UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ATENÇÃO À SAÚDE COLETIVA

ANTÔNIO CARLOS GARCIA JÚNIOR

CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA - ES.

VITÓRIA 2006

ANTONIO CARLOS GARCIA JUNIOR

CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA - ES.

Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Atenção à Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito parcial para obtenção do grau de mestre em Saúde Coletiva, na área de concentração Políticas, Administração e Avaliação de Saúde. Orientador: Prof. Dr. Luiz Henrique Borges

VITÓRIA 2006

Dados Internacionais de Catalogação na publicação (CIP) (Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil) Garcia Júnior, Antônio Carlos, 1956 – Condições de trabalho e saúde dos trabalhadores da Indústria do vestuário de Colatina – ES / Antônio Carlos Garcia Júnior – 2006. 123f.

G216c

Orientador: Luiz Henrique Borges Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Espírito Santo, Centro Biomédico. 1. Saúde Coletiva. 2. Saúde do Trabalhador. 3. Processo Saúdedoença. I. Borges, Luiz Henrique. II. Universidade Federal do Espírito Santo. Centro Biomédico. III. Título. CDU 614.2 ___________________________________________________________________

Ildeberto Muniz de Almeida Faculdade de Medicina de Botucatu . Dr. como requisito parcial para obtenção do grau de mestre em Saúde Coletiva. Aprovada em 7 de julho de 2006. Aloísio Falqueto Universidade Federal do Espírito Santo .ANTÔNIO CARLOS GARCIA JÚNIOR CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA . COMISSÃO EXAMINADORA ______________________________________ Prof.SP ________________________________________ Prof. Dr. Dr.ES Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Atenção à Saúde Coletiva do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo. Luiz Henrique Borges Universidade Federal do Espírito Santo Orientador _______________________________________ Prof.

. Antônio Carlos de Assis Garcia. que me incentivou a seguir a senda do conhecimento. e Maria da Penha Cabalini. que me mostrou as estrelas. Aos meus pais.A Marisa e Maya portadoras dos archotes que iluminam meu caminho.

Lucimar Flaves Gonçalves. Solange Rodrigues da Silva. cuja atenção e empenho foram fundamentais para que o trabalho de campo fosse realizado no tempo programado e a todos os demais componentes do sindicato. À equipe de entrevistadores de campo Simone de Oliveira Sepulcro. demonstrado pelo incentivo e interesse pelo meu trabalho.AGRADECIMENTOS Nesta hora. que sempre acreditou em minha capacidade e. Sou muito grato também à diretora Vilma Aparecida do Carmo do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário – SINTVEST. pelas aulas maravilhosas e momentos de reflexão que mudaram meu enfoque sobre a saúde e a compreensão sobre o processo de adoecimento dos trabalhadores. acreditando em nosso propósito de trazer luz às suas condições de vida e saúde ocupacional. Rosinéia Maria Cardoso e Maria Aparecida Freire de Almeida. Sou imensamente grato a FUNDACENTRO que me incentivou através de seu programa de pós-graduação a realizar este mestrado e pelo indispensável suporte financeiro que tornou possível concretizar esta dissertação. A todos os professores do Programa de Pós-Graduação em Atenção a Saúde Coletiva – PPGASC. é necessário externar a minha gratidão a algumas pessoas em especial. com enorme consideração e amizade contribuiu imensamente para a realização deste trabalho. Dr. Luiz Henrique Borges. com dedicação ao trabalho. demonstraram garra e compromisso com esta pesquisa. . agradeço ao meu orientador Prof. que foram as grandes batalhadoras e amigas nos momentos mais difíceis e que. Primeiro. Aos trabalhadores do setor do vestuário de Colatina que concordaram em conceder as entrevistas em seu tempo fora do trabalho. Aos colegas da FUNDACENTRO do Espírito Santo pelo carinho e a compreensão em minhas ausências para participar das atividades acadêmicas. mesmo correndo o risco de esquecer alguém.

. cânhamo.“A mãe natureza está bastante provida de recursos para proteger nossos corpos das agressões do ar. como lã. linho. As doenças dos Trabalhadores – 1700. dela geralmente resultarão perturbações que serão experimentadas por aqueles encarregados de sua preparação”. porque foi criada mais para cobrir os corpos dos homens e das mulheres do que para abrigá-los. assim como seda. Bernardo Ramazzini. algodão. Conforme seja a matéria das várias indumentárias. se bem que possamos abster-nos dela.

um estudo observacional com delineamento seccional. Utilizaram-se dois métodos: primeiro. A prevalência de suspeita de DMM foi de 24.0%). condição de trabalho.67-3. O perfil foi obtido através de informações socioeconômicas.0142). em relação às variáveis suspeita de DMM e suspeita de LER.9%. realizado através da aplicação de um questionário em visitas domiciliares a uma amostra aleatória de 432 trabalhadores.RESUMO Objetivou-se estudar as condições de saúde e trabalho em trabalhadores com vínculo empregatício com empresas do vestuário que produzem a mercadoria roupa em sua totalidade.2%) e dos problemas das vias aéreas superiores (6. Os dados apontam que há um padrão de desgaste da saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário associado às condições de trabalho.0075). na indústria do vestuário de Colatina-ES. de suspeita de DMM (p<0.35%) e jovens. A função de costureira destacou-se das demais pela maior prevalência de queixas referidas (p=0.53) para DMM. movimentos repetitivos e de pouca valorização do intelecto do trabalhador.3%. com tarefas fragmentadas. presentes no processo de produção desta indústria. encontrando-se OR=1. . sendo os problemas músculos-esqueléticos (14. um estudo descritivo com levantamento qualitativo das cargas de trabalho. controle rígido. A prevalência de queixas referidas de saúde foi de 24.43 (IC95% 1.0001) e de LER (p=0. Palavras chaves: Indústria do vestuário e saúde. com média de 31 anos de idade. os que mais ocorreram seguidos dos problemas cardiovasculares (9.4%). Os resultados apontaram que as condições de trabalho prejudicam a saúde dos trabalhadores. Processo Saúde-doença. Saúde do Trabalhador. queixas referidas à saúde nos últimos 15 dias. Utilizou-se de regressão logística múltipla ajustada para estimar o odds ratio entre a função costureira e as demais.DMM (avaliada através do Self Reporting Questionnaire – SRQ-20) e a suspeita de lesões por esforços repetitivos – LER (através de um questionário de rastreamento). suspeita de apresentar transtornos mentais menores . Os trabalhadores são preponderantemente do gênero feminino (66.65 (IC95% 1.9% e a de LER foi de 16. em segundo.57) para LER e OR=2. realizado em ritmos excessivo. em particular dor na coluna e lombares.06-2.

and second. Logistic regression was used for odds ratio estimation among dressmakers and the other functions in relation to the variables with MMD and RSI suspicion.4%). MMD suspicion (p<0.67-3. Keywords: Collective Health.57) for RSI and OR=2. health complaints filled on the 15 days previous to questions application.06-2.9%.ABSTRACT The objective was to study about the health and working conditions of the formal and legally employed workers from the garment industries in Colatina.43 (IC95% 1. raised with home collected questionnaires applied to a random sample composed of 432 workers.0142). under stiff controls. minor mental disorders suspicions – MMD (evaluated through the Self Reporting Questionnaire – SRQ-20) and the repetitive efforts injuries suspicions – RSI (through a tracking questionnaire). health-disease process. young with a 31 years age average. . 0%).65 (IC95% 1. finding OR=1. The results pointed out that the working conditions do harm the workers health with fragmented tasks done in excessive rhythms.0075).2%) and also problems on the superior breathing tract (6. worker health. Espírito Santo State. The prevailing health complaints were 24.0001) and of RSI (p=0. with repetitive moves and scarce valorization of the workers intellectual conditions. The profile was obtained through social and economic information. working conditions information.3%. MMD prevailing suspicion was 24. Two methods were used: first a descriptive study with the work loads qualitative definition within the production process of such industries. The workers are mostly of the feminine gender (66. an observational study with a cross section profiling.9% and of RSI 16. The dressmaker function was highlighted due to the major prevalence of referred complaints (p=0. 35%). specially the back problems with major occurrences followed by cardiac and vascular problems (9. distributed in muscolosketal problems (14.53) for MMD. that do make and assemble the clothes completely in their productive process.

. 58 Fluxograma da célula de produção..... 2005..........LISTA DE FIGURAS Figura 1: Figura 2: Figura 3: Fluxograma básico do processo de produção da indústria do vestuário................................................................................. 69 Distribuição percentual das faixas etárias por sexo na indústria do vestuário de Colatina-ES............................................................. 84 ....................................................

.......... : Função............... : Função..... atividades e cargas de trabalho do setor de criação e modelagem........... atividades e carga de trabalho do setor de lavanderia..................... : Função.............................................................. atividades e cargas de trabalho do setor de almoxarifado de tecidos e aviamentos.................................. : Função...........................LISTA DE QUADROS Quadro 1 Quadro 2 Quadro 3 Quadro 4 Quadro 5 Quadro 6 Quadro 7 Quadro 8 Quadro 9 : Função. 60 62 63 66 72 73 75 77 79 .. : Função... atividades e carga de trabalho do setor de costura................................................................... atividades e carga de trabalho do setor de embalagem e expedição.. atividades e carga de trabalho do setor de acabamento............... : Função. atividades e carga de trabalho do setor de corte......... : Função.. atividades e carga de trabalho do setor de artesanato. atividades e carga de trabalho do setor de passadeira.......... : Função....

LISTA DE SIGLAS CIPA CLT CNAE DMM DRT EPI FGTS FUNDACENTRO IBGE INSS LER LT MS MTE NR OIT OMS PCMSO PNAD PPRA PSF RAIS SAS SEBRAE SRQ-20 SESI SINTVEST SUS USB Comissão Interna de Prevenção de Acidentes Consolidação das Leis Trabalhistas Classificação Nacional de Atividades Econômicas Distúrbios Mentais Menores Delegacia Regional do Trabalho Equipamento de Proteção Individual Fundo de Garantia por Tempo de Serviço Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Instituto Nacional de Seguridade Social Lesões por Esforços Repetitivos Limite de Tolerância Ministério da Saúde Ministério do Trabalho e Emprego Norma Regulamentadora Organização Internacional do Trabalho Organização Mundial da Saúde Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional Pesquisa Nacional por Domicilio Programa de Prevenção de Riscos Ambientais Programa de Saúde da Família Relação Anual de Informações Sociais Statistical Analysis Software Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Self-Report Questionnaire Serviço Social da Indústria Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário Sistema Único de Saúde Unidade Básica de Saúde .

................ Distribuição dos trabalhadores da indústria do vestuário de ColatinaES............2005........................................... 2005....................................... Distribuição da amostra dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina por faixa etária............................................... 2005............................ Morbidade referida........ Principais fontes referidas de tensão e cansaço no trabalho em trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina–ES...... Medicamentos calmantes referidos como utilizados pelos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina–ES................................... 2005............................ 2005..............LISTA DE TABELAS Tabela 1: Tabela 2: Tabela 3: Tabela 4: Tabela 5: Tabela 6: Tabela 7: Tabela 8: Tabela 9 Tabela 10: Tabela 11: Tabela 12: Tabela 13: Tabela 14: Tabela 15: Tabela 16: Tabela 17: Tabela 18: Tabela 19: Tabela 20: Tabela 21: Tabela 22: Número de empresas do setor do vestuário................... 2005...... Freqüência de consumo de bebidas alcoólicas entre trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES.......................................................................... Auto-avaliação do estado de saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina ES........ Distribuição de atendimento médico dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES por local.... nos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES................................. 2005... Aspectos do trabalho que mais desagradam os trabalhadores do setor do vestuário de Colatina-ES......................... Distribuição de trabalhadores por tempo de serviço na indústria do vestuário de Colatina-ES ........................ 2005..... Distribuição dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina ES que fazem uso de calmantes por tempo de uso...... 2005. 2005........................................................................... Número de dias de afastamento do trabalho por queixa de saúde na indústria do vestuário de Colatina-ES........................... Distribuição por grau de escolaridade dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES ... segundo a sensação que sentem ao sair do trabalho no final do dia........ Aspectos do trabalho que mais agradam os trabalhadores do setor do vestuário de Colatina-ES...................... segundo órgãos e sistemas acometidos...... 2005...................................... 2005.................................................2005.............................. 2005......2005.......... Número de empresas e empregados por CNAE-2004 Distribuição de trabalhadores por função e setor na indústria do vestuário de Colatina-ES ............ 45 45 79 82 84 85 87 88 89 90 90 91 92 95 95 96 98 99 100 101 102 103 .......................... Freqüência de queixas de saúde por setor e função na indústria do vestuário de Colatina-ES....... Causas de afastamento do trabalho na indústria do vestuário de Colatina-ES por órgãos e sistemas.... Prevalência de queixas de saúde com trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-es por tempo de serviço.............. 2005............................. 2005..................................... Percepção dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES sobre problemas de saúde decorrentes de seu trabalho............................................. 2005............ por faixas de pessoal empregado.. 2005.................................. Principais cargas de trabalho referidas pelos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES................. no Brasil e Espírito Santo .............................. 2005...........2004................

......... A INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA...........4..........2 4...... O CARÁTER CENTRAL DO TRABALHO NA MEDIAÇÃO ENTRE CORPO-MENTE-PSIQUISMO.................................1 1....................................................... CARGAS DE TRABAHO E DESGASTE............2 3.... Objetivo Geral........3...SUMÁRIO 1 1..............1 3.... Setor de Criação e Modelagem..................................................................................................................................................3 2......................................................... AS CARGAS DE TRABALHO NOS SETORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA ..................................3................................................................................. Objetivos Específicos................ Sujeitos da Pesquisa e Amostra. ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E SAÚDE DO TRABALHADOR..............3.............................................................................. Análise dos Dados..... ESTUDO DAS CARGAS DE TRABALHO NAS INDÚSTRIAS DO VESTUÁRIO DE COLATINA.........1..1.......................1 4.......................................1 1...........1............. Setor de Costura.... LEVANTAMENTO DE CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA – ES..............................1 3.......................... Setor de Enfesto e Corte............ O PROCESSO DE PRODUÇÃO E TRABALHO DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA...................................................................................................3 48 48 51 52 53 55 58 59 60 62 63 67 3......................1 2....... METODOLOGIA... CULTURA E SOCIEDADE....................................................................................2 INTRODUÇÃO................................... DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO-CONCEITUAL DO ESTUDO DAS RELAÇÕES ENTRE SAÚDE E TRABALHO........... ....... AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE TRABALHO COM A SAÚDE: RISCOS....... 15 18 18 18 19 20 27 29 32 42 43 46 2.3 4..........................2 3..1.................................................................................2 2 2.............4 4..............4 4 4........................................... OBJETIVOS...............4 3 3...1.... Procedimentos de Campo........................... Setor de Almoxarifado de Tecidos e Aviamentos......................................... Instrumento de Pesquisa.............1.........1 Setor de costura e o trabalho em célula de produção..............3 3.................... MARCO TEÓRICO...............................................................1 4...3............1................

........................................5 7 7...................................................2 6................3 6.............................. PREVALÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE OU MORBIDADE REFERIDA.......................................................................................................9 4... INDICADORES DE SOFRIMENTO PSÍQUICO E LER..................2 7................. ATENDIMENTO MÉDICO E DOENÇA DO TRABALHO...................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... ANEXO E ..CARTA DE APROVAÇÃO PELO COMITÊ DE ÉTICA..........1.............................................1 7..................... PERCEPÇAO DOS TRABALHADORES SOBRE A RELAÇÃO SAÚDE TRABALHO........................................................................3 5 6 6................ ASPECTOS SOCIO-ECONÔMICOS DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA......6 4............8 4.................1................... REFERÊNCIAS........4 6....... Setor de Passadoria..................... INTERAÇÕES ENTRE AS CARGAS DE TRABALHO E DESGASTE DOS TRABALHADORES........................ Setor de Lavanderia............................... FONTES DE TENSÃO E CANSAÇO NO TRABALHO.. Setor de Embalagem e Expedição.... ANEXO B .........1...................... CONCLUSÕES...................5 4..................................... Setor de Artesanato.......................... ANEXO C ........... FUMO E MEDICAMENTOS CALMANTES.............FORMULÀRIO DE ESTUDO DE CARGAS DE TRABALHO.............1..CARTA DE APRESENTAÇÃO........................ DISTRIBUIÇAO DAS FUNÇÕES POR SETOR DE TRABALHO.......................... ASPECTOS AGRADAVEIS E DESAGRADAVEIS NO TRABALHO............ PERFIL DE DESGASTE À SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA............4........3 8 9 10 Setor de Acabamento..................... USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS.......... ANEXOS.................................................................2 4......1 6.................... ABSENTEÍSMO E AVALIAÇÃO DE SAÚDE.....................................1...................... 70 72 73 75 77 78 80 82 86 86 89 91 92 95 97 100 101 102 105 110 115 116 117 118 126 129 ANEXO A ................. SENSAÇÃO AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DA JORNADA DE TRABALHO.7 4..............................TERMO DE CONSENTIMENTO DO ENTREVISTADO.................... .................... ANEXO D ..........QUESTIONÁRIO........

sobre seu cumprimento pelas empresas. nos programas de pós-graduação das áreas da Saúde Pública e da Saúde Coletiva. a fim de preservar a saúde e promover a qualidade de vida no ambiente de trabalho. é desconhecida dos pesquisadores da área da Saúde do Trabalhador. pode-se. devido ao seu aspecto confidencial. para fazer frente a esta escassa produção técnico-científica.Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO e a NR 9 . órgão federal do Ministério do Trabalho e Emprego cuja missão é desenvolver pesquisas e estudos sobre segurança e saúde no trabalho.FUNDACENTRO1. Este incremento de estudos da relação saúde-trabalho implica em estabelecer uma reflexão teórica e o aperfeiçoamento de metodologias de abordagem e intervenção na realidade sanitária dos trabalhadores. que orientam a fiscalização por parte da Delegacia Regional do Trabalho – DRT. específicas da legislação trabalhista. realizados no Brasil. tenho me deparado com o relativo e pequeno número de estudos publicados sobre as repercussões do ambiente de trabalho na saúde dos trabalhadores. são a NR 7 . As normas que mais demandam estudos do ambiente de trabalho e seu controle. divulgar os resultados e capacitar profissionais para atuar no campo da saúde do trabalhador. através de pesquisa dos diferentes espaços. Verificamos nos últimos anos a criação de área de concentração de estudos e pesquisas em Saúde & Trabalho. para que se identifiquem seus determinantes e se proponha alternativas políticas e técnicas para sua superação. obter qual é o 1 Fundacentro – Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho.Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA. . A maior parte dos estudos sobre as condições sanitárias do ambiente de trabalho. Como o ambiente de trabalho e as condições de produção são muito particulares para cada local. Estes estudos visam somente atender às exigências das Normas Regulamentadoras de Segurança e Saúde no Trabalho – NRs. inseridos em diversificados processos produtivos. desde 1988. contidas na portaria 3.1 INTRODUÇÃO Na minha experiência profissional como pesquisador da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho .214/78 do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE. por tornarem obrigatória a realização de estudos sobre o ambiente de trabalho pelas empresas.

há ainda o uso de grande número de máquinas mais simples. estarem instaladas em prédios comerciais improvisados e até em residências. O setor de vestuário tem também sido o que mais participou do processo de reestruturação industrial. 2000. tendo desenvolvido estudos e projetos em áreas como: trabalho portuário. muitas delas transferidas pelas fábricas para o interior das residências. podem estar localizadas em grandes galpões bem dimensionados ou. construção civil. trabalho no setor de mármore e granito. Apesar da grande sofisticação de equipamentos ocorrida nos últimos anos. Segundo informações da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS. o setor da indústria do vestuário é um dos que mais empregam mão-de-obra no Espírito Santo e no Brasil. entre os processos produtivos existentes no Estado. 2003). sobretudo das informais (COMIN. 11).000 empregos formais. mais rapidez na produção das peças. em particular na área das pequenas e médias empresas e que envolvem um grande contingente de trabalhadores. 2003). sendo. A proliferação de empresas menores se dá pela utilização de . comandado pela sazonalidade e pelas tendências da moda. como é mais comum. no Espírito Santo são cerca de 1. Isto ocorre pelo fenômeno da terceirização de partes do processo produtivo e das demandas do mercado. Há cerca de dois anos tem se voltado a identificar novas áreas de interesse de estudo. criação de novos modelos.padrão de mal-estar e adoecimento entre os trabalhadores ou a estrutura epidemiológica resultante da interação de fatores do meio ambiente físico e social do trabalho com o homem. e outros. As indústrias de vestuário. responsável por 60% dos empregos na cadeia produtiva de têxteis e confecções (SESI. O Centro Estadual da FUNDACENTRO no Espírito Santo tem procurado subsidiar a sociedade capixaba nas questões relacionadas à saúde e segurança no trabalho. segundo o Serviço Social da Indústria – SESI. que permite a economia de tecidos.700 empresas que geram 17. prática que é muito comum no ramo da indústria de confecções (SESI. p.000 empresas no Brasil. com eliminação rápida de parte importante das médias empresas e proliferação das unidades de menor porte. Dentre os segmentos econômicos compostos por pequenas e médias empresas. o setor tem cerca de 17. devido à sua grande heterogeneidade.

Em um terceiro nível está o trabalho a domicílio. 2 . O processo de trabalho desta forma pode ser determinante para o aparecimento de um padrão de saúde que pode ser compreendido e sobre ele se criar intervenções que promovam melhores condições de vida para este grupo social. é trabalho em domicílio. 2004). sem desconsiderar que no imaginário masculino a costura é tradicionalmente “trabalho de mulher”. Entretanto nos últimos tempos tem-se observado um aumento no uso de mão de obra masculina em alguns setores dessa indústria. Esta cadeia produtiva se organiza de forma a que a empresa líder faz a concepção. exigindo precisão na execução e qualidade no resultado final.unidades produtivas externas por empresas líderes e até mesmo do trabalho a domicilio2 . repassando para as empresas de facção ou oficinas. 2004. é caracterizado pela alta produção por cotas a serem atingidas a cada turno de trabalho. p. O trabalho. 66). segundo a norma culta. provavelmente. que pagam valores extremamente baixos por cada peça montada. onde o pagamento é realizado por peças e determina uma dependência enorme das costureiras para com as empresas de facção. a sociologia do trabalho no Brasil. por ser exigido maior esforço físico. Entre as doenças decorrentes do trabalho tem sido indicado por alguns autores (BORGES. situadas no segundo nível. bem como das lesões por esforços repetitivos (LER) em populações de trabalhadores. pinturas especiais e na operação de equipamentos mais sofisticados (LEITE. adotou o temo Trabalho a domicilio como uma categoria que designa o trabalho sub-contratado exercido na residência do trabalhador (LEITE. mas seguindo a recomendação da Organização Internacional do Trabalho – OIT. como a nova “velha fórmula” de acumulação de capital. apenas o trabalho mecânico da montagem das peças. Outro aspecto que caracteriza a indústria de vestuário é o elevado uso da mão-deobra feminina. em atividade de trabalho em processos repetitivos e com grande demanda de produção. 2000) o aumento da prevalência dos distúrbios mentais e psicossomáticos. Trabalho a domicilio: Em português. como nas lavanderias. por serem consideradas mais precisas e delicadas na execução do trabalho. em si. testa os novos modelos e realiza o corte. fragmentado e realizado com ritmo acelerado.

Estimar a prevalência de distúrbios mentais menores e de lesões por esforços repetitivos entre trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES. .Analisar as relações entre cargas de trabalho e o desgaste à saúde em trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina .Obter um inventário de fatores de riscos no processo de trabalho da indústria do vestuário de Colatina – ES.Estimar a prevalência de queixas referidas à saúde em trabalhadores da Indústria do Vestuário de Colatina-ES. se relaciona com o processo saúde-doença de seus trabalhadores? 1. 1.1. . .ES.2 Específicos: .1 OBJETIVOS 1.Assim. . interessa estudar: Como o processo de trabalho na indústria de confecções de Colatina.1 Geral: Estudar as condições de saúde e trabalho em trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES.1. desenvolvido em pequenas e médias empresas.

O efeito do trabalho sobre a saúde é muitas vezes silencioso e não apreendido pelo saber estritamente médico” (DEJOURS. a atividade de trabalho designa a maneira do ser humano mobilizar as suas capacidades para atingir os objetivos da produção. pode determinar uma sobrecarga. a Medicina Social e a Saúde Coletiva. como o trabalho constitui-se em fator central para a compreensão do processo saúde-doença dos trabalhadores. cognitivo e psíquico“. têm pelo menos três aspectos: físico. 1998). 7). Foi a epidemiologia que demonstrou que as doenças são eventos que não ocorrem por acaso.2 MARCO TEÓRICO Foi utilizado o arcabouço teórico e metodológico do campo da Saúde do Trabalhador. Para a escola de ergonomia francesa. Segundo este autor. 1989. configurandose como um dos espaços de vida determinantes na construção e na desconstrução da saúde (ASSUNÇÃO. p. 100). O modelo da determinação social da doença propõe que a relação saúde-doença é um processo social. p. Assim. identificando a importância da transformação biopsíquica dos seres humanos através das mudanças sociais. pois o biológico é em si mesmo histórico e social (LAURELL & NORIEGA. construído a partir de 1970. p. particularmente pela construção e utilização do modelo da determinação social da doença. ”todas as atividades realizadas pelo homem. 2004. cada um destes aspectos. inclusive o trabalho. 1986). mas sim ao natural. Não é uma objeção ao biológico. mas que têm relação com uma rede de outros eventos que podem ser identificados e estudados (MEDRONHO. Esse campo tem interface com a Saúde Pública. “o sofrimento dos trabalhadores nem sempre é visível ou objetivo como insistem algumas abordagens. Segundo Wisner (1994. a seguir. freqüentemente inter-relacionados. conforme o aporte teórico da Saúde . Por outro lado. Tem-se como pressuposto que o trabalho convoca o corpo inteiro e a inteligência para enfrentar o que não é dado pela estrutura técnico-organizacional. as diferentes abordagens da relação entre saúde e trabalho. 13). serão apresentadas.

de forma geral. os estratos sociais de uma mesma sociedade apresentarão diferentes condições de saúde. como parte das condições de saúde de uma população. que pode ser esperado não apenas no caso clínico individual. Segundo Laurell e Noriega (1989. mas que se evidencia no conjunto das pessoas ou na população que compartilha as mesmas condições de vida. Para entender este conceito de causalidade ou determinismo social é necessário antes de qualquer coisa. A resposta que se dá comumente a estes incômodos ou alterações pelos serviços de saúde é o atendimento do indivíduo pelo médico. p. hábitos de vida. Esta forma de atenção à saúde Perfil de adoecimento ou morbidade: constitui-se pelo conjunto das patologias mais prevalentes e incidentes que determinado grupo humano apresenta em um dado momento da história (LAURELL. varia ao longo da história da sociedade. p. renda. Este processo é o seguimento ou evolução de uma luta do organismo por manter a vida e o bem estar. condições sociais que envolvem o padrão alimentar. conseqüentemente. como também. A compreensão do que vem a ser saúde é mais ampla do que a de doença. diferentes perfis. no indivíduo ou nos grupos humanos. de alterações anatomofisiopatológicas que acarretam incômodos ou perda funcional. condições de moradia.135). Para Laurell (1983.1 DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO-CONCEITUAL DO ESTUDO DAS RELAÇÕES ENTRE SAÚDE E TRABALHO. verifica-se a natureza social e histórica do processo saúde-doença ao se analisarem os dados de morbimortalidade de uma população. discutir o que é saúde e doença. 1983). Este perfil. emprego. e como as formas de organização do trabalho se relacionam com a saúde. A doença é demarcada essencialmente pelo aparecimento. 3 .136). tem um perfil de adoecimento3 que pode ser compreendido em função de fatores como: faixa etária. condições de trabalho. violência urbana. o processo saúde-doença é o modo específico pelo qual ocorre nos grupos humanos o processo biológico de desgaste e reprodução. tanto pelo estrato social como por sua ocupação profissional.do Trabalhador. em uma determinada época. A população que habita uma determinada região. etc. 2.

definidos como uma população. A epidemiologia é a disciplina científica que se fundou na investigação não do “por que” e “como” o individuo desenvolveu uma patologia. no qual a doença é o ponto focal e a razão de ser do sistema de saúde. 1983. p. são eventos entrelaçados com outros eventos que as precedem.caracteriza o paradigma médico-biológico.7). A epidemiologia utiliza-se de um vasto arcabouço de métodos de pesquisa e o uso da estatística como ferramenta para análise das medidas de efeito e de associação entre as diversas variáveis envolvidas. mas sim em que característica difere a ocorrência de uma determinada doença entre grupos diferentes. p. 2004. daí haver certo esgotamento da medicina clínica como única resposta de atenção à saúde. nas causas do processo. reforça-se a teoria de que o “caso clínico” tem limitações e especificidades próprias. sendo limitado à realização do diagnóstico e ao tratamento. não interferindo. o que lhe possibilita poder estimar . mas somente nos efeitos finais. Ao associar a relação da doença do grupo humano à variação biológica individual é que a história social torna-se importante. 2004. é necessário investigar como ocorre o processo de saúde-doença no coletivo. no reflexo deste sobre o corpo dos membros de um grupo humano que compartilham as mesmas condições de vida. porque é ela que possibilita as condições de vida e a forma de exposição aos fatores de riscos que irão estabelecer as probabilidades das pessoas adoecerem de determinada forma. a não ser para indicar se a pessoa é ou não portadora de determinadas características patológicas. estudados e sobre eles se criarem intervenções que poderão controlar o processo saúde-doença (MEDRONHO. Portanto. mas no modo característico de adoecer e morrer dos grupos humanos (LAURELL. isto é. O atendimento individual não oferece solução satisfatória para os graves problemas de saúde que acometem as populações. podendo ser identificados. no processo saúdedoença.137).8). as doenças não ocorrem por acaso. A epidemiologia pode ser definida como o estudo dos determinantes do processo saúde-doença em grupos populacionais (MEDRONHO. Para dar uma resposta ao modelo do atendimento clínico. Para a epidemiologia. p. na maioria dos casos. Como os indicadores estatísticos não se manifestam no indivíduo. A natureza social da doença não se verifica no caso clínico. os sintomas.

No Brasil. A saúde na Constituição é definida como resultante de políticas sociais e econômicas. p. aliada aos . p. aumento da perspectiva de vida das pessoas e a queda da taxa de mortalidade determinam um envelhecimento da população. para 71. p. Este conceito de saúde se liberta do vínculo da fisiopatologia e insere parâmetros de bem-estar social em um modelo que só é possível ser construído com a ampliação dos direitos dos seres humanos na sociedade. registrada em 1991. 2006) e a taxa de fecundidade passou de 2. 2004.probabilidades de ocorrência de eventos e de analisar melhor os determinantes das doenças nas populações.290). fato relatado pela primeira vez em 1940 e que ficou conhecido como transição demográfica (VERMELHO & MONTEIRO. No Brasil. como parte da seguridade social. atendimento integral e participação comunitária (MENDES. As conquistas da ciência médica e as melhorias nos padrões sanitários. como de relevância pública e cujas ações e serviços devem ser providos por um Sistema Único de Saúde.91). sendo influenciada de alguma forma pela vida social. em 1940 (SILVA JÚNIOR. 2003. organizado segundo as seguintes diretrizes: descentralização e mando único em cada esfera de governo.96). Fatores como a queda da fecundidade.9 anos. Os padrões de saúde são conseqüências. 2001. em 2004 (IBGE. 2003). da dinâmica de mudanças da composição da população ao longo do tempo. A Organização Mundial de Saúde – OMS a define não apenas como a ausência de doença.59 anos. em 2000 (YAZAQUI. A saúde seria a capacidade de enfrentamento do organismo das pessoas a situações adversas.20. como direito de cidadania e dever do Estado. a Carta Constitucional de 1988 teve forte influência dos grupos da área da saúde que participavam da discussão e construção de novos conceitos sobre a saúde.9 filhos por mulher em idade fértil. evidenciou-se um outro fenômeno: a transição epidemiológica. entre outros aspectos. cuja transição demográfica é contemporânea ou retardada. mental e social. mas um estado de completo bem-estar físico. para 2. a expectativa de vida média subiu de 44. Simultaneamente à transição demográfica. nutricionais e de qualidade de vida das populações.

A revolução industrial. com cargas horárias desumanas acarretando grande incidência de acidentes e doenças (MENDES & DIAS. Todavia. como um dos fatores mais importantes na determinação do processo saúde-doença. eram submetidos a um ritmo de trabalho acelerado. 1993). Assim. afirmando que somente . após a segunda guerra mundial. após 150 anos de sua morte. o médico Bernardino Ramazzini (1633-1714) relacionou com precisão a origem de determinadas doenças em mais de 50 ocupações. 1997). Esta concepção foi conseqüência das descobertas da microbiologia que identificaram a origem das doenças infecciosas (FACCHINI. iniciada na Inglaterra no século XIX. concomitantemente às primeiras legislações de proteção aos trabalhadores. p. O fato histórico que determinou uma radical mudança na forma de se organizar o trabalho e de alocação da força de trabalho foi denominada de revolução industrial. sua eficácia ficou comprometida. Estes trabalhadores. por não intervir no processo de produção material e de desgaste dos trabalhadores. Nascia assim. oriundos da área rural ou de pequenas oficinas. necessitou do consumo da força de trabalho de grande contingente de trabalhadores. desde a antiguidade. proporcionaram uma diminuição das doenças infecciosas e um aumento das doenças crônico-degenerativas nas taxas de morbimortalidade (VERMELHO & MONTEIRO. surgiram novas concepções e abordagens sobre o processo saúde-doença. 1991). ao centrar sua ação no indivíduo. proprietário de uma fábrica têxtil inglesa. em 1830. Segundo Facchini (1993). 2004. cujo procedimento estabelecia que para cada doença houvesse uma única causa ou agente etiológico (MINAYO-GOMES & THEDIM-COSTA.92). A Medicina do Trabalho é caracterizada por ser uma abordagem centrada no médico. colocou um médico para verificar o efeito do trabalho sobre a saúde de seus empregados e determinar meios que pudessem prevenir as doenças e diminuir o absenteísmo.avanços da medicina preventiva. as condições de trabalho mudaram radicalmente e os problemas de saúde relacionados com o trabalho se tornaram mais evidentes. o primeiro serviço de saúde no interior das fábricas e a Medicina do Trabalho. traduzido em nossa língua como As Doenças dos Trabalhadores (MENDES & DIAS. 1991). utilizou como paradigma a inferência unicausal. As condições de trabalho são percebidas. No século XVIII. Robert Dernham. Quando surgiu. Para não inviabilizar seu negócio. registradas em seu livro De Morbis Artificum Diatriba.

Todavia. Estes princípios foram os alicerces da concepção da Saúde Ocupacional. através de exames médicos periódicos. onde a relação saúdetrabalho já há algum tempo estava sendo estudada. A Saúde Ocupacional introduziu formas modernas de intervenção em saúde no trabalho ao indicar o controle dos riscos nos ambientes de trabalho através de ações técnicas. ela abriu espaço para que este controle fosse prioritariamente feito pelo uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e pelo controle do tempo de exposição do trabalhador aos agentes ou fatores de risco. que relaciona o corpo do trabalhador com as condições físico-químicas presentes no ambiente de trabalho. Este modelo tem forte influência da Higiene Industrial. que podem afastar os trabalhadores da função e demiti-los posteriormente ou não os contratarem. caso seja verificado que eles portem alguma alteração de saúde. Na maioria das vezes este procedimento serve para resguardar os interesses das empresas. considerando as relações entre concentrações ambientais. são utilizadas as práticas dos dois modelos de saúde do trabalhador: o da Medicina do Trabalho e da Saúde Ocupacional. aumenta a importância das equipes multiprofissionais para o estudo da relação trabalho-saúde. que acabam denunciando seu estado de saúde. A Medicina do Trabalho atua ainda no interior das fábricas. realizando exames médicos admissionais. periódicos e demissionais. Os trabalhadores têm pouca ou nenhuma participação no processo de controle e são sujeitos ao monitoramento biológico. Já a Saúde Ocupacional é uma concepção utilizada por algumas grandes empresas . no seio dos Serviços de Engenharia e Medicina do Trabalho – SESMT e de empresas prestadores de serviços de Medicina do Trabalho. no Brasil. a fim de controlar os riscos ambientais. determinando os limites de tolerância à exposição a estes agentes.um fator de risco não explicava a ocorrência de determinadas doenças. sua absorção pelo organismo humano e seus efeitos. o que levou muitos pesquisadores a concluírem que o processo saúde-doença é a síntese de múltiplas determinações (modelo multicausal). No modelo multicausal. Atualmente. Tiveram papel importante na discussão da Saúde Ocupacional as escolas de Saúde Pública. por ocasião do exame admissional. principalmente nos Estados Unidos da América. que propôs intervir nos locais de trabalho. já que uma única disciplina não dá conta de todos os aspectos implicados neste processo.

as tentativas de construção de um objeto de estudo. A Saúde do Trabalhador tem sido discutida intensamente nos últimos 30 anos. nas quais são desconsideradas a subjetividade dos trabalhadores articulada com o processo produtivo. sempre na perspectiva da apropriação destes métodos pela classe trabalhadora. houve também melhoria na qualidade de vida e do acesso aos serviços de saúde. há um esforço para romper ou superar a lógica da exposição aos fatores de riscos presentes no ambiente de trabalho como as causas únicas do processo de adoecimento. a cultura no interior das organizações que estabelecem a hierarquia e o poder de mando e o lugar de cada um nessa sociedade urbanoindustrial. durante as décadas de 60 e 70 do século passado. 1991). as representações sociais. incorporando a prática da Medicina do Trabalho (MENDES & DIAS. sendo consagrada no artigo 200 da constituição federal. 1991). o desafio que se apresenta neste campo é introduzir questões como: as crenças e idéias de mundo que unem o concreto ao imaterial. da Medicina Social e da Saúde Pública. atualmente. em sua relação com o trabalho (MENDES & DIAS. A Saúde do Trabalhador tem como objeto de estudo o processo saúde-doença dos grupos humanos. se constituindo como um dos temas importantes da Saúde Pública no Brasil. o salário enquanto forma de acesso ao mercado de consumo de bens e serviços. Na América Latina. executar ações de vigilância . Nos estudos desenvolvidos pela Saúde do Trabalhador. ampliando o debate sobre o processo saúde-trabalho. Assim.e entidades de pesquisa. o avanço da Medicina Preventiva. ainda pretende apresentar alternativas que possam romper o processo de adoecimento. Além de objetivar a compreensão do “por que” e do “como” ocorrem as doenças e os acidentes do trabalho. de estabelecimento de uma prática e a consolidação de uma área que fosse abrangida pela questão da saúde no trabalho deram origem ao campo da Saúde do Trabalhador. Na área da Saúde Pública. desencadeou o questionamento do modelo médico tradicional. que estabelece como uma das competências do Sistema Único de Saúde – SUS. No bojo de lutas sociais que levaram à democratização política.

desta importante lei. Iniciativas de alguns órgãos governamentais indicam que as intervenções no processo saúde-trabalho-doença serão cada vez mais uma prioridade do governo que não pretende somente garantir os direitos universais de acesso à saúde e sim diminuir os custos sociais advindos do tratamento de acidentes e doenças bem como das aposentadorias e pensões precoces.080 de 1990 que dispôs sobre as condições para a promoção. organizacionais e os fatores de riscos ocupacionais presentes no processo de produção. conjugar saberes para uma abordagem mais profunda desta questão. em que há a necessidade de. 1990). a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes. cuja execução poderá envolver áreas não ligadas diretamente ao âmbito do SUS. sejam sociais. parágrafo 3º. A saúde dos trabalhadores só é compreendida quando são considerados todos os aspectos que condicionam as vidas destas pessoas. bem como as de Saúde do Trabalhador (MINISTÉRIO DA SAÚDE. ligadas diretamente ao Conselho Nacional de Saúde. proteção e recuperação da saúde. segundo Nunes (2002).sanitária e epidemiológica. esta competência foi regulamentada pela Lei 8. . a promoção e a proteção à saúde dos trabalhadores. No artigo 5º. A Saúde do Trabalhador é hoje uma importante área da Saúde Pública que tem como objetivo o estudo. a Saúde do Trabalhador ficou definida como: “um conjunto de atividades que se destinam através de ações de vigilância sanitária e epidemiológica garantir a promoção e a proteção à saúde dos trabalhadores bem como a recuperação e reabilitação dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho” (MINISTÉRIO DA SAÚDE. sendo responsáveis pela articulação das políticas e programas de interesse para a saúde. Esta complexidade torna a área de estudo da Saúde do Trabalhador um campo interdisciplinar. tecnológicos. 2001). Posteriormente. A Saúde do Trabalhador é considerada uma atividade especial das Comissões Intersetoriais.

Por outro lado. resistindo à tentação de partir a comida e comê-la onde estavam” (ROBERTS. ele também é constituído por seu componente cognitivo e psíquico. de progredir em suas bases científicas. 2001. podendo-se mesmo afirmar que a humanidade evoluiu por si mesma através do trabalho (MARX. quando surgiu a primeira criatura que poderíamos identificar como um hominídeo. Esta foi a primeira forma rudimentar de planejamento. p. psicológicos e sociais de desgaste e o surgimento das doenças. teve início a pré-história: o homem conseguia refrear seus impulsos naturais imediatos a fim de garantir o suprimento futuro. CULTURA E SOCIEDADE. segundo os antropólogos. 211). para desvendar como ocorrem nos grupos de trabalhadores. 2003. cerca de 12 milhões de anos. cada vez mais. os processos biológicos. a Saúde do Trabalhador precisa. . órgãos ou de seu corpo físico. 2. machados de pedra e pontas de lanças que são os primeiros instrumentos de trabalho desenvolvidos pela inteligência humana. A evolução da espécie humana já dura. p. 14). o Ramapithecus (LEAKEY & LEWIN. como pedras lascadas. construído cotidianamente ao longo de milênios da história de nossa espécie. p. Os estudos antropológicos demarcam este período pelos vestígios do uso pelo homem de ferramentas rudimentares criadas por ele. O trabalho é um processo que ocorre entre o homem e a natureza. faz-se necessário apreender a complexidade da natureza humana já que o homem não é composto somente de músculos. tendões. A raça humana deu um significativo avanço em sua evolução. Esta relação do homem com o trabalho e seu grupo social foi o motor do aperfeiçoamento e especialização que lentamente moldou o corpo e a arquitetura cerebral de nossa espécie. 1982. Para que se possa vislumbrar o processo de adoecimento no trabalho. quando “o Australopithecus: embora de forma rudimentar e vaga. parece ter sido capaz de exercer alguma forma de previsão. Neste momento.2 O CARÁTER CENTRAL DO TRABALHO NA MEDIAÇÃO ENTRE CORPO-MENTE-PSIQUISMO. 26).

Nos 2 milhões de anos seguintes não parou mais de evoluir, até chegar ao início de nossa civilização, demarcada, segundo os historiadores, pelo desenvolvimento da linguagem. No entanto, a história só começa a ser contada, com a invenção da escrita, há cerca de 5.500 anos, através de pedras ou blocos de argila encontrados na Mesopotâmia. O fato é que a forma como nossa mente vê o mundo não surgiu de repente, como um flash de luz, quando em nossa primeira infância nos demos conta de que estávamos no mundo. A espécie humana desenvolveu sua consciência do mundo de forma vagarosa, laboriosamente, em um processo que durou um tempo infindável, até alcançar o estágio civilizado (JUNG, 1980, p. 23). O homem possui características psicossociais que foram moldadas ao longo de sua história, enquanto espécie, junto ao grupo onde foi criado, na sua relação com os outros e desenvolve seu sistema próprio de crenças e ideologias, formando o que os sociólogos denominam de cultura. O homem, quando em grupo, desenvolve um conjunto de características que torna este coletivo de pessoas diferente de qualquer outro. Constrói formas de comunicação através da linguagem e códigos de reconhecimento grupal, seja na forma de rituais próprios, arte, símbolos, crenças ou idéias. Este conjunto de produtos culturais é recheado de significados que garantem o equilíbrio entre a estrutura mental e comportamental do ser humano. Hosfstede (1980, apud TAMAYO, 2004, p. 19), define cultura como a “programação coletiva da mente que diferencia os membros de um grupo humano de outros”. Esta programação individual ou coletiva se faz através de condicionamentos que se auto-reforçam no interior do grupo, seja através de condutas previamente aprovadas ou reforçadas no interior da família. Entre estes condicionamentos estão os significados das coisas e onde entra o lugar de cada um no mundo social, fundamentalmente o do trabalho. A criança é condicionada a ter como objetivo de vida a ocupação de um posto de trabalho na estrutura produtiva da sociedade, desde sua participação no interior da família. O estímulo constante ocorre seja na forma lúdica de brincar com ferramentas de trabalho ou de uma profissão, ou com o reforço constante de seus pais, através de questionamentos ou afirmações, como: “O que você vai ser quando crescer?” “Se você não estudar não vai ser ninguém na vida!” Assim, o trabalho e a ocupação tomam importância central na vida das pessoas e delineiam seu futuro na sociedade (MENDES, 1989).

O trabalho ou a ocupação de cada um na sociedade tem importância relevante na formação psíquica de cada indivíduo, seja pelo reconhecimento do grupo mais próximo, pelo sucesso almejado com recebimento do salário, o poder sustentar-se a si e a família e o de sentir-se útil para a coletividade. Na determinação da classe social, a vida e a morte dos seres humanos guardam relação com a posição que estes ocupam dentro dos arranjos sociais das classes fundamentais: capitalistas e trabalhadores. Ou ainda segundo Karl Marx.

[...] o trabalho, como criador de valores-de-uso, como trabalho útil, é indispensável à existência do homem – quaisquer que sejam as formas de sociedade -, é necessidade natural e eterna de efetivar o intercâmbio material entre o homem e a natureza e, portanto, de manter a vida humana (Marx, 2003, p. 64).

Em função disso, dessa relação central na vida das pessoas, o trabalho influi sobre a vida e morte dos seres humanos (BERLINGUER, 1983 apud FACCHINI, 1993, p.46).

2.3

A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E SAÚDE DO TRABALHADOR

O trabalho por si só não seria a fonte de mal-estar e adoecimento do homem, mas sim a forma como ele é organizado e condiciona o homem na sua execução (COHN & MARSIGLIA, 1994). Segundo a visão marxista, o trabalhador, quando vende sua força de trabalho, tem que se submeter ao controle do capitalista, a quem pertence seu trabalho (MARX, 2003, p. 219); assim, é durante a execução das atividades que a força da gerência capitalista fará este potencial transmutar a matéria prima em produto4, de acordo com a base técnica e das relações sociais que pode lançar mão. Segundo Braverman (1987), o princípio norteador da produção capitalista é a divisão do trabalho. Diferente da divisão das tarefas nas sociedades anteriores, onde basicamente a divisão do trabalho estava vinculada aos papéis do sexo ou da hierarquia do grupo, na sociedade capitalista é vinculada à fragmentação da tarefa

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Trabalho vivo, segundo Marx, apodera-se das coisas da natureza para transformá-las de valores de uso possíveis em valores de uso reais e efetivos (MARX, 2003, p. 217)

em componentes simples a fim de aumentar a produção e diminuir o custo dos salários. As bases teóricas desta forma de organizar o trabalho foram estudadas e teorizadas pelo engenheiro americano Frederick Winslow Taylor (1856-1915), cujos princípios ele divulgou com a publicação em 1911 de seu famoso livro Princípios de Administração Científica. O modelo de gestão da produção criado por Taylor estabelece a expropriação do saber operário (a concepção do como fazer é atributo da gerência e a execução ao trabalhador), a fragmentação do trabalho em etapas simples, cabendo ao trabalhador executá-la o mais rapidamente possível sem a necessidade de pensar; esse relativo ganho de produtividade é recompensado com um salário extra. Era o início do processo de organização do trabalho moderno, ou de exploração da força de trabalho em larga escala, que proporcionou um grande desenvolvimento da humanidade e da acumulação de riquezas. Todavia, o custo humano deste desenvolvimento foi feito também com sofrimento da classe trabalhadora e uma grande incidência de acidentes e de adoecimento, pois esta forma de organização do trabalho, além de alterar as condições ambientais encontradas na natureza, insere um ritmo imposto externamente e a repetitividade da tarefa, retirando do trabalhador o planejamento da execução que passa a ser realizado pela gerência. A gerência significa, de fato, o controle das formas de trabalhar, ainda incluíndo todo o processo produtivo, o que fazer e o como fazer, a da apropriação mais adequada do trabalho alienado – isto é, a força de trabalho comprada e vendida (BRAVERMAN, 1987, p. 86). O controle retirado do trabalhador e a fragmentação do trabalho tornam o produto coletivo, a mercadoria, como algo alheio e estranho ao produtor. Este estranhamento causa a desrealização do ser social, atingindo sua subjetividade (ANTUNES, 1998, p. 124). Os modelos de organização do trabalho com o objetivo de fazer o trabalhador ser mais produtivo vêm sendo desenvolvidos por vários teóricos e se transformado ao longo do tempo. Entre estes foi desenvolvido por Henri Ford em 1913, o sistema de produção em grande escala de produtos padronizados, baseado na esteira rolante, destinados ao mercado de massa (MONTEIRO&GOMES, 1998). Esta forma de produção, Fordismo, trouxe sérios impactos sobre a saúde dos trabalhadores,

o trabalhador perdeu sua capacidade de controlar a economia do corpo e manter sua saúde. em especial as inovações organizacionais desenvolvidas por Ohno Toyota. acidentes e absenteísmo. constituídos por grupos de trabalhadores que são instigados pelo capital a discutir seu trabalho e desempenho. 1992. não resta mais nada. segundo Dejours. treinados e condicionados pela organização do trabalho (DEJOURS. p. que objetiva o melhor aproveitamento possível do tempo de produção. São os denominados teamwork ou células de . p.resultando em cansaço. 42). rotatividade de tarefas. O grupo tem assim. com vistas a melhorar a produtividade (ANTUNES. o sistema kanban. certa autonomia. o modelo de controle da produção desenvolvido pelos japoneses tem sido copiado pelo ocidente. 2003. somente os corpos adestrados. Segundo Dejours. podendo haver alternância de funções entre os membros. após a desapropriação do know-how e desmantelada a livre organização do trabalho da classe operária. maior valorização do trabalho em grupo do que o individual e a inserção de novas formas de gerência como o just-in-time. que busca uma gerência industrial mais eficiente em uma organização mais flexível baseada no fim da divisão do trabalho pela prescrição das tarefas e do relacionamento autoritário. Por esta forma de organizar a produção. que através de placas e senhas de comando controla a reposição de peças e estoque. sempre mínimos no toyotismo e os Círculos de Controle de Qualidade (CCQs). 54). com o compromisso produção. causa um desastre na estrutura físico. A organização do trabalho faz desaparecer a atividade intelectual do operário no seu trabalho o que. 54). doenças fisiológicas ou psicossomáticas. enfraquecendo a representação política dos de atingir as metas de produção (FLEURY. apud MONTEIRO&GOMES. Em 1940 surge na Inglaterra uma nova idéia de controle denominada de corrente sócio-técnica. Este modelo embute também a terceirização e a flexibilização econômica das relações de trabalho e cria o sindicalismo de empresas. mental e psíquica do trabalhador. ocasionando o desequilíbrio entre as partes e favorecendo o aparecimento de doenças psicossomáticas. 1987. que se baseia na formação de equipes de trabalhadores que executam cooperativamente as tarefas designadas. Este modelo denominado de Toyotismo pressupõe a polivalência. Nas últimas décadas. p.

trabalhadores. O trabalho é realizado agora para satisfazer as necessidades de produção estabelecida pelo grupo ao qual o trabalhador está inserido. A terceirização tem sido responsável pela precarização das relações de trabalho, já que é uma estratégia para a redução de custos. Este modelo favorece o desaparecimento das empresas com muitos trabalhadores empregados que são pulverizados em centenas de milhares de empresas pequenas. As pequenas empresas vivem para prestar serviços para as empresas líderes ou montadoras, sendo obrigadas a reduzir o custo da produção através do aumento da produção, com o conseqüente aumento da densidade do trabalho. Nestes novos tempos de globalização do trabalho e da produção, os capitalistas têm utilizado o que é denominado de reengenharia, como forma de reestruturar os processos empresariais, para o realinhamento dos custos operacionais e o enfrentamento da concorrência de produtos vindos do Japão e dos países denominados de tigres asiáticos, com a China surgindo mais recentemente. Apesar de pequenas diferenças o objetivo é sempre fazer a habituação do trabalhador de forma a aumentar a produção. Seja sob qual denominação que se encontre o modelo de gestão da produção, em sua essência, encontraremos lá os fundamentos do taylorismo e do fordismo, que sobrevivem ainda no seio das empresas, como forma de apropriação da capacidade dos trabalhadores produzirem a riqueza.

2.4

AVALIAÇÃO DAS CONDIÇOES DE TRABALHO COM A SAÚDE: RISCOS, CARGAS DE TRABALHO E DESGASTE.

O marco teórico para a compreensão da relação saúde-trabalho tem sido bastante desenvolvido nos últimos 35 anos, tomando-se como base a análise das cargas presentes no ambiente de trabalho como um todo complexo, cuja interação entre as partes se dá de forma processual, imprimindo-lhe uma qualidade específica (ASMUS&FERREIRA, 2004, p. 393). Estas cargas de trabalho se constituem em fatores de riscos que podem provocar acidentes e adoecimento, pois são elas

responsáveis por desgastar o corpo, a mente e as capacidades vitais dos trabalhadores (FACCHINI, 1993, LAURELL&NORIEGA, 1989). Sem o objetivo de levantar historicamente em detalhes ou de revisar criticamente os diferentes métodos empíricos de estudo dos fatores ou circunstâncias de riscos nos ambiente de trabalho, abordamos a seguir alguns modelos conceituais utilizados por vários autores e pela legislação brasileira. Inicialmente, no inicio dos anos 70, as causas dos acidentes e doenças foram definidas pela Engenharia de Segurança do Trabalho, através de conceitos que sobrevivem até hoje na NR-1 – Disposições gerais. São elas: a) “condições inseguras”, representadas por falhas em equipamentos, ferramentas defeituosas, arranjo físico deficiente, treinamentos inadequados ou inexistentes e a presença de agentes químicos, físicos ou biológicos no ambiente de trabalho5, com o potencial de provocar lesões ou enfermidades; b) “atos inseguros”, cometidos pelos trabalhadores ao burlarem as normas de segurança (TRIVELATO, 1998). Posteriormente, a Medicina do Trabalho se apropriou da categoria “risco” a fim de identificar os elementos nocivos presentes no ambiente de trabalho que podem, por suas características, causar danos à saúde dos trabalhadores, mas de uma forma isolada no esquema monocausal (LAURELL&NORIEGA, 1989, p. 109) A Higiene do Trabalho, que também utiliza o conceito de risco, desenvolveu a técnica de avaliação de risco e dos níveis seguros de exposição. O modelo de avaliação tem como etapas: a) Identificação do perigo; b) Avaliação de doseresposta; c) Avaliação da Exposição e d) Caracterização do risco. A higiene industrial estabeleceu os Limites de Tolerância (LT) de concentrações e do tempo de exposição do trabalhador aos agentes ambientais e reconheceu o papel sinérgico destes agentes entre si, levando em consideração as características genéticas dos indivíduos e com a forma em que o trabalho é realizado. Apesar deste avanço, sua abordagem ainda é a de causa e efeito num viés monocausal.

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Ambiente de Trabalho é definido, de acordo com Oddone (1986), como o conjunto de todas as condições de vida no local de Trabalho, abrangendo: características do local: dimensões, iluminamento, aeração, rumoriosidade, presença de poeira, gases ou vapores, fumaça, etc, além de elementos da atividade (tipo de trabalho, posição do operário, ritmo, ocupação do tempo, horário de trabalho, turnos, alienação, valorização intelectual e profissional).

A área da saúde, através da epidemiologia, introduziu o conceito de risco, agora sob a teoria do modelo multicausal, defendendo a necessidade da presença simultânea de vários fatores de risco para que se possa explicar a produção do adoecimento de uma determinada população. Segundo Trivellato (1988), o risco representa a possibilidade de um efeito adverso ou dano ou a incerteza da ocorrência, distribuição no tempo ou magnitude de resultado adverso. A epidemiologia introduziu também o conceito de “fator de risco” como sendo todas as variáveis presentes no ambiente de trabalho com o potencial de ao interagir com o corpo do trabalhador, causar um dano à saúde. Os fatores de risco, por suas características e especificidades, podem ser classificados de várias formas, havendo algumas variações de um modelo para outro. No Brasil, utiliza-se uma classificação que surgiu da NR-9 (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA) e posteriormente foi inserida na NR-5 (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA), que estabelece a obrigatoriedade dos componentes desta comissão fazerem o mapeamento dos riscos em todos os ambientes de trabalho da empresa, avaliando seu potencial de causar danos, na seguinte graduação: pequeno, médio ou grande. Este mapa de risco deve ser fixado de forma visível nos locais de trabalho e discutido com todos os trabalhadores a fim de que eles participem da gestão da segurança e saúde no trabalho. Por esta norma, os fatores de risco são classificados em: Riscos Ambientais (físicos, químicos e biológicos), Riscos de Acidentes e Riscos Ergonômicos. Sua definição pode ser mais bem compreendida de acordo com a exposição abaixo: Riscos físicos: São as diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, bem como o infra-som e o ultra-som. Riscos Químicos: São as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão.

que foi formulado por trabalhadores e profissionais em Turim. esmagamento. queimaduras. vírus.475) o restringe somente à natureza anatômica. Inicialmente. Este modelo foi o sustentáculo . fraturas. manutenção inadequada de equipamentos.17. O termo ergonômico é utilizado de forma inadequada. entre outros. que podem levar o trabalhador à infecção ou ao parasitismo. a ergonomia procura adaptar todas as condições de trabalho que podem entrar em conflito com as características psicobiológicas do homem causando-lhe desconforto. 2005). Segundo a Norma Regulamentadora 17. ou que trazem constrangimento (contrainte) ao psiquismo do trabalhador. Riscos Ergonômicos: São os fatores de risco que podem trazer: desconforto anatômico e fisiológico. já que a ergonomia por sua definição é um campo muito vasto e de caráter interdisciplinar. 2004. máquinas sem proteção. parasitas. insegurança e baixo desempenho. pressões excessivas da organização da produção. fisiológica e psíquica do homem. uso inadequado de ferramentas. enfim. uso excessivo dos músculos e tendões. 2003. Por esta definição a ergonomia pretende estudar o trabalho como um todo a fim de estabelecer uma intervenção que possa melhorar a situação de trabalho. foi mudado para risco de acidentes. p. daí a mudança de denominação. entre outros e se torna pouco representativo para situações de risco com eletricidade. a falta de sinalização. fungos. Desta forma. como: as bactérias. chamado de Modelo Operário Italiano. trabalho com equipamentos energizados. nos anos 60. porque o termo mecânico parece estar mais relacionado a acidentes com lesões no corpo que provoquem corte. presença de animais peçonhentos.391 e CÂMARA. protozoários. inclusive os riscos ambientais e de acidentes. e abarca em sua abordagem. p. O mapa de riscos foi trazido para nossa legislação a partir da experiência dos sindicatos italianos. os aspectos que os ergonomistas denominam de relação homem-máquina. bacilos. entre outros.Riscos Biológicos: São os microorganismos. foi classificado como risco mecânico e. item 17. posteriormente.1 (ATLAS. a desvalorização intelectual. picadas de animais peçonhentos. a utilização deste conceito pela NR-5 e por vários autores (ASMUS&FERREIRA. Riscos de Acidentes: São todas as situações ou condições inadequadas no ambiente de trabalho que podem ser causa de acidentes com lesões nos trabalhadores como: piso de trabalho escorregadio.

como: ritmos excessivos. 1986. temperatura. O Modelo Operário Italiano estabelece em suas bases que os trabalhadores não podem delegar aos técnicos a definição dos padrões sanitários do ambiente de trabalho. Por este modelo os riscos são classificados em 4 grupos. vibração. segundo suas características (ODDONE. Todavia. umidade e radiações. que o grupo de trabalhadores expostos de forma homogênea às mesmas condições de trabalho e com laços de união entre si valide os conhecimentos operários sobre os fatores de riscos consensualmente. repetitividade. como: poeiras. em que o consumo de calorias e seus possíveis efeitos nocivos se relacionam com a fadiga. 3º Grupo: Está relacionado ao trabalho físico do corpo do trabalhador. a valorização da experiência ou subjetividade operária. ruído. ventilação. responsabilidade. a não-delegação e a validação consensual. Outros autores que estudam os fatores de riscos. trabalho em turnos e noturno. Hoje.21-24): 1º Grupo: São os fatores que existem na natureza e que são alterados no ambiente de trabalho. utilizam algumas variações em suas denominações e classificação como o utilizado por Trivellato (1998). 4º Grupo: Os fatores classificados neste grupo estão relacionados à forma como é organizada a produção. vapores e fumaças. 2º Grupo: São constituídos por fatores que surgem pelo consumo das matérias primas no processo de produção. que os classifica como: . seus conceitos principais continuam sendo utilizados na confecção dos Programas de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e nos estudos dos ambientes de trabalho. A experiência brasileira com os mapas de riscos não foi positiva. posições incômodas. principalmente pelo recorte da gestão de riscos. gases. névoas. tornando-se assim um modelo de construção do conhecimento operário sobre as condições de trabalho.da luta dos trabalhadores por melhores condições de saúde e tem 4 conceitos principais: o grupo homogêneo. como: luz. p. perdeu sua importância devido ao desvirtuamento de sua confecção e utilização pelos trabalhadores como forma de gestão do meio ambiente de trabalho. monotonia.

em seu estudo clássico sobre as condições de trabalho na principal siderúrgica mexicana. químicas. as cargas físicas. etc. Neste modelo. Como exemplo. 110). adquirirão uma materialidade interna pelas transformações que causam nos processos intracorporais mais complexos. que pode ser verificado com a perda da capacidade potencial e efetiva corporal e psíquica do trabalhador (LAURELL&NORIEGA. Segundo Laurell e Noriega (1989).Biológicos: microorganismos como fungos. ruído. Consideram o conceito de risco limitado e insuficiente para a caracterização do desgaste do trabalhador. Baseados na concepção da determinação social do processo saúde-doença desenvolvido por Laurell e Noriega (1989). bactérias. equipamentos. o processo de desgaste. materiais e operações a serem realizadas. névoas.Químicos: substância química. fumos metálicos. independentemente do trabalhador. as cargas de trabalho de acordo com suas especificidades são classificadas como: físicas. gerando. mecânicas. gases. biológicas. como a sudorese e alterações hormonais. também. por outro lado. pág. que manifestará queixas ou patologias. vírus. fisiológicas e psíquicas. c) Humano ou comportamental: decorrentes da ação ou omissão. criticam estes modelos de identificação de risco por considerar que todos reduzem o risco ao ser caráter ambiental externo e analisam os fatores de forma isolada. . as cargas fisiológicas e psíquicas somente têm materialidade interna e são expressas pelo trabalhador. assim. . propondo outra categoria de análise denominada “carga de trabalho”. químicas. As cargas externas. vibração. b) Situacional ou de acidentes: situações inadequadas relacionadas às instalações. etc. ferramentas.Físicos: radiação. biológicas e mecânicas têm materialidade externa ao corpo e podem ser avaliadas quantitativamente. sendo responsáveis pela adaptação do corpo do trabalhador a estas condições. Esta categoria de análise busca compreender o processo de trabalho e os fatores que interatuam dinamicamente entre si e no corpo do trabalhador. ao interatuarem sobre o corpo do trabalhador. poeiras. 1989. o calor presente no ambiente de trabalho se expressa através dos mecanismos de termo-regulação. constituindo mudanças que podem ser .a) Ambientais: .

calor. adquirindo materialidade nos processo psíquicos e corporais. sendo divididas em dois subgrupos: Sobrecarga psíquica: atenção permanente. f) Cargas Psíquicas: relacionadas com manifestações somáticas. bactérias e fungos. como o trabalho em altura. a dependendo do tempo de exposição dos trabalhadores a estas condições. líquidos. p. d) Cargas mecânicas: condições do ambiente de trabalho responsáveis pelos acidentes que causam lesões instantâneas no corpo do trabalhador (contusões. fibras. o trabalho com substâncias perigosas. . alternância de turnos de trabalho e os ritmos excessivos são exemplos. As cargas de trabalho podem ser identificadas e classificadas como: a) Cargas físicas: ruído. posição incomoda.). só têm existência na relação dos homens com os outros homens e com as coisas. etc. b) Cargas químicas: poeira. se expressando na fisiologia com mudanças nos corticosteróides (LAURELL&NORIEGA. etc. fraturas. fumos metálicos. Facchini (1993. fragmentação do trabalho que resulta em monotonia e repetitividade. radiações e vibrações. separação entre a concepção e execução. desqualificação do trabalho. os pisos escorregadios.temporárias ou não. as escadas sem proteção. consciência da periculosidade dos trabalhos. a monotonia e a repetitividade podem causar a hipotrofia do pensamento e da criatividade humana. Resumindo este conceito ou categoria de análise. vapores. Por exemplo. pressão atmosférica. etc. feridas.39) define estas cargas de trabalho como as demandas ou exigências psicobiológicas do processo de trabalho. As cargas psíquicas. 1989. p. umidade. etc. c) Cargas biológicas: presença de microorganismos: vírus. gerando ao longo do tempo as particularidades de desgaste do trabalhador.112). supervisão com pressão. segundo Laurell e Noriega. alto ritmo de produção. Subcarga psíquica: perda de controle do trabalho pela subordinação à máquina. e) Cargas fisiológicas: relacionadas ao dispêndio de energia e desgaste no interior do corpo humano: esforço físico pesado. fumaças.

sendo que são a organização e a divisão do trabalho no interior das empresas que ocupam a hierarquia superior em termos de controle e consumo da força de trabalho (FACHINI. um trabalhador realizando um trabalho pesado. que não corresponde à sua simples somatória. decorrentes do que se denomina de sinergismo. potencializando seus efeitos. 180). mas sim. Nesta análise. Outra questão que podemos levantar é o conceito de materialidade externa e interna que não traz benefício ao entendimento sobre a exposição do trabalhador às cargas . tendo significado e valorização do trabalho. Por outro lado. as cargas de trabalho só podem ser entendidas como articuladas no processo de trabalho e que interagem com as demais cargas. No entanto. denominada por Laurell (1989) como o perfil patológico de um grupo social. p. 1993. mas valores maiores. e por isso não se tornam amortecedores das cargas psíquicas somatizantes. em primeiro lugar por questões epistemológicas e. acrescenta. entre os elementos do processo de trabalho. como no exemplo onde o trabalhador mantém alto ritmo de produção e situações de desconforto. proposto por Laurell e Noriega. em um local mal ventilado e em uma posição incômoda. o modelo teórico da determinação social da doença reduz a complexidade social a uma única dimensão. irá ter um desgaste derivado de cada um deles. p.A associação do desgaste com a reprodução determina a constituição de formas históricas biopsíquicas que são características e que determinarão o aparecimento de uma série de enfermidades particulares. pela incapacidade deste modelo conseguir substituir o conceito de risco como ferramenta conceitual para expressar o caráter coletivo do processo saúde-enfermidade. aponta que não há uma hierarquia entre as diferentes cargas. Em terceiro lugar. Facchini. em segundo lugar. 1993. podem haver situações de atenuação. 182) Como as cargas de trabalho interagem de forma bastante complexa para cada ramo produtivo e para cada processo de trabalho. isto é. Almeida Filho (2004) critica o modelo de determinação social do processo saúdedoença tendo o trabalho como causa central. in BUSCHINELLI. é possível identificar um perfil de cargas de trabalho que conformam um determinado padrão de desgaste operário (FACCHINI. in BUSCHINELLI. que são compensadas pelo fato da atividade permitir a tomada de decisões. ao processo de trabalho. Por exemplo.

o trabalhador exposto e sua vida em um mundo social que está sempre reforçando sua condição de ser produtivo. por exemplo. mas do confinamento do trabalhador dentro de um círculo espesso de deveres servis. em segundo lugar. mas de escravização. As mudanças na forma de organizar o trabalho. a questão dos mobiliários inadequados que não dispõem de regulagens ergonômicas que permitam uma postura mais adequada. Toyotismo. e não do alargamento do horizonte do trabalho. que em sua maioria também têm materialidade externa e podem ser analisados pelos técnicos ou pelos trabalhadores. nas indústrias de produção em massa. problemas que têm repercutido na saúde dos trabalhadores como causa da maioria das doenças crônico-degenerativas. no qual a máquina aparece como a encarnação da ciência e o trabalhador como pouco ou nada (BRAVERMAN. O fato é que. Primeiro. o modelo da determinação social trouxe algo de novo que é enxergar além das cargas de trabalho e não somente por elas. causando até mesmo certa confusão. a ausência de pausas. antes.]desta maneira vem a ser não uma fonte de liberdade. antes de se materializarem em desgaste no corpo. a partir da revolução industrial no século XIX e das modernas técnicas de administração da produção (Taylorismo. em especial as fisiológicas. 1987. Alguns estudos têm demonstrado que no momento atual. por que as cargas externas só têm relevância no momento da interatuação com o corpo do trabalhador. concepção próxima da execução. há um retorno de atividades de planejamento para o domínio dos trabalhadores ou. Fordismo. em particular nas indústrias de alta tecnologia. a aproximação entre as funções de pensar e de executar.de trabalho.. só são analisadas pelo aspecto do esforço do trabalhador em realizar o trabalho. retiram do trabalhador o planejamento do trabalho. entre outros).. p. Apesar destas críticas. pelo atrito entre os tecidos musculares e os tendões. a própria organização da produção. 169) . rotatividade de funções. não do domínio. que [. mas de desamparo. robotizando seus movimentos e sua criatividade. as cargas internas. os trabalhadores perdem o controle sobre o trabalho com o desenvolvimento da maquinaria. ou pela postura incômoda necessária para a realização da atividade e não analisa. dada às transformações no mundo do trabalho. como o gasto calórico.

férias. expresso pelas freqüências elevadas de distúrbios à saúde dos trabalhadores. assim. além de todos os fatores de riscos já citados. a qual consolidou. a hipótese deste estudo de que as relações de trabalho e as formas de organização de trabalho encontradas nas indústrias do setor de vestuário de Colatina determinam um conjunto de cargas de trabalho que repercutirão em desgaste. direitos e garantias mínimas. Como parte das cargas psíquicas do dia-a-dia dos trabalhadores está o fantasma do desemprego. da sua gestão e as relações de emprego que se deterioram à medida que passam a serem entendidas como a possibilidade de se contratar trabalhadores sem os ônus advindos da legislação do trabalho. principalmente para algumas categorias de trabalhadores. é importante considerar que o capitalismo tem ganhado força e ampliado suas formas de apropriação das riquezas produzidas pelo mundo do trabalho. 2003). Daí se estabelece que as relações e o processo de trabalho são os fatores mais importantes na determinação social das doenças. FGTS. . Entre estas práticas está a flexibilização da produção. como: o 13o salário.Atualmente. ao longo das últimas quatro décadas. Configura-se. entre outros (ASSUNÇÃO.

a morbidade comportamental reflete as implicações sócio-econômicas dos problemas de saúde bem como as atitudes e reações em face desses problemas. o reflexo do funcionamento do sistema de cuidados médicos.. Estas informações são colhidas através dos seguintes instrumentos: a entrevista com o trabalhador. comportamento na vida diária. O estudo e a pesquisa sobre as relações entre o perfil de saúde e de riscos e as alterações de saúde verificadas. a investigação da relação entre a saúde e o trabalho compõese de três elementos: Levantamento e análise do perfil de saúde e dos riscos a que esteja exposto o trabalhador ou o grupo de trabalhadores.3 METODOLOGIA Segundo Rigoto (1993. denominados também na década de 1970 como inquéritos de saúde. existem várias formas de se obter a morbidade de uma população. ao nível da: produção. Os estudos transversais.) a morbidade sentida permite principalmente abordar a noção de necessidade e. o objeto de estudo da saúde do trabalhador é complexo e multifacetário. 81) . (GOMES&TANAKA. Segundo esta autora. (. Detecção e avaliação das alterações de saúde precoces ou manifestas. a morbidade objetiva pretende ser uma medida de prevalência real dos fenômenos mórbidos em uma população. consumo.. portanto. p. hábitos de vida. 1982. pois se pretende apreender a totalidade das interações do homem com o ambiente de trabalho que participam do processo saúde-doença. meio ambiente. O resultado quantitativo que se quer alcançar nestes estudos é uma estimativa da medida de prevalência de alterações à saúde. que estão ocorrendo no corpo do trabalhador ou do grupo de trabalhadores. 1993). p.159). as entrevistas coletivas e o estudo dos locais de trabalho. em função das normas estabelecidas pelo estado dos conhecimentos médicos. de demanda em face do sistema de saúde. são utilizados largamente em todo o mundo e têm reconhecido poder de revelar o estado de saúde e doença da população (CAMPOS. a morbidade diagnosticada é. De acordo com Gomes e Tanaka (1982). por fim. antes de tudo.

melhoria das áreas físicas das empresas com a reforma e ampliação das instalações e a construção de novas e . Inicialmente como fábricas familiares que utilizavam poucos trabalhadores. Colatina consolidou seu pólo de indústria do vestuário a partir de 1990. dos agentes de risco a que são expostos. Segundo o sócio proprietário e fundador de uma das indústrias de confecções pioneiras no município. ocasião em que houve grande incremento do número de indústrias. as queixas de saúde. A indústria do vestuário surgiu no município de Colatina entre as décadas de 60 e 70 do século XX. a mente e o psiquismo dos trabalhadores que podem. individualmente ou de forma sinérgica. Através da identificação das queixas de saúde. que intermediavam a venda. desencadear o processo de adoecimento. que o grupo de trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES sentiram nos últimos 15 dias anteriores à coleta de dados. da associação entre eles e das demandas da atividade exercida pelo conjunto de operários que atuam em um determinado setor produtivo. serão indicadores da morbidade. podendo-se inclusive consultar os prontuários médicos das Unidades Básicas de Saúde. com produção de poucas peças que se destinavam ao mercado local. investimento em tecnologia de ponta com a aquisição de máquinas modernas. A detecção precoce dos sinais que possam caracterizar ou indicar a instalação das patologias é importante para a avaliação da eficácia dos controles dos agentes agressivos implantados pelas empresas e se os limites de tolerância adotados são compatíveis com a variabilidade das suscetibilidades dos trabalhadores.1 A INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA. 3. Nos ambientes de trabalho são encontrados inúmeros fatores que entram em contato com o corpo. pode-se determinar o perfil de saúde dessa população de trabalhadores. possuíam acabamento quase artesanal e eram vendidas de porta-em-porta pelas denominadas “sacoleiras”.Para estes autores. No caso deste estudo. a prevalência de morbidade referida tem sido confirmada como um indicador altamente confiável das condições de saúde populacional e com alta capacidade de revelar desigualdades entre grupos.

As empresas também desenvolveram técnicas próprias e criaram moda.Confecções de roupas profissionais 18. demonstra uma grande concentração nas empresas com até 4 empregados.12-0 . da seguinte forma: 18 .662 empresas no Estado do Espírito Santo ocupando 16.145 trabalhadores. existiam 75.Confecções de Artigos do Vestuário e Acessórios 18. 18. veja Tabela 1.2 . o avanço da produção em milhares de peças por dia e a conquista do mercado nacional e internacional.Confecção de peças interiores do vestuário 18. Este estudo abarcou apenas as empresas classificadas no CNAE 18.gov.13-9 .13.062 empresas do ramo de vestuário ocupando 563.br/bda/tabela/protabl. em boa parte financiada pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo . ou seja. por faixa de pessoal ocupado total.ibge. sendo 1.9).22-8 .223 trabalhadores (IBGE. em parte.asp.Confecção de artigos do vestuário e acessórios 18. o que explica.sidra.21-0 .11-1 . aliado ao incremento na capacitação da mão-de-obra pelas empresas.Fabricação de acessórios do vestuário e de segurança profissional 18. O perfil destas empresas. .1 . em 2003.12-0.1 (18. acessado em 02/12/2005).11-1.Fabricação de acessórios para segurança industrial e pessoal. as empresas de confecção de artigos do vestuário e acessórios.modernas fábricas. fato que ocorre no setor devido a terceirização e para que estas empresas não percam os incentivos fiscais. e 18. A indústria do vestuário é identificada pela Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE. htpp://www.Confecção de outras peças do vestuário 18. visando garantir uma maior homogeneidade dos processos de trabalho estudados. No Brasil.BANDES e por instituições como o SEBRAE.Fabricação de acessórios do vestuário 18.

CLT.342 trabalhadores contratados pelo regime da Consolidação das Leis Trabalhistas . no CNAE de nosso estudo 184 empresas que informaram a existência de 4.2004 CNAE 1811-2 1812-0 1813-9 1821-0 TOTAL Fonte: RAIS/MTE Nº EMPRESAS 19 160 4 1 184 Nº TRABALHADORES 265 4037 38 2 4342 .278 81 1. POR FAIXAS DE PESSOAL EMPREGADO.798 6.723 54 1. TABELA 2: Nº DE EMPRESAS E EMPREGADOS POR CNAE . Faixas de pessoal empregado Região 0-4 Brasil ES 5 – 9 10 – 19 20 – 29 30 – 49 50 – 99 100 .249 250 – 499 2. Dados mais recentes sobre o universo de empresas deste setor existentes no município de Colatina no ano de 2004 foram obtidos no cadastrado na Relação Anual de Informações Sociais . 2004. NO BRASIL E NO ESPÍRITO SANTO.TABELA 1: NÚMERO DE EMPRESAS DO SETOR DO VESTUÁRIO.010 39 416 19 76 4 54. Constando neste cadastro em 31 de dezembro de 2004.638 8. do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE.RAIS.110 201 154 Fonte: IBGE/2005. conforme a tabela 2.076 1.

Descrição das condições ambientais de trabalho: onde se estuda se no meio ambiente de trabalho existem elementos que possam ser agentes nocivos para os trabalhadores como os aerodispersóides (poeiras. áreas de lazer. rodízios de funções).Instalações da empresa: onde o espaço físico do local de trabalho é analisado no aspecto de divisão espacial (layout). etc. gases e vapores). os mecanismos de controle da produção (ritmos. importância econômica na região em que estão instaladas e o número de trabalhadores contratados direta e indiretamente. fumos metálicos.2 ESTUDO DAS CARGAS DE TRABALHO NAS INDÚSTRIAS DO VESTUÁRIO DE COLATINA. iluminação. radiações. ferramentas.Aspectos históricos sobre como as empresas surgiram e o contexto sócio-econômico e como se organizam as representações de classe dos trabalhadores. a presença de energias como o ruído. Para realizar estudos sobre o processo de trabalho Rigotto (1993. 3. bebedouros. ventilação.Relação com o meio ambiente: como se dá a disposição de todos os resíduos sólidos e líquidos do processo de produção e qual é sua influência no ecossistema do entorno da fábrica. vibração.O processo de produção onde se verificará o volume da produção. autonomia). a jornada de trabalho (turnos. horasextras.).Identificação das empresas do ramo de atividade. conforto e higiene (banheiros. refeitórios. 4Organização do Trabalho onde se verifica como ocorre a divisão das tarefas (concepção e execução). Portanto. incluída aí uma análise da gestão destes fatores de risco. equipamentos. tornou-se necessário conhecer os principais fatores de risco encontrados neste tipo de indústria que poderiam constituir cargas de trabalho para estes trabalhadores. 6. 2. 5. tempo para pausas.162). etc.3. recomenda que as informações necessárias a serem obtidas devam abarcar os seguintes aspectos: 1. . produtividade. 7. matérias-primas utilizadas. aspectos de estabilidade no emprego. os meios de produção (máquinas. considerando-se o fato do objeto de estudo ser o conjunto dos trabalhadores do setor do vestuário e não uma empresa específica. vestiários. p. Para os propósitos deste estudo foram utilizadas as recomendações de Rigotto.) e o fluxograma da produção. a presença de microorganismos que possam ser fonte de contaminação e as situações que podem provocar acidentes. o mobiliário. salário e a relação com os sindicatos das categorias.

Durante este trabalho foram realizadas também entrevistas informais com diretores e pessoas ligadas a este ramo industrial que participaram do seu desenvolvimento no município de Colatina. ocorreram no período de 15 de janeiro a 15 de fevereiro de 2006. As visitas de campo. entre outros tipos de peças de roupa.Para realizar esta etapa do estudo foi necessário realizar visitas aos locais de trabalho para observar in loco as formas de organização da produção e registrar em documento de campo (Anexo D) quais os principais fatores de risco à saúde dos trabalhadores que estão presentes no processo de trabalho da indústria do vestuário em Colatina. por similaridade. Foram realizados por setor. Este recorte do complexo ambiente de trabalho do setor abrange somente a estrutura técnica da produção da calça jeans. como capacitaram a mão-de-obra. principais mercados consumidores e o desenvolvimento da mão-deobra. cujo objetivo foi identificar a presença de fatores de riscos que podem representar fontes de desgaste dos operários e contribuir para a formação do perfil de adoecimento. Foram entrevistados também encarregados de produção sobre: aonde aprenderam a gerenciar a produção. com este objetivo. rotatividade e quando aparecem os primeiros sinais de adoecimento e desgaste nos trabalhadores. as observações . que possui maior número de atividades e de situações de risco podendo ser. os fatores de risco foram agrupados de acordo com a concepção do modelo da determinação social da doença de Laurell e Noriega. Não foram realizadas avaliações quantitativas dos fatores de riscos e nem de sua capacidade de causar danos aos trabalhadores. Este trabalho foi realizado em quatro empresas do município de forma a observar todas as etapas de fabricação de duas empresas que costuram jeans e que dominam todo o processo de fabricação das calças e duas que fazem facção e costura roupas de menor qualidade. com o propósito de se obter informações sobre os seguintes fatos: como surgiram as primeiras indústrias no município. Neste levantamento. mas um levantamento qualitativo preliminar. suas características principais. aplicados nas situações que ocorrem na fabricação de camisas de malha ou de roupas íntimas. O estudo das cargas de trabalho não é um levantamento exaustivo para cada função existente no processo produtivo da indústria do vestuário. época de consolidação do pólo industrial. que utiliza a categoria carga de trabalho.

privilegiando os aspectos qualitativos da realidade. A amostra entrevistada foi retirada da listagem fornecida pelas empresas do setor do vestuário de Colatina ao Prevalência é definida como a freqüência de casos existentes de uma determinada doença (morbidade). já que o objetivo era trabalhar com segmentos da cadeia produtiva que expressassem os diferentes tipos de atividades exercidas pelos trabalhadores. p.3. 26) 6 .3 LEVANTAMENTO DE CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA.125). como se fosse uma fotografia daquele momento estudado. em uma determinada população e em um dado momento (COSTA&KALE.1 Sujeitos da Pesquisa e Amostra Os sujeitos da pesquisa foram trabalhadores associados ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário – SINTVEST. com filmagem e registro fotográfico para análise posterior. O levantamento das condições de trabalho e saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina foi realizado através de um estudo com delineamento seccional ou transversal. 2004. já que a lógica da análise é como se todos os dados tivessem sido colhidos em um único instante. 3. Salienta-se que esta amostra de empresas não teve finalidade estatística. 2004. p. característica do estudo epidemiológico de observação direta de determinada quantidade planejada de indivíduos em uma única oportunidade (MEDRONHO. O delineamento transversal é o método de escolha para estudos com a finalidade de estimar prevalências6. Isto significa que a coleta de dados dos indivíduos da amostra se dá no prazo mais curto possível em uma única visita. 3. tendo ainda como vantagem o baixo custo e a rapidez em sua execução.das atividades dos trabalhadores sendo registradas as fontes de risco.

Para determinar o tamanho mínimo da amostra necessário ao estudo. foram controlados os aspectos que diferenciam os trabalhadores das empresas que dominam todo o processo de produção das roupas daquelas que prestam serviços parcelados. em dezembro de 2004. confirmadas pela contribuição mensal em agosto de 2005. 2002). como os das lavanderias. . havendo entre eles alguns informais. contribuindo para o SINTVEST no mês de agosto de 2005 e com endereço residencial conhecido. Em agosto de 2005.50 ou 50%. utilizou-se o software estatístico Statistical Analysis Software . Para garantir que a amostra fosse a mais homogênea possível. contra uma proporção aceitável de até 60% (p=0. Fixando-se o poder da amostra em 90% (z=1. método conservador.96). o universo de trabalhadores a serem pesquisados foi reduzido a 1727 trabalhadores com vínculo empregatício e empregados em empresas do vestuário que produzem a mercadoria roupa em sua totalidade. totalizando cerca de 95% dos trabalhadores com registro.342 empregados formais no município de Colatina. Estes dados foram confirmados pelo Ministério do Trabalho e Emprego em consulta a RAIS. o de pequenas fábricas de facção que realizam pequenos serviços para as empresas maiores.100 trabalhadores contribuintes.60).SAS e o procedimento proc power (CHERNICK&LIU. sendo eliminados da amostra os trabalhadores das destas últimas. Os dados acima indicam um alto índice de sindicalização entre os trabalhadores da indústria do vestuário. pela dificuldade de sua localização. que irá fornecer o tamanho máximo da amostra. adotando-se a referência pº=0. que contribuem diretamente ao sindicato. Foram retirados também todos os trabalhadores informais e os trabalhadores sem endereço conhecido. Para a seleção da amostra utilizamos como condição de controle que os trabalhadores estivessem empregados nas empresas classificados no CNAE abrangido pelo nosso estudo conforme a tabela 2. onde foram cadastradas 184 empresas com confirmação de 4.SINTVEST. considerando-se os seguintes parâmetros: Nível de confiança da amostra de 95% (z=1. existiam cerca de 4. Dessa forma. Distribuição binominal (proporção). que estão em dia com suas contribuições. segundo o SINTVEST.64).

cuja fórmula para se obter o tamanho da amostra é: Fixando-se uma taxa de recusa possível de 10%.Início casual. sendo neste estudo sorteado o segundo nome que foi o primeiro elemento da amostra.A hipótese alternativa. 2. 3. sorteou-se um número entre 1 e 4. para formar os componentes da amostra.O intervalo casual foi k= 1727/432= 4. . A amostra foi pelo processo de amostragem sistemática (CASTELLOE&O’BRIEN.E a partir deste foi retirado um indivíduo a cada intervalo de 4 nomes da lista em ordem alfabética. 149-155). a partir da listagem por ordem alfabética da população total de 1727 pessoas. diferença. a amostra final foi de 432 pessoas. p. 2001. onde: 1.

2. em sua grande maioria fechada. e a pergunta 60 (A duração de 2 de qualquer dos sintomas acima é superior a 30 dias?). tais como: estados ansiosos. escolaridade e renda). 1986 apud BORGES. ombros e pescoço. não psicóticos. fonte de tensões e cansaço). apud BORGES. Este instrumento consta de sinais e sintomas de dor ou desconforto nos membros superiores.3. problemas de atendimento médico. tempo de trabalho. 64). sexo. pausas. Este instrumento foi validado por Mari e Willians em um estudo com a população que procurava serviços de atenção primária à saúde. 2001. na cidade de São Paulo. sendo que a resposta positiva simultaneamente às perguntas 56 (Sente dor ao pressionar ou ao movimentar algumas destas partes?). é o critério de suspeita de L. depressivos e somatizações (MARI & WILLIANS. 2. condições inadequadas de trabalho que causam doenças. p.R. e aplicado por entrevistadores treinados. 2 Instrumento de Pesquisa O instrumento de campo utilizado foi um questionário estruturado (Anexo C) contendo 83 perguntas.Caracterização das demandas das cargas de trabalho (função.3.Dados sócio-demográficos (local de trabalho. naturalidade. assim distribuídas: 1. integrante de um instrumento de rastreamento destes distúrbios proposto por Ribeiro (RIBEIRO. idade. . distúrbios à saúde mental e distúrbios muscoloesqueléticos). reprodução da versão em português do instrumento SRQ – 20 (Self-Report Questionnaire). Foi avaliado como um bom indicador de morbidade. com sensibilidade de 83% e especificidade de 80%. O questionário é composto de três partes. p. em comunidades. de maneira que 8 ou mais respostas positivas caracterizam a suspeita de DMM. estado civil. A avaliação da presença de distúrbios muscoloesqueléticos é avaliada pelas respostas às questões 52 a 60. ritmos. raça.Perfil de condições de saúde (queixas de saúde. 62). 2001. instrumento de rastreamento (screening) que detecta quadros suspeitos de distúrbios psiquiátricos menores. duração da jornada.E. estabelecendo como ponto de corte 7/8. A avaliação da suspeita de presença de Distúrbios Mentais Menores – DMM foi realizada pelas perguntas 32 a 51.

b) Esclarecer que as informações prestadas seriam confidenciais e os trabalhadores não seriam identificados por pessoas que não participassem da pesquisa. responder às perguntas sem pressa. evitando qualquer constrangimento ou pressões de chefias. sendo necessário o retorno ao local com hora marcada. preferencialmente no domicílio do trabalhador. vide Termo de Consentimento (Anexo B). Mas o mais comum era o entrevistado não estar em sua residência na hora da visita. para confirmação de sua realização e aferição da qualidade. ocorrendo vários casos em que o trabalhador havia mudado de residência. caso concordassem em ser entrevistado. uma amostra aleatória de 5% do que cada entrevistador fez. foram escolhidas cinco pessoas. As mudanças de endereço eram resolvidas .3 Procedimentos de Campo As entrevistas foram realizadas no período de 19 de novembro a 20 de dezembro de 2005. Os entrevistadores foram capacitados previamente através de três encontros. as dificuldades para sua realização foram inúmeras. receberam uma cópia do questionário e aprenderam a conduzir a entrevista. disponibilidade de trabalhar à noite e fins de semana. fora do local do trabalho. seguindo sempre o seguinte protocolo: a) informar aos entrevistados sobre os objetivos e a relevância do estudo. Como forma de controle da qualidade das entrevistas. A coordenação comprovou que os trabalhadores foram realmente visitados e entrevistados. assim.3. conhecimento da comunidade a ser estudada e de disponibilidade para participar da fase de treinamento. assinar a autorização para utilização das informações na presente pesquisa. já que os endereços cadastrados pelo sindicato e pelas empresas são de uma data cerca de um ano anterior ao período da pesquisa. boa comunicação. a fim de garantir a liberdade de manifestação do entrevistado. quando tomaram conhecimento do projeto de pesquisa. não ocorrendo discrepâncias relevantes nas respostas. A equipe de entrevistadores foi selecionada através de entrevistas com candidatos que reuniam os seguintes critérios: escolaridade mínima de segundo grau completo.3. o pesquisador-coordenador entrevistou novamente. Como em toda pesquisa deste tipo. c) Enfatizar a importância da colaboração do entrevistado e solicitar. podendo.

após o cruzamento de variáveis. o mesmo era substituído pelo trabalhador seguinte da listagem por ordem alfabética. já que foi usada uma estratégia de divulgação do trabalho através do envio de uma carta (Anexo A) quinze dias antes do início do trabalho de campo. Das 432 entrevistas previstas foram realizadas 422. Quando o trabalhador não era encontrado de forma alguma.através de informações colhidas com antigos vizinhos ou através do SINTVEST. com apenas 10 recusas (2. De forma geral. destacando-se as funções e os fatores de riscos presentes que podem participar do desgaste da saúde do trabalhador. A análise através dos programas estatísticos permitiu construir o perfil epidemiológico e dar ao pesquisador. os entrevistadores foram bem recebidos. As variáveis suspeitas de DMM e suspeita de LER foram tomadas como variáveis dependentes e utilizadas em modelos de regressão logística para verificar a contribuição de diferentes fatores de risco (variáveis independentes) na sua . Os dados obtidos nas entrevistas com trabalhadores foram digitados em um banco de dados do programa Excell para Windows XP e posteriormente migrados para o SAS. Inicialmente foi verificada a freqüência simples das variáveis. para todos os trabalhadores sorteados.3%). ou havia abandonado o trabalho há mais de 15 dias. contendo explicações sobre o objetivo da pesquisa e de sua importância para o conhecimento das condições de saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário. A variável queixa referida foi classificada de acordo com os diferentes órgãos e sistemas do organismo humano. 3. informações que pudessem confirmar ou não a hipótese proposta pela pesquisa.4 ANÁLISE DE DADOS Os dados qualitativos foram ordenados conforme os setores existentes no fluxograma do processo produtivo. que o conseguia nas empresas em que os trabalhadores estavam empregados.

No processo de análise verificou-se a importância quantitativa e qualitativa do setor de costura no processo de produção da indústria do vestuário. dores e tensão. o que levou a opção de realizar análise comparativa do desgaste dos trabalhadores deste setor com os demais. 175). são uma parcela significativa deste coletivo (CÂMARA. 1989. A análise das relações entre fatores de risco e morbidade referida foi realizada. No processo de trabalho é onde são encontrados os componentes técnicos e sociais responsáveis pela produção do desgaste do trabalhador e que são sentidos no seu corpo através de desconforto. tendo em vista que estes trabalhadores. cansaço.explicação. Os testes estatísticos identificaram os principais fatores que diferenciavam os grupos e identificaram os riscos relacionados com o efeito. é que determinará e se expressará em um nexo biopsíquico característico (LAURELL. p. 2003). que também repercutirá no perfil de saúde da população em geral. . A similaridade de relação de trabalho e exposição aos agentes nocivos (fatores de risco ou cargas de trabalho) determinará no conjunto dos trabalhadores um perfil de saúde típico de um determinado processo de trabalho. em muitos casos. Por esta perspectiva é que a análise do processo de trabalho tem importância para a saúde coletiva. tendo por base os conceitos de carga de trabalho e desgaste. já que a forma de organização da produção das mercadorias – a produção da mais-valia – que se materializa no mundo real em determinada opção técnica especifica e nas formas particulares de gerenciamento do uso da mão-de-obra.

cuja produção segue a tendência do mercado. têm equipamentos modernos e sempre investem em tecnologia. de acordo com a estação do ano. de menor investimento oferecem cadeiras de madeira. já que é necessário acompanhar as mudanças das estações e do mercado. enquanto que a maioria das empresas de facção ou oficinas de costura está instalada em locais improvisados. por terem mais capital. os mobiliários disponibilizados para uso dos trabalhadores são diferenciados. Essas são denominadas “indústrias de facção”. na linha de fabricação. Além das máquinas utilizadas na produção das roupas. ou realizar parte de sua produção com a terceirização. camisas de malha e social) sendo caracterizada pelo grande volume de produção e consumo e b) Vestuário da moda. sendo também produzidos em lotes menores. As fábricas podem ter domínio total de todo o ciclo de produção ou realizar somente parte dele. são substituídos periodicamente. podendo ser dividida em dois tipos de segmentos: a) Vestuário padrão. inclusive com a utilização do trabalho informal de trabalhadores que atuam em suas residências. A indústria do vestuário de Colatina compreende um elevado número de empresas. a mão-de-obra é basicamente formada por familiares ou de alguns poucos empregados. . que produz o vestuário de uso cotidiano e que tem pouca oscilação da moda (como as calças jeans. que constituem a maioria das empresas do ramo do vestuário. como as lavanderias. com conseqüente desconforto para o trabalhador. em muitos casos. que não permitem regulagem de altura. As empresas líderes estão instaladas em prédios modernos e seu layout é mais bem estruturado. espaldares reguláveis.4 O PROCESSO DE PRODUÇÃO E TRABALHO DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA – ES. vendendo serviços para uma outra indústria maior. As empresas maiores freqüentemente oferecem cadeiras e assentos ergonômicos e as. As empresas líderes. enquanto as demais. mobilidade lateral. de equipamentos já descartados pelas empresas maiores. algumas em cômodos nas casas de seus proprietários que aproveitaram um quintal ou a laje da casa para instalar algumas máquinas e iniciar um negócio de prestação de serviços. Há em Colatina também grande número de empresas que só se dedicam a uma fase do processo de fabricação das roupas.

pois quanto menor a qualidade das roupas produzidas maior é a quantidade produzida. o que exige mais esforço de movimentos do trabalhador para sua execução. de um modo geral. instalações de banheiros adequados. O calor é um problema generalizado até nas empresas mais modernas. enquanto que nas oficinas ou indústrias de facção a mesma atividade é realizada de forma totalmente manual. os ambientes de trabalho não são confortáveis quanto aos aspectos de ventilação. Foi verificado que o tipo de produto fabricado define também o perfil do processo de produção através de sua qualidade. como a de virar a calça ao avesso. Verificaram-se nas visitas realizadas que as empresas que produzem os produtos de menor qualidade são em maior número e absorvem maior contingente de trabalhadores. optando em fornecer aos trabalhadores o EPI. Como a maior parte das fábricas está instalada em prédios improvisados. protetores auriculares de inserção e máscaras para poeiras. Nas empresas mais modernas esta atividade pode ser realizada com o uso de dispositivos semi-automatizados que permitem a economia de movimentos do trabalhador. tendo limitações para abandonar o posto de trabalho a qualquer tempo. como por exemplo. iluminação. Quanto aos agentes ambientais. O trabalho na indústria do vestuário é organizado conforme a cartilha do Taylorismo e do Fordismo. por ser destinada aos grupos sociais mais pobres. A diferença tecnológica entre as empresas ressalta as diferenças do uso do corpo do trabalhador na observação das atividades mais simples. para beber água ou ir ao banheiro.Nas empresas visitadas foi verificado que os trabalhadores só têm uma pausa de 15 minutos durante a jornada. sofrendo sobrecargas musculoesqueléticas mesmo nas cadeiras que dispõem de mecanismos de regulagem de altura do assento e do espaldar. sendo o trabalhador selecionado de acordo com sua habilidade de . para tomar um café com pão. as empresas não fazem o controle dos agentes (físicos e químicos). apesar de não estimularem o seu uso pelos trabalhadores. cujo mercado consumidor é menos exigente e necessita que o produto seja mais barato. que não foram construídas com um sistema de ventilação eficiente. bebedouros limpos e em número suficiente. no horário vespertino.

corte. em que o fluxograma básico de uma indústria que domina todo o processo da fabricação do vestuário pode ser constituído dos seguintes setores: criação. modelagem. lavanderia. bordado. a empresa oferece um adicional de produtividade que pode representar um acréscimo de até 36% no salário do trabalhador. manutenção mecânica e setor administrativo. enfesto. estamparia. seguindo a lógica da esteira. almoxarifado (tecidos e aviamentos). costura. etiquetagem. compras. conforme fluxograma abaixo: ADMINISTRAÇÃO COMPRAS ENFESTO E CORTE ALMOXARIFADO COSTURA CRIAÇÃO E MODELAGEM ARTESANATO LAVANDERIA PASSADORIA ACABAMENTO E ETIQUETAGEM EMBALAGEM E EXPEDIÇÃO FIGURA 1: FLUXOGRAMA BÁSICO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. Para estimular o trabalhador a manter um alto ritmo de produção. O trabalho é fragmentado e organizado em uma linha de produção.manter a produção em alto ritmo e com a qualidade requerida. revisão/acabamento. . passadoria. embalagem e expedição.

denominada por “célula”. quando os trabalhadores são dispensados do trabalho. . por considerá-lo mais amplo que os demais modelos. havendo uma sobre jornada para compensar as 4 horas de sábado e os 15 minutos em média de paralisação para o lanche que é distribuído no período da tarde. conforme explicitado no marco teórico.A linha de produção das roupas é feita de forma que uma equipe de trabalho em postos fixos. químicas.3 horas extras em média. No estudo. às 15 h. fisiológicas e psíquicas. são realizadas horas extras noturnas e nos sábados. as funções dos trabalhadores. de segunda a sexta-feira. às vezes. As atividades são realizadas quase que totalmente no horário diurno. Na identificação das cargas de trabalho utilizamos a mesma classificação do modelo da determinação social da doença de Laurell e Noriega. entre as 7 h e às 17h10min. Em épocas de grandes encomendas.3 horas. as atividades realizadas e as cargas de trabalho mais importantes encontradas nas quatro empresas visitadas. mecânicas. portanto com 2. Entretanto. biológicas. A seguir. foi apontado pelos trabalhadores que a média de trabalho por semana é de 46.1 AS CARGAS DE TRABALHO NOS SETORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. por ser um termo mais adequado. são utilizadas como banco de horas para compensar os dias úteis entre feriados e final de semana. geralmente. substituiremos o termo mecânico por acidentes. é definida pela gerência de produção e deve ser atingida por hora ou dia de trabalho. Este modelo classifica as cargas de trabalho como sendo: físicas. e que. são apontadas as características de cada setor. O horário de almoço é de uma hora e realizado no período de 12 às 13 h. que podem estar associadas ao desgaste da saúde dos trabalhadores. desenvolve um mesmo tipo de serviço cuja meta de produção. 4.

computador e scanner. FUNÇÃO Estilista ATIVIDADE Criar modelos novos e desenhálos conforme tendência da moda e da numeração padronizada.1 Setor de Criação e de Modelagem O setor de criação de moda é onde são elaborados os modelos das roupas que entrarão no processo de produção. .Fixação da vista na tela de computador.4.Postura de trabalho. o trabalhador tem liberdade para parar o serviço. CARGAS DE TRABALHO FISIOLÓGICAS: . é quem cria os modelos que irão ser fabricados.Perfuração de dedos por agulhas. Posto de trabalho: Computador e cadeira. O trabalho do estilista exige mais demanda mental do que a fisiológica. em pé encurvada sobre a mesa de modelagem ou sentada no computador. As cargas de trabalho encontradas para estes profissionais podem ser observadas no quadro 1: QUADRO 1: FUNÇÃO.Qualidade do serviço. FISIOLÓGICAS: .Má iluminação do local. PSÍQUICAS: . Modelista Responsável em costurar a peça piloto da produção em série. Posto de trabalho: Mesa de riscagem. Posto de trabalho: Máquina de costura. ficar em pé.Pressão para criar sempre produtos novos e de aceitação no mercado. ACIDENTES: . portanto.1. é o setor da concepção. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE CRIAÇÃO E MODELAGEM NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINAES. pois.Postura sentada a maior parte do dia. fixação da vista. Moldador ou Riscador Faz a riscagem das peças em papel e posteriormente faz a digitalização do molde padronizado pela numeração. . PSÍQUICAS: . precisa estar informado das tendências da moda no mercado e ao mesmo tempo ser capaz de propor novas idéias. descansar. FISIOLÓGICAS: .Fixação da vista. A ferramenta de trabalho é o computador. O estilista. . . onde o profissional principal é o estilista que desenha os modelos das roupas de acordo com a tendência do mercado consumidor. mesmo que o serviço possa ser feito por longo tempo em posição fixa.Postura sentada o dia todo. ir ao banheiro ou tomar decisões.

2004). a balança para pesagem de matéria-prima e o carrinho manual para seu transporte.2 Setor de Almoxarifado de Tecidos e Aviamentos É o setor responsável em administrar os estoques das matérias-primas. As instalações são geralmente próximas aos setores de produção. também pode causar cargas fisiológicas devido ao esforço físico para a realização do carregamento manual das mercadorias até as prateleiras. que trabalha bem próximo ao setor de criação. O setor de modelagem.CAD (LEITE. modelagem e encaixe onde se tem utilizado sistemas de desenho assistido por computador ou Computer Aided Design .1. mas ainda têm dirigibilidade sobre seu tempo. O trabalho de controle de entrada e saída de matéria prima do almoxarifado além de representar uma responsabilidade alta para o empregado. 4. abastecendo os locais necessários e recebendo as novas matérias primas encomendadas. é responsável em produzir as peças-piloto para o futuro corte em série. geralmente. são mal ventilados e com instalações improvisadas. o que insere a possibilidade de acidentes de quedas de altura. os trabalhadores têm um pouco mais de demandas fisiológicas. digitalizados pelo moldador/riscador a fim de se produzir os moldes que irão servir de guia para o corte do tecido. sendo que as situadas em altura exigem a utilização de escadas. pois o produto não é feito em série e o ritmo de trabalho é mais tranqüilo. Neste setor. Os moldes-piloto são riscados conforme o número padronizado da peça e. Neste estágio.Neste setor é onde tem havido nos últimos anos a inovação tecnológica: design. que será utilizado pela modelista para criar as peças piloto. as máquinas utilizadas são: o computador. sempre em quantidade suficiente para manter a produção. Neste setor. em galpões fechados que. as principais funções e as cargas a que estão submetidos os trabalhadores são indicados no quadro 2: . a seguir.

ACIDENTES: .Postura inadequada no acesso às prateleiras de estoque. PSÍQUICAS: .Calor. FISIOLÓGICAS: .Postura inadequada no acesso às prateleiras de estoque. PSÍQUICAS: . ATIVIDADE E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE ALMOXARIFADO DE TECIDOS E AVIAMENTOS NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.Posturas incômodas no acesso às prateleiras de estoque. FISIOLÓGICAS: . . FISIOLÓGICAS: . .QUADRO 2: FUNÇÃO. Auxiliar de Auxilia o almoxarife nas atividades FÍSICAS: almoxarife de estocagem de produtos. .Responsabilidade pelo controle do estoque.Calor.Levantamento de peso.Trabalho com diferença de nível.Levantamento manual de peso.Responsabilidade pelo controle da qualidade do tecido que será utilizado e do que é comprado. Conferente Controla o estoque das PSÍQUICAS: mercadorias prontas e a saída das . . FUNÇÃO Almoxarife ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO É o encarregado das entradas e FÍSICAS: saídas das matérias-primas. Revisor de Faz a revisão dos tecidos antes FÍSICAS: tecido de ir para o setor de enfesto.Calor. . mesmas.Responsabilidade. .

QUADRO 3: FUNÇÃO. propriamente dito. ACIDENTES: . FÍSICAS: . . Eventualmente pode também fazer o corte do tecido. FÍSICAS: . QUÍMICAS: -Poeira de algodão.Calor. . FISIOLÓGICOS: . QUÍMICAS: . . Inicialmente os tecidos são distribuídos sobre uma grande mesa. . faz a fixação dos moldes sobre a camada superior do tecido.Calor.Corte de dedos e mãos. Fixa os moldes sobre o tecido com o uso de grampeadores ou fitas adesivas.Postura desconfortável para realização do serviço. atividade que é denominada de enfesto. ATIVIDADE E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE ENFESTO E CORTE NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.1.Poeira de algodão.Ruído e vibração.Poeira de algodão. QUÍMICAS: .Postura desconfortável. FISIOLÓGICAS: . fixando os moldes através de grampeadores ou fitas adesivas. de forma manual ou através de equipamento elétrico. CARGAS DE TRABALHO FÍSICAS .3 Setor de Enfesto e Corte É responsável pelo corte dos tecidos.4. Auxiliar de Auxilia o cortador nas atividades de corte corte. FISIOLÓGICO: .Movimento repetitivo. o enfestador. dobrados em camadas.Levantamento de peso. se constituindo como a parte inicial do processo de fabricação das mercadorias. Além de distribuir o tecido.Postura desconfortável para realização do serviço. de forma a aproveitar o material ao máximo. Cortador Faz o corte do tecido após o enfesto e colocação do molde com o uso de equipamento elétrico. FUNÇÃO ATIVIDADE Enfestador Espalhar e dobrar o pano sobre a mesa de corte. conforme os moldes e a numeração padronizada para a produção em série das roupas.Calor.

posteriormente. que pode causar lesões graves. Neste local se concentra o maior número de trabalhadores. A meta de produção é estabelecida por um cálculo que é realizado pelos encarregados de produção. Além das demandas fisiológicas para a realização da tarefa. em sua maioria absoluta. A organização da produção é feita em duas linhas. tem que ser atingida coletivamente. e ao ruído e vibração da máquina de corte de tecidos. é constituída de mulheres. o Cortador fará o serviço de corte do tecido com a utilização de uma máquina elétrica de corte. A função com o maior número de trabalhadores é a de Costureira (o) que pode. nas quais as células são dispostas em série.4 Setor de costura O setor de costura é o principal setor da indústria do vestuário. podendo em algumas empresas estar no mesmo espaço que o setor de acabamento. Os serviços deste setor são constituídos por centenas de atividades. Uma das linhas costura a frente da calça e a outra a parte traseira. como em uma esteira invisível. Em relação a acidentes existe o risco de cortes de mãos e dedos pela lâmina da máquina de corte dos tecidos. tesouras e com etiquetagem das peças. devendo. sendo medido através da cronometragem da tarefa por .Posteriormente. para isso. representar 50% da força de trabalho da empresa e. em muitos casos.1. outro grupo de trabalhadores será responsável em fazer a união das duas partes. assumir diversas posições incômodas para alcançar as partes a serem cortadas. cuja meta de produção de peças acabadas. os trabalhadores se expõem aos agentes ambientais relativos ao calor devido à má ventilação e à poeira de algodão produzida pelo corte dos tecidos. estabelecida pela gerência de produção. fragmentadas em várias etapas por trabalhadores organizados em grupos denominados por “células”. 4. sendo o ponto nevrálgico da produção.

desvirar as calças. é a ventilação. em espaços insuficientes e mal organizados. Os encarregados de produção estão sempre circulando entre o pouco espaço existente. máquina de casear. Para realizar o controle da produção. ao final da qual é assinalado qual foi à produção da última hora e estabelecida a meta da próxima hora. em que fica claro o objetivo de se produzir em ritmo alto a fim de aumentar o lucro do capital. inclusive de ir ao banheiro. de quase todas as plantas industriais visitadas. podendo inclusive agravar outro problema ambiental que é a presença da poeira fazendo sua dispersão no ambiente. máquina de costura overloque. revisar a qualidade das peças e contar o número de peças produzidas . abastecendo com o produto que vem do setor de corte ou de outras células anteriores ao processo. Este artifício mantém uma pressão constante sobre os trabalhadores da célula em manter a produção alta. os encarregados utilizam um quadro de aviso. servindo também água aos trabalhadores que. o grande problema encontrado no setor de costura. Os serviços auxiliares . No aspecto do conforto ambiental. máquina para pregar presilha. verificando os problemas dos atrasos na produção de cada célula. já que isso não faz a renovação do ar. . São vários os tipos de máquinas utilizadas neste setor: máquina de costura reta. A utilização de ventiladores.unidade produzida. há grande número de ajudantes e abastecedores que irão servir a cada célula. Neste setor. assim. Os ganhos de produção só ocorrem quando a célula atinge a meta. Outro agente causador de desconforto é o ruído das máquinas. podendo o calor tornar-se insuportável em algumas épocas do ano. podem se ausentar de seus postos para suprir suas necessidades fisiológicas. entre outras. quando um trabalhador não dá conta do serviço todos os demais perdem. dificilmente.como passar a dobra do bolso traseiro. fixado na frente de cada célula. Segundo os encarregados eles aprenderam esta técnica com a experiência ou em cursos do SEBRAE. onde é escrito o número de peças a serem produzidas no período de uma hora.são realizados simultaneamente. máquina de costura galoneira. sem economia das forças humanas. podendo atingir postos de trabalho dos setores próximos. solução adotada pelas empresas. que não se restringe ao posto de trabalho do setor.

Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico.Tensão pela necessidade de atingir as metas.Movimentos repetitivos e com precisão.Trabalho que exige força no manuseio (trespontadeira).Ruído. .Ruído e vibração. ACIDENTES: caseadeira e prespontadeira. Auxiliar de Auxiliar no abastecimento de FÍSICAS: costura. revisor e serviço feito. galoneira. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO DO SETOR DE COSTURA NA INDÚSTRIA DO VESTUARIO DE COLATINA-ES. às vezes . .Controle rígido da produção. . substituir a costureira que vai QUÍMICAS: ao banheiro ou tomar água. . . .Poeira de tecido. PSÍQUICAS: .Controle rígido da produção.Calor. reta.Posição fixa em pé por longo tempo.Falta de sentido do trabalho.Jornada de trabalho longa.Poeira de tecido.Remuneração baixa. . FUNÇÃO Costureira (o) ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO Efetuar o serviço de costurar FÍSICAS: os tecidos e adereços para . . . overloque.Perfurações com agulhas. formar as roupas: . FISIOLÓGICAS: .Remuneração baixa. .Movimentos repetitivos. abastecedor.Posição fixa sentada por longo tempo. PSÍQUICAS: .Calor. . FISIOLÓGICAS: .Iluminação inadequada. QUÍMICAS: Máquinas utilizadas: costura . .QUADRO 4: FUNÇÃO.Fixação de vista no campo de trabalho por longo período.Esforço físico pesado. . . Pode.Falta de sentido do trabalho.Exigência de posturas inadequadas. matéria prima e revisar o . . . .

não têm forma ou dispõem de controles que garantam um conforto ergonômico. Para adaptar as cadeiras de madeira ao seu corpo e melhorar o conforto.Esforço físico. exigindo. enquanto outras estão altas. algumas máquinas estão baixas demais. os trabalhadores utilizam estofados improvisados. O nível de produção é alto e. seja de altura ou de encosto. além disso. ACIDENTES: . para ser atingido.Trabalho com material aquecido (Queimadura). .Poeira de tecido. . sendo o setor de costura. colocados no assento e no encosto.Calor. . por ocupar o maior número de trabalhadores e de máquinas o mais prejudicado. Instrumento: Ferro de passar QUÍMICAS: roupas. deve ser realizado com a repetição de movimentos até a exaustão.Movimentos repetitivos. PSÍQUICAS: . que só podem ser amenizadas com cadeiras que tenham o assento rotatório. Segundo os auditores da Sub-Delegacia Regional do Trabalho – DRT existe um problema grave na indústria do vestuário relacionada com o espaço físico destas empresas que geralmente estão instaladas em local improvisado.Remuneração baixa.Desvalorização ou de sentido do trabalho. .Posição em pé por longo tempo. como o de transferir o material trabalhado de um lado para o outro. . como as cadeiras. fixação . doméstico ou industrial. .Ruído. Com as exceções já citadas os mobiliários. . este tipo de movimento constante pode provocar desconforto e dores na coluna.Continuação QUADRO 4: Passador Passa a borda do bolso de trás FÍSICAS: da calça jeans. No entanto. devendo o trabalhador se virar para conseguir a posição que lhe seja menos penosa.Controle da produção. quando a tarefa exige rotação de quadril. atenção no movimento. FISIOLÓGICAS: .

mas exige do trabalhador vários tipos de movimentos.4. e paulatinamente vem sendo adotada por todas as empresas. assim como o trabalhador que é responsável em desvirar as calças já terminadas para ser transferida para o setor de acabamento. onde a produção era controlada individualmente.da visão e precisão a fim de garantir a qualidade. movimento lateral da perna para acionar o sistema que levanta as agulhas. agora sendo organizado em “grupos de . Outros profissionais que trabalham no setor. o kaizen e o 5S) ou o modelo lean-production.. os revisores que inspecionam as peças prontas. em sua modalidade de “trabalho em grupo”. acionar o pedal do motor da máquina. entre vários outros movimentos sutis que compõem toda a complexa operação que é executada. em substituição ao modelo anterior. 4. torção do tronco para transferir peças de um lado para o outro. A posição de trabalho da costureira (o) é permanentemente sentada.1 Setor de Costura e o Trabalho em Célula de Produção. Para produzir além da meta prevista e poder ganhar o adicional de produção para sua equipe.1. são: o passador que passa as dobras do bolso de trás das calças. A forma de produção em células foi introduzida na indústria do vestuário de Colatina em 1990. os ajudantes e abastecedores que ficam na linha de produção transferindo as peças acabadas de uma célula para outra. Entre as formas de organização da produção. já que os postos de trabalho geralmente não dispõem de bancos. o trabalhador evita sair da linha de produção até para beber água ou ir ao banheiro. com influência bastante marcante do modelo japonês (o just-in-time. sendo marcante seu emprego no setor de costura. como: esticar os braços. segundo Silva (2003) tem ocorrido uma grande disseminação dos denominados “grupos de trabalho” ou “células de produção”. Trabalham permanentemente na posição ortostática (em pé). O setor de costura é caracterizado pela fragmentação das atividades. com intensidade e densidade alta de trabalho.

a concepção deste modelo de produção foi pensada como uma alternativa ao trabalho fragmentado e especializado. A produção de cada hora é anotada em um quadro que fica visível para todos. que substituiria o modelo clássico taylorista-fordista. As células são organizadas de forma a obedecer ao fluxograma da produção. numa forma de autocontrole de produção da célula. a fim de informar se o serviço está atrasado ou se está produzindo de acordo com a programação. Curiosamente.. se pretendia com ele a polivalência e o aumento da . que é controlada. especializadas em determinadas operações da linha de produção de roupas. pois. Frente (Célula 1) Ilhas Traseiro (Célula 2) Junção (Célula 3) Figura 2: FLUXOGRAMA DA CELULA DE PRODUÇÃO Cada trabalhador que faz parte de uma célula recebe certa quantidade de matéria prima. e está constantemente sendo avaliado pelos membros da célula. previamente cortada. seguindo a disposição de 2 a 4 máquinas especializadas. O trabalhador que não dá conta de produzir a meta planejada é denunciado pelo acúmulo de matéria prima ao lado de seu posto de trabalho. e tem que dar conta de manter a produção. a realizar cada operação como se fossem em um processo continuo ou de esteira. ou ilhas.trabalho” ou “células de produção”. de hora-em-hora. pelo encarregado. especialmente no setor de costura. sem que esta exista de fato. o quadro funciona como uma forma de catalisador ou um aviso de que é preciso aumentar o esforço para atingir a meta ou a cota diária.

daí. uma especialização do trabalhador. por outro. segundo Silva (2003). sem supervisão. ser mais fácil mudar de grupo de trabalho para operar a máquina que se está habituado.competência do trabalhador. o salário produção perdido pelo trabalhador faltoso não é distribuído entre aqueles que trabalharam durante todo o período. mas mesmo assim a célula consegue a cota. A mudança de célula só é possível se houver domínio do trabalhador sobre as operações da outra máquina. com a concepção do trabalho mais próxima da execução. No entanto. com pouca possibilidade de mudança de tarefa. é um hibridismo. Em muitos casos. por um lado. . quando o grupo nota um problema não caracterizado como corpo mole ou ineficiência. o trabalho na célula aumenta a sociabilidade destes trabalhadores envolvidos com um mesmo objetivo. como na indústria do vestuário de Colatina. aumentar o ritmo individual para auxiliar quem está na dificuldade. ou trocar de célula. Neste modelo é dado ao grupo a autonomia consensual de manter ou retirar qualquer membro da célula que seja menos eficiente. com os trabalhadores se penalizando quando as metas quase impossíveis não são alcançadas. Se. caracterizando. cada membro reforça no outro a necessidade de manter a produção alta. com a permanência do modelo tayloristafordista e o uso da ferramenta do trabalho em grupo. As células são determinadas pelo tipo de serviço que é executado pelas máquinas ali disponíveis. o que parece ocorrer nas empresas pequenas e médias de alta produção de produtos de baixo valor. podendo. Segundo o SINTVEST quando alguém falta ao trabalho. controle da produção e do como produzir (modelo sociotécnico) (SILVA. Como poderemos ver. 2003). com finalidade nítida de aumentar o controle social da mão-de-obra. portanto. a própria costureira pede para sair. Assim. esta forma da organização da produção é uma das principais causas do processo saúde-doença destes trabalhadores. estas relações ficam sempre na balança inexorável da capacidade do trabalhador em manter a produção alta e do prêmio de produção.

cases. prega botões ou etiquetas. e o operador de máquinas especiais que faz o caseamento. mas que exige perícia. presilhas. na posição sentada. que reforça algumas peças defeituosas. que requer precisão. em cadeiras sem controle de altura e encosto que se molde ao corpo do trabalhador. O processo de trabalho ocorre conforme o setor de costura. posição fixa de trabalho. como algum adereço ou a fixação de botões. Citamos também o trabalho realizado pelos ajudantes de revisão.4. O trabalho é realizado permanentemente na posição sentada. com ritmo de trabalho acelerado. . que fazem a retirada de linhas das calças com o uso de uma tesourinha de mão e que. o que obriga assumir uma posição encurvada para visualização do campo de trabalho. realizam trabalho repetitivo durante toda a jornada de trabalho. o costureiro. No entanto. dependendo da estrutura física da fábrica. Neste setor há o revisor de arremate. prega ilhoses e botões metálicos. conforme o quadro 6. desvalorização do serviço. com a fragmentação de atividades e pouca ou nenhuma exigência de capacitação. pois acompanha a lógica de produção da indústria. visualização constante do campo de trabalho. No setor de acabamento segue a mesma lógica do setor de costura. com a altura da máquina muito baixa em relação ao piso. ilhoses e etiquetas.1. encontramos também neste ambientes mal ventilados em que o calor e o ruído dos equipamentos (em particular o das máquinas de pregar botões) é uma constante fonte de desconforto e de tensão entre os trabalhadores. com pouca ou nenhuma possibilidade de decisão sobre o que se está fazendo. Como nos demais setores.5 Setor de acabamento O setor de acabamento pode estar separado do setor de costura ou não. concentração. que verifica se há alguma peça defeituosa. este setor é uma continuidade do setor de costura e visa corrigir e acrescentar itens ainda não colocados. em alguns casos.

FUNÇÃO Operador máquina especial.Jornada de trabalho longa.Exigência de postura. . ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE ACABAMENTO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.Movimentos repetitivos. . PSÍQUICAS: .Calor. FISIOLÓGICAS: .Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico. de Retira as linhas que sobram nos FÍSICAS: tecidos das roupas. . .Ruído. .Posição de trabalho fixa sentada por longo período.Remuneração baixa.Falta de sentido do trabalho. . prega .Perfurar dedos com agulhas. . .Trabalho por produção. caseamento e travete.Posição fixa sentada por longo tempo. PSÍQUICAS: . . . realizando a inspeção . . . botões metálicos.Remuneração baixa. . .Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico. .Controle rígido da produção. .Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico. .Falta de sentido do trabalho. FISIOLÓGICAS: .Posição de trabalho fixa em pé ou sentado por longo período.Jornada de trabalho longa.Calor.Jornada de trabalho longa.Calor. .Falta de sentido do trabalho. de Faz o controle de qualidade do FÍSICAS: produto. PSÍQUICAS: .QUADRO 5: FUNÇÕES. .Levantamento de peso. fazem ACIDENTES: etiquetagem.Remuneração baixa. de problemas a serem FISIOLÓGICAS: corrigidos. Revisor arremate Auxiliar arremate ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO de Operam máquinas automáticas FÍSICAS: ou semi-automáticas de .Movimentos repetitivos.

. sendo o calor e o ruído os agentes físicos que representam mais risco à saúde. FUNÇÃO ATIVIDADE Lavador e seu Colocar e retirar as peças de auxiliar.Contato com produtos químicos. O produto químico mais utilizado é a barrilha . enxágüe. O trabalho da lavanderia é realizado pelo lavador ou auxiliar de lavanderia. que devem fazer o serviço de dosar os produtos químicos utilizados no branqueamento do tecido.4.Queimaduras químicas. ATIVIDADES E CARGA DE TRABALHO NO SETOR DE LAVANDERIA NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. O setor da lavanderia utiliza o vapor produzido por caldeiras. .6 Setor de Lavanderia O setor de lavanderia não existe em todas as empresas que fabricam as roupas de jeans. .Ruído.Jornada de trabalho longa. já que é um setor que necessita de grande investimento em equipamentos e controle ambiental de seus efluentes. A lavanderia é responsável pelo serviço de lavagem e de tintura. que irão dar ao produto uma diferenciação no mercado. ou para introduzir efeitos de fabricação como embranquecimento. roupas das máquinas de lavar e das centrifugas. ACIDENTES: .Pisos escorregadios. QUADRO 6: FUNÇÃO. CARGAS DE TRABALHO FÍSICAS: .1. manchas ou desgastes. o que torna os locais bastante quentes.Levantamento de peso.Posição fixa em pé por longo tempo.Ritmo de produção. as empresas que não dispõem deste setor contratam este serviço de empresas especializadas. . centrifugação e fazer o carregamento das máquinas de lavar e das centrífugas. FISIOLÓGICAS: .Remuneração baixa.Calor QUÍMICAS: . PSÍQUICAS: . geralmente à lenha. Quando necessário. . que existem em grande número no município de Colatina. Fazer as dosagens de produtos químicos e fazer o controle dos desgastes do tecido das calças de acordo com o modelo padrão.

1. ritmo de produção. dobra e leva as calças passadas para o setor de embalagem. também.7 Setor de Passadoria O setor é responsável em passar as calças antes de ir para o setor de embalagem. A tarefa é executada pelo acionamento simultâneo de um pedal que abre a válvula do vapor d’água e pelo braço do trabalhador que abaixa a placa superior do equipamento sobre a área a ser passada. Esta atividade é realizada pelo passador. muitas vezes é construído próximo ao setor de caldeiras. sendo realizada por equipamentos especializados que utilizam geralmente o vapor d’água da caldeira. trabalho em posição ortostática). . Este setor. cargas psíquicas (jornada de trabalho longa. podendo sofrer queimadura. serviço pesado em jornadas longas e de grande produção. abaixo. que pode se constituir em um risco de acidente de explosão. falta de inspeção e manutenção periódica. que tem pH básico e pode causar queimaduras graves em contato com os olhos. ruído e umidade). devido à precariedade das instalações. cargas físicas (temperatura elevada. são apresentados os principais componentes das tarefas da passadoria com suas cargas de trabalho. cargas químicas (manipulação de produtos químicos). conhecida como soda. No quadro 7. No setor da lavanderia. O auxiliar de passador abastece o setor com as peças a serem passadas. o calor do vapor que sai do equipamento é soprado sobre o peito do trabalhador. com movimentos repetitivos. que também se expõem às partes metálicas do equipamento. o sinergismo entre as cargas de trabalho é bastante evidente havendo exposição simultânea a cargas fisiológicas (trabalho físico de moderado para forte.(carbonato de sódio). falta de treinamento de operadores das caldeiras. . pouca valorização do serviço). Quanto à questão ambiental. também trabalha em pé e faz o serviço de transporte manual das roupas. 4. que trabalha na posição ortostática (em pé).

ACIDENTES: . de Abastece o setor de passadoria de FISIOLÓGICAS: peças e dobra as peças passadas .Posição fixa em pé por longo tempo. . as cargas psíquicas. .Jornada de trabalho longa. No setor de passadoria. . . . PSÍQUICAS: . .Remuneração baixa. movimentos repetitivos. PSÍQUICAS: .Controle rígido da produção. . trabalho na posição fixa em pé. as cargas físicas. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE PASSADORIA NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.Falta de sentido do trabalho. FUNÇÃO Passador Auxiliar passador ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO Realiza a passagem da roupa e a FÍSICAS: dobra as peças passadas.Contato com partes quentes do equipamento de passar. embalagem.Falta de sentido do trabalho. . relacionadas ao calor.Movimentos repetitivos. Devido ao esforço físico necessário. FISIOLÓGICAS: . .Esforço físico pesado. a atividade é realizada por homens.Calor.Exigência de postura. e ao fato de haver pouca possibilidade de variação do serviço.Movimentos repetitivos. representadas pela pouca valorização da função dentro do processo de fabricação. .Posição fixa em pé por e encaminha ao setor de longo tempo.Remuneração baixa. o que cria o preconceito sobre a função de passar roupas junto aos demais trabalhadores. as cargas de trabalho mais importante são: as fisiológicas determinadas pelo ritmo de trabalho. .QUADRO 7: FUNÇÕES.Jornada de trabalho longa.

ou de envelhecimento. como as queimaduras de mãos e braços pelo contato com as partes quentes do equipamento de passar roupas. e a exposição à poeira do tecido e a tintas. é utilizada a técnica de deposição de permanganato de potássio ou de tintas. com a pulverização e permanganato de potássio. através do lixamento manual ou de equipamentos elétricos utilizados no desgaste do tecido da calça. na maioria das vezes de pouca gravidade e por isso não registrados. Para ser dado o efeito do envelhecimento ou de um detalhe de tintura. será lavada com produtos químicos para fazer o desgaste do tecido. . o trabalho contínuo na posição ortostática com o encurvamento do tronco e pescoço.1. os artesãos trabalham peça por peça. produz muito ruído e a atividade tem que ser realizada em pé com uma equipe de trabalhadores que fragmenta o serviço em pequenas etapas para acelerar a produção. pela diferenciação que ela dá. 4. Como este é um setor que agrega valor à mercadoria produzida. denominado de used (usado ou envelhecido). O local de trabalho do used é totalmente fechado.Outro aspecto a ser analisado são os acidentes. sendo dotado de um sistema de exaustão que.8 Setor de artesanato Outro setor que não existe em todas as empresas que produzem calças jeans é o de artesanato. Neste setor. há grande investimento no desenvolvimento de novas técnicas e na inserção de equipamentos modernos. com uso de pistolas de ar comprimido. devendo o trabalhador estar sempre se adaptando a novas exigências. O trabalho de lixamento é um serviço que exige a repetição de movimentos. sobre o tecido da calça que posteriormente. havendo ainda o serviço de envelhecimento (used).. além de não conseguir que o ar fique totalmente isento do material químico em suspensão no ar.

. QUÍMICAS: Névoas de Permanganato de potássio. a postura necessária para a realização da atividade) é o principal problema de desgaste. alta produção incentivada por prêmios. .QUADRO 8: FUNÇÕES. ao ruído. . PSÍQUICAS: . ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO DO SETOR DE ARTESANATO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. FISIOLÓGICAS: . à poeira do tecido e à iluminação . QUÍMICAS: . Função Artesão Atividade Lixamento de peças de roupa com determinadas características definidas em um modelo préestabelecido.Controle rígido da produção.Poeira de algodão e tintas.Falta de sentido do trabalho.Remuneração baixa.Posição fixa em pé por longo tempo. Artesão Used Cargas de Trabalho FÍSICAS: . . FISIOLÓGICAS: .Exigência de postura.Calor. .Ruído.Movimentos repetitivos. por lixamento manual ou uso de equipamento elétrico. . PSÍQUICAS: .Jornada de trabalho longa. as cargas fisiológicas (movimento repetitivo.Jornada de trabalho longa.Choque elétrico.Trabalho em produção controlada.Posição fixa em pé por longo tempo.Calor. . . ACIDENTES: .Remuneração baixa.Movimentos repetitivos.Falta de sentido do trabalho.Névoas de tintas. . . de pistolas de ar comprimido. podendo ser potencializada com cargas físicas devido ao calor dos locais pouco ventilados. Neste setor. . Realizam a deposição de produtos FÍSICAS: químicos sobre o tecido com uso .

Na seqüência. exigência de um grande número de calças produzidas por hora. havendo risco de acidentes. onde os embaladores e seus ajudantes colocam as roupas em sacolas plásticas. mas as cargas de trabalho mais importantes são: as fisiológicas encontradas no esforço físico para a realização do trabalho de embalagem e do enfardamento. que é supervisionada constantemente pelo encarregado de produção.insuficiente do campo de trabalho. ou ser menos importante na cadeia produtiva.1. assim como o de carregamento deste material para a estocagem e carregamento de veículos. oriundas do controle rígido da produção. não havendo separação física entre eles. com a qualidade semelhante à do modelo padrão. No setor de estocagem também pode haver a necessidade de uso de escadas para acesso a prateleiras altas. Em algumas empresas estes setores podem ser os mesmos. e as acondicionam em caixas de maior volume. de acordo com a encomenda que foi solicitada. .9 Setor de embalagem e expedição Chegando ao fim da linha de produção. as peças acabadas vão para o setor de embalagem. e as cargas psíquicas relacionadas às responsabilidades relativas a manter a contabilidade dos produtos sempre certa e pela execução de um serviço monótono que pode não ter para o trabalhador um significado de realização profissional. Soma-se a estas as cargas psíquicas. o material embalado vai para o setor de expedição onde o conferente faz o controle de estoque do produto e o faturista emite as notas fiscais e responde por ações administrativas necessárias para que o produto possa ser transportado para os clientes. 4. Neste setor também como nos demais o problema ambiental mais encontrado é o desconforto térmico.

de vendas. FISIOLÓGICAS: .Exigência de postura.Calor. das mesmas.Exigência de postura. sendo que a grande maioria se concentra no setor de costura. . não foram estudados. . onde a função predominante é a de costureira (o). FISIOLÓGICAS: Levantamento e carregamento de peso. PSÍQUICAS: . DE FUNÇÃO Embalador seu auxiliar Conferente Faturista ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO e Embala manualmente as peças FÍSICAS: de roupas em sacolas plásticas . .Falta de sentido do trabalho. . Os setores administrativos.Trabalho monótono.Falta de sentido do trabalho. limpeza.Responsabilidade.Trabalho repetitivo e monótono. Emite notas fiscais e realiza PSÍQUICAS: atividades administrativas. . .Calor.QUADRO 9: FUNÇÕES. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE EMBALAGEM E EXPEDIÇÃO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO COLATINA-ES.Remuneração baixa. . . ou que não estão envolvidos diretamente na produção das roupas.Remuneração baixa. . PSÍQUICAS: . 4.Responsabilidade. ACIDENTES: Trabalho em altura (quedas).Jornada de trabalho longa. Controla o estoque das FÍSICAS: mercadorias prontas e a saída . manutenção. e após em caixas de papelão.2 DISTRIBUIÇÃO DAS PRINCIPAIS FUNÇÕES POR SETOR DE TRABALHO A tabela 3 mostra a distribuição dos trabalhadores pesquisados por funções.

0 4. contador. cobradores Outros Desempregados no período Total (*) Freqüência por função (**) Freqüência por setor SETOR Criação modelagem FREQ(*) FREQ.3 2.3 1.TABELA 3: DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHADORES POR FUNÇÃO E SETOR NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.4 100 .1 1. FUNÇÃO e Modelista Moldador/Riscador/Pilotista Estilista Auxiliar de modelagem Almoxarifado Almoxarife Classificador e revisor de tecido Encarregado de estoque Auxiliar de almoxarifado Estampador Estamparia Desenhista Enfesto e corte Cortador Auxiliar de corte Enfestador Encarregado de corte Costura Costureira Auxiliar de costura Abastecedor Encarregada de produção Acabamento Revisão de arremate Operador de máquina Encarregado de revisão Passador Passadoria Auxiliar de passadoria Encarregado de passadoria Lavanderia Lavador Auxiliar de lavador Encarregado de lavanderia Expedidor Expedição Auxiliar de Expedição Embalador Conferente Auxiliar de faturamento Encarregado de expedição Artesanato Artesão used Auxiliar de artesão Mecânico de manutenção de máquinas Serviços auxiliares Operadores de caldeiras Limpeza e copa Administrativos Auxiliar de escritório e secretaria Gerente. (**) 6 5 14 2 1 1 1 5 1 2 5 6 1 12 8 23 1 2 209 24 264 14 17 7 16 6 3 25 27 1 1 7 9 1 1 7 6 1 17 1 1 1 4 6 2 4 12 5 3 9 20 8 3 2 2 422 422 % 3.5 3.8 4. vendedores Motoristas.4 5.3 62. 2005.7 6.4 2.7 0.0 1.

como diminui a capacidade do corpo do trabalhador em reagir a estas cargas. 1993.3 INTERAÇÕES ENTRE AS CARGAS DE TRABALHO E O DESGASTE DOS TRABALHADORES. podendo ocasionar inflamações. Conforme abordado anteriormente. no entanto. A carga de trabalho física imposta pelo calor é amplificada nas cargas fisiológicas demandadas pela atividade repetitiva. determinando o surgimento das doenças.182). não existe uma hierarquia entre as diferentes cargas. o trabalhador evita sair da linha de produção até para beber água ou ir ao banheiro.5%. com aparecimento de varizes.3% do total). podendo ainda as posições estáticas prolongadas acarretar desgaste de ossos e articulações. simultaneamente. a mente e o psiquismo dos trabalhadores não só acelera o desgaste biopsicológico. mas bem distante dos números do setor de costura. repercutirão significativamente sobre o psiquismo do trabalhador que se sente em estado de sofrimento devido ao desconforto térmico e por não ter perspectiva de melhorar a condição ambiental do posto de trabalho.5% do total de trabalhadores estudados. 4. por conseqüência. p. comprometendo o sistema circulatório dos membros inferiores. Em segundo lugar vem o setor de passadoria com 27 pessoas (6. sendo que os que trabalham neste setor representam 62. Para o setor de vestuário de . cansaço muscular e problemas cervicais e dorsais. O levantamento de campo verificou que a exposição aos fatores de risco ou às demandas do trabalho real que caracterizam as cargas de trabalho não ocorre isoladamente. causando inchaço e o possível aumento do risco de trombose. com esforço físico e. Para atingir a meta prevista e o ganho da equipe. A posição fixa por longos períodos em cadeiras inadequadas. Esta interação de várias cargas de trabalho atuando sobre o corpo. provoca a compressão dos vasos sanguíneos. A repetição dos mesmos movimentos por longo período de tempo provoca o desgaste dos ligamentos e ossos pelo atrito.A função de costureira representa 49. O trabalho fixo na posição ortostática pode acarretar problemas de aumento de pressão arterial. e sim. in BUSCHINELLI. uma preponderância das formas de organização e da divisão do trabalho no interior das empresas no controle e consumo da força de trabalho (FACHINI. havendo.

no que diz respeito às expressões do desgaste relacionado a certas cargas de trabalho.Colatina. o sistema de organização da produção em células. A seguir serão analisados os resultados do levantamento realizado com trabalhadores. pode ser considerado como determinante das formas de desgaste nos trabalhadores. . riscos que necessitam de outro tipo de abordagem para serem trazidos à luz. Neste estudo não abordamos aspectos das cargas psíquicas relacionadas ao assédio moral e sexual.

que pode ser explicada pelo acesso recente do homem neste setor produtivo e certa .3 95. Com média de 31 ±9.5 38.4% da amostra que foi entrevistada.7 100 100 Ao se analisar a variável idade segundo o sexo. é visível uma concentração da população mais jovem no gênero masculino com média de 28.4 4. 2005. De acordo com o SINTVEST.4 ±7.5 ASPECTOS SÓCIO-ECONÔMICOS DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA. Os trabalhadores da indústria do vestuário são predominantemente do sexo feminino: 280 pessoas.9 18.9%) como pardo-morenos e somente 23 (5. a presença feminina é ainda maior.4 77. Esta distribuição é bastante semelhante ao perfil étnico encontrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD de 1995 (IBGE. a população empregada é caracterizada por adultos bastante jovens e em franca capacidade produtiva. esta freqüência já foi maior no passado e vem diminuindo nos últimos anos com o incremento da mão-de-obra masculina em todas as áreas. 2000).2 anos.5 43. 181 (42. No setor de costura. O espectro etário dos trabalhadores abrange idades de 17 a 65 anos. Faixa Etária < 20 anos 20 a 29 anos 30 a 39 anos 40 a 50 anos > 50 anos Total Freqüência 11 172 143 78 18 422 % 4.7%) se identificaram como brancos.3%). ou 66.9 33. mas com predomínio acentuado de trabalhadores com idades inferiores a 40 anos (77. inclusive no setor de costura. 89% dos trabalhadores.3 100 % Acumulada 4. Quanto ao componente grupo racial desta população de trabalhadores.8 anos. TABELA 4: DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA POR FAIXA ETÁRIA.3%) como negros. 218 pessoas (51.

Sobre o aspecto de números de pessoas que dependem do trabalho assalariado do entrevistado. encontrou-se o seguinte resultado: 81 (19. conforme a tabela 5.8%) divorciados ou separados e somente 5 (1. 148 (35.3%) responderam que trabalhavam para o próprio sustento.8%) que tinham de 1 a 3 dependentes e 50 (15. com aprovação para a série seguinte. A escolaridade dos trabalhadores da indústria do vestuário é em média de 7.9%) é casada ou vive maritalmente com alguém. ou seja. Os dados coletados foram de anos estudados e concluídos. .9 anos.1 anos. 289 (68. a maioria 236 pessoas (55.homogeneidade de distribuição etária no gênero feminino. devido ao gênero estar inserido a mais tempo neste tipo de trabalho. Em relação ao estado civil. média de 34. FIGURA 3: DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DAS FAIXAS ETARIAS POR SEXO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.6 ±9.2%) são viúvos.1%) são solteiros. 2005.9%) de 4 a 7 dependentes. ver figura 3. 33 (7.

pela queda da cotação do produto no mercado internacional. o que diferencia do estudo do IBGE que indica que as mulheres têm escolaridade maior do que a dos homens.3 salários mínimos das mulheres. mencionados pelos trabalhadores. 45).4 96. sendo que se estabeleceram na zona urbana nos últimos 15 anos.5 38. variaram de 1 a 5. . 233 pessoas (55.1 100 100 A média de escolaridade dos trabalhadores do setor é um pouco superior à média nacional das pessoas com 15 anos ou mais idade.5 39.TABELA 5: DISTRIBUIÇÃO POR GRAU DE ESCOLARIDADE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. e é um pouco inferior a dos homens que têm em média 8.7 ±2.9%) são oriundos de outros municípios do estado.5 ±3.47 salários mínimos contra 1. com a média de 1.9 0. Sobre o local de procedência.26 anos.7 32.2 99. revelada pelo senso demográfico 2000 do IBGE.3 98.7 63.9 1.6 salários mínimos. 2001.2 anos (IBGE. período que coincide com a desvalorização da cultura cafeeira local.2%) nasceram em Colatina.1%) são migrantes de outros estados do país e 50 (11.35 salários mínimos.4 52. p. Nota-se que os homens têm um rendimento pouco superior: 1.9 13.8%) são de municípios do norte do Estado do Espírito Santo.2%). Informaram ter nascido na zona rural 153 pessoas (36. Os salários líquidos. Grau de Instrução Analfabetos 1º Grau incompleto 1º Grau completo 2º Grau Incompleto 2º Grau completo Curso Superior incompleto Curso Superior completo Não Informaram Total Freqüência 2 164 56 45 139 8 4 4 422 % 0. As mulheres têm média de escolaridade de 7.9 0. fato que contribuiu para a migração do homem do campo para as cidades à procura de novas oportunidades de emprego e também com o crescimento da indústria do vestuário no município de Colatina.3 10. 51 (12. que é de 6. 88 (20. 2005.64 anos.9 100 % Acumulada 0.

5 18. TABELA 6: DISTRIBUIÇÃO DE TRABALHADORES DA AMOSTRA POR TEMPO DE SERVIÇO NA INDÚSTRIA NO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. A tabela 6 mostra as faixas de tempo de trabalho e respectivas freqüências. computadas a atual empresa e as anteriores.5 anos de trabalho na mesma função. o que é pouco inferior ao tempo que exerce a atual função. 2005. verifica-se que o tempo médio de permanência é de 5. com uma média de 9. Tempo de serviço < 1 ano 1 a 5 anos 6 a 10 11 a 15 15 a 19 > 20 anos Total Freq 15 137 116 78 33 43 422 % 3.2 100 Quanto ao tempo de trabalho na empresa atual. com a média de 6. .5 7.O tempo de trabalho na indústria do vestuário desta população de trabalhadores varia de 6 meses a 33 anos de trabalho.8 10.5 32.5 anos.5 27.03 anos.

30 duas queixas.6 PERFIL DE DESGASTE À SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA. já que os casos relativos ao número de trabalhadores deram resultados muito próximos 24. Por esta pesquisa. Os trabalhadores apresentaram um índice de queixas à saúde bastante alta. 2000. . qual foi o tipo de acesso e utilização de serviços de saúde. uso de bebidas alcoólicas.21). O perfil de desgaste à saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina foi estudado com base no perfil de queixas de saúde referidas nos últimos 15 dias anteriores à pesquisa.4%. situação que conflita com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio – PNAD sobre acesso e utilização de serviços de saúde de 1998 (IBGE. a proporção de mulheres acima de 14 anos com queixas ou restrição de saúde é sempre maior do que a dos homens. a ocorrência de suspeita de DMM e LER. O perfil de adoecimento que se configura é uma expressão do desgaste decorrente do processo de trabalho. 10 três queixas e 6 casos com 4 sintomas ou desconforto o que totalizou 173 queixas. 105 trabalhadores (24.6% para mulher e um pouco superior para os homens 25.9%) informaram ter tido algum problema de saúde. Dos 422 trabalhadores entrevistados. Não houve diferença significativa de prevalência de queixas por sexo (p=0. tabagismo e uso de calmantes. 6. Alguns trabalhadores apresentaram mais de uma queixa de saúde.1 PREVALÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE OU MORBIDADE REFERIDA Um dos objetivos deste estudo foi verificar qual era o perfil de adoecimento dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina. p.1264). sendo 59 apenas uma queixa. à ocorrência de restrições de saúde que determinou a necessidade de afastamento do trabalho. considerando-se se tratarem de trabalhadores jovens. com média de idade de 31 anos. caracterizado pela prevalência de queixas de saúde (morbidade referida) existente na população nos últimos 15 dias anteriores à entrevista.

Diabetes.Acidentes (trajeto e trabalho). costas e pescoço. mãos e punhos. b. Freq.Cirurgias. otite. em posição fixa. c. 2. 7. bursite.Dores e dormência joelho. representam a terceira principal causa de queixas. dispersa no .gripe.4 2. c.Alergias.Dor na Coluna. 59 39 10 7 3 39 19 15 4 1 27 20 4 3 11 10 8 2 6 6 21 5 3 3 3 2 2 1 1 1 173 % (*) 56. os muscoloesqueléticos foram os mais citados. b. c.Cistite.1 9.Estafa e cansaço.Inflamação de garganta.5 5. d. d.0 37. h.Pressão alta. correspondendo a 56. 6.Mancha de pele.De acordo com a tabela 7.2 % (**) 14. 4. taquicardia e desmaio.Problemas das vias aéreas superiores: a. com alta freqüência de dores nas costas e na coluna.Dor de dente. e. Total (*) Referindo-se a 105 pessoas que responderam ter tido queixa de saúde (**) Referindo-se a 422 pessoas que participaram da pesquisa.4 19.Problemas visuais. lombar.7% das queixas. c.Dor de cabeça e enxaqueca.Outros: a. dores e inchaço nas pernas e pés. inflamações e problemas alérgicos. dos problemas de saúde informados pelos trabalhadores. PROBLEMAS REFERIDOS DE SAÚDE 1. sinusite.5 100 24.Problemas muscoloesqueléticos: a. d.Dor e queimação no estomago. b.Problemas cardiovasculares: a.2% das queixas.Infecção renal e cólica. g. ambos podendo estar ligados ao fato do trabalho ser realizado em ritmo acelerado. i. b.9 4.2 25. com 25.Auditivos. Os problemas respiratórios.5 9. para os quais a poeira do algodão.Problemas renais: a.Dores nos braços. pé e calcanhar. sentado ou em pé durante toda a jornada. já que há alta proporção de hipertensão.Dor no peito. rinite. b.7 6.7 10. 3. 5.LER.4 1.6 2.Inchaço e dor nas pernas e pés. a seguir vem os TABELA 7: MORBIDADE REFERIDA. faringite.1% das queixas.9 problemas cardiovasculares com 37. ombro.Febre. f. constituídas de gripes.Hemorróidas. 2005.Problemas gastrintestinais: a. SEGUNDO ÓRGÃOS E SISTEMAS ACOMETIDOS NOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.Estresse e tensão nervosas. artrose e reumatismos.

8 1 1 5 5 4.ambiente de trabalho.5 4 3 2 2 4 3.7 1 1 1 1 3 2. pela dificuldade que os trabalhadores têm de parar o serviço para irem ao banheiro. 2.7 4 5 4. contrasta com os indicativos observados no levantamento de cargas de trabalho onde foi verificada a existência de grande número de cargas psíquicas demandadas pela organização do trabalho.5%. o que vem a dar ao setor de costura uma prioridade no controle das condições de trabalho: onde há o maior número de trabalhadores e maior risco de adoecimento. 9. a função de costureira é a que mais apresenta queixas de saúde. TABELA 8: FREQÜÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE POR SETOR E FUNÇÃO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. podem estar indicando sintomas inespecíficos de desgaste.9 1 1 1. De acordo com a tabela 8. Dores de cabeça e enxaquecas. Freq. 63 pessoas ou 60% dos casos. As demais funções ficam com percentagens bem inferiores.8 1 1 2 2 1.0 105 105 100 Acabamento Passadoria Artesanato Expedição Enfesto e Corte Criação/ e Modelagem Lavanderia Almoxarifado Manutenção Caldeiras TOTAL . podendo estar associados à contenção da urina. proporção que é superior à de costureiras em relação ao total de trabalhadores (49%).8 2 1 3 2. SETORES Costura FUNÇÕES Costureira Auxiliar de costura Auxiliar de serviços gerais Abastecedor Encarregado de produção Revisor de arremate Operador de máquina Encarregado de produção Passador Artesão Auxiliar de artesanato Auxiliar de expedição Encarregado de expedição Embalador Auxiliar de faturamento Cortador Auxiliar de corte Desenhista Estilista Modelista Lavador Almoxarife Mecânico Operador de caldeira Queixas Freq Função.9% das queixas.7 1 3 6 5. Setor % 63 2 74 70. O pequeno número de transtornos mentais.0 1 1 1. pode estar relacionada. Verificou-se também um alto índice de problemas renais. 2005.0 1 1 1. encontrado nesta amostra.5% das queixas. com 10.

revelando que a prevalência destas queixas cresce com o tempo de atividade no setor.9 A prevalência maior se deu com trabalhadores com menos de 1 ano no serviço. Dos 8 casos com trabalhadores com menos de 1 ano de serviço. um caso. 6. Segundo a tabela. A tabela mostra a distribuição dos trabalhadores afastados. cinco foram devido a problemas alérgicos e respiratórios. após ter sido interrogada sobre o tempo de serviço médio de cada trabalhador na empresa. a partir desta faixa de tempo de trabalho ocorre aumento progressivo da prevalência podendo-se inferir que as doenças têm associação com a contínua exposição às condições de trabalho. motivou pedido de demissão.2 ABSENTEÍSMO E AVALIAÇÃO DE SAÚDE A tabela 10 mostra que. TABELA 9: PREVALÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE COM TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES POR TEMPO DE SERVIÇO. segundo o número de dias .9 21. Tempo de trabalho na atividade <1 1a5 5 a 10 10 a 20 > 20 Total Freqüência 8 23 23 35 16 105 % 7.5 37. 2005.3 16. informou que 5 anos é o tempo médio em que se agüenta trabalhar.6 21.8 31. alegando o trabalhador não suportar mais as condições de trabalho. sendo que.8 19.2 24.4 15.4 dias perdidos de trabalho por trabalhador. Segundo uma encarregada de produção. com média de 23. considerado como perda. 36 relataram que tiveram que se afastar do trabalho por um período que variou de pelo menos 0. Uma hipótese que pode ser feita a este respeito é de que as desgastantes condições como o trabalho é realizado acabam por selecionar aqueles que continuarão neste setor produtivo.2 100 Expostos 15 137 116 111 43 422 P (%) 53.9 33.5 dia ou até mais de 360 dias. das 105 pessoas com queixas de saúde.A tabela 9 mostra o número de trabalhadores com queixas de saúde por tempo de serviço.

o índice de absenteísmo é alto e indica um elevado custo humano para a realização da produção.4 11. em que se destacam as infecções dos rins.0 14.3 100 (*) uma perda de informação por pedido de demissão.PROBLEMAS MUSCOLOESQUELÉTICOS: . e os problemas renais com 11. sobre restrição ao trabalho nos últimos 15 dias para a população brasileira com idade de 14 a 64 anos. 2005. 14 5 4 4 8 35 % 40.3%.1 14.PROBLEMAS RENAIS . p. Dor no peito (1).Acidente do trabalho (2). conforme a tabela 11. 2000.9%.Pressão alta (2). artrose (1). sendo que 63% afastaram-se por um período que variou de 1 a 7 dias.PROBLEMAS DAS VIAS AÉREAS SUPERIORES:. TABELA 11: CAUSAS DE AFASTAMENTO DO TRABALHO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES POR ÓRGÃOS OU SISTEMAS. 2005. (*) 2 22 6 5 35 % 5. sendo que 64. As principais causas de afastamento do trabalho são os problemas muscoloesqueléticos. dor de cabeça e enxaqueca (1) problemas no estômago (1).4 22. cirurgia (2).3 11. sinusite (1) e alergia (1) 4.7 62. Dias de afastamento <1 1a7 8 a 15 > 15 Total Freq.7% consideraram que este era bom ou muito bom . Problemas de saúde 1. LER (1) e reumatismo (1) 2.68).4%. que foi de 5. dormência pernas (1) e hemorróidas (1) 3. com 14.Infecção nos rins (4) 6.Dor de coluna (10) e dor nas costas (1). TABELA 10: NÚMERO DE DIAS DE AFASTAMENTO DO TRABALHO POR QUEIXA DE SAÚDE NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. Este dado é superior ao observado na pesquisa PNAD 1998 (IBGE. dor de gravidez (1). em particular as dores na coluna.3% da população estudada. tensão nervosa (1) TOTAL Freq.9 17.de afastamento.9 100 A tabela 12 mostra o resultado da auto-avaliação do estado de saúde por parte dos trabalhadores.OUTROS: . Como 35 trabalhadores representam 8. gripe (1). com 40% dos afastamentos. seguidas por problemas cardiovasculares.PROBLEMAS CARDIOVASCULARES: .Bronquite (1).

A tabela 13 mostra a distribuição dos atendimentos médicos segundo o local de atendimento. resolvendo seu problema de saúde em farmácias ou fazendo automedicação. 39 pessoas (37.8%.5 2.8 1.9%.3 35. F 38 132 99 7 3 279 % 13. O índice de satisfação para os homens foi de 71.8% disseram estar seu estado de saúde ruim ou muito ruim. o que totalizou 82 atendimentos.2 67.6 47.1 100 M 6 96 38 2 0 142 % 4. 66 pessoas (62. Total 44 228 137 9 3 421 % 10. enquanto para as mulheres.5 54. 20) encontrou um índice de satisfação para a população geral brasileira de 79. Os demais. TABELA 12: AUTO-AVALIAÇÃO DO ESTADO DE SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.1 0.6 26. 6.4% para as mulheres. foi de 60. obtiveram um ou mais atendimentos.7 100 A pesquisa PNAD 1998 (IBGE.2 32.5 2. .1%. p.1%) não procuraram atendimento médico.(índice de satisfação) e somente 2. tendo um caso em que o trabalhador recebeu 3 atendimentos nos últimos 15 dias.4 0 100 Freq.9%).8% para os homens e de 76.5 1. 2005 Estado de Saúde Muito bom Bom Regular Ruim Muito Ruim Total (*) Uma perda feminina. 2000. sendo de 81.3 ATENDIMENTO MÉDICO E DOENÇA DO TRABALHO Dos trabalhadores com queixa de saúde.

6.7 24. em ordem decrescente: .8 respostas positivas.R. ou cujo estágio precoce de adoecimento não teve o nexo causal bem estabelecido pelo médico.9%) disseram que sim.TABELA 13: DISTRIBUIÇÃO DE ATENDIMENTO MÉDICO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES POR LOCAL. Este indicador ressalta a importância de se investir em programas de prevenção e proteção da saúde do trabalhador nas empresas. 29 trabalhadores (43. A pontuação de respostas positivas à aplicação das perguntas do SRQ-20 mostrou uma média de 4. entre todos os entrevistados. a fim de melhorar a qualidade de vida destas pessoas e diminuir o impacto da demanda de atendimento médico.UBS Plano de Saúde Total Freqüência 19 8 35 20 82 % 23. o que é bastante expressivo.INSS. As freqüências simples dos itens do SRQ mais referidos foram os seguintes. Tipo de Atendimento Médico da empresa Programa Saúde da Família .8% da população trabalhadora da indústria do vestuário.4% dos atendimentos através das Unidades Básicas de Saúde e do Programa Saúde da Família.2 9.4 INDICADORES DE SOFRIMENTO PSÍQUICO E L. tratamento e reabilitação que estes trabalhadores irão representar para o SUS e o Instituto Nacional de Seguridade Social . Mesmo desconsiderando que pode haver muitos trabalhadores ainda com um diagnóstico errado.PSF Unidade Básica de Saúde .E. os casos já diagnosticados alcançam 6.7 42.4 100 Nota-se que o SUS foi responsável por cerca de 52. 2005. Perguntados se o médico que os atendeu relacionou o sintoma de sua doença com o trabalho.

Além disso.1.Sente-se cansado o tempo todo? 8.57% 37.0006) (prevalência no sexo feminino de 30% contra 14.9%.43%) do que entre os não suspeitos (10.Tem sensações desagradáveis no estômago? 9. sendo que 51.83% Observa-se um alto índice para o sentimento de nervosismo. 105 trabalhadores. . mostrando que o indicador de morbidade referida não foi sensível à identificação dos casos suspeitos destes problemas. sente-se cansado o tempo todo.Dorme mal? 65. tenso ou preocupado? 2.12% 32.Tem se sentido triste ultimamente? 4. sendo maior entre os suspeitos de DMM (31. de suspeitas de DMM.20% 26. Este dado contrasta com o dado anterior de que apenas 2.30% 25.1% dos que não tiveram queixas.44 34.Assusta-se com facilidade? 5.Tem dificuldade de tomar decisões? 3.4% dos que tiveram queixas à saúde foram considerados suspeitos de DMM. Houve associação significativa entre ter suspeita de DMM e a ocorrência de queixas à saúde (p<0.Sente-se nervoso. dores de cabeça freqüentes e se assustam com facilidade.Tem dificuldade de pensar com clareza? 6. sendo estatisticamente associado com o sexo (p=0. com aproximadamente 66% da amostra.9% das queixas referiam-se a transtornos psicoemocionais.9% 28.Tem dores de cabeça freqüentes? 7.94 30. dificuldade de pensar com clareza. enquanto foram apenas 16. O uso de calmantes também foi estatisticamente relacionado com a suspeita de DMM (p<0.8% no sexo masculino). vindo a seguir a dificuldade de tomar decisões (com quase 40% dos indivíduos) e ter se sentido triste ultimamente com cerca de 38%. tensão e preocupação. Encontrou-se o índice de 24. sensações desagradáveis no estômago.41%).0001). vemos que pelo menos 25% das pessoas têm: dificuldade para dormir.88% 39.0001).

E. A aplicação de screening para levantamento de suspeita de L.Houve associação significativa entre as variáveis sentir-se valorizado pelo trabalho que realiza e suspeita de DMM (p=0.0075). realizou-se a regressão logística múltipla ajustada.9516). o índice de suspeitos de DMM foi de 40.06-2.4328 (IC95%: 1. .53). para o segundo quartil (2 a 4. se obteve o “Odds ratio” (Razão de chance) 2. Houve associação entre suspeita de LER e de queixas à saúde (p=0. e sexo (p=0.R.43 vezes mais chance de ter suspeita de DMM do que as outras ocupações. enquanto que para os que responderam não se sentirem valorizados.0586) e valorização pelo trabalho que realiza (p=0. Sentir-se valorizado parece funcionar como uma proteção ao DMM.5 anos) a suspeita foi de 21.R encontrou a prevalência de 16. quando considerados os dados distribuídos em quatro quartis.0%) com as outras funções (11. Houve associação entre suspeita de L. 1= positivo e 0= negativo sendo ajustada pela variável independente função: para costureira (0) e outros.R. realizou-se a regressão logística múltipla ajustada.4%.6%.6%. Não houve associação entre a suspeita de L.E.E.R.7% e para o último quartil (> 10 anos) a suspeita foi de 35.6%.R. Para o primeiro quartil (< 2 anos) a suspeita de DMM foi de 16. dos quais cerca de um terço são suspeitas de LER. Em relação à função.57). sendo a suspeita encontrada em 24. e controlado pelo sexo. que as outras ocupações. a função de costureira tem 1.0002). Em relação à função. Este dado vem ao encontro de dado anteriormente relatado que apontou 14% de pessoas que tiveram queixas de saúde relacionadas ao sistema musculoesquelético. ou 69 pessoas. cuja variável dependente srq8 1= positivo e 0= negativo ajustada pela variável independente função costureira (0) e outros e controlada pelo sexo. Obtendo-se o “Odds ratio” 1.6524 (IC95%: 1.2% dos que responderam sentirem-se valorizados foram considerados suspeitos de DMM. e a função exercida (p=0. Assim. Houve associação significativa da suspeita de DMM com o tempo de trabalho na função.E. assim.0%. sendo que 20. quando comparada à função de costureira (o) (21. o uso de calmantes (p=0.E.7%). com a variável dependente apresenta suspeita de L. para o terceiro quartil (4.2599).6 vezes mais chances de ter suspeita de L.6% entre os que não apresentaram.67-3. a função de costureira tem 2.0097).76% entre os que apresentaram queixas e de 13.6 a 10 anos) a suspeita foi de 24.

constatamos que há associação (p=0. O uso do fumo foi relativamente baixo com 45 fumantes. Dos que disseram consumir bebidas alcoólicas.5 USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS. referiram ter feito ou estarem usando este tipo de medicamento nos últimos 6 meses.1% dos suspeitos de LER. 66 pessoas. ou 33.2 100 . conforme a tabela 14.2%.2 100 Quanto ao uso de remédios calmantes. 10.4 16. TABELA 15: DISTRIBUIÇAO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES QUE FAZEM USO DE CALMANTES POR TEMPO DE USO. 2005. TABELA 14: FREQÜÊNCIA DE CONSUMO DE BEBIDA ALCOÓLICA ENTRE TRABALHADORE DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO E COLATINA-ES. Freqüência 36 10 10 5 61 % 59. 6.4 0. também são suspeitos de DMM enquanto que os não suspeitos apresentam somente 22.7%. FUMO E MEDICAMENTOS CALMANTES.0028) entre as variáveis.6%.Quando analisamos suspeitas de LER com DMM. mas a ingestão de bebida alcoólica foi referida por 140 trabalhadores.8 13.4 8. Tempo de Uso < 1 ano (*) 1 até 5 anos 5 até 10 anos > 10 anos Total (*) Incluídos os raramente ou às vezes. 15.0 16.3 18. Consumo de bebidas alcoólicas Não usam < de uma vez por semana 1 a 2 vezes por semana 3 a 4 vezes por semana 5 ou seis vezes por semana Total Freqüência 282 56 77 6 1 422 % 66.1% de DMM. 2005. somente 7 pessoas afirmaram que faziam o uso por mais de dois dias por semana. em que 39.2 1.

Ansilive (1). Assert (1).0001) os hábitos de fumar com 19. beber e usar calmantes entre os sexos. Aplaz (2). para controlar tensão nervosa devido a algum acontecimento estressante. enquanto para as mulheres foi maior o uso de calmantes (p<0. Podem ser utilizados também. cuja principal finalidade é o tratamento dos transtornos de ansiedade. mesmo que não exista um distúrbio de ansiedade propriamente dito. 46 Antidepressivos Fluoxetina (3).0001) com 21. Diazepan (8) Olcadil (6).br acesso realizado em 25/04/2006). Amitriplina (3). Lexotan (4). Houve uma diferenciação entre os hábitos de fumar. (www. . Tenadren (1) Os ansiolíticos são os tranqüilizantes mais utilizados. Foram maiores para os homens (p<0.5% das mulheres.2% entre os homens. Liptril (1).9% contra 19. Os medicamentos referidos pelos trabalhadores foram basicamente ansiolíticos e antidepressivos.com. portanto. conforme mostra a tabela 16. Valium (1) Freq.psicosite. TABELA 16: FREQUÊNCIA DOS PRINCIPAIS MEDICAMENTOS CALMANTES UTILIZADOS PELOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. Altrox (1).Em relação ao tempo de uso. Sertralina (1). Alool (1). Outras Referências (*) Uma perda. um diagnóstico e uma indicação feita por um médico. Navotrax (1). Somalium (4). e o uso de bebidas alcoólicas (p<0. Amytril (1).6% entre as mulheres. geralmente do grupo dos benzodiazepínicos. sendo necessário. Captropil (1). Calmantes referentes (1).0% contra 6. 10 9 Afroditi (1). veja tabela 14.0001) com 59. cerca de 40% afirmam utilizar estes medicamentos há mais de 1 ano. Tipos Ansiolíticos Medicamentos Rivotril (16). Pondera (1). Gadernal (1). Brumazepan (2). Calman (1).4% contra 4. 2005. Cefahim (1). de forma limitada.

. Foram citados também alguns riscos de acidentes. Os demais grupos de cargas foram bem pouco referidos. Esta informação é importante.8% (calor. seguem-se os agentes ambientais que constituem as cargas químicas com 22. como: a posição fixa em que se realiza o trabalho. hierarquia rígida.fixação da vista e ficar na mesma posição (sentado ou em pé) por um tempo muito longo. Como se pode observar pela tabela 16. pois se sentir valorizado pelo trabalho que faz pode significar um importante amortecedor que contribui para manter a saúde do trabalhador ou sua capacidade de resistir ao processo de adoecimento como veremos. o mobiliário utilizado . umidade e ruído).7% de cargas psíquicas como conseqüência de fatores como a pressão pela produção. a percepção dos trabalhadores sobre as cargas de trabalho que podem ser fontes de doenças em sua atividade estão associadas ao esforço do corpo em fazer as operações biomecânicas e o estresse psíquico introduzidos pela organização no controle da produção e pela péssima qualidade ambiental que aumentam o desconforto e as doenças.3%. estão as cargas fisiológicas com 55. 212 (50. mas houve a percepção de 3.7 PERCEPÇAO DOS TRABALHADORES SOBRE A RELAÇÃO SAÚDE TRABALHO Quanto à percepção de que as condições de trabalho a que estavam submetidos poderiam prejudicar sua saúde. controle para ir ao banheiro e baixos salários. perfurações por agulhas.7%) informaram que sim: 69 (16. movimentos repetitivos. caldeira e lavanderia.2%) responderam que sim. substâncias químicas e tintas) e as físicas com 16.4%) que às vezes e somente 105 (24. Em relação aos fatores de risco mais citados. como na máquina de corte.9%) que não.5% (poeira. ritmos excessivos. Perguntados também se sentem valorizados pelo trabalho que fazem 247 (58.em especial a cadeira de madeira utilizada pelas costureiras .

1 194 55.5%. 22 Esforço repetitivo. com predomínio dos problemas de coluna.R= Freqüência relativa e F. 1 Total F. cheiro de tinta. 1 Água não é gelada. 1 Pressão por produção. 50 Posição inadequada. 44 Carregar peso. Máquina perigosa e caldeira. 2005. 49 30 Produtos químicos.A. 11 Esforço visual. seguidos dos problemas respiratórios com 24. 4 Atritos com chefias e colegas. 59 % 16. 1 Ficar muito tempo sentado. 22 Umidade. cerca de metade das referências disseram respeito aos distúrbios musculoesqueléticos. 3 Ritmo acelerado. 9 Esforço na coluna.7 351 100 F. 13 Muito tempo na mesma posição.5 4 1.3 13 3. 3 Período curto para o almoço. 1 Caldeira sem manutenção. 1 Variação de funções.A= Freqüência absoluta. 1 Esforço mental.8 79 22. 1 Máquina baixa. Calor. Perguntados sobre quais os problemas de saúde poderiam decorrer das cargas de trabalho referidas como causas de doenças no seu trabalho. 3 Pausa curta ou inexistente. 1 Lavanderia.. 1 Responsabilidade. 1 Subir escadas. 2 Salário baixo. em que as alergias foram predominantes. 1 Solda elétrica. Deve-se destacar que o grupo dos transtornos . 10 Ficar muito tempo em pé.R. Cargas de trabalho Físicas Químicas Acidentes Fisiológicas Psíquicas Fator de risco F. 36 Ruído. 1 Poeira.TABELA 17: PRINCIPAIS CARGAS DE TRABALHO REFERIDAS PELOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. 22 Cadeira sem regulagem. 3 Controle para ir ao banheiro.

TABELA 18: PERCEPÇÃO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA – ES SOBRE PROBLEMAS DE SAÚDE DECORRENTES DE SEU TRABALHO. dor nas pernas (9). ansiedade (1). foram referidos aqui como 7% dos possíveis problemas de saúde relacionados com o trabalho. nas costas (2).0 2. 20 inchaço (3). dor muscular (2).0 6. cansaço (1) 10 inespecíficos Auditivos Surdez (8). falta de ar (3). 2005. perturbação mental (2). nervosismo (2) Depressão (3). dor no ouvido (1) 9 Renais Problema renal (4).5 3. câimbras (1) Respiratórios Alergias (41). 4 Outros Doença de pele (3).psicoemocionais. Órgãos e Sistemas Problemas de saúde Freq Músculoesquelético Dor na Coluna (121). . cansaço 23 mental (1) Cardiovasculares Problema de circulação (13).2 2. pulso (2). nos ombros (1). 156 artrose (1). o que demonstra que a percepção dos trabalhadores sobre a relação trabalho-saúde é alta. %(*) 47. dor nas juntas (1). Problema respiratório (20). asma (2). rinite (5). fraqueza nos braços (1).1 100 Verifica-se que de uma forma geral os problemas de saúde referidos têm uma relação de causa e efeito bastante lógica com as cargas de trabalho referidas. bursite (1). Gripe-resfriado-garganta (4). dor nos braços (3). sinusite (3) Psicoemocionais Estresse (14).5 7.1 5. 80 bronquite (2).7 24. apesar de poucas oportunidades de discutir suas condições de saúde e trabalho tem conseguido perceber de forma geral que há situações desgastantes em seu local de trabalho.7 1. constipação (2) 7 Total 327 (*) Em relação ao número de pessoas que responderam a pergunta. O que demonstra que o trabalhador do setor do vestuário de Colatina – ES. câncer (4). LER (11). pouco referidos enquanto queixa de saúde. varizes (3). tonturas (1) Visuais Problema de visão (17). irritação nos olhos (1) 18 Desgaste Dor de cabeça (9).

as principais situações estão indicadas na tabela 19.6) 327 (77.5) 195 (46.Falta de treinamento 15. fazer horas extras e pouco tempo para pausas.5) 241 (57.7) 315 (74.8) 25 (6.Trabalho noturno ou turnos SIM N (%) 249 (59.Jornada prolongada e horas extras 4.4) 268 (63.1) 292 (69.6) 21 (5.Improvisações no trabalho 13.5) 11 (2.3) 182 (43.9) 82 (19.5) 15 (3.2) 299 (87.Barulho excessivo 6.9) 158 (37.1) 236 (56.2) 255 (60.Ritmo de trabalho acelerado 10.1) 37 (8. nota-se que o que causa tensão ou cansaço é. para mais da metade dos trabalhadores pesquisados: má remuneração.7) 145 (34.0) 210 (49.Trabalho monótono ou desinteressante 15.1) 176 (41.9) 326 (77.Ameaça de demissão 8.Falta de cooperação com colegas 12.Trabalhar por produção fixa 7.0) 212 (50.2) 20 (4.4) 46 (10.2) 229 (54.0) 3 (0.9) NÃO N (%) 150 (35.3) 88 (20.4) 144 (34. .9) Considerando-se as respostas sim e às vezes.1) 22 (5.7) 30 (7.8) 38 (11.4) 146 (34.Pouco tempo para pausas 5.2) 195 (46.0) 19 (4. 2005. jornada de trabalho é longa. calor excessivo. Fontes de Tensão e Cansaço 1.Calor excessivo 3.Má remuneração 2.8) 224 (53.9) 9 (2.8) 7 (1.0) 160 (37.1) 102 (24.Problemas com chefias 14.1 FONTES DE TENSÃO E CANSAÇO NO TRABALHO Questionados sobre quais as situações são fontes de tensão e cansaço no trabalho. TABELA 19: PRINCIPAIS FONTES REFERIDAS DE TENSÃO NO TRABALHO EM TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.5) 75 (17.2) ÀS VEZES N (%) 23 (5.7) 10 (2.2) 160 (38.Falta de promoções ou oportunidades 9.7.6) 66 (15.4) 254 (60.Desconforto e inadequações mobiliárias 11.7) 164 (39.

tranqüilo (12). os trabalhadores da indústria do vestuário indicaram esta carga como a 10ª em grau de importância. cujas falas aparecem em vários depoimentos dos trabalhadores. Bem (80).2 SENSAÇÃO AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DA JORNADA DE TRABALHO. uma benção (1). Na tabela 15 são apresentadas as respostas à pergunta sobre a sensação que sentem ao sair do local de trabalho no fim do dia. com dor nos olhos (2). indicam que para cada ramo de serviço aparecerão formas de desgastes diferentes. Enquanto que para os caixas bancários a principal fonte de cansaço e desgaste foi o desconforto e a inadequação do postos de trabalhos. regular (1). que aparece em primeiro lugar em importância para estes trabalhadores. com dores (2). Freq. livre como um pássaro (5). de alívio de estar saindo de uma situação de gasto de energia física e mental acima do suportável”.As cargas referidas pelos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina comparado com estudo semelhante realizado por Borges (2000). animado/realizado/melhor (8). com caixas bancários de um banco estatal. 214 Total 422 % 33. dever cumprido (2). TABELA 20: DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA – ES SEGUNDO A SENSAÇÃO QUE SENTEM AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DO DIA. 143 Aliviado (53). quase em correria. estressado (7).9 15. 65 Cansado (202). graças a Deus terminou (1). Outra justificativa para este fato é a ansiedade para sair do local de trabalho – como uma liberdade alcançada e ou o fim do sofrimento. Nervosa (1). como “um sentimento de estar fugindo de uma gaiola. e a má remuneração. às vezes bem às vezes estressado (2). feliz/alegre/satisfeito (15).4 50. O motivo alegado por alguns é o de conseguir bater o ponto primeiro e arrumar um bom lugar no ônibus que a empresa oferece para transportá-los aos bairros mais distantes. normal (28).7 100 . Acompanhando o trabalho nas fábricas foi registrado que no apito do final do expediente os trabalhadores abandonam imediatamente seus afazeres e saem com bastante pressa do local. 7. 2005. foi indicada pelos bancários como sendo a terceira.

patrões e encarregados como o ponto que pode repercutir positivo ou negativamente na avaliação dos trabalhadores. TABELA 21: ASPECTOS DO TRABALHO QUE MAIS AGRADAM AOS TRABALHADORES DO SETOR DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. ganhar o justo.1%.7%. foram muito variáveis. 6. das respostas encontradas.2%.Verifica-se que cerca de metade dos trabalhadores referiu sentir-se cansaço ao final da jornada de trabalho e somente 33. mas notam-se as relações pessoais entre os colegas. poder trabalhar. 2.. veja tabela 21 abaixo. vindo a seguir o ambiente de trabalho.Outros Total de aspectos mencionados Freq.9% a de ter sensações que expressam bem estar. 3. forma de tratamento. 31. 7. a hora do almoço e da . Em terceiro lugar e indicado o bom relacionamento com os patrões e em especial com os encarregados com 75. 267 211 75 38 30 24 20 665 São indicados. 40.Amizades. colegas. obter boa qualidade nos serviços com 38 ou 5. gostar de trabalhar. As respostas dadas às perguntas abertas sobre as duas coisas que mais lhe agradam e as que mais lhe desagradam no trabalho. 5. também. 2005.. da profissão e de sentir-se útil com 211. como por exemplo.7%. alguns aspectos contraditórios do trabalho como uma coisa que lhe agradam. pagamento em dia. valorização. 6. A relação com os colegas foi o aspecto mais mencionado com 267. concordando com o que foi registrado anteriormente na hora do apito que sinaliza o final do dia de trabalho. gostar de trabalhar e do que faz.Ter emprego. etc. 4. fim do mês.Patrões. COISAS QUE LHE AGRADAM NO TRABALHO 1. a profissão. sentir-se útil. fim do expediente. São importantes também as expressões de alívio e de liberdade. 11. companheirismo.Atingir as metas.Remuneração. qualidade do serviço. união. o fim do expediente.3 ASPECTOS AGRADÁVEIS E DESAGRADÁVEIS NO TRABALHO. consideração superiores.O ambiente de trabalho. e ao fato de atingir as metas.

Outros Nada. 4 Demissões. Valorização e 27 86 21. 21 5. atraso pagamento. 74 Muito trabalho. cooperação e entrosamento.1 Falta de médico 3 Distância da casa ao trabalho.pausa para o café. A análise destes quadros demonstra que a organização do trabalho em células reforça a solidariedade do grupo de pessoas na obtenção das metas de produção. remuneração Desigualdade salarial. o final do mês e o voltar para a casa com 30 indicações ou 4. 12 Má remuneração 45 Falta de valorização. pegar ônibus. mentiras e falsidades.R= Freqüência relativa e F. má 9 9 2. inveja. 9 Relação ruim com patrões/chefes 15 Hierarquia Desconfianças/desrespeito/perseguições/normas. retrabalho. Agentes Ventilação/calor e barulho. 409 contra 665 que agradam.R F. COISAS QUE MAIS DESAGRADAM NO TRABALHO F. fracasso.4 11 incompreensões. mau humor. cansaço. falta 14 Desconforto de higiene. 26 6.3 ambientais Poeira. produção alta.7 interpessoais Brigas. etc. almoçar na marmita. trabalho noturno e horário rígido. rotina. Tempo de pausa. que é um dos itens importantes .5% do total. trabalhar em célula 13 e competitividade. departamento de pessoal. 77 Relações Falta de coleguismo. TABELA 22: ASPECTOS DO TRABALHO QUE MAIS DESAGRADAM OS TRABALHADORES DO SETOR DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. descontos. não 15 participação nos lucros. Entre as coisas que mais desagradam os trabalhadores assinalaram um número menor de itens. ignorância. intrigas.3 Administração administração. 6 improvisações. 6 Trabalho repetitivo. 21 21 5. dificuldade para beber água.A % Pressão exagerada encarregada.1 do trabalho Horas extras. 12 101 24.1 Total 409 100 F. Organização Tipo de trabalho que realiza 8 107 26. veja tabela 22.A= Freqüência absoluta. falta de café da manhã. igualdade tratamento. 29 38 9. 2005. desunião. segunda-feira. cujos resultados garantem uma maior remuneração. produtos químicos. mau cheiro.0 consideração. ou seja. Fofocas.

a competitividade e o excesso de trabalho com 102 indicações (27. veja tabela 22. a repetitividade. a posição fixa de trabalho. intrigas e outros aspectos do relacionamento entre os que mais desagradam com 77 indicações (20. com vários agentes atuando simultaneamente. .que desagradam os trabalhadores.6%). havendo inclusive certo estranhamento com trabalhadores de outros setores.1%) do total delas.2%) são os itens que mais desagradam seguidos pelas relações pessoais. Como a relação interpessoal e grupal é um fator muito importante para este grupo de trabalhadores. onde o calor decorrente da má ventilação se sobressai com 23 indicações (6. Assim.4%) e a má remuneração com 40 citações (10. a grande maioria das respostas está ligada a sentimentos e crenças relacionadas ao mundo social. que quando não são harmônicas. seguido pela pressão pela produção com 69 (18. a organização do trabalho em produção alta. Este laço de solidariedade cria uma relação de identificação e de companheirismo. quebram a solidariedade intergrupal. um ambiente de trabalho desconfortável. Por outro lado um bom entrosamento no trabalho reforça positivamente o enfrentamento do ritmo de trabalho e as cobranças constantes para manter a produção alta. Os trabalhadores enfrentam também.5%). tendo a fofoca.

por parte dos trabalhadores e de seu sindicato. cabendo ainda às empresas o processo de seleção e formação complementar. Nestes locais é onde a organização capitalista se apropria de maneira mais severa do tempo e da capacidade do trabalhador de produzir os bens de consumo que se transformarão nas mercadorias que proporcionarão o lucro da atividade econômica. que são realizados em dias escolhidos pela empresa. faz . com salário base fixado em convenção coletiva em torno de R$357. por sinal praticado em todo o país. por novos trabalhadores treinados e com capacidades orgânicas em condições de manter a alta produção que alguns trabalhadores já não suportam mais. em casas simples de alvenaria ou de madeira. seja pelo grande desenvolvimento destas empresas como pela retração do setor agropecuário baseado na monocultura do café e da pecuária de corte. com média de 31 anos. É o mercado global que deprecia o salário para baixo.00 (trezentos e cinqüenta e sete reais) e com ganho de produtividade que pode variar de 2 a 36%. a opção de trabalho da grande maioria dos trabalhadores jovens da região. dependendo das metas atingidas durante o mês de trabalho. A falta de opção de trabalho na região favorece a aceitação. do baixo padrão salarial do setor. que ministram os cursos de formação. periodicamente. Os novos trabalhadores são capacitados pelo Serviço Social do Comércio . que se concentra nos bairros periféricos e nos morros da cidade.8 CONCLUSÕES As relações sociais no interior das fábricas de vestuário têm marcas profundas sendo denunciada pela forma de organização da produção e pela divisão do trabalho. seja nas pequenas oficinas de facção ou no trabalho a domicílio. A indústria do vestuário de Colatina tem sido desde 1990. Os trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina são constituídos por uma população empobrecida e de baixa escolaridade. lavanderia. passadoria e de artesanato. acabamento. é substituída. Os trabalhadores excluídos acabam sendo desviados para o mercado informal. Esta população jovem. como nos setores de costura.SESC ou pelo Serviço de Ensino Nacional da Indústria – SENAI. sendo mais visível nos setores onde o trabalho vivo é mais atuante.

que buscava o aumento da produtividade e da qualidade do produto. Considerando os últimos 15 dias anteriores à pesquisa. por células de produção.9%. como as dores nas costas e na coluna. tendo que buscar a rentabilidade no aumento da densidade do trabalho.5% de afastamento do trabalho. mas que não foi objeto de investigação deste estudo. As queixas de saúde mais referidas são as musculoesqueléticas. em muitos casos. estes casos necessitaram em média de 5 dias de afastamento. 8.4 dias. Isso demonstra que uma população mais antiga de trabalhadores já está no estágio final do processo da doença crônica incapacitante relacionada ao trabalho.2% . Os trabalhadores inseridos neste formato de gestão de produção estão submetidos a uma tensão laboral mais intensa o que tem gerado novas doenças relacionadas aos transtornos musculoesqueléticos e aos distúrbios mentais. no período da pesquisa.as empresas trabalharem cada dia com menor margem de lucro. fato que talvez já esteja aparecendo podendo ser medido no aumento do número de auxílios doenças concedidas pelo INSS. é servida por ajudantes. No setor do vestuário de Colatina. o processo da flexibilização econômica e a reengenharia da produção tiveram início em 1992 quando uma nova forma de gestão começou a ser utilizada no meio fabril. a densidade do trabalho é alta e o trabalhador não tem tempo para fazer pausas. mas quando incluídos o tempo total de afastamento. a água que é ingerida pelo trabalhador. o número médio de dias de afastamento sobe para 23. como é conhecida. Este estudo mostrou que a prevalência de queixas de saúde nos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina é estimada em 24. A célula de produção impôs novo ritmo de trabalho. Na linha de produção. com 14% de prevalência. Estas queixas de saúde provocaram. e os problemas cardiovasculares que representam 9. dado superior ao encontrado em pesquisa semelhante do PNAD (IBGE. 2000). A produção deixou de ser por cotas individuais e passou a ser contabilizada por grupos de trabalho ou. mesmo a ida ao banheiro é adiada constantemente a fim de garantir a meta da célula de produção.

As suspeitas de lesões por esforços repetitivos – LER teve prevalência de 16.9%. Esta situação reforça a caracterização deste fator de risco como fator causal no processo de adoecimento destes trabalhadores. Nos últimos 15 dias anteriores à pesquisa. Demonstra também que. ao uso de medicamentos calmantes. e em todos os locais onde a indústria esteja organizada desta forma. como em um processo de seleção natural dos mais aptos. pode estar demandando cerca de 800 atendimentos médicos por mês para o SUS. pode-se estimar que a população de trabalhadores com vínculo empregatício. os sindicatos de trabalhadores e os órgãos públicos da área do trabalho e da saúde. verificou-se que é no primeiro ano de trabalho que são selecionados os trabalhadores que se adaptam à forma de organização da produção. à função de costureira e ao tempo que exerce a função.A prevalência de suspeitas de distúrbios mentais menores – DMM. Os sindicalistas precisam colocar em sua agenda uma permanente discussão com os empregadores a fim de melhorar as condições de trabalho. Considerando os trinta dias de um mês. 66 pessoas (15. Ao se analisar a queixa de saúde por tempo de atividade na indústria do vestuário.6%) da amostra que tiveram queixas de saúde.9% disseram que suas queixas de saúde foram relacionadas com as condições de trabalho. que existe no setor do vestuário de Colatina.4% e não houve diferenças em relação ao sexo e a idade sendo associadas fortemente com a função e o tempo em que a pessoa a exerce. Dos que apresentaram queixas de saúde e foram atendidos por médicos 6. demandaram 82 atendimentos médicos. como os empresários do setor. sendo que 43 atendimentos foram realizados pelo SUS. Os resultados do estudo indicam que são necessárias ações para intervir nas causas do processo saúde-trabalho-doença. também foi de 24. para cada período de anos trabalhados. A intervenção deve ser feita em vários níveis e pelos atores sociais que atuam neste campo de trabalho. sendo associada ao gênero. os que permanecem na atividade aumentam sua chance de suspeita de transtornos muscoloesqueléticos e de DMM. em especial da saúde do trabalhador. no setor de vestuário de Colatina (cerca de 4300 trabalhadores). seja pela diminuição .

Na área legal do MTE. com a ação da Vigilância Epidemiológica e Sanitária. no atendimento do Programa de Saúde da Família – PSF e da Unidade Básica de Saúde – UBS. Neste aspecto.da jornada de trabalho. pode dar uma grande contribuição. Esta classificação obriga somente as empresas com mais de 500 empregados a ter um técnico de segurança e somente as com mais de 1000 empregados a constituírem SESMT com engenheiro de segurança. porém a solução para o assunto ainda esta longe de ocorrer. O SUS tem que atuar prioritariamente na saúde do trabalhador no controle das causas das doenças. discussão da produção e da remuneração. 2003. devem-se aprimorar as normas regulamentadoras que tratam das organizações internas das empresas voltadas para a questão da gestão de risco e controle da saúde (NR-4 e NR-5). A ação conjunta entre os órgãos públicos da área da saúde e do trabalho tem sido tema de várias discussões e até de estudos acadêmicos (PINHEIRO. na gestão das cargas de trabalho existentes no ambiente de trabalho e não mais com o “objetivo vinculado à necessidade de reprodução da força de trabalho frente ao processo de produção econômica“ (DONNANGELO. A DRT deve aumentar a fiscalização por um lado para fazer cumprir as normas de segurança existentes. com a mudança na classificação de risco do setor de vestuário. a área da saúde. estas informações servirão de alerta aos órgãos de fiscalização e facilitarão sua ação de investigação. redução do ritmo de trabalho. exercícios laborais e rotatividade de funções. As empresas do setor do vestuário estão classificadas pela NR-4 – Serviços Especializados de Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho como sendo de grau de risco 2. de sua rede de atenção primária à saúde. mesmo após a realização do 3ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador em 2005. mas procurando sempre proteger o trabalhador onde há omissão nos textos legais. a área da saúde. apud FRANCO&MERHY. Por outro lado. médico do trabalho. introduzindo pausas periódicas. . técnico de segurança do trabalho e auxiliar de enfermagem. 1996). 1976. isto é. como forma de controle do desgaste operário. melhoria do mobiliário utilizado. controle dos agentes ambientais.68). através do SUS. tem papel fundamental na notificação de queixas de saúde que possam estar relacionados com o trabalho. p.

com apenas 2 membros e somente a partir de 141 empregados aumenta sua constituição para 4 membros. na qual o setor de confecções está situado no grupo C-4. . indicam que a classificação mais adequada para o setor de confecções é o grupo C-6. exercido em condições de liberdade. Estas mudanças são necessárias para que as situações inadequadas de trabalho do setor do vestuário possam ser controladas pelos empregadores. Os inúmeros setores de trabalho e a grande quantidade de trabalhadores em situação de trabalho desgastante.Os inúmeros setores de trabalho e as situações de risco à saúde dos trabalhadores. a fim de se ver cumprir os direitos dos trabalhadores por um ambiente de trabalho mais saudável ou. do MTE. capaz de garantir uma vida digna (MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. deste ano de 2006.5). p. prevista pela NR-5. como no dizer da Agenda Nacional de Trabalho Decente. eqüidade e segurança. Este mesmo raciocínio se aplica para a constituição das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes CIPA. no qual a CIPA passa a ter 4 membros a partir de 80 empregados. com a exigência de constituir CIPA a partir de 30 empregados. e os resultados apresentados por este estudo indicam que é necessária a revisão da classificação de risco desta atividade econômica para o grau de risco 3. 2006. encontrados pelo estudo. o que obrigaria as empresas com mais de 100 empregados a constituírem um SESMT com pelo menos um técnico de segurança do trabalho. encontradas neste setor. que o define como sendo um trabalho adequadamente remunerado.

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1989. Diário Oficial da União. __________. Eugênio Vilaça. Elizabeth Costa. Processo de produção e saúde – Trabalho e desgaste operário. 19 de set. 25 (5): p.341-349. Livro 1. R. Trabalho. A.93/94: p. 21-32. v. São Paulo: Hucitec. 1991. n. Uma agenda para a saúde. GOMES. MARX. Importância da ocupação como determinante de saúde-doença: aspectos metodológicos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 1997. 2 (1): p. 2): p.13 (supl. In: MERHY. 55-123. R. Programa de saúde da Família (PSF): contradições de um programa destinado à mudança do modelo tecnoassistencial. Doenças Relacionadas ao Trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde. São Paulo. 2004. Tecendo a precarização: trabalho a domicilio e estratégias sindicais na indústria de confecções de São Paulo.080. n. 29-37. Salvador: Casa da Qualidade. A construção do campo da saúde do trabalhador: percurso e dilemas. Emerson Elias & FRANCO. MENDES. R. René & DIAS. LEITE. v. São Paulo: HUCITEC.LAURELL. _______________. MONTEIRO. 21ª ed. a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providencias. MERHY. M. LEAKEY. 57-93. . C & THEDIM-COSTA. Emerson Elias et al. 1990. 2003. 2003. René. Jorge da Rocha. proteção e recuperação da saúde. 1989.17. dez. Karl. MENDES. MINISTÉRIO DA SAUDE DO BRASIL. MEDRONHO. Márcia de Paula. Os grandes dilemas do SUS: tomo I. MENDES. São Paulo: Atheneu. 1998. Cadernos de Saúde Pública. 4ª ed. MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. De Taylor ao modelo japonês: modificações ocorridas nos modelos de organização do trabalho e a participação do trabalho. Origens. Epidemiologia. Revista de Saúde Pública.M.F. & NORIEGA. Lei orgânica 8. Trabalho decente. O capital: critica da economia política. E. O trabalho em saúde: experienciando o SUS no cotidiano. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional. 2001. Rio de Janeiro. Túlio Batista. 2004.C. 1982. julago-set. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional. São Paulo: Melhoramentos. Maria Silva. 2001. São Paulo. A.67. 1996. 2006. Da medicina do trabalho à saúde do trabalhador. S. Brasília: Ministério da Saúde do Brasil. P. Educação e Saúde. et all. São Paulo: Hucitec. & LEWIN. Dispõe sobre condições para a promoção. MINAYO-GOMES.

Como todo nosso conteúdo é de livre acesso. Jarbas Barbosa et al. SILVA. T. J. O psicosite tem como principal objetivo proporcionar informações de base científica sobre psiquiatria e psicologia para leigos e profissionais. isto é trabalho de gente? Vida. In: BUSCHINELLI. Rachel M. São Paulo: Global Editora. Everardo Duarte. Rio de Janeiro: v. PSICOSITE. Alfredo Rodrigues Leite da. ROUQUAYROL.br. 1986. Cultura e saúde nas organizações. Medicina Social: aspectos históricos e teóricos. Centro Biomédico. Álvaro et al. Saúde em Debate. Vigilância em saúde do trabalhador no Sistema Único de Saúde: a vigilância do conflito e o conflito da vigilância.NUNES. Rio de Janeiro: Ediouro. . T. Rodrigo Marot. Responsável Dr. 62. PINHEIRO. Metodologias de reconhecimento e avaliação qualitativa de riscos ocupacionais. 249-258. Universidade Estadual de Campinas.com. 26. esperamos cooperar com a democratização da informática no Brasil. Disponível em: www. Epidemiologia & Saúde. ________________. Acessado em 25 abr. O livro de ouro da história do Mundo. et al. WISNER. SILVA JÚNIOR. ODDONE. SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA . 1996. TRIVELLATO. A. 2003.SESI. São Paulo: SESI. São Paulo: Fundacentro.M. p. RIGOTO. São Paulo: HUCITEC. doença e trabalho no Brasil. 1983.M. Porto Alegre: Artmed. p.M. Cultura em organizações: um estudo de caso sobre o discurso corporativo. n. 2003. A Inteligência no Trabalho. set/dez. 10ª ed. Dissertação de mestrado. MEDSI: Rio de Janeiro. Universidade Federal do Espírito Santo. 1998. Investigando a relação entre saúde e trabalho. Ambiente de trabalho: a luta dos trabalhadores pela saúde.psicosite. 2001. 2003. Manual de Segurança e Saúde no Trabalho. Naomar. 2003. Naomar. 2006. TAMAYO. Doenças e agravos não-transmissíveis: bases epidemiológicas. 6ª ed. J. I. G. 1994. Maria Zélia & ALMEIDA FILHO. Interdisciplinaridade: conjugar saberes. 6ª ed. Maria Zélia & ALMEIDA FILHO. In: ROUQUAYROL. Rio de Janeiro: Medsi. 1993. 2002. Ansiolíticos.159-177. Epidemiologia & Saúde. C. Dissertação de doutorado. ROBERTS. Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas. Petrópolis: VOZES. 2004. São Paulo: Fundacentro.

2004. Estudos Avançados. Letícia Legai & MONTEIRO. 2003. v. Roberto.VERMELHO. 66-86. São Paulo. Lucia M.17 (49). . Epidemiologia. p. In MEDRONHO. G. Fecundidade da mulher paulista abaixo do nível de reposição. São Paulo: Editora Atheneu. Transição demográfica e epidemiológica. YAZAQUI. Mário F.

10 ANEXOS A – CARTA DE APRESENTAÇÃO B – TÊRMO DE CONSENTIMENTO DO ENTREVISTADO C – QUESTIONÁRIO D – INSTRUMENTO DE ESTUDO DAS CARGAS DE TRABALHO E – TÊRMO DE APROVAÇAO DO COMITÊ DE ÉTICA .

Posteriormente. responda honestamente! Caso queira acrescentar algum comentário. Os dados levantados junto aos trabalhadores e com as empresas serão submetidos a uma analise acadêmica que produzirá uma dissertação de mestrado junto ao Programa de Pós-graduação em Atenção em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo. A resposta às questões do questionário e voluntária. fale com o entrevistador que o escreverá no final do questionário. e sua repercussão sobre a vida dos trabalhadores. pela importância deste estudo. novembro de 2005. visando instrumentalizar a discussão e proposição de normas para a melhoria das condições de trabalho nos diferentes processos produtivos. por favor. Portanto.ANEXO A CARTA DE APRESENTAÇÃO Colatina. Atenciosamente. levando-se em consideração a participação de cada um no resultado final do conjunto dos trabalhadores da indústria do vestuário. O objetivo desta pesquisa é conhecer as condições de trabalho e saúde dos trabalhadores da Industria dos Vestuários no município de Colatina – ES. a Fundacentro irá realizar atividades educativas que possam contribuir com a melhoria das condições de trabalho. Agradecemos sua atenção e colaboração. conforme sua percepção de sintomas que podem estar relacionados com sua saúde. Antônio Carlos Garcia Júnior Pesquisador da Fundacentro Coordenador da Pesquisa . Prezado trabalhador: A Fundacentro é um órgão do Ministério do Trabalho e Emprego que realiza estudos e pesquisas na área de saúde e segurança dos trabalhadores. As informações são confidenciais e serão analisadas somente pela equipe de pesquisadores.

_____DE_____________2005. APÓS SER INFORMADO DOS OBJETIVOS E A IMPORTÂNCIA DA PESQUISA SOBRE AS CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA – ES.ANEXO B FORMULÁRIO DE CONSENTIMENTO DO ENTREVISTADO Nº__________ EU. ______________________________________________________. AUTORIZO DE LIVRE E ESPONTANEA VONTADE. COLATINA. ASSINATURA DO ENTREVISTADO______________________________________ ASSINATURA DO ENTREVISTADOR: ____________________________________ . QUE MINHA ENTREVISTA SEJA UTILIZADA PARA A EXECUÇÃO DESTE ESTUDO.

SEXO: ( ) MASCULINO ( ) FEMININO 5.EM QUE REGIAO VOCE NASCEU? ( ( ( ( ( ) COLATINA ) MUNICIPIO DO NORTE DO ESTADO. DESQUITADO OU SEPARADO. QUAL?_______________________________________________________ 6.IDADE: _____________ANOS.ATÉ QUE ANO ESTUDOU? _________________ANOS 8.EMPRESA EM QUE TRABALHA ________________________________________________ 2. 7. ) OUTROS MUNICIPIOS DO ESTADO ) OUTROS ESTADOS ) OUTRO PAÍS .FUNÇÃO/OCUPAÇÃO: ____________________________________________________________ 3. _____________ 1.ANEXO C QUESTIONÁRIO UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPIRITO SANTO – UFES CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE MESTRADO EM ATENÇÃO À SAÚDE COLETIVA – PPGASC Nº. 4.ESTADO CIVIL ( ( ( ( ) SOLTEIRO ) CASADO OU VIVE MARITALMENTE COM ALGUEM ) VIUVO ) DIVORCIADO.GRUPO RACIAL ( ( ( ( ( ) BRANCA ) PARDA ) PRETA ) AMARELA ) OUTRO.

CONSIDERANDO O SALÁRIO MÍNIMO ATUAL DE R$ 300. 14.DURANTE A JORNADA DE TRABALHO. 16. HÁ QUANTO TEMPO MUDOU-SE PARA A CIDADE? N° DE ANOS: _____________ 10.SEU HORÁRIO DE TRABALHO É: ( ( ( ) FIXO NO PERÍODO DIURNO (ENTRE 7 E 18 HORAS) ) FIXO NO PERIODO NOTURNO (ENTRE 18 HORAS E 6 HORAS) ) EM TURNOS ALTERNADOS (DIURNO E NOTURNO) 17. 15. VOCÊ REALIZA OUTRAS PAUSAS QUE NÃO SEJAM PARA ALIMENTAÇÃO? .EM MÉDIA.HÁ QUANTO TEMPO TRABALHA NA ATUAL FUNÇÃO? _________ANOS________MESES. QUANTAS HORAS DE TRABALHO SEMANAL VOCÊ FEZ NO ÚLTIMO MÊS TRABALHADO? Nº DE HORAS: ___________________SEMANAIS.00 SUA RENDA MENSAL LÍQUIDA PROVENIENTE DO TRABALHO CORRESPONDE A QUANTOS SALÁRIOS MÍNIMOS? _________________________SALÁRIOS MINIMOS 12. VOCÊ FAZ INTERVALOS PARA LANCHES OU REFEIÇÕES? ( ( ) SIM ) NÃO QUANTO TEMPO?__________MINUTOS 18.DURANTE A JORNADA DE TRABALHO.9.HÁ QUANTO TEMPO TRABALHA NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO? _______ANOS_______MESES.QUANTAS PESSOAS EM SUA FAMILIA DEPENDEM FINANCEIRAMENTE DE VOCE? (INCLUIDO O PROPRIO ENTREVISTADO) Nº DE PESSOAS: _______________ 11. 13.SE NASCIDO NA REGIÃO RURAL.HÁ QUANTOTEMPO TRABALHA NESTA EMPRESA? _______ANOS_______MESES.

( ( (

) SIM ) ÀS VEZES ) NÃO

19- VOCÊ ACHA QUE A QUANTIDADE E DURAÇÃO DAS PAUSAS SÃO SUFICIENTES PARA RECUPERAR O SEU CANSAÇO DURANTE A JORNADA DE TRABALHO? ( ( ) SIM ) NÃO

20- DURANTE O SEU DIA DE TRABALHO, AS TAREFAS QUE VOCÊ REALIZA: ( ( ( ( ) SÃO SEMPRE AS MESMAS ) VARIAM UM POUCO ) VARIAM MUITO ) VARIAM DEPENDENDO DO DIA DA SEMANA

21- VOCÊ ACHA QUE SUA CHEFIA O PRESSIONA MUITO? ( ( ( ) SIM ) NÃO ) ÀS VEZES

22- COMO VOCE SE SENTE AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DO EXPEDIENTE?

23- COMO VOCÊ AVALIA SEU ESTADO DE SAÚDE. ( ( ( ( ( ) MUITO BOM; ) BOM; ) REGULAR; ) RUIM; ) MUITO RUIM

24- VOCÊ APRESENTOU ALGUM PROBLEMA DE SAÚDE, NOS ÚLTIMOS 15 DIAS? ( ( ) SIM ) NÃO (PASSE DIRETO PARA A QUESTÃO 30).

25- SE SIM:

QUAIS FORAM ESTES PROBLEMAS DE SAÚDE?
1)_______________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________

3)_______________________________________________________________________________ 4)_______________________________________________________________________________ 5)_______________________________________________________________________________ 26- ALGUM DESTES PROBLEMAS DE SAÚDE FEZ QUE VOCÊ NECESSITASSE AFASTAR-SE DO TRABALHO? ( ( ) SIM ) NÃO

SE SIM, QUAL DELES?_____________________________________________________________ POR QUANTO TEMPO?_____________DIAS. 27- AONDE FOI SEU ATENDIMENTO MÉDICO? ( ( ( ( ( ) MEDICO DA EMPRESA ) PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA (PSF), PRÓXIMA À RESIDÊNCIA. ) UNIDADE BASICA DE SAÚDE AMBULATÓRIO OU PRONTO-SOCORRO DO SISTEMA ) PLANO OU CONVÊNIO DE SAÚDE. ) OUTROS ESPECIFICAR: _________________________________________________

ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

28- O MÉDICO QUE TE ATENDEU RELACIONOU SEU SINTOMA COM SUAS CONDIÇOES DE TRABALHO? ( ( ) SIM ) NÃO

29- VOCÊ ACHA QUE SEU TRABALHO PODE PREJUDICAR SUA SAÚDE? ( ( ) SIM ) NÃO (PASSE DIRETO PARA A PERGUNTA 33)

30- SE SIM: O QUE NO SEU TRABALHO VOCÊ CONSIDERA QUE PODE PREJUDICAR A SAÚDE? (ESCREVA AS TRÊS PRINCIPAIS CAUSAS) 1)_______________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________ 3)_______________________________________________________________________________ 31- QUAIS PROBLEMAS DE SAÚDE VOCÊ CONSIDERA QUE PODEM DECORRER DO SEU TRABALHO? (ESCREVA OS 3 PRINCIPAIS PROBLEMAS DE SAÚDE). 1)_______________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________

3)_______________________________________________________________________________

VOU LER PARA O SENHOR (A) AS INSTRUÇÕES PARA AS PRÓXIMAS QUESTÕES (33 A 52). ESTAS QUESTÕES SÃO RELACIONADAS COM CERTAS DORES E PROBLEMAS QUE PODEM TÊ-LO (A) INCOMODADO (A) NOS ÚLTIMOS 30 DIAS. SE VOCÊ ACHA QUE A QUESTÃO SE APLICA A VOCÊ E VOCÊ TEVE O PROBLEMA DESCRITO NOS ÚLTIMOS 30 DIAS, RESPONDA SIM. POR OUTRO LADO, SE A QUESTÃO NÃO SE APLICAR A VOCÊ PORQUE VOCÊ NÃO TEVE O PROBLEMA NOS ÚLTIMOS 30 DIAS, RESPONDA NÃO. SE VOCÊ NÃO TIVER CERTEZA SOBRE COMO RESPONDER A ALGUMA QUESTÃO, DÊ A MELHOR RESPOSTA QUE PUDER.

QUESTÕES 32- TEM DORES DE CABEÇA FREQUENTES? 33- TEM FALTA DE APETITE? 34- DORME MAL? 35- ASSUSTA-SE COM FACILIDADE? 36- TEM TREMORES NAS MÃOS? 37- SENTE-SE NERVOSO (A), TENSO (A) OU PREOCUPADO (A)? 38- TEM MÁ DIGESTÃO? 39- TEM DIFICULDADE DE PENSAR COM CLAREZA? 40- TEM SE SENTIDO TRISTE ULTIMAMENTE? 41- TEM CHORADO MAIS DO QUE DE COSTUME? 42- ENCONTRA DIFICULDADES PARA REALIZAR COM SATISFAÇÃO SUAS ATIVIDADES DIÁRIAS? 43- TEM DIFICULDADES PARA TOMAR DECIÇÕES? 44- TEM DIFICULDADES NO SERVIÇO (SEU TRABALHO É PENOSO, CAUSA-LHE SOFRIMENTO)? 45- É INCAPAZ DE DESEMPENHAR UM PAPEL ÚTIL EM SUA VIDA? 46- TEM PERDIDO O INTERESSE PELAS COISAS? 47- VOCE SE SENTE UMA PESSOA INUTIL, SEM PRÉSTIMO? 48- TEM TIDO A IDÉIA DE ACABAR COM SUA VIDA? 49- SENTE-SE CANSADO (A) O TEMPO TODO? 50- TEM SENSAÇÕES DESAGRADÁVEIS NO ESTOMAGO? 51- SE CANSA COM FACILIDADE?

SIM

NÃO

OBSERVA PERDA DE SENSIBILIDADE TÁTIL OU DOLOROSA PERMANENTE EM ALGUMA DESTAS PARTES? 56.SUA CALIGRAFIA VEM SE ALTERANDO? 54.AS QUESTÕES SEGUINTES DEVEM SER CONSIDERADAS EM RELAÇÃO AOS MÚSCULOS E ARTICULAÇÕES (AS JUNTAS) DAS SEGUINTES PARTES DO CORPO: PESCOÇO.A DURAÇÃO DE 2 DE QUALQUER DOS SINTOMAS ACIMA É SUPERIOR A 30 DIAS? SIM NÃO 61.VOCÊ FAZ USO HABITUAL (OU USOU NOS ÚLTIMOS 6 MESES) DE MEDICAMENTOS CALMANTES? ( ( ) SIM ) NÃO QUAIS?___________________________________________________________________ .SENTE DOR AO PRESSIONAR OU AO MOVIMENTAR ALGUMA DESTAS PARTES? 57. MÃOS OU DEDOS? 59.TEM SENSSAÇÃO FREQUENTE DE FORMIGAMENTO OU FISGADAS EM ALGUMAS DESTAS PARTES? 55.OS SINTOMAS ACIMA DESAPARECEM OU MELHORAM NOS FINS DE SEMANA.COM QUE FREQUENCIA BEBE SEMANALMENTE? ( ( ( ( ( ) MENOS DE 1 VEZ POR SEMANA (QUINZENALMENTE OU MENSALMENTE) ) UMA OU DUAS VEZES POR SEMANA ) TRÊS OU QUATRO VEZES POR SEMANA ) CINCO OU SEIS VEZES POR SEMANA ) TODOS OS DIAS.TEM SENSSAÇÃO FREQUENTE DE DESCONFORTO. QUESTÕES 52.TEM APRESENTADO INCHAÇÕ EM ALGUMA DESTAS PARTES? 58. FLEXÃO OU ROTAÇÃO DO BRAÇO. BRAÇOS. MÃOS E DEDOS. CANSAÇO OU PESO EM ALGUMA DESTAS PARTES? 53. 63. FERIADOS OU QUANDO NÃO TRABALHA? 60.TEM AUMENTADO A DIFICULDADE EM FAZER MOVIMENTOS DE EXTENSÃO. OMBROS.VOCÊ FAZ USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS? ( ( ) SIM ) NÃO SE SIM: 62.

75.TER PROBLEMAS COM CHEFIA (DISCRIMINAÇÃO.HÁ QUANTO TEMPO?______________________________________________________ 64.VOCÊ SE SENTE VALORIZADO PELO TRABALHO QUE REALIZA? ( ( ( ) SIM ) ÀS VEZES ) NÂO NAS QUESTÕES DE NUMERO 68 A 83.TER POUCO TEMPO PARA PAUSAS NO TRABALHO. SIM 67.TRABALHAR SOMENTE NO TURNO NOTURNO OU EM TURNOS ALTERNADOS (DIURNO/NOTURNO) 70.FALTA DE COOPERAÇÃO ENTRE OS COLEGAS DE TRABALHO.TER QUE PROLONGAR A JORNADA DE TRABALHO E OU REALIZAR HORAS EXTRAS. 73.QUAIS AS 2 COISAS QUE MAIS LHE AGRADAM NO SEU TRABALHO? 1)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 65.MÁ REMUNERAÇÃO PELO TRABALHO QUE REALIZA. 72. DISCUSSÕES. AUTORITARISMO). 69.NÃTO TER OPORTUNIDADE PARA PROMOÇOES NA EMPRESA 71. 68. RESPONDA SE ESTAS SITUAÇÕES SÃO FONTES DE TENSÃO E CANSAÇO NO SEU TRABALHO. 74. CONTROLE EXCESSIVO. PERSEGUIÇÃO.QUAIS AS 2 COISAS QUE MAIS LHE DESAGRADAM NO SEU TRABALHO? 1)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 66.AMEAÇÃ DE CORTE DE PESSOAL E DESEMPREGO.CALOR EXCESSIVO DURANTE O TRABALHO ÀS VEZES NÃO .

IMPROVISAÇÕES NO DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES. SINTA-SE A VONTADE CASO QUEIRA FALAR ALGO SOBRE SEU TRABALHO OU SUA SAUDE: ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ________________________________________________________________ O QUESTIONÁRIO ENCERRA-SE AQUI. 82. . 80. 78.76.INADEQUAÇÃO E DESCONFORTO NO POSTO DE TRABALHO (CADEIRA E BANCADA). 79.RITMO DE TRABALHO MUITO ACELARADO. 81.O TRABALHO É MONOTONO E DESINTERESSANTE.BARULHO EXCESSIVO DURANTE O TRABALHO 77.TRABALHAR POR PRODUÇAO PRE-DEFINIDA.FALTA DE TREINAMENTOS INADEQUADOS PARA O EXERCICIO DA FUNÇÃO. MUITO OBRIGADO POR SUA COLABORAÇÃO.

ANEXO D ESTUDOS DE CARGAS DE TRABALHO EMPRESA: ________________________________________________________ ENDEREÇO: ________________________________________________________ DATA: ___________________________ HORÁRIO: ______________________ SETOR: ____________________________________________________________ FUNÇÃO: __________________________________________________________ DESCRIÇÃO DA TAREFA: .

Físicas a) Ruído b) Calor c) Vibrações d) Radiações e) Umidade Observações: Tempo de Exposição 2.Biológicos a) Bactérias c) vírus d) Outros Observações: .Classificação Fonte 1.Químicos a) Poeiras b) Substâncias c) Gases d) Vapores Observações: 3.

4. Peso f) Produção g) Turnos h) T. Noturno Observações: 5.Psíquico a) Hierarquia b) Valorização c) Cultura Observações: SINERGISMOS ENTRE CARGAS – ANÁLISE .Fisiológicos a) Mobiliário b) Posições c) Ritmos d) Monotonia e) L.

ANEXO E .

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