ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 Manejo de plantas daninhas
Tutores: Profº Dr.Antonio Alberto da Silva (UFV-MG) Profº Dr. José Ferreira da Silva (FUA-AM) Profº Dr. Francisco Affonso Ferreira (UFV-MG) Profº Dr. Lino Roberto Ferreira (UFV-MG)

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 1

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Ficha Catalográfica Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Controle de plantas daninhas. Tutores: Antônio Alberto da Silva; [e outros]; colaboração de José Ferreira da Silva, Francisco Affonso Ferreira, Lino Roberto Ferreira - Brasília, DF: ABEAS; Viçosa, MG: UFV; 2006. 268.: il (ABEAS. Curso Proteção de Plantas. Módulo 3 - 3.1;3.2;3.3;3.4;3.5,3.6). Inclui bibliografia. 1. Plantas daninhas - controle. I.Silva, Antônio Alberto, 1950 - II. Silva, José Francisco da. III.Ferreira, Francisco Afonso. IV.Ferreira, Lino Roberto. V.Silva, José Ferreira da. VI. Oliveira Júnior, Rubem Silveríco de. VII. Vargas, Leandro. VIII. Universidade Federal de Viçosa. IX. Título É proibida a reprodução total ou parcial deste módulo Direitos reservados a ABEAS e ao autor

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Módulo 3: 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário
Módulo 3.1 – Biologia e métodos de controle, 04 Módulo 3.2 – Herbicidas: classificação e mecanismos de ação, 48 Módulo 3.3 – Herbicidas: absorção, translocação, metabolismo, formulação e misturas, 102 Módulo 3.4 – Herbicidas: comportamento no solo, 135 Módulo 3.5 – Herbicidas: resistência de plantas, 196 Módulo 3.6 – Manejo de plantas daninhas em pastagens, 235

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.1 - Biologia e métodos de controle
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Francisco Affonso Ferreira Profº. Lino Roberto Ferreira Profº. José Barbosa dos Santos

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
4 Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário

Introdução, 06 1 - Planta daninha, 07 1.1 - Prejuízos causados pelas plantas daninhas, 08 1.1.1 - Prejuízos diretos, 08 1.1.2 - Prejuízos indiretos, 09 1.2 - Origem, estabelecimento e propagação das plantas daninhas, 10 1.3 - Classificação das plantas daninhas, 15 1.3.1 - Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas, 16 1.4 - Características de agressividade das plantas daninhas, 18 2 - Competição entre plantas daninhas e culturas, 19 2.1 - Fatores do ambiente passíveis de competição, 20 2.1.1 - Competição por água, 23 2.1.2 - Competição por luz, 25 2.1.3 - Competição por CO2, 28 2.1.4 - Competição por nutrientes, 28 3 – Alelopatia, 30 3.1 - Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas, 31 3.2 - Alelopatia entre culturas, 32 3.3 - Alelopatia das coberturas mortas, 32 4 - Competição e período crítico de competição, 33 5 - Métodos de controle de plantas daninhas, 36 5.1 - Controle preventivo, 36 5.2 - Controle cultural, 37 5.3 - Controle mecânico ou físico, 37 5.4 - Controle biológico, 39 5.5 - Controle químico, 40 6 - Manejo integrado de plantas daninhas (mipd), 42 Referências bibliográficas, 45

Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

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cerca de 20-30% do custo de produção refere-se ao controle de plantas daninhas. visando o melhoramento de culturas para resistência a herbicidas. para uma população crescente de consumidores e decrescente de produtores. como exemplos. destaca a importância da eficiência do controle de plantas daninhas. simultaneamente. o estudo das plantas daninhas é dinâmico. Em algumas culturas. A demanda cada vez maior de alimentos. Em razão disso. deve utilizar menos mão-de-obra para produção de maior quantidade de alimentos. é extremamente simples. de milho. Como toda ciência. bioquímica. ao amônio-glufosinato. o ultra-som. fitotecnia. estão sendo desenvolvidos trabalhos objetivando a criação de cultivares de soja resistentes ao glyphosate. de arroz. ou seja. na região produtora de alimentos do Brasil. biologia. além da eficiência e. física e química do solo. usando métodos manuais. as microondas e o raio laser estão sendo avaliados como futuros métodos de controle. ao imazaquin. principalmente. Cerca de 92% da população. climatologia. cuidados técnicos 6 Módulo 3. etc. vive hoje nas cidades. química orgânica. antes do lançamento de qualquer herbicida. técnicas de biologia molecular e sensoriamento remoto. mecânicos ou químicos. Em termos médios. com ajuda da física. Muitos estudos estão sendo conduzidos em genética. em que os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Para um leigo. Assim. e a mão-de-obra rural existente é escassa e de baixa qualidade. Os novos herbicidas estão cada vez mais seguros para o ambiente e o homem. é uma ciência multidisciplinar que depende de conhecimentos de botânica. toda e qualquer técnica de manejo de plantas daninhas somente terá sucesso se for aplicada levando-se em conta conhecimentos detalhados da biologia das plantas infestantes da área. sendo mais eficientes no controle de plantas daninhas específicas e com doses cada vez mais baixas. entretanto. esse percentual é ainda maior. sendo um dos primeiros no "ranking" de vendas de agrotóxicos. a eletricidade. São necessários. no momento preciso e na quantidade necessária. Com relação aos defensivos agrícolas. fisiologia vegetal. como cana-de-açúcar. Na verdade. Os estudos de ecologia e da toxicologia humana e animal são conduzidos. isoenzimas e RAPD (biotecnologia) e sensoriamento remoto também são úteis na identificação de plantas daninhas. o controle de plantas daninhas. o produtor deve ser mais eficiente. o uso de herbicidas tornou-se prática indispensável. fibras e energia. envolvendo principalmente conhecimentos nas áreas de morfologia e fisiologia. Novas técnicas estão sempre sendo pesquisadas e incorporadas. Todavia.1 .Biologia e métodos de controle . Devido à dificuldade de se encontrar mão-de-obra no campo. economicidade do controle químico. o Brasil dispõe de um dos maiores mercados do mundo. 2005). mecanização agrícola.

porém esta mesma planta pode ser útil em outra situação. Cruz (1979) salienta que é uma planta sem valor econômico ou que compete. no seu processo. etc. sendo recomendado sempre um programa de controle integrado. na sua essência. Por esse motivo.Biologia e métodos de controle 7 . Uma planta cultivada também pode ser daninha se ela ocorrer numa área de outra cultura. mecânico. sustentabilidade e eqüidade. qualquer planta estranha que vier a afetar a produtividade e. por exemplos. como a presença do milho em cultura da soja e da aveia em cultura do trigo. as condições ambientais e o nível cultural do proprietário. Fischer (1973) apresenta duas definições: “plantas cujas vantagens ainda não foram descobertas” e “plantas que interferem com os objetivos do homem em determinada situação”. Embora não se possa dizer que uma planta. etc. afirma que planta daninha é qualquer planta que ocorre onde não é desejada. para se obter um controle que seja eficiente. é um típico setor de tecnologia de ponta e. plantas interferindo no desenvolvimento de culturas comerciais. todos os conceitos baseiam-se na sua indesejabilidade em relação a uma atividade humana. ou. por exemplo. promovendo a reciclagem de nutrientes. podem ser extremamente úteis. em determinadas situações. o tipo de solo. devido à evolução e complexidade que atualmente atingiu a Ciência das Plantas Daninhas. cultural. hoje. é uma planta fora de lugar. fornecendo néctar para as abelhas fabricarem o mel. pelo solo. seja daninha. Para Beal. os equipamentos disponíveis na propriedade. Como exemplos. econômico e que preserve a qualidade ambiental e a saúde do homem. servindo como planta medicinal. que é o de conciliar. a topografia da área. plantas ao lado de refinarias de petróleo. Neste programa. pois estas. a qualidade do produto produzido ou interferir negativamente no processo da colheita é considerada daninha. Segundo Rodrigues e Almeida (2005). citado por Marinis (1972). um campo no qual está muito presente o desafio maior do agronegócio brasileiro. à água e aos organismos não-alvos. 1 . plantas tóxicas em pastagens. Numa cultura. associam-se os diversos métodos disponíveis (preventivo. podem-se citar espécies altamente competidoras com culturas sendo extremamente úteis no controle da erosão. plantas estranhas no jardim. os conceitos de competitividade. algumas têm sido consideradas plantas Módulo 3. Na verdade. citado por Fischer (1973). Deve-se ressaltar que o herbicida é considerado apenas uma ferramenta a mais no manejo de plantas daninhas. como. num conceito mais amplo. com o homem.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas para atingir a máxima eficiência com o mínimo impacto negativo ao solo. Uma planta pode ser daninha em determinado momento se estiver interferindo negativamente nos objetivos do homem. uma planta só deve ser considerada daninha se estiver direta ou indiretamente prejudicando uma determinada atividade humana. Entretanto. físico. o controle químico de plantas daninhas. levando-se em consideração as espécies daninhas infestantes.Planta daninha Definir planta daninha nem sempre é fácil.1 . por isso mesmo. biológico e químico). são vários os conceitos de planta daninha: Shaw (1956).

seria fácil erradicar uma espécie daninha. tubérculos de tiririca se desenvolvendo dentro tubérculos de batata (Fig. Esses valores tornam-se ainda mais significativos na agricultura moderna. c) São rústicas quanto ao ataque de pragas e doenças. por misturas de sementes.1 . capim-massambará (Sorghum halepense) e feijão-miúdo (Vigna ungiculata). impedirem a certificação de mudas em torrão.000 sementes por planta.1 . Em média. ainda. b) Crescem em condições adversas. tubérculos. sementes de capim-carrapicho (Cenchrus echinatus) junto ao feno. num plantio rotacional trigo/soja. folhas. por exemplo: a) Reduzem a qualidade do produto comercial. Por exemplo.) 1. as plantas daninhas causam outros prejuízos diretos. bulbos. raízes. cerca de 20-30% do custo de produção de uma lavoura se deve ao custo do controle das plantas daninhas. que são atributos que facilitam a perpetuação da espécie.Prejuízos causados pelas plantas daninhas 1. pêlo de animais. se todas as sementes germinassem de uma só vez. capazes de se multiplicar por diversas maneiras (sementes. geralmente com facilidade para disseminação pelo vento.Prejuízos diretos As plantas daninhas. etc. furtam energia do homem. pois. c) Podem intoxicar animais domésticos. 1). sementes de carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum) aderidas à lã. d) Apresentam dormência e germinação desuniformes. As consideradas verdadeiras possuem características especiais que permitem fixá-las como infestantes ou daninhas. b) São responsáveis pela não-certificação das sementes de culturas. por máquinas. Por exemplo: cafezinho (Palicourea marcgravii). as plantas de trigo que surgirem das sementes remanescentes no solo passam a ser consideradas daninhas à cultura da soja. quando estas são colhidas junto com sementes de determinadas espécies de plantas daninhas proibidas. É comum.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas comuns e outras plantas daninhas verdadeiras. Além da redução da produtividade das culturas. Muitas espécies de plantas daninhas são. como: a) Não são melhoradas geneticamente. arroz-vermelho (Oryza sativa). Possuem habilidade de produzir grande número de sementes por planta. rizomas. as quais são facilmente dissemináveis por animais. etc.1. como é o caso de mudas cítricas produzidas em viveiro infestado com tiririca (Cyperus rotundus). também. que produz até 42. água. oficial-de-sala (Asclepias curassavica).1 . como leiteiro (Euphorbia heterophylla). quando presentes em pastagens. As comuns são aquelas que não possuem habilidade de sobreviver em condições adversas. São exemplos a presença de sementes de picão-preto (Bidens pilosa) junto ao capulho do algodão. etc. cavalinha (Equisetum 8 Módulo 3. onde se exige perfeito controle das plantas para melhor eficiência das máquinas colheitadeiras. na realidade.Biologia e métodos de controle . Exemplo: Desmodium totuosum. etc.

Estas diminuem a eficiência das máquinas e aumentam as perdas durante a operação da colheita até mesmo quando em infestação moderada nas lavouras.Dano em batata inglesa devido à penetração e ao desenvolvimento de tuberculos de tiririca 1.2 . Sida santaremnensis. flor-das-almas (Senecio brasiliensis). carrapicho-de-carneiro (Acathospermum hispidum). Sida glaziovii.1 . infestante comum em lavouras de milho. Ipomoea aristolochiaefolia. chibata (Arrabidae bilabiata) e outras que podem causar a morte de animais. Outro exemplo é o capim-massambará (Sorghum halepense). Capimcarrapicho (Cenchrus echinatus). Módulo 3. durante a operação da colheita. Sida micrantha. pois.1. Ipomoea purpurea e outras desse gênero). samambaia (Pteridium aquilinium). Sida cordifolia. d) Algumas espécies exercem o parasitismo em citros. os tricomas de suas folhas se rompem a um leve contato e liberam toxinas que causam inflamação na pele do trabalhador.). esta espécie daninha dificulta tremendamente a colheita manual. ainda não introduzida no Brasil. causado por um vírus à cultura do feijão. Figura 1 . além dos prejuízos diretos que causam às culturas. Esta última é a pior invasora para milho. milho e plantas ornamentais. florescem rapidamente e iniciam novamente o ciclo parasitário.000 sementes por planta. Algumas espécies. etc. dois meses mais tarde as plantas aparecem na superfície do solo. que é transmitido pela mosca-branca após ter se “alimentado” de espécies do gênero Sida (Sida rhombifolia. São exemplos a erva-de-passarinho (Phoradendron rubrum) em citros e a erva-de-bruxa (Striga lutea) em milho. São exemplos destas espécies a corda-de-viola (Ipomoea grandifolia. feijão e cana-de-açúcar.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas piramidale). arranha-gato (Acassia plumosa) e outras plantas espinhosas podem até impedir a colheita manual das culturas.Biologia e métodos de controle 9 . prejudicar ou mesmo até impedir a realização de certas práticas culturais e a colheita. podem. os nematóides: mais de 50 espécies de plantas daninhas hospedam Meloydogyne javanica e Heterodera (nematóide-do-cisto da soja).Prejuízos indiretos As plantas daninhas podem ser hospedeiras alternativas de pragas e doenças. ainda. Outro exemplo de espécie de planta daninha que causa prejuízos diretos e indiretos é a Mucuna pruriens. Ela produz cerca de 5. como o mosaico-dourado do feijoeiro. que germinam e parasitam as raízes do milho. algodoeirobravo (Ipomoea fistulosa). que é hospedeiro do vírus do mosaico da cana-de-açúcar.

crescimento e desenvolvimento da planta. Estas são encontradas onde está o homem. O estudo do processo germinativo das sementes é de fundamental importância para quem trabalha com o manejo de plantas daninhas. e a xerosere. dos distúrbios naturais. prejudicando a pesca. Musik (1970) salienta que o homem é. Do ponto de vista morfofisiológico. que se constitui num grande disseminador de tais plantas. também. como a tiririca (Cyperus rotundus) e a losna-brava (Artemisia verlotorum).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas As plantas daninhas.Biologia e métodos de controle . etc. onde podem dificultar o manejo da água. o funcionamento de usinas hidrelétricas.. rizomas. que afirma que a vida originou-se no meio líquido. vias públicas. Na verdade. que apresentam duas características essenciais: dormência e reservas alimentícias.Origem. Além disso. segundo a qual a vida teve origem em terra firme. elas começaram a aparecer quando o homem iniciou suas atividades agrícolas. Por outro lado. além da competição pelos recursos do meio. Existem duas grandes teorias: a hidrosere. muitos herbicidas atuam. como glaciação. também. Normalmente. 1. problemas sérios em ambientes aquáticos. etc. Vários são os diásporos. dificultando a manutenção de represas. refinarias de petróleo. Estas. devido ao próprio conceito de planta daninha. etc. também.1 . inicialmente. envolvendo os complexos aspectos morfogênicos e edafoclimáticos. o que assegura alta taxa de dispersão e restabelecimento de uma infestação. pelas plantas cultivadas. porque ele é quem cria o ambiente favorável a elas. a disseminação das plantas daninhas pode ser feita por vento. aumentando o custo da irrigação. Outras espécies de plantas daninhas podem ainda reduzir o valor da terra. ação de rios e mares. o responsável pela evolução das plantas daninhas. estabelecimento e propagação das plantas daninhas De acordo com Musik (1970) e Fischer (1973). possuem seus mecanismos de ação ligados ao processo 10 Módulo 3. Todavia. as plantas daninhas originaram-se. o estabelecimento envolve o processo de germinação da semente. provavelmente. animais. o estabelecimento de uma determinada planta daninha envolve os aspectos ecológicos da agregação e migração. caulículo. pelos quais as plantas podem perpetuar-se tanto por via seminífera como por via vegetativa. ou seja. etc. como o é. quando presentes em áreas com culturas que apresentam pequena capacidade competitiva. além das partes das plântulas. aguapé (Eichornia crassipes). ferrovias. As plantas daninhas podem ser disseminadas por diversos meios. radícula. Os propágulos podem ser raízes. tornando-se inviável economicamente. como as olerícolas de modo geral. Nestas áreas não é desejável a presença de plantas daninhas vivas ou mortas. etc. as plantas daninhas produzem muitas sementes. Causam. separando as benéficas (denominadas plantas cultivadas) das maléficas (denominando-as de plantas daninhas). Exemplos: taboa (Typha angustifolia).2 . desmoronamentos de montanhas. têm o custo de controle muito elevado. pois a semente é uma das vias de entrada dos herbicidas. água. como hipocótilo. podem ser altamente inconvenientes em áreas não-cultivadas: áreas industriais. incluindo o homem. tubérculos. A propagação vegetativa é um mecanismo de sobrevivência de grande importância nas plantas daninhas perenes. os parques e os jardins.

aumenta-se o potencial de pressão interna na membrana que envolve a semente (pressão de embebição). Estas sementes permanecerão dormentes enquanto o tegumento estiver impermeável (semente dura). Em temperaturas abaixo da ótima.Biologia e métodos de controle 11 . e para isso são necessários alguns requisitos fundamentais: estarem as sementes viáveis e as condições ambientais serem favoráveis. a velocidade da germinação é menor. para a maioria das espécies. em fases seguintes à reidratação. Outro fator que pode influenciar a embebição é a permeabilidade do tegumento da semente à água. É comum entre as espécies a presença do tegumento totalmente impermeável à água. impedindo que a planta se estabeleça. portanto. a germinação consiste no processo que se inicia com o suprimento de água à semente seca e termina quando o crescimento da plântula se inicia. permeabilidade do tegumento à água e presença de água na forma líquida ou gasosa. Do ponto de vista fisiológico.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinativo. temperatura. Entretanto. porque as sementes ficam por períodos prolongados nos estágios iniciais da Módulo 3. A quantidade de água necessária para reidratação. por onde sairá a radícula. As características físico-químicas das substâncias coloidais das sementes irão comandar o potencial da água nas sementes. que perdem muita umidade por ocasião de sua maturação e secagem. a celulose e as substâncias pécticas. o que resulta numa diminuição do estande. menor tempo para embebição). provocando o rompimento do tegumento. FERRI. 1974. dando origem ao que se chama de semente dura. como adequado suprimento hídrico. para o desenvolvimento do eixo embrionário em plântula independente. atmosfera apropriada à espécie (concentração de CO2 e O2) e luz (comprimento de onda e intensidade). Normalmente. Para que uma semente viável (condição intrínseca) possa germinar. Se a semente não estiver em estado de dormência e houver condições ambientais favoráveis. conforme ela seja fotoblástica positiva ou negativa. ocorre a ruptura do tegumento e saída da radícula. Essas necessidades são definidas para cada espécie e estão relacionadas com o habitat de origem e com a melhor forma de preservar a espécie (normalmente as espécies daninhas somente germinam quando existem condições para sobrevivência). o qual pode atingir centenas de atmosferas. temperatura adequada à espécie. 1986. O processo da germinação inicia-se. sendo dependente dos seguintes fatores: composição química da semente. é necessário o suprimento contínuo de água. A temperatura ótima é aquela que permite a obtenção da maior percentagem de emergência no menor espaço de tempo. concentração de oxigênio e presença ou ausência de luz. Com a embebição. com o ressurgimento das atividades paralisadas ou reduzidas por ocasião da maturação da semente. ela entrará em processo de germinação (PROPINIGIS. A embebição também é influenciada pela temperatura (temperaturas mais elevadas. METIVIER. ou seja.1 . cada espécie requer uma temperatura ideal para germinação. 1985). A embebição das sementes é um processo físico que ocorre tanto nas sementes vivas quanto nas mortas. são necessárias as seguintes condições ambientais favoráveis: água em quantidade suficiente. A germinação da semente é a reativação dos pontos de crescimento do embrião que haviam sido paralisados nos estágios finais da maturação morfisiológica da semente. é de duas a três vezes o peso da semente. As principais substâncias responsáveis pela embebição são as proteínas. A água é necessária para que ocorra a reidratação das sementes.

O processo de germinação inicia-se. apenas flash de 0. em regime de temperatura constante entre 25 e 30 °C. em demasia. atividade microbiana e teor de umidade. Como exemplo desta interdependência podem-se citar as espécies do gênero Amaranthus. É importante salientar que a sensibilidade das sementes à luz é maior quando a semente está embebida. O efeito do CO2 é normalmente contrário ao do O2. portanto. Neste caso. nessas condições. ser inibidoras ou promotoras da germinação. razão por que a germinação das sementes é influenciada pela composição do ar atmosférico que as envolve. Há espécies cujas sementes somente germinam em regime de alternância de temperatura. respiração. Através de concentrações elevadas de CO2 consegue-se evitar a germinação e auxiliar na conservação de sementes.Biologia e métodos de controle . necessita de energia. outras em luz contínua. ainda. a velocidade da germinação. Além destes. também. porque uma atmosfera rica em nitrogênio parece ser mais econômica e eficiente. as reações envolvem o fitocromo. ou. como: a) altas temperaturas. em alguns casos. Em condições normais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinação e. podendo. ocorrendo a embebição de todos os tecidos da semente e uma expansão do tegumento 12 Módulo 3. causando crescente desorganização do mecanismo germinativo e impossibilitando que as sementes menos vigorosas completem a emergência. as sementes germinam em atmosferas com 20% de O2 e 0. passam a germinar rapidamente se ocorrer alternância de temperaturas alta e baixa. ou muito curto. Temperatura acima da ótima tende a aumentar. Em algumas espécies tem-se observado. isto é. em que a luz pode promover a germinação mesmo em temperaturas desfavoráveis. A respiração envolve trocas de gases. esta prática não é utilizada para conservação de sementes.03% de CO2. e b) fatores do solo. As necessidades e quantidades de 02 para germinação são influenciadas por outros fatores. O período de exposição pode ser curto. entretanto. Sementes desta espécie dificilmente germinam totalmente no escuro. como em sementes de alface (alta percentagem de germinação em exposição por um a dois minutos).1 . longo e de forma cíclica. por se tratar de um processo que ocorre em células vivas. uma interdependência entre temperatura e outros fatores externos. outras necessitam de breve iluminação e outras são indiferentes. A germinação. a fase gasosa do solo apresenta uma série de substâncias voláteis que são produzidas pelas plantas. como porosidade. como a grama-seda (Cynodon dactylon). Em algumas espécies a necessidade de luz ocorre somente após a colheita e em outras por um longo período (por um ano ou mais). com uma rápida absorção de água pelos biocolóides. Todavia. A necessidade de luz pode variar também em função do armazenamento. obtida por meio do processo de oxidação na presença do oxigênio. ficam mais suscetíveis ao ataque de microrganismos patogênicos. esse fenômeno é semelhante ao fotoperiodismo observado para o florescimento.001 segundo (sementes de fumo). A temperatura ótima está relacionada com as atividades das enzimas que participam dos diversos processos metabólicos que ocorrem durante a germinação e cujas ações somente se tornam eficientes em temperaturas específicas. devido à maior atividade metabólica. Existem espécies de plantas daninhas que somente germinam no escuro. porcentagem de matéria orgânica. que aumentam a necessidade de oxigênio pelo embrião. pois sementes de muitas espécies não conseguem germinar quando a concentração de CO2 é muito elevada. profundidade de semeadura.

é transformada em inositol e fósforo inorgânico. nas quais o melhoramento genético reduziu ou mesmo suprimiu tal atributo. e a fitina. da glicólise e da respiração. frutose e maltose. que é o repouso metabólico da semente devido a condições externas desfavoráveis. Isso ocorre porque durante o processo da embebição a enzima β-amilase. pela ação das enzimas proteolíticas. é reativada e a enzima β-amilase é sintetizada de novo por estímulo hormonal (giberelinas) às expensas de aminoácidos originados de proteínas hidrolisadas e com a energia oriunda das atividades das fosforilases. enquanto a silvestre sobrevive por vários séculos sem a ajuda humana. que envolve a oxidação da matéria orgânica da semente com formação de ATP e substâncias intermediárias necessárias ao processo anabólico da germinação. que elevam a produção de glucose. com a dormência. Em conseqüência do aumento das atividades de diversas enzimas durante o processo de embebição. no solo. No caso da dormência. as gorduras são convertidas em sacarose pelo ciclo do glioxilato. ocorrem o metabolismo e a mobilização das reservas das sementes. nas primeiras 24 horas iniciais. verifica-se inicialmente a ativação do m-RNA preexistente. através da ação de duas enzimas: isocitrase e sintetase do malato). O amido. também. O simples revolvimento do solo. por ação das fitases. Propinigis (1974) cita como exemplo marcante a dormência das plantas daninhas comparada à das plantas cultivadas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas envolvente. pela ação das enzimas amilases. Outro aspecto relacionado com a semente é a quiescência. Uma outra razão é dormência. para germinarem. primeiramente na região da radícula do embrião. e. necessitam que a dormência seja superada de alguma forma. são transformados em ácidos graxos (em oleaginosas. Neste caso. Esta fase da embebição coincide com o aumento da atividade metabólica. Durante esta fase o ácido giberélico (giberelinas) estimula a ativação e. é transformado em açúcares redutores e sacarose. síntese das amilases. que é devida a condições intrínsecas inerentes à própria semente. as quais são essenciais para o desenvolvimento do embrião. lipídeos e carboidratos solúveis armazenados no embrião. É o caso das aveias silvestre e cultivada. por alguns autores. observa-se aumento nas sínteses de DNA e RNA.1 . havendo formação de α-amilase e outras enzimas. acompanhada pelo aumento da síntese protéica no embrião. mecânica ou fisiológica. são transformadas em aminoácidos. que são plantas muito semelhantes e apresentam ciclos vegetativos praticamente iguais. a quiescência é confundida. a semente não germina. as sementes. Nas primeiras 12 a 16 horas após o início da embebição. os quais dependem do uso de aminoácidos. mesmo que as condições ambientes sejam favoráveis. porém a cultivada já não consegue viver sem ajuda do homem. presente na semente seca. o número de ribossomos+RNA que incorporam os aminoácidos às proteínas. pelo contrário. podendo ser física. iniciando-se o crescimento celular e a mitose. ocorrem a divisão e o alongamento celular. a drenagem de áreas encharcadas e as irrigações de solos secos podem estimular a germinação dessas sementes. Em cereais. Um grande volume de sementes de plantas daninhas encontra-se. que é observada pelo aumento da respiração. ao mesmo tempo.Biologia e métodos de controle 13 . incrementando-se a respiração e o alongamento celular. as proteínas. em estado da quiescência. os lipídeos. ou. pela ação das lipases. o homem sempre Módulo 3. Aumenta-se. o embrião passa a sintetizar e liberar giberelinas que se movem através do endosperma.

é capaz de germinar até a profundidade de 25 cm no solo (VARGAS et al. O leiteiro (Euphorbia heterophylla). 1998). aumentando a sua população quando as condições retornam à sua normalidade. podem ser várias as causas da dormência: embrião imaturo. nas várias formas. A dormência. Por esta razão. em um dado período. Isso pode ocorrer pela simples movimentação do solo. apenas 2 a 5% germinam. ou. e persiste por longo tempo após completada a maturação. durante o processo de maturação. também chamada de dormência inata. ao oxigênio. pode ocorrer germinação durante meses ou até anos. A aveia cultivada amadurece no verão e suas sementes. seria aquela que a semente adquire quando ainda está ligada à planta-mãe. também chamada de induzida. Através deste mecanismo a espécie consegue sobreviver em estações desfavoráveis. Acredita-se que muitas outras espécies de plantas daninhas apresentam mecanismos semelhantes. inerente ou natural. garantindo a perpetuação da espécie.1 . não germina de forma uniforme. germinam todas. como os nitratos. na temperatura e na composição atmosférica do solo ou até mesmo acelerar a liberação de compostos estimulantes da germinação. sendo considerada uma espécie de planta daninha importante. as demais permanecem dormentes. uma avaliação da composição florística de uma área em uma única época do ano não representa o potencial de infestação desta área. Os diversos tipos de dormência podem ser agrupados em: a) “Dormência primária”. provocar mudança nos teores de umidade. e o inverno violento pode matar as plântulas. por apresentar dormência. No retorno ao ambiente favorável. Dormência pode ser definida como qualquer estágio no ciclo da vida no qual o crescimento ativo é suspenso por um período de tempo. seria aquela que a semente adquire devido ao ambiente desfavorável.000 e 50. tegumento da semente impermeável à água e. 14 Módulo 3. e presença de algum inibidor fisiológico.Biologia e métodos de controle . Já a aveia silvestre. por exemplo).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas procurou erradicá-la. mesmo sob intenso controle sempre haverá no solo sementes desta espécie. no futuro. sem dormência. mas sem sucesso. contribuir para o desenvolvimento de métodos mais eficientes de controle de plantas daninhas. endógena. b) língua-de-vaca (Rumex cryspus): germina melhor na presença de luz. O amplo conhecimento da dormência poderá. sendo um meio necessário de sobrevivência entre as plantas daninhas. O solo agrícola é um banco de sementes de plantas daninhas contendo entre 2. Do total dessas sementes. que pode expor as sementes à luz (mesmo por frações de segundos). Segundo diversos autores. e c) quinquilho (Datura stramonium): germina melhor no escuro. b) “Dormência secundária”. Por isso. Como a dormência não é a mesma em todas as sementes de uma planta. sobrevivendo no solo por muito tempo.. por ser indiferente à luz. é um dos mais importantes mecanismos indiretos de dispersão. requerendo condição especial para quebra da dormência. Como exemplos de espécies de plantas daninhas que apresentam mecanismos de dormência podem-se citar: a) ervaformigueira (Chenopodium album): produz sementes com tegumentos normal e duro.000 sementes/m2/10 cm de profundidade. a semente permanece dormente (sementes com tegumento impermeável. Certas espécies necessitam de condições especiais para germinarem.

as plantas daninhas podem ser anuais.5 cm no sistema de plantio direto.0 cm no plantio convencional e somente até 1.1 .. com aproximadamente 170. bianuais e perenes. Destas. sem o revolvimento do solo. podem germinar até a profundidades superiores a 15 e 25 cm. Espécies que produzem sementes grandes.000 espécies). onde no rastro da roda do trator observa-se cerca de 10% a mais de emergência de plantas daninhas.0 cm. Por estes e outros motivos é necessário conhecimento mais amplo das espécies de plantas daninhas. Quadro 1 .800 são consideradas mais nocivas em razão de suas características e seu comportamento. possivelmente pelo maior teor de umidade junto às sementes (maior contato entre as sementes e o solo). que germina até a profundidade de 3. somente germinam quando estão até a profundidade de 1. respectivamente (VARGAS et al. As anuais completam seu ciclo de vida (semente-semente) em um ano ou menos. assim. 1998). crescem no verão e Módulo 3.3 . Uma Aração + E. Isto pode ser observado facilmente em condições de campo. entretanto. Sem Cultivo No de Sementes Emergidas m-2 103 134 206 328 80 As características físico-químicas do solo também influenciam a profundidade de emergência das sementes. como as dos gêneros Ipomoea e Euphorbia. Este grupo abrange quase todas as plantas consideradas daninhas (cerca de 30. Uma Aração + Uma Gradagem 3. Uma Aração 2. de suas formas de reprodução e ciclo de vida para se desenvolver um bom programa de manejo integrado. a emergência ocorre em menores profundidades. Uma Aração + Enxada Rotativa 4. crescem na primavera e produzem frutos e morrem em meio ao verão) e anuais de verão (que germinam na primavera. Outro fator extremamente importante na germinação das sementes é a profundidade em que elas se encontram no solo.Classificação das plantas daninhas Em certos casos.Influência do tipo do preparo do solo na germinação de sementes de plantas daninhas Tipo de Preparo do Solo 1. 1. espécies que produzem sementes pequenas. As plantas que produzem sementes englobam as monocotiledôneas e dicotiledôneas. causando a cada ano grandes perdas na agricultura. Estas podem ser anuais de inverno (que germinam no outono ou inverno.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maior germinação foi observada (Quadro 1) no tratamento com (aração + enxada rotativa + ligeira compactação do solo). Outro fator que influencia a profundidade de emergência é o sistema de cultivo.Biologia e métodos de controle 15 . Quanto ao ciclo de vida. a seletividade de alguns herbicidas baseia-se em diferenças morfológicas e fisiológicas existentes entre as espécies de plantas daninhas e cultivadas. cerca de 1. em solos muito compactados. como Eleusine indica. O Quadro 2 apresenta as 12 famílias mais importantes do mundo.000 espécies. quando comparada com solos pouco compactados. como é o caso de Brachiaria plantaginea. Rotativa + Compactação 5.

como no caso de cenoura e alface silvestres..talo cilíndrico. há nítida observância desses fatos. a posição do ovário (inferior ou superior). que se reproduzem por sementes e por mecanismos vegetativos. Durante a primeira fase de crescimento. Cyperus rotundus. Echinocloa crusgalli. onde as estações do ano são bem definidas. principalmente no sul. o número de estames ou pétalas. etc. há uma lista enorme de características vegetativas que levam às famílias. Estas podem ser classificadas em: a) perenes herbáceas simples . as plântulas se desenvolvem vegetativamente até o estágio de roseta. Quadro 2 . segundo Holm (1978) Famílias Gramineae Compositae Cyperaceae Poligoniaceae Amaranthaceae Cruciferae Leguminosae Convolvulaceae Euphorbiaceae Chenopodiaceae Malvaceae Solanaceae No Espécies 44 32 12 8 7 7 6 5 5 4 4 4 % Total de Espécies Daninhas 37% 43% 68% As plantas perenes são aquelas que vivem mais de dois anos e são caracterizadas pela renovação do crescimento ano após ano a partir do mesmo sistema radicular. As plantas bianuais vivem mais do que um. há necessidade de um período frio para florescimento e frutificação. lígula normalmente presente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas madurecem e morrem no outono). e depois ocorre maturação e morte.1 . Echinocloa cruspavonis e Bracharia plantaginea. b) perenes herbáceas mais complexas. Exemplos: Digitaria sanguinalis. exemplo: Senna obtusifolia.Biologia e métodos de controle . com nós e entrenós.3. o tipo de fruto.exemplo: dente-de-leão (Taraxacum officinale) .1 . entrenós com talo oco. etc. Para facilitar a correta identificação da espécie. Caso a planta esteja sem sementes. Em certas regiões do Brasil. com incremento anual. Imperata brasilensis. que se reproduzem por sementes e podem também reproduzir-se vegetativamente se injuriadas ou cortadas. livres ou unidas. que são plantas cujos caules têm crescimento secundário. se as pétalas estão ausentes ou presentes.Famílias de plantas daninhas e números de espécies mais importantes por família. 16 Módulo 3. deve-se primeiramente saber se a planta é mono ou dicotiledônea. bainha normalmente aberta. Eleusine indica.Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas Graminae . e c) perenes lenhosas. exemplos: Cynodon dactylon. porém menos do que dois anos. a simetria das pétalas. 1.

com seiva mucilaginosa e talos fibrosos.flores vistosas com cálice e corola pentâmeros. Exemplos: Brassica rapa. Exemplos: Ipomoea sp. Exemplos: Bidens pilosa. etc. Exemplos: Cyperus esculentus e Cyperus rotundus. inseridos na corola. geralmente (9) + 1. talo estriado.presença de serocina. Subfamília III .flores muito pequenas e de cor verde. Ageratum conyzoides. o fruto é uma capsula.trepadoras com folhas alternadas e sem estípulas. talos e folhas muitas vezes com espinho. corola em forma de tubo. Melampodium perfoliatum. estames 10.é subdividida em subfamílias: Subfamília I . nós dos talos inchados ou protuberantes. hermafroditas e actinomorfas. Exemplos: Solanum. Polygonaceae . folhas e caules.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Compositae . Physalis e Datura.Mimosaceae . estames 3-12 inseridos no cálice. Raphanus raphanistrum e Lepidium virginicum. dividido em dois lóculos.estames tetradínamos (quatro comprimidos para dentro e quatro curvados para fora).língua-de-vaca. Sonchus oleraceus e Xanthium cavanillesii. cinco estames de tamanho desigual. Acanthospermum australe. Solanaceae . estames quatro a infinito. estames livres e anteras unidas. Chenopodiaceae . folhas irregularmente recortadas. Exemplos: Desmodium e Phaseolus.Inflorescência em capítulo (flores muito pequenas e em dois tipos: tubulares e ligulares). cálice transformado em papus. folhas nunca bipenadas. Convolvulus arvensis e Cuscuta sp. sem estípulas. Exemplos: Rumex crispus . flores vistosas. estames inseridos no fundo do tubo polínico. Cyperaceae .1 .Biologia e métodos de controle 17 . Leguminosae .Papilionaceae . Convolvulaceae . Malvaceae .folhas de disposição alternadas. muitas vezes. inflorescências condensadas. o fruto é uma síliqua.. Exemplos: Sida spp. anteras agrupadas ao redor do estilete.corola actinomorfa. com muitos estames em androceu tubular. bainha fechada sem lígula. fruto em aquênio. Exemplos: Senna obtusifolia. planta com escamas. o fruto muitas vezes é uma cápsula ou um policoco.corola irregular com estandarte interno. usualmente anuais. Exemplo: Chenopodium album.corola com estandarte interno. Exemplo: Mimosa e Acácia. em geral as folhas são penadas. Subfamíla II . seiva ácida e penetrante. Exemplos: Amaranthus hybridus e Amaranthus viridis. Cruciferae . Módulo 3.talo triangular sem nós. brácteas espinhosas. com odor forte e característico.Amaranthaceae . folhas bipenadas ou penadas.Cesalpinaceae . flores muito pequenas e de cor verde.possuem cinco estames.

além de tudo isso. Essas características de agressividade são: a) Elevada capacidade de produção de dissemínulos (sementes. bulbos. produz 126 tubérculos. estolões. Há duas situações distintas: 1) Disseminação auxócora (externa): Acanthospermum australe (carrapicho-de-carneiro) .). Exemplos: Phoradendron rubrum (erva-de-passarinho). (corda-de-viola).400 sementes por planta. tubérculos. através das fezes. submersas em água ou após passarem pelo aparelho digestivo do porco ou boi. etc. Isto ocorre pela ação de água. Ipomoea sp. Exemplo: Convolvulus arvensis. e) Mecanismos alternativos de reprodução. no momento do cultivo do solo. animais. e Cyperus rotundus (tiririca). por sementes e tubérculos. homem. 18 Módulo 3. Cynodon dactylon (grama-seda): por sementes e estolões. máquinas. a 12 cm.4 . esta planta produz centenas de sementes viáveis. Artemisia biennis: 107. Exemplos: Amaranthus retroflexus com 117. e cada tubérculo possui cerca de dez gemas que. é a causa do insucesso dos herbicidas aplicados ao solo. e mantém alguma viabilidade após passarem pelo aparelho digestivo de ovinos e eqüinos e só perdem o poder germinativo passando pelo aparelho digestivo das aves. Momordica charantia (melão-de-são-caetano) e Paspalum notatum (gramabatatais). d) Grande desuniformidade no processo germinativo. 2) Disseminação zoócora (interna): as sementes ingeridas pelos animais passam pelo intestino e. Echinoclhoa crusgali (capim-arroz) foi introduzido junto com as sementes importadas.1 . rizomas. cujas sementes permanecem viáveis mesmo após 54 meses.adere à lã das ovelhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1.Biologia e métodos de controle . quando separadas. em 60 dias. e este foi o motivo de sua introdução no Brasil pela importação de animais ou lã. dominam as plantas cultivadas. cortadas.500 sementes por planta. sendo uma das estratégias de sobrevivência das plantas daninhas. etc. a 20 cm. e Bidens pilosa (picãopreto) é transportado a longas distâncias nos pêlos de animais ou roupas dos operadores de máquinas. e Euphorbia heterophylla (amendoim-bravo). Exemplos: Avena fatua (aveia-brava) germina até a 17 cm. Esta característica. b) Manutenção da viabilidade mesmo em condições desfavoráveis.Características de agressividade das plantas daninhas As características das plantas daninhas verdadeiras fazem com que estas sejam mais agressivas em termos de desenvolvimento e ocupação rápida do solo. são distribuídas em outras áreas. f) Facilidade de distribuição dos propágulos a grandes distâncias. Isso ocorre devido aos inúmeros e complexos processos de dormência. vento. muitas vezes. usando os métodos de controle disponíveis. c) Capacidade de germinar e emergir a grandes profundidades. com isso. Exemplos: Sorghum halepense (capim-massambará): reproduz por sementes e rizomas. e Cyperus rotundus: apenas um tubérculo. podem gerar mais dez plantas. caso o homem não interfira. Muitas plantas daninhas apresentam mais de um mecanismo de reprodução. etc.

podendo ser agravados pela presença de outras plantas no mesmo espaço. luz.Biologia e métodos de controle 19 . Em soja. frutos. ou quando esta é rodeada pelos seus descendentes. ambos os indivíduos são prejudicados. com pequeno porte e pouco crescimento vegetativo.700 anos. daninhas ou não. depreende-se que. afirmando que todas as plantas de um determinado lugar estão em estado de guerra entre si. seja da mesma espécie ou de espécies diferentes. em razão de a competição envolver vários fatores diretos e indiretos. pois nos programas de melhoramento genético tem-se procurado desenvolver cultivares que.040 anos. quando esta é conduzida por semeadura direta. numa situação de competição. gás carbônico e oxigênio em quantidades adequadas. nessas condições (KLINGMAN et al.Competição entre plantas daninhas e culturas Para germinar. 57 após 20 anos. Observações com 107 espécies de plantas daninhas. nutrientes e dióxido de carbono disponíveis em um determinado local e tempo. 1982). gerando. esses autores salientam que. Decandole (1820) foi quem primeiro conceituou competição. Observações usando 14C mostraram que a semente do lótus da índia pode ser viável por 1.1 . Daí em diante vários outros conceitos foram emitidos. a competição torna-se importante quando dois ou mais organismos lutam por algo que não existe em quantidade suficiente para todos. esses fatores do ambiente tornam-se limitados. que também lutam pelos mesmos fatores de crescimento. crescer e reproduzir-se. as plantas daninhas sempre levam vantagem competitiva sobre as plantas cultivadas.. À medida que a planta se desenvolve. ou seja. a competição seria a luta que se inicia entre indivíduos quando uma planta está em um grupo de outras plantas. e. 44 após 30 anos e 36 após 38 anos. envolve os aspectos da migração e agregação. apresentem grande acúmulo de material em sementes. uma relação de competição entre plantas vizinhas. Essa grande longevidade se deve a inúmeros e complexos processos de dormência. cujas sementes foram enterradas em cápsulas porosas. Brachiaria plantaginea tem grande facilidade para dominar a área quando o controle não é efetuado no momento oportuno. Na cultura da cebola. 68 após 10 anos. nos ecossistemas agrícolas. h) Grande longevidade dos dissemínulos. luz. por exemplo. sobre outras. 2 . Do exposto. muitas vezes é preferível falar-se em interferência de uma comunidade de plantas. por 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas g) Rápido desenvolvimento e crescimento inicial. Para Weaver e Clements (1938). Contudo. temperatura. e a da ançarinha-branca. mostraram que 71 delas estavam viáveis um ano após. Muitas plantas daninhas crescem e se desenvolvem mais rápido que muitas culturas. completando seu ciclo de vida. Já Odum (1969) afirma que competição significa uma luta por um fator. dominando facilmente a cultura. Locatelly e Doll (1977) definem competição como a luta que se estabelece entre a cultura e as plantas daninhas por água. tubérculos ou outras partes de Módulo 3. em nível ecológico. as plantas daninhas germinam e crescem muito mais rápido. toda planta necessita de água. respectivamente. assim. a 20-100 cm de profundidade.

entretanto. na maioria das vezes. cuja dependência é muito grande. luz. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso é limitado e é máxima quando o ponto de saturação é atingido. a produtividade das culturas e a qualidade dos produtos colhidos. como água. nessas circunstâncias. a competição entre plantas é de natureza aparentemente passiva. fazendo o controle das plantas invasoras. mas também a qualidade do produto colhido. em razão da influência extrema que estes exercem sobre a utilização dos recursos pelas plantas. 1985). pode ser devido à ocorrência de alta densidade dessas invasoras na área. gás carbônico. assim. Recursos são os fatores consumíveis. ou seja.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interesse econômico. Estas se estabelecem rapidamente. como pH do solo. algumas vezes observada no em realação às culturas. Outro aspecto importante é a grande agressividade.. a qual ocorre porque. já limitados no meio. até que um nível ideal seja alcançado. (2003). podendo declinar se houver excesso do recurso (ex: toxidez devido a excesso de Zn no solo). (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. a cultura e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área. nutrientes e CO2 e. em sua maioria. Como ambas possuem suas demandas por água. etc. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. não apresentam. Em ecossistemas agrícolas. em condições de sombreamento (PITELLI. Condições são fatores não diretamente consumíveis. a superioridade das plantas daninhas na competição por esses recursos. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos. 20 Módulo 3. Devido à falta de mobilidade dos vegetais. caso não haja interferência humana. 1985). Todavia. devido ao refinamento genético a que foram e ainda são submetidas. não sendo visível no início do desenvolvimento das plantas. comprometendo. estabelece-se a competição.Fatores do ambiente passíveis de competição A competição entre plantas é diferente daquela que ocorre entre animais. a grande capacidade de sobrevivência das plantas daninhas. densidade do solo. diminuindo ou impedindo que as plantas cultivadas tenham acesso aos fatores de crescimento. 2. Sabe-se. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância.1 . reduzindo não somente a produtividade da cultura. capacidade de competir vantajosamente com as plantas daninhas verdadeiras. por exemplo. estes fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente.1 . que as plantas cultivadas. Radosevich et al. nutrientes e luz. Para Santos et al. qualquer planta daninha que se estabeleça na cultura vai usar parte dos fatores de produção.Biologia e métodos de controle . quase sempre esse acréscimo na produtividade econômica da espécie cultivada é acompanhado por decréscimo no potencial competitivo (PITELLI. até mesmo para o próprio desenvolvimento da cultura. como acontece.

mudanças morfológicas e fisiológicas nas respostas de crescimento que estejam associadas com variações nos recursos. sucesso competitivo é a habilidade para extrair recursos escassos e para tolerar essa escassez de recursos. 1990.. a competição é a tendência de plantas vizinhas utilizarem os mesmos recursos. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas Módulo 3.. não estando. podem reduzir o conteúdo relativo de N-P-K nos tecidos dessa cultura para 28-39-28% e 1429-21% do total. mesmo com baixos níveis do recurso (RADOSEVICH et al. pode-se concluir que determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer. Portanto. Portanto. 1996). 2003). e o sucesso na competição é fortemente determinado pela capacidade da planta em capturar recursos. ainda. a depleção nos recursos e as respostas de crescimento. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (Radosevich et al. (2005).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. um bom competidor apresenta alta taxa de crescimento relativo. citado por RADOSEVICH et al. Shainsk e Radosevich (1992). desenvolvendo-se juntamente com plantas de café em fase inicial. De acordo com Grime. 1996). A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. Contudo. Apesar de os debates continuarem a respeito da validade e relevância dessas duas teorias. a elevada capacidade competitiva da espécie Desmodium tortuosum nas culturas da soja e do feijão pode ter como contribuição o maior acúmulo de nutrientes por essa planta daninha. Radosevich et al.. e correlações entre a presença de vizinhos. (1996) afirmam que duas dessas teorias (a de Grime e a de Tilman) têm recebido maior atenção do meio científico.Biologia e métodos de controle 21 . os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta das plantas às variações dos recursos (GOLDBERG. Para Procópio et al. Na realidade. várias outras teorias têm sido desenvolvidas para explicar a importância relativa dos componentes da competição e das características das plantas que lhes conferem competitividade superior. Assim. porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. citados por Radosevich (1996) sugeriram que o mecanismo de competição por recursos deve ser demonstrado por depleção dos recursos associados à presença e abundância de plantas vizinhas. Com base nessas teorias. um bom competidor poderia ser a espécie com menor requerimento de recursos. Para Tilman. podendo utilizar os recursos disponíveis rapidamente. ambas ajudam a explicar como espécies de plantas competem por recursos limitados e como as características das plantas influenciam sua habilidade competitiva. respectivamente (RONCHI et al. e é desses autores a descrição que se segue. Embora a maioria das definições atuais sobre competição englobe o critério de Goldberg. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes.1 . nessa teoria. totalmente esclarecida.1996). principalmente o fósforo.. trabalhos mais recentes têm apresentado algumas justificativas para a baixa produtividade observada para as culturas quando em competição com espécies de plantas daninhas: Bidens pilosa e Leonurus sibiricus.

apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. • Plasticidade fenotípica e populacional. ou. nutrientes e espaço.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas sobre as culturas são o seu porte e sua arquitetura. podendo. que podem inibir a germinação e. ainda. desenvolvimento da cultura. c) As espécies daninhas competem por água.1 . em que cada órgão ou parte da planta luta pelo fotoassimilado produzido nas fontes. e sistema radicular muito desenvolvido. nas primeiras seis a oito semanas após sua emergência. as características que fazem com que uma espécie de planta seja altamente competitiva são as seguintes: • Ciclo de vida semelhante ao da cultura. No entanto. que são capazes de prover quantidades limitadas dos fatores essenciais ao desenvolvimento das plantas. Cardenas (1972) salienta que a competição deve-se a condições específicas quanto ao ambiente e ao solo. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. • Desenvolvimento inicial rápido das raízes e. b) As espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da cultura. desenvolvimento e crescimento rápido de uma grande superfície fotossintética mesmo. Com base nos pontos descritos. do seu vigor. 22 Módulo 3. a menor susceptibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. luz. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. o maior índice de área foliar. comumente. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. 1996). envolvendo indivíduos de espécies diferentes. também. A competição entre plantas daninhas e culturas é um fator crítico para o desenvolvimento da cultura quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a cultura (RADOSEVICH. isto é. Com base nesse conceito. como veranico e geadas. seja ela daninha ou não. ocorre também a competição intraplanta ou endocompetição. entre outros fatores. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis. dependendo da época de seu estabelecimento. ela poderá cobrir rapidamente o solo. d) Uma infestação moderada de plantas daninhas em lavouras pode ser tão danosa quanto uma infestação pesada. liberar toxinas no solo. em função da espécie cultivada. ou. e. parte aérea. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. Entretando. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. ainda. se a cultura se estabelecer primeiro. na fase plantular.Biologia e métodos de controle . interespecífica. várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as culturas e as plantas daninhas: a) A competição é mais séria quando a cultura está na fase jovem. grande número de estômatos por área foliar. Todavia. se a população de plantas da cultura por área for baixa ou o estande desuniforme. A competição pode ser intra-específica.

em fases posteriores de desenvolvimento. regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. no manejo da cultura.. como o método químico. especialmente nos trópicos. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular. maior exploração do solo em busca de água (PROCÓPIO et al. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. é normal em alguns agroecossistemas. em dias quentes. especialmente nitrogênio e carbono. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. na fase inicial de seu desenvolvimento. Normalmente. sem qualquer sinal de déficit hídrico. magnitude da condutividade hidráulica das raízes.1996). apresentam alta eficiência no uso da água (EUA = g de matéria seca produzida/g de H2O utilizada). pilosa com pouca água no solo pode estar relacionada com o fato de que... da época correta de plantio.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Germinação desuniforme no tempo e no espaço (presença de dormência). mecânico ou biológico. • Adaptação às mais variadas condições ambientais. portanto.Biologia e métodos de controle 23 . Desse modo. pequenas ou grandes. Conhecendo tais fatores. mais competitivas (RADOSEVICH et al. que essas plantas com baixo requerimento de água sejam mais produtivas durante o período de limitada disponibilidade de água que as plantas com alto requerimento em água e. A razão da elevada capacidade de sobrevivência de B. as características fisiológicas das plantas. (2004b). as plantas da cultura ficarem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas. • Produção de um elevado número de propágulos por planta. pois se estabelecem primeiro. Certas espécies de plantas são capazes de usar menos água por unidade de matéria seca produzida que outras.1 . a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes. 2002). torna-se fácil o manejo da cultura de modo que esta leve vantagem sobre o complexo daninho.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. ficou constatado que a planta daninha Bidens pilosa é capaz de extrair água do solo em tensões três vezes maiores do que as alcançadas pela soja e pelo feijão (Fig. etc. ou seja. É de se esperar. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da cultura e da vegetação daninha infestante da área a ser cultivada.1 . Disso resulta a importância do preparo do solo.1.. Módulo 3. da percentagem de germinação e vigor das sementes. etc. 2. da profundidade de plantio. esta espécie drena grande parte de fotoassimilados para a produção de raízes (baixa relação parte aérea/raiz) as quais promovem. o chamado manejo integrado de plantas daninhas. 1996). por isso. 2). Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma cultura. do cultivar adequado para a região. portanto. como capacidade de remoção de água do solo. (RADOSEVICH et al. as condições para que a cultura se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas. dessa forma. realizando. tendem a excluir as demais. • Produção e liberação no solo de substâncias alelopáticas. minimizando assim a competição ou até mesmo eliminando-a com a ajuda de outros métodos de controle. Em trabalho realizado por Procópio et al.

Biologia e métodos de controle . tem um coeficiente transpiratório extremamente baixo.073 0.017 1. (2002). algumas espécies de plantas daninhas podem apresentar diferentes valores de EUA ao longo do ciclo. que correlaciona a água transpirada com a biomassa seca produzida.1 . cultivado com diferentes espécies vegetais. por ser uma planta xerófila e apresentar uma rota fotossintética específica (CAM). Digitaria horizontalis.112 0. chamada de coeficiente transpiratório (CT = volume água transpirado em mL/produção de biomassa seca. podendo competir melhor por este recurso em diferentes estádios fenológicos da cultura. Cynodon dactylon. trigo. Alguns exemplos são apresentados no Quadro 3. O coeficiente transpiratório das diferentes espécies de plantas varia de 25 a 700.250 0. Valores antes do florescimento Valores após o florescimento -------UEA – biomassa seca em g kg-1 de água fornecida------0.316 0. apresentam um coeficiente transpiratório entre 150 e 350 (Quadro 4). algodão.367 0.Potencial hídrico no solo.).015 0. sorgo e cana-de-açúcar e grande número de espécies daninhas em nossas condições (Cyperus rotundus.963 24 Módulo 3. Outra maneira de se estimar o consumo de água pelas plantas é através da eficiência transpiratória. no ponto de murcha permanente Quadro 3 – Valor máximo do uso eficiente da água (UEA) por diferentes espécies vegetais Espécie vegetal Phaseolus vulgaris Glycine max Euphorbia heterophylla Bidens pilosa Desmodium tortuosum Fonte: Procópio et al. como milho. Por outro lado. Amaranthus retroflexus. soja.088 0. etc. Panicum maximun.) apresenta coeficiente transpiratório entre 500 e 700 (Quadro 4). A maioria das culturas (feijão. em gramas). Figura 2 . Brachiaria plantaginea.168 2. O abacaxi.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Todavia. pois são espécies que realizam o metabolismo C3 (plantas ineficientes). etc. por realizarem o metabolismo C4. Cenchrus echinatus. algumas culturas de gramíneas.

2004 2. Esses autores salientam que.Biologia e métodos de controle 25 .1 . a competição das plantas daninhas pela luz deixa de existir.Competição por luz Para alguns autores. o melhoramento genético imposto às culturas possibilitou a seleção de plantas com elevada capacidade de utilização da luz. 1977 Silva et al. pode ser devida à maior população e melhor utilização de outros recursos. para diferentes espécies de plantas Espécie vegetal Amarantus hybridus* Glycine max Gossypium hirsutum Phaseolus vulgaris Panicum maximum* Oryza sativa Zea mays* Sorghum vulgare* Brachiaria brizantha* Eucalipto * Espécies que realizam o mecanismo C4. apesar de as plantas daninhas avaliadas apresentarem menor eficiência na utilização da radiação fotossinteticamente ativa. Para outros autores. com certeza devido à sua alta EUA. a competição pela luz não é tão importante como a competição por água e por nutrientes.. apresentam maiores valores para o uso eficiente da radiação (UER). nesse exemplo. não foi eliminado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Essa diferença na eficiência do uso da água é um fator importante na agressividade da espécie. Os autores afirmam que. Pearcy et al.. Módulo 3. observada em campo.Volume de água transpirada (em mL) para acúmulo de 1 g de biomasa seca. citados por Radosevich et al. (1981. retroflexus. chegando inclusive a citar exceções. verificando que as culturas foram capazes de produzir maior quantidade de biomassa por unidade de radiação captada. 1996). como a de Sesbania exaltata. observaram que a diferença na eficiência de uso da água entre Chenopodium album (C3) e Amaranthus retroflexus (C4) influenciou pouco a relação entre elas. já que sua EUA é baixa. a maior capacidade competitiva delas. Provavelmente a espécie C3 contornou a deficiência hídrica pelo controle estomatal.1. Coeficiente transpiratório 152 700 568 700 267 682 174 153 265 282 Fonte Blanco. Já A. Quadro 4 . uma vez que a cultura tenha formado sombreamento completo. 2004 Silva et al.. mesmo crescendo com outras espécies em condição imposta de estresse hídrico. que compete vantajosamente por este fator de crescimento com a cultura do arroz. quando avaliadas isoladamente das plantas daninhas.2 . porém o uso eficiente da água não é o único mecanismo utilizado para sobreviver à competição por água. as quais. Santos et al. Bidens pilosa e Desmodium tortuosum. Observam-se. como Locatelly e Doll (1977). dois mecanismos diferentes para sobreviver à competição por água: habilidade para utilizar um recurso rapidamente (espécie C4) e habilidade para continuar a desenvolver-se mesmo com baixos níveis do recurso (planta C3). (2003) avaliaram o UER das culturas da soja e do feijão e das espécies de plantas daninhas Euphorbia heterophylla. como água e nutrientes.

se ela é umbrófila ou heliófila e. Estas plantas. no ácido fosfoenolpirúvico. Em função destas e outras 26 Módulo 3. dependendo da espécie vegetal. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. do glicolato. Este CO2 liberado é novamente fixado. que ocorre em todas as plantas superiores. além do ciclo de Calvin e Benson. também. por ser ambígua quanto ao substrato. Todavia. agora pela enzima ribulose 1. isso só é verdade em determinadas condições. retorna às células do mesófilo. por difusão. Essas plantas não apresentam fotorrespiração detectável. entretanto. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. onde estes produtos são descarboxilados. a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. Este fato evidencia que as plantas C4 necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. e. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. substrato inicial da respiração. estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. onde é fosforilado. e não satura em alta intensidade luminosa. por apresentarem dois sistemas carboxilativos. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. sendo esta relação para as plantas C4 de 1:5:2. se se reduzir o acesso à luz. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. catalisa a produção do ác. A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco).Biologia e métodos de controle . se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. as plantas C3 fotorrespiram intensamente. Em conseqüência da ação desta enzima. localizada nas células do mesófilo foliar. É sabido que a relação molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. quando comparadas com plantas de metabolismo do tipo C4 (Quadro 5). possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. As plantas de rotas fotossintéticas do tipo C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sabe-se que a competição pela luz é complexa sendo sua magnitude influenciada pela espécie. logo. As plantas C4. em seguida. As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2 .1 . C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. atividade ótima em temperaturas mais elevadas. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico). formando o ácido oxaloacético (AOA). a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEP-carboxilase) apresenta algumas características.5 difosfato carboxilase. responsável pela fixação do CO2. consumindo 2 ATPs. Como toda esta energia é proveniente da luz. atua especificamente como carboxilase. ou seja. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. é transportado para as células da bainha vascular das folhas. baixo ponto de saturação luminosa. o ácido pirúvico. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico. É muito comum imaginar que as espécies de metabolismo C4 são sempre mais eficientes que as plantas C3. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). Este AOA é convertido em malato ou aspartato. como: alta afinidade pelo CO2. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. por difusão. ocorrendo o ciclo de Calvin e Benson. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. 3 fosfoglicérico e. não desassimilam o CO2 fixado. também.

e. esta passa a atuar mais como oxidativa. etc. nestas condições. Cynodon dactylon. levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente.0 a 10 ppm de CO2 Presença de bainha vascular com cloroplastos. Efeito do oxigênio (21%) sobre a fotossíntese. Próxima de 35 oC 40 a 80 mg CO2 dm-2 h-1 27 . Echinochloa crusgalli e Eleusine indica. Taxa de fotossíntese líquida com saturação de luz Módulo 3. Como a maioria das culturas agronômicas das regiões tropicais e subtropicais (algodão. cana-de-açúcar. estima-se que. quando presente. Temperatura ótima para a fotossíntese 10. torna-se evidente que plantas daninhas C4 serão aquelas que exercerão maior competição com as culturas.1 . Isso acontece porque. Anatomia foliar 05. Echinochloa colonum. liberando CO2. Ponto de compensação 04. é comum. Relação CO2 : ATP:NADPH 08. mandioca. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km) (Quadro 5). mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontrase saturada quanto à luz. soja. oito são plantas C4 anuais ou perenes: Cyperus rotundus. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). feijão. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. entre as dez espécies de plantas daninhas mais nocivas do mundo.Características diferenciais entre plantas com rotas fotossintéticas C3 e C4 Característica 01. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. Este fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima.) são cultivadas nos meses do ano que coincidem com períodos de elevada intensidade luminosa e temperatura. Considerando todas as áreas do globo terrestre. alta luminosidade e até mesmo déficit hídrico temporário. milho. arroz. existem exceções. Além disso. Isso é possível porque este grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável. Enzima primária carboxilativa 06.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas características (Quadro 5). as espécies C4 dominam completamente as C3. Imperata cilindrica. Quadro 5 .Biologia e métodos de controle Fotossíntese C3 Presente: 25 a 30 % do valor da fotossíntese Ácido 3-fosfoglicérico Alto: 50-150 ppm de CO2 Ausência bainha vascular.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. 07. Panicum maximum. ainda assim essas plantas continuam acumulando biomassa. Primeiro produto estável 03. No caso das plantas C4. PEP-carboxilase (Km ≅ 5μM de CO2) Sem efeito 1:5:2 Não satura com aumento da luminosidade. Sorghum halepense. nessas condições. Fotossíntese x intensidade luminosa 09. sem cloroplastos RuDP-carboxilase (Km ≅ 20μM de CO2) Inibição 1:3:2 Satura com 1/3 da luminosidade máxima Próxima de 25 oC 15 a 35 mg CO2 dm-2 h-1 Fotossíntese C4 Presente: não mensurável pelo método de troca de gases com o ambiente Ácido oxaloacético Baixo: 0. Fotorrespiração 02.

deve-se considerar. Determinadas espécies de plantas são mais sensíveis ao excesso de CO2 e. Richardia brasiliensis acumula 10 vezes menos N.5 a 7. em conseqüência disso. Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. 2. para as espécies de plantas C3. ou.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Característica 11. com muito maior ênfase.1. a atmosfera edáfica contém menos oxigênio e mais CO2 do que o ar acima do solo.1. Fotossíntese C3 450 a 1. Todavia. em conseqüência da “tortuosidade” da matriz do solo. considerando as diferentes rotas fotossintéticas apresentadas por espécies de plantas daninhas e culturas. podem levar desvantagem na competição com espécies mais tolerantes em tais situações.0 a 4. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes. em condições de solo encharcado. Coeficiente transpiratório 11.Biologia e métodos de controle . Como a eficiência na captura de CO2 proveniente do ar é diferente entre plantas C3 e C4 (Quadro 5) e se sua concentração pode variar. por exemplo. deficiência de oxigênio e. ele pode ser limitante. o aspecto competitivo não é comumente discutido e geralmente é considerado não-significante.4 . a competição por nutrientes depende.Competição por CO2 Com relação ao CO2. Procópio et al.000 g H2O / g biomassa seca 6. da quantidade e das espécies presentes. Por exemplo. Isso acontece devido ao consumo do oxigênio pelos microrganismos do solo e em razão de sua renovação lenta. que oferece resistência à difusão e ao fluxo de massa. principalmente. Molinia caerulea é mais tolerante a alta taxa de CO2 do que Erica tetralix. No entanto.1 . a concentração de CO2 no mesófilo foliar necessária para que uma determinada espécie passe a acumular matéria seca é diferente.Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e. dentro de uma população mista de plantas. em alto grau. exercem forte competição com as culturas pelos nutrientes essenciais. 2004).3 .5 % da biomassa seca Fotossíntese C4 150 a 350 g H2O / g biomassa seca 3. assim. 20 vezes menos P e cinco vezes menos K compara à soja (PEDRINHO JÚNIOR et al. (2005) observaram que Desmodium toruosum é capaz 28 Módulo 3. Conteúdo de N na folha para atingir fotossíntese máxima Fonte: Ferri (1985). por exemplo. Outro ponto a ser considerado é a “Interação Radicular Passiva”.5 % da biomassa seca 2. Sob condições normais. a alta infestação dessa planta daninha em lavouras de soja implica maior remoção desse nutriente para a massa total da espécie infestante. que são os dois processos principais de renovação da atmosfera do solo. os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das culturas em nossos solos.. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca.

em campo. diffusa a planta daninha que causou a maior diminuição no conteúdo relativo de nutrientes no cafeeiro (Quadro 6). o manejo inadequado de nutrientes. Pitelli (1985). com adição de subdoses. evidenciando elevada eficiência na utilização desse nutriente. a competição depende do nutriente. avaliando os períodos de convivência e acúmulo de nutrientes de diferentes plantas daninhas e o cafeeiro. pela interferência imposta pela comunidade infestante. Ronchi et al. por ocasião do florescimento da cultura. poderá favorecer espécies vegetais que utilizam mais eficientemente esse recurso. é capaz de formar três vezes mais matéria seca por unidade de P absorvida do solo. Além da capacidade em extrair nutrientes do solo. outras espécies são competidoras também na utilização desse recurso. desenvolvida na presença da comunidade infestante.. os autores observaram que Bidens pilosa. Podese afirmar que.4 vezes mais P por g de massa seca comparada à soja em mesma condição de recursos. em competição com o feijoeiro. ** Período total de convivência da planta daninha com a muda de café no vaso Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas de acumular até 2. Isso demonstra que. comparadas à soja e ao feijão (PROCÓPIO et al. estudando a distribuição dos nutrientes extraídos pelas plantas daninhas e pela cultura. Em lavoura de arroz de sequeiro.1 . acarretaram decréscimos consideráveis no conteúdo relativo de nutrientes de plantas de café.Conteúdo relativo* de nutrientes na parte aérea de plantas de café cultivadas em vasos (12 L de substrato). Para os autores. observou que a matéria seca acumulada foi equivalente para a cultura e as plantas daninhas. respectivamente. e do contrário ocorreu com o manganês (85% imobilizado pela cultura). o grau de interferência varia consideravelmente com a espécie e com a densidade das plantas daninhas. Os acúmulos de cálcio e manganês no arroz foram reduzidos em 40 e 28%. Cerca de 80% do cálcio foi imobilizado pelas plantas daninhas. (2003). Além disso. mesmo em baixas densidades. Quadro 6 . além do acúmulo de matéria seca. competindo com uma espécie/planta por vaso Espécie Vegetal Bidens pilosa Commelina diffusa Leunurus sibiricus Nicandra physaloides Richardia brasiliensis Sida rhombifolia PTC* * 77 180 82 68 148 133 N 59 30 35 37 49 97 P K 72 67 42 37 33 38 62 68 61 57 83 105 Conteúdo relativo* de nutrientes Ca Mg S Cu Zn B Mn Fe Na 67 74 97 106 66 76 59 54 69 45 48 69 69 37 54 19 41 35 36 40 41 66 37 41 30 57 39 72 76 86 114 69 101 50 107 68 53 50 67 43 51 63 57 61 59 90 88 98 93 77 138 102 80 106 *Relativo ao conteúdo verificado na testemunha (cafeeiro sem competição). sendo C. Bidens pilosa e Euphorbia heterophylla apresentam maior eficiência na utilização do N absorvido no solo. verificaram que as espécies infestantes.Biologia e métodos de controle 29 . 2004a).

1988). os compostos secundários que. afetam o crescimento. Provavelmente. principalmente monoterpenos e sesquiterpenos (RICE.Biologia e métodos de controle . ou ainda alcançar o solo. como outras plantas. ou seja. As plantas são hábeis em produzir aleloquímicos em todos os seus órgãos. exsudação radicular. em raízes intactas. após serem transferidos para o ambiente (RICE. Milhares de compostos secundários sintetizados por espécies vegetais estão isolados e estimasse que outros milhares existam na natureza. A maioria dos aleloquímicos voláteis são compostos terpenóides. promovem uma interação bioquímica entre plantas. onde são absorvidos pelas raízes (ALMEIDA. existindo forte relação de dependência entre a produção destes metabólitos e 30 Módulo 3. geralmente da ordem de 0. Assim. acumular e secretar uma grande variedade de metabólitos secundários. mas provavelmente estão associados com mecanismos ou estratégias químicas de adaptação às condições ambientais. através de volatilização. macieiras e citros) também ocorre a auto-inibição do desenvolvimento em plantios na mesma área. lançados ao ambiente. Existe ainda a auto-alelopatia.1 . ou seja. 1984). insetos. frutos e sementes). quando cultivado sucessivamente na mesma área.4% do carbono fotossintetizado (ROVIRA. Essas substâncias alelopáticas são liberadas dos tecidos da planta para o ambiente de diferentes formas. (folhas. lixiviação e decomposição dos resíduos da planta. As plantas podem exsudar naturalmente uma série de compostos orgânicos. caules. por meio dos próprios vapores. o comportamento ou a biologia da população de organismos de outra espécie são de interesse da alelopatia. A quantidade dos compostos produzidos e a composição destes dependem da espécie e das condições ambientais. 1969). denominados aleloquímicos. os aleloquímicos podem ser absorvidos diretamente pela cutícula das plantas vizinhas.Alelopatia As plantas superiores desenvolveram notável capacidade de sintetizar. quando lançados no ambiente. A primeira demonstração científica de auto-alelopatia foi feita em feijão-miúdo (Vigna unguiculata). flores. metabólitos secundários podem inibir a própria planta que os produziu. Em fruteiras (pessegueiros. Uma vez volatilizados.1 a 0.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . o estado sanitário. a maioria dos metabólitos secundários liberados pelas plantas está envolvida em interações com outros organismos. incluindo microrganismos. fungos e herbívoros. raízes. Os efeitos podem ser deletérios ou benéficos sobre outra planta. sobre a própria planta ou microrganismos ou vice-versa. 1984). Os aleloquímicos. após muitos anos de cultivo da mesma espécie no solo. ou condensados no orvalho. que não parecem relacionados diretamente com nenhuma função do metabolismo primário. apresentam potencial para exercer alelopatia em agroecossistemas.

Com a liberação direta dos compostos pelos tecidos. O desenvolvimento do tomateiro foi afetado por extratos de várias plantas daninhas. os aleloquímicos podem ser liberados através dos resíduos. etc. como taninos. apresentam razoável efeito alelopático. que promove toxicidade na cultura que o sucede (Almeida. alcalóides. O eucalipto produz substâncias cuja presença é variável com as espécies. em sistema de plantio direto. atividade enzimática. neblina e orvalho. nutrientes. segundo Almeida (1988).1 . como Brachiaria plantaginea. O capim-marmelada (Brachiaria plantaginea) afeta o desenvolvimento da soja tanto no crescimento quanto na capacidade de nodulação (ALMEIDA. O efeito alelopático das culturas sobre plantas daninhas é menos comum.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas as condições de ambiente (EINHELLIG. síntese de proteínas. ao melhorar o paladar e diminuir a toxicidade. Uma variedade de compostos químicos pode ser carreada da parte aérea das plantas por meio de chuva. na cultura seguinte. etc. alguns terpenos e muitos compostos fenólicos podem ser lixiviados.Biologia e métodos de controle 31 . luz. O fungo Penicillium urticae produz fitotoxina patulina durante a decomposição dos resíduos do trigo. reduzindo a intensidade de infestação de algumas plantas daninhas. O mecanismo de ação dos aleloquímicos não está ainda bem esclarecido. entre estes os ácidos. Os principais processos vitais afetados. açúcares. e sua persistência no solo varia com as variações do ambiente. A inibição sobre o desenvolvimento de plantas de pimentão por extratos de eucalipto é um exemplo. Os aleloquímicos podem ser liberados das células vivas ou mortas também pela ação da água. grama-seda. crescimento. etc.1 . como tiririca. Os alcalóides. 1996). 3. Cenchrus echinatus e Euphorbia heterophylla. respiração. Restos culturais de algumas culturas. microrganismos podem metabolizar polímeros presentes e produzir substâncias tóxicas. e essa deficiência de defesa das plantas cultivadas é atribuída à seleção a que estas têm sido submetidas ao longo do tempo.) e dos efeitos das substâncias alelopáticas que estas produzem. como nabo forrageiro. são: assimilação de nutrientes. aveia e centeio. Assim. fotossíntese. capim-massambará. etc. 1988). colza. permeabilidade da membrana celular. para outras características que não as de agressividade para com outras plantas. Módulo 3. foram eliminados genótipos possuidores de substâncias alelopáticas.Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas A interferência que as plantas daninhas causam sobre as culturas é decorrente da competição pelos fatores comuns (água. espaço físico. o que dificulta a interpretação de resultados a campo. aminoácidos e as substâncias pécticas. CO2. Por exemplo. As perdas da permeabilidade seletiva da membrana citoplasmática ocorrem pouco tempo após a morte da planta. 1988).

Por isso. A taxa de decomposição é alta e a liberação dos compostos alelopáticos é.Alelopatia das coberturas mortas No plantio direto. hoje disseminado no Brasil por todos estados produtores de grãos. como as adubações verdes. com efeitos biológicos e toxicidade diversos.4%. possivelmente não ocorrerão problemas de fitotoxicidade. os tipos de solo e as condições climáticas. provoca redução do estande da cultura da soja plantada imediatamente após a sua colheita. os resíduos no solo são escassos e a temperatura e umidade no solo são suficientes para manter a atividade microbiana alta. o material fresco. Segundo Barbosa (1996). Atualmente. A cobertura morta da cultura do inverno. quando cultivadas em casa de vegetação. por exemplo. A colza. usando solução nutritiva circulante entre os vasos de sorgo e alface.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3. Em condições de baixas temperaturas. Quanto a possíveis efeitos alelopáticos do material incorporado ao solo. Os efeitos alelopáticos são transitórios. Outros pesquisadores avaliam e colecionam germoplasmas de plantas alelopáticas. podendo os resíduos de plantas de mesma espécie dar origem a compostos diferentes. sabe-se que o processo de decomposição do material vegetal é variável com a qualidade dos tecidos. exsudato radicular proveniente de plantas de sorgo reduziu a área foliar de plantas de alface em 68. provoca efeitos alelopáticos pouco acentuados e por períodos curtos. conseqüentemente.3 . quando começa a época chuvosa. Essa cobertura é essencial para o sucesso do plantio direto. especialmente no que diz respeito às técnicas de rotação e consorciação.Biologia e métodos de controle . Estes estudos irão contribuir de maneira decisiva para o manejo de plantas daninhas no sistema de plantio direto. reduzir o vigor vegetativo e provocar amarelecimento e clorose das folhas. degradando os aleloquímicos. os resíduos secos podem causar fitotoxicidade mais severa.Alelopatia entre culturas A possibilidade de se desenvolverem efeitos alelopáticos benéficos ou maléficos entre culturas tem interesse agronômico. normalmente cereais. 3. redução do perfilhamento e até morte de plantas daninhas durante a fase inicial de desenvolvimento. Se a cultura de verão for implantada com algum intervalo após a colheita desta cultura de inverno. por isso. várias pesquisas estão sendo conduzidas visando identificar os compostos alelopáticos. 32 Módulo 3. também rápida. inferiores a 25 dias. Normalmente. forma-se no final desta estação ou início da primavera. assim como poderá ser um ponto de partida para síntese de novos compostos com atividade herbicida. a cobertura morta pode prevenir a germinação.1 . o que tem contribuído para que os agricultores do sul deixem de cultivar colza. os efeitos alelopáticos provocados pela incorporação de resíduos vegetais no solo são muitos variáveis. a incorporação dos resíduos deve ser feita com certa antecedência da semeadura das culturas.2 . Nas culturas de verão. a fim de avaliar suas atividades sobre as diferentes espécies de plantas daninhas.

sendo o esquema apresentado na Figura 3. alelopatia. e. H. não devem ser atribuídos exclusivamente à competição imposta por estas.1 . Essa idéia foi originalmente apresentada por Bleasdale (1960) e mais tarde modificada por Blanco (1972). No entanto. quanto maior for o período de convivência múltipla (culturaplantas daninhas). clima e manejo. Os autores constataram elevada concentração de taninos condensados.Competição e período crítico de competição De acordo com Pitelli (1985). entre outros fatores. isto não é totalmente válido. quanto menor o período de convivência entre cultura e plantas daninhas. o conhecimento das propriedades alelopáticas das plantas será fundamental. visando o mínimo possível de redução na produtividade. (2004). as espécies Mucuna aterrima. interferência na colheita e outras). o controle biológico de plantas daninhas também poderá ser uma opção no manejo integrado. portanto. Módulo 3. Contudo. menor será o grau de interferência. porque dependerá da época e do ciclo da cultura em que esse período ocorrer. O grau de interferência entre plantas cultivadas e comunidades infestantes depende das manifestações de fatores ligados à comunidade infestante (composição específica. densidade e distribuição). favorecendo a utilização de recursos pela planta cultivada. gerando menor intensidade de interferência na produtividade econômica. podendo ser alterado pelas condições de solo. De maneira geral. horizontalis.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas objetivando o melhoramento genético. lophanta e A. mas resultante das pressões ambientais de ação direta (competição. ambos citados por Pitelli (1985). spinosus. dependendo da época de seu estabelecimento. sendo a possível causa dos efeitos alelopáticos. Pitelli e Durigan (1984) sugeriram terminologia para períodos de convivência de plantas daninhas em culturas. utilizadas como cobertura vegetal. à própria cultura (espécie ou variedade. Em trabalho realizado por Erasmo et al. o estudo da época ideal de controle de plantas daninhas em cada cultura. Geralmente. foram eficientes no controle das espécies daninhas D. esteróides livres e ogliconas esteróides. espaçamento e densidade de plantio) e à época e extensão da convivência. no desenvolvimento e na produtividade de uma cultura. mas sem prejudicar também o ambiente. maior será o grau de interferência. uma infestação moderada de plantas daninhas poderá ser tão danosa à cultura quanto uma infestação pesada. ao conjunto de ações que recebe uma determinada cultura em decorrência da presença da comunidade infestante num determinado local. devidos à presença de plantas daninhas. Esse fato justifica. os quais são descritos a seguir. pode-se dizer que. No futuro. M. os efeitos negativos observados no crescimento. A este efeito global denominou-se “interferência”. pruriens e S. referindo-se.Biologia e métodos de controle 33 . 4 . bicolor. O manejo de plantas daninhas altera a cronologia natural dos eventos. portanto. para o sucesso deste método.

a partir do plantio ou da emergência. a própria cultura. contribuindo para o próprio desenvolvimento da cultura. O limite superior deste período indica a época em que a interferência compromete irreversivelmente a produtividade econômica da cultura. É importante esclarecer o significado deste período em termos de competição: as espécies daninhas que emergirem neste período. este deve ser o período que as capinas ou o poder residual dos herbicidas devem cobrir. A aplicação de certas práticas culturais contribui para diminuição deste período. Após esse período.1 . capaz de reduzir significativamente sua produtividade econômica. principalmente. terão atingido tal estádio de desenvolvimento que promoverão uma interferência sobre a espécie cultivada. Teoricamente.Biologia e métodos de controle . em determinada época do ciclo da cultura. em que a cultura pode conviver com a comunidade de plantas daninhas antes que a interferência se instale de maneira definitiva e reduza significativamente a produtividade da lavoura é denominado “período anterior à interferência” (PAI). através. o final do período anterior à interferência seria a época ideal para o primeiro controle da vegetação infestante. qualitativamente. permitindo menos cultivos ou o uso de herbicidas de menor poder residual. Desse modo. No entanto. ou. na prática este limite não pode ser considerado. do sombreamento. após a semeadura ou o plantio. impede o desenvolvimento das plantas daninhas. Na prática.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas “Período total de prevenção da interferência” (PTPI) é o período. a Époc Dura çã o Período de convivê ncia lti Cu r va Es pé ci e s Espaçamento Densidade Densidade Cultura Grau de interferência rib st Di ui o çã Figura 3 . em que a cultura deve ser mantida livre da interferência de plantas daninhas. permitindo que a competição por recursos outros que não a adubação se instale de maneira mais rápida. pois a comunidade teria acumulado energia e matéria orgânica que retornariam ao solo. n D De d d s si ad e Ambiente S ol o Ma ne j o Clima 34 Módulo 3.Modelo esquemático dos fatores que influenciam o grau de interferência entre cultura e comunidades infestantes Aquele espaço de tempo. toda e qualquer prática cultural que incremente o crescimento inicial da cultura pode contribuir para um decréscimo no período total de prevenção da interferência. para que a produção não seja afetada quantitativa e. a fertilização incrementa o crescimento inicial da cultura e das plantas daninhas. Por exemplo.

nas diferentes condições envolvendo solo. ou. Este seria o “período crítico de prevenção da interferência” (PCPI).1 . 2005). porque as condições em que foram conduzidas as pesquisas. (2005) 22 – 38 d Dias et al. encontrados pelos diversos autores. clima.40 d 60 d 90 d 127 d 30 d 88 d 38 d 42 30 d 30 d 45 d 30 d 74 d 20 d 15 d 22 d 14 21 d 20 d Fonte Salgado et al. Do ponto de vista prático.42 d Ramos e Pitelli (1994) 21 . Considerando a diversidade de fatores que influenciam o grau e os períodos de interferência apresentados. (1981) Mascarenhas et al.90 d (1982) 47 – 127 Kuva et al. não são idênticos para as mesmas culturas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pois a cultura e. torna-se extremamente importante a pesquisa nesta área. (2003) 20 . (2003) Alcântara et al. os cultivares utilizados e as composições específicas das comunidades infestantes foram diferentes.30 d Victoria Filho (1994) 15 – 88 d Dias et al. PAI e PCPI. baseado na hipótese de que aspectos econômicos como o custo de controle e o valor monetário dos grãos devem ser utilizados como critério para determinar o período aceitável de interferência das plantas daninhas antes de se decidir pelo seu controle (VIDAL et al..30 d Spadotto et al. Recentemente foi proposto o Período Anterior ao Dano no Rendimento Econômico (PADRE). Em diversos trabalhos de pesquisa visando avaliar os efeitos da interferência de plantas daninhas em culturas (Quadro 7). (1994) 20 . espécies daninhas e culturas. as plantas daninhas podem ter atingido um estádio tal de desenvolvimento que inviabilize o uso de práticas mecânicas ou o controle químico.66 d 80 d ----100 d 20 d 20 –100 d 30 d 21 d 21 – 30 d 42 d 40 d 30 d 30 . (1980) Brighenti et al. (2005) 14 .Períodos de convivência e de controle de plantas daninhas em diversas culturas anuais e bianuais Cultura Algodão Alho Girassol Cebola Arroz de sequeiro Cana-de-açúcar ( plantio de ano ) Cana-de-açúcar (plantio de ano e meio) Feijão Café (após plantio das mudas no inverno) Café (após plantio das mudas no verão) Milho Soja Dias Após Semeadura ou Plantio (d) PTPI PAI PCPI 66 d 08 d 08 .60 d (1982) Rolin e Cristofolleti 30 . (2002) Souza et al. visando realizar com eficiência o manejo integrado das plantas daninhas.30 d Martins (1994) Módulo 3. (2004) Soares et al. os períodos PTPI.Biologia e métodos de controle 35 . Isso é normal. (1982) Oliveira e Almeida 45 . Quadro 7 . a cultura deverá ser mantida livre das plantas daninhas no período compreendido entre o final do PAI até o momento em que as plantas daninhas que vierem a emergir não mais irão interferir na produtividade da cultura.

As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilizar sementes de elevada pureza. etc. um estado. Estas áreas podem ser um país. Eles abrangem desde o arranque das plantas com as mãos até o uso de sofisticados equipamentos de microondas para exterminar as sementes no solo. atualmente. Já o capim-arroz (Echinochloa sp.Métodos de controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mais variados possíveis e. A falta desses cuidados tem causado ampla disseminação das mais diversas espécies. o elemento humano é a chave do controle preventivo. por meio de estercos. Como exemplo. verifica-se grande evolução destes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5 .1 . quarentena de animais introduzidos. há legislações que regulamentam a entrada de sementes no país ou estado e sua comercialização interna. 36 Módulo 3. limpeza de canais de irrigação. deve ser feita até um nível no qual as perdas pela interferência sejam iguais ao incremento no custo do controle. o estabelecimento e. Em síntese.. etc. Em níveis federal e estadual. limpar cuidadosamente máquinas. A redução da interferência das plantas daninhas. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas.Biologia e métodos de controle . além de outras espécies. grades e colheitadeiras. a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas ainda por elas não infestadas. etc. ou. inspecionar cuidadosamente mudas adquiridas com torrão e também toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. um município ou uma gleba de terra na propriedade. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. que poderão se transformar em sérios problemas para a região. tem-se a tiririca (Cyperus rotundus). Em nível local. Nestas legislações encontram-se os limites toleráveis de cada semente de planta daninha e também a lista de sementes proibidas por cultura ou grupo de culturas. que não interfiram na produção econômica da cultura. o picão-preto (Bidens pilosa) e o capim-carrapicho (Cenchrus echinatus).1 . considerando uma cultura.) e o arroz-vermelho (Oryza sativa) são distribuídos junto com as sementes de arroz. pêlos de animais. que possui sementes muito pequenas e tubérculos que infestam novas áreas com grande facilidade. 5. ou seja. se espalham por novas áreas por meio de roupas e sapatos dos operadores. mudas com torrão.Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução.

a roçada.). é o método mais antigo de controle de plantas daninhas. a interferência destas plantas daninhas aumenta muito. em usar as próprias características ecológicas das culturas e plantas daninhas. uso de coberturas verdes. feijão-de-porco e lablabe. ano após ano. A redução entre linhas geralmente proporciona vantagem competitiva à maioria das culturas sobre as plantas daninhas sensíveis ao sombreamento. Rotação de culturas: cada cultura agrícola geralmente é infestada por espécies daninhas que possuem exigências semelhantes às da cultura ou apresentam os mesmos hábitos de crescimento. visando beneficiar o estabelecimento e desenvolvimento das culturas. guandu. aveia e centeio são usadas na região Sul do Brasil. ou monda. a escolha da cultura em rotação deve recair sobre plantas com habito de crescimento e características culturais bem contrastantes. O principal efeito é a melhoria das condições físico-químicas do solo. e caruru-rasteiro (Amarantus deflexus). Variação do espaçamento: a variação do espaçamento entre linhas ou da densidade de plantas na linha pode contribuir para a redução da interferência das plantas daninhas sobre a cultura.Controle cultural O controle cultural consiste no uso de práticas comuns ao bom manejo da água e do solo. principalmente em regiões montanhosas. etc. no mesmo solo. dependendo da arquitetura das plantas cultivadas e das espécies infestantes. a capina manual. Essas práticas contribuem para impedir o aumento exagerado de determinadas plantas daninhas.1 . A capina manual feita com enxada é muito eficaz e ainda muito utilizada na nossa agricultura.3 . Ainda hoje é usado para o controle em hortas caseiras. como rotação de cultura. em lavouras de milho. entretanto. ervilhaca. onde há agricultura de subsistência. azevém anual. em lavouras de arroz. a inundação.Biologia e métodos de controle 37 . em lavouras de trigo. variação do espaçamento da cultura. Consiste. Quando são aplicadas as mesmas técnicas culturais seguidamente.2 . O arranque manual. apaga-fogo (Alternanthera tenella).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5. então. Tremoço. mostarda. Nas regiões subtropicais predominam mucuna-preta. exemplos: capim-arroz (Echinoclhoa sp. quando o principal método de controle é o uso de enxada. crotalárias. e para muitas famílias. Quando o principal objetivo é o controle de plantas daninhas. 5. Contudo. estas plantas possuem também poder inibitório sobre outras e podem reduzir as infestações de algumas daninhas após serem incorporadas ao solo. numa agricultura mais intensiva. nabo. a cobertura morta e o cultivo mecanizado. em Módulo 3. jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. em cana-de-açúcar. esta é a única fonte de trabalho. a queima. Coberturas verdes: as coberturas verdes são culturas geralmente muito competitivas com as plantas daninhas.

é ineficiente para controlar plantas daninhas que 38 Módulo 3. estimulando a germinação das sementes das plantas daninhas da camada superficial de solo. Em pomares e cafezais. através de adaptação de queimadores especiais em cultivadores tratorizados.Biologia e métodos de controle . além de muitas plantas daninhas anuais. Os fatores limitantes deste método. e b) baixa eficiência: quando realizado em condições de chuva (solo molhado). a inundação é um efetivo método de controle de plantas daninhas. milho e trigo. para uso dirigido nesta cultura. As principais limitações deste método são: a) dificuldade de controle de plantas daninhas na linha da cultura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas áreas maiores. Quanto à queima das plantas daninhas com lança-chamas. feito por cultivadores tracionados por animais ou tratores. principalmente em terrenos declivosos. grama-seda (Cynodon dactylon). beiras de estradas e pastagens a roçada é um método de controle de plantas daninhas dos mais importantes. onde o controle da erosão é fundamental. Espécies perenes de difícil controle. A cobertura morta ainda pode apresentar efeitos alelopáticos úteis no controle de certas espécies daninhas. como tiririca (Cyperus rotundus). A cobertura provoca menor amplitude nas variações e no grau de umidade e da temperatura da superfície do solo. No plantio direto. são totalmente erradicadas sob inundação prolongada.1 . é de larga aceitação na agricultura brasileira. apenas não apresentando efeito sobre as plantas daninhas que se desenvolvem em solos encharcados. que são posteriormente mortas devido à impossibilidade de emergência. devendo ser realizado quando as plantas daninhas estiverem ainda jovens e o solo não estiver muito úmido. É restrito a pequenas áreas de hortaliças. bem como sobre as plantas aquáticas. A cobertura do solo com restos vegetais em camada espessa ou com lâmina de polietileno é um meio físico-mecânico de controle das plantas daninhas. utilizando filme de polietileno sobre a superfície do solo. as sementes das plantas daninhas germinam e morrem em seguida. na maioria dos casos. em virtude da suspensão do fornecimento de oxigênio para suas raízes. a cobertura do solo com restos vegetais da cultura anterior é de grande utilidade. em solo úmido. A inundação mata as plantas sensíveis. é mantida no limpo. Provoca aumento de temperatura e. Todavia. além de outros efeitos importantes sobre as culturas implantadas na área. sendo um dos principais métodos de controle de plantas daninhas em propriedades com menores áreas plantadas. a fileira de plantas. como nos tabuleiros de arroz. Esta deve ser feita antes do plantio. como o capim-arroz (Echinochloa sp. em razão do custo do combustível. em nível. capim-kikuio (Penisetum clandestinum)). Também em terrenos baldios. esta técnica é de uso limitado no Brasil. Em solos planos e nivelados.). o alto custo da mão-de-obra e a dificuldade de encontrar operários no momento necessário e na quantidade desejada fazem com que este método seja apenas complementar a outros métodos. a roçada manual ou mecânica é um método muito importante para controlar plantas daninhas. devido à temperatura excessivamente alta principalmente até 5 cm de profundidade. já foi utilizada em algodão. por meio de outros métodos de controle. Outra técnica utilizada para o controle de plantas daninhas é a solarização. O espaço das entrelinhas é mantido roçado e. são o custo do nivelamento do solo e a grande quantidade de água necessária para sua implantação. O cultivo mecanizado. Este sistema de plantio é usado em extensas áreas de plantio de soja.

O cultivo quebra a relação íntima que existe entre raiz e solo. promover o controle das plantas daninhas na linha. o herbicida natural é registrado como Collego. b) Seleção de inimigos naturais mais eficientes. pode causar o enterrio das pequenas plântulas e. praticado com fins econômicos. Módulo 3. no Havaí.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas se reproduzem por partes vegetativas.4 . insetos. através de enxadas cultivadoras especiais.) com as larvas do inseto Cactoblastis cactorum. E. desde a pesquisa até a prática do controle biológico: a) Seleção de espécies de plantas daninhas a serem controladas. uma vez eliminado o hospedeiro. o que é uma tendência normal em condições de campo.Controle biológico O controle biológico consiste no uso de inimigos naturais (fungos. com o nome de Devine. todas as espécies anuais. são facilmente controladas em condições de calor e solo seco. a eficiência do controle biológico é duvidosa quando ele é usado isoladamente. o cambará-de-espinho (Lantana camara) foi controlado pelos insetos Agromisa lantanae e Crocidosema lantanae. o parasita deve ser altamente específico. o deslocamento do solo sobre a linha. c) Estudo e avaliação da ecologia dos vários inimigos naturais. foi já usado o fungo Phythophthora palmivora. reduzindo sua capacidade de competir. podem-se citar: na Austrália. Isso é mantido por meio do equilíbrio populacional entre o inimigo natural e a planta hospedeira. d) Determinação da especificidade dos hospedeiros. O controle biológico de plantas daninhas é muito complexo e seu estudo dever ser feito em etapas sucessivas. e. nos pomares de citros. No entanto. aves. suspende a absorção de água e expõe a raiz às condições ambientais desfavoráveis. peixes. ele não deve parasitar outras espécies. 5. o controle biológico de plantas daninhas com inimigos naturais não tem sido. até o momento. o controle do cactus ou figo-da-índia (Opuntia spp. para controlar Morrenia odorata. daninhas ou não (este assunto já foi discutido em módulo à parte). No Brasil. vírus. bactérias. com isso. Para que este tipo de controle seja eficiente.1 . De modo geral. porque pode controlar uma espécie e uma outra ser favorecida. etc. Nos Estados Unidos. a fim de correlacionar os níveis de infecção com a redução da densidade populacional do hospedeiro. f) Avaliação da efetividade em diferentes épocas do ano. quando jovens (2-4 pares de folhas).) capazes de reduzir a população das plantas daninhas. o fungo Coletotrichum gloeosporeoides pode ser usado para controlar o angiquinho (Aeschynomene virginica) em soja e milho.Biologia e métodos de controle 39 . Entre os diversos exemplos de controle biológico no mundo. Deve também ser considerada como controle biológico a inibição alelopática de plantas daninhas exercida por outras plantas. e) Acompanhamento da introdução e do estabelecimento do agente biocontrolador no campo. Dependendo do tamanho relativo das plantas cultivadas e daninhas. ou seja.

no Brasil. Triazinas simétricas (1956). em 1956. no Brasil.) e marcou o início do controle químico de plantas daninhas em escala comercial.5 . A eficiência do controle biológico é duvidosa.5-T. novos grupos químicos de herbicidas surgiram: Amidas (1952). Zimmerman e Hitchock.Biologia e métodos de controle . plantas aquáticas submersas que causam problemas em reservatórios de hidrelétricas. bem como a tecnologia de aplicação de herbicidas. nos Estados Unidos. 40 Módulo 3. o sulfato ferroso foi avaliado por Bolley. que tem evoluído muito nos últimos anos. químico. isolados de Fusarium graminearum vêm sendo estudados como agente de controle biológico de Egeria densa e de Egeria najas. Também são áreas de interesse. carpas e outros peixes herbívoros é possível para controle de outras plantas aquáticas.WSSA. 5. 2. mais seguro para o homem e para o ambiente. Em 1908. etc. Ainda. 2005). hoje Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas (SBCPD)..4. Egeria najas e Ceratophyllum demersum pelo pacu (Piaractus mesopotamicus).Controle químico As pesquisas visando o controle químico de plantas daninhas foram iniciadas entre 1897 e 1900. Isso porque o parasita deve ser altamente específico. quando se controla uma espécie de planta daninha. Já se sabe que o fotoperíodo influencia a eficiência de controle das espécies de plantas daninhas pelo fungo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas No Brasil. Carbamatos (1951). etc. O controle biológico é eficiente. quando Bonnet (França).4-DB. para controle de folhas largas na cultura do trigo. então.4-D. nos EUA. e os trabalhos científicos sobre o assunto são publicados em revistas especializadas da SBCPD (Planta Daninha e Revista Barsileira de Herbicidas). o controle biológico. e. O objetivo das pesquisas em nível mundial é obter herbicidas mais eficazes com doses menores.1 . foi fundada a Sociedade Brasileira de Herbicidas e Plantas Daninhas (SBHPD). e temperaturas acima de 30 oC têm proporcionado melhor controle de Egeria (BORGES NETO et al. Somente em 1942. foi criada a Weed Science Society of América . sempre uma outra é favorecida. indicando a necessidade de uso de outro método de controle. nos Estados Unidos. para discutir os avanços da área de plantas daninhas e seu controle. ou. entre outras. não podendo parasitar outras espécies. Miyazaki e Pitelli (2003) verificaram controle de até 100% das espécies aquáticas Egeria densa. que se reúne de dois em dois anos em congresso nacional. ocorrem reuniões anuais de pesquisadores de herbicidas no cerrado (REPEC). em 1963. Devido ao grande desenvolvimento da área de controle químico de plantas daninhas. a alelopatia. O uso de tilápias. Este herbicida é a base de muitos outros produtos sintetizados em laboratório (2. Shultz (Alemanha) e Bolley (EUA) evidenciaram ação dos sais de cobre sobre algumas folhas largas. descobriram o 2. A partir de 1950. quando associado a outros métodos de controle e será recomendado para espécies de plantas daninhas de controle comprovadamente difícil por métodos mecânicos e. quando se pensa em seu uso como o único método de controle.

A tendência ainda é de aumento. principalmente. O emprego do controle químico de plantas daninhas deve ser feito juntamente com outras práticas de controle.6 em 1990 para 1. Os riscos de uso existem. cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. Menor dependência da mão-de-obra. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta. Este valor. sendo a de maior importância o controle cultural. Permite o cultivo mínimo ou plantio direto das culturas. quando for necessário. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. mas devem ser conhecidos. Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas. solo e alimentos quando manuseados incorretamente. o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas.214. O conhecimento da fisiologia das plantas. 6. sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. havendo perigo de intoxicação do aplicador. Portanto. ou. o controle químico das plantas daninhas é mais eficiente. 2005). hoje está se tornando prática comum entre os pequenos. na quantidade e qualidade necessária. 5.água (rios. perfeitamente controlados e evitados. que é cada vez mais cara. Pode ocorrer também poluição do ambiente . 3. difícil de ser encontrada no momento certo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O consumo de herbicida no Brasil representa 7-9% do consumo total do mundo. Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES e ALMEIDA. lagos e água subterrânea). É eficiente no controle de plantas daninhas na linha de plantio e não afeta o sistema radicular das culturas. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência das culturas.1 . 2.8 em 1997 (ANDEF/SINDAG.Biologia e métodos de controle 41 . Módulo 3. Pode controlar plantas daninhas de propagação vegetativa. Mesmo em épocas chuvosas. uma vez que esta tecnologia. 2005). 4. É importante considerar que todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. Permite o plantio a lanço e. dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. Pode se atribuir essa grande aceitação do uso de herbicidas pelos produtores ao fato de o controle químico das plantas daninhas proporcionar as seguintes vantagens: 1. evoluiu de 546. em milhões de dolares. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. alteração no espaçamento.

que consiste em “um sistema ambiental do campo onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para a produção das culturas livres de danos econômicos da vegetação competitiva”. social e econômico a curto e a longo prazo. Identificar as espécies-problema e suas densidades. os métodos culturais se apresentam como os 42 Módulo 3. 10. pode reduzir a dependência do uso de herbicidas e atrasar ou prevenir o aumento de espécies perenes geralmente associadas a sistemas de cultivo. 9. Estudar os métodos usados na propriedade. 6. em que se levam em conta todos os fatores que podem proporcionar à planta maior e melhor produção.1 . Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. O nível de controle das plantas daninhas obtido em uma lavoura dependerá da espécie infestante. Considerando as condições brasileiras. Dez palavras-chave descrevem os processos recomendados. das condições ambientais. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco. dos métodos empregados. 2000). esse fato. Conhecer as espécies dominantes e suas interações. a maneira integrada de cultivo. constituindo-se. 4. propondo uma série de medidas que se enquadraram no conceito de integração (CONCEIÇÃO. no controle integrado. Integrar os processos com as medidas de proteção das culturas. e elas são um bom guia para o programa de manejo: 1. Avaliar os impactos ambiental.Manejo integrado de plantas daninhas (mipd) Cada vez mais o manejo integrado de pragas vem ganhando reforços em todos os setores agrícolas. Considerar os recursos e as necessidades do fazendeiro. etc. 3. Prever populações e mudanças de populações de plantas daninhas. 7. permite a esta aproveitar eficientemente os recursos do meio. o manejo integrado de plantas daninhas. para culturas anuais. sua base reforçada no campo da entomologia quando pioneiros promoveram o estudo dos problemas do algodoeiro no Nordeste do país. 2. 8. A integração de diversos métodos de controle dentro do sistema de produção pode dificultar o crescimento e desenvolvimento de populações de espécies daninhas de difícil controle. Monitorar sementes e espécies da área de produção. Decidir quando o controle deve ser feito. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. da capacidade competitiva da cultura. as quais possuem seu ciclo ou parte dele na época das águas. 5. Desse modo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 6 . tendo. fica evidente que. Desse modo.Biologia e métodos de controle . do período crítico de competição. Escolher a(s) tecnologia(s) de controle compatível(is) com sistema. no Brasil.

em relação ao plantio convencional. principalmente por luminosidade. tanto para a cultura do milho quanto para o feijoeiro. a forrageira cultivada em consórcio com a cultura principal reduz a interferência de muitas espécies de plantas daninhas. no milho para silagem toda palhada da cultura anterior e retirada da área. tornando o sistema menos dependente do controle químico (JAKELAITIS et al. com uso de herbicidas sistêmicos usados como dessecantes. é possível obter redução nos níveis populacionais da tiririca a favor do plantio direto.. Ao contrário. Os maiores benefícios do sistema de plantio direto no manejo integrado da tiririca são obtidos devido à integração do controle químico proporcionado pelo uso do herbicida sistêmico para dessecação da vegetação em pré-plantio.. os níveis populacionais da tiririca podem ser diminuídos. evitando assim sua disseminação e seu rápido crescimento. visando a redução do número de propágulos de espécies de difícil controle em áreas agrícolas. Dessa forma. 2003). a ponto de não acarretar reduções de produção das culturas infestadas (Fig. independentemente se para produzir milho para grão ou para silagem. têmse observado excelentes resultados no manejo da tiririca. ou seja. no plantio direto. consegue-se ótimo manejo integrado da tiririca. transformando esta espécie daninha extremamente problemática em uma espécie comum. da ordem de 90 a 95%. 2004) e também mais estável do ponto de vista ambiental (SANTOS et al.1 . Dessa forma. Além disso. aliado ao controle cultural. Neste sistema. permanecendo dormentes (Fig.Biologia e métodos de controle 43 . No plantio direto. aliado ao fato de não revolver o solo. 2005) Módulo 3. 5). com a adoção do sistema de plantio direto utilizando herbicidas sistêmicos para dessecação. ou incoporada ao solo. principalmente no período de desenvolvimento das culturas sensíveis à interferência das plantas daninhas. Quando a finalidade de uso do solo é para milho grão.. no plantio convencional. aplicados no momento correto. sendo que em três anos a redução no banco de tubérculos no solo pode chegar a mais de 90% (JAKELAITIS et al. toda a palhada da cultura permanece na área à superfície. 4). 45 dias após a emergência. Um bom exemplo da aplicação do Manejo Integrado pode ser observado pelo excelente manejo da tiririca na cultura do milho e do feijão graças à utilização do sistema de plantio direto e conhecimentos da biologia das espécies envolvidas. a capacidade de brotação dos tubérculos de tiririca coletados sob solo no sistema integrado é diminuída com o passar do tempo. Em dois anos nesse sistema. ao controle cultural exercido pela falta de revolvimento do solo e conseqüente ausência de fragmentação das estruturas vegetativas da tiririca e à adoção de culturas altamente competitivas. Outro exemplo de manejo integrado de plantas daninhas tem sido praticado em diversas regiões do Brasil quando se adota o sistema integrado agricultura-pecuária.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mais adequados para integração com o controle químico. como a cultura do milho e feijão.

após três anos de adoção 44 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 4 .1 .População de tiririca nas culturas de milho e feijão nos sistemas de plantios convencional e direto (após dois anos de adoção do manejo integrado de plantas daninhas –MIPD) aos 30 DAP Figura 5 – Brotação de tubérculos de tiririca coletados em campo em áreas de plantio convencional e em área onde se adotou o plantio direto com o manejo integrado dessa espécie infestante.Biologia e métodos de controle .

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2 .DF 2006 48 Módulo 3.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .ABEAS Universidade Federal de Viçosa .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação Tutores: Profº. Francisco Affonso Ferreira Profº. José Barbosa dos Santos Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior . Lino Roberto Ferreira Profº.Manejo de plantas daninhas 3. Antonio Alberto da Silva Profº.2 .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .

53 4.2 .7. 51 1 . 70 4.3 .1 . 79 4. 68 4.5 .Características de algumas cloroacetanilidas.Herbicidas inibidores da EPSPs.Quanto à seletividade.1 .Herbicidas inibidores da Protox.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 49 . 73 4.7 . 55 4.1 .3 .Quanto à translocação. 56 4. 80 4.Quanto aos mecanismos de ação.6.2 . 73 4.2 .2 .Herbicidas inibidores da fotossistama II.1 .Herbicidas Inibidores do Fotossistema I. 58 4.Caracterização de alguns herbicidas auxínicos. 68 4. 60 4.4. 77 4.3.3. 80 4. 83 4.Mecanismo de ação das cloroacetanilidas.Mecanismo de ação.Algumas imidazolinonas.1 .3 .2 . 76 4.7.Características gerais dos inibidores do fotossistema II.1 .Mecanismo de ação.3 .Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos.Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos. 79 4.Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos.3 .Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II.4 . 75 4. 85 4.2. -51 2 .4 .Principal herbicida do grupo.1 . 73 4.Principais características.2 . 54 4. 68 4.5. 79 4.Características gerais.6.2 .Seletividade. 75 4.Mecanismo de ação.4.Herbicidas inibidores da acetolactato sintase.1.2.Principais características. 74 4.1.Mecanismos de seletividade.52 3 .2.2 . 61 4.5. 58 4.4.Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina.Algumas sulfoniluréias.8 .Quanto à época de aplicação.3 .1.Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX.2.3 .3.Principais características.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA).5.6 . 88 Módulo 3.6. 55 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução. 62 4.1 .Mecanismo de ação.53 4 .2 .

Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . 91 4.10 . 91 4.2 .Herbicidas inibidores de carotenóides. 88 4.1 .Mecanismo de ação.9 .3 .Herbicidas inibidores da ACCase.9.8.9. 92 4. 93 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.8.Características gerais.2 .Caracterização de alguns inibidores da ACCase. 89 4.2 . 99 50 Módulo 3.Principais características.Mecanismos de ação.1 .9. 95 Referências bibliográficas.

época de aplicação. Para soja.2 . Herbicidas não-seletivos São aqueles que atuam indiscriminadamente sobre todas as espécies de plantas. atrazine para o milho. Módulo 3. do tipo de solo. estrutura química e mecanismo de ação (WARREN. translocação. são mais tolerados por uma determinada espécie ou variedade de plantas do que por outras. imazethapyr para a soja. da dose aplicada. etc.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 51 . das condições climáticas. por exemplo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Os herbicidas podem ser classificados de diversas maneiras. por meio da biotecnologia. 1995a). o metribuzin é seletivo apenas quando aplicado em pré-emergência. glyphosate. tem-se 2. Essas características individuais permitem estabelecer grupos afins de herbicidas com base em sua seletividade. a seletividade é sempre relativa. Normalmente são recomendados para uso como dessecantes ou em aplicações dirigidas. HESS. etc. é possível tornar um herbicida não-seletivo a seletivo para determinada espécie. paraquat. fomesafen para o feijão. dentro de determinadas condições. exemplo: a soja trasgênica resistente ao glyphosate.Quanto à seletividade Herbicidas seletivos São aqueles que. etc.4-D para a cana-deaçúcar. pois depende do estádio de desenvolvimento das plantas. Todavia. 1 . de acordo com as características de cada um. Todavia. Exemplos: diquat. Como exemplo. e mesmo assim a dose tolerada é dependente das condições edafoclimáticas.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . exemplos: flumioxazin. Todavia. Quando são absorvidos apenas pelas folhas. trigo. Contudo. clorimuron-ethyl. também. imazethapy. Estes podem ou não auxiliar na dessecação das plantas. pois muitas vezes. etc. Pós-plantio Dependendo da atividade dos herbicidas sobre as plantas. especialmente ao glyphosate. Quando aplicado após o preparo do solo e incorporado a este antes do plantio. nicosulfuron em milho. ele pode ser aplicado em pós-emergência de ambas (plantas daninhas e culturas). reflorestamento e lavouras de café. exemplo: sethoxydim em tomate. visando facilitar o plantio e promover cobertura morta do solo. Outro 52 Módulo 3. etc. como é o caso do metribuzin. em aplicação dirigida.Quanto à época de aplicação Pré-plantio Quando o herbicida é muito volátil. deve ser aplicado antes do plantio. de solubilidade muito baixa em água e. eles somente devem ser aplicados em pós-emergência das plantas daninhas. em culturas perenes como fruteiras. são desativados (sorvidos). etc. Estes produtos podem. etc. fotodegradável. ou seja.2 . Também. ele necessita ser incorporado ao solo. estes devem ser aplicados antes da emergência (pré-emergência) desta ou de forma dirigida. eles devem ser aplicados em pré ou em pós-emergência das culturas ou das plantas daninhas. como é o caso do glyphosate e paraquat aplicados no plantio direto de milho. quando atigem o solo. metsulfuron-methyl em trigo. no sistema de plantio direto (cultivo mínimo). na cultura da soja somente pode ser usado em pré-emergência. Entretanto. das condições nas quais ele apresenta melhor desempenho. outros que possuem maior efeito residual no solo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . a sua aplicação em pré ou pós-emergência vai depender da tolerância da cultura e. Se o herbicida é absorvido pelas folhas e raízes. apresentam curto efeito efeito residual e quase sempre são utilizados como dessecantes. pois em pós-emergência. por esta razão. neste caso. ser não-seletivos para a cultura e. exemplos: glyphosate. até mesmo em subdoses. ou. ele é muito tóxico à soja. a estes. pode-se também misturar. como é o caso do trifluralin. Esses produtos normalmente são não-seletivos. porém têm como objetivo principal garantir o controle inicial das plantas daninhas na implantação da lavoura. que pode ser usado em tomate em pré e em pósemergência tardia ou após o transplante. metribuzin. feijão. alguns herbicidas devem ser aplicados antes do plantio. diz-se que este herbicida é aplicado em PPI. imazaquin. apesar penetrarem também pelas raízes. aplicado em pré-plantio e incorporado. ainda. feijão e soja. ou. se o herbicida é seletivo para a cultura. paraquat.

inibidores da síntese de carotenóides. 2003a). deve-se adicionar à calda óleo mineral visando solubilizar parte da cera epicuticular. diquat. glyphosate.HESS. Quando o movimento (translocação) do herbicida é via floema ou floema e xilema. inibidores do fotossistema I. porque a morte rápida do tecido condutor (floema) limita a chegada de dose letal do herbicida a algumas estruturas reprodutivas das plantas. Módulo 3. quando utilizado em pós-emergência. podem apresentar ação de contato.Quanto aos mecanismos de ação É interessante que se faça distinção entre os termos usados rotineiramente quando se refere a herbicida: “modo e mecanismo de ação de herbicida”. 4 . inibidores da ALS. (WARREN. 3 . inibidores do arranjo dos microtúbulos. etc. CRAFTS. etc.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas exemplo seria o herbicida atrazine. “Modo de ação” refere-se à seqüência completa de todas as reações que ocorrem desde o contato do produto com a planta até a sua morte ou ação final do produto. recomendado para as culturas de milho e sorgo. Os herbicidas também podem se movimentar (translocar) nas plantas pelo xilema. aumentando a sua penetração pelas folhas. Neste caso. os herbicidas podem ser classificados em: mimetizadores de auxinas (auxínicos). A este produto. nicosulfuron. entretanto a primeira lesão que ele causa na planta pode caracterizar o seu mecanismo de ação (ASHTON. inibidores da PROTOX. O simples fato de um herbicida entrar em contato com a planta não é suficiente para que ele exerça sua ação tóxica. a ação do produto pode ser mais rápida. 1995). flazasulfuron. É importante lembrar que um mesmo herbicida pode influenciar vários processos metabólicos na planta. atingir a célula e posteriormente a organela. inibidores da EPSPs. imazethapyr. já a primeira lesão bioquímica ou biofísica que resulta na morte ou ação final do produto é considerada “mecanismo de ação”. como é o caso de 2. Quanto ao mecanismo de ação. etc. inibidores do fotossistema II. onde atuará para que seus efeitos possam ser observados. Ele terá necessariamente que penetrar no tecido da planta. pelo floema ou por ambos. LIEBL. 1995. Inibidores da GS.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 53 . quando usados em doses muito elevadas.Quanto à translocação Os herbicidas podem ser de contato quando atuam próximo ou no local onde eles penetram nas plantas. lactofen. exemplos: paraquat. THILL. picloram. Estes produtos.4-D. Estes herbicidas sistêmicos são capazes de se translocarem a grandes distâncias na planta. porém com efeito final menor.2 . ele é considerado sistêmico. 1973. inibidores da ACCase.

quando aplicados em plantas sensíveis. Essa perda da rigidez das paredes celulares é provocada pelo incremento na síntese da enzima celulase. além de interrupção do floema. engrossamento das gemas terminais e morte da planta (Fig. notadamente nas raízes. milho.Sintomas leves de intoxicação de plantas de algodão (A) e ação final do produto sobre plantas de Raphanus raphanistrum (B) 54 Módulo 3. em plantas sensíveis. induzem mudanças metabólicas e bioquímicas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . 2003a). 1). verificam-se rapidamente aumentos significativos da enzima celulase. conseqüentemente. mais especificamente.2 . trigo e cana-de-açúcar e em pastagens. que leva estas espécies a sofrer. Esse alongamento celular parece estar relacionado com a diminuição do potencial osmótico das células. Historicamente. epinastia das folhas e retorcimento do caule.Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina Esta classe de herbicidas é uma das mais importantes em todo o mundo. Acredita-se que estes produtos interfiram na ação da enzima RNA-polimerase e. Estudos sugerem que o metabolismo de ácidos nucléicos e os aspectos metabólicos da plasticidade da parede celular são seriamente afetados. Estes herbicidas induzem intensa proliferação celular em tecidos. podendo levá-las à morte. em poucos dias ou semanas. 1973). o 2. Em conseqüência dos efeitos desses herbicidas. Figura 1 . pelo efeito destes produtos sobre o afrouxamento das paredes celulares. causando epinastia de folhas e caule. verifica-se crescimento desorga¬nizado. Após aplicações de herbicidas auxínicos. impedindo o movimento dos fotoassimilados das folhas para o sistema radicular.1 . Por esse motivo. na síntese de ácidos nucléicos e proteínas (ASHTON. também. CRAFTS. especialmente da carboximetilcelulase (CMC). rapidamente. as espécies sensíveis têm seu sistema radicular rapidamente destruído. porque eles marcaram o início do desenvolvimento da indústria química (THILL.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. provocado pelo acúmulo de proteí¬nas e. sendo extensivamente utilizada em culturas de arroz.4-D e o MCPA são os mais importantes. Os herbicidas auxínicos.

1 . 4. algodão.5 dicloro-4 hidroxifenoxiacético e 2.2 . e na cultura do milho.4-D.1.Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos Todos os herbicidas auxíncos são derivados de ácidos fracos e podem ser formulados nos seus respectivos ácidos. comprometendo de maneira severa o rendimento de culturas e a qualidade do ambiente. resíduos deixados em pulverizadores mal lavados e contaminação de água de irrigação por estes herbicidas.4-D após o perfilhamento e antes do emborrachamento. além de facilitar a sua conjugação com aminoácidos e outros constituintes da planta. c) Usar baixa pressão para aplicação.2 . se aplicado em pós emergência total ocorrem sérios problemas de fitotoxicidade.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 55 . em doses extremamente baixas.. b) Usar maior tamanho de gotas. deve-se usar 0 2. derivados do ácido picolínico podem causar fitotoxicidade. podendo. sendo esta a principal rota para o metabolismo do 2. Por exemplo. etc.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. 3. 4. em condições de campo. 2.1.4-D apenas em aplicação dirigida. Módulo 3. recebendo nomes comerciais diversos. Essa característica especial das monocotiledôneas pode prevenir a destruição do floema pelo crescimento desorganizado das células. Estádio de desenvolvimento das plantas. Algumas espécies de plantas podem excretar estes herbicidas para o solo através de seu sistema radicular (exsudação radicular). cada um dos diferentes princípios ativos.4-D para 2. se praticável. Alguns desses produtos podem permanecer ativos no solo por longo período. exemplos: para arroz e trigo deve-se usar o 2. Deriva. causada pela ação de herbicidas auxínicos. em uva. ser comercializado isoladamente ou em misturas. se aplicado fora do estádio de desenvolvimento recomendado.Seletividade A seletividade dos herbicidas auxínicos pode ser dependente de diversos fatores: 1. que são espécies altamente sensíveis. Na cultura do milho (4-6 folhas). Nas culturas de arroz e trigo. tomate. exigindo cuidados especiais para se realizar rotação de culturas. É comum a aril hidroxilação resultar na perda da capacidade auxínica destes herbicidas.3-D-4-OH. Arranjamento do tecido vascular em feixes dispersos. Aril hidroxilação do 2. podem causar sérios problemas técnicos. sais ou ésteres. principalmente em aplicações aéreas. d) Evitar a aplicação quando o vento estiver em direção às culturas. sendo estes protegidos pelo esclerênquima em gramíneas (monocoti¬ledôneas). fumo. As seguintes medidas são recomendadas para reduzir problemas com a utilização destes herbicidas: a) Evitar o uso de formulações que apresentam elevada pressão de vapor (muito voláteis).

Apresenta persistência curta a média nos solos. ALMEIDA. no mercado brasileiro. sendo esta a condição para ótima atividade do produto. para uso no plantio direto e em aplicações dirigidas. 4.4-D Sal ou éster amina do ácido 2. e aquelas à base de sal são rapidamente absorvidas pelo sistema radicular das plantas.4-D não excede a quatro semanas em solos argilosos e clima quente. toxicidade. pka de 2. além de detergente. durante o florescimento. é encontrado em dife¬rentes formulações e marcas comerciais. em pastagens.3 . milho. plantas ganham maior tolerância com a idade. trigo. xilema. etc. Em mistura com o picloram. em fruteiras e lavouras de café. conferindo ao produto características dife¬renciais quanto à seletividade. Apresenta solubilidade de 600 mg L-1. entretanto. portanto. enquanto as de éster são praticamente insolúveis e.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . e com glyphosate. Em solos secos e frios. Em doses normais. Usar. a atividade residual do 2.4-D se transloca por toda a planta pois se movimenta tanto pelo xilema quanto pelo xilema. Cada formulação pode apresentar características físico-químicas diferentes. acumulando-se nas regiões meristemáticas dos pontos de crescimento.1. O 2. Movimenta-se pelo floema e.Caracterização de alguns herbicidas auxínicos 2. amoníaco ou carvão ativado.2 . etc. Em geral. cana-de-açúcar. 2005). mais lixiviáveis. gramados e culturas gramíneas (arroz. Transloca-se com grande eficiência em plantas com elevada atividade metabólica. com menor movimentação. a resistência a estes herbicidas hormonais é reduzida.Em ambos os casos o 2. É muito utilizado em misturas com inibidores da fotossíntese na cultura da cana-de-açúcar.8 e Koc médio de 20 mg g-1 de solo para formulações ácido ou sais e de 100 mL g-1 de solo para ésteres (RODRIGUES.4-D. É recomendado para pastagens. a decomposição é consideravelmente reduzida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e) Tomar cuidado especial com a lavagem do pulverizador após as aplicações.4-D) foi o primeiro herbicida seletivo descoberto para o controle de plantas daninhas latifoliadas anuais. As formulações ésteres e ácidas são prontamente absorvidas pelas folhas. é usado para controlar plantas daninhas perenes.4 diclorofenoxiacético (2. persistência no ambiente. Dicamba 56 Módulo 3. ou. As formulações aminas são mais adsorvíveis no solo do que as de éster e.). porque são altamente solúveis. volatilidade.

Esta mistura pode ser usada em área total ou em áreas localizadas. para controlar arbustos e árvores.4-D. pode ser feito o pincelamento ou a pulveri¬zação dos tocos.0 e 83. como o cipó-de-veado (Polygonum convolvulus L.000 mg L-1.). pka: 1. Deve ser observado o período residual para o cultivo de espécies altamente sensíveis (videira. ALMEIDA.29. em razão de sua longa persistência no solo (dois a três anos). considerando o controle de plantas daninhas herbáceas e arbustivas.6 tricloro-2-piridinacarboxílico (picloram) é um produto extremamente ativo sobre dicotiledôneas. 2001).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 57 . Apresenta solubilidade de 720. Apresenta maior efeito sobre dicotile¬dôneas. etc. apre¬senta efeito lento. antes que se inicie o processo de cicatrização. Sendo um herbicida de alta solubilidade em água. em solos de textura arenosa. ou. algodão. pimentão. na planta. para evitar a rebrota de espécies-problema como o leiteiro (Peschiera funchsiaefolia) e outras. A mistura (picloram + 2. É muito utilizado para controlar algumas espécies de dicotiledôneas tolerantes ao 2.3. e Koc médio de 16 mg g-1 de solo. porém extremamente persistente (a planta não consegue metabolizar rapidamente o picloram). Picloram O ácido 4-amino 3.. dependendo da intensidade. comuns em lavouras de trigo.4-D. Módulo 3. xilema.4-D para o controle de plantas em culturas de canade-açúcar. 2005). Apresenta longa persistência (meia-vida de 20 a 300 dias) e fácil mobilidade no solo. milho e trigo e em pastagens. até mesmo quando cultivadas em solos adubados com esterco proveniente de pastagens tratadas com picloram e pastoreadas logo depois. O picloram. tomate.87. fumo. formando o Tordon.2 a pH 1.5.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O sal de dimetilamina do ácido 3. pode permanecer ativo na matéria orgânica proveniente de pastagens tratadas com este produto (RODRIGUES. que podem apresentar severos sintomas de intoxicação. o que dificulta a absorção e translocação do herbicida até as raízes (SILVA et al. perenes e de árvores. Para o controle de árvores. 6-dicloro-2-metoxibenzoico (dicamba) é facilmente translocado pelas plantas via floema e. da evaporação. Kow: 1. do movimento capilar da água e. e também com fluroxypyr formando o Plenum.4-D) é muito utilizada em pastagens para o controle de plantas daninhas anuais. Dontor ou Manejo. Quando aplicação é feita no toco é fundamental que esta seja realizada imadiatamente após o corte da árvore.). sendo recomendado de modo semelhante ao 2. Apresenta pka: 2. na região Sul do Brasil. ou. está sujeito a lixiviação. podendo se acumular no lençol freático raso.2 . É fracamente adsorvido pela matéria orgânica ou argila. É muito pouco adsorvido pelos colóides de argila e mais pela matéria orgânica do solo.4 a pH 7. sendo muito utiliza¬do em misturas com o 2. Também. e koc de 2 mg g-1 de solo. Kow: 0.

2005).000 m de culturas sensíveis. Deve ser aplicado de outubro a março (no período chuvoso).64 a pH 5 e 0. por sua vez. 2004). e Koc médio de 20 mL g-1 de solo.2..Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . açudes. para uma outra molécula de plastoquinona. Em solos leves. pka: 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Triclopyr O ácido [(3. Kow: 2. a quinona 58 Módulo 3. Quando um segundo elétron é transferido para a plastoquinona “Qb”. feijão. também presa na proteína. ALMEIDA. com ventos de 0 a 6 km h-1. É também muito eficiente e seletivo para controlar dicotiledôneas infestantes de áreas cultivadas com gramas: jardins. cana-de-açúcar. sendo largamente utilizados nas cultu¬ras de grande interesse econômico. campo de futebol. (FREITAS et al. 2005). sua meia-vida é de 20 a 45 dias. algodão. pode haver lixiviação (RODRIGUES. a energia luminosa capturada pelos pigmentos (clorofila e carotenóides) é transferida para um “centro de reação” especial (P680). Seu grau de adsorção depende do pH do solo.6-tricloro-2-piridinil) oxi] acético (triclopyr) apresenta ação semelhante ao picloram. etc. hortaliças. fruteiras. Nunca fazer aplicações aéreas a menos de 2. milho. soja. O vento deverá estar soprando da cultura sensível para a área de aplicação. Nas condições normais. umidade relativa >50% e temperatura < 30°C. sem a interferência de inibidores do fotossistemoa II.1 . Este elétron é transferido para uma molécula de plastoquinona presa a uma mem¬brana do cloroplasto (Qa).68. Apresenta solubilidade em água de 23 mg L-1. com as plantas em pleno vigor vegetativo.Mecanismo de ação Os pigmentos.2 . em aplicação foliar. É recomendado para uso em pós-emergência.. dependendo do tipo de solo e das condições climáticas.Herbicidas inibidores da fotossistama II São de grande importância na agricultura brasileira e mundial. entre outras (RODRIGUES. como arroz. Interromper imediatamente as aplicações se houver mudança na direção do vento.36 a pH 7. durante a fase luminosa da fotossíntese.2 . em área total para controle de plantas daninhas em pastagens e arroz. sob condições de alta pluviosidade. pressão de vapor de 1. as proteínas e outras substâncias químicas envolvi¬das na reação da fotossíntese estão localizados nos cloroplastos.26 x 10-6 mm Hg a 25 oC. A molécula da plastoquinona “Qa” transfere o elétron. chamada “Qb”. gerando um elétron “excitado”.5. 4. ALMEIDA. porém é rapidamente degradado no solo. 4. A aplicação poderá ser por equipamentos terestres ou por avião quando as áreas estiverem infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno e médio porte.

Plantas suscetíveis tratadas morrem mais rapidamente quando pulverizadas na presença da luz do que quando pulverizadas e colocadas no escuro.2 . Herbicidas derivados do fenol (dinoseb. os herbicidas apresentam maior tempo de residência no sítio do que a plastoquinona “Qb”. ocasio¬nando a saída da plastoquinona e interrompendo o fluxo de elétrons entre os fotossistemas. pironas. etc. A associação com a proteína se dá com aminoácidos diferentes no sítio para cada biótipo. formando uma plastoidroquinona (QbH2). Estes herbicidas competem com a plastoquinona “Qb” parcialmente reduzida (QbH) pelo sítio na proteína D-1. como pode ser visto na Fig. De maneira simplificada. seja válida para outros produtos desse mesmo grupo químico. Esse fato demonstra que algo mais que a simples inibição do fotossistema II está ocorrendo. 1995a. por alguma razão não conhecida.) causam essa inibição prendendo-se na proteína. (HESS. das uréias substituídas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 59 . também. impedindo sua destruição. que ela tem uma configuração de cinco hélices que atravessam a membrana do cloroplasto (tilacóide) e duas hélices paralelas que se interligam.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas reduzida torna-se protonada (dois íons de hidrogênio são adicionados). Muitos herbicidas inibidores do fotossistema II (derivados das triazinas. Atualmente. quando se prendem à proteína. naftoquinonas. ou bolso. Além da competição em si pelo sítio na proteí¬na. no sítio onde se prende a plastoquinona “Qb”. dos fenóis. com baixa afinidade para se prender na proteína. Sabe-se. De modo geral. Isso impede que uma mudança na sequência de aminoácidos da proteína (mutação) tornando esse biotipo resistente aquele herbicida. a função da plastohidroquinona é transferir elétrons entre os fotossis¬temas II (P68O) e I (P7OO). por exemplo. 2003). onde a plastoquinona “Qb” se prende e onde os herbicidas vão se prender também. dioxobenzotiazoles e cianoacrilatos. prendendo-se. Estes herbicidas. Alguns exemplos: piridonas. WELLER. o que aumenta o efeito inibitório destes. esta proteína é destruída rapidamente pela ação da luz. quinolonas. Essa proteína é chamada D-1. Fonte: Warren e Hess (1995) Os derivados das triazinas e das uréias substituídas são conhecidos por se prenderem justamente ao sítio dos elétrons da proteína D-1. Diversos análogos do fenol foram descritos como inibidores fotossistema II. ao sítio da plastoquinona “Qb”.Esquema do transporte de elétrons na fotossíntese.2. sabe-se que a clorose foliar que Módulo 3. como fazem os “clássicos”. Figura 2 . sendo conhecida também como proteína 32 kilodaltons. bromoxynil e ioxynil). não evitam a destruição da proteína D-1 pela luz. aumentam a estabilidade desta na presença da luz. O sítio. benzoquinonas. A proteína D-1 é hoje muito conhecida. fica entre a quarta e quinta hélices que atravessam as membranas dos cloroplastos e a hélice paralela que liga as duas.

2. o sistema de prote¬ção. Em casos nor¬mais. por esse motivo. entretanto. é sobrepujado pelo excesso de clorofila no estado de alta energia. aparecendo os sinais de necrose foliar (WELLER. todos eles podem ser absorvidos pelas raízes. Essa molécula de clorofila.2 .Estrutura esquemática da membrana de um cloroplasto Fonte: Warren e Hess (1995) Quando a clorofila aceita um elétron. dado pelos carotenóides. tratadas com esses herbicidas. a velocidade de absorção foliar é diferente para cada produto deste grupo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Todos eles translocam-se nas plantas apenas via xilema. Aparentemente. tornase ainda mais carregada e mais reativa (estado de energia tríplice). 1995). Estes herbicidas não provocam nenhum sinal visível de intoxicação no sistema radicular das plantas. e b: a clorofila de carga tríplice também reage com oxigênio e produz um oxigênio reativo (oxigênio singlet). 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorre após o tratamento é devida a rompimentos na membrana dos pigmentos causados pela peroxidação de lipídios (ácidos graxos insaturados) da membrana (Fig. Essas reações dão início ao processo de peroxidação das membranas. ela sai do estado neutro (sem carga) e vai para um estado de energia simples. a carga é repassada aos carotenóides. Esta clorofila não retorna ao estado anterior quando o fluxo de elétrons é interrompido pela ação do herbicida que se prendeu ao sítio da plastoquinona “Qb”. para que a clorofila não se destrua. que é normalmente transferido para o centro de reação (P680). declina poucas horas após o tratamento. Na presença do herbicida. plantas perenes somente são eliminadas por esses herbicidas quando tratadas via solo. 3). não podendo transferir o elétron ao centro de reação P680 (fotossistema II). Essa molécula de oxigênio carregada contribui para o processo de formação dos radicais lipídicos nos ácidos graxos insaturados da membrana. no estado de energia simples. Esse excesso de energia (clorofila triple) causa o início da peroxidação de lipídios por dois mecanismos: a: formação direta de radical lipídico nos ácidos graxos insatura¬dos da membrana do cloroplasto.Características gerais dos inibidores do fotossistema II • • • • A taxa de fixação de CO2 pelas plantas sensíveis. 60 Módulo 3. Figura 3 .2 .

Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 61 . estes herbicidas não apresentam problemas de deriva por volatilização. menor reserva de carboidratos. de adição de adjuvante (estes produtos podem apresentar difícil penetração foliar e não são sistêmicos).2 . Neste caso. Alguns herbicidas deste grupo apresentam seletividade “toponômica” ou seletividade por posição. 4. com relativa freqüência. Apresentam pouca ou média mobilida¬de no perfil do solo. o diuron não causa intoxicação à cultura do algodão quando utilizado em pré-emergência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Quando esses herbicidas são usados em pós-emergência. Na realidade. Elas apresentam menor barreira cuticular à penetração dos herbicidas e. também. quando aplicadas diretamente no solo. são variáveis para cada tipo de solo. ainda. pode se verificar perda de seletividade do herbicida.este fato pode ser devido à anatomia e. as doses recomendadas. Neste caso.3 . Como exemplo. ele poderá entrar em contato com o sistema radicular do algodão e causar severa intoxicação à cultura. podendo ser curta para alguns produtos (< 30 dias) ou muito longa (> 720 dias) para outros. o aparecimento de novas espé¬cies de plantas daninhas resistentes a estes herbicidas (atuam em sítio de ação específico). Em geral. porque este produto é muito pouco móvel no perfil do solo. ao tipo de formulação utilizado. Todavia. inseticidas ou fungi¬cidas inibidores da colinesterase. o herbicida não será absorvido em quantidade suficiente para intoxicar a cultura. morfologia das folhas e raízes e. se o diuron for incorporado mecanicamente ao solo. ainda. não atingindo o local de sua absor¬ção pela planta (sistema radicular). 1995). Por este motivo. estes herbicidas são muito adsorvidos pelos colóides orgânicos e minerais do solo. Plantas que estão se desenvolvendo em condições de baixa lumino¬sidade são mais suscetíveis a esses herbicidas.2. É comum ocorrer efeito sinérgico quando se aplicam inibidores do fotostema II em mistura com outros herbicidas. ou. A persistência agronômica destes herbicidas no solo é extremamente variável. tem-se a seletividade do diuron para a cultura do algodão. Todos os herbicidas inibidores do fotossistema II apresentam toxicidade muito baixa para mamíferos. podendo garantir a seletividade de determi¬nadas espécies. necessita-se de boa cobertura foliar da planta e. Normalmente. Por estas razões. Absorção diferencial por folhas e raízes . ou se for aplicado em solo de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica. Módulo 3. torna-se necessário fazer rotação com outros herbicidas que apresentam mecanismo de ação diferente.Mecanismos de seletividade As causas pelas quais os herbicidas inibidores do fotossistema II são seletivos são diversas e variam de cultura para cultura (WELLER. pois possuem pressão de vapor muito baixa. podendo levá-la à morte. Tem sido observado.

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Translocação diferencial das raízes para as folhas - isto ocorre devido à presença de glândulas localizadas nas raízes e ao longo do xilema, que adsorvem estes produtos, impedindo que sejam translo¬cados até seus sítios de ação, localizados nos cloroplastos. Metabolismo diferencial - algumas espécies de plantas, em suas raízes ou em outras partes, possuem enzimas que são capazes de metabolizar as moléculas de determinados herbicidas, transformando-os rapida¬mente em produtos não-tóxicos para as plantas. Como exemplo, pode-se citar o milho e o sorgo, que apresentam em suas raízes teores elrvados de benzoxazinonas. Estes compostos podem promover rápida degradação da molécula de atrazine por meio de reações de hidroxilação, dealquilação, ou ainda a conjugação dessa molécula com polipetídeos naturais, tornando estas culturas tolerantes a este herbicida. Outro exemplo seria a seletividade da cultura de arroz ao herbicida propanil. Esta cultura apresenta concentrações de dez a trinta vezes da enzima arilacilamidase em realação às principais gramíneas infestantes do arroz. Elevadas concetrações da arilacilamidase, nas folhas de arroz, garantem a degradação do propanil antes que estes atinjam os cloroplastos (sítio de ação primário deste herbicida), o que não ocorre com as gramíneas infestantes dessa cultura. 4.2.4 - Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II Atrazine

O 6-cloro-N-etil-N’-(1-metiletil)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (atrazine) apresenta solubilidade em água de 33 mg L-1, pka: 1,7, kow: 481; e koc médio de 100 mg g-1 de solo (Rodrigues; Almeida, 2005). É moderadamente adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica, tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É lixiviável, sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 30 cm e também em águas subterrâneas. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química e física. Apresenta meia-vida no solo média de 60 dias e persistência média a longa nos solos nas doses recomendadas de 5 a 7 meses. Em solos tropicais e subtropicais sua persistência pode também ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas em condições de pH do solo elevado, clima frio e seco. Em diversas regiões do Brasil, em campo, tem sido observada intoxicação da aveia semeada até 150dias após aplicação de atrazine na cultura do milho. É muito utilizado na cultura do milho, sendo, também, recomendado para cana-de-açúcar, café, fruteiras, cacau, pimenta-do-reino, etc. Fumo e trigo são muito sensíveis ao atrazine. Quando aplicado em pós-emergência, tem-se observado ótima eficiência de controle das plantas daninhas mesmo com a redução da dose aplicada. Todavia, para isso, é necessário adicionar à calda óleo mineral, sendo mais eficiente para controlar plantas daninhas recém-emergidas (plantas com 1-2 pares de folhas). É muito utilizado em misturas com outros herbicidas em culturas de milho, cana-de-açúcar, fruteiras e outras. As plantas de milho e sorgo possuem a capacidade de metabolizar o atrazine absorvido,
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transformando-o por meio de reações de hidroxilação, dealquilação e conjugação, por ação de benzoxazinonas presentes nestas espécies, em compostos não-tóxicos. O atrazine é muito eficiente no controle de dicotiledôneas, porém apresenta eficiência apenas regular para controle de diversas monocotiledôneas. Na cultura do milho, é muito utilizado em pré-emergência, quando em mistura com o metolachlor, formando o “Primestra”, e também em pós-emergência precoce, quando em mistura com óleo mineral (Primóleo) para controle de dicotiledôneas e em mistura no tanque com o nicosulfuron ou outras sulfoniluréias (foramsulfuron + idosulfuron-methyl), em áreas com infestação mista (JAKELAITIS et al., 2005). Simazine

O 6-cloro-N,N`-dietil-1,3,5-triazina-2,4-diamina (simazine) apresenta solubilidade em água de 3,5 mg L-1, pka: 1,62, kow: 122; e koc médio de 130 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica e tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É pouco lixiviável, não sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 10 cm. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química, ocorrendo hidrólise, com formação de hidroxisimazine e dealquilação do grupo amino. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 5 a 7 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas. Pode ser usado em pré-emergência das plantas daninhas nas culturas de café, cana-deaçúcar, alfafa, fruteiras, etc., para controle de dicotiledôneas e algumas gramíneas. Em doses maiores que 10kg ha-1 do p.c., pode ser usado usado para limpeza de cercas e áreas industriais. É absorvido basicamente pelo sistema radicular das plantas, sendo pouco móvel no solo. É utilizado em misturas com o atrazine, visando minimizar efeitos do clima, principalmente oscilações pluviais, e também para aumentar o espectro de controle de espécies de plantas daninhas. Ametryn

O N-etil-N`-1(metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (ametryn) apresenta solubilidade em água de 200 mg L-1; pka: 4,1; kow: 427; e koc médio de 300 mg-1 de solo. É medianamente lixiviável nos solos arenosos (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua degradação no solo é, em maior parte microbiana, mas também química, por processos de oxidação e hidrólise.
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Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 4 a 6 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que nove meses se usado em doses elevadas, dependendo do clima e tipo de solo (meia-vida média no solo é de 60 dias). É reco¬mendado para as culturas de cana-de-açúcar, banana, café, abacaxi, citros, milho e videira, para controle de mono e dicotiledôneas. Pode ser absorvido facilmente pelas raízes e folhas de plantas. É pouco móvel no solo, por ser muito adsorvido por colóides orgânicos e minerais. Sua adsorção pelos colóides é muito influenciada pelo pH. Também pode apresentar adsorção negativa (dessorção), ocorrendo liberação para as plantas de moléculas anteriormente inativadas pelos colóides do solo. É muito utilizado em misturas com os herbicidas diuron, tebuthiuron, atrazine, trifolysulfuron-sodium, 2,4D, etc; principalmente quando recomen¬dado para de cultura da cana-de-açúcar (PROCÓPIO et al., 2003). É pouco lixiviado no solo, permanecendo na maioria das condições na camada superior (primeiros 30 cm). Prometryne

O N,N`-bis(1-metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (prometryne) apresenta solubilidade em água de 48 mg L-1; pka: 4,09; kow: 1.212; e koc médio de 400 mg g-1de solo. É pouco lixiviado em solos de textura média a argilosa, sendo facilmente degradado por microrganismos que o utilizam como fonte de energia. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 1 a 3 meses em condições tropicais e subtropicais, dependendo das condições de solo, do clima e da dose utilizada. Sua absorção é feita pelas folhas e raízes, sendo mais utilizado em pré-emergência. É recomendado para as culturas de quia¬bo, aipo, cenoura, alho, salsa, cebola, ervilha, etc. A cultura da cebola apresenta maior tolerância ao prometryne quando este é aplicado antes do transplante. Não apresenta seletividade para a cultura da cebola em semeadura direta. Metribuzin

O 4-amino-6-(1,1-dimetiletil)-metiltio-1,2,4-triazina-5-(4H)-ona (metribuzin) apresenta solubilidade em água de 1.100 mg L-1; kow: 44,7; e koc médio de 60 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É moderadamente adsorvido em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila. É um herbicida muito dependente das condições edafoclimáticas para seu bom funcionamento. Quando aplicado na superfície de solo seco e persistir nesta condição por sete dias,
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é desativado por fotodegra¬dação (SILVA, 1989). O metribuzin é também facilmente lixiviado no solo, não sendo recomendado seu uso em solo arenoso e, ou, com baixo teor de matéria orgânica. É absorvido tanto pelas folhas quanto pelas raízes. Controla diversas espécies de dicotiledôneas e algumas gramíneas. É recomendado para aplicação em pré-emergência nas culturas de batata, tomate, soja, café, cana-de-açúcar e mandioca para o controle de diversas infestantes dicotiledôneas. Não apresenta nenhum controle sobre Euphorbia heterophylla. Na cultura do tomate conduzida em semeadura direta, deve ser usado exclusivamente em pré-emergência, logo após a semeadura. No tomate transplantado, poderá ser usado também em pós-emergência, até dezdias após o transplante das mudas. É utilizado em misturas com outros herbicidas, especial¬mente com trifluralin e metolachlor, na cultura da soja. Linuron

O N-(3,4-diclorofenil)-N-metoxi-N-metiluréia (linuron) é um herbicida derivado do grupo das uréias, que apresenta solubilidade em água de 75 mg L-1, pka: zero; kow: 1.010; e koc médio de 400 mg g-1 de solo. É adsorvido principalmente em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila, sendo pouco lixiviável nestes tipos de solo, apresentando persistência de 2 a 5 meses. É recomendado para uso em soja, algodão, milho, batata, cenoura, rabanete, alho, cebola, etc., principalmente para aplicações em pré-emergência. Nas culturas de cenoura e de cebola, pode também ser usado em pós-emergência, quando as plantas daninhas estiverem com 1-2 pares de folhas. É mais facilmente absorvido pelas raízes, tendo a sua atividade muito influenciada pelas caracterís¬ticas físico-químicas do solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Diuron

O N`-(3,4-diclorofenil)-N,N-dimetiluréia (diuron) apresenta solubilidade em água de 42 mg L-1; pka: zero; kow: 589; e koc médio de 480 mg g-1 de solo e uma meia-vida média no solo de 90 dias com persistência de 4-8 meses (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É muito adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, sendo sua atividade altamente influenciada pelas características físico-químicas do solo; por esta razão, é pouco móvel no perfil do solo. Esta característica garante a “seletividade toponômica” do diuron para o algodão e outras culturas em solos de textura média a pesada. Todavia, em solos de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica, o diuron pode atingir o sistema radicular das culturas, tornando-as sensíveis. É recomendado para as culturas de algodão, cana-de-açúcar, citros, abacaxi, mandioca, seringueira, pimenta-do-reino, cacau, etc., para
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o controle de gramíneas e dicotiledôneas, sendo facilmente absorvido pelas raízes das plantas. O diuron, também, é muito recomendado em misturas com diversos herbicidas (paraquat, ametryn, 2,4-D, tebuthiuron, atrazine, MSMA, etc.), para uso em plantio direto, em aplicações dirigidas em diferentes culturas, em sistemas de plantio direto e convencional. Tebuthiuron

O N-[5-(1,1-dimetiletil)-1,3,4-tiadiazol-2-il]-N,N’-dimetiluréia (tebuthiuron) possui solubilidade em água de 2.570 mg L-1; pka: zero; kow: 671 e koc médio de 80 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, apresentando média lixiviação no perfil do solo. Quando usado em doses elevadas em cana-de-açúcar, recomenda-se não cultivar culturas sensíveis ao tebuthiuron, como feijão, amendoim e soja por um período inferior a dois anos e a três anos quando aplicado em pastagem. A persistência do tebuthiuron em regiões de elevada precipitação pluvial é de 12 a 15 meses; todavia, esta persistência é muito maior em regiões sujeitas a déficits hídricos prolongados. No Brasil, é recomendado para uso em cana-de-açúcar, pastagens e áreas nãocultivadas. Controla largo espectro de dicotiledôneas e monocotiledôneas anuais e perenes. É formulado como pó-molhável e suspensão concentrada. É recomendado para uso em préemergência na cultura da cana-de-açúcar, em aplicação isolada ou em misturas com outros produtos para o controle de plantas daninhas de folhas estreitas e largas que se propagam por sementes (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Também pode ser usado para eliminar árvores ou arbustos em pastagens. Neste caso, apresenta efeito lento, podendo demorar de 3 a 12 meses para eliminar a planta. Bentazon

O 3-(1-metiletil)-(1H)-2,1,3-benzotiodiazinona-4(3H)-ona 2-dióxido (bentazon) apre-senta solubilidade em água de 500 mg L-1; kow: 0,35; e koc médio de 34 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo, mostrando potencial de lixiviação muito reduzido, não sendo encontrado em profundidades superiores a 20 cm. Apresenta curta persistência no solo (inferior a 20 dias), não se observando efeito residual em culturas sucessoras (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para as culturas de amendoim, arroz, feijão, milho, soja e trigo. É utilizado exclusivamente em pós-emergência, devido à reduzida absorção radicular. Recomenda-se adição de um adjuvante oleoso à calda, para lhe facilitar a absorção por algumas
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primeiro o graminicida e. para os carbamatos. após as aplicações. Deve ser aplicado sobre plantas daninhas no estádio de 2 a 4 folhas.4-diclorofenil) propanamida (propanil) apresenta solubilidade em água de 500 mg L . no tanque. aplica-se. Deve ser usado em aplicações seqüenciais com inseticidas: com os organofosforados observar intervalo mínimo entre as aplicações de 15 dias e. preferencialmente. e koc médio de 149 mg g-1 de solo. Ipomoea grandifolia. pka: zero. sendo decomposto basicamente por microrganismos. Controla com eficiência diversas espécies de gramíneas. Propanil O N-(3. no início do desenvolvimento (2 a 3 folhas). umidade relativa do ar inferior a 70% e excesso de chuva. Commelina benghalensis. o uso de óleo mineral torna-se mais necessário. o bentazon. nestas condições. Não utilizá-lo em lavouras onde as sementes foram tratadas com carbofuran (RODRIGUES. kow: 193. estando estas com bom vigor vegetativo. Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. entre elas Acanthospermum australe. 2005). ALMEIDA. Rhaphanus raphanistrum. dicotiledôneas e ciperáceas. horas de calor. com herbicidas recomendados para controlar plantas daninhas de folhas largas. ou com a cultura em precárias condições vegetativas. preferencialmente. -1 Módulo 3. exceto para a cultura do feijão onde a adição do adjuvante não é recomendada pois pode causar fitotoxicidade. Não atua sobre gramíneas. É fracamente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. de apenas três dias. evitando períodos de estiagem. A aplicação simultânea induz efeito antagônico. Bidens pilosa. pois inibem a enzima arilacilamidase responsável pelo rápido metabolismo do propanil nas plantas de arroz. Contudo é totalmente ineficiente no controle de Euphorbia heterophylla e Amaranthus sp. É recomendado em pós-emergência da cultura do arroz e das plantas daninhas. além de outras. Controla diversas espécies de folhas largas anuais. com estas. inseticidas e fertilizantes foliares podem quebrar-lhe a seletividade para a cultura do arroz. evitando períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60%. É muito comum o uso do propanil em mistura com outros herbicidas. quando a infestação do terreno incluir espécies que lhe são tolerantes. fitossanitárias ou cobertas de orvalho. razão pela qual. Todavia. Não se adiciona surfatante à calda. visando aumentar o espectro de controle das plantas daninhas. para assegurar sua absorção pelas plantas. visto que são comuns as combinações com graminicidas pós-emergentes.2 . 30 dias.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas espécies de plantas daninhas. as misturas com fungicidas. A eficácia é maior a temperaturas altas e reduz quando abaixo de 16 oC. em um intervalo de três dias. É compatível com a maioria dos herbicidas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 67 . Apresenta persistência muita curta no solo. É comum ser utilizado em mistura. no inverno. Requer um período de seis horas sem chuva.

que pode variar com a dose aplicada. para que ela seja efetivamente controlada.Mecanismo de ação A atividade destes herbicidas é expressa por necrose foliar da planta tratada em pósemergência. Como estes herbicidas não se movimentam dentro da planta. se manifesta nas plantas próximo da superfície do solo. ou seja. dando a impressão de que estão encharcadas pelo rompimento da membrana celular e 68 Módulo 3. • A persistência no solo varia consideravelmente entre os herbicidas deste grupo. os herbicidas deste grupo não têm ação. em decor¬rência do uso repetido destes.3. • São poucos os relatos na literatura sobre o aparecimento de plantas daninhas que adquiriram resistência a estes herbicidas. • A atividade herbicida acontece na presença da luz. Os primeiros sintomas são manchas verde-escuras nas folhas. 4. podendo variar de alguns dias a vários meses. no escuro. • A toxicidade para pássaros e mamíferos é baixa. É comum ocorrer danos em culturas sucedâneas quando não se observa o período residual recomendado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. É preciso que haja boa cobertura da planta. pelos caules e pelas folhas de plantas jovens. • As partes tratadas da planta que são expostas à luz morrem rapidamente (dentro de um a dois dias). enquanto para peixes ela varia de baixa a moderada. Principais características As principais características dos herbicidas inibidores da Protox (WARREN. • Há muito pouca ou praticamente nenhuma translocação nas plantas tratadas. durante a emergência das plântulas • A incorporação ao solo diminui a ação destes herbicidas. • A ação tóxica dos herbicidas inibidores da Protox.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .3 . tipo de solo e condições climáticas.1.2 . • Os difeniléteres são fortemente adsorvidos pela matéria orgânica do solo e muito pouco lixiviados. as necroses foliares têm o formato e a intensidade das gotículas de pulverização.2 .Herbicidas inibidores da Protox 4. em razão da maior sorção destes aos colóides do solo. HESS. após 4-6 horas de luz solar. quando aplicados em préemergência. 1995) são: • Herbicidas deste grupo podem penetrar pelas raízes.3.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas derramamento de líquido citoplasmático nos intervalos celulares (Fig. foi mostrado que a enzima inibida pelos herbicidas do grupo dos difeniléteres era a protoporfirinogênio oxidase. Figura 4 – Sintomas de intoxicação em plantas de pepino tratadas com fomesafen (A) e efeito residual no solo (carryover) em folhas de milho (B) Após a absorção e pequena translocação destes herbicidas até o local de ação. responsável pela formação da Mg-protoporfirina IX. Foi mostrado que a protoporirina IX é acumulada fora dos plastídios. A protoporfirina IX formada no citoplasma. a luz é sempre necessária para a ação herbicida. sai do centro de reação do cloroplasto quando a Protox é inibida e se acumula no citoplasma. No período de 1988-89. A estes sintomas iniciais segue-se a necrose. ácido levulênico. Quando estes herbicidas são usados em pré-emergência. surgiram vários trabalhos que ajudaram no entendimento do mecanismo de ação desses herbicidas.2 . 4A). Módulo 3. outras publicações comprovaram que o pigmento envolvido era a protoporfirina IX. sem Mg. 1995). houve a formação de grande quantidade de oxigênio singleto (O2).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 69 . Em seguida. e o produto formado não serve de substrato para a enzima Mg-quelatase. Finalmente. Esse pigmento interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (O2). o sintoma característico é a necrose do tecido que entrou em contato com o herbicida (WARREN. como é que a protoporfirina IX estaria sendo acumulada? Num trabalho de 1993. tratando-se cloroplastos com um herbicida do grupo difenil-éter. A oxidação enzimática ocorre então no citoplasma. não reduziu o dano ocasionado pela aplicação de um difeniléter. o tecido é danificado por contato com o herbicida. Foi descoberto também que substâncias capazes de inibir a síntese da protoporfirina IX (gabaculina. Ficou então uma questão crucial para ser respondida: se a Protox é inibida. no momento em que a plântula emerge. precursor da protoporfirina IX. um precursor da clorofila. reconhecidamente capaz de iniciar o processo de peroxidação de lipídios. em tecidos tratados com os difeniléteres.6-dioxoheptanóico) serviam de proteção contra os difeniléteres. Similarmente à aplicação pósemergência. ou mesmo de um mutante de planta amarelo (não-fotossintetizante). HESS. Estas experiências demonstraram que o requerimento de luz para a atividade herbicida dos difeniléteres não está relacionado com a fotossíntese. foi verificado que o protoporfirinogênio IX. conhecida simples¬mente pela abreviatura Protox. Primeiramente foi mostrado que. Experiências realizadas por vários autores mostraram que o uso de um herbicida inibidor do transporte de elétrons na fotossíntese (diuron). ácido 4.

83. A acumula¬ção de protoporfirina em células humanas é conhecida por estar associada com algumas doenças. Uma explicação final deve ser dada sobre o fato de que a protopor¬firina IX se acumula muito rapidamente em células de plantas tratadas com um difeniléter ou oxadiazon. Com a inibição da protox no cloroplasto. provoca níveis elevados de porfirina. Oxadiazon. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas estando estas no estádio de 2 a 4 folhas. como a protoporfiria. variando de dois a seis meses (ALMEIDA.2 . deixando de haver o controle sobre a síntese de ALA. por exemplo. Ipomoea grandifolia. O padrão de acumulação é o mesmo observado na doença Porfiria variegata. 2005). O grupo heme é conhecido pela ação de controle na síntese do ácido aminolevulínico (ALA). RODRIGUES. pka: 2. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais. a síntese de heme é também inibida. Recomenda-se observar um intervalo mínimo de 150 dias entre a aplicação do fomesafen e a semeadura de milho e. sorgo. A acumulação rápida da protoporfirina IX sugere um descontrole na rota metabólica de síntese desta. a oxidação pela Protox no citoplasma. Esse fato sugere um manuseio bem cuidadoso desses herbicidas. a formação da protoporfirina IX. o aparecimento do oxigênio singleto (forma reativa do oxigênnio) e a peroxidação dos ácidos graxos insaturados da plasmalema (WARREN. quando adicionado na dieta de ratos. Amaranthus hybridus.3. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. Persistência alta no solo na dose recomendada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (‘O2) e iniciar o processo de peroxidação dos lipídios da plasmalema. daí o aparecimento de necroses de forma tão rápida (4-6 horas).Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX Fomesafen O 5-(2-cloro-4-(trifluorometil) fenoxi-N-(metilsulfonil)-2-nitrobenzamida (fomesafen) apresenta solubilidade em água de 50 mg L-1 (ácido). e koc médio de 60 mg g-1 de solo. 1995). ou. Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. precursor na planta dos citocromos. kow: 794. a partir do glutamato. que é sintetizado a partir da protoporfirina IX com a interferência da Fe quelatase. entre elas Acanthospermum australe. Bidens pilosa. Requer uma hora sem 70 Módulo 3. Euphorbia heterophylla. Deve-se adicionar à calda o adjuvante recomendado pelo fabricante. Vale a pena salientar que a enzima protoporfirinogênio oxidase (protox) ocorre também nos mitocôndrios de células animais e que a enzima encontrada nos mitocôndrios é mais sensível aos herbicidas difeniléteres do que a enzima encontrada nos cloroplastos. HESS. a saída para o citoplasma. As conseqüências do descontrole são o aumento rápido do protoporfirinogênio IX. evitando períodos de estiagem. É registrado no Brasil para as culturas de soja e feijão.3 . 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . além de outras. A explicação mais plausível é a inibição da síntese do grupo heme.

400. RODRIGUES. arroz e amendoim.2 . kow: 29. café. além de outras. ser ainda maior em viveiros. O lactofen tem meia-vida no solo de três dias sendo completamente dissipado em menos de 30 dias. visando aumentar espectro de controle de plantas daninhas. visando aumentar o espectro de controle de plantas daninhas de folhas largas e. não afetando as culturas em sucessão. O produto provoca intoxicação à cultura da soja. podendo. 2005). É utilizado em pré e pós emergência precoce. é resistente à lixiviação no perfil do solo. 2005). por isso. Em Módulo 3. como Euphorbia heterophylla. videira.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorrência de chuvas após a aplicação. devido às condições de umidade e sombreamento (ALMEIDA. também. para assegurar a absorção pelas plantas daninhas. para inibir o aparecimento de biótipos resistentes a herbicidas. para o controle em pós-emergência de plantas daninhas dicotiledôneas e gramíneas e também com outros herbicidas. É registrado no Brasil para as culturas de soja. Controla gramíneas e algumas espécies de dicotiledôneas. É registrado no Brasil para as culturas de algodão. mas a cultura se recupera. cana-de-açúcar. citros.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 71 . pka: zero. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas.000 mg g-1de solo. sendo utilizado em outros países. Commelina benghalensis. eucalipto e pinho. e koc médio de 100. apresentando muito baixa lixiviação no perfil do solo (ALMEIDA. com clorose e necrose foliar e redução e crescimento. dependendo da exigência da cultura. É comum ser utilizado em mistura com o fluazifop-p-butil. RODRIGUES. incluindo algumas espécies-problema. Lactofen O 2-etoxi-1-metil-2-oxoetil-5-[2-cloro-4-(trifluorometil)fenoxi-2-nitrobenzoato (lactofen) apresenta solubilidade em água de 0. também. milho e amendoim.000 mg g-1de solo. no estádio de 2 a 4 folhas.1 mg L-1. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais.1 mg L-1. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais e. Apresenta meia-vida de 30 a 40 dias e persistência média de seis meses no solo. esta. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais. Sida rhombifolia. pka: zero e koc médio de 10. É comum ser utilizado em mistura no tanque com outros herbicidas. Sua degradação no solo é essencialmente por fotólise e insignificante por microrganismos. arroz. ambas anuais. Oxyfluorfen O 2-cloro-1-(3-etoxi-4-nitrofenoxi)-4-(trifluorometil)benzeno (oxyfluorfen) apresenta solubilidade em água < 0. nas culturas de nogueira.

Nestas culturas deve ser utilizado em pré-emergência. quando estas atingirem a fase de duas folhas. exige umidade no solo no momento da aplicação para penetrar neste. se necessário. kow: 63. é utilizado tanto em viveiros quanto em cafezais jovens e adultos. quando usado em pré emergência. após a rega. Em arroz irrigado. Oxadiazon O 3-[4. em que se faz em jato dirigido. aplica-se logo após o plantio. apresenta lixiviação e movimentação lateral insignificantes. ALMEIDA. de forma a não atingir o algodoeiro. cebola. com as plantas daninhas ainda não emergidas. Aplicar após o cultivo. é usado quando a cultura atinge desenvolvimento superior a 50 cm de altura. atuando unicamente sobre órgãos da parte aérea. é recomendado para as culturas de arroz. Em viveiros. recomenda-se usar adjuvantes na calda. Em cafezais adultos. Em plantações de eucalipto e pinho. Quando utilizado em pós-emergência. deve ser aplicado em préemergência das plantas daninhas. Não é metabolizado nas plantas. Em cenoura. dependendo da dose aplicada. protetores de bicos. e koc médio: 3. também em pré72 Módulo 3. provoca o fechamento dos estômatos e deterioração das membranas celulares. com elas mais desenvolvidas. Em café.100. deve ser aplicado logo após a semeadura. cenoura e cana-de-açúcar. também. age sobre o hipocótilo das plantas em germinação e nos meristemas foliares.3. aplicá-lo em mistura com o MSMA. podendo ser pulverizado sobre as plantas. em pré-emergência das plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas razão da sensibilidade à fotodecomposição. aplica-se logo após a semeadura ou até cinco dias depois. podendo se reaplicar depois que as referidas culturas atinjam a fase de três folhas. Na cultura do arroz. Em préemer¬gência. Sua persistência no solo é de dois a seis meses. porém antes da emergência do arroz. de maneira geral.2-dicloro-5(1-metiletoxi)fenil]-5-(dimetietil)-1. Em cana-de-açúcar. antes da emergência das plantas daninhas. preferencialmente. 2005).7 mg L-1 . em préemergência das plantas daninhas.2 . em jato dirigido.200 mg g-1 de solo. ocasionando colapso das células. na faixa de plantio. pouco móvel. em pré-emer¬gência das plantas daninhas. por esta razão e devido à sua baixa solubilidade em água. exceto nas variedades de eucalipto de folha pilosa. pode ser usado em pré ou pós-emergência das plantas daninhas. sendo pouco absorvido pelo sistema radicular e. as culturas que se reproduzem por bulbo são bastante tolerantes ao oxadiazon. Não tem ação sobre os tecidos radiculares. aplica-se logo após o plantio. podendo ser feitas duas aplicações anuais. Em cafezais jovens. O alho e a cebola e. é utilizado em pré-emergência das plantas daninhas. alho. e. em solo úmido. no máximo. pka: zero. deve ser aplicado logo após a arruação ou esparramação. Em algodão. evitando a ação dos raios solares. em aplicação dirigida.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo. na cana-soca. do tipo de solo e das condições climáticas (RODRIGUES. em solo úmido. Quando usado em pós-emergência. logo após o corte. ou. No Brasil. de forma a não atingir a folhagem. logo após o plantio.4-oxadiazol-2-(3H)-ona (oxadiazon) apresenta solubilidade em água de 0. Usar.

Todos estes compostos (grupo das dinitroanilinas) interferem no movimento normal dos cromos¬somas durante a seqüência mitótica.Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos 4.) na cultura de cana-de-açúcar. etc. e responsáveis pela movimentação dos cromossomas para os pólos da célula. 4.1 . 5 e 6).4. a formação do fuso cromático e movimentação dos cromossomas na fase da mitose (Figs. É comum aplicar o oxadiazon em misturas com herbicidas residuais (diuron.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas emergência das invasoras. O fuso cromático é formado por proteínas microtubulares denominadas tubulinas. pendimethalin e oryzalin). Estes herbicidas inibem o crescimento da radícula e a formação das raízes secundárias. Eles provocam a ruptura da seqüência mitótica (prófase > metáfase > anáfase > telófase) já iniciada (HESS.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 73 . tendo como conseqüência o aparecimento de células multinucleadas (aberrações). As dinitroanilinas inibem a polimerização destas proteínas e. Apresentam ótima ação no controle de gramíneas. porque a sua ação principal se manifesta pelo impedimen¬to da formação do sistema radicular das plantas.4. Estas proteínas são contráteis. que corresponde à migração dos cromossomas da parte equatorial para os pólos das células.2 . Apresentam de moderada a muito baixa movimentação no solo.4 . simazine. conseqüentemente. São eficientes apenas quando usados em pré-emergência. Possuem pouca ou nenhuma atividade foliar. Módulo 3. O efeito direto é sobre a divisão celular. semelhantemente à actimiosina encontrada nos músculos dos animais. 4. Repetidas aplicações não resultam na maior degradação microbioló¬gica.Mecanismo de ação Estes herbicidas pertencem ao grupo das dinitroanilinas (trifluralin. Todos os herbicidas deste grupo apresentam de moderada a baixa toxicidade para mamíferos.Principais características • • • • • • Paralisam o crescimento das raízes. ametryn. 1995b). Interferem em uma das fases da mitose.

e outras. necessita ser incorporado mecanicamente ao solo logo após a sua aplicação (RODRIGUES. algodão. a forte adsorção pode impedir a absorção 74 Módulo 3.Seqüência normal da mitose Figura 6 . feijão. cucurbitá¬ceas.1x10-4 mm Hg a 25 °C). pimentão.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . em solos ricos em matéria orgânica. É fortemente adsorvido pelos colóides da matéria orgânica e pouco pelos da argila. 2005). sendo recomendado para as culturas de soja. cebola.3 .6-dinitro-N-N-dipropil-4-(trifluorometil) benzoamina (trifluralin) é um herbicida que apresenta excelente ação sobre as gramíneas anuais e perenes oriundas de sementes.3 mg L-1 a 25 °C). sensível à luz e de solubilidade em água extremamente baixa (0. tomate. beterraba. brássicas.2 . ervilha. alfafa.Mitose interrompida pela ação de herbicidas derivados das dininitoanilinas 4. alho.4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 .Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos Trifluralin O 2. ALMEIDA. quiabo. Por ser um produto volátil (pressão de vapor de 1.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas do trifluralin pelas raízes das plantas.. arroz.200 mg g-1 de solo.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA) 4. Sua persistência no solo varia de 3 a 6 meses de acordo com o solo. em 1954 (CDAA) (SLIFE. sua lixiviação é muito baixa e as doses recomendadas se dão em função das características físico-químicas do solo. milho.2 . cebola. As princi¬pais características dos herbicidas do grupo das cloroacetamidas são: Módulo 3.4-dimetil-2. Não há relatórios também sobre aumento de biodegradação no solo. Apresenta pka: zero. É recomendado para uso em pré emergência da planta daninha e da cultura ou em PPI.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 75 . alho. por esta razão. a dose aplicada e as condições climáticas (RODRIGUES. é muito reduzida.1 . A dose recomendada varia de acordo com as características fisico-químicas do solo.6-dinitrobenzenoamina (pendimethalin) é registrado no Brasil para controle de gramíneas nas seguintes culturas: algodão. Apre¬senta degradação lenta no solo. soja. tabaco e trigo. não existem ainda relatos do aparecimento de gramí¬neas que tenham adquirido resistência a esses herbicidas.Principais características As cloroacetanilidas têm sido um dos grupos de herbicidas mais usados no mundo. causar danos à cultura sucessora. motivo pelo qual não é aconselhável seu uso nestas condições. assim como o movimento lateral no solo. É um herbicida de média volatilidade (pressão de vapor de 9. 1995). O pendimethalin apresenta solubilidade de 0. kow: 118. amendoim.4x10-5 mm Hg). provocando inibição do crescimento radicular desta (SILVA et al.5. 4. 2005). É fortemente adsorvido pelos colóides do solo. e koc médio de 7.3 mg L-1. feijão. kow: 152.000. depois do glyphosate é o grupo de herbicida mais utilizado. Apesar do uso contínuo por tantos anos. É absorvido principalmente pela radícula e praticamente não se transloca na planta. A lixiviação. 1998). ALMEIDA. cana-de-açúcar. pka zero. desde o lançamento do primeiro herbicida desse grupo. e koc médio de 17. por causa do uso extensivo em soja e milho.5 . em alguns casos de rotação de culturas (feijão/milho) em áreas de baixa fertilidade e mal manejadas. Pendimethalin O N-(1-etilpropil)-3. motivo pelo qual a incorporação é recomendável em condições de solo seco e com período de estiagem.000 mg g-1 de solo. Nos Estados Unidos da América do Norte. podendo.000. café. sensível à luz e pouco móvel no solo.

terpenos. As cloroacetanilidas apresentam normalmente pressão de vapor de média a alta. De maneira geral. o efeito inibitório causado pelo alachlor é maior sobre as raízes. possibili¬tando a utilização desses herbicidas nesta cultura. em préemergência.2 . Cada cloroacetanilida que apareceu no mercado depois do herbicida CDAA apresentou características um pouco diferentes das outras.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . não há registros de problemas com deriva. as sementes iniciam o processo de germinação. Em combinação com outros herbicidas. exibem crescimento anormal. pássaros e mamíferos é muito baixa. As cloroacetanilidas são aparentemente absorvidas pelas raízes (dicotiledôneas) e pelas partes acima da semente epicótilo (principal¬mente gramíneas). naturalmente sensível a eles. A mobilidade no solo varia entre os herbicidas deste grupo e depende das condições de umidade e do teor de matéria orgânica do solo. isoladamente. Em áreas tratadas com cloroacetanilidas. 1995). A toxicidade das cloroacetanilidas a peixes. Há relatórios que as relacionam com a inibição da divisão celular e interferência com controle hormonal (SLIFE. porém. 4. as cloroacetanilidas apresentam de baixa a média mobilidade nos solos. Exemplo deste uso é a proteção do sorgo contra cloroacetanilidas. ácidos graxos.5. pelo fato de não terem ação pós-emergente. Os dados existentes indicam translocação muito pequena. é muito difícil o estudo de translocação. flavonóides e proteínas. as doses têm sido reduzidas.Mecanismo de ação das cloroacetanilidas Apesar de ter sido estudado extensivamente. as cloroacetanilidas podem auxiliar no controle de dicotiledôneas. de espécies daninhas gramíneas e comelináceas. mas não chegam a emergir. quando o fazem. em dicotiledôneas (por exemplo. Em razão de os efeitos desses herbicidas estarem ligados somente as plântulas. e. logo após a emergência. Gramíneas mostram inibição da emergência da primeira folha do coleóptilo. 76 Módulo 3. o controle não é consistente. Devido a problemas de tolerância. A hipótese mais aceita atualmente é a inibição de ácidos graxos de cadeias muito longas. o mecanismo bioquí¬mico primário de ação das cloroacetanilidas ainda não é bem conhecido. Muitos efeitos diferentes sobre vários processos bioquímicos já foram mostrados. o algodoeiro). De modo geral. mas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Controlam plântulas de muitas espécies de gramíneas anuais e algumas dicotiledôneas antes da emergência ou mesmo plantinhas.2 . As cloroacetanilidas estão relacionadas com a inibição da sín¬tese de lipídios. O maior uso das cloroacetanilidas está ligado ao controle. ciperáceas mostram inibição da parte aérea. é um dos grupos mais estudados e com o qual mais se têm usado os protetores de herbicida. o efeito residual no solo tem aumentado e a dependência dos fatores do solo tem diminuído.

sendo este transferido (por exemplo. As cloroacetanilidas podem também alquilar aminoacil tRNAs específicos e.5. etc. sendo esta enzima o ponto de começo de muitas rotas metabólicas. amendoim e girassol. Em café novo ou recepado.. diuron ou atrazine. não se deve utilizá-lo em solos arenosos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos efeitos bioquímicos e fisiológicos relatados sobre o modo de ação destes herbicidas pode ser interpretada com base na inibição da síntese de proteínas. É adsorvido pelos colóides do solo. terpenos. ou. pode-se cultivar milho. antes da emergência das plantas daninhas. 4. Os efeitos das cloroacetanilidas sobre a síntese de gorduras podem ser atribuídos à interferência no metabolismo da CoA. Módulo 3. Pelo menos “in vitro”. soja ou amen¬doim no terreno tratado. é comum misturá-lo com atrazine ou cyanazine. em condições de alta infestação de Brachiaria plantaginea. ALMEIDA. exceto em solos arenosos e.Características de algumas cloroacetanilidas Alachlor O 2-cloro-2. aplicá-lo após a arruação ou esparramação. Quando aplicado em solo seco. Em café. kow 794. recomenda-se a mistura com graminicidas ou aplicação em seqüência ao trifluralin incorporado. mistura-se com metribuzin. estando o solo com boas condições de umidade. inibir a síntese de proteínas. já foi mostrado que o herbicida alachlor é capaz de alquilar CoA. Richardia brasiliensis ou Sida sp. Em soja. logo após a semeadura da cultura. variável com o tipo de solo e as condições climáticas. sendo usado em pré-emergência.2 . podendo ser misturado com ametryn.3 . o grupo amino do metionil-tRNA inicial). Em algodão. possuindo média a baixa mobilidade no solo e persistência de 6 a 20 semanas. se não chover no prazo de até cinco dias. Em milho. As cloroacetanilidas são conhecidas como agentes alquilantes e podem agir alquilando nucleófilos biológi¬cos. com isso. a eficácia do produto reduz. incluindo lipídios. Em cana-de-açúcar.6-dietil-N-(metoximetil)acetanilida (alachlor) é recomendado para controle de diversas espécies de gramíneas e comelináceas. deve ser utilizado logo após o plantio. se a infestação for de Bidens pilosa.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 77 . Apresenta solubilidade em água de 242 mg L-1. e koc médio de 120 mg g-1 de solo (RODRIGUES. A retirada do nucleófilo pode acontecer entre o halogênio das cloroacetanilidas e o nucleófilo. ácidos graxos. 2005). com baixo teor de matéria orgânica. pka: zero.

metribuzin. apresentando persistência de 8 a 12 semanas. milho e soja. ou. sua lixiviação é fraca a moderada. entre outros. sendo usado em outros países. livre de torrões. kow: 3. é largamente utilizado em mistura com o atrazine. também. cyanazine. É sorvido pelos colóides de argila e matéria orgânica. e koc médio de 200 mg g-1 de solo. Controla essencialmente gramíneas anuais e algumas perenes de reprodução seminal. 78 Módulo 3. Pelo fato de sua absorção ser quase total pelo coleóptilo das gramíneas e pelo epicótilo das dicotiledôneas. é essencial que sua aplicação seja feita antes da completa emergência das plantas. Em milho. sorgo e plantas ornamentais. a sua eficácia ficará comprometida se aplicado em solo seco e não ocorrer uma chuva de intensidade superior a 10mm no espaço de cinco dias (RODRIGUES. devendo ser aplicado em seguida à semeadura.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo. girassol. Apresenta solubilidade em água de 488 mg L-1. usa-se em cana-planta. A terra deve estar bem preparada. Em feijão. como atrazine.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas S-metolachlor O 2-cloro-N-(2-etil-6-metilfenil)-N-[(1S)-2-metoxi-1-metiletil)]acetanilida (s-metolachlor) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar. Devido à sensibilidade do s-metolachlor. ALMEIDA. mas no prazo máximo de três dias após a ultima gradagem. pka zero e kow 300. por provocar inoxicação à cultura. recomenda-se sua aplicação logo após a semeadura. deve ser aplicado logo após a arruação e. etc. à fotodegradação e à volatilização. Acetochlor O 2-cloro-N-(etoximetil)-N-(2-etil-6-metilfenil) acetanilida (acetochlor) é recomendado para uso em pré-emergência das plantas daninhas. Para aumentar o espectro de ação sobre estas espécies. sendo pouco lixiviado. esparramação. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. pka: zero. Em café. 2005). é utilizado apenas em pré-emergência das plantas daninhas. Apresenta solubilidade em água de 223 mg L-1. Em razão de sua absorção foliar ser quase nula. das condições climáticas e do tipo de solo. restos de culturas e em boas condições de umidade. sendo comum a mistura com outros herbicidas. as comelináceas e um número reduzido de latifoliadas. exceto em solos arenosos. dependendo da dose utilizada.2 . para culturas de amendoim. é comum misturá-lo com latifolicidas. não deve ser utilizado em solos arenosos. podendo ser misturado. batata. Em milho. Em cana-de-açúcar. logo depois do plantio. feijão. por esta razão.05.

em pré-colheita para diversas culturas. Estes radicais livres formados pelos herbicidas paraquat e diquat não são os agentes responsáveis pelos sintomas de intoxicação observados. para mamíferos. WARREN. Vale ressaltar que este não é o único sítio de ação destes herbicidas. exceto em solos arenosos e. 4. porque pequena atividade destes produtos é observada. podendo ser misturado. Módulo 3. na presença de luz. em aplicações dirigidas em diversas culturas. 4. Nesta condição. Estes compostos possuem a capacidade de captar elétrons provenientes da fotossíntese (no fotossistema I) e formarem radicais livres. (WELLER. a morte das plantas devido à ação destes herbicidas é tão rápida na presença da luz que não dá tempo de eles se translocarem na planta. verifica-se severa injúria nas folhas das plantas tratadas (necrose do limbo foliar). São rapidamente absorvidos pelas folhas.6. A ação destes herbicidas é muito mais rápida na presença da luz do que no escuro. 1995a). no escuro.Mecanismo de ação Poucas horas após a aplicação destes herbicidas. Este composto e os superóxidos. Durante o processo de auto-oxidação são produzidos radicais de superóxidos. aplica-se logo após a semeadura. também. formulados em solução aquosa. produzindo radicais hidroxil. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. como dessecantes. para formarem os radicais tóxicos. sendo largamente utilizados como dessecantes no “plantio direto”. em várias partes do mundo e.6. A toxicidade do diquat é alta e a do paraquat é muito alta. ocasionando o vazamento do conteúdo celular e a morte do tecido.6 . também. Usualmente. São cátions fortes. 4. os quais sofrem o processo de dismutação. Estes radicais são instáveis e rapidamente sofrem a auto-oxidação. O local de captura dos elétrons está próximo a ferredoxina e sua velocidade de ação depende da intensidade luminosa. com baixo teor de matéria orgânica. entre outros. reagem. para formarem o peróxido de hidrogênio. chuvas após 30 minutos de sua aplicação não mais influenciam a eficiência de controle das plantas daninhas. na presença de Mg. Em soja. por isso. Esta substância promove a degradação rápida das membranas (peroxidação de lipídios).2 . com metribuzin.2 .1 . São rapidamente adsorvidos e inativados pelos colóides do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas com atrazine ou cyanazine. ou.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 79 . estes herbicidas capturam os elétrons provenientes da respiração.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I São herbicidas derivados da amônia quaternária (paraquat e diquat).Características gerais • • • • • • • São altamente solúveis em água e.

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4.6.3 - Principal herbicida do grupo Paraquat

O 1,1’-dimetil-4,4’-dicloreto de piridilio íon (paraquat) é um herbicida altamente solúvel em água (620.000 mg L-1); pka: zero; kow: 4,5; e koc estimada de 1.000.000 mg g-1 de solo. É inativado ao entrar em contato com o solo, por completa adsorção do cátion à argila. Esta ocorre devido à dupla carga positiva da molécula do paraquat, formando complexos com os locais de carga negativa, de onde não é removido mesmo com lavagens de solução saturada de sais, só sendo recuperado por fragmentação da argila com ácido sulfúrico 18 N. Por esta razão, sua lixiviação é nula e sua decomposição microbiana no solo é muito lenta. O paraquat pode ser usado para: • • • • • Dessecante em “plantio direto”. Para este fim, o paraquat é muito utilizado em mistura com o diuron, formando o Gramocil. Em pré-emergência de culturas, porém em pós-emergência das plantas daninhas. Aplicações dirigidas em culturas de milho, algodão, café, fruteiras e outras. Dessecante, em pré-colheita, para diversas culturas, visando viabilizar colheita mecânica e melhor qualidade fisiologia de sementes (DOMINGOS et al., 2001). Para limpeza de áreas não-cultivadas.

4.7 - Herbicidas inibidores da acetolactato sintase Os herbicidas derivados das sulfoniluréias, comercializados pela primeira vez em 1982, apresentam alto nível de atividade em doses muito pequenas. Atualmente, há vários herbicidas deste grupo no mercado. Através de pequenas modificações na estrutura química, a seletividade pode ser alterada de uma cultura para outra. Exemplos de culturas que são tolerantes a um ou mais herbicidas desse grupo químico são trigo, soja, arroz, milho, feijão, batata, beterraba, algodão, coníferas, canade-açúcar, etc. As sulfoniluréias inibem a síntese dos chamados aminoácidos ramificados (leucina, isoleucina e valina), através da inibição da enzima Aceto Lactato Sintase (ALS); esta inibição interrompe a síntese protéica, que, por sua vez, interfere na síntese do DNA e no crescimento celular. As plantas sensíveis tornam-se cloróticas, definham e morrem, no prazo de 7 a 14 dias após o tratamento. Essa enzima é inibida, também, pelos herbicidas dos grupos químicos imidazolinonas, triazolopyrimidines ou sulfonamidas e pyrimidinyl-oxybenzoatos (THILL, 1995; THILL, 2003a; BRIDGES, 2003c). Apesar do pouco tempo de uso, a literatura já registra muitas espécies de plantas daninhas que desenvolveram resistência aos inibidores da ALS.

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As principais características das sulfoniluréias são: • • Alguns são ativos em doses extremamente baixas; exemplo: o metsulfuronmethyl, que apresenta atividade na dose de 2 g ha-1 A maioria das sulfoniluréias apresenta bom controle de muitas espécies de folhas largas (dicotiledôneas); todavia, algumas possuem, também, ótima atividade contra gramíneas. A toxicidade aguda para mamíferos é muito baixa (5.500–6.500 mg kg-1 em ratos) para o herbicida chlorsulfuron, o mais estudado. Para outros análogos, a toxicidade é mais baixa ainda. As sulfoniluréias são ativas tanto em aplicações foliares quanto em aplicações no solo.

Apesar de quimicamente diferentes, as imidazolinonas têm o mesmo mecanismo de ação das sulfoniluréias, ou seja, inibem a enzima AHAS ou ALS. As principais caracte¬rísticas deste grupo são: • As imidazolinonas são recomendadas para controle em pré-emergência e em pósemergência de muitas folhas largas e gramíneas em cereais, soja e em áreas nãoagrícolas. • Estes herbicidas são potentes inibidores do crescimento vegetal. Plantas tratadas param de crescer quase que imediatamente após a aplicação. Dois a quatro dias após a aplicação desses herbicidas o ponto de crescimento (meriste¬ma apical) das plantas tratadas torna-se clorótico e, depois, necrótico e morre. A morte completa da planta vai ocorrer sete a dez dias após o tratamento. Plantas de maior porte podem levar mais tempo para morre¬r, mas a paralisação do crescimento é imediata. • Todos estes herbicidas são sistêmicos, ou seja, translocam pelo floema. Uma vez dentro do floema, por causa do pH alcalino, estes herbicidas, que são ácidos fracos, se dissociam e os ânions têm dificuldade para deixar o floema. • As imidazolinonas apresentam persistência de moderada a longa no solo. Maior sorção e, conseqüentemente, maior persistência ocorrem quando decrescem a umidade do solo, o pH e a temperatura e, também, quando os teores de matéria orgânica, óxidos de ferro e de alumínio no solo aumentam. • A dissipação no solo é, via de regra, por meio da degradação microbiana. Em condições de solo mais seco, mais herbicida é preso nos colóides do solo e menos produto é disponível para biodegra¬dação ou absorção pelas plantas, o que implica maior persistência e possível "carryover". As imidazolinonas são

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sensíveis à fotólise, mas esse processo de dissipação não é importante no solo. A fotólise é mais importante no meio aquático. • Pouca lixiviação tem sido reportada em condições de campo, apesar de os estudos de laboratório indicarem mobilidade moderada destes herbicidas no solo. • As imidazolinonas apresentam muito baixa ou nenhuma toxicidade para mamíferos. Esta toxicidade baixa pode ser explicada pela enzima-alvo, que não ocorre em animais, e também pelo fato de a excreção desses herbicidas ser muito rápida em animais-teste. Além das sulfoniluréias e das imidazolinonas, outros herbicidas, de grupos químicos diferentes, apresen¬tam o mesmo mecanismo de ação, ou seja, inibem a enzima ALS ou AHAS e, com isso, paralisam o crescimento das plantas (HESS, 1995c). Dente esses grupos químicos, podem-se destacar as triazolopirimidinas, ou sulfonamidas, e os piridinil-oxibenzoatos. As principais características do herbicida N - (2,6-diflluorofenil) - 5 - metil (1,2,4) triazolo [1,5a] pirimidina - 2 - sulfonamida (flumetsulan) e N-[2,6-diclorofenil] - 5 - etoxi - 7 - fluoro(1,2,4) triazolo – [(1,5c)] pirimidina - 2 - sulfonamida (diclosulan) são: Flumetsulan Diclosulan

• •

• • •

Apresentam ação pré-emergente sobre amplo espectro de plantas daninhas de folhas largas. As gramíneas, de maneira geral, são resistentes devido ao metabolismo mais rápido. Entre as culturas de folhas largas, a soja é tolerante. Possuem absorção radicular, mas a translocação é sistêmica, ou seja, translocamse tanto pelo floema quanto pelo xilema. A sorção no solo e a persistência aumentam quando o pH decresce e quando a matéria orgânica aumenta. A persistência no solo é mediana, não havendo casos relatados de "carryover". A dissipação no solo é devida ao ataque de microrganismos. Condições que favorecem a ação microbiana aceleram a dissipação destes herbicidas no solo. Possuem mobilidade no solo moderada, não se antevendo problemas de contaminação de depósitos subterrâneos de água. A toxicidade para mamíferos é muito baixa (Faixa Verde: DL50 > 6.000mg/kg em ratos).

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4.7.1 - Algumas sulfoniluréias Metsulfuron-Methyl

O ácido 2-[[[[(4-metoxi-6-metil-1,3,5-triazina-2-il)amino]carbonil]amino]sulfonil] benzóico (metsulfuron-methyl) apresenta solubilidade em água de 270 mg L-1; pka: 3,3; kow: 1,0 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 35 mg g-1g de solo. É pouco sorvido e muito lixiviado no solo, dependendo da textura e do teor de matéria orgânica. Sua persistência (meia-vida) no solo varia de 30 a 120 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para controle de plantas daninhas de folhas largas nas culturas de trigo, arroz, cana-de-açúcar, aveia, cevada, manejo de inverno e pastagens. Entre as espécies sensíveis encontram-se Raphanus raphanistrum, Raphanus sativus, Acanthospermum australe, Bidens pilosa, Ipomoea grandifolia, além de muitas outras. É recomendado para uso em pós-emergência, devendo ocorrer intervalo de seis horas sem chuva após a sua aplicação. A ação do produto nas plantas daninhas sensíveis pode ser observada através da clorose das folhas e morte das gemas apicais, com evolução para morte das plantas até 21 dias após aplicação. Em espécies menos sensíveis, observa-se paralisação de seu desenvolvimento. Culturas como trigo e arroz, para as quais é seletivo, conseguem metabolizá-lo rapidamente a compostos não-fitotóxicos. Nicosulfuron

O 2-[[[[(4,6-dimetoxi-2pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]-N,N-dimetil-3piridinacarboxamida (nicosulfuron) apresenta solubilidade em água de 360 mg L-1 a pH 5 e 12.200 a pH 6,85; pka: 4,3; kow: 0,44 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 30 mg g-1 de solo a pH 6,5. Quanto à sua persistência em condições de Brasil, sabe-se que culturas de soja, girassol, algodão e feijão poderão ser semeadas 30 dias após a aplicação do nicosulfuron; trigo, arroz e batata, 45 dias após a aplicação; e tomate, 60 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No Brasil, está registrado para a cultura do milho, sendo utilizado em pós-emergência em área total. Controla gramíneas, inclusive o capim-massambará (Sorghum halepense), e diversas espécies de dicotiledôneas. No momen¬to da aplicação, as plantas de milho devem estar com duas a seis folhas; as plantas daninhas dicotiledôneas, com duas a seis folhas; e as gramíneas, com até dois perfilhos. A aplicação deve ser feita estando o solo úmido e com as plantas daninhas em pleno vigor vegetativo. A ocorrência de chuvas uma hora após a aplicação não afeta a eficiência deste herbicida. A mistura do
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nicosulfuron com o atrazine no tanque do pulverizador aumenta o espectro de controle de plantas daninhas. Existem diferentes níveis de tolerância entre os híbridos de milho disponíveis no mercado brasileiro ao nicosulfuron. Por isso, antes de aplicar esse herbicida em cultura do milho consulte a lista de híbridos e variedades tolerantes a esse herbicida. A mistura desse herbicida com inseticidas carbamatos ou fosforados pode torná-lo não-seletivo ao milho (SILVA et al., 2005) Halosulfuron

O metil-3-cloro-5-(4,6-dimetoxipirimidin-2-carbomoilsulfamoil)-1-metillpirazole-4carboxilato (halosulfuron) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar, para controle de Cyperus rotundus. Apresenta solubilidade em água de 15 mg L-1 a pH 5,0 e 1.650 a pH 7,0; pka: 3,5; kow: 47 a pH 5,0 e 0,96 a pH 7,0; e koc médio de 93,5 mg g-1 de solo. Apresenta baixa adsorção no solo. Possui meia-vida média no solo em torno de 16 dias, variando com o tipo de solo e as condições climáticas (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua aplicação deve ser feita em pós-emergência das plantas daninhas, sendo o melhor período 30 a 40 dias após o plantio da cana-de-açúcar, quando as plantas daninhas deverão estar no final da fase vegetativa ou início do florescimento. As plantas de Cyperus rotundus devem estar em boas condições de desenvolvimento, sem efeito de estresse hídrico ou de baixa temperatura. Chlorimuron-ethyl

O ácido 2-[[[[(4-cloro-6-metoxi-pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]benzóico (chlorimuron-ethyl), no Brasil, encontra-se registrado para a cultura da soja, sendo usado em pósemergência. Apresenta solubilidade em água de 450 mg L-1 a pH 6,5; pka: 4,2; kow de 320 a pH 5,0 e 2,3 a pH 7,0; e koc médio de 110 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No solo, apresenta adsorção e lixiviação moderadas e meia-vida de 7,5 semanas. A persistência é maior em solos com pH mais elevado; em solos ácidos e com clima quente, a persistência é baixa. Manter intervalo de 60 dias entre a aplicação do chlorimuron-ethyl e a semeadura de trigo, milho, feijão e algodão. Para as outras culturas, fazer antes um bioensaio. Controla essencialmente espécies anuais de dicotiledôneas, sendo mais efetivo quando estas se encontram na fase inicial de crescimento (até seis folhas). Entre as espécies sensí¬veis encontram-se Desmodium tortuosum, Acathospermum australe, Ipomoea grandifolia, Bidens pilosa, além de outras. É comum misturá-lo com outros

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000 mg L-1 a pH 5. É fracamente adsorvido em solo com pH alto. não sendo recomendável cultivá-lo na modalidade de “milho safrinha” no mesmo ano agrícola da soja. para maior espectro de controle.2 . Quando usadas em pósemergência. 1999). O milho é muito sensível a resíduo de imazaquin no solo. Apresenta meia-vida variando de 9 a 120 dias.0. diuron.100 a pH 7.8. Sua degradação no solo é por ação microbiana e química. sendo influenciada pela temperatura e pelo pH do solo (RODRIGUES.7.. as gramíneas devem ter no máximo três perfilhos. O flazasulfuron deve ser aplicado em cobertura total das plantas daninhas e da cultura. Na cultura da cana.2 .). se objetivo for controlar a Cyperus rotundus. Flazasulfuron O 1-(4. todavia.. é facilmente lixiviável no solo. as plantas de cana-de-açúcar devem possuir no máximo quatro folhas.6-dimetoxipirimidin-2-il)-3-(3-trifluorometil-2-piridilsulfonil) uréia (Flazasulfuron) apresenta solubilidade em água de 27.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 85 . ALMEIDA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas herbicidas. 2005). etc. evitando-se aplicar em períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60% (SILVA et al. 2005).2. Sua mobilidade no solo é inversamente proporcional ao teor de matéria orgânica. 1998). porém não deve ser misturado com graminicidas. estando o solo em boas condições de umidade. para se evitar o efeito “guarda-chuva”. e valor médio de koc de 20 mg g-1 de solo a pH 7. em alguns tipos de Módulo 3. Pode ser usado em pré ou em pós-emergência inicial das plantas daninhas. porém esta adsorção aumenta em pH baixo. ALMEIDA. podendo afetar culturas de inverno que seguem à soja tratada com o produto (SILVA et al. para controle de dicotiledôneas em soja. kow: 2. Sua persistência no solo é alta (meia-vida de sete meses). pode ser misturado no tanque do pulverizador com outros herbicidas (ametryn. kow e koc não disponíveis.5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-quinolina carboxílico (imazaquin) apresenta solubilidade em água de 60 mg L-1. de 5 a 8 folhas e em pleno desenvolvimento vegetativo. este herbicida deve ser aplicado isoladamente.Algumas imidazolinonas Imazaquin O ácido 2-[4. as dicotiledôneas.0 e 2. pka. e a tiririca (Cyperus rotundus). exigindo intervalo de segurança acima de 180 dias após sua aplicação. 4.0 (RODRIGUES. pka: 3. seis folhas.

É pouco adsorvido pelos colóides do solo e.0 e 31 a pH 7. 2005). além de outras.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . mas esta adsorção aumenta em pH baixo. Ipomoea grandifolia. Ipomoea grandifolia. também. e kow: 11 a pH 5.5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-5-etil-piridina carboxílico (imazethapyr) apresenta solubilidade em água de 1. É fracamente adsorvido em solo com pH alto. Controla com eficiência diversas espécies de plantas daninhas: Euphorbia heterophylla. ALMEIDA. É registrado no Brasil para cultura da soja e do feijão. 1999). Controla.36 (RODRIGUES. essencialmente microbiana (meia-vida de 15 dias). Recomenda-se a aplicação em pós-emergência precoce.400 mg L-1. Sida rhombifolia. pouco lixiviado. Controla essencialmente plantas daninhas dicotiledôneas.0. Apresenta rápida degradação no solo. entre uma e quatro folhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas solo. pouco lixiviado (RODRIGUES. o que geralmente acontece entre 5 e 15 dias após a semeadura da soja. Bidens pilosa.. pka: 3. estando estas com até quatro folhas e de monocotiledôneas. Imazamox O ácido nicotínico 2-(4-isopropil)-4-metil-1-metiletil-(1-metil-5-oxo-2-imidazolin-2-il)-5(metoximetil) (imazamox) apresenta solubilidade em água de 4.9. com até quatro folhas. o que geralmente acontece entre 15 e 20 dias após a semeadura do feijão. 86 Módulo 3. no estádio cotiledonar. sendo. estando as dicotiledôneas. Estudos preliminares têm demonstrado que este herbicida apresenta rápida degradação em condições de solos brasileiros (SILVA et al. entre as quais Euphorbia heterophylla. com eficiência. Recomenda-se sua aplicação em pós-emergência das plantas daninhas dicotiledôneas.2 . É registrado no Brasil para a cultura da soja. além de outras. Imazethapyr O ácido 2-[4. podendo causar toxicidade a algumas culturas de inverno que forem cultivadas em sucessão à soja tratada com este herbicida (SILVA et al. 1999). 2005). É registrado no Brasil para uso exclusivo na cultura da soja. e as monocoti¬ledôneas. ALMEIDA.413 mg L-1 e Kow: 5.. também. sendo utilizado em pré-plantio incorporado ou em pré-emergência das plantas daninhas. Hyptis suaveolens. entre um a três perfilhos. Apresenta lenta degradação no solo (meia-vida de 60 dias). O milho e o sorgo são muito sensíveis ao resíduo de imazethapyr no solo.

ALMEIDA. Sua persistência no solo é longa (três a sete meses em solos tropicais e seis meses a dois anos em clima temperado. É fracamente adsorvido pelos colóides do solo. Módulo 3. se aplicado em pósemergência precoce. Aplicações em altas doses para capinas de ruas pode intoxicar árvores utilizadas na arborização do ambiente (Fig. com degradação mais rápida em clima quente e úmido. em condições aeróbicas. vindo intoxicar as novas mudas plantadas para renovação da floresta. dependendo do movimento capilar da água no perfil do solo (FIRMINO. não se processando em condições anaeróbicas. podendo ocorrer lixiviação positiva (para baixo) ou negativa (reversa –para cima). Apresenta degradação no solo essencialmente microbiana É registrado no Brasil para o controle de dicotiledôneas.9 a 1. 2001). Em campo. essencialmente por via microbiana. Estudos de laboratório indicam que imazapyr tem alto potencial de se mover no perfil do solo. Também quando aplicado no tronco do eucalipito visando eliminar rebrota após a derrubada.6-dimetoxipirimidina-2-il) tio]. Imazapyr O ácido (+-)-2-[4. Kow: 0.36 (RODRIGUES. ALMEIDA. pode ser exsudado pelas raízes. pka: 2.2 . sobretudo.6. 7). principalmente em solos arenosos. pouco lixiviado.0 e pka: 1. 2005). entre estas Euphorbia heterophylla. 2005).272 mg L-1 a pH 7. também. a persistência biológica é dependente. Apresenta lenta degradação no solo.5-dihidro-4-metil-4-(1-metietil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-piridina carboxílico (imazapyr) apresenta solubilidade em água de 11.34 e meia-vida no solo de dois meses (RODRIGUES.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 87 . Pyrithiobac-sodium O sódio 2-cloro-6-[(4. em pós-emergência precoce na cultura do algodão.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diversas espécies de plantas daninhas. da dosagem e dos fatores ambientais. É pouco adsorvido pelos colóides do solo e.benzoato (Pyrithiobac-sodium) apresenta solubilidade em água de 1610 mg L-1.

BRIDGES. 88 Módulo 3.8. Por outro lado. 2003). tirosina e tryptofano são precursores da maioria dos compostos aromáticos nas plantas. SHANER. Alguns autores acham que a simples redução de aminoácidos e a acumulação de shikimato não seriam suficientes para a ação herbicida. Verificou-se. 1995c.1 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 7 – Árvores mortas pela ação do imazapyr quando aplicado para capina química de rua (A). evitando a transformação do shikimato em corismato. nas plantas tratadas. A enzima EPSP sintase é sintetizada no citoplasma e transportada para dentro do cloroplasto onde atua.Mecanismo de ação Logo após a aplicação. Plantas normais cultivadas em solo sem resíduos de herbicidas (a) e plantas com sintomas de intoxicação do imazapyr (b). precursor comum na rota metabólica dos três aminoácidos aromáticos.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . acreditam que a desregulação da rota do ácido shikímico resulta na perda de carbonos disponíveis para outras reações celulares na planta.Herbicidas inibidores da EPSPs 4. Há redução acentuada. Glyphosate inibe a EPSP sintase por competição com o substrato PEP (fosfoenolpi¬ruvato). foi observado aumento acentuado na concentração de shikimato. que o ponto de ação era a enzima EPSP sintase (5 enolpiruvilshikimato-3-fosfato sintase). nos níveis desses aminoácidos aromáticos (fenilalanina. tirosina e triptofano).2 . uma vez que 20% do carbono das plantas é utilizado nesta rota metabólica. O glyphosate se liga a esta enzima pela carboxila do ácido glutâmico (glutamina) na posição 418 da seqüência de aminoácidos (HESS.8 . então. plantas tratadas com estes herbicidas param de crescer. pois fenilalanina. cultivadas em solo coletado à margem da rua tratada com o herbicida 4.

como a soja e o algodão. Quanto à resistência adiquirida pela pressão de seleção (aplicações repetidas do ghyphosate). 2003c). • A translocação é facilitada em condições de alta intensidade luminosa. muito pouca toxicidade para animais. • Translocação simplástica em gramíneas e folhas largas. praticamente não há seletividade. • Formulações usadas no meio aquático não contêm surfatantes. para não causar problemas de toxicidade para peixes. para melhor eficiência de translocação para o sistema radicular. poucas espécies de plantas daninhas foram identificadas como resistentes a estes herbicidas. já foram obtidas culturas resistentes a glyphosate.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 89 .2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. • A morte da planta ocorre lentamente: de 7 a 14 dias após a aplicação. • Não apresentam atividade no solo.2 . • Como a enzima afetada é exclusiva de plantas. por causa de sua conjugação com sesquióxidos de ferro e alumínio. • Através da engenharia genética. • Requerem uma semana para matar plantas anuais (efeito final) e tempo ainda maior para espécies perenes. • Águas de pulverização contendo muitos sais solúveis (Ca e Mg) diminuem a atividade destes herbicidas. Módulo 3.Características gerais Glyphosate O N-(fosfonometil) glicina (glyphosate) possui as seguintes características (BRIDGES. • A translocação é melhor em plantas expostas à luz e que estejam com alta atividade metabólica.8. • Durante a primeira semana após a aplicação a folhagem não deve ser cortada. em plantas anuais • Baixa vazão e menores gotículas são mais eficientes do que alta vazão e gotículas grandes. de maneira geral. • Apresentam espectro de controle muito amplo. apresenta.

parque de industrias. O efeito varia com a formulação.. etc. englobando o Roundup original e o Roundup Transorb. As formulações Roundup Transorb e Zap Qi se diferenciam das demais por apresentar penetração foliar mais rápida do que as demais existentes no mercado brasileiro. 200). utilizado nas formulações granulares.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . enquanto para as demais formulações. o tempo mínimo sem chuvas após aplicação para se garantir a absorção foliar desse herbicida é de seis horas (JAKELAITIS et al. Figura 8 – Eficiência de formulações de glyphosate em diversos períodos de simulação de chuva após a aplicação Atualmente o ghyphosate é o herbicida mais utilizado no mundo. Para aplicações dirigidas em culturas perenes (café.2 . formulado como Roundup Transorb ou Zap Qi. No Brasil. esse tempo para penetração do glyphosate via foliar é maior (PIRES et al.). as suas principais recomendações são: • • • • • • • Para controle de plantas daninhas em áreas não-cultivadas (rodovias. o glyphosate está sendo comercializado com diferentes formulações: sal isopropilamina. utilizado em diversas marcas comerciais. Para o controle de plantas daninhas aquáticas Como regulador de florescimento em cana-de-açúcar. ferrovias. Roundup WDG e Roundup Multiação. Na renovação de pastagens. Para controle seletivo de plantas daninhas em culturas geneticamente modificadas. reflorestamento e outras).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • A absorção destes produtos pelas plantas é lenta. sendo recomendado para diversas atividades agrícolas e não-agrícolas. A não-ocorrência de chuvas até quatro horas após as aplicações garante absorção do glyphosate. cujo representante é o Zap Qi. e sal potássico. Quando aplicado sobre plantas em condições de déficit hídrico prolongado. 90 Módulo 3. fruteiras. 2001). em Brachiaria decumbens e Digitaria horizontalis em quatro horas (Fig.. para implantação do plantio direto de culturas. Como dessecantes. ruas. sal de amônia. 8). A ocorrência de chuva em intervalo de tempo menor que 4-6 horas pode reduzir a eficiência destes herbicidas. No Brasil.

• Para a atividade máxima ser atingida. mas ocorre tanto pelo floema quanto pelo xilema. acifluorfen. • A morte das gramíneas suscetíveis é lenta.2 . seguida de necrose. Módulo 3. As principais características deste grupo de herbicidas (THILL. provavelmente eles afetam a absorção foliar. podem ser citados: sulfoniluréias. a eficiência diminui quando as gramíneas estão se desenvolvendo em condições de déficit hídrico. • São muito efetivos quando aplicados sobre plantas não-estressadas. o problema é minimizado e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. Espaçando-se as pulverizações por alguns dias. eliminado. os herbicidas deste grupo não apresentam atividade suficiente para o controle de gramíneas em pré-emergência. WELLER. Somente diclofop tem registro para uso no solo. MCPA. dicamba. em fase de rápido crescimento. • Apresentam lenta degradação no solo. • Misturas no tanque desses graminicidas específicos com latifolicidas têm trazido uma série de problemas de antagonismo. é necessária uma dose três vezes maior que a requerida para a ação em pósemergência.4-DB. há sempre necessidade da adição de um surfatante ou adjuvante. Os sintomas incluem rápida parada do crescimento das raízes e da parte aérea e troca de pigmento nas folhas dentro de dois a quatro dias. a qual começa nas regiões meristemáticas e se espalha pela planta toda. requerendo uma semana ou mais para a morte completa.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 91 . • As espécies não-gramíneas são todas tolerantes.4D. Entre os herbicidas que já mostraram ação antagônica. 2.Herbicidas inibidores da ACCase 4. De maneira geral. bentazon e metribuzin. imidazolinonas.1 . bromoxynil. para que haja ação no solo. 2. tanto para plantas daninhas quanto para culturas. • São prontamente absorvidos pela folhagem das plantas.Principais características Os compostos deste grupo apareceram no mercado de herbicidas a partir de 1975 e. • A seletividade varia entre espécies de gramíneas. para controle de gramíneas anuais e perenes. • Em doses normais. São muito utilizados para o controle de gramíneas anuais e perenes. 1995) são: • São utilizados exclusivamente em pós-emergência. até hoje. A translocação varia entre espécies. até mesmo. novos produtos estão sendo desenvolvidos.9.9 .

Esta enzima. converte o Acetil Coenzima A (Acetil-CoA) em Malonil Coenzima A (Malonil-CoA) pela adição de uma molécula de CO2 ao Acetil-CoA. Este herbicida é rapidamente absorvido pelas folhas e atinge os meristemas da planta. depois.5 a 0. quando o tecido meristemático decai. O caso mais relatado é o ocorrido na Austrália com a espécie Lolium rigidum. Foi verificado que este herbicida inibe fortemente a incorporação de 14C-acetato em lipídios quando pontas de raízes de milho foram tratadas por 24 horas. o problema era na síntese de lipídios. encontrada no estroma de plastídios.2 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Foi verificado também que a divisão celular foi prejudicada por causa da inibição da formação da parede celular. que mostrou resistência ao diclofop-methyl e resistência cruzada a outros graminicidas específicos. Como não houve interferência na absorção de acetato. já existem plantas daninhas que adquiriram resistência aos inibidores da biossíntese de lipídios. A inibição da ACCase explica perfeitamente a redução no crescimento. por exemplo. necrótico. para causar 50% de inibição em células de soja foi necessária uma concentração 47 vezes maior. Enquanto 0. às sulfoniluréias e ao trifluralin. surgindo células binucleadas. 4. No caso de diclofopmethyl. e muitos autores 92 Módulo 3. resultando no aumento dos níveis de açúcar e antocianina. o aumento na permeabilidade de membrana e os efeitos ultra-estruturais observados nas células. de maneira geral. a formulação ácida é mais ativa que a formulação éster e o isômero “D” é muito mais ativo que o “L”.5 μM.Mecanismos de ação Muitos dos estudos já realizados sobre o mecanismo de ação dos arilofenoxipropionatos foram feitos com o herbicida diclofop-methyl. eles são tóxicos para mamíferos (classe toxicológica de I a III. A diferença na tolerância entre espécies de gramíneas e folhas largas é muito grande. Após alguns dias da aplicação. que a ação dos graminicidas específicos era sobre a enzima Acetil Coenzima-A Carboxilase (ACCase). por isso. Em algumas horas. trabalhos realizados com diclofop-methyl começaram a desvendar o modo de ação dos graminicidas específicos. ele causou declínio na atividade respiratória. Estudos feitos com sethoxydim mostraram que este herbicida inibe o crescimento e a acumulação de clorofila. predominância da classe II) e. Foi descoberto. nas concentrações de 0. Há diferenças também entre a atividade de isômeros e as formulações. A enzima afetada por estes herbicidas ocorre também nas células animais. também.9. A partir de 1981. Ademais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • Apesar do pouco tempo de uso.2 . As folhas mais velhas apresentam sinais de senescência e mostram troca de pigmento. apesar de a quantidade que atinge a área meristemática ser muito pequena em relação ao que é aplicado. o crescimento de raízes e parte aérea é paralisado. em 1987. fica aparente a disfunção de membrana. Esta é uma reação-chave no início da biossíntese de lipídios. O tecido meristemático em gemas e nós torna-se clorótico e.1 μM de haloxyfop provocou 42% de inibição da incorporação de acetato em células de milho. A translocação ocorre pelo xilema e pelo floema. para peixes.

roseira e crisântemo. Clethodim O (E. feijão. e koc médio de 5. A ACCase de milho já foi isolada. Quando o substrato Acetil-CoA é substituído por Proprionil-CoA. cebola. pka: 3. É um herbicida Módulo 3. 1995). ALMEIDA 2005). É recomendado para uso em pós-emergência. com intervalo superior a cinco dias. WELLER. Controla grande número de espécies de gramíneas anuais no estádio de até 4 perfilhos e algumas perenes. citros. purificada e parcialmente caracterizada. e a proteína transporte da biotina (BCP). algodão. A falta de lipídios provoca despolarização da membrana celular (THILL. Não apresenta mobilidade no solo. 4. tendo uma persistência média de 30 dias (RODRIGUES.1 mg L-1. tabaco. 1995). cenoura. a transcarboxilase.2 . horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 70%. tomate. Deve ser aplicado com as plantas em bom estado de vigor vegetativo.Caracterização de alguns inibidores da ACCase Fluazifop-p-butil O ácido (R)-2-[4-[[5-(trifuorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propanóico (fluazifop-p-butil) apresenta solubilidade em água de 1. ALMEIDA. um complexo de três domínios: uma biotina carboxilase que promove a carboxilação da biotina com carbonato (CHO3).5.1. por incompatibilidade fisiológica (efeito antagônico).E)-(+/-)-2-[1-[[(-cloro-2-propenil)oxi]imino]propil]-5-[2-(etiltio)propil]-3-hidroxi.3 . que transfere o CO2 da biotina para o Acetil-CoA. kow: 15000 e persistência muito curta no solo.520 mg L-1. mas a eficiência diminui pela metade.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 93 . evitando períodos de estiagem.700 mg g-1 de solo. que permite à biotina se mover entre os dois centros catalíticos (HESS. Não deve ser misturado com herbicidas que controlam dicotiledôneas.9. a qual é ligada covalentemente ao grupo da biotina por um espaçador móvel.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas julgam ser esta reação a que dosa o ritmo da biossíntese de lipídios. É registrado no Brasil para as culturas de alface. a enzima funciona. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas. 2005). A enzima Acetil Coenzima A Carboxilase (ACCase) é. dois a três dias (RODRIGUES. pinho. na realidade. a não ser o fomesafen. kow: 4.2ciclohexeno-1-ona (clethodim) apresenta solubilidade em água de 5. eucalipto. soja. o qual é uma reação dependente de ATP. café. devendo ser utilizado seqüencialmente.

como Cynodon dactylon e Sorghum halepense. Em doses altas (120-360 g ha-1. pka: 4. amendoim.. altamente seletivo para a cultura da soja e outras dicotiledôneas. controla gramíneas perenes. feijão.3 mg L-1.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . como algodão. tabaco. Destaca-se pelo seu amplo espectro de ação no controle de gramíneas anuais.3.7. pois aumenta-lhe a fitotoxicidade. para as culturas de soja. há que observar um intervalo de dez dias entre o emprego de um e outro. sistêmico. soja. quando provenientes de rizomas). A ação residual do produto na lavoura é de 30 a 40 dias. fomesafen e lactofen. pinho e outras. neste caso. e koc médio de 33 mg g-1 de solo. Nas doses de 360 . não se deve adicionar óleo mineral à calda. Haloxifop-methyl O ácido 2-[4-[[ (3-cloro-5-(trifluorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propiônico (haloxyfopmethyl) apresenta solubilidade em água de 9.2 . cenoura. comuns em rotação de culturas com a soja. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. 94 Módulo 3. em solos leves.4-D. É utilizado. milho. 2005). quando provenientes de sementes. cebola. ALMEIDA.600 g ha-1. como é o caso normal em culturas perenes. eucalipto. Quando misturado com herbicidas recomendados para uso em pós-emergência que controlam plantas daninhas de folhas largas e que já contenham em sua formulação um adjuvante. permitindo a aplicação dos dois numa só operação. como bentazon. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas (4 folhas até 6 perfilhos. em condições de alta pluviosidade. pode haver lixiviação do produto. acifluorfen. controla gramíneas anuais. perenes e tigüera de culturas gramíneas. café. aveia e trigo. no Brasil. ervilha. É rapidamente absorvido pelas folhas. podendo requerer reaplicação no caso de rebrotas (RODRIGUES. É compatível com outros herbicidas usados em pós-emergência para controle de folhas largas. Deve ser aplicado com as plantas daninhas em bom vigor vegetativo. tais como: azevém. Quando usado na dose de 120 g ha-1. É recomendado para uso em pós-emergência. não sendo prejudicada sua eficácia por chuvas que ocorram uma hora após sua aplicação. tem ação sobre rebentos de gramíneas anuais que tenham sido roçadas. É moderadamente adsorvido pelos colóides do solo. de reprodução seminal. evitando períodos de estiagem. kow: 11. com exceção do 2. e com 10 a 40 cm. desde jovem até adiantado estádio de desenvolvimento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas graminicida. tomate. citros. feijão e eucalipto.

Herbicidas inibidores de carotenóides Os grupos químicos izoxazolidinona e piridazinonas compõem a classe de herbicidas chamada inibidores de carotenóides.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sethoxydim O 2-[1-etoximina)butil] . café. exceto pela falta de pigmentos verdes (clorofila) e amarelos (Fig. As plantas suscetíveis a estes herbicidas perdem a cor verde após o tratamento com estes herbicidas (BRIDGES.10 . e koc médio de 100 mg g-1 de solo (RODRIGUES . citros. pka: 4. amendoim. não prejudicando culturas sensíveis que sejam instaladas no terreno um mês após o tratamento. Controla gramíneas anuais e algumas perenes. melão e morango). Não prejudica as culturas suscetíveis que sejam instaladas no terreno 30 dias após o tratamento. para as culturas de alfafa. macieira e em hortícolas (batata.1. Em outros países.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 95 .0 de 4.5 – [2-(etiltio)propil]-3-hidroxi-2-ciclohexeno-1. algumas vezes rosados ou violáceos. 2003a). soja e tabaco.700 mg L-1. por ser a foliar a principal via de absorção do produto. Módulo 3. 9). girassol. eucalipto. ALMEIDA. como Cynodon dactylon. não sendo prejudicada a ação do sethoxydim por uma chuva que ocorra uma hora depois de sua aplicação. é recomendado. Apresenta curta persistência no solo. banana.16. o que acelera sua absorção. se bem que exija doses mais altas de aplicação. linho e mandioca. Estes tecidos são normais.0 de 25 ppm e a pH 7. cenoura.ona (sethoxydim) apresenta solubilidade em água a pH 4. É necessário adicioná-lo à calda adjuvante. dependendo das condições climáticas e do tipo de solo. Deve ser aplicado em pós-emergência das plantas daninhas. 4. melancia. gergelim. Tem uma meia-vida no solo de 4 a 11 dias. também. kow: 45. 2005). É um herbicida registrado no Brasil para algodão. O sintoma evidenciado pelas plantas tratadas é a produção de tecidos novos totalmente brancos (albinos). encontra-se em fase de registro para abacaxi.2 . colza. Supõe-se que seja seletivo para todas as culturas que não são gramíneas. gladíolo. feijão.

Em condições normais. resultando no acúmulo de phytoeno e phytoflueno. dissipando o excesso de energia. A inibição da enzima IPP (isopentyl pirophosphato isomerase) é o local provável da ação (Abernathy. a clorofila que está no estado triplet não dissipa energia e inicia reações de degradação. Estes produtos também possuem efeitos sobre a reação de Hill (MORELAND.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . O herbicida clomazone parece ter um único local de ação e não causa acúmulo de phytoeno. esta se torna funcional e absorve energia. com predomínio do phytoeno. devido à falta de clorofila. Os herbicidas inibidores destes pigmentos agem na rota de biossíntese de carotenóides. 1994). do caroteno (MORELAND. Desse modo. Devido a este processo. porém. eles desenvolvem manchas cloróticas que progridem para necrose (ABERNATHY. Os herbicidas inibidores de pigmento são usados para controle seletivo de plantas daninhas gramíneas. que a protegem. a clorofila não se mantém sem a presença dos carotenóides. 1994). e de folhas largas nas culturas de algodão. como resultado da perda da fotoproteção fornecida pelos carotenóides à clorofila (MORELAND. tecidos formados antes da aplicação do herbicida não se mostram brancos imediatamente. devido à falta de carotenóides que a protegem da foto-oxidação. A produção dos novos tecidos albinos. ela não consegue se manter. fumo 96 Módulo 3. arroz. o crescimento cessa e começam a surgir manchas necróticas. sem cor. 1994). quando os caratenóides não estão presentes. É importante salientar que estes herbicidas não têm efeito sobre carotenóides sintetizados antes da sua aplicação. não implica que estes herbicidas inibam diretamente a síntese de clorofila. A perda da clorofila é resultado da sua oxidação pela luz (foto-oxidação). 1980).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 – Sintomas de intoxicação de plantas de milho e feijão pelo clomazone. 1980). mas sim de gossipol e hemigossipol. passando do estado singlet para o estado triplet. devido à necessidade de renovação dos carotenóides.2 . perda de proplastídios e degradação dos ribossomos 70S. O local de ação mais estudado é onde atua a enzima phytoeno desidrogenase. pelas plantas tratadas. O crescimento da planta continua por alguns dias. nas quais ela é destruída (ABERNATHY. anuais e perenes. Assim. que são dois precursores. A inibição desta enzima provoca o acúmulo de phytoeno. mais reativo. Assim. cana-de-açúcar. Após a síntese da clorofila. 1980). a energia oriunda da forma triplet é dissipada através dos carotenóides. A inibição da síntese de carotenóides leva à decomposição da clorofila pela luz. Outras alterações provocadas por estes produtos são: redução da síntese protéica. contudo.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e soja. O clomazone apresenta alta solubilidade:1. A seletividade às culturas se dá pela translocação reduzida pela destoxificação das moléculas herbicidas. No Brasil. e não existem casos registrados de plantas daninhas resistentes (ABERNATHY.2 . 2005). koc: 300 mg g-1. O inseticida funciona com “safener” protetor e pode ser usado no tratamento da semente ou em aplicação no sulco de semeadura. Mesotrione O 2-(4-mesil-2nitrobenzoil) ciclohexano-1. pka: 3.dimetil .clorofenil) metil]-4.4 . A dose recomendada varia com a cultura e o tipo de solo. pode lixiviar e atingir camadas profundas. O 2 – [(2 . chegando às raízes das culturas. Clomazone Norflurazon Esta classe herbicida apresenta baixa toxicidade para animais. causando danos naquelas sensíveis (RODRIGUES. 1994). O mesotrione inibe a biossíntese de caroteníodes. através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenil-piruvato-dioxigenase) nos cloroplastos – classificação nos grupos F2 (HRAC) e 28 (WSSA).192 mg L-1. Apresenta solubilidade de 168. com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas.3-diona (mesotrione) é um herbicida seletivo de ação sistêmica indicado para o controle em pós-emergência de plantas daninhas na cultura do milho. Também são empregados em plantas daninhas aquáticas e no controle total da vegetação. são mais comercializados. afetando culturas sucessoras.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 97 . A seletividade do clomazone ao algodão pode ser aumentada com adição de um inseticida organofosforado (ABERNATHY. ALMEIDA. Controla diversas espécies de plantas dicotiledôneas e algumas gramíneas. e persistência no superior a 150 dias. o clomazone e o norflurazon.3 . pka: zero. Quando aplicado sobre a superfície do solo.07 e koc variando de 19 a 387 mg g-1 e curta persistência no solo sendo degradado rapidamente por microrganismos (RODRIGUES.7 mg L-1. Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis. 2005). apresentam atividade de solo e podem persistir.isoxazolidinona (clomazone) e o 4-cloro-5(metilamino)-2-3-[(trifluorometil)]fenil-3(H)-m-toluil) piradazinona (norflurazon) translocam-se na planta via xilema. 1994). ALMEIDA. Módulo 3.

que é um co-fator chave para síntese de pigmentos carotenóides e para o transporte de elétrons. e meia-vida média de 28 dias (ALMEIDA. Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis. mandioca e algodão para o controle de diversas gramíneas e algumas dicotiledôneas. Apresenta baixa solubilidade em água: 6. O isoxaflutole pertence ao grupo dos herbicidas inibidores da biossíntese do caroteno.0 mg L-1 a 20 °C. que são essências para proteger a clorofila contra a decomposição pela luz solar através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenilpiruvato-dioxigenase). 2005). com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas. Inibe a biossíntese de carotenoides. baixa a média mobilidade nos solos dependendo de suas características ficas e químicas. 98 Módulo 3. nas demais culturas deve ser aplicado em pré emergência. RODRIGUES. responsável pela biossíntese da quinona. milho. Com exceção da cultura do algodão onde é recomendado em jato dirigido.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Isoxaflutole O 5-ciclopropil-4-metilsufonil-4-trifluorometilbenzoil)-isoxazole (isoxaflutole) é um herbicida recomendado para as culturas de cana-de-açúcar.

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translocação.DF 2006 102 Módulo 3. formulação e misturas .3 . metabolismo. José Francisco da Silva Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior . metabolismo.Manejo de plantas daninhas 3. formulação e misturas Tutores: Profº.ABEAS Universidade Federal de Viçosa . Francisco Affonso Ferreira Profº.Herbicidas: absorção.Herbicidas: absorção. José Ferreira da Silva Profº.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 . translocação.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .3 .

130 5. 117 2. translocação.1 – Introdução. 127 4. 133 Módulo 3. 125 4. 129 5.1.Herbicidas: absorção. 129 5.2 .Penetração pelo caule.Interações entre herbicidas. 113 2 .Mecanismo de absorção de herbicidas.1. 118 3 .4.3 .Absorção de herbicidas.4 .2 .Translocação de alguns herbicidas.Penetração pelas raízes.1 .Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas. 131 Referências bibliográficas.Translocação de herbicidas.2. 104 1.2.Tipos de formulações. 116 2. 116 2.Conceito de movimento simplástico e apoplástico.2 .1 .2 .Movimento descendente. 117 2. 120 4 – Formulação. 112 1.Veículo de aplicação (água). 127 4. 130 5.1 .4. retenção e absorção de herbicida pela folha.Movimento ascendente.1. metabolismo.Misturas de herbicidas.2 .4 .1 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário 1 .1 .Interações de herbicidas com inseticidas em mistura. 112 1. 128 5 . 111 1.2 – Incompatibilidade.Metabolismo dos herbicidas nas plantas.3 .3 .3 . 104 1.Formulações líquidas. 104 1.1 .Interceptação. 126 4.Formulações sólidas. formulação e misturas 103 .Fatores que influenciam a absorção através das raízes.

metabolismo.1 . Por sua vez. Os herbicidas podem penetrar nas plantas através das suas estruturas aéreas (folhas. A absorção de herbicidas pelas raízes ou pelas folhas é influenciada pela disponibilidade dos produtos nos locais de absorção e com fatores ambientais (temperatura.Herbicidas: absorção.). rizomas. translocação. Quando os herbicidas são aplicados diretamente na parte aérea da planta (pós-emergência). a morfologia da planta e as condições ambientais exercem grande influência. por exemplo. A principal via de penetração dos herbicidas na planta é função de uma série de fatores intrínsecos e extrínsecos (ambientais). também. ou. onde atua.Introdução A atividade biológica de um herbicida na planta é função da absorção. A interceptação da gota pulverizada é função do método de aplicação e da distância entre o alvo e o bico do pulverizador. ser aplicado no solo onde se desenvolve esta planta não é suficiente para que ele exerça a sua ação. umidade relativa do ar e umidade do solo). do metabolismo e da sensibilidade da planta a este herbicida e. metabolizado para exercer sua ação herbicida. atinge e penetra nos cloroplastos. as estruturas jovens das plântulas (radícula e caulículo) e as sementes são as vias de penetração mais importantes para os herbicidas aplicados e. Por isso. também. retenção e absorção de herbicida pela folha A absorção foliar de um herbicida requer que o produto seja depositado sobre a folha e permaneça ali por um período de tempo suficiente. da translocação.2 . 104 Módulo 3. dentro de uma população mista. flores e frutos) e subterrâneas (raízes. o simples fato de um herbicida atingir as folhas da planta e. incorporados ao solo. ainda. transloca até as folhas e. o 2. O caule (casca) de árvores ou arbustos pode também ser uma via de penetração de herbicidas. transloque e atinja a organela onde irá atuar. A atrazina. ou quando. as raízes. aí. luz. Há necessidade de que ele penetre na planta. ou. Além disso. até ser absorvido. ou.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . as folhas são a principal via de penetração.Absorção de herbicidas 1. formulação e misturas .4-DB precisa ser absorvido. que serão discutidos no item referente à tecnologia de aplicação.Interceptação. translocado e. de estruturas jovens como radículas e caulículo e. Por outro lado. penetra pelas raízes. em um reflorestamento. caules. que influenciam também a translocação destes até o sítio de ação. estolões. destruindo-os.3 . pelas sementes. quando aplicada ao solo. a seus metabólitos. principalmente quando se deseja controlar apenas algumas plantas. tubérculos. etc. se deseja que as cepas das árvores não rebrotem após a derrubada. 1.

4-D amina requer um período muito mais longo sem chuva do que o 2. são solúveis em água. Embora em menor proporção. Também o nú¬mero e a abertura dos estômatos exercem pequena influência sobre a penetração dos herbicidas. PIRES et al.3 . tanto a penetração dos herbicidas pelas folhas quanto pelas raízes. razão pela qual muitos fatores influenciam. menos sujeitos a lavagem pela chuva.4-D ester para causar a mesma toxicidade em várias espécies sensíveis (BEHRENS. Sais aniônicos (cargas negativas). o ângulo ou a orientação das folhas em rela¬ção ao jato de pulverização e as estruturas especializadas. metabolismo. O corte transversal de uma folha está representado na Figura 1. como todas as estruturas aéreas das plantas. esta existe também nas raízes. JAKELAITIS et al. cavidade estomática. 2. poros estomáticos. 2000. Figura 1 . do método e da tecnologia de aplicação. a forma e a área do limbo foliar. Sais catiônicos (carregados positivamente). denominada cutícula. Após a interceptação. são recobertas por uma camada morta (não-celular). 2003. igualmente. não penetram rapidamente. formulação e misturas . mas são rapidamente absorvidos e. como tricomas (pêlos). Dentre os aspectos relacionados com a morfologia da planta destacam-se o estádio de desenvolvimento (idade da planta). A chuva pode causar perdas consideráveis de herbicidas das folhas das plantas. células da bainha do feixe. xilema e floema Fonte: Mengel e Kirkby (1982) 105 Módulo 3. deve haver um período crítico sem ocorrência de chuvas até que ocorra absorção de quantidade suficiente deste. Herbicidas lipofílicos (usualmente formulados como CE ou flowable) são pouco solúveis em água.Herbicidas: absorção. porém são rapidamente absorvidos nos lipídios da cutícula e pouco lavados pela chuva. mostrando células-guarda.. 1981).Corte transversal de uma folha (esquemático). A influência da chuva sobre a eficiência dos herbicidas está também relacionada à formulação. HESS. para cada herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A morfologia da planta influencia a quantidade de herbicida interceptada e retida. ELAKKAD. Por exemplo.. As folhas. como o paraquat. não são absorvidos pela superfície da cultícula e são solúveis em água e podem ser lavados caso ocorra chuva até mais de 24 horas após. por isso. translocação. das condições climáticas e das espécies de plantas envolvidas (BRIDGES. 2001). lipofílica. A perda do herbicida ou de sua atividade depende da ocorrência de chuva (intensidade e duração) neste intervalo.. por exemplo sais de sódio.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A cutícula recobre todas as células da epiderme da planta. freqüentemente.Herbicidas: absorção. 2005). et al. a qual possui grupos de polaridade variáveis (Figura 2). aumentando. álcoois. acredita-se que a cutina aumente de volume (por embebição). Em geral. Figura 2 . cetonas. a cutícula é recoberta por uma camada de cera. de prato (ou disco). assim a sua permeabilidade. A composição química do revestimento epicuticular é muito variável entre as espécies de plantas (Quadro 1). Externamente. etc. formulação e misturas . A camada cerosa que envolve a cutícula é mais rica em compostos menos polares do que a cutina. pode ser semifluida ou fluida. ésteres. Em consequência da variabilidade de seus componentes o grau de polaridade das cutículas varia muito. incluindo as células-guarda dos estômatos e as células que envolvem a câmara subestomática. Em presença de água. separando as partículas de cera. Ela pode ter a forma de grânulos. translocação. A cutina é o principal componente estrutural da cutícula. ainda. Esse conjunto.. essa camada é uma complexa mistura de alcanos de longas cadeias (21 37 carbonos). de camadas superpostas e.3 . O padrão de superfície da camada cuticular é bastante variável. metabolismo. porém alguns componentes são comuns. é referido como camada cuticular (Figura 2). ácidos graxos. (FERREIRA. funcionando como uma resina de troca de cátions. que é formada de fibrilos de celulose impregnados de pectina. aldeídos.Representação esquemática dos principais componentes da camada cuticular e o seu grau lipofílico 106 Módulo 3. Entre a camada cuticular e a membrana citoplasmática tem-se a parede celular.

A camada cuticular funciona como uma barreira à perda de água e também como uma barreira à entrada de pesticidas e microrganismos na planta.0 6. No momento em que os herbicidas entram em contato com a superfície foliar. podem acontecer os pressupostos que se seguem (Figura 3). é que essas barreiras não são totalmente rígidas e distintas.8 7. etc.8 6. tanto aos polares quanto aos não-polares. a polaridade do composto. o herbicida.4 6. As características da solução aplicada. Uma hipótese citada por Klingman e Ashton.0 6.2 7. após atravessar a camada cuticular e a parede celular.3 .8 8. (1991). composição química e permeabilidade da cutícula. através dos plasmodesmas.0 7.2 8.0 7.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É conhecido o fato de que há uma interação bastante complexa entre a natureza química do produto aplicado e a superfície foliar.6 8. sobre a penetração dos herbicidas pelas folhas. A maior barreira à penetração de um herbicida no citoplasma das células é a membrana citoplasmática. formulação e misturas 107 . translocação.Percentagem de compostos apolares e polares e pH do revestimento epicuticular de diversas espécies de plantas daninhas Espécies daninhas Cyperus rotundus Avena fátua Brachiaria plantaginea Cynodon dactylon Digitaria sanguinalis Echinochloa crus-galli Panicum dichotomiflorum Poa annua Sorghum halepense Amaranthus retroflexus Capsella bursa-pastoris Chenopodium album Datura stramonium Ipomoea purpurea Poligonum lapathifolium Portulaca oleracea Senna obtusifolia Sida spinosa Sinapsis arvensis Solanum nigrum Stellaria media Xhathium orientale Compostos NãoPolares 82 10 17 12 37 27 17 29 6 44 32 32 92 32 12 37 7 85 47 88 9 58 Compostos Polares 17 90 82 88 62 72 82 71 93 55 68 66 7 68 86 63 93 14 52 11 91 41 pH 7.3 8. O processo de absorção de um herbicida é complicado em razão da espessura. metabolismo.2 7. pode penetrar no citoplasma.0 8. via simplasto. Entretanto. Módulo 3. a tensão superficial da calda.2 7.5 Fonte: Sandoz Agro Ltda.Herbicidas: absorção.0 7. citado por Kissmann (1997). Apesar das barreiras existentes (como a camada cuticular). tanto os herbicidas polares quanto os não-polares penetram nas folhas das plantas. (1975).5 6. Existem dois tipos principais de superfícies: uma facilmente molhável (rica em álcoois) e outra de molhagem mais difícil (rica em alcanos).0 7. Quadro 1 . As folhas das plantas apresentam muitas barreiras à penetração dos herbicidas. são importantes nessa interação.4 7.0 6.6 6.

porque reduz sua polaridade. que inclui o movimento no floema (5) Fonte: Hess (1995) Uma grande diversidade de herbicidas. mas permanecer absorvido nos componentes lipofílicos da cutícula (3). 1991). umidade relativa).3 . A passagem de uma molécula de herbicida através da camada cuticular é um processo físico que pode ser influenciado por uma série de fatores. ésteres. 108 Módulo 3. a rota hidrofílica. Schmidth et al. Há evidências de que a penetração de herbicidas decresce com o aumento da idade da folha (GROVER.Herbicidas: absorção. da idade da folha e do ambiente sob o qual a folha se desenvolve. (1981) atribuíram isto à maior polaridade da cutina encontrada nas folhas novas. A absorção de herbicida não está necessariamente relacionada à espessura ou ao peso da cutícula. etc. uso de agentes ativadores de superfícies (surfatantes) e outros. na parede celular e atingir o interior da célula (pela plasmalema) – é a translocação simplástica. Figura 3 . Para os herbicidas orgânicos.esta é chamada translocação apoplástica. penetrar. formulação e misturas . tamanho das partículas e concentração do herbicida. o pH mais baixo aumenta a absorção do herbicida. como: potencial hidrogeniônico (pH). translocação. metabolismo. O exato mecanismo de penetração não é totalmente conhecido para todos os herbicidas. permanecer sobre a superfície como um líquido viscoso ou na forma de cristal (2). atravessa a camada cuticular. fatores ambientais (luz. mas admite-se que os compostos não-polares sigam uma rota lipofílica e os compostos polares.Diagrama hipotético. que diferem em estrutura e polaridade. espessura da cutícula. Apesar de a constituição física e química e a espessura poderem ser praticamente a mesma. a cutícula de folhas nova é mais permeável à água do que a de folhas velhas. CESSNA. cerosidade e pilosidade da folha. na parede celular e então translocar antes de atingir o simplasto . representando os aspectos: volatilizar e perder para atmosfera ou ser lavado pela chuva (1). o pH da solução tem pouco ou nenhum efeito sobre a penetração. que inclui o movimento no xilema (4) e penetrar na cutícula. mas sim à constituição lipídica e ao grau de impedimento da passagem de solutos. temperatura. Para os herbicidas nãodissociáveis (amidas. derivados de ácidos fracos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que variam em função da espécie. Todos esses fatores podem influenciar a absorção de herbicidas.). penetrar na cutícula.

um intervalo sem chuvas de menos quatro e seis após a aplicação. Primeiro. conseqüentemente. metabolismo. favorece a abertura dos estômatos e pode aumentar o transporte de solutos na planta. mover-se através do poro de um estômato aberto para dentro da câmara subestomática. admite-se que a cutícula tenha estrutura porosa. sendo essa água de hidratação da cutícula a rota de penetração destes herbicidas. aumenta a hidratação da cutícula. foi suficiente para ótimo controle das plantas tratadas. a cutícula sobre as células-guarda parece mais fina e mais permeável a substâncias do que a cutícula sobre outras células epidérmicas. o haloxyfop teve sua atividade reduzida de 92% para 12%. à alteração na composição das ceras ou ao aumento na formação de ceras epicuticulares. 1995).. para o sulfosate e glyphosate. havendo maior absorção dos produtos polares com aumento da umidade (HESS. Uma a duas semanas antes da aplicação. geralmente promovem a formação de cutículas mais impermeáveis. Como os herbicidas atravessam a cutícula? A resposta para essa pergunta ainda não está bem esclarecida. A umidade relativa do ar tem efeito mais consistente sobre absorção de herbicidas. mesmo quando o período sem chuva foi de até seis horas. com a penetração de herbicidas nas folhas. a solução pulverizada poderia. 2001 o glyphosate e o sulfosate apresentam máxima atividade em plantas não-estressadas. formulação e misturas 109 . Com relação aos herbicidas hidrofílicos. Os estômatos podem estar envolvidos. Nas plantas estressadas (déficit hídrico no solo). comparando pulverizações feitas em plantas de capim-massambará (Sorgum halepense) sem estresse e estressadas. Nas plantas estressadas.Herbicidas: absorção. Alta temperatura pode melhorar a absorção. a infiltração pelos estômatos não é possível. como temperatura do ar. em condições de alta luminosidade e estresse hídrico no solo. translocação. também pode apresentar efeitos negativos devido à maior rapidez do secamento da gota pulverizada. Em segundo lugar. que se mantém hidratada. A maioria dos Módulo 3. Todavia. em conjunto. A natureza da resposta para as diferentes condições ambientais varia com a espécie vegetal. umidade relativa. a menos que a tensão superficial da solução pulverizada seja muito reduzida pelo uso de surfatantes na formulação ou no tanque do pulverizador. O grau de impermeabilidade da cutícula pode ser atribuído ao incremento de sua espessura. de duas formas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os fatores ambientais. translocação e grau de detoxificação. A elevação da umidade relativa aumenta o tempo de evaporação da gotícula pulverizada. luz e teores de umidade no solo e na planta. influenciam a atividade dos herbicidas nos aspectos de absorção. provocando a cristalização do herbicida na superfície foliar. É difícil ou mesmo impossível afirmar qual dos processos é mais influenciado pelas mudanças nas condições do ambiente. Segundo Pires et al. ou baixa umidade relativa do ar e umidade do solo. e daí para o citoplasma das células do parênquima foliar.3 . em tese. houve rebrota acentuada da maioria delas. Condições de alta temperatura e luminosidade. dependendo das condições ambientais. Nestas. Supõe-se que os herbicidas lipofílicos se solubilizam nos componentes lipofílicos da camada cuticular e se difundem através da cutícula. Entretanto. respectivamente. por provocar maior fluidez dos lipídios da camada cuticular e da membrana celular e. tanto a absorção quanto a translocação são menores (HESS. 1995). mais rápida absorção do herbicida.

Em alguns casos o surfatante pode provocar parcial solubilização da cera epicuticular. o desenvolvimento de surfatantes à base de organossilicones proporcionou avanço nesse ponto. No entanto. às quais alguns ingredientes são adicionados. A estimulação da absorção pode ser causada pelo surfatante adicional ou por outros aditivos presentes nas duas formulações misturadas. etc. além de surfatantes e óleos. têm sido usados como aditivos nas pulverizações. na concentação de 1 a 10% (p/v). metabolismo. LOADER. Destes. a eficiência do surfatante depende de sua natureza. Sulfato de amônio não melhora atividade do paraquat e na. mas preparados em soluções. a atividade do glyphosate é melhorada por surfatantes com alto balanço lipofílico-hidrofílico que pelos surfatantes hidrofílicos que são não-iônicos ou catiônicos (TURNER. ou surfatantes. incluindo picloram. quando sulfato de amônio é adicionado à solução. Os resultados dos experimentos de campo. tem sido usado para melhorar a atividade de númerosos herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surfatantes atualmente em uso atua aumentando a penetração cuticular e não consegue reduzir a tensão superficial adequadamente para permitir a penetração estomática. Recentemente. No caso do sethoxydim. proporção de 20% p/v. translocação. emulsões. a melhoria só ocorre se o surfatante também estiver presente. Entretanto. da presença de outros aditivos e das espécies das plantas. e podem ser catiônicos. contendo parte hidrofílica e lipofílica. 110 Módulo 3. ou. a absorção de um herbicida pode ser influenciada pela presença de outro herbicida misturado na calda. Eles geralmente são compostos de moléculas grandes. Por exemplo. melhorando a retenção e o espalhamento desta sobre a folhagem.. 1980). para melhorar a penetração ou atividade dos herbicidas aplicados às folhagens. no entanto. 1980). em geral. o surfatante lipofílico é eficiente. 1994). aniônicos ou não-iônicos. Finalmente. os mais importantes são os agentes ativadores de superfície. atividade do herbicida. glyphosate e sethoxydim. LOADER. Também podem ocorrer interações negativas entre os dois herbicidas. provoca efeito antagônico com glyphosate (TURNER. Diversos produtos químicos. favorecendo mais ainda a penetração do herbicida. Vários autores afirmam que os surfatantes melhoram a penetração e. Alguns trabalhos têm demonstrado que esse tipo de surfatante pode aumentar inclusive a translocação relativa do produto aplicado (KNOCHE.Herbicidas: absorção. A adição somente do sal provoca decréscimo da atividade em aveia. que têm vários propósitos. formulação e misturas . Eles podem também induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal e também aumentar a penetração cuticular. Os herbicidas são raramente aplicados na forma pura. A função primária do surfatante é reduzir a tensão superficial da gota. não têm sido suficientemente positivos ou consistentes para adição de tais aditivos na calda de pulverização e para se tornar uma prática recomendada. Sulfato de amônio.3 . Este surfatantes são capazes de reduzir a tensão superficial ao ponto de a infiltração pelo estômato ocorrer. do herbicida em questão.

portanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. eles são preparados em formulações lipofílicas. tornando-a mais permeável aos herbicidas. a barreira que a estria de Gaspary representa na raiz não está presente nestes tecidos. Alternativa prática mais eficiente seria injetar o herbicida com equipamento próprio com uma pistola injetora.Herbicidas: absorção. Neste caso.3 . butachlor. principalmente os polares. metolachlor DCPA oxyfluorfen trifluralin. floema). Este processo está sendo implantado em algumas empresas de reflorestamento. e. além de serem aplicados em altas concentrações (5-10%). ou. após a morte de suas células. O caule da plântula durante a emergência tem uma cutícula muito pouco desenvolvida. Entretanto. lignina. formulação e misturas 111 . que facilitam a penetração de herbicidas. aos herbicidas aplicados na parte aérea. sendo esta uma rota de entrada de herbicidas em muitas espécies de gramíneas. rotas importantes para a penetração de herbicidas pelo caule. Quadro 2 . o periderma deve apresentar baixa permeabilidade à água e. metabolismo. é um sítio de entrada importante para muitos herbicidas aplicados ao solo que são ativos em sementes e durante a germinação e na emergência das plântulas (Quadro 2). Estes produtos são pulverizados ou pincelados no caule da planta. visando evitar a rebrota das cepas. usando imazapyr 20 a 30 dias antes da derrubada das árvores de eucalipto. causa pequenas rupturas na casca. Nas plantas jovens. Outros constituintes comumente encontrados nestas células são ácidos graxos. Lenticelas são estruturas que atravessam o periderma. Baseado na sua estrutura e composição. também. As células do periderma contêm tanino e são altamente suberizadas. celuloses e terpenos.3 .Grupos químicos de herbicidas e exemplos de ingredientes ativos que podem ser absorvidos do solo pelas radículas ou partes aéreas emergentes das plântulas Famílias de herbicidas Acetanilidas Ácidos ftálicos Difeniléteres Dinitroanilinas Tiocarbamatos Exemplo de produto acetochlor. Além do mais. translocação. desprovida da camada de cera. alachlor. até a região do câmbio (xilema. Para atuação de herbicidas aplicados à casca das árvores. sendo. o herbicida será mecanicamente introduzido através da casca. pendimethalin butylate. o periderma é um tecido protetor que substitui a epiderme. O crescimento do caule. molinate A penetração de herbicidas através da casca de plantas lenhosas é outra opção que pode ser aproveitada na prática.Penetração pelo caule A absorção de herbicidas pode ocorrer pelo caule das plantas jovens (durante emergência) e das adultas. usando-se óleo como veículo. Módulo 3. em diâmetro.

A disponibilidade dos herbicidas para as raízes é função das propriedades físico-químicas dos herbicidas e do solo e da distribuição espacial destes compostos e das raízes no solo. translocação. ou. estar relacionado com a viscosidade da água (sob condições de baixa temperatura) e com reações químicas (absorção ativa). Os herbicidas têm que entrar em contato com a raiz. A entrada dos herbicidas pelas raízes não é tão limitada quanto pelas folhas.Fatores que influenciam a absorção através das raízes A absorção de herbicidas pelas raízes é caracterizada por uma fase inicial de elevada taxa de absorção durante os 30 primeiros minutos até 2 horas.Penetração pelas raízes Muitos herbicidas aplicados ao solo são absorvidos pelas raízes.4-D. tamanhos e solubilidades diferentes são prontamente absorvidos pelas raízes. 4). em grande parte. a água que se move em direção ao xilema deve entrar no simplasto.1 . a taxa de absorção aumenta rapidamente logo após a aplicação e. depois. Apesar de não existir nenhuma barreira cuticular na zona dos pêlos radiculares. normalmente. passando em seguida à negativa (perda por exsudação). seguida por uma fase de absorção mais lenta. há uma barreira lipídica localizada na endoderme da raiz. e esta barreira é conhecida por ser impermeável à água. a penetração de água e solutos. todas as paredes radiais contêm uma banda fortemente impregnada com suberina (estria de Gaspary). Embora raízes jovens sejam também cobertas por uma camada cerosa e as mais velhas sejam fortemente suberizadas. uma vez que nenhuma camada significativa de cera ou cutícula está presente nas partes das raízes onde a maior parte de absorção de herbicidas ocorre. pode influenciar a absorção de herbicidas pelas raízes. em solução com a água. principalmente quando o composto é sujeito à ionização.4 . a principal zona de absorção está entre 5 e 50 mm de sua extremidade. ocorre.4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. 1. Nas raízes jovens. Também a concentração hidrogeniônica. Os pêlos radiculares são responsáveis por aumento significativo da área disponível para a absorção de água e de herbicidas (Fig. com alta permeabilidade à água e a solutos (sais). O que acontece aos herbicidas nesse ponto não está completamente claro. Se o herbicida for 112 Módulo 3. metabolismo. Muitos herbicidas com estruturas moleculares. Esse fenômeno pode. o que pode ocorrer pelo crescimento desta ou pela difusão do herbicida no estado gasoso e. A rota mais importante de entrada é a passagem do herbicida junto com a água através dos pêlos radiculares existentes nas extremidades das raízes. O sistema radicular das plantas superiores apresenta uma superfície de absorção extremamente grande. formulação e misturas . Na endoderme ou antes dela.Herbicidas: absorção. próxima à zona de absorção radicular. até a zona de absorção das raízes. Por exemplo. ocorre decréscimo nesta taxa até ela se tornar nula. Na endoderme. Tem sido observado decréscimo na taxa de absorção de herbicidas devido ao abaixamento da temperatura. para o 2.3 .

inicialmente. indicando que o 2.3 . A segunda fase da absorção. segundo Donaldson et. prontamente absorvidos pelas raízes. translocados via xilema. conseqüentemente. podendo. então. (1973) listam os seguintes critérios para a absorção ser ativa ou dependente de energia: Q10 ≥ 2. A linearidade é perdida quando o herbicida exerce efeito tóxico sobre a planta. influenciam a absorção. Uma vez dentro do citoplasma das células. De modo geral. que consiste em atravessar a membrana citoplasmática (plasmalema). podem ser adsorvidas. mas não o foram para monuron. Também as propriedades físico-químicas dos herbicidas. Os herbicidas solúveis na água. atrazine e napropamide. metabolismo. A segunda fase de absorção. Quanto à concentração do herbicida. e acumulação contra um gradiente de concentração. também é ativa ou dependente de energia. entretanto. ou. A correlação entre transpiração e absorção é válida para os herbicidas polares. o produto atravessá-la livremente. dentro de determinados limites. (1973) a taxa de absorção de herbicida correlaciona-se com o coeficiente de partição óleo/água. Também atrazine e amitrole tiveram absorção passiva. translocação. existem herbicidas não-polares que são. em geral. Essas condições foram satisfeitas para absorção de 2. se difundem nos espaços livres das células da epiderme do córtex da zona de absorção. taxa de absorção não é função linear da concentração externa.4. mas hiperbólica. A absorção de herbicidas pela raiz também pode ser limitada por ligações ou adsorção do herbicida nos componentes celulares. Para os herbicidas polares. o pH que aumenta a sua polaridade beneficia também a sua absorção e penetração pelas raízes. pelas raízes. além do pH da solução do solo. Triazinas e uréias. Sendo os herbicidas. requerimento de oxigênio.Herbicidas: absorção. dependente da concentração. para picloram. existe uma relação linear entre a concentração do produto disponível e a sua penetração pela raiz. formulação e misturas 113 . 1. no xilema. Não há dados suficientes para o entendimento completo de mecanismo de absorção de todos os herbicidas. é um processo ativo de absorção. portanto.4-D. também. inibidores metabólicos. sendo os herbicidas mais lipofílicos absorvidos mais rapidamente. demanda energia. Esta fase tem um Q10 maior que a fase inicial e é sensível a inibidores metabólicos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas absorvido em solução com a água. a corrente transpiratória correlaciona-se com o transporte destes para a parte aérea da planta. a absorção de herbicidas polares. estabelecendo um gradiente de concentração entre a parte externa da raiz (solução do solo) e a interna da planta (corrente de assimilados).4-D é acumulado ativamente e o monuron. alta temperatura do solo e alto potencial de água no solo são condições que favorecem a transpiração e. apresentando baixo Q10. é um processo passivo a puramente físico e. Alta temperatura e irradiância. al. ele pode penetrar no floema e. portanto. Embora alguns trabalhos demonstrem estreita relação entre transpiração e absorção. absorção bloqueada por inibidores metabólicos. de onde se transloca até seu sítio de ação. dependendo das características do produto. passivamente. o que geralmente não é o caso da segunda fase. a energia necessária à manutenção da seletividade da plasmalema é inibida. baixa umidade relativa do ar. por exemplo..2 .Mecanismo de absorção de herbicidas A primeira fase de absorção é independente de energia metabólica. há evidências contrárias. em parte. como lipofilicidade e pka. Donaldson et al. Até aí. Como a Módulo 3.

os herbicidas podem ser acumulados contra um gradiente de concentração. partição nos lipídios do citoplasma ou metabolismo a produtos polares que 114 Módulo 3. e há várias explicações para isso. (b) Diagrama hipotético.Moléculas de herbicidas capazes de entrar no protoplasma via simplasto (passam de célula em célula através dos plasmodesmatas) e atingem o floema. metabolismo. por Mengel e Kikby (1982). floema por ambas as vias (simplásticas ou apoplásticas).(a) Secção transversal de uma raiz. Figura 4 .Moléculas de herbicidas capazes de penetrar nas paredes celulares translocam-se via apoplasto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas translocação via xilema é muito mais rápida que a translocação via floema.Herbicidas: absorção. translocação. ou. representando a absorção de herbicidas pelas raízes Durante a fase de absorção dependente de energia. Estas incluem ligações nos tecidos do citoplasma. mostrando suas principais estruturas. há tendência de aqueles herbicidas que são capazes de passar livremente do floema para o xilema serem de baixa ou nenhuma translocação via floema. formulação e misturas . o .Moléculas de herbicidas capazes de penetrar no xilema e. • . difundem-se através das estrias de Caspary e atingem o xilema.3 . x .

quando aplicadas nas folhas das plantas. fenilacético. imazethapyr e sethoxydin Fonte: Stelling (1994) Módulo 3. A exsudação também está relacionada com a detoxificação da planta. formulação e misturas 115 . impedem a ação seletiva desta. podendo ser um dos fatores responsáveis pela tolerância desta ao herbicida. A zona da raiz mais ativa na exsudação é a zona de alongamento. Normalmente. correspondendo à zona de absorção. chlorsulfuron.3 .4-D. os ácidos fracos se dissociam mais e entram no citoplasma. acumulando-se no interior da célula (Figura 5).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas são menos hábeis para se difundir através da plasmalema. os produtos de maior afinidade por substâncias lipofílicas (lipofilicidade) atravessam mais facilmente a plasmalema. onde. Os herbicidas não-polares seguem uma rota lipofílica até atingirem a plasmalema. benzóico ou picolínico. Figura 5 . metabolismo. 2. Várias classes de importantes compostos. A exsudação é um fenômeno limitado apenas às raízes integrais (sem cortes) e vivas. como 2. Essas moléculas dissociadas (ânions) são menos capazes de atravessar a plasmalema do que as moléculas neutras. translocação. provavelmente. são exsudadas pelas raízes.4-D. evidenciando que ela se dá por processo metabólico. Esta é a explicação alternativa para a acumulação de ácidos fracos. Uma vez que o pH no citoplasma é uma a duas unidades maior que o pH do meio externo da célula.Herbicidas: absorção.Acumulação de herbicidas (ácidos fracos) no interior da célula (a) e sítios de dissociação dos herbicidas (b): bentazon. como os derivados do ácido fenóxico acético.

estolons. 116 Módulo 3. podem ser mortas por herbicidas de contato. e tendo em vista que há diferença de penetração de herbicida nas diferentes posições da parte aérea da planta.. é formado pelo conjunto de células mortas. O movimento de solutos e assimilados no interior das plantas superiores pode ser definido. considerando que não é fácil atingir toda a superfície foliar de uma planta.Conceito de movimento simplástico e apoplástico Simplástico . translocação. formulação e misturas .contrariamente ao simplasto. como visto a seguir. até atingirem as células companheiras. etc. Se a translocação de um herbicida pode ser aumentada. metabolismo. menores serão os custos de aplicação e os riscos de causar prejuízos ao meio ambiente. a translocação é também de grande importância. Íons e moléculas podem movi¬mentar-se de célula para célula através dessas estruturas. Por outro lado.3 . principalmente de arbustos e árvores. formando um conjunto contínuo através das intercomunicações do citoplasma. 2. em 1971. cloroplastos. para exercerem a sua efetiva ação herbicida. necessitam que determinada quantidade do produto seja capaz de translocar e atingir estes orgãos de recuperação.Translocação de herbicidas Há várias razões pelas quais é importante o estudo de translocação de herbicidas. quando ocorre completa cobertura da parte aérea pela calda herbicida pulverizada. rizomas. Para a maioria dos herbicidas aplicados ao solo. aquelas plantas que são capazes de se regenerar através de bulbos. os espaços intercelulares e o xilema.Herbicidas: absorção. Muitos herbicidas são absorvidos pelas raízes ou pelas partes subterrâneas do caule e são translocados para outras áreas. como ponto de crescimento. Apoplástico . conseqüentemente. o aumento na translocação de um produto aumentará a sua eficiência. citados por Hay (1976). de onde são transpostos para o floema. incluindo as paredes celulares. etc. para que produza controle eficiente.foi definido por Crafts e Crisp. Plantas jovens. como a massa total de células vivas de uma planta. que são as membranas citoplasmáticas. em dois sentidos. O floema é o principal componente do simplasto. então as doses aplicadas deste produto podem ser reduzidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 .1 . com velocidade de 60 a 100 vezes maior que o movimento no sentido radial. tubérculos. que não são capazes de se regenerar através de seus órgãos subterrâneos. os quais formam um sistema contínuo no qual a água e os solutos se movimentam livremente. basicamente. Transporte a longa distância ocorre através dos tubos crivados (floema). Entretanto. denominado plasmodesmas. sem atravessar as barreiras à permeabilidade.

das células de transferência e das células companheiras estão diretamente intercomunicados. são um dreno e. inicialmente.Movimento ascendente Íons e moléculas podem difundir-se pelos espaços intercelulares e paredes celulares do córtex. de alguma forma ainda não definida.1 . flores e frutos em desenvolvimento. nestes vasos. estão envolvidas no fluxo de carregamento destes vasos. para se translocarem das folhas para a parte superior da planta. força o fluxo em massa do conteúdo nele existente. Substâncias fotossintetizadas nas folhas da base da planta são transportadas para as raízes. 2. assume-se que esse movimento ocorra à custa de energia metabólica. As células com protoplasma muito denso e com pontuações na parte interna da parede celular permitem maior superfície de contato entre o sistema simplástico e o apoplástico. no entanto. Citoplasmas das células do mesófilo. A hipótese do transporte pelo fluxo de massa envolve uma corrente de solutos movendo-se da fonte (folhas. Contudo. conseqüentemente. translocação. que descer até atingir o caule. metabolismo. porém o mecanismo desse carregamento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. suporta essa teoria. As folhas. têm. supunha-se que as substâncias (íons ou moléculas) rompiam essa barreira e penetravam no sistema simplástico das células. que acompanham as células do floema. após o que podem subir pelo floema ou penetrar no xilema e se translocar com a corrente transpiratória. formulação e misturas 117 .Movimento descendente Os assimilados e solutos se movem a uma distância média correspondente a 2. quando amadurecem.1. caules ou outros órgãos fotossintetizantes) para o dreno (áreas meristemáticas. Parte dessa distância ocorre pelo sistema apoplástico. As células companheiras e as células parenquematosas. O movimento para dentro do floema (carregamento) deve ser um processo ativo. raízes e tecidos ou órgãos de reserva). hoje. causando elevação do potencial osmótico e. primeiro. se transformam em uma fonte. O movimento por esta rota para o interior da raiz é bloqueado pelas paredes longitudinais das “estrias de Gaspary”. para muitas substâncias.O decréscimo da concentração dos assimilados ao longo dos vasos. enquanto as produzidas nas folhas da parte superior da planta são transportadas para as folhas novas e os brotos terminais. à medida que se distancia da fonte. Sabe-se.Herbicidas: absorção. A teoria do transporte pelo fluxo de massa baseia-se na elevação da concentração de assimilados (açúcares.2 . Acredita-se que herbicidas e outras substâncias se movimentem juntamente com esse fluxo. principalmente sacarose) dentro dos vasos. que a estria de Gaspary não está presente nos ápices Módulo 3.5 vezes o diâmetro da célula. é ainda desconhecido. Uma vez que estes assimilados se movem para dentro desses vasos. mas somente as células companheiras estão diretamente ligadas ao floema. na endoderme.1.3 . penetração de água dentro destas células. em direção contrária ao gradiente de concentração. A alta pressão de turgor. antes de alcançar os vasos menores do floema. Estas células são conhecidas como células de transferências e parecem funcionar no carregamento dos vasos do floema e na transferência do floema para o xilema. Os assimilados.

o picloram é. Ele transloca-se. não se acumulam na raiz por causa do fenômeno da exsudação. ele se transloca até as raízes e. Derivados do ácido fenóxico . A presença de folhas jovens na planta aumenta a translocação do produto para as raízes. Essas substâncias podem. pode controlar uma séria invasora do milho. elevadas temperaturas e adequado suprimento de água no solo) são também favoráveis à translocação dos produtos que se movimentam pelo sistema apoplástico. espalhando-se rapidamente por toda a planta. nos pontos de crescimento e nas raízes.3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas radiculares de células endodérmicas jovens e na região basal das raízes laterais em desenvolvimento (LUXOVÁ. metabolismo. que é a striga (erva-debruxa). semelhante ao 2.os representantes deste grupo translocam-se pelo floema e. 2. as condições ambientais favoráveis à transpiração (umidade relativa baixa. também ocorre acumulação nas folhas jovens. ser absorvido por plantas vizinhas não-tratadas. Exsuda-se.quando aplicado em solução nutritiva. pode ser exsudado pelas raízes. A elevação da umidade relativa pode aumentar o movimento descendente do 2. Apesar de apresentar pequena acumulação na raiz. CIAMPOROVÁ. apesar de ser bastante móvel no sentido basípeto da planta. 10 vezes mais tóxico às raízes que o 2. A sua pequena acumulação nas raízes está. Apesar de se translocarem no sentido descendente.4-D move-se do floema para o xilema e retorna à folha tratada. 1992). a concentração do produto diminui nas raízes e nas folhas fotossintetizadoras e se concentra nas regiões meristemáticas desta. em grande proporção. A morte ou injúria das raízes reduz a sua exsudação. translocação. mover-se de célula para célula.1. 118 Módulo 3. Picloram . ou vazar para o xilema parenquimatoso e ser transportadas no sentido acrópeto pela corrente transpiratória. podendo causar danos às plantas adjacentes às tratadas. aproximadamente. neste caso. Se a planta é retirada da solução com herbicida e colocada numa solução sem herbicida. talvez por inibir o movimento junto à corrente transpiratória.4-D. O uso deste herbicida no raleamento de floresta. xilema e acumulam-se nos pontos de crescimento (tecido meristemático). Aplicado nas folhas das plantas. Aplicado nas raízes ou nas folhas. relacionada com sua exsudação por elas.Translocação de alguns herbicidas Dicamba . no sentido descendente. A adição do ácido 2-cloroetil-fosfônico (ethrel) ao dicamba aumenta a sua translocação. 2. pelo sistema simplástico. Pequena acumulação ocorre nas raízes. pode danificar a cultura quando ele for injetado em algumas espécies que são capazes de excretá-lo através de suas raízes. indicando ser este um processo que requer energia.4-D. o que pode representar importante rota de passagem dos herbicidas do apoplasto para o simplasto. ele se acumula nos pontos de crescimento. podendo.3 . Em geral. para folhas e pontos de crescimento da planta. é rapidamente absorvido e translocado para todas as partes da planta. visando reduzir o sombreamento de culturas como o cacau. sendo exsudado. formulação e misturas .4-D. até certo ponto. O 2.3. então.parece movimentar-se prontamente em ambos os sistemas (apoplásticos e simplásticos). Se o produto é aplicado nas folhas. ou.6-TBA .é altamente móvel na planta. Aplicado nas folhas do milho. pelas raízes. principalmente.Herbicidas: absorção.

em solução nutritiva. a translocação da folha para o caule parece não estar relacionada com a lipofilicidade. Algumas uréias. em menor proporção. como metribuzin. Aplicados às folhas. Altas concentrações destes produtos são encontradas em glândulas ricas em óleo (verdadeira barreira à translocação destes herbicidas) localizadas ao longo do caule e nas folhas da planta.estes herbicidas são absorvidos por folhas. os cloroplastos. quanto mais lipofílica for a imidazolinona. mas pouco ativo em Avena fatua. Na prática.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Uréias . porém se translocam apenas do ponto de aplicação para as extremidades da parte da planta onde foram aplicadas. em razão de sua rapidez de ação. Contudo. ametryn e atrazine. concentrando-se nas extremidades das folhas. penetram no simplasto. Entretanto. A translocação das raízes para os caules parece estar relacionada com a lipofilicidade das imidazolinonas. O sítio de ação dos herbicidas deste grupo é a enzima AHAS (ácido aceto hidroxi sintase). a pequena translocação do produto ocorre pelo sistema apoplástico.a maioria das triazinas são mais facilmente absorvidas pelas raízes. formulação e misturas 119 . Ocorre paralisação da translocação em aveia uma hora após o tratamento. Quando o paraquat é aplicado no escuro. A taxa de absorção decresce algum tempo após a aplicação. portanto. parece que ele atinge o xilema antes de necrosar o tecido e se move com a corrente transpiratória tão logo a planta seja exposta à luz. A sua velocidade de ação é proporcional à intensidade luminosa. As triazinas também se acumulam em glândulas ricas em óleos. Imazaquin é muito ativo no milho. que é concentrada nos tecidos meristemáticos. principalmente diuron. Fatores que reduzem a transpiração da planta reduzem também a sua translocação. Assim. principalmente. Quando aplicadas às raízes das plantas. metabolismo. Aparentemente. enquanto a translocação no milho continua por muito tempo. onde inibem a síntese de aminoácidos. principalmente quando aplicados durante o dia. Outros autores admitem que a translocação ocorrida na planta seja por difusão causada pelo rompimento das células. onde. Os estômatos fecham-se porque o herbicida. são bastante toleradas pelos citros e pelo algodão. ao inibir a fotossíntese. principalmente nos cloroplastos. Alguns trabalhos mostram que a translocação é aumentada pela redução da umidade relativa (elevação da transpiração). inicialmente. eles são considerados herbicidas de contato. são também absorvidas pelas folhas. de alguma forma. Imidazolinonas . Módulo 3. por causa do fechamento dos estômatos (redução na taxa de transpiração). dentro de 30 minutos elas podem ser detectadas no topo da planta. como herbicidas não translocáveis nas plantas. na prática. promove o acúmulo de CO2 na câmara subestomática. sob forte intensidade luminosa. Aplicados às raízes. caules e raízes e se trans¬locam via floema ou xilema até os pontos de crescimento. mais rápida é absorvida pelas raízes e mais rápida é a translocação para o caule. em plantas de algodão. espalham-se por toda a planta.Herbicidas: absorção. A diferença de translocação do imazaquin pode ser a causa das diferenças na susceptibilidade entre as espécies. Bipiridílios – são considerados. eles não se translocam de uma folha para outra. translocação. onde atuam. aparecem os sintomas de toxidez. fluometuron e linuron. Algumas.os derivados da uréia substituída são translocados exclusivamente via apoplástica. atingindo.3 . sendo todas elas translocadas exclusivamente via xilema. Triazinas .

mas. A hidroxilação na posição ‘para’ inativa o produto.Herbicidas: absorção.4-D).4. mas somente algumas espécies o degradam em velocidade suficientemente rápida para aumentar ou proporcionar a sua tolerância ao produto. Algumas leguminosas. formulação e misturas . A maioria das plantas degrada a cadeia do ácido acético. Tratar-se-á. etc. metabolismo. A hidroxilação na posição ‘3’ e a sua conseqüente conjugação com glucose e. na época da colheita das estruturas utilizadas para a alimentação. formando o 2. Uma das maneiras pelas quais as plantas se livram destes produtos é através do metabolismo destes. há hidroxilação na posição anterior do cloro.4-D. incluindo absorção. também o inativam. o toleram. o estudo de seus metabolismos é relativamente recente. alanina. na passagem do cloro de uma posição para outra. • hidroxilação do anel aromático. ácido glutâmico. também. fenilalanina e triptofano.4-D são: ácido aspártico. ou. translocação. translocação.5 T.4-DB → β oxidação → 2. Embora os herbicidas venham sendo usados há mais de 50 anos. Para vários grupos de herbicidas (ex. aminoácidos também são mecanismos de inativação do 2. O 2. Os compostos geralmente encontrados em conjugação com 2. valina. e • conjugação do composto com constituintes da planta. como a alfafa. do metabolismo dos herbicidas nas plantas apenas em relação à sua detoxificação. metabolismo o da molécula é uma das principais causas da seletividade. É importante saber não só que o herbicida é metabolizado. É muito importante saber se o herbicida é metabolizado ou não. na planta.: auxínicos. As agências governa¬mentais estabelecem limites de tolerância de resíduos dos produtos na planta. com conseqüente conjugação desta hidroxila com constituintes da planta. transformando-se em composto tóxico (2. inibidores da ALS e da ACCase).3.4-DB também é metabolizado por algumas plantas (Figura 7). 120 Módulo 3.3 .Metabolismo dos herbicidas nas plantas A seletividade dos herbicidas pode ser atribuída a numerosos fatores. leucina. conhecer os seus metabólitos e a forma como são metabolizados. A transferência do cloro da posição '4' para a posição '3' e a passagem do cloro da posição '5' para posição ‘6’ do 2.6 T. Derivados dos ácidos fenóxicos Há três mecanismos básicos envolvidos no metabolismo dos derivados do ácido fenóxido acético (Figura 6): • degradação da cadeia do ácido acético. metabolismo. aqui. causando a inativação do herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . Normalmente.

3 . sorgo e cana-de-açúcar. metabolismo. translocação. elas são rapidamente degradadas (Figura 8). dando tempo para que outros processos metabólicos realizem a sua degradação. formulação e misturas 121 . enquanto em espécies suscetíveis (feijão e pepino) a degradação Módulo 3. principalmente gramíneas como milho.Biotransformação e rotas metabólicas do 2. A taxa de degradação das triazinas em plantas superiores varia grandemente com as diferentes espécies. Figura 6 .Herbicidas: absorção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas porque não o transformam em 2.4-D em plantas superiores Figura 7 – β oxidação do 2.4-DB a 2.4-D em plantas superiores Triazinas Algumas plantas.4-D ou o fazem muito lentamente. são altamente tolerantes às clorotriazinas (atrazine e simazine). antes da saturação dos sítios de ação do produto. Em espécies tolerantes.

a base de seletividade destes herbicidas às plantas. Esta substância ocorre em toda a planta de milho. Figura 8 .3 . metabolismo. Também pode ocorrer conjugação das triazinas com peptídeos. 122 Módulo 3. A substância catalisadora dessa reação foi identificada como benzoxazinona. mas a hidroxilação é mais intensa nas raízes. indicando que nestas a benzoxazinona é mais ativa. Portanto. primariamente. translocação. O metabolismo do metribuzin nas plantas superiores pode ser observado na Figura 9. demetoxilação e dealquilação na posição ′N′ e por conjugação com peptídeos. A N-dealquilação é outra rota do metabolismo das triazinas. o que favorece a tolerância das plantas a estes herbicidas. Extratos das raízes e da parte aérea do milho são capazes de hidroxilar as clorotriazinas.Biotransformação e rotas metabólicas de atrazine em plantas superiores Os processos de inativação ocorrem pela hidroxilação.Herbicidas: absorção. a taxa de degradação das triazinas parece ser.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas é mais lenta. Glutation-Stransferase é a enzima envolvida nessa conjugação. formulação e misturas .

o 2.6-TBA é considerado um herbicida estável.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 . Derivados da uréia As principais rotas do metabolismo das uréias substituídas estão relacionadas com a demetilação e. ou. e também com a conjugação com os constituintes da planta. não se demonstrou. Entretanto. translocação. o propanil inibe o fotossistema II. demetoxilação e deaquilação.Herbicidas: absorção. tanto na planta quanto no solo.3.3 . Entre os compostos deste grupo. Enquanto estas inibem raízes e pontos de crescimento. metabolismo. a ruptura do anel. Propanil É uma exceção entre as amidas. ainda. É um produto não-seletivo e de elevada eficiência no controle de plantas daninhas perenes.Biotransformação e rotas metabólicas do metribuzim em plantas superiores Derivados dos ácidos benzóico A hidroxilação do anel aromático e a sua conjugação com outros constituintes da planta são demonstradas na prática. incluindo as de raízes profundas. É considerado um herbicida completamente metabolizado pelas Módulo 3. formulação e misturas 123 . formando a correspondente anilina.

A enzima envolvida nesse processo (arilacilamidase) é 10 a 20 vezes mais ativa no arroz que no capim-arroz. A sua alta atividade como arbusticida e arborecida está relacionada com a sua estabilidade na planta. metabolismo. ele se acumula e inibe a reação devido à menor atividade da enzima que o degrada. Esta enzima é sensível aos inseticidas carbamatos e fosforados orgânicos. o picloram é mais de 10 vezes mais ativo. por causa de sua lenta degradação. formulação e misturas . Entretanto. em trigo. citados por Foy (1976). A velocidade de sua metabolização influencia decisivamente a tolerância da planta. Comparando a atividade do 2. 124 Módulo 3. como o arroz.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantas tolerantes (Figura 10). observou-se que o 2. principalmente com diversos tipos de carboidratos. mostraram que somente 17% do picloram tinha sido metabolizado três meses após a sua aplicação. razão pela qual o arroz é tolerante e o capim-arroz.Hidrólise do propanil em plantas de arroz O metabólito 3-4-dicloroanilina formado pode ser conjugado com constituintes da planta. Nas plantas sensíveis. como o capimarroz. Picloram: É um produto altamente estável na planta e no solo.Herbicidas: absorção. Figura 10 . translocação. considerando-se o tempo de ação.4-D com a do picloram (em algumas espécies de plantas latifoliadas).4-D é mais ativo que o picloram. O 3-4-diclorolactoanilida é um composto intermediário e instável nas plantas tolerantes.3 . sensível. podendo a mistura do propanil com estes compostos causar sensível redução na tolerância do arroz ao propanil ou até perda total de seletividade do propanil a essa cultura. Trabalhos realizados por Redemann e outros. por unidade de tempo.

ou. Recentemente surgiram os surfatantes à base de organossilicones. espessantes (aumentam a viscosidade). tamponantes (deixam o pH dentro de uma faixa desejada). ingrediente ativo é o composto com atividade biológica. por possuírem porções lipofílicas e hidrofílicas na mesma molécula. que é acrescida na preparação de defensivos para facilitar a aplicação ou aumentar a eficiência ou diminuir os riscos é classificada como adjuvante. exceto água. espalhantes. mantendo essas condições durante o armazenamento e transporte (ARAÚJO. adicionando substâncias coadjuvantes. para poder cumprir eficazmente sua finalidade biológica. penetrantes. mas a tendência atual. Estes compotos causam redução da tensão superficial. A formulação é a etapa final da industrialização. e surfatantes (agentes ativadores de superfície). O mesmo ingrediente ativo. catiônicos (carregados positivamente) e não-iônicos (neutros). metabolismo. Os óleos não-fitotóxicos também têm grande uso como adjuvante. Os minerais também podem servir como veículo para aplicação de herbicidas.3 . segundo Kissmann (1997). solventes (dissolvem o ingrediente ativo). é comercializado em formulações diferentes em várias regiões do mundo. que não alteram o equilíbrio eletrolítico nas formulações e nas caldas. às vezes. corantes (dão coloração ao produto formulado). molhantes (permitem rápida umectação do produto em contato com a água). adesivos.Herbicidas: absorção. pelos estômatos. 1997). Eles podem ser aniônicos (carregados negativamente). antievaporantes e.Formulação Formular um herbicida consiste em preparar seu ingrediente ativo na concentração adequada. adesivos (melhoram a aderência do produto com a superfície tratada). fazendo com que o herbicida penetre. também. Entre as classes de adjuvantes podem-se citar: emulsificantes (compatibilizam frações polares e apolares). e os ingredientes inertes são os outros compostos adicionados na formulação. no Brasil. formulação e misturas 125 . quelatizantes (tiram reatividade de moléculas e íons). Os surfatantes são classificados de acordo com sua carga elétrica ou tendência de ionizar a porção hidrofílica da molécula. servindo de interface entre as superfícies. dispersantes (impedem a aglomeração de partículas). Eles podem ser: minerais (formulados com predominância de frações parafínicas de hidrocarbonetos). que são capazes de reduzir muito a tensão superficial e até induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal. vegetais (apresentam porções variadas de ácidos graxos) e vegetais metilados (sofrem esterificação metílica). translocação. Qualquer substância ou composto sem propriedade fitossanitária. Os surfatantes ou tensoativos são também adjuvantes. seja como molhantes. Na legislação federal sobre produtos fitossanitários. é uma formulação universal que possa ser usada em diversos países. tendo em vista que o produto final deve ser usado em determinadas condições técnicas de aplicação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . Módulo 3.

causando desnaturação enzimática ou disfunção das membranas e. Os sufatantes podem. A água quase sempre apresenta sais em dissolução. que são inativados parcial ou totalmente. ou seja. por diminuírem ou eliminarem a seletividade de alguns herbicidas e até favorecerem ataques de fungos pela remoção da camada cerosa protetora ou por espalharem os esporos pela superfície vegetal (Kissmann. podem solubilizar substâncias não-polares da folha. 1997). 4. Um exemplo claro dessa ação ocorre com os compostos catiônicos (paraquat e diquat). que são os principais causadores da dureza da água. Deve-se salientar que essa dureza é calculada em função do teor de CaCO3 . como sendo fitotóxicos.1 . Argilas e compostos orgânicos em suspenão na água podem absorver alguns tipos de ingredientes ativos.0 > 534. e penetração foliar eficiente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Além da redução da tensão superficial.4 142. metabolismo.2-142. que deve ser de boa qualidade. tem que ser compatível. no mínimo. Uma formulação de herbicida pode ser considerada de boa qualidade se atender aos seguintes requisitos: ser letal à planta daninha ou. translocação. perigo de deriva e lixiviação. Além disso. assim. tanto física (sem absorção ou repulsão entre os ingredientes) como química (sem alteração dos compostos) ou biologicamente (a mistura deve ser eficiente para o controle) e ser estável. nos seguintes fatores: características físicas e biológicas da planta daninha-alvo.Herbicidas: absorção. e não afetar os microrganismos benéficos e a cultura.4-320.3 .Veículo de aplicação (água) O veículo mais importante para diluir formulações de produtos fitossanitários a serem aplicados por pulverização ou imersão é a água. deve apresentar bom espalhamento. Quadro 3 . 1997).Classes de dureza da água Classes Água muito branda Água branda Água semidura Água dura Água muito dura ppm de CaCO3 71. A escolha da formulação a ser usada baseia-se. os surfactantes favorecem o espalhamento uniforme da calda na superfície foliar. formulação e misturas . assumir conotações negativas em certos casos. caso esta já esteja instalada. equipamento de aplicação disponível. boa retenção na superfície da folha. especialmente os de Ca++ e de Mg++. favorecer mais a penetração do herbicida (RADOSEVICH.4-534.2 71. possível injúria na cultura. permanecer ativa por um longo período. também. tornando-os indisponíveis. segundo Ozkan (1995). custo. Deve também permitir a associação de produtos. aumentam a retenção e melhoram o contato da gotícula. necessidade de armazenagem e tipo de ambiente em que a aplicação é feita. Também.4 320. danosa a ela.0 126 Módulo 3.

Geralmente. para aplicação.2 . 4. descaracterizando sua ação biológica. o que reduziria a tensão superficial dos líquidos. basicamente. segundo Kissmann (1997). possui 50 a 80% de ingrediente ativo (ex: Sencor BR. ou acrescentando um quelatizante na água. Possui a vantagem de ter. 4. etc).3 .0 e 6. para aplicação sob a forma de suspensão após desintegração e dispersão em água. O ingrediente ativo sólido está na forma de grânulos. após dispersão em água. precisa-se de uma agitação contínua no tanque. Valores extremos de pH podem afetar a estabilidade das caldas. Outro fator muito importante que pode influir na estabilidade dos herbicidas e nos resultados é o pH da água. não requerendo agitação durante aplicação.Formulações sólidas Pó molhável (PM): esta formulação é definida pela ABNT como formulação sólida de pó. Geralmente.Tipos de formulações As formulações apresentam-se.5. translocação. Durante a aplicação. que representa água semidura. e este. vermiculita.ingredientes ativos à base de ácidos ou sais podem reagir na presença dos cátions Ca++ e Mg++ . cuja velocidade depende do pH. adicionado em água. antes da aplicação. Nos ingredientes ativos . formulação e misturas 127 . Adiciona-se geralmente uma substância dispersante. de duas maneiras: acrescentando um surfatante não-iônico. sob a forma de suspensão. Muitos produtos que ficam preparados em água por muito tempo. os elementos responsáveis pela dureza da água Ca++ e Mg++ podem substituí-los. Grânulos dispersíveis em água (GRDA ou dry flowable): é uma formulação sólida constituída de grânulos. Muitas moléculas sofrem dissociação quando em solução. As indústrias geralmente já formulam seus produtos para serem compatíveis com 20 até 320 ppm de carbonato de cálcio. e a constante de dissociação também é dependente do pH. no produto comercial. maior concentração de Módulo 3. formando compostos insolúveis. Pó solúvel (PS): nesta formulação o ingrediente ativo é totalmente solúvel em água. 700 g kg-1 de metribuzin). É obtida pela moagem do ingrediente ativo absorvido em material inerte (sílica.1 . podem sofrer degradação por hidrólise. metabolismo.2. para evitar floculação e aumentar a establilidade da suspensão. com conseqüente perda da função desses surfatantes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A dureza da água interfere na qualidade das caldas dos herbicidas de duas maneiras: Nas formulações .Herbicidas: absorção.na presença de tensoativos aniônicos contendo Na+ ou K+. transformase numa suspensão. o que isolaria a carga elétrica e suprimiria a reatividade de íons desta. A dureza da água pode ser corrigida. as caldas fitossanitárias apresentam mais estabilidade numa faixa de pH entre 6. com possíveis substituições e formações de compostos insolúveis. nas formas sólida e líquida.

dispensam o uso da água. Esta formulação contém as fases ‘oleosa’ (contendo o ingrediente ativo e o solvente orgânico surfatante) e ‘aquosa’ (que também pode conter 128 Módulo 3. acetona. etc. Pellets ou pastilhas: possuem ampla similaridade com os granulados.2. constituída de uma dispersão estável de ingredientes ativos na forma de partículas sólidas e de finos grânulos na fase aquosa. álcool. para aplicação após diluição em água.2 . formulação e misturas . 500 g L-1 de diuron). Suspensão concentrada (S) ou “flowable”: é uma formulação constituída por uma suspensão estável de ingrediente(s) ativo(s) num veículo líquido. cuja concentração varia de 2 a 20%.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas princípios ativos. basicamente. com um solvente nãopolar (o ingrediente ativo). que pode ser água. para aplicação após a diluição em água. como a vermiculita. metabolismo. a baixa toxicidade e o fácil manuseio (ex. o princípio ativo sólido (micropartículas) é mantido suspenso em água. permanece por longos períodos em suspensão (mistura mais homogênea) e provoca menos desgaste nos bicos (ZAMBOLIM. e um agente emulsificante. Em geral.: Podium.3 . Possui maior penetração foliar. Concentrado emulsionável (CE): é uma formulação líquida homogênea. com isso. 200 g kg-1 de molinate). Como vantagens estão a ausência do pó. sendo um deles disperso como glóbulos de pequeno tamanho dentro do outro. menor volume de calda para aplicação (ex: Scepter 70 DG. Emulsões são sistemas termodinamicamente instáveis que consistem em dois líquidos imiscíveis. 700 g kg-1 de imazaquin).Herbicidas: absorção.: Ordran 200 GR. translocação. Granulados (GR): os grânulos são constituídos de veículos minerais. Emulsões concentradas: esta formulação é uma emulsão de ingrediente ativo de baixo ponto de fusão ou líquido. e de princípio ativo. que é o ingrediente ativo. e do solvente. composta do soluto. ele deve ser solúvel em pelo menos 25% por litro do solvente. 4. diferindo-se por possuírem partículas de maior tamanho. 670 g L-1 de 2. Suspo-emulsão: é uma formulação fluida e heterogênea. são mais seletivos.: Dual 960 CE. Microemulsão: é um caso específico de emulsão.Formulações líquidas Soluções (S): esta mistura é de natureza homogênea. sob a forma de emulsão. dissolvido no solvente. requerendo.: DMA 806 BR. 1997) (ex. sendo uma alternativa ao concentrado emulsionável (ex. 4-D). Devido à sua pouca penetração foliar. 960 g L-1 de metolachlor). Seu processo de obtenção é o mais simples e barato. Para que um produto seja formulado como solução. podem ser aplicados em locais de difícil acesso. Neste tipo de formulação. A importância desta formulação reside na possibilidade de poder compatibilizar dois tipos de formulações diferentes. A solubilidade mínima necessária é de 12%. que pode conter outro(s) ingrediente(s) ativo(s) para aplicação após a diluição. O concentrado emulsionável conta. 110 g L-1 de fenoxaprop-p-ethyl). VALE.: Karmex 500 SC. adiciona-se geralmente um surfatante (ex. têm maiores custos e dependem de equipamentos adequados para aplicação e de umidade no solo para liberar o ingrediente ativo (ex.

Módulo 3. metabolismo. quando comparadas com aplicação de um princípio ativo isoladamente. • As misturas foram primeiramente usadas para o controle não-seletivo e seu uso contínuo tornou-se importante. • Aumento da segurança da cultura. Além desse fato. reduzir ou eliminar a competição destas com a cultura É importante lembrar que existem centenas de espécies de plantas daninhas e que estas apresentam as mais variadas características morfológicas e fisiológicas. especialmente dos componentes mais persistentes.3 . entretanto. tolerância ou resistência) em relação aos herbicidas utilizados. bem como os fabricantes. entre outros aspectos. 5 .1 . Há menor chance de a cultura ser injuriada. além do conhecimento a respeito das interações entre os produtos. especialmente as misturas. a necessidade de reduzir os custos de produção da cultura tem levado os produtores. além de surfatante). visando obter o máximo de controle de plantas daninhas e minimizar injúrias às culturas. homogêneo (ex. como: • Controle de maior número de espécies de plantas daninhas e redução do risco de aparecimento de genótipos resistentes. A idéia de combinação de herbicidas para controlar seletivamente plantas daninhas em culturas desenvolveu-se posteriormente.Herbicidas: absorção. A aparência é de um líquido transparente. que lhes conferem comportamento diferenciado (susceptibilidade. Houve grande expansão no uso de misturas e na aplicação sequencial de vários herbicidas em um único ciclo cultural. • Redução de custos: o menor custo de aplicação. • Redução de resíduos na cultura e no solo devido ao uso de doses menores. devido ao uso de doses menores de cada herbicida misturado. É mais efetiva que uma única dose de um herbicida. o manejo de herbicidas.Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas A aplicação de misturas de herbicidas pode oferecer vantagens. Deve-se dar preferência às misturas prontas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ingrediente ativo solúvel em água. 5. formulação e misturas 129 . requer grande cuidado. a preparar misturas de herbicidas com diferentes princípios ativos. ou mesmo com outros agroquímicos/pesticidas. o controle mais efetivo de plantas daninhas e as menores quantidades de herbicidas aplicadas geralmente reduzem o custo total do manejo. translocação.: Robust: 200 g de fluazifop-p-butil + 250 g L-1 de fomesafen).Misturas de herbicidas O controle de plantas daninhas visa.

etc. uma das vantagens da mistura formulada. carga iônica e outros parâmetros físicos são responsáveis pela redução do desempenho dos produtos. A mistura de um herbicida formulado como pó-molhável. pela adição de outro herbicida mais efetivo sobre determinada espécie de planta daninha predominante. por exemplo. Menor desempenho da mistura pode ser resultado de qualquer incompatibilidade física ou biológica. formulação e misturas . dependendo do modo como foi feita a mistura.2 . podem ser observados os seguintes efeitos sobre as plantas: • Efeitos sinérgicos: quando o efeito dos herbicidas aplicados juntos é maior que a soma dos efeitos isolados. 130 Módulo 3. Estes herbicidas pré-misturados ou em misturas no tanque do pulverizador podem ser mais eficientes ou não. causada pela incompatibilidade. separação de fase. Por isso. • Efeitos aditivos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é igual à soma dos seus efeitos quando aplicados separados. em razão da possível ação sinergística na planta daninha e ação antagônica sobre a cultura.Incompatibilidade Quando dois ou mais herbicidas são combinados. complexação. A incompatibilidade denota a inabilidade de dois ou mais herbicidas em serem usados simultaneamente. translocação.. que resulta numa rápida sedimentação dos componentes da mistura. • Melhores resultados em campos com variados tipos de solos. É a relação da efetividade de um material com o outro. 5. em relação à de tanque. Quando dois ou mais herbicidas são aplicados juntos.Herbicidas: absorção. juntos (misturados no tanque) ou ainda podem ser formulados juntos (comercializados numa mesma embalagem).3 . é evitar possíveis incompatibilidades dos componentes da formulação. 5.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Controle por um período maior. • Efeitos antagônicos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é menor que a soma dos seus efeitos quando aplicados separadamente. • Pode melhorar o controle de plantas daninhas pela ampliação da seletividade. Fatores como solubilidade.3 . de modo que sua aplicação não pode ser executada. resultando em formação de precipitados. eles podem ser aplicados separadamente (um após o outro). com outro formulado como concentrado emulsionável tem elevada tendência a apresentar incompatibilidade física. metabolismo. A incompatibilidade física é usualmente causada pela formulação e suas interações.Interações entre herbicidas O termo interação descreve a ação conjunta dos herbicidas nas plantas.

entretanto. As bases para essa interação podem ser: aumento da penetração foliar dos herbicidas aplicados em pós emergência. A absorção e a translocação do glyphosate ficam prejudicadas.. Então. etc. etc.Herbicidas: absorção. os inibidores de lipídios não devem ser misturados com 2. É o antagonismo químico. inseticidas organofosforados podem inibir.4-D. Do ponto de vista prático. a mistura é antagônica. translocação. metabolismo. imazaquin. O antagonismo também ocorre quando um herbicida de contato é aplicado com glyphosate ou com herbicidas auxínicos. Também pode ocorrer a redução da penetração foliar. • Se a resposta observada for maior que a esperada. bentazon. formulação e misturas 131 . resultando em menor efeito dos herbicidas sistêmicos. O antagonismo do fenoxaprop com MCPA éster aumentou a tolerância do trigo sem reduzir o controle da aveia-brava (JORDAN. aumento da translocação. Inseticidas organoclorados não têm apresentado interações com herbicidas. inibição do metabolismo. seria ideal que a mistura apresentasse efeitos antagônicos para a cultura e sinergísticos para as plantas daninhas. etc. Organofosforados estão envolvidos com interações com nicosulfuron (SILVA et al. 2005) A tolerância do milho a este herbicida é devido ao rápido metabolismo deste. 1995). por exemplo. a mistura é aditiva. É o caso do trifluralin e diuron em algodão e trifluralin e metribuzin em soja.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É interessante lembrar que esses efeitos podem ser diferentes entre espécies de plantas. Y = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida B e q L ha-1. a fitotoxicidade de alguns herbicidas tem mostrado ser influenciada por alguns inseticidas organofosforados ou metilcarbamatos. O antagonismo em misturas de tanque acontece quando uma reação adversa ocorre entre os herbicidas na solução. este metabolismo. interações dos mecanismos de ação dos herbicidas envolvidos. • Se a resposta observada for igual à esperada. Várias misturas sinergísticas de herbicidas têm sido reportadas. WARREN. principalmente quando a formulação éster do MCPA é usada. a mistura é sinérgica. entre o paraquat e o MCPA dimetylamina. por exemplo. chlorimuron. • Se a resposta observada foi menor que a esperada.4 .Interações de herbicidas com inseticidas em mistura Em geral. X+(100-Y) é a toxicidade esperada da mistura. 5. MCPA. chlorsurfuron. A redução da penetração pela raiz pode resultar em antagonismo e aumentar a seletividade da cultura. e E = percentagem ‘esperada’ de inibição do crescimento pelos herbicidas A+B a p+q L/ha. induzindo o Módulo 3. imazethapyr. ou reduzir.3 . O efeito da interação entre dois herbicidas pode ser estimado pela equação a deguir: em que: X = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida A e p L ha-1.

às vezes. translocação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surgimento de sintomas de intoxicação nas plantas da cultura. É interessante ressaltar o antagonismo entre phorate (Thimet). metabolismo. viabilizam a aplicação desses insumos de uma só vez. em mistura com os herbicidas fluazifop-p-butil+fomesafen. 132 Módulo 3. 5. bentazon. formulação e misturas . Esses resultados. Os inseticidas protegem o algodão de alguma toxicidade do clomazone. são usados por alguns produtores. fomesafen e imazamox. disulfoton (Disyston) e o clomazone em algodão.5. porém sem nenhuma base científica. Interações de herbicidas com fertilizantes em mistura Os herbicidas em misturas com fertilizantes. A aplicação de molibdênio na cultura do feijão. A aplicação do terbufos em milho é antagonística aos resíduos do imazaquin no solo e tem dado considerável proteção ao milho. se confirmados.Herbicidas: absorção. Os mecanismos dessa interação não são bem conhecidos.3 . O organofosforado terbufos (Counter) tem causado maiores problemas na prática. em ensaios preliminares apresentou efeitos aditivos.

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UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .Herbicidas: comportamento no solo Tutores: Profº.DF 2006 Módulo 3. Jose Barbosa dos Santos Profº.4 .ABEAS Universidade Federal de Viçosa .Manejo de plantas daninhas 3. Antonio Alberto da Silva Profº.4 .Herbicidas: comportamento no solo 135 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 . Rubem Sillvério de Oliveira Júnior Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior . Rafael Vivian Profº.

2.1 – Precipitação.3 .6. 175 4.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas.2. 144 2. 141 2.Herbicidas: comportamento no solo .Absorção pelas plantas. 140 2.1 . 141 2.2.5 . 162 3.Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas.Isotermas de sorção. 166 3.Coeficiente de partição octanol-água (Kow).2 – Volatilização. 154 2.2 – Absorção.1 .5.1 .2 .4.2. 170 4.4 . 166 3. 167 3.Degradação química.Relação entre KH e incorporação de herbicidas.Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação.2 . 160 3 .4 – Solubilidade.Importância do estudo de herbicidas no solo.1 .Textura e mineralogia.Processos de transformação.4 – Lixiviação.2. 158 2. 162 3.2 .Relação entre PV e S.1 – Persistência.Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo.Estimativa da sorção.3 – Adsorção. 141 2.Alternativas para redução de perdas por volatilização.2.1 . 142 2.Processos de retenção.5 . 175 136 Módulo 3. 138 1 . 139 2 . 170 4. 150 2. 158 2.2 .Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in). 162 3.Pressão de vapor (P).3 . 161 3.Fatores que influenciam a volatilização.6 .4. 155 2.pH do solo.Processos de transporte.7 – Dessorção.5.3 . 164 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução. 167 3.2 .4 – Sorção. 150 2.Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa).6 . 164 3.6. 167 4 . 147 2.5. 158 2.3 .

Herbicidas: comportamento no solo 137 .Problemas relacionados aos herbicidas residuais. 178 5. 183 6 .Considerações finais.2 . 182 5. 186 Referências bibliográficas.3 .4 . 188 Módulo 3.A fitorremediação como mecanismo de biorremediação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. 177 5 – Fitorremediação. 179 5.Estratégias para o sucesso da fitorremediação.1 .Fotodecomposição ou fotólise.4 .

biodisponibilidade e recalcitrância do herbicida. juntamente com os processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente. o qual atua como o principal receptor e acumulador desses compostos. para que seja preservada a qualidade final dos produtos colhidos.Herbicidas: comportamento no solo . são responsáveis por grande parte da degradação desses recursos. é fundamental que eles sejam adequadamente aplicados. da dinâmica do fluxo hídrico e do transporte de solutos. da capacidade de sorção do solo. No entanto. observa-se maior preocupação quanto à contaminação do ambiente e a utilização racional dos recursos hídricos e do solo. As práticas agrícolas. os estudos envolvendo a sorção de herbicidas em solos brasileiros sob condições de clima tropical são também fundamentais para avaliação da eficiência de controle das plantas daninhas do local. Outro fator relevante é que 60 a 70% do total dos pesticidas aplicados nos campos agrícolas não atingem a superfície alvo de interesse (LAW. cresce a importância do entendimento do destino final dessas moléculas e do estudo do comportamento no ambiente onde são aplicados. assim como dos próprios recursos naturais que sustentam a produção. Ao atingirem o solo. atualmente. para compostos altamente persistentes. ou perdurar por meses ou anos. Os exemplos apresentados destacam os estudos mais relevantes com herbicidas em solos. Nos últimos anos. especialmente o solo e a água. 2001) e acabam alcançando direta ou indiretamente o solo. 138 Módulo 3. o qual pode ser extremamente curto. a qual está relacionada à atividade microbiológica. permitindo maior compreensão da dinâmica desses compostos no ambiente. O seu tempo de permanência no ambiente depende. além da sua taxa de degradação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O uso do controle químico em plantas daninhas. tornando-se indiscutível a utilização de herbicidas no sistema agrícola. entretanto. como o que ocorre para algumas moléculas simples e não-persistentes.4 . constitui-se prática indispensável para a agricultura em larga escala. pois elevados índices de sorção podem comprometer a eficiência do herbicida. Embora escassos. Neste capítulo são apresentados os principais conceitos relacionados ao comportamento de herbicidas no solo. inicia-se o processo de redistribuição e degradação dos herbicidas aplicados. entre outros fatores. Com isso.

Promove a retenção e o movimento da água. suportando as cadeias alimentares. conhecer os fatores do ambiente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . uma vez que o herbicida é uma substância exógena ao meio. Atualmente. Outro fator relevante é que o solo atua na manutenção dos processos vitais. o estudo do comportamento de herbicidas no ambiente tem sido realizado através de estimativas das tendências a que estes estão sujeitos em função de três principais processos: retenção. atividade e diversidade microbiana. embora esses processos sejam descritos de forma isolada.Herbicidas: comportamento no solo 139 . PARKING. 2001). onde interagem inúmeros processos de ordem física. sendo responsável pelo suporte físico e de armazenagem dos nutrientes para as plantas. além do próprio herbicida. embora a capacidade de permanência do herbicida e sua degradação no solo sejam um processo-chave na determinação do fato que este terá ou não efeito na qualidade ambiental (Hinz. a sua avaliação é de difícil mensuração e repetibilidade.Importância do estudo de herbicidas no solo O estudo do comportamento de herbicidas no solo e no ambiente visa pelo menos dois objetivos principais: primeiramente. 1994). Módulo 3. BEZDICEK. procura-se descobrir as interações do herbicida com os componentes do solo. que afetam direta ou indiretamente a eficiência no controle de uma planta daninha. No entanto. que interagem entre si. química e biológica (DORAN. É responsável também pela ciclagem dos nutrientes. em razão de o solo ser considerado um ambiente heterogêneo sob influência de diversos fatores. segundo.4 . além da remediação e imobilização de poluentes (GRANATSTAIN. de modo a minimizar os eventuais efeitos negativos que a sua presença possa causar ao ambiente. 1992). transformação e transporte (Figura 1).

Entretanto.4 .Representação esquemática da interação entre processos de retenção. Entretanto. estão sujeitas aos processos de movimento. constantemente. A distinção entre adsorção verdadeira (na qual camadas moleculares se formam na 140 Módulo 3. movimentar-se ou sofrer transformação física. a compreensão dos fatores que regulam as interações de retenção é essencial para entender o comportamento dessas substâncias no solo. evitando que ela se mova tanto dentro como para fora da matriz do solo.Herbicidas: comportamento no solo . que engloba mecanismos específicos de dissipação dos herbicidas: absorção. o que resulta na dissipação destas. quando em contato com o solo. transporte e retenção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 . normalmente. por sua vez.Processos de retenção O solo é um sistema aberto e dinâmico no qual os seus constituintes podem. A retenção refere-se à habilidade do solo de reter um pesticida ou outra molécula orgânica. assim como conhecer qual a eficiência quando estes forem aplicado para o controle de plantas daninhas. Como os herbicidas movem-se. o processo de retenção constitui-se num dos processos mais importantes para prever a movimentação dos herbicidas no solo e sua taxa de degradação (física. a partir da superfície do solo na forma de solução. o processo de retenção. química e biológica). química e biológica. precipitação e adsorção. Sabe-se que as moléculas dos herbicidas. transporte e transformação de um herbicida aplicado ao solo 2 . pode ser entendido como um processo geral de sorção de herbicidas no solo.

principalmente com os constituintes orgânicos do solo. ou.4 . distribuição. denominado de sorção (KOSKINEN. Essa fixação ocorre por interação de forças da superfície do adsorvente (solo) e do adsorvato (herbicida). 2. distribuição de cargas. As quantidades do herbicida adsorvido aos constituintes do solo são diretamente proporcionais à superfície específica do material coloidal e decresce geralmente com o aumento da temperatura.Precipitação A formação de precipitados entre as moléculas de herbicidas pode ocorrer pela junção das partículas dos argilominerais com o herbicida por ligações covalentes de alta força. funções químicas. solubilidade. o termo adsorção é normalmente substituído por um outro mais geral.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superfície de uma partícula de solo). 2. polaridade. podendo favorecer. Contudo. a velocidade das reações químicas aumenta com a elevação da temperatura. Dificilmente ocorrerá a absorção de herbicidas por partículas minerais ou orgânicas do solo. em razão disso. em alguns casos.3 . estrutura molecular. Na prática. natureza ácido/base dos herbicidas. resultando num aumento da concentração na solução do solo. provocado pelo incremento da energia cinética das moléculas. entre outros. o herbicida pode ser adsorvido às partículas coloidais (orgânicas e minerais) do solo ou sofrer repulsão. configuração. Segundo Gevao (2000). a adsorção de herbicidas no solo depende das propriedades deste e do composto aplicado. precipitação (na qual tanto uma fase sólida separada se forma nas superfícies sólidas como ligações covalentes com a superfície da partícula de solo acontecem) e absorção dos herbicidas pelas plantas e organismos é difícil. o processo adsortivo de herbicidas. 2. 1990). Dependendo do sentido dessa força. pela formação de uma fase sólida separada na superfície de uma partícula sólida do solo. obtendo-se as curvas denominadas de isotermas de adsorção. ainda. a adsorção por ligações químicas.2 .Absorção O termo absorção é usado especificamente quando as moléculas do herbicida são absorvidas pelo sistema radicular e outras partes subterrâneas das plantas. as quais incluem tamanho.Adsorção A adsorção caracteriza-se por um fenômeno temporário pelo qual uma substância dissolvida se fixa a uma superfície sólida ou líquida. Além disso.1 . abordadas posteriormente. Esta é a razão pela qual os estudos de adsorção conduzidos em laboratório são realizados em condições de temperatura constante. a adsorção é usualmente determinada apenas através do desaparecimento da substância química da solução do solo.Herbicidas: comportamento no solo 141 . HARPER. seja ele avaliado em condições laboratoriais ou em Módulo 3.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas campo. pontes de hidrogênio. Figura 2 . entre outras. Essa força é extremamente fraca e de curtíssima distância. com alta massa (SCHWARZENDBACH et al. com força muita fraca. As pontes de hidrogênio são produzidas pelas atrações eletrostáticas entre o núcleo eletropositivo do hidrogênio e pares de elétrons expostos de átomos eletronegativos. depende do tempo de equilíbrio alcançado pelo material adsorvente (solo) e o adsorvido (herbicida). Esse tipo de ligação é muito mais importante nas ligações das moléculas dos herbicidas sobre a superfície da matéria orgânica do que pela 142 Módulo 3. a mais importante é a força de Van der Waals.Herbicidas: comportamento no solo . Entre as forças físicas. podendo ocorrer interação entre uma molécula polar e outra apolar. expressando a atração elétron-núcleo. ocorrendo comumente em moléculas grandes de herbicidas. As pontes de hidrogênio caracterizam-se por formar uma interação dipolo-dipolo. 1993). reações de coordenação e ligações de troca.Sorção Sorção refere-se a um processo geral. 2. O processo individual de sorção é profundamente complexo.Representação da determinação do tempo de equilíbrio necessário nos estudos de adsorção de herbicidas em solos As forças responsáveis pelas reações de sorção dos herbicidas no solo incluem: forças físicas.4 . atmosféricos e aquáticos. ligações eletrostáticas. em virtude da heterogeneidade do solo e da sua continuidade com sistemas biológicos. envolvendo mole¬culas sem dipolo permanente. absorção e precipitação.. sem distinção entre os processos específicos de adsorção. devido a um sincronismo no movimento eletrônico.4 . ligações hidrofóbicas. o qual varia em função do mecanismo e da velocidade das reações envolvidas (Figura 2).

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superfície das argilas e ocorre com compostos contendo grupos >C=O + grupos –NH (ou –COOH, OH, >C=O ou – NH2) (Figura 3).

Figura 3 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por pontes de hidrogênio. Fonte: Senesi (1992).

Ligações hidrofóbicas estão associadas com a sorção de herbicidas apolares, os quais competem com as moléculas de água pelos sítios sortivos. Muitas das moléculas de herbicidas, principalmente os aromáticos, halogenados, fenóis e bifenóis, com baixa solubilidade em água, podem ligar-se à superfície das argilas por meio de ligações hidrofóbicas. Estas ligações são muito favorecidas quando são adicionados ao solo resíduos orgânicos naturais, aumentando o número de sítios hidrofóbicos de ligação. As ligações eletrostáticas envolvem cargas elétricas de superfície, formadas por complexas reações de adsorção, as quais podem ocorrer por adsorção por moléculas de água, por cátions, por troca aniônica e por compostos orgânicos naturais. A adsorção por troca aniônica é importante para solos pouco intemperizados de clima temperado. Contudo, em condições de solos brasileiros, desenvolvidos em condições de clima tropical e subtropical, predominam argilominerais (1:1) e elevados teores de óxidos de ferro e alumínio, com baixa capacidade de formar este tipo de ligação. As reações por coordenação envolvem ligações covalentes, de curta distância, e com sombreamento dos orbitais. São ligações muito fortes e a energia depende do número de elétrons em orbitais moleculares ligantes ou antiligantes. Essas ligações estão presentes, por exemplo, entre os prótons dos grupos funcionais de superfície e os átomos de hidrogênio (Fe-OH, Al-OH, COOH) e N2 (NH2). Esse tipo de ligação, formando complexos de esfera interna, torna difícil a separação e distinção entre o colóide e a molécula do herbicida. A protonação nada mais é que a formação de complexos de transferência de cargas na superfície mineral. Ocorre quando um grupo funcional forma um complexo com a superfície de um próton. O complexo pode ser extremamente estável, desenvolvendo sorção praticamente irreversível. Esse tipo de ligação ou mecanismo tem sido válido para herbicidas do grupo das striazinas, as quais se tornam catiônicas através da protonação, tanto na solução do solo como durante o processo de adsorção (Figura 4) (SCHWARZENDBACH et al., 1993).

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Figura 4 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por protonação do herbicida Fonte: Senesi (1992)

2.4.1 - Estimativa da sorção A avaliação da sorção é feita normalmente por meio da estimativa de coeficientes, denominados coeficientes de partição, coeficientes de partição solo-água, coeficientes de sorção ou constantes de adsorção. Neste capítulo será adotado o termo coeficiente de sorção para denominar a relação entre as concentrações de herbicida em solução e aquelas sorvidas ao solo. O coeficiente de sorção, Kd, pode ser estimado pela relação:

O Kd representa a relação entre a concentração do herbicida que permanece sorvido ao solo Cs (μg g-1) e a concentração do herbicida encontrada na solução de equilíbrio Cw (μg mL-1), para uma determinada quantidade específica do herbicida adicionado. Entretanto, como o teor de carbono orgânico, aparentemente, tem representado melhor a capacidade adsortiva dos herbicidas nos solos, principalmente para os compostos de caráter básico ou não-iônicos (KARICKHOFF, 1981; OLIVEIRA JR. et al., 1999), tem-se corrigido o Kd em relação ao teor de carbono orgânico do solo. A partir dessa normalização do Kd, obtém se o Koc, o qual permite a comparação da sorção entre diferentes solos e é um índice muito utilizado em métodos de classificação de mobilidade e em modelos de simulação do comportamento de pesticidas no solo. A normalização do Kd para o teor de carbono orgânico é feita pela relação:

Em que Koc representa o coeficiente de sorção normalizado para o teor de carbono orgânico do solo (L kg-1) e foc indica o teor (% ou dag kg-1) de carbono orgânico do solo, o qual é obtido dividindo-se o percentual de matéria orgânica por 1,72. Oliveira Jr. (1998), estudando a correlação entre as propriedades dos solos, verificou que os coeficientes de sorção (Kd e Koc) de diferentes herbicidas determinados em solos brasileiros correlacionaram-se significativamente com o teor de carbono orgânico e CTC dos solos para a
144 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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maior parte dos herbicidas. De modo geral, os herbicidas ácidos fracos (imazethapyr, metsulfuron, nicosulfuron e sulfometuron) foram os que apresentaram menor sorção, ao passo que os herbicidas básicos fracos (atrazine, hexazinone, simazine) e não-iônicos (alachlor) foram os mais sorvidos. No Brasil, o Koc tem sido amplamente utilizado para predizer a capacidade de sorção de diversos herbicidas no solo; também é utilizado juntamente com a textura para recomendar as dosagens dos herbicidas. Entretanto, a padronização do Kd em relação ao carbono orgânico do solo não é consenso entre os pesquisadores da área, pois a sorção de herbicidas à matéria orgânica do solo ocorre de forma heterogênea, em função dos mecanismos e da fração orgânica envolvida no processo sortivo, cujos índices podem não representar a realidade. Ao mesmo tempo, o Kd e Koc nem sempre são suficientemente exatos para descrever a sorção de um pesticida em uma faixa considerada de concentração. As relações entre as concentrações em solução e na fase sólida podem, então, ser descritas por isotermas, descritas no item 3.4.2. As estimativas dos coeficientes sortivos apresentados (Kd e Koc) geralmente são conduzidas em condições laboratoriais, empregando-se a cromatografia líquida e gasosa como técnicas analíticas na determinação das concentrações dos herbicidas nas fases sólida (solo) e líquida (solução do solo) propriamente ditas. Entretanto, devido aos custos envolvidos nessas análises, outras formas de estimar a capacidade de sorção desses compostos no solo podem ser utilizadas. Entre elas, a técnica de bioensaio representa um método simples e de grande valia na determinação da capacidade sortiva e de resíduos de herbicidas no solo. Inicialmente, para a utilização dessa técnica, são feitas curvas de dose-resposta para cada composto, utilizando-se plantas indicadoras específicas ao mecanismo de ação de cada herbicida. As curvas de dose-resposta devem ser feitas no solo a ser estudado e em material inerte, preferencialmente areia lavada, isentos de qualquer resíduo. Após a aplicação de doses conhecidas do herbicida, são realizadas avaliações nas plantas indicadoras, as quais incluem fitoxicidade, altura da planta, comprimento de raiz, massa seca da parte aérea e raízes (Figura 5). Após as avaliações, utilizam-se modelos de regressão não-linear, como o proposto por Seefeldt et al. (1995):

em que D e C representam os limites superior e inferior da curva, respectivamente; b, a declividade da curva; e C50, a dose correspondente a 50% de resposta. O limite superior da curva D corresponde à respota média da testemunha e o limite inferior da curva C é a resposta média das plantas que receberam os herbicidas. O b descreve a declividade da curva em torno do C50.

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Figura 5 - Curva de dose-resposta para massa seca da parte aérea (% em relação à testemunha) de Sorghum vulgare, em função de doses crescentes de sulfentrazone (X) em Argissolo Vermelho-Amarelo (– – –) e em areia (____) Fonte: Vivian et al. (2005)

A partir dos dados obtidos de (C50) em solo e areia, utiliza-se a equação a seguir para expressar a relação de adsorção (RA) do solo em relação à resposta obtida em areia para a espécie indicadora (SOUZA, 1994). Considera-se que valores de RA elevados indicam maior capacidade de sorção do herbicida estudado no solo e, conseqüentemente, menor potencial de lixiviação do composto no perfil do solo. Um exemplo de curva de dose-resposta utilizada para o herbicida trifloxysulfuron-sodium em solo e areia pode ser observado na Figura 6. RA = C50solo – C50 areia C50 areia

Figura 6 – Curva de dose-resposta em solo (a) e areia (b) para trifloxysulfuron-sodium

146

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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2.4.2 - Isotermas de sorção Quando se deseja estudar o comportamento dos herbicidas em diferentes concentrações no solo, deve-se observar que a sua sorção geralmente não ocorre de forma linear com o aumento do herbicida adicionado. Isso é devido à capacidade limitada de formar ligações com o material coloidal e a variação do coeficiente de sorção com a temperatura e umidade do solo. Para a determinação de uma isoterma de sorção, é necessário determinar o Kd em diferentes concentrações iniciais do herbicida em solução. As isotermas utilizadas para descrever o comportamento de herbicidas no solo, em diferentes concentrações iniciais, podem ser classificadas, conforme o seu comportamentodo, em S, H, C e. Tipo S: é uma curva não-linear e convexa em relação à abscissa. Inicialmente a adsorção é baixa, mas com o aumento da concentração do adsorvato na superfície adsorvida, ocorre aumento na adsorção pela associação entre as moléculas. Isso ocorre em razão da baixa afinidade do adsorvato pela interferência de outras substâncias. A água é um forte competidor na adsorção à superfície coloidal, e, com o aumento na concentração do soluto, essa competição se reduz. Tipo H: ocorre quando o adsorvato possui altíssima afinidade pelo adsorvente, e a máxima adsorção ocorre em baixas concentrações. Desse modo, até que não ocorra a máxima adsorção, não será possível detectar as moléculas na solução. Esse tipo de adsorção ocorre com moléculas extremamente catiônicas ou compostos orgânicos catiônicos, adsorvendo-se nos minerais das argilas.

Figura 7 – Comportamento das isotermas de sorção
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 147

o coeficiente de adsorção da isoterma de Freudlich. em solo argilo-siltoso Fonte: Mervosh (1995) Segundo o manual de testes para avaliação da ecotoxicidade de agentes químicos. A seguir.Comportamento adsortivo do herbicida Clomazone. Figura 8 . e 1/n é um fator de linearização.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Tipo C: a adsorção ocorre de forma linear conforme aumenta a concentração do adsorvato. de forma não linear. embora empírico. Kf. Esse modelo tem sido amplamente utilizado na determinação dos coeficientes de adsorção dos herbicidas no solo para uma determinada temperatura (CLEVELAND. dando origem ao Kfoc.4 . Novos grupos funcionais são criados no processo de adsorção. verifica-se que o incremento decresce na adsorção. e a curva passa a ser de formato linear do tipo C. Entre os modelos mais utilizados e que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas no solo. permitindo a continuidade do processo. É o tipo de adsorção mais comum que ocorre com os herbicidas no solo. De forma análoga ao Koc. descritos a seguir: a) O modelo de Freundlich. assim que a concentração deste aumenta. Existem dois modelos muito utilizados que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas conforme a sua concentração. usando regressão linear e não-linear (isotermas de Freundlich) a 25 ºC. determinando a intensidade da adsorção. a normalização do coeficiente de Freundlich em relação ao teor de carbono orgânico também pode ser calculada. 1996). conforme aumenta a cobertura da superfície. Cs representa a quantidade do herbicida adsorvido no solo (mg g-1). o coeficiente de adsorção Kf aumenta linearmente conforme aumenta a concentração do herbicida. considera que a afinidade inicial é alta e. Quando n for igual a 1. reduzindo a energia de interação proporcionalmente ao recobrimento da superfície. Caq a concentração de equilíbrio do herbicida na solução do solo (mg mL-1).Herbicidas: comportamento no solo . definido pelo Ibama para o Brasil. verifica-se melhor ajuste pelos modelos de Freundlich e Langmuir. diminuem a afinidade e declividade. em função da sua concentração. o coeficiente de adsorção Kf é considerado nas análises de capacidade de 148 Módulo 3. Tipo L: apresenta-se como uma curva côncava em relação à abscissa. pode-se observar a equação empírica utilizada para descrever a isoterma de Freundlich e sua representação gráfica (Figura 8): Na equação.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas adsorção de herbicidas no solo.Modelo da energia de adsorção em função da superfície de cobertura. Quadro 1 – Classificação da capacidade de adsorção de agentes químicos no solo Kf 0 – 24 25 – 29 50 – 149 > 150 Classificação da Adsorção Baixa Média Grande Elevada b) O modelo de Langmuir baseia-se na adsorção em superfícies planas que apresentam número fixo de grupos funcionais e que cada um interagirá com uma molécula.4 . A energia de adsorção é a mesma para todos os sítios e independe da cobertura de superfície (Figura 9). tem-se a adsorção máxima. Ce é a concentração de equilíbrio do herbicida na solução (mg mL-1) e K1 é o coeficiente de adsorção para o modelo de Langmuir. Figura 9 . Esse modelo é expresso pela seguinte equação: em que Cm representa a quantidade máxima do herbicida adsorvido (mg g-1). segundo as isotermas de Langmuir e Freundlich Módulo 3. Quando todos os grupos funcionais estiverem preenchidos. Entretanto.Herbicidas: comportamento no solo 149 . Sua classificação varia de pequena a elevada e reflete parcialmente a capacidade de movimento e persistência do composto no ambiente (Quadro 1). por haver inúmeros interferentes nos estudos de adsorção a campo e em laboratório. verifica-se que outras avaliações são necessárias para definição do real comportamento de herbicidas no solo.

05 20. em certos casos.23 ± 0. estava relacionado ao aumento do conteúdo de carbono orgânico.5 . da área superfícial específica das partículas coloidais da fração argila e. avaliando a persistência do herbicida 2.23 ± 0.12 ± 0. Mallawatantri e Mulla (1992) demonstraram que pelo menos 80% do incremento da sorção observada para metribuzin.5. Thompson et al.05 A matéria orgânica é o principal componente que influencia a atividade dos herbicidas registrados para uso em solos tropicais.4-D em solo arenoso Solo calcinado Solo com MO MO = matéria orgânica Fonte: Viera et al.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas Em geral. aeração e atividade da biomassa microbiana. 2.30 1.16 ± 0.4 . principalmente.1 .87 ± 0. a matéria orgânica tem grande importância para os processos de retenção de cátions e complexação de elementos tóxicos e de micronutrientes.07 Dessorção Kf 1/n 22. principalmente para aqueles recomendados em pré-emergência de característica não-iônica ou para os catiônicos. (1999) Adsorção Kf 1/n 39. caracterizando a grande influência da matéria orgânica na adsorção de herbicidas ácidos. (1999).48 ± 0. Segundo Viera et al. diuron e 2. dos teores de carbono orgânico do solo (VELINI. também são importantes na sua sorção.28 ± 0. (1984). o pH. CAMARGO. Já Faloni (1999). o teor de matéria orgânica no solo desempenha importante papel quando se trata de contaminantes ambientais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2.4-D. constituindo-se num componente fundamental na sua capacidade produtiva (SANTOS. no solo contendo matéria orgânica. 1999). assim como a mineralogia do solo em questão. os quais serão abordados a seguir.80 ± 0. verificaram que em solos com alto teor de matéria orgânica e baixo pH a lixiviação deste herbicida foi menor.23 0. 1992).09 88. É responsável também pela estabilidade da estrutura do solo e infiltração de água. Ela interfere em todos os processos sortivos que possam ocorrer.03 0. Isto pode ser observado segundo os valores de Kf (Quadro 2) para o herbicida 2.Herbicidas: comportamento no solo . Quadro 2 . como herbicidas e metais pesados.4-D no solo.Constantes de Freundlich obtidas a partir dos dados de adsorção de 2. a sorção de herbicidas ao solo aumenta com o incremento da CTC (capacidade de troca catiônica). ao compararem solos com diferentes propriedades. No entanto.4-D. estudando o comportamento do herbicida atrazine em Latossolo Roxo sob dois sistemas de manejo 150 Módulo 3.08 1.Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas Em solos tropicais e subtropicais altamente intemperizados.

podendo-se ainda estimar a sorção de diversos herbicidas com base nos teores de carbono orgânico (Figura 11). é possível obter uma predição dos valores de Kd com base nos teores de carbono orgânico do solo (Figura 10).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (convencional e direto). (1998b) Módulo 3. et al. Para alguns herbicidas. et al. notadamente os não-iônicos. Figura 10 .. Kd) em função do teor de carbono orgânico do solo.Sorção de alachlor (expressa pelo coeficiente de sorção. No caso dos solos brasileiros. Fonte: Oliveira Jr.Herbicidas: comportamento no solo 151 .4 . 1999). não-polares como o alachlor. também percebeu que a matéria orgânica é a principal responsável pela adsorção deste herbicida. Uma vez que a maior parte da CTC nos nossos solos está relacionada à matéria orgânica. as propriedades que mais se correlacionam com a sorção de herbicidas básicos e não-iônicos são a CTC e o teor de carbono orgânico (OLIVEIRA JR. essa característica pode ser considerada a mais importante para esses herbicidas.

disponibilidade de sítios hidrofóbicos e grupos funcionais. os quais variam conforme sua polaridade. 1997). existe grande complexidade e variabilidade da matéria orgânica presente em diferentes solos. húmicos e humina. et al. 2001).. A fonte orgânica. em relação ao teor de matéria orgânica total do solo. 1990. a matéria orgânica do solo encontra-se dividida em substâncias humificadas e não-humificadas. também foram demonstradas especificidades na sorção dos herbicidas. 2000)..Herbicidas: comportamento no solo .. (1999) Teoricamente. aromaticidade. Diversos estudos mostraram que a fração húmica apresenta maior correlação com a sorção dos herbicidas. 999). Herbicidas iônicos (em faixa de pH com baixa dissociação) e os não-ônicos. normalmente. são citadas como um dos principais fatores que podem influenciar a sua capacidade de adsorção de pesticidas (WANG et al.4 . Entretanto. A parte humificada é composta pelos ácido fúlvicos.Relação entre o coeficiente de sorção (Kd) e o teor de carbono orgânico do solo para herbicidas ácidos (linhas cheias) e para herbicidas básicos ou não-iônicos (linhas tracejadas) em solos brasileiros Fonte: Oliveira Jr. TRAGHETTA et al. Dentre os componentes da fração humificada. A disponibilização de maior ou menor número de sítios 152 Módulo 3. pela variação do pH do meio. os minerais do solo e a população microbiana podem proporcionar a formação da diversidade de características dos compostos orgânicos do solo. As mudanças conformacionais provocadas nas moléculas da matéria orgânica.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 11 .. o clima. mas também na transformação e transporte destes (CORREIA. Essas diferenças podem interferir não só na retenção dos herbicidas. correlacionam-se melhor com os teores de humina do que os de ácidos húmicos ou fúlvicos da matéria orgânica do solo (PROCÓPIO et al. os quais representam a fração mais ativa da matéria orgânica do solo (NETO et al.

é responsável pelas variações nos coeficientes de sorção de herbicidas encontrados na literatura.Simulação da adsorção de atrazine no modelo complexo de muscovita-ácido húmico. podendo representar maior permanência desta no meio ambiente. Fonte: Adaptado de Akim e Bailey (1998) Embora se verifique extrema quantidade de interferentes nas características de sorção de herbicidas à matéria orgânica. formando complexos argilo-orgânicos. a adição de matéria orgânica ao solo acelera a degradação dos herbicidas. Entretanto. Figura 12 . 1998). Contudo. é o principal parâmetro levado em consideração na recomendação da dosagem de herbicidas aplicados Módulo 3. a quantidade de matéria orgânica quimicamente protegida. 2001) Outras características do solo também podem afetar a sorção de herbicidas à matéria orgânica: o material de origem do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas hidrofóbicos pelas mudanças conformacionais das moléculas também pode influenciar a sorção de herbicidas lipofílicos (PROCÓPIO et al. na maioria dos trabalhos verificados. representando menor risco de contaminação dos lençóis freáticos (COX. Atualmente. a relação da textura do solo com a quantidade de matéria orgânica presente. como pode ser verificado na Figura 12. devido à proteção física e química das moléculas do herbicida na matéria orgânica.4 . Além destes. sabe-se que sorção herbicida-matéria orgânica é mais estável do que aquela resultante da ligação com componentes minerais do solo. principalmente para aqueles cuja ação microbiana é a principal forma de degradação. Dessa forma. 1994). os solos com altos teores de matéria-orgânica apresentam menor tendência geral de lixiviação dos herbicidas. a presença de íons saturantes dos grupos funcionais da matéria orgânica e a especificidade dos íons (PIRES. entre outros. os tipos de minerais predominantes na fração argila..Herbicidas: comportamento no solo 153 . Prata (2001) também constatou que adição de vinhaça ao solo faz que o processo de mineralização do ametryn seja acelerado. pode ocorrer menor ação microbiana na degradação dessas moléculas.

citam-se a superestimação dos teores de matéria orgânica efetivamente capazes de adsorver as moléculas dos herbicidas e a profundiade de coleta (0-20 cm) utilizada na determinação dos teores de matéria orgânica do solo. Sabe-se. principalmente. contribuindo significativamente para o aumento na sorção desses compostos (Quadro 4). os erros de estimação dos teores de matéria orgânica e o desconhecimento da sorção específica de herbicidas por alguns argilominerais presentes são um dos inúmeros fatores que devem ser considerados para a adequação nas dosagens dos herbicidas atualmente recomendados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas em pré-emergência. de clima tropical e subtropical. Essas propriedades originam forças de atração de grande intensidade.2 . como a montmorilonita e vermiculita.Textura e mineralogia O conteúdo de areia. A formação de cargas nos minerais 2:1 ocorre pela substituição isomórfica nas camadas tetraédrica e octaédrica. Apesar de existir grande possibilidade de os solos mais argilosos apresentarem maiores teores de matéria orgânica.4 . silte e argila presente no solo é responsável pela classificação das diferentes classes texturais dos solos. minerais de argila expansíveis (2:1) e de maior área superfical específíca. herbicidas e outras moléculas penetrem entre os planos basais e provoquem grande expansão do material. à fração mineral do solo. e a matéria orgânica desempenha papel secundário no caso de solos oxídicos. também que. a riqueza de variação das argilas e a formação de compostos argilominerais representam diferentes possibilidades de adsorção dos herbicidas a essas partículas. são característicos de regiões muito intemperizadas. principalmente naqueles com capacidade de doação de prótons com carga aniônica (herbicidas ácidos fracos). e não possuem a capacidade de expandir-se. a textura é ainda o atual parâmetro utilizado para recomendação da dose dos herbicidas aplicados em pré-emergência ou pré-plantio incorporado. como a caulinita. Prata (2002). Esses minerais apresentam fraca atração dos cátions entre as camadas expansíveis. Em diversos casos observados. Por sua vez. 2. possuem maior capacidade de adsorção de herbicidas (Quadro 3). Já minerais 1:1. extremamente elevada e está relacionada. permitindo que água. e ambos 154 Módulo 3.Herbicidas: comportamento no solo .. Os óxidos de ferro e alumínio também atuam na sorção de diversos herbicidas. Entretanto. avaliando a adsorção e dessorção do glyphosate em três solos brasileiros com diferentes atributos mineralógicos. não ocorre correlação entre o comportamento do herbicida e as concentrações de argila. como o Brasil. Existem também dados demonstrando que os óxidos de ferro possuem maior capacidade de adsorver os herbicidas em relação aos óxidos de alumínio (Quadro 5). Em relação aos erros de estimação. observou que a sorção do glyphosate é instantânea. podendo reter cátions. como no caso dos herbicidas ácidos ou em altas concentrações de carbono orgânico.5. uma elevação nas dosagens recomendadas para estes solos nem sempre é correta. A presença de argilas de baixa atividade. Suas cargas podem ser geradas nas bordas do mineral pela dissociação de prótons H+ dos grupos OH.

principalmente nos daqueles com grande capacidade de inonizarem-se (catiônicos e aniônicos). contribuindo em relação à capacidade sortiva nesses solos.1.Sorção de imazaquin em diferentes hidróxidos (Fe e Al) Tipo de Hidróxido Hidróxido-Fe Hidróxido-Al Fonte: Shaner (1989). menor é a quantidade sorvida do herbicida no material coloidal. que à medida que o pH do solo aumenta (2.pH do solo O pH é uma medida muito importante que pode interferir nos processos de sorção dos herbicidas.0).4-D.3 .5. o qual permanece disponível na solução do solo.Dissociação eletrolítica.8 4.6 5.3 . Entretanto. para 2. pode-se verificar na Figura 13. principalmente em solos muito intemperizados. Módulo 3.3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas encontram-se presentes em grandes concentrações na maioria dos solos brasileiros.5 a 6.3 3. a qual será abordada com mais detalhes no item 3.Herbicidas: comportamento no solo 155 . como os latossolos.pKa dos compostos.653 174 2.0 6.Características de alguns minerais de argila importantes nos estudos de sorção de herbicidas em solo Característica Tipo de camada Capacidade de Expansão CTC (cmolc dm ) Área Superficial Específica (m2 g-1) -3 Montmorilonit Vermiculita a 2:1 2:1 Expansível 80-120 700-750 Ilita 1:1 Caulinita Não-expansível 2-10 25-50 2:1 NãoExpansão limitada expansível 120-200 15-40 500-700 75-125 Quadro 4 – Sorção de imazaquin em diferentes minerais de argila Mineral de Argila H-montmorilonita H-ilita Al-montmorilonita H-caolinita H-vermiculita Fonte: Dolling (1985). pH 3.4 . Quadro 3 . Constante de Freundlich (Kf) 2.7 Partição do Imazaquin (Sólido/Líquido) (μG/g:μG/mL) 2326:1 238:1 40:1 2:1 0:1 Quadro 5 . A influência do pH do solo no processo de retenção e degradação dos herbicidas está estritamente relacionada à capacidade de dissociação eletrolítica .

Quadro 6 –Sorção de imazaquin sob diferentes pHs em dois solos Tipo de solo Franco-arenoso Franco-siltoso Fonte: Goetz (1986) pH 5. por exemplo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 13 – Sorção do herbicida 2. devido ao fatop que o pH influenciar fortemente a ligação das imidazolinonas às frações húmica e mineral do solo. verifica-se novamente o decréscimo do coeficiente sortivo (Kd) do herbicida com o aumento do pH do solo.Herbicidas: comportamento no solo .3 6.5 Sorção (%) 53 53 0 62 40 25 Em trabalho similiar realizado com imazethapyr (Figura 14). 156 Módulo 3. novamente. Goetz (1986) demonstrou que a quantidade de imazaquin que se liga a diferentes tipos de solo era diretamente relacionada ao pH (Quadro 6).4-D em função do aumento do pH do solo No caso de imidazolinonas aplicadas ao solo. Verifica-se.7 5.6 4. que a quantidade sorvida do herbicida aumenta à medida que o pH diminui.4 .2 5.6 6.

em função do aumento do pH do solo. Nesse caso. conforme verificado na Figura 15. além de possibilitar maior efeito do herbicida em culturas posteriormente instaladas no local. especialmente em termos de lixiviação desses herbicidas. resultar em maior lixiviação do composto no perfil do solo. (2002) O pH pode também influenciar diversos outros processos envolvidos na degradação dos herbicidas no solo: a lixiviação de chlorsulfuron. é maior em solos com pH alto e 157 Módulo 3.Herbicidas: comportamento no solo . Fonte: Oliveira Jr.4 . de modo geral. por exemplo. também. solos ácidos. a diminuição da sua capacidade sortiva com o acréscimo do pH do meio pode.Coeficiente de sorção (Kd) constatado para o herbicida imazetaphyr. (1998) Para herbicidas de maior persistência. Figura 15 – Efeito do pH na lixiviação do herbicida imazaquin em colunas de solo Fonte: Inoue et al. têm maior capacidade de sorção desses herbicidas e operações como a calagem podem afetar significativamente o seu comportamento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 14 .

1 . o conhecimento das características moleculares dos herbicidas é muito utilizado no estudo do seu comportamento no ambiente.2 . Já os herbicidas polares. herbicidas com características apolares são considerados lipofílicos.6 .6. Para 158 Módulo 3.Coeficiente de partição octanol-água (Kow) Esta propriedade indica a afinidade que a molécula do herbicida tem em relação à fase polar (representada pela água) e apolar (representada pelo octanol). a maioria dos herbicidas possui em sua molécula uma região polar e outra apolar.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas baixo teor de matéria orgânica. Os valores de Kow são adimensionais. diz-se que maior é a sua hidrofilicidade. O comportamento dos herbicidas é muito influenciado pelo seu pKa. Essa definição está restrita apenas à definição clássica de Brönsted-Lowry. 2. pressão de vapor (P) e constante da Lei de Henry (H).Herbicidas: comportamento no solo . a qual tem sido utilizada para substâncias presentes em solução aquosa.. A polaridade é muito importante para penetração das moléculas dos herbicidas pela cutícula das folhas e também interfere nos processos sortivos com o solo. capacidade de dissociação eletrolítica quando em solução aquosa (pKa). 1993).4 . Geralmente os herbicidas apolares ou lipofílicos (Kow >10. transformação e transporte. podendo ser encontrados na forma dissociada (ionizada) e não-dissociada (não-ionizada ou neutra). solubilidade. menor será seu caráter ácido e menor a sua capacidade de ficar aniônico. possuem maior afinidade às partes argilosa e mineral do solo. embora a degradação do referido produto seja mais rápida em solos ácidos (GOMEZ DE BARREDA et al. Ao contrário. Quanto maior for o pKa do herbicida.Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa) O pKa representa a capacidade de dissociação que uma molécula do herbicida possui em água com diferentes pH. Quanto mais polar for o herbicida. expressos normalmente na forma logarítmica (log Kow). Entretanto. 2. e se adapta perfeitamente aos herbicidas em solução do solo.6. podem ser classificados da seguinte forma: a) Herbicidas ácidos fracos: são os herbicidas cujas formas moleculares apresentam capacidade de doar prótons e formar íons carregados negativamente. Embora algumas propriedades estejam mais distintamente relacionadas aos processos específicos de retenção.Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo As principais propriedades físico-químicas de um herbicida que influenciam o seu comportamento são: coeficiente de partição octanol-água (Kow). 2. os hidrofílicos (Kow <10). Conforme a fórmula molecular e pKa dos herbicidas eles.000) possuem maior potencial de se adsorverem a parte orgânica dos colóides do solo.

Existe ainda um outro grupo de herbicidas tão básicos que possuem cargas positivas para todos os valores de pH verificados no solo (LEAVITT. como o que ocorre para o paraquat e o diquat.8) b) Herbicidas bases fracas: são os herbicidas que apresentam a capacidade de receber prótons e formar íons carregados positivamente..4-D.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas esses herbicidas.4-D. sua forma molecular será favorecida. Quando o pH do meio for superior ao pKa do herbicida. cyanazine (PIRES et al. sendo sorvidos ao solo de forma irreversível. como atrazine. O 2. picloram e demais herbicidas pertencentes ao grupo das sulfoniluréias e imidazolinonas. Entretanto. Quando o pH do solo for superior ao pKa destes herbicidas. Figura 16 . Alguns herbicidas de comportamento similar são simazine. 2001). quando o pH do solo for inferior ao seu pKa. passando a apresentar carga líquida positiva (Figura 17). podendo facilmente ser adsorvidos às partículas de argila e aos grupos funcionais que formam a CTC do solo.. PÈREZ. maior será a tendência de o herbicida estar na sua forma molecular (neutra) e maior será sua capacidade de se adsorver nas partículas coloidais do solo. pKa = 2. Da mesma forma que os herbicidas ácidos.4-D são dicamba. Alguns outros compostos que reagem semelhantemente ao 2. podendo competir com os sítios de adsorção de nutrientes no solo. podem atrair íons hidrogênio em uma solução ácida. OLIVEIRA JR. Quanto menor o pH do solo em relação ao pKa do herbicida. 2003. a molécula estará 50% na sua forma molecular ou neutra e 50% na forma dissociada (aniônica). quando o pH do solo for igual ao seu pKa.Comportamento de ionização de um herbicida ácido (2. CONSTANTIN. 1995) e hexazinone.Herbicidas: comportamento no solo 159 . Módulo 3. seu comportamento será semelhante ao das moléculas não-iônicas. quando o pH do solo for igual ao seu pKa. pode liberar íons hidrogênio numa solução básica ou neutra (Figura 16).4 . maior será a tendência destes herbicidas de permanecer na sua forma dissociada ou protonada. podendo reduzir sua capacidade de adsorção (KOGAN. Nesse caso. as concentrações da formas dissociada e neutra serão iguais. este será prontamente dissociado e sua capacidade de ficar retido no solo será muito menor. 1980). Herbicidas pertencentes a essa classificação. por exemplo.

em que na e nd representam as curvaturas obtidas nos ensaios de adsorção e dessorção. A intensidade da dessorção reflete o grau de reversibilidade do processo sortivo. Entre esses herbicidas estão incluídos trifluralin. 160 Módulo 3. Conforme Southwick et al.4 .Comportamento de ionização de um herbicida base fraca (atrazine. em alguns casos. a sorção é praticamente irreversível e não ocorre retorno do herbicida à solução do solo. muitos deles podem ser polares e. dando origem ao fenômeno denominado histerese (H). A informação da capacidade dessortiva do herbicida no solo pode ser muito importante.7 . (1993).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 17 . embora se tenham verificado poucos estudos referentes a ensaios de dessorção na literatura. Os herbicidas não-iônicos não reagem com a água e não carregam uma carga elétrica líquida. Alguns exemplos de herbicidas e sua classificação encontram-se no Quadro 7. comparativamente aos herbicidas iônicos. esses efeitos são geralmente de menor intensidade. Contudo. por relacionar o seu efeito residual e persistência no solo. 2.Dessorção A dessorção representa a liberação da molécula do herbicida anteriormente sorvida. permanecendo em sua forma molecular na solução do solo. elevados índices de histerese indicam maior dificuldade de o herbicida sorvido retornar para a solução do solo. como observado por Pusino et al. EPTC e diuron. respectivamente. em função dessa condição. (2003) (Figura 18). metolachlor. O índice H de histerese pode ser obtido pela equação H= na/nd.7) c) Herbicidas não-iônicos: os herbicidas que não doam nem recebem prótons na solução do solo são considerados não-iônicos.Herbicidas: comportamento no solo . podendo ocorrer. as isotermas de sorção e de dessorção diferem entre si. alachlor. ser afetados pelo pH do solo e ficar retidos aos complexos argilominerais e ao material orgânico do solo. altíssima dessorção do herbicida. Embora sejam não-iônicos. Neste caso. possibilitando maior permanência deste no ambiente. Em outros. pKa = 1.

4 . picloram. simazine Dicamba. chloroxuron Diversas explicações têm sido propostas no intuito de elucidar a não-singularidade das isotermas de dessorção. atrazine. propachlor Linuron. são: • transformações químicas ou biológicas que o composto em questão pode sofrer.Curvas de adsorção ( ) e dessorção ( ) observadas para triasulfuron em três solos com diferentes teores de argila e materia orgânica.Herbicidas: comportamento no solo 161 . DSMA Não-iônicos Methoxychlor Trifluralin.4-D. 2. swep.Processos de transporte O transporte de herbicidas no solo representa um dos processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente e se destaca. Figura 18 . prometone.Herbicidas e sua classificação conforme fórmula e grupos funcionais Catiônicos Básicos Ácidos Diversos Organofosforados Dinitroanilidas Carbamatos Benzonitrila Ésteres Anilidas Uréias HERBICIDAS Iônicos Diquat.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 . MSMA. trifloxysulfuron-sodium. oryzalin. principalmente. segundo Pignatello (1989). a demanda hídrica para o abastecimento urbano. cyanazine. paraquat Ametryn. metribuzin. (2003) 3 . MCPA. chlorimuron-ethyl Bromacil. imazetaphyr. por influenciar a capacidade de contaminação dos recursos hídricos subsuperficiais. triclopyr. propazine. • falhas no estabelecimento do equilíbrio. e • problemas inerentes à metodologia de determinação. metolachlor. diuron. industrial e agrícola Módulo 3. Pusino et al.4-D Alachlor. isopropalin Chlorprophan. imazapyr. prophan Dichlobenil Isopropyl éster de 2. Embora freqüentes. propanil. os problemas de contaminação de aqüíferos no território brasileiro têm despertado pouco interesse dos pesquisadores. Além disso. imazaquin. porém as mais aceitas.

.1 . BOWMAN et al. 1996.001 – 0. No entanto.5 <0. o somatório de diferentes pesticidas carreados simultaneamente para uma mesma bacia hidrográfica pode comprometer a qualidade da água em relação ao seu aproveitamento posterior (DOMAGALSKY. juntamente com as moléculas dos herbicidas. além. 3. é claro. Entre alguns trabalhos citados na literatura. Dentre as principais formas de transporte nos estudos de herbicidas em solo. mesmo quando a quantidade total transportada é pequena. CARTER.. das práticas culturais. na Carolina do Sul.a aplicado <2 . do tipo de solo em questão. respectivamente. Keese et al. Já Pfeuffer e Rand (2004) monitoraram os pesticidas entre 1992 e 2001 no sul da Flórida. a volatilização e a lixiviação. pendimethalin e oxyfluorfen) em reservatórios de água. O arraste das partículas coloidais. especialmente no caso de herbicidas aplicados em pré-emergência. Os autores constataram que a maior parte da contaminação era proveniente do escorrimento superficial de áreas irrigadas pulverizadas e que a maior concentração de resíduos ocorria nos primeiros 15 minutos da água. em certas situações. (1994) relataram a detecção de resíduos de herbicidas (oryzalin.4 .25 1-9 Referência Taylor (1995) Flury (1996) Vicary et al (1999a) Vicary et al (1999b) Em certos casos.Perdas de herbicidas no solo por diferentes processos de transporte Tipo de transporte Volatilização Lixiviação Run-off Fluxo preferêncial % de perda do i. de áreas pulverizadas para aquelas que não receberam diretamente o produto. 1990). Quadro 8 . destaca-se o escorrimento superficial. é mais pronunciado quando o produto é aplicado e logo após ocorre chuva intensa no local. a quantidade total de herbicida que pode ser perdida por meio desse processo normalmente não excede 1% do total aplicado (Tabela 6).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tem se elevado nos últimos anos e poucos estudos são conduzidos com o objetivo de retardar o transporte de herbicidas sob condições tropicais. constatando que os herbicidas ametryn e atrazine foram os compostos mais comumente encontrados em águas 162 Módulo 3. para o qual se verificou perda do herbicida aderido aos sedimentos variando entre 9 e 58% do total aplicado ao solo.Herbicidas: comportamento no solo . Todavia. A intensidade de perdas depende muito do sistema de plantio adotado (SETA et al. em áreas irrigadas com intensa atividade agrícola.90 <1 . dos herbicidas no solo. 1994). da natureza e dose das aplicações e da declividade da área. as perdas podem ser altas. O maior potencial de movimento de herbicidas por escorrimento superficial ocorre logo após a aplicação. na maior parte dos casos. como no caso do metolachlor (BUTTLE.Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in) Os termos run-off e run-in representam o movimento ou escorrimento em superfície e subsuperfície. 1993. 2000).

sendo o efeito mais pronunciado quanto maior for a PV do herbicida. podendo se perder para a atmosfera por evaporação.Herbicidas: comportamento no solo 163 . a elevação da temperatura aumenta a taxa de evaporação da água presente no solo. mas.8 9.1 95.0 0. existe maior probabilidade de o herbicida ser sorvido diretamente às partículas de solo (Quadro 10). solos úmidos perdem mais herbicida por volatilização que um solo seco. para efeito de comparação da PV de dois produtos distintos. É por isso que.5 9.8 2.4 1.4 68. No caso do clomazone (Quadro 9).8 15.0 4.1 .2 . Quadro 9 .4 .5 98. Em solos secos.4 60.Fatores que influenciam a volatilização Vários fatores influenciam diretamente a volatilização de herbicidas presentes no solo.2 0. já que a água funciona como uma interfase entre a molécula e as partículas do solo.0 NS b) Aumento da umidade do solo: o aumento da disponibilidade de água no solo facilita a perda de vapor.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superficiais. 3.8 93. 25 °C) aos 84 dias após a aplicação ao solo 14 Volatilizado Mineralizado Total extraído do solo Não extraído (resíduos ligados) Total recuperado Fonte: Mervosh et al. 3.4 2. Módulo 3.8 4.Volatilização A volatilização é o processo pelo qual o herbicida presente na solução do solo passa para a forma de vapor. (1995) C Recuperado (% do Total de 14C-Clomazone Aplicado) Temperatura de Incubação (°C) 5 15 25 35 DMS5% 1. as perdas podem aumentar significativamente em função do aumento de temperatura. juntamente com DDD e DDE foi o composto detectado com maior freqüência em sedimentos de rios de áreas agrícolas na Flórida. Além disso.7 10.Efeitos da temperatura de incubação na distribuição de 14C-clomazone (PV=1.1 3. esta é aumentada por: a) Elevação da temperatura: a temperatura do solo afeta a volatilização de produtos em função da alteração da pressão de vapor. de modo geral.7 96.4 15.2.44 x 104 mm Hg. os valores devem ser determinados à mesma temperatura. EUA.1 5. também mostraram que ametryn. Estudos apresentados por Rand (2004).8 78.3 7.5 92.

3 mg L-1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 10 . a 25 °C).2 . como o trifluralin (S = 0. O potencial de volatilização de um herbicida geralmente pode ser estimado indiretamente. por meio de suas propriedades químicas.Pressão de vapor (P) A pressão de vapor é a pressão exercida por um vapor em equilíbrio com um líquido. o peso molecular e.Alternativas para redução de perdas por volatilização a) Incorporação de herbicidas ao solo: a incorporação pode ser feita tanto com implementos quanto pelo uso de irrigação após a aplicação do herbicida. sendo expressa normalmente em mm de Hg.3 . b) Formulação do produto: para muitos herbicidas com maior potencial de volatilização têm sido desenvolvidas novas formulações com adjuvantes. a pressão de vapor (P). algumas alternativas que podem reduzir a volatilização e manter a eficiência desses herbicidas.4 12. 3. principalmente da solubilidade do composto em questão.2 80. com a função de reduzir a evaporação.6 37.0 12.Herbicidas: comportamento no solo . o que. sem dúvida. necessitam ser mecanicamente incorporados ao solo. 1994). como a estrutura. o uso de formulações granuladas em vez das líquidas pode contribuir para diminuir as perdas por volatilização. ao passo que herbicidas menos solúveis. TURCO. como o EPTC (S=370 mg L-1.2.2 81.8 12. neste caso. a 20 °C).4 . principalmente. é a conseqüência de maior importância imediata da volatilização no que diz respeito às atividades agrícolas.0 9. A escolha da forma de incorporação depende.Efeito da temperatura na perda de EPTC após a aplicação de 3. a formulação granulada pode reduzir entre 60 e 100% as perdas por volatilização (GRAVEEL.4 kg ha-1 à superfície do solo Temperatura do ar ( ) 0 4. a uma determinada temperatura. eles precisam ser incorporados imediatamente ao solo para que não haja redução substancial de sua eficiência. 3.2 75. % do Total Aplicado Solo Úmido Solo Seco (14% de Umidade) (1% de Umidade) 62.7 Fonte: Gray e Weierich (1965) °C Perda de EPTC em 24 h. podem ser incorporados com uma irrigação adequada.4 15. no entanto. Existem.5 26.2.7 A volatilização pode ser tão significativa para alguns produtos que.3 15.0 67. Além disso. Herbicidas mais solúveis. É uma indicação da 164 Módulo 3. No caso do EPTC. depois de sua aplicação.

1 x 10-2 4. como as sulfoniluréias. ou. Pequeno. Moderado. já não apresentam esses problemas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tendência da substância química em escapar na forma de gás.4 x 10-6 Potencial de Volatilização Muito baixo Baixo a moderado Baixo Baixo.0 x 10-5 < 1.1 x 10-5 1.4 x 10-8 1. Volátil. Grupos químicos de desenvolvimento mais recente.Herbicidas: comportamento no solo . quanto maior a pressão de vapor.0 x 10-8 9. 1994). as quais muitas vezes incorporam adjuvantes com a finalidade de reduzir a volatilização. mas pode ser significativo se não incorporado. podendo aumentar sob certas condições. Perdas por volatilização são muito variáveis. Quadro 11 .3 x 10-2 3. Muito alto. imidazolinonas e sulfonamidas.1 x 10-4 3. podendo ser perdido em quantidades significativas quando não incorporado ou em solo úmido. No Quadro 11 encontram-se valores de pressão de vapor de alguns herbicidas aplicados ao solo.4 x 10-2 5. Portanto.0 x 10-12 1.6 x 10-5 4.0 x 10-7 2. mais provável que um líquido vaporize-se. como as dinitroanilinas e os tiocarbamatos.9 x 10-8 -16 PV (mm Hg.Pressão de vapor (PV) e potencial de volatilização de alguns herbicidas Grupo Químico e Princípio Ativo Cloroacetamidas Acetochlor Alachlor Butachlor Metolachlor Dinitroanilinas Trifluralin Isopropalin* Oryzalin Pendimethalin Tiocarbamatos Butylate* EPTC* Molinate Vernolate* Sulfoniluréias Chlorimuronethyl Nicosulfuron Oxasulfuron Imidazolinonas Imazamethabenz* Imazapyr Imazaquin Imazethapyr Imazamox Piridazinonas Norflurazon Triazolopirimidin 1.0 x 10-8 < 1.6 x 10-3 1. TURCO. em solos úmidos Idem Idem Idem Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Perdas significativas quando não incorporado.2 x 10 <1.1 x 10-8 < 1. podendo ser de 10 a 90%. Perdas mínimas que não reduzem a eficácia do produto nãoincorporado. Perdas ainda maiores se não incorporados e.0 x 10-7 < 2.4 .5 x 10-6 3.5 x 10-8 1. normalmente em razão da melhoria na qualidade de suas formulações. Nota-se que o problema de volatilização é particularmente importante para alguns grupos químicos. a intensidade e a velocidade de volatilização de um herbicida dependem também da intensidade e velocidade de movimento até a interface (normalmente a superfície do solo) onde ocorre o processo. solo úmido e vento. comparada a uma perda típica de 0 a 4% por lixiviação e 0-10% por escorrimento superficial (GRAVEEL.0 x 10-7 < 1. 25 oC) 3. Além do valor específico da pressão de vapor. Perdas pequenas podem ocorrer sob alta temperatura. Muito baixo 165 Módulo 3.

7 x 10-5 6. maior será a sua afinidade por água. Moléculas altamente solúveis são rapidamente distribuídas no ciclo hidrológico. portanto. De modo geral.Relação entre PV e S A combinação de PV e S pode ser expressa através de uma constante denominada KH. 2003). maior solubilidade resulta em menor sorção. No entanto.0 x 10-16 Potencial de Volatilização Desprezível Muito baixo 1.5 . Acima dessa concentração.9 x 10-8 Insignificante. quanto mais iônico. 1996). por definição. * Atualmente não registrados para uso no Brasil Fontes: Adaptado de Ahrens (1994).2. logo. Insignificante. Por sua vez. hidrólise e oxidação) e transporte (ex: volatilização da solução e lavagem da atmosfera pela água da chuva) também são afetados pela extensão da solubilidade em água dos herbicidas.Solubilidade A solubilidade (S) de um herbicida em água é. Dos vários parâmetros que afetam o destino e o transporte de herbicidas. Em geral. mais provável que o composto em questão seja solúvel. Hatzios (1998) e Rodrigues e Almeida (2005) 3. Outros meios de degradação (ex: fotólise.2. maior a sua solubilidade. PÈREZ. o aumento no peso molecular diminui a solubilidade. pouco ou não solúveis. O KH é um coeficiente de partição entre o ar e a água (solução do solo). exceto quando solo está quente e não é ativado pela chuva por vários dias após a aplicação. Quanto maior a quantidade de grupos hidrofílicos na molécula do herbicida (mais polares). 3. dentro de um mesmo grupo químico. mesmo quando forem iônicas (KOGAN. Seu valor geralmente é expresso em mg L-1 (normalmente a 25 °C) e é um reflexo da polaridade da substância química. em razão de apresentarem coeficientes de sorção para solos e sedimentos relativamente baixos. 25 oC) 2. isto é. moléculas orgânicas grandes. a solubilidade de um herbicida e sua sorção no solo estão inversamente correlacionadas.8 x 10-15 3.Herbicidas: comportamento no solo .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Grupo Químico e Princípio Ativo as Flumetsulam Cloransulammetil Derivados da uréia Linuron Diuron PV (mm Hg. sem carga. a solubilidade em água é um dos mais importantes. exceto quando é exposto a condições quentes e secas por vários dias. dependendo se o herbicida for um sólido ou um líquido na temperatura do sistema: uma fase saturada de solução aquosa e uma fase líquida ou sólida do herbicida (LAVORENTI. há casos em que moléculas de elevada massa molecular apresentam baixa solubilidade.4 . duas fases distintas existirão. a quantidade máxima de herbicida que se dissolve em água pura a uma determinada temperatura. são. 166 Módulo 3.4 . ou constante da lei de Henry.

6 .4 . (1988). 3.3 . em virtude da alta concentração numa fina camada superficial do solo. cujos valores elevados de KH indicam que os solutos são altamente voláteis A constante da lei de Henry é definida pela equação: KH e PV são constantes proporcionais. dependendo da densidade de plantas. 3. a absorção pelas plantas participa com pequena porcentagem na remoção do total presente no solo. etc. ocorre a diluição da concentração.4 .Lixiviação O destino de herbicidas aplicados ao solo depende muito das propriedades químicas da substância em questão. 1989). As duas propriedades mais importantes no que diz respeito ao processo de lixiviação são a sorção e a persistência do produto. Uma revisão bastante completa acerca das bases termodinâmicas e da determinação experimental de K¬H pode ser encontrada em Suntio et al. Portanto. Quando se realiza a incorporação do herbicida. O KH é muito importante para os herbicidas na fase líquida do solo. 3. podendo reduzir as suas perdas. Além disso. Experimentos em vaso demonstraram que as plantas podem absorver de 1 a 10% do total de herbicida disponível. a distância torna a difusão para a superfície do solo mais difícil. mesmo compostos considerados não ou pouco voláteis podem apresentar certa perda. Como a perda por volatilização é dada pelo produto de KH por concentração.Herbicidas: comportamento no solo 167 .Absorção pelas plantas A porcentagem de herbicida que a planta absorve do solo é difícil de ser medida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas sendo semelhante ao coeficiente de sorção (Kd) usado para descrever a sorção ao solo.Relação entre KH e incorporação de herbicidas A aplicação de um herbicida na superfície gera uma alta concentração numa fina camada de solo. KH também pode ser usado como indicativo do potencial de volatilização de determinado herbicida. das espécies presentes. podendo ser usado também como indicativo do potencial de volatilização de determinados herbicidas. Trabalhos feitos com outros herbicidas no campo mostram que as plantas podem remover de 2 a 5% do total de herbicida no solo (SHANER. A sorção regula o potencial de um herbicida ser Módulo 3. do volume de solo. portanto.2.

cujo critério é ainda utilizado pelo California Department of Food and Agriculture (CDFA). Widerson e Kim (1986) simplificaram essa caracterização e definiram que os herbicidas que possuíssem valor de Koc menor que 512 (L/kg) e meia-vida (t ½ vida) superior a 11 dias seriam classificados como lixiviadores.6 Diuron CMPA 7.1 mg L-1 Águas de superfície Águas subterrâneas Isoproturon 19.7 Atrazine 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas perdido com sedimentos ou por lixiviação.4 Mecoprop Simazine 5. em determinadas circunstâncias. Em condições normais.8 Bentazone 1.4 . (1984) propuseram uma relação entre o Koc e a meia-vida (t ½ vida) dos herbicidas. como o realizado pelo National Center for Ecotoxicology and Hazardous Substances.4 Environment Agency. Cohen et al.Herbicidas: comportamento no solo . lagos e águas em profundidade.8 são considerados 168 Módulo 3.1 a 1% do total aplicado.4 0.5 Isoproturon Diuron 10.9 Chlorotoluror 2. com o objetivo de verificar a contaminação das reservas hídricas por pesticidas.1 Dichlobenil 1.8 1. para classificá-los como lixiviadores (Koc < 300 (L kg-1) e t ½ vida > 21 dias) e não-lixiviadores (Koc > 500 (L kg-1) e t ½ vida < 14).4 Linuron Chlorotoluron 3.6 Terbutryn 1.1 1. embora solubilidades muito baixas possam limitar o transporte com a água. Entre os estudos realizados.9 0.0 0. esses modelos têm contribuído na redução dos custos de análise e também na prevenção de desastres ambientais.6 Benazolin 2. esse percentual pode ser igual ou superior a 5% (Carter. do Reino Unido apontaram alguns dos herbicidas com excesso de resíduos nas amostras de águas avaliadas (Quadro 12). Alguns estudos.1 Bromoxynil 1. Em 1986. alguns estudos têm sido realizados com o intuito de prever o potencial desses compostos de atingir rios. Quadro 12 – Percentual de amostras de águas avaliadas no Reino Unido que excederam o limite de resíduos permitido Herbicidas com % amostras excedendo 0. 2000).1 Fonte: 4. Entre os critérios mais divulgados e aceitos para a classificação de herbicidas conforme seu potencial de lixiviação está o índice GUS (Groundwater Ubiquity Score). mas.5 Atrazine Mecoprop 12. Embora empíricos.4-D 5. proposto por Gustafson (1989). A solubilidade é de importância secundária. 1999 Além das avaliações in locu. cuja equação a seguir estabelece que herbicidas com índice GUS<1. a quantidade do herbicida perdido pela movimentação no perfil do solo é geralmente entre 0.

aminoácidos. sendo adotada por inúmeros estudos que buscam relacionar o potencial de lixiviação dos herbicidas no solo com a contaminação de lençóis freáticos. Recentemente. como argila. além de possuir t ½ vida elevada. peptídeos e açúcares. ácidos fúlvicos e húmicos de baixo peso molecular. além da capacidade de lixiviação do herbicida.Relação de herbicidas classificados conforme somatório obtido pelo IRA – Índice de Risco Ambiental Herbicida Trifluralin Hexazinona Paraquat Imazapyr Triclopyr Oxyfluorfen Linuron Sulfentrazone Isoxaflutole Haloxyfop Oryzlain Glyphosate Fluazifop Amônio-glufosinato Sethoxydim P 2 3 4 3 1 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 D 4 1 3 1 1 2 1 1 1 1 3 3 1 1 1 V 4 1 1 1 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 M 1 4 1 4 4 1 2 4 4 3 1 1 1 1 1 IT 4 2 2 2 2 3 3 2 2 3 3 2 3 2 2 IRA 15 15 11 11 11 10 10 10 10 9 9 8 7 6 6 Módulo 3. Kogan e Allister (2004) propuseram o IRA – Índice de Risco Ambiental. Entretanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas como não-lixiviáveis..Herbicidas: comportamento no solo 169 . D (dose).4 . ele deve estar na solução do solo ou adsorvido a pequenas partículas. Quadro 7 . para que um herbicida seja lixiviado. M (mobilidade). ao passo que índices superiores a 2.8 representam produtos lixiviáveis. Aqueles com valores entre 1. cujo resultado final permite elencar os compostos em relação ao maior ou menor risco para o meio ambiente (Quadro 13). cujo resultado representa.8 e 2. V (volatilidade) e IT (índice toxicológico).8 são considerados de potencial lixiviador intermediário: GUS = log t½ * (4 – log Kfoc) A equação utiliza os valores de t½ vida do herbicida e o coeficiente de sorção normalizado para teor de carbono orgânico do solo. o seu efeito sobre o meio ambiente. O índice é definido pela soma de inúmeros fatores: P (persistência). entre outros. para que o fluxo hídrico consiga carrear o herbicida pelo perfil do solo (OLIVEIRA JR. 2001).

e K. considera-se que resíduos de herbicidas no solo sejam quaisquer substâncias resultantes da sua aplicação.4 . o ln será igual a 0. a constante de degradação. em que Ct representa a concentração no tempo t.Processos de transformação Os processos de transformação das moléculas de herbicidas presentes no solo e água são decorrentes da degradação dessas moléculas em compostos secundários. a constante de degradação. Co a concentração inicial e k. obtendo-se como produto final água. pode-se estimar a t ½ vida. A degradação de moléculas de herbicidas no solo e o conhecimento dos principais mecanismos responsáveis pela aceleração ou pelo retardamento do processo influenciam diretamente a persistência desses compostos no ambiente. quando C0/Ct for igual a 2.693/K Entretanto. A equação anterior admite que a taxa de degradação diminui linearmente com o decréscimo da concentração.Persistência De forma prática. CO2 e compostos inorgânicos (MELTING. A persistência desses compostos é normalmente medida pela meia-vida (t ½ vida). e. 4. Essas substâncias podem incluir produtos de degradação (metabólitos). Para modelos lineares. 1993). além da própria molécula do herbicida.693. a degradação refere-se a um conjunto de transformações físicas. químicas e biológicas que levam à formação de metabólitos ou à completa mineralização das moléculas. Essa equação pode ainda ser simplificada assumindo que. A t ½ vida é definida como o tempo necessário para que ocorra a dissipação de 50% da quantidade inicial do herbicida aplicado.Herbicidas: comportamento no solo . conforme fórmula que segue: t 1/2= 0. De forma geral.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . O seu cálculo deriva do modelo de primeira ordem definido pela equação: Ln C0/Ct = K * t em que C0 é a concentração inicial do herbicida. como a apresentada a seguir. a qual é extremamente importante para predizer o risco de contaminação de lençóis freáticos. nos quais somente uma linha de dissipação é apresentada. normalmente utilizam-se equações não-lineares de regressão (bi-exponen¬ciais) para o cálculo da t ½ vida de herbicidas no solo.1 . Ct a concentração no tempo t. os intervalos de tempo 170 Módulo 3. até a sua completa mineralização. por análise de regressão linear.

9-12 (1982) 54-63 Novo et al.2 a t1/2 Referência (dias) Nakagawa et al. (cm) 0-14 0-10 0-30 50-200 0-40 100200 0-15 70-150 MO Argila Areia pH (%) (%) (H2O) (%) 45 28 17 39 47 44 47 48 61 48 56 40 63 72 20 48 46 44 28 27 27 24 5. 56 (1995) 22 Blanco et al. Assim. (1997) 8-13 Ravelli et al. ambiente (temperatura e precipitação) e práticas culturais (sistema de plantio e doses aplicadas).4 5.4 4. (1993) 7-21 Ravelli et al. (1997) Ravelli et al. (1997) Ravelli et al.6 0.3 1. sua persistência é basicamente dependente de quatro fatores: solo (teor de carbono orgânico.2 5.1 7.2 1. (1997) 171 3.Valores de meia-vida (t ½ vida) observados para alguns herbicidas em solos do Brasil Herbicida Tipo de solo Classe Latossolo Vermelho-Escuro Atrazine Glei húmico Simazine Trifluralin Metribuzin Latossolo roxo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Módulo 3. (1997) 10-16 Ravelli et al. No Quadro 15 são mostrados os valores de meia-vida de alguns herbicidas em solos do Brasil. para que o herbicida atinja e contamine águas superficiais e subsuperficias. embora a t ½ vida sirva de parâmetro para avaliação do tempo de permanência do herbicida no ambiente.4 .8 6. a classificação de um herbicida como “persistente” ou “não-persistente” varia de acordo com o propósito da classificação.4 5. a t ½ vida poderá ser alterada e maior quantidade do herbicida estará disponível no ambiente. população de microrganismos presentes. (1995) Nakagawa et al.3 1.3 0. 1996).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas considerados podem fornecer estimativas e interpretações errôneas da t ½ vida de herbicidas (BLUMHORST. dentro dos limites de uso agrícola.6 5.7 2. pH e textura).0 Podzolico Vermelho-Amarelo 0-10 Chlorsulfur on Latossolo Eermelho-Escuro . Por outro lado.6 9.8 5.Exemplos de classificações de herbicidas quanto à persistência no solo Inglaterra Classe Não-persistente Levemente persistente Moderadamente persistente Muito persistente Fonte: Adaptado de Roberts (1996) e Foloni (1997) t1/2 (dias) <5 5-21 22-60 >60 Brasil (IBAMA) Classe Não-persistente Medianamente persistente Persistente Altamente persistente t1/2 (dias) <30 30-180 180-360 >360 Quadro 15 . No entanto.7 4. (1997) Campanhola et al.7 2. em muitos casos. ao aumentar a dose de aplicação do herbicida. No Quadro 14 encontram-se exemplos de classificações adotadas na Inglaterra e no Brasil. (1997) 54 5-29 8-21 8-26 Ravelli et al. Ct =C0 * e -kt Sabe-se que valores altos de t ½ vida contribuem.6 4.6 3.8 4.Herbicidas: comportamento no solo Prof. Quadro 14 .

172 Módulo 3. a qual é reduzida à medida que se afasta da camada superficial do solo. que pode ser definido como sendo os resíduos fitotóxicos que permanecem no solo e que venham a afetar culturas sensíveis plantadas em rotação após aquelas culturas em que foi utilizado o herbicida. podem-se citar. Isso ocorre principalmente para compostos cuja degradação é fortemente influenciada pela atividade microbiológica do solo. Entre as principais formas pelas quais os herbicidas são degradados.Herbicidas: comportamento no solo . É o caso do imazaquin em relação ao trifluralin. Observa-se que os herbicidas tendem a persistir por período mais prolongado quando lixiviam mais rapidamente para horizontes subsuperficiais. Eventuais alternativas para minimizar o problema de carryover incluem a redução das doses (pode não resolver o problema em certos tipos de solos) e a aplicação em faixas ou dirigida em vez de em área total (reduz a quantidade total de herbicida aplicado). as que seguem. Herbicidas com maior persistência podem resultar no fenômeno denominado carryover.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nas Figuras 19 e 20 são encontrados exemplos de comportamentos de persistência de herbicidas em um Latossolo Roxo distrófico (LRd).

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 19 .Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A).4 . (1998) Módulo 3.Herbicidas: comportamento no solo 173 . 150 (B) e 180 (C) DAA. provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de imazaquin Fonte: Silva et al.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 20 .4 . 150 (B) e 180 (C) DAA. provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de trifluralin Fonte: Silva et al.Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A).Herbicidas: comportamento no solo . (1998) 174 Módulo 3.

implicando a perda ou alteração da toxidez da molécula. por exemplo são extremamente estáveis nas faixas de pH normalmente encontradas no solo e apresentam t ½ vida normalmente maior que seis meses. 4. Estudos mais detalhados indicam que a biodegradação pode ser por: Alteração não-tóxica: conversão de uma molécula não-tóxica.Herbicidas: comportamento no solo 175 . mas com potencialidade de ativação e toxidez. Embora para a grande maioria dos herbicidas aplicados ao solo os processos de degradação mediados por microrganismos sejam mais importantes. A hidrólise representa um processo geral de reação do herbicida com a água. A estabilidade desses herbicidas sugere que a hidrólise química não é um mecanismo importante na sua degradação no solo (SHANER. por ação enzimática. Ativação: conversão. envolvendo mudanças estruturais na molécula. redução ou perda de um grupo funcional.Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação O termo biodegradação refere-se à transformação biológica de um composto químico orgânico em outra forma. pelo início de uma série de atividades degradativas que ocorrem no solo e torna-se indispensável para os processos de transformação das moléculas de herbicidas no solo. ou mais complexa. como uma oxidação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. de um substrato não-tóxico em uma molécula com ação biocida. cujos principais mecanismos envolvidos são a oxirredução e hidrólise desses compostos.Degradação química A degradação ou decomposição de herbicidas no solo por meio de reações químicas e nãobiológicas são comuns para diversas moléculas. em geral. a hidrólise química é responsável. Conjugação: quando o substrato torna-se mais complexo pela adição ou complexação com metabólicos microbianos. O pH do solo também auxilia na velocidade da reação. As imidazolinonas.2 . O fenômeno da recalcitrância (baixa degradabilidade no solo) é bastante complexo e regulado por outros fatores. Detoxificação: conversão de uma molécula tóxica em um produto menos tóxico ou atóxico. podendo se tornar recalcitrante e mais tóxico. em um produto não-tóxico e desativado. entre eles: • características estruturais do composto: quantidade de substituição e natureza do grupo introduzido no núcleo central da molécula. envolvendo várias reações seqüenciais.3 . Essa transformação pode ser primária. 1989).4 . Esse fenômeno pode ocorrer em solos extremamente secos embora seja facilitada naqueles cuja condição se aproxima da sua capacidade de campo e com temperaturas elevadas. no qual ocorre a quebra de pontes químicas das moléculas herbicidas devido à substituição de um ou mais átomos por íons hidroxil da água (OH-). Módulo 3.

• inacessibilidade do substrato às enzimas ou células microbianas capazes de promover a sua degradação. 1993). sendo um dos maiores mecanismos envolvidos na degradação de herbicidas. esse fenômeno tem sido questionado a partir de duas considerações: a primeira é de que a degradação acelerada seria resultado do aumento do número de microrganismos selecionados pelo herbicida e. representada principalmente por fungos e bactérias. diz-se que ocorreu um processo natural de adaptação metabólica. entretanto. observaram que a taxa de degradação diminui com a profundidade (VEEH et al. onde tem maiores chances de ser biodegradado.4 . Quando a biodegradação é acelerada. avaliando a degradação de pesticidas em várias profundidades.. Já Sanyal e Kulshrestha (1999) observaram a ação de diversos microrganismos na degradação acelerada de metolachlor. 1996). Hole et al. (2001) observaram a biodegradação acelerada de carbetamida por microflora adptada. sem fornecimento de energia para o seu crescimento (co-metabolismo) (MONTEIRO. os estudos ainda não permitem uma definição sobre a modificação ou atividade mircrobiana envolvida na degradação acelerada de herbicidas.Herbicidas: comportamento no solo • . mais comumente. SHELTON. a ação microbiana pode modificar a estrutura química do produto. ainda. fornecendo nutrientes. ele pode acabar tornando-se mais persistente. embora os produtos finais sejam CO2. uma vez que está menos exposto ao contato direto com a microbiota do solo. ou. como fonte de energia (metabolismo). Além disso. os processos de biodegradação podem ocorrer em função da atuação de uma ou. A rota primária de degradação das 176 Módulo 3. Vários autores. Portanto. é mais abundante nas camadas superficiais do solo. pois outros fatores ambientais precisam ser considerados na interpretação desses resultados. 1997). Alteração do espectro de toxidez: alteração no composto que provoca alteração do grupo de organismos específicos sensíveis à sua ação. • ausência de fatores de crescimento ou condições favoráveis para os microrganismos decompositores e • ausência de microrganismo(s) com capacidade metabólica (enzima) capaz de degradar o produto. de que essa degradação seria devido ao aumento da atividade enzimática com maior ação degradativa sobre esses compostos. 1996. utilizando esse composto como fonte de C e N. Mineralização: considerado sinônimo de degradação. Contudo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas desativação de sistemas enzimáticos responsáveis pelas alterações na molécula do produto no solo.. que a população microbiana. Entretanto. se um herbicida é lixiviado rapidamente da camada superficial do solo. NH3 e íons inorgânicos. Simples degradação: transformação de uma substância tóxica complexa em produtos mais simples. diminuindo com a profundidade. Diversas dessas moléculas têm sido descritas como condicionadoras da microbiota do solo para sua degradação (FELSOT. RAVELLI et al. Sabe-se. de várias espécies de microrganismos do solo. H2O. a segunda. com utilização do composto como fonte de carbono e energia. Estes microrganismos podem utilizar os herbicidas tanto como substratos.

e possui picos de absorção de luz na faixa do UV.Herbicidas: comportamento no solo 177 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas imidazolinonas. diquat. sendo a desalogenação a reação fotoquímica mais comum. Portanto. Uma reação que também ocorre a partir da substituição de um halogênio de benzeno por uma hidroxila. começa quando a molécula do herbicida absorve a energia luminosa. podem afetar a persistência dos herbicidas. uma vez que a penetração de luz UV no solo é bastante limitada. a qual depende da insaturação eletrônica. oxirredução. a oxidação. 4. vento e luz solar) podem afetar a transformação dos herbicidas tanto na água quanto no solo. possuem picos de absorção por volta de 370 nm. cultivo e irrigação. Módulo 3. disponibilidade de nutrientes. as quais podem levar à sua inativação. superfície mineral. Embora a energia solar que chega à superfície do solo na faixa abaixo de 295 nm seja considerada desprezível. a energia luminosa pode ser absorvida por uma molécula intermediária e transferida à molécula do herbicida por colisão. ou decomposição pela luz. as de maior ação sobre os herbicidas são: a hidrólise. Dentres as principais reações fotoquímicas. parece ser a microbiana. são os mesmos que os encontrados em decorrência de processos enzimáticos. triasulfuron. umidade. Geralmente a luz apresenta um papel de catalisador de reações químicas. Fatores do ambiente (temperatura. Outros exemplos de reações fotoquímicas comuns ocorrem nas bifenilas policloradas (PCBs). como hidrólise. etc. Exemplos de herbicidas que sofrem fotodecomposição incluem o trifluralin. a desalogenação. por exemplo. ou próximo disso. aeração e micro/macrofauna) e as técnicas de aplicação.. na presença de um agente nucleofílico em solução aquosa.4 . bentazon e atrazine em solução aquosa. Apenas aqueles herbicidas na ou próximos à superfície do solo ou sobre plantas serão passíveis de sofrerem fotodecomposição. particularmente sob condições de alta umidade e temperatura. clethodim. Estudos de dissipação no campo mostram a perda rápida das imidazolinonas a partir do solo. O processo de fotodecomposição. além das próprias culturas. Isso causa a excitação de elétrons e pode resultar na quebra ou na formação de ligações químicas. estado de humificação da matéria orgânica. Além disso. o comprimento de onda efetivo na fotodegradação de herbicidas pode estar fora do espectro de absorção específico do composto. Compostos amarelados. propriedades do solo (pH. é a reação fotonucleofílica de hidrólise. a isomerização e a polimerização.4 . paraquat.Fotodecomposição ou fotólise A radiação solar na faixa do ultravioleta (290-450 nm) contém energia suficiente para causar transformações químicas dos herbicidas. monuron) e em pentaclorofenóis. uréias substituídas (diuron. A maioria dos herbicidas apresenta coloração que tende ao branco. normalmente como os elétrons deslocados (cromóforos). como as dinitroanilinas. algumas vezes. e os produtos da transformação resultantes dessas reações.

DINARDI et al. a degradação química e biológica e a sorção são alguns fatores que devem ser considerados para explicar o desaparecimento dos herbicidas do solo..tem-se mostrado viável nos casos em que ocorrem condições biogeoquimicamente favoráveis e pode ser efetiva na remediação de solos e águas subterrâneas quando utilizada paralelamente a outras tecno¬logias. 1998. outros fatores podem estar envolvidos. É possível que parte das perdas esteja relacionada ao processo de fotodegradação. No entanto. como a norte-americana Phytotech e a alemã BioPlanta. acentuada pela temperatura elevada na superfície do solo. como Union Carbine. especialmente se um período prolongado de seca acontece após a aplicação. 2003).Fitorremediação Recentemente. ou isoladamente.Estruturas químicas de quatro produtos de fotodegradação do metolachlor Fonte: Kochany e Maguire (1994) 5 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considera-se que os produtos da fotodegradação sejam similares aos produzidos por processos químicos e biológicos de degradação. tem-se mostrado que a atenuação natural monitorada pode contribuir significativamente para o controle e a redução da contaminação de solos e águas subterrâneas (FURTADO.que consiste simplesmente em manejar ao longo de um certo tempo a degradação dos contaminantes que ocorre por meio de processos naturais . 178 Módulo 3. e indústrias multinacionais. A Figura 21 exemplifica as estruturas químicas de produtos de fotodegradação do metolachlor. 2005). que se beneficiam do emprego da fitorremediação em suas áreas de produção e de pesquisa (GLASS. Mais especificamente. Figura 21 .4 . A volatilização. surgiram nos EUA e em grande parte da Europa inúmeras companhias que exploram a chamada “fitorremediação” para fins lucrativos.Herbicidas: comportamento no solo . Esta alternativa . se comprovada ao longo de um período de monitoramento. Monsanto e Rhone-Poulanc. nos últimos dez anos. Herbicidas aplicados à superfície do solo são freqüentemente perdidos.

Nesses estudos. 2000).. este trabalho abordará especificamente aspectos da técnica da utilização das plantas e sua microbiota associada. mais recentemente. Módulo 3. pesquisam e exploram métodos de biorremediação. Petrobrás (2006) e Unicamp (FEA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Dentre os compostos de difícil degradação no solo. SANTOS et al. em particular bactérias. YU et al. são estimulados a degradar os contaminantes seja por utilização da molécula como fonte de nutrientes ou por co-metabolismo. eficientes na descontaminação de áreas tratadas com os herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron e que o provável mecanismo envolvido na descontaminação seja a interação da fitoestimulação e da fitodegradação. Dessa maneira. 2004. QUEROL et al. algumas empresas estatais e privadas. já se sabe que as espécies Stizolobium aterrimum e Canavalia ensiformis são. 2003. incluindo compostos químicos aplicados para as diferentes atividades agrícolas. de nutrientes e de substrato.A fitorremediação como mecanismo de biorremediação A biorremediação é o processo de remediação in situ de áreas contaminadas que emprega organismos vivos (microrganismos e plantas. os herbicidas de longo efeito residual apresentam-se como principal problema à possibilidade de contaminação de culturas plantadas em sucessão e ao problema ambiental ocasionado por sua lixiviação direta ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo. 5.. tem-se a fitorremediação (ACCIOLY. principalmente) capazes de se desenvolverem em meio contendo o material poluente. No processo de biorremediação in situ dito “tradicional”. Contudo. No Brasil. Portanto. 2003.... podendo atingir cursos de águas subterrâneas. 2005). entre elas a Embrapa (2005). microrganismos do solo. é no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Viçosa que se intensificam os estudos na área da fitorremediação de solos contaminados por herbicidas. 2004a. As condições necessárias para essa degradação incluem a existência de receptores de elétrons.. SIQUEIRA. herbicidas (PIRES et al. 2005. 2006). de ambientes contaminados por metais pesados e derivados de petróleo. solventes halogenados. bem como instituições de pesquisa.1 .Herbicidas: comportamento no solo 179 . os quais incluem a fitorremediação. o termo biorremediação é amplamente utilizado para o processo de descontaminação de ambientes por microrganismos. reduzindo-o ou até mesmo eliminando sua toxicidade. VROUMSIA et al. 2005). A técnica é bem utilizada para remediação de áreas contaminadas com metais pesados (FRANCO. b).. incluindo o desenvolvimento de vários microrganismos comprovadamente eficientes na biodegradação de alguns compostos (BELLINASO et al. 2005. principalmente. compostos nitroaromáticos e.4 . PROCÓPIO et al. Quando se trata da descontaminação pela utilização de plantas isoladas ou estimulando a microbiota associada às suas raízes. comprovadamente. visando a descontaminação de ambientes (fitorreme¬diação) que apresentam resíduos de herbicidas em quantidade suficiente para causar interferência negativa nas diferentes atividades agrícolas ou comprometer a sustentabilidade ambiental. A pesquisa referente à biorremediação (biodegradação) de áreas contaminadas por herbicidas é relativamente ampla e já bem consolidada.

SCHNOOR. que algumas espécies exibem a determinados compostos ou mecanismos de ação. 2000. Esse fato é de ocorrência comum em espécies agrícolas e daninhas. como a capacidade de metabolização do herbicida a um composto não-tóxico (ou menos tóxico) à planta e ao ambiente. ou remoção física da camada contaminada. 180 Módulo 3. e • apresentam complexidade de análise diante das constantes transformações a que estão sujeitos. contaminado com o tebuthiuron. ANDERSON. volatilizados. hidrocar¬bonetos de petróleo. solventes clorados e subprodutos tóxicos da indústria (CUNNINGHAM et al. COATS. Em trabalho realizado por Pires et al. e em solos não vegetados. 1994. PERKOVICH et al. 2003. Em trabalho realizado por Arthur et al.. CUNNINGHAM et al. no caso. um importante mecanismo de diminuição do herbicida por ação do fitorremediador parece ser a fitoestimulação. de 193 dias. devem ser consideradas para o emprego da fitorremediação em áreas contaminadas por herbicidas: • são contaminantes orgânicos que apresentam diversidade molecular. 2004. a aptidão rizosférica para a biorremediação desses compostos. agrotóxicos. como metais pesados. especialmente menos fitotóxicos. SIQUEIRA. SANTOS et al. conhecido como fitodegradação. 1996).Herbicidas: comportamento no solo . como bombeamento e tratamento. entre outros. A utilização da fitorremediação para descontaminação de ambientes com resíduo de herbicidas é baseada na seletividade. combinados e/ou ligados a tecidos das plantas (compartimentalização) (ACCIOLY. natural ou desenvolvida.. a meia-vida do atrazine foi de 50 dias. duas limitações. principalmente atrazine e metolachlor (ANDERSON et al. 2001). aterrimum. 1996. ensiformis e S. promovido pela liberação de exsudatos radiculares. Apesar das facilidades observadas. 1996). entre outras. constatou-se que. Contudo. tolerantes a certos herbicidas. explosivos. (2005). comparado ao solo não vegetado. o contaminante.. podem ainda sofrer parcial ou completa degradação ou ser transformados em compostos menos tóxicos. SCRAMIN et al. no caso herbicida. Citam-se ainda outros mecanismos. apresentou maior atividade microbiana. (2000). as plantas. foi comprovado que o solo proveniente da rizosfera de diversas espécies de leguminosas. 1996. BURKEN.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quando comparada com técnicas tradicionais. 2005). elementos contaminantes. 1995. Apesar de ser utilizada em solos contaminados com substâncias orgânicas ou inorgânicas. principalmente por sua eficiência na descontaminação e pelo baixo custo (PERKOVICH et al. entre elas C. em solos rizosféricos de Kochia scoparia. só recentemente tem-se apresentado como promissora técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas residuais (PIRES et al. Outros trabalhos relatam a contribuição das plantas.4 . em algumas plantas. 1996). a fitorremediação tem sido considerada vantajosa.. estimulando o efeito rizosférico na aceleração da mineralização de alguns herbicidas. subseqüentemente. PROCÓPIO et al. que atuam degradando o composto no solo. o que caracteriza.. é desenvolvido como agente para o controle do descontaminante... A seletividade deve-se ao fato de que os compostos orgânicos podem ser translocados para outros tecidos da planta e.. na qual há o estímulo à atividade microbiana..

Dos componentes da matéria orgânica do solo.5 a 3.. as pesquisas devem direcionar esforços para obtenção de melhores resultados para as áreas contaminadas com os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo. por exemplo. apesar de ter valores de pH mais altos que 6.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Segundo Burken e Schnoor (1996). incrementam-se também a biomassa e atividade microbiana e a biotransformação das moléculas dos herbicidas no solo (WEED et al. Compostos que são mais hidrofóbicos. Para certas características das plantas e condições ambientais.1. Para atrazine verificou-se que sua mineralização aumentava rapidamente com o aumento do pH (HOUOT et al.1. com valores de Log Kow < 2. o produto químico deve passar pelo simplasto da endoderme. as substâncias húmicas são relatadas como as principais responsáveis pela sorção de herbicidas (PUSINO et al. Em revisão feita por Pires et al. 1997). a absorção radicular de xenobióticos da água (em solução) está diretamente relacionada ao logaritmo do coeficiente de partição octanol-água (Kow) do composto. a matéria orgânica constitui o principal contribuinte para a CTC. 2000). Módulo 3. conseqüentemente. 1992. Maior conteúdo de matéria orgânica reduz as amplitudes de variação da temperatura e umidade do solo. o conteúdo de argila. além do mecanismo de ação. a absorção de compostos orgânicos. além dessa característica. (1982). Compostos que são menos hidrofóbicos. é sabido que valores de pH fora da faixa de neutralidade comprometem a atividade da microbiota do solo prejudicando diretamente os processos de fitorremediação..1. interferem ainda a constante de acidez (pKa) e a sua concentração (ALKORTA. 2001). como.. de baixa reatividade (caulinita). o fluxo transpiratório. Dessa maneira. ligam-se às membranas lipídicas das raízes antes de entrarem no xilema. (1996) estudaram a degradação de isoproturon. Outras propriedades do solo podem intervir na fitorremediação e.. logo. no papel eficiente das plantas.. REDDY et al.Herbicidas: comportamento no solo 181 . (2003a) e de acordo com Brigss et al. fundamental para promover o carreamento do herbicida absorvido para a parte aérea das plantas. não passam através das membranas lipídicas associadas com as camadas da epiderme das raízes. persistência e concentração do herbicida. como os herbicidas. levando à fitodegradação. Além disso.0. sendo maior a absorção quando o valor de Log Kow é de 2. CELIS et al. 2000). pelas plantas é afetada pelas propriedades químicas do composto. pelas condições ambientais e pelas características da espécie vegetal. Todavia. 1995. Walker et al. Solos com alto conteúdo deste mineral apresentam reduzida mineralização de atrazine.1 (PIRES et al. diuron e metsulfuron-metil na solução do solo e na fração adsorvida em dois tipos de solos e encontraram que a meia-vida destes produtos foi menor em solução que na fração adsorvida. 2003). ampliando dessa forma. Para ser translocado. é maior quando o Log Kow do pesticida varia de 0.5 (HOUOT et al. os efeitos benéficos nos processos de fitorremediação de herbicidas.4 . Essa ligação ou exclusão leva a menor fluxo transpiratório sob valores de Log Kow que se distanciam de 2. com exceção do diuron em um dos solos. Nas condições tropicais em que os solos são altamente intemperizados com predomínio de óxidos e hidróxidos de Fe e Al e argilas silicatadas 1:1. com Log Kow > 2... 1995). vários outros fatores poderão influenciar a capacidade descontaminadora de espécies vegetais em programas de fitorremediação. GARBISU.

Mesmo sendo recomendado em concentrações baixas (em torno de 7. é de aproximadamente oito meses. existindo uma conscientização dos problemas ambientais ou de saúde que podem ocorrer devido à má utilização desses compostos químicos (SANTOS et al. 2005). 2005). podendo atingir lençóis subterrâneos e se mover para outros ambientes com provável contaminação de outros ecossistemas.Problemas relacionados aos herbicidas residuais Atualmente. apresentam considerado efeito residual no solo.4 .. BOVEY. 2005. principalmente em sistemas agrícolas que necessitam utilizar esses produtos no manejo integrado de plantas daninhas (JAKELAITIS et al.5 g ha-1) (RODRIGUES. SANTOS et al. tomate.. entre outras (RODRIGUES.1984). como algodão. quando simulada a reunião de todas as condições ambientais que favoreçam sua persistência (EMMERICH et al. que é utilizado em mistura com o ametryn na cultura da cana-de-açúcar ou puro na cultura do algodão em pós-emergência inicial. batata. 2005). portanto. as propriedades procuradas em um herbicida são sua pronta degradabilidade. ALMEIDA. podendo chegar a até três anos o intervalo para o plantio de culturas sensíveis.2 . eficiência em doses baixas. soja. apresenta problemas de carryover na cultura do feijão cultivado em seqüência. é essencial conhecer o tempo total necessário para a 182 Módulo 3. Áreas contami¬nadas por estes e outros herbicidas persistentes no solo são prioritárias nos programas de fitorremediação. Sua persistência no solo pode variar de 11 a 14 meses em Latossolo Vermelho-Amarelo em lavouras de cana-de-açúcar (BLANCO. OLIVEIRA. apresenta longo período residual. a contar da data de sua aplicação. 1987) de 15 a 25 meses em solo argiloso (MEYER. para o plantio de culturas sensíveis. 1988) ou mesmo estender-se por mais de sete anos. Também o tebuthiuron.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5. os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo proporcionam a ocorrência de toxicidade em culturas sensíveis (carryover) plantadas após sua utilização. 1999). ALMEIDA. Contudo.este herbicida apresenta elevada mobilidade em solos com baixos teores de argila e de carbono orgânico. Mesmo possibilitando o controle efetivo de plantas daninhas por um período de tempo maior. como picloram e imazapyr. 2005).Herbicidas: comportamento no solo . o período de espera. Outros herbicidas. sendo. Além disso. Problemas resultantes dos processos de poluição e degradação dos recursos naturais por herbicidas têm recebido atenção especial. especificidade e baixa toxicidade para os organismos não-alvos.. Existe ainda o impacto ambiental negativo ocasionado pela lixiviação dessas moléculas ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo. feijão e soja quando cultivadas até dois anos após a sua aplicação. que é recomendado para uso em pré-emergência na cultura da canade-açúcar. Produtos como o trifloxysulfuron-sodium. fonte potencial para contaminação de aqüíferos. causando intoxicação às culturas de amendoim. principalmente como resultado de aplicações seqüenciais ao longo dos anos na mesma área (CERDEIRA. reduzindo com isso o número de aplicações. para que se obtenha resultados satisfatórios..

• sistema radicular profundo e denso. Dessa forma.. de clima quente ou frio. como sugerido por Miller (1996). Módulo 3. a espécie vegetal ideal para remediar um solo contaminado por herbicidas seria uma cultura de alta produção de biomassa. VOSE et al. aquela que for selecionada deve reunir o maior número delas. visando efetivar e diminuir o tempo de descontaminação. evitando sua manipulação e disposição. • fácil aquisição ou multiplicação de propágulos. pedregoso. PIRES et al. 1994. Em essência. Outro aspecto a ser observado é que. concentração e/ou metabolização e tolerância ao herbicida. ao mesmo tempo ou subseqüentemente.4 . embora a maioria dos testes avalie plantas isoladas. 2000. • fácil controle ou erradicação. O ideal seria reunir todas essas características numa só planta. com elevada umidade. • alta taxa de crescimento e produção de biomassa. • retenção do herbicida nas raízes. SIQUEIRA. entre outros fatores.Estratégias para o sucesso da fitorremediação O sucesso no emprego da fitorremediação como técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas depende da natureza química e das propriedades do composto.. daí a necessidade do conhecimento de estratégias que acelerem o processo de remediação. especialmente em árvores e plantas perenes. solo seco. além da aptidão ecológica da espécie vegetal a ser empregada. no caso da fitoestabilização.Herbicidas: comportamento no solo 183 . NEWMAN et al.3 . várias espécies podem. a técnica pode apresentar algumas limitações de aplicação. • resistência a pragas e doenças. • fácil colheita.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas descontaminação. PERKOVICH et al. as vezes é muito longo. CUNNINGHAM et al. • elevada taxa de exsudação radicular. 1996... porém. Com base nas análises apresentadas por diversos autores (FERRO et al. a escolha de plantas que apresentem tolerância ao herbicida é o primeiro passo na seleção de espécies potencialmente fitorremediadoras. que tanto pode tolerar como acumular o produto.. 1998. como oposto à transferência para a parte aérea. sendo importante ressaltar algumas delas. algumas características devem ser consideradas na escolha da espécie vegetal a ser utilizada em programas de remediação de áreas contaminadas por herbicidas: • capacidade de absorção. e • capacidade de desenvolver-se bem em ambientes diversos. além dos procedimentos para o correto emprego da técnica. para promoverem maior descontaminação. • capacidade transpiratória elevada. São conhecidas espécies que se desenvolvem bem em todos os ambientes. ACCIOLY. 1996. ser usadas em um mesmo local. que.. Dessa forma. quando necessária a remoção da planta da área contaminada. 5. 2003). 2000.

após o período de remediação. algumas especies vegetais utilizadas como cobertura do solo foram selecionadas (Figura 22). Em outro trabalho. (2005) verificaram que. Também Pires et al. após a seleção de diversas espécies vegetais. das várias espécies testadas tolerantes ao herbicida tebuthiuron. Belo et al. SANTOS et al. aterrimum e C. b. 2004b). possibilitou maior eficiência no processo de remediação por essas leguminosas. visando a seleção de espécies vegetais com potencial para emprego em programas de fitorremediação de herbicidas (PIRES et al. provavelmente. as leguminosas C. feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) e mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) promoveram a fitorremediação de solo contaminado pelo herbicida trifloxysulfuron-sodium. destacando-se a mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) e o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (Figura 23). aterrimum da área contaminada com trifloxysulfuron-sodium. (2006) observaram que o solo proveniente da rizosfera de S. evidenciada pelo maior desprendimento de dióxido de carbono. comprovando a eficiência na descontaminação. Nos trabalhos realizados por Procópio et al. PROCÓPIO et al. Santos et al. Além dos fatores mencionados. 2005. aterrimum promoveu maior descontaminação da área tratada com trifloxysulfuron-sodium.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nos trabalhos realizados até o momento no Brasil. apresentou maior atividade microbiana.4 . Procópio et al. ensiformis. possibilitando o posterior desenvolvimento de plantas de milho e feijão. além de melhorar o desenvolvimento das espécies vegetais S. 2004.. comparado ao mesmo solo não tratado com o herbicida. evidenciando a contribuição da microbiota no processo de descontaminação. 184 Módulo 3. tratado com o trifloxysulfuron-sodium. a fitoestimulação da microbiota associada à rizosfera (PROCOPIO et al. ensiformis e Lupinus albus possibilitaram o pleno desenvol¬vimento de Avena strigosa. 2005b. Essas culturas são sensíveis à presença desse herbicida (RODRIGUES. outros mecanismos podem ser implementados no programa de fitorremediação visando maior eficiência no processo. aterrimum. (2006) constataram que a adição de composto orgânico ao solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron. sendo. ensiformis e S. 2003a. 2005). indicando que o produto pode estar sendo degradado internamente nos tecidos (fitodegradação) ou inativado por outros mecanismos rízosféricos. 2006). utilizada como bioindicadora da presença do herbicida.Herbicidas: comportamento no solo . (2004).. não interferiu no desenvolvimento posterior de plantas de feijão. semelhante ao solo isento do herbicida (Figura 24). ALMEIDA. a permanência ou retirada da parte aérea das plantas de C... (2005) verificaram que o aumento da densidade populacional de S.

o programa deve envolver.5 e 15. (2004) Para Accioly e Siqueira (2000). amenizantes como a matéria orgânica do solo.Herbicidas: comportamento no solo 185 . em solos contaminados pelos herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron Figura 24 – Desenvolvimento de plantas de milho e de feijão em solo tratado com o herbicida trifloxysulfuron-sodium (0. além do emprego de plantas e sua microbiota associada. posteriormente cultivado (B) ou não (A) com mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). associados às práticas agronômicas. agiriam em conjunto.0. 7. removendo. os quais. para o sucesso da fitorremediação. visando a remediação Fonte: Procópio et al. imobilizando ou tornando os contaminantes inofensivos ao ecossistema. Módulo 3. visando a fitorremediação de solos contaminados por esses herbicidas Figura 23 – Desenvolvimento de mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) (A) e feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (B).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 22 – Etapa de seleção de espécies vegetais tolerantes ao trifloxysulfuron-sodium e ao tebuthiuron.0 g ha-1) (não-seletivo a essas culturas).4 .

sendo comumente detectado após um ano. KHAN. O tema cresce em complexidade na medida em que se tenta selecionar espécies vegetais que apresentem.4 . GLASS. que visam o menor impacto negativo ao ambiente. além da capacidade remediadora. Entre os herbicidas. principalmente em solos brasileiros. retenção e transformação que ocorrem com as moléculas representa a capacidade de contaminação e persistência destas no meioambiente. com o objetivo de prevenir quanto aos possíveis distúrbios ambientais provocados por esses compostos. podendo ser utilizada como fertilizante. e uma abordagem detalhada da sua dinâmica seria difícil diante dos diversos interferentes relacionados ao seu comportamento. 1993. ALMEIDA. depende do somatório de diversos processos envolvidos.Considerações finais O comportamento de herbicidas no ambiente. Contudo. outros benefícios para o agricultor. como o picloram e outros. 2005). os quais são responsáveis pelo destino final desses compostos. essa técnica é 186 Módulo 3. dos fatores climáticos envolvidos e dos mecanismos de interação herbicida–ambiente nem sempre representa o comportamento constatado em condições naturais a campo. o atrazine oferece elevado risco de contaminação de aqüíferos. 1998). havendo possibilidades de reciclagem da biomassa produzida. e até proteínas para usos em rações (DINARDI et al. devido às suas características físico-químicas. a fitorremediação surge como opção para o tratamento eficiente de solo e água contaminados por herbicidas de difícil decomposição nesses ambientes. nos programas de fitorremediação de herbicidas. geração de energia. Contudo. Em se tratando de ambientes aquáticos. baixa pressão de vapor. 1986). além da possibilidade de inoculação de microrganismos junto à semeadura das plantas. O que se observa é que o conhecimento teórico das propriedades dos compostos do solo. por perturbarem menos o ambiente. ração animal. 6 . absorção moderada à matéria orgânica e argila.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Manejo da irrigação. principalmente no solo. Este herbicida apresenta alta persistência no solo. solubilidade de baixa para moderada em água (RODRIGUES.Herbicidas: comportamento no solo . graças à atual preocupação na viabilidade das técnicas integradas de manejo. incremento na população e número de espécies vegetais. espera-se maior aceitação de métodos de descontaminação in situ. hidrólise lenta. Nessa área. Além disso. como papel. apesar de já ser bem conhecido o processo de biodegradação do atrazine por diversos microrganismos (BEKHI et al. 2005). O resultado dos processos de transporte. o sucesso do tratamento empregando planta aquáticas vai além do baixo custo.. poucos são os trabalhos que apontam soluções para fitorremediação deste composto em ambientes aquáticos (MARCACCI. Esse fato denota a importância de pesquisas. alto potencial de escoamento. fabricação de diversos produtos. 2003. são pesquisas já iniciadas e fornecerão dados para maior eficiência nos processos de descontaminação de áreas que apresentam resíduos de outros herbicidas comprovadamente persistentes no ambiente. BEKHI.

torna-se possível sua utilização com eficiência técnica e econômica. comparada a outros processos de descontaminação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas relativamente barata. podendo ser aplicada a grandes áreas. a identificação dos problemas de contaminação e as opções de recuperação do ambiente afetado.4 . quando todos os fatores envolvidos interagem. As implicações são claras: entendendo como os herbicidas e outros pesticidas aplicados ao solo se comportam.Herbicidas: comportamento no solo 187 . Embora o tema seja muito abrangente. Módulo 3. este é. sem dúvida. um dos motivos pelo qual deve ser mais estudado.

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192 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; PROCÓPIO, S. O.; CECON, P. R.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A. Seleção de plantas tolerantes ao tebuthiuron e com potencial para fitorremediação. Revista CERES, v. 50, n. 291, p. 583-594, 2003b. PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; QUEIROZ, M. E. L. R.; PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A.; CECON, P. R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de tebuthiuron. Planta Daninha, v. 21, n. 3, p. 451-458, 2003a. PIRES, N. M.; OLIVEIRA JR., R. S.; PAES, J. M. V., SILVA, E. Avaliação do impacto ambiental causado pelo uso de herbicidas. Viçosa, MG: Sociedade de Investigações Florestais, 1995. 22 p. (Boletim Técnico SIF, 11). PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A. A.; SANTOS, E. A. Fitorremediação de solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium por mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). Planta Daninha, v. 23, n.4, p. 719-724, 2005a. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A.A.; SANTOS, E. A.; CARGNELUTTI FILHO, C. Development of bean plants in soil contaminated with the herbicide trifloxysulfuron-sodium after Stizolobium aterrimum and Canavalia ensiformis cultivation. Crop Protection, 2006 (em fase de publicação) PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A. Potencial de espécies vegetais para a remediação do herbicida trifloxysulfuronsodium. Planta Daninha, v. 23, n. 1, p. 9-16, 2005b. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A.; FERREIRA, L .R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de solos contaminados com o herbicida trifloxysulfuron sodium. Planta Daninha, v. 22, n. 2, p. 315322, 2004. PUSINO, A. et al. Influence of organic matter and its clay complexes on metolachlor adsorption on soil. Pesticide Science, v. 36, p. 283-286, 1992. QUEROL, X.; ALASTUEY, A.; MORENO, N.; ALVAREZ-AYUSO, E.; GARCÍA-SÁNCHEZ, A.; CAMA, J.; AYORA, C.; SIMÓN, M. Immobilization of heavy metals in polluted soils by the addition of zeolitic material synthesized from coal fly ash. Chemosphere, v. 62, n. 2, p. 171-180, 2006. RAVELLI, A.; PANTANI, O.; CALAMAI, L.; FUSI, P. Rates of chlorsulfuron degradation in three Brazilian soils. Weed Res., v. 37, p. 51-59, 1997. REDDY, K. N. et al. Chlorimuron adsorption, desorption and degradation in soils from conventional tillage and no-tillage systems. Journal of Environmental Quality, v. 24, p. 760 767, 1995. ROBERTS, T. R. Assessing the environmental fate of agrochemicals. J. Environ. Sci. Health, B, v. 31, n. 3, p. 325-335, 1996. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR, 2005. 648 p. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR: Grafmarke, 2005. 591 p.
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 193

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194 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Leandro Vargas Profº. Evander Alves Ferreira

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
196 Módulo 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas

3 – Compartimentalização. 209 7 . 214 10.Inibidores de ACCase.2 – Metabolização.Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.2 . 213 10.7 – Triazinas. 204 5 . 200 1.Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas. 213 10.Como confirmar a resistência.1 . 208 5. 215 10. 215 10.Diagnóstico da resistência a campo. 231 Módulo 3.Herbicidas: resistência de plantas 197 . 203 4 . 202 3 .5 .Variabilidade genética. 229 16 .Derivados da glicina. 225 15 .Comentários finais. 210 8 .Fatores que favorecem o surgimento da resistência.4 .A resistência de plantas daninhas no Brasil.Evolução da resistência.Resistência cruzada.Inibidores de ALS.1 – Auxinas.4 – Dinitroanilinas. 209 6 .Como evitar a resistência. 214 10.Pressão de seleção.Culturas transgênicas. 230 Referências bibliográficas. 198 1 .1 .Resistência múltipla.Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate. 201 1.Mecanismos que conferem resistência. 200 1.6 . 225 14.5 .Absorção e translocação.Alteração do local de ação.Características da resistência por grupos herbicidas.8 . 201 1.2 – Bipiridílios. 218 11 . 218 12 . 211 9 .Uréias/amidas. 202 2 .Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida. 216 10. 208 5. 219 13 . 212 10 .3 . 217 10. 221 14 .1 .Manejo da resistência a herbicidas.

Na atualidade. Destes biótipos. 1998a). os demais métodos de controle têm sido deixados de lado.6% aos inibidores da ACCase. 11. A constatação da resistência de plantas daninhas aos herbicidas começou em 1957 com a identificação de biótipos de Commelina difusa. 1998).9% às triazinas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O controle de plantas daninhas com uso de herbicidas é prática comum na agricultura mundial.1% às auxinas sintéticas. O uso repetido de um herbicida exerce uma pressão de seleção que leva ao aumento do número de indivíduos resistentes na população. principalmente por grandes agricultores. hoje está se tornando prática comum até entre os pequenos. 7. com resistência a triazinas.Herbicidas: resistência de plantas . e Daucus carota. Já em 1970. no Canadá. várias outras espécies. Esses biótipos pertencem a 171 espécies e estão distribuídos em 59 países. em diferentes países (RADOSEVICH. devido a uma mutação nos cloroplastos (RADOSEVICH et al. 28. possui custo atrativo. Depois disso. O largo uso de herbicidas deve-se.5% às dinitroanilinas e os 198 Módulo 3. No que se refere aos defensivos agrícolas. 3. Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES. 1979). Dessa maneira. Em conseqüência. está prontamente disponível e profissionalmente desen¬volvido. 1997). Estudos posteriores demonstraram que esta espécie era resistente a todas as triazinas. e a tendência de uso desses compostos é de aumento. no estado de Washington (EUA). principalmente. ao fato de que o controle químico tem sido eficiente. foram descritas em gêneros como Amaranthus e Chenopodium. o Brasil é um dos maiores mercados do mundo.7% aos bipiridílios. havia mais de 100 espécies reconhecidamente resistentes em aproximadamente 40 países (HEAP. foram descobertos biótipos de Senecio vulgaris resistentes a simazine (RYAN. Uma das conseqüências do uso indiscriminado desses métodos tem sido o desenvolvimento de muitos casos de resistência a tais compostos por diversas espécies daninhas. ALMEIDA. Muitos outros casos foram relatados em diferentes locais do mundo e. há aproximadamente 284 biótipos de plantas daninhas que apresentam resistência a um ou mais mecanismos herbicidas (Quadro 1). 1977) Em menos de 30 anos. onde os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF 2005). resistentes a herbicidas pertencentes ao grupo das auxinas (WEED SCIENCE. 1970).5 . 7% às uréias e amidas.9% resistem aos herbicidas inibidores da ALS. 2005). a população de plantas resistentes pode aumentar até o ponto de comprometer o nível de controle (HRAC. 8. sendo o quinto no "ranking" de vendas de agrotóxicos. os agricultores depositam confiança excessiva no controle químico das plantas daninhas. uma vez que essa tecnologia. nos Estados Unidos. 22. após o primeiro caso de resistência. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores.. atualmente.

5 . já que. neste caso. 12%. citado por HRAC (2004) Grupo de herbicida Mecanismo de ação Total ocorrência 82 65 33 22 23 20 10 8 4 6 2 7 284 Módulo 3. se deve à alta especificidade. Isso ocorre para diversos biótipos de grande ocorrência em diversas partes do mundo tornando cada vez mais difícil e oneroso o controle desses biótipos. são dois ou mais os mecanismos que precisam ser substituídos. 13%.4-D Uréias e amidas Inibição da fotossíntese no FS II Chlorotoluron Dinitroanilinas e outros Inibição da formação dos microtúbulos Trifluralin Inibição da síntese de lipídios – não da Thiocarbamatos e outros Trialate ACCase Triazoles. uréias e Branqueamento – inibição da Amitrole isoxazolidionas biossíntese de carotenóides Glicinas Inibição da EPSP sintase Glyphosate Inibição da divisão celular (inibição de Butachlor Chloracetamidas ácidos graxos de cadeias longas) Outros Diversos Diversos Total de biótipos de plantas daninhas observados no mundo Fonte: Adaptado de Retzinger.Herbicidas: resistência de plantas 199 . benzotiadiazinas e ftalimidas. e os demais mecanismos somavam 8%. As razões do não-surgimento de plantas daninhas resistentes. apesar do longo tempo de introdução no mercado. não são claras. aos auxínicos. das triazinas e existentes atualmente. Quadro 1 – Ocorrência de biótipos de plantas daninhas resistentes a diferentes grupos herbicidas Exemplo de herbicida Inibidores da ALS Inibição da acetolactato sintase (ALS) Clorsulfuron Inibidores do Fotossistema Inibição da fotossíntese no Atrazine II fotossistema II Inibição da acetil carboxilase Inibidores da ACCase Diclofop-methyl (ACCase) Bipiridílios Aceptores de eletrons do FSI Paraquat Auxinas sintéticas Ação semelhante ao ácido indolacético 2.3% restantes aos demais grupos de herbicidas. porém acredita-se que esteja relacionado com o seu modo de ação. aos bipiridílios. até o momento. restringindo esta prática a outros métodos menos eficientes. à eficiência e à grande área onde são empregados. Não foram encontradas citações de plantas daninhas resistentes aos herbicidas perten¬centes aos grupos ariltriazolinonas. Essas proporções mudaram com a introdução no mercado dos novos grupos herbicidas inibidores de ALS e ACCase. Assim. o controle dos biótipos resistentes com uso de herbicidas é seriamente comprometido. A ocorrência de resistência múltipla agrava ainda mais o problema. princi¬palmente quando não existe ou existem poucos herbicidas alternativos para serem usados no controle dos biótipos resistentes. Em 1983. 67% dos casos de resistência documentados eram de biótipos resistentes às triazinas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. Acredita-se que o maior número de biótipos resistentes aos herbicidas dos grupos inibidores de ALS. a estes grupos de herbicidas. A resistência de plantas daninhas a herbicidas assume grande importância.

A ocorrência de erros na replicação ou transcrição da fita do DNA. Se o aminoácido alterado for o ponto ou um dos pontos de acoplamento de uma molécula herbicida. formando o RNA mensageiro (RNAm).. Na tradução do RNAm. multiplicação do material genético. a maioria delas é deletéria e a evolução só é possível porque algumas delas podem ser benéficas em determinadas situações (SUZUKI et al. A mutação é um processo biológico que vem ocorrendo desde que há vida no planeta. A probabilidade de ocorrer erros na replicação do DNA. A seqüência linear de nucleotídios em um gene determina a seqüência linear de aminoácidos de uma proteína (SUZUKI et al. 1992). a probabilidade de as suas características cinéticas serem modificadas é grande. a possibilidade de erro.1 . 1992). A alteração de uma base nitrogenada. longas e específicas seqüências de bases nitrogenadas. mesmo remota. contudo. resultando em uma proteína mutante. O DNA é um cordão de genes (SUZUKI et al.Mecanismos que conferem resistência 1. Os genes. são responsáveis pela codificação das proteínas. mutação de ponto. Os erros de replicação e as lesões espontâneas geram a maior parte das mutações por substituição de base e mudança da matriz de leitura (SUZUKI et al. Caso ele componha o centro ativo da enzima. entretanto. 1992).. 1992). serão repassadas aos seus descendentes. que é a cópia do DNA pela enzima DNA polimerase.5 . A atividade da enzima pode ou não ser modificada.. deleção ou substituição de uma base nitrogenada podem alterar um ou mais aminoácidos da proteína a ser formada. existe. na tradução do RNAm.Alteração do local de ação As informações genéticas de um organismo estão contidas em seu material genético (DNA). este produto 200 Módulo 3. afirmando que são “aquelas mudanças bruscas hereditárias que alteram a atividade. As etapas para produção de uma proteína são a transcrição. 1992). e a tradução do RNAm com a montagem da proteína pelo ribossomo... estando na dependência de qual aminoácido foi alterado. porém não a posição do gene individualmente” (BREWBAKER.. teoricamente. cada trinca de bases nitrogenadas codifica um aminoácido que comporá a futura proteína. e cai para 10-9 pela ação das enzimas reparadoras (SUZUKI et al. O DNA é uma dupla hélice formada por bases nitrogenadas púricas (adenina e guanina) e pirimidicas (timina e citosina) que formam os genes. A grande maioria das alterações que ocorrem no DNA. Biótipos resistentes podem ocorrer em uma população de plantas daninhas como resultado de mutações que provocam alterações no local de ação do herbicida (BETTS et al. e a ocorrência de mutações que provoquem inserção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . é preferível restringir.Herbicidas: resistência de plantas . 1969). Mutação foi definida por De Vries como mudanças repentinas e hereditárias. 1992). pode originar uma enzima com características funcionais distintas ou não da original. durante o crescimento do indivíduo é de cerca de 10-4. que não provoquem a morte do indivíduo.

Metabolização A planta resistente possui a capacidade de decompor. Acredita-se que os herbicidas não sejam capazes de provocar mutações. antes de serem lançados no mercado. e a planta torna-se resistente àquele herbicida e a outros que se ligam da mesma forma àquela enzima. podem provocar mutações no DNA. (1991). Fontes externas de radiação.. 1969). tornando-a não-tóxica. 1. se o herbicida possuir mais de um mecanismo de ação. A luz ultravioleta e o oxigênio são mutagênicos (BREWBAKER. A resistência de Arabidopsis thaliana às imidazolinonas se deve à alteração de um aminoácido da enzima ALS. 1. Logicamente que. conforme relatam Sathasivan et al. Desse modo. devido a uma ou mais alterações na estrutura deste local. como o vacúolo (ex. que a mutação possa ocorrer por ação de algum herbicida ou outro defensivo agrícola (KISSMANN. um herbicida que anteriormente era eficiente em inibir uma determinada enzima deixa de ter efeito sobre esta. Como exemplo. ou é removida das partes metabolicamente ativas da célula e armazenada em locais inativos. ou. a não ser que ela apresente outros mecanismos de resistência. têm-se plantas daninhas resistentes aos inibidores de ALS.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pode perder a atividade inibitória sobre esta nova enzima. em uma população de biótipos resistentes ocorrem diferentes níveis de resistência ou de susceptibilidade. 1992).Herbicidas: resistência de plantas 201 . são avaliados quanto à sua capacidade mutagênica.5 .Compartimentalização A molécula é conjugada com metabólitos da planta.2 . Contudo. e é muito improvável. ou seja. tipo de molécula e. que podem estar relacionados com o tipo de mutação ocorrida.3 . Alteração do local de ação significa que a molécula herbicida diminui sua capacidade de inibir esse ponto. Esse é o mecanismo de tolerância a herbicidas apresentado pela maioria das culturas. Módulo 3. como é o caso da resistência de Lolium rigidum a triazinas e inibidores de ACCase. como o sol. Uma pequena alteração no polipeptídio pode resultar em um grande efeito sobre a afinidade com a molécula herbicida (BETTS et al. a planta pode morrer pela ação do(s) outro(s) mecanismo(s). o tipo de mecanismo que está proporcionando a resistência.: plantas resistentes ao paraquat). Não há evidências. a molécula herbicida. 1996). mais rapidamente do que plantas sensíveis. tornando-se inativa. resistência múltipla. já que estes produtos. com as formas alélicas do gene.

Esses mecanismos podem. A resistência cruzada conferida pelo local de ação ocorre quando uma mudança bioquímica. toleram mais ou menos um determinado herbicida. e a resistência múltipla. Desse modo. Por outro lado. no ponto de ação de um herbicida. que agem no mesmo local na planta (POWLES. naturalmente. também confere resistência a outras moléculas de diferentes grupos químicos.4 . a resistência é a capacidade adquirida de alguns biótipos. controlam os membros da população. sob condições normais. mesmo que pertencentes a diferentes grupos químicos. Já a tolerância é uma característica inata de uma espécie. Assim. A resistência pode ser cruzada ou múltipla. Uma planta é sensível a um herbicida quando o seu crescimento e desenvolvimento são alterados pela ação do produto. mesmo sofrendo injúrias. devido a apenas um mecanismo de resistência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. A resistência pode ocorrer naturalmente (seleção) ou ser induzida com uso de técnicas de engenharia genética.Absorção e translocação A absorção e a translocação são alteradas e. a quantidade de herbicida que atinge o local de ação é bastante reduzida. assim. A resistência cruzada ocorre quando um biótipo é resistente a dois ou mais herbicidas. A resistência cruzada não confere. Também podem existir variações no nível de resistência cruzada dos biótipos a herbicidas de grupos diferentes. uma planta sensível pode morrer quando submetida a uma determinada dose do herbicida. cultura de tecidos ou de agentes mutagênicos. quando as plantas resistentes possuem dois ou mais mecanismos distintos que conferem resistência. de sobreviver a determinados tratamentos herbicidas que. Biótipos de Lolium rigidum e Kochia scoparia. que possuem resistência cruzada a herbicidas inibidores de ALS. não chegando a ser suficiente para controlar a planta (ex. apresentam 202 Módulo 3. são resistentes a herbicidas de diferentes grupos químicos e com diferentes mecanismos. isoladamente ou associados.Herbicidas: resistência de plantas . necessariamente. uma planta daninha pode ser sensível. 1998). proporcionar tolerância ou resistência a herbicidas. em que as plantas são capazes de sobreviver e se reproduzir após o tratamento herbicida.Resistência cruzada A resistência cruzada pode ser conferida a um biótipo por qualquer dos mecanismos que conferem resistência. Em uma população de plantas vão existir aquelas que. de uma população de plantas. PRESTON. 2 . assim.: plantas resistentes aos bipiridílios).5 . tolerante ou resistente a um herbicida. Relaciona-se com a variabilidade genética natural da espécie. resistência a herbicidas de todos os grupos químicos que possuem o mesmo local de ação.

de forma semelhante à que ocorre na cultura do trigo. é exemplificada por biótipos de Lolium rigidum. dois ou mais mecanismos conferem resistência à apenas um herbicida ou a um grupo de herbicida. Já os casos mais complexos são aqueles em que dois ou mais mecanismos conferem resistência à diversos herbicidas de diferentes grupos químicos. devido à rápida metabolização da molécula por arilhidroxilação catalisada pelo Cyt P450 monoxigenase. PRESTON. que resistem a 15 herbicidas diferentes. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. A resistência cruzada. Biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. Acredita-se que as moléculas não-metabolizadas sejam imobilizadas ou armazenadas de forma a evitar sua ação sobre a enzima. aumento da taxa de metabolismo dos herbicidas (POWLES. As mutações já analisadas mostram substituição. Isso se deve a pequenas diferenças de ligação entre a enzima e a molécula herbicida e a diferentes mutações que ocorrem no gene que codifica a enzima ALS (POWLES. Para controlar estas plantas daninhas. A conjugação da molécula herbicida com glicose também foi encontrada. Além disso.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diferentes níveis de resistência aos diferentes grupos herbicidas que agem inibindo a ALS. em biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores do FSII.5 . O metabolismo de herbicidas inibidores de ACCase e ALS é realizado pelo Cyt P450. PRESTON. 1998). entre eles diclofop. encontrados na Austrália. as dificuldades de controle dos biótipos resistentes aumentam ainda mais quando os mecanismos que conferem a resistência estão relacionados com o local de ação e com outros mecanismos como o metabolismo.Resistência múltipla A resistência múltipla é o maior problema atual. selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona. e futuro. no centro ativo A da ALS. da prolina 173. já foram encontradas outras alterações na ALS tanto no centro ativo A como em outras partes da enzima (POWLES. 1998). relacionado a resistência de plantas daninhas a herbicidas. mas apresentam pequenos aumentos no metabolismo do herbicida diclofop.Herbicidas: resistência de plantas 203 . O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. um exemplo são biótipos de Alopecurus myosuroides encontrados na Austrália. Nos casos mais simples. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. devido a outros mecanismos. pendimethalim e simazine. é necessário empregar misturas de herbicidas que não tenham sua atividade afetada pelos mecanismos de Módulo 3. Foi detectado. 1998). que é resistente a vários herbicidas inibidores da ALS. PRESTON. imazamethabenz. 1998). PRESTON. 3 . Conrudo. que não exibem alterações na enzima.

Existem biótipos de Lolium rigidum resistentes a herbicidas inibidores de ALS. 1990). pode ser resumida em três princípios: o da variação: existem variações morfológicas. as freqüências dos vários tipos.. Contudo. encontrado na Austrália. por causa da pressão de seleção exercida por repetidas aplicações de um mesmo herbicida. e. fisiológicas e de comportamento entre indivíduos. assim. irão mudar com o tempo e os indivíduos mais bem adaptados ao ambiente tornam-se predominantes (SUZUKI et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas resistência em questão. O surgimento de plantas daninhas resistentes a herbicidas é um exemplo de evolução de plantas como conseqüência de mudanças no ambiente provocadas pelo homem (MAXWELL. a população da próxima geração terá uma freqüência elevada dos tipos que tiveram maior sucesso em sobreviver e se multiplicar nas condições ambientais vigentes. 1998). e o da seleção: algumas formas apresentam maior sucesso na sobrevivência e reprodução do que outras. 1998). e resistentes a chlorsulfuron.5 . 204 Módulo 3. em uma população de plantas. Em geral. ALS e FSII e possuem ACCase e ALS mutadas (POWLES. através da seleção natural. MORTIMER. PRESTON. 1992). espécies ou biótipos de uma espécie que melhor se adaptam a uma determinada prática são selecionados e multiplicam-se rapidamente (HOLT.Herbicidas: resistência de plantas . 1992). PRESTON. dentro de qualquer população. o caso mais complicado de resistência múltipla. 4 . devido ao metabolismo. 1994).Evolução da resistência A teoria da evolução de Darwin. O uso repetido de herbicidas para controle de plantas tem exercido alta pressão de seleção. Desse modo. é de biótipos de Lolium rigidum que metabolizam herbicidas inibidores da ACCase. myosuroides metabolizam chlorotoluron e alguns herbicidas inibidores de ACCase e apresentam ACCase mutada.. em determinado ambiente (SUZUKI et al. Os biótipos de A. Darwin postulava que a espécie como um todo vai mudando porque os seus indivíduos evoluem na mesma direção. o da hereditariedade: a prole parece mais com seus pais do que com indivíduos não-aparentados. devido a alterações na enzima. encontra condições para multiplicação (BETTS et al. dentro da população. 1992) (Quadro 2). LEBARON. é devido à seleção de um biótipo resistente preexistente que. Muitas evidências sugerem que o aparecimento de resistência a um herbicida. provocando mudanças na flora de algumas regiões.. Biótipos de Lolium rigidum e Alopecurus myosuroides constituem casos complexos. Há poucos casos registrados de plantas com resistência múltipla (POWLES.

1996). A menor capacidade competitiva. sensíveis às triazinas. em média. (CONARD. conforme a Figura 1. vai selecionando os indivíduos resistentes e aumentando a sua freqüência na população. assim. 1979) e Chenopodium album (PARKS et al. que apresenta 90% de eficácia de controle do biótipo suscetível.99 99.000 100. A intensidade dessa pressão de seleção sobre uma população de plantas daninhas...Herbicidas: resistência de plantas 205 .000. aumenta esse tempo de aparecimento. 1995).. que funciona como um reservatório de sementes suscetíveis e. pois no campo existe o banco de sementes. Módulo 3. É evidente que a intensidade de seleção na prática não é tão intensa como mostrada na figura. não foram detectadas diferenças na capacidade competitiva de Abutilon therphrasti resistente a triazina (GRAY et al. a aplicação do mesmo herbicida.9 99. determinam a probabilidade do desenvolvimento de resistência das plantas daninhas a herbicidas. Os biótipos resistentes podem apresentar menor adaptação ecológica nesses ambientes e tornam-se predominantes devido à eliminação das plantas sensíveis.0 50.0 90.5 . biótipos com maior adaptação ecológica apresentam. maior produção que biótipos menos adaptados (SAARI et al.000 10. 1988).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 2 . altura e produção de sementes. 1994).0 Evolução Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Pouco perceptível Perceptível Evidente Fonte: Kissmann (1996) A utilização de herbicidas que são altamente efetivos no controle de uma planta daninha específica por um longo período de tempo induz uma grande pressão de seleção quando comparados com outras práticas de controle. HOLT. RADOSEVICH. apresentaram maiores área foliar.Tempo para evolução da uma população de biótipos de plantas daninhas resistentes Ano 0 1 2 3 4 5 6 7 No de Plantas Resistentes 1 1 1 1 1 1 1 1 No de Plantas Sensíveis 1.999 99. assim como as diferentes características biológicas. Biótipos de Amaranthus retroflexus L.000 1.9999 99.0 80. Em condições de seleção natural. Por outro lado. Assim.000 100 10 5 2 % de Controle 99. o crescimento e a produtividade de plantas resistentes a triazinas podem estar relacionados com a sua capacidade fotossintética limitada (STOWE.

partindo de uma população sensível e usando-se dose normal do herbicida. 206 Módulo 3. tornando-se predominantes rapidamente na área. 1993). em uma população de plantas exerce alta pressão de seleção. como no caso do glyphosate. ou levar muitos anos. As plantas que expressam o gene de resistência são selecionadas. A ocorrência de variações genéticas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 .Herbicidas: resistência de plantas . podendo ser bastante curtos.Aumento da freqüência do biótipo resistente devido a aplicações repetidas e anuais do mesmo herbicida A maior questão ecológica associada com a evolução da resistência aos herbicidas envolve o entendimento das relações entre adaptação. Foram identificados biótipos de plantas daninhas resistentes a sulfoniluréias após quatro a cinco anos de uso contínuo de herbicidas deste grupo (MALLORY-SMITH et al. provocando uma seleção direcional e progressiva de indivíduos que possuem genes de resistência. inibidor da EPSPs (Quadro 3). foram selecionados biótipos de Lolium rigidum resistentes ao diclofop-methyl em três gerações. MORTIMER. e a seleção natural favorecem o surgimento e a evolução da resistência. 1990). PAWLES. freqüência gênica. como três anos após a introdução comercial (TARDIF. capazes de serem transmitidas hereditariamente. 1996). herança e fluxo gênico (MAXWELL.5 .. A resistência está ligada a fatores genéticos e é hereditária (KISSMANN. O tempo e a proporção de plantas resistentes em um local variam com a freqüência de uso do herbicida e dos seus efeitos biológicos. 1994). com o mesmo mecanismo de ação. Na Austrália. Aplicações repetidas de herbicidas.

Por outro lado. significa que somente um gene é responsável pela resistência (monogênica) e a evolução será rápida. Há dois tipos de herança: a citoplasmática (materna) e a nuclear. Contudo. e a taxa de cruzamentos entre biótipos resistentes e sensíveis (MORTIMER. conseqüentemente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 3 – Tempo de evolução da resistência para diferentes mecanismos de ação Herbicida 2. como é o caso de plantas resistentes aos inibidores de ALS. pois.Herbicidas: resistência de plantas 207 . quanto maior. alta eficiência e baixa toxicidade para o homem e o ambiente. mais genes podem estar envolvidos (poligênica) e mais lenta será a evolução da resistência. O objetivo foi atingido e surgiram os herbicidas modernos (inibidores de ALS e ACCase). As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. altamente eficientes e específicos. Por sua vez. características como herança do tipo Módulo 3. Desse modo.5 . assim. as características reprodutivas da espécie. que agem em pontos únicos nas rotas metabólicas das plantas. assim. tanto o pai como a mãe podem transmitir a resistência. quando dois alelos estão envolvidos. O número de alelos que conferem a resistência é importante. ou seja. Herança citoplasmática é aquela em que os caracteres hereditários são transmitidos via citoplasma.4-D Triazinas Propanil Paraquat Inibidores da EPSPs Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Fonte: Weed Science (1998) Introdução 1948 1959 1962 1966 1974 1977 1982 Resistência 1957 1970 1991 1980 1996 1982 1984 Local EUA e Canadá EUA EUA Japão Austrália Austrália Austrália A indústria sempre buscou moléculas herbicidas com alto grau de segurança. A freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população sensível geralmente está entre 1 em 1016 e 1 em 106 (MORTIMER. Um gene é formado por um par de alelos. somente a planta-mãe poderá transmitir a resistência para os filhos. Há seis fatores relacionados à população de plantas que interagem e determinam a probabilidade e o tempo de evolução da resistência. o modo de herança do(s) alelo(s) da resistência (citoplasmática ou nuclear). a transmissão será via cromossômica e. São eles: o número de alelos envolvidos na expressão da resistência. uma vez que uma alteração no seu ponto de ação (enzima) pode provocar a perda de sua atividade sobre as plantas e. possuem grandes possibilidades de selecionar biótipos resistentes. dessa forma. se a herança for nuclear. a freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população inicialmente sensível. herbicidas com essas características exercem alta pressão de seleção e. maior será a probabilidade de seleção de um biótipo resistente. 1998). o surgimento de plantas resistentes. como é o caso de plantas resistentes a triazinas. O tipo de herança do(s) alelo(s) da resistência é ponto crucial no estabelecimento da resistência em uma população de plantas. e quanto maior for a freqüência destes alelos. a pressão de seleção. 1998).

que serão selecionados futuramente devido segregação e recombinação de genes (MORTIMER. 1994). Já os herbicidas com residual longo agem durante tempo maior. A intensidade de seleção é a resposta da população de plantas às repetidas aplicações de herbicidas. O uso de herbicidas altamente eficientes e com residual longo exerce alta pressão de seleção. As características reprodutivas. 1998).1 .5 . permite a dispersão da resistência principalmente em plantas com alta taxa de fecundação cruzada. 1994). e intercruzamento entre os biótipos sobreviventes. ou. favorecimento de um indivíduo em relação a outros. exceto os resistentes. que será proporcional à dose e. Resumidamente. imposta sobre uma população sensível proporciona espaço para o crescimento e desenvolvimento dos biótipos resistentes. A alta pressão de seleção... A duração da seleção é medida pelo tempo no qual o herbicida permanece com residual. já a contribuição do movimento de sementes é relativamente pequena (SAARI et al.Pressão de seleção Os fatores intensidade de seleção e sua duração contribuem para a pressão de seleção exercida pelos herbicidas. restando apenas os mais tolerantes e resistentes. o mecanismo de polinização e as condições climáticas durante a floração (STALLINGS et al. A intensidade e a duração da seleção interagem. A dispersão da resistência via pólen é influenciada pela eficiência de dispersão e longevidade do pólen (MULUGETA et al. O intercâmbio de pólen. que é medida pela eficiência de controle das plantas daninhasalvo e pela relativa redução da produção de sementes das plantas remanescentes. influenciam diretamente a dispersão das plantas resistentes.Fatores que favorecem o surgimento da resistência 5. 1995). entre plantas resistentes e sensíveis. o processo da evolução da resistência a herbicidas passa por três estádios: eliminação dos biótipos altamente sensíveis. com maior rapidez no ambiente do que as do tipo citoplasmática (materna). controlando as plantas sensíveis em diversos fluxos germinativos. gerando novos indivíduos com maior grau de resistência. favorecendo o desenvolvimento da população resistente. via pólen. eliminação de todos os biótipos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas nuclear disseminam-se. A alta eficiência dos herbicidas provoca a eliminação rápida dos biótipos sensíveis. ao tempo. 5 . como dispersão de pólen e número de propágulos produ¬zidos. provocando variações sazonais que podem ser observadas nas espécies. O fluxo gênico apresenta correlação com o fluxo de distribuição de pólen e varia com a espécie.Herbicidas: resistência de plantas . 1998).. O uso repetido de um mesmo herbicida ou de herbicidas com mesmo 208 Módulo 3. A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes e sensíveis determina a dispersão dos alelos de resistência na população. e seleção destes dentro de uma população com alta tolerância. de acordo com sua fenologia e seu crescimento (MORTIMER.

é resultado da relação entre a freqüência da mutação e o tamanho da população. época ou estádio de aplicação.Variabilidade genética A variabilidade genética das plantas daninhas. que se apresentam indiferentes à aplicação de algum herbicida (HRAC. tipo de bicos e condições ambientais foram adequados? b) As falhas de controle foram para uma espécie apenas? c) As plantas não são resultado de reinfestação? Módulo 3. baixa dormência das sementes. Características das plantas daninhas como alta diversidade genética. 1969).Diagnóstico da resistência a campo A resistência é um fenômeno que evolui em uma lavoura durante vários anos. adjuvantes. associada à adequada intensidade e duração de seleção. 6 . altamente específicos e com longo residual. O controle insatisfatório de plantas daninhas não significa necessariamente que seja resistência. há dois caminhos para o aparecimento de plantas resistentes: a ocorrência de um gene ou de genes que conferem a resistência em freqüência muito baixa na população ou através de uma mutação (MORTIMER.2 . Segundo HRAC (1998a). grande produção de polén e propágulos. torna inevitável o surgimento de plantas resistentes. A seleção altera as proporções entre as plantas sensíveis e resistentes. O(s) gene(s) que conferem a resistência a um determinado herbicida pode(m) estar presente(s) em uma população antes mesmo que este herbicida seja lançado no mercado. inicialmente. calibração. Toda população natural de plantas daninhas contém biótipos resistentes a herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mecanismo de ação. A possibilidade de ocorrer resistência em uma população. Geneticamente.5 . 1998). volume de calda. aliadas ao monocultivo e ao uso repetido do controle químico. deve-se responder às seguintes perguntas: a) Produto. 1998a).Herbicidas: resistência de plantas 209 . 5. produz alta pressão de seleção e aumenta a possibilidade de seleção de biótipos resistentes. contribuem grandemente para o surgimento de plantas resistentes. devido à mutação. dosagem. O gene ou os cromossomos mutantes são a fonte essencial de toda a variação genética (BREWBAKER. quando se suspeitar da ocorrência de resistência.

se a diferença de controle for pequena. deve-se colher em torno de 40 plantas ou 1. 1994). duas e quatro vezes a dose recomendada. para identificar o mecanismo exato da resistência. da biomassa (GR50) ou da atividade da enzima (I50). As condições de aplicação devem seguir aquelas recomendadas pela empresa fabricante. Após duas e quatro semanas. devendo-se realizar testes para confirmação.5 . No Brasil. semear em vasos e tratar com doses crescentes do herbicida em questão. 7 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Se as respostas a estas perguntas forem afirmativas. das plantas tratadas com herbicida em comparação com as não-tratadas (MAXWELL. As doses a serem aplicadas são: metade da recomendada. deve-se iniciar a investigação dos fatores que levam à resistência.Como confirmar a resistência O método mais comum e recomendado pelo HRAC (1998b) é colher sementes das plantas suspeitas de resistência e de plantas sensíveis. avaliar o controle e a produção de matéria fresca. Análises bioquímicas. MORTIMER. Para servir como padrão sensível. Existem metodologias para estudo da maioria dos casos de resistência. a) Ultimamente tem-se reptido aplicação de um mesmo herbicida ou herbicidas com mesmo mecanismo de ação? b) O herbicida em questão vem perdendo eficiência? c) Há casos de plantas resistentes a este herbicida? d) O herbicida não perdeu eficiência sobre outras espécies? Se a resposta a uma ou mais destas perguntas for afirmativa. Ponchio (1997) isolou a enzima ALS e avaliou a sua resposta a diferentes doses de herbicidas que agem sobre ela. Os resultados podem indicar se a resistência é devido à alteração no local de ação ou à metabolização da molécula.000 sementes. Por outro lado. devem-se colher sementes de plantas em locais que nunca receberam aplicação daquele herbicida. indica que o possível mecanismo de resistência está relacionado com o local de ação. 210 Módulo 3.Herbicidas: resistência de plantas . dose recomendada. indica que o provável mecanismo envolvido é metabolismo da molécula. Para se ter certeza de que as plantas colhidas representam a população. As diferenças entre biótipos resistentes e sensíveis de uma espécie podem ser quantitativamente expressas comparando-se as doses de herbicidas necessárias para reduzir 50% da população (DL50). existe a possibilidade de ser resistência. podem ser realizadas em nível de laboratório. Se a diferença de controle entre os biótipos resistentes e sensíveis for grande.

c) Evitar a disseminação. f) Usar herbicidas com menor pressão de seleção (residual e eficiência). As práticas culturais visam aumentar o número de possibilidades de controle das plantas daninhas. d) Realizar rotação de mecanismo de ação. 8 . é pequena. Em caso de confirmação da resistência. São elas: reduzir a pressão de seleção e controlar os indivíduos resistentes antes que eles possam se multiplicar.5 . e) Limitar aplicações de um mesmo herbicida. i) Acompanhar mudanças na flora. em primeiro lugar: a) Erradicar imediatamente as plantas remanescentes. g) Rotacionar o plantio de culturas. c) Usar mistura de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e de detoxificação. Para minimizar os riscos de resistência.Herbicidas: resistência de plantas 211 . juntamente com esta. a fim de minimizar o risco do surgimento de plantas resistentes (Quadro 4). pós-colheita). l) Rotacionar o método de preparo do solo. O acompanhamento e a avaliação da eficiência das medidas adotadas para combate à resistência são indispensáveis para garantir o sucesso da prática. j) Usar sementes certificadas. para reduzir o acréscimo de sementes ao banco.Como evitar a resistência Antes que as falhas de controle apareçam na lavoura. Isso pode ser conseguido com adoção das seguintes práticas: a) Usar herbicidas com diferente mecanismo de ação. algumas práticas podem ser implantadas. simultaneamente. b) Colocar em prática o programa de manejo da resistência. Módulo 3. os herbicidas que compõem a mistura devem controlar o mesmo espectro de plantas daninhas e ter persistência similar e diferente mecanismo de ação e de detoxificação. k) Controlar plantas em áreas adjacentes (terraços. h) Rotacionar os métodos de controle de plantas daninhas. já que a probabilidade de uma planta daninha tornar-se resistente aos dois mecanismos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A empresa fabricante deve ser informada e. A adoção dessas práticas visa reduzir a pressão de seleção. A mistura de produtos com diferentes mecanismos de ação proporciona controle eficiente por maior número de anos do que ambos aplicados de forma isolada. através de diferentes métodos de controle e mecanismos herbicidas. deve-se. b) Realizar aplicações seqüenciais. devem-se realizar os testes e determinar medidas de manejo.

Manejo da resistência a herbicidas As estratégias de manejo vêm sendo discutidas continuamente por cientistas da área. 1998). O comportamento de uma população de plantas pode ser altamente modificado. neste caso. uso de misturas de herbicidas. A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes é reduzida. se a resistência for uma característica poligênica. e os biótipos mais adaptados tendem a dominar o ambiente. 1998). as plantas que não são controladas com uso de herbicidas alternativos podem contribuir para a disseminação e o aumento da freqüência gênica dos alelos sensíveis. resistentes às triazinas. mas reduzirá o número de genes na população capazes de associarem-se (MORTIMER. de acordo com as práticas de cultivo Opção de manejo Mecanismo herbicida usado Mistura de herbicidas Método de controle Rotação de cultura Infestação Controle nos últimos três anos Fonte: Adaptado de HRAC (1998d) Baixo Mais que dois Mais que dois mecanismos Cultural. e com o passar do tempo a população de plantas resistentes será reduzida (MORTIMER. Por outro lado. ou.5 . O uso de altas doses pode intensificar a seleção. assim. A seleção reversa ocorre na ausência da seleção herbicida. Essa tática somente será eficiente na redução da população dos biótipos resistentes em casos em que as diferenças de adaptabilidade entre os biótipos resistentes e sensíveis forem grandes (MORTIMER. As várias opções que vêm sendo sugeridas estão baseadas em somente dois processos biológicos: alteração da pressão de seleção e. Biótipos de Senecio vulgaris. favorecendo os alelos sensíveis (MORTIMER. A baixa pressão de seleção poderá. mecânico e químico Completa Baixa Bom Risco de resistência Médio Dois mecanismos Dois mecanismos Cultural e químico Limitada Média Declinando Alto Um mecanismo Um mecanismo Químico Nenhuma Alta Ruim 9 . no caso de a resistência ser monogênica. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. pode ser conseguida com redução na dose do herbicida que selecionou as plantas resistentes. são menos competitivos do que biótipos sensíveis. Desse modo. essas medidas podem agravar o problema. seleção reversa. selecionar biótipos altamente resistentes. 212 Módulo 3. 1998).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 4 – Risco de evolução da resistência. a redução na pressão de seleção aumenta a probabilidade de associação desses genes em um biótipo. A redução na pressão de seleção. 1998).Herbicidas: resistência de plantas . rotação de culturas e métodos de controle e usando-se herbicidas com diferentes mecanismos de ação.

financiando pesquisas e com iniciativas educativas que visam esclarecer aspectos sobre a resistência e o modo de ação de cada herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considerando que a resistência é um problema que pode afetar intensamente o mercado de herbicidas. 1996). no Canadá. devido ao largo uso destes herbicidas para controlar grande número de espécies e ao restrito número de herbicidas com potencial para substituí-los (HEAP. resistentes ao 2. na Espanha. Os biótipos resistentes assumem importância. que incluem mistura de herbicidas. Módulo 3. foram identificados biótipos de Commelina diffusa. manejo e monitoramento dos casos de resistência.4-D e MCPA em trigo selecionou Sinapis arvensis. Considerando o tempo e o uso extensivo destes herbicidas. nos Estados Unidos. responsáveis pelo HRAC. as indústrias tomaram a iniciativa. quando biótipos resistentes de Convolvulus arvensis foram identificados nos Estados Unidos (WEED SCIENCE. fortemente defendidas pelas empresas. por serem os três grupos de produtos com maiores problemas (KISSMANN.5 . poucas plantas daninhas evoluíram resistência até hoje. 1998) O uso extensivo de 2. Em 1957. através do GCPF (Federação Global de Proteção de Plantas).4-D. O conhecimento do modo de ação dos herbicidas é fundamental na adoção de técnicas de manejo. Os três primeiros casos de resistência identificados foram a esta classe herbicida. 1997).Características da resistência por grupos herbicidas 10. e Matricaria perforata. rotação de mecanismos de ação e adoção de práticas culturais específicas. inibidores de ALS e inibidores de ACCase. selecionou biótipos resistentes de Echinocloa crus-galli na Espanha. de constituir um grupo permanente de cientistas para estudar o assunto e propor soluções. considerado uma auxina e usado para controle de gramíneas em arroz. na França. 10 .Auxinas As auxinas sintéticas 2. no Canadá. e de Daucus carota. Este grupo chama-se HRAC (Herbicide Resistance Action Committee) e é formado por três subgrupos que estudam triazinas. O herbicida quinclorac. que visam prolongar a vida útil das moléculas envolvidas na resistência. Papaver rhoeas. As empresas fabricantes de herbicidas.1 .Herbicidas: resistência de plantas 213 . O terceiro caso foi em 1964.4-D e MCPA revolucionaram o controle de espécies daninhas de folha larga em cereais na década de 1940 e têm sido usadas largamente desde então. estão empenhadas em desenvolver técnicas e estratégias para identificação.

na Austrália. Aplicações de paraquat e diquat selecionaram 25 e duas espécies resistentes.Derivados da glicina O herbicida glyphosate é o produto mais usado deste grupo. (1997) demonstraram que os biótipos resistentes de Lolium rigidum foram dez vezes mais tolerantes ao glyphosate do que os biótipos sensíveis. Segundo esses autores. dez vezes nos últimos 15 anos. O argumento mais convincente. no Egito. os biótipos resistentes a este grupo herbicida não são considerados de grande importância (HEAP. (2002) trabalhando com Lolium rigidum. Depois disso.2 . resistentes ao glyphosate. nãotranslocáveis (de contato) e com baixa persistência biológica no solo. Os biótipos também apresentaram-se resistentes ao diclofop e sensíveis aos demais herbicidas graminicidas usados para seu controle. mais de um mecanismo de ação. com surgimento de apenas uma espécie resistente (HEAP. selecionaram 26 espécies resistentes. no Japão. que apresentam.5 . cada um. em 1980. 214 Módulo 3. foram identificados. entre plantas resistentes e suscetíveis as enzimas são igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas as populações. pelo menos. plantas de Conyza bonariensis resistentes ao paraquat (PRESTON.Bipiridílios Os herbicidas bipiridílios são herbicidas não-seletivos aplicados em pós-emergência. como o glyphosate. Lorraine-Colwill et al. 1994). 1997). em lavouras que usaram o produto para controlar plantas daninhas em pré-plantio. que apresentam baixo residual. não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs. é o longo tempo em que este vem sendo usado. biótipos de Lolium rigidum. Dentre estas. Trabalhos realizados por Pratley et al. biótipos de Erigeron philadelphicus. 17 espécies resistentes. Por apresentar mais de um mecanismo de ação. selecionaram. 10. 1997). em uma vasta área. Após duas décadas de uso.Herbicidas: resistência de plantas . Erigeron sumatrensis e Youngia japonica resistentes a estes herbicidas.3 . Contudo. e os herbicidas auxínicos e inibidores de ACCase. 1994).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. Os mecanismos que conferem resistência aos bipiridílios são redução na translocação e compartimentalização da molécula (PRESTON. 1997). os herbicidas bipiridílios. Atualmente existem comprovados no mundo seis casos de resistência ao glyphosate. de que o glyphosate apresenta baixo risco para selecionar biótipos resistentes. Devido à pequena área infestada e ao número de herbicidas alternativos. limitado metabolismo pelas plantas e baixo poder residual. respectivamente. 20 são dicotiledôneas e sete são monocotiledôneas (HEAP. foram identificadas. Em 1996 foram identificados. é considerado um produto com baixa probabilidade de selecionar espécies resistentes.

HOWAT. devem ser adotados. além do químico. Há 17 espécies monocotiledôneas resistentes aos inibidores da ACCase. Biótipos de Festuca rubra. 1997). 10. devem ser usados com rotação de culturas e de herbicidas. metabolismo e sensibilidade da EPSPS ao glyphosate. em resposta ao tratamento com glyphosate. biótipos de Eleusine indica. Os herbicidas inibidores de ACCase são o primeiro grupo herbicida alternativo para controlar biótipos resistentes aos herbicidas do grupo dinitroanilina. acredita-se que estes mecanismos não são as causas principais da resistência dos biótipos a este herbicida. Sorghum halepense e Amaranthus palmeri evoluíram resistência à trifluralin após 15 a 20 anos de uso em cereais e leguminosas.Herbicidas: resistência de plantas 215 . oryzalin e pendimethalin. Módulo 3. considera-se que aquelas que resistem aos herbicidas inibidores de ACCase tenham a maior importância econômica. para controle de gramíneas. Desse modo. 1998).4 . Entre as plantas resistentes.5 . devido ao metabolismo dessas moléculas (MOSS. somente cinco monocotiledôneas e uma dicotiledônea apresentam resistência a este grupo herbicida (HEAP. translocação. A única diferença entre os biótipos foi o maior nível de RNAm encontrado nos biótipos resistentes. Biótipos de Lolium rigidum apresentam resistência cruzada às dinitroanilinas. Apesar do tempo de uso e do seu longo período residual. entre os biótipos resistentes e sensíveis. resistentes ao glyphosate. 1990). Estima-se que haja. Dessa forma. em 16 países. 1990. são usados em pré-emergência para controlar plantas daninhas gramíneas em culturas oleaginosas.5 . Essas moléculas agem sobre a enzima ACCase e controlam com eficiência gramíneas em culturas mono e dicotiledôneas. assim. mais de 3. Nos Estados Unidos. Lolium rigidum e Avena fatua são as espécies com maior importância.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Esses trabalhos também demonstraram que não existem diferenças de absorção. 1998). no Canadá. POWLES. O uso de misturas herbicidas e emprego de mais de um método de controle. os cultivares de soja resistentes ao glyphosate. A identificação de biótipos resistentes ao glyphosate indica que a resistência a este produto deve ser prevenida. 10.Dinitroanilinas Os herbicidas do grupo dinitroanilinas. a maior quantidade de EPSPs sintetizada poderia ser a causa da resistência. em razão da área infestada e do número restrito de mecanismos alternativos para controle dos biótipos resistentes (HEAP.000 locais com Lolium rigidum resistente e.Inibidores de ACCase Este grupo herbicida foi introduzido na década de 1970. foram selecionados artificialmente (MORTIMER. 1997). recentemente desenvolvidos. mais de 500 locais com Avena fatua (HEAP. 1998). na Austrália. e isso fez com que fossem selecionados biótipos de Setaria viridis com resistência múltipla a estes mecanismos (HEAP. como trifluralin.

a repolarização das membranas ocorre independentemente da presença da ACCase mutada e existem muitas diferenças entre as membranas dos biótipos resistente e sensível (HEAP. 1994). Em biótipos de Lolium rigidum. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. 1994.Inibidores de ALS A introdução no mercado dos herbicidas inibidores de ALS ocorreu em 1982. plantas resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase devem possuir mais de um mecanismo que proporcione a resistência.esses herbicidas podem atingir níveis de controle próximos a 100%. AHRENS. este grupo herbicida vem apresentando o maior número de registros de plantas resistentes. 1997). 2) alta eficácia da maioria dos herbicidas inibidores da ALS .Herbicidas: resistência de plantas . Dentre estas. Amaranthus strumarium e Sorghum bicolor (HEAP. desde gramíneas até dicotiledôneas e plantas daninhas perenes como a tiririca e a grama-seda. Assim. Nos últimos dez anos. Os herbicidas classificados como inibidores de ALS tornaram-se uma ferramenta de grande importância para agricultura. Atualmente. 1997). um relacionado com a ACCase e outro com a membrana plasmática. 4) a resistência aos herbicidas inibidores da ALS é determinada geneticamente por lócus simples e semidominante e alta freqüência inicial em todos os casos de resistência estudados até o momento. O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. como: 1) a amplitude de recomendações possíveis. há 50 espécies de plantas daninhas resistentes a estes produtos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Biótipos de Lolium rigidum. a resistência aos inibidores da ALS tem sido atribuída a mudanças na seqüência de aminoácidos. PRESTON. surgiu a primeira espécie resistente (SAARI et al. Estes herbicidas são largamente usados devido a sua baixa toxicidade para animais. selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona. que vai desde a cultura da soja até área de produção de arroz irrigado e florestas implantadas. Os herbicidas inibidores da ALS apresentam alta freqüência de casos de resistência de plantas daninhas.. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. A manutenção do potencial é vital para a sobrevivência da célula. em razão da sua eficiência e do reduzido impacto ambiental (SAARI et al.. 1998). com o lançamento da molécula chlorsulfuron para uso em cereais (SAARI et al. Essas características contribuíram para o surgimento rápido da resistência. 41 são dicotiledôneas e nove são monocotiledôneas. bem como a seu grande espectro de controle de plantas daninhas. Entre as espécies descritas estão Kochia scoparia. 5) trabalhos têm mostrado que os biótipos resistentes apresentam a mesma adaptabilidade ecológica que os biótipos sucetíveis dos inibidores 216 Módulo 3. em 14 países.6 . alta seletividade para as culturas e alta eficiência com emprego de doses baixas (HESS. o que se deve a vários fatores.5 . 1994). A despolarização das membranas é um segundo mecanismo de ação atribuído aos herbicidas deste grupo. 1994). 1994). Aproxi¬madamente cinco anos após o início do uso dos herbicidas inibidores de ALS.. 10. 3) muitos herbicidas inibidores da ALS apresentam residual prolongado no solo e conseqüentemente aumentam a pressão de seleção para biótipos resistentes.

Herbicidas: resistência de plantas 217 . 1997). mas não a todos os herbicidas do grupo das uréias. dessa forma. Entre as plantas resistentes relatadas existem nove espécies de Amaranthus. assim. 1998). e 6) a maioria dos casos de resistência aos inibidores da ALS estudados apresenta resistência cruzada aos diversos grupos químicos de herbicidas que tem este mecanismo de ação (VARGAS et al.. As plantas daninhas resistentes têm sido controladas com eficiência. glutamina. em um dos biótipos resistentes. A rápida inativação metabólica é a base para a resistência do biótipo SR4/84 de Lolium rigidum ao chlorsulfuron (COTTERMAN. Essas mutações não alteram a função biológica da ALS. e Solanum nigrum. cinco de Polygonum e quatro de Chenopodium. como as triazinas e uréias substituídas. O gene que codifica a enzima ALS nas espécies resistentes pode apresentar diferentes mutações. não foram encontrados biótipos resistentes que apresentem alteração na taxa de crescimento ou na capacidade competitiva. Estima-se que a área infestada no mundo com plantas daninhas resistentes aos herbicidas triazinas seja superior a três milhões de hectares. contudo. 2004). já que. 1992). que conferem alterações funcionais na enzima ALS (POWLES. Além da prolina. foi identificada somente uma mutação na proteína D1: a substituição da serina 264 por uma glicina. entre elas a substituição. Christopher et al. no centro ativo A da ALS. assim. a resistência deste biótipo se deve à rápida metabolização do herbicida. SAARI. A causa da resistência aos herbicidas inibidores de ALS está em mutações que ocorrem no DNA e no metabolismo da molécula herbicida. histidina. SAARI et al. As espécies mais freqüentes são Chenopodium album. usando-se herbicidas alternativos (HEAP. A resistência a imidazolinonas e sulfoniluréias é conferida por um gene dominante nuclear (MAZUR. PRESTON. Já um segundo biótipo apresentou resistência devido à insensibilidade da enzima ALS ao inibidor. 1994). Alterações na proteína D1 são as principais causas da ocorrência de plantas resistentes aos herbicidas que agem no fotossistema II. FALCO. Os diferentes níveis de resistência são atribuídos às diferenças na estrutura do centro de reação da D1 entre às espécies. (1992) identificaram biótipos de Lolium rigidum resistentes ao herbicida chlorsulfuron. outros aminoácidos da ALS podem ser substituídos e produzir plantas resistentes com características distintas. respondeu igualmente a um biótipo sensível ao herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas da ALS. até o momento.7 .. serina ou treonina. 10. em dez países. O metabolismo das moléculas herbicidas é outro mecanismo usado por plantas daninhas para resistir a estes herbicidas. porém a atividade da ALS. da prolina 173 por uma alanina.5 . 1989. não está descartada a hipótese de que o metabolismo da molécula também esteja envolvido. até o momento. Amaranthus retroflexus e Senecio vulgaris. A mutação na D1 provoca alto nível de resistência aos herbicidas do grupo triazinas. biótipos resistentes apresentam menor crescimento do que biótipos normais Módulo 3.Triazinas A maioria das plantas daninhas resistentes às triazinas foram localizadas em lavouras de milho na Europa e América do Norte. Esta mutação afeta o fluxo de elétrons no FSII. em nove países. em 16 países.

mais de 40 espécies apresentam resistência a este grupo e duas ao propanil.Herbicidas: resistência de plantas . 1998). que pertence ao grupo das amidas. 1997).Uréias/amidas A primeira espécie a apresentar resistência às uréias foi Alopecurus myosuroides no Reino Unido. Quadro 5 . da Costa Rica e dos Estados Unidos (HEAP. O herbicida propanil é usado para controlar Echinocloa colona e E. com uso de herbicidas alternativos (HEAP.8 . Os biótipos de plantas daninhas resistentes às triazinas são controlados com eficiência. Até o momento existem 64 espécies resistentes às triazinas e 17 resistentes aos auxínicos. em 1982. 1997).Mecanismos de resistência de plantas daninhas a herbicidas pertencentes a diferentes grupos químicos Herbicida Triazinas Dinitroanilina Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Propanil 2. além da facilidade que as espécies possuem de evoluir resistência para o herbicida e do número de mecanismos envolvidos. A mutação responsável pela resistência às triazinas ocorreu no genoma do cloroplasto. Isso demonstra que as triazinas apresentam maior risco de seleção de biótipos resistentes que as auxinas sintéticas (HEAP. PRESTON. resistentes a chlorotoluron. 11 . As diferenças relacionadas ao mecanismo de ação destes herbicidas podem ser a resposta para essa questão. Os herbicidas triazinas e auxina sintéticas vêm sendo usados em milhões de hectares há mais de 30 anos.Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida Os herbicidas selecionam biótipos resistentes com diferentes mecanismos de resistência (Quadro 5) e em diferentes períodos de tempo (Quadro 3). em 1983. e na Alemanha.4.D 218 Mecanismo Local de ação alterado/metabolismo Local de ação alterado Local de ação alterado Local de ação alterado Metabolismo Desconhecido Módulo 3. A ocorrência destes biótipos resistentes inviabiliza o uso deste herbicida em lavouras da Colômbia. 1998). em muitos países. As diferenças se devem à variabilidade genética das espécies envolvidas. dessa forma. 10. a resistência não é transmitida hereditariamente via pólen. crusgalli em lavouras de arroz. Atualmente. com e sem rotação. mas sim via herança materna.5 . ao tamanho da área e ao tempo em que este produto é usado na área. apresentam sérios problemas de controle. Biótipos de Alopecurus myosuroides.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (POWLES. por possuírem capacidade de metabolizar herbicidas com diferentes mecanismos de ação.

2006). Eleusine indica.A resistência de plantas daninhas no Brasil Atualmente são reconhecidos 15 casos de plantas daninhas resistentes no Brasil. que é um problema muito maior do que a resistência cruzada. até o presente momento. O primeiro caso de resistência. relatado oficialmente. 1997). constitui-se na mais provável causa da resistência (PONCHIO. Módulo 3. apesar de serem considerados de baixo risco. 12 . mas são sensíveis aos herbicidas alternativos sulfentrazone. aos herbicidas inibidores de ALS. a alta especificidade e eficiência e o longo período residual contribuem para a evolução rápida da resistência aos herbicidas que agem inibindo as enzimas ALS e ACCase. são elas: Lolium rigudum. desse modo. lactofen. fomesafen e acifluorfen (PONCHIO. 1999). selecionaram biótipos resistentes devido ao seu emprego em vastas áreas (HEAP. Conyza banariensis e Plantago lanceolata (WEED SCIENCE. um número limitado de populações de plantas daninhas sofreu pressão de seleção suficiente para o aparecimento de biótipos resistentes (CHRISTOFOLETI. bentazon.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os herbicidas dos grupos cloroacetamidas e inibidores da EPSPs (glyphosate). Estes biótipos foram encontrados em lavouras dos estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul e apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS. LÓPEZ-OVEJERO. A enzima ALS. (Quadro 6). a vasta área tratada. O glyphosate esta sendo usado intensivamente na agricultura há mais de 25 anos. 1997. Nos últimos dez anos foram identificadas mais espécies resistentes para os inibidores de ALS do que para qualquer outro mecanismo de ação. 2003). Até hoje foram constatados casos de resistência em 6 espécies de plantas daninhas. foi o da planta daninha Bidens pilosa L. mostrou-se menos sensível a estes herbicidas e. poderão ser evitados o surgimento de novos casos de resistência e o surgimento de plantas com resistência múltipla. A alta freqüência inicial de indivíduos resistentes na população.. VARGAS et al.5 . O primeiro caso de resistência de plantas daninhas ao herbicida glyphosate foi registrado em 1996. Somente com o uso de todos os métodos de controle disponíveis conjuntamente. 1997). estes herbicidas apresentam alto potencial para selecionar plantas resistentes. Em razão de suas características. Conyza canadensis. Lolium multiflorum.Herbicidas: resistência de plantas 219 . dos biótipos resistentes.

estão sendo realizados na Universidade Federal de Viçosa. foram identificados em lavouras de soja nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná.arroz Capim. diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis.arroz Capim-pé-de-galinha Leiteiro Leiteiro Flecha Cuminho Azevém Losna-branca Nabiça Mecanismo de ação ao qual adquiriu resistência Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Auxina sintética Inibidores da ACCase Auxina sintética Auxina sintética Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ALS e PPO Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da EPSPs Inibidores da ALS Inibidores da ALS Biótipos de Euphorbia heterophylla. crusgalli Echinochloa crus-pavonis Eleusineiíndica Euphorbia heterophylla Euphorbia heterophylla Sagitaria montevidensis Fimbristylis miliacea Lolium multifolium Parthenium hysterophorus Raphanus sativus Fonte: Wees Science (2006) Nome comum Picão-preto Picão-preto Capim-marmelada Junquinho Capim-arroz Capim-colchão Capim. Estudos relacionados à capacidade competitiva e ao comportamento das sementes no solo não indicam.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 6 . porém são sensíveis a herbicidas com outros mecanismos de ação. Os resultados deste trabalho indicam que a resistência é conferida por um gene dominante nuclear e que os biótipos apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS.. resistentes aos herbicidas inibidores de ALS. até o momento. 220 Módulo 3. Não houve diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis relacionadas à taxa de germinação e à profundidade de germinação e emergência. Estudos relacionados a inibidores da ALS em condições de laboratório e de campo. O uso repetido destes herbicidas pode ser a principal causa da seleção dos biótipos resistentes.Espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas ocorrentes no Brasil e seu provável mecanismo Biótipos resistentes Bidens pilosa Bidens subalternans Brachiaria plantaginea Cyperus difformis Echinochloa colonum Digitaria ciliaris Echinochloa crusgalli var.5 .Herbicidas: resistência de plantas . Os biótipos resistentes sobreviveram ao tratamento com dose 16 vezes maior que a dose de campo (de rótulo). e Brachiaria plantaginea. referentes à resistência em Euphorbia heterophylla L. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. onde estes produtos são empregados há mais de cinco anos.

densamente perfilhada. herbácea. Este biótipo resistente foi identificado em pomares no Chile.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 13 . a dose de 360 g ha-1 foi suficiente para controlar o biótipo sensível. 20% a doses de até 11.440 g ha-1 de glyphosate e. ereta. Vargas et al. três aplicações de glyphosate por ciclo durante os últimos 8 a 10 anos. Depois do tratamento com glyphosate os autores observaram acumulação do produto nas raízes de plantas suscetíveis e nas pontas das folhas de plantas resistentes (Quadro 7). 2000).520 g ha-1. as enzimas foram igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas às populações. Nesse mesmo trabalho. Com relação ao Lolium rigidum. foram identificados biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistentes ao glyphosate em lavouras de culturas anuais e em pomares (ROMAN et al. morfologicamente muito variável. o mecanismo que confere resistência ao glyphosate ainda não foi determinado com clareza.Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate Lolium multiflorum é uma espécie anual ou bianual. trabalhando com biótipos sucetíveis e resistentes de azevém (Lolium multiflorum). (2004). propaga-se apenas por sementes (LORENZI. 2004). de 30 a 90 cm de altura. No Brasil. em média. Lorraine-Colwill et al. O primeiro caso de Lolium multiflorum resistente ao glyphosate foi relatado por Perez e Kogan (2002).5 . observaram que aproximadamente 80% das plantas avaliadas resistiram a dose de até 1. Originária do sul da Europa. Nas plantas resistentes e suscetíveis. glaba. Módulo 3. aproximadamente. (2002) não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs. Em todos esses casos a aplicação repetida e continuada de glyphosate para controle da vegetação é considerada a principal causa da seleção dos biótipos resistentes..Herbicidas: resistência de plantas 221 . que vinham recebendo. A diferença marcante entre populações resistentes e suscetíveis foi encontrada no translocação do glyphosate. As plantas resistentes e suscetíveis foram igualmente capazes de absorver o herbicida aplicado.

4 44.4 ± 8.3 ± 3.Herbicidas: resistência de plantas . (2002). com erros-padrão. 222 Módulo 3.9 36. LA: local da aplicação. (2002) observaram inicialmente que numa população de Lolium rigudum existiam plantas com diferentes níveis de resistência ao glyphosate e assim classificaram estes biótipos como suscetível. Quadro 8 – Inibição da EPSPS em teste in vitro População Suscetível Intermediário Resistente Altamente resistente Fonte: BAERSON et al. a hipótese de alteração da EPSPS no sítio de ação é descartada. é muito pouco provável que os maiores níveis de expressão da EPSPs dos indivíduos resistentes expliquem completamente a maior tolerância ao produto. dessa forma.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 .5 44. (2002) % de inibição por glyphosate 0 hora após a aplicação 48 horas após a aplicação 42.0 38. Os autores isolaram a enzima EPSPS e realizaram testes in vitro de sua atividade na presença de glyphosate em todas as populações.8 Esses autores observaram superprodução da EPSPS induzida pela aplicação do glyphosate e também expressivo aumento no nível de EPSPS nas plantas resistentes e altamente resistentes.5 . rigidum após o pré-tratamento com glyphosate isopropilamina (450 g ha-1) Horas 2 4 8 24 48 Biótipos S R S R S R S R S R Acima do LA 30 ± 2 28 ± 4 40 ± 3 42 ± 4 36 ± 5 48 ± 5 19 ± 3 42 ± 5 15 ± 2 50 ± 1 C (% total absorvido) LA Abaixo do LA 13 ± 1 55 ± 2 11 ± 1 58 ± 5 11 ± 1 44 ± 3 10 ± 1 44 ± 4 11 ± 2 45 ± 3 10 ± 2 37 ± 3 08 ± 1 53 ± 3 10 ± 1 43 ± 4 10 ± 2 55 ± 3 11 ± 1 33 ± 3 14 Raízes 02 ± 0 02 ± 0 05 ± 1 04 ± 0 08 ± 1 05 ± 1 20 ± 2 05 ± 1 20 ± 4 06 ± 1 Lorraine-Colwill et al.8 42. Segundo Kogan e Pérez (2003).6 ± 2.Translocação foliar do 14glyphosate aplicado em plantas resistentes e suscetíveis. sugerindo que o mecanismo de resistência não esta completamente baseado no sítio de ação.3 ± 7.5 43.2 ± 2.0 42.9 ± 4. Os valores mostrados são a médias de 10-15 plantas dos biótipos resistente e suscetível.5 ± 2.6 ± 6. intermediário . Os resultados do trabalho indicados no Quadro 8 mostram que a atividade da EPSPS das plantas resistentes é similar à atividade das plantas suscetíveis. Baerson et al. em biótipos de L. resistente e altamente resistente.

Todavia.Evolução da intoxicação provocada por glyphosate sobre biótipos sensível (A). (2006a) Em recente trabalho realizado por Ferreira et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 . Essa queda de produção foi mais severa no biótipo intermediário do que no resistente (Fig. observou-se que doses de até 3. Módulo 3. resistente (B) e de resistência intermediária (C) de Lolium multiflorum Fonte: Ferreira et al. em ambos os biótipos (resistente e com resistência intermediária) de L. A dose de 200 g ha-1 foi suficiente para controlar 100% das plantas sensíveis (Fig.Herbicidas: resistência de plantas 223 .200 g ha-1 de glyphosate não controlaram os biótipos resistentes e de resistência intermediária. 3 B e C. 4). (2006a) com três biótipos de Lolium multiflorum (biótipos sensível. multiflorum observou-se redução na produção de massa seca da parte aérea. 3A).5 . intermediário e resistente ao herbicida glyphosate). Tanto o biótipo resistente quanto o intermediário apresentaram elevados níveis de intoxicação (80%) aos 14 dias após a aplicação dos tratamentos (Fig.

. Todavia observaram diferença marcante na translocação do 14glyphosate entre os biótipos resistente (R) e sensível (S). multiflorum pode estar ligado a translocação diferencial deste herbicida pelos diferentes biótipos.Herbicidas: resistência de plantas . Ferreira et al. Esses resultados se assemelham aos encontrados por Lorraine-Colwill et al. 224 Módulo 3. 2006a) O possível caso da resistência de L. (2006) verificaram que tanto o suscetível quanto o resistente absorveram o glyphosate na mesma intensidade (Fig.Porcentagem de produção de massa seca dos biótipos resistente e intermediário tratados com glyphosate em relação à testemunha Fonte: Ferreira et al. (2002) em Lolium rigudum. O biótipo R apresentou maior acúmulo de 14glyphosate na folha aplicada às 64 horas enquanto no suscetível observaram maior acúmulo desse herbicida nas raízes (Fig.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 3 . (2006a) Figura 4 .5 . 5). 2A). que constataram maior acúmulo do produto marcado nas raízes do biótipo resistente.Biótipos resistente (R) e sensível (S) de L multiflorum cinco dias após tratamento com 800 g ha-1 de glyphosate (FERREIRA et al.

O Brasil é hoje o terceiro produtor de transgênicos. (C) – na parte aérea e (D) . Depois disso.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 – Concentrações de glyphosate avaliadas em diferentes tempos após aplicação.4 milhões de hectares de sementes. perdendo apenas para Argentina e Estados Unidos (Quadro 9). multiflorum resistente (R) e sensível (S) Fonte: Ferreira et al. 2005).Culturas transgênicas Cultivares de soja e de outras culturas foram lançados recentemente no mercado.nas raízes de biótipos de L.5 . (2006b) 14 .na folha onde foi aplicado. a área de produção de transgênicos passou de 81 milhões de hectares em 2004 para 90 milhões. correspondendo a um aumento de 11% em 2005 no total de 21 países onde o plantio de transgênicos é permitido (JAMES. No mundo. com uma área plantada de 9. Módulo 3. milhares de hectares cultivados com culturas transgênicas já foram incorporados no processo produtivo.Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas 14.Herbicidas: resistência de plantas 225 . (A) – na água de lavagem. (B) .1 .

cultivado em 4. cultivado em 3.5 . algodão. Canadá.1 < 0. EUA. que.1 < 0.3 1.1 < 0. em ordem decrescente de área cultivada.3 milhões de hectares (5%) em quatro países: EUA. Argentina.5 0. equivalente a 6% da área mundial com lavouras geneticamente modificadas. Paraguai. Austrália.1 9. milho e algodão Soja Soja. milho e algodão Soja e milho Algodão Soja e algodão Soja Milho Milho Algodão Arroz Milho Milho Milho Milho Milho Em 2005. África do Sul e Colômbia. A soja tolerante a herbicida é atualmente a cultura geneticamente modificada dominante. em ordem decrescente de área: milho tolerante a herbicida. O algodão Bt foi plantado em oito países. 11 são países em desenvolvimento e 10 industrializados (Fig. canola tolerante a herbicida. comercialmente disponível em nove países em 2005 (Quadro 9) que. Importante destacar que o milho Bt. México.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 9 . canola e mamão Soja.3 0. milho Bt tolerante a herbicida.1 Culturas transgênicas Soja.Herbicidas: resistência de plantas .3 milhões de hectares. sexta colocação em 2003.1 < 0. milho. com crescimento de 22% no ano de 2003.3 0.1 0. ocupou um total de 15. Brasil. cultivado em 4.3 milhões de hectares (5%) em dois países: Canadá e EUA.4 milhões de hectares. Outras cinco culturas listadas no Quadro 10 ocuparam entre 2% e 5% da área mundial cultivada com plantas derivadas da biotecnologia e incluem.8 milhões de hectares (4%) em dois países: EUA e 226 Módulo 3.4 5. quando foram cultivados 12. Uruguai.1 < 0. e que ocupou 4.8 1. em ordem decrescente de área cultivada.1 0.3 0. A terceira cultura geneticamente modificada mais cultivada foi o algodão Bt. Checa Superfície (milhões de ha-1) 49. Argentina. dos 21 países produtores de transgênicos. representando 60% da área mundial destinada às plantas geneticamente modificadas em 90 milhões de hectares. Romênia.8 17. Índia.1 < 0. foram: China. Canadá. África do Sul e México.8 3.1 0.Superfície global de cultivos transgênicos em 2005 (em milhões de hectares) Ordem 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Fonte: James (2005) País EUA Argentina Brasil Canadá China Paraguai Índia África do Sul Uruguai Austrália México Romênia Filipinas Espanha Colômbia Irã Honduras Portugal Alemanha França Rep. são: EUA. Ela ocupa 48.1 < 0. milho e canola Algodão Soja Algodão Soja. 2).0 milhões de hectares. África do Sul e Argentina.5 milhões de hectares.

em ordem crescente por área. os países produtores de culturas trangênicas em 2005. algodão Bt e tolerante a herbicida cultivado em 3 milhões de hectares (4%) em três países: EUA.5 milhão de hectares (2%) em 3 países: EUA.Herbicidas: resistência de plantas 227 . de 1996 a 2005 O Quadro 10 mostra.5 . Figura 2 – Evolução da área de cultivo de transgênicos no mundo. Austrália e México. Quadro 10 – Princiapais lavouras geneticamente modificada em 2005 Culturas Soja tolerante a herbicida Milho Bt Algodão Bt Milho tolerante a herbicida Canola tolerante a herbicida Milho Bt/tolerante a herbicida Algodão Bt/tolerante a herbicida Algodão tolerante a herbicida Fonte: James (2005) % em relação ao total de áreas cultivadas 60 14 06 05 05 04 04 02 Módulo 3. 2005). em milhões de hectares. Austrália e África do Sul (JAMES.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Canadá. e algodão tolerante a herbicida cultivado em 1.

que.9 42. uma vez que permite a inserção de genes cujas características são conhecidas com antecedência. denominadas de transgênicas. Nessse período. surgiram as plantas que carregam em seu genoma a adição de DNA oriundo de uma fonte diferente de germoplasma paternal.5 . Já a transgenia é uma evolução desse processo. de características desejadas) entre um organismo doador (que pode ser uma planta. O Quadro 11 mostra a evolução do cultivo de plantas geneticamente modificada e tolerante a herbicidas durante o o período de 1996 a 2005. sem que sejam introduzidos outros genes.7 11. e a decifração do código genético foram condições primordiais para o surgimento da biotecnologia moderna. um fungo. Quadro 11 –Área total de lavouras geneticamente modificadas no mundo entre os anos de 1996 e 2005 Ano 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Fonte: James (2005) Hectares (em milhões) 1. oferece maior precisão do que os cruzamentos. 2001).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A descoberta das leis da hereditariedade. como ocorre no melhoramento genético clássico (no cruzamento ocorre a "mistura" de metade da carga genética de cada variedade parental). conseqüentemente.0 27. 2005). 228 Módulo 3. por meio de desenvolvimento de métodos refinados com o uso de técnicas de biologia molecular. etc.Herbicidas: resistência de plantas . 2005). como ferramenta da biotecnologia agrícola.0 A transgenia permite um melhoramento "pontual" através da inserção de um ou poucos genes e da conseqüente expressão de uma ou poucas características desejáveis (MONSANTO. a transgenia. com segurança (MONSANTO.7 81.) e plantas.8 39.1 90. 2005). bem como da natureza química do material genético. hoje conhecida como tecnologia do DNA recombinante ou engenharia genética (VALOIS. a área cultivada com lavouras transgênicas cresceu mais de 47 vezes (JAMES. No melhoramento tradicional.6 59. com o objetivo de acelerá-lo e de ampliar a variedade de genes que podem ser introduzidos nas plantas. Assim.2 52. cruzam-se as espécies sexualmente compatíveis e ocorre a combinação simultânea de vários genes. uma bactéria. Além disso. A biotecnologia agrícola utiliza a transgenia como uma ferramenta de pesquisa agrícola caracterizada pela transferência de genes de interesse agronômico (e.7 67. permitiram a manipulação do material genético.

em que a maioria da área cultivada empregará a mesma molécula herbicida. C.Herbicidas: resistência de plantas 229 . subterrâneas e multiplica-se também a partir do enraizamento de porções do caule (ROCHA 1999.Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas Os métodos de controle das plantas daninhas não sofrerão alteração. ROCHA et al. tendo em vista que vários produtos ou combinações de produtos utilizados atualmente serão substituídos por um único ingrediente ativo. 2000). O risco do surgimento de casos de plantas daninhas resistentes é maior para aqueles herbicidas que já apresentam biótipos resistentes. deixando de fazer o controle das plantas Módulo 3. É uma planta perene que se reproduz por sementes aéreas. essas plantas apresentam grande potencial de se tornarem um sério problema de controle.5 . é uma espécie que se adapta com facilidade a diferentes ambientes e apresenta intensa resposta à calagem e adubação do solo. em alguns casos. Esse fato poderá levar a uma situação extrema. como é o caso dos herbicidas para os quais estão sendo desenvolvidas culturas resistentes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 15 . Os produtos e as combinações de produtos utilizados na soja convencional serão substituídos pelo glyphosate. Dessa forma. Espécies altamente sensíveis a esse produto serão eliminadas. Espécies como Commelina benghalensis. por exemplo. No Brasil. dessa forma. se o manejo das plantas daninhas não for adequadamente utilizado na soja transgênica. porém com o decorrer dos anos existirá uma grande possibilidade de surgir problemas como a seleção das espécies consideradas tolerantes ou mesmo espécies resistentes (GAZZIERO. o que significa alta pressão de seleção. No início serão observados apenas os benefícios da nova tecnologia. e outras consideradas tolerantes apresentam a possibilidade de disseminação e conseqüente aumento de infestação nas áreas cultivadas com soja transgênica. A dinâmica e o estabelecimento das plantas daninhas nos levam a antever uma provável mudança na composição das plantas infestantes. sendo hospedeira de pragas e moléstias. 2005). Muitos produrores de soja transgênica no Rio Grande do Sul preferem controlar as plantas daninhas com aplicação de pós-emergência feita na cultura. o glyphosate (GAZZIERO. espera-se a ocorrência de profundas mudanças nos sistemas de controle. 2005). em que fatores como a intensidade e a rapidez da mudança na composição de uma comunidade são acentuados e inevitavelmente influenciados pelas práticas agrícolas e pela ação humana. somente haverá.. Em 2005 a soja transgênica foi oficialmente liberada para plantio no país. a substituição das moléculas herbicidas que vinham sendo usadas por outra. as plantas daninhas apresentam composição e dinâmica de um país tropical. será utilizado um único ingrediente ativo. Borreria latifolia e Tridax procumbens são plantas consideradas tolerantes ao glyphosate. que é um requisito para a seleção de plantas resistentes. benghalensis.

como: uso de misturas de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e rotação destes mecanismos. Para que isso seja evitado. para que se possa entender e estabelecer estratégias específicas para os nossos casos. e as informações de que se dispõe são relacionadas a casos de outros países. Vargas (2004). do fluxo gênico e da dispersão de propágulos. poucos cientistas estão se dedicando a essa área no Brasil.Herbicidas: resistência de plantas . Na maioria dos casos. da variabilidade genética da espécie daninha. ao se realizar a aplicação. e em anos seguidos. o mesmo herbicida ou herbicidas. sobre os quais tem sido aplicada doses de 16 L ha-1 do produto comercial sem sucesso. devem ser adotadas as práticas de manejo adequadas.5 . estarão sujeitos à seleção de plantas daninhas resistentes. trazendo prejuízos a cultura (THEISEN citado po GAZZIERO.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que germinam antes da semeadura da soja. 16 . Sabe-se que sua evolução em uma área é dependente da pressão de seleção. Desse modo. além da resistência de azevém (Lolium sp. que poucas vezes podem ser generalizados para as nossas condições. levando a um considerável aumento nos custos de produção. Contudo. Commelina benghalensis. 230 Módulo 3. Biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistente ao glyphosate se tornaram um grave problema nas lavouras de soja transgênica no Rio Grande do Sul. com mesmo mecanismo de ação. do número de genes envolvidos. observou em pomares de maça tratados com glyphosate a seleção de Richardia brasiliensis. do padrão de herança. Nas áreas com mais de 15 anos de uso têm sido feitas três aplicações/ano em doses que variam de 2 a 8 L ha-1. em outras espécies. Euphorbia heterophylla. agricultores que empregarem extensivamente. Estudos aprofundados sobre essa questão devem ser realizados com urgência no país.). 2003).Comentários finais A resistência de plantas daninhas a herbicidas é um fato consumado no Brasil. em condições semelhantes. o processo de competição entre a cultura e as plantas daninhas já se iniciou. tolerantes e sensíveis em áreas afetadas e para eleger métodos de manejo e controle das plantas tolerantes e resistentes que permitam impedir a multiplicação e a disseminação desse(s) gene(s) para outras populações. O conhecimento desses pontos é importante para embasar previsões de proporções futuras entre plantas resistentes.

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6 .ABEAS Universidade Federal de Viçosa .DF 2006 Módulo 3.Manejo de plantas daninhas em pastagens Tutores: Profº. Ricardo Camara Werlang Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .Manejo de plantas daninhas 3. Lino Roberto Ferreira Profº.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 . Antonio Alberto da Silva Profº.Manejo de plantas daninhas em pastagens 235 .6 .

Controle de plantas daninhas.Competição por água. 246 1.Controle preventivo.6 .1.3 .3 . 252 2.Competição por luz. 253 2.1 .3 .Controle químico.Uso de herbicidas na recuperação de pastagens.Competição entre plantas daninhas e forrageiras.2 .4 . 252 2. 237 1 .Integração da agricultura e pecuária. 247 2 .1 .1.Fatores do ambiente passíveis de competição.2 . 238 1.4. 246 1.1 .Controle cultural. 260 2. 257 2.4.Plantas tóxicas.Manejo de plantas daninhas em pastagens .Controle mecânico ou físico.Uso de herbicidas na manutenção de pastagens.1 .1.2 .Competição por nutrientes.4. 243 1.2 .3 . 267 236 Módulo 3. 261 Referências bibliográficas. 258 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução. 239 1. 259 2. 244 1.Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens.

parte expressiva do setor se distanciou da prática extrativista que por muitos anos caracterizou a atividade e tem sido um exemplo de capacidade de ajustes e adaptação à realidade do mercado atual. ambientalmente corretos. formas de produção que. Nesse período. nesse contexto. competitividade e sustentabilidade (EUCLIDES FILHO. qualidade. Dessa forma. a humanidade coloca em segundo plano os tratados e previsões que fundamentaram a “revolução verde” e busca. consumidor. que são responsáveis pela reestruturação desde níveis e formas de informação. 1996) A pecuária brasileira está sendo influenciada pelo processo de globalização em andamento no mundo. sociais e políticas. além de produtivas. Com relação aos sistemas de produção agrícolas. em maior ou menor grau. 1997). sistemas economicamente viáveis. em geral. como política. e o segundo é o fato de possibilitarem o atendimento da grande demanda mundial por alimento produzido de forma natural. essa tendência é muito mais complexa e envolve modificações muito mais profundas. indústria. capazes de ser conservadores de recursos. diante das transformações que vêm se processando. produtor. da intensificação total. com respeito ao ambiente e aos animais. em especial para a pecuária. como solo. passando por mudança do estágio de conhecimento e culminando com o estabelecimento de um novo padrão de comportamento da sociedade como um todo. e aproximando-se.6 . isto é sinônimo de estabelecimento de sistemas sustentáveis.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Atualmente. Os últimos dez anos têm sido decisivos para a economia brasileira. água e recursos genéticos animais e/ou vegetais. 1997). As mudanças que vêm ocorrendo nos sistemas de produção são reflexos de transformações econômicas. a atividade pecuária tende a se tornar cada vez mais uma atividade empresarial. afastando-se cada vez mais do modelo extrativista. representado pela pecuária extensiva. economia. eficiência. social. competitivos e eficientes. ou seja. espera-se. assumem dois aspectos fundamentais. que penaliza os setores não-competitivos e ineficientes (EUCLIDES FILHO. Conseqüentemente. e na pecuária. dependendo de cada caso. Módulo 3. a formação do que pode ser denominado um novo status de cultura global (EUCLIDES FILHO. O primeiro é que elas viabilizam a competitividade brasileira. socialmente justos. em particular. deve considerar os vários pontos determinantes dos segmentos envolvidos no setor. A tomada de decisão na pecuária.Manejo de plantas daninhas em pastagens 237 . em última instância. As pastagens. Uma das características que faz com que a atividade pecuária no Brasil seja altamente competitiva é o fato de o País possuir grandes áreas de pastagens e condições adequadas para o desenvolvimento destas. apesar de esse processo estar sendo propalado como a globalização da economia. É importante ressaltar que. nesse contexto. possibilitem convivência harmoniosa com a natureza. e produtivos.

Estima-se que 80% dos quase 60 milhões de hectares da área de pastagens na região de Cerrados apresentam algum estágio de degradação (MACEDO et al. é facilmente dominada pelas plantas daninhas. Essas forrageiras. a prática demonstra outra realidade. mas também por espaço.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Diante da importante função assumida pela pastagem no contexto de pecuária empresarial e competitiva. Causada por diversos fatores. em um dos maiores problemas dos sistemas de produção de bovinos no Brasil Central. atualmente. Nas Figuras 1 e 2 são apresentadas algumas das principais espécies de plantas daninhas das pastagens. têm a sua taxa de fotossíntese líquida altamente reduzida e. uma vez que estas plantas competem por luz. Isso ocorre porque a maioria das gramíneas forrageiras cultivadas no Brasil tem a sua eficiência fotossintética altamente dependente da intensidade da luz. ocasionado pela competição com as plantas daninhas. falta de adubação de manutenção e manejo da pastagem inadequado. e aumenta o tempo de formação das áreas reformadas.Competição entre plantas daninhas e forrageiras Pastagens produtivas significam pastagens bem formadas. A presença delas em pastagens reduz a produtividade. ainda. Essa competição se dá principalmente por luz.. As plantas daninhas podem. como ferimentos no úbere das vacas. 1 . agravam-se os efeitos ambientais pela erosão dos solos e assoreamento dos mananciais de água. a presença de plantas daninhas em pastagens reduz a sua capacidade de suporte (unidade animal por ha). má formação inicial. nestas condições. por diminuir o potencial de formação de pasto pelas forrageiras. se sombreadas. Degradação de pastagens é um processo evolutivo de perda de vigor e produtividade da forrageira.Manejo de plantas daninhas em pastagens . sem possibilidade de recuperação natural. pois são espécies que apresentam o metabolismo C4. espaço.. pode-se considerar a luz como o principal fator (recurso) de competição destas com as forrageiras. devido à elevada capacidade competitiva das plantas daninhas. 2000). No entanto. reduzindo a disponibilidade desses fatores para as forrageiras. entre eles má escolha da espécie forrageira. Pastagem degradada se constitui.6 . 238 Módulo 3. as quais dificultam o processo de produção pecuária. e até mesmo arbóreo. ocasionar danos físicos aos animais. nutrientes e água. que afeta a produção e o desempenho animal e culmina com a degradação do solo e dos recursos naturais em função de manejos inadequados. a degradação precisa ser revertida para garantir a produtividade e a viabilidade econômica da pecuária (MACEDO et al. de muitas espécies de plantas daninhas infestantes de pastagens em condições brasileiras. Além dos impactos negativos na produção e desvalorização do patrimônio. água e nutrientes. é lógico que o sucesso desse setor está estreitamente relacionado com a manutenção das pastagens em condições adequadas. Assim. além de ser um ambiente propício para o desenvolvimento de parasitas. até mesmo parcialmente. 2000). bem manejadas e livres de plantas daninhas. Em razão do porte arbustivo.

a forrageira e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área.Fatores do ambiente passíveis de competição Em ecossistemas agropastoris. muito comuns em pastagens brasileiras.1 . qualquer planta daninha que se estabeleça na pastagem vai usar parte dos fatores de produção. caso eles se alimentem de plantas tóxicas. gás carbônico. Recursos são os fatores consumíveis. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso for limitado e máxima quando o ponto de saturação for atingido. nessas circunstâncias.Manejo de plantas daninhas em pastagens 239 .: toxidez devido a excesso de Zn no solo). estabelece-se a competição. Radosevich et al. nutrientes e CO2 e. na maioria das vezes. nutrientes e luz.6 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas causados por espécies com espinhos. como água. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex. ou até mesmo levá-los à morte. reduzindo a produtividade da forrageira. Como ambas possuem suas demandas por água. A seguir serão abordados os principais fatores envolvidos na competição entre as plantas daninhas e as forrageiras. esses fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente. 1. até mesmo para o próprio desenvolvimento da forrageira. Módulo 3. luz. Isso ocorre porque. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. já limitados no meio.

(e) ciganinha (Memora peregrina). (c) mata-pasto (Eupatorium maximilianii).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 – Principais plantas daninhas das pastagens (a) assa-peixe branco (Vernonia polyanthes).Manejo de plantas daninhas em pastagens . (f) fedegoso (Senna ocidentalis). (g) guanxuma (Sida glaziovii) e (h) lobeira (Solanum lycocarpum) 240 Módulo 3. (b) leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia).6 . (d) assa-peixe roxo (Vernonia glabrata).

(b) arranha-gato (Acacia plumosa). (g) mamona (Ricinus communis). (f) algodão-bravo (Ipomoea carnea sbsp.(c) guizo-de-cascavel (Crotalaria spectabilis). fistulosa). (e) cambará (Lantana camara).(a) camboatá (Tapirira guianensis).Manejo de plantas daninhas em pastagens 241 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 – Principais plantas daninhas das pastagens .6 . (h) ximbuva (Enterolobium contortisiliquum) e (i) samambaia (Pteridium aquilinum) Módulo 3. (d) cafezinho (Palicourea marcgravii). e plantas tóxicas .

não estando. caracterizado pela pastagem degradada. densidade do solo. até que um nível ideal seja alcançado. interespecífica.. etc. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. ainda. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas daninhas em relação às culturas são o seu porte e sua arquitetura. como: a competição é mais séria nos períodos iniciais de desenvolvimento da 242 Módulo 3.. A competição pode ser intra-específica. o maior índice de área foliar. Entretanto. a menor suscetibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. como acontece. mesmo com baixos níveis do recurso no ambiente (RADOSEVICH et al. 1996). em razão da influência extrema que eles exercem na utilização dos recursos pelas plantas. Os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta destas às variações dos recursos (GOLDBERG. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. dependendo da espécie cultivada. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (RADOSEVICH et al. No entanto. seja ela daninha ou não. 1990. totalmente esclarecida. em áreas de pastagens degradadas a capacidade competitiva das plantas daninhas é ainda maior. Na realidade. A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. se a forrageira se estabelecer primeiro. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos. Várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as forrageiras e as plantas daninhas. a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. Determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer. envolvendo indivíduos de espécies diferentes. citado por RADOSEVICH et al. Todavia. 1996). 1985). a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. como pH do solo.6 . a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. por exemplo. também. A competição entre plantas daninhas e forrageiras é um fator crítico para o desenvolvimento da pastagem quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a forrageira. se a população de plantas da forrageira por área for baixa ou o estande for desuniforme.. como veranico e geadas. cuja dependência é muito grande.Manejo de plantas daninhas em pastagens . Contudo. do seu vigor.. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância. 1996). e. ela poderá cobrir rapidamente o solo. porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Condições são fatores não diretamente consumíveis. em condições de sombreamento (PITELLI.

pois se estabelecem primeiro. grande número de estômatos por área foliar. torna-se fácil o manejo da forrageira. ainda. Disso resulta a importância do preparo do solo. ciganinha e outras). apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. comumente. liberar toxinas no solo. as espécies daninhas de maior porte do que as forrageiras exercem grande potencial competitivo com estas. as características fisiológicas das plantas. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular (maior profundidade do sistema radicular – ex. como o químico ou mecânico..6 . da profundidade de plantio. regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. especialmente nos trópicos em dias quentes. luz. Assim a competição é mais facilmente minimizada ou até mesmo eliminada com a integração de outros métodos de controle. o chamado manejo integrado de plantas daninhas. dessa forma. Desse modo. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo.: assa-peixe. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis.1. etc. magnitude da condutividade hidráulica das raízes. da escolha da forrageira adequada para a região. no manejo da forrageira.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas forrageira. 1996). as condições para que ela se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. da época correta de plantio.. desenvolvimento e crescimento rápido de grande superfície fotossintética mesmo ainda na fase de plântula. nutrientes e espaço. Módulo 3. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas.Manejo de plantas daninhas em pastagens 243 . etc. especialmente nitrogênio e carbono. 1. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da forrageira e da vegetação daninha infestante da área a ser formada. devido ao sombreamento. que as plantas forrageiras fiquem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas. sem qualquer sinal de déficit hídrico. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. das condições adequadas de pastejo e manejo adequado da forrageira. Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma pastagem. pequenas ou grandes. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes. Conhecendo esses fatores. podendo. Normalmente. da percentagem de germinação e vigor das sementes. e sistema radicular muito desenvolvido. as espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da forrageira. fazendo com que esta leve vantagem sobre o complexo de plantas daninhas. principalmente se a forrageira possui metabolismo C4. por isso. realizando. e as espécies daninhas competem por água. é normal em alguns agroecossistemas. que podem inibir a germinação e ou desenvolvimento da forrageira.1 . (Radosevich et al. como capacidade de remoção de água do solo. tendem a excluir as demais.

2 . de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico).Manejo de plantas daninhas em pastagens . dependendo da espécie vegetal. o ácido pirúvico.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. agora pela enzima ribulose 1. molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. localizada nas células do mesófilo foliar. sendo esta relação para as plantas C4.Competição por luz A competição pela luz é muito complexa e sua magnitude é influenciada pela espécie. que ocorre em todas as plantas superiores.1. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. logo. responsável pela fixação do CO2. comparado a regiões temperadas. ou seja. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. Em conseqüência da ação desta enzima. Essas plantas. as plantas C3 fotorrespiram intensamente. As plantas C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. a superioridade das forrageiras utilizadas no Brasil (C4 em sua grande maioria) é dependente de certas condições. onde esses produtos são descarboxilados. por difusão. Esse fato evidencia que as plantas C4 244 Módulo 3. baixo ponto de saturação luminosa. 3-fosfoglicérico e. As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). em seguida. consumindo 2 ATPs.5 difosfato carboxilase. onde é fosforilado. substrato inicial da respiração. As plantas C4. A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). também. a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. do glicolato. quando comparadas com plantas C4. catalisa a produção do ác. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. se ela é umbrófila ou heliófila e. é transportado para as células da bainha vascular das folhas. por ser ambígua quanto ao substrato. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. A maior eficiência das plantas C4 em relação a C3 em condições adequadas de luminosidade e temperatura é o principal fator da superioridade de produção forrageira em condições tropicais (maioria C4). ocorrendo o ciclo de Cavin e Benson. considerando ambos os grupos em condições ótimas. Entretanto. Este CO2 liberado é novamente fixado. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico. de 1:5:2. não desassimilam o CO2 fixado. no ácido fosfoenolpirúvico. por difusão. também.6 . como a luminosidade adequada. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). e. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. Elas não apresentam fotorrespiração detectável. É sabido que a relação. além do ciclo de Calvin e Benson. retorna às células do mesófilo. por apresentarem dois sistemas carboxilativos. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. formando o ácido oxaloacético (AOA). Este AOA é convertido em malato ou aspartato.

1995). aparecimento de folha e duração da folha) que. estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. Cada espécie de forrageira possui um padrão genético de crescimento e expansão foliar (determinado por suas características morfogênicas . REIS. Isso acontece porque. a fim de evitar o sombreamento.. temperatura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. Em função destas e de outras características. liberando CO2. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. atua especificamente como carboxilase. Essas características são genéticas. porém são influenciadas por fatores externos.espécies de Brachiaria (CORSI et al. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. nessas condições. luminosidade alta e até mesmo déficit hídrico temporário. Portanto.Manejo de plantas daninhas em pastagens 245 . gênero Panicum (RODRIGUES.. indica o potencial de produção de uma pastagem. quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. Isso é possível porque esse grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável.6 . 1994). esta passa a atuar mais como oxidativa. 1999) . e não satura em alta intensidade luminosa. ocorre a necessidade de controle de invasoras. que são diretamente correlacionadas com a quantidade e qualidade da luz. as espécies C4 dominam completamente as C3. se for reduzido o acesso à luz. conseqüentemente. gênero Cynodon (SILVA et al. Como toda essa energia é proveniente da luz.são plantas C4. como água. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km). Como a maioria das forrageiras das regiões tropicais e subtropicais . nessas condições. atividade ótima em temperaturas mais elevadas. Esse fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos.alongamento de folha. a ocorrência de sombreamento por plantas daninhas implica redução drástica do potencial competitivo dessas forrageiras. 1998) e Pennisetum purpureum (RODRIGUES et al.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). No caso das plantas C4. aliado a outros fatores. Todavia. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). a enzima carboxilativa das plantas C3 encontra-se saturada quanto à luz e. densidade de perfilhos e número de folhas por perfilho. A combinação das características morfogênicas determina as três principais características estruturais das forrageiras: tamanho de folha. luminosidade e nutrientes. Além disso. é comum. levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEPcarboxilase) apresenta algumas características. as condições de luminosidade e temperatura serão preponderantes no desenvolvimento adequado das forrageiras. ainda assim elas continuam acumulando biomassa. como: alta afinidade pelo CO2. Módulo 3. A luz como fonte de energia de todos os processos biológicos na forrageira é o componente principal na produção da pastagem.

em conseqüência disso. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca. Nesse sentido. As tecnologias para recuperação e manejo sustentável dos solos degradados dos Cerrados. das espécies presentes. apesar de esse processo ser lento e silencioso. visam melhoria das propriedades do solo. 1. como alternativa de recuperação de pastagens degradadas. melhoria das propriedades físicas do solo..3 .Integração da agricultura e pecuária A degradação das pastagens. que facilitam a ocorrência de pragas. o empobrecimento da fertilidade do solo. a consorciação de lavouras e forrageiras. Essas tecnologias também proporcionam maior diversificação das atividades econômicas no meio rural (KICHEL. maior eficiência no uso de máquinas. por constituir-se em tema complexo e não ser objetivo do presente trabalho. evitando a erosão e quebra do equilíbrio.1.Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e. além da quebra do ciclo de pragas e doenças. exercem forte competição com as forrageiras pelos nutrientes essenciais. observam-se a expansão do plantio direto. 2000). a baixa retenção de água no solo e o aumento do processo erosivo são sintomas do manejo inadequado que prejudicam o meio ambiente. 2001). os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das forrageiras em nossos solos. MIRANDA. A integração agricultura e pecuária não será abordada em maior detalhe. em alto grau. a competição por nutrientes depende. doenças e plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. tornando-o sustentável em termos econômicos e ecológicos (KICHEL et al. tanto para as áreas de pastagens como de agricultura. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes. o aproveitamento da adubação residual e o preparo do solo mais elaborado podem ser vantajosos na redução dos custos e na eficiência de recuperação das pastagens degradadas (Macedo et al.Manejo de plantas daninhas em pastagens . deve-se considerar. com maior ênfase. A venda de grãos das culturas. 2000). É notório que o setor agropecuário brasileiro está passando por um processo de transição socioeconômica e agroambiental.2 . diversificação do sistema produtivo e de aumento da produtividade do empreendimento agrícola. tem sido proposto recentemente. Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. a preocupação da utilização racional de água e agroquímicos e a necessidade de maior competitividade e sustentabilidade (COBUCCI. a queda na produtividade das lavouras..6 . 2000. a utilização de culturas anuais em cultivos seqüenciais ou simultâneos como formas de sistemas de produção. 246 Módulo 3.. Portes et al. 2001).

2002). 2002). principalmente em bezerros. POTT. citado por Hoehne (1939). O tipo de solo também pode influenciar na toxidez de uma planta. em condições naturais. Tokarnia et al. mas também aquelas que provocam direta ou indiretamente perturbações na saúde do animal. Por outro lado.). Na mesma raça há fatores ligados ao próprio indivíduo. 1991). No caso da espécie bovina. raiva ou outra doença. peso. outras menos. subquadripara = B. até atingir a dose letal (AFONSO. A maioria das plantas tóxicas é consumida pelos animais em razão da escassez de alimentos nas pastagens e da mudança de animais famintos para pastagens que possuem plantas tóxicas (FREITAS et al. Com relação à planta. A mais temível do Brasil é a erva-de-rato ou cafezinho (Palicourea marcgravii) (POTT. vai retendo no seu organismo. arrecta). Algumas plantas cultivadas também são consideradas tóxicas. Os biomas Pantanal e Cerrado possuem floras ricas em espécies. Várias provocam sinais que podem ser confundidos com picada de cobra.Plantas tóxicas Calcula-se que 12% das mortes de bovinos são causadas por sementes. estado sanitário e nutricional. deve-se considerar a sua fase vegetativa. como Brachiaria decumbens. com comprovação experimental. tóxicas. 2002). (2000) definem planta tóxica de interesse pecuário a que é ingerida por animais domésticos de fazenda. Portanto. os quais podem estar relacionados ao animal ou à planta. floração e frutificação. plantas tóxicas não são somente vegetais que provocam verdadeiros envenenamentos e intoxicações agudas. certos venenos. há outros fatores que também propiciam intoxicações. POTT.6 . sexo.Manejo de plantas daninhas em pastagens 247 . Módulo 3. 2000). Segundo Howes (1933). ingerindo pequenas quantidades diárias. AFONSO. folhas ou raízes de plantas que possuem grande quantidade de elementos químicos nocivos ao gado (AFONSO. pois às vezes ela provoca intoxicações apenas em uma dessas fases. como brotação. a ingestão de certas plantas em pequenas quantidades leva o animal a adquirir resistência ou tolerância ao princípio tóxico. visto algumas serem tóxicas em uma região e em outra não (AFONSO. que o animal. que pode causar anemia devida a nitratos/nitritos.3 . como é o caso das mandiocas-do-mato (Manihot spp.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. POTT. e braquiária-d´água ou "tanner grass" (B. que causa fotossensibilização ("orelha frita"). além do grau de sensibilidade do animal a um princípio tóxico (AFONSO. e causa danos à saúde ou morte. 2002). O conceito sobre plantas tóxicas é relativo. Além da fome. muitas das quais ingeridas pelo gado. consideram-se tóxicas todas as plantas que.. ingeridas espontânea ou acidentalmente pelo animal. Existem também plantas com princípio tóxico cumulativo. certas raças toleram mais. como idade. podem provocar danos que se refletem na sua saúde ou vitalidade. POTT. sendo algumas.

sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. Ocorre em terra firme. capoeiras e em pastos recém-formados. Inicialmente os sinais apresentados são de emagrecimento progressivo. sobrevindo a morte dentro de poucos minutos. cercar as matas e as capoeiras onde existir a planta. com um resumo das suas principais características. tremores musculares. trepador. uso de herbicidas. o que é difícil de ocorrer no campo. controle químico Arbusto responsável pela maioria das mortes de bovinos causadas por plantas tóxicas em terra firme. Possui distribuição ampla. lassidão e pêlos ásperos. sendo ingerida em qualquer época do ano. ou estado de embriaguez. O seu andar se torna desequilibrado (como se estivesse embriagado). exceto se for afogado depois. nas planícies de inundação dos rios Negro. afeta o Rubiaceae em áreas sombreadas das beiras ciclo de Krebs das matas. fistulosa) Convolvulaceae Figura 2 f 248 Módulo 3. Às vezes o animal mostra. durante semanas. A semente pilosa (origem do nome algodão) é espalhada pela água. encontrada em todo o País.6 . Aumenta em campos com excesso de gado ou perto de porteiras. respiração ofegante.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas São várias as espécies de plantas tóxicas presentes nas pastagens no Brasil. Abobral e Paraguai. Causa a síndrome da morte súbita. flor e semente praticamente durante o ano todo. marcgravii) acético. iniciam poucas horas após ser completada a ingestão da dose letal. São tóxicas as folhas e as sementes. Nos bovinos. A principal forma de propagação é vegetativa. os sintomas consistem em queda repentina do animal ao chão. Com a evolução da intoxicação o animal apresenta sinais de origem nervosa. canudo-de-pita (Ipomoea carnea subsp. com cafezinho Ácido exceção do extremo sul e do sertão (Palicourea monoflúornordestino. cochos e aguadas. Algodão-bravo. Rebrota após cortes e ácido lisérgico fogo. Possui boa Figura 2 d palatabilidade. Cresce somente em solo de barro (LSD) (argiloso). desequilíbrio do trem posterior. sendo Erva de rato. É muito comum em lagoas rasas. com as pernas traseiras abertas e instabilidade no trem posterior. Quadro 1 – Principais plantas tóxicas encontradas no Brasil Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). caindo com facilidade. Arbusto aquático.Manejo de plantas daninhas em pastagens . Perene. Controle: erradicar as plantas. antes de cair. os ramos que encostam no chão Alcalóides derivados do enraízam. havendo pasto). DL (9 kg de folhas verdes por dia. muito alagável. A evolução da intoxicação é crônica e não há recuperação do animal Controle: erradicação. de 1 a 4 m de altura. DL (100 g de folhas verdes). Na Figura 2 estão apresentadas e no Quadro 1 listadas as de maior ocorrência e importância no Brasil.

DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). Ingestão em menores quantidades ocasionam hematúria intermitente. Inicialmente. com fome. Sob condições naturais. quando expostos ao solo. planta somente em circunstâncias chumbinho ou especiais. sendo a brotação a porção mais tóxica das partes aéreas. hemorragia na pele e nas mucosas visíveis.Manejo de plantas daninhas em pastagens 249 . eventualmente diarréias enegrecidas. para provocar sintomas de intoxicação aguda. Em eqüinos causa deficiência de vitamina B1. fezes ressequidas e. A planta toda é tóxica.000 g de folhas verdes ingerido durante três semanas a poucos meses. Consistem nas manifestações de fotossensibilidade hepatógena. falta de apetite. continue a procurá-la. que faz com que este. Samambaia (Pteridium aquilinum) Substância Dennstaedtiacea radiomimética e e tiaminase Figura 2 i Planta tóxica de importância no Brasil e no mundo. que aparece de repente. Controle: erradicação da planta. mesmo cessada a fome. depois de comê-la por algum tempo.6 . anemia. sonolência. emagrecimento. tem incordenação ao andar. principalmente quando camará Triterpenóides transferido. Os animais apresentam andar incerto. utilizar ungüentos antiinflamatórios. apresentam tremores musculares. devido ao efeito acumulativo). Já na fase aguda. Controle: erradicar as plantas (herbicidas) e não transferir animais com fome para pastagens infestadas. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. extrato hepático e purgante oleoso Figura 2 e e medicar as lesões na pele. trôpego. DL (variada). convulsões. culminando na morte. se habitue a ela e. DL (1. os bovinos ingerem a Cambará. Causa febre alta. O animal sangra prolongadamente por qualquer ferimento. em pequena quantidade. Muitos animais morrem nessa fase. A fome faz o animal ingerir a planta. As plantas ocorrem em solo ácido. sendo a correção e aração deste um método cultural de controle desta espécie. No tratamento os camara) animais devem ficar na sombra.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Arbusto ou subarbusto é cosmopolita. controle cultural (calagem e aração do solo) e químico Módulo 3. lantadene B) Verbenaceae Deve-se administrar glicose. manifestam fotossensibilidade sob forma de eritema e edema inflamatórios nas partes menos pigmentadas da pele e inquietação à procura de sombra. para áreas (Lantana (lantadene A e infestadas. os animais apresentam anorexia e diminuição ou parada dos movimentos do rúmen.

É tóxica ao fígado. leiras provenientes de desmatamento e pastagens cultivadas. Morre na queimada. ereto. 250 Módulo 3. mas retorna por semente.500 g de folhas verdes ao dia foram suficientes para levar os bovinos à morte). antes da formação de sementes. A torta de mamona não bem detoxicada pelo calor também é tóxica. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). mas de ciclo curto. que favorece a germinação. geralmente férteis. grupo das outras menos tóxicas. chique-chique (Crotalaria spectabilis) Leguminosae Figura 2 c Planta ereta. Comum em áreas ruderais como Ricinina beira de estrada. Há formas de folhas verdes e outras arroxeadas. com tremores musculares. O bovino apresenta andar desequilibrado. Perene. sendo umas mais. com o animal apresentando fraqueza. perda do equilíbrio ao caminhar e alteração do sistema nervoso sob forma de excitação ou depressão. principalmente em situações de fome. DL (2.um quarto dessa dose no caso de bezerro). com flor e fruto quase durante o ano todo. em solos argilosos ou (toxoalbumina) arenosos.6 . sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. Após apresentar estes sinais. com flor e semente em grande parte do ano. geralmente não folha e ricina inundáveis. mas das folhas não. Controle com herbicida. Já a intoxicação pelas sementes varia de aguda a subaguda. O consumo repetido de pequenas quantidades de semente pode dar imunidade. Uso de herbicidas. os animais mais novos são mais sensíveis . Comum em áreas mexidas. Possui ampla distribuição. É palatável. dificilmente o animal se recupera.. as folhas foram observadas bem pastadas por bovinos no Pantanal. Controle: É facilmente eliminada com mais de uma roçada. tanto as folhas como as sementes são tóxicas. A parte aérea morre com a queima. Anual. que germina melhor após o fogo. de 50 a 100 cm de altura. em solos de vários tipos. Ocorre também eructação excessiva (arroto) acompanhada por sialorréia (baba). e dificuldade de caminhar longas distâncias. Deve-se atentar para o seu aparecimento em leiras. e a plântula encontra condições mais favoráveis na pastagem rapada e rala (degradada). Os sinais apresentados têm predominância neuro-muscular. Embora conste como pouco palatável.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Mamona (Ricinus communis) Euphorbiaceae Figura 2 g Arbusto pouco lenhoso. No Brasil existem mais de 40 espécies Alcalóides do de Crotalaria. etc. Controle: Pode ser praticamente eliminada com roçadeira (rebrota pouco). depósitos (alcalóide) na de lixo.Manejo de plantas daninhas em pastagens . geralmente férteis. perda de apetite. as quais são o meio de propagação. ingerindo também flores e frutos. Há relatos de pirrolizidinas que o princípio tóxico desta planta se concentra mais nas flores e nas sementes. na semente. antes que forme sementes. taperas. O fruto estoura ao sol e lança as sementes a vários metros de distância. com copa. apatia e diarréia sanguinolenta. perturbações digestivas. DL (5. onde o solo é mais fértil.000 g de folhas frescas ou 200 g de sementes. de 1 a 4 m de altura. por irritação do tubo digestivo. procurando ficar deitado. A intoxicação pelas folhas é aguda. causando perturbação nervosa. Guizo-decascavel. Os principais sinais na intoxicação por Crotalaria iniciamse por contrações abdominais.

DL (250 a 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Árvore de 8 a 18 m de altura. a novembro.500 g de favas que leva um bovino à morte na intoxicação experimental). caem ou deitam-se precipitadamente.Manejo de plantas daninhas em pastagens 251 . Ficam logo em decúbito letal. berram e morrem. Leguminosae especialmente no Nordeste e Triângulo Mineiro. Uso de herbicidas. acompanhada de outras perturbações digestivas. Gibata ou chibata Glicosídeo do (Arrabidaea tipo esteróide bilabiata) cardioativo Bignoniaceae Trepadeira. Afonso e Pott (2002) Módulo 3. mesmo em pequenas porções. embora. a planta não tem boa palatabilidade. Os animais. próximo à morte. aproximadamente. neste caso. Os principais sinais apresentados pelo animal intoxicado se caracterizam por lassidão. solos arenosos ou contortisiliquum Saponina do argilosos. Comum em matas e (Enterolobium cerradões. Causa lesões no tubo digestivo. Há citações de que as favas provocam aborto em vacas.300 a 1. Semente espalhada tamboril pela fauna. Fonte: Freitas et al. fazendo movimentos de pedalagem. o animal faz movimentos de pedalagem com os membros traseiros e dianteiros. Floresce de setembro a novembro. cerram fortemente as pálpebras. Os bovinos ingerem a planta somente quando estão com fome.6 . sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. (1991). planta tóxica mais importante das regiões de várzea da bacia amazônica. copa larga. Ocorre retração acentuada dos globos oculares e. geralmente férteis. O quadro de intoxicação se manifesta poucas horas após a ingestão das favas e a sua evolução é aguda. Controle: Pastagens em abundância e erradicação da espécie. A parte tóxica Figura 2 h importante desta planta são os seus frutos. ) tipo esteroidal Encontrado em todo o Brasil. produz fruto de agosto Ximbuva. Controle: É facilmente eliminada com anelamento (descascar em volta do tronco).500 g de folhas verdes). Em seguida provoca diarréia de coloração amarelada e fétida. não causem outros sinais de intoxicação. de 6 a 24 horas após a ingestão da planta. que amadurecem e caem no período da seca e apresentam boa palatabilidade para os bovinos. Os sintomas iniciam-se. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). perde as folhas na estação seca. às vezes. aparentemente. DL (1. quando movimentados. diminuição ou até perda total do apetite.

cultural. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. quando não há redução da sua produtividade econômica. Isso pode ser possível se o pecuarista proceder à absoluta racionalização do controle de plantas daninhas. os custos de controle. o manejo de plantas daninhas pode ser definido como a combinação racional de medidas preventivas associadas a medidas de controle e de erradicação. recomenda-se o “manejo integrado das plantas daninhas”. que consiste num sistema ambientalmente correto no campo. a energia gasta com tratos culturais. resguarda os seus aspectos benéficos e não causa danos à forrageira. Dessa forma. em um determinado agroecossistema. aos animais e ao solo. O controle ideal é aquele que. além de outras operações e a erosão do solo causada por água e vento. do período crítico de competição. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. tem sido preconizado o manejo integrado de plantas daninhas. dependerá da espécie infestante. com o advento da chamada agricultura economicamente sustentável. da capacidade competitiva da forrageira. mecânico ou físico. por meio de métodos e equipamentos usados oportunamente. se necessárias. ainda. ou. 2.Controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mesmos empregados em outros sistemas de produção agrossilvopastoril. Atualmente. sendo muito variados. obtido em uma pastagem. no controle integrado. mantendo a qualidade ambiental com a maximização de lucro para o agricultor. etc. dos métodos empregados. A redução da interferência das plantas daninhas. o estabelecimento e. considerando uma forrageira. deve ser feita quando as perdas forem superiores ao incremento no custo devido ao controle. ou seja. das condições ambientais. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco (SILVA et al. onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para produção das culturas livre de danos econômicos da vegetação daninha competitiva.Manejo de plantas daninhas em pastagens . economicamente. Atualmente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . 2005). constituindo-se. com o objetivo de reduzir as perdas causadas por estas plantas. esse fato. O nível de controle das plantas daninhas.6 .Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. assegurar a produção adequada de alimentos.1 . Os métodos de controle podem ser: preventivo. a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas 252 Módulo 3.. elimina os prejuízos causados pelas plantas daninhas. segundo Victoria Filho (2000). Visa. biológico e químico.

principalmente. grades. ou mesmo reduzindo os efeitos erosivos. condições favoráveis para a forrageira em relação às demais espécies presentes na área (plantas daninhas) e possibilita a vantagem competitiva da forrageira em relação às plantas daninhas.Manejo de plantas daninhas em pastagens 253 . qualidade. bem como a aplicação de adubos fosfatados. um estado.Controle cultural O controle cultural reúne todas as práticas disponíveis para o estabelecimento das forragens em condições adequadas ao seu desenvolvimento e à sua persistência com boa produtividade. O preparo do solo deve ser feito de modo a proporcionar ótima germinação e estabelecimento da forrageira. análise da produtividade desejada. tocos. devem ser realizados no momento correto. o elemento humano é a chave do controle preventivo. etc. limpeza de canais de irrigação. um município ou uma gleba de terra na propriedade. com uma limpeza adequada da área. Regionalmente. palatabilidade e longevidade. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. e época de utilização da espécie. assim. da quantidade e das espécies de plantas daninhas e de forrageira a ser Módulo 3. banco de sementes de plantas daninhas. a quarentena de animais introduzidos em outras áreas. pragas. que deve começar antes da implantação. o nível tecnológico a ser adotado. Quando da escolha dessa espécie. limpeza cuidadosa de máquinas. Proporciona. As quantidades desses produtos dependem da espécie forrageira e do nível de produtividade desejado. A conservação do solo é outro ponto importante. arbustos. pedaços de tronco e galhadas. Outro componente importante do controle cultural é a formação adequada da pastagem. e. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas. impedimentos físicos ou mecânicos. que poderão se transformar em sérios problemas para a região. inspeção cuidadosamente de mudas adquiridas com torrão e também de toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. capoeiras. impedindo. ainda. devendo-se realizar a construção de terraços ou curvas de nível quando a área apresentar suscetibilidade ou risco de erosão ou até mesmo escorrimento superficial da água das chuvas. A intensidade e os equipamentos a serem utilizados no preparo de solo dependem do tipo deste. clima (déficit hídrico e ocorrência de queimadas). A escolha de espécies forrageiras adequadas para cada área e objetivo de pastejo é um importante componente do sucesso da atividade.realizado por meio de análise química e física do solo. 2. Em síntese. As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilização de sementes de elevada pureza.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ainda por elas não infestadas. histórico da área e outros. tipo de solo. como a ciganinha (Memora peregrina). Essas áreas podem ser um país.2 . objetivo da produção. os seguintes procedimentos devem ser observados: diagnóstico da área . eliminando-se rebrota do cerrado de porte alto. A correção da acidez do solo e o fornecimento de cálcio e magnésio a este (quando necessária). topografia.6 .

a exigência de cada espécie forrageira e o nível de produtividade desejado. O plantio pode ser realizado a lanço sobre o solo devidamente preparado com uma grade leve. com pouca palha. Deve-se considerar para isso a disponibilidade hídrica e temperatura para cada região. além das exigências térmicas. quando recomendados. o estabelecimento mais rápido da forrageira na área. assim. devem ser antes do plantio e incorporados. da germinação e do vigor. para que ocorra a decomposição desta sem interferir na germinação da forrageira. ou seja. posteriormente. evitando. Em áreas com infestação elevada de plantas daninhas é recomendada a utilização de até 50% a mais da quantidade de semente. Logo após a última gradagem (niveladora). ao daquele utilizado para plantio de soja.5 a 4 cm de profundidade (dependendo do solo e da forrageira). esta deve ser considerada como uma cultura que vai produzir por muitos anos. o preparo do solo deve ser igual. isto é. milho e outros. Deve-se. de modo geral. Entretanto. A correção de fósforo.6 . levando em consideração o resultado da análise de solo. podendo variar em certas regiões. Para a maioria das forrageiras. assim. principalmente nos solos mistos e arenosos. Em áreas que apresentarem alta infestação de plantas daninhas ou outras forrageiras. Portanto. no entanto. tem vantagem competitiva a espécie que se estabelece primeiro na área. Em áreas que apresentarem alta quantidade de palhada. começando com as primeiras chuvas em setembro até março. quando necessária. exceção feita aos fosfatos naturais reativos. potássio. a sua pulverização. Comumente. A correção adequada de nutrientes do solo é outro fator que melhora as condições de estabelecimento. sendo este um fator importante na dinâmica competitiva da forrageira com as plantas daninhas. com maior peso no solo arenoso. livres de sementes de plantas daninhas e possuindo qualidade fisiológica (vigor e germinação). As sementes devem possibilitar a formação de estande adequado e uniforme. como: pureza. a compactação da camada superficial deste.Manejo de plantas daninhas em pastagens . a melhor época é de novembro a janeiro. para incorporar as sementes de 0. parcial ou totalmente fechada. as sementes devem ser distribuídas na área e. retardando o plantio da forrageira. deve-se realizar o preparo do solo no mínimo 120 dias antes do plantio no período das águas. o preparo do solo deve ser escalonado. deve ser realizada em quantidades recomendadas. O plantio com semeadeira deve seguir as mesmas exigências do 254 Módulo 3. que. evitar o preparo excessivo do solo. ou melhor. para favorecer a germinação e eliminação delas. para que o solo não fique aderido nele. Outro componente do controle cultural muitas vezes desprezado é a quantidade e a qualidade das sementes das forrageiras. hídricas e de fotoperíodo da forrageira. exceto para estilosantes ou andropógon. produção e longevidade da forrageira. que impõe restrição à emergência das plântulas. solo nivelado e livre de plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas implantada. poucos torrões. enxofre e micronutrientes. proporcionando. O plantio na época correta e de forma correta é fator preponderante no estabelecimento adequado da forrageira. algodão. peso médio no misto e peso leve no argiloso. Deve-se evitar a utilização do rolo em solo com excesso de umidade. Podem ser aplicados antes do plantio ou em cobertura. a época do plantio é muito ampla em quase todo o território nacional. deve-se passar o rolo compactador. ou seja. A quantidade de sementes a ser utilizada depende da espécie forrageira.

possivelmente. com espaçamento entre linhas de 13 a 40 cm. milho). dependendo do equipamento e da espécie forrageira. cupins subterrâneos e formigas. plantas daninhas de difícil controle por herbicidas e outros. também chamado de pastejo de uniformização. A realização de adubações de cobertura nitrogenadas melhora as condições de desenvolvimento e estabelecimento da forrageira. Módulo 3. a adubação da pastagem ou consórcio com outras espécies. A adubação nitrogenada possibilita maior rapidez e quantidade de área foliar. deve-se passar o rolo compactador após o plantio. Estando todos os nutrientes corrigidos. por melhorar as condições desta. Para gramíneas forrageiras de média a boa produtividade. desde que o plantio seja realizado na época recomendada para cada região. compactação. com boa produção de carne/hectare. maior sombreamento para plantas daninhas. colocando-se 10 a 20% a mais de sementes do que o sistema tradicional. para garantir o estande adequado e uniforme. diminuir a competição interespecífica. Já o plantio direto exige as mesmas condições do plantio direto de grãos (soja. implicando o sombreamento e abafamento das plantas daninhas. A manutenção da pastagem em condições ideais com o controle adequado de pragas também é componente do controle cultural de plantas daninhas. proporcionando.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantio a lanço. fechando o dossel mais rápido. O manejo de formação da pastagem. com profundidade de 0. realiza-se o plantio de linhas espaçadas de 13 a 40 cm.Manejo de plantas daninhas em pastagens 255 . distribuição uniforme da palhada. sem limitações químicas e físicas. reduzindo assim a produção de semente e translocação de nutrientes para estas. boa cobertura do solo. com o objetivo de auxiliar na boa formação da pastagem. A princípio. cupins. favorecendo o surgimento e estabelecimento de plantas daninhas. podendo-se realizar.5 a 4 cm. Se a semeadeira não possuir sistema de compactação. A dose aplicada vai depender da análise de solo. de preferência. o método de controle cultural de plantas daninhas mais importante. isto é. Toda vez que o nível de infestação for significativo. o nitrogênio é muito importante. eliminando o excesso de plantas. eliminar a maior parte das gemas apicais. trilheiros. ou antes da emissão da inflorescência (sementeira). Na formação de pastagem. tocos.6 . antecipar a utilização da forragem. Esse sistema de plantio exige máquinas e equipamentos adequados. por curto período de tempo (10 a 30 dias). uma vez que vai garantir a longevidade e qualidade da pastagem. espécie forrageira e produtividade desejada. As vantagens desse manejo são: evitar o acamamento. Após a dessecação. o nitrogênio é o que proporciona o maior efeito no aumento de produtividade. aproveitando o maior valor nutritivo. As pragas mais importantes na formação de pastagens são: lagartas. recomenda-se a aplicação de nitrogênio de 30 a 40 dias após a emergência ou após o manejo de formação (primeiro pastejo). ele deve ser controlado com defensivos específicos para cada tipo de praga. dessa forma. animais jovens com alta lotação. sem erosão. principalmente em solos de baixo teor de matéria orgânica. O não-controle dessas pragas pode comprometer a formação e a persistência da pastagem. estimulando a emissão de novos perfilhos e raízes. Devem-se utilizar. na mesma operação. tem como objetivo contribuir para a boa formação da pastagem. e proporcionar a mais rápida e perfeita cobertura de solo. deve-se iniciar o pastejo de 60 a 100 dias após a emergência da pastagem. O manejo da pastagem estabelecida é.

pisoteio demasiado e arranque de plantas. condições da propriedade (solo e clima).Manejo de plantas daninhas em pastagens . Humidícola e Dictioneura (15 cm). utilizada anualmente. com período de pastejo de 1 a 15 dias. O manejo correto consiste na utilização de lotação adequada. Brachiaria decumbens (20 cm). com período de descanso de 24 a 39 dias. nível de adubação ou fertilidade natural do solo. A utilização da adubação de manutenção é extremamente econômica desde que seja escolhida a espécie de forrageira adequada às condições de clima e solo e que ela esteja bem formada e com manejo adequado. da intensidade de pastejo e do número de animais. Isso ocorre quando há pastejo excessivo (superpastejo). alternado . A adubação de manutenção é.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ou seja. o beneficiamento da forrageira vai depender do manejo correto. categoria animal. etc. 256 Módulo 3. finalidade de pastejo. A quantidade de adubação de manutenção. está diretamente relacionada com a produtividade da pastagem. épocas corretas de entrada e retirada dos animais (altura de pastejo). A pastagem degradada não oferece condições à forrageira de competir com as plantas daninhas. principalmente nitrogênio e fósforo. De maneira geral. portanto. O tamanho e o número de piquetes dependem. Uma das principais causas da degradação das pastagens é a redução da fertilidade do solo. evitando assim a infestação da pastagem com sementes de plantas daninhas presentes no trato digestivo desses animais. do potencial produtivo da forrageira. sendo o manejo específico para cada região. A melhoria das condições para o desenvolvimento das plantas daninhas ocorre quando o manejo empregado reduz as reservas e a capacidade competitiva e de restabelecimento da forrageira. marandu e andropógon (30 cm). um fator importante no controle integrado de plantas daninhas. e rotacionado o animal usa de 3 a 40 piquetes ou invernadas. época do ano.o animal explora duas invernadas alternadamente. em razão dos nutrientes perdidos no processo produtivo. portanto. com 28 a 36 dias de pastejo. Outro método cultural de controle de plantas daninhas é a manutenção de animais oriundos de outras pastagens em área isolada por 24 a 48 horas. e tifton (15 cm). dependendo da espécie forrageira. espécie forrageira. que pode chegar a mais de 40% do total de nutrientes ingeridos pelo animal em pastejo. recomenda-se devolver às pastagens 20% da receita bruta anual.o animal fica sempre na mesma invernada ou pastagem. por evitar a entrada de plantas daninhas na pastagem. maior aproveitamento do investimento empregado até o momento. De modo geral. A altura de pastejo depende da espécie forrageira. exclusivamente. tornando a infestação da área uma questão de tempo. Esta prática também é considerada um método preventivo. excesso de lotação (carga animal excessiva). sistema de produção e outros. o pastejo pode ser classificado de três maneiras: contínuo . Este manejo pode facilitar o desenvolvimento da espécie forrageira ou das espécies de plantas daninhas. como exemplo: tanzânia e mombaça (40 a 50 cm).6 . e com o mesmo período de descanso.

também controla a espécie forrageira. expondo-o à ação da erosão. rebrotam e perfilham. quando o principal método de controle é o uso de enxada. Seu rendimento operacional é maior do que o arranque. contudo. elevado custo de controle. ocorrendo perda de nutrientes e degradação da fertilidade do solo. É um método não-seletivo. assim. Este método de controle exige muita mão-deobra e possui baixo rendimento operacional. porém demanda equipamentos apropriados. afeta a atividade microbiana deste. acarretando. as espécies de plantas daninhas perenes que possuem reservas no sistema radicular rebrotam ou. e na maioria dos casos a forrageira é mais suscetível à ocorrência de queimadas do que as plantas daninhas. esta tem a tendência de aumentar a cada roçada. a roçada. além de controlar as plantas daninhas. para plantas daninhas perenes a manutenção de parte do sistema radicular no solo possibilita a rebrota e o seu restabelecimento. pois reduz a quantidade de matéria orgânica do solo. devido à rebrota e ao restabelecimento das plantas daninhas. Um dos métodos mais utilizados no controle de plantas daninhas em pastagens é a roçada manual com foice. a inundação. A parte aérea das plantas cortada ao entrar em contato com a superfície do solo vai desencadear os processos de decomposição e degradação. jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. por demandar muita mão-de-obra. e disponibiliza de forma desorganizada os nutrientes armazenados nos vegetais. como o trator e a roçadeira. bem com a roçada manual.3 . As plantas roçadas podem rebrotar logo após a realização desta prática. ou monda. possui a vantagem se ser altamente seletivo quanto à planta controlada. A utilização do fogo é um método pouco eficiente. Esta prática.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. É um método relativamente seletivo. e algumas ainda perfilham. Possui baixa eficiência e eficácia. porém possui baixa eficiência e eficácia. Ainda hoje é usado no controle em hortas caseiras. No controle de plantas daninhas em pastagens. os quais requerem manutenção adequada. Outro método muito empregado entre os pecuaristas é a roçada mecanizada. aumentando a infestação. O arranque manual. como a maior parte desse material vegetal é constituída por tecidos de elevada relação C/N (na maioria Módulo 3. a queima.Manejo de plantas daninhas em pastagens 257 . Serve para controlar plantas gramíneas. ainda. induzindo o aparecimento de reboleiras. agride pouco a forrageira e pode ser empregado em locais de difícil acesso com máquinas (roçadeira). uma vez que a maioria das plantas se restabelece logo após o corte. por também cortar a forrageira. por possuir sistema radicular menos profundo e mais fácil de ser arrancado. deve ser repetida periodicamente. é um método pouco eficiente e ineficaz. Este método. O custo é relativamente inferior ao da roçada manual.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. Entretanto. a cobertura morta e o cultivo mecanizado. Assim. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas.6 . no entanto. a capina manual. possui custo elevado. No entanto. danificando assim o sistema radicular e reduzindo o vigor da forrageira. que possui rendimento operacional elevado e necessita de pouca mão-de-obra. ou seja.

Manejo de plantas daninhas em pastagens . É eficiente no controle de plantas daninhas anuais e perenes e possui alto rendimento operacional. ele causa menor dano à forrageira. para garantir o restabelecimento da forrageira e o seu poder de competição com as plantas daninhas. têm a finalidade de inibir o desenvolvimento ou provocar a morte das plantas daninhas. os microrganismos do solo demandam nitrogênio. A roçada é uma prática que controla plantas daninhas sem reservas no sistema radicular e as demais espécies. 2.Controle químico No controle químico utilizam-se herbicidas que. • É eficiente no controle de plantas daninhas na pastagem sem afetar o sistema radicular da forrageira.4 . • Maior rendimento na operação de controle de plantas daninhas. proporcionando menor rebrota das plantas daninhas. A utilização de herbicida seletivo no controle de plantas daninhas em pastagens tem demonstrado várias vantagens. O conhecimento da fisiologia das plantas. • Permite o menor revolvimento do solo . O herbicida deve ser considerado uma ferramenta a mais e não como o único método de controle. principalmente. o controle é mais eficiente. solo e alimentos . em concentrações convenientes. assim. observando-se as normas técnicas. em certas regiões é difícil de ser encontrada no momento certo e na quantidade necessária. havendo perigo de intoxicação do aplicador.quando manuseados incorretamente. sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. mas devem ser conhecidos. as instruções dos fabricantes e as leis governamentais que regulamentam o seu uso. dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. reduzindo. Pode ocorrer também poluição do ambiente água (rios. lagos e água subterrânea). • Pode controlar plantas daninhas perenes e de propagação vegetativa. São necessárias pessoas capacitadas para uso correto dos herbicidas. Por possuir seletividade. Deve-se salientar que. As vantagens do uso do controle químico podem ser enumeradas: • Menor dependência da mão-de-obra. que possui custo elevado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas gramíneas). quando for adotada juntamente com outros métodos de controle. após a realização da roçada. Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas.6 . a quantidade disponível deste nutriente no solo em um momento em que a forrageira dele necessita para seu restabelecimento. os animais devem ser retirados da área. e este será imobilizado do solo. sendo o tempo de recuperação da área relativamente rápido.plantio direto. como o cultural e químico. Todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. Os riscos de uso existem. perfeitamente controlados e evitados. Na 258 Módulo 3. uma vez que reduz ou elimina a competição entre estas e a forrageira. tanto fisiologicamente como quando aplicado de forma localizada. • Mesmo em épocas chuvosas.

o emprego do controle químico se faz necessário. uma vez que estes produtos são seletivos às gramíneas (Quadro 2). O emprego do controle químico deve ser feito juntamente com outras práticas de controle.Manejo de plantas daninhas em pastagens 259 .1 . paraquat. Os demais sistemas de plantio devem ser realizados em solo com preparo adequado. a utilização de herbicidas no controle de plantas daninhas tem se mostrado uma prática economicamente viável. o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas.Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens Na reforma de pastagens ocorre a necessidade da destruição da vegetação da área. sendo estes de amplo espectro de ação e baixa persistência no ambiente (dessecantes). Nesse caso. 2. Os principais herbicidas utilizados com essa finalidade são glyphosate.4-D. Quando a forrageira (monocotiledônea) estiver se estabelecendo na área e surgirem plantas daninhas dicotiledôneas. porém não controla as espécies que possuem órgãos de reserva. diquat. não possuindo torrões e tocos. sendo a de maior importância o controle cultural.6 . bem como suas misturas. paraquat + diuron e 2. A eliminação da vegetação pode ocorrer pelo emprego de práticas mecânicas ou por meio de controle químico com herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas maioria dos casos. sendo para isso realizada a destoca e gradagens. Portanto. identificação correta das plantas daninhas (espécie. Módulo 3. sendo comum a mistura entre alguns destes. e distribuição de plantas daninhas (localizada ou não).4. como: conhecimento das condições de degradação da pastagem e decisões conjuntas para sua recuperação. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. é prática viável. sendo necessário o emprego conjunto do controle químico com herbicidas sistêmicos (Quadro 2). cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. O objetivo deste controle é reduzir a competição das plantas daninhas e possibilitar condições ideais ao rápido estabelecimento e desenvolvimento da forrageira. São necessários alguns fatores para o sucesso da utilização do controle químico no manejo integrado de plantas daninhas. possuindo retorno rápido e certo. desde que inserida em um manejo adequado de controle de plantas daninhas e recuperação da pastagem. são dependentes das plantas daninhas presentes na área e de seu desenvolvimento no momento da aplicação (Quadro 2). também em estádios iniciais de desenvolvimento. o emprego de reguladores de crescimento. A gradagem é um método mecânico de controle de plantas daninhas. estádio de desenvolvimento. Os herbicidas a serem utilizados. conhecimento do tipo da forrageira. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta. A seguir será abordado o manejo de plantas daninhas em pastagens utilizando-se herbicidas. com posterior implantação da forrageira. atividade metabólica e densidade de infestação). em pequenas doses. biologia. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência da forrageira.

o que pode ser realizado pelo emprego de herbicidas.2 . utilizando-se para isso o picloram. através de produtos seletivos às gramíneas. A prática da recuperação é dependente. tornando esta competitiva e dificultando o estabelecimento de plantas daninhas.: na pindoba) ou mesmo no toco recémcortado de arbustos e árvores. como adubação e calagem.4-D. A ausência da complementação do controle químico com o controle cultural inviabiliza essa tecnologia. 260 Módulo 3. Dentre os vários componentes do manejo de pastagens. a fim de proporcionar condições adequadas de restabelecimento da forrageira. Práticas culturais adequadas. É dependente da população adequada de plantas forrageiras na área e da viabilidade do seu sistema radicular. do nível de infestação de plantas daninhas. 2.Manejo de plantas daninhas em pastagens . por possibilitar condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira.4. quando comparada à formação ou mesmo à reforma. o controle de plantas daninhas é fundamental para a sustentabilidade do sistema de produção. mesmo que os herbicidas sejam eficazes no controle das espécies infestantes. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2). fluroxipir + picloram. Devese manter a pastagem sem pastoreio por um período de tempo após as práticas suficiente para recuperação desta.6 . no meristema apical (ex. ou seja. A recuperação da pastagem demanda menor custo e possibilita a obtenção mais rápida de pasto. uma vez que implica disponibilizar condições adequadas ao restabelecimento e desenvolvimento da forrageira já implantada na área. A eliminação de reboleiras de plantas daninhas perenes e arbustivas pode ser realizada com aplicação localizada nas folhagens. presença de comprometimento da fertilidade do solo com manutenção da integridade da forrageira. ainda.3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. como o tebuthiuron (Quadro 2). das espécies de plantas daninhas presentes na área e do nível tecnológico empregado pelo pecuarista. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2). como o 2. 2. Eles possibilitam condições de rápida recuperação da pastagem e melhor aproveitamento do adubo e da calagem pela forrageira. como: 2.Uso de herbicidas na manutenção de pastagens O manejo adequado da pastagem é o principal fator responsável por sua longevidade e produtividade.4-D.4. os arbustos com muitos espinhos.4-D + picloram. que impõem dificuldades na pulverização ou mesmo no corte. Os herbicidas podem ser utilizados para eliminar as plantas daninhas. triclopyr e tebuthiuron (Quadro 2).Uso de herbicidas na recuperação de pastagens A recuperação de pastagens é caracterizada pelo retorno às condições de produção destas sem ocorrer destruição da forrageira ou mesmo o revolvimento do solo. podem ser eliminados pela utilização de produtos granulados espalhados no solo na projeção da copa. o primeiro passo é a eliminação da competição pelas plantas daninhas. 2. da espécie da forrageira. A ausência de condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira proporciona o restabelecimento das plantas daninhas na área.4-D + picloram. são componentes fundamentais no sucesso do manejo de plantas daninhas e na recuperação da forrageira. Entretanto. 2.4-D + picloram. Na prática da recuperação das pastagens.

glyphosate potássico ou sulfosate. como: algodão. mamona (Ricinus communis). dente-de-leão (Taraxacum officinale). previamente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Deve-se atentar para a manutenção da pastagem livre de pastoreio no momento e também por um período de tempo após a aplicação dos herbicidas.). que não se reproduzem por partes vegetativas. não pode ser aplicado sobre a forrageira. joá (Solanum spp. cordãode-frade (Leonotis spp.). usá-lo em mistura no tanque do pulverizador. 2. trapoeraba (Commelina spp. Mostarda (Brassica campestre). que possuem persistência neste e no solo. serralha (Sonchus oleraceus). entre outras.6 . Por ser herbicida não-seletivo.4-D nessas plantas. com glyphosate. corriola (lpomoea spp).) e aguapé (Eichornia crassipes) Utilizado na renovação das pastagens. devendo ser aplicada a mistura de 2. para matar as plantas daninhas anuais (monocotiledôneas e dicotiledôneas). objetivando a recuperação da forrageira. Controla várias espécies de gramíneas e dicotiledôneas anuais. tomate. Também é utilizado na dessecação para o plantio direto em pósemergência das plantas daninhas. erva-moura (maria preta) (Solanum nigrum).). Controla plantas de folhas largas anuais e algumas perenes. Quadro 2 – Principais herbicidas recomendados na cultura das pastagens Nome técnico Nome comercial Observações Aplicação (pós-emergência) em área total em forrageiras monocotiledôneas controlando seletivamente as espécies dicotiledôneas. em infestações mistas (de gramíneas e dicotiledôneas). carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum). Esta prática também reduz a contaminação do esterco dos animais com esses herbicidas. Na dessecação para o sistema de plantio direto. Plantas daninhas controladas: amendoim-bravo (Euphorbia spp). Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. picão-branco (Galinsoga parviflora). Deve ser aplicado preferencialmente nos estádios iniciais de desenvolvimento das plantas daninhas. alface e outras hortaliças. guanxuma (Sida spp. jurubeba (Solanum paniculatum). Nabiça (Raphanus raphanistrum). flor-roxa (Echium plantagineum). devido ao rápido metabolismo do 2. podendo causar sérios danos a culturas sensíveis adubadas com o esterco. melão-de-são-caetano (Momordica charantia). como tomate. Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. porém não elimina as plantas perenes.4-D com picloram. beldroega (Portulaca oleracea). caruru (Amaranthus sp.Manejo de plantas daninhas em pastagens 261 . mentrasto (Ageratum conyzoides). feijão.).). estando estas em estádio inicial de desenvolvimento. picão-preto (Bidens pilosa). café. Recomenda-se aplicálo com ponta de pulverização que produza boa cobertura foliar. em área total. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. ao pastoreio da área. de ação por contato. mastruço (mentruz) (Coronopus didymus). No controle em área total procede-se. poaia (Richardia spp. batata. não ocasionando a morte delas em aplicação isolada. ou cultivadas em área tratada por um período inferior à sua carência.4-D Diversos Diuron + Gramocil paraquat Módulo 3. Não aplicar em plantas daninhas perenes adultas. visando redução das doses e maior eficiência de controle. soja. Nabo-bravo (Brassica rapa).

4-D + Tordon picloram 2.Manejo de plantas daninhas em pastagens . cambarazinho (Eupatorium laevigatum). timbó* (Serfania sp). aguapé (Eichordia crassipes). feijão. o de aplicação no toco recém-roçado. No segundo caso. batata.3% de óleo mineral). No controle em área total procede-se. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso).v. deve-se roçar as plantas daninhas e esperar a rebrota vigorosa e bem enfolhada (30 a 40 cm para plantas herbáceas e 1 m para semilenhosas) para posterior aplicação. Plantas daninhas controladas (*aplicação no toco recém-roçado): amendoim-bravo (Euphorbia paniculata). Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. cajussara (Solanum spp. Utilizar surfatantes (0. preferencialmente. Deve-se atentar para o efeito da deriva. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. espinilho (Fagara praecox). capixingui (Croton floribundus). ao pastoreio da área. erva-de-bicho (Polygonum punctatum). leiteiro* (Peschiera fuchsiaefolia). joá (Solanum sisymbrifolium). soja.6 . picão-preto (Bidens pilosa).20 a 0. mio-mio (Baccharis coridifolia).v Aterbane ou 0.). Aplicação em pós-emergência em área total ou localizada. Caso contrário. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. erva-lanceta (Solidago microglossa).). Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. tomate. na erradicação de arbustos ou árvores isoladas utiliza-se o método da pulverização da copa ou. É utilizado no controle de plantas herbáceas tolerantes ao 2. feijão. jurubeba (Solanum paniculatum). malva-branca (Sida cordifolia).4-D 262 Módulo 3. como: algodão. café. Deve ser realizado durante a estação das chuvas. Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. No primeiro caso. assapeixes (Vernonia spp. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. maria-mole (Senecio brasiliensis).4-D + Mannejo picloram 2. soja.2 a 0. e Sharnkya sp.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatantes 0.). como: algodão. pulveriza-se por via terrestre ou aérea toda a área ou as reboleiras mais infestadas. a aplicação deve ser realizada cerca de 40 dias após a emergência das plantas daninhas. entre outras. guanxuma (Sida rhombifolia). caraguatá (Erygium spp). 2. fumeiro (Solanum sp). quando as plantas se encontram em pleno vigor vegetativo.25% v. tomate. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). guanxumas (Sida spp. Plantas daninhas controladas: assa-peixe branco (Vernonia polyanthes). batata. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. fedegoso (Senna obtusifolia). em pleno vigor vegetativo. É utilizado na reforma e recuperação da pastagem no controle de plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas e semi-arbustivas. previamente. No controle em área total procede-se. carqueja (Bacharis trimera). canelade-perdiz (Croton glandulosus) e mata-pasto (Eupatorium maximilianii) e outras. samambaia (Pteridium aquilinum).4-D e para controlar arbustos e árvores.3% v. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. previamente. arranha-gato* (Acacia sp.000 metros de distância de culturas sensíveis. principalmente em pulverizações aéreas que devem ser realizadas no mínimo a 2. café. entre outras. buva (Erigeron bonariensis).). ao pastoreio da área. tojo (Ulex europaeus) e trançagem (Plantago major). cheirosa (Hyptis suaveolens).

para assegurar sua absorção. assa-peixe-roxo (Vernonia westiniana). Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. Plantas daninhas controladas: assa-peixe-branco (Vernonia polyanthes). angiquinho* (Parapiptadenia sp). tomate. Este herbicida não impõe restrições quanto à escolha das culturas subseqüentes. As plantas daninhas devem estar em pleno desenvolvimento vegetativo. malva branca (Sida cordifolia). jovens ou adultas.6 . usa-se para destruí-la. assa-peixe branco do cerrado* (Vernonia ferruginea). em aplicações localizadas para controlar plantas em reboleiras. café. batata. Bauhinia variegata). evitando a rebrota destas após o revolvimento do solo. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. malvão (Triunfetta bartramia). entre outras.5% v. dependendo da formulação utilizada.v ou óleo mineral 0. Fluroxipir Plenum + picloram Glyphosate diversos Módulo 3. plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). deve-se evitar o contato com as forrageiras. aroeirinha* (Schinus terebenthifolius). ao pastoreio da área.3% v. Aplicação em pósemergência em área total ou localizada. Pode ser utilizado.4-D. guatanbú* (Aspidosperma sp.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatante 0. guanxuma (Sida rhombifolia). mata-pasto (Eupatorium maximilianii). com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. Por ser um herbicida sistêmico.). Requer período de 4-6 horas sem chuvas após sua aplicação. Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. mamica-de-porca* (Fagara rhoifolium). soja. principalmente para uso em áreas infestadas por plantas de difícil controle. ainda. feijão. joá (Solanum viarum).v. por ser fortemente sorvido ao solo e não possuir efeito residual. por não ser seletivo a elas.2 a 0. Em pastagem.Manejo de plantas daninhas em pastagens 263 . controla plantas daninhas perenes e com órgãos de reserva. como: algodão. roseta* (Randia armata. É comum sua mistura ao 2. ou reverter o terreno para outras culturas. Controla de forma não-seletiva plantas daninhas mono e dicotiledôneas. quando se pretende renová-la. controla plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas semi-arbustivas e arbustivas. estando estas em boas condições metabólicas. A dose recomendada depende das espécies e do estádio de desenvolvimento destas. vassourinha (Sida santaremnensis). Neste caso. Aplicar em pós-emergência das plantas daninhas. (*Em algumas condições ocorre a exigência de repasse no segundo ano com a aplicação de picloram no toco recém-roçado). previamente. No controle em área total procede-se. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos.

No controle em área total procede-se. como: algodão. Na aplicação em área total não se deve utilizar óleo diesel. Aplicar o produto molhando bem e uniformemente toda a folhagem da planta. cuidando para atingir o mínimo possível as folhas da forrageira.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Controle eficiente da pindoba (Orbinea speciosa) – 10 mL da solução 4. batata. Em plantas já roçadas anteriormente. deve-se corta-las com enxadão abaixo do nível do solo e posteriormente aplicar o produto em caule e raízes decepadas até o ponto de encharcamento. Roçar as plantas daninhas a serem controladas com foice o mais próximo possível do solo. tomate. café. previamente. Em plantas que possuem engrossamento do caule abaixo do nível do solo (ex. Para plantas velhas. localizado no centro da projeção das folhas mais novas. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. soja. pata-de-vaca (Bauhinia variegata) e ciganinha (Memora peregrina). Triclopyr Garlon Picloram Padron 264 Módulo 3.0% v. molhando bem todo o toco até atingir o ponto de escorrimento. que apresentam engrossamento visível próximo à superfície do solo.: ciganinha). Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. Não realizar aplicação em plantas secas e com atividade metabólica reduzida (estresse hídrico acentuado. jurubeba (Solanum paniculatum) e outras. feijão. O produto é rapidamente degradado. entre outras. aproximadamente 30-40 cm acima do nível do solo (cerca de 20 mL por planta). objetivando-se atingir o seu sistema radicular. Não adicionar óleo diesel nem surfatantes. que deve ficar o mais próximo possível no momento da aplicação. devem-se aplicar 15 a 20 mL por planta. médio e grande porte. aroeirinha (Schinus terebenthifolius). Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. Plantas daninhas controladas: erva-quente (Borreria alata). para evitar perda do produto. apresentando meiavida no solo de 20 a 45 dias. queimada). deve-se fazer o corte abaixo do engrossamento da raiz da última roçada. espinho-agulha (Barnadesia rosea). Deve-se utilizar ponta de pulverização do tipo cone cheio. assa-peixe (Vernonia polyanthes). Controle de guatambu (Aspidosperma sp. Os caules mais grossos devem ser rachados em cruz para proporcionar a maior absorção do produto.0% v. cambará (Lantana camara). Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. não impondo restrições quanto a culturas subseqüentes. espinilho (Acacia farnesiana). Aplicação deve ser localizada no toco recém-roçado. Plantas daninhas controladas: arranha-gato (Acacia plumosa).6 . em pastagens infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno.Manejo de plantas daninhas em pastagens . deve-se aplicar o produto sobre o solo ao redor do toco. A aplicação deve ser realizada diretamente no meristema apical da planta. camboatá (Tapirira guianensis).aplicação de Garlon 5. roçadas várias vezes. O produto deve ser aplicado imediatamente após o corte. leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). ao pastoreio da área.) pata-de-vaca (Bauhinia variegata e Parapiptadenia sp. Em plantas com toco de diâmetro inferior a 3 cm. dependendo do tipo de solo e das condições climáticas. A aplicação deve ser realizada em plantas com desenvolvimento adequado. plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso).v em óleo diesel a baixa pressão no terço final do caule. mesmo que a altura esteja abaixo da roçada recente. esta pode ser aérea ou terrestre.v de Garlon em óleo diesel para cada metro de altura desta planta.) e outras brotações de cerrado . mamica-de-porca (Machaerium aculeatum).

fumo-bravo (Solanum verbascifolium). sendo elas dependentes das condições de infestação. as culturas rotacionais poderão ser plantadas no mínimo 3 anos após a aplicação do herbicida. No entanto. tomate. Deve-se evitar a aplicação sobre ou perto de culturas anuais suscetíveis. arranha-gato ou unha-de-gato (Acacia plumosa). formação. No caso de aplicação em área total. assa-peixe. A localizada é denominada catação e constitui-se na eliminação de arbustos agrupados. leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). distribuindo-se os grânulos na projeção da copa. Não aplicar o produto em florestas ou reservas naturais. operação na ocasião do controle (reforma. com granuladeira ou por via aérea. aroeirinha (Schinus terebinthifolius). algodão. espinho-agulha (Barnadesia rósea). limão-bravo (Soliva sessilis). limãozinho ou juvu (Acanthocladus brasiliensis). capa-bode (Melochia tomentosa). ainda. folha-de-santana (Vernonia ferruginea). cruzeta (Strychnos parvifolia). a área é caracterizada pela infestação menor do Módulo 3. devendo. roseta ou limãozinho-de-goiá (Randia armata).). para reduzir os efeitos negativos à forrageira. A distribuição do produto deve ser uniforme na área.Manejo de plantas daninhas em pastagens 265 .6 . veludo-vermelho (Chomelia pohliana). bem como de árvores frutíferas. mamica-de-porca (Fagara hiemalis) e tarumã (Vitex sp. feijão. assa-peixebranco. Usa-se em cobertura total do terreno. cega-jumento ou cajussara (Solanum rugosum). esporão-de-galo (Pisonea aculeata). assa-peixe-roxo (Vernonia scabra). café-de-bugre (Solanum caavurana). espécie infestante. os arbustos devem apresentar bom desenvolvimento foliar. em ambos os casos. A aplicação foliar pode ser localizada ou em área total. É recomendado para solos arenosos e areno-argilosos. mangueirinha ou camboatá-do-cerrado (Tapirira guianensis). animais domésticos e pessoas desprotegidas por um período de 7 dias após a aplicação do produto. os danos tendem a desaparecer num período de 6 a 12 meses. esporão-de-galo (Celtis glycicarpa). cipó-prata (Banisteria metalicolor). malícia ou dorme-dorme (Mimosa invisa). lobeira (Solanum lycocarpum). carqueja (Bacharis trimera). portanto. espinho-agulha (Chuquiragua tomentosa). assa-peixe-do-pará. Plantas daninhas controladas: gramão ou grama-batatais (Paspalum notatum). É aplicado em dose única em qualquer época do ano. quando em aplicação localizada. Após a aplicação deste produto não se recomenda eliminar a parte aérea do arbusto de que se deseja o controle. recuperação e manutenção). taboca (Guadua angustifólia). nível tecnológico do pecuarista e herbicida utilizado. pereiro (Aspidosperma eburneum).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Formulação granulada aplicada a lanço. ou localizada nas reboleiras de infestantes que se pretende eliminar. pois esta é importante para melhor absorção do herbicida e conseqüentemente agilizará o processo de morte desse arbusto. ou. resultados mais rápidos e eficientes serão obtidos quando a aplicação for realizada pouco antes (ou no início) do período chuvoso (julho a dezembro nas regiões Sul e Centro-Oeste). seu efeito restringe-se ao local de aplicação. jurubeba (Solanum fastigiatum). entretanto. a aplicação não deve ser feita em arbustos roçados ou queimados recentemente. o aplicador proteger-se com equipamento de proteção adequado (luvas impermeáveis e outros). Mantenha afastados das áreas de aplicação crianças. fumo. Tebuthiuro Graslan n São várias as maneiras de aplicação de herbicidas em pastagens. embaixo da copa dos arbustos indesejáveis (plantas com espinhos e outras). chirca (Eupatorium bonifolium). Em caso de lesões ocasionadas principalmente pela maior concentração localizada do produto. Devido ao modo de absorção e translocação do herbicida. leiteiro-vermelho (Chrysophyllum marginatum). cansanção ou urtigão (Cnidosculus urens). como soja. pepino e outras. assa-peixe-do-cerrado (Gochnatia polymorpha).

Esta prática demanda maior nível tecnológico do pecuarista. uma vez que a maioria das culturas anuais e perenes é altamente sensível aos herbicidas reguladores de crescimento utilizados em pastagens. ou mesmo um pulverizador tratorizado adaptado com várias saídas de pontas. A principal vantagem da aplicação aérea é o alto rendimento operacional.6 . A aplicação aérea é recomendada em grandes áreas que possuem obstáculos à pulverização tratorizada. A aplicação em área total é feita em áreas com infestação acima de 40% e está condicionada à topografia adequada da área. podendo ser realizada com pulverizador de barra. em condições que impõem restrições à aplicação foliar ou ao corte dos arbustos. Os pulverizadores utilizados são o costal tracionado por uma pessoa. denominado Burro Jet. canhão ou avião (aérea). Todavia. permitindo a mecanização com o trator. pelas exigências quanto a monitoramento sistemático das condições meteorológicas. podendo pulverizar até 300 ha por dia.Manejo de plantas daninhas em pastagens . direcionadas por trabalhadores que acompanham o trator. tendo como objetivo aumentar a suscetibilidade das plantas daninhas aos herbicidas. Outra forma de aplicação de herbicidas é em toco recém-roçado. Deve-se cuidar quanto à deriva próximo a áreas agrícolas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que 40% e disposta em reboleiras. É utilizado no controle de arbustos com espinhos e com arquitetura de galhos bem fechados. Essa forma de pulverização possui alto rendimento operacional e exigência baixa de mão-de-obra. o pulverizador tracionado por animal. 266 Módulo 3. necessidade de pista de pouso próximo à área e topografia adequada à pulverização aérea. caracterizada pela deposição do herbicida granulado no solo na projeção da copa da planta daninha. pode-se realizar a aplicação basal.

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