UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ATENÇÃO À SAÚDE COLETIVA

ANTÔNIO CARLOS GARCIA JÚNIOR

CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA - ES.

VITÓRIA 2006

ANTONIO CARLOS GARCIA JUNIOR

CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA - ES.

Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Atenção à Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito parcial para obtenção do grau de mestre em Saúde Coletiva, na área de concentração Políticas, Administração e Avaliação de Saúde. Orientador: Prof. Dr. Luiz Henrique Borges

VITÓRIA 2006

Dados Internacionais de Catalogação na publicação (CIP) (Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil) Garcia Júnior, Antônio Carlos, 1956 – Condições de trabalho e saúde dos trabalhadores da Indústria do vestuário de Colatina – ES / Antônio Carlos Garcia Júnior – 2006. 123f.

G216c

Orientador: Luiz Henrique Borges Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Espírito Santo, Centro Biomédico. 1. Saúde Coletiva. 2. Saúde do Trabalhador. 3. Processo Saúdedoença. I. Borges, Luiz Henrique. II. Universidade Federal do Espírito Santo. Centro Biomédico. III. Título. CDU 614.2 ___________________________________________________________________

SP ________________________________________ Prof. Aprovada em 7 de julho de 2006. Dr. Ildeberto Muniz de Almeida Faculdade de Medicina de Botucatu .ANTÔNIO CARLOS GARCIA JÚNIOR CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA . Dr.ES Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Atenção à Saúde Coletiva do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo. Dr. COMISSÃO EXAMINADORA ______________________________________ Prof. como requisito parcial para obtenção do grau de mestre em Saúde Coletiva. Aloísio Falqueto Universidade Federal do Espírito Santo . Luiz Henrique Borges Universidade Federal do Espírito Santo Orientador _______________________________________ Prof.

. que me mostrou as estrelas. Aos meus pais. que me incentivou a seguir a senda do conhecimento.A Marisa e Maya portadoras dos archotes que iluminam meu caminho. Antônio Carlos de Assis Garcia. e Maria da Penha Cabalini.

agradeço ao meu orientador Prof. demonstrado pelo incentivo e interesse pelo meu trabalho. A todos os professores do Programa de Pós-Graduação em Atenção a Saúde Coletiva – PPGASC. demonstraram garra e compromisso com esta pesquisa. Aos trabalhadores do setor do vestuário de Colatina que concordaram em conceder as entrevistas em seu tempo fora do trabalho. é necessário externar a minha gratidão a algumas pessoas em especial. Sou imensamente grato a FUNDACENTRO que me incentivou através de seu programa de pós-graduação a realizar este mestrado e pelo indispensável suporte financeiro que tornou possível concretizar esta dissertação. . Sou muito grato também à diretora Vilma Aparecida do Carmo do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário – SINTVEST. acreditando em nosso propósito de trazer luz às suas condições de vida e saúde ocupacional. Luiz Henrique Borges. mesmo correndo o risco de esquecer alguém. pelas aulas maravilhosas e momentos de reflexão que mudaram meu enfoque sobre a saúde e a compreensão sobre o processo de adoecimento dos trabalhadores. Lucimar Flaves Gonçalves. com dedicação ao trabalho. À equipe de entrevistadores de campo Simone de Oliveira Sepulcro. Solange Rodrigues da Silva. Dr. Rosinéia Maria Cardoso e Maria Aparecida Freire de Almeida. Aos colegas da FUNDACENTRO do Espírito Santo pelo carinho e a compreensão em minhas ausências para participar das atividades acadêmicas.AGRADECIMENTOS Nesta hora. com enorme consideração e amizade contribuiu imensamente para a realização deste trabalho. que sempre acreditou em minha capacidade e. que foram as grandes batalhadoras e amigas nos momentos mais difíceis e que. cuja atenção e empenho foram fundamentais para que o trabalho de campo fosse realizado no tempo programado e a todos os demais componentes do sindicato. Primeiro.

As doenças dos Trabalhadores – 1700. Bernardo Ramazzini. . Conforme seja a matéria das várias indumentárias. como lã. linho. algodão. dela geralmente resultarão perturbações que serão experimentadas por aqueles encarregados de sua preparação”. se bem que possamos abster-nos dela. porque foi criada mais para cobrir os corpos dos homens e das mulheres do que para abrigá-los.“A mãe natureza está bastante provida de recursos para proteger nossos corpos das agressões do ar. cânhamo. assim como seda.

um estudo observacional com delineamento seccional.DMM (avaliada através do Self Reporting Questionnaire – SRQ-20) e a suspeita de lesões por esforços repetitivos – LER (através de um questionário de rastreamento). . Saúde do Trabalhador. um estudo descritivo com levantamento qualitativo das cargas de trabalho. de suspeita de DMM (p<0. A prevalência de queixas referidas de saúde foi de 24. suspeita de apresentar transtornos mentais menores .57) para LER e OR=2. com média de 31 anos de idade. em segundo. O perfil foi obtido através de informações socioeconômicas. controle rígido.0001) e de LER (p=0. encontrando-se OR=1. em particular dor na coluna e lombares. Processo Saúde-doença. com tarefas fragmentadas. realizado em ritmos excessivo.35%) e jovens.RESUMO Objetivou-se estudar as condições de saúde e trabalho em trabalhadores com vínculo empregatício com empresas do vestuário que produzem a mercadoria roupa em sua totalidade.9%. queixas referidas à saúde nos últimos 15 dias. Os resultados apontaram que as condições de trabalho prejudicam a saúde dos trabalhadores.65 (IC95% 1. Os trabalhadores são preponderantemente do gênero feminino (66. os que mais ocorreram seguidos dos problemas cardiovasculares (9. realizado através da aplicação de um questionário em visitas domiciliares a uma amostra aleatória de 432 trabalhadores.0075). A função de costureira destacou-se das demais pela maior prevalência de queixas referidas (p=0.67-3.0142).43 (IC95% 1. na indústria do vestuário de Colatina-ES.53) para DMM.2%) e dos problemas das vias aéreas superiores (6. Os dados apontam que há um padrão de desgaste da saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário associado às condições de trabalho.06-2. Palavras chaves: Indústria do vestuário e saúde.4%). movimentos repetitivos e de pouca valorização do intelecto do trabalhador. Utilizaram-se dois métodos: primeiro. condição de trabalho.0%). em relação às variáveis suspeita de DMM e suspeita de LER.9% e a de LER foi de 16. Utilizou-se de regressão logística múltipla ajustada para estimar o odds ratio entre a função costureira e as demais.3%. A prevalência de suspeita de DMM foi de 24. presentes no processo de produção desta indústria. sendo os problemas músculos-esqueléticos (14.

3%. 35%).0142).9%. The results pointed out that the working conditions do harm the workers health with fragmented tasks done in excessive rhythms. MMD prevailing suspicion was 24. with repetitive moves and scarce valorization of the workers intellectual conditions. and second. that do make and assemble the clothes completely in their productive process. specially the back problems with major occurrences followed by cardiac and vascular problems (9. The dressmaker function was highlighted due to the major prevalence of referred complaints (p=0. under stiff controls. Two methods were used: first a descriptive study with the work loads qualitative definition within the production process of such industries. Espírito Santo State. Keywords: Collective Health. working conditions information. an observational study with a cross section profiling. young with a 31 years age average.06-2. finding OR=1.9% and of RSI 16.57) for RSI and OR=2. worker health.4%).67-3. minor mental disorders suspicions – MMD (evaluated through the Self Reporting Questionnaire – SRQ-20) and the repetitive efforts injuries suspicions – RSI (through a tracking questionnaire). The prevailing health complaints were 24. The workers are mostly of the feminine gender (66. 0%). .0075).65 (IC95% 1. Logistic regression was used for odds ratio estimation among dressmakers and the other functions in relation to the variables with MMD and RSI suspicion. raised with home collected questionnaires applied to a random sample composed of 432 workers.53) for MMD.ABSTRACT The objective was to study about the health and working conditions of the formal and legally employed workers from the garment industries in Colatina. health-disease process.43 (IC95% 1. The profile was obtained through social and economic information.0001) and of RSI (p=0.2%) and also problems on the superior breathing tract (6. MMD suspicion (p<0. health complaints filled on the 15 days previous to questions application. distributed in muscolosketal problems (14.

.................................LISTA DE FIGURAS Figura 1: Figura 2: Figura 3: Fluxograma básico do processo de produção da indústria do vestuário........... 2005.... 58 Fluxograma da célula de produção.................................................................... 84 ......................... 69 Distribuição percentual das faixas etárias por sexo na indústria do vestuário de Colatina-ES.....................................................................

................... atividades e carga de trabalho do setor de lavanderia...................... atividades e carga de trabalho do setor de artesanato.... : Função..... atividades e carga de trabalho do setor de corte.LISTA DE QUADROS Quadro 1 Quadro 2 Quadro 3 Quadro 4 Quadro 5 Quadro 6 Quadro 7 Quadro 8 Quadro 9 : Função............ : Função..................... atividades e carga de trabalho do setor de acabamento.......................................... 60 62 63 66 72 73 75 77 79 ................ atividades e carga de trabalho do setor de embalagem e expedição................... : Função. : Função..... atividades e cargas de trabalho do setor de criação e modelagem............... : Função.. atividades e carga de trabalho do setor de passadeira.. : Função................... atividades e cargas de trabalho do setor de almoxarifado de tecidos e aviamentos........ : Função........... atividades e carga de trabalho do setor de costura..................................................................... : Função.........

LISTA DE SIGLAS CIPA CLT CNAE DMM DRT EPI FGTS FUNDACENTRO IBGE INSS LER LT MS MTE NR OIT OMS PCMSO PNAD PPRA PSF RAIS SAS SEBRAE SRQ-20 SESI SINTVEST SUS USB Comissão Interna de Prevenção de Acidentes Consolidação das Leis Trabalhistas Classificação Nacional de Atividades Econômicas Distúrbios Mentais Menores Delegacia Regional do Trabalho Equipamento de Proteção Individual Fundo de Garantia por Tempo de Serviço Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Instituto Nacional de Seguridade Social Lesões por Esforços Repetitivos Limite de Tolerância Ministério da Saúde Ministério do Trabalho e Emprego Norma Regulamentadora Organização Internacional do Trabalho Organização Mundial da Saúde Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional Pesquisa Nacional por Domicilio Programa de Prevenção de Riscos Ambientais Programa de Saúde da Família Relação Anual de Informações Sociais Statistical Analysis Software Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Self-Report Questionnaire Serviço Social da Indústria Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário Sistema Único de Saúde Unidade Básica de Saúde .

.... 2005.. Causas de afastamento do trabalho na indústria do vestuário de Colatina-ES por órgãos e sistemas.... Medicamentos calmantes referidos como utilizados pelos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina–ES........................................................ 2005....................... 2005.. segundo a sensação que sentem ao sair do trabalho no final do dia......... Aspectos do trabalho que mais agradam os trabalhadores do setor do vestuário de Colatina-ES.................................................................................................................. 2005............................................ segundo órgãos e sistemas acometidos....................... Auto-avaliação do estado de saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina ES.................... Número de dias de afastamento do trabalho por queixa de saúde na indústria do vestuário de Colatina-ES..... 2005........................................................ 2005..................................2005...................................... Número de empresas e empregados por CNAE-2004 Distribuição de trabalhadores por função e setor na indústria do vestuário de Colatina-ES .. 2005. Percepção dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES sobre problemas de saúde decorrentes de seu trabalho................................. 2005.. Freqüência de queixas de saúde por setor e função na indústria do vestuário de Colatina-ES... Distribuição dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina ES que fazem uso de calmantes por tempo de uso..................... Distribuição da amostra dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina por faixa etária.. 2005.................... Aspectos do trabalho que mais desagradam os trabalhadores do setor do vestuário de Colatina-ES.................................... Prevalência de queixas de saúde com trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-es por tempo de serviço.............. no Brasil e Espírito Santo .......................... 2005............................... Freqüência de consumo de bebidas alcoólicas entre trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES............ Morbidade referida.............. 2005.2004.................................................. por faixas de pessoal empregado....................................LISTA DE TABELAS Tabela 1: Tabela 2: Tabela 3: Tabela 4: Tabela 5: Tabela 6: Tabela 7: Tabela 8: Tabela 9 Tabela 10: Tabela 11: Tabela 12: Tabela 13: Tabela 14: Tabela 15: Tabela 16: Tabela 17: Tabela 18: Tabela 19: Tabela 20: Tabela 21: Tabela 22: Número de empresas do setor do vestuário...... 45 45 79 82 84 85 87 88 89 90 90 91 92 95 95 96 98 99 100 101 102 103 ........................................... nos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES................................... 2005........................... 2005................. Principais cargas de trabalho referidas pelos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES........ Distribuição de atendimento médico dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES por local......................... Distribuição por grau de escolaridade dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES ......2005...................................... 2005........ Distribuição de trabalhadores por tempo de serviço na indústria do vestuário de Colatina-ES .................................................. 2005.. Distribuição dos trabalhadores da indústria do vestuário de ColatinaES....... Principais fontes referidas de tensão e cansaço no trabalho em trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina–ES... 2005...........2005......... 2005.....................

.......... CULTURA E SOCIEDADE........ ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E SAÚDE DO TRABALHADOR.........................................3 48 48 51 52 53 55 58 59 60 62 63 67 3.......1....................................................2 INTRODUÇÃO................. OBJETIVOS.............................1...................... Setor de Enfesto e Corte...3 2................1 4..4.. Setor de Criação e Modelagem..............3..............................2 4........................................................... Objetivos Específicos.................................................... DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO-CONCEITUAL DO ESTUDO DAS RELAÇÕES ENTRE SAÚDE E TRABALHO..........3 3....1 1..........................................1 4... A INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA.2 2 2.....................................................................................4 3 3.............. MARCO TEÓRICO............................... Análise dos Dados...................................1 1........1 Setor de costura e o trabalho em célula de produção.................. O PROCESSO DE PRODUÇÃO E TRABALHO DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA.1............... ......... LEVANTAMENTO DE CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA – ES.......SUMÁRIO 1 1.................................................................................................... AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE TRABALHO COM A SAÚDE: RISCOS........................ CARGAS DE TRABAHO E DESGASTE.................1 3..............................1....... Objetivo Geral.............................1......................2 3... Setor de Costura.3........... Procedimentos de Campo.................................................1 3....................1.4 4.................................................. Sujeitos da Pesquisa e Amostra..................... METODOLOGIA.................................... ESTUDO DAS CARGAS DE TRABALHO NAS INDÚSTRIAS DO VESTUÁRIO DE COLATINA........................................................................................................... AS CARGAS DE TRABALHO NOS SETORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA ...............................................................4 4 4..................................... 15 18 18 18 19 20 27 29 32 42 43 46 2..........1.. Instrumento de Pesquisa.... Setor de Almoxarifado de Tecidos e Aviamentos...................3..1 2.....................................................................3.................................................................3 4...2 3............... O CARÁTER CENTRAL DO TRABALHO NA MEDIAÇÃO ENTRE CORPO-MENTE-PSIQUISMO.

.. ANEXO C .................. DISTRIBUIÇAO DAS FUNÇÕES POR SETOR DE TRABALHO......................... Setor de Passadoria.................. ASPECTOS SOCIO-ECONÔMICOS DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA......3 6....................................................3 5 6 6................................. INTERAÇÕES ENTRE AS CARGAS DE TRABALHO E DESGASTE DOS TRABALHADORES.........................3 8 9 10 Setor de Acabamento........................................ INDICADORES DE SOFRIMENTO PSÍQUICO E LER..QUESTIONÁRIO.... ANEXO E ............................... 70 72 73 75 77 78 80 82 86 86 89 91 92 95 97 100 101 102 105 110 115 116 117 118 126 129 ANEXO A .............................1 6........... REFERÊNCIAS..................1..........................................FORMULÀRIO DE ESTUDO DE CARGAS DE TRABALHO....................................................8 4...........5 7 7..................................1 7......................... CONCLUSÕES............... ATENDIMENTO MÉDICO E DOENÇA DO TRABALHO.................................................................... ABSENTEÍSMO E AVALIAÇÃO DE SAÚDE...............................5 4.............................1... ANEXO D ................... ANEXOS...........................................................1.....4............................ Setor de Artesanato..................................................................CARTA DE APROVAÇÃO PELO COMITÊ DE ÉTICA........................................TERMO DE CONSENTIMENTO DO ENTREVISTADO..... Setor de Lavanderia................................... Setor de Embalagem e Expedição.... PREVALÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE OU MORBIDADE REFERIDA............CARTA DE APRESENTAÇÃO.................................................... PERFIL DE DESGASTE À SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA............1...................................................2 6....... USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS.............................................................................2 4................. ANEXO B ................. ........................................2 7.. PERCEPÇAO DOS TRABALHADORES SOBRE A RELAÇÃO SAÚDE TRABALHO....................................... SENSAÇÃO AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DA JORNADA DE TRABALHO.............................................1.............. ASPECTOS AGRADAVEIS E DESAGRADAVEIS NO TRABALHO...........6 4........................................ FUMO E MEDICAMENTOS CALMANTES................................ FONTES DE TENSÃO E CANSAÇO NO TRABALHO......................................9 4..........................4 6............................7 4.............

específicas da legislação trabalhista. obter qual é o 1 Fundacentro – Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho. é desconhecida dos pesquisadores da área da Saúde do Trabalhador. devido ao seu aspecto confidencial. sobre seu cumprimento pelas empresas. pode-se. nos programas de pós-graduação das áreas da Saúde Pública e da Saúde Coletiva. Verificamos nos últimos anos a criação de área de concentração de estudos e pesquisas em Saúde & Trabalho.Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA. para que se identifiquem seus determinantes e se proponha alternativas políticas e técnicas para sua superação. divulgar os resultados e capacitar profissionais para atuar no campo da saúde do trabalhador. órgão federal do Ministério do Trabalho e Emprego cuja missão é desenvolver pesquisas e estudos sobre segurança e saúde no trabalho.214/78 do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE. que orientam a fiscalização por parte da Delegacia Regional do Trabalho – DRT. por tornarem obrigatória a realização de estudos sobre o ambiente de trabalho pelas empresas. realizados no Brasil. Este incremento de estudos da relação saúde-trabalho implica em estabelecer uma reflexão teórica e o aperfeiçoamento de metodologias de abordagem e intervenção na realidade sanitária dos trabalhadores. A maior parte dos estudos sobre as condições sanitárias do ambiente de trabalho. Como o ambiente de trabalho e as condições de produção são muito particulares para cada local. para fazer frente a esta escassa produção técnico-científica. através de pesquisa dos diferentes espaços.Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO e a NR 9 . contidas na portaria 3. As normas que mais demandam estudos do ambiente de trabalho e seu controle. a fim de preservar a saúde e promover a qualidade de vida no ambiente de trabalho. Estes estudos visam somente atender às exigências das Normas Regulamentadoras de Segurança e Saúde no Trabalho – NRs. são a NR 7 . inseridos em diversificados processos produtivos. .FUNDACENTRO1. tenho me deparado com o relativo e pequeno número de estudos publicados sobre as repercussões do ambiente de trabalho na saúde dos trabalhadores. desde 1988.1 INTRODUÇÃO Na minha experiência profissional como pesquisador da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho .

Apesar da grande sofisticação de equipamentos ocorrida nos últimos anos. segundo o Serviço Social da Indústria – SESI. há ainda o uso de grande número de máquinas mais simples. Há cerca de dois anos tem se voltado a identificar novas áreas de interesse de estudo.000 empregos formais. sendo. As indústrias de vestuário. 2000. Segundo informações da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS. com eliminação rápida de parte importante das médias empresas e proliferação das unidades de menor porte.000 empresas no Brasil. 2003). responsável por 60% dos empregos na cadeia produtiva de têxteis e confecções (SESI. O Centro Estadual da FUNDACENTRO no Espírito Santo tem procurado subsidiar a sociedade capixaba nas questões relacionadas à saúde e segurança no trabalho. sobretudo das informais (COMIN. muitas delas transferidas pelas fábricas para o interior das residências. e outros. que permite a economia de tecidos. no Espírito Santo são cerca de 1. prática que é muito comum no ramo da indústria de confecções (SESI. p. estarem instaladas em prédios comerciais improvisados e até em residências. em particular na área das pequenas e médias empresas e que envolvem um grande contingente de trabalhadores. 11). como é mais comum. criação de novos modelos. comandado pela sazonalidade e pelas tendências da moda. o setor tem cerca de 17. 2003). tendo desenvolvido estudos e projetos em áreas como: trabalho portuário. A proliferação de empresas menores se dá pela utilização de . entre os processos produtivos existentes no Estado. mais rapidez na produção das peças.700 empresas que geram 17.padrão de mal-estar e adoecimento entre os trabalhadores ou a estrutura epidemiológica resultante da interação de fatores do meio ambiente físico e social do trabalho com o homem. trabalho no setor de mármore e granito. Dentre os segmentos econômicos compostos por pequenas e médias empresas. podem estar localizadas em grandes galpões bem dimensionados ou. Isto ocorre pelo fenômeno da terceirização de partes do processo produtivo e das demandas do mercado. O setor de vestuário tem também sido o que mais participou do processo de reestruturação industrial. o setor da indústria do vestuário é um dos que mais empregam mão-de-obra no Espírito Santo e no Brasil. construção civil. devido à sua grande heterogeneidade.

repassando para as empresas de facção ou oficinas. 2000) o aumento da prevalência dos distúrbios mentais e psicossomáticos. por ser exigido maior esforço físico. Em um terceiro nível está o trabalho a domicílio. sem desconsiderar que no imaginário masculino a costura é tradicionalmente “trabalho de mulher”. é caracterizado pela alta produção por cotas a serem atingidas a cada turno de trabalho. em atividade de trabalho em processos repetitivos e com grande demanda de produção. Esta cadeia produtiva se organiza de forma a que a empresa líder faz a concepção. provavelmente. Outro aspecto que caracteriza a indústria de vestuário é o elevado uso da mão-deobra feminina. em si. por serem consideradas mais precisas e delicadas na execução do trabalho. mas seguindo a recomendação da Organização Internacional do Trabalho – OIT. exigindo precisão na execução e qualidade no resultado final. testa os novos modelos e realiza o corte. segundo a norma culta. fragmentado e realizado com ritmo acelerado. O trabalho. situadas no segundo nível. que pagam valores extremamente baixos por cada peça montada. p. O processo de trabalho desta forma pode ser determinante para o aparecimento de um padrão de saúde que pode ser compreendido e sobre ele se criar intervenções que promovam melhores condições de vida para este grupo social. pinturas especiais e na operação de equipamentos mais sofisticados (LEITE. como nas lavanderias. a sociologia do trabalho no Brasil.unidades produtivas externas por empresas líderes e até mesmo do trabalho a domicilio2 . apenas o trabalho mecânico da montagem das peças. bem como das lesões por esforços repetitivos (LER) em populações de trabalhadores. Entre as doenças decorrentes do trabalho tem sido indicado por alguns autores (BORGES. 66). adotou o temo Trabalho a domicilio como uma categoria que designa o trabalho sub-contratado exercido na residência do trabalhador (LEITE. 2004). Entretanto nos últimos tempos tem-se observado um aumento no uso de mão de obra masculina em alguns setores dessa indústria. como a nova “velha fórmula” de acumulação de capital. 2004. 2 . onde o pagamento é realizado por peças e determina uma dependência enorme das costureiras para com as empresas de facção. Trabalho a domicilio: Em português. é trabalho em domicílio.

2 Específicos: . .Analisar as relações entre cargas de trabalho e o desgaste à saúde em trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina .Assim.1 OBJETIVOS 1.Estimar a prevalência de queixas referidas à saúde em trabalhadores da Indústria do Vestuário de Colatina-ES. .1.Estimar a prevalência de distúrbios mentais menores e de lesões por esforços repetitivos entre trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES. desenvolvido em pequenas e médias empresas.1.Obter um inventário de fatores de riscos no processo de trabalho da indústria do vestuário de Colatina – ES. interessa estudar: Como o processo de trabalho na indústria de confecções de Colatina. 1. .ES. .1 Geral: Estudar as condições de saúde e trabalho em trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES. se relaciona com o processo saúde-doença de seus trabalhadores? 1.

as diferentes abordagens da relação entre saúde e trabalho. pois o biológico é em si mesmo histórico e social (LAURELL & NORIEGA. como o trabalho constitui-se em fator central para a compreensão do processo saúde-doença dos trabalhadores. p. a seguir. Segundo este autor. cognitivo e psíquico“. pode determinar uma sobrecarga. 1989. Assim. serão apresentadas. “o sofrimento dos trabalhadores nem sempre é visível ou objetivo como insistem algumas abordagens. construído a partir de 1970. 13). p. inclusive o trabalho. a Medicina Social e a Saúde Coletiva. Segundo Wisner (1994. 7). 1986). conforme o aporte teórico da Saúde . Foi a epidemiologia que demonstrou que as doenças são eventos que não ocorrem por acaso. ”todas as atividades realizadas pelo homem. 100). O efeito do trabalho sobre a saúde é muitas vezes silencioso e não apreendido pelo saber estritamente médico” (DEJOURS. Não é uma objeção ao biológico. cada um destes aspectos. freqüentemente inter-relacionados. Tem-se como pressuposto que o trabalho convoca o corpo inteiro e a inteligência para enfrentar o que não é dado pela estrutura técnico-organizacional. particularmente pela construção e utilização do modelo da determinação social da doença. p. mas sim ao natural. Esse campo tem interface com a Saúde Pública. mas que têm relação com uma rede de outros eventos que podem ser identificados e estudados (MEDRONHO. 2004. Para a escola de ergonomia francesa. configurandose como um dos espaços de vida determinantes na construção e na desconstrução da saúde (ASSUNÇÃO.2 MARCO TEÓRICO Foi utilizado o arcabouço teórico e metodológico do campo da Saúde do Trabalhador. Por outro lado. identificando a importância da transformação biopsíquica dos seres humanos através das mudanças sociais. O modelo da determinação social da doença propõe que a relação saúde-doença é um processo social. 1998). a atividade de trabalho designa a maneira do ser humano mobilizar as suas capacidades para atingir os objetivos da produção. têm pelo menos três aspectos: físico.

e como as formas de organização do trabalho se relacionam com a saúde. Para entender este conceito de causalidade ou determinismo social é necessário antes de qualquer coisa. hábitos de vida. como também. o processo saúde-doença é o modo específico pelo qual ocorre nos grupos humanos o processo biológico de desgaste e reprodução.135). Este perfil. 3 . Para Laurell (1983. A população que habita uma determinada região. diferentes perfis. condições de moradia. p. os estratos sociais de uma mesma sociedade apresentarão diferentes condições de saúde. Segundo Laurell e Noriega (1989. no indivíduo ou nos grupos humanos.136). mas que se evidencia no conjunto das pessoas ou na população que compartilha as mesmas condições de vida. varia ao longo da história da sociedade. renda. condições de trabalho. como parte das condições de saúde de uma população.1 DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO-CONCEITUAL DO ESTUDO DAS RELAÇÕES ENTRE SAÚDE E TRABALHO. de alterações anatomofisiopatológicas que acarretam incômodos ou perda funcional. de forma geral. Esta forma de atenção à saúde Perfil de adoecimento ou morbidade: constitui-se pelo conjunto das patologias mais prevalentes e incidentes que determinado grupo humano apresenta em um dado momento da história (LAURELL. A resposta que se dá comumente a estes incômodos ou alterações pelos serviços de saúde é o atendimento do indivíduo pelo médico. condições sociais que envolvem o padrão alimentar. que pode ser esperado não apenas no caso clínico individual. A doença é demarcada essencialmente pelo aparecimento. tem um perfil de adoecimento3 que pode ser compreendido em função de fatores como: faixa etária. etc. 1983). em uma determinada época. conseqüentemente. A compreensão do que vem a ser saúde é mais ampla do que a de doença. emprego. Este processo é o seguimento ou evolução de uma luta do organismo por manter a vida e o bem estar. p. discutir o que é saúde e doença. tanto pelo estrato social como por sua ocupação profissional. violência urbana. verifica-se a natureza social e histórica do processo saúde-doença ao se analisarem os dados de morbimortalidade de uma população. 2.do Trabalhador.

caracteriza o paradigma médico-biológico. sendo limitado à realização do diagnóstico e ao tratamento. 2004. as doenças não ocorrem por acaso. O atendimento individual não oferece solução satisfatória para os graves problemas de saúde que acometem as populações. é necessário investigar como ocorre o processo de saúde-doença no coletivo.8). a não ser para indicar se a pessoa é ou não portadora de determinadas características patológicas. p. estudados e sobre eles se criarem intervenções que poderão controlar o processo saúde-doença (MEDRONHO. porque é ela que possibilita as condições de vida e a forma de exposição aos fatores de riscos que irão estabelecer as probabilidades das pessoas adoecerem de determinada forma. A natureza social da doença não se verifica no caso clínico. nas causas do processo. definidos como uma população. Para dar uma resposta ao modelo do atendimento clínico. A epidemiologia utiliza-se de um vasto arcabouço de métodos de pesquisa e o uso da estatística como ferramenta para análise das medidas de efeito e de associação entre as diversas variáveis envolvidas. Para a epidemiologia. no reflexo deste sobre o corpo dos membros de um grupo humano que compartilham as mesmas condições de vida. Como os indicadores estatísticos não se manifestam no indivíduo. não interferindo. isto é. A epidemiologia pode ser definida como o estudo dos determinantes do processo saúde-doença em grupos populacionais (MEDRONHO. mas somente nos efeitos finais. reforça-se a teoria de que o “caso clínico” tem limitações e especificidades próprias. A epidemiologia é a disciplina científica que se fundou na investigação não do “por que” e “como” o individuo desenvolveu uma patologia. Portanto. 2004. no processo saúdedoença. o que lhe possibilita poder estimar . na maioria dos casos. mas sim em que característica difere a ocorrência de uma determinada doença entre grupos diferentes.137). 1983. mas no modo característico de adoecer e morrer dos grupos humanos (LAURELL. daí haver certo esgotamento da medicina clínica como única resposta de atenção à saúde. p. os sintomas. Ao associar a relação da doença do grupo humano à variação biológica individual é que a história social torna-se importante. são eventos entrelaçados com outros eventos que as precedem. p. no qual a doença é o ponto focal e a razão de ser do sistema de saúde. podendo ser identificados.7).

fato relatado pela primeira vez em 1940 e que ficou conhecido como transição demográfica (VERMELHO & MONTEIRO. a Carta Constitucional de 1988 teve forte influência dos grupos da área da saúde que participavam da discussão e construção de novos conceitos sobre a saúde. aumento da perspectiva de vida das pessoas e a queda da taxa de mortalidade determinam um envelhecimento da população. No Brasil. mas um estado de completo bem-estar físico.9 anos. 2004. Os padrões de saúde são conseqüências. da dinâmica de mudanças da composição da população ao longo do tempo. p. evidenciou-se um outro fenômeno: a transição epidemiológica. em 1940 (SILVA JÚNIOR. A Organização Mundial de Saúde – OMS a define não apenas como a ausência de doença. como direito de cidadania e dever do Estado.59 anos. registrada em 1991. em 2000 (YAZAQUI.96).probabilidades de ocorrência de eventos e de analisar melhor os determinantes das doenças nas populações. como de relevância pública e cujas ações e serviços devem ser providos por um Sistema Único de Saúde. atendimento integral e participação comunitária (MENDES. aliada aos . cuja transição demográfica é contemporânea ou retardada. p. As conquistas da ciência médica e as melhorias nos padrões sanitários.9 filhos por mulher em idade fértil. 2003.290). sendo influenciada de alguma forma pela vida social. Este conceito de saúde se liberta do vínculo da fisiopatologia e insere parâmetros de bem-estar social em um modelo que só é possível ser construído com a ampliação dos direitos dos seres humanos na sociedade. 2003). Simultaneamente à transição demográfica. 2001. em 2004 (IBGE. para 2.91). Fatores como a queda da fecundidade. No Brasil. a expectativa de vida média subiu de 44. entre outros aspectos. 2006) e a taxa de fecundidade passou de 2. para 71. nutricionais e de qualidade de vida das populações. A saúde seria a capacidade de enfrentamento do organismo das pessoas a situações adversas. A saúde na Constituição é definida como resultante de políticas sociais e econômicas. mental e social. organizado segundo as seguintes diretrizes: descentralização e mando único em cada esfera de governo.20. como parte da seguridade social. p.

92). o médico Bernardino Ramazzini (1633-1714) relacionou com precisão a origem de determinadas doenças em mais de 50 ocupações. utilizou como paradigma a inferência unicausal.avanços da medicina preventiva. As condições de trabalho são percebidas. cujo procedimento estabelecia que para cada doença houvesse uma única causa ou agente etiológico (MINAYO-GOMES & THEDIM-COSTA. 1997). A Medicina do Trabalho é caracterizada por ser uma abordagem centrada no médico. O fato histórico que determinou uma radical mudança na forma de se organizar o trabalho e de alocação da força de trabalho foi denominada de revolução industrial. por não intervir no processo de produção material e de desgaste dos trabalhadores. após a segunda guerra mundial. Segundo Facchini (1993). necessitou do consumo da força de trabalho de grande contingente de trabalhadores. com cargas horárias desumanas acarretando grande incidência de acidentes e doenças (MENDES & DIAS. 1993). Nascia assim. as condições de trabalho mudaram radicalmente e os problemas de saúde relacionados com o trabalho se tornaram mais evidentes. iniciada na Inglaterra no século XIX. o primeiro serviço de saúde no interior das fábricas e a Medicina do Trabalho. após 150 anos de sua morte. eram submetidos a um ritmo de trabalho acelerado. Robert Dernham. 1991). concomitantemente às primeiras legislações de proteção aos trabalhadores. proporcionaram uma diminuição das doenças infecciosas e um aumento das doenças crônico-degenerativas nas taxas de morbimortalidade (VERMELHO & MONTEIRO. registradas em seu livro De Morbis Artificum Diatriba. em 1830. Quando surgiu. Para não inviabilizar seu negócio. A revolução industrial. 2004. ao centrar sua ação no indivíduo. proprietário de uma fábrica têxtil inglesa. colocou um médico para verificar o efeito do trabalho sobre a saúde de seus empregados e determinar meios que pudessem prevenir as doenças e diminuir o absenteísmo. oriundos da área rural ou de pequenas oficinas. desde a antiguidade. Assim. 1991). Todavia. Esta concepção foi conseqüência das descobertas da microbiologia que identificaram a origem das doenças infecciosas (FACCHINI. Estes trabalhadores. surgiram novas concepções e abordagens sobre o processo saúde-doença. como um dos fatores mais importantes na determinação do processo saúde-doença. No século XVIII. afirmando que somente . p. sua eficácia ficou comprometida. traduzido em nossa língua como As Doenças dos Trabalhadores (MENDES & DIAS.

no Brasil. No modelo multicausal. que propôs intervir nos locais de trabalho. já que uma única disciplina não dá conta de todos os aspectos implicados neste processo. principalmente nos Estados Unidos da América. sua absorção pelo organismo humano e seus efeitos. Estes princípios foram os alicerces da concepção da Saúde Ocupacional. que podem afastar os trabalhadores da função e demiti-los posteriormente ou não os contratarem. Atualmente. realizando exames médicos admissionais. periódicos e demissionais. por ocasião do exame admissional. Este modelo tem forte influência da Higiene Industrial. onde a relação saúdetrabalho já há algum tempo estava sendo estudada. Na maioria das vezes este procedimento serve para resguardar os interesses das empresas. Tiveram papel importante na discussão da Saúde Ocupacional as escolas de Saúde Pública. determinando os limites de tolerância à exposição a estes agentes. através de exames médicos periódicos. A Medicina do Trabalho atua ainda no interior das fábricas. o que levou muitos pesquisadores a concluírem que o processo saúde-doença é a síntese de múltiplas determinações (modelo multicausal). que relaciona o corpo do trabalhador com as condições físico-químicas presentes no ambiente de trabalho. Os trabalhadores têm pouca ou nenhuma participação no processo de controle e são sujeitos ao monitoramento biológico. são utilizadas as práticas dos dois modelos de saúde do trabalhador: o da Medicina do Trabalho e da Saúde Ocupacional. caso seja verificado que eles portem alguma alteração de saúde. A Saúde Ocupacional introduziu formas modernas de intervenção em saúde no trabalho ao indicar o controle dos riscos nos ambientes de trabalho através de ações técnicas. Todavia. ela abriu espaço para que este controle fosse prioritariamente feito pelo uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e pelo controle do tempo de exposição do trabalhador aos agentes ou fatores de risco. a fim de controlar os riscos ambientais. Já a Saúde Ocupacional é uma concepção utilizada por algumas grandes empresas .um fator de risco não explicava a ocorrência de determinadas doenças. que acabam denunciando seu estado de saúde. considerando as relações entre concentrações ambientais. aumenta a importância das equipes multiprofissionais para o estudo da relação trabalho-saúde. no seio dos Serviços de Engenharia e Medicina do Trabalho – SESMT e de empresas prestadores de serviços de Medicina do Trabalho.

houve também melhoria na qualidade de vida e do acesso aos serviços de saúde. sendo consagrada no artigo 200 da constituição federal. o salário enquanto forma de acesso ao mercado de consumo de bens e serviços. da Medicina Social e da Saúde Pública. durante as décadas de 60 e 70 do século passado. desencadeou o questionamento do modelo médico tradicional. sempre na perspectiva da apropriação destes métodos pela classe trabalhadora. o avanço da Medicina Preventiva. há um esforço para romper ou superar a lógica da exposição aos fatores de riscos presentes no ambiente de trabalho como as causas únicas do processo de adoecimento. Na área da Saúde Pública. em sua relação com o trabalho (MENDES & DIAS. de estabelecimento de uma prática e a consolidação de uma área que fosse abrangida pela questão da saúde no trabalho deram origem ao campo da Saúde do Trabalhador. incorporando a prática da Medicina do Trabalho (MENDES & DIAS. se constituindo como um dos temas importantes da Saúde Pública no Brasil. A Saúde do Trabalhador tem como objeto de estudo o processo saúde-doença dos grupos humanos. a cultura no interior das organizações que estabelecem a hierarquia e o poder de mando e o lugar de cada um nessa sociedade urbanoindustrial. nas quais são desconsideradas a subjetividade dos trabalhadores articulada com o processo produtivo. atualmente. Nos estudos desenvolvidos pela Saúde do Trabalhador.e entidades de pesquisa. que estabelece como uma das competências do Sistema Único de Saúde – SUS. as tentativas de construção de um objeto de estudo. as representações sociais. 1991). Assim. ampliando o debate sobre o processo saúde-trabalho. No bojo de lutas sociais que levaram à democratização política. Na América Latina. ainda pretende apresentar alternativas que possam romper o processo de adoecimento. executar ações de vigilância . A Saúde do Trabalhador tem sido discutida intensamente nos últimos 30 anos. o desafio que se apresenta neste campo é introduzir questões como: as crenças e idéias de mundo que unem o concreto ao imaterial. Além de objetivar a compreensão do “por que” e do “como” ocorrem as doenças e os acidentes do trabalho. 1991).

080 de 1990 que dispôs sobre as condições para a promoção. No artigo 5º. 1990). tecnológicos. ligadas diretamente ao Conselho Nacional de Saúde. esta competência foi regulamentada pela Lei 8. . organizacionais e os fatores de riscos ocupacionais presentes no processo de produção. A Saúde do Trabalhador é hoje uma importante área da Saúde Pública que tem como objetivo o estudo. parágrafo 3º. em que há a necessidade de. sendo responsáveis pela articulação das políticas e programas de interesse para a saúde. 2001). desta importante lei. a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes. A Saúde do Trabalhador é considerada uma atividade especial das Comissões Intersetoriais. cuja execução poderá envolver áreas não ligadas diretamente ao âmbito do SUS. conjugar saberes para uma abordagem mais profunda desta questão. bem como as de Saúde do Trabalhador (MINISTÉRIO DA SAÚDE.sanitária e epidemiológica. a Saúde do Trabalhador ficou definida como: “um conjunto de atividades que se destinam através de ações de vigilância sanitária e epidemiológica garantir a promoção e a proteção à saúde dos trabalhadores bem como a recuperação e reabilitação dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho” (MINISTÉRIO DA SAÚDE. Posteriormente. a promoção e a proteção à saúde dos trabalhadores. sejam sociais. Esta complexidade torna a área de estudo da Saúde do Trabalhador um campo interdisciplinar. Iniciativas de alguns órgãos governamentais indicam que as intervenções no processo saúde-trabalho-doença serão cada vez mais uma prioridade do governo que não pretende somente garantir os direitos universais de acesso à saúde e sim diminuir os custos sociais advindos do tratamento de acidentes e doenças bem como das aposentadorias e pensões precoces. proteção e recuperação da saúde. segundo Nunes (2002). A saúde dos trabalhadores só é compreendida quando são considerados todos os aspectos que condicionam as vidas destas pessoas.

14). faz-se necessário apreender a complexidade da natureza humana já que o homem não é composto somente de músculos. quando surgiu a primeira criatura que poderíamos identificar como um hominídeo. de progredir em suas bases científicas. A raça humana deu um significativo avanço em sua evolução. 2001. órgãos ou de seu corpo físico. podendo-se mesmo afirmar que a humanidade evoluiu por si mesma através do trabalho (MARX. teve início a pré-história: o homem conseguia refrear seus impulsos naturais imediatos a fim de garantir o suprimento futuro.Por outro lado. Esta foi a primeira forma rudimentar de planejamento. Esta relação do homem com o trabalho e seu grupo social foi o motor do aperfeiçoamento e especialização que lentamente moldou o corpo e a arquitetura cerebral de nossa espécie. . parece ter sido capaz de exercer alguma forma de previsão.2 O CARÁTER CENTRAL DO TRABALHO NA MEDIAÇÃO ENTRE CORPO-MENTE-PSIQUISMO. resistindo à tentação de partir a comida e comê-la onde estavam” (ROBERTS. tendões. a Saúde do Trabalhador precisa. construído cotidianamente ao longo de milênios da história de nossa espécie. segundo os antropólogos. 2003. os processos biológicos. machados de pedra e pontas de lanças que são os primeiros instrumentos de trabalho desenvolvidos pela inteligência humana. Para que se possa vislumbrar o processo de adoecimento no trabalho. 211). quando “o Australopithecus: embora de forma rudimentar e vaga. p. CULTURA E SOCIEDADE. 26). como pedras lascadas. A evolução da espécie humana já dura. p. 1982. ele também é constituído por seu componente cognitivo e psíquico. cerca de 12 milhões de anos. O trabalho é um processo que ocorre entre o homem e a natureza. 2. p. psicológicos e sociais de desgaste e o surgimento das doenças. Os estudos antropológicos demarcam este período pelos vestígios do uso pelo homem de ferramentas rudimentares criadas por ele. o Ramapithecus (LEAKEY & LEWIN. Neste momento. cada vez mais. para desvendar como ocorrem nos grupos de trabalhadores.

Nos 2 milhões de anos seguintes não parou mais de evoluir, até chegar ao início de nossa civilização, demarcada, segundo os historiadores, pelo desenvolvimento da linguagem. No entanto, a história só começa a ser contada, com a invenção da escrita, há cerca de 5.500 anos, através de pedras ou blocos de argila encontrados na Mesopotâmia. O fato é que a forma como nossa mente vê o mundo não surgiu de repente, como um flash de luz, quando em nossa primeira infância nos demos conta de que estávamos no mundo. A espécie humana desenvolveu sua consciência do mundo de forma vagarosa, laboriosamente, em um processo que durou um tempo infindável, até alcançar o estágio civilizado (JUNG, 1980, p. 23). O homem possui características psicossociais que foram moldadas ao longo de sua história, enquanto espécie, junto ao grupo onde foi criado, na sua relação com os outros e desenvolve seu sistema próprio de crenças e ideologias, formando o que os sociólogos denominam de cultura. O homem, quando em grupo, desenvolve um conjunto de características que torna este coletivo de pessoas diferente de qualquer outro. Constrói formas de comunicação através da linguagem e códigos de reconhecimento grupal, seja na forma de rituais próprios, arte, símbolos, crenças ou idéias. Este conjunto de produtos culturais é recheado de significados que garantem o equilíbrio entre a estrutura mental e comportamental do ser humano. Hosfstede (1980, apud TAMAYO, 2004, p. 19), define cultura como a “programação coletiva da mente que diferencia os membros de um grupo humano de outros”. Esta programação individual ou coletiva se faz através de condicionamentos que se auto-reforçam no interior do grupo, seja através de condutas previamente aprovadas ou reforçadas no interior da família. Entre estes condicionamentos estão os significados das coisas e onde entra o lugar de cada um no mundo social, fundamentalmente o do trabalho. A criança é condicionada a ter como objetivo de vida a ocupação de um posto de trabalho na estrutura produtiva da sociedade, desde sua participação no interior da família. O estímulo constante ocorre seja na forma lúdica de brincar com ferramentas de trabalho ou de uma profissão, ou com o reforço constante de seus pais, através de questionamentos ou afirmações, como: “O que você vai ser quando crescer?” “Se você não estudar não vai ser ninguém na vida!” Assim, o trabalho e a ocupação tomam importância central na vida das pessoas e delineiam seu futuro na sociedade (MENDES, 1989).

O trabalho ou a ocupação de cada um na sociedade tem importância relevante na formação psíquica de cada indivíduo, seja pelo reconhecimento do grupo mais próximo, pelo sucesso almejado com recebimento do salário, o poder sustentar-se a si e a família e o de sentir-se útil para a coletividade. Na determinação da classe social, a vida e a morte dos seres humanos guardam relação com a posição que estes ocupam dentro dos arranjos sociais das classes fundamentais: capitalistas e trabalhadores. Ou ainda segundo Karl Marx.

[...] o trabalho, como criador de valores-de-uso, como trabalho útil, é indispensável à existência do homem – quaisquer que sejam as formas de sociedade -, é necessidade natural e eterna de efetivar o intercâmbio material entre o homem e a natureza e, portanto, de manter a vida humana (Marx, 2003, p. 64).

Em função disso, dessa relação central na vida das pessoas, o trabalho influi sobre a vida e morte dos seres humanos (BERLINGUER, 1983 apud FACCHINI, 1993, p.46).

2.3

A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E SAÚDE DO TRABALHADOR

O trabalho por si só não seria a fonte de mal-estar e adoecimento do homem, mas sim a forma como ele é organizado e condiciona o homem na sua execução (COHN & MARSIGLIA, 1994). Segundo a visão marxista, o trabalhador, quando vende sua força de trabalho, tem que se submeter ao controle do capitalista, a quem pertence seu trabalho (MARX, 2003, p. 219); assim, é durante a execução das atividades que a força da gerência capitalista fará este potencial transmutar a matéria prima em produto4, de acordo com a base técnica e das relações sociais que pode lançar mão. Segundo Braverman (1987), o princípio norteador da produção capitalista é a divisão do trabalho. Diferente da divisão das tarefas nas sociedades anteriores, onde basicamente a divisão do trabalho estava vinculada aos papéis do sexo ou da hierarquia do grupo, na sociedade capitalista é vinculada à fragmentação da tarefa

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Trabalho vivo, segundo Marx, apodera-se das coisas da natureza para transformá-las de valores de uso possíveis em valores de uso reais e efetivos (MARX, 2003, p. 217)

em componentes simples a fim de aumentar a produção e diminuir o custo dos salários. As bases teóricas desta forma de organizar o trabalho foram estudadas e teorizadas pelo engenheiro americano Frederick Winslow Taylor (1856-1915), cujos princípios ele divulgou com a publicação em 1911 de seu famoso livro Princípios de Administração Científica. O modelo de gestão da produção criado por Taylor estabelece a expropriação do saber operário (a concepção do como fazer é atributo da gerência e a execução ao trabalhador), a fragmentação do trabalho em etapas simples, cabendo ao trabalhador executá-la o mais rapidamente possível sem a necessidade de pensar; esse relativo ganho de produtividade é recompensado com um salário extra. Era o início do processo de organização do trabalho moderno, ou de exploração da força de trabalho em larga escala, que proporcionou um grande desenvolvimento da humanidade e da acumulação de riquezas. Todavia, o custo humano deste desenvolvimento foi feito também com sofrimento da classe trabalhadora e uma grande incidência de acidentes e de adoecimento, pois esta forma de organização do trabalho, além de alterar as condições ambientais encontradas na natureza, insere um ritmo imposto externamente e a repetitividade da tarefa, retirando do trabalhador o planejamento da execução que passa a ser realizado pela gerência. A gerência significa, de fato, o controle das formas de trabalhar, ainda incluíndo todo o processo produtivo, o que fazer e o como fazer, a da apropriação mais adequada do trabalho alienado – isto é, a força de trabalho comprada e vendida (BRAVERMAN, 1987, p. 86). O controle retirado do trabalhador e a fragmentação do trabalho tornam o produto coletivo, a mercadoria, como algo alheio e estranho ao produtor. Este estranhamento causa a desrealização do ser social, atingindo sua subjetividade (ANTUNES, 1998, p. 124). Os modelos de organização do trabalho com o objetivo de fazer o trabalhador ser mais produtivo vêm sendo desenvolvidos por vários teóricos e se transformado ao longo do tempo. Entre estes foi desenvolvido por Henri Ford em 1913, o sistema de produção em grande escala de produtos padronizados, baseado na esteira rolante, destinados ao mercado de massa (MONTEIRO&GOMES, 1998). Esta forma de produção, Fordismo, trouxe sérios impactos sobre a saúde dos trabalhadores,

A organização do trabalho faz desaparecer a atividade intelectual do operário no seu trabalho o que. 42). acidentes e absenteísmo. rotatividade de tarefas. que se baseia na formação de equipes de trabalhadores que executam cooperativamente as tarefas designadas. p. p. Segundo Dejours. causa um desastre na estrutura físico. sempre mínimos no toyotismo e os Círculos de Controle de Qualidade (CCQs). após a desapropriação do know-how e desmantelada a livre organização do trabalho da classe operária. certa autonomia. o modelo de controle da produção desenvolvido pelos japoneses tem sido copiado pelo ocidente. Em 1940 surge na Inglaterra uma nova idéia de controle denominada de corrente sócio-técnica. o sistema kanban. Este modelo embute também a terceirização e a flexibilização econômica das relações de trabalho e cria o sindicalismo de empresas. com vistas a melhorar a produtividade (ANTUNES. ocasionando o desequilíbrio entre as partes e favorecendo o aparecimento de doenças psicossomáticas. maior valorização do trabalho em grupo do que o individual e a inserção de novas formas de gerência como o just-in-time. O grupo tem assim. que busca uma gerência industrial mais eficiente em uma organização mais flexível baseada no fim da divisão do trabalho pela prescrição das tarefas e do relacionamento autoritário. 54).resultando em cansaço. p. 54). Por esta forma de organizar a produção. doenças fisiológicas ou psicossomáticas. enfraquecendo a representação política dos de atingir as metas de produção (FLEURY. o trabalhador perdeu sua capacidade de controlar a economia do corpo e manter sua saúde. 1987. que objetiva o melhor aproveitamento possível do tempo de produção. mental e psíquica do trabalhador. constituídos por grupos de trabalhadores que são instigados pelo capital a discutir seu trabalho e desempenho. treinados e condicionados pela organização do trabalho (DEJOURS. não resta mais nada. com o compromisso produção. podendo haver alternância de funções entre os membros. que através de placas e senhas de comando controla a reposição de peças e estoque. 1992. apud MONTEIRO&GOMES. Este modelo denominado de Toyotismo pressupõe a polivalência. Nas últimas décadas. segundo Dejours. em especial as inovações organizacionais desenvolvidas por Ohno Toyota. 2003. somente os corpos adestrados. São os denominados teamwork ou células de .

trabalhadores. O trabalho é realizado agora para satisfazer as necessidades de produção estabelecida pelo grupo ao qual o trabalhador está inserido. A terceirização tem sido responsável pela precarização das relações de trabalho, já que é uma estratégia para a redução de custos. Este modelo favorece o desaparecimento das empresas com muitos trabalhadores empregados que são pulverizados em centenas de milhares de empresas pequenas. As pequenas empresas vivem para prestar serviços para as empresas líderes ou montadoras, sendo obrigadas a reduzir o custo da produção através do aumento da produção, com o conseqüente aumento da densidade do trabalho. Nestes novos tempos de globalização do trabalho e da produção, os capitalistas têm utilizado o que é denominado de reengenharia, como forma de reestruturar os processos empresariais, para o realinhamento dos custos operacionais e o enfrentamento da concorrência de produtos vindos do Japão e dos países denominados de tigres asiáticos, com a China surgindo mais recentemente. Apesar de pequenas diferenças o objetivo é sempre fazer a habituação do trabalhador de forma a aumentar a produção. Seja sob qual denominação que se encontre o modelo de gestão da produção, em sua essência, encontraremos lá os fundamentos do taylorismo e do fordismo, que sobrevivem ainda no seio das empresas, como forma de apropriação da capacidade dos trabalhadores produzirem a riqueza.

2.4

AVALIAÇÃO DAS CONDIÇOES DE TRABALHO COM A SAÚDE: RISCOS, CARGAS DE TRABALHO E DESGASTE.

O marco teórico para a compreensão da relação saúde-trabalho tem sido bastante desenvolvido nos últimos 35 anos, tomando-se como base a análise das cargas presentes no ambiente de trabalho como um todo complexo, cuja interação entre as partes se dá de forma processual, imprimindo-lhe uma qualidade específica (ASMUS&FERREIRA, 2004, p. 393). Estas cargas de trabalho se constituem em fatores de riscos que podem provocar acidentes e adoecimento, pois são elas

responsáveis por desgastar o corpo, a mente e as capacidades vitais dos trabalhadores (FACCHINI, 1993, LAURELL&NORIEGA, 1989). Sem o objetivo de levantar historicamente em detalhes ou de revisar criticamente os diferentes métodos empíricos de estudo dos fatores ou circunstâncias de riscos nos ambiente de trabalho, abordamos a seguir alguns modelos conceituais utilizados por vários autores e pela legislação brasileira. Inicialmente, no inicio dos anos 70, as causas dos acidentes e doenças foram definidas pela Engenharia de Segurança do Trabalho, através de conceitos que sobrevivem até hoje na NR-1 – Disposições gerais. São elas: a) “condições inseguras”, representadas por falhas em equipamentos, ferramentas defeituosas, arranjo físico deficiente, treinamentos inadequados ou inexistentes e a presença de agentes químicos, físicos ou biológicos no ambiente de trabalho5, com o potencial de provocar lesões ou enfermidades; b) “atos inseguros”, cometidos pelos trabalhadores ao burlarem as normas de segurança (TRIVELATO, 1998). Posteriormente, a Medicina do Trabalho se apropriou da categoria “risco” a fim de identificar os elementos nocivos presentes no ambiente de trabalho que podem, por suas características, causar danos à saúde dos trabalhadores, mas de uma forma isolada no esquema monocausal (LAURELL&NORIEGA, 1989, p. 109) A Higiene do Trabalho, que também utiliza o conceito de risco, desenvolveu a técnica de avaliação de risco e dos níveis seguros de exposição. O modelo de avaliação tem como etapas: a) Identificação do perigo; b) Avaliação de doseresposta; c) Avaliação da Exposição e d) Caracterização do risco. A higiene industrial estabeleceu os Limites de Tolerância (LT) de concentrações e do tempo de exposição do trabalhador aos agentes ambientais e reconheceu o papel sinérgico destes agentes entre si, levando em consideração as características genéticas dos indivíduos e com a forma em que o trabalho é realizado. Apesar deste avanço, sua abordagem ainda é a de causa e efeito num viés monocausal.

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Ambiente de Trabalho é definido, de acordo com Oddone (1986), como o conjunto de todas as condições de vida no local de Trabalho, abrangendo: características do local: dimensões, iluminamento, aeração, rumoriosidade, presença de poeira, gases ou vapores, fumaça, etc, além de elementos da atividade (tipo de trabalho, posição do operário, ritmo, ocupação do tempo, horário de trabalho, turnos, alienação, valorização intelectual e profissional).

A área da saúde, através da epidemiologia, introduziu o conceito de risco, agora sob a teoria do modelo multicausal, defendendo a necessidade da presença simultânea de vários fatores de risco para que se possa explicar a produção do adoecimento de uma determinada população. Segundo Trivellato (1988), o risco representa a possibilidade de um efeito adverso ou dano ou a incerteza da ocorrência, distribuição no tempo ou magnitude de resultado adverso. A epidemiologia introduziu também o conceito de “fator de risco” como sendo todas as variáveis presentes no ambiente de trabalho com o potencial de ao interagir com o corpo do trabalhador, causar um dano à saúde. Os fatores de risco, por suas características e especificidades, podem ser classificados de várias formas, havendo algumas variações de um modelo para outro. No Brasil, utiliza-se uma classificação que surgiu da NR-9 (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA) e posteriormente foi inserida na NR-5 (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA), que estabelece a obrigatoriedade dos componentes desta comissão fazerem o mapeamento dos riscos em todos os ambientes de trabalho da empresa, avaliando seu potencial de causar danos, na seguinte graduação: pequeno, médio ou grande. Este mapa de risco deve ser fixado de forma visível nos locais de trabalho e discutido com todos os trabalhadores a fim de que eles participem da gestão da segurança e saúde no trabalho. Por esta norma, os fatores de risco são classificados em: Riscos Ambientais (físicos, químicos e biológicos), Riscos de Acidentes e Riscos Ergonômicos. Sua definição pode ser mais bem compreendida de acordo com a exposição abaixo: Riscos físicos: São as diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, bem como o infra-som e o ultra-som. Riscos Químicos: São as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão.

pressões excessivas da organização da produção. Por esta definição a ergonomia pretende estudar o trabalho como um todo a fim de estabelecer uma intervenção que possa melhorar a situação de trabalho. presença de animais peçonhentos. O termo ergonômico é utilizado de forma inadequada. que podem levar o trabalhador à infecção ou ao parasitismo. fungos. esmagamento. enfim. item 17. máquinas sem proteção. manutenção inadequada de equipamentos. que foi formulado por trabalhadores e profissionais em Turim.391 e CÂMARA. protozoários. Inicialmente. já que a ergonomia por sua definição é um campo muito vasto e de caráter interdisciplinar.Riscos Biológicos: São os microorganismos. chamado de Modelo Operário Italiano. fraturas. Este modelo foi o sustentáculo . posteriormente. a utilização deste conceito pela NR-5 e por vários autores (ASMUS&FERREIRA. daí a mudança de denominação.1 (ATLAS. trabalho com equipamentos energizados.17. foi mudado para risco de acidentes. a falta de sinalização. uso excessivo dos músculos e tendões. Riscos de Acidentes: São todas as situações ou condições inadequadas no ambiente de trabalho que podem ser causa de acidentes com lesões nos trabalhadores como: piso de trabalho escorregadio. Desta forma. ou que trazem constrangimento (contrainte) ao psiquismo do trabalhador. como: as bactérias. insegurança e baixo desempenho. parasitas. a desvalorização intelectual. nos anos 60. Segundo a Norma Regulamentadora 17. O mapa de riscos foi trazido para nossa legislação a partir da experiência dos sindicatos italianos. entre outros. picadas de animais peçonhentos. bacilos. 2005).475) o restringe somente à natureza anatômica. porque o termo mecânico parece estar mais relacionado a acidentes com lesões no corpo que provoquem corte. entre outros e se torna pouco representativo para situações de risco com eletricidade. 2003. inclusive os riscos ambientais e de acidentes. fisiológica e psíquica do homem. os aspectos que os ergonomistas denominam de relação homem-máquina. queimaduras. vírus. 2004. e abarca em sua abordagem. p. foi classificado como risco mecânico e. uso inadequado de ferramentas. p. Riscos Ergonômicos: São os fatores de risco que podem trazer: desconforto anatômico e fisiológico. entre outros. a ergonomia procura adaptar todas as condições de trabalho que podem entrar em conflito com as características psicobiológicas do homem causando-lhe desconforto.

Todavia. 3º Grupo: Está relacionado ao trabalho físico do corpo do trabalhador. que o grupo de trabalhadores expostos de forma homogênea às mesmas condições de trabalho e com laços de união entre si valide os conhecimentos operários sobre os fatores de riscos consensualmente. O Modelo Operário Italiano estabelece em suas bases que os trabalhadores não podem delegar aos técnicos a definição dos padrões sanitários do ambiente de trabalho. como: poeiras. vibração. gases. a valorização da experiência ou subjetividade operária. que os classifica como: . névoas. ventilação. tornando-se assim um modelo de construção do conhecimento operário sobre as condições de trabalho. posições incômodas.21-24): 1º Grupo: São os fatores que existem na natureza e que são alterados no ambiente de trabalho. 2º Grupo: São constituídos por fatores que surgem pelo consumo das matérias primas no processo de produção. principalmente pelo recorte da gestão de riscos. em que o consumo de calorias e seus possíveis efeitos nocivos se relacionam com a fadiga. Hoje. 1986. p. utilizam algumas variações em suas denominações e classificação como o utilizado por Trivellato (1998). umidade e radiações. trabalho em turnos e noturno. repetitividade. como: ritmos excessivos. monotonia. A experiência brasileira com os mapas de riscos não foi positiva. seus conceitos principais continuam sendo utilizados na confecção dos Programas de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e nos estudos dos ambientes de trabalho. ruído. responsabilidade.da luta dos trabalhadores por melhores condições de saúde e tem 4 conceitos principais: o grupo homogêneo. a não-delegação e a validação consensual. Por este modelo os riscos são classificados em 4 grupos. como: luz. perdeu sua importância devido ao desvirtuamento de sua confecção e utilização pelos trabalhadores como forma de gestão do meio ambiente de trabalho. vapores e fumaças. segundo suas características (ODDONE. 4º Grupo: Os fatores classificados neste grupo estão relacionados à forma como é organizada a produção. Outros autores que estudam os fatores de riscos. temperatura.

propondo outra categoria de análise denominada “carga de trabalho”. as cargas fisiológicas e psíquicas somente têm materialidade interna e são expressas pelo trabalhador. Neste modelo.Químicos: substância química. por outro lado. 110). independentemente do trabalhador.Físicos: radiação. 1989. vírus. em seu estudo clássico sobre as condições de trabalho na principal siderúrgica mexicana. Como exemplo. etc. biológicas e mecânicas têm materialidade externa ao corpo e podem ser avaliadas quantitativamente. adquirirão uma materialidade interna pelas transformações que causam nos processos intracorporais mais complexos.a) Ambientais: . as cargas de trabalho de acordo com suas especificidades são classificadas como: físicas. etc. o processo de desgaste. b) Situacional ou de acidentes: situações inadequadas relacionadas às instalações. Esta categoria de análise busca compreender o processo de trabalho e os fatores que interatuam dinamicamente entre si e no corpo do trabalhador. assim. como a sudorese e alterações hormonais. Segundo Laurell e Noriega (1989). pág. químicas. névoas. equipamentos. ruído. poeiras. c) Humano ou comportamental: decorrentes da ação ou omissão. químicas. constituindo mudanças que podem ser .Biológicos: microorganismos como fungos. sendo responsáveis pela adaptação do corpo do trabalhador a estas condições. que pode ser verificado com a perda da capacidade potencial e efetiva corporal e psíquica do trabalhador (LAURELL&NORIEGA. que manifestará queixas ou patologias. também. bactérias. vibração. fumos metálicos. ao interatuarem sobre o corpo do trabalhador. o calor presente no ambiente de trabalho se expressa através dos mecanismos de termo-regulação. As cargas externas. ferramentas. criticam estes modelos de identificação de risco por considerar que todos reduzem o risco ao ser caráter ambiental externo e analisam os fatores de forma isolada. Baseados na concepção da determinação social do processo saúde-doença desenvolvido por Laurell e Noriega (1989). materiais e operações a serem realizadas. fisiológicas e psíquicas. as cargas físicas. gases. . biológicas. . gerando. Consideram o conceito de risco limitado e insuficiente para a caracterização do desgaste do trabalhador. mecânicas.

calor. umidade. etc. 1989. fumaças. bactérias e fungos. alto ritmo de produção. consciência da periculosidade dos trabalhos.). feridas. como o trabalho em altura. separação entre a concepção e execução. líquidos. segundo Laurell e Noriega. fumos metálicos. alternância de turnos de trabalho e os ritmos excessivos são exemplos. radiações e vibrações. etc.temporárias ou não. f) Cargas Psíquicas: relacionadas com manifestações somáticas. Subcarga psíquica: perda de controle do trabalho pela subordinação à máquina. e) Cargas fisiológicas: relacionadas ao dispêndio de energia e desgaste no interior do corpo humano: esforço físico pesado. fraturas. pressão atmosférica. As cargas de trabalho podem ser identificadas e classificadas como: a) Cargas físicas: ruído. p. só têm existência na relação dos homens com os outros homens e com as coisas. p. . a dependendo do tempo de exposição dos trabalhadores a estas condições. posição incomoda. se expressando na fisiologia com mudanças nos corticosteróides (LAURELL&NORIEGA.112). desqualificação do trabalho. b) Cargas químicas: poeira. fibras. supervisão com pressão. d) Cargas mecânicas: condições do ambiente de trabalho responsáveis pelos acidentes que causam lesões instantâneas no corpo do trabalhador (contusões. Resumindo este conceito ou categoria de análise. As cargas psíquicas. adquirindo materialidade nos processo psíquicos e corporais. as escadas sem proteção. Por exemplo. vapores. fragmentação do trabalho que resulta em monotonia e repetitividade. os pisos escorregadios. Facchini (1993. a monotonia e a repetitividade podem causar a hipotrofia do pensamento e da criatividade humana. sendo divididas em dois subgrupos: Sobrecarga psíquica: atenção permanente.39) define estas cargas de trabalho como as demandas ou exigências psicobiológicas do processo de trabalho. etc. c) Cargas biológicas: presença de microorganismos: vírus. gerando ao longo do tempo as particularidades de desgaste do trabalhador. etc. o trabalho com substâncias perigosas.

em primeiro lugar por questões epistemológicas e. acrescenta. pela incapacidade deste modelo conseguir substituir o conceito de risco como ferramenta conceitual para expressar o caráter coletivo do processo saúde-enfermidade. em segundo lugar. que não corresponde à sua simples somatória. podem haver situações de atenuação. Nesta análise. o modelo teórico da determinação social da doença reduz a complexidade social a uma única dimensão. isto é. potencializando seus efeitos. Facchini. Por outro lado. um trabalhador realizando um trabalho pesado. 1993. aponta que não há uma hierarquia entre as diferentes cargas. irá ter um desgaste derivado de cada um deles. p. entre os elementos do processo de trabalho. in BUSCHINELLI. ao processo de trabalho. é possível identificar um perfil de cargas de trabalho que conformam um determinado padrão de desgaste operário (FACCHINI. in BUSCHINELLI. Por exemplo. p. Outra questão que podemos levantar é o conceito de materialidade externa e interna que não traz benefício ao entendimento sobre a exposição do trabalhador às cargas .A associação do desgaste com a reprodução determina a constituição de formas históricas biopsíquicas que são características e que determinarão o aparecimento de uma série de enfermidades particulares. tendo significado e valorização do trabalho. 180). proposto por Laurell e Noriega. No entanto. mas valores maiores. Almeida Filho (2004) critica o modelo de determinação social do processo saúdedoença tendo o trabalho como causa central. 1993. decorrentes do que se denomina de sinergismo. que são compensadas pelo fato da atividade permitir a tomada de decisões. denominada por Laurell (1989) como o perfil patológico de um grupo social. as cargas de trabalho só podem ser entendidas como articuladas no processo de trabalho e que interagem com as demais cargas. mas sim. e por isso não se tornam amortecedores das cargas psíquicas somatizantes. em um local mal ventilado e em uma posição incômoda. 182) Como as cargas de trabalho interagem de forma bastante complexa para cada ramo produtivo e para cada processo de trabalho. como no exemplo onde o trabalhador mantém alto ritmo de produção e situações de desconforto. Em terceiro lugar. sendo que são a organização e a divisão do trabalho no interior das empresas que ocupam a hierarquia superior em termos de controle e consumo da força de trabalho (FACHINI.

entre outros). mas de escravização. há um retorno de atividades de planejamento para o domínio dos trabalhadores ou. concepção próxima da execução. retiram do trabalhador o planejamento do trabalho. como o gasto calórico. a partir da revolução industrial no século XIX e das modernas técnicas de administração da produção (Taylorismo. só são analisadas pelo aspecto do esforço do trabalhador em realizar o trabalho. em particular nas indústrias de alta tecnologia. no qual a máquina aparece como a encarnação da ciência e o trabalhador como pouco ou nada (BRAVERMAN. Apesar destas críticas. a ausência de pausas. que em sua maioria também têm materialidade externa e podem ser analisados pelos técnicos ou pelos trabalhadores. robotizando seus movimentos e sua criatividade. não do domínio. a própria organização da produção. 1987. Primeiro. por que as cargas externas só têm relevância no momento da interatuação com o corpo do trabalhador. e não do alargamento do horizonte do trabalho. em segundo lugar. em especial as fisiológicas. as cargas internas. ou pela postura incômoda necessária para a realização da atividade e não analisa. que [. nas indústrias de produção em massa. pelo atrito entre os tecidos musculares e os tendões. por exemplo. os trabalhadores perdem o controle sobre o trabalho com o desenvolvimento da maquinaria.. O fato é que. rotatividade de funções. mas de desamparo.. o trabalhador exposto e sua vida em um mundo social que está sempre reforçando sua condição de ser produtivo. p. Toyotismo. antes de se materializarem em desgaste no corpo. causando até mesmo certa confusão. a aproximação entre as funções de pensar e de executar. antes. Alguns estudos têm demonstrado que no momento atual. a questão dos mobiliários inadequados que não dispõem de regulagens ergonômicas que permitam uma postura mais adequada. o modelo da determinação social trouxe algo de novo que é enxergar além das cargas de trabalho e não somente por elas.de trabalho. dada às transformações no mundo do trabalho. 169) . Fordismo. problemas que têm repercutido na saúde dos trabalhadores como causa da maioria das doenças crônico-degenerativas. As mudanças na forma de organizar o trabalho. mas do confinamento do trabalhador dentro de um círculo espesso de deveres servis.]desta maneira vem a ser não uma fonte de liberdade.

ao longo das últimas quatro décadas. a hipótese deste estudo de que as relações de trabalho e as formas de organização de trabalho encontradas nas indústrias do setor de vestuário de Colatina determinam um conjunto de cargas de trabalho que repercutirão em desgaste. principalmente para algumas categorias de trabalhadores. a qual consolidou.Atualmente. . além de todos os fatores de riscos já citados. como: o 13o salário. da sua gestão e as relações de emprego que se deterioram à medida que passam a serem entendidas como a possibilidade de se contratar trabalhadores sem os ônus advindos da legislação do trabalho. Como parte das cargas psíquicas do dia-a-dia dos trabalhadores está o fantasma do desemprego. 2003). expresso pelas freqüências elevadas de distúrbios à saúde dos trabalhadores. assim. Daí se estabelece que as relações e o processo de trabalho são os fatores mais importantes na determinação social das doenças. Entre estas práticas está a flexibilização da produção. Configura-se. é importante considerar que o capitalismo tem ganhado força e ampliado suas formas de apropriação das riquezas produzidas pelo mundo do trabalho. entre outros (ASSUNÇÃO. férias. direitos e garantias mínimas. FGTS.

3 METODOLOGIA Segundo Rigoto (1993. Os estudos transversais. hábitos de vida. existem várias formas de se obter a morbidade de uma população. a morbidade objetiva pretende ser uma medida de prevalência real dos fenômenos mórbidos em uma população. 1993). em função das normas estabelecidas pelo estado dos conhecimentos médicos. por fim. as entrevistas coletivas e o estudo dos locais de trabalho. pois se pretende apreender a totalidade das interações do homem com o ambiente de trabalho que participam do processo saúde-doença. 81) .159). o objeto de estudo da saúde do trabalhador é complexo e multifacetário. que estão ocorrendo no corpo do trabalhador ou do grupo de trabalhadores. meio ambiente. O estudo e a pesquisa sobre as relações entre o perfil de saúde e de riscos e as alterações de saúde verificadas. 1982. denominados também na década de 1970 como inquéritos de saúde.. (GOMES&TANAKA. p. O resultado quantitativo que se quer alcançar nestes estudos é uma estimativa da medida de prevalência de alterações à saúde. de demanda em face do sistema de saúde.. comportamento na vida diária. a investigação da relação entre a saúde e o trabalho compõese de três elementos: Levantamento e análise do perfil de saúde e dos riscos a que esteja exposto o trabalhador ou o grupo de trabalhadores. são utilizados largamente em todo o mundo e têm reconhecido poder de revelar o estado de saúde e doença da população (CAMPOS. antes de tudo. o reflexo do funcionamento do sistema de cuidados médicos. ao nível da: produção. portanto. a morbidade comportamental reflete as implicações sócio-econômicas dos problemas de saúde bem como as atitudes e reações em face desses problemas. De acordo com Gomes e Tanaka (1982). consumo.) a morbidade sentida permite principalmente abordar a noção de necessidade e. p. (. Detecção e avaliação das alterações de saúde precoces ou manifestas. a morbidade diagnosticada é. Segundo esta autora. Estas informações são colhidas através dos seguintes instrumentos: a entrevista com o trabalhador.

individualmente ou de forma sinérgica. investimento em tecnologia de ponta com a aquisição de máquinas modernas. Colatina consolidou seu pólo de indústria do vestuário a partir de 1990. 3. a prevalência de morbidade referida tem sido confirmada como um indicador altamente confiável das condições de saúde populacional e com alta capacidade de revelar desigualdades entre grupos. com produção de poucas peças que se destinavam ao mercado local. desencadear o processo de adoecimento. da associação entre eles e das demandas da atividade exercida pelo conjunto de operários que atuam em um determinado setor produtivo. podendo-se inclusive consultar os prontuários médicos das Unidades Básicas de Saúde. que intermediavam a venda. pode-se determinar o perfil de saúde dessa população de trabalhadores. as queixas de saúde. Segundo o sócio proprietário e fundador de uma das indústrias de confecções pioneiras no município. serão indicadores da morbidade. a mente e o psiquismo dos trabalhadores que podem.Para estes autores.1 A INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA. A detecção precoce dos sinais que possam caracterizar ou indicar a instalação das patologias é importante para a avaliação da eficácia dos controles dos agentes agressivos implantados pelas empresas e se os limites de tolerância adotados são compatíveis com a variabilidade das suscetibilidades dos trabalhadores. ocasião em que houve grande incremento do número de indústrias. Nos ambientes de trabalho são encontrados inúmeros fatores que entram em contato com o corpo. que o grupo de trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES sentiram nos últimos 15 dias anteriores à coleta de dados. Inicialmente como fábricas familiares que utilizavam poucos trabalhadores. melhoria das áreas físicas das empresas com a reforma e ampliação das instalações e a construção de novas e . A indústria do vestuário surgiu no município de Colatina entre as décadas de 60 e 70 do século XX. No caso deste estudo. possuíam acabamento quase artesanal e eram vendidas de porta-em-porta pelas denominadas “sacoleiras”. dos agentes de risco a que são expostos. Através da identificação das queixas de saúde.

o que explica.11-1.9).Confecções de roupas profissionais 18. sendo 1.Fabricação de acessórios do vestuário 18.1 . ou seja. em parte. demonstra uma grande concentração nas empresas com até 4 empregados. o avanço da produção em milhares de peças por dia e a conquista do mercado nacional e internacional. da seguinte forma: 18 . Este estudo abarcou apenas as empresas classificadas no CNAE 18. 18.13.662 empresas no Estado do Espírito Santo ocupando 16. visando garantir uma maior homogeneidade dos processos de trabalho estudados.Confecções de Artigos do Vestuário e Acessórios 18.gov.12-0 .modernas fábricas.ibge.21-0 .Fabricação de acessórios para segurança industrial e pessoal.22-8 . veja Tabela 1. . aliado ao incremento na capacitação da mão-de-obra pelas empresas. htpp://www. A indústria do vestuário é identificada pela Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE. em boa parte financiada pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo .asp. em 2003.145 trabalhadores.062 empresas do ramo de vestuário ocupando 563.Confecção de peças interiores do vestuário 18. As empresas também desenvolveram técnicas próprias e criaram moda.Confecção de artigos do vestuário e acessórios 18.sidra. existiam 75. as empresas de confecção de artigos do vestuário e acessórios.12-0. No Brasil.BANDES e por instituições como o SEBRAE.13-9 . O perfil destas empresas.11-1 .br/bda/tabela/protabl. fato que ocorre no setor devido a terceirização e para que estas empresas não percam os incentivos fiscais. por faixa de pessoal ocupado total.Fabricação de acessórios do vestuário e de segurança profissional 18. e 18.Confecção de outras peças do vestuário 18.223 trabalhadores (IBGE. acessado em 02/12/2005).1 (18.2 .

TABELA 2: Nº DE EMPRESAS E EMPREGADOS POR CNAE . Dados mais recentes sobre o universo de empresas deste setor existentes no município de Colatina no ano de 2004 foram obtidos no cadastrado na Relação Anual de Informações Sociais . NO BRASIL E NO ESPÍRITO SANTO.010 39 416 19 76 4 54. Faixas de pessoal empregado Região 0-4 Brasil ES 5 – 9 10 – 19 20 – 29 30 – 49 50 – 99 100 . Constando neste cadastro em 31 de dezembro de 2004.2004 CNAE 1811-2 1812-0 1813-9 1821-0 TOTAL Fonte: RAIS/MTE Nº EMPRESAS 19 160 4 1 184 Nº TRABALHADORES 265 4037 38 2 4342 .798 6. 2004.723 54 1.638 8. do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE.249 250 – 499 2.342 trabalhadores contratados pelo regime da Consolidação das Leis Trabalhistas .076 1.TABELA 1: NÚMERO DE EMPRESAS DO SETOR DO VESTUÁRIO. conforme a tabela 2.RAIS.CLT.110 201 154 Fonte: IBGE/2005.278 81 1. no CNAE de nosso estudo 184 empresas que informaram a existência de 4. POR FAIXAS DE PESSOAL EMPREGADO.

radiações. 4Organização do Trabalho onde se verifica como ocorre a divisão das tarefas (concepção e execução). Portanto. ferramentas. etc. considerando-se o fato do objeto de estudo ser o conjunto dos trabalhadores do setor do vestuário e não uma empresa específica. a jornada de trabalho (turnos. ventilação. recomenda que as informações necessárias a serem obtidas devam abarcar os seguintes aspectos: 1.Instalações da empresa: onde o espaço físico do local de trabalho é analisado no aspecto de divisão espacial (layout). iluminação. tempo para pausas. produtividade. importância econômica na região em que estão instaladas e o número de trabalhadores contratados direta e indiretamente. 7.Relação com o meio ambiente: como se dá a disposição de todos os resíduos sólidos e líquidos do processo de produção e qual é sua influência no ecossistema do entorno da fábrica. bebedouros. os meios de produção (máquinas. horasextras. incluída aí uma análise da gestão destes fatores de risco.Aspectos históricos sobre como as empresas surgiram e o contexto sócio-econômico e como se organizam as representações de classe dos trabalhadores.2 ESTUDO DAS CARGAS DE TRABALHO NAS INDÚSTRIAS DO VESTUÁRIO DE COLATINA. autonomia).). equipamentos. etc.Identificação das empresas do ramo de atividade.Descrição das condições ambientais de trabalho: onde se estuda se no meio ambiente de trabalho existem elementos que possam ser agentes nocivos para os trabalhadores como os aerodispersóides (poeiras.3. áreas de lazer. 6. o mobiliário. 3. fumos metálicos.162). 5. Para realizar estudos sobre o processo de trabalho Rigotto (1993. os mecanismos de controle da produção (ritmos. tornou-se necessário conhecer os principais fatores de risco encontrados neste tipo de indústria que poderiam constituir cargas de trabalho para estes trabalhadores. conforto e higiene (banheiros. a presença de energias como o ruído. gases e vapores). a presença de microorganismos que possam ser fonte de contaminação e as situações que podem provocar acidentes. rodízios de funções). p. matérias-primas utilizadas.) e o fluxograma da produção.O processo de produção onde se verificará o volume da produção. aspectos de estabilidade no emprego. Para os propósitos deste estudo foram utilizadas as recomendações de Rigotto. vestiários. refeitórios. 2. . vibração. salário e a relação com os sindicatos das categorias.

ocorreram no período de 15 de janeiro a 15 de fevereiro de 2006. que utiliza a categoria carga de trabalho. rotatividade e quando aparecem os primeiros sinais de adoecimento e desgaste nos trabalhadores. as observações . que possui maior número de atividades e de situações de risco podendo ser. aplicados nas situações que ocorrem na fabricação de camisas de malha ou de roupas íntimas. entre outros tipos de peças de roupa. principais mercados consumidores e o desenvolvimento da mão-deobra. Durante este trabalho foram realizadas também entrevistas informais com diretores e pessoas ligadas a este ramo industrial que participaram do seu desenvolvimento no município de Colatina. como capacitaram a mão-de-obra. Neste levantamento. com o propósito de se obter informações sobre os seguintes fatos: como surgiram as primeiras indústrias no município. por similaridade. com este objetivo. época de consolidação do pólo industrial. suas características principais. mas um levantamento qualitativo preliminar. As visitas de campo. Não foram realizadas avaliações quantitativas dos fatores de riscos e nem de sua capacidade de causar danos aos trabalhadores. os fatores de risco foram agrupados de acordo com a concepção do modelo da determinação social da doença de Laurell e Noriega. Este recorte do complexo ambiente de trabalho do setor abrange somente a estrutura técnica da produção da calça jeans. Foram entrevistados também encarregados de produção sobre: aonde aprenderam a gerenciar a produção. O estudo das cargas de trabalho não é um levantamento exaustivo para cada função existente no processo produtivo da indústria do vestuário. Foram realizados por setor. cujo objetivo foi identificar a presença de fatores de riscos que podem representar fontes de desgaste dos operários e contribuir para a formação do perfil de adoecimento. Este trabalho foi realizado em quatro empresas do município de forma a observar todas as etapas de fabricação de duas empresas que costuram jeans e que dominam todo o processo de fabricação das calças e duas que fazem facção e costura roupas de menor qualidade.Para realizar esta etapa do estudo foi necessário realizar visitas aos locais de trabalho para observar in loco as formas de organização da produção e registrar em documento de campo (Anexo D) quais os principais fatores de risco à saúde dos trabalhadores que estão presentes no processo de trabalho da indústria do vestuário em Colatina.

em uma determinada população e em um dado momento (COSTA&KALE.125). 2004.3 LEVANTAMENTO DE CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA. O levantamento das condições de trabalho e saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina foi realizado através de um estudo com delineamento seccional ou transversal. O delineamento transversal é o método de escolha para estudos com a finalidade de estimar prevalências6. já que a lógica da análise é como se todos os dados tivessem sido colhidos em um único instante. com filmagem e registro fotográfico para análise posterior. p. como se fosse uma fotografia daquele momento estudado. p. 3. já que o objetivo era trabalhar com segmentos da cadeia produtiva que expressassem os diferentes tipos de atividades exercidas pelos trabalhadores. tendo ainda como vantagem o baixo custo e a rapidez em sua execução.1 Sujeitos da Pesquisa e Amostra Os sujeitos da pesquisa foram trabalhadores associados ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário – SINTVEST. privilegiando os aspectos qualitativos da realidade.3. 2004. A amostra entrevistada foi retirada da listagem fornecida pelas empresas do setor do vestuário de Colatina ao Prevalência é definida como a freqüência de casos existentes de uma determinada doença (morbidade). 26) 6 . característica do estudo epidemiológico de observação direta de determinada quantidade planejada de indivíduos em uma única oportunidade (MEDRONHO. 3.das atividades dos trabalhadores sendo registradas as fontes de risco. Isto significa que a coleta de dados dos indivíduos da amostra se dá no prazo mais curto possível em uma única visita. Salienta-se que esta amostra de empresas não teve finalidade estatística.

totalizando cerca de 95% dos trabalhadores com registro.SINTVEST. existiam cerca de 4. Os dados acima indicam um alto índice de sindicalização entre os trabalhadores da indústria do vestuário. onde foram cadastradas 184 empresas com confirmação de 4.SAS e o procedimento proc power (CHERNICK&LIU. 2002).64). o de pequenas fábricas de facção que realizam pequenos serviços para as empresas maiores.50 ou 50%.96). em dezembro de 2004. que irá fornecer o tamanho máximo da amostra. contribuindo para o SINTVEST no mês de agosto de 2005 e com endereço residencial conhecido. sendo eliminados da amostra os trabalhadores das destas últimas. Para garantir que a amostra fosse a mais homogênea possível. Distribuição binominal (proporção). Fixando-se o poder da amostra em 90% (z=1. Em agosto de 2005. Estes dados foram confirmados pelo Ministério do Trabalho e Emprego em consulta a RAIS. havendo entre eles alguns informais.100 trabalhadores contribuintes. Foram retirados também todos os trabalhadores informais e os trabalhadores sem endereço conhecido.342 empregados formais no município de Colatina. contra uma proporção aceitável de até 60% (p=0. considerando-se os seguintes parâmetros: Nível de confiança da amostra de 95% (z=1. Para a seleção da amostra utilizamos como condição de controle que os trabalhadores estivessem empregados nas empresas classificados no CNAE abrangido pelo nosso estudo conforme a tabela 2. método conservador. foram controlados os aspectos que diferenciam os trabalhadores das empresas que dominam todo o processo de produção das roupas daquelas que prestam serviços parcelados. utilizou-se o software estatístico Statistical Analysis Software . adotando-se a referência pº=0. Para determinar o tamanho mínimo da amostra necessário ao estudo. confirmadas pela contribuição mensal em agosto de 2005. pela dificuldade de sua localização. . que estão em dia com suas contribuições. como os das lavanderias.60). que contribuem diretamente ao sindicato. segundo o SINTVEST. o universo de trabalhadores a serem pesquisados foi reduzido a 1727 trabalhadores com vínculo empregatício e empregados em empresas do vestuário que produzem a mercadoria roupa em sua totalidade. Dessa forma.

E a partir deste foi retirado um indivíduo a cada intervalo de 4 nomes da lista em ordem alfabética. 2001.A hipótese alternativa. A amostra foi pelo processo de amostragem sistemática (CASTELLOE&O’BRIEN. para formar os componentes da amostra. p. diferença. sorteou-se um número entre 1 e 4. a amostra final foi de 432 pessoas. 149-155). 3. onde: 1. 2. sendo neste estudo sorteado o segundo nome que foi o primeiro elemento da amostra.O intervalo casual foi k= 1727/432= 4.Início casual. a partir da listagem por ordem alfabética da população total de 1727 pessoas. . cuja fórmula para se obter o tamanho da amostra é: Fixando-se uma taxa de recusa possível de 10%.

. 2. reprodução da versão em português do instrumento SRQ – 20 (Self-Report Questionnaire). Foi avaliado como um bom indicador de morbidade. em comunidades.Perfil de condições de saúde (queixas de saúde. naturalidade. assim distribuídas: 1. estado civil. problemas de atendimento médico. 2 Instrumento de Pesquisa O instrumento de campo utilizado foi um questionário estruturado (Anexo C) contendo 83 perguntas. 1986 apud BORGES. com sensibilidade de 83% e especificidade de 80%. O questionário é composto de três partes. 2. não psicóticos. em sua grande maioria fechada. distúrbios à saúde mental e distúrbios muscoloesqueléticos). depressivos e somatizações (MARI & WILLIANS. 2001. sendo que a resposta positiva simultaneamente às perguntas 56 (Sente dor ao pressionar ou ao movimentar algumas destas partes?). ombros e pescoço. p. 62). A avaliação da presença de distúrbios muscoloesqueléticos é avaliada pelas respostas às questões 52 a 60. 64). é o critério de suspeita de L.3. escolaridade e renda). ritmos.3. duração da jornada.R.Caracterização das demandas das cargas de trabalho (função. fonte de tensões e cansaço). tais como: estados ansiosos. condições inadequadas de trabalho que causam doenças. idade. e a pergunta 60 (A duração de 2 de qualquer dos sintomas acima é superior a 30 dias?). 2001. de maneira que 8 ou mais respostas positivas caracterizam a suspeita de DMM. A avaliação da suspeita de presença de Distúrbios Mentais Menores – DMM foi realizada pelas perguntas 32 a 51. na cidade de São Paulo. tempo de trabalho. Este instrumento foi validado por Mari e Willians em um estudo com a população que procurava serviços de atenção primária à saúde. pausas. raça. Este instrumento consta de sinais e sintomas de dor ou desconforto nos membros superiores. sexo. integrante de um instrumento de rastreamento destes distúrbios proposto por Ribeiro (RIBEIRO. apud BORGES. e aplicado por entrevistadores treinados.E. estabelecendo como ponto de corte 7/8. instrumento de rastreamento (screening) que detecta quadros suspeitos de distúrbios psiquiátricos menores.Dados sócio-demográficos (local de trabalho. p.

disponibilidade de trabalhar à noite e fins de semana. assinar a autorização para utilização das informações na presente pesquisa. Os entrevistadores foram capacitados previamente através de três encontros.3. Como forma de controle da qualidade das entrevistas.3 Procedimentos de Campo As entrevistas foram realizadas no período de 19 de novembro a 20 de dezembro de 2005. conhecimento da comunidade a ser estudada e de disponibilidade para participar da fase de treinamento. uma amostra aleatória de 5% do que cada entrevistador fez. c) Enfatizar a importância da colaboração do entrevistado e solicitar. foram escolhidas cinco pessoas. as dificuldades para sua realização foram inúmeras. receberam uma cópia do questionário e aprenderam a conduzir a entrevista. para confirmação de sua realização e aferição da qualidade. o pesquisador-coordenador entrevistou novamente. quando tomaram conhecimento do projeto de pesquisa. evitando qualquer constrangimento ou pressões de chefias. já que os endereços cadastrados pelo sindicato e pelas empresas são de uma data cerca de um ano anterior ao período da pesquisa. boa comunicação.3. b) Esclarecer que as informações prestadas seriam confidenciais e os trabalhadores não seriam identificados por pessoas que não participassem da pesquisa. seguindo sempre o seguinte protocolo: a) informar aos entrevistados sobre os objetivos e a relevância do estudo. vide Termo de Consentimento (Anexo B). não ocorrendo discrepâncias relevantes nas respostas. preferencialmente no domicílio do trabalhador. A equipe de entrevistadores foi selecionada através de entrevistas com candidatos que reuniam os seguintes critérios: escolaridade mínima de segundo grau completo. ocorrendo vários casos em que o trabalhador havia mudado de residência. As mudanças de endereço eram resolvidas . sendo necessário o retorno ao local com hora marcada. assim. a fim de garantir a liberdade de manifestação do entrevistado. podendo. caso concordassem em ser entrevistado. fora do local do trabalho. Como em toda pesquisa deste tipo. Mas o mais comum era o entrevistado não estar em sua residência na hora da visita. A coordenação comprovou que os trabalhadores foram realmente visitados e entrevistados. responder às perguntas sem pressa.

ou havia abandonado o trabalho há mais de 15 dias. Quando o trabalhador não era encontrado de forma alguma. informações que pudessem confirmar ou não a hipótese proposta pela pesquisa. os entrevistadores foram bem recebidos. o mesmo era substituído pelo trabalhador seguinte da listagem por ordem alfabética. contendo explicações sobre o objetivo da pesquisa e de sua importância para o conhecimento das condições de saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário.3%). com apenas 10 recusas (2. As variáveis suspeitas de DMM e suspeita de LER foram tomadas como variáveis dependentes e utilizadas em modelos de regressão logística para verificar a contribuição de diferentes fatores de risco (variáveis independentes) na sua . De forma geral. destacando-se as funções e os fatores de riscos presentes que podem participar do desgaste da saúde do trabalhador. Das 432 entrevistas previstas foram realizadas 422. 3.através de informações colhidas com antigos vizinhos ou através do SINTVEST. após o cruzamento de variáveis. para todos os trabalhadores sorteados. já que foi usada uma estratégia de divulgação do trabalho através do envio de uma carta (Anexo A) quinze dias antes do início do trabalho de campo. A análise através dos programas estatísticos permitiu construir o perfil epidemiológico e dar ao pesquisador. Os dados obtidos nas entrevistas com trabalhadores foram digitados em um banco de dados do programa Excell para Windows XP e posteriormente migrados para o SAS. Inicialmente foi verificada a freqüência simples das variáveis. A variável queixa referida foi classificada de acordo com os diferentes órgãos e sistemas do organismo humano. que o conseguia nas empresas em que os trabalhadores estavam empregados.4 ANÁLISE DE DADOS Os dados qualitativos foram ordenados conforme os setores existentes no fluxograma do processo produtivo.

2003). tendo por base os conceitos de carga de trabalho e desgaste. em muitos casos. dores e tensão. Os testes estatísticos identificaram os principais fatores que diferenciavam os grupos e identificaram os riscos relacionados com o efeito. A análise das relações entre fatores de risco e morbidade referida foi realizada. o que levou a opção de realizar análise comparativa do desgaste dos trabalhadores deste setor com os demais. No processo de análise verificou-se a importância quantitativa e qualitativa do setor de costura no processo de produção da indústria do vestuário. já que a forma de organização da produção das mercadorias – a produção da mais-valia – que se materializa no mundo real em determinada opção técnica especifica e nas formas particulares de gerenciamento do uso da mão-de-obra. A similaridade de relação de trabalho e exposição aos agentes nocivos (fatores de risco ou cargas de trabalho) determinará no conjunto dos trabalhadores um perfil de saúde típico de um determinado processo de trabalho. 1989. No processo de trabalho é onde são encontrados os componentes técnicos e sociais responsáveis pela produção do desgaste do trabalhador e que são sentidos no seu corpo através de desconforto. Por esta perspectiva é que a análise do processo de trabalho tem importância para a saúde coletiva. são uma parcela significativa deste coletivo (CÂMARA. é que determinará e se expressará em um nexo biopsíquico característico (LAURELL. tendo em vista que estes trabalhadores. que também repercutirá no perfil de saúde da população em geral. 175). .explicação. p. cansaço.

sendo também produzidos em lotes menores. enquanto as demais. a mão-de-obra é basicamente formada por familiares ou de alguns poucos empregados. como as lavanderias. Há em Colatina também grande número de empresas que só se dedicam a uma fase do processo de fabricação das roupas. que produz o vestuário de uso cotidiano e que tem pouca oscilação da moda (como as calças jeans. As empresas maiores freqüentemente oferecem cadeiras e assentos ergonômicos e as. com conseqüente desconforto para o trabalhador. têm equipamentos modernos e sempre investem em tecnologia.4 O PROCESSO DE PRODUÇÃO E TRABALHO DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA – ES. de equipamentos já descartados pelas empresas maiores. As fábricas podem ter domínio total de todo o ciclo de produção ou realizar somente parte dele. de menor investimento oferecem cadeiras de madeira. enquanto que a maioria das empresas de facção ou oficinas de costura está instalada em locais improvisados. já que é necessário acompanhar as mudanças das estações e do mercado. são substituídos periodicamente. na linha de fabricação. . cuja produção segue a tendência do mercado. mobilidade lateral. ou realizar parte de sua produção com a terceirização. As empresas líderes estão instaladas em prédios modernos e seu layout é mais bem estruturado. Essas são denominadas “indústrias de facção”. algumas em cômodos nas casas de seus proprietários que aproveitaram um quintal ou a laje da casa para instalar algumas máquinas e iniciar um negócio de prestação de serviços. vendendo serviços para uma outra indústria maior. em muitos casos. Além das máquinas utilizadas na produção das roupas. que constituem a maioria das empresas do ramo do vestuário. os mobiliários disponibilizados para uso dos trabalhadores são diferenciados. As empresas líderes. espaldares reguláveis. podendo ser dividida em dois tipos de segmentos: a) Vestuário padrão. por terem mais capital. A indústria do vestuário de Colatina compreende um elevado número de empresas. camisas de malha e social) sendo caracterizada pelo grande volume de produção e consumo e b) Vestuário da moda. que não permitem regulagem de altura. inclusive com a utilização do trabalho informal de trabalhadores que atuam em suas residências. de acordo com a estação do ano.

Como a maior parte das fábricas está instalada em prédios improvisados. que não foram construídas com um sistema de ventilação eficiente. iluminação. Verificaram-se nas visitas realizadas que as empresas que produzem os produtos de menor qualidade são em maior número e absorvem maior contingente de trabalhadores. Nas empresas mais modernas esta atividade pode ser realizada com o uso de dispositivos semi-automatizados que permitem a economia de movimentos do trabalhador. pois quanto menor a qualidade das roupas produzidas maior é a quantidade produzida. os ambientes de trabalho não são confortáveis quanto aos aspectos de ventilação. por ser destinada aos grupos sociais mais pobres. A diferença tecnológica entre as empresas ressalta as diferenças do uso do corpo do trabalhador na observação das atividades mais simples. como por exemplo. para beber água ou ir ao banheiro. O calor é um problema generalizado até nas empresas mais modernas. no horário vespertino. para tomar um café com pão. o que exige mais esforço de movimentos do trabalhador para sua execução. cujo mercado consumidor é menos exigente e necessita que o produto seja mais barato. de um modo geral. apesar de não estimularem o seu uso pelos trabalhadores. protetores auriculares de inserção e máscaras para poeiras. sendo o trabalhador selecionado de acordo com sua habilidade de . instalações de banheiros adequados. tendo limitações para abandonar o posto de trabalho a qualquer tempo. enquanto que nas oficinas ou indústrias de facção a mesma atividade é realizada de forma totalmente manual. Quanto aos agentes ambientais. as empresas não fazem o controle dos agentes (físicos e químicos).Nas empresas visitadas foi verificado que os trabalhadores só têm uma pausa de 15 minutos durante a jornada. sofrendo sobrecargas musculoesqueléticas mesmo nas cadeiras que dispõem de mecanismos de regulagem de altura do assento e do espaldar. optando em fornecer aos trabalhadores o EPI. Foi verificado que o tipo de produto fabricado define também o perfil do processo de produção através de sua qualidade. bebedouros limpos e em número suficiente. O trabalho na indústria do vestuário é organizado conforme a cartilha do Taylorismo e do Fordismo. como a de virar a calça ao avesso.

a empresa oferece um adicional de produtividade que pode representar um acréscimo de até 36% no salário do trabalhador. O trabalho é fragmentado e organizado em uma linha de produção. em que o fluxograma básico de uma indústria que domina todo o processo da fabricação do vestuário pode ser constituído dos seguintes setores: criação. embalagem e expedição. modelagem. seguindo a lógica da esteira. passadoria. lavanderia. enfesto. manutenção mecânica e setor administrativo. almoxarifado (tecidos e aviamentos).manter a produção em alto ritmo e com a qualidade requerida. revisão/acabamento. etiquetagem. bordado. . estamparia. conforme fluxograma abaixo: ADMINISTRAÇÃO COMPRAS ENFESTO E CORTE ALMOXARIFADO COSTURA CRIAÇÃO E MODELAGEM ARTESANATO LAVANDERIA PASSADORIA ACABAMENTO E ETIQUETAGEM EMBALAGEM E EXPEDIÇÃO FIGURA 1: FLUXOGRAMA BÁSICO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. corte. costura. compras. Para estimular o trabalhador a manter um alto ritmo de produção.

As atividades são realizadas quase que totalmente no horário diurno.A linha de produção das roupas é feita de forma que uma equipe de trabalho em postos fixos. denominada por “célula”. entre as 7 h e às 17h10min. as atividades realizadas e as cargas de trabalho mais importantes encontradas nas quatro empresas visitadas. 4. foi apontado pelos trabalhadores que a média de trabalho por semana é de 46. quando os trabalhadores são dispensados do trabalho. A seguir. químicas. Entretanto. são realizadas horas extras noturnas e nos sábados. O horário de almoço é de uma hora e realizado no período de 12 às 13 h.3 horas. e que. No estudo. as funções dos trabalhadores. mecânicas. é definida pela gerência de produção e deve ser atingida por hora ou dia de trabalho. biológicas. são apontadas as características de cada setor. havendo uma sobre jornada para compensar as 4 horas de sábado e os 15 minutos em média de paralisação para o lanche que é distribuído no período da tarde. são utilizadas como banco de horas para compensar os dias úteis entre feriados e final de semana. às vezes. fisiológicas e psíquicas.1 AS CARGAS DE TRABALHO NOS SETORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. Em épocas de grandes encomendas. portanto com 2. Este modelo classifica as cargas de trabalho como sendo: físicas. Na identificação das cargas de trabalho utilizamos a mesma classificação do modelo da determinação social da doença de Laurell e Noriega. conforme explicitado no marco teórico. que podem estar associadas ao desgaste da saúde dos trabalhadores. . geralmente. substituiremos o termo mecânico por acidentes. por considerá-lo mais amplo que os demais modelos. por ser um termo mais adequado. desenvolve um mesmo tipo de serviço cuja meta de produção.3 horas extras em média. às 15 h. de segunda a sexta-feira.

1 Setor de Criação e de Modelagem O setor de criação de moda é onde são elaborados os modelos das roupas que entrarão no processo de produção. PSÍQUICAS: . Posto de trabalho: Máquina de costura. fixação da vista. As cargas de trabalho encontradas para estes profissionais podem ser observadas no quadro 1: QUADRO 1: FUNÇÃO. . portanto. FUNÇÃO Estilista ATIVIDADE Criar modelos novos e desenhálos conforme tendência da moda e da numeração padronizada.Qualidade do serviço. PSÍQUICAS: .Postura sentada a maior parte do dia. ACIDENTES: . Moldador ou Riscador Faz a riscagem das peças em papel e posteriormente faz a digitalização do molde padronizado pela numeração.Postura de trabalho.Fixação da vista na tela de computador.Perfuração de dedos por agulhas.Má iluminação do local.Postura sentada o dia todo.4. é quem cria os modelos que irão ser fabricados.1. onde o profissional principal é o estilista que desenha os modelos das roupas de acordo com a tendência do mercado consumidor. Modelista Responsável em costurar a peça piloto da produção em série. o trabalhador tem liberdade para parar o serviço. é o setor da concepção. . . ir ao banheiro ou tomar decisões. O estilista. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE CRIAÇÃO E MODELAGEM NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINAES. descansar. FISIOLÓGICAS: . ficar em pé. computador e scanner. mesmo que o serviço possa ser feito por longo tempo em posição fixa.Pressão para criar sempre produtos novos e de aceitação no mercado. . precisa estar informado das tendências da moda no mercado e ao mesmo tempo ser capaz de propor novas idéias.Fixação da vista. A ferramenta de trabalho é o computador. em pé encurvada sobre a mesa de modelagem ou sentada no computador. O trabalho do estilista exige mais demanda mental do que a fisiológica. CARGAS DE TRABALHO FISIOLÓGICAS: . Posto de trabalho: Computador e cadeira. pois. Posto de trabalho: Mesa de riscagem. FISIOLÓGICAS: .

4.2 Setor de Almoxarifado de Tecidos e Aviamentos É o setor responsável em administrar os estoques das matérias-primas.CAD (LEITE. em galpões fechados que. mas ainda têm dirigibilidade sobre seu tempo. são mal ventilados e com instalações improvisadas.Neste setor é onde tem havido nos últimos anos a inovação tecnológica: design. Os moldes-piloto são riscados conforme o número padronizado da peça e. sendo que as situadas em altura exigem a utilização de escadas. as principais funções e as cargas a que estão submetidos os trabalhadores são indicados no quadro 2: . o que insere a possibilidade de acidentes de quedas de altura. que será utilizado pela modelista para criar as peças piloto. a seguir. As instalações são geralmente próximas aos setores de produção. sempre em quantidade suficiente para manter a produção. é responsável em produzir as peças-piloto para o futuro corte em série. a balança para pesagem de matéria-prima e o carrinho manual para seu transporte. pois o produto não é feito em série e o ritmo de trabalho é mais tranqüilo. digitalizados pelo moldador/riscador a fim de se produzir os moldes que irão servir de guia para o corte do tecido. os trabalhadores têm um pouco mais de demandas fisiológicas. O setor de modelagem. 2004).1. geralmente. modelagem e encaixe onde se tem utilizado sistemas de desenho assistido por computador ou Computer Aided Design . O trabalho de controle de entrada e saída de matéria prima do almoxarifado além de representar uma responsabilidade alta para o empregado. Neste setor. Neste estágio. Neste setor. que trabalha bem próximo ao setor de criação. abastecendo os locais necessários e recebendo as novas matérias primas encomendadas. também pode causar cargas fisiológicas devido ao esforço físico para a realização do carregamento manual das mercadorias até as prateleiras. as máquinas utilizadas são: o computador.

. PSÍQUICAS: .Calor.QUADRO 2: FUNÇÃO. Revisor de Faz a revisão dos tecidos antes FÍSICAS: tecido de ir para o setor de enfesto. FISIOLÓGICAS: . mesmas. ATIVIDADE E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE ALMOXARIFADO DE TECIDOS E AVIAMENTOS NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.Responsabilidade pelo controle do estoque.Responsabilidade.Calor.Trabalho com diferença de nível. FISIOLÓGICAS: .Posturas incômodas no acesso às prateleiras de estoque. FUNÇÃO Almoxarife ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO É o encarregado das entradas e FÍSICAS: saídas das matérias-primas.Responsabilidade pelo controle da qualidade do tecido que será utilizado e do que é comprado. Conferente Controla o estoque das PSÍQUICAS: mercadorias prontas e a saída das .Levantamento de peso. . . Auxiliar de Auxilia o almoxarife nas atividades FÍSICAS: almoxarife de estocagem de produtos.Postura inadequada no acesso às prateleiras de estoque.Calor. . PSÍQUICAS: .Postura inadequada no acesso às prateleiras de estoque.Levantamento manual de peso. . . ACIDENTES: . FISIOLÓGICAS: .

CARGAS DE TRABALHO FÍSICAS . FÍSICAS: . Auxiliar de Auxilia o cortador nas atividades de corte corte. . FISIOLÓGICAS: . FISIOLÓGICOS: .Postura desconfortável para realização do serviço. dobrados em camadas.Levantamento de peso. Inicialmente os tecidos são distribuídos sobre uma grande mesa. Além de distribuir o tecido. .Ruído e vibração.Corte de dedos e mãos. o enfestador.Postura desconfortável para realização do serviço. Eventualmente pode também fazer o corte do tecido. de forma a aproveitar o material ao máximo. .Postura desconfortável. QUÍMICAS: .Calor. Fixa os moldes sobre o tecido com o uso de grampeadores ou fitas adesivas. se constituindo como a parte inicial do processo de fabricação das mercadorias. . QUADRO 3: FUNÇÃO. FISIOLÓGICO: . atividade que é denominada de enfesto.Poeira de algodão. propriamente dito. conforme os moldes e a numeração padronizada para a produção em série das roupas.Calor. faz a fixação dos moldes sobre a camada superior do tecido.Movimento repetitivo. Cortador Faz o corte do tecido após o enfesto e colocação do molde com o uso de equipamento elétrico. ACIDENTES: .3 Setor de Enfesto e Corte É responsável pelo corte dos tecidos. FÍSICAS: .Poeira de algodão. ATIVIDADE E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE ENFESTO E CORTE NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. fixando os moldes através de grampeadores ou fitas adesivas. FUNÇÃO ATIVIDADE Enfestador Espalhar e dobrar o pano sobre a mesa de corte.Calor. QUÍMICAS: .4. de forma manual ou através de equipamento elétrico. QUÍMICAS: -Poeira de algodão.1.

podendo em algumas empresas estar no mesmo espaço que o setor de acabamento. tesouras e com etiquetagem das peças. A meta de produção é estabelecida por um cálculo que é realizado pelos encarregados de produção. Os serviços deste setor são constituídos por centenas de atividades. nas quais as células são dispostas em série. representar 50% da força de trabalho da empresa e. Neste local se concentra o maior número de trabalhadores. A função com o maior número de trabalhadores é a de Costureira (o) que pode. os trabalhadores se expõem aos agentes ambientais relativos ao calor devido à má ventilação e à poeira de algodão produzida pelo corte dos tecidos. para isso. fragmentadas em várias etapas por trabalhadores organizados em grupos denominados por “células”. como em uma esteira invisível.4 Setor de costura O setor de costura é o principal setor da indústria do vestuário. Em relação a acidentes existe o risco de cortes de mãos e dedos pela lâmina da máquina de corte dos tecidos. devendo. Além das demandas fisiológicas para a realização da tarefa. que pode causar lesões graves. tem que ser atingida coletivamente. o Cortador fará o serviço de corte do tecido com a utilização de uma máquina elétrica de corte. assumir diversas posições incômodas para alcançar as partes a serem cortadas. e ao ruído e vibração da máquina de corte de tecidos. outro grupo de trabalhadores será responsável em fazer a união das duas partes. em muitos casos.Posteriormente. sendo o ponto nevrálgico da produção. estabelecida pela gerência de produção. sendo medido através da cronometragem da tarefa por . em sua maioria absoluta. posteriormente. 4. cuja meta de produção de peças acabadas. Uma das linhas costura a frente da calça e a outra a parte traseira. é constituída de mulheres.1. A organização da produção é feita em duas linhas.

máquina para pregar presilha. onde é escrito o número de peças a serem produzidas no período de uma hora. máquina de casear. podem se ausentar de seus postos para suprir suas necessidades fisiológicas. os encarregados utilizam um quadro de aviso. que não se restringe ao posto de trabalho do setor. Neste setor. servindo também água aos trabalhadores que.como passar a dobra do bolso traseiro. Este artifício mantém uma pressão constante sobre os trabalhadores da célula em manter a produção alta. é a ventilação. Para realizar o controle da produção. Os serviços auxiliares . máquina de costura overloque. Os ganhos de produção só ocorrem quando a célula atinge a meta. Outro agente causador de desconforto é o ruído das máquinas. podendo atingir postos de trabalho dos setores próximos.são realizados simultaneamente. desvirar as calças. de quase todas as plantas industriais visitadas. em espaços insuficientes e mal organizados. São vários os tipos de máquinas utilizadas neste setor: máquina de costura reta. fixado na frente de cada célula. A utilização de ventiladores. entre outras. inclusive de ir ao banheiro. sem economia das forças humanas. verificando os problemas dos atrasos na produção de cada célula. Segundo os encarregados eles aprenderam esta técnica com a experiência ou em cursos do SEBRAE. podendo o calor tornar-se insuportável em algumas épocas do ano. há grande número de ajudantes e abastecedores que irão servir a cada célula. No aspecto do conforto ambiental. ao final da qual é assinalado qual foi à produção da última hora e estabelecida a meta da próxima hora. abastecendo com o produto que vem do setor de corte ou de outras células anteriores ao processo.unidade produzida. máquina de costura galoneira. já que isso não faz a renovação do ar. o grande problema encontrado no setor de costura. . dificilmente. em que fica claro o objetivo de se produzir em ritmo alto a fim de aumentar o lucro do capital. solução adotada pelas empresas. assim. quando um trabalhador não dá conta do serviço todos os demais perdem. podendo inclusive agravar outro problema ambiental que é a presença da poeira fazendo sua dispersão no ambiente. Os encarregados de produção estão sempre circulando entre o pouco espaço existente. revisar a qualidade das peças e contar o número de peças produzidas .

. .Movimentos repetitivos.Calor.Remuneração baixa.Falta de sentido do trabalho. FUNÇÃO Costureira (o) ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO Efetuar o serviço de costurar FÍSICAS: os tecidos e adereços para .Tensão pela necessidade de atingir as metas. matéria prima e revisar o . .Calor. às vezes .Poeira de tecido.Ruído. Auxiliar de Auxiliar no abastecimento de FÍSICAS: costura. . ACIDENTES: caseadeira e prespontadeira. reta. . revisor e serviço feito. .Esforço físico pesado. PSÍQUICAS: . abastecedor. overloque.Exigência de posturas inadequadas. . .Remuneração baixa. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO DO SETOR DE COSTURA NA INDÚSTRIA DO VESTUARIO DE COLATINA-ES.Movimentos repetitivos e com precisão. QUÍMICAS: Máquinas utilizadas: costura . . PSÍQUICAS: . . .Ruído e vibração.Iluminação inadequada.Fixação de vista no campo de trabalho por longo período. .Controle rígido da produção.Trabalho que exige força no manuseio (trespontadeira). . .Poeira de tecido. . Pode.Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico. . formar as roupas: .Posição fixa sentada por longo tempo. substituir a costureira que vai QUÍMICAS: ao banheiro ou tomar água.Perfurações com agulhas. . galoneira. FISIOLÓGICAS: .Controle rígido da produção. FISIOLÓGICAS: .Jornada de trabalho longa.QUADRO 4: FUNÇÃO.Falta de sentido do trabalho.Posição fixa em pé por longo tempo.

Segundo os auditores da Sub-Delegacia Regional do Trabalho – DRT existe um problema grave na indústria do vestuário relacionada com o espaço físico destas empresas que geralmente estão instaladas em local improvisado. O nível de produção é alto e. . como as cadeiras.Trabalho com material aquecido (Queimadura).Ruído. que só podem ser amenizadas com cadeiras que tenham o assento rotatório. para ser atingido. . por ocupar o maior número de trabalhadores e de máquinas o mais prejudicado.Calor. algumas máquinas estão baixas demais.Poeira de tecido.Movimentos repetitivos. atenção no movimento. ACIDENTES: . além disso. seja de altura ou de encosto. Com as exceções já citadas os mobiliários. fixação . este tipo de movimento constante pode provocar desconforto e dores na coluna. deve ser realizado com a repetição de movimentos até a exaustão.Controle da produção. doméstico ou industrial. exigindo. devendo o trabalhador se virar para conseguir a posição que lhe seja menos penosa. Para adaptar as cadeiras de madeira ao seu corpo e melhorar o conforto. . como o de transferir o material trabalhado de um lado para o outro. PSÍQUICAS: . não têm forma ou dispõem de controles que garantam um conforto ergonômico.Remuneração baixa. No entanto. os trabalhadores utilizam estofados improvisados. FISIOLÓGICAS: . colocados no assento e no encosto.Desvalorização ou de sentido do trabalho. Instrumento: Ferro de passar QUÍMICAS: roupas. .Posição em pé por longo tempo. . .Esforço físico. sendo o setor de costura. . enquanto outras estão altas.Continuação QUADRO 4: Passador Passa a borda do bolso de trás FÍSICAS: da calça jeans. quando a tarefa exige rotação de quadril.

em substituição ao modelo anterior. o kaizen e o 5S) ou o modelo lean-production. em sua modalidade de “trabalho em grupo”. sendo marcante seu emprego no setor de costura. mas exige do trabalhador vários tipos de movimentos. assim como o trabalhador que é responsável em desvirar as calças já terminadas para ser transferida para o setor de acabamento. onde a produção era controlada individualmente. 4. com influência bastante marcante do modelo japonês (o just-in-time. e paulatinamente vem sendo adotada por todas as empresas.. movimento lateral da perna para acionar o sistema que levanta as agulhas. já que os postos de trabalho geralmente não dispõem de bancos. como: esticar os braços. agora sendo organizado em “grupos de . A posição de trabalho da costureira (o) é permanentemente sentada. acionar o pedal do motor da máquina. Entre as formas de organização da produção.da visão e precisão a fim de garantir a qualidade. Trabalham permanentemente na posição ortostática (em pé). os revisores que inspecionam as peças prontas. O setor de costura é caracterizado pela fragmentação das atividades. entre vários outros movimentos sutis que compõem toda a complexa operação que é executada. os ajudantes e abastecedores que ficam na linha de produção transferindo as peças acabadas de uma célula para outra.1 Setor de Costura e o Trabalho em Célula de Produção. com intensidade e densidade alta de trabalho. o trabalhador evita sair da linha de produção até para beber água ou ir ao banheiro. são: o passador que passa as dobras do bolso de trás das calças.1. Para produzir além da meta prevista e poder ganhar o adicional de produção para sua equipe.4. Outros profissionais que trabalham no setor. A forma de produção em células foi introduzida na indústria do vestuário de Colatina em 1990. torção do tronco para transferir peças de um lado para o outro. segundo Silva (2003) tem ocorrido uma grande disseminação dos denominados “grupos de trabalho” ou “células de produção”.

se pretendia com ele a polivalência e o aumento da . o quadro funciona como uma forma de catalisador ou um aviso de que é preciso aumentar o esforço para atingir a meta ou a cota diária. Curiosamente.. que substituiria o modelo clássico taylorista-fordista. e tem que dar conta de manter a produção. A produção de cada hora é anotada em um quadro que fica visível para todos. e está constantemente sendo avaliado pelos membros da célula. previamente cortada. a concepção deste modelo de produção foi pensada como uma alternativa ao trabalho fragmentado e especializado.trabalho” ou “células de produção”. seguindo a disposição de 2 a 4 máquinas especializadas. ou ilhas. sem que esta exista de fato. a realizar cada operação como se fossem em um processo continuo ou de esteira. As células são organizadas de forma a obedecer ao fluxograma da produção. especialmente no setor de costura. pois. de hora-em-hora. Frente (Célula 1) Ilhas Traseiro (Célula 2) Junção (Célula 3) Figura 2: FLUXOGRAMA DA CELULA DE PRODUÇÃO Cada trabalhador que faz parte de uma célula recebe certa quantidade de matéria prima. O trabalhador que não dá conta de produzir a meta planejada é denunciado pelo acúmulo de matéria prima ao lado de seu posto de trabalho. pelo encarregado. que é controlada. especializadas em determinadas operações da linha de produção de roupas. a fim de informar se o serviço está atrasado ou se está produzindo de acordo com a programação. numa forma de autocontrole de produção da célula.

competência do trabalhador. com a concepção do trabalho mais próxima da execução. estas relações ficam sempre na balança inexorável da capacidade do trabalhador em manter a produção alta e do prêmio de produção. com a permanência do modelo tayloristafordista e o uso da ferramenta do trabalho em grupo. como na indústria do vestuário de Colatina. Como poderemos ver. por outro. . Segundo o SINTVEST quando alguém falta ao trabalho. sem supervisão. Assim. o que parece ocorrer nas empresas pequenas e médias de alta produção de produtos de baixo valor. é um hibridismo. a própria costureira pede para sair. esta forma da organização da produção é uma das principais causas do processo saúde-doença destes trabalhadores. No entanto. uma especialização do trabalhador. 2003). o trabalho na célula aumenta a sociabilidade destes trabalhadores envolvidos com um mesmo objetivo. controle da produção e do como produzir (modelo sociotécnico) (SILVA. com os trabalhadores se penalizando quando as metas quase impossíveis não são alcançadas. o salário produção perdido pelo trabalhador faltoso não é distribuído entre aqueles que trabalharam durante todo o período. ou trocar de célula. Se. portanto. por um lado. A mudança de célula só é possível se houver domínio do trabalhador sobre as operações da outra máquina. quando o grupo nota um problema não caracterizado como corpo mole ou ineficiência. com pouca possibilidade de mudança de tarefa. caracterizando. ser mais fácil mudar de grupo de trabalho para operar a máquina que se está habituado. com finalidade nítida de aumentar o controle social da mão-de-obra. podendo. As células são determinadas pelo tipo de serviço que é executado pelas máquinas ali disponíveis. cada membro reforça no outro a necessidade de manter a produção alta. daí. segundo Silva (2003). mas mesmo assim a célula consegue a cota. Neste modelo é dado ao grupo a autonomia consensual de manter ou retirar qualquer membro da célula que seja menos eficiente. aumentar o ritmo individual para auxiliar quem está na dificuldade. Em muitos casos.

O trabalho é realizado permanentemente na posição sentada. Citamos também o trabalho realizado pelos ajudantes de revisão.1. No setor de acabamento segue a mesma lógica do setor de costura. ilhoses e etiquetas. cases. Neste setor há o revisor de arremate. como algum adereço ou a fixação de botões. o costureiro. prega botões ou etiquetas.4. e o operador de máquinas especiais que faz o caseamento. O processo de trabalho ocorre conforme o setor de costura. que requer precisão. presilhas. prega ilhoses e botões metálicos. com a altura da máquina muito baixa em relação ao piso. com ritmo de trabalho acelerado. desvalorização do serviço. visualização constante do campo de trabalho. que reforça algumas peças defeituosas. No entanto. que verifica se há alguma peça defeituosa. encontramos também neste ambientes mal ventilados em que o calor e o ruído dos equipamentos (em particular o das máquinas de pregar botões) é uma constante fonte de desconforto e de tensão entre os trabalhadores. que fazem a retirada de linhas das calças com o uso de uma tesourinha de mão e que. na posição sentada. . Como nos demais setores. concentração. dependendo da estrutura física da fábrica. com a fragmentação de atividades e pouca ou nenhuma exigência de capacitação. pois acompanha a lógica de produção da indústria.5 Setor de acabamento O setor de acabamento pode estar separado do setor de costura ou não. conforme o quadro 6. realizam trabalho repetitivo durante toda a jornada de trabalho. o que obriga assumir uma posição encurvada para visualização do campo de trabalho. em alguns casos. em cadeiras sem controle de altura e encosto que se molde ao corpo do trabalhador. com pouca ou nenhuma possibilidade de decisão sobre o que se está fazendo. este setor é uma continuidade do setor de costura e visa corrigir e acrescentar itens ainda não colocados. mas que exige perícia. posição fixa de trabalho.

Levantamento de peso.Jornada de trabalho longa.Remuneração baixa.Posição de trabalho fixa em pé ou sentado por longo período.Posição fixa sentada por longo tempo. .Ruído.Movimentos repetitivos. .Exigência de postura. . prega . .Controle rígido da produção. . fazem ACIDENTES: etiquetagem.Jornada de trabalho longa.Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico. de Retira as linhas que sobram nos FÍSICAS: tecidos das roupas.Calor. .Movimentos repetitivos. realizando a inspeção . Revisor arremate Auxiliar arremate ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO de Operam máquinas automáticas FÍSICAS: ou semi-automáticas de . . . PSÍQUICAS: .Calor. FISIOLÓGICAS: . .Jornada de trabalho longa. . FISIOLÓGICAS: .Perfurar dedos com agulhas.Falta de sentido do trabalho. . PSÍQUICAS: . botões metálicos.Posição de trabalho fixa sentada por longo período.Remuneração baixa.Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico. .Falta de sentido do trabalho.Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico. PSÍQUICAS: . . . . ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE ACABAMENTO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. caseamento e travete. .Falta de sentido do trabalho. . .Trabalho por produção. de Faz o controle de qualidade do FÍSICAS: produto.QUADRO 5: FUNÇÕES. de problemas a serem FISIOLÓGICAS: corrigidos. FUNÇÃO Operador máquina especial.Remuneração baixa.Calor. .

as empresas que não dispõem deste setor contratam este serviço de empresas especializadas. ou para introduzir efeitos de fabricação como embranquecimento. O setor da lavanderia utiliza o vapor produzido por caldeiras. FISIOLÓGICAS: .Calor QUÍMICAS: . A lavanderia é responsável pelo serviço de lavagem e de tintura. ACIDENTES: . já que é um setor que necessita de grande investimento em equipamentos e controle ambiental de seus efluentes.1. PSÍQUICAS: . Quando necessário. ATIVIDADES E CARGA DE TRABALHO NO SETOR DE LAVANDERIA NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. sendo o calor e o ruído os agentes físicos que representam mais risco à saúde.Queimaduras químicas. O produto químico mais utilizado é a barrilha . centrifugação e fazer o carregamento das máquinas de lavar e das centrífugas. QUADRO 6: FUNÇÃO. que devem fazer o serviço de dosar os produtos químicos utilizados no branqueamento do tecido.Remuneração baixa. .Contato com produtos químicos. geralmente à lenha. O trabalho da lavanderia é realizado pelo lavador ou auxiliar de lavanderia.Ritmo de produção. que irão dar ao produto uma diferenciação no mercado. o que torna os locais bastante quentes.6 Setor de Lavanderia O setor de lavanderia não existe em todas as empresas que fabricam as roupas de jeans. roupas das máquinas de lavar e das centrifugas.Posição fixa em pé por longo tempo.4. .Ruído.Pisos escorregadios. Fazer as dosagens de produtos químicos e fazer o controle dos desgastes do tecido das calças de acordo com o modelo padrão. manchas ou desgastes. enxágüe. CARGAS DE TRABALHO FÍSICAS: .Levantamento de peso. . que existem em grande número no município de Colatina. . FUNÇÃO ATIVIDADE Lavador e seu Colocar e retirar as peças de auxiliar.Jornada de trabalho longa. .

A tarefa é executada pelo acionamento simultâneo de um pedal que abre a válvula do vapor d’água e pelo braço do trabalhador que abaixa a placa superior do equipamento sobre a área a ser passada. também trabalha em pé e faz o serviço de transporte manual das roupas. No setor da lavanderia. . também. que trabalha na posição ortostática (em pé). Quanto à questão ambiental. o sinergismo entre as cargas de trabalho é bastante evidente havendo exposição simultânea a cargas fisiológicas (trabalho físico de moderado para forte. ritmo de produção. sendo realizada por equipamentos especializados que utilizam geralmente o vapor d’água da caldeira. pouca valorização do serviço). são apresentados os principais componentes das tarefas da passadoria com suas cargas de trabalho. falta de inspeção e manutenção periódica. muitas vezes é construído próximo ao setor de caldeiras. 4. O auxiliar de passador abastece o setor com as peças a serem passadas. podendo sofrer queimadura. Esta atividade é realizada pelo passador. o calor do vapor que sai do equipamento é soprado sobre o peito do trabalhador. com movimentos repetitivos. que pode se constituir em um risco de acidente de explosão. abaixo. devido à precariedade das instalações. serviço pesado em jornadas longas e de grande produção. trabalho em posição ortostática). que tem pH básico e pode causar queimaduras graves em contato com os olhos. No quadro 7. .(carbonato de sódio). cargas físicas (temperatura elevada. cargas psíquicas (jornada de trabalho longa. cargas químicas (manipulação de produtos químicos). Este setor.7 Setor de Passadoria O setor é responsável em passar as calças antes de ir para o setor de embalagem. conhecida como soda. falta de treinamento de operadores das caldeiras. ruído e umidade). dobra e leva as calças passadas para o setor de embalagem.1. que também se expõem às partes metálicas do equipamento.

. . a atividade é realizada por homens. ACIDENTES: . relacionadas ao calor.Remuneração baixa. . e ao fato de haver pouca possibilidade de variação do serviço. .Controle rígido da produção. embalagem. . .Movimentos repetitivos.Contato com partes quentes do equipamento de passar. .Falta de sentido do trabalho.Esforço físico pesado.Jornada de trabalho longa. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE PASSADORIA NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. . representadas pela pouca valorização da função dentro do processo de fabricação. No setor de passadoria. .Movimentos repetitivos.QUADRO 7: FUNÇÕES. as cargas de trabalho mais importante são: as fisiológicas determinadas pelo ritmo de trabalho. PSÍQUICAS: .Jornada de trabalho longa.Exigência de postura. . trabalho na posição fixa em pé.Calor. movimentos repetitivos. FUNÇÃO Passador Auxiliar passador ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO Realiza a passagem da roupa e a FÍSICAS: dobra as peças passadas.Posição fixa em pé por longo tempo. PSÍQUICAS: . Devido ao esforço físico necessário.Posição fixa em pé por e encaminha ao setor de longo tempo.Remuneração baixa. . de Abastece o setor de passadoria de FISIOLÓGICAS: peças e dobra as peças passadas . o que cria o preconceito sobre a função de passar roupas junto aos demais trabalhadores. FISIOLÓGICAS: . as cargas físicas.Falta de sentido do trabalho. as cargas psíquicas.

Neste setor. O trabalho de lixamento é um serviço que exige a repetição de movimentos. há grande investimento no desenvolvimento de novas técnicas e na inserção de equipamentos modernos. . Para ser dado o efeito do envelhecimento ou de um detalhe de tintura. como as queimaduras de mãos e braços pelo contato com as partes quentes do equipamento de passar roupas. e a exposição à poeira do tecido e a tintas. é utilizada a técnica de deposição de permanganato de potássio ou de tintas.8 Setor de artesanato Outro setor que não existe em todas as empresas que produzem calças jeans é o de artesanato. através do lixamento manual ou de equipamentos elétricos utilizados no desgaste do tecido da calça. O local de trabalho do used é totalmente fechado. pela diferenciação que ela dá. com a pulverização e permanganato de potássio. ou de envelhecimento.Outro aspecto a ser analisado são os acidentes. sobre o tecido da calça que posteriormente. Como este é um setor que agrega valor à mercadoria produzida. os artesãos trabalham peça por peça.1. denominado de used (usado ou envelhecido). será lavada com produtos químicos para fazer o desgaste do tecido. produz muito ruído e a atividade tem que ser realizada em pé com uma equipe de trabalhadores que fragmenta o serviço em pequenas etapas para acelerar a produção. havendo ainda o serviço de envelhecimento (used). com uso de pistolas de ar comprimido. 4.. sendo dotado de um sistema de exaustão que. o trabalho contínuo na posição ortostática com o encurvamento do tronco e pescoço. além de não conseguir que o ar fique totalmente isento do material químico em suspensão no ar. devendo o trabalhador estar sempre se adaptando a novas exigências. na maioria das vezes de pouca gravidade e por isso não registrados.

podendo ser potencializada com cargas físicas devido ao calor dos locais pouco ventilados. a postura necessária para a realização da atividade) é o principal problema de desgaste. FISIOLÓGICAS: . ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO DO SETOR DE ARTESANATO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. FISIOLÓGICAS: . .Jornada de trabalho longa.Poeira de algodão e tintas. QUÍMICAS: .Névoas de tintas. ACIDENTES: . à poeira do tecido e à iluminação . QUÍMICAS: Névoas de Permanganato de potássio. de pistolas de ar comprimido.Falta de sentido do trabalho.Exigência de postura. Realizam a deposição de produtos FÍSICAS: químicos sobre o tecido com uso .Posição fixa em pé por longo tempo.Jornada de trabalho longa. .Remuneração baixa. Artesão Used Cargas de Trabalho FÍSICAS: . PSÍQUICAS: . . .Movimentos repetitivos. as cargas fisiológicas (movimento repetitivo. Função Artesão Atividade Lixamento de peças de roupa com determinadas características definidas em um modelo préestabelecido. . . . Neste setor.Calor. PSÍQUICAS: . . .Ruído.Controle rígido da produção. .Posição fixa em pé por longo tempo.Falta de sentido do trabalho.Movimentos repetitivos. . por lixamento manual ou uso de equipamento elétrico. ao ruído.Calor.Remuneração baixa. alta produção incentivada por prêmios.Trabalho em produção controlada.QUADRO 8: FUNÇÕES.Choque elétrico.

onde os embaladores e seus ajudantes colocam as roupas em sacolas plásticas. Soma-se a estas as cargas psíquicas. que é supervisionada constantemente pelo encarregado de produção. assim como o de carregamento deste material para a estocagem e carregamento de veículos. . não havendo separação física entre eles. e as cargas psíquicas relacionadas às responsabilidades relativas a manter a contabilidade dos produtos sempre certa e pela execução de um serviço monótono que pode não ter para o trabalhador um significado de realização profissional. havendo risco de acidentes. e as acondicionam em caixas de maior volume. com a qualidade semelhante à do modelo padrão. Em algumas empresas estes setores podem ser os mesmos. ou ser menos importante na cadeia produtiva. No setor de estocagem também pode haver a necessidade de uso de escadas para acesso a prateleiras altas. Na seqüência. oriundas do controle rígido da produção. as peças acabadas vão para o setor de embalagem. o material embalado vai para o setor de expedição onde o conferente faz o controle de estoque do produto e o faturista emite as notas fiscais e responde por ações administrativas necessárias para que o produto possa ser transportado para os clientes.1. exigência de um grande número de calças produzidas por hora. 4.9 Setor de embalagem e expedição Chegando ao fim da linha de produção.insuficiente do campo de trabalho. Neste setor também como nos demais o problema ambiental mais encontrado é o desconforto térmico. de acordo com a encomenda que foi solicitada. mas as cargas de trabalho mais importantes são: as fisiológicas encontradas no esforço físico para a realização do trabalho de embalagem e do enfardamento.

Exigência de postura.Responsabilidade. . ACIDENTES: Trabalho em altura (quedas). de vendas. das mesmas. FISIOLÓGICAS: Levantamento e carregamento de peso. Controla o estoque das FÍSICAS: mercadorias prontas e a saída .Calor.Exigência de postura.QUADRO 9: FUNÇÕES. manutenção. . .Trabalho monótono.Remuneração baixa.Falta de sentido do trabalho. . .Trabalho repetitivo e monótono.Remuneração baixa. FISIOLÓGICAS: . não foram estudados.Jornada de trabalho longa.Responsabilidade. PSÍQUICAS: .2 DISTRIBUIÇÃO DAS PRINCIPAIS FUNÇÕES POR SETOR DE TRABALHO A tabela 3 mostra a distribuição dos trabalhadores pesquisados por funções. . Emite notas fiscais e realiza PSÍQUICAS: atividades administrativas.Calor. Os setores administrativos. sendo que a grande maioria se concentra no setor de costura. ou que não estão envolvidos diretamente na produção das roupas. e após em caixas de papelão. . 4. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE EMBALAGEM E EXPEDIÇÃO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO COLATINA-ES. DE FUNÇÃO Embalador seu auxiliar Conferente Faturista ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO e Embala manualmente as peças FÍSICAS: de roupas em sacolas plásticas . PSÍQUICAS: .Falta de sentido do trabalho. . limpeza. . onde a função predominante é a de costureira (o).

3 1.8 4.4 5.TABELA 3: DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHADORES POR FUNÇÃO E SETOR NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. cobradores Outros Desempregados no período Total (*) Freqüência por função (**) Freqüência por setor SETOR Criação modelagem FREQ(*) FREQ.0 1.5 3.4 2. 2005.7 0.3 2. contador.3 62. vendedores Motoristas.4 100 . FUNÇÃO e Modelista Moldador/Riscador/Pilotista Estilista Auxiliar de modelagem Almoxarifado Almoxarife Classificador e revisor de tecido Encarregado de estoque Auxiliar de almoxarifado Estampador Estamparia Desenhista Enfesto e corte Cortador Auxiliar de corte Enfestador Encarregado de corte Costura Costureira Auxiliar de costura Abastecedor Encarregada de produção Acabamento Revisão de arremate Operador de máquina Encarregado de revisão Passador Passadoria Auxiliar de passadoria Encarregado de passadoria Lavanderia Lavador Auxiliar de lavador Encarregado de lavanderia Expedidor Expedição Auxiliar de Expedição Embalador Conferente Auxiliar de faturamento Encarregado de expedição Artesanato Artesão used Auxiliar de artesão Mecânico de manutenção de máquinas Serviços auxiliares Operadores de caldeiras Limpeza e copa Administrativos Auxiliar de escritório e secretaria Gerente.0 4.1 1.7 6. (**) 6 5 14 2 1 1 1 5 1 2 5 6 1 12 8 23 1 2 209 24 264 14 17 7 16 6 3 25 27 1 1 7 9 1 1 7 6 1 17 1 1 1 4 6 2 4 12 5 3 9 20 8 3 2 2 422 422 % 3.

com aparecimento de varizes. in BUSCHINELLI.A função de costureira representa 49. comprometendo o sistema circulatório dos membros inferiores. 4. não existe uma hierarquia entre as diferentes cargas. e sim.5%. uma preponderância das formas de organização e da divisão do trabalho no interior das empresas no controle e consumo da força de trabalho (FACHINI.3% do total).5% do total de trabalhadores estudados. Esta interação de várias cargas de trabalho atuando sobre o corpo. Em segundo lugar vem o setor de passadoria com 27 pessoas (6. no entanto.182). O trabalho fixo na posição ortostática pode acarretar problemas de aumento de pressão arterial. repercutirão significativamente sobre o psiquismo do trabalhador que se sente em estado de sofrimento devido ao desconforto térmico e por não ter perspectiva de melhorar a condição ambiental do posto de trabalho. o trabalhador evita sair da linha de produção até para beber água ou ir ao banheiro. A carga de trabalho física imposta pelo calor é amplificada nas cargas fisiológicas demandadas pela atividade repetitiva. cansaço muscular e problemas cervicais e dorsais. 1993. determinando o surgimento das doenças. com esforço físico e. como diminui a capacidade do corpo do trabalhador em reagir a estas cargas. p. A posição fixa por longos períodos em cadeiras inadequadas. Para atingir a meta prevista e o ganho da equipe. O levantamento de campo verificou que a exposição aos fatores de risco ou às demandas do trabalho real que caracterizam as cargas de trabalho não ocorre isoladamente. podendo ocasionar inflamações. A repetição dos mesmos movimentos por longo período de tempo provoca o desgaste dos ligamentos e ossos pelo atrito. podendo ainda as posições estáticas prolongadas acarretar desgaste de ossos e articulações. por conseqüência. Para o setor de vestuário de . causando inchaço e o possível aumento do risco de trombose. sendo que os que trabalham neste setor representam 62. mas bem distante dos números do setor de costura. a mente e o psiquismo dos trabalhadores não só acelera o desgaste biopsicológico. Conforme abordado anteriormente. provoca a compressão dos vasos sanguíneos.3 INTERAÇÕES ENTRE AS CARGAS DE TRABALHO E O DESGASTE DOS TRABALHADORES. havendo. simultaneamente.

Colatina. A seguir serão analisados os resultados do levantamento realizado com trabalhadores. . pode ser considerado como determinante das formas de desgaste nos trabalhadores. o sistema de organização da produção em células. no que diz respeito às expressões do desgaste relacionado a certas cargas de trabalho. riscos que necessitam de outro tipo de abordagem para serem trazidos à luz. Neste estudo não abordamos aspectos das cargas psíquicas relacionadas ao assédio moral e sexual.

No setor de costura.3 95. 181 (42. 2000).5 38. 89% dos trabalhadores.4 77.3%). a presença feminina é ainda maior. mas com predomínio acentuado de trabalhadores com idades inferiores a 40 anos (77. 2005.5 43.4 ±7.4% da amostra que foi entrevistada.3 100 % Acumulada 4. ou 66.4 4.7 100 100 Ao se analisar a variável idade segundo o sexo. O espectro etário dos trabalhadores abrange idades de 17 a 65 anos.3%) como negros.9 33.2 anos. é visível uma concentração da população mais jovem no gênero masculino com média de 28.9%) como pardo-morenos e somente 23 (5.5 ASPECTOS SÓCIO-ECONÔMICOS DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA.9 18.7%) se identificaram como brancos. que pode ser explicada pelo acesso recente do homem neste setor produtivo e certa .8 anos. esta freqüência já foi maior no passado e vem diminuindo nos últimos anos com o incremento da mão-de-obra masculina em todas as áreas. Os trabalhadores da indústria do vestuário são predominantemente do sexo feminino: 280 pessoas. Esta distribuição é bastante semelhante ao perfil étnico encontrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD de 1995 (IBGE. De acordo com o SINTVEST. 218 pessoas (51. inclusive no setor de costura. a população empregada é caracterizada por adultos bastante jovens e em franca capacidade produtiva. Faixa Etária < 20 anos 20 a 29 anos 30 a 39 anos 40 a 50 anos > 50 anos Total Freqüência 11 172 143 78 18 422 % 4. Com média de 31 ±9. Quanto ao componente grupo racial desta população de trabalhadores. TABELA 4: DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA POR FAIXA ETÁRIA.

2005.9 anos. a maioria 236 pessoas (55. Sobre o aspecto de números de pessoas que dependem do trabalho assalariado do entrevistado.9%) de 4 a 7 dependentes. 289 (68.1%) são solteiros.2%) são viúvos. Os dados coletados foram de anos estudados e concluídos. conforme a tabela 5. devido ao gênero estar inserido a mais tempo neste tipo de trabalho.8%) que tinham de 1 a 3 dependentes e 50 (15. ou seja. Em relação ao estado civil.homogeneidade de distribuição etária no gênero feminino. FIGURA 3: DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DAS FAIXAS ETARIAS POR SEXO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.9%) é casada ou vive maritalmente com alguém.6 ±9. ver figura 3. . encontrou-se o seguinte resultado: 81 (19. média de 34. 33 (7.1 anos. A escolaridade dos trabalhadores da indústria do vestuário é em média de 7. 148 (35. com aprovação para a série seguinte.3%) responderam que trabalhavam para o próprio sustento.8%) divorciados ou separados e somente 5 (1.

2%). 2005. variaram de 1 a 5. Nota-se que os homens têm um rendimento pouco superior: 1.5 38.TABELA 5: DISTRIBUIÇÃO POR GRAU DE ESCOLARIDADE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. 45). 233 pessoas (55.8%) são de municípios do norte do Estado do Espírito Santo. Informaram ter nascido na zona rural 153 pessoas (36. p. 88 (20.9%) são oriundos de outros municípios do estado. Sobre o local de procedência.2%) nasceram em Colatina. que é de 6.35 salários mínimos. período que coincide com a desvalorização da cultura cafeeira local.9 0. 51 (12. fato que contribuiu para a migração do homem do campo para as cidades à procura de novas oportunidades de emprego e também com o crescimento da indústria do vestuário no município de Colatina. As mulheres têm média de escolaridade de 7. com a média de 1. e é um pouco inferior a dos homens que têm em média 8. sendo que se estabeleceram na zona urbana nos últimos 15 anos.9 100 % Acumulada 0.7 63. Grau de Instrução Analfabetos 1º Grau incompleto 1º Grau completo 2º Grau Incompleto 2º Grau completo Curso Superior incompleto Curso Superior completo Não Informaram Total Freqüência 2 164 56 45 139 8 4 4 422 % 0.1%) são migrantes de outros estados do país e 50 (11.3 98. pela queda da cotação do produto no mercado internacional. Os salários líquidos.47 salários mínimos contra 1. mencionados pelos trabalhadores. revelada pelo senso demográfico 2000 do IBGE.1 100 100 A média de escolaridade dos trabalhadores do setor é um pouco superior à média nacional das pessoas com 15 anos ou mais idade.9 13.2 anos (IBGE.26 anos.6 salários mínimos.3 10. o que diferencia do estudo do IBGE que indica que as mulheres têm escolaridade maior do que a dos homens. 2001.5 39.9 1.3 salários mínimos das mulheres. .2 99.64 anos.4 52.7 32.9 0.5 ±3.7 ±2.4 96.

O tempo de trabalho na indústria do vestuário desta população de trabalhadores varia de 6 meses a 33 anos de trabalho. Tempo de serviço < 1 ano 1 a 5 anos 6 a 10 11 a 15 15 a 19 > 20 anos Total Freq 15 137 116 78 33 43 422 % 3.5 anos.2 100 Quanto ao tempo de trabalho na empresa atual. com a média de 6.5 32.5 7. verifica-se que o tempo médio de permanência é de 5. computadas a atual empresa e as anteriores. A tabela 6 mostra as faixas de tempo de trabalho e respectivas freqüências. .8 10. o que é pouco inferior ao tempo que exerce a atual função.5 18.5 27.03 anos. 2005.5 anos de trabalho na mesma função. TABELA 6: DISTRIBUIÇÃO DE TRABALHADORES DA AMOSTRA POR TEMPO DE SERVIÇO NA INDÚSTRIA NO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. com uma média de 9.

9%) informaram ter tido algum problema de saúde.1264). Dos 422 trabalhadores entrevistados. a proporção de mulheres acima de 14 anos com queixas ou restrição de saúde é sempre maior do que a dos homens. Por esta pesquisa. tabagismo e uso de calmantes. Alguns trabalhadores apresentaram mais de uma queixa de saúde. a ocorrência de suspeita de DMM e LER. 2000. considerando-se se tratarem de trabalhadores jovens.6 PERFIL DE DESGASTE À SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA. p. já que os casos relativos ao número de trabalhadores deram resultados muito próximos 24.1 PREVALÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE OU MORBIDADE REFERIDA Um dos objetivos deste estudo foi verificar qual era o perfil de adoecimento dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina.21). 30 duas queixas. 10 três queixas e 6 casos com 4 sintomas ou desconforto o que totalizou 173 queixas. . 105 trabalhadores (24.4%. caracterizado pela prevalência de queixas de saúde (morbidade referida) existente na população nos últimos 15 dias anteriores à entrevista. sendo 59 apenas uma queixa. uso de bebidas alcoólicas. O perfil de desgaste à saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina foi estudado com base no perfil de queixas de saúde referidas nos últimos 15 dias anteriores à pesquisa. situação que conflita com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio – PNAD sobre acesso e utilização de serviços de saúde de 1998 (IBGE. O perfil de adoecimento que se configura é uma expressão do desgaste decorrente do processo de trabalho. 6. qual foi o tipo de acesso e utilização de serviços de saúde.6% para mulher e um pouco superior para os homens 25. Não houve diferença significativa de prevalência de queixas por sexo (p=0. com média de idade de 31 anos. à ocorrência de restrições de saúde que determinou a necessidade de afastamento do trabalho. Os trabalhadores apresentaram um índice de queixas à saúde bastante alta.

bursite.Dor no peito. c. 2.Pressão alta. b.1% das queixas.5 100 24.0 37. d. dores e inchaço nas pernas e pés. sinusite. dispersa no . 3. constituídas de gripes.7 10. otite.Problemas muscoloesqueléticos: a.Problemas das vias aéreas superiores: a.Diabetes. d. costas e pescoço. em posição fixa.Problemas renais: a. 59 39 10 7 3 39 19 15 4 1 27 20 4 3 11 10 8 2 6 6 21 5 3 3 3 2 2 1 1 1 173 % (*) 56. ombro. mãos e punhos. Total (*) Referindo-se a 105 pessoas que responderam ter tido queixa de saúde (**) Referindo-se a 422 pessoas que participaram da pesquisa.Hemorróidas. já que há alta proporção de hipertensão.4 1. SEGUNDO ÓRGÃOS E SISTEMAS ACOMETIDOS NOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. inflamações e problemas alérgicos.Estresse e tensão nervosas. g.5 9.4 19.Dores e dormência joelho. 5. Os problemas respiratórios.Cirurgias. artrose e reumatismos.Mancha de pele.LER.9 problemas cardiovasculares com 37.Problemas gastrintestinais: a.De acordo com a tabela 7. b. com 25.Dor de cabeça e enxaqueca. faringite. b. b. 7. f.4 2.Inflamação de garganta.Dor e queimação no estomago. para os quais a poeira do algodão.Auditivos. correspondendo a 56. i. com alta freqüência de dores nas costas e na coluna.Febre. a seguir vem os TABELA 7: MORBIDADE REFERIDA.Dores nos braços. dos problemas de saúde informados pelos trabalhadores.Acidentes (trajeto e trabalho).Dor de dente.Infecção renal e cólica.2% das queixas. e. h. d. Freq. pé e calcanhar. lombar.Problemas cardiovasculares: a.Inchaço e dor nas pernas e pés.7% das queixas. 6.Cistite.Alergias. b.Outros: a.7 6. os muscoloesqueléticos foram os mais citados. taquicardia e desmaio. rinite.1 9. 2005. sentado ou em pé durante toda a jornada.9 4. c. 4.2 % (**) 14.2 25.Dor na Coluna.Problemas visuais.6 2. PROBLEMAS REFERIDOS DE SAÚDE 1. ambos podendo estar ligados ao fato do trabalho ser realizado em ritmo acelerado. c.Estafa e cansaço. c. representam a terceira principal causa de queixas.gripe.5 5.

SETORES Costura FUNÇÕES Costureira Auxiliar de costura Auxiliar de serviços gerais Abastecedor Encarregado de produção Revisor de arremate Operador de máquina Encarregado de produção Passador Artesão Auxiliar de artesanato Auxiliar de expedição Encarregado de expedição Embalador Auxiliar de faturamento Cortador Auxiliar de corte Desenhista Estilista Modelista Lavador Almoxarife Mecânico Operador de caldeira Queixas Freq Função.7 1 1 1 1 3 2. 63 pessoas ou 60% dos casos. o que vem a dar ao setor de costura uma prioridade no controle das condições de trabalho: onde há o maior número de trabalhadores e maior risco de adoecimento. com 10.ambiente de trabalho.9 1 1 1. As demais funções ficam com percentagens bem inferiores. TABELA 8: FREQÜÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE POR SETOR E FUNÇÃO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. 2005.5%. contrasta com os indicativos observados no levantamento de cargas de trabalho onde foi verificada a existência de grande número de cargas psíquicas demandadas pela organização do trabalho.8 2 1 3 2.0 1 1 1.8 1 1 5 5 4.5% das queixas.0 105 105 100 Acabamento Passadoria Artesanato Expedição Enfesto e Corte Criação/ e Modelagem Lavanderia Almoxarifado Manutenção Caldeiras TOTAL .7 4 5 4.7 1 3 6 5. podem estar indicando sintomas inespecíficos de desgaste. O pequeno número de transtornos mentais. pela dificuldade que os trabalhadores têm de parar o serviço para irem ao banheiro. Verificou-se também um alto índice de problemas renais. Freq. pode estar relacionada.0 1 1 1. De acordo com a tabela 8. 9. a função de costureira é a que mais apresenta queixas de saúde.8 1 1 2 2 1. Setor % 63 2 74 70.9% das queixas. proporção que é superior à de costureiras em relação ao total de trabalhadores (49%). encontrado nesta amostra.5 4 3 2 2 4 3. podendo estar associados à contenção da urina. Dores de cabeça e enxaquecas. 2.

com média de 23.9 A prevalência maior se deu com trabalhadores com menos de 1 ano no serviço. revelando que a prevalência destas queixas cresce com o tempo de atividade no setor. Segundo uma encarregada de produção.4 15. cinco foram devido a problemas alérgicos e respiratórios. alegando o trabalhador não suportar mais as condições de trabalho.2 100 Expostos 15 137 116 111 43 422 P (%) 53.3 16. 36 relataram que tiveram que se afastar do trabalho por um período que variou de pelo menos 0. motivou pedido de demissão. TABELA 9: PREVALÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE COM TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES POR TEMPO DE SERVIÇO. 2005.2 ABSENTEÍSMO E AVALIAÇÃO DE SAÚDE A tabela 10 mostra que.6 21. a partir desta faixa de tempo de trabalho ocorre aumento progressivo da prevalência podendo-se inferir que as doenças têm associação com a contínua exposição às condições de trabalho. após ter sido interrogada sobre o tempo de serviço médio de cada trabalhador na empresa. Uma hipótese que pode ser feita a este respeito é de que as desgastantes condições como o trabalho é realizado acabam por selecionar aqueles que continuarão neste setor produtivo. Dos 8 casos com trabalhadores com menos de 1 ano de serviço.9 21.A tabela 9 mostra o número de trabalhadores com queixas de saúde por tempo de serviço. um caso. informou que 5 anos é o tempo médio em que se agüenta trabalhar.4 dias perdidos de trabalho por trabalhador.9 33.2 24.8 19. Tempo de trabalho na atividade <1 1a5 5 a 10 10 a 20 > 20 Total Freqüência 8 23 23 35 16 105 % 7.5 dia ou até mais de 360 dias. 6. das 105 pessoas com queixas de saúde. sendo que.5 37. considerado como perda.8 31. segundo o número de dias . A tabela mostra a distribuição dos trabalhadores afastados. Segundo a tabela.

de afastamento. 14 5 4 4 8 35 % 40.Bronquite (1). Problemas de saúde 1. o índice de absenteísmo é alto e indica um elevado custo humano para a realização da produção.68). (*) 2 22 6 5 35 % 5. sendo que 63% afastaram-se por um período que variou de 1 a 7 dias.Acidente do trabalho (2).3%. Dias de afastamento <1 1a7 8 a 15 > 15 Total Freq.Infecção nos rins (4) 6.4%.PROBLEMAS DAS VIAS AÉREAS SUPERIORES:. 2005.3% da população estudada.9 100 A tabela 12 mostra o resultado da auto-avaliação do estado de saúde por parte dos trabalhadores. As principais causas de afastamento do trabalho são os problemas muscoloesqueléticos. TABELA 11: CAUSAS DE AFASTAMENTO DO TRABALHO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES POR ÓRGÃOS OU SISTEMAS. sinusite (1) e alergia (1) 4. com 40% dos afastamentos.3 11. sendo que 64. sobre restrição ao trabalho nos últimos 15 dias para a população brasileira com idade de 14 a 64 anos.PROBLEMAS CARDIOVASCULARES: . dormência pernas (1) e hemorróidas (1) 3.Pressão alta (2). Como 35 trabalhadores representam 8. seguidas por problemas cardiovasculares.9%.OUTROS: .3 100 (*) uma perda de informação por pedido de demissão. gripe (1).4 11. tensão nervosa (1) TOTAL Freq. e os problemas renais com 11. 2000. dor de gravidez (1). Este dado é superior ao observado na pesquisa PNAD 1998 (IBGE. conforme a tabela 11.PROBLEMAS MUSCOLOESQUELÉTICOS: .1 14. em que se destacam as infecções dos rins.7% consideraram que este era bom ou muito bom .9 17. artrose (1).7 62. TABELA 10: NÚMERO DE DIAS DE AFASTAMENTO DO TRABALHO POR QUEIXA DE SAÚDE NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. que foi de 5. LER (1) e reumatismo (1) 2.PROBLEMAS RENAIS . Dor no peito (1). com 14. dor de cabeça e enxaqueca (1) problemas no estômago (1). 2005.4 22.0 14. em particular as dores na coluna. cirurgia (2). p.Dor de coluna (10) e dor nas costas (1).

2005 Estado de Saúde Muito bom Bom Regular Ruim Muito Ruim Total (*) Uma perda feminina.6 26. F 38 132 99 7 3 279 % 13. Os demais.3 35. sendo de 81. obtiveram um ou mais atendimentos.5 1. enquanto para as mulheres. 20) encontrou um índice de satisfação para a população geral brasileira de 79.1 0.9%. 6. o que totalizou 82 atendimentos. A tabela 13 mostra a distribuição dos atendimentos médicos segundo o local de atendimento. 39 pessoas (37.9%). p.2 32.5 54.8% para os homens e de 76.7 100 A pesquisa PNAD 1998 (IBGE.8%.4% para as mulheres.1 100 M 6 96 38 2 0 142 % 4.3 ATENDIMENTO MÉDICO E DOENÇA DO TRABALHO Dos trabalhadores com queixa de saúde. 66 pessoas (62.8 1.1%) não procuraram atendimento médico.5 2. . 2000.6 47. Total 44 228 137 9 3 421 % 10.2 67.5 2.1%. TABELA 12: AUTO-AVALIAÇÃO DO ESTADO DE SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.(índice de satisfação) e somente 2. O índice de satisfação para os homens foi de 71. foi de 60. tendo um caso em que o trabalhador recebeu 3 atendimentos nos últimos 15 dias.4 0 100 Freq. resolvendo seu problema de saúde em farmácias ou fazendo automedicação.8% disseram estar seu estado de saúde ruim ou muito ruim.

2005.E.9%) disseram que sim.TABELA 13: DISTRIBUIÇÃO DE ATENDIMENTO MÉDICO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES POR LOCAL.4% dos atendimentos através das Unidades Básicas de Saúde e do Programa Saúde da Família.R. em ordem decrescente: .4 INDICADORES DE SOFRIMENTO PSÍQUICO E L.8 respostas positivas.INSS. Perguntados se o médico que os atendeu relacionou o sintoma de sua doença com o trabalho.7 24.UBS Plano de Saúde Total Freqüência 19 8 35 20 82 % 23. a fim de melhorar a qualidade de vida destas pessoas e diminuir o impacto da demanda de atendimento médico. os casos já diagnosticados alcançam 6. As freqüências simples dos itens do SRQ mais referidos foram os seguintes.2 9. o que é bastante expressivo. Este indicador ressalta a importância de se investir em programas de prevenção e proteção da saúde do trabalhador nas empresas. Mesmo desconsiderando que pode haver muitos trabalhadores ainda com um diagnóstico errado. A pontuação de respostas positivas à aplicação das perguntas do SRQ-20 mostrou uma média de 4.7 42.PSF Unidade Básica de Saúde .8% da população trabalhadora da indústria do vestuário. Tipo de Atendimento Médico da empresa Programa Saúde da Família .4 100 Nota-se que o SUS foi responsável por cerca de 52. tratamento e reabilitação que estes trabalhadores irão representar para o SUS e o Instituto Nacional de Seguridade Social . 6. ou cujo estágio precoce de adoecimento não teve o nexo causal bem estabelecido pelo médico. 29 trabalhadores (43. entre todos os entrevistados.

mostrando que o indicador de morbidade referida não foi sensível à identificação dos casos suspeitos destes problemas.88% 39.Tem sensações desagradáveis no estômago? 9. enquanto foram apenas 16.Tem dificuldade de tomar decisões? 3. sendo que 51.Tem se sentido triste ultimamente? 4. Encontrou-se o índice de 24. dores de cabeça freqüentes e se assustam com facilidade.Dorme mal? 65. vindo a seguir a dificuldade de tomar decisões (com quase 40% dos indivíduos) e ter se sentido triste ultimamente com cerca de 38%.1% dos que não tiveram queixas.0001). Este dado contrasta com o dado anterior de que apenas 2.Assusta-se com facilidade? 5.57% 37.9% 28. sendo estatisticamente associado com o sexo (p=0.Sente-se nervoso. Houve associação significativa entre ter suspeita de DMM e a ocorrência de queixas à saúde (p<0.44 34.30% 25. .0006) (prevalência no sexo feminino de 30% contra 14.9%. sensações desagradáveis no estômago.9% das queixas referiam-se a transtornos psicoemocionais. sente-se cansado o tempo todo.94 30.8% no sexo masculino).1.20% 26.Sente-se cansado o tempo todo? 8.0001).12% 32. de suspeitas de DMM. dificuldade de pensar com clareza. tensão e preocupação.Tem dificuldade de pensar com clareza? 6. O uso de calmantes também foi estatisticamente relacionado com a suspeita de DMM (p<0. sendo maior entre os suspeitos de DMM (31.4% dos que tiveram queixas à saúde foram considerados suspeitos de DMM. vemos que pelo menos 25% das pessoas têm: dificuldade para dormir. Além disso.41%). 105 trabalhadores.43%) do que entre os não suspeitos (10. tenso ou preocupado? 2.83% Observa-se um alto índice para o sentimento de nervosismo. com aproximadamente 66% da amostra.Tem dores de cabeça freqüentes? 7.

E. realizou-se a regressão logística múltipla ajustada.6%.6524 (IC95%: 1. sendo que 20. Em relação à função. enquanto que para os que responderam não se sentirem valorizados. Sentir-se valorizado parece funcionar como uma proteção ao DMM. a função de costureira tem 1.0%) com as outras funções (11.6% entre os que não apresentaram.0%. Para o primeiro quartil (< 2 anos) a suspeita de DMM foi de 16.7%).R encontrou a prevalência de 16.2599).0002). para o terceiro quartil (4.R.4%. Houve associação entre suspeita de L. assim.43 vezes mais chance de ter suspeita de DMM do que as outras ocupações.E. cuja variável dependente srq8 1= positivo e 0= negativo ajustada pela variável independente função costureira (0) e outros e controlada pelo sexo. Houve associação entre suspeita de LER e de queixas à saúde (p=0. e sexo (p=0.E.0586) e valorização pelo trabalho que realiza (p=0.7% e para o último quartil (> 10 anos) a suspeita foi de 35.2% dos que responderam sentirem-se valorizados foram considerados suspeitos de DMM. Obtendo-se o “Odds ratio” 1. Em relação à função. e controlado pelo sexo. Não houve associação entre a suspeita de L. se obteve o “Odds ratio” (Razão de chance) 2.53). e a função exercida (p=0. 1= positivo e 0= negativo sendo ajustada pela variável independente função: para costureira (0) e outros.67-3. A aplicação de screening para levantamento de suspeita de L. que as outras ocupações.57). para o segundo quartil (2 a 4. Este dado vem ao encontro de dado anteriormente relatado que apontou 14% de pessoas que tiveram queixas de saúde relacionadas ao sistema musculoesquelético. realizou-se a regressão logística múltipla ajustada.0097).6%. o uso de calmantes (p=0. .4328 (IC95%: 1.6 vezes mais chances de ter suspeita de L. quando comparada à função de costureira (o) (21. quando considerados os dados distribuídos em quatro quartis.R. com a variável dependente apresenta suspeita de L. sendo a suspeita encontrada em 24. Assim.0075).R.06-2. o índice de suspeitos de DMM foi de 40.6 a 10 anos) a suspeita foi de 24.Houve associação significativa entre as variáveis sentir-se valorizado pelo trabalho que realiza e suspeita de DMM (p=0.5 anos) a suspeita foi de 21. a função de costureira tem 2. ou 69 pessoas.E. dos quais cerca de um terço são suspeitas de LER.E. Houve associação significativa da suspeita de DMM com o tempo de trabalho na função.6%.9516).R.76% entre os que apresentaram queixas e de 13.

conforme a tabela 14. também são suspeitos de DMM enquanto que os não suspeitos apresentam somente 22. 10. FUMO E MEDICAMENTOS CALMANTES.8 13.4 8.1% dos suspeitos de LER. referiram ter feito ou estarem usando este tipo de medicamento nos últimos 6 meses.1% de DMM.0 16. 2005.0028) entre as variáveis. 6. ou 33.3 18.6%. Freqüência 36 10 10 5 61 % 59.2%.Quando analisamos suspeitas de LER com DMM.2 100 Quanto ao uso de remédios calmantes. 15. constatamos que há associação (p=0. em que 39. Dos que disseram consumir bebidas alcoólicas. TABELA 15: DISTRIBUIÇAO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES QUE FAZEM USO DE CALMANTES POR TEMPO DE USO.4 0.2 1. mas a ingestão de bebida alcoólica foi referida por 140 trabalhadores. 2005. Tempo de Uso < 1 ano (*) 1 até 5 anos 5 até 10 anos > 10 anos Total (*) Incluídos os raramente ou às vezes. 66 pessoas.4 16.5 USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS. O uso do fumo foi relativamente baixo com 45 fumantes. TABELA 14: FREQÜÊNCIA DE CONSUMO DE BEBIDA ALCOÓLICA ENTRE TRABALHADORE DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO E COLATINA-ES. somente 7 pessoas afirmaram que faziam o uso por mais de dois dias por semana.7%. Consumo de bebidas alcoólicas Não usam < de uma vez por semana 1 a 2 vezes por semana 3 a 4 vezes por semana 5 ou seis vezes por semana Total Freqüência 282 56 77 6 1 422 % 66.2 100 .

Captropil (1). um diagnóstico e uma indicação feita por um médico. Valium (1) Freq. beber e usar calmantes entre os sexos. geralmente do grupo dos benzodiazepínicos. mesmo que não exista um distúrbio de ansiedade propriamente dito.0% contra 6.9% contra 19. Sertralina (1). Podem ser utilizados também. Somalium (4).4% contra 4. conforme mostra a tabela 16.0001) com 21. veja tabela 14. TABELA 16: FREQUÊNCIA DOS PRINCIPAIS MEDICAMENTOS CALMANTES UTILIZADOS PELOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.com. 10 9 Afroditi (1). . Altrox (1). Calmantes referentes (1). Foram maiores para os homens (p<0. Aplaz (2). Pondera (1). cerca de 40% afirmam utilizar estes medicamentos há mais de 1 ano. para controlar tensão nervosa devido a algum acontecimento estressante.6% entre as mulheres. Ansilive (1).5% das mulheres. Assert (1). Amitriplina (3). Brumazepan (2). Liptril (1). 2005. Calman (1).2% entre os homens.Em relação ao tempo de uso. portanto. de forma limitada. Alool (1). Amytril (1). Lexotan (4). Diazepan (8) Olcadil (6).0001) com 59. Tipos Ansiolíticos Medicamentos Rivotril (16). Outras Referências (*) Uma perda. (www.br acesso realizado em 25/04/2006). enquanto para as mulheres foi maior o uso de calmantes (p<0.0001) os hábitos de fumar com 19. Navotrax (1). Houve uma diferenciação entre os hábitos de fumar. Tenadren (1) Os ansiolíticos são os tranqüilizantes mais utilizados. Gadernal (1). sendo necessário. cuja principal finalidade é o tratamento dos transtornos de ansiedade. e o uso de bebidas alcoólicas (p<0. Cefahim (1). 46 Antidepressivos Fluoxetina (3).psicosite. Os medicamentos referidos pelos trabalhadores foram basicamente ansiolíticos e antidepressivos.

Foram citados também alguns riscos de acidentes. seguem-se os agentes ambientais que constituem as cargas químicas com 22. Como se pode observar pela tabela 16.5% (poeira.7 PERCEPÇAO DOS TRABALHADORES SOBRE A RELAÇÃO SAÚDE TRABALHO Quanto à percepção de que as condições de trabalho a que estavam submetidos poderiam prejudicar sua saúde. hierarquia rígida. 212 (50. pois se sentir valorizado pelo trabalho que faz pode significar um importante amortecedor que contribui para manter a saúde do trabalhador ou sua capacidade de resistir ao processo de adoecimento como veremos.8% (calor. o mobiliário utilizado .em especial a cadeira de madeira utilizada pelas costureiras .fixação da vista e ficar na mesma posição (sentado ou em pé) por um tempo muito longo.7% de cargas psíquicas como conseqüência de fatores como a pressão pela produção. controle para ir ao banheiro e baixos salários.3%.4%) que às vezes e somente 105 (24. Os demais grupos de cargas foram bem pouco referidos. caldeira e lavanderia.2%) responderam que sim. Esta informação é importante. umidade e ruído).7%) informaram que sim: 69 (16. como na máquina de corte. a percepção dos trabalhadores sobre as cargas de trabalho que podem ser fontes de doenças em sua atividade estão associadas ao esforço do corpo em fazer as operações biomecânicas e o estresse psíquico introduzidos pela organização no controle da produção e pela péssima qualidade ambiental que aumentam o desconforto e as doenças. Em relação aos fatores de risco mais citados. substâncias químicas e tintas) e as físicas com 16. estão as cargas fisiológicas com 55. Perguntados também se sentem valorizados pelo trabalho que fazem 247 (58. ritmos excessivos. como: a posição fixa em que se realiza o trabalho. . movimentos repetitivos.9%) que não. mas houve a percepção de 3. perfurações por agulhas.

22 Umidade. 13 Muito tempo na mesma posição. 1 Ficar muito tempo sentado. seguidos dos problemas respiratórios com 24. 1 Máquina baixa. 3 Ritmo acelerado. 1 Poeira. 22 Cadeira sem regulagem.5%. 44 Carregar peso. 3 Controle para ir ao banheiro.1 194 55. 10 Ficar muito tempo em pé. 11 Esforço visual. 50 Posição inadequada. Deve-se destacar que o grupo dos transtornos .3 13 3.R= Freqüência relativa e F. em que as alergias foram predominantes.A.8 79 22. 2005. 1 Variação de funções. 4 Atritos com chefias e colegas. Máquina perigosa e caldeira.R. 2 Salário baixo. 1 Caldeira sem manutenção. 1 Lavanderia. 59 % 16. Cargas de trabalho Físicas Químicas Acidentes Fisiológicas Psíquicas Fator de risco F. cheiro de tinta. 3 Pausa curta ou inexistente. Perguntados sobre quais os problemas de saúde poderiam decorrer das cargas de trabalho referidas como causas de doenças no seu trabalho.A= Freqüência absoluta. 49 30 Produtos químicos. 36 Ruído. cerca de metade das referências disseram respeito aos distúrbios musculoesqueléticos. 1 Total F. 1 Pressão por produção.TABELA 17: PRINCIPAIS CARGAS DE TRABALHO REFERIDAS PELOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. 1 Subir escadas. 1 Esforço mental. 3 Período curto para o almoço. 22 Esforço repetitivo.7 351 100 F. com predomínio dos problemas de coluna.5 4 1.. 1 Água não é gelada. 1 Responsabilidade. 1 Solda elétrica. Calor. 9 Esforço na coluna.

pouco referidos enquanto queixa de saúde. dor nos braços (3). pulso (2).2 2. 2005. perturbação mental (2). constipação (2) 7 Total 327 (*) Em relação ao número de pessoas que responderam a pergunta. varizes (3). falta de ar (3). dor nas juntas (1). Órgãos e Sistemas Problemas de saúde Freq Músculoesquelético Dor na Coluna (121).0 6. %(*) 47. tonturas (1) Visuais Problema de visão (17). TABELA 18: PERCEPÇÃO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA – ES SOBRE PROBLEMAS DE SAÚDE DECORRENTES DE SEU TRABALHO. 20 inchaço (3). . nas costas (2).5 3. LER (11).5 7. 156 artrose (1). Gripe-resfriado-garganta (4). nervosismo (2) Depressão (3). dor no ouvido (1) 9 Renais Problema renal (4). câimbras (1) Respiratórios Alergias (41). apesar de poucas oportunidades de discutir suas condições de saúde e trabalho tem conseguido perceber de forma geral que há situações desgastantes em seu local de trabalho. 4 Outros Doença de pele (3). O que demonstra que o trabalhador do setor do vestuário de Colatina – ES. asma (2). irritação nos olhos (1) 18 Desgaste Dor de cabeça (9).1 100 Verifica-se que de uma forma geral os problemas de saúde referidos têm uma relação de causa e efeito bastante lógica com as cargas de trabalho referidas. cansaço (1) 10 inespecíficos Auditivos Surdez (8). bursite (1). dor nas pernas (9). câncer (4). rinite (5). o que demonstra que a percepção dos trabalhadores sobre a relação trabalho-saúde é alta.7 1. cansaço 23 mental (1) Cardiovasculares Problema de circulação (13). fraqueza nos braços (1).1 5.7 24. foram referidos aqui como 7% dos possíveis problemas de saúde relacionados com o trabalho.0 2. Problema respiratório (20). ansiedade (1). dor muscular (2). sinusite (3) Psicoemocionais Estresse (14). 80 bronquite (2).psicoemocionais. nos ombros (1).

4) 254 (60.6) 327 (77.7) 145 (34.1) 22 (5.4) 268 (63. TABELA 19: PRINCIPAIS FONTES REFERIDAS DE TENSÃO NO TRABALHO EM TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.Falta de promoções ou oportunidades 9.7.1) 236 (56.Improvisações no trabalho 13.0) 3 (0.4) 46 (10.5) 11 (2.1) 37 (8. as principais situações estão indicadas na tabela 19.6) 66 (15.1) 176 (41.6) 21 (5.8) 7 (1.7) 30 (7.9) 158 (37.9) 82 (19.9) 9 (2. nota-se que o que causa tensão ou cansaço é.2) 229 (54. .7) 164 (39.Pouco tempo para pausas 5.5) 15 (3.3) 88 (20. jornada de trabalho é longa.2) 195 (46.1) 292 (69.2) 160 (38.Desconforto e inadequações mobiliárias 11.Barulho excessivo 6.9) NÃO N (%) 150 (35.7) 315 (74.Trabalho noturno ou turnos SIM N (%) 249 (59.4) 144 (34.Falta de treinamento 15.Jornada prolongada e horas extras 4.7) 10 (2.9) Considerando-se as respostas sim e às vezes.0) 210 (49.5) 75 (17.2) 20 (4.8) 38 (11.Má remuneração 2.2) 255 (60.4) 146 (34.3) 182 (43.5) 195 (46.Falta de cooperação com colegas 12.1) 102 (24.0) 212 (50.Ameaça de demissão 8.Trabalho monótono ou desinteressante 15.Problemas com chefias 14. Fontes de Tensão e Cansaço 1. fazer horas extras e pouco tempo para pausas.2) 299 (87.Trabalhar por produção fixa 7. para mais da metade dos trabalhadores pesquisados: má remuneração.1 FONTES DE TENSÃO E CANSAÇO NO TRABALHO Questionados sobre quais as situações são fontes de tensão e cansaço no trabalho.2) ÀS VEZES N (%) 23 (5.0) 19 (4.Ritmo de trabalho acelerado 10. 2005.9) 326 (77.8) 25 (6.0) 160 (37.5) 241 (57.Calor excessivo 3. calor excessivo.8) 224 (53.

com dor nos olhos (2). Enquanto que para os caixas bancários a principal fonte de cansaço e desgaste foi o desconforto e a inadequação do postos de trabalhos. Nervosa (1). Freq. 2005. que aparece em primeiro lugar em importância para estes trabalhadores.4 50. Na tabela 15 são apresentadas as respostas à pergunta sobre a sensação que sentem ao sair do local de trabalho no fim do dia. Bem (80). livre como um pássaro (5). indicam que para cada ramo de serviço aparecerão formas de desgastes diferentes.As cargas referidas pelos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina comparado com estudo semelhante realizado por Borges (2000). 7. animado/realizado/melhor (8). O motivo alegado por alguns é o de conseguir bater o ponto primeiro e arrumar um bom lugar no ônibus que a empresa oferece para transportá-los aos bairros mais distantes. feliz/alegre/satisfeito (15). dever cumprido (2). quase em correria.9 15. Outra justificativa para este fato é a ansiedade para sair do local de trabalho – como uma liberdade alcançada e ou o fim do sofrimento. regular (1). cujas falas aparecem em vários depoimentos dos trabalhadores. com dores (2). estressado (7). uma benção (1).2 SENSAÇÃO AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DA JORNADA DE TRABALHO. e a má remuneração. graças a Deus terminou (1). 143 Aliviado (53). como “um sentimento de estar fugindo de uma gaiola. 214 Total 422 % 33. tranqüilo (12). com caixas bancários de um banco estatal. às vezes bem às vezes estressado (2). 65 Cansado (202).7 100 . foi indicada pelos bancários como sendo a terceira. TABELA 20: DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA – ES SEGUNDO A SENSAÇÃO QUE SENTEM AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DO DIA. de alívio de estar saindo de uma situação de gasto de energia física e mental acima do suportável”. normal (28). os trabalhadores da indústria do vestuário indicaram esta carga como a 10ª em grau de importância. Acompanhando o trabalho nas fábricas foi registrado que no apito do final do expediente os trabalhadores abandonam imediatamente seus afazeres e saem com bastante pressa do local.

valorização. das respostas encontradas. 5. fim do mês. da profissão e de sentir-se útil com 211. poder trabalhar. 7. gostar de trabalhar e do que faz. qualidade do serviço.Verifica-se que cerca de metade dos trabalhadores referiu sentir-se cansaço ao final da jornada de trabalho e somente 33. e ao fato de atingir as metas. 2005. forma de tratamento. a hora do almoço e da . também. a profissão. gostar de trabalhar.Patrões. ganhar o justo. TABELA 21: ASPECTOS DO TRABALHO QUE MAIS AGRADAM AOS TRABALHADORES DO SETOR DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.. concordando com o que foi registrado anteriormente na hora do apito que sinaliza o final do dia de trabalho.O ambiente de trabalho.Outros Total de aspectos mencionados Freq. 40.3 ASPECTOS AGRADÁVEIS E DESAGRADÁVEIS NO TRABALHO. consideração superiores. COISAS QUE LHE AGRADAM NO TRABALHO 1.Ter emprego. obter boa qualidade nos serviços com 38 ou 5.Atingir as metas.Amizades.2%. 31. 11. São importantes também as expressões de alívio e de liberdade. 6. 4. companheirismo. sentir-se útil.7%. 2.7%. etc. veja tabela 21 abaixo. patrões e encarregados como o ponto que pode repercutir positivo ou negativamente na avaliação dos trabalhadores.Remuneração. 267 211 75 38 30 24 20 665 São indicados. alguns aspectos contraditórios do trabalho como uma coisa que lhe agradam. colegas. Em terceiro lugar e indicado o bom relacionamento com os patrões e em especial com os encarregados com 75. vindo a seguir o ambiente de trabalho.9% a de ter sensações que expressam bem estar.1%. o fim do expediente. fim do expediente. A relação com os colegas foi o aspecto mais mencionado com 267. 6. união. 3. como por exemplo. pagamento em dia. As respostas dadas às perguntas abertas sobre as duas coisas que mais lhe agradam e as que mais lhe desagradam no trabalho.. foram muito variáveis. mas notam-se as relações pessoais entre os colegas.

A % Pressão exagerada encarregada. inveja. dificuldade para beber água.5% do total. produtos químicos. rotina. igualdade tratamento. 4 Demissões.R= Freqüência relativa e F. o final do mês e o voltar para a casa com 30 indicações ou 4. mau humor. 74 Muito trabalho. 77 Relações Falta de coleguismo. Fofocas.0 consideração. falta de café da manhã. Entre as coisas que mais desagradam os trabalhadores assinalaram um número menor de itens. remuneração Desigualdade salarial.3 ambientais Poeira. 26 6. Organização Tipo de trabalho que realiza 8 107 26. 21 5. Tempo de pausa. 6 Trabalho repetitivo. desunião. fracasso. ignorância. que é um dos itens importantes .pausa para o café. 21 21 5.1 do trabalho Horas extras. Valorização e 27 86 21. cooperação e entrosamento. Outros Nada. Agentes Ventilação/calor e barulho.R F. trabalhar em célula 13 e competitividade. ou seja. atraso pagamento. intrigas. 12 Má remuneração 45 Falta de valorização. cansaço. 409 contra 665 que agradam.7 interpessoais Brigas. departamento de pessoal. COISAS QUE MAIS DESAGRADAM NO TRABALHO F. veja tabela 22. retrabalho. 9 Relação ruim com patrões/chefes 15 Hierarquia Desconfianças/desrespeito/perseguições/normas. mentiras e falsidades. produção alta. etc. segunda-feira.4 11 incompreensões.1 Total 409 100 F.A= Freqüência absoluta.3 Administração administração.1 Falta de médico 3 Distância da casa ao trabalho. má 9 9 2. A análise destes quadros demonstra que a organização do trabalho em células reforça a solidariedade do grupo de pessoas na obtenção das metas de produção. 2005. mau cheiro. 29 38 9. cujos resultados garantem uma maior remuneração. almoçar na marmita. TABELA 22: ASPECTOS DO TRABALHO QUE MAIS DESAGRADAM OS TRABALHADORES DO SETOR DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. pegar ônibus. não 15 participação nos lucros. 6 improvisações. 12 101 24. falta 14 Desconforto de higiene. trabalho noturno e horário rígido. descontos.

1%) do total delas. com vários agentes atuando simultaneamente.que desagradam os trabalhadores. intrigas e outros aspectos do relacionamento entre os que mais desagradam com 77 indicações (20.5%). . seguido pela pressão pela produção com 69 (18. Este laço de solidariedade cria uma relação de identificação e de companheirismo. a organização do trabalho em produção alta. tendo a fofoca. a posição fixa de trabalho. onde o calor decorrente da má ventilação se sobressai com 23 indicações (6. um ambiente de trabalho desconfortável.2%) são os itens que mais desagradam seguidos pelas relações pessoais. que quando não são harmônicas. a repetitividade. Os trabalhadores enfrentam também. a grande maioria das respostas está ligada a sentimentos e crenças relacionadas ao mundo social. quebram a solidariedade intergrupal. Como a relação interpessoal e grupal é um fator muito importante para este grupo de trabalhadores. a competitividade e o excesso de trabalho com 102 indicações (27. havendo inclusive certo estranhamento com trabalhadores de outros setores. Assim.4%) e a má remuneração com 40 citações (10. Por outro lado um bom entrosamento no trabalho reforça positivamente o enfrentamento do ritmo de trabalho e as cobranças constantes para manter a produção alta. veja tabela 22.6%).

por parte dos trabalhadores e de seu sindicato. Esta população jovem. é substituída. É o mercado global que deprecia o salário para baixo. que são realizados em dias escolhidos pela empresa. por sinal praticado em todo o país. a opção de trabalho da grande maioria dos trabalhadores jovens da região.8 CONCLUSÕES As relações sociais no interior das fábricas de vestuário têm marcas profundas sendo denunciada pela forma de organização da produção e pela divisão do trabalho. Os novos trabalhadores são capacitados pelo Serviço Social do Comércio . por novos trabalhadores treinados e com capacidades orgânicas em condições de manter a alta produção que alguns trabalhadores já não suportam mais. seja nas pequenas oficinas de facção ou no trabalho a domicílio. com salário base fixado em convenção coletiva em torno de R$357. dependendo das metas atingidas durante o mês de trabalho. faz . em casas simples de alvenaria ou de madeira. lavanderia. periodicamente. acabamento. Nestes locais é onde a organização capitalista se apropria de maneira mais severa do tempo e da capacidade do trabalhador de produzir os bens de consumo que se transformarão nas mercadorias que proporcionarão o lucro da atividade econômica. Os trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina são constituídos por uma população empobrecida e de baixa escolaridade. A indústria do vestuário de Colatina tem sido desde 1990. seja pelo grande desenvolvimento destas empresas como pela retração do setor agropecuário baseado na monocultura do café e da pecuária de corte. passadoria e de artesanato. A falta de opção de trabalho na região favorece a aceitação. sendo mais visível nos setores onde o trabalho vivo é mais atuante. Os trabalhadores excluídos acabam sendo desviados para o mercado informal. cabendo ainda às empresas o processo de seleção e formação complementar. como nos setores de costura.SESC ou pelo Serviço de Ensino Nacional da Indústria – SENAI. que ministram os cursos de formação. com média de 31 anos. do baixo padrão salarial do setor. que se concentra nos bairros periféricos e nos morros da cidade.00 (trezentos e cinqüenta e sete reais) e com ganho de produtividade que pode variar de 2 a 36%.

e os problemas cardiovasculares que representam 9.5% de afastamento do trabalho. Na linha de produção. com 14% de prevalência. Este estudo mostrou que a prevalência de queixas de saúde nos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina é estimada em 24. 2000). a água que é ingerida pelo trabalhador. mas que não foi objeto de investigação deste estudo. Considerando os últimos 15 dias anteriores à pesquisa. A produção deixou de ser por cotas individuais e passou a ser contabilizada por grupos de trabalho ou. As queixas de saúde mais referidas são as musculoesqueléticas. em muitos casos. mesmo a ida ao banheiro é adiada constantemente a fim de garantir a meta da célula de produção. Os trabalhadores inseridos neste formato de gestão de produção estão submetidos a uma tensão laboral mais intensa o que tem gerado novas doenças relacionadas aos transtornos musculoesqueléticos e aos distúrbios mentais.2% . tendo que buscar a rentabilidade no aumento da densidade do trabalho. Isso demonstra que uma população mais antiga de trabalhadores já está no estágio final do processo da doença crônica incapacitante relacionada ao trabalho. No setor do vestuário de Colatina. o número médio de dias de afastamento sobe para 23. como as dores nas costas e na coluna. Estas queixas de saúde provocaram. que buscava o aumento da produtividade e da qualidade do produto. fato que talvez já esteja aparecendo podendo ser medido no aumento do número de auxílios doenças concedidas pelo INSS.9%. dado superior ao encontrado em pesquisa semelhante do PNAD (IBGE. é servida por ajudantes. por células de produção. 8. como é conhecida. no período da pesquisa.4 dias. a densidade do trabalho é alta e o trabalhador não tem tempo para fazer pausas.as empresas trabalharem cada dia com menor margem de lucro. estes casos necessitaram em média de 5 dias de afastamento. o processo da flexibilização econômica e a reengenharia da produção tiveram início em 1992 quando uma nova forma de gestão começou a ser utilizada no meio fabril. mas quando incluídos o tempo total de afastamento. A célula de produção impôs novo ritmo de trabalho.

demandaram 82 atendimentos médicos. e em todos os locais onde a indústria esteja organizada desta forma. Esta situação reforça a caracterização deste fator de risco como fator causal no processo de adoecimento destes trabalhadores. os sindicatos de trabalhadores e os órgãos públicos da área do trabalho e da saúde.9% disseram que suas queixas de saúde foram relacionadas com as condições de trabalho. Demonstra também que. pode estar demandando cerca de 800 atendimentos médicos por mês para o SUS.A prevalência de suspeitas de distúrbios mentais menores – DMM. os que permanecem na atividade aumentam sua chance de suspeita de transtornos muscoloesqueléticos e de DMM. Dos que apresentaram queixas de saúde e foram atendidos por médicos 6.6%) da amostra que tiveram queixas de saúde. Nos últimos 15 dias anteriores à pesquisa. Considerando os trinta dias de um mês.4% e não houve diferenças em relação ao sexo e a idade sendo associadas fortemente com a função e o tempo em que a pessoa a exerce. A intervenção deve ser feita em vários níveis e pelos atores sociais que atuam neste campo de trabalho. que existe no setor do vestuário de Colatina. pode-se estimar que a população de trabalhadores com vínculo empregatício. para cada período de anos trabalhados. à função de costureira e ao tempo que exerce a função. ao uso de medicamentos calmantes. seja pela diminuição . Os sindicalistas precisam colocar em sua agenda uma permanente discussão com os empregadores a fim de melhorar as condições de trabalho. como em um processo de seleção natural dos mais aptos.9%. verificou-se que é no primeiro ano de trabalho que são selecionados os trabalhadores que se adaptam à forma de organização da produção. sendo que 43 atendimentos foram realizados pelo SUS. As suspeitas de lesões por esforços repetitivos – LER teve prevalência de 16. em especial da saúde do trabalhador. Os resultados do estudo indicam que são necessárias ações para intervir nas causas do processo saúde-trabalho-doença. 66 pessoas (15. no setor de vestuário de Colatina (cerca de 4300 trabalhadores). Ao se analisar a queixa de saúde por tempo de atividade na indústria do vestuário. como os empresários do setor. também foi de 24. sendo associada ao gênero.

melhoria do mobiliário utilizado. A ação conjunta entre os órgãos públicos da área da saúde e do trabalho tem sido tema de várias discussões e até de estudos acadêmicos (PINHEIRO. mas procurando sempre proteger o trabalhador onde há omissão nos textos legais. p. discussão da produção e da remuneração. Neste aspecto. Na área legal do MTE. 1976. de sua rede de atenção primária à saúde. como forma de controle do desgaste operário. As empresas do setor do vestuário estão classificadas pela NR-4 – Serviços Especializados de Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho como sendo de grau de risco 2. técnico de segurança do trabalho e auxiliar de enfermagem. .68). tem papel fundamental na notificação de queixas de saúde que possam estar relacionados com o trabalho. isto é. 1996). médico do trabalho. porém a solução para o assunto ainda esta longe de ocorrer. redução do ritmo de trabalho. 2003. A DRT deve aumentar a fiscalização por um lado para fazer cumprir as normas de segurança existentes. estas informações servirão de alerta aos órgãos de fiscalização e facilitarão sua ação de investigação. controle dos agentes ambientais. no atendimento do Programa de Saúde da Família – PSF e da Unidade Básica de Saúde – UBS. na gestão das cargas de trabalho existentes no ambiente de trabalho e não mais com o “objetivo vinculado à necessidade de reprodução da força de trabalho frente ao processo de produção econômica“ (DONNANGELO. pode dar uma grande contribuição. através do SUS. com a mudança na classificação de risco do setor de vestuário. a área da saúde. com a ação da Vigilância Epidemiológica e Sanitária. devem-se aprimorar as normas regulamentadoras que tratam das organizações internas das empresas voltadas para a questão da gestão de risco e controle da saúde (NR-4 e NR-5). mesmo após a realização do 3ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador em 2005. apud FRANCO&MERHY. a área da saúde. O SUS tem que atuar prioritariamente na saúde do trabalhador no controle das causas das doenças. Por outro lado. exercícios laborais e rotatividade de funções. introduzindo pausas periódicas. Esta classificação obriga somente as empresas com mais de 500 empregados a ter um técnico de segurança e somente as com mais de 1000 empregados a constituírem SESMT com engenheiro de segurança.da jornada de trabalho.

e os resultados apresentados por este estudo indicam que é necessária a revisão da classificação de risco desta atividade econômica para o grau de risco 3. como no dizer da Agenda Nacional de Trabalho Decente. com apenas 2 membros e somente a partir de 141 empregados aumenta sua constituição para 4 membros.Os inúmeros setores de trabalho e as situações de risco à saúde dos trabalhadores. encontradas neste setor. encontrados pelo estudo. com a exigência de constituir CIPA a partir de 30 empregados. na qual o setor de confecções está situado no grupo C-4. capaz de garantir uma vida digna (MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. p. Estas mudanças são necessárias para que as situações inadequadas de trabalho do setor do vestuário possam ser controladas pelos empregadores. eqüidade e segurança.5). no qual a CIPA passa a ter 4 membros a partir de 80 empregados. Este mesmo raciocínio se aplica para a constituição das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes CIPA. exercido em condições de liberdade. indicam que a classificação mais adequada para o setor de confecções é o grupo C-6. Os inúmeros setores de trabalho e a grande quantidade de trabalhadores em situação de trabalho desgastante. deste ano de 2006. a fim de se ver cumprir os direitos dos trabalhadores por um ambiente de trabalho mais saudável ou. 2006. . do MTE. prevista pela NR-5. que o define como sendo um trabalho adequadamente remunerado. o que obrigaria as empresas com mais de 100 empregados a constituírem um SESMT com pelo menos um técnico de segurança do trabalho.

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10 ANEXOS A – CARTA DE APRESENTAÇÃO B – TÊRMO DE CONSENTIMENTO DO ENTREVISTADO C – QUESTIONÁRIO D – INSTRUMENTO DE ESTUDO DAS CARGAS DE TRABALHO E – TÊRMO DE APROVAÇAO DO COMITÊ DE ÉTICA .

Posteriormente.ANEXO A CARTA DE APRESENTAÇÃO Colatina. responda honestamente! Caso queira acrescentar algum comentário. visando instrumentalizar a discussão e proposição de normas para a melhoria das condições de trabalho nos diferentes processos produtivos. Prezado trabalhador: A Fundacentro é um órgão do Ministério do Trabalho e Emprego que realiza estudos e pesquisas na área de saúde e segurança dos trabalhadores. e sua repercussão sobre a vida dos trabalhadores. por favor. Os dados levantados junto aos trabalhadores e com as empresas serão submetidos a uma analise acadêmica que produzirá uma dissertação de mestrado junto ao Programa de Pós-graduação em Atenção em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo. A resposta às questões do questionário e voluntária. Atenciosamente. Agradecemos sua atenção e colaboração. conforme sua percepção de sintomas que podem estar relacionados com sua saúde. a Fundacentro irá realizar atividades educativas que possam contribuir com a melhoria das condições de trabalho. Antônio Carlos Garcia Júnior Pesquisador da Fundacentro Coordenador da Pesquisa . O objetivo desta pesquisa é conhecer as condições de trabalho e saúde dos trabalhadores da Industria dos Vestuários no município de Colatina – ES. pela importância deste estudo. levando-se em consideração a participação de cada um no resultado final do conjunto dos trabalhadores da indústria do vestuário. Portanto. As informações são confidenciais e serão analisadas somente pela equipe de pesquisadores. novembro de 2005. fale com o entrevistador que o escreverá no final do questionário.

AUTORIZO DE LIVRE E ESPONTANEA VONTADE. _____DE_____________2005. QUE MINHA ENTREVISTA SEJA UTILIZADA PARA A EXECUÇÃO DESTE ESTUDO. ______________________________________________________.ANEXO B FORMULÁRIO DE CONSENTIMENTO DO ENTREVISTADO Nº__________ EU. ASSINATURA DO ENTREVISTADO______________________________________ ASSINATURA DO ENTREVISTADOR: ____________________________________ . COLATINA. APÓS SER INFORMADO DOS OBJETIVOS E A IMPORTÂNCIA DA PESQUISA SOBRE AS CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA – ES.

ATÉ QUE ANO ESTUDOU? _________________ANOS 8.GRUPO RACIAL ( ( ( ( ( ) BRANCA ) PARDA ) PRETA ) AMARELA ) OUTRO.IDADE: _____________ANOS. DESQUITADO OU SEPARADO. 4.ANEXO C QUESTIONÁRIO UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPIRITO SANTO – UFES CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE MESTRADO EM ATENÇÃO À SAÚDE COLETIVA – PPGASC Nº.EMPRESA EM QUE TRABALHA ________________________________________________ 2. _____________ 1. ) OUTROS MUNICIPIOS DO ESTADO ) OUTROS ESTADOS ) OUTRO PAÍS . QUAL?_______________________________________________________ 6.EM QUE REGIAO VOCE NASCEU? ( ( ( ( ( ) COLATINA ) MUNICIPIO DO NORTE DO ESTADO.SEXO: ( ) MASCULINO ( ) FEMININO 5.FUNÇÃO/OCUPAÇÃO: ____________________________________________________________ 3. 7.ESTADO CIVIL ( ( ( ( ) SOLTEIRO ) CASADO OU VIVE MARITALMENTE COM ALGUEM ) VIUVO ) DIVORCIADO.

DURANTE A JORNADA DE TRABALHO.SEU HORÁRIO DE TRABALHO É: ( ( ( ) FIXO NO PERÍODO DIURNO (ENTRE 7 E 18 HORAS) ) FIXO NO PERIODO NOTURNO (ENTRE 18 HORAS E 6 HORAS) ) EM TURNOS ALTERNADOS (DIURNO E NOTURNO) 17.HÁ QUANTO TEMPO TRABALHA NA ATUAL FUNÇÃO? _________ANOS________MESES. VOCÊ REALIZA OUTRAS PAUSAS QUE NÃO SEJAM PARA ALIMENTAÇÃO? . 16. VOCÊ FAZ INTERVALOS PARA LANCHES OU REFEIÇÕES? ( ( ) SIM ) NÃO QUANTO TEMPO?__________MINUTOS 18. HÁ QUANTO TEMPO MUDOU-SE PARA A CIDADE? N° DE ANOS: _____________ 10.HÁ QUANTO TEMPO TRABALHA NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO? _______ANOS_______MESES.EM MÉDIA.SE NASCIDO NA REGIÃO RURAL. 15.CONSIDERANDO O SALÁRIO MÍNIMO ATUAL DE R$ 300. QUANTAS HORAS DE TRABALHO SEMANAL VOCÊ FEZ NO ÚLTIMO MÊS TRABALHADO? Nº DE HORAS: ___________________SEMANAIS.QUANTAS PESSOAS EM SUA FAMILIA DEPENDEM FINANCEIRAMENTE DE VOCE? (INCLUIDO O PROPRIO ENTREVISTADO) Nº DE PESSOAS: _______________ 11. 13.HÁ QUANTOTEMPO TRABALHA NESTA EMPRESA? _______ANOS_______MESES.DURANTE A JORNADA DE TRABALHO. 14.00 SUA RENDA MENSAL LÍQUIDA PROVENIENTE DO TRABALHO CORRESPONDE A QUANTOS SALÁRIOS MÍNIMOS? _________________________SALÁRIOS MINIMOS 12.9.

( ( (

) SIM ) ÀS VEZES ) NÃO

19- VOCÊ ACHA QUE A QUANTIDADE E DURAÇÃO DAS PAUSAS SÃO SUFICIENTES PARA RECUPERAR O SEU CANSAÇO DURANTE A JORNADA DE TRABALHO? ( ( ) SIM ) NÃO

20- DURANTE O SEU DIA DE TRABALHO, AS TAREFAS QUE VOCÊ REALIZA: ( ( ( ( ) SÃO SEMPRE AS MESMAS ) VARIAM UM POUCO ) VARIAM MUITO ) VARIAM DEPENDENDO DO DIA DA SEMANA

21- VOCÊ ACHA QUE SUA CHEFIA O PRESSIONA MUITO? ( ( ( ) SIM ) NÃO ) ÀS VEZES

22- COMO VOCE SE SENTE AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DO EXPEDIENTE?

23- COMO VOCÊ AVALIA SEU ESTADO DE SAÚDE. ( ( ( ( ( ) MUITO BOM; ) BOM; ) REGULAR; ) RUIM; ) MUITO RUIM

24- VOCÊ APRESENTOU ALGUM PROBLEMA DE SAÚDE, NOS ÚLTIMOS 15 DIAS? ( ( ) SIM ) NÃO (PASSE DIRETO PARA A QUESTÃO 30).

25- SE SIM:

QUAIS FORAM ESTES PROBLEMAS DE SAÚDE?
1)_______________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________

3)_______________________________________________________________________________ 4)_______________________________________________________________________________ 5)_______________________________________________________________________________ 26- ALGUM DESTES PROBLEMAS DE SAÚDE FEZ QUE VOCÊ NECESSITASSE AFASTAR-SE DO TRABALHO? ( ( ) SIM ) NÃO

SE SIM, QUAL DELES?_____________________________________________________________ POR QUANTO TEMPO?_____________DIAS. 27- AONDE FOI SEU ATENDIMENTO MÉDICO? ( ( ( ( ( ) MEDICO DA EMPRESA ) PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA (PSF), PRÓXIMA À RESIDÊNCIA. ) UNIDADE BASICA DE SAÚDE AMBULATÓRIO OU PRONTO-SOCORRO DO SISTEMA ) PLANO OU CONVÊNIO DE SAÚDE. ) OUTROS ESPECIFICAR: _________________________________________________

ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

28- O MÉDICO QUE TE ATENDEU RELACIONOU SEU SINTOMA COM SUAS CONDIÇOES DE TRABALHO? ( ( ) SIM ) NÃO

29- VOCÊ ACHA QUE SEU TRABALHO PODE PREJUDICAR SUA SAÚDE? ( ( ) SIM ) NÃO (PASSE DIRETO PARA A PERGUNTA 33)

30- SE SIM: O QUE NO SEU TRABALHO VOCÊ CONSIDERA QUE PODE PREJUDICAR A SAÚDE? (ESCREVA AS TRÊS PRINCIPAIS CAUSAS) 1)_______________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________ 3)_______________________________________________________________________________ 31- QUAIS PROBLEMAS DE SAÚDE VOCÊ CONSIDERA QUE PODEM DECORRER DO SEU TRABALHO? (ESCREVA OS 3 PRINCIPAIS PROBLEMAS DE SAÚDE). 1)_______________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________

3)_______________________________________________________________________________

VOU LER PARA O SENHOR (A) AS INSTRUÇÕES PARA AS PRÓXIMAS QUESTÕES (33 A 52). ESTAS QUESTÕES SÃO RELACIONADAS COM CERTAS DORES E PROBLEMAS QUE PODEM TÊ-LO (A) INCOMODADO (A) NOS ÚLTIMOS 30 DIAS. SE VOCÊ ACHA QUE A QUESTÃO SE APLICA A VOCÊ E VOCÊ TEVE O PROBLEMA DESCRITO NOS ÚLTIMOS 30 DIAS, RESPONDA SIM. POR OUTRO LADO, SE A QUESTÃO NÃO SE APLICAR A VOCÊ PORQUE VOCÊ NÃO TEVE O PROBLEMA NOS ÚLTIMOS 30 DIAS, RESPONDA NÃO. SE VOCÊ NÃO TIVER CERTEZA SOBRE COMO RESPONDER A ALGUMA QUESTÃO, DÊ A MELHOR RESPOSTA QUE PUDER.

QUESTÕES 32- TEM DORES DE CABEÇA FREQUENTES? 33- TEM FALTA DE APETITE? 34- DORME MAL? 35- ASSUSTA-SE COM FACILIDADE? 36- TEM TREMORES NAS MÃOS? 37- SENTE-SE NERVOSO (A), TENSO (A) OU PREOCUPADO (A)? 38- TEM MÁ DIGESTÃO? 39- TEM DIFICULDADE DE PENSAR COM CLAREZA? 40- TEM SE SENTIDO TRISTE ULTIMAMENTE? 41- TEM CHORADO MAIS DO QUE DE COSTUME? 42- ENCONTRA DIFICULDADES PARA REALIZAR COM SATISFAÇÃO SUAS ATIVIDADES DIÁRIAS? 43- TEM DIFICULDADES PARA TOMAR DECIÇÕES? 44- TEM DIFICULDADES NO SERVIÇO (SEU TRABALHO É PENOSO, CAUSA-LHE SOFRIMENTO)? 45- É INCAPAZ DE DESEMPENHAR UM PAPEL ÚTIL EM SUA VIDA? 46- TEM PERDIDO O INTERESSE PELAS COISAS? 47- VOCE SE SENTE UMA PESSOA INUTIL, SEM PRÉSTIMO? 48- TEM TIDO A IDÉIA DE ACABAR COM SUA VIDA? 49- SENTE-SE CANSADO (A) O TEMPO TODO? 50- TEM SENSAÇÕES DESAGRADÁVEIS NO ESTOMAGO? 51- SE CANSA COM FACILIDADE?

SIM

NÃO

TEM SENSSAÇÃO FREQUENTE DE DESCONFORTO. BRAÇOS.VOCÊ FAZ USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS? ( ( ) SIM ) NÃO SE SIM: 62.AS QUESTÕES SEGUINTES DEVEM SER CONSIDERADAS EM RELAÇÃO AOS MÚSCULOS E ARTICULAÇÕES (AS JUNTAS) DAS SEGUINTES PARTES DO CORPO: PESCOÇO.SENTE DOR AO PRESSIONAR OU AO MOVIMENTAR ALGUMA DESTAS PARTES? 57. OMBROS. 63.VOCÊ FAZ USO HABITUAL (OU USOU NOS ÚLTIMOS 6 MESES) DE MEDICAMENTOS CALMANTES? ( ( ) SIM ) NÃO QUAIS?___________________________________________________________________ .TEM AUMENTADO A DIFICULDADE EM FAZER MOVIMENTOS DE EXTENSÃO.OBSERVA PERDA DE SENSIBILIDADE TÁTIL OU DOLOROSA PERMANENTE EM ALGUMA DESTAS PARTES? 56. MÃOS OU DEDOS? 59.SUA CALIGRAFIA VEM SE ALTERANDO? 54.TEM SENSSAÇÃO FREQUENTE DE FORMIGAMENTO OU FISGADAS EM ALGUMAS DESTAS PARTES? 55. FLEXÃO OU ROTAÇÃO DO BRAÇO. QUESTÕES 52.OS SINTOMAS ACIMA DESAPARECEM OU MELHORAM NOS FINS DE SEMANA.TEM APRESENTADO INCHAÇÕ EM ALGUMA DESTAS PARTES? 58.A DURAÇÃO DE 2 DE QUALQUER DOS SINTOMAS ACIMA É SUPERIOR A 30 DIAS? SIM NÃO 61. MÃOS E DEDOS.COM QUE FREQUENCIA BEBE SEMANALMENTE? ( ( ( ( ( ) MENOS DE 1 VEZ POR SEMANA (QUINZENALMENTE OU MENSALMENTE) ) UMA OU DUAS VEZES POR SEMANA ) TRÊS OU QUATRO VEZES POR SEMANA ) CINCO OU SEIS VEZES POR SEMANA ) TODOS OS DIAS. CANSAÇO OU PESO EM ALGUMA DESTAS PARTES? 53. FERIADOS OU QUANDO NÃO TRABALHA? 60.

NÃTO TER OPORTUNIDADE PARA PROMOÇOES NA EMPRESA 71.MÁ REMUNERAÇÃO PELO TRABALHO QUE REALIZA.AMEAÇÃ DE CORTE DE PESSOAL E DESEMPREGO.TER POUCO TEMPO PARA PAUSAS NO TRABALHO.TRABALHAR SOMENTE NO TURNO NOTURNO OU EM TURNOS ALTERNADOS (DIURNO/NOTURNO) 70. SIM 67. PERSEGUIÇÃO.TER QUE PROLONGAR A JORNADA DE TRABALHO E OU REALIZAR HORAS EXTRAS. 75.VOCÊ SE SENTE VALORIZADO PELO TRABALHO QUE REALIZA? ( ( ( ) SIM ) ÀS VEZES ) NÂO NAS QUESTÕES DE NUMERO 68 A 83. RESPONDA SE ESTAS SITUAÇÕES SÃO FONTES DE TENSÃO E CANSAÇO NO SEU TRABALHO. AUTORITARISMO). DISCUSSÕES. 69.CALOR EXCESSIVO DURANTE O TRABALHO ÀS VEZES NÃO .HÁ QUANTO TEMPO?______________________________________________________ 64.TER PROBLEMAS COM CHEFIA (DISCRIMINAÇÃO. CONTROLE EXCESSIVO.FALTA DE COOPERAÇÃO ENTRE OS COLEGAS DE TRABALHO. 72. 74. 73. 68.QUAIS AS 2 COISAS QUE MAIS LHE AGRADAM NO SEU TRABALHO? 1)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 65.QUAIS AS 2 COISAS QUE MAIS LHE DESAGRADAM NO SEU TRABALHO? 1)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 66.

INADEQUAÇÃO E DESCONFORTO NO POSTO DE TRABALHO (CADEIRA E BANCADA).FALTA DE TREINAMENTOS INADEQUADOS PARA O EXERCICIO DA FUNÇÃO. .IMPROVISAÇÕES NO DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES.RITMO DE TRABALHO MUITO ACELARADO.TRABALHAR POR PRODUÇAO PRE-DEFINIDA. 82. 79. SINTA-SE A VONTADE CASO QUEIRA FALAR ALGO SOBRE SEU TRABALHO OU SUA SAUDE: ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ________________________________________________________________ O QUESTIONÁRIO ENCERRA-SE AQUI.76. 81. 78.O TRABALHO É MONOTONO E DESINTERESSANTE. MUITO OBRIGADO POR SUA COLABORAÇÃO. 80.BARULHO EXCESSIVO DURANTE O TRABALHO 77.

ANEXO D ESTUDOS DE CARGAS DE TRABALHO EMPRESA: ________________________________________________________ ENDEREÇO: ________________________________________________________ DATA: ___________________________ HORÁRIO: ______________________ SETOR: ____________________________________________________________ FUNÇÃO: __________________________________________________________ DESCRIÇÃO DA TAREFA: .

Químicos a) Poeiras b) Substâncias c) Gases d) Vapores Observações: 3.Físicas a) Ruído b) Calor c) Vibrações d) Radiações e) Umidade Observações: Tempo de Exposição 2.Classificação Fonte 1.Biológicos a) Bactérias c) vírus d) Outros Observações: .

Peso f) Produção g) Turnos h) T.Psíquico a) Hierarquia b) Valorização c) Cultura Observações: SINERGISMOS ENTRE CARGAS – ANÁLISE .Fisiológicos a) Mobiliário b) Posições c) Ritmos d) Monotonia e) L. Noturno Observações: 5.4.

ANEXO E .