ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 Manejo de plantas daninhas
Tutores: Profº Dr.Antonio Alberto da Silva (UFV-MG) Profº Dr. José Ferreira da Silva (FUA-AM) Profº Dr. Francisco Affonso Ferreira (UFV-MG) Profº Dr. Lino Roberto Ferreira (UFV-MG)

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 1

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Ficha Catalográfica Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Controle de plantas daninhas. Tutores: Antônio Alberto da Silva; [e outros]; colaboração de José Ferreira da Silva, Francisco Affonso Ferreira, Lino Roberto Ferreira - Brasília, DF: ABEAS; Viçosa, MG: UFV; 2006. 268.: il (ABEAS. Curso Proteção de Plantas. Módulo 3 - 3.1;3.2;3.3;3.4;3.5,3.6). Inclui bibliografia. 1. Plantas daninhas - controle. I.Silva, Antônio Alberto, 1950 - II. Silva, José Francisco da. III.Ferreira, Francisco Afonso. IV.Ferreira, Lino Roberto. V.Silva, José Ferreira da. VI. Oliveira Júnior, Rubem Silveríco de. VII. Vargas, Leandro. VIII. Universidade Federal de Viçosa. IX. Título É proibida a reprodução total ou parcial deste módulo Direitos reservados a ABEAS e ao autor

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Módulo 3: 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário
Módulo 3.1 – Biologia e métodos de controle, 04 Módulo 3.2 – Herbicidas: classificação e mecanismos de ação, 48 Módulo 3.3 – Herbicidas: absorção, translocação, metabolismo, formulação e misturas, 102 Módulo 3.4 – Herbicidas: comportamento no solo, 135 Módulo 3.5 – Herbicidas: resistência de plantas, 196 Módulo 3.6 – Manejo de plantas daninhas em pastagens, 235

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.1 - Biologia e métodos de controle
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Francisco Affonso Ferreira Profº. Lino Roberto Ferreira Profº. José Barbosa dos Santos

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
4 Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário

Introdução, 06 1 - Planta daninha, 07 1.1 - Prejuízos causados pelas plantas daninhas, 08 1.1.1 - Prejuízos diretos, 08 1.1.2 - Prejuízos indiretos, 09 1.2 - Origem, estabelecimento e propagação das plantas daninhas, 10 1.3 - Classificação das plantas daninhas, 15 1.3.1 - Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas, 16 1.4 - Características de agressividade das plantas daninhas, 18 2 - Competição entre plantas daninhas e culturas, 19 2.1 - Fatores do ambiente passíveis de competição, 20 2.1.1 - Competição por água, 23 2.1.2 - Competição por luz, 25 2.1.3 - Competição por CO2, 28 2.1.4 - Competição por nutrientes, 28 3 – Alelopatia, 30 3.1 - Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas, 31 3.2 - Alelopatia entre culturas, 32 3.3 - Alelopatia das coberturas mortas, 32 4 - Competição e período crítico de competição, 33 5 - Métodos de controle de plantas daninhas, 36 5.1 - Controle preventivo, 36 5.2 - Controle cultural, 37 5.3 - Controle mecânico ou físico, 37 5.4 - Controle biológico, 39 5.5 - Controle químico, 40 6 - Manejo integrado de plantas daninhas (mipd), 42 Referências bibliográficas, 45

Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

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a eletricidade. fisiologia vegetal. e a mão-de-obra rural existente é escassa e de baixa qualidade. usando métodos manuais. Na verdade. São necessários. com ajuda da física. bioquímica. as microondas e o raio laser estão sendo avaliados como futuros métodos de controle. técnicas de biologia molecular e sensoriamento remoto. é extremamente simples. mecânicos ou químicos. o produtor deve ser mais eficiente. física e química do solo.1 . fibras e energia.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Para um leigo. em que os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF. estão sendo desenvolvidos trabalhos objetivando a criação de cultivares de soja resistentes ao glyphosate. para uma população crescente de consumidores e decrescente de produtores. Muitos estudos estão sendo conduzidos em genética. como exemplos. ou seja. ao imazaquin. o uso de herbicidas tornou-se prática indispensável. o estudo das plantas daninhas é dinâmico. simultaneamente. Como toda ciência. Devido à dificuldade de se encontrar mão-de-obra no campo. entretanto. biologia. Novas técnicas estão sempre sendo pesquisadas e incorporadas. economicidade do controle químico. o Brasil dispõe de um dos maiores mercados do mundo. A demanda cada vez maior de alimentos. Em razão disso.Biologia e métodos de controle . de milho. Em termos médios. toda e qualquer técnica de manejo de plantas daninhas somente terá sucesso se for aplicada levando-se em conta conhecimentos detalhados da biologia das plantas infestantes da área. cerca de 20-30% do custo de produção refere-se ao controle de plantas daninhas. destaca a importância da eficiência do controle de plantas daninhas. química orgânica. Assim. Com relação aos defensivos agrícolas. cuidados técnicos 6 Módulo 3. envolvendo principalmente conhecimentos nas áreas de morfologia e fisiologia. como cana-de-açúcar. no momento preciso e na quantidade necessária. visando o melhoramento de culturas para resistência a herbicidas. Os novos herbicidas estão cada vez mais seguros para o ambiente e o homem. antes do lançamento de qualquer herbicida. etc. na região produtora de alimentos do Brasil. sendo um dos primeiros no "ranking" de vendas de agrotóxicos. além da eficiência e. esse percentual é ainda maior. fitotecnia. o controle de plantas daninhas. Cerca de 92% da população. Os estudos de ecologia e da toxicologia humana e animal são conduzidos. mecanização agrícola. principalmente. ao amônio-glufosinato. Em algumas culturas. sendo mais eficientes no controle de plantas daninhas específicas e com doses cada vez mais baixas. o ultra-som. deve utilizar menos mão-de-obra para produção de maior quantidade de alimentos. de arroz. Todavia. isoenzimas e RAPD (biotecnologia) e sensoriamento remoto também são úteis na identificação de plantas daninhas. climatologia. vive hoje nas cidades. 2005). é uma ciência multidisciplinar que depende de conhecimentos de botânica.

Na verdade. plantas tóxicas em pastagens. é um típico setor de tecnologia de ponta e. um campo no qual está muito presente o desafio maior do agronegócio brasileiro. na sua essência. afirma que planta daninha é qualquer planta que ocorre onde não é desejada. promovendo a reciclagem de nutrientes. Entretanto. levando-se em consideração as espécies daninhas infestantes. todos os conceitos baseiam-se na sua indesejabilidade em relação a uma atividade humana. plantas ao lado de refinarias de petróleo. biológico e químico). plantas interferindo no desenvolvimento de culturas comerciais. Cruz (1979) salienta que é uma planta sem valor econômico ou que compete. Para Beal. por exemplo. Segundo Rodrigues e Almeida (2005). pois estas. à água e aos organismos não-alvos. hoje. etc. plantas estranhas no jardim. a qualidade do produto produzido ou interferir negativamente no processo da colheita é considerada daninha. Como exemplos. o tipo de solo. como. qualquer planta estranha que vier a afetar a produtividade e. citado por Marinis (1972). por isso mesmo. servindo como planta medicinal. mecânico. com o homem. porém esta mesma planta pode ser útil em outra situação. etc. sustentabilidade e eqüidade. econômico e que preserve a qualidade ambiental e a saúde do homem. as condições ambientais e o nível cultural do proprietário. Embora não se possa dizer que uma planta.Planta daninha Definir planta daninha nem sempre é fácil. pelo solo. cultural. associam-se os diversos métodos disponíveis (preventivo. em determinadas situações. Neste programa. os conceitos de competitividade. é uma planta fora de lugar. Fischer (1973) apresenta duas definições: “plantas cujas vantagens ainda não foram descobertas” e “plantas que interferem com os objetivos do homem em determinada situação”. ou.Biologia e métodos de controle 7 . para se obter um controle que seja eficiente. como a presença do milho em cultura da soja e da aveia em cultura do trigo. Deve-se ressaltar que o herbicida é considerado apenas uma ferramenta a mais no manejo de plantas daninhas. Numa cultura. no seu processo.1 . 1 . são vários os conceitos de planta daninha: Shaw (1956). num conceito mais amplo. podem-se citar espécies altamente competidoras com culturas sendo extremamente úteis no controle da erosão. fornecendo néctar para as abelhas fabricarem o mel. que é o de conciliar. algumas têm sido consideradas plantas Módulo 3. uma planta só deve ser considerada daninha se estiver direta ou indiretamente prejudicando uma determinada atividade humana. seja daninha. Por esse motivo. físico. o controle químico de plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas para atingir a máxima eficiência com o mínimo impacto negativo ao solo. por exemplos. os equipamentos disponíveis na propriedade. citado por Fischer (1973). sendo recomendado sempre um programa de controle integrado. a topografia da área. Uma planta pode ser daninha em determinado momento se estiver interferindo negativamente nos objetivos do homem. Uma planta cultivada também pode ser daninha se ela ocorrer numa área de outra cultura. devido à evolução e complexidade que atualmente atingiu a Ciência das Plantas Daninhas. podem ser extremamente úteis.

geralmente com facilidade para disseminação pelo vento. c) São rústicas quanto ao ataque de pragas e doenças. Por exemplo: cafezinho (Palicourea marcgravii). se todas as sementes germinassem de uma só vez. 1).000 sementes por planta. quando presentes em pastagens. d) Apresentam dormência e germinação desuniformes. Em média. Esses valores tornam-se ainda mais significativos na agricultura moderna. etc. que produz até 42. c) Podem intoxicar animais domésticos.Prejuízos diretos As plantas daninhas. quando estas são colhidas junto com sementes de determinadas espécies de plantas daninhas proibidas.) 1. etc. ainda. como é o caso de mudas cítricas produzidas em viveiro infestado com tiririca (Cyperus rotundus). Muitas espécies de plantas daninhas são.1 . as quais são facilmente dissemináveis por animais.1 . por máquinas. pêlo de animais. sementes de carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum) aderidas à lã. como leiteiro (Euphorbia heterophylla). capazes de se multiplicar por diversas maneiras (sementes. as plantas de trigo que surgirem das sementes remanescentes no solo passam a ser consideradas daninhas à cultura da soja. bulbos. cavalinha (Equisetum 8 Módulo 3. As consideradas verdadeiras possuem características especiais que permitem fixá-las como infestantes ou daninhas. As comuns são aquelas que não possuem habilidade de sobreviver em condições adversas. por exemplo: a) Reduzem a qualidade do produto comercial. tubérculos de tiririca se desenvolvendo dentro tubérculos de batata (Fig. tubérculos. etc. raízes. arroz-vermelho (Oryza sativa). Possuem habilidade de produzir grande número de sementes por planta. b) São responsáveis pela não-certificação das sementes de culturas. capim-massambará (Sorghum halepense) e feijão-miúdo (Vigna ungiculata). que são atributos que facilitam a perpetuação da espécie. Além da redução da produtividade das culturas. furtam energia do homem. folhas. também. É comum.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas comuns e outras plantas daninhas verdadeiras.Prejuízos causados pelas plantas daninhas 1. b) Crescem em condições adversas. cerca de 20-30% do custo de produção de uma lavoura se deve ao custo do controle das plantas daninhas. água. na realidade. num plantio rotacional trigo/soja. São exemplos a presença de sementes de picão-preto (Bidens pilosa) junto ao capulho do algodão. impedirem a certificação de mudas em torrão. como: a) Não são melhoradas geneticamente. Por exemplo.Biologia e métodos de controle . por misturas de sementes. as plantas daninhas causam outros prejuízos diretos. seria fácil erradicar uma espécie daninha. etc. Exemplo: Desmodium totuosum. pois.1 .1. rizomas. oficial-de-sala (Asclepias curassavica). sementes de capim-carrapicho (Cenchrus echinatus) junto ao feno. onde se exige perfeito controle das plantas para melhor eficiência das máquinas colheitadeiras.

podem.). os tricomas de suas folhas se rompem a um leve contato e liberam toxinas que causam inflamação na pele do trabalhador. Estas diminuem a eficiência das máquinas e aumentam as perdas durante a operação da colheita até mesmo quando em infestação moderada nas lavouras.Biologia e métodos de controle 9 .2 . Outro exemplo de espécie de planta daninha que causa prejuízos diretos e indiretos é a Mucuna pruriens. Capimcarrapicho (Cenchrus echinatus).1. Ipomoea aristolochiaefolia. florescem rapidamente e iniciam novamente o ciclo parasitário. ainda. Figura 1 . que é transmitido pela mosca-branca após ter se “alimentado” de espécies do gênero Sida (Sida rhombifolia.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas piramidale).000 sementes por planta. como o mosaico-dourado do feijoeiro. prejudicar ou mesmo até impedir a realização de certas práticas culturais e a colheita. samambaia (Pteridium aquilinium). São exemplos a erva-de-passarinho (Phoradendron rubrum) em citros e a erva-de-bruxa (Striga lutea) em milho. que é hospedeiro do vírus do mosaico da cana-de-açúcar. carrapicho-de-carneiro (Acathospermum hispidum). feijão e cana-de-açúcar. Algumas espécies. chibata (Arrabidae bilabiata) e outras que podem causar a morte de animais. algodoeirobravo (Ipomoea fistulosa). que germinam e parasitam as raízes do milho. esta espécie daninha dificulta tremendamente a colheita manual. Módulo 3. Esta última é a pior invasora para milho. Outro exemplo é o capim-massambará (Sorghum halepense). Sida glaziovii. além dos prejuízos diretos que causam às culturas.Prejuízos indiretos As plantas daninhas podem ser hospedeiras alternativas de pragas e doenças. etc. ainda não introduzida no Brasil. causado por um vírus à cultura do feijão. flor-das-almas (Senecio brasiliensis). milho e plantas ornamentais.Dano em batata inglesa devido à penetração e ao desenvolvimento de tuberculos de tiririca 1. Ipomoea purpurea e outras desse gênero). São exemplos destas espécies a corda-de-viola (Ipomoea grandifolia. d) Algumas espécies exercem o parasitismo em citros. arranha-gato (Acassia plumosa) e outras plantas espinhosas podem até impedir a colheita manual das culturas. Sida santaremnensis. Ela produz cerca de 5.1 . os nematóides: mais de 50 espécies de plantas daninhas hospedam Meloydogyne javanica e Heterodera (nematóide-do-cisto da soja). dois meses mais tarde as plantas aparecem na superfície do solo. pois. infestante comum em lavouras de milho. Sida cordifolia. Sida micrantha. durante a operação da colheita.

Musik (1970) salienta que o homem é. como as olerícolas de modo geral. o estabelecimento envolve o processo de germinação da semente. ação de rios e mares. dificultando a manutenção de represas. desmoronamentos de montanhas. etc. como a tiririca (Cyperus rotundus) e a losna-brava (Artemisia verlotorum).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas As plantas daninhas. também. etc. como glaciação. aguapé (Eichornia crassipes). dos distúrbios naturais. água. Vários são os diásporos. caulículo. Além disso. Outras espécies de plantas daninhas podem ainda reduzir o valor da terra. ou seja. as plantas daninhas originaram-se. segundo a qual a vida teve origem em terra firme. provavelmente. o que assegura alta taxa de dispersão e restabelecimento de uma infestação. radícula. possuem seus mecanismos de ação ligados ao processo 10 Módulo 3.2 . separando as benéficas (denominadas plantas cultivadas) das maléficas (denominando-as de plantas daninhas). etc.Origem. pelas plantas cultivadas. As plantas daninhas podem ser disseminadas por diversos meios. rizomas. como hipocótilo. o funcionamento de usinas hidrelétricas. onde podem dificultar o manejo da água. as plantas daninhas produzem muitas sementes. vias públicas. Todavia. além das partes das plântulas. muitos herbicidas atuam. pois a semente é uma das vias de entrada dos herbicidas. tornando-se inviável economicamente.1 . envolvendo os complexos aspectos morfogênicos e edafoclimáticos. Existem duas grandes teorias: a hidrosere. Estas. o estabelecimento de uma determinada planta daninha envolve os aspectos ecológicos da agregação e migração. o responsável pela evolução das plantas daninhas. Nestas áreas não é desejável a presença de plantas daninhas vivas ou mortas. ferrovias. prejudicando a pesca. Por outro lado. etc. também. aumentando o custo da irrigação. tubérculos. Na verdade. e a xerosere. crescimento e desenvolvimento da planta. os parques e os jardins. A propagação vegetativa é um mecanismo de sobrevivência de grande importância nas plantas daninhas perenes. problemas sérios em ambientes aquáticos. como o é.Biologia e métodos de controle . que afirma que a vida originou-se no meio líquido. que apresentam duas características essenciais: dormência e reservas alimentícias. pelos quais as plantas podem perpetuar-se tanto por via seminífera como por via vegetativa. também. porque ele é quem cria o ambiente favorável a elas. inicialmente. Exemplos: taboa (Typha angustifolia). 1. devido ao próprio conceito de planta daninha. a disseminação das plantas daninhas pode ser feita por vento. refinarias de petróleo. Estas são encontradas onde está o homem. Do ponto de vista morfofisiológico. podem ser altamente inconvenientes em áreas não-cultivadas: áreas industriais. etc. incluindo o homem. O estudo do processo germinativo das sementes é de fundamental importância para quem trabalha com o manejo de plantas daninhas. que se constitui num grande disseminador de tais plantas. estabelecimento e propagação das plantas daninhas De acordo com Musik (1970) e Fischer (1973). Causam. elas começaram a aparecer quando o homem iniciou suas atividades agrícolas. Normalmente. têm o custo de controle muito elevado. animais. além da competição pelos recursos do meio. quando presentes em áreas com culturas que apresentam pequena capacidade competitiva. Os propágulos podem ser raízes..

permeabilidade do tegumento à água e presença de água na forma líquida ou gasosa. que perdem muita umidade por ocasião de sua maturação e secagem. Entretanto. a celulose e as substâncias pécticas. É comum entre as espécies a presença do tegumento totalmente impermeável à água. cada espécie requer uma temperatura ideal para germinação. Com a embebição. o que resulta numa diminuição do estande. atmosfera apropriada à espécie (concentração de CO2 e O2) e luz (comprimento de onda e intensidade). Do ponto de vista fisiológico. Se a semente não estiver em estado de dormência e houver condições ambientais favoráveis.1 . para o desenvolvimento do eixo embrionário em plântula independente. Outro fator que pode influenciar a embebição é a permeabilidade do tegumento da semente à água. A temperatura ótima é aquela que permite a obtenção da maior percentagem de emergência no menor espaço de tempo. Para que uma semente viável (condição intrínseca) possa germinar. Normalmente. Em temperaturas abaixo da ótima. FERRI.Biologia e métodos de controle 11 . ela entrará em processo de germinação (PROPINIGIS. A germinação da semente é a reativação dos pontos de crescimento do embrião que haviam sido paralisados nos estágios finais da maturação morfisiológica da semente. 1985). aumenta-se o potencial de pressão interna na membrana que envolve a semente (pressão de embebição). concentração de oxigênio e presença ou ausência de luz. A embebição das sementes é um processo físico que ocorre tanto nas sementes vivas quanto nas mortas. dando origem ao que se chama de semente dura. METIVIER. As características físico-químicas das substâncias coloidais das sementes irão comandar o potencial da água nas sementes. O processo da germinação inicia-se. porque as sementes ficam por períodos prolongados nos estágios iniciais da Módulo 3. o qual pode atingir centenas de atmosferas. provocando o rompimento do tegumento. 1986. ocorre a ruptura do tegumento e saída da radícula. Essas necessidades são definidas para cada espécie e estão relacionadas com o habitat de origem e com a melhor forma de preservar a espécie (normalmente as espécies daninhas somente germinam quando existem condições para sobrevivência). temperatura. A embebição também é influenciada pela temperatura (temperaturas mais elevadas. menor tempo para embebição). portanto. com o ressurgimento das atividades paralisadas ou reduzidas por ocasião da maturação da semente. sendo dependente dos seguintes fatores: composição química da semente. temperatura adequada à espécie. para a maioria das espécies. e para isso são necessários alguns requisitos fundamentais: estarem as sementes viáveis e as condições ambientais serem favoráveis. conforme ela seja fotoblástica positiva ou negativa. ou seja. A água é necessária para que ocorra a reidratação das sementes. é necessário o suprimento contínuo de água. são necessárias as seguintes condições ambientais favoráveis: água em quantidade suficiente. em fases seguintes à reidratação. 1974. impedindo que a planta se estabeleça. Estas sementes permanecerão dormentes enquanto o tegumento estiver impermeável (semente dura). A quantidade de água necessária para reidratação. por onde sairá a radícula. a velocidade da germinação é menor. é de duas a três vezes o peso da semente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinativo. a germinação consiste no processo que se inicia com o suprimento de água à semente seca e termina quando o crescimento da plântula se inicia. As principais substâncias responsáveis pela embebição são as proteínas. como adequado suprimento hídrico.

Existem espécies de plantas daninhas que somente germinam no escuro. como: a) altas temperaturas. O período de exposição pode ser curto. isto é. nessas condições. Em algumas espécies tem-se observado. Como exemplo desta interdependência podem-se citar as espécies do gênero Amaranthus. O processo de germinação inicia-se. que aumentam a necessidade de oxigênio pelo embrião. como em sementes de alface (alta percentagem de germinação em exposição por um a dois minutos). ou. longo e de forma cíclica. obtida por meio do processo de oxidação na presença do oxigênio. ou muito curto. ainda. A respiração envolve trocas de gases. como porosidade. em alguns casos. Em algumas espécies a necessidade de luz ocorre somente após a colheita e em outras por um longo período (por um ano ou mais). portanto. em regime de temperatura constante entre 25 e 30 °C. porque uma atmosfera rica em nitrogênio parece ser mais econômica e eficiente.001 segundo (sementes de fumo). Sementes desta espécie dificilmente germinam totalmente no escuro. passam a germinar rapidamente se ocorrer alternância de temperaturas alta e baixa. as reações envolvem o fitocromo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinação e. podendo. por se tratar de um processo que ocorre em células vivas. devido à maior atividade metabólica. ficam mais suscetíveis ao ataque de microrganismos patogênicos. A temperatura ótima está relacionada com as atividades das enzimas que participam dos diversos processos metabólicos que ocorrem durante a germinação e cujas ações somente se tornam eficientes em temperaturas específicas. a fase gasosa do solo apresenta uma série de substâncias voláteis que são produzidas pelas plantas.03% de CO2. outras necessitam de breve iluminação e outras são indiferentes. Todavia. as sementes germinam em atmosferas com 20% de O2 e 0.Biologia e métodos de controle . Em condições normais. ocorrendo a embebição de todos os tecidos da semente e uma expansão do tegumento 12 Módulo 3. em demasia. atividade microbiana e teor de umidade. Temperatura acima da ótima tende a aumentar. A necessidade de luz pode variar também em função do armazenamento. Através de concentrações elevadas de CO2 consegue-se evitar a germinação e auxiliar na conservação de sementes. As necessidades e quantidades de 02 para germinação são influenciadas por outros fatores. Há espécies cujas sementes somente germinam em regime de alternância de temperatura.1 . necessita de energia. A germinação. e b) fatores do solo. como a grama-seda (Cynodon dactylon). outras em luz contínua. O efeito do CO2 é normalmente contrário ao do O2. apenas flash de 0. a velocidade da germinação. É importante salientar que a sensibilidade das sementes à luz é maior quando a semente está embebida. entretanto. com uma rápida absorção de água pelos biocolóides. respiração. porcentagem de matéria orgânica. razão por que a germinação das sementes é influenciada pela composição do ar atmosférico que as envolve. uma interdependência entre temperatura e outros fatores externos. Além destes. causando crescente desorganização do mecanismo germinativo e impossibilitando que as sementes menos vigorosas completem a emergência. profundidade de semeadura. esta prática não é utilizada para conservação de sementes. também. em que a luz pode promover a germinação mesmo em temperaturas desfavoráveis. Neste caso. ser inibidoras ou promotoras da germinação. pois sementes de muitas espécies não conseguem germinar quando a concentração de CO2 é muito elevada. esse fenômeno é semelhante ao fotoperiodismo observado para o florescimento.

necessitam que a dormência seja superada de alguma forma. síntese das amilases. as sementes. para germinarem. que envolve a oxidação da matéria orgânica da semente com formação de ATP e substâncias intermediárias necessárias ao processo anabólico da germinação. podendo ser física. frutose e maltose. havendo formação de α-amilase e outras enzimas. Em conseqüência do aumento das atividades de diversas enzimas durante o processo de embebição. Em cereais. é reativada e a enzima β-amilase é sintetizada de novo por estímulo hormonal (giberelinas) às expensas de aminoácidos originados de proteínas hidrolisadas e com a energia oriunda das atividades das fosforilases. Esta fase da embebição coincide com o aumento da atividade metabólica. também. ao mesmo tempo. com a dormência. as quais são essenciais para o desenvolvimento do embrião. os quais dependem do uso de aminoácidos. Neste caso. Propinigis (1974) cita como exemplo marcante a dormência das plantas daninhas comparada à das plantas cultivadas. mecânica ou fisiológica. através da ação de duas enzimas: isocitrase e sintetase do malato). É o caso das aveias silvestre e cultivada. lipídeos e carboidratos solúveis armazenados no embrião. ocorrem a divisão e o alongamento celular. em estado da quiescência. porém a cultivada já não consegue viver sem ajuda do homem. ocorrem o metabolismo e a mobilização das reservas das sementes. nas quais o melhoramento genético reduziu ou mesmo suprimiu tal atributo. Uma outra razão é dormência. o número de ribossomos+RNA que incorporam os aminoácidos às proteínas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas envolvente. Aumenta-se. os lipídeos. a drenagem de áreas encharcadas e as irrigações de solos secos podem estimular a germinação dessas sementes. Nas primeiras 12 a 16 horas após o início da embebição. pela ação das enzimas proteolíticas. Durante esta fase o ácido giberélico (giberelinas) estimula a ativação e. o embrião passa a sintetizar e liberar giberelinas que se movem através do endosperma. iniciando-se o crescimento celular e a mitose. por ação das fitases. e. é transformado em açúcares redutores e sacarose. observa-se aumento nas sínteses de DNA e RNA. e a fitina. Outro aspecto relacionado com a semente é a quiescência. que elevam a produção de glucose. Um grande volume de sementes de plantas daninhas encontra-se.1 . as gorduras são convertidas em sacarose pelo ciclo do glioxilato. que são plantas muito semelhantes e apresentam ciclos vegetativos praticamente iguais. são transformadas em aminoácidos. que é o repouso metabólico da semente devido a condições externas desfavoráveis. nas primeiras 24 horas iniciais. a quiescência é confundida. enquanto a silvestre sobrevive por vários séculos sem a ajuda humana. mesmo que as condições ambientes sejam favoráveis. a semente não germina. pela ação das lipases. no solo. No caso da dormência. da glicólise e da respiração. que é devida a condições intrínsecas inerentes à própria semente. as proteínas. Isso ocorre porque durante o processo da embebição a enzima β-amilase. ou. O simples revolvimento do solo. são transformados em ácidos graxos (em oleaginosas. o homem sempre Módulo 3. pela ação das enzimas amilases. é transformada em inositol e fósforo inorgânico. verifica-se inicialmente a ativação do m-RNA preexistente. acompanhada pelo aumento da síntese protéica no embrião. pelo contrário. incrementando-se a respiração e o alongamento celular. primeiramente na região da radícula do embrião. que é observada pelo aumento da respiração.Biologia e métodos de controle 13 . por alguns autores. O amido. presente na semente seca.

Já a aveia silvestre. Isso pode ocorrer pela simples movimentação do solo. e presença de algum inibidor fisiológico. pode ocorrer germinação durante meses ou até anos. ao oxigênio. e persiste por longo tempo após completada a maturação. O leiteiro (Euphorbia heterophylla). no futuro. Por esta razão. 14 Módulo 3. Certas espécies necessitam de condições especiais para germinarem. sendo um meio necessário de sobrevivência entre as plantas daninhas. que pode expor as sementes à luz (mesmo por frações de segundos). também chamada de dormência inata. endógena. inerente ou natural. germinam todas. sobrevivendo no solo por muito tempo. Como exemplos de espécies de plantas daninhas que apresentam mecanismos de dormência podem-se citar: a) ervaformigueira (Chenopodium album): produz sementes com tegumentos normal e duro. Por isso. Segundo diversos autores. Através deste mecanismo a espécie consegue sobreviver em estações desfavoráveis. na temperatura e na composição atmosférica do solo ou até mesmo acelerar a liberação de compostos estimulantes da germinação. O amplo conhecimento da dormência poderá. Dormência pode ser definida como qualquer estágio no ciclo da vida no qual o crescimento ativo é suspenso por um período de tempo.1 . A dormência. Como a dormência não é a mesma em todas as sementes de uma planta. não germina de forma uniforme. Os diversos tipos de dormência podem ser agrupados em: a) “Dormência primária”. e c) quinquilho (Datura stramonium): germina melhor no escuro. a semente permanece dormente (sementes com tegumento impermeável. Do total dessas sementes. garantindo a perpetuação da espécie. requerendo condição especial para quebra da dormência. mesmo sob intenso controle sempre haverá no solo sementes desta espécie. e o inverno violento pode matar as plântulas. é capaz de germinar até a profundidade de 25 cm no solo (VARGAS et al. é um dos mais importantes mecanismos indiretos de dispersão. 1998). podem ser várias as causas da dormência: embrião imaturo. seria aquela que a semente adquire devido ao ambiente desfavorável. por ser indiferente à luz. tegumento da semente impermeável à água e. seria aquela que a semente adquire quando ainda está ligada à planta-mãe. sendo considerada uma espécie de planta daninha importante. b) língua-de-vaca (Rumex cryspus): germina melhor na presença de luz. ou.Biologia e métodos de controle . sem dormência. O solo agrícola é um banco de sementes de plantas daninhas contendo entre 2. No retorno ao ambiente favorável. apenas 2 a 5% germinam. por apresentar dormência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas procurou erradicá-la. mas sem sucesso. também chamada de induzida. durante o processo de maturação. contribuir para o desenvolvimento de métodos mais eficientes de controle de plantas daninhas.000 sementes/m2/10 cm de profundidade. A aveia cultivada amadurece no verão e suas sementes. uma avaliação da composição florística de uma área em uma única época do ano não representa o potencial de infestação desta área.. como os nitratos. por exemplo). provocar mudança nos teores de umidade. b) “Dormência secundária”.000 e 50. as demais permanecem dormentes. nas várias formas. em um dado período. Acredita-se que muitas outras espécies de plantas daninhas apresentam mecanismos semelhantes. aumentando a sua população quando as condições retornam à sua normalidade.

assim. de suas formas de reprodução e ciclo de vida para se desenvolver um bom programa de manejo integrado. cerca de 1. 1998). a emergência ocorre em menores profundidades.800 são consideradas mais nocivas em razão de suas características e seu comportamento.000 espécies.000 espécies). Destas. sem o revolvimento do solo. Quadro 1 .5 cm no sistema de plantio direto.Influência do tipo do preparo do solo na germinação de sementes de plantas daninhas Tipo de Preparo do Solo 1. podem germinar até a profundidades superiores a 15 e 25 cm.1 .. espécies que produzem sementes pequenas. a seletividade de alguns herbicidas baseia-se em diferenças morfológicas e fisiológicas existentes entre as espécies de plantas daninhas e cultivadas. possivelmente pelo maior teor de umidade junto às sementes (maior contato entre as sementes e o solo). Uma Aração + E. que germina até a profundidade de 3. Uma Aração + Uma Gradagem 3. as plantas daninhas podem ser anuais. Por estes e outros motivos é necessário conhecimento mais amplo das espécies de plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maior germinação foi observada (Quadro 1) no tratamento com (aração + enxada rotativa + ligeira compactação do solo). crescem no verão e Módulo 3. quando comparada com solos pouco compactados. Outro fator que influencia a profundidade de emergência é o sistema de cultivo. onde no rastro da roda do trator observa-se cerca de 10% a mais de emergência de plantas daninhas.Biologia e métodos de controle 15 . Outro fator extremamente importante na germinação das sementes é a profundidade em que elas se encontram no solo. como as dos gêneros Ipomoea e Euphorbia. bianuais e perenes.Classificação das plantas daninhas Em certos casos. As plantas que produzem sementes englobam as monocotiledôneas e dicotiledôneas. Este grupo abrange quase todas as plantas consideradas daninhas (cerca de 30. Espécies que produzem sementes grandes. com aproximadamente 170. Sem Cultivo No de Sementes Emergidas m-2 103 134 206 328 80 As características físico-químicas do solo também influenciam a profundidade de emergência das sementes. Uma Aração + Enxada Rotativa 4. somente germinam quando estão até a profundidade de 1. causando a cada ano grandes perdas na agricultura. O Quadro 2 apresenta as 12 famílias mais importantes do mundo. como Eleusine indica.3 . respectivamente (VARGAS et al. Quanto ao ciclo de vida. em solos muito compactados. Estas podem ser anuais de inverno (que germinam no outono ou inverno. Isto pode ser observado facilmente em condições de campo. As anuais completam seu ciclo de vida (semente-semente) em um ano ou menos.0 cm no plantio convencional e somente até 1. entretanto. Uma Aração 2.0 cm. como é o caso de Brachiaria plantaginea. Rotativa + Compactação 5. 1. crescem na primavera e produzem frutos e morrem em meio ao verão) e anuais de verão (que germinam na primavera.

Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas Graminae .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas madurecem e morrem no outono). como no caso de cenoura e alface silvestres. Exemplos: Digitaria sanguinalis. Cyperus rotundus.Famílias de plantas daninhas e números de espécies mais importantes por família. livres ou unidas. b) perenes herbáceas mais complexas. o tipo de fruto. As plantas bianuais vivem mais do que um. 16 Módulo 3. porém menos do que dois anos. etc. exemplos: Cynodon dactylon. há necessidade de um período frio para florescimento e frutificação. onde as estações do ano são bem definidas. Imperata brasilensis.1 . com nós e entrenós. 1. a posição do ovário (inferior ou superior). há nítida observância desses fatos. com incremento anual. que são plantas cujos caules têm crescimento secundário.. segundo Holm (1978) Famílias Gramineae Compositae Cyperaceae Poligoniaceae Amaranthaceae Cruciferae Leguminosae Convolvulaceae Euphorbiaceae Chenopodiaceae Malvaceae Solanaceae No Espécies 44 32 12 8 7 7 6 5 5 4 4 4 % Total de Espécies Daninhas 37% 43% 68% As plantas perenes são aquelas que vivem mais de dois anos e são caracterizadas pela renovação do crescimento ano após ano a partir do mesmo sistema radicular. que se reproduzem por sementes e por mecanismos vegetativos. e c) perenes lenhosas.1 . Durante a primeira fase de crescimento.talo cilíndrico. exemplo: Senna obtusifolia. há uma lista enorme de características vegetativas que levam às famílias.exemplo: dente-de-leão (Taraxacum officinale) . Quadro 2 . Caso a planta esteja sem sementes. Estas podem ser classificadas em: a) perenes herbáceas simples . Echinocloa crusgalli. que se reproduzem por sementes e podem também reproduzir-se vegetativamente se injuriadas ou cortadas. deve-se primeiramente saber se a planta é mono ou dicotiledônea. se as pétalas estão ausentes ou presentes.3. bainha normalmente aberta. Em certas regiões do Brasil. a simetria das pétalas. Eleusine indica. principalmente no sul.Biologia e métodos de controle . lígula normalmente presente. as plântulas se desenvolvem vegetativamente até o estágio de roseta. Para facilitar a correta identificação da espécie. etc. e depois ocorre maturação e morte. Echinocloa cruspavonis e Bracharia plantaginea. entrenós com talo oco. o número de estames ou pétalas.

dividido em dois lóculos. anteras agrupadas ao redor do estilete.. usualmente anuais. Exemplo: Mimosa e Acácia. Cruciferae . etc.Mimosaceae . folhas bipenadas ou penadas. brácteas espinhosas.talo triangular sem nós. Exemplos: Solanum. Exemplos: Senna obtusifolia. Leguminosae .Papilionaceae .Cesalpinaceae . folhas irregularmente recortadas. muitas vezes. Exemplos: Rumex crispus . Subfamíla II . planta com escamas.flores vistosas com cálice e corola pentâmeros. Exemplos: Ipomoea sp.corola com estandarte interno.estames tetradínamos (quatro comprimidos para dentro e quatro curvados para fora). Exemplos: Bidens pilosa. com muitos estames em androceu tubular.Biologia e métodos de controle 17 . hermafroditas e actinomorfas.é subdividida em subfamílias: Subfamília I . Physalis e Datura. o fruto é uma síliqua.presença de serocina. sem estípulas. Polygonaceae . folhas e caules.corola actinomorfa. Exemplos: Sida spp. Acanthospermum australe. Solanaceae .folhas de disposição alternadas. estames 3-12 inseridos no cálice. Módulo 3.1 . Ageratum conyzoides. Exemplos: Amaranthus hybridus e Amaranthus viridis. geralmente (9) + 1. Convolvulus arvensis e Cuscuta sp. Convolvulaceae .possuem cinco estames. estames inseridos no fundo do tubo polínico. bainha fechada sem lígula.flores muito pequenas e de cor verde. o fruto muitas vezes é uma cápsula ou um policoco. corola em forma de tubo. com odor forte e característico. Raphanus raphanistrum e Lepidium virginicum. Malvaceae . seiva ácida e penetrante. estames quatro a infinito. folhas nunca bipenadas.trepadoras com folhas alternadas e sem estípulas.Amaranthaceae .língua-de-vaca. Exemplo: Chenopodium album. em geral as folhas são penadas. nós dos talos inchados ou protuberantes. estames 10. inseridos na corola. Exemplos: Cyperus esculentus e Cyperus rotundus. estames livres e anteras unidas. Melampodium perfoliatum. Sonchus oleraceus e Xanthium cavanillesii. cinco estames de tamanho desigual. Exemplos: Brassica rapa. flores vistosas. talo estriado. Cyperaceae . talos e folhas muitas vezes com espinho. Subfamília III . cálice transformado em papus.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Compositae .corola irregular com estandarte interno. fruto em aquênio. com seiva mucilaginosa e talos fibrosos. o fruto é uma capsula.Inflorescência em capítulo (flores muito pequenas e em dois tipos: tubulares e ligulares). flores muito pequenas e de cor verde. Exemplos: Desmodium e Phaseolus. inflorescências condensadas. Chenopodiaceae .

podem gerar mais dez plantas.4 . Exemplos: Sorghum halepense (capim-massambará): reproduz por sementes e rizomas.Biologia e métodos de controle .). usando os métodos de controle disponíveis. rizomas. Esta característica. Momordica charantia (melão-de-são-caetano) e Paspalum notatum (gramabatatais). Ipomoea sp. em 60 dias. com isso. homem. f) Facilidade de distribuição dos propágulos a grandes distâncias. e Cyperus rotundus: apenas um tubérculo. etc. tubérculos. e este foi o motivo de sua introdução no Brasil pela importação de animais ou lã. b) Manutenção da viabilidade mesmo em condições desfavoráveis. são distribuídas em outras áreas. 18 Módulo 3. e Cyperus rotundus (tiririca). 2) Disseminação zoócora (interna): as sementes ingeridas pelos animais passam pelo intestino e. Há duas situações distintas: 1) Disseminação auxócora (externa): Acanthospermum australe (carrapicho-de-carneiro) . d) Grande desuniformidade no processo germinativo. cujas sementes permanecem viáveis mesmo após 54 meses. Exemplos: Phoradendron rubrum (erva-de-passarinho).1 . animais. Isso ocorre devido aos inúmeros e complexos processos de dormência. através das fezes. cortadas. Cynodon dactylon (grama-seda): por sementes e estolões. c) Capacidade de germinar e emergir a grandes profundidades. etc. a 20 cm. Artemisia biennis: 107. e Euphorbia heterophylla (amendoim-bravo). Echinoclhoa crusgali (capim-arroz) foi introduzido junto com as sementes importadas. Exemplo: Convolvulus arvensis. além de tudo isso. é a causa do insucesso dos herbicidas aplicados ao solo. submersas em água ou após passarem pelo aparelho digestivo do porco ou boi. Isto ocorre pela ação de água. no momento do cultivo do solo. Muitas plantas daninhas apresentam mais de um mecanismo de reprodução. caso o homem não interfira.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. muitas vezes. esta planta produz centenas de sementes viáveis. máquinas. Exemplos: Amaranthus retroflexus com 117.adere à lã das ovelhas. bulbos. e Bidens pilosa (picãopreto) é transportado a longas distâncias nos pêlos de animais ou roupas dos operadores de máquinas. (corda-de-viola).400 sementes por planta. dominam as plantas cultivadas. sendo uma das estratégias de sobrevivência das plantas daninhas. e mantém alguma viabilidade após passarem pelo aparelho digestivo de ovinos e eqüinos e só perdem o poder germinativo passando pelo aparelho digestivo das aves. vento. quando separadas. estolões. Essas características de agressividade são: a) Elevada capacidade de produção de dissemínulos (sementes. a 12 cm. e cada tubérculo possui cerca de dez gemas que. por sementes e tubérculos. e) Mecanismos alternativos de reprodução.500 sementes por planta. produz 126 tubérculos. Exemplos: Avena fatua (aveia-brava) germina até a 17 cm.Características de agressividade das plantas daninhas As características das plantas daninhas verdadeiras fazem com que estas sejam mais agressivas em termos de desenvolvimento e ocupação rápida do solo. etc.

as plantas daninhas germinam e crescem muito mais rápido. nessas condições (KLINGMAN et al. seja da mesma espécie ou de espécies diferentes. luz. Observações usando 14C mostraram que a semente do lótus da índia pode ser viável por 1. sobre outras. gerando. gás carbônico e oxigênio em quantidades adequadas. ou quando esta é rodeada pelos seus descendentes. Decandole (1820) foi quem primeiro conceituou competição. Contudo. 68 após 10 anos.700 anos. por 1.Biologia e métodos de controle 19 .Competição entre plantas daninhas e culturas Para germinar. uma relação de competição entre plantas vizinhas. Na cultura da cebola. depreende-se que. frutos. com pequeno porte e pouco crescimento vegetativo. À medida que a planta se desenvolve. respectivamente. Já Odum (1969) afirma que competição significa uma luta por um fator. nos ecossistemas agrícolas. mostraram que 71 delas estavam viáveis um ano após. e. 57 após 20 anos. a competição torna-se importante quando dois ou mais organismos lutam por algo que não existe em quantidade suficiente para todos. dominando facilmente a cultura. Locatelly e Doll (1977) definem competição como a luta que se estabelece entre a cultura e as plantas daninhas por água. Observações com 107 espécies de plantas daninhas. temperatura. esses fatores do ambiente tornam-se limitados. numa situação de competição.040 anos. ambos os indivíduos são prejudicados. crescer e reproduzir-se. Em soja. muitas vezes é preferível falar-se em interferência de uma comunidade de plantas. a competição seria a luta que se inicia entre indivíduos quando uma planta está em um grupo de outras plantas. Essa grande longevidade se deve a inúmeros e complexos processos de dormência. as plantas daninhas sempre levam vantagem competitiva sobre as plantas cultivadas. por exemplo. assim. Do exposto. afirmando que todas as plantas de um determinado lugar estão em estado de guerra entre si. em nível ecológico. luz. tubérculos ou outras partes de Módulo 3. ou seja. quando esta é conduzida por semeadura direta. Para Weaver e Clements (1938). 2 . Daí em diante vários outros conceitos foram emitidos. h) Grande longevidade dos dissemínulos. toda planta necessita de água. em razão de a competição envolver vários fatores diretos e indiretos. completando seu ciclo de vida. que também lutam pelos mesmos fatores de crescimento. nutrientes e dióxido de carbono disponíveis em um determinado local e tempo. a 20-100 cm de profundidade. cujas sementes foram enterradas em cápsulas porosas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas g) Rápido desenvolvimento e crescimento inicial. Muitas plantas daninhas crescem e se desenvolvem mais rápido que muitas culturas.1 . pois nos programas de melhoramento genético tem-se procurado desenvolver cultivares que.. Brachiaria plantaginea tem grande facilidade para dominar a área quando o controle não é efetuado no momento oportuno. podendo ser agravados pela presença de outras plantas no mesmo espaço. e a da ançarinha-branca. envolve os aspectos da migração e agregação. daninhas ou não. apresentem grande acúmulo de material em sementes. esses autores salientam que. 44 após 30 anos e 36 após 38 anos. 1982).

quase sempre esse acréscimo na produtividade econômica da espécie cultivada é acompanhado por decréscimo no potencial competitivo (PITELLI. não sendo visível no início do desenvolvimento das plantas. diminuindo ou impedindo que as plantas cultivadas tenham acesso aos fatores de crescimento. Recursos são os fatores consumíveis. luz. Sabe-se. Radosevich et al. Para Santos et al. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso é limitado e é máxima quando o ponto de saturação é atingido.Biologia e métodos de controle . 1985). como acontece. Condições são fatores não diretamente consumíveis. reduzindo não somente a produtividade da cultura. até mesmo para o próprio desenvolvimento da cultura.. como água. por exemplo. Estas se estabelecem rapidamente. em sua maioria. a competição entre plantas é de natureza aparentemente passiva. Todavia. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. a grande capacidade de sobrevivência das plantas daninhas. até que um nível ideal seja alcançado. pode ser devido à ocorrência de alta densidade dessas invasoras na área. entretanto. 2. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância.1 . a qual ocorre porque. a cultura e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área. a superioridade das plantas daninhas na competição por esses recursos. nutrientes e luz. comprometendo. assim. devido ao refinamento genético a que foram e ainda são submetidas. a produtividade das culturas e a qualidade dos produtos colhidos. na maioria das vezes. Em ecossistemas agrícolas. caso não haja interferência humana. já limitados no meio. fazendo o controle das plantas invasoras. 20 Módulo 3. algumas vezes observada no em realação às culturas. capacidade de competir vantajosamente com as plantas daninhas verdadeiras. em condições de sombreamento (PITELLI. ou seja.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interesse econômico. Como ambas possuem suas demandas por água. etc. nessas circunstâncias. cuja dependência é muito grande. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos. estes fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente. Devido à falta de mobilidade dos vegetais. gás carbônico. Outro aspecto importante é a grande agressividade. (2003). densidade do solo. qualquer planta daninha que se estabeleça na cultura vai usar parte dos fatores de produção. nutrientes e CO2 e. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex: toxidez devido a excesso de Zn no solo). como pH do solo. em razão da influência extrema que estes exercem sobre a utilização dos recursos pelas plantas. mas também a qualidade do produto colhido. não apresentam. estabelece-se a competição.Fatores do ambiente passíveis de competição A competição entre plantas é diferente daquela que ocorre entre animais. 1985).1 . que as plantas cultivadas.

respectivamente (RONCHI et al. totalmente esclarecida.. citados por Radosevich (1996) sugeriram que o mecanismo de competição por recursos deve ser demonstrado por depleção dos recursos associados à presença e abundância de plantas vizinhas.. mesmo com baixos níveis do recurso (RADOSEVICH et al. 1990. Shainsk e Radosevich (1992).1996). pode-se concluir que determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer. sucesso competitivo é a habilidade para extrair recursos escassos e para tolerar essa escassez de recursos. A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. 1996). Radosevich et al. citado por RADOSEVICH et al. trabalhos mais recentes têm apresentado algumas justificativas para a baixa produtividade observada para as culturas quando em competição com espécies de plantas daninhas: Bidens pilosa e Leonurus sibiricus. principalmente o fósforo. Portanto. Com base nessas teorias. a competição é a tendência de plantas vizinhas utilizarem os mesmos recursos. Contudo. a elevada capacidade competitiva da espécie Desmodium tortuosum nas culturas da soja e do feijão pode ter como contribuição o maior acúmulo de nutrientes por essa planta daninha. De acordo com Grime.. não estando. (2005).. podendo utilizar os recursos disponíveis rapidamente. desenvolvendo-se juntamente com plantas de café em fase inicial. Na realidade. Embora a maioria das definições atuais sobre competição englobe o critério de Goldberg.1 .Biologia e métodos de controle 21 . mudanças morfológicas e fisiológicas nas respostas de crescimento que estejam associadas com variações nos recursos. Para Tilman. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (Radosevich et al. Assim. podem reduzir o conteúdo relativo de N-P-K nos tecidos dessa cultura para 28-39-28% e 1429-21% do total. a depleção nos recursos e as respostas de crescimento. e correlações entre a presença de vizinhos. e o sucesso na competição é fortemente determinado pela capacidade da planta em capturar recursos. ainda. várias outras teorias têm sido desenvolvidas para explicar a importância relativa dos componentes da competição e das características das plantas que lhes conferem competitividade superior. porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. Apesar de os debates continuarem a respeito da validade e relevância dessas duas teorias. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas Módulo 3. Para Procópio et al. nessa teoria. 2003). os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta das plantas às variações dos recursos (GOLDBERG. ambas ajudam a explicar como espécies de plantas competem por recursos limitados e como as características das plantas influenciam sua habilidade competitiva. (1996) afirmam que duas dessas teorias (a de Grime e a de Tilman) têm recebido maior atenção do meio científico. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. Portanto. um bom competidor apresenta alta taxa de crescimento relativo. e é desses autores a descrição que se segue. um bom competidor poderia ser a espécie com menor requerimento de recursos. 1996).

a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. em função da espécie cultivada. desenvolvimento da cultura. a menor susceptibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. ocorre também a competição intraplanta ou endocompetição. Entretando. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. que podem inibir a germinação e. c) As espécies daninhas competem por água. d) Uma infestação moderada de plantas daninhas em lavouras pode ser tão danosa quanto uma infestação pesada. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. nas primeiras seis a oito semanas após sua emergência. Com base nos pontos descritos. em que cada órgão ou parte da planta luta pelo fotoassimilado produzido nas fontes.Biologia e métodos de controle . se a cultura se estabelecer primeiro. e sistema radicular muito desenvolvido. Cardenas (1972) salienta que a competição deve-se a condições específicas quanto ao ambiente e ao solo. ou. 22 Módulo 3. comumente. No entanto. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva.1 . desenvolvimento e crescimento rápido de uma grande superfície fotossintética mesmo. liberar toxinas no solo. parte aérea. b) As espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da cultura. nutrientes e espaço. podendo. 1996). interespecífica. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. ou. dependendo da época de seu estabelecimento. e. ainda. como veranico e geadas. Com base nesse conceito. isto é. se a população de plantas da cultura por área for baixa ou o estande desuniforme. ela poderá cobrir rapidamente o solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas sobre as culturas são o seu porte e sua arquitetura. do seu vigor. luz. seja ela daninha ou não. A competição pode ser intra-específica. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis. • Plasticidade fenotípica e populacional. • Desenvolvimento inicial rápido das raízes e. entre outros fatores. a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. envolvendo indivíduos de espécies diferentes. ainda. as características que fazem com que uma espécie de planta seja altamente competitiva são as seguintes: • Ciclo de vida semelhante ao da cultura. o maior índice de área foliar. várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as culturas e as plantas daninhas: a) A competição é mais séria quando a cultura está na fase jovem. que são capazes de prover quantidades limitadas dos fatores essenciais ao desenvolvimento das plantas. Todavia. A competição entre plantas daninhas e culturas é um fator crítico para o desenvolvimento da cultura quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a cultura (RADOSEVICH. também. grande número de estômatos por área foliar. na fase plantular.

É de se esperar. especialmente nos trópicos. em fases posteriores de desenvolvimento. as condições para que a cultura se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. 2. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. maior exploração do solo em busca de água (PROCÓPIO et al. em dias quentes. • Produção e liberação no solo de substâncias alelopáticas. dessa forma. mais competitivas (RADOSEVICH et al.. ou seja. A razão da elevada capacidade de sobrevivência de B. no manejo da cultura. etc. (2004b). da época correta de plantio. tendem a excluir as demais. etc.1996). especialmente nitrogênio e carbono. o chamado manejo integrado de plantas daninhas. 2002). é normal em alguns agroecossistemas. portanto. realizando. magnitude da condutividade hidráulica das raízes. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes. Conhecendo tais fatores.. da profundidade de plantio. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. que essas plantas com baixo requerimento de água sejam mais produtivas durante o período de limitada disponibilidade de água que as plantas com alto requerimento em água e. 2). pois se estabelecem primeiro. pequenas ou grandes.1. ficou constatado que a planta daninha Bidens pilosa é capaz de extrair água do solo em tensões três vezes maiores do que as alcançadas pela soja e pelo feijão (Fig. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da cultura e da vegetação daninha infestante da área a ser cultivada. Desse modo. como capacidade de remoção de água do solo. Certas espécies de plantas são capazes de usar menos água por unidade de matéria seca produzida que outras.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. torna-se fácil o manejo da cultura de modo que esta leve vantagem sobre o complexo daninho. portanto. apresentam alta eficiência no uso da água (EUA = g de matéria seca produzida/g de H2O utilizada). sem qualquer sinal de déficit hídrico. minimizando assim a competição ou até mesmo eliminando-a com a ajuda de outros métodos de controle. Normalmente. como o método químico. por isso. Em trabalho realizado por Procópio et al. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas. (RADOSEVICH et al.. mecânico ou biológico. Módulo 3.. pilosa com pouca água no solo pode estar relacionada com o fato de que. da percentagem de germinação e vigor das sementes.1 . as características fisiológicas das plantas. • Adaptação às mais variadas condições ambientais.1 . Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma cultura. as plantas da cultura ficarem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas.Biologia e métodos de controle 23 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Germinação desuniforme no tempo e no espaço (presença de dormência). • Produção de um elevado número de propágulos por planta. na fase inicial de seu desenvolvimento. esta espécie drena grande parte de fotoassimilados para a produção de raízes (baixa relação parte aérea/raiz) as quais promovem. Disso resulta a importância do preparo do solo. 1996). regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. do cultivar adequado para a região.

cultivado com diferentes espécies vegetais. algodão. Alguns exemplos são apresentados no Quadro 3. O coeficiente transpiratório das diferentes espécies de plantas varia de 25 a 700.017 1.963 24 Módulo 3. Brachiaria plantaginea.1 . pois são espécies que realizam o metabolismo C3 (plantas ineficientes). Amaranthus retroflexus.Biologia e métodos de controle .250 0. apresentam um coeficiente transpiratório entre 150 e 350 (Quadro 4). podendo competir melhor por este recurso em diferentes estádios fenológicos da cultura. Figura 2 . A maioria das culturas (feijão. Panicum maximun. trigo. como milho. etc.367 0.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Todavia. tem um coeficiente transpiratório extremamente baixo. Por outro lado. por ser uma planta xerófila e apresentar uma rota fotossintética específica (CAM).015 0. Valores antes do florescimento Valores após o florescimento -------UEA – biomassa seca em g kg-1 de água fornecida------0. sorgo e cana-de-açúcar e grande número de espécies daninhas em nossas condições (Cyperus rotundus.) apresenta coeficiente transpiratório entre 500 e 700 (Quadro 4).316 0. Outra maneira de se estimar o consumo de água pelas plantas é através da eficiência transpiratória.088 0. Cenchrus echinatus.Potencial hídrico no solo. no ponto de murcha permanente Quadro 3 – Valor máximo do uso eficiente da água (UEA) por diferentes espécies vegetais Espécie vegetal Phaseolus vulgaris Glycine max Euphorbia heterophylla Bidens pilosa Desmodium tortuosum Fonte: Procópio et al. etc. chamada de coeficiente transpiratório (CT = volume água transpirado em mL/produção de biomassa seca. em gramas).112 0. Digitaria horizontalis.).168 2. algumas culturas de gramíneas. algumas espécies de plantas daninhas podem apresentar diferentes valores de EUA ao longo do ciclo. soja. Cynodon dactylon.073 0. (2002). que correlaciona a água transpirada com a biomassa seca produzida. por realizarem o metabolismo C4. O abacaxi.

Biologia e métodos de controle 25 . Bidens pilosa e Desmodium tortuosum. pode ser devida à maior população e melhor utilização de outros recursos. que compete vantajosamente por este fator de crescimento com a cultura do arroz.2 . Os autores afirmam que.1 . Santos et al.. 2004 2. porém o uso eficiente da água não é o único mecanismo utilizado para sobreviver à competição por água.Competição por luz Para alguns autores. chegando inclusive a citar exceções. a competição das plantas daninhas pela luz deixa de existir. para diferentes espécies de plantas Espécie vegetal Amarantus hybridus* Glycine max Gossypium hirsutum Phaseolus vulgaris Panicum maximum* Oryza sativa Zea mays* Sorghum vulgare* Brachiaria brizantha* Eucalipto * Espécies que realizam o mecanismo C4. apresentam maiores valores para o uso eficiente da radiação (UER). Observam-se. dois mecanismos diferentes para sobreviver à competição por água: habilidade para utilizar um recurso rapidamente (espécie C4) e habilidade para continuar a desenvolver-se mesmo com baixos níveis do recurso (planta C3). Módulo 3. 1977 Silva et al. Para outros autores. apesar de as plantas daninhas avaliadas apresentarem menor eficiência na utilização da radiação fotossinteticamente ativa. (2003) avaliaram o UER das culturas da soja e do feijão e das espécies de plantas daninhas Euphorbia heterophylla. 2004 Silva et al. verificando que as culturas foram capazes de produzir maior quantidade de biomassa por unidade de radiação captada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Essa diferença na eficiência do uso da água é um fator importante na agressividade da espécie. quando avaliadas isoladamente das plantas daninhas. observada em campo. retroflexus. não foi eliminado.1. Quadro 4 . com certeza devido à sua alta EUA. Coeficiente transpiratório 152 700 568 700 267 682 174 153 265 282 Fonte Blanco. a maior capacidade competitiva delas. 1996). como água e nutrientes. como Locatelly e Doll (1977). (1981. mesmo crescendo com outras espécies em condição imposta de estresse hídrico. Esses autores salientam que. a competição pela luz não é tão importante como a competição por água e por nutrientes. o melhoramento genético imposto às culturas possibilitou a seleção de plantas com elevada capacidade de utilização da luz. como a de Sesbania exaltata. observaram que a diferença na eficiência de uso da água entre Chenopodium album (C3) e Amaranthus retroflexus (C4) influenciou pouco a relação entre elas.. uma vez que a cultura tenha formado sombreamento completo. Pearcy et al. Provavelmente a espécie C3 contornou a deficiência hídrica pelo controle estomatal. citados por Radosevich et al.. as quais. nesse exemplo. já que sua EUA é baixa.Volume de água transpirada (em mL) para acúmulo de 1 g de biomasa seca. Já A.

as plantas C3 fotorrespiram intensamente. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. onde é fosforilado. catalisa a produção do ác. se se reduzir o acesso à luz. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEP-carboxilase) apresenta algumas características. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2 . Todavia. por difusão. o ácido pirúvico. entretanto. por ser ambígua quanto ao substrato. sendo esta relação para as plantas C4 de 1:5:2. e não satura em alta intensidade luminosa. também. consumindo 2 ATPs. formando o ácido oxaloacético (AOA). se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). ou seja. responsável pela fixação do CO2. por apresentarem dois sistemas carboxilativos.5 difosfato carboxilase. do glicolato. a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. As plantas C4. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. É sabido que a relação molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. Em conseqüência da ação desta enzima. ocorrendo o ciclo de Calvin e Benson. Em função destas e outras 26 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sabe-se que a competição pela luz é complexa sendo sua magnitude influenciada pela espécie. não desassimilam o CO2 fixado. onde estes produtos são descarboxilados. e. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico.1 . por difusão. também. Essas plantas não apresentam fotorrespiração detectável. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). localizada nas células do mesófilo foliar. além do ciclo de Calvin e Benson. agora pela enzima ribulose 1. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. Este fato evidencia que as plantas C4 necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico).Biologia e métodos de controle . substrato inicial da respiração. é transportado para as células da bainha vascular das folhas. atividade ótima em temperaturas mais elevadas. Como toda esta energia é proveniente da luz. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. logo. Este CO2 liberado é novamente fixado. quando comparadas com plantas de metabolismo do tipo C4 (Quadro 5). regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. isso só é verdade em determinadas condições. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. Estas plantas. dependendo da espécie vegetal. que ocorre em todas as plantas superiores. estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. atua especificamente como carboxilase. se ela é umbrófila ou heliófila e. As plantas de rotas fotossintéticas do tipo C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson. baixo ponto de saturação luminosa. no ácido fosfoenolpirúvico. 3 fosfoglicérico e. É muito comum imaginar que as espécies de metabolismo C4 são sempre mais eficientes que as plantas C3. em seguida. como: alta afinidade pelo CO2. retorna às células do mesófilo.

1 . Considerando todas as áreas do globo terrestre. mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. cana-de-açúcar. nestas condições. Imperata cilindrica.Biologia e métodos de controle Fotossíntese C3 Presente: 25 a 30 % do valor da fotossíntese Ácido 3-fosfoglicérico Alto: 50-150 ppm de CO2 Ausência bainha vascular. Primeiro produto estável 03. esta passa a atuar mais como oxidativa. Echinochloa crusgalli e Eleusine indica. Anatomia foliar 05. sem cloroplastos RuDP-carboxilase (Km ≅ 20μM de CO2) Inibição 1:3:2 Satura com 1/3 da luminosidade máxima Próxima de 25 oC 15 a 35 mg CO2 dm-2 h-1 Fotossíntese C4 Presente: não mensurável pelo método de troca de gases com o ambiente Ácido oxaloacético Baixo: 0. estima-se que. soja. 07. etc. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontrase saturada quanto à luz. Como a maioria das culturas agronômicas das regiões tropicais e subtropicais (algodão. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas características (Quadro 5). torna-se evidente que plantas daninhas C4 serão aquelas que exercerão maior competição com as culturas. Cynodon dactylon. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km) (Quadro 5). Próxima de 35 oC 40 a 80 mg CO2 dm-2 h-1 27 . Sorghum halepense. Relação CO2 : ATP:NADPH 08. arroz. ainda assim essas plantas continuam acumulando biomassa. Isso acontece porque. é comum. entre as dez espécies de plantas daninhas mais nocivas do mundo. quando presente. oito são plantas C4 anuais ou perenes: Cyperus rotundus.0 a 10 ppm de CO2 Presença de bainha vascular com cloroplastos.) são cultivadas nos meses do ano que coincidem com períodos de elevada intensidade luminosa e temperatura. levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente. as espécies C4 dominam completamente as C3. Além disso. existem exceções. Panicum maximum. Taxa de fotossíntese líquida com saturação de luz Módulo 3. Isso é possível porque este grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável.Características diferenciais entre plantas com rotas fotossintéticas C3 e C4 Característica 01. alta luminosidade e até mesmo déficit hídrico temporário. nessas condições. Fotorrespiração 02. feijão. Efeito do oxigênio (21%) sobre a fotossíntese. PEP-carboxilase (Km ≅ 5μM de CO2) Sem efeito 1:5:2 Não satura com aumento da luminosidade. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. No caso das plantas C4. e. Quadro 5 . Ponto de compensação 04. Temperatura ótima para a fotossíntese 10. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). Este fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. liberando CO2. quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. mandioca. Enzima primária carboxilativa 06. Echinochloa colonum. Fotossíntese x intensidade luminosa 09. milho.

1. a alta infestação dessa planta daninha em lavouras de soja implica maior remoção desse nutriente para a massa total da espécie infestante. Fotossíntese C3 450 a 1. Molinia caerulea é mais tolerante a alta taxa de CO2 do que Erica tetralix.5 % da biomassa seca Fotossíntese C4 150 a 350 g H2O / g biomassa seca 3. por exemplo. Isso acontece devido ao consumo do oxigênio pelos microrganismos do solo e em razão de sua renovação lenta. em alto grau. deve-se considerar. deficiência de oxigênio e. os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das culturas em nossos solos. No entanto.Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e. a atmosfera edáfica contém menos oxigênio e mais CO2 do que o ar acima do solo. que oferece resistência à difusão e ao fluxo de massa. Richardia brasiliensis acumula 10 vezes menos N. Como a eficiência na captura de CO2 proveniente do ar é diferente entre plantas C3 e C4 (Quadro 5) e se sua concentração pode variar. considerando as diferentes rotas fotossintéticas apresentadas por espécies de plantas daninhas e culturas. 2004).1. 2. Coeficiente transpiratório 11. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca. com muito maior ênfase. a concentração de CO2 no mesófilo foliar necessária para que uma determinada espécie passe a acumular matéria seca é diferente. para as espécies de plantas C3. Determinadas espécies de plantas são mais sensíveis ao excesso de CO2 e. em conseqüência da “tortuosidade” da matriz do solo. a competição por nutrientes depende.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Característica 11. dentro de uma população mista de plantas.Biologia e métodos de controle . em condições de solo encharcado. 20 vezes menos P e cinco vezes menos K compara à soja (PEDRINHO JÚNIOR et al. ou..5 % da biomassa seca 2. Procópio et al. o aspecto competitivo não é comumente discutido e geralmente é considerado não-significante.3 .Competição por CO2 Com relação ao CO2. Todavia. por exemplo. que são os dois processos principais de renovação da atmosfera do solo.000 g H2O / g biomassa seca 6. exercem forte competição com as culturas pelos nutrientes essenciais. Sob condições normais. principalmente. ele pode ser limitante.1 . assim. em conseqüência disso.5 a 7. (2005) observaram que Desmodium toruosum é capaz 28 Módulo 3. Por exemplo. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes.0 a 4. podem levar desvantagem na competição com espécies mais tolerantes em tais situações.4 . da quantidade e das espécies presentes. Outro ponto a ser considerado é a “Interação Radicular Passiva”. Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. Conteúdo de N na folha para atingir fotossíntese máxima Fonte: Ferri (1985).

pela interferência imposta pela comunidade infestante.1 . evidenciando elevada eficiência na utilização desse nutriente. em competição com o feijoeiro. outras espécies são competidoras também na utilização desse recurso. desenvolvida na presença da comunidade infestante. avaliando os períodos de convivência e acúmulo de nutrientes de diferentes plantas daninhas e o cafeeiro. verificaram que as espécies infestantes. mesmo em baixas densidades. ** Período total de convivência da planta daninha com a muda de café no vaso Módulo 3.4 vezes mais P por g de massa seca comparada à soja em mesma condição de recursos. Cerca de 80% do cálcio foi imobilizado pelas plantas daninhas. e do contrário ocorreu com o manganês (85% imobilizado pela cultura). 2004a). sendo C. Podese afirmar que. estudando a distribuição dos nutrientes extraídos pelas plantas daninhas e pela cultura.Conteúdo relativo* de nutrientes na parte aérea de plantas de café cultivadas em vasos (12 L de substrato). além do acúmulo de matéria seca. Em lavoura de arroz de sequeiro. por ocasião do florescimento da cultura. (2003).Biologia e métodos de controle 29 . diffusa a planta daninha que causou a maior diminuição no conteúdo relativo de nutrientes no cafeeiro (Quadro 6). competindo com uma espécie/planta por vaso Espécie Vegetal Bidens pilosa Commelina diffusa Leunurus sibiricus Nicandra physaloides Richardia brasiliensis Sida rhombifolia PTC* * 77 180 82 68 148 133 N 59 30 35 37 49 97 P K 72 67 42 37 33 38 62 68 61 57 83 105 Conteúdo relativo* de nutrientes Ca Mg S Cu Zn B Mn Fe Na 67 74 97 106 66 76 59 54 69 45 48 69 69 37 54 19 41 35 36 40 41 66 37 41 30 57 39 72 76 86 114 69 101 50 107 68 53 50 67 43 51 63 57 61 59 90 88 98 93 77 138 102 80 106 *Relativo ao conteúdo verificado na testemunha (cafeeiro sem competição). Quadro 6 . poderá favorecer espécies vegetais que utilizam mais eficientemente esse recurso. Além disso. Além da capacidade em extrair nutrientes do solo. Isso demonstra que. Bidens pilosa e Euphorbia heterophylla apresentam maior eficiência na utilização do N absorvido no solo. Pitelli (1985). a competição depende do nutriente. o manejo inadequado de nutrientes. Para os autores. com adição de subdoses. o grau de interferência varia consideravelmente com a espécie e com a densidade das plantas daninhas. em campo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas de acumular até 2. Os acúmulos de cálcio e manganês no arroz foram reduzidos em 40 e 28%. observou que a matéria seca acumulada foi equivalente para a cultura e as plantas daninhas. os autores observaram que Bidens pilosa. comparadas à soja e ao feijão (PROCÓPIO et al. acarretaram decréscimos consideráveis no conteúdo relativo de nutrientes de plantas de café. Ronchi et al. respectivamente.. é capaz de formar três vezes mais matéria seca por unidade de P absorvida do solo.

incluindo microrganismos. 1984). Existe ainda a auto-alelopatia. Milhares de compostos secundários sintetizados por espécies vegetais estão isolados e estimasse que outros milhares existam na natureza.Biologia e métodos de controle . quando cultivado sucessivamente na mesma área. denominados aleloquímicos. em raízes intactas. ou condensados no orvalho. onde são absorvidos pelas raízes (ALMEIDA. apresentam potencial para exercer alelopatia em agroecossistemas. fungos e herbívoros. ou seja. principalmente monoterpenos e sesquiterpenos (RICE. caules. como outras plantas. exsudação radicular. Essas substâncias alelopáticas são liberadas dos tecidos da planta para o ambiente de diferentes formas. lixiviação e decomposição dos resíduos da planta. sobre a própria planta ou microrganismos ou vice-versa. (folhas. os aleloquímicos podem ser absorvidos diretamente pela cutícula das plantas vizinhas. os compostos secundários que.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . quando lançados no ambiente. 1969). Em fruteiras (pessegueiros. A primeira demonstração científica de auto-alelopatia foi feita em feijão-miúdo (Vigna unguiculata). Os aleloquímicos. 1988). por meio dos próprios vapores. promovem uma interação bioquímica entre plantas. Uma vez volatilizados. insetos.Alelopatia As plantas superiores desenvolveram notável capacidade de sintetizar. o estado sanitário. As plantas são hábeis em produzir aleloquímicos em todos os seus órgãos. existindo forte relação de dependência entre a produção destes metabólitos e 30 Módulo 3. ou seja. mas provavelmente estão associados com mecanismos ou estratégias químicas de adaptação às condições ambientais.1 . A maioria dos aleloquímicos voláteis são compostos terpenóides.4% do carbono fotossintetizado (ROVIRA. flores. que não parecem relacionados diretamente com nenhuma função do metabolismo primário. após muitos anos de cultivo da mesma espécie no solo. frutos e sementes). o comportamento ou a biologia da população de organismos de outra espécie são de interesse da alelopatia. acumular e secretar uma grande variedade de metabólitos secundários. Assim. macieiras e citros) também ocorre a auto-inibição do desenvolvimento em plantios na mesma área. raízes. metabólitos secundários podem inibir a própria planta que os produziu. afetam o crescimento. 1984). através de volatilização. A quantidade dos compostos produzidos e a composição destes dependem da espécie e das condições ambientais. lançados ao ambiente. a maioria dos metabólitos secundários liberados pelas plantas está envolvida em interações com outros organismos. As plantas podem exsudar naturalmente uma série de compostos orgânicos. Os efeitos podem ser deletérios ou benéficos sobre outra planta. Provavelmente. geralmente da ordem de 0. após serem transferidos para o ambiente (RICE.1 a 0. ou ainda alcançar o solo.

crescimento. como nabo forrageiro. As perdas da permeabilidade seletiva da membrana citoplasmática ocorrem pouco tempo após a morte da planta. aveia e centeio. são: assimilação de nutrientes. Os aleloquímicos podem ser liberados das células vivas ou mortas também pela ação da água. os aleloquímicos podem ser liberados através dos resíduos. CO2. fotossíntese. nutrientes. etc. etc. A inibição sobre o desenvolvimento de plantas de pimentão por extratos de eucalipto é um exemplo. como tiririca.Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas A interferência que as plantas daninhas causam sobre as culturas é decorrente da competição pelos fatores comuns (água. Cenchrus echinatus e Euphorbia heterophylla. colza. capim-massambará. reduzindo a intensidade de infestação de algumas plantas daninhas. apresentam razoável efeito alelopático. O mecanismo de ação dos aleloquímicos não está ainda bem esclarecido. O eucalipto produz substâncias cuja presença é variável com as espécies. Por exemplo. como Brachiaria plantaginea. Módulo 3.Biologia e métodos de controle 31 . e essa deficiência de defesa das plantas cultivadas é atribuída à seleção a que estas têm sido submetidas ao longo do tempo. 1988). O fungo Penicillium urticae produz fitotoxina patulina durante a decomposição dos resíduos do trigo. atividade enzimática. O efeito alelopático das culturas sobre plantas daninhas é menos comum. açúcares. Uma variedade de compostos químicos pode ser carreada da parte aérea das plantas por meio de chuva. aminoácidos e as substâncias pécticas. para outras características que não as de agressividade para com outras plantas. Com a liberação direta dos compostos pelos tecidos. Restos culturais de algumas culturas. Assim. O capim-marmelada (Brachiaria plantaginea) afeta o desenvolvimento da soja tanto no crescimento quanto na capacidade de nodulação (ALMEIDA. como taninos. etc. luz. em sistema de plantio direto. microrganismos podem metabolizar polímeros presentes e produzir substâncias tóxicas. alguns terpenos e muitos compostos fenólicos podem ser lixiviados. que promove toxicidade na cultura que o sucede (Almeida. o que dificulta a interpretação de resultados a campo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas as condições de ambiente (EINHELLIG. foram eliminados genótipos possuidores de substâncias alelopáticas. na cultura seguinte.) e dos efeitos das substâncias alelopáticas que estas produzem. espaço físico. etc. entre estes os ácidos. 1988). alcalóides.1 . permeabilidade da membrana celular. ao melhorar o paladar e diminuir a toxicidade. Os alcalóides. neblina e orvalho. respiração. Os principais processos vitais afetados. 3. segundo Almeida (1988). síntese de proteínas. e sua persistência no solo varia com as variações do ambiente.1 . grama-seda. O desenvolvimento do tomateiro foi afetado por extratos de várias plantas daninhas. 1996).

Em condições de baixas temperaturas. Se a cultura de verão for implantada com algum intervalo após a colheita desta cultura de inverno. A taxa de decomposição é alta e a liberação dos compostos alelopáticos é.2 . hoje disseminado no Brasil por todos estados produtores de grãos. degradando os aleloquímicos. várias pesquisas estão sendo conduzidas visando identificar os compostos alelopáticos.3 . Outros pesquisadores avaliam e colecionam germoplasmas de plantas alelopáticas. Atualmente. os efeitos alelopáticos provocados pela incorporação de resíduos vegetais no solo são muitos variáveis. a cobertura morta pode prevenir a germinação. o material fresco. o que tem contribuído para que os agricultores do sul deixem de cultivar colza. também rápida. 3. provoca efeitos alelopáticos pouco acentuados e por períodos curtos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3. normalmente cereais. por isso. os tipos de solo e as condições climáticas. 32 Módulo 3. por exemplo.Biologia e métodos de controle . sabe-se que o processo de decomposição do material vegetal é variável com a qualidade dos tecidos. forma-se no final desta estação ou início da primavera. com efeitos biológicos e toxicidade diversos.Alelopatia das coberturas mortas No plantio direto.4%. Nas culturas de verão. Os efeitos alelopáticos são transitórios. possivelmente não ocorrerão problemas de fitotoxicidade. a fim de avaliar suas atividades sobre as diferentes espécies de plantas daninhas. Por isso. conseqüentemente. a incorporação dos resíduos deve ser feita com certa antecedência da semeadura das culturas. inferiores a 25 dias. especialmente no que diz respeito às técnicas de rotação e consorciação. reduzir o vigor vegetativo e provocar amarelecimento e clorose das folhas. provoca redução do estande da cultura da soja plantada imediatamente após a sua colheita. Quanto a possíveis efeitos alelopáticos do material incorporado ao solo. Estes estudos irão contribuir de maneira decisiva para o manejo de plantas daninhas no sistema de plantio direto. Normalmente. Essa cobertura é essencial para o sucesso do plantio direto. A colza. como as adubações verdes. exsudato radicular proveniente de plantas de sorgo reduziu a área foliar de plantas de alface em 68. os resíduos no solo são escassos e a temperatura e umidade no solo são suficientes para manter a atividade microbiana alta. assim como poderá ser um ponto de partida para síntese de novos compostos com atividade herbicida.Alelopatia entre culturas A possibilidade de se desenvolverem efeitos alelopáticos benéficos ou maléficos entre culturas tem interesse agronômico. redução do perfilhamento e até morte de plantas daninhas durante a fase inicial de desenvolvimento. usando solução nutritiva circulante entre os vasos de sorgo e alface. quando começa a época chuvosa. os resíduos secos podem causar fitotoxicidade mais severa. quando cultivadas em casa de vegetação. A cobertura morta da cultura do inverno. podendo os resíduos de plantas de mesma espécie dar origem a compostos diferentes.1 . Segundo Barbosa (1996).

A este efeito global denominou-se “interferência”. quanto maior for o período de convivência múltipla (culturaplantas daninhas). ao conjunto de ações que recebe uma determinada cultura em decorrência da presença da comunidade infestante num determinado local. Em trabalho realizado por Erasmo et al. favorecendo a utilização de recursos pela planta cultivada. o controle biológico de plantas daninhas também poderá ser uma opção no manejo integrado. os quais são descritos a seguir. Contudo. foram eficientes no controle das espécies daninhas D. horizontalis. ambos citados por Pitelli (1985). O manejo de plantas daninhas altera a cronologia natural dos eventos. No entanto. para o sucesso deste método. espaçamento e densidade de plantio) e à época e extensão da convivência. portanto. uma infestação moderada de plantas daninhas poderá ser tão danosa à cultura quanto uma infestação pesada. M. porque dependerá da época e do ciclo da cultura em que esse período ocorrer.Biologia e métodos de controle 33 . entre outros fatores. e. Os autores constataram elevada concentração de taninos condensados. De maneira geral. lophanta e A.1 .Competição e período crítico de competição De acordo com Pitelli (1985). visando o mínimo possível de redução na produtividade. Essa idéia foi originalmente apresentada por Bleasdale (1960) e mais tarde modificada por Blanco (1972). as espécies Mucuna aterrima. o conhecimento das propriedades alelopáticas das plantas será fundamental. densidade e distribuição). referindo-se. no desenvolvimento e na produtividade de uma cultura. os efeitos negativos observados no crescimento. mas resultante das pressões ambientais de ação direta (competição. interferência na colheita e outras). No futuro. gerando menor intensidade de interferência na produtividade econômica. sendo a possível causa dos efeitos alelopáticos. Geralmente. Esse fato justifica. devidos à presença de plantas daninhas. mas sem prejudicar também o ambiente. esteróides livres e ogliconas esteróides. o estudo da época ideal de controle de plantas daninhas em cada cultura. menor será o grau de interferência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas objetivando o melhoramento genético. pruriens e S. podendo ser alterado pelas condições de solo. alelopatia. pode-se dizer que. maior será o grau de interferência. quanto menor o período de convivência entre cultura e plantas daninhas. Pitelli e Durigan (1984) sugeriram terminologia para períodos de convivência de plantas daninhas em culturas. portanto. (2004). sendo o esquema apresentado na Figura 3. à própria cultura (espécie ou variedade. Módulo 3. dependendo da época de seu estabelecimento. não devem ser atribuídos exclusivamente à competição imposta por estas. H. utilizadas como cobertura vegetal. O grau de interferência entre plantas cultivadas e comunidades infestantes depende das manifestações de fatores ligados à comunidade infestante (composição específica. 4 . clima e manejo. bicolor. isto não é totalmente válido. spinosus.

Desse modo. Por exemplo. É importante esclarecer o significado deste período em termos de competição: as espécies daninhas que emergirem neste período. após a semeadura ou o plantio. em determinada época do ciclo da cultura. para que a produção não seja afetada quantitativa e. impede o desenvolvimento das plantas daninhas.Modelo esquemático dos fatores que influenciam o grau de interferência entre cultura e comunidades infestantes Aquele espaço de tempo. este deve ser o período que as capinas ou o poder residual dos herbicidas devem cobrir.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas “Período total de prevenção da interferência” (PTPI) é o período. No entanto. do sombreamento. Na prática. a própria cultura. na prática este limite não pode ser considerado. toda e qualquer prática cultural que incremente o crescimento inicial da cultura pode contribuir para um decréscimo no período total de prevenção da interferência. a fertilização incrementa o crescimento inicial da cultura e das plantas daninhas. Teoricamente. o final do período anterior à interferência seria a época ideal para o primeiro controle da vegetação infestante.1 . terão atingido tal estádio de desenvolvimento que promoverão uma interferência sobre a espécie cultivada. n D De d d s si ad e Ambiente S ol o Ma ne j o Clima 34 Módulo 3. através. em que a cultura pode conviver com a comunidade de plantas daninhas antes que a interferência se instale de maneira definitiva e reduza significativamente a produtividade da lavoura é denominado “período anterior à interferência” (PAI). pois a comunidade teria acumulado energia e matéria orgânica que retornariam ao solo. qualitativamente. permitindo menos cultivos ou o uso de herbicidas de menor poder residual. Após esse período.Biologia e métodos de controle . ou. A aplicação de certas práticas culturais contribui para diminuição deste período. em que a cultura deve ser mantida livre da interferência de plantas daninhas. contribuindo para o próprio desenvolvimento da cultura. principalmente. permitindo que a competição por recursos outros que não a adubação se instale de maneira mais rápida. a Époc Dura çã o Período de convivê ncia lti Cu r va Es pé ci e s Espaçamento Densidade Densidade Cultura Grau de interferência rib st Di ui o çã Figura 3 . O limite superior deste período indica a época em que a interferência compromete irreversivelmente a produtividade econômica da cultura. capaz de reduzir significativamente sua produtividade econômica. a partir do plantio ou da emergência.

Isso é normal. os cultivares utilizados e as composições específicas das comunidades infestantes foram diferentes. não são idênticos para as mesmas culturas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pois a cultura e. porque as condições em que foram conduzidas as pesquisas. (1982) Oliveira e Almeida 45 .1 .Períodos de convivência e de controle de plantas daninhas em diversas culturas anuais e bianuais Cultura Algodão Alho Girassol Cebola Arroz de sequeiro Cana-de-açúcar ( plantio de ano ) Cana-de-açúcar (plantio de ano e meio) Feijão Café (após plantio das mudas no inverno) Café (após plantio das mudas no verão) Milho Soja Dias Após Semeadura ou Plantio (d) PTPI PAI PCPI 66 d 08 d 08 .30 d Victoria Filho (1994) 15 – 88 d Dias et al. clima. (2005) 14 . encontrados pelos diversos autores. (1981) Mascarenhas et al. (2003) 20 . (2005) 22 – 38 d Dias et al. torna-se extremamente importante a pesquisa nesta área. Em diversos trabalhos de pesquisa visando avaliar os efeitos da interferência de plantas daninhas em culturas (Quadro 7).30 d Spadotto et al. (2003) Alcântara et al. Recentemente foi proposto o Período Anterior ao Dano no Rendimento Econômico (PADRE). nas diferentes condições envolvendo solo. Considerando a diversidade de fatores que influenciam o grau e os períodos de interferência apresentados. as plantas daninhas podem ter atingido um estádio tal de desenvolvimento que inviabilize o uso de práticas mecânicas ou o controle químico. 2005). (1980) Brighenti et al. baseado na hipótese de que aspectos econômicos como o custo de controle e o valor monetário dos grãos devem ser utilizados como critério para determinar o período aceitável de interferência das plantas daninhas antes de se decidir pelo seu controle (VIDAL et al.30 d Martins (1994) Módulo 3. Este seria o “período crítico de prevenção da interferência” (PCPI). (1994) 20 . (2002) Souza et al. ou. espécies daninhas e culturas.60 d (1982) Rolin e Cristofolleti 30 .90 d (1982) 47 – 127 Kuva et al. Do ponto de vista prático. a cultura deverá ser mantida livre das plantas daninhas no período compreendido entre o final do PAI até o momento em que as plantas daninhas que vierem a emergir não mais irão interferir na produtividade da cultura. visando realizar com eficiência o manejo integrado das plantas daninhas.42 d Ramos e Pitelli (1994) 21 .Biologia e métodos de controle 35 . (2004) Soares et al.66 d 80 d ----100 d 20 d 20 –100 d 30 d 21 d 21 – 30 d 42 d 40 d 30 d 30 . PAI e PCPI. os períodos PTPI.40 d 60 d 90 d 127 d 30 d 88 d 38 d 42 30 d 30 d 45 d 30 d 74 d 20 d 15 d 22 d 14 21 d 20 d Fonte Salgado et al.. Quadro 7 .

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5 . mudas com torrão. Em síntese. um estado. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. deve ser feita até um nível no qual as perdas pela interferência sejam iguais ao incremento no custo do controle. 5. A falta desses cuidados tem causado ampla disseminação das mais diversas espécies. que poderão se transformar em sérios problemas para a região. As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilizar sementes de elevada pureza. limpar cuidadosamente máquinas.1 . limpeza de canais de irrigação. a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas ainda por elas não infestadas.1 . que não interfiram na produção econômica da cultura. inspecionar cuidadosamente mudas adquiridas com torrão e também toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. tem-se a tiririca (Cyperus rotundus). o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas. Como exemplo. grades e colheitadeiras. verifica-se grande evolução destes. além de outras espécies. o picão-preto (Bidens pilosa) e o capim-carrapicho (Cenchrus echinatus). se espalham por novas áreas por meio de roupas e sapatos dos operadores. Nestas legislações encontram-se os limites toleráveis de cada semente de planta daninha e também a lista de sementes proibidas por cultura ou grupo de culturas. Já o capim-arroz (Echinochloa sp. que possui sementes muito pequenas e tubérculos que infestam novas áreas com grande facilidade.) e o arroz-vermelho (Oryza sativa) são distribuídos junto com as sementes de arroz. 36 Módulo 3. Estas áreas podem ser um país. Em níveis federal e estadual. etc. há legislações que regulamentam a entrada de sementes no país ou estado e sua comercialização interna. quarentena de animais introduzidos. um município ou uma gleba de terra na propriedade.Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. Em nível local. atualmente. ou seja. considerando uma cultura. A redução da interferência das plantas daninhas.Métodos de controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mais variados possíveis e. por meio de estercos. Eles abrangem desde o arranque das plantas com as mãos até o uso de sofisticados equipamentos de microondas para exterminar as sementes no solo. o elemento humano é a chave do controle preventivo. pêlos de animais. ou. etc. o estabelecimento e.. etc.Biologia e métodos de controle .

O principal efeito é a melhoria das condições físico-químicas do solo. então. Essas práticas contribuem para impedir o aumento exagerado de determinadas plantas daninhas. jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. A capina manual feita com enxada é muito eficaz e ainda muito utilizada na nossa agricultura. a cobertura morta e o cultivo mecanizado. ou monda.3 .Controle cultural O controle cultural consiste no uso de práticas comuns ao bom manejo da água e do solo. esta é a única fonte de trabalho. visando beneficiar o estabelecimento e desenvolvimento das culturas. em lavouras de arroz. em cana-de-açúcar. e para muitas famílias. aveia e centeio são usadas na região Sul do Brasil. nabo. como rotação de cultura. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas. feijão-de-porco e lablabe. quando o principal método de controle é o uso de enxada.2 . em usar as próprias características ecológicas das culturas e plantas daninhas. uso de coberturas verdes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5. apaga-fogo (Alternanthera tenella). Quando são aplicadas as mesmas técnicas culturais seguidamente. a roçada. Contudo. ano após ano. a queima. Nas regiões subtropicais predominam mucuna-preta. em lavouras de trigo. Variação do espaçamento: a variação do espaçamento entre linhas ou da densidade de plantas na linha pode contribuir para a redução da interferência das plantas daninhas sobre a cultura. em lavouras de milho. principalmente em regiões montanhosas. etc. a escolha da cultura em rotação deve recair sobre plantas com habito de crescimento e características culturais bem contrastantes. Rotação de culturas: cada cultura agrícola geralmente é infestada por espécies daninhas que possuem exigências semelhantes às da cultura ou apresentam os mesmos hábitos de crescimento. A redução entre linhas geralmente proporciona vantagem competitiva à maioria das culturas sobre as plantas daninhas sensíveis ao sombreamento. numa agricultura mais intensiva. a inundação. dependendo da arquitetura das plantas cultivadas e das espécies infestantes. entretanto. O arranque manual. mostarda. a interferência destas plantas daninhas aumenta muito. ervilhaca.). Ainda hoje é usado para o controle em hortas caseiras. variação do espaçamento da cultura. 5. Tremoço. Consiste. crotalárias. Quando o principal objetivo é o controle de plantas daninhas. estas plantas possuem também poder inibitório sobre outras e podem reduzir as infestações de algumas daninhas após serem incorporadas ao solo. guandu. Coberturas verdes: as coberturas verdes são culturas geralmente muito competitivas com as plantas daninhas. exemplos: capim-arroz (Echinoclhoa sp. a capina manual.1 . no mesmo solo.Biologia e métodos de controle 37 . azevém anual.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. em Módulo 3. e caruru-rasteiro (Amarantus deflexus). onde há agricultura de subsistência.

além de muitas plantas daninhas anuais. a cobertura do solo com restos vegetais da cultura anterior é de grande utilidade. que são posteriormente mortas devido à impossibilidade de emergência. O cultivo mecanizado. A cobertura provoca menor amplitude nas variações e no grau de umidade e da temperatura da superfície do solo. Em solos planos e nivelados. em solo úmido. as sementes das plantas daninhas germinam e morrem em seguida. para uso dirigido nesta cultura. milho e trigo. como tiririca (Cyperus rotundus). O espaço das entrelinhas é mantido roçado e. apenas não apresentando efeito sobre as plantas daninhas que se desenvolvem em solos encharcados. É restrito a pequenas áreas de hortaliças. Em pomares e cafezais. capim-kikuio (Penisetum clandestinum)). Os fatores limitantes deste método. em nível. devido à temperatura excessivamente alta principalmente até 5 cm de profundidade.1 . em virtude da suspensão do fornecimento de oxigênio para suas raízes. Provoca aumento de temperatura e. Este sistema de plantio é usado em extensas áreas de plantio de soja. onde o controle da erosão é fundamental. grama-seda (Cynodon dactylon). Esta deve ser feita antes do plantio. por meio de outros métodos de controle. sendo um dos principais métodos de controle de plantas daninhas em propriedades com menores áreas plantadas. é ineficiente para controlar plantas daninhas que 38 Módulo 3. na maioria dos casos. o alto custo da mão-de-obra e a dificuldade de encontrar operários no momento necessário e na quantidade desejada fazem com que este método seja apenas complementar a outros métodos. No plantio direto. bem como sobre as plantas aquáticas. Quanto à queima das plantas daninhas com lança-chamas. além de outros efeitos importantes sobre as culturas implantadas na área. a fileira de plantas. esta técnica é de uso limitado no Brasil. estimulando a germinação das sementes das plantas daninhas da camada superficial de solo. Todavia. em razão do custo do combustível. Espécies perenes de difícil controle. feito por cultivadores tracionados por animais ou tratores. são totalmente erradicadas sob inundação prolongada. a roçada manual ou mecânica é um método muito importante para controlar plantas daninhas.).Biologia e métodos de controle . através de adaptação de queimadores especiais em cultivadores tratorizados. como o capim-arroz (Echinochloa sp. principalmente em terrenos declivosos. devendo ser realizado quando as plantas daninhas estiverem ainda jovens e o solo não estiver muito úmido. é mantida no limpo. beiras de estradas e pastagens a roçada é um método de controle de plantas daninhas dos mais importantes. A inundação mata as plantas sensíveis. utilizando filme de polietileno sobre a superfície do solo. como nos tabuleiros de arroz. e b) baixa eficiência: quando realizado em condições de chuva (solo molhado). a inundação é um efetivo método de controle de plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas áreas maiores. são o custo do nivelamento do solo e a grande quantidade de água necessária para sua implantação. Outra técnica utilizada para o controle de plantas daninhas é a solarização. A cobertura morta ainda pode apresentar efeitos alelopáticos úteis no controle de certas espécies daninhas. é de larga aceitação na agricultura brasileira. Também em terrenos baldios. A cobertura do solo com restos vegetais em camada espessa ou com lâmina de polietileno é um meio físico-mecânico de controle das plantas daninhas. As principais limitações deste método são: a) dificuldade de controle de plantas daninhas na linha da cultura. já foi utilizada em algodão.

praticado com fins econômicos. aves. ele não deve parasitar outras espécies. b) Seleção de inimigos naturais mais eficientes.4 . até o momento. suspende a absorção de água e expõe a raiz às condições ambientais desfavoráveis. o que é uma tendência normal em condições de campo. a eficiência do controle biológico é duvidosa quando ele é usado isoladamente. insetos. através de enxadas cultivadoras especiais. todas as espécies anuais. Dependendo do tamanho relativo das plantas cultivadas e daninhas. Deve também ser considerada como controle biológico a inibição alelopática de plantas daninhas exercida por outras plantas. Isso é mantido por meio do equilíbrio populacional entre o inimigo natural e a planta hospedeira. uma vez eliminado o hospedeiro. porque pode controlar uma espécie e uma outra ser favorecida. No Brasil. no Havaí. nos pomares de citros. d) Determinação da especificidade dos hospedeiros. o fungo Coletotrichum gloeosporeoides pode ser usado para controlar o angiquinho (Aeschynomene virginica) em soja e milho. Entre os diversos exemplos de controle biológico no mundo. podem-se citar: na Austrália. reduzindo sua capacidade de competir. pode causar o enterrio das pequenas plântulas e. 5. De modo geral. ou seja. E. e. Para que este tipo de controle seja eficiente. o controle biológico de plantas daninhas com inimigos naturais não tem sido. daninhas ou não (este assunto já foi discutido em módulo à parte).Controle biológico O controle biológico consiste no uso de inimigos naturais (fungos. vírus. e) Acompanhamento da introdução e do estabelecimento do agente biocontrolador no campo. No entanto. desde a pesquisa até a prática do controle biológico: a) Seleção de espécies de plantas daninhas a serem controladas. são facilmente controladas em condições de calor e solo seco.Biologia e métodos de controle 39 . o herbicida natural é registrado como Collego. Nos Estados Unidos. o cambará-de-espinho (Lantana camara) foi controlado pelos insetos Agromisa lantanae e Crocidosema lantanae.1 . peixes. para controlar Morrenia odorata. promover o controle das plantas daninhas na linha. o parasita deve ser altamente específico. foi já usado o fungo Phythophthora palmivora. o controle do cactus ou figo-da-índia (Opuntia spp. Módulo 3.) com as larvas do inseto Cactoblastis cactorum. o deslocamento do solo sobre a linha. etc. com o nome de Devine.) capazes de reduzir a população das plantas daninhas. O cultivo quebra a relação íntima que existe entre raiz e solo. c) Estudo e avaliação da ecologia dos vários inimigos naturais. quando jovens (2-4 pares de folhas). f) Avaliação da efetividade em diferentes épocas do ano. com isso. a fim de correlacionar os níveis de infecção com a redução da densidade populacional do hospedeiro. O controle biológico de plantas daninhas é muito complexo e seu estudo dever ser feito em etapas sucessivas. bactérias.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas se reproduzem por partes vegetativas.

que se reúne de dois em dois anos em congresso nacional.. A eficiência do controle biológico é duvidosa. isolados de Fusarium graminearum vêm sendo estudados como agente de controle biológico de Egeria densa e de Egeria najas.5-T. então. a alelopatia. Triazinas simétricas (1956). nos EUA. O controle biológico é eficiente. Egeria najas e Ceratophyllum demersum pelo pacu (Piaractus mesopotamicus). quando se controla uma espécie de planta daninha. o controle biológico. foi fundada a Sociedade Brasileira de Herbicidas e Plantas Daninhas (SBHPD). quando se pensa em seu uso como o único método de controle. 40 Módulo 3.4-D. químico.1 . Miyazaki e Pitelli (2003) verificaram controle de até 100% das espécies aquáticas Egeria densa. nos Estados Unidos. quando Bonnet (França). carpas e outros peixes herbívoros é possível para controle de outras plantas aquáticas. bem como a tecnologia de aplicação de herbicidas. não podendo parasitar outras espécies. mais seguro para o homem e para o ambiente. 5. Carbamatos (1951). quando associado a outros métodos de controle e será recomendado para espécies de plantas daninhas de controle comprovadamente difícil por métodos mecânicos e.) e marcou o início do controle químico de plantas daninhas em escala comercial. etc. o sulfato ferroso foi avaliado por Bolley. ou. Já se sabe que o fotoperíodo influencia a eficiência de controle das espécies de plantas daninhas pelo fungo. 2.Biologia e métodos de controle . para discutir os avanços da área de plantas daninhas e seu controle. indicando a necessidade de uso de outro método de controle. em 1963. Shultz (Alemanha) e Bolley (EUA) evidenciaram ação dos sais de cobre sobre algumas folhas largas. hoje Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas (SBCPD). e temperaturas acima de 30 oC têm proporcionado melhor controle de Egeria (BORGES NETO et al. Zimmerman e Hitchock. Também são áreas de interesse. etc. Ainda.4-DB. Em 1908. que tem evoluído muito nos últimos anos.4. sempre uma outra é favorecida. no Brasil.5 . entre outras. no Brasil. A partir de 1950.Controle químico As pesquisas visando o controle químico de plantas daninhas foram iniciadas entre 1897 e 1900. Este herbicida é a base de muitos outros produtos sintetizados em laboratório (2. Devido ao grande desenvolvimento da área de controle químico de plantas daninhas. nos Estados Unidos. O objetivo das pesquisas em nível mundial é obter herbicidas mais eficazes com doses menores. e. em 1956. ocorrem reuniões anuais de pesquisadores de herbicidas no cerrado (REPEC).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas No Brasil. novos grupos químicos de herbicidas surgiram: Amidas (1952). e os trabalhos científicos sobre o assunto são publicados em revistas especializadas da SBCPD (Planta Daninha e Revista Barsileira de Herbicidas). descobriram o 2.WSSA. Isso porque o parasita deve ser altamente específico. O uso de tilápias. para controle de folhas largas na cultura do trigo. foi criada a Weed Science Society of América . plantas aquáticas submersas que causam problemas em reservatórios de hidrelétricas. Somente em 1942. 2005).

A tendência ainda é de aumento. O conhecimento da fisiologia das plantas. Mesmo em épocas chuvosas. 4. quando for necessário. perfeitamente controlados e evitados. hoje está se tornando prática comum entre os pequenos.1 . dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. que é cada vez mais cara. 6.214. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. na quantidade e qualidade necessária.água (rios. É eficiente no controle de plantas daninhas na linha de plantio e não afeta o sistema radicular das culturas.Biologia e métodos de controle 41 . Permite o plantio a lanço e. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta. uma vez que esta tecnologia. Permite o cultivo mínimo ou plantio direto das culturas. É importante considerar que todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. 5. Pode controlar plantas daninhas de propagação vegetativa. Menor dependência da mão-de-obra. Este valor. O emprego do controle químico de plantas daninhas deve ser feito juntamente com outras práticas de controle. havendo perigo de intoxicação do aplicador. lagos e água subterrânea). 3. cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. sendo a de maior importância o controle cultural. Pode se atribuir essa grande aceitação do uso de herbicidas pelos produtores ao fato de o controle químico das plantas daninhas proporcionar as seguintes vantagens: 1.6 em 1990 para 1. mas devem ser conhecidos. em milhões de dolares. ou. alteração no espaçamento. 2005). o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas. solo e alimentos quando manuseados incorretamente. 2. Pode ocorrer também poluição do ambiente . sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. evoluiu de 546. Módulo 3. o controle químico das plantas daninhas é mais eficiente. difícil de ser encontrada no momento certo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O consumo de herbicida no Brasil representa 7-9% do consumo total do mundo. Portanto. principalmente. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência das culturas. Os riscos de uso existem. Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores.8 em 1997 (ANDEF/SINDAG. 2005). Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES e ALMEIDA.

em que se levam em conta todos os fatores que podem proporcionar à planta maior e melhor produção. para culturas anuais. Desse modo. 7. Decidir quando o controle deve ser feito. Desse modo. das condições ambientais. e elas são um bom guia para o programa de manejo: 1. 4. 10. propondo uma série de medidas que se enquadraram no conceito de integração (CONCEIÇÃO.Manejo integrado de plantas daninhas (mipd) Cada vez mais o manejo integrado de pragas vem ganhando reforços em todos os setores agrícolas. as quais possuem seu ciclo ou parte dele na época das águas. da capacidade competitiva da cultura. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. dos métodos empregados. Prever populações e mudanças de populações de plantas daninhas. 6. constituindo-se. 9. permite a esta aproveitar eficientemente os recursos do meio. Considerando as condições brasileiras. pode reduzir a dependência do uso de herbicidas e atrasar ou prevenir o aumento de espécies perenes geralmente associadas a sistemas de cultivo. Dez palavras-chave descrevem os processos recomendados. social e econômico a curto e a longo prazo. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. Identificar as espécies-problema e suas densidades. etc. tendo. que consiste em “um sistema ambiental do campo onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para a produção das culturas livres de danos econômicos da vegetação competitiva”. a maneira integrada de cultivo. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco. 2. do período crítico de competição. Avaliar os impactos ambiental. 5. fica evidente que. Conhecer as espécies dominantes e suas interações. sua base reforçada no campo da entomologia quando pioneiros promoveram o estudo dos problemas do algodoeiro no Nordeste do país.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 6 . O nível de controle das plantas daninhas obtido em uma lavoura dependerá da espécie infestante. Integrar os processos com as medidas de proteção das culturas. A integração de diversos métodos de controle dentro do sistema de produção pode dificultar o crescimento e desenvolvimento de populações de espécies daninhas de difícil controle. Monitorar sementes e espécies da área de produção. 8. Considerar os recursos e as necessidades do fazendeiro. o manejo integrado de plantas daninhas. no controle integrado. os métodos culturais se apresentam como os 42 Módulo 3. 2000).Biologia e métodos de controle . Escolher a(s) tecnologia(s) de controle compatível(is) com sistema. no Brasil. esse fato.1 . Estudar os métodos usados na propriedade. 3.

no plantio direto. os níveis populacionais da tiririca podem ser diminuídos. Em dois anos nesse sistema. 2003). Além disso. independentemente se para produzir milho para grão ou para silagem. principalmente por luminosidade. consegue-se ótimo manejo integrado da tiririca.Biologia e métodos de controle 43 . Ao contrário. em relação ao plantio convencional. da ordem de 90 a 95%. 4). tanto para a cultura do milho quanto para o feijoeiro. com a adoção do sistema de plantio direto utilizando herbicidas sistêmicos para dessecação. no milho para silagem toda palhada da cultura anterior e retirada da área. a ponto de não acarretar reduções de produção das culturas infestadas (Fig. ou incoporada ao solo. no plantio convencional. ou seja. aplicados no momento correto. 5). a capacidade de brotação dos tubérculos de tiririca coletados sob solo no sistema integrado é diminuída com o passar do tempo. evitando assim sua disseminação e seu rápido crescimento.. Dessa forma. principalmente no período de desenvolvimento das culturas sensíveis à interferência das plantas daninhas. sendo que em três anos a redução no banco de tubérculos no solo pode chegar a mais de 90% (JAKELAITIS et al. 2004) e também mais estável do ponto de vista ambiental (SANTOS et al. Dessa forma. ao controle cultural exercido pela falta de revolvimento do solo e conseqüente ausência de fragmentação das estruturas vegetativas da tiririca e à adoção de culturas altamente competitivas. visando a redução do número de propágulos de espécies de difícil controle em áreas agrícolas. 45 dias após a emergência. No plantio direto. é possível obter redução nos níveis populacionais da tiririca a favor do plantio direto. aliado ao fato de não revolver o solo. toda a palhada da cultura permanece na área à superfície. a forrageira cultivada em consórcio com a cultura principal reduz a interferência de muitas espécies de plantas daninhas. permanecendo dormentes (Fig. têmse observado excelentes resultados no manejo da tiririca..1 . tornando o sistema menos dependente do controle químico (JAKELAITIS et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mais adequados para integração com o controle químico. 2005) Módulo 3. transformando esta espécie daninha extremamente problemática em uma espécie comum. Outro exemplo de manejo integrado de plantas daninhas tem sido praticado em diversas regiões do Brasil quando se adota o sistema integrado agricultura-pecuária.. como a cultura do milho e feijão. aliado ao controle cultural. Neste sistema. com uso de herbicidas sistêmicos usados como dessecantes. Os maiores benefícios do sistema de plantio direto no manejo integrado da tiririca são obtidos devido à integração do controle químico proporcionado pelo uso do herbicida sistêmico para dessecação da vegetação em pré-plantio. Um bom exemplo da aplicação do Manejo Integrado pode ser observado pelo excelente manejo da tiririca na cultura do milho e do feijão graças à utilização do sistema de plantio direto e conhecimentos da biologia das espécies envolvidas. Quando a finalidade de uso do solo é para milho grão.

após três anos de adoção 44 Módulo 3.Biologia e métodos de controle .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 4 .1 .População de tiririca nas culturas de milho e feijão nos sistemas de plantios convencional e direto (após dois anos de adoção do manejo integrado de plantas daninhas –MIPD) aos 30 DAP Figura 5 – Brotação de tubérculos de tiririca coletados em campo em áreas de plantio convencional e em área onde se adotou o plantio direto com o manejo integrado dessa espécie infestante.

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Francisco Affonso Ferreira Profº.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .DF 2006 48 Módulo 3. José Barbosa dos Santos Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior . Lino Roberto Ferreira Profº.ABEAS Universidade Federal de Viçosa . Antonio Alberto da Silva Profº.2 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação Tutores: Profº.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .Manejo de plantas daninhas 3.2 .

4.3 .Algumas sulfoniluréias.2 .Principal herbicida do grupo.4 .Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II.3 .Quanto à translocação. 80 4.6 .4.Mecanismo de ação.Mecanismo de ação das cloroacetanilidas. 58 4. 73 4.5 .2.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA).Características gerais. -51 2 .3. 76 4. 85 4.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I.Mecanismo de ação.Quanto à época de aplicação. 70 4.1.Seletividade. 51 1 . 79 4.1 .2 .Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX.2. 68 4. 77 4.Principais características.Mecanismos de seletividade.1 .3. 73 4.2 .Quanto à seletividade.1 . 55 4. 75 4. 73 4.6. 74 4.2.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 49 . 60 4.3 .Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos.4 .8 .2 .Quanto aos mecanismos de ação. 56 4.Principais características.Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos.1 .5. 88 Módulo 3. 55 4.4.52 3 . 79 4.1 .3 .2 .Mecanismo de ação. 58 4. 68 4.3 . 54 4.Herbicidas inibidores da EPSPs. 79 4.6.2 .7.5. 80 4.1.Herbicidas inibidores da Protox.3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina.3.7.Caracterização de alguns herbicidas auxínicos.5.53 4 .Principais características. 68 4.Características de algumas cloroacetanilidas.1.2 .2.Herbicidas inibidores da acetolactato sintase.2 .Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos.1 .Algumas imidazolinonas. 62 4.7 .6. 61 4.1 .Mecanismo de ação.Características gerais dos inibidores do fotossistema II.2 .1 .3 .Herbicidas inibidores da fotossistama II. 83 4. 75 4. 53 4.

91 4.1 .9.Mecanismos de ação.2 .8. 89 4. 91 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .8. 92 4.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.Principais características.Mecanismo de ação.1 .9.Caracterização de alguns inibidores da ACCase. 95 Referências bibliográficas. 88 4.2 .3 .9 .10 . 93 4. 99 50 Módulo 3.9.Herbicidas inibidores da ACCase.Características gerais.Herbicidas inibidores de carotenóides.

Todavia. Todavia. atrazine para o milho. dentro de determinadas condições. etc. Para soja. por exemplo. Herbicidas não-seletivos São aqueles que atuam indiscriminadamente sobre todas as espécies de plantas. 1995a). Como exemplo. época de aplicação.Quanto à seletividade Herbicidas seletivos São aqueles que. glyphosate. Exemplos: diquat.2 . etc. Módulo 3.4-D para a cana-deaçúcar. etc. por meio da biotecnologia. HESS. exemplo: a soja trasgênica resistente ao glyphosate. translocação. do tipo de solo. pois depende do estádio de desenvolvimento das plantas. e mesmo assim a dose tolerada é dependente das condições edafoclimáticas. a seletividade é sempre relativa. Normalmente são recomendados para uso como dessecantes ou em aplicações dirigidas. fomesafen para o feijão. o metribuzin é seletivo apenas quando aplicado em pré-emergência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Os herbicidas podem ser classificados de diversas maneiras.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 51 . tem-se 2. é possível tornar um herbicida não-seletivo a seletivo para determinada espécie. de acordo com as características de cada um. 1 . das condições climáticas. estrutura química e mecanismo de ação (WARREN. Essas características individuais permitem estabelecer grupos afins de herbicidas com base em sua seletividade. da dose aplicada. são mais tolerados por uma determinada espécie ou variedade de plantas do que por outras. paraquat. imazethapyr para a soja.

feijão.2 . exemplo: sethoxydim em tomate. metsulfuron-methyl em trigo. ele é muito tóxico à soja. exemplos: glyphosate. pode-se também misturar. pois muitas vezes. paraquat. Estes podem ou não auxiliar na dessecação das plantas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . até mesmo em subdoses. Esses produtos normalmente são não-seletivos. apresentam curto efeito efeito residual e quase sempre são utilizados como dessecantes. Contudo. Pós-plantio Dependendo da atividade dos herbicidas sobre as plantas. que pode ser usado em tomate em pré e em pósemergência tardia ou após o transplante. neste caso. imazethapy.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . etc. eles devem ser aplicados em pré ou em pós-emergência das culturas ou das plantas daninhas. ele pode ser aplicado em pós-emergência de ambas (plantas daninhas e culturas). aplicado em pré-plantio e incorporado. exemplos: flumioxazin. quando atigem o solo. ainda. Se o herbicida é absorvido pelas folhas e raízes. ou. por esta razão. deve ser aplicado antes do plantio. visando facilitar o plantio e promover cobertura morta do solo. Estes produtos podem. pois em pós-emergência. trigo. reflorestamento e lavouras de café. das condições nas quais ele apresenta melhor desempenho. imazaquin. alguns herbicidas devem ser aplicados antes do plantio. especialmente ao glyphosate. a sua aplicação em pré ou pós-emergência vai depender da tolerância da cultura e. porém têm como objetivo principal garantir o controle inicial das plantas daninhas na implantação da lavoura. ou. feijão e soja. se o herbicida é seletivo para a cultura. a estes. como é o caso do trifluralin. são desativados (sorvidos). como é o caso do glyphosate e paraquat aplicados no plantio direto de milho. no sistema de plantio direto (cultivo mínimo). fotodegradável. outros que possuem maior efeito residual no solo. ser não-seletivos para a cultura e. clorimuron-ethyl. Também. apesar penetrarem também pelas raízes. nicosulfuron em milho. eles somente devem ser aplicados em pós-emergência das plantas daninhas. ou seja. em aplicação dirigida. estes devem ser aplicados antes da emergência (pré-emergência) desta ou de forma dirigida. ele necessita ser incorporado ao solo. também. Outro 52 Módulo 3. etc. Quando são absorvidos apenas pelas folhas. etc. de solubilidade muito baixa em água e. Quando aplicado após o preparo do solo e incorporado a este antes do plantio. etc. metribuzin. diz-se que este herbicida é aplicado em PPI. como é o caso do metribuzin. na cultura da soja somente pode ser usado em pré-emergência. Entretanto. Todavia.Quanto à época de aplicação Pré-plantio Quando o herbicida é muito volátil. em culturas perenes como fruteiras.

imazethapyr. a ação do produto pode ser mais rápida. podem apresentar ação de contato. porém com efeito final menor. 1995. deve-se adicionar à calda óleo mineral visando solubilizar parte da cera epicuticular. recomendado para as culturas de milho e sorgo. Estes herbicidas sistêmicos são capazes de se translocarem a grandes distâncias na planta. atingir a célula e posteriormente a organela. os herbicidas podem ser classificados em: mimetizadores de auxinas (auxínicos). CRAFTS. Quanto ao mecanismo de ação. Ele terá necessariamente que penetrar no tecido da planta. onde atuará para que seus efeitos possam ser observados. 3 . (WARREN. inibidores do fotossistema I.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas exemplo seria o herbicida atrazine. Neste caso. inibidores da PROTOX. LIEBL. O simples fato de um herbicida entrar em contato com a planta não é suficiente para que ele exerça sua ação tóxica. 4 . como é o caso de 2. quando utilizado em pós-emergência. quando usados em doses muito elevadas. ele é considerado sistêmico. flazasulfuron. inibidores do arranjo dos microtúbulos. inibidores do fotossistema II.2 . 2003a). lactofen. etc. Os herbicidas também podem se movimentar (translocar) nas plantas pelo xilema. “Modo de ação” refere-se à seqüência completa de todas as reações que ocorrem desde o contato do produto com a planta até a sua morte ou ação final do produto. 1995). diquat.HESS. inibidores da EPSPs. já a primeira lesão bioquímica ou biofísica que resulta na morte ou ação final do produto é considerada “mecanismo de ação”. Módulo 3. glyphosate. nicosulfuron. A este produto. aumentando a sua penetração pelas folhas.Quanto aos mecanismos de ação É interessante que se faça distinção entre os termos usados rotineiramente quando se refere a herbicida: “modo e mecanismo de ação de herbicida”. inibidores da ACCase. porque a morte rápida do tecido condutor (floema) limita a chegada de dose letal do herbicida a algumas estruturas reprodutivas das plantas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 53 . picloram. entretanto a primeira lesão que ele causa na planta pode caracterizar o seu mecanismo de ação (ASHTON. pelo floema ou por ambos. Estes produtos. Quando o movimento (translocação) do herbicida é via floema ou floema e xilema. Inibidores da GS. etc. inibidores da ALS.4-D. THILL. É importante lembrar que um mesmo herbicida pode influenciar vários processos metabólicos na planta. 1973. inibidores da síntese de carotenóides.Quanto à translocação Os herbicidas podem ser de contato quando atuam próximo ou no local onde eles penetram nas plantas. etc. exemplos: paraquat.

Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . rapidamente. as espécies sensíveis têm seu sistema radicular rapidamente destruído. na síntese de ácidos nucléicos e proteínas (ASHTON. quando aplicados em plantas sensíveis. verificam-se rapidamente aumentos significativos da enzima celulase. pelo efeito destes produtos sobre o afrouxamento das paredes celulares. Essa perda da rigidez das paredes celulares é provocada pelo incremento na síntese da enzima celulase. em poucos dias ou semanas. CRAFTS. Esse alongamento celular parece estar relacionado com a diminuição do potencial osmótico das células. notadamente nas raízes. 2003a). engrossamento das gemas terminais e morte da planta (Fig. também. Estudos sugerem que o metabolismo de ácidos nucléicos e os aspectos metabólicos da plasticidade da parede celular são seriamente afetados. conseqüentemente. em plantas sensíveis. Historicamente. Em conseqüência dos efeitos desses herbicidas. além de interrupção do floema.Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina Esta classe de herbicidas é uma das mais importantes em todo o mundo. sendo extensivamente utilizada em culturas de arroz.1 . verifica-se crescimento desorga¬nizado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. Figura 1 . que leva estas espécies a sofrer. podendo levá-las à morte. mais especificamente. trigo e cana-de-açúcar e em pastagens. especialmente da carboximetilcelulase (CMC). 1973). porque eles marcaram o início do desenvolvimento da indústria química (THILL. provocado pelo acúmulo de proteí¬nas e. induzem mudanças metabólicas e bioquímicas. Os herbicidas auxínicos. o 2. epinastia das folhas e retorcimento do caule.Sintomas leves de intoxicação de plantas de algodão (A) e ação final do produto sobre plantas de Raphanus raphanistrum (B) 54 Módulo 3.2 . Acredita-se que estes produtos interfiram na ação da enzima RNA-polimerase e. Após aplicações de herbicidas auxínicos.4-D e o MCPA são os mais importantes. impedindo o movimento dos fotoassimilados das folhas para o sistema radicular. causando epinastia de folhas e caule. milho. 1). Por esse motivo. Estes herbicidas induzem intensa proliferação celular em tecidos.

5 dicloro-4 hidroxifenoxiacético e 2. É comum a aril hidroxilação resultar na perda da capacidade auxínica destes herbicidas. Por exemplo. Aril hidroxilação do 2. Alguns desses produtos podem permanecer ativos no solo por longo período. em uva. Estádio de desenvolvimento das plantas. sendo estes protegidos pelo esclerênquima em gramíneas (monocoti¬ledôneas). etc. 3. em doses extremamente baixas.1 . se praticável..3-D-4-OH.1.2 . fumo. 4. 4. resíduos deixados em pulverizadores mal lavados e contaminação de água de irrigação por estes herbicidas. recebendo nomes comerciais diversos.Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos Todos os herbicidas auxíncos são derivados de ácidos fracos e podem ser formulados nos seus respectivos ácidos. Arranjamento do tecido vascular em feixes dispersos. Deriva. As seguintes medidas são recomendadas para reduzir problemas com a utilização destes herbicidas: a) Evitar o uso de formulações que apresentam elevada pressão de vapor (muito voláteis). c) Usar baixa pressão para aplicação. que são espécies altamente sensíveis. b) Usar maior tamanho de gotas. deve-se usar 0 2. em condições de campo. ser comercializado isoladamente ou em misturas. principalmente em aplicações aéreas. 2.4-D para 2. podendo. sais ou ésteres. Essa característica especial das monocotiledôneas pode prevenir a destruição do floema pelo crescimento desorganizado das células. Nas culturas de arroz e trigo. se aplicado em pós emergência total ocorrem sérios problemas de fitotoxicidade. causada pela ação de herbicidas auxínicos. exigindo cuidados especiais para se realizar rotação de culturas.4-D após o perfilhamento e antes do emborrachamento. exemplos: para arroz e trigo deve-se usar o 2. se aplicado fora do estádio de desenvolvimento recomendado. Módulo 3. derivados do ácido picolínico podem causar fitotoxicidade. algodão. podem causar sérios problemas técnicos. Algumas espécies de plantas podem excretar estes herbicidas para o solo através de seu sistema radicular (exsudação radicular). sendo esta a principal rota para o metabolismo do 2. além de facilitar a sua conjugação com aminoácidos e outros constituintes da planta.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 55 . e na cultura do milho.4-D apenas em aplicação dirigida.Seletividade A seletividade dos herbicidas auxínicos pode ser dependente de diversos fatores: 1.2 .1. tomate.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. cada um dos diferentes princípios ativos. d) Evitar a aplicação quando o vento estiver em direção às culturas. Na cultura do milho (4-6 folhas).4-D. comprometendo de maneira severa o rendimento de culturas e a qualidade do ambiente.

além de detergente. persistência no ambiente. As formulações ésteres e ácidas são prontamente absorvidas pelas folhas. em fruteiras e lavouras de café. volatilidade. gramados e culturas gramíneas (arroz. toxicidade. O 2. Em mistura com o picloram.Em ambos os casos o 2. Apresenta persistência curta a média nos solos. 4. As formulações aminas são mais adsorvíveis no solo do que as de éster e. Apresenta solubilidade de 600 mg L-1. a decomposição é consideravelmente reduzida. e com glyphosate. portanto. Cada formulação pode apresentar características físico-químicas diferentes. é encontrado em dife¬rentes formulações e marcas comerciais.4-D. acumulando-se nas regiões meristemáticas dos pontos de crescimento. enquanto as de éster são praticamente insolúveis e. milho. Transloca-se com grande eficiência em plantas com elevada atividade metabólica.4 diclorofenoxiacético (2. no mercado brasileiro. Dicamba 56 Módulo 3. cana-de-açúcar.2 . amoníaco ou carvão ativado.8 e Koc médio de 20 mg g-1 de solo para formulações ácido ou sais e de 100 mL g-1 de solo para ésteres (RODRIGUES. sendo esta a condição para ótima atividade do produto. em pastagens. 2005).Caracterização de alguns herbicidas auxínicos 2. É muito utilizado em misturas com inibidores da fotossíntese na cultura da cana-de-açúcar.3 .4-D) foi o primeiro herbicida seletivo descoberto para o controle de plantas daninhas latifoliadas anuais. durante o florescimento. Movimenta-se pelo floema e. trigo. ALMEIDA. entretanto.4-D não excede a quatro semanas em solos argilosos e clima quente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e) Tomar cuidado especial com a lavagem do pulverizador após as aplicações. a resistência a estes herbicidas hormonais é reduzida.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . ou. Usar. É recomendado para pastagens.). e aquelas à base de sal são rapidamente absorvidas pelo sistema radicular das plantas. a atividade residual do 2.1. pka de 2. Em doses normais. conferindo ao produto características dife¬renciais quanto à seletividade.4-D se transloca por toda a planta pois se movimenta tanto pelo xilema quanto pelo xilema. etc.4-D Sal ou éster amina do ácido 2. Em geral. porque são altamente solúveis. xilema. mais lixiviáveis. etc. Em solos secos e frios. com menor movimentação. é usado para controlar plantas daninhas perenes. para uso no plantio direto e em aplicações dirigidas. plantas ganham maior tolerância com a idade.

em solos de textura arenosa.4-D. na região Sul do Brasil. 6-dicloro-2-metoxibenzoico (dicamba) é facilmente translocado pelas plantas via floema e. perenes e de árvores. milho e trigo e em pastagens. tomate.3. da evaporação. Esta mistura pode ser usada em área total ou em áreas localizadas. Picloram O ácido 4-amino 3. etc.4-D.0 e 83. formando o Tordon.2 . pode permanecer ativo na matéria orgânica proveniente de pastagens tratadas com este produto (RODRIGUES. e Koc médio de 16 mg g-1 de solo. antes que se inicie o processo de cicatrização.29. e também com fluroxypyr formando o Plenum. ou.2 a pH 1. Apresenta longa persistência (meia-vida de 20 a 300 dias) e fácil mobilidade no solo. pode ser feito o pincelamento ou a pulveri¬zação dos tocos. está sujeito a lixiviação. sendo recomendado de modo semelhante ao 2. o que dificulta a absorção e translocação do herbicida até as raízes (SILVA et al. porém extremamente persistente (a planta não consegue metabolizar rapidamente o picloram). A mistura (picloram + 2. É muito pouco adsorvido pelos colóides de argila e mais pela matéria orgânica do solo. e koc de 2 mg g-1 de solo. do movimento capilar da água e. Kow: 0. na planta. Deve ser observado o período residual para o cultivo de espécies altamente sensíveis (videira. Quando aplicação é feita no toco é fundamental que esta seja realizada imadiatamente após o corte da árvore. algodão. para controlar arbustos e árvores.000 mg L-1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O sal de dimetilamina do ácido 3. xilema. apre¬senta efeito lento. como o cipó-de-veado (Polygonum convolvulus L. 2005).4 a pH 7. até mesmo quando cultivadas em solos adubados com esterco proveniente de pastagens tratadas com picloram e pastoreadas logo depois. podendo se acumular no lençol freático raso.). É fracamente adsorvido pela matéria orgânica ou argila.87. para evitar a rebrota de espécies-problema como o leiteiro (Peschiera funchsiaefolia) e outras. dependendo da intensidade.4-D para o controle de plantas em culturas de canade-açúcar. Para o controle de árvores. 2001). em razão de sua longa persistência no solo (dois a três anos). que podem apresentar severos sintomas de intoxicação. pimentão. Dontor ou Manejo.). Apresenta pka: 2. ou. O picloram. Apresenta solubilidade de 720. sendo muito utiliza¬do em misturas com o 2.4-D) é muito utilizada em pastagens para o controle de plantas daninhas anuais. pka: 1. Sendo um herbicida de alta solubilidade em água.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 57 .5. fumo.. Apresenta maior efeito sobre dicotile¬dôneas. ALMEIDA. Também.6 tricloro-2-piridinacarboxílico (picloram) é um produto extremamente ativo sobre dicotiledôneas. comuns em lavouras de trigo. Kow: 1. considerando o controle de plantas daninhas herbáceas e arbustivas. Módulo 3. É muito utilizado para controlar algumas espécies de dicotiledôneas tolerantes ao 2.

milho. A aplicação poderá ser por equipamentos terestres ou por avião quando as áreas estiverem infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno e médio porte. açudes.000 m de culturas sensíveis. durante a fase luminosa da fotossíntese. algodão. 4. ALMEIDA. pka: 2. cana-de-açúcar. com as plantas em pleno vigor vegetativo.6-tricloro-2-piridinil) oxi] acético (triclopyr) apresenta ação semelhante ao picloram. O vento deverá estar soprando da cultura sensível para a área de aplicação. A molécula da plastoquinona “Qa” transfere o elétron. soja. como arroz. sendo largamente utilizados nas cultu¬ras de grande interesse econômico. a energia luminosa capturada pelos pigmentos (clorofila e carotenóides) é transferida para um “centro de reação” especial (P680). umidade relativa >50% e temperatura < 30°C. É recomendado para uso em pós-emergência. também presa na proteína.36 a pH 7. Nas condições normais. Nunca fazer aplicações aéreas a menos de 2.1 . Quando um segundo elétron é transferido para a plastoquinona “Qb”.. 2004).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Triclopyr O ácido [(3. fruteiras. gerando um elétron “excitado”. sem a interferência de inibidores do fotossistemoa II. para uma outra molécula de plastoquinona. sua meia-vida é de 20 a 45 dias. por sua vez. campo de futebol.64 a pH 5 e 0. com ventos de 0 a 6 km h-1. chamada “Qb”.68. ALMEIDA. É também muito eficiente e seletivo para controlar dicotiledôneas infestantes de áreas cultivadas com gramas: jardins. 2005).Mecanismo de ação Os pigmentos.Herbicidas inibidores da fotossistama II São de grande importância na agricultura brasileira e mundial. e Koc médio de 20 mL g-1 de solo. entre outras (RODRIGUES.5. Interromper imediatamente as aplicações se houver mudança na direção do vento. 4. etc.2. em área total para controle de plantas daninhas em pastagens e arroz. pressão de vapor de 1. hortaliças. sob condições de alta pluviosidade. 2005). Em solos leves. Seu grau de adsorção depende do pH do solo. as proteínas e outras substâncias químicas envolvi¬das na reação da fotossíntese estão localizados nos cloroplastos.. a quinona 58 Módulo 3.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . dependendo do tipo de solo e das condições climáticas.2 . Deve ser aplicado de outubro a março (no período chuvoso). porém é rapidamente degradado no solo. (FREITAS et al. feijão.2 . em aplicação foliar. Apresenta solubilidade em água de 23 mg L-1. Kow: 2. pode haver lixiviação (RODRIGUES.26 x 10-6 mm Hg a 25 oC. Este elétron é transferido para uma molécula de plastoquinona presa a uma mem¬brana do cloroplasto (Qa).

A proteína D-1 é hoje muito conhecida. De maneira simplificada. Estes herbicidas. impedindo sua destruição. Essa proteína é chamada D-1. quando se prendem à proteína.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas reduzida torna-se protonada (dois íons de hidrogênio são adicionados). Atualmente. etc. das uréias substituídas. fica entre a quarta e quinta hélices que atravessam as membranas dos cloroplastos e a hélice paralela que liga as duas. formando uma plastoidroquinona (QbH2). Muitos herbicidas inibidores do fotossistema II (derivados das triazinas.Esquema do transporte de elétrons na fotossíntese. que ela tem uma configuração de cinco hélices que atravessam a membrana do cloroplasto (tilacóide) e duas hélices paralelas que se interligam. O sítio. o que aumenta o efeito inibitório destes. onde a plastoquinona “Qb” se prende e onde os herbicidas vão se prender também. 2003). Figura 2 . Sabe-se. por exemplo. (HESS. a função da plastohidroquinona é transferir elétrons entre os fotossis¬temas II (P68O) e I (P7OO). Plantas suscetíveis tratadas morrem mais rapidamente quando pulverizadas na presença da luz do que quando pulverizadas e colocadas no escuro. naftoquinonas. sabe-se que a clorose foliar que Módulo 3. dos fenóis. Estes herbicidas competem com a plastoquinona “Qb” parcialmente reduzida (QbH) pelo sítio na proteína D-1. ou bolso. ocasio¬nando a saída da plastoquinona e interrompendo o fluxo de elétrons entre os fotossistemas. com baixa afinidade para se prender na proteína.) causam essa inibição prendendo-se na proteína. pironas. quinolonas. bromoxynil e ioxynil). seja válida para outros produtos desse mesmo grupo químico. Herbicidas derivados do fenol (dinoseb. sendo conhecida também como proteína 32 kilodaltons. os herbicidas apresentam maior tempo de residência no sítio do que a plastoquinona “Qb”. WELLER.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 59 . não evitam a destruição da proteína D-1 pela luz. Diversos análogos do fenol foram descritos como inibidores fotossistema II. como pode ser visto na Fig. como fazem os “clássicos”. Fonte: Warren e Hess (1995) Os derivados das triazinas e das uréias substituídas são conhecidos por se prenderem justamente ao sítio dos elétrons da proteína D-1. no sítio onde se prende a plastoquinona “Qb”. A associação com a proteína se dá com aminoácidos diferentes no sítio para cada biótipo. Isso impede que uma mudança na sequência de aminoácidos da proteína (mutação) tornando esse biotipo resistente aquele herbicida. por alguma razão não conhecida. prendendo-se. também. Esse fato demonstra que algo mais que a simples inibição do fotossistema II está ocorrendo.2 . esta proteína é destruída rapidamente pela ação da luz. ao sítio da plastoquinona “Qb”.2. 1995a. Além da competição em si pelo sítio na proteí¬na. benzoquinonas. dioxobenzotiazoles e cianoacrilatos. De modo geral. aumentam a estabilidade desta na presença da luz. Alguns exemplos: piridonas.

aparecendo os sinais de necrose foliar (WELLER. 3).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Esta clorofila não retorna ao estado anterior quando o fluxo de elétrons é interrompido pela ação do herbicida que se prendeu ao sítio da plastoquinona “Qb”. Todos eles translocam-se nas plantas apenas via xilema. todos eles podem ser absorvidos pelas raízes. Esse excesso de energia (clorofila triple) causa o início da peroxidação de lipídios por dois mecanismos: a: formação direta de radical lipídico nos ácidos graxos insatura¬dos da membrana do cloroplasto. Figura 3 . Essas reações dão início ao processo de peroxidação das membranas. a carga é repassada aos carotenóides. Aparentemente. é sobrepujado pelo excesso de clorofila no estado de alta energia.2 . que é normalmente transferido para o centro de reação (P680). 1995). dado pelos carotenóides.2. no estado de energia simples.Estrutura esquemática da membrana de um cloroplasto Fonte: Warren e Hess (1995) Quando a clorofila aceita um elétron. Essa molécula de clorofila. Essa molécula de oxigênio carregada contribui para o processo de formação dos radicais lipídicos nos ácidos graxos insaturados da membrana. tornase ainda mais carregada e mais reativa (estado de energia tríplice). o sistema de prote¬ção. por esse motivo.2 . ela sai do estado neutro (sem carga) e vai para um estado de energia simples.Características gerais dos inibidores do fotossistema II • • • • A taxa de fixação de CO2 pelas plantas sensíveis. entretanto. para que a clorofila não se destrua. declina poucas horas após o tratamento. tratadas com esses herbicidas. não podendo transferir o elétron ao centro de reação P680 (fotossistema II). plantas perenes somente são eliminadas por esses herbicidas quando tratadas via solo. 60 Módulo 3. Em casos nor¬mais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorre após o tratamento é devida a rompimentos na membrana dos pigmentos causados pela peroxidação de lipídios (ácidos graxos insaturados) da membrana (Fig. a velocidade de absorção foliar é diferente para cada produto deste grupo. Na presença do herbicida. e b: a clorofila de carga tríplice também reage com oxigênio e produz um oxigênio reativo (oxigênio singlet). Estes herbicidas não provocam nenhum sinal visível de intoxicação no sistema radicular das plantas. 4.

menor reserva de carboidratos. estes herbicidas são muito adsorvidos pelos colóides orgânicos e minerais do solo. 1995). Alguns herbicidas deste grupo apresentam seletividade “toponômica” ou seletividade por posição. morfologia das folhas e raízes e. Em geral. Por este motivo. Plantas que estão se desenvolvendo em condições de baixa lumino¬sidade são mais suscetíveis a esses herbicidas. pode se verificar perda de seletividade do herbicida. se o diuron for incorporado mecanicamente ao solo. as doses recomendadas. Absorção diferencial por folhas e raízes . porque este produto é muito pouco móvel no perfil do solo.Mecanismos de seletividade As causas pelas quais os herbicidas inibidores do fotossistema II são seletivos são diversas e variam de cultura para cultura (WELLER.este fato pode ser devido à anatomia e. podendo garantir a seletividade de determi¬nadas espécies. torna-se necessário fazer rotação com outros herbicidas que apresentam mecanismo de ação diferente.3 . ou se for aplicado em solo de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica. pois possuem pressão de vapor muito baixa. ainda. É comum ocorrer efeito sinérgico quando se aplicam inibidores do fotostema II em mistura com outros herbicidas. inseticidas ou fungi¬cidas inibidores da colinesterase. Na realidade. Neste caso. são variáveis para cada tipo de solo. A persistência agronômica destes herbicidas no solo é extremamente variável. Módulo 3. ele poderá entrar em contato com o sistema radicular do algodão e causar severa intoxicação à cultura. o aparecimento de novas espé¬cies de plantas daninhas resistentes a estes herbicidas (atuam em sítio de ação específico). de adição de adjuvante (estes produtos podem apresentar difícil penetração foliar e não são sistêmicos). o diuron não causa intoxicação à cultura do algodão quando utilizado em pré-emergência. necessita-se de boa cobertura foliar da planta e. podendo levá-la à morte. Normalmente. quando aplicadas diretamente no solo.2 . ainda. ou. Elas apresentam menor barreira cuticular à penetração dos herbicidas e. ao tipo de formulação utilizado. Todavia. o herbicida não será absorvido em quantidade suficiente para intoxicar a cultura. Como exemplo.2. Neste caso. 4. estes herbicidas não apresentam problemas de deriva por volatilização. podendo ser curta para alguns produtos (< 30 dias) ou muito longa (> 720 dias) para outros. com relativa freqüência. Tem sido observado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Quando esses herbicidas são usados em pós-emergência. não atingindo o local de sua absor¬ção pela planta (sistema radicular). Todos os herbicidas inibidores do fotossistema II apresentam toxicidade muito baixa para mamíferos. Apresentam pouca ou média mobilida¬de no perfil do solo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 61 . tem-se a seletividade do diuron para a cultura do algodão. Por estas razões. também.

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Translocação diferencial das raízes para as folhas - isto ocorre devido à presença de glândulas localizadas nas raízes e ao longo do xilema, que adsorvem estes produtos, impedindo que sejam translo¬cados até seus sítios de ação, localizados nos cloroplastos. Metabolismo diferencial - algumas espécies de plantas, em suas raízes ou em outras partes, possuem enzimas que são capazes de metabolizar as moléculas de determinados herbicidas, transformando-os rapida¬mente em produtos não-tóxicos para as plantas. Como exemplo, pode-se citar o milho e o sorgo, que apresentam em suas raízes teores elrvados de benzoxazinonas. Estes compostos podem promover rápida degradação da molécula de atrazine por meio de reações de hidroxilação, dealquilação, ou ainda a conjugação dessa molécula com polipetídeos naturais, tornando estas culturas tolerantes a este herbicida. Outro exemplo seria a seletividade da cultura de arroz ao herbicida propanil. Esta cultura apresenta concentrações de dez a trinta vezes da enzima arilacilamidase em realação às principais gramíneas infestantes do arroz. Elevadas concetrações da arilacilamidase, nas folhas de arroz, garantem a degradação do propanil antes que estes atinjam os cloroplastos (sítio de ação primário deste herbicida), o que não ocorre com as gramíneas infestantes dessa cultura. 4.2.4 - Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II Atrazine

O 6-cloro-N-etil-N’-(1-metiletil)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (atrazine) apresenta solubilidade em água de 33 mg L-1, pka: 1,7, kow: 481; e koc médio de 100 mg g-1 de solo (Rodrigues; Almeida, 2005). É moderadamente adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica, tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É lixiviável, sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 30 cm e também em águas subterrâneas. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química e física. Apresenta meia-vida no solo média de 60 dias e persistência média a longa nos solos nas doses recomendadas de 5 a 7 meses. Em solos tropicais e subtropicais sua persistência pode também ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas em condições de pH do solo elevado, clima frio e seco. Em diversas regiões do Brasil, em campo, tem sido observada intoxicação da aveia semeada até 150dias após aplicação de atrazine na cultura do milho. É muito utilizado na cultura do milho, sendo, também, recomendado para cana-de-açúcar, café, fruteiras, cacau, pimenta-do-reino, etc. Fumo e trigo são muito sensíveis ao atrazine. Quando aplicado em pós-emergência, tem-se observado ótima eficiência de controle das plantas daninhas mesmo com a redução da dose aplicada. Todavia, para isso, é necessário adicionar à calda óleo mineral, sendo mais eficiente para controlar plantas daninhas recém-emergidas (plantas com 1-2 pares de folhas). É muito utilizado em misturas com outros herbicidas em culturas de milho, cana-de-açúcar, fruteiras e outras. As plantas de milho e sorgo possuem a capacidade de metabolizar o atrazine absorvido,
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transformando-o por meio de reações de hidroxilação, dealquilação e conjugação, por ação de benzoxazinonas presentes nestas espécies, em compostos não-tóxicos. O atrazine é muito eficiente no controle de dicotiledôneas, porém apresenta eficiência apenas regular para controle de diversas monocotiledôneas. Na cultura do milho, é muito utilizado em pré-emergência, quando em mistura com o metolachlor, formando o “Primestra”, e também em pós-emergência precoce, quando em mistura com óleo mineral (Primóleo) para controle de dicotiledôneas e em mistura no tanque com o nicosulfuron ou outras sulfoniluréias (foramsulfuron + idosulfuron-methyl), em áreas com infestação mista (JAKELAITIS et al., 2005). Simazine

O 6-cloro-N,N`-dietil-1,3,5-triazina-2,4-diamina (simazine) apresenta solubilidade em água de 3,5 mg L-1, pka: 1,62, kow: 122; e koc médio de 130 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica e tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É pouco lixiviável, não sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 10 cm. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química, ocorrendo hidrólise, com formação de hidroxisimazine e dealquilação do grupo amino. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 5 a 7 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas. Pode ser usado em pré-emergência das plantas daninhas nas culturas de café, cana-deaçúcar, alfafa, fruteiras, etc., para controle de dicotiledôneas e algumas gramíneas. Em doses maiores que 10kg ha-1 do p.c., pode ser usado usado para limpeza de cercas e áreas industriais. É absorvido basicamente pelo sistema radicular das plantas, sendo pouco móvel no solo. É utilizado em misturas com o atrazine, visando minimizar efeitos do clima, principalmente oscilações pluviais, e também para aumentar o espectro de controle de espécies de plantas daninhas. Ametryn

O N-etil-N`-1(metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (ametryn) apresenta solubilidade em água de 200 mg L-1; pka: 4,1; kow: 427; e koc médio de 300 mg-1 de solo. É medianamente lixiviável nos solos arenosos (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua degradação no solo é, em maior parte microbiana, mas também química, por processos de oxidação e hidrólise.
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Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 4 a 6 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que nove meses se usado em doses elevadas, dependendo do clima e tipo de solo (meia-vida média no solo é de 60 dias). É reco¬mendado para as culturas de cana-de-açúcar, banana, café, abacaxi, citros, milho e videira, para controle de mono e dicotiledôneas. Pode ser absorvido facilmente pelas raízes e folhas de plantas. É pouco móvel no solo, por ser muito adsorvido por colóides orgânicos e minerais. Sua adsorção pelos colóides é muito influenciada pelo pH. Também pode apresentar adsorção negativa (dessorção), ocorrendo liberação para as plantas de moléculas anteriormente inativadas pelos colóides do solo. É muito utilizado em misturas com os herbicidas diuron, tebuthiuron, atrazine, trifolysulfuron-sodium, 2,4D, etc; principalmente quando recomen¬dado para de cultura da cana-de-açúcar (PROCÓPIO et al., 2003). É pouco lixiviado no solo, permanecendo na maioria das condições na camada superior (primeiros 30 cm). Prometryne

O N,N`-bis(1-metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (prometryne) apresenta solubilidade em água de 48 mg L-1; pka: 4,09; kow: 1.212; e koc médio de 400 mg g-1de solo. É pouco lixiviado em solos de textura média a argilosa, sendo facilmente degradado por microrganismos que o utilizam como fonte de energia. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 1 a 3 meses em condições tropicais e subtropicais, dependendo das condições de solo, do clima e da dose utilizada. Sua absorção é feita pelas folhas e raízes, sendo mais utilizado em pré-emergência. É recomendado para as culturas de quia¬bo, aipo, cenoura, alho, salsa, cebola, ervilha, etc. A cultura da cebola apresenta maior tolerância ao prometryne quando este é aplicado antes do transplante. Não apresenta seletividade para a cultura da cebola em semeadura direta. Metribuzin

O 4-amino-6-(1,1-dimetiletil)-metiltio-1,2,4-triazina-5-(4H)-ona (metribuzin) apresenta solubilidade em água de 1.100 mg L-1; kow: 44,7; e koc médio de 60 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É moderadamente adsorvido em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila. É um herbicida muito dependente das condições edafoclimáticas para seu bom funcionamento. Quando aplicado na superfície de solo seco e persistir nesta condição por sete dias,
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é desativado por fotodegra¬dação (SILVA, 1989). O metribuzin é também facilmente lixiviado no solo, não sendo recomendado seu uso em solo arenoso e, ou, com baixo teor de matéria orgânica. É absorvido tanto pelas folhas quanto pelas raízes. Controla diversas espécies de dicotiledôneas e algumas gramíneas. É recomendado para aplicação em pré-emergência nas culturas de batata, tomate, soja, café, cana-de-açúcar e mandioca para o controle de diversas infestantes dicotiledôneas. Não apresenta nenhum controle sobre Euphorbia heterophylla. Na cultura do tomate conduzida em semeadura direta, deve ser usado exclusivamente em pré-emergência, logo após a semeadura. No tomate transplantado, poderá ser usado também em pós-emergência, até dezdias após o transplante das mudas. É utilizado em misturas com outros herbicidas, especial¬mente com trifluralin e metolachlor, na cultura da soja. Linuron

O N-(3,4-diclorofenil)-N-metoxi-N-metiluréia (linuron) é um herbicida derivado do grupo das uréias, que apresenta solubilidade em água de 75 mg L-1, pka: zero; kow: 1.010; e koc médio de 400 mg g-1 de solo. É adsorvido principalmente em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila, sendo pouco lixiviável nestes tipos de solo, apresentando persistência de 2 a 5 meses. É recomendado para uso em soja, algodão, milho, batata, cenoura, rabanete, alho, cebola, etc., principalmente para aplicações em pré-emergência. Nas culturas de cenoura e de cebola, pode também ser usado em pós-emergência, quando as plantas daninhas estiverem com 1-2 pares de folhas. É mais facilmente absorvido pelas raízes, tendo a sua atividade muito influenciada pelas caracterís¬ticas físico-químicas do solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Diuron

O N`-(3,4-diclorofenil)-N,N-dimetiluréia (diuron) apresenta solubilidade em água de 42 mg L-1; pka: zero; kow: 589; e koc médio de 480 mg g-1 de solo e uma meia-vida média no solo de 90 dias com persistência de 4-8 meses (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É muito adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, sendo sua atividade altamente influenciada pelas características físico-químicas do solo; por esta razão, é pouco móvel no perfil do solo. Esta característica garante a “seletividade toponômica” do diuron para o algodão e outras culturas em solos de textura média a pesada. Todavia, em solos de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica, o diuron pode atingir o sistema radicular das culturas, tornando-as sensíveis. É recomendado para as culturas de algodão, cana-de-açúcar, citros, abacaxi, mandioca, seringueira, pimenta-do-reino, cacau, etc., para
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o controle de gramíneas e dicotiledôneas, sendo facilmente absorvido pelas raízes das plantas. O diuron, também, é muito recomendado em misturas com diversos herbicidas (paraquat, ametryn, 2,4-D, tebuthiuron, atrazine, MSMA, etc.), para uso em plantio direto, em aplicações dirigidas em diferentes culturas, em sistemas de plantio direto e convencional. Tebuthiuron

O N-[5-(1,1-dimetiletil)-1,3,4-tiadiazol-2-il]-N,N’-dimetiluréia (tebuthiuron) possui solubilidade em água de 2.570 mg L-1; pka: zero; kow: 671 e koc médio de 80 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, apresentando média lixiviação no perfil do solo. Quando usado em doses elevadas em cana-de-açúcar, recomenda-se não cultivar culturas sensíveis ao tebuthiuron, como feijão, amendoim e soja por um período inferior a dois anos e a três anos quando aplicado em pastagem. A persistência do tebuthiuron em regiões de elevada precipitação pluvial é de 12 a 15 meses; todavia, esta persistência é muito maior em regiões sujeitas a déficits hídricos prolongados. No Brasil, é recomendado para uso em cana-de-açúcar, pastagens e áreas nãocultivadas. Controla largo espectro de dicotiledôneas e monocotiledôneas anuais e perenes. É formulado como pó-molhável e suspensão concentrada. É recomendado para uso em préemergência na cultura da cana-de-açúcar, em aplicação isolada ou em misturas com outros produtos para o controle de plantas daninhas de folhas estreitas e largas que se propagam por sementes (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Também pode ser usado para eliminar árvores ou arbustos em pastagens. Neste caso, apresenta efeito lento, podendo demorar de 3 a 12 meses para eliminar a planta. Bentazon

O 3-(1-metiletil)-(1H)-2,1,3-benzotiodiazinona-4(3H)-ona 2-dióxido (bentazon) apre-senta solubilidade em água de 500 mg L-1; kow: 0,35; e koc médio de 34 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo, mostrando potencial de lixiviação muito reduzido, não sendo encontrado em profundidades superiores a 20 cm. Apresenta curta persistência no solo (inferior a 20 dias), não se observando efeito residual em culturas sucessoras (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para as culturas de amendoim, arroz, feijão, milho, soja e trigo. É utilizado exclusivamente em pós-emergência, devido à reduzida absorção radicular. Recomenda-se adição de um adjuvante oleoso à calda, para lhe facilitar a absorção por algumas
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Ipomoea grandifolia. exceto para a cultura do feijão onde a adição do adjuvante não é recomendada pois pode causar fitotoxicidade. evitando períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60%. Contudo é totalmente ineficiente no controle de Euphorbia heterophylla e Amaranthus sp. pka: zero. Apresenta persistência muita curta no solo.4-diclorofenil) propanamida (propanil) apresenta solubilidade em água de 500 mg L . em um intervalo de três dias. Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. quando a infestação do terreno incluir espécies que lhe são tolerantes. preferencialmente. preferencialmente. o bentazon. após as aplicações. pois inibem a enzima arilacilamidase responsável pelo rápido metabolismo do propanil nas plantas de arroz. aplica-se. e koc médio de 149 mg g-1 de solo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 67 . visando aumentar o espectro de controle das plantas daninhas. inseticidas e fertilizantes foliares podem quebrar-lhe a seletividade para a cultura do arroz. É compatível com a maioria dos herbicidas. Deve ser usado em aplicações seqüenciais com inseticidas: com os organofosforados observar intervalo mínimo entre as aplicações de 15 dias e. Não atua sobre gramíneas. ou com a cultura em precárias condições vegetativas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas espécies de plantas daninhas. Commelina benghalensis. Não utilizá-lo em lavouras onde as sementes foram tratadas com carbofuran (RODRIGUES. para assegurar sua absorção pelas plantas. com herbicidas recomendados para controlar plantas daninhas de folhas largas. 30 dias. Requer um período de seis horas sem chuva. no tanque. 2005). dicotiledôneas e ciperáceas. o uso de óleo mineral torna-se mais necessário. É recomendado em pós-emergência da cultura do arroz e das plantas daninhas. fitossanitárias ou cobertas de orvalho. de apenas três dias. sendo decomposto basicamente por microrganismos. nestas condições. as misturas com fungicidas. Não se adiciona surfatante à calda. kow: 193. no início do desenvolvimento (2 a 3 folhas). ALMEIDA. Controla com eficiência diversas espécies de gramíneas. A eficácia é maior a temperaturas altas e reduz quando abaixo de 16 oC. Todavia. Controla diversas espécies de folhas largas anuais.2 . É comum ser utilizado em mistura. entre elas Acanthospermum australe. Rhaphanus raphanistrum. primeiro o graminicida e. estando estas com bom vigor vegetativo. Deve ser aplicado sobre plantas daninhas no estádio de 2 a 4 folhas. É fracamente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. -1 Módulo 3. Propanil O N-(3. para os carbamatos. além de outras. É muito comum o uso do propanil em mistura com outros herbicidas. A aplicação simultânea induz efeito antagônico. evitando períodos de estiagem. no inverno. Bidens pilosa. com estas. razão pela qual. umidade relativa do ar inferior a 70% e excesso de chuva. visto que são comuns as combinações com graminicidas pós-emergentes. horas de calor.

É comum ocorrer danos em culturas sucedâneas quando não se observa o período residual recomendado. quando aplicados em préemergência.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .2 . Principais características As principais características dos herbicidas inibidores da Protox (WARREN. 4.3 . no escuro. para que ela seja efetivamente controlada. enquanto para peixes ela varia de baixa a moderada. • A toxicidade para pássaros e mamíferos é baixa. as necroses foliares têm o formato e a intensidade das gotículas de pulverização. se manifesta nas plantas próximo da superfície do solo. Os primeiros sintomas são manchas verde-escuras nas folhas. pelos caules e pelas folhas de plantas jovens. É preciso que haja boa cobertura da planta. os herbicidas deste grupo não têm ação. • Há muito pouca ou praticamente nenhuma translocação nas plantas tratadas. durante a emergência das plântulas • A incorporação ao solo diminui a ação destes herbicidas. ou seja. • As partes tratadas da planta que são expostas à luz morrem rapidamente (dentro de um a dois dias). • Os difeniléteres são fortemente adsorvidos pela matéria orgânica do solo e muito pouco lixiviados.Mecanismo de ação A atividade destes herbicidas é expressa por necrose foliar da planta tratada em pósemergência. dando a impressão de que estão encharcadas pelo rompimento da membrana celular e 68 Módulo 3. Como estes herbicidas não se movimentam dentro da planta.1.3. • A ação tóxica dos herbicidas inibidores da Protox.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. HESS. em decor¬rência do uso repetido destes. tipo de solo e condições climáticas. podendo variar de alguns dias a vários meses. que pode variar com a dose aplicada.Herbicidas inibidores da Protox 4. • A persistência no solo varia consideravelmente entre os herbicidas deste grupo. em razão da maior sorção destes aos colóides do solo. • A atividade herbicida acontece na presença da luz.3. após 4-6 horas de luz solar. • São poucos os relatos na literatura sobre o aparecimento de plantas daninhas que adquiriram resistência a estes herbicidas. 1995) são: • Herbicidas deste grupo podem penetrar pelas raízes.

um precursor da clorofila.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 69 . foi mostrado que a enzima inibida pelos herbicidas do grupo dos difeniléteres era a protoporfirinogênio oxidase. houve a formação de grande quantidade de oxigênio singleto (O2). sem Mg.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas derramamento de líquido citoplasmático nos intervalos celulares (Fig. precursor da protoporfirina IX. 4A). ou mesmo de um mutante de planta amarelo (não-fotossintetizante). Em seguida. Finalmente. No período de 1988-89.2 . outras publicações comprovaram que o pigmento envolvido era a protoporfirina IX. Ficou então uma questão crucial para ser respondida: se a Protox é inibida. sai do centro de reação do cloroplasto quando a Protox é inibida e se acumula no citoplasma. no momento em que a plântula emerge. A oxidação enzimática ocorre então no citoplasma. e o produto formado não serve de substrato para a enzima Mg-quelatase. Esse pigmento interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (O2). foi verificado que o protoporfirinogênio IX. Foi mostrado que a protoporirina IX é acumulada fora dos plastídios. 1995). A protoporfirina IX formada no citoplasma. conhecida simples¬mente pela abreviatura Protox. Módulo 3. Foi descoberto também que substâncias capazes de inibir a síntese da protoporfirina IX (gabaculina. A estes sintomas iniciais segue-se a necrose. tratando-se cloroplastos com um herbicida do grupo difenil-éter. Similarmente à aplicação pósemergência. reconhecidamente capaz de iniciar o processo de peroxidação de lipídios. Quando estes herbicidas são usados em pré-emergência. Figura 4 – Sintomas de intoxicação em plantas de pepino tratadas com fomesafen (A) e efeito residual no solo (carryover) em folhas de milho (B) Após a absorção e pequena translocação destes herbicidas até o local de ação. Primeiramente foi mostrado que. não reduziu o dano ocasionado pela aplicação de um difeniléter. ácido levulênico. responsável pela formação da Mg-protoporfirina IX. em tecidos tratados com os difeniléteres.6-dioxoheptanóico) serviam de proteção contra os difeniléteres. o sintoma característico é a necrose do tecido que entrou em contato com o herbicida (WARREN. ácido 4. Experiências realizadas por vários autores mostraram que o uso de um herbicida inibidor do transporte de elétrons na fotossíntese (diuron). o tecido é danificado por contato com o herbicida. a luz é sempre necessária para a ação herbicida. surgiram vários trabalhos que ajudaram no entendimento do mecanismo de ação desses herbicidas. Estas experiências demonstraram que o requerimento de luz para a atividade herbicida dos difeniléteres não está relacionado com a fotossíntese. HESS. como é que a protoporfirina IX estaria sendo acumulada? Num trabalho de 1993.

Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Vale a pena salientar que a enzima protoporfirinogênio oxidase (protox) ocorre também nos mitocôndrios de células animais e que a enzima encontrada nos mitocôndrios é mais sensível aos herbicidas difeniléteres do que a enzima encontrada nos cloroplastos.Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX Fomesafen O 5-(2-cloro-4-(trifluorometil) fenoxi-N-(metilsulfonil)-2-nitrobenzamida (fomesafen) apresenta solubilidade em água de 50 mg L-1 (ácido). provoca níveis elevados de porfirina. kow: 794. além de outras.83. Uma explicação final deve ser dada sobre o fato de que a protopor¬firina IX se acumula muito rapidamente em células de plantas tratadas com um difeniléter ou oxadiazon. precursor na planta dos citocromos. As conseqüências do descontrole são o aumento rápido do protoporfirinogênio IX. variando de dois a seis meses (ALMEIDA. Euphorbia heterophylla. e koc médio de 60 mg g-1 de solo. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. 2005).3. Esse fato sugere um manuseio bem cuidadoso desses herbicidas. a saída para o citoplasma. Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. entre elas Acanthospermum australe. 1995). Deve-se adicionar à calda o adjuvante recomendado pelo fabricante. A acumulação rápida da protoporfirina IX sugere um descontrole na rota metabólica de síntese desta. 4. ou. daí o aparecimento de necroses de forma tão rápida (4-6 horas). pka: 2. O grupo heme é conhecido pela ação de controle na síntese do ácido aminolevulínico (ALA). que é sintetizado a partir da protoporfirina IX com a interferência da Fe quelatase. Persistência alta no solo na dose recomendada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (‘O2) e iniciar o processo de peroxidação dos lipídios da plasmalema. HESS.3 . evitando períodos de estiagem. a síntese de heme é também inibida. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas estando estas no estádio de 2 a 4 folhas. A explicação mais plausível é a inibição da síntese do grupo heme. O padrão de acumulação é o mesmo observado na doença Porfiria variegata. Amaranthus hybridus.2 . a partir do glutamato. sorgo. a oxidação pela Protox no citoplasma. A acumula¬ção de protoporfirina em células humanas é conhecida por estar associada com algumas doenças. Requer uma hora sem 70 Módulo 3. por exemplo. RODRIGUES. Com a inibição da protox no cloroplasto. Bidens pilosa. deixando de haver o controle sobre a síntese de ALA. Recomenda-se observar um intervalo mínimo de 150 dias entre a aplicação do fomesafen e a semeadura de milho e. o aparecimento do oxigênio singleto (forma reativa do oxigênnio) e a peroxidação dos ácidos graxos insaturados da plasmalema (WARREN. como a protoporfiria. Ipomoea grandifolia. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais. a formação da protoporfirina IX. quando adicionado na dieta de ratos. É registrado no Brasil para as culturas de soja e feijão. Oxadiazon.

milho e amendoim. citros. É comum ser utilizado em mistura com o fluazifop-p-butil. para assegurar a absorção pelas plantas daninhas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 71 . dependendo da exigência da cultura. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais e. visando aumentar o espectro de controle de plantas daninhas de folhas largas e. nas culturas de nogueira. pka: zero e koc médio de 10. Sida rhombifolia. também. ambas anuais. no estádio de 2 a 4 folhas. também. Em Módulo 3. É utilizado em pré e pós emergência precoce. arroz e amendoim. mas a cultura se recupera.000 mg g-1de solo. RODRIGUES. não afetando as culturas em sucessão. incluindo algumas espécies-problema. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. videira. É registrado no Brasil para as culturas de algodão. Commelina benghalensis. para o controle em pós-emergência de plantas daninhas dicotiledôneas e gramíneas e também com outros herbicidas. O produto provoca intoxicação à cultura da soja. apresentando muito baixa lixiviação no perfil do solo (ALMEIDA. com clorose e necrose foliar e redução e crescimento. kow: 29.2 . eucalipto e pinho. visando aumentar espectro de controle de plantas daninhas. café. além de outras. esta. por isso.1 mg L-1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorrência de chuvas após a aplicação.400. RODRIGUES. É registrado no Brasil para as culturas de soja. Controla gramíneas e algumas espécies de dicotiledôneas. como Euphorbia heterophylla. O lactofen tem meia-vida no solo de três dias sendo completamente dissipado em menos de 30 dias. Oxyfluorfen O 2-cloro-1-(3-etoxi-4-nitrofenoxi)-4-(trifluorometil)benzeno (oxyfluorfen) apresenta solubilidade em água < 0. É comum ser utilizado em mistura no tanque com outros herbicidas. arroz. para inibir o aparecimento de biótipos resistentes a herbicidas. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais. cana-de-açúcar. é resistente à lixiviação no perfil do solo. pka: zero. ser ainda maior em viveiros. e koc médio de 100.1 mg L-1. 2005). Sua degradação no solo é essencialmente por fotólise e insignificante por microrganismos. podendo. Lactofen O 2-etoxi-1-metil-2-oxoetil-5-[2-cloro-4-(trifluorometil)fenoxi-2-nitrobenzoato (lactofen) apresenta solubilidade em água de 0. Apresenta meia-vida de 30 a 40 dias e persistência média de seis meses no solo.000 mg g-1de solo. 2005). sendo utilizado em outros países. devido às condições de umidade e sombreamento (ALMEIDA.

podendo ser feitas duas aplicações anuais. cenoura e cana-de-açúcar. de forma a não atingir a folhagem. de maneira geral. Não tem ação sobre os tecidos radiculares. aplica-se logo após a semeadura ou até cinco dias depois. Aplicar após o cultivo. é utilizado tanto em viveiros quanto em cafezais jovens e adultos. Usar.2-dicloro-5(1-metiletoxi)fenil]-5-(dimetietil)-1. podendo se reaplicar depois que as referidas culturas atinjam a fase de três folhas. age sobre o hipocótilo das plantas em germinação e nos meristemas foliares.100. deve ser aplicado logo após a arruação ou esparramação. em pré-emer¬gência das plantas daninhas. evitando a ação dos raios solares. e koc médio: 3. e. com elas mais desenvolvidas. aplicá-lo em mistura com o MSMA. sendo pouco absorvido pelo sistema radicular e. Em plantações de eucalipto e pinho. pka: zero. quando usado em pré emergência.2 . apresenta lixiviação e movimentação lateral insignificantes. kow: 63. no máximo. quando estas atingirem a fase de duas folhas. antes da emergência das plantas daninhas. O alho e a cebola e. Na cultura do arroz. é usado quando a cultura atinge desenvolvimento superior a 50 cm de altura. porém antes da emergência do arroz. as culturas que se reproduzem por bulbo são bastante tolerantes ao oxadiazon. exige umidade no solo no momento da aplicação para penetrar neste. dependendo da dose aplicada. em solo úmido. Em cenoura.3. podendo ser pulverizado sobre as plantas. em que se faz em jato dirigido. em préemergência das plantas daninhas. Em cafezais adultos.7 mg L-1 . É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas razão da sensibilidade à fotodecomposição. também. em jato dirigido. na faixa de plantio. do tipo de solo e das condições climáticas (RODRIGUES. logo após o plantio. Nestas culturas deve ser utilizado em pré-emergência. protetores de bicos. exceto nas variedades de eucalipto de folha pilosa. Em préemer¬gência. de forma a não atingir o algodoeiro. é recomendado para as culturas de arroz. Em cafezais jovens. alho. 2005). aplica-se logo após o plantio. Sua persistência no solo é de dois a seis meses. deve ser aplicado logo após a semeadura. preferencialmente. recomenda-se usar adjuvantes na calda. aplica-se logo após o plantio.200 mg g-1 de solo. ou. Em café.4-oxadiazol-2-(3H)-ona (oxadiazon) apresenta solubilidade em água de 0. na cana-soca. Em viveiros. também em pré72 Módulo 3. Em algodão. deve ser aplicado em préemergência das plantas daninhas. é utilizado em pré-emergência das plantas daninhas. em solo úmido. logo após o corte. ALMEIDA. provoca o fechamento dos estômatos e deterioração das membranas celulares. cebola. Em arroz irrigado. em aplicação dirigida. atuando unicamente sobre órgãos da parte aérea. Não é metabolizado nas plantas. se necessário. ocasionando colapso das células. com as plantas daninhas ainda não emergidas. Em cana-de-açúcar. pode ser usado em pré ou pós-emergência das plantas daninhas. No Brasil. Quando utilizado em pós-emergência.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . em pré-emergência das plantas daninhas. Quando usado em pós-emergência. pouco móvel. após a rega. Oxadiazon O 3-[4. por esta razão e devido à sua baixa solubilidade em água.

Estes herbicidas inibem o crescimento da radícula e a formação das raízes secundárias. pendimethalin e oryzalin).4.2 .4 . Repetidas aplicações não resultam na maior degradação microbioló¬gica.Mecanismo de ação Estes herbicidas pertencem ao grupo das dinitroanilinas (trifluralin.1 .Principais características • • • • • • Paralisam o crescimento das raízes. simazine. Todos estes compostos (grupo das dinitroanilinas) interferem no movimento normal dos cromos¬somas durante a seqüência mitótica. Possuem pouca ou nenhuma atividade foliar.Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos 4. Eles provocam a ruptura da seqüência mitótica (prófase > metáfase > anáfase > telófase) já iniciada (HESS. porque a sua ação principal se manifesta pelo impedimen¬to da formação do sistema radicular das plantas. É comum aplicar o oxadiazon em misturas com herbicidas residuais (diuron.4. As dinitroanilinas inibem a polimerização destas proteínas e. 4. semelhantemente à actimiosina encontrada nos músculos dos animais. 1995b). Interferem em uma das fases da mitose.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas emergência das invasoras. O efeito direto é sobre a divisão celular. etc. ametryn.) na cultura de cana-de-açúcar. que corresponde à migração dos cromossomas da parte equatorial para os pólos das células.2 . São eficientes apenas quando usados em pré-emergência. 4. O fuso cromático é formado por proteínas microtubulares denominadas tubulinas. Apresentam de moderada a muito baixa movimentação no solo. Apresentam ótima ação no controle de gramíneas. conseqüentemente. Estas proteínas são contráteis. Módulo 3. tendo como conseqüência o aparecimento de células multinucleadas (aberrações). Todos os herbicidas deste grupo apresentam de moderada a baixa toxicidade para mamíferos. e responsáveis pela movimentação dos cromossomas para os pólos da célula. 5 e 6).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 73 . a formação do fuso cromático e movimentação dos cromossomas na fase da mitose (Figs.

1x10-4 mm Hg a 25 °C). Por ser um produto volátil (pressão de vapor de 1.6-dinitro-N-N-dipropil-4-(trifluorometil) benzoamina (trifluralin) é um herbicida que apresenta excelente ação sobre as gramíneas anuais e perenes oriundas de sementes. a forte adsorção pode impedir a absorção 74 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 . sensível à luz e de solubilidade em água extremamente baixa (0. beterraba. cebola. ervilha.Seqüência normal da mitose Figura 6 . É fortemente adsorvido pelos colóides da matéria orgânica e pouco pelos da argila. cucurbitá¬ceas. algodão. sendo recomendado para as culturas de soja.Mitose interrompida pela ação de herbicidas derivados das dininitoanilinas 4. alho.3 mg L-1 a 25 °C). feijão.Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos Trifluralin O 2. quiabo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . 2005).3 . alfafa. ALMEIDA. em solos ricos em matéria orgânica. necessita ser incorporado mecanicamente ao solo logo após a sua aplicação (RODRIGUES.4. pimentão.2 . tomate. brássicas. e outras.

000. cana-de-açúcar. Apesar do uso contínuo por tantos anos. É um herbicida de média volatilidade (pressão de vapor de 9. assim como o movimento lateral no solo. em 1954 (CDAA) (SLIFE.5 . causar danos à cultura sucessora. É fortemente adsorvido pelos colóides do solo.Principais características As cloroacetanilidas têm sido um dos grupos de herbicidas mais usados no mundo.200 mg g-1 de solo. Não há relatórios também sobre aumento de biodegradação no solo. 1995). amendoim. alho. kow: 152. É absorvido principalmente pela radícula e praticamente não se transloca na planta. arroz. 2005).4-dimetil-2. não existem ainda relatos do aparecimento de gramí¬neas que tenham adquirido resistência a esses herbicidas. É recomendado para uso em pré emergência da planta daninha e da cultura ou em PPI. 1998). milho.6-dinitrobenzenoamina (pendimethalin) é registrado no Brasil para controle de gramíneas nas seguintes culturas: algodão. O pendimethalin apresenta solubilidade de 0. provocando inibição do crescimento radicular desta (SILVA et al.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA) 4. pka zero. por esta razão. 4. A lixiviação. Apre¬senta degradação lenta no solo.2 ..5. tabaco e trigo. sensível à luz e pouco móvel no solo. ALMEIDA.000 mg g-1 de solo.3 mg L-1. As princi¬pais características dos herbicidas do grupo das cloroacetamidas são: Módulo 3. depois do glyphosate é o grupo de herbicida mais utilizado.000.1 .4x10-5 mm Hg). A dose recomendada varia de acordo com as características fisico-químicas do solo. desde o lançamento do primeiro herbicida desse grupo. a dose aplicada e as condições climáticas (RODRIGUES. motivo pelo qual a incorporação é recomendável em condições de solo seco e com período de estiagem.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas do trifluralin pelas raízes das plantas. Pendimethalin O N-(1-etilpropil)-3. sua lixiviação é muito baixa e as doses recomendadas se dão em função das características físico-químicas do solo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 75 . em alguns casos de rotação de culturas (feijão/milho) em áreas de baixa fertilidade e mal manejadas. cebola. Sua persistência no solo varia de 3 a 6 meses de acordo com o solo. por causa do uso extensivo em soja e milho. motivo pelo qual não é aconselhável seu uso nestas condições. podendo. Apresenta pka: zero. kow: 118. café. feijão. é muito reduzida. e koc médio de 17. soja. e koc médio de 7. Nos Estados Unidos da América do Norte.

As cloroacetanilidas apresentam normalmente pressão de vapor de média a alta. o mecanismo bioquí¬mico primário de ação das cloroacetanilidas ainda não é bem conhecido. porém. as sementes iniciam o processo de germinação. De maneira geral. Em combinação com outros herbicidas. é muito difícil o estudo de translocação. Há relatórios que as relacionam com a inibição da divisão celular e interferência com controle hormonal (SLIFE. isoladamente. não há registros de problemas com deriva. 1995). de espécies daninhas gramíneas e comelináceas. naturalmente sensível a eles. terpenos. Os dados existentes indicam translocação muito pequena.Mecanismo de ação das cloroacetanilidas Apesar de ter sido estudado extensivamente. o controle não é consistente. A hipótese mais aceita atualmente é a inibição de ácidos graxos de cadeias muito longas. em préemergência. A toxicidade das cloroacetanilidas a peixes. as cloroacetanilidas apresentam de baixa a média mobilidade nos solos. o efeito residual no solo tem aumentado e a dependência dos fatores do solo tem diminuído. Gramíneas mostram inibição da emergência da primeira folha do coleóptilo. e.2 . A mobilidade no solo varia entre os herbicidas deste grupo e depende das condições de umidade e do teor de matéria orgânica do solo. mas não chegam a emergir. ácidos graxos. pássaros e mamíferos é muito baixa. 4. ciperáceas mostram inibição da parte aérea. as cloroacetanilidas podem auxiliar no controle de dicotiledôneas. pelo fato de não terem ação pós-emergente.2 . O maior uso das cloroacetanilidas está ligado ao controle. é um dos grupos mais estudados e com o qual mais se têm usado os protetores de herbicida. exibem crescimento anormal. As cloroacetanilidas estão relacionadas com a inibição da sín¬tese de lipídios. Em razão de os efeitos desses herbicidas estarem ligados somente as plântulas. as doses têm sido reduzidas. o algodoeiro). possibili¬tando a utilização desses herbicidas nesta cultura. As cloroacetanilidas são aparentemente absorvidas pelas raízes (dicotiledôneas) e pelas partes acima da semente epicótilo (principal¬mente gramíneas). o efeito inibitório causado pelo alachlor é maior sobre as raízes. flavonóides e proteínas. em dicotiledôneas (por exemplo.5. De modo geral. 76 Módulo 3. Cada cloroacetanilida que apareceu no mercado depois do herbicida CDAA apresentou características um pouco diferentes das outras. Muitos efeitos diferentes sobre vários processos bioquímicos já foram mostrados. quando o fazem. Devido a problemas de tolerância. logo após a emergência. Exemplo deste uso é a proteção do sorgo contra cloroacetanilidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Controlam plântulas de muitas espécies de gramíneas anuais e algumas dicotiledôneas antes da emergência ou mesmo plantinhas. mas. Em áreas tratadas com cloroacetanilidas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .

recomenda-se a mistura com graminicidas ou aplicação em seqüência ao trifluralin incorporado.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 77 . 4. Os efeitos das cloroacetanilidas sobre a síntese de gorduras podem ser atribuídos à interferência no metabolismo da CoA. antes da emergência das plantas daninhas. estando o solo com boas condições de umidade. sendo usado em pré-emergência. sendo esta enzima o ponto de começo de muitas rotas metabólicas. soja ou amen¬doim no terreno tratado.. Módulo 3. Em milho. Quando aplicado em solo seco. podendo ser misturado com ametryn. Em soja. deve ser utilizado logo após o plantio. ALMEIDA.5. Pelo menos “in vitro”. 2005). variável com o tipo de solo e as condições climáticas.2 . A retirada do nucleófilo pode acontecer entre o halogênio das cloroacetanilidas e o nucleófilo. Em café. inibir a síntese de proteínas.6-dietil-N-(metoximetil)acetanilida (alachlor) é recomendado para controle de diversas espécies de gramíneas e comelináceas. ou. diuron ou atrazine.Características de algumas cloroacetanilidas Alachlor O 2-cloro-2. pka: zero. Richardia brasiliensis ou Sida sp. Apresenta solubilidade em água de 242 mg L-1. e koc médio de 120 mg g-1 de solo (RODRIGUES. Em café novo ou recepado. pode-se cultivar milho. possuindo média a baixa mobilidade no solo e persistência de 6 a 20 semanas.3 . etc. terpenos. a eficácia do produto reduz. se não chover no prazo de até cinco dias. As cloroacetanilidas podem também alquilar aminoacil tRNAs específicos e. o grupo amino do metionil-tRNA inicial). As cloroacetanilidas são conhecidas como agentes alquilantes e podem agir alquilando nucleófilos biológi¬cos. sendo este transferido (por exemplo. ácidos graxos. amendoim e girassol. logo após a semeadura da cultura. não se deve utilizá-lo em solos arenosos. já foi mostrado que o herbicida alachlor é capaz de alquilar CoA. kow 794. com baixo teor de matéria orgânica. em condições de alta infestação de Brachiaria plantaginea. incluindo lipídios. é comum misturá-lo com atrazine ou cyanazine. aplicá-lo após a arruação ou esparramação. se a infestação for de Bidens pilosa.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos efeitos bioquímicos e fisiológicos relatados sobre o modo de ação destes herbicidas pode ser interpretada com base na inibição da síntese de proteínas. Em cana-de-açúcar. exceto em solos arenosos e. É adsorvido pelos colóides do solo. mistura-se com metribuzin. Em algodão. com isso.

05. metribuzin. cyanazine. dependendo da dose utilizada. também. devendo ser aplicado em seguida à semeadura. mas no prazo máximo de três dias após a ultima gradagem. 2005). usa-se em cana-planta. feijão. livre de torrões. Pelo fato de sua absorção ser quase total pelo coleóptilo das gramíneas e pelo epicótilo das dicotiledôneas. sendo pouco lixiviado. apresentando persistência de 8 a 12 semanas. 78 Módulo 3. as comelináceas e um número reduzido de latifoliadas. etc. deve ser aplicado logo após a arruação e. por provocar inoxicação à cultura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas S-metolachlor O 2-cloro-N-(2-etil-6-metilfenil)-N-[(1S)-2-metoxi-1-metiletil)]acetanilida (s-metolachlor) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar. a sua eficácia ficará comprometida se aplicado em solo seco e não ocorrer uma chuva de intensidade superior a 10mm no espaço de cinco dias (RODRIGUES. ALMEIDA. é utilizado apenas em pré-emergência das plantas daninhas. Em milho. Em razão de sua absorção foliar ser quase nula. para culturas de amendoim. exceto em solos arenosos. Em feijão. por esta razão. Acetochlor O 2-cloro-N-(etoximetil)-N-(2-etil-6-metilfenil) acetanilida (acetochlor) é recomendado para uso em pré-emergência das plantas daninhas. É sorvido pelos colóides de argila e matéria orgânica. recomenda-se sua aplicação logo após a semeadura. milho e soja. e koc médio de 200 mg g-1 de solo. é essencial que sua aplicação seja feita antes da completa emergência das plantas. restos de culturas e em boas condições de umidade. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo. entre outros. Em milho. sendo usado em outros países.2 . é comum misturá-lo com latifolicidas. esparramação. não deve ser utilizado em solos arenosos. girassol. Apresenta solubilidade em água de 223 mg L-1. A terra deve estar bem preparada. ou. como atrazine. Controla essencialmente gramíneas anuais e algumas perenes de reprodução seminal. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. Em café. Apresenta solubilidade em água de 488 mg L-1. pka: zero. Para aumentar o espectro de ação sobre estas espécies. pka zero e kow 300. batata. à fotodegradação e à volatilização. podendo ser misturado. Em cana-de-açúcar. sorgo e plantas ornamentais. é largamente utilizado em mistura com o atrazine. sua lixiviação é fraca a moderada. Devido à sensibilidade do s-metolachlor. kow: 3.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . sendo comum a mistura com outros herbicidas. logo depois do plantio. das condições climáticas e do tipo de solo.

também. 4. a morte das plantas devido à ação destes herbicidas é tão rápida na presença da luz que não dá tempo de eles se translocarem na planta. para mamíferos. São cátions fortes. Estes radicais livres formados pelos herbicidas paraquat e diquat não são os agentes responsáveis pelos sintomas de intoxicação observados. São rapidamente adsorvidos e inativados pelos colóides do solo. porque pequena atividade destes produtos é observada. com metribuzin. Vale ressaltar que este não é o único sítio de ação destes herbicidas. chuvas após 30 minutos de sua aplicação não mais influenciam a eficiência de controle das plantas daninhas.1 . Usualmente. reagem. 4.Mecanismo de ação Poucas horas após a aplicação destes herbicidas. os quais sofrem o processo de dismutação. em várias partes do mundo e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas com atrazine ou cyanazine. Nesta condição. formulados em solução aquosa. sendo largamente utilizados como dessecantes no “plantio direto”. Esta substância promove a degradação rápida das membranas (peroxidação de lipídios). Durante o processo de auto-oxidação são produzidos radicais de superóxidos.Características gerais • • • • • • • São altamente solúveis em água e. como dessecantes.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I São herbicidas derivados da amônia quaternária (paraquat e diquat). por isso. estes herbicidas capturam os elétrons provenientes da respiração.6. em pré-colheita para diversas culturas. Estes compostos possuem a capacidade de captar elétrons provenientes da fotossíntese (no fotossistema I) e formarem radicais livres. aplica-se logo após a semeadura. para formarem o peróxido de hidrogênio. ou.6 . também. exceto em solos arenosos e. Este composto e os superóxidos. Módulo 3. no escuro. Estes radicais são instáveis e rapidamente sofrem a auto-oxidação. A toxicidade do diquat é alta e a do paraquat é muito alta. na presença de luz. podendo ser misturado. (WELLER. A ação destes herbicidas é muito mais rápida na presença da luz do que no escuro. 1995a).2 . verifica-se severa injúria nas folhas das plantas tratadas (necrose do limbo foliar). antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. entre outros. Em soja.6. com baixo teor de matéria orgânica. para formarem os radicais tóxicos. em aplicações dirigidas em diversas culturas.2 . São rapidamente absorvidos pelas folhas. 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 79 . na presença de Mg. WARREN. O local de captura dos elétrons está próximo a ferredoxina e sua velocidade de ação depende da intensidade luminosa. ocasionando o vazamento do conteúdo celular e a morte do tecido. produzindo radicais hidroxil.

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4.6.3 - Principal herbicida do grupo Paraquat

O 1,1’-dimetil-4,4’-dicloreto de piridilio íon (paraquat) é um herbicida altamente solúvel em água (620.000 mg L-1); pka: zero; kow: 4,5; e koc estimada de 1.000.000 mg g-1 de solo. É inativado ao entrar em contato com o solo, por completa adsorção do cátion à argila. Esta ocorre devido à dupla carga positiva da molécula do paraquat, formando complexos com os locais de carga negativa, de onde não é removido mesmo com lavagens de solução saturada de sais, só sendo recuperado por fragmentação da argila com ácido sulfúrico 18 N. Por esta razão, sua lixiviação é nula e sua decomposição microbiana no solo é muito lenta. O paraquat pode ser usado para: • • • • • Dessecante em “plantio direto”. Para este fim, o paraquat é muito utilizado em mistura com o diuron, formando o Gramocil. Em pré-emergência de culturas, porém em pós-emergência das plantas daninhas. Aplicações dirigidas em culturas de milho, algodão, café, fruteiras e outras. Dessecante, em pré-colheita, para diversas culturas, visando viabilizar colheita mecânica e melhor qualidade fisiologia de sementes (DOMINGOS et al., 2001). Para limpeza de áreas não-cultivadas.

4.7 - Herbicidas inibidores da acetolactato sintase Os herbicidas derivados das sulfoniluréias, comercializados pela primeira vez em 1982, apresentam alto nível de atividade em doses muito pequenas. Atualmente, há vários herbicidas deste grupo no mercado. Através de pequenas modificações na estrutura química, a seletividade pode ser alterada de uma cultura para outra. Exemplos de culturas que são tolerantes a um ou mais herbicidas desse grupo químico são trigo, soja, arroz, milho, feijão, batata, beterraba, algodão, coníferas, canade-açúcar, etc. As sulfoniluréias inibem a síntese dos chamados aminoácidos ramificados (leucina, isoleucina e valina), através da inibição da enzima Aceto Lactato Sintase (ALS); esta inibição interrompe a síntese protéica, que, por sua vez, interfere na síntese do DNA e no crescimento celular. As plantas sensíveis tornam-se cloróticas, definham e morrem, no prazo de 7 a 14 dias após o tratamento. Essa enzima é inibida, também, pelos herbicidas dos grupos químicos imidazolinonas, triazolopyrimidines ou sulfonamidas e pyrimidinyl-oxybenzoatos (THILL, 1995; THILL, 2003a; BRIDGES, 2003c). Apesar do pouco tempo de uso, a literatura já registra muitas espécies de plantas daninhas que desenvolveram resistência aos inibidores da ALS.

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As principais características das sulfoniluréias são: • • Alguns são ativos em doses extremamente baixas; exemplo: o metsulfuronmethyl, que apresenta atividade na dose de 2 g ha-1 A maioria das sulfoniluréias apresenta bom controle de muitas espécies de folhas largas (dicotiledôneas); todavia, algumas possuem, também, ótima atividade contra gramíneas. A toxicidade aguda para mamíferos é muito baixa (5.500–6.500 mg kg-1 em ratos) para o herbicida chlorsulfuron, o mais estudado. Para outros análogos, a toxicidade é mais baixa ainda. As sulfoniluréias são ativas tanto em aplicações foliares quanto em aplicações no solo.

Apesar de quimicamente diferentes, as imidazolinonas têm o mesmo mecanismo de ação das sulfoniluréias, ou seja, inibem a enzima AHAS ou ALS. As principais caracte¬rísticas deste grupo são: • As imidazolinonas são recomendadas para controle em pré-emergência e em pósemergência de muitas folhas largas e gramíneas em cereais, soja e em áreas nãoagrícolas. • Estes herbicidas são potentes inibidores do crescimento vegetal. Plantas tratadas param de crescer quase que imediatamente após a aplicação. Dois a quatro dias após a aplicação desses herbicidas o ponto de crescimento (meriste¬ma apical) das plantas tratadas torna-se clorótico e, depois, necrótico e morre. A morte completa da planta vai ocorrer sete a dez dias após o tratamento. Plantas de maior porte podem levar mais tempo para morre¬r, mas a paralisação do crescimento é imediata. • Todos estes herbicidas são sistêmicos, ou seja, translocam pelo floema. Uma vez dentro do floema, por causa do pH alcalino, estes herbicidas, que são ácidos fracos, se dissociam e os ânions têm dificuldade para deixar o floema. • As imidazolinonas apresentam persistência de moderada a longa no solo. Maior sorção e, conseqüentemente, maior persistência ocorrem quando decrescem a umidade do solo, o pH e a temperatura e, também, quando os teores de matéria orgânica, óxidos de ferro e de alumínio no solo aumentam. • A dissipação no solo é, via de regra, por meio da degradação microbiana. Em condições de solo mais seco, mais herbicida é preso nos colóides do solo e menos produto é disponível para biodegra¬dação ou absorção pelas plantas, o que implica maior persistência e possível "carryover". As imidazolinonas são

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sensíveis à fotólise, mas esse processo de dissipação não é importante no solo. A fotólise é mais importante no meio aquático. • Pouca lixiviação tem sido reportada em condições de campo, apesar de os estudos de laboratório indicarem mobilidade moderada destes herbicidas no solo. • As imidazolinonas apresentam muito baixa ou nenhuma toxicidade para mamíferos. Esta toxicidade baixa pode ser explicada pela enzima-alvo, que não ocorre em animais, e também pelo fato de a excreção desses herbicidas ser muito rápida em animais-teste. Além das sulfoniluréias e das imidazolinonas, outros herbicidas, de grupos químicos diferentes, apresen¬tam o mesmo mecanismo de ação, ou seja, inibem a enzima ALS ou AHAS e, com isso, paralisam o crescimento das plantas (HESS, 1995c). Dente esses grupos químicos, podem-se destacar as triazolopirimidinas, ou sulfonamidas, e os piridinil-oxibenzoatos. As principais características do herbicida N - (2,6-diflluorofenil) - 5 - metil (1,2,4) triazolo [1,5a] pirimidina - 2 - sulfonamida (flumetsulan) e N-[2,6-diclorofenil] - 5 - etoxi - 7 - fluoro(1,2,4) triazolo – [(1,5c)] pirimidina - 2 - sulfonamida (diclosulan) são: Flumetsulan Diclosulan

• •

• • •

Apresentam ação pré-emergente sobre amplo espectro de plantas daninhas de folhas largas. As gramíneas, de maneira geral, são resistentes devido ao metabolismo mais rápido. Entre as culturas de folhas largas, a soja é tolerante. Possuem absorção radicular, mas a translocação é sistêmica, ou seja, translocamse tanto pelo floema quanto pelo xilema. A sorção no solo e a persistência aumentam quando o pH decresce e quando a matéria orgânica aumenta. A persistência no solo é mediana, não havendo casos relatados de "carryover". A dissipação no solo é devida ao ataque de microrganismos. Condições que favorecem a ação microbiana aceleram a dissipação destes herbicidas no solo. Possuem mobilidade no solo moderada, não se antevendo problemas de contaminação de depósitos subterrâneos de água. A toxicidade para mamíferos é muito baixa (Faixa Verde: DL50 > 6.000mg/kg em ratos).

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4.7.1 - Algumas sulfoniluréias Metsulfuron-Methyl

O ácido 2-[[[[(4-metoxi-6-metil-1,3,5-triazina-2-il)amino]carbonil]amino]sulfonil] benzóico (metsulfuron-methyl) apresenta solubilidade em água de 270 mg L-1; pka: 3,3; kow: 1,0 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 35 mg g-1g de solo. É pouco sorvido e muito lixiviado no solo, dependendo da textura e do teor de matéria orgânica. Sua persistência (meia-vida) no solo varia de 30 a 120 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para controle de plantas daninhas de folhas largas nas culturas de trigo, arroz, cana-de-açúcar, aveia, cevada, manejo de inverno e pastagens. Entre as espécies sensíveis encontram-se Raphanus raphanistrum, Raphanus sativus, Acanthospermum australe, Bidens pilosa, Ipomoea grandifolia, além de muitas outras. É recomendado para uso em pós-emergência, devendo ocorrer intervalo de seis horas sem chuva após a sua aplicação. A ação do produto nas plantas daninhas sensíveis pode ser observada através da clorose das folhas e morte das gemas apicais, com evolução para morte das plantas até 21 dias após aplicação. Em espécies menos sensíveis, observa-se paralisação de seu desenvolvimento. Culturas como trigo e arroz, para as quais é seletivo, conseguem metabolizá-lo rapidamente a compostos não-fitotóxicos. Nicosulfuron

O 2-[[[[(4,6-dimetoxi-2pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]-N,N-dimetil-3piridinacarboxamida (nicosulfuron) apresenta solubilidade em água de 360 mg L-1 a pH 5 e 12.200 a pH 6,85; pka: 4,3; kow: 0,44 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 30 mg g-1 de solo a pH 6,5. Quanto à sua persistência em condições de Brasil, sabe-se que culturas de soja, girassol, algodão e feijão poderão ser semeadas 30 dias após a aplicação do nicosulfuron; trigo, arroz e batata, 45 dias após a aplicação; e tomate, 60 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No Brasil, está registrado para a cultura do milho, sendo utilizado em pós-emergência em área total. Controla gramíneas, inclusive o capim-massambará (Sorghum halepense), e diversas espécies de dicotiledôneas. No momen¬to da aplicação, as plantas de milho devem estar com duas a seis folhas; as plantas daninhas dicotiledôneas, com duas a seis folhas; e as gramíneas, com até dois perfilhos. A aplicação deve ser feita estando o solo úmido e com as plantas daninhas em pleno vigor vegetativo. A ocorrência de chuvas uma hora após a aplicação não afeta a eficiência deste herbicida. A mistura do
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nicosulfuron com o atrazine no tanque do pulverizador aumenta o espectro de controle de plantas daninhas. Existem diferentes níveis de tolerância entre os híbridos de milho disponíveis no mercado brasileiro ao nicosulfuron. Por isso, antes de aplicar esse herbicida em cultura do milho consulte a lista de híbridos e variedades tolerantes a esse herbicida. A mistura desse herbicida com inseticidas carbamatos ou fosforados pode torná-lo não-seletivo ao milho (SILVA et al., 2005) Halosulfuron

O metil-3-cloro-5-(4,6-dimetoxipirimidin-2-carbomoilsulfamoil)-1-metillpirazole-4carboxilato (halosulfuron) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar, para controle de Cyperus rotundus. Apresenta solubilidade em água de 15 mg L-1 a pH 5,0 e 1.650 a pH 7,0; pka: 3,5; kow: 47 a pH 5,0 e 0,96 a pH 7,0; e koc médio de 93,5 mg g-1 de solo. Apresenta baixa adsorção no solo. Possui meia-vida média no solo em torno de 16 dias, variando com o tipo de solo e as condições climáticas (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua aplicação deve ser feita em pós-emergência das plantas daninhas, sendo o melhor período 30 a 40 dias após o plantio da cana-de-açúcar, quando as plantas daninhas deverão estar no final da fase vegetativa ou início do florescimento. As plantas de Cyperus rotundus devem estar em boas condições de desenvolvimento, sem efeito de estresse hídrico ou de baixa temperatura. Chlorimuron-ethyl

O ácido 2-[[[[(4-cloro-6-metoxi-pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]benzóico (chlorimuron-ethyl), no Brasil, encontra-se registrado para a cultura da soja, sendo usado em pósemergência. Apresenta solubilidade em água de 450 mg L-1 a pH 6,5; pka: 4,2; kow de 320 a pH 5,0 e 2,3 a pH 7,0; e koc médio de 110 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No solo, apresenta adsorção e lixiviação moderadas e meia-vida de 7,5 semanas. A persistência é maior em solos com pH mais elevado; em solos ácidos e com clima quente, a persistência é baixa. Manter intervalo de 60 dias entre a aplicação do chlorimuron-ethyl e a semeadura de trigo, milho, feijão e algodão. Para as outras culturas, fazer antes um bioensaio. Controla essencialmente espécies anuais de dicotiledôneas, sendo mais efetivo quando estas se encontram na fase inicial de crescimento (até seis folhas). Entre as espécies sensí¬veis encontram-se Desmodium tortuosum, Acathospermum australe, Ipomoea grandifolia, Bidens pilosa, além de outras. É comum misturá-lo com outros

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5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-quinolina carboxílico (imazaquin) apresenta solubilidade em água de 60 mg L-1. todavia. 1999). kow e koc não disponíveis. 2005). é facilmente lixiviável no solo.0 (RODRIGUES. para maior espectro de controle. Na cultura da cana. ALMEIDA. pka. O flazasulfuron deve ser aplicado em cobertura total das plantas daninhas e da cultura. 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 85 .Algumas imidazolinonas Imazaquin O ácido 2-[4.2 . porém esta adsorção aumenta em pH baixo.2. de 5 a 8 folhas e em pleno desenvolvimento vegetativo. etc. diuron.. estando o solo em boas condições de umidade.6-dimetoxipirimidin-2-il)-3-(3-trifluorometil-2-piridilsulfonil) uréia (Flazasulfuron) apresenta solubilidade em água de 27. não sendo recomendável cultivá-lo na modalidade de “milho safrinha” no mesmo ano agrícola da soja. kow: 2. Apresenta meia-vida variando de 9 a 120 dias. Quando usadas em pósemergência. e a tiririca (Cyperus rotundus). Sua mobilidade no solo é inversamente proporcional ao teor de matéria orgânica. Flazasulfuron O 1-(4.2 .000 mg L-1 a pH 5.100 a pH 7. as dicotiledôneas.0 e 2. Sua degradação no solo é por ação microbiana e química. 2005).. sendo influenciada pela temperatura e pelo pH do solo (RODRIGUES. 1998).0.).8. porém não deve ser misturado com graminicidas. para se evitar o efeito “guarda-chuva”. O milho é muito sensível a resíduo de imazaquin no solo. pka: 3. seis folhas. em alguns tipos de Módulo 3. ALMEIDA. este herbicida deve ser aplicado isoladamente. para controle de dicotiledôneas em soja. as gramíneas devem ter no máximo três perfilhos. Pode ser usado em pré ou em pós-emergência inicial das plantas daninhas. as plantas de cana-de-açúcar devem possuir no máximo quatro folhas. exigindo intervalo de segurança acima de 180 dias após sua aplicação. evitando-se aplicar em períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60% (SILVA et al. É fracamente adsorvido em solo com pH alto. e valor médio de koc de 20 mg g-1 de solo a pH 7. pode ser misturado no tanque do pulverizador com outros herbicidas (ametryn.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas herbicidas. podendo afetar culturas de inverno que seguem à soja tratada com o produto (SILVA et al. se objetivo for controlar a Cyperus rotundus.7. Sua persistência no solo é alta (meia-vida de sete meses).

entre as quais Euphorbia heterophylla. sendo utilizado em pré-plantio incorporado ou em pré-emergência das plantas daninhas. e kow: 11 a pH 5. também. sendo. Controla essencialmente plantas daninhas dicotiledôneas. 1999). também. com até quatro folhas. Recomenda-se a aplicação em pós-emergência precoce. Apresenta rápida degradação no solo. Estudos preliminares têm demonstrado que este herbicida apresenta rápida degradação em condições de solos brasileiros (SILVA et al. É registrado no Brasil para cultura da soja e do feijão.36 (RODRIGUES.0 e 31 a pH 7. pouco lixiviado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas solo.. Ipomoea grandifolia. o que geralmente acontece entre 5 e 15 dias após a semeadura da soja. além de outras. essencialmente microbiana (meia-vida de 15 dias). pouco lixiviado (RODRIGUES. Sida rhombifolia. no estádio cotiledonar.5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-5-etil-piridina carboxílico (imazethapyr) apresenta solubilidade em água de 1. Bidens pilosa.0.. estando estas com até quatro folhas e de monocotiledôneas. Imazamox O ácido nicotínico 2-(4-isopropil)-4-metil-1-metiletil-(1-metil-5-oxo-2-imidazolin-2-il)-5(metoximetil) (imazamox) apresenta solubilidade em água de 4. 2005). com eficiência. Recomenda-se sua aplicação em pós-emergência das plantas daninhas dicotiledôneas. pka: 3. Ipomoea grandifolia. além de outras. 1999). Hyptis suaveolens. entre uma e quatro folhas. Apresenta lenta degradação no solo (meia-vida de 60 dias). Imazethapyr O ácido 2-[4.413 mg L-1 e Kow: 5. O milho e o sorgo são muito sensíveis ao resíduo de imazethapyr no solo. É pouco adsorvido pelos colóides do solo e. ALMEIDA.9. 86 Módulo 3. o que geralmente acontece entre 15 e 20 dias após a semeadura do feijão. É fracamente adsorvido em solo com pH alto.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . entre um a três perfilhos. 2005). É registrado no Brasil para uso exclusivo na cultura da soja. Controla.2 . Controla com eficiência diversas espécies de plantas daninhas: Euphorbia heterophylla. e as monocoti¬ledôneas. podendo causar toxicidade a algumas culturas de inverno que forem cultivadas em sucessão à soja tratada com este herbicida (SILVA et al. ALMEIDA. É registrado no Brasil para a cultura da soja. estando as dicotiledôneas. mas esta adsorção aumenta em pH baixo.400 mg L-1.

pka: 2. 2005). Em campo. Pyrithiobac-sodium O sódio 2-cloro-6-[(4. ALMEIDA. Módulo 3.5-dihidro-4-metil-4-(1-metietil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-piridina carboxílico (imazapyr) apresenta solubilidade em água de 11. não se processando em condições anaeróbicas. em condições aeróbicas. pode ser exsudado pelas raízes. se aplicado em pósemergência precoce. sobretudo. podendo ocorrer lixiviação positiva (para baixo) ou negativa (reversa –para cima). 7). Apresenta degradação no solo essencialmente microbiana É registrado no Brasil para o controle de dicotiledôneas. em pós-emergência precoce na cultura do algodão.34 e meia-vida no solo de dois meses (RODRIGUES. vindo intoxicar as novas mudas plantadas para renovação da floresta.36 (RODRIGUES. Imazapyr O ácido (+-)-2-[4. É fracamente adsorvido pelos colóides do solo. Kow: 0. Sua persistência no solo é longa (três a sete meses em solos tropicais e seis meses a dois anos em clima temperado. essencialmente por via microbiana. dependendo do movimento capilar da água no perfil do solo (FIRMINO.6. Aplicações em altas doses para capinas de ruas pode intoxicar árvores utilizadas na arborização do ambiente (Fig.2 . Estudos de laboratório indicam que imazapyr tem alto potencial de se mover no perfil do solo. entre estas Euphorbia heterophylla.0 e pka: 1.6-dimetoxipirimidina-2-il) tio]. com degradação mais rápida em clima quente e úmido. a persistência biológica é dependente. principalmente em solos arenosos. ALMEIDA. É pouco adsorvido pelos colóides do solo e. 2001). da dosagem e dos fatores ambientais.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 87 . também.benzoato (Pyrithiobac-sodium) apresenta solubilidade em água de 1610 mg L-1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diversas espécies de plantas daninhas. pouco lixiviado.9 a 1. Apresenta lenta degradação no solo. 2005).272 mg L-1 a pH 7. Também quando aplicado no tronco do eucalipito visando eliminar rebrota após a derrubada.

cultivadas em solo coletado à margem da rua tratada com o herbicida 4.8 . Por outro lado. 88 Módulo 3. Plantas normais cultivadas em solo sem resíduos de herbicidas (a) e plantas com sintomas de intoxicação do imazapyr (b). uma vez que 20% do carbono das plantas é utilizado nesta rota metabólica.8. O glyphosate se liga a esta enzima pela carboxila do ácido glutâmico (glutamina) na posição 418 da seqüência de aminoácidos (HESS. nos níveis desses aminoácidos aromáticos (fenilalanina. Glyphosate inibe a EPSP sintase por competição com o substrato PEP (fosfoenolpi¬ruvato).2 . nas plantas tratadas. precursor comum na rota metabólica dos três aminoácidos aromáticos.Herbicidas inibidores da EPSPs 4. que o ponto de ação era a enzima EPSP sintase (5 enolpiruvilshikimato-3-fosfato sintase).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 7 – Árvores mortas pela ação do imazapyr quando aplicado para capina química de rua (A). Verificou-se. foi observado aumento acentuado na concentração de shikimato. plantas tratadas com estes herbicidas param de crescer. 1995c.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Há redução acentuada.1 . então. evitando a transformação do shikimato em corismato. BRIDGES. 2003). pois fenilalanina.Mecanismo de ação Logo após a aplicação. tirosina e tryptofano são precursores da maioria dos compostos aromáticos nas plantas. tirosina e triptofano). acreditam que a desregulação da rota do ácido shikímico resulta na perda de carbonos disponíveis para outras reações celulares na planta. Alguns autores acham que a simples redução de aminoácidos e a acumulação de shikimato não seriam suficientes para a ação herbicida. SHANER. A enzima EPSP sintase é sintetizada no citoplasma e transportada para dentro do cloroplasto onde atua.

2003c). • A morte da planta ocorre lentamente: de 7 a 14 dias após a aplicação. • Não apresentam atividade no solo. • Formulações usadas no meio aquático não contêm surfatantes. • Requerem uma semana para matar plantas anuais (efeito final) e tempo ainda maior para espécies perenes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. para melhor eficiência de translocação para o sistema radicular. • Através da engenharia genética.8.Características gerais Glyphosate O N-(fosfonometil) glicina (glyphosate) possui as seguintes características (BRIDGES. de maneira geral. Módulo 3. • Apresentam espectro de controle muito amplo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 89 . já foram obtidas culturas resistentes a glyphosate. • Durante a primeira semana após a aplicação a folhagem não deve ser cortada. • Translocação simplástica em gramíneas e folhas largas. • A translocação é melhor em plantas expostas à luz e que estejam com alta atividade metabólica. Quanto à resistência adiquirida pela pressão de seleção (aplicações repetidas do ghyphosate). por causa de sua conjugação com sesquióxidos de ferro e alumínio. • A translocação é facilitada em condições de alta intensidade luminosa. apresenta.2 . em plantas anuais • Baixa vazão e menores gotículas são mais eficientes do que alta vazão e gotículas grandes. poucas espécies de plantas daninhas foram identificadas como resistentes a estes herbicidas. muito pouca toxicidade para animais. praticamente não há seletividade.2 . • Como a enzima afetada é exclusiva de plantas. • Águas de pulverização contendo muitos sais solúveis (Ca e Mg) diminuem a atividade destes herbicidas. para não causar problemas de toxicidade para peixes. como a soja e o algodão.

Para aplicações dirigidas em culturas perenes (café. No Brasil. para implantação do plantio direto de culturas. A ocorrência de chuva em intervalo de tempo menor que 4-6 horas pode reduzir a eficiência destes herbicidas.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • A absorção destes produtos pelas plantas é lenta. 8). ferrovias. ruas. Na renovação de pastagens. Roundup WDG e Roundup Multiação. formulado como Roundup Transorb ou Zap Qi. reflorestamento e outras). parque de industrias. Para controle seletivo de plantas daninhas em culturas geneticamente modificadas. fruteiras. utilizado em diversas marcas comerciais. No Brasil.. Como dessecantes. O efeito varia com a formulação. Figura 8 – Eficiência de formulações de glyphosate em diversos períodos de simulação de chuva após a aplicação Atualmente o ghyphosate é o herbicida mais utilizado no mundo. etc. 200).). Para o controle de plantas daninhas aquáticas Como regulador de florescimento em cana-de-açúcar. esse tempo para penetração do glyphosate via foliar é maior (PIRES et al. enquanto para as demais formulações.. sendo recomendado para diversas atividades agrícolas e não-agrícolas. sal de amônia. A não-ocorrência de chuvas até quatro horas após as aplicações garante absorção do glyphosate. e sal potássico. 2001). as suas principais recomendações são: • • • • • • • Para controle de plantas daninhas em áreas não-cultivadas (rodovias. utilizado nas formulações granulares. As formulações Roundup Transorb e Zap Qi se diferenciam das demais por apresentar penetração foliar mais rápida do que as demais existentes no mercado brasileiro. em Brachiaria decumbens e Digitaria horizontalis em quatro horas (Fig.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Quando aplicado sobre plantas em condições de déficit hídrico prolongado. 90 Módulo 3. o glyphosate está sendo comercializado com diferentes formulações: sal isopropilamina. englobando o Roundup original e o Roundup Transorb. o tempo mínimo sem chuvas após aplicação para se garantir a absorção foliar desse herbicida é de seis horas (JAKELAITIS et al. cujo representante é o Zap Qi.

a qual começa nas regiões meristemáticas e se espalha pela planta toda.9 . • A morte das gramíneas suscetíveis é lenta. MCPA. até hoje.4-DB. os herbicidas deste grupo não apresentam atividade suficiente para o controle de gramíneas em pré-emergência. • São prontamente absorvidos pela folhagem das plantas. eliminado. 2. provavelmente eles afetam a absorção foliar. para controle de gramíneas anuais e perenes. bromoxynil.Principais características Os compostos deste grupo apareceram no mercado de herbicidas a partir de 1975 e. requerendo uma semana ou mais para a morte completa. novos produtos estão sendo desenvolvidos. bentazon e metribuzin.4D. seguida de necrose. WELLER. São muito utilizados para o controle de gramíneas anuais e perenes.2 . podem ser citados: sulfoniluréias. Os sintomas incluem rápida parada do crescimento das raízes e da parte aérea e troca de pigmento nas folhas dentro de dois a quatro dias.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. As principais características deste grupo de herbicidas (THILL. • As espécies não-gramíneas são todas tolerantes. • São muito efetivos quando aplicados sobre plantas não-estressadas. • Misturas no tanque desses graminicidas específicos com latifolicidas têm trazido uma série de problemas de antagonismo. Entre os herbicidas que já mostraram ação antagônica. • A seletividade varia entre espécies de gramíneas. em fase de rápido crescimento. De maneira geral.1 . é necessária uma dose três vezes maior que a requerida para a ação em pósemergência. a eficiência diminui quando as gramíneas estão se desenvolvendo em condições de déficit hídrico. Módulo 3. 2. • Em doses normais. A translocação varia entre espécies. dicamba. o problema é minimizado e. até mesmo.9. Somente diclofop tem registro para uso no solo. 1995) são: • São utilizados exclusivamente em pós-emergência. tanto para plantas daninhas quanto para culturas. • Apresentam lenta degradação no solo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 91 .Herbicidas inibidores da ACCase 4. imidazolinonas. para que haja ação no solo. acifluorfen. • Para a atividade máxima ser atingida. mas ocorre tanto pelo floema quanto pelo xilema. Espaçando-se as pulverizações por alguns dias. há sempre necessidade da adição de um surfatante ou adjuvante.

2 . Após alguns dias da aplicação. Esta é uma reação-chave no início da biossíntese de lipídios. Este herbicida é rapidamente absorvido pelas folhas e atinge os meristemas da planta. predominância da classe II) e. A inibição da ACCase explica perfeitamente a redução no crescimento. Foi verificado também que a divisão celular foi prejudicada por causa da inibição da formação da parede celular. fica aparente a disfunção de membrana. As folhas mais velhas apresentam sinais de senescência e mostram troca de pigmento. O tecido meristemático em gemas e nós torna-se clorótico e. Estudos feitos com sethoxydim mostraram que este herbicida inibe o crescimento e a acumulação de clorofila. quando o tecido meristemático decai. para peixes. A translocação ocorre pelo xilema e pelo floema. em 1987. a formulação ácida é mais ativa que a formulação éster e o isômero “D” é muito mais ativo que o “L”. para causar 50% de inibição em células de soja foi necessária uma concentração 47 vezes maior. Foi verificado que este herbicida inibe fortemente a incorporação de 14C-acetato em lipídios quando pontas de raízes de milho foram tratadas por 24 horas. trabalhos realizados com diclofop-methyl começaram a desvendar o modo de ação dos graminicidas específicos. Foi descoberto. necrótico. surgindo células binucleadas. ele causou declínio na atividade respiratória. eles são tóxicos para mamíferos (classe toxicológica de I a III.5 a 0. No caso de diclofopmethyl.1 μM de haloxyfop provocou 42% de inibição da incorporação de acetato em células de milho.2 . Enquanto 0. por isso. O caso mais relatado é o ocorrido na Austrália com a espécie Lolium rigidum. o problema era na síntese de lipídios. Esta enzima.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . de maneira geral. e muitos autores 92 Módulo 3. que mostrou resistência ao diclofop-methyl e resistência cruzada a outros graminicidas específicos. às sulfoniluréias e ao trifluralin. já existem plantas daninhas que adquiriram resistência aos inibidores da biossíntese de lipídios.Mecanismos de ação Muitos dos estudos já realizados sobre o mecanismo de ação dos arilofenoxipropionatos foram feitos com o herbicida diclofop-methyl. encontrada no estroma de plastídios. o aumento na permeabilidade de membrana e os efeitos ultra-estruturais observados nas células. A enzima afetada por estes herbicidas ocorre também nas células animais. que a ação dos graminicidas específicos era sobre a enzima Acetil Coenzima-A Carboxilase (ACCase). por exemplo. A partir de 1981.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • Apesar do pouco tempo de uso. Em algumas horas.9. A diferença na tolerância entre espécies de gramíneas e folhas largas é muito grande. Ademais. o crescimento de raízes e parte aérea é paralisado. resultando no aumento dos níveis de açúcar e antocianina. nas concentrações de 0.5 μM. depois. Há diferenças também entre a atividade de isômeros e as formulações. Como não houve interferência na absorção de acetato. apesar de a quantidade que atinge a área meristemática ser muito pequena em relação ao que é aplicado. também. 4. converte o Acetil Coenzima A (Acetil-CoA) em Malonil Coenzima A (Malonil-CoA) pela adição de uma molécula de CO2 ao Acetil-CoA.

e koc médio de 5. por incompatibilidade fisiológica (efeito antagônico). pka: 3.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 93 .3 . 1995). a não ser o fomesafen. 2005). purificada e parcialmente caracterizada. com intervalo superior a cinco dias. A falta de lipídios provoca despolarização da membrana celular (THILL. ALMEIDA 2005). feijão. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas.1 mg L-1.2 . pinho. que permite à biotina se mover entre os dois centros catalíticos (HESS. a enzima funciona. É um herbicida Módulo 3.5. A enzima Acetil Coenzima A Carboxilase (ACCase) é. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 70%. Não deve ser misturado com herbicidas que controlam dicotiledôneas. o qual é uma reação dependente de ATP. 4. a transcarboxilase. tomate. WELLER. e a proteína transporte da biotina (BCP). cenoura.Caracterização de alguns inibidores da ACCase Fluazifop-p-butil O ácido (R)-2-[4-[[5-(trifuorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propanóico (fluazifop-p-butil) apresenta solubilidade em água de 1. soja. roseira e crisântemo.9. Clethodim O (E. café.700 mg g-1 de solo. na realidade. Quando o substrato Acetil-CoA é substituído por Proprionil-CoA. kow: 4. que transfere o CO2 da biotina para o Acetil-CoA. citros. mas a eficiência diminui pela metade. um complexo de três domínios: uma biotina carboxilase que promove a carboxilação da biotina com carbonato (CHO3). 1995).E)-(+/-)-2-[1-[[(-cloro-2-propenil)oxi]imino]propil]-5-[2-(etiltio)propil]-3-hidroxi.520 mg L-1. Controla grande número de espécies de gramíneas anuais no estádio de até 4 perfilhos e algumas perenes.2ciclohexeno-1-ona (clethodim) apresenta solubilidade em água de 5. algodão. devendo ser utilizado seqüencialmente. Não apresenta mobilidade no solo. evitando períodos de estiagem. É registrado no Brasil para as culturas de alface. cebola.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas julgam ser esta reação a que dosa o ritmo da biossíntese de lipídios. ALMEIDA. tabaco. kow: 15000 e persistência muito curta no solo. A ACCase de milho já foi isolada. dois a três dias (RODRIGUES. Deve ser aplicado com as plantas em bom estado de vigor vegetativo.1. a qual é ligada covalentemente ao grupo da biotina por um espaçador móvel. É recomendado para uso em pós-emergência. eucalipto. tendo uma persistência média de 30 dias (RODRIGUES.

soja. de reprodução seminal. feijão e eucalipto. kow: 11. sistêmico. quando provenientes de rizomas). É rapidamente absorvido pelas folhas. controla gramíneas anuais. altamente seletivo para a cultura da soja e outras dicotiledôneas. Quando usado na dose de 120 g ha-1.3 mg L-1. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%.3.600 g ha-1. podendo requerer reaplicação no caso de rebrotas (RODRIGUES. perenes e tigüera de culturas gramíneas.7. feijão. para as culturas de soja. É utilizado. ervilha.. como é o caso normal em culturas perenes. pinho e outras. É compatível com outros herbicidas usados em pós-emergência para controle de folhas largas.4-D. café. Nas doses de 360 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . tomate. Em doses altas (120-360 g ha-1. em condições de alta pluviosidade. amendoim. acifluorfen. fomesafen e lactofen. não sendo prejudicada sua eficácia por chuvas que ocorram uma hora após sua aplicação. controla gramíneas perenes. 2005). como bentazon. no Brasil. Quando misturado com herbicidas recomendados para uso em pós-emergência que controlam plantas daninhas de folhas largas e que já contenham em sua formulação um adjuvante. Destaca-se pelo seu amplo espectro de ação no controle de gramíneas anuais. como Cynodon dactylon e Sorghum halepense. tem ação sobre rebentos de gramíneas anuais que tenham sido roçadas. eucalipto. e com 10 a 40 cm. É recomendado para uso em pós-emergência. citros. em solos leves. aveia e trigo. comuns em rotação de culturas com a soja. Deve ser aplicado com as plantas daninhas em bom vigor vegetativo. desde jovem até adiantado estádio de desenvolvimento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas graminicida. e koc médio de 33 mg g-1 de solo. pois aumenta-lhe a fitotoxicidade. como algodão.2 . tais como: azevém. permitindo a aplicação dos dois numa só operação. pka: 4. ALMEIDA. neste caso. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas (4 folhas até 6 perfilhos. não se deve adicionar óleo mineral à calda. milho. quando provenientes de sementes. Haloxifop-methyl O ácido 2-[4-[[ (3-cloro-5-(trifluorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propiônico (haloxyfopmethyl) apresenta solubilidade em água de 9. tabaco. 94 Módulo 3. evitando períodos de estiagem. A ação residual do produto na lavoura é de 30 a 40 dias. pode haver lixiviação do produto. É moderadamente adsorvido pelos colóides do solo. há que observar um intervalo de dez dias entre o emprego de um e outro. com exceção do 2. cenoura. cebola.

kow: 45. se bem que exija doses mais altas de aplicação.16. cenoura. Deve ser aplicado em pós-emergência das plantas daninhas. não prejudicando culturas sensíveis que sejam instaladas no terreno um mês após o tratamento. girassol. Tem uma meia-vida no solo de 4 a 11 dias. algumas vezes rosados ou violáceos. É necessário adicioná-lo à calda adjuvante. café. Estes tecidos são normais. gergelim. eucalipto.1.ona (sethoxydim) apresenta solubilidade em água a pH 4. melão e morango). também. citros. por ser a foliar a principal via de absorção do produto. É um herbicida registrado no Brasil para algodão. colza. As plantas suscetíveis a estes herbicidas perdem a cor verde após o tratamento com estes herbicidas (BRIDGES.0 de 4. Controla gramíneas anuais e algumas perenes. ALMEIDA. Em outros países.700 mg L-1. 2003a).5 – [2-(etiltio)propil]-3-hidroxi-2-ciclohexeno-1.0 de 25 ppm e a pH 7.10 . o que acelera sua absorção. Não prejudica as culturas suscetíveis que sejam instaladas no terreno 30 dias após o tratamento. Módulo 3. 2005). 9). O sintoma evidenciado pelas plantas tratadas é a produção de tecidos novos totalmente brancos (albinos). feijão.2 . pka: 4. exceto pela falta de pigmentos verdes (clorofila) e amarelos (Fig. 4. dependendo das condições climáticas e do tipo de solo. encontra-se em fase de registro para abacaxi. gladíolo. macieira e em hortícolas (batata. banana. para as culturas de alfafa. Apresenta curta persistência no solo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 95 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sethoxydim O 2-[1-etoximina)butil] . e koc médio de 100 mg g-1 de solo (RODRIGUES . é recomendado. amendoim. não sendo prejudicada a ação do sethoxydim por uma chuva que ocorra uma hora depois de sua aplicação. melancia.Herbicidas inibidores de carotenóides Os grupos químicos izoxazolidinona e piridazinonas compõem a classe de herbicidas chamada inibidores de carotenóides. Supõe-se que seja seletivo para todas as culturas que não são gramíneas. como Cynodon dactylon. soja e tabaco. linho e mandioca.

A inibição da enzima IPP (isopentyl pirophosphato isomerase) é o local provável da ação (Abernathy. nas quais ela é destruída (ABERNATHY. arroz. a clorofila não se mantém sem a presença dos carotenóides. esta se torna funcional e absorve energia. 1980). contudo. devido à falta de carotenóides que a protegem da foto-oxidação. passando do estado singlet para o estado triplet. não implica que estes herbicidas inibam diretamente a síntese de clorofila. Devido a este processo. Os herbicidas inibidores destes pigmentos agem na rota de biossíntese de carotenóides. com predomínio do phytoeno. fumo 96 Módulo 3. 1994). que a protegem. cana-de-açúcar.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 – Sintomas de intoxicação de plantas de milho e feijão pelo clomazone. tecidos formados antes da aplicação do herbicida não se mostram brancos imediatamente. que são dois precursores.2 . o crescimento cessa e começam a surgir manchas necróticas. mais reativo. do caroteno (MORELAND. O herbicida clomazone parece ter um único local de ação e não causa acúmulo de phytoeno. 1980). Estes produtos também possuem efeitos sobre a reação de Hill (MORELAND. ela não consegue se manter. 1994). porém. quando os caratenóides não estão presentes. A produção dos novos tecidos albinos. a clorofila que está no estado triplet não dissipa energia e inicia reações de degradação. mas sim de gossipol e hemigossipol. sem cor. pelas plantas tratadas. resultando no acúmulo de phytoeno e phytoflueno. Outras alterações provocadas por estes produtos são: redução da síntese protéica. Assim. Após a síntese da clorofila. anuais e perenes. devido à necessidade de renovação dos carotenóides. Os herbicidas inibidores de pigmento são usados para controle seletivo de plantas daninhas gramíneas. Em condições normais. 1994). O crescimento da planta continua por alguns dias. como resultado da perda da fotoproteção fornecida pelos carotenóides à clorofila (MORELAND. a energia oriunda da forma triplet é dissipada através dos carotenóides.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . O local de ação mais estudado é onde atua a enzima phytoeno desidrogenase. Assim. devido à falta de clorofila. A perda da clorofila é resultado da sua oxidação pela luz (foto-oxidação). A inibição da síntese de carotenóides leva à decomposição da clorofila pela luz. É importante salientar que estes herbicidas não têm efeito sobre carotenóides sintetizados antes da sua aplicação. A inibição desta enzima provoca o acúmulo de phytoeno. perda de proplastídios e degradação dos ribossomos 70S. Desse modo. 1980). eles desenvolvem manchas cloróticas que progridem para necrose (ABERNATHY. dissipando o excesso de energia. e de folhas largas nas culturas de algodão.

O inseticida funciona com “safener” protetor e pode ser usado no tratamento da semente ou em aplicação no sulco de semeadura. e não existem casos registrados de plantas daninhas resistentes (ABERNATHY. O 2 – [(2 . pka: 3. apresentam atividade de solo e podem persistir. O clomazone apresenta alta solubilidade:1. com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas. Controla diversas espécies de plantas dicotiledôneas e algumas gramíneas. 1994). Quando aplicado sobre a superfície do solo.07 e koc variando de 19 a 387 mg g-1 e curta persistência no solo sendo degradado rapidamente por microrganismos (RODRIGUES. 2005). A dose recomendada varia com a cultura e o tipo de solo.3-diona (mesotrione) é um herbicida seletivo de ação sistêmica indicado para o controle em pós-emergência de plantas daninhas na cultura do milho. O mesotrione inibe a biossíntese de caroteníodes. e persistência no superior a 150 dias.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e soja.7 mg L-1. ALMEIDA.isoxazolidinona (clomazone) e o 4-cloro-5(metilamino)-2-3-[(trifluorometil)]fenil-3(H)-m-toluil) piradazinona (norflurazon) translocam-se na planta via xilema. afetando culturas sucessoras. o clomazone e o norflurazon.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 97 .dimetil . Apresenta solubilidade de 168. ALMEIDA. através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenil-piruvato-dioxigenase) nos cloroplastos – classificação nos grupos F2 (HRAC) e 28 (WSSA). Clomazone Norflurazon Esta classe herbicida apresenta baixa toxicidade para animais. pka: zero. causando danos naquelas sensíveis (RODRIGUES.192 mg L-1. A seletividade do clomazone ao algodão pode ser aumentada com adição de um inseticida organofosforado (ABERNATHY.4 . Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis. 2005).2 . Também são empregados em plantas daninhas aquáticas e no controle total da vegetação. pode lixiviar e atingir camadas profundas. No Brasil.3 . 1994). Mesotrione O 2-(4-mesil-2nitrobenzoil) ciclohexano-1. chegando às raízes das culturas. são mais comercializados. koc: 300 mg g-1.clorofenil) metil]-4. Módulo 3. A seletividade às culturas se dá pela translocação reduzida pela destoxificação das moléculas herbicidas.

Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis. Inibe a biossíntese de carotenoides. RODRIGUES. Com exceção da cultura do algodão onde é recomendado em jato dirigido. 98 Módulo 3.0 mg L-1 a 20 °C. 2005). milho. O isoxaflutole pertence ao grupo dos herbicidas inibidores da biossíntese do caroteno. mandioca e algodão para o controle de diversas gramíneas e algumas dicotiledôneas. responsável pela biossíntese da quinona.2 . Apresenta baixa solubilidade em água: 6.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Isoxaflutole O 5-ciclopropil-4-metilsufonil-4-trifluorometilbenzoil)-isoxazole (isoxaflutole) é um herbicida recomendado para as culturas de cana-de-açúcar. e meia-vida média de 28 dias (ALMEIDA. nas demais culturas deve ser aplicado em pré emergência. que é um co-fator chave para síntese de pigmentos carotenóides e para o transporte de elétrons. baixa a média mobilidade nos solos dependendo de suas características ficas e químicas. com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . que são essências para proteger a clorofila contra a decomposição pela luz solar através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenilpiruvato-dioxigenase).

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Francisco Affonso Ferreira Profº. formulação e misturas .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília . metabolismo. José Francisco da Silva Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior . José Ferreira da Silva Profº.ABEAS Universidade Federal de Viçosa .Manejo de plantas daninhas 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .DF 2006 102 Módulo 3.Herbicidas: absorção. formulação e misturas Tutores: Profº.3 . translocação. translocação. metabolismo.Herbicidas: absorção.3 .

126 4.4 .Absorção de herbicidas.2 . 116 2.1 . 130 5. 104 1. 111 1.Misturas de herbicidas.Interações de herbicidas com inseticidas em mistura. metabolismo.Veículo de aplicação (água).1 – Introdução. formulação e misturas 103 . 112 1.Penetração pelo caule.1 . 113 2 . 130 5.4. 131 Referências bibliográficas.2 – Incompatibilidade.3 .2 .1 .1.Tipos de formulações.Metabolismo dos herbicidas nas plantas.Movimento descendente. 117 2. 129 5.3 .3 . 117 2.Interações entre herbicidas. 104 1.Herbicidas: absorção.3 .Translocação de alguns herbicidas. 104 1.Formulações sólidas. 127 4.1 .2 .2. 133 Módulo 3.2 .Interceptação.1.1 .4 .Formulações líquidas.Translocação de herbicidas.1.2. 120 4 – Formulação.Penetração pelas raízes. 128 5 . 127 4.Movimento ascendente.1 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário 1 . 125 4. 118 3 . 129 5. retenção e absorção de herbicida pela folha.Fatores que influenciam a absorção através das raízes.4. 116 2.Mecanismo de absorção de herbicidas.Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas.2 .Conceito de movimento simplástico e apoplástico. 112 1. translocação.

Absorção de herbicidas 1. o simples fato de um herbicida atingir as folhas da planta e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . metabolismo. ou quando.Introdução A atividade biológica de um herbicida na planta é função da absorção.Interceptação.). principalmente quando se deseja controlar apenas algumas plantas. as estruturas jovens das plântulas (radícula e caulículo) e as sementes são as vias de penetração mais importantes para os herbicidas aplicados e. transloque e atinja a organela onde irá atuar. Quando os herbicidas são aplicados diretamente na parte aérea da planta (pós-emergência). O caule (casca) de árvores ou arbustos pode também ser uma via de penetração de herbicidas. metabolizado para exercer sua ação herbicida. transloca até as folhas e. do metabolismo e da sensibilidade da planta a este herbicida e.3 . tubérculos. que serão discutidos no item referente à tecnologia de aplicação. A principal via de penetração dos herbicidas na planta é função de uma série de fatores intrínsecos e extrínsecos (ambientais). também. estolões. as folhas são a principal via de penetração.1 . Os herbicidas podem penetrar nas plantas através das suas estruturas aéreas (folhas. Há necessidade de que ele penetre na planta. formulação e misturas . de estruturas jovens como radículas e caulículo e. incorporados ao solo. quando aplicada ao solo. 104 Módulo 3. Por sua vez. retenção e absorção de herbicida pela folha A absorção foliar de um herbicida requer que o produto seja depositado sobre a folha e permaneça ali por um período de tempo suficiente. pelas sementes. atinge e penetra nos cloroplastos. ou. penetra pelas raízes. ser aplicado no solo onde se desenvolve esta planta não é suficiente para que ele exerça a sua ação. caules. também. Além disso. que influenciam também a translocação destes até o sítio de ação.Herbicidas: absorção. ou. A atrazina. luz. por exemplo. em um reflorestamento. aí. flores e frutos) e subterrâneas (raízes. translocação. etc. A interceptação da gota pulverizada é função do método de aplicação e da distância entre o alvo e o bico do pulverizador. da translocação. Por isso.2 . Por outro lado.4-DB precisa ser absorvido. destruindo-os. até ser absorvido. 1. umidade relativa do ar e umidade do solo). ainda. as raízes. rizomas. se deseja que as cepas das árvores não rebrotem após a derrubada. translocado e. o 2. onde atua. a seus metabólitos. A absorção de herbicidas pelas raízes ou pelas folhas é influenciada pela disponibilidade dos produtos nos locais de absorção e com fatores ambientais (temperatura. ou. a morfologia da planta e as condições ambientais exercem grande influência. dentro de uma população mista.

translocação. por isso. menos sujeitos a lavagem pela chuva. JAKELAITIS et al. As folhas. a forma e a área do limbo foliar. HESS. por exemplo sais de sódio. não penetram rapidamente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A morfologia da planta influencia a quantidade de herbicida interceptada e retida. ELAKKAD. Herbicidas lipofílicos (usualmente formulados como CE ou flowable) são pouco solúveis em água.4-D ester para causar a mesma toxicidade em várias espécies sensíveis (BEHRENS. 1981). o ângulo ou a orientação das folhas em rela¬ção ao jato de pulverização e as estruturas especializadas. células da bainha do feixe. Também o nú¬mero e a abertura dos estômatos exercem pequena influência sobre a penetração dos herbicidas. poros estomáticos. Por exemplo. A chuva pode causar perdas consideráveis de herbicidas das folhas das plantas. A influência da chuva sobre a eficiência dos herbicidas está também relacionada à formulação. mostrando células-guarda. metabolismo. Sais catiônicos (carregados positivamente). como tricomas (pêlos).3 . das condições climáticas e das espécies de plantas envolvidas (BRIDGES. porém são rapidamente absorvidos nos lipídios da cutícula e pouco lavados pela chuva. Após a interceptação. xilema e floema Fonte: Mengel e Kirkby (1982) 105 Módulo 3.Corte transversal de uma folha (esquemático). do método e da tecnologia de aplicação. O corte transversal de uma folha está representado na Figura 1. como o paraquat.4-D amina requer um período muito mais longo sem chuva do que o 2. igualmente. Dentre os aspectos relacionados com a morfologia da planta destacam-se o estádio de desenvolvimento (idade da planta). são recobertas por uma camada morta (não-celular).. são solúveis em água. 2001).. não são absorvidos pela superfície da cultícula e são solúveis em água e podem ser lavados caso ocorra chuva até mais de 24 horas após. cavidade estomática. PIRES et al. Embora em menor proporção. formulação e misturas .. mas são rapidamente absorvidos e. como todas as estruturas aéreas das plantas. 2000. Figura 1 . 2003. 2. denominada cutícula. razão pela qual muitos fatores influenciam. esta existe também nas raízes.Herbicidas: absorção. A perda do herbicida ou de sua atividade depende da ocorrência de chuva (intensidade e duração) neste intervalo. tanto a penetração dos herbicidas pelas folhas quanto pelas raízes. para cada herbicida. deve haver um período crítico sem ocorrência de chuvas até que ocorra absorção de quantidade suficiente deste. Sais aniônicos (cargas negativas). lipofílica.

freqüentemente. 2005). Entre a camada cuticular e a membrana citoplasmática tem-se a parede celular. A composição química do revestimento epicuticular é muito variável entre as espécies de plantas (Quadro 1)..3 . de prato (ou disco). aldeídos. ainda. Esse conjunto. O padrão de superfície da camada cuticular é bastante variável. separando as partículas de cera.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A cutícula recobre todas as células da epiderme da planta. (FERREIRA. ésteres. incluindo as células-guarda dos estômatos e as células que envolvem a câmara subestomática. translocação. et al. cetonas. Figura 2 . a cutícula é recoberta por uma camada de cera.Herbicidas: absorção.Representação esquemática dos principais componentes da camada cuticular e o seu grau lipofílico 106 Módulo 3. Ela pode ter a forma de grânulos. metabolismo. de camadas superpostas e. álcoois. a qual possui grupos de polaridade variáveis (Figura 2). ácidos graxos. etc. Em geral. formulação e misturas . pode ser semifluida ou fluida. Em consequência da variabilidade de seus componentes o grau de polaridade das cutículas varia muito. A camada cerosa que envolve a cutícula é mais rica em compostos menos polares do que a cutina. assim a sua permeabilidade. aumentando. Em presença de água. que é formada de fibrilos de celulose impregnados de pectina. essa camada é uma complexa mistura de alcanos de longas cadeias (21 37 carbonos). A cutina é o principal componente estrutural da cutícula. acredita-se que a cutina aumente de volume (por embebição). Externamente. funcionando como uma resina de troca de cátions. é referido como camada cuticular (Figura 2). porém alguns componentes são comuns.

após atravessar a camada cuticular e a parede celular. sobre a penetração dos herbicidas pelas folhas.0 7.4 6.8 7. A camada cuticular funciona como uma barreira à perda de água e também como uma barreira à entrada de pesticidas e microrganismos na planta. composição química e permeabilidade da cutícula.3 8. a tensão superficial da calda. No momento em que os herbicidas entram em contato com a superfície foliar.6 6.8 8. o herbicida.0 8. tanto os herbicidas polares quanto os não-polares penetram nas folhas das plantas.4 7. etc.0 6.0 7. tanto aos polares quanto aos não-polares. A maior barreira à penetração de um herbicida no citoplasma das células é a membrana citoplasmática.3 . Uma hipótese citada por Klingman e Ashton. formulação e misturas 107 . pode penetrar no citoplasma.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É conhecido o fato de que há uma interação bastante complexa entre a natureza química do produto aplicado e a superfície foliar.2 8.0 6. a polaridade do composto.6 8. As folhas das plantas apresentam muitas barreiras à penetração dos herbicidas.8 6. (1991).2 7.Herbicidas: absorção.2 7.5 6. (1975).0 6. são importantes nessa interação. Módulo 3. citado por Kissmann (1997).5 Fonte: Sandoz Agro Ltda. translocação. podem acontecer os pressupostos que se seguem (Figura 3). através dos plasmodesmas. Apesar das barreiras existentes (como a camada cuticular).Percentagem de compostos apolares e polares e pH do revestimento epicuticular de diversas espécies de plantas daninhas Espécies daninhas Cyperus rotundus Avena fátua Brachiaria plantaginea Cynodon dactylon Digitaria sanguinalis Echinochloa crus-galli Panicum dichotomiflorum Poa annua Sorghum halepense Amaranthus retroflexus Capsella bursa-pastoris Chenopodium album Datura stramonium Ipomoea purpurea Poligonum lapathifolium Portulaca oleracea Senna obtusifolia Sida spinosa Sinapsis arvensis Solanum nigrum Stellaria media Xhathium orientale Compostos NãoPolares 82 10 17 12 37 27 17 29 6 44 32 32 92 32 12 37 7 85 47 88 9 58 Compostos Polares 17 90 82 88 62 72 82 71 93 55 68 66 7 68 86 63 93 14 52 11 91 41 pH 7. Quadro 1 . é que essas barreiras não são totalmente rígidas e distintas. As características da solução aplicada. Existem dois tipos principais de superfícies: uma facilmente molhável (rica em álcoois) e outra de molhagem mais difícil (rica em alcanos). Entretanto.0 7. via simplasto.2 7.0 7. metabolismo. O processo de absorção de um herbicida é complicado em razão da espessura.

temperatura. Para os herbicidas orgânicos.). penetrar na cutícula. ésteres. Schmidth et al. uso de agentes ativadores de superfícies (surfatantes) e outros. (1981) atribuíram isto à maior polaridade da cutina encontrada nas folhas novas.Diagrama hipotético. Figura 3 . metabolismo. etc. Para os herbicidas nãodissociáveis (amidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que variam em função da espécie. a rota hidrofílica. CESSNA. que inclui o movimento no xilema (4) e penetrar na cutícula. Todos esses fatores podem influenciar a absorção de herbicidas. o pH da solução tem pouco ou nenhum efeito sobre a penetração. mas admite-se que os compostos não-polares sigam uma rota lipofílica e os compostos polares. que diferem em estrutura e polaridade. 1991). tamanho das partículas e concentração do herbicida. espessura da cutícula. representando os aspectos: volatilizar e perder para atmosfera ou ser lavado pela chuva (1).3 . Há evidências de que a penetração de herbicidas decresce com o aumento da idade da folha (GROVER. como: potencial hidrogeniônico (pH). a cutícula de folhas nova é mais permeável à água do que a de folhas velhas. A passagem de uma molécula de herbicida através da camada cuticular é um processo físico que pode ser influenciado por uma série de fatores. A absorção de herbicida não está necessariamente relacionada à espessura ou ao peso da cutícula. permanecer sobre a superfície como um líquido viscoso ou na forma de cristal (2). fatores ambientais (luz. mas permanecer absorvido nos componentes lipofílicos da cutícula (3). na parede celular e atingir o interior da célula (pela plasmalema) – é a translocação simplástica. penetrar. translocação.Herbicidas: absorção. cerosidade e pilosidade da folha.esta é chamada translocação apoplástica. 108 Módulo 3. na parede celular e então translocar antes de atingir o simplasto . mas sim à constituição lipídica e ao grau de impedimento da passagem de solutos. umidade relativa). derivados de ácidos fracos. Apesar de a constituição física e química e a espessura poderem ser praticamente a mesma. O exato mecanismo de penetração não é totalmente conhecido para todos os herbicidas. atravessa a camada cuticular. formulação e misturas . que inclui o movimento no floema (5) Fonte: Hess (1995) Uma grande diversidade de herbicidas. o pH mais baixo aumenta a absorção do herbicida. da idade da folha e do ambiente sob o qual a folha se desenvolve. porque reduz sua polaridade.

mais rápida absorção do herbicida. a infiltração pelos estômatos não é possível. translocação. metabolismo. como temperatura do ar. Supõe-se que os herbicidas lipofílicos se solubilizam nos componentes lipofílicos da camada cuticular e se difundem através da cutícula. O grau de impermeabilidade da cutícula pode ser atribuído ao incremento de sua espessura. a cutícula sobre as células-guarda parece mais fina e mais permeável a substâncias do que a cutícula sobre outras células epidérmicas. A umidade relativa do ar tem efeito mais consistente sobre absorção de herbicidas. admite-se que a cutícula tenha estrutura porosa.. dependendo das condições ambientais. A elevação da umidade relativa aumenta o tempo de evaporação da gotícula pulverizada. de duas formas.Herbicidas: absorção. também pode apresentar efeitos negativos devido à maior rapidez do secamento da gota pulverizada. que se mantém hidratada. um intervalo sem chuvas de menos quatro e seis após a aplicação. Condições de alta temperatura e luminosidade. e daí para o citoplasma das células do parênquima foliar. Os estômatos podem estar envolvidos. para o sulfosate e glyphosate. Uma a duas semanas antes da aplicação. ou baixa umidade relativa do ar e umidade do solo. Todavia. Primeiro. Entretanto. aumenta a hidratação da cutícula. à alteração na composição das ceras ou ao aumento na formação de ceras epicuticulares. geralmente promovem a formação de cutículas mais impermeáveis. 1995). formulação e misturas 109 . conseqüentemente. luz e teores de umidade no solo e na planta. A natureza da resposta para as diferentes condições ambientais varia com a espécie vegetal. houve rebrota acentuada da maioria delas. 2001 o glyphosate e o sulfosate apresentam máxima atividade em plantas não-estressadas. respectivamente. a menos que a tensão superficial da solução pulverizada seja muito reduzida pelo uso de surfatantes na formulação ou no tanque do pulverizador.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os fatores ambientais. translocação e grau de detoxificação. a solução pulverizada poderia. Nas plantas estressadas. com a penetração de herbicidas nas folhas. mesmo quando o período sem chuva foi de até seis horas. Alta temperatura pode melhorar a absorção. mover-se através do poro de um estômato aberto para dentro da câmara subestomática. sendo essa água de hidratação da cutícula a rota de penetração destes herbicidas. É difícil ou mesmo impossível afirmar qual dos processos é mais influenciado pelas mudanças nas condições do ambiente. havendo maior absorção dos produtos polares com aumento da umidade (HESS. Segundo Pires et al. influenciam a atividade dos herbicidas nos aspectos de absorção. umidade relativa. favorece a abertura dos estômatos e pode aumentar o transporte de solutos na planta. Em segundo lugar. 1995). comparando pulverizações feitas em plantas de capim-massambará (Sorgum halepense) sem estresse e estressadas. Como os herbicidas atravessam a cutícula? A resposta para essa pergunta ainda não está bem esclarecida. Nestas. em conjunto. tanto a absorção quanto a translocação são menores (HESS.3 . o haloxyfop teve sua atividade reduzida de 92% para 12%. por provocar maior fluidez dos lipídios da camada cuticular e da membrana celular e. em condições de alta luminosidade e estresse hídrico no solo. Nas plantas estressadas (déficit hídrico no solo). foi suficiente para ótimo controle das plantas tratadas. Com relação aos herbicidas hidrofílicos. em tese. provocando a cristalização do herbicida na superfície foliar. A maioria dos Módulo 3.

Os herbicidas são raramente aplicados na forma pura. A estimulação da absorção pode ser causada pelo surfatante adicional ou por outros aditivos presentes nas duas formulações misturadas. 1994). Alguns trabalhos têm demonstrado que esse tipo de surfatante pode aumentar inclusive a translocação relativa do produto aplicado (KNOCHE. 110 Módulo 3. não têm sido suficientemente positivos ou consistentes para adição de tais aditivos na calda de pulverização e para se tornar uma prática recomendada. o surfatante lipofílico é eficiente. A função primária do surfatante é reduzir a tensão superficial da gota. e podem ser catiônicos. No entanto. que têm vários propósitos. melhorando a retenção e o espalhamento desta sobre a folhagem. Em alguns casos o surfatante pode provocar parcial solubilização da cera epicuticular. glyphosate e sethoxydim. do herbicida em questão. proporção de 20% p/v. emulsões. Sulfato de amônio. o desenvolvimento de surfatantes à base de organossilicones proporcionou avanço nesse ponto.. têm sido usados como aditivos nas pulverizações. a melhoria só ocorre se o surfatante também estiver presente. LOADER. Por exemplo. aniônicos ou não-iônicos. No caso do sethoxydim. Diversos produtos químicos. mas preparados em soluções. A adição somente do sal provoca decréscimo da atividade em aveia. contendo parte hidrofílica e lipofílica. na concentação de 1 a 10% (p/v). incluindo picloram. os mais importantes são os agentes ativadores de superfície. para melhorar a penetração ou atividade dos herbicidas aplicados às folhagens. Também podem ocorrer interações negativas entre os dois herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surfatantes atualmente em uso atua aumentando a penetração cuticular e não consegue reduzir a tensão superficial adequadamente para permitir a penetração estomática. provoca efeito antagônico com glyphosate (TURNER. Eles podem também induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal e também aumentar a penetração cuticular.3 . Sulfato de amônio não melhora atividade do paraquat e na. da presença de outros aditivos e das espécies das plantas. ou. Este surfatantes são capazes de reduzir a tensão superficial ao ponto de a infiltração pelo estômato ocorrer. ou surfatantes. translocação. Recentemente. atividade do herbicida. em geral. LOADER. a absorção de um herbicida pode ser influenciada pela presença de outro herbicida misturado na calda. Finalmente. Eles geralmente são compostos de moléculas grandes. Vários autores afirmam que os surfatantes melhoram a penetração e. etc. Os resultados dos experimentos de campo. a atividade do glyphosate é melhorada por surfatantes com alto balanço lipofílico-hidrofílico que pelos surfatantes hidrofílicos que são não-iônicos ou catiônicos (TURNER. Entretanto. no entanto. metabolismo. tem sido usado para melhorar a atividade de númerosos herbicidas. às quais alguns ingredientes são adicionados. quando sulfato de amônio é adicionado à solução. favorecendo mais ainda a penetração do herbicida. a eficiência do surfatante depende de sua natureza. Destes. 1980). 1980). além de surfatantes e óleos. formulação e misturas .Herbicidas: absorção.

3 . o herbicida será mecanicamente introduzido através da casca. Além do mais. rotas importantes para a penetração de herbicidas pelo caule. visando evitar a rebrota das cepas. pendimethalin butylate. e. metabolismo. causa pequenas rupturas na casca. Este processo está sendo implantado em algumas empresas de reflorestamento. Baseado na sua estrutura e composição. que facilitam a penetração de herbicidas. aos herbicidas aplicados na parte aérea.Grupos químicos de herbicidas e exemplos de ingredientes ativos que podem ser absorvidos do solo pelas radículas ou partes aéreas emergentes das plântulas Famílias de herbicidas Acetanilidas Ácidos ftálicos Difeniléteres Dinitroanilinas Tiocarbamatos Exemplo de produto acetochlor. sendo. é um sítio de entrada importante para muitos herbicidas aplicados ao solo que são ativos em sementes e durante a germinação e na emergência das plântulas (Quadro 2). também. além de serem aplicados em altas concentrações (5-10%). usando imazapyr 20 a 30 dias antes da derrubada das árvores de eucalipto. Nas plantas jovens. a barreira que a estria de Gaspary representa na raiz não está presente nestes tecidos. floema).Herbicidas: absorção. butachlor. principalmente os polares. Módulo 3. formulação e misturas 111 . usando-se óleo como veículo. sendo esta uma rota de entrada de herbicidas em muitas espécies de gramíneas. até a região do câmbio (xilema. Quadro 2 .3 . As células do periderma contêm tanino e são altamente suberizadas. tornando-a mais permeável aos herbicidas. eles são preparados em formulações lipofílicas. Alternativa prática mais eficiente seria injetar o herbicida com equipamento próprio com uma pistola injetora. translocação. portanto. Estes produtos são pulverizados ou pincelados no caule da planta. Outros constituintes comumente encontrados nestas células são ácidos graxos. molinate A penetração de herbicidas através da casca de plantas lenhosas é outra opção que pode ser aproveitada na prática. o periderma é um tecido protetor que substitui a epiderme. Entretanto. ou. O caule da plântula durante a emergência tem uma cutícula muito pouco desenvolvida. o periderma deve apresentar baixa permeabilidade à água e. O crescimento do caule. Neste caso. Lenticelas são estruturas que atravessam o periderma.Penetração pelo caule A absorção de herbicidas pode ocorrer pelo caule das plantas jovens (durante emergência) e das adultas. desprovida da camada de cera. alachlor. após a morte de suas células.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. celuloses e terpenos. Para atuação de herbicidas aplicados à casca das árvores. metolachlor DCPA oxyfluorfen trifluralin. lignina. em diâmetro.

1. metabolismo. O sistema radicular das plantas superiores apresenta uma superfície de absorção extremamente grande. A rota mais importante de entrada é a passagem do herbicida junto com a água através dos pêlos radiculares existentes nas extremidades das raízes. principalmente quando o composto é sujeito à ionização. ou. 4). Tem sido observado decréscimo na taxa de absorção de herbicidas devido ao abaixamento da temperatura.4. normalmente. até a zona de absorção das raízes. a água que se move em direção ao xilema deve entrar no simplasto. a penetração de água e solutos. ocorre. seguida por uma fase de absorção mais lenta. depois. o que pode ocorrer pelo crescimento desta ou pela difusão do herbicida no estado gasoso e.Herbicidas: absorção. Na endoderme. Por exemplo. ocorre decréscimo nesta taxa até ela se tornar nula. uma vez que nenhuma camada significativa de cera ou cutícula está presente nas partes das raízes onde a maior parte de absorção de herbicidas ocorre. Nas raízes jovens. todas as paredes radiais contêm uma banda fortemente impregnada com suberina (estria de Gaspary). Embora raízes jovens sejam também cobertas por uma camada cerosa e as mais velhas sejam fortemente suberizadas. tamanhos e solubilidades diferentes são prontamente absorvidos pelas raízes. e esta barreira é conhecida por ser impermeável à água. translocação.Penetração pelas raízes Muitos herbicidas aplicados ao solo são absorvidos pelas raízes. a principal zona de absorção está entre 5 e 50 mm de sua extremidade.Fatores que influenciam a absorção através das raízes A absorção de herbicidas pelas raízes é caracterizada por uma fase inicial de elevada taxa de absorção durante os 30 primeiros minutos até 2 horas. Os pêlos radiculares são responsáveis por aumento significativo da área disponível para a absorção de água e de herbicidas (Fig. em grande parte. em solução com a água. formulação e misturas .3 . a taxa de absorção aumenta rapidamente logo após a aplicação e. Também a concentração hidrogeniônica. para o 2. Na endoderme ou antes dela. O que acontece aos herbicidas nesse ponto não está completamente claro. Esse fenômeno pode.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. há uma barreira lipídica localizada na endoderme da raiz.4 . A disponibilidade dos herbicidas para as raízes é função das propriedades físico-químicas dos herbicidas e do solo e da distribuição espacial destes compostos e das raízes no solo. estar relacionado com a viscosidade da água (sob condições de baixa temperatura) e com reações químicas (absorção ativa). A entrada dos herbicidas pelas raízes não é tão limitada quanto pelas folhas.1 .4-D. passando em seguida à negativa (perda por exsudação). Os herbicidas têm que entrar em contato com a raiz. com alta permeabilidade à água e a solutos (sais). Apesar de não existir nenhuma barreira cuticular na zona dos pêlos radiculares. Muitos herbicidas com estruturas moleculares. Se o herbicida for 112 Módulo 3. próxima à zona de absorção radicular. pode influenciar a absorção de herbicidas pelas raízes.

se difundem nos espaços livres das células da epiderme do córtex da zona de absorção. e acumulação contra um gradiente de concentração. podem ser adsorvidas.Mecanismo de absorção de herbicidas A primeira fase de absorção é independente de energia metabólica. de onde se transloca até seu sítio de ação. Esta fase tem um Q10 maior que a fase inicial e é sensível a inibidores metabólicos. existe uma relação linear entre a concentração do produto disponível e a sua penetração pela raiz. translocação. além do pH da solução do solo. para picloram. dependente da concentração. translocados via xilema. Também atrazine e amitrole tiveram absorção passiva. então.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas absorvido em solução com a água. metabolismo. portanto. dependendo das características do produto. demanda energia. A absorção de herbicidas pela raiz também pode ser limitada por ligações ou adsorção do herbicida nos componentes celulares. Como a Módulo 3. o que geralmente não é o caso da segunda fase. também é ativa ou dependente de energia. Embora alguns trabalhos demonstrem estreita relação entre transpiração e absorção. o pH que aumenta a sua polaridade beneficia também a sua absorção e penetração pelas raízes. ou. é um processo ativo de absorção. Não há dados suficientes para o entendimento completo de mecanismo de absorção de todos os herbicidas.4. segundo Donaldson et. por exemplo. que consiste em atravessar a membrana citoplasmática (plasmalema). Essas condições foram satisfeitas para absorção de 2. absorção bloqueada por inibidores metabólicos. A linearidade é perdida quando o herbicida exerce efeito tóxico sobre a planta. ele pode penetrar no floema e. entretanto. De modo geral. pelas raízes. Quanto à concentração do herbicida.3 . inicialmente. portanto. atrazine e napropamide. 1. a corrente transpiratória correlaciona-se com o transporte destes para a parte aérea da planta. alta temperatura do solo e alto potencial de água no solo são condições que favorecem a transpiração e.4-D. taxa de absorção não é função linear da concentração externa. al. A segunda fase da absorção. baixa umidade relativa do ar. mas não o foram para monuron. Alta temperatura e irradiância. (1973) a taxa de absorção de herbicida correlaciona-se com o coeficiente de partição óleo/água. A correlação entre transpiração e absorção é válida para os herbicidas polares. a energia necessária à manutenção da seletividade da plasmalema é inibida. conseqüentemente. Uma vez dentro do citoplasma das células. podendo. é um processo passivo a puramente físico e. mas hiperbólica. Sendo os herbicidas. também. em geral. Também as propriedades físico-químicas dos herbicidas. Triazinas e uréias. o produto atravessá-la livremente. indicando que o 2. inibidores metabólicos. (1973) listam os seguintes critérios para a absorção ser ativa ou dependente de energia: Q10 ≥ 2. no xilema. Donaldson et al. prontamente absorvidos pelas raízes. em parte. sendo os herbicidas mais lipofílicos absorvidos mais rapidamente.Herbicidas: absorção. a absorção de herbicidas polares. dentro de determinados limites. estabelecendo um gradiente de concentração entre a parte externa da raiz (solução do solo) e a interna da planta (corrente de assimilados). como lipofilicidade e pka.2 .4-D é acumulado ativamente e o monuron. há evidências contrárias. formulação e misturas 113 .. passivamente. requerimento de oxigênio. influenciam a absorção. apresentando baixo Q10. existem herbicidas não-polares que são. Os herbicidas solúveis na água. Para os herbicidas polares. Até aí. A segunda fase de absorção.

formulação e misturas . x . há tendência de aqueles herbicidas que são capazes de passar livremente do floema para o xilema serem de baixa ou nenhuma translocação via floema.Moléculas de herbicidas capazes de penetrar no xilema e. • .Herbicidas: absorção. Figura 4 . e há várias explicações para isso. difundem-se através das estrias de Caspary e atingem o xilema. metabolismo. por Mengel e Kikby (1982). partição nos lipídios do citoplasma ou metabolismo a produtos polares que 114 Módulo 3. floema por ambas as vias (simplásticas ou apoplásticas).Moléculas de herbicidas capazes de entrar no protoplasma via simplasto (passam de célula em célula através dos plasmodesmatas) e atingem o floema. mostrando suas principais estruturas. (b) Diagrama hipotético. translocação. representando a absorção de herbicidas pelas raízes Durante a fase de absorção dependente de energia. o . ou. os herbicidas podem ser acumulados contra um gradiente de concentração.(a) Secção transversal de uma raiz.Moléculas de herbicidas capazes de penetrar nas paredes celulares translocam-se via apoplasto. Estas incluem ligações nos tecidos do citoplasma.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas translocação via xilema é muito mais rápida que a translocação via floema.3 .

como 2. onde. provavelmente. translocação.4-D.Herbicidas: absorção. Várias classes de importantes compostos.3 . correspondendo à zona de absorção. como os derivados do ácido fenóxico acético.4-D. os ácidos fracos se dissociam mais e entram no citoplasma. A exsudação é um fenômeno limitado apenas às raízes integrais (sem cortes) e vivas. impedem a ação seletiva desta. 2. Normalmente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas são menos hábeis para se difundir através da plasmalema. são exsudadas pelas raízes. podendo ser um dos fatores responsáveis pela tolerância desta ao herbicida. Esta é a explicação alternativa para a acumulação de ácidos fracos. quando aplicadas nas folhas das plantas. formulação e misturas 115 . A exsudação também está relacionada com a detoxificação da planta.Acumulação de herbicidas (ácidos fracos) no interior da célula (a) e sítios de dissociação dos herbicidas (b): bentazon. fenilacético. Figura 5 . chlorsulfuron. acumulando-se no interior da célula (Figura 5). Essas moléculas dissociadas (ânions) são menos capazes de atravessar a plasmalema do que as moléculas neutras. evidenciando que ela se dá por processo metabólico. Os herbicidas não-polares seguem uma rota lipofílica até atingirem a plasmalema. metabolismo. Uma vez que o pH no citoplasma é uma a duas unidades maior que o pH do meio externo da célula. A zona da raiz mais ativa na exsudação é a zona de alongamento. os produtos de maior afinidade por substâncias lipofílicas (lipofilicidade) atravessam mais facilmente a plasmalema. imazethapyr e sethoxydin Fonte: Stelling (1994) Módulo 3. benzóico ou picolínico.

considerando que não é fácil atingir toda a superfície foliar de uma planta. que são as membranas citoplasmáticas. etc. etc. aquelas plantas que são capazes de se regenerar através de bulbos. Transporte a longa distância ocorre através dos tubos crivados (floema). Muitos herbicidas são absorvidos pelas raízes ou pelas partes subterrâneas do caule e são translocados para outras áreas. para que produza controle eficiente.Translocação de herbicidas Há várias razões pelas quais é importante o estudo de translocação de herbicidas. em dois sentidos. necessitam que determinada quantidade do produto seja capaz de translocar e atingir estes orgãos de recuperação. formando um conjunto contínuo através das intercomunicações do citoplasma. sem atravessar as barreiras à permeabilidade. os quais formam um sistema contínuo no qual a água e os solutos se movimentam livremente. metabolismo. de onde são transpostos para o floema. e tendo em vista que há diferença de penetração de herbicida nas diferentes posições da parte aérea da planta. Entretanto. que não são capazes de se regenerar através de seus órgãos subterrâneos. citados por Hay (1976).contrariamente ao simplasto. para exercerem a sua efetiva ação herbicida. Plantas jovens. Apoplástico . 116 Módulo 3..foi definido por Crafts e Crisp. a translocação é também de grande importância. Para a maioria dos herbicidas aplicados ao solo. é formado pelo conjunto de células mortas. como visto a seguir.3 . com velocidade de 60 a 100 vezes maior que o movimento no sentido radial. Por outro lado.1 . quando ocorre completa cobertura da parte aérea pela calda herbicida pulverizada. como ponto de crescimento. formulação e misturas . os espaços intercelulares e o xilema. estolons.Herbicidas: absorção. conseqüentemente. como a massa total de células vivas de uma planta. podem ser mortas por herbicidas de contato.Conceito de movimento simplástico e apoplástico Simplástico . basicamente. O movimento de solutos e assimilados no interior das plantas superiores pode ser definido. O floema é o principal componente do simplasto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . 2. rizomas. Se a translocação de um herbicida pode ser aumentada. o aumento na translocação de um produto aumentará a sua eficiência. cloroplastos. translocação. incluindo as paredes celulares. até atingirem as células companheiras. principalmente de arbustos e árvores. Íons e moléculas podem movi¬mentar-se de célula para célula através dessas estruturas. tubérculos. então as doses aplicadas deste produto podem ser reduzidas. denominado plasmodesmas. menores serão os custos de aplicação e os riscos de causar prejuízos ao meio ambiente. em 1971.

de alguma forma ainda não definida.1 . flores e frutos em desenvolvimento. Substâncias fotossintetizadas nas folhas da base da planta são transportadas para as raízes.Herbicidas: absorção. para se translocarem das folhas para a parte superior da planta.1. antes de alcançar os vasos menores do floema.3 . A hipótese do transporte pelo fluxo de massa envolve uma corrente de solutos movendo-se da fonte (folhas. primeiro. As células com protoplasma muito denso e com pontuações na parte interna da parede celular permitem maior superfície de contato entre o sistema simplástico e o apoplástico. formulação e misturas 117 . Os assimilados. Estas células são conhecidas como células de transferências e parecem funcionar no carregamento dos vasos do floema e na transferência do floema para o xilema. 2. mas somente as células companheiras estão diretamente ligadas ao floema. à medida que se distancia da fonte. assume-se que esse movimento ocorra à custa de energia metabólica. A alta pressão de turgor. translocação. metabolismo. Parte dessa distância ocorre pelo sistema apoplástico. estão envolvidas no fluxo de carregamento destes vasos. que a estria de Gaspary não está presente nos ápices Módulo 3. na endoderme. conseqüentemente. das células de transferência e das células companheiras estão diretamente intercomunicados. As folhas. em direção contrária ao gradiente de concentração. são um dreno e.5 vezes o diâmetro da célula. após o que podem subir pelo floema ou penetrar no xilema e se translocar com a corrente transpiratória. O movimento para dentro do floema (carregamento) deve ser um processo ativo. supunha-se que as substâncias (íons ou moléculas) rompiam essa barreira e penetravam no sistema simplástico das células. força o fluxo em massa do conteúdo nele existente. hoje. Acredita-se que herbicidas e outras substâncias se movimentem juntamente com esse fluxo.2 . principalmente sacarose) dentro dos vasos. no entanto.Movimento descendente Os assimilados e solutos se movem a uma distância média correspondente a 2. nestes vasos. quando amadurecem. porém o mecanismo desse carregamento. Sabe-se. causando elevação do potencial osmótico e. O movimento por esta rota para o interior da raiz é bloqueado pelas paredes longitudinais das “estrias de Gaspary”. que acompanham as células do floema.Movimento ascendente Íons e moléculas podem difundir-se pelos espaços intercelulares e paredes celulares do córtex. se transformam em uma fonte. As células companheiras e as células parenquematosas. é ainda desconhecido.1. Contudo. suporta essa teoria. enquanto as produzidas nas folhas da parte superior da planta são transportadas para as folhas novas e os brotos terminais.O decréscimo da concentração dos assimilados ao longo dos vasos. penetração de água dentro destas células. caules ou outros órgãos fotossintetizantes) para o dreno (áreas meristemáticas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. raízes e tecidos ou órgãos de reserva). Citoplasmas das células do mesófilo. Uma vez que estes assimilados se movem para dentro desses vasos. que descer até atingir o caule. para muitas substâncias. A teoria do transporte pelo fluxo de massa baseia-se na elevação da concentração de assimilados (açúcares. têm. inicialmente.

Em geral. é rapidamente absorvido e translocado para todas as partes da planta. o que pode representar importante rota de passagem dos herbicidas do apoplasto para o simplasto. 10 vezes mais tóxico às raízes que o 2. podendo. talvez por inibir o movimento junto à corrente transpiratória. Derivados do ácido fenóxico .4-D. semelhante ao 2. até certo ponto. pelo sistema simplástico. principalmente. a concentração do produto diminui nas raízes e nas folhas fotossintetizadoras e se concentra nas regiões meristemáticas desta. translocação. ele se acumula nos pontos de crescimento. A sua pequena acumulação nas raízes está.3 . no sentido descendente.Herbicidas: absorção. Se o produto é aplicado nas folhas. Ele transloca-se. Apesar de se translocarem no sentido descendente. que é a striga (erva-debruxa). o picloram é. Pequena acumulação ocorre nas raízes. Se a planta é retirada da solução com herbicida e colocada numa solução sem herbicida. pode danificar a cultura quando ele for injetado em algumas espécies que são capazes de excretá-lo através de suas raízes. também ocorre acumulação nas folhas jovens.4-D. Essas substâncias podem.4-D move-se do floema para o xilema e retorna à folha tratada. Aplicado nas folhas do milho. pelas raízes. indicando ser este um processo que requer energia.3 . ele se transloca até as raízes e. O uso deste herbicida no raleamento de floresta. para folhas e pontos de crescimento da planta.Translocação de alguns herbicidas Dicamba . podendo causar danos às plantas adjacentes às tratadas. então. aproximadamente. em grande proporção.3. ou. Apesar de apresentar pequena acumulação na raiz. ser absorvido por plantas vizinhas não-tratadas.4-D.parece movimentar-se prontamente em ambos os sistemas (apoplásticos e simplásticos). A morte ou injúria das raízes reduz a sua exsudação. A elevação da umidade relativa pode aumentar o movimento descendente do 2. Aplicado nas folhas das plantas. sendo exsudado. Aplicado nas raízes ou nas folhas.6-TBA . O 2. CIAMPOROVÁ. ou vazar para o xilema parenquimatoso e ser transportadas no sentido acrópeto pela corrente transpiratória. espalhando-se rapidamente por toda a planta. 2. nos pontos de crescimento e nas raízes. as condições ambientais favoráveis à transpiração (umidade relativa baixa.os representantes deste grupo translocam-se pelo floema e. visando reduzir o sombreamento de culturas como o cacau.quando aplicado em solução nutritiva. pode ser exsudado pelas raízes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas radiculares de células endodérmicas jovens e na região basal das raízes laterais em desenvolvimento (LUXOVÁ. neste caso. 2. 1992). não se acumulam na raiz por causa do fenômeno da exsudação. pode controlar uma séria invasora do milho. mover-se de célula para célula. relacionada com sua exsudação por elas. 118 Módulo 3. apesar de ser bastante móvel no sentido basípeto da planta. xilema e acumulam-se nos pontos de crescimento (tecido meristemático). Exsuda-se. formulação e misturas . Picloram .é altamente móvel na planta. A presença de folhas jovens na planta aumenta a translocação do produto para as raízes. elevadas temperaturas e adequado suprimento de água no solo) são também favoráveis à translocação dos produtos que se movimentam pelo sistema apoplástico.1. A adição do ácido 2-cloroetil-fosfônico (ethrel) ao dicamba aumenta a sua translocação. metabolismo.

Quando aplicadas às raízes das plantas.os derivados da uréia substituída são translocados exclusivamente via apoplástica. principalmente quando aplicados durante o dia. concentrando-se nas extremidades das folhas. em solução nutritiva. Outros autores admitem que a translocação ocorrida na planta seja por difusão causada pelo rompimento das células. como metribuzin. como herbicidas não translocáveis nas plantas. formulação e misturas 119 . em razão de sua rapidez de ação. na prática. inicialmente. onde inibem a síntese de aminoácidos.Herbicidas: absorção. os cloroplastos. parece que ele atinge o xilema antes de necrosar o tecido e se move com a corrente transpiratória tão logo a planta seja exposta à luz. sob forte intensidade luminosa. Aplicados às folhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Uréias . A sua velocidade de ação é proporcional à intensidade luminosa. Triazinas .a maioria das triazinas são mais facilmente absorvidas pelas raízes. onde atuam. onde. por causa do fechamento dos estômatos (redução na taxa de transpiração). Assim. A taxa de absorção decresce algum tempo após a aplicação. Módulo 3. a translocação da folha para o caule parece não estar relacionada com a lipofilicidade. em menor proporção. atingindo. Ocorre paralisação da translocação em aveia uma hora após o tratamento. caules e raízes e se trans¬locam via floema ou xilema até os pontos de crescimento. aparecem os sintomas de toxidez. As triazinas também se acumulam em glândulas ricas em óleos. mas pouco ativo em Avena fatua. principalmente diuron. Bipiridílios – são considerados. A diferença de translocação do imazaquin pode ser a causa das diferenças na susceptibilidade entre as espécies. Aplicados às raízes. porém se translocam apenas do ponto de aplicação para as extremidades da parte da planta onde foram aplicadas. Os estômatos fecham-se porque o herbicida. são também absorvidas pelas folhas. ao inibir a fotossíntese. Algumas. de alguma forma. dentro de 30 minutos elas podem ser detectadas no topo da planta. que é concentrada nos tecidos meristemáticos. sendo todas elas translocadas exclusivamente via xilema. Alguns trabalhos mostram que a translocação é aumentada pela redução da umidade relativa (elevação da transpiração). fluometuron e linuron. penetram no simplasto. a pequena translocação do produto ocorre pelo sistema apoplástico. Na prática. ametryn e atrazine. mais rápida é absorvida pelas raízes e mais rápida é a translocação para o caule. enquanto a translocação no milho continua por muito tempo. O sítio de ação dos herbicidas deste grupo é a enzima AHAS (ácido aceto hidroxi sintase). espalham-se por toda a planta. Imazaquin é muito ativo no milho. promove o acúmulo de CO2 na câmara subestomática. Fatores que reduzem a transpiração da planta reduzem também a sua translocação. Aparentemente. A translocação das raízes para os caules parece estar relacionada com a lipofilicidade das imidazolinonas. eles não se translocam de uma folha para outra. Altas concentrações destes produtos são encontradas em glândulas ricas em óleo (verdadeira barreira à translocação destes herbicidas) localizadas ao longo do caule e nas folhas da planta. quanto mais lipofílica for a imidazolinona. portanto. Imidazolinonas . eles são considerados herbicidas de contato. metabolismo. Quando o paraquat é aplicado no escuro. translocação. em plantas de algodão. principalmente.3 .estes herbicidas são absorvidos por folhas. são bastante toleradas pelos citros e pelo algodão. Algumas uréias. principalmente nos cloroplastos. Entretanto. Contudo.

Derivados dos ácidos fenóxicos Há três mecanismos básicos envolvidos no metabolismo dos derivados do ácido fenóxido acético (Figura 6): • degradação da cadeia do ácido acético.6 T. ácido glutâmico. A transferência do cloro da posição '4' para a posição '3' e a passagem do cloro da posição '5' para posição ‘6’ do 2. mas.4-D). o estudo de seus metabolismos é relativamente recente. formulação e misturas . também o inativam. leucina. É muito importante saber se o herbicida é metabolizado ou não. alanina. Normalmente. Embora os herbicidas venham sendo usados há mais de 50 anos. conhecer os seus metabólitos e a forma como são metabolizados. aminoácidos também são mecanismos de inativação do 2.4-DB também é metabolizado por algumas plantas (Figura 7).4-DB → β oxidação → 2. A maioria das plantas degrada a cadeia do ácido acético. na passagem do cloro de uma posição para outra.5 T. A hidroxilação na posição ‘3’ e a sua conseqüente conjugação com glucose e. metabolismo o da molécula é uma das principais causas da seletividade. transformando-se em composto tóxico (2.4-D. translocação. Os compostos geralmente encontrados em conjugação com 2. também.: auxínicos. Uma das maneiras pelas quais as plantas se livram destes produtos é através do metabolismo destes.Herbicidas: absorção. com conseqüente conjugação desta hidroxila com constituintes da planta. na planta. causando a inativação do herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . como a alfafa. há hidroxilação na posição anterior do cloro. incluindo absorção. etc.4-D são: ácido aspártico. e • conjugação do composto com constituintes da planta. mas somente algumas espécies o degradam em velocidade suficientemente rápida para aumentar ou proporcionar a sua tolerância ao produto. aqui.4. ou. 120 Módulo 3. metabolismo. o toleram. É importante saber não só que o herbicida é metabolizado. inibidores da ALS e da ACCase). na época da colheita das estruturas utilizadas para a alimentação. translocação.3 .3. As agências governa¬mentais estabelecem limites de tolerância de resíduos dos produtos na planta. Tratar-se-á. fenilalanina e triptofano. A hidroxilação na posição ‘para’ inativa o produto.Metabolismo dos herbicidas nas plantas A seletividade dos herbicidas pode ser atribuída a numerosos fatores. metabolismo. Algumas leguminosas. valina. • hidroxilação do anel aromático. O 2. do metabolismo dos herbicidas nas plantas apenas em relação à sua detoxificação. Para vários grupos de herbicidas (ex. formando o 2.

translocação.4-DB a 2. A taxa de degradação das triazinas em plantas superiores varia grandemente com as diferentes espécies.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas porque não o transformam em 2. principalmente gramíneas como milho. dando tempo para que outros processos metabólicos realizem a sua degradação. formulação e misturas 121 . Em espécies tolerantes. metabolismo.4-D em plantas superiores Figura 7 – β oxidação do 2.4-D ou o fazem muito lentamente.Herbicidas: absorção.3 .4-D em plantas superiores Triazinas Algumas plantas.Biotransformação e rotas metabólicas do 2. enquanto em espécies suscetíveis (feijão e pepino) a degradação Módulo 3. sorgo e cana-de-açúcar. antes da saturação dos sítios de ação do produto. elas são rapidamente degradadas (Figura 8). são altamente tolerantes às clorotriazinas (atrazine e simazine). Figura 6 .

A substância catalisadora dessa reação foi identificada como benzoxazinona.3 . a base de seletividade destes herbicidas às plantas. Glutation-Stransferase é a enzima envolvida nessa conjugação. Também pode ocorrer conjugação das triazinas com peptídeos. metabolismo. formulação e misturas . a taxa de degradação das triazinas parece ser. Esta substância ocorre em toda a planta de milho. demetoxilação e dealquilação na posição ′N′ e por conjugação com peptídeos. o que favorece a tolerância das plantas a estes herbicidas. Extratos das raízes e da parte aérea do milho são capazes de hidroxilar as clorotriazinas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas é mais lenta. Figura 8 . 122 Módulo 3.Biotransformação e rotas metabólicas de atrazine em plantas superiores Os processos de inativação ocorrem pela hidroxilação.Herbicidas: absorção. indicando que nestas a benzoxazinona é mais ativa. mas a hidroxilação é mais intensa nas raízes. Portanto. O metabolismo do metribuzin nas plantas superiores pode ser observado na Figura 9. primariamente. A N-dealquilação é outra rota do metabolismo das triazinas. translocação.

a ruptura do anel. ou. Propanil É uma exceção entre as amidas.Herbicidas: absorção.3. não se demonstrou. É um produto não-seletivo e de elevada eficiência no controle de plantas daninhas perenes. Entre os compostos deste grupo. incluindo as de raízes profundas. metabolismo. o 2. Entretanto. translocação. Derivados da uréia As principais rotas do metabolismo das uréias substituídas estão relacionadas com a demetilação e. É considerado um herbicida completamente metabolizado pelas Módulo 3. o propanil inibe o fotossistema II. Enquanto estas inibem raízes e pontos de crescimento. demetoxilação e deaquilação.6-TBA é considerado um herbicida estável. formando a correspondente anilina. tanto na planta quanto no solo. ainda. formulação e misturas 123 .3 .Biotransformação e rotas metabólicas do metribuzim em plantas superiores Derivados dos ácidos benzóico A hidroxilação do anel aromático e a sua conjugação com outros constituintes da planta são demonstradas na prática. e também com a conjugação com os constituintes da planta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 .

razão pela qual o arroz é tolerante e o capim-arroz.3 . A velocidade de sua metabolização influencia decisivamente a tolerância da planta. como o capimarroz. sensível. metabolismo. principalmente com diversos tipos de carboidratos. translocação. por causa de sua lenta degradação. Nas plantas sensíveis. A enzima envolvida nesse processo (arilacilamidase) é 10 a 20 vezes mais ativa no arroz que no capim-arroz.4-D é mais ativo que o picloram. formulação e misturas .Hidrólise do propanil em plantas de arroz O metabólito 3-4-dicloroanilina formado pode ser conjugado com constituintes da planta. mostraram que somente 17% do picloram tinha sido metabolizado três meses após a sua aplicação. observou-se que o 2. Comparando a atividade do 2. O 3-4-diclorolactoanilida é um composto intermediário e instável nas plantas tolerantes. A sua alta atividade como arbusticida e arborecida está relacionada com a sua estabilidade na planta.4-D com a do picloram (em algumas espécies de plantas latifoliadas). Figura 10 . Esta enzima é sensível aos inseticidas carbamatos e fosforados orgânicos. Entretanto. por unidade de tempo.Herbicidas: absorção. Trabalhos realizados por Redemann e outros. 124 Módulo 3. podendo a mistura do propanil com estes compostos causar sensível redução na tolerância do arroz ao propanil ou até perda total de seletividade do propanil a essa cultura. Picloram: É um produto altamente estável na planta e no solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantas tolerantes (Figura 10). o picloram é mais de 10 vezes mais ativo. citados por Foy (1976). em trigo. considerando-se o tempo de ação. ele se acumula e inibe a reação devido à menor atividade da enzima que o degrada. como o arroz.

molhantes (permitem rápida umectação do produto em contato com a água). é uma formulação universal que possa ser usada em diversos países. Os óleos não-fitotóxicos também têm grande uso como adjuvante. que não alteram o equilíbrio eletrolítico nas formulações e nas caldas. Os surfatantes são classificados de acordo com sua carga elétrica ou tendência de ionizar a porção hidrofílica da molécula. que é acrescida na preparação de defensivos para facilitar a aplicação ou aumentar a eficiência ou diminuir os riscos é classificada como adjuvante. Os surfatantes ou tensoativos são também adjuvantes. vegetais (apresentam porções variadas de ácidos graxos) e vegetais metilados (sofrem esterificação metílica). Estes compotos causam redução da tensão superficial. formulação e misturas 125 . é comercializado em formulações diferentes em várias regiões do mundo. A formulação é a etapa final da industrialização. exceto água. tendo em vista que o produto final deve ser usado em determinadas condições técnicas de aplicação. seja como molhantes. espalhantes. às vezes. metabolismo. adesivos.3 .Formulação Formular um herbicida consiste em preparar seu ingrediente ativo na concentração adequada. translocação. catiônicos (carregados positivamente) e não-iônicos (neutros). mas a tendência atual. Na legislação federal sobre produtos fitossanitários. Eles podem ser aniônicos (carregados negativamente). O mesmo ingrediente ativo. Qualquer substância ou composto sem propriedade fitossanitária. Entre as classes de adjuvantes podem-se citar: emulsificantes (compatibilizam frações polares e apolares). também. ingrediente ativo é o composto com atividade biológica. penetrantes. 1997). adicionando substâncias coadjuvantes. no Brasil.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . pelos estômatos. tamponantes (deixam o pH dentro de uma faixa desejada). adesivos (melhoram a aderência do produto com a superfície tratada). que são capazes de reduzir muito a tensão superficial e até induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal. servindo de interface entre as superfícies. e surfatantes (agentes ativadores de superfície). e os ingredientes inertes são os outros compostos adicionados na formulação. Eles podem ser: minerais (formulados com predominância de frações parafínicas de hidrocarbonetos).Herbicidas: absorção. Módulo 3. solventes (dissolvem o ingrediente ativo). quelatizantes (tiram reatividade de moléculas e íons). ou. Recentemente surgiram os surfatantes à base de organossilicones. Os minerais também podem servir como veículo para aplicação de herbicidas. espessantes (aumentam a viscosidade). para poder cumprir eficazmente sua finalidade biológica. segundo Kissmann (1997). corantes (dão coloração ao produto formulado). dispersantes (impedem a aglomeração de partículas). mantendo essas condições durante o armazenamento e transporte (ARAÚJO. antievaporantes e. fazendo com que o herbicida penetre. por possuírem porções lipofílicas e hidrofílicas na mesma molécula.

3 . também.Herbicidas: absorção.2 71. aumentam a retenção e melhoram o contato da gotícula. Quadro 3 . Um exemplo claro dessa ação ocorre com os compostos catiônicos (paraquat e diquat). translocação. 1997). que deve ser de boa qualidade.4-534.0 > 534. assumir conotações negativas em certos casos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Além da redução da tensão superficial. favorecer mais a penetração do herbicida (RADOSEVICH.0 126 Módulo 3. no mínimo. segundo Ozkan (1995). e não afetar os microrganismos benéficos e a cultura. deve apresentar bom espalhamento.4 320.4-320.4 142. como sendo fitotóxicos. Deve também permitir a associação de produtos. possível injúria na cultura. 1997).Classes de dureza da água Classes Água muito branda Água branda Água semidura Água dura Água muito dura ppm de CaCO3 71. perigo de deriva e lixiviação. os surfactantes favorecem o espalhamento uniforme da calda na superfície foliar. Além disso. causando desnaturação enzimática ou disfunção das membranas e. permanecer ativa por um longo período. e penetração foliar eficiente. boa retenção na superfície da folha. custo. especialmente os de Ca++ e de Mg++. Os sufatantes podem. que são inativados parcial ou totalmente. tem que ser compatível. formulação e misturas . necessidade de armazenagem e tipo de ambiente em que a aplicação é feita. podem solubilizar substâncias não-polares da folha. A escolha da formulação a ser usada baseia-se. ou seja. danosa a ela. por diminuírem ou eliminarem a seletividade de alguns herbicidas e até favorecerem ataques de fungos pela remoção da camada cerosa protetora ou por espalharem os esporos pela superfície vegetal (Kissmann. Argilas e compostos orgânicos em suspenão na água podem absorver alguns tipos de ingredientes ativos. A água quase sempre apresenta sais em dissolução. Também. nos seguintes fatores: características físicas e biológicas da planta daninha-alvo. tanto física (sem absorção ou repulsão entre os ingredientes) como química (sem alteração dos compostos) ou biologicamente (a mistura deve ser eficiente para o controle) e ser estável. caso esta já esteja instalada. Deve-se salientar que essa dureza é calculada em função do teor de CaCO3 .1 . Uma formulação de herbicida pode ser considerada de boa qualidade se atender aos seguintes requisitos: ser letal à planta daninha ou. tornando-os indisponíveis.2-142. assim. equipamento de aplicação disponível.Veículo de aplicação (água) O veículo mais importante para diluir formulações de produtos fitossanitários a serem aplicados por pulverização ou imersão é a água. 4. que são os principais causadores da dureza da água. metabolismo.

Tipos de formulações As formulações apresentam-se. Geralmente.ingredientes ativos à base de ácidos ou sais podem reagir na presença dos cátions Ca++ e Mg++ .Formulações sólidas Pó molhável (PM): esta formulação é definida pela ABNT como formulação sólida de pó. que representa água semidura. Grânulos dispersíveis em água (GRDA ou dry flowable): é uma formulação sólida constituída de grânulos. o que reduziria a tensão superficial dos líquidos. com possíveis substituições e formações de compostos insolúveis. no produto comercial. cuja velocidade depende do pH. antes da aplicação. maior concentração de Módulo 3. etc). para aplicação. Outro fator muito importante que pode influir na estabilidade dos herbicidas e nos resultados é o pH da água. Adiciona-se geralmente uma substância dispersante.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A dureza da água interfere na qualidade das caldas dos herbicidas de duas maneiras: Nas formulações . A dureza da água pode ser corrigida. sob a forma de suspensão. podem sofrer degradação por hidrólise. Muitos produtos que ficam preparados em água por muito tempo. 700 g kg-1 de metribuzin). as caldas fitossanitárias apresentam mais estabilidade numa faixa de pH entre 6. o que isolaria a carga elétrica e suprimiria a reatividade de íons desta.na presença de tensoativos aniônicos contendo Na+ ou K+. para evitar floculação e aumentar a establilidade da suspensão. formando compostos insolúveis. transformase numa suspensão. basicamente. É obtida pela moagem do ingrediente ativo absorvido em material inerte (sílica. Geralmente. precisa-se de uma agitação contínua no tanque. após dispersão em água. de duas maneiras: acrescentando um surfatante não-iônico. vermiculita.Herbicidas: absorção. Muitas moléculas sofrem dissociação quando em solução. Possui a vantagem de ter. descaracterizando sua ação biológica. Durante a aplicação.0 e 6. com conseqüente perda da função desses surfatantes.2 .3 . translocação. os elementos responsáveis pela dureza da água Ca++ e Mg++ podem substituí-los. segundo Kissmann (1997). Nos ingredientes ativos . formulação e misturas 127 . para aplicação sob a forma de suspensão após desintegração e dispersão em água. Pó solúvel (PS): nesta formulação o ingrediente ativo é totalmente solúvel em água. O ingrediente ativo sólido está na forma de grânulos. e a constante de dissociação também é dependente do pH. não requerendo agitação durante aplicação. As indústrias geralmente já formulam seus produtos para serem compatíveis com 20 até 320 ppm de carbonato de cálcio. adicionado em água.1 . Valores extremos de pH podem afetar a estabilidade das caldas. ou acrescentando um quelatizante na água. 4. e este. nas formas sólida e líquida.5. possui 50 a 80% de ingrediente ativo (ex: Sencor BR. 4.2. metabolismo.

acetona. VALE. que pode conter outro(s) ingrediente(s) ativo(s) para aplicação após a diluição.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas princípios ativos. requerendo. para aplicação após diluição em água. 1997) (ex. para aplicação após a diluição em água. a baixa toxicidade e o fácil manuseio (ex. Microemulsão: é um caso específico de emulsão. Como vantagens estão a ausência do pó. dissolvido no solvente. Concentrado emulsionável (CE): é uma formulação líquida homogênea.2 . podem ser aplicados em locais de difícil acesso. translocação. Emulsões são sistemas termodinamicamente instáveis que consistem em dois líquidos imiscíveis. etc. Pellets ou pastilhas: possuem ampla similaridade com os granulados. e do solvente. A solubilidade mínima necessária é de 12%. ele deve ser solúvel em pelo menos 25% por litro do solvente. adiciona-se geralmente um surfatante (ex. Esta formulação contém as fases ‘oleosa’ (contendo o ingrediente ativo e o solvente orgânico surfatante) e ‘aquosa’ (que também pode conter 128 Módulo 3. dispensam o uso da água. formulação e misturas .2.: Dual 960 CE.: DMA 806 BR. Devido à sua pouca penetração foliar. permanece por longos períodos em suspensão (mistura mais homogênea) e provoca menos desgaste nos bicos (ZAMBOLIM. Em geral. têm maiores custos e dependem de equipamentos adequados para aplicação e de umidade no solo para liberar o ingrediente ativo (ex. 4.: Podium.Formulações líquidas Soluções (S): esta mistura é de natureza homogênea. composta do soluto. 200 g kg-1 de molinate). basicamente. 4-D). constituída de uma dispersão estável de ingredientes ativos na forma de partículas sólidas e de finos grânulos na fase aquosa. e de princípio ativo. Possui maior penetração foliar.3 . Neste tipo de formulação. Seu processo de obtenção é o mais simples e barato.: Karmex 500 SC. Para que um produto seja formulado como solução. o princípio ativo sólido (micropartículas) é mantido suspenso em água. 960 g L-1 de metolachlor).: Ordran 200 GR. sendo um deles disperso como glóbulos de pequeno tamanho dentro do outro. 500 g L-1 de diuron). menor volume de calda para aplicação (ex: Scepter 70 DG. com isso.Herbicidas: absorção. que pode ser água. com um solvente nãopolar (o ingrediente ativo). metabolismo. são mais seletivos. como a vermiculita. sendo uma alternativa ao concentrado emulsionável (ex. 110 g L-1 de fenoxaprop-p-ethyl). A importância desta formulação reside na possibilidade de poder compatibilizar dois tipos de formulações diferentes. 700 g kg-1 de imazaquin). 670 g L-1 de 2. cuja concentração varia de 2 a 20%. O concentrado emulsionável conta. e um agente emulsificante. álcool. Granulados (GR): os grânulos são constituídos de veículos minerais. diferindo-se por possuírem partículas de maior tamanho. Emulsões concentradas: esta formulação é uma emulsão de ingrediente ativo de baixo ponto de fusão ou líquido. que é o ingrediente ativo. sob a forma de emulsão. Suspo-emulsão: é uma formulação fluida e heterogênea. Suspensão concentrada (S) ou “flowable”: é uma formulação constituída por uma suspensão estável de ingrediente(s) ativo(s) num veículo líquido.

Módulo 3. o controle mais efetivo de plantas daninhas e as menores quantidades de herbicidas aplicadas geralmente reduzem o custo total do manejo. bem como os fabricantes. além do conhecimento a respeito das interações entre os produtos. 5. entre outros aspectos. Além desse fato. homogêneo (ex. que lhes conferem comportamento diferenciado (susceptibilidade. • Redução de resíduos na cultura e no solo devido ao uso de doses menores. Deve-se dar preferência às misturas prontas. além de surfatante). translocação. • As misturas foram primeiramente usadas para o controle não-seletivo e seu uso contínuo tornou-se importante.Herbicidas: absorção. • Aumento da segurança da cultura. a necessidade de reduzir os custos de produção da cultura tem levado os produtores. formulação e misturas 129 . a preparar misturas de herbicidas com diferentes princípios ativos. como: • Controle de maior número de espécies de plantas daninhas e redução do risco de aparecimento de genótipos resistentes.: Robust: 200 g de fluazifop-p-butil + 250 g L-1 de fomesafen). especialmente as misturas. A idéia de combinação de herbicidas para controlar seletivamente plantas daninhas em culturas desenvolveu-se posteriormente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ingrediente ativo solúvel em água. 5 . entretanto. • Redução de custos: o menor custo de aplicação. especialmente dos componentes mais persistentes.3 .1 . visando obter o máximo de controle de plantas daninhas e minimizar injúrias às culturas. o manejo de herbicidas.Misturas de herbicidas O controle de plantas daninhas visa. Houve grande expansão no uso de misturas e na aplicação sequencial de vários herbicidas em um único ciclo cultural. devido ao uso de doses menores de cada herbicida misturado. A aparência é de um líquido transparente.Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas A aplicação de misturas de herbicidas pode oferecer vantagens. Há menor chance de a cultura ser injuriada. requer grande cuidado. metabolismo. É mais efetiva que uma única dose de um herbicida. quando comparadas com aplicação de um princípio ativo isoladamente. reduzir ou eliminar a competição destas com a cultura É importante lembrar que existem centenas de espécies de plantas daninhas e que estas apresentam as mais variadas características morfológicas e fisiológicas. ou mesmo com outros agroquímicos/pesticidas. tolerância ou resistência) em relação aos herbicidas utilizados.

eles podem ser aplicados separadamente (um após o outro). de modo que sua aplicação não pode ser executada. que resulta numa rápida sedimentação dos componentes da mistura.3 . causada pela incompatibilidade. Fatores como solubilidade. 5. • Pode melhorar o controle de plantas daninhas pela ampliação da seletividade. dependendo do modo como foi feita a mistura. em relação à de tanque. complexação. uma das vantagens da mistura formulada. formulação e misturas .. • Efeitos antagônicos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é menor que a soma dos seus efeitos quando aplicados separadamente. resultando em formação de precipitados.Interações entre herbicidas O termo interação descreve a ação conjunta dos herbicidas nas plantas. 5. pela adição de outro herbicida mais efetivo sobre determinada espécie de planta daninha predominante. etc. Estes herbicidas pré-misturados ou em misturas no tanque do pulverizador podem ser mais eficientes ou não. Por isso. • Efeitos aditivos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é igual à soma dos seus efeitos quando aplicados separados. em razão da possível ação sinergística na planta daninha e ação antagônica sobre a cultura. A incompatibilidade denota a inabilidade de dois ou mais herbicidas em serem usados simultaneamente. • Melhores resultados em campos com variados tipos de solos. 130 Módulo 3. Quando dois ou mais herbicidas são aplicados juntos. A incompatibilidade física é usualmente causada pela formulação e suas interações.Herbicidas: absorção. carga iônica e outros parâmetros físicos são responsáveis pela redução do desempenho dos produtos. é evitar possíveis incompatibilidades dos componentes da formulação. por exemplo.2 . Menor desempenho da mistura pode ser resultado de qualquer incompatibilidade física ou biológica. A mistura de um herbicida formulado como pó-molhável. metabolismo.Incompatibilidade Quando dois ou mais herbicidas são combinados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Controle por um período maior. translocação. juntos (misturados no tanque) ou ainda podem ser formulados juntos (comercializados numa mesma embalagem). separação de fase. É a relação da efetividade de um material com o outro. podem ser observados os seguintes efeitos sobre as plantas: • Efeitos sinérgicos: quando o efeito dos herbicidas aplicados juntos é maior que a soma dos efeitos isolados.3 . com outro formulado como concentrado emulsionável tem elevada tendência a apresentar incompatibilidade física.

O antagonismo do fenoxaprop com MCPA éster aumentou a tolerância do trigo sem reduzir o controle da aveia-brava (JORDAN. induzindo o Módulo 3. aumento da translocação. a mistura é aditiva. a mistura é antagônica. etc. MCPA. etc.4 . É o antagonismo químico. os inibidores de lipídios não devem ser misturados com 2. etc. Várias misturas sinergísticas de herbicidas têm sido reportadas. • Se a resposta observada foi menor que a esperada. Inseticidas organoclorados não têm apresentado interações com herbicidas. A redução da penetração pela raiz pode resultar em antagonismo e aumentar a seletividade da cultura.. Então.Interações de herbicidas com inseticidas em mistura Em geral. por exemplo. por exemplo. este metabolismo. X+(100-Y) é a toxicidade esperada da mistura. 2005) A tolerância do milho a este herbicida é devido ao rápido metabolismo deste. O antagonismo em misturas de tanque acontece quando uma reação adversa ocorre entre os herbicidas na solução. resultando em menor efeito dos herbicidas sistêmicos. É o caso do trifluralin e diuron em algodão e trifluralin e metribuzin em soja. A absorção e a translocação do glyphosate ficam prejudicadas. bentazon. inibição do metabolismo. chlorimuron. Do ponto de vista prático. chlorsurfuron. 1995).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É interessante lembrar que esses efeitos podem ser diferentes entre espécies de plantas. • Se a resposta observada for igual à esperada. principalmente quando a formulação éster do MCPA é usada. translocação. metabolismo. e E = percentagem ‘esperada’ de inibição do crescimento pelos herbicidas A+B a p+q L/ha. • Se a resposta observada for maior que a esperada. imazethapyr. Também pode ocorrer a redução da penetração foliar. ou reduzir. 5.4-D. a fitotoxicidade de alguns herbicidas tem mostrado ser influenciada por alguns inseticidas organofosforados ou metilcarbamatos. As bases para essa interação podem ser: aumento da penetração foliar dos herbicidas aplicados em pós emergência. inseticidas organofosforados podem inibir. Organofosforados estão envolvidos com interações com nicosulfuron (SILVA et al. interações dos mecanismos de ação dos herbicidas envolvidos. entre o paraquat e o MCPA dimetylamina.Herbicidas: absorção. O antagonismo também ocorre quando um herbicida de contato é aplicado com glyphosate ou com herbicidas auxínicos. formulação e misturas 131 . WARREN. seria ideal que a mistura apresentasse efeitos antagônicos para a cultura e sinergísticos para as plantas daninhas. a mistura é sinérgica. O efeito da interação entre dois herbicidas pode ser estimado pela equação a deguir: em que: X = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida A e p L ha-1. imazaquin.3 . Y = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida B e q L ha-1. entretanto.

translocação. O organofosforado terbufos (Counter) tem causado maiores problemas na prática. A aplicação do terbufos em milho é antagonística aos resíduos do imazaquin no solo e tem dado considerável proteção ao milho. viabilizam a aplicação desses insumos de uma só vez. formulação e misturas . Os mecanismos dessa interação não são bem conhecidos. bentazon. A aplicação de molibdênio na cultura do feijão. Esses resultados. porém sem nenhuma base científica.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surgimento de sintomas de intoxicação nas plantas da cultura. às vezes. metabolismo. são usados por alguns produtores. Interações de herbicidas com fertilizantes em mistura Os herbicidas em misturas com fertilizantes. se confirmados. em ensaios preliminares apresentou efeitos aditivos. 132 Módulo 3. em mistura com os herbicidas fluazifop-p-butil+fomesafen.Herbicidas: absorção. disulfoton (Disyston) e o clomazone em algodão.5. fomesafen e imazamox.3 . 5. Os inseticidas protegem o algodão de alguma toxicidade do clomazone. É interessante ressaltar o antagonismo entre phorate (Thimet).

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Jose Barbosa dos Santos Profº.Herbicidas: comportamento no solo Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº.Manejo de plantas daninhas 3. Rubem Sillvério de Oliveira Júnior Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .4 .Herbicidas: comportamento no solo 135 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .ABEAS Universidade Federal de Viçosa .DF 2006 Módulo 3.4 . Rafael Vivian Profº.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .

160 3 .6.6. 170 4.Pressão de vapor (P).6 .Textura e mineralogia.1 – Precipitação.Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa). 158 2. 167 3. 162 3.7 – Dessorção. 138 1 . 158 2.2 .Relação entre PV e S. 158 2. 175 136 Módulo 3.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução. 166 3.2.Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas.2.2.1 .2.4. 150 2.4 – Sorção. 164 3. 141 2.5.6 .3 .5.1 .3 . 141 2.4 . 170 4. 162 3. 140 2.Herbicidas: comportamento no solo .3 .2.5.Isotermas de sorção.3 – Adsorção.Relação entre KH e incorporação de herbicidas.2 – Absorção.Processos de retenção. 150 2. 139 2 .Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in). 167 4 . 147 2.Absorção pelas plantas.Degradação química. 154 2.2.1 .2 .1 .Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo. 164 3. 142 2.4 – Lixiviação.2 .Processos de transporte.3 . 175 4.2 .5 .Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação. 155 2.1 – Persistência.2 . 167 3. 162 3. 141 2. 166 3.5 .Estimativa da sorção. 144 2.pH do solo.Alternativas para redução de perdas por volatilização.Fatores que influenciam a volatilização.Coeficiente de partição octanol-água (Kow).Processos de transformação. 161 3.4.1 .2 – Volatilização.4 – Solubilidade.Importância do estudo de herbicidas no solo.

186 Referências bibliográficas. 177 5 – Fitorremediação.1 .A fitorremediação como mecanismo de biorremediação.4 .Considerações finais. 183 6 .4 .Fotodecomposição ou fotólise.2 .Problemas relacionados aos herbicidas residuais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.Herbicidas: comportamento no solo 137 . 178 5.Estratégias para o sucesso da fitorremediação.3 . 182 5. 179 5. 188 Módulo 3.

cresce a importância do entendimento do destino final dessas moléculas e do estudo do comportamento no ambiente onde são aplicados. pois elevados índices de sorção podem comprometer a eficiência do herbicida. Embora escassos. da capacidade de sorção do solo. o qual pode ser extremamente curto. No entanto. 2001) e acabam alcançando direta ou indiretamente o solo. atualmente. os estudos envolvendo a sorção de herbicidas em solos brasileiros sob condições de clima tropical são também fundamentais para avaliação da eficiência de controle das plantas daninhas do local. Ao atingirem o solo. são responsáveis por grande parte da degradação desses recursos. 138 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O uso do controle químico em plantas daninhas. biodisponibilidade e recalcitrância do herbicida. Outro fator relevante é que 60 a 70% do total dos pesticidas aplicados nos campos agrícolas não atingem a superfície alvo de interesse (LAW.Herbicidas: comportamento no solo . observa-se maior preocupação quanto à contaminação do ambiente e a utilização racional dos recursos hídricos e do solo. além da sua taxa de degradação. para compostos altamente persistentes. Os exemplos apresentados destacam os estudos mais relevantes com herbicidas em solos. Nos últimos anos. permitindo maior compreensão da dinâmica desses compostos no ambiente. O seu tempo de permanência no ambiente depende. tornando-se indiscutível a utilização de herbicidas no sistema agrícola. inicia-se o processo de redistribuição e degradação dos herbicidas aplicados. Com isso. juntamente com os processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente. Neste capítulo são apresentados os principais conceitos relacionados ao comportamento de herbicidas no solo. para que seja preservada a qualidade final dos produtos colhidos. entretanto.4 . o qual atua como o principal receptor e acumulador desses compostos. As práticas agrícolas. ou perdurar por meses ou anos. entre outros fatores. assim como dos próprios recursos naturais que sustentam a produção. especialmente o solo e a água. a qual está relacionada à atividade microbiológica. da dinâmica do fluxo hídrico e do transporte de solutos. é fundamental que eles sejam adequadamente aplicados. constitui-se prática indispensável para a agricultura em larga escala. como o que ocorre para algumas moléculas simples e não-persistentes.

Importância do estudo de herbicidas no solo O estudo do comportamento de herbicidas no solo e no ambiente visa pelo menos dois objetivos principais: primeiramente. No entanto. química e biológica (DORAN. que afetam direta ou indiretamente a eficiência no controle de uma planta daninha. atividade e diversidade microbiana. embora esses processos sejam descritos de forma isolada. 1992). segundo. suportando as cadeias alimentares. procura-se descobrir as interações do herbicida com os componentes do solo. onde interagem inúmeros processos de ordem física. Atualmente. sendo responsável pelo suporte físico e de armazenagem dos nutrientes para as plantas. o estudo do comportamento de herbicidas no ambiente tem sido realizado através de estimativas das tendências a que estes estão sujeitos em função de três principais processos: retenção. além do próprio herbicida. 2001). a sua avaliação é de difícil mensuração e repetibilidade.Herbicidas: comportamento no solo 139 . embora a capacidade de permanência do herbicida e sua degradação no solo sejam um processo-chave na determinação do fato que este terá ou não efeito na qualidade ambiental (Hinz. É responsável também pela ciclagem dos nutrientes. Módulo 3. em razão de o solo ser considerado um ambiente heterogêneo sob influência de diversos fatores.4 . Outro fator relevante é que o solo atua na manutenção dos processos vitais. que interagem entre si. de modo a minimizar os eventuais efeitos negativos que a sua presença possa causar ao ambiente. além da remediação e imobilização de poluentes (GRANATSTAIN. 1994). uma vez que o herbicida é uma substância exógena ao meio. conhecer os fatores do ambiente. BEZDICEK.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . Promove a retenção e o movimento da água. PARKING. transformação e transporte (Figura 1).

Sabe-se que as moléculas dos herbicidas. movimentar-se ou sofrer transformação física. assim como conhecer qual a eficiência quando estes forem aplicado para o controle de plantas daninhas. precipitação e adsorção. Como os herbicidas movem-se. A distinção entre adsorção verdadeira (na qual camadas moleculares se formam na 140 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 . o processo de retenção constitui-se num dos processos mais importantes para prever a movimentação dos herbicidas no solo e sua taxa de degradação (física. a compreensão dos fatores que regulam as interações de retenção é essencial para entender o comportamento dessas substâncias no solo. evitando que ela se mova tanto dentro como para fora da matriz do solo. constantemente.Representação esquemática da interação entre processos de retenção. pode ser entendido como um processo geral de sorção de herbicidas no solo. química e biológica).Herbicidas: comportamento no solo . Entretanto.Processos de retenção O solo é um sistema aberto e dinâmico no qual os seus constituintes podem.4 . transporte e transformação de um herbicida aplicado ao solo 2 . estão sujeitas aos processos de movimento. normalmente. transporte e retenção. o processo de retenção. A retenção refere-se à habilidade do solo de reter um pesticida ou outra molécula orgânica. Entretanto. química e biológica. quando em contato com o solo. o que resulta na dissipação destas. por sua vez. a partir da superfície do solo na forma de solução. que engloba mecanismos específicos de dissipação dos herbicidas: absorção.

natureza ácido/base dos herbicidas.Adsorção A adsorção caracteriza-se por um fenômeno temporário pelo qual uma substância dissolvida se fixa a uma superfície sólida ou líquida. 2. denominado de sorção (KOSKINEN. 2. entre outros. precipitação (na qual tanto uma fase sólida separada se forma nas superfícies sólidas como ligações covalentes com a superfície da partícula de solo acontecem) e absorção dos herbicidas pelas plantas e organismos é difícil. Além disso. obtendo-se as curvas denominadas de isotermas de adsorção. em razão disso. o herbicida pode ser adsorvido às partículas coloidais (orgânicas e minerais) do solo ou sofrer repulsão. 2. principalmente com os constituintes orgânicos do solo. Esta é a razão pela qual os estudos de adsorção conduzidos em laboratório são realizados em condições de temperatura constante. Na prática. Segundo Gevao (2000). resultando num aumento da concentração na solução do solo. as quais incluem tamanho.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superfície de uma partícula de solo). solubilidade. seja ele avaliado em condições laboratoriais ou em Módulo 3. ainda. provocado pelo incremento da energia cinética das moléculas. a adsorção de herbicidas no solo depende das propriedades deste e do composto aplicado. funções químicas.4 . pela formação de uma fase sólida separada na superfície de uma partícula sólida do solo. ou. polaridade. Essa fixação ocorre por interação de forças da superfície do adsorvente (solo) e do adsorvato (herbicida).Herbicidas: comportamento no solo 141 . em alguns casos. configuração. a velocidade das reações químicas aumenta com a elevação da temperatura.Precipitação A formação de precipitados entre as moléculas de herbicidas pode ocorrer pela junção das partículas dos argilominerais com o herbicida por ligações covalentes de alta força.3 .1 . As quantidades do herbicida adsorvido aos constituintes do solo são diretamente proporcionais à superfície específica do material coloidal e decresce geralmente com o aumento da temperatura. HARPER. podendo favorecer. Dificilmente ocorrerá a absorção de herbicidas por partículas minerais ou orgânicas do solo.Absorção O termo absorção é usado especificamente quando as moléculas do herbicida são absorvidas pelo sistema radicular e outras partes subterrâneas das plantas. o processo adsortivo de herbicidas. Dependendo do sentido dessa força. a adsorção é usualmente determinada apenas através do desaparecimento da substância química da solução do solo. estrutura molecular. distribuição de cargas. Contudo. distribuição. a adsorção por ligações químicas. abordadas posteriormente. o termo adsorção é normalmente substituído por um outro mais geral.2 . 1990).

4 . As pontes de hidrogênio caracterizam-se por formar uma interação dipolo-dipolo. em virtude da heterogeneidade do solo e da sua continuidade com sistemas biológicos. com alta massa (SCHWARZENDBACH et al. 1993). ligações eletrostáticas. depende do tempo de equilíbrio alcançado pelo material adsorvente (solo) e o adsorvido (herbicida). devido a um sincronismo no movimento eletrônico. expressando a atração elétron-núcleo. ocorrendo comumente em moléculas grandes de herbicidas. Entre as forças físicas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas campo. sem distinção entre os processos específicos de adsorção. reações de coordenação e ligações de troca. O processo individual de sorção é profundamente complexo. entre outras. Figura 2 .4 .Herbicidas: comportamento no solo . Esse tipo de ligação é muito mais importante nas ligações das moléculas dos herbicidas sobre a superfície da matéria orgânica do que pela 142 Módulo 3. ligações hidrofóbicas. atmosféricos e aquáticos. Essa força é extremamente fraca e de curtíssima distância. As pontes de hidrogênio são produzidas pelas atrações eletrostáticas entre o núcleo eletropositivo do hidrogênio e pares de elétrons expostos de átomos eletronegativos. com força muita fraca. o qual varia em função do mecanismo e da velocidade das reações envolvidas (Figura 2). a mais importante é a força de Van der Waals. absorção e precipitação.Sorção Sorção refere-se a um processo geral. envolvendo mole¬culas sem dipolo permanente.Representação da determinação do tempo de equilíbrio necessário nos estudos de adsorção de herbicidas em solos As forças responsáveis pelas reações de sorção dos herbicidas no solo incluem: forças físicas. 2. pontes de hidrogênio.. podendo ocorrer interação entre uma molécula polar e outra apolar.

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superfície das argilas e ocorre com compostos contendo grupos >C=O + grupos –NH (ou –COOH, OH, >C=O ou – NH2) (Figura 3).

Figura 3 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por pontes de hidrogênio. Fonte: Senesi (1992).

Ligações hidrofóbicas estão associadas com a sorção de herbicidas apolares, os quais competem com as moléculas de água pelos sítios sortivos. Muitas das moléculas de herbicidas, principalmente os aromáticos, halogenados, fenóis e bifenóis, com baixa solubilidade em água, podem ligar-se à superfície das argilas por meio de ligações hidrofóbicas. Estas ligações são muito favorecidas quando são adicionados ao solo resíduos orgânicos naturais, aumentando o número de sítios hidrofóbicos de ligação. As ligações eletrostáticas envolvem cargas elétricas de superfície, formadas por complexas reações de adsorção, as quais podem ocorrer por adsorção por moléculas de água, por cátions, por troca aniônica e por compostos orgânicos naturais. A adsorção por troca aniônica é importante para solos pouco intemperizados de clima temperado. Contudo, em condições de solos brasileiros, desenvolvidos em condições de clima tropical e subtropical, predominam argilominerais (1:1) e elevados teores de óxidos de ferro e alumínio, com baixa capacidade de formar este tipo de ligação. As reações por coordenação envolvem ligações covalentes, de curta distância, e com sombreamento dos orbitais. São ligações muito fortes e a energia depende do número de elétrons em orbitais moleculares ligantes ou antiligantes. Essas ligações estão presentes, por exemplo, entre os prótons dos grupos funcionais de superfície e os átomos de hidrogênio (Fe-OH, Al-OH, COOH) e N2 (NH2). Esse tipo de ligação, formando complexos de esfera interna, torna difícil a separação e distinção entre o colóide e a molécula do herbicida. A protonação nada mais é que a formação de complexos de transferência de cargas na superfície mineral. Ocorre quando um grupo funcional forma um complexo com a superfície de um próton. O complexo pode ser extremamente estável, desenvolvendo sorção praticamente irreversível. Esse tipo de ligação ou mecanismo tem sido válido para herbicidas do grupo das striazinas, as quais se tornam catiônicas através da protonação, tanto na solução do solo como durante o processo de adsorção (Figura 4) (SCHWARZENDBACH et al., 1993).

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Figura 4 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por protonação do herbicida Fonte: Senesi (1992)

2.4.1 - Estimativa da sorção A avaliação da sorção é feita normalmente por meio da estimativa de coeficientes, denominados coeficientes de partição, coeficientes de partição solo-água, coeficientes de sorção ou constantes de adsorção. Neste capítulo será adotado o termo coeficiente de sorção para denominar a relação entre as concentrações de herbicida em solução e aquelas sorvidas ao solo. O coeficiente de sorção, Kd, pode ser estimado pela relação:

O Kd representa a relação entre a concentração do herbicida que permanece sorvido ao solo Cs (μg g-1) e a concentração do herbicida encontrada na solução de equilíbrio Cw (μg mL-1), para uma determinada quantidade específica do herbicida adicionado. Entretanto, como o teor de carbono orgânico, aparentemente, tem representado melhor a capacidade adsortiva dos herbicidas nos solos, principalmente para os compostos de caráter básico ou não-iônicos (KARICKHOFF, 1981; OLIVEIRA JR. et al., 1999), tem-se corrigido o Kd em relação ao teor de carbono orgânico do solo. A partir dessa normalização do Kd, obtém se o Koc, o qual permite a comparação da sorção entre diferentes solos e é um índice muito utilizado em métodos de classificação de mobilidade e em modelos de simulação do comportamento de pesticidas no solo. A normalização do Kd para o teor de carbono orgânico é feita pela relação:

Em que Koc representa o coeficiente de sorção normalizado para o teor de carbono orgânico do solo (L kg-1) e foc indica o teor (% ou dag kg-1) de carbono orgânico do solo, o qual é obtido dividindo-se o percentual de matéria orgânica por 1,72. Oliveira Jr. (1998), estudando a correlação entre as propriedades dos solos, verificou que os coeficientes de sorção (Kd e Koc) de diferentes herbicidas determinados em solos brasileiros correlacionaram-se significativamente com o teor de carbono orgânico e CTC dos solos para a
144 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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maior parte dos herbicidas. De modo geral, os herbicidas ácidos fracos (imazethapyr, metsulfuron, nicosulfuron e sulfometuron) foram os que apresentaram menor sorção, ao passo que os herbicidas básicos fracos (atrazine, hexazinone, simazine) e não-iônicos (alachlor) foram os mais sorvidos. No Brasil, o Koc tem sido amplamente utilizado para predizer a capacidade de sorção de diversos herbicidas no solo; também é utilizado juntamente com a textura para recomendar as dosagens dos herbicidas. Entretanto, a padronização do Kd em relação ao carbono orgânico do solo não é consenso entre os pesquisadores da área, pois a sorção de herbicidas à matéria orgânica do solo ocorre de forma heterogênea, em função dos mecanismos e da fração orgânica envolvida no processo sortivo, cujos índices podem não representar a realidade. Ao mesmo tempo, o Kd e Koc nem sempre são suficientemente exatos para descrever a sorção de um pesticida em uma faixa considerada de concentração. As relações entre as concentrações em solução e na fase sólida podem, então, ser descritas por isotermas, descritas no item 3.4.2. As estimativas dos coeficientes sortivos apresentados (Kd e Koc) geralmente são conduzidas em condições laboratoriais, empregando-se a cromatografia líquida e gasosa como técnicas analíticas na determinação das concentrações dos herbicidas nas fases sólida (solo) e líquida (solução do solo) propriamente ditas. Entretanto, devido aos custos envolvidos nessas análises, outras formas de estimar a capacidade de sorção desses compostos no solo podem ser utilizadas. Entre elas, a técnica de bioensaio representa um método simples e de grande valia na determinação da capacidade sortiva e de resíduos de herbicidas no solo. Inicialmente, para a utilização dessa técnica, são feitas curvas de dose-resposta para cada composto, utilizando-se plantas indicadoras específicas ao mecanismo de ação de cada herbicida. As curvas de dose-resposta devem ser feitas no solo a ser estudado e em material inerte, preferencialmente areia lavada, isentos de qualquer resíduo. Após a aplicação de doses conhecidas do herbicida, são realizadas avaliações nas plantas indicadoras, as quais incluem fitoxicidade, altura da planta, comprimento de raiz, massa seca da parte aérea e raízes (Figura 5). Após as avaliações, utilizam-se modelos de regressão não-linear, como o proposto por Seefeldt et al. (1995):

em que D e C representam os limites superior e inferior da curva, respectivamente; b, a declividade da curva; e C50, a dose correspondente a 50% de resposta. O limite superior da curva D corresponde à respota média da testemunha e o limite inferior da curva C é a resposta média das plantas que receberam os herbicidas. O b descreve a declividade da curva em torno do C50.

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Figura 5 - Curva de dose-resposta para massa seca da parte aérea (% em relação à testemunha) de Sorghum vulgare, em função de doses crescentes de sulfentrazone (X) em Argissolo Vermelho-Amarelo (– – –) e em areia (____) Fonte: Vivian et al. (2005)

A partir dos dados obtidos de (C50) em solo e areia, utiliza-se a equação a seguir para expressar a relação de adsorção (RA) do solo em relação à resposta obtida em areia para a espécie indicadora (SOUZA, 1994). Considera-se que valores de RA elevados indicam maior capacidade de sorção do herbicida estudado no solo e, conseqüentemente, menor potencial de lixiviação do composto no perfil do solo. Um exemplo de curva de dose-resposta utilizada para o herbicida trifloxysulfuron-sodium em solo e areia pode ser observado na Figura 6. RA = C50solo – C50 areia C50 areia

Figura 6 – Curva de dose-resposta em solo (a) e areia (b) para trifloxysulfuron-sodium

146

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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2.4.2 - Isotermas de sorção Quando se deseja estudar o comportamento dos herbicidas em diferentes concentrações no solo, deve-se observar que a sua sorção geralmente não ocorre de forma linear com o aumento do herbicida adicionado. Isso é devido à capacidade limitada de formar ligações com o material coloidal e a variação do coeficiente de sorção com a temperatura e umidade do solo. Para a determinação de uma isoterma de sorção, é necessário determinar o Kd em diferentes concentrações iniciais do herbicida em solução. As isotermas utilizadas para descrever o comportamento de herbicidas no solo, em diferentes concentrações iniciais, podem ser classificadas, conforme o seu comportamentodo, em S, H, C e. Tipo S: é uma curva não-linear e convexa em relação à abscissa. Inicialmente a adsorção é baixa, mas com o aumento da concentração do adsorvato na superfície adsorvida, ocorre aumento na adsorção pela associação entre as moléculas. Isso ocorre em razão da baixa afinidade do adsorvato pela interferência de outras substâncias. A água é um forte competidor na adsorção à superfície coloidal, e, com o aumento na concentração do soluto, essa competição se reduz. Tipo H: ocorre quando o adsorvato possui altíssima afinidade pelo adsorvente, e a máxima adsorção ocorre em baixas concentrações. Desse modo, até que não ocorra a máxima adsorção, não será possível detectar as moléculas na solução. Esse tipo de adsorção ocorre com moléculas extremamente catiônicas ou compostos orgânicos catiônicos, adsorvendo-se nos minerais das argilas.

Figura 7 – Comportamento das isotermas de sorção
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 147

em solo argilo-siltoso Fonte: Mervosh (1995) Segundo o manual de testes para avaliação da ecotoxicidade de agentes químicos. Cs representa a quantidade do herbicida adsorvido no solo (mg g-1). descritos a seguir: a) O modelo de Freundlich. verifica-se melhor ajuste pelos modelos de Freundlich e Langmuir. dando origem ao Kfoc.Herbicidas: comportamento no solo . o coeficiente de adsorção Kf aumenta linearmente conforme aumenta a concentração do herbicida. Esse modelo tem sido amplamente utilizado na determinação dos coeficientes de adsorção dos herbicidas no solo para uma determinada temperatura (CLEVELAND.4 . Entre os modelos mais utilizados e que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas no solo. Kf. o coeficiente de adsorção da isoterma de Freudlich. o coeficiente de adsorção Kf é considerado nas análises de capacidade de 148 Módulo 3. Quando n for igual a 1. Novos grupos funcionais são criados no processo de adsorção. de forma não linear. usando regressão linear e não-linear (isotermas de Freundlich) a 25 ºC. definido pelo Ibama para o Brasil. conforme aumenta a cobertura da superfície. determinando a intensidade da adsorção. considera que a afinidade inicial é alta e. diminuem a afinidade e declividade. permitindo a continuidade do processo. Figura 8 . e 1/n é um fator de linearização. reduzindo a energia de interação proporcionalmente ao recobrimento da superfície. Tipo L: apresenta-se como uma curva côncava em relação à abscissa. pode-se observar a equação empírica utilizada para descrever a isoterma de Freundlich e sua representação gráfica (Figura 8): Na equação. verifica-se que o incremento decresce na adsorção. É o tipo de adsorção mais comum que ocorre com os herbicidas no solo. e a curva passa a ser de formato linear do tipo C.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Tipo C: a adsorção ocorre de forma linear conforme aumenta a concentração do adsorvato. Existem dois modelos muito utilizados que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas conforme a sua concentração. assim que a concentração deste aumenta. 1996).Comportamento adsortivo do herbicida Clomazone. De forma análoga ao Koc. embora empírico. em função da sua concentração. a normalização do coeficiente de Freundlich em relação ao teor de carbono orgânico também pode ser calculada. A seguir. Caq a concentração de equilíbrio do herbicida na solução do solo (mg mL-1).

A energia de adsorção é a mesma para todos os sítios e independe da cobertura de superfície (Figura 9).Herbicidas: comportamento no solo 149 . Quadro 1 – Classificação da capacidade de adsorção de agentes químicos no solo Kf 0 – 24 25 – 29 50 – 149 > 150 Classificação da Adsorção Baixa Média Grande Elevada b) O modelo de Langmuir baseia-se na adsorção em superfícies planas que apresentam número fixo de grupos funcionais e que cada um interagirá com uma molécula. Entretanto. Esse modelo é expresso pela seguinte equação: em que Cm representa a quantidade máxima do herbicida adsorvido (mg g-1).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas adsorção de herbicidas no solo. Sua classificação varia de pequena a elevada e reflete parcialmente a capacidade de movimento e persistência do composto no ambiente (Quadro 1).Modelo da energia de adsorção em função da superfície de cobertura. tem-se a adsorção máxima. Quando todos os grupos funcionais estiverem preenchidos. Ce é a concentração de equilíbrio do herbicida na solução (mg mL-1) e K1 é o coeficiente de adsorção para o modelo de Langmuir. Figura 9 . verifica-se que outras avaliações são necessárias para definição do real comportamento de herbicidas no solo. segundo as isotermas de Langmuir e Freundlich Módulo 3. por haver inúmeros interferentes nos estudos de adsorção a campo e em laboratório.4 .

em certos casos.4-D em solo arenoso Solo calcinado Solo com MO MO = matéria orgânica Fonte: Viera et al. CAMARGO. constituindo-se num componente fundamental na sua capacidade produtiva (SANTOS. avaliando a persistência do herbicida 2.1 . Quadro 2 . estudando o comportamento do herbicida atrazine em Latossolo Roxo sob dois sistemas de manejo 150 Módulo 3.4-D. da área superfícial específica das partículas coloidais da fração argila e. Isto pode ser observado segundo os valores de Kf (Quadro 2) para o herbicida 2. Thompson et al. no solo contendo matéria orgânica.87 ± 0. ao compararem solos com diferentes propriedades. principalmente. No entanto.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas Em geral. (1999) Adsorção Kf 1/n 39.48 ± 0.05 A matéria orgânica é o principal componente que influencia a atividade dos herbicidas registrados para uso em solos tropicais.07 Dessorção Kf 1/n 22. assim como a mineralogia do solo em questão.09 88. (1999).08 1.80 ± 0.03 0.4-D no solo. (1984). o pH. principalmente para aqueles recomendados em pré-emergência de característica não-iônica ou para os catiônicos. o teor de matéria orgânica no solo desempenha importante papel quando se trata de contaminantes ambientais.28 ± 0.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. 2. a sorção de herbicidas ao solo aumenta com o incremento da CTC (capacidade de troca catiônica). É responsável também pela estabilidade da estrutura do solo e infiltração de água. a matéria orgânica tem grande importância para os processos de retenção de cátions e complexação de elementos tóxicos e de micronutrientes. os quais serão abordados a seguir. como herbicidas e metais pesados.30 1.Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas Em solos tropicais e subtropicais altamente intemperizados.23 ± 0. também são importantes na sua sorção.Herbicidas: comportamento no solo . Segundo Viera et al.12 ± 0.23 ± 0.16 ± 0. estava relacionado ao aumento do conteúdo de carbono orgânico.23 0. verificaram que em solos com alto teor de matéria orgânica e baixo pH a lixiviação deste herbicida foi menor. Mallawatantri e Mulla (1992) demonstraram que pelo menos 80% do incremento da sorção observada para metribuzin. diuron e 2.5.Constantes de Freundlich obtidas a partir dos dados de adsorção de 2.4 . caracterizando a grande influência da matéria orgânica na adsorção de herbicidas ácidos. Já Faloni (1999).05 20. 1999). Ela interfere em todos os processos sortivos que possam ocorrer.4-D. 1992). dos teores de carbono orgânico do solo (VELINI. aeração e atividade da biomassa microbiana.5 .

é possível obter uma predição dos valores de Kd com base nos teores de carbono orgânico do solo (Figura 10).. as propriedades que mais se correlacionam com a sorção de herbicidas básicos e não-iônicos são a CTC e o teor de carbono orgânico (OLIVEIRA JR. (1998b) Módulo 3. Figura 10 . essa característica pode ser considerada a mais importante para esses herbicidas.Herbicidas: comportamento no solo 151 . 1999). Para alguns herbicidas. também percebeu que a matéria orgânica é a principal responsável pela adsorção deste herbicida.4 . et al. não-polares como o alachlor. notadamente os não-iônicos. et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (convencional e direto). Fonte: Oliveira Jr. podendo-se ainda estimar a sorção de diversos herbicidas com base nos teores de carbono orgânico (Figura 11). Kd) em função do teor de carbono orgânico do solo. No caso dos solos brasileiros. Uma vez que a maior parte da CTC nos nossos solos está relacionada à matéria orgânica.Sorção de alachlor (expressa pelo coeficiente de sorção.

existe grande complexidade e variabilidade da matéria orgânica presente em diferentes solos. aromaticidade. disponibilidade de sítios hidrofóbicos e grupos funcionais.Relação entre o coeficiente de sorção (Kd) e o teor de carbono orgânico do solo para herbicidas ácidos (linhas cheias) e para herbicidas básicos ou não-iônicos (linhas tracejadas) em solos brasileiros Fonte: Oliveira Jr. são citadas como um dos principais fatores que podem influenciar a sua capacidade de adsorção de pesticidas (WANG et al. 1990.. As mudanças conformacionais provocadas nas moléculas da matéria orgânica. 2000).Herbicidas: comportamento no solo . 999). correlacionam-se melhor com os teores de humina do que os de ácidos húmicos ou fúlvicos da matéria orgânica do solo (PROCÓPIO et al. (1999) Teoricamente.... A parte humificada é composta pelos ácido fúlvicos. mas também na transformação e transporte destes (CORREIA. Essas diferenças podem interferir não só na retenção dos herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 11 . A disponibilização de maior ou menor número de sítios 152 Módulo 3. os quais representam a fração mais ativa da matéria orgânica do solo (NETO et al. 2001). Dentre os componentes da fração humificada. A fonte orgânica. normalmente. 1997). o clima. Diversos estudos mostraram que a fração húmica apresenta maior correlação com a sorção dos herbicidas. os minerais do solo e a população microbiana podem proporcionar a formação da diversidade de características dos compostos orgânicos do solo. húmicos e humina. em relação ao teor de matéria orgânica total do solo. a matéria orgânica do solo encontra-se dividida em substâncias humificadas e não-humificadas. também foram demonstradas especificidades na sorção dos herbicidas. os quais variam conforme sua polaridade. Herbicidas iônicos (em faixa de pH com baixa dissociação) e os não-ônicos. Entretanto. TRAGHETTA et al. et al. pela variação do pH do meio.4 .

entre outros. representando menor risco de contaminação dos lençóis freáticos (COX. 1998). é o principal parâmetro levado em consideração na recomendação da dosagem de herbicidas aplicados Módulo 3. a presença de íons saturantes dos grupos funcionais da matéria orgânica e a especificidade dos íons (PIRES. 1994).. Entretanto. Prata (2001) também constatou que adição de vinhaça ao solo faz que o processo de mineralização do ametryn seja acelerado. na maioria dos trabalhos verificados. os solos com altos teores de matéria-orgânica apresentam menor tendência geral de lixiviação dos herbicidas. a quantidade de matéria orgânica quimicamente protegida. a adição de matéria orgânica ao solo acelera a degradação dos herbicidas. como pode ser verificado na Figura 12. Figura 12 . os tipos de minerais predominantes na fração argila. Contudo. é responsável pelas variações nos coeficientes de sorção de herbicidas encontrados na literatura. Fonte: Adaptado de Akim e Bailey (1998) Embora se verifique extrema quantidade de interferentes nas características de sorção de herbicidas à matéria orgânica. Dessa forma. pode ocorrer menor ação microbiana na degradação dessas moléculas. devido à proteção física e química das moléculas do herbicida na matéria orgânica. sabe-se que sorção herbicida-matéria orgânica é mais estável do que aquela resultante da ligação com componentes minerais do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas hidrofóbicos pelas mudanças conformacionais das moléculas também pode influenciar a sorção de herbicidas lipofílicos (PROCÓPIO et al. podendo representar maior permanência desta no meio ambiente. 2001) Outras características do solo também podem afetar a sorção de herbicidas à matéria orgânica: o material de origem do solo.4 . Além destes.Herbicidas: comportamento no solo 153 . formando complexos argilo-orgânicos. a relação da textura do solo com a quantidade de matéria orgânica presente.Simulação da adsorção de atrazine no modelo complexo de muscovita-ácido húmico. Atualmente. principalmente para aqueles cuja ação microbiana é a principal forma de degradação.

. principalmente naqueles com capacidade de doação de prótons com carga aniônica (herbicidas ácidos fracos). Em diversos casos observados.Herbicidas: comportamento no solo . uma elevação nas dosagens recomendadas para estes solos nem sempre é correta. 2. também que. podendo reter cátions. extremamente elevada e está relacionada. silte e argila presente no solo é responsável pela classificação das diferentes classes texturais dos solos. Suas cargas podem ser geradas nas bordas do mineral pela dissociação de prótons H+ dos grupos OH. como a montmorilonita e vermiculita. Já minerais 1:1. A formação de cargas nos minerais 2:1 ocorre pela substituição isomórfica nas camadas tetraédrica e octaédrica. são característicos de regiões muito intemperizadas. contribuindo significativamente para o aumento na sorção desses compostos (Quadro 4). e não possuem a capacidade de expandir-se. Por sua vez.2 . os erros de estimação dos teores de matéria orgânica e o desconhecimento da sorção específica de herbicidas por alguns argilominerais presentes são um dos inúmeros fatores que devem ser considerados para a adequação nas dosagens dos herbicidas atualmente recomendados. possuem maior capacidade de adsorção de herbicidas (Quadro 3). Em relação aos erros de estimação. Essas propriedades originam forças de atração de grande intensidade. a textura é ainda o atual parâmetro utilizado para recomendação da dose dos herbicidas aplicados em pré-emergência ou pré-plantio incorporado. Existem também dados demonstrando que os óxidos de ferro possuem maior capacidade de adsorver os herbicidas em relação aos óxidos de alumínio (Quadro 5). Esses minerais apresentam fraca atração dos cátions entre as camadas expansíveis. Sabe-se. e a matéria orgânica desempenha papel secundário no caso de solos oxídicos. como o Brasil. Apesar de existir grande possibilidade de os solos mais argilosos apresentarem maiores teores de matéria orgânica.4 . à fração mineral do solo. A presença de argilas de baixa atividade. não ocorre correlação entre o comportamento do herbicida e as concentrações de argila.5. principalmente. permitindo que água. de clima tropical e subtropical. avaliando a adsorção e dessorção do glyphosate em três solos brasileiros com diferentes atributos mineralógicos. observou que a sorção do glyphosate é instantânea. Os óxidos de ferro e alumínio também atuam na sorção de diversos herbicidas. como no caso dos herbicidas ácidos ou em altas concentrações de carbono orgânico. minerais de argila expansíveis (2:1) e de maior área superfical específíca. e ambos 154 Módulo 3. como a caulinita. Prata (2002). a riqueza de variação das argilas e a formação de compostos argilominerais representam diferentes possibilidades de adsorção dos herbicidas a essas partículas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas em pré-emergência. Entretanto.Textura e mineralogia O conteúdo de areia. herbicidas e outras moléculas penetrem entre os planos basais e provoquem grande expansão do material. citam-se a superestimação dos teores de matéria orgânica efetivamente capazes de adsorver as moléculas dos herbicidas e a profundiade de coleta (0-20 cm) utilizada na determinação dos teores de matéria orgânica do solo.

Entretanto. principalmente em solos muito intemperizados.3.1. que à medida que o pH do solo aumenta (2. a qual será abordada com mais detalhes no item 3.7 Partição do Imazaquin (Sólido/Líquido) (μG/g:μG/mL) 2326:1 238:1 40:1 2:1 0:1 Quadro 5 . A influência do pH do solo no processo de retenção e degradação dos herbicidas está estritamente relacionada à capacidade de dissociação eletrolítica .4-D.Herbicidas: comportamento no solo 155 .8 4.3 . pode-se verificar na Figura 13.Sorção de imazaquin em diferentes hidróxidos (Fe e Al) Tipo de Hidróxido Hidróxido-Fe Hidróxido-Al Fonte: Shaner (1989).6 5. como os latossolos.0). o qual permanece disponível na solução do solo. pH 3.3 .4 .Dissociação eletrolítica.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas encontram-se presentes em grandes concentrações na maioria dos solos brasileiros. contribuindo em relação à capacidade sortiva nesses solos.5.pH do solo O pH é uma medida muito importante que pode interferir nos processos de sorção dos herbicidas. para 2.Características de alguns minerais de argila importantes nos estudos de sorção de herbicidas em solo Característica Tipo de camada Capacidade de Expansão CTC (cmolc dm ) Área Superficial Específica (m2 g-1) -3 Montmorilonit Vermiculita a 2:1 2:1 Expansível 80-120 700-750 Ilita 1:1 Caulinita Não-expansível 2-10 25-50 2:1 NãoExpansão limitada expansível 120-200 15-40 500-700 75-125 Quadro 4 – Sorção de imazaquin em diferentes minerais de argila Mineral de Argila H-montmorilonita H-ilita Al-montmorilonita H-caolinita H-vermiculita Fonte: Dolling (1985). principalmente nos daqueles com grande capacidade de inonizarem-se (catiônicos e aniônicos). Quadro 3 . Constante de Freundlich (Kf) 2. menor é a quantidade sorvida do herbicida no material coloidal.5 a 6.0 6. Módulo 3.3 3.pKa dos compostos.653 174 2.

3 6.7 5.6 6.4-D em função do aumento do pH do solo No caso de imidazolinonas aplicadas ao solo. que a quantidade sorvida do herbicida aumenta à medida que o pH diminui.6 4. 156 Módulo 3. Verifica-se. por exemplo. verifica-se novamente o decréscimo do coeficiente sortivo (Kd) do herbicida com o aumento do pH do solo.5 Sorção (%) 53 53 0 62 40 25 Em trabalho similiar realizado com imazethapyr (Figura 14).4 .Herbicidas: comportamento no solo .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 13 – Sorção do herbicida 2. novamente. devido ao fatop que o pH influenciar fortemente a ligação das imidazolinonas às frações húmica e mineral do solo.2 5. Goetz (1986) demonstrou que a quantidade de imazaquin que se liga a diferentes tipos de solo era diretamente relacionada ao pH (Quadro 6). Quadro 6 –Sorção de imazaquin sob diferentes pHs em dois solos Tipo de solo Franco-arenoso Franco-siltoso Fonte: Goetz (1986) pH 5.

além de possibilitar maior efeito do herbicida em culturas posteriormente instaladas no local. conforme verificado na Figura 15. a diminuição da sua capacidade sortiva com o acréscimo do pH do meio pode.Herbicidas: comportamento no solo . especialmente em termos de lixiviação desses herbicidas.4 . Figura 15 – Efeito do pH na lixiviação do herbicida imazaquin em colunas de solo Fonte: Inoue et al. por exemplo.Coeficiente de sorção (Kd) constatado para o herbicida imazetaphyr.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 14 . têm maior capacidade de sorção desses herbicidas e operações como a calagem podem afetar significativamente o seu comportamento. resultar em maior lixiviação do composto no perfil do solo. de modo geral. também. solos ácidos. (1998) Para herbicidas de maior persistência. Nesse caso. (2002) O pH pode também influenciar diversos outros processos envolvidos na degradação dos herbicidas no solo: a lixiviação de chlorsulfuron. em função do aumento do pH do solo. é maior em solos com pH alto e 157 Módulo 3. Fonte: Oliveira Jr.

2. e se adapta perfeitamente aos herbicidas em solução do solo. os hidrofílicos (Kow <10).1 . Entretanto. Quanto maior for o pKa do herbicida.Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo As principais propriedades físico-químicas de um herbicida que influenciam o seu comportamento são: coeficiente de partição octanol-água (Kow). Ao contrário. A polaridade é muito importante para penetração das moléculas dos herbicidas pela cutícula das folhas e também interfere nos processos sortivos com o solo. Quanto mais polar for o herbicida. transformação e transporte. 1993). a qual tem sido utilizada para substâncias presentes em solução aquosa.Coeficiente de partição octanol-água (Kow) Esta propriedade indica a afinidade que a molécula do herbicida tem em relação à fase polar (representada pela água) e apolar (representada pelo octanol). Embora algumas propriedades estejam mais distintamente relacionadas aos processos específicos de retenção. 2.6.000) possuem maior potencial de se adsorverem a parte orgânica dos colóides do solo.6 .Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa) O pKa representa a capacidade de dissociação que uma molécula do herbicida possui em água com diferentes pH. o conhecimento das características moleculares dos herbicidas é muito utilizado no estudo do seu comportamento no ambiente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas baixo teor de matéria orgânica. Para 158 Módulo 3. Essa definição está restrita apenas à definição clássica de Brönsted-Lowry. a maioria dos herbicidas possui em sua molécula uma região polar e outra apolar. solubilidade. 2. expressos normalmente na forma logarítmica (log Kow). herbicidas com características apolares são considerados lipofílicos.6. Conforme a fórmula molecular e pKa dos herbicidas eles. Os valores de Kow são adimensionais. embora a degradação do referido produto seja mais rápida em solos ácidos (GOMEZ DE BARREDA et al. Geralmente os herbicidas apolares ou lipofílicos (Kow >10. pressão de vapor (P) e constante da Lei de Henry (H). capacidade de dissociação eletrolítica quando em solução aquosa (pKa).2 . O comportamento dos herbicidas é muito influenciado pelo seu pKa. possuem maior afinidade às partes argilosa e mineral do solo. menor será seu caráter ácido e menor a sua capacidade de ficar aniônico.Herbicidas: comportamento no solo . diz-se que maior é a sua hidrofilicidade.. podem ser classificados da seguinte forma: a) Herbicidas ácidos fracos: são os herbicidas cujas formas moleculares apresentam capacidade de doar prótons e formar íons carregados negativamente. Já os herbicidas polares. podendo ser encontrados na forma dissociada (ionizada) e não-dissociada (não-ionizada ou neutra).4 .

este será prontamente dissociado e sua capacidade de ficar retido no solo será muito menor. 1980). sendo sorvidos ao solo de forma irreversível. pode liberar íons hidrogênio numa solução básica ou neutra (Figura 16).4-D.. Quando o pH do meio for superior ao pKa do herbicida.Herbicidas: comportamento no solo 159 . 1995) e hexazinone.Comportamento de ionização de um herbicida ácido (2. Quanto menor o pH do solo em relação ao pKa do herbicida. quando o pH do solo for inferior ao seu pKa. Nesse caso. seu comportamento será semelhante ao das moléculas não-iônicas. Alguns outros compostos que reagem semelhantemente ao 2. Alguns herbicidas de comportamento similar são simazine.. O 2. Quando o pH do solo for superior ao pKa destes herbicidas.4-D. Da mesma forma que os herbicidas ácidos. 2001). podem atrair íons hidrogênio em uma solução ácida. OLIVEIRA JR. como o que ocorre para o paraquat e o diquat. passando a apresentar carga líquida positiva (Figura 17).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas esses herbicidas. PÈREZ. sua forma molecular será favorecida.4-D são dicamba. Existe ainda um outro grupo de herbicidas tão básicos que possuem cargas positivas para todos os valores de pH verificados no solo (LEAVITT. 2003. pKa = 2. a molécula estará 50% na sua forma molecular ou neutra e 50% na forma dissociada (aniônica). Módulo 3. CONSTANTIN. por exemplo.4 .8) b) Herbicidas bases fracas: são os herbicidas que apresentam a capacidade de receber prótons e formar íons carregados positivamente. Herbicidas pertencentes a essa classificação. cyanazine (PIRES et al. maior será a tendência de o herbicida estar na sua forma molecular (neutra) e maior será sua capacidade de se adsorver nas partículas coloidais do solo. Figura 16 . Entretanto. como atrazine. quando o pH do solo for igual ao seu pKa. podendo reduzir sua capacidade de adsorção (KOGAN. quando o pH do solo for igual ao seu pKa. as concentrações da formas dissociada e neutra serão iguais. picloram e demais herbicidas pertencentes ao grupo das sulfoniluréias e imidazolinonas. maior será a tendência destes herbicidas de permanecer na sua forma dissociada ou protonada. podendo competir com os sítios de adsorção de nutrientes no solo. podendo facilmente ser adsorvidos às partículas de argila e aos grupos funcionais que formam a CTC do solo.

respectivamente. A informação da capacidade dessortiva do herbicida no solo pode ser muito importante.Comportamento de ionização de um herbicida base fraca (atrazine. Conforme Southwick et al. dando origem ao fenômeno denominado histerese (H). metolachlor. O índice H de histerese pode ser obtido pela equação H= na/nd. podendo ocorrer. altíssima dessorção do herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 17 . 2. elevados índices de histerese indicam maior dificuldade de o herbicida sorvido retornar para a solução do solo. EPTC e diuron. 160 Módulo 3. em que na e nd representam as curvaturas obtidas nos ensaios de adsorção e dessorção. (2003) (Figura 18). por relacionar o seu efeito residual e persistência no solo. comparativamente aos herbicidas iônicos. ser afetados pelo pH do solo e ficar retidos aos complexos argilominerais e ao material orgânico do solo. permanecendo em sua forma molecular na solução do solo. possibilitando maior permanência deste no ambiente. Alguns exemplos de herbicidas e sua classificação encontram-se no Quadro 7. A intensidade da dessorção reflete o grau de reversibilidade do processo sortivo.7 . Contudo. Embora sejam não-iônicos.7) c) Herbicidas não-iônicos: os herbicidas que não doam nem recebem prótons na solução do solo são considerados não-iônicos. Neste caso. Em outros. a sorção é praticamente irreversível e não ocorre retorno do herbicida à solução do solo. Entre esses herbicidas estão incluídos trifluralin. pKa = 1. as isotermas de sorção e de dessorção diferem entre si. em alguns casos. embora se tenham verificado poucos estudos referentes a ensaios de dessorção na literatura. muitos deles podem ser polares e. em função dessa condição. alachlor.Dessorção A dessorção representa a liberação da molécula do herbicida anteriormente sorvida.4 .Herbicidas: comportamento no solo . esses efeitos são geralmente de menor intensidade. (1993). como observado por Pusino et al. Os herbicidas não-iônicos não reagem com a água e não carregam uma carga elétrica líquida.

prometone. trifloxysulfuron-sodium. simazine Dicamba. chlorimuron-ethyl Bromacil.4-D Alachlor. paraquat Ametryn. metolachlor. swep. triclopyr. picloram. industrial e agrícola Módulo 3.Curvas de adsorção ( ) e dessorção ( ) observadas para triasulfuron em três solos com diferentes teores de argila e materia orgânica. propanil. atrazine. imazetaphyr. diuron. principalmente. 2. chloroxuron Diversas explicações têm sido propostas no intuito de elucidar a não-singularidade das isotermas de dessorção. imazapyr. metribuzin.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 . MSMA. propazine. Figura 18 . porém as mais aceitas.Herbicidas e sua classificação conforme fórmula e grupos funcionais Catiônicos Básicos Ácidos Diversos Organofosforados Dinitroanilidas Carbamatos Benzonitrila Ésteres Anilidas Uréias HERBICIDAS Iônicos Diquat. prophan Dichlobenil Isopropyl éster de 2. (2003) 3 . isopropalin Chlorprophan. por influenciar a capacidade de contaminação dos recursos hídricos subsuperficiais. imazaquin. propachlor Linuron. e • problemas inerentes à metodologia de determinação. MCPA. Pusino et al.Processos de transporte O transporte de herbicidas no solo representa um dos processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente e se destaca. Além disso.Herbicidas: comportamento no solo 161 . são: • transformações químicas ou biológicas que o composto em questão pode sofrer. Embora freqüentes. oryzalin. os problemas de contaminação de aqüíferos no território brasileiro têm despertado pouco interesse dos pesquisadores. cyanazine. • falhas no estabelecimento do equilíbrio. segundo Pignatello (1989).4 . DSMA Não-iônicos Methoxychlor Trifluralin.4-D. a demanda hídrica para o abastecimento urbano.

Herbicidas: comportamento no solo . em certas situações.1 . além. Entre alguns trabalhos citados na literatura. o somatório de diferentes pesticidas carreados simultaneamente para uma mesma bacia hidrográfica pode comprometer a qualidade da água em relação ao seu aproveitamento posterior (DOMAGALSKY.. para o qual se verificou perda do herbicida aderido aos sedimentos variando entre 9 e 58% do total aplicado ao solo. das práticas culturais.Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in) Os termos run-off e run-in representam o movimento ou escorrimento em superfície e subsuperfície. especialmente no caso de herbicidas aplicados em pré-emergência. 1996. Quadro 8 . dos herbicidas no solo. a quantidade total de herbicida que pode ser perdida por meio desse processo normalmente não excede 1% do total aplicado (Tabela 6). BOWMAN et al.Perdas de herbicidas no solo por diferentes processos de transporte Tipo de transporte Volatilização Lixiviação Run-off Fluxo preferêncial % de perda do i. respectivamente. 1993. da natureza e dose das aplicações e da declividade da área. constatando que os herbicidas ametryn e atrazine foram os compostos mais comumente encontrados em águas 162 Módulo 3. do tipo de solo em questão. (1994) relataram a detecção de resíduos de herbicidas (oryzalin. mesmo quando a quantidade total transportada é pequena. CARTER. 3. Já Pfeuffer e Rand (2004) monitoraram os pesticidas entre 1992 e 2001 no sul da Flórida.a aplicado <2 . Dentre as principais formas de transporte nos estudos de herbicidas em solo. em áreas irrigadas com intensa atividade agrícola. Os autores constataram que a maior parte da contaminação era proveniente do escorrimento superficial de áreas irrigadas pulverizadas e que a maior concentração de resíduos ocorria nos primeiros 15 minutos da água. é mais pronunciado quando o produto é aplicado e logo após ocorre chuva intensa no local. de áreas pulverizadas para aquelas que não receberam diretamente o produto. O arraste das partículas coloidais. No entanto. destaca-se o escorrimento superficial.5 <0.001 – 0. 1990). na Carolina do Sul.90 <1 . pendimethalin e oxyfluorfen) em reservatórios de água.4 . juntamente com as moléculas dos herbicidas..25 1-9 Referência Taylor (1995) Flury (1996) Vicary et al (1999a) Vicary et al (1999b) Em certos casos. O maior potencial de movimento de herbicidas por escorrimento superficial ocorre logo após a aplicação. a volatilização e a lixiviação. as perdas podem ser altas. 1994). é claro. Keese et al. 2000). Todavia. A intensidade de perdas depende muito do sistema de plantio adotado (SETA et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tem se elevado nos últimos anos e poucos estudos são conduzidos com o objetivo de retardar o transporte de herbicidas sob condições tropicais. na maior parte dos casos. como no caso do metolachlor (BUTTLE.

Em solos secos. 3.4 2.Volatilização A volatilização é o processo pelo qual o herbicida presente na solução do solo passa para a forma de vapor.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superficiais.8 78. Estudos apresentados por Rand (2004).4 68.Fatores que influenciam a volatilização Vários fatores influenciam diretamente a volatilização de herbicidas presentes no solo. esta é aumentada por: a) Elevação da temperatura: a temperatura do solo afeta a volatilização de produtos em função da alteração da pressão de vapor. os valores devem ser determinados à mesma temperatura. já que a água funciona como uma interfase entre a molécula e as partículas do solo. mas. existe maior probabilidade de o herbicida ser sorvido diretamente às partículas de solo (Quadro 10).44 x 104 mm Hg. É por isso que.3 7.8 15. sendo o efeito mais pronunciado quanto maior for a PV do herbicida.8 2.5 98.4 60. Além disso.4 15. EUA. 3.5 9.5 92.2.1 5.1 . (1995) C Recuperado (% do Total de 14C-Clomazone Aplicado) Temperatura de Incubação (°C) 5 15 25 35 DMS5% 1.0 0.2 0.0 NS b) Aumento da umidade do solo: o aumento da disponibilidade de água no solo facilita a perda de vapor. também mostraram que ametryn.1 95. para efeito de comparação da PV de dois produtos distintos.4 . juntamente com DDD e DDE foi o composto detectado com maior freqüência em sedimentos de rios de áreas agrícolas na Flórida. podendo se perder para a atmosfera por evaporação. de modo geral.7 96.4 1.0 4. No caso do clomazone (Quadro 9).8 4.8 9. as perdas podem aumentar significativamente em função do aumento de temperatura. a elevação da temperatura aumenta a taxa de evaporação da água presente no solo.7 10. solos úmidos perdem mais herbicida por volatilização que um solo seco. Quadro 9 .Herbicidas: comportamento no solo 163 .1 3. 25 °C) aos 84 dias após a aplicação ao solo 14 Volatilizado Mineralizado Total extraído do solo Não extraído (resíduos ligados) Total recuperado Fonte: Mervosh et al.Efeitos da temperatura de incubação na distribuição de 14C-clomazone (PV=1.8 93. Módulo 3.2 .

é a conseqüência de maior importância imediata da volatilização no que diz respeito às atividades agrícolas. no entanto. ao passo que herbicidas menos solúveis.6 37.7 Fonte: Gray e Weierich (1965) °C Perda de EPTC em 24 h.4 12.2 81.4 kg ha-1 à superfície do solo Temperatura do ar ( ) 0 4. neste caso. eles precisam ser incorporados imediatamente ao solo para que não haja redução substancial de sua eficiência. Herbicidas mais solúveis. Existem. principalmente.Herbicidas: comportamento no solo . É uma indicação da 164 Módulo 3. 3. algumas alternativas que podem reduzir a volatilização e manter a eficiência desses herbicidas. 1994). a formulação granulada pode reduzir entre 60 e 100% as perdas por volatilização (GRAVEEL.Pressão de vapor (P) A pressão de vapor é a pressão exercida por um vapor em equilíbrio com um líquido. o que. TURCO. a uma determinada temperatura. por meio de suas propriedades químicas. a pressão de vapor (P). Além disso. necessitam ser mecanicamente incorporados ao solo. sem dúvida.2.4 .7 A volatilização pode ser tão significativa para alguns produtos que.8 12. podem ser incorporados com uma irrigação adequada.3 .3 mg L-1.Alternativas para redução de perdas por volatilização a) Incorporação de herbicidas ao solo: a incorporação pode ser feita tanto com implementos quanto pelo uso de irrigação após a aplicação do herbicida. principalmente da solubilidade do composto em questão.0 67.2. No caso do EPTC. % do Total Aplicado Solo Úmido Solo Seco (14% de Umidade) (1% de Umidade) 62.5 26. a 25 °C). a 20 °C).Efeito da temperatura na perda de EPTC após a aplicação de 3.4 15.2 80. sendo expressa normalmente em mm de Hg. depois de sua aplicação. com a função de reduzir a evaporação.0 9.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 10 . 3. o peso molecular e. como o EPTC (S=370 mg L-1. O potencial de volatilização de um herbicida geralmente pode ser estimado indiretamente.2 75.3 15. como o trifluralin (S = 0. como a estrutura. b) Formulação do produto: para muitos herbicidas com maior potencial de volatilização têm sido desenvolvidas novas formulações com adjuvantes. o uso de formulações granuladas em vez das líquidas pode contribuir para diminuir as perdas por volatilização.0 12. A escolha da forma de incorporação depende.2 .

5 x 10-6 3.2 x 10 <1.0 x 10-12 1.4 x 10-8 1. já não apresentam esses problemas. Portanto. podendo aumentar sob certas condições.4 . Nota-se que o problema de volatilização é particularmente importante para alguns grupos químicos. 25 oC) 3.3 x 10-2 3.4 x 10-6 Potencial de Volatilização Muito baixo Baixo a moderado Baixo Baixo. Além do valor específico da pressão de vapor.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tendência da substância química em escapar na forma de gás. as quais muitas vezes incorporam adjuvantes com a finalidade de reduzir a volatilização. normalmente em razão da melhoria na qualidade de suas formulações. No Quadro 11 encontram-se valores de pressão de vapor de alguns herbicidas aplicados ao solo. comparada a uma perda típica de 0 a 4% por lixiviação e 0-10% por escorrimento superficial (GRAVEEL. Perdas pequenas podem ocorrer sob alta temperatura. imidazolinonas e sulfonamidas.0 x 10-8 9. mais provável que um líquido vaporize-se.0 x 10-8 < 1. em solos úmidos Idem Idem Idem Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Perdas significativas quando não incorporado. Pequeno.6 x 10-3 1. Muito alto. podendo ser de 10 a 90%. como as sulfoniluréias. Quadro 11 . TURCO. Volátil. a intensidade e a velocidade de volatilização de um herbicida dependem também da intensidade e velocidade de movimento até a interface (normalmente a superfície do solo) onde ocorre o processo.1 x 10-8 < 1.6 x 10-5 4.0 x 10-5 < 1. mas pode ser significativo se não incorporado.4 x 10-2 5. solo úmido e vento.Pressão de vapor (PV) e potencial de volatilização de alguns herbicidas Grupo Químico e Princípio Ativo Cloroacetamidas Acetochlor Alachlor Butachlor Metolachlor Dinitroanilinas Trifluralin Isopropalin* Oryzalin Pendimethalin Tiocarbamatos Butylate* EPTC* Molinate Vernolate* Sulfoniluréias Chlorimuronethyl Nicosulfuron Oxasulfuron Imidazolinonas Imazamethabenz* Imazapyr Imazaquin Imazethapyr Imazamox Piridazinonas Norflurazon Triazolopirimidin 1.1 x 10-5 1. Perdas mínimas que não reduzem a eficácia do produto nãoincorporado. quanto maior a pressão de vapor. Perdas por volatilização são muito variáveis.1 x 10-2 4.1 x 10-4 3. Moderado.0 x 10-7 2. ou.0 x 10-7 < 2. Grupos químicos de desenvolvimento mais recente. como as dinitroanilinas e os tiocarbamatos.9 x 10-8 -16 PV (mm Hg. 1994).0 x 10-7 < 1.Herbicidas: comportamento no solo . Muito baixo 165 Módulo 3. podendo ser perdido em quantidades significativas quando não incorporado ou em solo úmido.5 x 10-8 1. Perdas ainda maiores se não incorporados e.

4 . hidrólise e oxidação) e transporte (ex: volatilização da solução e lavagem da atmosfera pela água da chuva) também são afetados pela extensão da solubilidade em água dos herbicidas.2. a quantidade máxima de herbicida que se dissolve em água pura a uma determinada temperatura. exceto quando solo está quente e não é ativado pela chuva por vários dias após a aplicação. No entanto. mesmo quando forem iônicas (KOGAN. 25 oC) 2. Acima dessa concentração.8 x 10-15 3. Hatzios (1998) e Rodrigues e Almeida (2005) 3. De modo geral.5 . a solubilidade de um herbicida e sua sorção no solo estão inversamente correlacionadas. maior a sua solubilidade. Insignificante. 1996). Dos vários parâmetros que afetam o destino e o transporte de herbicidas. quanto mais iônico. ou constante da lei de Henry.9 x 10-8 Insignificante. o aumento no peso molecular diminui a solubilidade.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Grupo Químico e Princípio Ativo as Flumetsulam Cloransulammetil Derivados da uréia Linuron Diuron PV (mm Hg. maior será a sua afinidade por água. 166 Módulo 3. Outros meios de degradação (ex: fotólise. em razão de apresentarem coeficientes de sorção para solos e sedimentos relativamente baixos. 3.4 . portanto.Solubilidade A solubilidade (S) de um herbicida em água é.Relação entre PV e S A combinação de PV e S pode ser expressa através de uma constante denominada KH. mais provável que o composto em questão seja solúvel. dependendo se o herbicida for um sólido ou um líquido na temperatura do sistema: uma fase saturada de solução aquosa e uma fase líquida ou sólida do herbicida (LAVORENTI. são. 2003). exceto quando é exposto a condições quentes e secas por vários dias. O KH é um coeficiente de partição entre o ar e a água (solução do solo). Moléculas altamente solúveis são rapidamente distribuídas no ciclo hidrológico. Quanto maior a quantidade de grupos hidrofílicos na molécula do herbicida (mais polares). maior solubilidade resulta em menor sorção.7 x 10-5 6. dentro de um mesmo grupo químico. Por sua vez. duas fases distintas existirão. pouco ou não solúveis.Herbicidas: comportamento no solo . * Atualmente não registrados para uso no Brasil Fontes: Adaptado de Ahrens (1994). Em geral. a solubilidade em água é um dos mais importantes. logo. sem carga. por definição. há casos em que moléculas de elevada massa molecular apresentam baixa solubilidade.0 x 10-16 Potencial de Volatilização Desprezível Muito baixo 1.2. isto é. moléculas orgânicas grandes. Seu valor geralmente é expresso em mg L-1 (normalmente a 25 °C) e é um reflexo da polaridade da substância química. PÈREZ.

Além disso. em virtude da alta concentração numa fina camada superficial do solo. Trabalhos feitos com outros herbicidas no campo mostram que as plantas podem remover de 2 a 5% do total de herbicida no solo (SHANER. Como a perda por volatilização é dada pelo produto de KH por concentração.Lixiviação O destino de herbicidas aplicados ao solo depende muito das propriedades químicas da substância em questão.3 . 3. podendo ser usado também como indicativo do potencial de volatilização de determinados herbicidas. Uma revisão bastante completa acerca das bases termodinâmicas e da determinação experimental de K¬H pode ser encontrada em Suntio et al. cujos valores elevados de KH indicam que os solutos são altamente voláteis A constante da lei de Henry é definida pela equação: KH e PV são constantes proporcionais. 3. etc. O KH é muito importante para os herbicidas na fase líquida do solo. A sorção regula o potencial de um herbicida ser Módulo 3. a absorção pelas plantas participa com pequena porcentagem na remoção do total presente no solo. mesmo compostos considerados não ou pouco voláteis podem apresentar certa perda. dependendo da densidade de plantas. do volume de solo. 1989). (1988).2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas sendo semelhante ao coeficiente de sorção (Kd) usado para descrever a sorção ao solo.4 . Experimentos em vaso demonstraram que as plantas podem absorver de 1 a 10% do total de herbicida disponível.Herbicidas: comportamento no solo 167 . podendo reduzir as suas perdas. Quando se realiza a incorporação do herbicida. 3. KH também pode ser usado como indicativo do potencial de volatilização de determinado herbicida.Absorção pelas plantas A porcentagem de herbicida que a planta absorve do solo é difícil de ser medida.4 .6 . das espécies presentes. Portanto. ocorre a diluição da concentração.Relação entre KH e incorporação de herbicidas A aplicação de um herbicida na superfície gera uma alta concentração numa fina camada de solo. a distância torna a difusão para a superfície do solo mais difícil. portanto. As duas propriedades mais importantes no que diz respeito ao processo de lixiviação são a sorção e a persistência do produto.

Em condições normais.1 Bromoxynil 1. em determinadas circunstâncias. mas. esses modelos têm contribuído na redução dos custos de análise e também na prevenção de desastres ambientais.4-D 5.9 Chlorotoluror 2.1 mg L-1 Águas de superfície Águas subterrâneas Isoproturon 19. (1984) propuseram uma relação entre o Koc e a meia-vida (t ½ vida) dos herbicidas.8 1. Cohen et al.4 0.1 Fonte: 4. como o realizado pelo National Center for Ecotoxicology and Hazardous Substances.1 a 1% do total aplicado.1 1.0 0.4 .6 Terbutryn 1. cujo critério é ainda utilizado pelo California Department of Food and Agriculture (CDFA).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas perdido com sedimentos ou por lixiviação.8 Bentazone 1.5 Isoproturon Diuron 10. embora solubilidades muito baixas possam limitar o transporte com a água. A solubilidade é de importância secundária.6 Benazolin 2.1 Dichlobenil 1. Entre os critérios mais divulgados e aceitos para a classificação de herbicidas conforme seu potencial de lixiviação está o índice GUS (Groundwater Ubiquity Score).5 Atrazine Mecoprop 12. alguns estudos têm sido realizados com o intuito de prever o potencial desses compostos de atingir rios. Quadro 12 – Percentual de amostras de águas avaliadas no Reino Unido que excederam o limite de resíduos permitido Herbicidas com % amostras excedendo 0. cuja equação a seguir estabelece que herbicidas com índice GUS<1. Em 1986. Widerson e Kim (1986) simplificaram essa caracterização e definiram que os herbicidas que possuíssem valor de Koc menor que 512 (L/kg) e meia-vida (t ½ vida) superior a 11 dias seriam classificados como lixiviadores.9 0.8 são considerados 168 Módulo 3. com o objetivo de verificar a contaminação das reservas hídricas por pesticidas.7 Atrazine 2. Entre os estudos realizados.4 Mecoprop Simazine 5. lagos e águas em profundidade. do Reino Unido apontaram alguns dos herbicidas com excesso de resíduos nas amostras de águas avaliadas (Quadro 12). Alguns estudos.4 Linuron Chlorotoluron 3. proposto por Gustafson (1989). esse percentual pode ser igual ou superior a 5% (Carter.6 Diuron CMPA 7. a quantidade do herbicida perdido pela movimentação no perfil do solo é geralmente entre 0. para classificá-los como lixiviadores (Koc < 300 (L kg-1) e t ½ vida > 21 dias) e não-lixiviadores (Koc > 500 (L kg-1) e t ½ vida < 14).Herbicidas: comportamento no solo . Embora empíricos. 2000).4 Environment Agency. 1999 Além das avaliações in locu.

entre outros. para que um herbicida seja lixiviado. o seu efeito sobre o meio ambiente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas como não-lixiviáveis. aminoácidos. sendo adotada por inúmeros estudos que buscam relacionar o potencial de lixiviação dos herbicidas no solo com a contaminação de lençóis freáticos. O índice é definido pela soma de inúmeros fatores: P (persistência). Recentemente. como argila.8 representam produtos lixiviáveis. 2001). cujo resultado final permite elencar os compostos em relação ao maior ou menor risco para o meio ambiente (Quadro 13). V (volatilidade) e IT (índice toxicológico). Kogan e Allister (2004) propuseram o IRA – Índice de Risco Ambiental.8 e 2.4 . cujo resultado representa.8 são considerados de potencial lixiviador intermediário: GUS = log t½ * (4 – log Kfoc) A equação utiliza os valores de t½ vida do herbicida e o coeficiente de sorção normalizado para teor de carbono orgânico do solo.Herbicidas: comportamento no solo 169 . Quadro 7 .Relação de herbicidas classificados conforme somatório obtido pelo IRA – Índice de Risco Ambiental Herbicida Trifluralin Hexazinona Paraquat Imazapyr Triclopyr Oxyfluorfen Linuron Sulfentrazone Isoxaflutole Haloxyfop Oryzlain Glyphosate Fluazifop Amônio-glufosinato Sethoxydim P 2 3 4 3 1 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 D 4 1 3 1 1 2 1 1 1 1 3 3 1 1 1 V 4 1 1 1 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 M 1 4 1 4 4 1 2 4 4 3 1 1 1 1 1 IT 4 2 2 2 2 3 3 2 2 3 3 2 3 2 2 IRA 15 15 11 11 11 10 10 10 10 9 9 8 7 6 6 Módulo 3. para que o fluxo hídrico consiga carrear o herbicida pelo perfil do solo (OLIVEIRA JR. peptídeos e açúcares. ele deve estar na solução do solo ou adsorvido a pequenas partículas. além de possuir t ½ vida elevada.. Entretanto. M (mobilidade). ácidos fúlvicos e húmicos de baixo peso molecular. D (dose). além da capacidade de lixiviação do herbicida. Aqueles com valores entre 1. ao passo que índices superiores a 2.

a qual é extremamente importante para predizer o risco de contaminação de lençóis freáticos. A equação anterior admite que a taxa de degradação diminui linearmente com o decréscimo da concentração. a constante de degradação. conforme fórmula que segue: t 1/2= 0. CO2 e compostos inorgânicos (MELTING. De forma geral.Processos de transformação Os processos de transformação das moléculas de herbicidas presentes no solo e água são decorrentes da degradação dessas moléculas em compostos secundários. pode-se estimar a t ½ vida. A persistência desses compostos é normalmente medida pela meia-vida (t ½ vida). Essa equação pode ainda ser simplificada assumindo que. A degradação de moléculas de herbicidas no solo e o conhecimento dos principais mecanismos responsáveis pela aceleração ou pelo retardamento do processo influenciam diretamente a persistência desses compostos no ambiente.4 . considera-se que resíduos de herbicidas no solo sejam quaisquer substâncias resultantes da sua aplicação.693/K Entretanto. como a apresentada a seguir. a degradação refere-se a um conjunto de transformações físicas. 4. Para modelos lineares. até a sua completa mineralização. nos quais somente uma linha de dissipação é apresentada. obtendo-se como produto final água. 1993). e. Co a concentração inicial e k. em que Ct representa a concentração no tempo t.1 . A t ½ vida é definida como o tempo necessário para que ocorra a dissipação de 50% da quantidade inicial do herbicida aplicado.Herbicidas: comportamento no solo .693. químicas e biológicas que levam à formação de metabólitos ou à completa mineralização das moléculas. o ln será igual a 0. os intervalos de tempo 170 Módulo 3. e K. Ct a concentração no tempo t.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . Essas substâncias podem incluir produtos de degradação (metabólitos). O seu cálculo deriva do modelo de primeira ordem definido pela equação: Ln C0/Ct = K * t em que C0 é a concentração inicial do herbicida.Persistência De forma prática. a constante de degradação. normalmente utilizam-se equações não-lineares de regressão (bi-exponen¬ciais) para o cálculo da t ½ vida de herbicidas no solo. além da própria molécula do herbicida. por análise de regressão linear. quando C0/Ct for igual a 2.

No Quadro 15 são mostrados os valores de meia-vida de alguns herbicidas em solos do Brasil.6 5. No entanto. 56 (1995) 22 Blanco et al. população de microrganismos presentes.7 2. (1993) 7-21 Ravelli et al.3 1.2 a t1/2 Referência (dias) Nakagawa et al.6 4. em muitos casos.4 4. dentro dos limites de uso agrícola.4 5.7 4. ambiente (temperatura e precipitação) e práticas culturais (sistema de plantio e doses aplicadas). a classificação de um herbicida como “persistente” ou “não-persistente” varia de acordo com o propósito da classificação. (1997) 8-13 Ravelli et al.2 5.0 Podzolico Vermelho-Amarelo 0-10 Chlorsulfur on Latossolo Eermelho-Escuro .Valores de meia-vida (t ½ vida) observados para alguns herbicidas em solos do Brasil Herbicida Tipo de solo Classe Latossolo Vermelho-Escuro Atrazine Glei húmico Simazine Trifluralin Metribuzin Latossolo roxo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Módulo 3. 1996).3 0. 9-12 (1982) 54-63 Novo et al. sua persistência é basicamente dependente de quatro fatores: solo (teor de carbono orgânico.7 2. (1997) 54 5-29 8-21 8-26 Ravelli et al. No Quadro 14 encontram-se exemplos de classificações adotadas na Inglaterra e no Brasil. a t ½ vida poderá ser alterada e maior quantidade do herbicida estará disponível no ambiente.8 6. (1997) Ravelli et al. Quadro 14 . (1997) 171 3. (1997) Campanhola et al.1 7.4 5. ao aumentar a dose de aplicação do herbicida.2 1. (cm) 0-14 0-10 0-30 50-200 0-40 100200 0-15 70-150 MO Argila Areia pH (%) (%) (H2O) (%) 45 28 17 39 47 44 47 48 61 48 56 40 63 72 20 48 46 44 28 27 27 24 5.8 5. Assim.Herbicidas: comportamento no solo Prof.6 0.4 . embora a t ½ vida sirva de parâmetro para avaliação do tempo de permanência do herbicida no ambiente.Exemplos de classificações de herbicidas quanto à persistência no solo Inglaterra Classe Não-persistente Levemente persistente Moderadamente persistente Muito persistente Fonte: Adaptado de Roberts (1996) e Foloni (1997) t1/2 (dias) <5 5-21 22-60 >60 Brasil (IBAMA) Classe Não-persistente Medianamente persistente Persistente Altamente persistente t1/2 (dias) <30 30-180 180-360 >360 Quadro 15 .6 9. pH e textura). (1997) Ravelli et al. para que o herbicida atinja e contamine águas superficiais e subsuperficias. (1997) 10-16 Ravelli et al. Ct =C0 * e -kt Sabe-se que valores altos de t ½ vida contribuem. Por outro lado.6 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas considerados podem fornecer estimativas e interpretações errôneas da t ½ vida de herbicidas (BLUMHORST.3 1. (1995) Nakagawa et al.8 4.

que pode ser definido como sendo os resíduos fitotóxicos que permanecem no solo e que venham a afetar culturas sensíveis plantadas em rotação após aquelas culturas em que foi utilizado o herbicida. Isso ocorre principalmente para compostos cuja degradação é fortemente influenciada pela atividade microbiológica do solo. Entre as principais formas pelas quais os herbicidas são degradados. É o caso do imazaquin em relação ao trifluralin.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nas Figuras 19 e 20 são encontrados exemplos de comportamentos de persistência de herbicidas em um Latossolo Roxo distrófico (LRd). Eventuais alternativas para minimizar o problema de carryover incluem a redução das doses (pode não resolver o problema em certos tipos de solos) e a aplicação em faixas ou dirigida em vez de em área total (reduz a quantidade total de herbicida aplicado).Herbicidas: comportamento no solo . as que seguem. Herbicidas com maior persistência podem resultar no fenômeno denominado carryover. a qual é reduzida à medida que se afasta da camada superficial do solo. podem-se citar. Observa-se que os herbicidas tendem a persistir por período mais prolongado quando lixiviam mais rapidamente para horizontes subsuperficiais.4 . 172 Módulo 3.

Herbicidas: comportamento no solo 173 . (1998) Módulo 3.4 . 150 (B) e 180 (C) DAA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 19 . provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de imazaquin Fonte: Silva et al.Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A).

150 (B) e 180 (C) DAA.4 . provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de trifluralin Fonte: Silva et al.Herbicidas: comportamento no solo .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 20 .Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A). (1998) 174 Módulo 3.

3 . como uma oxidação. O pH do solo também auxilia na velocidade da reação. a hidrólise química é responsável. A hidrólise representa um processo geral de reação do herbicida com a água. redução ou perda de um grupo funcional. envolvendo várias reações seqüenciais. A estabilidade desses herbicidas sugere que a hidrólise química não é um mecanismo importante na sua degradação no solo (SHANER. 1989). Esse fenômeno pode ocorrer em solos extremamente secos embora seja facilitada naqueles cuja condição se aproxima da sua capacidade de campo e com temperaturas elevadas.4 . em geral. Essa transformação pode ser primária. ou mais complexa.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. no qual ocorre a quebra de pontes químicas das moléculas herbicidas devido à substituição de um ou mais átomos por íons hidroxil da água (OH-).Degradação química A degradação ou decomposição de herbicidas no solo por meio de reações químicas e nãobiológicas são comuns para diversas moléculas. mas com potencialidade de ativação e toxidez.Herbicidas: comportamento no solo 175 . Estudos mais detalhados indicam que a biodegradação pode ser por: Alteração não-tóxica: conversão de uma molécula não-tóxica. Módulo 3. envolvendo mudanças estruturais na molécula.2 . de um substrato não-tóxico em uma molécula com ação biocida. As imidazolinonas. Embora para a grande maioria dos herbicidas aplicados ao solo os processos de degradação mediados por microrganismos sejam mais importantes. cujos principais mecanismos envolvidos são a oxirredução e hidrólise desses compostos. por exemplo são extremamente estáveis nas faixas de pH normalmente encontradas no solo e apresentam t ½ vida normalmente maior que seis meses. em um produto não-tóxico e desativado.Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação O termo biodegradação refere-se à transformação biológica de um composto químico orgânico em outra forma. implicando a perda ou alteração da toxidez da molécula. O fenômeno da recalcitrância (baixa degradabilidade no solo) é bastante complexo e regulado por outros fatores. podendo se tornar recalcitrante e mais tóxico. por ação enzimática. 4. Ativação: conversão. Conjugação: quando o substrato torna-se mais complexo pela adição ou complexação com metabólicos microbianos. pelo início de uma série de atividades degradativas que ocorrem no solo e torna-se indispensável para os processos de transformação das moléculas de herbicidas no solo. entre eles: • características estruturais do composto: quantidade de substituição e natureza do grupo introduzido no núcleo central da molécula. Detoxificação: conversão de uma molécula tóxica em um produto menos tóxico ou atóxico.

Sabe-se. diz-se que ocorreu um processo natural de adaptação metabólica. (2001) observaram a biodegradação acelerada de carbetamida por microflora adptada. sendo um dos maiores mecanismos envolvidos na degradação de herbicidas.. A rota primária de degradação das 176 Módulo 3. utilizando esse composto como fonte de C e N. Alteração do espectro de toxidez: alteração no composto que provoca alteração do grupo de organismos específicos sensíveis à sua ação. é mais abundante nas camadas superficiais do solo. Contudo. entretanto. a ação microbiana pode modificar a estrutura química do produto. os estudos ainda não permitem uma definição sobre a modificação ou atividade mircrobiana envolvida na degradação acelerada de herbicidas. com utilização do composto como fonte de carbono e energia.. Portanto. ainda. ou. Estes microrganismos podem utilizar os herbicidas tanto como substratos. Mineralização: considerado sinônimo de degradação. que a população microbiana. RAVELLI et al. os processos de biodegradação podem ocorrer em função da atuação de uma ou. NH3 e íons inorgânicos. Quando a biodegradação é acelerada. de que essa degradação seria devido ao aumento da atividade enzimática com maior ação degradativa sobre esses compostos. como fonte de energia (metabolismo). pois outros fatores ambientais precisam ser considerados na interpretação desses resultados. a segunda. onde tem maiores chances de ser biodegradado. 1997). • ausência de fatores de crescimento ou condições favoráveis para os microrganismos decompositores e • ausência de microrganismo(s) com capacidade metabólica (enzima) capaz de degradar o produto. representada principalmente por fungos e bactérias. Além disso. Entretanto. uma vez que está menos exposto ao contato direto com a microbiota do solo. • inacessibilidade do substrato às enzimas ou células microbianas capazes de promover a sua degradação. Simples degradação: transformação de uma substância tóxica complexa em produtos mais simples. SHELTON. diminuindo com a profundidade. esse fenômeno tem sido questionado a partir de duas considerações: a primeira é de que a degradação acelerada seria resultado do aumento do número de microrganismos selecionados pelo herbicida e. ele pode acabar tornando-se mais persistente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas desativação de sistemas enzimáticos responsáveis pelas alterações na molécula do produto no solo. 1996. avaliando a degradação de pesticidas em várias profundidades. de várias espécies de microrganismos do solo.4 . fornecendo nutrientes. observaram que a taxa de degradação diminui com a profundidade (VEEH et al. Vários autores. mais comumente. Diversas dessas moléculas têm sido descritas como condicionadoras da microbiota do solo para sua degradação (FELSOT. embora os produtos finais sejam CO2. Hole et al. Já Sanyal e Kulshrestha (1999) observaram a ação de diversos microrganismos na degradação acelerada de metolachlor. 1993).Herbicidas: comportamento no solo • . se um herbicida é lixiviado rapidamente da camada superficial do solo. 1996). H2O. sem fornecimento de energia para o seu crescimento (co-metabolismo) (MONTEIRO.

Geralmente a luz apresenta um papel de catalisador de reações químicas. a oxidação. superfície mineral. propriedades do solo (pH. clethodim. Módulo 3. ou decomposição pela luz. oxirredução. é a reação fotonucleofílica de hidrólise. o comprimento de onda efetivo na fotodegradação de herbicidas pode estar fora do espectro de absorção específico do composto. uma vez que a penetração de luz UV no solo é bastante limitada. aeração e micro/macrofauna) e as técnicas de aplicação. O processo de fotodecomposição. Outros exemplos de reações fotoquímicas comuns ocorrem nas bifenilas policloradas (PCBs). começa quando a molécula do herbicida absorve a energia luminosa.4 . são os mesmos que os encontrados em decorrência de processos enzimáticos. uréias substituídas (diuron. etc. a desalogenação. disponibilidade de nutrientes. possuem picos de absorção por volta de 370 nm. além das próprias culturas. algumas vezes. Além disso. por exemplo. Uma reação que também ocorre a partir da substituição de um halogênio de benzeno por uma hidroxila. Estudos de dissipação no campo mostram a perda rápida das imidazolinonas a partir do solo. Exemplos de herbicidas que sofrem fotodecomposição incluem o trifluralin. ou próximo disso. como hidrólise. Portanto. como as dinitroanilinas.Fotodecomposição ou fotólise A radiação solar na faixa do ultravioleta (290-450 nm) contém energia suficiente para causar transformações químicas dos herbicidas.. normalmente como os elétrons deslocados (cromóforos). podem afetar a persistência dos herbicidas. Fatores do ambiente (temperatura. cultivo e irrigação. a isomerização e a polimerização. as de maior ação sobre os herbicidas são: a hidrólise. parece ser a microbiana.Herbicidas: comportamento no solo 177 . monuron) e em pentaclorofenóis. paraquat. a qual depende da insaturação eletrônica. Compostos amarelados. vento e luz solar) podem afetar a transformação dos herbicidas tanto na água quanto no solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas imidazolinonas. Dentres as principais reações fotoquímicas. Embora a energia solar que chega à superfície do solo na faixa abaixo de 295 nm seja considerada desprezível. bentazon e atrazine em solução aquosa. as quais podem levar à sua inativação.4 . sendo a desalogenação a reação fotoquímica mais comum. Isso causa a excitação de elétrons e pode resultar na quebra ou na formação de ligações químicas. 4. umidade. Apenas aqueles herbicidas na ou próximos à superfície do solo ou sobre plantas serão passíveis de sofrerem fotodecomposição. e possui picos de absorção de luz na faixa do UV. estado de humificação da matéria orgânica. diquat. triasulfuron. a energia luminosa pode ser absorvida por uma molécula intermediária e transferida à molécula do herbicida por colisão. A maioria dos herbicidas apresenta coloração que tende ao branco. na presença de um agente nucleofílico em solução aquosa. e os produtos da transformação resultantes dessas reações. particularmente sob condições de alta umidade e temperatura.

Herbicidas aplicados à superfície do solo são freqüentemente perdidos. Monsanto e Rhone-Poulanc. Mais especificamente.que consiste simplesmente em manejar ao longo de um certo tempo a degradação dos contaminantes que ocorre por meio de processos naturais .Herbicidas: comportamento no solo . e indústrias multinacionais. A Figura 21 exemplifica as estruturas químicas de produtos de fotodegradação do metolachlor. 1998. Esta alternativa . acentuada pela temperatura elevada na superfície do solo. 178 Módulo 3. como Union Carbine. ou isoladamente.. nos últimos dez anos. se comprovada ao longo de um período de monitoramento. A volatilização.Estruturas químicas de quatro produtos de fotodegradação do metolachlor Fonte: Kochany e Maguire (1994) 5 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considera-se que os produtos da fotodegradação sejam similares aos produzidos por processos químicos e biológicos de degradação. 2003). No entanto. É possível que parte das perdas esteja relacionada ao processo de fotodegradação. 2005). Figura 21 . a degradação química e biológica e a sorção são alguns fatores que devem ser considerados para explicar o desaparecimento dos herbicidas do solo. como a norte-americana Phytotech e a alemã BioPlanta.tem-se mostrado viável nos casos em que ocorrem condições biogeoquimicamente favoráveis e pode ser efetiva na remediação de solos e águas subterrâneas quando utilizada paralelamente a outras tecno¬logias. outros fatores podem estar envolvidos.4 . especialmente se um período prolongado de seca acontece após a aplicação. surgiram nos EUA e em grande parte da Europa inúmeras companhias que exploram a chamada “fitorremediação” para fins lucrativos. DINARDI et al. tem-se mostrado que a atenuação natural monitorada pode contribuir significativamente para o controle e a redução da contaminação de solos e águas subterrâneas (FURTADO. que se beneficiam do emprego da fitorremediação em suas áreas de produção e de pesquisa (GLASS.Fitorremediação Recentemente.

QUEROL et al. de ambientes contaminados por metais pesados e derivados de petróleo. é no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Viçosa que se intensificam os estudos na área da fitorremediação de solos contaminados por herbicidas. Módulo 3. visando a descontaminação de ambientes (fitorreme¬diação) que apresentam resíduos de herbicidas em quantidade suficiente para causar interferência negativa nas diferentes atividades agrícolas ou comprometer a sustentabilidade ambiental. 2005. principalmente.. 5.. solventes halogenados. A técnica é bem utilizada para remediação de áreas contaminadas com metais pesados (FRANCO. podendo atingir cursos de águas subterrâneas. tem-se a fitorremediação (ACCIOLY. VROUMSIA et al. algumas empresas estatais e privadas.. SIQUEIRA. Portanto. Nesses estudos. de nutrientes e de substrato. os quais incluem a fitorremediação. bem como instituições de pesquisa.. incluindo compostos químicos aplicados para as diferentes atividades agrícolas. comprovadamente.. já se sabe que as espécies Stizolobium aterrimum e Canavalia ensiformis são. os herbicidas de longo efeito residual apresentam-se como principal problema à possibilidade de contaminação de culturas plantadas em sucessão e ao problema ambiental ocasionado por sua lixiviação direta ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo. A pesquisa referente à biorremediação (biodegradação) de áreas contaminadas por herbicidas é relativamente ampla e já bem consolidada. PROCÓPIO et al. 2003. Dessa maneira.. entre elas a Embrapa (2005).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Dentre os compostos de difícil degradação no solo. Petrobrás (2006) e Unicamp (FEA.Herbicidas: comportamento no solo 179 . 2003. No processo de biorremediação in situ dito “tradicional”. são estimulados a degradar os contaminantes seja por utilização da molécula como fonte de nutrientes ou por co-metabolismo. 2004. o termo biorremediação é amplamente utilizado para o processo de descontaminação de ambientes por microrganismos. pesquisam e exploram métodos de biorremediação. No Brasil. 2004a. b). As condições necessárias para essa degradação incluem a existência de receptores de elétrons. reduzindo-o ou até mesmo eliminando sua toxicidade. este trabalho abordará especificamente aspectos da técnica da utilização das plantas e sua microbiota associada. eficientes na descontaminação de áreas tratadas com os herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron e que o provável mecanismo envolvido na descontaminação seja a interação da fitoestimulação e da fitodegradação. mais recentemente. 2006). herbicidas (PIRES et al. em particular bactérias.. 2005.1 . microrganismos do solo.A fitorremediação como mecanismo de biorremediação A biorremediação é o processo de remediação in situ de áreas contaminadas que emprega organismos vivos (microrganismos e plantas.4 . incluindo o desenvolvimento de vários microrganismos comprovadamente eficientes na biodegradação de alguns compostos (BELLINASO et al. Quando se trata da descontaminação pela utilização de plantas isoladas ou estimulando a microbiota associada às suas raízes. compostos nitroaromáticos e. 2000). 2005). 2005). SANTOS et al. Contudo. principalmente) capazes de se desenvolverem em meio contendo o material poluente. YU et al.

A utilização da fitorremediação para descontaminação de ambientes com resíduo de herbicidas é baseada na seletividade. 1996). entre outros..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quando comparada com técnicas tradicionais. 1996).Herbicidas: comportamento no solo . 1996. natural ou desenvolvida. ou remoção física da camada contaminada. e • apresentam complexidade de análise diante das constantes transformações a que estão sujeitos. principalmente atrazine e metolachlor (ANDERSON et al.4 . em solos rizosféricos de Kochia scoparia. Em trabalho realizado por Arthur et al. 180 Módulo 3.. agrotóxicos. explosivos. BURKEN. foi comprovado que o solo proveniente da rizosfera de diversas espécies de leguminosas. Em trabalho realizado por Pires et al. Contudo. podem ainda sofrer parcial ou completa degradação ou ser transformados em compostos menos tóxicos. (2005). principalmente por sua eficiência na descontaminação e pelo baixo custo (PERKOVICH et al. no caso. hidrocar¬bonetos de petróleo. 2005).. em algumas plantas. é desenvolvido como agente para o controle do descontaminante. combinados e/ou ligados a tecidos das plantas (compartimentalização) (ACCIOLY. entre elas C. SIQUEIRA. constatou-se que. que atuam degradando o composto no solo... o que caracteriza. devem ser consideradas para o emprego da fitorremediação em áreas contaminadas por herbicidas: • são contaminantes orgânicos que apresentam diversidade molecular. Apesar de ser utilizada em solos contaminados com substâncias orgânicas ou inorgânicas. A seletividade deve-se ao fato de que os compostos orgânicos podem ser translocados para outros tecidos da planta e. ensiformis e S. (2000). volatilizados. COATS. subseqüentemente. contaminado com o tebuthiuron.. estimulando o efeito rizosférico na aceleração da mineralização de alguns herbicidas. que algumas espécies exibem a determinados compostos ou mecanismos de ação. as plantas. 2004. PROCÓPIO et al. de 193 dias. como a capacidade de metabolização do herbicida a um composto não-tóxico (ou menos tóxico) à planta e ao ambiente. 1994. o contaminante.. só recentemente tem-se apresentado como promissora técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas residuais (PIRES et al. como metais pesados. a fitorremediação tem sido considerada vantajosa. e em solos não vegetados. 2000.. SCHNOOR. a meia-vida do atrazine foi de 50 dias. SANTOS et al. entre outras. elementos contaminantes. PERKOVICH et al. 2001). a aptidão rizosférica para a biorremediação desses compostos. comparado ao solo não vegetado. 1996). na qual há o estímulo à atividade microbiana. CUNNINGHAM et al. no caso herbicida. como bombeamento e tratamento. solventes clorados e subprodutos tóxicos da indústria (CUNNINGHAM et al. ANDERSON. duas limitações. Citam-se ainda outros mecanismos. 1995. 1996. SCRAMIN et al. tolerantes a certos herbicidas. promovido pela liberação de exsudatos radiculares. Esse fato é de ocorrência comum em espécies agrícolas e daninhas. Apesar das facilidades observadas. Outros trabalhos relatam a contribuição das plantas.. apresentou maior atividade microbiana. aterrimum. um importante mecanismo de diminuição do herbicida por ação do fitorremediador parece ser a fitoestimulação. conhecido como fitodegradação. 2003. especialmente menos fitotóxicos.

fundamental para promover o carreamento do herbicida absorvido para a parte aérea das plantas. é sabido que valores de pH fora da faixa de neutralidade comprometem a atividade da microbiota do solo prejudicando diretamente os processos de fitorremediação. 2003).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Segundo Burken e Schnoor (1996). a absorção de compostos orgânicos. apesar de ter valores de pH mais altos que 6. 2000).0. de baixa reatividade (caulinita). (2003a) e de acordo com Brigss et al. o produto químico deve passar pelo simplasto da endoderme. interferem ainda a constante de acidez (pKa) e a sua concentração (ALKORTA.. como. Outras propriedades do solo podem intervir na fitorremediação e. com valores de Log Kow < 2. Solos com alto conteúdo deste mineral apresentam reduzida mineralização de atrazine. Módulo 3. conseqüentemente. levando à fitodegradação.4 . Para ser translocado. os efeitos benéficos nos processos de fitorremediação de herbicidas. Compostos que são mais hidrofóbicos.. REDDY et al. as substâncias húmicas são relatadas como as principais responsáveis pela sorção de herbicidas (PUSINO et al. Para atrazine verificou-se que sua mineralização aumentava rapidamente com o aumento do pH (HOUOT et al. Para certas características das plantas e condições ambientais. o conteúdo de argila. além dessa característica. CELIS et al. não passam através das membranas lipídicas associadas com as camadas da epiderme das raízes. Dos componentes da matéria orgânica do solo. 1992. vários outros fatores poderão influenciar a capacidade descontaminadora de espécies vegetais em programas de fitorremediação. Além disso. as pesquisas devem direcionar esforços para obtenção de melhores resultados para as áreas contaminadas com os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo. com Log Kow > 2. Maior conteúdo de matéria orgânica reduz as amplitudes de variação da temperatura e umidade do solo. logo. Walker et al. 2000).1. sendo maior a absorção quando o valor de Log Kow é de 2.5 a 3. (1996) estudaram a degradação de isoproturon. 1995. Dessa maneira. GARBISU.. no papel eficiente das plantas. 1995). ampliando dessa forma. como os herbicidas. com exceção do diuron em um dos solos.5 (HOUOT et al. Em revisão feita por Pires et al. (1982).1. o fluxo transpiratório. Compostos que são menos hidrofóbicos. a matéria orgânica constitui o principal contribuinte para a CTC. ligam-se às membranas lipídicas das raízes antes de entrarem no xilema. por exemplo. 1997). pelas plantas é afetada pelas propriedades químicas do composto.1 (PIRES et al. pelas condições ambientais e pelas características da espécie vegetal. além do mecanismo de ação. diuron e metsulfuron-metil na solução do solo e na fração adsorvida em dois tipos de solos e encontraram que a meia-vida destes produtos foi menor em solução que na fração adsorvida. incrementam-se também a biomassa e atividade microbiana e a biotransformação das moléculas dos herbicidas no solo (WEED et al. é maior quando o Log Kow do pesticida varia de 0.Herbicidas: comportamento no solo 181 . persistência e concentração do herbicida.. Todavia.. Nas condições tropicais em que os solos são altamente intemperizados com predomínio de óxidos e hidróxidos de Fe e Al e argilas silicatadas 1:1. Essa ligação ou exclusão leva a menor fluxo transpiratório sob valores de Log Kow que se distanciam de 2.. a absorção radicular de xenobióticos da água (em solução) está diretamente relacionada ao logaritmo do coeficiente de partição octanol-água (Kow) do composto. 2001).1..

reduzindo com isso o número de aplicações.este herbicida apresenta elevada mobilidade em solos com baixos teores de argila e de carbono orgânico. apresenta problemas de carryover na cultura do feijão cultivado em seqüência. Produtos como o trifloxysulfuron-sodium. Problemas resultantes dos processos de poluição e degradação dos recursos naturais por herbicidas têm recebido atenção especial.4 . Mesmo possibilitando o controle efetivo de plantas daninhas por um período de tempo maior. principalmente como resultado de aplicações seqüenciais ao longo dos anos na mesma área (CERDEIRA. para que se obtenha resultados satisfatórios. o período de espera. a contar da data de sua aplicação. SANTOS et al. que é recomendado para uso em pré-emergência na cultura da canade-açúcar. apresentam considerado efeito residual no solo. Existe ainda o impacto ambiental negativo ocasionado pela lixiviação dessas moléculas ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo. Outros herbicidas. sendo. 2005). fonte potencial para contaminação de aqüíferos. batata. Áreas contami¬nadas por estes e outros herbicidas persistentes no solo são prioritárias nos programas de fitorremediação. 1988) ou mesmo estender-se por mais de sete anos. Mesmo sendo recomendado em concentrações baixas (em torno de 7.. Também o tebuthiuron. ALMEIDA. quando simulada a reunião de todas as condições ambientais que favoreçam sua persistência (EMMERICH et al... 2005). Além disso.5 g ha-1) (RODRIGUES. existindo uma conscientização dos problemas ambientais ou de saúde que podem ocorrer devido à má utilização desses compostos químicos (SANTOS et al. portanto. OLIVEIRA. BOVEY. entre outras (RODRIGUES. 2005).Problemas relacionados aos herbicidas residuais Atualmente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5. as propriedades procuradas em um herbicida são sua pronta degradabilidade. 2005. 2005).1984). que é utilizado em mistura com o ametryn na cultura da cana-de-açúcar ou puro na cultura do algodão em pós-emergência inicial. como algodão. soja. tomate. ALMEIDA. feijão e soja quando cultivadas até dois anos após a sua aplicação. para o plantio de culturas sensíveis. é de aproximadamente oito meses. causando intoxicação às culturas de amendoim. eficiência em doses baixas. podendo atingir lençóis subterrâneos e se mover para outros ambientes com provável contaminação de outros ecossistemas. 1999). Sua persistência no solo pode variar de 11 a 14 meses em Latossolo Vermelho-Amarelo em lavouras de cana-de-açúcar (BLANCO. principalmente em sistemas agrícolas que necessitam utilizar esses produtos no manejo integrado de plantas daninhas (JAKELAITIS et al.2 . apresenta longo período residual. podendo chegar a até três anos o intervalo para o plantio de culturas sensíveis. especificidade e baixa toxicidade para os organismos não-alvos. 1987) de 15 a 25 meses em solo argiloso (MEYER. os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo proporcionam a ocorrência de toxicidade em culturas sensíveis (carryover) plantadas após sua utilização.Herbicidas: comportamento no solo . Contudo.. é essencial conhecer o tempo total necessário para a 182 Módulo 3. como picloram e imazapyr.

embora a maioria dos testes avalie plantas isoladas. São conhecidas espécies que se desenvolvem bem em todos os ambientes. a espécie vegetal ideal para remediar um solo contaminado por herbicidas seria uma cultura de alta produção de biomassa. que. • retenção do herbicida nas raízes. como oposto à transferência para a parte aérea. Dessa forma. • fácil colheita. • sistema radicular profundo e denso. sendo importante ressaltar algumas delas.3 . e • capacidade de desenvolver-se bem em ambientes diversos. solo seco. além da aptidão ecológica da espécie vegetal a ser empregada. PIRES et al. no caso da fitoestabilização. 1998.Herbicidas: comportamento no solo 183 . ao mesmo tempo ou subseqüentemente. • resistência a pragas e doenças. 1996. além dos procedimentos para o correto emprego da técnica. quando necessária a remoção da planta da área contaminada. entre outros fatores. daí a necessidade do conhecimento de estratégias que acelerem o processo de remediação. PERKOVICH et al. 1994. pedregoso.4 . concentração e/ou metabolização e tolerância ao herbicida. VOSE et al. Dessa forma. 1996.. Outro aspecto a ser observado é que. as vezes é muito longo. aquela que for selecionada deve reunir o maior número delas. SIQUEIRA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas descontaminação. visando efetivar e diminuir o tempo de descontaminação. a escolha de plantas que apresentem tolerância ao herbicida é o primeiro passo na seleção de espécies potencialmente fitorremediadoras. • fácil aquisição ou multiplicação de propágulos.. várias espécies podem. ACCIOLY. especialmente em árvores e plantas perenes. 2003). • capacidade transpiratória elevada. algumas características devem ser consideradas na escolha da espécie vegetal a ser utilizada em programas de remediação de áreas contaminadas por herbicidas: • capacidade de absorção. Módulo 3. com elevada umidade. como sugerido por Miller (1996). • fácil controle ou erradicação. que tanto pode tolerar como acumular o produto. • alta taxa de crescimento e produção de biomassa. 2000. Em essência. NEWMAN et al. evitando sua manipulação e disposição. O ideal seria reunir todas essas características numa só planta. porém. Com base nas análises apresentadas por diversos autores (FERRO et al. CUNNINGHAM et al.. 2000.Estratégias para o sucesso da fitorremediação O sucesso no emprego da fitorremediação como técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas depende da natureza química e das propriedades do composto.. a técnica pode apresentar algumas limitações de aplicação. de clima quente ou frio. para promoverem maior descontaminação. 5. ser usadas em um mesmo local. • elevada taxa de exsudação radicular...

. aterrimum da área contaminada com trifloxysulfuron-sodium. Santos et al. Também Pires et al. aterrimum.Herbicidas: comportamento no solo . Essas culturas são sensíveis à presença desse herbicida (RODRIGUES. ALMEIDA. 2005. (2006) constataram que a adição de composto orgânico ao solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron. 2004b). comparado ao mesmo solo não tratado com o herbicida. 2003a. após o período de remediação. Procópio et al. utilizada como bioindicadora da presença do herbicida. (2004). (2005) verificaram que o aumento da densidade populacional de S. Além dos fatores mencionados.. Belo et al. a fitoestimulação da microbiota associada à rizosfera (PROCOPIO et al. tratado com o trifloxysulfuron-sodium. 2006). 2005). indicando que o produto pode estar sendo degradado internamente nos tecidos (fitodegradação) ou inativado por outros mecanismos rízosféricos. evidenciando a contribuição da microbiota no processo de descontaminação. Nos trabalhos realizados por Procópio et al. além de melhorar o desenvolvimento das espécies vegetais S. as leguminosas C. Em outro trabalho.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nos trabalhos realizados até o momento no Brasil.4 . feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) e mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) promoveram a fitorremediação de solo contaminado pelo herbicida trifloxysulfuron-sodium. evidenciada pelo maior desprendimento de dióxido de carbono.. PROCÓPIO et al. 2005b. comprovando a eficiência na descontaminação. não interferiu no desenvolvimento posterior de plantas de feijão. (2006) observaram que o solo proveniente da rizosfera de S. semelhante ao solo isento do herbicida (Figura 24). visando a seleção de espécies vegetais com potencial para emprego em programas de fitorremediação de herbicidas (PIRES et al. aterrimum e C.. (2005) verificaram que. b. após a seleção de diversas espécies vegetais. 2004. ensiformis e Lupinus albus possibilitaram o pleno desenvol¬vimento de Avena strigosa. possibilitando o posterior desenvolvimento de plantas de milho e feijão. sendo. destacando-se a mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) e o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (Figura 23). outros mecanismos podem ser implementados no programa de fitorremediação visando maior eficiência no processo. possibilitou maior eficiência no processo de remediação por essas leguminosas. ensiformis e S. aterrimum promoveu maior descontaminação da área tratada com trifloxysulfuron-sodium. 184 Módulo 3. das várias espécies testadas tolerantes ao herbicida tebuthiuron. a permanência ou retirada da parte aérea das plantas de C. algumas especies vegetais utilizadas como cobertura do solo foram selecionadas (Figura 22). SANTOS et al. ensiformis. apresentou maior atividade microbiana. provavelmente.

Módulo 3. os quais. 7.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 22 – Etapa de seleção de espécies vegetais tolerantes ao trifloxysulfuron-sodium e ao tebuthiuron. em solos contaminados pelos herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron Figura 24 – Desenvolvimento de plantas de milho e de feijão em solo tratado com o herbicida trifloxysulfuron-sodium (0. visando a remediação Fonte: Procópio et al. o programa deve envolver.0. imobilizando ou tornando os contaminantes inofensivos ao ecossistema. associados às práticas agronômicas. amenizantes como a matéria orgânica do solo. para o sucesso da fitorremediação.Herbicidas: comportamento no solo 185 .5 e 15. visando a fitorremediação de solos contaminados por esses herbicidas Figura 23 – Desenvolvimento de mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) (A) e feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (B). agiriam em conjunto.0 g ha-1) (não-seletivo a essas culturas).4 . posteriormente cultivado (B) ou não (A) com mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). removendo. (2004) Para Accioly e Siqueira (2000). além do emprego de plantas e sua microbiota associada.

principalmente em solos brasileiros. 2003. KHAN. e até proteínas para usos em rações (DINARDI et al. Contudo. como papel. com o objetivo de prevenir quanto aos possíveis distúrbios ambientais provocados por esses compostos. Em se tratando de ambientes aquáticos. 1993. Entre os herbicidas. ração animal. Além disso. Esse fato denota a importância de pesquisas.. sendo comumente detectado após um ano. 2005). os quais são responsáveis pelo destino final desses compostos. nos programas de fitorremediação de herbicidas. principalmente no solo. havendo possibilidades de reciclagem da biomassa produzida. solubilidade de baixa para moderada em água (RODRIGUES. espera-se maior aceitação de métodos de descontaminação in situ. dos fatores climáticos envolvidos e dos mecanismos de interação herbicida–ambiente nem sempre representa o comportamento constatado em condições naturais a campo. hidrólise lenta. O tema cresce em complexidade na medida em que se tenta selecionar espécies vegetais que apresentem. que visam o menor impacto negativo ao ambiente. devido às suas características físico-químicas.Herbicidas: comportamento no solo . Este herbicida apresenta alta persistência no solo. além da possibilidade de inoculação de microrganismos junto à semeadura das plantas. ALMEIDA. o sucesso do tratamento empregando planta aquáticas vai além do baixo custo. alto potencial de escoamento. 1998). Nessa área. Contudo. e uma abordagem detalhada da sua dinâmica seria difícil diante dos diversos interferentes relacionados ao seu comportamento. essa técnica é 186 Módulo 3. apesar de já ser bem conhecido o processo de biodegradação do atrazine por diversos microrganismos (BEKHI et al. 1986). depende do somatório de diversos processos envolvidos. BEKHI. absorção moderada à matéria orgânica e argila. fabricação de diversos produtos. a fitorremediação surge como opção para o tratamento eficiente de solo e água contaminados por herbicidas de difícil decomposição nesses ambientes. podendo ser utilizada como fertilizante. poucos são os trabalhos que apontam soluções para fitorremediação deste composto em ambientes aquáticos (MARCACCI. graças à atual preocupação na viabilidade das técnicas integradas de manejo. como o picloram e outros. 2005). por perturbarem menos o ambiente. GLASS. além da capacidade remediadora.Considerações finais O comportamento de herbicidas no ambiente. são pesquisas já iniciadas e fornecerão dados para maior eficiência nos processos de descontaminação de áreas que apresentam resíduos de outros herbicidas comprovadamente persistentes no ambiente. geração de energia.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Manejo da irrigação. outros benefícios para o agricultor. retenção e transformação que ocorrem com as moléculas representa a capacidade de contaminação e persistência destas no meioambiente.4 . incremento na população e número de espécies vegetais. o atrazine oferece elevado risco de contaminação de aqüíferos. O resultado dos processos de transporte. 6 . baixa pressão de vapor. O que se observa é que o conhecimento teórico das propriedades dos compostos do solo.

As implicações são claras: entendendo como os herbicidas e outros pesticidas aplicados ao solo se comportam. a identificação dos problemas de contaminação e as opções de recuperação do ambiente afetado. um dos motivos pelo qual deve ser mais estudado. comparada a outros processos de descontaminação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas relativamente barata. torna-se possível sua utilização com eficiência técnica e econômica. podendo ser aplicada a grandes áreas.Herbicidas: comportamento no solo 187 . quando todos os fatores envolvidos interagem. sem dúvida. Embora o tema seja muito abrangente. este é. Módulo 3.4 .

746-749. 2.. R. F. T... P. J. 188 Módulo 3. Degradation of atrazine by Pseudomonas: N-dealkylation and dehalogenation of atrazine and its metabolites. J.. v. J. A. COATS. n.. Soil Poll. T. J.. p. TOPP. Air. R. 1993. (Eds. 1. J. 1997. A. Champaign: Weed Science Society of America.. B. ARTHUR. A. ANDERSON.. R. 1551 1557. Fitorremediação de herbicidas em solo enriquecido com matéria orgânica. BLANCO.. Environ. 2006 (Em fase de publicação) BLANCO. HENRIQUES. M. C. Chemosphere. E. G. F... E. A. B. T. 273-276. p. DICK. 119. 1994.. T. GREER. BELO. S. L. 1995.). v. In: NOVAIS. D. A.. W. 1994. Can.. Food Chem. p. M. Water. SILVA.. BLANCO. OLIVEIRA. R. H.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Referências bibliográficas ACCIOLY. Soil Sci. LEIDY. J. BEHKI. M. v. 1994. J. F. Degradation of an atrazine and metolachlor herbicide mixture in pesticide-contaminated soils from two agrochemical dealerships in Iowa. M. BOWMAN. S. p.. C. 1. 2003. ALKORTA. 1987. M. Contaminação química e biorremediação do solo. 28. E.. 352 p. 43. W. KRUGER. v. G. Food Chem. Pesq. 75-90. A. G.ed. G. 1986. 59-66. SIQUEIRA.. Screening rhizosphere soil samples for the ability to mineralize elevated concentrations of atrazine and metolachlor. v. J. J. 473-484. Planta Daninha. v... A. 681-687. 2000. Degradation of atrazine. A.B. BELLINASO. D. p. J. 191-194. A. Herbicide handbook. 74. AFYUNI.. H. Runoff of sulfonylurea herbicides in relation to tillage system and rainfall intensity.. n. B. Health.. ALVAREZ V. v. E.. Transport of herbicides and nutrients in surface runoff from cropland in Southern Ontario. M. Agropec.. Biodegradation of the herbicide trifluralin by bacteria isolated from soil. J. AHRENS. Technol. MACHADO. 7. W. p. L. R. WAGGER. p. 26. ANDERSON. Qual. GARBISU. Biores. 34. Enhanced degradation of a mixture of three herbicides in the rhizosphere of a herbicide-tolerant plant. PERKOVICH. v. Viçosa. and simazine by Rhodococcus strain B-30. V. WALL.. J. E. SANTOS. 1237-1241. p. H. B. v. propazine. p. T. p. 42. FERREIRA. v. Planta Daninha. Sci. 130-140. C. U. M. FEMS Microbiology Ecology. C.4 . n. M. 1997.. PERALBA. v. v. Environ.. 2. Persistência e lixiviação do herbicida simazina em solo barrento cultivado com milho. M. A. R. Agric.. BEHKI. GERMON P. n.. 15... 2001. Phytoremediation of organic contaminants in soils... Bras. 1318-1326. SANTOS. J. COATS. L. R. O. Persistência de herbicidas em Latossolo Vermelho-Amarelo em cultura de cana-de-açúcar. 5. KING. R. 299-352. MG: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. 30. I. L. KHAN. Agric. p. J. SCHAEFER... C. R. C. 22. ANDERSON. A.. 2000. 79. G.Herbicidas: comportamento no solo . Tópicos em ciência do solo. p. GAYLARDE. COATS. R.

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

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192 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; PROCÓPIO, S. O.; CECON, P. R.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A. Seleção de plantas tolerantes ao tebuthiuron e com potencial para fitorremediação. Revista CERES, v. 50, n. 291, p. 583-594, 2003b. PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; QUEIROZ, M. E. L. R.; PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A.; CECON, P. R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de tebuthiuron. Planta Daninha, v. 21, n. 3, p. 451-458, 2003a. PIRES, N. M.; OLIVEIRA JR., R. S.; PAES, J. M. V., SILVA, E. Avaliação do impacto ambiental causado pelo uso de herbicidas. Viçosa, MG: Sociedade de Investigações Florestais, 1995. 22 p. (Boletim Técnico SIF, 11). PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A. A.; SANTOS, E. A. Fitorremediação de solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium por mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). Planta Daninha, v. 23, n.4, p. 719-724, 2005a. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A.A.; SANTOS, E. A.; CARGNELUTTI FILHO, C. Development of bean plants in soil contaminated with the herbicide trifloxysulfuron-sodium after Stizolobium aterrimum and Canavalia ensiformis cultivation. Crop Protection, 2006 (em fase de publicação) PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A. Potencial de espécies vegetais para a remediação do herbicida trifloxysulfuronsodium. Planta Daninha, v. 23, n. 1, p. 9-16, 2005b. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A.; FERREIRA, L .R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de solos contaminados com o herbicida trifloxysulfuron sodium. Planta Daninha, v. 22, n. 2, p. 315322, 2004. PUSINO, A. et al. Influence of organic matter and its clay complexes on metolachlor adsorption on soil. Pesticide Science, v. 36, p. 283-286, 1992. QUEROL, X.; ALASTUEY, A.; MORENO, N.; ALVAREZ-AYUSO, E.; GARCÍA-SÁNCHEZ, A.; CAMA, J.; AYORA, C.; SIMÓN, M. Immobilization of heavy metals in polluted soils by the addition of zeolitic material synthesized from coal fly ash. Chemosphere, v. 62, n. 2, p. 171-180, 2006. RAVELLI, A.; PANTANI, O.; CALAMAI, L.; FUSI, P. Rates of chlorsulfuron degradation in three Brazilian soils. Weed Res., v. 37, p. 51-59, 1997. REDDY, K. N. et al. Chlorimuron adsorption, desorption and degradation in soils from conventional tillage and no-tillage systems. Journal of Environmental Quality, v. 24, p. 760 767, 1995. ROBERTS, T. R. Assessing the environmental fate of agrochemicals. J. Environ. Sci. Health, B, v. 31, n. 3, p. 325-335, 1996. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR, 2005. 648 p. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR: Grafmarke, 2005. 591 p.
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 193

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194 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Leandro Vargas Profº. Evander Alves Ferreira

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
196 Módulo 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas

204 5 .Culturas transgênicas.4 – Dinitroanilinas.Inibidores de ACCase. 231 Módulo 3.Herbicidas: resistência de plantas 197 .Absorção e translocação.Características da resistência por grupos herbicidas.Resistência múltipla. 203 4 .Alteração do local de ação. 201 1. 217 10.2 – Metabolização.Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate. 202 2 .2 – Bipiridílios.Pressão de seleção.1 . 215 10.1 .Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida.Variabilidade genética. 213 10.7 – Triazinas.A resistência de plantas daninhas no Brasil.Diagnóstico da resistência a campo. 215 10. 213 10.5 . 211 9 . 202 3 . 210 8 .Manejo da resistência a herbicidas.Derivados da glicina.4 .1 .6 . 214 10. 208 5. 219 13 . 209 6 .Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas. 225 15 .8 . 214 10.1 – Auxinas.Mecanismos que conferem resistência.Evolução da resistência. 200 1. 198 1 .Como evitar a resistência. 216 10.Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas. 208 5. 201 1. 200 1. 221 14 . 218 11 .5 .Como confirmar a resistência. 225 14.Inibidores de ALS.Fatores que favorecem o surgimento da resistência.3 – Compartimentalização.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.3 . 209 7 .2 . 229 16 .Uréias/amidas.Resistência cruzada. 212 10 . 230 Referências bibliográficas. 218 12 .Comentários finais.

9% resistem aos herbicidas inibidores da ALS. 7% às uréias e amidas. 8. o Brasil é um dos maiores mercados do mundo. Em conseqüência. ao fato de que o controle químico tem sido eficiente. hoje está se tornando prática comum até entre os pequenos.1% às auxinas sintéticas. sendo o quinto no "ranking" de vendas de agrotóxicos. nos Estados Unidos.5 . no Canadá. 28. havia mais de 100 espécies reconhecidamente resistentes em aproximadamente 40 países (HEAP.5% às dinitroanilinas e os 198 Módulo 3. há aproximadamente 284 biótipos de plantas daninhas que apresentam resistência a um ou mais mecanismos herbicidas (Quadro 1). 1977) Em menos de 30 anos. Na atualidade. a população de plantas resistentes pode aumentar até o ponto de comprometer o nível de controle (HRAC. e Daucus carota. possui custo atrativo. Estudos posteriores demonstraram que esta espécie era resistente a todas as triazinas. 1998). No que se refere aos defensivos agrícolas. Destes biótipos. 1997). 1979). onde os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF 2005). Muitos outros casos foram relatados em diferentes locais do mundo e. 2005). 11. principalmente por grandes agricultores. Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES. e a tendência de uso desses compostos é de aumento.. O largo uso de herbicidas deve-se. ALMEIDA. Depois disso. 22. Uma das conseqüências do uso indiscriminado desses métodos tem sido o desenvolvimento de muitos casos de resistência a tais compostos por diversas espécies daninhas. principalmente. no estado de Washington (EUA).7% aos bipiridílios. 7. uma vez que essa tecnologia. os demais métodos de controle têm sido deixados de lado. após o primeiro caso de resistência. em diferentes países (RADOSEVICH. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. está prontamente disponível e profissionalmente desen¬volvido. foram descritas em gêneros como Amaranthus e Chenopodium.Herbicidas: resistência de plantas . 1970). 1998a). com resistência a triazinas. A constatação da resistência de plantas daninhas aos herbicidas começou em 1957 com a identificação de biótipos de Commelina difusa. resistentes a herbicidas pertencentes ao grupo das auxinas (WEED SCIENCE.9% às triazinas. Dessa maneira.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O controle de plantas daninhas com uso de herbicidas é prática comum na agricultura mundial. foram descobertos biótipos de Senecio vulgaris resistentes a simazine (RYAN. os agricultores depositam confiança excessiva no controle químico das plantas daninhas. O uso repetido de um herbicida exerce uma pressão de seleção que leva ao aumento do número de indivíduos resistentes na população. 3.6% aos inibidores da ACCase. Esses biótipos pertencem a 171 espécies e estão distribuídos em 59 países. devido a uma mutação nos cloroplastos (RADOSEVICH et al. várias outras espécies. atualmente. Já em 1970.

As razões do não-surgimento de plantas daninhas resistentes. A resistência de plantas daninhas a herbicidas assume grande importância. 67% dos casos de resistência documentados eram de biótipos resistentes às triazinas. das triazinas e existentes atualmente. Quadro 1 – Ocorrência de biótipos de plantas daninhas resistentes a diferentes grupos herbicidas Exemplo de herbicida Inibidores da ALS Inibição da acetolactato sintase (ALS) Clorsulfuron Inibidores do Fotossistema Inibição da fotossíntese no Atrazine II fotossistema II Inibição da acetil carboxilase Inibidores da ACCase Diclofop-methyl (ACCase) Bipiridílios Aceptores de eletrons do FSI Paraquat Auxinas sintéticas Ação semelhante ao ácido indolacético 2. uréias e Branqueamento – inibição da Amitrole isoxazolidionas biossíntese de carotenóides Glicinas Inibição da EPSP sintase Glyphosate Inibição da divisão celular (inibição de Butachlor Chloracetamidas ácidos graxos de cadeias longas) Outros Diversos Diversos Total de biótipos de plantas daninhas observados no mundo Fonte: Adaptado de Retzinger. já que.3% restantes aos demais grupos de herbicidas.Herbicidas: resistência de plantas 199 . Em 1983. benzotiadiazinas e ftalimidas. a estes grupos de herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. aos auxínicos. Isso ocorre para diversos biótipos de grande ocorrência em diversas partes do mundo tornando cada vez mais difícil e oneroso o controle desses biótipos. são dois ou mais os mecanismos que precisam ser substituídos. o controle dos biótipos resistentes com uso de herbicidas é seriamente comprometido. porém acredita-se que esteja relacionado com o seu modo de ação. restringindo esta prática a outros métodos menos eficientes. princi¬palmente quando não existe ou existem poucos herbicidas alternativos para serem usados no controle dos biótipos resistentes. Essas proporções mudaram com a introdução no mercado dos novos grupos herbicidas inibidores de ALS e ACCase. e os demais mecanismos somavam 8%. A ocorrência de resistência múltipla agrava ainda mais o problema. Acredita-se que o maior número de biótipos resistentes aos herbicidas dos grupos inibidores de ALS. à eficiência e à grande área onde são empregados.4-D Uréias e amidas Inibição da fotossíntese no FS II Chlorotoluron Dinitroanilinas e outros Inibição da formação dos microtúbulos Trifluralin Inibição da síntese de lipídios – não da Thiocarbamatos e outros Trialate ACCase Triazoles. aos bipiridílios. Não foram encontradas citações de plantas daninhas resistentes aos herbicidas perten¬centes aos grupos ariltriazolinonas. Assim. neste caso. até o momento. 13%. não são claras. citado por HRAC (2004) Grupo de herbicida Mecanismo de ação Total ocorrência 82 65 33 22 23 20 10 8 4 6 2 7 284 Módulo 3. se deve à alta especificidade.5 . apesar do longo tempo de introdução no mercado. 12%.

A probabilidade de ocorrer erros na replicação do DNA. O DNA é um cordão de genes (SUZUKI et al. A atividade da enzima pode ou não ser modificada.. pode originar uma enzima com características funcionais distintas ou não da original. a probabilidade de as suas características cinéticas serem modificadas é grande. As etapas para produção de uma proteína são a transcrição.5 . mesmo remota.Alteração do local de ação As informações genéticas de um organismo estão contidas em seu material genético (DNA). A ocorrência de erros na replicação ou transcrição da fita do DNA. entretanto. porém não a posição do gene individualmente” (BREWBAKER. Biótipos resistentes podem ocorrer em uma população de plantas daninhas como resultado de mutações que provocam alterações no local de ação do herbicida (BETTS et al. e cai para 10-9 pela ação das enzimas reparadoras (SUZUKI et al. a maioria delas é deletéria e a evolução só é possível porque algumas delas podem ser benéficas em determinadas situações (SUZUKI et al. que é a cópia do DNA pela enzima DNA polimerase. teoricamente. A mutação é um processo biológico que vem ocorrendo desde que há vida no planeta. 1992). Na tradução do RNAm.. formando o RNA mensageiro (RNAm). 1992).. Os genes. que não provoquem a morte do indivíduo. Se o aminoácido alterado for o ponto ou um dos pontos de acoplamento de uma molécula herbicida. multiplicação do material genético. durante o crescimento do indivíduo é de cerca de 10-4. 1992). 1992). e a ocorrência de mutações que provoquem inserção. 1992). afirmando que são “aquelas mudanças bruscas hereditárias que alteram a atividade. e a tradução do RNAm com a montagem da proteína pelo ribossomo. resultando em uma proteína mutante.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . A alteração de uma base nitrogenada. O DNA é uma dupla hélice formada por bases nitrogenadas púricas (adenina e guanina) e pirimidicas (timina e citosina) que formam os genes. deleção ou substituição de uma base nitrogenada podem alterar um ou mais aminoácidos da proteína a ser formada. A grande maioria das alterações que ocorrem no DNA. serão repassadas aos seus descendentes. cada trinca de bases nitrogenadas codifica um aminoácido que comporá a futura proteína. Os erros de replicação e as lesões espontâneas geram a maior parte das mutações por substituição de base e mudança da matriz de leitura (SUZUKI et al.Mecanismos que conferem resistência 1. 1992). existe. estando na dependência de qual aminoácido foi alterado.. A seqüência linear de nucleotídios em um gene determina a seqüência linear de aminoácidos de uma proteína (SUZUKI et al. Mutação foi definida por De Vries como mudanças repentinas e hereditárias. são responsáveis pela codificação das proteínas. este produto 200 Módulo 3. Caso ele componha o centro ativo da enzima.Herbicidas: resistência de plantas . é preferível restringir... mutação de ponto. contudo. 1969).1 . a possibilidade de erro. longas e específicas seqüências de bases nitrogenadas. na tradução do RNAm.

A luz ultravioleta e o oxigênio são mutagênicos (BREWBAKER. devido a uma ou mais alterações na estrutura deste local. 1992). antes de serem lançados no mercado. mais rapidamente do que plantas sensíveis.3 . ou. a molécula herbicida.2 .: plantas resistentes ao paraquat). tipo de molécula e. um herbicida que anteriormente era eficiente em inibir uma determinada enzima deixa de ter efeito sobre esta. como o vacúolo (ex. já que estes produtos. que a mutação possa ocorrer por ação de algum herbicida ou outro defensivo agrícola (KISSMANN. como é o caso da resistência de Lolium rigidum a triazinas e inibidores de ACCase. com as formas alélicas do gene. Módulo 3. 1996). ou é removida das partes metabolicamente ativas da célula e armazenada em locais inativos.Metabolização A planta resistente possui a capacidade de decompor. a não ser que ela apresente outros mecanismos de resistência. 1. Desse modo. Logicamente que. se o herbicida possuir mais de um mecanismo de ação. 1. ou seja. Não há evidências. como o sol. conforme relatam Sathasivan et al. são avaliados quanto à sua capacidade mutagênica. e é muito improvável. Acredita-se que os herbicidas não sejam capazes de provocar mutações. Fontes externas de radiação. 1969). e a planta torna-se resistente àquele herbicida e a outros que se ligam da mesma forma àquela enzima. Contudo. resistência múltipla. que podem estar relacionados com o tipo de mutação ocorrida. o tipo de mecanismo que está proporcionando a resistência. a planta pode morrer pela ação do(s) outro(s) mecanismo(s). podem provocar mutações no DNA. Alteração do local de ação significa que a molécula herbicida diminui sua capacidade de inibir esse ponto.5 . tornando-a não-tóxica. tornando-se inativa. Esse é o mecanismo de tolerância a herbicidas apresentado pela maioria das culturas. Como exemplo. (1991). em uma população de biótipos resistentes ocorrem diferentes níveis de resistência ou de susceptibilidade. Uma pequena alteração no polipeptídio pode resultar em um grande efeito sobre a afinidade com a molécula herbicida (BETTS et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pode perder a atividade inibitória sobre esta nova enzima. têm-se plantas daninhas resistentes aos inibidores de ALS..Herbicidas: resistência de plantas 201 .Compartimentalização A molécula é conjugada com metabólitos da planta. A resistência de Arabidopsis thaliana às imidazolinonas se deve à alteração de um aminoácido da enzima ALS.

Esses mecanismos podem. isoladamente ou associados. tolerante ou resistente a um herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. também confere resistência a outras moléculas de diferentes grupos químicos. necessariamente. Já a tolerância é uma característica inata de uma espécie. Uma planta é sensível a um herbicida quando o seu crescimento e desenvolvimento são alterados pela ação do produto.Herbicidas: resistência de plantas . Também podem existir variações no nível de resistência cruzada dos biótipos a herbicidas de grupos diferentes. mesmo sofrendo injúrias. PRESTON. controlam os membros da população. que agem no mesmo local na planta (POWLES.Resistência cruzada A resistência cruzada pode ser conferida a um biótipo por qualquer dos mecanismos que conferem resistência.4 . em que as plantas são capazes de sobreviver e se reproduzir após o tratamento herbicida. proporcionar tolerância ou resistência a herbicidas. toleram mais ou menos um determinado herbicida. de uma população de plantas. de sobreviver a determinados tratamentos herbicidas que. não chegando a ser suficiente para controlar a planta (ex. 1998).: plantas resistentes aos bipiridílios). A resistência cruzada ocorre quando um biótipo é resistente a dois ou mais herbicidas. a resistência é a capacidade adquirida de alguns biótipos.Absorção e translocação A absorção e a translocação são alteradas e. mesmo que pertencentes a diferentes grupos químicos. uma planta sensível pode morrer quando submetida a uma determinada dose do herbicida. Biótipos de Lolium rigidum e Kochia scoparia. que possuem resistência cruzada a herbicidas inibidores de ALS. Desse modo. devido a apenas um mecanismo de resistência. no ponto de ação de um herbicida. Por outro lado. uma planta daninha pode ser sensível. resistência a herbicidas de todos os grupos químicos que possuem o mesmo local de ação. Em uma população de plantas vão existir aquelas que. sob condições normais. quando as plantas resistentes possuem dois ou mais mecanismos distintos que conferem resistência. A resistência pode ser cruzada ou múltipla. A resistência pode ocorrer naturalmente (seleção) ou ser induzida com uso de técnicas de engenharia genética. Relaciona-se com a variabilidade genética natural da espécie. cultura de tecidos ou de agentes mutagênicos. A resistência cruzada conferida pelo local de ação ocorre quando uma mudança bioquímica.5 . Assim. 2 . naturalmente. A resistência cruzada não confere. assim. são resistentes a herbicidas de diferentes grupos químicos e com diferentes mecanismos. a quantidade de herbicida que atinge o local de ação é bastante reduzida. e a resistência múltipla. apresentam 202 Módulo 3. assim.

um exemplo são biótipos de Alopecurus myosuroides encontrados na Austrália. da prolina 173. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. imazamethabenz.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diferentes níveis de resistência aos diferentes grupos herbicidas que agem inibindo a ALS. de forma semelhante à que ocorre na cultura do trigo. 1998). Conrudo. Isso se deve a pequenas diferenças de ligação entre a enzima e a molécula herbicida e a diferentes mutações que ocorrem no gene que codifica a enzima ALS (POWLES. Já os casos mais complexos são aqueles em que dois ou mais mecanismos conferem resistência à diversos herbicidas de diferentes grupos químicos. que é resistente a vários herbicidas inibidores da ALS. devido à rápida metabolização da molécula por arilhidroxilação catalisada pelo Cyt P450 monoxigenase. encontrados na Austrália. Biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. 1998). é exemplificada por biótipos de Lolium rigidum. Foi detectado. 1998).Herbicidas: resistência de plantas 203 . resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. e futuro. devido a outros mecanismos. A conjugação da molécula herbicida com glicose também foi encontrada. que não exibem alterações na enzima. selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona. já foram encontradas outras alterações na ALS tanto no centro ativo A como em outras partes da enzima (POWLES. no centro ativo A da ALS. dois ou mais mecanismos conferem resistência à apenas um herbicida ou a um grupo de herbicida. relacionado a resistência de plantas daninhas a herbicidas. Acredita-se que as moléculas não-metabolizadas sejam imobilizadas ou armazenadas de forma a evitar sua ação sobre a enzima. O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. as dificuldades de controle dos biótipos resistentes aumentam ainda mais quando os mecanismos que conferem a resistência estão relacionados com o local de ação e com outros mecanismos como o metabolismo. é necessário empregar misturas de herbicidas que não tenham sua atividade afetada pelos mecanismos de Módulo 3. pendimethalim e simazine. PRESTON.Resistência múltipla A resistência múltipla é o maior problema atual. PRESTON. PRESTON. 3 . O metabolismo de herbicidas inibidores de ACCase e ALS é realizado pelo Cyt P450. Além disso. aumento da taxa de metabolismo dos herbicidas (POWLES. Nos casos mais simples. em biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores do FSII. A resistência cruzada. mas apresentam pequenos aumentos no metabolismo do herbicida diclofop. As mutações já analisadas mostram substituição. Para controlar estas plantas daninhas. 1998). PRESTON. que resistem a 15 herbicidas diferentes.5 . entre eles diclofop.

o caso mais complicado de resistência múltipla. 1992).. O surgimento de plantas daninhas resistentes a herbicidas é um exemplo de evolução de plantas como conseqüência de mudanças no ambiente provocadas pelo homem (MAXWELL. 1992). Muitas evidências sugerem que o aparecimento de resistência a um herbicida. 1990). e resistentes a chlorsulfuron.5 . as freqüências dos vários tipos. Contudo. pode ser resumida em três princípios: o da variação: existem variações morfológicas. provocando mudanças na flora de algumas regiões. Existem biótipos de Lolium rigidum resistentes a herbicidas inibidores de ALS. Em geral. Os biótipos de A. em uma população de plantas. 1998). LEBARON. ALS e FSII e possuem ACCase e ALS mutadas (POWLES.Evolução da resistência A teoria da evolução de Darwin. 1998). PRESTON. PRESTON. através da seleção natural. a população da próxima geração terá uma freqüência elevada dos tipos que tiveram maior sucesso em sobreviver e se multiplicar nas condições ambientais vigentes. o da hereditariedade: a prole parece mais com seus pais do que com indivíduos não-aparentados. e o da seleção: algumas formas apresentam maior sucesso na sobrevivência e reprodução do que outras. Biótipos de Lolium rigidum e Alopecurus myosuroides constituem casos complexos. MORTIMER. por causa da pressão de seleção exercida por repetidas aplicações de um mesmo herbicida.Herbicidas: resistência de plantas . Desse modo. irão mudar com o tempo e os indivíduos mais bem adaptados ao ambiente tornam-se predominantes (SUZUKI et al. encontrado na Austrália. O uso repetido de herbicidas para controle de plantas tem exercido alta pressão de seleção. é devido à seleção de um biótipo resistente preexistente que. myosuroides metabolizam chlorotoluron e alguns herbicidas inibidores de ACCase e apresentam ACCase mutada. dentro de qualquer população. espécies ou biótipos de uma espécie que melhor se adaptam a uma determinada prática são selecionados e multiplicam-se rapidamente (HOLT. 204 Módulo 3. devido ao metabolismo. é de biótipos de Lolium rigidum que metabolizam herbicidas inibidores da ACCase. 1994). dentro da população. encontra condições para multiplicação (BETTS et al. fisiológicas e de comportamento entre indivíduos. assim. Darwin postulava que a espécie como um todo vai mudando porque os seus indivíduos evoluem na mesma direção. 1992) (Quadro 2). Há poucos casos registrados de plantas com resistência múltipla (POWLES. e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas resistência em questão. em determinado ambiente (SUZUKI et al. 4 ... devido a alterações na enzima.

Por outro lado. conforme a Figura 1.000 1.0 90. que apresenta 90% de eficácia de controle do biótipo suscetível. Os biótipos resistentes podem apresentar menor adaptação ecológica nesses ambientes e tornam-se predominantes devido à eliminação das plantas sensíveis.99 99. apresentaram maiores área foliar. biótipos com maior adaptação ecológica apresentam. assim como as diferentes características biológicas. a aplicação do mesmo herbicida. A menor capacidade competitiva. altura e produção de sementes. HOLT. RADOSEVICH. em média..5 . o crescimento e a produtividade de plantas resistentes a triazinas podem estar relacionados com a sua capacidade fotossintética limitada (STOWE.. Em condições de seleção natural. 1995).000.9999 99. Assim.000 100. É evidente que a intensidade de seleção na prática não é tão intensa como mostrada na figura.Herbicidas: resistência de plantas 205 . não foram detectadas diferenças na capacidade competitiva de Abutilon therphrasti resistente a triazina (GRAY et al. vai selecionando os indivíduos resistentes e aumentando a sua freqüência na população. pois no campo existe o banco de sementes. 1988).999 99. sensíveis às triazinas.0 Evolução Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Pouco perceptível Perceptível Evidente Fonte: Kissmann (1996) A utilização de herbicidas que são altamente efetivos no controle de uma planta daninha específica por um longo período de tempo induz uma grande pressão de seleção quando comparados com outras práticas de controle. determinam a probabilidade do desenvolvimento de resistência das plantas daninhas a herbicidas.. aumenta esse tempo de aparecimento.000 10. 1994).0 80.9 99. que funciona como um reservatório de sementes suscetíveis e. Biótipos de Amaranthus retroflexus L. assim.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 2 .Tempo para evolução da uma população de biótipos de plantas daninhas resistentes Ano 0 1 2 3 4 5 6 7 No de Plantas Resistentes 1 1 1 1 1 1 1 1 No de Plantas Sensíveis 1.0 50. (CONARD. Módulo 3. maior produção que biótipos menos adaptados (SAARI et al.000 100 10 5 2 % de Controle 99. A intensidade dessa pressão de seleção sobre uma população de plantas daninhas. 1996). 1979) e Chenopodium album (PARKS et al.

PAWLES. Na Austrália. em uma população de plantas exerce alta pressão de seleção. 206 Módulo 3. 1994). e a seleção natural favorecem o surgimento e a evolução da resistência. 1996). 1993).. O tempo e a proporção de plantas resistentes em um local variam com a freqüência de uso do herbicida e dos seus efeitos biológicos. 1990). provocando uma seleção direcional e progressiva de indivíduos que possuem genes de resistência.5 . Aplicações repetidas de herbicidas. partindo de uma população sensível e usando-se dose normal do herbicida. tornando-se predominantes rapidamente na área. As plantas que expressam o gene de resistência são selecionadas.Herbicidas: resistência de plantas . como no caso do glyphosate. podendo ser bastante curtos. A ocorrência de variações genéticas. A resistência está ligada a fatores genéticos e é hereditária (KISSMANN.Aumento da freqüência do biótipo resistente devido a aplicações repetidas e anuais do mesmo herbicida A maior questão ecológica associada com a evolução da resistência aos herbicidas envolve o entendimento das relações entre adaptação. foram selecionados biótipos de Lolium rigidum resistentes ao diclofop-methyl em três gerações.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 . herança e fluxo gênico (MAXWELL. freqüência gênica. como três anos após a introdução comercial (TARDIF. com o mesmo mecanismo de ação. inibidor da EPSPs (Quadro 3). ou levar muitos anos. Foram identificados biótipos de plantas daninhas resistentes a sulfoniluréias após quatro a cinco anos de uso contínuo de herbicidas deste grupo (MALLORY-SMITH et al. MORTIMER. capazes de serem transmitidas hereditariamente.

quando dois alelos estão envolvidos. as características reprodutivas da espécie. e a taxa de cruzamentos entre biótipos resistentes e sensíveis (MORTIMER. tanto o pai como a mãe podem transmitir a resistência. a transmissão será via cromossômica e. significa que somente um gene é responsável pela resistência (monogênica) e a evolução será rápida. Um gene é formado por um par de alelos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 3 – Tempo de evolução da resistência para diferentes mecanismos de ação Herbicida 2. dessa forma. herbicidas com essas características exercem alta pressão de seleção e. e quanto maior for a freqüência destes alelos. quanto maior. assim. Por outro lado. maior será a probabilidade de seleção de um biótipo resistente. Por sua vez. mais genes podem estar envolvidos (poligênica) e mais lenta será a evolução da resistência. 1998). O objetivo foi atingido e surgiram os herbicidas modernos (inibidores de ALS e ACCase). Há seis fatores relacionados à população de plantas que interagem e determinam a probabilidade e o tempo de evolução da resistência. que agem em pontos únicos nas rotas metabólicas das plantas. a freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população inicialmente sensível. Há dois tipos de herança: a citoplasmática (materna) e a nuclear. pois. uma vez que uma alteração no seu ponto de ação (enzima) pode provocar a perda de sua atividade sobre as plantas e. características como herança do tipo Módulo 3. como é o caso de plantas resistentes aos inibidores de ALS. Herança citoplasmática é aquela em que os caracteres hereditários são transmitidos via citoplasma.Herbicidas: resistência de plantas 207 . alta eficiência e baixa toxicidade para o homem e o ambiente. A freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população sensível geralmente está entre 1 em 1016 e 1 em 106 (MORTIMER. Contudo. conseqüentemente.4-D Triazinas Propanil Paraquat Inibidores da EPSPs Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Fonte: Weed Science (1998) Introdução 1948 1959 1962 1966 1974 1977 1982 Resistência 1957 1970 1991 1980 1996 1982 1984 Local EUA e Canadá EUA EUA Japão Austrália Austrália Austrália A indústria sempre buscou moléculas herbicidas com alto grau de segurança. São eles: o número de alelos envolvidos na expressão da resistência. se a herança for nuclear. ou seja. o modo de herança do(s) alelo(s) da resistência (citoplasmática ou nuclear). 1998). As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. possuem grandes possibilidades de selecionar biótipos resistentes. a pressão de seleção. altamente eficientes e específicos. como é o caso de plantas resistentes a triazinas. o surgimento de plantas resistentes. O tipo de herança do(s) alelo(s) da resistência é ponto crucial no estabelecimento da resistência em uma população de plantas. somente a planta-mãe poderá transmitir a resistência para os filhos. O número de alelos que conferem a resistência é importante. assim. Desse modo.5 .

e intercruzamento entre os biótipos sobreviventes. A alta pressão de seleção. influenciam diretamente a dispersão das plantas resistentes.Herbicidas: resistência de plantas . controlando as plantas sensíveis em diversos fluxos germinativos. A intensidade e a duração da seleção interagem. A intensidade de seleção é a resposta da população de plantas às repetidas aplicações de herbicidas. provocando variações sazonais que podem ser observadas nas espécies.Fatores que favorecem o surgimento da resistência 5.1 .. entre plantas resistentes e sensíveis. eliminação de todos os biótipos. que é medida pela eficiência de controle das plantas daninhasalvo e pela relativa redução da produção de sementes das plantas remanescentes. O uso de herbicidas altamente eficientes e com residual longo exerce alta pressão de seleção.. que será proporcional à dose e. 1995). 5 . o processo da evolução da resistência a herbicidas passa por três estádios: eliminação dos biótipos altamente sensíveis. Resumidamente. 1994). A dispersão da resistência via pólen é influenciada pela eficiência de dispersão e longevidade do pólen (MULUGETA et al. As características reprodutivas. favorecimento de um indivíduo em relação a outros. A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes e sensíveis determina a dispersão dos alelos de resistência na população. com maior rapidez no ambiente do que as do tipo citoplasmática (materna).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas nuclear disseminam-se. que serão selecionados futuramente devido segregação e recombinação de genes (MORTIMER. gerando novos indivíduos com maior grau de resistência. O fluxo gênico apresenta correlação com o fluxo de distribuição de pólen e varia com a espécie. ao tempo. como dispersão de pólen e número de propágulos produ¬zidos. já a contribuição do movimento de sementes é relativamente pequena (SAARI et al. A alta eficiência dos herbicidas provoca a eliminação rápida dos biótipos sensíveis. A duração da seleção é medida pelo tempo no qual o herbicida permanece com residual. imposta sobre uma população sensível proporciona espaço para o crescimento e desenvolvimento dos biótipos resistentes. o mecanismo de polinização e as condições climáticas durante a floração (STALLINGS et al. via pólen. 1998). de acordo com sua fenologia e seu crescimento (MORTIMER. favorecendo o desenvolvimento da população resistente.Pressão de seleção Os fatores intensidade de seleção e sua duração contribuem para a pressão de seleção exercida pelos herbicidas. O intercâmbio de pólen. restando apenas os mais tolerantes e resistentes. e seleção destes dentro de uma população com alta tolerância. Já os herbicidas com residual longo agem durante tempo maior.5 . O uso repetido de um mesmo herbicida ou de herbicidas com mesmo 208 Módulo 3. 1998). exceto os resistentes.. 1994). ou. permite a dispersão da resistência principalmente em plantas com alta taxa de fecundação cruzada.

associada à adequada intensidade e duração de seleção. torna inevitável o surgimento de plantas resistentes. 1998). época ou estádio de aplicação. Segundo HRAC (1998a). é resultado da relação entre a freqüência da mutação e o tamanho da população.Variabilidade genética A variabilidade genética das plantas daninhas. 5. aliadas ao monocultivo e ao uso repetido do controle químico. dosagem. volume de calda. baixa dormência das sementes.5 . Geneticamente. Características das plantas daninhas como alta diversidade genética. O gene ou os cromossomos mutantes são a fonte essencial de toda a variação genética (BREWBAKER. produz alta pressão de seleção e aumenta a possibilidade de seleção de biótipos resistentes.2 . devido à mutação.Herbicidas: resistência de plantas 209 . A possibilidade de ocorrer resistência em uma população.Diagnóstico da resistência a campo A resistência é um fenômeno que evolui em uma lavoura durante vários anos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mecanismo de ação. calibração. 1998a). Toda população natural de plantas daninhas contém biótipos resistentes a herbicidas. altamente específicos e com longo residual. 1969). inicialmente. há dois caminhos para o aparecimento de plantas resistentes: a ocorrência de um gene ou de genes que conferem a resistência em freqüência muito baixa na população ou através de uma mutação (MORTIMER. tipo de bicos e condições ambientais foram adequados? b) As falhas de controle foram para uma espécie apenas? c) As plantas não são resultado de reinfestação? Módulo 3. grande produção de polén e propágulos. que se apresentam indiferentes à aplicação de algum herbicida (HRAC. adjuvantes. deve-se responder às seguintes perguntas: a) Produto. contribuem grandemente para o surgimento de plantas resistentes. A seleção altera as proporções entre as plantas sensíveis e resistentes. 6 . O controle insatisfatório de plantas daninhas não significa necessariamente que seja resistência. O(s) gene(s) que conferem a resistência a um determinado herbicida pode(m) estar presente(s) em uma população antes mesmo que este herbicida seja lançado no mercado. quando se suspeitar da ocorrência de resistência.

Após duas e quatro semanas. Ponchio (1997) isolou a enzima ALS e avaliou a sua resposta a diferentes doses de herbicidas que agem sobre ela. As doses a serem aplicadas são: metade da recomendada. As diferenças entre biótipos resistentes e sensíveis de uma espécie podem ser quantitativamente expressas comparando-se as doses de herbicidas necessárias para reduzir 50% da população (DL50). Por outro lado.000 sementes. podem ser realizadas em nível de laboratório.Como confirmar a resistência O método mais comum e recomendado pelo HRAC (1998b) é colher sementes das plantas suspeitas de resistência e de plantas sensíveis. semear em vasos e tratar com doses crescentes do herbicida em questão. indica que o possível mecanismo de resistência está relacionado com o local de ação. devem-se colher sementes de plantas em locais que nunca receberam aplicação daquele herbicida. Para servir como padrão sensível. 1994). deve-se iniciar a investigação dos fatores que levam à resistência. existe a possibilidade de ser resistência. se a diferença de controle for pequena. da biomassa (GR50) ou da atividade da enzima (I50). Análises bioquímicas.Herbicidas: resistência de plantas .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Se as respostas a estas perguntas forem afirmativas.5 . das plantas tratadas com herbicida em comparação com as não-tratadas (MAXWELL. avaliar o controle e a produção de matéria fresca. para identificar o mecanismo exato da resistência. duas e quatro vezes a dose recomendada. deve-se colher em torno de 40 plantas ou 1. a) Ultimamente tem-se reptido aplicação de um mesmo herbicida ou herbicidas com mesmo mecanismo de ação? b) O herbicida em questão vem perdendo eficiência? c) Há casos de plantas resistentes a este herbicida? d) O herbicida não perdeu eficiência sobre outras espécies? Se a resposta a uma ou mais destas perguntas for afirmativa. 210 Módulo 3. Se a diferença de controle entre os biótipos resistentes e sensíveis for grande. MORTIMER. dose recomendada. indica que o provável mecanismo envolvido é metabolismo da molécula. Os resultados podem indicar se a resistência é devido à alteração no local de ação ou à metabolização da molécula. Existem metodologias para estudo da maioria dos casos de resistência. No Brasil. Para se ter certeza de que as plantas colhidas representam a população. 7 . devendo-se realizar testes para confirmação. As condições de aplicação devem seguir aquelas recomendadas pela empresa fabricante.

a fim de minimizar o risco do surgimento de plantas resistentes (Quadro 4). k) Controlar plantas em áreas adjacentes (terraços. para reduzir o acréscimo de sementes ao banco.Herbicidas: resistência de plantas 211 . Isso pode ser conseguido com adoção das seguintes práticas: a) Usar herbicidas com diferente mecanismo de ação. já que a probabilidade de uma planta daninha tornar-se resistente aos dois mecanismos. j) Usar sementes certificadas.Como evitar a resistência Antes que as falhas de controle apareçam na lavoura. g) Rotacionar o plantio de culturas. devem-se realizar os testes e determinar medidas de manejo. A mistura de produtos com diferentes mecanismos de ação proporciona controle eficiente por maior número de anos do que ambos aplicados de forma isolada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A empresa fabricante deve ser informada e. Em caso de confirmação da resistência. através de diferentes métodos de controle e mecanismos herbicidas. b) Colocar em prática o programa de manejo da resistência. Módulo 3. l) Rotacionar o método de preparo do solo. d) Realizar rotação de mecanismo de ação. c) Usar mistura de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e de detoxificação. juntamente com esta.5 . f) Usar herbicidas com menor pressão de seleção (residual e eficiência). As práticas culturais visam aumentar o número de possibilidades de controle das plantas daninhas. A adoção dessas práticas visa reduzir a pressão de seleção. em primeiro lugar: a) Erradicar imediatamente as plantas remanescentes. e) Limitar aplicações de um mesmo herbicida. 8 . Para minimizar os riscos de resistência. b) Realizar aplicações seqüenciais. deve-se. pós-colheita). simultaneamente. h) Rotacionar os métodos de controle de plantas daninhas. os herbicidas que compõem a mistura devem controlar o mesmo espectro de plantas daninhas e ter persistência similar e diferente mecanismo de ação e de detoxificação. i) Acompanhar mudanças na flora. São elas: reduzir a pressão de seleção e controlar os indivíduos resistentes antes que eles possam se multiplicar. algumas práticas podem ser implantadas. O acompanhamento e a avaliação da eficiência das medidas adotadas para combate à resistência são indispensáveis para garantir o sucesso da prática. é pequena. c) Evitar a disseminação.

Essa tática somente será eficiente na redução da população dos biótipos resistentes em casos em que as diferenças de adaptabilidade entre os biótipos resistentes e sensíveis forem grandes (MORTIMER. e com o passar do tempo a população de plantas resistentes será reduzida (MORTIMER. a redução na pressão de seleção aumenta a probabilidade de associação desses genes em um biótipo. de acordo com as práticas de cultivo Opção de manejo Mecanismo herbicida usado Mistura de herbicidas Método de controle Rotação de cultura Infestação Controle nos últimos três anos Fonte: Adaptado de HRAC (1998d) Baixo Mais que dois Mais que dois mecanismos Cultural. 1998). seleção reversa. assim. Por outro lado. rotação de culturas e métodos de controle e usando-se herbicidas com diferentes mecanismos de ação. se a resistência for uma característica poligênica. resistentes às triazinas. O comportamento de uma população de plantas pode ser altamente modificado. uso de misturas de herbicidas. A baixa pressão de seleção poderá. mecânico e químico Completa Baixa Bom Risco de resistência Médio Dois mecanismos Dois mecanismos Cultural e químico Limitada Média Declinando Alto Um mecanismo Um mecanismo Químico Nenhuma Alta Ruim 9 . as plantas que não são controladas com uso de herbicidas alternativos podem contribuir para a disseminação e o aumento da freqüência gênica dos alelos sensíveis.Manejo da resistência a herbicidas As estratégias de manejo vêm sendo discutidas continuamente por cientistas da área. O uso de altas doses pode intensificar a seleção. essas medidas podem agravar o problema. no caso de a resistência ser monogênica. Desse modo. pode ser conseguida com redução na dose do herbicida que selecionou as plantas resistentes.5 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 4 – Risco de evolução da resistência. 1998). 212 Módulo 3. 1998). neste caso. A seleção reversa ocorre na ausência da seleção herbicida. As várias opções que vêm sendo sugeridas estão baseadas em somente dois processos biológicos: alteração da pressão de seleção e.Herbicidas: resistência de plantas . 1998). favorecendo os alelos sensíveis (MORTIMER. Biótipos de Senecio vulgaris. ou. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes é reduzida. selecionar biótipos altamente resistentes. mas reduzirá o número de genes na população capazes de associarem-se (MORTIMER. e os biótipos mais adaptados tendem a dominar o ambiente. A redução na pressão de seleção. são menos competitivos do que biótipos sensíveis.

responsáveis pelo HRAC. e de Daucus carota. na Espanha. 1997). financiando pesquisas e com iniciativas educativas que visam esclarecer aspectos sobre a resistência e o modo de ação de cada herbicida. poucas plantas daninhas evoluíram resistência até hoje.Herbicidas: resistência de plantas 213 . as indústrias tomaram a iniciativa.4-D.1 . estão empenhadas em desenvolver técnicas e estratégias para identificação.Características da resistência por grupos herbicidas 10. Este grupo chama-se HRAC (Herbicide Resistance Action Committee) e é formado por três subgrupos que estudam triazinas.Auxinas As auxinas sintéticas 2. As empresas fabricantes de herbicidas.4-D e MCPA em trigo selecionou Sinapis arvensis. Em 1957. que incluem mistura de herbicidas. Papaver rhoeas.5 . na França. O herbicida quinclorac. O conhecimento do modo de ação dos herbicidas é fundamental na adoção de técnicas de manejo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considerando que a resistência é um problema que pode afetar intensamente o mercado de herbicidas. 1998) O uso extensivo de 2. no Canadá. quando biótipos resistentes de Convolvulus arvensis foram identificados nos Estados Unidos (WEED SCIENCE. Considerando o tempo e o uso extensivo destes herbicidas. O terceiro caso foi em 1964. Os biótipos resistentes assumem importância.4-D e MCPA revolucionaram o controle de espécies daninhas de folha larga em cereais na década de 1940 e têm sido usadas largamente desde então. através do GCPF (Federação Global de Proteção de Plantas). e Matricaria perforata. rotação de mecanismos de ação e adoção de práticas culturais específicas. por serem os três grupos de produtos com maiores problemas (KISSMANN. selecionou biótipos resistentes de Echinocloa crus-galli na Espanha. 1996). considerado uma auxina e usado para controle de gramíneas em arroz. Módulo 3. nos Estados Unidos. Os três primeiros casos de resistência identificados foram a esta classe herbicida. inibidores de ALS e inibidores de ACCase. devido ao largo uso destes herbicidas para controlar grande número de espécies e ao restrito número de herbicidas com potencial para substituí-los (HEAP. de constituir um grupo permanente de cientistas para estudar o assunto e propor soluções. que visam prolongar a vida útil das moléculas envolvidas na resistência. no Canadá. resistentes ao 2. fortemente defendidas pelas empresas. foram identificados biótipos de Commelina diffusa. manejo e monitoramento dos casos de resistência. 10 .

3 . 1997). Segundo esses autores. na Austrália. 1994). com surgimento de apenas uma espécie resistente (HEAP. não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs. mais de um mecanismo de ação. Dentre estas. dez vezes nos últimos 15 anos. O argumento mais convincente. em 1980. limitado metabolismo pelas plantas e baixo poder residual. Por apresentar mais de um mecanismo de ação. no Egito. Os mecanismos que conferem resistência aos bipiridílios são redução na translocação e compartimentalização da molécula (PRESTON.2 . 1997). entre plantas resistentes e suscetíveis as enzimas são igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas as populações. (1997) demonstraram que os biótipos resistentes de Lolium rigidum foram dez vezes mais tolerantes ao glyphosate do que os biótipos sensíveis. os biótipos resistentes a este grupo herbicida não são considerados de grande importância (HEAP. cada um. como o glyphosate. em lavouras que usaram o produto para controlar plantas daninhas em pré-plantio.Herbicidas: resistência de plantas .Derivados da glicina O herbicida glyphosate é o produto mais usado deste grupo. biótipos de Lolium rigidum. foram identificados. Contudo. 1997). Lorraine-Colwill et al. é o longo tempo em que este vem sendo usado. resistentes ao glyphosate.5 . 17 espécies resistentes. biótipos de Erigeron philadelphicus. (2002) trabalhando com Lolium rigidum. que apresentam. é considerado um produto com baixa probabilidade de selecionar espécies resistentes. Após duas décadas de uso. pelo menos. Aplicações de paraquat e diquat selecionaram 25 e duas espécies resistentes. Erigeron sumatrensis e Youngia japonica resistentes a estes herbicidas. e os herbicidas auxínicos e inibidores de ACCase. 214 Módulo 3. os herbicidas bipiridílios. 1994). Os biótipos também apresentaram-se resistentes ao diclofop e sensíveis aos demais herbicidas graminicidas usados para seu controle. Devido à pequena área infestada e ao número de herbicidas alternativos. respectivamente. Depois disso. de que o glyphosate apresenta baixo risco para selecionar biótipos resistentes. foram identificadas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. Trabalhos realizados por Pratley et al. Atualmente existem comprovados no mundo seis casos de resistência ao glyphosate.Bipiridílios Os herbicidas bipiridílios são herbicidas não-seletivos aplicados em pós-emergência. nãotranslocáveis (de contato) e com baixa persistência biológica no solo. Em 1996 foram identificados. no Japão. selecionaram 26 espécies resistentes. em uma vasta área. plantas de Conyza bonariensis resistentes ao paraquat (PRESTON. selecionaram. 20 são dicotiledôneas e sete são monocotiledôneas (HEAP. 10. que apresentam baixo residual.

mais de 3. assim. 1997). além do químico. em razão da área infestada e do número restrito de mecanismos alternativos para controle dos biótipos resistentes (HEAP. devem ser adotados. entre os biótipos resistentes e sensíveis. 1998).Herbicidas: resistência de plantas 215 . somente cinco monocotiledôneas e uma dicotiledônea apresentam resistência a este grupo herbicida (HEAP. Nos Estados Unidos. 1998).5 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Esses trabalhos também demonstraram que não existem diferenças de absorção. Desse modo. A identificação de biótipos resistentes ao glyphosate indica que a resistência a este produto deve ser prevenida. no Canadá.Inibidores de ACCase Este grupo herbicida foi introduzido na década de 1970. metabolismo e sensibilidade da EPSPS ao glyphosate. Apesar do tempo de uso e do seu longo período residual. Módulo 3. e isso fez com que fossem selecionados biótipos de Setaria viridis com resistência múltipla a estes mecanismos (HEAP. recentemente desenvolvidos. mais de 500 locais com Avena fatua (HEAP. Biótipos de Lolium rigidum apresentam resistência cruzada às dinitroanilinas. Lolium rigidum e Avena fatua são as espécies com maior importância. Sorghum halepense e Amaranthus palmeri evoluíram resistência à trifluralin após 15 a 20 anos de uso em cereais e leguminosas. A única diferença entre os biótipos foi o maior nível de RNAm encontrado nos biótipos resistentes.5 . como trifluralin. Entre as plantas resistentes. Há 17 espécies monocotiledôneas resistentes aos inibidores da ACCase. 1990). biótipos de Eleusine indica. Os herbicidas inibidores de ACCase são o primeiro grupo herbicida alternativo para controlar biótipos resistentes aos herbicidas do grupo dinitroanilina. 10. os cultivares de soja resistentes ao glyphosate. Estima-se que haja. devido ao metabolismo dessas moléculas (MOSS. na Austrália.Dinitroanilinas Os herbicidas do grupo dinitroanilinas. translocação. Essas moléculas agem sobre a enzima ACCase e controlam com eficiência gramíneas em culturas mono e dicotiledôneas. acredita-se que estes mecanismos não são as causas principais da resistência dos biótipos a este herbicida. 1997). foram selecionados artificialmente (MORTIMER. POWLES. O uso de misturas herbicidas e emprego de mais de um método de controle. resistentes ao glyphosate. considera-se que aquelas que resistem aos herbicidas inibidores de ACCase tenham a maior importância econômica. devem ser usados com rotação de culturas e de herbicidas. para controle de gramíneas. 1998). 1990. oryzalin e pendimethalin. são usados em pré-emergência para controlar plantas daninhas gramíneas em culturas oleaginosas.4 . Dessa forma. em resposta ao tratamento com glyphosate. HOWAT. Biótipos de Festuca rubra. 10. em 16 países.000 locais com Lolium rigidum resistente e. a maior quantidade de EPSPs sintetizada poderia ser a causa da resistência.

1994).Inibidores de ALS A introdução no mercado dos herbicidas inibidores de ALS ocorreu em 1982.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Biótipos de Lolium rigidum. AHRENS. A manutenção do potencial é vital para a sobrevivência da célula. em 14 países. a repolarização das membranas ocorre independentemente da presença da ACCase mutada e existem muitas diferenças entre as membranas dos biótipos resistente e sensível (HEAP. A despolarização das membranas é um segundo mecanismo de ação atribuído aos herbicidas deste grupo. 10. Entre as espécies descritas estão Kochia scoparia.5 . Os herbicidas inibidores da ALS apresentam alta freqüência de casos de resistência de plantas daninhas. como: 1) a amplitude de recomendações possíveis. 1994). Amaranthus strumarium e Sorghum bicolor (HEAP. 1994. Assim.Herbicidas: resistência de plantas . alta seletividade para as culturas e alta eficiência com emprego de doses baixas (HESS. Atualmente. bem como a seu grande espectro de controle de plantas daninhas. Essas características contribuíram para o surgimento rápido da resistência. 5) trabalhos têm mostrado que os biótipos resistentes apresentam a mesma adaptabilidade ecológica que os biótipos sucetíveis dos inibidores 216 Módulo 3. a resistência aos inibidores da ALS tem sido atribuída a mudanças na seqüência de aminoácidos. este grupo herbicida vem apresentando o maior número de registros de plantas resistentes. Os herbicidas classificados como inibidores de ALS tornaram-se uma ferramenta de grande importância para agricultura. 41 são dicotiledôneas e nove são monocotiledôneas.. 1994). Em biótipos de Lolium rigidum. o que se deve a vários fatores. 2) alta eficácia da maioria dos herbicidas inibidores da ALS . resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. PRESTON. 1998). selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. há 50 espécies de plantas daninhas resistentes a estes produtos. em razão da sua eficiência e do reduzido impacto ambiental (SAARI et al. surgiu a primeira espécie resistente (SAARI et al. Estes herbicidas são largamente usados devido a sua baixa toxicidade para animais. 1997).esses herbicidas podem atingir níveis de controle próximos a 100%. 1997). desde gramíneas até dicotiledôneas e plantas daninhas perenes como a tiririca e a grama-seda. plantas resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase devem possuir mais de um mecanismo que proporcione a resistência. um relacionado com a ACCase e outro com a membrana plasmática. Aproxi¬madamente cinco anos após o início do uso dos herbicidas inibidores de ALS. Dentre estas.. 3) muitos herbicidas inibidores da ALS apresentam residual prolongado no solo e conseqüentemente aumentam a pressão de seleção para biótipos resistentes. Nos últimos dez anos. 4) a resistência aos herbicidas inibidores da ALS é determinada geneticamente por lócus simples e semidominante e alta freqüência inicial em todos os casos de resistência estudados até o momento. 1994).6 . com o lançamento da molécula chlorsulfuron para uso em cereais (SAARI et al.. que vai desde a cultura da soja até área de produção de arroz irrigado e florestas implantadas. O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCase e do tipo de alelo do gene (POWLES.

A resistência a imidazolinonas e sulfoniluréias é conferida por um gene dominante nuclear (MAZUR. porém a atividade da ALS. Estima-se que a área infestada no mundo com plantas daninhas resistentes aos herbicidas triazinas seja superior a três milhões de hectares.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas da ALS. como as triazinas e uréias substituídas. A mutação na D1 provoca alto nível de resistência aos herbicidas do grupo triazinas. e 6) a maioria dos casos de resistência aos inibidores da ALS estudados apresenta resistência cruzada aos diversos grupos químicos de herbicidas que tem este mecanismo de ação (VARGAS et al.Herbicidas: resistência de plantas 217 . usando-se herbicidas alternativos (HEAP. PRESTON.. até o momento. A causa da resistência aos herbicidas inibidores de ALS está em mutações que ocorrem no DNA e no metabolismo da molécula herbicida. foi identificada somente uma mutação na proteína D1: a substituição da serina 264 por uma glicina. Além da prolina. Os diferentes níveis de resistência são atribuídos às diferenças na estrutura do centro de reação da D1 entre às espécies. contudo. 10. SAARI.7 . biótipos resistentes apresentam menor crescimento do que biótipos normais Módulo 3. e Solanum nigrum. 1989. 2004). até o momento. Alterações na proteína D1 são as principais causas da ocorrência de plantas resistentes aos herbicidas que agem no fotossistema II.Triazinas A maioria das plantas daninhas resistentes às triazinas foram localizadas em lavouras de milho na Europa e América do Norte. O metabolismo das moléculas herbicidas é outro mecanismo usado por plantas daninhas para resistir a estes herbicidas. O gene que codifica a enzima ALS nas espécies resistentes pode apresentar diferentes mutações. histidina. (1992) identificaram biótipos de Lolium rigidum resistentes ao herbicida chlorsulfuron. no centro ativo A da ALS. assim. As plantas daninhas resistentes têm sido controladas com eficiência. não está descartada a hipótese de que o metabolismo da molécula também esteja envolvido. em nove países. Amaranthus retroflexus e Senecio vulgaris. em 16 países. SAARI et al.5 . FALCO. a resistência deste biótipo se deve à rápida metabolização do herbicida. em um dos biótipos resistentes. Entre as plantas resistentes relatadas existem nove espécies de Amaranthus. Já um segundo biótipo apresentou resistência devido à insensibilidade da enzima ALS ao inibidor. 1998). em dez países. outros aminoácidos da ALS podem ser substituídos e produzir plantas resistentes com características distintas. já que. Christopher et al. respondeu igualmente a um biótipo sensível ao herbicida. entre elas a substituição. 1994). não foram encontrados biótipos resistentes que apresentem alteração na taxa de crescimento ou na capacidade competitiva. Essas mutações não alteram a função biológica da ALS. A rápida inativação metabólica é a base para a resistência do biótipo SR4/84 de Lolium rigidum ao chlorsulfuron (COTTERMAN. mas não a todos os herbicidas do grupo das uréias. da prolina 173 por uma alanina. cinco de Polygonum e quatro de Chenopodium. serina ou treonina. As espécies mais freqüentes são Chenopodium album. que conferem alterações funcionais na enzima ALS (POWLES.. Esta mutação afeta o fluxo de elétrons no FSII. glutamina. 1997). dessa forma. assim. 1992).

em muitos países. a resistência não é transmitida hereditariamente via pólen. em 1983. Biótipos de Alopecurus myosuroides. PRESTON.Mecanismos de resistência de plantas daninhas a herbicidas pertencentes a diferentes grupos químicos Herbicida Triazinas Dinitroanilina Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Propanil 2. e na Alemanha. 1997). ao tamanho da área e ao tempo em que este produto é usado na área. em 1982. O herbicida propanil é usado para controlar Echinocloa colona e E. com e sem rotação. Até o momento existem 64 espécies resistentes às triazinas e 17 resistentes aos auxínicos. além da facilidade que as espécies possuem de evoluir resistência para o herbicida e do número de mecanismos envolvidos. Atualmente. que pertence ao grupo das amidas. 1998). 11 .8 . dessa forma. com uso de herbicidas alternativos (HEAP.D 218 Mecanismo Local de ação alterado/metabolismo Local de ação alterado Local de ação alterado Local de ação alterado Metabolismo Desconhecido Módulo 3.Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida Os herbicidas selecionam biótipos resistentes com diferentes mecanismos de resistência (Quadro 5) e em diferentes períodos de tempo (Quadro 3).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (POWLES. crusgalli em lavouras de arroz. mais de 40 espécies apresentam resistência a este grupo e duas ao propanil. A ocorrência destes biótipos resistentes inviabiliza o uso deste herbicida em lavouras da Colômbia. por possuírem capacidade de metabolizar herbicidas com diferentes mecanismos de ação. 10. As diferenças relacionadas ao mecanismo de ação destes herbicidas podem ser a resposta para essa questão. 1997). resistentes a chlorotoluron. mas sim via herança materna.5 .4. Os herbicidas triazinas e auxina sintéticas vêm sendo usados em milhões de hectares há mais de 30 anos.Herbicidas: resistência de plantas . As diferenças se devem à variabilidade genética das espécies envolvidas. Quadro 5 . 1998). da Costa Rica e dos Estados Unidos (HEAP.Uréias/amidas A primeira espécie a apresentar resistência às uréias foi Alopecurus myosuroides no Reino Unido. apresentam sérios problemas de controle. A mutação responsável pela resistência às triazinas ocorreu no genoma do cloroplasto. Isso demonstra que as triazinas apresentam maior risco de seleção de biótipos resistentes que as auxinas sintéticas (HEAP. Os biótipos de plantas daninhas resistentes às triazinas são controlados com eficiência.

relatado oficialmente. (Quadro 6). foi o da planta daninha Bidens pilosa L. A enzima ALS. mostrou-se menos sensível a estes herbicidas e. aos herbicidas inibidores de ALS. Conyza banariensis e Plantago lanceolata (WEED SCIENCE. dos biótipos resistentes. que é um problema muito maior do que a resistência cruzada. O glyphosate esta sendo usado intensivamente na agricultura há mais de 25 anos. mas são sensíveis aos herbicidas alternativos sulfentrazone. LÓPEZ-OVEJERO.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os herbicidas dos grupos cloroacetamidas e inibidores da EPSPs (glyphosate). O primeiro caso de resistência de plantas daninhas ao herbicida glyphosate foi registrado em 1996. lactofen. selecionaram biótipos resistentes devido ao seu emprego em vastas áreas (HEAP. até o presente momento. fomesafen e acifluorfen (PONCHIO. Estes biótipos foram encontrados em lavouras dos estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul e apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS. 1997. constitui-se na mais provável causa da resistência (PONCHIO. VARGAS et al.5 . apesar de serem considerados de baixo risco. um número limitado de populações de plantas daninhas sofreu pressão de seleção suficiente para o aparecimento de biótipos resistentes (CHRISTOFOLETI.Herbicidas: resistência de plantas 219 . Nos últimos dez anos foram identificadas mais espécies resistentes para os inibidores de ALS do que para qualquer outro mecanismo de ação. 1999). bentazon. são elas: Lolium rigudum. 1997). A alta freqüência inicial de indivíduos resistentes na população. Até hoje foram constatados casos de resistência em 6 espécies de plantas daninhas. 1997). Lolium multiflorum. O primeiro caso de resistência. Em razão de suas características. 12 . Módulo 3. a alta especificidade e eficiência e o longo período residual contribuem para a evolução rápida da resistência aos herbicidas que agem inibindo as enzimas ALS e ACCase. Eleusine indica. 2006). estes herbicidas apresentam alto potencial para selecionar plantas resistentes. a vasta área tratada. 2003). Somente com o uso de todos os métodos de controle disponíveis conjuntamente. desse modo..A resistência de plantas daninhas no Brasil Atualmente são reconhecidos 15 casos de plantas daninhas resistentes no Brasil. Conyza canadensis. poderão ser evitados o surgimento de novos casos de resistência e o surgimento de plantas com resistência múltipla.

crusgalli Echinochloa crus-pavonis Eleusineiíndica Euphorbia heterophylla Euphorbia heterophylla Sagitaria montevidensis Fimbristylis miliacea Lolium multifolium Parthenium hysterophorus Raphanus sativus Fonte: Wees Science (2006) Nome comum Picão-preto Picão-preto Capim-marmelada Junquinho Capim-arroz Capim-colchão Capim. até o momento.. onde estes produtos são empregados há mais de cinco anos.arroz Capim.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 6 .Espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas ocorrentes no Brasil e seu provável mecanismo Biótipos resistentes Bidens pilosa Bidens subalternans Brachiaria plantaginea Cyperus difformis Echinochloa colonum Digitaria ciliaris Echinochloa crusgalli var.arroz Capim-pé-de-galinha Leiteiro Leiteiro Flecha Cuminho Azevém Losna-branca Nabiça Mecanismo de ação ao qual adquiriu resistência Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Auxina sintética Inibidores da ACCase Auxina sintética Auxina sintética Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ALS e PPO Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da EPSPs Inibidores da ALS Inibidores da ALS Biótipos de Euphorbia heterophylla.Herbicidas: resistência de plantas . e Brachiaria plantaginea. Os biótipos resistentes sobreviveram ao tratamento com dose 16 vezes maior que a dose de campo (de rótulo). Os resultados deste trabalho indicam que a resistência é conferida por um gene dominante nuclear e que os biótipos apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS. diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis. Estudos relacionados à capacidade competitiva e ao comportamento das sementes no solo não indicam. 220 Módulo 3. resistentes aos herbicidas inibidores de ALS. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. O uso repetido destes herbicidas pode ser a principal causa da seleção dos biótipos resistentes. estão sendo realizados na Universidade Federal de Viçosa.5 . porém são sensíveis a herbicidas com outros mecanismos de ação. foram identificados em lavouras de soja nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná. Não houve diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis relacionadas à taxa de germinação e à profundidade de germinação e emergência. referentes à resistência em Euphorbia heterophylla L. Estudos relacionados a inibidores da ALS em condições de laboratório e de campo.

2004). Com relação ao Lolium rigidum. trabalhando com biótipos sucetíveis e resistentes de azevém (Lolium multiflorum). Originária do sul da Europa. 20% a doses de até 11. Lorraine-Colwill et al. 2000). o mecanismo que confere resistência ao glyphosate ainda não foi determinado com clareza.440 g ha-1 de glyphosate e. Em todos esses casos a aplicação repetida e continuada de glyphosate para controle da vegetação é considerada a principal causa da seleção dos biótipos resistentes. propaga-se apenas por sementes (LORENZI. as enzimas foram igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas às populações. aproximadamente.. O primeiro caso de Lolium multiflorum resistente ao glyphosate foi relatado por Perez e Kogan (2002). ereta. Este biótipo resistente foi identificado em pomares no Chile. glaba. As plantas resistentes e suscetíveis foram igualmente capazes de absorver o herbicida aplicado. três aplicações de glyphosate por ciclo durante os últimos 8 a 10 anos. observaram que aproximadamente 80% das plantas avaliadas resistiram a dose de até 1. a dose de 360 g ha-1 foi suficiente para controlar o biótipo sensível. herbácea. (2002) não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs. morfologicamente muito variável.520 g ha-1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 13 . Nas plantas resistentes e suscetíveis.Herbicidas: resistência de plantas 221 . densamente perfilhada.5 .Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate Lolium multiflorum é uma espécie anual ou bianual. foram identificados biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistentes ao glyphosate em lavouras de culturas anuais e em pomares (ROMAN et al. Nesse mesmo trabalho. (2004). A diferença marcante entre populações resistentes e suscetíveis foi encontrada no translocação do glyphosate. de 30 a 90 cm de altura. No Brasil. Vargas et al. Módulo 3. Depois do tratamento com glyphosate os autores observaram acumulação do produto nas raízes de plantas suscetíveis e nas pontas das folhas de plantas resistentes (Quadro 7). que vinham recebendo. em média.

Quadro 8 – Inibição da EPSPS em teste in vitro População Suscetível Intermediário Resistente Altamente resistente Fonte: BAERSON et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 . Os autores isolaram a enzima EPSPS e realizaram testes in vitro de sua atividade na presença de glyphosate em todas as populações. Baerson et al.Translocação foliar do 14glyphosate aplicado em plantas resistentes e suscetíveis. dessa forma.6 ± 6. Os valores mostrados são a médias de 10-15 plantas dos biótipos resistente e suscetível.5 43. é muito pouco provável que os maiores níveis de expressão da EPSPs dos indivíduos resistentes expliquem completamente a maior tolerância ao produto. sugerindo que o mecanismo de resistência não esta completamente baseado no sítio de ação. rigidum após o pré-tratamento com glyphosate isopropilamina (450 g ha-1) Horas 2 4 8 24 48 Biótipos S R S R S R S R S R Acima do LA 30 ± 2 28 ± 4 40 ± 3 42 ± 4 36 ± 5 48 ± 5 19 ± 3 42 ± 5 15 ± 2 50 ± 1 C (% total absorvido) LA Abaixo do LA 13 ± 1 55 ± 2 11 ± 1 58 ± 5 11 ± 1 44 ± 3 10 ± 1 44 ± 4 11 ± 2 45 ± 3 10 ± 2 37 ± 3 08 ± 1 53 ± 3 10 ± 1 43 ± 4 10 ± 2 55 ± 3 11 ± 1 33 ± 3 14 Raízes 02 ± 0 02 ± 0 05 ± 1 04 ± 0 08 ± 1 05 ± 1 20 ± 2 05 ± 1 20 ± 4 06 ± 1 Lorraine-Colwill et al. (2002).8 Esses autores observaram superprodução da EPSPS induzida pela aplicação do glyphosate e também expressivo aumento no nível de EPSPS nas plantas resistentes e altamente resistentes. LA: local da aplicação.0 42.5 . em biótipos de L. intermediário . com erros-padrão. Os resultados do trabalho indicados no Quadro 8 mostram que a atividade da EPSPS das plantas resistentes é similar à atividade das plantas suscetíveis.3 ± 3.4 ± 8.2 ± 2. a hipótese de alteração da EPSPS no sítio de ação é descartada. resistente e altamente resistente.8 42. (2002) % de inibição por glyphosate 0 hora após a aplicação 48 horas após a aplicação 42.3 ± 7.0 38. 222 Módulo 3.5 44.Herbicidas: resistência de plantas . (2002) observaram inicialmente que numa população de Lolium rigudum existiam plantas com diferentes níveis de resistência ao glyphosate e assim classificaram estes biótipos como suscetível.9 ± 4.4 44.6 ± 2.5 ± 2.9 36. Segundo Kogan e Pérez (2003).

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 .200 g ha-1 de glyphosate não controlaram os biótipos resistentes e de resistência intermediária. resistente (B) e de resistência intermediária (C) de Lolium multiflorum Fonte: Ferreira et al. 4).Herbicidas: resistência de plantas 223 .5 . (2006a) Em recente trabalho realizado por Ferreira et al. multiflorum observou-se redução na produção de massa seca da parte aérea. 3A).Evolução da intoxicação provocada por glyphosate sobre biótipos sensível (A). Essa queda de produção foi mais severa no biótipo intermediário do que no resistente (Fig. intermediário e resistente ao herbicida glyphosate). Tanto o biótipo resistente quanto o intermediário apresentaram elevados níveis de intoxicação (80%) aos 14 dias após a aplicação dos tratamentos (Fig. A dose de 200 g ha-1 foi suficiente para controlar 100% das plantas sensíveis (Fig. observou-se que doses de até 3. em ambos os biótipos (resistente e com resistência intermediária) de L. Módulo 3. (2006a) com três biótipos de Lolium multiflorum (biótipos sensível. 3 B e C. Todavia.

Esses resultados se assemelham aos encontrados por Lorraine-Colwill et al.. que constataram maior acúmulo do produto marcado nas raízes do biótipo resistente. O biótipo R apresentou maior acúmulo de 14glyphosate na folha aplicada às 64 horas enquanto no suscetível observaram maior acúmulo desse herbicida nas raízes (Fig. Ferreira et al.Biótipos resistente (R) e sensível (S) de L multiflorum cinco dias após tratamento com 800 g ha-1 de glyphosate (FERREIRA et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 3 . 5).5 . 2006a) O possível caso da resistência de L.Herbicidas: resistência de plantas . (2006) verificaram que tanto o suscetível quanto o resistente absorveram o glyphosate na mesma intensidade (Fig. 2A). (2006a) Figura 4 .Porcentagem de produção de massa seca dos biótipos resistente e intermediário tratados com glyphosate em relação à testemunha Fonte: Ferreira et al. (2002) em Lolium rigudum. 224 Módulo 3. Todavia observaram diferença marcante na translocação do 14glyphosate entre os biótipos resistente (R) e sensível (S). multiflorum pode estar ligado a translocação diferencial deste herbicida pelos diferentes biótipos.

No mundo. 2005).nas raízes de biótipos de L.Herbicidas: resistência de plantas 225 . Módulo 3. (A) – na água de lavagem. a área de produção de transgênicos passou de 81 milhões de hectares em 2004 para 90 milhões. O Brasil é hoje o terceiro produtor de transgênicos. (B) . com uma área plantada de 9. milhares de hectares cultivados com culturas transgênicas já foram incorporados no processo produtivo.5 .4 milhões de hectares de sementes. Depois disso.Culturas transgênicas Cultivares de soja e de outras culturas foram lançados recentemente no mercado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 – Concentrações de glyphosate avaliadas em diferentes tempos após aplicação. correspondendo a um aumento de 11% em 2005 no total de 21 países onde o plantio de transgênicos é permitido (JAMES.1 . multiflorum resistente (R) e sensível (S) Fonte: Ferreira et al.na folha onde foi aplicado. (C) – na parte aérea e (D) .Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas 14. perdendo apenas para Argentina e Estados Unidos (Quadro 9). (2006b) 14 .

1 < 0. canola e mamão Soja. sexta colocação em 2003. Checa Superfície (milhões de ha-1) 49. ocupou um total de 15.1 0. milho. A soja tolerante a herbicida é atualmente a cultura geneticamente modificada dominante.5 milhões de hectares.3 0. representando 60% da área mundial destinada às plantas geneticamente modificadas em 90 milhões de hectares.3 0. Argentina.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 9 . cultivado em 4. dos 21 países produtores de transgênicos. Canadá.8 17. algodão.1 < 0.5 . A terceira cultura geneticamente modificada mais cultivada foi o algodão Bt. México. Brasil.3 1. comercialmente disponível em nove países em 2005 (Quadro 9) que. são: EUA. 11 são países em desenvolvimento e 10 industrializados (Fig. Índia. Canadá.1 9. EUA.Superfície global de cultivos transgênicos em 2005 (em milhões de hectares) Ordem 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Fonte: James (2005) País EUA Argentina Brasil Canadá China Paraguai Índia África do Sul Uruguai Austrália México Romênia Filipinas Espanha Colômbia Irã Honduras Portugal Alemanha França Rep. milho e canola Algodão Soja Algodão Soja. quando foram cultivados 12.1 < 0.0 milhões de hectares. em ordem decrescente de área: milho tolerante a herbicida.4 milhões de hectares. 2).5 0. Importante destacar que o milho Bt.8 milhões de hectares (4%) em dois países: EUA e 226 Módulo 3. África do Sul e México. Paraguai. com crescimento de 22% no ano de 2003.1 0. que. O algodão Bt foi plantado em oito países.1 Culturas transgênicas Soja.3 milhões de hectares. Ela ocupa 48. Uruguai.1 0. milho Bt tolerante a herbicida.3 milhões de hectares (5%) em quatro países: EUA.Herbicidas: resistência de plantas .1 < 0. cultivado em 4. Argentina. Austrália. cultivado em 3.3 0. canola tolerante a herbicida. foram: China. em ordem decrescente de área cultivada.8 3. milho e algodão Soja Soja. e que ocupou 4.8 1. África do Sul e Argentina. Outras cinco culturas listadas no Quadro 10 ocuparam entre 2% e 5% da área mundial cultivada com plantas derivadas da biotecnologia e incluem. em ordem decrescente de área cultivada. equivalente a 6% da área mundial com lavouras geneticamente modificadas.3 milhões de hectares (5%) em dois países: Canadá e EUA. Romênia. milho e algodão Soja e milho Algodão Soja e algodão Soja Milho Milho Algodão Arroz Milho Milho Milho Milho Milho Em 2005. África do Sul e Colômbia.1 < 0.1 < 0.1 < 0.4 5.

5 milhão de hectares (2%) em 3 países: EUA. Austrália e México.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Canadá. Figura 2 – Evolução da área de cultivo de transgênicos no mundo.Herbicidas: resistência de plantas 227 .5 . e algodão tolerante a herbicida cultivado em 1. em milhões de hectares. Austrália e África do Sul (JAMES. em ordem crescente por área. os países produtores de culturas trangênicas em 2005. algodão Bt e tolerante a herbicida cultivado em 3 milhões de hectares (4%) em três países: EUA. Quadro 10 – Princiapais lavouras geneticamente modificada em 2005 Culturas Soja tolerante a herbicida Milho Bt Algodão Bt Milho tolerante a herbicida Canola tolerante a herbicida Milho Bt/tolerante a herbicida Algodão Bt/tolerante a herbicida Algodão tolerante a herbicida Fonte: James (2005) % em relação ao total de áreas cultivadas 60 14 06 05 05 04 04 02 Módulo 3. de 1996 a 2005 O Quadro 10 mostra. 2005).

etc. uma vez que permite a inserção de genes cujas características são conhecidas com antecedência. oferece maior precisão do que os cruzamentos. Além disso. como ocorre no melhoramento genético clássico (no cruzamento ocorre a "mistura" de metade da carga genética de cada variedade parental). e a decifração do código genético foram condições primordiais para o surgimento da biotecnologia moderna.1 90. 228 Módulo 3. 2005).Herbicidas: resistência de plantas .) e plantas. 2005). como ferramenta da biotecnologia agrícola. um fungo.5 . com o objetivo de acelerá-lo e de ampliar a variedade de genes que podem ser introduzidos nas plantas.6 59. uma bactéria. bem como da natureza química do material genético. 2005).9 42. a área cultivada com lavouras transgênicas cresceu mais de 47 vezes (JAMES.0 A transgenia permite um melhoramento "pontual" através da inserção de um ou poucos genes e da conseqüente expressão de uma ou poucas características desejáveis (MONSANTO. A biotecnologia agrícola utiliza a transgenia como uma ferramenta de pesquisa agrícola caracterizada pela transferência de genes de interesse agronômico (e. que. 2001). permitiram a manipulação do material genético. O Quadro 11 mostra a evolução do cultivo de plantas geneticamente modificada e tolerante a herbicidas durante o o período de 1996 a 2005. denominadas de transgênicas. Assim. Já a transgenia é uma evolução desse processo.2 52. cruzam-se as espécies sexualmente compatíveis e ocorre a combinação simultânea de vários genes.7 67. por meio de desenvolvimento de métodos refinados com o uso de técnicas de biologia molecular. de características desejadas) entre um organismo doador (que pode ser uma planta. Quadro 11 –Área total de lavouras geneticamente modificadas no mundo entre os anos de 1996 e 2005 Ano 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Fonte: James (2005) Hectares (em milhões) 1.7 81. hoje conhecida como tecnologia do DNA recombinante ou engenharia genética (VALOIS.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A descoberta das leis da hereditariedade. sem que sejam introduzidos outros genes.0 27. conseqüentemente. com segurança (MONSANTO.8 39.7 11. Nessse período. surgiram as plantas que carregam em seu genoma a adição de DNA oriundo de uma fonte diferente de germoplasma paternal. a transgenia. No melhoramento tradicional.

em que fatores como a intensidade e a rapidez da mudança na composição de uma comunidade são acentuados e inevitavelmente influenciados pelas práticas agrícolas e pela ação humana. 2005). Em 2005 a soja transgênica foi oficialmente liberada para plantio no país. o que significa alta pressão de seleção. se o manejo das plantas daninhas não for adequadamente utilizado na soja transgênica. deixando de fazer o controle das plantas Módulo 3. Dessa forma. Espécies altamente sensíveis a esse produto serão eliminadas. subterrâneas e multiplica-se também a partir do enraizamento de porções do caule (ROCHA 1999. O risco do surgimento de casos de plantas daninhas resistentes é maior para aqueles herbicidas que já apresentam biótipos resistentes. Esse fato poderá levar a uma situação extrema. o glyphosate (GAZZIERO. 2000). e outras consideradas tolerantes apresentam a possibilidade de disseminação e conseqüente aumento de infestação nas áreas cultivadas com soja transgênica. 2005).. ROCHA et al. No início serão observados apenas os benefícios da nova tecnologia.Herbicidas: resistência de plantas 229 .Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas Os métodos de controle das plantas daninhas não sofrerão alteração. a substituição das moléculas herbicidas que vinham sendo usadas por outra. A dinâmica e o estabelecimento das plantas daninhas nos levam a antever uma provável mudança na composição das plantas infestantes. C. as plantas daninhas apresentam composição e dinâmica de um país tropical. em alguns casos. porém com o decorrer dos anos existirá uma grande possibilidade de surgir problemas como a seleção das espécies consideradas tolerantes ou mesmo espécies resistentes (GAZZIERO. por exemplo. Espécies como Commelina benghalensis. será utilizado um único ingrediente ativo. No Brasil. em que a maioria da área cultivada empregará a mesma molécula herbicida. Borreria latifolia e Tridax procumbens são plantas consideradas tolerantes ao glyphosate. como é o caso dos herbicidas para os quais estão sendo desenvolvidas culturas resistentes.5 . essas plantas apresentam grande potencial de se tornarem um sério problema de controle. Muitos produrores de soja transgênica no Rio Grande do Sul preferem controlar as plantas daninhas com aplicação de pós-emergência feita na cultura. dessa forma. Os produtos e as combinações de produtos utilizados na soja convencional serão substituídos pelo glyphosate. benghalensis. somente haverá. que é um requisito para a seleção de plantas resistentes. é uma espécie que se adapta com facilidade a diferentes ambientes e apresenta intensa resposta à calagem e adubação do solo. tendo em vista que vários produtos ou combinações de produtos utilizados atualmente serão substituídos por um único ingrediente ativo. É uma planta perene que se reproduz por sementes aéreas. sendo hospedeira de pragas e moléstias.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 15 . espera-se a ocorrência de profundas mudanças nos sistemas de controle.

estarão sujeitos à seleção de plantas daninhas resistentes. Desse modo. Contudo. 2003). para que se possa entender e estabelecer estratégias específicas para os nossos casos. trazendo prejuízos a cultura (THEISEN citado po GAZZIERO. tolerantes e sensíveis em áreas afetadas e para eleger métodos de manejo e controle das plantas tolerantes e resistentes que permitam impedir a multiplicação e a disseminação desse(s) gene(s) para outras populações. sobre os quais tem sido aplicada doses de 16 L ha-1 do produto comercial sem sucesso. Euphorbia heterophylla.Herbicidas: resistência de plantas . o processo de competição entre a cultura e as plantas daninhas já se iniciou. 230 Módulo 3. em condições semelhantes. que poucas vezes podem ser generalizados para as nossas condições. devem ser adotadas as práticas de manejo adequadas. agricultores que empregarem extensivamente. da variabilidade genética da espécie daninha. O conhecimento desses pontos é importante para embasar previsões de proporções futuras entre plantas resistentes. Sabe-se que sua evolução em uma área é dependente da pressão de seleção. além da resistência de azevém (Lolium sp. Para que isso seja evitado. Nas áreas com mais de 15 anos de uso têm sido feitas três aplicações/ano em doses que variam de 2 a 8 L ha-1. e em anos seguidos. do número de genes envolvidos. Na maioria dos casos. do fluxo gênico e da dispersão de propágulos. Estudos aprofundados sobre essa questão devem ser realizados com urgência no país.Comentários finais A resistência de plantas daninhas a herbicidas é um fato consumado no Brasil. Biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistente ao glyphosate se tornaram um grave problema nas lavouras de soja transgênica no Rio Grande do Sul. em outras espécies. com mesmo mecanismo de ação. observou em pomares de maça tratados com glyphosate a seleção de Richardia brasiliensis. levando a um considerável aumento nos custos de produção.). e as informações de que se dispõe são relacionadas a casos de outros países.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que germinam antes da semeadura da soja. como: uso de misturas de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e rotação destes mecanismos. poucos cientistas estão se dedicando a essa área no Brasil. do padrão de herança.5 . 16 . Commelina benghalensis. ao se realizar a aplicação. Vargas (2004). o mesmo herbicida ou herbicidas.

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Ricardo Camara Werlang Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .Manejo de plantas daninhas em pastagens 235 .6 .6 . Lino Roberto Ferreira Profº.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .Manejo de plantas daninhas em pastagens Tutores: Profº.DF 2006 Módulo 3.Manejo de plantas daninhas 3.ABEAS Universidade Federal de Viçosa .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília . Antonio Alberto da Silva Profº.

6 . 244 1.2 .Uso de herbicidas na recuperação de pastagens.Controle de plantas daninhas.2 .Fatores do ambiente passíveis de competição. 243 1.Integração da agricultura e pecuária.1.4.Competição por luz. 257 2.Controle cultural.Manejo de plantas daninhas em pastagens .3 . 247 2 . 237 1 .Competição entre plantas daninhas e forrageiras.1 . 261 Referências bibliográficas.4.4.1 .3 .Plantas tóxicas.1 .3 . 252 2.Controle mecânico ou físico.Controle químico. 246 1.Uso de herbicidas na manutenção de pastagens. 267 236 Módulo 3.Controle preventivo. 246 1.Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens.3 .1. 258 2.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução. 253 2.1. 252 2.4 . 238 1. 239 1.1 .Competição por nutrientes.Competição por água. 259 2.2 . 260 2.

A tomada de decisão na pecuária. possibilitem convivência harmoniosa com a natureza. eficiência. em especial para a pecuária.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Atualmente. a formação do que pode ser denominado um novo status de cultura global (EUCLIDES FILHO. indústria. e produtivos. como solo. social. a atividade pecuária tende a se tornar cada vez mais uma atividade empresarial. diante das transformações que vêm se processando. como política. isto é sinônimo de estabelecimento de sistemas sustentáveis. com respeito ao ambiente e aos animais. socialmente justos. assumem dois aspectos fundamentais. nesse contexto. Com relação aos sistemas de produção agrícolas. É importante ressaltar que. espera-se. água e recursos genéticos animais e/ou vegetais. produtor. em maior ou menor grau. 1997). Os últimos dez anos têm sido decisivos para a economia brasileira. da intensificação total. economia. sistemas economicamente viáveis. deve considerar os vários pontos determinantes dos segmentos envolvidos no setor. afastando-se cada vez mais do modelo extrativista. a humanidade coloca em segundo plano os tratados e previsões que fundamentaram a “revolução verde” e busca.6 . Conseqüentemente. Módulo 3. e na pecuária. As mudanças que vêm ocorrendo nos sistemas de produção são reflexos de transformações econômicas. 1997). além de produtivas. O primeiro é que elas viabilizam a competitividade brasileira. representado pela pecuária extensiva. consumidor. nesse contexto. capazes de ser conservadores de recursos. Uma das características que faz com que a atividade pecuária no Brasil seja altamente competitiva é o fato de o País possuir grandes áreas de pastagens e condições adequadas para o desenvolvimento destas.Manejo de plantas daninhas em pastagens 237 . ambientalmente corretos. em última instância. essa tendência é muito mais complexa e envolve modificações muito mais profundas. sociais e políticas. dependendo de cada caso. 1996) A pecuária brasileira está sendo influenciada pelo processo de globalização em andamento no mundo. formas de produção que. passando por mudança do estágio de conhecimento e culminando com o estabelecimento de um novo padrão de comportamento da sociedade como um todo. Nesse período. apesar de esse processo estar sendo propalado como a globalização da economia. parte expressiva do setor se distanciou da prática extrativista que por muitos anos caracterizou a atividade e tem sido um exemplo de capacidade de ajustes e adaptação à realidade do mercado atual. que penaliza os setores não-competitivos e ineficientes (EUCLIDES FILHO. Dessa forma. em geral. em particular. As pastagens. qualidade. competitividade e sustentabilidade (EUCLIDES FILHO. competitivos e eficientes. que são responsáveis pela reestruturação desde níveis e formas de informação. e aproximando-se. e o segundo é o fato de possibilitarem o atendimento da grande demanda mundial por alimento produzido de forma natural. ou seja.

sem possibilidade de recuperação natural.. ocasionar danos físicos aos animais. além de ser um ambiente propício para o desenvolvimento de parasitas. se sombreadas. que afeta a produção e o desempenho animal e culmina com a degradação do solo e dos recursos naturais em função de manejos inadequados.6 . Pastagem degradada se constitui. No entanto. bem manejadas e livres de plantas daninhas. até mesmo parcialmente. Estima-se que 80% dos quase 60 milhões de hectares da área de pastagens na região de Cerrados apresentam algum estágio de degradação (MACEDO et al. ocasionado pela competição com as plantas daninhas. As plantas daninhas podem. má formação inicial. Nas Figuras 1 e 2 são apresentadas algumas das principais espécies de plantas daninhas das pastagens. reduzindo a disponibilidade desses fatores para as forrageiras. Essas forrageiras. Essa competição se dá principalmente por luz. Assim. atualmente.Manejo de plantas daninhas em pastagens . como ferimentos no úbere das vacas. espaço. Em razão do porte arbustivo. pode-se considerar a luz como o principal fator (recurso) de competição destas com as forrageiras. 2000). agravam-se os efeitos ambientais pela erosão dos solos e assoreamento dos mananciais de água. A presença delas em pastagens reduz a produtividade. Isso ocorre porque a maioria das gramíneas forrageiras cultivadas no Brasil tem a sua eficiência fotossintética altamente dependente da intensidade da luz. Degradação de pastagens é um processo evolutivo de perda de vigor e produtividade da forrageira.Competição entre plantas daninhas e forrageiras Pastagens produtivas significam pastagens bem formadas. em um dos maiores problemas dos sistemas de produção de bovinos no Brasil Central. Além dos impactos negativos na produção e desvalorização do patrimônio. têm a sua taxa de fotossíntese líquida altamente reduzida e. devido à elevada capacidade competitiva das plantas daninhas. a presença de plantas daninhas em pastagens reduz a sua capacidade de suporte (unidade animal por ha). nestas condições. a degradação precisa ser revertida para garantir a produtividade e a viabilidade econômica da pecuária (MACEDO et al. e até mesmo arbóreo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Diante da importante função assumida pela pastagem no contexto de pecuária empresarial e competitiva.. Causada por diversos fatores. as quais dificultam o processo de produção pecuária. 238 Módulo 3. por diminuir o potencial de formação de pasto pelas forrageiras. é lógico que o sucesso desse setor está estreitamente relacionado com a manutenção das pastagens em condições adequadas. entre eles má escolha da espécie forrageira. é facilmente dominada pelas plantas daninhas. pois são espécies que apresentam o metabolismo C4. água e nutrientes. mas também por espaço. nutrientes e água. a prática demonstra outra realidade. 1 . de muitas espécies de plantas daninhas infestantes de pastagens em condições brasileiras. ainda. 2000). e aumenta o tempo de formação das áreas reformadas. falta de adubação de manutenção e manejo da pastagem inadequado. uma vez que estas plantas competem por luz.

Como ambas possuem suas demandas por água. estabelece-se a competição. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex. nutrientes e CO2 e. qualquer planta daninha que se estabeleça na pastagem vai usar parte dos fatores de produção. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso for limitado e máxima quando o ponto de saturação for atingido. como água. nutrientes e luz. Módulo 3. 1. Isso ocorre porque. Recursos são os fatores consumíveis. Radosevich et al. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. já limitados no meio. ou até mesmo levá-los à morte. A seguir serão abordados os principais fatores envolvidos na competição entre as plantas daninhas e as forrageiras. a forrageira e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área.6 . reduzindo a produtividade da forrageira. luz. esses fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente. caso eles se alimentem de plantas tóxicas. gás carbônico.Fatores do ambiente passíveis de competição Em ecossistemas agropastoris.1 . nessas circunstâncias. até mesmo para o próprio desenvolvimento da forrageira.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas causados por espécies com espinhos. na maioria das vezes. muito comuns em pastagens brasileiras.: toxidez devido a excesso de Zn no solo).Manejo de plantas daninhas em pastagens 239 .

(e) ciganinha (Memora peregrina). (g) guanxuma (Sida glaziovii) e (h) lobeira (Solanum lycocarpum) 240 Módulo 3. (b) leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). (d) assa-peixe roxo (Vernonia glabrata).Manejo de plantas daninhas em pastagens . (f) fedegoso (Senna ocidentalis).6 . (c) mata-pasto (Eupatorium maximilianii).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 – Principais plantas daninhas das pastagens (a) assa-peixe branco (Vernonia polyanthes).

(b) arranha-gato (Acacia plumosa).(a) camboatá (Tapirira guianensis).6 . (f) algodão-bravo (Ipomoea carnea sbsp.(c) guizo-de-cascavel (Crotalaria spectabilis).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 – Principais plantas daninhas das pastagens . (g) mamona (Ricinus communis). (e) cambará (Lantana camara).Manejo de plantas daninhas em pastagens 241 . e plantas tóxicas . fistulosa). (d) cafezinho (Palicourea marcgravii). (h) ximbuva (Enterolobium contortisiliquum) e (i) samambaia (Pteridium aquilinum) Módulo 3.

interespecífica. e. 1996). Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas daninhas em relação às culturas são o seu porte e sua arquitetura. o maior índice de área foliar. a menor suscetibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. até que um nível ideal seja alcançado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Condições são fatores não diretamente consumíveis. Determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer. citado por RADOSEVICH et al. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas.6 . envolvendo indivíduos de espécies diferentes. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. como pH do solo. cuja dependência é muito grande. No entanto. Na realidade. Várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as forrageiras e as plantas daninhas.. do seu vigor. em razão da influência extrema que eles exercem na utilização dos recursos pelas plantas. a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. caracterizado pela pastagem degradada. etc. ainda. como acontece. em áreas de pastagens degradadas a capacidade competitiva das plantas daninhas é ainda maior. totalmente esclarecida. como: a competição é mais séria nos períodos iniciais de desenvolvimento da 242 Módulo 3. A competição pode ser intra-específica. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. em condições de sombreamento (PITELLI. densidade do solo. 1996). como veranico e geadas.Manejo de plantas daninhas em pastagens . Entretanto. se a forrageira se estabelecer primeiro. Contudo. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. 1996). seja ela daninha ou não.. 1990. A competição entre plantas daninhas e forrageiras é um fator crítico para o desenvolvimento da pastagem quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a forrageira. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (RADOSEVICH et al. não estando. Todavia. dependendo da espécie cultivada.. por exemplo. mesmo com baixos níveis do recurso no ambiente (RADOSEVICH et al. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes.. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância. Os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta destas às variações dos recursos (GOLDBERG. se a população de plantas da forrageira por área for baixa ou o estande for desuniforme. 1985). porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. também. ela poderá cobrir rapidamente o solo. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor.

Normalmente.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. sem qualquer sinal de déficit hídrico. das condições adequadas de pastejo e manejo adequado da forrageira. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma pastagem. grande número de estômatos por área foliar. da profundidade de plantio. comumente. especialmente nos trópicos em dias quentes. magnitude da condutividade hidráulica das raízes.. da época correta de plantio. realizando. é normal em alguns agroecossistemas. nutrientes e espaço. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular (maior profundidade do sistema radicular – ex. no manejo da forrageira. Desse modo.Manejo de plantas daninhas em pastagens 243 . as espécies daninhas de maior porte do que as forrageiras exercem grande potencial competitivo com estas. como o químico ou mecânico. regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. podendo. dessa forma. o chamado manejo integrado de plantas daninhas. Assim a competição é mais facilmente minimizada ou até mesmo eliminada com a integração de outros métodos de controle.6 . pois se estabelecem primeiro. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo.1 . e sistema radicular muito desenvolvido. as condições para que ela se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. da percentagem de germinação e vigor das sementes. ciganinha e outras). devido ao sombreamento. Disso resulta a importância do preparo do solo. especialmente nitrogênio e carbono.. e as espécies daninhas competem por água. desenvolvimento e crescimento rápido de grande superfície fotossintética mesmo ainda na fase de plântula. principalmente se a forrageira possui metabolismo C4. 1996). fazendo com que esta leve vantagem sobre o complexo de plantas daninhas. pequenas ou grandes. Conhecendo esses fatores. torna-se fácil o manejo da forrageira. Módulo 3. as espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da forrageira. que podem inibir a germinação e ou desenvolvimento da forrageira.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas forrageira. que as plantas forrageiras fiquem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis. como capacidade de remoção de água do solo. tendem a excluir as demais. luz. ainda. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes.: assa-peixe. etc. (Radosevich et al. liberar toxinas no solo. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas. etc. 1. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da forrageira e da vegetação daninha infestante da área a ser formada. as características fisiológicas das plantas. da escolha da forrageira adequada para a região. por isso. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva.1.

no ácido fosfoenolpirúvico. por apresentarem dois sistemas carboxilativos. 3-fosfoglicérico e. molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. por ser ambígua quanto ao substrato. comparado a regiões temperadas. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. Essas plantas. A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). e. a superioridade das forrageiras utilizadas no Brasil (C4 em sua grande maioria) é dependente de certas condições. onde é fosforilado. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. quando comparadas com plantas C4. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). As plantas C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. por difusão. é transportado para as células da bainha vascular das folhas.Competição por luz A competição pela luz é muito complexa e sua magnitude é influenciada pela espécie.Manejo de plantas daninhas em pastagens .2 . localizada nas células do mesófilo foliar. responsável pela fixação do CO2. o ácido pirúvico. Este CO2 liberado é novamente fixado. também. as plantas C3 fotorrespiram intensamente. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. também. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. sendo esta relação para as plantas C4. além do ciclo de Calvin e Benson.6 . substrato inicial da respiração. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. A maior eficiência das plantas C4 em relação a C3 em condições adequadas de luminosidade e temperatura é o principal fator da superioridade de produção forrageira em condições tropicais (maioria C4). do glicolato. por difusão. que ocorre em todas as plantas superiores. ocorrendo o ciclo de Cavin e Benson. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. catalisa a produção do ác. É sabido que a relação. consumindo 2 ATPs. se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. logo. a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. baixo ponto de saturação luminosa. Elas não apresentam fotorrespiração detectável. As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2. As plantas C4. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. Esse fato evidencia que as plantas C4 244 Módulo 3. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico. retorna às células do mesófilo. ou seja. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico). não desassimilam o CO2 fixado. se ela é umbrófila ou heliófila e.5 difosfato carboxilase. dependendo da espécie vegetal. onde esses produtos são descarboxilados. de 1:5:2. Em conseqüência da ação desta enzima. Entretanto. formando o ácido oxaloacético (AOA). em seguida. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. considerando ambos os grupos em condições ótimas. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. como a luminosidade adequada.1. agora pela enzima ribulose 1. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes).

os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). Em função destas e de outras características. aliado a outros fatores. luminosidade alta e até mesmo déficit hídrico temporário.. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontra-se saturada quanto à luz e. 1995). as espécies C4 dominam completamente as C3. Isso acontece porque. quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. aparecimento de folha e duração da folha) que. porém são influenciadas por fatores externos. gênero Panicum (RODRIGUES. levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente. que são diretamente correlacionadas com a quantidade e qualidade da luz. atividade ótima em temperaturas mais elevadas. é comum.Manejo de plantas daninhas em pastagens 245 . as condições de luminosidade e temperatura serão preponderantes no desenvolvimento adequado das forrageiras. ocorre a necessidade de controle de invasoras. 1999) . luminosidade e nutrientes. Como a maioria das forrageiras das regiões tropicais e subtropicais . REIS. Além disso. indica o potencial de produção de uma pastagem. conseqüentemente. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEPcarboxilase) apresenta algumas características. ainda assim elas continuam acumulando biomassa. liberando CO2. Portanto. e não satura em alta intensidade luminosa.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. nessas condições. esta passa a atuar mais como oxidativa.espécies de Brachiaria (CORSI et al. Como toda essa energia é proveniente da luz. Todavia. Esse fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. a fim de evitar o sombreamento. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. Cada espécie de forrageira possui um padrão genético de crescimento e expansão foliar (determinado por suas características morfogênicas . densidade de perfilhos e número de folhas por perfilho. No caso das plantas C4.alongamento de folha. temperatura.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). gênero Cynodon (SILVA et al. como: alta afinidade pelo CO2. Essas características são genéticas. nessas condições.são plantas C4. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km). Isso é possível porque esse grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável. a ocorrência de sombreamento por plantas daninhas implica redução drástica do potencial competitivo dessas forrageiras. mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. atua especificamente como carboxilase. Módulo 3.. 1994). A luz como fonte de energia de todos os processos biológicos na forrageira é o componente principal na produção da pastagem. se for reduzido o acesso à luz.6 . 1998) e Pennisetum purpureum (RODRIGUES et al. estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. como água. A combinação das características morfogênicas determina as três principais características estruturais das forrageiras: tamanho de folha.

tanto para as áreas de pastagens como de agricultura. 1. evitando a erosão e quebra do equilíbrio. exercem forte competição com as forrageiras pelos nutrientes essenciais. o empobrecimento da fertilidade do solo. É notório que o setor agropecuário brasileiro está passando por um processo de transição socioeconômica e agroambiental. a consorciação de lavouras e forrageiras.. a utilização de culturas anuais em cultivos seqüenciais ou simultâneos como formas de sistemas de produção. das espécies presentes. tem sido proposto recentemente. como alternativa de recuperação de pastagens degradadas. deve-se considerar. em alto grau. apesar de esse processo ser lento e silencioso. a competição por nutrientes depende.Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e. a baixa retenção de água no solo e o aumento do processo erosivo são sintomas do manejo inadequado que prejudicam o meio ambiente. A venda de grãos das culturas. além da quebra do ciclo de pragas e doenças. os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das forrageiras em nossos solos. As tecnologias para recuperação e manejo sustentável dos solos degradados dos Cerrados. 2000). a queda na produtividade das lavouras. doenças e plantas daninhas. A integração agricultura e pecuária não será abordada em maior detalhe. 2001).. observam-se a expansão do plantio direto. tornando-o sustentável em termos econômicos e ecológicos (KICHEL et al. maior eficiência no uso de máquinas. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes. a preocupação da utilização racional de água e agroquímicos e a necessidade de maior competitividade e sustentabilidade (COBUCCI.2 . Essas tecnologias também proporcionam maior diversificação das atividades econômicas no meio rural (KICHEL. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca. melhoria das propriedades físicas do solo.Integração da agricultura e pecuária A degradação das pastagens. por constituir-se em tema complexo e não ser objetivo do presente trabalho. 2001).1. 246 Módulo 3. Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. o aproveitamento da adubação residual e o preparo do solo mais elaborado podem ser vantajosos na redução dos custos e na eficiência de recuperação das pastagens degradadas (Macedo et al. em conseqüência disso.3 . que facilitam a ocorrência de pragas. com maior ênfase..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. 2000).Manejo de plantas daninhas em pastagens .6 . 2000. Portes et al. visam melhoria das propriedades do solo. MIRANDA. diversificação do sistema produtivo e de aumento da produtividade do empreendimento agrícola. Nesse sentido.

certos venenos. que o animal. POTT. e causa danos à saúde ou morte. Por outro lado. a ingestão de certas plantas em pequenas quantidades leva o animal a adquirir resistência ou tolerância ao princípio tóxico. 2002). até atingir a dose letal (AFONSO.6 . (2000) definem planta tóxica de interesse pecuário a que é ingerida por animais domésticos de fazenda. mas também aquelas que provocam direta ou indiretamente perturbações na saúde do animal. que causa fotossensibilização ("orelha frita"). que pode causar anemia devida a nitratos/nitritos. principalmente em bezerros. arrecta).3 . pois às vezes ela provoca intoxicações apenas em uma dessas fases. ingerindo pequenas quantidades diárias. AFONSO. O tipo de solo também pode influenciar na toxidez de uma planta. A mais temível do Brasil é a erva-de-rato ou cafezinho (Palicourea marcgravii) (POTT. há outros fatores que também propiciam intoxicações. subquadripara = B. raiva ou outra doença. 2002).). com comprovação experimental. peso. os quais podem estar relacionados ao animal ou à planta.. Existem também plantas com princípio tóxico cumulativo. Os biomas Pantanal e Cerrado possuem floras ricas em espécies. podem provocar danos que se refletem na sua saúde ou vitalidade. 2002). além do grau de sensibilidade do animal a um princípio tóxico (AFONSO. 2002). como brotação. Segundo Howes (1933). certas raças toleram mais. como idade. deve-se considerar a sua fase vegetativa. plantas tóxicas não são somente vegetais que provocam verdadeiros envenenamentos e intoxicações agudas. tóxicas. Além da fome. sendo algumas. como é o caso das mandiocas-do-mato (Manihot spp.Manejo de plantas daninhas em pastagens 247 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. POTT. visto algumas serem tóxicas em uma região e em outra não (AFONSO. 2000). muitas das quais ingeridas pelo gado. Na mesma raça há fatores ligados ao próprio indivíduo. como Brachiaria decumbens. No caso da espécie bovina. citado por Hoehne (1939). outras menos. floração e frutificação.Plantas tóxicas Calcula-se que 12% das mortes de bovinos são causadas por sementes. Tokarnia et al. Várias provocam sinais que podem ser confundidos com picada de cobra. ingeridas espontânea ou acidentalmente pelo animal. Portanto. Com relação à planta. consideram-se tóxicas todas as plantas que. e braquiária-d´água ou "tanner grass" (B. folhas ou raízes de plantas que possuem grande quantidade de elementos químicos nocivos ao gado (AFONSO. POTT. estado sanitário e nutricional. A maioria das plantas tóxicas é consumida pelos animais em razão da escassez de alimentos nas pastagens e da mudança de animais famintos para pastagens que possuem plantas tóxicas (FREITAS et al. POTT. O conceito sobre plantas tóxicas é relativo. em condições naturais. 1991). Algumas plantas cultivadas também são consideradas tóxicas. vai retendo no seu organismo. sexo. Módulo 3.

Às vezes o animal mostra. respiração ofegante. com um resumo das suas principais características.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas São várias as espécies de plantas tóxicas presentes nas pastagens no Brasil. havendo pasto).6 . o que é difícil de ocorrer no campo. Possui distribuição ampla. tremores musculares. lassidão e pêlos ásperos. DL (100 g de folhas verdes). os ramos que encostam no chão Alcalóides derivados do enraízam. São tóxicas as folhas e as sementes. trepador. os sintomas consistem em queda repentina do animal ao chão. É muito comum em lagoas rasas. Cresce somente em solo de barro (LSD) (argiloso). A semente pilosa (origem do nome algodão) é espalhada pela água. fistulosa) Convolvulaceae Figura 2 f 248 Módulo 3. A principal forma de propagação é vegetativa. durante semanas.Manejo de plantas daninhas em pastagens . Rebrota após cortes e ácido lisérgico fogo. capoeiras e em pastos recém-formados. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. antes de cair. cercar as matas e as capoeiras onde existir a planta. Algodão-bravo. Possui boa Figura 2 d palatabilidade. Abobral e Paraguai. ou estado de embriaguez. Aumenta em campos com excesso de gado ou perto de porteiras. muito alagável. cochos e aguadas. Ocorre em terra firme. sobrevindo a morte dentro de poucos minutos. sendo Erva de rato. iniciam poucas horas após ser completada a ingestão da dose letal. marcgravii) acético. flor e semente praticamente durante o ano todo. Arbusto aquático. DL (9 kg de folhas verdes por dia. Quadro 1 – Principais plantas tóxicas encontradas no Brasil Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). nas planícies de inundação dos rios Negro. exceto se for afogado depois. Controle: erradicar as plantas. com as pernas traseiras abertas e instabilidade no trem posterior. sendo ingerida em qualquer época do ano. uso de herbicidas. canudo-de-pita (Ipomoea carnea subsp. desequilíbrio do trem posterior. Nos bovinos. caindo com facilidade. Com a evolução da intoxicação o animal apresenta sinais de origem nervosa. controle químico Arbusto responsável pela maioria das mortes de bovinos causadas por plantas tóxicas em terra firme. Na Figura 2 estão apresentadas e no Quadro 1 listadas as de maior ocorrência e importância no Brasil. A evolução da intoxicação é crônica e não há recuperação do animal Controle: erradicação. Inicialmente os sinais apresentados são de emagrecimento progressivo. Causa a síndrome da morte súbita. de 1 a 4 m de altura. O seu andar se torna desequilibrado (como se estivesse embriagado). com cafezinho Ácido exceção do extremo sul e do sertão (Palicourea monoflúornordestino. encontrada em todo o País. afeta o Rubiaceae em áreas sombreadas das beiras ciclo de Krebs das matas. Perene.

extrato hepático e purgante oleoso Figura 2 e e medicar as lesões na pele. Samambaia (Pteridium aquilinum) Substância Dennstaedtiacea radiomimética e e tiaminase Figura 2 i Planta tóxica de importância no Brasil e no mundo. para áreas (Lantana (lantadene A e infestadas. os bovinos ingerem a Cambará. Causa febre alta. Os animais apresentam andar incerto.Manejo de plantas daninhas em pastagens 249 . Ingestão em menores quantidades ocasionam hematúria intermitente. Controle: erradicação da planta.000 g de folhas verdes ingerido durante três semanas a poucos meses. Em eqüinos causa deficiência de vitamina B1. controle cultural (calagem e aração do solo) e químico Módulo 3. fezes ressequidas e. os animais apresentam anorexia e diminuição ou parada dos movimentos do rúmen. A fome faz o animal ingerir a planta. emagrecimento. convulsões. com fome. se habitue a ela e. que aparece de repente. Já na fase aguda. que faz com que este. em pequena quantidade. A planta toda é tóxica. Controle: erradicar as plantas (herbicidas) e não transferir animais com fome para pastagens infestadas. principalmente quando camará Triterpenóides transferido. falta de apetite. DL (variada). sendo a correção e aração deste um método cultural de controle desta espécie. Inicialmente. anemia. DL (1. O animal sangra prolongadamente por qualquer ferimento. apresentam tremores musculares.6 . utilizar ungüentos antiinflamatórios. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. Muitos animais morrem nessa fase. manifestam fotossensibilidade sob forma de eritema e edema inflamatórios nas partes menos pigmentadas da pele e inquietação à procura de sombra. Consistem nas manifestações de fotossensibilidade hepatógena. trôpego. As plantas ocorrem em solo ácido. No tratamento os camara) animais devem ficar na sombra. sonolência. para provocar sintomas de intoxicação aguda. devido ao efeito acumulativo). culminando na morte. Sob condições naturais. sendo a brotação a porção mais tóxica das partes aéreas. eventualmente diarréias enegrecidas. planta somente em circunstâncias chumbinho ou especiais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Arbusto ou subarbusto é cosmopolita. mesmo cessada a fome. tem incordenação ao andar. continue a procurá-la. hemorragia na pele e nas mucosas visíveis. lantadene B) Verbenaceae Deve-se administrar glicose. quando expostos ao solo. depois de comê-la por algum tempo.

A intoxicação pelas folhas é aguda. perturbações digestivas. mas retorna por semente. com o animal apresentando fraqueza.500 g de folhas verdes ao dia foram suficientes para levar os bovinos à morte). É tóxica ao fígado. de 1 a 4 m de altura. antes da formação de sementes. O consumo repetido de pequenas quantidades de semente pode dar imunidade. com copa. Embora conste como pouco palatável.6 .000 g de folhas frescas ou 200 g de sementes. dificilmente o animal se recupera. Perene. geralmente não folha e ricina inundáveis. Guizo-decascavel. Deve-se atentar para o seu aparecimento em leiras. em solos argilosos ou (toxoalbumina) arenosos. Controle com herbicida. antes que forme sementes. causando perturbação nervosa. chique-chique (Crotalaria spectabilis) Leguminosae Figura 2 c Planta ereta. procurando ficar deitado.. as quais são o meio de propagação. No Brasil existem mais de 40 espécies Alcalóides do de Crotalaria. perda do equilíbrio ao caminhar e alteração do sistema nervoso sob forma de excitação ou depressão. Ocorre também eructação excessiva (arroto) acompanhada por sialorréia (baba). de 50 a 100 cm de altura. depósitos (alcalóide) na de lixo. Os principais sinais na intoxicação por Crotalaria iniciamse por contrações abdominais. onde o solo é mais fértil. geralmente férteis.um quarto dessa dose no caso de bezerro). as folhas foram observadas bem pastadas por bovinos no Pantanal. A torta de mamona não bem detoxicada pelo calor também é tóxica.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Mamona (Ricinus communis) Euphorbiaceae Figura 2 g Arbusto pouco lenhoso. Morre na queimada. Uso de herbicidas. em solos de vários tipos. O fruto estoura ao sol e lança as sementes a vários metros de distância. Há relatos de pirrolizidinas que o princípio tóxico desta planta se concentra mais nas flores e nas sementes. mas das folhas não. perda de apetite. com flor e semente em grande parte do ano. etc. os animais mais novos são mais sensíveis . com flor e fruto quase durante o ano todo. e a plântula encontra condições mais favoráveis na pastagem rapada e rala (degradada). taperas. Anual. Comum em áreas ruderais como Ricinina beira de estrada. Já a intoxicação pelas sementes varia de aguda a subaguda. apatia e diarréia sanguinolenta. por irritação do tubo digestivo. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. principalmente em situações de fome. ingerindo também flores e frutos. É palatável. leiras provenientes de desmatamento e pastagens cultivadas. e dificuldade de caminhar longas distâncias.Manejo de plantas daninhas em pastagens . na semente. O bovino apresenta andar desequilibrado. Possui ampla distribuição. A parte aérea morre com a queima. que germina melhor após o fogo. com tremores musculares. DL (5. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). mas de ciclo curto. ereto. Comum em áreas mexidas. Controle: É facilmente eliminada com mais de uma roçada. que favorece a germinação. Há formas de folhas verdes e outras arroxeadas. Os sinais apresentados têm predominância neuro-muscular. Após apresentar estes sinais. grupo das outras menos tóxicas. sendo umas mais. DL (2. geralmente férteis. Controle: Pode ser praticamente eliminada com roçadeira (rebrota pouco). tanto as folhas como as sementes são tóxicas. 250 Módulo 3.

não causem outros sinais de intoxicação. Causa lesões no tubo digestivo. Semente espalhada tamboril pela fauna. a planta não tem boa palatabilidade. Há citações de que as favas provocam aborto em vacas. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). Comum em matas e (Enterolobium cerradões. o animal faz movimentos de pedalagem com os membros traseiros e dianteiros.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Árvore de 8 a 18 m de altura. ) tipo esteroidal Encontrado em todo o Brasil. produz fruto de agosto Ximbuva. DL (250 a 1. Controle: Pastagens em abundância e erradicação da espécie. geralmente férteis. (1991). Uso de herbicidas. perde as folhas na estação seca. fazendo movimentos de pedalagem. que amadurecem e caem no período da seca e apresentam boa palatabilidade para os bovinos. DL (1. Gibata ou chibata Glicosídeo do (Arrabidaea tipo esteróide bilabiata) cardioativo Bignoniaceae Trepadeira. Controle: É facilmente eliminada com anelamento (descascar em volta do tronco). quando movimentados. Ocorre retração acentuada dos globos oculares e. planta tóxica mais importante das regiões de várzea da bacia amazônica. Afonso e Pott (2002) Módulo 3.300 a 1. Em seguida provoca diarréia de coloração amarelada e fétida. O quadro de intoxicação se manifesta poucas horas após a ingestão das favas e a sua evolução é aguda. próximo à morte. caem ou deitam-se precipitadamente. cerram fortemente as pálpebras. às vezes. aparentemente. Os sintomas iniciam-se. Leguminosae especialmente no Nordeste e Triângulo Mineiro. a novembro.Manejo de plantas daninhas em pastagens 251 . A parte tóxica Figura 2 h importante desta planta são os seus frutos.500 g de folhas verdes). Floresce de setembro a novembro. Os bovinos ingerem a planta somente quando estão com fome. Fonte: Freitas et al. solos arenosos ou contortisiliquum Saponina do argilosos. berram e morrem. Os principais sinais apresentados pelo animal intoxicado se caracterizam por lassidão. Ficam logo em decúbito letal. de 6 a 24 horas após a ingestão da planta. diminuição ou até perda total do apetite. mesmo em pequenas porções.500 g de favas que leva um bovino à morte na intoxicação experimental). acompanhada de outras perturbações digestivas. embora.6 . sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. aproximadamente. copa larga. neste caso. Os animais.

mantendo a qualidade ambiental com a maximização de lucro para o agricultor. Dessa forma.. da capacidade competitiva da forrageira.Controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mesmos empregados em outros sistemas de produção agrossilvopastoril. no controle integrado. quando não há redução da sua produtividade econômica. 2. onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para produção das culturas livre de danos econômicos da vegetação daninha competitiva. O nível de controle das plantas daninhas. esse fato.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco (SILVA et al. Atualmente. O controle ideal é aquele que. etc. se necessárias. por meio de métodos e equipamentos usados oportunamente. deve ser feita quando as perdas forem superiores ao incremento no custo devido ao controle. mecânico ou físico. cultural. sendo muito variados.Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. Atualmente. a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas 252 Módulo 3. Os métodos de controle podem ser: preventivo. tem sido preconizado o manejo integrado de plantas daninhas. obtido em uma pastagem. ainda. recomenda-se o “manejo integrado das plantas daninhas”. considerando uma forrageira. 2005). o manejo de plantas daninhas pode ser definido como a combinação racional de medidas preventivas associadas a medidas de controle e de erradicação. aos animais e ao solo. dos métodos empregados. dependerá da espécie infestante. A redução da interferência das plantas daninhas. resguarda os seus aspectos benéficos e não causa danos à forrageira. constituindo-se. o estabelecimento e. ou. economicamente. segundo Victoria Filho (2000). com o objetivo de reduzir as perdas causadas por estas plantas. com o advento da chamada agricultura economicamente sustentável. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. elimina os prejuízos causados pelas plantas daninhas. a energia gasta com tratos culturais. das condições ambientais.6 . além de outras operações e a erosão do solo causada por água e vento. Visa. assegurar a produção adequada de alimentos. que consiste num sistema ambientalmente correto no campo.Manejo de plantas daninhas em pastagens . os custos de controle. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. do período crítico de competição. biológico e químico.1 . ou seja. em um determinado agroecossistema. Isso pode ser possível se o pecuarista proceder à absoluta racionalização do controle de plantas daninhas.

os seguintes procedimentos devem ser observados: diagnóstico da área . histórico da área e outros. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. limpeza cuidadosa de máquinas. devendo-se realizar a construção de terraços ou curvas de nível quando a área apresentar suscetibilidade ou risco de erosão ou até mesmo escorrimento superficial da água das chuvas. objetivo da produção. ou mesmo reduzindo os efeitos erosivos. O preparo do solo deve ser feito de modo a proporcionar ótima germinação e estabelecimento da forrageira. um estado. bem como a aplicação de adubos fosfatados. 2.Controle cultural O controle cultural reúne todas as práticas disponíveis para o estabelecimento das forragens em condições adequadas ao seu desenvolvimento e à sua persistência com boa produtividade. limpeza de canais de irrigação. impedimentos físicos ou mecânicos. impedindo. principalmente. que deve começar antes da implantação. o elemento humano é a chave do controle preventivo.6 . arbustos. um município ou uma gleba de terra na propriedade. A intensidade e os equipamentos a serem utilizados no preparo de solo dependem do tipo deste. A conservação do solo é outro ponto importante. com uma limpeza adequada da área. ainda. grades. assim. da quantidade e das espécies de plantas daninhas e de forrageira a ser Módulo 3. banco de sementes de plantas daninhas. palatabilidade e longevidade. análise da produtividade desejada. devem ser realizados no momento correto. clima (déficit hídrico e ocorrência de queimadas).realizado por meio de análise química e física do solo. Quando da escolha dessa espécie.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ainda por elas não infestadas. capoeiras. qualidade. etc. Regionalmente. A correção da acidez do solo e o fornecimento de cálcio e magnésio a este (quando necessária). pragas.Manejo de plantas daninhas em pastagens 253 .2 . inspeção cuidadosamente de mudas adquiridas com torrão e também de toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. e época de utilização da espécie. Essas áreas podem ser um país. condições favoráveis para a forrageira em relação às demais espécies presentes na área (plantas daninhas) e possibilita a vantagem competitiva da forrageira em relação às plantas daninhas. As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilização de sementes de elevada pureza. e. como a ciganinha (Memora peregrina). A escolha de espécies forrageiras adequadas para cada área e objetivo de pastejo é um importante componente do sucesso da atividade. tocos. topografia. Outro componente importante do controle cultural é a formação adequada da pastagem. pedaços de tronco e galhadas. Proporciona. tipo de solo. eliminando-se rebrota do cerrado de porte alto. a quarentena de animais introduzidos em outras áreas. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas. o nível tecnológico a ser adotado. As quantidades desses produtos dependem da espécie forrageira e do nível de produtividade desejado. Em síntese. que poderão se transformar em sérios problemas para a região.

para que ocorra a decomposição desta sem interferir na germinação da forrageira. retardando o plantio da forrageira. hídricas e de fotoperíodo da forrageira. Logo após a última gradagem (niveladora). algodão. Portanto. começando com as primeiras chuvas em setembro até março. deve ser realizada em quantidades recomendadas. Em áreas que apresentarem alta quantidade de palhada. A correção de fósforo. ao daquele utilizado para plantio de soja. milho e outros. O plantio com semeadeira deve seguir as mesmas exigências do 254 Módulo 3. como: pureza. A quantidade de sementes a ser utilizada depende da espécie forrageira. Em áreas que apresentarem alta infestação de plantas daninhas ou outras forrageiras. Outro componente do controle cultural muitas vezes desprezado é a quantidade e a qualidade das sementes das forrageiras. tem vantagem competitiva a espécie que se estabelece primeiro na área. Entretanto. quando necessária. quando recomendados. exceção feita aos fosfatos naturais reativos. Comumente. deve-se realizar o preparo do solo no mínimo 120 dias antes do plantio no período das águas.5 a 4 cm de profundidade (dependendo do solo e da forrageira). Em áreas com infestação elevada de plantas daninhas é recomendada a utilização de até 50% a mais da quantidade de semente. isto é. produção e longevidade da forrageira. Deve-se evitar a utilização do rolo em solo com excesso de umidade. As sementes devem possibilitar a formação de estande adequado e uniforme. peso médio no misto e peso leve no argiloso. potássio. com pouca palha. O plantio pode ser realizado a lanço sobre o solo devidamente preparado com uma grade leve. solo nivelado e livre de plantas daninhas. podendo variar em certas regiões. para favorecer a germinação e eliminação delas. assim. para que o solo não fique aderido nele. posteriormente. a sua pulverização. sendo este um fator importante na dinâmica competitiva da forrageira com as plantas daninhas. deve-se passar o rolo compactador. exceto para estilosantes ou andropógon. o preparo do solo deve ser igual. Para a maioria das forrageiras. o preparo do solo deve ser escalonado. Podem ser aplicados antes do plantio ou em cobertura. ou seja. com maior peso no solo arenoso. poucos torrões. no entanto. de modo geral. da germinação e do vigor. enxofre e micronutrientes. a compactação da camada superficial deste. as sementes devem ser distribuídas na área e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas implantada. além das exigências térmicas. devem ser antes do plantio e incorporados.6 . que. ou melhor. a exigência de cada espécie forrageira e o nível de produtividade desejado. a melhor época é de novembro a janeiro. esta deve ser considerada como uma cultura que vai produzir por muitos anos. Deve-se considerar para isso a disponibilidade hídrica e temperatura para cada região. assim.Manejo de plantas daninhas em pastagens . proporcionando. evitar o preparo excessivo do solo. O plantio na época correta e de forma correta é fator preponderante no estabelecimento adequado da forrageira. a época do plantio é muito ampla em quase todo o território nacional. o estabelecimento mais rápido da forrageira na área. Deve-se. levando em consideração o resultado da análise de solo. parcial ou totalmente fechada. que impõe restrição à emergência das plântulas. evitando. livres de sementes de plantas daninhas e possuindo qualidade fisiológica (vigor e germinação). principalmente nos solos mistos e arenosos. para incorporar as sementes de 0. ou seja. A correção adequada de nutrientes do solo é outro fator que melhora as condições de estabelecimento.

Se a semeadeira não possuir sistema de compactação. ou antes da emissão da inflorescência (sementeira). fechando o dossel mais rápido. deve-se passar o rolo compactador após o plantio. estimulando a emissão de novos perfilhos e raízes. e proporcionar a mais rápida e perfeita cobertura de solo. Para gramíneas forrageiras de média a boa produtividade. possivelmente. O manejo da pastagem estabelecida é. recomenda-se a aplicação de nitrogênio de 30 a 40 dias após a emergência ou após o manejo de formação (primeiro pastejo). animais jovens com alta lotação. plantas daninhas de difícil controle por herbicidas e outros. colocando-se 10 a 20% a mais de sementes do que o sistema tradicional. a adubação da pastagem ou consórcio com outras espécies. ele deve ser controlado com defensivos específicos para cada tipo de praga. eliminar a maior parte das gemas apicais. O manejo de formação da pastagem. favorecendo o surgimento e estabelecimento de plantas daninhas. A realização de adubações de cobertura nitrogenadas melhora as condições de desenvolvimento e estabelecimento da forrageira. reduzindo assim a produção de semente e translocação de nutrientes para estas. A dose aplicada vai depender da análise de solo. antecipar a utilização da forragem. boa cobertura do solo.Manejo de plantas daninhas em pastagens 255 . aproveitando o maior valor nutritivo. com profundidade de 0. sem erosão. trilheiros. dessa forma. maior sombreamento para plantas daninhas. para garantir o estande adequado e uniforme. espécie forrageira e produtividade desejada. podendo-se realizar. de preferência. A princípio. Já o plantio direto exige as mesmas condições do plantio direto de grãos (soja. A adubação nitrogenada possibilita maior rapidez e quantidade de área foliar. Esse sistema de plantio exige máquinas e equipamentos adequados. cupins. proporcionando. cupins subterrâneos e formigas. desde que o plantio seja realizado na época recomendada para cada região. Após a dessecação. Estando todos os nutrientes corrigidos. tocos. o nitrogênio é o que proporciona o maior efeito no aumento de produtividade. realiza-se o plantio de linhas espaçadas de 13 a 40 cm. uma vez que vai garantir a longevidade e qualidade da pastagem. O não-controle dessas pragas pode comprometer a formação e a persistência da pastagem. deve-se iniciar o pastejo de 60 a 100 dias após a emergência da pastagem. As vantagens desse manejo são: evitar o acamamento. sem limitações químicas e físicas.6 . principalmente em solos de baixo teor de matéria orgânica. isto é. As pragas mais importantes na formação de pastagens são: lagartas. por curto período de tempo (10 a 30 dias). o método de controle cultural de plantas daninhas mais importante. por melhorar as condições desta. também chamado de pastejo de uniformização. implicando o sombreamento e abafamento das plantas daninhas. A manutenção da pastagem em condições ideais com o controle adequado de pragas também é componente do controle cultural de plantas daninhas. Módulo 3. compactação.5 a 4 cm. o nitrogênio é muito importante. com o objetivo de auxiliar na boa formação da pastagem. Na formação de pastagem. Toda vez que o nível de infestação for significativo. milho). com espaçamento entre linhas de 13 a 40 cm. na mesma operação. Devem-se utilizar. distribuição uniforme da palhada. com boa produção de carne/hectare. dependendo do equipamento e da espécie forrageira. tem como objetivo contribuir para a boa formação da pastagem. eliminando o excesso de plantas. diminuir a competição interespecífica.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantio a lanço.

em razão dos nutrientes perdidos no processo produtivo. recomenda-se devolver às pastagens 20% da receita bruta anual. por evitar a entrada de plantas daninhas na pastagem. O manejo correto consiste na utilização de lotação adequada. tornando a infestação da área uma questão de tempo. nível de adubação ou fertilidade natural do solo. De maneira geral. um fator importante no controle integrado de plantas daninhas. utilizada anualmente. Humidícola e Dictioneura (15 cm). A utilização da adubação de manutenção é extremamente econômica desde que seja escolhida a espécie de forrageira adequada às condições de clima e solo e que ela esteja bem formada e com manejo adequado. com 28 a 36 dias de pastejo. O tamanho e o número de piquetes dependem. A adubação de manutenção é. A pastagem degradada não oferece condições à forrageira de competir com as plantas daninhas. dependendo da espécie forrageira. Uma das principais causas da degradação das pastagens é a redução da fertilidade do solo. De modo geral. finalidade de pastejo. da intensidade de pastejo e do número de animais. épocas corretas de entrada e retirada dos animais (altura de pastejo). e rotacionado o animal usa de 3 a 40 piquetes ou invernadas. com período de pastejo de 1 a 15 dias. A altura de pastejo depende da espécie forrageira.6 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ou seja.o animal fica sempre na mesma invernada ou pastagem.o animal explora duas invernadas alternadamente. Este manejo pode facilitar o desenvolvimento da espécie forrageira ou das espécies de plantas daninhas. e com o mesmo período de descanso. e tifton (15 cm). o beneficiamento da forrageira vai depender do manejo correto. categoria animal. Brachiaria decumbens (20 cm). etc. A quantidade de adubação de manutenção. portanto. Isso ocorre quando há pastejo excessivo (superpastejo). sistema de produção e outros. alternado . como exemplo: tanzânia e mombaça (40 a 50 cm). época do ano. que pode chegar a mais de 40% do total de nutrientes ingeridos pelo animal em pastejo. está diretamente relacionada com a produtividade da pastagem. principalmente nitrogênio e fósforo. sendo o manejo específico para cada região. do potencial produtivo da forrageira. Esta prática também é considerada um método preventivo. pisoteio demasiado e arranque de plantas. condições da propriedade (solo e clima). evitando assim a infestação da pastagem com sementes de plantas daninhas presentes no trato digestivo desses animais. A melhoria das condições para o desenvolvimento das plantas daninhas ocorre quando o manejo empregado reduz as reservas e a capacidade competitiva e de restabelecimento da forrageira. o pastejo pode ser classificado de três maneiras: contínuo . espécie forrageira. com período de descanso de 24 a 39 dias. maior aproveitamento do investimento empregado até o momento. 256 Módulo 3. Outro método cultural de controle de plantas daninhas é a manutenção de animais oriundos de outras pastagens em área isolada por 24 a 48 horas. portanto. exclusivamente. excesso de lotação (carga animal excessiva). marandu e andropógon (30 cm).Manejo de plantas daninhas em pastagens .

e na maioria dos casos a forrageira é mais suscetível à ocorrência de queimadas do que as plantas daninhas. Seu rendimento operacional é maior do que o arranque.Manejo de plantas daninhas em pastagens 257 . a cobertura morta e o cultivo mecanizado. porém possui baixa eficiência e eficácia. Este método de controle exige muita mão-deobra e possui baixo rendimento operacional. pois reduz a quantidade de matéria orgânica do solo. como o trator e a roçadeira. expondo-o à ação da erosão. aumentando a infestação. Possui baixa eficiência e eficácia. ocorrendo perda de nutrientes e degradação da fertilidade do solo.6 . para plantas daninhas perenes a manutenção de parte do sistema radicular no solo possibilita a rebrota e o seu restabelecimento. como a maior parte desse material vegetal é constituída por tecidos de elevada relação C/N (na maioria Módulo 3. também controla a espécie forrageira. porém demanda equipamentos apropriados. As plantas roçadas podem rebrotar logo após a realização desta prática. as espécies de plantas daninhas perenes que possuem reservas no sistema radicular rebrotam ou. por demandar muita mão-de-obra. bem com a roçada manual. no entanto. Outro método muito empregado entre os pecuaristas é a roçada mecanizada. Entretanto. ainda. ou seja. Este método. ou monda. possui custo elevado. contudo. além de controlar as plantas daninhas. Esta prática. por possuir sistema radicular menos profundo e mais fácil de ser arrancado. a inundação. A utilização do fogo é um método pouco eficiente. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas. a roçada. afeta a atividade microbiana deste. esta tem a tendência de aumentar a cada roçada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. danificando assim o sistema radicular e reduzindo o vigor da forrageira. possui a vantagem se ser altamente seletivo quanto à planta controlada. Assim. acarretando. induzindo o aparecimento de reboleiras. quando o principal método de controle é o uso de enxada. elevado custo de controle. e disponibiliza de forma desorganizada os nutrientes armazenados nos vegetais. A parte aérea das plantas cortada ao entrar em contato com a superfície do solo vai desencadear os processos de decomposição e degradação. a capina manual. devido à rebrota e ao restabelecimento das plantas daninhas. e algumas ainda perfilham. que possui rendimento operacional elevado e necessita de pouca mão-de-obra. Serve para controlar plantas gramíneas. deve ser repetida periodicamente. por também cortar a forrageira. O custo é relativamente inferior ao da roçada manual. a queima.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. É um método não-seletivo. Ainda hoje é usado no controle em hortas caseiras. uma vez que a maioria das plantas se restabelece logo após o corte.3 . No controle de plantas daninhas em pastagens. jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. os quais requerem manutenção adequada. Um dos métodos mais utilizados no controle de plantas daninhas em pastagens é a roçada manual com foice. agride pouco a forrageira e pode ser empregado em locais de difícil acesso com máquinas (roçadeira). é um método pouco eficiente e ineficaz. No entanto. assim. O arranque manual. rebrotam e perfilham. É um método relativamente seletivo.

os microrganismos do solo demandam nitrogênio. São necessárias pessoas capacitadas para uso correto dos herbicidas. Os riscos de uso existem.4 . dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. tanto fisiologicamente como quando aplicado de forma localizada. • Pode controlar plantas daninhas perenes e de propagação vegetativa.Manejo de plantas daninhas em pastagens . o controle é mais eficiente. É eficiente no controle de plantas daninhas anuais e perenes e possui alto rendimento operacional. em concentrações convenientes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas gramíneas). para garantir o restabelecimento da forrageira e o seu poder de competição com as plantas daninhas. • Maior rendimento na operação de controle de plantas daninhas.6 . • Permite o menor revolvimento do solo .quando manuseados incorretamente. observando-se as normas técnicas. quando for adotada juntamente com outros métodos de controle. em certas regiões é difícil de ser encontrada no momento certo e na quantidade necessária. proporcionando menor rebrota das plantas daninhas. têm a finalidade de inibir o desenvolvimento ou provocar a morte das plantas daninhas. • É eficiente no controle de plantas daninhas na pastagem sem afetar o sistema radicular da forrageira. as instruções dos fabricantes e as leis governamentais que regulamentam o seu uso. reduzindo. sendo o tempo de recuperação da área relativamente rápido. como o cultural e químico. solo e alimentos . O conhecimento da fisiologia das plantas. lagos e água subterrânea). ele causa menor dano à forrageira. assim. Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas. O herbicida deve ser considerado uma ferramenta a mais e não como o único método de controle. mas devem ser conhecidos. Pode ocorrer também poluição do ambiente água (rios. Na 258 Módulo 3. A utilização de herbicida seletivo no controle de plantas daninhas em pastagens tem demonstrado várias vantagens. a quantidade disponível deste nutriente no solo em um momento em que a forrageira dele necessita para seu restabelecimento. após a realização da roçada.plantio direto. • Mesmo em épocas chuvosas. As vantagens do uso do controle químico podem ser enumeradas: • Menor dependência da mão-de-obra. 2. Todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. Deve-se salientar que. Por possuir seletividade. uma vez que reduz ou elimina a competição entre estas e a forrageira. os animais devem ser retirados da área. principalmente. e este será imobilizado do solo. havendo perigo de intoxicação do aplicador. perfeitamente controlados e evitados. que possui custo elevado. sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática.Controle químico No controle químico utilizam-se herbicidas que. A roçada é uma prática que controla plantas daninhas sem reservas no sistema radicular e as demais espécies.

1 . são dependentes das plantas daninhas presentes na área e de seu desenvolvimento no momento da aplicação (Quadro 2). é prática viável.Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens Na reforma de pastagens ocorre a necessidade da destruição da vegetação da área. possuindo retorno rápido e certo. sendo comum a mistura entre alguns destes. também em estádios iniciais de desenvolvimento. desde que inserida em um manejo adequado de controle de plantas daninhas e recuperação da pastagem.4-D. sendo para isso realizada a destoca e gradagens. o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas. porém não controla as espécies que possuem órgãos de reserva. A gradagem é um método mecânico de controle de plantas daninhas. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. sendo estes de amplo espectro de ação e baixa persistência no ambiente (dessecantes).4. São necessários alguns fatores para o sucesso da utilização do controle químico no manejo integrado de plantas daninhas.Manejo de plantas daninhas em pastagens 259 . o emprego de reguladores de crescimento. 2. estádio de desenvolvimento. atividade metabólica e densidade de infestação). em pequenas doses. Os principais herbicidas utilizados com essa finalidade são glyphosate. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência da forrageira.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas maioria dos casos.6 . Portanto. sendo a de maior importância o controle cultural. como: conhecimento das condições de degradação da pastagem e decisões conjuntas para sua recuperação. biologia. uma vez que estes produtos são seletivos às gramíneas (Quadro 2). e distribuição de plantas daninhas (localizada ou não). diquat. Os herbicidas a serem utilizados. Módulo 3. paraquat + diuron e 2. bem como suas misturas. A seguir será abordado o manejo de plantas daninhas em pastagens utilizando-se herbicidas. identificação correta das plantas daninhas (espécie. com posterior implantação da forrageira. O emprego do controle químico deve ser feito juntamente com outras práticas de controle. Quando a forrageira (monocotiledônea) estiver se estabelecendo na área e surgirem plantas daninhas dicotiledôneas. cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. O objetivo deste controle é reduzir a competição das plantas daninhas e possibilitar condições ideais ao rápido estabelecimento e desenvolvimento da forrageira. sendo necessário o emprego conjunto do controle químico com herbicidas sistêmicos (Quadro 2). A eliminação da vegetação pode ocorrer pelo emprego de práticas mecânicas ou por meio de controle químico com herbicidas. o emprego do controle químico se faz necessário. a utilização de herbicidas no controle de plantas daninhas tem se mostrado uma prática economicamente viável. Nesse caso. paraquat. não possuindo torrões e tocos. Os demais sistemas de plantio devem ser realizados em solo com preparo adequado. conhecimento do tipo da forrageira.

4-D.2 .Uso de herbicidas na manutenção de pastagens O manejo adequado da pastagem é o principal fator responsável por sua longevidade e produtividade. das espécies de plantas daninhas presentes na área e do nível tecnológico empregado pelo pecuarista. a fim de proporcionar condições adequadas de restabelecimento da forrageira. 2. quando comparada à formação ou mesmo à reforma. utilizando-se para isso o picloram. o que pode ser realizado pelo emprego de herbicidas. A recuperação da pastagem demanda menor custo e possibilita a obtenção mais rápida de pasto. tornando esta competitiva e dificultando o estabelecimento de plantas daninhas. no meristema apical (ex. 260 Módulo 3.4-D + picloram.4. os arbustos com muitos espinhos. Na prática da recuperação das pastagens. através de produtos seletivos às gramíneas. A eliminação de reboleiras de plantas daninhas perenes e arbustivas pode ser realizada com aplicação localizada nas folhagens.4-D + picloram. 2. Dentre os vários componentes do manejo de pastagens. A prática da recuperação é dependente.4-D + picloram. podem ser eliminados pela utilização de produtos granulados espalhados no solo na projeção da copa. do nível de infestação de plantas daninhas. fluroxipir + picloram.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. 2. É dependente da população adequada de plantas forrageiras na área e da viabilidade do seu sistema radicular. mesmo que os herbicidas sejam eficazes no controle das espécies infestantes.Uso de herbicidas na recuperação de pastagens A recuperação de pastagens é caracterizada pelo retorno às condições de produção destas sem ocorrer destruição da forrageira ou mesmo o revolvimento do solo. por possibilitar condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira. Entretanto. como o 2. são componentes fundamentais no sucesso do manejo de plantas daninhas e na recuperação da forrageira.4-D.6 . A ausência de condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira proporciona o restabelecimento das plantas daninhas na área. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2). como adubação e calagem. como o tebuthiuron (Quadro 2).3 . ou seja. triclopyr e tebuthiuron (Quadro 2). o controle de plantas daninhas é fundamental para a sustentabilidade do sistema de produção. que impõem dificuldades na pulverização ou mesmo no corte. Práticas culturais adequadas.: na pindoba) ou mesmo no toco recémcortado de arbustos e árvores. Os herbicidas podem ser utilizados para eliminar as plantas daninhas. da espécie da forrageira.Manejo de plantas daninhas em pastagens . A ausência da complementação do controle químico com o controle cultural inviabiliza essa tecnologia. presença de comprometimento da fertilidade do solo com manutenção da integridade da forrageira. como: 2. o primeiro passo é a eliminação da competição pelas plantas daninhas. 2.4. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2). Eles possibilitam condições de rápida recuperação da pastagem e melhor aproveitamento do adubo e da calagem pela forrageira. Devese manter a pastagem sem pastoreio por um período de tempo após as práticas suficiente para recuperação desta. uma vez que implica disponibilizar condições adequadas ao restabelecimento e desenvolvimento da forrageira já implantada na área. ainda.

não ocasionando a morte delas em aplicação isolada.6 .4-D nessas plantas. Na dessecação para o sistema de plantio direto. mastruço (mentruz) (Coronopus didymus). caruru (Amaranthus sp.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Deve-se atentar para a manutenção da pastagem livre de pastoreio no momento e também por um período de tempo após a aplicação dos herbicidas.). Recomenda-se aplicálo com ponta de pulverização que produza boa cobertura foliar. como: algodão. tomate. trapoeraba (Commelina spp. feijão. batata. Quadro 2 – Principais herbicidas recomendados na cultura das pastagens Nome técnico Nome comercial Observações Aplicação (pós-emergência) em área total em forrageiras monocotiledôneas controlando seletivamente as espécies dicotiledôneas. ou cultivadas em área tratada por um período inferior à sua carência.). com glyphosate. No controle em área total procede-se. soja. não pode ser aplicado sobre a forrageira. em área total. Nabiça (Raphanus raphanistrum). Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. 2. carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum). que não se reproduzem por partes vegetativas. ao pastoreio da área. serralha (Sonchus oleraceus). Controla várias espécies de gramíneas e dicotiledôneas anuais.). porém não elimina as plantas perenes.Manejo de plantas daninhas em pastagens 261 . joá (Solanum spp. alface e outras hortaliças. Controla plantas de folhas largas anuais e algumas perenes. Não aplicar em plantas daninhas perenes adultas. entre outras. mamona (Ricinus communis). mentrasto (Ageratum conyzoides). beldroega (Portulaca oleracea). devido ao rápido metabolismo do 2. que possuem persistência neste e no solo. objetivando a recuperação da forrageira. jurubeba (Solanum paniculatum). café.). previamente. poaia (Richardia spp. de ação por contato. erva-moura (maria preta) (Solanum nigrum). Mostarda (Brassica campestre).4-D Diversos Diuron + Gramocil paraquat Módulo 3. corriola (lpomoea spp).) e aguapé (Eichornia crassipes) Utilizado na renovação das pastagens. dente-de-leão (Taraxacum officinale). guanxuma (Sida spp. Esta prática também reduz a contaminação do esterco dos animais com esses herbicidas. para matar as plantas daninhas anuais (monocotiledôneas e dicotiledôneas). podendo causar sérios danos a culturas sensíveis adubadas com o esterco. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. flor-roxa (Echium plantagineum). melão-de-são-caetano (Momordica charantia).4-D com picloram. visando redução das doses e maior eficiência de controle. glyphosate potássico ou sulfosate. como tomate. cordãode-frade (Leonotis spp. devendo ser aplicada a mistura de 2. Deve ser aplicado preferencialmente nos estádios iniciais de desenvolvimento das plantas daninhas. Nabo-bravo (Brassica rapa). picão-preto (Bidens pilosa). Também é utilizado na dessecação para o plantio direto em pósemergência das plantas daninhas. Plantas daninhas controladas: amendoim-bravo (Euphorbia spp). em infestações mistas (de gramíneas e dicotiledôneas). estando estas em estádio inicial de desenvolvimento. usá-lo em mistura no tanque do pulverizador. Por ser herbicida não-seletivo. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas.). picão-branco (Galinsoga parviflora).

tomate. caraguatá (Erygium spp). capixingui (Croton floribundus). No controle em área total procede-se. tomate. carqueja (Bacharis trimera). café.3% v.25% v. guanxuma (Sida rhombifolia). leiteiro* (Peschiera fuchsiaefolia). cheirosa (Hyptis suaveolens).v Aterbane ou 0. ao pastoreio da área. Aplicação em pós-emergência em área total ou localizada. maria-mole (Senecio brasiliensis). deve-se roçar as plantas daninhas e esperar a rebrota vigorosa e bem enfolhada (30 a 40 cm para plantas herbáceas e 1 m para semilenhosas) para posterior aplicação.4-D e para controlar arbustos e árvores. feijão. pulveriza-se por via terrestre ou aérea toda a área ou as reboleiras mais infestadas. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. ao pastoreio da área. No segundo caso. espinilho (Fagara praecox). previamente. Caso contrário. a aplicação deve ser realizada cerca de 40 dias após a emergência das plantas daninhas.3% de óleo mineral). preferencialmente. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas.000 metros de distância de culturas sensíveis. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. previamente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatantes 0. como: algodão. fedegoso (Senna obtusifolia). Deve ser realizado durante a estação das chuvas. feijão. joá (Solanum sisymbrifolium).6 . Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. buva (Erigeron bonariensis). aguapé (Eichordia crassipes). Plantas daninhas controladas (*aplicação no toco recém-roçado): amendoim-bravo (Euphorbia paniculata).). É utilizado no controle de plantas herbáceas tolerantes ao 2. Plantas daninhas controladas: assa-peixe branco (Vernonia polyanthes). 2. cambarazinho (Eupatorium laevigatum). café.Manejo de plantas daninhas em pastagens . tojo (Ulex europaeus) e trançagem (Plantago major). malva-branca (Sida cordifolia).4-D 262 Módulo 3. arranha-gato* (Acacia sp. batata. soja. No controle em área total procede-se. em pleno vigor vegetativo. e Sharnkya sp. na erradicação de arbustos ou árvores isoladas utiliza-se o método da pulverização da copa ou. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). assapeixes (Vernonia spp. timbó* (Serfania sp). erva-de-bicho (Polygonum punctatum).4-D + Tordon picloram 2. entre outras. soja. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). picão-preto (Bidens pilosa). samambaia (Pteridium aquilinum). guanxumas (Sida spp.2 a 0. fumeiro (Solanum sp).).4-D + Mannejo picloram 2. batata.). É utilizado na reforma e recuperação da pastagem no controle de plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas e semi-arbustivas. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos.). canelade-perdiz (Croton glandulosus) e mata-pasto (Eupatorium maximilianii) e outras. Utilizar surfatantes (0. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. mio-mio (Baccharis coridifolia). como: algodão. cajussara (Solanum spp. Deve-se atentar para o efeito da deriva. principalmente em pulverizações aéreas que devem ser realizadas no mínimo a 2. erva-lanceta (Solidago microglossa).v. jurubeba (Solanum paniculatum). entre outras. quando as plantas se encontram em pleno vigor vegetativo. No primeiro caso.20 a 0. o de aplicação no toco recém-roçado.

café. vassourinha (Sida santaremnensis).Manejo de plantas daninhas em pastagens 263 . quando se pretende renová-la.5% v. jovens ou adultas.). entre outras. (*Em algumas condições ocorre a exigência de repasse no segundo ano com a aplicação de picloram no toco recém-roçado). Aplicação em pósemergência em área total ou localizada. dependendo da formulação utilizada. assa-peixe-roxo (Vernonia westiniana). As plantas daninhas devem estar em pleno desenvolvimento vegetativo. malvão (Triunfetta bartramia). aroeirinha* (Schinus terebenthifolius).v ou óleo mineral 0. evitando a rebrota destas após o revolvimento do solo. controla plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas semi-arbustivas e arbustivas. principalmente para uso em áreas infestadas por plantas de difícil controle. Aplicar em pós-emergência das plantas daninhas. joá (Solanum viarum). Requer período de 4-6 horas sem chuvas após sua aplicação. estando estas em boas condições metabólicas. malva branca (Sida cordifolia). ou reverter o terreno para outras culturas. Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. por não ser seletivo a elas. No controle em área total procede-se. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. ainda. guatanbú* (Aspidosperma sp. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatante 0. plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). Este herbicida não impõe restrições quanto à escolha das culturas subseqüentes. para assegurar sua absorção. angiquinho* (Parapiptadenia sp).3% v. Neste caso. feijão. soja. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente.4-D.6 . em aplicações localizadas para controlar plantas em reboleiras. usa-se para destruí-la. controla plantas daninhas perenes e com órgãos de reserva. roseta* (Randia armata.2 a 0. Fluroxipir Plenum + picloram Glyphosate diversos Módulo 3. guanxuma (Sida rhombifolia). Bauhinia variegata). Por ser um herbicida sistêmico. É comum sua mistura ao 2. batata. Plantas daninhas controladas: assa-peixe-branco (Vernonia polyanthes). por ser fortemente sorvido ao solo e não possuir efeito residual. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. mamica-de-porca* (Fagara rhoifolium). deve-se evitar o contato com as forrageiras.v. assa-peixe branco do cerrado* (Vernonia ferruginea). tomate. como: algodão. Pode ser utilizado. ao pastoreio da área. previamente. Em pastagem. Controla de forma não-seletiva plantas daninhas mono e dicotiledôneas. mata-pasto (Eupatorium maximilianii). A dose recomendada depende das espécies e do estádio de desenvolvimento destas.

espinho-agulha (Barnadesia rosea). cuidando para atingir o mínimo possível as folhas da forrageira. A aplicação deve ser realizada em plantas com desenvolvimento adequado. plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). feijão. Controle de guatambu (Aspidosperma sp.0% v. café. Os caules mais grossos devem ser rachados em cruz para proporcionar a maior absorção do produto. No controle em área total procede-se. médio e grande porte.: ciganinha). Aplicação deve ser localizada no toco recém-roçado. Não adicionar óleo diesel nem surfatantes. objetivando-se atingir o seu sistema radicular. não impondo restrições quanto a culturas subseqüentes. Na aplicação em área total não se deve utilizar óleo diesel. camboatá (Tapirira guianensis). em pastagens infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno. que apresentam engrossamento visível próximo à superfície do solo. aproximadamente 30-40 cm acima do nível do solo (cerca de 20 mL por planta). que deve ficar o mais próximo possível no momento da aplicação. localizado no centro da projeção das folhas mais novas. previamente.v em óleo diesel a baixa pressão no terço final do caule. devem-se aplicar 15 a 20 mL por planta. Aplicar o produto molhando bem e uniformemente toda a folhagem da planta. mesmo que a altura esteja abaixo da roçada recente.6 . Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. espinilho (Acacia farnesiana).Manejo de plantas daninhas em pastagens . Para plantas velhas. cambará (Lantana camara). tomate. Deve-se utilizar ponta de pulverização do tipo cone cheio. A aplicação deve ser realizada diretamente no meristema apical da planta. jurubeba (Solanum paniculatum) e outras. batata.) pata-de-vaca (Bauhinia variegata e Parapiptadenia sp.v de Garlon em óleo diesel para cada metro de altura desta planta. ao pastoreio da área. Triclopyr Garlon Picloram Padron 264 Módulo 3. pata-de-vaca (Bauhinia variegata) e ciganinha (Memora peregrina). O produto é rapidamente degradado. dependendo do tipo de solo e das condições climáticas. O produto deve ser aplicado imediatamente após o corte. leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). Em plantas que possuem engrossamento do caule abaixo do nível do solo (ex. esta pode ser aérea ou terrestre.0% v. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. Plantas daninhas controladas: erva-quente (Borreria alata). queimada). entre outras.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Controle eficiente da pindoba (Orbinea speciosa) – 10 mL da solução 4. deve-se fazer o corte abaixo do engrossamento da raiz da última roçada. roçadas várias vezes. deve-se corta-las com enxadão abaixo do nível do solo e posteriormente aplicar o produto em caule e raízes decepadas até o ponto de encharcamento. Não realizar aplicação em plantas secas e com atividade metabólica reduzida (estresse hídrico acentuado. deve-se aplicar o produto sobre o solo ao redor do toco.) e outras brotações de cerrado . para evitar perda do produto. Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. Plantas daninhas controladas: arranha-gato (Acacia plumosa). Em plantas com toco de diâmetro inferior a 3 cm. assa-peixe (Vernonia polyanthes). soja. apresentando meiavida no solo de 20 a 45 dias. mamica-de-porca (Machaerium aculeatum). aroeirinha (Schinus terebenthifolius). Em plantas já roçadas anteriormente. molhando bem todo o toco até atingir o ponto de escorrimento. Roçar as plantas daninhas a serem controladas com foice o mais próximo possível do solo.aplicação de Garlon 5. como: algodão.

como soja. esporão-de-galo (Pisonea aculeata). embaixo da copa dos arbustos indesejáveis (plantas com espinhos e outras). feijão. taboca (Guadua angustifólia). mamica-de-porca (Fagara hiemalis) e tarumã (Vitex sp. tomate. bem como de árvores frutíferas. esporão-de-galo (Celtis glycicarpa). pereiro (Aspidosperma eburneum). No caso de aplicação em área total. Mantenha afastados das áreas de aplicação crianças. espinho-agulha (Chuquiragua tomentosa). cansanção ou urtigão (Cnidosculus urens). limãozinho ou juvu (Acanthocladus brasiliensis). pois esta é importante para melhor absorção do herbicida e conseqüentemente agilizará o processo de morte desse arbusto. leiteiro-vermelho (Chrysophyllum marginatum). quando em aplicação localizada. jurubeba (Solanum fastigiatum). Após a aplicação deste produto não se recomenda eliminar a parte aérea do arbusto de que se deseja o controle. distribuindo-se os grânulos na projeção da copa. espécie infestante. sendo elas dependentes das condições de infestação. seu efeito restringe-se ao local de aplicação. Em caso de lesões ocasionadas principalmente pela maior concentração localizada do produto. cipó-prata (Banisteria metalicolor). assa-peixe. café-de-bugre (Solanum caavurana). assa-peixe-do-cerrado (Gochnatia polymorpha). para reduzir os efeitos negativos à forrageira. malícia ou dorme-dorme (Mimosa invisa).). ou. A localizada é denominada catação e constitui-se na eliminação de arbustos agrupados. ainda. veludo-vermelho (Chomelia pohliana). com granuladeira ou por via aérea. assa-peixebranco.6 . fumo-bravo (Solanum verbascifolium). Não aplicar o produto em florestas ou reservas naturais. A distribuição do produto deve ser uniforme na área. assa-peixe-do-pará. em ambos os casos. A aplicação foliar pode ser localizada ou em área total. Deve-se evitar a aplicação sobre ou perto de culturas anuais suscetíveis. algodão. recuperação e manutenção). a área é caracterizada pela infestação menor do Módulo 3. os arbustos devem apresentar bom desenvolvimento foliar. as culturas rotacionais poderão ser plantadas no mínimo 3 anos após a aplicação do herbicida. a aplicação não deve ser feita em arbustos roçados ou queimados recentemente. lobeira (Solanum lycocarpum). mangueirinha ou camboatá-do-cerrado (Tapirira guianensis). Plantas daninhas controladas: gramão ou grama-batatais (Paspalum notatum). o aplicador proteger-se com equipamento de proteção adequado (luvas impermeáveis e outros). animais domésticos e pessoas desprotegidas por um período de 7 dias após a aplicação do produto. É aplicado em dose única em qualquer época do ano. limão-bravo (Soliva sessilis). aroeirinha (Schinus terebinthifolius). Usa-se em cobertura total do terreno. chirca (Eupatorium bonifolium). formação. capa-bode (Melochia tomentosa). nível tecnológico do pecuarista e herbicida utilizado. fumo.Manejo de plantas daninhas em pastagens 265 . Devido ao modo de absorção e translocação do herbicida. Tebuthiuro Graslan n São várias as maneiras de aplicação de herbicidas em pastagens. cega-jumento ou cajussara (Solanum rugosum). cruzeta (Strychnos parvifolia). devendo. folha-de-santana (Vernonia ferruginea). assa-peixe-roxo (Vernonia scabra). entretanto. arranha-gato ou unha-de-gato (Acacia plumosa). ou localizada nas reboleiras de infestantes que se pretende eliminar. resultados mais rápidos e eficientes serão obtidos quando a aplicação for realizada pouco antes (ou no início) do período chuvoso (julho a dezembro nas regiões Sul e Centro-Oeste). No entanto. pepino e outras. carqueja (Bacharis trimera). espinho-agulha (Barnadesia rósea).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Formulação granulada aplicada a lanço. operação na ocasião do controle (reforma. roseta ou limãozinho-de-goiá (Randia armata). É recomendado para solos arenosos e areno-argilosos. portanto. os danos tendem a desaparecer num período de 6 a 12 meses. leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia).

É utilizado no controle de arbustos com espinhos e com arquitetura de galhos bem fechados. direcionadas por trabalhadores que acompanham o trator. podendo ser realizada com pulverizador de barra. canhão ou avião (aérea). em condições que impõem restrições à aplicação foliar ou ao corte dos arbustos. Deve-se cuidar quanto à deriva próximo a áreas agrícolas. o pulverizador tracionado por animal. Essa forma de pulverização possui alto rendimento operacional e exigência baixa de mão-de-obra. tendo como objetivo aumentar a suscetibilidade das plantas daninhas aos herbicidas.6 . A aplicação aérea é recomendada em grandes áreas que possuem obstáculos à pulverização tratorizada. A principal vantagem da aplicação aérea é o alto rendimento operacional. Todavia. podendo pulverizar até 300 ha por dia. A aplicação em área total é feita em áreas com infestação acima de 40% e está condicionada à topografia adequada da área. Esta prática demanda maior nível tecnológico do pecuarista. 266 Módulo 3. Outra forma de aplicação de herbicidas é em toco recém-roçado.Manejo de plantas daninhas em pastagens . caracterizada pela deposição do herbicida granulado no solo na projeção da copa da planta daninha.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que 40% e disposta em reboleiras. permitindo a mecanização com o trator. denominado Burro Jet. pode-se realizar a aplicação basal. Os pulverizadores utilizados são o costal tracionado por uma pessoa. pelas exigências quanto a monitoramento sistemático das condições meteorológicas. necessidade de pista de pouso próximo à área e topografia adequada à pulverização aérea. uma vez que a maioria das culturas anuais e perenes é altamente sensível aos herbicidas reguladores de crescimento utilizados em pastagens. ou mesmo um pulverizador tratorizado adaptado com várias saídas de pontas.

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