UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ATENÇÃO À SAÚDE COLETIVA

ANTÔNIO CARLOS GARCIA JÚNIOR

CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA - ES.

VITÓRIA 2006

ANTONIO CARLOS GARCIA JUNIOR

CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA - ES.

Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Atenção à Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito parcial para obtenção do grau de mestre em Saúde Coletiva, na área de concentração Políticas, Administração e Avaliação de Saúde. Orientador: Prof. Dr. Luiz Henrique Borges

VITÓRIA 2006

Dados Internacionais de Catalogação na publicação (CIP) (Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil) Garcia Júnior, Antônio Carlos, 1956 – Condições de trabalho e saúde dos trabalhadores da Indústria do vestuário de Colatina – ES / Antônio Carlos Garcia Júnior – 2006. 123f.

G216c

Orientador: Luiz Henrique Borges Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Espírito Santo, Centro Biomédico. 1. Saúde Coletiva. 2. Saúde do Trabalhador. 3. Processo Saúdedoença. I. Borges, Luiz Henrique. II. Universidade Federal do Espírito Santo. Centro Biomédico. III. Título. CDU 614.2 ___________________________________________________________________

como requisito parcial para obtenção do grau de mestre em Saúde Coletiva. Dr. Luiz Henrique Borges Universidade Federal do Espírito Santo Orientador _______________________________________ Prof. Aloísio Falqueto Universidade Federal do Espírito Santo . COMISSÃO EXAMINADORA ______________________________________ Prof. Ildeberto Muniz de Almeida Faculdade de Medicina de Botucatu . Dr.SP ________________________________________ Prof. Aprovada em 7 de julho de 2006.ES Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Atenção à Saúde Coletiva do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo. Dr.ANTÔNIO CARLOS GARCIA JÚNIOR CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA .

A Marisa e Maya portadoras dos archotes que iluminam meu caminho. que me mostrou as estrelas. que me incentivou a seguir a senda do conhecimento. e Maria da Penha Cabalini. Aos meus pais. Antônio Carlos de Assis Garcia. .

pelas aulas maravilhosas e momentos de reflexão que mudaram meu enfoque sobre a saúde e a compreensão sobre o processo de adoecimento dos trabalhadores. agradeço ao meu orientador Prof. mesmo correndo o risco de esquecer alguém. Dr. Luiz Henrique Borges. que foram as grandes batalhadoras e amigas nos momentos mais difíceis e que. . demonstrado pelo incentivo e interesse pelo meu trabalho. Aos trabalhadores do setor do vestuário de Colatina que concordaram em conceder as entrevistas em seu tempo fora do trabalho. demonstraram garra e compromisso com esta pesquisa. com enorme consideração e amizade contribuiu imensamente para a realização deste trabalho. Sou imensamente grato a FUNDACENTRO que me incentivou através de seu programa de pós-graduação a realizar este mestrado e pelo indispensável suporte financeiro que tornou possível concretizar esta dissertação. que sempre acreditou em minha capacidade e. com dedicação ao trabalho. Aos colegas da FUNDACENTRO do Espírito Santo pelo carinho e a compreensão em minhas ausências para participar das atividades acadêmicas. acreditando em nosso propósito de trazer luz às suas condições de vida e saúde ocupacional. é necessário externar a minha gratidão a algumas pessoas em especial.AGRADECIMENTOS Nesta hora. À equipe de entrevistadores de campo Simone de Oliveira Sepulcro. Primeiro. cuja atenção e empenho foram fundamentais para que o trabalho de campo fosse realizado no tempo programado e a todos os demais componentes do sindicato. Lucimar Flaves Gonçalves. A todos os professores do Programa de Pós-Graduação em Atenção a Saúde Coletiva – PPGASC. Rosinéia Maria Cardoso e Maria Aparecida Freire de Almeida. Sou muito grato também à diretora Vilma Aparecida do Carmo do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário – SINTVEST. Solange Rodrigues da Silva.

“A mãe natureza está bastante provida de recursos para proteger nossos corpos das agressões do ar. As doenças dos Trabalhadores – 1700. porque foi criada mais para cobrir os corpos dos homens e das mulheres do que para abrigá-los. Conforme seja a matéria das várias indumentárias. linho. dela geralmente resultarão perturbações que serão experimentadas por aqueles encarregados de sua preparação”. Bernardo Ramazzini. algodão. se bem que possamos abster-nos dela. cânhamo. como lã. assim como seda. .

os que mais ocorreram seguidos dos problemas cardiovasculares (9.0075). Os resultados apontaram que as condições de trabalho prejudicam a saúde dos trabalhadores.65 (IC95% 1. na indústria do vestuário de Colatina-ES.9%. realizado através da aplicação de um questionário em visitas domiciliares a uma amostra aleatória de 432 trabalhadores.35%) e jovens. com média de 31 anos de idade.53) para DMM. movimentos repetitivos e de pouca valorização do intelecto do trabalhador. Utilizaram-se dois métodos: primeiro. presentes no processo de produção desta indústria.67-3.RESUMO Objetivou-se estudar as condições de saúde e trabalho em trabalhadores com vínculo empregatício com empresas do vestuário que produzem a mercadoria roupa em sua totalidade.3%. O perfil foi obtido através de informações socioeconômicas.DMM (avaliada através do Self Reporting Questionnaire – SRQ-20) e a suspeita de lesões por esforços repetitivos – LER (através de um questionário de rastreamento).57) para LER e OR=2. controle rígido. em particular dor na coluna e lombares. suspeita de apresentar transtornos mentais menores .06-2. de suspeita de DMM (p<0. sendo os problemas músculos-esqueléticos (14. Palavras chaves: Indústria do vestuário e saúde.0142). Processo Saúde-doença.43 (IC95% 1. em segundo. em relação às variáveis suspeita de DMM e suspeita de LER. com tarefas fragmentadas.0%). Os dados apontam que há um padrão de desgaste da saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário associado às condições de trabalho.2%) e dos problemas das vias aéreas superiores (6. . Utilizou-se de regressão logística múltipla ajustada para estimar o odds ratio entre a função costureira e as demais.0001) e de LER (p=0. um estudo observacional com delineamento seccional. queixas referidas à saúde nos últimos 15 dias. encontrando-se OR=1. realizado em ritmos excessivo. A prevalência de queixas referidas de saúde foi de 24. um estudo descritivo com levantamento qualitativo das cargas de trabalho. A função de costureira destacou-se das demais pela maior prevalência de queixas referidas (p=0.9% e a de LER foi de 16. Os trabalhadores são preponderantemente do gênero feminino (66. condição de trabalho.4%). Saúde do Trabalhador. A prevalência de suspeita de DMM foi de 24.

3%.0001) and of RSI (p=0. with repetitive moves and scarce valorization of the workers intellectual conditions. working conditions information. that do make and assemble the clothes completely in their productive process. MMD suspicion (p<0. distributed in muscolosketal problems (14.9% and of RSI 16.0142). Espírito Santo State. MMD prevailing suspicion was 24. The profile was obtained through social and economic information. under stiff controls. health complaints filled on the 15 days previous to questions application. health-disease process.4%). The prevailing health complaints were 24. minor mental disorders suspicions – MMD (evaluated through the Self Reporting Questionnaire – SRQ-20) and the repetitive efforts injuries suspicions – RSI (through a tracking questionnaire). young with a 31 years age average. and second.ABSTRACT The objective was to study about the health and working conditions of the formal and legally employed workers from the garment industries in Colatina.2%) and also problems on the superior breathing tract (6. 0%).53) for MMD. The dressmaker function was highlighted due to the major prevalence of referred complaints (p=0. The results pointed out that the working conditions do harm the workers health with fragmented tasks done in excessive rhythms.43 (IC95% 1. The workers are mostly of the feminine gender (66. specially the back problems with major occurrences followed by cardiac and vascular problems (9. 35%). an observational study with a cross section profiling. worker health. Two methods were used: first a descriptive study with the work loads qualitative definition within the production process of such industries. .9%.06-2. Keywords: Collective Health. finding OR=1.65 (IC95% 1. raised with home collected questionnaires applied to a random sample composed of 432 workers.67-3. Logistic regression was used for odds ratio estimation among dressmakers and the other functions in relation to the variables with MMD and RSI suspicion.57) for RSI and OR=2.0075).

................................................. 58 Fluxograma da célula de produção........................ 2005............. 69 Distribuição percentual das faixas etárias por sexo na indústria do vestuário de Colatina-ES..........................................LISTA DE FIGURAS Figura 1: Figura 2: Figura 3: Fluxograma básico do processo de produção da indústria do vestuário.............. 84 ....................................................................

............................. : Função........ : Função....... atividades e carga de trabalho do setor de acabamento........................... atividades e cargas de trabalho do setor de criação e modelagem.. 60 62 63 66 72 73 75 77 79 .............................................. atividades e carga de trabalho do setor de artesanato. : Função....... : Função. : Função... atividades e carga de trabalho do setor de corte. atividades e carga de trabalho do setor de costura.. atividades e cargas de trabalho do setor de almoxarifado de tecidos e aviamentos.... atividades e carga de trabalho do setor de passadeira............................. atividades e carga de trabalho do setor de lavanderia................LISTA DE QUADROS Quadro 1 Quadro 2 Quadro 3 Quadro 4 Quadro 5 Quadro 6 Quadro 7 Quadro 8 Quadro 9 : Função................................ atividades e carga de trabalho do setor de embalagem e expedição........................................ : Função................................. : Função......... : Função.....

LISTA DE SIGLAS CIPA CLT CNAE DMM DRT EPI FGTS FUNDACENTRO IBGE INSS LER LT MS MTE NR OIT OMS PCMSO PNAD PPRA PSF RAIS SAS SEBRAE SRQ-20 SESI SINTVEST SUS USB Comissão Interna de Prevenção de Acidentes Consolidação das Leis Trabalhistas Classificação Nacional de Atividades Econômicas Distúrbios Mentais Menores Delegacia Regional do Trabalho Equipamento de Proteção Individual Fundo de Garantia por Tempo de Serviço Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Instituto Nacional de Seguridade Social Lesões por Esforços Repetitivos Limite de Tolerância Ministério da Saúde Ministério do Trabalho e Emprego Norma Regulamentadora Organização Internacional do Trabalho Organização Mundial da Saúde Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional Pesquisa Nacional por Domicilio Programa de Prevenção de Riscos Ambientais Programa de Saúde da Família Relação Anual de Informações Sociais Statistical Analysis Software Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Self-Report Questionnaire Serviço Social da Indústria Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário Sistema Único de Saúde Unidade Básica de Saúde .

....................................2005........................... Número de empresas e empregados por CNAE-2004 Distribuição de trabalhadores por função e setor na indústria do vestuário de Colatina-ES ........ 2005...................................................... Distribuição dos trabalhadores da indústria do vestuário de ColatinaES............................................... 2005.................... 2005..... 2005.......... Distribuição da amostra dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina por faixa etária.. Aspectos do trabalho que mais agradam os trabalhadores do setor do vestuário de Colatina-ES........................................ 2005.....................................2005....................................... Aspectos do trabalho que mais desagradam os trabalhadores do setor do vestuário de Colatina-ES............................................................ Auto-avaliação do estado de saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina ES.2005........................ Freqüência de consumo de bebidas alcoólicas entre trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES............................. segundo órgãos e sistemas acometidos....................................................... Medicamentos calmantes referidos como utilizados pelos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina–ES.... 2005.......... 2005............................................................. Principais fontes referidas de tensão e cansaço no trabalho em trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina–ES...........2004.. 2005......................... 2005........... por faixas de pessoal empregado............................................................. Freqüência de queixas de saúde por setor e função na indústria do vestuário de Colatina-ES..................... nos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES........ 2005......................... Causas de afastamento do trabalho na indústria do vestuário de Colatina-ES por órgãos e sistemas............................. Número de dias de afastamento do trabalho por queixa de saúde na indústria do vestuário de Colatina-ES.............. 2005.. segundo a sensação que sentem ao sair do trabalho no final do dia........................... Distribuição de trabalhadores por tempo de serviço na indústria do vestuário de Colatina-ES .................LISTA DE TABELAS Tabela 1: Tabela 2: Tabela 3: Tabela 4: Tabela 5: Tabela 6: Tabela 7: Tabela 8: Tabela 9 Tabela 10: Tabela 11: Tabela 12: Tabela 13: Tabela 14: Tabela 15: Tabela 16: Tabela 17: Tabela 18: Tabela 19: Tabela 20: Tabela 21: Tabela 22: Número de empresas do setor do vestuário........ no Brasil e Espírito Santo .......... Morbidade referida... Percepção dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES sobre problemas de saúde decorrentes de seu trabalho. 2005.. Distribuição por grau de escolaridade dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES ......... Prevalência de queixas de saúde com trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-es por tempo de serviço............................ Principais cargas de trabalho referidas pelos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES... 2005........................ 2005........................ 2005.. Distribuição de atendimento médico dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES por local........................................... Distribuição dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina ES que fazem uso de calmantes por tempo de uso............. 2005.. 2005........................................................... 45 45 79 82 84 85 87 88 89 90 90 91 92 95 95 96 98 99 100 101 102 103 .

..SUMÁRIO 1 1......................................................1 1.....................................2 INTRODUÇÃO..............1 3.................................................1.. Objetivo Geral.................................................1 2.............. MARCO TEÓRICO..................1............... ESTUDO DAS CARGAS DE TRABALHO NAS INDÚSTRIAS DO VESTUÁRIO DE COLATINA.............................................................. Sujeitos da Pesquisa e Amostra.........1 1................... OBJETIVOS.. O CARÁTER CENTRAL DO TRABALHO NA MEDIAÇÃO ENTRE CORPO-MENTE-PSIQUISMO...........1...................... .....................................................2 3..............3... ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E SAÚDE DO TRABALHADOR.....................2 3.......................................................................................... CULTURA E SOCIEDADE..4 3 3.............. Setor de Enfesto e Corte.2 4.................3 48 48 51 52 53 55 58 59 60 62 63 67 3...........................................................................1......................................................... Análise dos Dados........................................................ Setor de Criação e Modelagem...............................1 3......... O PROCESSO DE PRODUÇÃO E TRABALHO DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA.... AS CARGAS DE TRABALHO NOS SETORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA ........... 15 18 18 18 19 20 27 29 32 42 43 46 2.................. Setor de Costura....................3 4.........1 Setor de costura e o trabalho em célula de produção.......1....... Instrumento de Pesquisa......4 4. AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE TRABALHO COM A SAÚDE: RISCOS............................... Procedimentos de Campo...............................1.....................................................4 4 4.................................................................................. Setor de Almoxarifado de Tecidos e Aviamentos....... A INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA...........3.......................................3...............................................1 4............4................................................................3 2.1 4..... LEVANTAMENTO DE CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA – ES.......2 2 2.... CARGAS DE TRABAHO E DESGASTE.............................................................. Objetivos Específicos............3 3.............1...................... METODOLOGIA........................ DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO-CONCEITUAL DO ESTUDO DAS RELAÇÕES ENTRE SAÚDE E TRABALHO.........................3........

FONTES DE TENSÃO E CANSAÇO NO TRABALHO........................CARTA DE APROVAÇÃO PELO COMITÊ DE ÉTICA............................ Setor de Embalagem e Expedição....................................................... INDICADORES DE SOFRIMENTO PSÍQUICO E LER..... PERCEPÇAO DOS TRABALHADORES SOBRE A RELAÇÃO SAÚDE TRABALHO.............1............ ANEXO E ........ ................................. INTERAÇÕES ENTRE AS CARGAS DE TRABALHO E DESGASTE DOS TRABALHADORES.....3 5 6 6................... DISTRIBUIÇAO DAS FUNÇÕES POR SETOR DE TRABALHO.....5 4................................................... ANEXOS...............................................6 4.4...........................................................1 6............................................. Setor de Lavanderia........................................................................................................ ANEXO D ...........................................1..................................5 7 7................................................... ASPECTOS SOCIO-ECONÔMICOS DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA......... FUMO E MEDICAMENTOS CALMANTES........................................................... Setor de Passadoria......... CONCLUSÕES.................................................................................................... 70 72 73 75 77 78 80 82 86 86 89 91 92 95 97 100 101 102 105 110 115 116 117 118 126 129 ANEXO A .............................................................................4 6.....................8 4..............................................................................1..............CARTA DE APRESENTAÇÃO....................9 4. ATENDIMENTO MÉDICO E DOENÇA DO TRABALHO....FORMULÀRIO DE ESTUDO DE CARGAS DE TRABALHO.2 7.... ABSENTEÍSMO E AVALIAÇÃO DE SAÚDE....... REFERÊNCIAS.................................. ANEXO C ...................... ASPECTOS AGRADAVEIS E DESAGRADAVEIS NO TRABALHO..................2 4................................................7 4.....................1....... Setor de Artesanato....3 8 9 10 Setor de Acabamento.....1 7............................................................................ PERFIL DE DESGASTE À SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA............... SENSAÇÃO AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DA JORNADA DE TRABALHO..................QUESTIONÁRIO...................................3 6............... USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS... PREVALÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE OU MORBIDADE REFERIDA.................................TERMO DE CONSENTIMENTO DO ENTREVISTADO....2 6.............. ANEXO B ...............1.........................

.1 INTRODUÇÃO Na minha experiência profissional como pesquisador da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho . obter qual é o 1 Fundacentro – Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho. é desconhecida dos pesquisadores da área da Saúde do Trabalhador. sobre seu cumprimento pelas empresas. contidas na portaria 3.FUNDACENTRO1. Estes estudos visam somente atender às exigências das Normas Regulamentadoras de Segurança e Saúde no Trabalho – NRs. que orientam a fiscalização por parte da Delegacia Regional do Trabalho – DRT. Este incremento de estudos da relação saúde-trabalho implica em estabelecer uma reflexão teórica e o aperfeiçoamento de metodologias de abordagem e intervenção na realidade sanitária dos trabalhadores. Como o ambiente de trabalho e as condições de produção são muito particulares para cada local.Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA. Verificamos nos últimos anos a criação de área de concentração de estudos e pesquisas em Saúde & Trabalho. por tornarem obrigatória a realização de estudos sobre o ambiente de trabalho pelas empresas. órgão federal do Ministério do Trabalho e Emprego cuja missão é desenvolver pesquisas e estudos sobre segurança e saúde no trabalho. para que se identifiquem seus determinantes e se proponha alternativas políticas e técnicas para sua superação. nos programas de pós-graduação das áreas da Saúde Pública e da Saúde Coletiva. inseridos em diversificados processos produtivos. específicas da legislação trabalhista. a fim de preservar a saúde e promover a qualidade de vida no ambiente de trabalho. pode-se. realizados no Brasil. A maior parte dos estudos sobre as condições sanitárias do ambiente de trabalho.214/78 do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE. são a NR 7 . desde 1988. através de pesquisa dos diferentes espaços. devido ao seu aspecto confidencial. As normas que mais demandam estudos do ambiente de trabalho e seu controle. para fazer frente a esta escassa produção técnico-científica. divulgar os resultados e capacitar profissionais para atuar no campo da saúde do trabalhador. tenho me deparado com o relativo e pequeno número de estudos publicados sobre as repercussões do ambiente de trabalho na saúde dos trabalhadores.Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO e a NR 9 .

O Centro Estadual da FUNDACENTRO no Espírito Santo tem procurado subsidiar a sociedade capixaba nas questões relacionadas à saúde e segurança no trabalho. estarem instaladas em prédios comerciais improvisados e até em residências.000 empregos formais. A proliferação de empresas menores se dá pela utilização de . trabalho no setor de mármore e granito. 2003). e outros. o setor da indústria do vestuário é um dos que mais empregam mão-de-obra no Espírito Santo e no Brasil. p. criação de novos modelos. 2000. 11). sendo. entre os processos produtivos existentes no Estado. comandado pela sazonalidade e pelas tendências da moda. mais rapidez na produção das peças. com eliminação rápida de parte importante das médias empresas e proliferação das unidades de menor porte. Apesar da grande sofisticação de equipamentos ocorrida nos últimos anos. sobretudo das informais (COMIN. tendo desenvolvido estudos e projetos em áreas como: trabalho portuário. Há cerca de dois anos tem se voltado a identificar novas áreas de interesse de estudo. O setor de vestuário tem também sido o que mais participou do processo de reestruturação industrial.700 empresas que geram 17. 2003). Dentre os segmentos econômicos compostos por pequenas e médias empresas. podem estar localizadas em grandes galpões bem dimensionados ou. no Espírito Santo são cerca de 1. como é mais comum. devido à sua grande heterogeneidade. muitas delas transferidas pelas fábricas para o interior das residências. segundo o Serviço Social da Indústria – SESI. Isto ocorre pelo fenômeno da terceirização de partes do processo produtivo e das demandas do mercado.000 empresas no Brasil. prática que é muito comum no ramo da indústria de confecções (SESI. As indústrias de vestuário.padrão de mal-estar e adoecimento entre os trabalhadores ou a estrutura epidemiológica resultante da interação de fatores do meio ambiente físico e social do trabalho com o homem. Segundo informações da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS. em particular na área das pequenas e médias empresas e que envolvem um grande contingente de trabalhadores. construção civil. o setor tem cerca de 17. que permite a economia de tecidos. há ainda o uso de grande número de máquinas mais simples. responsável por 60% dos empregos na cadeia produtiva de têxteis e confecções (SESI.

provavelmente. bem como das lesões por esforços repetitivos (LER) em populações de trabalhadores. Trabalho a domicilio: Em português. pinturas especiais e na operação de equipamentos mais sofisticados (LEITE. Entretanto nos últimos tempos tem-se observado um aumento no uso de mão de obra masculina em alguns setores dessa indústria. exigindo precisão na execução e qualidade no resultado final. Entre as doenças decorrentes do trabalho tem sido indicado por alguns autores (BORGES. por ser exigido maior esforço físico.unidades produtivas externas por empresas líderes e até mesmo do trabalho a domicilio2 . testa os novos modelos e realiza o corte. a sociologia do trabalho no Brasil. adotou o temo Trabalho a domicilio como uma categoria que designa o trabalho sub-contratado exercido na residência do trabalhador (LEITE. por serem consideradas mais precisas e delicadas na execução do trabalho. 2004. situadas no segundo nível. segundo a norma culta. 2 . Outro aspecto que caracteriza a indústria de vestuário é o elevado uso da mão-deobra feminina. repassando para as empresas de facção ou oficinas. fragmentado e realizado com ritmo acelerado. é trabalho em domicílio. p. que pagam valores extremamente baixos por cada peça montada. Em um terceiro nível está o trabalho a domicílio. Esta cadeia produtiva se organiza de forma a que a empresa líder faz a concepção. onde o pagamento é realizado por peças e determina uma dependência enorme das costureiras para com as empresas de facção. 66). em atividade de trabalho em processos repetitivos e com grande demanda de produção. apenas o trabalho mecânico da montagem das peças. sem desconsiderar que no imaginário masculino a costura é tradicionalmente “trabalho de mulher”. como a nova “velha fórmula” de acumulação de capital. é caracterizado pela alta produção por cotas a serem atingidas a cada turno de trabalho. como nas lavanderias. em si. O trabalho. 2004). mas seguindo a recomendação da Organização Internacional do Trabalho – OIT. O processo de trabalho desta forma pode ser determinante para o aparecimento de um padrão de saúde que pode ser compreendido e sobre ele se criar intervenções que promovam melhores condições de vida para este grupo social. 2000) o aumento da prevalência dos distúrbios mentais e psicossomáticos.

. .1 Geral: Estudar as condições de saúde e trabalho em trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES.Estimar a prevalência de distúrbios mentais menores e de lesões por esforços repetitivos entre trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES.Obter um inventário de fatores de riscos no processo de trabalho da indústria do vestuário de Colatina – ES.1.1 OBJETIVOS 1.2 Específicos: . interessa estudar: Como o processo de trabalho na indústria de confecções de Colatina.ES. . 1. se relaciona com o processo saúde-doença de seus trabalhadores? 1. desenvolvido em pequenas e médias empresas.Assim. .1.Analisar as relações entre cargas de trabalho e o desgaste à saúde em trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina .Estimar a prevalência de queixas referidas à saúde em trabalhadores da Indústria do Vestuário de Colatina-ES.

p. a Medicina Social e a Saúde Coletiva. cognitivo e psíquico“. Tem-se como pressuposto que o trabalho convoca o corpo inteiro e a inteligência para enfrentar o que não é dado pela estrutura técnico-organizacional. mas sim ao natural. 1998). Segundo Wisner (1994. as diferentes abordagens da relação entre saúde e trabalho. Não é uma objeção ao biológico. O efeito do trabalho sobre a saúde é muitas vezes silencioso e não apreendido pelo saber estritamente médico” (DEJOURS. a seguir. pode determinar uma sobrecarga. “o sofrimento dos trabalhadores nem sempre é visível ou objetivo como insistem algumas abordagens. Por outro lado. 13). a atividade de trabalho designa a maneira do ser humano mobilizar as suas capacidades para atingir os objetivos da produção. 2004. inclusive o trabalho. pois o biológico é em si mesmo histórico e social (LAURELL & NORIEGA. 1986). conforme o aporte teórico da Saúde .2 MARCO TEÓRICO Foi utilizado o arcabouço teórico e metodológico do campo da Saúde do Trabalhador. cada um destes aspectos. mas que têm relação com uma rede de outros eventos que podem ser identificados e estudados (MEDRONHO. Assim. Para a escola de ergonomia francesa. ”todas as atividades realizadas pelo homem. p. como o trabalho constitui-se em fator central para a compreensão do processo saúde-doença dos trabalhadores. têm pelo menos três aspectos: físico. 100). Foi a epidemiologia que demonstrou que as doenças são eventos que não ocorrem por acaso. Segundo este autor. identificando a importância da transformação biopsíquica dos seres humanos através das mudanças sociais. serão apresentadas. Esse campo tem interface com a Saúde Pública. configurandose como um dos espaços de vida determinantes na construção e na desconstrução da saúde (ASSUNÇÃO. 7). 1989. construído a partir de 1970. p. particularmente pela construção e utilização do modelo da determinação social da doença. O modelo da determinação social da doença propõe que a relação saúde-doença é um processo social. freqüentemente inter-relacionados.

tanto pelo estrato social como por sua ocupação profissional. 1983).1 DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO-CONCEITUAL DO ESTUDO DAS RELAÇÕES ENTRE SAÚDE E TRABALHO. Esta forma de atenção à saúde Perfil de adoecimento ou morbidade: constitui-se pelo conjunto das patologias mais prevalentes e incidentes que determinado grupo humano apresenta em um dado momento da história (LAURELL. p. A compreensão do que vem a ser saúde é mais ampla do que a de doença. o processo saúde-doença é o modo específico pelo qual ocorre nos grupos humanos o processo biológico de desgaste e reprodução. Para entender este conceito de causalidade ou determinismo social é necessário antes de qualquer coisa. A resposta que se dá comumente a estes incômodos ou alterações pelos serviços de saúde é o atendimento do indivíduo pelo médico.136). emprego. no indivíduo ou nos grupos humanos.do Trabalhador. A doença é demarcada essencialmente pelo aparecimento. Este processo é o seguimento ou evolução de uma luta do organismo por manter a vida e o bem estar. renda. p. Para Laurell (1983. mas que se evidencia no conjunto das pessoas ou na população que compartilha as mesmas condições de vida. conseqüentemente. tem um perfil de adoecimento3 que pode ser compreendido em função de fatores como: faixa etária. varia ao longo da história da sociedade. violência urbana. A população que habita uma determinada região. os estratos sociais de uma mesma sociedade apresentarão diferentes condições de saúde. condições de moradia. discutir o que é saúde e doença.135). verifica-se a natureza social e histórica do processo saúde-doença ao se analisarem os dados de morbimortalidade de uma população. 3 . e como as formas de organização do trabalho se relacionam com a saúde. hábitos de vida. como parte das condições de saúde de uma população. diferentes perfis. que pode ser esperado não apenas no caso clínico individual. como também. 2. de forma geral. condições de trabalho. Segundo Laurell e Noriega (1989. Este perfil. condições sociais que envolvem o padrão alimentar. em uma determinada época. de alterações anatomofisiopatológicas que acarretam incômodos ou perda funcional. etc.

reforça-se a teoria de que o “caso clínico” tem limitações e especificidades próprias. no processo saúdedoença. Como os indicadores estatísticos não se manifestam no indivíduo. estudados e sobre eles se criarem intervenções que poderão controlar o processo saúde-doença (MEDRONHO.7).caracteriza o paradigma médico-biológico. no reflexo deste sobre o corpo dos membros de um grupo humano que compartilham as mesmas condições de vida. A natureza social da doença não se verifica no caso clínico. as doenças não ocorrem por acaso. definidos como uma população. é necessário investigar como ocorre o processo de saúde-doença no coletivo. porque é ela que possibilita as condições de vida e a forma de exposição aos fatores de riscos que irão estabelecer as probabilidades das pessoas adoecerem de determinada forma. mas sim em que característica difere a ocorrência de uma determinada doença entre grupos diferentes. daí haver certo esgotamento da medicina clínica como única resposta de atenção à saúde. o que lhe possibilita poder estimar . não interferindo. Para a epidemiologia. A epidemiologia pode ser definida como o estudo dos determinantes do processo saúde-doença em grupos populacionais (MEDRONHO. a não ser para indicar se a pessoa é ou não portadora de determinadas características patológicas.8). 2004. p. 1983. mas no modo característico de adoecer e morrer dos grupos humanos (LAURELL. nas causas do processo. sendo limitado à realização do diagnóstico e ao tratamento. p. são eventos entrelaçados com outros eventos que as precedem. Para dar uma resposta ao modelo do atendimento clínico. podendo ser identificados.137). p. Ao associar a relação da doença do grupo humano à variação biológica individual é que a história social torna-se importante. 2004. Portanto. isto é. mas somente nos efeitos finais. os sintomas. no qual a doença é o ponto focal e a razão de ser do sistema de saúde. na maioria dos casos. O atendimento individual não oferece solução satisfatória para os graves problemas de saúde que acometem as populações. A epidemiologia é a disciplina científica que se fundou na investigação não do “por que” e “como” o individuo desenvolveu uma patologia. A epidemiologia utiliza-se de um vasto arcabouço de métodos de pesquisa e o uso da estatística como ferramenta para análise das medidas de efeito e de associação entre as diversas variáveis envolvidas.

A Organização Mundial de Saúde – OMS a define não apenas como a ausência de doença. Os padrões de saúde são conseqüências. No Brasil. entre outros aspectos. como direito de cidadania e dever do Estado. mental e social. sendo influenciada de alguma forma pela vida social.probabilidades de ocorrência de eventos e de analisar melhor os determinantes das doenças nas populações.20. como parte da seguridade social. como de relevância pública e cujas ações e serviços devem ser providos por um Sistema Único de Saúde. em 2000 (YAZAQUI. evidenciou-se um outro fenômeno: a transição epidemiológica. organizado segundo as seguintes diretrizes: descentralização e mando único em cada esfera de governo.9 anos. A saúde na Constituição é definida como resultante de políticas sociais e econômicas.96).59 anos. registrada em 1991. Fatores como a queda da fecundidade. aliada aos . p. para 71. 2004. atendimento integral e participação comunitária (MENDES. 2003).91). para 2. mas um estado de completo bem-estar físico. A saúde seria a capacidade de enfrentamento do organismo das pessoas a situações adversas. cuja transição demográfica é contemporânea ou retardada. As conquistas da ciência médica e as melhorias nos padrões sanitários.290). No Brasil. Simultaneamente à transição demográfica.9 filhos por mulher em idade fértil. da dinâmica de mudanças da composição da população ao longo do tempo. 2006) e a taxa de fecundidade passou de 2. em 2004 (IBGE. aumento da perspectiva de vida das pessoas e a queda da taxa de mortalidade determinam um envelhecimento da população. 2001. a expectativa de vida média subiu de 44. p. fato relatado pela primeira vez em 1940 e que ficou conhecido como transição demográfica (VERMELHO & MONTEIRO. em 1940 (SILVA JÚNIOR. Este conceito de saúde se liberta do vínculo da fisiopatologia e insere parâmetros de bem-estar social em um modelo que só é possível ser construído com a ampliação dos direitos dos seres humanos na sociedade. nutricionais e de qualidade de vida das populações. p. 2003. a Carta Constitucional de 1988 teve forte influência dos grupos da área da saúde que participavam da discussão e construção de novos conceitos sobre a saúde.

Para não inviabilizar seu negócio. com cargas horárias desumanas acarretando grande incidência de acidentes e doenças (MENDES & DIAS.avanços da medicina preventiva. por não intervir no processo de produção material e de desgaste dos trabalhadores. As condições de trabalho são percebidas. após 150 anos de sua morte. 1997). 1991). 1991). concomitantemente às primeiras legislações de proteção aos trabalhadores. desde a antiguidade. em 1830. Robert Dernham. ao centrar sua ação no indivíduo. O fato histórico que determinou uma radical mudança na forma de se organizar o trabalho e de alocação da força de trabalho foi denominada de revolução industrial.92). o primeiro serviço de saúde no interior das fábricas e a Medicina do Trabalho. traduzido em nossa língua como As Doenças dos Trabalhadores (MENDES & DIAS. 1993). Assim. iniciada na Inglaterra no século XIX. p. registradas em seu livro De Morbis Artificum Diatriba. No século XVIII. afirmando que somente . o médico Bernardino Ramazzini (1633-1714) relacionou com precisão a origem de determinadas doenças em mais de 50 ocupações. proporcionaram uma diminuição das doenças infecciosas e um aumento das doenças crônico-degenerativas nas taxas de morbimortalidade (VERMELHO & MONTEIRO. cujo procedimento estabelecia que para cada doença houvesse uma única causa ou agente etiológico (MINAYO-GOMES & THEDIM-COSTA. colocou um médico para verificar o efeito do trabalho sobre a saúde de seus empregados e determinar meios que pudessem prevenir as doenças e diminuir o absenteísmo. após a segunda guerra mundial. Nascia assim. sua eficácia ficou comprometida. Todavia. Quando surgiu. como um dos fatores mais importantes na determinação do processo saúde-doença. 2004. Esta concepção foi conseqüência das descobertas da microbiologia que identificaram a origem das doenças infecciosas (FACCHINI. necessitou do consumo da força de trabalho de grande contingente de trabalhadores. A Medicina do Trabalho é caracterizada por ser uma abordagem centrada no médico. Estes trabalhadores. as condições de trabalho mudaram radicalmente e os problemas de saúde relacionados com o trabalho se tornaram mais evidentes. Segundo Facchini (1993). oriundos da área rural ou de pequenas oficinas. A revolução industrial. utilizou como paradigma a inferência unicausal. eram submetidos a um ritmo de trabalho acelerado. proprietário de uma fábrica têxtil inglesa. surgiram novas concepções e abordagens sobre o processo saúde-doença.

A Medicina do Trabalho atua ainda no interior das fábricas. determinando os limites de tolerância à exposição a estes agentes. Todavia. Atualmente. caso seja verificado que eles portem alguma alteração de saúde. por ocasião do exame admissional. a fim de controlar os riscos ambientais. que acabam denunciando seu estado de saúde. A Saúde Ocupacional introduziu formas modernas de intervenção em saúde no trabalho ao indicar o controle dos riscos nos ambientes de trabalho através de ações técnicas. Já a Saúde Ocupacional é uma concepção utilizada por algumas grandes empresas . periódicos e demissionais. onde a relação saúdetrabalho já há algum tempo estava sendo estudada. No modelo multicausal. considerando as relações entre concentrações ambientais. realizando exames médicos admissionais. Os trabalhadores têm pouca ou nenhuma participação no processo de controle e são sujeitos ao monitoramento biológico. Na maioria das vezes este procedimento serve para resguardar os interesses das empresas. Estes princípios foram os alicerces da concepção da Saúde Ocupacional. já que uma única disciplina não dá conta de todos os aspectos implicados neste processo. que podem afastar os trabalhadores da função e demiti-los posteriormente ou não os contratarem. que propôs intervir nos locais de trabalho. no Brasil. são utilizadas as práticas dos dois modelos de saúde do trabalhador: o da Medicina do Trabalho e da Saúde Ocupacional.um fator de risco não explicava a ocorrência de determinadas doenças. no seio dos Serviços de Engenharia e Medicina do Trabalho – SESMT e de empresas prestadores de serviços de Medicina do Trabalho. que relaciona o corpo do trabalhador com as condições físico-químicas presentes no ambiente de trabalho. aumenta a importância das equipes multiprofissionais para o estudo da relação trabalho-saúde. Tiveram papel importante na discussão da Saúde Ocupacional as escolas de Saúde Pública. Este modelo tem forte influência da Higiene Industrial. sua absorção pelo organismo humano e seus efeitos. o que levou muitos pesquisadores a concluírem que o processo saúde-doença é a síntese de múltiplas determinações (modelo multicausal). através de exames médicos periódicos. ela abriu espaço para que este controle fosse prioritariamente feito pelo uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e pelo controle do tempo de exposição do trabalhador aos agentes ou fatores de risco. principalmente nos Estados Unidos da América.

atualmente.e entidades de pesquisa. houve também melhoria na qualidade de vida e do acesso aos serviços de saúde. A Saúde do Trabalhador tem como objeto de estudo o processo saúde-doença dos grupos humanos. ampliando o debate sobre o processo saúde-trabalho. sendo consagrada no artigo 200 da constituição federal. 1991). ainda pretende apresentar alternativas que possam romper o processo de adoecimento. de estabelecimento de uma prática e a consolidação de uma área que fosse abrangida pela questão da saúde no trabalho deram origem ao campo da Saúde do Trabalhador. Nos estudos desenvolvidos pela Saúde do Trabalhador. se constituindo como um dos temas importantes da Saúde Pública no Brasil. No bojo de lutas sociais que levaram à democratização política. há um esforço para romper ou superar a lógica da exposição aos fatores de riscos presentes no ambiente de trabalho como as causas únicas do processo de adoecimento. sempre na perspectiva da apropriação destes métodos pela classe trabalhadora. executar ações de vigilância . o desafio que se apresenta neste campo é introduzir questões como: as crenças e idéias de mundo que unem o concreto ao imaterial. Na América Latina. Além de objetivar a compreensão do “por que” e do “como” ocorrem as doenças e os acidentes do trabalho. durante as décadas de 60 e 70 do século passado. o salário enquanto forma de acesso ao mercado de consumo de bens e serviços. que estabelece como uma das competências do Sistema Único de Saúde – SUS. da Medicina Social e da Saúde Pública. o avanço da Medicina Preventiva. nas quais são desconsideradas a subjetividade dos trabalhadores articulada com o processo produtivo. 1991). as tentativas de construção de um objeto de estudo. a cultura no interior das organizações que estabelecem a hierarquia e o poder de mando e o lugar de cada um nessa sociedade urbanoindustrial. desencadeou o questionamento do modelo médico tradicional. A Saúde do Trabalhador tem sido discutida intensamente nos últimos 30 anos. as representações sociais. incorporando a prática da Medicina do Trabalho (MENDES & DIAS. em sua relação com o trabalho (MENDES & DIAS. Assim. Na área da Saúde Pública.

proteção e recuperação da saúde. a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes. Posteriormente. A Saúde do Trabalhador é considerada uma atividade especial das Comissões Intersetoriais. bem como as de Saúde do Trabalhador (MINISTÉRIO DA SAÚDE. a promoção e a proteção à saúde dos trabalhadores. sejam sociais. ligadas diretamente ao Conselho Nacional de Saúde. 1990). esta competência foi regulamentada pela Lei 8. A Saúde do Trabalhador é hoje uma importante área da Saúde Pública que tem como objetivo o estudo. organizacionais e os fatores de riscos ocupacionais presentes no processo de produção. cuja execução poderá envolver áreas não ligadas diretamente ao âmbito do SUS. No artigo 5º. . desta importante lei. parágrafo 3º. tecnológicos. Esta complexidade torna a área de estudo da Saúde do Trabalhador um campo interdisciplinar. Iniciativas de alguns órgãos governamentais indicam que as intervenções no processo saúde-trabalho-doença serão cada vez mais uma prioridade do governo que não pretende somente garantir os direitos universais de acesso à saúde e sim diminuir os custos sociais advindos do tratamento de acidentes e doenças bem como das aposentadorias e pensões precoces. segundo Nunes (2002).080 de 1990 que dispôs sobre as condições para a promoção. 2001). conjugar saberes para uma abordagem mais profunda desta questão. a Saúde do Trabalhador ficou definida como: “um conjunto de atividades que se destinam através de ações de vigilância sanitária e epidemiológica garantir a promoção e a proteção à saúde dos trabalhadores bem como a recuperação e reabilitação dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho” (MINISTÉRIO DA SAÚDE. A saúde dos trabalhadores só é compreendida quando são considerados todos os aspectos que condicionam as vidas destas pessoas.sanitária e epidemiológica. sendo responsáveis pela articulação das políticas e programas de interesse para a saúde. em que há a necessidade de.

o Ramapithecus (LEAKEY & LEWIN. cerca de 12 milhões de anos. ele também é constituído por seu componente cognitivo e psíquico. os processos biológicos. construído cotidianamente ao longo de milênios da história de nossa espécie. 26). podendo-se mesmo afirmar que a humanidade evoluiu por si mesma através do trabalho (MARX. tendões. resistindo à tentação de partir a comida e comê-la onde estavam” (ROBERTS. Os estudos antropológicos demarcam este período pelos vestígios do uso pelo homem de ferramentas rudimentares criadas por ele. de progredir em suas bases científicas. Neste momento. machados de pedra e pontas de lanças que são os primeiros instrumentos de trabalho desenvolvidos pela inteligência humana. A raça humana deu um significativo avanço em sua evolução. p. CULTURA E SOCIEDADE.Por outro lado. faz-se necessário apreender a complexidade da natureza humana já que o homem não é composto somente de músculos. p. teve início a pré-história: o homem conseguia refrear seus impulsos naturais imediatos a fim de garantir o suprimento futuro. quando surgiu a primeira criatura que poderíamos identificar como um hominídeo. Para que se possa vislumbrar o processo de adoecimento no trabalho.2 O CARÁTER CENTRAL DO TRABALHO NA MEDIAÇÃO ENTRE CORPO-MENTE-PSIQUISMO. 1982. Esta relação do homem com o trabalho e seu grupo social foi o motor do aperfeiçoamento e especialização que lentamente moldou o corpo e a arquitetura cerebral de nossa espécie. p. cada vez mais. 2. . 2003. A evolução da espécie humana já dura. O trabalho é um processo que ocorre entre o homem e a natureza. 211). como pedras lascadas. órgãos ou de seu corpo físico. para desvendar como ocorrem nos grupos de trabalhadores. 14). psicológicos e sociais de desgaste e o surgimento das doenças. quando “o Australopithecus: embora de forma rudimentar e vaga. segundo os antropólogos. 2001. parece ter sido capaz de exercer alguma forma de previsão. Esta foi a primeira forma rudimentar de planejamento. a Saúde do Trabalhador precisa.

Nos 2 milhões de anos seguintes não parou mais de evoluir, até chegar ao início de nossa civilização, demarcada, segundo os historiadores, pelo desenvolvimento da linguagem. No entanto, a história só começa a ser contada, com a invenção da escrita, há cerca de 5.500 anos, através de pedras ou blocos de argila encontrados na Mesopotâmia. O fato é que a forma como nossa mente vê o mundo não surgiu de repente, como um flash de luz, quando em nossa primeira infância nos demos conta de que estávamos no mundo. A espécie humana desenvolveu sua consciência do mundo de forma vagarosa, laboriosamente, em um processo que durou um tempo infindável, até alcançar o estágio civilizado (JUNG, 1980, p. 23). O homem possui características psicossociais que foram moldadas ao longo de sua história, enquanto espécie, junto ao grupo onde foi criado, na sua relação com os outros e desenvolve seu sistema próprio de crenças e ideologias, formando o que os sociólogos denominam de cultura. O homem, quando em grupo, desenvolve um conjunto de características que torna este coletivo de pessoas diferente de qualquer outro. Constrói formas de comunicação através da linguagem e códigos de reconhecimento grupal, seja na forma de rituais próprios, arte, símbolos, crenças ou idéias. Este conjunto de produtos culturais é recheado de significados que garantem o equilíbrio entre a estrutura mental e comportamental do ser humano. Hosfstede (1980, apud TAMAYO, 2004, p. 19), define cultura como a “programação coletiva da mente que diferencia os membros de um grupo humano de outros”. Esta programação individual ou coletiva se faz através de condicionamentos que se auto-reforçam no interior do grupo, seja através de condutas previamente aprovadas ou reforçadas no interior da família. Entre estes condicionamentos estão os significados das coisas e onde entra o lugar de cada um no mundo social, fundamentalmente o do trabalho. A criança é condicionada a ter como objetivo de vida a ocupação de um posto de trabalho na estrutura produtiva da sociedade, desde sua participação no interior da família. O estímulo constante ocorre seja na forma lúdica de brincar com ferramentas de trabalho ou de uma profissão, ou com o reforço constante de seus pais, através de questionamentos ou afirmações, como: “O que você vai ser quando crescer?” “Se você não estudar não vai ser ninguém na vida!” Assim, o trabalho e a ocupação tomam importância central na vida das pessoas e delineiam seu futuro na sociedade (MENDES, 1989).

O trabalho ou a ocupação de cada um na sociedade tem importância relevante na formação psíquica de cada indivíduo, seja pelo reconhecimento do grupo mais próximo, pelo sucesso almejado com recebimento do salário, o poder sustentar-se a si e a família e o de sentir-se útil para a coletividade. Na determinação da classe social, a vida e a morte dos seres humanos guardam relação com a posição que estes ocupam dentro dos arranjos sociais das classes fundamentais: capitalistas e trabalhadores. Ou ainda segundo Karl Marx.

[...] o trabalho, como criador de valores-de-uso, como trabalho útil, é indispensável à existência do homem – quaisquer que sejam as formas de sociedade -, é necessidade natural e eterna de efetivar o intercâmbio material entre o homem e a natureza e, portanto, de manter a vida humana (Marx, 2003, p. 64).

Em função disso, dessa relação central na vida das pessoas, o trabalho influi sobre a vida e morte dos seres humanos (BERLINGUER, 1983 apud FACCHINI, 1993, p.46).

2.3

A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E SAÚDE DO TRABALHADOR

O trabalho por si só não seria a fonte de mal-estar e adoecimento do homem, mas sim a forma como ele é organizado e condiciona o homem na sua execução (COHN & MARSIGLIA, 1994). Segundo a visão marxista, o trabalhador, quando vende sua força de trabalho, tem que se submeter ao controle do capitalista, a quem pertence seu trabalho (MARX, 2003, p. 219); assim, é durante a execução das atividades que a força da gerência capitalista fará este potencial transmutar a matéria prima em produto4, de acordo com a base técnica e das relações sociais que pode lançar mão. Segundo Braverman (1987), o princípio norteador da produção capitalista é a divisão do trabalho. Diferente da divisão das tarefas nas sociedades anteriores, onde basicamente a divisão do trabalho estava vinculada aos papéis do sexo ou da hierarquia do grupo, na sociedade capitalista é vinculada à fragmentação da tarefa

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Trabalho vivo, segundo Marx, apodera-se das coisas da natureza para transformá-las de valores de uso possíveis em valores de uso reais e efetivos (MARX, 2003, p. 217)

em componentes simples a fim de aumentar a produção e diminuir o custo dos salários. As bases teóricas desta forma de organizar o trabalho foram estudadas e teorizadas pelo engenheiro americano Frederick Winslow Taylor (1856-1915), cujos princípios ele divulgou com a publicação em 1911 de seu famoso livro Princípios de Administração Científica. O modelo de gestão da produção criado por Taylor estabelece a expropriação do saber operário (a concepção do como fazer é atributo da gerência e a execução ao trabalhador), a fragmentação do trabalho em etapas simples, cabendo ao trabalhador executá-la o mais rapidamente possível sem a necessidade de pensar; esse relativo ganho de produtividade é recompensado com um salário extra. Era o início do processo de organização do trabalho moderno, ou de exploração da força de trabalho em larga escala, que proporcionou um grande desenvolvimento da humanidade e da acumulação de riquezas. Todavia, o custo humano deste desenvolvimento foi feito também com sofrimento da classe trabalhadora e uma grande incidência de acidentes e de adoecimento, pois esta forma de organização do trabalho, além de alterar as condições ambientais encontradas na natureza, insere um ritmo imposto externamente e a repetitividade da tarefa, retirando do trabalhador o planejamento da execução que passa a ser realizado pela gerência. A gerência significa, de fato, o controle das formas de trabalhar, ainda incluíndo todo o processo produtivo, o que fazer e o como fazer, a da apropriação mais adequada do trabalho alienado – isto é, a força de trabalho comprada e vendida (BRAVERMAN, 1987, p. 86). O controle retirado do trabalhador e a fragmentação do trabalho tornam o produto coletivo, a mercadoria, como algo alheio e estranho ao produtor. Este estranhamento causa a desrealização do ser social, atingindo sua subjetividade (ANTUNES, 1998, p. 124). Os modelos de organização do trabalho com o objetivo de fazer o trabalhador ser mais produtivo vêm sendo desenvolvidos por vários teóricos e se transformado ao longo do tempo. Entre estes foi desenvolvido por Henri Ford em 1913, o sistema de produção em grande escala de produtos padronizados, baseado na esteira rolante, destinados ao mercado de massa (MONTEIRO&GOMES, 1998). Esta forma de produção, Fordismo, trouxe sérios impactos sobre a saúde dos trabalhadores,

podendo haver alternância de funções entre os membros. certa autonomia. Este modelo embute também a terceirização e a flexibilização econômica das relações de trabalho e cria o sindicalismo de empresas. rotatividade de tarefas. 2003. p.resultando em cansaço. somente os corpos adestrados. com vistas a melhorar a produtividade (ANTUNES. que através de placas e senhas de comando controla a reposição de peças e estoque. A organização do trabalho faz desaparecer a atividade intelectual do operário no seu trabalho o que. p. em especial as inovações organizacionais desenvolvidas por Ohno Toyota. treinados e condicionados pela organização do trabalho (DEJOURS. 54). Nas últimas décadas. p. 1987. não resta mais nada. acidentes e absenteísmo. 1992. Segundo Dejours. segundo Dejours. São os denominados teamwork ou células de . constituídos por grupos de trabalhadores que são instigados pelo capital a discutir seu trabalho e desempenho. Em 1940 surge na Inglaterra uma nova idéia de controle denominada de corrente sócio-técnica. doenças fisiológicas ou psicossomáticas. maior valorização do trabalho em grupo do que o individual e a inserção de novas formas de gerência como o just-in-time. o sistema kanban. enfraquecendo a representação política dos de atingir as metas de produção (FLEURY. após a desapropriação do know-how e desmantelada a livre organização do trabalho da classe operária. 54). o trabalhador perdeu sua capacidade de controlar a economia do corpo e manter sua saúde. 42). Por esta forma de organizar a produção. sempre mínimos no toyotismo e os Círculos de Controle de Qualidade (CCQs). o modelo de controle da produção desenvolvido pelos japoneses tem sido copiado pelo ocidente. com o compromisso produção. apud MONTEIRO&GOMES. que se baseia na formação de equipes de trabalhadores que executam cooperativamente as tarefas designadas. ocasionando o desequilíbrio entre as partes e favorecendo o aparecimento de doenças psicossomáticas. O grupo tem assim. que objetiva o melhor aproveitamento possível do tempo de produção. que busca uma gerência industrial mais eficiente em uma organização mais flexível baseada no fim da divisão do trabalho pela prescrição das tarefas e do relacionamento autoritário. causa um desastre na estrutura físico. Este modelo denominado de Toyotismo pressupõe a polivalência. mental e psíquica do trabalhador.

trabalhadores. O trabalho é realizado agora para satisfazer as necessidades de produção estabelecida pelo grupo ao qual o trabalhador está inserido. A terceirização tem sido responsável pela precarização das relações de trabalho, já que é uma estratégia para a redução de custos. Este modelo favorece o desaparecimento das empresas com muitos trabalhadores empregados que são pulverizados em centenas de milhares de empresas pequenas. As pequenas empresas vivem para prestar serviços para as empresas líderes ou montadoras, sendo obrigadas a reduzir o custo da produção através do aumento da produção, com o conseqüente aumento da densidade do trabalho. Nestes novos tempos de globalização do trabalho e da produção, os capitalistas têm utilizado o que é denominado de reengenharia, como forma de reestruturar os processos empresariais, para o realinhamento dos custos operacionais e o enfrentamento da concorrência de produtos vindos do Japão e dos países denominados de tigres asiáticos, com a China surgindo mais recentemente. Apesar de pequenas diferenças o objetivo é sempre fazer a habituação do trabalhador de forma a aumentar a produção. Seja sob qual denominação que se encontre o modelo de gestão da produção, em sua essência, encontraremos lá os fundamentos do taylorismo e do fordismo, que sobrevivem ainda no seio das empresas, como forma de apropriação da capacidade dos trabalhadores produzirem a riqueza.

2.4

AVALIAÇÃO DAS CONDIÇOES DE TRABALHO COM A SAÚDE: RISCOS, CARGAS DE TRABALHO E DESGASTE.

O marco teórico para a compreensão da relação saúde-trabalho tem sido bastante desenvolvido nos últimos 35 anos, tomando-se como base a análise das cargas presentes no ambiente de trabalho como um todo complexo, cuja interação entre as partes se dá de forma processual, imprimindo-lhe uma qualidade específica (ASMUS&FERREIRA, 2004, p. 393). Estas cargas de trabalho se constituem em fatores de riscos que podem provocar acidentes e adoecimento, pois são elas

responsáveis por desgastar o corpo, a mente e as capacidades vitais dos trabalhadores (FACCHINI, 1993, LAURELL&NORIEGA, 1989). Sem o objetivo de levantar historicamente em detalhes ou de revisar criticamente os diferentes métodos empíricos de estudo dos fatores ou circunstâncias de riscos nos ambiente de trabalho, abordamos a seguir alguns modelos conceituais utilizados por vários autores e pela legislação brasileira. Inicialmente, no inicio dos anos 70, as causas dos acidentes e doenças foram definidas pela Engenharia de Segurança do Trabalho, através de conceitos que sobrevivem até hoje na NR-1 – Disposições gerais. São elas: a) “condições inseguras”, representadas por falhas em equipamentos, ferramentas defeituosas, arranjo físico deficiente, treinamentos inadequados ou inexistentes e a presença de agentes químicos, físicos ou biológicos no ambiente de trabalho5, com o potencial de provocar lesões ou enfermidades; b) “atos inseguros”, cometidos pelos trabalhadores ao burlarem as normas de segurança (TRIVELATO, 1998). Posteriormente, a Medicina do Trabalho se apropriou da categoria “risco” a fim de identificar os elementos nocivos presentes no ambiente de trabalho que podem, por suas características, causar danos à saúde dos trabalhadores, mas de uma forma isolada no esquema monocausal (LAURELL&NORIEGA, 1989, p. 109) A Higiene do Trabalho, que também utiliza o conceito de risco, desenvolveu a técnica de avaliação de risco e dos níveis seguros de exposição. O modelo de avaliação tem como etapas: a) Identificação do perigo; b) Avaliação de doseresposta; c) Avaliação da Exposição e d) Caracterização do risco. A higiene industrial estabeleceu os Limites de Tolerância (LT) de concentrações e do tempo de exposição do trabalhador aos agentes ambientais e reconheceu o papel sinérgico destes agentes entre si, levando em consideração as características genéticas dos indivíduos e com a forma em que o trabalho é realizado. Apesar deste avanço, sua abordagem ainda é a de causa e efeito num viés monocausal.

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Ambiente de Trabalho é definido, de acordo com Oddone (1986), como o conjunto de todas as condições de vida no local de Trabalho, abrangendo: características do local: dimensões, iluminamento, aeração, rumoriosidade, presença de poeira, gases ou vapores, fumaça, etc, além de elementos da atividade (tipo de trabalho, posição do operário, ritmo, ocupação do tempo, horário de trabalho, turnos, alienação, valorização intelectual e profissional).

A área da saúde, através da epidemiologia, introduziu o conceito de risco, agora sob a teoria do modelo multicausal, defendendo a necessidade da presença simultânea de vários fatores de risco para que se possa explicar a produção do adoecimento de uma determinada população. Segundo Trivellato (1988), o risco representa a possibilidade de um efeito adverso ou dano ou a incerteza da ocorrência, distribuição no tempo ou magnitude de resultado adverso. A epidemiologia introduziu também o conceito de “fator de risco” como sendo todas as variáveis presentes no ambiente de trabalho com o potencial de ao interagir com o corpo do trabalhador, causar um dano à saúde. Os fatores de risco, por suas características e especificidades, podem ser classificados de várias formas, havendo algumas variações de um modelo para outro. No Brasil, utiliza-se uma classificação que surgiu da NR-9 (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA) e posteriormente foi inserida na NR-5 (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA), que estabelece a obrigatoriedade dos componentes desta comissão fazerem o mapeamento dos riscos em todos os ambientes de trabalho da empresa, avaliando seu potencial de causar danos, na seguinte graduação: pequeno, médio ou grande. Este mapa de risco deve ser fixado de forma visível nos locais de trabalho e discutido com todos os trabalhadores a fim de que eles participem da gestão da segurança e saúde no trabalho. Por esta norma, os fatores de risco são classificados em: Riscos Ambientais (físicos, químicos e biológicos), Riscos de Acidentes e Riscos Ergonômicos. Sua definição pode ser mais bem compreendida de acordo com a exposição abaixo: Riscos físicos: São as diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, bem como o infra-som e o ultra-som. Riscos Químicos: São as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão.

os aspectos que os ergonomistas denominam de relação homem-máquina. bacilos. e abarca em sua abordagem. nos anos 60.17. presença de animais peçonhentos. O mapa de riscos foi trazido para nossa legislação a partir da experiência dos sindicatos italianos. vírus. entre outros. uso excessivo dos músculos e tendões. como: as bactérias. fisiológica e psíquica do homem. esmagamento. entre outros e se torna pouco representativo para situações de risco com eletricidade. picadas de animais peçonhentos. fungos. enfim.475) o restringe somente à natureza anatômica. p. chamado de Modelo Operário Italiano. uso inadequado de ferramentas. Este modelo foi o sustentáculo . a falta de sinalização. a ergonomia procura adaptar todas as condições de trabalho que podem entrar em conflito com as características psicobiológicas do homem causando-lhe desconforto. Riscos de Acidentes: São todas as situações ou condições inadequadas no ambiente de trabalho que podem ser causa de acidentes com lesões nos trabalhadores como: piso de trabalho escorregadio. O termo ergonômico é utilizado de forma inadequada.391 e CÂMARA.1 (ATLAS. que podem levar o trabalhador à infecção ou ao parasitismo. a desvalorização intelectual. Riscos Ergonômicos: São os fatores de risco que podem trazer: desconforto anatômico e fisiológico. foi classificado como risco mecânico e. 2005). trabalho com equipamentos energizados. Por esta definição a ergonomia pretende estudar o trabalho como um todo a fim de estabelecer uma intervenção que possa melhorar a situação de trabalho. item 17. a utilização deste conceito pela NR-5 e por vários autores (ASMUS&FERREIRA. ou que trazem constrangimento (contrainte) ao psiquismo do trabalhador. foi mudado para risco de acidentes. porque o termo mecânico parece estar mais relacionado a acidentes com lesões no corpo que provoquem corte. pressões excessivas da organização da produção. máquinas sem proteção. que foi formulado por trabalhadores e profissionais em Turim. Desta forma. 2003.Riscos Biológicos: São os microorganismos. 2004. insegurança e baixo desempenho. parasitas. fraturas. posteriormente. queimaduras. entre outros. inclusive os riscos ambientais e de acidentes. Inicialmente. protozoários. daí a mudança de denominação. manutenção inadequada de equipamentos. p. já que a ergonomia por sua definição é um campo muito vasto e de caráter interdisciplinar. Segundo a Norma Regulamentadora 17.

responsabilidade. p. Por este modelo os riscos são classificados em 4 grupos.21-24): 1º Grupo: São os fatores que existem na natureza e que são alterados no ambiente de trabalho. como: luz. posições incômodas. ventilação. temperatura. A experiência brasileira com os mapas de riscos não foi positiva. Todavia. como: ritmos excessivos. 4º Grupo: Os fatores classificados neste grupo estão relacionados à forma como é organizada a produção. Hoje. que o grupo de trabalhadores expostos de forma homogênea às mesmas condições de trabalho e com laços de união entre si valide os conhecimentos operários sobre os fatores de riscos consensualmente. como: poeiras. utilizam algumas variações em suas denominações e classificação como o utilizado por Trivellato (1998). monotonia. ruído. perdeu sua importância devido ao desvirtuamento de sua confecção e utilização pelos trabalhadores como forma de gestão do meio ambiente de trabalho. gases. vapores e fumaças. a valorização da experiência ou subjetividade operária. 2º Grupo: São constituídos por fatores que surgem pelo consumo das matérias primas no processo de produção. tornando-se assim um modelo de construção do conhecimento operário sobre as condições de trabalho. O Modelo Operário Italiano estabelece em suas bases que os trabalhadores não podem delegar aos técnicos a definição dos padrões sanitários do ambiente de trabalho. seus conceitos principais continuam sendo utilizados na confecção dos Programas de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e nos estudos dos ambientes de trabalho. em que o consumo de calorias e seus possíveis efeitos nocivos se relacionam com a fadiga. principalmente pelo recorte da gestão de riscos. Outros autores que estudam os fatores de riscos. vibração. a não-delegação e a validação consensual. 1986. que os classifica como: . segundo suas características (ODDONE. névoas.da luta dos trabalhadores por melhores condições de saúde e tem 4 conceitos principais: o grupo homogêneo. repetitividade. trabalho em turnos e noturno. umidade e radiações. 3º Grupo: Está relacionado ao trabalho físico do corpo do trabalhador.

as cargas físicas. que manifestará queixas ou patologias. névoas. criticam estes modelos de identificação de risco por considerar que todos reduzem o risco ao ser caráter ambiental externo e analisam os fatores de forma isolada. Como exemplo. as cargas fisiológicas e psíquicas somente têm materialidade interna e são expressas pelo trabalhador. Baseados na concepção da determinação social do processo saúde-doença desenvolvido por Laurell e Noriega (1989). o processo de desgaste. etc.Biológicos: microorganismos como fungos. por outro lado. pág. assim. gases. como a sudorese e alterações hormonais. b) Situacional ou de acidentes: situações inadequadas relacionadas às instalações. que pode ser verificado com a perda da capacidade potencial e efetiva corporal e psíquica do trabalhador (LAURELL&NORIEGA. bactérias. Neste modelo. 1989. poeiras. 110). Consideram o conceito de risco limitado e insuficiente para a caracterização do desgaste do trabalhador. químicas. ruído. adquirirão uma materialidade interna pelas transformações que causam nos processos intracorporais mais complexos. etc. equipamentos.Físicos: radiação. mecânicas.Químicos: substância química.a) Ambientais: . propondo outra categoria de análise denominada “carga de trabalho”. Esta categoria de análise busca compreender o processo de trabalho e os fatores que interatuam dinamicamente entre si e no corpo do trabalhador. As cargas externas. biológicas. vibração. vírus. gerando. o calor presente no ambiente de trabalho se expressa através dos mecanismos de termo-regulação. biológicas e mecânicas têm materialidade externa ao corpo e podem ser avaliadas quantitativamente. . independentemente do trabalhador. sendo responsáveis pela adaptação do corpo do trabalhador a estas condições. químicas. ferramentas. Segundo Laurell e Noriega (1989). constituindo mudanças que podem ser . também. fumos metálicos. fisiológicas e psíquicas. c) Humano ou comportamental: decorrentes da ação ou omissão. . materiais e operações a serem realizadas. em seu estudo clássico sobre as condições de trabalho na principal siderúrgica mexicana. as cargas de trabalho de acordo com suas especificidades são classificadas como: físicas. ao interatuarem sobre o corpo do trabalhador.

fraturas. posição incomoda. radiações e vibrações. Por exemplo.112). etc. como o trabalho em altura. Facchini (1993. os pisos escorregadios. fibras.). desqualificação do trabalho. gerando ao longo do tempo as particularidades de desgaste do trabalhador. sendo divididas em dois subgrupos: Sobrecarga psíquica: atenção permanente. c) Cargas biológicas: presença de microorganismos: vírus.temporárias ou não. fumos metálicos. alternância de turnos de trabalho e os ritmos excessivos são exemplos. As cargas de trabalho podem ser identificadas e classificadas como: a) Cargas físicas: ruído. líquidos. só têm existência na relação dos homens com os outros homens e com as coisas. fumaças. separação entre a concepção e execução. . umidade. segundo Laurell e Noriega. adquirindo materialidade nos processo psíquicos e corporais. As cargas psíquicas. feridas. se expressando na fisiologia com mudanças nos corticosteróides (LAURELL&NORIEGA.39) define estas cargas de trabalho como as demandas ou exigências psicobiológicas do processo de trabalho. d) Cargas mecânicas: condições do ambiente de trabalho responsáveis pelos acidentes que causam lesões instantâneas no corpo do trabalhador (contusões. 1989. fragmentação do trabalho que resulta em monotonia e repetitividade. consciência da periculosidade dos trabalhos. supervisão com pressão. pressão atmosférica. p. o trabalho com substâncias perigosas. alto ritmo de produção. b) Cargas químicas: poeira. p. as escadas sem proteção. Resumindo este conceito ou categoria de análise. etc. Subcarga psíquica: perda de controle do trabalho pela subordinação à máquina. etc. f) Cargas Psíquicas: relacionadas com manifestações somáticas. vapores. etc. a dependendo do tempo de exposição dos trabalhadores a estas condições. a monotonia e a repetitividade podem causar a hipotrofia do pensamento e da criatividade humana. e) Cargas fisiológicas: relacionadas ao dispêndio de energia e desgaste no interior do corpo humano: esforço físico pesado. calor. bactérias e fungos.

que não corresponde à sua simples somatória. potencializando seus efeitos. 180). ao processo de trabalho. sendo que são a organização e a divisão do trabalho no interior das empresas que ocupam a hierarquia superior em termos de controle e consumo da força de trabalho (FACHINI. 182) Como as cargas de trabalho interagem de forma bastante complexa para cada ramo produtivo e para cada processo de trabalho. proposto por Laurell e Noriega. denominada por Laurell (1989) como o perfil patológico de um grupo social. em um local mal ventilado e em uma posição incômoda. decorrentes do que se denomina de sinergismo. um trabalhador realizando um trabalho pesado. 1993. mas sim. em primeiro lugar por questões epistemológicas e. Por exemplo. mas valores maiores. Em terceiro lugar. é possível identificar um perfil de cargas de trabalho que conformam um determinado padrão de desgaste operário (FACCHINI.A associação do desgaste com a reprodução determina a constituição de formas históricas biopsíquicas que são características e que determinarão o aparecimento de uma série de enfermidades particulares. p. como no exemplo onde o trabalhador mantém alto ritmo de produção e situações de desconforto. in BUSCHINELLI. as cargas de trabalho só podem ser entendidas como articuladas no processo de trabalho e que interagem com as demais cargas. isto é. entre os elementos do processo de trabalho. 1993. acrescenta. Por outro lado. aponta que não há uma hierarquia entre as diferentes cargas. que são compensadas pelo fato da atividade permitir a tomada de decisões. e por isso não se tornam amortecedores das cargas psíquicas somatizantes. o modelo teórico da determinação social da doença reduz a complexidade social a uma única dimensão. Nesta análise. tendo significado e valorização do trabalho. podem haver situações de atenuação. p. No entanto. em segundo lugar. in BUSCHINELLI. Outra questão que podemos levantar é o conceito de materialidade externa e interna que não traz benefício ao entendimento sobre a exposição do trabalhador às cargas . Facchini. pela incapacidade deste modelo conseguir substituir o conceito de risco como ferramenta conceitual para expressar o caráter coletivo do processo saúde-enfermidade. irá ter um desgaste derivado de cada um deles. Almeida Filho (2004) critica o modelo de determinação social do processo saúdedoença tendo o trabalho como causa central.

As mudanças na forma de organizar o trabalho. há um retorno de atividades de planejamento para o domínio dos trabalhadores ou. Alguns estudos têm demonstrado que no momento atual.]desta maneira vem a ser não uma fonte de liberdade. mas de desamparo. dada às transformações no mundo do trabalho. O fato é que. não do domínio. em especial as fisiológicas. 1987. a partir da revolução industrial no século XIX e das modernas técnicas de administração da produção (Taylorismo. que em sua maioria também têm materialidade externa e podem ser analisados pelos técnicos ou pelos trabalhadores. por exemplo. em particular nas indústrias de alta tecnologia. concepção próxima da execução. só são analisadas pelo aspecto do esforço do trabalhador em realizar o trabalho. retiram do trabalhador o planejamento do trabalho. a aproximação entre as funções de pensar e de executar. antes de se materializarem em desgaste no corpo. robotizando seus movimentos e sua criatividade. entre outros). o trabalhador exposto e sua vida em um mundo social que está sempre reforçando sua condição de ser produtivo. problemas que têm repercutido na saúde dos trabalhadores como causa da maioria das doenças crônico-degenerativas. como o gasto calórico. que [. antes.. a própria organização da produção. Apesar destas críticas. 169) . por que as cargas externas só têm relevância no momento da interatuação com o corpo do trabalhador.de trabalho.. a ausência de pausas. Fordismo. mas de escravização. no qual a máquina aparece como a encarnação da ciência e o trabalhador como pouco ou nada (BRAVERMAN. mas do confinamento do trabalhador dentro de um círculo espesso de deveres servis. p. os trabalhadores perdem o controle sobre o trabalho com o desenvolvimento da maquinaria. nas indústrias de produção em massa. Primeiro. a questão dos mobiliários inadequados que não dispõem de regulagens ergonômicas que permitam uma postura mais adequada. ou pela postura incômoda necessária para a realização da atividade e não analisa. rotatividade de funções. pelo atrito entre os tecidos musculares e os tendões. em segundo lugar. Toyotismo. causando até mesmo certa confusão. o modelo da determinação social trouxe algo de novo que é enxergar além das cargas de trabalho e não somente por elas. e não do alargamento do horizonte do trabalho. as cargas internas.

a hipótese deste estudo de que as relações de trabalho e as formas de organização de trabalho encontradas nas indústrias do setor de vestuário de Colatina determinam um conjunto de cargas de trabalho que repercutirão em desgaste. Entre estas práticas está a flexibilização da produção. é importante considerar que o capitalismo tem ganhado força e ampliado suas formas de apropriação das riquezas produzidas pelo mundo do trabalho. Daí se estabelece que as relações e o processo de trabalho são os fatores mais importantes na determinação social das doenças. ao longo das últimas quatro décadas. principalmente para algumas categorias de trabalhadores. 2003). férias. assim. direitos e garantias mínimas. além de todos os fatores de riscos já citados. da sua gestão e as relações de emprego que se deterioram à medida que passam a serem entendidas como a possibilidade de se contratar trabalhadores sem os ônus advindos da legislação do trabalho. . Configura-se. a qual consolidou. como: o 13o salário.Atualmente. expresso pelas freqüências elevadas de distúrbios à saúde dos trabalhadores. FGTS. Como parte das cargas psíquicas do dia-a-dia dos trabalhadores está o fantasma do desemprego. entre outros (ASSUNÇÃO.

a morbidade diagnosticada é. antes de tudo.159). o reflexo do funcionamento do sistema de cuidados médicos. a morbidade objetiva pretende ser uma medida de prevalência real dos fenômenos mórbidos em uma população. a investigação da relação entre a saúde e o trabalho compõese de três elementos: Levantamento e análise do perfil de saúde e dos riscos a que esteja exposto o trabalhador ou o grupo de trabalhadores. denominados também na década de 1970 como inquéritos de saúde. O resultado quantitativo que se quer alcançar nestes estudos é uma estimativa da medida de prevalência de alterações à saúde. p. consumo. existem várias formas de se obter a morbidade de uma população. (. as entrevistas coletivas e o estudo dos locais de trabalho. ao nível da: produção. são utilizados largamente em todo o mundo e têm reconhecido poder de revelar o estado de saúde e doença da população (CAMPOS.3 METODOLOGIA Segundo Rigoto (1993. comportamento na vida diária.. por fim. O estudo e a pesquisa sobre as relações entre o perfil de saúde e de riscos e as alterações de saúde verificadas. 1993). meio ambiente. portanto. 1982. p.. em função das normas estabelecidas pelo estado dos conhecimentos médicos. Detecção e avaliação das alterações de saúde precoces ou manifestas. Os estudos transversais. hábitos de vida. (GOMES&TANAKA. a morbidade comportamental reflete as implicações sócio-econômicas dos problemas de saúde bem como as atitudes e reações em face desses problemas. pois se pretende apreender a totalidade das interações do homem com o ambiente de trabalho que participam do processo saúde-doença. De acordo com Gomes e Tanaka (1982). Segundo esta autora. o objeto de estudo da saúde do trabalhador é complexo e multifacetário. que estão ocorrendo no corpo do trabalhador ou do grupo de trabalhadores. Estas informações são colhidas através dos seguintes instrumentos: a entrevista com o trabalhador. 81) .) a morbidade sentida permite principalmente abordar a noção de necessidade e. de demanda em face do sistema de saúde.

No caso deste estudo. A detecção precoce dos sinais que possam caracterizar ou indicar a instalação das patologias é importante para a avaliação da eficácia dos controles dos agentes agressivos implantados pelas empresas e se os limites de tolerância adotados são compatíveis com a variabilidade das suscetibilidades dos trabalhadores. Colatina consolidou seu pólo de indústria do vestuário a partir de 1990. com produção de poucas peças que se destinavam ao mercado local. as queixas de saúde. a prevalência de morbidade referida tem sido confirmada como um indicador altamente confiável das condições de saúde populacional e com alta capacidade de revelar desigualdades entre grupos. que intermediavam a venda. A indústria do vestuário surgiu no município de Colatina entre as décadas de 60 e 70 do século XX. Inicialmente como fábricas familiares que utilizavam poucos trabalhadores. individualmente ou de forma sinérgica.1 A INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA.Para estes autores. serão indicadores da morbidade. possuíam acabamento quase artesanal e eram vendidas de porta-em-porta pelas denominadas “sacoleiras”. pode-se determinar o perfil de saúde dessa população de trabalhadores. Segundo o sócio proprietário e fundador de uma das indústrias de confecções pioneiras no município. desencadear o processo de adoecimento. melhoria das áreas físicas das empresas com a reforma e ampliação das instalações e a construção de novas e . da associação entre eles e das demandas da atividade exercida pelo conjunto de operários que atuam em um determinado setor produtivo. Através da identificação das queixas de saúde. 3. a mente e o psiquismo dos trabalhadores que podem. que o grupo de trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES sentiram nos últimos 15 dias anteriores à coleta de dados. podendo-se inclusive consultar os prontuários médicos das Unidades Básicas de Saúde. dos agentes de risco a que são expostos. ocasião em que houve grande incremento do número de indústrias. Nos ambientes de trabalho são encontrados inúmeros fatores que entram em contato com o corpo. investimento em tecnologia de ponta com a aquisição de máquinas modernas.

1 (18. e 18.Confecção de outras peças do vestuário 18.145 trabalhadores. o avanço da produção em milhares de peças por dia e a conquista do mercado nacional e internacional.ibge.Fabricação de acessórios do vestuário e de segurança profissional 18. ou seja.12-0 . existiam 75. o que explica.11-1 .9).Confecções de Artigos do Vestuário e Acessórios 18.062 empresas do ramo de vestuário ocupando 563.12-0. por faixa de pessoal ocupado total.662 empresas no Estado do Espírito Santo ocupando 16. em 2003. No Brasil. demonstra uma grande concentração nas empresas com até 4 empregados.modernas fábricas. .21-0 .1 .br/bda/tabela/protabl.223 trabalhadores (IBGE. visando garantir uma maior homogeneidade dos processos de trabalho estudados.13. Este estudo abarcou apenas as empresas classificadas no CNAE 18. da seguinte forma: 18 .22-8 . acessado em 02/12/2005).Fabricação de acessórios para segurança industrial e pessoal. fato que ocorre no setor devido a terceirização e para que estas empresas não percam os incentivos fiscais. 18.gov.Confecção de peças interiores do vestuário 18.13-9 .Fabricação de acessórios do vestuário 18. em parte. As empresas também desenvolveram técnicas próprias e criaram moda.asp.Confecção de artigos do vestuário e acessórios 18. aliado ao incremento na capacitação da mão-de-obra pelas empresas.11-1. A indústria do vestuário é identificada pela Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE. em boa parte financiada pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo .BANDES e por instituições como o SEBRAE. as empresas de confecção de artigos do vestuário e acessórios. veja Tabela 1.sidra. sendo 1.2 . O perfil destas empresas.Confecções de roupas profissionais 18. htpp://www.

076 1.TABELA 1: NÚMERO DE EMPRESAS DO SETOR DO VESTUÁRIO.2004 CNAE 1811-2 1812-0 1813-9 1821-0 TOTAL Fonte: RAIS/MTE Nº EMPRESAS 19 160 4 1 184 Nº TRABALHADORES 265 4037 38 2 4342 . 2004.CLT. conforme a tabela 2. NO BRASIL E NO ESPÍRITO SANTO. TABELA 2: Nº DE EMPRESAS E EMPREGADOS POR CNAE . Faixas de pessoal empregado Região 0-4 Brasil ES 5 – 9 10 – 19 20 – 29 30 – 49 50 – 99 100 .342 trabalhadores contratados pelo regime da Consolidação das Leis Trabalhistas .110 201 154 Fonte: IBGE/2005.723 54 1.010 39 416 19 76 4 54. Dados mais recentes sobre o universo de empresas deste setor existentes no município de Colatina no ano de 2004 foram obtidos no cadastrado na Relação Anual de Informações Sociais .278 81 1. POR FAIXAS DE PESSOAL EMPREGADO.RAIS.638 8. do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE.798 6.249 250 – 499 2. Constando neste cadastro em 31 de dezembro de 2004. no CNAE de nosso estudo 184 empresas que informaram a existência de 4.

produtividade.Descrição das condições ambientais de trabalho: onde se estuda se no meio ambiente de trabalho existem elementos que possam ser agentes nocivos para os trabalhadores como os aerodispersóides (poeiras. Para os propósitos deste estudo foram utilizadas as recomendações de Rigotto. 4Organização do Trabalho onde se verifica como ocorre a divisão das tarefas (concepção e execução). gases e vapores). incluída aí uma análise da gestão destes fatores de risco. a jornada de trabalho (turnos. 2.Aspectos históricos sobre como as empresas surgiram e o contexto sócio-econômico e como se organizam as representações de classe dos trabalhadores.3. 3. vestiários. ventilação. bebedouros. matérias-primas utilizadas. ferramentas. radiações. o mobiliário.O processo de produção onde se verificará o volume da produção. aspectos de estabilidade no emprego. equipamentos. fumos metálicos. 6.Identificação das empresas do ramo de atividade. os meios de produção (máquinas. vibração. . autonomia). etc.Relação com o meio ambiente: como se dá a disposição de todos os resíduos sólidos e líquidos do processo de produção e qual é sua influência no ecossistema do entorno da fábrica. a presença de microorganismos que possam ser fonte de contaminação e as situações que podem provocar acidentes. recomenda que as informações necessárias a serem obtidas devam abarcar os seguintes aspectos: 1. etc. a presença de energias como o ruído. salário e a relação com os sindicatos das categorias. horasextras. 5. áreas de lazer. conforto e higiene (banheiros.). 7. iluminação.Instalações da empresa: onde o espaço físico do local de trabalho é analisado no aspecto de divisão espacial (layout). tempo para pausas.162). importância econômica na região em que estão instaladas e o número de trabalhadores contratados direta e indiretamente. Portanto. os mecanismos de controle da produção (ritmos.) e o fluxograma da produção. refeitórios. tornou-se necessário conhecer os principais fatores de risco encontrados neste tipo de indústria que poderiam constituir cargas de trabalho para estes trabalhadores. p. considerando-se o fato do objeto de estudo ser o conjunto dos trabalhadores do setor do vestuário e não uma empresa específica. Para realizar estudos sobre o processo de trabalho Rigotto (1993. rodízios de funções).2 ESTUDO DAS CARGAS DE TRABALHO NAS INDÚSTRIAS DO VESTUÁRIO DE COLATINA.

mas um levantamento qualitativo preliminar. por similaridade. as observações . rotatividade e quando aparecem os primeiros sinais de adoecimento e desgaste nos trabalhadores. Foram realizados por setor. ocorreram no período de 15 de janeiro a 15 de fevereiro de 2006. O estudo das cargas de trabalho não é um levantamento exaustivo para cada função existente no processo produtivo da indústria do vestuário. Este recorte do complexo ambiente de trabalho do setor abrange somente a estrutura técnica da produção da calça jeans. com este objetivo. aplicados nas situações que ocorrem na fabricação de camisas de malha ou de roupas íntimas. entre outros tipos de peças de roupa. cujo objetivo foi identificar a presença de fatores de riscos que podem representar fontes de desgaste dos operários e contribuir para a formação do perfil de adoecimento. Não foram realizadas avaliações quantitativas dos fatores de riscos e nem de sua capacidade de causar danos aos trabalhadores. com o propósito de se obter informações sobre os seguintes fatos: como surgiram as primeiras indústrias no município. suas características principais. As visitas de campo. que utiliza a categoria carga de trabalho.Para realizar esta etapa do estudo foi necessário realizar visitas aos locais de trabalho para observar in loco as formas de organização da produção e registrar em documento de campo (Anexo D) quais os principais fatores de risco à saúde dos trabalhadores que estão presentes no processo de trabalho da indústria do vestuário em Colatina. Este trabalho foi realizado em quatro empresas do município de forma a observar todas as etapas de fabricação de duas empresas que costuram jeans e que dominam todo o processo de fabricação das calças e duas que fazem facção e costura roupas de menor qualidade. Durante este trabalho foram realizadas também entrevistas informais com diretores e pessoas ligadas a este ramo industrial que participaram do seu desenvolvimento no município de Colatina. como capacitaram a mão-de-obra. Neste levantamento. Foram entrevistados também encarregados de produção sobre: aonde aprenderam a gerenciar a produção. que possui maior número de atividades e de situações de risco podendo ser. época de consolidação do pólo industrial. os fatores de risco foram agrupados de acordo com a concepção do modelo da determinação social da doença de Laurell e Noriega. principais mercados consumidores e o desenvolvimento da mão-deobra.

2004. em uma determinada população e em um dado momento (COSTA&KALE. já que o objetivo era trabalhar com segmentos da cadeia produtiva que expressassem os diferentes tipos de atividades exercidas pelos trabalhadores.3. p. O delineamento transversal é o método de escolha para estudos com a finalidade de estimar prevalências6. 26) 6 . A amostra entrevistada foi retirada da listagem fornecida pelas empresas do setor do vestuário de Colatina ao Prevalência é definida como a freqüência de casos existentes de uma determinada doença (morbidade). característica do estudo epidemiológico de observação direta de determinada quantidade planejada de indivíduos em uma única oportunidade (MEDRONHO.125). O levantamento das condições de trabalho e saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina foi realizado através de um estudo com delineamento seccional ou transversal. Isto significa que a coleta de dados dos indivíduos da amostra se dá no prazo mais curto possível em uma única visita.das atividades dos trabalhadores sendo registradas as fontes de risco. Salienta-se que esta amostra de empresas não teve finalidade estatística. p. 3. como se fosse uma fotografia daquele momento estudado. 2004.3 LEVANTAMENTO DE CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA.1 Sujeitos da Pesquisa e Amostra Os sujeitos da pesquisa foram trabalhadores associados ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário – SINTVEST. 3. já que a lógica da análise é como se todos os dados tivessem sido colhidos em um único instante. tendo ainda como vantagem o baixo custo e a rapidez em sua execução. privilegiando os aspectos qualitativos da realidade. com filmagem e registro fotográfico para análise posterior.

Estes dados foram confirmados pelo Ministério do Trabalho e Emprego em consulta a RAIS. Dessa forma. Fixando-se o poder da amostra em 90% (z=1.60). 2002). que irá fornecer o tamanho máximo da amostra. utilizou-se o software estatístico Statistical Analysis Software . método conservador. em dezembro de 2004.50 ou 50%. contra uma proporção aceitável de até 60% (p=0. sendo eliminados da amostra os trabalhadores das destas últimas. confirmadas pela contribuição mensal em agosto de 2005. contribuindo para o SINTVEST no mês de agosto de 2005 e com endereço residencial conhecido. considerando-se os seguintes parâmetros: Nível de confiança da amostra de 95% (z=1. segundo o SINTVEST. o universo de trabalhadores a serem pesquisados foi reduzido a 1727 trabalhadores com vínculo empregatício e empregados em empresas do vestuário que produzem a mercadoria roupa em sua totalidade.SAS e o procedimento proc power (CHERNICK&LIU. que contribuem diretamente ao sindicato. que estão em dia com suas contribuições. . o de pequenas fábricas de facção que realizam pequenos serviços para as empresas maiores. Para a seleção da amostra utilizamos como condição de controle que os trabalhadores estivessem empregados nas empresas classificados no CNAE abrangido pelo nosso estudo conforme a tabela 2. pela dificuldade de sua localização.SINTVEST. Para garantir que a amostra fosse a mais homogênea possível. adotando-se a referência pº=0. Em agosto de 2005.100 trabalhadores contribuintes. Distribuição binominal (proporção).342 empregados formais no município de Colatina. onde foram cadastradas 184 empresas com confirmação de 4. como os das lavanderias.96).64). Foram retirados também todos os trabalhadores informais e os trabalhadores sem endereço conhecido. totalizando cerca de 95% dos trabalhadores com registro. existiam cerca de 4. foram controlados os aspectos que diferenciam os trabalhadores das empresas que dominam todo o processo de produção das roupas daquelas que prestam serviços parcelados. havendo entre eles alguns informais. Para determinar o tamanho mínimo da amostra necessário ao estudo. Os dados acima indicam um alto índice de sindicalização entre os trabalhadores da indústria do vestuário.

Início casual.E a partir deste foi retirado um indivíduo a cada intervalo de 4 nomes da lista em ordem alfabética. 3. 2001. 2. 149-155).A hipótese alternativa. a amostra final foi de 432 pessoas. a partir da listagem por ordem alfabética da população total de 1727 pessoas. cuja fórmula para se obter o tamanho da amostra é: Fixando-se uma taxa de recusa possível de 10%. . sorteou-se um número entre 1 e 4.O intervalo casual foi k= 1727/432= 4. sendo neste estudo sorteado o segundo nome que foi o primeiro elemento da amostra. diferença. para formar os componentes da amostra. A amostra foi pelo processo de amostragem sistemática (CASTELLOE&O’BRIEN. onde: 1. p.

é o critério de suspeita de L. e aplicado por entrevistadores treinados. ritmos. pausas. idade. 2001. escolaridade e renda). e a pergunta 60 (A duração de 2 de qualquer dos sintomas acima é superior a 30 dias?). estabelecendo como ponto de corte 7/8. tais como: estados ansiosos. de maneira que 8 ou mais respostas positivas caracterizam a suspeita de DMM. apud BORGES. em comunidades. assim distribuídas: 1. Foi avaliado como um bom indicador de morbidade.Caracterização das demandas das cargas de trabalho (função. Este instrumento consta de sinais e sintomas de dor ou desconforto nos membros superiores. na cidade de São Paulo. instrumento de rastreamento (screening) que detecta quadros suspeitos de distúrbios psiquiátricos menores. em sua grande maioria fechada. condições inadequadas de trabalho que causam doenças.E. p. 2001. A avaliação da suspeita de presença de Distúrbios Mentais Menores – DMM foi realizada pelas perguntas 32 a 51.3. integrante de um instrumento de rastreamento destes distúrbios proposto por Ribeiro (RIBEIRO. depressivos e somatizações (MARI & WILLIANS. Este instrumento foi validado por Mari e Willians em um estudo com a população que procurava serviços de atenção primária à saúde. estado civil. ombros e pescoço. tempo de trabalho. . sexo. problemas de atendimento médico. reprodução da versão em português do instrumento SRQ – 20 (Self-Report Questionnaire). duração da jornada. 2. raça. A avaliação da presença de distúrbios muscoloesqueléticos é avaliada pelas respostas às questões 52 a 60. 2. com sensibilidade de 83% e especificidade de 80%. naturalidade.R. distúrbios à saúde mental e distúrbios muscoloesqueléticos).Dados sócio-demográficos (local de trabalho. não psicóticos. 2 Instrumento de Pesquisa O instrumento de campo utilizado foi um questionário estruturado (Anexo C) contendo 83 perguntas.3. p. 62). fonte de tensões e cansaço). sendo que a resposta positiva simultaneamente às perguntas 56 (Sente dor ao pressionar ou ao movimentar algumas destas partes?).Perfil de condições de saúde (queixas de saúde. 64). 1986 apud BORGES. O questionário é composto de três partes.

boa comunicação. evitando qualquer constrangimento ou pressões de chefias.3 Procedimentos de Campo As entrevistas foram realizadas no período de 19 de novembro a 20 de dezembro de 2005. receberam uma cópia do questionário e aprenderam a conduzir a entrevista. para confirmação de sua realização e aferição da qualidade. assim. c) Enfatizar a importância da colaboração do entrevistado e solicitar. não ocorrendo discrepâncias relevantes nas respostas. disponibilidade de trabalhar à noite e fins de semana. quando tomaram conhecimento do projeto de pesquisa. vide Termo de Consentimento (Anexo B). conhecimento da comunidade a ser estudada e de disponibilidade para participar da fase de treinamento. podendo. já que os endereços cadastrados pelo sindicato e pelas empresas são de uma data cerca de um ano anterior ao período da pesquisa. As mudanças de endereço eram resolvidas . A equipe de entrevistadores foi selecionada através de entrevistas com candidatos que reuniam os seguintes critérios: escolaridade mínima de segundo grau completo. as dificuldades para sua realização foram inúmeras. assinar a autorização para utilização das informações na presente pesquisa. caso concordassem em ser entrevistado.3. preferencialmente no domicílio do trabalhador. seguindo sempre o seguinte protocolo: a) informar aos entrevistados sobre os objetivos e a relevância do estudo. foram escolhidas cinco pessoas. uma amostra aleatória de 5% do que cada entrevistador fez. A coordenação comprovou que os trabalhadores foram realmente visitados e entrevistados. ocorrendo vários casos em que o trabalhador havia mudado de residência. a fim de garantir a liberdade de manifestação do entrevistado. Como em toda pesquisa deste tipo. b) Esclarecer que as informações prestadas seriam confidenciais e os trabalhadores não seriam identificados por pessoas que não participassem da pesquisa. Mas o mais comum era o entrevistado não estar em sua residência na hora da visita. sendo necessário o retorno ao local com hora marcada. Os entrevistadores foram capacitados previamente através de três encontros.3. responder às perguntas sem pressa. o pesquisador-coordenador entrevistou novamente. Como forma de controle da qualidade das entrevistas. fora do local do trabalho.

ou havia abandonado o trabalho há mais de 15 dias. já que foi usada uma estratégia de divulgação do trabalho através do envio de uma carta (Anexo A) quinze dias antes do início do trabalho de campo. o mesmo era substituído pelo trabalhador seguinte da listagem por ordem alfabética.através de informações colhidas com antigos vizinhos ou através do SINTVEST. com apenas 10 recusas (2. os entrevistadores foram bem recebidos.3%). para todos os trabalhadores sorteados. Inicialmente foi verificada a freqüência simples das variáveis. Das 432 entrevistas previstas foram realizadas 422. Quando o trabalhador não era encontrado de forma alguma. A variável queixa referida foi classificada de acordo com os diferentes órgãos e sistemas do organismo humano. As variáveis suspeitas de DMM e suspeita de LER foram tomadas como variáveis dependentes e utilizadas em modelos de regressão logística para verificar a contribuição de diferentes fatores de risco (variáveis independentes) na sua .4 ANÁLISE DE DADOS Os dados qualitativos foram ordenados conforme os setores existentes no fluxograma do processo produtivo. 3. destacando-se as funções e os fatores de riscos presentes que podem participar do desgaste da saúde do trabalhador. De forma geral. que o conseguia nas empresas em que os trabalhadores estavam empregados. informações que pudessem confirmar ou não a hipótese proposta pela pesquisa. após o cruzamento de variáveis. Os dados obtidos nas entrevistas com trabalhadores foram digitados em um banco de dados do programa Excell para Windows XP e posteriormente migrados para o SAS. A análise através dos programas estatísticos permitiu construir o perfil epidemiológico e dar ao pesquisador. contendo explicações sobre o objetivo da pesquisa e de sua importância para o conhecimento das condições de saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário.

o que levou a opção de realizar análise comparativa do desgaste dos trabalhadores deste setor com os demais. No processo de análise verificou-se a importância quantitativa e qualitativa do setor de costura no processo de produção da indústria do vestuário. 1989. é que determinará e se expressará em um nexo biopsíquico característico (LAURELL. A análise das relações entre fatores de risco e morbidade referida foi realizada. que também repercutirá no perfil de saúde da população em geral. . em muitos casos. 2003). No processo de trabalho é onde são encontrados os componentes técnicos e sociais responsáveis pela produção do desgaste do trabalhador e que são sentidos no seu corpo através de desconforto. dores e tensão. 175). p.explicação. já que a forma de organização da produção das mercadorias – a produção da mais-valia – que se materializa no mundo real em determinada opção técnica especifica e nas formas particulares de gerenciamento do uso da mão-de-obra. A similaridade de relação de trabalho e exposição aos agentes nocivos (fatores de risco ou cargas de trabalho) determinará no conjunto dos trabalhadores um perfil de saúde típico de um determinado processo de trabalho. tendo em vista que estes trabalhadores. Por esta perspectiva é que a análise do processo de trabalho tem importância para a saúde coletiva. Os testes estatísticos identificaram os principais fatores que diferenciavam os grupos e identificaram os riscos relacionados com o efeito. cansaço. são uma parcela significativa deste coletivo (CÂMARA. tendo por base os conceitos de carga de trabalho e desgaste.

vendendo serviços para uma outra indústria maior. As empresas líderes estão instaladas em prédios modernos e seu layout é mais bem estruturado. são substituídos periodicamente. que não permitem regulagem de altura. a mão-de-obra é basicamente formada por familiares ou de alguns poucos empregados. camisas de malha e social) sendo caracterizada pelo grande volume de produção e consumo e b) Vestuário da moda. sendo também produzidos em lotes menores. mobilidade lateral. cuja produção segue a tendência do mercado. espaldares reguláveis. têm equipamentos modernos e sempre investem em tecnologia. com conseqüente desconforto para o trabalhador. os mobiliários disponibilizados para uso dos trabalhadores são diferenciados. A indústria do vestuário de Colatina compreende um elevado número de empresas. ou realizar parte de sua produção com a terceirização. algumas em cômodos nas casas de seus proprietários que aproveitaram um quintal ou a laje da casa para instalar algumas máquinas e iniciar um negócio de prestação de serviços. na linha de fabricação. de equipamentos já descartados pelas empresas maiores. . enquanto as demais. que produz o vestuário de uso cotidiano e que tem pouca oscilação da moda (como as calças jeans. em muitos casos. já que é necessário acompanhar as mudanças das estações e do mercado. As empresas líderes. de acordo com a estação do ano. As fábricas podem ter domínio total de todo o ciclo de produção ou realizar somente parte dele. Há em Colatina também grande número de empresas que só se dedicam a uma fase do processo de fabricação das roupas. podendo ser dividida em dois tipos de segmentos: a) Vestuário padrão. por terem mais capital. inclusive com a utilização do trabalho informal de trabalhadores que atuam em suas residências. como as lavanderias. As empresas maiores freqüentemente oferecem cadeiras e assentos ergonômicos e as.4 O PROCESSO DE PRODUÇÃO E TRABALHO DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA – ES. que constituem a maioria das empresas do ramo do vestuário. de menor investimento oferecem cadeiras de madeira. Além das máquinas utilizadas na produção das roupas. enquanto que a maioria das empresas de facção ou oficinas de costura está instalada em locais improvisados. Essas são denominadas “indústrias de facção”.

cujo mercado consumidor é menos exigente e necessita que o produto seja mais barato. para tomar um café com pão. O calor é um problema generalizado até nas empresas mais modernas. Como a maior parte das fábricas está instalada em prédios improvisados. sendo o trabalhador selecionado de acordo com sua habilidade de . que não foram construídas com um sistema de ventilação eficiente. no horário vespertino. o que exige mais esforço de movimentos do trabalhador para sua execução. Quanto aos agentes ambientais. instalações de banheiros adequados. Verificaram-se nas visitas realizadas que as empresas que produzem os produtos de menor qualidade são em maior número e absorvem maior contingente de trabalhadores. como a de virar a calça ao avesso. pois quanto menor a qualidade das roupas produzidas maior é a quantidade produzida. os ambientes de trabalho não são confortáveis quanto aos aspectos de ventilação. tendo limitações para abandonar o posto de trabalho a qualquer tempo. as empresas não fazem o controle dos agentes (físicos e químicos). como por exemplo. para beber água ou ir ao banheiro. O trabalho na indústria do vestuário é organizado conforme a cartilha do Taylorismo e do Fordismo. de um modo geral. Foi verificado que o tipo de produto fabricado define também o perfil do processo de produção através de sua qualidade. enquanto que nas oficinas ou indústrias de facção a mesma atividade é realizada de forma totalmente manual. A diferença tecnológica entre as empresas ressalta as diferenças do uso do corpo do trabalhador na observação das atividades mais simples.Nas empresas visitadas foi verificado que os trabalhadores só têm uma pausa de 15 minutos durante a jornada. protetores auriculares de inserção e máscaras para poeiras. iluminação. optando em fornecer aos trabalhadores o EPI. apesar de não estimularem o seu uso pelos trabalhadores. por ser destinada aos grupos sociais mais pobres. bebedouros limpos e em número suficiente. Nas empresas mais modernas esta atividade pode ser realizada com o uso de dispositivos semi-automatizados que permitem a economia de movimentos do trabalhador. sofrendo sobrecargas musculoesqueléticas mesmo nas cadeiras que dispõem de mecanismos de regulagem de altura do assento e do espaldar.

compras. costura. almoxarifado (tecidos e aviamentos). seguindo a lógica da esteira. . conforme fluxograma abaixo: ADMINISTRAÇÃO COMPRAS ENFESTO E CORTE ALMOXARIFADO COSTURA CRIAÇÃO E MODELAGEM ARTESANATO LAVANDERIA PASSADORIA ACABAMENTO E ETIQUETAGEM EMBALAGEM E EXPEDIÇÃO FIGURA 1: FLUXOGRAMA BÁSICO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. enfesto. etiquetagem. estamparia. Para estimular o trabalhador a manter um alto ritmo de produção. bordado.manter a produção em alto ritmo e com a qualidade requerida. revisão/acabamento. a empresa oferece um adicional de produtividade que pode representar um acréscimo de até 36% no salário do trabalhador. manutenção mecânica e setor administrativo. O trabalho é fragmentado e organizado em uma linha de produção. modelagem. lavanderia. em que o fluxograma básico de uma indústria que domina todo o processo da fabricação do vestuário pode ser constituído dos seguintes setores: criação. passadoria. corte. embalagem e expedição.

são utilizadas como banco de horas para compensar os dias úteis entre feriados e final de semana. conforme explicitado no marco teórico.A linha de produção das roupas é feita de forma que uma equipe de trabalho em postos fixos. Em épocas de grandes encomendas. são apontadas as características de cada setor. fisiológicas e psíquicas. por ser um termo mais adequado. foi apontado pelos trabalhadores que a média de trabalho por semana é de 46. Entretanto. é definida pela gerência de produção e deve ser atingida por hora ou dia de trabalho. biológicas. O horário de almoço é de uma hora e realizado no período de 12 às 13 h. e que. quando os trabalhadores são dispensados do trabalho. as funções dos trabalhadores. as atividades realizadas e as cargas de trabalho mais importantes encontradas nas quatro empresas visitadas. entre as 7 h e às 17h10min. por considerá-lo mais amplo que os demais modelos. desenvolve um mesmo tipo de serviço cuja meta de produção.3 horas.1 AS CARGAS DE TRABALHO NOS SETORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.3 horas extras em média. havendo uma sobre jornada para compensar as 4 horas de sábado e os 15 minutos em média de paralisação para o lanche que é distribuído no período da tarde. . são realizadas horas extras noturnas e nos sábados. de segunda a sexta-feira. às vezes. Na identificação das cargas de trabalho utilizamos a mesma classificação do modelo da determinação social da doença de Laurell e Noriega. às 15 h. químicas. mecânicas. substituiremos o termo mecânico por acidentes. As atividades são realizadas quase que totalmente no horário diurno. portanto com 2. geralmente. Este modelo classifica as cargas de trabalho como sendo: físicas. A seguir. denominada por “célula”. No estudo. 4. que podem estar associadas ao desgaste da saúde dos trabalhadores.

ir ao banheiro ou tomar decisões. fixação da vista. mesmo que o serviço possa ser feito por longo tempo em posição fixa. FISIOLÓGICAS: . .Postura sentada a maior parte do dia. A ferramenta de trabalho é o computador.Má iluminação do local. O estilista. FISIOLÓGICAS: .Fixação da vista na tela de computador.4. . em pé encurvada sobre a mesa de modelagem ou sentada no computador. CARGAS DE TRABALHO FISIOLÓGICAS: . Moldador ou Riscador Faz a riscagem das peças em papel e posteriormente faz a digitalização do molde padronizado pela numeração.Perfuração de dedos por agulhas. Posto de trabalho: Máquina de costura. ACIDENTES: . portanto.Fixação da vista. Posto de trabalho: Mesa de riscagem. . computador e scanner.Postura sentada o dia todo. o trabalhador tem liberdade para parar o serviço. PSÍQUICAS: . pois. FUNÇÃO Estilista ATIVIDADE Criar modelos novos e desenhálos conforme tendência da moda e da numeração padronizada. Posto de trabalho: Computador e cadeira. PSÍQUICAS: .1. onde o profissional principal é o estilista que desenha os modelos das roupas de acordo com a tendência do mercado consumidor. descansar. O trabalho do estilista exige mais demanda mental do que a fisiológica. é o setor da concepção.Qualidade do serviço. ficar em pé. As cargas de trabalho encontradas para estes profissionais podem ser observadas no quadro 1: QUADRO 1: FUNÇÃO. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE CRIAÇÃO E MODELAGEM NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINAES.Pressão para criar sempre produtos novos e de aceitação no mercado. é quem cria os modelos que irão ser fabricados. . precisa estar informado das tendências da moda no mercado e ao mesmo tempo ser capaz de propor novas idéias. Modelista Responsável em costurar a peça piloto da produção em série.1 Setor de Criação e de Modelagem O setor de criação de moda é onde são elaborados os modelos das roupas que entrarão no processo de produção.Postura de trabalho.

2004). a balança para pesagem de matéria-prima e o carrinho manual para seu transporte. em galpões fechados que. digitalizados pelo moldador/riscador a fim de se produzir os moldes que irão servir de guia para o corte do tecido. As instalações são geralmente próximas aos setores de produção.CAD (LEITE. a seguir. Neste estágio. sempre em quantidade suficiente para manter a produção. O setor de modelagem. o que insere a possibilidade de acidentes de quedas de altura. é responsável em produzir as peças-piloto para o futuro corte em série. geralmente.Neste setor é onde tem havido nos últimos anos a inovação tecnológica: design. abastecendo os locais necessários e recebendo as novas matérias primas encomendadas. Neste setor. são mal ventilados e com instalações improvisadas. 4. Neste setor. modelagem e encaixe onde se tem utilizado sistemas de desenho assistido por computador ou Computer Aided Design . que trabalha bem próximo ao setor de criação. também pode causar cargas fisiológicas devido ao esforço físico para a realização do carregamento manual das mercadorias até as prateleiras. os trabalhadores têm um pouco mais de demandas fisiológicas. pois o produto não é feito em série e o ritmo de trabalho é mais tranqüilo.1. sendo que as situadas em altura exigem a utilização de escadas.2 Setor de Almoxarifado de Tecidos e Aviamentos É o setor responsável em administrar os estoques das matérias-primas. mas ainda têm dirigibilidade sobre seu tempo. O trabalho de controle de entrada e saída de matéria prima do almoxarifado além de representar uma responsabilidade alta para o empregado. que será utilizado pela modelista para criar as peças piloto. as principais funções e as cargas a que estão submetidos os trabalhadores são indicados no quadro 2: . as máquinas utilizadas são: o computador. Os moldes-piloto são riscados conforme o número padronizado da peça e.

Levantamento manual de peso. FUNÇÃO Almoxarife ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO É o encarregado das entradas e FÍSICAS: saídas das matérias-primas.Calor. ACIDENTES: . ATIVIDADE E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE ALMOXARIFADO DE TECIDOS E AVIAMENTOS NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. Revisor de Faz a revisão dos tecidos antes FÍSICAS: tecido de ir para o setor de enfesto.Postura inadequada no acesso às prateleiras de estoque. PSÍQUICAS: . Auxiliar de Auxilia o almoxarife nas atividades FÍSICAS: almoxarife de estocagem de produtos. .Responsabilidade pelo controle do estoque.Responsabilidade.Postura inadequada no acesso às prateleiras de estoque. FISIOLÓGICAS: . FISIOLÓGICAS: .Posturas incômodas no acesso às prateleiras de estoque.Calor. PSÍQUICAS: .Levantamento de peso. FISIOLÓGICAS: . mesmas. .QUADRO 2: FUNÇÃO.Trabalho com diferença de nível. Conferente Controla o estoque das PSÍQUICAS: mercadorias prontas e a saída das . .Responsabilidade pelo controle da qualidade do tecido que será utilizado e do que é comprado. .Calor. . .

1. QUÍMICAS: -Poeira de algodão.Postura desconfortável para realização do serviço. Além de distribuir o tecido.Poeira de algodão. ATIVIDADE E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE ENFESTO E CORTE NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. dobrados em camadas. Fixa os moldes sobre o tecido com o uso de grampeadores ou fitas adesivas. .Postura desconfortável. FUNÇÃO ATIVIDADE Enfestador Espalhar e dobrar o pano sobre a mesa de corte.Levantamento de peso.Calor. FISIOLÓGICAS: .3 Setor de Enfesto e Corte É responsável pelo corte dos tecidos. de forma a aproveitar o material ao máximo.Calor. Inicialmente os tecidos são distribuídos sobre uma grande mesa. FISIOLÓGICO: . faz a fixação dos moldes sobre a camada superior do tecido. QUÍMICAS: . .Corte de dedos e mãos. fixando os moldes através de grampeadores ou fitas adesivas. propriamente dito. de forma manual ou através de equipamento elétrico. ACIDENTES: . Eventualmente pode também fazer o corte do tecido. FISIOLÓGICOS: . atividade que é denominada de enfesto.Movimento repetitivo. QUADRO 3: FUNÇÃO. se constituindo como a parte inicial do processo de fabricação das mercadorias. conforme os moldes e a numeração padronizada para a produção em série das roupas.Ruído e vibração.Poeira de algodão. Cortador Faz o corte do tecido após o enfesto e colocação do molde com o uso de equipamento elétrico. FÍSICAS: .4. CARGAS DE TRABALHO FÍSICAS .Calor. . Auxiliar de Auxilia o cortador nas atividades de corte corte. . o enfestador. FÍSICAS: . QUÍMICAS: .Postura desconfortável para realização do serviço.

Uma das linhas costura a frente da calça e a outra a parte traseira. Neste local se concentra o maior número de trabalhadores. A meta de produção é estabelecida por um cálculo que é realizado pelos encarregados de produção. que pode causar lesões graves. A organização da produção é feita em duas linhas. sendo o ponto nevrálgico da produção. Além das demandas fisiológicas para a realização da tarefa. Os serviços deste setor são constituídos por centenas de atividades. os trabalhadores se expõem aos agentes ambientais relativos ao calor devido à má ventilação e à poeira de algodão produzida pelo corte dos tecidos. representar 50% da força de trabalho da empresa e. em sua maioria absoluta. nas quais as células são dispostas em série. sendo medido através da cronometragem da tarefa por . tesouras e com etiquetagem das peças.Posteriormente. 4. assumir diversas posições incômodas para alcançar as partes a serem cortadas. em muitos casos. estabelecida pela gerência de produção. Em relação a acidentes existe o risco de cortes de mãos e dedos pela lâmina da máquina de corte dos tecidos. devendo. cuja meta de produção de peças acabadas. posteriormente. e ao ruído e vibração da máquina de corte de tecidos. fragmentadas em várias etapas por trabalhadores organizados em grupos denominados por “células”. outro grupo de trabalhadores será responsável em fazer a união das duas partes. A função com o maior número de trabalhadores é a de Costureira (o) que pode. é constituída de mulheres. podendo em algumas empresas estar no mesmo espaço que o setor de acabamento.4 Setor de costura O setor de costura é o principal setor da indústria do vestuário. tem que ser atingida coletivamente. o Cortador fará o serviço de corte do tecido com a utilização de uma máquina elétrica de corte.1. como em uma esteira invisível. para isso.

solução adotada pelas empresas. podendo inclusive agravar outro problema ambiental que é a presença da poeira fazendo sua dispersão no ambiente. ao final da qual é assinalado qual foi à produção da última hora e estabelecida a meta da próxima hora. verificando os problemas dos atrasos na produção de cada célula. entre outras. Outro agente causador de desconforto é o ruído das máquinas. Neste setor. podendo o calor tornar-se insuportável em algumas épocas do ano. em que fica claro o objetivo de se produzir em ritmo alto a fim de aumentar o lucro do capital. Os encarregados de produção estão sempre circulando entre o pouco espaço existente. servindo também água aos trabalhadores que. Segundo os encarregados eles aprenderam esta técnica com a experiência ou em cursos do SEBRAE.como passar a dobra do bolso traseiro. dificilmente. revisar a qualidade das peças e contar o número de peças produzidas .são realizados simultaneamente. máquina de casear. em espaços insuficientes e mal organizados. sem economia das forças humanas. há grande número de ajudantes e abastecedores que irão servir a cada célula. quando um trabalhador não dá conta do serviço todos os demais perdem. No aspecto do conforto ambiental. máquina de costura galoneira. que não se restringe ao posto de trabalho do setor. onde é escrito o número de peças a serem produzidas no período de uma hora. de quase todas as plantas industriais visitadas. inclusive de ir ao banheiro. desvirar as calças. o grande problema encontrado no setor de costura. assim.unidade produzida. Os serviços auxiliares . . fixado na frente de cada célula. podendo atingir postos de trabalho dos setores próximos. máquina para pregar presilha. Para realizar o controle da produção. máquina de costura overloque. já que isso não faz a renovação do ar. São vários os tipos de máquinas utilizadas neste setor: máquina de costura reta. Os ganhos de produção só ocorrem quando a célula atinge a meta. os encarregados utilizam um quadro de aviso. A utilização de ventiladores. Este artifício mantém uma pressão constante sobre os trabalhadores da célula em manter a produção alta. podem se ausentar de seus postos para suprir suas necessidades fisiológicas. abastecendo com o produto que vem do setor de corte ou de outras células anteriores ao processo. é a ventilação.

Jornada de trabalho longa.Esforço físico pesado.Fixação de vista no campo de trabalho por longo período. . .Trabalho que exige força no manuseio (trespontadeira). revisor e serviço feito. overloque. . ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO DO SETOR DE COSTURA NA INDÚSTRIA DO VESTUARIO DE COLATINA-ES. FUNÇÃO Costureira (o) ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO Efetuar o serviço de costurar FÍSICAS: os tecidos e adereços para .Iluminação inadequada. às vezes .Perfurações com agulhas. FISIOLÓGICAS: . .Ruído e vibração.Ruído.Calor. ACIDENTES: caseadeira e prespontadeira. PSÍQUICAS: . reta. .Poeira de tecido.Posição fixa sentada por longo tempo.Remuneração baixa. . FISIOLÓGICAS: .Controle rígido da produção.Exigência de posturas inadequadas. Pode. Auxiliar de Auxiliar no abastecimento de FÍSICAS: costura.Movimentos repetitivos e com precisão.Falta de sentido do trabalho. . . QUÍMICAS: Máquinas utilizadas: costura . .Tensão pela necessidade de atingir as metas. substituir a costureira que vai QUÍMICAS: ao banheiro ou tomar água.Controle rígido da produção.Movimentos repetitivos. formar as roupas: . abastecedor.Posição fixa em pé por longo tempo.Falta de sentido do trabalho. .Poeira de tecido. . PSÍQUICAS: . .Remuneração baixa. matéria prima e revisar o .QUADRO 4: FUNÇÃO. galoneira. . .Calor. . . .Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico.

Posição em pé por longo tempo. por ocupar o maior número de trabalhadores e de máquinas o mais prejudicado. Com as exceções já citadas os mobiliários. para ser atingido. que só podem ser amenizadas com cadeiras que tenham o assento rotatório. doméstico ou industrial. . como as cadeiras. . devendo o trabalhador se virar para conseguir a posição que lhe seja menos penosa. atenção no movimento. Para adaptar as cadeiras de madeira ao seu corpo e melhorar o conforto. não têm forma ou dispõem de controles que garantam um conforto ergonômico. seja de altura ou de encosto. sendo o setor de costura. os trabalhadores utilizam estofados improvisados.Ruído. . .Desvalorização ou de sentido do trabalho. FISIOLÓGICAS: .Remuneração baixa. este tipo de movimento constante pode provocar desconforto e dores na coluna. quando a tarefa exige rotação de quadril.Calor. . como o de transferir o material trabalhado de um lado para o outro. O nível de produção é alto e. . colocados no assento e no encosto. .Movimentos repetitivos.Esforço físico.Continuação QUADRO 4: Passador Passa a borda do bolso de trás FÍSICAS: da calça jeans. Segundo os auditores da Sub-Delegacia Regional do Trabalho – DRT existe um problema grave na indústria do vestuário relacionada com o espaço físico destas empresas que geralmente estão instaladas em local improvisado. exigindo. algumas máquinas estão baixas demais.Poeira de tecido. No entanto. fixação . enquanto outras estão altas. Instrumento: Ferro de passar QUÍMICAS: roupas.Controle da produção.Trabalho com material aquecido (Queimadura). além disso. deve ser realizado com a repetição de movimentos até a exaustão. PSÍQUICAS: . ACIDENTES: .

com influência bastante marcante do modelo japonês (o just-in-time.. A posição de trabalho da costureira (o) é permanentemente sentada. movimento lateral da perna para acionar o sistema que levanta as agulhas.4.1 Setor de Costura e o Trabalho em Célula de Produção. são: o passador que passa as dobras do bolso de trás das calças. o kaizen e o 5S) ou o modelo lean-production. torção do tronco para transferir peças de um lado para o outro.1. onde a produção era controlada individualmente. entre vários outros movimentos sutis que compõem toda a complexa operação que é executada. sendo marcante seu emprego no setor de costura. 4. segundo Silva (2003) tem ocorrido uma grande disseminação dos denominados “grupos de trabalho” ou “células de produção”. Trabalham permanentemente na posição ortostática (em pé). os ajudantes e abastecedores que ficam na linha de produção transferindo as peças acabadas de uma célula para outra. acionar o pedal do motor da máquina. como: esticar os braços. A forma de produção em células foi introduzida na indústria do vestuário de Colatina em 1990. Outros profissionais que trabalham no setor. e paulatinamente vem sendo adotada por todas as empresas. em sua modalidade de “trabalho em grupo”.da visão e precisão a fim de garantir a qualidade. O setor de costura é caracterizado pela fragmentação das atividades. já que os postos de trabalho geralmente não dispõem de bancos. os revisores que inspecionam as peças prontas. Para produzir além da meta prevista e poder ganhar o adicional de produção para sua equipe. mas exige do trabalhador vários tipos de movimentos. o trabalhador evita sair da linha de produção até para beber água ou ir ao banheiro. agora sendo organizado em “grupos de . assim como o trabalhador que é responsável em desvirar as calças já terminadas para ser transferida para o setor de acabamento. com intensidade e densidade alta de trabalho. Entre as formas de organização da produção. em substituição ao modelo anterior.

se pretendia com ele a polivalência e o aumento da . que substituiria o modelo clássico taylorista-fordista. Curiosamente. especialmente no setor de costura. ou ilhas. o quadro funciona como uma forma de catalisador ou um aviso de que é preciso aumentar o esforço para atingir a meta ou a cota diária. de hora-em-hora. a fim de informar se o serviço está atrasado ou se está produzindo de acordo com a programação. que é controlada.trabalho” ou “células de produção”. e está constantemente sendo avaliado pelos membros da célula. seguindo a disposição de 2 a 4 máquinas especializadas. e tem que dar conta de manter a produção. especializadas em determinadas operações da linha de produção de roupas. As células são organizadas de forma a obedecer ao fluxograma da produção. pelo encarregado. sem que esta exista de fato. a realizar cada operação como se fossem em um processo continuo ou de esteira. A produção de cada hora é anotada em um quadro que fica visível para todos. Frente (Célula 1) Ilhas Traseiro (Célula 2) Junção (Célula 3) Figura 2: FLUXOGRAMA DA CELULA DE PRODUÇÃO Cada trabalhador que faz parte de uma célula recebe certa quantidade de matéria prima. O trabalhador que não dá conta de produzir a meta planejada é denunciado pelo acúmulo de matéria prima ao lado de seu posto de trabalho.. numa forma de autocontrole de produção da célula. pois. previamente cortada. a concepção deste modelo de produção foi pensada como uma alternativa ao trabalho fragmentado e especializado.

o que parece ocorrer nas empresas pequenas e médias de alta produção de produtos de baixo valor. cada membro reforça no outro a necessidade de manter a produção alta. estas relações ficam sempre na balança inexorável da capacidade do trabalhador em manter a produção alta e do prêmio de produção.competência do trabalhador. Neste modelo é dado ao grupo a autonomia consensual de manter ou retirar qualquer membro da célula que seja menos eficiente. uma especialização do trabalhador. portanto. com pouca possibilidade de mudança de tarefa. controle da produção e do como produzir (modelo sociotécnico) (SILVA. com os trabalhadores se penalizando quando as metas quase impossíveis não são alcançadas. esta forma da organização da produção é uma das principais causas do processo saúde-doença destes trabalhadores. Como poderemos ver. o trabalho na célula aumenta a sociabilidade destes trabalhadores envolvidos com um mesmo objetivo. mas mesmo assim a célula consegue a cota. ser mais fácil mudar de grupo de trabalho para operar a máquina que se está habituado. com finalidade nítida de aumentar o controle social da mão-de-obra. aumentar o ritmo individual para auxiliar quem está na dificuldade. sem supervisão. A mudança de célula só é possível se houver domínio do trabalhador sobre as operações da outra máquina. daí. Segundo o SINTVEST quando alguém falta ao trabalho. podendo. por outro. é um hibridismo. Assim. 2003). a própria costureira pede para sair. como na indústria do vestuário de Colatina. Se. Em muitos casos. . o salário produção perdido pelo trabalhador faltoso não é distribuído entre aqueles que trabalharam durante todo o período. ou trocar de célula. As células são determinadas pelo tipo de serviço que é executado pelas máquinas ali disponíveis. No entanto. segundo Silva (2003). quando o grupo nota um problema não caracterizado como corpo mole ou ineficiência. com a concepção do trabalho mais próxima da execução. caracterizando. com a permanência do modelo tayloristafordista e o uso da ferramenta do trabalho em grupo. por um lado.

prega botões ou etiquetas. mas que exige perícia. com a altura da máquina muito baixa em relação ao piso. presilhas. o que obriga assumir uma posição encurvada para visualização do campo de trabalho. o costureiro. com a fragmentação de atividades e pouca ou nenhuma exigência de capacitação. No setor de acabamento segue a mesma lógica do setor de costura. que requer precisão.5 Setor de acabamento O setor de acabamento pode estar separado do setor de costura ou não. dependendo da estrutura física da fábrica. com ritmo de trabalho acelerado. desvalorização do serviço. como algum adereço ou a fixação de botões. concentração. posição fixa de trabalho. Citamos também o trabalho realizado pelos ajudantes de revisão. visualização constante do campo de trabalho. Neste setor há o revisor de arremate.1. Como nos demais setores. e o operador de máquinas especiais que faz o caseamento. prega ilhoses e botões metálicos.4. na posição sentada. em alguns casos. em cadeiras sem controle de altura e encosto que se molde ao corpo do trabalhador. que reforça algumas peças defeituosas. No entanto. . cases. conforme o quadro 6. ilhoses e etiquetas. O processo de trabalho ocorre conforme o setor de costura. que verifica se há alguma peça defeituosa. realizam trabalho repetitivo durante toda a jornada de trabalho. que fazem a retirada de linhas das calças com o uso de uma tesourinha de mão e que. encontramos também neste ambientes mal ventilados em que o calor e o ruído dos equipamentos (em particular o das máquinas de pregar botões) é uma constante fonte de desconforto e de tensão entre os trabalhadores. este setor é uma continuidade do setor de costura e visa corrigir e acrescentar itens ainda não colocados. pois acompanha a lógica de produção da indústria. O trabalho é realizado permanentemente na posição sentada. com pouca ou nenhuma possibilidade de decisão sobre o que se está fazendo.

. botões metálicos. de Retira as linhas que sobram nos FÍSICAS: tecidos das roupas.Ruído. realizando a inspeção . .Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico. caseamento e travete. .Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico.Trabalho por produção. FUNÇÃO Operador máquina especial.Jornada de trabalho longa. PSÍQUICAS: .Jornada de trabalho longa. Revisor arremate Auxiliar arremate ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO de Operam máquinas automáticas FÍSICAS: ou semi-automáticas de . .Calor.Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico. .Levantamento de peso.Controle rígido da produção.Remuneração baixa. de Faz o controle de qualidade do FÍSICAS: produto. .Remuneração baixa.Falta de sentido do trabalho.Remuneração baixa.Calor. .Falta de sentido do trabalho. de problemas a serem FISIOLÓGICAS: corrigidos. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE ACABAMENTO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. PSÍQUICAS: . .Jornada de trabalho longa. .QUADRO 5: FUNÇÕES.Falta de sentido do trabalho. .Posição fixa sentada por longo tempo.Movimentos repetitivos. .Perfurar dedos com agulhas. . prega .Posição de trabalho fixa sentada por longo período.Exigência de postura. FISIOLÓGICAS: . . FISIOLÓGICAS: . . .Movimentos repetitivos. .Calor. . fazem ACIDENTES: etiquetagem. .Posição de trabalho fixa em pé ou sentado por longo período. . PSÍQUICAS: .

1.Ruído. O trabalho da lavanderia é realizado pelo lavador ou auxiliar de lavanderia.6 Setor de Lavanderia O setor de lavanderia não existe em todas as empresas que fabricam as roupas de jeans. que irão dar ao produto uma diferenciação no mercado. geralmente à lenha. ACIDENTES: .Contato com produtos químicos.Queimaduras químicas. FUNÇÃO ATIVIDADE Lavador e seu Colocar e retirar as peças de auxiliar.Posição fixa em pé por longo tempo.Remuneração baixa.Levantamento de peso. Fazer as dosagens de produtos químicos e fazer o controle dos desgastes do tecido das calças de acordo com o modelo padrão. A lavanderia é responsável pelo serviço de lavagem e de tintura.4.Calor QUÍMICAS: . . O produto químico mais utilizado é a barrilha . O setor da lavanderia utiliza o vapor produzido por caldeiras. ATIVIDADES E CARGA DE TRABALHO NO SETOR DE LAVANDERIA NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. QUADRO 6: FUNÇÃO. centrifugação e fazer o carregamento das máquinas de lavar e das centrífugas. . enxágüe. já que é um setor que necessita de grande investimento em equipamentos e controle ambiental de seus efluentes. manchas ou desgastes. FISIOLÓGICAS: . as empresas que não dispõem deste setor contratam este serviço de empresas especializadas. .Ritmo de produção. Quando necessário. ou para introduzir efeitos de fabricação como embranquecimento. que devem fazer o serviço de dosar os produtos químicos utilizados no branqueamento do tecido. PSÍQUICAS: . sendo o calor e o ruído os agentes físicos que representam mais risco à saúde. . o que torna os locais bastante quentes. CARGAS DE TRABALHO FÍSICAS: .Jornada de trabalho longa. que existem em grande número no município de Colatina. roupas das máquinas de lavar e das centrifugas. .Pisos escorregadios.

7 Setor de Passadoria O setor é responsável em passar as calças antes de ir para o setor de embalagem. que também se expõem às partes metálicas do equipamento. pouca valorização do serviço). que trabalha na posição ortostática (em pé). com movimentos repetitivos. o sinergismo entre as cargas de trabalho é bastante evidente havendo exposição simultânea a cargas fisiológicas (trabalho físico de moderado para forte. cargas químicas (manipulação de produtos químicos). serviço pesado em jornadas longas e de grande produção. . Este setor. também trabalha em pé e faz o serviço de transporte manual das roupas. 4. O auxiliar de passador abastece o setor com as peças a serem passadas. falta de treinamento de operadores das caldeiras. que pode se constituir em um risco de acidente de explosão. que tem pH básico e pode causar queimaduras graves em contato com os olhos. . trabalho em posição ortostática). ruído e umidade). dobra e leva as calças passadas para o setor de embalagem. cargas físicas (temperatura elevada. ritmo de produção. conhecida como soda. A tarefa é executada pelo acionamento simultâneo de um pedal que abre a válvula do vapor d’água e pelo braço do trabalhador que abaixa a placa superior do equipamento sobre a área a ser passada. muitas vezes é construído próximo ao setor de caldeiras. o calor do vapor que sai do equipamento é soprado sobre o peito do trabalhador. No quadro 7. No setor da lavanderia.(carbonato de sódio). também. Esta atividade é realizada pelo passador. são apresentados os principais componentes das tarefas da passadoria com suas cargas de trabalho. cargas psíquicas (jornada de trabalho longa. falta de inspeção e manutenção periódica. podendo sofrer queimadura. devido à precariedade das instalações. sendo realizada por equipamentos especializados que utilizam geralmente o vapor d’água da caldeira. Quanto à questão ambiental.1. abaixo.

Controle rígido da produção. .Calor. PSÍQUICAS: . . embalagem.Remuneração baixa.Esforço físico pesado. o que cria o preconceito sobre a função de passar roupas junto aos demais trabalhadores. ACIDENTES: . ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE PASSADORIA NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. . . . . e ao fato de haver pouca possibilidade de variação do serviço.Movimentos repetitivos. a atividade é realizada por homens. .Posição fixa em pé por e encaminha ao setor de longo tempo.Jornada de trabalho longa. as cargas de trabalho mais importante são: as fisiológicas determinadas pelo ritmo de trabalho. . FISIOLÓGICAS: . trabalho na posição fixa em pé. de Abastece o setor de passadoria de FISIOLÓGICAS: peças e dobra as peças passadas .Contato com partes quentes do equipamento de passar. FUNÇÃO Passador Auxiliar passador ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO Realiza a passagem da roupa e a FÍSICAS: dobra as peças passadas.Falta de sentido do trabalho.Exigência de postura. representadas pela pouca valorização da função dentro do processo de fabricação. . as cargas físicas. relacionadas ao calor.Jornada de trabalho longa.Remuneração baixa. movimentos repetitivos. Devido ao esforço físico necessário. as cargas psíquicas.Falta de sentido do trabalho.Posição fixa em pé por longo tempo. .QUADRO 7: FUNÇÕES.Movimentos repetitivos. PSÍQUICAS: . . No setor de passadoria.

ou de envelhecimento. pela diferenciação que ela dá. há grande investimento no desenvolvimento de novas técnicas e na inserção de equipamentos modernos. 4. Neste setor. além de não conseguir que o ar fique totalmente isento do material químico em suspensão no ar. é utilizada a técnica de deposição de permanganato de potássio ou de tintas. e a exposição à poeira do tecido e a tintas. com uso de pistolas de ar comprimido.1. Como este é um setor que agrega valor à mercadoria produzida. será lavada com produtos químicos para fazer o desgaste do tecido. havendo ainda o serviço de envelhecimento (used). sobre o tecido da calça que posteriormente. devendo o trabalhador estar sempre se adaptando a novas exigências. através do lixamento manual ou de equipamentos elétricos utilizados no desgaste do tecido da calça. O trabalho de lixamento é um serviço que exige a repetição de movimentos. o trabalho contínuo na posição ortostática com o encurvamento do tronco e pescoço. sendo dotado de um sistema de exaustão que. na maioria das vezes de pouca gravidade e por isso não registrados. denominado de used (usado ou envelhecido). . os artesãos trabalham peça por peça. Para ser dado o efeito do envelhecimento ou de um detalhe de tintura.8 Setor de artesanato Outro setor que não existe em todas as empresas que produzem calças jeans é o de artesanato. produz muito ruído e a atividade tem que ser realizada em pé com uma equipe de trabalhadores que fragmenta o serviço em pequenas etapas para acelerar a produção. com a pulverização e permanganato de potássio..Outro aspecto a ser analisado são os acidentes. como as queimaduras de mãos e braços pelo contato com as partes quentes do equipamento de passar roupas. O local de trabalho do used é totalmente fechado.

Remuneração baixa. FISIOLÓGICAS: . . .Calor. ACIDENTES: .QUADRO 8: FUNÇÕES.Jornada de trabalho longa. PSÍQUICAS: .Posição fixa em pé por longo tempo. ao ruído. Realizam a deposição de produtos FÍSICAS: químicos sobre o tecido com uso . . . . por lixamento manual ou uso de equipamento elétrico.Ruído. . . PSÍQUICAS: . Artesão Used Cargas de Trabalho FÍSICAS: .Falta de sentido do trabalho.Movimentos repetitivos. FISIOLÓGICAS: .Jornada de trabalho longa. . as cargas fisiológicas (movimento repetitivo. . à poeira do tecido e à iluminação .Posição fixa em pé por longo tempo. . Neste setor. a postura necessária para a realização da atividade) é o principal problema de desgaste.Trabalho em produção controlada.Calor.Falta de sentido do trabalho.Remuneração baixa. QUÍMICAS: . Função Artesão Atividade Lixamento de peças de roupa com determinadas características definidas em um modelo préestabelecido. .Exigência de postura.Movimentos repetitivos. podendo ser potencializada com cargas físicas devido ao calor dos locais pouco ventilados. alta produção incentivada por prêmios. QUÍMICAS: Névoas de Permanganato de potássio. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO DO SETOR DE ARTESANATO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.Choque elétrico.Poeira de algodão e tintas.Névoas de tintas.Controle rígido da produção. de pistolas de ar comprimido.

e as cargas psíquicas relacionadas às responsabilidades relativas a manter a contabilidade dos produtos sempre certa e pela execução de um serviço monótono que pode não ter para o trabalhador um significado de realização profissional. o material embalado vai para o setor de expedição onde o conferente faz o controle de estoque do produto e o faturista emite as notas fiscais e responde por ações administrativas necessárias para que o produto possa ser transportado para os clientes. No setor de estocagem também pode haver a necessidade de uso de escadas para acesso a prateleiras altas. Soma-se a estas as cargas psíquicas. Na seqüência. Em algumas empresas estes setores podem ser os mesmos. oriundas do controle rígido da produção. de acordo com a encomenda que foi solicitada. não havendo separação física entre eles. com a qualidade semelhante à do modelo padrão. que é supervisionada constantemente pelo encarregado de produção. Neste setor também como nos demais o problema ambiental mais encontrado é o desconforto térmico. havendo risco de acidentes. . onde os embaladores e seus ajudantes colocam as roupas em sacolas plásticas.9 Setor de embalagem e expedição Chegando ao fim da linha de produção. mas as cargas de trabalho mais importantes são: as fisiológicas encontradas no esforço físico para a realização do trabalho de embalagem e do enfardamento.insuficiente do campo de trabalho. as peças acabadas vão para o setor de embalagem.1. 4. assim como o de carregamento deste material para a estocagem e carregamento de veículos. exigência de um grande número de calças produzidas por hora. e as acondicionam em caixas de maior volume. ou ser menos importante na cadeia produtiva.

das mesmas.Trabalho repetitivo e monótono. DE FUNÇÃO Embalador seu auxiliar Conferente Faturista ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO e Embala manualmente as peças FÍSICAS: de roupas em sacolas plásticas . manutenção. ACIDENTES: Trabalho em altura (quedas). PSÍQUICAS: . . ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE EMBALAGEM E EXPEDIÇÃO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO COLATINA-ES.Falta de sentido do trabalho. Os setores administrativos. Controla o estoque das FÍSICAS: mercadorias prontas e a saída . . onde a função predominante é a de costureira (o). PSÍQUICAS: . . ou que não estão envolvidos diretamente na produção das roupas. Emite notas fiscais e realiza PSÍQUICAS: atividades administrativas.Remuneração baixa. . . . 4. limpeza. não foram estudados.Jornada de trabalho longa.Responsabilidade.2 DISTRIBUIÇÃO DAS PRINCIPAIS FUNÇÕES POR SETOR DE TRABALHO A tabela 3 mostra a distribuição dos trabalhadores pesquisados por funções. de vendas. . FISIOLÓGICAS: .Trabalho monótono.Calor. .Responsabilidade. .Exigência de postura.Exigência de postura.Falta de sentido do trabalho.Calor. sendo que a grande maioria se concentra no setor de costura. e após em caixas de papelão.QUADRO 9: FUNÇÕES. FISIOLÓGICAS: Levantamento e carregamento de peso.Remuneração baixa.

(**) 6 5 14 2 1 1 1 5 1 2 5 6 1 12 8 23 1 2 209 24 264 14 17 7 16 6 3 25 27 1 1 7 9 1 1 7 6 1 17 1 1 1 4 6 2 4 12 5 3 9 20 8 3 2 2 422 422 % 3.8 4.3 1.7 0. contador.7 6.4 5.5 3.TABELA 3: DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHADORES POR FUNÇÃO E SETOR NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. vendedores Motoristas.0 4. 2005. cobradores Outros Desempregados no período Total (*) Freqüência por função (**) Freqüência por setor SETOR Criação modelagem FREQ(*) FREQ.4 2.4 100 .3 2. FUNÇÃO e Modelista Moldador/Riscador/Pilotista Estilista Auxiliar de modelagem Almoxarifado Almoxarife Classificador e revisor de tecido Encarregado de estoque Auxiliar de almoxarifado Estampador Estamparia Desenhista Enfesto e corte Cortador Auxiliar de corte Enfestador Encarregado de corte Costura Costureira Auxiliar de costura Abastecedor Encarregada de produção Acabamento Revisão de arremate Operador de máquina Encarregado de revisão Passador Passadoria Auxiliar de passadoria Encarregado de passadoria Lavanderia Lavador Auxiliar de lavador Encarregado de lavanderia Expedidor Expedição Auxiliar de Expedição Embalador Conferente Auxiliar de faturamento Encarregado de expedição Artesanato Artesão used Auxiliar de artesão Mecânico de manutenção de máquinas Serviços auxiliares Operadores de caldeiras Limpeza e copa Administrativos Auxiliar de escritório e secretaria Gerente.3 62.0 1.1 1.

determinando o surgimento das doenças. O levantamento de campo verificou que a exposição aos fatores de risco ou às demandas do trabalho real que caracterizam as cargas de trabalho não ocorre isoladamente. simultaneamente. provoca a compressão dos vasos sanguíneos. repercutirão significativamente sobre o psiquismo do trabalhador que se sente em estado de sofrimento devido ao desconforto térmico e por não ter perspectiva de melhorar a condição ambiental do posto de trabalho. como diminui a capacidade do corpo do trabalhador em reagir a estas cargas. podendo ainda as posições estáticas prolongadas acarretar desgaste de ossos e articulações. com esforço físico e. cansaço muscular e problemas cervicais e dorsais.5% do total de trabalhadores estudados.A função de costureira representa 49. sendo que os que trabalham neste setor representam 62. no entanto. havendo. comprometendo o sistema circulatório dos membros inferiores. in BUSCHINELLI. A repetição dos mesmos movimentos por longo período de tempo provoca o desgaste dos ligamentos e ossos pelo atrito. por conseqüência.5%. O trabalho fixo na posição ortostática pode acarretar problemas de aumento de pressão arterial. Esta interação de várias cargas de trabalho atuando sobre o corpo. p. 1993. o trabalhador evita sair da linha de produção até para beber água ou ir ao banheiro. não existe uma hierarquia entre as diferentes cargas. Conforme abordado anteriormente. causando inchaço e o possível aumento do risco de trombose. a mente e o psiquismo dos trabalhadores não só acelera o desgaste biopsicológico. podendo ocasionar inflamações. A posição fixa por longos períodos em cadeiras inadequadas.182).3% do total). com aparecimento de varizes. 4. mas bem distante dos números do setor de costura.3 INTERAÇÕES ENTRE AS CARGAS DE TRABALHO E O DESGASTE DOS TRABALHADORES. e sim. Para o setor de vestuário de . Para atingir a meta prevista e o ganho da equipe. A carga de trabalho física imposta pelo calor é amplificada nas cargas fisiológicas demandadas pela atividade repetitiva. Em segundo lugar vem o setor de passadoria com 27 pessoas (6. uma preponderância das formas de organização e da divisão do trabalho no interior das empresas no controle e consumo da força de trabalho (FACHINI.

Colatina. no que diz respeito às expressões do desgaste relacionado a certas cargas de trabalho. Neste estudo não abordamos aspectos das cargas psíquicas relacionadas ao assédio moral e sexual. . A seguir serão analisados os resultados do levantamento realizado com trabalhadores. o sistema de organização da produção em células. pode ser considerado como determinante das formas de desgaste nos trabalhadores. riscos que necessitam de outro tipo de abordagem para serem trazidos à luz.

181 (42. TABELA 4: DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA POR FAIXA ETÁRIA.3 100 % Acumulada 4.4 4.4 ±7. a população empregada é caracterizada por adultos bastante jovens e em franca capacidade produtiva.5 ASPECTOS SÓCIO-ECONÔMICOS DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA. 89% dos trabalhadores. No setor de costura.3%) como negros. 218 pessoas (51. que pode ser explicada pelo acesso recente do homem neste setor produtivo e certa .3 95. O espectro etário dos trabalhadores abrange idades de 17 a 65 anos. é visível uma concentração da população mais jovem no gênero masculino com média de 28.8 anos.2 anos.9 18. 2005. Os trabalhadores da indústria do vestuário são predominantemente do sexo feminino: 280 pessoas. a presença feminina é ainda maior. 2000). mas com predomínio acentuado de trabalhadores com idades inferiores a 40 anos (77. Quanto ao componente grupo racial desta população de trabalhadores.5 43.4% da amostra que foi entrevistada. De acordo com o SINTVEST. Com média de 31 ±9. esta freqüência já foi maior no passado e vem diminuindo nos últimos anos com o incremento da mão-de-obra masculina em todas as áreas.5 38.7%) se identificaram como brancos.9%) como pardo-morenos e somente 23 (5.9 33.3%).4 77. inclusive no setor de costura. Faixa Etária < 20 anos 20 a 29 anos 30 a 39 anos 40 a 50 anos > 50 anos Total Freqüência 11 172 143 78 18 422 % 4. Esta distribuição é bastante semelhante ao perfil étnico encontrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD de 1995 (IBGE. ou 66.7 100 100 Ao se analisar a variável idade segundo o sexo.

Sobre o aspecto de números de pessoas que dependem do trabalho assalariado do entrevistado. ver figura 3. .8%) divorciados ou separados e somente 5 (1. 33 (7. FIGURA 3: DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DAS FAIXAS ETARIAS POR SEXO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. média de 34. A escolaridade dos trabalhadores da indústria do vestuário é em média de 7. 289 (68. encontrou-se o seguinte resultado: 81 (19.9 anos. Em relação ao estado civil.9%) de 4 a 7 dependentes. conforme a tabela 5. devido ao gênero estar inserido a mais tempo neste tipo de trabalho.1 anos. ou seja. com aprovação para a série seguinte.2%) são viúvos.9%) é casada ou vive maritalmente com alguém. a maioria 236 pessoas (55.3%) responderam que trabalhavam para o próprio sustento.1%) são solteiros. Os dados coletados foram de anos estudados e concluídos.6 ±9. 148 (35. 2005.8%) que tinham de 1 a 3 dependentes e 50 (15.homogeneidade de distribuição etária no gênero feminino.

9 0. que é de 6. mencionados pelos trabalhadores. Sobre o local de procedência.9 13.5 ±3. 45).1 100 100 A média de escolaridade dos trabalhadores do setor é um pouco superior à média nacional das pessoas com 15 anos ou mais idade.7 ±2. fato que contribuiu para a migração do homem do campo para as cidades à procura de novas oportunidades de emprego e também com o crescimento da indústria do vestuário no município de Colatina.4 96. 2005. . 51 (12.9 100 % Acumulada 0.3 salários mínimos das mulheres. variaram de 1 a 5.3 98.1%) são migrantes de outros estados do país e 50 (11.7 63. Grau de Instrução Analfabetos 1º Grau incompleto 1º Grau completo 2º Grau Incompleto 2º Grau completo Curso Superior incompleto Curso Superior completo Não Informaram Total Freqüência 2 164 56 45 139 8 4 4 422 % 0. Os salários líquidos.3 10.5 39. o que diferencia do estudo do IBGE que indica que as mulheres têm escolaridade maior do que a dos homens. 88 (20. sendo que se estabeleceram na zona urbana nos últimos 15 anos.9%) são oriundos de outros municípios do estado.35 salários mínimos. com a média de 1.64 anos.5 38.26 anos.6 salários mínimos.2 anos (IBGE. revelada pelo senso demográfico 2000 do IBGE. pela queda da cotação do produto no mercado internacional.8%) são de municípios do norte do Estado do Espírito Santo.9 1. 233 pessoas (55. As mulheres têm média de escolaridade de 7. Nota-se que os homens têm um rendimento pouco superior: 1.7 32. 2001.47 salários mínimos contra 1.2%).2%) nasceram em Colatina.TABELA 5: DISTRIBUIÇÃO POR GRAU DE ESCOLARIDADE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.9 0. período que coincide com a desvalorização da cultura cafeeira local. e é um pouco inferior a dos homens que têm em média 8. p.4 52.2 99. Informaram ter nascido na zona rural 153 pessoas (36.

verifica-se que o tempo médio de permanência é de 5.O tempo de trabalho na indústria do vestuário desta população de trabalhadores varia de 6 meses a 33 anos de trabalho.5 anos de trabalho na mesma função.5 32.5 27. com a média de 6.03 anos.5 anos.5 18.2 100 Quanto ao tempo de trabalho na empresa atual. Tempo de serviço < 1 ano 1 a 5 anos 6 a 10 11 a 15 15 a 19 > 20 anos Total Freq 15 137 116 78 33 43 422 % 3. computadas a atual empresa e as anteriores.8 10. TABELA 6: DISTRIBUIÇÃO DE TRABALHADORES DA AMOSTRA POR TEMPO DE SERVIÇO NA INDÚSTRIA NO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. 2005. . o que é pouco inferior ao tempo que exerce a atual função. com uma média de 9.5 7. A tabela 6 mostra as faixas de tempo de trabalho e respectivas freqüências.

105 trabalhadores (24. tabagismo e uso de calmantes. . situação que conflita com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio – PNAD sobre acesso e utilização de serviços de saúde de 1998 (IBGE. a proporção de mulheres acima de 14 anos com queixas ou restrição de saúde é sempre maior do que a dos homens.4%.1 PREVALÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE OU MORBIDADE REFERIDA Um dos objetivos deste estudo foi verificar qual era o perfil de adoecimento dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina. Dos 422 trabalhadores entrevistados. p. caracterizado pela prevalência de queixas de saúde (morbidade referida) existente na população nos últimos 15 dias anteriores à entrevista. O perfil de desgaste à saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina foi estudado com base no perfil de queixas de saúde referidas nos últimos 15 dias anteriores à pesquisa. com média de idade de 31 anos.1264). qual foi o tipo de acesso e utilização de serviços de saúde. Alguns trabalhadores apresentaram mais de uma queixa de saúde. 2000. sendo 59 apenas uma queixa. 6. uso de bebidas alcoólicas. Não houve diferença significativa de prevalência de queixas por sexo (p=0. a ocorrência de suspeita de DMM e LER. O perfil de adoecimento que se configura é uma expressão do desgaste decorrente do processo de trabalho. à ocorrência de restrições de saúde que determinou a necessidade de afastamento do trabalho. já que os casos relativos ao número de trabalhadores deram resultados muito próximos 24. 30 duas queixas. Os trabalhadores apresentaram um índice de queixas à saúde bastante alta. Por esta pesquisa.9%) informaram ter tido algum problema de saúde.6 PERFIL DE DESGASTE À SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA.21). considerando-se se tratarem de trabalhadores jovens. 10 três queixas e 6 casos com 4 sintomas ou desconforto o que totalizou 173 queixas.6% para mulher e um pouco superior para os homens 25.

dores e inchaço nas pernas e pés.Inchaço e dor nas pernas e pés.7% das queixas.Dores e dormência joelho. i.LER.Pressão alta. d.gripe. b.Mancha de pele. SEGUNDO ÓRGÃOS E SISTEMAS ACOMETIDOS NOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.Hemorróidas.Inflamação de garganta.Problemas cardiovasculares: a.Dores nos braços. lombar.7 6.Problemas muscoloesqueléticos: a.Dor no peito.Outros: a.Problemas das vias aéreas superiores: a. c. PROBLEMAS REFERIDOS DE SAÚDE 1. g. sinusite.Estresse e tensão nervosas.5 5. Os problemas respiratórios. sentado ou em pé durante toda a jornada.Acidentes (trajeto e trabalho).9 problemas cardiovasculares com 37.2% das queixas.4 1. costas e pescoço. para os quais a poeira do algodão.0 37. 2005. com alta freqüência de dores nas costas e na coluna.4 19.Diabetes.4 2. 3. f.Dor e queimação no estomago. b. mãos e punhos.6 2. já que há alta proporção de hipertensão.5 9. bursite. otite. ombro. 5.Problemas renais: a. b. b. ambos podendo estar ligados ao fato do trabalho ser realizado em ritmo acelerado.2 % (**) 14. 6. 4.Estafa e cansaço. os muscoloesqueléticos foram os mais citados. taquicardia e desmaio. inflamações e problemas alérgicos.Cirurgias.7 10. com 25. 59 39 10 7 3 39 19 15 4 1 27 20 4 3 11 10 8 2 6 6 21 5 3 3 3 2 2 1 1 1 173 % (*) 56.Dor de cabeça e enxaqueca. dispersa no . b.De acordo com a tabela 7. c.2 25. d.Problemas visuais. Total (*) Referindo-se a 105 pessoas que responderam ter tido queixa de saúde (**) Referindo-se a 422 pessoas que participaram da pesquisa.Febre. e. dos problemas de saúde informados pelos trabalhadores. rinite.1% das queixas.Infecção renal e cólica.Auditivos. d. em posição fixa.Dor de dente. Freq. a seguir vem os TABELA 7: MORBIDADE REFERIDA. faringite.Dor na Coluna. constituídas de gripes. representam a terceira principal causa de queixas. artrose e reumatismos. 2.5 100 24.1 9.Problemas gastrintestinais: a.Cistite. pé e calcanhar.Alergias. c.9 4. h. correspondendo a 56. 7. c.

5% das queixas.9 1 1 1. Verificou-se também um alto índice de problemas renais. o que vem a dar ao setor de costura uma prioridade no controle das condições de trabalho: onde há o maior número de trabalhadores e maior risco de adoecimento. a função de costureira é a que mais apresenta queixas de saúde.ambiente de trabalho.5%.0 1 1 1. encontrado nesta amostra. TABELA 8: FREQÜÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE POR SETOR E FUNÇÃO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. 9.7 4 5 4.8 1 1 2 2 1. Freq. De acordo com a tabela 8. pela dificuldade que os trabalhadores têm de parar o serviço para irem ao banheiro.8 1 1 5 5 4.7 1 3 6 5. Dores de cabeça e enxaquecas.9% das queixas.5 4 3 2 2 4 3. 2. 63 pessoas ou 60% dos casos. 2005.0 1 1 1. proporção que é superior à de costureiras em relação ao total de trabalhadores (49%). contrasta com os indicativos observados no levantamento de cargas de trabalho onde foi verificada a existência de grande número de cargas psíquicas demandadas pela organização do trabalho. As demais funções ficam com percentagens bem inferiores. com 10. Setor % 63 2 74 70.0 105 105 100 Acabamento Passadoria Artesanato Expedição Enfesto e Corte Criação/ e Modelagem Lavanderia Almoxarifado Manutenção Caldeiras TOTAL . O pequeno número de transtornos mentais. SETORES Costura FUNÇÕES Costureira Auxiliar de costura Auxiliar de serviços gerais Abastecedor Encarregado de produção Revisor de arremate Operador de máquina Encarregado de produção Passador Artesão Auxiliar de artesanato Auxiliar de expedição Encarregado de expedição Embalador Auxiliar de faturamento Cortador Auxiliar de corte Desenhista Estilista Modelista Lavador Almoxarife Mecânico Operador de caldeira Queixas Freq Função.7 1 1 1 1 3 2. pode estar relacionada. podendo estar associados à contenção da urina. podem estar indicando sintomas inespecíficos de desgaste.8 2 1 3 2.

2 24. um caso. cinco foram devido a problemas alérgicos e respiratórios.9 A prevalência maior se deu com trabalhadores com menos de 1 ano no serviço.4 dias perdidos de trabalho por trabalhador. motivou pedido de demissão. 2005. Segundo uma encarregada de produção. a partir desta faixa de tempo de trabalho ocorre aumento progressivo da prevalência podendo-se inferir que as doenças têm associação com a contínua exposição às condições de trabalho.4 15.8 31.2 ABSENTEÍSMO E AVALIAÇÃO DE SAÚDE A tabela 10 mostra que. informou que 5 anos é o tempo médio em que se agüenta trabalhar.9 33. 6. A tabela mostra a distribuição dos trabalhadores afastados. com média de 23. Uma hipótese que pode ser feita a este respeito é de que as desgastantes condições como o trabalho é realizado acabam por selecionar aqueles que continuarão neste setor produtivo.5 37. Segundo a tabela.3 16. após ter sido interrogada sobre o tempo de serviço médio de cada trabalhador na empresa. revelando que a prevalência destas queixas cresce com o tempo de atividade no setor. Tempo de trabalho na atividade <1 1a5 5 a 10 10 a 20 > 20 Total Freqüência 8 23 23 35 16 105 % 7. sendo que.5 dia ou até mais de 360 dias.6 21. 36 relataram que tiveram que se afastar do trabalho por um período que variou de pelo menos 0. TABELA 9: PREVALÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE COM TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES POR TEMPO DE SERVIÇO. considerado como perda.8 19. alegando o trabalhador não suportar mais as condições de trabalho. Dos 8 casos com trabalhadores com menos de 1 ano de serviço.9 21. segundo o número de dias . das 105 pessoas com queixas de saúde.2 100 Expostos 15 137 116 111 43 422 P (%) 53.A tabela 9 mostra o número de trabalhadores com queixas de saúde por tempo de serviço.

dor de gravidez (1). LER (1) e reumatismo (1) 2.PROBLEMAS CARDIOVASCULARES: . dor de cabeça e enxaqueca (1) problemas no estômago (1).7 62. em particular as dores na coluna. cirurgia (2). sendo que 64. 14 5 4 4 8 35 % 40. artrose (1).PROBLEMAS RENAIS .3%. TABELA 11: CAUSAS DE AFASTAMENTO DO TRABALHO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES POR ÓRGÃOS OU SISTEMAS. Como 35 trabalhadores representam 8. em que se destacam as infecções dos rins. que foi de 5.3% da população estudada.9%.3 11. Este dado é superior ao observado na pesquisa PNAD 1998 (IBGE. As principais causas de afastamento do trabalho são os problemas muscoloesqueléticos.7% consideraram que este era bom ou muito bom . Problemas de saúde 1.9 17.Acidente do trabalho (2).PROBLEMAS DAS VIAS AÉREAS SUPERIORES:. 2005. seguidas por problemas cardiovasculares. dormência pernas (1) e hemorróidas (1) 3. o índice de absenteísmo é alto e indica um elevado custo humano para a realização da produção. Dor no peito (1). sendo que 63% afastaram-se por um período que variou de 1 a 7 dias.Infecção nos rins (4) 6. sinusite (1) e alergia (1) 4. TABELA 10: NÚMERO DE DIAS DE AFASTAMENTO DO TRABALHO POR QUEIXA DE SAÚDE NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. 2000.1 14. com 40% dos afastamentos. Dias de afastamento <1 1a7 8 a 15 > 15 Total Freq.4%.0 14.PROBLEMAS MUSCOLOESQUELÉTICOS: . (*) 2 22 6 5 35 % 5.4 11.4 22. gripe (1).Pressão alta (2).OUTROS: .9 100 A tabela 12 mostra o resultado da auto-avaliação do estado de saúde por parte dos trabalhadores. conforme a tabela 11.Bronquite (1).68).3 100 (*) uma perda de informação por pedido de demissão. com 14. sobre restrição ao trabalho nos últimos 15 dias para a população brasileira com idade de 14 a 64 anos.Dor de coluna (10) e dor nas costas (1). e os problemas renais com 11. tensão nervosa (1) TOTAL Freq. p.de afastamento. 2005.

O índice de satisfação para os homens foi de 71.5 2. Os demais. 66 pessoas (62.4 0 100 Freq. 6. F 38 132 99 7 3 279 % 13.3 35.8% para os homens e de 76.9%).1%) não procuraram atendimento médico.8 1.1%. Total 44 228 137 9 3 421 % 10.1 0. A tabela 13 mostra a distribuição dos atendimentos médicos segundo o local de atendimento. 39 pessoas (37.8%.7 100 A pesquisa PNAD 1998 (IBGE.4% para as mulheres. o que totalizou 82 atendimentos. obtiveram um ou mais atendimentos. 2005 Estado de Saúde Muito bom Bom Regular Ruim Muito Ruim Total (*) Uma perda feminina.6 26. TABELA 12: AUTO-AVALIAÇÃO DO ESTADO DE SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.2 32.8% disseram estar seu estado de saúde ruim ou muito ruim. p. 2000.5 1.1 100 M 6 96 38 2 0 142 % 4.(índice de satisfação) e somente 2. resolvendo seu problema de saúde em farmácias ou fazendo automedicação. foi de 60. sendo de 81. enquanto para as mulheres.6 47. .2 67. tendo um caso em que o trabalhador recebeu 3 atendimentos nos últimos 15 dias.3 ATENDIMENTO MÉDICO E DOENÇA DO TRABALHO Dos trabalhadores com queixa de saúde.5 2.5 54.9%. 20) encontrou um índice de satisfação para a população geral brasileira de 79.

2005. Perguntados se o médico que os atendeu relacionou o sintoma de sua doença com o trabalho. entre todos os entrevistados. Mesmo desconsiderando que pode haver muitos trabalhadores ainda com um diagnóstico errado.8 respostas positivas. o que é bastante expressivo.8% da população trabalhadora da indústria do vestuário.2 9. a fim de melhorar a qualidade de vida destas pessoas e diminuir o impacto da demanda de atendimento médico. os casos já diagnosticados alcançam 6.PSF Unidade Básica de Saúde .4% dos atendimentos através das Unidades Básicas de Saúde e do Programa Saúde da Família.TABELA 13: DISTRIBUIÇÃO DE ATENDIMENTO MÉDICO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES POR LOCAL. As freqüências simples dos itens do SRQ mais referidos foram os seguintes. tratamento e reabilitação que estes trabalhadores irão representar para o SUS e o Instituto Nacional de Seguridade Social .UBS Plano de Saúde Total Freqüência 19 8 35 20 82 % 23. em ordem decrescente: .7 24.4 100 Nota-se que o SUS foi responsável por cerca de 52. A pontuação de respostas positivas à aplicação das perguntas do SRQ-20 mostrou uma média de 4. ou cujo estágio precoce de adoecimento não teve o nexo causal bem estabelecido pelo médico.INSS.E. 29 trabalhadores (43.4 INDICADORES DE SOFRIMENTO PSÍQUICO E L.R. Tipo de Atendimento Médico da empresa Programa Saúde da Família . Este indicador ressalta a importância de se investir em programas de prevenção e proteção da saúde do trabalhador nas empresas.7 42. 6.9%) disseram que sim.

9%.Tem sensações desagradáveis no estômago? 9.Sente-se nervoso. sendo que 51. 105 trabalhadores. Além disso.Tem dificuldade de pensar com clareza? 6.0001). vemos que pelo menos 25% das pessoas têm: dificuldade para dormir.0001).Tem dores de cabeça freqüentes? 7.1. sensações desagradáveis no estômago. dores de cabeça freqüentes e se assustam com facilidade. sendo estatisticamente associado com o sexo (p=0. tensão e preocupação.30% 25.44 34.12% 32.43%) do que entre os não suspeitos (10.8% no sexo masculino). vindo a seguir a dificuldade de tomar decisões (com quase 40% dos indivíduos) e ter se sentido triste ultimamente com cerca de 38%. mostrando que o indicador de morbidade referida não foi sensível à identificação dos casos suspeitos destes problemas. de suspeitas de DMM. sente-se cansado o tempo todo.Tem dificuldade de tomar decisões? 3.Sente-se cansado o tempo todo? 8.Tem se sentido triste ultimamente? 4. Este dado contrasta com o dado anterior de que apenas 2.Assusta-se com facilidade? 5. sendo maior entre os suspeitos de DMM (31.88% 39. com aproximadamente 66% da amostra.9% das queixas referiam-se a transtornos psicoemocionais.4% dos que tiveram queixas à saúde foram considerados suspeitos de DMM. O uso de calmantes também foi estatisticamente relacionado com a suspeita de DMM (p<0. enquanto foram apenas 16. dificuldade de pensar com clareza.1% dos que não tiveram queixas. Encontrou-se o índice de 24. .Dorme mal? 65.20% 26.41%).0006) (prevalência no sexo feminino de 30% contra 14.57% 37.9% 28.94 30. Houve associação significativa entre ter suspeita de DMM e a ocorrência de queixas à saúde (p<0. tenso ou preocupado? 2.83% Observa-se um alto índice para o sentimento de nervosismo.

9516).R.0097). .57). sendo a suspeita encontrada em 24. e controlado pelo sexo.0586) e valorização pelo trabalho que realiza (p=0. ou 69 pessoas. que as outras ocupações.76% entre os que apresentaram queixas e de 13. Em relação à função.5 anos) a suspeita foi de 21.R. assim. Este dado vem ao encontro de dado anteriormente relatado que apontou 14% de pessoas que tiveram queixas de saúde relacionadas ao sistema musculoesquelético. Em relação à função.6% entre os que não apresentaram.0075).6%. o índice de suspeitos de DMM foi de 40.R.E.7% e para o último quartil (> 10 anos) a suspeita foi de 35. Não houve associação entre a suspeita de L.43 vezes mais chance de ter suspeita de DMM do que as outras ocupações. Para o primeiro quartil (< 2 anos) a suspeita de DMM foi de 16.E.6524 (IC95%: 1. a função de costureira tem 1. a função de costureira tem 2.67-3.0%. dos quais cerca de um terço são suspeitas de LER.4%. Houve associação entre suspeita de LER e de queixas à saúde (p=0. Houve associação entre suspeita de L.R encontrou a prevalência de 16.6 a 10 anos) a suspeita foi de 24. para o segundo quartil (2 a 4. Obtendo-se o “Odds ratio” 1.2% dos que responderam sentirem-se valorizados foram considerados suspeitos de DMM. e sexo (p=0. sendo que 20. Assim.R.0002). quando considerados os dados distribuídos em quatro quartis. cuja variável dependente srq8 1= positivo e 0= negativo ajustada pela variável independente função costureira (0) e outros e controlada pelo sexo. realizou-se a regressão logística múltipla ajustada.7%).2599).0%) com as outras funções (11. realizou-se a regressão logística múltipla ajustada.53). para o terceiro quartil (4.6%. e a função exercida (p=0. se obteve o “Odds ratio” (Razão de chance) 2.6%. o uso de calmantes (p=0.6 vezes mais chances de ter suspeita de L. com a variável dependente apresenta suspeita de L. quando comparada à função de costureira (o) (21.4328 (IC95%: 1.E. Sentir-se valorizado parece funcionar como uma proteção ao DMM. enquanto que para os que responderam não se sentirem valorizados. 1= positivo e 0= negativo sendo ajustada pela variável independente função: para costureira (0) e outros.Houve associação significativa entre as variáveis sentir-se valorizado pelo trabalho que realiza e suspeita de DMM (p=0.E. A aplicação de screening para levantamento de suspeita de L.E. Houve associação significativa da suspeita de DMM com o tempo de trabalho na função.06-2.

0 16. 2005. 66 pessoas.4 0. Freqüência 36 10 10 5 61 % 59. TABELA 14: FREQÜÊNCIA DE CONSUMO DE BEBIDA ALCOÓLICA ENTRE TRABALHADORE DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO E COLATINA-ES.2 100 Quanto ao uso de remédios calmantes. 10.5 USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS. O uso do fumo foi relativamente baixo com 45 fumantes. também são suspeitos de DMM enquanto que os não suspeitos apresentam somente 22. Dos que disseram consumir bebidas alcoólicas. referiram ter feito ou estarem usando este tipo de medicamento nos últimos 6 meses.2 100 . em que 39.4 8.3 18. Consumo de bebidas alcoólicas Não usam < de uma vez por semana 1 a 2 vezes por semana 3 a 4 vezes por semana 5 ou seis vezes por semana Total Freqüência 282 56 77 6 1 422 % 66. conforme a tabela 14.6%. 2005. ou 33. constatamos que há associação (p=0. Tempo de Uso < 1 ano (*) 1 até 5 anos 5 até 10 anos > 10 anos Total (*) Incluídos os raramente ou às vezes.2 1.1% de DMM.Quando analisamos suspeitas de LER com DMM. TABELA 15: DISTRIBUIÇAO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES QUE FAZEM USO DE CALMANTES POR TEMPO DE USO. somente 7 pessoas afirmaram que faziam o uso por mais de dois dias por semana.7%.2%.1% dos suspeitos de LER.8 13. 6. mas a ingestão de bebida alcoólica foi referida por 140 trabalhadores.0028) entre as variáveis. 15.4 16. FUMO E MEDICAMENTOS CALMANTES.

Alool (1). Podem ser utilizados também. cerca de 40% afirmam utilizar estes medicamentos há mais de 1 ano. Tipos Ansiolíticos Medicamentos Rivotril (16). para controlar tensão nervosa devido a algum acontecimento estressante. Gadernal (1). 2005. Aplaz (2). TABELA 16: FREQUÊNCIA DOS PRINCIPAIS MEDICAMENTOS CALMANTES UTILIZADOS PELOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. mesmo que não exista um distúrbio de ansiedade propriamente dito. (www. Calmantes referentes (1). Pondera (1). beber e usar calmantes entre os sexos. enquanto para as mulheres foi maior o uso de calmantes (p<0. Calman (1).br acesso realizado em 25/04/2006). e o uso de bebidas alcoólicas (p<0.Em relação ao tempo de uso. Somalium (4). Diazepan (8) Olcadil (6).0001) com 21. Outras Referências (*) Uma perda. Ansilive (1). Altrox (1). veja tabela 14.4% contra 4.5% das mulheres. Navotrax (1).com.0001) os hábitos de fumar com 19. Foram maiores para os homens (p<0. Brumazepan (2). Os medicamentos referidos pelos trabalhadores foram basicamente ansiolíticos e antidepressivos. Lexotan (4). Tenadren (1) Os ansiolíticos são os tranqüilizantes mais utilizados.0% contra 6. portanto. Assert (1). Amitriplina (3).6% entre as mulheres. 10 9 Afroditi (1). 46 Antidepressivos Fluoxetina (3). sendo necessário. cuja principal finalidade é o tratamento dos transtornos de ansiedade. Houve uma diferenciação entre os hábitos de fumar. Captropil (1).9% contra 19.psicosite. Amytril (1). Liptril (1). Sertralina (1). conforme mostra a tabela 16. de forma limitada. geralmente do grupo dos benzodiazepínicos. Cefahim (1). um diagnóstico e uma indicação feita por um médico. .0001) com 59. Valium (1) Freq.2% entre os homens.

5% (poeira. pois se sentir valorizado pelo trabalho que faz pode significar um importante amortecedor que contribui para manter a saúde do trabalhador ou sua capacidade de resistir ao processo de adoecimento como veremos. como na máquina de corte. movimentos repetitivos. seguem-se os agentes ambientais que constituem as cargas químicas com 22. Perguntados também se sentem valorizados pelo trabalho que fazem 247 (58. 212 (50. Os demais grupos de cargas foram bem pouco referidos. controle para ir ao banheiro e baixos salários. estão as cargas fisiológicas com 55. Como se pode observar pela tabela 16. umidade e ruído). a percepção dos trabalhadores sobre as cargas de trabalho que podem ser fontes de doenças em sua atividade estão associadas ao esforço do corpo em fazer as operações biomecânicas e o estresse psíquico introduzidos pela organização no controle da produção e pela péssima qualidade ambiental que aumentam o desconforto e as doenças.em especial a cadeira de madeira utilizada pelas costureiras . perfurações por agulhas. Foram citados também alguns riscos de acidentes. caldeira e lavanderia. Esta informação é importante.fixação da vista e ficar na mesma posição (sentado ou em pé) por um tempo muito longo.8% (calor. ritmos excessivos. mas houve a percepção de 3.7%) informaram que sim: 69 (16. o mobiliário utilizado .3%.2%) responderam que sim. substâncias químicas e tintas) e as físicas com 16. .4%) que às vezes e somente 105 (24. Em relação aos fatores de risco mais citados.7% de cargas psíquicas como conseqüência de fatores como a pressão pela produção. como: a posição fixa em que se realiza o trabalho.7 PERCEPÇAO DOS TRABALHADORES SOBRE A RELAÇÃO SAÚDE TRABALHO Quanto à percepção de que as condições de trabalho a que estavam submetidos poderiam prejudicar sua saúde. hierarquia rígida.9%) que não.

1 Caldeira sem manutenção. 3 Pausa curta ou inexistente. 1 Lavanderia. 9 Esforço na coluna. cerca de metade das referências disseram respeito aos distúrbios musculoesqueléticos. 11 Esforço visual. 3 Período curto para o almoço.R= Freqüência relativa e F. 1 Poeira. 49 30 Produtos químicos. Cargas de trabalho Físicas Químicas Acidentes Fisiológicas Psíquicas Fator de risco F. 36 Ruído.R. 44 Carregar peso. 59 % 16. 3 Ritmo acelerado. 1 Ficar muito tempo sentado. 1 Água não é gelada. Máquina perigosa e caldeira..5 4 1. 1 Esforço mental. 2 Salário baixo.A= Freqüência absoluta. 1 Variação de funções. 1 Pressão por produção.7 351 100 F. 1 Total F. 22 Esforço repetitivo.5%. 1 Máquina baixa. 3 Controle para ir ao banheiro. 22 Umidade. 1 Responsabilidade. cheiro de tinta. Perguntados sobre quais os problemas de saúde poderiam decorrer das cargas de trabalho referidas como causas de doenças no seu trabalho. 4 Atritos com chefias e colegas. 50 Posição inadequada. em que as alergias foram predominantes.8 79 22. com predomínio dos problemas de coluna. 22 Cadeira sem regulagem. Deve-se destacar que o grupo dos transtornos . seguidos dos problemas respiratórios com 24. 2005. 13 Muito tempo na mesma posição.A.1 194 55. 10 Ficar muito tempo em pé. 1 Subir escadas.TABELA 17: PRINCIPAIS CARGAS DE TRABALHO REFERIDAS PELOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.3 13 3. Calor. 1 Solda elétrica.

nos ombros (1). cansaço 23 mental (1) Cardiovasculares Problema de circulação (13). 4 Outros Doença de pele (3). nas costas (2). LER (11). tonturas (1) Visuais Problema de visão (17). dor muscular (2). irritação nos olhos (1) 18 Desgaste Dor de cabeça (9). pouco referidos enquanto queixa de saúde. cansaço (1) 10 inespecíficos Auditivos Surdez (8). 20 inchaço (3). dor nas juntas (1).7 1. . perturbação mental (2). Órgãos e Sistemas Problemas de saúde Freq Músculoesquelético Dor na Coluna (121). TABELA 18: PERCEPÇÃO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA – ES SOBRE PROBLEMAS DE SAÚDE DECORRENTES DE SEU TRABALHO. Problema respiratório (20).1 5. %(*) 47. nervosismo (2) Depressão (3). pulso (2). câimbras (1) Respiratórios Alergias (41).0 2. sinusite (3) Psicoemocionais Estresse (14).0 6. asma (2). bursite (1).1 100 Verifica-se que de uma forma geral os problemas de saúde referidos têm uma relação de causa e efeito bastante lógica com as cargas de trabalho referidas. o que demonstra que a percepção dos trabalhadores sobre a relação trabalho-saúde é alta. 80 bronquite (2). dor nos braços (3). falta de ar (3).5 3. dor no ouvido (1) 9 Renais Problema renal (4). constipação (2) 7 Total 327 (*) Em relação ao número de pessoas que responderam a pergunta.5 7.psicoemocionais.2 2. apesar de poucas oportunidades de discutir suas condições de saúde e trabalho tem conseguido perceber de forma geral que há situações desgastantes em seu local de trabalho.7 24. O que demonstra que o trabalhador do setor do vestuário de Colatina – ES. 2005. foram referidos aqui como 7% dos possíveis problemas de saúde relacionados com o trabalho. câncer (4). 156 artrose (1). Gripe-resfriado-garganta (4). fraqueza nos braços (1). ansiedade (1). dor nas pernas (9). rinite (5). varizes (3).

7) 164 (39.8) 25 (6.2) 160 (38.Má remuneração 2.9) 158 (37.4) 146 (34.Trabalhar por produção fixa 7.2) 195 (46.2) 299 (87. TABELA 19: PRINCIPAIS FONTES REFERIDAS DE TENSÃO NO TRABALHO EM TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.9) Considerando-se as respostas sim e às vezes.8) 38 (11.8) 224 (53.3) 182 (43.Desconforto e inadequações mobiliárias 11.6) 21 (5.1) 102 (24.9) 326 (77.9) 82 (19.7) 145 (34.5) 75 (17.9) 9 (2.4) 144 (34.1) 236 (56.6) 327 (77.7) 30 (7.Problemas com chefias 14.4) 46 (10.Trabalho monótono ou desinteressante 15.0) 160 (37.7) 10 (2.5) 11 (2. jornada de trabalho é longa.Improvisações no trabalho 13.7) 315 (74. calor excessivo.5) 241 (57.Falta de treinamento 15. para mais da metade dos trabalhadores pesquisados: má remuneração.2) 229 (54.0) 212 (50. as principais situações estão indicadas na tabela 19. nota-se que o que causa tensão ou cansaço é.Trabalho noturno ou turnos SIM N (%) 249 (59.4) 254 (60.5) 195 (46.2) ÀS VEZES N (%) 23 (5.4) 268 (63.Falta de promoções ou oportunidades 9.1 FONTES DE TENSÃO E CANSAÇO NO TRABALHO Questionados sobre quais as situações são fontes de tensão e cansaço no trabalho.5) 15 (3.0) 3 (0.Jornada prolongada e horas extras 4.7.Falta de cooperação com colegas 12. Fontes de Tensão e Cansaço 1.1) 176 (41.2) 20 (4. fazer horas extras e pouco tempo para pausas.1) 37 (8.0) 19 (4.3) 88 (20.6) 66 (15.Calor excessivo 3. .Ritmo de trabalho acelerado 10.Pouco tempo para pausas 5.9) NÃO N (%) 150 (35.1) 292 (69. 2005.8) 7 (1.1) 22 (5.Ameaça de demissão 8.2) 255 (60.0) 210 (49.Barulho excessivo 6.

animado/realizado/melhor (8).4 50.9 15.As cargas referidas pelos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina comparado com estudo semelhante realizado por Borges (2000).7 100 . feliz/alegre/satisfeito (15).2 SENSAÇÃO AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DA JORNADA DE TRABALHO. livre como um pássaro (5). dever cumprido (2). 214 Total 422 % 33. indicam que para cada ramo de serviço aparecerão formas de desgastes diferentes. 65 Cansado (202). e a má remuneração. foi indicada pelos bancários como sendo a terceira. de alívio de estar saindo de uma situação de gasto de energia física e mental acima do suportável”. com dor nos olhos (2). normal (28). com dores (2). com caixas bancários de um banco estatal. Outra justificativa para este fato é a ansiedade para sair do local de trabalho – como uma liberdade alcançada e ou o fim do sofrimento. como “um sentimento de estar fugindo de uma gaiola. cujas falas aparecem em vários depoimentos dos trabalhadores. 2005. os trabalhadores da indústria do vestuário indicaram esta carga como a 10ª em grau de importância. graças a Deus terminou (1). regular (1). 7. Nervosa (1). Bem (80). quase em correria. estressado (7). Na tabela 15 são apresentadas as respostas à pergunta sobre a sensação que sentem ao sair do local de trabalho no fim do dia. tranqüilo (12). que aparece em primeiro lugar em importância para estes trabalhadores. O motivo alegado por alguns é o de conseguir bater o ponto primeiro e arrumar um bom lugar no ônibus que a empresa oferece para transportá-los aos bairros mais distantes. Enquanto que para os caixas bancários a principal fonte de cansaço e desgaste foi o desconforto e a inadequação do postos de trabalhos. TABELA 20: DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA – ES SEGUNDO A SENSAÇÃO QUE SENTEM AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DO DIA. às vezes bem às vezes estressado (2). 143 Aliviado (53). Freq. uma benção (1). Acompanhando o trabalho nas fábricas foi registrado que no apito do final do expediente os trabalhadores abandonam imediatamente seus afazeres e saem com bastante pressa do local.

As respostas dadas às perguntas abertas sobre as duas coisas que mais lhe agradam e as que mais lhe desagradam no trabalho.3 ASPECTOS AGRADÁVEIS E DESAGRADÁVEIS NO TRABALHO.Ter emprego. 6. ganhar o justo. pagamento em dia. e ao fato de atingir as metas. das respostas encontradas. poder trabalhar. a hora do almoço e da . também. forma de tratamento.Remuneração. união. TABELA 21: ASPECTOS DO TRABALHO QUE MAIS AGRADAM AOS TRABALHADORES DO SETOR DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES..Patrões. patrões e encarregados como o ponto que pode repercutir positivo ou negativamente na avaliação dos trabalhadores. companheirismo. fim do expediente. o fim do expediente. 6.1%.O ambiente de trabalho. vindo a seguir o ambiente de trabalho. colegas. valorização.Atingir as metas. 7. 3.Amizades.Verifica-se que cerca de metade dos trabalhadores referiu sentir-se cansaço ao final da jornada de trabalho e somente 33. 31. obter boa qualidade nos serviços com 38 ou 5.7%. mas notam-se as relações pessoais entre os colegas. 5. sentir-se útil. alguns aspectos contraditórios do trabalho como uma coisa que lhe agradam. COISAS QUE LHE AGRADAM NO TRABALHO 1. 267 211 75 38 30 24 20 665 São indicados. 4.Outros Total de aspectos mencionados Freq. 2. 40. gostar de trabalhar e do que faz. consideração superiores.9% a de ter sensações que expressam bem estar.7%. fim do mês. 11.2%. gostar de trabalhar. como por exemplo. etc. a profissão.. veja tabela 21 abaixo. Em terceiro lugar e indicado o bom relacionamento com os patrões e em especial com os encarregados com 75. foram muito variáveis. São importantes também as expressões de alívio e de liberdade. 2005. concordando com o que foi registrado anteriormente na hora do apito que sinaliza o final do dia de trabalho. da profissão e de sentir-se útil com 211. qualidade do serviço. A relação com os colegas foi o aspecto mais mencionado com 267.

descontos. A análise destes quadros demonstra que a organização do trabalho em células reforça a solidariedade do grupo de pessoas na obtenção das metas de produção. Entre as coisas que mais desagradam os trabalhadores assinalaram um número menor de itens. igualdade tratamento.4 11 incompreensões. não 15 participação nos lucros.1 Falta de médico 3 Distância da casa ao trabalho.A= Freqüência absoluta. 21 5. cansaço. trabalho noturno e horário rígido. Outros Nada. inveja. Tempo de pausa. dificuldade para beber água. mau humor. TABELA 22: ASPECTOS DO TRABALHO QUE MAIS DESAGRADAM OS TRABALHADORES DO SETOR DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. 77 Relações Falta de coleguismo. 6 Trabalho repetitivo. almoçar na marmita. 26 6.3 Administração administração. cooperação e entrosamento. trabalhar em célula 13 e competitividade.R= Freqüência relativa e F. COISAS QUE MAIS DESAGRADAM NO TRABALHO F. o final do mês e o voltar para a casa com 30 indicações ou 4.A % Pressão exagerada encarregada. 21 21 5. cujos resultados garantem uma maior remuneração.pausa para o café. atraso pagamento.5% do total. mentiras e falsidades.3 ambientais Poeira. que é um dos itens importantes . Organização Tipo de trabalho que realiza 8 107 26. 4 Demissões. veja tabela 22. fracasso. pegar ônibus. Fofocas. má 9 9 2. Agentes Ventilação/calor e barulho.1 do trabalho Horas extras. 74 Muito trabalho. 2005. retrabalho. Valorização e 27 86 21. etc. intrigas. 12 Má remuneração 45 Falta de valorização. 9 Relação ruim com patrões/chefes 15 Hierarquia Desconfianças/desrespeito/perseguições/normas. falta 14 Desconforto de higiene. 6 improvisações.1 Total 409 100 F. falta de café da manhã. remuneração Desigualdade salarial. desunião. ou seja. produtos químicos. 409 contra 665 que agradam. rotina. produção alta.0 consideração. mau cheiro.R F. 12 101 24. ignorância. segunda-feira.7 interpessoais Brigas. departamento de pessoal. 29 38 9.

seguido pela pressão pela produção com 69 (18. .que desagradam os trabalhadores. Os trabalhadores enfrentam também.4%) e a má remuneração com 40 citações (10.1%) do total delas. Este laço de solidariedade cria uma relação de identificação e de companheirismo. tendo a fofoca. um ambiente de trabalho desconfortável. a repetitividade. veja tabela 22.6%). quebram a solidariedade intergrupal. a grande maioria das respostas está ligada a sentimentos e crenças relacionadas ao mundo social. Como a relação interpessoal e grupal é um fator muito importante para este grupo de trabalhadores. a competitividade e o excesso de trabalho com 102 indicações (27. havendo inclusive certo estranhamento com trabalhadores de outros setores.5%). a organização do trabalho em produção alta. que quando não são harmônicas. Assim. onde o calor decorrente da má ventilação se sobressai com 23 indicações (6.2%) são os itens que mais desagradam seguidos pelas relações pessoais. com vários agentes atuando simultaneamente. intrigas e outros aspectos do relacionamento entre os que mais desagradam com 77 indicações (20. a posição fixa de trabalho. Por outro lado um bom entrosamento no trabalho reforça positivamente o enfrentamento do ritmo de trabalho e as cobranças constantes para manter a produção alta.

Os novos trabalhadores são capacitados pelo Serviço Social do Comércio . por novos trabalhadores treinados e com capacidades orgânicas em condições de manter a alta produção que alguns trabalhadores já não suportam mais. seja pelo grande desenvolvimento destas empresas como pela retração do setor agropecuário baseado na monocultura do café e da pecuária de corte. Nestes locais é onde a organização capitalista se apropria de maneira mais severa do tempo e da capacidade do trabalhador de produzir os bens de consumo que se transformarão nas mercadorias que proporcionarão o lucro da atividade econômica. que são realizados em dias escolhidos pela empresa. como nos setores de costura.00 (trezentos e cinqüenta e sete reais) e com ganho de produtividade que pode variar de 2 a 36%. a opção de trabalho da grande maioria dos trabalhadores jovens da região. faz . Esta população jovem. por sinal praticado em todo o país.SESC ou pelo Serviço de Ensino Nacional da Indústria – SENAI. com média de 31 anos. dependendo das metas atingidas durante o mês de trabalho. é substituída. do baixo padrão salarial do setor. sendo mais visível nos setores onde o trabalho vivo é mais atuante. Os trabalhadores excluídos acabam sendo desviados para o mercado informal. passadoria e de artesanato. cabendo ainda às empresas o processo de seleção e formação complementar. É o mercado global que deprecia o salário para baixo. em casas simples de alvenaria ou de madeira.8 CONCLUSÕES As relações sociais no interior das fábricas de vestuário têm marcas profundas sendo denunciada pela forma de organização da produção e pela divisão do trabalho. que se concentra nos bairros periféricos e nos morros da cidade. com salário base fixado em convenção coletiva em torno de R$357. seja nas pequenas oficinas de facção ou no trabalho a domicílio. lavanderia. por parte dos trabalhadores e de seu sindicato. que ministram os cursos de formação. acabamento. periodicamente. Os trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina são constituídos por uma população empobrecida e de baixa escolaridade. A falta de opção de trabalho na região favorece a aceitação. A indústria do vestuário de Colatina tem sido desde 1990.

5% de afastamento do trabalho. o processo da flexibilização econômica e a reengenharia da produção tiveram início em 1992 quando uma nova forma de gestão começou a ser utilizada no meio fabril. Este estudo mostrou que a prevalência de queixas de saúde nos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina é estimada em 24. por células de produção. e os problemas cardiovasculares que representam 9. o número médio de dias de afastamento sobe para 23. a densidade do trabalho é alta e o trabalhador não tem tempo para fazer pausas. a água que é ingerida pelo trabalhador. mas quando incluídos o tempo total de afastamento. 8. Estas queixas de saúde provocaram.9%. No setor do vestuário de Colatina. Os trabalhadores inseridos neste formato de gestão de produção estão submetidos a uma tensão laboral mais intensa o que tem gerado novas doenças relacionadas aos transtornos musculoesqueléticos e aos distúrbios mentais. mas que não foi objeto de investigação deste estudo. Considerando os últimos 15 dias anteriores à pesquisa. como é conhecida. tendo que buscar a rentabilidade no aumento da densidade do trabalho. 2000). Isso demonstra que uma população mais antiga de trabalhadores já está no estágio final do processo da doença crônica incapacitante relacionada ao trabalho. dado superior ao encontrado em pesquisa semelhante do PNAD (IBGE.2% .as empresas trabalharem cada dia com menor margem de lucro.4 dias. Na linha de produção. é servida por ajudantes. fato que talvez já esteja aparecendo podendo ser medido no aumento do número de auxílios doenças concedidas pelo INSS. estes casos necessitaram em média de 5 dias de afastamento. que buscava o aumento da produtividade e da qualidade do produto. A célula de produção impôs novo ritmo de trabalho. As queixas de saúde mais referidas são as musculoesqueléticas. com 14% de prevalência. A produção deixou de ser por cotas individuais e passou a ser contabilizada por grupos de trabalho ou. em muitos casos. no período da pesquisa. como as dores nas costas e na coluna. mesmo a ida ao banheiro é adiada constantemente a fim de garantir a meta da célula de produção.

sendo associada ao gênero. seja pela diminuição . como em um processo de seleção natural dos mais aptos. Esta situação reforça a caracterização deste fator de risco como fator causal no processo de adoecimento destes trabalhadores. Considerando os trinta dias de um mês. Os resultados do estudo indicam que são necessárias ações para intervir nas causas do processo saúde-trabalho-doença. para cada período de anos trabalhados.6%) da amostra que tiveram queixas de saúde. Os sindicalistas precisam colocar em sua agenda uma permanente discussão com os empregadores a fim de melhorar as condições de trabalho. Demonstra também que. os que permanecem na atividade aumentam sua chance de suspeita de transtornos muscoloesqueléticos e de DMM. os sindicatos de trabalhadores e os órgãos públicos da área do trabalho e da saúde. As suspeitas de lesões por esforços repetitivos – LER teve prevalência de 16. que existe no setor do vestuário de Colatina.A prevalência de suspeitas de distúrbios mentais menores – DMM. ao uso de medicamentos calmantes. 66 pessoas (15. em especial da saúde do trabalhador. Ao se analisar a queixa de saúde por tempo de atividade na indústria do vestuário. também foi de 24. sendo que 43 atendimentos foram realizados pelo SUS. Dos que apresentaram queixas de saúde e foram atendidos por médicos 6.9% disseram que suas queixas de saúde foram relacionadas com as condições de trabalho. pode estar demandando cerca de 800 atendimentos médicos por mês para o SUS.4% e não houve diferenças em relação ao sexo e a idade sendo associadas fortemente com a função e o tempo em que a pessoa a exerce. como os empresários do setor. no setor de vestuário de Colatina (cerca de 4300 trabalhadores). verificou-se que é no primeiro ano de trabalho que são selecionados os trabalhadores que se adaptam à forma de organização da produção. demandaram 82 atendimentos médicos. A intervenção deve ser feita em vários níveis e pelos atores sociais que atuam neste campo de trabalho.9%. e em todos os locais onde a indústria esteja organizada desta forma. Nos últimos 15 dias anteriores à pesquisa. à função de costureira e ao tempo que exerce a função. pode-se estimar que a população de trabalhadores com vínculo empregatício.

através do SUS. 2003. Na área legal do MTE. como forma de controle do desgaste operário. As empresas do setor do vestuário estão classificadas pela NR-4 – Serviços Especializados de Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho como sendo de grau de risco 2. com a ação da Vigilância Epidemiológica e Sanitária. introduzindo pausas periódicas. melhoria do mobiliário utilizado. p. de sua rede de atenção primária à saúde. pode dar uma grande contribuição. controle dos agentes ambientais. O SUS tem que atuar prioritariamente na saúde do trabalhador no controle das causas das doenças. . Por outro lado. discussão da produção e da remuneração. no atendimento do Programa de Saúde da Família – PSF e da Unidade Básica de Saúde – UBS. mesmo após a realização do 3ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador em 2005. A DRT deve aumentar a fiscalização por um lado para fazer cumprir as normas de segurança existentes. médico do trabalho. redução do ritmo de trabalho. na gestão das cargas de trabalho existentes no ambiente de trabalho e não mais com o “objetivo vinculado à necessidade de reprodução da força de trabalho frente ao processo de produção econômica“ (DONNANGELO. técnico de segurança do trabalho e auxiliar de enfermagem. isto é. devem-se aprimorar as normas regulamentadoras que tratam das organizações internas das empresas voltadas para a questão da gestão de risco e controle da saúde (NR-4 e NR-5). 1976. mas procurando sempre proteger o trabalhador onde há omissão nos textos legais. com a mudança na classificação de risco do setor de vestuário. exercícios laborais e rotatividade de funções. estas informações servirão de alerta aos órgãos de fiscalização e facilitarão sua ação de investigação. Neste aspecto. apud FRANCO&MERHY. A ação conjunta entre os órgãos públicos da área da saúde e do trabalho tem sido tema de várias discussões e até de estudos acadêmicos (PINHEIRO.68). porém a solução para o assunto ainda esta longe de ocorrer. tem papel fundamental na notificação de queixas de saúde que possam estar relacionados com o trabalho. a área da saúde. 1996). Esta classificação obriga somente as empresas com mais de 500 empregados a ter um técnico de segurança e somente as com mais de 1000 empregados a constituírem SESMT com engenheiro de segurança.da jornada de trabalho. a área da saúde.

Os inúmeros setores de trabalho e a grande quantidade de trabalhadores em situação de trabalho desgastante. indicam que a classificação mais adequada para o setor de confecções é o grupo C-6. Este mesmo raciocínio se aplica para a constituição das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes CIPA. eqüidade e segurança. capaz de garantir uma vida digna (MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. . prevista pela NR-5. o que obrigaria as empresas com mais de 100 empregados a constituírem um SESMT com pelo menos um técnico de segurança do trabalho. p. na qual o setor de confecções está situado no grupo C-4. 2006.5). e os resultados apresentados por este estudo indicam que é necessária a revisão da classificação de risco desta atividade econômica para o grau de risco 3. encontradas neste setor. Estas mudanças são necessárias para que as situações inadequadas de trabalho do setor do vestuário possam ser controladas pelos empregadores. a fim de se ver cumprir os direitos dos trabalhadores por um ambiente de trabalho mais saudável ou. encontrados pelo estudo. exercido em condições de liberdade. que o define como sendo um trabalho adequadamente remunerado. com a exigência de constituir CIPA a partir de 30 empregados.Os inúmeros setores de trabalho e as situações de risco à saúde dos trabalhadores. deste ano de 2006. com apenas 2 membros e somente a partir de 141 empregados aumenta sua constituição para 4 membros. do MTE. no qual a CIPA passa a ter 4 membros a partir de 80 empregados. como no dizer da Agenda Nacional de Trabalho Decente.

sofrimento psíquico e lesões por esforços repetitivos entre caixas bancários. Os inquéritos de saúde sob a perspectiva do planejamento. Os sentidos do trabalho: ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho. CASTELLOE. Carmen Ildes Rodrigues Fróes & FERREIRA. n. et al. Roberto A. Segurança e Medicina do Trabalho – Normas regulamentadoras da portaria 3.2. Ricardo.A.M. ASSUNCAO. Lys E & RIGOTTO.865-884. p. BORGES. & ROCHA. 1994. v. Epidemiologia & Saúde. São Paulo: Cortez. _____________. 57ª ed. v. Isto é Trabalho de Gente? Vida. São Paulo: Atheneu.E. Rio de Janeiro: LTC. CÂMARA. 2000. 2003. C. n.G. 2003. p.T. Petrópolis: Vozes.9 REFERÊNCIAS ALMEIDA FILHO. 2004. n. Power and sample size determination for linear models-proceedings. 1998. Saúde ambiental e saúde do trabalhador: Epidemiologia das relações entre a produção. Ada Ávila. 3ª ed. of the twenty-fifth annual SAS user group international conference paper 265-25. 2004. CHERNICK.8. 6ª ed. 2003. São Paulo: ATLAS. 1993 BRAVERMAN. R & LIU. Rio de Janeiro: Cadernos de Saúde Pública. Maria Zélia.283298. 6ª reimpressão. Ciência & Saúde Coletiva. . abr-jun. São Paulo: Boitempo. 5ª ed. Adeus ao trabalho – ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade do mundo do trabalho. J. & O’BRIEN. H. Raquel Maria. L. Cary. J. Ciência & Saúde coletiva. doença e trabalho no Brasil.4. The saw-toothed behavior of power versus sample size and software solutions: single binominal proportions using exact methods. MEDSI: Rio de Janeiro. M. The American Statistician. C. SAS Institute INC. São Paulo: Fundacentro. Volney de Magalhães et al.9 (4): p. BUSCHINELLI. v. CAMPOS. ATLAS. 56.T. 1987. H. Modelos de determinação social das doenças crônicas não transmissíveis. 2005. NC. In ROUQUAYROL. In: MEDRONHO. Trabalho e capital monopolista.Y. R. o ambiente e a saúde.214/78 e alterações posteriores. 2002. Sociabilidade. ANTUNES. ASMU. Alguns resultados contemporâneos das relações saúde e trabalho: contribuição para um debate. 149-155. 2001. Epidemiologia. 9. Heloísa Pacheco. Epidemiologia e saúde do trabalhador.

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2): p. Revista de Saúde Pública. 57-93. São Paulo. Emerson Elias & FRANCO. 19 de set. Educação e Saúde. 21-32.LAURELL. Uma agenda para a saúde. Importância da ocupação como determinante de saúde-doença: aspectos metodológicos. René. Rio de Janeiro. 1998. MONTEIRO. 29-37. Doenças Relacionadas ao Trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde. Tecendo a precarização: trabalho a domicilio e estratégias sindicais na indústria de confecções de São Paulo. 2003. Diário Oficial da União. Eugênio Vilaça. 1996. O capital: critica da economia política. 2 (1): p. Programa de saúde da Família (PSF): contradições de um programa destinado à mudança do modelo tecnoassistencial. v. 2003. Jorge da Rocha. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. São Paulo: Hucitec. 1990. 2004. n. O trabalho em saúde: experienciando o SUS no cotidiano. São Paulo: Atheneu. MINAYO-GOMES. MERHY. & LEWIN. P. C & THEDIM-COSTA. MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO.93/94: p. n. Trabalho.080. 1991. proteção e recuperação da saúde. Os grandes dilemas do SUS: tomo I. E. _______________. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional. MENDES. 4ª ed. R.67. MINISTÉRIO DA SAUDE DO BRASIL. 2006. 1982. São Paulo: HUCITEC. 25 (5): p. São Paulo: Hucitec. Epidemiologia. R.341-349. Dispõe sobre condições para a promoção. v. Karl. 1989. Processo de produção e saúde – Trabalho e desgaste operário. 1989. A. Livro 1.13 (supl. __________. . A. LEAKEY. Márcia de Paula. Salvador: Casa da Qualidade. Origens.M. MARX. MENDES. GOMES. De Taylor ao modelo japonês: modificações ocorridas nos modelos de organização do trabalho e a participação do trabalho. 55-123. 2004. Túlio Batista. LEITE. Maria Silva. julago-set. & NORIEGA. São Paulo: Melhoramentos. A construção do campo da saúde do trabalhador: percurso e dilemas. M. Elizabeth Costa. In: MERHY. Emerson Elias et al. 21ª ed. dez. Trabalho decente. Brasília: Ministério da Saúde do Brasil. 2001. 1997.17. MEDRONHO.C. et all. 2001. Lei orgânica 8. a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providencias.F. Cadernos de Saúde Pública. São Paulo. René & DIAS. Da medicina do trabalho à saúde do trabalhador. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional. MENDES. S. R.

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Letícia Legai & MONTEIRO. Fecundidade da mulher paulista abaixo do nível de reposição. 2004.17 (49). São Paulo. Roberto. . YAZAQUI. In MEDRONHO. 2003. Estudos Avançados. p. Mário F. Epidemiologia. São Paulo: Editora Atheneu. v. Transição demográfica e epidemiológica.VERMELHO. Lucia M. 66-86. G.

10 ANEXOS A – CARTA DE APRESENTAÇÃO B – TÊRMO DE CONSENTIMENTO DO ENTREVISTADO C – QUESTIONÁRIO D – INSTRUMENTO DE ESTUDO DAS CARGAS DE TRABALHO E – TÊRMO DE APROVAÇAO DO COMITÊ DE ÉTICA .

Os dados levantados junto aos trabalhadores e com as empresas serão submetidos a uma analise acadêmica que produzirá uma dissertação de mestrado junto ao Programa de Pós-graduação em Atenção em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo. Antônio Carlos Garcia Júnior Pesquisador da Fundacentro Coordenador da Pesquisa . Agradecemos sua atenção e colaboração. novembro de 2005.ANEXO A CARTA DE APRESENTAÇÃO Colatina. conforme sua percepção de sintomas que podem estar relacionados com sua saúde. Portanto. fale com o entrevistador que o escreverá no final do questionário. visando instrumentalizar a discussão e proposição de normas para a melhoria das condições de trabalho nos diferentes processos produtivos. Posteriormente. levando-se em consideração a participação de cada um no resultado final do conjunto dos trabalhadores da indústria do vestuário. Atenciosamente. e sua repercussão sobre a vida dos trabalhadores. a Fundacentro irá realizar atividades educativas que possam contribuir com a melhoria das condições de trabalho. A resposta às questões do questionário e voluntária. pela importância deste estudo. Prezado trabalhador: A Fundacentro é um órgão do Ministério do Trabalho e Emprego que realiza estudos e pesquisas na área de saúde e segurança dos trabalhadores. responda honestamente! Caso queira acrescentar algum comentário. As informações são confidenciais e serão analisadas somente pela equipe de pesquisadores. por favor. O objetivo desta pesquisa é conhecer as condições de trabalho e saúde dos trabalhadores da Industria dos Vestuários no município de Colatina – ES.

ANEXO B FORMULÁRIO DE CONSENTIMENTO DO ENTREVISTADO Nº__________ EU. ASSINATURA DO ENTREVISTADO______________________________________ ASSINATURA DO ENTREVISTADOR: ____________________________________ . _____DE_____________2005. APÓS SER INFORMADO DOS OBJETIVOS E A IMPORTÂNCIA DA PESQUISA SOBRE AS CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA – ES. AUTORIZO DE LIVRE E ESPONTANEA VONTADE. QUE MINHA ENTREVISTA SEJA UTILIZADA PARA A EXECUÇÃO DESTE ESTUDO. COLATINA. ______________________________________________________.

DESQUITADO OU SEPARADO.GRUPO RACIAL ( ( ( ( ( ) BRANCA ) PARDA ) PRETA ) AMARELA ) OUTRO.EM QUE REGIAO VOCE NASCEU? ( ( ( ( ( ) COLATINA ) MUNICIPIO DO NORTE DO ESTADO. QUAL?_______________________________________________________ 6.ESTADO CIVIL ( ( ( ( ) SOLTEIRO ) CASADO OU VIVE MARITALMENTE COM ALGUEM ) VIUVO ) DIVORCIADO.ANEXO C QUESTIONÁRIO UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPIRITO SANTO – UFES CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE MESTRADO EM ATENÇÃO À SAÚDE COLETIVA – PPGASC Nº. 7. 4. _____________ 1.FUNÇÃO/OCUPAÇÃO: ____________________________________________________________ 3. ) OUTROS MUNICIPIOS DO ESTADO ) OUTROS ESTADOS ) OUTRO PAÍS .ATÉ QUE ANO ESTUDOU? _________________ANOS 8.EMPRESA EM QUE TRABALHA ________________________________________________ 2.IDADE: _____________ANOS.SEXO: ( ) MASCULINO ( ) FEMININO 5.

16. VOCÊ REALIZA OUTRAS PAUSAS QUE NÃO SEJAM PARA ALIMENTAÇÃO? .9. 14.HÁ QUANTO TEMPO TRABALHA NA ATUAL FUNÇÃO? _________ANOS________MESES.CONSIDERANDO O SALÁRIO MÍNIMO ATUAL DE R$ 300. QUANTAS HORAS DE TRABALHO SEMANAL VOCÊ FEZ NO ÚLTIMO MÊS TRABALHADO? Nº DE HORAS: ___________________SEMANAIS. HÁ QUANTO TEMPO MUDOU-SE PARA A CIDADE? N° DE ANOS: _____________ 10. 13.00 SUA RENDA MENSAL LÍQUIDA PROVENIENTE DO TRABALHO CORRESPONDE A QUANTOS SALÁRIOS MÍNIMOS? _________________________SALÁRIOS MINIMOS 12.SE NASCIDO NA REGIÃO RURAL.SEU HORÁRIO DE TRABALHO É: ( ( ( ) FIXO NO PERÍODO DIURNO (ENTRE 7 E 18 HORAS) ) FIXO NO PERIODO NOTURNO (ENTRE 18 HORAS E 6 HORAS) ) EM TURNOS ALTERNADOS (DIURNO E NOTURNO) 17.HÁ QUANTOTEMPO TRABALHA NESTA EMPRESA? _______ANOS_______MESES. 15. VOCÊ FAZ INTERVALOS PARA LANCHES OU REFEIÇÕES? ( ( ) SIM ) NÃO QUANTO TEMPO?__________MINUTOS 18.EM MÉDIA.QUANTAS PESSOAS EM SUA FAMILIA DEPENDEM FINANCEIRAMENTE DE VOCE? (INCLUIDO O PROPRIO ENTREVISTADO) Nº DE PESSOAS: _______________ 11.DURANTE A JORNADA DE TRABALHO.DURANTE A JORNADA DE TRABALHO.HÁ QUANTO TEMPO TRABALHA NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO? _______ANOS_______MESES.

( ( (

) SIM ) ÀS VEZES ) NÃO

19- VOCÊ ACHA QUE A QUANTIDADE E DURAÇÃO DAS PAUSAS SÃO SUFICIENTES PARA RECUPERAR O SEU CANSAÇO DURANTE A JORNADA DE TRABALHO? ( ( ) SIM ) NÃO

20- DURANTE O SEU DIA DE TRABALHO, AS TAREFAS QUE VOCÊ REALIZA: ( ( ( ( ) SÃO SEMPRE AS MESMAS ) VARIAM UM POUCO ) VARIAM MUITO ) VARIAM DEPENDENDO DO DIA DA SEMANA

21- VOCÊ ACHA QUE SUA CHEFIA O PRESSIONA MUITO? ( ( ( ) SIM ) NÃO ) ÀS VEZES

22- COMO VOCE SE SENTE AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DO EXPEDIENTE?

23- COMO VOCÊ AVALIA SEU ESTADO DE SAÚDE. ( ( ( ( ( ) MUITO BOM; ) BOM; ) REGULAR; ) RUIM; ) MUITO RUIM

24- VOCÊ APRESENTOU ALGUM PROBLEMA DE SAÚDE, NOS ÚLTIMOS 15 DIAS? ( ( ) SIM ) NÃO (PASSE DIRETO PARA A QUESTÃO 30).

25- SE SIM:

QUAIS FORAM ESTES PROBLEMAS DE SAÚDE?
1)_______________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________

3)_______________________________________________________________________________ 4)_______________________________________________________________________________ 5)_______________________________________________________________________________ 26- ALGUM DESTES PROBLEMAS DE SAÚDE FEZ QUE VOCÊ NECESSITASSE AFASTAR-SE DO TRABALHO? ( ( ) SIM ) NÃO

SE SIM, QUAL DELES?_____________________________________________________________ POR QUANTO TEMPO?_____________DIAS. 27- AONDE FOI SEU ATENDIMENTO MÉDICO? ( ( ( ( ( ) MEDICO DA EMPRESA ) PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA (PSF), PRÓXIMA À RESIDÊNCIA. ) UNIDADE BASICA DE SAÚDE AMBULATÓRIO OU PRONTO-SOCORRO DO SISTEMA ) PLANO OU CONVÊNIO DE SAÚDE. ) OUTROS ESPECIFICAR: _________________________________________________

ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

28- O MÉDICO QUE TE ATENDEU RELACIONOU SEU SINTOMA COM SUAS CONDIÇOES DE TRABALHO? ( ( ) SIM ) NÃO

29- VOCÊ ACHA QUE SEU TRABALHO PODE PREJUDICAR SUA SAÚDE? ( ( ) SIM ) NÃO (PASSE DIRETO PARA A PERGUNTA 33)

30- SE SIM: O QUE NO SEU TRABALHO VOCÊ CONSIDERA QUE PODE PREJUDICAR A SAÚDE? (ESCREVA AS TRÊS PRINCIPAIS CAUSAS) 1)_______________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________ 3)_______________________________________________________________________________ 31- QUAIS PROBLEMAS DE SAÚDE VOCÊ CONSIDERA QUE PODEM DECORRER DO SEU TRABALHO? (ESCREVA OS 3 PRINCIPAIS PROBLEMAS DE SAÚDE). 1)_______________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________

3)_______________________________________________________________________________

VOU LER PARA O SENHOR (A) AS INSTRUÇÕES PARA AS PRÓXIMAS QUESTÕES (33 A 52). ESTAS QUESTÕES SÃO RELACIONADAS COM CERTAS DORES E PROBLEMAS QUE PODEM TÊ-LO (A) INCOMODADO (A) NOS ÚLTIMOS 30 DIAS. SE VOCÊ ACHA QUE A QUESTÃO SE APLICA A VOCÊ E VOCÊ TEVE O PROBLEMA DESCRITO NOS ÚLTIMOS 30 DIAS, RESPONDA SIM. POR OUTRO LADO, SE A QUESTÃO NÃO SE APLICAR A VOCÊ PORQUE VOCÊ NÃO TEVE O PROBLEMA NOS ÚLTIMOS 30 DIAS, RESPONDA NÃO. SE VOCÊ NÃO TIVER CERTEZA SOBRE COMO RESPONDER A ALGUMA QUESTÃO, DÊ A MELHOR RESPOSTA QUE PUDER.

QUESTÕES 32- TEM DORES DE CABEÇA FREQUENTES? 33- TEM FALTA DE APETITE? 34- DORME MAL? 35- ASSUSTA-SE COM FACILIDADE? 36- TEM TREMORES NAS MÃOS? 37- SENTE-SE NERVOSO (A), TENSO (A) OU PREOCUPADO (A)? 38- TEM MÁ DIGESTÃO? 39- TEM DIFICULDADE DE PENSAR COM CLAREZA? 40- TEM SE SENTIDO TRISTE ULTIMAMENTE? 41- TEM CHORADO MAIS DO QUE DE COSTUME? 42- ENCONTRA DIFICULDADES PARA REALIZAR COM SATISFAÇÃO SUAS ATIVIDADES DIÁRIAS? 43- TEM DIFICULDADES PARA TOMAR DECIÇÕES? 44- TEM DIFICULDADES NO SERVIÇO (SEU TRABALHO É PENOSO, CAUSA-LHE SOFRIMENTO)? 45- É INCAPAZ DE DESEMPENHAR UM PAPEL ÚTIL EM SUA VIDA? 46- TEM PERDIDO O INTERESSE PELAS COISAS? 47- VOCE SE SENTE UMA PESSOA INUTIL, SEM PRÉSTIMO? 48- TEM TIDO A IDÉIA DE ACABAR COM SUA VIDA? 49- SENTE-SE CANSADO (A) O TEMPO TODO? 50- TEM SENSAÇÕES DESAGRADÁVEIS NO ESTOMAGO? 51- SE CANSA COM FACILIDADE?

SIM

NÃO

QUESTÕES 52. BRAÇOS.VOCÊ FAZ USO HABITUAL (OU USOU NOS ÚLTIMOS 6 MESES) DE MEDICAMENTOS CALMANTES? ( ( ) SIM ) NÃO QUAIS?___________________________________________________________________ .AS QUESTÕES SEGUINTES DEVEM SER CONSIDERADAS EM RELAÇÃO AOS MÚSCULOS E ARTICULAÇÕES (AS JUNTAS) DAS SEGUINTES PARTES DO CORPO: PESCOÇO. MÃOS E DEDOS.A DURAÇÃO DE 2 DE QUALQUER DOS SINTOMAS ACIMA É SUPERIOR A 30 DIAS? SIM NÃO 61. MÃOS OU DEDOS? 59. CANSAÇO OU PESO EM ALGUMA DESTAS PARTES? 53. FERIADOS OU QUANDO NÃO TRABALHA? 60.OS SINTOMAS ACIMA DESAPARECEM OU MELHORAM NOS FINS DE SEMANA.SENTE DOR AO PRESSIONAR OU AO MOVIMENTAR ALGUMA DESTAS PARTES? 57.COM QUE FREQUENCIA BEBE SEMANALMENTE? ( ( ( ( ( ) MENOS DE 1 VEZ POR SEMANA (QUINZENALMENTE OU MENSALMENTE) ) UMA OU DUAS VEZES POR SEMANA ) TRÊS OU QUATRO VEZES POR SEMANA ) CINCO OU SEIS VEZES POR SEMANA ) TODOS OS DIAS.TEM APRESENTADO INCHAÇÕ EM ALGUMA DESTAS PARTES? 58.OBSERVA PERDA DE SENSIBILIDADE TÁTIL OU DOLOROSA PERMANENTE EM ALGUMA DESTAS PARTES? 56. OMBROS. 63.VOCÊ FAZ USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS? ( ( ) SIM ) NÃO SE SIM: 62.TEM SENSSAÇÃO FREQUENTE DE FORMIGAMENTO OU FISGADAS EM ALGUMAS DESTAS PARTES? 55. FLEXÃO OU ROTAÇÃO DO BRAÇO.SUA CALIGRAFIA VEM SE ALTERANDO? 54.TEM SENSSAÇÃO FREQUENTE DE DESCONFORTO.TEM AUMENTADO A DIFICULDADE EM FAZER MOVIMENTOS DE EXTENSÃO.

TRABALHAR SOMENTE NO TURNO NOTURNO OU EM TURNOS ALTERNADOS (DIURNO/NOTURNO) 70. DISCUSSÕES. 68. CONTROLE EXCESSIVO. 74.CALOR EXCESSIVO DURANTE O TRABALHO ÀS VEZES NÃO .MÁ REMUNERAÇÃO PELO TRABALHO QUE REALIZA.HÁ QUANTO TEMPO?______________________________________________________ 64. SIM 67. RESPONDA SE ESTAS SITUAÇÕES SÃO FONTES DE TENSÃO E CANSAÇO NO SEU TRABALHO. 69.FALTA DE COOPERAÇÃO ENTRE OS COLEGAS DE TRABALHO.NÃTO TER OPORTUNIDADE PARA PROMOÇOES NA EMPRESA 71. 75.TER PROBLEMAS COM CHEFIA (DISCRIMINAÇÃO. AUTORITARISMO).TER POUCO TEMPO PARA PAUSAS NO TRABALHO.AMEAÇÃ DE CORTE DE PESSOAL E DESEMPREGO. PERSEGUIÇÃO. 72.QUAIS AS 2 COISAS QUE MAIS LHE AGRADAM NO SEU TRABALHO? 1)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 65.TER QUE PROLONGAR A JORNADA DE TRABALHO E OU REALIZAR HORAS EXTRAS.VOCÊ SE SENTE VALORIZADO PELO TRABALHO QUE REALIZA? ( ( ( ) SIM ) ÀS VEZES ) NÂO NAS QUESTÕES DE NUMERO 68 A 83.QUAIS AS 2 COISAS QUE MAIS LHE DESAGRADAM NO SEU TRABALHO? 1)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 66. 73.

80. 81.BARULHO EXCESSIVO DURANTE O TRABALHO 77. .TRABALHAR POR PRODUÇAO PRE-DEFINIDA. 78.IMPROVISAÇÕES NO DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES.INADEQUAÇÃO E DESCONFORTO NO POSTO DE TRABALHO (CADEIRA E BANCADA).O TRABALHO É MONOTONO E DESINTERESSANTE.FALTA DE TREINAMENTOS INADEQUADOS PARA O EXERCICIO DA FUNÇÃO. MUITO OBRIGADO POR SUA COLABORAÇÃO. 82.76. 79. SINTA-SE A VONTADE CASO QUEIRA FALAR ALGO SOBRE SEU TRABALHO OU SUA SAUDE: ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ________________________________________________________________ O QUESTIONÁRIO ENCERRA-SE AQUI.RITMO DE TRABALHO MUITO ACELARADO.

ANEXO D ESTUDOS DE CARGAS DE TRABALHO EMPRESA: ________________________________________________________ ENDEREÇO: ________________________________________________________ DATA: ___________________________ HORÁRIO: ______________________ SETOR: ____________________________________________________________ FUNÇÃO: __________________________________________________________ DESCRIÇÃO DA TAREFA: .

Físicas a) Ruído b) Calor c) Vibrações d) Radiações e) Umidade Observações: Tempo de Exposição 2.Classificação Fonte 1.Biológicos a) Bactérias c) vírus d) Outros Observações: .Químicos a) Poeiras b) Substâncias c) Gases d) Vapores Observações: 3.

Noturno Observações: 5.4.Psíquico a) Hierarquia b) Valorização c) Cultura Observações: SINERGISMOS ENTRE CARGAS – ANÁLISE . Peso f) Produção g) Turnos h) T.Fisiológicos a) Mobiliário b) Posições c) Ritmos d) Monotonia e) L.

ANEXO E .

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