ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 Manejo de plantas daninhas
Tutores: Profº Dr.Antonio Alberto da Silva (UFV-MG) Profº Dr. José Ferreira da Silva (FUA-AM) Profº Dr. Francisco Affonso Ferreira (UFV-MG) Profº Dr. Lino Roberto Ferreira (UFV-MG)

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 1

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Ficha Catalográfica Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Controle de plantas daninhas. Tutores: Antônio Alberto da Silva; [e outros]; colaboração de José Ferreira da Silva, Francisco Affonso Ferreira, Lino Roberto Ferreira - Brasília, DF: ABEAS; Viçosa, MG: UFV; 2006. 268.: il (ABEAS. Curso Proteção de Plantas. Módulo 3 - 3.1;3.2;3.3;3.4;3.5,3.6). Inclui bibliografia. 1. Plantas daninhas - controle. I.Silva, Antônio Alberto, 1950 - II. Silva, José Francisco da. III.Ferreira, Francisco Afonso. IV.Ferreira, Lino Roberto. V.Silva, José Ferreira da. VI. Oliveira Júnior, Rubem Silveríco de. VII. Vargas, Leandro. VIII. Universidade Federal de Viçosa. IX. Título É proibida a reprodução total ou parcial deste módulo Direitos reservados a ABEAS e ao autor

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Módulo 3: 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário
Módulo 3.1 – Biologia e métodos de controle, 04 Módulo 3.2 – Herbicidas: classificação e mecanismos de ação, 48 Módulo 3.3 – Herbicidas: absorção, translocação, metabolismo, formulação e misturas, 102 Módulo 3.4 – Herbicidas: comportamento no solo, 135 Módulo 3.5 – Herbicidas: resistência de plantas, 196 Módulo 3.6 – Manejo de plantas daninhas em pastagens, 235

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.1 - Biologia e métodos de controle
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Francisco Affonso Ferreira Profº. Lino Roberto Ferreira Profº. José Barbosa dos Santos

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
4 Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário

Introdução, 06 1 - Planta daninha, 07 1.1 - Prejuízos causados pelas plantas daninhas, 08 1.1.1 - Prejuízos diretos, 08 1.1.2 - Prejuízos indiretos, 09 1.2 - Origem, estabelecimento e propagação das plantas daninhas, 10 1.3 - Classificação das plantas daninhas, 15 1.3.1 - Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas, 16 1.4 - Características de agressividade das plantas daninhas, 18 2 - Competição entre plantas daninhas e culturas, 19 2.1 - Fatores do ambiente passíveis de competição, 20 2.1.1 - Competição por água, 23 2.1.2 - Competição por luz, 25 2.1.3 - Competição por CO2, 28 2.1.4 - Competição por nutrientes, 28 3 – Alelopatia, 30 3.1 - Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas, 31 3.2 - Alelopatia entre culturas, 32 3.3 - Alelopatia das coberturas mortas, 32 4 - Competição e período crítico de competição, 33 5 - Métodos de controle de plantas daninhas, 36 5.1 - Controle preventivo, 36 5.2 - Controle cultural, 37 5.3 - Controle mecânico ou físico, 37 5.4 - Controle biológico, 39 5.5 - Controle químico, 40 6 - Manejo integrado de plantas daninhas (mipd), 42 Referências bibliográficas, 45

Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

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São necessários.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Para um leigo. bioquímica. toda e qualquer técnica de manejo de plantas daninhas somente terá sucesso se for aplicada levando-se em conta conhecimentos detalhados da biologia das plantas infestantes da área. cuidados técnicos 6 Módulo 3. biologia. 2005). de arroz. é extremamente simples. mecanização agrícola. Como toda ciência. simultaneamente. envolvendo principalmente conhecimentos nas áreas de morfologia e fisiologia. mecânicos ou químicos. Os estudos de ecologia e da toxicologia humana e animal são conduzidos. Assim. Novas técnicas estão sempre sendo pesquisadas e incorporadas. na região produtora de alimentos do Brasil. Em termos médios. de milho. usando métodos manuais. cerca de 20-30% do custo de produção refere-se ao controle de plantas daninhas. sendo mais eficientes no controle de plantas daninhas específicas e com doses cada vez mais baixas. economicidade do controle químico. o uso de herbicidas tornou-se prática indispensável. ou seja. é uma ciência multidisciplinar que depende de conhecimentos de botânica. climatologia. principalmente. no momento preciso e na quantidade necessária. Devido à dificuldade de se encontrar mão-de-obra no campo. estão sendo desenvolvidos trabalhos objetivando a criação de cultivares de soja resistentes ao glyphosate. o estudo das plantas daninhas é dinâmico. A demanda cada vez maior de alimentos. entretanto. sendo um dos primeiros no "ranking" de vendas de agrotóxicos. Cerca de 92% da população. visando o melhoramento de culturas para resistência a herbicidas. o ultra-som. técnicas de biologia molecular e sensoriamento remoto. as microondas e o raio laser estão sendo avaliados como futuros métodos de controle. etc. além da eficiência e. Todavia. Em algumas culturas. Muitos estudos estão sendo conduzidos em genética. com ajuda da física. e a mão-de-obra rural existente é escassa e de baixa qualidade. o Brasil dispõe de um dos maiores mercados do mundo. química orgânica. deve utilizar menos mão-de-obra para produção de maior quantidade de alimentos. o produtor deve ser mais eficiente. como cana-de-açúcar. o controle de plantas daninhas. isoenzimas e RAPD (biotecnologia) e sensoriamento remoto também são úteis na identificação de plantas daninhas. Na verdade. ao amônio-glufosinato. Em razão disso. em que os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF. esse percentual é ainda maior.Biologia e métodos de controle . fibras e energia. física e química do solo. destaca a importância da eficiência do controle de plantas daninhas.1 . para uma população crescente de consumidores e decrescente de produtores. fitotecnia. Os novos herbicidas estão cada vez mais seguros para o ambiente e o homem. vive hoje nas cidades. antes do lançamento de qualquer herbicida. fisiologia vegetal. Com relação aos defensivos agrícolas. a eletricidade. ao imazaquin. como exemplos.

econômico e que preserve a qualidade ambiental e a saúde do homem. mecânico. no seu processo. Segundo Rodrigues e Almeida (2005). Uma planta pode ser daninha em determinado momento se estiver interferindo negativamente nos objetivos do homem. Entretanto. Na verdade. a topografia da área. servindo como planta medicinal. sendo recomendado sempre um programa de controle integrado. um campo no qual está muito presente o desafio maior do agronegócio brasileiro. que é o de conciliar. porém esta mesma planta pode ser útil em outra situação. são vários os conceitos de planta daninha: Shaw (1956). plantas ao lado de refinarias de petróleo.Planta daninha Definir planta daninha nem sempre é fácil. biológico e químico). Cruz (1979) salienta que é uma planta sem valor econômico ou que compete. levando-se em consideração as espécies daninhas infestantes. Fischer (1973) apresenta duas definições: “plantas cujas vantagens ainda não foram descobertas” e “plantas que interferem com os objetivos do homem em determinada situação”. é uma planta fora de lugar. podem-se citar espécies altamente competidoras com culturas sendo extremamente úteis no controle da erosão. como a presença do milho em cultura da soja e da aveia em cultura do trigo. Para Beal.1 . Neste programa. com o homem. como. físico. associam-se os diversos métodos disponíveis (preventivo. afirma que planta daninha é qualquer planta que ocorre onde não é desejada. Uma planta cultivada também pode ser daninha se ela ocorrer numa área de outra cultura. pois estas. etc. Embora não se possa dizer que uma planta. 1 . os conceitos de competitividade. é um típico setor de tecnologia de ponta e. por exemplo. Por esse motivo. pelo solo. num conceito mais amplo. para se obter um controle que seja eficiente. Deve-se ressaltar que o herbicida é considerado apenas uma ferramenta a mais no manejo de plantas daninhas. à água e aos organismos não-alvos. Numa cultura. por isso mesmo. citado por Marinis (1972). as condições ambientais e o nível cultural do proprietário. etc. citado por Fischer (1973). a qualidade do produto produzido ou interferir negativamente no processo da colheita é considerada daninha.Biologia e métodos de controle 7 . hoje. algumas têm sido consideradas plantas Módulo 3. cultural. por exemplos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas para atingir a máxima eficiência com o mínimo impacto negativo ao solo. na sua essência. o tipo de solo. plantas estranhas no jardim. sustentabilidade e eqüidade. seja daninha. qualquer planta estranha que vier a afetar a produtividade e. uma planta só deve ser considerada daninha se estiver direta ou indiretamente prejudicando uma determinada atividade humana. os equipamentos disponíveis na propriedade. fornecendo néctar para as abelhas fabricarem o mel. em determinadas situações. podem ser extremamente úteis. promovendo a reciclagem de nutrientes. Como exemplos. o controle químico de plantas daninhas. plantas tóxicas em pastagens. plantas interferindo no desenvolvimento de culturas comerciais. devido à evolução e complexidade que atualmente atingiu a Ciência das Plantas Daninhas. ou. todos os conceitos baseiam-se na sua indesejabilidade em relação a uma atividade humana.

Além da redução da produtividade das culturas. tubérculos. as quais são facilmente dissemináveis por animais. por exemplo: a) Reduzem a qualidade do produto comercial. furtam energia do homem. num plantio rotacional trigo/soja.1 . sementes de capim-carrapicho (Cenchrus echinatus) junto ao feno.1 . b) Crescem em condições adversas. seria fácil erradicar uma espécie daninha. As consideradas verdadeiras possuem características especiais que permitem fixá-las como infestantes ou daninhas. pêlo de animais. como: a) Não são melhoradas geneticamente. Por exemplo: cafezinho (Palicourea marcgravii). geralmente com facilidade para disseminação pelo vento. água.Prejuízos causados pelas plantas daninhas 1. as plantas daninhas causam outros prejuízos diretos. onde se exige perfeito controle das plantas para melhor eficiência das máquinas colheitadeiras. capim-massambará (Sorghum halepense) e feijão-miúdo (Vigna ungiculata). ainda. se todas as sementes germinassem de uma só vez. Muitas espécies de plantas daninhas são. que são atributos que facilitam a perpetuação da espécie. b) São responsáveis pela não-certificação das sementes de culturas.1 . Em média. arroz-vermelho (Oryza sativa). Por exemplo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas comuns e outras plantas daninhas verdadeiras. oficial-de-sala (Asclepias curassavica). d) Apresentam dormência e germinação desuniformes. 1). sementes de carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum) aderidas à lã. como é o caso de mudas cítricas produzidas em viveiro infestado com tiririca (Cyperus rotundus). Exemplo: Desmodium totuosum.000 sementes por planta. etc. quando presentes em pastagens. c) São rústicas quanto ao ataque de pragas e doenças. pois. que produz até 42.) 1. cavalinha (Equisetum 8 Módulo 3. c) Podem intoxicar animais domésticos. etc.Prejuízos diretos As plantas daninhas. folhas.Biologia e métodos de controle . na realidade. Esses valores tornam-se ainda mais significativos na agricultura moderna. como leiteiro (Euphorbia heterophylla). tubérculos de tiririca se desenvolvendo dentro tubérculos de batata (Fig. etc.1. São exemplos a presença de sementes de picão-preto (Bidens pilosa) junto ao capulho do algodão. por máquinas. capazes de se multiplicar por diversas maneiras (sementes. etc. As comuns são aquelas que não possuem habilidade de sobreviver em condições adversas. cerca de 20-30% do custo de produção de uma lavoura se deve ao custo do controle das plantas daninhas. rizomas. É comum. Possuem habilidade de produzir grande número de sementes por planta. quando estas são colhidas junto com sementes de determinadas espécies de plantas daninhas proibidas. por misturas de sementes. raízes. bulbos. as plantas de trigo que surgirem das sementes remanescentes no solo passam a ser consideradas daninhas à cultura da soja. também. impedirem a certificação de mudas em torrão.

esta espécie daninha dificulta tremendamente a colheita manual. durante a operação da colheita. que germinam e parasitam as raízes do milho. como o mosaico-dourado do feijoeiro. Ela produz cerca de 5. flor-das-almas (Senecio brasiliensis). os nematóides: mais de 50 espécies de plantas daninhas hospedam Meloydogyne javanica e Heterodera (nematóide-do-cisto da soja).1 . Sida santaremnensis.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas piramidale). chibata (Arrabidae bilabiata) e outras que podem causar a morte de animais.Prejuízos indiretos As plantas daninhas podem ser hospedeiras alternativas de pragas e doenças. ainda. que é hospedeiro do vírus do mosaico da cana-de-açúcar. Módulo 3.1. carrapicho-de-carneiro (Acathospermum hispidum). milho e plantas ornamentais. Esta última é a pior invasora para milho. samambaia (Pteridium aquilinium). Sida cordifolia. além dos prejuízos diretos que causam às culturas. os tricomas de suas folhas se rompem a um leve contato e liberam toxinas que causam inflamação na pele do trabalhador. ainda não introduzida no Brasil. Capimcarrapicho (Cenchrus echinatus). Ipomoea purpurea e outras desse gênero). prejudicar ou mesmo até impedir a realização de certas práticas culturais e a colheita. infestante comum em lavouras de milho. Sida micrantha. pois. Outro exemplo de espécie de planta daninha que causa prejuízos diretos e indiretos é a Mucuna pruriens.000 sementes por planta. Outro exemplo é o capim-massambará (Sorghum halepense). Estas diminuem a eficiência das máquinas e aumentam as perdas durante a operação da colheita até mesmo quando em infestação moderada nas lavouras. São exemplos destas espécies a corda-de-viola (Ipomoea grandifolia.). dois meses mais tarde as plantas aparecem na superfície do solo.2 . d) Algumas espécies exercem o parasitismo em citros. feijão e cana-de-açúcar.Dano em batata inglesa devido à penetração e ao desenvolvimento de tuberculos de tiririca 1. florescem rapidamente e iniciam novamente o ciclo parasitário. arranha-gato (Acassia plumosa) e outras plantas espinhosas podem até impedir a colheita manual das culturas. Sida glaziovii. etc. Ipomoea aristolochiaefolia. Algumas espécies. algodoeirobravo (Ipomoea fistulosa). Figura 1 .Biologia e métodos de controle 9 . que é transmitido pela mosca-branca após ter se “alimentado” de espécies do gênero Sida (Sida rhombifolia. São exemplos a erva-de-passarinho (Phoradendron rubrum) em citros e a erva-de-bruxa (Striga lutea) em milho. podem. causado por um vírus à cultura do feijão.

Existem duas grandes teorias: a hidrosere. aguapé (Eichornia crassipes). desmoronamentos de montanhas. pelos quais as plantas podem perpetuar-se tanto por via seminífera como por via vegetativa. as plantas daninhas originaram-se.Biologia e métodos de controle . que afirma que a vida originou-se no meio líquido. o estabelecimento de uma determinada planta daninha envolve os aspectos ecológicos da agregação e migração.Origem. animais. vias públicas. que apresentam duas características essenciais: dormência e reservas alimentícias. Estas são encontradas onde está o homem. como glaciação. Além disso. Outras espécies de plantas daninhas podem ainda reduzir o valor da terra. também. pelas plantas cultivadas. os parques e os jardins. como o é. também. etc. prejudicando a pesca. As plantas daninhas podem ser disseminadas por diversos meios. elas começaram a aparecer quando o homem iniciou suas atividades agrícolas. também. envolvendo os complexos aspectos morfogênicos e edafoclimáticos. pois a semente é uma das vias de entrada dos herbicidas. A propagação vegetativa é um mecanismo de sobrevivência de grande importância nas plantas daninhas perenes. além das partes das plântulas. 1. o estabelecimento envolve o processo de germinação da semente. caulículo. têm o custo de controle muito elevado. ferrovias. além da competição pelos recursos do meio. rizomas. Normalmente. Do ponto de vista morfofisiológico. Todavia. como hipocótilo. como as olerícolas de modo geral. etc. podem ser altamente inconvenientes em áreas não-cultivadas: áreas industriais. tornando-se inviável economicamente.2 . Na verdade. incluindo o homem. Por outro lado. dos distúrbios naturais. problemas sérios em ambientes aquáticos. Exemplos: taboa (Typha angustifolia). a disseminação das plantas daninhas pode ser feita por vento. separando as benéficas (denominadas plantas cultivadas) das maléficas (denominando-as de plantas daninhas). Vários são os diásporos. água. Os propágulos podem ser raízes. o funcionamento de usinas hidrelétricas. etc. segundo a qual a vida teve origem em terra firme. muitos herbicidas atuam. etc. dificultando a manutenção de represas. ação de rios e mares. O estudo do processo germinativo das sementes é de fundamental importância para quem trabalha com o manejo de plantas daninhas. possuem seus mecanismos de ação ligados ao processo 10 Módulo 3. onde podem dificultar o manejo da água. porque ele é quem cria o ambiente favorável a elas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas As plantas daninhas. crescimento e desenvolvimento da planta. estabelecimento e propagação das plantas daninhas De acordo com Musik (1970) e Fischer (1973). Nestas áreas não é desejável a presença de plantas daninhas vivas ou mortas. inicialmente. Musik (1970) salienta que o homem é. as plantas daninhas produzem muitas sementes. o responsável pela evolução das plantas daninhas. que se constitui num grande disseminador de tais plantas. aumentando o custo da irrigação. quando presentes em áreas com culturas que apresentam pequena capacidade competitiva. ou seja. Estas. tubérculos. o que assegura alta taxa de dispersão e restabelecimento de uma infestação.. radícula. devido ao próprio conceito de planta daninha. como a tiririca (Cyperus rotundus) e a losna-brava (Artemisia verlotorum).1 . Causam. e a xerosere. provavelmente. etc. refinarias de petróleo.

1985). para o desenvolvimento do eixo embrionário em plântula independente. METIVIER. a velocidade da germinação é menor. cada espécie requer uma temperatura ideal para germinação. Normalmente. ela entrará em processo de germinação (PROPINIGIS. porque as sementes ficam por períodos prolongados nos estágios iniciais da Módulo 3. temperatura adequada à espécie. portanto. a germinação consiste no processo que se inicia com o suprimento de água à semente seca e termina quando o crescimento da plântula se inicia. provocando o rompimento do tegumento. Outro fator que pode influenciar a embebição é a permeabilidade do tegumento da semente à água. 1974. é necessário o suprimento contínuo de água. impedindo que a planta se estabeleça. A quantidade de água necessária para reidratação. Se a semente não estiver em estado de dormência e houver condições ambientais favoráveis. Para que uma semente viável (condição intrínseca) possa germinar. Do ponto de vista fisiológico. FERRI. o qual pode atingir centenas de atmosferas. e para isso são necessários alguns requisitos fundamentais: estarem as sementes viáveis e as condições ambientais serem favoráveis. conforme ela seja fotoblástica positiva ou negativa. são necessárias as seguintes condições ambientais favoráveis: água em quantidade suficiente. A embebição das sementes é um processo físico que ocorre tanto nas sementes vivas quanto nas mortas. o que resulta numa diminuição do estande. Essas necessidades são definidas para cada espécie e estão relacionadas com o habitat de origem e com a melhor forma de preservar a espécie (normalmente as espécies daninhas somente germinam quando existem condições para sobrevivência). menor tempo para embebição). As características físico-químicas das substâncias coloidais das sementes irão comandar o potencial da água nas sementes. permeabilidade do tegumento à água e presença de água na forma líquida ou gasosa. como adequado suprimento hídrico. A germinação da semente é a reativação dos pontos de crescimento do embrião que haviam sido paralisados nos estágios finais da maturação morfisiológica da semente. 1986. para a maioria das espécies. é de duas a três vezes o peso da semente. Estas sementes permanecerão dormentes enquanto o tegumento estiver impermeável (semente dura). aumenta-se o potencial de pressão interna na membrana que envolve a semente (pressão de embebição). concentração de oxigênio e presença ou ausência de luz. É comum entre as espécies a presença do tegumento totalmente impermeável à água. ou seja.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinativo. sendo dependente dos seguintes fatores: composição química da semente. com o ressurgimento das atividades paralisadas ou reduzidas por ocasião da maturação da semente. O processo da germinação inicia-se. dando origem ao que se chama de semente dura. que perdem muita umidade por ocasião de sua maturação e secagem. Com a embebição. por onde sairá a radícula. As principais substâncias responsáveis pela embebição são as proteínas. A temperatura ótima é aquela que permite a obtenção da maior percentagem de emergência no menor espaço de tempo. A embebição também é influenciada pela temperatura (temperaturas mais elevadas. temperatura. em fases seguintes à reidratação. ocorre a ruptura do tegumento e saída da radícula. A água é necessária para que ocorra a reidratação das sementes. Em temperaturas abaixo da ótima. atmosfera apropriada à espécie (concentração de CO2 e O2) e luz (comprimento de onda e intensidade). Entretanto.Biologia e métodos de controle 11 .1 . a celulose e as substâncias pécticas.

Como exemplo desta interdependência podem-se citar as espécies do gênero Amaranthus. profundidade de semeadura. apenas flash de 0. porque uma atmosfera rica em nitrogênio parece ser mais econômica e eficiente. em regime de temperatura constante entre 25 e 30 °C. passam a germinar rapidamente se ocorrer alternância de temperaturas alta e baixa.Biologia e métodos de controle . Todavia. A necessidade de luz pode variar também em função do armazenamento. ou. Neste caso. a fase gasosa do solo apresenta uma série de substâncias voláteis que são produzidas pelas plantas. nessas condições. necessita de energia. outras necessitam de breve iluminação e outras são indiferentes. ser inibidoras ou promotoras da germinação. devido à maior atividade metabólica. podendo. também. O efeito do CO2 é normalmente contrário ao do O2. Em condições normais. que aumentam a necessidade de oxigênio pelo embrião.03% de CO2. as reações envolvem o fitocromo. como porosidade. em alguns casos. outras em luz contínua. pois sementes de muitas espécies não conseguem germinar quando a concentração de CO2 é muito elevada. causando crescente desorganização do mecanismo germinativo e impossibilitando que as sementes menos vigorosas completem a emergência. como: a) altas temperaturas. por se tratar de um processo que ocorre em células vivas. ficam mais suscetíveis ao ataque de microrganismos patogênicos. ocorrendo a embebição de todos os tecidos da semente e uma expansão do tegumento 12 Módulo 3. A temperatura ótima está relacionada com as atividades das enzimas que participam dos diversos processos metabólicos que ocorrem durante a germinação e cujas ações somente se tornam eficientes em temperaturas específicas. e b) fatores do solo. Temperatura acima da ótima tende a aumentar. portanto. porcentagem de matéria orgânica. Em algumas espécies a necessidade de luz ocorre somente após a colheita e em outras por um longo período (por um ano ou mais).001 segundo (sementes de fumo). obtida por meio do processo de oxidação na presença do oxigênio.1 . A germinação. É importante salientar que a sensibilidade das sementes à luz é maior quando a semente está embebida. As necessidades e quantidades de 02 para germinação são influenciadas por outros fatores. Em algumas espécies tem-se observado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinação e. entretanto. Há espécies cujas sementes somente germinam em regime de alternância de temperatura. isto é. a velocidade da germinação. como a grama-seda (Cynodon dactylon). esse fenômeno é semelhante ao fotoperiodismo observado para o florescimento. O processo de germinação inicia-se. O período de exposição pode ser curto. Além destes. ou muito curto. com uma rápida absorção de água pelos biocolóides. atividade microbiana e teor de umidade. respiração. longo e de forma cíclica. as sementes germinam em atmosferas com 20% de O2 e 0. esta prática não é utilizada para conservação de sementes. razão por que a germinação das sementes é influenciada pela composição do ar atmosférico que as envolve. em demasia. A respiração envolve trocas de gases. ainda. em que a luz pode promover a germinação mesmo em temperaturas desfavoráveis. como em sementes de alface (alta percentagem de germinação em exposição por um a dois minutos). Sementes desta espécie dificilmente germinam totalmente no escuro. uma interdependência entre temperatura e outros fatores externos. Através de concentrações elevadas de CO2 consegue-se evitar a germinação e auxiliar na conservação de sementes. Existem espécies de plantas daninhas que somente germinam no escuro.

Uma outra razão é dormência. e. Aumenta-se. iniciando-se o crescimento celular e a mitose. pelo contrário. frutose e maltose. verifica-se inicialmente a ativação do m-RNA preexistente. enquanto a silvestre sobrevive por vários séculos sem a ajuda humana. o embrião passa a sintetizar e liberar giberelinas que se movem através do endosperma. é transformado em açúcares redutores e sacarose. Durante esta fase o ácido giberélico (giberelinas) estimula a ativação e. a semente não germina. presente na semente seca. os lipídeos. que é observada pelo aumento da respiração. a quiescência é confundida. síntese das amilases. por alguns autores. em estado da quiescência. com a dormência. observa-se aumento nas sínteses de DNA e RNA. mesmo que as condições ambientes sejam favoráveis. Em cereais. da glicólise e da respiração. o homem sempre Módulo 3. pela ação das enzimas amilases. necessitam que a dormência seja superada de alguma forma. O amido. acompanhada pelo aumento da síntese protéica no embrião. Um grande volume de sementes de plantas daninhas encontra-se. é transformada em inositol e fósforo inorgânico. o número de ribossomos+RNA que incorporam os aminoácidos às proteínas. para germinarem. É o caso das aveias silvestre e cultivada. porém a cultivada já não consegue viver sem ajuda do homem. é reativada e a enzima β-amilase é sintetizada de novo por estímulo hormonal (giberelinas) às expensas de aminoácidos originados de proteínas hidrolisadas e com a energia oriunda das atividades das fosforilases. as proteínas. nas quais o melhoramento genético reduziu ou mesmo suprimiu tal atributo. nas primeiras 24 horas iniciais. que é o repouso metabólico da semente devido a condições externas desfavoráveis. os quais dependem do uso de aminoácidos. também. Nas primeiras 12 a 16 horas após o início da embebição. lipídeos e carboidratos solúveis armazenados no embrião. ocorrem o metabolismo e a mobilização das reservas das sementes. que são plantas muito semelhantes e apresentam ciclos vegetativos praticamente iguais. Outro aspecto relacionado com a semente é a quiescência. primeiramente na região da radícula do embrião.Biologia e métodos de controle 13 .1 . são transformados em ácidos graxos (em oleaginosas. Neste caso. podendo ser física. incrementando-se a respiração e o alongamento celular. no solo. e a fitina. que envolve a oxidação da matéria orgânica da semente com formação de ATP e substâncias intermediárias necessárias ao processo anabólico da germinação. Em conseqüência do aumento das atividades de diversas enzimas durante o processo de embebição. Isso ocorre porque durante o processo da embebição a enzima β-amilase. as gorduras são convertidas em sacarose pelo ciclo do glioxilato. por ação das fitases. a drenagem de áreas encharcadas e as irrigações de solos secos podem estimular a germinação dessas sementes. ocorrem a divisão e o alongamento celular. mecânica ou fisiológica. através da ação de duas enzimas: isocitrase e sintetase do malato). havendo formação de α-amilase e outras enzimas. ao mesmo tempo. ou. O simples revolvimento do solo. as sementes. Esta fase da embebição coincide com o aumento da atividade metabólica. as quais são essenciais para o desenvolvimento do embrião. que é devida a condições intrínsecas inerentes à própria semente. pela ação das enzimas proteolíticas. Propinigis (1974) cita como exemplo marcante a dormência das plantas daninhas comparada à das plantas cultivadas. No caso da dormência. que elevam a produção de glucose.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas envolvente. pela ação das lipases. são transformadas em aminoácidos.

Já a aveia silvestre. apenas 2 a 5% germinam. Do total dessas sementes. endógena. tegumento da semente impermeável à água e. sendo um meio necessário de sobrevivência entre as plantas daninhas. b) língua-de-vaca (Rumex cryspus): germina melhor na presença de luz. Certas espécies necessitam de condições especiais para germinarem. nas várias formas. germinam todas. as demais permanecem dormentes. mesmo sob intenso controle sempre haverá no solo sementes desta espécie. A dormência. também chamada de dormência inata. sobrevivendo no solo por muito tempo. seria aquela que a semente adquire quando ainda está ligada à planta-mãe. No retorno ao ambiente favorável. Por isso. também chamada de induzida. e c) quinquilho (Datura stramonium): germina melhor no escuro. inerente ou natural. 1998). é capaz de germinar até a profundidade de 25 cm no solo (VARGAS et al. é um dos mais importantes mecanismos indiretos de dispersão. Segundo diversos autores. Acredita-se que muitas outras espécies de plantas daninhas apresentam mecanismos semelhantes.. sendo considerada uma espécie de planta daninha importante. Como a dormência não é a mesma em todas as sementes de uma planta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas procurou erradicá-la. uma avaliação da composição florística de uma área em uma única época do ano não representa o potencial de infestação desta área. A aveia cultivada amadurece no verão e suas sementes. Dormência pode ser definida como qualquer estágio no ciclo da vida no qual o crescimento ativo é suspenso por um período de tempo. Como exemplos de espécies de plantas daninhas que apresentam mecanismos de dormência podem-se citar: a) ervaformigueira (Chenopodium album): produz sementes com tegumentos normal e duro. ao oxigênio. em um dado período. que pode expor as sementes à luz (mesmo por frações de segundos). requerendo condição especial para quebra da dormência.000 e 50. na temperatura e na composição atmosférica do solo ou até mesmo acelerar a liberação de compostos estimulantes da germinação. aumentando a sua população quando as condições retornam à sua normalidade. Através deste mecanismo a espécie consegue sobreviver em estações desfavoráveis. durante o processo de maturação. e o inverno violento pode matar as plântulas. por ser indiferente à luz.000 sementes/m2/10 cm de profundidade. a semente permanece dormente (sementes com tegumento impermeável. e presença de algum inibidor fisiológico. O amplo conhecimento da dormência poderá. sem dormência. 14 Módulo 3. pode ocorrer germinação durante meses ou até anos. b) “Dormência secundária”. por apresentar dormência. podem ser várias as causas da dormência: embrião imaturo. provocar mudança nos teores de umidade. O solo agrícola é um banco de sementes de plantas daninhas contendo entre 2. não germina de forma uniforme. ou.1 . Os diversos tipos de dormência podem ser agrupados em: a) “Dormência primária”.Biologia e métodos de controle . no futuro. Isso pode ocorrer pela simples movimentação do solo. O leiteiro (Euphorbia heterophylla). Por esta razão. por exemplo). seria aquela que a semente adquire devido ao ambiente desfavorável. e persiste por longo tempo após completada a maturação. como os nitratos. garantindo a perpetuação da espécie. contribuir para o desenvolvimento de métodos mais eficientes de controle de plantas daninhas. mas sem sucesso.

a emergência ocorre em menores profundidades. 1. cerca de 1. em solos muito compactados. podem germinar até a profundidades superiores a 15 e 25 cm. como Eleusine indica. Uma Aração 2. que germina até a profundidade de 3. Uma Aração + E. Este grupo abrange quase todas as plantas consideradas daninhas (cerca de 30.3 .0 cm no plantio convencional e somente até 1.. entretanto.Classificação das plantas daninhas Em certos casos. As anuais completam seu ciclo de vida (semente-semente) em um ano ou menos. causando a cada ano grandes perdas na agricultura. a seletividade de alguns herbicidas baseia-se em diferenças morfológicas e fisiológicas existentes entre as espécies de plantas daninhas e cultivadas. espécies que produzem sementes pequenas. como é o caso de Brachiaria plantaginea. somente germinam quando estão até a profundidade de 1. O Quadro 2 apresenta as 12 famílias mais importantes do mundo. Outro fator extremamente importante na germinação das sementes é a profundidade em que elas se encontram no solo. Uma Aração + Uma Gradagem 3. Isto pode ser observado facilmente em condições de campo. 1998). Espécies que produzem sementes grandes. como as dos gêneros Ipomoea e Euphorbia. Por estes e outros motivos é necessário conhecimento mais amplo das espécies de plantas daninhas. Destas. Uma Aração + Enxada Rotativa 4.800 são consideradas mais nocivas em razão de suas características e seu comportamento. respectivamente (VARGAS et al.0 cm. Outro fator que influencia a profundidade de emergência é o sistema de cultivo. as plantas daninhas podem ser anuais. quando comparada com solos pouco compactados. Quadro 1 . sem o revolvimento do solo.1 . Quanto ao ciclo de vida. possivelmente pelo maior teor de umidade junto às sementes (maior contato entre as sementes e o solo). assim. com aproximadamente 170.Influência do tipo do preparo do solo na germinação de sementes de plantas daninhas Tipo de Preparo do Solo 1.Biologia e métodos de controle 15 .000 espécies. crescem no verão e Módulo 3. bianuais e perenes. As plantas que produzem sementes englobam as monocotiledôneas e dicotiledôneas. Estas podem ser anuais de inverno (que germinam no outono ou inverno. Rotativa + Compactação 5.000 espécies). onde no rastro da roda do trator observa-se cerca de 10% a mais de emergência de plantas daninhas. Sem Cultivo No de Sementes Emergidas m-2 103 134 206 328 80 As características físico-químicas do solo também influenciam a profundidade de emergência das sementes. crescem na primavera e produzem frutos e morrem em meio ao verão) e anuais de verão (que germinam na primavera.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maior germinação foi observada (Quadro 1) no tratamento com (aração + enxada rotativa + ligeira compactação do solo). de suas formas de reprodução e ciclo de vida para se desenvolver um bom programa de manejo integrado.5 cm no sistema de plantio direto.

1. onde as estações do ano são bem definidas. Para facilitar a correta identificação da espécie. que se reproduzem por sementes e podem também reproduzir-se vegetativamente se injuriadas ou cortadas. Echinocloa crusgalli. As plantas bianuais vivem mais do que um. lígula normalmente presente.3. etc. entrenós com talo oco. que se reproduzem por sementes e por mecanismos vegetativos. bainha normalmente aberta. há necessidade de um período frio para florescimento e frutificação. Cyperus rotundus. as plântulas se desenvolvem vegetativamente até o estágio de roseta. Durante a primeira fase de crescimento. há uma lista enorme de características vegetativas que levam às famílias. etc. há nítida observância desses fatos. livres ou unidas.Famílias de plantas daninhas e números de espécies mais importantes por família.1 . 16 Módulo 3. Exemplos: Digitaria sanguinalis. Quadro 2 . com nós e entrenós.exemplo: dente-de-leão (Taraxacum officinale) . exemplos: Cynodon dactylon.talo cilíndrico. b) perenes herbáceas mais complexas. Imperata brasilensis. exemplo: Senna obtusifolia. deve-se primeiramente saber se a planta é mono ou dicotiledônea. Caso a planta esteja sem sementes. Echinocloa cruspavonis e Bracharia plantaginea. com incremento anual. o número de estames ou pétalas. se as pétalas estão ausentes ou presentes.. Estas podem ser classificadas em: a) perenes herbáceas simples . como no caso de cenoura e alface silvestres.1 . a simetria das pétalas.Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas Graminae .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas madurecem e morrem no outono). segundo Holm (1978) Famílias Gramineae Compositae Cyperaceae Poligoniaceae Amaranthaceae Cruciferae Leguminosae Convolvulaceae Euphorbiaceae Chenopodiaceae Malvaceae Solanaceae No Espécies 44 32 12 8 7 7 6 5 5 4 4 4 % Total de Espécies Daninhas 37% 43% 68% As plantas perenes são aquelas que vivem mais de dois anos e são caracterizadas pela renovação do crescimento ano após ano a partir do mesmo sistema radicular. e depois ocorre maturação e morte. e c) perenes lenhosas. Em certas regiões do Brasil. porém menos do que dois anos. que são plantas cujos caules têm crescimento secundário. o tipo de fruto. principalmente no sul. Eleusine indica.Biologia e métodos de controle . a posição do ovário (inferior ou superior).

muitas vezes. o fruto muitas vezes é uma cápsula ou um policoco. seiva ácida e penetrante. Exemplos: Rumex crispus . Melampodium perfoliatum.trepadoras com folhas alternadas e sem estípulas. Chenopodiaceae .presença de serocina. estames 10. corola em forma de tubo. Cyperaceae . Módulo 3. Exemplo: Chenopodium album. em geral as folhas são penadas.estames tetradínamos (quatro comprimidos para dentro e quatro curvados para fora). o fruto é uma capsula. sem estípulas. Convolvulus arvensis e Cuscuta sp.corola com estandarte interno. Leguminosae .talo triangular sem nós. estames 3-12 inseridos no cálice. Sonchus oleraceus e Xanthium cavanillesii.Amaranthaceae .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Compositae . folhas e caules. Exemplos: Bidens pilosa. nós dos talos inchados ou protuberantes. com muitos estames em androceu tubular.flores vistosas com cálice e corola pentâmeros. Exemplos: Amaranthus hybridus e Amaranthus viridis.língua-de-vaca. flores vistosas. estames quatro a infinito. Subfamília III .Cesalpinaceae . folhas irregularmente recortadas.possuem cinco estames. Solanaceae . fruto em aquênio. Subfamíla II . folhas bipenadas ou penadas. talos e folhas muitas vezes com espinho. folhas nunca bipenadas. etc.1 .Mimosaceae . bainha fechada sem lígula. planta com escamas. Convolvulaceae . Ageratum conyzoides. hermafroditas e actinomorfas. talo estriado. Polygonaceae . brácteas espinhosas. cinco estames de tamanho desigual.folhas de disposição alternadas. inflorescências condensadas. Exemplos: Brassica rapa. flores muito pequenas e de cor verde. Acanthospermum australe. Exemplos: Solanum. Exemplo: Mimosa e Acácia.é subdividida em subfamílias: Subfamília I . estames livres e anteras unidas. usualmente anuais. Exemplos: Cyperus esculentus e Cyperus rotundus.Biologia e métodos de controle 17 . estames inseridos no fundo do tubo polínico.. Exemplos: Sida spp. dividido em dois lóculos. Physalis e Datura. Exemplos: Desmodium e Phaseolus.corola irregular com estandarte interno. com seiva mucilaginosa e talos fibrosos. Cruciferae . Exemplos: Ipomoea sp.Inflorescência em capítulo (flores muito pequenas e em dois tipos: tubulares e ligulares).Papilionaceae .corola actinomorfa. geralmente (9) + 1. Malvaceae . anteras agrupadas ao redor do estilete. cálice transformado em papus. Exemplos: Senna obtusifolia. inseridos na corola. com odor forte e característico.flores muito pequenas e de cor verde. Raphanus raphanistrum e Lepidium virginicum. o fruto é uma síliqua.

Cynodon dactylon (grama-seda): por sementes e estolões. Exemplos: Avena fatua (aveia-brava) germina até a 17 cm. Isto ocorre pela ação de água. Exemplos: Phoradendron rubrum (erva-de-passarinho).Biologia e métodos de controle . Muitas plantas daninhas apresentam mais de um mecanismo de reprodução.4 . cortadas. no momento do cultivo do solo. e) Mecanismos alternativos de reprodução.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1.). tubérculos. Momordica charantia (melão-de-são-caetano) e Paspalum notatum (gramabatatais). animais. (corda-de-viola). a 20 cm. vento. submersas em água ou após passarem pelo aparelho digestivo do porco ou boi. Isso ocorre devido aos inúmeros e complexos processos de dormência. e este foi o motivo de sua introdução no Brasil pela importação de animais ou lã. Esta característica. a 12 cm. usando os métodos de controle disponíveis. através das fezes. caso o homem não interfira. 18 Módulo 3.Características de agressividade das plantas daninhas As características das plantas daninhas verdadeiras fazem com que estas sejam mais agressivas em termos de desenvolvimento e ocupação rápida do solo. etc.1 . Ipomoea sp. dominam as plantas cultivadas. Exemplos: Sorghum halepense (capim-massambará): reproduz por sementes e rizomas. e Cyperus rotundus (tiririca). é a causa do insucesso dos herbicidas aplicados ao solo. máquinas. e Euphorbia heterophylla (amendoim-bravo). sendo uma das estratégias de sobrevivência das plantas daninhas. Há duas situações distintas: 1) Disseminação auxócora (externa): Acanthospermum australe (carrapicho-de-carneiro) . produz 126 tubérculos. Artemisia biennis: 107. rizomas. estolões. Exemplo: Convolvulus arvensis. 2) Disseminação zoócora (interna): as sementes ingeridas pelos animais passam pelo intestino e. etc. são distribuídas em outras áreas. em 60 dias. muitas vezes.400 sementes por planta. d) Grande desuniformidade no processo germinativo. e Bidens pilosa (picãopreto) é transportado a longas distâncias nos pêlos de animais ou roupas dos operadores de máquinas. e cada tubérculo possui cerca de dez gemas que. etc. podem gerar mais dez plantas. e mantém alguma viabilidade após passarem pelo aparelho digestivo de ovinos e eqüinos e só perdem o poder germinativo passando pelo aparelho digestivo das aves. Exemplos: Amaranthus retroflexus com 117. cujas sementes permanecem viáveis mesmo após 54 meses. Essas características de agressividade são: a) Elevada capacidade de produção de dissemínulos (sementes. f) Facilidade de distribuição dos propágulos a grandes distâncias. esta planta produz centenas de sementes viáveis. e Cyperus rotundus: apenas um tubérculo. quando separadas. por sementes e tubérculos. Echinoclhoa crusgali (capim-arroz) foi introduzido junto com as sementes importadas. bulbos.adere à lã das ovelhas. com isso. c) Capacidade de germinar e emergir a grandes profundidades. além de tudo isso.500 sementes por planta. homem. b) Manutenção da viabilidade mesmo em condições desfavoráveis.

frutos. nessas condições (KLINGMAN et al. quando esta é conduzida por semeadura direta. mostraram que 71 delas estavam viáveis um ano após. as plantas daninhas sempre levam vantagem competitiva sobre as plantas cultivadas. depreende-se que.040 anos. Muitas plantas daninhas crescem e se desenvolvem mais rápido que muitas culturas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas g) Rápido desenvolvimento e crescimento inicial. uma relação de competição entre plantas vizinhas. dominando facilmente a cultura. a competição seria a luta que se inicia entre indivíduos quando uma planta está em um grupo de outras plantas. daninhas ou não. por exemplo. Observações com 107 espécies de plantas daninhas. Observações usando 14C mostraram que a semente do lótus da índia pode ser viável por 1.1 . muitas vezes é preferível falar-se em interferência de uma comunidade de plantas. a 20-100 cm de profundidade. Brachiaria plantaginea tem grande facilidade para dominar a área quando o controle não é efetuado no momento oportuno. 44 após 30 anos e 36 após 38 anos. Já Odum (1969) afirma que competição significa uma luta por um fator. esses autores salientam que.700 anos. Contudo. 57 após 20 anos. respectivamente. h) Grande longevidade dos dissemínulos. numa situação de competição. Em soja. por 1. 1982).. afirmando que todas as plantas de um determinado lugar estão em estado de guerra entre si. 2 . tubérculos ou outras partes de Módulo 3. a competição torna-se importante quando dois ou mais organismos lutam por algo que não existe em quantidade suficiente para todos. luz. sobre outras. 68 após 10 anos. podendo ser agravados pela presença de outras plantas no mesmo espaço. Na cultura da cebola. envolve os aspectos da migração e agregação. cujas sementes foram enterradas em cápsulas porosas. crescer e reproduzir-se. assim.Biologia e métodos de controle 19 . as plantas daninhas germinam e crescem muito mais rápido. seja da mesma espécie ou de espécies diferentes.Competição entre plantas daninhas e culturas Para germinar. Para Weaver e Clements (1938). nos ecossistemas agrícolas. Locatelly e Doll (1977) definem competição como a luta que se estabelece entre a cultura e as plantas daninhas por água. gás carbônico e oxigênio em quantidades adequadas. À medida que a planta se desenvolve. ou seja. Do exposto. em razão de a competição envolver vários fatores diretos e indiretos. pois nos programas de melhoramento genético tem-se procurado desenvolver cultivares que. esses fatores do ambiente tornam-se limitados. e a da ançarinha-branca. completando seu ciclo de vida. ambos os indivíduos são prejudicados. toda planta necessita de água. Daí em diante vários outros conceitos foram emitidos. Decandole (1820) foi quem primeiro conceituou competição. com pequeno porte e pouco crescimento vegetativo. apresentem grande acúmulo de material em sementes. nutrientes e dióxido de carbono disponíveis em um determinado local e tempo. e. que também lutam pelos mesmos fatores de crescimento. ou quando esta é rodeada pelos seus descendentes. Essa grande longevidade se deve a inúmeros e complexos processos de dormência. luz. em nível ecológico. temperatura. gerando.

nutrientes e luz. Para Santos et al. reduzindo não somente a produtividade da cultura. Radosevich et al. Outro aspecto importante é a grande agressividade. em sua maioria. caso não haja interferência humana. a superioridade das plantas daninhas na competição por esses recursos. não apresentam. nessas circunstâncias. na maioria das vezes.1 . devido ao refinamento genético a que foram e ainda são submetidas. gás carbônico. qualquer planta daninha que se estabeleça na cultura vai usar parte dos fatores de produção. Devido à falta de mobilidade dos vegetais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interesse econômico. fazendo o controle das plantas invasoras.Fatores do ambiente passíveis de competição A competição entre plantas é diferente daquela que ocorre entre animais. como acontece. 1985).. em condições de sombreamento (PITELLI. a qual ocorre porque. Recursos são os fatores consumíveis. Estas se estabelecem rapidamente. Condições são fatores não diretamente consumíveis. algumas vezes observada no em realação às culturas. Em ecossistemas agrícolas. entretanto. assim. por exemplo. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. 20 Módulo 3. 2. mas também a qualidade do produto colhido. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex: toxidez devido a excesso de Zn no solo). a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos.Biologia e métodos de controle . até mesmo para o próprio desenvolvimento da cultura. não sendo visível no início do desenvolvimento das plantas. que as plantas cultivadas. luz. capacidade de competir vantajosamente com as plantas daninhas verdadeiras. cuja dependência é muito grande. a grande capacidade de sobrevivência das plantas daninhas. (2003). a produtividade das culturas e a qualidade dos produtos colhidos. a competição entre plantas é de natureza aparentemente passiva. até que um nível ideal seja alcançado. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. densidade do solo. ou seja. já limitados no meio. comprometendo. como água. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância. a cultura e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área. estes fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente. quase sempre esse acréscimo na produtividade econômica da espécie cultivada é acompanhado por decréscimo no potencial competitivo (PITELLI. Como ambas possuem suas demandas por água. diminuindo ou impedindo que as plantas cultivadas tenham acesso aos fatores de crescimento. Sabe-se. pode ser devido à ocorrência de alta densidade dessas invasoras na área. como pH do solo.1 . Todavia. nutrientes e CO2 e. estabelece-se a competição. em razão da influência extrema que estes exercem sobre a utilização dos recursos pelas plantas. etc. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso é limitado e é máxima quando o ponto de saturação é atingido. 1985).

1 . totalmente esclarecida. pode-se concluir que determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer. Contudo. (2005). Portanto. mesmo com baixos níveis do recurso (RADOSEVICH et al. 1996). Com base nessas teorias... Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas Módulo 3. citados por Radosevich (1996) sugeriram que o mecanismo de competição por recursos deve ser demonstrado por depleção dos recursos associados à presença e abundância de plantas vizinhas. A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. podem reduzir o conteúdo relativo de N-P-K nos tecidos dessa cultura para 28-39-28% e 1429-21% do total. Embora a maioria das definições atuais sobre competição englobe o critério de Goldberg. trabalhos mais recentes têm apresentado algumas justificativas para a baixa produtividade observada para as culturas quando em competição com espécies de plantas daninhas: Bidens pilosa e Leonurus sibiricus. Apesar de os debates continuarem a respeito da validade e relevância dessas duas teorias. a elevada capacidade competitiva da espécie Desmodium tortuosum nas culturas da soja e do feijão pode ter como contribuição o maior acúmulo de nutrientes por essa planta daninha. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (Radosevich et al. nessa teoria. Assim. De acordo com Grime. e é desses autores a descrição que se segue. não estando. os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta das plantas às variações dos recursos (GOLDBERG. a competição é a tendência de plantas vizinhas utilizarem os mesmos recursos. Portanto. desenvolvendo-se juntamente com plantas de café em fase inicial. a depleção nos recursos e as respostas de crescimento. Para Tilman. podendo utilizar os recursos disponíveis rapidamente. Na realidade.. ambas ajudam a explicar como espécies de plantas competem por recursos limitados e como as características das plantas influenciam sua habilidade competitiva. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. respectivamente (RONCHI et al. um bom competidor poderia ser a espécie com menor requerimento de recursos. Radosevich et al.Biologia e métodos de controle 21 . Para Procópio et al. e correlações entre a presença de vizinhos. várias outras teorias têm sido desenvolvidas para explicar a importância relativa dos componentes da competição e das características das plantas que lhes conferem competitividade superior. e o sucesso na competição é fortemente determinado pela capacidade da planta em capturar recursos. sucesso competitivo é a habilidade para extrair recursos escassos e para tolerar essa escassez de recursos.. Shainsk e Radosevich (1992). 1996). (1996) afirmam que duas dessas teorias (a de Grime e a de Tilman) têm recebido maior atenção do meio científico. um bom competidor apresenta alta taxa de crescimento relativo. 2003). 1990.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. mudanças morfológicas e fisiológicas nas respostas de crescimento que estejam associadas com variações nos recursos.1996). ainda. principalmente o fósforo. citado por RADOSEVICH et al.

b) As espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da cultura. Cardenas (1972) salienta que a competição deve-se a condições específicas quanto ao ambiente e ao solo. desenvolvimento e crescimento rápido de uma grande superfície fotossintética mesmo. podendo. No entanto. a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. 22 Módulo 3. seja ela daninha ou não. Com base nos pontos descritos. ou. isto é. interespecífica. em que cada órgão ou parte da planta luta pelo fotoassimilado produzido nas fontes. também. • Desenvolvimento inicial rápido das raízes e. d) Uma infestação moderada de plantas daninhas em lavouras pode ser tão danosa quanto uma infestação pesada. que são capazes de prover quantidades limitadas dos fatores essenciais ao desenvolvimento das plantas. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. ainda. que podem inibir a germinação e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas sobre as culturas são o seu porte e sua arquitetura. a menor susceptibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. Entretando. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. se a cultura se estabelecer primeiro. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis. várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as culturas e as plantas daninhas: a) A competição é mais séria quando a cultura está na fase jovem. grande número de estômatos por área foliar. do seu vigor. c) As espécies daninhas competem por água.Biologia e métodos de controle . em função da espécie cultivada. na fase plantular. ocorre também a competição intraplanta ou endocompetição. como veranico e geadas. luz. envolvendo indivíduos de espécies diferentes. ainda. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. e sistema radicular muito desenvolvido. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. entre outros fatores. nutrientes e espaço. parte aérea. Todavia. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. comumente. as características que fazem com que uma espécie de planta seja altamente competitiva são as seguintes: • Ciclo de vida semelhante ao da cultura. liberar toxinas no solo. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. 1996). podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. Com base nesse conceito. ou. A competição pode ser intra-específica. e. ela poderá cobrir rapidamente o solo. dependendo da época de seu estabelecimento.1 . nas primeiras seis a oito semanas após sua emergência. se a população de plantas da cultura por área for baixa ou o estande desuniforme. • Plasticidade fenotípica e populacional. o maior índice de área foliar. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. desenvolvimento da cultura. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. A competição entre plantas daninhas e culturas é um fator crítico para o desenvolvimento da cultura quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a cultura (RADOSEVICH.

especialmente nitrogênio e carbono. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. • Produção de um elevado número de propágulos por planta.. mecânico ou biológico.. • Produção e liberação no solo de substâncias alelopáticas. (RADOSEVICH et al. Normalmente. como o método químico. as condições para que a cultura se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas. portanto. etc.1996). o chamado manejo integrado de plantas daninhas. pois se estabelecem primeiro. A razão da elevada capacidade de sobrevivência de B. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular. tendem a excluir as demais. pequenas ou grandes. Em trabalho realizado por Procópio et al. Certas espécies de plantas são capazes de usar menos água por unidade de matéria seca produzida que outras. pilosa com pouca água no solo pode estar relacionada com o fato de que. da percentagem de germinação e vigor das sementes. torna-se fácil o manejo da cultura de modo que esta leve vantagem sobre o complexo daninho.1 . ou seja. 1996). as plantas da cultura ficarem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas. mais competitivas (RADOSEVICH et al..1. que essas plantas com baixo requerimento de água sejam mais produtivas durante o período de limitada disponibilidade de água que as plantas com alto requerimento em água e. maior exploração do solo em busca de água (PROCÓPIO et al. • Adaptação às mais variadas condições ambientais. magnitude da condutividade hidráulica das raízes. ficou constatado que a planta daninha Bidens pilosa é capaz de extrair água do solo em tensões três vezes maiores do que as alcançadas pela soja e pelo feijão (Fig. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da cultura e da vegetação daninha infestante da área a ser cultivada. Disso resulta a importância do preparo do solo. por isso. esta espécie drena grande parte de fotoassimilados para a produção de raízes (baixa relação parte aérea/raiz) as quais promovem. Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma cultura. 2. do cultivar adequado para a região. realizando. 2002). especialmente nos trópicos. portanto. (2004b). minimizando assim a competição ou até mesmo eliminando-a com a ajuda de outros métodos de controle. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes. da profundidade de plantio.Biologia e métodos de controle 23 . em fases posteriores de desenvolvimento. sem qualquer sinal de déficit hídrico. como capacidade de remoção de água do solo. apresentam alta eficiência no uso da água (EUA = g de matéria seca produzida/g de H2O utilizada). Módulo 3. é normal em alguns agroecossistemas. Conhecendo tais fatores.. É de se esperar. no manejo da cultura. 2).1 . as características fisiológicas das plantas. em dias quentes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Germinação desuniforme no tempo e no espaço (presença de dormência). etc. regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. Desse modo. na fase inicial de seu desenvolvimento. dessa forma. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. da época correta de plantio.

chamada de coeficiente transpiratório (CT = volume água transpirado em mL/produção de biomassa seca. Digitaria horizontalis.Potencial hídrico no solo.112 0. trigo.017 1. por realizarem o metabolismo C4. soja. cultivado com diferentes espécies vegetais. por ser uma planta xerófila e apresentar uma rota fotossintética específica (CAM). que correlaciona a água transpirada com a biomassa seca produzida. no ponto de murcha permanente Quadro 3 – Valor máximo do uso eficiente da água (UEA) por diferentes espécies vegetais Espécie vegetal Phaseolus vulgaris Glycine max Euphorbia heterophylla Bidens pilosa Desmodium tortuosum Fonte: Procópio et al.250 0. pois são espécies que realizam o metabolismo C3 (plantas ineficientes).367 0.168 2. Alguns exemplos são apresentados no Quadro 3. Figura 2 . etc. Panicum maximun. algumas espécies de plantas daninhas podem apresentar diferentes valores de EUA ao longo do ciclo. Outra maneira de se estimar o consumo de água pelas plantas é através da eficiência transpiratória. apresentam um coeficiente transpiratório entre 150 e 350 (Quadro 4).963 24 Módulo 3. algumas culturas de gramíneas. O coeficiente transpiratório das diferentes espécies de plantas varia de 25 a 700. podendo competir melhor por este recurso em diferentes estádios fenológicos da cultura. etc. Cenchrus echinatus. Brachiaria plantaginea. algodão.316 0.1 . O abacaxi.) apresenta coeficiente transpiratório entre 500 e 700 (Quadro 4).). sorgo e cana-de-açúcar e grande número de espécies daninhas em nossas condições (Cyperus rotundus. tem um coeficiente transpiratório extremamente baixo.Biologia e métodos de controle . Cynodon dactylon.073 0.015 0. A maioria das culturas (feijão. (2002). Valores antes do florescimento Valores após o florescimento -------UEA – biomassa seca em g kg-1 de água fornecida------0.088 0. Amaranthus retroflexus. como milho.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Todavia. Por outro lado. em gramas).

verificando que as culturas foram capazes de produzir maior quantidade de biomassa por unidade de radiação captada. o melhoramento genético imposto às culturas possibilitou a seleção de plantas com elevada capacidade de utilização da luz. Santos et al.1 . citados por Radosevich et al. com certeza devido à sua alta EUA. a maior capacidade competitiva delas. dois mecanismos diferentes para sobreviver à competição por água: habilidade para utilizar um recurso rapidamente (espécie C4) e habilidade para continuar a desenvolver-se mesmo com baixos níveis do recurso (planta C3). 2004 2.Competição por luz Para alguns autores. que compete vantajosamente por este fator de crescimento com a cultura do arroz. Módulo 3. como Locatelly e Doll (1977). Bidens pilosa e Desmodium tortuosum. porém o uso eficiente da água não é o único mecanismo utilizado para sobreviver à competição por água. Quadro 4 . retroflexus. como a de Sesbania exaltata.2 .. Os autores afirmam que. observada em campo. para diferentes espécies de plantas Espécie vegetal Amarantus hybridus* Glycine max Gossypium hirsutum Phaseolus vulgaris Panicum maximum* Oryza sativa Zea mays* Sorghum vulgare* Brachiaria brizantha* Eucalipto * Espécies que realizam o mecanismo C4. já que sua EUA é baixa. Já A. Esses autores salientam que. a competição pela luz não é tão importante como a competição por água e por nutrientes. Coeficiente transpiratório 152 700 568 700 267 682 174 153 265 282 Fonte Blanco. (1981. chegando inclusive a citar exceções. não foi eliminado. Para outros autores. (2003) avaliaram o UER das culturas da soja e do feijão e das espécies de plantas daninhas Euphorbia heterophylla. mesmo crescendo com outras espécies em condição imposta de estresse hídrico. observaram que a diferença na eficiência de uso da água entre Chenopodium album (C3) e Amaranthus retroflexus (C4) influenciou pouco a relação entre elas.1. Pearcy et al. 1996). as quais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Essa diferença na eficiência do uso da água é um fator importante na agressividade da espécie. nesse exemplo. pode ser devida à maior população e melhor utilização de outros recursos. uma vez que a cultura tenha formado sombreamento completo. 2004 Silva et al..Biologia e métodos de controle 25 . Provavelmente a espécie C3 contornou a deficiência hídrica pelo controle estomatal.Volume de água transpirada (em mL) para acúmulo de 1 g de biomasa seca. Observam-se.. 1977 Silva et al. apresentam maiores valores para o uso eficiente da radiação (UER). a competição das plantas daninhas pela luz deixa de existir. apesar de as plantas daninhas avaliadas apresentarem menor eficiência na utilização da radiação fotossinteticamente ativa. quando avaliadas isoladamente das plantas daninhas. como água e nutrientes.

liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sabe-se que a competição pela luz é complexa sendo sua magnitude influenciada pela espécie. logo. retorna às células do mesófilo. a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. se ela é umbrófila ou heliófila e. e. É muito comum imaginar que as espécies de metabolismo C4 são sempre mais eficientes que as plantas C3. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). Este CO2 liberado é novamente fixado. não desassimilam o CO2 fixado. atividade ótima em temperaturas mais elevadas. por difusão. É sabido que a relação molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. responsável pela fixação do CO2. consumindo 2 ATPs. por ser ambígua quanto ao substrato. formando o ácido oxaloacético (AOA). as plantas C3 fotorrespiram intensamente. As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2 . em seguida.1 . de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico). isso só é verdade em determinadas condições. ou seja. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. catalisa a produção do ác. Todavia. o ácido pirúvico. 3 fosfoglicérico e. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. no ácido fosfoenolpirúvico. do glicolato. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. Essas plantas não apresentam fotorrespiração detectável. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. As plantas de rotas fotossintéticas do tipo C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. também. dependendo da espécie vegetal. por apresentarem dois sistemas carboxilativos.5 difosfato carboxilase. e não satura em alta intensidade luminosa. que ocorre em todas as plantas superiores. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. como: alta afinidade pelo CO2. baixo ponto de saturação luminosa. é transportado para as células da bainha vascular das folhas. Como toda esta energia é proveniente da luz. estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. por difusão. se se reduzir o acesso à luz. Em conseqüência da ação desta enzima. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. quando comparadas com plantas de metabolismo do tipo C4 (Quadro 5). sendo esta relação para as plantas C4 de 1:5:2. onde estes produtos são descarboxilados. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). Este fato evidencia que as plantas C4 necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. localizada nas células do mesófilo foliar. entretanto. substrato inicial da respiração. As plantas C4. atua especificamente como carboxilase. Em função destas e outras 26 Módulo 3. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEP-carboxilase) apresenta algumas características. além do ciclo de Calvin e Benson. ocorrendo o ciclo de Calvin e Benson.Biologia e métodos de controle . Estas plantas. também. se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. agora pela enzima ribulose 1. onde é fosforilado.

nessas condições. torna-se evidente que plantas daninhas C4 serão aquelas que exercerão maior competição com as culturas. mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. é comum. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontrase saturada quanto à luz. nestas condições. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. Considerando todas as áreas do globo terrestre. estima-se que. Ponto de compensação 04. e.) são cultivadas nos meses do ano que coincidem com períodos de elevada intensidade luminosa e temperatura. Além disso. levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente. arroz. Fotorrespiração 02. Imperata cilindrica. feijão. soja. existem exceções. Sorghum halepense. Como a maioria das culturas agronômicas das regiões tropicais e subtropicais (algodão. Quadro 5 . 07. Fotossíntese x intensidade luminosa 09. ainda assim essas plantas continuam acumulando biomassa. Echinochloa colonum.1 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas características (Quadro 5). entre as dez espécies de plantas daninhas mais nocivas do mundo. esta passa a atuar mais como oxidativa. Relação CO2 : ATP:NADPH 08. Primeiro produto estável 03. sem cloroplastos RuDP-carboxilase (Km ≅ 20μM de CO2) Inibição 1:3:2 Satura com 1/3 da luminosidade máxima Próxima de 25 oC 15 a 35 mg CO2 dm-2 h-1 Fotossíntese C4 Presente: não mensurável pelo método de troca de gases com o ambiente Ácido oxaloacético Baixo: 0. quando presente. Isso acontece porque. alta luminosidade e até mesmo déficit hídrico temporário. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). Anatomia foliar 05. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. Próxima de 35 oC 40 a 80 mg CO2 dm-2 h-1 27 . liberando CO2. Panicum maximum. as espécies C4 dominam completamente as C3. Enzima primária carboxilativa 06.Características diferenciais entre plantas com rotas fotossintéticas C3 e C4 Característica 01. No caso das plantas C4. Este fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. Echinochloa crusgalli e Eleusine indica. quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. milho. PEP-carboxilase (Km ≅ 5μM de CO2) Sem efeito 1:5:2 Não satura com aumento da luminosidade. mandioca. cana-de-açúcar. Efeito do oxigênio (21%) sobre a fotossíntese. Isso é possível porque este grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável. etc.0 a 10 ppm de CO2 Presença de bainha vascular com cloroplastos.Biologia e métodos de controle Fotossíntese C3 Presente: 25 a 30 % do valor da fotossíntese Ácido 3-fosfoglicérico Alto: 50-150 ppm de CO2 Ausência bainha vascular. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km) (Quadro 5).5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). oito são plantas C4 anuais ou perenes: Cyperus rotundus. Cynodon dactylon. Temperatura ótima para a fotossíntese 10. Taxa de fotossíntese líquida com saturação de luz Módulo 3.

Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. em condições de solo encharcado. considerando as diferentes rotas fotossintéticas apresentadas por espécies de plantas daninhas e culturas. a concentração de CO2 no mesófilo foliar necessária para que uma determinada espécie passe a acumular matéria seca é diferente.Biologia e métodos de controle . principalmente.. Por exemplo. a atmosfera edáfica contém menos oxigênio e mais CO2 do que o ar acima do solo. Sob condições normais. Todavia. podem levar desvantagem na competição com espécies mais tolerantes em tais situações. em alto grau.000 g H2O / g biomassa seca 6.Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e. ou. em conseqüência da “tortuosidade” da matriz do solo. deve-se considerar. exercem forte competição com as culturas pelos nutrientes essenciais. para as espécies de plantas C3.5 % da biomassa seca Fotossíntese C4 150 a 350 g H2O / g biomassa seca 3.5 a 7.5 % da biomassa seca 2.3 . dentro de uma população mista de plantas.Competição por CO2 Com relação ao CO2. Outro ponto a ser considerado é a “Interação Radicular Passiva”. que oferece resistência à difusão e ao fluxo de massa.1. ele pode ser limitante. a competição por nutrientes depende. Determinadas espécies de plantas são mais sensíveis ao excesso de CO2 e. Procópio et al. Coeficiente transpiratório 11. 20 vezes menos P e cinco vezes menos K compara à soja (PEDRINHO JÚNIOR et al. da quantidade e das espécies presentes. em conseqüência disso. por exemplo. por exemplo.0 a 4. Isso acontece devido ao consumo do oxigênio pelos microrganismos do solo e em razão de sua renovação lenta. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca. (2005) observaram que Desmodium toruosum é capaz 28 Módulo 3. Fotossíntese C3 450 a 1.1. com muito maior ênfase. deficiência de oxigênio e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Característica 11. No entanto. o aspecto competitivo não é comumente discutido e geralmente é considerado não-significante. assim. 2004).4 . a alta infestação dessa planta daninha em lavouras de soja implica maior remoção desse nutriente para a massa total da espécie infestante. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes. os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das culturas em nossos solos. Richardia brasiliensis acumula 10 vezes menos N.1 . 2. que são os dois processos principais de renovação da atmosfera do solo. Como a eficiência na captura de CO2 proveniente do ar é diferente entre plantas C3 e C4 (Quadro 5) e se sua concentração pode variar. Molinia caerulea é mais tolerante a alta taxa de CO2 do que Erica tetralix. Conteúdo de N na folha para atingir fotossíntese máxima Fonte: Ferri (1985).

avaliando os períodos de convivência e acúmulo de nutrientes de diferentes plantas daninhas e o cafeeiro. sendo C. o manejo inadequado de nutrientes. Pitelli (1985).4 vezes mais P por g de massa seca comparada à soja em mesma condição de recursos. a competição depende do nutriente. evidenciando elevada eficiência na utilização desse nutriente. pela interferência imposta pela comunidade infestante. Os acúmulos de cálcio e manganês no arroz foram reduzidos em 40 e 28%. acarretaram decréscimos consideráveis no conteúdo relativo de nutrientes de plantas de café. comparadas à soja e ao feijão (PROCÓPIO et al. Cerca de 80% do cálcio foi imobilizado pelas plantas daninhas. outras espécies são competidoras também na utilização desse recurso.Conteúdo relativo* de nutrientes na parte aérea de plantas de café cultivadas em vasos (12 L de substrato). verificaram que as espécies infestantes. estudando a distribuição dos nutrientes extraídos pelas plantas daninhas e pela cultura. Além da capacidade em extrair nutrientes do solo.1 .Biologia e métodos de controle 29 . em competição com o feijoeiro. Quadro 6 . poderá favorecer espécies vegetais que utilizam mais eficientemente esse recurso. Isso demonstra que. (2003). competindo com uma espécie/planta por vaso Espécie Vegetal Bidens pilosa Commelina diffusa Leunurus sibiricus Nicandra physaloides Richardia brasiliensis Sida rhombifolia PTC* * 77 180 82 68 148 133 N 59 30 35 37 49 97 P K 72 67 42 37 33 38 62 68 61 57 83 105 Conteúdo relativo* de nutrientes Ca Mg S Cu Zn B Mn Fe Na 67 74 97 106 66 76 59 54 69 45 48 69 69 37 54 19 41 35 36 40 41 66 37 41 30 57 39 72 76 86 114 69 101 50 107 68 53 50 67 43 51 63 57 61 59 90 88 98 93 77 138 102 80 106 *Relativo ao conteúdo verificado na testemunha (cafeeiro sem competição). respectivamente. Podese afirmar que. e do contrário ocorreu com o manganês (85% imobilizado pela cultura). diffusa a planta daninha que causou a maior diminuição no conteúdo relativo de nutrientes no cafeeiro (Quadro 6). Para os autores. ** Período total de convivência da planta daninha com a muda de café no vaso Módulo 3. mesmo em baixas densidades. 2004a). por ocasião do florescimento da cultura. Bidens pilosa e Euphorbia heterophylla apresentam maior eficiência na utilização do N absorvido no solo. Além disso. Em lavoura de arroz de sequeiro. com adição de subdoses.. desenvolvida na presença da comunidade infestante. observou que a matéria seca acumulada foi equivalente para a cultura e as plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas de acumular até 2. em campo. é capaz de formar três vezes mais matéria seca por unidade de P absorvida do solo. além do acúmulo de matéria seca. o grau de interferência varia consideravelmente com a espécie e com a densidade das plantas daninhas. os autores observaram que Bidens pilosa. Ronchi et al.

A primeira demonstração científica de auto-alelopatia foi feita em feijão-miúdo (Vigna unguiculata). os aleloquímicos podem ser absorvidos diretamente pela cutícula das plantas vizinhas. ou condensados no orvalho. geralmente da ordem de 0. que não parecem relacionados diretamente com nenhuma função do metabolismo primário. mas provavelmente estão associados com mecanismos ou estratégias químicas de adaptação às condições ambientais. 1984). Uma vez volatilizados.4% do carbono fotossintetizado (ROVIRA. através de volatilização. Provavelmente. principalmente monoterpenos e sesquiterpenos (RICE. existindo forte relação de dependência entre a produção destes metabólitos e 30 Módulo 3. Essas substâncias alelopáticas são liberadas dos tecidos da planta para o ambiente de diferentes formas. onde são absorvidos pelas raízes (ALMEIDA. exsudação radicular. ou ainda alcançar o solo.1 . como outras plantas. em raízes intactas. 1988). a maioria dos metabólitos secundários liberados pelas plantas está envolvida em interações com outros organismos. sobre a própria planta ou microrganismos ou vice-versa. Assim. o estado sanitário. Os efeitos podem ser deletérios ou benéficos sobre outra planta. Milhares de compostos secundários sintetizados por espécies vegetais estão isolados e estimasse que outros milhares existam na natureza. os compostos secundários que. A maioria dos aleloquímicos voláteis são compostos terpenóides.Alelopatia As plantas superiores desenvolveram notável capacidade de sintetizar. Os aleloquímicos. Existe ainda a auto-alelopatia. após serem transferidos para o ambiente (RICE. As plantas são hábeis em produzir aleloquímicos em todos os seus órgãos. após muitos anos de cultivo da mesma espécie no solo. afetam o crescimento. A quantidade dos compostos produzidos e a composição destes dependem da espécie e das condições ambientais. o comportamento ou a biologia da população de organismos de outra espécie são de interesse da alelopatia. metabólitos secundários podem inibir a própria planta que os produziu. (folhas. quando cultivado sucessivamente na mesma área. lixiviação e decomposição dos resíduos da planta. denominados aleloquímicos. caules. promovem uma interação bioquímica entre plantas. por meio dos próprios vapores.1 a 0. flores. ou seja.Biologia e métodos de controle . frutos e sementes).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . Em fruteiras (pessegueiros. raízes. As plantas podem exsudar naturalmente uma série de compostos orgânicos. macieiras e citros) também ocorre a auto-inibição do desenvolvimento em plantios na mesma área. 1969). incluindo microrganismos. insetos. apresentam potencial para exercer alelopatia em agroecossistemas. quando lançados no ambiente. acumular e secretar uma grande variedade de metabólitos secundários. 1984). lançados ao ambiente. fungos e herbívoros. ou seja.

alguns terpenos e muitos compostos fenólicos podem ser lixiviados. apresentam razoável efeito alelopático.1 . etc. O efeito alelopático das culturas sobre plantas daninhas é menos comum. O capim-marmelada (Brachiaria plantaginea) afeta o desenvolvimento da soja tanto no crescimento quanto na capacidade de nodulação (ALMEIDA. Com a liberação direta dos compostos pelos tecidos. capim-massambará. aminoácidos e as substâncias pécticas. Os principais processos vitais afetados. O desenvolvimento do tomateiro foi afetado por extratos de várias plantas daninhas. o que dificulta a interpretação de resultados a campo. fotossíntese. Os aleloquímicos podem ser liberados das células vivas ou mortas também pela ação da água. Módulo 3. O fungo Penicillium urticae produz fitotoxina patulina durante a decomposição dos resíduos do trigo. Assim. os aleloquímicos podem ser liberados através dos resíduos. 1988). luz. Uma variedade de compostos químicos pode ser carreada da parte aérea das plantas por meio de chuva. como tiririca. Restos culturais de algumas culturas. em sistema de plantio direto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas as condições de ambiente (EINHELLIG. A inibição sobre o desenvolvimento de plantas de pimentão por extratos de eucalipto é um exemplo. 1996). As perdas da permeabilidade seletiva da membrana citoplasmática ocorrem pouco tempo após a morte da planta. foram eliminados genótipos possuidores de substâncias alelopáticas. como nabo forrageiro. O eucalipto produz substâncias cuja presença é variável com as espécies. colza.Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas A interferência que as plantas daninhas causam sobre as culturas é decorrente da competição pelos fatores comuns (água. e essa deficiência de defesa das plantas cultivadas é atribuída à seleção a que estas têm sido submetidas ao longo do tempo. CO2.1 . Cenchrus echinatus e Euphorbia heterophylla. síntese de proteínas. e sua persistência no solo varia com as variações do ambiente. etc.) e dos efeitos das substâncias alelopáticas que estas produzem. aveia e centeio. 1988). permeabilidade da membrana celular. para outras características que não as de agressividade para com outras plantas. Os alcalóides. açúcares. crescimento. alcalóides. O mecanismo de ação dos aleloquímicos não está ainda bem esclarecido. respiração. na cultura seguinte. segundo Almeida (1988). microrganismos podem metabolizar polímeros presentes e produzir substâncias tóxicas. como taninos. que promove toxicidade na cultura que o sucede (Almeida. são: assimilação de nutrientes.Biologia e métodos de controle 31 . etc. Por exemplo. entre estes os ácidos. grama-seda. espaço físico. etc. atividade enzimática. 3. ao melhorar o paladar e diminuir a toxicidade. reduzindo a intensidade de infestação de algumas plantas daninhas. nutrientes. como Brachiaria plantaginea. neblina e orvalho.

a cobertura morta pode prevenir a germinação. os resíduos secos podem causar fitotoxicidade mais severa. a incorporação dos resíduos deve ser feita com certa antecedência da semeadura das culturas. 32 Módulo 3. provoca redução do estande da cultura da soja plantada imediatamente após a sua colheita. o que tem contribuído para que os agricultores do sul deixem de cultivar colza. com efeitos biológicos e toxicidade diversos. hoje disseminado no Brasil por todos estados produtores de grãos. Se a cultura de verão for implantada com algum intervalo após a colheita desta cultura de inverno.1 .3 . podendo os resíduos de plantas de mesma espécie dar origem a compostos diferentes. sabe-se que o processo de decomposição do material vegetal é variável com a qualidade dos tecidos. Quanto a possíveis efeitos alelopáticos do material incorporado ao solo. o material fresco. os tipos de solo e as condições climáticas. por exemplo. quando cultivadas em casa de vegetação. Estes estudos irão contribuir de maneira decisiva para o manejo de plantas daninhas no sistema de plantio direto.2 . provoca efeitos alelopáticos pouco acentuados e por períodos curtos. como as adubações verdes. quando começa a época chuvosa. reduzir o vigor vegetativo e provocar amarelecimento e clorose das folhas. Essa cobertura é essencial para o sucesso do plantio direto.Alelopatia das coberturas mortas No plantio direto. Os efeitos alelopáticos são transitórios. Nas culturas de verão. assim como poderá ser um ponto de partida para síntese de novos compostos com atividade herbicida. conseqüentemente. a fim de avaliar suas atividades sobre as diferentes espécies de plantas daninhas. também rápida. exsudato radicular proveniente de plantas de sorgo reduziu a área foliar de plantas de alface em 68.Alelopatia entre culturas A possibilidade de se desenvolverem efeitos alelopáticos benéficos ou maléficos entre culturas tem interesse agronômico. Por isso. forma-se no final desta estação ou início da primavera. por isso. especialmente no que diz respeito às técnicas de rotação e consorciação. Segundo Barbosa (1996). usando solução nutritiva circulante entre os vasos de sorgo e alface. possivelmente não ocorrerão problemas de fitotoxicidade.Biologia e métodos de controle . Em condições de baixas temperaturas. A taxa de decomposição é alta e a liberação dos compostos alelopáticos é. inferiores a 25 dias. degradando os aleloquímicos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3. redução do perfilhamento e até morte de plantas daninhas durante a fase inicial de desenvolvimento. os resíduos no solo são escassos e a temperatura e umidade no solo são suficientes para manter a atividade microbiana alta. Atualmente. Outros pesquisadores avaliam e colecionam germoplasmas de plantas alelopáticas. Normalmente.4%. os efeitos alelopáticos provocados pela incorporação de resíduos vegetais no solo são muitos variáveis. 3. várias pesquisas estão sendo conduzidas visando identificar os compostos alelopáticos. A cobertura morta da cultura do inverno. A colza. normalmente cereais.

para o sucesso deste método. gerando menor intensidade de interferência na produtividade econômica. horizontalis. ao conjunto de ações que recebe uma determinada cultura em decorrência da presença da comunidade infestante num determinado local. podendo ser alterado pelas condições de solo. alelopatia.Competição e período crítico de competição De acordo com Pitelli (1985). Geralmente. mas sem prejudicar também o ambiente. De maneira geral. interferência na colheita e outras). O grau de interferência entre plantas cultivadas e comunidades infestantes depende das manifestações de fatores ligados à comunidade infestante (composição específica. pode-se dizer que. as espécies Mucuna aterrima. bicolor. M.Biologia e métodos de controle 33 . esteróides livres e ogliconas esteróides. sendo o esquema apresentado na Figura 3. espaçamento e densidade de plantio) e à época e extensão da convivência. clima e manejo. no desenvolvimento e na produtividade de uma cultura. favorecendo a utilização de recursos pela planta cultivada. não devem ser atribuídos exclusivamente à competição imposta por estas. H. sendo a possível causa dos efeitos alelopáticos. A este efeito global denominou-se “interferência”. os quais são descritos a seguir. quanto maior for o período de convivência múltipla (culturaplantas daninhas). lophanta e A. referindo-se. o conhecimento das propriedades alelopáticas das plantas será fundamental. portanto. quanto menor o período de convivência entre cultura e plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas objetivando o melhoramento genético. (2004). menor será o grau de interferência. portanto. 4 . à própria cultura (espécie ou variedade. entre outros fatores. O manejo de plantas daninhas altera a cronologia natural dos eventos. porque dependerá da época e do ciclo da cultura em que esse período ocorrer. foram eficientes no controle das espécies daninhas D. Esse fato justifica. Os autores constataram elevada concentração de taninos condensados. densidade e distribuição). No entanto. Contudo. ambos citados por Pitelli (1985). mas resultante das pressões ambientais de ação direta (competição. devidos à presença de plantas daninhas. dependendo da época de seu estabelecimento. Em trabalho realizado por Erasmo et al.1 . e. No futuro. Pitelli e Durigan (1984) sugeriram terminologia para períodos de convivência de plantas daninhas em culturas. utilizadas como cobertura vegetal. os efeitos negativos observados no crescimento. maior será o grau de interferência. o estudo da época ideal de controle de plantas daninhas em cada cultura. Módulo 3. o controle biológico de plantas daninhas também poderá ser uma opção no manejo integrado. visando o mínimo possível de redução na produtividade. uma infestação moderada de plantas daninhas poderá ser tão danosa à cultura quanto uma infestação pesada. pruriens e S. isto não é totalmente válido. spinosus. Essa idéia foi originalmente apresentada por Bleasdale (1960) e mais tarde modificada por Blanco (1972).

permitindo que a competição por recursos outros que não a adubação se instale de maneira mais rápida. Teoricamente.Modelo esquemático dos fatores que influenciam o grau de interferência entre cultura e comunidades infestantes Aquele espaço de tempo. na prática este limite não pode ser considerado. a própria cultura. para que a produção não seja afetada quantitativa e. impede o desenvolvimento das plantas daninhas. do sombreamento. permitindo menos cultivos ou o uso de herbicidas de menor poder residual. através. O limite superior deste período indica a época em que a interferência compromete irreversivelmente a produtividade econômica da cultura. No entanto. contribuindo para o próprio desenvolvimento da cultura. em que a cultura pode conviver com a comunidade de plantas daninhas antes que a interferência se instale de maneira definitiva e reduza significativamente a produtividade da lavoura é denominado “período anterior à interferência” (PAI). em determinada época do ciclo da cultura. terão atingido tal estádio de desenvolvimento que promoverão uma interferência sobre a espécie cultivada. qualitativamente. a Époc Dura çã o Período de convivê ncia lti Cu r va Es pé ci e s Espaçamento Densidade Densidade Cultura Grau de interferência rib st Di ui o çã Figura 3 . pois a comunidade teria acumulado energia e matéria orgânica que retornariam ao solo.Biologia e métodos de controle . Desse modo. A aplicação de certas práticas culturais contribui para diminuição deste período. Após esse período. capaz de reduzir significativamente sua produtividade econômica. a fertilização incrementa o crescimento inicial da cultura e das plantas daninhas. É importante esclarecer o significado deste período em termos de competição: as espécies daninhas que emergirem neste período. após a semeadura ou o plantio. este deve ser o período que as capinas ou o poder residual dos herbicidas devem cobrir.1 . Por exemplo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas “Período total de prevenção da interferência” (PTPI) é o período. o final do período anterior à interferência seria a época ideal para o primeiro controle da vegetação infestante. principalmente. n D De d d s si ad e Ambiente S ol o Ma ne j o Clima 34 Módulo 3. a partir do plantio ou da emergência. ou. em que a cultura deve ser mantida livre da interferência de plantas daninhas. Na prática. toda e qualquer prática cultural que incremente o crescimento inicial da cultura pode contribuir para um decréscimo no período total de prevenção da interferência.

as plantas daninhas podem ter atingido um estádio tal de desenvolvimento que inviabilize o uso de práticas mecânicas ou o controle químico. (2005) 14 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pois a cultura e. não são idênticos para as mesmas culturas. os cultivares utilizados e as composições específicas das comunidades infestantes foram diferentes. Este seria o “período crítico de prevenção da interferência” (PCPI). (2002) Souza et al. (1994) 20 . Em diversos trabalhos de pesquisa visando avaliar os efeitos da interferência de plantas daninhas em culturas (Quadro 7). baseado na hipótese de que aspectos econômicos como o custo de controle e o valor monetário dos grãos devem ser utilizados como critério para determinar o período aceitável de interferência das plantas daninhas antes de se decidir pelo seu controle (VIDAL et al.66 d 80 d ----100 d 20 d 20 –100 d 30 d 21 d 21 – 30 d 42 d 40 d 30 d 30 . nas diferentes condições envolvendo solo. (2005) 22 – 38 d Dias et al. (2003) Alcântara et al. 2005).90 d (1982) 47 – 127 Kuva et al. (2004) Soares et al.40 d 60 d 90 d 127 d 30 d 88 d 38 d 42 30 d 30 d 45 d 30 d 74 d 20 d 15 d 22 d 14 21 d 20 d Fonte Salgado et al. ou. Isso é normal. Quadro 7 . a cultura deverá ser mantida livre das plantas daninhas no período compreendido entre o final do PAI até o momento em que as plantas daninhas que vierem a emergir não mais irão interferir na produtividade da cultura. Recentemente foi proposto o Período Anterior ao Dano no Rendimento Econômico (PADRE).1 . (1981) Mascarenhas et al. Considerando a diversidade de fatores que influenciam o grau e os períodos de interferência apresentados. PAI e PCPI. torna-se extremamente importante a pesquisa nesta área.30 d Spadotto et al. visando realizar com eficiência o manejo integrado das plantas daninhas. (1982) Oliveira e Almeida 45 .60 d (1982) Rolin e Cristofolleti 30 . (2003) 20 .. Do ponto de vista prático.Biologia e métodos de controle 35 . espécies daninhas e culturas. os períodos PTPI.30 d Martins (1994) Módulo 3. clima. (1980) Brighenti et al. encontrados pelos diversos autores.Períodos de convivência e de controle de plantas daninhas em diversas culturas anuais e bianuais Cultura Algodão Alho Girassol Cebola Arroz de sequeiro Cana-de-açúcar ( plantio de ano ) Cana-de-açúcar (plantio de ano e meio) Feijão Café (após plantio das mudas no inverno) Café (após plantio das mudas no verão) Milho Soja Dias Após Semeadura ou Plantio (d) PTPI PAI PCPI 66 d 08 d 08 .42 d Ramos e Pitelli (1994) 21 .30 d Victoria Filho (1994) 15 – 88 d Dias et al. porque as condições em que foram conduzidas as pesquisas.

mudas com torrão.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5 . a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas ainda por elas não infestadas. etc.1 . atualmente. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. um município ou uma gleba de terra na propriedade.Biologia e métodos de controle . há legislações que regulamentam a entrada de sementes no país ou estado e sua comercialização interna. um estado. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas. considerando uma cultura. Em nível local. ou seja. o picão-preto (Bidens pilosa) e o capim-carrapicho (Cenchrus echinatus). que possui sementes muito pequenas e tubérculos que infestam novas áreas com grande facilidade. Nestas legislações encontram-se os limites toleráveis de cada semente de planta daninha e também a lista de sementes proibidas por cultura ou grupo de culturas. ou. que não interfiram na produção econômica da cultura. limpar cuidadosamente máquinas. A falta desses cuidados tem causado ampla disseminação das mais diversas espécies. grades e colheitadeiras. inspecionar cuidadosamente mudas adquiridas com torrão e também toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. Já o capim-arroz (Echinochloa sp. limpeza de canais de irrigação. que poderão se transformar em sérios problemas para a região. Em síntese.Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. etc. etc. deve ser feita até um nível no qual as perdas pela interferência sejam iguais ao incremento no custo do controle. 5. Em níveis federal e estadual. pêlos de animais. além de outras espécies.Métodos de controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mais variados possíveis e. o estabelecimento e. Eles abrangem desde o arranque das plantas com as mãos até o uso de sofisticados equipamentos de microondas para exterminar as sementes no solo. quarentena de animais introduzidos.) e o arroz-vermelho (Oryza sativa) são distribuídos junto com as sementes de arroz. Estas áreas podem ser um país. As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilizar sementes de elevada pureza. se espalham por novas áreas por meio de roupas e sapatos dos operadores.1 . verifica-se grande evolução destes. o elemento humano é a chave do controle preventivo. 36 Módulo 3. A redução da interferência das plantas daninhas.. por meio de estercos. tem-se a tiririca (Cyperus rotundus). Como exemplo.

jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. em Módulo 3.2 . ou monda. numa agricultura mais intensiva.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. em cana-de-açúcar. crotalárias. e para muitas famílias. ano após ano. azevém anual. a roçada. Ainda hoje é usado para o controle em hortas caseiras. Contudo. como rotação de cultura. Consiste. em usar as próprias características ecológicas das culturas e plantas daninhas. apaga-fogo (Alternanthera tenella). a inundação. em lavouras de trigo. exemplos: capim-arroz (Echinoclhoa sp.). é o método mais antigo de controle de plantas daninhas. 5. a interferência destas plantas daninhas aumenta muito. em lavouras de milho.Biologia e métodos de controle 37 . O arranque manual. guandu. O principal efeito é a melhoria das condições físico-químicas do solo. ervilhaca. Variação do espaçamento: a variação do espaçamento entre linhas ou da densidade de plantas na linha pode contribuir para a redução da interferência das plantas daninhas sobre a cultura.Controle cultural O controle cultural consiste no uso de práticas comuns ao bom manejo da água e do solo. a queima. A capina manual feita com enxada é muito eficaz e ainda muito utilizada na nossa agricultura. no mesmo solo. uso de coberturas verdes. então. variação do espaçamento da cultura. etc. Quando são aplicadas as mesmas técnicas culturais seguidamente. esta é a única fonte de trabalho. Tremoço.1 . quando o principal método de controle é o uso de enxada. estas plantas possuem também poder inibitório sobre outras e podem reduzir as infestações de algumas daninhas após serem incorporadas ao solo. Coberturas verdes: as coberturas verdes são culturas geralmente muito competitivas com as plantas daninhas. Rotação de culturas: cada cultura agrícola geralmente é infestada por espécies daninhas que possuem exigências semelhantes às da cultura ou apresentam os mesmos hábitos de crescimento. visando beneficiar o estabelecimento e desenvolvimento das culturas. A redução entre linhas geralmente proporciona vantagem competitiva à maioria das culturas sobre as plantas daninhas sensíveis ao sombreamento. a cobertura morta e o cultivo mecanizado. a capina manual. Quando o principal objetivo é o controle de plantas daninhas. dependendo da arquitetura das plantas cultivadas e das espécies infestantes. onde há agricultura de subsistência. Essas práticas contribuem para impedir o aumento exagerado de determinadas plantas daninhas. aveia e centeio são usadas na região Sul do Brasil. mostarda. em lavouras de arroz.3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5. entretanto. e caruru-rasteiro (Amarantus deflexus). nabo. Nas regiões subtropicais predominam mucuna-preta. principalmente em regiões montanhosas. a escolha da cultura em rotação deve recair sobre plantas com habito de crescimento e características culturais bem contrastantes. feijão-de-porco e lablabe.

capim-kikuio (Penisetum clandestinum)). Todavia. e b) baixa eficiência: quando realizado em condições de chuva (solo molhado). são o custo do nivelamento do solo e a grande quantidade de água necessária para sua implantação. beiras de estradas e pastagens a roçada é um método de controle de plantas daninhas dos mais importantes. que são posteriormente mortas devido à impossibilidade de emergência. a fileira de plantas. é mantida no limpo. No plantio direto. É restrito a pequenas áreas de hortaliças. Esta deve ser feita antes do plantio. O espaço das entrelinhas é mantido roçado e.1 . a cobertura do solo com restos vegetais da cultura anterior é de grande utilidade. Em solos planos e nivelados. grama-seda (Cynodon dactylon). devido à temperatura excessivamente alta principalmente até 5 cm de profundidade. Quanto à queima das plantas daninhas com lança-chamas. A cobertura morta ainda pode apresentar efeitos alelopáticos úteis no controle de certas espécies daninhas. estimulando a germinação das sementes das plantas daninhas da camada superficial de solo. A cobertura do solo com restos vegetais em camada espessa ou com lâmina de polietileno é um meio físico-mecânico de controle das plantas daninhas. sendo um dos principais métodos de controle de plantas daninhas em propriedades com menores áreas plantadas. são totalmente erradicadas sob inundação prolongada. Outra técnica utilizada para o controle de plantas daninhas é a solarização. onde o controle da erosão é fundamental. principalmente em terrenos declivosos. Este sistema de plantio é usado em extensas áreas de plantio de soja. Também em terrenos baldios. como tiririca (Cyperus rotundus). O cultivo mecanizado. por meio de outros métodos de controle. além de outros efeitos importantes sobre as culturas implantadas na área. Espécies perenes de difícil controle. o alto custo da mão-de-obra e a dificuldade de encontrar operários no momento necessário e na quantidade desejada fazem com que este método seja apenas complementar a outros métodos. A cobertura provoca menor amplitude nas variações e no grau de umidade e da temperatura da superfície do solo. apenas não apresentando efeito sobre as plantas daninhas que se desenvolvem em solos encharcados. a inundação é um efetivo método de controle de plantas daninhas. esta técnica é de uso limitado no Brasil.). para uso dirigido nesta cultura. na maioria dos casos. Os fatores limitantes deste método. em razão do custo do combustível. feito por cultivadores tracionados por animais ou tratores.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas áreas maiores. é de larga aceitação na agricultura brasileira. em nível. Provoca aumento de temperatura e. As principais limitações deste método são: a) dificuldade de controle de plantas daninhas na linha da cultura. Em pomares e cafezais. em virtude da suspensão do fornecimento de oxigênio para suas raízes. a roçada manual ou mecânica é um método muito importante para controlar plantas daninhas. utilizando filme de polietileno sobre a superfície do solo. em solo úmido. já foi utilizada em algodão. bem como sobre as plantas aquáticas. além de muitas plantas daninhas anuais.Biologia e métodos de controle . é ineficiente para controlar plantas daninhas que 38 Módulo 3. devendo ser realizado quando as plantas daninhas estiverem ainda jovens e o solo não estiver muito úmido. como o capim-arroz (Echinochloa sp. as sementes das plantas daninhas germinam e morrem em seguida. milho e trigo. como nos tabuleiros de arroz. através de adaptação de queimadores especiais em cultivadores tratorizados. A inundação mata as plantas sensíveis.

foi já usado o fungo Phythophthora palmivora. 5. até o momento. para controlar Morrenia odorata. o deslocamento do solo sobre a linha. porque pode controlar uma espécie e uma outra ser favorecida. Nos Estados Unidos. no Havaí. Módulo 3. reduzindo sua capacidade de competir. Para que este tipo de controle seja eficiente.) capazes de reduzir a população das plantas daninhas. todas as espécies anuais. O cultivo quebra a relação íntima que existe entre raiz e solo. Deve também ser considerada como controle biológico a inibição alelopática de plantas daninhas exercida por outras plantas.1 . bactérias. No entanto. o fungo Coletotrichum gloeosporeoides pode ser usado para controlar o angiquinho (Aeschynomene virginica) em soja e milho. vírus. pode causar o enterrio das pequenas plântulas e. o controle biológico de plantas daninhas com inimigos naturais não tem sido. podem-se citar: na Austrália. ele não deve parasitar outras espécies. insetos. ou seja. aves. com o nome de Devine. nos pomares de citros. E. suspende a absorção de água e expõe a raiz às condições ambientais desfavoráveis. o cambará-de-espinho (Lantana camara) foi controlado pelos insetos Agromisa lantanae e Crocidosema lantanae. b) Seleção de inimigos naturais mais eficientes. desde a pesquisa até a prática do controle biológico: a) Seleção de espécies de plantas daninhas a serem controladas. promover o controle das plantas daninhas na linha. De modo geral. a fim de correlacionar os níveis de infecção com a redução da densidade populacional do hospedeiro. o herbicida natural é registrado como Collego.Biologia e métodos de controle 39 . são facilmente controladas em condições de calor e solo seco. com isso.) com as larvas do inseto Cactoblastis cactorum. a eficiência do controle biológico é duvidosa quando ele é usado isoladamente.Controle biológico O controle biológico consiste no uso de inimigos naturais (fungos. e. praticado com fins econômicos. O controle biológico de plantas daninhas é muito complexo e seu estudo dever ser feito em etapas sucessivas. daninhas ou não (este assunto já foi discutido em módulo à parte). através de enxadas cultivadoras especiais. Entre os diversos exemplos de controle biológico no mundo. etc. o que é uma tendência normal em condições de campo. f) Avaliação da efetividade em diferentes épocas do ano. Dependendo do tamanho relativo das plantas cultivadas e daninhas. e) Acompanhamento da introdução e do estabelecimento do agente biocontrolador no campo. o parasita deve ser altamente específico. d) Determinação da especificidade dos hospedeiros. No Brasil. uma vez eliminado o hospedeiro. Isso é mantido por meio do equilíbrio populacional entre o inimigo natural e a planta hospedeira. o controle do cactus ou figo-da-índia (Opuntia spp. quando jovens (2-4 pares de folhas). c) Estudo e avaliação da ecologia dos vários inimigos naturais.4 . peixes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas se reproduzem por partes vegetativas.

O uso de tilápias. nos Estados Unidos. e temperaturas acima de 30 oC têm proporcionado melhor controle de Egeria (BORGES NETO et al. que se reúne de dois em dois anos em congresso nacional.4. químico. Também são áreas de interesse. em 1956. entre outras.WSSA. para controle de folhas largas na cultura do trigo. 2005). foi criada a Weed Science Society of América . a alelopatia. não podendo parasitar outras espécies. Já se sabe que o fotoperíodo influencia a eficiência de controle das espécies de plantas daninhas pelo fungo. plantas aquáticas submersas que causam problemas em reservatórios de hidrelétricas. então. mais seguro para o homem e para o ambiente. O objetivo das pesquisas em nível mundial é obter herbicidas mais eficazes com doses menores. o controle biológico. Carbamatos (1951). Zimmerman e Hitchock.5-T. Ainda. Shultz (Alemanha) e Bolley (EUA) evidenciaram ação dos sais de cobre sobre algumas folhas largas.4-D. no Brasil. e. o sulfato ferroso foi avaliado por Bolley. quando se controla uma espécie de planta daninha. etc. nos EUA. para discutir os avanços da área de plantas daninhas e seu controle. que tem evoluído muito nos últimos anos. Em 1908. quando Bonnet (França).5 . indicando a necessidade de uso de outro método de controle. etc. carpas e outros peixes herbívoros é possível para controle de outras plantas aquáticas.) e marcou o início do controle químico de plantas daninhas em escala comercial. sempre uma outra é favorecida. O controle biológico é eficiente. em 1963. Este herbicida é a base de muitos outros produtos sintetizados em laboratório (2. Miyazaki e Pitelli (2003) verificaram controle de até 100% das espécies aquáticas Egeria densa. Egeria najas e Ceratophyllum demersum pelo pacu (Piaractus mesopotamicus).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas No Brasil. 2. quando associado a outros métodos de controle e será recomendado para espécies de plantas daninhas de controle comprovadamente difícil por métodos mecânicos e. 40 Módulo 3. bem como a tecnologia de aplicação de herbicidas. Somente em 1942. A eficiência do controle biológico é duvidosa. Triazinas simétricas (1956).4-DB. novos grupos químicos de herbicidas surgiram: Amidas (1952). hoje Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas (SBCPD).Controle químico As pesquisas visando o controle químico de plantas daninhas foram iniciadas entre 1897 e 1900.1 . e os trabalhos científicos sobre o assunto são publicados em revistas especializadas da SBCPD (Planta Daninha e Revista Barsileira de Herbicidas).. descobriram o 2. Devido ao grande desenvolvimento da área de controle químico de plantas daninhas. no Brasil. quando se pensa em seu uso como o único método de controle. Isso porque o parasita deve ser altamente específico. 5. ou. A partir de 1950. foi fundada a Sociedade Brasileira de Herbicidas e Plantas Daninhas (SBHPD). ocorrem reuniões anuais de pesquisadores de herbicidas no cerrado (REPEC). isolados de Fusarium graminearum vêm sendo estudados como agente de controle biológico de Egeria densa e de Egeria najas. nos Estados Unidos.Biologia e métodos de controle .

Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas. ou. 4. em milhões de dolares. lagos e água subterrânea). que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. 2. 2005).1 . Menor dependência da mão-de-obra. quando for necessário. Permite o plantio a lanço e. Pode se atribuir essa grande aceitação do uso de herbicidas pelos produtores ao fato de o controle químico das plantas daninhas proporcionar as seguintes vantagens: 1. Pode controlar plantas daninhas de propagação vegetativa. 2005).214. dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. havendo perigo de intoxicação do aplicador. na quantidade e qualidade necessária. 6. difícil de ser encontrada no momento certo. mas devem ser conhecidos.8 em 1997 (ANDEF/SINDAG. Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES e ALMEIDA. Portanto. Os riscos de uso existem. alteração no espaçamento. O emprego do controle químico de plantas daninhas deve ser feito juntamente com outras práticas de controle. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta. O conhecimento da fisiologia das plantas. 3. que é cada vez mais cara. evoluiu de 546. É eficiente no controle de plantas daninhas na linha de plantio e não afeta o sistema radicular das culturas. É importante considerar que todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. principalmente. Pode ocorrer também poluição do ambiente . sendo a de maior importância o controle cultural. Este valor. solo e alimentos quando manuseados incorretamente.6 em 1990 para 1. o controle químico das plantas daninhas é mais eficiente. cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário.água (rios. Mesmo em épocas chuvosas. perfeitamente controlados e evitados. uma vez que esta tecnologia. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência das culturas. A tendência ainda é de aumento. 5. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. hoje está se tornando prática comum entre os pequenos. sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O consumo de herbicida no Brasil representa 7-9% do consumo total do mundo. Permite o cultivo mínimo ou plantio direto das culturas.Biologia e métodos de controle 41 . o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas.

pode reduzir a dependência do uso de herbicidas e atrasar ou prevenir o aumento de espécies perenes geralmente associadas a sistemas de cultivo. no Brasil. da capacidade competitiva da cultura. as quais possuem seu ciclo ou parte dele na época das águas. Desse modo. que consiste em “um sistema ambiental do campo onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para a produção das culturas livres de danos econômicos da vegetação competitiva”. dos métodos empregados. etc.1 . para culturas anuais. permite a esta aproveitar eficientemente os recursos do meio. 10. Considerar os recursos e as necessidades do fazendeiro. 8. social e econômico a curto e a longo prazo. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco. Decidir quando o controle deve ser feito. os métodos culturais se apresentam como os 42 Módulo 3. do período crítico de competição. das condições ambientais. Considerando as condições brasileiras. A integração de diversos métodos de controle dentro do sistema de produção pode dificultar o crescimento e desenvolvimento de populações de espécies daninhas de difícil controle. fica evidente que. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. o manejo integrado de plantas daninhas. 5.Manejo integrado de plantas daninhas (mipd) Cada vez mais o manejo integrado de pragas vem ganhando reforços em todos os setores agrícolas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 6 . 2. sua base reforçada no campo da entomologia quando pioneiros promoveram o estudo dos problemas do algodoeiro no Nordeste do país. Prever populações e mudanças de populações de plantas daninhas.Biologia e métodos de controle . a maneira integrada de cultivo. O nível de controle das plantas daninhas obtido em uma lavoura dependerá da espécie infestante. em que se levam em conta todos os fatores que podem proporcionar à planta maior e melhor produção. Avaliar os impactos ambiental. constituindo-se. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. 2000). 6. Desse modo. Monitorar sementes e espécies da área de produção. no controle integrado. 7. Escolher a(s) tecnologia(s) de controle compatível(is) com sistema. 9. esse fato. Integrar os processos com as medidas de proteção das culturas. 3. Conhecer as espécies dominantes e suas interações. propondo uma série de medidas que se enquadraram no conceito de integração (CONCEIÇÃO. Identificar as espécies-problema e suas densidades. Dez palavras-chave descrevem os processos recomendados. Estudar os métodos usados na propriedade. 4. tendo. e elas são um bom guia para o programa de manejo: 1.

Um bom exemplo da aplicação do Manejo Integrado pode ser observado pelo excelente manejo da tiririca na cultura do milho e do feijão graças à utilização do sistema de plantio direto e conhecimentos da biologia das espécies envolvidas. ou seja. a ponto de não acarretar reduções de produção das culturas infestadas (Fig. Ao contrário. Outro exemplo de manejo integrado de plantas daninhas tem sido praticado em diversas regiões do Brasil quando se adota o sistema integrado agricultura-pecuária.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mais adequados para integração com o controle químico. Neste sistema. a forrageira cultivada em consórcio com a cultura principal reduz a interferência de muitas espécies de plantas daninhas. os níveis populacionais da tiririca podem ser diminuídos. Além disso.1 . ou incoporada ao solo. Dessa forma. no plantio convencional. no milho para silagem toda palhada da cultura anterior e retirada da área. é possível obter redução nos níveis populacionais da tiririca a favor do plantio direto. consegue-se ótimo manejo integrado da tiririca. sendo que em três anos a redução no banco de tubérculos no solo pode chegar a mais de 90% (JAKELAITIS et al. Em dois anos nesse sistema. 2004) e também mais estável do ponto de vista ambiental (SANTOS et al. 4). Dessa forma. tornando o sistema menos dependente do controle químico (JAKELAITIS et al. em relação ao plantio convencional. têmse observado excelentes resultados no manejo da tiririca. principalmente no período de desenvolvimento das culturas sensíveis à interferência das plantas daninhas. evitando assim sua disseminação e seu rápido crescimento. 2003). a capacidade de brotação dos tubérculos de tiririca coletados sob solo no sistema integrado é diminuída com o passar do tempo. da ordem de 90 a 95%. visando a redução do número de propágulos de espécies de difícil controle em áreas agrícolas. Os maiores benefícios do sistema de plantio direto no manejo integrado da tiririca são obtidos devido à integração do controle químico proporcionado pelo uso do herbicida sistêmico para dessecação da vegetação em pré-plantio. Quando a finalidade de uso do solo é para milho grão. principalmente por luminosidade. independentemente se para produzir milho para grão ou para silagem. no plantio direto.. 45 dias após a emergência.. 2005) Módulo 3. aliado ao fato de não revolver o solo. aplicados no momento correto. 5). ao controle cultural exercido pela falta de revolvimento do solo e conseqüente ausência de fragmentação das estruturas vegetativas da tiririca e à adoção de culturas altamente competitivas. transformando esta espécie daninha extremamente problemática em uma espécie comum.. permanecendo dormentes (Fig. aliado ao controle cultural. com uso de herbicidas sistêmicos usados como dessecantes. tanto para a cultura do milho quanto para o feijoeiro. No plantio direto. com a adoção do sistema de plantio direto utilizando herbicidas sistêmicos para dessecação. como a cultura do milho e feijão. toda a palhada da cultura permanece na área à superfície.Biologia e métodos de controle 43 .

População de tiririca nas culturas de milho e feijão nos sistemas de plantios convencional e direto (após dois anos de adoção do manejo integrado de plantas daninhas –MIPD) aos 30 DAP Figura 5 – Brotação de tubérculos de tiririca coletados em campo em áreas de plantio convencional e em área onde se adotou o plantio direto com o manejo integrado dessa espécie infestante.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 4 .Biologia e métodos de controle . após três anos de adoção 44 Módulo 3.1 .

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José Barbosa dos Santos Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior . Antonio Alberto da Silva Profº.ABEAS Universidade Federal de Viçosa .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .Manejo de plantas daninhas 3. Francisco Affonso Ferreira Profº.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação Tutores: Profº.DF 2006 48 Módulo 3. Lino Roberto Ferreira Profº.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .2 .

75 4. 85 4.Mecanismo de ação.53 4 .5 .Algumas imidazolinonas.Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos. 53 4.4 .2 .7 .52 3 . 55 4.2 .1 . -51 2 .Herbicidas Inibidores do Fotossistema I.7.Mecanismo de ação.3 .2 .Seletividade.Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX.Herbicidas inibidores da Protox. 79 4.Herbicidas inibidores da EPSPs.3 .3 .2 .2 .Principais características. 83 4.2 . 80 4.4.2.Características gerais dos inibidores do fotossistema II.4 .3.Quanto aos mecanismos de ação. 74 4.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 49 . 60 4.3 . 68 4.3 . 56 4. 80 4. 68 4. 55 4.4.Características de algumas cloroacetanilidas.Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos.Principal herbicida do grupo.2. 75 4.Herbicidas inibidores da acetolactato sintase.2 . 70 4.2.Principais características.Mecanismo de ação das cloroacetanilidas. 88 Módulo 3.1.8 .1 .6.Caracterização de alguns herbicidas auxínicos.5. 68 4.1.Algumas sulfoniluréias.2 .6. 51 1 . 79 4.Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina.4.1 .3.Características gerais.3 .Mecanismos de seletividade.Herbicidas inibidores da fotossistama II. 77 4.Quanto à seletividade.2 .3.1 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.Principais características.2.7. 61 4.6 .Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II. 58 4.6.Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos.Quanto à translocação.1 .Mecanismo de ação. 79 4. 54 4. 58 4.5. 73 4.Quanto à época de aplicação.1 .1. 62 4.1 .5. 76 4.3 . 73 4.1 . 73 4.Mecanismo de ação.

9.Mecanismo de ação. 88 4. 92 4.1 .8. 93 4. 95 Referências bibliográficas. 91 4. 99 50 Módulo 3.Herbicidas inibidores da ACCase.9 .Características gerais.9.1 .Principais características. 89 4.Mecanismos de ação.Herbicidas inibidores de carotenóides.2 .10 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .Caracterização de alguns inibidores da ACCase.3 . 91 4.2 .9.8.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.

o metribuzin é seletivo apenas quando aplicado em pré-emergência. Como exemplo. e mesmo assim a dose tolerada é dependente das condições edafoclimáticas. pois depende do estádio de desenvolvimento das plantas. é possível tornar um herbicida não-seletivo a seletivo para determinada espécie. Herbicidas não-seletivos São aqueles que atuam indiscriminadamente sobre todas as espécies de plantas. etc. atrazine para o milho. das condições climáticas. etc. Todavia. dentro de determinadas condições. por meio da biotecnologia.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 51 . 1995a). são mais tolerados por uma determinada espécie ou variedade de plantas do que por outras. Todavia. época de aplicação. por exemplo. tem-se 2.2 . Módulo 3. exemplo: a soja trasgênica resistente ao glyphosate.Quanto à seletividade Herbicidas seletivos São aqueles que. paraquat. 1 . de acordo com as características de cada um. Essas características individuais permitem estabelecer grupos afins de herbicidas com base em sua seletividade. do tipo de solo. etc. fomesafen para o feijão.4-D para a cana-deaçúcar. estrutura química e mecanismo de ação (WARREN. Exemplos: diquat. HESS. translocação. da dose aplicada. imazethapyr para a soja. a seletividade é sempre relativa. glyphosate. Para soja.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Os herbicidas podem ser classificados de diversas maneiras. Normalmente são recomendados para uso como dessecantes ou em aplicações dirigidas.

nicosulfuron em milho. neste caso. feijão. Outro 52 Módulo 3. paraquat. a sua aplicação em pré ou pós-emergência vai depender da tolerância da cultura e. também. ele pode ser aplicado em pós-emergência de ambas (plantas daninhas e culturas). pode-se também misturar. Estes produtos podem.Quanto à época de aplicação Pré-plantio Quando o herbicida é muito volátil. outros que possuem maior efeito residual no solo. ele necessita ser incorporado ao solo. no sistema de plantio direto (cultivo mínimo). etc. como é o caso do metribuzin. aplicado em pré-plantio e incorporado. Todavia. quando atigem o solo. eles somente devem ser aplicados em pós-emergência das plantas daninhas. ou. pois muitas vezes. apesar penetrarem também pelas raízes. por esta razão.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Quando aplicado após o preparo do solo e incorporado a este antes do plantio. deve ser aplicado antes do plantio. a estes. Quando são absorvidos apenas pelas folhas. ou. alguns herbicidas devem ser aplicados antes do plantio. ele é muito tóxico à soja. estes devem ser aplicados antes da emergência (pré-emergência) desta ou de forma dirigida. ou seja. fotodegradável. exemplo: sethoxydim em tomate. até mesmo em subdoses. diz-se que este herbicida é aplicado em PPI. na cultura da soja somente pode ser usado em pré-emergência. ser não-seletivos para a cultura e. como é o caso do glyphosate e paraquat aplicados no plantio direto de milho. feijão e soja. de solubilidade muito baixa em água e. como é o caso do trifluralin. porém têm como objetivo principal garantir o controle inicial das plantas daninhas na implantação da lavoura. metribuzin. clorimuron-ethyl. imazethapy. são desativados (sorvidos). em aplicação dirigida. reflorestamento e lavouras de café. Entretanto. pois em pós-emergência. que pode ser usado em tomate em pré e em pósemergência tardia ou após o transplante. Esses produtos normalmente são não-seletivos. exemplos: glyphosate. etc. etc. eles devem ser aplicados em pré ou em pós-emergência das culturas ou das plantas daninhas.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . Estes podem ou não auxiliar na dessecação das plantas. visando facilitar o plantio e promover cobertura morta do solo. em culturas perenes como fruteiras. Se o herbicida é absorvido pelas folhas e raízes. Também. especialmente ao glyphosate. das condições nas quais ele apresenta melhor desempenho. apresentam curto efeito efeito residual e quase sempre são utilizados como dessecantes. metsulfuron-methyl em trigo. se o herbicida é seletivo para a cultura. Contudo. Pós-plantio Dependendo da atividade dos herbicidas sobre as plantas. imazaquin. etc. trigo. exemplos: flumioxazin. ainda.

HESS. quando usados em doses muito elevadas. podem apresentar ação de contato. nicosulfuron. 4 .2 . THILL. Inibidores da GS. Módulo 3. inibidores da EPSPs. Quando o movimento (translocação) do herbicida é via floema ou floema e xilema.Quanto aos mecanismos de ação É interessante que se faça distinção entre os termos usados rotineiramente quando se refere a herbicida: “modo e mecanismo de ação de herbicida”. atingir a célula e posteriormente a organela. inibidores da PROTOX. etc. ele é considerado sistêmico. recomendado para as culturas de milho e sorgo. “Modo de ação” refere-se à seqüência completa de todas as reações que ocorrem desde o contato do produto com a planta até a sua morte ou ação final do produto. 1995. Quanto ao mecanismo de ação. como é o caso de 2. CRAFTS. porém com efeito final menor. flazasulfuron. Estes produtos. LIEBL. entretanto a primeira lesão que ele causa na planta pode caracterizar o seu mecanismo de ação (ASHTON. 1973. etc. exemplos: paraquat. Ele terá necessariamente que penetrar no tecido da planta. O simples fato de um herbicida entrar em contato com a planta não é suficiente para que ele exerça sua ação tóxica. imazethapyr. lactofen. aumentando a sua penetração pelas folhas. inibidores do fotossistema I. inibidores da ALS. Os herbicidas também podem se movimentar (translocar) nas plantas pelo xilema. É importante lembrar que um mesmo herbicida pode influenciar vários processos metabólicos na planta. (WARREN.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas exemplo seria o herbicida atrazine. Neste caso. inibidores do arranjo dos microtúbulos. deve-se adicionar à calda óleo mineral visando solubilizar parte da cera epicuticular.Quanto à translocação Os herbicidas podem ser de contato quando atuam próximo ou no local onde eles penetram nas plantas. já a primeira lesão bioquímica ou biofísica que resulta na morte ou ação final do produto é considerada “mecanismo de ação”.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 53 . diquat. inibidores do fotossistema II. quando utilizado em pós-emergência. etc. porque a morte rápida do tecido condutor (floema) limita a chegada de dose letal do herbicida a algumas estruturas reprodutivas das plantas.4-D. glyphosate. a ação do produto pode ser mais rápida. 2003a). inibidores da ACCase. 1995). onde atuará para que seus efeitos possam ser observados. os herbicidas podem ser classificados em: mimetizadores de auxinas (auxínicos). A este produto. inibidores da síntese de carotenóides. pelo floema ou por ambos. Estes herbicidas sistêmicos são capazes de se translocarem a grandes distâncias na planta. 3 . picloram.

Após aplicações de herbicidas auxínicos. Essa perda da rigidez das paredes celulares é provocada pelo incremento na síntese da enzima celulase. impedindo o movimento dos fotoassimilados das folhas para o sistema radicular. mais especificamente. engrossamento das gemas terminais e morte da planta (Fig. rapidamente. Por esse motivo.Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina Esta classe de herbicidas é uma das mais importantes em todo o mundo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . o 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. também. epinastia das folhas e retorcimento do caule. 2003a). especialmente da carboximetilcelulase (CMC). sendo extensivamente utilizada em culturas de arroz. conseqüentemente. 1). pelo efeito destes produtos sobre o afrouxamento das paredes celulares. Esse alongamento celular parece estar relacionado com a diminuição do potencial osmótico das células. quando aplicados em plantas sensíveis. notadamente nas raízes. trigo e cana-de-açúcar e em pastagens. na síntese de ácidos nucléicos e proteínas (ASHTON. que leva estas espécies a sofrer. provocado pelo acúmulo de proteí¬nas e. porque eles marcaram o início do desenvolvimento da indústria química (THILL. as espécies sensíveis têm seu sistema radicular rapidamente destruído. podendo levá-las à morte. Historicamente. causando epinastia de folhas e caule.Sintomas leves de intoxicação de plantas de algodão (A) e ação final do produto sobre plantas de Raphanus raphanistrum (B) 54 Módulo 3. 1973). induzem mudanças metabólicas e bioquímicas. além de interrupção do floema.4-D e o MCPA são os mais importantes. em plantas sensíveis. Figura 1 . Estudos sugerem que o metabolismo de ácidos nucléicos e os aspectos metabólicos da plasticidade da parede celular são seriamente afetados. milho. Em conseqüência dos efeitos desses herbicidas. verificam-se rapidamente aumentos significativos da enzima celulase.2 . Os herbicidas auxínicos. em poucos dias ou semanas.1 . verifica-se crescimento desorga¬nizado. Acredita-se que estes produtos interfiram na ação da enzima RNA-polimerase e. CRAFTS. Estes herbicidas induzem intensa proliferação celular em tecidos.

algodão. exemplos: para arroz e trigo deve-se usar o 2. que são espécies altamente sensíveis. podendo. Por exemplo. Na cultura do milho (4-6 folhas). fumo. em doses extremamente baixas. se aplicado fora do estádio de desenvolvimento recomendado. Módulo 3. se praticável.1. resíduos deixados em pulverizadores mal lavados e contaminação de água de irrigação por estes herbicidas. 2. Arranjamento do tecido vascular em feixes dispersos. c) Usar baixa pressão para aplicação. principalmente em aplicações aéreas. Estádio de desenvolvimento das plantas. d) Evitar a aplicação quando o vento estiver em direção às culturas. comprometendo de maneira severa o rendimento de culturas e a qualidade do ambiente. Nas culturas de arroz e trigo. podem causar sérios problemas técnicos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. 4. cada um dos diferentes princípios ativos. além de facilitar a sua conjugação com aminoácidos e outros constituintes da planta.4-D apenas em aplicação dirigida. b) Usar maior tamanho de gotas. Aril hidroxilação do 2. recebendo nomes comerciais diversos.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 55 . Alguns desses produtos podem permanecer ativos no solo por longo período. Deriva.5 dicloro-4 hidroxifenoxiacético e 2. As seguintes medidas são recomendadas para reduzir problemas com a utilização destes herbicidas: a) Evitar o uso de formulações que apresentam elevada pressão de vapor (muito voláteis). ser comercializado isoladamente ou em misturas. sais ou ésteres.Seletividade A seletividade dos herbicidas auxínicos pode ser dependente de diversos fatores: 1.Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos Todos os herbicidas auxíncos são derivados de ácidos fracos e podem ser formulados nos seus respectivos ácidos. Algumas espécies de plantas podem excretar estes herbicidas para o solo através de seu sistema radicular (exsudação radicular). derivados do ácido picolínico podem causar fitotoxicidade.3-D-4-OH. se aplicado em pós emergência total ocorrem sérios problemas de fitotoxicidade.4-D para 2. tomate. 4.2 .4-D.. deve-se usar 0 2. e na cultura do milho.1 . Essa característica especial das monocotiledôneas pode prevenir a destruição do floema pelo crescimento desorganizado das células. etc. É comum a aril hidroxilação resultar na perda da capacidade auxínica destes herbicidas. causada pela ação de herbicidas auxínicos. em uva. sendo estes protegidos pelo esclerênquima em gramíneas (monocoti¬ledôneas).2 . em condições de campo.1.4-D após o perfilhamento e antes do emborrachamento. exigindo cuidados especiais para se realizar rotação de culturas. 3. sendo esta a principal rota para o metabolismo do 2.

gramados e culturas gramíneas (arroz. porque são altamente solúveis. a resistência a estes herbicidas hormonais é reduzida.4-D se transloca por toda a planta pois se movimenta tanto pelo xilema quanto pelo xilema.4 diclorofenoxiacético (2.). Dicamba 56 Módulo 3. É muito utilizado em misturas com inibidores da fotossíntese na cultura da cana-de-açúcar. é usado para controlar plantas daninhas perenes. Transloca-se com grande eficiência em plantas com elevada atividade metabólica. plantas ganham maior tolerância com a idade. ou. etc. portanto.8 e Koc médio de 20 mg g-1 de solo para formulações ácido ou sais e de 100 mL g-1 de solo para ésteres (RODRIGUES. e aquelas à base de sal são rapidamente absorvidas pelo sistema radicular das plantas. além de detergente. e com glyphosate. pka de 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e) Tomar cuidado especial com a lavagem do pulverizador após as aplicações. 4.1. As formulações ésteres e ácidas são prontamente absorvidas pelas folhas. toxicidade. O 2. a decomposição é consideravelmente reduzida.4-D Sal ou éster amina do ácido 2. Usar. em fruteiras e lavouras de café.4-D. É recomendado para pastagens.4-D) foi o primeiro herbicida seletivo descoberto para o controle de plantas daninhas latifoliadas anuais. xilema. ALMEIDA. 2005). para uso no plantio direto e em aplicações dirigidas.Em ambos os casos o 2. é encontrado em dife¬rentes formulações e marcas comerciais. no mercado brasileiro.Caracterização de alguns herbicidas auxínicos 2.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . milho. sendo esta a condição para ótima atividade do produto. Apresenta solubilidade de 600 mg L-1.2 . As formulações aminas são mais adsorvíveis no solo do que as de éster e.4-D não excede a quatro semanas em solos argilosos e clima quente. Cada formulação pode apresentar características físico-químicas diferentes. conferindo ao produto características dife¬renciais quanto à seletividade. Em geral. mais lixiviáveis. Movimenta-se pelo floema e. etc. enquanto as de éster são praticamente insolúveis e. a atividade residual do 2. cana-de-açúcar. persistência no ambiente. amoníaco ou carvão ativado. Apresenta persistência curta a média nos solos. em pastagens.3 . Em mistura com o picloram. trigo. Em solos secos e frios. entretanto. acumulando-se nas regiões meristemáticas dos pontos de crescimento. volatilidade. Em doses normais. com menor movimentação. durante o florescimento.

5. Também.4 a pH 7. É muito pouco adsorvido pelos colóides de argila e mais pela matéria orgânica do solo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 57 . A mistura (picloram + 2. pimentão.3. Kow: 1. e Koc médio de 16 mg g-1 de solo. ALMEIDA. sendo recomendado de modo semelhante ao 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O sal de dimetilamina do ácido 3. comuns em lavouras de trigo. pode ser feito o pincelamento ou a pulveri¬zação dos tocos. para controlar arbustos e árvores. e koc de 2 mg g-1 de solo. Apresenta longa persistência (meia-vida de 20 a 300 dias) e fácil mobilidade no solo. ou.4-D para o controle de plantas em culturas de canade-açúcar. o que dificulta a absorção e translocação do herbicida até as raízes (SILVA et al.2 . para evitar a rebrota de espécies-problema como o leiteiro (Peschiera funchsiaefolia) e outras. formando o Tordon. Apresenta solubilidade de 720. na planta. como o cipó-de-veado (Polygonum convolvulus L.).000 mg L-1. Quando aplicação é feita no toco é fundamental que esta seja realizada imadiatamente após o corte da árvore. Deve ser observado o período residual para o cultivo de espécies altamente sensíveis (videira. considerando o controle de plantas daninhas herbáceas e arbustivas. Apresenta maior efeito sobre dicotile¬dôneas. em solos de textura arenosa. ou. da evaporação. O picloram. Módulo 3. pode permanecer ativo na matéria orgânica proveniente de pastagens tratadas com este produto (RODRIGUES.4-D. Sendo um herbicida de alta solubilidade em água. Apresenta pka: 2. algodão.4-D) é muito utilizada em pastagens para o controle de plantas daninhas anuais. Esta mistura pode ser usada em área total ou em áreas localizadas. até mesmo quando cultivadas em solos adubados com esterco proveniente de pastagens tratadas com picloram e pastoreadas logo depois.).29. Dontor ou Manejo. em razão de sua longa persistência no solo (dois a três anos). na região Sul do Brasil. Kow: 0. 2001). fumo. tomate. porém extremamente persistente (a planta não consegue metabolizar rapidamente o picloram).6 tricloro-2-piridinacarboxílico (picloram) é um produto extremamente ativo sobre dicotiledôneas. milho e trigo e em pastagens. e também com fluroxypyr formando o Plenum. está sujeito a lixiviação..4-D. 6-dicloro-2-metoxibenzoico (dicamba) é facilmente translocado pelas plantas via floema e. perenes e de árvores. sendo muito utiliza¬do em misturas com o 2.87. É muito utilizado para controlar algumas espécies de dicotiledôneas tolerantes ao 2. podendo se acumular no lençol freático raso. Para o controle de árvores. xilema. É fracamente adsorvido pela matéria orgânica ou argila.0 e 83. que podem apresentar severos sintomas de intoxicação. do movimento capilar da água e.2 a pH 1. apre¬senta efeito lento. pka: 1. Picloram O ácido 4-amino 3. 2005). dependendo da intensidade. etc. antes que se inicie o processo de cicatrização.

O vento deverá estar soprando da cultura sensível para a área de aplicação. Quando um segundo elétron é transferido para a plastoquinona “Qb”. cana-de-açúcar. por sua vez.000 m de culturas sensíveis. açudes.1 . a energia luminosa capturada pelos pigmentos (clorofila e carotenóides) é transferida para um “centro de reação” especial (P680). umidade relativa >50% e temperatura < 30°C. com ventos de 0 a 6 km h-1. durante a fase luminosa da fotossíntese. entre outras (RODRIGUES.36 a pH 7. Nas condições normais.2 .2.6-tricloro-2-piridinil) oxi] acético (triclopyr) apresenta ação semelhante ao picloram. Este elétron é transferido para uma molécula de plastoquinona presa a uma mem¬brana do cloroplasto (Qa). Apresenta solubilidade em água de 23 mg L-1. ALMEIDA.Mecanismo de ação Os pigmentos. pressão de vapor de 1. gerando um elétron “excitado”. Nunca fazer aplicações aéreas a menos de 2. Kow: 2. sem a interferência de inibidores do fotossistemoa II. 4. em aplicação foliar. ALMEIDA. É também muito eficiente e seletivo para controlar dicotiledôneas infestantes de áreas cultivadas com gramas: jardins. sob condições de alta pluviosidade. em área total para controle de plantas daninhas em pastagens e arroz. 2004). pka: 2. 2005). com as plantas em pleno vigor vegetativo.68.5. algodão. Interromper imediatamente as aplicações se houver mudança na direção do vento. 2005). chamada “Qb”. etc. a quinona 58 Módulo 3. as proteínas e outras substâncias químicas envolvi¬das na reação da fotossíntese estão localizados nos cloroplastos. campo de futebol. soja.Herbicidas inibidores da fotossistama II São de grande importância na agricultura brasileira e mundial.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . fruteiras.. dependendo do tipo de solo e das condições climáticas. e Koc médio de 20 mL g-1 de solo. É recomendado para uso em pós-emergência. 4. Deve ser aplicado de outubro a março (no período chuvoso).2 .26 x 10-6 mm Hg a 25 oC. para uma outra molécula de plastoquinona. Em solos leves.64 a pH 5 e 0. (FREITAS et al. milho. sendo largamente utilizados nas cultu¬ras de grande interesse econômico. hortaliças. sua meia-vida é de 20 a 45 dias. A molécula da plastoquinona “Qa” transfere o elétron. Seu grau de adsorção depende do pH do solo. como arroz. feijão. porém é rapidamente degradado no solo. pode haver lixiviação (RODRIGUES..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Triclopyr O ácido [(3. também presa na proteína. A aplicação poderá ser por equipamentos terestres ou por avião quando as áreas estiverem infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno e médio porte.

onde a plastoquinona “Qb” se prende e onde os herbicidas vão se prender também. quinolonas. por exemplo. Isso impede que uma mudança na sequência de aminoácidos da proteína (mutação) tornando esse biotipo resistente aquele herbicida. (HESS. Alguns exemplos: piridonas. benzoquinonas. sendo conhecida também como proteína 32 kilodaltons. ocasio¬nando a saída da plastoquinona e interrompendo o fluxo de elétrons entre os fotossistemas. pironas. prendendo-se. como fazem os “clássicos”. aumentam a estabilidade desta na presença da luz. De maneira simplificada. dos fenóis. com baixa afinidade para se prender na proteína.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 59 . 1995a. por alguma razão não conhecida. Essa proteína é chamada D-1. os herbicidas apresentam maior tempo de residência no sítio do que a plastoquinona “Qb”. bromoxynil e ioxynil). das uréias substituídas. naftoquinonas. no sítio onde se prende a plastoquinona “Qb”. também. o que aumenta o efeito inibitório destes. Diversos análogos do fenol foram descritos como inibidores fotossistema II. Fonte: Warren e Hess (1995) Os derivados das triazinas e das uréias substituídas são conhecidos por se prenderem justamente ao sítio dos elétrons da proteína D-1. Sabe-se. 2003). Esse fato demonstra que algo mais que a simples inibição do fotossistema II está ocorrendo. não evitam a destruição da proteína D-1 pela luz. A associação com a proteína se dá com aminoácidos diferentes no sítio para cada biótipo. ou bolso. fica entre a quarta e quinta hélices que atravessam as membranas dos cloroplastos e a hélice paralela que liga as duas. que ela tem uma configuração de cinco hélices que atravessam a membrana do cloroplasto (tilacóide) e duas hélices paralelas que se interligam. a função da plastohidroquinona é transferir elétrons entre os fotossis¬temas II (P68O) e I (P7OO). De modo geral. WELLER. formando uma plastoidroquinona (QbH2). esta proteína é destruída rapidamente pela ação da luz. Atualmente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas reduzida torna-se protonada (dois íons de hidrogênio são adicionados).Esquema do transporte de elétrons na fotossíntese. etc. Estes herbicidas. quando se prendem à proteína. impedindo sua destruição.) causam essa inibição prendendo-se na proteína. Estes herbicidas competem com a plastoquinona “Qb” parcialmente reduzida (QbH) pelo sítio na proteína D-1. Muitos herbicidas inibidores do fotossistema II (derivados das triazinas. como pode ser visto na Fig.2 . Plantas suscetíveis tratadas morrem mais rapidamente quando pulverizadas na presença da luz do que quando pulverizadas e colocadas no escuro. Além da competição em si pelo sítio na proteí¬na. seja válida para outros produtos desse mesmo grupo químico. sabe-se que a clorose foliar que Módulo 3. A proteína D-1 é hoje muito conhecida. Herbicidas derivados do fenol (dinoseb. O sítio. ao sítio da plastoquinona “Qb”.2. Figura 2 . dioxobenzotiazoles e cianoacrilatos.

Essa molécula de clorofila. 1995). não podendo transferir o elétron ao centro de reação P680 (fotossistema II). 3). para que a clorofila não se destrua. é sobrepujado pelo excesso de clorofila no estado de alta energia. todos eles podem ser absorvidos pelas raízes.2 . tratadas com esses herbicidas. por esse motivo. a velocidade de absorção foliar é diferente para cada produto deste grupo. aparecendo os sinais de necrose foliar (WELLER. Essa molécula de oxigênio carregada contribui para o processo de formação dos radicais lipídicos nos ácidos graxos insaturados da membrana. Esse excesso de energia (clorofila triple) causa o início da peroxidação de lipídios por dois mecanismos: a: formação direta de radical lipídico nos ácidos graxos insatura¬dos da membrana do cloroplasto. entretanto.Estrutura esquemática da membrana de um cloroplasto Fonte: Warren e Hess (1995) Quando a clorofila aceita um elétron. Figura 3 .2 . que é normalmente transferido para o centro de reação (P680). Esta clorofila não retorna ao estado anterior quando o fluxo de elétrons é interrompido pela ação do herbicida que se prendeu ao sítio da plastoquinona “Qb”. 4. o sistema de prote¬ção. ela sai do estado neutro (sem carga) e vai para um estado de energia simples. Essas reações dão início ao processo de peroxidação das membranas. Estes herbicidas não provocam nenhum sinal visível de intoxicação no sistema radicular das plantas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .Características gerais dos inibidores do fotossistema II • • • • A taxa de fixação de CO2 pelas plantas sensíveis. no estado de energia simples. dado pelos carotenóides. 60 Módulo 3. e b: a clorofila de carga tríplice também reage com oxigênio e produz um oxigênio reativo (oxigênio singlet). tornase ainda mais carregada e mais reativa (estado de energia tríplice). plantas perenes somente são eliminadas por esses herbicidas quando tratadas via solo. Todos eles translocam-se nas plantas apenas via xilema. Aparentemente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorre após o tratamento é devida a rompimentos na membrana dos pigmentos causados pela peroxidação de lipídios (ácidos graxos insaturados) da membrana (Fig. declina poucas horas após o tratamento. Na presença do herbicida. Em casos nor¬mais. a carga é repassada aos carotenóides.2.

Por este motivo. 4.3 .2 . Tem sido observado. Como exemplo. ao tipo de formulação utilizado. Na realidade. tem-se a seletividade do diuron para a cultura do algodão. pode se verificar perda de seletividade do herbicida. com relativa freqüência. Elas apresentam menor barreira cuticular à penetração dos herbicidas e. quando aplicadas diretamente no solo. Alguns herbicidas deste grupo apresentam seletividade “toponômica” ou seletividade por posição.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 61 . Em geral. porque este produto é muito pouco móvel no perfil do solo. Todavia. 1995). morfologia das folhas e raízes e. É comum ocorrer efeito sinérgico quando se aplicam inibidores do fotostema II em mistura com outros herbicidas. A persistência agronômica destes herbicidas no solo é extremamente variável. podendo ser curta para alguns produtos (< 30 dias) ou muito longa (> 720 dias) para outros. estes herbicidas são muito adsorvidos pelos colóides orgânicos e minerais do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Quando esses herbicidas são usados em pós-emergência. Plantas que estão se desenvolvendo em condições de baixa lumino¬sidade são mais suscetíveis a esses herbicidas.este fato pode ser devido à anatomia e. pois possuem pressão de vapor muito baixa. o aparecimento de novas espé¬cies de plantas daninhas resistentes a estes herbicidas (atuam em sítio de ação específico). não atingindo o local de sua absor¬ção pela planta (sistema radicular). são variáveis para cada tipo de solo. Normalmente. estes herbicidas não apresentam problemas de deriva por volatilização. podendo levá-la à morte. necessita-se de boa cobertura foliar da planta e. Neste caso. menor reserva de carboidratos. também. Módulo 3.2. torna-se necessário fazer rotação com outros herbicidas que apresentam mecanismo de ação diferente. ou. se o diuron for incorporado mecanicamente ao solo. as doses recomendadas. ou se for aplicado em solo de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica. Apresentam pouca ou média mobilida¬de no perfil do solo. podendo garantir a seletividade de determi¬nadas espécies.Mecanismos de seletividade As causas pelas quais os herbicidas inibidores do fotossistema II são seletivos são diversas e variam de cultura para cultura (WELLER. Por estas razões. ainda. o herbicida não será absorvido em quantidade suficiente para intoxicar a cultura. Absorção diferencial por folhas e raízes . inseticidas ou fungi¬cidas inibidores da colinesterase. o diuron não causa intoxicação à cultura do algodão quando utilizado em pré-emergência. Todos os herbicidas inibidores do fotossistema II apresentam toxicidade muito baixa para mamíferos. ele poderá entrar em contato com o sistema radicular do algodão e causar severa intoxicação à cultura. ainda. Neste caso. de adição de adjuvante (estes produtos podem apresentar difícil penetração foliar e não são sistêmicos).

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Translocação diferencial das raízes para as folhas - isto ocorre devido à presença de glândulas localizadas nas raízes e ao longo do xilema, que adsorvem estes produtos, impedindo que sejam translo¬cados até seus sítios de ação, localizados nos cloroplastos. Metabolismo diferencial - algumas espécies de plantas, em suas raízes ou em outras partes, possuem enzimas que são capazes de metabolizar as moléculas de determinados herbicidas, transformando-os rapida¬mente em produtos não-tóxicos para as plantas. Como exemplo, pode-se citar o milho e o sorgo, que apresentam em suas raízes teores elrvados de benzoxazinonas. Estes compostos podem promover rápida degradação da molécula de atrazine por meio de reações de hidroxilação, dealquilação, ou ainda a conjugação dessa molécula com polipetídeos naturais, tornando estas culturas tolerantes a este herbicida. Outro exemplo seria a seletividade da cultura de arroz ao herbicida propanil. Esta cultura apresenta concentrações de dez a trinta vezes da enzima arilacilamidase em realação às principais gramíneas infestantes do arroz. Elevadas concetrações da arilacilamidase, nas folhas de arroz, garantem a degradação do propanil antes que estes atinjam os cloroplastos (sítio de ação primário deste herbicida), o que não ocorre com as gramíneas infestantes dessa cultura. 4.2.4 - Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II Atrazine

O 6-cloro-N-etil-N’-(1-metiletil)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (atrazine) apresenta solubilidade em água de 33 mg L-1, pka: 1,7, kow: 481; e koc médio de 100 mg g-1 de solo (Rodrigues; Almeida, 2005). É moderadamente adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica, tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É lixiviável, sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 30 cm e também em águas subterrâneas. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química e física. Apresenta meia-vida no solo média de 60 dias e persistência média a longa nos solos nas doses recomendadas de 5 a 7 meses. Em solos tropicais e subtropicais sua persistência pode também ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas em condições de pH do solo elevado, clima frio e seco. Em diversas regiões do Brasil, em campo, tem sido observada intoxicação da aveia semeada até 150dias após aplicação de atrazine na cultura do milho. É muito utilizado na cultura do milho, sendo, também, recomendado para cana-de-açúcar, café, fruteiras, cacau, pimenta-do-reino, etc. Fumo e trigo são muito sensíveis ao atrazine. Quando aplicado em pós-emergência, tem-se observado ótima eficiência de controle das plantas daninhas mesmo com a redução da dose aplicada. Todavia, para isso, é necessário adicionar à calda óleo mineral, sendo mais eficiente para controlar plantas daninhas recém-emergidas (plantas com 1-2 pares de folhas). É muito utilizado em misturas com outros herbicidas em culturas de milho, cana-de-açúcar, fruteiras e outras. As plantas de milho e sorgo possuem a capacidade de metabolizar o atrazine absorvido,
62 Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

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transformando-o por meio de reações de hidroxilação, dealquilação e conjugação, por ação de benzoxazinonas presentes nestas espécies, em compostos não-tóxicos. O atrazine é muito eficiente no controle de dicotiledôneas, porém apresenta eficiência apenas regular para controle de diversas monocotiledôneas. Na cultura do milho, é muito utilizado em pré-emergência, quando em mistura com o metolachlor, formando o “Primestra”, e também em pós-emergência precoce, quando em mistura com óleo mineral (Primóleo) para controle de dicotiledôneas e em mistura no tanque com o nicosulfuron ou outras sulfoniluréias (foramsulfuron + idosulfuron-methyl), em áreas com infestação mista (JAKELAITIS et al., 2005). Simazine

O 6-cloro-N,N`-dietil-1,3,5-triazina-2,4-diamina (simazine) apresenta solubilidade em água de 3,5 mg L-1, pka: 1,62, kow: 122; e koc médio de 130 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica e tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É pouco lixiviável, não sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 10 cm. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química, ocorrendo hidrólise, com formação de hidroxisimazine e dealquilação do grupo amino. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 5 a 7 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas. Pode ser usado em pré-emergência das plantas daninhas nas culturas de café, cana-deaçúcar, alfafa, fruteiras, etc., para controle de dicotiledôneas e algumas gramíneas. Em doses maiores que 10kg ha-1 do p.c., pode ser usado usado para limpeza de cercas e áreas industriais. É absorvido basicamente pelo sistema radicular das plantas, sendo pouco móvel no solo. É utilizado em misturas com o atrazine, visando minimizar efeitos do clima, principalmente oscilações pluviais, e também para aumentar o espectro de controle de espécies de plantas daninhas. Ametryn

O N-etil-N`-1(metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (ametryn) apresenta solubilidade em água de 200 mg L-1; pka: 4,1; kow: 427; e koc médio de 300 mg-1 de solo. É medianamente lixiviável nos solos arenosos (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua degradação no solo é, em maior parte microbiana, mas também química, por processos de oxidação e hidrólise.
Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 63

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Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 4 a 6 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que nove meses se usado em doses elevadas, dependendo do clima e tipo de solo (meia-vida média no solo é de 60 dias). É reco¬mendado para as culturas de cana-de-açúcar, banana, café, abacaxi, citros, milho e videira, para controle de mono e dicotiledôneas. Pode ser absorvido facilmente pelas raízes e folhas de plantas. É pouco móvel no solo, por ser muito adsorvido por colóides orgânicos e minerais. Sua adsorção pelos colóides é muito influenciada pelo pH. Também pode apresentar adsorção negativa (dessorção), ocorrendo liberação para as plantas de moléculas anteriormente inativadas pelos colóides do solo. É muito utilizado em misturas com os herbicidas diuron, tebuthiuron, atrazine, trifolysulfuron-sodium, 2,4D, etc; principalmente quando recomen¬dado para de cultura da cana-de-açúcar (PROCÓPIO et al., 2003). É pouco lixiviado no solo, permanecendo na maioria das condições na camada superior (primeiros 30 cm). Prometryne

O N,N`-bis(1-metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (prometryne) apresenta solubilidade em água de 48 mg L-1; pka: 4,09; kow: 1.212; e koc médio de 400 mg g-1de solo. É pouco lixiviado em solos de textura média a argilosa, sendo facilmente degradado por microrganismos que o utilizam como fonte de energia. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 1 a 3 meses em condições tropicais e subtropicais, dependendo das condições de solo, do clima e da dose utilizada. Sua absorção é feita pelas folhas e raízes, sendo mais utilizado em pré-emergência. É recomendado para as culturas de quia¬bo, aipo, cenoura, alho, salsa, cebola, ervilha, etc. A cultura da cebola apresenta maior tolerância ao prometryne quando este é aplicado antes do transplante. Não apresenta seletividade para a cultura da cebola em semeadura direta. Metribuzin

O 4-amino-6-(1,1-dimetiletil)-metiltio-1,2,4-triazina-5-(4H)-ona (metribuzin) apresenta solubilidade em água de 1.100 mg L-1; kow: 44,7; e koc médio de 60 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É moderadamente adsorvido em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila. É um herbicida muito dependente das condições edafoclimáticas para seu bom funcionamento. Quando aplicado na superfície de solo seco e persistir nesta condição por sete dias,
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é desativado por fotodegra¬dação (SILVA, 1989). O metribuzin é também facilmente lixiviado no solo, não sendo recomendado seu uso em solo arenoso e, ou, com baixo teor de matéria orgânica. É absorvido tanto pelas folhas quanto pelas raízes. Controla diversas espécies de dicotiledôneas e algumas gramíneas. É recomendado para aplicação em pré-emergência nas culturas de batata, tomate, soja, café, cana-de-açúcar e mandioca para o controle de diversas infestantes dicotiledôneas. Não apresenta nenhum controle sobre Euphorbia heterophylla. Na cultura do tomate conduzida em semeadura direta, deve ser usado exclusivamente em pré-emergência, logo após a semeadura. No tomate transplantado, poderá ser usado também em pós-emergência, até dezdias após o transplante das mudas. É utilizado em misturas com outros herbicidas, especial¬mente com trifluralin e metolachlor, na cultura da soja. Linuron

O N-(3,4-diclorofenil)-N-metoxi-N-metiluréia (linuron) é um herbicida derivado do grupo das uréias, que apresenta solubilidade em água de 75 mg L-1, pka: zero; kow: 1.010; e koc médio de 400 mg g-1 de solo. É adsorvido principalmente em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila, sendo pouco lixiviável nestes tipos de solo, apresentando persistência de 2 a 5 meses. É recomendado para uso em soja, algodão, milho, batata, cenoura, rabanete, alho, cebola, etc., principalmente para aplicações em pré-emergência. Nas culturas de cenoura e de cebola, pode também ser usado em pós-emergência, quando as plantas daninhas estiverem com 1-2 pares de folhas. É mais facilmente absorvido pelas raízes, tendo a sua atividade muito influenciada pelas caracterís¬ticas físico-químicas do solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Diuron

O N`-(3,4-diclorofenil)-N,N-dimetiluréia (diuron) apresenta solubilidade em água de 42 mg L-1; pka: zero; kow: 589; e koc médio de 480 mg g-1 de solo e uma meia-vida média no solo de 90 dias com persistência de 4-8 meses (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É muito adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, sendo sua atividade altamente influenciada pelas características físico-químicas do solo; por esta razão, é pouco móvel no perfil do solo. Esta característica garante a “seletividade toponômica” do diuron para o algodão e outras culturas em solos de textura média a pesada. Todavia, em solos de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica, o diuron pode atingir o sistema radicular das culturas, tornando-as sensíveis. É recomendado para as culturas de algodão, cana-de-açúcar, citros, abacaxi, mandioca, seringueira, pimenta-do-reino, cacau, etc., para
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o controle de gramíneas e dicotiledôneas, sendo facilmente absorvido pelas raízes das plantas. O diuron, também, é muito recomendado em misturas com diversos herbicidas (paraquat, ametryn, 2,4-D, tebuthiuron, atrazine, MSMA, etc.), para uso em plantio direto, em aplicações dirigidas em diferentes culturas, em sistemas de plantio direto e convencional. Tebuthiuron

O N-[5-(1,1-dimetiletil)-1,3,4-tiadiazol-2-il]-N,N’-dimetiluréia (tebuthiuron) possui solubilidade em água de 2.570 mg L-1; pka: zero; kow: 671 e koc médio de 80 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, apresentando média lixiviação no perfil do solo. Quando usado em doses elevadas em cana-de-açúcar, recomenda-se não cultivar culturas sensíveis ao tebuthiuron, como feijão, amendoim e soja por um período inferior a dois anos e a três anos quando aplicado em pastagem. A persistência do tebuthiuron em regiões de elevada precipitação pluvial é de 12 a 15 meses; todavia, esta persistência é muito maior em regiões sujeitas a déficits hídricos prolongados. No Brasil, é recomendado para uso em cana-de-açúcar, pastagens e áreas nãocultivadas. Controla largo espectro de dicotiledôneas e monocotiledôneas anuais e perenes. É formulado como pó-molhável e suspensão concentrada. É recomendado para uso em préemergência na cultura da cana-de-açúcar, em aplicação isolada ou em misturas com outros produtos para o controle de plantas daninhas de folhas estreitas e largas que se propagam por sementes (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Também pode ser usado para eliminar árvores ou arbustos em pastagens. Neste caso, apresenta efeito lento, podendo demorar de 3 a 12 meses para eliminar a planta. Bentazon

O 3-(1-metiletil)-(1H)-2,1,3-benzotiodiazinona-4(3H)-ona 2-dióxido (bentazon) apre-senta solubilidade em água de 500 mg L-1; kow: 0,35; e koc médio de 34 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo, mostrando potencial de lixiviação muito reduzido, não sendo encontrado em profundidades superiores a 20 cm. Apresenta curta persistência no solo (inferior a 20 dias), não se observando efeito residual em culturas sucessoras (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para as culturas de amendoim, arroz, feijão, milho, soja e trigo. É utilizado exclusivamente em pós-emergência, devido à reduzida absorção radicular. Recomenda-se adição de um adjuvante oleoso à calda, para lhe facilitar a absorção por algumas
66 Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

no inverno. A aplicação simultânea induz efeito antagônico. estando estas com bom vigor vegetativo. Deve ser aplicado sobre plantas daninhas no estádio de 2 a 4 folhas. com estas. sendo decomposto basicamente por microrganismos. para assegurar sua absorção pelas plantas. visando aumentar o espectro de controle das plantas daninhas. exceto para a cultura do feijão onde a adição do adjuvante não é recomendada pois pode causar fitotoxicidade. com herbicidas recomendados para controlar plantas daninhas de folhas largas. dicotiledôneas e ciperáceas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 67 . no tanque. Rhaphanus raphanistrum. além de outras. 2005). pka: zero. Controla diversas espécies de folhas largas anuais. de apenas três dias. A eficácia é maior a temperaturas altas e reduz quando abaixo de 16 oC. Não atua sobre gramíneas. entre elas Acanthospermum australe. fitossanitárias ou cobertas de orvalho. nestas condições. horas de calor. Requer um período de seis horas sem chuva. pois inibem a enzima arilacilamidase responsável pelo rápido metabolismo do propanil nas plantas de arroz. preferencialmente. Ipomoea grandifolia. Commelina benghalensis. as misturas com fungicidas. ou com a cultura em precárias condições vegetativas. inseticidas e fertilizantes foliares podem quebrar-lhe a seletividade para a cultura do arroz. Não se adiciona surfatante à calda. 30 dias. Contudo é totalmente ineficiente no controle de Euphorbia heterophylla e Amaranthus sp. umidade relativa do ar inferior a 70% e excesso de chuva. no início do desenvolvimento (2 a 3 folhas). Deve ser usado em aplicações seqüenciais com inseticidas: com os organofosforados observar intervalo mínimo entre as aplicações de 15 dias e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas espécies de plantas daninhas. visto que são comuns as combinações com graminicidas pós-emergentes. Não utilizá-lo em lavouras onde as sementes foram tratadas com carbofuran (RODRIGUES. Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. e koc médio de 149 mg g-1 de solo. razão pela qual. o uso de óleo mineral torna-se mais necessário. primeiro o graminicida e. preferencialmente. É fracamente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. Controla com eficiência diversas espécies de gramíneas. É compatível com a maioria dos herbicidas. Apresenta persistência muita curta no solo. -1 Módulo 3. Propanil O N-(3. em um intervalo de três dias. kow: 193. aplica-se. É comum ser utilizado em mistura. É recomendado em pós-emergência da cultura do arroz e das plantas daninhas. evitando períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60%. após as aplicações. É muito comum o uso do propanil em mistura com outros herbicidas. ALMEIDA.2 . para os carbamatos. evitando períodos de estiagem. o bentazon.4-diclorofenil) propanamida (propanil) apresenta solubilidade em água de 500 mg L . Bidens pilosa. Todavia. quando a infestação do terreno incluir espécies que lhe são tolerantes.

É preciso que haja boa cobertura da planta.Mecanismo de ação A atividade destes herbicidas é expressa por necrose foliar da planta tratada em pósemergência. em decor¬rência do uso repetido destes. se manifesta nas plantas próximo da superfície do solo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . 1995) são: • Herbicidas deste grupo podem penetrar pelas raízes. • As partes tratadas da planta que são expostas à luz morrem rapidamente (dentro de um a dois dias). enquanto para peixes ela varia de baixa a moderada. HESS.2 .3. Os primeiros sintomas são manchas verde-escuras nas folhas. para que ela seja efetivamente controlada. • A atividade herbicida acontece na presença da luz. as necroses foliares têm o formato e a intensidade das gotículas de pulverização. após 4-6 horas de luz solar. em razão da maior sorção destes aos colóides do solo.1. • A ação tóxica dos herbicidas inibidores da Protox. os herbicidas deste grupo não têm ação. pelos caules e pelas folhas de plantas jovens. Principais características As principais características dos herbicidas inibidores da Protox (WARREN. quando aplicados em préemergência. • Os difeniléteres são fortemente adsorvidos pela matéria orgânica do solo e muito pouco lixiviados. 4. É comum ocorrer danos em culturas sucedâneas quando não se observa o período residual recomendado. tipo de solo e condições climáticas. podendo variar de alguns dias a vários meses. durante a emergência das plântulas • A incorporação ao solo diminui a ação destes herbicidas.2 . ou seja.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. • A persistência no solo varia consideravelmente entre os herbicidas deste grupo. no escuro. Como estes herbicidas não se movimentam dentro da planta. dando a impressão de que estão encharcadas pelo rompimento da membrana celular e 68 Módulo 3.Herbicidas inibidores da Protox 4. • Há muito pouca ou praticamente nenhuma translocação nas plantas tratadas.3. que pode variar com a dose aplicada. • A toxicidade para pássaros e mamíferos é baixa. • São poucos os relatos na literatura sobre o aparecimento de plantas daninhas que adquiriram resistência a estes herbicidas.3 .

A oxidação enzimática ocorre então no citoplasma. como é que a protoporfirina IX estaria sendo acumulada? Num trabalho de 1993. houve a formação de grande quantidade de oxigênio singleto (O2). HESS. no momento em que a plântula emerge. responsável pela formação da Mg-protoporfirina IX. Em seguida. a luz é sempre necessária para a ação herbicida. Ficou então uma questão crucial para ser respondida: se a Protox é inibida. Estas experiências demonstraram que o requerimento de luz para a atividade herbicida dos difeniléteres não está relacionado com a fotossíntese. não reduziu o dano ocasionado pela aplicação de um difeniléter. o tecido é danificado por contato com o herbicida. Esse pigmento interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (O2). outras publicações comprovaram que o pigmento envolvido era a protoporfirina IX. o sintoma característico é a necrose do tecido que entrou em contato com o herbicida (WARREN. um precursor da clorofila. ácido levulênico. foi mostrado que a enzima inibida pelos herbicidas do grupo dos difeniléteres era a protoporfirinogênio oxidase.2 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 69 . ácido 4. Figura 4 – Sintomas de intoxicação em plantas de pepino tratadas com fomesafen (A) e efeito residual no solo (carryover) em folhas de milho (B) Após a absorção e pequena translocação destes herbicidas até o local de ação. reconhecidamente capaz de iniciar o processo de peroxidação de lipídios. No período de 1988-89. Foi mostrado que a protoporirina IX é acumulada fora dos plastídios.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas derramamento de líquido citoplasmático nos intervalos celulares (Fig. Primeiramente foi mostrado que. Experiências realizadas por vários autores mostraram que o uso de um herbicida inibidor do transporte de elétrons na fotossíntese (diuron). Quando estes herbicidas são usados em pré-emergência. em tecidos tratados com os difeniléteres. Módulo 3.6-dioxoheptanóico) serviam de proteção contra os difeniléteres. 1995). tratando-se cloroplastos com um herbicida do grupo difenil-éter. surgiram vários trabalhos que ajudaram no entendimento do mecanismo de ação desses herbicidas. e o produto formado não serve de substrato para a enzima Mg-quelatase. A estes sintomas iniciais segue-se a necrose. precursor da protoporfirina IX. sem Mg. Foi descoberto também que substâncias capazes de inibir a síntese da protoporfirina IX (gabaculina. Finalmente. conhecida simples¬mente pela abreviatura Protox. sai do centro de reação do cloroplasto quando a Protox é inibida e se acumula no citoplasma. Similarmente à aplicação pósemergência. foi verificado que o protoporfirinogênio IX. 4A). ou mesmo de um mutante de planta amarelo (não-fotossintetizante). A protoporfirina IX formada no citoplasma.

precursor na planta dos citocromos. HESS. daí o aparecimento de necroses de forma tão rápida (4-6 horas). Com a inibição da protox no cloroplasto.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Amaranthus hybridus. ou. e koc médio de 60 mg g-1 de solo. Oxadiazon. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais. além de outras. A acumula¬ção de protoporfirina em células humanas é conhecida por estar associada com algumas doenças.83. pka: 2. Uma explicação final deve ser dada sobre o fato de que a protopor¬firina IX se acumula muito rapidamente em células de plantas tratadas com um difeniléter ou oxadiazon. deixando de haver o controle sobre a síntese de ALA. provoca níveis elevados de porfirina. Persistência alta no solo na dose recomendada. quando adicionado na dieta de ratos. sorgo. o aparecimento do oxigênio singleto (forma reativa do oxigênnio) e a peroxidação dos ácidos graxos insaturados da plasmalema (WARREN. Euphorbia heterophylla.3 . por exemplo. Ipomoea grandifolia. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas estando estas no estádio de 2 a 4 folhas. a síntese de heme é também inibida. 2005). a formação da protoporfirina IX.Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX Fomesafen O 5-(2-cloro-4-(trifluorometil) fenoxi-N-(metilsulfonil)-2-nitrobenzamida (fomesafen) apresenta solubilidade em água de 50 mg L-1 (ácido). evitando períodos de estiagem. O padrão de acumulação é o mesmo observado na doença Porfiria variegata. As conseqüências do descontrole são o aumento rápido do protoporfirinogênio IX. 4. como a protoporfiria. Requer uma hora sem 70 Módulo 3. É registrado no Brasil para as culturas de soja e feijão. variando de dois a seis meses (ALMEIDA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (‘O2) e iniciar o processo de peroxidação dos lipídios da plasmalema. a saída para o citoplasma. Esse fato sugere um manuseio bem cuidadoso desses herbicidas.2 . kow: 794. 1995). Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. RODRIGUES. entre elas Acanthospermum australe.3. Recomenda-se observar um intervalo mínimo de 150 dias entre a aplicação do fomesafen e a semeadura de milho e. a oxidação pela Protox no citoplasma. A explicação mais plausível é a inibição da síntese do grupo heme. Vale a pena salientar que a enzima protoporfirinogênio oxidase (protox) ocorre também nos mitocôndrios de células animais e que a enzima encontrada nos mitocôndrios é mais sensível aos herbicidas difeniléteres do que a enzima encontrada nos cloroplastos. que é sintetizado a partir da protoporfirina IX com a interferência da Fe quelatase. a partir do glutamato. Deve-se adicionar à calda o adjuvante recomendado pelo fabricante. O grupo heme é conhecido pela ação de controle na síntese do ácido aminolevulínico (ALA). A acumulação rápida da protoporfirina IX sugere um descontrole na rota metabólica de síntese desta. Bidens pilosa.

Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 71 . Lactofen O 2-etoxi-1-metil-2-oxoetil-5-[2-cloro-4-(trifluorometil)fenoxi-2-nitrobenzoato (lactofen) apresenta solubilidade em água de 0. visando aumentar o espectro de controle de plantas daninhas de folhas largas e. O produto provoca intoxicação à cultura da soja. cana-de-açúcar. visando aumentar espectro de controle de plantas daninhas. esta. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais e.1 mg L-1. por isso.000 mg g-1de solo. Commelina benghalensis. milho e amendoim. 2005). pka: zero. Controla gramíneas e algumas espécies de dicotiledôneas. além de outras. não afetando as culturas em sucessão. para o controle em pós-emergência de plantas daninhas dicotiledôneas e gramíneas e também com outros herbicidas. O lactofen tem meia-vida no solo de três dias sendo completamente dissipado em menos de 30 dias. arroz e amendoim. citros. podendo. É utilizado em pré e pós emergência precoce. com clorose e necrose foliar e redução e crescimento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorrência de chuvas após a aplicação. incluindo algumas espécies-problema. ambas anuais. É registrado no Brasil para as culturas de algodão. RODRIGUES. no estádio de 2 a 4 folhas. café. Em Módulo 3. pka: zero e koc médio de 10. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas. também.400. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. nas culturas de nogueira. É comum ser utilizado em mistura no tanque com outros herbicidas.2 . 2005). Apresenta meia-vida de 30 a 40 dias e persistência média de seis meses no solo. eucalipto e pinho. kow: 29. dependendo da exigência da cultura. para assegurar a absorção pelas plantas daninhas. também. Sida rhombifolia.000 mg g-1de solo. ser ainda maior em viveiros. como Euphorbia heterophylla. RODRIGUES. apresentando muito baixa lixiviação no perfil do solo (ALMEIDA. para inibir o aparecimento de biótipos resistentes a herbicidas. É registrado no Brasil para as culturas de soja. mas a cultura se recupera. Oxyfluorfen O 2-cloro-1-(3-etoxi-4-nitrofenoxi)-4-(trifluorometil)benzeno (oxyfluorfen) apresenta solubilidade em água < 0. arroz. devido às condições de umidade e sombreamento (ALMEIDA. é resistente à lixiviação no perfil do solo. e koc médio de 100.1 mg L-1. Sua degradação no solo é essencialmente por fotólise e insignificante por microrganismos. É comum ser utilizado em mistura com o fluazifop-p-butil. sendo utilizado em outros países. videira. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais.

Quando utilizado em pós-emergência. também em pré72 Módulo 3. em jato dirigido. ou. preferencialmente. é utilizado em pré-emergência das plantas daninhas. é utilizado tanto em viveiros quanto em cafezais jovens e adultos. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo. Em viveiros. é recomendado para as culturas de arroz. Nestas culturas deve ser utilizado em pré-emergência. Sua persistência no solo é de dois a seis meses.3. pka: zero. Em cafezais adultos. aplica-se logo após o plantio. sendo pouco absorvido pelo sistema radicular e. protetores de bicos. aplica-se logo após a semeadura ou até cinco dias depois. antes da emergência das plantas daninhas.200 mg g-1 de solo. ocasionando colapso das células. apresenta lixiviação e movimentação lateral insignificantes. na cana-soca. as culturas que se reproduzem por bulbo são bastante tolerantes ao oxadiazon. quando usado em pré emergência. provoca o fechamento dos estômatos e deterioração das membranas celulares. de forma a não atingir a folhagem. deve ser aplicado logo após a semeadura. age sobre o hipocótilo das plantas em germinação e nos meristemas foliares. alho. podendo ser feitas duas aplicações anuais. Aplicar após o cultivo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . em pré-emergência das plantas daninhas. porém antes da emergência do arroz. quando estas atingirem a fase de duas folhas. Oxadiazon O 3-[4. Em cafezais jovens. e. em aplicação dirigida. O alho e a cebola e. em solo úmido. é usado quando a cultura atinge desenvolvimento superior a 50 cm de altura. recomenda-se usar adjuvantes na calda. Em café. se necessário. logo após o plantio. dependendo da dose aplicada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas razão da sensibilidade à fotodecomposição. exige umidade no solo no momento da aplicação para penetrar neste. também. Em arroz irrigado. Em algodão. pouco móvel.2 . e koc médio: 3. No Brasil. no máximo. evitando a ação dos raios solares. cenoura e cana-de-açúcar. do tipo de solo e das condições climáticas (RODRIGUES. de forma a não atingir o algodoeiro. deve ser aplicado em préemergência das plantas daninhas. Não tem ação sobre os tecidos radiculares. Em cenoura. pode ser usado em pré ou pós-emergência das plantas daninhas. na faixa de plantio. em solo úmido. Na cultura do arroz. aplica-se logo após o plantio. após a rega. cebola. kow: 63.4-oxadiazol-2-(3H)-ona (oxadiazon) apresenta solubilidade em água de 0. Quando usado em pós-emergência. com elas mais desenvolvidas. atuando unicamente sobre órgãos da parte aérea. Em cana-de-açúcar. podendo ser pulverizado sobre as plantas. com as plantas daninhas ainda não emergidas. deve ser aplicado logo após a arruação ou esparramação. Usar. em préemergência das plantas daninhas. de maneira geral. em que se faz em jato dirigido.100. ALMEIDA. Não é metabolizado nas plantas. aplicá-lo em mistura com o MSMA. exceto nas variedades de eucalipto de folha pilosa.7 mg L-1 . Em plantações de eucalipto e pinho. por esta razão e devido à sua baixa solubilidade em água. logo após o corte. Em préemer¬gência. 2005). podendo se reaplicar depois que as referidas culturas atinjam a fase de três folhas.2-dicloro-5(1-metiletoxi)fenil]-5-(dimetietil)-1. em pré-emer¬gência das plantas daninhas.

1 . Apresentam de moderada a muito baixa movimentação no solo. Todos os herbicidas deste grupo apresentam de moderada a baixa toxicidade para mamíferos.Principais características • • • • • • Paralisam o crescimento das raízes. Apresentam ótima ação no controle de gramíneas. a formação do fuso cromático e movimentação dos cromossomas na fase da mitose (Figs.Mecanismo de ação Estes herbicidas pertencem ao grupo das dinitroanilinas (trifluralin. e responsáveis pela movimentação dos cromossomas para os pólos da célula.4.4 . 4. tendo como conseqüência o aparecimento de células multinucleadas (aberrações). O fuso cromático é formado por proteínas microtubulares denominadas tubulinas. pendimethalin e oryzalin). 4. Interferem em uma das fases da mitose. As dinitroanilinas inibem a polimerização destas proteínas e.2 . porque a sua ação principal se manifesta pelo impedimen¬to da formação do sistema radicular das plantas. Módulo 3. São eficientes apenas quando usados em pré-emergência. conseqüentemente.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 73 . ametryn. Todos estes compostos (grupo das dinitroanilinas) interferem no movimento normal dos cromos¬somas durante a seqüência mitótica. Estas proteínas são contráteis. Possuem pouca ou nenhuma atividade foliar. semelhantemente à actimiosina encontrada nos músculos dos animais. Estes herbicidas inibem o crescimento da radícula e a formação das raízes secundárias. Eles provocam a ruptura da seqüência mitótica (prófase > metáfase > anáfase > telófase) já iniciada (HESS. O efeito direto é sobre a divisão celular. 1995b). É comum aplicar o oxadiazon em misturas com herbicidas residuais (diuron. Repetidas aplicações não resultam na maior degradação microbioló¬gica. etc. que corresponde à migração dos cromossomas da parte equatorial para os pólos das células. 5 e 6).2 . simazine.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas emergência das invasoras.4.) na cultura de cana-de-açúcar.Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos 4.

em solos ricos em matéria orgânica. sendo recomendado para as culturas de soja. ervilha.2 .Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos Trifluralin O 2.1x10-4 mm Hg a 25 °C).Seqüência normal da mitose Figura 6 . Por ser um produto volátil (pressão de vapor de 1. sensível à luz e de solubilidade em água extremamente baixa (0.Mitose interrompida pela ação de herbicidas derivados das dininitoanilinas 4. quiabo. cucurbitá¬ceas.3 mg L-1 a 25 °C).3 . algodão. feijão.6-dinitro-N-N-dipropil-4-(trifluorometil) benzoamina (trifluralin) é um herbicida que apresenta excelente ação sobre as gramíneas anuais e perenes oriundas de sementes. pimentão. a forte adsorção pode impedir a absorção 74 Módulo 3. brássicas. alfafa. 2005).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 . tomate. cebola. beterraba. É fortemente adsorvido pelos colóides da matéria orgânica e pouco pelos da argila.4. e outras.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . alho. necessita ser incorporado mecanicamente ao solo logo após a sua aplicação (RODRIGUES. ALMEIDA.

Sua persistência no solo varia de 3 a 6 meses de acordo com o solo. Apresenta pka: zero. soja. provocando inibição do crescimento radicular desta (SILVA et al. sensível à luz e pouco móvel no solo. sua lixiviação é muito baixa e as doses recomendadas se dão em função das características físico-químicas do solo. depois do glyphosate é o grupo de herbicida mais utilizado.6-dinitrobenzenoamina (pendimethalin) é registrado no Brasil para controle de gramíneas nas seguintes culturas: algodão.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas do trifluralin pelas raízes das plantas. cana-de-açúcar. tabaco e trigo. pka zero. kow: 152. e koc médio de 7. arroz.5. alho. desde o lançamento do primeiro herbicida desse grupo. Apre¬senta degradação lenta no solo.2 . O pendimethalin apresenta solubilidade de 0. café. em 1954 (CDAA) (SLIFE. causar danos à cultura sucessora. Apesar do uso contínuo por tantos anos.4x10-5 mm Hg). A lixiviação.. ALMEIDA.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA) 4. é muito reduzida. podendo. motivo pelo qual não é aconselhável seu uso nestas condições. kow: 118. por esta razão. Pendimethalin O N-(1-etilpropil)-3. motivo pelo qual a incorporação é recomendável em condições de solo seco e com período de estiagem. por causa do uso extensivo em soja e milho. assim como o movimento lateral no solo.1 .000. Não há relatórios também sobre aumento de biodegradação no solo. É fortemente adsorvido pelos colóides do solo.000. As princi¬pais características dos herbicidas do grupo das cloroacetamidas são: Módulo 3. feijão.Principais características As cloroacetanilidas têm sido um dos grupos de herbicidas mais usados no mundo. A dose recomendada varia de acordo com as características fisico-químicas do solo.5 . amendoim. e koc médio de 17.000 mg g-1 de solo. 2005).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 75 . milho. É absorvido principalmente pela radícula e praticamente não se transloca na planta. em alguns casos de rotação de culturas (feijão/milho) em áreas de baixa fertilidade e mal manejadas.3 mg L-1. 1995). 4. É recomendado para uso em pré emergência da planta daninha e da cultura ou em PPI. Nos Estados Unidos da América do Norte.4-dimetil-2. cebola. a dose aplicada e as condições climáticas (RODRIGUES. 1998).200 mg g-1 de solo. não existem ainda relatos do aparecimento de gramí¬neas que tenham adquirido resistência a esses herbicidas. É um herbicida de média volatilidade (pressão de vapor de 9.

mas não chegam a emergir. as sementes iniciam o processo de germinação. A mobilidade no solo varia entre os herbicidas deste grupo e depende das condições de umidade e do teor de matéria orgânica do solo. Os dados existentes indicam translocação muito pequena. não há registros de problemas com deriva. Em razão de os efeitos desses herbicidas estarem ligados somente as plântulas. possibili¬tando a utilização desses herbicidas nesta cultura. as cloroacetanilidas apresentam de baixa a média mobilidade nos solos. o efeito residual no solo tem aumentado e a dependência dos fatores do solo tem diminuído. As cloroacetanilidas estão relacionadas com a inibição da sín¬tese de lipídios. pelo fato de não terem ação pós-emergente. Em áreas tratadas com cloroacetanilidas. ácidos graxos.5. em dicotiledôneas (por exemplo. De maneira geral. mas. A hipótese mais aceita atualmente é a inibição de ácidos graxos de cadeias muito longas. Em combinação com outros herbicidas. As cloroacetanilidas apresentam normalmente pressão de vapor de média a alta. é um dos grupos mais estudados e com o qual mais se têm usado os protetores de herbicida.2 . A toxicidade das cloroacetanilidas a peixes. as doses têm sido reduzidas. pássaros e mamíferos é muito baixa. Exemplo deste uso é a proteção do sorgo contra cloroacetanilidas. terpenos. Cada cloroacetanilida que apareceu no mercado depois do herbicida CDAA apresentou características um pouco diferentes das outras. quando o fazem. Há relatórios que as relacionam com a inibição da divisão celular e interferência com controle hormonal (SLIFE. de espécies daninhas gramíneas e comelináceas. porém. De modo geral. As cloroacetanilidas são aparentemente absorvidas pelas raízes (dicotiledôneas) e pelas partes acima da semente epicótilo (principal¬mente gramíneas). isoladamente. o efeito inibitório causado pelo alachlor é maior sobre as raízes. logo após a emergência. O maior uso das cloroacetanilidas está ligado ao controle. as cloroacetanilidas podem auxiliar no controle de dicotiledôneas.Mecanismo de ação das cloroacetanilidas Apesar de ter sido estudado extensivamente. o controle não é consistente. ciperáceas mostram inibição da parte aérea.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Controlam plântulas de muitas espécies de gramíneas anuais e algumas dicotiledôneas antes da emergência ou mesmo plantinhas. o algodoeiro). flavonóides e proteínas. o mecanismo bioquí¬mico primário de ação das cloroacetanilidas ainda não é bem conhecido. Gramíneas mostram inibição da emergência da primeira folha do coleóptilo. exibem crescimento anormal. naturalmente sensível a eles. 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . 1995). Muitos efeitos diferentes sobre vários processos bioquímicos já foram mostrados. em préemergência. e. é muito difícil o estudo de translocação. 76 Módulo 3. Devido a problemas de tolerância.

incluindo lipídios. ácidos graxos. As cloroacetanilidas podem também alquilar aminoacil tRNAs específicos e. sendo usado em pré-emergência. 2005). Em café novo ou recepado. diuron ou atrazine. exceto em solos arenosos e. com isso. pka: zero. amendoim e girassol.5. 4. Em algodão. antes da emergência das plantas daninhas. não se deve utilizá-lo em solos arenosos. soja ou amen¬doim no terreno tratado.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 77 . deve ser utilizado logo após o plantio. sendo esta enzima o ponto de começo de muitas rotas metabólicas.2 . As cloroacetanilidas são conhecidas como agentes alquilantes e podem agir alquilando nucleófilos biológi¬cos. se a infestação for de Bidens pilosa. recomenda-se a mistura com graminicidas ou aplicação em seqüência ao trifluralin incorporado. Quando aplicado em solo seco. Em soja. Apresenta solubilidade em água de 242 mg L-1. inibir a síntese de proteínas. aplicá-lo após a arruação ou esparramação. logo após a semeadura da cultura. a eficácia do produto reduz. se não chover no prazo de até cinco dias. em condições de alta infestação de Brachiaria plantaginea. kow 794. com baixo teor de matéria orgânica.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos efeitos bioquímicos e fisiológicos relatados sobre o modo de ação destes herbicidas pode ser interpretada com base na inibição da síntese de proteínas. pode-se cultivar milho. Os efeitos das cloroacetanilidas sobre a síntese de gorduras podem ser atribuídos à interferência no metabolismo da CoA. Pelo menos “in vitro”. É adsorvido pelos colóides do solo.6-dietil-N-(metoximetil)acetanilida (alachlor) é recomendado para controle de diversas espécies de gramíneas e comelináceas. Em milho. ou.3 .Características de algumas cloroacetanilidas Alachlor O 2-cloro-2. já foi mostrado que o herbicida alachlor é capaz de alquilar CoA. estando o solo com boas condições de umidade. possuindo média a baixa mobilidade no solo e persistência de 6 a 20 semanas. variável com o tipo de solo e as condições climáticas. Em café. terpenos. etc.. Richardia brasiliensis ou Sida sp. A retirada do nucleófilo pode acontecer entre o halogênio das cloroacetanilidas e o nucleófilo. é comum misturá-lo com atrazine ou cyanazine. Módulo 3. podendo ser misturado com ametryn. ALMEIDA. e koc médio de 120 mg g-1 de solo (RODRIGUES. mistura-se com metribuzin. o grupo amino do metionil-tRNA inicial). sendo este transferido (por exemplo. Em cana-de-açúcar.

é utilizado apenas em pré-emergência das plantas daninhas. apresentando persistência de 8 a 12 semanas. Em feijão. recomenda-se sua aplicação logo após a semeadura. cyanazine. por esta razão. pka: zero. devendo ser aplicado em seguida à semeadura. restos de culturas e em boas condições de umidade. mas no prazo máximo de três dias após a ultima gradagem.2 . Em milho. sendo pouco lixiviado. é essencial que sua aplicação seja feita antes da completa emergência das plantas. a sua eficácia ficará comprometida se aplicado em solo seco e não ocorrer uma chuva de intensidade superior a 10mm no espaço de cinco dias (RODRIGUES.05. não deve ser utilizado em solos arenosos. Em razão de sua absorção foliar ser quase nula. pka zero e kow 300. por provocar inoxicação à cultura. Em cana-de-açúcar. Em milho. ou. entre outros. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo. ALMEIDA. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. as comelináceas e um número reduzido de latifoliadas. Em café. usa-se em cana-planta. kow: 3. também. livre de torrões. A terra deve estar bem preparada. esparramação. sendo comum a mistura com outros herbicidas. milho e soja. exceto em solos arenosos. Para aumentar o espectro de ação sobre estas espécies. 78 Módulo 3. Acetochlor O 2-cloro-N-(etoximetil)-N-(2-etil-6-metilfenil) acetanilida (acetochlor) é recomendado para uso em pré-emergência das plantas daninhas. das condições climáticas e do tipo de solo. Pelo fato de sua absorção ser quase total pelo coleóptilo das gramíneas e pelo epicótilo das dicotiledôneas. à fotodegradação e à volatilização. Apresenta solubilidade em água de 488 mg L-1. Devido à sensibilidade do s-metolachlor.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas S-metolachlor O 2-cloro-N-(2-etil-6-metilfenil)-N-[(1S)-2-metoxi-1-metiletil)]acetanilida (s-metolachlor) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar. é comum misturá-lo com latifolicidas. deve ser aplicado logo após a arruação e. como atrazine. Apresenta solubilidade em água de 223 mg L-1. metribuzin. e koc médio de 200 mg g-1 de solo. feijão. sorgo e plantas ornamentais. podendo ser misturado. girassol. Controla essencialmente gramíneas anuais e algumas perenes de reprodução seminal. para culturas de amendoim.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . sua lixiviação é fraca a moderada. etc. batata. 2005). é largamente utilizado em mistura com o atrazine. dependendo da dose utilizada. sendo usado em outros países. É sorvido pelos colóides de argila e matéria orgânica. logo depois do plantio.

a morte das plantas devido à ação destes herbicidas é tão rápida na presença da luz que não dá tempo de eles se translocarem na planta. na presença de Mg. São rapidamente absorvidos pelas folhas. Este composto e os superóxidos. 1995a). (WELLER. os quais sofrem o processo de dismutação. ocasionando o vazamento do conteúdo celular e a morte do tecido.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas com atrazine ou cyanazine. também. reagem. Esta substância promove a degradação rápida das membranas (peroxidação de lipídios). Estes radicais livres formados pelos herbicidas paraquat e diquat não são os agentes responsáveis pelos sintomas de intoxicação observados. produzindo radicais hidroxil. em aplicações dirigidas em diversas culturas. formulados em solução aquosa. também.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 79 .Herbicidas Inibidores do Fotossistema I São herbicidas derivados da amônia quaternária (paraquat e diquat). Em soja. Módulo 3. WARREN. 4. estes herbicidas capturam os elétrons provenientes da respiração. no escuro. Estes radicais são instáveis e rapidamente sofrem a auto-oxidação. Nesta condição. em pré-colheita para diversas culturas. como dessecantes. na presença de luz. entre outros. São rapidamente adsorvidos e inativados pelos colóides do solo.Mecanismo de ação Poucas horas após a aplicação destes herbicidas. chuvas após 30 minutos de sua aplicação não mais influenciam a eficiência de controle das plantas daninhas.6 . porque pequena atividade destes produtos é observada. podendo ser misturado.2 . Estes compostos possuem a capacidade de captar elétrons provenientes da fotossíntese (no fotossistema I) e formarem radicais livres. 4. São cátions fortes. para formarem o peróxido de hidrogênio. exceto em solos arenosos e.Características gerais • • • • • • • São altamente solúveis em água e. com metribuzin. Usualmente. A toxicidade do diquat é alta e a do paraquat é muito alta.6. com baixo teor de matéria orgânica. por isso. sendo largamente utilizados como dessecantes no “plantio direto”. em várias partes do mundo e.6.2 . Vale ressaltar que este não é o único sítio de ação destes herbicidas. A ação destes herbicidas é muito mais rápida na presença da luz do que no escuro. aplica-se logo após a semeadura. ou. para formarem os radicais tóxicos. O local de captura dos elétrons está próximo a ferredoxina e sua velocidade de ação depende da intensidade luminosa. Durante o processo de auto-oxidação são produzidos radicais de superóxidos. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. para mamíferos. verifica-se severa injúria nas folhas das plantas tratadas (necrose do limbo foliar).1 . 4.

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4.6.3 - Principal herbicida do grupo Paraquat

O 1,1’-dimetil-4,4’-dicloreto de piridilio íon (paraquat) é um herbicida altamente solúvel em água (620.000 mg L-1); pka: zero; kow: 4,5; e koc estimada de 1.000.000 mg g-1 de solo. É inativado ao entrar em contato com o solo, por completa adsorção do cátion à argila. Esta ocorre devido à dupla carga positiva da molécula do paraquat, formando complexos com os locais de carga negativa, de onde não é removido mesmo com lavagens de solução saturada de sais, só sendo recuperado por fragmentação da argila com ácido sulfúrico 18 N. Por esta razão, sua lixiviação é nula e sua decomposição microbiana no solo é muito lenta. O paraquat pode ser usado para: • • • • • Dessecante em “plantio direto”. Para este fim, o paraquat é muito utilizado em mistura com o diuron, formando o Gramocil. Em pré-emergência de culturas, porém em pós-emergência das plantas daninhas. Aplicações dirigidas em culturas de milho, algodão, café, fruteiras e outras. Dessecante, em pré-colheita, para diversas culturas, visando viabilizar colheita mecânica e melhor qualidade fisiologia de sementes (DOMINGOS et al., 2001). Para limpeza de áreas não-cultivadas.

4.7 - Herbicidas inibidores da acetolactato sintase Os herbicidas derivados das sulfoniluréias, comercializados pela primeira vez em 1982, apresentam alto nível de atividade em doses muito pequenas. Atualmente, há vários herbicidas deste grupo no mercado. Através de pequenas modificações na estrutura química, a seletividade pode ser alterada de uma cultura para outra. Exemplos de culturas que são tolerantes a um ou mais herbicidas desse grupo químico são trigo, soja, arroz, milho, feijão, batata, beterraba, algodão, coníferas, canade-açúcar, etc. As sulfoniluréias inibem a síntese dos chamados aminoácidos ramificados (leucina, isoleucina e valina), através da inibição da enzima Aceto Lactato Sintase (ALS); esta inibição interrompe a síntese protéica, que, por sua vez, interfere na síntese do DNA e no crescimento celular. As plantas sensíveis tornam-se cloróticas, definham e morrem, no prazo de 7 a 14 dias após o tratamento. Essa enzima é inibida, também, pelos herbicidas dos grupos químicos imidazolinonas, triazolopyrimidines ou sulfonamidas e pyrimidinyl-oxybenzoatos (THILL, 1995; THILL, 2003a; BRIDGES, 2003c). Apesar do pouco tempo de uso, a literatura já registra muitas espécies de plantas daninhas que desenvolveram resistência aos inibidores da ALS.

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As principais características das sulfoniluréias são: • • Alguns são ativos em doses extremamente baixas; exemplo: o metsulfuronmethyl, que apresenta atividade na dose de 2 g ha-1 A maioria das sulfoniluréias apresenta bom controle de muitas espécies de folhas largas (dicotiledôneas); todavia, algumas possuem, também, ótima atividade contra gramíneas. A toxicidade aguda para mamíferos é muito baixa (5.500–6.500 mg kg-1 em ratos) para o herbicida chlorsulfuron, o mais estudado. Para outros análogos, a toxicidade é mais baixa ainda. As sulfoniluréias são ativas tanto em aplicações foliares quanto em aplicações no solo.

Apesar de quimicamente diferentes, as imidazolinonas têm o mesmo mecanismo de ação das sulfoniluréias, ou seja, inibem a enzima AHAS ou ALS. As principais caracte¬rísticas deste grupo são: • As imidazolinonas são recomendadas para controle em pré-emergência e em pósemergência de muitas folhas largas e gramíneas em cereais, soja e em áreas nãoagrícolas. • Estes herbicidas são potentes inibidores do crescimento vegetal. Plantas tratadas param de crescer quase que imediatamente após a aplicação. Dois a quatro dias após a aplicação desses herbicidas o ponto de crescimento (meriste¬ma apical) das plantas tratadas torna-se clorótico e, depois, necrótico e morre. A morte completa da planta vai ocorrer sete a dez dias após o tratamento. Plantas de maior porte podem levar mais tempo para morre¬r, mas a paralisação do crescimento é imediata. • Todos estes herbicidas são sistêmicos, ou seja, translocam pelo floema. Uma vez dentro do floema, por causa do pH alcalino, estes herbicidas, que são ácidos fracos, se dissociam e os ânions têm dificuldade para deixar o floema. • As imidazolinonas apresentam persistência de moderada a longa no solo. Maior sorção e, conseqüentemente, maior persistência ocorrem quando decrescem a umidade do solo, o pH e a temperatura e, também, quando os teores de matéria orgânica, óxidos de ferro e de alumínio no solo aumentam. • A dissipação no solo é, via de regra, por meio da degradação microbiana. Em condições de solo mais seco, mais herbicida é preso nos colóides do solo e menos produto é disponível para biodegra¬dação ou absorção pelas plantas, o que implica maior persistência e possível "carryover". As imidazolinonas são

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sensíveis à fotólise, mas esse processo de dissipação não é importante no solo. A fotólise é mais importante no meio aquático. • Pouca lixiviação tem sido reportada em condições de campo, apesar de os estudos de laboratório indicarem mobilidade moderada destes herbicidas no solo. • As imidazolinonas apresentam muito baixa ou nenhuma toxicidade para mamíferos. Esta toxicidade baixa pode ser explicada pela enzima-alvo, que não ocorre em animais, e também pelo fato de a excreção desses herbicidas ser muito rápida em animais-teste. Além das sulfoniluréias e das imidazolinonas, outros herbicidas, de grupos químicos diferentes, apresen¬tam o mesmo mecanismo de ação, ou seja, inibem a enzima ALS ou AHAS e, com isso, paralisam o crescimento das plantas (HESS, 1995c). Dente esses grupos químicos, podem-se destacar as triazolopirimidinas, ou sulfonamidas, e os piridinil-oxibenzoatos. As principais características do herbicida N - (2,6-diflluorofenil) - 5 - metil (1,2,4) triazolo [1,5a] pirimidina - 2 - sulfonamida (flumetsulan) e N-[2,6-diclorofenil] - 5 - etoxi - 7 - fluoro(1,2,4) triazolo – [(1,5c)] pirimidina - 2 - sulfonamida (diclosulan) são: Flumetsulan Diclosulan

• •

• • •

Apresentam ação pré-emergente sobre amplo espectro de plantas daninhas de folhas largas. As gramíneas, de maneira geral, são resistentes devido ao metabolismo mais rápido. Entre as culturas de folhas largas, a soja é tolerante. Possuem absorção radicular, mas a translocação é sistêmica, ou seja, translocamse tanto pelo floema quanto pelo xilema. A sorção no solo e a persistência aumentam quando o pH decresce e quando a matéria orgânica aumenta. A persistência no solo é mediana, não havendo casos relatados de "carryover". A dissipação no solo é devida ao ataque de microrganismos. Condições que favorecem a ação microbiana aceleram a dissipação destes herbicidas no solo. Possuem mobilidade no solo moderada, não se antevendo problemas de contaminação de depósitos subterrâneos de água. A toxicidade para mamíferos é muito baixa (Faixa Verde: DL50 > 6.000mg/kg em ratos).

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4.7.1 - Algumas sulfoniluréias Metsulfuron-Methyl

O ácido 2-[[[[(4-metoxi-6-metil-1,3,5-triazina-2-il)amino]carbonil]amino]sulfonil] benzóico (metsulfuron-methyl) apresenta solubilidade em água de 270 mg L-1; pka: 3,3; kow: 1,0 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 35 mg g-1g de solo. É pouco sorvido e muito lixiviado no solo, dependendo da textura e do teor de matéria orgânica. Sua persistência (meia-vida) no solo varia de 30 a 120 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para controle de plantas daninhas de folhas largas nas culturas de trigo, arroz, cana-de-açúcar, aveia, cevada, manejo de inverno e pastagens. Entre as espécies sensíveis encontram-se Raphanus raphanistrum, Raphanus sativus, Acanthospermum australe, Bidens pilosa, Ipomoea grandifolia, além de muitas outras. É recomendado para uso em pós-emergência, devendo ocorrer intervalo de seis horas sem chuva após a sua aplicação. A ação do produto nas plantas daninhas sensíveis pode ser observada através da clorose das folhas e morte das gemas apicais, com evolução para morte das plantas até 21 dias após aplicação. Em espécies menos sensíveis, observa-se paralisação de seu desenvolvimento. Culturas como trigo e arroz, para as quais é seletivo, conseguem metabolizá-lo rapidamente a compostos não-fitotóxicos. Nicosulfuron

O 2-[[[[(4,6-dimetoxi-2pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]-N,N-dimetil-3piridinacarboxamida (nicosulfuron) apresenta solubilidade em água de 360 mg L-1 a pH 5 e 12.200 a pH 6,85; pka: 4,3; kow: 0,44 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 30 mg g-1 de solo a pH 6,5. Quanto à sua persistência em condições de Brasil, sabe-se que culturas de soja, girassol, algodão e feijão poderão ser semeadas 30 dias após a aplicação do nicosulfuron; trigo, arroz e batata, 45 dias após a aplicação; e tomate, 60 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No Brasil, está registrado para a cultura do milho, sendo utilizado em pós-emergência em área total. Controla gramíneas, inclusive o capim-massambará (Sorghum halepense), e diversas espécies de dicotiledôneas. No momen¬to da aplicação, as plantas de milho devem estar com duas a seis folhas; as plantas daninhas dicotiledôneas, com duas a seis folhas; e as gramíneas, com até dois perfilhos. A aplicação deve ser feita estando o solo úmido e com as plantas daninhas em pleno vigor vegetativo. A ocorrência de chuvas uma hora após a aplicação não afeta a eficiência deste herbicida. A mistura do
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nicosulfuron com o atrazine no tanque do pulverizador aumenta o espectro de controle de plantas daninhas. Existem diferentes níveis de tolerância entre os híbridos de milho disponíveis no mercado brasileiro ao nicosulfuron. Por isso, antes de aplicar esse herbicida em cultura do milho consulte a lista de híbridos e variedades tolerantes a esse herbicida. A mistura desse herbicida com inseticidas carbamatos ou fosforados pode torná-lo não-seletivo ao milho (SILVA et al., 2005) Halosulfuron

O metil-3-cloro-5-(4,6-dimetoxipirimidin-2-carbomoilsulfamoil)-1-metillpirazole-4carboxilato (halosulfuron) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar, para controle de Cyperus rotundus. Apresenta solubilidade em água de 15 mg L-1 a pH 5,0 e 1.650 a pH 7,0; pka: 3,5; kow: 47 a pH 5,0 e 0,96 a pH 7,0; e koc médio de 93,5 mg g-1 de solo. Apresenta baixa adsorção no solo. Possui meia-vida média no solo em torno de 16 dias, variando com o tipo de solo e as condições climáticas (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua aplicação deve ser feita em pós-emergência das plantas daninhas, sendo o melhor período 30 a 40 dias após o plantio da cana-de-açúcar, quando as plantas daninhas deverão estar no final da fase vegetativa ou início do florescimento. As plantas de Cyperus rotundus devem estar em boas condições de desenvolvimento, sem efeito de estresse hídrico ou de baixa temperatura. Chlorimuron-ethyl

O ácido 2-[[[[(4-cloro-6-metoxi-pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]benzóico (chlorimuron-ethyl), no Brasil, encontra-se registrado para a cultura da soja, sendo usado em pósemergência. Apresenta solubilidade em água de 450 mg L-1 a pH 6,5; pka: 4,2; kow de 320 a pH 5,0 e 2,3 a pH 7,0; e koc médio de 110 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No solo, apresenta adsorção e lixiviação moderadas e meia-vida de 7,5 semanas. A persistência é maior em solos com pH mais elevado; em solos ácidos e com clima quente, a persistência é baixa. Manter intervalo de 60 dias entre a aplicação do chlorimuron-ethyl e a semeadura de trigo, milho, feijão e algodão. Para as outras culturas, fazer antes um bioensaio. Controla essencialmente espécies anuais de dicotiledôneas, sendo mais efetivo quando estas se encontram na fase inicial de crescimento (até seis folhas). Entre as espécies sensí¬veis encontram-se Desmodium tortuosum, Acathospermum australe, Ipomoea grandifolia, Bidens pilosa, além de outras. É comum misturá-lo com outros

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Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

2005). kow e koc não disponíveis. sendo influenciada pela temperatura e pelo pH do solo (RODRIGUES. ALMEIDA. seis folhas.6-dimetoxipirimidin-2-il)-3-(3-trifluorometil-2-piridilsulfonil) uréia (Flazasulfuron) apresenta solubilidade em água de 27. Sua mobilidade no solo é inversamente proporcional ao teor de matéria orgânica. em alguns tipos de Módulo 3.Algumas imidazolinonas Imazaquin O ácido 2-[4. Pode ser usado em pré ou em pós-emergência inicial das plantas daninhas. É fracamente adsorvido em solo com pH alto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas herbicidas. Quando usadas em pósemergência. não sendo recomendável cultivá-lo na modalidade de “milho safrinha” no mesmo ano agrícola da soja.2 . ALMEIDA. e valor médio de koc de 20 mg g-1 de solo a pH 7.. etc.100 a pH 7.2.8. para se evitar o efeito “guarda-chuva”. Na cultura da cana. as dicotiledôneas. O flazasulfuron deve ser aplicado em cobertura total das plantas daninhas e da cultura. kow: 2. 1998). diuron. Flazasulfuron O 1-(4. as gramíneas devem ter no máximo três perfilhos. exigindo intervalo de segurança acima de 180 dias após sua aplicação. 1999). 4. porém esta adsorção aumenta em pH baixo. este herbicida deve ser aplicado isoladamente. porém não deve ser misturado com graminicidas. estando o solo em boas condições de umidade.. para controle de dicotiledôneas em soja.2 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 85 . Apresenta meia-vida variando de 9 a 120 dias. 2005). e a tiririca (Cyperus rotundus). evitando-se aplicar em períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60% (SILVA et al. pka: 3. de 5 a 8 folhas e em pleno desenvolvimento vegetativo. as plantas de cana-de-açúcar devem possuir no máximo quatro folhas. pka. todavia.0 e 2.). para maior espectro de controle. Sua degradação no solo é por ação microbiana e química.0. Sua persistência no solo é alta (meia-vida de sete meses). podendo afetar culturas de inverno que seguem à soja tratada com o produto (SILVA et al. O milho é muito sensível a resíduo de imazaquin no solo. pode ser misturado no tanque do pulverizador com outros herbicidas (ametryn.0 (RODRIGUES.7. se objetivo for controlar a Cyperus rotundus.5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-quinolina carboxílico (imazaquin) apresenta solubilidade em água de 60 mg L-1.000 mg L-1 a pH 5. é facilmente lixiviável no solo.

entre um a três perfilhos. Apresenta lenta degradação no solo (meia-vida de 60 dias). sendo. e kow: 11 a pH 5. o que geralmente acontece entre 5 e 15 dias após a semeadura da soja. o que geralmente acontece entre 15 e 20 dias após a semeadura do feijão. mas esta adsorção aumenta em pH baixo. entre as quais Euphorbia heterophylla. O milho e o sorgo são muito sensíveis ao resíduo de imazethapyr no solo. no estádio cotiledonar. entre uma e quatro folhas. Imazamox O ácido nicotínico 2-(4-isopropil)-4-metil-1-metiletil-(1-metil-5-oxo-2-imidazolin-2-il)-5(metoximetil) (imazamox) apresenta solubilidade em água de 4. ALMEIDA. 86 Módulo 3. É registrado no Brasil para cultura da soja e do feijão. Controla com eficiência diversas espécies de plantas daninhas: Euphorbia heterophylla. 2005).36 (RODRIGUES. estando estas com até quatro folhas e de monocotiledôneas.2 . ALMEIDA. pouco lixiviado (RODRIGUES. além de outras.413 mg L-1 e Kow: 5. além de outras. com até quatro folhas.. pouco lixiviado. Ipomoea grandifolia. Apresenta rápida degradação no solo.400 mg L-1. 2005). Sida rhombifolia. Ipomoea grandifolia. com eficiência.5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-5-etil-piridina carboxílico (imazethapyr) apresenta solubilidade em água de 1. Recomenda-se a aplicação em pós-emergência precoce. Hyptis suaveolens. sendo utilizado em pré-plantio incorporado ou em pré-emergência das plantas daninhas. também. 1999).. Bidens pilosa.0. e as monocoti¬ledôneas. essencialmente microbiana (meia-vida de 15 dias). estando as dicotiledôneas. 1999). É registrado no Brasil para a cultura da soja. É pouco adsorvido pelos colóides do solo e. Estudos preliminares têm demonstrado que este herbicida apresenta rápida degradação em condições de solos brasileiros (SILVA et al. Imazethapyr O ácido 2-[4. Controla.0 e 31 a pH 7.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas solo. Controla essencialmente plantas daninhas dicotiledôneas. pka: 3. podendo causar toxicidade a algumas culturas de inverno que forem cultivadas em sucessão à soja tratada com este herbicida (SILVA et al. É fracamente adsorvido em solo com pH alto. Recomenda-se sua aplicação em pós-emergência das plantas daninhas dicotiledôneas. também. É registrado no Brasil para uso exclusivo na cultura da soja.9.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .

da dosagem e dos fatores ambientais. É pouco adsorvido pelos colóides do solo e. a persistência biológica é dependente. Estudos de laboratório indicam que imazapyr tem alto potencial de se mover no perfil do solo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 87 .34 e meia-vida no solo de dois meses (RODRIGUES. Sua persistência no solo é longa (três a sete meses em solos tropicais e seis meses a dois anos em clima temperado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diversas espécies de plantas daninhas. ALMEIDA. pouco lixiviado. em pós-emergência precoce na cultura do algodão. Aplicações em altas doses para capinas de ruas pode intoxicar árvores utilizadas na arborização do ambiente (Fig. 2005). também.5-dihidro-4-metil-4-(1-metietil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-piridina carboxílico (imazapyr) apresenta solubilidade em água de 11. não se processando em condições anaeróbicas. essencialmente por via microbiana. Módulo 3. vindo intoxicar as novas mudas plantadas para renovação da floresta. 2005).2 . pka: 2. Pyrithiobac-sodium O sódio 2-cloro-6-[(4. Apresenta lenta degradação no solo. ALMEIDA. sobretudo. podendo ocorrer lixiviação positiva (para baixo) ou negativa (reversa –para cima).36 (RODRIGUES. Apresenta degradação no solo essencialmente microbiana É registrado no Brasil para o controle de dicotiledôneas.benzoato (Pyrithiobac-sodium) apresenta solubilidade em água de 1610 mg L-1. Em campo. 7).9 a 1. com degradação mais rápida em clima quente e úmido. Imazapyr O ácido (+-)-2-[4. É fracamente adsorvido pelos colóides do solo. pode ser exsudado pelas raízes.272 mg L-1 a pH 7.6. 2001). em condições aeróbicas.6-dimetoxipirimidina-2-il) tio]. principalmente em solos arenosos. entre estas Euphorbia heterophylla. Também quando aplicado no tronco do eucalipito visando eliminar rebrota após a derrubada. se aplicado em pósemergência precoce. dependendo do movimento capilar da água no perfil do solo (FIRMINO.0 e pka: 1. Kow: 0.

1995c. Há redução acentuada. tirosina e triptofano). pois fenilalanina. 2003). A enzima EPSP sintase é sintetizada no citoplasma e transportada para dentro do cloroplasto onde atua. foi observado aumento acentuado na concentração de shikimato. tirosina e tryptofano são precursores da maioria dos compostos aromáticos nas plantas. O glyphosate se liga a esta enzima pela carboxila do ácido glutâmico (glutamina) na posição 418 da seqüência de aminoácidos (HESS. precursor comum na rota metabólica dos três aminoácidos aromáticos. Alguns autores acham que a simples redução de aminoácidos e a acumulação de shikimato não seriam suficientes para a ação herbicida. SHANER. cultivadas em solo coletado à margem da rua tratada com o herbicida 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 7 – Árvores mortas pela ação do imazapyr quando aplicado para capina química de rua (A). plantas tratadas com estes herbicidas param de crescer. Por outro lado.8.8 . Glyphosate inibe a EPSP sintase por competição com o substrato PEP (fosfoenolpi¬ruvato).Mecanismo de ação Logo após a aplicação. nos níveis desses aminoácidos aromáticos (fenilalanina. então. BRIDGES. nas plantas tratadas. evitando a transformação do shikimato em corismato.Herbicidas inibidores da EPSPs 4. Verificou-se. uma vez que 20% do carbono das plantas é utilizado nesta rota metabólica. 88 Módulo 3. Plantas normais cultivadas em solo sem resíduos de herbicidas (a) e plantas com sintomas de intoxicação do imazapyr (b).1 .2 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . que o ponto de ação era a enzima EPSP sintase (5 enolpiruvilshikimato-3-fosfato sintase). acreditam que a desregulação da rota do ácido shikímico resulta na perda de carbonos disponíveis para outras reações celulares na planta.

poucas espécies de plantas daninhas foram identificadas como resistentes a estes herbicidas. Quanto à resistência adiquirida pela pressão de seleção (aplicações repetidas do ghyphosate). para não causar problemas de toxicidade para peixes. Módulo 3. como a soja e o algodão. já foram obtidas culturas resistentes a glyphosate. • Apresentam espectro de controle muito amplo. • A morte da planta ocorre lentamente: de 7 a 14 dias após a aplicação.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 89 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. • Formulações usadas no meio aquático não contêm surfatantes. em plantas anuais • Baixa vazão e menores gotículas são mais eficientes do que alta vazão e gotículas grandes. • Durante a primeira semana após a aplicação a folhagem não deve ser cortada.2 . • Através da engenharia genética. • Como a enzima afetada é exclusiva de plantas.8. • Translocação simplástica em gramíneas e folhas largas.2 . por causa de sua conjugação com sesquióxidos de ferro e alumínio. • A translocação é facilitada em condições de alta intensidade luminosa. apresenta. 2003c).Características gerais Glyphosate O N-(fosfonometil) glicina (glyphosate) possui as seguintes características (BRIDGES. • A translocação é melhor em plantas expostas à luz e que estejam com alta atividade metabólica. • Não apresentam atividade no solo. para melhor eficiência de translocação para o sistema radicular. • Requerem uma semana para matar plantas anuais (efeito final) e tempo ainda maior para espécies perenes. de maneira geral. muito pouca toxicidade para animais. • Águas de pulverização contendo muitos sais solúveis (Ca e Mg) diminuem a atividade destes herbicidas. praticamente não há seletividade.

2 . A não-ocorrência de chuvas até quatro horas após as aplicações garante absorção do glyphosate. utilizado nas formulações granulares.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Para controle seletivo de plantas daninhas em culturas geneticamente modificadas. para implantação do plantio direto de culturas. Como dessecantes. 90 Módulo 3. etc. esse tempo para penetração do glyphosate via foliar é maior (PIRES et al. A ocorrência de chuva em intervalo de tempo menor que 4-6 horas pode reduzir a eficiência destes herbicidas. em Brachiaria decumbens e Digitaria horizontalis em quatro horas (Fig. O efeito varia com a formulação.). enquanto para as demais formulações. as suas principais recomendações são: • • • • • • • Para controle de plantas daninhas em áreas não-cultivadas (rodovias. As formulações Roundup Transorb e Zap Qi se diferenciam das demais por apresentar penetração foliar mais rápida do que as demais existentes no mercado brasileiro. ferrovias.. parque de industrias. Roundup WDG e Roundup Multiação. Na renovação de pastagens. Figura 8 – Eficiência de formulações de glyphosate em diversos períodos de simulação de chuva após a aplicação Atualmente o ghyphosate é o herbicida mais utilizado no mundo. e sal potássico. No Brasil. o tempo mínimo sem chuvas após aplicação para se garantir a absorção foliar desse herbicida é de seis horas (JAKELAITIS et al. formulado como Roundup Transorb ou Zap Qi. ruas. fruteiras. reflorestamento e outras). Quando aplicado sobre plantas em condições de déficit hídrico prolongado. cujo representante é o Zap Qi. No Brasil. englobando o Roundup original e o Roundup Transorb.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • A absorção destes produtos pelas plantas é lenta. Para o controle de plantas daninhas aquáticas Como regulador de florescimento em cana-de-açúcar. 8).. 2001). Para aplicações dirigidas em culturas perenes (café. o glyphosate está sendo comercializado com diferentes formulações: sal isopropilamina. sal de amônia. sendo recomendado para diversas atividades agrícolas e não-agrícolas. 200). utilizado em diversas marcas comerciais.

A translocação varia entre espécies.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 91 . acifluorfen. requerendo uma semana ou mais para a morte completa.9. 1995) são: • São utilizados exclusivamente em pós-emergência. • As espécies não-gramíneas são todas tolerantes. podem ser citados: sulfoniluréias. bentazon e metribuzin. Espaçando-se as pulverizações por alguns dias. 2. • Em doses normais.1 . De maneira geral. até hoje. eliminado. dicamba. para controle de gramíneas anuais e perenes.Principais características Os compostos deste grupo apareceram no mercado de herbicidas a partir de 1975 e. As principais características deste grupo de herbicidas (THILL. mas ocorre tanto pelo floema quanto pelo xilema. é necessária uma dose três vezes maior que a requerida para a ação em pósemergência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. São muito utilizados para o controle de gramíneas anuais e perenes. • São prontamente absorvidos pela folhagem das plantas. Somente diclofop tem registro para uso no solo.4-DB. o problema é minimizado e. bromoxynil. • A morte das gramíneas suscetíveis é lenta. • São muito efetivos quando aplicados sobre plantas não-estressadas. tanto para plantas daninhas quanto para culturas. seguida de necrose. Os sintomas incluem rápida parada do crescimento das raízes e da parte aérea e troca de pigmento nas folhas dentro de dois a quatro dias. • Misturas no tanque desses graminicidas específicos com latifolicidas têm trazido uma série de problemas de antagonismo. a eficiência diminui quando as gramíneas estão se desenvolvendo em condições de déficit hídrico. 2.4D. • A seletividade varia entre espécies de gramíneas. novos produtos estão sendo desenvolvidos. para que haja ação no solo. a qual começa nas regiões meristemáticas e se espalha pela planta toda.Herbicidas inibidores da ACCase 4. os herbicidas deste grupo não apresentam atividade suficiente para o controle de gramíneas em pré-emergência. Módulo 3. • Para a atividade máxima ser atingida. em fase de rápido crescimento. • Apresentam lenta degradação no solo. MCPA. Entre os herbicidas que já mostraram ação antagônica.9 . WELLER. imidazolinonas. até mesmo.2 . provavelmente eles afetam a absorção foliar. há sempre necessidade da adição de um surfatante ou adjuvante.

que a ação dos graminicidas específicos era sobre a enzima Acetil Coenzima-A Carboxilase (ACCase).5 μM. também. necrótico.2 . o crescimento de raízes e parte aérea é paralisado. Esta enzima. Estudos feitos com sethoxydim mostraram que este herbicida inibe o crescimento e a acumulação de clorofila. Após alguns dias da aplicação. fica aparente a disfunção de membrana. o aumento na permeabilidade de membrana e os efeitos ultra-estruturais observados nas células. em 1987. o problema era na síntese de lipídios. predominância da classe II) e. No caso de diclofopmethyl. por exemplo. O tecido meristemático em gemas e nós torna-se clorótico e. Ademais.9. que mostrou resistência ao diclofop-methyl e resistência cruzada a outros graminicidas específicos. eles são tóxicos para mamíferos (classe toxicológica de I a III. A enzima afetada por estes herbicidas ocorre também nas células animais. A partir de 1981. por isso.2 . a formulação ácida é mais ativa que a formulação éster e o isômero “D” é muito mais ativo que o “L”. A diferença na tolerância entre espécies de gramíneas e folhas largas é muito grande. surgindo células binucleadas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • Apesar do pouco tempo de uso. de maneira geral. já existem plantas daninhas que adquiriram resistência aos inibidores da biossíntese de lipídios. nas concentrações de 0. encontrada no estroma de plastídios. apesar de a quantidade que atinge a área meristemática ser muito pequena em relação ao que é aplicado. Esta é uma reação-chave no início da biossíntese de lipídios. A translocação ocorre pelo xilema e pelo floema.5 a 0. Foi descoberto. Foi verificado também que a divisão celular foi prejudicada por causa da inibição da formação da parede celular. Como não houve interferência na absorção de acetato. quando o tecido meristemático decai. 4. Foi verificado que este herbicida inibe fortemente a incorporação de 14C-acetato em lipídios quando pontas de raízes de milho foram tratadas por 24 horas. Há diferenças também entre a atividade de isômeros e as formulações. e muitos autores 92 Módulo 3. Em algumas horas. resultando no aumento dos níveis de açúcar e antocianina. As folhas mais velhas apresentam sinais de senescência e mostram troca de pigmento. converte o Acetil Coenzima A (Acetil-CoA) em Malonil Coenzima A (Malonil-CoA) pela adição de uma molécula de CO2 ao Acetil-CoA. Este herbicida é rapidamente absorvido pelas folhas e atinge os meristemas da planta.Mecanismos de ação Muitos dos estudos já realizados sobre o mecanismo de ação dos arilofenoxipropionatos foram feitos com o herbicida diclofop-methyl. A inibição da ACCase explica perfeitamente a redução no crescimento. Enquanto 0. ele causou declínio na atividade respiratória. para causar 50% de inibição em células de soja foi necessária uma concentração 47 vezes maior.1 μM de haloxyfop provocou 42% de inibição da incorporação de acetato em células de milho. trabalhos realizados com diclofop-methyl começaram a desvendar o modo de ação dos graminicidas específicos. às sulfoniluréias e ao trifluralin. para peixes. depois. O caso mais relatado é o ocorrido na Austrália com a espécie Lolium rigidum.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .

a enzima funciona. cebola. É um herbicida Módulo 3. WELLER. e koc médio de 5.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas julgam ser esta reação a que dosa o ritmo da biossíntese de lipídios. soja. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas.1 mg L-1.E)-(+/-)-2-[1-[[(-cloro-2-propenil)oxi]imino]propil]-5-[2-(etiltio)propil]-3-hidroxi. algodão.9. A enzima Acetil Coenzima A Carboxilase (ACCase) é. café. a não ser o fomesafen. com intervalo superior a cinco dias. 1995). pinho. tomate. o qual é uma reação dependente de ATP. 4.520 mg L-1. tendo uma persistência média de 30 dias (RODRIGUES. dois a três dias (RODRIGUES. eucalipto. kow: 15000 e persistência muito curta no solo.700 mg g-1 de solo. A falta de lipídios provoca despolarização da membrana celular (THILL. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 70%. mas a eficiência diminui pela metade.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 93 . Não deve ser misturado com herbicidas que controlam dicotiledôneas. Não apresenta mobilidade no solo. Controla grande número de espécies de gramíneas anuais no estádio de até 4 perfilhos e algumas perenes.1. que permite à biotina se mover entre os dois centros catalíticos (HESS.Caracterização de alguns inibidores da ACCase Fluazifop-p-butil O ácido (R)-2-[4-[[5-(trifuorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propanóico (fluazifop-p-butil) apresenta solubilidade em água de 1. Deve ser aplicado com as plantas em bom estado de vigor vegetativo. citros. e a proteína transporte da biotina (BCP). purificada e parcialmente caracterizada. A ACCase de milho já foi isolada. devendo ser utilizado seqüencialmente. por incompatibilidade fisiológica (efeito antagônico). um complexo de três domínios: uma biotina carboxilase que promove a carboxilação da biotina com carbonato (CHO3). pka: 3. a transcarboxilase. evitando períodos de estiagem. roseira e crisântemo. na realidade. cenoura. a qual é ligada covalentemente ao grupo da biotina por um espaçador móvel. 2005). 1995).3 . ALMEIDA 2005).5. ALMEIDA. É recomendado para uso em pós-emergência. Quando o substrato Acetil-CoA é substituído por Proprionil-CoA. É registrado no Brasil para as culturas de alface. que transfere o CO2 da biotina para o Acetil-CoA. tabaco.2ciclohexeno-1-ona (clethodim) apresenta solubilidade em água de 5. feijão.2 . kow: 4. Clethodim O (E.

devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas (4 folhas até 6 perfilhos.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .3. amendoim.3 mg L-1. não sendo prejudicada sua eficácia por chuvas que ocorram uma hora após sua aplicação. ALMEIDA. podendo requerer reaplicação no caso de rebrotas (RODRIGUES. e com 10 a 40 cm. Haloxifop-methyl O ácido 2-[4-[[ (3-cloro-5-(trifluorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propiônico (haloxyfopmethyl) apresenta solubilidade em água de 9. em solos leves.7. pka: 4. Nas doses de 360 . ervilha. citros. aveia e trigo. tomate. tabaco. comuns em rotação de culturas com a soja. soja. quando provenientes de rizomas). desde jovem até adiantado estádio de desenvolvimento.2 . altamente seletivo para a cultura da soja e outras dicotiledôneas. É compatível com outros herbicidas usados em pós-emergência para controle de folhas largas. neste caso. como Cynodon dactylon e Sorghum halepense. cebola. permitindo a aplicação dos dois numa só operação. tais como: azevém. há que observar um intervalo de dez dias entre o emprego de um e outro.600 g ha-1. 2005). pinho e outras. tem ação sobre rebentos de gramíneas anuais que tenham sido roçadas. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%.. É moderadamente adsorvido pelos colóides do solo. Destaca-se pelo seu amplo espectro de ação no controle de gramíneas anuais. A ação residual do produto na lavoura é de 30 a 40 dias. café. não se deve adicionar óleo mineral à calda. Quando usado na dose de 120 g ha-1. É rapidamente absorvido pelas folhas. controla gramíneas anuais. É utilizado. kow: 11. e koc médio de 33 mg g-1 de solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas graminicida. milho. pois aumenta-lhe a fitotoxicidade. sistêmico. feijão e eucalipto. acifluorfen. Quando misturado com herbicidas recomendados para uso em pós-emergência que controlam plantas daninhas de folhas largas e que já contenham em sua formulação um adjuvante. com exceção do 2. pode haver lixiviação do produto.4-D. perenes e tigüera de culturas gramíneas. de reprodução seminal. Deve ser aplicado com as plantas daninhas em bom vigor vegetativo. feijão. no Brasil. 94 Módulo 3. como é o caso normal em culturas perenes. cenoura. Em doses altas (120-360 g ha-1. como bentazon. para as culturas de soja. eucalipto. quando provenientes de sementes. controla gramíneas perenes. fomesafen e lactofen. como algodão. evitando períodos de estiagem. É recomendado para uso em pós-emergência. em condições de alta pluviosidade.

O sintoma evidenciado pelas plantas tratadas é a produção de tecidos novos totalmente brancos (albinos). Estes tecidos são normais. não sendo prejudicada a ação do sethoxydim por uma chuva que ocorra uma hora depois de sua aplicação. Deve ser aplicado em pós-emergência das plantas daninhas. como Cynodon dactylon. macieira e em hortícolas (batata. Supõe-se que seja seletivo para todas as culturas que não são gramíneas.0 de 25 ppm e a pH 7.5 – [2-(etiltio)propil]-3-hidroxi-2-ciclohexeno-1. kow: 45. girassol.10 . Controla gramíneas anuais e algumas perenes. é recomendado.2 . Em outros países. linho e mandioca. eucalipto. Tem uma meia-vida no solo de 4 a 11 dias. não prejudicando culturas sensíveis que sejam instaladas no terreno um mês após o tratamento. melancia.Herbicidas inibidores de carotenóides Os grupos químicos izoxazolidinona e piridazinonas compõem a classe de herbicidas chamada inibidores de carotenóides. É necessário adicioná-lo à calda adjuvante. exceto pela falta de pigmentos verdes (clorofila) e amarelos (Fig. algumas vezes rosados ou violáceos. dependendo das condições climáticas e do tipo de solo. 2003a).1. encontra-se em fase de registro para abacaxi. pka: 4. para as culturas de alfafa. Não prejudica as culturas suscetíveis que sejam instaladas no terreno 30 dias após o tratamento.0 de 4. colza. gergelim.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sethoxydim O 2-[1-etoximina)butil] . se bem que exija doses mais altas de aplicação.700 mg L-1. feijão. amendoim. 9). gladíolo.ona (sethoxydim) apresenta solubilidade em água a pH 4. também. soja e tabaco. As plantas suscetíveis a estes herbicidas perdem a cor verde após o tratamento com estes herbicidas (BRIDGES. banana. Módulo 3.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 95 . 4. É um herbicida registrado no Brasil para algodão. melão e morango). café.16. ALMEIDA. Apresenta curta persistência no solo. 2005). por ser a foliar a principal via de absorção do produto. citros. o que acelera sua absorção. cenoura. e koc médio de 100 mg g-1 de solo (RODRIGUES .

devido à falta de carotenóides que a protegem da foto-oxidação. Assim. devido à falta de clorofila. a clorofila não se mantém sem a presença dos carotenóides.2 . A perda da clorofila é resultado da sua oxidação pela luz (foto-oxidação). Estes produtos também possuem efeitos sobre a reação de Hill (MORELAND. anuais e perenes. 1994). e de folhas largas nas culturas de algodão. resultando no acúmulo de phytoeno e phytoflueno. do caroteno (MORELAND. O crescimento da planta continua por alguns dias. sem cor. porém. Os herbicidas inibidores de pigmento são usados para controle seletivo de plantas daninhas gramíneas. a energia oriunda da forma triplet é dissipada através dos carotenóides. nas quais ela é destruída (ABERNATHY. O herbicida clomazone parece ter um único local de ação e não causa acúmulo de phytoeno. quando os caratenóides não estão presentes. tecidos formados antes da aplicação do herbicida não se mostram brancos imediatamente. A inibição da enzima IPP (isopentyl pirophosphato isomerase) é o local provável da ação (Abernathy. A inibição desta enzima provoca o acúmulo de phytoeno. perda de proplastídios e degradação dos ribossomos 70S. 1980). passando do estado singlet para o estado triplet. esta se torna funcional e absorve energia. mais reativo. Em condições normais. Desse modo. O local de ação mais estudado é onde atua a enzima phytoeno desidrogenase. A produção dos novos tecidos albinos. pelas plantas tratadas. 1994).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Os herbicidas inibidores destes pigmentos agem na rota de biossíntese de carotenóides. o crescimento cessa e começam a surgir manchas necróticas. fumo 96 Módulo 3. Devido a este processo. dissipando o excesso de energia. que a protegem. Assim. mas sim de gossipol e hemigossipol. 1980). Outras alterações provocadas por estes produtos são: redução da síntese protéica. que são dois precursores. a clorofila que está no estado triplet não dissipa energia e inicia reações de degradação. devido à necessidade de renovação dos carotenóides. ela não consegue se manter. com predomínio do phytoeno. arroz. eles desenvolvem manchas cloróticas que progridem para necrose (ABERNATHY. Após a síntese da clorofila. cana-de-açúcar. não implica que estes herbicidas inibam diretamente a síntese de clorofila. como resultado da perda da fotoproteção fornecida pelos carotenóides à clorofila (MORELAND. É importante salientar que estes herbicidas não têm efeito sobre carotenóides sintetizados antes da sua aplicação. contudo. 1980). A inibição da síntese de carotenóides leva à decomposição da clorofila pela luz. 1994).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 – Sintomas de intoxicação de plantas de milho e feijão pelo clomazone.

4 . 1994).dimetil .7 mg L-1. A dose recomendada varia com a cultura e o tipo de solo. O 2 – [(2 . Clomazone Norflurazon Esta classe herbicida apresenta baixa toxicidade para animais. pode lixiviar e atingir camadas profundas. apresentam atividade de solo e podem persistir. ALMEIDA. A seletividade do clomazone ao algodão pode ser aumentada com adição de um inseticida organofosforado (ABERNATHY. o clomazone e o norflurazon. Apresenta solubilidade de 168.clorofenil) metil]-4. através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenil-piruvato-dioxigenase) nos cloroplastos – classificação nos grupos F2 (HRAC) e 28 (WSSA). No Brasil. pka: zero.2 . Também são empregados em plantas daninhas aquáticas e no controle total da vegetação. Módulo 3. são mais comercializados. pka: 3. chegando às raízes das culturas. e persistência no superior a 150 dias. O mesotrione inibe a biossíntese de caroteníodes. ALMEIDA.07 e koc variando de 19 a 387 mg g-1 e curta persistência no solo sendo degradado rapidamente por microrganismos (RODRIGUES.3-diona (mesotrione) é um herbicida seletivo de ação sistêmica indicado para o controle em pós-emergência de plantas daninhas na cultura do milho. afetando culturas sucessoras.192 mg L-1. O inseticida funciona com “safener” protetor e pode ser usado no tratamento da semente ou em aplicação no sulco de semeadura. A seletividade às culturas se dá pela translocação reduzida pela destoxificação das moléculas herbicidas. Controla diversas espécies de plantas dicotiledôneas e algumas gramíneas. Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e soja.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 97 . 2005).isoxazolidinona (clomazone) e o 4-cloro-5(metilamino)-2-3-[(trifluorometil)]fenil-3(H)-m-toluil) piradazinona (norflurazon) translocam-se na planta via xilema. causando danos naquelas sensíveis (RODRIGUES. 2005). O clomazone apresenta alta solubilidade:1. 1994). koc: 300 mg g-1. Mesotrione O 2-(4-mesil-2nitrobenzoil) ciclohexano-1.3 . Quando aplicado sobre a superfície do solo. e não existem casos registrados de plantas daninhas resistentes (ABERNATHY. com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas.

Com exceção da cultura do algodão onde é recomendado em jato dirigido. que são essências para proteger a clorofila contra a decomposição pela luz solar através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenilpiruvato-dioxigenase). O isoxaflutole pertence ao grupo dos herbicidas inibidores da biossíntese do caroteno. 98 Módulo 3. que é um co-fator chave para síntese de pigmentos carotenóides e para o transporte de elétrons. Inibe a biossíntese de carotenoides.2 . nas demais culturas deve ser aplicado em pré emergência. baixa a média mobilidade nos solos dependendo de suas características ficas e químicas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . e meia-vida média de 28 dias (ALMEIDA. milho. Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Isoxaflutole O 5-ciclopropil-4-metilsufonil-4-trifluorometilbenzoil)-isoxazole (isoxaflutole) é um herbicida recomendado para as culturas de cana-de-açúcar. RODRIGUES. Apresenta baixa solubilidade em água: 6. com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas. mandioca e algodão para o controle de diversas gramíneas e algumas dicotiledôneas. 2005).0 mg L-1 a 20 °C. responsável pela biossíntese da quinona.

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UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília . José Ferreira da Silva Profº. metabolismo. Francisco Affonso Ferreira Profº.Herbicidas: absorção.Manejo de plantas daninhas 3. translocação. formulação e misturas Tutores: Profº.DF 2006 102 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .3 . José Francisco da Silva Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .Herbicidas: absorção.ABEAS Universidade Federal de Viçosa .3 . formulação e misturas . metabolismo. translocação.

1. 104 1. 120 4 – Formulação.Herbicidas: absorção. 127 4.2 . 104 1. 130 5.Metabolismo dos herbicidas nas plantas.Fatores que influenciam a absorção através das raízes.Movimento descendente. 112 1.Translocação de alguns herbicidas.3 .2 .2.1 .2 – Incompatibilidade. translocação. 125 4.Misturas de herbicidas. 112 1.3 . 116 2.Interceptação.Tipos de formulações. 113 2 . retenção e absorção de herbicida pela folha. 128 5 .1 – Introdução.Veículo de aplicação (água). 131 Referências bibliográficas. 111 1.4. 129 5.Formulações líquidas.1.Mecanismo de absorção de herbicidas.Interações de herbicidas com inseticidas em mistura.Penetração pelas raízes.4 . 130 5.3 .4 .2 .Formulações sólidas. 118 3 . 133 Módulo 3. 117 2.Absorção de herbicidas.Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas.2 . 116 2. 129 5. 104 1. 127 4.Conceito de movimento simplástico e apoplástico.Interações entre herbicidas.1 .2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário 1 .1 .Movimento ascendente.1 .2 . 117 2.Penetração pelo caule. 126 4.1 . formulação e misturas 103 .Translocação de herbicidas.3 . metabolismo.4.1 .1.

Interceptação. formulação e misturas . em um reflorestamento. aí. o simples fato de um herbicida atingir as folhas da planta e. translocado e. as raízes. a morfologia da planta e as condições ambientais exercem grande influência. ou. que serão discutidos no item referente à tecnologia de aplicação. etc.Absorção de herbicidas 1. também. A atrazina. rizomas. tubérculos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . transloque e atinja a organela onde irá atuar. atinge e penetra nos cloroplastos.3 . Além disso. principalmente quando se deseja controlar apenas algumas plantas. penetra pelas raízes. ou. Quando os herbicidas são aplicados diretamente na parte aérea da planta (pós-emergência). se deseja que as cepas das árvores não rebrotem após a derrubada. retenção e absorção de herbicida pela folha A absorção foliar de um herbicida requer que o produto seja depositado sobre a folha e permaneça ali por um período de tempo suficiente. A interceptação da gota pulverizada é função do método de aplicação e da distância entre o alvo e o bico do pulverizador. translocação. luz. Os herbicidas podem penetrar nas plantas através das suas estruturas aéreas (folhas. ainda. flores e frutos) e subterrâneas (raízes. a seus metabólitos. as estruturas jovens das plântulas (radícula e caulículo) e as sementes são as vias de penetração mais importantes para os herbicidas aplicados e. Há necessidade de que ele penetre na planta. de estruturas jovens como radículas e caulículo e. incorporados ao solo. O caule (casca) de árvores ou arbustos pode também ser uma via de penetração de herbicidas. 1.4-DB precisa ser absorvido. ou. do metabolismo e da sensibilidade da planta a este herbicida e. pelas sementes. quando aplicada ao solo. que influenciam também a translocação destes até o sítio de ação. umidade relativa do ar e umidade do solo). da translocação. destruindo-os. as folhas são a principal via de penetração. A principal via de penetração dos herbicidas na planta é função de uma série de fatores intrínsecos e extrínsecos (ambientais). metabolizado para exercer sua ação herbicida. onde atua. o 2.Introdução A atividade biológica de um herbicida na planta é função da absorção. caules. Por outro lado. Por isso. Por sua vez. estolões. ou quando. também. transloca até as folhas e. A absorção de herbicidas pelas raízes ou pelas folhas é influenciada pela disponibilidade dos produtos nos locais de absorção e com fatores ambientais (temperatura.1 . dentro de uma população mista. até ser absorvido. ser aplicado no solo onde se desenvolve esta planta não é suficiente para que ele exerça a sua ação.).2 .Herbicidas: absorção. 104 Módulo 3. por exemplo. metabolismo.

não são absorvidos pela superfície da cultícula e são solúveis em água e podem ser lavados caso ocorra chuva até mais de 24 horas após. porém são rapidamente absorvidos nos lipídios da cutícula e pouco lavados pela chuva.. HESS.3 .Corte transversal de uma folha (esquemático). o ângulo ou a orientação das folhas em rela¬ção ao jato de pulverização e as estruturas especializadas. mostrando células-guarda. deve haver um período crítico sem ocorrência de chuvas até que ocorra absorção de quantidade suficiente deste. 2003. xilema e floema Fonte: Mengel e Kirkby (1982) 105 Módulo 3. 2001). cavidade estomática. são recobertas por uma camada morta (não-celular). translocação.4-D amina requer um período muito mais longo sem chuva do que o 2.4-D ester para causar a mesma toxicidade em várias espécies sensíveis (BEHRENS. poros estomáticos. Após a interceptação. Embora em menor proporção. lipofílica. são solúveis em água. esta existe também nas raízes. PIRES et al. células da bainha do feixe. 2000. tanto a penetração dos herbicidas pelas folhas quanto pelas raízes. menos sujeitos a lavagem pela chuva.. Sais aniônicos (cargas negativas). como o paraquat. Dentre os aspectos relacionados com a morfologia da planta destacam-se o estádio de desenvolvimento (idade da planta). 2. formulação e misturas . A chuva pode causar perdas consideráveis de herbicidas das folhas das plantas. denominada cutícula. metabolismo. 1981). do método e da tecnologia de aplicação.Herbicidas: absorção. razão pela qual muitos fatores influenciam. O corte transversal de uma folha está representado na Figura 1. Por exemplo. por exemplo sais de sódio. Herbicidas lipofílicos (usualmente formulados como CE ou flowable) são pouco solúveis em água. Sais catiônicos (carregados positivamente).. igualmente. mas são rapidamente absorvidos e. JAKELAITIS et al. ELAKKAD. como todas as estruturas aéreas das plantas. para cada herbicida. a forma e a área do limbo foliar. A perda do herbicida ou de sua atividade depende da ocorrência de chuva (intensidade e duração) neste intervalo. As folhas. como tricomas (pêlos). Figura 1 . não penetram rapidamente. Também o nú¬mero e a abertura dos estômatos exercem pequena influência sobre a penetração dos herbicidas. por isso. das condições climáticas e das espécies de plantas envolvidas (BRIDGES.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A morfologia da planta influencia a quantidade de herbicida interceptada e retida. A influência da chuva sobre a eficiência dos herbicidas está também relacionada à formulação.

freqüentemente. formulação e misturas . A cutina é o principal componente estrutural da cutícula.Representação esquemática dos principais componentes da camada cuticular e o seu grau lipofílico 106 Módulo 3. Em presença de água. essa camada é uma complexa mistura de alcanos de longas cadeias (21 37 carbonos). Entre a camada cuticular e a membrana citoplasmática tem-se a parede celular. 2005). A camada cerosa que envolve a cutícula é mais rica em compostos menos polares do que a cutina. Ela pode ter a forma de grânulos. é referido como camada cuticular (Figura 2). aldeídos. pode ser semifluida ou fluida. ácidos graxos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A cutícula recobre todas as células da epiderme da planta. translocação. porém alguns componentes são comuns. etc. aumentando. et al. Em consequência da variabilidade de seus componentes o grau de polaridade das cutículas varia muito. ainda. a cutícula é recoberta por uma camada de cera. que é formada de fibrilos de celulose impregnados de pectina. O padrão de superfície da camada cuticular é bastante variável. incluindo as células-guarda dos estômatos e as células que envolvem a câmara subestomática. cetonas. separando as partículas de cera.Herbicidas: absorção. Figura 2 . a qual possui grupos de polaridade variáveis (Figura 2). assim a sua permeabilidade.. álcoois.3 . de prato (ou disco). funcionando como uma resina de troca de cátions. A composição química do revestimento epicuticular é muito variável entre as espécies de plantas (Quadro 1). Externamente. Em geral. Esse conjunto. de camadas superpostas e. (FERREIRA. acredita-se que a cutina aumente de volume (por embebição). ésteres. metabolismo.

O processo de absorção de um herbicida é complicado em razão da espessura. A camada cuticular funciona como uma barreira à perda de água e também como uma barreira à entrada de pesticidas e microrganismos na planta. tanto os herbicidas polares quanto os não-polares penetram nas folhas das plantas. o herbicida.2 7. Apesar das barreiras existentes (como a camada cuticular).0 8.Percentagem de compostos apolares e polares e pH do revestimento epicuticular de diversas espécies de plantas daninhas Espécies daninhas Cyperus rotundus Avena fátua Brachiaria plantaginea Cynodon dactylon Digitaria sanguinalis Echinochloa crus-galli Panicum dichotomiflorum Poa annua Sorghum halepense Amaranthus retroflexus Capsella bursa-pastoris Chenopodium album Datura stramonium Ipomoea purpurea Poligonum lapathifolium Portulaca oleracea Senna obtusifolia Sida spinosa Sinapsis arvensis Solanum nigrum Stellaria media Xhathium orientale Compostos NãoPolares 82 10 17 12 37 27 17 29 6 44 32 32 92 32 12 37 7 85 47 88 9 58 Compostos Polares 17 90 82 88 62 72 82 71 93 55 68 66 7 68 86 63 93 14 52 11 91 41 pH 7. (1975). metabolismo. via simplasto. são importantes nessa interação.0 6. Módulo 3.2 8. pode penetrar no citoplasma. Quadro 1 .2 7. Entretanto. composição química e permeabilidade da cutícula.8 6. a tensão superficial da calda.4 7.0 7.4 6. As folhas das plantas apresentam muitas barreiras à penetração dos herbicidas.0 7. tanto aos polares quanto aos não-polares. através dos plasmodesmas.8 8. a polaridade do composto.0 6.6 8. formulação e misturas 107 . (1991). é que essas barreiras não são totalmente rígidas e distintas. A maior barreira à penetração de um herbicida no citoplasma das células é a membrana citoplasmática.3 .Herbicidas: absorção.0 7. citado por Kissmann (1997). etc. após atravessar a camada cuticular e a parede celular. sobre a penetração dos herbicidas pelas folhas.6 6.0 7.2 7.8 7.5 Fonte: Sandoz Agro Ltda. Uma hipótese citada por Klingman e Ashton. translocação.0 6. As características da solução aplicada. podem acontecer os pressupostos que se seguem (Figura 3).3 8.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É conhecido o fato de que há uma interação bastante complexa entre a natureza química do produto aplicado e a superfície foliar. Existem dois tipos principais de superfícies: uma facilmente molhável (rica em álcoois) e outra de molhagem mais difícil (rica em alcanos).5 6. No momento em que os herbicidas entram em contato com a superfície foliar.

que inclui o movimento no floema (5) Fonte: Hess (1995) Uma grande diversidade de herbicidas.Diagrama hipotético. 108 Módulo 3. permanecer sobre a superfície como um líquido viscoso ou na forma de cristal (2).Herbicidas: absorção. tamanho das partículas e concentração do herbicida. Para os herbicidas nãodissociáveis (amidas. Schmidth et al. penetrar. como: potencial hidrogeniônico (pH).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que variam em função da espécie. da idade da folha e do ambiente sob o qual a folha se desenvolve. Todos esses fatores podem influenciar a absorção de herbicidas. Figura 3 . etc. fatores ambientais (luz. Para os herbicidas orgânicos. Apesar de a constituição física e química e a espessura poderem ser praticamente a mesma. porque reduz sua polaridade. umidade relativa). A absorção de herbicida não está necessariamente relacionada à espessura ou ao peso da cutícula. mas permanecer absorvido nos componentes lipofílicos da cutícula (3). o pH da solução tem pouco ou nenhum efeito sobre a penetração. mas sim à constituição lipídica e ao grau de impedimento da passagem de solutos.3 . espessura da cutícula. atravessa a camada cuticular. A passagem de uma molécula de herbicida através da camada cuticular é um processo físico que pode ser influenciado por uma série de fatores. representando os aspectos: volatilizar e perder para atmosfera ou ser lavado pela chuva (1). cerosidade e pilosidade da folha. 1991). na parede celular e atingir o interior da célula (pela plasmalema) – é a translocação simplástica. que diferem em estrutura e polaridade. uso de agentes ativadores de superfícies (surfatantes) e outros. penetrar na cutícula. metabolismo. translocação. (1981) atribuíram isto à maior polaridade da cutina encontrada nas folhas novas. CESSNA. mas admite-se que os compostos não-polares sigam uma rota lipofílica e os compostos polares. temperatura.esta é chamada translocação apoplástica. a cutícula de folhas nova é mais permeável à água do que a de folhas velhas. o pH mais baixo aumenta a absorção do herbicida. O exato mecanismo de penetração não é totalmente conhecido para todos os herbicidas.). a rota hidrofílica. ésteres. que inclui o movimento no xilema (4) e penetrar na cutícula. derivados de ácidos fracos. Há evidências de que a penetração de herbicidas decresce com o aumento da idade da folha (GROVER. formulação e misturas . na parede celular e então translocar antes de atingir o simplasto .

translocação e grau de detoxificação.. ou baixa umidade relativa do ar e umidade do solo. influenciam a atividade dos herbicidas nos aspectos de absorção. a solução pulverizada poderia. metabolismo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os fatores ambientais. sendo essa água de hidratação da cutícula a rota de penetração destes herbicidas. por provocar maior fluidez dos lipídios da camada cuticular e da membrana celular e. mover-se através do poro de um estômato aberto para dentro da câmara subestomática. a menos que a tensão superficial da solução pulverizada seja muito reduzida pelo uso de surfatantes na formulação ou no tanque do pulverizador. Como os herbicidas atravessam a cutícula? A resposta para essa pergunta ainda não está bem esclarecida. formulação e misturas 109 . umidade relativa. em tese.Herbicidas: absorção. à alteração na composição das ceras ou ao aumento na formação de ceras epicuticulares. mesmo quando o período sem chuva foi de até seis horas. É difícil ou mesmo impossível afirmar qual dos processos é mais influenciado pelas mudanças nas condições do ambiente. foi suficiente para ótimo controle das plantas tratadas. Nas plantas estressadas (déficit hídrico no solo). O grau de impermeabilidade da cutícula pode ser atribuído ao incremento de sua espessura. A natureza da resposta para as diferentes condições ambientais varia com a espécie vegetal. favorece a abertura dos estômatos e pode aumentar o transporte de solutos na planta. A umidade relativa do ar tem efeito mais consistente sobre absorção de herbicidas. Todavia. como temperatura do ar. translocação. Entretanto. o haloxyfop teve sua atividade reduzida de 92% para 12%. e daí para o citoplasma das células do parênquima foliar. Em segundo lugar. A maioria dos Módulo 3. em conjunto. de duas formas. a infiltração pelos estômatos não é possível. A elevação da umidade relativa aumenta o tempo de evaporação da gotícula pulverizada. a cutícula sobre as células-guarda parece mais fina e mais permeável a substâncias do que a cutícula sobre outras células epidérmicas. que se mantém hidratada. comparando pulverizações feitas em plantas de capim-massambará (Sorgum halepense) sem estresse e estressadas. geralmente promovem a formação de cutículas mais impermeáveis. Com relação aos herbicidas hidrofílicos. Os estômatos podem estar envolvidos. admite-se que a cutícula tenha estrutura porosa. em condições de alta luminosidade e estresse hídrico no solo. Primeiro. dependendo das condições ambientais. 1995). Nestas. um intervalo sem chuvas de menos quatro e seis após a aplicação. respectivamente. Segundo Pires et al.3 . Alta temperatura pode melhorar a absorção. provocando a cristalização do herbicida na superfície foliar. Nas plantas estressadas. houve rebrota acentuada da maioria delas. havendo maior absorção dos produtos polares com aumento da umidade (HESS. para o sulfosate e glyphosate. 1995). aumenta a hidratação da cutícula. Uma a duas semanas antes da aplicação. tanto a absorção quanto a translocação são menores (HESS. Supõe-se que os herbicidas lipofílicos se solubilizam nos componentes lipofílicos da camada cuticular e se difundem através da cutícula. conseqüentemente. luz e teores de umidade no solo e na planta. também pode apresentar efeitos negativos devido à maior rapidez do secamento da gota pulverizada. mais rápida absorção do herbicida. 2001 o glyphosate e o sulfosate apresentam máxima atividade em plantas não-estressadas. Condições de alta temperatura e luminosidade. com a penetração de herbicidas nas folhas.

Diversos produtos químicos. etc. mas preparados em soluções. em geral. a eficiência do surfatante depende de sua natureza. têm sido usados como aditivos nas pulverizações. melhorando a retenção e o espalhamento desta sobre a folhagem. 1980). No entanto. Alguns trabalhos têm demonstrado que esse tipo de surfatante pode aumentar inclusive a translocação relativa do produto aplicado (KNOCHE. Os herbicidas são raramente aplicados na forma pura. formulação e misturas . LOADER. a melhoria só ocorre se o surfatante também estiver presente. quando sulfato de amônio é adicionado à solução. incluindo picloram. Em alguns casos o surfatante pode provocar parcial solubilização da cera epicuticular. Também podem ocorrer interações negativas entre os dois herbicidas. atividade do herbicida. aniônicos ou não-iônicos. proporção de 20% p/v. A estimulação da absorção pode ser causada pelo surfatante adicional ou por outros aditivos presentes nas duas formulações misturadas. não têm sido suficientemente positivos ou consistentes para adição de tais aditivos na calda de pulverização e para se tornar uma prática recomendada. No caso do sethoxydim. Este surfatantes são capazes de reduzir a tensão superficial ao ponto de a infiltração pelo estômato ocorrer. Sulfato de amônio. que têm vários propósitos. na concentação de 1 a 10% (p/v).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surfatantes atualmente em uso atua aumentando a penetração cuticular e não consegue reduzir a tensão superficial adequadamente para permitir a penetração estomática. Eles podem também induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal e também aumentar a penetração cuticular. LOADER. no entanto. 110 Módulo 3. para melhorar a penetração ou atividade dos herbicidas aplicados às folhagens. contendo parte hidrofílica e lipofílica. Eles geralmente são compostos de moléculas grandes. 1980). Recentemente. Os resultados dos experimentos de campo.3 . A adição somente do sal provoca decréscimo da atividade em aveia. os mais importantes são os agentes ativadores de superfície. o desenvolvimento de surfatantes à base de organossilicones proporcionou avanço nesse ponto. e podem ser catiônicos. favorecendo mais ainda a penetração do herbicida. metabolismo. Vários autores afirmam que os surfatantes melhoram a penetração e. Sulfato de amônio não melhora atividade do paraquat e na. além de surfatantes e óleos. Por exemplo.Herbicidas: absorção. emulsões.. 1994). translocação. do herbicida em questão. da presença de outros aditivos e das espécies das plantas. A função primária do surfatante é reduzir a tensão superficial da gota. a absorção de um herbicida pode ser influenciada pela presença de outro herbicida misturado na calda. o surfatante lipofílico é eficiente. a atividade do glyphosate é melhorada por surfatantes com alto balanço lipofílico-hidrofílico que pelos surfatantes hidrofílicos que são não-iônicos ou catiônicos (TURNER. ou surfatantes. provoca efeito antagônico com glyphosate (TURNER. glyphosate e sethoxydim. às quais alguns ingredientes são adicionados. ou. Finalmente. Entretanto. tem sido usado para melhorar a atividade de númerosos herbicidas. Destes.

Este processo está sendo implantado em algumas empresas de reflorestamento. floema). Estes produtos são pulverizados ou pincelados no caule da planta. Além do mais. usando-se óleo como veículo.3 . usando imazapyr 20 a 30 dias antes da derrubada das árvores de eucalipto. molinate A penetração de herbicidas através da casca de plantas lenhosas é outra opção que pode ser aproveitada na prática. Baseado na sua estrutura e composição. o periderma é um tecido protetor que substitui a epiderme. alachlor. aos herbicidas aplicados na parte aérea. Outros constituintes comumente encontrados nestas células são ácidos graxos.Herbicidas: absorção. rotas importantes para a penetração de herbicidas pelo caule. Alternativa prática mais eficiente seria injetar o herbicida com equipamento próprio com uma pistola injetora. desprovida da camada de cera. visando evitar a rebrota das cepas. eles são preparados em formulações lipofílicas. que facilitam a penetração de herbicidas. portanto. em diâmetro. translocação. Entretanto. é um sítio de entrada importante para muitos herbicidas aplicados ao solo que são ativos em sementes e durante a germinação e na emergência das plântulas (Quadro 2). tornando-a mais permeável aos herbicidas. metolachlor DCPA oxyfluorfen trifluralin. Lenticelas são estruturas que atravessam o periderma. metabolismo. Quadro 2 . além de serem aplicados em altas concentrações (5-10%).Penetração pelo caule A absorção de herbicidas pode ocorrer pelo caule das plantas jovens (durante emergência) e das adultas. Nas plantas jovens. a barreira que a estria de Gaspary representa na raiz não está presente nestes tecidos. sendo. o herbicida será mecanicamente introduzido através da casca. Neste caso. As células do periderma contêm tanino e são altamente suberizadas. celuloses e terpenos. O crescimento do caule. formulação e misturas 111 . até a região do câmbio (xilema. após a morte de suas células. e. sendo esta uma rota de entrada de herbicidas em muitas espécies de gramíneas. Para atuação de herbicidas aplicados à casca das árvores.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. principalmente os polares. lignina. também. o periderma deve apresentar baixa permeabilidade à água e. Módulo 3.3 . O caule da plântula durante a emergência tem uma cutícula muito pouco desenvolvida. ou. butachlor. causa pequenas rupturas na casca. pendimethalin butylate.Grupos químicos de herbicidas e exemplos de ingredientes ativos que podem ser absorvidos do solo pelas radículas ou partes aéreas emergentes das plântulas Famílias de herbicidas Acetanilidas Ácidos ftálicos Difeniléteres Dinitroanilinas Tiocarbamatos Exemplo de produto acetochlor.

em grande parte. em solução com a água. O que acontece aos herbicidas nesse ponto não está completamente claro. a principal zona de absorção está entre 5 e 50 mm de sua extremidade. 1. para o 2. A disponibilidade dos herbicidas para as raízes é função das propriedades físico-químicas dos herbicidas e do solo e da distribuição espacial destes compostos e das raízes no solo.Penetração pelas raízes Muitos herbicidas aplicados ao solo são absorvidos pelas raízes. normalmente. O sistema radicular das plantas superiores apresenta uma superfície de absorção extremamente grande. Se o herbicida for 112 Módulo 3.4. Os herbicidas têm que entrar em contato com a raiz. depois. Nas raízes jovens. Também a concentração hidrogeniônica. e esta barreira é conhecida por ser impermeável à água. metabolismo. Tem sido observado decréscimo na taxa de absorção de herbicidas devido ao abaixamento da temperatura. ocorre decréscimo nesta taxa até ela se tornar nula. a penetração de água e solutos. passando em seguida à negativa (perda por exsudação). Apesar de não existir nenhuma barreira cuticular na zona dos pêlos radiculares.Fatores que influenciam a absorção através das raízes A absorção de herbicidas pelas raízes é caracterizada por uma fase inicial de elevada taxa de absorção durante os 30 primeiros minutos até 2 horas. principalmente quando o composto é sujeito à ionização.3 . Na endoderme ou antes dela. uma vez que nenhuma camada significativa de cera ou cutícula está presente nas partes das raízes onde a maior parte de absorção de herbicidas ocorre. a taxa de absorção aumenta rapidamente logo após a aplicação e. Muitos herbicidas com estruturas moleculares. há uma barreira lipídica localizada na endoderme da raiz. todas as paredes radiais contêm uma banda fortemente impregnada com suberina (estria de Gaspary). translocação.1 . a água que se move em direção ao xilema deve entrar no simplasto. tamanhos e solubilidades diferentes são prontamente absorvidos pelas raízes. Na endoderme. ou.4-D. Por exemplo. estar relacionado com a viscosidade da água (sob condições de baixa temperatura) e com reações químicas (absorção ativa). 4). até a zona de absorção das raízes. Os pêlos radiculares são responsáveis por aumento significativo da área disponível para a absorção de água e de herbicidas (Fig. pode influenciar a absorção de herbicidas pelas raízes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. o que pode ocorrer pelo crescimento desta ou pela difusão do herbicida no estado gasoso e. com alta permeabilidade à água e a solutos (sais). ocorre. Embora raízes jovens sejam também cobertas por uma camada cerosa e as mais velhas sejam fortemente suberizadas.4 . próxima à zona de absorção radicular. A entrada dos herbicidas pelas raízes não é tão limitada quanto pelas folhas. A rota mais importante de entrada é a passagem do herbicida junto com a água através dos pêlos radiculares existentes nas extremidades das raízes. formulação e misturas .Herbicidas: absorção. seguida por uma fase de absorção mais lenta. Esse fenômeno pode.

passivamente. demanda energia. Uma vez dentro do citoplasma das células. também é ativa ou dependente de energia. podendo. A segunda fase de absorção. mas não o foram para monuron. translocados via xilema.2 .Herbicidas: absorção. absorção bloqueada por inibidores metabólicos. existe uma relação linear entre a concentração do produto disponível e a sua penetração pela raiz. se difundem nos espaços livres das células da epiderme do córtex da zona de absorção. no xilema. é um processo passivo a puramente físico e. atrazine e napropamide. dependendo das características do produto. mas hiperbólica. Sendo os herbicidas. como lipofilicidade e pka.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas absorvido em solução com a água. Embora alguns trabalhos demonstrem estreita relação entre transpiração e absorção. translocação. dentro de determinados limites. então. a absorção de herbicidas polares.3 . o pH que aumenta a sua polaridade beneficia também a sua absorção e penetração pelas raízes. inicialmente. ou. também. em geral. sendo os herbicidas mais lipofílicos absorvidos mais rapidamente. Também atrazine e amitrole tiveram absorção passiva. A absorção de herbicidas pela raiz também pode ser limitada por ligações ou adsorção do herbicida nos componentes celulares. por exemplo. apresentando baixo Q10. De modo geral. em parte. Como a Módulo 3. Essas condições foram satisfeitas para absorção de 2. para picloram. A segunda fase da absorção. Não há dados suficientes para o entendimento completo de mecanismo de absorção de todos os herbicidas. Esta fase tem um Q10 maior que a fase inicial e é sensível a inibidores metabólicos. estabelecendo um gradiente de concentração entre a parte externa da raiz (solução do solo) e a interna da planta (corrente de assimilados). Alta temperatura e irradiância. portanto. 1. dependente da concentração. o produto atravessá-la livremente. al.Mecanismo de absorção de herbicidas A primeira fase de absorção é independente de energia metabólica. que consiste em atravessar a membrana citoplasmática (plasmalema). (1973) a taxa de absorção de herbicida correlaciona-se com o coeficiente de partição óleo/água. A linearidade é perdida quando o herbicida exerce efeito tóxico sobre a planta. portanto. taxa de absorção não é função linear da concentração externa. baixa umidade relativa do ar. Para os herbicidas polares. metabolismo.4-D. A correlação entre transpiração e absorção é válida para os herbicidas polares. conseqüentemente.4. Também as propriedades físico-químicas dos herbicidas. Os herbicidas solúveis na água. a corrente transpiratória correlaciona-se com o transporte destes para a parte aérea da planta. segundo Donaldson et. influenciam a absorção. Quanto à concentração do herbicida. podem ser adsorvidas. formulação e misturas 113 . indicando que o 2. além do pH da solução do solo. Triazinas e uréias. pelas raízes. inibidores metabólicos. entretanto. ele pode penetrar no floema e.. é um processo ativo de absorção. requerimento de oxigênio. a energia necessária à manutenção da seletividade da plasmalema é inibida. existem herbicidas não-polares que são. (1973) listam os seguintes critérios para a absorção ser ativa ou dependente de energia: Q10 ≥ 2.4-D é acumulado ativamente e o monuron. há evidências contrárias. e acumulação contra um gradiente de concentração. de onde se transloca até seu sítio de ação. Donaldson et al. o que geralmente não é o caso da segunda fase. alta temperatura do solo e alto potencial de água no solo são condições que favorecem a transpiração e. Até aí. prontamente absorvidos pelas raízes.

Moléculas de herbicidas capazes de penetrar nas paredes celulares translocam-se via apoplasto. • . x . ou. por Mengel e Kikby (1982). partição nos lipídios do citoplasma ou metabolismo a produtos polares que 114 Módulo 3. o . representando a absorção de herbicidas pelas raízes Durante a fase de absorção dependente de energia. Estas incluem ligações nos tecidos do citoplasma. formulação e misturas .Moléculas de herbicidas capazes de entrar no protoplasma via simplasto (passam de célula em célula através dos plasmodesmatas) e atingem o floema.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas translocação via xilema é muito mais rápida que a translocação via floema. mostrando suas principais estruturas. (b) Diagrama hipotético. translocação. floema por ambas as vias (simplásticas ou apoplásticas). metabolismo.Herbicidas: absorção. e há várias explicações para isso. Figura 4 . difundem-se através das estrias de Caspary e atingem o xilema. há tendência de aqueles herbicidas que são capazes de passar livremente do floema para o xilema serem de baixa ou nenhuma translocação via floema.(a) Secção transversal de uma raiz.Moléculas de herbicidas capazes de penetrar no xilema e. os herbicidas podem ser acumulados contra um gradiente de concentração.3 .

2.Acumulação de herbicidas (ácidos fracos) no interior da célula (a) e sítios de dissociação dos herbicidas (b): bentazon. metabolismo. quando aplicadas nas folhas das plantas. Essas moléculas dissociadas (ânions) são menos capazes de atravessar a plasmalema do que as moléculas neutras. são exsudadas pelas raízes. onde.4-D.4-D. como os derivados do ácido fenóxico acético.Herbicidas: absorção. benzóico ou picolínico. fenilacético. Figura 5 . translocação. provavelmente. Uma vez que o pH no citoplasma é uma a duas unidades maior que o pH do meio externo da célula. chlorsulfuron. correspondendo à zona de absorção. como 2.3 . podendo ser um dos fatores responsáveis pela tolerância desta ao herbicida. Várias classes de importantes compostos. evidenciando que ela se dá por processo metabólico. Normalmente. Os herbicidas não-polares seguem uma rota lipofílica até atingirem a plasmalema. Esta é a explicação alternativa para a acumulação de ácidos fracos. A exsudação também está relacionada com a detoxificação da planta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas são menos hábeis para se difundir através da plasmalema. A zona da raiz mais ativa na exsudação é a zona de alongamento. impedem a ação seletiva desta. acumulando-se no interior da célula (Figura 5). os ácidos fracos se dissociam mais e entram no citoplasma. A exsudação é um fenômeno limitado apenas às raízes integrais (sem cortes) e vivas. formulação e misturas 115 . os produtos de maior afinidade por substâncias lipofílicas (lipofilicidade) atravessam mais facilmente a plasmalema. imazethapyr e sethoxydin Fonte: Stelling (1994) Módulo 3.

Translocação de herbicidas Há várias razões pelas quais é importante o estudo de translocação de herbicidas. 2. principalmente de arbustos e árvores. de onde são transpostos para o floema. 116 Módulo 3. Para a maioria dos herbicidas aplicados ao solo. necessitam que determinada quantidade do produto seja capaz de translocar e atingir estes orgãos de recuperação. como ponto de crescimento. Apoplástico . O movimento de solutos e assimilados no interior das plantas superiores pode ser definido.contrariamente ao simplasto. como a massa total de células vivas de uma planta. incluindo as paredes celulares. para exercerem a sua efetiva ação herbicida. até atingirem as células companheiras.. os espaços intercelulares e o xilema.Conceito de movimento simplástico e apoplástico Simplástico . basicamente. o aumento na translocação de um produto aumentará a sua eficiência.Herbicidas: absorção. sem atravessar as barreiras à permeabilidade. Plantas jovens.3 . para que produza controle eficiente. Íons e moléculas podem movi¬mentar-se de célula para célula através dessas estruturas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . que são as membranas citoplasmáticas. a translocação é também de grande importância. considerando que não é fácil atingir toda a superfície foliar de uma planta. e tendo em vista que há diferença de penetração de herbicida nas diferentes posições da parte aérea da planta. aquelas plantas que são capazes de se regenerar através de bulbos.1 . citados por Hay (1976). quando ocorre completa cobertura da parte aérea pela calda herbicida pulverizada. tubérculos. menores serão os custos de aplicação e os riscos de causar prejuízos ao meio ambiente.foi definido por Crafts e Crisp. O floema é o principal componente do simplasto. com velocidade de 60 a 100 vezes maior que o movimento no sentido radial. denominado plasmodesmas. podem ser mortas por herbicidas de contato. formando um conjunto contínuo através das intercomunicações do citoplasma. estolons. em 1971. Por outro lado. cloroplastos. que não são capazes de se regenerar através de seus órgãos subterrâneos. translocação. formulação e misturas . Entretanto. então as doses aplicadas deste produto podem ser reduzidas. metabolismo. como visto a seguir. Transporte a longa distância ocorre através dos tubos crivados (floema). etc. etc. os quais formam um sistema contínuo no qual a água e os solutos se movimentam livremente. é formado pelo conjunto de células mortas. conseqüentemente. em dois sentidos. Muitos herbicidas são absorvidos pelas raízes ou pelas partes subterrâneas do caule e são translocados para outras áreas. rizomas. Se a translocação de um herbicida pode ser aumentada.

mas somente as células companheiras estão diretamente ligadas ao floema. que acompanham as células do floema. caules ou outros órgãos fotossintetizantes) para o dreno (áreas meristemáticas. inicialmente. flores e frutos em desenvolvimento. em direção contrária ao gradiente de concentração.1.O decréscimo da concentração dos assimilados ao longo dos vasos. Uma vez que estes assimilados se movem para dentro desses vasos. As células com protoplasma muito denso e com pontuações na parte interna da parede celular permitem maior superfície de contato entre o sistema simplástico e o apoplástico. conseqüentemente. se transformam em uma fonte. Contudo. nestes vasos. após o que podem subir pelo floema ou penetrar no xilema e se translocar com a corrente transpiratória. para se translocarem das folhas para a parte superior da planta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. A alta pressão de turgor.Herbicidas: absorção. Os assimilados. que a estria de Gaspary não está presente nos ápices Módulo 3. têm. principalmente sacarose) dentro dos vasos. Estas células são conhecidas como células de transferências e parecem funcionar no carregamento dos vasos do floema e na transferência do floema para o xilema. suporta essa teoria.3 . das células de transferência e das células companheiras estão diretamente intercomunicados. enquanto as produzidas nas folhas da parte superior da planta são transportadas para as folhas novas e os brotos terminais. na endoderme. A hipótese do transporte pelo fluxo de massa envolve uma corrente de solutos movendo-se da fonte (folhas. supunha-se que as substâncias (íons ou moléculas) rompiam essa barreira e penetravam no sistema simplástico das células.1 . quando amadurecem. porém o mecanismo desse carregamento. são um dreno e. Parte dessa distância ocorre pelo sistema apoplástico. Acredita-se que herbicidas e outras substâncias se movimentem juntamente com esse fluxo. O movimento para dentro do floema (carregamento) deve ser um processo ativo.5 vezes o diâmetro da célula.Movimento descendente Os assimilados e solutos se movem a uma distância média correspondente a 2. translocação. Citoplasmas das células do mesófilo. As folhas. Sabe-se.1. que descer até atingir o caule. As células companheiras e as células parenquematosas. Substâncias fotossintetizadas nas folhas da base da planta são transportadas para as raízes. antes de alcançar os vasos menores do floema. primeiro. 2. de alguma forma ainda não definida. para muitas substâncias.Movimento ascendente Íons e moléculas podem difundir-se pelos espaços intercelulares e paredes celulares do córtex. O movimento por esta rota para o interior da raiz é bloqueado pelas paredes longitudinais das “estrias de Gaspary”. hoje. A teoria do transporte pelo fluxo de massa baseia-se na elevação da concentração de assimilados (açúcares. raízes e tecidos ou órgãos de reserva). é ainda desconhecido.2 . à medida que se distancia da fonte. metabolismo. força o fluxo em massa do conteúdo nele existente. assume-se que esse movimento ocorra à custa de energia metabólica. formulação e misturas 117 . causando elevação do potencial osmótico e. penetração de água dentro destas células. no entanto. estão envolvidas no fluxo de carregamento destes vasos.

3 .4-D. 2. ou. pelas raízes. Se a planta é retirada da solução com herbicida e colocada numa solução sem herbicida.Herbicidas: absorção. CIAMPOROVÁ. Aplicado nas folhas das plantas.os representantes deste grupo translocam-se pelo floema e. Exsuda-se. no sentido descendente. o picloram é. A presença de folhas jovens na planta aumenta a translocação do produto para as raízes. a concentração do produto diminui nas raízes e nas folhas fotossintetizadoras e se concentra nas regiões meristemáticas desta. A morte ou injúria das raízes reduz a sua exsudação. mover-se de célula para célula. apesar de ser bastante móvel no sentido basípeto da planta. 118 Módulo 3. nos pontos de crescimento e nas raízes. em grande proporção. ele se acumula nos pontos de crescimento. pode controlar uma séria invasora do milho. Em geral. O 2. Essas substâncias podem. para folhas e pontos de crescimento da planta. é rapidamente absorvido e translocado para todas as partes da planta.6-TBA .é altamente móvel na planta. pode danificar a cultura quando ele for injetado em algumas espécies que são capazes de excretá-lo através de suas raízes. xilema e acumulam-se nos pontos de crescimento (tecido meristemático). até certo ponto. ser absorvido por plantas vizinhas não-tratadas. principalmente. Picloram . ou vazar para o xilema parenquimatoso e ser transportadas no sentido acrópeto pela corrente transpiratória. não se acumulam na raiz por causa do fenômeno da exsudação. pelo sistema simplástico.quando aplicado em solução nutritiva. Aplicado nas raízes ou nas folhas. o que pode representar importante rota de passagem dos herbicidas do apoplasto para o simplasto. formulação e misturas . Apesar de se translocarem no sentido descendente.4-D. visando reduzir o sombreamento de culturas como o cacau. aproximadamente. metabolismo.4-D move-se do floema para o xilema e retorna à folha tratada. podendo. translocação. Apesar de apresentar pequena acumulação na raiz. as condições ambientais favoráveis à transpiração (umidade relativa baixa. neste caso. ele se transloca até as raízes e. que é a striga (erva-debruxa).Translocação de alguns herbicidas Dicamba . elevadas temperaturas e adequado suprimento de água no solo) são também favoráveis à translocação dos produtos que se movimentam pelo sistema apoplástico. pode ser exsudado pelas raízes. também ocorre acumulação nas folhas jovens. 10 vezes mais tóxico às raízes que o 2. 1992).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas radiculares de células endodérmicas jovens e na região basal das raízes laterais em desenvolvimento (LUXOVÁ.4-D. talvez por inibir o movimento junto à corrente transpiratória. A sua pequena acumulação nas raízes está. sendo exsudado. Pequena acumulação ocorre nas raízes. 2.3 . A adição do ácido 2-cloroetil-fosfônico (ethrel) ao dicamba aumenta a sua translocação.1. podendo causar danos às plantas adjacentes às tratadas. então. Derivados do ácido fenóxico . semelhante ao 2. espalhando-se rapidamente por toda a planta. indicando ser este um processo que requer energia. Aplicado nas folhas do milho. Se o produto é aplicado nas folhas. O uso deste herbicida no raleamento de floresta. relacionada com sua exsudação por elas.parece movimentar-se prontamente em ambos os sistemas (apoplásticos e simplásticos). A elevação da umidade relativa pode aumentar o movimento descendente do 2. Ele transloca-se.3.

onde atuam. como metribuzin. ao inibir a fotossíntese. porém se translocam apenas do ponto de aplicação para as extremidades da parte da planta onde foram aplicadas. promove o acúmulo de CO2 na câmara subestomática. Ocorre paralisação da translocação em aveia uma hora após o tratamento. em plantas de algodão. Algumas uréias. por causa do fechamento dos estômatos (redução na taxa de transpiração). Altas concentrações destes produtos são encontradas em glândulas ricas em óleo (verdadeira barreira à translocação destes herbicidas) localizadas ao longo do caule e nas folhas da planta. formulação e misturas 119 . onde inibem a síntese de aminoácidos. principalmente quando aplicados durante o dia. principalmente diuron. A translocação das raízes para os caules parece estar relacionada com a lipofilicidade das imidazolinonas. Os estômatos fecham-se porque o herbicida. são também absorvidas pelas folhas. espalham-se por toda a planta. Imazaquin é muito ativo no milho. principalmente. concentrando-se nas extremidades das folhas. aparecem os sintomas de toxidez. em menor proporção. principalmente nos cloroplastos.estes herbicidas são absorvidos por folhas. em razão de sua rapidez de ação. A taxa de absorção decresce algum tempo após a aplicação. Na prática. A sua velocidade de ação é proporcional à intensidade luminosa. As triazinas também se acumulam em glândulas ricas em óleos. Entretanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Uréias . são bastante toleradas pelos citros e pelo algodão. Aplicados às folhas. eles são considerados herbicidas de contato. eles não se translocam de uma folha para outra. onde. Contudo. fluometuron e linuron. penetram no simplasto. a pequena translocação do produto ocorre pelo sistema apoplástico. Módulo 3. em solução nutritiva. inicialmente.a maioria das triazinas são mais facilmente absorvidas pelas raízes. Imidazolinonas . Triazinas . caules e raízes e se trans¬locam via floema ou xilema até os pontos de crescimento. como herbicidas não translocáveis nas plantas. os cloroplastos. mais rápida é absorvida pelas raízes e mais rápida é a translocação para o caule. Bipiridílios – são considerados. Alguns trabalhos mostram que a translocação é aumentada pela redução da umidade relativa (elevação da transpiração). mas pouco ativo em Avena fatua. a translocação da folha para o caule parece não estar relacionada com a lipofilicidade. portanto. Quando o paraquat é aplicado no escuro. ametryn e atrazine. parece que ele atinge o xilema antes de necrosar o tecido e se move com a corrente transpiratória tão logo a planta seja exposta à luz. sob forte intensidade luminosa. enquanto a translocação no milho continua por muito tempo. metabolismo. Outros autores admitem que a translocação ocorrida na planta seja por difusão causada pelo rompimento das células. translocação. que é concentrada nos tecidos meristemáticos. A diferença de translocação do imazaquin pode ser a causa das diferenças na susceptibilidade entre as espécies.3 . Algumas. Aplicados às raízes. Assim. Aparentemente. de alguma forma. quanto mais lipofílica for a imidazolinona.Herbicidas: absorção. sendo todas elas translocadas exclusivamente via xilema. dentro de 30 minutos elas podem ser detectadas no topo da planta. Quando aplicadas às raízes das plantas. Fatores que reduzem a transpiração da planta reduzem também a sua translocação.os derivados da uréia substituída são translocados exclusivamente via apoplástica. na prática. atingindo. O sítio de ação dos herbicidas deste grupo é a enzima AHAS (ácido aceto hidroxi sintase).

aminoácidos também são mecanismos de inativação do 2.4-DB → β oxidação → 2.5 T. alanina. na época da colheita das estruturas utilizadas para a alimentação. • hidroxilação do anel aromático. A hidroxilação na posição ‘3’ e a sua conseqüente conjugação com glucose e. e • conjugação do composto com constituintes da planta. na planta. conhecer os seus metabólitos e a forma como são metabolizados. Para vários grupos de herbicidas (ex. aqui. Os compostos geralmente encontrados em conjugação com 2. incluindo absorção.Metabolismo dos herbicidas nas plantas A seletividade dos herbicidas pode ser atribuída a numerosos fatores. causando a inativação do herbicida. A maioria das plantas degrada a cadeia do ácido acético. etc.4.4-D).4-DB também é metabolizado por algumas plantas (Figura 7).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . Derivados dos ácidos fenóxicos Há três mecanismos básicos envolvidos no metabolismo dos derivados do ácido fenóxido acético (Figura 6): • degradação da cadeia do ácido acético.6 T. há hidroxilação na posição anterior do cloro. As agências governa¬mentais estabelecem limites de tolerância de resíduos dos produtos na planta.: auxínicos.3. É importante saber não só que o herbicida é metabolizado. o estudo de seus metabolismos é relativamente recente. valina. Algumas leguminosas. 120 Módulo 3. Embora os herbicidas venham sendo usados há mais de 50 anos. transformando-se em composto tóxico (2. translocação.4-D. formulação e misturas . fenilalanina e triptofano. com conseqüente conjugação desta hidroxila com constituintes da planta. A hidroxilação na posição ‘para’ inativa o produto.4-D são: ácido aspártico. na passagem do cloro de uma posição para outra.Herbicidas: absorção. formando o 2. como a alfafa. leucina. Normalmente. também. Uma das maneiras pelas quais as plantas se livram destes produtos é através do metabolismo destes. metabolismo. mas. também o inativam. É muito importante saber se o herbicida é metabolizado ou não. o toleram. Tratar-se-á.3 . translocação. metabolismo o da molécula é uma das principais causas da seletividade. metabolismo. ou. A transferência do cloro da posição '4' para a posição '3' e a passagem do cloro da posição '5' para posição ‘6’ do 2. inibidores da ALS e da ACCase). ácido glutâmico. mas somente algumas espécies o degradam em velocidade suficientemente rápida para aumentar ou proporcionar a sua tolerância ao produto. O 2. do metabolismo dos herbicidas nas plantas apenas em relação à sua detoxificação.

3 .4-D em plantas superiores Triazinas Algumas plantas. Figura 6 . enquanto em espécies suscetíveis (feijão e pepino) a degradação Módulo 3. metabolismo. sorgo e cana-de-açúcar. principalmente gramíneas como milho. dando tempo para que outros processos metabólicos realizem a sua degradação.4-DB a 2.Herbicidas: absorção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas porque não o transformam em 2.4-D ou o fazem muito lentamente. Em espécies tolerantes. formulação e misturas 121 .4-D em plantas superiores Figura 7 – β oxidação do 2. translocação.Biotransformação e rotas metabólicas do 2. elas são rapidamente degradadas (Figura 8). antes da saturação dos sítios de ação do produto. são altamente tolerantes às clorotriazinas (atrazine e simazine). A taxa de degradação das triazinas em plantas superiores varia grandemente com as diferentes espécies.

Biotransformação e rotas metabólicas de atrazine em plantas superiores Os processos de inativação ocorrem pela hidroxilação. O metabolismo do metribuzin nas plantas superiores pode ser observado na Figura 9. o que favorece a tolerância das plantas a estes herbicidas. A N-dealquilação é outra rota do metabolismo das triazinas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas é mais lenta. Glutation-Stransferase é a enzima envolvida nessa conjugação. a taxa de degradação das triazinas parece ser. a base de seletividade destes herbicidas às plantas. Esta substância ocorre em toda a planta de milho. mas a hidroxilação é mais intensa nas raízes. indicando que nestas a benzoxazinona é mais ativa. A substância catalisadora dessa reação foi identificada como benzoxazinona. Também pode ocorrer conjugação das triazinas com peptídeos.3 . metabolismo. formulação e misturas . 122 Módulo 3. Portanto. Figura 8 .Herbicidas: absorção. primariamente. translocação. Extratos das raízes e da parte aérea do milho são capazes de hidroxilar as clorotriazinas. demetoxilação e dealquilação na posição ′N′ e por conjugação com peptídeos.

Entre os compostos deste grupo. Enquanto estas inibem raízes e pontos de crescimento. o propanil inibe o fotossistema II. formando a correspondente anilina. o 2.3. Propanil É uma exceção entre as amidas. demetoxilação e deaquilação.6-TBA é considerado um herbicida estável.Biotransformação e rotas metabólicas do metribuzim em plantas superiores Derivados dos ácidos benzóico A hidroxilação do anel aromático e a sua conjugação com outros constituintes da planta são demonstradas na prática. a ruptura do anel. tanto na planta quanto no solo. formulação e misturas 123 . translocação. ainda. Derivados da uréia As principais rotas do metabolismo das uréias substituídas estão relacionadas com a demetilação e. e também com a conjugação com os constituintes da planta.Herbicidas: absorção.3 . ou. Entretanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 . É um produto não-seletivo e de elevada eficiência no controle de plantas daninhas perenes. É considerado um herbicida completamente metabolizado pelas Módulo 3. metabolismo. não se demonstrou. incluindo as de raízes profundas.

Hidrólise do propanil em plantas de arroz O metabólito 3-4-dicloroanilina formado pode ser conjugado com constituintes da planta. citados por Foy (1976). como o capimarroz. Esta enzima é sensível aos inseticidas carbamatos e fosforados orgânicos. como o arroz. 124 Módulo 3. A sua alta atividade como arbusticida e arborecida está relacionada com a sua estabilidade na planta. translocação.3 . formulação e misturas . Picloram: É um produto altamente estável na planta e no solo. sensível. principalmente com diversos tipos de carboidratos. Comparando a atividade do 2.Herbicidas: absorção. em trigo. A velocidade de sua metabolização influencia decisivamente a tolerância da planta. Figura 10 . podendo a mistura do propanil com estes compostos causar sensível redução na tolerância do arroz ao propanil ou até perda total de seletividade do propanil a essa cultura. Trabalhos realizados por Redemann e outros. por causa de sua lenta degradação. O 3-4-diclorolactoanilida é um composto intermediário e instável nas plantas tolerantes. por unidade de tempo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantas tolerantes (Figura 10). considerando-se o tempo de ação. razão pela qual o arroz é tolerante e o capim-arroz.4-D é mais ativo que o picloram. Entretanto. A enzima envolvida nesse processo (arilacilamidase) é 10 a 20 vezes mais ativa no arroz que no capim-arroz. metabolismo.4-D com a do picloram (em algumas espécies de plantas latifoliadas). mostraram que somente 17% do picloram tinha sido metabolizado três meses após a sua aplicação. o picloram é mais de 10 vezes mais ativo. observou-se que o 2. ele se acumula e inibe a reação devido à menor atividade da enzima que o degrada. Nas plantas sensíveis.

no Brasil. Os surfatantes são classificados de acordo com sua carga elétrica ou tendência de ionizar a porção hidrofílica da molécula. espalhantes. Eles podem ser: minerais (formulados com predominância de frações parafínicas de hidrocarbonetos). corantes (dão coloração ao produto formulado). Os óleos não-fitotóxicos também têm grande uso como adjuvante. solventes (dissolvem o ingrediente ativo). é comercializado em formulações diferentes em várias regiões do mundo. penetrantes. A formulação é a etapa final da industrialização. formulação e misturas 125 . ingrediente ativo é o composto com atividade biológica. Módulo 3. às vezes. e os ingredientes inertes são os outros compostos adicionados na formulação. segundo Kissmann (1997). adesivos (melhoram a aderência do produto com a superfície tratada). para poder cumprir eficazmente sua finalidade biológica. Os minerais também podem servir como veículo para aplicação de herbicidas. antievaporantes e. O mesmo ingrediente ativo. seja como molhantes. molhantes (permitem rápida umectação do produto em contato com a água).Formulação Formular um herbicida consiste em preparar seu ingrediente ativo na concentração adequada. vegetais (apresentam porções variadas de ácidos graxos) e vegetais metilados (sofrem esterificação metílica). que é acrescida na preparação de defensivos para facilitar a aplicação ou aumentar a eficiência ou diminuir os riscos é classificada como adjuvante. espessantes (aumentam a viscosidade). Eles podem ser aniônicos (carregados negativamente). e surfatantes (agentes ativadores de superfície). mantendo essas condições durante o armazenamento e transporte (ARAÚJO. catiônicos (carregados positivamente) e não-iônicos (neutros). servindo de interface entre as superfícies. metabolismo. tamponantes (deixam o pH dentro de uma faixa desejada). 1997).Herbicidas: absorção. exceto água. adicionando substâncias coadjuvantes. pelos estômatos. é uma formulação universal que possa ser usada em diversos países. que não alteram o equilíbrio eletrolítico nas formulações e nas caldas. translocação. dispersantes (impedem a aglomeração de partículas). Recentemente surgiram os surfatantes à base de organossilicones. ou. quelatizantes (tiram reatividade de moléculas e íons). mas a tendência atual. Entre as classes de adjuvantes podem-se citar: emulsificantes (compatibilizam frações polares e apolares). que são capazes de reduzir muito a tensão superficial e até induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal. fazendo com que o herbicida penetre. por possuírem porções lipofílicas e hidrofílicas na mesma molécula. tendo em vista que o produto final deve ser usado em determinadas condições técnicas de aplicação. também. Estes compotos causam redução da tensão superficial. Na legislação federal sobre produtos fitossanitários. Qualquer substância ou composto sem propriedade fitossanitária.3 . Os surfatantes ou tensoativos são também adjuvantes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . adesivos.

causando desnaturação enzimática ou disfunção das membranas e. deve apresentar bom espalhamento. Deve-se salientar que essa dureza é calculada em função do teor de CaCO3 .2-142. A escolha da formulação a ser usada baseia-se. tanto física (sem absorção ou repulsão entre os ingredientes) como química (sem alteração dos compostos) ou biologicamente (a mistura deve ser eficiente para o controle) e ser estável. tem que ser compatível. boa retenção na superfície da folha. especialmente os de Ca++ e de Mg++. ou seja. tornando-os indisponíveis. Os sufatantes podem.0 > 534. necessidade de armazenagem e tipo de ambiente em que a aplicação é feita. que deve ser de boa qualidade. metabolismo. perigo de deriva e lixiviação. Uma formulação de herbicida pode ser considerada de boa qualidade se atender aos seguintes requisitos: ser letal à planta daninha ou. custo. Um exemplo claro dessa ação ocorre com os compostos catiônicos (paraquat e diquat). 1997). os surfactantes favorecem o espalhamento uniforme da calda na superfície foliar. formulação e misturas . 1997).4 320. aumentam a retenção e melhoram o contato da gotícula. caso esta já esteja instalada. Deve também permitir a associação de produtos.2 71.0 126 Módulo 3. Também.4-320. como sendo fitotóxicos. equipamento de aplicação disponível. por diminuírem ou eliminarem a seletividade de alguns herbicidas e até favorecerem ataques de fungos pela remoção da camada cerosa protetora ou por espalharem os esporos pela superfície vegetal (Kissmann.4-534. assim. podem solubilizar substâncias não-polares da folha.3 . Além disso.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Além da redução da tensão superficial. nos seguintes fatores: características físicas e biológicas da planta daninha-alvo. permanecer ativa por um longo período. favorecer mais a penetração do herbicida (RADOSEVICH.1 . Quadro 3 . também. danosa a ela.Veículo de aplicação (água) O veículo mais importante para diluir formulações de produtos fitossanitários a serem aplicados por pulverização ou imersão é a água. Argilas e compostos orgânicos em suspenão na água podem absorver alguns tipos de ingredientes ativos. que são inativados parcial ou totalmente. no mínimo. e não afetar os microrganismos benéficos e a cultura.4 142. possível injúria na cultura.Classes de dureza da água Classes Água muito branda Água branda Água semidura Água dura Água muito dura ppm de CaCO3 71. 4. que são os principais causadores da dureza da água. A água quase sempre apresenta sais em dissolução. assumir conotações negativas em certos casos. e penetração foliar eficiente.Herbicidas: absorção. segundo Ozkan (1995). translocação.

as caldas fitossanitárias apresentam mais estabilidade numa faixa de pH entre 6. maior concentração de Módulo 3. com conseqüente perda da função desses surfatantes. As indústrias geralmente já formulam seus produtos para serem compatíveis com 20 até 320 ppm de carbonato de cálcio. formando compostos insolúveis. os elementos responsáveis pela dureza da água Ca++ e Mg++ podem substituí-los.ingredientes ativos à base de ácidos ou sais podem reagir na presença dos cátions Ca++ e Mg++ . não requerendo agitação durante aplicação. Geralmente. Geralmente. Nos ingredientes ativos . cuja velocidade depende do pH. com possíveis substituições e formações de compostos insolúveis. etc). antes da aplicação. metabolismo. translocação. transformase numa suspensão. Outro fator muito importante que pode influir na estabilidade dos herbicidas e nos resultados é o pH da água. podem sofrer degradação por hidrólise.Formulações sólidas Pó molhável (PM): esta formulação é definida pela ABNT como formulação sólida de pó. o que isolaria a carga elétrica e suprimiria a reatividade de íons desta. Possui a vantagem de ter. Adiciona-se geralmente uma substância dispersante. É obtida pela moagem do ingrediente ativo absorvido em material inerte (sílica. Valores extremos de pH podem afetar a estabilidade das caldas.1 . e a constante de dissociação também é dependente do pH. de duas maneiras: acrescentando um surfatante não-iônico. o que reduziria a tensão superficial dos líquidos. para aplicação sob a forma de suspensão após desintegração e dispersão em água.2. basicamente. Pó solúvel (PS): nesta formulação o ingrediente ativo é totalmente solúvel em água.na presença de tensoativos aniônicos contendo Na+ ou K+. Durante a aplicação. vermiculita. possui 50 a 80% de ingrediente ativo (ex: Sencor BR. descaracterizando sua ação biológica. após dispersão em água. no produto comercial. que representa água semidura.2 . e este. precisa-se de uma agitação contínua no tanque. A dureza da água pode ser corrigida. para evitar floculação e aumentar a establilidade da suspensão. Muitas moléculas sofrem dissociação quando em solução. sob a forma de suspensão.5. Muitos produtos que ficam preparados em água por muito tempo.3 . para aplicação.0 e 6.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A dureza da água interfere na qualidade das caldas dos herbicidas de duas maneiras: Nas formulações . 4. Grânulos dispersíveis em água (GRDA ou dry flowable): é uma formulação sólida constituída de grânulos. segundo Kissmann (1997). 700 g kg-1 de metribuzin). nas formas sólida e líquida.Herbicidas: absorção. ou acrescentando um quelatizante na água.Tipos de formulações As formulações apresentam-se. O ingrediente ativo sólido está na forma de grânulos. adicionado em água. 4. formulação e misturas 127 .

e do solvente. metabolismo. acetona.: DMA 806 BR. para aplicação após a diluição em água. 1997) (ex. requerendo. que pode ser água. ele deve ser solúvel em pelo menos 25% por litro do solvente. diferindo-se por possuírem partículas de maior tamanho. Esta formulação contém as fases ‘oleosa’ (contendo o ingrediente ativo e o solvente orgânico surfatante) e ‘aquosa’ (que também pode conter 128 Módulo 3. Para que um produto seja formulado como solução. podem ser aplicados em locais de difícil acesso. Em geral. etc. como a vermiculita. Devido à sua pouca penetração foliar.Herbicidas: absorção. o princípio ativo sólido (micropartículas) é mantido suspenso em água. 110 g L-1 de fenoxaprop-p-ethyl). A importância desta formulação reside na possibilidade de poder compatibilizar dois tipos de formulações diferentes. são mais seletivos. translocação. e um agente emulsificante. Possui maior penetração foliar. 670 g L-1 de 2. para aplicação após diluição em água. 4-D).: Karmex 500 SC. 200 g kg-1 de molinate). Emulsões concentradas: esta formulação é uma emulsão de ingrediente ativo de baixo ponto de fusão ou líquido. álcool. com um solvente nãopolar (o ingrediente ativo). sendo um deles disperso como glóbulos de pequeno tamanho dentro do outro.2 .: Dual 960 CE. 500 g L-1 de diuron). com isso.: Podium. VALE. constituída de uma dispersão estável de ingredientes ativos na forma de partículas sólidas e de finos grânulos na fase aquosa. têm maiores custos e dependem de equipamentos adequados para aplicação e de umidade no solo para liberar o ingrediente ativo (ex. Suspensão concentrada (S) ou “flowable”: é uma formulação constituída por uma suspensão estável de ingrediente(s) ativo(s) num veículo líquido.2. que é o ingrediente ativo. Concentrado emulsionável (CE): é uma formulação líquida homogênea. permanece por longos períodos em suspensão (mistura mais homogênea) e provoca menos desgaste nos bicos (ZAMBOLIM. 960 g L-1 de metolachlor). cuja concentração varia de 2 a 20%.Formulações líquidas Soluções (S): esta mistura é de natureza homogênea. A solubilidade mínima necessária é de 12%.3 . basicamente. composta do soluto. adiciona-se geralmente um surfatante (ex. sob a forma de emulsão. dispensam o uso da água. que pode conter outro(s) ingrediente(s) ativo(s) para aplicação após a diluição. O concentrado emulsionável conta. Como vantagens estão a ausência do pó. menor volume de calda para aplicação (ex: Scepter 70 DG. 700 g kg-1 de imazaquin). a baixa toxicidade e o fácil manuseio (ex. formulação e misturas . Seu processo de obtenção é o mais simples e barato. Emulsões são sistemas termodinamicamente instáveis que consistem em dois líquidos imiscíveis. Microemulsão: é um caso específico de emulsão. Granulados (GR): os grânulos são constituídos de veículos minerais. Suspo-emulsão: é uma formulação fluida e heterogênea.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas princípios ativos. Pellets ou pastilhas: possuem ampla similaridade com os granulados. 4. e de princípio ativo. Neste tipo de formulação. sendo uma alternativa ao concentrado emulsionável (ex. dissolvido no solvente.: Ordran 200 GR.

• As misturas foram primeiramente usadas para o controle não-seletivo e seu uso contínuo tornou-se importante. o manejo de herbicidas. requer grande cuidado. quando comparadas com aplicação de um princípio ativo isoladamente. ou mesmo com outros agroquímicos/pesticidas. A idéia de combinação de herbicidas para controlar seletivamente plantas daninhas em culturas desenvolveu-se posteriormente. visando obter o máximo de controle de plantas daninhas e minimizar injúrias às culturas. • Aumento da segurança da cultura. Além desse fato. que lhes conferem comportamento diferenciado (susceptibilidade. entre outros aspectos. o controle mais efetivo de plantas daninhas e as menores quantidades de herbicidas aplicadas geralmente reduzem o custo total do manejo. Há menor chance de a cultura ser injuriada. devido ao uso de doses menores de cada herbicida misturado. tolerância ou resistência) em relação aos herbicidas utilizados.1 . como: • Controle de maior número de espécies de plantas daninhas e redução do risco de aparecimento de genótipos resistentes.Misturas de herbicidas O controle de plantas daninhas visa. homogêneo (ex. translocação. especialmente as misturas. 5 . além de surfatante).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ingrediente ativo solúvel em água. Houve grande expansão no uso de misturas e na aplicação sequencial de vários herbicidas em um único ciclo cultural. metabolismo. A aparência é de um líquido transparente. Deve-se dar preferência às misturas prontas. formulação e misturas 129 . entretanto. além do conhecimento a respeito das interações entre os produtos. É mais efetiva que uma única dose de um herbicida.Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas A aplicação de misturas de herbicidas pode oferecer vantagens. especialmente dos componentes mais persistentes. • Redução de resíduos na cultura e no solo devido ao uso de doses menores.Herbicidas: absorção. 5. Módulo 3. a necessidade de reduzir os custos de produção da cultura tem levado os produtores. bem como os fabricantes. a preparar misturas de herbicidas com diferentes princípios ativos.3 . reduzir ou eliminar a competição destas com a cultura É importante lembrar que existem centenas de espécies de plantas daninhas e que estas apresentam as mais variadas características morfológicas e fisiológicas. • Redução de custos: o menor custo de aplicação.: Robust: 200 g de fluazifop-p-butil + 250 g L-1 de fomesafen).

de modo que sua aplicação não pode ser executada. • Efeitos antagônicos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é menor que a soma dos seus efeitos quando aplicados separadamente. A mistura de um herbicida formulado como pó-molhável. Por isso. formulação e misturas .3 . 5. uma das vantagens da mistura formulada. A incompatibilidade física é usualmente causada pela formulação e suas interações. causada pela incompatibilidade. resultando em formação de precipitados. Quando dois ou mais herbicidas são aplicados juntos. carga iônica e outros parâmetros físicos são responsáveis pela redução do desempenho dos produtos. juntos (misturados no tanque) ou ainda podem ser formulados juntos (comercializados numa mesma embalagem). Fatores como solubilidade. • Efeitos aditivos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é igual à soma dos seus efeitos quando aplicados separados. • Melhores resultados em campos com variados tipos de solos. A incompatibilidade denota a inabilidade de dois ou mais herbicidas em serem usados simultaneamente. em relação à de tanque. É a relação da efetividade de um material com o outro.Interações entre herbicidas O termo interação descreve a ação conjunta dos herbicidas nas plantas. pela adição de outro herbicida mais efetivo sobre determinada espécie de planta daninha predominante. 130 Módulo 3. Menor desempenho da mistura pode ser resultado de qualquer incompatibilidade física ou biológica. em razão da possível ação sinergística na planta daninha e ação antagônica sobre a cultura.Incompatibilidade Quando dois ou mais herbicidas são combinados. por exemplo. 5. Estes herbicidas pré-misturados ou em misturas no tanque do pulverizador podem ser mais eficientes ou não. com outro formulado como concentrado emulsionável tem elevada tendência a apresentar incompatibilidade física. metabolismo.Herbicidas: absorção. é evitar possíveis incompatibilidades dos componentes da formulação. eles podem ser aplicados separadamente (um após o outro). separação de fase. • Pode melhorar o controle de plantas daninhas pela ampliação da seletividade..2 . podem ser observados os seguintes efeitos sobre as plantas: • Efeitos sinérgicos: quando o efeito dos herbicidas aplicados juntos é maior que a soma dos efeitos isolados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Controle por um período maior. etc. que resulta numa rápida sedimentação dos componentes da mistura.3 . dependendo do modo como foi feita a mistura. translocação. complexação.

principalmente quando a formulação éster do MCPA é usada. • Se a resposta observada for maior que a esperada. O antagonismo em misturas de tanque acontece quando uma reação adversa ocorre entre os herbicidas na solução. metabolismo. 1995). X+(100-Y) é a toxicidade esperada da mistura. aumento da translocação. Y = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida B e q L ha-1. O antagonismo do fenoxaprop com MCPA éster aumentou a tolerância do trigo sem reduzir o controle da aveia-brava (JORDAN. Organofosforados estão envolvidos com interações com nicosulfuron (SILVA et al. resultando em menor efeito dos herbicidas sistêmicos. Do ponto de vista prático. induzindo o Módulo 3. O antagonismo também ocorre quando um herbicida de contato é aplicado com glyphosate ou com herbicidas auxínicos. Também pode ocorrer a redução da penetração foliar. e E = percentagem ‘esperada’ de inibição do crescimento pelos herbicidas A+B a p+q L/ha. a mistura é aditiva. formulação e misturas 131 .. translocação. etc. por exemplo. A absorção e a translocação do glyphosate ficam prejudicadas.4 . É o antagonismo químico.4-D. etc. entre o paraquat e o MCPA dimetylamina. • Se a resposta observada foi menor que a esperada. chlorimuron. a mistura é sinérgica. WARREN. A redução da penetração pela raiz pode resultar em antagonismo e aumentar a seletividade da cultura. entretanto. • Se a resposta observada for igual à esperada. a fitotoxicidade de alguns herbicidas tem mostrado ser influenciada por alguns inseticidas organofosforados ou metilcarbamatos.Herbicidas: absorção. 5. interações dos mecanismos de ação dos herbicidas envolvidos. Várias misturas sinergísticas de herbicidas têm sido reportadas. bentazon. Então. imazethapyr. a mistura é antagônica. os inibidores de lipídios não devem ser misturados com 2. seria ideal que a mistura apresentasse efeitos antagônicos para a cultura e sinergísticos para as plantas daninhas.Interações de herbicidas com inseticidas em mistura Em geral. imazaquin. O efeito da interação entre dois herbicidas pode ser estimado pela equação a deguir: em que: X = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida A e p L ha-1. inseticidas organofosforados podem inibir.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É interessante lembrar que esses efeitos podem ser diferentes entre espécies de plantas. É o caso do trifluralin e diuron em algodão e trifluralin e metribuzin em soja. ou reduzir. MCPA. inibição do metabolismo. chlorsurfuron.3 . As bases para essa interação podem ser: aumento da penetração foliar dos herbicidas aplicados em pós emergência. este metabolismo. 2005) A tolerância do milho a este herbicida é devido ao rápido metabolismo deste. Inseticidas organoclorados não têm apresentado interações com herbicidas. etc. por exemplo.

Interações de herbicidas com fertilizantes em mistura Os herbicidas em misturas com fertilizantes.Herbicidas: absorção. 132 Módulo 3. É interessante ressaltar o antagonismo entre phorate (Thimet). às vezes. Os mecanismos dessa interação não são bem conhecidos.3 . se confirmados. A aplicação de molibdênio na cultura do feijão. Os inseticidas protegem o algodão de alguma toxicidade do clomazone. fomesafen e imazamox. 5. em ensaios preliminares apresentou efeitos aditivos.5. disulfoton (Disyston) e o clomazone em algodão. são usados por alguns produtores. em mistura com os herbicidas fluazifop-p-butil+fomesafen. metabolismo. porém sem nenhuma base científica. translocação. bentazon. A aplicação do terbufos em milho é antagonística aos resíduos do imazaquin no solo e tem dado considerável proteção ao milho. O organofosforado terbufos (Counter) tem causado maiores problemas na prática. viabilizam a aplicação desses insumos de uma só vez. formulação e misturas . Esses resultados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surgimento de sintomas de intoxicação nas plantas da cultura.

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Herbicidas: comportamento no solo Tutores: Profº.Manejo de plantas daninhas 3.Herbicidas: comportamento no solo 135 .DF 2006 Módulo 3. Rafael Vivian Profº.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 . Antonio Alberto da Silva Profº. Jose Barbosa dos Santos Profº.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília . Rubem Sillvério de Oliveira Júnior Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .4 .4 .ABEAS Universidade Federal de Viçosa .

158 2.1 .4.Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação. 138 1 .Absorção pelas plantas.4 – Solubilidade.7 – Dessorção.3 .5.1 .Relação entre KH e incorporação de herbicidas.Estimativa da sorção. 175 4. 144 2.2 .Fatores que influenciam a volatilização.4.6.3 .Processos de retenção. 167 3.Processos de transformação.Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas. 160 3 . 161 3.3 .2 . 141 2.4 .2. 175 136 Módulo 3.Degradação química. 164 3. 162 3.1 .Relação entre PV e S.Pressão de vapor (P).5. 147 2. 154 2.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas. 141 2.6 .2 – Absorção.1 – Persistência.Isotermas de sorção.Coeficiente de partição octanol-água (Kow).3 – Adsorção.2. 162 3.5.Alternativas para redução de perdas por volatilização. 139 2 . 150 2.4 – Sorção.2 . 155 2. 158 2. 170 4. 142 2.2 .2.3 . 158 2.pH do solo. 167 3. 164 3. 140 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.1 . 167 4 . 150 2.5 .Importância do estudo de herbicidas no solo.6.5 .Textura e mineralogia.1 – Precipitação.Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo.4 – Lixiviação.Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in). 141 2. 170 4.2.Herbicidas: comportamento no solo . 162 3. 166 3.Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa).2.Processos de transporte.2.1 .2 .2 – Volatilização.6 . 166 3.

4 .4 .Problemas relacionados aos herbicidas residuais. 179 5.3 .1 .Estratégias para o sucesso da fitorremediação. 182 5.2 .A fitorremediação como mecanismo de biorremediação.Considerações finais. 178 5.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. 186 Referências bibliográficas.Herbicidas: comportamento no solo 137 .Fotodecomposição ou fotólise. 177 5 – Fitorremediação. 183 6 . 188 Módulo 3.

As práticas agrícolas. ou perdurar por meses ou anos. O seu tempo de permanência no ambiente depende. o qual pode ser extremamente curto. entretanto. para compostos altamente persistentes. Outro fator relevante é que 60 a 70% do total dos pesticidas aplicados nos campos agrícolas não atingem a superfície alvo de interesse (LAW. para que seja preservada a qualidade final dos produtos colhidos. assim como dos próprios recursos naturais que sustentam a produção. 138 Módulo 3. especialmente o solo e a água.Herbicidas: comportamento no solo . inicia-se o processo de redistribuição e degradação dos herbicidas aplicados. Ao atingirem o solo. a qual está relacionada à atividade microbiológica. juntamente com os processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente. Com isso. da dinâmica do fluxo hídrico e do transporte de solutos. Embora escassos. é fundamental que eles sejam adequadamente aplicados. Nos últimos anos. da capacidade de sorção do solo. permitindo maior compreensão da dinâmica desses compostos no ambiente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O uso do controle químico em plantas daninhas. biodisponibilidade e recalcitrância do herbicida. observa-se maior preocupação quanto à contaminação do ambiente e a utilização racional dos recursos hídricos e do solo.4 . entre outros fatores. Neste capítulo são apresentados os principais conceitos relacionados ao comportamento de herbicidas no solo. os estudos envolvendo a sorção de herbicidas em solos brasileiros sob condições de clima tropical são também fundamentais para avaliação da eficiência de controle das plantas daninhas do local. Os exemplos apresentados destacam os estudos mais relevantes com herbicidas em solos. cresce a importância do entendimento do destino final dessas moléculas e do estudo do comportamento no ambiente onde são aplicados. constitui-se prática indispensável para a agricultura em larga escala. além da sua taxa de degradação. No entanto. pois elevados índices de sorção podem comprometer a eficiência do herbicida. tornando-se indiscutível a utilização de herbicidas no sistema agrícola. 2001) e acabam alcançando direta ou indiretamente o solo. são responsáveis por grande parte da degradação desses recursos. como o que ocorre para algumas moléculas simples e não-persistentes. atualmente. o qual atua como o principal receptor e acumulador desses compostos.

Atualmente. química e biológica (DORAN. No entanto. 1992). 1994). embora esses processos sejam descritos de forma isolada. transformação e transporte (Figura 1). uma vez que o herbicida é uma substância exógena ao meio. atividade e diversidade microbiana. Módulo 3. BEZDICEK. Promove a retenção e o movimento da água. sendo responsável pelo suporte físico e de armazenagem dos nutrientes para as plantas. 2001). em razão de o solo ser considerado um ambiente heterogêneo sob influência de diversos fatores.4 . suportando as cadeias alimentares. além da remediação e imobilização de poluentes (GRANATSTAIN. Outro fator relevante é que o solo atua na manutenção dos processos vitais. que interagem entre si. PARKING. além do próprio herbicida.Herbicidas: comportamento no solo 139 . conhecer os fatores do ambiente. É responsável também pela ciclagem dos nutrientes. de modo a minimizar os eventuais efeitos negativos que a sua presença possa causar ao ambiente. a sua avaliação é de difícil mensuração e repetibilidade.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 .Importância do estudo de herbicidas no solo O estudo do comportamento de herbicidas no solo e no ambiente visa pelo menos dois objetivos principais: primeiramente. procura-se descobrir as interações do herbicida com os componentes do solo. embora a capacidade de permanência do herbicida e sua degradação no solo sejam um processo-chave na determinação do fato que este terá ou não efeito na qualidade ambiental (Hinz. segundo. onde interagem inúmeros processos de ordem física. que afetam direta ou indiretamente a eficiência no controle de uma planta daninha. o estudo do comportamento de herbicidas no ambiente tem sido realizado através de estimativas das tendências a que estes estão sujeitos em função de três principais processos: retenção.

a partir da superfície do solo na forma de solução. o processo de retenção constitui-se num dos processos mais importantes para prever a movimentação dos herbicidas no solo e sua taxa de degradação (física. Sabe-se que as moléculas dos herbicidas. o processo de retenção. química e biológica).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 .Processos de retenção O solo é um sistema aberto e dinâmico no qual os seus constituintes podem. A distinção entre adsorção verdadeira (na qual camadas moleculares se formam na 140 Módulo 3. assim como conhecer qual a eficiência quando estes forem aplicado para o controle de plantas daninhas. por sua vez. quando em contato com o solo. o que resulta na dissipação destas. normalmente. precipitação e adsorção. Entretanto. Como os herbicidas movem-se.Herbicidas: comportamento no solo .4 . a compreensão dos fatores que regulam as interações de retenção é essencial para entender o comportamento dessas substâncias no solo. transporte e retenção.Representação esquemática da interação entre processos de retenção. Entretanto. constantemente. transporte e transformação de um herbicida aplicado ao solo 2 . movimentar-se ou sofrer transformação física. estão sujeitas aos processos de movimento. que engloba mecanismos específicos de dissipação dos herbicidas: absorção. pode ser entendido como um processo geral de sorção de herbicidas no solo. evitando que ela se mova tanto dentro como para fora da matriz do solo. A retenção refere-se à habilidade do solo de reter um pesticida ou outra molécula orgânica. química e biológica.

Além disso. abordadas posteriormente.4 . As quantidades do herbicida adsorvido aos constituintes do solo são diretamente proporcionais à superfície específica do material coloidal e decresce geralmente com o aumento da temperatura. pela formação de uma fase sólida separada na superfície de uma partícula sólida do solo. funções químicas. 2. resultando num aumento da concentração na solução do solo.3 .Herbicidas: comportamento no solo 141 . configuração.Precipitação A formação de precipitados entre as moléculas de herbicidas pode ocorrer pela junção das partículas dos argilominerais com o herbicida por ligações covalentes de alta força. precipitação (na qual tanto uma fase sólida separada se forma nas superfícies sólidas como ligações covalentes com a superfície da partícula de solo acontecem) e absorção dos herbicidas pelas plantas e organismos é difícil. a adsorção é usualmente determinada apenas através do desaparecimento da substância química da solução do solo. obtendo-se as curvas denominadas de isotermas de adsorção. solubilidade. as quais incluem tamanho. principalmente com os constituintes orgânicos do solo. HARPER.Absorção O termo absorção é usado especificamente quando as moléculas do herbicida são absorvidas pelo sistema radicular e outras partes subterrâneas das plantas. Dependendo do sentido dessa força.1 . seja ele avaliado em condições laboratoriais ou em Módulo 3. estrutura molecular. denominado de sorção (KOSKINEN. em alguns casos. Esta é a razão pela qual os estudos de adsorção conduzidos em laboratório são realizados em condições de temperatura constante.2 . provocado pelo incremento da energia cinética das moléculas. Essa fixação ocorre por interação de forças da superfície do adsorvente (solo) e do adsorvato (herbicida). a adsorção por ligações químicas. entre outros. a adsorção de herbicidas no solo depende das propriedades deste e do composto aplicado. podendo favorecer.Adsorção A adsorção caracteriza-se por um fenômeno temporário pelo qual uma substância dissolvida se fixa a uma superfície sólida ou líquida. a velocidade das reações químicas aumenta com a elevação da temperatura. 1990). natureza ácido/base dos herbicidas. em razão disso. Dificilmente ocorrerá a absorção de herbicidas por partículas minerais ou orgânicas do solo. ou. ainda. o processo adsortivo de herbicidas. Segundo Gevao (2000). o termo adsorção é normalmente substituído por um outro mais geral.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superfície de uma partícula de solo). o herbicida pode ser adsorvido às partículas coloidais (orgânicas e minerais) do solo ou sofrer repulsão. polaridade. 2. Contudo. Na prática. 2. distribuição de cargas. distribuição.

As pontes de hidrogênio caracterizam-se por formar uma interação dipolo-dipolo. Essa força é extremamente fraca e de curtíssima distância. em virtude da heterogeneidade do solo e da sua continuidade com sistemas biológicos. sem distinção entre os processos específicos de adsorção.Representação da determinação do tempo de equilíbrio necessário nos estudos de adsorção de herbicidas em solos As forças responsáveis pelas reações de sorção dos herbicidas no solo incluem: forças físicas. entre outras. reações de coordenação e ligações de troca. Entre as forças físicas. absorção e precipitação. 1993). expressando a atração elétron-núcleo. envolvendo mole¬culas sem dipolo permanente. ligações hidrofóbicas. devido a um sincronismo no movimento eletrônico. Esse tipo de ligação é muito mais importante nas ligações das moléculas dos herbicidas sobre a superfície da matéria orgânica do que pela 142 Módulo 3. podendo ocorrer interação entre uma molécula polar e outra apolar.Sorção Sorção refere-se a um processo geral. atmosféricos e aquáticos.4 . pontes de hidrogênio.Herbicidas: comportamento no solo . o qual varia em função do mecanismo e da velocidade das reações envolvidas (Figura 2).. 2. Figura 2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas campo. com força muita fraca. ocorrendo comumente em moléculas grandes de herbicidas. depende do tempo de equilíbrio alcançado pelo material adsorvente (solo) e o adsorvido (herbicida). com alta massa (SCHWARZENDBACH et al. a mais importante é a força de Van der Waals.4 . O processo individual de sorção é profundamente complexo. ligações eletrostáticas. As pontes de hidrogênio são produzidas pelas atrações eletrostáticas entre o núcleo eletropositivo do hidrogênio e pares de elétrons expostos de átomos eletronegativos.

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superfície das argilas e ocorre com compostos contendo grupos >C=O + grupos –NH (ou –COOH, OH, >C=O ou – NH2) (Figura 3).

Figura 3 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por pontes de hidrogênio. Fonte: Senesi (1992).

Ligações hidrofóbicas estão associadas com a sorção de herbicidas apolares, os quais competem com as moléculas de água pelos sítios sortivos. Muitas das moléculas de herbicidas, principalmente os aromáticos, halogenados, fenóis e bifenóis, com baixa solubilidade em água, podem ligar-se à superfície das argilas por meio de ligações hidrofóbicas. Estas ligações são muito favorecidas quando são adicionados ao solo resíduos orgânicos naturais, aumentando o número de sítios hidrofóbicos de ligação. As ligações eletrostáticas envolvem cargas elétricas de superfície, formadas por complexas reações de adsorção, as quais podem ocorrer por adsorção por moléculas de água, por cátions, por troca aniônica e por compostos orgânicos naturais. A adsorção por troca aniônica é importante para solos pouco intemperizados de clima temperado. Contudo, em condições de solos brasileiros, desenvolvidos em condições de clima tropical e subtropical, predominam argilominerais (1:1) e elevados teores de óxidos de ferro e alumínio, com baixa capacidade de formar este tipo de ligação. As reações por coordenação envolvem ligações covalentes, de curta distância, e com sombreamento dos orbitais. São ligações muito fortes e a energia depende do número de elétrons em orbitais moleculares ligantes ou antiligantes. Essas ligações estão presentes, por exemplo, entre os prótons dos grupos funcionais de superfície e os átomos de hidrogênio (Fe-OH, Al-OH, COOH) e N2 (NH2). Esse tipo de ligação, formando complexos de esfera interna, torna difícil a separação e distinção entre o colóide e a molécula do herbicida. A protonação nada mais é que a formação de complexos de transferência de cargas na superfície mineral. Ocorre quando um grupo funcional forma um complexo com a superfície de um próton. O complexo pode ser extremamente estável, desenvolvendo sorção praticamente irreversível. Esse tipo de ligação ou mecanismo tem sido válido para herbicidas do grupo das striazinas, as quais se tornam catiônicas através da protonação, tanto na solução do solo como durante o processo de adsorção (Figura 4) (SCHWARZENDBACH et al., 1993).

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Figura 4 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por protonação do herbicida Fonte: Senesi (1992)

2.4.1 - Estimativa da sorção A avaliação da sorção é feita normalmente por meio da estimativa de coeficientes, denominados coeficientes de partição, coeficientes de partição solo-água, coeficientes de sorção ou constantes de adsorção. Neste capítulo será adotado o termo coeficiente de sorção para denominar a relação entre as concentrações de herbicida em solução e aquelas sorvidas ao solo. O coeficiente de sorção, Kd, pode ser estimado pela relação:

O Kd representa a relação entre a concentração do herbicida que permanece sorvido ao solo Cs (μg g-1) e a concentração do herbicida encontrada na solução de equilíbrio Cw (μg mL-1), para uma determinada quantidade específica do herbicida adicionado. Entretanto, como o teor de carbono orgânico, aparentemente, tem representado melhor a capacidade adsortiva dos herbicidas nos solos, principalmente para os compostos de caráter básico ou não-iônicos (KARICKHOFF, 1981; OLIVEIRA JR. et al., 1999), tem-se corrigido o Kd em relação ao teor de carbono orgânico do solo. A partir dessa normalização do Kd, obtém se o Koc, o qual permite a comparação da sorção entre diferentes solos e é um índice muito utilizado em métodos de classificação de mobilidade e em modelos de simulação do comportamento de pesticidas no solo. A normalização do Kd para o teor de carbono orgânico é feita pela relação:

Em que Koc representa o coeficiente de sorção normalizado para o teor de carbono orgânico do solo (L kg-1) e foc indica o teor (% ou dag kg-1) de carbono orgânico do solo, o qual é obtido dividindo-se o percentual de matéria orgânica por 1,72. Oliveira Jr. (1998), estudando a correlação entre as propriedades dos solos, verificou que os coeficientes de sorção (Kd e Koc) de diferentes herbicidas determinados em solos brasileiros correlacionaram-se significativamente com o teor de carbono orgânico e CTC dos solos para a
144 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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maior parte dos herbicidas. De modo geral, os herbicidas ácidos fracos (imazethapyr, metsulfuron, nicosulfuron e sulfometuron) foram os que apresentaram menor sorção, ao passo que os herbicidas básicos fracos (atrazine, hexazinone, simazine) e não-iônicos (alachlor) foram os mais sorvidos. No Brasil, o Koc tem sido amplamente utilizado para predizer a capacidade de sorção de diversos herbicidas no solo; também é utilizado juntamente com a textura para recomendar as dosagens dos herbicidas. Entretanto, a padronização do Kd em relação ao carbono orgânico do solo não é consenso entre os pesquisadores da área, pois a sorção de herbicidas à matéria orgânica do solo ocorre de forma heterogênea, em função dos mecanismos e da fração orgânica envolvida no processo sortivo, cujos índices podem não representar a realidade. Ao mesmo tempo, o Kd e Koc nem sempre são suficientemente exatos para descrever a sorção de um pesticida em uma faixa considerada de concentração. As relações entre as concentrações em solução e na fase sólida podem, então, ser descritas por isotermas, descritas no item 3.4.2. As estimativas dos coeficientes sortivos apresentados (Kd e Koc) geralmente são conduzidas em condições laboratoriais, empregando-se a cromatografia líquida e gasosa como técnicas analíticas na determinação das concentrações dos herbicidas nas fases sólida (solo) e líquida (solução do solo) propriamente ditas. Entretanto, devido aos custos envolvidos nessas análises, outras formas de estimar a capacidade de sorção desses compostos no solo podem ser utilizadas. Entre elas, a técnica de bioensaio representa um método simples e de grande valia na determinação da capacidade sortiva e de resíduos de herbicidas no solo. Inicialmente, para a utilização dessa técnica, são feitas curvas de dose-resposta para cada composto, utilizando-se plantas indicadoras específicas ao mecanismo de ação de cada herbicida. As curvas de dose-resposta devem ser feitas no solo a ser estudado e em material inerte, preferencialmente areia lavada, isentos de qualquer resíduo. Após a aplicação de doses conhecidas do herbicida, são realizadas avaliações nas plantas indicadoras, as quais incluem fitoxicidade, altura da planta, comprimento de raiz, massa seca da parte aérea e raízes (Figura 5). Após as avaliações, utilizam-se modelos de regressão não-linear, como o proposto por Seefeldt et al. (1995):

em que D e C representam os limites superior e inferior da curva, respectivamente; b, a declividade da curva; e C50, a dose correspondente a 50% de resposta. O limite superior da curva D corresponde à respota média da testemunha e o limite inferior da curva C é a resposta média das plantas que receberam os herbicidas. O b descreve a declividade da curva em torno do C50.

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Figura 5 - Curva de dose-resposta para massa seca da parte aérea (% em relação à testemunha) de Sorghum vulgare, em função de doses crescentes de sulfentrazone (X) em Argissolo Vermelho-Amarelo (– – –) e em areia (____) Fonte: Vivian et al. (2005)

A partir dos dados obtidos de (C50) em solo e areia, utiliza-se a equação a seguir para expressar a relação de adsorção (RA) do solo em relação à resposta obtida em areia para a espécie indicadora (SOUZA, 1994). Considera-se que valores de RA elevados indicam maior capacidade de sorção do herbicida estudado no solo e, conseqüentemente, menor potencial de lixiviação do composto no perfil do solo. Um exemplo de curva de dose-resposta utilizada para o herbicida trifloxysulfuron-sodium em solo e areia pode ser observado na Figura 6. RA = C50solo – C50 areia C50 areia

Figura 6 – Curva de dose-resposta em solo (a) e areia (b) para trifloxysulfuron-sodium

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Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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2.4.2 - Isotermas de sorção Quando se deseja estudar o comportamento dos herbicidas em diferentes concentrações no solo, deve-se observar que a sua sorção geralmente não ocorre de forma linear com o aumento do herbicida adicionado. Isso é devido à capacidade limitada de formar ligações com o material coloidal e a variação do coeficiente de sorção com a temperatura e umidade do solo. Para a determinação de uma isoterma de sorção, é necessário determinar o Kd em diferentes concentrações iniciais do herbicida em solução. As isotermas utilizadas para descrever o comportamento de herbicidas no solo, em diferentes concentrações iniciais, podem ser classificadas, conforme o seu comportamentodo, em S, H, C e. Tipo S: é uma curva não-linear e convexa em relação à abscissa. Inicialmente a adsorção é baixa, mas com o aumento da concentração do adsorvato na superfície adsorvida, ocorre aumento na adsorção pela associação entre as moléculas. Isso ocorre em razão da baixa afinidade do adsorvato pela interferência de outras substâncias. A água é um forte competidor na adsorção à superfície coloidal, e, com o aumento na concentração do soluto, essa competição se reduz. Tipo H: ocorre quando o adsorvato possui altíssima afinidade pelo adsorvente, e a máxima adsorção ocorre em baixas concentrações. Desse modo, até que não ocorra a máxima adsorção, não será possível detectar as moléculas na solução. Esse tipo de adsorção ocorre com moléculas extremamente catiônicas ou compostos orgânicos catiônicos, adsorvendo-se nos minerais das argilas.

Figura 7 – Comportamento das isotermas de sorção
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 147

dando origem ao Kfoc. A seguir. em solo argilo-siltoso Fonte: Mervosh (1995) Segundo o manual de testes para avaliação da ecotoxicidade de agentes químicos. Quando n for igual a 1. verifica-se melhor ajuste pelos modelos de Freundlich e Langmuir. Kf. definido pelo Ibama para o Brasil. embora empírico. em função da sua concentração. De forma análoga ao Koc. 1996). a normalização do coeficiente de Freundlich em relação ao teor de carbono orgânico também pode ser calculada. assim que a concentração deste aumenta. Figura 8 . e 1/n é um fator de linearização. Existem dois modelos muito utilizados que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas conforme a sua concentração.Herbicidas: comportamento no solo . conforme aumenta a cobertura da superfície. o coeficiente de adsorção Kf é considerado nas análises de capacidade de 148 Módulo 3. usando regressão linear e não-linear (isotermas de Freundlich) a 25 ºC. É o tipo de adsorção mais comum que ocorre com os herbicidas no solo. o coeficiente de adsorção da isoterma de Freudlich. reduzindo a energia de interação proporcionalmente ao recobrimento da superfície. permitindo a continuidade do processo. determinando a intensidade da adsorção. de forma não linear. pode-se observar a equação empírica utilizada para descrever a isoterma de Freundlich e sua representação gráfica (Figura 8): Na equação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Tipo C: a adsorção ocorre de forma linear conforme aumenta a concentração do adsorvato. Novos grupos funcionais são criados no processo de adsorção. diminuem a afinidade e declividade. descritos a seguir: a) O modelo de Freundlich. Cs representa a quantidade do herbicida adsorvido no solo (mg g-1). considera que a afinidade inicial é alta e. Esse modelo tem sido amplamente utilizado na determinação dos coeficientes de adsorção dos herbicidas no solo para uma determinada temperatura (CLEVELAND. Entre os modelos mais utilizados e que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas no solo. Caq a concentração de equilíbrio do herbicida na solução do solo (mg mL-1). e a curva passa a ser de formato linear do tipo C.Comportamento adsortivo do herbicida Clomazone. verifica-se que o incremento decresce na adsorção.4 . o coeficiente de adsorção Kf aumenta linearmente conforme aumenta a concentração do herbicida. Tipo L: apresenta-se como uma curva côncava em relação à abscissa.

A energia de adsorção é a mesma para todos os sítios e independe da cobertura de superfície (Figura 9). Quadro 1 – Classificação da capacidade de adsorção de agentes químicos no solo Kf 0 – 24 25 – 29 50 – 149 > 150 Classificação da Adsorção Baixa Média Grande Elevada b) O modelo de Langmuir baseia-se na adsorção em superfícies planas que apresentam número fixo de grupos funcionais e que cada um interagirá com uma molécula. Esse modelo é expresso pela seguinte equação: em que Cm representa a quantidade máxima do herbicida adsorvido (mg g-1). Quando todos os grupos funcionais estiverem preenchidos.Herbicidas: comportamento no solo 149 . por haver inúmeros interferentes nos estudos de adsorção a campo e em laboratório. Ce é a concentração de equilíbrio do herbicida na solução (mg mL-1) e K1 é o coeficiente de adsorção para o modelo de Langmuir.4 . Entretanto. segundo as isotermas de Langmuir e Freundlich Módulo 3. tem-se a adsorção máxima.Modelo da energia de adsorção em função da superfície de cobertura. Sua classificação varia de pequena a elevada e reflete parcialmente a capacidade de movimento e persistência do composto no ambiente (Quadro 1).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas adsorção de herbicidas no solo. Figura 9 . verifica-se que outras avaliações são necessárias para definição do real comportamento de herbicidas no solo.

avaliando a persistência do herbicida 2.80 ± 0. caracterizando a grande influência da matéria orgânica na adsorção de herbicidas ácidos.4-D.28 ± 0.48 ± 0. assim como a mineralogia do solo em questão.Constantes de Freundlich obtidas a partir dos dados de adsorção de 2. como herbicidas e metais pesados.23 0. no solo contendo matéria orgânica.Herbicidas: comportamento no solo .5. os quais serão abordados a seguir. diuron e 2.Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas Em solos tropicais e subtropicais altamente intemperizados.16 ± 0. também são importantes na sua sorção. estudando o comportamento do herbicida atrazine em Latossolo Roxo sob dois sistemas de manejo 150 Módulo 3. constituindo-se num componente fundamental na sua capacidade produtiva (SANTOS. 1999).07 Dessorção Kf 1/n 22. verificaram que em solos com alto teor de matéria orgânica e baixo pH a lixiviação deste herbicida foi menor. em certos casos. principalmente para aqueles recomendados em pré-emergência de característica não-iônica ou para os catiônicos.12 ± 0. principalmente.4-D. o pH.08 1. Mallawatantri e Mulla (1992) demonstraram que pelo menos 80% do incremento da sorção observada para metribuzin. Já Faloni (1999).4-D no solo. 2. o teor de matéria orgânica no solo desempenha importante papel quando se trata de contaminantes ambientais. (1999). No entanto. da área superfícial específica das partículas coloidais da fração argila e. a matéria orgânica tem grande importância para os processos de retenção de cátions e complexação de elementos tóxicos e de micronutrientes.09 88.87 ± 0. ao compararem solos com diferentes propriedades.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2.4-D em solo arenoso Solo calcinado Solo com MO MO = matéria orgânica Fonte: Viera et al.23 ± 0.4 .23 ± 0.1 . CAMARGO.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas Em geral. (1984). Segundo Viera et al. dos teores de carbono orgânico do solo (VELINI. Isto pode ser observado segundo os valores de Kf (Quadro 2) para o herbicida 2.05 A matéria orgânica é o principal componente que influencia a atividade dos herbicidas registrados para uso em solos tropicais. estava relacionado ao aumento do conteúdo de carbono orgânico. É responsável também pela estabilidade da estrutura do solo e infiltração de água. (1999) Adsorção Kf 1/n 39. aeração e atividade da biomassa microbiana. Ela interfere em todos os processos sortivos que possam ocorrer.05 20. Quadro 2 . 1992).30 1. a sorção de herbicidas ao solo aumenta com o incremento da CTC (capacidade de troca catiônica).03 0. Thompson et al.5 .

essa característica pode ser considerada a mais importante para esses herbicidas. (1998b) Módulo 3.Herbicidas: comportamento no solo 151 . as propriedades que mais se correlacionam com a sorção de herbicidas básicos e não-iônicos são a CTC e o teor de carbono orgânico (OLIVEIRA JR. não-polares como o alachlor.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (convencional e direto). também percebeu que a matéria orgânica é a principal responsável pela adsorção deste herbicida. Para alguns herbicidas.4 . No caso dos solos brasileiros. Fonte: Oliveira Jr. podendo-se ainda estimar a sorção de diversos herbicidas com base nos teores de carbono orgânico (Figura 11). Kd) em função do teor de carbono orgânico do solo. et al.Sorção de alachlor (expressa pelo coeficiente de sorção. 1999). é possível obter uma predição dos valores de Kd com base nos teores de carbono orgânico do solo (Figura 10). notadamente os não-iônicos. et al. Figura 10 . Uma vez que a maior parte da CTC nos nossos solos está relacionada à matéria orgânica..

. Essas diferenças podem interferir não só na retenção dos herbicidas. a matéria orgânica do solo encontra-se dividida em substâncias humificadas e não-humificadas. 2000). Entretanto. A fonte orgânica. mas também na transformação e transporte destes (CORREIA. disponibilidade de sítios hidrofóbicos e grupos funcionais.Relação entre o coeficiente de sorção (Kd) e o teor de carbono orgânico do solo para herbicidas ácidos (linhas cheias) e para herbicidas básicos ou não-iônicos (linhas tracejadas) em solos brasileiros Fonte: Oliveira Jr. normalmente. TRAGHETTA et al. em relação ao teor de matéria orgânica total do solo.4 .Herbicidas: comportamento no solo . et al.. A disponibilização de maior ou menor número de sítios 152 Módulo 3. 999). são citadas como um dos principais fatores que podem influenciar a sua capacidade de adsorção de pesticidas (WANG et al. os minerais do solo e a população microbiana podem proporcionar a formação da diversidade de características dos compostos orgânicos do solo.. Diversos estudos mostraram que a fração húmica apresenta maior correlação com a sorção dos herbicidas. também foram demonstradas especificidades na sorção dos herbicidas. (1999) Teoricamente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 11 .. húmicos e humina. 2001). 1997). pela variação do pH do meio. As mudanças conformacionais provocadas nas moléculas da matéria orgânica. Herbicidas iônicos (em faixa de pH com baixa dissociação) e os não-ônicos. aromaticidade. os quais representam a fração mais ativa da matéria orgânica do solo (NETO et al. correlacionam-se melhor com os teores de humina do que os de ácidos húmicos ou fúlvicos da matéria orgânica do solo (PROCÓPIO et al. A parte humificada é composta pelos ácido fúlvicos. Dentre os componentes da fração humificada. 1990. os quais variam conforme sua polaridade. existe grande complexidade e variabilidade da matéria orgânica presente em diferentes solos. o clima.

Entretanto. Prata (2001) também constatou que adição de vinhaça ao solo faz que o processo de mineralização do ametryn seja acelerado. Dessa forma. é o principal parâmetro levado em consideração na recomendação da dosagem de herbicidas aplicados Módulo 3.. a quantidade de matéria orgânica quimicamente protegida. representando menor risco de contaminação dos lençóis freáticos (COX. como pode ser verificado na Figura 12. Figura 12 . 1994). Além destes. 2001) Outras características do solo também podem afetar a sorção de herbicidas à matéria orgânica: o material de origem do solo. formando complexos argilo-orgânicos. na maioria dos trabalhos verificados. 1998). os tipos de minerais predominantes na fração argila. principalmente para aqueles cuja ação microbiana é a principal forma de degradação. a adição de matéria orgânica ao solo acelera a degradação dos herbicidas. Atualmente. podendo representar maior permanência desta no meio ambiente.Herbicidas: comportamento no solo 153 . a relação da textura do solo com a quantidade de matéria orgânica presente.4 . os solos com altos teores de matéria-orgânica apresentam menor tendência geral de lixiviação dos herbicidas.Simulação da adsorção de atrazine no modelo complexo de muscovita-ácido húmico. a presença de íons saturantes dos grupos funcionais da matéria orgânica e a especificidade dos íons (PIRES. pode ocorrer menor ação microbiana na degradação dessas moléculas. entre outros. sabe-se que sorção herbicida-matéria orgânica é mais estável do que aquela resultante da ligação com componentes minerais do solo. Fonte: Adaptado de Akim e Bailey (1998) Embora se verifique extrema quantidade de interferentes nas características de sorção de herbicidas à matéria orgânica. é responsável pelas variações nos coeficientes de sorção de herbicidas encontrados na literatura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas hidrofóbicos pelas mudanças conformacionais das moléculas também pode influenciar a sorção de herbicidas lipofílicos (PROCÓPIO et al. devido à proteção física e química das moléculas do herbicida na matéria orgânica. Contudo.

Textura e mineralogia O conteúdo de areia. Apesar de existir grande possibilidade de os solos mais argilosos apresentarem maiores teores de matéria orgânica. de clima tropical e subtropical. como a montmorilonita e vermiculita. como o Brasil. Prata (2002). silte e argila presente no solo é responsável pela classificação das diferentes classes texturais dos solos.2 . também que. à fração mineral do solo. A presença de argilas de baixa atividade.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas em pré-emergência. minerais de argila expansíveis (2:1) e de maior área superfical específíca.5. 2. principalmente. como no caso dos herbicidas ácidos ou em altas concentrações de carbono orgânico.Herbicidas: comportamento no solo . Esses minerais apresentam fraca atração dos cátions entre as camadas expansíveis. Em relação aos erros de estimação. e a matéria orgânica desempenha papel secundário no caso de solos oxídicos. A formação de cargas nos minerais 2:1 ocorre pela substituição isomórfica nas camadas tetraédrica e octaédrica. e ambos 154 Módulo 3. a textura é ainda o atual parâmetro utilizado para recomendação da dose dos herbicidas aplicados em pré-emergência ou pré-plantio incorporado. os erros de estimação dos teores de matéria orgânica e o desconhecimento da sorção específica de herbicidas por alguns argilominerais presentes são um dos inúmeros fatores que devem ser considerados para a adequação nas dosagens dos herbicidas atualmente recomendados. possuem maior capacidade de adsorção de herbicidas (Quadro 3). Por sua vez. Suas cargas podem ser geradas nas bordas do mineral pela dissociação de prótons H+ dos grupos OH. Os óxidos de ferro e alumínio também atuam na sorção de diversos herbicidas. Já minerais 1:1. Entretanto. Essas propriedades originam forças de atração de grande intensidade. a riqueza de variação das argilas e a formação de compostos argilominerais representam diferentes possibilidades de adsorção dos herbicidas a essas partículas. principalmente naqueles com capacidade de doação de prótons com carga aniônica (herbicidas ácidos fracos). permitindo que água. não ocorre correlação entre o comportamento do herbicida e as concentrações de argila. extremamente elevada e está relacionada. são característicos de regiões muito intemperizadas. podendo reter cátions. uma elevação nas dosagens recomendadas para estes solos nem sempre é correta. herbicidas e outras moléculas penetrem entre os planos basais e provoquem grande expansão do material. avaliando a adsorção e dessorção do glyphosate em três solos brasileiros com diferentes atributos mineralógicos. contribuindo significativamente para o aumento na sorção desses compostos (Quadro 4).4 . Existem também dados demonstrando que os óxidos de ferro possuem maior capacidade de adsorver os herbicidas em relação aos óxidos de alumínio (Quadro 5). como a caulinita. citam-se a superestimação dos teores de matéria orgânica efetivamente capazes de adsorver as moléculas dos herbicidas e a profundiade de coleta (0-20 cm) utilizada na determinação dos teores de matéria orgânica do solo. observou que a sorção do glyphosate é instantânea.. Em diversos casos observados. Sabe-se. e não possuem a capacidade de expandir-se.

Quadro 3 .Sorção de imazaquin em diferentes hidróxidos (Fe e Al) Tipo de Hidróxido Hidróxido-Fe Hidróxido-Al Fonte: Shaner (1989). Constante de Freundlich (Kf) 2. principalmente nos daqueles com grande capacidade de inonizarem-se (catiônicos e aniônicos). que à medida que o pH do solo aumenta (2.pKa dos compostos.pH do solo O pH é uma medida muito importante que pode interferir nos processos de sorção dos herbicidas.3 .3 3. Entretanto. Módulo 3.7 Partição do Imazaquin (Sólido/Líquido) (μG/g:μG/mL) 2326:1 238:1 40:1 2:1 0:1 Quadro 5 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas encontram-se presentes em grandes concentrações na maioria dos solos brasileiros.4-D. como os latossolos. pode-se verificar na Figura 13.3. principalmente em solos muito intemperizados.8 4.Dissociação eletrolítica.5.5 a 6.4 . menor é a quantidade sorvida do herbicida no material coloidal. o qual permanece disponível na solução do solo.0).Herbicidas: comportamento no solo 155 .653 174 2.1. A influência do pH do solo no processo de retenção e degradação dos herbicidas está estritamente relacionada à capacidade de dissociação eletrolítica .0 6. contribuindo em relação à capacidade sortiva nesses solos. a qual será abordada com mais detalhes no item 3.Características de alguns minerais de argila importantes nos estudos de sorção de herbicidas em solo Característica Tipo de camada Capacidade de Expansão CTC (cmolc dm ) Área Superficial Específica (m2 g-1) -3 Montmorilonit Vermiculita a 2:1 2:1 Expansível 80-120 700-750 Ilita 1:1 Caulinita Não-expansível 2-10 25-50 2:1 NãoExpansão limitada expansível 120-200 15-40 500-700 75-125 Quadro 4 – Sorção de imazaquin em diferentes minerais de argila Mineral de Argila H-montmorilonita H-ilita Al-montmorilonita H-caolinita H-vermiculita Fonte: Dolling (1985). pH 3.3 . para 2.6 5.

156 Módulo 3. Quadro 6 –Sorção de imazaquin sob diferentes pHs em dois solos Tipo de solo Franco-arenoso Franco-siltoso Fonte: Goetz (1986) pH 5.2 5.Herbicidas: comportamento no solo . devido ao fatop que o pH influenciar fortemente a ligação das imidazolinonas às frações húmica e mineral do solo.5 Sorção (%) 53 53 0 62 40 25 Em trabalho similiar realizado com imazethapyr (Figura 14). Goetz (1986) demonstrou que a quantidade de imazaquin que se liga a diferentes tipos de solo era diretamente relacionada ao pH (Quadro 6). novamente.7 5. por exemplo. verifica-se novamente o decréscimo do coeficiente sortivo (Kd) do herbicida com o aumento do pH do solo.6 6.6 4. Verifica-se.4-D em função do aumento do pH do solo No caso de imidazolinonas aplicadas ao solo.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 13 – Sorção do herbicida 2. que a quantidade sorvida do herbicida aumenta à medida que o pH diminui.3 6.

também. (1998) Para herbicidas de maior persistência. têm maior capacidade de sorção desses herbicidas e operações como a calagem podem afetar significativamente o seu comportamento. resultar em maior lixiviação do composto no perfil do solo.Herbicidas: comportamento no solo . a diminuição da sua capacidade sortiva com o acréscimo do pH do meio pode. por exemplo. solos ácidos.4 . de modo geral. especialmente em termos de lixiviação desses herbicidas. (2002) O pH pode também influenciar diversos outros processos envolvidos na degradação dos herbicidas no solo: a lixiviação de chlorsulfuron. é maior em solos com pH alto e 157 Módulo 3. conforme verificado na Figura 15.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 14 . Figura 15 – Efeito do pH na lixiviação do herbicida imazaquin em colunas de solo Fonte: Inoue et al. Fonte: Oliveira Jr. além de possibilitar maior efeito do herbicida em culturas posteriormente instaladas no local. Nesse caso. em função do aumento do pH do solo.Coeficiente de sorção (Kd) constatado para o herbicida imazetaphyr.

embora a degradação do referido produto seja mais rápida em solos ácidos (GOMEZ DE BARREDA et al. possuem maior afinidade às partes argilosa e mineral do solo. solubilidade.000) possuem maior potencial de se adsorverem a parte orgânica dos colóides do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas baixo teor de matéria orgânica.6. Já os herbicidas polares. Essa definição está restrita apenas à definição clássica de Brönsted-Lowry. Para 158 Módulo 3.6 . A polaridade é muito importante para penetração das moléculas dos herbicidas pela cutícula das folhas e também interfere nos processos sortivos com o solo. os hidrofílicos (Kow <10). expressos normalmente na forma logarítmica (log Kow). 2. capacidade de dissociação eletrolítica quando em solução aquosa (pKa). o conhecimento das características moleculares dos herbicidas é muito utilizado no estudo do seu comportamento no ambiente. Entretanto. e se adapta perfeitamente aos herbicidas em solução do solo. Ao contrário.Coeficiente de partição octanol-água (Kow) Esta propriedade indica a afinidade que a molécula do herbicida tem em relação à fase polar (representada pela água) e apolar (representada pelo octanol).Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa) O pKa representa a capacidade de dissociação que uma molécula do herbicida possui em água com diferentes pH. Conforme a fórmula molecular e pKa dos herbicidas eles.6. a maioria dos herbicidas possui em sua molécula uma região polar e outra apolar. diz-se que maior é a sua hidrofilicidade. Quanto mais polar for o herbicida. podem ser classificados da seguinte forma: a) Herbicidas ácidos fracos: são os herbicidas cujas formas moleculares apresentam capacidade de doar prótons e formar íons carregados negativamente. menor será seu caráter ácido e menor a sua capacidade de ficar aniônico. Embora algumas propriedades estejam mais distintamente relacionadas aos processos específicos de retenção. pressão de vapor (P) e constante da Lei de Henry (H).1 . 2. herbicidas com características apolares são considerados lipofílicos. podendo ser encontrados na forma dissociada (ionizada) e não-dissociada (não-ionizada ou neutra). O comportamento dos herbicidas é muito influenciado pelo seu pKa. Quanto maior for o pKa do herbicida. Geralmente os herbicidas apolares ou lipofílicos (Kow >10.Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo As principais propriedades físico-químicas de um herbicida que influenciam o seu comportamento são: coeficiente de partição octanol-água (Kow). 2.4 .2 . 1993). Os valores de Kow são adimensionais.. a qual tem sido utilizada para substâncias presentes em solução aquosa. transformação e transporte.Herbicidas: comportamento no solo .

pode liberar íons hidrogênio numa solução básica ou neutra (Figura 16). como atrazine. podendo facilmente ser adsorvidos às partículas de argila e aos grupos funcionais que formam a CTC do solo. Alguns outros compostos que reagem semelhantemente ao 2. passando a apresentar carga líquida positiva (Figura 17). picloram e demais herbicidas pertencentes ao grupo das sulfoniluréias e imidazolinonas. O 2. Quando o pH do solo for superior ao pKa destes herbicidas. pKa = 2. como o que ocorre para o paraquat e o diquat. sua forma molecular será favorecida. maior será a tendência de o herbicida estar na sua forma molecular (neutra) e maior será sua capacidade de se adsorver nas partículas coloidais do solo. Da mesma forma que os herbicidas ácidos. Alguns herbicidas de comportamento similar são simazine. por exemplo. podem atrair íons hidrogênio em uma solução ácida. PÈREZ. seu comportamento será semelhante ao das moléculas não-iônicas.Comportamento de ionização de um herbicida ácido (2.Herbicidas: comportamento no solo 159 .4-D são dicamba..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas esses herbicidas. Entretanto. podendo competir com os sítios de adsorção de nutrientes no solo. 2003. Quando o pH do meio for superior ao pKa do herbicida. Herbicidas pertencentes a essa classificação. Figura 16 ..4-D. cyanazine (PIRES et al. quando o pH do solo for igual ao seu pKa.4-D. Módulo 3. as concentrações da formas dissociada e neutra serão iguais. este será prontamente dissociado e sua capacidade de ficar retido no solo será muito menor. OLIVEIRA JR.4 . podendo reduzir sua capacidade de adsorção (KOGAN.8) b) Herbicidas bases fracas: são os herbicidas que apresentam a capacidade de receber prótons e formar íons carregados positivamente. sendo sorvidos ao solo de forma irreversível. 1980). 1995) e hexazinone. Quanto menor o pH do solo em relação ao pKa do herbicida. a molécula estará 50% na sua forma molecular ou neutra e 50% na forma dissociada (aniônica). quando o pH do solo for igual ao seu pKa. maior será a tendência destes herbicidas de permanecer na sua forma dissociada ou protonada. CONSTANTIN. Nesse caso. 2001). quando o pH do solo for inferior ao seu pKa. Existe ainda um outro grupo de herbicidas tão básicos que possuem cargas positivas para todos os valores de pH verificados no solo (LEAVITT.

A intensidade da dessorção reflete o grau de reversibilidade do processo sortivo. 160 Módulo 3. embora se tenham verificado poucos estudos referentes a ensaios de dessorção na literatura. comparativamente aos herbicidas iônicos. Neste caso. ser afetados pelo pH do solo e ficar retidos aos complexos argilominerais e ao material orgânico do solo. O índice H de histerese pode ser obtido pela equação H= na/nd. metolachlor. Entre esses herbicidas estão incluídos trifluralin. Contudo. elevados índices de histerese indicam maior dificuldade de o herbicida sorvido retornar para a solução do solo.Comportamento de ionização de um herbicida base fraca (atrazine. EPTC e diuron. muitos deles podem ser polares e. podendo ocorrer. em função dessa condição. as isotermas de sorção e de dessorção diferem entre si. a sorção é praticamente irreversível e não ocorre retorno do herbicida à solução do solo.4 .Dessorção A dessorção representa a liberação da molécula do herbicida anteriormente sorvida. possibilitando maior permanência deste no ambiente. 2. esses efeitos são geralmente de menor intensidade. altíssima dessorção do herbicida. (2003) (Figura 18). em alguns casos.7 .Herbicidas: comportamento no solo . em que na e nd representam as curvaturas obtidas nos ensaios de adsorção e dessorção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 17 . Conforme Southwick et al. Em outros. Os herbicidas não-iônicos não reagem com a água e não carregam uma carga elétrica líquida. A informação da capacidade dessortiva do herbicida no solo pode ser muito importante. por relacionar o seu efeito residual e persistência no solo. dando origem ao fenômeno denominado histerese (H). permanecendo em sua forma molecular na solução do solo. respectivamente. alachlor.7) c) Herbicidas não-iônicos: os herbicidas que não doam nem recebem prótons na solução do solo são considerados não-iônicos. Embora sejam não-iônicos. pKa = 1. como observado por Pusino et al. Alguns exemplos de herbicidas e sua classificação encontram-se no Quadro 7. (1993).

diuron. segundo Pignatello (1989). simazine Dicamba. prophan Dichlobenil Isopropyl éster de 2. • falhas no estabelecimento do equilíbrio. são: • transformações químicas ou biológicas que o composto em questão pode sofrer. isopropalin Chlorprophan. picloram. paraquat Ametryn. oryzalin. principalmente. imazapyr.Curvas de adsorção ( ) e dessorção ( ) observadas para triasulfuron em três solos com diferentes teores de argila e materia orgânica. MCPA. chlorimuron-ethyl Bromacil. por influenciar a capacidade de contaminação dos recursos hídricos subsuperficiais. e • problemas inerentes à metodologia de determinação. os problemas de contaminação de aqüíferos no território brasileiro têm despertado pouco interesse dos pesquisadores. Embora freqüentes. MSMA. industrial e agrícola Módulo 3.4 .Herbicidas: comportamento no solo 161 . Além disso. chloroxuron Diversas explicações têm sido propostas no intuito de elucidar a não-singularidade das isotermas de dessorção. porém as mais aceitas. (2003) 3 . Figura 18 . 2. propazine.Processos de transporte O transporte de herbicidas no solo representa um dos processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente e se destaca.4-D. Pusino et al.Herbicidas e sua classificação conforme fórmula e grupos funcionais Catiônicos Básicos Ácidos Diversos Organofosforados Dinitroanilidas Carbamatos Benzonitrila Ésteres Anilidas Uréias HERBICIDAS Iônicos Diquat. imazetaphyr. triclopyr. swep. DSMA Não-iônicos Methoxychlor Trifluralin. cyanazine. propachlor Linuron. prometone. imazaquin. metolachlor. a demanda hídrica para o abastecimento urbano. trifloxysulfuron-sodium. atrazine.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 . metribuzin.4-D Alachlor. propanil.

Quadro 8 . Os autores constataram que a maior parte da contaminação era proveniente do escorrimento superficial de áreas irrigadas pulverizadas e que a maior concentração de resíduos ocorria nos primeiros 15 minutos da água.90 <1 . Já Pfeuffer e Rand (2004) monitoraram os pesticidas entre 1992 e 2001 no sul da Flórida. das práticas culturais.a aplicado <2 . 3.Perdas de herbicidas no solo por diferentes processos de transporte Tipo de transporte Volatilização Lixiviação Run-off Fluxo preferêncial % de perda do i.001 – 0.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tem se elevado nos últimos anos e poucos estudos são conduzidos com o objetivo de retardar o transporte de herbicidas sob condições tropicais.Herbicidas: comportamento no solo . como no caso do metolachlor (BUTTLE. dos herbicidas no solo. Dentre as principais formas de transporte nos estudos de herbicidas em solo. 1994). destaca-se o escorrimento superficial.25 1-9 Referência Taylor (1995) Flury (1996) Vicary et al (1999a) Vicary et al (1999b) Em certos casos. as perdas podem ser altas. 1996. A intensidade de perdas depende muito do sistema de plantio adotado (SETA et al.Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in) Os termos run-off e run-in representam o movimento ou escorrimento em superfície e subsuperfície.1 . para o qual se verificou perda do herbicida aderido aos sedimentos variando entre 9 e 58% do total aplicado ao solo. Keese et al. em certas situações. constatando que os herbicidas ametryn e atrazine foram os compostos mais comumente encontrados em águas 162 Módulo 3. na maior parte dos casos.4 . No entanto. CARTER. a volatilização e a lixiviação. 1993.. a quantidade total de herbicida que pode ser perdida por meio desse processo normalmente não excede 1% do total aplicado (Tabela 6). do tipo de solo em questão.. além. O arraste das partículas coloidais. em áreas irrigadas com intensa atividade agrícola. (1994) relataram a detecção de resíduos de herbicidas (oryzalin. o somatório de diferentes pesticidas carreados simultaneamente para uma mesma bacia hidrográfica pode comprometer a qualidade da água em relação ao seu aproveitamento posterior (DOMAGALSKY.5 <0. BOWMAN et al. mesmo quando a quantidade total transportada é pequena. na Carolina do Sul. especialmente no caso de herbicidas aplicados em pré-emergência. da natureza e dose das aplicações e da declividade da área. Todavia. de áreas pulverizadas para aquelas que não receberam diretamente o produto. é claro. juntamente com as moléculas dos herbicidas. é mais pronunciado quando o produto é aplicado e logo após ocorre chuva intensa no local. O maior potencial de movimento de herbicidas por escorrimento superficial ocorre logo após a aplicação. 2000). respectivamente. pendimethalin e oxyfluorfen) em reservatórios de água. 1990). Entre alguns trabalhos citados na literatura.

No caso do clomazone (Quadro 9).8 93.8 2. É por isso que.1 . Estudos apresentados por Rand (2004). existe maior probabilidade de o herbicida ser sorvido diretamente às partículas de solo (Quadro 10).5 92. mas. também mostraram que ametryn. de modo geral. para efeito de comparação da PV de dois produtos distintos.1 95.2 0. Módulo 3.8 9. podendo se perder para a atmosfera por evaporação.Herbicidas: comportamento no solo 163 .7 10.0 0. EUA. (1995) C Recuperado (% do Total de 14C-Clomazone Aplicado) Temperatura de Incubação (°C) 5 15 25 35 DMS5% 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superficiais.8 15.4 2.4 68.7 96. os valores devem ser determinados à mesma temperatura.5 9.2 . 3.4 .0 NS b) Aumento da umidade do solo: o aumento da disponibilidade de água no solo facilita a perda de vapor. 3.8 4. Além disso.44 x 104 mm Hg. solos úmidos perdem mais herbicida por volatilização que um solo seco. a elevação da temperatura aumenta a taxa de evaporação da água presente no solo.8 78. já que a água funciona como uma interfase entre a molécula e as partículas do solo.Fatores que influenciam a volatilização Vários fatores influenciam diretamente a volatilização de herbicidas presentes no solo.0 4.4 60.2. juntamente com DDD e DDE foi o composto detectado com maior freqüência em sedimentos de rios de áreas agrícolas na Flórida.1 5. Em solos secos.Volatilização A volatilização é o processo pelo qual o herbicida presente na solução do solo passa para a forma de vapor. esta é aumentada por: a) Elevação da temperatura: a temperatura do solo afeta a volatilização de produtos em função da alteração da pressão de vapor.Efeitos da temperatura de incubação na distribuição de 14C-clomazone (PV=1.3 7.5 98. sendo o efeito mais pronunciado quanto maior for a PV do herbicida. 25 °C) aos 84 dias após a aplicação ao solo 14 Volatilizado Mineralizado Total extraído do solo Não extraído (resíduos ligados) Total recuperado Fonte: Mervosh et al.4 15. as perdas podem aumentar significativamente em função do aumento de temperatura.4 1.1 3. Quadro 9 .

Alternativas para redução de perdas por volatilização a) Incorporação de herbicidas ao solo: a incorporação pode ser feita tanto com implementos quanto pelo uso de irrigação após a aplicação do herbicida. a 25 °C). a pressão de vapor (P).0 67. 1994).8 12. % do Total Aplicado Solo Úmido Solo Seco (14% de Umidade) (1% de Umidade) 62. a uma determinada temperatura. principalmente da solubilidade do composto em questão.4 .2. O potencial de volatilização de um herbicida geralmente pode ser estimado indiretamente. com a função de reduzir a evaporação.4 12. b) Formulação do produto: para muitos herbicidas com maior potencial de volatilização têm sido desenvolvidas novas formulações com adjuvantes. é a conseqüência de maior importância imediata da volatilização no que diz respeito às atividades agrícolas.Pressão de vapor (P) A pressão de vapor é a pressão exercida por um vapor em equilíbrio com um líquido.4 kg ha-1 à superfície do solo Temperatura do ar ( ) 0 4. Além disso. É uma indicação da 164 Módulo 3. sem dúvida. depois de sua aplicação.7 A volatilização pode ser tão significativa para alguns produtos que.4 15. o uso de formulações granuladas em vez das líquidas pode contribuir para diminuir as perdas por volatilização. como a estrutura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 10 . eles precisam ser incorporados imediatamente ao solo para que não haja redução substancial de sua eficiência. por meio de suas propriedades químicas. 3. necessitam ser mecanicamente incorporados ao solo.2 75. ao passo que herbicidas menos solúveis.0 9. Herbicidas mais solúveis.5 26.3 . TURCO. podem ser incorporados com uma irrigação adequada.0 12. principalmente.7 Fonte: Gray e Weierich (1965) °C Perda de EPTC em 24 h. como o trifluralin (S = 0.2 80. Existem.Efeito da temperatura na perda de EPTC após a aplicação de 3.3 mg L-1.6 37. neste caso. o que.2 81. a 20 °C). 3. sendo expressa normalmente em mm de Hg.2. o peso molecular e. A escolha da forma de incorporação depende. no entanto. No caso do EPTC. algumas alternativas que podem reduzir a volatilização e manter a eficiência desses herbicidas. a formulação granulada pode reduzir entre 60 e 100% as perdas por volatilização (GRAVEEL.3 15.2 . como o EPTC (S=370 mg L-1.Herbicidas: comportamento no solo .

0 x 10-8 9. quanto maior a pressão de vapor. 1994). solo úmido e vento. TURCO.4 .9 x 10-8 -16 PV (mm Hg. comparada a uma perda típica de 0 a 4% por lixiviação e 0-10% por escorrimento superficial (GRAVEEL.3 x 10-2 3. Muito baixo 165 Módulo 3.0 x 10-8 < 1. como as sulfoniluréias. 25 oC) 3.0 x 10-7 2.1 x 10-5 1. Portanto.0 x 10-12 1. Volátil. em solos úmidos Idem Idem Idem Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Perdas significativas quando não incorporado.5 x 10-8 1. Além do valor específico da pressão de vapor. podendo aumentar sob certas condições. imidazolinonas e sulfonamidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tendência da substância química em escapar na forma de gás. Muito alto.5 x 10-6 3. Moderado. mais provável que um líquido vaporize-se. Nota-se que o problema de volatilização é particularmente importante para alguns grupos químicos.6 x 10-5 4. ou. normalmente em razão da melhoria na qualidade de suas formulações.2 x 10 <1. podendo ser de 10 a 90%. Perdas mínimas que não reduzem a eficácia do produto nãoincorporado.Herbicidas: comportamento no solo . já não apresentam esses problemas.1 x 10-8 < 1.1 x 10-4 3. mas pode ser significativo se não incorporado.0 x 10-7 < 1.6 x 10-3 1.0 x 10-7 < 2.Pressão de vapor (PV) e potencial de volatilização de alguns herbicidas Grupo Químico e Princípio Ativo Cloroacetamidas Acetochlor Alachlor Butachlor Metolachlor Dinitroanilinas Trifluralin Isopropalin* Oryzalin Pendimethalin Tiocarbamatos Butylate* EPTC* Molinate Vernolate* Sulfoniluréias Chlorimuronethyl Nicosulfuron Oxasulfuron Imidazolinonas Imazamethabenz* Imazapyr Imazaquin Imazethapyr Imazamox Piridazinonas Norflurazon Triazolopirimidin 1. a intensidade e a velocidade de volatilização de um herbicida dependem também da intensidade e velocidade de movimento até a interface (normalmente a superfície do solo) onde ocorre o processo.0 x 10-5 < 1. Quadro 11 . Perdas pequenas podem ocorrer sob alta temperatura.4 x 10-2 5. Grupos químicos de desenvolvimento mais recente. Pequeno. No Quadro 11 encontram-se valores de pressão de vapor de alguns herbicidas aplicados ao solo.4 x 10-8 1. Perdas por volatilização são muito variáveis.1 x 10-2 4.4 x 10-6 Potencial de Volatilização Muito baixo Baixo a moderado Baixo Baixo. as quais muitas vezes incorporam adjuvantes com a finalidade de reduzir a volatilização. Perdas ainda maiores se não incorporados e. como as dinitroanilinas e os tiocarbamatos. podendo ser perdido em quantidades significativas quando não incorporado ou em solo úmido.

De modo geral. Seu valor geralmente é expresso em mg L-1 (normalmente a 25 °C) e é um reflexo da polaridade da substância química. exceto quando solo está quente e não é ativado pela chuva por vários dias após a aplicação. maior será a sua afinidade por água. * Atualmente não registrados para uso no Brasil Fontes: Adaptado de Ahrens (1994). moléculas orgânicas grandes. duas fases distintas existirão. 3.5 . dentro de um mesmo grupo químico. quanto mais iônico. Dos vários parâmetros que afetam o destino e o transporte de herbicidas. Insignificante.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Grupo Químico e Princípio Ativo as Flumetsulam Cloransulammetil Derivados da uréia Linuron Diuron PV (mm Hg. em razão de apresentarem coeficientes de sorção para solos e sedimentos relativamente baixos. Em geral. Outros meios de degradação (ex: fotólise.9 x 10-8 Insignificante.0 x 10-16 Potencial de Volatilização Desprezível Muito baixo 1.Relação entre PV e S A combinação de PV e S pode ser expressa através de uma constante denominada KH. portanto. a solubilidade em água é um dos mais importantes. por definição. maior solubilidade resulta em menor sorção. mesmo quando forem iônicas (KOGAN.8 x 10-15 3. a solubilidade de um herbicida e sua sorção no solo estão inversamente correlacionadas. maior a sua solubilidade. Por sua vez. O KH é um coeficiente de partição entre o ar e a água (solução do solo). há casos em que moléculas de elevada massa molecular apresentam baixa solubilidade. pouco ou não solúveis. Acima dessa concentração.7 x 10-5 6. ou constante da lei de Henry. são. isto é.Herbicidas: comportamento no solo . exceto quando é exposto a condições quentes e secas por vários dias.2. o aumento no peso molecular diminui a solubilidade. 166 Módulo 3.4 . logo. 2003).Solubilidade A solubilidade (S) de um herbicida em água é. PÈREZ. dependendo se o herbicida for um sólido ou um líquido na temperatura do sistema: uma fase saturada de solução aquosa e uma fase líquida ou sólida do herbicida (LAVORENTI. hidrólise e oxidação) e transporte (ex: volatilização da solução e lavagem da atmosfera pela água da chuva) também são afetados pela extensão da solubilidade em água dos herbicidas. Quanto maior a quantidade de grupos hidrofílicos na molécula do herbicida (mais polares). Hatzios (1998) e Rodrigues e Almeida (2005) 3. mais provável que o composto em questão seja solúvel. 1996). a quantidade máxima de herbicida que se dissolve em água pura a uma determinada temperatura. 25 oC) 2. Moléculas altamente solúveis são rapidamente distribuídas no ciclo hidrológico. sem carga.2. No entanto.

Além disso.4 . Como a perda por volatilização é dada pelo produto de KH por concentração. cujos valores elevados de KH indicam que os solutos são altamente voláteis A constante da lei de Henry é definida pela equação: KH e PV são constantes proporcionais. (1988). A sorção regula o potencial de um herbicida ser Módulo 3. a distância torna a difusão para a superfície do solo mais difícil.Absorção pelas plantas A porcentagem de herbicida que a planta absorve do solo é difícil de ser medida. mesmo compostos considerados não ou pouco voláteis podem apresentar certa perda.Relação entre KH e incorporação de herbicidas A aplicação de um herbicida na superfície gera uma alta concentração numa fina camada de solo. dependendo da densidade de plantas. 3. podendo reduzir as suas perdas. O KH é muito importante para os herbicidas na fase líquida do solo.Herbicidas: comportamento no solo 167 . das espécies presentes. 3. podendo ser usado também como indicativo do potencial de volatilização de determinados herbicidas. KH também pode ser usado como indicativo do potencial de volatilização de determinado herbicida.4 . Quando se realiza a incorporação do herbicida. em virtude da alta concentração numa fina camada superficial do solo. As duas propriedades mais importantes no que diz respeito ao processo de lixiviação são a sorção e a persistência do produto.2. Portanto. ocorre a diluição da concentração.Lixiviação O destino de herbicidas aplicados ao solo depende muito das propriedades químicas da substância em questão.3 . portanto. Trabalhos feitos com outros herbicidas no campo mostram que as plantas podem remover de 2 a 5% do total de herbicida no solo (SHANER. a absorção pelas plantas participa com pequena porcentagem na remoção do total presente no solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas sendo semelhante ao coeficiente de sorção (Kd) usado para descrever a sorção ao solo. Experimentos em vaso demonstraram que as plantas podem absorver de 1 a 10% do total de herbicida disponível.6 . do volume de solo. Uma revisão bastante completa acerca das bases termodinâmicas e da determinação experimental de K¬H pode ser encontrada em Suntio et al. 3. etc. 1989).

Entre os estudos realizados.8 1.6 Terbutryn 1.1 Dichlobenil 1. com o objetivo de verificar a contaminação das reservas hídricas por pesticidas.4 Mecoprop Simazine 5. alguns estudos têm sido realizados com o intuito de prever o potencial desses compostos de atingir rios.4 Environment Agency. esses modelos têm contribuído na redução dos custos de análise e também na prevenção de desastres ambientais.5 Atrazine Mecoprop 12.4 0.4 . Widerson e Kim (1986) simplificaram essa caracterização e definiram que os herbicidas que possuíssem valor de Koc menor que 512 (L/kg) e meia-vida (t ½ vida) superior a 11 dias seriam classificados como lixiviadores. (1984) propuseram uma relação entre o Koc e a meia-vida (t ½ vida) dos herbicidas.1 Fonte: 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas perdido com sedimentos ou por lixiviação.7 Atrazine 2. cujo critério é ainda utilizado pelo California Department of Food and Agriculture (CDFA).8 são considerados 168 Módulo 3. Embora empíricos. 1999 Além das avaliações in locu.6 Benazolin 2. Em 1986.1 mg L-1 Águas de superfície Águas subterrâneas Isoproturon 19.9 Chlorotoluror 2. como o realizado pelo National Center for Ecotoxicology and Hazardous Substances.1 a 1% do total aplicado. lagos e águas em profundidade.1 Bromoxynil 1. mas. do Reino Unido apontaram alguns dos herbicidas com excesso de resíduos nas amostras de águas avaliadas (Quadro 12).6 Diuron CMPA 7. Quadro 12 – Percentual de amostras de águas avaliadas no Reino Unido que excederam o limite de resíduos permitido Herbicidas com % amostras excedendo 0. Alguns estudos.4 Linuron Chlorotoluron 3. em determinadas circunstâncias. esse percentual pode ser igual ou superior a 5% (Carter. a quantidade do herbicida perdido pela movimentação no perfil do solo é geralmente entre 0.8 Bentazone 1. Entre os critérios mais divulgados e aceitos para a classificação de herbicidas conforme seu potencial de lixiviação está o índice GUS (Groundwater Ubiquity Score).9 0. embora solubilidades muito baixas possam limitar o transporte com a água. 2000). cuja equação a seguir estabelece que herbicidas com índice GUS<1. proposto por Gustafson (1989).0 0. para classificá-los como lixiviadores (Koc < 300 (L kg-1) e t ½ vida > 21 dias) e não-lixiviadores (Koc > 500 (L kg-1) e t ½ vida < 14). Cohen et al. A solubilidade é de importância secundária.Herbicidas: comportamento no solo .5 Isoproturon Diuron 10. Em condições normais.4-D 5.1 1.

8 representam produtos lixiviáveis.Herbicidas: comportamento no solo 169 . Entretanto. Aqueles com valores entre 1. ele deve estar na solução do solo ou adsorvido a pequenas partículas. 2001). Recentemente.Relação de herbicidas classificados conforme somatório obtido pelo IRA – Índice de Risco Ambiental Herbicida Trifluralin Hexazinona Paraquat Imazapyr Triclopyr Oxyfluorfen Linuron Sulfentrazone Isoxaflutole Haloxyfop Oryzlain Glyphosate Fluazifop Amônio-glufosinato Sethoxydim P 2 3 4 3 1 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 D 4 1 3 1 1 2 1 1 1 1 3 3 1 1 1 V 4 1 1 1 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 M 1 4 1 4 4 1 2 4 4 3 1 1 1 1 1 IT 4 2 2 2 2 3 3 2 2 3 3 2 3 2 2 IRA 15 15 11 11 11 10 10 10 10 9 9 8 7 6 6 Módulo 3. M (mobilidade). O índice é definido pela soma de inúmeros fatores: P (persistência). sendo adotada por inúmeros estudos que buscam relacionar o potencial de lixiviação dos herbicidas no solo com a contaminação de lençóis freáticos. ao passo que índices superiores a 2. para que o fluxo hídrico consiga carrear o herbicida pelo perfil do solo (OLIVEIRA JR. além da capacidade de lixiviação do herbicida..4 . peptídeos e açúcares. V (volatilidade) e IT (índice toxicológico). para que um herbicida seja lixiviado. como argila. ácidos fúlvicos e húmicos de baixo peso molecular. cujo resultado final permite elencar os compostos em relação ao maior ou menor risco para o meio ambiente (Quadro 13).8 são considerados de potencial lixiviador intermediário: GUS = log t½ * (4 – log Kfoc) A equação utiliza os valores de t½ vida do herbicida e o coeficiente de sorção normalizado para teor de carbono orgânico do solo. D (dose). cujo resultado representa.8 e 2. entre outros. além de possuir t ½ vida elevada. Kogan e Allister (2004) propuseram o IRA – Índice de Risco Ambiental. aminoácidos. Quadro 7 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas como não-lixiviáveis. o seu efeito sobre o meio ambiente.

nos quais somente uma linha de dissipação é apresentada. obtendo-se como produto final água.693/K Entretanto. por análise de regressão linear. o ln será igual a 0. a constante de degradação. e. A equação anterior admite que a taxa de degradação diminui linearmente com o decréscimo da concentração. conforme fórmula que segue: t 1/2= 0. considera-se que resíduos de herbicidas no solo sejam quaisquer substâncias resultantes da sua aplicação. e K.1 . os intervalos de tempo 170 Módulo 3. Co a concentração inicial e k. normalmente utilizam-se equações não-lineares de regressão (bi-exponen¬ciais) para o cálculo da t ½ vida de herbicidas no solo. pode-se estimar a t ½ vida.4 . até a sua completa mineralização. CO2 e compostos inorgânicos (MELTING. quando C0/Ct for igual a 2. Ct a concentração no tempo t. 4. em que Ct representa a concentração no tempo t. A persistência desses compostos é normalmente medida pela meia-vida (t ½ vida). A t ½ vida é definida como o tempo necessário para que ocorra a dissipação de 50% da quantidade inicial do herbicida aplicado. A degradação de moléculas de herbicidas no solo e o conhecimento dos principais mecanismos responsáveis pela aceleração ou pelo retardamento do processo influenciam diretamente a persistência desses compostos no ambiente. De forma geral. Para modelos lineares. a degradação refere-se a um conjunto de transformações físicas. 1993). além da própria molécula do herbicida. a constante de degradação. Essas substâncias podem incluir produtos de degradação (metabólitos).Persistência De forma prática. como a apresentada a seguir.693.Processos de transformação Os processos de transformação das moléculas de herbicidas presentes no solo e água são decorrentes da degradação dessas moléculas em compostos secundários. químicas e biológicas que levam à formação de metabólitos ou à completa mineralização das moléculas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . Essa equação pode ainda ser simplificada assumindo que. a qual é extremamente importante para predizer o risco de contaminação de lençóis freáticos. O seu cálculo deriva do modelo de primeira ordem definido pela equação: Ln C0/Ct = K * t em que C0 é a concentração inicial do herbicida.Herbicidas: comportamento no solo .

(1997) 171 3.3 1.Exemplos de classificações de herbicidas quanto à persistência no solo Inglaterra Classe Não-persistente Levemente persistente Moderadamente persistente Muito persistente Fonte: Adaptado de Roberts (1996) e Foloni (1997) t1/2 (dias) <5 5-21 22-60 >60 Brasil (IBAMA) Classe Não-persistente Medianamente persistente Persistente Altamente persistente t1/2 (dias) <30 30-180 180-360 >360 Quadro 15 .2 5. (1997) 10-16 Ravelli et al. No Quadro 15 são mostrados os valores de meia-vida de alguns herbicidas em solos do Brasil. sua persistência é basicamente dependente de quatro fatores: solo (teor de carbono orgânico.2 a t1/2 Referência (dias) Nakagawa et al. ambiente (temperatura e precipitação) e práticas culturais (sistema de plantio e doses aplicadas).7 2. (cm) 0-14 0-10 0-30 50-200 0-40 100200 0-15 70-150 MO Argila Areia pH (%) (%) (H2O) (%) 45 28 17 39 47 44 47 48 61 48 56 40 63 72 20 48 46 44 28 27 27 24 5. para que o herbicida atinja e contamine águas superficiais e subsuperficias. embora a t ½ vida sirva de parâmetro para avaliação do tempo de permanência do herbicida no ambiente. 56 (1995) 22 Blanco et al.6 5.Herbicidas: comportamento no solo Prof.6 4.Valores de meia-vida (t ½ vida) observados para alguns herbicidas em solos do Brasil Herbicida Tipo de solo Classe Latossolo Vermelho-Escuro Atrazine Glei húmico Simazine Trifluralin Metribuzin Latossolo roxo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Módulo 3. 1996).2 1.8 4. (1995) Nakagawa et al. (1997) Ravelli et al.7 2.4 . a t ½ vida poderá ser alterada e maior quantidade do herbicida estará disponível no ambiente.3 0. (1997) Campanhola et al.8 6.1 7. pH e textura). ao aumentar a dose de aplicação do herbicida. Assim.7 4. dentro dos limites de uso agrícola. população de microrganismos presentes. (1993) 7-21 Ravelli et al. a classificação de um herbicida como “persistente” ou “não-persistente” varia de acordo com o propósito da classificação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas considerados podem fornecer estimativas e interpretações errôneas da t ½ vida de herbicidas (BLUMHORST. (1997) Ravelli et al.6 9. Por outro lado. Quadro 14 . Ct =C0 * e -kt Sabe-se que valores altos de t ½ vida contribuem.4 5.6 3.3 1. No entanto.6 0.8 5. (1997) 54 5-29 8-21 8-26 Ravelli et al. em muitos casos.0 Podzolico Vermelho-Amarelo 0-10 Chlorsulfur on Latossolo Eermelho-Escuro . No Quadro 14 encontram-se exemplos de classificações adotadas na Inglaterra e no Brasil.4 5. 9-12 (1982) 54-63 Novo et al.4 4. (1997) 8-13 Ravelli et al.

Herbicidas: comportamento no solo . Isso ocorre principalmente para compostos cuja degradação é fortemente influenciada pela atividade microbiológica do solo. Herbicidas com maior persistência podem resultar no fenômeno denominado carryover. podem-se citar. É o caso do imazaquin em relação ao trifluralin. que pode ser definido como sendo os resíduos fitotóxicos que permanecem no solo e que venham a afetar culturas sensíveis plantadas em rotação após aquelas culturas em que foi utilizado o herbicida.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nas Figuras 19 e 20 são encontrados exemplos de comportamentos de persistência de herbicidas em um Latossolo Roxo distrófico (LRd). 172 Módulo 3. Observa-se que os herbicidas tendem a persistir por período mais prolongado quando lixiviam mais rapidamente para horizontes subsuperficiais. as que seguem. Entre as principais formas pelas quais os herbicidas são degradados. Eventuais alternativas para minimizar o problema de carryover incluem a redução das doses (pode não resolver o problema em certos tipos de solos) e a aplicação em faixas ou dirigida em vez de em área total (reduz a quantidade total de herbicida aplicado). a qual é reduzida à medida que se afasta da camada superficial do solo.

provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de imazaquin Fonte: Silva et al. (1998) Módulo 3.Herbicidas: comportamento no solo 173 .4 . 150 (B) e 180 (C) DAA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 19 .Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A).

(1998) 174 Módulo 3.Herbicidas: comportamento no solo .Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A). provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de trifluralin Fonte: Silva et al.4 . 150 (B) e 180 (C) DAA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 20 .

Módulo 3. Detoxificação: conversão de uma molécula tóxica em um produto menos tóxico ou atóxico.Degradação química A degradação ou decomposição de herbicidas no solo por meio de reações químicas e nãobiológicas são comuns para diversas moléculas. em geral. A hidrólise representa um processo geral de reação do herbicida com a água. como uma oxidação. cujos principais mecanismos envolvidos são a oxirredução e hidrólise desses compostos. As imidazolinonas.2 . implicando a perda ou alteração da toxidez da molécula. envolvendo várias reações seqüenciais. Estudos mais detalhados indicam que a biodegradação pode ser por: Alteração não-tóxica: conversão de uma molécula não-tóxica. Esse fenômeno pode ocorrer em solos extremamente secos embora seja facilitada naqueles cuja condição se aproxima da sua capacidade de campo e com temperaturas elevadas. de um substrato não-tóxico em uma molécula com ação biocida. 1989). entre eles: • características estruturais do composto: quantidade de substituição e natureza do grupo introduzido no núcleo central da molécula. a hidrólise química é responsável.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. Ativação: conversão.4 . Conjugação: quando o substrato torna-se mais complexo pela adição ou complexação com metabólicos microbianos. Embora para a grande maioria dos herbicidas aplicados ao solo os processos de degradação mediados por microrganismos sejam mais importantes. O pH do solo também auxilia na velocidade da reação.Herbicidas: comportamento no solo 175 .Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação O termo biodegradação refere-se à transformação biológica de um composto químico orgânico em outra forma. ou mais complexa. 4. no qual ocorre a quebra de pontes químicas das moléculas herbicidas devido à substituição de um ou mais átomos por íons hidroxil da água (OH-). mas com potencialidade de ativação e toxidez. em um produto não-tóxico e desativado. A estabilidade desses herbicidas sugere que a hidrólise química não é um mecanismo importante na sua degradação no solo (SHANER. Essa transformação pode ser primária. pelo início de uma série de atividades degradativas que ocorrem no solo e torna-se indispensável para os processos de transformação das moléculas de herbicidas no solo. envolvendo mudanças estruturais na molécula. por exemplo são extremamente estáveis nas faixas de pH normalmente encontradas no solo e apresentam t ½ vida normalmente maior que seis meses. redução ou perda de um grupo funcional.3 . por ação enzimática. O fenômeno da recalcitrância (baixa degradabilidade no solo) é bastante complexo e regulado por outros fatores. podendo se tornar recalcitrante e mais tóxico.

Vários autores. pois outros fatores ambientais precisam ser considerados na interpretação desses resultados. RAVELLI et al. (2001) observaram a biodegradação acelerada de carbetamida por microflora adptada. Sabe-se. 1993). Diversas dessas moléculas têm sido descritas como condicionadoras da microbiota do solo para sua degradação (FELSOT. uma vez que está menos exposto ao contato direto com a microbiota do solo. representada principalmente por fungos e bactérias. ou. • inacessibilidade do substrato às enzimas ou células microbianas capazes de promover a sua degradação. de que essa degradação seria devido ao aumento da atividade enzimática com maior ação degradativa sobre esses compostos. de várias espécies de microrganismos do solo. com utilização do composto como fonte de carbono e energia. Contudo. que a população microbiana. Estes microrganismos podem utilizar os herbicidas tanto como substratos. onde tem maiores chances de ser biodegradado. 1996.4 . os processos de biodegradação podem ocorrer em função da atuação de uma ou. os estudos ainda não permitem uma definição sobre a modificação ou atividade mircrobiana envolvida na degradação acelerada de herbicidas. mais comumente. H2O.Herbicidas: comportamento no solo • . avaliando a degradação de pesticidas em várias profundidades. diminuindo com a profundidade. 1996). Além disso. Hole et al. a segunda. Mineralização: considerado sinônimo de degradação. diz-se que ocorreu um processo natural de adaptação metabólica.. ele pode acabar tornando-se mais persistente. A rota primária de degradação das 176 Módulo 3. ainda. embora os produtos finais sejam CO2. NH3 e íons inorgânicos. se um herbicida é lixiviado rapidamente da camada superficial do solo. utilizando esse composto como fonte de C e N.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas desativação de sistemas enzimáticos responsáveis pelas alterações na molécula do produto no solo. Simples degradação: transformação de uma substância tóxica complexa em produtos mais simples. Quando a biodegradação é acelerada. • ausência de fatores de crescimento ou condições favoráveis para os microrganismos decompositores e • ausência de microrganismo(s) com capacidade metabólica (enzima) capaz de degradar o produto. Alteração do espectro de toxidez: alteração no composto que provoca alteração do grupo de organismos específicos sensíveis à sua ação. fornecendo nutrientes. 1997). como fonte de energia (metabolismo). Entretanto. a ação microbiana pode modificar a estrutura química do produto. entretanto.. sem fornecimento de energia para o seu crescimento (co-metabolismo) (MONTEIRO. SHELTON. esse fenômeno tem sido questionado a partir de duas considerações: a primeira é de que a degradação acelerada seria resultado do aumento do número de microrganismos selecionados pelo herbicida e. Portanto. observaram que a taxa de degradação diminui com a profundidade (VEEH et al. é mais abundante nas camadas superficiais do solo. sendo um dos maiores mecanismos envolvidos na degradação de herbicidas. Já Sanyal e Kulshrestha (1999) observaram a ação de diversos microrganismos na degradação acelerada de metolachlor.

Fotodecomposição ou fotólise A radiação solar na faixa do ultravioleta (290-450 nm) contém energia suficiente para causar transformações químicas dos herbicidas. Apenas aqueles herbicidas na ou próximos à superfície do solo ou sobre plantas serão passíveis de sofrerem fotodecomposição. Geralmente a luz apresenta um papel de catalisador de reações químicas. algumas vezes. diquat. normalmente como os elétrons deslocados (cromóforos). Embora a energia solar que chega à superfície do solo na faixa abaixo de 295 nm seja considerada desprezível. como hidrólise. Outros exemplos de reações fotoquímicas comuns ocorrem nas bifenilas policloradas (PCBs). disponibilidade de nutrientes. triasulfuron. por exemplo. particularmente sob condições de alta umidade e temperatura. a isomerização e a polimerização. Estudos de dissipação no campo mostram a perda rápida das imidazolinonas a partir do solo. paraquat. superfície mineral.4 . a oxidação. O processo de fotodecomposição. uréias substituídas (diuron. Uma reação que também ocorre a partir da substituição de um halogênio de benzeno por uma hidroxila. propriedades do solo (pH.Herbicidas: comportamento no solo 177 . aeração e micro/macrofauna) e as técnicas de aplicação. umidade. Isso causa a excitação de elétrons e pode resultar na quebra ou na formação de ligações químicas. além das próprias culturas. a energia luminosa pode ser absorvida por uma molécula intermediária e transferida à molécula do herbicida por colisão. ou próximo disso. as de maior ação sobre os herbicidas são: a hidrólise. etc. Compostos amarelados. estado de humificação da matéria orgânica. Além disso. as quais podem levar à sua inativação. e os produtos da transformação resultantes dessas reações. A maioria dos herbicidas apresenta coloração que tende ao branco. Módulo 3. Portanto. começa quando a molécula do herbicida absorve a energia luminosa. sendo a desalogenação a reação fotoquímica mais comum. podem afetar a persistência dos herbicidas. bentazon e atrazine em solução aquosa. possuem picos de absorção por volta de 370 nm. é a reação fotonucleofílica de hidrólise. como as dinitroanilinas. monuron) e em pentaclorofenóis. a qual depende da insaturação eletrônica. clethodim. a desalogenação. oxirredução. são os mesmos que os encontrados em decorrência de processos enzimáticos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas imidazolinonas. uma vez que a penetração de luz UV no solo é bastante limitada. na presença de um agente nucleofílico em solução aquosa. Fatores do ambiente (temperatura. vento e luz solar) podem afetar a transformação dos herbicidas tanto na água quanto no solo. ou decomposição pela luz. Exemplos de herbicidas que sofrem fotodecomposição incluem o trifluralin.. e possui picos de absorção de luz na faixa do UV. parece ser a microbiana. cultivo e irrigação. o comprimento de onda efetivo na fotodegradação de herbicidas pode estar fora do espectro de absorção específico do composto. Dentres as principais reações fotoquímicas. 4.4 .

1998. que se beneficiam do emprego da fitorremediação em suas áreas de produção e de pesquisa (GLASS. É possível que parte das perdas esteja relacionada ao processo de fotodegradação. como a norte-americana Phytotech e a alemã BioPlanta.4 . e indústrias multinacionais. A Figura 21 exemplifica as estruturas químicas de produtos de fotodegradação do metolachlor. se comprovada ao longo de um período de monitoramento. Esta alternativa . 2003). especialmente se um período prolongado de seca acontece após a aplicação. surgiram nos EUA e em grande parte da Europa inúmeras companhias que exploram a chamada “fitorremediação” para fins lucrativos. tem-se mostrado que a atenuação natural monitorada pode contribuir significativamente para o controle e a redução da contaminação de solos e águas subterrâneas (FURTADO.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considera-se que os produtos da fotodegradação sejam similares aos produzidos por processos químicos e biológicos de degradação. Monsanto e Rhone-Poulanc. Herbicidas aplicados à superfície do solo são freqüentemente perdidos. DINARDI et al.tem-se mostrado viável nos casos em que ocorrem condições biogeoquimicamente favoráveis e pode ser efetiva na remediação de solos e águas subterrâneas quando utilizada paralelamente a outras tecno¬logias.que consiste simplesmente em manejar ao longo de um certo tempo a degradação dos contaminantes que ocorre por meio de processos naturais . acentuada pela temperatura elevada na superfície do solo. nos últimos dez anos.Herbicidas: comportamento no solo . A volatilização.Estruturas químicas de quatro produtos de fotodegradação do metolachlor Fonte: Kochany e Maguire (1994) 5 . Figura 21 . 178 Módulo 3. a degradação química e biológica e a sorção são alguns fatores que devem ser considerados para explicar o desaparecimento dos herbicidas do solo. outros fatores podem estar envolvidos. No entanto.Fitorremediação Recentemente. ou isoladamente.. Mais especificamente. como Union Carbine. 2005).

SIQUEIRA. No Brasil. 2000). Portanto. 2003. SANTOS et al.Herbicidas: comportamento no solo 179 . Petrobrás (2006) e Unicamp (FEA. entre elas a Embrapa (2005). YU et al. já se sabe que as espécies Stizolobium aterrimum e Canavalia ensiformis são. comprovadamente. principalmente. principalmente) capazes de se desenvolverem em meio contendo o material poluente. mais recentemente. 2004a.. b). A técnica é bem utilizada para remediação de áreas contaminadas com metais pesados (FRANCO. 2005). herbicidas (PIRES et al. visando a descontaminação de ambientes (fitorreme¬diação) que apresentam resíduos de herbicidas em quantidade suficiente para causar interferência negativa nas diferentes atividades agrícolas ou comprometer a sustentabilidade ambiental. Dessa maneira. QUEROL et al. os quais incluem a fitorremediação. 2005. As condições necessárias para essa degradação incluem a existência de receptores de elétrons.... pesquisam e exploram métodos de biorremediação. Módulo 3. bem como instituições de pesquisa. é no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Viçosa que se intensificam os estudos na área da fitorremediação de solos contaminados por herbicidas. 5. de ambientes contaminados por metais pesados e derivados de petróleo. No processo de biorremediação in situ dito “tradicional”. podendo atingir cursos de águas subterrâneas. solventes halogenados.4 . A pesquisa referente à biorremediação (biodegradação) de áreas contaminadas por herbicidas é relativamente ampla e já bem consolidada.. 2005. 2003.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Dentre os compostos de difícil degradação no solo. incluindo o desenvolvimento de vários microrganismos comprovadamente eficientes na biodegradação de alguns compostos (BELLINASO et al. Nesses estudos. 2006). de nutrientes e de substrato. Contudo. Quando se trata da descontaminação pela utilização de plantas isoladas ou estimulando a microbiota associada às suas raízes. o termo biorremediação é amplamente utilizado para o processo de descontaminação de ambientes por microrganismos. são estimulados a degradar os contaminantes seja por utilização da molécula como fonte de nutrientes ou por co-metabolismo. algumas empresas estatais e privadas. microrganismos do solo.. VROUMSIA et al.1 . PROCÓPIO et al. reduzindo-o ou até mesmo eliminando sua toxicidade.A fitorremediação como mecanismo de biorremediação A biorremediação é o processo de remediação in situ de áreas contaminadas que emprega organismos vivos (microrganismos e plantas. compostos nitroaromáticos e. em particular bactérias. 2004. incluindo compostos químicos aplicados para as diferentes atividades agrícolas. os herbicidas de longo efeito residual apresentam-se como principal problema à possibilidade de contaminação de culturas plantadas em sucessão e ao problema ambiental ocasionado por sua lixiviação direta ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo. 2005). tem-se a fitorremediação (ACCIOLY. este trabalho abordará especificamente aspectos da técnica da utilização das plantas e sua microbiota associada.. eficientes na descontaminação de áreas tratadas com os herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron e que o provável mecanismo envolvido na descontaminação seja a interação da fitoestimulação e da fitodegradação.

ANDERSON. só recentemente tem-se apresentado como promissora técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas residuais (PIRES et al. e • apresentam complexidade de análise diante das constantes transformações a que estão sujeitos. elementos contaminantes. solventes clorados e subprodutos tóxicos da indústria (CUNNINGHAM et al. A seletividade deve-se ao fato de que os compostos orgânicos podem ser translocados para outros tecidos da planta e.4 . um importante mecanismo de diminuição do herbicida por ação do fitorremediador parece ser a fitoestimulação. Outros trabalhos relatam a contribuição das plantas. A utilização da fitorremediação para descontaminação de ambientes com resíduo de herbicidas é baseada na seletividade. 2005). natural ou desenvolvida. SCHNOOR. é desenvolvido como agente para o controle do descontaminante. entre elas C. como a capacidade de metabolização do herbicida a um composto não-tóxico (ou menos tóxico) à planta e ao ambiente. o contaminante.. volatilizados. 2001). principalmente atrazine e metolachlor (ANDERSON et al.. Apesar de ser utilizada em solos contaminados com substâncias orgânicas ou inorgânicas. como metais pesados. como bombeamento e tratamento. estimulando o efeito rizosférico na aceleração da mineralização de alguns herbicidas. tolerantes a certos herbicidas. que algumas espécies exibem a determinados compostos ou mecanismos de ação.Herbicidas: comportamento no solo . principalmente por sua eficiência na descontaminação e pelo baixo custo (PERKOVICH et al. SANTOS et al. ensiformis e S. PROCÓPIO et al. especialmente menos fitotóxicos. no caso herbicida.. constatou-se que. subseqüentemente. no caso. 2000.. entre outras. (2000). em solos rizosféricos de Kochia scoparia. COATS. as plantas. e em solos não vegetados. contaminado com o tebuthiuron. na qual há o estímulo à atividade microbiana. a fitorremediação tem sido considerada vantajosa. aterrimum. conhecido como fitodegradação. CUNNINGHAM et al. 2004. entre outros. 2003. promovido pela liberação de exsudatos radiculares. 1996.. combinados e/ou ligados a tecidos das plantas (compartimentalização) (ACCIOLY.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quando comparada com técnicas tradicionais. Em trabalho realizado por Arthur et al.. SCRAMIN et al. explosivos. Apesar das facilidades observadas. Em trabalho realizado por Pires et al.. comparado ao solo não vegetado. de 193 dias. Citam-se ainda outros mecanismos. PERKOVICH et al. o que caracteriza. em algumas plantas. 1996. ou remoção física da camada contaminada.. 1995. 1996). devem ser consideradas para o emprego da fitorremediação em áreas contaminadas por herbicidas: • são contaminantes orgânicos que apresentam diversidade molecular. 180 Módulo 3. foi comprovado que o solo proveniente da rizosfera de diversas espécies de leguminosas. duas limitações. a meia-vida do atrazine foi de 50 dias. apresentou maior atividade microbiana. que atuam degradando o composto no solo. 1996). (2005). podem ainda sofrer parcial ou completa degradação ou ser transformados em compostos menos tóxicos. hidrocar¬bonetos de petróleo.. a aptidão rizosférica para a biorremediação desses compostos. agrotóxicos. 1996). Esse fato é de ocorrência comum em espécies agrícolas e daninhas. BURKEN. 1994. SIQUEIRA. Contudo.

Compostos que são menos hidrofóbicos. logo. Outras propriedades do solo podem intervir na fitorremediação e... o conteúdo de argila. Dessa maneira.. CELIS et al. o produto químico deve passar pelo simplasto da endoderme. com Log Kow > 2.. além dessa característica. as pesquisas devem direcionar esforços para obtenção de melhores resultados para as áreas contaminadas com os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo. levando à fitodegradação. (1982). com valores de Log Kow < 2. Todavia. Em revisão feita por Pires et al. apesar de ter valores de pH mais altos que 6.0. 1997). pelas condições ambientais e pelas características da espécie vegetal. fundamental para promover o carreamento do herbicida absorvido para a parte aérea das plantas. como. com exceção do diuron em um dos solos..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Segundo Burken e Schnoor (1996). pelas plantas é afetada pelas propriedades químicas do composto. Módulo 3. 1995. Para atrazine verificou-se que sua mineralização aumentava rapidamente com o aumento do pH (HOUOT et al.4 . não passam através das membranas lipídicas associadas com as camadas da epiderme das raízes. Essa ligação ou exclusão leva a menor fluxo transpiratório sob valores de Log Kow que se distanciam de 2. Solos com alto conteúdo deste mineral apresentam reduzida mineralização de atrazine. ligam-se às membranas lipídicas das raízes antes de entrarem no xilema. Além disso. Compostos que são mais hidrofóbicos. 1992.. diuron e metsulfuron-metil na solução do solo e na fração adsorvida em dois tipos de solos e encontraram que a meia-vida destes produtos foi menor em solução que na fração adsorvida.1. interferem ainda a constante de acidez (pKa) e a sua concentração (ALKORTA. incrementam-se também a biomassa e atividade microbiana e a biotransformação das moléculas dos herbicidas no solo (WEED et al. Walker et al. 1995).1. Maior conteúdo de matéria orgânica reduz as amplitudes de variação da temperatura e umidade do solo. o fluxo transpiratório.. além do mecanismo de ação. GARBISU. a absorção radicular de xenobióticos da água (em solução) está diretamente relacionada ao logaritmo do coeficiente de partição octanol-água (Kow) do composto. (1996) estudaram a degradação de isoproturon.5 (HOUOT et al. 2003). (2003a) e de acordo com Brigss et al. 2001). de baixa reatividade (caulinita). Para ser translocado. os efeitos benéficos nos processos de fitorremediação de herbicidas. as substâncias húmicas são relatadas como as principais responsáveis pela sorção de herbicidas (PUSINO et al. é maior quando o Log Kow do pesticida varia de 0. Dos componentes da matéria orgânica do solo. Para certas características das plantas e condições ambientais.1 (PIRES et al. por exemplo. conseqüentemente. Nas condições tropicais em que os solos são altamente intemperizados com predomínio de óxidos e hidróxidos de Fe e Al e argilas silicatadas 1:1. ampliando dessa forma. a absorção de compostos orgânicos. REDDY et al. no papel eficiente das plantas.1. persistência e concentração do herbicida. vários outros fatores poderão influenciar a capacidade descontaminadora de espécies vegetais em programas de fitorremediação. é sabido que valores de pH fora da faixa de neutralidade comprometem a atividade da microbiota do solo prejudicando diretamente os processos de fitorremediação. a matéria orgânica constitui o principal contribuinte para a CTC.Herbicidas: comportamento no solo 181 .5 a 3. 2000). sendo maior a absorção quando o valor de Log Kow é de 2. como os herbicidas. 2000).

4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5. Também o tebuthiuron. para o plantio de culturas sensíveis.. que é recomendado para uso em pré-emergência na cultura da canade-açúcar. 1999).Herbicidas: comportamento no solo . Mesmo sendo recomendado em concentrações baixas (em torno de 7.1984). reduzindo com isso o número de aplicações. fonte potencial para contaminação de aqüíferos. 2005). 2005). eficiência em doses baixas. quando simulada a reunião de todas as condições ambientais que favoreçam sua persistência (EMMERICH et al. ALMEIDA. 1987) de 15 a 25 meses em solo argiloso (MEYER. soja. 1988) ou mesmo estender-se por mais de sete anos. portanto. Sua persistência no solo pode variar de 11 a 14 meses em Latossolo Vermelho-Amarelo em lavouras de cana-de-açúcar (BLANCO. o período de espera. podendo atingir lençóis subterrâneos e se mover para outros ambientes com provável contaminação de outros ecossistemas. feijão e soja quando cultivadas até dois anos após a sua aplicação. Outros herbicidas. OLIVEIRA. para que se obtenha resultados satisfatórios. especificidade e baixa toxicidade para os organismos não-alvos. existindo uma conscientização dos problemas ambientais ou de saúde que podem ocorrer devido à má utilização desses compostos químicos (SANTOS et al.2 . tomate. apresenta longo período residual. é de aproximadamente oito meses. 2005. 2005). entre outras (RODRIGUES. como algodão. Além disso. Produtos como o trifloxysulfuron-sodium. que é utilizado em mistura com o ametryn na cultura da cana-de-açúcar ou puro na cultura do algodão em pós-emergência inicial. batata..Problemas relacionados aos herbicidas residuais Atualmente. podendo chegar a até três anos o intervalo para o plantio de culturas sensíveis.este herbicida apresenta elevada mobilidade em solos com baixos teores de argila e de carbono orgânico. causando intoxicação às culturas de amendoim. BOVEY. Mesmo possibilitando o controle efetivo de plantas daninhas por um período de tempo maior. Problemas resultantes dos processos de poluição e degradação dos recursos naturais por herbicidas têm recebido atenção especial. apresenta problemas de carryover na cultura do feijão cultivado em seqüência. 2005). principalmente como resultado de aplicações seqüenciais ao longo dos anos na mesma área (CERDEIRA. como picloram e imazapyr. sendo. as propriedades procuradas em um herbicida são sua pronta degradabilidade. é essencial conhecer o tempo total necessário para a 182 Módulo 3. principalmente em sistemas agrícolas que necessitam utilizar esses produtos no manejo integrado de plantas daninhas (JAKELAITIS et al. ALMEIDA. apresentam considerado efeito residual no solo. SANTOS et al. Áreas contami¬nadas por estes e outros herbicidas persistentes no solo são prioritárias nos programas de fitorremediação.. Contudo..5 g ha-1) (RODRIGUES. os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo proporcionam a ocorrência de toxicidade em culturas sensíveis (carryover) plantadas após sua utilização. a contar da data de sua aplicação. Existe ainda o impacto ambiental negativo ocasionado pela lixiviação dessas moléculas ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo.

SIQUEIRA. evitando sua manipulação e disposição..Herbicidas: comportamento no solo 183 . aquela que for selecionada deve reunir o maior número delas. 2003).. São conhecidas espécies que se desenvolvem bem em todos os ambientes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas descontaminação. • retenção do herbicida nas raízes. a espécie vegetal ideal para remediar um solo contaminado por herbicidas seria uma cultura de alta produção de biomassa.. Módulo 3. além dos procedimentos para o correto emprego da técnica. 1996. 2000. ACCIOLY. que tanto pode tolerar como acumular o produto. a técnica pode apresentar algumas limitações de aplicação.4 . quando necessária a remoção da planta da área contaminada.Estratégias para o sucesso da fitorremediação O sucesso no emprego da fitorremediação como técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas depende da natureza química e das propriedades do composto. Em essência. PERKOVICH et al. concentração e/ou metabolização e tolerância ao herbicida. porém. Dessa forma. solo seco. para promoverem maior descontaminação. ao mesmo tempo ou subseqüentemente.. com elevada umidade. • fácil controle ou erradicação..3 . algumas características devem ser consideradas na escolha da espécie vegetal a ser utilizada em programas de remediação de áreas contaminadas por herbicidas: • capacidade de absorção. • alta taxa de crescimento e produção de biomassa. pedregoso. 1994. várias espécies podem. PIRES et al.. Outro aspecto a ser observado é que. • sistema radicular profundo e denso. Dessa forma. a escolha de plantas que apresentem tolerância ao herbicida é o primeiro passo na seleção de espécies potencialmente fitorremediadoras. além da aptidão ecológica da espécie vegetal a ser empregada. no caso da fitoestabilização. como sugerido por Miller (1996). • fácil colheita. as vezes é muito longo. 1996. NEWMAN et al. especialmente em árvores e plantas perenes. • elevada taxa de exsudação radicular. ser usadas em um mesmo local. entre outros fatores. • resistência a pragas e doenças. 2000. 1998. e • capacidade de desenvolver-se bem em ambientes diversos. VOSE et al. que. CUNNINGHAM et al. visando efetivar e diminuir o tempo de descontaminação. daí a necessidade do conhecimento de estratégias que acelerem o processo de remediação. de clima quente ou frio. • fácil aquisição ou multiplicação de propágulos. sendo importante ressaltar algumas delas. • capacidade transpiratória elevada. O ideal seria reunir todas essas características numa só planta. 5. como oposto à transferência para a parte aérea. embora a maioria dos testes avalie plantas isoladas. Com base nas análises apresentadas por diversos autores (FERRO et al.

Também Pires et al.4 .Herbicidas: comportamento no solo . PROCÓPIO et al. indicando que o produto pode estar sendo degradado internamente nos tecidos (fitodegradação) ou inativado por outros mecanismos rízosféricos. visando a seleção de espécies vegetais com potencial para emprego em programas de fitorremediação de herbicidas (PIRES et al. (2006) observaram que o solo proveniente da rizosfera de S.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nos trabalhos realizados até o momento no Brasil. Nos trabalhos realizados por Procópio et al. comprovando a eficiência na descontaminação. das várias espécies testadas tolerantes ao herbicida tebuthiuron. 2003a. outros mecanismos podem ser implementados no programa de fitorremediação visando maior eficiência no processo. 2004. 2006). (2006) constataram que a adição de composto orgânico ao solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron. ALMEIDA. aterrimum e C... evidenciada pelo maior desprendimento de dióxido de carbono.. Essas culturas são sensíveis à presença desse herbicida (RODRIGUES. 2005b. Santos et al. 2004b). aterrimum promoveu maior descontaminação da área tratada com trifloxysulfuron-sodium. Belo et al. b. Em outro trabalho. algumas especies vegetais utilizadas como cobertura do solo foram selecionadas (Figura 22). semelhante ao solo isento do herbicida (Figura 24). 184 Módulo 3. ensiformis e Lupinus albus possibilitaram o pleno desenvol¬vimento de Avena strigosa. aterrimum da área contaminada com trifloxysulfuron-sodium. tratado com o trifloxysulfuron-sodium. Procópio et al. possibilitando o posterior desenvolvimento de plantas de milho e feijão. (2005) verificaram que. possibilitou maior eficiência no processo de remediação por essas leguminosas.. ensiformis e S. além de melhorar o desenvolvimento das espécies vegetais S. a permanência ou retirada da parte aérea das plantas de C. após a seleção de diversas espécies vegetais. (2005) verificaram que o aumento da densidade populacional de S. ensiformis. a fitoestimulação da microbiota associada à rizosfera (PROCOPIO et al. não interferiu no desenvolvimento posterior de plantas de feijão. as leguminosas C. após o período de remediação. aterrimum. destacando-se a mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) e o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (Figura 23). provavelmente. 2005. comparado ao mesmo solo não tratado com o herbicida. Além dos fatores mencionados. sendo. apresentou maior atividade microbiana. feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) e mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) promoveram a fitorremediação de solo contaminado pelo herbicida trifloxysulfuron-sodium. utilizada como bioindicadora da presença do herbicida. (2004). 2005). SANTOS et al. evidenciando a contribuição da microbiota no processo de descontaminação.

para o sucesso da fitorremediação. associados às práticas agronômicas.Herbicidas: comportamento no solo 185 . (2004) Para Accioly e Siqueira (2000).5 e 15. agiriam em conjunto. amenizantes como a matéria orgânica do solo. visando a fitorremediação de solos contaminados por esses herbicidas Figura 23 – Desenvolvimento de mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) (A) e feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (B). o programa deve envolver. além do emprego de plantas e sua microbiota associada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 22 – Etapa de seleção de espécies vegetais tolerantes ao trifloxysulfuron-sodium e ao tebuthiuron.4 . 7. os quais. posteriormente cultivado (B) ou não (A) com mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). visando a remediação Fonte: Procópio et al. imobilizando ou tornando os contaminantes inofensivos ao ecossistema.0.0 g ha-1) (não-seletivo a essas culturas). em solos contaminados pelos herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron Figura 24 – Desenvolvimento de plantas de milho e de feijão em solo tratado com o herbicida trifloxysulfuron-sodium (0. Módulo 3. removendo.

o atrazine oferece elevado risco de contaminação de aqüíferos. essa técnica é 186 Módulo 3. 2005). retenção e transformação que ocorrem com as moléculas representa a capacidade de contaminação e persistência destas no meioambiente. solubilidade de baixa para moderada em água (RODRIGUES. Esse fato denota a importância de pesquisas. KHAN. 2003.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Manejo da irrigação. geração de energia. O tema cresce em complexidade na medida em que se tenta selecionar espécies vegetais que apresentem. Este herbicida apresenta alta persistência no solo. depende do somatório de diversos processos envolvidos. Além disso. apesar de já ser bem conhecido o processo de biodegradação do atrazine por diversos microrganismos (BEKHI et al. 6 .Herbicidas: comportamento no solo . 2005). 1993. Em se tratando de ambientes aquáticos. outros benefícios para o agricultor. como papel. 1998).Considerações finais O comportamento de herbicidas no ambiente. como o picloram e outros. baixa pressão de vapor. devido às suas características físico-químicas. Contudo. os quais são responsáveis pelo destino final desses compostos. sendo comumente detectado após um ano. incremento na população e número de espécies vegetais. Entre os herbicidas. alto potencial de escoamento. podendo ser utilizada como fertilizante. GLASS. hidrólise lenta. nos programas de fitorremediação de herbicidas. além da possibilidade de inoculação de microrganismos junto à semeadura das plantas.. Nessa área. ração animal. 1986). O resultado dos processos de transporte. principalmente em solos brasileiros. principalmente no solo. BEKHI. Contudo. absorção moderada à matéria orgânica e argila. havendo possibilidades de reciclagem da biomassa produzida.4 . por perturbarem menos o ambiente. graças à atual preocupação na viabilidade das técnicas integradas de manejo. são pesquisas já iniciadas e fornecerão dados para maior eficiência nos processos de descontaminação de áreas que apresentam resíduos de outros herbicidas comprovadamente persistentes no ambiente. além da capacidade remediadora. O que se observa é que o conhecimento teórico das propriedades dos compostos do solo. a fitorremediação surge como opção para o tratamento eficiente de solo e água contaminados por herbicidas de difícil decomposição nesses ambientes. com o objetivo de prevenir quanto aos possíveis distúrbios ambientais provocados por esses compostos. o sucesso do tratamento empregando planta aquáticas vai além do baixo custo. espera-se maior aceitação de métodos de descontaminação in situ. fabricação de diversos produtos. ALMEIDA. dos fatores climáticos envolvidos e dos mecanismos de interação herbicida–ambiente nem sempre representa o comportamento constatado em condições naturais a campo. poucos são os trabalhos que apontam soluções para fitorremediação deste composto em ambientes aquáticos (MARCACCI. e uma abordagem detalhada da sua dinâmica seria difícil diante dos diversos interferentes relacionados ao seu comportamento. que visam o menor impacto negativo ao ambiente. e até proteínas para usos em rações (DINARDI et al.

Embora o tema seja muito abrangente. As implicações são claras: entendendo como os herbicidas e outros pesticidas aplicados ao solo se comportam. Módulo 3. sem dúvida. comparada a outros processos de descontaminação. podendo ser aplicada a grandes áreas. a identificação dos problemas de contaminação e as opções de recuperação do ambiente afetado. um dos motivos pelo qual deve ser mais estudado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas relativamente barata. torna-se possível sua utilização com eficiência técnica e econômica. este é.4 .Herbicidas: comportamento no solo 187 . quando todos os fatores envolvidos interagem.

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

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192 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; PROCÓPIO, S. O.; CECON, P. R.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A. Seleção de plantas tolerantes ao tebuthiuron e com potencial para fitorremediação. Revista CERES, v. 50, n. 291, p. 583-594, 2003b. PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; QUEIROZ, M. E. L. R.; PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A.; CECON, P. R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de tebuthiuron. Planta Daninha, v. 21, n. 3, p. 451-458, 2003a. PIRES, N. M.; OLIVEIRA JR., R. S.; PAES, J. M. V., SILVA, E. Avaliação do impacto ambiental causado pelo uso de herbicidas. Viçosa, MG: Sociedade de Investigações Florestais, 1995. 22 p. (Boletim Técnico SIF, 11). PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A. A.; SANTOS, E. A. Fitorremediação de solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium por mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). Planta Daninha, v. 23, n.4, p. 719-724, 2005a. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A.A.; SANTOS, E. A.; CARGNELUTTI FILHO, C. Development of bean plants in soil contaminated with the herbicide trifloxysulfuron-sodium after Stizolobium aterrimum and Canavalia ensiformis cultivation. Crop Protection, 2006 (em fase de publicação) PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A. Potencial de espécies vegetais para a remediação do herbicida trifloxysulfuronsodium. Planta Daninha, v. 23, n. 1, p. 9-16, 2005b. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A.; FERREIRA, L .R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de solos contaminados com o herbicida trifloxysulfuron sodium. Planta Daninha, v. 22, n. 2, p. 315322, 2004. PUSINO, A. et al. Influence of organic matter and its clay complexes on metolachlor adsorption on soil. Pesticide Science, v. 36, p. 283-286, 1992. QUEROL, X.; ALASTUEY, A.; MORENO, N.; ALVAREZ-AYUSO, E.; GARCÍA-SÁNCHEZ, A.; CAMA, J.; AYORA, C.; SIMÓN, M. Immobilization of heavy metals in polluted soils by the addition of zeolitic material synthesized from coal fly ash. Chemosphere, v. 62, n. 2, p. 171-180, 2006. RAVELLI, A.; PANTANI, O.; CALAMAI, L.; FUSI, P. Rates of chlorsulfuron degradation in three Brazilian soils. Weed Res., v. 37, p. 51-59, 1997. REDDY, K. N. et al. Chlorimuron adsorption, desorption and degradation in soils from conventional tillage and no-tillage systems. Journal of Environmental Quality, v. 24, p. 760 767, 1995. ROBERTS, T. R. Assessing the environmental fate of agrochemicals. J. Environ. Sci. Health, B, v. 31, n. 3, p. 325-335, 1996. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR, 2005. 648 p. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR: Grafmarke, 2005. 591 p.
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 193

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Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Leandro Vargas Profº. Evander Alves Ferreira

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
196 Módulo 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas

218 11 . 202 2 .Herbicidas: resistência de plantas 197 . 225 15 .Manejo da resistência a herbicidas.Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida.Comentários finais.1 .Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas. 204 5 . 230 Referências bibliográficas. 231 Módulo 3. 214 10. 211 9 . 212 10 .Variabilidade genética. 208 5. 217 10.1 . 203 4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução. 200 1. 213 10.1 .Evolução da resistência.2 . 209 7 . 221 14 . 198 1 .2 – Bipiridílios. 208 5. 210 8 .5 .Alteração do local de ação.Culturas transgênicas.Resistência cruzada. 201 1. 201 1.Uréias/amidas.Resistência múltipla.Derivados da glicina.4 .7 – Triazinas. 219 13 .Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas. 214 10.Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate.1 – Auxinas.3 – Compartimentalização.3 .Inibidores de ALS.Como confirmar a resistência.A resistência de plantas daninhas no Brasil.4 – Dinitroanilinas. 213 10.Inibidores de ACCase. 229 16 . 209 6 .5 . 218 12 . 202 3 .Como evitar a resistência.Mecanismos que conferem resistência.Fatores que favorecem o surgimento da resistência.2 – Metabolização. 225 14.Pressão de seleção.Características da resistência por grupos herbicidas. 215 10.6 . 216 10.8 . 200 1.Absorção e translocação.Diagnóstico da resistência a campo. 215 10.

1% às auxinas sintéticas. Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES. Esses biótipos pertencem a 171 espécies e estão distribuídos em 59 países.. foram descobertos biótipos de Senecio vulgaris resistentes a simazine (RYAN. com resistência a triazinas. 1979).Herbicidas: resistência de plantas . 1977) Em menos de 30 anos. devido a uma mutação nos cloroplastos (RADOSEVICH et al.5% às dinitroanilinas e os 198 Módulo 3. 1998a). 7% às uréias e amidas. 2005). principalmente. Já em 1970.7% aos bipiridílios. O largo uso de herbicidas deve-se. Em conseqüência. 1970). onde os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF 2005). no Canadá. ao fato de que o controle químico tem sido eficiente. A constatação da resistência de plantas daninhas aos herbicidas começou em 1957 com a identificação de biótipos de Commelina difusa. o Brasil é um dos maiores mercados do mundo. os agricultores depositam confiança excessiva no controle químico das plantas daninhas. e a tendência de uso desses compostos é de aumento.6% aos inibidores da ACCase. 3. várias outras espécies. Na atualidade. foram descritas em gêneros como Amaranthus e Chenopodium. Depois disso. Uma das conseqüências do uso indiscriminado desses métodos tem sido o desenvolvimento de muitos casos de resistência a tais compostos por diversas espécies daninhas. nos Estados Unidos. a população de plantas resistentes pode aumentar até o ponto de comprometer o nível de controle (HRAC. Dessa maneira. em diferentes países (RADOSEVICH. Estudos posteriores demonstraram que esta espécie era resistente a todas as triazinas.5 . 22. 11. 8. Destes biótipos. há aproximadamente 284 biótipos de plantas daninhas que apresentam resistência a um ou mais mecanismos herbicidas (Quadro 1). resistentes a herbicidas pertencentes ao grupo das auxinas (WEED SCIENCE. No que se refere aos defensivos agrícolas. atualmente. sendo o quinto no "ranking" de vendas de agrotóxicos. no estado de Washington (EUA). hoje está se tornando prática comum até entre os pequenos.9% resistem aos herbicidas inibidores da ALS.9% às triazinas. Muitos outros casos foram relatados em diferentes locais do mundo e. uma vez que essa tecnologia. 28. está prontamente disponível e profissionalmente desen¬volvido. principalmente por grandes agricultores. 7. possui custo atrativo. 1997). 1998). e Daucus carota. O uso repetido de um herbicida exerce uma pressão de seleção que leva ao aumento do número de indivíduos resistentes na população.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O controle de plantas daninhas com uso de herbicidas é prática comum na agricultura mundial. os demais métodos de controle têm sido deixados de lado. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. havia mais de 100 espécies reconhecidamente resistentes em aproximadamente 40 países (HEAP. após o primeiro caso de resistência. ALMEIDA.

A resistência de plantas daninhas a herbicidas assume grande importância. das triazinas e existentes atualmente. benzotiadiazinas e ftalimidas. Assim.5 . Quadro 1 – Ocorrência de biótipos de plantas daninhas resistentes a diferentes grupos herbicidas Exemplo de herbicida Inibidores da ALS Inibição da acetolactato sintase (ALS) Clorsulfuron Inibidores do Fotossistema Inibição da fotossíntese no Atrazine II fotossistema II Inibição da acetil carboxilase Inibidores da ACCase Diclofop-methyl (ACCase) Bipiridílios Aceptores de eletrons do FSI Paraquat Auxinas sintéticas Ação semelhante ao ácido indolacético 2. neste caso. porém acredita-se que esteja relacionado com o seu modo de ação. Isso ocorre para diversos biótipos de grande ocorrência em diversas partes do mundo tornando cada vez mais difícil e oneroso o controle desses biótipos. a estes grupos de herbicidas. Não foram encontradas citações de plantas daninhas resistentes aos herbicidas perten¬centes aos grupos ariltriazolinonas. Essas proporções mudaram com a introdução no mercado dos novos grupos herbicidas inibidores de ALS e ACCase. princi¬palmente quando não existe ou existem poucos herbicidas alternativos para serem usados no controle dos biótipos resistentes. já que.Herbicidas: resistência de plantas 199 . o controle dos biótipos resistentes com uso de herbicidas é seriamente comprometido. não são claras. uréias e Branqueamento – inibição da Amitrole isoxazolidionas biossíntese de carotenóides Glicinas Inibição da EPSP sintase Glyphosate Inibição da divisão celular (inibição de Butachlor Chloracetamidas ácidos graxos de cadeias longas) Outros Diversos Diversos Total de biótipos de plantas daninhas observados no mundo Fonte: Adaptado de Retzinger. até o momento. Acredita-se que o maior número de biótipos resistentes aos herbicidas dos grupos inibidores de ALS. restringindo esta prática a outros métodos menos eficientes.3% restantes aos demais grupos de herbicidas. e os demais mecanismos somavam 8%. As razões do não-surgimento de plantas daninhas resistentes. 67% dos casos de resistência documentados eram de biótipos resistentes às triazinas. 12%. se deve à alta especificidade. citado por HRAC (2004) Grupo de herbicida Mecanismo de ação Total ocorrência 82 65 33 22 23 20 10 8 4 6 2 7 284 Módulo 3.4-D Uréias e amidas Inibição da fotossíntese no FS II Chlorotoluron Dinitroanilinas e outros Inibição da formação dos microtúbulos Trifluralin Inibição da síntese de lipídios – não da Thiocarbamatos e outros Trialate ACCase Triazoles. Em 1983. A ocorrência de resistência múltipla agrava ainda mais o problema. aos auxínicos. aos bipiridílios. são dois ou mais os mecanismos que precisam ser substituídos. apesar do longo tempo de introdução no mercado. 13%.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. à eficiência e à grande área onde são empregados.

A atividade da enzima pode ou não ser modificada. deleção ou substituição de uma base nitrogenada podem alterar um ou mais aminoácidos da proteína a ser formada. e a ocorrência de mutações que provoquem inserção.5 .1 . mutação de ponto. durante o crescimento do indivíduo é de cerca de 10-4. a maioria delas é deletéria e a evolução só é possível porque algumas delas podem ser benéficas em determinadas situações (SUZUKI et al... porém não a posição do gene individualmente” (BREWBAKER. é preferível restringir.. resultando em uma proteína mutante. Mutação foi definida por De Vries como mudanças repentinas e hereditárias. Caso ele componha o centro ativo da enzima. cada trinca de bases nitrogenadas codifica um aminoácido que comporá a futura proteína. que não provoquem a morte do indivíduo. formando o RNA mensageiro (RNAm). A probabilidade de ocorrer erros na replicação do DNA. multiplicação do material genético. existe. a possibilidade de erro.. que é a cópia do DNA pela enzima DNA polimerase. longas e específicas seqüências de bases nitrogenadas. A mutação é um processo biológico que vem ocorrendo desde que há vida no planeta. estando na dependência de qual aminoácido foi alterado. teoricamente. Se o aminoácido alterado for o ponto ou um dos pontos de acoplamento de uma molécula herbicida. entretanto.Mecanismos que conferem resistência 1. afirmando que são “aquelas mudanças bruscas hereditárias que alteram a atividade. O DNA é um cordão de genes (SUZUKI et al. 1969).Alteração do local de ação As informações genéticas de um organismo estão contidas em seu material genético (DNA). este produto 200 Módulo 3. 1992). O DNA é uma dupla hélice formada por bases nitrogenadas púricas (adenina e guanina) e pirimidicas (timina e citosina) que formam os genes. 1992). 1992). Os erros de replicação e as lesões espontâneas geram a maior parte das mutações por substituição de base e mudança da matriz de leitura (SUZUKI et al. e a tradução do RNAm com a montagem da proteína pelo ribossomo.. na tradução do RNAm. A ocorrência de erros na replicação ou transcrição da fita do DNA. Biótipos resistentes podem ocorrer em uma população de plantas daninhas como resultado de mutações que provocam alterações no local de ação do herbicida (BETTS et al. mesmo remota. 1992). A seqüência linear de nucleotídios em um gene determina a seqüência linear de aminoácidos de uma proteína (SUZUKI et al. contudo.. a probabilidade de as suas características cinéticas serem modificadas é grande. e cai para 10-9 pela ação das enzimas reparadoras (SUZUKI et al. serão repassadas aos seus descendentes. A grande maioria das alterações que ocorrem no DNA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . pode originar uma enzima com características funcionais distintas ou não da original. A alteração de uma base nitrogenada.Herbicidas: resistência de plantas . Os genes. As etapas para produção de uma proteína são a transcrição. 1992). Na tradução do RNAm. são responsáveis pela codificação das proteínas. 1992).

a planta pode morrer pela ação do(s) outro(s) mecanismo(s). A luz ultravioleta e o oxigênio são mutagênicos (BREWBAKER. 1.5 . tipo de molécula e.Metabolização A planta resistente possui a capacidade de decompor. que podem estar relacionados com o tipo de mutação ocorrida. tornando-se inativa. como o sol. um herbicida que anteriormente era eficiente em inibir uma determinada enzima deixa de ter efeito sobre esta. Contudo. 1. a molécula herbicida.2 . Esse é o mecanismo de tolerância a herbicidas apresentado pela maioria das culturas. conforme relatam Sathasivan et al. (1991). a não ser que ela apresente outros mecanismos de resistência. em uma população de biótipos resistentes ocorrem diferentes níveis de resistência ou de susceptibilidade. Módulo 3. o tipo de mecanismo que está proporcionando a resistência. 1969). ou. Como exemplo. resistência múltipla. devido a uma ou mais alterações na estrutura deste local.3 . são avaliados quanto à sua capacidade mutagênica. Não há evidências. como é o caso da resistência de Lolium rigidum a triazinas e inibidores de ACCase. e a planta torna-se resistente àquele herbicida e a outros que se ligam da mesma forma àquela enzima. se o herbicida possuir mais de um mecanismo de ação. que a mutação possa ocorrer por ação de algum herbicida ou outro defensivo agrícola (KISSMANN. A resistência de Arabidopsis thaliana às imidazolinonas se deve à alteração de um aminoácido da enzima ALS.. antes de serem lançados no mercado. têm-se plantas daninhas resistentes aos inibidores de ALS.Compartimentalização A molécula é conjugada com metabólitos da planta. Uma pequena alteração no polipeptídio pode resultar em um grande efeito sobre a afinidade com a molécula herbicida (BETTS et al. Desse modo. como o vacúolo (ex.Herbicidas: resistência de plantas 201 . podem provocar mutações no DNA. mais rapidamente do que plantas sensíveis. Acredita-se que os herbicidas não sejam capazes de provocar mutações. Logicamente que. 1996). ou seja. Alteração do local de ação significa que a molécula herbicida diminui sua capacidade de inibir esse ponto. Fontes externas de radiação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pode perder a atividade inibitória sobre esta nova enzima. ou é removida das partes metabolicamente ativas da célula e armazenada em locais inativos. já que estes produtos. com as formas alélicas do gene.: plantas resistentes ao paraquat). 1992). tornando-a não-tóxica. e é muito improvável.

de sobreviver a determinados tratamentos herbicidas que.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. A resistência cruzada não confere. Já a tolerância é uma característica inata de uma espécie. sob condições normais. apresentam 202 Módulo 3.Resistência cruzada A resistência cruzada pode ser conferida a um biótipo por qualquer dos mecanismos que conferem resistência. Uma planta é sensível a um herbicida quando o seu crescimento e desenvolvimento são alterados pela ação do produto. a quantidade de herbicida que atinge o local de ação é bastante reduzida. assim. Relaciona-se com a variabilidade genética natural da espécie. naturalmente. e a resistência múltipla.Herbicidas: resistência de plantas . PRESTON. Por outro lado. também confere resistência a outras moléculas de diferentes grupos químicos.: plantas resistentes aos bipiridílios). uma planta daninha pode ser sensível. são resistentes a herbicidas de diferentes grupos químicos e com diferentes mecanismos. que possuem resistência cruzada a herbicidas inibidores de ALS. tolerante ou resistente a um herbicida. de uma população de plantas. necessariamente. a resistência é a capacidade adquirida de alguns biótipos. assim. toleram mais ou menos um determinado herbicida. quando as plantas resistentes possuem dois ou mais mecanismos distintos que conferem resistência. que agem no mesmo local na planta (POWLES. Assim. uma planta sensível pode morrer quando submetida a uma determinada dose do herbicida. proporcionar tolerância ou resistência a herbicidas. A resistência pode ser cruzada ou múltipla. isoladamente ou associados. mesmo que pertencentes a diferentes grupos químicos. cultura de tecidos ou de agentes mutagênicos. não chegando a ser suficiente para controlar a planta (ex. A resistência cruzada ocorre quando um biótipo é resistente a dois ou mais herbicidas. controlam os membros da população. A resistência cruzada conferida pelo local de ação ocorre quando uma mudança bioquímica.4 . 1998). devido a apenas um mecanismo de resistência.5 .Absorção e translocação A absorção e a translocação são alteradas e. Biótipos de Lolium rigidum e Kochia scoparia. Esses mecanismos podem. Desse modo. A resistência pode ocorrer naturalmente (seleção) ou ser induzida com uso de técnicas de engenharia genética. no ponto de ação de um herbicida. 2 . Também podem existir variações no nível de resistência cruzada dos biótipos a herbicidas de grupos diferentes. em que as plantas são capazes de sobreviver e se reproduzir após o tratamento herbicida. resistência a herbicidas de todos os grupos químicos que possuem o mesmo local de ação. mesmo sofrendo injúrias. Em uma população de plantas vão existir aquelas que.

1998). Foi detectado. imazamethabenz. é necessário empregar misturas de herbicidas que não tenham sua atividade afetada pelos mecanismos de Módulo 3. Conrudo.5 . mas apresentam pequenos aumentos no metabolismo do herbicida diclofop. que não exibem alterações na enzima. devido a outros mecanismos. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. Já os casos mais complexos são aqueles em que dois ou mais mecanismos conferem resistência à diversos herbicidas de diferentes grupos químicos.Resistência múltipla A resistência múltipla é o maior problema atual. A conjugação da molécula herbicida com glicose também foi encontrada. e futuro. O metabolismo de herbicidas inibidores de ACCase e ALS é realizado pelo Cyt P450.Herbicidas: resistência de plantas 203 . PRESTON. relacionado a resistência de plantas daninhas a herbicidas. PRESTON. de forma semelhante à que ocorre na cultura do trigo. selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona. 1998). aumento da taxa de metabolismo dos herbicidas (POWLES. As mutações já analisadas mostram substituição. entre eles diclofop. da prolina 173. 1998). pendimethalim e simazine. em biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores do FSII. no centro ativo A da ALS. Acredita-se que as moléculas não-metabolizadas sejam imobilizadas ou armazenadas de forma a evitar sua ação sobre a enzima. devido à rápida metabolização da molécula por arilhidroxilação catalisada pelo Cyt P450 monoxigenase. 3 . que resistem a 15 herbicidas diferentes. PRESTON. 1998). já foram encontradas outras alterações na ALS tanto no centro ativo A como em outras partes da enzima (POWLES. Nos casos mais simples. O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. PRESTON. encontrados na Austrália. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. Além disso. é exemplificada por biótipos de Lolium rigidum. Para controlar estas plantas daninhas. um exemplo são biótipos de Alopecurus myosuroides encontrados na Austrália. Isso se deve a pequenas diferenças de ligação entre a enzima e a molécula herbicida e a diferentes mutações que ocorrem no gene que codifica a enzima ALS (POWLES.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diferentes níveis de resistência aos diferentes grupos herbicidas que agem inibindo a ALS. A resistência cruzada. dois ou mais mecanismos conferem resistência à apenas um herbicida ou a um grupo de herbicida. Biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. que é resistente a vários herbicidas inibidores da ALS. as dificuldades de controle dos biótipos resistentes aumentam ainda mais quando os mecanismos que conferem a resistência estão relacionados com o local de ação e com outros mecanismos como o metabolismo.

O surgimento de plantas daninhas resistentes a herbicidas é um exemplo de evolução de plantas como conseqüência de mudanças no ambiente provocadas pelo homem (MAXWELL. em determinado ambiente (SUZUKI et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas resistência em questão. Os biótipos de A. Existem biótipos de Lolium rigidum resistentes a herbicidas inibidores de ALS. Muitas evidências sugerem que o aparecimento de resistência a um herbicida. Biótipos de Lolium rigidum e Alopecurus myosuroides constituem casos complexos. as freqüências dos vários tipos. encontra condições para multiplicação (BETTS et al. em uma população de plantas. dentro de qualquer população. o caso mais complicado de resistência múltipla. provocando mudanças na flora de algumas regiões. ALS e FSII e possuem ACCase e ALS mutadas (POWLES. e resistentes a chlorsulfuron. Contudo. por causa da pressão de seleção exercida por repetidas aplicações de um mesmo herbicida.Herbicidas: resistência de plantas . LEBARON. dentro da população. O uso repetido de herbicidas para controle de plantas tem exercido alta pressão de seleção. Em geral. 1992). e o da seleção: algumas formas apresentam maior sucesso na sobrevivência e reprodução do que outras. e. pode ser resumida em três princípios: o da variação: existem variações morfológicas. PRESTON. 204 Módulo 3.. Há poucos casos registrados de plantas com resistência múltipla (POWLES. a população da próxima geração terá uma freqüência elevada dos tipos que tiveram maior sucesso em sobreviver e se multiplicar nas condições ambientais vigentes.. 1990). fisiológicas e de comportamento entre indivíduos. 1992) (Quadro 2). assim. Desse modo. PRESTON. 1994). irão mudar com o tempo e os indivíduos mais bem adaptados ao ambiente tornam-se predominantes (SUZUKI et al.. é de biótipos de Lolium rigidum que metabolizam herbicidas inibidores da ACCase. 1998). 4 . devido ao metabolismo. encontrado na Austrália.5 . devido a alterações na enzima. myosuroides metabolizam chlorotoluron e alguns herbicidas inibidores de ACCase e apresentam ACCase mutada. 1998). espécies ou biótipos de uma espécie que melhor se adaptam a uma determinada prática são selecionados e multiplicam-se rapidamente (HOLT. é devido à seleção de um biótipo resistente preexistente que. através da seleção natural.Evolução da resistência A teoria da evolução de Darwin. o da hereditariedade: a prole parece mais com seus pais do que com indivíduos não-aparentados. MORTIMER. 1992). Darwin postulava que a espécie como um todo vai mudando porque os seus indivíduos evoluem na mesma direção.

Tempo para evolução da uma população de biótipos de plantas daninhas resistentes Ano 0 1 2 3 4 5 6 7 No de Plantas Resistentes 1 1 1 1 1 1 1 1 No de Plantas Sensíveis 1. sensíveis às triazinas. altura e produção de sementes.99 99. pois no campo existe o banco de sementes. em média. É evidente que a intensidade de seleção na prática não é tão intensa como mostrada na figura. Assim. biótipos com maior adaptação ecológica apresentam. que apresenta 90% de eficácia de controle do biótipo suscetível. 1979) e Chenopodium album (PARKS et al. apresentaram maiores área foliar... RADOSEVICH.. Em condições de seleção natural. não foram detectadas diferenças na capacidade competitiva de Abutilon therphrasti resistente a triazina (GRAY et al. HOLT. A intensidade dessa pressão de seleção sobre uma população de plantas daninhas. assim como as diferentes características biológicas. a aplicação do mesmo herbicida.9 99. 1995).5 . Biótipos de Amaranthus retroflexus L.000 100. 1996).000 100 10 5 2 % de Controle 99.000.000 10. 1994). (CONARD.0 80. conforme a Figura 1. aumenta esse tempo de aparecimento. A menor capacidade competitiva.0 50.999 99. 1988). assim. maior produção que biótipos menos adaptados (SAARI et al.Herbicidas: resistência de plantas 205 . o crescimento e a produtividade de plantas resistentes a triazinas podem estar relacionados com a sua capacidade fotossintética limitada (STOWE.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 2 . que funciona como um reservatório de sementes suscetíveis e. Os biótipos resistentes podem apresentar menor adaptação ecológica nesses ambientes e tornam-se predominantes devido à eliminação das plantas sensíveis.0 Evolução Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Pouco perceptível Perceptível Evidente Fonte: Kissmann (1996) A utilização de herbicidas que são altamente efetivos no controle de uma planta daninha específica por um longo período de tempo induz uma grande pressão de seleção quando comparados com outras práticas de controle.0 90. Por outro lado. vai selecionando os indivíduos resistentes e aumentando a sua freqüência na população. Módulo 3.000 1.9999 99. determinam a probabilidade do desenvolvimento de resistência das plantas daninhas a herbicidas.

como três anos após a introdução comercial (TARDIF.5 . A ocorrência de variações genéticas. As plantas que expressam o gene de resistência são selecionadas. e a seleção natural favorecem o surgimento e a evolução da resistência. O tempo e a proporção de plantas resistentes em um local variam com a freqüência de uso do herbicida e dos seus efeitos biológicos. como no caso do glyphosate. freqüência gênica. 1996). tornando-se predominantes rapidamente na área. 206 Módulo 3. ou levar muitos anos.Aumento da freqüência do biótipo resistente devido a aplicações repetidas e anuais do mesmo herbicida A maior questão ecológica associada com a evolução da resistência aos herbicidas envolve o entendimento das relações entre adaptação. foram selecionados biótipos de Lolium rigidum resistentes ao diclofop-methyl em três gerações.. 1993). em uma população de plantas exerce alta pressão de seleção. herança e fluxo gênico (MAXWELL. Aplicações repetidas de herbicidas.Herbicidas: resistência de plantas . partindo de uma população sensível e usando-se dose normal do herbicida. MORTIMER. podendo ser bastante curtos. Na Austrália. provocando uma seleção direcional e progressiva de indivíduos que possuem genes de resistência. PAWLES. com o mesmo mecanismo de ação. 1990). 1994). inibidor da EPSPs (Quadro 3). Foram identificados biótipos de plantas daninhas resistentes a sulfoniluréias após quatro a cinco anos de uso contínuo de herbicidas deste grupo (MALLORY-SMITH et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 . capazes de serem transmitidas hereditariamente. A resistência está ligada a fatores genéticos e é hereditária (KISSMANN.

Por sua vez. tanto o pai como a mãe podem transmitir a resistência. 1998).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 3 – Tempo de evolução da resistência para diferentes mecanismos de ação Herbicida 2. que agem em pontos únicos nas rotas metabólicas das plantas. características como herança do tipo Módulo 3. altamente eficientes e específicos. Desse modo. pois. o modo de herança do(s) alelo(s) da resistência (citoplasmática ou nuclear). herbicidas com essas características exercem alta pressão de seleção e.5 . a pressão de seleção. ou seja. Há dois tipos de herança: a citoplasmática (materna) e a nuclear. quanto maior. e quanto maior for a freqüência destes alelos. Um gene é formado por um par de alelos. Por outro lado. a transmissão será via cromossômica e.4-D Triazinas Propanil Paraquat Inibidores da EPSPs Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Fonte: Weed Science (1998) Introdução 1948 1959 1962 1966 1974 1977 1982 Resistência 1957 1970 1991 1980 1996 1982 1984 Local EUA e Canadá EUA EUA Japão Austrália Austrália Austrália A indústria sempre buscou moléculas herbicidas com alto grau de segurança. São eles: o número de alelos envolvidos na expressão da resistência. como é o caso de plantas resistentes aos inibidores de ALS. possuem grandes possibilidades de selecionar biótipos resistentes.Herbicidas: resistência de plantas 207 . uma vez que uma alteração no seu ponto de ação (enzima) pode provocar a perda de sua atividade sobre as plantas e. quando dois alelos estão envolvidos. conseqüentemente. O objetivo foi atingido e surgiram os herbicidas modernos (inibidores de ALS e ACCase). O tipo de herança do(s) alelo(s) da resistência é ponto crucial no estabelecimento da resistência em uma população de plantas. mais genes podem estar envolvidos (poligênica) e mais lenta será a evolução da resistência. O número de alelos que conferem a resistência é importante. alta eficiência e baixa toxicidade para o homem e o ambiente. se a herança for nuclear. como é o caso de plantas resistentes a triazinas. A freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população sensível geralmente está entre 1 em 1016 e 1 em 106 (MORTIMER. somente a planta-mãe poderá transmitir a resistência para os filhos. o surgimento de plantas resistentes. e a taxa de cruzamentos entre biótipos resistentes e sensíveis (MORTIMER. Há seis fatores relacionados à população de plantas que interagem e determinam a probabilidade e o tempo de evolução da resistência. assim. Contudo. 1998). maior será a probabilidade de seleção de um biótipo resistente. a freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população inicialmente sensível. as características reprodutivas da espécie. Herança citoplasmática é aquela em que os caracteres hereditários são transmitidos via citoplasma. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. significa que somente um gene é responsável pela resistência (monogênica) e a evolução será rápida. dessa forma. assim.

1998). de acordo com sua fenologia e seu crescimento (MORTIMER. já a contribuição do movimento de sementes é relativamente pequena (SAARI et al. gerando novos indivíduos com maior grau de resistência. o mecanismo de polinização e as condições climáticas durante a floração (STALLINGS et al. entre plantas resistentes e sensíveis. 1998). que será proporcional à dose e.5 . controlando as plantas sensíveis em diversos fluxos germinativos. via pólen. Já os herbicidas com residual longo agem durante tempo maior. ao tempo. eliminação de todos os biótipos. ou.1 .. 1994). A intensidade de seleção é a resposta da população de plantas às repetidas aplicações de herbicidas. favorecendo o desenvolvimento da população resistente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas nuclear disseminam-se. favorecimento de um indivíduo em relação a outros. provocando variações sazonais que podem ser observadas nas espécies. As características reprodutivas. O intercâmbio de pólen. A intensidade e a duração da seleção interagem. que serão selecionados futuramente devido segregação e recombinação de genes (MORTIMER. O fluxo gênico apresenta correlação com o fluxo de distribuição de pólen e varia com a espécie. com maior rapidez no ambiente do que as do tipo citoplasmática (materna). A dispersão da resistência via pólen é influenciada pela eficiência de dispersão e longevidade do pólen (MULUGETA et al..Pressão de seleção Os fatores intensidade de seleção e sua duração contribuem para a pressão de seleção exercida pelos herbicidas. restando apenas os mais tolerantes e resistentes. O uso de herbicidas altamente eficientes e com residual longo exerce alta pressão de seleção. influenciam diretamente a dispersão das plantas resistentes. imposta sobre uma população sensível proporciona espaço para o crescimento e desenvolvimento dos biótipos resistentes. A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes e sensíveis determina a dispersão dos alelos de resistência na população. 1994).. o processo da evolução da resistência a herbicidas passa por três estádios: eliminação dos biótipos altamente sensíveis. O uso repetido de um mesmo herbicida ou de herbicidas com mesmo 208 Módulo 3. como dispersão de pólen e número de propágulos produ¬zidos.Fatores que favorecem o surgimento da resistência 5. permite a dispersão da resistência principalmente em plantas com alta taxa de fecundação cruzada. exceto os resistentes. A duração da seleção é medida pelo tempo no qual o herbicida permanece com residual. Resumidamente. A alta pressão de seleção. e seleção destes dentro de uma população com alta tolerância. 1995). que é medida pela eficiência de controle das plantas daninhasalvo e pela relativa redução da produção de sementes das plantas remanescentes.Herbicidas: resistência de plantas . A alta eficiência dos herbicidas provoca a eliminação rápida dos biótipos sensíveis. e intercruzamento entre os biótipos sobreviventes. 5 .

2 . há dois caminhos para o aparecimento de plantas resistentes: a ocorrência de um gene ou de genes que conferem a resistência em freqüência muito baixa na população ou através de uma mutação (MORTIMER. é resultado da relação entre a freqüência da mutação e o tamanho da população. adjuvantes. calibração. O controle insatisfatório de plantas daninhas não significa necessariamente que seja resistência. inicialmente. dosagem. deve-se responder às seguintes perguntas: a) Produto. aliadas ao monocultivo e ao uso repetido do controle químico.Herbicidas: resistência de plantas 209 . torna inevitável o surgimento de plantas resistentes.Variabilidade genética A variabilidade genética das plantas daninhas. Geneticamente. tipo de bicos e condições ambientais foram adequados? b) As falhas de controle foram para uma espécie apenas? c) As plantas não são resultado de reinfestação? Módulo 3. volume de calda. grande produção de polén e propágulos. baixa dormência das sementes. contribuem grandemente para o surgimento de plantas resistentes.Diagnóstico da resistência a campo A resistência é um fenômeno que evolui em uma lavoura durante vários anos.5 . 5. quando se suspeitar da ocorrência de resistência. época ou estádio de aplicação. 1998a). que se apresentam indiferentes à aplicação de algum herbicida (HRAC. 1969). Toda população natural de plantas daninhas contém biótipos resistentes a herbicidas. A possibilidade de ocorrer resistência em uma população. Características das plantas daninhas como alta diversidade genética. 6 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mecanismo de ação. 1998). associada à adequada intensidade e duração de seleção. devido à mutação. altamente específicos e com longo residual. Segundo HRAC (1998a). A seleção altera as proporções entre as plantas sensíveis e resistentes. O(s) gene(s) que conferem a resistência a um determinado herbicida pode(m) estar presente(s) em uma população antes mesmo que este herbicida seja lançado no mercado. O gene ou os cromossomos mutantes são a fonte essencial de toda a variação genética (BREWBAKER. produz alta pressão de seleção e aumenta a possibilidade de seleção de biótipos resistentes.

MORTIMER. Após duas e quatro semanas. devendo-se realizar testes para confirmação. para identificar o mecanismo exato da resistência. deve-se colher em torno de 40 plantas ou 1. As diferenças entre biótipos resistentes e sensíveis de uma espécie podem ser quantitativamente expressas comparando-se as doses de herbicidas necessárias para reduzir 50% da população (DL50).000 sementes. Os resultados podem indicar se a resistência é devido à alteração no local de ação ou à metabolização da molécula. da biomassa (GR50) ou da atividade da enzima (I50). semear em vasos e tratar com doses crescentes do herbicida em questão. duas e quatro vezes a dose recomendada.5 . indica que o provável mecanismo envolvido é metabolismo da molécula. 7 . 1994). se a diferença de controle for pequena. Para servir como padrão sensível. podem ser realizadas em nível de laboratório. As doses a serem aplicadas são: metade da recomendada. 210 Módulo 3. existe a possibilidade de ser resistência. Existem metodologias para estudo da maioria dos casos de resistência. Se a diferença de controle entre os biótipos resistentes e sensíveis for grande. Para se ter certeza de que as plantas colhidas representam a população. das plantas tratadas com herbicida em comparação com as não-tratadas (MAXWELL. As condições de aplicação devem seguir aquelas recomendadas pela empresa fabricante. deve-se iniciar a investigação dos fatores que levam à resistência. Análises bioquímicas.Herbicidas: resistência de plantas .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Se as respostas a estas perguntas forem afirmativas. No Brasil. avaliar o controle e a produção de matéria fresca. Ponchio (1997) isolou a enzima ALS e avaliou a sua resposta a diferentes doses de herbicidas que agem sobre ela.Como confirmar a resistência O método mais comum e recomendado pelo HRAC (1998b) é colher sementes das plantas suspeitas de resistência e de plantas sensíveis. devem-se colher sementes de plantas em locais que nunca receberam aplicação daquele herbicida. Por outro lado. a) Ultimamente tem-se reptido aplicação de um mesmo herbicida ou herbicidas com mesmo mecanismo de ação? b) O herbicida em questão vem perdendo eficiência? c) Há casos de plantas resistentes a este herbicida? d) O herbicida não perdeu eficiência sobre outras espécies? Se a resposta a uma ou mais destas perguntas for afirmativa. dose recomendada. indica que o possível mecanismo de resistência está relacionado com o local de ação.

devem-se realizar os testes e determinar medidas de manejo. d) Realizar rotação de mecanismo de ação. os herbicidas que compõem a mistura devem controlar o mesmo espectro de plantas daninhas e ter persistência similar e diferente mecanismo de ação e de detoxificação. j) Usar sementes certificadas. em primeiro lugar: a) Erradicar imediatamente as plantas remanescentes. Módulo 3. juntamente com esta. O acompanhamento e a avaliação da eficiência das medidas adotadas para combate à resistência são indispensáveis para garantir o sucesso da prática. São elas: reduzir a pressão de seleção e controlar os indivíduos resistentes antes que eles possam se multiplicar.Como evitar a resistência Antes que as falhas de controle apareçam na lavoura. algumas práticas podem ser implantadas. h) Rotacionar os métodos de controle de plantas daninhas. Para minimizar os riscos de resistência. i) Acompanhar mudanças na flora. e) Limitar aplicações de um mesmo herbicida. pós-colheita). g) Rotacionar o plantio de culturas. b) Realizar aplicações seqüenciais. simultaneamente. As práticas culturais visam aumentar o número de possibilidades de controle das plantas daninhas.5 . já que a probabilidade de uma planta daninha tornar-se resistente aos dois mecanismos. para reduzir o acréscimo de sementes ao banco. Em caso de confirmação da resistência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A empresa fabricante deve ser informada e. b) Colocar em prática o programa de manejo da resistência. A mistura de produtos com diferentes mecanismos de ação proporciona controle eficiente por maior número de anos do que ambos aplicados de forma isolada. l) Rotacionar o método de preparo do solo. através de diferentes métodos de controle e mecanismos herbicidas. A adoção dessas práticas visa reduzir a pressão de seleção. 8 . é pequena. c) Usar mistura de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e de detoxificação. Isso pode ser conseguido com adoção das seguintes práticas: a) Usar herbicidas com diferente mecanismo de ação. f) Usar herbicidas com menor pressão de seleção (residual e eficiência). k) Controlar plantas em áreas adjacentes (terraços. deve-se. a fim de minimizar o risco do surgimento de plantas resistentes (Quadro 4). c) Evitar a disseminação.Herbicidas: resistência de plantas 211 .

Biótipos de Senecio vulgaris. A baixa pressão de seleção poderá. 212 Módulo 3. rotação de culturas e métodos de controle e usando-se herbicidas com diferentes mecanismos de ação. As várias opções que vêm sendo sugeridas estão baseadas em somente dois processos biológicos: alteração da pressão de seleção e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 4 – Risco de evolução da resistência. mas reduzirá o número de genes na população capazes de associarem-se (MORTIMER. mecânico e químico Completa Baixa Bom Risco de resistência Médio Dois mecanismos Dois mecanismos Cultural e químico Limitada Média Declinando Alto Um mecanismo Um mecanismo Químico Nenhuma Alta Ruim 9 . resistentes às triazinas. Desse modo. neste caso. A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes é reduzida. as plantas que não são controladas com uso de herbicidas alternativos podem contribuir para a disseminação e o aumento da freqüência gênica dos alelos sensíveis.Manejo da resistência a herbicidas As estratégias de manejo vêm sendo discutidas continuamente por cientistas da área. A redução na pressão de seleção. 1998). favorecendo os alelos sensíveis (MORTIMER. assim. de acordo com as práticas de cultivo Opção de manejo Mecanismo herbicida usado Mistura de herbicidas Método de controle Rotação de cultura Infestação Controle nos últimos três anos Fonte: Adaptado de HRAC (1998d) Baixo Mais que dois Mais que dois mecanismos Cultural. 1998). se a resistência for uma característica poligênica. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. O uso de altas doses pode intensificar a seleção. 1998). Por outro lado. seleção reversa. A seleção reversa ocorre na ausência da seleção herbicida. e com o passar do tempo a população de plantas resistentes será reduzida (MORTIMER. uso de misturas de herbicidas. e os biótipos mais adaptados tendem a dominar o ambiente. são menos competitivos do que biótipos sensíveis. selecionar biótipos altamente resistentes. Essa tática somente será eficiente na redução da população dos biótipos resistentes em casos em que as diferenças de adaptabilidade entre os biótipos resistentes e sensíveis forem grandes (MORTIMER.Herbicidas: resistência de plantas . O comportamento de uma população de plantas pode ser altamente modificado. ou. pode ser conseguida com redução na dose do herbicida que selecionou as plantas resistentes. no caso de a resistência ser monogênica. a redução na pressão de seleção aumenta a probabilidade de associação desses genes em um biótipo. essas medidas podem agravar o problema.5 . 1998).

e Matricaria perforata. estão empenhadas em desenvolver técnicas e estratégias para identificação.1 . no Canadá. selecionou biótipos resistentes de Echinocloa crus-galli na Espanha.4-D e MCPA revolucionaram o controle de espécies daninhas de folha larga em cereais na década de 1940 e têm sido usadas largamente desde então. que visam prolongar a vida útil das moléculas envolvidas na resistência.4-D e MCPA em trigo selecionou Sinapis arvensis. 10 . Considerando o tempo e o uso extensivo destes herbicidas.Auxinas As auxinas sintéticas 2. devido ao largo uso destes herbicidas para controlar grande número de espécies e ao restrito número de herbicidas com potencial para substituí-los (HEAP. inibidores de ALS e inibidores de ACCase. O conhecimento do modo de ação dos herbicidas é fundamental na adoção de técnicas de manejo. Os três primeiros casos de resistência identificados foram a esta classe herbicida.5 .Herbicidas: resistência de plantas 213 . através do GCPF (Federação Global de Proteção de Plantas). Este grupo chama-se HRAC (Herbicide Resistance Action Committee) e é formado por três subgrupos que estudam triazinas. 1998) O uso extensivo de 2. nos Estados Unidos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considerando que a resistência é um problema que pode afetar intensamente o mercado de herbicidas. no Canadá. fortemente defendidas pelas empresas. considerado uma auxina e usado para controle de gramíneas em arroz. responsáveis pelo HRAC. O terceiro caso foi em 1964.4-D.Características da resistência por grupos herbicidas 10. poucas plantas daninhas evoluíram resistência até hoje. financiando pesquisas e com iniciativas educativas que visam esclarecer aspectos sobre a resistência e o modo de ação de cada herbicida. as indústrias tomaram a iniciativa. Módulo 3. e de Daucus carota. 1996). Papaver rhoeas. na França. na Espanha. 1997). de constituir um grupo permanente de cientistas para estudar o assunto e propor soluções. foram identificados biótipos de Commelina diffusa. O herbicida quinclorac. Em 1957. manejo e monitoramento dos casos de resistência. resistentes ao 2. As empresas fabricantes de herbicidas. por serem os três grupos de produtos com maiores problemas (KISSMANN. Os biótipos resistentes assumem importância. rotação de mecanismos de ação e adoção de práticas culturais específicas. quando biótipos resistentes de Convolvulus arvensis foram identificados nos Estados Unidos (WEED SCIENCE. que incluem mistura de herbicidas.

Por apresentar mais de um mecanismo de ação. no Japão. pelo menos. em uma vasta área. de que o glyphosate apresenta baixo risco para selecionar biótipos resistentes. 1994).2 . resistentes ao glyphosate. biótipos de Erigeron philadelphicus. Os biótipos também apresentaram-se resistentes ao diclofop e sensíveis aos demais herbicidas graminicidas usados para seu controle. 20 são dicotiledôneas e sete são monocotiledôneas (HEAP. cada um.Herbicidas: resistência de plantas . foram identificados. que apresentam. respectivamente. 1997). 17 espécies resistentes.Derivados da glicina O herbicida glyphosate é o produto mais usado deste grupo.3 . mais de um mecanismo de ação. Erigeron sumatrensis e Youngia japonica resistentes a estes herbicidas. Aplicações de paraquat e diquat selecionaram 25 e duas espécies resistentes. em lavouras que usaram o produto para controlar plantas daninhas em pré-plantio. Devido à pequena área infestada e ao número de herbicidas alternativos. é o longo tempo em que este vem sendo usado. dez vezes nos últimos 15 anos. Segundo esses autores. 214 Módulo 3.5 . nãotranslocáveis (de contato) e com baixa persistência biológica no solo. Após duas décadas de uso.Bipiridílios Os herbicidas bipiridílios são herbicidas não-seletivos aplicados em pós-emergência. limitado metabolismo pelas plantas e baixo poder residual. selecionaram. os biótipos resistentes a este grupo herbicida não são considerados de grande importância (HEAP. no Egito. na Austrália. 1997). e os herbicidas auxínicos e inibidores de ACCase. em 1980. entre plantas resistentes e suscetíveis as enzimas são igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas as populações. que apresentam baixo residual. O argumento mais convincente. selecionaram 26 espécies resistentes. Atualmente existem comprovados no mundo seis casos de resistência ao glyphosate. Em 1996 foram identificados. Trabalhos realizados por Pratley et al. plantas de Conyza bonariensis resistentes ao paraquat (PRESTON. 10. 1994). os herbicidas bipiridílios. Contudo. Dentre estas. não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs. foram identificadas. (2002) trabalhando com Lolium rigidum. Depois disso. biótipos de Lolium rigidum.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. é considerado um produto com baixa probabilidade de selecionar espécies resistentes. como o glyphosate. (1997) demonstraram que os biótipos resistentes de Lolium rigidum foram dez vezes mais tolerantes ao glyphosate do que os biótipos sensíveis. com surgimento de apenas uma espécie resistente (HEAP. Lorraine-Colwill et al. 1997). Os mecanismos que conferem resistência aos bipiridílios são redução na translocação e compartimentalização da molécula (PRESTON.

Apesar do tempo de uso e do seu longo período residual. 1990). os cultivares de soja resistentes ao glyphosate. foram selecionados artificialmente (MORTIMER.5 . Sorghum halepense e Amaranthus palmeri evoluíram resistência à trifluralin após 15 a 20 anos de uso em cereais e leguminosas. 10. devido ao metabolismo dessas moléculas (MOSS. translocação. devem ser adotados. Estima-se que haja. 1998).4 . para controle de gramíneas. 1997). são usados em pré-emergência para controlar plantas daninhas gramíneas em culturas oleaginosas. mais de 3. em 16 países. acredita-se que estes mecanismos não são as causas principais da resistência dos biótipos a este herbicida.000 locais com Lolium rigidum resistente e. recentemente desenvolvidos. somente cinco monocotiledôneas e uma dicotiledônea apresentam resistência a este grupo herbicida (HEAP. A identificação de biótipos resistentes ao glyphosate indica que a resistência a este produto deve ser prevenida. além do químico. 1998). considera-se que aquelas que resistem aos herbicidas inibidores de ACCase tenham a maior importância econômica. biótipos de Eleusine indica. no Canadá. 10.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Esses trabalhos também demonstraram que não existem diferenças de absorção. A única diferença entre os biótipos foi o maior nível de RNAm encontrado nos biótipos resistentes. 1990. Os herbicidas inibidores de ACCase são o primeiro grupo herbicida alternativo para controlar biótipos resistentes aos herbicidas do grupo dinitroanilina. Há 17 espécies monocotiledôneas resistentes aos inibidores da ACCase. Biótipos de Festuca rubra. 1997). mais de 500 locais com Avena fatua (HEAP. devem ser usados com rotação de culturas e de herbicidas.Dinitroanilinas Os herbicidas do grupo dinitroanilinas.5 . Essas moléculas agem sobre a enzima ACCase e controlam com eficiência gramíneas em culturas mono e dicotiledôneas. Entre as plantas resistentes. Módulo 3. Biótipos de Lolium rigidum apresentam resistência cruzada às dinitroanilinas. metabolismo e sensibilidade da EPSPS ao glyphosate. HOWAT. em razão da área infestada e do número restrito de mecanismos alternativos para controle dos biótipos resistentes (HEAP. como trifluralin. na Austrália.Herbicidas: resistência de plantas 215 . assim. 1998). Dessa forma. oryzalin e pendimethalin. O uso de misturas herbicidas e emprego de mais de um método de controle. a maior quantidade de EPSPs sintetizada poderia ser a causa da resistência. Lolium rigidum e Avena fatua são as espécies com maior importância. Nos Estados Unidos. resistentes ao glyphosate.Inibidores de ACCase Este grupo herbicida foi introduzido na década de 1970. em resposta ao tratamento com glyphosate. entre os biótipos resistentes e sensíveis. e isso fez com que fossem selecionados biótipos de Setaria viridis com resistência múltipla a estes mecanismos (HEAP. Desse modo. POWLES.

1998). apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. Os herbicidas classificados como inibidores de ALS tornaram-se uma ferramenta de grande importância para agricultura. surgiu a primeira espécie resistente (SAARI et al.6 . A despolarização das membranas é um segundo mecanismo de ação atribuído aos herbicidas deste grupo. Amaranthus strumarium e Sorghum bicolor (HEAP. em razão da sua eficiência e do reduzido impacto ambiental (SAARI et al. Dentre estas. Estes herbicidas são largamente usados devido a sua baixa toxicidade para animais. em 14 países. Os herbicidas inibidores da ALS apresentam alta freqüência de casos de resistência de plantas daninhas. 1994).Inibidores de ALS A introdução no mercado dos herbicidas inibidores de ALS ocorreu em 1982. 2) alta eficácia da maioria dos herbicidas inibidores da ALS . o que se deve a vários fatores.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Biótipos de Lolium rigidum. a resistência aos inibidores da ALS tem sido atribuída a mudanças na seqüência de aminoácidos. com o lançamento da molécula chlorsulfuron para uso em cereais (SAARI et al.. 1994). Nos últimos dez anos. 4) a resistência aos herbicidas inibidores da ALS é determinada geneticamente por lócus simples e semidominante e alta freqüência inicial em todos os casos de resistência estudados até o momento. alta seletividade para as culturas e alta eficiência com emprego de doses baixas (HESS. bem como a seu grande espectro de controle de plantas daninhas. 1994.. O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. 1994). plantas resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase devem possuir mais de um mecanismo que proporcione a resistência. 1997). Assim. a repolarização das membranas ocorre independentemente da presença da ACCase mutada e existem muitas diferenças entre as membranas dos biótipos resistente e sensível (HEAP.esses herbicidas podem atingir níveis de controle próximos a 100%. desde gramíneas até dicotiledôneas e plantas daninhas perenes como a tiririca e a grama-seda. que vai desde a cultura da soja até área de produção de arroz irrigado e florestas implantadas. 1994). 5) trabalhos têm mostrado que os biótipos resistentes apresentam a mesma adaptabilidade ecológica que os biótipos sucetíveis dos inibidores 216 Módulo 3.5 . AHRENS. Atualmente. este grupo herbicida vem apresentando o maior número de registros de plantas resistentes. 41 são dicotiledôneas e nove são monocotiledôneas. 10. Entre as espécies descritas estão Kochia scoparia. Em biótipos de Lolium rigidum. como: 1) a amplitude de recomendações possíveis.. Aproxi¬madamente cinco anos após o início do uso dos herbicidas inibidores de ALS. A manutenção do potencial é vital para a sobrevivência da célula. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. um relacionado com a ACCase e outro com a membrana plasmática. 3) muitos herbicidas inibidores da ALS apresentam residual prolongado no solo e conseqüentemente aumentam a pressão de seleção para biótipos resistentes. 1997). há 50 espécies de plantas daninhas resistentes a estes produtos.Herbicidas: resistência de plantas . PRESTON. Essas características contribuíram para o surgimento rápido da resistência. selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona.

respondeu igualmente a um biótipo sensível ao herbicida.. em 16 países.7 . 1997). 10. SAARI.Triazinas A maioria das plantas daninhas resistentes às triazinas foram localizadas em lavouras de milho na Europa e América do Norte. (1992) identificaram biótipos de Lolium rigidum resistentes ao herbicida chlorsulfuron. entre elas a substituição. como as triazinas e uréias substituídas. e 6) a maioria dos casos de resistência aos inibidores da ALS estudados apresenta resistência cruzada aos diversos grupos químicos de herbicidas que tem este mecanismo de ação (VARGAS et al. PRESTON. A causa da resistência aos herbicidas inibidores de ALS está em mutações que ocorrem no DNA e no metabolismo da molécula herbicida. histidina. 2004). já que. Os diferentes níveis de resistência são atribuídos às diferenças na estrutura do centro de reação da D1 entre às espécies. A resistência a imidazolinonas e sulfoniluréias é conferida por um gene dominante nuclear (MAZUR. 1992).Herbicidas: resistência de plantas 217 . FALCO. 1994). Já um segundo biótipo apresentou resistência devido à insensibilidade da enzima ALS ao inibidor. cinco de Polygonum e quatro de Chenopodium. mas não a todos os herbicidas do grupo das uréias. em nove países.. até o momento. biótipos resistentes apresentam menor crescimento do que biótipos normais Módulo 3. em um dos biótipos resistentes. Além da prolina. e Solanum nigrum. Entre as plantas resistentes relatadas existem nove espécies de Amaranthus. A rápida inativação metabólica é a base para a resistência do biótipo SR4/84 de Lolium rigidum ao chlorsulfuron (COTTERMAN. contudo. Essas mutações não alteram a função biológica da ALS. assim. dessa forma. foi identificada somente uma mutação na proteína D1: a substituição da serina 264 por uma glicina. porém a atividade da ALS.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas da ALS.5 . As espécies mais freqüentes são Chenopodium album. 1998). 1989. usando-se herbicidas alternativos (HEAP. O metabolismo das moléculas herbicidas é outro mecanismo usado por plantas daninhas para resistir a estes herbicidas. As plantas daninhas resistentes têm sido controladas com eficiência. não está descartada a hipótese de que o metabolismo da molécula também esteja envolvido. assim. até o momento. Christopher et al. outros aminoácidos da ALS podem ser substituídos e produzir plantas resistentes com características distintas. SAARI et al. da prolina 173 por uma alanina. Amaranthus retroflexus e Senecio vulgaris. a resistência deste biótipo se deve à rápida metabolização do herbicida. A mutação na D1 provoca alto nível de resistência aos herbicidas do grupo triazinas. Alterações na proteína D1 são as principais causas da ocorrência de plantas resistentes aos herbicidas que agem no fotossistema II. glutamina. Esta mutação afeta o fluxo de elétrons no FSII. no centro ativo A da ALS. O gene que codifica a enzima ALS nas espécies resistentes pode apresentar diferentes mutações. não foram encontrados biótipos resistentes que apresentem alteração na taxa de crescimento ou na capacidade competitiva. Estima-se que a área infestada no mundo com plantas daninhas resistentes aos herbicidas triazinas seja superior a três milhões de hectares. em dez países. que conferem alterações funcionais na enzima ALS (POWLES. serina ou treonina.

Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida Os herbicidas selecionam biótipos resistentes com diferentes mecanismos de resistência (Quadro 5) e em diferentes períodos de tempo (Quadro 3).Herbicidas: resistência de plantas .D 218 Mecanismo Local de ação alterado/metabolismo Local de ação alterado Local de ação alterado Local de ação alterado Metabolismo Desconhecido Módulo 3. resistentes a chlorotoluron. mais de 40 espécies apresentam resistência a este grupo e duas ao propanil. 10. mas sim via herança materna.5 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (POWLES. PRESTON. dessa forma. Biótipos de Alopecurus myosuroides. com uso de herbicidas alternativos (HEAP. ao tamanho da área e ao tempo em que este produto é usado na área. 1998). A mutação responsável pela resistência às triazinas ocorreu no genoma do cloroplasto. Isso demonstra que as triazinas apresentam maior risco de seleção de biótipos resistentes que as auxinas sintéticas (HEAP. com e sem rotação. 1997). e na Alemanha. em 1982. Quadro 5 . 1997). 1998). em 1983. A ocorrência destes biótipos resistentes inviabiliza o uso deste herbicida em lavouras da Colômbia. além da facilidade que as espécies possuem de evoluir resistência para o herbicida e do número de mecanismos envolvidos.Uréias/amidas A primeira espécie a apresentar resistência às uréias foi Alopecurus myosuroides no Reino Unido.Mecanismos de resistência de plantas daninhas a herbicidas pertencentes a diferentes grupos químicos Herbicida Triazinas Dinitroanilina Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Propanil 2.8 . Até o momento existem 64 espécies resistentes às triazinas e 17 resistentes aos auxínicos. O herbicida propanil é usado para controlar Echinocloa colona e E. As diferenças se devem à variabilidade genética das espécies envolvidas. crusgalli em lavouras de arroz. Os biótipos de plantas daninhas resistentes às triazinas são controlados com eficiência. a resistência não é transmitida hereditariamente via pólen. que pertence ao grupo das amidas. 11 . em muitos países. apresentam sérios problemas de controle. da Costa Rica e dos Estados Unidos (HEAP. Os herbicidas triazinas e auxina sintéticas vêm sendo usados em milhões de hectares há mais de 30 anos. por possuírem capacidade de metabolizar herbicidas com diferentes mecanismos de ação. As diferenças relacionadas ao mecanismo de ação destes herbicidas podem ser a resposta para essa questão. Atualmente.4.

poderão ser evitados o surgimento de novos casos de resistência e o surgimento de plantas com resistência múltipla. 1997). relatado oficialmente. Módulo 3. Lolium multiflorum. selecionaram biótipos resistentes devido ao seu emprego em vastas áreas (HEAP. um número limitado de populações de plantas daninhas sofreu pressão de seleção suficiente para o aparecimento de biótipos resistentes (CHRISTOFOLETI. Até hoje foram constatados casos de resistência em 6 espécies de plantas daninhas. Conyza canadensis. 1997.. Em razão de suas características. A enzima ALS. a vasta área tratada. Estes biótipos foram encontrados em lavouras dos estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul e apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS. 2006). O glyphosate esta sendo usado intensivamente na agricultura há mais de 25 anos. fomesafen e acifluorfen (PONCHIO. 12 . constitui-se na mais provável causa da resistência (PONCHIO. (Quadro 6).A resistência de plantas daninhas no Brasil Atualmente são reconhecidos 15 casos de plantas daninhas resistentes no Brasil. mostrou-se menos sensível a estes herbicidas e. que é um problema muito maior do que a resistência cruzada. Nos últimos dez anos foram identificadas mais espécies resistentes para os inibidores de ALS do que para qualquer outro mecanismo de ação. A alta freqüência inicial de indivíduos resistentes na população. desse modo. apesar de serem considerados de baixo risco. LÓPEZ-OVEJERO. 2003). lactofen. mas são sensíveis aos herbicidas alternativos sulfentrazone. bentazon. O primeiro caso de resistência de plantas daninhas ao herbicida glyphosate foi registrado em 1996. 1997). Eleusine indica. estes herbicidas apresentam alto potencial para selecionar plantas resistentes. 1999). foi o da planta daninha Bidens pilosa L. são elas: Lolium rigudum.Herbicidas: resistência de plantas 219 . Conyza banariensis e Plantago lanceolata (WEED SCIENCE.5 . até o presente momento. a alta especificidade e eficiência e o longo período residual contribuem para a evolução rápida da resistência aos herbicidas que agem inibindo as enzimas ALS e ACCase. VARGAS et al. Somente com o uso de todos os métodos de controle disponíveis conjuntamente. aos herbicidas inibidores de ALS. dos biótipos resistentes. O primeiro caso de resistência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os herbicidas dos grupos cloroacetamidas e inibidores da EPSPs (glyphosate).

Estudos relacionados à capacidade competitiva e ao comportamento das sementes no solo não indicam.. até o momento. Os biótipos resistentes sobreviveram ao tratamento com dose 16 vezes maior que a dose de campo (de rótulo). estão sendo realizados na Universidade Federal de Viçosa.5 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 6 . resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. 220 Módulo 3. porém são sensíveis a herbicidas com outros mecanismos de ação. diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis. onde estes produtos são empregados há mais de cinco anos.Herbicidas: resistência de plantas .arroz Capim-pé-de-galinha Leiteiro Leiteiro Flecha Cuminho Azevém Losna-branca Nabiça Mecanismo de ação ao qual adquiriu resistência Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Auxina sintética Inibidores da ACCase Auxina sintética Auxina sintética Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ALS e PPO Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da EPSPs Inibidores da ALS Inibidores da ALS Biótipos de Euphorbia heterophylla. referentes à resistência em Euphorbia heterophylla L.Espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas ocorrentes no Brasil e seu provável mecanismo Biótipos resistentes Bidens pilosa Bidens subalternans Brachiaria plantaginea Cyperus difformis Echinochloa colonum Digitaria ciliaris Echinochloa crusgalli var. O uso repetido destes herbicidas pode ser a principal causa da seleção dos biótipos resistentes. Não houve diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis relacionadas à taxa de germinação e à profundidade de germinação e emergência. Os resultados deste trabalho indicam que a resistência é conferida por um gene dominante nuclear e que os biótipos apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS. crusgalli Echinochloa crus-pavonis Eleusineiíndica Euphorbia heterophylla Euphorbia heterophylla Sagitaria montevidensis Fimbristylis miliacea Lolium multifolium Parthenium hysterophorus Raphanus sativus Fonte: Wees Science (2006) Nome comum Picão-preto Picão-preto Capim-marmelada Junquinho Capim-arroz Capim-colchão Capim. foram identificados em lavouras de soja nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná. e Brachiaria plantaginea. resistentes aos herbicidas inibidores de ALS. Estudos relacionados a inibidores da ALS em condições de laboratório e de campo.arroz Capim.

Herbicidas: resistência de plantas 221 .. em média. Nas plantas resistentes e suscetíveis. observaram que aproximadamente 80% das plantas avaliadas resistiram a dose de até 1. de 30 a 90 cm de altura. foram identificados biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistentes ao glyphosate em lavouras de culturas anuais e em pomares (ROMAN et al. A diferença marcante entre populações resistentes e suscetíveis foi encontrada no translocação do glyphosate. Com relação ao Lolium rigidum. herbácea. 20% a doses de até 11. três aplicações de glyphosate por ciclo durante os últimos 8 a 10 anos. a dose de 360 g ha-1 foi suficiente para controlar o biótipo sensível. morfologicamente muito variável. Módulo 3. aproximadamente.Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate Lolium multiflorum é uma espécie anual ou bianual. Originária do sul da Europa. 2004).5 .520 g ha-1. Em todos esses casos a aplicação repetida e continuada de glyphosate para controle da vegetação é considerada a principal causa da seleção dos biótipos resistentes. Depois do tratamento com glyphosate os autores observaram acumulação do produto nas raízes de plantas suscetíveis e nas pontas das folhas de plantas resistentes (Quadro 7).440 g ha-1 de glyphosate e. O primeiro caso de Lolium multiflorum resistente ao glyphosate foi relatado por Perez e Kogan (2002). Vargas et al. (2004). ereta. que vinham recebendo. o mecanismo que confere resistência ao glyphosate ainda não foi determinado com clareza. (2002) não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs. trabalhando com biótipos sucetíveis e resistentes de azevém (Lolium multiflorum).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 13 . No Brasil. Nesse mesmo trabalho. Lorraine-Colwill et al. propaga-se apenas por sementes (LORENZI. densamente perfilhada. 2000). As plantas resistentes e suscetíveis foram igualmente capazes de absorver o herbicida aplicado. as enzimas foram igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas às populações. Este biótipo resistente foi identificado em pomares no Chile. glaba.

222 Módulo 3.8 42.0 42. Baerson et al. (2002) observaram inicialmente que numa população de Lolium rigudum existiam plantas com diferentes níveis de resistência ao glyphosate e assim classificaram estes biótipos como suscetível.5 43. Segundo Kogan e Pérez (2003).5 44.Herbicidas: resistência de plantas . em biótipos de L. Os resultados do trabalho indicados no Quadro 8 mostram que a atividade da EPSPS das plantas resistentes é similar à atividade das plantas suscetíveis.9 36. Quadro 8 – Inibição da EPSPS em teste in vitro População Suscetível Intermediário Resistente Altamente resistente Fonte: BAERSON et al. com erros-padrão. rigidum após o pré-tratamento com glyphosate isopropilamina (450 g ha-1) Horas 2 4 8 24 48 Biótipos S R S R S R S R S R Acima do LA 30 ± 2 28 ± 4 40 ± 3 42 ± 4 36 ± 5 48 ± 5 19 ± 3 42 ± 5 15 ± 2 50 ± 1 C (% total absorvido) LA Abaixo do LA 13 ± 1 55 ± 2 11 ± 1 58 ± 5 11 ± 1 44 ± 3 10 ± 1 44 ± 4 11 ± 2 45 ± 3 10 ± 2 37 ± 3 08 ± 1 53 ± 3 10 ± 1 43 ± 4 10 ± 2 55 ± 3 11 ± 1 33 ± 3 14 Raízes 02 ± 0 02 ± 0 05 ± 1 04 ± 0 08 ± 1 05 ± 1 20 ± 2 05 ± 1 20 ± 4 06 ± 1 Lorraine-Colwill et al.2 ± 2.3 ± 3. sugerindo que o mecanismo de resistência não esta completamente baseado no sítio de ação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 .9 ± 4.0 38. intermediário . dessa forma. é muito pouco provável que os maiores níveis de expressão da EPSPs dos indivíduos resistentes expliquem completamente a maior tolerância ao produto.3 ± 7. (2002).Translocação foliar do 14glyphosate aplicado em plantas resistentes e suscetíveis.6 ± 6.5 . resistente e altamente resistente.4 ± 8. Os autores isolaram a enzima EPSPS e realizaram testes in vitro de sua atividade na presença de glyphosate em todas as populações. Os valores mostrados são a médias de 10-15 plantas dos biótipos resistente e suscetível.8 Esses autores observaram superprodução da EPSPS induzida pela aplicação do glyphosate e também expressivo aumento no nível de EPSPS nas plantas resistentes e altamente resistentes.5 ± 2. a hipótese de alteração da EPSPS no sítio de ação é descartada.6 ± 2.4 44. (2002) % de inibição por glyphosate 0 hora após a aplicação 48 horas após a aplicação 42. LA: local da aplicação.

intermediário e resistente ao herbicida glyphosate).5 .200 g ha-1 de glyphosate não controlaram os biótipos resistentes e de resistência intermediária.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 . Essa queda de produção foi mais severa no biótipo intermediário do que no resistente (Fig. em ambos os biótipos (resistente e com resistência intermediária) de L. multiflorum observou-se redução na produção de massa seca da parte aérea.Herbicidas: resistência de plantas 223 . Módulo 3. (2006a) com três biótipos de Lolium multiflorum (biótipos sensível. Tanto o biótipo resistente quanto o intermediário apresentaram elevados níveis de intoxicação (80%) aos 14 dias após a aplicação dos tratamentos (Fig. Todavia. A dose de 200 g ha-1 foi suficiente para controlar 100% das plantas sensíveis (Fig. 3 B e C. observou-se que doses de até 3. resistente (B) e de resistência intermediária (C) de Lolium multiflorum Fonte: Ferreira et al. 3A). (2006a) Em recente trabalho realizado por Ferreira et al.Evolução da intoxicação provocada por glyphosate sobre biótipos sensível (A). 4).

. 224 Módulo 3.Biótipos resistente (R) e sensível (S) de L multiflorum cinco dias após tratamento com 800 g ha-1 de glyphosate (FERREIRA et al.5 . que constataram maior acúmulo do produto marcado nas raízes do biótipo resistente. 2006a) O possível caso da resistência de L. Esses resultados se assemelham aos encontrados por Lorraine-Colwill et al. 2A). multiflorum pode estar ligado a translocação diferencial deste herbicida pelos diferentes biótipos. O biótipo R apresentou maior acúmulo de 14glyphosate na folha aplicada às 64 horas enquanto no suscetível observaram maior acúmulo desse herbicida nas raízes (Fig.Porcentagem de produção de massa seca dos biótipos resistente e intermediário tratados com glyphosate em relação à testemunha Fonte: Ferreira et al. (2002) em Lolium rigudum. Ferreira et al. (2006) verificaram que tanto o suscetível quanto o resistente absorveram o glyphosate na mesma intensidade (Fig. (2006a) Figura 4 .Herbicidas: resistência de plantas . Todavia observaram diferença marcante na translocação do 14glyphosate entre os biótipos resistente (R) e sensível (S).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 3 . 5).

(B) . (2006b) 14 . milhares de hectares cultivados com culturas transgênicas já foram incorporados no processo produtivo. (C) – na parte aérea e (D) .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 – Concentrações de glyphosate avaliadas em diferentes tempos após aplicação.1 . (A) – na água de lavagem.Culturas transgênicas Cultivares de soja e de outras culturas foram lançados recentemente no mercado. com uma área plantada de 9. correspondendo a um aumento de 11% em 2005 no total de 21 países onde o plantio de transgênicos é permitido (JAMES. multiflorum resistente (R) e sensível (S) Fonte: Ferreira et al.nas raízes de biótipos de L. a área de produção de transgênicos passou de 81 milhões de hectares em 2004 para 90 milhões. Módulo 3.5 .Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas 14. Depois disso. O Brasil é hoje o terceiro produtor de transgênicos.4 milhões de hectares de sementes. 2005).na folha onde foi aplicado. No mundo. perdendo apenas para Argentina e Estados Unidos (Quadro 9).Herbicidas: resistência de plantas 225 .

3 1. EUA. A soja tolerante a herbicida é atualmente a cultura geneticamente modificada dominante. Importante destacar que o milho Bt. foram: China.0 milhões de hectares. Argentina.1 0. O algodão Bt foi plantado em oito países. cultivado em 4. representando 60% da área mundial destinada às plantas geneticamente modificadas em 90 milhões de hectares.3 milhões de hectares (5%) em quatro países: EUA.5 0. Índia. dos 21 países produtores de transgênicos.1 < 0.Superfície global de cultivos transgênicos em 2005 (em milhões de hectares) Ordem 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Fonte: James (2005) País EUA Argentina Brasil Canadá China Paraguai Índia África do Sul Uruguai Austrália México Romênia Filipinas Espanha Colômbia Irã Honduras Portugal Alemanha França Rep. Brasil. equivalente a 6% da área mundial com lavouras geneticamente modificadas.3 milhões de hectares (5%) em dois países: Canadá e EUA.8 3. Paraguai. África do Sul e Argentina. em ordem decrescente de área: milho tolerante a herbicida. ocupou um total de 15. África do Sul e México. milho e algodão Soja e milho Algodão Soja e algodão Soja Milho Milho Algodão Arroz Milho Milho Milho Milho Milho Em 2005. Canadá.1 < 0. A terceira cultura geneticamente modificada mais cultivada foi o algodão Bt. cultivado em 4.8 17.Herbicidas: resistência de plantas .1 9.5 milhões de hectares. sexta colocação em 2003. milho Bt tolerante a herbicida. com crescimento de 22% no ano de 2003.1 < 0. e que ocupou 4.1 < 0.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 9 .1 < 0. Ela ocupa 48. Outras cinco culturas listadas no Quadro 10 ocuparam entre 2% e 5% da área mundial cultivada com plantas derivadas da biotecnologia e incluem.1 < 0. Austrália. canola tolerante a herbicida. cultivado em 3.1 0. África do Sul e Colômbia. 11 são países em desenvolvimento e 10 industrializados (Fig. milho e canola Algodão Soja Algodão Soja.4 milhões de hectares. comercialmente disponível em nove países em 2005 (Quadro 9) que.3 0. em ordem decrescente de área cultivada. em ordem decrescente de área cultivada. milho e algodão Soja Soja. que. são: EUA.4 5. quando foram cultivados 12. Checa Superfície (milhões de ha-1) 49.1 < 0. algodão. canola e mamão Soja. milho.8 milhões de hectares (4%) em dois países: EUA e 226 Módulo 3. Romênia.1 0. Uruguai.8 1. Canadá. México. 2).5 .3 milhões de hectares. Argentina.3 0.3 0.1 Culturas transgênicas Soja.

5 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Canadá. Austrália e México. Austrália e África do Sul (JAMES. de 1996 a 2005 O Quadro 10 mostra.Herbicidas: resistência de plantas 227 . em ordem crescente por área. Quadro 10 – Princiapais lavouras geneticamente modificada em 2005 Culturas Soja tolerante a herbicida Milho Bt Algodão Bt Milho tolerante a herbicida Canola tolerante a herbicida Milho Bt/tolerante a herbicida Algodão Bt/tolerante a herbicida Algodão tolerante a herbicida Fonte: James (2005) % em relação ao total de áreas cultivadas 60 14 06 05 05 04 04 02 Módulo 3. algodão Bt e tolerante a herbicida cultivado em 3 milhões de hectares (4%) em três países: EUA. e algodão tolerante a herbicida cultivado em 1. Figura 2 – Evolução da área de cultivo de transgênicos no mundo.5 milhão de hectares (2%) em 3 países: EUA. os países produtores de culturas trangênicas em 2005. 2005). em milhões de hectares.

7 11. a transgenia. como ocorre no melhoramento genético clássico (no cruzamento ocorre a "mistura" de metade da carga genética de cada variedade parental). Já a transgenia é uma evolução desse processo. que. bem como da natureza química do material genético.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A descoberta das leis da hereditariedade. sem que sejam introduzidos outros genes. cruzam-se as espécies sexualmente compatíveis e ocorre a combinação simultânea de vários genes. por meio de desenvolvimento de métodos refinados com o uso de técnicas de biologia molecular. denominadas de transgênicas. etc. hoje conhecida como tecnologia do DNA recombinante ou engenharia genética (VALOIS. oferece maior precisão do que os cruzamentos. com segurança (MONSANTO. Além disso. e a decifração do código genético foram condições primordiais para o surgimento da biotecnologia moderna. 2005). A biotecnologia agrícola utiliza a transgenia como uma ferramenta de pesquisa agrícola caracterizada pela transferência de genes de interesse agronômico (e.9 42. O Quadro 11 mostra a evolução do cultivo de plantas geneticamente modificada e tolerante a herbicidas durante o o período de 1996 a 2005.8 39. Assim.0 27. com o objetivo de acelerá-lo e de ampliar a variedade de genes que podem ser introduzidos nas plantas. 2005). 2001). um fungo.Herbicidas: resistência de plantas .7 67.5 . Nessse período. No melhoramento tradicional. como ferramenta da biotecnologia agrícola.) e plantas. Quadro 11 –Área total de lavouras geneticamente modificadas no mundo entre os anos de 1996 e 2005 Ano 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Fonte: James (2005) Hectares (em milhões) 1. uma vez que permite a inserção de genes cujas características são conhecidas com antecedência.2 52. conseqüentemente. a área cultivada com lavouras transgênicas cresceu mais de 47 vezes (JAMES.0 A transgenia permite um melhoramento "pontual" através da inserção de um ou poucos genes e da conseqüente expressão de uma ou poucas características desejáveis (MONSANTO.1 90. uma bactéria. permitiram a manipulação do material genético.7 81. de características desejadas) entre um organismo doador (que pode ser uma planta. 228 Módulo 3. 2005). surgiram as plantas que carregam em seu genoma a adição de DNA oriundo de uma fonte diferente de germoplasma paternal.6 59.

5 . dessa forma. será utilizado um único ingrediente ativo. Espécies como Commelina benghalensis. o que significa alta pressão de seleção. em que a maioria da área cultivada empregará a mesma molécula herbicida. O risco do surgimento de casos de plantas daninhas resistentes é maior para aqueles herbicidas que já apresentam biótipos resistentes. Borreria latifolia e Tridax procumbens são plantas consideradas tolerantes ao glyphosate. É uma planta perene que se reproduz por sementes aéreas. as plantas daninhas apresentam composição e dinâmica de um país tropical. o glyphosate (GAZZIERO. Esse fato poderá levar a uma situação extrema. por exemplo..Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas Os métodos de controle das plantas daninhas não sofrerão alteração. No Brasil. C. em que fatores como a intensidade e a rapidez da mudança na composição de uma comunidade são acentuados e inevitavelmente influenciados pelas práticas agrícolas e pela ação humana. subterrâneas e multiplica-se também a partir do enraizamento de porções do caule (ROCHA 1999. Muitos produrores de soja transgênica no Rio Grande do Sul preferem controlar as plantas daninhas com aplicação de pós-emergência feita na cultura. A dinâmica e o estabelecimento das plantas daninhas nos levam a antever uma provável mudança na composição das plantas infestantes. 2005). 2005). a substituição das moléculas herbicidas que vinham sendo usadas por outra. é uma espécie que se adapta com facilidade a diferentes ambientes e apresenta intensa resposta à calagem e adubação do solo. benghalensis. tendo em vista que vários produtos ou combinações de produtos utilizados atualmente serão substituídos por um único ingrediente ativo. somente haverá. No início serão observados apenas os benefícios da nova tecnologia. porém com o decorrer dos anos existirá uma grande possibilidade de surgir problemas como a seleção das espécies consideradas tolerantes ou mesmo espécies resistentes (GAZZIERO. 2000). se o manejo das plantas daninhas não for adequadamente utilizado na soja transgênica. e outras consideradas tolerantes apresentam a possibilidade de disseminação e conseqüente aumento de infestação nas áreas cultivadas com soja transgênica.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 15 . essas plantas apresentam grande potencial de se tornarem um sério problema de controle. espera-se a ocorrência de profundas mudanças nos sistemas de controle. Dessa forma. em alguns casos. deixando de fazer o controle das plantas Módulo 3. ROCHA et al. Em 2005 a soja transgênica foi oficialmente liberada para plantio no país. como é o caso dos herbicidas para os quais estão sendo desenvolvidas culturas resistentes. que é um requisito para a seleção de plantas resistentes. Espécies altamente sensíveis a esse produto serão eliminadas.Herbicidas: resistência de plantas 229 . Os produtos e as combinações de produtos utilizados na soja convencional serão substituídos pelo glyphosate. sendo hospedeira de pragas e moléstias.

observou em pomares de maça tratados com glyphosate a seleção de Richardia brasiliensis. em condições semelhantes.5 . do número de genes envolvidos. Sabe-se que sua evolução em uma área é dependente da pressão de seleção. Contudo. o processo de competição entre a cultura e as plantas daninhas já se iniciou. tolerantes e sensíveis em áreas afetadas e para eleger métodos de manejo e controle das plantas tolerantes e resistentes que permitam impedir a multiplicação e a disseminação desse(s) gene(s) para outras populações. que poucas vezes podem ser generalizados para as nossas condições. Euphorbia heterophylla. poucos cientistas estão se dedicando a essa área no Brasil. para que se possa entender e estabelecer estratégias específicas para os nossos casos. 230 Módulo 3. O conhecimento desses pontos é importante para embasar previsões de proporções futuras entre plantas resistentes. em outras espécies.). devem ser adotadas as práticas de manejo adequadas. 2003). como: uso de misturas de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e rotação destes mecanismos. Commelina benghalensis. e em anos seguidos. levando a um considerável aumento nos custos de produção. trazendo prejuízos a cultura (THEISEN citado po GAZZIERO. Vargas (2004). Biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistente ao glyphosate se tornaram um grave problema nas lavouras de soja transgênica no Rio Grande do Sul. Estudos aprofundados sobre essa questão devem ser realizados com urgência no país. 16 . agricultores que empregarem extensivamente. com mesmo mecanismo de ação. Desse modo. do fluxo gênico e da dispersão de propágulos. da variabilidade genética da espécie daninha. estarão sujeitos à seleção de plantas daninhas resistentes. Na maioria dos casos. Nas áreas com mais de 15 anos de uso têm sido feitas três aplicações/ano em doses que variam de 2 a 8 L ha-1. ao se realizar a aplicação. Para que isso seja evitado.Comentários finais A resistência de plantas daninhas a herbicidas é um fato consumado no Brasil. o mesmo herbicida ou herbicidas. sobre os quais tem sido aplicada doses de 16 L ha-1 do produto comercial sem sucesso. e as informações de que se dispõe são relacionadas a casos de outros países.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que germinam antes da semeadura da soja. do padrão de herança.Herbicidas: resistência de plantas . além da resistência de azevém (Lolium sp.

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ABEAS Universidade Federal de Viçosa .Manejo de plantas daninhas em pastagens Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº.6 . Ricardo Camara Werlang Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .Manejo de plantas daninhas em pastagens 235 .DF 2006 Módulo 3.Manejo de plantas daninhas 3.6 . Lino Roberto Ferreira Profº.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .

Uso de herbicidas na manutenção de pastagens.1.4.Controle químico.3 .4 .2 . 243 1. 259 2.Competição por nutrientes.2 .Uso de herbicidas na recuperação de pastagens.4.2 .Controle mecânico ou físico. 260 2.1 .Integração da agricultura e pecuária. 258 2. 267 236 Módulo 3.1 .1.3 .Competição por luz.1.Controle preventivo.Fatores do ambiente passíveis de competição.4.Competição entre plantas daninhas e forrageiras.3 . 237 1 . 246 1.Manejo de plantas daninhas em pastagens .1 . 246 1. 253 2. 261 Referências bibliográficas. 238 1. 239 1. 257 2. 252 2. 252 2.Controle cultural. 247 2 .Competição por água.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.1 .Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens.2 . 244 1.Controle de plantas daninhas.6 .Plantas tóxicas.3 .

1996) A pecuária brasileira está sendo influenciada pelo processo de globalização em andamento no mundo. essa tendência é muito mais complexa e envolve modificações muito mais profundas. A tomada de decisão na pecuária. afastando-se cada vez mais do modelo extrativista. apesar de esse processo estar sendo propalado como a globalização da economia. nesse contexto. eficiência. Com relação aos sistemas de produção agrícolas. competitividade e sustentabilidade (EUCLIDES FILHO. da intensificação total. e o segundo é o fato de possibilitarem o atendimento da grande demanda mundial por alimento produzido de forma natural. nesse contexto. como solo. em geral. sistemas economicamente viáveis. É importante ressaltar que. com respeito ao ambiente e aos animais. que penaliza os setores não-competitivos e ineficientes (EUCLIDES FILHO. a formação do que pode ser denominado um novo status de cultura global (EUCLIDES FILHO. em especial para a pecuária. Conseqüentemente. em particular. produtor. As mudanças que vêm ocorrendo nos sistemas de produção são reflexos de transformações econômicas. e na pecuária. qualidade. socialmente justos. indústria. O primeiro é que elas viabilizam a competitividade brasileira. a humanidade coloca em segundo plano os tratados e previsões que fundamentaram a “revolução verde” e busca. Uma das características que faz com que a atividade pecuária no Brasil seja altamente competitiva é o fato de o País possuir grandes áreas de pastagens e condições adequadas para o desenvolvimento destas. 1997). competitivos e eficientes. capazes de ser conservadores de recursos. Os últimos dez anos têm sido decisivos para a economia brasileira. isto é sinônimo de estabelecimento de sistemas sustentáveis. representado pela pecuária extensiva. social. formas de produção que. As pastagens. água e recursos genéticos animais e/ou vegetais. diante das transformações que vêm se processando. Dessa forma. sociais e políticas. espera-se. além de produtivas. Nesse período. assumem dois aspectos fundamentais. deve considerar os vários pontos determinantes dos segmentos envolvidos no setor.Manejo de plantas daninhas em pastagens 237 . Módulo 3. em maior ou menor grau. que são responsáveis pela reestruturação desde níveis e formas de informação. e produtivos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Atualmente. em última instância. 1997). parte expressiva do setor se distanciou da prática extrativista que por muitos anos caracterizou a atividade e tem sido um exemplo de capacidade de ajustes e adaptação à realidade do mercado atual. consumidor. dependendo de cada caso. a atividade pecuária tende a se tornar cada vez mais uma atividade empresarial. ou seja. passando por mudança do estágio de conhecimento e culminando com o estabelecimento de um novo padrão de comportamento da sociedade como um todo. ambientalmente corretos. e aproximando-se. possibilitem convivência harmoniosa com a natureza. como política.6 . economia.

2000). Degradação de pastagens é um processo evolutivo de perda de vigor e produtividade da forrageira. até mesmo parcialmente. Estima-se que 80% dos quase 60 milhões de hectares da área de pastagens na região de Cerrados apresentam algum estágio de degradação (MACEDO et al. água e nutrientes. 2000). devido à elevada capacidade competitiva das plantas daninhas. pois são espécies que apresentam o metabolismo C4. e aumenta o tempo de formação das áreas reformadas.6 . atualmente. é lógico que o sucesso desse setor está estreitamente relacionado com a manutenção das pastagens em condições adequadas. além de ser um ambiente propício para o desenvolvimento de parasitas. bem manejadas e livres de plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Diante da importante função assumida pela pastagem no contexto de pecuária empresarial e competitiva.. Nas Figuras 1 e 2 são apresentadas algumas das principais espécies de plantas daninhas das pastagens. se sombreadas. falta de adubação de manutenção e manejo da pastagem inadequado. a presença de plantas daninhas em pastagens reduz a sua capacidade de suporte (unidade animal por ha). Essas forrageiras. Causada por diversos fatores. a degradação precisa ser revertida para garantir a produtividade e a viabilidade econômica da pecuária (MACEDO et al. As plantas daninhas podem. espaço. agravam-se os efeitos ambientais pela erosão dos solos e assoreamento dos mananciais de água. é facilmente dominada pelas plantas daninhas. nestas condições. as quais dificultam o processo de produção pecuária. Essa competição se dá principalmente por luz. e até mesmo arbóreo. a prática demonstra outra realidade.Manejo de plantas daninhas em pastagens . têm a sua taxa de fotossíntese líquida altamente reduzida e. Assim. entre eles má escolha da espécie forrageira. Pastagem degradada se constitui. mas também por espaço. ainda.. como ferimentos no úbere das vacas. em um dos maiores problemas dos sistemas de produção de bovinos no Brasil Central. ocasionado pela competição com as plantas daninhas.Competição entre plantas daninhas e forrageiras Pastagens produtivas significam pastagens bem formadas. nutrientes e água. ocasionar danos físicos aos animais. má formação inicial. Isso ocorre porque a maioria das gramíneas forrageiras cultivadas no Brasil tem a sua eficiência fotossintética altamente dependente da intensidade da luz. No entanto. uma vez que estas plantas competem por luz. A presença delas em pastagens reduz a produtividade. de muitas espécies de plantas daninhas infestantes de pastagens em condições brasileiras. pode-se considerar a luz como o principal fator (recurso) de competição destas com as forrageiras. Além dos impactos negativos na produção e desvalorização do patrimônio. que afeta a produção e o desempenho animal e culmina com a degradação do solo e dos recursos naturais em função de manejos inadequados. 238 Módulo 3. reduzindo a disponibilidade desses fatores para as forrageiras. sem possibilidade de recuperação natural. por diminuir o potencial de formação de pasto pelas forrageiras. Em razão do porte arbustivo. 1 .

1. Recursos são os fatores consumíveis. até mesmo para o próprio desenvolvimento da forrageira. muito comuns em pastagens brasileiras. Isso ocorre porque. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. a forrageira e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área. Módulo 3.Fatores do ambiente passíveis de competição Em ecossistemas agropastoris. Radosevich et al. esses fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente. ou até mesmo levá-los à morte. luz. na maioria das vezes. nessas circunstâncias. estabelece-se a competição.6 . como água.Manejo de plantas daninhas em pastagens 239 . A seguir serão abordados os principais fatores envolvidos na competição entre as plantas daninhas e as forrageiras. Como ambas possuem suas demandas por água. reduzindo a produtividade da forrageira.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas causados por espécies com espinhos. caso eles se alimentem de plantas tóxicas. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex.: toxidez devido a excesso de Zn no solo).1 . gás carbônico. qualquer planta daninha que se estabeleça na pastagem vai usar parte dos fatores de produção. nutrientes e CO2 e. já limitados no meio. nutrientes e luz. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso for limitado e máxima quando o ponto de saturação for atingido.

(d) assa-peixe roxo (Vernonia glabrata). (b) leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 – Principais plantas daninhas das pastagens (a) assa-peixe branco (Vernonia polyanthes). (c) mata-pasto (Eupatorium maximilianii). (e) ciganinha (Memora peregrina). (f) fedegoso (Senna ocidentalis).6 .Manejo de plantas daninhas em pastagens . (g) guanxuma (Sida glaziovii) e (h) lobeira (Solanum lycocarpum) 240 Módulo 3.

(g) mamona (Ricinus communis). (b) arranha-gato (Acacia plumosa).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 – Principais plantas daninhas das pastagens . e plantas tóxicas . (h) ximbuva (Enterolobium contortisiliquum) e (i) samambaia (Pteridium aquilinum) Módulo 3.Manejo de plantas daninhas em pastagens 241 .(c) guizo-de-cascavel (Crotalaria spectabilis). (d) cafezinho (Palicourea marcgravii). (f) algodão-bravo (Ipomoea carnea sbsp. fistulosa). (e) cambará (Lantana camara).6 .(a) camboatá (Tapirira guianensis).

A competição pode ser intra-específica. No entanto. seja ela daninha ou não. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. por exemplo. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. se a forrageira se estabelecer primeiro. interespecífica. densidade do solo. como acontece. a menor suscetibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. 1996). a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. Determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. Várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as forrageiras e as plantas daninhas. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. Os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta destas às variações dos recursos (GOLDBERG... em áreas de pastagens degradadas a capacidade competitiva das plantas daninhas é ainda maior. caracterizado pela pastagem degradada.. dependendo da espécie cultivada. totalmente esclarecida. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância. citado por RADOSEVICH et al. mesmo com baixos níveis do recurso no ambiente (RADOSEVICH et al. 1996).6 . envolvendo indivíduos de espécies diferentes. como pH do solo. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. não estando. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos.Manejo de plantas daninhas em pastagens . Todavia. o maior índice de área foliar. Na realidade. cuja dependência é muito grande. Entretanto. ainda. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas daninhas em relação às culturas são o seu porte e sua arquitetura. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. do seu vigor. como veranico e geadas. etc.. como: a competição é mais séria nos períodos iniciais de desenvolvimento da 242 Módulo 3. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (RADOSEVICH et al. porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. em razão da influência extrema que eles exercem na utilização dos recursos pelas plantas. 1996). A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Condições são fatores não diretamente consumíveis. e. 1990. 1985). ela poderá cobrir rapidamente o solo. em condições de sombreamento (PITELLI. A competição entre plantas daninhas e forrageiras é um fator crítico para o desenvolvimento da pastagem quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a forrageira. Contudo. se a população de plantas da forrageira por área for baixa ou o estande for desuniforme. também. até que um nível ideal seja alcançado.

grande número de estômatos por área foliar. fazendo com que esta leve vantagem sobre o complexo de plantas daninhas. que podem inibir a germinação e ou desenvolvimento da forrageira. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. da época correta de plantio.. nutrientes e espaço. tendem a excluir as demais. das condições adequadas de pastejo e manejo adequado da forrageira. como capacidade de remoção de água do solo. (Radosevich et al. regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. comumente. as espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da forrageira. torna-se fácil o manejo da forrageira. luz. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes. Disso resulta a importância do preparo do solo. 1996). etc. especialmente nos trópicos em dias quentes. pois se estabelecem primeiro. que as plantas forrageiras fiquem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas.Manejo de plantas daninhas em pastagens 243 . como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis. Desse modo. sem qualquer sinal de déficit hídrico. desenvolvimento e crescimento rápido de grande superfície fotossintética mesmo ainda na fase de plântula. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da forrageira e da vegetação daninha infestante da área a ser formada. ciganinha e outras).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas forrageira. 1.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma pastagem. podendo. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. ainda.1. Assim a competição é mais facilmente minimizada ou até mesmo eliminada com a integração de outros métodos de controle. e as espécies daninhas competem por água. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. da escolha da forrageira adequada para a região. principalmente se a forrageira possui metabolismo C4. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular (maior profundidade do sistema radicular – ex. as condições para que ela se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. no manejo da forrageira. dessa forma. como o químico ou mecânico. por isso. etc. as espécies daninhas de maior porte do que as forrageiras exercem grande potencial competitivo com estas. Normalmente. liberar toxinas no solo. pequenas ou grandes. devido ao sombreamento. magnitude da condutividade hidráulica das raízes. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente.1 . Conhecendo esses fatores. é normal em alguns agroecossistemas. as características fisiológicas das plantas.. e sistema radicular muito desenvolvido. Módulo 3. especialmente nitrogênio e carbono.: assa-peixe.6 . o chamado manejo integrado de plantas daninhas. da profundidade de plantio. realizando. da percentagem de germinação e vigor das sementes.

além do ciclo de Calvin e Benson. por ser ambígua quanto ao substrato. a superioridade das forrageiras utilizadas no Brasil (C4 em sua grande maioria) é dependente de certas condições. As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2. 3-fosfoglicérico e. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico. Entretanto.1. o ácido pirúvico. A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). dependendo da espécie vegetal. É sabido que a relação. ou seja. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico). onde é fosforilado.Competição por luz A competição pela luz é muito complexa e sua magnitude é influenciada pela espécie. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase.6 . por difusão. não desassimilam o CO2 fixado. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. se ela é umbrófila ou heliófila e. agora pela enzima ribulose 1. Em conseqüência da ação desta enzima. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. ocorrendo o ciclo de Cavin e Benson. e. sendo esta relação para as plantas C4. por apresentarem dois sistemas carboxilativos. localizada nas células do mesófilo foliar. Elas não apresentam fotorrespiração detectável. comparado a regiões temperadas.Manejo de plantas daninhas em pastagens . se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. as plantas C3 fotorrespiram intensamente. que ocorre em todas as plantas superiores.2 . baixo ponto de saturação luminosa. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. consumindo 2 ATPs. retorna às células do mesófilo. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). Essas plantas. As plantas C4. logo. catalisa a produção do ác. em seguida. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. Esse fato evidencia que as plantas C4 244 Módulo 3. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. como a luminosidade adequada. As plantas C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson. do glicolato. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. considerando ambos os grupos em condições ótimas. é transportado para as células da bainha vascular das folhas.5 difosfato carboxilase. por difusão. no ácido fosfoenolpirúvico. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. quando comparadas com plantas C4. onde esses produtos são descarboxilados. também. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. de 1:5:2. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. substrato inicial da respiração. formando o ácido oxaloacético (AOA). baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. Este CO2 liberado é novamente fixado. responsável pela fixação do CO2. também. A maior eficiência das plantas C4 em relação a C3 em condições adequadas de luminosidade e temperatura é o principal fator da superioridade de produção forrageira em condições tropicais (maioria C4). molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3.

. nessas condições. Isso acontece porque. A luz como fonte de energia de todos os processos biológicos na forrageira é o componente principal na produção da pastagem. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. Esse fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. luminosidade alta e até mesmo déficit hídrico temporário. ainda assim elas continuam acumulando biomassa. porém são influenciadas por fatores externos. No caso das plantas C4. Além disso. as condições de luminosidade e temperatura serão preponderantes no desenvolvimento adequado das forrageiras.são plantas C4. densidade de perfilhos e número de folhas por perfilho. Cada espécie de forrageira possui um padrão genético de crescimento e expansão foliar (determinado por suas características morfogênicas . ocorre a necessidade de controle de invasoras. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. Todavia. gênero Panicum (RODRIGUES. 1998) e Pennisetum purpureum (RODRIGUES et al.. Isso é possível porque esse grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável. levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente. 1999) . e não satura em alta intensidade luminosa.alongamento de folha. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km). Em função destas e de outras características. como água.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). atua especificamente como carboxilase. aparecimento de folha e duração da folha) que. mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. se for reduzido o acesso à luz.Manejo de plantas daninhas em pastagens 245 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. REIS. quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. conseqüentemente. as espécies C4 dominam completamente as C3. a ocorrência de sombreamento por plantas daninhas implica redução drástica do potencial competitivo dessas forrageiras. aliado a outros fatores. Portanto. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEPcarboxilase) apresenta algumas características. indica o potencial de produção de uma pastagem. 1994). os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). que são diretamente correlacionadas com a quantidade e qualidade da luz. liberando CO2. temperatura. é comum. 1995). A combinação das características morfogênicas determina as três principais características estruturais das forrageiras: tamanho de folha. gênero Cynodon (SILVA et al. Como a maioria das forrageiras das regiões tropicais e subtropicais .espécies de Brachiaria (CORSI et al. luminosidade e nutrientes. a fim de evitar o sombreamento.6 . esta passa a atuar mais como oxidativa. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontra-se saturada quanto à luz e. como: alta afinidade pelo CO2. atividade ótima em temperaturas mais elevadas. estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. Essas características são genéticas. nessas condições. Módulo 3. Como toda essa energia é proveniente da luz.

. deve-se considerar. com maior ênfase. os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das forrageiras em nossos solos. tem sido proposto recentemente. 2001). apesar de esse processo ser lento e silencioso. evitando a erosão e quebra do equilíbrio.. em alto grau. exercem forte competição com as forrageiras pelos nutrientes essenciais. 2001). o empobrecimento da fertilidade do solo. 2000). Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. doenças e plantas daninhas. a competição por nutrientes depende. A venda de grãos das culturas.. a queda na produtividade das lavouras. 2000. observam-se a expansão do plantio direto. diversificação do sistema produtivo e de aumento da produtividade do empreendimento agrícola.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1.2 . As tecnologias para recuperação e manejo sustentável dos solos degradados dos Cerrados. a utilização de culturas anuais em cultivos seqüenciais ou simultâneos como formas de sistemas de produção. tanto para as áreas de pastagens como de agricultura. além da quebra do ciclo de pragas e doenças. das espécies presentes. Portes et al. como alternativa de recuperação de pastagens degradadas. 2000). visam melhoria das propriedades do solo. o aproveitamento da adubação residual e o preparo do solo mais elaborado podem ser vantajosos na redução dos custos e na eficiência de recuperação das pastagens degradadas (Macedo et al. MIRANDA. a preocupação da utilização racional de água e agroquímicos e a necessidade de maior competitividade e sustentabilidade (COBUCCI.Integração da agricultura e pecuária A degradação das pastagens. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca. É notório que o setor agropecuário brasileiro está passando por um processo de transição socioeconômica e agroambiental. maior eficiência no uso de máquinas. a baixa retenção de água no solo e o aumento do processo erosivo são sintomas do manejo inadequado que prejudicam o meio ambiente. tornando-o sustentável em termos econômicos e ecológicos (KICHEL et al. em conseqüência disso. Nesse sentido. Essas tecnologias também proporcionam maior diversificação das atividades econômicas no meio rural (KICHEL.3 .6 . melhoria das propriedades físicas do solo. 1.Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e. 246 Módulo 3. a consorciação de lavouras e forrageiras. A integração agricultura e pecuária não será abordada em maior detalhe.Manejo de plantas daninhas em pastagens . por constituir-se em tema complexo e não ser objetivo do presente trabalho. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes. que facilitam a ocorrência de pragas.1.

6 . há outros fatores que também propiciam intoxicações. consideram-se tóxicas todas as plantas que. Na mesma raça há fatores ligados ao próprio indivíduo. Além da fome. Várias provocam sinais que podem ser confundidos com picada de cobra.Manejo de plantas daninhas em pastagens 247 . Os biomas Pantanal e Cerrado possuem floras ricas em espécies. além do grau de sensibilidade do animal a um princípio tóxico (AFONSO. Por outro lado. ingerindo pequenas quantidades diárias. O conceito sobre plantas tóxicas é relativo. plantas tóxicas não são somente vegetais que provocam verdadeiros envenenamentos e intoxicações agudas.. Segundo Howes (1933). floração e frutificação. como idade. em condições naturais. e braquiária-d´água ou "tanner grass" (B. citado por Hoehne (1939). e causa danos à saúde ou morte. a ingestão de certas plantas em pequenas quantidades leva o animal a adquirir resistência ou tolerância ao princípio tóxico. POTT. Algumas plantas cultivadas também são consideradas tóxicas. mas também aquelas que provocam direta ou indiretamente perturbações na saúde do animal. Com relação à planta. AFONSO. muitas das quais ingeridas pelo gado. 2000). (2000) definem planta tóxica de interesse pecuário a que é ingerida por animais domésticos de fazenda. 2002). vai retendo no seu organismo. sendo algumas. como é o caso das mandiocas-do-mato (Manihot spp. tóxicas. 2002). estado sanitário e nutricional. deve-se considerar a sua fase vegetativa. visto algumas serem tóxicas em uma região e em outra não (AFONSO. 1991). A maioria das plantas tóxicas é consumida pelos animais em razão da escassez de alimentos nas pastagens e da mudança de animais famintos para pastagens que possuem plantas tóxicas (FREITAS et al. que pode causar anemia devida a nitratos/nitritos. subquadripara = B.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. 2002).3 . como brotação. até atingir a dose letal (AFONSO. que o animal. peso. folhas ou raízes de plantas que possuem grande quantidade de elementos químicos nocivos ao gado (AFONSO. ingeridas espontânea ou acidentalmente pelo animal. No caso da espécie bovina. certos venenos. arrecta). raiva ou outra doença. O tipo de solo também pode influenciar na toxidez de uma planta. que causa fotossensibilização ("orelha frita"). Existem também plantas com princípio tóxico cumulativo. POTT. os quais podem estar relacionados ao animal ou à planta. Tokarnia et al.). POTT.Plantas tóxicas Calcula-se que 12% das mortes de bovinos são causadas por sementes. 2002). podem provocar danos que se refletem na sua saúde ou vitalidade. certas raças toleram mais. com comprovação experimental. pois às vezes ela provoca intoxicações apenas em uma dessas fases. A mais temível do Brasil é a erva-de-rato ou cafezinho (Palicourea marcgravii) (POTT. Módulo 3. POTT. principalmente em bezerros. outras menos. sexo. como Brachiaria decumbens. Portanto.

canudo-de-pita (Ipomoea carnea subsp. marcgravii) acético. Possui boa Figura 2 d palatabilidade. Cresce somente em solo de barro (LSD) (argiloso). tremores musculares. A principal forma de propagação é vegetativa. com cafezinho Ácido exceção do extremo sul e do sertão (Palicourea monoflúornordestino. trepador. Quadro 1 – Principais plantas tóxicas encontradas no Brasil Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). Nos bovinos. Causa a síndrome da morte súbita. havendo pasto). ou estado de embriaguez. lassidão e pêlos ásperos. muito alagável. sobrevindo a morte dentro de poucos minutos. Rebrota após cortes e ácido lisérgico fogo. controle químico Arbusto responsável pela maioria das mortes de bovinos causadas por plantas tóxicas em terra firme. durante semanas. caindo com facilidade. Perene. Possui distribuição ampla. Abobral e Paraguai. É muito comum em lagoas rasas. Ocorre em terra firme. Às vezes o animal mostra. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. Com a evolução da intoxicação o animal apresenta sinais de origem nervosa.6 . antes de cair. de 1 a 4 m de altura. A semente pilosa (origem do nome algodão) é espalhada pela água. São tóxicas as folhas e as sementes. cochos e aguadas. nas planícies de inundação dos rios Negro. os sintomas consistem em queda repentina do animal ao chão. sendo ingerida em qualquer época do ano. afeta o Rubiaceae em áreas sombreadas das beiras ciclo de Krebs das matas. respiração ofegante. Aumenta em campos com excesso de gado ou perto de porteiras. os ramos que encostam no chão Alcalóides derivados do enraízam.Manejo de plantas daninhas em pastagens . uso de herbicidas. Inicialmente os sinais apresentados são de emagrecimento progressivo. com um resumo das suas principais características. encontrada em todo o País. Na Figura 2 estão apresentadas e no Quadro 1 listadas as de maior ocorrência e importância no Brasil. DL (9 kg de folhas verdes por dia. Algodão-bravo. iniciam poucas horas após ser completada a ingestão da dose letal. desequilíbrio do trem posterior. fistulosa) Convolvulaceae Figura 2 f 248 Módulo 3. cercar as matas e as capoeiras onde existir a planta. DL (100 g de folhas verdes). exceto se for afogado depois. Arbusto aquático. o que é difícil de ocorrer no campo. Controle: erradicar as plantas. capoeiras e em pastos recém-formados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas São várias as espécies de plantas tóxicas presentes nas pastagens no Brasil. flor e semente praticamente durante o ano todo. O seu andar se torna desequilibrado (como se estivesse embriagado). A evolução da intoxicação é crônica e não há recuperação do animal Controle: erradicação. sendo Erva de rato. com as pernas traseiras abertas e instabilidade no trem posterior.

quando expostos ao solo. depois de comê-la por algum tempo. extrato hepático e purgante oleoso Figura 2 e e medicar as lesões na pele. DL (variada). sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. lantadene B) Verbenaceae Deve-se administrar glicose. com fome. Ingestão em menores quantidades ocasionam hematúria intermitente. mesmo cessada a fome. tem incordenação ao andar. Controle: erradicar as plantas (herbicidas) e não transferir animais com fome para pastagens infestadas. apresentam tremores musculares. DL (1. falta de apetite. os bovinos ingerem a Cambará. Inicialmente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Arbusto ou subarbusto é cosmopolita. devido ao efeito acumulativo). O animal sangra prolongadamente por qualquer ferimento. As plantas ocorrem em solo ácido. sendo a correção e aração deste um método cultural de controle desta espécie. planta somente em circunstâncias chumbinho ou especiais. Os animais apresentam andar incerto. Em eqüinos causa deficiência de vitamina B1. os animais apresentam anorexia e diminuição ou parada dos movimentos do rúmen. No tratamento os camara) animais devem ficar na sombra. anemia. hemorragia na pele e nas mucosas visíveis. trôpego. eventualmente diarréias enegrecidas. que aparece de repente. convulsões. sonolência. para provocar sintomas de intoxicação aguda. Causa febre alta. em pequena quantidade. se habitue a ela e. A planta toda é tóxica. Controle: erradicação da planta. manifestam fotossensibilidade sob forma de eritema e edema inflamatórios nas partes menos pigmentadas da pele e inquietação à procura de sombra. Samambaia (Pteridium aquilinum) Substância Dennstaedtiacea radiomimética e e tiaminase Figura 2 i Planta tóxica de importância no Brasil e no mundo.Manejo de plantas daninhas em pastagens 249 . Já na fase aguda. A fome faz o animal ingerir a planta. culminando na morte. utilizar ungüentos antiinflamatórios. controle cultural (calagem e aração do solo) e químico Módulo 3. emagrecimento. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal).6 . Muitos animais morrem nessa fase. Sob condições naturais. que faz com que este. Consistem nas manifestações de fotossensibilidade hepatógena. principalmente quando camará Triterpenóides transferido. fezes ressequidas e. sendo a brotação a porção mais tóxica das partes aéreas. continue a procurá-la.000 g de folhas verdes ingerido durante três semanas a poucos meses. para áreas (Lantana (lantadene A e infestadas.

250 Módulo 3. de 1 a 4 m de altura. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). perda de apetite. Comum em áreas ruderais como Ricinina beira de estrada. leiras provenientes de desmatamento e pastagens cultivadas.. Após apresentar estes sinais. depósitos (alcalóide) na de lixo. em solos de vários tipos. É tóxica ao fígado. sendo umas mais. No Brasil existem mais de 40 espécies Alcalóides do de Crotalaria. e dificuldade de caminhar longas distâncias. mas das folhas não.Manejo de plantas daninhas em pastagens . que germina melhor após o fogo. Há relatos de pirrolizidinas que o princípio tóxico desta planta se concentra mais nas flores e nas sementes. que favorece a germinação. perda do equilíbrio ao caminhar e alteração do sistema nervoso sob forma de excitação ou depressão. Anual. mas retorna por semente. apatia e diarréia sanguinolenta. em solos argilosos ou (toxoalbumina) arenosos. geralmente férteis. principalmente em situações de fome.um quarto dessa dose no caso de bezerro). Ocorre também eructação excessiva (arroto) acompanhada por sialorréia (baba). Os principais sinais na intoxicação por Crotalaria iniciamse por contrações abdominais. com copa. O fruto estoura ao sol e lança as sementes a vários metros de distância. por irritação do tubo digestivo. grupo das outras menos tóxicas. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. DL (5. É palatável. mas de ciclo curto. de 50 a 100 cm de altura. Uso de herbicidas. A parte aérea morre com a queima. ingerindo também flores e frutos. geralmente férteis. com o animal apresentando fraqueza.500 g de folhas verdes ao dia foram suficientes para levar os bovinos à morte). A torta de mamona não bem detoxicada pelo calor também é tóxica. na semente. chique-chique (Crotalaria spectabilis) Leguminosae Figura 2 c Planta ereta. Perene. Controle com herbicida. causando perturbação nervosa. onde o solo é mais fértil. com tremores musculares. antes da formação de sementes. A intoxicação pelas folhas é aguda. O bovino apresenta andar desequilibrado. as folhas foram observadas bem pastadas por bovinos no Pantanal. Morre na queimada. DL (2. os animais mais novos são mais sensíveis . Deve-se atentar para o seu aparecimento em leiras. Comum em áreas mexidas. procurando ficar deitado.000 g de folhas frescas ou 200 g de sementes. Possui ampla distribuição.6 . Já a intoxicação pelas sementes varia de aguda a subaguda. Controle: É facilmente eliminada com mais de uma roçada. etc. dificilmente o animal se recupera.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Mamona (Ricinus communis) Euphorbiaceae Figura 2 g Arbusto pouco lenhoso. e a plântula encontra condições mais favoráveis na pastagem rapada e rala (degradada). Controle: Pode ser praticamente eliminada com roçadeira (rebrota pouco). as quais são o meio de propagação. taperas. Embora conste como pouco palatável. tanto as folhas como as sementes são tóxicas. Guizo-decascavel. ereto. antes que forme sementes. geralmente não folha e ricina inundáveis. com flor e fruto quase durante o ano todo. perturbações digestivas. O consumo repetido de pequenas quantidades de semente pode dar imunidade. Há formas de folhas verdes e outras arroxeadas. Os sinais apresentados têm predominância neuro-muscular. com flor e semente em grande parte do ano.

500 g de favas que leva um bovino à morte na intoxicação experimental). Causa lesões no tubo digestivo. perde as folhas na estação seca.6 . de 6 a 24 horas após a ingestão da planta. acompanhada de outras perturbações digestivas. caem ou deitam-se precipitadamente. copa larga. Gibata ou chibata Glicosídeo do (Arrabidaea tipo esteróide bilabiata) cardioativo Bignoniaceae Trepadeira.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Árvore de 8 a 18 m de altura.Manejo de plantas daninhas em pastagens 251 . aparentemente. próximo à morte. cerram fortemente as pálpebras. Ficam logo em decúbito letal. Uso de herbicidas. a novembro. geralmente férteis. ) tipo esteroidal Encontrado em todo o Brasil. que amadurecem e caem no período da seca e apresentam boa palatabilidade para os bovinos. fazendo movimentos de pedalagem. (1991).300 a 1. Os sintomas iniciam-se. Comum em matas e (Enterolobium cerradões. diminuição ou até perda total do apetite. neste caso. Os principais sinais apresentados pelo animal intoxicado se caracterizam por lassidão. Afonso e Pott (2002) Módulo 3. embora. Leguminosae especialmente no Nordeste e Triângulo Mineiro. produz fruto de agosto Ximbuva. mesmo em pequenas porções. berram e morrem. Há citações de que as favas provocam aborto em vacas. o animal faz movimentos de pedalagem com os membros traseiros e dianteiros. A parte tóxica Figura 2 h importante desta planta são os seus frutos. Controle: É facilmente eliminada com anelamento (descascar em volta do tronco). Ocorre retração acentuada dos globos oculares e. Os animais. Em seguida provoca diarréia de coloração amarelada e fétida. às vezes. a planta não tem boa palatabilidade. DL (250 a 1. não causem outros sinais de intoxicação. O quadro de intoxicação se manifesta poucas horas após a ingestão das favas e a sua evolução é aguda. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). solos arenosos ou contortisiliquum Saponina do argilosos. Floresce de setembro a novembro. Controle: Pastagens em abundância e erradicação da espécie. aproximadamente. quando movimentados.500 g de folhas verdes). planta tóxica mais importante das regiões de várzea da bacia amazônica. Semente espalhada tamboril pela fauna. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. Os bovinos ingerem a planta somente quando estão com fome. Fonte: Freitas et al. DL (1.

etc. onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para produção das culturas livre de danos econômicos da vegetação daninha competitiva. resguarda os seus aspectos benéficos e não causa danos à forrageira. a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas 252 Módulo 3. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco (SILVA et al. ou. Visa. cultural. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. biológico e químico. com o objetivo de reduzir as perdas causadas por estas plantas. A redução da interferência das plantas daninhas. Dessa forma. economicamente. Atualmente. que consiste num sistema ambientalmente correto no campo.Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. os custos de controle. constituindo-se. Os métodos de controle podem ser: preventivo. assegurar a produção adequada de alimentos. sendo muito variados. O nível de controle das plantas daninhas. dependerá da espécie infestante. recomenda-se o “manejo integrado das plantas daninhas”. se necessárias. O controle ideal é aquele que. das condições ambientais. o manejo de plantas daninhas pode ser definido como a combinação racional de medidas preventivas associadas a medidas de controle e de erradicação. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. com o advento da chamada agricultura economicamente sustentável.Controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mesmos empregados em outros sistemas de produção agrossilvopastoril. mecânico ou físico. segundo Victoria Filho (2000).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . considerando uma forrageira. quando não há redução da sua produtividade econômica. por meio de métodos e equipamentos usados oportunamente. o estabelecimento e. obtido em uma pastagem. mantendo a qualidade ambiental com a maximização de lucro para o agricultor. Atualmente.6 . dos métodos empregados. Isso pode ser possível se o pecuarista proceder à absoluta racionalização do controle de plantas daninhas.. além de outras operações e a erosão do solo causada por água e vento. elimina os prejuízos causados pelas plantas daninhas. a energia gasta com tratos culturais.Manejo de plantas daninhas em pastagens . ou seja. aos animais e ao solo.1 . tem sido preconizado o manejo integrado de plantas daninhas. 2005). ainda. esse fato. em um determinado agroecossistema. 2. no controle integrado. deve ser feita quando as perdas forem superiores ao incremento no custo devido ao controle. do período crítico de competição. da capacidade competitiva da forrageira.

Manejo de plantas daninhas em pastagens 253 . ainda. o nível tecnológico a ser adotado. os seguintes procedimentos devem ser observados: diagnóstico da área . como a ciganinha (Memora peregrina). devem ser realizados no momento correto. com uma limpeza adequada da área. A intensidade e os equipamentos a serem utilizados no preparo de solo dependem do tipo deste. a quarentena de animais introduzidos em outras áreas. que deve começar antes da implantação. pedaços de tronco e galhadas. topografia. objetivo da produção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ainda por elas não infestadas.6 . bem como a aplicação de adubos fosfatados.Controle cultural O controle cultural reúne todas as práticas disponíveis para o estabelecimento das forragens em condições adequadas ao seu desenvolvimento e à sua persistência com boa produtividade. inspeção cuidadosamente de mudas adquiridas com torrão e também de toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. que poderão se transformar em sérios problemas para a região. grades. Quando da escolha dessa espécie. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. As quantidades desses produtos dependem da espécie forrageira e do nível de produtividade desejado.2 . etc. pragas. tipo de solo. Essas áreas podem ser um país. e. A correção da acidez do solo e o fornecimento de cálcio e magnésio a este (quando necessária). e época de utilização da espécie. palatabilidade e longevidade. análise da produtividade desejada. Outro componente importante do controle cultural é a formação adequada da pastagem. um estado. devendo-se realizar a construção de terraços ou curvas de nível quando a área apresentar suscetibilidade ou risco de erosão ou até mesmo escorrimento superficial da água das chuvas. clima (déficit hídrico e ocorrência de queimadas). limpeza de canais de irrigação. ou mesmo reduzindo os efeitos erosivos. A conservação do solo é outro ponto importante. principalmente.realizado por meio de análise química e física do solo. impedindo. tocos. Em síntese. As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilização de sementes de elevada pureza. da quantidade e das espécies de plantas daninhas e de forrageira a ser Módulo 3. condições favoráveis para a forrageira em relação às demais espécies presentes na área (plantas daninhas) e possibilita a vantagem competitiva da forrageira em relação às plantas daninhas. o elemento humano é a chave do controle preventivo. eliminando-se rebrota do cerrado de porte alto. qualidade. banco de sementes de plantas daninhas. Proporciona. assim. um município ou uma gleba de terra na propriedade. A escolha de espécies forrageiras adequadas para cada área e objetivo de pastejo é um importante componente do sucesso da atividade. 2. impedimentos físicos ou mecânicos. arbustos. limpeza cuidadosa de máquinas. O preparo do solo deve ser feito de modo a proporcionar ótima germinação e estabelecimento da forrageira. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas. capoeiras. histórico da área e outros. Regionalmente.

ou seja. solo nivelado e livre de plantas daninhas. a exigência de cada espécie forrageira e o nível de produtividade desejado. livres de sementes de plantas daninhas e possuindo qualidade fisiológica (vigor e germinação). proporcionando.6 . Entretanto. assim. potássio. Em áreas com infestação elevada de plantas daninhas é recomendada a utilização de até 50% a mais da quantidade de semente. esta deve ser considerada como uma cultura que vai produzir por muitos anos. ou melhor. para que o solo não fique aderido nele. Comumente. o estabelecimento mais rápido da forrageira na área. ou seja. hídricas e de fotoperíodo da forrageira. tem vantagem competitiva a espécie que se estabelece primeiro na área. Para a maioria das forrageiras. no entanto. Portanto. Outro componente do controle cultural muitas vezes desprezado é a quantidade e a qualidade das sementes das forrageiras. enxofre e micronutrientes. retardando o plantio da forrageira. para incorporar as sementes de 0. além das exigências térmicas. que. a sua pulverização. devem ser antes do plantio e incorporados. Podem ser aplicados antes do plantio ou em cobertura. deve ser realizada em quantidades recomendadas. Deve-se considerar para isso a disponibilidade hídrica e temperatura para cada região. deve-se realizar o preparo do solo no mínimo 120 dias antes do plantio no período das águas. A correção de fósforo. Em áreas que apresentarem alta quantidade de palhada. a compactação da camada superficial deste. de modo geral. ao daquele utilizado para plantio de soja. poucos torrões. algodão. O plantio na época correta e de forma correta é fator preponderante no estabelecimento adequado da forrageira. A correção adequada de nutrientes do solo é outro fator que melhora as condições de estabelecimento. para que ocorra a decomposição desta sem interferir na germinação da forrageira. a melhor época é de novembro a janeiro. Em áreas que apresentarem alta infestação de plantas daninhas ou outras forrageiras. com pouca palha. Deve-se evitar a utilização do rolo em solo com excesso de umidade. podendo variar em certas regiões. as sementes devem ser distribuídas na área e. O plantio com semeadeira deve seguir as mesmas exigências do 254 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas implantada. isto é. Logo após a última gradagem (niveladora). Deve-se. para favorecer a germinação e eliminação delas.5 a 4 cm de profundidade (dependendo do solo e da forrageira). exceção feita aos fosfatos naturais reativos. levando em consideração o resultado da análise de solo. evitar o preparo excessivo do solo. começando com as primeiras chuvas em setembro até março. O plantio pode ser realizado a lanço sobre o solo devidamente preparado com uma grade leve. peso médio no misto e peso leve no argiloso. com maior peso no solo arenoso. A quantidade de sementes a ser utilizada depende da espécie forrageira. como: pureza. que impõe restrição à emergência das plântulas. quando necessária. parcial ou totalmente fechada. assim. da germinação e do vigor. milho e outros. quando recomendados. a época do plantio é muito ampla em quase todo o território nacional. evitando. principalmente nos solos mistos e arenosos. As sementes devem possibilitar a formação de estande adequado e uniforme. o preparo do solo deve ser igual. o preparo do solo deve ser escalonado.Manejo de plantas daninhas em pastagens . exceto para estilosantes ou andropógon. deve-se passar o rolo compactador. posteriormente. produção e longevidade da forrageira. sendo este um fator importante na dinâmica competitiva da forrageira com as plantas daninhas.

Na formação de pastagem. boa cobertura do solo. fechando o dossel mais rápido. deve-se iniciar o pastejo de 60 a 100 dias após a emergência da pastagem. favorecendo o surgimento e estabelecimento de plantas daninhas. recomenda-se a aplicação de nitrogênio de 30 a 40 dias após a emergência ou após o manejo de formação (primeiro pastejo). plantas daninhas de difícil controle por herbicidas e outros. Se a semeadeira não possuir sistema de compactação. estimulando a emissão de novos perfilhos e raízes. Estando todos os nutrientes corrigidos. o nitrogênio é muito importante. a adubação da pastagem ou consórcio com outras espécies. cupins subterrâneos e formigas.5 a 4 cm. Já o plantio direto exige as mesmas condições do plantio direto de grãos (soja. A adubação nitrogenada possibilita maior rapidez e quantidade de área foliar. Módulo 3.Manejo de plantas daninhas em pastagens 255 . o nitrogênio é o que proporciona o maior efeito no aumento de produtividade. eliminar a maior parte das gemas apicais. uma vez que vai garantir a longevidade e qualidade da pastagem. O não-controle dessas pragas pode comprometer a formação e a persistência da pastagem. reduzindo assim a produção de semente e translocação de nutrientes para estas. possivelmente. As pragas mais importantes na formação de pastagens são: lagartas. também chamado de pastejo de uniformização. aproveitando o maior valor nutritivo. implicando o sombreamento e abafamento das plantas daninhas. maior sombreamento para plantas daninhas. realiza-se o plantio de linhas espaçadas de 13 a 40 cm. cupins. dependendo do equipamento e da espécie forrageira. milho). eliminando o excesso de plantas. compactação. com boa produção de carne/hectare. diminuir a competição interespecífica. e proporcionar a mais rápida e perfeita cobertura de solo. sem limitações químicas e físicas. de preferência. animais jovens com alta lotação. principalmente em solos de baixo teor de matéria orgânica. Esse sistema de plantio exige máquinas e equipamentos adequados. desde que o plantio seja realizado na época recomendada para cada região. Após a dessecação. A dose aplicada vai depender da análise de solo. dessa forma. com profundidade de 0. ou antes da emissão da inflorescência (sementeira). Para gramíneas forrageiras de média a boa produtividade. As vantagens desse manejo são: evitar o acamamento. proporcionando. distribuição uniforme da palhada. espécie forrageira e produtividade desejada. sem erosão. com o objetivo de auxiliar na boa formação da pastagem. Toda vez que o nível de infestação for significativo. o método de controle cultural de plantas daninhas mais importante. trilheiros. Devem-se utilizar.6 . A princípio. podendo-se realizar. antecipar a utilização da forragem.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantio a lanço. O manejo de formação da pastagem. tem como objetivo contribuir para a boa formação da pastagem. com espaçamento entre linhas de 13 a 40 cm. colocando-se 10 a 20% a mais de sementes do que o sistema tradicional. deve-se passar o rolo compactador após o plantio. tocos. O manejo da pastagem estabelecida é. por curto período de tempo (10 a 30 dias). A manutenção da pastagem em condições ideais com o controle adequado de pragas também é componente do controle cultural de plantas daninhas. na mesma operação. isto é. para garantir o estande adequado e uniforme. ele deve ser controlado com defensivos específicos para cada tipo de praga. A realização de adubações de cobertura nitrogenadas melhora as condições de desenvolvimento e estabelecimento da forrageira. por melhorar as condições desta.

portanto. que pode chegar a mais de 40% do total de nutrientes ingeridos pelo animal em pastejo. época do ano. espécie forrageira. evitando assim a infestação da pastagem com sementes de plantas daninhas presentes no trato digestivo desses animais. condições da propriedade (solo e clima). portanto. A melhoria das condições para o desenvolvimento das plantas daninhas ocorre quando o manejo empregado reduz as reservas e a capacidade competitiva e de restabelecimento da forrageira. sendo o manejo específico para cada região.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ou seja. finalidade de pastejo. nível de adubação ou fertilidade natural do solo. com período de pastejo de 1 a 15 dias. De modo geral. A altura de pastejo depende da espécie forrageira. com 28 a 36 dias de pastejo. A adubação de manutenção é. etc. A utilização da adubação de manutenção é extremamente econômica desde que seja escolhida a espécie de forrageira adequada às condições de clima e solo e que ela esteja bem formada e com manejo adequado. O manejo correto consiste na utilização de lotação adequada. por evitar a entrada de plantas daninhas na pastagem. está diretamente relacionada com a produtividade da pastagem. excesso de lotação (carga animal excessiva). e rotacionado o animal usa de 3 a 40 piquetes ou invernadas. Isso ocorre quando há pastejo excessivo (superpastejo). alternado . dependendo da espécie forrageira. A quantidade de adubação de manutenção. Humidícola e Dictioneura (15 cm). como exemplo: tanzânia e mombaça (40 a 50 cm). o beneficiamento da forrageira vai depender do manejo correto.o animal explora duas invernadas alternadamente. A pastagem degradada não oferece condições à forrageira de competir com as plantas daninhas.6 . Esta prática também é considerada um método preventivo.o animal fica sempre na mesma invernada ou pastagem. e tifton (15 cm). pisoteio demasiado e arranque de plantas. De maneira geral. marandu e andropógon (30 cm). e com o mesmo período de descanso.Manejo de plantas daninhas em pastagens . Brachiaria decumbens (20 cm). um fator importante no controle integrado de plantas daninhas. exclusivamente. sistema de produção e outros. da intensidade de pastejo e do número de animais. do potencial produtivo da forrageira. utilizada anualmente. épocas corretas de entrada e retirada dos animais (altura de pastejo). O tamanho e o número de piquetes dependem. o pastejo pode ser classificado de três maneiras: contínuo . com período de descanso de 24 a 39 dias. recomenda-se devolver às pastagens 20% da receita bruta anual. 256 Módulo 3. Outro método cultural de controle de plantas daninhas é a manutenção de animais oriundos de outras pastagens em área isolada por 24 a 48 horas. principalmente nitrogênio e fósforo. em razão dos nutrientes perdidos no processo produtivo. tornando a infestação da área uma questão de tempo. maior aproveitamento do investimento empregado até o momento. Este manejo pode facilitar o desenvolvimento da espécie forrageira ou das espécies de plantas daninhas. categoria animal. Uma das principais causas da degradação das pastagens é a redução da fertilidade do solo.

agride pouco a forrageira e pode ser empregado em locais de difícil acesso com máquinas (roçadeira). acarretando. No controle de plantas daninhas em pastagens. A parte aérea das plantas cortada ao entrar em contato com a superfície do solo vai desencadear os processos de decomposição e degradação. jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. devido à rebrota e ao restabelecimento das plantas daninhas. Este método. rebrotam e perfilham. Seu rendimento operacional é maior do que o arranque. elevado custo de controle. a roçada. por também cortar a forrageira. aumentando a infestação. os quais requerem manutenção adequada.Manejo de plantas daninhas em pastagens 257 . por demandar muita mão-de-obra. Outro método muito empregado entre os pecuaristas é a roçada mecanizada. as espécies de plantas daninhas perenes que possuem reservas no sistema radicular rebrotam ou. É um método não-seletivo. possui custo elevado. Ainda hoje é usado no controle em hortas caseiras. além de controlar as plantas daninhas. No entanto. Serve para controlar plantas gramíneas. expondo-o à ação da erosão. contudo. afeta a atividade microbiana deste. Assim. O arranque manual. A utilização do fogo é um método pouco eficiente. para plantas daninhas perenes a manutenção de parte do sistema radicular no solo possibilita a rebrota e o seu restabelecimento. ou seja. a capina manual. Entretanto. ainda. é um método pouco eficiente e ineficaz. também controla a espécie forrageira. Esta prática. deve ser repetida periodicamente. por possuir sistema radicular menos profundo e mais fácil de ser arrancado. É um método relativamente seletivo. que possui rendimento operacional elevado e necessita de pouca mão-de-obra. ou monda. e algumas ainda perfilham. no entanto. e na maioria dos casos a forrageira é mais suscetível à ocorrência de queimadas do que as plantas daninhas. a queima. porém demanda equipamentos apropriados. a cobertura morta e o cultivo mecanizado. como a maior parte desse material vegetal é constituída por tecidos de elevada relação C/N (na maioria Módulo 3. porém possui baixa eficiência e eficácia. As plantas roçadas podem rebrotar logo após a realização desta prática.6 . quando o principal método de controle é o uso de enxada. Um dos métodos mais utilizados no controle de plantas daninhas em pastagens é a roçada manual com foice.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. assim. bem com a roçada manual. esta tem a tendência de aumentar a cada roçada. e disponibiliza de forma desorganizada os nutrientes armazenados nos vegetais. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. Este método de controle exige muita mão-deobra e possui baixo rendimento operacional. O custo é relativamente inferior ao da roçada manual. a inundação. danificando assim o sistema radicular e reduzindo o vigor da forrageira. ocorrendo perda de nutrientes e degradação da fertilidade do solo. pois reduz a quantidade de matéria orgânica do solo.3 . induzindo o aparecimento de reboleiras. Possui baixa eficiência e eficácia. uma vez que a maioria das plantas se restabelece logo após o corte. como o trator e a roçadeira. possui a vantagem se ser altamente seletivo quanto à planta controlada.

tanto fisiologicamente como quando aplicado de forma localizada. O conhecimento da fisiologia das plantas. Na 258 Módulo 3. perfeitamente controlados e evitados. Os riscos de uso existem. observando-se as normas técnicas. A roçada é uma prática que controla plantas daninhas sem reservas no sistema radicular e as demais espécies. sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática.Controle químico No controle químico utilizam-se herbicidas que. Todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. que possui custo elevado. O herbicida deve ser considerado uma ferramenta a mais e não como o único método de controle. principalmente. Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas. A utilização de herbicida seletivo no controle de plantas daninhas em pastagens tem demonstrado várias vantagens.6 . para garantir o restabelecimento da forrageira e o seu poder de competição com as plantas daninhas. mas devem ser conhecidos. solo e alimentos . uma vez que reduz ou elimina a competição entre estas e a forrageira. • Permite o menor revolvimento do solo . Deve-se salientar que. sendo o tempo de recuperação da área relativamente rápido. reduzindo.quando manuseados incorretamente. • Maior rendimento na operação de controle de plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas gramíneas). em concentrações convenientes. • É eficiente no controle de plantas daninhas na pastagem sem afetar o sistema radicular da forrageira. Por possuir seletividade.4 . como o cultural e químico. 2. lagos e água subterrânea). • Mesmo em épocas chuvosas. em certas regiões é difícil de ser encontrada no momento certo e na quantidade necessária. as instruções dos fabricantes e as leis governamentais que regulamentam o seu uso.Manejo de plantas daninhas em pastagens . havendo perigo de intoxicação do aplicador. As vantagens do uso do controle químico podem ser enumeradas: • Menor dependência da mão-de-obra. quando for adotada juntamente com outros métodos de controle. proporcionando menor rebrota das plantas daninhas. têm a finalidade de inibir o desenvolvimento ou provocar a morte das plantas daninhas. assim. • Pode controlar plantas daninhas perenes e de propagação vegetativa. ele causa menor dano à forrageira. dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. o controle é mais eficiente. após a realização da roçada. São necessárias pessoas capacitadas para uso correto dos herbicidas. os animais devem ser retirados da área. a quantidade disponível deste nutriente no solo em um momento em que a forrageira dele necessita para seu restabelecimento. É eficiente no controle de plantas daninhas anuais e perenes e possui alto rendimento operacional. Pode ocorrer também poluição do ambiente água (rios.plantio direto. os microrganismos do solo demandam nitrogênio. e este será imobilizado do solo.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas maioria dos casos. A gradagem é um método mecânico de controle de plantas daninhas. Módulo 3. conhecimento do tipo da forrageira. Portanto. com posterior implantação da forrageira. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência da forrageira. paraquat + diuron e 2. possuindo retorno rápido e certo. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. sendo estes de amplo espectro de ação e baixa persistência no ambiente (dessecantes). paraquat. 2. o emprego do controle químico se faz necessário. em pequenas doses. sendo comum a mistura entre alguns destes. biologia. Os principais herbicidas utilizados com essa finalidade são glyphosate. Os herbicidas a serem utilizados. São necessários alguns fatores para o sucesso da utilização do controle químico no manejo integrado de plantas daninhas. também em estádios iniciais de desenvolvimento. o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas. não possuindo torrões e tocos. Quando a forrageira (monocotiledônea) estiver se estabelecendo na área e surgirem plantas daninhas dicotiledôneas.4.1 .Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens Na reforma de pastagens ocorre a necessidade da destruição da vegetação da área. bem como suas misturas. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta.4-D. estádio de desenvolvimento. A eliminação da vegetação pode ocorrer pelo emprego de práticas mecânicas ou por meio de controle químico com herbicidas. Nesse caso. a utilização de herbicidas no controle de plantas daninhas tem se mostrado uma prática economicamente viável. cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. atividade metabólica e densidade de infestação).Manejo de plantas daninhas em pastagens 259 . sendo necessário o emprego conjunto do controle químico com herbicidas sistêmicos (Quadro 2). Os demais sistemas de plantio devem ser realizados em solo com preparo adequado. como: conhecimento das condições de degradação da pastagem e decisões conjuntas para sua recuperação. O objetivo deste controle é reduzir a competição das plantas daninhas e possibilitar condições ideais ao rápido estabelecimento e desenvolvimento da forrageira. são dependentes das plantas daninhas presentes na área e de seu desenvolvimento no momento da aplicação (Quadro 2). sendo a de maior importância o controle cultural. uma vez que estes produtos são seletivos às gramíneas (Quadro 2). e distribuição de plantas daninhas (localizada ou não). diquat. sendo para isso realizada a destoca e gradagens. O emprego do controle químico deve ser feito juntamente com outras práticas de controle.6 . A seguir será abordado o manejo de plantas daninhas em pastagens utilizando-se herbicidas. porém não controla as espécies que possuem órgãos de reserva. é prática viável. o emprego de reguladores de crescimento. identificação correta das plantas daninhas (espécie. desde que inserida em um manejo adequado de controle de plantas daninhas e recuperação da pastagem.

o controle de plantas daninhas é fundamental para a sustentabilidade do sistema de produção. A ausência de condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira proporciona o restabelecimento das plantas daninhas na área. da espécie da forrageira. uma vez que implica disponibilizar condições adequadas ao restabelecimento e desenvolvimento da forrageira já implantada na área. como: 2. 260 Módulo 3.4-D + picloram.3 . como o tebuthiuron (Quadro 2).4-D. 2. os arbustos com muitos espinhos. ou seja. Práticas culturais adequadas. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2). fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2). mesmo que os herbicidas sejam eficazes no controle das espécies infestantes.4.: na pindoba) ou mesmo no toco recémcortado de arbustos e árvores. Entretanto. no meristema apical (ex. ainda. Dentre os vários componentes do manejo de pastagens. do nível de infestação de plantas daninhas. a fim de proporcionar condições adequadas de restabelecimento da forrageira.6 .Uso de herbicidas na recuperação de pastagens A recuperação de pastagens é caracterizada pelo retorno às condições de produção destas sem ocorrer destruição da forrageira ou mesmo o revolvimento do solo. presença de comprometimento da fertilidade do solo com manutenção da integridade da forrageira. quando comparada à formação ou mesmo à reforma. Devese manter a pastagem sem pastoreio por um período de tempo após as práticas suficiente para recuperação desta.4-D + picloram. Na prática da recuperação das pastagens. como o 2. são componentes fundamentais no sucesso do manejo de plantas daninhas e na recuperação da forrageira.4-D.4. das espécies de plantas daninhas presentes na área e do nível tecnológico empregado pelo pecuarista.Manejo de plantas daninhas em pastagens . como adubação e calagem. o que pode ser realizado pelo emprego de herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. A recuperação da pastagem demanda menor custo e possibilita a obtenção mais rápida de pasto. Os herbicidas podem ser utilizados para eliminar as plantas daninhas. o primeiro passo é a eliminação da competição pelas plantas daninhas. A ausência da complementação do controle químico com o controle cultural inviabiliza essa tecnologia. por possibilitar condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira. A prática da recuperação é dependente. 2. Eles possibilitam condições de rápida recuperação da pastagem e melhor aproveitamento do adubo e da calagem pela forrageira.2 .4-D + picloram. É dependente da população adequada de plantas forrageiras na área e da viabilidade do seu sistema radicular. podem ser eliminados pela utilização de produtos granulados espalhados no solo na projeção da copa. 2. tornando esta competitiva e dificultando o estabelecimento de plantas daninhas. através de produtos seletivos às gramíneas. 2.Uso de herbicidas na manutenção de pastagens O manejo adequado da pastagem é o principal fator responsável por sua longevidade e produtividade. fluroxipir + picloram. que impõem dificuldades na pulverização ou mesmo no corte. utilizando-se para isso o picloram. A eliminação de reboleiras de plantas daninhas perenes e arbustivas pode ser realizada com aplicação localizada nas folhagens. triclopyr e tebuthiuron (Quadro 2).

). Recomenda-se aplicálo com ponta de pulverização que produza boa cobertura foliar. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum). jurubeba (Solanum paniculatum). Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. caruru (Amaranthus sp.). como: algodão.4-D Diversos Diuron + Gramocil paraquat Módulo 3. objetivando a recuperação da forrageira.). para matar as plantas daninhas anuais (monocotiledôneas e dicotiledôneas).). podendo causar sérios danos a culturas sensíveis adubadas com o esterco. Quadro 2 – Principais herbicidas recomendados na cultura das pastagens Nome técnico Nome comercial Observações Aplicação (pós-emergência) em área total em forrageiras monocotiledôneas controlando seletivamente as espécies dicotiledôneas. trapoeraba (Commelina spp. cordãode-frade (Leonotis spp. Plantas daninhas controladas: amendoim-bravo (Euphorbia spp).). Controla várias espécies de gramíneas e dicotiledôneas anuais. Controla plantas de folhas largas anuais e algumas perenes. de ação por contato. Por ser herbicida não-seletivo. com glyphosate. Também é utilizado na dessecação para o plantio direto em pósemergência das plantas daninhas. melão-de-são-caetano (Momordica charantia). Nabiça (Raphanus raphanistrum).) e aguapé (Eichornia crassipes) Utilizado na renovação das pastagens. usá-lo em mistura no tanque do pulverizador. erva-moura (maria preta) (Solanum nigrum). previamente. mamona (Ricinus communis). poaia (Richardia spp. que não se reproduzem por partes vegetativas. batata. entre outras. ou cultivadas em área tratada por um período inferior à sua carência. mentrasto (Ageratum conyzoides). Nabo-bravo (Brassica rapa). No controle em área total procede-se. Mostarda (Brassica campestre). flor-roxa (Echium plantagineum). não ocasionando a morte delas em aplicação isolada. tomate.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Deve-se atentar para a manutenção da pastagem livre de pastoreio no momento e também por um período de tempo após a aplicação dos herbicidas. estando estas em estádio inicial de desenvolvimento. devido ao rápido metabolismo do 2. feijão. em infestações mistas (de gramíneas e dicotiledôneas). porém não elimina as plantas perenes. em área total. soja. mastruço (mentruz) (Coronopus didymus).6 . Esta prática também reduz a contaminação do esterco dos animais com esses herbicidas. não pode ser aplicado sobre a forrageira. alface e outras hortaliças. Na dessecação para o sistema de plantio direto.4-D nessas plantas. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. dente-de-leão (Taraxacum officinale).Manejo de plantas daninhas em pastagens 261 .4-D com picloram. serralha (Sonchus oleraceus). 2. Não aplicar em plantas daninhas perenes adultas. como tomate. picão-preto (Bidens pilosa). devendo ser aplicada a mistura de 2. glyphosate potássico ou sulfosate. café. guanxuma (Sida spp. picão-branco (Galinsoga parviflora). beldroega (Portulaca oleracea). joá (Solanum spp. ao pastoreio da área. corriola (lpomoea spp). visando redução das doses e maior eficiência de controle. Deve ser aplicado preferencialmente nos estádios iniciais de desenvolvimento das plantas daninhas. que possuem persistência neste e no solo.

carqueja (Bacharis trimera).). Deve-se atentar para o efeito da deriva. Utilizar surfatantes (0. samambaia (Pteridium aquilinum). cambarazinho (Eupatorium laevigatum). em pleno vigor vegetativo.). erva-lanceta (Solidago microglossa). No controle em área total procede-se. espinilho (Fagara praecox). ao pastoreio da área.Manejo de plantas daninhas em pastagens .v Aterbane ou 0. guanxumas (Sida spp. Plantas daninhas controladas (*aplicação no toco recém-roçado): amendoim-bravo (Euphorbia paniculata). Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. maria-mole (Senecio brasiliensis).20 a 0. leiteiro* (Peschiera fuchsiaefolia). soja. entre outras. como: algodão.4-D + Mannejo picloram 2. previamente. entre outras. canelade-perdiz (Croton glandulosus) e mata-pasto (Eupatorium maximilianii) e outras.4-D 262 Módulo 3. principalmente em pulverizações aéreas que devem ser realizadas no mínimo a 2.4-D e para controlar arbustos e árvores. o de aplicação no toco recém-roçado. como: algodão. caraguatá (Erygium spp). Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). quando as plantas se encontram em pleno vigor vegetativo. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. erva-de-bicho (Polygonum punctatum). No controle em área total procede-se.2 a 0. Deve ser realizado durante a estação das chuvas. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. fedegoso (Senna obtusifolia). fumeiro (Solanum sp). batata. e Sharnkya sp.6 . deve-se roçar as plantas daninhas e esperar a rebrota vigorosa e bem enfolhada (30 a 40 cm para plantas herbáceas e 1 m para semilenhosas) para posterior aplicação. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas.4-D + Tordon picloram 2. guanxuma (Sida rhombifolia). soja.3% de óleo mineral). feijão.25% v.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatantes 0. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos.). pulveriza-se por via terrestre ou aérea toda a área ou as reboleiras mais infestadas. capixingui (Croton floribundus). assapeixes (Vernonia spp. É utilizado na reforma e recuperação da pastagem no controle de plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas e semi-arbustivas. na erradicação de arbustos ou árvores isoladas utiliza-se o método da pulverização da copa ou. cheirosa (Hyptis suaveolens). jurubeba (Solanum paniculatum). timbó* (Serfania sp). É utilizado no controle de plantas herbáceas tolerantes ao 2. ao pastoreio da área.). tojo (Ulex europaeus) e trançagem (Plantago major). tomate. No primeiro caso. a aplicação deve ser realizada cerca de 40 dias após a emergência das plantas daninhas. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. café. previamente. mio-mio (Baccharis coridifolia). picão-preto (Bidens pilosa). malva-branca (Sida cordifolia). café. 2. cajussara (Solanum spp. Aplicação em pós-emergência em área total ou localizada. preferencialmente. Caso contrário. tomate.v. aguapé (Eichordia crassipes). batata.3% v.000 metros de distância de culturas sensíveis. Plantas daninhas controladas: assa-peixe branco (Vernonia polyanthes). com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. buva (Erigeron bonariensis). joá (Solanum sisymbrifolium). feijão. No segundo caso. arranha-gato* (Acacia sp. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatante 0. ou reverter o terreno para outras culturas. Aplicação em pósemergência em área total ou localizada. ao pastoreio da área. guanxuma (Sida rhombifolia). principalmente para uso em áreas infestadas por plantas de difícil controle. Aplicar em pós-emergência das plantas daninhas. assa-peixe-roxo (Vernonia westiniana). Por ser um herbicida sistêmico. dependendo da formulação utilizada. entre outras.2 a 0. Controla de forma não-seletiva plantas daninhas mono e dicotiledôneas. quando se pretende renová-la.). Requer período de 4-6 horas sem chuvas após sua aplicação.3% v. malvão (Triunfetta bartramia). café. controla plantas daninhas perenes e com órgãos de reserva. previamente. assa-peixe branco do cerrado* (Vernonia ferruginea). feijão. joá (Solanum viarum). com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. A dose recomendada depende das espécies e do estádio de desenvolvimento destas. evitando a rebrota destas após o revolvimento do solo. plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso).Manejo de plantas daninhas em pastagens 263 . Plantas daninhas controladas: assa-peixe-branco (Vernonia polyanthes). tomate. para assegurar sua absorção. batata.4-D. Bauhinia variegata). por não ser seletivo a elas. deve-se evitar o contato com as forrageiras. Em pastagem. Neste caso. controla plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas semi-arbustivas e arbustivas. estando estas em boas condições metabólicas. Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. Este herbicida não impõe restrições quanto à escolha das culturas subseqüentes. por ser fortemente sorvido ao solo e não possuir efeito residual. É comum sua mistura ao 2. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. As plantas daninhas devem estar em pleno desenvolvimento vegetativo. aroeirinha* (Schinus terebenthifolius). soja. Fluroxipir Plenum + picloram Glyphosate diversos Módulo 3. roseta* (Randia armata.v. como: algodão. jovens ou adultas. ainda. No controle em área total procede-se.v ou óleo mineral 0. mamica-de-porca* (Fagara rhoifolium). Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. em aplicações localizadas para controlar plantas em reboleiras. usa-se para destruí-la. (*Em algumas condições ocorre a exigência de repasse no segundo ano com a aplicação de picloram no toco recém-roçado). malva branca (Sida cordifolia).6 . guatanbú* (Aspidosperma sp. angiquinho* (Parapiptadenia sp).5% v. mata-pasto (Eupatorium maximilianii). vassourinha (Sida santaremnensis). Pode ser utilizado.

plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). espinho-agulha (Barnadesia rosea). A aplicação deve ser realizada em plantas com desenvolvimento adequado. apresentando meiavida no solo de 20 a 45 dias. leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). como: algodão. Não realizar aplicação em plantas secas e com atividade metabólica reduzida (estresse hídrico acentuado. previamente. objetivando-se atingir o seu sistema radicular. dependendo do tipo de solo e das condições climáticas. mesmo que a altura esteja abaixo da roçada recente. cambará (Lantana camara). deve-se fazer o corte abaixo do engrossamento da raiz da última roçada.6 . deve-se aplicar o produto sobre o solo ao redor do toco. Na aplicação em área total não se deve utilizar óleo diesel. jurubeba (Solanum paniculatum) e outras. ao pastoreio da área. roçadas várias vezes. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. O produto é rapidamente degradado.Manejo de plantas daninhas em pastagens . Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. aroeirinha (Schinus terebenthifolius). Controle de guatambu (Aspidosperma sp. não impondo restrições quanto a culturas subseqüentes.aplicação de Garlon 5. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. mamica-de-porca (Machaerium aculeatum). Aplicação deve ser localizada no toco recém-roçado. feijão. No controle em área total procede-se. pata-de-vaca (Bauhinia variegata) e ciganinha (Memora peregrina). Em plantas já roçadas anteriormente. batata. esta pode ser aérea ou terrestre. A aplicação deve ser realizada diretamente no meristema apical da planta. Em plantas com toco de diâmetro inferior a 3 cm. O produto deve ser aplicado imediatamente após o corte. Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. médio e grande porte. Para plantas velhas.0% v. assa-peixe (Vernonia polyanthes).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Controle eficiente da pindoba (Orbinea speciosa) – 10 mL da solução 4. queimada). para evitar perda do produto.: ciganinha). Os caules mais grossos devem ser rachados em cruz para proporcionar a maior absorção do produto. espinilho (Acacia farnesiana).) pata-de-vaca (Bauhinia variegata e Parapiptadenia sp. deve-se corta-las com enxadão abaixo do nível do solo e posteriormente aplicar o produto em caule e raízes decepadas até o ponto de encharcamento. café.0% v. Aplicar o produto molhando bem e uniformemente toda a folhagem da planta. Deve-se utilizar ponta de pulverização do tipo cone cheio. que apresentam engrossamento visível próximo à superfície do solo. Plantas daninhas controladas: arranha-gato (Acacia plumosa). cuidando para atingir o mínimo possível as folhas da forrageira. localizado no centro da projeção das folhas mais novas. soja. Em plantas que possuem engrossamento do caule abaixo do nível do solo (ex. em pastagens infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno. entre outras. Triclopyr Garlon Picloram Padron 264 Módulo 3. camboatá (Tapirira guianensis).) e outras brotações de cerrado . que deve ficar o mais próximo possível no momento da aplicação. aproximadamente 30-40 cm acima do nível do solo (cerca de 20 mL por planta). molhando bem todo o toco até atingir o ponto de escorrimento.v de Garlon em óleo diesel para cada metro de altura desta planta. tomate. Roçar as plantas daninhas a serem controladas com foice o mais próximo possível do solo. Plantas daninhas controladas: erva-quente (Borreria alata). devem-se aplicar 15 a 20 mL por planta.v em óleo diesel a baixa pressão no terço final do caule. Não adicionar óleo diesel nem surfatantes.

É recomendado para solos arenosos e areno-argilosos. formação. roseta ou limãozinho-de-goiá (Randia armata). como soja. malícia ou dorme-dorme (Mimosa invisa). limão-bravo (Soliva sessilis). a área é caracterizada pela infestação menor do Módulo 3. assa-peixe-do-pará.Manejo de plantas daninhas em pastagens 265 . espécie infestante. em ambos os casos. mamica-de-porca (Fagara hiemalis) e tarumã (Vitex sp. Tebuthiuro Graslan n São várias as maneiras de aplicação de herbicidas em pastagens. lobeira (Solanum lycocarpum). leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). assa-peixebranco. A aplicação foliar pode ser localizada ou em área total.). fumo-bravo (Solanum verbascifolium). assa-peixe. café-de-bugre (Solanum caavurana). a aplicação não deve ser feita em arbustos roçados ou queimados recentemente. nível tecnológico do pecuarista e herbicida utilizado. cipó-prata (Banisteria metalicolor). com granuladeira ou por via aérea. limãozinho ou juvu (Acanthocladus brasiliensis). taboca (Guadua angustifólia). cega-jumento ou cajussara (Solanum rugosum). veludo-vermelho (Chomelia pohliana). sendo elas dependentes das condições de infestação. espinho-agulha (Barnadesia rósea). bem como de árvores frutíferas. folha-de-santana (Vernonia ferruginea). No entanto. animais domésticos e pessoas desprotegidas por um período de 7 dias após a aplicação do produto. recuperação e manutenção). operação na ocasião do controle (reforma. cruzeta (Strychnos parvifolia). pois esta é importante para melhor absorção do herbicida e conseqüentemente agilizará o processo de morte desse arbusto. quando em aplicação localizada. esporão-de-galo (Pisonea aculeata). seu efeito restringe-se ao local de aplicação. Plantas daninhas controladas: gramão ou grama-batatais (Paspalum notatum). capa-bode (Melochia tomentosa). cansanção ou urtigão (Cnidosculus urens). assa-peixe-roxo (Vernonia scabra). A localizada é denominada catação e constitui-se na eliminação de arbustos agrupados. embaixo da copa dos arbustos indesejáveis (plantas com espinhos e outras). leiteiro-vermelho (Chrysophyllum marginatum). distribuindo-se os grânulos na projeção da copa. ou localizada nas reboleiras de infestantes que se pretende eliminar. algodão. os arbustos devem apresentar bom desenvolvimento foliar. esporão-de-galo (Celtis glycicarpa). chirca (Eupatorium bonifolium). mangueirinha ou camboatá-do-cerrado (Tapirira guianensis). A distribuição do produto deve ser uniforme na área. jurubeba (Solanum fastigiatum). aroeirinha (Schinus terebinthifolius).6 . No caso de aplicação em área total. tomate. Mantenha afastados das áreas de aplicação crianças. espinho-agulha (Chuquiragua tomentosa). fumo. devendo. Devido ao modo de absorção e translocação do herbicida. assa-peixe-do-cerrado (Gochnatia polymorpha). as culturas rotacionais poderão ser plantadas no mínimo 3 anos após a aplicação do herbicida. Após a aplicação deste produto não se recomenda eliminar a parte aérea do arbusto de que se deseja o controle. Deve-se evitar a aplicação sobre ou perto de culturas anuais suscetíveis. ou. É aplicado em dose única em qualquer época do ano. pereiro (Aspidosperma eburneum). ainda.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Formulação granulada aplicada a lanço. Em caso de lesões ocasionadas principalmente pela maior concentração localizada do produto. Usa-se em cobertura total do terreno. pepino e outras. arranha-gato ou unha-de-gato (Acacia plumosa). portanto. entretanto. feijão. resultados mais rápidos e eficientes serão obtidos quando a aplicação for realizada pouco antes (ou no início) do período chuvoso (julho a dezembro nas regiões Sul e Centro-Oeste). os danos tendem a desaparecer num período de 6 a 12 meses. o aplicador proteger-se com equipamento de proteção adequado (luvas impermeáveis e outros). para reduzir os efeitos negativos à forrageira. carqueja (Bacharis trimera). Não aplicar o produto em florestas ou reservas naturais.

Manejo de plantas daninhas em pastagens . A aplicação em área total é feita em áreas com infestação acima de 40% e está condicionada à topografia adequada da área. denominado Burro Jet. A principal vantagem da aplicação aérea é o alto rendimento operacional. uma vez que a maioria das culturas anuais e perenes é altamente sensível aos herbicidas reguladores de crescimento utilizados em pastagens. 266 Módulo 3. ou mesmo um pulverizador tratorizado adaptado com várias saídas de pontas. Todavia. Os pulverizadores utilizados são o costal tracionado por uma pessoa. o pulverizador tracionado por animal. canhão ou avião (aérea). podendo pulverizar até 300 ha por dia. pelas exigências quanto a monitoramento sistemático das condições meteorológicas. Esta prática demanda maior nível tecnológico do pecuarista. caracterizada pela deposição do herbicida granulado no solo na projeção da copa da planta daninha. É utilizado no controle de arbustos com espinhos e com arquitetura de galhos bem fechados. podendo ser realizada com pulverizador de barra. pode-se realizar a aplicação basal. necessidade de pista de pouso próximo à área e topografia adequada à pulverização aérea. A aplicação aérea é recomendada em grandes áreas que possuem obstáculos à pulverização tratorizada. em condições que impõem restrições à aplicação foliar ou ao corte dos arbustos.6 . Deve-se cuidar quanto à deriva próximo a áreas agrícolas. direcionadas por trabalhadores que acompanham o trator. tendo como objetivo aumentar a suscetibilidade das plantas daninhas aos herbicidas. Essa forma de pulverização possui alto rendimento operacional e exigência baixa de mão-de-obra.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que 40% e disposta em reboleiras. Outra forma de aplicação de herbicidas é em toco recém-roçado. permitindo a mecanização com o trator.

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