UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ATENÇÃO À SAÚDE COLETIVA

ANTÔNIO CARLOS GARCIA JÚNIOR

CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA - ES.

VITÓRIA 2006

ANTONIO CARLOS GARCIA JUNIOR

CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA - ES.

Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Atenção à Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito parcial para obtenção do grau de mestre em Saúde Coletiva, na área de concentração Políticas, Administração e Avaliação de Saúde. Orientador: Prof. Dr. Luiz Henrique Borges

VITÓRIA 2006

Dados Internacionais de Catalogação na publicação (CIP) (Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil) Garcia Júnior, Antônio Carlos, 1956 – Condições de trabalho e saúde dos trabalhadores da Indústria do vestuário de Colatina – ES / Antônio Carlos Garcia Júnior – 2006. 123f.

G216c

Orientador: Luiz Henrique Borges Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Espírito Santo, Centro Biomédico. 1. Saúde Coletiva. 2. Saúde do Trabalhador. 3. Processo Saúdedoença. I. Borges, Luiz Henrique. II. Universidade Federal do Espírito Santo. Centro Biomédico. III. Título. CDU 614.2 ___________________________________________________________________

Aprovada em 7 de julho de 2006. como requisito parcial para obtenção do grau de mestre em Saúde Coletiva. Luiz Henrique Borges Universidade Federal do Espírito Santo Orientador _______________________________________ Prof.ES Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Atenção à Saúde Coletiva do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo.ANTÔNIO CARLOS GARCIA JÚNIOR CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA . Dr. Dr.SP ________________________________________ Prof. Aloísio Falqueto Universidade Federal do Espírito Santo . COMISSÃO EXAMINADORA ______________________________________ Prof. Dr. Ildeberto Muniz de Almeida Faculdade de Medicina de Botucatu .

que me incentivou a seguir a senda do conhecimento. Antônio Carlos de Assis Garcia. . que me mostrou as estrelas.A Marisa e Maya portadoras dos archotes que iluminam meu caminho. Aos meus pais. e Maria da Penha Cabalini.

AGRADECIMENTOS Nesta hora. Dr. À equipe de entrevistadores de campo Simone de Oliveira Sepulcro. Aos colegas da FUNDACENTRO do Espírito Santo pelo carinho e a compreensão em minhas ausências para participar das atividades acadêmicas. Solange Rodrigues da Silva. pelas aulas maravilhosas e momentos de reflexão que mudaram meu enfoque sobre a saúde e a compreensão sobre o processo de adoecimento dos trabalhadores. Sou muito grato também à diretora Vilma Aparecida do Carmo do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário – SINTVEST. acreditando em nosso propósito de trazer luz às suas condições de vida e saúde ocupacional. cuja atenção e empenho foram fundamentais para que o trabalho de campo fosse realizado no tempo programado e a todos os demais componentes do sindicato. demonstraram garra e compromisso com esta pesquisa. Sou imensamente grato a FUNDACENTRO que me incentivou através de seu programa de pós-graduação a realizar este mestrado e pelo indispensável suporte financeiro que tornou possível concretizar esta dissertação. é necessário externar a minha gratidão a algumas pessoas em especial. que sempre acreditou em minha capacidade e. com dedicação ao trabalho. que foram as grandes batalhadoras e amigas nos momentos mais difíceis e que. A todos os professores do Programa de Pós-Graduação em Atenção a Saúde Coletiva – PPGASC. Primeiro. Lucimar Flaves Gonçalves. agradeço ao meu orientador Prof. demonstrado pelo incentivo e interesse pelo meu trabalho. Aos trabalhadores do setor do vestuário de Colatina que concordaram em conceder as entrevistas em seu tempo fora do trabalho. com enorme consideração e amizade contribuiu imensamente para a realização deste trabalho. Luiz Henrique Borges. . Rosinéia Maria Cardoso e Maria Aparecida Freire de Almeida. mesmo correndo o risco de esquecer alguém.

assim como seda. algodão. Bernardo Ramazzini. se bem que possamos abster-nos dela. cânhamo. dela geralmente resultarão perturbações que serão experimentadas por aqueles encarregados de sua preparação”. como lã. . linho. As doenças dos Trabalhadores – 1700. porque foi criada mais para cobrir os corpos dos homens e das mulheres do que para abrigá-los. Conforme seja a matéria das várias indumentárias.“A mãe natureza está bastante provida de recursos para proteger nossos corpos das agressões do ar.

43 (IC95% 1. em particular dor na coluna e lombares. realizado em ritmos excessivo. movimentos repetitivos e de pouca valorização do intelecto do trabalhador. Utilizaram-se dois métodos: primeiro.2%) e dos problemas das vias aéreas superiores (6. Os resultados apontaram que as condições de trabalho prejudicam a saúde dos trabalhadores. Saúde do Trabalhador. A prevalência de suspeita de DMM foi de 24.3%. sendo os problemas músculos-esqueléticos (14. os que mais ocorreram seguidos dos problemas cardiovasculares (9. com média de 31 anos de idade. queixas referidas à saúde nos últimos 15 dias. A prevalência de queixas referidas de saúde foi de 24. Os dados apontam que há um padrão de desgaste da saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário associado às condições de trabalho. um estudo observacional com delineamento seccional. na indústria do vestuário de Colatina-ES.9%.53) para DMM. O perfil foi obtido através de informações socioeconômicas. .35%) e jovens. A função de costureira destacou-se das demais pela maior prevalência de queixas referidas (p=0.0%).65 (IC95% 1.67-3.DMM (avaliada através do Self Reporting Questionnaire – SRQ-20) e a suspeita de lesões por esforços repetitivos – LER (através de um questionário de rastreamento). com tarefas fragmentadas. realizado através da aplicação de um questionário em visitas domiciliares a uma amostra aleatória de 432 trabalhadores.06-2. controle rígido.RESUMO Objetivou-se estudar as condições de saúde e trabalho em trabalhadores com vínculo empregatício com empresas do vestuário que produzem a mercadoria roupa em sua totalidade. presentes no processo de produção desta indústria. Os trabalhadores são preponderantemente do gênero feminino (66.9% e a de LER foi de 16. em segundo. de suspeita de DMM (p<0. em relação às variáveis suspeita de DMM e suspeita de LER. condição de trabalho.57) para LER e OR=2. um estudo descritivo com levantamento qualitativo das cargas de trabalho. Utilizou-se de regressão logística múltipla ajustada para estimar o odds ratio entre a função costureira e as demais.0001) e de LER (p=0.0075).0142). Processo Saúde-doença. encontrando-se OR=1. Palavras chaves: Indústria do vestuário e saúde.4%). suspeita de apresentar transtornos mentais menores .

finding OR=1. 0%). MMD suspicion (p<0.3%. raised with home collected questionnaires applied to a random sample composed of 432 workers. with repetitive moves and scarce valorization of the workers intellectual conditions.43 (IC95% 1.06-2. . The results pointed out that the working conditions do harm the workers health with fragmented tasks done in excessive rhythms.0142).0075). The dressmaker function was highlighted due to the major prevalence of referred complaints (p=0. MMD prevailing suspicion was 24.9% and of RSI 16. an observational study with a cross section profiling. Keywords: Collective Health. The profile was obtained through social and economic information. health-disease process. health complaints filled on the 15 days previous to questions application.67-3. working conditions information. worker health.4%). and second.0001) and of RSI (p=0.ABSTRACT The objective was to study about the health and working conditions of the formal and legally employed workers from the garment industries in Colatina. specially the back problems with major occurrences followed by cardiac and vascular problems (9. The workers are mostly of the feminine gender (66. young with a 31 years age average.53) for MMD.2%) and also problems on the superior breathing tract (6.9%. Logistic regression was used for odds ratio estimation among dressmakers and the other functions in relation to the variables with MMD and RSI suspicion. minor mental disorders suspicions – MMD (evaluated through the Self Reporting Questionnaire – SRQ-20) and the repetitive efforts injuries suspicions – RSI (through a tracking questionnaire). Two methods were used: first a descriptive study with the work loads qualitative definition within the production process of such industries. under stiff controls. distributed in muscolosketal problems (14. that do make and assemble the clothes completely in their productive process.57) for RSI and OR=2. 35%).65 (IC95% 1. The prevailing health complaints were 24. Espírito Santo State.

...........................LISTA DE FIGURAS Figura 1: Figura 2: Figura 3: Fluxograma básico do processo de produção da indústria do vestuário................................................... 2005............................................................. 58 Fluxograma da célula de produção........................................................... 84 .. 69 Distribuição percentual das faixas etárias por sexo na indústria do vestuário de Colatina-ES..........

.......... : Função.............. : Função..............LISTA DE QUADROS Quadro 1 Quadro 2 Quadro 3 Quadro 4 Quadro 5 Quadro 6 Quadro 7 Quadro 8 Quadro 9 : Função... : Função.. : Função................................................................................................... atividades e carga de trabalho do setor de costura...... atividades e cargas de trabalho do setor de criação e modelagem.......................................... atividades e carga de trabalho do setor de artesanato........... : Função.... : Função.................. atividades e carga de trabalho do setor de lavanderia. atividades e carga de trabalho do setor de embalagem e expedição.. : Função........ atividades e carga de trabalho do setor de corte. atividades e carga de trabalho do setor de passadeira.......... atividades e cargas de trabalho do setor de almoxarifado de tecidos e aviamentos........................... : Função.... atividades e carga de trabalho do setor de acabamento.......... 60 62 63 66 72 73 75 77 79 ................

LISTA DE SIGLAS CIPA CLT CNAE DMM DRT EPI FGTS FUNDACENTRO IBGE INSS LER LT MS MTE NR OIT OMS PCMSO PNAD PPRA PSF RAIS SAS SEBRAE SRQ-20 SESI SINTVEST SUS USB Comissão Interna de Prevenção de Acidentes Consolidação das Leis Trabalhistas Classificação Nacional de Atividades Econômicas Distúrbios Mentais Menores Delegacia Regional do Trabalho Equipamento de Proteção Individual Fundo de Garantia por Tempo de Serviço Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Instituto Nacional de Seguridade Social Lesões por Esforços Repetitivos Limite de Tolerância Ministério da Saúde Ministério do Trabalho e Emprego Norma Regulamentadora Organização Internacional do Trabalho Organização Mundial da Saúde Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional Pesquisa Nacional por Domicilio Programa de Prevenção de Riscos Ambientais Programa de Saúde da Família Relação Anual de Informações Sociais Statistical Analysis Software Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Self-Report Questionnaire Serviço Social da Indústria Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário Sistema Único de Saúde Unidade Básica de Saúde .

2005.. por faixas de pessoal empregado.................................. 2005.................. Distribuição de atendimento médico dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES por local... 2005................... nos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES............................................. 2005................................................................ Aspectos do trabalho que mais agradam os trabalhadores do setor do vestuário de Colatina-ES..................................................... Freqüência de queixas de saúde por setor e função na indústria do vestuário de Colatina-ES....................................................................... 2005................................................ Número de dias de afastamento do trabalho por queixa de saúde na indústria do vestuário de Colatina-ES.................... 2005......... Distribuição dos trabalhadores da indústria do vestuário de ColatinaES........... 2005......2004............................................................... 2005...........................2005...................... 2005............... Causas de afastamento do trabalho na indústria do vestuário de Colatina-ES por órgãos e sistemas..................................................... Aspectos do trabalho que mais desagradam os trabalhadores do setor do vestuário de Colatina-ES....................................2005......... Freqüência de consumo de bebidas alcoólicas entre trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES....LISTA DE TABELAS Tabela 1: Tabela 2: Tabela 3: Tabela 4: Tabela 5: Tabela 6: Tabela 7: Tabela 8: Tabela 9 Tabela 10: Tabela 11: Tabela 12: Tabela 13: Tabela 14: Tabela 15: Tabela 16: Tabela 17: Tabela 18: Tabela 19: Tabela 20: Tabela 21: Tabela 22: Número de empresas do setor do vestuário..... Principais cargas de trabalho referidas pelos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES.......... 45 45 79 82 84 85 87 88 89 90 90 91 92 95 95 96 98 99 100 101 102 103 ........... no Brasil e Espírito Santo ....... 2005.. Prevalência de queixas de saúde com trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-es por tempo de serviço...................... 2005..................... segundo órgãos e sistemas acometidos................................... Principais fontes referidas de tensão e cansaço no trabalho em trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina–ES........ 2005.......... Distribuição por grau de escolaridade dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES .......... Distribuição de trabalhadores por tempo de serviço na indústria do vestuário de Colatina-ES ... Distribuição da amostra dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina por faixa etária............................................................ 2005.......................2005..... Auto-avaliação do estado de saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina ES.... 2005................. 2005..................... 2005.. Medicamentos calmantes referidos como utilizados pelos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina–ES.............. segundo a sensação que sentem ao sair do trabalho no final do dia.... Percepção dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES sobre problemas de saúde decorrentes de seu trabalho.......................... 2005........................................................ Número de empresas e empregados por CNAE-2004 Distribuição de trabalhadores por função e setor na indústria do vestuário de Colatina-ES ..................... Morbidade referida........... Distribuição dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina ES que fazem uso de calmantes por tempo de uso..............

.............................................................. DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO-CONCEITUAL DO ESTUDO DAS RELAÇÕES ENTRE SAÚDE E TRABALHO...................................1 4. Análise dos Dados.......................1................................3 2....................................... CULTURA E SOCIEDADE..............1...........3.......................... AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE TRABALHO COM A SAÚDE: RISCOS............................... Setor de Costura.............4 4............. Procedimentos de Campo.............. OBJETIVOS............ Setor de Enfesto e Corte........................ O CARÁTER CENTRAL DO TRABALHO NA MEDIAÇÃO ENTRE CORPO-MENTE-PSIQUISMO...............................2 4........1................1...1 Setor de costura e o trabalho em célula de produção. ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E SAÚDE DO TRABALHADOR.....................SUMÁRIO 1 1.................... Setor de Criação e Modelagem.....................................2 INTRODUÇÃO...................... Instrumento de Pesquisa.....................................................................................................4..3 48 48 51 52 53 55 58 59 60 62 63 67 3........................ 15 18 18 18 19 20 27 29 32 42 43 46 2......... METODOLOGIA..... O PROCESSO DE PRODUÇÃO E TRABALHO DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA..1 3............ Setor de Almoxarifado de Tecidos e Aviamentos.....................................3......... CARGAS DE TRABAHO E DESGASTE....................................1..........2 3...............................................4 3 3...... Objetivo Geral...........................................................2 3............................................1..............................................................4 4 4.............1 3.........1 4........................... LEVANTAMENTO DE CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA – ES............... A INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA.................................. AS CARGAS DE TRABALHO NOS SETORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA ........ MARCO TEÓRICO..........................................1................. Sujeitos da Pesquisa e Amostra......3 3.............................1 2..................................3................................................................................1 1................3 4...............................3.......................... ......2 2 2.............. Objetivos Específicos.................1 1....................... ESTUDO DAS CARGAS DE TRABALHO NAS INDÚSTRIAS DO VESTUÁRIO DE COLATINA............................................

.........2 7......................................................................................................................1.......... FONTES DE TENSÃO E CANSAÇO NO TRABALHO................ Setor de Embalagem e Expedição..........................8 4................. ANEXO D ..........1................................ INDICADORES DE SOFRIMENTO PSÍQUICO E LER....................................................7 4....... PREVALÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE OU MORBIDADE REFERIDA................. DISTRIBUIÇAO DAS FUNÇÕES POR SETOR DE TRABALHO...................... Setor de Lavanderia........................................................................... ASPECTOS SOCIO-ECONÔMICOS DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA.....................................................1...................1 6................................... ................. ABSENTEÍSMO E AVALIAÇÃO DE SAÚDE........... FUMO E MEDICAMENTOS CALMANTES......................QUESTIONÁRIO..........................3 6..................4....................................9 4..................................... CONCLUSÕES........................................................................................................FORMULÀRIO DE ESTUDO DE CARGAS DE TRABALHO. ANEXO B .............................2 6......................... Setor de Artesanato.............................. ASPECTOS AGRADAVEIS E DESAGRADAVEIS NO TRABALHO. INTERAÇÕES ENTRE AS CARGAS DE TRABALHO E DESGASTE DOS TRABALHADORES..........2 4.................. USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS................. REFERÊNCIAS.........................................TERMO DE CONSENTIMENTO DO ENTREVISTADO............... 70 72 73 75 77 78 80 82 86 86 89 91 92 95 97 100 101 102 105 110 115 116 117 118 126 129 ANEXO A ............ ANEXO E .......... SENSAÇÃO AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DA JORNADA DE TRABALHO........................4 6.................. Setor de Passadoria..................................... ANEXO C ...........3 5 6 6.............6 4................. PERCEPÇAO DOS TRABALHADORES SOBRE A RELAÇÃO SAÚDE TRABALHO.5 7 7..............5 4...........................3 8 9 10 Setor de Acabamento.....................................1............... ATENDIMENTO MÉDICO E DOENÇA DO TRABALHO............................................1 7................................... ANEXOS.....................................................................CARTA DE APRESENTAÇÃO.............................. PERFIL DE DESGASTE À SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA..............................................CARTA DE APROVAÇÃO PELO COMITÊ DE ÉTICA....1..................

devido ao seu aspecto confidencial. . para que se identifiquem seus determinantes e se proponha alternativas políticas e técnicas para sua superação. Este incremento de estudos da relação saúde-trabalho implica em estabelecer uma reflexão teórica e o aperfeiçoamento de metodologias de abordagem e intervenção na realidade sanitária dos trabalhadores.1 INTRODUÇÃO Na minha experiência profissional como pesquisador da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho . são a NR 7 . a fim de preservar a saúde e promover a qualidade de vida no ambiente de trabalho. desde 1988. tenho me deparado com o relativo e pequeno número de estudos publicados sobre as repercussões do ambiente de trabalho na saúde dos trabalhadores. Como o ambiente de trabalho e as condições de produção são muito particulares para cada local. sobre seu cumprimento pelas empresas. Verificamos nos últimos anos a criação de área de concentração de estudos e pesquisas em Saúde & Trabalho. é desconhecida dos pesquisadores da área da Saúde do Trabalhador. divulgar os resultados e capacitar profissionais para atuar no campo da saúde do trabalhador. contidas na portaria 3.FUNDACENTRO1. que orientam a fiscalização por parte da Delegacia Regional do Trabalho – DRT.Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA. inseridos em diversificados processos produtivos. para fazer frente a esta escassa produção técnico-científica. através de pesquisa dos diferentes espaços. As normas que mais demandam estudos do ambiente de trabalho e seu controle.Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO e a NR 9 . nos programas de pós-graduação das áreas da Saúde Pública e da Saúde Coletiva. pode-se.214/78 do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE. específicas da legislação trabalhista. por tornarem obrigatória a realização de estudos sobre o ambiente de trabalho pelas empresas. órgão federal do Ministério do Trabalho e Emprego cuja missão é desenvolver pesquisas e estudos sobre segurança e saúde no trabalho. realizados no Brasil. obter qual é o 1 Fundacentro – Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho. Estes estudos visam somente atender às exigências das Normas Regulamentadoras de Segurança e Saúde no Trabalho – NRs. A maior parte dos estudos sobre as condições sanitárias do ambiente de trabalho.

2000. 2003). com eliminação rápida de parte importante das médias empresas e proliferação das unidades de menor porte. trabalho no setor de mármore e granito. o setor da indústria do vestuário é um dos que mais empregam mão-de-obra no Espírito Santo e no Brasil. tendo desenvolvido estudos e projetos em áreas como: trabalho portuário. 2003). Apesar da grande sofisticação de equipamentos ocorrida nos últimos anos. Isto ocorre pelo fenômeno da terceirização de partes do processo produtivo e das demandas do mercado. Há cerca de dois anos tem se voltado a identificar novas áreas de interesse de estudo. 11). sobretudo das informais (COMIN. A proliferação de empresas menores se dá pela utilização de . mais rapidez na produção das peças. entre os processos produtivos existentes no Estado.000 empregos formais. construção civil. muitas delas transferidas pelas fábricas para o interior das residências. e outros. que permite a economia de tecidos. podem estar localizadas em grandes galpões bem dimensionados ou. Segundo informações da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS. segundo o Serviço Social da Indústria – SESI. As indústrias de vestuário. o setor tem cerca de 17. criação de novos modelos. no Espírito Santo são cerca de 1.padrão de mal-estar e adoecimento entre os trabalhadores ou a estrutura epidemiológica resultante da interação de fatores do meio ambiente físico e social do trabalho com o homem. em particular na área das pequenas e médias empresas e que envolvem um grande contingente de trabalhadores. comandado pela sazonalidade e pelas tendências da moda. estarem instaladas em prédios comerciais improvisados e até em residências. p. como é mais comum. O setor de vestuário tem também sido o que mais participou do processo de reestruturação industrial.000 empresas no Brasil. há ainda o uso de grande número de máquinas mais simples. devido à sua grande heterogeneidade. prática que é muito comum no ramo da indústria de confecções (SESI. sendo. O Centro Estadual da FUNDACENTRO no Espírito Santo tem procurado subsidiar a sociedade capixaba nas questões relacionadas à saúde e segurança no trabalho.700 empresas que geram 17. Dentre os segmentos econômicos compostos por pequenas e médias empresas. responsável por 60% dos empregos na cadeia produtiva de têxteis e confecções (SESI.

adotou o temo Trabalho a domicilio como uma categoria que designa o trabalho sub-contratado exercido na residência do trabalhador (LEITE. em atividade de trabalho em processos repetitivos e com grande demanda de produção. fragmentado e realizado com ritmo acelerado. Entre as doenças decorrentes do trabalho tem sido indicado por alguns autores (BORGES. provavelmente. em si. situadas no segundo nível. O processo de trabalho desta forma pode ser determinante para o aparecimento de um padrão de saúde que pode ser compreendido e sobre ele se criar intervenções que promovam melhores condições de vida para este grupo social. como a nova “velha fórmula” de acumulação de capital. Outro aspecto que caracteriza a indústria de vestuário é o elevado uso da mão-deobra feminina. repassando para as empresas de facção ou oficinas. 2 . é trabalho em domicílio. é caracterizado pela alta produção por cotas a serem atingidas a cada turno de trabalho. a sociologia do trabalho no Brasil. O trabalho. Em um terceiro nível está o trabalho a domicílio. por serem consideradas mais precisas e delicadas na execução do trabalho. 2004). que pagam valores extremamente baixos por cada peça montada. Trabalho a domicilio: Em português. segundo a norma culta. testa os novos modelos e realiza o corte. p. apenas o trabalho mecânico da montagem das peças. como nas lavanderias.unidades produtivas externas por empresas líderes e até mesmo do trabalho a domicilio2 . por ser exigido maior esforço físico. pinturas especiais e na operação de equipamentos mais sofisticados (LEITE. 2000) o aumento da prevalência dos distúrbios mentais e psicossomáticos. 2004. Esta cadeia produtiva se organiza de forma a que a empresa líder faz a concepção. exigindo precisão na execução e qualidade no resultado final. sem desconsiderar que no imaginário masculino a costura é tradicionalmente “trabalho de mulher”. mas seguindo a recomendação da Organização Internacional do Trabalho – OIT. onde o pagamento é realizado por peças e determina uma dependência enorme das costureiras para com as empresas de facção. Entretanto nos últimos tempos tem-se observado um aumento no uso de mão de obra masculina em alguns setores dessa indústria. bem como das lesões por esforços repetitivos (LER) em populações de trabalhadores. 66).

se relaciona com o processo saúde-doença de seus trabalhadores? 1.1.2 Específicos: .1.Assim.ES. .1 Geral: Estudar as condições de saúde e trabalho em trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES.Analisar as relações entre cargas de trabalho e o desgaste à saúde em trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina .Estimar a prevalência de distúrbios mentais menores e de lesões por esforços repetitivos entre trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES.Obter um inventário de fatores de riscos no processo de trabalho da indústria do vestuário de Colatina – ES. desenvolvido em pequenas e médias empresas. 1.1 OBJETIVOS 1.Estimar a prevalência de queixas referidas à saúde em trabalhadores da Indústria do Vestuário de Colatina-ES. . interessa estudar: Como o processo de trabalho na indústria de confecções de Colatina. . .

a atividade de trabalho designa a maneira do ser humano mobilizar as suas capacidades para atingir os objetivos da produção.2 MARCO TEÓRICO Foi utilizado o arcabouço teórico e metodológico do campo da Saúde do Trabalhador. p. Por outro lado. 1986). configurandose como um dos espaços de vida determinantes na construção e na desconstrução da saúde (ASSUNÇÃO. mas sim ao natural. p. pois o biológico é em si mesmo histórico e social (LAURELL & NORIEGA. 2004. a Medicina Social e a Saúde Coletiva. Assim. mas que têm relação com uma rede de outros eventos que podem ser identificados e estudados (MEDRONHO. conforme o aporte teórico da Saúde . 100). particularmente pela construção e utilização do modelo da determinação social da doença. O efeito do trabalho sobre a saúde é muitas vezes silencioso e não apreendido pelo saber estritamente médico” (DEJOURS. Não é uma objeção ao biológico. O modelo da determinação social da doença propõe que a relação saúde-doença é um processo social. pode determinar uma sobrecarga. como o trabalho constitui-se em fator central para a compreensão do processo saúde-doença dos trabalhadores. cognitivo e psíquico“. p. identificando a importância da transformação biopsíquica dos seres humanos através das mudanças sociais. Tem-se como pressuposto que o trabalho convoca o corpo inteiro e a inteligência para enfrentar o que não é dado pela estrutura técnico-organizacional. 13). 1989. têm pelo menos três aspectos: físico. Segundo este autor. construído a partir de 1970. cada um destes aspectos. freqüentemente inter-relacionados. a seguir. Segundo Wisner (1994. serão apresentadas. as diferentes abordagens da relação entre saúde e trabalho. Esse campo tem interface com a Saúde Pública. Foi a epidemiologia que demonstrou que as doenças são eventos que não ocorrem por acaso. inclusive o trabalho. 7). ”todas as atividades realizadas pelo homem. 1998). “o sofrimento dos trabalhadores nem sempre é visível ou objetivo como insistem algumas abordagens. Para a escola de ergonomia francesa.

A doença é demarcada essencialmente pelo aparecimento. A população que habita uma determinada região. A resposta que se dá comumente a estes incômodos ou alterações pelos serviços de saúde é o atendimento do indivíduo pelo médico.136). no indivíduo ou nos grupos humanos. diferentes perfis. Este processo é o seguimento ou evolução de uma luta do organismo por manter a vida e o bem estar. como parte das condições de saúde de uma população. Este perfil. de alterações anatomofisiopatológicas que acarretam incômodos ou perda funcional. hábitos de vida. varia ao longo da história da sociedade. condições de moradia. em uma determinada época. que pode ser esperado não apenas no caso clínico individual. p. 1983). como também. 3 . condições de trabalho. renda.135). Esta forma de atenção à saúde Perfil de adoecimento ou morbidade: constitui-se pelo conjunto das patologias mais prevalentes e incidentes que determinado grupo humano apresenta em um dado momento da história (LAURELL. Para entender este conceito de causalidade ou determinismo social é necessário antes de qualquer coisa. emprego. etc. violência urbana. tanto pelo estrato social como por sua ocupação profissional. o processo saúde-doença é o modo específico pelo qual ocorre nos grupos humanos o processo biológico de desgaste e reprodução. verifica-se a natureza social e histórica do processo saúde-doença ao se analisarem os dados de morbimortalidade de uma população.1 DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO-CONCEITUAL DO ESTUDO DAS RELAÇÕES ENTRE SAÚDE E TRABALHO. mas que se evidencia no conjunto das pessoas ou na população que compartilha as mesmas condições de vida.do Trabalhador. conseqüentemente. Para Laurell (1983. de forma geral. Segundo Laurell e Noriega (1989. p. discutir o que é saúde e doença. tem um perfil de adoecimento3 que pode ser compreendido em função de fatores como: faixa etária. os estratos sociais de uma mesma sociedade apresentarão diferentes condições de saúde. condições sociais que envolvem o padrão alimentar. e como as formas de organização do trabalho se relacionam com a saúde. A compreensão do que vem a ser saúde é mais ampla do que a de doença. 2.

são eventos entrelaçados com outros eventos que as precedem. mas sim em que característica difere a ocorrência de uma determinada doença entre grupos diferentes. 1983. mas no modo característico de adoecer e morrer dos grupos humanos (LAURELL. A epidemiologia utiliza-se de um vasto arcabouço de métodos de pesquisa e o uso da estatística como ferramenta para análise das medidas de efeito e de associação entre as diversas variáveis envolvidas. os sintomas.8). A natureza social da doença não se verifica no caso clínico. definidos como uma população. 2004. no reflexo deste sobre o corpo dos membros de um grupo humano que compartilham as mesmas condições de vida. p.7). o que lhe possibilita poder estimar . reforça-se a teoria de que o “caso clínico” tem limitações e especificidades próprias. é necessário investigar como ocorre o processo de saúde-doença no coletivo. as doenças não ocorrem por acaso. Para a epidemiologia. sendo limitado à realização do diagnóstico e ao tratamento. Para dar uma resposta ao modelo do atendimento clínico. mas somente nos efeitos finais. O atendimento individual não oferece solução satisfatória para os graves problemas de saúde que acometem as populações. isto é. nas causas do processo. p. Como os indicadores estatísticos não se manifestam no indivíduo. não interferindo. A epidemiologia é a disciplina científica que se fundou na investigação não do “por que” e “como” o individuo desenvolveu uma patologia. podendo ser identificados. p.caracteriza o paradigma médico-biológico. na maioria dos casos. daí haver certo esgotamento da medicina clínica como única resposta de atenção à saúde. no qual a doença é o ponto focal e a razão de ser do sistema de saúde.137). Ao associar a relação da doença do grupo humano à variação biológica individual é que a história social torna-se importante. no processo saúdedoença. 2004. a não ser para indicar se a pessoa é ou não portadora de determinadas características patológicas. A epidemiologia pode ser definida como o estudo dos determinantes do processo saúde-doença em grupos populacionais (MEDRONHO. porque é ela que possibilita as condições de vida e a forma de exposição aos fatores de riscos que irão estabelecer as probabilidades das pessoas adoecerem de determinada forma. Portanto. estudados e sobre eles se criarem intervenções que poderão controlar o processo saúde-doença (MEDRONHO.

mental e social. para 71. como parte da seguridade social. 2004. p. como direito de cidadania e dever do Estado. 2001. p. A saúde seria a capacidade de enfrentamento do organismo das pessoas a situações adversas. Este conceito de saúde se liberta do vínculo da fisiopatologia e insere parâmetros de bem-estar social em um modelo que só é possível ser construído com a ampliação dos direitos dos seres humanos na sociedade. aliada aos . p.20. como de relevância pública e cujas ações e serviços devem ser providos por um Sistema Único de Saúde. No Brasil.290). para 2. cuja transição demográfica é contemporânea ou retardada. em 2000 (YAZAQUI. 2003). No Brasil. evidenciou-se um outro fenômeno: a transição epidemiológica. Simultaneamente à transição demográfica. atendimento integral e participação comunitária (MENDES. mas um estado de completo bem-estar físico.9 anos.96). Fatores como a queda da fecundidade. As conquistas da ciência médica e as melhorias nos padrões sanitários. nutricionais e de qualidade de vida das populações. sendo influenciada de alguma forma pela vida social. Os padrões de saúde são conseqüências. A saúde na Constituição é definida como resultante de políticas sociais e econômicas. a Carta Constitucional de 1988 teve forte influência dos grupos da área da saúde que participavam da discussão e construção de novos conceitos sobre a saúde. da dinâmica de mudanças da composição da população ao longo do tempo. aumento da perspectiva de vida das pessoas e a queda da taxa de mortalidade determinam um envelhecimento da população. em 1940 (SILVA JÚNIOR. 2003. registrada em 1991. entre outros aspectos. 2006) e a taxa de fecundidade passou de 2.59 anos. a expectativa de vida média subiu de 44.9 filhos por mulher em idade fértil. fato relatado pela primeira vez em 1940 e que ficou conhecido como transição demográfica (VERMELHO & MONTEIRO. organizado segundo as seguintes diretrizes: descentralização e mando único em cada esfera de governo. A Organização Mundial de Saúde – OMS a define não apenas como a ausência de doença.91).probabilidades de ocorrência de eventos e de analisar melhor os determinantes das doenças nas populações. em 2004 (IBGE.

o primeiro serviço de saúde no interior das fábricas e a Medicina do Trabalho. traduzido em nossa língua como As Doenças dos Trabalhadores (MENDES & DIAS. proporcionaram uma diminuição das doenças infecciosas e um aumento das doenças crônico-degenerativas nas taxas de morbimortalidade (VERMELHO & MONTEIRO. utilizou como paradigma a inferência unicausal.avanços da medicina preventiva. 1991). após a segunda guerra mundial. registradas em seu livro De Morbis Artificum Diatriba. Esta concepção foi conseqüência das descobertas da microbiologia que identificaram a origem das doenças infecciosas (FACCHINI. 1991). com cargas horárias desumanas acarretando grande incidência de acidentes e doenças (MENDES & DIAS. Estes trabalhadores. sua eficácia ficou comprometida. As condições de trabalho são percebidas. Para não inviabilizar seu negócio. 1993).92). No século XVIII. oriundos da área rural ou de pequenas oficinas. como um dos fatores mais importantes na determinação do processo saúde-doença. 1997). Todavia. surgiram novas concepções e abordagens sobre o processo saúde-doença. em 1830. colocou um médico para verificar o efeito do trabalho sobre a saúde de seus empregados e determinar meios que pudessem prevenir as doenças e diminuir o absenteísmo. proprietário de uma fábrica têxtil inglesa. p. cujo procedimento estabelecia que para cada doença houvesse uma única causa ou agente etiológico (MINAYO-GOMES & THEDIM-COSTA. 2004. o médico Bernardino Ramazzini (1633-1714) relacionou com precisão a origem de determinadas doenças em mais de 50 ocupações. A revolução industrial. Assim. eram submetidos a um ritmo de trabalho acelerado. as condições de trabalho mudaram radicalmente e os problemas de saúde relacionados com o trabalho se tornaram mais evidentes. Nascia assim. O fato histórico que determinou uma radical mudança na forma de se organizar o trabalho e de alocação da força de trabalho foi denominada de revolução industrial. por não intervir no processo de produção material e de desgaste dos trabalhadores. afirmando que somente . necessitou do consumo da força de trabalho de grande contingente de trabalhadores. desde a antiguidade. ao centrar sua ação no indivíduo. após 150 anos de sua morte. iniciada na Inglaterra no século XIX. A Medicina do Trabalho é caracterizada por ser uma abordagem centrada no médico. concomitantemente às primeiras legislações de proteção aos trabalhadores. Quando surgiu. Segundo Facchini (1993). Robert Dernham.

realizando exames médicos admissionais. Já a Saúde Ocupacional é uma concepção utilizada por algumas grandes empresas . Atualmente.um fator de risco não explicava a ocorrência de determinadas doenças. que podem afastar os trabalhadores da função e demiti-los posteriormente ou não os contratarem. são utilizadas as práticas dos dois modelos de saúde do trabalhador: o da Medicina do Trabalho e da Saúde Ocupacional. principalmente nos Estados Unidos da América. Os trabalhadores têm pouca ou nenhuma participação no processo de controle e são sujeitos ao monitoramento biológico. no Brasil. Este modelo tem forte influência da Higiene Industrial. caso seja verificado que eles portem alguma alteração de saúde. No modelo multicausal. considerando as relações entre concentrações ambientais. periódicos e demissionais. determinando os limites de tolerância à exposição a estes agentes. por ocasião do exame admissional. aumenta a importância das equipes multiprofissionais para o estudo da relação trabalho-saúde. onde a relação saúdetrabalho já há algum tempo estava sendo estudada. que propôs intervir nos locais de trabalho. sua absorção pelo organismo humano e seus efeitos. Todavia. a fim de controlar os riscos ambientais. o que levou muitos pesquisadores a concluírem que o processo saúde-doença é a síntese de múltiplas determinações (modelo multicausal). A Saúde Ocupacional introduziu formas modernas de intervenção em saúde no trabalho ao indicar o controle dos riscos nos ambientes de trabalho através de ações técnicas. Tiveram papel importante na discussão da Saúde Ocupacional as escolas de Saúde Pública. que relaciona o corpo do trabalhador com as condições físico-químicas presentes no ambiente de trabalho. Na maioria das vezes este procedimento serve para resguardar os interesses das empresas. que acabam denunciando seu estado de saúde. já que uma única disciplina não dá conta de todos os aspectos implicados neste processo. no seio dos Serviços de Engenharia e Medicina do Trabalho – SESMT e de empresas prestadores de serviços de Medicina do Trabalho. A Medicina do Trabalho atua ainda no interior das fábricas. Estes princípios foram os alicerces da concepção da Saúde Ocupacional. através de exames médicos periódicos. ela abriu espaço para que este controle fosse prioritariamente feito pelo uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e pelo controle do tempo de exposição do trabalhador aos agentes ou fatores de risco.

atualmente. há um esforço para romper ou superar a lógica da exposição aos fatores de riscos presentes no ambiente de trabalho como as causas únicas do processo de adoecimento. sendo consagrada no artigo 200 da constituição federal. executar ações de vigilância . o avanço da Medicina Preventiva. Nos estudos desenvolvidos pela Saúde do Trabalhador. ampliando o debate sobre o processo saúde-trabalho. se constituindo como um dos temas importantes da Saúde Pública no Brasil. incorporando a prática da Medicina do Trabalho (MENDES & DIAS. sempre na perspectiva da apropriação destes métodos pela classe trabalhadora. desencadeou o questionamento do modelo médico tradicional. que estabelece como uma das competências do Sistema Único de Saúde – SUS. A Saúde do Trabalhador tem sido discutida intensamente nos últimos 30 anos. Além de objetivar a compreensão do “por que” e do “como” ocorrem as doenças e os acidentes do trabalho. durante as décadas de 60 e 70 do século passado. Assim. da Medicina Social e da Saúde Pública. Na América Latina.e entidades de pesquisa. a cultura no interior das organizações que estabelecem a hierarquia e o poder de mando e o lugar de cada um nessa sociedade urbanoindustrial. ainda pretende apresentar alternativas que possam romper o processo de adoecimento. nas quais são desconsideradas a subjetividade dos trabalhadores articulada com o processo produtivo. A Saúde do Trabalhador tem como objeto de estudo o processo saúde-doença dos grupos humanos. 1991). 1991). as tentativas de construção de um objeto de estudo. houve também melhoria na qualidade de vida e do acesso aos serviços de saúde. Na área da Saúde Pública. em sua relação com o trabalho (MENDES & DIAS. o desafio que se apresenta neste campo é introduzir questões como: as crenças e idéias de mundo que unem o concreto ao imaterial. No bojo de lutas sociais que levaram à democratização política. o salário enquanto forma de acesso ao mercado de consumo de bens e serviços. as representações sociais. de estabelecimento de uma prática e a consolidação de uma área que fosse abrangida pela questão da saúde no trabalho deram origem ao campo da Saúde do Trabalhador.

. Posteriormente. parágrafo 3º. A Saúde do Trabalhador é considerada uma atividade especial das Comissões Intersetoriais. a Saúde do Trabalhador ficou definida como: “um conjunto de atividades que se destinam através de ações de vigilância sanitária e epidemiológica garantir a promoção e a proteção à saúde dos trabalhadores bem como a recuperação e reabilitação dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho” (MINISTÉRIO DA SAÚDE. desta importante lei. A Saúde do Trabalhador é hoje uma importante área da Saúde Pública que tem como objetivo o estudo. sejam sociais.sanitária e epidemiológica. organizacionais e os fatores de riscos ocupacionais presentes no processo de produção. A saúde dos trabalhadores só é compreendida quando são considerados todos os aspectos que condicionam as vidas destas pessoas. bem como as de Saúde do Trabalhador (MINISTÉRIO DA SAÚDE. em que há a necessidade de. ligadas diretamente ao Conselho Nacional de Saúde. conjugar saberes para uma abordagem mais profunda desta questão. Iniciativas de alguns órgãos governamentais indicam que as intervenções no processo saúde-trabalho-doença serão cada vez mais uma prioridade do governo que não pretende somente garantir os direitos universais de acesso à saúde e sim diminuir os custos sociais advindos do tratamento de acidentes e doenças bem como das aposentadorias e pensões precoces. a promoção e a proteção à saúde dos trabalhadores. tecnológicos.080 de 1990 que dispôs sobre as condições para a promoção. esta competência foi regulamentada pela Lei 8. Esta complexidade torna a área de estudo da Saúde do Trabalhador um campo interdisciplinar. cuja execução poderá envolver áreas não ligadas diretamente ao âmbito do SUS. sendo responsáveis pela articulação das políticas e programas de interesse para a saúde. proteção e recuperação da saúde. a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes. 1990). segundo Nunes (2002). 2001). No artigo 5º.

26). a Saúde do Trabalhador precisa. 14). cerca de 12 milhões de anos. p. 2001. A evolução da espécie humana já dura. órgãos ou de seu corpo físico. faz-se necessário apreender a complexidade da natureza humana já que o homem não é composto somente de músculos. Para que se possa vislumbrar o processo de adoecimento no trabalho.2 O CARÁTER CENTRAL DO TRABALHO NA MEDIAÇÃO ENTRE CORPO-MENTE-PSIQUISMO. O trabalho é um processo que ocorre entre o homem e a natureza. 211). Esta foi a primeira forma rudimentar de planejamento.Por outro lado. ele também é constituído por seu componente cognitivo e psíquico. construído cotidianamente ao longo de milênios da história de nossa espécie. o Ramapithecus (LEAKEY & LEWIN. . psicológicos e sociais de desgaste e o surgimento das doenças. podendo-se mesmo afirmar que a humanidade evoluiu por si mesma através do trabalho (MARX. resistindo à tentação de partir a comida e comê-la onde estavam” (ROBERTS. CULTURA E SOCIEDADE. Neste momento. segundo os antropólogos. p. parece ter sido capaz de exercer alguma forma de previsão. de progredir em suas bases científicas. como pedras lascadas. A raça humana deu um significativo avanço em sua evolução. Esta relação do homem com o trabalho e seu grupo social foi o motor do aperfeiçoamento e especialização que lentamente moldou o corpo e a arquitetura cerebral de nossa espécie. machados de pedra e pontas de lanças que são os primeiros instrumentos de trabalho desenvolvidos pela inteligência humana. 2. quando “o Australopithecus: embora de forma rudimentar e vaga. tendões. quando surgiu a primeira criatura que poderíamos identificar como um hominídeo. p. 2003. os processos biológicos. Os estudos antropológicos demarcam este período pelos vestígios do uso pelo homem de ferramentas rudimentares criadas por ele. teve início a pré-história: o homem conseguia refrear seus impulsos naturais imediatos a fim de garantir o suprimento futuro. para desvendar como ocorrem nos grupos de trabalhadores. cada vez mais. 1982.

Nos 2 milhões de anos seguintes não parou mais de evoluir, até chegar ao início de nossa civilização, demarcada, segundo os historiadores, pelo desenvolvimento da linguagem. No entanto, a história só começa a ser contada, com a invenção da escrita, há cerca de 5.500 anos, através de pedras ou blocos de argila encontrados na Mesopotâmia. O fato é que a forma como nossa mente vê o mundo não surgiu de repente, como um flash de luz, quando em nossa primeira infância nos demos conta de que estávamos no mundo. A espécie humana desenvolveu sua consciência do mundo de forma vagarosa, laboriosamente, em um processo que durou um tempo infindável, até alcançar o estágio civilizado (JUNG, 1980, p. 23). O homem possui características psicossociais que foram moldadas ao longo de sua história, enquanto espécie, junto ao grupo onde foi criado, na sua relação com os outros e desenvolve seu sistema próprio de crenças e ideologias, formando o que os sociólogos denominam de cultura. O homem, quando em grupo, desenvolve um conjunto de características que torna este coletivo de pessoas diferente de qualquer outro. Constrói formas de comunicação através da linguagem e códigos de reconhecimento grupal, seja na forma de rituais próprios, arte, símbolos, crenças ou idéias. Este conjunto de produtos culturais é recheado de significados que garantem o equilíbrio entre a estrutura mental e comportamental do ser humano. Hosfstede (1980, apud TAMAYO, 2004, p. 19), define cultura como a “programação coletiva da mente que diferencia os membros de um grupo humano de outros”. Esta programação individual ou coletiva se faz através de condicionamentos que se auto-reforçam no interior do grupo, seja através de condutas previamente aprovadas ou reforçadas no interior da família. Entre estes condicionamentos estão os significados das coisas e onde entra o lugar de cada um no mundo social, fundamentalmente o do trabalho. A criança é condicionada a ter como objetivo de vida a ocupação de um posto de trabalho na estrutura produtiva da sociedade, desde sua participação no interior da família. O estímulo constante ocorre seja na forma lúdica de brincar com ferramentas de trabalho ou de uma profissão, ou com o reforço constante de seus pais, através de questionamentos ou afirmações, como: “O que você vai ser quando crescer?” “Se você não estudar não vai ser ninguém na vida!” Assim, o trabalho e a ocupação tomam importância central na vida das pessoas e delineiam seu futuro na sociedade (MENDES, 1989).

O trabalho ou a ocupação de cada um na sociedade tem importância relevante na formação psíquica de cada indivíduo, seja pelo reconhecimento do grupo mais próximo, pelo sucesso almejado com recebimento do salário, o poder sustentar-se a si e a família e o de sentir-se útil para a coletividade. Na determinação da classe social, a vida e a morte dos seres humanos guardam relação com a posição que estes ocupam dentro dos arranjos sociais das classes fundamentais: capitalistas e trabalhadores. Ou ainda segundo Karl Marx.

[...] o trabalho, como criador de valores-de-uso, como trabalho útil, é indispensável à existência do homem – quaisquer que sejam as formas de sociedade -, é necessidade natural e eterna de efetivar o intercâmbio material entre o homem e a natureza e, portanto, de manter a vida humana (Marx, 2003, p. 64).

Em função disso, dessa relação central na vida das pessoas, o trabalho influi sobre a vida e morte dos seres humanos (BERLINGUER, 1983 apud FACCHINI, 1993, p.46).

2.3

A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E SAÚDE DO TRABALHADOR

O trabalho por si só não seria a fonte de mal-estar e adoecimento do homem, mas sim a forma como ele é organizado e condiciona o homem na sua execução (COHN & MARSIGLIA, 1994). Segundo a visão marxista, o trabalhador, quando vende sua força de trabalho, tem que se submeter ao controle do capitalista, a quem pertence seu trabalho (MARX, 2003, p. 219); assim, é durante a execução das atividades que a força da gerência capitalista fará este potencial transmutar a matéria prima em produto4, de acordo com a base técnica e das relações sociais que pode lançar mão. Segundo Braverman (1987), o princípio norteador da produção capitalista é a divisão do trabalho. Diferente da divisão das tarefas nas sociedades anteriores, onde basicamente a divisão do trabalho estava vinculada aos papéis do sexo ou da hierarquia do grupo, na sociedade capitalista é vinculada à fragmentação da tarefa

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Trabalho vivo, segundo Marx, apodera-se das coisas da natureza para transformá-las de valores de uso possíveis em valores de uso reais e efetivos (MARX, 2003, p. 217)

em componentes simples a fim de aumentar a produção e diminuir o custo dos salários. As bases teóricas desta forma de organizar o trabalho foram estudadas e teorizadas pelo engenheiro americano Frederick Winslow Taylor (1856-1915), cujos princípios ele divulgou com a publicação em 1911 de seu famoso livro Princípios de Administração Científica. O modelo de gestão da produção criado por Taylor estabelece a expropriação do saber operário (a concepção do como fazer é atributo da gerência e a execução ao trabalhador), a fragmentação do trabalho em etapas simples, cabendo ao trabalhador executá-la o mais rapidamente possível sem a necessidade de pensar; esse relativo ganho de produtividade é recompensado com um salário extra. Era o início do processo de organização do trabalho moderno, ou de exploração da força de trabalho em larga escala, que proporcionou um grande desenvolvimento da humanidade e da acumulação de riquezas. Todavia, o custo humano deste desenvolvimento foi feito também com sofrimento da classe trabalhadora e uma grande incidência de acidentes e de adoecimento, pois esta forma de organização do trabalho, além de alterar as condições ambientais encontradas na natureza, insere um ritmo imposto externamente e a repetitividade da tarefa, retirando do trabalhador o planejamento da execução que passa a ser realizado pela gerência. A gerência significa, de fato, o controle das formas de trabalhar, ainda incluíndo todo o processo produtivo, o que fazer e o como fazer, a da apropriação mais adequada do trabalho alienado – isto é, a força de trabalho comprada e vendida (BRAVERMAN, 1987, p. 86). O controle retirado do trabalhador e a fragmentação do trabalho tornam o produto coletivo, a mercadoria, como algo alheio e estranho ao produtor. Este estranhamento causa a desrealização do ser social, atingindo sua subjetividade (ANTUNES, 1998, p. 124). Os modelos de organização do trabalho com o objetivo de fazer o trabalhador ser mais produtivo vêm sendo desenvolvidos por vários teóricos e se transformado ao longo do tempo. Entre estes foi desenvolvido por Henri Ford em 1913, o sistema de produção em grande escala de produtos padronizados, baseado na esteira rolante, destinados ao mercado de massa (MONTEIRO&GOMES, 1998). Esta forma de produção, Fordismo, trouxe sérios impactos sobre a saúde dos trabalhadores,

rotatividade de tarefas. maior valorização do trabalho em grupo do que o individual e a inserção de novas formas de gerência como o just-in-time. que busca uma gerência industrial mais eficiente em uma organização mais flexível baseada no fim da divisão do trabalho pela prescrição das tarefas e do relacionamento autoritário. 1987. causa um desastre na estrutura físico. acidentes e absenteísmo. o sistema kanban. apud MONTEIRO&GOMES. Este modelo denominado de Toyotismo pressupõe a polivalência. mental e psíquica do trabalhador. 1992. com o compromisso produção. o modelo de controle da produção desenvolvido pelos japoneses tem sido copiado pelo ocidente. após a desapropriação do know-how e desmantelada a livre organização do trabalho da classe operária. constituídos por grupos de trabalhadores que são instigados pelo capital a discutir seu trabalho e desempenho. Por esta forma de organizar a produção. Nas últimas décadas. não resta mais nada. p. 54). sempre mínimos no toyotismo e os Círculos de Controle de Qualidade (CCQs). que através de placas e senhas de comando controla a reposição de peças e estoque. em especial as inovações organizacionais desenvolvidas por Ohno Toyota. p. ocasionando o desequilíbrio entre as partes e favorecendo o aparecimento de doenças psicossomáticas.resultando em cansaço. somente os corpos adestrados. treinados e condicionados pela organização do trabalho (DEJOURS. com vistas a melhorar a produtividade (ANTUNES. A organização do trabalho faz desaparecer a atividade intelectual do operário no seu trabalho o que. Este modelo embute também a terceirização e a flexibilização econômica das relações de trabalho e cria o sindicalismo de empresas. Segundo Dejours. 54). segundo Dejours. que se baseia na formação de equipes de trabalhadores que executam cooperativamente as tarefas designadas. Em 1940 surge na Inglaterra uma nova idéia de controle denominada de corrente sócio-técnica. 42). 2003. podendo haver alternância de funções entre os membros. O grupo tem assim. certa autonomia. enfraquecendo a representação política dos de atingir as metas de produção (FLEURY. São os denominados teamwork ou células de . doenças fisiológicas ou psicossomáticas. o trabalhador perdeu sua capacidade de controlar a economia do corpo e manter sua saúde. que objetiva o melhor aproveitamento possível do tempo de produção. p.

trabalhadores. O trabalho é realizado agora para satisfazer as necessidades de produção estabelecida pelo grupo ao qual o trabalhador está inserido. A terceirização tem sido responsável pela precarização das relações de trabalho, já que é uma estratégia para a redução de custos. Este modelo favorece o desaparecimento das empresas com muitos trabalhadores empregados que são pulverizados em centenas de milhares de empresas pequenas. As pequenas empresas vivem para prestar serviços para as empresas líderes ou montadoras, sendo obrigadas a reduzir o custo da produção através do aumento da produção, com o conseqüente aumento da densidade do trabalho. Nestes novos tempos de globalização do trabalho e da produção, os capitalistas têm utilizado o que é denominado de reengenharia, como forma de reestruturar os processos empresariais, para o realinhamento dos custos operacionais e o enfrentamento da concorrência de produtos vindos do Japão e dos países denominados de tigres asiáticos, com a China surgindo mais recentemente. Apesar de pequenas diferenças o objetivo é sempre fazer a habituação do trabalhador de forma a aumentar a produção. Seja sob qual denominação que se encontre o modelo de gestão da produção, em sua essência, encontraremos lá os fundamentos do taylorismo e do fordismo, que sobrevivem ainda no seio das empresas, como forma de apropriação da capacidade dos trabalhadores produzirem a riqueza.

2.4

AVALIAÇÃO DAS CONDIÇOES DE TRABALHO COM A SAÚDE: RISCOS, CARGAS DE TRABALHO E DESGASTE.

O marco teórico para a compreensão da relação saúde-trabalho tem sido bastante desenvolvido nos últimos 35 anos, tomando-se como base a análise das cargas presentes no ambiente de trabalho como um todo complexo, cuja interação entre as partes se dá de forma processual, imprimindo-lhe uma qualidade específica (ASMUS&FERREIRA, 2004, p. 393). Estas cargas de trabalho se constituem em fatores de riscos que podem provocar acidentes e adoecimento, pois são elas

responsáveis por desgastar o corpo, a mente e as capacidades vitais dos trabalhadores (FACCHINI, 1993, LAURELL&NORIEGA, 1989). Sem o objetivo de levantar historicamente em detalhes ou de revisar criticamente os diferentes métodos empíricos de estudo dos fatores ou circunstâncias de riscos nos ambiente de trabalho, abordamos a seguir alguns modelos conceituais utilizados por vários autores e pela legislação brasileira. Inicialmente, no inicio dos anos 70, as causas dos acidentes e doenças foram definidas pela Engenharia de Segurança do Trabalho, através de conceitos que sobrevivem até hoje na NR-1 – Disposições gerais. São elas: a) “condições inseguras”, representadas por falhas em equipamentos, ferramentas defeituosas, arranjo físico deficiente, treinamentos inadequados ou inexistentes e a presença de agentes químicos, físicos ou biológicos no ambiente de trabalho5, com o potencial de provocar lesões ou enfermidades; b) “atos inseguros”, cometidos pelos trabalhadores ao burlarem as normas de segurança (TRIVELATO, 1998). Posteriormente, a Medicina do Trabalho se apropriou da categoria “risco” a fim de identificar os elementos nocivos presentes no ambiente de trabalho que podem, por suas características, causar danos à saúde dos trabalhadores, mas de uma forma isolada no esquema monocausal (LAURELL&NORIEGA, 1989, p. 109) A Higiene do Trabalho, que também utiliza o conceito de risco, desenvolveu a técnica de avaliação de risco e dos níveis seguros de exposição. O modelo de avaliação tem como etapas: a) Identificação do perigo; b) Avaliação de doseresposta; c) Avaliação da Exposição e d) Caracterização do risco. A higiene industrial estabeleceu os Limites de Tolerância (LT) de concentrações e do tempo de exposição do trabalhador aos agentes ambientais e reconheceu o papel sinérgico destes agentes entre si, levando em consideração as características genéticas dos indivíduos e com a forma em que o trabalho é realizado. Apesar deste avanço, sua abordagem ainda é a de causa e efeito num viés monocausal.

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Ambiente de Trabalho é definido, de acordo com Oddone (1986), como o conjunto de todas as condições de vida no local de Trabalho, abrangendo: características do local: dimensões, iluminamento, aeração, rumoriosidade, presença de poeira, gases ou vapores, fumaça, etc, além de elementos da atividade (tipo de trabalho, posição do operário, ritmo, ocupação do tempo, horário de trabalho, turnos, alienação, valorização intelectual e profissional).

A área da saúde, através da epidemiologia, introduziu o conceito de risco, agora sob a teoria do modelo multicausal, defendendo a necessidade da presença simultânea de vários fatores de risco para que se possa explicar a produção do adoecimento de uma determinada população. Segundo Trivellato (1988), o risco representa a possibilidade de um efeito adverso ou dano ou a incerteza da ocorrência, distribuição no tempo ou magnitude de resultado adverso. A epidemiologia introduziu também o conceito de “fator de risco” como sendo todas as variáveis presentes no ambiente de trabalho com o potencial de ao interagir com o corpo do trabalhador, causar um dano à saúde. Os fatores de risco, por suas características e especificidades, podem ser classificados de várias formas, havendo algumas variações de um modelo para outro. No Brasil, utiliza-se uma classificação que surgiu da NR-9 (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA) e posteriormente foi inserida na NR-5 (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA), que estabelece a obrigatoriedade dos componentes desta comissão fazerem o mapeamento dos riscos em todos os ambientes de trabalho da empresa, avaliando seu potencial de causar danos, na seguinte graduação: pequeno, médio ou grande. Este mapa de risco deve ser fixado de forma visível nos locais de trabalho e discutido com todos os trabalhadores a fim de que eles participem da gestão da segurança e saúde no trabalho. Por esta norma, os fatores de risco são classificados em: Riscos Ambientais (físicos, químicos e biológicos), Riscos de Acidentes e Riscos Ergonômicos. Sua definição pode ser mais bem compreendida de acordo com a exposição abaixo: Riscos físicos: São as diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, bem como o infra-som e o ultra-som. Riscos Químicos: São as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão.

Por esta definição a ergonomia pretende estudar o trabalho como um todo a fim de estabelecer uma intervenção que possa melhorar a situação de trabalho. 2004. entre outros. que podem levar o trabalhador à infecção ou ao parasitismo. fungos. p. p. protozoários. entre outros e se torna pouco representativo para situações de risco com eletricidade. fisiológica e psíquica do homem. 2003. 2005). foi mudado para risco de acidentes. uso inadequado de ferramentas. uso excessivo dos músculos e tendões. a ergonomia procura adaptar todas as condições de trabalho que podem entrar em conflito com as características psicobiológicas do homem causando-lhe desconforto. Riscos de Acidentes: São todas as situações ou condições inadequadas no ambiente de trabalho que podem ser causa de acidentes com lesões nos trabalhadores como: piso de trabalho escorregadio.Riscos Biológicos: São os microorganismos.17. Riscos Ergonômicos: São os fatores de risco que podem trazer: desconforto anatômico e fisiológico. esmagamento. daí a mudança de denominação. Inicialmente. item 17. enfim. queimaduras. a desvalorização intelectual. trabalho com equipamentos energizados. pressões excessivas da organização da produção.1 (ATLAS. já que a ergonomia por sua definição é um campo muito vasto e de caráter interdisciplinar. manutenção inadequada de equipamentos. presença de animais peçonhentos. posteriormente. entre outros. Desta forma. que foi formulado por trabalhadores e profissionais em Turim. Segundo a Norma Regulamentadora 17. porque o termo mecânico parece estar mais relacionado a acidentes com lesões no corpo que provoquem corte.475) o restringe somente à natureza anatômica. bacilos.391 e CÂMARA. a falta de sinalização. máquinas sem proteção. parasitas. ou que trazem constrangimento (contrainte) ao psiquismo do trabalhador. e abarca em sua abordagem. a utilização deste conceito pela NR-5 e por vários autores (ASMUS&FERREIRA. picadas de animais peçonhentos. os aspectos que os ergonomistas denominam de relação homem-máquina. nos anos 60. insegurança e baixo desempenho. O termo ergonômico é utilizado de forma inadequada. fraturas. O mapa de riscos foi trazido para nossa legislação a partir da experiência dos sindicatos italianos. como: as bactérias. chamado de Modelo Operário Italiano. foi classificado como risco mecânico e. vírus. Este modelo foi o sustentáculo . inclusive os riscos ambientais e de acidentes.

que os classifica como: .da luta dos trabalhadores por melhores condições de saúde e tem 4 conceitos principais: o grupo homogêneo. Por este modelo os riscos são classificados em 4 grupos. perdeu sua importância devido ao desvirtuamento de sua confecção e utilização pelos trabalhadores como forma de gestão do meio ambiente de trabalho. principalmente pelo recorte da gestão de riscos. posições incômodas. 4º Grupo: Os fatores classificados neste grupo estão relacionados à forma como é organizada a produção. temperatura. repetitividade. que o grupo de trabalhadores expostos de forma homogênea às mesmas condições de trabalho e com laços de união entre si valide os conhecimentos operários sobre os fatores de riscos consensualmente. umidade e radiações. vapores e fumaças. tornando-se assim um modelo de construção do conhecimento operário sobre as condições de trabalho. monotonia. como: poeiras.21-24): 1º Grupo: São os fatores que existem na natureza e que são alterados no ambiente de trabalho. Outros autores que estudam os fatores de riscos. ventilação. trabalho em turnos e noturno. O Modelo Operário Italiano estabelece em suas bases que os trabalhadores não podem delegar aos técnicos a definição dos padrões sanitários do ambiente de trabalho. A experiência brasileira com os mapas de riscos não foi positiva. 3º Grupo: Está relacionado ao trabalho físico do corpo do trabalhador. Hoje. névoas. como: luz. a valorização da experiência ou subjetividade operária. como: ritmos excessivos. em que o consumo de calorias e seus possíveis efeitos nocivos se relacionam com a fadiga. 2º Grupo: São constituídos por fatores que surgem pelo consumo das matérias primas no processo de produção. vibração. 1986. a não-delegação e a validação consensual. Todavia. segundo suas características (ODDONE. seus conceitos principais continuam sendo utilizados na confecção dos Programas de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e nos estudos dos ambientes de trabalho. responsabilidade. p. utilizam algumas variações em suas denominações e classificação como o utilizado por Trivellato (1998). ruído. gases.

poeiras. Esta categoria de análise busca compreender o processo de trabalho e os fatores que interatuam dinamicamente entre si e no corpo do trabalhador. 1989. por outro lado. névoas. ferramentas. propondo outra categoria de análise denominada “carga de trabalho”. ruído. criticam estes modelos de identificação de risco por considerar que todos reduzem o risco ao ser caráter ambiental externo e analisam os fatores de forma isolada. c) Humano ou comportamental: decorrentes da ação ou omissão. também. vibração. o processo de desgaste. biológicas e mecânicas têm materialidade externa ao corpo e podem ser avaliadas quantitativamente. vírus. que pode ser verificado com a perda da capacidade potencial e efetiva corporal e psíquica do trabalhador (LAURELL&NORIEGA. as cargas fisiológicas e psíquicas somente têm materialidade interna e são expressas pelo trabalhador. Neste modelo.Químicos: substância química. etc. as cargas físicas. 110). assim. mecânicas. independentemente do trabalhador. Como exemplo.a) Ambientais: . constituindo mudanças que podem ser . as cargas de trabalho de acordo com suas especificidades são classificadas como: físicas. gerando. Baseados na concepção da determinação social do processo saúde-doença desenvolvido por Laurell e Noriega (1989). . equipamentos. As cargas externas. ao interatuarem sobre o corpo do trabalhador. que manifestará queixas ou patologias.Biológicos: microorganismos como fungos. o calor presente no ambiente de trabalho se expressa através dos mecanismos de termo-regulação. biológicas. b) Situacional ou de acidentes: situações inadequadas relacionadas às instalações. fumos metálicos. etc. adquirirão uma materialidade interna pelas transformações que causam nos processos intracorporais mais complexos. Segundo Laurell e Noriega (1989). materiais e operações a serem realizadas. Consideram o conceito de risco limitado e insuficiente para a caracterização do desgaste do trabalhador. pág. químicas. fisiológicas e psíquicas.Físicos: radiação. bactérias. sendo responsáveis pela adaptação do corpo do trabalhador a estas condições. . químicas. como a sudorese e alterações hormonais. em seu estudo clássico sobre as condições de trabalho na principal siderúrgica mexicana. gases.

gerando ao longo do tempo as particularidades de desgaste do trabalhador. só têm existência na relação dos homens com os outros homens e com as coisas. f) Cargas Psíquicas: relacionadas com manifestações somáticas. fragmentação do trabalho que resulta em monotonia e repetitividade. radiações e vibrações. fumaças. posição incomoda. 1989. separação entre a concepção e execução. a dependendo do tempo de exposição dos trabalhadores a estas condições.). fibras. pressão atmosférica. como o trabalho em altura. e) Cargas fisiológicas: relacionadas ao dispêndio de energia e desgaste no interior do corpo humano: esforço físico pesado.112). se expressando na fisiologia com mudanças nos corticosteróides (LAURELL&NORIEGA. Por exemplo. sendo divididas em dois subgrupos: Sobrecarga psíquica: atenção permanente. etc. os pisos escorregadios. etc. Facchini (1993. calor. As cargas de trabalho podem ser identificadas e classificadas como: a) Cargas físicas: ruído. etc. Resumindo este conceito ou categoria de análise. consciência da periculosidade dos trabalhos. . a monotonia e a repetitividade podem causar a hipotrofia do pensamento e da criatividade humana.temporárias ou não. fumos metálicos. bactérias e fungos. supervisão com pressão. p. umidade. Subcarga psíquica: perda de controle do trabalho pela subordinação à máquina. p. fraturas. desqualificação do trabalho. adquirindo materialidade nos processo psíquicos e corporais. líquidos. feridas. vapores. d) Cargas mecânicas: condições do ambiente de trabalho responsáveis pelos acidentes que causam lesões instantâneas no corpo do trabalhador (contusões. segundo Laurell e Noriega. alternância de turnos de trabalho e os ritmos excessivos são exemplos. c) Cargas biológicas: presença de microorganismos: vírus. o trabalho com substâncias perigosas. alto ritmo de produção. As cargas psíquicas. b) Cargas químicas: poeira.39) define estas cargas de trabalho como as demandas ou exigências psicobiológicas do processo de trabalho. as escadas sem proteção. etc.

1993. um trabalhador realizando um trabalho pesado. 180). 1993. pela incapacidade deste modelo conseguir substituir o conceito de risco como ferramenta conceitual para expressar o caráter coletivo do processo saúde-enfermidade. tendo significado e valorização do trabalho. entre os elementos do processo de trabalho. Por exemplo. p. mas valores maiores. Almeida Filho (2004) critica o modelo de determinação social do processo saúdedoença tendo o trabalho como causa central. in BUSCHINELLI. decorrentes do que se denomina de sinergismo.A associação do desgaste com a reprodução determina a constituição de formas históricas biopsíquicas que são características e que determinarão o aparecimento de uma série de enfermidades particulares. irá ter um desgaste derivado de cada um deles. em um local mal ventilado e em uma posição incômoda. proposto por Laurell e Noriega. aponta que não há uma hierarquia entre as diferentes cargas. que são compensadas pelo fato da atividade permitir a tomada de decisões. p. denominada por Laurell (1989) como o perfil patológico de um grupo social. que não corresponde à sua simples somatória. Outra questão que podemos levantar é o conceito de materialidade externa e interna que não traz benefício ao entendimento sobre a exposição do trabalhador às cargas . No entanto. isto é. é possível identificar um perfil de cargas de trabalho que conformam um determinado padrão de desgaste operário (FACCHINI. o modelo teórico da determinação social da doença reduz a complexidade social a uma única dimensão. Por outro lado. in BUSCHINELLI. potencializando seus efeitos. como no exemplo onde o trabalhador mantém alto ritmo de produção e situações de desconforto. podem haver situações de atenuação. em primeiro lugar por questões epistemológicas e. as cargas de trabalho só podem ser entendidas como articuladas no processo de trabalho e que interagem com as demais cargas. acrescenta. ao processo de trabalho. sendo que são a organização e a divisão do trabalho no interior das empresas que ocupam a hierarquia superior em termos de controle e consumo da força de trabalho (FACHINI. e por isso não se tornam amortecedores das cargas psíquicas somatizantes. Em terceiro lugar. Facchini. mas sim. Nesta análise. em segundo lugar. 182) Como as cargas de trabalho interagem de forma bastante complexa para cada ramo produtivo e para cada processo de trabalho.

Toyotismo. entre outros). a questão dos mobiliários inadequados que não dispõem de regulagens ergonômicas que permitam uma postura mais adequada. em especial as fisiológicas. robotizando seus movimentos e sua criatividade.. o trabalhador exposto e sua vida em um mundo social que está sempre reforçando sua condição de ser produtivo. mas de escravização. por que as cargas externas só têm relevância no momento da interatuação com o corpo do trabalhador. e não do alargamento do horizonte do trabalho.. O fato é que. que [. rotatividade de funções.de trabalho. antes de se materializarem em desgaste no corpo. no qual a máquina aparece como a encarnação da ciência e o trabalhador como pouco ou nada (BRAVERMAN. Apesar destas críticas. mas do confinamento do trabalhador dentro de um círculo espesso de deveres servis. por exemplo. problemas que têm repercutido na saúde dos trabalhadores como causa da maioria das doenças crônico-degenerativas. em segundo lugar. em particular nas indústrias de alta tecnologia. as cargas internas.]desta maneira vem a ser não uma fonte de liberdade. concepção próxima da execução. As mudanças na forma de organizar o trabalho. dada às transformações no mundo do trabalho. 169) . que em sua maioria também têm materialidade externa e podem ser analisados pelos técnicos ou pelos trabalhadores. Alguns estudos têm demonstrado que no momento atual. a aproximação entre as funções de pensar e de executar. a partir da revolução industrial no século XIX e das modernas técnicas de administração da produção (Taylorismo. causando até mesmo certa confusão. os trabalhadores perdem o controle sobre o trabalho com o desenvolvimento da maquinaria. antes. não do domínio. nas indústrias de produção em massa. Primeiro. retiram do trabalhador o planejamento do trabalho. há um retorno de atividades de planejamento para o domínio dos trabalhadores ou. p. 1987. Fordismo. mas de desamparo. como o gasto calórico. só são analisadas pelo aspecto do esforço do trabalhador em realizar o trabalho. pelo atrito entre os tecidos musculares e os tendões. a ausência de pausas. ou pela postura incômoda necessária para a realização da atividade e não analisa. a própria organização da produção. o modelo da determinação social trouxe algo de novo que é enxergar além das cargas de trabalho e não somente por elas.

Entre estas práticas está a flexibilização da produção. FGTS. da sua gestão e as relações de emprego que se deterioram à medida que passam a serem entendidas como a possibilidade de se contratar trabalhadores sem os ônus advindos da legislação do trabalho. como: o 13o salário. 2003). é importante considerar que o capitalismo tem ganhado força e ampliado suas formas de apropriação das riquezas produzidas pelo mundo do trabalho. a hipótese deste estudo de que as relações de trabalho e as formas de organização de trabalho encontradas nas indústrias do setor de vestuário de Colatina determinam um conjunto de cargas de trabalho que repercutirão em desgaste. direitos e garantias mínimas. Daí se estabelece que as relações e o processo de trabalho são os fatores mais importantes na determinação social das doenças. . além de todos os fatores de riscos já citados.Atualmente. a qual consolidou. ao longo das últimas quatro décadas. Configura-se. expresso pelas freqüências elevadas de distúrbios à saúde dos trabalhadores. férias. assim. Como parte das cargas psíquicas do dia-a-dia dos trabalhadores está o fantasma do desemprego. principalmente para algumas categorias de trabalhadores. entre outros (ASSUNÇÃO.

O estudo e a pesquisa sobre as relações entre o perfil de saúde e de riscos e as alterações de saúde verificadas. as entrevistas coletivas e o estudo dos locais de trabalho.3 METODOLOGIA Segundo Rigoto (1993. de demanda em face do sistema de saúde. ao nível da: produção. o objeto de estudo da saúde do trabalhador é complexo e multifacetário. Detecção e avaliação das alterações de saúde precoces ou manifestas. a morbidade diagnosticada é. comportamento na vida diária. pois se pretende apreender a totalidade das interações do homem com o ambiente de trabalho que participam do processo saúde-doença. portanto. Segundo esta autora. p. O resultado quantitativo que se quer alcançar nestes estudos é uma estimativa da medida de prevalência de alterações à saúde. p. existem várias formas de se obter a morbidade de uma população.) a morbidade sentida permite principalmente abordar a noção de necessidade e. denominados também na década de 1970 como inquéritos de saúde. Estas informações são colhidas através dos seguintes instrumentos: a entrevista com o trabalhador. a investigação da relação entre a saúde e o trabalho compõese de três elementos: Levantamento e análise do perfil de saúde e dos riscos a que esteja exposto o trabalhador ou o grupo de trabalhadores.159). 81) . hábitos de vida.. o reflexo do funcionamento do sistema de cuidados médicos. Os estudos transversais. por fim. 1993). (GOMES&TANAKA. meio ambiente. a morbidade objetiva pretende ser uma medida de prevalência real dos fenômenos mórbidos em uma população. 1982. a morbidade comportamental reflete as implicações sócio-econômicas dos problemas de saúde bem como as atitudes e reações em face desses problemas. (. antes de tudo.. em função das normas estabelecidas pelo estado dos conhecimentos médicos. que estão ocorrendo no corpo do trabalhador ou do grupo de trabalhadores. são utilizados largamente em todo o mundo e têm reconhecido poder de revelar o estado de saúde e doença da população (CAMPOS. consumo. De acordo com Gomes e Tanaka (1982).

dos agentes de risco a que são expostos. ocasião em que houve grande incremento do número de indústrias.Para estes autores. A detecção precoce dos sinais que possam caracterizar ou indicar a instalação das patologias é importante para a avaliação da eficácia dos controles dos agentes agressivos implantados pelas empresas e se os limites de tolerância adotados são compatíveis com a variabilidade das suscetibilidades dos trabalhadores.1 A INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA. pode-se determinar o perfil de saúde dessa população de trabalhadores. a prevalência de morbidade referida tem sido confirmada como um indicador altamente confiável das condições de saúde populacional e com alta capacidade de revelar desigualdades entre grupos. a mente e o psiquismo dos trabalhadores que podem. Através da identificação das queixas de saúde. Colatina consolidou seu pólo de indústria do vestuário a partir de 1990. possuíam acabamento quase artesanal e eram vendidas de porta-em-porta pelas denominadas “sacoleiras”. que intermediavam a venda. Nos ambientes de trabalho são encontrados inúmeros fatores que entram em contato com o corpo. A indústria do vestuário surgiu no município de Colatina entre as décadas de 60 e 70 do século XX. Segundo o sócio proprietário e fundador de uma das indústrias de confecções pioneiras no município. 3. Inicialmente como fábricas familiares que utilizavam poucos trabalhadores. podendo-se inclusive consultar os prontuários médicos das Unidades Básicas de Saúde. com produção de poucas peças que se destinavam ao mercado local. as queixas de saúde. individualmente ou de forma sinérgica. melhoria das áreas físicas das empresas com a reforma e ampliação das instalações e a construção de novas e . que o grupo de trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES sentiram nos últimos 15 dias anteriores à coleta de dados. No caso deste estudo. desencadear o processo de adoecimento. da associação entre eles e das demandas da atividade exercida pelo conjunto de operários que atuam em um determinado setor produtivo. serão indicadores da morbidade. investimento em tecnologia de ponta com a aquisição de máquinas modernas.

modernas fábricas.Confecções de roupas profissionais 18. em boa parte financiada pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo . da seguinte forma: 18 . Este estudo abarcou apenas as empresas classificadas no CNAE 18.662 empresas no Estado do Espírito Santo ocupando 16. O perfil destas empresas.2 .ibge.Fabricação de acessórios do vestuário e de segurança profissional 18. demonstra uma grande concentração nas empresas com até 4 empregados.12-0.asp. htpp://www. 18. As empresas também desenvolveram técnicas próprias e criaram moda.21-0 .062 empresas do ramo de vestuário ocupando 563. .13-9 . em parte.145 trabalhadores. sendo 1. veja Tabela 1.1 . e 18. No Brasil.BANDES e por instituições como o SEBRAE. em 2003. A indústria do vestuário é identificada pela Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE.br/bda/tabela/protabl.12-0 . as empresas de confecção de artigos do vestuário e acessórios.11-1 .sidra. o que explica.11-1. fato que ocorre no setor devido a terceirização e para que estas empresas não percam os incentivos fiscais. por faixa de pessoal ocupado total. acessado em 02/12/2005). ou seja.Fabricação de acessórios para segurança industrial e pessoal. visando garantir uma maior homogeneidade dos processos de trabalho estudados.1 (18. existiam 75.Confecção de peças interiores do vestuário 18. o avanço da produção em milhares de peças por dia e a conquista do mercado nacional e internacional.22-8 .Confecções de Artigos do Vestuário e Acessórios 18.gov.9).223 trabalhadores (IBGE.Confecção de outras peças do vestuário 18.Fabricação de acessórios do vestuário 18.13. aliado ao incremento na capacitação da mão-de-obra pelas empresas.Confecção de artigos do vestuário e acessórios 18.

CLT.798 6. do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE.249 250 – 499 2.723 54 1.010 39 416 19 76 4 54.110 201 154 Fonte: IBGE/2005. Constando neste cadastro em 31 de dezembro de 2004.638 8. TABELA 2: Nº DE EMPRESAS E EMPREGADOS POR CNAE . POR FAIXAS DE PESSOAL EMPREGADO.076 1.342 trabalhadores contratados pelo regime da Consolidação das Leis Trabalhistas .TABELA 1: NÚMERO DE EMPRESAS DO SETOR DO VESTUÁRIO. Faixas de pessoal empregado Região 0-4 Brasil ES 5 – 9 10 – 19 20 – 29 30 – 49 50 – 99 100 . no CNAE de nosso estudo 184 empresas que informaram a existência de 4. 2004.RAIS.278 81 1. NO BRASIL E NO ESPÍRITO SANTO. Dados mais recentes sobre o universo de empresas deste setor existentes no município de Colatina no ano de 2004 foram obtidos no cadastrado na Relação Anual de Informações Sociais .2004 CNAE 1811-2 1812-0 1813-9 1821-0 TOTAL Fonte: RAIS/MTE Nº EMPRESAS 19 160 4 1 184 Nº TRABALHADORES 265 4037 38 2 4342 . conforme a tabela 2.

fumos metálicos.). 3. radiações. Para os propósitos deste estudo foram utilizadas as recomendações de Rigotto. 5. .Descrição das condições ambientais de trabalho: onde se estuda se no meio ambiente de trabalho existem elementos que possam ser agentes nocivos para os trabalhadores como os aerodispersóides (poeiras.Identificação das empresas do ramo de atividade.Relação com o meio ambiente: como se dá a disposição de todos os resíduos sólidos e líquidos do processo de produção e qual é sua influência no ecossistema do entorno da fábrica. iluminação. etc. a presença de microorganismos que possam ser fonte de contaminação e as situações que podem provocar acidentes.) e o fluxograma da produção. 7. equipamentos. 6. 4Organização do Trabalho onde se verifica como ocorre a divisão das tarefas (concepção e execução). salário e a relação com os sindicatos das categorias. produtividade. etc.3. horasextras. p. Para realizar estudos sobre o processo de trabalho Rigotto (1993.Aspectos históricos sobre como as empresas surgiram e o contexto sócio-econômico e como se organizam as representações de classe dos trabalhadores.Instalações da empresa: onde o espaço físico do local de trabalho é analisado no aspecto de divisão espacial (layout). vibração. os meios de produção (máquinas. bebedouros.162). recomenda que as informações necessárias a serem obtidas devam abarcar os seguintes aspectos: 1. a jornada de trabalho (turnos. tempo para pausas. matérias-primas utilizadas. o mobiliário. rodízios de funções). vestiários. os mecanismos de controle da produção (ritmos. Portanto. gases e vapores). aspectos de estabilidade no emprego. autonomia). considerando-se o fato do objeto de estudo ser o conjunto dos trabalhadores do setor do vestuário e não uma empresa específica.O processo de produção onde se verificará o volume da produção. ventilação. tornou-se necessário conhecer os principais fatores de risco encontrados neste tipo de indústria que poderiam constituir cargas de trabalho para estes trabalhadores. incluída aí uma análise da gestão destes fatores de risco. áreas de lazer.2 ESTUDO DAS CARGAS DE TRABALHO NAS INDÚSTRIAS DO VESTUÁRIO DE COLATINA. 2. refeitórios. conforto e higiene (banheiros. importância econômica na região em que estão instaladas e o número de trabalhadores contratados direta e indiretamente. ferramentas. a presença de energias como o ruído.

que possui maior número de atividades e de situações de risco podendo ser. aplicados nas situações que ocorrem na fabricação de camisas de malha ou de roupas íntimas. que utiliza a categoria carga de trabalho. rotatividade e quando aparecem os primeiros sinais de adoecimento e desgaste nos trabalhadores. Neste levantamento. com este objetivo. os fatores de risco foram agrupados de acordo com a concepção do modelo da determinação social da doença de Laurell e Noriega. Não foram realizadas avaliações quantitativas dos fatores de riscos e nem de sua capacidade de causar danos aos trabalhadores. As visitas de campo. época de consolidação do pólo industrial. entre outros tipos de peças de roupa. Foram realizados por setor. suas características principais. mas um levantamento qualitativo preliminar. Durante este trabalho foram realizadas também entrevistas informais com diretores e pessoas ligadas a este ramo industrial que participaram do seu desenvolvimento no município de Colatina. O estudo das cargas de trabalho não é um levantamento exaustivo para cada função existente no processo produtivo da indústria do vestuário. Foram entrevistados também encarregados de produção sobre: aonde aprenderam a gerenciar a produção. como capacitaram a mão-de-obra. as observações . Este trabalho foi realizado em quatro empresas do município de forma a observar todas as etapas de fabricação de duas empresas que costuram jeans e que dominam todo o processo de fabricação das calças e duas que fazem facção e costura roupas de menor qualidade. cujo objetivo foi identificar a presença de fatores de riscos que podem representar fontes de desgaste dos operários e contribuir para a formação do perfil de adoecimento. com o propósito de se obter informações sobre os seguintes fatos: como surgiram as primeiras indústrias no município. Este recorte do complexo ambiente de trabalho do setor abrange somente a estrutura técnica da produção da calça jeans.Para realizar esta etapa do estudo foi necessário realizar visitas aos locais de trabalho para observar in loco as formas de organização da produção e registrar em documento de campo (Anexo D) quais os principais fatores de risco à saúde dos trabalhadores que estão presentes no processo de trabalho da indústria do vestuário em Colatina. por similaridade. principais mercados consumidores e o desenvolvimento da mão-deobra. ocorreram no período de 15 de janeiro a 15 de fevereiro de 2006.

Isto significa que a coleta de dados dos indivíduos da amostra se dá no prazo mais curto possível em uma única visita. 2004. O levantamento das condições de trabalho e saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina foi realizado através de um estudo com delineamento seccional ou transversal. 2004.3 LEVANTAMENTO DE CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA. 3. Salienta-se que esta amostra de empresas não teve finalidade estatística.1 Sujeitos da Pesquisa e Amostra Os sujeitos da pesquisa foram trabalhadores associados ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário – SINTVEST. já que a lógica da análise é como se todos os dados tivessem sido colhidos em um único instante. 26) 6 . característica do estudo epidemiológico de observação direta de determinada quantidade planejada de indivíduos em uma única oportunidade (MEDRONHO. em uma determinada população e em um dado momento (COSTA&KALE. p. com filmagem e registro fotográfico para análise posterior. A amostra entrevistada foi retirada da listagem fornecida pelas empresas do setor do vestuário de Colatina ao Prevalência é definida como a freqüência de casos existentes de uma determinada doença (morbidade). como se fosse uma fotografia daquele momento estudado. privilegiando os aspectos qualitativos da realidade.3. 3. tendo ainda como vantagem o baixo custo e a rapidez em sua execução.125). p. O delineamento transversal é o método de escolha para estudos com a finalidade de estimar prevalências6. já que o objetivo era trabalhar com segmentos da cadeia produtiva que expressassem os diferentes tipos de atividades exercidas pelos trabalhadores.das atividades dos trabalhadores sendo registradas as fontes de risco.

foram controlados os aspectos que diferenciam os trabalhadores das empresas que dominam todo o processo de produção das roupas daquelas que prestam serviços parcelados. considerando-se os seguintes parâmetros: Nível de confiança da amostra de 95% (z=1. o universo de trabalhadores a serem pesquisados foi reduzido a 1727 trabalhadores com vínculo empregatício e empregados em empresas do vestuário que produzem a mercadoria roupa em sua totalidade. Fixando-se o poder da amostra em 90% (z=1. contra uma proporção aceitável de até 60% (p=0. confirmadas pela contribuição mensal em agosto de 2005. Para determinar o tamanho mínimo da amostra necessário ao estudo. havendo entre eles alguns informais.SINTVEST.60). Para garantir que a amostra fosse a mais homogênea possível. 2002). segundo o SINTVEST. Para a seleção da amostra utilizamos como condição de controle que os trabalhadores estivessem empregados nas empresas classificados no CNAE abrangido pelo nosso estudo conforme a tabela 2. que estão em dia com suas contribuições. totalizando cerca de 95% dos trabalhadores com registro. método conservador. sendo eliminados da amostra os trabalhadores das destas últimas. onde foram cadastradas 184 empresas com confirmação de 4. . adotando-se a referência pº=0. que contribuem diretamente ao sindicato. contribuindo para o SINTVEST no mês de agosto de 2005 e com endereço residencial conhecido. pela dificuldade de sua localização. existiam cerca de 4.SAS e o procedimento proc power (CHERNICK&LIU. Os dados acima indicam um alto índice de sindicalização entre os trabalhadores da indústria do vestuário.64). utilizou-se o software estatístico Statistical Analysis Software . que irá fornecer o tamanho máximo da amostra. como os das lavanderias. Em agosto de 2005. Estes dados foram confirmados pelo Ministério do Trabalho e Emprego em consulta a RAIS. Dessa forma.96).50 ou 50%. em dezembro de 2004. Foram retirados também todos os trabalhadores informais e os trabalhadores sem endereço conhecido.100 trabalhadores contribuintes. o de pequenas fábricas de facção que realizam pequenos serviços para as empresas maiores. Distribuição binominal (proporção).342 empregados formais no município de Colatina.

149-155). cuja fórmula para se obter o tamanho da amostra é: Fixando-se uma taxa de recusa possível de 10%.A hipótese alternativa. sendo neste estudo sorteado o segundo nome que foi o primeiro elemento da amostra.Início casual. p. diferença. 2. 3. . a partir da listagem por ordem alfabética da população total de 1727 pessoas.E a partir deste foi retirado um indivíduo a cada intervalo de 4 nomes da lista em ordem alfabética. sorteou-se um número entre 1 e 4. A amostra foi pelo processo de amostragem sistemática (CASTELLOE&O’BRIEN. 2001. a amostra final foi de 432 pessoas.O intervalo casual foi k= 1727/432= 4. onde: 1. para formar os componentes da amostra.

reprodução da versão em português do instrumento SRQ – 20 (Self-Report Questionnaire). em comunidades. p. 2.E. ombros e pescoço.3. com sensibilidade de 83% e especificidade de 80%. A avaliação da presença de distúrbios muscoloesqueléticos é avaliada pelas respostas às questões 52 a 60. condições inadequadas de trabalho que causam doenças. assim distribuídas: 1. 2. Foi avaliado como um bom indicador de morbidade. apud BORGES. tais como: estados ansiosos. 2 Instrumento de Pesquisa O instrumento de campo utilizado foi um questionário estruturado (Anexo C) contendo 83 perguntas. 62). .Caracterização das demandas das cargas de trabalho (função. duração da jornada. 2001. pausas. A avaliação da suspeita de presença de Distúrbios Mentais Menores – DMM foi realizada pelas perguntas 32 a 51. 2001. ritmos. e a pergunta 60 (A duração de 2 de qualquer dos sintomas acima é superior a 30 dias?). é o critério de suspeita de L. estado civil. de maneira que 8 ou mais respostas positivas caracterizam a suspeita de DMM. 1986 apud BORGES.R. 64). raça. depressivos e somatizações (MARI & WILLIANS. problemas de atendimento médico. idade. escolaridade e renda). e aplicado por entrevistadores treinados. estabelecendo como ponto de corte 7/8. na cidade de São Paulo. não psicóticos. integrante de um instrumento de rastreamento destes distúrbios proposto por Ribeiro (RIBEIRO. em sua grande maioria fechada.Dados sócio-demográficos (local de trabalho.3. naturalidade. fonte de tensões e cansaço). sexo. Este instrumento consta de sinais e sintomas de dor ou desconforto nos membros superiores. tempo de trabalho. distúrbios à saúde mental e distúrbios muscoloesqueléticos). instrumento de rastreamento (screening) que detecta quadros suspeitos de distúrbios psiquiátricos menores.Perfil de condições de saúde (queixas de saúde. Este instrumento foi validado por Mari e Willians em um estudo com a população que procurava serviços de atenção primária à saúde. O questionário é composto de três partes. p. sendo que a resposta positiva simultaneamente às perguntas 56 (Sente dor ao pressionar ou ao movimentar algumas destas partes?).

As mudanças de endereço eram resolvidas . quando tomaram conhecimento do projeto de pesquisa. assinar a autorização para utilização das informações na presente pesquisa. assim. Como forma de controle da qualidade das entrevistas. caso concordassem em ser entrevistado. disponibilidade de trabalhar à noite e fins de semana. a fim de garantir a liberdade de manifestação do entrevistado. seguindo sempre o seguinte protocolo: a) informar aos entrevistados sobre os objetivos e a relevância do estudo. vide Termo de Consentimento (Anexo B). Os entrevistadores foram capacitados previamente através de três encontros. uma amostra aleatória de 5% do que cada entrevistador fez. já que os endereços cadastrados pelo sindicato e pelas empresas são de uma data cerca de um ano anterior ao período da pesquisa. Como em toda pesquisa deste tipo.3 Procedimentos de Campo As entrevistas foram realizadas no período de 19 de novembro a 20 de dezembro de 2005. não ocorrendo discrepâncias relevantes nas respostas. podendo. b) Esclarecer que as informações prestadas seriam confidenciais e os trabalhadores não seriam identificados por pessoas que não participassem da pesquisa. A equipe de entrevistadores foi selecionada através de entrevistas com candidatos que reuniam os seguintes critérios: escolaridade mínima de segundo grau completo. preferencialmente no domicílio do trabalhador. para confirmação de sua realização e aferição da qualidade.3. c) Enfatizar a importância da colaboração do entrevistado e solicitar. sendo necessário o retorno ao local com hora marcada. Mas o mais comum era o entrevistado não estar em sua residência na hora da visita. ocorrendo vários casos em que o trabalhador havia mudado de residência. evitando qualquer constrangimento ou pressões de chefias. o pesquisador-coordenador entrevistou novamente. responder às perguntas sem pressa. fora do local do trabalho. A coordenação comprovou que os trabalhadores foram realmente visitados e entrevistados. conhecimento da comunidade a ser estudada e de disponibilidade para participar da fase de treinamento. foram escolhidas cinco pessoas. boa comunicação.3. receberam uma cópia do questionário e aprenderam a conduzir a entrevista. as dificuldades para sua realização foram inúmeras.

após o cruzamento de variáveis. os entrevistadores foram bem recebidos. informações que pudessem confirmar ou não a hipótese proposta pela pesquisa. Das 432 entrevistas previstas foram realizadas 422. com apenas 10 recusas (2.3%). A análise através dos programas estatísticos permitiu construir o perfil epidemiológico e dar ao pesquisador. A variável queixa referida foi classificada de acordo com os diferentes órgãos e sistemas do organismo humano. já que foi usada uma estratégia de divulgação do trabalho através do envio de uma carta (Anexo A) quinze dias antes do início do trabalho de campo. Inicialmente foi verificada a freqüência simples das variáveis.através de informações colhidas com antigos vizinhos ou através do SINTVEST. destacando-se as funções e os fatores de riscos presentes que podem participar do desgaste da saúde do trabalhador. Quando o trabalhador não era encontrado de forma alguma. As variáveis suspeitas de DMM e suspeita de LER foram tomadas como variáveis dependentes e utilizadas em modelos de regressão logística para verificar a contribuição de diferentes fatores de risco (variáveis independentes) na sua . ou havia abandonado o trabalho há mais de 15 dias. 3.4 ANÁLISE DE DADOS Os dados qualitativos foram ordenados conforme os setores existentes no fluxograma do processo produtivo. para todos os trabalhadores sorteados. Os dados obtidos nas entrevistas com trabalhadores foram digitados em um banco de dados do programa Excell para Windows XP e posteriormente migrados para o SAS. contendo explicações sobre o objetivo da pesquisa e de sua importância para o conhecimento das condições de saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário. De forma geral. que o conseguia nas empresas em que os trabalhadores estavam empregados. o mesmo era substituído pelo trabalhador seguinte da listagem por ordem alfabética.

tendo em vista que estes trabalhadores. . 175). 2003). 1989. A análise das relações entre fatores de risco e morbidade referida foi realizada. Por esta perspectiva é que a análise do processo de trabalho tem importância para a saúde coletiva. já que a forma de organização da produção das mercadorias – a produção da mais-valia – que se materializa no mundo real em determinada opção técnica especifica e nas formas particulares de gerenciamento do uso da mão-de-obra. é que determinará e se expressará em um nexo biopsíquico característico (LAURELL. são uma parcela significativa deste coletivo (CÂMARA. o que levou a opção de realizar análise comparativa do desgaste dos trabalhadores deste setor com os demais. A similaridade de relação de trabalho e exposição aos agentes nocivos (fatores de risco ou cargas de trabalho) determinará no conjunto dos trabalhadores um perfil de saúde típico de um determinado processo de trabalho. No processo de trabalho é onde são encontrados os componentes técnicos e sociais responsáveis pela produção do desgaste do trabalhador e que são sentidos no seu corpo através de desconforto. No processo de análise verificou-se a importância quantitativa e qualitativa do setor de costura no processo de produção da indústria do vestuário. cansaço. dores e tensão.explicação. tendo por base os conceitos de carga de trabalho e desgaste. que também repercutirá no perfil de saúde da população em geral. p. Os testes estatísticos identificaram os principais fatores que diferenciavam os grupos e identificaram os riscos relacionados com o efeito. em muitos casos.

As empresas líderes estão instaladas em prédios modernos e seu layout é mais bem estruturado. como as lavanderias. são substituídos periodicamente. com conseqüente desconforto para o trabalhador. enquanto as demais. espaldares reguláveis. que não permitem regulagem de altura. já que é necessário acompanhar as mudanças das estações e do mercado. de acordo com a estação do ano. algumas em cômodos nas casas de seus proprietários que aproveitaram um quintal ou a laje da casa para instalar algumas máquinas e iniciar um negócio de prestação de serviços. por terem mais capital. que produz o vestuário de uso cotidiano e que tem pouca oscilação da moda (como as calças jeans. cuja produção segue a tendência do mercado.4 O PROCESSO DE PRODUÇÃO E TRABALHO DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA – ES. enquanto que a maioria das empresas de facção ou oficinas de costura está instalada em locais improvisados. sendo também produzidos em lotes menores. na linha de fabricação. podendo ser dividida em dois tipos de segmentos: a) Vestuário padrão. Há em Colatina também grande número de empresas que só se dedicam a uma fase do processo de fabricação das roupas. As empresas líderes. que constituem a maioria das empresas do ramo do vestuário. de menor investimento oferecem cadeiras de madeira. a mão-de-obra é basicamente formada por familiares ou de alguns poucos empregados. A indústria do vestuário de Colatina compreende um elevado número de empresas. Além das máquinas utilizadas na produção das roupas. os mobiliários disponibilizados para uso dos trabalhadores são diferenciados. As fábricas podem ter domínio total de todo o ciclo de produção ou realizar somente parte dele. vendendo serviços para uma outra indústria maior. Essas são denominadas “indústrias de facção”. As empresas maiores freqüentemente oferecem cadeiras e assentos ergonômicos e as. de equipamentos já descartados pelas empresas maiores. ou realizar parte de sua produção com a terceirização. mobilidade lateral. em muitos casos. têm equipamentos modernos e sempre investem em tecnologia. inclusive com a utilização do trabalho informal de trabalhadores que atuam em suas residências. . camisas de malha e social) sendo caracterizada pelo grande volume de produção e consumo e b) Vestuário da moda.

Foi verificado que o tipo de produto fabricado define também o perfil do processo de produção através de sua qualidade. no horário vespertino. apesar de não estimularem o seu uso pelos trabalhadores. O trabalho na indústria do vestuário é organizado conforme a cartilha do Taylorismo e do Fordismo. optando em fornecer aos trabalhadores o EPI. que não foram construídas com um sistema de ventilação eficiente. de um modo geral. Nas empresas mais modernas esta atividade pode ser realizada com o uso de dispositivos semi-automatizados que permitem a economia de movimentos do trabalhador. Quanto aos agentes ambientais. A diferença tecnológica entre as empresas ressalta as diferenças do uso do corpo do trabalhador na observação das atividades mais simples. como a de virar a calça ao avesso.Nas empresas visitadas foi verificado que os trabalhadores só têm uma pausa de 15 minutos durante a jornada. tendo limitações para abandonar o posto de trabalho a qualquer tempo. iluminação. cujo mercado consumidor é menos exigente e necessita que o produto seja mais barato. os ambientes de trabalho não são confortáveis quanto aos aspectos de ventilação. para beber água ou ir ao banheiro. sendo o trabalhador selecionado de acordo com sua habilidade de . o que exige mais esforço de movimentos do trabalhador para sua execução. sofrendo sobrecargas musculoesqueléticas mesmo nas cadeiras que dispõem de mecanismos de regulagem de altura do assento e do espaldar. protetores auriculares de inserção e máscaras para poeiras. instalações de banheiros adequados. Como a maior parte das fábricas está instalada em prédios improvisados. para tomar um café com pão. como por exemplo. por ser destinada aos grupos sociais mais pobres. O calor é um problema generalizado até nas empresas mais modernas. bebedouros limpos e em número suficiente. Verificaram-se nas visitas realizadas que as empresas que produzem os produtos de menor qualidade são em maior número e absorvem maior contingente de trabalhadores. as empresas não fazem o controle dos agentes (físicos e químicos). enquanto que nas oficinas ou indústrias de facção a mesma atividade é realizada de forma totalmente manual. pois quanto menor a qualidade das roupas produzidas maior é a quantidade produzida.

manutenção mecânica e setor administrativo. lavanderia. . corte. bordado. compras. almoxarifado (tecidos e aviamentos). embalagem e expedição. conforme fluxograma abaixo: ADMINISTRAÇÃO COMPRAS ENFESTO E CORTE ALMOXARIFADO COSTURA CRIAÇÃO E MODELAGEM ARTESANATO LAVANDERIA PASSADORIA ACABAMENTO E ETIQUETAGEM EMBALAGEM E EXPEDIÇÃO FIGURA 1: FLUXOGRAMA BÁSICO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. Para estimular o trabalhador a manter um alto ritmo de produção. costura. revisão/acabamento. O trabalho é fragmentado e organizado em uma linha de produção. enfesto. modelagem. etiquetagem. a empresa oferece um adicional de produtividade que pode representar um acréscimo de até 36% no salário do trabalhador. em que o fluxograma básico de uma indústria que domina todo o processo da fabricação do vestuário pode ser constituído dos seguintes setores: criação.manter a produção em alto ritmo e com a qualidade requerida. seguindo a lógica da esteira. passadoria. estamparia.

mecânicas. as funções dos trabalhadores. biológicas. Na identificação das cargas de trabalho utilizamos a mesma classificação do modelo da determinação social da doença de Laurell e Noriega. . fisiológicas e psíquicas. desenvolve um mesmo tipo de serviço cuja meta de produção. são utilizadas como banco de horas para compensar os dias úteis entre feriados e final de semana. As atividades são realizadas quase que totalmente no horário diurno. por considerá-lo mais amplo que os demais modelos. às vezes. é definida pela gerência de produção e deve ser atingida por hora ou dia de trabalho. conforme explicitado no marco teórico. substituiremos o termo mecânico por acidentes. 4.3 horas. O horário de almoço é de uma hora e realizado no período de 12 às 13 h. portanto com 2. são realizadas horas extras noturnas e nos sábados. Entretanto. Em épocas de grandes encomendas. entre as 7 h e às 17h10min. por ser um termo mais adequado. A seguir. geralmente. No estudo. Este modelo classifica as cargas de trabalho como sendo: físicas. são apontadas as características de cada setor. de segunda a sexta-feira. quando os trabalhadores são dispensados do trabalho. químicas. e que.1 AS CARGAS DE TRABALHO NOS SETORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. havendo uma sobre jornada para compensar as 4 horas de sábado e os 15 minutos em média de paralisação para o lanche que é distribuído no período da tarde.A linha de produção das roupas é feita de forma que uma equipe de trabalho em postos fixos. foi apontado pelos trabalhadores que a média de trabalho por semana é de 46. as atividades realizadas e as cargas de trabalho mais importantes encontradas nas quatro empresas visitadas. que podem estar associadas ao desgaste da saúde dos trabalhadores. às 15 h.3 horas extras em média. denominada por “célula”.

ir ao banheiro ou tomar decisões. As cargas de trabalho encontradas para estes profissionais podem ser observadas no quadro 1: QUADRO 1: FUNÇÃO.Fixação da vista na tela de computador.4. o trabalhador tem liberdade para parar o serviço. A ferramenta de trabalho é o computador. computador e scanner. ficar em pé.Postura sentada a maior parte do dia. . FUNÇÃO Estilista ATIVIDADE Criar modelos novos e desenhálos conforme tendência da moda e da numeração padronizada.1. CARGAS DE TRABALHO FISIOLÓGICAS: . é quem cria os modelos que irão ser fabricados. PSÍQUICAS: . O trabalho do estilista exige mais demanda mental do que a fisiológica. PSÍQUICAS: .Pressão para criar sempre produtos novos e de aceitação no mercado. pois. é o setor da concepção. ACIDENTES: . Posto de trabalho: Máquina de costura.Qualidade do serviço. FISIOLÓGICAS: .Postura sentada o dia todo. . Posto de trabalho: Computador e cadeira. descansar.Má iluminação do local.Postura de trabalho. em pé encurvada sobre a mesa de modelagem ou sentada no computador. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE CRIAÇÃO E MODELAGEM NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINAES. Modelista Responsável em costurar a peça piloto da produção em série. portanto. Moldador ou Riscador Faz a riscagem das peças em papel e posteriormente faz a digitalização do molde padronizado pela numeração.Perfuração de dedos por agulhas. fixação da vista. FISIOLÓGICAS: .1 Setor de Criação e de Modelagem O setor de criação de moda é onde são elaborados os modelos das roupas que entrarão no processo de produção.Fixação da vista. . . O estilista. onde o profissional principal é o estilista que desenha os modelos das roupas de acordo com a tendência do mercado consumidor. mesmo que o serviço possa ser feito por longo tempo em posição fixa. Posto de trabalho: Mesa de riscagem. precisa estar informado das tendências da moda no mercado e ao mesmo tempo ser capaz de propor novas idéias.

modelagem e encaixe onde se tem utilizado sistemas de desenho assistido por computador ou Computer Aided Design . digitalizados pelo moldador/riscador a fim de se produzir os moldes que irão servir de guia para o corte do tecido.2 Setor de Almoxarifado de Tecidos e Aviamentos É o setor responsável em administrar os estoques das matérias-primas. que será utilizado pela modelista para criar as peças piloto. Neste setor. O setor de modelagem. geralmente.1. é responsável em produzir as peças-piloto para o futuro corte em série. em galpões fechados que. são mal ventilados e com instalações improvisadas. que trabalha bem próximo ao setor de criação. Os moldes-piloto são riscados conforme o número padronizado da peça e. O trabalho de controle de entrada e saída de matéria prima do almoxarifado além de representar uma responsabilidade alta para o empregado. a balança para pesagem de matéria-prima e o carrinho manual para seu transporte. sempre em quantidade suficiente para manter a produção. 2004). 4. o que insere a possibilidade de acidentes de quedas de altura. as máquinas utilizadas são: o computador. Neste estágio. as principais funções e as cargas a que estão submetidos os trabalhadores são indicados no quadro 2: . também pode causar cargas fisiológicas devido ao esforço físico para a realização do carregamento manual das mercadorias até as prateleiras. mas ainda têm dirigibilidade sobre seu tempo. As instalações são geralmente próximas aos setores de produção. Neste setor. os trabalhadores têm um pouco mais de demandas fisiológicas. a seguir. pois o produto não é feito em série e o ritmo de trabalho é mais tranqüilo. abastecendo os locais necessários e recebendo as novas matérias primas encomendadas.Neste setor é onde tem havido nos últimos anos a inovação tecnológica: design.CAD (LEITE. sendo que as situadas em altura exigem a utilização de escadas.

.Responsabilidade pelo controle da qualidade do tecido que será utilizado e do que é comprado.Responsabilidade pelo controle do estoque. PSÍQUICAS: . FISIOLÓGICAS: . . Revisor de Faz a revisão dos tecidos antes FÍSICAS: tecido de ir para o setor de enfesto. Auxiliar de Auxilia o almoxarife nas atividades FÍSICAS: almoxarife de estocagem de produtos. .Postura inadequada no acesso às prateleiras de estoque.Calor. . .Responsabilidade. FISIOLÓGICAS: .Trabalho com diferença de nível. . ACIDENTES: .Calor. Conferente Controla o estoque das PSÍQUICAS: mercadorias prontas e a saída das .Levantamento manual de peso.Posturas incômodas no acesso às prateleiras de estoque.QUADRO 2: FUNÇÃO. ATIVIDADE E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE ALMOXARIFADO DE TECIDOS E AVIAMENTOS NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. FUNÇÃO Almoxarife ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO É o encarregado das entradas e FÍSICAS: saídas das matérias-primas.Levantamento de peso. mesmas.Postura inadequada no acesso às prateleiras de estoque. PSÍQUICAS: . FISIOLÓGICAS: .Calor.

Calor. FUNÇÃO ATIVIDADE Enfestador Espalhar e dobrar o pano sobre a mesa de corte. . FÍSICAS: . Auxiliar de Auxilia o cortador nas atividades de corte corte.3 Setor de Enfesto e Corte É responsável pelo corte dos tecidos. Eventualmente pode também fazer o corte do tecido.1. ACIDENTES: . Cortador Faz o corte do tecido após o enfesto e colocação do molde com o uso de equipamento elétrico. QUÍMICAS: .Poeira de algodão. o enfestador. propriamente dito. Além de distribuir o tecido.Movimento repetitivo. FISIOLÓGICOS: . de forma manual ou através de equipamento elétrico. FISIOLÓGICAS: . FÍSICAS: . Inicialmente os tecidos são distribuídos sobre uma grande mesa. atividade que é denominada de enfesto. QUÍMICAS: -Poeira de algodão. se constituindo como a parte inicial do processo de fabricação das mercadorias.Corte de dedos e mãos.Postura desconfortável para realização do serviço.4.Levantamento de peso. ATIVIDADE E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE ENFESTO E CORTE NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. fixando os moldes através de grampeadores ou fitas adesivas. .Postura desconfortável para realização do serviço. QUADRO 3: FUNÇÃO. conforme os moldes e a numeração padronizada para a produção em série das roupas. . CARGAS DE TRABALHO FÍSICAS .Poeira de algodão. Fixa os moldes sobre o tecido com o uso de grampeadores ou fitas adesivas.Calor. QUÍMICAS: .Calor.Ruído e vibração. faz a fixação dos moldes sobre a camada superior do tecido. . FISIOLÓGICO: . dobrados em camadas.Postura desconfortável. de forma a aproveitar o material ao máximo.

o Cortador fará o serviço de corte do tecido com a utilização de uma máquina elétrica de corte. tem que ser atingida coletivamente. devendo. que pode causar lesões graves. estabelecida pela gerência de produção. em sua maioria absoluta. cuja meta de produção de peças acabadas. sendo o ponto nevrálgico da produção. Em relação a acidentes existe o risco de cortes de mãos e dedos pela lâmina da máquina de corte dos tecidos. para isso. 4. fragmentadas em várias etapas por trabalhadores organizados em grupos denominados por “células”. Uma das linhas costura a frente da calça e a outra a parte traseira. nas quais as células são dispostas em série. Os serviços deste setor são constituídos por centenas de atividades. os trabalhadores se expõem aos agentes ambientais relativos ao calor devido à má ventilação e à poeira de algodão produzida pelo corte dos tecidos. representar 50% da força de trabalho da empresa e.1. A meta de produção é estabelecida por um cálculo que é realizado pelos encarregados de produção. e ao ruído e vibração da máquina de corte de tecidos. posteriormente. sendo medido através da cronometragem da tarefa por .4 Setor de costura O setor de costura é o principal setor da indústria do vestuário. como em uma esteira invisível. assumir diversas posições incômodas para alcançar as partes a serem cortadas. Neste local se concentra o maior número de trabalhadores. outro grupo de trabalhadores será responsável em fazer a união das duas partes. em muitos casos. podendo em algumas empresas estar no mesmo espaço que o setor de acabamento. Além das demandas fisiológicas para a realização da tarefa.Posteriormente. tesouras e com etiquetagem das peças. A função com o maior número de trabalhadores é a de Costureira (o) que pode. é constituída de mulheres. A organização da produção é feita em duas linhas.

A utilização de ventiladores.como passar a dobra do bolso traseiro. os encarregados utilizam um quadro de aviso. máquina de costura overloque. entre outras. Outro agente causador de desconforto é o ruído das máquinas. fixado na frente de cada célula. revisar a qualidade das peças e contar o número de peças produzidas .são realizados simultaneamente. Segundo os encarregados eles aprenderam esta técnica com a experiência ou em cursos do SEBRAE.unidade produzida. podem se ausentar de seus postos para suprir suas necessidades fisiológicas. Os encarregados de produção estão sempre circulando entre o pouco espaço existente. podendo inclusive agravar outro problema ambiental que é a presença da poeira fazendo sua dispersão no ambiente. máquina para pregar presilha. abastecendo com o produto que vem do setor de corte ou de outras células anteriores ao processo. São vários os tipos de máquinas utilizadas neste setor: máquina de costura reta. podendo atingir postos de trabalho dos setores próximos. o grande problema encontrado no setor de costura. verificando os problemas dos atrasos na produção de cada célula. sem economia das forças humanas. de quase todas as plantas industriais visitadas. máquina de costura galoneira. quando um trabalhador não dá conta do serviço todos os demais perdem. Neste setor. Os serviços auxiliares . desvirar as calças. assim. já que isso não faz a renovação do ar. é a ventilação. No aspecto do conforto ambiental. . Para realizar o controle da produção. que não se restringe ao posto de trabalho do setor. solução adotada pelas empresas. há grande número de ajudantes e abastecedores que irão servir a cada célula. ao final da qual é assinalado qual foi à produção da última hora e estabelecida a meta da próxima hora. servindo também água aos trabalhadores que. máquina de casear. Os ganhos de produção só ocorrem quando a célula atinge a meta. em que fica claro o objetivo de se produzir em ritmo alto a fim de aumentar o lucro do capital. inclusive de ir ao banheiro. onde é escrito o número de peças a serem produzidas no período de uma hora. em espaços insuficientes e mal organizados. podendo o calor tornar-se insuportável em algumas épocas do ano. Este artifício mantém uma pressão constante sobre os trabalhadores da célula em manter a produção alta. dificilmente.

Calor. . . ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO DO SETOR DE COSTURA NA INDÚSTRIA DO VESTUARIO DE COLATINA-ES. matéria prima e revisar o .Ruído. às vezes .Movimentos repetitivos e com precisão.Fixação de vista no campo de trabalho por longo período. . .Esforço físico pesado. .Controle rígido da produção.Controle rígido da produção.Poeira de tecido. Pode. revisor e serviço feito.Falta de sentido do trabalho. abastecedor. substituir a costureira que vai QUÍMICAS: ao banheiro ou tomar água.QUADRO 4: FUNÇÃO. reta. formar as roupas: .Remuneração baixa. FUNÇÃO Costureira (o) ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO Efetuar o serviço de costurar FÍSICAS: os tecidos e adereços para . .Exigência de posturas inadequadas. .Posição fixa sentada por longo tempo. PSÍQUICAS: . .Remuneração baixa.Iluminação inadequada. PSÍQUICAS: . . . FISIOLÓGICAS: . . overloque. .Ruído e vibração.Jornada de trabalho longa. .Calor. . galoneira.Poeira de tecido.Tensão pela necessidade de atingir as metas. FISIOLÓGICAS: .Falta de sentido do trabalho. . QUÍMICAS: Máquinas utilizadas: costura . .Perfurações com agulhas.Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico. Auxiliar de Auxiliar no abastecimento de FÍSICAS: costura.Posição fixa em pé por longo tempo. ACIDENTES: caseadeira e prespontadeira.Movimentos repetitivos. .Trabalho que exige força no manuseio (trespontadeira).

Trabalho com material aquecido (Queimadura).Continuação QUADRO 4: Passador Passa a borda do bolso de trás FÍSICAS: da calça jeans. fixação .Controle da produção.Poeira de tecido. devendo o trabalhador se virar para conseguir a posição que lhe seja menos penosa.Movimentos repetitivos. O nível de produção é alto e.Posição em pé por longo tempo. este tipo de movimento constante pode provocar desconforto e dores na coluna. atenção no movimento. . PSÍQUICAS: . Para adaptar as cadeiras de madeira ao seu corpo e melhorar o conforto. doméstico ou industrial. enquanto outras estão altas. . . quando a tarefa exige rotação de quadril. que só podem ser amenizadas com cadeiras que tenham o assento rotatório. ACIDENTES: . . seja de altura ou de encosto. deve ser realizado com a repetição de movimentos até a exaustão. algumas máquinas estão baixas demais. Segundo os auditores da Sub-Delegacia Regional do Trabalho – DRT existe um problema grave na indústria do vestuário relacionada com o espaço físico destas empresas que geralmente estão instaladas em local improvisado. exigindo. além disso.Ruído. FISIOLÓGICAS: . como as cadeiras. colocados no assento e no encosto.Esforço físico.Remuneração baixa. como o de transferir o material trabalhado de um lado para o outro.Desvalorização ou de sentido do trabalho. os trabalhadores utilizam estofados improvisados. não têm forma ou dispõem de controles que garantam um conforto ergonômico. Com as exceções já citadas os mobiliários.Calor. por ocupar o maior número de trabalhadores e de máquinas o mais prejudicado. . . Instrumento: Ferro de passar QUÍMICAS: roupas. para ser atingido. . sendo o setor de costura. No entanto.

e paulatinamente vem sendo adotada por todas as empresas. A posição de trabalho da costureira (o) é permanentemente sentada. Trabalham permanentemente na posição ortostática (em pé). A forma de produção em células foi introduzida na indústria do vestuário de Colatina em 1990. O setor de costura é caracterizado pela fragmentação das atividades. mas exige do trabalhador vários tipos de movimentos. com influência bastante marcante do modelo japonês (o just-in-time. Entre as formas de organização da produção.4. já que os postos de trabalho geralmente não dispõem de bancos.1. 4. agora sendo organizado em “grupos de . sendo marcante seu emprego no setor de costura. o trabalhador evita sair da linha de produção até para beber água ou ir ao banheiro. como: esticar os braços. movimento lateral da perna para acionar o sistema que levanta as agulhas. são: o passador que passa as dobras do bolso de trás das calças. com intensidade e densidade alta de trabalho. Outros profissionais que trabalham no setor. os ajudantes e abastecedores que ficam na linha de produção transferindo as peças acabadas de uma célula para outra. Para produzir além da meta prevista e poder ganhar o adicional de produção para sua equipe. em substituição ao modelo anterior.1 Setor de Costura e o Trabalho em Célula de Produção. entre vários outros movimentos sutis que compõem toda a complexa operação que é executada. torção do tronco para transferir peças de um lado para o outro.. assim como o trabalhador que é responsável em desvirar as calças já terminadas para ser transferida para o setor de acabamento. em sua modalidade de “trabalho em grupo”. os revisores que inspecionam as peças prontas. onde a produção era controlada individualmente. segundo Silva (2003) tem ocorrido uma grande disseminação dos denominados “grupos de trabalho” ou “células de produção”. acionar o pedal do motor da máquina.da visão e precisão a fim de garantir a qualidade. o kaizen e o 5S) ou o modelo lean-production.

seguindo a disposição de 2 a 4 máquinas especializadas.trabalho” ou “células de produção”. O trabalhador que não dá conta de produzir a meta planejada é denunciado pelo acúmulo de matéria prima ao lado de seu posto de trabalho.. especializadas em determinadas operações da linha de produção de roupas. se pretendia com ele a polivalência e o aumento da . ou ilhas. que é controlada. a realizar cada operação como se fossem em um processo continuo ou de esteira. pelo encarregado. a concepção deste modelo de produção foi pensada como uma alternativa ao trabalho fragmentado e especializado. sem que esta exista de fato. numa forma de autocontrole de produção da célula. As células são organizadas de forma a obedecer ao fluxograma da produção. previamente cortada. Frente (Célula 1) Ilhas Traseiro (Célula 2) Junção (Célula 3) Figura 2: FLUXOGRAMA DA CELULA DE PRODUÇÃO Cada trabalhador que faz parte de uma célula recebe certa quantidade de matéria prima. de hora-em-hora. especialmente no setor de costura. a fim de informar se o serviço está atrasado ou se está produzindo de acordo com a programação. Curiosamente. o quadro funciona como uma forma de catalisador ou um aviso de que é preciso aumentar o esforço para atingir a meta ou a cota diária. e tem que dar conta de manter a produção. pois. A produção de cada hora é anotada em um quadro que fica visível para todos. que substituiria o modelo clássico taylorista-fordista. e está constantemente sendo avaliado pelos membros da célula.

como na indústria do vestuário de Colatina.competência do trabalhador. mas mesmo assim a célula consegue a cota. o que parece ocorrer nas empresas pequenas e médias de alta produção de produtos de baixo valor. ser mais fácil mudar de grupo de trabalho para operar a máquina que se está habituado. No entanto. com pouca possibilidade de mudança de tarefa. Como poderemos ver. com os trabalhadores se penalizando quando as metas quase impossíveis não são alcançadas. esta forma da organização da produção é uma das principais causas do processo saúde-doença destes trabalhadores. segundo Silva (2003). cada membro reforça no outro a necessidade de manter a produção alta. estas relações ficam sempre na balança inexorável da capacidade do trabalhador em manter a produção alta e do prêmio de produção. aumentar o ritmo individual para auxiliar quem está na dificuldade. ou trocar de célula. com a concepção do trabalho mais próxima da execução. quando o grupo nota um problema não caracterizado como corpo mole ou ineficiência. o salário produção perdido pelo trabalhador faltoso não é distribuído entre aqueles que trabalharam durante todo o período. é um hibridismo. A mudança de célula só é possível se houver domínio do trabalhador sobre as operações da outra máquina. o trabalho na célula aumenta a sociabilidade destes trabalhadores envolvidos com um mesmo objetivo. uma especialização do trabalhador. podendo. caracterizando. por um lado. por outro. Segundo o SINTVEST quando alguém falta ao trabalho. com finalidade nítida de aumentar o controle social da mão-de-obra. portanto. As células são determinadas pelo tipo de serviço que é executado pelas máquinas ali disponíveis. Assim. . sem supervisão. Neste modelo é dado ao grupo a autonomia consensual de manter ou retirar qualquer membro da célula que seja menos eficiente. 2003). controle da produção e do como produzir (modelo sociotécnico) (SILVA. a própria costureira pede para sair. com a permanência do modelo tayloristafordista e o uso da ferramenta do trabalho em grupo. Se. daí. Em muitos casos.

na posição sentada. cases. este setor é uma continuidade do setor de costura e visa corrigir e acrescentar itens ainda não colocados. concentração. O trabalho é realizado permanentemente na posição sentada. com ritmo de trabalho acelerado. prega ilhoses e botões metálicos. mas que exige perícia. o costureiro. que verifica se há alguma peça defeituosa. presilhas. que reforça algumas peças defeituosas. desvalorização do serviço. Neste setor há o revisor de arremate. em alguns casos. No entanto. encontramos também neste ambientes mal ventilados em que o calor e o ruído dos equipamentos (em particular o das máquinas de pregar botões) é uma constante fonte de desconforto e de tensão entre os trabalhadores. com a altura da máquina muito baixa em relação ao piso. em cadeiras sem controle de altura e encosto que se molde ao corpo do trabalhador. visualização constante do campo de trabalho. posição fixa de trabalho.5 Setor de acabamento O setor de acabamento pode estar separado do setor de costura ou não. ilhoses e etiquetas. Citamos também o trabalho realizado pelos ajudantes de revisão. pois acompanha a lógica de produção da indústria. prega botões ou etiquetas. . que fazem a retirada de linhas das calças com o uso de uma tesourinha de mão e que.4. conforme o quadro 6.1. O processo de trabalho ocorre conforme o setor de costura. dependendo da estrutura física da fábrica. e o operador de máquinas especiais que faz o caseamento. realizam trabalho repetitivo durante toda a jornada de trabalho. No setor de acabamento segue a mesma lógica do setor de costura. Como nos demais setores. com a fragmentação de atividades e pouca ou nenhuma exigência de capacitação. com pouca ou nenhuma possibilidade de decisão sobre o que se está fazendo. o que obriga assumir uma posição encurvada para visualização do campo de trabalho. como algum adereço ou a fixação de botões. que requer precisão.

. . FISIOLÓGICAS: .Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico. . de Faz o controle de qualidade do FÍSICAS: produto. . FISIOLÓGICAS: .Falta de sentido do trabalho.Movimentos repetitivos.Perfurar dedos com agulhas.Remuneração baixa. . fazem ACIDENTES: etiquetagem. FUNÇÃO Operador máquina especial. PSÍQUICAS: . de Retira as linhas que sobram nos FÍSICAS: tecidos das roupas. .Controle rígido da produção.Calor. de problemas a serem FISIOLÓGICAS: corrigidos. .Movimentos repetitivos. . PSÍQUICAS: .Exigência de postura.Jornada de trabalho longa. realizando a inspeção .Falta de sentido do trabalho. botões metálicos. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE ACABAMENTO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. PSÍQUICAS: . . . .Ruído.Levantamento de peso.Falta de sentido do trabalho.Posição de trabalho fixa sentada por longo período. .Posição de trabalho fixa em pé ou sentado por longo período.Remuneração baixa. caseamento e travete.Jornada de trabalho longa.Calor.Jornada de trabalho longa. .Calor. . . prega . .QUADRO 5: FUNÇÕES.Trabalho por produção.Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico.Posição fixa sentada por longo tempo. Revisor arremate Auxiliar arremate ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO de Operam máquinas automáticas FÍSICAS: ou semi-automáticas de . .Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico.Remuneração baixa. . .

Quando necessário. já que é um setor que necessita de grande investimento em equipamentos e controle ambiental de seus efluentes.Queimaduras químicas. A lavanderia é responsável pelo serviço de lavagem e de tintura. O trabalho da lavanderia é realizado pelo lavador ou auxiliar de lavanderia.Posição fixa em pé por longo tempo. enxágüe. centrifugação e fazer o carregamento das máquinas de lavar e das centrífugas.Calor QUÍMICAS: . que existem em grande número no município de Colatina. O produto químico mais utilizado é a barrilha .Levantamento de peso. CARGAS DE TRABALHO FÍSICAS: . ou para introduzir efeitos de fabricação como embranquecimento. O setor da lavanderia utiliza o vapor produzido por caldeiras. PSÍQUICAS: . as empresas que não dispõem deste setor contratam este serviço de empresas especializadas.Jornada de trabalho longa. FISIOLÓGICAS: .Ruído.1. ATIVIDADES E CARGA DE TRABALHO NO SETOR DE LAVANDERIA NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.Remuneração baixa.Contato com produtos químicos. . roupas das máquinas de lavar e das centrifugas. .6 Setor de Lavanderia O setor de lavanderia não existe em todas as empresas que fabricam as roupas de jeans. . .Ritmo de produção. FUNÇÃO ATIVIDADE Lavador e seu Colocar e retirar as peças de auxiliar. QUADRO 6: FUNÇÃO. o que torna os locais bastante quentes. que devem fazer o serviço de dosar os produtos químicos utilizados no branqueamento do tecido. que irão dar ao produto uma diferenciação no mercado.Pisos escorregadios. geralmente à lenha. sendo o calor e o ruído os agentes físicos que representam mais risco à saúde. . manchas ou desgastes. ACIDENTES: .4. Fazer as dosagens de produtos químicos e fazer o controle dos desgastes do tecido das calças de acordo com o modelo padrão.

também. muitas vezes é construído próximo ao setor de caldeiras.7 Setor de Passadoria O setor é responsável em passar as calças antes de ir para o setor de embalagem. serviço pesado em jornadas longas e de grande produção. . No setor da lavanderia. conhecida como soda. Esta atividade é realizada pelo passador. que tem pH básico e pode causar queimaduras graves em contato com os olhos. com movimentos repetitivos. cargas psíquicas (jornada de trabalho longa. que também se expõem às partes metálicas do equipamento. . ritmo de produção. também trabalha em pé e faz o serviço de transporte manual das roupas. o sinergismo entre as cargas de trabalho é bastante evidente havendo exposição simultânea a cargas fisiológicas (trabalho físico de moderado para forte. trabalho em posição ortostática). Este setor. devido à precariedade das instalações. O auxiliar de passador abastece o setor com as peças a serem passadas. falta de inspeção e manutenção periódica. ruído e umidade). são apresentados os principais componentes das tarefas da passadoria com suas cargas de trabalho. pouca valorização do serviço).1. podendo sofrer queimadura. falta de treinamento de operadores das caldeiras. 4. abaixo.(carbonato de sódio). cargas químicas (manipulação de produtos químicos). dobra e leva as calças passadas para o setor de embalagem. que pode se constituir em um risco de acidente de explosão. Quanto à questão ambiental. o calor do vapor que sai do equipamento é soprado sobre o peito do trabalhador. A tarefa é executada pelo acionamento simultâneo de um pedal que abre a válvula do vapor d’água e pelo braço do trabalhador que abaixa a placa superior do equipamento sobre a área a ser passada. No quadro 7. cargas físicas (temperatura elevada. que trabalha na posição ortostática (em pé). sendo realizada por equipamentos especializados que utilizam geralmente o vapor d’água da caldeira.

PSÍQUICAS: .Controle rígido da produção. . .Contato com partes quentes do equipamento de passar. . as cargas físicas. e ao fato de haver pouca possibilidade de variação do serviço.Posição fixa em pé por longo tempo. ACIDENTES: . o que cria o preconceito sobre a função de passar roupas junto aos demais trabalhadores.Falta de sentido do trabalho.Falta de sentido do trabalho.Remuneração baixa. PSÍQUICAS: . embalagem. representadas pela pouca valorização da função dentro do processo de fabricação.Calor. de Abastece o setor de passadoria de FISIOLÓGICAS: peças e dobra as peças passadas . movimentos repetitivos. .Movimentos repetitivos. FUNÇÃO Passador Auxiliar passador ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO Realiza a passagem da roupa e a FÍSICAS: dobra as peças passadas. . . FISIOLÓGICAS: . . a atividade é realizada por homens.Movimentos repetitivos.Posição fixa em pé por e encaminha ao setor de longo tempo. .Jornada de trabalho longa. No setor de passadoria. trabalho na posição fixa em pé.Exigência de postura. . as cargas de trabalho mais importante são: as fisiológicas determinadas pelo ritmo de trabalho. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE PASSADORIA NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.QUADRO 7: FUNÇÕES. Devido ao esforço físico necessário.Jornada de trabalho longa. relacionadas ao calor.Esforço físico pesado.Remuneração baixa. . . as cargas psíquicas.

o trabalho contínuo na posição ortostática com o encurvamento do tronco e pescoço. os artesãos trabalham peça por peça. devendo o trabalhador estar sempre se adaptando a novas exigências. através do lixamento manual ou de equipamentos elétricos utilizados no desgaste do tecido da calça. pela diferenciação que ela dá. . O trabalho de lixamento é um serviço que exige a repetição de movimentos. como as queimaduras de mãos e braços pelo contato com as partes quentes do equipamento de passar roupas.Outro aspecto a ser analisado são os acidentes. sendo dotado de um sistema de exaustão que. produz muito ruído e a atividade tem que ser realizada em pé com uma equipe de trabalhadores que fragmenta o serviço em pequenas etapas para acelerar a produção. é utilizada a técnica de deposição de permanganato de potássio ou de tintas. Para ser dado o efeito do envelhecimento ou de um detalhe de tintura. há grande investimento no desenvolvimento de novas técnicas e na inserção de equipamentos modernos. Como este é um setor que agrega valor à mercadoria produzida. com a pulverização e permanganato de potássio. havendo ainda o serviço de envelhecimento (used). ou de envelhecimento. denominado de used (usado ou envelhecido).8 Setor de artesanato Outro setor que não existe em todas as empresas que produzem calças jeans é o de artesanato. com uso de pistolas de ar comprimido. O local de trabalho do used é totalmente fechado. Neste setor.1. será lavada com produtos químicos para fazer o desgaste do tecido.. 4. na maioria das vezes de pouca gravidade e por isso não registrados. sobre o tecido da calça que posteriormente. e a exposição à poeira do tecido e a tintas. além de não conseguir que o ar fique totalmente isento do material químico em suspensão no ar.

. podendo ser potencializada com cargas físicas devido ao calor dos locais pouco ventilados. FISIOLÓGICAS: . . à poeira do tecido e à iluminação .Posição fixa em pé por longo tempo.Remuneração baixa. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO DO SETOR DE ARTESANATO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. . . .Jornada de trabalho longa. alta produção incentivada por prêmios. Realizam a deposição de produtos FÍSICAS: químicos sobre o tecido com uso . ao ruído. FISIOLÓGICAS: .Falta de sentido do trabalho. de pistolas de ar comprimido.Falta de sentido do trabalho. Função Artesão Atividade Lixamento de peças de roupa com determinadas características definidas em um modelo préestabelecido. . QUÍMICAS: Névoas de Permanganato de potássio.Controle rígido da produção.QUADRO 8: FUNÇÕES. por lixamento manual ou uso de equipamento elétrico.Exigência de postura.Névoas de tintas.Choque elétrico.Trabalho em produção controlada. PSÍQUICAS: .Movimentos repetitivos. as cargas fisiológicas (movimento repetitivo.Jornada de trabalho longa. .Ruído. QUÍMICAS: .Posição fixa em pé por longo tempo. .Remuneração baixa. . ACIDENTES: .Calor. . PSÍQUICAS: . Artesão Used Cargas de Trabalho FÍSICAS: . a postura necessária para a realização da atividade) é o principal problema de desgaste.Movimentos repetitivos. . Neste setor.Poeira de algodão e tintas.Calor.

havendo risco de acidentes. com a qualidade semelhante à do modelo padrão. 4. ou ser menos importante na cadeia produtiva. as peças acabadas vão para o setor de embalagem. . oriundas do controle rígido da produção.9 Setor de embalagem e expedição Chegando ao fim da linha de produção. Neste setor também como nos demais o problema ambiental mais encontrado é o desconforto térmico. e as cargas psíquicas relacionadas às responsabilidades relativas a manter a contabilidade dos produtos sempre certa e pela execução de um serviço monótono que pode não ter para o trabalhador um significado de realização profissional.insuficiente do campo de trabalho. Na seqüência. assim como o de carregamento deste material para a estocagem e carregamento de veículos. o material embalado vai para o setor de expedição onde o conferente faz o controle de estoque do produto e o faturista emite as notas fiscais e responde por ações administrativas necessárias para que o produto possa ser transportado para os clientes. não havendo separação física entre eles. que é supervisionada constantemente pelo encarregado de produção. mas as cargas de trabalho mais importantes são: as fisiológicas encontradas no esforço físico para a realização do trabalho de embalagem e do enfardamento. No setor de estocagem também pode haver a necessidade de uso de escadas para acesso a prateleiras altas. exigência de um grande número de calças produzidas por hora. Em algumas empresas estes setores podem ser os mesmos. e as acondicionam em caixas de maior volume. de acordo com a encomenda que foi solicitada.1. onde os embaladores e seus ajudantes colocam as roupas em sacolas plásticas. Soma-se a estas as cargas psíquicas.

Exigência de postura. limpeza. manutenção.Remuneração baixa. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE EMBALAGEM E EXPEDIÇÃO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO COLATINA-ES. .Remuneração baixa.Calor.Responsabilidade.Exigência de postura. . Emite notas fiscais e realiza PSÍQUICAS: atividades administrativas. . e após em caixas de papelão.Jornada de trabalho longa.QUADRO 9: FUNÇÕES. FISIOLÓGICAS: . . . das mesmas. 4. onde a função predominante é a de costureira (o). .Responsabilidade.Trabalho repetitivo e monótono. de vendas. sendo que a grande maioria se concentra no setor de costura. PSÍQUICAS: .Calor.Falta de sentido do trabalho. não foram estudados. Os setores administrativos. ACIDENTES: Trabalho em altura (quedas).2 DISTRIBUIÇÃO DAS PRINCIPAIS FUNÇÕES POR SETOR DE TRABALHO A tabela 3 mostra a distribuição dos trabalhadores pesquisados por funções. FISIOLÓGICAS: Levantamento e carregamento de peso.Falta de sentido do trabalho. .Trabalho monótono. . PSÍQUICAS: . . DE FUNÇÃO Embalador seu auxiliar Conferente Faturista ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO e Embala manualmente as peças FÍSICAS: de roupas em sacolas plásticas . ou que não estão envolvidos diretamente na produção das roupas. Controla o estoque das FÍSICAS: mercadorias prontas e a saída .

FUNÇÃO e Modelista Moldador/Riscador/Pilotista Estilista Auxiliar de modelagem Almoxarifado Almoxarife Classificador e revisor de tecido Encarregado de estoque Auxiliar de almoxarifado Estampador Estamparia Desenhista Enfesto e corte Cortador Auxiliar de corte Enfestador Encarregado de corte Costura Costureira Auxiliar de costura Abastecedor Encarregada de produção Acabamento Revisão de arremate Operador de máquina Encarregado de revisão Passador Passadoria Auxiliar de passadoria Encarregado de passadoria Lavanderia Lavador Auxiliar de lavador Encarregado de lavanderia Expedidor Expedição Auxiliar de Expedição Embalador Conferente Auxiliar de faturamento Encarregado de expedição Artesanato Artesão used Auxiliar de artesão Mecânico de manutenção de máquinas Serviços auxiliares Operadores de caldeiras Limpeza e copa Administrativos Auxiliar de escritório e secretaria Gerente.4 2.TABELA 3: DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHADORES POR FUNÇÃO E SETOR NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. (**) 6 5 14 2 1 1 1 5 1 2 5 6 1 12 8 23 1 2 209 24 264 14 17 7 16 6 3 25 27 1 1 7 9 1 1 7 6 1 17 1 1 1 4 6 2 4 12 5 3 9 20 8 3 2 2 422 422 % 3.4 100 .8 4.1 1.5 3. contador. 2005. cobradores Outros Desempregados no período Total (*) Freqüência por função (**) Freqüência por setor SETOR Criação modelagem FREQ(*) FREQ.4 5.0 4.3 62. vendedores Motoristas.7 6.3 2.3 1.0 1.7 0.

5%. Para atingir a meta prevista e o ganho da equipe. 4. podendo ainda as posições estáticas prolongadas acarretar desgaste de ossos e articulações. com aparecimento de varizes. O trabalho fixo na posição ortostática pode acarretar problemas de aumento de pressão arterial. e sim. Em segundo lugar vem o setor de passadoria com 27 pessoas (6. mas bem distante dos números do setor de costura. repercutirão significativamente sobre o psiquismo do trabalhador que se sente em estado de sofrimento devido ao desconforto térmico e por não ter perspectiva de melhorar a condição ambiental do posto de trabalho. havendo. como diminui a capacidade do corpo do trabalhador em reagir a estas cargas. Conforme abordado anteriormente.182).3% do total). sendo que os que trabalham neste setor representam 62. A carga de trabalho física imposta pelo calor é amplificada nas cargas fisiológicas demandadas pela atividade repetitiva. Para o setor de vestuário de . com esforço físico e. uma preponderância das formas de organização e da divisão do trabalho no interior das empresas no controle e consumo da força de trabalho (FACHINI. determinando o surgimento das doenças. comprometendo o sistema circulatório dos membros inferiores. O levantamento de campo verificou que a exposição aos fatores de risco ou às demandas do trabalho real que caracterizam as cargas de trabalho não ocorre isoladamente. cansaço muscular e problemas cervicais e dorsais. provoca a compressão dos vasos sanguíneos. 1993. causando inchaço e o possível aumento do risco de trombose.3 INTERAÇÕES ENTRE AS CARGAS DE TRABALHO E O DESGASTE DOS TRABALHADORES. o trabalhador evita sair da linha de produção até para beber água ou ir ao banheiro.5% do total de trabalhadores estudados. podendo ocasionar inflamações. simultaneamente. A repetição dos mesmos movimentos por longo período de tempo provoca o desgaste dos ligamentos e ossos pelo atrito. no entanto. A posição fixa por longos períodos em cadeiras inadequadas. a mente e o psiquismo dos trabalhadores não só acelera o desgaste biopsicológico.A função de costureira representa 49. por conseqüência. não existe uma hierarquia entre as diferentes cargas. Esta interação de várias cargas de trabalho atuando sobre o corpo. in BUSCHINELLI. p.

no que diz respeito às expressões do desgaste relacionado a certas cargas de trabalho. riscos que necessitam de outro tipo de abordagem para serem trazidos à luz. . A seguir serão analisados os resultados do levantamento realizado com trabalhadores. Neste estudo não abordamos aspectos das cargas psíquicas relacionadas ao assédio moral e sexual.Colatina. o sistema de organização da produção em células. pode ser considerado como determinante das formas de desgaste nos trabalhadores.

ou 66. 89% dos trabalhadores.7%) se identificaram como brancos.3 100 % Acumulada 4. Os trabalhadores da indústria do vestuário são predominantemente do sexo feminino: 280 pessoas. a presença feminina é ainda maior. Quanto ao componente grupo racial desta população de trabalhadores.5 38.7 100 100 Ao se analisar a variável idade segundo o sexo. é visível uma concentração da população mais jovem no gênero masculino com média de 28.9%) como pardo-morenos e somente 23 (5. 2005.4 ±7. esta freqüência já foi maior no passado e vem diminuindo nos últimos anos com o incremento da mão-de-obra masculina em todas as áreas. Esta distribuição é bastante semelhante ao perfil étnico encontrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD de 1995 (IBGE.9 33.5 43. De acordo com o SINTVEST.3%) como negros. 218 pessoas (51. Faixa Etária < 20 anos 20 a 29 anos 30 a 39 anos 40 a 50 anos > 50 anos Total Freqüência 11 172 143 78 18 422 % 4. mas com predomínio acentuado de trabalhadores com idades inferiores a 40 anos (77. TABELA 4: DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA POR FAIXA ETÁRIA. 181 (42.3 95. inclusive no setor de costura.2 anos. a população empregada é caracterizada por adultos bastante jovens e em franca capacidade produtiva. O espectro etário dos trabalhadores abrange idades de 17 a 65 anos. que pode ser explicada pelo acesso recente do homem neste setor produtivo e certa . Com média de 31 ±9.4 77.8 anos.4% da amostra que foi entrevistada.4 4. No setor de costura.3%).9 18. 2000).5 ASPECTOS SÓCIO-ECONÔMICOS DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA.

33 (7.1 anos. conforme a tabela 5. média de 34. 289 (68. Em relação ao estado civil.9 anos.2%) são viúvos. 148 (35. FIGURA 3: DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DAS FAIXAS ETARIAS POR SEXO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.8%) divorciados ou separados e somente 5 (1.homogeneidade de distribuição etária no gênero feminino.1%) são solteiros. 2005. ver figura 3. . encontrou-se o seguinte resultado: 81 (19.9%) é casada ou vive maritalmente com alguém. ou seja. Sobre o aspecto de números de pessoas que dependem do trabalho assalariado do entrevistado. Os dados coletados foram de anos estudados e concluídos. com aprovação para a série seguinte.9%) de 4 a 7 dependentes. devido ao gênero estar inserido a mais tempo neste tipo de trabalho.8%) que tinham de 1 a 3 dependentes e 50 (15.6 ±9.3%) responderam que trabalhavam para o próprio sustento. A escolaridade dos trabalhadores da indústria do vestuário é em média de 7. a maioria 236 pessoas (55.

4 52. mencionados pelos trabalhadores.3 98. Grau de Instrução Analfabetos 1º Grau incompleto 1º Grau completo 2º Grau Incompleto 2º Grau completo Curso Superior incompleto Curso Superior completo Não Informaram Total Freqüência 2 164 56 45 139 8 4 4 422 % 0. com a média de 1.5 ±3.9 0.8%) são de municípios do norte do Estado do Espírito Santo.2%) nasceram em Colatina.3 salários mínimos das mulheres. Sobre o local de procedência. 2001. revelada pelo senso demográfico 2000 do IBGE. Os salários líquidos.1 100 100 A média de escolaridade dos trabalhadores do setor é um pouco superior à média nacional das pessoas com 15 anos ou mais idade.6 salários mínimos.5 38.2%). fato que contribuiu para a migração do homem do campo para as cidades à procura de novas oportunidades de emprego e também com o crescimento da indústria do vestuário no município de Colatina. p. 233 pessoas (55.9 13.3 10. 51 (12.2 anos (IBGE. o que diferencia do estudo do IBGE que indica que as mulheres têm escolaridade maior do que a dos homens. Nota-se que os homens têm um rendimento pouco superior: 1.9 100 % Acumulada 0.5 39. 45). .26 anos.TABELA 5: DISTRIBUIÇÃO POR GRAU DE ESCOLARIDADE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. período que coincide com a desvalorização da cultura cafeeira local.9 0. variaram de 1 a 5. pela queda da cotação do produto no mercado internacional.4 96.7 63.1%) são migrantes de outros estados do país e 50 (11. 2005. sendo que se estabeleceram na zona urbana nos últimos 15 anos.9 1. Informaram ter nascido na zona rural 153 pessoas (36.47 salários mínimos contra 1.7 32.7 ±2. e é um pouco inferior a dos homens que têm em média 8. As mulheres têm média de escolaridade de 7.64 anos.9%) são oriundos de outros municípios do estado. que é de 6. 88 (20.35 salários mínimos.2 99.

03 anos.5 anos. . TABELA 6: DISTRIBUIÇÃO DE TRABALHADORES DA AMOSTRA POR TEMPO DE SERVIÇO NA INDÚSTRIA NO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. A tabela 6 mostra as faixas de tempo de trabalho e respectivas freqüências. verifica-se que o tempo médio de permanência é de 5. 2005. computadas a atual empresa e as anteriores.5 anos de trabalho na mesma função.5 27.5 32. com uma média de 9.2 100 Quanto ao tempo de trabalho na empresa atual. com a média de 6.O tempo de trabalho na indústria do vestuário desta população de trabalhadores varia de 6 meses a 33 anos de trabalho. o que é pouco inferior ao tempo que exerce a atual função.5 7.8 10.5 18. Tempo de serviço < 1 ano 1 a 5 anos 6 a 10 11 a 15 15 a 19 > 20 anos Total Freq 15 137 116 78 33 43 422 % 3.

à ocorrência de restrições de saúde que determinou a necessidade de afastamento do trabalho. 10 três queixas e 6 casos com 4 sintomas ou desconforto o que totalizou 173 queixas. . sendo 59 apenas uma queixa. Dos 422 trabalhadores entrevistados. O perfil de adoecimento que se configura é uma expressão do desgaste decorrente do processo de trabalho. 2000.1264). considerando-se se tratarem de trabalhadores jovens.1 PREVALÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE OU MORBIDADE REFERIDA Um dos objetivos deste estudo foi verificar qual era o perfil de adoecimento dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina. 105 trabalhadores (24. 6. situação que conflita com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio – PNAD sobre acesso e utilização de serviços de saúde de 1998 (IBGE. a proporção de mulheres acima de 14 anos com queixas ou restrição de saúde é sempre maior do que a dos homens. caracterizado pela prevalência de queixas de saúde (morbidade referida) existente na população nos últimos 15 dias anteriores à entrevista. uso de bebidas alcoólicas.4%. Por esta pesquisa. Os trabalhadores apresentaram um índice de queixas à saúde bastante alta. 30 duas queixas. qual foi o tipo de acesso e utilização de serviços de saúde.6 PERFIL DE DESGASTE À SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA. já que os casos relativos ao número de trabalhadores deram resultados muito próximos 24. tabagismo e uso de calmantes. O perfil de desgaste à saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina foi estudado com base no perfil de queixas de saúde referidas nos últimos 15 dias anteriores à pesquisa. Alguns trabalhadores apresentaram mais de uma queixa de saúde. com média de idade de 31 anos.21). a ocorrência de suspeita de DMM e LER. p. Não houve diferença significativa de prevalência de queixas por sexo (p=0.9%) informaram ter tido algum problema de saúde.6% para mulher e um pouco superior para os homens 25.

Hemorróidas.Cistite.Estafa e cansaço.Dor e queimação no estomago.Dores e dormência joelho.9 4. 59 39 10 7 3 39 19 15 4 1 27 20 4 3 11 10 8 2 6 6 21 5 3 3 3 2 2 1 1 1 173 % (*) 56.Inchaço e dor nas pernas e pés.7% das queixas. PROBLEMAS REFERIDOS DE SAÚDE 1. ambos podendo estar ligados ao fato do trabalho ser realizado em ritmo acelerado. 6. 4.Outros: a.Problemas muscoloesqueléticos: a. b.Dor de cabeça e enxaqueca. c.Acidentes (trajeto e trabalho). dores e inchaço nas pernas e pés. d. b.Mancha de pele. faringite. SEGUNDO ÓRGÃOS E SISTEMAS ACOMETIDOS NOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. para os quais a poeira do algodão. d.Problemas das vias aéreas superiores: a. constituídas de gripes.9 problemas cardiovasculares com 37.Problemas visuais. i.Inflamação de garganta.Dores nos braços. rinite.5 100 24.Febre. 3.Problemas cardiovasculares: a. lombar.4 2.Problemas gastrintestinais: a.Dor de dente. a seguir vem os TABELA 7: MORBIDADE REFERIDA.LER. b. em posição fixa. 2005.Diabetes.4 1. g.Estresse e tensão nervosas. sinusite. correspondendo a 56.Problemas renais: a. os muscoloesqueléticos foram os mais citados. dos problemas de saúde informados pelos trabalhadores. taquicardia e desmaio.Cirurgias.Infecção renal e cólica.Dor na Coluna. h. artrose e reumatismos.5 9. costas e pescoço.1 9.2 % (**) 14. com 25.gripe. inflamações e problemas alérgicos. sentado ou em pé durante toda a jornada. já que há alta proporção de hipertensão. Total (*) Referindo-se a 105 pessoas que responderam ter tido queixa de saúde (**) Referindo-se a 422 pessoas que participaram da pesquisa.0 37. bursite. com alta freqüência de dores nas costas e na coluna. d.Auditivos. 5.7 6. c. 7.5 5.Dor no peito.1% das queixas.2 25. Os problemas respiratórios. b. mãos e punhos.Alergias. Freq. c. e. otite. b.Pressão alta. 2. pé e calcanhar. ombro.6 2. c. f. dispersa no . representam a terceira principal causa de queixas.De acordo com a tabela 7.4 19.7 10.2% das queixas.

contrasta com os indicativos observados no levantamento de cargas de trabalho onde foi verificada a existência de grande número de cargas psíquicas demandadas pela organização do trabalho. Setor % 63 2 74 70. pela dificuldade que os trabalhadores têm de parar o serviço para irem ao banheiro.8 1 1 5 5 4. proporção que é superior à de costureiras em relação ao total de trabalhadores (49%). As demais funções ficam com percentagens bem inferiores.5 4 3 2 2 4 3. O pequeno número de transtornos mentais. encontrado nesta amostra.0 105 105 100 Acabamento Passadoria Artesanato Expedição Enfesto e Corte Criação/ e Modelagem Lavanderia Almoxarifado Manutenção Caldeiras TOTAL .0 1 1 1. com 10. Dores de cabeça e enxaquecas.0 1 1 1. SETORES Costura FUNÇÕES Costureira Auxiliar de costura Auxiliar de serviços gerais Abastecedor Encarregado de produção Revisor de arremate Operador de máquina Encarregado de produção Passador Artesão Auxiliar de artesanato Auxiliar de expedição Encarregado de expedição Embalador Auxiliar de faturamento Cortador Auxiliar de corte Desenhista Estilista Modelista Lavador Almoxarife Mecânico Operador de caldeira Queixas Freq Função. 2005. Verificou-se também um alto índice de problemas renais. 2. TABELA 8: FREQÜÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE POR SETOR E FUNÇÃO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.7 1 3 6 5. podendo estar associados à contenção da urina. 9.9 1 1 1. De acordo com a tabela 8. pode estar relacionada. o que vem a dar ao setor de costura uma prioridade no controle das condições de trabalho: onde há o maior número de trabalhadores e maior risco de adoecimento.7 1 1 1 1 3 2.ambiente de trabalho. 63 pessoas ou 60% dos casos. podem estar indicando sintomas inespecíficos de desgaste.8 2 1 3 2.7 4 5 4.5%. a função de costureira é a que mais apresenta queixas de saúde.8 1 1 2 2 1.5% das queixas. Freq.9% das queixas.

2005.8 19. revelando que a prevalência destas queixas cresce com o tempo de atividade no setor. segundo o número de dias . a partir desta faixa de tempo de trabalho ocorre aumento progressivo da prevalência podendo-se inferir que as doenças têm associação com a contínua exposição às condições de trabalho.3 16.A tabela 9 mostra o número de trabalhadores com queixas de saúde por tempo de serviço. Uma hipótese que pode ser feita a este respeito é de que as desgastantes condições como o trabalho é realizado acabam por selecionar aqueles que continuarão neste setor produtivo. informou que 5 anos é o tempo médio em que se agüenta trabalhar.2 ABSENTEÍSMO E AVALIAÇÃO DE SAÚDE A tabela 10 mostra que. das 105 pessoas com queixas de saúde. sendo que. alegando o trabalhador não suportar mais as condições de trabalho.8 31.5 37. Dos 8 casos com trabalhadores com menos de 1 ano de serviço.2 100 Expostos 15 137 116 111 43 422 P (%) 53. Tempo de trabalho na atividade <1 1a5 5 a 10 10 a 20 > 20 Total Freqüência 8 23 23 35 16 105 % 7. considerado como perda.9 21. após ter sido interrogada sobre o tempo de serviço médio de cada trabalhador na empresa.2 24. cinco foram devido a problemas alérgicos e respiratórios. Segundo a tabela.6 21. 36 relataram que tiveram que se afastar do trabalho por um período que variou de pelo menos 0. TABELA 9: PREVALÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE COM TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES POR TEMPO DE SERVIÇO.5 dia ou até mais de 360 dias. A tabela mostra a distribuição dos trabalhadores afastados.9 A prevalência maior se deu com trabalhadores com menos de 1 ano no serviço. com média de 23. um caso. 6. motivou pedido de demissão.4 15.9 33.4 dias perdidos de trabalho por trabalhador. Segundo uma encarregada de produção.

sendo que 64.Pressão alta (2). o índice de absenteísmo é alto e indica um elevado custo humano para a realização da produção. 2005.9 17. Dias de afastamento <1 1a7 8 a 15 > 15 Total Freq.3 11.OUTROS: . As principais causas de afastamento do trabalho são os problemas muscoloesqueléticos. artrose (1).PROBLEMAS CARDIOVASCULARES: . dor de cabeça e enxaqueca (1) problemas no estômago (1). dor de gravidez (1).PROBLEMAS RENAIS . conforme a tabela 11.Acidente do trabalho (2).3% da população estudada.PROBLEMAS MUSCOLOESQUELÉTICOS: . Como 35 trabalhadores representam 8.68).Bronquite (1). sinusite (1) e alergia (1) 4. TABELA 10: NÚMERO DE DIAS DE AFASTAMENTO DO TRABALHO POR QUEIXA DE SAÚDE NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. 14 5 4 4 8 35 % 40. Este dado é superior ao observado na pesquisa PNAD 1998 (IBGE.Dor de coluna (10) e dor nas costas (1).de afastamento.Infecção nos rins (4) 6. Dor no peito (1).3%. gripe (1). seguidas por problemas cardiovasculares.1 14. 2005. LER (1) e reumatismo (1) 2. dormência pernas (1) e hemorróidas (1) 3. que foi de 5. (*) 2 22 6 5 35 % 5.4 11. em que se destacam as infecções dos rins.PROBLEMAS DAS VIAS AÉREAS SUPERIORES:. sobre restrição ao trabalho nos últimos 15 dias para a população brasileira com idade de 14 a 64 anos. TABELA 11: CAUSAS DE AFASTAMENTO DO TRABALHO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES POR ÓRGÃOS OU SISTEMAS. cirurgia (2). tensão nervosa (1) TOTAL Freq.7% consideraram que este era bom ou muito bom . com 14. com 40% dos afastamentos. Problemas de saúde 1. 2000. em particular as dores na coluna. p. sendo que 63% afastaram-se por um período que variou de 1 a 7 dias.9 100 A tabela 12 mostra o resultado da auto-avaliação do estado de saúde por parte dos trabalhadores.4 22.4%.0 14.7 62. e os problemas renais com 11.3 100 (*) uma perda de informação por pedido de demissão.9%.

39 pessoas (37.2 67. foi de 60. 66 pessoas (62. p. tendo um caso em que o trabalhador recebeu 3 atendimentos nos últimos 15 dias.8%.4 0 100 Freq.2 32.5 54. o que totalizou 82 atendimentos.1%) não procuraram atendimento médico. F 38 132 99 7 3 279 % 13. A tabela 13 mostra a distribuição dos atendimentos médicos segundo o local de atendimento.(índice de satisfação) e somente 2. TABELA 12: AUTO-AVALIAÇÃO DO ESTADO DE SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.3 ATENDIMENTO MÉDICO E DOENÇA DO TRABALHO Dos trabalhadores com queixa de saúde. obtiveram um ou mais atendimentos.8% disseram estar seu estado de saúde ruim ou muito ruim. 2000.5 2.8% para os homens e de 76.3 35.6 26. . Total 44 228 137 9 3 421 % 10.1 0.9%).6 47. O índice de satisfação para os homens foi de 71.7 100 A pesquisa PNAD 1998 (IBGE. 6. resolvendo seu problema de saúde em farmácias ou fazendo automedicação. 20) encontrou um índice de satisfação para a população geral brasileira de 79.1 100 M 6 96 38 2 0 142 % 4.5 1. sendo de 81.1%. Os demais. enquanto para as mulheres.9%.4% para as mulheres. 2005 Estado de Saúde Muito bom Bom Regular Ruim Muito Ruim Total (*) Uma perda feminina.8 1.5 2.

Mesmo desconsiderando que pode haver muitos trabalhadores ainda com um diagnóstico errado.7 24.4% dos atendimentos através das Unidades Básicas de Saúde e do Programa Saúde da Família.4 INDICADORES DE SOFRIMENTO PSÍQUICO E L. Tipo de Atendimento Médico da empresa Programa Saúde da Família .9%) disseram que sim. A pontuação de respostas positivas à aplicação das perguntas do SRQ-20 mostrou uma média de 4.INSS.E. 6. Perguntados se o médico que os atendeu relacionou o sintoma de sua doença com o trabalho.PSF Unidade Básica de Saúde .TABELA 13: DISTRIBUIÇÃO DE ATENDIMENTO MÉDICO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES POR LOCAL. os casos já diagnosticados alcançam 6. entre todos os entrevistados. tratamento e reabilitação que estes trabalhadores irão representar para o SUS e o Instituto Nacional de Seguridade Social .8% da população trabalhadora da indústria do vestuário.UBS Plano de Saúde Total Freqüência 19 8 35 20 82 % 23. em ordem decrescente: .R. 29 trabalhadores (43. 2005. a fim de melhorar a qualidade de vida destas pessoas e diminuir o impacto da demanda de atendimento médico.2 9. As freqüências simples dos itens do SRQ mais referidos foram os seguintes. ou cujo estágio precoce de adoecimento não teve o nexo causal bem estabelecido pelo médico.4 100 Nota-se que o SUS foi responsável por cerca de 52.8 respostas positivas. o que é bastante expressivo.7 42. Este indicador ressalta a importância de se investir em programas de prevenção e proteção da saúde do trabalhador nas empresas.

Assusta-se com facilidade? 5.Tem dificuldade de tomar decisões? 3.1.20% 26.0001). 105 trabalhadores.88% 39.Tem se sentido triste ultimamente? 4.12% 32.Tem dificuldade de pensar com clareza? 6. .1% dos que não tiveram queixas. sensações desagradáveis no estômago.Sente-se cansado o tempo todo? 8. vemos que pelo menos 25% das pessoas têm: dificuldade para dormir.41%).0006) (prevalência no sexo feminino de 30% contra 14.94 30. sente-se cansado o tempo todo. de suspeitas de DMM.9% das queixas referiam-se a transtornos psicoemocionais. mostrando que o indicador de morbidade referida não foi sensível à identificação dos casos suspeitos destes problemas. com aproximadamente 66% da amostra.Tem sensações desagradáveis no estômago? 9. tensão e preocupação. dores de cabeça freqüentes e se assustam com facilidade. Este dado contrasta com o dado anterior de que apenas 2. O uso de calmantes também foi estatisticamente relacionado com a suspeita de DMM (p<0. vindo a seguir a dificuldade de tomar decisões (com quase 40% dos indivíduos) e ter se sentido triste ultimamente com cerca de 38%. sendo maior entre os suspeitos de DMM (31.9%.57% 37.Tem dores de cabeça freqüentes? 7. enquanto foram apenas 16.0001). Além disso. Houve associação significativa entre ter suspeita de DMM e a ocorrência de queixas à saúde (p<0. sendo que 51.Dorme mal? 65. dificuldade de pensar com clareza.4% dos que tiveram queixas à saúde foram considerados suspeitos de DMM.44 34. tenso ou preocupado? 2.83% Observa-se um alto índice para o sentimento de nervosismo.9% 28. Encontrou-se o índice de 24.Sente-se nervoso.43%) do que entre os não suspeitos (10.30% 25.8% no sexo masculino). sendo estatisticamente associado com o sexo (p=0.

E. dos quais cerca de um terço são suspeitas de LER. A aplicação de screening para levantamento de suspeita de L. Sentir-se valorizado parece funcionar como uma proteção ao DMM. se obteve o “Odds ratio” (Razão de chance) 2. Obtendo-se o “Odds ratio” 1. .E. realizou-se a regressão logística múltipla ajustada.57). com a variável dependente apresenta suspeita de L. sendo que 20. Houve associação entre suspeita de L. o índice de suspeitos de DMM foi de 40. sendo a suspeita encontrada em 24. Houve associação entre suspeita de LER e de queixas à saúde (p=0.6524 (IC95%: 1. cuja variável dependente srq8 1= positivo e 0= negativo ajustada pela variável independente função costureira (0) e outros e controlada pelo sexo.E.R encontrou a prevalência de 16. assim.6 a 10 anos) a suspeita foi de 24. e a função exercida (p=0.6 vezes mais chances de ter suspeita de L.R.6%. Para o primeiro quartil (< 2 anos) a suspeita de DMM foi de 16. Houve associação significativa da suspeita de DMM com o tempo de trabalho na função. e controlado pelo sexo.5 anos) a suspeita foi de 21. realizou-se a regressão logística múltipla ajustada.0097).Houve associação significativa entre as variáveis sentir-se valorizado pelo trabalho que realiza e suspeita de DMM (p=0.6%. Não houve associação entre a suspeita de L.53).0075).0%) com as outras funções (11. e sexo (p=0.2599).4328 (IC95%: 1. para o terceiro quartil (4. que as outras ocupações.43 vezes mais chance de ter suspeita de DMM do que as outras ocupações.E.6%.7%).0002). Este dado vem ao encontro de dado anteriormente relatado que apontou 14% de pessoas que tiveram queixas de saúde relacionadas ao sistema musculoesquelético.9516). quando considerados os dados distribuídos em quatro quartis.7% e para o último quartil (> 10 anos) a suspeita foi de 35. Assim.R.4%. quando comparada à função de costureira (o) (21.0%.06-2. a função de costureira tem 1. para o segundo quartil (2 a 4.2% dos que responderam sentirem-se valorizados foram considerados suspeitos de DMM.76% entre os que apresentaram queixas e de 13.6% entre os que não apresentaram. o uso de calmantes (p=0.E. ou 69 pessoas. Em relação à função.67-3.0586) e valorização pelo trabalho que realiza (p=0. enquanto que para os que responderam não se sentirem valorizados. a função de costureira tem 2.R. Em relação à função.R. 1= positivo e 0= negativo sendo ajustada pela variável independente função: para costureira (0) e outros.

mas a ingestão de bebida alcoólica foi referida por 140 trabalhadores. ou 33.0 16.2 1. 10. Tempo de Uso < 1 ano (*) 1 até 5 anos 5 até 10 anos > 10 anos Total (*) Incluídos os raramente ou às vezes. TABELA 15: DISTRIBUIÇAO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES QUE FAZEM USO DE CALMANTES POR TEMPO DE USO.6%. somente 7 pessoas afirmaram que faziam o uso por mais de dois dias por semana. FUMO E MEDICAMENTOS CALMANTES.4 0.3 18. TABELA 14: FREQÜÊNCIA DE CONSUMO DE BEBIDA ALCOÓLICA ENTRE TRABALHADORE DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO E COLATINA-ES.1% de DMM. também são suspeitos de DMM enquanto que os não suspeitos apresentam somente 22. referiram ter feito ou estarem usando este tipo de medicamento nos últimos 6 meses. em que 39.2 100 Quanto ao uso de remédios calmantes.4 8.4 16. Dos que disseram consumir bebidas alcoólicas. O uso do fumo foi relativamente baixo com 45 fumantes.5 USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS.8 13. Freqüência 36 10 10 5 61 % 59. 2005.0028) entre as variáveis. 15.2 100 . 2005.2%.7%. constatamos que há associação (p=0. conforme a tabela 14. Consumo de bebidas alcoólicas Não usam < de uma vez por semana 1 a 2 vezes por semana 3 a 4 vezes por semana 5 ou seis vezes por semana Total Freqüência 282 56 77 6 1 422 % 66. 66 pessoas. 6.1% dos suspeitos de LER.Quando analisamos suspeitas de LER com DMM.

geralmente do grupo dos benzodiazepínicos. Brumazepan (2). Lexotan (4). Pondera (1). Liptril (1). Ansilive (1). Tipos Ansiolíticos Medicamentos Rivotril (16). conforme mostra a tabela 16. veja tabela 14. Foram maiores para os homens (p<0. Podem ser utilizados também.0001) os hábitos de fumar com 19. sendo necessário. 10 9 Afroditi (1). cuja principal finalidade é o tratamento dos transtornos de ansiedade.0001) com 21. Altrox (1). (www. Cefahim (1). cerca de 40% afirmam utilizar estes medicamentos há mais de 1 ano. Navotrax (1).br acesso realizado em 25/04/2006). 2005. Alool (1).5% das mulheres.2% entre os homens.9% contra 19. portanto. Houve uma diferenciação entre os hábitos de fumar. Aplaz (2).Em relação ao tempo de uso.psicosite. de forma limitada. . Os medicamentos referidos pelos trabalhadores foram basicamente ansiolíticos e antidepressivos.0001) com 59. Somalium (4). Captropil (1). beber e usar calmantes entre os sexos. Gadernal (1). para controlar tensão nervosa devido a algum acontecimento estressante.6% entre as mulheres. Sertralina (1).0% contra 6. TABELA 16: FREQUÊNCIA DOS PRINCIPAIS MEDICAMENTOS CALMANTES UTILIZADOS PELOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.com. mesmo que não exista um distúrbio de ansiedade propriamente dito.4% contra 4. Diazepan (8) Olcadil (6). Calmantes referentes (1). um diagnóstico e uma indicação feita por um médico. Outras Referências (*) Uma perda. e o uso de bebidas alcoólicas (p<0. 46 Antidepressivos Fluoxetina (3). Tenadren (1) Os ansiolíticos são os tranqüilizantes mais utilizados. enquanto para as mulheres foi maior o uso de calmantes (p<0. Amitriplina (3). Valium (1) Freq. Amytril (1). Assert (1). Calman (1).

como na máquina de corte. Foram citados também alguns riscos de acidentes. hierarquia rígida.7 PERCEPÇAO DOS TRABALHADORES SOBRE A RELAÇÃO SAÚDE TRABALHO Quanto à percepção de que as condições de trabalho a que estavam submetidos poderiam prejudicar sua saúde. Os demais grupos de cargas foram bem pouco referidos.7%) informaram que sim: 69 (16. Como se pode observar pela tabela 16. umidade e ruído).9%) que não. a percepção dos trabalhadores sobre as cargas de trabalho que podem ser fontes de doenças em sua atividade estão associadas ao esforço do corpo em fazer as operações biomecânicas e o estresse psíquico introduzidos pela organização no controle da produção e pela péssima qualidade ambiental que aumentam o desconforto e as doenças. 212 (50.7% de cargas psíquicas como conseqüência de fatores como a pressão pela produção. Esta informação é importante. pois se sentir valorizado pelo trabalho que faz pode significar um importante amortecedor que contribui para manter a saúde do trabalhador ou sua capacidade de resistir ao processo de adoecimento como veremos. seguem-se os agentes ambientais que constituem as cargas químicas com 22.em especial a cadeira de madeira utilizada pelas costureiras . ritmos excessivos.8% (calor. o mobiliário utilizado .2%) responderam que sim. Perguntados também se sentem valorizados pelo trabalho que fazem 247 (58.5% (poeira. . estão as cargas fisiológicas com 55. controle para ir ao banheiro e baixos salários. Em relação aos fatores de risco mais citados. caldeira e lavanderia. perfurações por agulhas.3%.4%) que às vezes e somente 105 (24. movimentos repetitivos. como: a posição fixa em que se realiza o trabalho. substâncias químicas e tintas) e as físicas com 16. mas houve a percepção de 3.fixação da vista e ficar na mesma posição (sentado ou em pé) por um tempo muito longo.

1 Poeira. 1 Responsabilidade. cheiro de tinta. 22 Esforço repetitivo. 36 Ruído. 11 Esforço visual.R= Freqüência relativa e F.. 1 Água não é gelada.A= Freqüência absoluta. 3 Controle para ir ao banheiro. Calor. 59 % 16.5%. cerca de metade das referências disseram respeito aos distúrbios musculoesqueléticos. 1 Variação de funções. 1 Solda elétrica.8 79 22. 2005. 1 Total F. 1 Caldeira sem manutenção. 22 Umidade. 4 Atritos com chefias e colegas.TABELA 17: PRINCIPAIS CARGAS DE TRABALHO REFERIDAS PELOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. 22 Cadeira sem regulagem. 1 Esforço mental.3 13 3. 9 Esforço na coluna. 1 Máquina baixa.5 4 1. em que as alergias foram predominantes. com predomínio dos problemas de coluna. 1 Lavanderia. 10 Ficar muito tempo em pé. 13 Muito tempo na mesma posição.1 194 55. 3 Ritmo acelerado. 3 Pausa curta ou inexistente. 1 Subir escadas. Deve-se destacar que o grupo dos transtornos . seguidos dos problemas respiratórios com 24. Cargas de trabalho Físicas Químicas Acidentes Fisiológicas Psíquicas Fator de risco F. 49 30 Produtos químicos. Máquina perigosa e caldeira. Perguntados sobre quais os problemas de saúde poderiam decorrer das cargas de trabalho referidas como causas de doenças no seu trabalho.7 351 100 F. 2 Salário baixo. 50 Posição inadequada. 3 Período curto para o almoço. 44 Carregar peso.A. 1 Ficar muito tempo sentado.R. 1 Pressão por produção.

O que demonstra que o trabalhador do setor do vestuário de Colatina – ES. rinite (5). apesar de poucas oportunidades de discutir suas condições de saúde e trabalho tem conseguido perceber de forma geral que há situações desgastantes em seu local de trabalho. o que demonstra que a percepção dos trabalhadores sobre a relação trabalho-saúde é alta. foram referidos aqui como 7% dos possíveis problemas de saúde relacionados com o trabalho. 20 inchaço (3). dor nos braços (3). pouco referidos enquanto queixa de saúde. . dor muscular (2). constipação (2) 7 Total 327 (*) Em relação ao número de pessoas que responderam a pergunta. %(*) 47. câncer (4).0 6. irritação nos olhos (1) 18 Desgaste Dor de cabeça (9). 80 bronquite (2). Problema respiratório (20). TABELA 18: PERCEPÇÃO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA – ES SOBRE PROBLEMAS DE SAÚDE DECORRENTES DE SEU TRABALHO. dor nas pernas (9). cansaço (1) 10 inespecíficos Auditivos Surdez (8). sinusite (3) Psicoemocionais Estresse (14). Gripe-resfriado-garganta (4). pulso (2).7 1. dor no ouvido (1) 9 Renais Problema renal (4). bursite (1). tonturas (1) Visuais Problema de visão (17). câimbras (1) Respiratórios Alergias (41). nas costas (2). nervosismo (2) Depressão (3).7 24. dor nas juntas (1). 2005. Órgãos e Sistemas Problemas de saúde Freq Músculoesquelético Dor na Coluna (121). cansaço 23 mental (1) Cardiovasculares Problema de circulação (13).1 5. nos ombros (1). fraqueza nos braços (1).0 2. LER (11). perturbação mental (2).5 7. asma (2).5 3. 4 Outros Doença de pele (3).1 100 Verifica-se que de uma forma geral os problemas de saúde referidos têm uma relação de causa e efeito bastante lógica com as cargas de trabalho referidas.2 2. 156 artrose (1). varizes (3). falta de ar (3). ansiedade (1).psicoemocionais.

6) 327 (77.5) 241 (57. jornada de trabalho é longa.1) 22 (5.Barulho excessivo 6.Trabalho noturno ou turnos SIM N (%) 249 (59.1) 292 (69.7) 145 (34.Trabalhar por produção fixa 7.0) 160 (37.Ameaça de demissão 8.Ritmo de trabalho acelerado 10.Falta de promoções ou oportunidades 9.1) 102 (24. .Problemas com chefias 14.6) 21 (5.0) 3 (0.4) 144 (34.0) 19 (4.9) Considerando-se as respostas sim e às vezes.9) 9 (2.Falta de cooperação com colegas 12. TABELA 19: PRINCIPAIS FONTES REFERIDAS DE TENSÃO NO TRABALHO EM TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.1) 37 (8.2) 160 (38.4) 254 (60. calor excessivo. 2005.2) 20 (4.8) 7 (1.3) 182 (43.9) 326 (77.0) 210 (49.1 FONTES DE TENSÃO E CANSAÇO NO TRABALHO Questionados sobre quais as situações são fontes de tensão e cansaço no trabalho. fazer horas extras e pouco tempo para pausas.7) 164 (39.Improvisações no trabalho 13.5) 11 (2.8) 25 (6.9) NÃO N (%) 150 (35. nota-se que o que causa tensão ou cansaço é.7) 315 (74.Má remuneração 2.2) 255 (60.2) 229 (54.Jornada prolongada e horas extras 4.7.5) 15 (3.2) 299 (87.9) 158 (37.4) 46 (10.9) 82 (19.5) 75 (17.7) 30 (7.4) 268 (63.Desconforto e inadequações mobiliárias 11.8) 38 (11. as principais situações estão indicadas na tabela 19.4) 146 (34.5) 195 (46.3) 88 (20.7) 10 (2.Falta de treinamento 15.6) 66 (15.8) 224 (53. Fontes de Tensão e Cansaço 1.2) ÀS VEZES N (%) 23 (5.0) 212 (50.2) 195 (46.1) 236 (56.Trabalho monótono ou desinteressante 15.Pouco tempo para pausas 5. para mais da metade dos trabalhadores pesquisados: má remuneração.1) 176 (41.Calor excessivo 3.

tranqüilo (12). 214 Total 422 % 33. cujas falas aparecem em vários depoimentos dos trabalhadores.As cargas referidas pelos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina comparado com estudo semelhante realizado por Borges (2000).2 SENSAÇÃO AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DA JORNADA DE TRABALHO. estressado (7). animado/realizado/melhor (8). 2005. graças a Deus terminou (1). dever cumprido (2).7 100 . de alívio de estar saindo de uma situação de gasto de energia física e mental acima do suportável”. com dores (2). 65 Cansado (202). regular (1). com caixas bancários de um banco estatal. Freq. Bem (80). livre como um pássaro (5).4 50. os trabalhadores da indústria do vestuário indicaram esta carga como a 10ª em grau de importância. que aparece em primeiro lugar em importância para estes trabalhadores. feliz/alegre/satisfeito (15). O motivo alegado por alguns é o de conseguir bater o ponto primeiro e arrumar um bom lugar no ônibus que a empresa oferece para transportá-los aos bairros mais distantes. quase em correria. Outra justificativa para este fato é a ansiedade para sair do local de trabalho – como uma liberdade alcançada e ou o fim do sofrimento. foi indicada pelos bancários como sendo a terceira. Acompanhando o trabalho nas fábricas foi registrado que no apito do final do expediente os trabalhadores abandonam imediatamente seus afazeres e saem com bastante pressa do local. normal (28). 7. com dor nos olhos (2). Enquanto que para os caixas bancários a principal fonte de cansaço e desgaste foi o desconforto e a inadequação do postos de trabalhos. 143 Aliviado (53). uma benção (1). TABELA 20: DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA – ES SEGUNDO A SENSAÇÃO QUE SENTEM AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DO DIA. Nervosa (1). Na tabela 15 são apresentadas as respostas à pergunta sobre a sensação que sentem ao sair do local de trabalho no fim do dia. como “um sentimento de estar fugindo de uma gaiola. e a má remuneração.9 15. indicam que para cada ramo de serviço aparecerão formas de desgastes diferentes. às vezes bem às vezes estressado (2).

3 ASPECTOS AGRADÁVEIS E DESAGRADÁVEIS NO TRABALHO.Verifica-se que cerca de metade dos trabalhadores referiu sentir-se cansaço ao final da jornada de trabalho e somente 33. a hora do almoço e da . e ao fato de atingir as metas. gostar de trabalhar. como por exemplo. qualidade do serviço. vindo a seguir o ambiente de trabalho. fim do mês.9% a de ter sensações que expressam bem estar. forma de tratamento.O ambiente de trabalho. foram muito variáveis.Ter emprego. 2. colegas.. união. gostar de trabalhar e do que faz. concordando com o que foi registrado anteriormente na hora do apito que sinaliza o final do dia de trabalho. 7. 6.7%. 267 211 75 38 30 24 20 665 São indicados. TABELA 21: ASPECTOS DO TRABALHO QUE MAIS AGRADAM AOS TRABALHADORES DO SETOR DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. ganhar o justo. 3. da profissão e de sentir-se útil com 211.1%.Remuneração. 31.Atingir as metas. obter boa qualidade nos serviços com 38 ou 5.Amizades.. o fim do expediente. COISAS QUE LHE AGRADAM NO TRABALHO 1. alguns aspectos contraditórios do trabalho como uma coisa que lhe agradam. Em terceiro lugar e indicado o bom relacionamento com os patrões e em especial com os encarregados com 75. A relação com os colegas foi o aspecto mais mencionado com 267. São importantes também as expressões de alívio e de liberdade. 40. 5. 11.2%.Outros Total de aspectos mencionados Freq.7%. sentir-se útil. das respostas encontradas. 2005. 6. valorização. As respostas dadas às perguntas abertas sobre as duas coisas que mais lhe agradam e as que mais lhe desagradam no trabalho. também. companheirismo. consideração superiores. poder trabalhar.Patrões. patrões e encarregados como o ponto que pode repercutir positivo ou negativamente na avaliação dos trabalhadores. etc. veja tabela 21 abaixo. fim do expediente. 4. a profissão. mas notam-se as relações pessoais entre os colegas. pagamento em dia.

Agentes Ventilação/calor e barulho. intrigas. fracasso. Tempo de pausa. departamento de pessoal. TABELA 22: ASPECTOS DO TRABALHO QUE MAIS DESAGRADAM OS TRABALHADORES DO SETOR DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. 29 38 9. etc. retrabalho. cujos resultados garantem uma maior remuneração.4 11 incompreensões. atraso pagamento.7 interpessoais Brigas. ou seja. 26 6. 4 Demissões. almoçar na marmita.A % Pressão exagerada encarregada. 6 improvisações.1 Total 409 100 F. 21 5. igualdade tratamento. o final do mês e o voltar para a casa com 30 indicações ou 4.0 consideração. falta 14 Desconforto de higiene. falta de café da manhã. A análise destes quadros demonstra que a organização do trabalho em células reforça a solidariedade do grupo de pessoas na obtenção das metas de produção.3 Administração administração. mau humor. COISAS QUE MAIS DESAGRADAM NO TRABALHO F. 74 Muito trabalho.1 do trabalho Horas extras. 409 contra 665 que agradam. Valorização e 27 86 21. veja tabela 22. 9 Relação ruim com patrões/chefes 15 Hierarquia Desconfianças/desrespeito/perseguições/normas. cansaço. cooperação e entrosamento.1 Falta de médico 3 Distância da casa ao trabalho. segunda-feira. má 9 9 2. não 15 participação nos lucros. produtos químicos. 77 Relações Falta de coleguismo. rotina. pegar ônibus. desunião. Outros Nada. ignorância. Fofocas. remuneração Desigualdade salarial. mentiras e falsidades.3 ambientais Poeira.A= Freqüência absoluta. trabalhar em célula 13 e competitividade. dificuldade para beber água.5% do total. que é um dos itens importantes .R F. 12 101 24. 2005. Entre as coisas que mais desagradam os trabalhadores assinalaram um número menor de itens. produção alta. mau cheiro. Organização Tipo de trabalho que realiza 8 107 26. descontos. 21 21 5. trabalho noturno e horário rígido.pausa para o café. inveja. 12 Má remuneração 45 Falta de valorização. 6 Trabalho repetitivo.R= Freqüência relativa e F.

tendo a fofoca. um ambiente de trabalho desconfortável. Os trabalhadores enfrentam também.que desagradam os trabalhadores. Este laço de solidariedade cria uma relação de identificação e de companheirismo. seguido pela pressão pela produção com 69 (18. veja tabela 22. a competitividade e o excesso de trabalho com 102 indicações (27. que quando não são harmônicas.5%). a grande maioria das respostas está ligada a sentimentos e crenças relacionadas ao mundo social. Assim.4%) e a má remuneração com 40 citações (10. quebram a solidariedade intergrupal. onde o calor decorrente da má ventilação se sobressai com 23 indicações (6.1%) do total delas. Como a relação interpessoal e grupal é um fator muito importante para este grupo de trabalhadores.6%). a repetitividade. havendo inclusive certo estranhamento com trabalhadores de outros setores. com vários agentes atuando simultaneamente. a organização do trabalho em produção alta. .2%) são os itens que mais desagradam seguidos pelas relações pessoais. a posição fixa de trabalho. intrigas e outros aspectos do relacionamento entre os que mais desagradam com 77 indicações (20. Por outro lado um bom entrosamento no trabalho reforça positivamente o enfrentamento do ritmo de trabalho e as cobranças constantes para manter a produção alta.

seja nas pequenas oficinas de facção ou no trabalho a domicílio.8 CONCLUSÕES As relações sociais no interior das fábricas de vestuário têm marcas profundas sendo denunciada pela forma de organização da produção e pela divisão do trabalho. faz . Nestes locais é onde a organização capitalista se apropria de maneira mais severa do tempo e da capacidade do trabalhador de produzir os bens de consumo que se transformarão nas mercadorias que proporcionarão o lucro da atividade econômica. lavanderia. do baixo padrão salarial do setor. por novos trabalhadores treinados e com capacidades orgânicas em condições de manter a alta produção que alguns trabalhadores já não suportam mais. que são realizados em dias escolhidos pela empresa. A falta de opção de trabalho na região favorece a aceitação. Esta população jovem. Os trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina são constituídos por uma população empobrecida e de baixa escolaridade. seja pelo grande desenvolvimento destas empresas como pela retração do setor agropecuário baseado na monocultura do café e da pecuária de corte. cabendo ainda às empresas o processo de seleção e formação complementar. em casas simples de alvenaria ou de madeira.SESC ou pelo Serviço de Ensino Nacional da Indústria – SENAI. que se concentra nos bairros periféricos e nos morros da cidade. Os novos trabalhadores são capacitados pelo Serviço Social do Comércio . com média de 31 anos. A indústria do vestuário de Colatina tem sido desde 1990. passadoria e de artesanato. sendo mais visível nos setores onde o trabalho vivo é mais atuante. é substituída. periodicamente. por sinal praticado em todo o país.00 (trezentos e cinqüenta e sete reais) e com ganho de produtividade que pode variar de 2 a 36%. Os trabalhadores excluídos acabam sendo desviados para o mercado informal. dependendo das metas atingidas durante o mês de trabalho. como nos setores de costura. com salário base fixado em convenção coletiva em torno de R$357. acabamento. a opção de trabalho da grande maioria dos trabalhadores jovens da região. por parte dos trabalhadores e de seu sindicato. que ministram os cursos de formação. É o mercado global que deprecia o salário para baixo.

a água que é ingerida pelo trabalhador. Isso demonstra que uma população mais antiga de trabalhadores já está no estágio final do processo da doença crônica incapacitante relacionada ao trabalho. mas que não foi objeto de investigação deste estudo. Na linha de produção. No setor do vestuário de Colatina. A célula de produção impôs novo ritmo de trabalho. estes casos necessitaram em média de 5 dias de afastamento. a densidade do trabalho é alta e o trabalhador não tem tempo para fazer pausas. Considerando os últimos 15 dias anteriores à pesquisa. Estas queixas de saúde provocaram. Este estudo mostrou que a prevalência de queixas de saúde nos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina é estimada em 24. mesmo a ida ao banheiro é adiada constantemente a fim de garantir a meta da célula de produção.2% .9%. é servida por ajudantes. como as dores nas costas e na coluna. que buscava o aumento da produtividade e da qualidade do produto. como é conhecida. mas quando incluídos o tempo total de afastamento. 8. o processo da flexibilização econômica e a reengenharia da produção tiveram início em 1992 quando uma nova forma de gestão começou a ser utilizada no meio fabril. e os problemas cardiovasculares que representam 9. no período da pesquisa. dado superior ao encontrado em pesquisa semelhante do PNAD (IBGE. com 14% de prevalência. fato que talvez já esteja aparecendo podendo ser medido no aumento do número de auxílios doenças concedidas pelo INSS.5% de afastamento do trabalho.4 dias. em muitos casos. As queixas de saúde mais referidas são as musculoesqueléticas. o número médio de dias de afastamento sobe para 23. tendo que buscar a rentabilidade no aumento da densidade do trabalho. A produção deixou de ser por cotas individuais e passou a ser contabilizada por grupos de trabalho ou. por células de produção.as empresas trabalharem cada dia com menor margem de lucro. Os trabalhadores inseridos neste formato de gestão de produção estão submetidos a uma tensão laboral mais intensa o que tem gerado novas doenças relacionadas aos transtornos musculoesqueléticos e aos distúrbios mentais. 2000).

os que permanecem na atividade aumentam sua chance de suspeita de transtornos muscoloesqueléticos e de DMM. Considerando os trinta dias de um mês. para cada período de anos trabalhados. Demonstra também que. também foi de 24. como os empresários do setor. A intervenção deve ser feita em vários níveis e pelos atores sociais que atuam neste campo de trabalho. como em um processo de seleção natural dos mais aptos. Os sindicalistas precisam colocar em sua agenda uma permanente discussão com os empregadores a fim de melhorar as condições de trabalho.6%) da amostra que tiveram queixas de saúde. seja pela diminuição . à função de costureira e ao tempo que exerce a função.A prevalência de suspeitas de distúrbios mentais menores – DMM. no setor de vestuário de Colatina (cerca de 4300 trabalhadores). sendo associada ao gênero. sendo que 43 atendimentos foram realizados pelo SUS. pode estar demandando cerca de 800 atendimentos médicos por mês para o SUS. os sindicatos de trabalhadores e os órgãos públicos da área do trabalho e da saúde. Esta situação reforça a caracterização deste fator de risco como fator causal no processo de adoecimento destes trabalhadores. Os resultados do estudo indicam que são necessárias ações para intervir nas causas do processo saúde-trabalho-doença.4% e não houve diferenças em relação ao sexo e a idade sendo associadas fortemente com a função e o tempo em que a pessoa a exerce. Ao se analisar a queixa de saúde por tempo de atividade na indústria do vestuário. demandaram 82 atendimentos médicos. pode-se estimar que a população de trabalhadores com vínculo empregatício. e em todos os locais onde a indústria esteja organizada desta forma. Nos últimos 15 dias anteriores à pesquisa. que existe no setor do vestuário de Colatina. Dos que apresentaram queixas de saúde e foram atendidos por médicos 6.9% disseram que suas queixas de saúde foram relacionadas com as condições de trabalho. As suspeitas de lesões por esforços repetitivos – LER teve prevalência de 16. ao uso de medicamentos calmantes. 66 pessoas (15.9%. verificou-se que é no primeiro ano de trabalho que são selecionados os trabalhadores que se adaptam à forma de organização da produção. em especial da saúde do trabalhador.

Neste aspecto. apud FRANCO&MERHY. melhoria do mobiliário utilizado. O SUS tem que atuar prioritariamente na saúde do trabalhador no controle das causas das doenças.68). tem papel fundamental na notificação de queixas de saúde que possam estar relacionados com o trabalho. discussão da produção e da remuneração. médico do trabalho. p. no atendimento do Programa de Saúde da Família – PSF e da Unidade Básica de Saúde – UBS. mesmo após a realização do 3ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador em 2005. A DRT deve aumentar a fiscalização por um lado para fazer cumprir as normas de segurança existentes. . A ação conjunta entre os órgãos públicos da área da saúde e do trabalho tem sido tema de várias discussões e até de estudos acadêmicos (PINHEIRO. 2003. 1976. As empresas do setor do vestuário estão classificadas pela NR-4 – Serviços Especializados de Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho como sendo de grau de risco 2. redução do ritmo de trabalho. devem-se aprimorar as normas regulamentadoras que tratam das organizações internas das empresas voltadas para a questão da gestão de risco e controle da saúde (NR-4 e NR-5). técnico de segurança do trabalho e auxiliar de enfermagem. a área da saúde. estas informações servirão de alerta aos órgãos de fiscalização e facilitarão sua ação de investigação. com a ação da Vigilância Epidemiológica e Sanitária. na gestão das cargas de trabalho existentes no ambiente de trabalho e não mais com o “objetivo vinculado à necessidade de reprodução da força de trabalho frente ao processo de produção econômica“ (DONNANGELO. mas procurando sempre proteger o trabalhador onde há omissão nos textos legais. porém a solução para o assunto ainda esta longe de ocorrer. Esta classificação obriga somente as empresas com mais de 500 empregados a ter um técnico de segurança e somente as com mais de 1000 empregados a constituírem SESMT com engenheiro de segurança. exercícios laborais e rotatividade de funções. com a mudança na classificação de risco do setor de vestuário. de sua rede de atenção primária à saúde. isto é. Por outro lado. introduzindo pausas periódicas. 1996). através do SUS. Na área legal do MTE.da jornada de trabalho. como forma de controle do desgaste operário. pode dar uma grande contribuição. controle dos agentes ambientais. a área da saúde.

2006. o que obrigaria as empresas com mais de 100 empregados a constituírem um SESMT com pelo menos um técnico de segurança do trabalho.5). que o define como sendo um trabalho adequadamente remunerado. indicam que a classificação mais adequada para o setor de confecções é o grupo C-6. na qual o setor de confecções está situado no grupo C-4. encontradas neste setor. deste ano de 2006. e os resultados apresentados por este estudo indicam que é necessária a revisão da classificação de risco desta atividade econômica para o grau de risco 3. eqüidade e segurança. capaz de garantir uma vida digna (MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Estas mudanças são necessárias para que as situações inadequadas de trabalho do setor do vestuário possam ser controladas pelos empregadores. a fim de se ver cumprir os direitos dos trabalhadores por um ambiente de trabalho mais saudável ou. Este mesmo raciocínio se aplica para a constituição das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes CIPA. Os inúmeros setores de trabalho e a grande quantidade de trabalhadores em situação de trabalho desgastante. com apenas 2 membros e somente a partir de 141 empregados aumenta sua constituição para 4 membros. exercido em condições de liberdade. do MTE. no qual a CIPA passa a ter 4 membros a partir de 80 empregados.Os inúmeros setores de trabalho e as situações de risco à saúde dos trabalhadores. como no dizer da Agenda Nacional de Trabalho Decente. com a exigência de constituir CIPA a partir de 30 empregados. prevista pela NR-5. encontrados pelo estudo. p. .

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De Taylor ao modelo japonês: modificações ocorridas nos modelos de organização do trabalho e a participação do trabalho. 2006. 2004. São Paulo. 25 (5): p. René & DIAS. A. A. julago-set. Doenças Relacionadas ao Trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde. São Paulo. São Paulo: Hucitec. . P.13 (supl. 19 de set. Da medicina do trabalho à saúde do trabalhador. Jorge da Rocha. Elizabeth Costa.341-349. v. & LEWIN.080. Cadernos de Saúde Pública. 21ª ed. MARX. 2003. 1991.C. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. E. n.67. 1997. __________. São Paulo: Atheneu. O capital: critica da economia política. Livro 1. Brasília: Ministério da Saúde do Brasil. 1990. Tecendo a precarização: trabalho a domicilio e estratégias sindicais na indústria de confecções de São Paulo. Importância da ocupação como determinante de saúde-doença: aspectos metodológicos. LEITE.M. 2003. 1998. Epidemiologia.17. René. dez. C & THEDIM-COSTA. Diário Oficial da União. 2001. & NORIEGA. _______________. 55-123. et all. 29-37.F. GOMES. Túlio Batista. a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providencias. O trabalho em saúde: experienciando o SUS no cotidiano. 1989. Karl. São Paulo: Melhoramentos. proteção e recuperação da saúde. 2001. MINISTÉRIO DA SAUDE DO BRASIL. M. R.93/94: p. A construção do campo da saúde do trabalhador: percurso e dilemas. Processo de produção e saúde – Trabalho e desgaste operário. Os grandes dilemas do SUS: tomo I. 1989. São Paulo: Hucitec. MONTEIRO. LEAKEY. 2 (1): p. 1996. Revista de Saúde Pública. Emerson Elias et al. MENDES. 2): p. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional. Programa de saúde da Família (PSF): contradições de um programa destinado à mudança do modelo tecnoassistencial. Dispõe sobre condições para a promoção. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional. MEDRONHO. 4ª ed. S. R. 21-32. MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. In: MERHY. Lei orgânica 8. Maria Silva. Trabalho. Trabalho decente. v. n. 57-93. Rio de Janeiro. MINAYO-GOMES. Origens. MENDES.LAURELL. Salvador: Casa da Qualidade. 1982. Educação e Saúde. 2004. Eugênio Vilaça. São Paulo: HUCITEC. Márcia de Paula. MENDES. Emerson Elias & FRANCO. MERHY. R. Uma agenda para a saúde.

10ª ed. 249-258. Ansiolíticos. Disponível em: www. Alfredo Rodrigues Leite da.159-177. In: ROUQUAYROL. Naomar. Como todo nosso conteúdo é de livre acesso. WISNER. 1983. Rodrigo Marot. A. Rachel M. Rio de Janeiro: v. O psicosite tem como principal objetivo proporcionar informações de base científica sobre psiquiatria e psicologia para leigos e profissionais. PINHEIRO. 2001. Petrópolis: VOZES. ODDONE. O livro de ouro da história do Mundo. MEDSI: Rio de Janeiro.NUNES. T. 2003. Álvaro et al. Dissertação de mestrado. Jarbas Barbosa et al.psicosite. Maria Zélia & ALMEIDA FILHO.M. SILVA. 1994. 62. 1996. C. ROBERTS. São Paulo: Fundacentro. doença e trabalho no Brasil. Centro Biomédico. RIGOTO. J. Saúde em Debate.SESI. 1993. SILVA JÚNIOR. Rio de Janeiro: Ediouro.br. Porto Alegre: Artmed. Manual de Segurança e Saúde no Trabalho. 2002. São Paulo: HUCITEC. 6ª ed.M. TAMAYO. 2003. Responsável Dr. 2004. Cultura em organizações: um estudo de caso sobre o discurso corporativo. In: BUSCHINELLI. São Paulo: Fundacentro. Epidemiologia & Saúde. 6ª ed. Rio de Janeiro: Medsi. I. 26. n. 2003. São Paulo: Global Editora. A Inteligência no Trabalho. Dissertação de doutorado. 2003. T. ROUQUAYROL. Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas. 1986. G. Interdisciplinaridade: conjugar saberes. p. Vigilância em saúde do trabalhador no Sistema Único de Saúde: a vigilância do conflito e o conflito da vigilância. Everardo Duarte. p.M. Medicina Social: aspectos históricos e teóricos. isto é trabalho de gente? Vida. PSICOSITE. ________________. São Paulo: SESI. et al. Universidade Federal do Espírito Santo. Ambiente de trabalho: a luta dos trabalhadores pela saúde.com. Cultura e saúde nas organizações. J. 2006. Doenças e agravos não-transmissíveis: bases epidemiológicas. Maria Zélia & ALMEIDA FILHO. Naomar. Metodologias de reconhecimento e avaliação qualitativa de riscos ocupacionais. set/dez. Universidade Estadual de Campinas. esperamos cooperar com a democratização da informática no Brasil. Investigando a relação entre saúde e trabalho. TRIVELLATO. Epidemiologia & Saúde. Acessado em 25 abr. SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA . . 1998.

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10 ANEXOS A – CARTA DE APRESENTAÇÃO B – TÊRMO DE CONSENTIMENTO DO ENTREVISTADO C – QUESTIONÁRIO D – INSTRUMENTO DE ESTUDO DAS CARGAS DE TRABALHO E – TÊRMO DE APROVAÇAO DO COMITÊ DE ÉTICA .

As informações são confidenciais e serão analisadas somente pela equipe de pesquisadores. visando instrumentalizar a discussão e proposição de normas para a melhoria das condições de trabalho nos diferentes processos produtivos. levando-se em consideração a participação de cada um no resultado final do conjunto dos trabalhadores da indústria do vestuário. responda honestamente! Caso queira acrescentar algum comentário. A resposta às questões do questionário e voluntária. Antônio Carlos Garcia Júnior Pesquisador da Fundacentro Coordenador da Pesquisa . Atenciosamente.ANEXO A CARTA DE APRESENTAÇÃO Colatina. pela importância deste estudo. por favor. Agradecemos sua atenção e colaboração. Posteriormente. novembro de 2005. conforme sua percepção de sintomas que podem estar relacionados com sua saúde. e sua repercussão sobre a vida dos trabalhadores. a Fundacentro irá realizar atividades educativas que possam contribuir com a melhoria das condições de trabalho. Portanto. Os dados levantados junto aos trabalhadores e com as empresas serão submetidos a uma analise acadêmica que produzirá uma dissertação de mestrado junto ao Programa de Pós-graduação em Atenção em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo. fale com o entrevistador que o escreverá no final do questionário. O objetivo desta pesquisa é conhecer as condições de trabalho e saúde dos trabalhadores da Industria dos Vestuários no município de Colatina – ES. Prezado trabalhador: A Fundacentro é um órgão do Ministério do Trabalho e Emprego que realiza estudos e pesquisas na área de saúde e segurança dos trabalhadores.

COLATINA. APÓS SER INFORMADO DOS OBJETIVOS E A IMPORTÂNCIA DA PESQUISA SOBRE AS CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA – ES. AUTORIZO DE LIVRE E ESPONTANEA VONTADE. QUE MINHA ENTREVISTA SEJA UTILIZADA PARA A EXECUÇÃO DESTE ESTUDO. _____DE_____________2005.ANEXO B FORMULÁRIO DE CONSENTIMENTO DO ENTREVISTADO Nº__________ EU. ______________________________________________________. ASSINATURA DO ENTREVISTADO______________________________________ ASSINATURA DO ENTREVISTADOR: ____________________________________ .

GRUPO RACIAL ( ( ( ( ( ) BRANCA ) PARDA ) PRETA ) AMARELA ) OUTRO. 7.EMPRESA EM QUE TRABALHA ________________________________________________ 2.ESTADO CIVIL ( ( ( ( ) SOLTEIRO ) CASADO OU VIVE MARITALMENTE COM ALGUEM ) VIUVO ) DIVORCIADO.IDADE: _____________ANOS.ATÉ QUE ANO ESTUDOU? _________________ANOS 8. DESQUITADO OU SEPARADO. 4.EM QUE REGIAO VOCE NASCEU? ( ( ( ( ( ) COLATINA ) MUNICIPIO DO NORTE DO ESTADO.ANEXO C QUESTIONÁRIO UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPIRITO SANTO – UFES CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE MESTRADO EM ATENÇÃO À SAÚDE COLETIVA – PPGASC Nº. _____________ 1. ) OUTROS MUNICIPIOS DO ESTADO ) OUTROS ESTADOS ) OUTRO PAÍS .SEXO: ( ) MASCULINO ( ) FEMININO 5.FUNÇÃO/OCUPAÇÃO: ____________________________________________________________ 3. QUAL?_______________________________________________________ 6.

QUANTAS HORAS DE TRABALHO SEMANAL VOCÊ FEZ NO ÚLTIMO MÊS TRABALHADO? Nº DE HORAS: ___________________SEMANAIS.EM MÉDIA.SE NASCIDO NA REGIÃO RURAL.SEU HORÁRIO DE TRABALHO É: ( ( ( ) FIXO NO PERÍODO DIURNO (ENTRE 7 E 18 HORAS) ) FIXO NO PERIODO NOTURNO (ENTRE 18 HORAS E 6 HORAS) ) EM TURNOS ALTERNADOS (DIURNO E NOTURNO) 17. 13.HÁ QUANTO TEMPO TRABALHA NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO? _______ANOS_______MESES. 15.00 SUA RENDA MENSAL LÍQUIDA PROVENIENTE DO TRABALHO CORRESPONDE A QUANTOS SALÁRIOS MÍNIMOS? _________________________SALÁRIOS MINIMOS 12.CONSIDERANDO O SALÁRIO MÍNIMO ATUAL DE R$ 300.HÁ QUANTO TEMPO TRABALHA NA ATUAL FUNÇÃO? _________ANOS________MESES.9.QUANTAS PESSOAS EM SUA FAMILIA DEPENDEM FINANCEIRAMENTE DE VOCE? (INCLUIDO O PROPRIO ENTREVISTADO) Nº DE PESSOAS: _______________ 11. 14.HÁ QUANTOTEMPO TRABALHA NESTA EMPRESA? _______ANOS_______MESES. VOCÊ FAZ INTERVALOS PARA LANCHES OU REFEIÇÕES? ( ( ) SIM ) NÃO QUANTO TEMPO?__________MINUTOS 18.DURANTE A JORNADA DE TRABALHO. 16. HÁ QUANTO TEMPO MUDOU-SE PARA A CIDADE? N° DE ANOS: _____________ 10. VOCÊ REALIZA OUTRAS PAUSAS QUE NÃO SEJAM PARA ALIMENTAÇÃO? .DURANTE A JORNADA DE TRABALHO.

( ( (

) SIM ) ÀS VEZES ) NÃO

19- VOCÊ ACHA QUE A QUANTIDADE E DURAÇÃO DAS PAUSAS SÃO SUFICIENTES PARA RECUPERAR O SEU CANSAÇO DURANTE A JORNADA DE TRABALHO? ( ( ) SIM ) NÃO

20- DURANTE O SEU DIA DE TRABALHO, AS TAREFAS QUE VOCÊ REALIZA: ( ( ( ( ) SÃO SEMPRE AS MESMAS ) VARIAM UM POUCO ) VARIAM MUITO ) VARIAM DEPENDENDO DO DIA DA SEMANA

21- VOCÊ ACHA QUE SUA CHEFIA O PRESSIONA MUITO? ( ( ( ) SIM ) NÃO ) ÀS VEZES

22- COMO VOCE SE SENTE AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DO EXPEDIENTE?

23- COMO VOCÊ AVALIA SEU ESTADO DE SAÚDE. ( ( ( ( ( ) MUITO BOM; ) BOM; ) REGULAR; ) RUIM; ) MUITO RUIM

24- VOCÊ APRESENTOU ALGUM PROBLEMA DE SAÚDE, NOS ÚLTIMOS 15 DIAS? ( ( ) SIM ) NÃO (PASSE DIRETO PARA A QUESTÃO 30).

25- SE SIM:

QUAIS FORAM ESTES PROBLEMAS DE SAÚDE?
1)_______________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________

3)_______________________________________________________________________________ 4)_______________________________________________________________________________ 5)_______________________________________________________________________________ 26- ALGUM DESTES PROBLEMAS DE SAÚDE FEZ QUE VOCÊ NECESSITASSE AFASTAR-SE DO TRABALHO? ( ( ) SIM ) NÃO

SE SIM, QUAL DELES?_____________________________________________________________ POR QUANTO TEMPO?_____________DIAS. 27- AONDE FOI SEU ATENDIMENTO MÉDICO? ( ( ( ( ( ) MEDICO DA EMPRESA ) PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA (PSF), PRÓXIMA À RESIDÊNCIA. ) UNIDADE BASICA DE SAÚDE AMBULATÓRIO OU PRONTO-SOCORRO DO SISTEMA ) PLANO OU CONVÊNIO DE SAÚDE. ) OUTROS ESPECIFICAR: _________________________________________________

ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

28- O MÉDICO QUE TE ATENDEU RELACIONOU SEU SINTOMA COM SUAS CONDIÇOES DE TRABALHO? ( ( ) SIM ) NÃO

29- VOCÊ ACHA QUE SEU TRABALHO PODE PREJUDICAR SUA SAÚDE? ( ( ) SIM ) NÃO (PASSE DIRETO PARA A PERGUNTA 33)

30- SE SIM: O QUE NO SEU TRABALHO VOCÊ CONSIDERA QUE PODE PREJUDICAR A SAÚDE? (ESCREVA AS TRÊS PRINCIPAIS CAUSAS) 1)_______________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________ 3)_______________________________________________________________________________ 31- QUAIS PROBLEMAS DE SAÚDE VOCÊ CONSIDERA QUE PODEM DECORRER DO SEU TRABALHO? (ESCREVA OS 3 PRINCIPAIS PROBLEMAS DE SAÚDE). 1)_______________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________

3)_______________________________________________________________________________

VOU LER PARA O SENHOR (A) AS INSTRUÇÕES PARA AS PRÓXIMAS QUESTÕES (33 A 52). ESTAS QUESTÕES SÃO RELACIONADAS COM CERTAS DORES E PROBLEMAS QUE PODEM TÊ-LO (A) INCOMODADO (A) NOS ÚLTIMOS 30 DIAS. SE VOCÊ ACHA QUE A QUESTÃO SE APLICA A VOCÊ E VOCÊ TEVE O PROBLEMA DESCRITO NOS ÚLTIMOS 30 DIAS, RESPONDA SIM. POR OUTRO LADO, SE A QUESTÃO NÃO SE APLICAR A VOCÊ PORQUE VOCÊ NÃO TEVE O PROBLEMA NOS ÚLTIMOS 30 DIAS, RESPONDA NÃO. SE VOCÊ NÃO TIVER CERTEZA SOBRE COMO RESPONDER A ALGUMA QUESTÃO, DÊ A MELHOR RESPOSTA QUE PUDER.

QUESTÕES 32- TEM DORES DE CABEÇA FREQUENTES? 33- TEM FALTA DE APETITE? 34- DORME MAL? 35- ASSUSTA-SE COM FACILIDADE? 36- TEM TREMORES NAS MÃOS? 37- SENTE-SE NERVOSO (A), TENSO (A) OU PREOCUPADO (A)? 38- TEM MÁ DIGESTÃO? 39- TEM DIFICULDADE DE PENSAR COM CLAREZA? 40- TEM SE SENTIDO TRISTE ULTIMAMENTE? 41- TEM CHORADO MAIS DO QUE DE COSTUME? 42- ENCONTRA DIFICULDADES PARA REALIZAR COM SATISFAÇÃO SUAS ATIVIDADES DIÁRIAS? 43- TEM DIFICULDADES PARA TOMAR DECIÇÕES? 44- TEM DIFICULDADES NO SERVIÇO (SEU TRABALHO É PENOSO, CAUSA-LHE SOFRIMENTO)? 45- É INCAPAZ DE DESEMPENHAR UM PAPEL ÚTIL EM SUA VIDA? 46- TEM PERDIDO O INTERESSE PELAS COISAS? 47- VOCE SE SENTE UMA PESSOA INUTIL, SEM PRÉSTIMO? 48- TEM TIDO A IDÉIA DE ACABAR COM SUA VIDA? 49- SENTE-SE CANSADO (A) O TEMPO TODO? 50- TEM SENSAÇÕES DESAGRADÁVEIS NO ESTOMAGO? 51- SE CANSA COM FACILIDADE?

SIM

NÃO

CANSAÇO OU PESO EM ALGUMA DESTAS PARTES? 53.A DURAÇÃO DE 2 DE QUALQUER DOS SINTOMAS ACIMA É SUPERIOR A 30 DIAS? SIM NÃO 61. 63. FLEXÃO OU ROTAÇÃO DO BRAÇO.TEM SENSSAÇÃO FREQUENTE DE FORMIGAMENTO OU FISGADAS EM ALGUMAS DESTAS PARTES? 55.TEM AUMENTADO A DIFICULDADE EM FAZER MOVIMENTOS DE EXTENSÃO.TEM APRESENTADO INCHAÇÕ EM ALGUMA DESTAS PARTES? 58. MÃOS E DEDOS. BRAÇOS.VOCÊ FAZ USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS? ( ( ) SIM ) NÃO SE SIM: 62.TEM SENSSAÇÃO FREQUENTE DE DESCONFORTO.AS QUESTÕES SEGUINTES DEVEM SER CONSIDERADAS EM RELAÇÃO AOS MÚSCULOS E ARTICULAÇÕES (AS JUNTAS) DAS SEGUINTES PARTES DO CORPO: PESCOÇO. MÃOS OU DEDOS? 59.COM QUE FREQUENCIA BEBE SEMANALMENTE? ( ( ( ( ( ) MENOS DE 1 VEZ POR SEMANA (QUINZENALMENTE OU MENSALMENTE) ) UMA OU DUAS VEZES POR SEMANA ) TRÊS OU QUATRO VEZES POR SEMANA ) CINCO OU SEIS VEZES POR SEMANA ) TODOS OS DIAS.OBSERVA PERDA DE SENSIBILIDADE TÁTIL OU DOLOROSA PERMANENTE EM ALGUMA DESTAS PARTES? 56.OS SINTOMAS ACIMA DESAPARECEM OU MELHORAM NOS FINS DE SEMANA. FERIADOS OU QUANDO NÃO TRABALHA? 60. QUESTÕES 52. OMBROS.SENTE DOR AO PRESSIONAR OU AO MOVIMENTAR ALGUMA DESTAS PARTES? 57.VOCÊ FAZ USO HABITUAL (OU USOU NOS ÚLTIMOS 6 MESES) DE MEDICAMENTOS CALMANTES? ( ( ) SIM ) NÃO QUAIS?___________________________________________________________________ .SUA CALIGRAFIA VEM SE ALTERANDO? 54.

69.AMEAÇÃ DE CORTE DE PESSOAL E DESEMPREGO.FALTA DE COOPERAÇÃO ENTRE OS COLEGAS DE TRABALHO. 75.MÁ REMUNERAÇÃO PELO TRABALHO QUE REALIZA. 68.TRABALHAR SOMENTE NO TURNO NOTURNO OU EM TURNOS ALTERNADOS (DIURNO/NOTURNO) 70.QUAIS AS 2 COISAS QUE MAIS LHE DESAGRADAM NO SEU TRABALHO? 1)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 66. DISCUSSÕES.VOCÊ SE SENTE VALORIZADO PELO TRABALHO QUE REALIZA? ( ( ( ) SIM ) ÀS VEZES ) NÂO NAS QUESTÕES DE NUMERO 68 A 83. 73. CONTROLE EXCESSIVO.HÁ QUANTO TEMPO?______________________________________________________ 64. PERSEGUIÇÃO. 74. RESPONDA SE ESTAS SITUAÇÕES SÃO FONTES DE TENSÃO E CANSAÇO NO SEU TRABALHO.CALOR EXCESSIVO DURANTE O TRABALHO ÀS VEZES NÃO .TER PROBLEMAS COM CHEFIA (DISCRIMINAÇÃO.QUAIS AS 2 COISAS QUE MAIS LHE AGRADAM NO SEU TRABALHO? 1)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 65. SIM 67.TER POUCO TEMPO PARA PAUSAS NO TRABALHO. 72. AUTORITARISMO).NÃTO TER OPORTUNIDADE PARA PROMOÇOES NA EMPRESA 71.TER QUE PROLONGAR A JORNADA DE TRABALHO E OU REALIZAR HORAS EXTRAS.

80.TRABALHAR POR PRODUÇAO PRE-DEFINIDA. 82. SINTA-SE A VONTADE CASO QUEIRA FALAR ALGO SOBRE SEU TRABALHO OU SUA SAUDE: ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ________________________________________________________________ O QUESTIONÁRIO ENCERRA-SE AQUI. MUITO OBRIGADO POR SUA COLABORAÇÃO. 78.INADEQUAÇÃO E DESCONFORTO NO POSTO DE TRABALHO (CADEIRA E BANCADA). 81.RITMO DE TRABALHO MUITO ACELARADO.76. 79.BARULHO EXCESSIVO DURANTE O TRABALHO 77.IMPROVISAÇÕES NO DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES. .O TRABALHO É MONOTONO E DESINTERESSANTE.FALTA DE TREINAMENTOS INADEQUADOS PARA O EXERCICIO DA FUNÇÃO.

ANEXO D ESTUDOS DE CARGAS DE TRABALHO EMPRESA: ________________________________________________________ ENDEREÇO: ________________________________________________________ DATA: ___________________________ HORÁRIO: ______________________ SETOR: ____________________________________________________________ FUNÇÃO: __________________________________________________________ DESCRIÇÃO DA TAREFA: .

Físicas a) Ruído b) Calor c) Vibrações d) Radiações e) Umidade Observações: Tempo de Exposição 2.Químicos a) Poeiras b) Substâncias c) Gases d) Vapores Observações: 3.Biológicos a) Bactérias c) vírus d) Outros Observações: .Classificação Fonte 1.

4. Peso f) Produção g) Turnos h) T.Psíquico a) Hierarquia b) Valorização c) Cultura Observações: SINERGISMOS ENTRE CARGAS – ANÁLISE . Noturno Observações: 5.Fisiológicos a) Mobiliário b) Posições c) Ritmos d) Monotonia e) L.

ANEXO E .

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