalmente esclarecida. a menor suscetibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. e. como pH do solo. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. densidade do solo. até que um nível ideal seja alcançado. 1996). Várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as forrageiras e as plantas daninhas. 1996).. etc. cuja dependência é muito grande. envolvendo indivíduos de espécies diferentes. como veranico e geadas. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio.6 . A competição entre plantas daninhas e forrageiras é um fator crítico para o desenvolvimento da pastagem quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a forrageira..

da escolha da forrageira adequada para a região. as espécies daninhas de maior porte do que as forrageiras exercem grande potencial competitivo com estas. Normalmente. e sistema radicular muito desenvolvido. como capacidade de remoção de água do solo.1. etc. que as plantas forrageiras fiquem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas. principalmente se a forrageira possui metabolismo C4. especialmente nos trópicos em dias quentes. das condições adequadas de pastejo e manejo adequado da forrageira. dessa forma. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. da profundidade de plantio. pois se estabelecem primeiro. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas. as condições para que ela se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. 1996). podendo. e as espécies daninhas competem por água. é normal em alguns agroecossistemas. Desse modo. da percentagem de germinação e vigor das sementes. devido ao sombreamento. Disso resulta a importância do preparo do solo. grande número de estômatos por área foliar. nutrientes e espaço. etc. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. desenvolvimento e crescimento rápido de grande superfície fotossintética mesmo ainda na fase de plântula. regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. ainda.: assa-peixe. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma pastagem. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular (maior profundidade do sistema radicular – ex.1 . sem qualquer sinal de déficit hídrico. Assim a competição é mais facilmente minimizada ou até mesmo eliminada com a integração de outros métodos de controle. torna-se fácil o manejo da forrageira. (Radosevich et al. Módulo 3. tendem a excluir as demais. 1. fazendo com que esta leve vantagem sobre o complexo de plantas daninhas. como o químico ou mecânico. as espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da forrageira.Manejo de plantas daninhas em pastagens 243 . magnitude da condutividade hidráulica das raízes.6 . realizando. liberar toxinas no solo.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas forrageira. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. especialmente nitrogênio e carbono. comumente. o chamado manejo integrado de plantas daninhas. luz. pequenas ou grandes. da época correta de plantio. as características fisiológicas das plantas. no manejo da forrageira. por isso. que podem inibir a germinação e ou desenvolvimento da forrageira... ciganinha e outras). Conhecendo esses fatores. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da forrageira e da vegetação daninha infestante da área a ser formada.

formando o ácido oxaloacético (AOA). no ácido fosfoenolpirúvico. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2.Manejo de plantas daninhas em pastagens . localizada nas células do mesófilo foliar. Entretanto. se ela é umbrófila ou heliófila e. também. As plantas C4. onde é fosforilado. por ser ambígua quanto ao substrato. não desassimilam o CO2 fixado. A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). retorna às células do mesófilo. molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. Elas não apresentam fotorrespiração detectável. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico).1.Competição por luz A competição pela luz é muito complexa e sua magnitude é influenciada pela espécie. considerando ambos os grupos em condições ótimas. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. do glicolato.6 . A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. por difusão. por difusão. ocorrendo o ciclo de Cavin e Benson. que ocorre em todas as plantas superiores. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. É sabido que a relação. logo. 3-fosfoglicérico e. o ácido pirúvico. sendo esta relação para as plantas C4. a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. Este CO2 liberado é novamente fixado. onde esses produtos são descarboxilados. substrato inicial da respiração. consumindo 2 ATPs. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. quando comparadas com plantas C4. Esse fato evidencia que as plantas C4 244 Módulo 3. As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). as plantas C3 fotorrespiram intensamente. é transportado para as células da bainha vascular das folhas. como a luminosidade adequada. catalisa a produção do ác. comparado a regiões temperadas. e. responsável pela fixação do CO2. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. ou seja. em seguida. a superioridade das forrageiras utilizadas no Brasil (C4 em sua grande maioria) é dependente de certas condições. agora pela enzima ribulose 1. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese.2 . se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. além do ciclo de Calvin e Benson. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. Em conseqüência da ação desta enzima. baixo ponto de saturação luminosa. Essas plantas. de 1:5:2. dependendo da espécie vegetal. As plantas C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. por apresentarem dois sistemas carboxilativos. A maior eficiência das plantas C4 em relação a C3 em condições adequadas de luminosidade e temperatura é o principal fator da superioridade de produção forrageira em condições tropicais (maioria C4).5 difosfato carboxilase. também.

nessas condições. e não satura em alta intensidade luminosa.espécies de Brachiaria (CORSI et al.são plantas C4. Em função destas e de outras características. como água. Essas características são genéticas. densidade de perfilhos e número de folhas por perfilho. se for reduzido o acesso à luz. Isso acontece porque. Isso é possível porque esse grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável. Todavia. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. atua especificamente como carboxilase. gênero Panicum (RODRIGUES.Manejo de plantas daninhas em pastagens 245 . temperatura. atividade ótima em temperaturas mais elevadas. conseqüentemente. REIS. nessas condições. é comum.alongamento de folha. Além disso. Como toda essa energia é proveniente da luz. as condições de luminosidade e temperatura serão preponderantes no desenvolvimento adequado das forrageiras.6 . gênero Cynodon (SILVA et al. Como a maioria das forrageiras das regiões tropicais e subtropicais .5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC).. 1998) e Pennisetum purpureum (RODRIGUES et al. indica o potencial de produção de uma pastagem. ainda assim elas continuam acumulando biomassa. esta passa a atuar mais como oxidativa. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEPcarboxilase) apresenta algumas características.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. No caso das plantas C4. as espécies C4 dominam completamente as C3. Esse fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. luminosidade e nutrientes. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). que são diretamente correlacionadas com a quantidade e qualidade da luz. ocorre a necessidade de controle de invasoras. aparecimento de folha e duração da folha) que. a ocorrência de sombreamento por plantas daninhas implica redução drástica do potencial competitivo dessas forrageiras. Portanto. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontra-se saturada quanto à luz e. mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. 1999) . levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente. 1995). 1994). quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. Módulo 3. Cada espécie de forrageira possui um padrão genético de crescimento e expansão foliar (determinado por suas características morfogênicas . aliado a outros fatores. liberando CO2. A combinação das características morfogênicas determina as três principais características estruturais das forrageiras: tamanho de folha. a fim de evitar o sombreamento. porém são influenciadas por fatores externos. luminosidade alta e até mesmo déficit hídrico temporário.. A luz como fonte de energia de todos os processos biológicos na forrageira é o componente principal na produção da pastagem. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km). como: alta afinidade pelo CO2.

os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das forrageiras em nossos solos. o empobrecimento da fertilidade do solo. deve-se considerar. 2000. das espécies presentes. como alternativa de recuperação de pastagens degradadas. por constituir-se em tema complexo e não ser objetivo do presente trabalho. Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. a utilização de culturas anuais em cultivos seqüenciais ou simultâneos como formas de sistemas de produção. que facilitam a ocorrência de pragas. A integração agricultura e pecuária não será abordada em maior detalhe.Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e. As tecnologias para recuperação e manejo sustentável dos solos degradados dos Cerrados. diversificação do sistema produtivo e de aumento da produtividade do empreendimento agrícola.6 .Manejo de plantas daninhas em pastagens . tornando-o sustentável em termos econômicos e ecológicos (KICHEL et al. além da quebra do ciclo de pragas e doenças. MIRANDA. a baixa retenção de água no solo e o aumento do processo erosivo são sintomas do manejo inadequado que prejudicam o meio ambiente. em alto grau. a queda na produtividade das lavouras. tanto para as áreas de pastagens como de agricultura. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca.. apesar de esse processo ser lento e silencioso. 246 Módulo 3.. exercem forte competição com as forrageiras pelos nutrientes essenciais. 2000). melhoria das propriedades físicas do solo. É notório que o setor agropecuário brasileiro está passando por um processo de transição socioeconômica e agroambiental.2 . 1..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. maior eficiência no uso de máquinas. visam melhoria das propriedades do solo. tem sido proposto recentemente. em conseqüência disso. a competição por nutrientes depende. 2001). A venda de grãos das culturas. 2001).Integração da agricultura e pecuária A degradação das pastagens. o aproveitamento da adubação residual e o preparo do solo mais elaborado podem ser vantajosos na redução dos custos e na eficiência de recuperação das pastagens degradadas (Macedo et al.1. a preocupação da utilização racional de água e agroquímicos e a necessidade de maior competitividade e sustentabilidade (COBUCCI. Nesse sentido. evitando a erosão e quebra do equilíbrio. a consorciação de lavouras e forrageiras. Portes et al. observam-se a expansão do plantio direto. Essas tecnologias também proporcionam maior diversificação das atividades econômicas no meio rural (KICHEL. 2000).3 . com maior ênfase. doenças e plantas daninhas.

ingeridas espontânea ou acidentalmente pelo animal. que causa fotossensibilização ("orelha frita"). 2000). sendo algumas. como Brachiaria decumbens.Manejo de plantas daninhas em pastagens 247 .Plantas tóxicas Calcula-se que 12% das mortes de bovinos são causadas por sementes. até atingir a dose letal (AFONSO. POTT. como brotação. O tipo de solo também pode influenciar na toxidez de uma planta. ingerindo pequenas quantidades diárias. como é o caso das mandiocas-do-mato (Manihot spp. peso. subquadripara = B. Portanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. No caso da espécie bovina. plantas tóxicas não são somente vegetais que provocam verdadeiros envenenamentos e intoxicações agudas. certas raças toleram mais. certos venenos. 2002). AFONSO. visto algumas serem tóxicas em uma região e em outra não (AFONSO. outras menos. deve-se considerar a sua fase vegetativa. e causa danos à saúde ou morte. POTT.6 . com comprovação experimental. que pode causar anemia devida a nitratos/nitritos. os quais podem estar relacionados ao animal ou à planta. raiva ou outra doença. Existem também plantas com princípio tóxico cumulativo. folhas ou raízes de plantas que possuem grande quantidade de elementos químicos nocivos ao gado (AFONSO. que o animal. A maioria das plantas tóxicas é consumida pelos animais em razão da escassez de alimentos nas pastagens e da mudança de animais famintos para pastagens que possuem plantas tóxicas (FREITAS et al.3 . Módulo 3. vai retendo no seu organismo. 2002). Tokarnia et al. pois às vezes ela provoca intoxicações apenas em uma dessas fases. muitas das quais ingeridas pelo gado. Os biomas Pantanal e Cerrado possuem floras ricas em espécies.. POTT. Na mesma raça há fatores ligados ao próprio indivíduo. Segundo Howes (1933). 1991). A mais temível do Brasil é a erva-de-rato ou cafezinho (Palicourea marcgravii) (POTT. Várias provocam sinais que podem ser confundidos com picada de cobra. O conceito sobre plantas tóxicas é relativo. estado sanitário e nutricional. principalmente em bezerros. mas também aquelas que provocam direta ou indiretamente perturbações na saúde do animal. além do grau de sensibilidade do animal a um princípio tóxico (AFONSO. podem provocar danos que se refletem na sua saúde ou vitalidade. POTT. sexo. tóxicas. 2002). Além da fome. e braquiária-d´água ou "tanner grass" (B. como idade. Algumas plantas cultivadas também são consideradas tóxicas. arrecta). (2000) definem planta tóxica de interesse pecuário a que é ingerida por animais domésticos de fazenda. floração e frutificação. citado por Hoehne (1939). Por outro lado. há outros fatores que também propiciam intoxicações. a ingestão de certas plantas em pequenas quantidades leva o animal a adquirir resistência ou tolerância ao princípio tóxico. 2002).). Com relação à planta. em condições naturais. consideram-se tóxicas todas as plantas que.

marcgravii) acético. o que é difícil de ocorrer no campo. cercar as matas e as capoeiras onde existir a planta. sobrevindo a morte dentro de poucos minutos. Algodão-bravo. Possui boa Figura 2 d palatabilidade. controle químico Arbusto responsável pela maioria das mortes de bovinos causadas por plantas tóxicas em terra firme. sendo Erva de rato. exceto se for afogado depois. fistulosa) Convolvulaceae Figura 2 f 248 Módulo 3. capoeiras e em pastos recém-formados. Com a evolução da intoxicação o animal apresenta sinais de origem nervosa. Inicialmente os sinais apresentados são de emagrecimento progressivo. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. ou estado de embriaguez. durante semanas. Abobral e Paraguai. nas planícies de inundação dos rios Negro.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas São várias as espécies de plantas tóxicas presentes nas pastagens no Brasil. A semente pilosa (origem do nome algodão) é espalhada pela água. Ocorre em terra firme. Causa a síndrome da morte súbita. Cresce somente em solo de barro (LSD) (argiloso). São tóxicas as folhas e as sementes. DL (9 kg de folhas verdes por dia. cochos e aguadas. afeta o Rubiaceae em áreas sombreadas das beiras ciclo de Krebs das matas. Nos bovinos. Possui distribuição ampla.6 . respiração ofegante. É muito comum em lagoas rasas. antes de cair.Manejo de plantas daninhas em pastagens . Rebrota após cortes e ácido lisérgico fogo. caindo com facilidade. Quadro 1 – Principais plantas tóxicas encontradas no Brasil Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). com as pernas traseiras abertas e instabilidade no trem posterior. tremores musculares. canudo-de-pita (Ipomoea carnea subsp. os sintomas consistem em queda repentina do animal ao chão. muito alagável. DL (100 g de folhas verdes). A principal forma de propagação é vegetativa. havendo pasto). trepador. de 1 a 4 m de altura. com um resumo das suas principais características. Arbusto aquático. O seu andar se torna desequilibrado (como se estivesse embriagado). Na Figura 2 estão apresentadas e no Quadro 1 listadas as de maior ocorrência e importância no Brasil. flor e semente praticamente durante o ano todo. Controle: erradicar as plantas. os ramos que encostam no chão Alcalóides derivados do enraízam. sendo ingerida em qualquer época do ano. Aumenta em campos com excesso de gado ou perto de porteiras. uso de herbicidas. desequilíbrio do trem posterior. encontrada em todo o País. Às vezes o animal mostra. lassidão e pêlos ásperos. com cafezinho Ácido exceção do extremo sul e do sertão (Palicourea monoflúornordestino. iniciam poucas horas após ser completada a ingestão da dose letal. A evolução da intoxicação é crônica e não há recuperação do animal Controle: erradicação. Perene.

planta somente em circunstâncias chumbinho ou especiais. Consistem nas manifestações de fotossensibilidade hepatógena. falta de apetite. com fome. hemorragia na pele e nas mucosas visíveis. lantadene B) Verbenaceae Deve-se administrar glicose. depois de comê-la por algum tempo. extrato hepático e purgante oleoso Figura 2 e e medicar as lesões na pele. eventualmente diarréias enegrecidas. Em eqüinos causa deficiência de vitamina B1.6 . DL (1. que aparece de repente. fezes ressequidas e. os animais apresentam anorexia e diminuição ou parada dos movimentos do rúmen. Inicialmente. Os animais apresentam andar incerto. Causa febre alta. continue a procurá-la. utilizar ungüentos antiinflamatórios. em pequena quantidade. sonolência. anemia. Já na fase aguda. Ingestão em menores quantidades ocasionam hematúria intermitente. No tratamento os camara) animais devem ficar na sombra. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). se habitue a ela e. para áreas (Lantana (lantadene A e infestadas. Sob condições naturais. DL (variada). Controle: erradicar as plantas (herbicidas) e não transferir animais com fome para pastagens infestadas. mesmo cessada a fome. O animal sangra prolongadamente por qualquer ferimento. sendo a correção e aração deste um método cultural de controle desta espécie. apresentam tremores musculares. trôpego. Samambaia (Pteridium aquilinum) Substância Dennstaedtiacea radiomimética e e tiaminase Figura 2 i Planta tóxica de importância no Brasil e no mundo. sendo a brotação a porção mais tóxica das partes aéreas. A fome faz o animal ingerir a planta. tem incordenação ao andar.Manejo de plantas daninhas em pastagens 249 . quando expostos ao solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Arbusto ou subarbusto é cosmopolita. os bovinos ingerem a Cambará. que faz com que este. para provocar sintomas de intoxicação aguda. devido ao efeito acumulativo). controle cultural (calagem e aração do solo) e químico Módulo 3. principalmente quando camará Triterpenóides transferido. manifestam fotossensibilidade sob forma de eritema e edema inflamatórios nas partes menos pigmentadas da pele e inquietação à procura de sombra. Muitos animais morrem nessa fase. convulsões. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. As plantas ocorrem em solo ácido.000 g de folhas verdes ingerido durante três semanas a poucos meses. Controle: erradicação da planta. A planta toda é tóxica. emagrecimento. culminando na morte.

. as quais são o meio de propagação. Após apresentar estes sinais. É tóxica ao fígado. etc. Os sinais apresentados têm predominância neuro-muscular.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Mamona (Ricinus communis) Euphorbiaceae Figura 2 g Arbusto pouco lenhoso. perturbações digestivas. dificilmente o animal se recupera. DL (2. Deve-se atentar para o seu aparecimento em leiras. taperas. tanto as folhas como as sementes são tóxicas. Anual. Morre na queimada. perda do equilíbrio ao caminhar e alteração do sistema nervoso sob forma de excitação ou depressão. perda de apetite. geralmente férteis. procurando ficar deitado. geralmente não folha e ricina inundáveis. Uso de herbicidas. Controle: É facilmente eliminada com mais de uma roçada. em solos de vários tipos. com flor e fruto quase durante o ano todo. e dificuldade de caminhar longas distâncias. Controle: Pode ser praticamente eliminada com roçadeira (rebrota pouco). O bovino apresenta andar desequilibrado. causando perturbação nervosa. sendo umas mais. os animais mais novos são mais sensíveis . depósitos (alcalóide) na de lixo. Controle com herbicida. Embora conste como pouco palatável. chique-chique (Crotalaria spectabilis) Leguminosae Figura 2 c Planta ereta. Comum em áreas ruderais como Ricinina beira de estrada. Os principais sinais na intoxicação por Crotalaria iniciamse por contrações abdominais. com o animal apresentando fraqueza. mas retorna por semente. Já a intoxicação pelas sementes varia de aguda a subaguda. A torta de mamona não bem detoxicada pelo calor também é tóxica. com copa. A parte aérea morre com a queima. DL (5.Manejo de plantas daninhas em pastagens . que germina melhor após o fogo. A intoxicação pelas folhas é aguda. e a plântula encontra condições mais favoráveis na pastagem rapada e rala (degradada). de 1 a 4 m de altura. antes da formação de sementes.000 g de folhas frescas ou 200 g de sementes.6 . na semente. No Brasil existem mais de 40 espécies Alcalóides do de Crotalaria. Perene. de 50 a 100 cm de altura. Ocorre também eructação excessiva (arroto) acompanhada por sialorréia (baba). sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. mas de ciclo curto. ingerindo também flores e frutos. antes que forme sementes. que favorece a germinação. leiras provenientes de desmatamento e pastagens cultivadas. O consumo repetido de pequenas quantidades de semente pode dar imunidade. geralmente férteis.um quarto dessa dose no caso de bezerro). principalmente em situações de fome. com tremores musculares. Guizo-decascavel. apatia e diarréia sanguinolenta. por irritação do tubo digestivo. as folhas foram observadas bem pastadas por bovinos no Pantanal. Possui ampla distribuição. ereto. 250 Módulo 3. Há relatos de pirrolizidinas que o princípio tóxico desta planta se concentra mais nas flores e nas sementes. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). mas das folhas não. em solos argilosos ou (toxoalbumina) arenosos. com flor e semente em grande parte do ano. Comum em áreas mexidas. Há formas de folhas verdes e outras arroxeadas. É palatável. onde o solo é mais fértil. O fruto estoura ao sol e lança as sementes a vários metros de distância.500 g de folhas verdes ao dia foram suficientes para levar os bovinos à morte). grupo das outras menos tóxicas.

geralmente férteis.500 g de folhas verdes). quando movimentados. acompanhada de outras perturbações digestivas. Controle: É facilmente eliminada com anelamento (descascar em volta do tronco). cerram fortemente as pálpebras. próximo à morte. Os animais. DL (1. Controle: Pastagens em abundância e erradicação da espécie. perde as folhas na estação seca. fazendo movimentos de pedalagem. que amadurecem e caem no período da seca e apresentam boa palatabilidade para os bovinos. embora. Causa lesões no tubo digestivo. Semente espalhada tamboril pela fauna. a novembro. diminuição ou até perda total do apetite. neste caso. mesmo em pequenas porções.Manejo de plantas daninhas em pastagens 251 . aparentemente. Comum em matas e (Enterolobium cerradões. Os principais sinais apresentados pelo animal intoxicado se caracterizam por lassidão. Afonso e Pott (2002) Módulo 3. solos arenosos ou contortisiliquum Saponina do argilosos. O quadro de intoxicação se manifesta poucas horas após a ingestão das favas e a sua evolução é aguda.6 . Há citações de que as favas provocam aborto em vacas. planta tóxica mais importante das regiões de várzea da bacia amazônica. ) tipo esteroidal Encontrado em todo o Brasil. Floresce de setembro a novembro. berram e morrem. Em seguida provoca diarréia de coloração amarelada e fétida. Os bovinos ingerem a planta somente quando estão com fome. a planta não tem boa palatabilidade. Fonte: Freitas et al. o animal faz movimentos de pedalagem com os membros traseiros e dianteiros. Gibata ou chibata Glicosídeo do (Arrabidaea tipo esteróide bilabiata) cardioativo Bignoniaceae Trepadeira.500 g de favas que leva um bovino à morte na intoxicação experimental). aproximadamente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Árvore de 8 a 18 m de altura. não causem outros sinais de intoxicação. (1991). copa larga. caem ou deitam-se precipitadamente. Uso de herbicidas. Ficam logo em decúbito letal.300 a 1. produz fruto de agosto Ximbuva. às vezes. A parte tóxica Figura 2 h importante desta planta são os seus frutos. Os sintomas iniciam-se. Leguminosae especialmente no Nordeste e Triângulo Mineiro. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. Ocorre retração acentuada dos globos oculares e. de 6 a 24 horas após a ingestão da planta. DL (250 a 1. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal).

mantendo a qualidade ambiental com a maximização de lucro para o agricultor. biológico e químico. o estabelecimento e. economicamente. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo.Manejo de plantas daninhas em pastagens . obtido em uma pastagem. tem sido preconizado o manejo integrado de plantas daninhas. o manejo de plantas daninhas pode ser definido como a combinação racional de medidas preventivas associadas a medidas de controle e de erradicação.Controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mesmos empregados em outros sistemas de produção agrossilvopastoril. O controle ideal é aquele que.1 . os custos de controle. mecânico ou físico. O nível de controle das plantas daninhas. elimina os prejuízos causados pelas plantas daninhas.6 . a energia gasta com tratos culturais. considerando uma forrageira. A redução da interferência das plantas daninhas. da capacidade competitiva da forrageira.Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. resguarda os seus aspectos benéficos e não causa danos à forrageira. com o advento da chamada agricultura economicamente sustentável. Os métodos de controle podem ser: preventivo. esse fato. dependerá da espécie infestante. por meio de métodos e equipamentos usados oportunamente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . que consiste num sistema ambientalmente correto no campo. segundo Victoria Filho (2000). onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para produção das culturas livre de danos econômicos da vegetação daninha competitiva. ou. Dessa forma. ainda. além de outras operações e a erosão do solo causada por água e vento. Visa. dos métodos empregados. das condições ambientais. no controle integrado. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco (SILVA et al. do período crítico de competição. etc. 2005). a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas 252 Módulo 3. aos animais e ao solo. Isso pode ser possível se o pecuarista proceder à absoluta racionalização do controle de plantas daninhas. se necessárias. sendo muito variados. assegurar a produção adequada de alimentos. constituindo-se. ou seja. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. 2. em um determinado agroecossistema. deve ser feita quando as perdas forem superiores ao incremento no custo devido ao controle. com o objetivo de reduzir as perdas causadas por estas plantas. quando não há redução da sua produtividade econômica. recomenda-se o “manejo integrado das plantas daninhas”. Atualmente.. cultural. Atualmente.

O preparo do solo deve ser feito de modo a proporcionar ótima germinação e estabelecimento da forrageira. Regionalmente. pedaços de tronco e galhadas. A intensidade e os equipamentos a serem utilizados no preparo de solo dependem do tipo deste. Quando da escolha dessa espécie. a quarentena de animais introduzidos em outras áreas. Proporciona. os seguintes procedimentos devem ser observados: diagnóstico da área . histórico da área e outros. topografia.realizado por meio de análise química e física do solo. com uma limpeza adequada da área. como a ciganinha (Memora peregrina). A correção da acidez do solo e o fornecimento de cálcio e magnésio a este (quando necessária). etc. o nível tecnológico a ser adotado. As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilização de sementes de elevada pureza. limpeza de canais de irrigação. que poderão se transformar em sérios problemas para a região. limpeza cuidadosa de máquinas. assim. A conservação do solo é outro ponto importante. capoeiras.Manejo de plantas daninhas em pastagens 253 . devem ser realizados no momento correto. bem como a aplicação de adubos fosfatados. impedimentos físicos ou mecânicos. ou mesmo reduzindo os efeitos erosivos. Essas áreas podem ser um país. devendo-se realizar a construção de terraços ou curvas de nível quando a área apresentar suscetibilidade ou risco de erosão ou até mesmo escorrimento superficial da água das chuvas. Em síntese. grades. impedindo. da quantidade e das espécies de plantas daninhas e de forrageira a ser Módulo 3. que deve começar antes da implantação. um município ou uma gleba de terra na propriedade. ainda.2 . pragas. principalmente. inspeção cuidadosamente de mudas adquiridas com torrão e também de toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. tipo de solo. análise da produtividade desejada. e época de utilização da espécie.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ainda por elas não infestadas. banco de sementes de plantas daninhas. Outro componente importante do controle cultural é a formação adequada da pastagem. objetivo da produção. clima (déficit hídrico e ocorrência de queimadas). um estado. eliminando-se rebrota do cerrado de porte alto.6 . tocos. o elemento humano é a chave do controle preventivo. 2. As quantidades desses produtos dependem da espécie forrageira e do nível de produtividade desejado. condições favoráveis para a forrageira em relação às demais espécies presentes na área (plantas daninhas) e possibilita a vantagem competitiva da forrageira em relação às plantas daninhas. palatabilidade e longevidade. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. e.Controle cultural O controle cultural reúne todas as práticas disponíveis para o estabelecimento das forragens em condições adequadas ao seu desenvolvimento e à sua persistência com boa produtividade. arbustos. qualidade. A escolha de espécies forrageiras adequadas para cada área e objetivo de pastejo é um importante componente do sucesso da atividade. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas.

assim. retardando o plantio da forrageira. Portanto.6 . além das exigências térmicas. assim. Entretanto. isto é. a época do plantio é muito ampla em quase todo o território nacional. a melhor época é de novembro a janeiro. para incorporar as sementes de 0.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas implantada. sendo este um fator importante na dinâmica competitiva da forrageira com as plantas daninhas. O plantio com semeadeira deve seguir as mesmas exigências do 254 Módulo 3. peso médio no misto e peso leve no argiloso. ou seja. solo nivelado e livre de plantas daninhas. Logo após a última gradagem (niveladora). deve ser realizada em quantidades recomendadas. A correção adequada de nutrientes do solo é outro fator que melhora as condições de estabelecimento. ou melhor. evitando. Em áreas com infestação elevada de plantas daninhas é recomendada a utilização de até 50% a mais da quantidade de semente. Em áreas que apresentarem alta infestação de plantas daninhas ou outras forrageiras. enxofre e micronutrientes.5 a 4 cm de profundidade (dependendo do solo e da forrageira). com pouca palha. exceção feita aos fosfatos naturais reativos. Deve-se evitar a utilização do rolo em solo com excesso de umidade. evitar o preparo excessivo do solo. quando recomendados. principalmente nos solos mistos e arenosos. devem ser antes do plantio e incorporados. hídricas e de fotoperíodo da forrageira. O plantio na época correta e de forma correta é fator preponderante no estabelecimento adequado da forrageira.Manejo de plantas daninhas em pastagens . O plantio pode ser realizado a lanço sobre o solo devidamente preparado com uma grade leve. algodão. deve-se realizar o preparo do solo no mínimo 120 dias antes do plantio no período das águas. começando com as primeiras chuvas em setembro até março. Em áreas que apresentarem alta quantidade de palhada. Deve-se. Outro componente do controle cultural muitas vezes desprezado é a quantidade e a qualidade das sementes das forrageiras. Deve-se considerar para isso a disponibilidade hídrica e temperatura para cada região. Comumente. com maior peso no solo arenoso. que impõe restrição à emergência das plântulas. poucos torrões. levando em consideração o resultado da análise de solo. Para a maioria das forrageiras. a sua pulverização. a compactação da camada superficial deste. a exigência de cada espécie forrageira e o nível de produtividade desejado. de modo geral. potássio. esta deve ser considerada como uma cultura que vai produzir por muitos anos. proporcionando. as sementes devem ser distribuídas na área e. para que ocorra a decomposição desta sem interferir na germinação da forrageira. o estabelecimento mais rápido da forrageira na área. o preparo do solo deve ser escalonado. o preparo do solo deve ser igual. Podem ser aplicados antes do plantio ou em cobertura. da germinação e do vigor. para que o solo não fique aderido nele. que. milho e outros. tem vantagem competitiva a espécie que se estabelece primeiro na área. deve-se passar o rolo compactador. podendo variar em certas regiões. ou seja. A correção de fósforo. A quantidade de sementes a ser utilizada depende da espécie forrageira. parcial ou totalmente fechada. As sementes devem possibilitar a formação de estande adequado e uniforme. exceto para estilosantes ou andropógon. ao daquele utilizado para plantio de soja. para favorecer a germinação e eliminação delas. como: pureza. livres de sementes de plantas daninhas e possuindo qualidade fisiológica (vigor e germinação). posteriormente. quando necessária. produção e longevidade da forrageira. no entanto.

A manutenção da pastagem em condições ideais com o controle adequado de pragas também é componente do controle cultural de plantas daninhas. estimulando a emissão de novos perfilhos e raízes. deve-se iniciar o pastejo de 60 a 100 dias após a emergência da pastagem. A realização de adubações de cobertura nitrogenadas melhora as condições de desenvolvimento e estabelecimento da forrageira. distribuição uniforme da palhada. boa cobertura do solo.6 . plantas daninhas de difícil controle por herbicidas e outros. trilheiros. Na formação de pastagem. proporcionando. A adubação nitrogenada possibilita maior rapidez e quantidade de área foliar. Devem-se utilizar. implicando o sombreamento e abafamento das plantas daninhas. com espaçamento entre linhas de 13 a 40 cm. isto é. Já o plantio direto exige as mesmas condições do plantio direto de grãos (soja. O manejo da pastagem estabelecida é. favorecendo o surgimento e estabelecimento de plantas daninhas. ele deve ser controlado com defensivos específicos para cada tipo de praga. deve-se passar o rolo compactador após o plantio. A dose aplicada vai depender da análise de solo. sem limitações químicas e físicas. As pragas mais importantes na formação de pastagens são: lagartas. com boa produção de carne/hectare. com profundidade de 0. uma vez que vai garantir a longevidade e qualidade da pastagem. compactação. podendo-se realizar. eliminar a maior parte das gemas apicais. O não-controle dessas pragas pode comprometer a formação e a persistência da pastagem. Estando todos os nutrientes corrigidos. milho). aproveitando o maior valor nutritivo. animais jovens com alta lotação. também chamado de pastejo de uniformização. cupins. o método de controle cultural de plantas daninhas mais importante. por curto período de tempo (10 a 30 dias). de preferência. sem erosão. As vantagens desse manejo são: evitar o acamamento. a adubação da pastagem ou consórcio com outras espécies. principalmente em solos de baixo teor de matéria orgânica. Módulo 3. dependendo do equipamento e da espécie forrageira. realiza-se o plantio de linhas espaçadas de 13 a 40 cm. com o objetivo de auxiliar na boa formação da pastagem. Se a semeadeira não possuir sistema de compactação. ou antes da emissão da inflorescência (sementeira). o nitrogênio é muito importante. colocando-se 10 a 20% a mais de sementes do que o sistema tradicional. Toda vez que o nível de infestação for significativo. na mesma operação. cupins subterrâneos e formigas. tem como objetivo contribuir para a boa formação da pastagem.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantio a lanço. para garantir o estande adequado e uniforme. Esse sistema de plantio exige máquinas e equipamentos adequados. espécie forrageira e produtividade desejada. Após a dessecação. reduzindo assim a produção de semente e translocação de nutrientes para estas. dessa forma. diminuir a competição interespecífica. o nitrogênio é o que proporciona o maior efeito no aumento de produtividade. Para gramíneas forrageiras de média a boa produtividade. tocos. O manejo de formação da pastagem. antecipar a utilização da forragem. eliminando o excesso de plantas.5 a 4 cm. fechando o dossel mais rápido. desde que o plantio seja realizado na época recomendada para cada região. por melhorar as condições desta. e proporcionar a mais rápida e perfeita cobertura de solo. possivelmente. A princípio.Manejo de plantas daninhas em pastagens 255 . maior sombreamento para plantas daninhas. recomenda-se a aplicação de nitrogênio de 30 a 40 dias após a emergência ou após o manejo de formação (primeiro pastejo).

sistema de produção e outros. De maneira geral. Este manejo pode facilitar o desenvolvimento da espécie forrageira ou das espécies de plantas daninhas. do potencial produtivo da forrageira. Uma das principais causas da degradação das pastagens é a redução da fertilidade do solo. está diretamente relacionada com a produtividade da pastagem. excesso de lotação (carga animal excessiva). O tamanho e o número de piquetes dependem. marandu e andropógon (30 cm). e tifton (15 cm). épocas corretas de entrada e retirada dos animais (altura de pastejo). Humidícola e Dictioneura (15 cm). O manejo correto consiste na utilização de lotação adequada. evitando assim a infestação da pastagem com sementes de plantas daninhas presentes no trato digestivo desses animais. A adubação de manutenção é. portanto. com 28 a 36 dias de pastejo. nível de adubação ou fertilidade natural do solo. Brachiaria decumbens (20 cm). e rotacionado o animal usa de 3 a 40 piquetes ou invernadas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ou seja. um fator importante no controle integrado de plantas daninhas. finalidade de pastejo. recomenda-se devolver às pastagens 20% da receita bruta anual. alternado . A quantidade de adubação de manutenção. sendo o manejo específico para cada região. como exemplo: tanzânia e mombaça (40 a 50 cm). A pastagem degradada não oferece condições à forrageira de competir com as plantas daninhas. utilizada anualmente. Esta prática também é considerada um método preventivo. com período de descanso de 24 a 39 dias.o animal fica sempre na mesma invernada ou pastagem. De modo geral. etc. com período de pastejo de 1 a 15 dias. em razão dos nutrientes perdidos no processo produtivo. Outro método cultural de controle de plantas daninhas é a manutenção de animais oriundos de outras pastagens em área isolada por 24 a 48 horas. exclusivamente. A altura de pastejo depende da espécie forrageira. e com o mesmo período de descanso. A melhoria das condições para o desenvolvimento das plantas daninhas ocorre quando o manejo empregado reduz as reservas e a capacidade competitiva e de restabelecimento da forrageira. tornando a infestação da área uma questão de tempo. principalmente nitrogênio e fósforo. o beneficiamento da forrageira vai depender do manejo correto. 256 Módulo 3. portanto.Manejo de plantas daninhas em pastagens . espécie forrageira. condições da propriedade (solo e clima). dependendo da espécie forrageira. da intensidade de pastejo e do número de animais. o pastejo pode ser classificado de três maneiras: contínuo . maior aproveitamento do investimento empregado até o momento.o animal explora duas invernadas alternadamente. pisoteio demasiado e arranque de plantas. que pode chegar a mais de 40% do total de nutrientes ingeridos pelo animal em pastejo.6 . Isso ocorre quando há pastejo excessivo (superpastejo). categoria animal. por evitar a entrada de plantas daninhas na pastagem. época do ano. A utilização da adubação de manutenção é extremamente econômica desde que seja escolhida a espécie de forrageira adequada às condições de clima e solo e que ela esteja bem formada e com manejo adequado.

danificando assim o sistema radicular e reduzindo o vigor da forrageira. ainda. Assim. uma vez que a maioria das plantas se restabelece logo após o corte. deve ser repetida periodicamente. por demandar muita mão-de-obra. O arranque manual. os quais requerem manutenção adequada. No entanto. porém demanda equipamentos apropriados. esta tem a tendência de aumentar a cada roçada. por possuir sistema radicular menos profundo e mais fácil de ser arrancado. como a maior parte desse material vegetal é constituída por tecidos de elevada relação C/N (na maioria Módulo 3. além de controlar as plantas daninhas. É um método relativamente seletivo. agride pouco a forrageira e pode ser empregado em locais de difícil acesso com máquinas (roçadeira). assim. Seu rendimento operacional é maior do que o arranque. para plantas daninhas perenes a manutenção de parte do sistema radicular no solo possibilita a rebrota e o seu restabelecimento. Outro método muito empregado entre os pecuaristas é a roçada mecanizada. Entretanto. a cobertura morta e o cultivo mecanizado. ou monda. Este método de controle exige muita mão-deobra e possui baixo rendimento operacional. ou seja. é um método pouco eficiente e ineficaz. jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. Ainda hoje é usado no controle em hortas caseiras. as espécies de plantas daninhas perenes que possuem reservas no sistema radicular rebrotam ou. quando o principal método de controle é o uso de enxada. A utilização do fogo é um método pouco eficiente. e na maioria dos casos a forrageira é mais suscetível à ocorrência de queimadas do que as plantas daninhas. também controla a espécie forrageira. As plantas roçadas podem rebrotar logo após a realização desta prática. aumentando a infestação.Manejo de plantas daninhas em pastagens 257 . por também cortar a forrageira. A parte aérea das plantas cortada ao entrar em contato com a superfície do solo vai desencadear os processos de decomposição e degradação.3 . como o trator e a roçadeira. Um dos métodos mais utilizados no controle de plantas daninhas em pastagens é a roçada manual com foice.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. É um método não-seletivo. porém possui baixa eficiência e eficácia. O custo é relativamente inferior ao da roçada manual. Este método. a inundação. elevado custo de controle. a roçada. ocorrendo perda de nutrientes e degradação da fertilidade do solo. Possui baixa eficiência e eficácia. que possui rendimento operacional elevado e necessita de pouca mão-de-obra. contudo. rebrotam e perfilham. a capina manual. a queima.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. Esta prática. devido à rebrota e ao restabelecimento das plantas daninhas.6 . possui a vantagem se ser altamente seletivo quanto à planta controlada. no entanto. possui custo elevado. afeta a atividade microbiana deste. pois reduz a quantidade de matéria orgânica do solo. expondo-o à ação da erosão. acarretando. e disponibiliza de forma desorganizada os nutrientes armazenados nos vegetais. bem com a roçada manual. Serve para controlar plantas gramíneas. e algumas ainda perfilham. No controle de plantas daninhas em pastagens. induzindo o aparecimento de reboleiras. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas.

mas devem ser conhecidos.plantio direto. solo e alimentos . perfeitamente controlados e evitados. • É eficiente no controle de plantas daninhas na pastagem sem afetar o sistema radicular da forrageira. A utilização de herbicida seletivo no controle de plantas daninhas em pastagens tem demonstrado várias vantagens. Os riscos de uso existem. 2. • Maior rendimento na operação de controle de plantas daninhas. os microrganismos do solo demandam nitrogênio. Deve-se salientar que. • Permite o menor revolvimento do solo . em concentrações convenientes. A roçada é uma prática que controla plantas daninhas sem reservas no sistema radicular e as demais espécies. uma vez que reduz ou elimina a competição entre estas e a forrageira. É eficiente no controle de plantas daninhas anuais e perenes e possui alto rendimento operacional. tanto fisiologicamente como quando aplicado de forma localizada. a quantidade disponível deste nutriente no solo em um momento em que a forrageira dele necessita para seu restabelecimento. após a realização da roçada. como o cultural e químico. São necessárias pessoas capacitadas para uso correto dos herbicidas. e este será imobilizado do solo. • Mesmo em épocas chuvosas. principalmente. em certas regiões é difícil de ser encontrada no momento certo e na quantidade necessária. assim. proporcionando menor rebrota das plantas daninhas. Na 258 Módulo 3. Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas.quando manuseados incorretamente. havendo perigo de intoxicação do aplicador. Pode ocorrer também poluição do ambiente água (rios. ele causa menor dano à forrageira. Todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. observando-se as normas técnicas. Por possuir seletividade. as instruções dos fabricantes e as leis governamentais que regulamentam o seu uso. o controle é mais eficiente. sendo o tempo de recuperação da área relativamente rápido.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas gramíneas). dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. lagos e água subterrânea). O herbicida deve ser considerado uma ferramenta a mais e não como o único método de controle. têm a finalidade de inibir o desenvolvimento ou provocar a morte das plantas daninhas. O conhecimento da fisiologia das plantas. sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. quando for adotada juntamente com outros métodos de controle. que possui custo elevado. reduzindo.Manejo de plantas daninhas em pastagens . para garantir o restabelecimento da forrageira e o seu poder de competição com as plantas daninhas. • Pode controlar plantas daninhas perenes e de propagação vegetativa.Controle químico No controle químico utilizam-se herbicidas que. As vantagens do uso do controle químico podem ser enumeradas: • Menor dependência da mão-de-obra. os animais devem ser retirados da área.4 .6 .

6 . diquat. porém não controla as espécies que possuem órgãos de reserva.4-D. conhecimento do tipo da forrageira. são dependentes das plantas daninhas presentes na área e de seu desenvolvimento no momento da aplicação (Quadro 2). bem como suas misturas.Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens Na reforma de pastagens ocorre a necessidade da destruição da vegetação da área. O objetivo deste controle é reduzir a competição das plantas daninhas e possibilitar condições ideais ao rápido estabelecimento e desenvolvimento da forrageira. o emprego do controle químico se faz necessário. sendo necessário o emprego conjunto do controle químico com herbicidas sistêmicos (Quadro 2). cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. não possuindo torrões e tocos. A seguir será abordado o manejo de plantas daninhas em pastagens utilizando-se herbicidas.Manejo de plantas daninhas em pastagens 259 .1 . desde que utilizado no momento adequado e de forma correta. sendo para isso realizada a destoca e gradagens. sendo comum a mistura entre alguns destes. sendo estes de amplo espectro de ação e baixa persistência no ambiente (dessecantes). uma vez que estes produtos são seletivos às gramíneas (Quadro 2). possuindo retorno rápido e certo. Módulo 3. A eliminação da vegetação pode ocorrer pelo emprego de práticas mecânicas ou por meio de controle químico com herbicidas. como: conhecimento das condições de degradação da pastagem e decisões conjuntas para sua recuperação. identificação correta das plantas daninhas (espécie. Quando a forrageira (monocotiledônea) estiver se estabelecendo na área e surgirem plantas daninhas dicotiledôneas. Os principais herbicidas utilizados com essa finalidade são glyphosate. com posterior implantação da forrageira. 2. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência da forrageira. Os herbicidas a serem utilizados. biologia. desde que inserida em um manejo adequado de controle de plantas daninhas e recuperação da pastagem. A gradagem é um método mecânico de controle de plantas daninhas. O emprego do controle químico deve ser feito juntamente com outras práticas de controle. Nesse caso. e distribuição de plantas daninhas (localizada ou não). São necessários alguns fatores para o sucesso da utilização do controle químico no manejo integrado de plantas daninhas.4. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. paraquat.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas maioria dos casos. Os demais sistemas de plantio devem ser realizados em solo com preparo adequado. estádio de desenvolvimento. o emprego de reguladores de crescimento. o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas. em pequenas doses. Portanto. sendo a de maior importância o controle cultural. paraquat + diuron e 2. também em estádios iniciais de desenvolvimento. atividade metabólica e densidade de infestação). a utilização de herbicidas no controle de plantas daninhas tem se mostrado uma prática economicamente viável. é prática viável.

4. É dependente da população adequada de plantas forrageiras na área e da viabilidade do seu sistema radicular. como o tebuthiuron (Quadro 2). do nível de infestação de plantas daninhas.4-D + picloram. triclopyr e tebuthiuron (Quadro 2).Uso de herbicidas na manutenção de pastagens O manejo adequado da pastagem é o principal fator responsável por sua longevidade e produtividade. Dentre os vários componentes do manejo de pastagens.2 . fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2).3 . A ausência da complementação do controle químico com o controle cultural inviabiliza essa tecnologia. A eliminação de reboleiras de plantas daninhas perenes e arbustivas pode ser realizada com aplicação localizada nas folhagens. a fim de proporcionar condições adequadas de restabelecimento da forrageira.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. Na prática da recuperação das pastagens.4-D + picloram. tornando esta competitiva e dificultando o estabelecimento de plantas daninhas. os arbustos com muitos espinhos. mesmo que os herbicidas sejam eficazes no controle das espécies infestantes.: na pindoba) ou mesmo no toco recémcortado de arbustos e árvores.Uso de herbicidas na recuperação de pastagens A recuperação de pastagens é caracterizada pelo retorno às condições de produção destas sem ocorrer destruição da forrageira ou mesmo o revolvimento do solo. da espécie da forrageira. A recuperação da pastagem demanda menor custo e possibilita a obtenção mais rápida de pasto. através de produtos seletivos às gramíneas.4-D. 260 Módulo 3. por possibilitar condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira. Devese manter a pastagem sem pastoreio por um período de tempo após as práticas suficiente para recuperação desta. das espécies de plantas daninhas presentes na área e do nível tecnológico empregado pelo pecuarista. 2. como o 2.4.6 .Manejo de plantas daninhas em pastagens . 2. Práticas culturais adequadas. fluroxipir + picloram. como: 2. utilizando-se para isso o picloram. o primeiro passo é a eliminação da competição pelas plantas daninhas. Os herbicidas podem ser utilizados para eliminar as plantas daninhas. podem ser eliminados pela utilização de produtos granulados espalhados no solo na projeção da copa. o que pode ser realizado pelo emprego de herbicidas. A prática da recuperação é dependente. uma vez que implica disponibilizar condições adequadas ao restabelecimento e desenvolvimento da forrageira já implantada na área. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2). Eles possibilitam condições de rápida recuperação da pastagem e melhor aproveitamento do adubo e da calagem pela forrageira. 2. presença de comprometimento da fertilidade do solo com manutenção da integridade da forrageira. 2. ainda. quando comparada à formação ou mesmo à reforma.4-D. ou seja. Entretanto. no meristema apical (ex. que impõem dificuldades na pulverização ou mesmo no corte. o controle de plantas daninhas é fundamental para a sustentabilidade do sistema de produção.4-D + picloram. A ausência de condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira proporciona o restabelecimento das plantas daninhas na área. como adubação e calagem. são componentes fundamentais no sucesso do manejo de plantas daninhas e na recuperação da forrageira.

previamente.4-D Diversos Diuron + Gramocil paraquat Módulo 3. joá (Solanum spp. Por ser herbicida não-seletivo.). para matar as plantas daninhas anuais (monocotiledôneas e dicotiledôneas). com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado.). Controla várias espécies de gramíneas e dicotiledôneas anuais. de ação por contato. Plantas daninhas controladas: amendoim-bravo (Euphorbia spp). carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum).6 . alface e outras hortaliças. com glyphosate. Não aplicar em plantas daninhas perenes adultas. mamona (Ricinus communis). mastruço (mentruz) (Coronopus didymus). tomate. ou cultivadas em área tratada por um período inferior à sua carência. visando redução das doses e maior eficiência de controle. objetivando a recuperação da forrageira. ao pastoreio da área. em área total. Mostarda (Brassica campestre). usá-lo em mistura no tanque do pulverizador. como tomate. mentrasto (Ageratum conyzoides). não pode ser aplicado sobre a forrageira. entre outras. café. estando estas em estádio inicial de desenvolvimento. não ocasionando a morte delas em aplicação isolada. guanxuma (Sida spp. picão-preto (Bidens pilosa). Esta prática também reduz a contaminação do esterco dos animais com esses herbicidas. Nabiça (Raphanus raphanistrum). erva-moura (maria preta) (Solanum nigrum). em infestações mistas (de gramíneas e dicotiledôneas).Manejo de plantas daninhas em pastagens 261 .).) e aguapé (Eichornia crassipes) Utilizado na renovação das pastagens. devendo ser aplicada a mistura de 2. podendo causar sérios danos a culturas sensíveis adubadas com o esterco. Na dessecação para o sistema de plantio direto. Deve ser aplicado preferencialmente nos estádios iniciais de desenvolvimento das plantas daninhas. trapoeraba (Commelina spp.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Deve-se atentar para a manutenção da pastagem livre de pastoreio no momento e também por um período de tempo após a aplicação dos herbicidas. corriola (lpomoea spp). cordãode-frade (Leonotis spp. melão-de-são-caetano (Momordica charantia). jurubeba (Solanum paniculatum). flor-roxa (Echium plantagineum).).). poaia (Richardia spp.4-D com picloram. dente-de-leão (Taraxacum officinale). batata. beldroega (Portulaca oleracea). Recomenda-se aplicálo com ponta de pulverização que produza boa cobertura foliar. devido ao rápido metabolismo do 2. serralha (Sonchus oleraceus). feijão. caruru (Amaranthus sp. Controla plantas de folhas largas anuais e algumas perenes. picão-branco (Galinsoga parviflora). que possuem persistência neste e no solo. Também é utilizado na dessecação para o plantio direto em pósemergência das plantas daninhas. No controle em área total procede-se. Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. Nabo-bravo (Brassica rapa). soja.4-D nessas plantas. como: algodão. Quadro 2 – Principais herbicidas recomendados na cultura das pastagens Nome técnico Nome comercial Observações Aplicação (pós-emergência) em área total em forrageiras monocotiledôneas controlando seletivamente as espécies dicotiledôneas. que não se reproduzem por partes vegetativas. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. 2. glyphosate potássico ou sulfosate. porém não elimina as plantas perenes.

20 a 0. previamente.Manejo de plantas daninhas em pastagens . previamente. capixingui (Croton floribundus). carqueja (Bacharis trimera). Utilizar surfatantes (0. Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. Plantas daninhas controladas (*aplicação no toco recém-roçado): amendoim-bravo (Euphorbia paniculata). tojo (Ulex europaeus) e trançagem (Plantago major). No primeiro caso. Caso contrário.). o de aplicação no toco recém-roçado. assapeixes (Vernonia spp. feijão. café.3% de óleo mineral). guanxumas (Sida spp. É utilizado no controle de plantas herbáceas tolerantes ao 2. como: algodão. timbó* (Serfania sp). Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado.4-D 262 Módulo 3. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. Aplicação em pós-emergência em área total ou localizada.3% v.v. deve-se roçar as plantas daninhas e esperar a rebrota vigorosa e bem enfolhada (30 a 40 cm para plantas herbáceas e 1 m para semilenhosas) para posterior aplicação. arranha-gato* (Acacia sp. quando as plantas se encontram em pleno vigor vegetativo. ao pastoreio da área. entre outras. Deve ser realizado durante a estação das chuvas. joá (Solanum sisymbrifolium). a aplicação deve ser realizada cerca de 40 dias após a emergência das plantas daninhas. soja. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. picão-preto (Bidens pilosa). espinilho (Fagara praecox). tomate. É utilizado na reforma e recuperação da pastagem no controle de plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas e semi-arbustivas. mio-mio (Baccharis coridifolia). Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. caraguatá (Erygium spp). como: algodão. No controle em área total procede-se.). 2. samambaia (Pteridium aquilinum). fedegoso (Senna obtusifolia).4-D e para controlar arbustos e árvores.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatantes 0. cheirosa (Hyptis suaveolens). fumeiro (Solanum sp). pulveriza-se por via terrestre ou aérea toda a área ou as reboleiras mais infestadas. ao pastoreio da área. batata. cambarazinho (Eupatorium laevigatum). erva-lanceta (Solidago microglossa). cajussara (Solanum spp. aguapé (Eichordia crassipes). buva (Erigeron bonariensis).4-D + Mannejo picloram 2.4-D + Tordon picloram 2. entre outras. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). Deve-se atentar para o efeito da deriva. e Sharnkya sp.2 a 0.000 metros de distância de culturas sensíveis. soja. café. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. leiteiro* (Peschiera fuchsiaefolia). malva-branca (Sida cordifolia). canelade-perdiz (Croton glandulosus) e mata-pasto (Eupatorium maximilianii) e outras.v Aterbane ou 0.).6 .). na erradicação de arbustos ou árvores isoladas utiliza-se o método da pulverização da copa ou. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso).25% v. erva-de-bicho (Polygonum punctatum). em pleno vigor vegetativo. principalmente em pulverizações aéreas que devem ser realizadas no mínimo a 2. maria-mole (Senecio brasiliensis). No controle em área total procede-se. Plantas daninhas controladas: assa-peixe branco (Vernonia polyanthes). batata. preferencialmente. jurubeba (Solanum paniculatum). guanxuma (Sida rhombifolia). No segundo caso. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. feijão. tomate.

jovens ou adultas. ainda.v. As plantas daninhas devem estar em pleno desenvolvimento vegetativo. Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. Requer período de 4-6 horas sem chuvas após sua aplicação. por ser fortemente sorvido ao solo e não possuir efeito residual. em aplicações localizadas para controlar plantas em reboleiras. Aplicação em pósemergência em área total ou localizada. controla plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas semi-arbustivas e arbustivas. guanxuma (Sida rhombifolia). É comum sua mistura ao 2.4-D.Manejo de plantas daninhas em pastagens 263 . Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. tomate.6 . ou reverter o terreno para outras culturas. angiquinho* (Parapiptadenia sp). Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatante 0. quando se pretende renová-la. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado.5% v. previamente. assa-peixe-roxo (Vernonia westiniana).v ou óleo mineral 0. café. aroeirinha* (Schinus terebenthifolius). usa-se para destruí-la. feijão. evitando a rebrota destas após o revolvimento do solo. Por ser um herbicida sistêmico. joá (Solanum viarum). Controla de forma não-seletiva plantas daninhas mono e dicotiledôneas. batata. A dose recomendada depende das espécies e do estádio de desenvolvimento destas. soja. Fluroxipir Plenum + picloram Glyphosate diversos Módulo 3. vassourinha (Sida santaremnensis). roseta* (Randia armata. Bauhinia variegata). guatanbú* (Aspidosperma sp. Neste caso. mamica-de-porca* (Fagara rhoifolium). principalmente para uso em áreas infestadas por plantas de difícil controle. por não ser seletivo a elas. Pode ser utilizado. dependendo da formulação utilizada. ao pastoreio da área. estando estas em boas condições metabólicas. No controle em área total procede-se. como: algodão. deve-se evitar o contato com as forrageiras. malva branca (Sida cordifolia). malvão (Triunfetta bartramia). Aplicar em pós-emergência das plantas daninhas. para assegurar sua absorção.2 a 0. entre outras. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos.3% v.). controla plantas daninhas perenes e com órgãos de reserva. mata-pasto (Eupatorium maximilianii). Em pastagem. (*Em algumas condições ocorre a exigência de repasse no segundo ano com a aplicação de picloram no toco recém-roçado). assa-peixe branco do cerrado* (Vernonia ferruginea). Plantas daninhas controladas: assa-peixe-branco (Vernonia polyanthes). Este herbicida não impõe restrições quanto à escolha das culturas subseqüentes.

O produto deve ser aplicado imediatamente após o corte. molhando bem todo o toco até atingir o ponto de escorrimento. Não adicionar óleo diesel nem surfatantes.) pata-de-vaca (Bauhinia variegata e Parapiptadenia sp. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. esta pode ser aérea ou terrestre. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. aproximadamente 30-40 cm acima do nível do solo (cerca de 20 mL por planta).aplicação de Garlon 5. localizado no centro da projeção das folhas mais novas. Plantas daninhas controladas: arranha-gato (Acacia plumosa). Plantas daninhas controladas: erva-quente (Borreria alata). objetivando-se atingir o seu sistema radicular. Na aplicação em área total não se deve utilizar óleo diesel. Controle de guatambu (Aspidosperma sp. como: algodão. A aplicação deve ser realizada diretamente no meristema apical da planta.0% v. médio e grande porte. camboatá (Tapirira guianensis). espinho-agulha (Barnadesia rosea). deve-se aplicar o produto sobre o solo ao redor do toco. devem-se aplicar 15 a 20 mL por planta. assa-peixe (Vernonia polyanthes). ao pastoreio da área. deve-se fazer o corte abaixo do engrossamento da raiz da última roçada. Para plantas velhas.0% v. batata. em pastagens infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno. cuidando para atingir o mínimo possível as folhas da forrageira. espinilho (Acacia farnesiana).Manejo de plantas daninhas em pastagens . Em plantas com toco de diâmetro inferior a 3 cm.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Controle eficiente da pindoba (Orbinea speciosa) – 10 mL da solução 4.v de Garlon em óleo diesel para cada metro de altura desta planta. para evitar perda do produto. pata-de-vaca (Bauhinia variegata) e ciganinha (Memora peregrina). dependendo do tipo de solo e das condições climáticas.v em óleo diesel a baixa pressão no terço final do caule. deve-se corta-las com enxadão abaixo do nível do solo e posteriormente aplicar o produto em caule e raízes decepadas até o ponto de encharcamento. Triclopyr Garlon Picloram Padron 264 Módulo 3. Não realizar aplicação em plantas secas e com atividade metabólica reduzida (estresse hídrico acentuado.6 .) e outras brotações de cerrado . entre outras. jurubeba (Solanum paniculatum) e outras.: ciganinha). mesmo que a altura esteja abaixo da roçada recente. aroeirinha (Schinus terebenthifolius). Aplicar o produto molhando bem e uniformemente toda a folhagem da planta. cambará (Lantana camara). queimada). feijão. A aplicação deve ser realizada em plantas com desenvolvimento adequado. que apresentam engrossamento visível próximo à superfície do solo. Os caules mais grossos devem ser rachados em cruz para proporcionar a maior absorção do produto. Aplicação deve ser localizada no toco recém-roçado. O produto é rapidamente degradado. Roçar as plantas daninhas a serem controladas com foice o mais próximo possível do solo. Em plantas já roçadas anteriormente. Deve-se utilizar ponta de pulverização do tipo cone cheio. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. tomate. plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). No controle em área total procede-se. previamente. apresentando meiavida no solo de 20 a 45 dias. café. que deve ficar o mais próximo possível no momento da aplicação. soja. Em plantas que possuem engrossamento do caule abaixo do nível do solo (ex. não impondo restrições quanto a culturas subseqüentes. roçadas várias vezes. mamica-de-porca (Machaerium aculeatum). leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis.

espinho-agulha (Barnadesia rósea). espécie infestante. embaixo da copa dos arbustos indesejáveis (plantas com espinhos e outras). É recomendado para solos arenosos e areno-argilosos. seu efeito restringe-se ao local de aplicação. algodão. malícia ou dorme-dorme (Mimosa invisa). taboca (Guadua angustifólia). lobeira (Solanum lycocarpum). A aplicação foliar pode ser localizada ou em área total. chirca (Eupatorium bonifolium). assa-peixebranco. cruzeta (Strychnos parvifolia). veludo-vermelho (Chomelia pohliana). feijão. fumo. É aplicado em dose única em qualquer época do ano. entretanto. operação na ocasião do controle (reforma. leiteiro-vermelho (Chrysophyllum marginatum). fumo-bravo (Solanum verbascifolium). carqueja (Bacharis trimera). para reduzir os efeitos negativos à forrageira. Mantenha afastados das áreas de aplicação crianças. arranha-gato ou unha-de-gato (Acacia plumosa). a área é caracterizada pela infestação menor do Módulo 3. No caso de aplicação em área total. com granuladeira ou por via aérea. pepino e outras. assa-peixe. ainda. quando em aplicação localizada. as culturas rotacionais poderão ser plantadas no mínimo 3 anos após a aplicação do herbicida. sendo elas dependentes das condições de infestação. os danos tendem a desaparecer num período de 6 a 12 meses. mangueirinha ou camboatá-do-cerrado (Tapirira guianensis). A localizada é denominada catação e constitui-se na eliminação de arbustos agrupados. animais domésticos e pessoas desprotegidas por um período de 7 dias após a aplicação do produto. mamica-de-porca (Fagara hiemalis) e tarumã (Vitex sp. assa-peixe-roxo (Vernonia scabra).Manejo de plantas daninhas em pastagens 265 . No entanto. devendo. bem como de árvores frutíferas. folha-de-santana (Vernonia ferruginea). distribuindo-se os grânulos na projeção da copa. ou. cansanção ou urtigão (Cnidosculus urens). ou localizada nas reboleiras de infestantes que se pretende eliminar. jurubeba (Solanum fastigiatum).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Formulação granulada aplicada a lanço. Após a aplicação deste produto não se recomenda eliminar a parte aérea do arbusto de que se deseja o controle. limão-bravo (Soliva sessilis).). leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). portanto. A distribuição do produto deve ser uniforme na área. resultados mais rápidos e eficientes serão obtidos quando a aplicação for realizada pouco antes (ou no início) do período chuvoso (julho a dezembro nas regiões Sul e Centro-Oeste). assa-peixe-do-cerrado (Gochnatia polymorpha). cega-jumento ou cajussara (Solanum rugosum). recuperação e manutenção). nível tecnológico do pecuarista e herbicida utilizado. cipó-prata (Banisteria metalicolor). Usa-se em cobertura total do terreno. Tebuthiuro Graslan n São várias as maneiras de aplicação de herbicidas em pastagens. como soja. os arbustos devem apresentar bom desenvolvimento foliar. o aplicador proteger-se com equipamento de proteção adequado (luvas impermeáveis e outros). esporão-de-galo (Pisonea aculeata). tomate. Devido ao modo de absorção e translocação do herbicida. limãozinho ou juvu (Acanthocladus brasiliensis). esporão-de-galo (Celtis glycicarpa). pois esta é importante para melhor absorção do herbicida e conseqüentemente agilizará o processo de morte desse arbusto. roseta ou limãozinho-de-goiá (Randia armata). Plantas daninhas controladas: gramão ou grama-batatais (Paspalum notatum). pereiro (Aspidosperma eburneum). a aplicação não deve ser feita em arbustos roçados ou queimados recentemente. Em caso de lesões ocasionadas principalmente pela maior concentração localizada do produto. Deve-se evitar a aplicação sobre ou perto de culturas anuais suscetíveis. formação. Não aplicar o produto em florestas ou reservas naturais. aroeirinha (Schinus terebinthifolius). em ambos os casos.6 . espinho-agulha (Chuquiragua tomentosa). capa-bode (Melochia tomentosa). assa-peixe-do-pará. café-de-bugre (Solanum caavurana).

direcionadas por trabalhadores que acompanham o trator. Os pulverizadores utilizados são o costal tracionado por uma pessoa. denominado Burro Jet. 266 Módulo 3. canhão ou avião (aérea). caracterizada pela deposição do herbicida granulado no solo na projeção da copa da planta daninha. Deve-se cuidar quanto à deriva próximo a áreas agrícolas. uma vez que a maioria das culturas anuais e perenes é altamente sensível aos herbicidas reguladores de crescimento utilizados em pastagens.Manejo de plantas daninhas em pastagens .6 . Todavia. permitindo a mecanização com o trator.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que 40% e disposta em reboleiras. A principal vantagem da aplicação aérea é o alto rendimento operacional. necessidade de pista de pouso próximo à área e topografia adequada à pulverização aérea. tendo como objetivo aumentar a suscetibilidade das plantas daninhas aos herbicidas. podendo pulverizar até 300 ha por dia. podendo ser realizada com pulverizador de barra. pelas exigências quanto a monitoramento sistemático das condições meteorológicas. Essa forma de pulverização possui alto rendimento operacional e exigência baixa de mão-de-obra. Outra forma de aplicação de herbicidas é em toco recém-roçado. Esta prática demanda maior nível tecnológico do pecuarista. pode-se realizar a aplicação basal. ou mesmo um pulverizador tratorizado adaptado com várias saídas de pontas. o pulverizador tracionado por animal. em condições que impõem restrições à aplicação foliar ou ao corte dos arbustos. É utilizado no controle de arbustos com espinhos e com arquitetura de galhos bem fechados. A aplicação aérea é recomendada em grandes áreas que possuem obstáculos à pulverização tratorizada. A aplicação em área total é feita em áreas com infestação acima de 40% e está condicionada à topografia adequada da área.

N. N. São Paulo: Graphicars. Campo Grande: Embrapa-CNPGC.. Produção de bovinos de corte com a integração agricultura x pecuária. 2000.. 1985. 118-120. S... 20 p.). SANTOD. 1996c. 8. L. 69). Anais. POTT. A . 11.. 3. Lavras. 19 p. In: SIMPÓSIO DE FORRAGICULTURA E PASTAGENS: TEMAS EM EVIDÊNCIAS.H. 1997.. R. A.. 2000. In: ZAMBOLIM. v. PORTES. A... 1994. 2001.6 . C. S. Bases para o estabelecimento do manejo de pastagens de brachiária. (Comunicado Técnico.. COBUCCI. Piracicaba: FEALQ. A pecuária de corte brasileira no terceiro milênio.. pivô central e plantio direto. 1. INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON TROPICAL SAVANNAS. 1. Manejo integrado fitossanidade: cultivo protegido. A. 1991.. R.. 7. 48 p. Anais. novos desafios. C. P. M. P. p. K.. Campo Grande: EmbrapaCNPGC. Interferência de plantas daninhas em culturas agrícolas. B. 1349-1358. 11. 2000. J. 16-27. P. F. KICHEL. 2000.. p. aquáticas.. FERREIRA.. H. M. Módulo 3. A. 2001. M. T. Manejo integrado de plantas daninhas em sistema de plantio direto. 2002. S. CARVALHO. A. C.. T. OLIVEIRA. p. Viçosa: UFV. SILVA. 120. Análise do crescimento de uma cultivar de braquiária em cultivo solteiro e consorciado com cereais. 583-624.Manejo de plantas daninhas em pastagens 267 . . 35. parasitas e tóxicas. A. Campo Grande: Embrapa-CNPGC. A. p. K. H. B. BALSALOBRE. (Divulgação. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DE PASTAGEM. 4 p. T. SILVA. ZIMMER. PITELLI. HOEHNE. EUCLIDES FILHO. LORENZI.C. KICHEL. n. p. n. Plantas daninhas do Brasil: terrestres. 51-68. A pecuária de corte no brasil: novos horizontes. M. Sistema de integração agricultura & pecuária. Z.. In: SIMPÓSIO SOBRE O CERRADO. KICHEL. Viçosa: UFV. MIRANDA. MACEDO. Principais plantas tóxicas para herbívoros. Informe Agropecuário. Piracicaba. Editora Plantarum Ltda. v. C. Degradação e alternativas de recuperação e renovação de pastagens. Lavras: UFLA. F. H. 8 p. 53). SP. 249-266. Nova Odessa. (Documento.. Plantas no Pantanal tóxicas para bovinos. (Ed.. FREITAS. 1939. 62).. MIRANDA.. p. S. Brasília. CORSI. L.ed. A. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. E. Anais. 608 p. KLUTHCOUSKI. 2000. M. N. Plantas e substâncias vegetais tóxicas e medicinais. J. Pesquisa Agropecuária Brasileira. 1996. I. Campo Grande: Embrapa-CNPGC.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Referências bibliográficas AFONSO. TAMBOSI. 355 p. I. C. EUCLIDES FILHO...

C. SILVA. 320 p. F. T. R. 203 p. Plantas tóxicas para bovinos em Mato Grosso do Sul. PASSANEZI.. p. A.. G. SILVA. 129-150. 5 p. 197-218.. A. V. (Ed. R. Physiological aspects of competition. Documentos.. A. 15. Piracicaba. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DE PASTAGEM. 1995. Plantas tóxicas do Brasil. L.. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA PASTAGEM. S. Controle de plantas daninhas. Estratégias de manejo de plantas daninhas. A. M. Viçosa: UFV. Piracicaba: FEALQ. 2000. Rio de Janeiro: Helianthus.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas POTT. RODRIGUES. F. J.. Piracicaba: FEALQ. Manejo integrado de doenças. HOLT... 1996. p. S. 1999. New York: John Willey and Sons. Anais. Piracicaba. GHERSA. H. L. SILVA. A. C. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA PASTAGEM. A. Curso de proteção de plantas. 217-301. M... FAGUNDES. J. P. p. A. L..Manejo de plantas daninhas em pastagens . . pragas e plantas daninhas. D. In: Weed ecology implicatios for manegements.. TOKARNIA. 1998. FERREIRA.. R. 268 Módulo 3. 17. C. C. ABEAS.. R. CARNEVALLI.. 2005.). 12.. Bases para o estabelecimento do manejo de capins do gênero Panicum. Anais. VICTORIA FILHO.. RODRIGUES.. Anais .. 135-156. Bases para o estabelecimento do manejo de Cynodon sp. J. p. F. F. RADOSEVICH. REIS. AFONSO. Capim elefante. J. E. S. J. L. 2000. SILVA. VARGAS. 7).. A. MONTEIRO.. Piracicaba. RODRIGUES. A. J.. FERREIRA. p. Piracicaba: FEALQ. DÖBEREINER. R. In: ZAMBOLIM. Campo Grande: Embrapa-CNPGC. 2000. (CNPGC... PEDREIRA.. L. Módulo 3. R.6 . 349-363.