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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ATENÇÃO À SAÚDE COLETIVA

ANTÔNIO CARLOS GARCIA JÚNIOR

CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA - ES.

VITÓRIA 2006

ANTONIO CARLOS GARCIA JUNIOR

CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA - ES.

Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Atenção à Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito parcial para obtenção do grau de mestre em Saúde Coletiva, na área de concentração Políticas, Administração e Avaliação de Saúde. Orientador: Prof. Dr. Luiz Henrique Borges

VITÓRIA 2006

Dados Internacionais de Catalogação na publicação (CIP) (Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil) Garcia Júnior, Antônio Carlos, 1956 – Condições de trabalho e saúde dos trabalhadores da Indústria do vestuário de Colatina – ES / Antônio Carlos Garcia Júnior – 2006. 123f.

G216c

Orientador: Luiz Henrique Borges Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Espírito Santo, Centro Biomédico. 1. Saúde Coletiva. 2. Saúde do Trabalhador. 3. Processo Saúdedoença. I. Borges, Luiz Henrique. II. Universidade Federal do Espírito Santo. Centro Biomédico. III. Título. CDU 614.2 ___________________________________________________________________

ES Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Atenção à Saúde Coletiva do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo.SP ________________________________________ Prof. Aprovada em 7 de julho de 2006. Aloísio Falqueto Universidade Federal do Espírito Santo . Dr.ANTÔNIO CARLOS GARCIA JÚNIOR CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA . Ildeberto Muniz de Almeida Faculdade de Medicina de Botucatu . Luiz Henrique Borges Universidade Federal do Espírito Santo Orientador _______________________________________ Prof. Dr. COMISSÃO EXAMINADORA ______________________________________ Prof. como requisito parcial para obtenção do grau de mestre em Saúde Coletiva. Dr.

e Maria da Penha Cabalini. Antônio Carlos de Assis Garcia. que me mostrou as estrelas. Aos meus pais. . que me incentivou a seguir a senda do conhecimento.A Marisa e Maya portadoras dos archotes que iluminam meu caminho.

Luiz Henrique Borges. pelas aulas maravilhosas e momentos de reflexão que mudaram meu enfoque sobre a saúde e a compreensão sobre o processo de adoecimento dos trabalhadores. demonstraram garra e compromisso com esta pesquisa. Aos colegas da FUNDACENTRO do Espírito Santo pelo carinho e a compreensão em minhas ausências para participar das atividades acadêmicas. que foram as grandes batalhadoras e amigas nos momentos mais difíceis e que. com dedicação ao trabalho. com enorme consideração e amizade contribuiu imensamente para a realização deste trabalho. Solange Rodrigues da Silva. Lucimar Flaves Gonçalves. A todos os professores do Programa de Pós-Graduação em Atenção a Saúde Coletiva – PPGASC. demonstrado pelo incentivo e interesse pelo meu trabalho. À equipe de entrevistadores de campo Simone de Oliveira Sepulcro. Aos trabalhadores do setor do vestuário de Colatina que concordaram em conceder as entrevistas em seu tempo fora do trabalho. Rosinéia Maria Cardoso e Maria Aparecida Freire de Almeida. Sou imensamente grato a FUNDACENTRO que me incentivou através de seu programa de pós-graduação a realizar este mestrado e pelo indispensável suporte financeiro que tornou possível concretizar esta dissertação. é necessário externar a minha gratidão a algumas pessoas em especial. mesmo correndo o risco de esquecer alguém. Dr.AGRADECIMENTOS Nesta hora. cuja atenção e empenho foram fundamentais para que o trabalho de campo fosse realizado no tempo programado e a todos os demais componentes do sindicato. Primeiro. . acreditando em nosso propósito de trazer luz às suas condições de vida e saúde ocupacional. Sou muito grato também à diretora Vilma Aparecida do Carmo do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário – SINTVEST. que sempre acreditou em minha capacidade e. agradeço ao meu orientador Prof.

cânhamo.“A mãe natureza está bastante provida de recursos para proteger nossos corpos das agressões do ar. se bem que possamos abster-nos dela. . As doenças dos Trabalhadores – 1700. dela geralmente resultarão perturbações que serão experimentadas por aqueles encarregados de sua preparação”. linho. Conforme seja a matéria das várias indumentárias. algodão. assim como seda. Bernardo Ramazzini. porque foi criada mais para cobrir os corpos dos homens e das mulheres do que para abrigá-los. como lã.

0142). A prevalência de suspeita de DMM foi de 24. um estudo observacional com delineamento seccional. Os dados apontam que há um padrão de desgaste da saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário associado às condições de trabalho. um estudo descritivo com levantamento qualitativo das cargas de trabalho.3%. O perfil foi obtido através de informações socioeconômicas. de suspeita de DMM (p<0. com média de 31 anos de idade. Palavras chaves: Indústria do vestuário e saúde. realizado em ritmos excessivo. Processo Saúde-doença.4%). Saúde do Trabalhador. Os resultados apontaram que as condições de trabalho prejudicam a saúde dos trabalhadores. suspeita de apresentar transtornos mentais menores .06-2. presentes no processo de produção desta indústria.57) para LER e OR=2. com tarefas fragmentadas. .43 (IC95% 1. condição de trabalho. na indústria do vestuário de Colatina-ES.2%) e dos problemas das vias aéreas superiores (6. em segundo. controle rígido. os que mais ocorreram seguidos dos problemas cardiovasculares (9. Utilizou-se de regressão logística múltipla ajustada para estimar o odds ratio entre a função costureira e as demais. encontrando-se OR=1. A função de costureira destacou-se das demais pela maior prevalência de queixas referidas (p=0.0001) e de LER (p=0. movimentos repetitivos e de pouca valorização do intelecto do trabalhador. A prevalência de queixas referidas de saúde foi de 24.35%) e jovens.53) para DMM.RESUMO Objetivou-se estudar as condições de saúde e trabalho em trabalhadores com vínculo empregatício com empresas do vestuário que produzem a mercadoria roupa em sua totalidade. em particular dor na coluna e lombares.67-3. realizado através da aplicação de um questionário em visitas domiciliares a uma amostra aleatória de 432 trabalhadores.0%). Utilizaram-se dois métodos: primeiro.DMM (avaliada através do Self Reporting Questionnaire – SRQ-20) e a suspeita de lesões por esforços repetitivos – LER (através de um questionário de rastreamento).9% e a de LER foi de 16. sendo os problemas músculos-esqueléticos (14.0075).9%. queixas referidas à saúde nos últimos 15 dias. em relação às variáveis suspeita de DMM e suspeita de LER.65 (IC95% 1. Os trabalhadores são preponderantemente do gênero feminino (66.

65 (IC95% 1. MMD prevailing suspicion was 24. an observational study with a cross section profiling. health-disease process. MMD suspicion (p<0. young with a 31 years age average.9%.0001) and of RSI (p=0. working conditions information.9% and of RSI 16.67-3. The workers are mostly of the feminine gender (66. finding OR=1. Logistic regression was used for odds ratio estimation among dressmakers and the other functions in relation to the variables with MMD and RSI suspicion. The prevailing health complaints were 24.53) for MMD. that do make and assemble the clothes completely in their productive process. The results pointed out that the working conditions do harm the workers health with fragmented tasks done in excessive rhythms.2%) and also problems on the superior breathing tract (6. Two methods were used: first a descriptive study with the work loads qualitative definition within the production process of such industries. The dressmaker function was highlighted due to the major prevalence of referred complaints (p=0.3%.43 (IC95% 1. . health complaints filled on the 15 days previous to questions application. Espírito Santo State. 0%).ABSTRACT The objective was to study about the health and working conditions of the formal and legally employed workers from the garment industries in Colatina. specially the back problems with major occurrences followed by cardiac and vascular problems (9.06-2. with repetitive moves and scarce valorization of the workers intellectual conditions. and second. minor mental disorders suspicions – MMD (evaluated through the Self Reporting Questionnaire – SRQ-20) and the repetitive efforts injuries suspicions – RSI (through a tracking questionnaire). The profile was obtained through social and economic information. Keywords: Collective Health.4%).0075). under stiff controls.57) for RSI and OR=2. 35%).0142). raised with home collected questionnaires applied to a random sample composed of 432 workers. worker health. distributed in muscolosketal problems (14.

............................................................LISTA DE FIGURAS Figura 1: Figura 2: Figura 3: Fluxograma básico do processo de produção da indústria do vestuário.......................... 84 ....................... 2005............................................................ 69 Distribuição percentual das faixas etárias por sexo na indústria do vestuário de Colatina-ES...................................... 58 Fluxograma da célula de produção...

........... : Função........................................................................................ atividades e carga de trabalho do setor de passadeira. atividades e carga de trabalho do setor de artesanato.................... atividades e carga de trabalho do setor de embalagem e expedição. atividades e carga de trabalho do setor de acabamento......... atividades e carga de trabalho do setor de costura. : Função.................. : Função................ : Função.................. atividades e cargas de trabalho do setor de criação e modelagem.................... 60 62 63 66 72 73 75 77 79 . : Função........ : Função.....LISTA DE QUADROS Quadro 1 Quadro 2 Quadro 3 Quadro 4 Quadro 5 Quadro 6 Quadro 7 Quadro 8 Quadro 9 : Função........................ atividades e carga de trabalho do setor de lavanderia. : Função................. atividades e carga de trabalho do setor de corte... : Função...................... atividades e cargas de trabalho do setor de almoxarifado de tecidos e aviamentos..................

LISTA DE SIGLAS CIPA CLT CNAE DMM DRT EPI FGTS FUNDACENTRO IBGE INSS LER LT MS MTE NR OIT OMS PCMSO PNAD PPRA PSF RAIS SAS SEBRAE SRQ-20 SESI SINTVEST SUS USB Comissão Interna de Prevenção de Acidentes Consolidação das Leis Trabalhistas Classificação Nacional de Atividades Econômicas Distúrbios Mentais Menores Delegacia Regional do Trabalho Equipamento de Proteção Individual Fundo de Garantia por Tempo de Serviço Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Instituto Nacional de Seguridade Social Lesões por Esforços Repetitivos Limite de Tolerância Ministério da Saúde Ministério do Trabalho e Emprego Norma Regulamentadora Organização Internacional do Trabalho Organização Mundial da Saúde Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional Pesquisa Nacional por Domicilio Programa de Prevenção de Riscos Ambientais Programa de Saúde da Família Relação Anual de Informações Sociais Statistical Analysis Software Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Self-Report Questionnaire Serviço Social da Indústria Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário Sistema Único de Saúde Unidade Básica de Saúde .

.......................................................................... 2005............. Distribuição dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina ES que fazem uso de calmantes por tempo de uso.. Freqüência de queixas de saúde por setor e função na indústria do vestuário de Colatina-ES................... 2005.. Percepção dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES sobre problemas de saúde decorrentes de seu trabalho...... 2005.............................. 2005..................... no Brasil e Espírito Santo .... Freqüência de consumo de bebidas alcoólicas entre trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES..................................... Distribuição dos trabalhadores da indústria do vestuário de ColatinaES. Principais cargas de trabalho referidas pelos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES............. 2005............. 2005...... 2005.................. Morbidade referida........2004............................... Prevalência de queixas de saúde com trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-es por tempo de serviço......................................................................................... 2005.......... segundo órgãos e sistemas acometidos........................ 2005........ Medicamentos calmantes referidos como utilizados pelos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina–ES..............................................................................................2005.................................................................................... 45 45 79 82 84 85 87 88 89 90 90 91 92 95 95 96 98 99 100 101 102 103 . por faixas de pessoal empregado. Distribuição por grau de escolaridade dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES ..............................2005................................................ Aspectos do trabalho que mais agradam os trabalhadores do setor do vestuário de Colatina-ES. Distribuição de atendimento médico dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES por local.... Distribuição da amostra dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina por faixa etária..................2005.................................... Número de dias de afastamento do trabalho por queixa de saúde na indústria do vestuário de Colatina-ES............................. 2005....... 2005............................................ 2005.. Causas de afastamento do trabalho na indústria do vestuário de Colatina-ES por órgãos e sistemas............. Número de empresas e empregados por CNAE-2004 Distribuição de trabalhadores por função e setor na indústria do vestuário de Colatina-ES .... 2005.................... Auto-avaliação do estado de saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina ES. 2005.............LISTA DE TABELAS Tabela 1: Tabela 2: Tabela 3: Tabela 4: Tabela 5: Tabela 6: Tabela 7: Tabela 8: Tabela 9 Tabela 10: Tabela 11: Tabela 12: Tabela 13: Tabela 14: Tabela 15: Tabela 16: Tabela 17: Tabela 18: Tabela 19: Tabela 20: Tabela 21: Tabela 22: Número de empresas do setor do vestuário........................................ 2005................ Principais fontes referidas de tensão e cansaço no trabalho em trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina–ES.. nos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES........................... segundo a sensação que sentem ao sair do trabalho no final do dia.................... Distribuição de trabalhadores por tempo de serviço na indústria do vestuário de Colatina-ES ..... 2005........... 2005........... Aspectos do trabalho que mais desagradam os trabalhadores do setor do vestuário de Colatina-ES...........................................

............ 15 18 18 18 19 20 27 29 32 42 43 46 2.. AS CARGAS DE TRABALHO NOS SETORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA .........1.............4 4....................................1 Setor de costura e o trabalho em célula de produção.........................1................................................ DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO-CONCEITUAL DO ESTUDO DAS RELAÇÕES ENTRE SAÚDE E TRABALHO........ Sujeitos da Pesquisa e Amostra......1 3................. Procedimentos de Campo................................1 1................................................. Objetivo Geral....................................1..................2 4...... CARGAS DE TRABAHO E DESGASTE...................................2 2 2. Setor de Enfesto e Corte...............................1 4.....1 2...................................................... Instrumento de Pesquisa.......................................................1.............1 3.................................. OBJETIVOS................................................................SUMÁRIO 1 1. ESTUDO DAS CARGAS DE TRABALHO NAS INDÚSTRIAS DO VESTUÁRIO DE COLATINA.................................3...........................2 INTRODUÇÃO..........2 3................4 4 4.............................................................1............... METODOLOGIA............................ Setor de Criação e Modelagem....................................................... O CARÁTER CENTRAL DO TRABALHO NA MEDIAÇÃO ENTRE CORPO-MENTE-PSIQUISMO...............................................1. LEVANTAMENTO DE CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA – ES......3...................2 3........................................3....................................................4 3 3.............................. O PROCESSO DE PRODUÇÃO E TRABALHO DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA.. CULTURA E SOCIEDADE.......3 4....................3 3.... Setor de Costura..................................3....... ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E SAÚDE DO TRABALHADOR................. Análise dos Dados....4...........3 2................................. A INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA.............1........ AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE TRABALHO COM A SAÚDE: RISCOS............. Setor de Almoxarifado de Tecidos e Aviamentos..........................................1 4........ MARCO TEÓRICO........ Objetivos Específicos.............................................................................................3 48 48 51 52 53 55 58 59 60 62 63 67 3............................................... .......................................1 1.....

..........................1 7................................8 4...................................1 6........................... 70 72 73 75 77 78 80 82 86 86 89 91 92 95 97 100 101 102 105 110 115 116 117 118 126 129 ANEXO A ......................... Setor de Passadoria................1........ USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS............. ATENDIMENTO MÉDICO E DOENÇA DO TRABALHO...... FUMO E MEDICAMENTOS CALMANTES......................... INTERAÇÕES ENTRE AS CARGAS DE TRABALHO E DESGASTE DOS TRABALHADORES............................. ANEXO C ..................................1..... .......CARTA DE APROVAÇÃO PELO COMITÊ DE ÉTICA............................QUESTIONÁRIO...9 4..................................................................... SENSAÇÃO AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DA JORNADA DE TRABALHO.................................................................................................................................1....................3 6............................................. ASPECTOS SOCIO-ECONÔMICOS DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA...... PERFIL DE DESGASTE À SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA......2 6...................... Setor de Lavanderia........... DISTRIBUIÇAO DAS FUNÇÕES POR SETOR DE TRABALHO...............................................................................CARTA DE APRESENTAÇÃO........................ Setor de Artesanato............................................................4...6 4..................................................................3 8 9 10 Setor de Acabamento......................................... PERCEPÇAO DOS TRABALHADORES SOBRE A RELAÇÃO SAÚDE TRABALHO......... PREVALÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE OU MORBIDADE REFERIDA...........2 4............................................... ANEXO D ..............................5 4..................5 7 7.............................................................1........2 7.............. REFERÊNCIAS............. ANEXO E .........................................1. ASPECTOS AGRADAVEIS E DESAGRADAVEIS NO TRABALHO.....................................3 5 6 6......... ANEXO B ...... CONCLUSÕES............TERMO DE CONSENTIMENTO DO ENTREVISTADO........7 4........................ ABSENTEÍSMO E AVALIAÇÃO DE SAÚDE............4 6..................................... Setor de Embalagem e Expedição........... ANEXOS.................................................FORMULÀRIO DE ESTUDO DE CARGAS DE TRABALHO............................................................................... INDICADORES DE SOFRIMENTO PSÍQUICO E LER.. FONTES DE TENSÃO E CANSAÇO NO TRABALHO...................

pode-se.Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO e a NR 9 . Verificamos nos últimos anos a criação de área de concentração de estudos e pesquisas em Saúde & Trabalho. a fim de preservar a saúde e promover a qualidade de vida no ambiente de trabalho. tenho me deparado com o relativo e pequeno número de estudos publicados sobre as repercussões do ambiente de trabalho na saúde dos trabalhadores. para fazer frente a esta escassa produção técnico-científica. Como o ambiente de trabalho e as condições de produção são muito particulares para cada local. para que se identifiquem seus determinantes e se proponha alternativas políticas e técnicas para sua superação.FUNDACENTRO1. são a NR 7 . por tornarem obrigatória a realização de estudos sobre o ambiente de trabalho pelas empresas. A maior parte dos estudos sobre as condições sanitárias do ambiente de trabalho. através de pesquisa dos diferentes espaços.1 INTRODUÇÃO Na minha experiência profissional como pesquisador da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho . contidas na portaria 3. nos programas de pós-graduação das áreas da Saúde Pública e da Saúde Coletiva. é desconhecida dos pesquisadores da área da Saúde do Trabalhador. inseridos em diversificados processos produtivos. que orientam a fiscalização por parte da Delegacia Regional do Trabalho – DRT. obter qual é o 1 Fundacentro – Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho. Estes estudos visam somente atender às exigências das Normas Regulamentadoras de Segurança e Saúde no Trabalho – NRs. desde 1988. devido ao seu aspecto confidencial. divulgar os resultados e capacitar profissionais para atuar no campo da saúde do trabalhador.214/78 do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE. Este incremento de estudos da relação saúde-trabalho implica em estabelecer uma reflexão teórica e o aperfeiçoamento de metodologias de abordagem e intervenção na realidade sanitária dos trabalhadores.Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA. realizados no Brasil. As normas que mais demandam estudos do ambiente de trabalho e seu controle. . órgão federal do Ministério do Trabalho e Emprego cuja missão é desenvolver pesquisas e estudos sobre segurança e saúde no trabalho. sobre seu cumprimento pelas empresas. específicas da legislação trabalhista.

podem estar localizadas em grandes galpões bem dimensionados ou. devido à sua grande heterogeneidade. e outros. 11). 2003). entre os processos produtivos existentes no Estado. o setor tem cerca de 17. 2003). há ainda o uso de grande número de máquinas mais simples. sendo.000 empresas no Brasil. em particular na área das pequenas e médias empresas e que envolvem um grande contingente de trabalhadores. Há cerca de dois anos tem se voltado a identificar novas áreas de interesse de estudo. p. criação de novos modelos.700 empresas que geram 17. comandado pela sazonalidade e pelas tendências da moda. que permite a economia de tecidos. 2000. Isto ocorre pelo fenômeno da terceirização de partes do processo produtivo e das demandas do mercado. como é mais comum.padrão de mal-estar e adoecimento entre os trabalhadores ou a estrutura epidemiológica resultante da interação de fatores do meio ambiente físico e social do trabalho com o homem. O Centro Estadual da FUNDACENTRO no Espírito Santo tem procurado subsidiar a sociedade capixaba nas questões relacionadas à saúde e segurança no trabalho. tendo desenvolvido estudos e projetos em áreas como: trabalho portuário. com eliminação rápida de parte importante das médias empresas e proliferação das unidades de menor porte.000 empregos formais. prática que é muito comum no ramo da indústria de confecções (SESI. mais rapidez na produção das peças. o setor da indústria do vestuário é um dos que mais empregam mão-de-obra no Espírito Santo e no Brasil. Segundo informações da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS. sobretudo das informais (COMIN. Apesar da grande sofisticação de equipamentos ocorrida nos últimos anos. muitas delas transferidas pelas fábricas para o interior das residências. As indústrias de vestuário. estarem instaladas em prédios comerciais improvisados e até em residências. A proliferação de empresas menores se dá pela utilização de . O setor de vestuário tem também sido o que mais participou do processo de reestruturação industrial. segundo o Serviço Social da Indústria – SESI. Dentre os segmentos econômicos compostos por pequenas e médias empresas. no Espírito Santo são cerca de 1. trabalho no setor de mármore e granito. construção civil. responsável por 60% dos empregos na cadeia produtiva de têxteis e confecções (SESI.

2 . Outro aspecto que caracteriza a indústria de vestuário é o elevado uso da mão-deobra feminina. provavelmente.unidades produtivas externas por empresas líderes e até mesmo do trabalho a domicilio2 . exigindo precisão na execução e qualidade no resultado final. adotou o temo Trabalho a domicilio como uma categoria que designa o trabalho sub-contratado exercido na residência do trabalhador (LEITE. a sociologia do trabalho no Brasil. que pagam valores extremamente baixos por cada peça montada. em atividade de trabalho em processos repetitivos e com grande demanda de produção. O processo de trabalho desta forma pode ser determinante para o aparecimento de um padrão de saúde que pode ser compreendido e sobre ele se criar intervenções que promovam melhores condições de vida para este grupo social. situadas no segundo nível. segundo a norma culta. por serem consideradas mais precisas e delicadas na execução do trabalho. 66). p. é caracterizado pela alta produção por cotas a serem atingidas a cada turno de trabalho. em si. apenas o trabalho mecânico da montagem das peças. repassando para as empresas de facção ou oficinas. O trabalho. 2000) o aumento da prevalência dos distúrbios mentais e psicossomáticos. sem desconsiderar que no imaginário masculino a costura é tradicionalmente “trabalho de mulher”. Entretanto nos últimos tempos tem-se observado um aumento no uso de mão de obra masculina em alguns setores dessa indústria. mas seguindo a recomendação da Organização Internacional do Trabalho – OIT. como a nova “velha fórmula” de acumulação de capital. testa os novos modelos e realiza o corte. pinturas especiais e na operação de equipamentos mais sofisticados (LEITE. Em um terceiro nível está o trabalho a domicílio. Entre as doenças decorrentes do trabalho tem sido indicado por alguns autores (BORGES. 2004). por ser exigido maior esforço físico. bem como das lesões por esforços repetitivos (LER) em populações de trabalhadores. Trabalho a domicilio: Em português. fragmentado e realizado com ritmo acelerado. como nas lavanderias. é trabalho em domicílio. onde o pagamento é realizado por peças e determina uma dependência enorme das costureiras para com as empresas de facção. 2004. Esta cadeia produtiva se organiza de forma a que a empresa líder faz a concepção.

interessa estudar: Como o processo de trabalho na indústria de confecções de Colatina.1 OBJETIVOS 1.Obter um inventário de fatores de riscos no processo de trabalho da indústria do vestuário de Colatina – ES. .1. 1. .2 Específicos: . .1 Geral: Estudar as condições de saúde e trabalho em trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES.ES. se relaciona com o processo saúde-doença de seus trabalhadores? 1.Estimar a prevalência de distúrbios mentais menores e de lesões por esforços repetitivos entre trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES.Analisar as relações entre cargas de trabalho e o desgaste à saúde em trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina .Estimar a prevalência de queixas referidas à saúde em trabalhadores da Indústria do Vestuário de Colatina-ES.1. .Assim. desenvolvido em pequenas e médias empresas.

pode determinar uma sobrecarga. pois o biológico é em si mesmo histórico e social (LAURELL & NORIEGA. mas sim ao natural. configurandose como um dos espaços de vida determinantes na construção e na desconstrução da saúde (ASSUNÇÃO. p. 100). Segundo este autor. Não é uma objeção ao biológico. Foi a epidemiologia que demonstrou que as doenças são eventos que não ocorrem por acaso. cognitivo e psíquico“.2 MARCO TEÓRICO Foi utilizado o arcabouço teórico e metodológico do campo da Saúde do Trabalhador. O efeito do trabalho sobre a saúde é muitas vezes silencioso e não apreendido pelo saber estritamente médico” (DEJOURS. a Medicina Social e a Saúde Coletiva. p. conforme o aporte teórico da Saúde . freqüentemente inter-relacionados. como o trabalho constitui-se em fator central para a compreensão do processo saúde-doença dos trabalhadores. têm pelo menos três aspectos: físico. O modelo da determinação social da doença propõe que a relação saúde-doença é um processo social. 13). Por outro lado. Segundo Wisner (1994. serão apresentadas. construído a partir de 1970. Esse campo tem interface com a Saúde Pública. 1986). identificando a importância da transformação biopsíquica dos seres humanos através das mudanças sociais. 2004. a atividade de trabalho designa a maneira do ser humano mobilizar as suas capacidades para atingir os objetivos da produção. ”todas as atividades realizadas pelo homem. as diferentes abordagens da relação entre saúde e trabalho. inclusive o trabalho. “o sofrimento dos trabalhadores nem sempre é visível ou objetivo como insistem algumas abordagens. Assim. p. cada um destes aspectos. a seguir. Tem-se como pressuposto que o trabalho convoca o corpo inteiro e a inteligência para enfrentar o que não é dado pela estrutura técnico-organizacional. particularmente pela construção e utilização do modelo da determinação social da doença. 1998). 1989. 7). mas que têm relação com uma rede de outros eventos que podem ser identificados e estudados (MEDRONHO. Para a escola de ergonomia francesa.

discutir o que é saúde e doença. violência urbana. em uma determinada época. hábitos de vida. p. condições sociais que envolvem o padrão alimentar. os estratos sociais de uma mesma sociedade apresentarão diferentes condições de saúde. o processo saúde-doença é o modo específico pelo qual ocorre nos grupos humanos o processo biológico de desgaste e reprodução. condições de trabalho. tanto pelo estrato social como por sua ocupação profissional. Este processo é o seguimento ou evolução de uma luta do organismo por manter a vida e o bem estar. etc. mas que se evidencia no conjunto das pessoas ou na população que compartilha as mesmas condições de vida. renda. varia ao longo da história da sociedade. A compreensão do que vem a ser saúde é mais ampla do que a de doença. e como as formas de organização do trabalho se relacionam com a saúde. diferentes perfis. Para entender este conceito de causalidade ou determinismo social é necessário antes de qualquer coisa. 3 . 1983). de alterações anatomofisiopatológicas que acarretam incômodos ou perda funcional.1 DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO-CONCEITUAL DO ESTUDO DAS RELAÇÕES ENTRE SAÚDE E TRABALHO. condições de moradia.135).do Trabalhador. verifica-se a natureza social e histórica do processo saúde-doença ao se analisarem os dados de morbimortalidade de uma população. A resposta que se dá comumente a estes incômodos ou alterações pelos serviços de saúde é o atendimento do indivíduo pelo médico. Para Laurell (1983. Segundo Laurell e Noriega (1989. A doença é demarcada essencialmente pelo aparecimento.136). A população que habita uma determinada região. que pode ser esperado não apenas no caso clínico individual. conseqüentemente. como parte das condições de saúde de uma população. emprego. 2. p. Este perfil. Esta forma de atenção à saúde Perfil de adoecimento ou morbidade: constitui-se pelo conjunto das patologias mais prevalentes e incidentes que determinado grupo humano apresenta em um dado momento da história (LAURELL. tem um perfil de adoecimento3 que pode ser compreendido em função de fatores como: faixa etária. como também. de forma geral. no indivíduo ou nos grupos humanos.

2004. os sintomas. O atendimento individual não oferece solução satisfatória para os graves problemas de saúde que acometem as populações. A natureza social da doença não se verifica no caso clínico.137). o que lhe possibilita poder estimar . isto é. mas no modo característico de adoecer e morrer dos grupos humanos (LAURELL. p. p. Para dar uma resposta ao modelo do atendimento clínico. A epidemiologia é a disciplina científica que se fundou na investigação não do “por que” e “como” o individuo desenvolveu uma patologia. as doenças não ocorrem por acaso. sendo limitado à realização do diagnóstico e ao tratamento. no reflexo deste sobre o corpo dos membros de um grupo humano que compartilham as mesmas condições de vida. são eventos entrelaçados com outros eventos que as precedem. daí haver certo esgotamento da medicina clínica como única resposta de atenção à saúde. mas sim em que característica difere a ocorrência de uma determinada doença entre grupos diferentes. Como os indicadores estatísticos não se manifestam no indivíduo. A epidemiologia pode ser definida como o estudo dos determinantes do processo saúde-doença em grupos populacionais (MEDRONHO. podendo ser identificados. A epidemiologia utiliza-se de um vasto arcabouço de métodos de pesquisa e o uso da estatística como ferramenta para análise das medidas de efeito e de associação entre as diversas variáveis envolvidas. reforça-se a teoria de que o “caso clínico” tem limitações e especificidades próprias. Ao associar a relação da doença do grupo humano à variação biológica individual é que a história social torna-se importante. Para a epidemiologia. na maioria dos casos. nas causas do processo.8). Portanto. p. estudados e sobre eles se criarem intervenções que poderão controlar o processo saúde-doença (MEDRONHO. a não ser para indicar se a pessoa é ou não portadora de determinadas características patológicas. no qual a doença é o ponto focal e a razão de ser do sistema de saúde. porque é ela que possibilita as condições de vida e a forma de exposição aos fatores de riscos que irão estabelecer as probabilidades das pessoas adoecerem de determinada forma. 2004. não interferindo.7). no processo saúdedoença. mas somente nos efeitos finais.caracteriza o paradigma médico-biológico. definidos como uma população. é necessário investigar como ocorre o processo de saúde-doença no coletivo. 1983.

aumento da perspectiva de vida das pessoas e a queda da taxa de mortalidade determinam um envelhecimento da população.290). 2003. A saúde seria a capacidade de enfrentamento do organismo das pessoas a situações adversas. 2003). entre outros aspectos. cuja transição demográfica é contemporânea ou retardada. mas um estado de completo bem-estar físico. Este conceito de saúde se liberta do vínculo da fisiopatologia e insere parâmetros de bem-estar social em um modelo que só é possível ser construído com a ampliação dos direitos dos seres humanos na sociedade. a Carta Constitucional de 1988 teve forte influência dos grupos da área da saúde que participavam da discussão e construção de novos conceitos sobre a saúde. como direito de cidadania e dever do Estado. da dinâmica de mudanças da composição da população ao longo do tempo. sendo influenciada de alguma forma pela vida social. p. No Brasil. em 1940 (SILVA JÚNIOR. em 2004 (IBGE.59 anos. organizado segundo as seguintes diretrizes: descentralização e mando único em cada esfera de governo. nutricionais e de qualidade de vida das populações. Fatores como a queda da fecundidade. fato relatado pela primeira vez em 1940 e que ficou conhecido como transição demográfica (VERMELHO & MONTEIRO.probabilidades de ocorrência de eventos e de analisar melhor os determinantes das doenças nas populações. para 2. atendimento integral e participação comunitária (MENDES. a expectativa de vida média subiu de 44. 2006) e a taxa de fecundidade passou de 2. mental e social. evidenciou-se um outro fenômeno: a transição epidemiológica. registrada em 1991. p. As conquistas da ciência médica e as melhorias nos padrões sanitários. Os padrões de saúde são conseqüências. aliada aos .9 anos. 2001.91). em 2000 (YAZAQUI. A saúde na Constituição é definida como resultante de políticas sociais e econômicas. como de relevância pública e cujas ações e serviços devem ser providos por um Sistema Único de Saúde. No Brasil.9 filhos por mulher em idade fértil.20. p. como parte da seguridade social. A Organização Mundial de Saúde – OMS a define não apenas como a ausência de doença. para 71.96). Simultaneamente à transição demográfica. 2004.

Segundo Facchini (1993). proprietário de uma fábrica têxtil inglesa. A Medicina do Trabalho é caracterizada por ser uma abordagem centrada no médico. por não intervir no processo de produção material e de desgaste dos trabalhadores. Quando surgiu. Todavia. No século XVIII. concomitantemente às primeiras legislações de proteção aos trabalhadores. como um dos fatores mais importantes na determinação do processo saúde-doença. oriundos da área rural ou de pequenas oficinas. Assim. utilizou como paradigma a inferência unicausal. registradas em seu livro De Morbis Artificum Diatriba. A revolução industrial. ao centrar sua ação no indivíduo. afirmando que somente . 2004. Estes trabalhadores. p. Robert Dernham. com cargas horárias desumanas acarretando grande incidência de acidentes e doenças (MENDES & DIAS. proporcionaram uma diminuição das doenças infecciosas e um aumento das doenças crônico-degenerativas nas taxas de morbimortalidade (VERMELHO & MONTEIRO. em 1830. Para não inviabilizar seu negócio. desde a antiguidade. 1991). sua eficácia ficou comprometida. necessitou do consumo da força de trabalho de grande contingente de trabalhadores. o primeiro serviço de saúde no interior das fábricas e a Medicina do Trabalho. colocou um médico para verificar o efeito do trabalho sobre a saúde de seus empregados e determinar meios que pudessem prevenir as doenças e diminuir o absenteísmo. eram submetidos a um ritmo de trabalho acelerado. após 150 anos de sua morte. surgiram novas concepções e abordagens sobre o processo saúde-doença. 1997). após a segunda guerra mundial. cujo procedimento estabelecia que para cada doença houvesse uma única causa ou agente etiológico (MINAYO-GOMES & THEDIM-COSTA. 1991).92). 1993). as condições de trabalho mudaram radicalmente e os problemas de saúde relacionados com o trabalho se tornaram mais evidentes. traduzido em nossa língua como As Doenças dos Trabalhadores (MENDES & DIAS. Nascia assim. O fato histórico que determinou uma radical mudança na forma de se organizar o trabalho e de alocação da força de trabalho foi denominada de revolução industrial. iniciada na Inglaterra no século XIX. As condições de trabalho são percebidas.avanços da medicina preventiva. o médico Bernardino Ramazzini (1633-1714) relacionou com precisão a origem de determinadas doenças em mais de 50 ocupações. Esta concepção foi conseqüência das descobertas da microbiologia que identificaram a origem das doenças infecciosas (FACCHINI.

principalmente nos Estados Unidos da América. através de exames médicos periódicos. que propôs intervir nos locais de trabalho. que acabam denunciando seu estado de saúde. onde a relação saúdetrabalho já há algum tempo estava sendo estudada. determinando os limites de tolerância à exposição a estes agentes. que relaciona o corpo do trabalhador com as condições físico-químicas presentes no ambiente de trabalho. no seio dos Serviços de Engenharia e Medicina do Trabalho – SESMT e de empresas prestadores de serviços de Medicina do Trabalho. são utilizadas as práticas dos dois modelos de saúde do trabalhador: o da Medicina do Trabalho e da Saúde Ocupacional. sua absorção pelo organismo humano e seus efeitos. Este modelo tem forte influência da Higiene Industrial. Já a Saúde Ocupacional é uma concepção utilizada por algumas grandes empresas . Todavia. periódicos e demissionais. A Saúde Ocupacional introduziu formas modernas de intervenção em saúde no trabalho ao indicar o controle dos riscos nos ambientes de trabalho através de ações técnicas. aumenta a importância das equipes multiprofissionais para o estudo da relação trabalho-saúde. No modelo multicausal. considerando as relações entre concentrações ambientais. ela abriu espaço para que este controle fosse prioritariamente feito pelo uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e pelo controle do tempo de exposição do trabalhador aos agentes ou fatores de risco. caso seja verificado que eles portem alguma alteração de saúde. realizando exames médicos admissionais. Na maioria das vezes este procedimento serve para resguardar os interesses das empresas.um fator de risco não explicava a ocorrência de determinadas doenças. Tiveram papel importante na discussão da Saúde Ocupacional as escolas de Saúde Pública. A Medicina do Trabalho atua ainda no interior das fábricas. Os trabalhadores têm pouca ou nenhuma participação no processo de controle e são sujeitos ao monitoramento biológico. que podem afastar os trabalhadores da função e demiti-los posteriormente ou não os contratarem. já que uma única disciplina não dá conta de todos os aspectos implicados neste processo. o que levou muitos pesquisadores a concluírem que o processo saúde-doença é a síntese de múltiplas determinações (modelo multicausal). a fim de controlar os riscos ambientais. por ocasião do exame admissional. Atualmente. Estes princípios foram os alicerces da concepção da Saúde Ocupacional. no Brasil.

e entidades de pesquisa. o avanço da Medicina Preventiva. Na área da Saúde Pública. 1991). atualmente. incorporando a prática da Medicina do Trabalho (MENDES & DIAS. Assim. A Saúde do Trabalhador tem como objeto de estudo o processo saúde-doença dos grupos humanos. executar ações de vigilância . desencadeou o questionamento do modelo médico tradicional. as tentativas de construção de um objeto de estudo. há um esforço para romper ou superar a lógica da exposição aos fatores de riscos presentes no ambiente de trabalho como as causas únicas do processo de adoecimento. o desafio que se apresenta neste campo é introduzir questões como: as crenças e idéias de mundo que unem o concreto ao imaterial. sendo consagrada no artigo 200 da constituição federal. as representações sociais. No bojo de lutas sociais que levaram à democratização política. que estabelece como uma das competências do Sistema Único de Saúde – SUS. ampliando o debate sobre o processo saúde-trabalho. Na América Latina. Nos estudos desenvolvidos pela Saúde do Trabalhador. A Saúde do Trabalhador tem sido discutida intensamente nos últimos 30 anos. sempre na perspectiva da apropriação destes métodos pela classe trabalhadora. de estabelecimento de uma prática e a consolidação de uma área que fosse abrangida pela questão da saúde no trabalho deram origem ao campo da Saúde do Trabalhador. ainda pretende apresentar alternativas que possam romper o processo de adoecimento. 1991). nas quais são desconsideradas a subjetividade dos trabalhadores articulada com o processo produtivo. da Medicina Social e da Saúde Pública. o salário enquanto forma de acesso ao mercado de consumo de bens e serviços. Além de objetivar a compreensão do “por que” e do “como” ocorrem as doenças e os acidentes do trabalho. a cultura no interior das organizações que estabelecem a hierarquia e o poder de mando e o lugar de cada um nessa sociedade urbanoindustrial. em sua relação com o trabalho (MENDES & DIAS. se constituindo como um dos temas importantes da Saúde Pública no Brasil. houve também melhoria na qualidade de vida e do acesso aos serviços de saúde. durante as décadas de 60 e 70 do século passado.

. esta competência foi regulamentada pela Lei 8. Posteriormente.080 de 1990 que dispôs sobre as condições para a promoção. A saúde dos trabalhadores só é compreendida quando são considerados todos os aspectos que condicionam as vidas destas pessoas. a promoção e a proteção à saúde dos trabalhadores. ligadas diretamente ao Conselho Nacional de Saúde. cuja execução poderá envolver áreas não ligadas diretamente ao âmbito do SUS. tecnológicos. bem como as de Saúde do Trabalhador (MINISTÉRIO DA SAÚDE. Esta complexidade torna a área de estudo da Saúde do Trabalhador um campo interdisciplinar. sejam sociais. A Saúde do Trabalhador é considerada uma atividade especial das Comissões Intersetoriais.sanitária e epidemiológica. a Saúde do Trabalhador ficou definida como: “um conjunto de atividades que se destinam através de ações de vigilância sanitária e epidemiológica garantir a promoção e a proteção à saúde dos trabalhadores bem como a recuperação e reabilitação dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho” (MINISTÉRIO DA SAÚDE. desta importante lei. Iniciativas de alguns órgãos governamentais indicam que as intervenções no processo saúde-trabalho-doença serão cada vez mais uma prioridade do governo que não pretende somente garantir os direitos universais de acesso à saúde e sim diminuir os custos sociais advindos do tratamento de acidentes e doenças bem como das aposentadorias e pensões precoces. 1990). 2001). a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes. segundo Nunes (2002). organizacionais e os fatores de riscos ocupacionais presentes no processo de produção. conjugar saberes para uma abordagem mais profunda desta questão. sendo responsáveis pela articulação das políticas e programas de interesse para a saúde. A Saúde do Trabalhador é hoje uma importante área da Saúde Pública que tem como objetivo o estudo. em que há a necessidade de. proteção e recuperação da saúde. parágrafo 3º. No artigo 5º.

A evolução da espécie humana já dura.2 O CARÁTER CENTRAL DO TRABALHO NA MEDIAÇÃO ENTRE CORPO-MENTE-PSIQUISMO. os processos biológicos. A raça humana deu um significativo avanço em sua evolução. de progredir em suas bases científicas. 2. o Ramapithecus (LEAKEY & LEWIN. construído cotidianamente ao longo de milênios da história de nossa espécie. O trabalho é um processo que ocorre entre o homem e a natureza. psicológicos e sociais de desgaste e o surgimento das doenças. 14). parece ter sido capaz de exercer alguma forma de previsão. podendo-se mesmo afirmar que a humanidade evoluiu por si mesma através do trabalho (MARX. quando surgiu a primeira criatura que poderíamos identificar como um hominídeo. CULTURA E SOCIEDADE. resistindo à tentação de partir a comida e comê-la onde estavam” (ROBERTS. a Saúde do Trabalhador precisa. Para que se possa vislumbrar o processo de adoecimento no trabalho. p. faz-se necessário apreender a complexidade da natureza humana já que o homem não é composto somente de músculos. tendões. 2001. 2003. para desvendar como ocorrem nos grupos de trabalhadores.Por outro lado. ele também é constituído por seu componente cognitivo e psíquico. Neste momento. órgãos ou de seu corpo físico. p. quando “o Australopithecus: embora de forma rudimentar e vaga. 211). 26). Os estudos antropológicos demarcam este período pelos vestígios do uso pelo homem de ferramentas rudimentares criadas por ele. 1982. teve início a pré-história: o homem conseguia refrear seus impulsos naturais imediatos a fim de garantir o suprimento futuro. Esta foi a primeira forma rudimentar de planejamento. como pedras lascadas. Esta relação do homem com o trabalho e seu grupo social foi o motor do aperfeiçoamento e especialização que lentamente moldou o corpo e a arquitetura cerebral de nossa espécie. . cada vez mais. segundo os antropólogos. machados de pedra e pontas de lanças que são os primeiros instrumentos de trabalho desenvolvidos pela inteligência humana. cerca de 12 milhões de anos. p.

Nos 2 milhões de anos seguintes não parou mais de evoluir, até chegar ao início de nossa civilização, demarcada, segundo os historiadores, pelo desenvolvimento da linguagem. No entanto, a história só começa a ser contada, com a invenção da escrita, há cerca de 5.500 anos, através de pedras ou blocos de argila encontrados na Mesopotâmia. O fato é que a forma como nossa mente vê o mundo não surgiu de repente, como um flash de luz, quando em nossa primeira infância nos demos conta de que estávamos no mundo. A espécie humana desenvolveu sua consciência do mundo de forma vagarosa, laboriosamente, em um processo que durou um tempo infindável, até alcançar o estágio civilizado (JUNG, 1980, p. 23). O homem possui características psicossociais que foram moldadas ao longo de sua história, enquanto espécie, junto ao grupo onde foi criado, na sua relação com os outros e desenvolve seu sistema próprio de crenças e ideologias, formando o que os sociólogos denominam de cultura. O homem, quando em grupo, desenvolve um conjunto de características que torna este coletivo de pessoas diferente de qualquer outro. Constrói formas de comunicação através da linguagem e códigos de reconhecimento grupal, seja na forma de rituais próprios, arte, símbolos, crenças ou idéias. Este conjunto de produtos culturais é recheado de significados que garantem o equilíbrio entre a estrutura mental e comportamental do ser humano. Hosfstede (1980, apud TAMAYO, 2004, p. 19), define cultura como a “programação coletiva da mente que diferencia os membros de um grupo humano de outros”. Esta programação individual ou coletiva se faz através de condicionamentos que se auto-reforçam no interior do grupo, seja através de condutas previamente aprovadas ou reforçadas no interior da família. Entre estes condicionamentos estão os significados das coisas e onde entra o lugar de cada um no mundo social, fundamentalmente o do trabalho. A criança é condicionada a ter como objetivo de vida a ocupação de um posto de trabalho na estrutura produtiva da sociedade, desde sua participação no interior da família. O estímulo constante ocorre seja na forma lúdica de brincar com ferramentas de trabalho ou de uma profissão, ou com o reforço constante de seus pais, através de questionamentos ou afirmações, como: “O que você vai ser quando crescer?” “Se você não estudar não vai ser ninguém na vida!” Assim, o trabalho e a ocupação tomam importância central na vida das pessoas e delineiam seu futuro na sociedade (MENDES, 1989).

O trabalho ou a ocupação de cada um na sociedade tem importância relevante na formação psíquica de cada indivíduo, seja pelo reconhecimento do grupo mais próximo, pelo sucesso almejado com recebimento do salário, o poder sustentar-se a si e a família e o de sentir-se útil para a coletividade. Na determinação da classe social, a vida e a morte dos seres humanos guardam relação com a posição que estes ocupam dentro dos arranjos sociais das classes fundamentais: capitalistas e trabalhadores. Ou ainda segundo Karl Marx.

[...] o trabalho, como criador de valores-de-uso, como trabalho útil, é indispensável à existência do homem – quaisquer que sejam as formas de sociedade -, é necessidade natural e eterna de efetivar o intercâmbio material entre o homem e a natureza e, portanto, de manter a vida humana (Marx, 2003, p. 64).

Em função disso, dessa relação central na vida das pessoas, o trabalho influi sobre a vida e morte dos seres humanos (BERLINGUER, 1983 apud FACCHINI, 1993, p.46).

2.3

A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E SAÚDE DO TRABALHADOR

O trabalho por si só não seria a fonte de mal-estar e adoecimento do homem, mas sim a forma como ele é organizado e condiciona o homem na sua execução (COHN & MARSIGLIA, 1994). Segundo a visão marxista, o trabalhador, quando vende sua força de trabalho, tem que se submeter ao controle do capitalista, a quem pertence seu trabalho (MARX, 2003, p. 219); assim, é durante a execução das atividades que a força da gerência capitalista fará este potencial transmutar a matéria prima em produto4, de acordo com a base técnica e das relações sociais que pode lançar mão. Segundo Braverman (1987), o princípio norteador da produção capitalista é a divisão do trabalho. Diferente da divisão das tarefas nas sociedades anteriores, onde basicamente a divisão do trabalho estava vinculada aos papéis do sexo ou da hierarquia do grupo, na sociedade capitalista é vinculada à fragmentação da tarefa

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Trabalho vivo, segundo Marx, apodera-se das coisas da natureza para transformá-las de valores de uso possíveis em valores de uso reais e efetivos (MARX, 2003, p. 217)

em componentes simples a fim de aumentar a produção e diminuir o custo dos salários. As bases teóricas desta forma de organizar o trabalho foram estudadas e teorizadas pelo engenheiro americano Frederick Winslow Taylor (1856-1915), cujos princípios ele divulgou com a publicação em 1911 de seu famoso livro Princípios de Administração Científica. O modelo de gestão da produção criado por Taylor estabelece a expropriação do saber operário (a concepção do como fazer é atributo da gerência e a execução ao trabalhador), a fragmentação do trabalho em etapas simples, cabendo ao trabalhador executá-la o mais rapidamente possível sem a necessidade de pensar; esse relativo ganho de produtividade é recompensado com um salário extra. Era o início do processo de organização do trabalho moderno, ou de exploração da força de trabalho em larga escala, que proporcionou um grande desenvolvimento da humanidade e da acumulação de riquezas. Todavia, o custo humano deste desenvolvimento foi feito também com sofrimento da classe trabalhadora e uma grande incidência de acidentes e de adoecimento, pois esta forma de organização do trabalho, além de alterar as condições ambientais encontradas na natureza, insere um ritmo imposto externamente e a repetitividade da tarefa, retirando do trabalhador o planejamento da execução que passa a ser realizado pela gerência. A gerência significa, de fato, o controle das formas de trabalhar, ainda incluíndo todo o processo produtivo, o que fazer e o como fazer, a da apropriação mais adequada do trabalho alienado – isto é, a força de trabalho comprada e vendida (BRAVERMAN, 1987, p. 86). O controle retirado do trabalhador e a fragmentação do trabalho tornam o produto coletivo, a mercadoria, como algo alheio e estranho ao produtor. Este estranhamento causa a desrealização do ser social, atingindo sua subjetividade (ANTUNES, 1998, p. 124). Os modelos de organização do trabalho com o objetivo de fazer o trabalhador ser mais produtivo vêm sendo desenvolvidos por vários teóricos e se transformado ao longo do tempo. Entre estes foi desenvolvido por Henri Ford em 1913, o sistema de produção em grande escala de produtos padronizados, baseado na esteira rolante, destinados ao mercado de massa (MONTEIRO&GOMES, 1998). Esta forma de produção, Fordismo, trouxe sérios impactos sobre a saúde dos trabalhadores,

certa autonomia. 2003. 42). Este modelo denominado de Toyotismo pressupõe a polivalência. doenças fisiológicas ou psicossomáticas. mental e psíquica do trabalhador. apud MONTEIRO&GOMES. Em 1940 surge na Inglaterra uma nova idéia de controle denominada de corrente sócio-técnica. que através de placas e senhas de comando controla a reposição de peças e estoque. que se baseia na formação de equipes de trabalhadores que executam cooperativamente as tarefas designadas. com vistas a melhorar a produtividade (ANTUNES. enfraquecendo a representação política dos de atingir as metas de produção (FLEURY. treinados e condicionados pela organização do trabalho (DEJOURS. após a desapropriação do know-how e desmantelada a livre organização do trabalho da classe operária. ocasionando o desequilíbrio entre as partes e favorecendo o aparecimento de doenças psicossomáticas. que objetiva o melhor aproveitamento possível do tempo de produção. acidentes e absenteísmo. o trabalhador perdeu sua capacidade de controlar a economia do corpo e manter sua saúde. Segundo Dejours. causa um desastre na estrutura físico. 54). São os denominados teamwork ou células de . podendo haver alternância de funções entre os membros. somente os corpos adestrados. p. sempre mínimos no toyotismo e os Círculos de Controle de Qualidade (CCQs). maior valorização do trabalho em grupo do que o individual e a inserção de novas formas de gerência como o just-in-time. com o compromisso produção.resultando em cansaço. O grupo tem assim. o sistema kanban. p. A organização do trabalho faz desaparecer a atividade intelectual do operário no seu trabalho o que. Este modelo embute também a terceirização e a flexibilização econômica das relações de trabalho e cria o sindicalismo de empresas. 1992. segundo Dejours. 1987. rotatividade de tarefas. Por esta forma de organizar a produção. p. não resta mais nada. Nas últimas décadas. o modelo de controle da produção desenvolvido pelos japoneses tem sido copiado pelo ocidente. em especial as inovações organizacionais desenvolvidas por Ohno Toyota. que busca uma gerência industrial mais eficiente em uma organização mais flexível baseada no fim da divisão do trabalho pela prescrição das tarefas e do relacionamento autoritário. constituídos por grupos de trabalhadores que são instigados pelo capital a discutir seu trabalho e desempenho. 54).

trabalhadores. O trabalho é realizado agora para satisfazer as necessidades de produção estabelecida pelo grupo ao qual o trabalhador está inserido. A terceirização tem sido responsável pela precarização das relações de trabalho, já que é uma estratégia para a redução de custos. Este modelo favorece o desaparecimento das empresas com muitos trabalhadores empregados que são pulverizados em centenas de milhares de empresas pequenas. As pequenas empresas vivem para prestar serviços para as empresas líderes ou montadoras, sendo obrigadas a reduzir o custo da produção através do aumento da produção, com o conseqüente aumento da densidade do trabalho. Nestes novos tempos de globalização do trabalho e da produção, os capitalistas têm utilizado o que é denominado de reengenharia, como forma de reestruturar os processos empresariais, para o realinhamento dos custos operacionais e o enfrentamento da concorrência de produtos vindos do Japão e dos países denominados de tigres asiáticos, com a China surgindo mais recentemente. Apesar de pequenas diferenças o objetivo é sempre fazer a habituação do trabalhador de forma a aumentar a produção. Seja sob qual denominação que se encontre o modelo de gestão da produção, em sua essência, encontraremos lá os fundamentos do taylorismo e do fordismo, que sobrevivem ainda no seio das empresas, como forma de apropriação da capacidade dos trabalhadores produzirem a riqueza.

2.4

AVALIAÇÃO DAS CONDIÇOES DE TRABALHO COM A SAÚDE: RISCOS, CARGAS DE TRABALHO E DESGASTE.

O marco teórico para a compreensão da relação saúde-trabalho tem sido bastante desenvolvido nos últimos 35 anos, tomando-se como base a análise das cargas presentes no ambiente de trabalho como um todo complexo, cuja interação entre as partes se dá de forma processual, imprimindo-lhe uma qualidade específica (ASMUS&FERREIRA, 2004, p. 393). Estas cargas de trabalho se constituem em fatores de riscos que podem provocar acidentes e adoecimento, pois são elas

responsáveis por desgastar o corpo, a mente e as capacidades vitais dos trabalhadores (FACCHINI, 1993, LAURELL&NORIEGA, 1989). Sem o objetivo de levantar historicamente em detalhes ou de revisar criticamente os diferentes métodos empíricos de estudo dos fatores ou circunstâncias de riscos nos ambiente de trabalho, abordamos a seguir alguns modelos conceituais utilizados por vários autores e pela legislação brasileira. Inicialmente, no inicio dos anos 70, as causas dos acidentes e doenças foram definidas pela Engenharia de Segurança do Trabalho, através de conceitos que sobrevivem até hoje na NR-1 – Disposições gerais. São elas: a) “condições inseguras”, representadas por falhas em equipamentos, ferramentas defeituosas, arranjo físico deficiente, treinamentos inadequados ou inexistentes e a presença de agentes químicos, físicos ou biológicos no ambiente de trabalho5, com o potencial de provocar lesões ou enfermidades; b) “atos inseguros”, cometidos pelos trabalhadores ao burlarem as normas de segurança (TRIVELATO, 1998). Posteriormente, a Medicina do Trabalho se apropriou da categoria “risco” a fim de identificar os elementos nocivos presentes no ambiente de trabalho que podem, por suas características, causar danos à saúde dos trabalhadores, mas de uma forma isolada no esquema monocausal (LAURELL&NORIEGA, 1989, p. 109) A Higiene do Trabalho, que também utiliza o conceito de risco, desenvolveu a técnica de avaliação de risco e dos níveis seguros de exposição. O modelo de avaliação tem como etapas: a) Identificação do perigo; b) Avaliação de doseresposta; c) Avaliação da Exposição e d) Caracterização do risco. A higiene industrial estabeleceu os Limites de Tolerância (LT) de concentrações e do tempo de exposição do trabalhador aos agentes ambientais e reconheceu o papel sinérgico destes agentes entre si, levando em consideração as características genéticas dos indivíduos e com a forma em que o trabalho é realizado. Apesar deste avanço, sua abordagem ainda é a de causa e efeito num viés monocausal.

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Ambiente de Trabalho é definido, de acordo com Oddone (1986), como o conjunto de todas as condições de vida no local de Trabalho, abrangendo: características do local: dimensões, iluminamento, aeração, rumoriosidade, presença de poeira, gases ou vapores, fumaça, etc, além de elementos da atividade (tipo de trabalho, posição do operário, ritmo, ocupação do tempo, horário de trabalho, turnos, alienação, valorização intelectual e profissional).

A área da saúde, através da epidemiologia, introduziu o conceito de risco, agora sob a teoria do modelo multicausal, defendendo a necessidade da presença simultânea de vários fatores de risco para que se possa explicar a produção do adoecimento de uma determinada população. Segundo Trivellato (1988), o risco representa a possibilidade de um efeito adverso ou dano ou a incerteza da ocorrência, distribuição no tempo ou magnitude de resultado adverso. A epidemiologia introduziu também o conceito de “fator de risco” como sendo todas as variáveis presentes no ambiente de trabalho com o potencial de ao interagir com o corpo do trabalhador, causar um dano à saúde. Os fatores de risco, por suas características e especificidades, podem ser classificados de várias formas, havendo algumas variações de um modelo para outro. No Brasil, utiliza-se uma classificação que surgiu da NR-9 (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA) e posteriormente foi inserida na NR-5 (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA), que estabelece a obrigatoriedade dos componentes desta comissão fazerem o mapeamento dos riscos em todos os ambientes de trabalho da empresa, avaliando seu potencial de causar danos, na seguinte graduação: pequeno, médio ou grande. Este mapa de risco deve ser fixado de forma visível nos locais de trabalho e discutido com todos os trabalhadores a fim de que eles participem da gestão da segurança e saúde no trabalho. Por esta norma, os fatores de risco são classificados em: Riscos Ambientais (físicos, químicos e biológicos), Riscos de Acidentes e Riscos Ergonômicos. Sua definição pode ser mais bem compreendida de acordo com a exposição abaixo: Riscos físicos: São as diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, bem como o infra-som e o ultra-som. Riscos Químicos: São as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão.

fraturas. fisiológica e psíquica do homem. protozoários. entre outros. nos anos 60. como: as bactérias. fungos. máquinas sem proteção. enfim. bacilos. já que a ergonomia por sua definição é um campo muito vasto e de caráter interdisciplinar. e abarca em sua abordagem.391 e CÂMARA. foi mudado para risco de acidentes. pressões excessivas da organização da produção. O mapa de riscos foi trazido para nossa legislação a partir da experiência dos sindicatos italianos. Segundo a Norma Regulamentadora 17. vírus. a falta de sinalização. chamado de Modelo Operário Italiano. trabalho com equipamentos energizados. parasitas. esmagamento.475) o restringe somente à natureza anatômica. entre outros e se torna pouco representativo para situações de risco com eletricidade. que podem levar o trabalhador à infecção ou ao parasitismo. 2005). 2004. Desta forma. a utilização deste conceito pela NR-5 e por vários autores (ASMUS&FERREIRA. que foi formulado por trabalhadores e profissionais em Turim. ou que trazem constrangimento (contrainte) ao psiquismo do trabalhador. Este modelo foi o sustentáculo . picadas de animais peçonhentos. foi classificado como risco mecânico e. Por esta definição a ergonomia pretende estudar o trabalho como um todo a fim de estabelecer uma intervenção que possa melhorar a situação de trabalho. insegurança e baixo desempenho. uso inadequado de ferramentas.17. item 17. a desvalorização intelectual. a ergonomia procura adaptar todas as condições de trabalho que podem entrar em conflito com as características psicobiológicas do homem causando-lhe desconforto. porque o termo mecânico parece estar mais relacionado a acidentes com lesões no corpo que provoquem corte. inclusive os riscos ambientais e de acidentes. presença de animais peçonhentos. O termo ergonômico é utilizado de forma inadequada.Riscos Biológicos: São os microorganismos. entre outros. os aspectos que os ergonomistas denominam de relação homem-máquina. uso excessivo dos músculos e tendões. posteriormente. Inicialmente. p. daí a mudança de denominação. manutenção inadequada de equipamentos. Riscos Ergonômicos: São os fatores de risco que podem trazer: desconforto anatômico e fisiológico.1 (ATLAS. Riscos de Acidentes: São todas as situações ou condições inadequadas no ambiente de trabalho que podem ser causa de acidentes com lesões nos trabalhadores como: piso de trabalho escorregadio. queimaduras. 2003. p.

segundo suas características (ODDONE. Hoje. gases.21-24): 1º Grupo: São os fatores que existem na natureza e que são alterados no ambiente de trabalho. umidade e radiações.da luta dos trabalhadores por melhores condições de saúde e tem 4 conceitos principais: o grupo homogêneo. temperatura. ventilação. 3º Grupo: Está relacionado ao trabalho físico do corpo do trabalhador. utilizam algumas variações em suas denominações e classificação como o utilizado por Trivellato (1998). Todavia. névoas. monotonia. principalmente pelo recorte da gestão de riscos. O Modelo Operário Italiano estabelece em suas bases que os trabalhadores não podem delegar aos técnicos a definição dos padrões sanitários do ambiente de trabalho. vibração. responsabilidade. seus conceitos principais continuam sendo utilizados na confecção dos Programas de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e nos estudos dos ambientes de trabalho. trabalho em turnos e noturno. ruído. A experiência brasileira com os mapas de riscos não foi positiva. Por este modelo os riscos são classificados em 4 grupos. a não-delegação e a validação consensual. em que o consumo de calorias e seus possíveis efeitos nocivos se relacionam com a fadiga. como: luz. tornando-se assim um modelo de construção do conhecimento operário sobre as condições de trabalho. vapores e fumaças. a valorização da experiência ou subjetividade operária. p. 4º Grupo: Os fatores classificados neste grupo estão relacionados à forma como é organizada a produção. 1986. posições incômodas. 2º Grupo: São constituídos por fatores que surgem pelo consumo das matérias primas no processo de produção. como: ritmos excessivos. Outros autores que estudam os fatores de riscos. repetitividade. perdeu sua importância devido ao desvirtuamento de sua confecção e utilização pelos trabalhadores como forma de gestão do meio ambiente de trabalho. que os classifica como: . que o grupo de trabalhadores expostos de forma homogênea às mesmas condições de trabalho e com laços de união entre si valide os conhecimentos operários sobre os fatores de riscos consensualmente. como: poeiras.

biológicas. Neste modelo. Esta categoria de análise busca compreender o processo de trabalho e os fatores que interatuam dinamicamente entre si e no corpo do trabalhador. fisiológicas e psíquicas. etc. b) Situacional ou de acidentes: situações inadequadas relacionadas às instalações. mecânicas. As cargas externas.Físicos: radiação. . biológicas e mecânicas têm materialidade externa ao corpo e podem ser avaliadas quantitativamente. químicas. Baseados na concepção da determinação social do processo saúde-doença desenvolvido por Laurell e Noriega (1989). como a sudorese e alterações hormonais. vibração. adquirirão uma materialidade interna pelas transformações que causam nos processos intracorporais mais complexos. bactérias. 1989.a) Ambientais: . névoas. Segundo Laurell e Noriega (1989). ao interatuarem sobre o corpo do trabalhador. assim. as cargas físicas. por outro lado. propondo outra categoria de análise denominada “carga de trabalho”. que manifestará queixas ou patologias. criticam estes modelos de identificação de risco por considerar que todos reduzem o risco ao ser caráter ambiental externo e analisam os fatores de forma isolada. pág.Químicos: substância química. etc. também. as cargas de trabalho de acordo com suas especificidades são classificadas como: físicas. as cargas fisiológicas e psíquicas somente têm materialidade interna e são expressas pelo trabalhador. c) Humano ou comportamental: decorrentes da ação ou omissão. ruído. o processo de desgaste. em seu estudo clássico sobre as condições de trabalho na principal siderúrgica mexicana. equipamentos. químicas. que pode ser verificado com a perda da capacidade potencial e efetiva corporal e psíquica do trabalhador (LAURELL&NORIEGA. gases. Consideram o conceito de risco limitado e insuficiente para a caracterização do desgaste do trabalhador. independentemente do trabalhador. . poeiras. gerando. Como exemplo. ferramentas. vírus.Biológicos: microorganismos como fungos. o calor presente no ambiente de trabalho se expressa através dos mecanismos de termo-regulação. constituindo mudanças que podem ser . fumos metálicos. 110). materiais e operações a serem realizadas. sendo responsáveis pela adaptação do corpo do trabalhador a estas condições.

Facchini (1993. radiações e vibrações. Por exemplo. supervisão com pressão. bactérias e fungos. b) Cargas químicas: poeira. Resumindo este conceito ou categoria de análise. p. adquirindo materialidade nos processo psíquicos e corporais. As cargas psíquicas. se expressando na fisiologia com mudanças nos corticosteróides (LAURELL&NORIEGA. fragmentação do trabalho que resulta em monotonia e repetitividade. desqualificação do trabalho. posição incomoda. só têm existência na relação dos homens com os outros homens e com as coisas. calor. etc. . separação entre a concepção e execução. fumaças. etc. o trabalho com substâncias perigosas.112).39) define estas cargas de trabalho como as demandas ou exigências psicobiológicas do processo de trabalho. vapores. umidade. alternância de turnos de trabalho e os ritmos excessivos são exemplos. como o trabalho em altura. as escadas sem proteção. fibras. gerando ao longo do tempo as particularidades de desgaste do trabalhador. feridas. Subcarga psíquica: perda de controle do trabalho pela subordinação à máquina. os pisos escorregadios. pressão atmosférica. fumos metálicos. sendo divididas em dois subgrupos: Sobrecarga psíquica: atenção permanente. a dependendo do tempo de exposição dos trabalhadores a estas condições. líquidos.). e) Cargas fisiológicas: relacionadas ao dispêndio de energia e desgaste no interior do corpo humano: esforço físico pesado. As cargas de trabalho podem ser identificadas e classificadas como: a) Cargas físicas: ruído. segundo Laurell e Noriega. consciência da periculosidade dos trabalhos.temporárias ou não. p. etc. alto ritmo de produção. a monotonia e a repetitividade podem causar a hipotrofia do pensamento e da criatividade humana. f) Cargas Psíquicas: relacionadas com manifestações somáticas. etc. 1989. d) Cargas mecânicas: condições do ambiente de trabalho responsáveis pelos acidentes que causam lesões instantâneas no corpo do trabalhador (contusões. fraturas. c) Cargas biológicas: presença de microorganismos: vírus.

um trabalhador realizando um trabalho pesado. 180). em primeiro lugar por questões epistemológicas e. entre os elementos do processo de trabalho.A associação do desgaste com a reprodução determina a constituição de formas históricas biopsíquicas que são características e que determinarão o aparecimento de uma série de enfermidades particulares. podem haver situações de atenuação. 1993. ao processo de trabalho. as cargas de trabalho só podem ser entendidas como articuladas no processo de trabalho e que interagem com as demais cargas. pela incapacidade deste modelo conseguir substituir o conceito de risco como ferramenta conceitual para expressar o caráter coletivo do processo saúde-enfermidade. em segundo lugar. p. o modelo teórico da determinação social da doença reduz a complexidade social a uma única dimensão. No entanto. tendo significado e valorização do trabalho. Facchini. proposto por Laurell e Noriega. 182) Como as cargas de trabalho interagem de forma bastante complexa para cada ramo produtivo e para cada processo de trabalho. decorrentes do que se denomina de sinergismo. é possível identificar um perfil de cargas de trabalho que conformam um determinado padrão de desgaste operário (FACCHINI. mas sim. Outra questão que podemos levantar é o conceito de materialidade externa e interna que não traz benefício ao entendimento sobre a exposição do trabalhador às cargas . 1993. e por isso não se tornam amortecedores das cargas psíquicas somatizantes. acrescenta. Nesta análise. Por exemplo. que são compensadas pelo fato da atividade permitir a tomada de decisões. que não corresponde à sua simples somatória. aponta que não há uma hierarquia entre as diferentes cargas. isto é. in BUSCHINELLI. potencializando seus efeitos. em um local mal ventilado e em uma posição incômoda. p. in BUSCHINELLI. mas valores maiores. Em terceiro lugar. Por outro lado. sendo que são a organização e a divisão do trabalho no interior das empresas que ocupam a hierarquia superior em termos de controle e consumo da força de trabalho (FACHINI. irá ter um desgaste derivado de cada um deles. denominada por Laurell (1989) como o perfil patológico de um grupo social. como no exemplo onde o trabalhador mantém alto ritmo de produção e situações de desconforto. Almeida Filho (2004) critica o modelo de determinação social do processo saúdedoença tendo o trabalho como causa central.

por exemplo. 1987. por que as cargas externas só têm relevância no momento da interatuação com o corpo do trabalhador. retiram do trabalhador o planejamento do trabalho. a questão dos mobiliários inadequados que não dispõem de regulagens ergonômicas que permitam uma postura mais adequada. os trabalhadores perdem o controle sobre o trabalho com o desenvolvimento da maquinaria. Primeiro. dada às transformações no mundo do trabalho. causando até mesmo certa confusão. robotizando seus movimentos e sua criatividade. pelo atrito entre os tecidos musculares e os tendões. como o gasto calórico. que em sua maioria também têm materialidade externa e podem ser analisados pelos técnicos ou pelos trabalhadores. Toyotismo. não do domínio.de trabalho. o trabalhador exposto e sua vida em um mundo social que está sempre reforçando sua condição de ser produtivo. 169) . mas de desamparo.]desta maneira vem a ser não uma fonte de liberdade.. O fato é que. Alguns estudos têm demonstrado que no momento atual. concepção próxima da execução. em particular nas indústrias de alta tecnologia. e não do alargamento do horizonte do trabalho. antes de se materializarem em desgaste no corpo. o modelo da determinação social trouxe algo de novo que é enxergar além das cargas de trabalho e não somente por elas. que [. nas indústrias de produção em massa. em especial as fisiológicas. em segundo lugar. antes. a partir da revolução industrial no século XIX e das modernas técnicas de administração da produção (Taylorismo.. p. a aproximação entre as funções de pensar e de executar. as cargas internas. a ausência de pausas. problemas que têm repercutido na saúde dos trabalhadores como causa da maioria das doenças crônico-degenerativas. ou pela postura incômoda necessária para a realização da atividade e não analisa. a própria organização da produção. entre outros). rotatividade de funções. no qual a máquina aparece como a encarnação da ciência e o trabalhador como pouco ou nada (BRAVERMAN. As mudanças na forma de organizar o trabalho. Apesar destas críticas. Fordismo. só são analisadas pelo aspecto do esforço do trabalhador em realizar o trabalho. mas do confinamento do trabalhador dentro de um círculo espesso de deveres servis. há um retorno de atividades de planejamento para o domínio dos trabalhadores ou. mas de escravização.

como: o 13o salário. é importante considerar que o capitalismo tem ganhado força e ampliado suas formas de apropriação das riquezas produzidas pelo mundo do trabalho. Entre estas práticas está a flexibilização da produção.Atualmente. Daí se estabelece que as relações e o processo de trabalho são os fatores mais importantes na determinação social das doenças. férias. da sua gestão e as relações de emprego que se deterioram à medida que passam a serem entendidas como a possibilidade de se contratar trabalhadores sem os ônus advindos da legislação do trabalho. direitos e garantias mínimas. assim. 2003). ao longo das últimas quatro décadas. a qual consolidou. Como parte das cargas psíquicas do dia-a-dia dos trabalhadores está o fantasma do desemprego. entre outros (ASSUNÇÃO. expresso pelas freqüências elevadas de distúrbios à saúde dos trabalhadores. Configura-se. principalmente para algumas categorias de trabalhadores. FGTS. além de todos os fatores de riscos já citados. . a hipótese deste estudo de que as relações de trabalho e as formas de organização de trabalho encontradas nas indústrias do setor de vestuário de Colatina determinam um conjunto de cargas de trabalho que repercutirão em desgaste.

81) . O estudo e a pesquisa sobre as relações entre o perfil de saúde e de riscos e as alterações de saúde verificadas. Os estudos transversais. as entrevistas coletivas e o estudo dos locais de trabalho. o reflexo do funcionamento do sistema de cuidados médicos. são utilizados largamente em todo o mundo e têm reconhecido poder de revelar o estado de saúde e doença da população (CAMPOS. a morbidade objetiva pretende ser uma medida de prevalência real dos fenômenos mórbidos em uma população. (GOMES&TANAKA. portanto. meio ambiente. existem várias formas de se obter a morbidade de uma população. comportamento na vida diária. p. a morbidade diagnosticada é. p.. o objeto de estudo da saúde do trabalhador é complexo e multifacetário. consumo. pois se pretende apreender a totalidade das interações do homem com o ambiente de trabalho que participam do processo saúde-doença. a morbidade comportamental reflete as implicações sócio-econômicas dos problemas de saúde bem como as atitudes e reações em face desses problemas.) a morbidade sentida permite principalmente abordar a noção de necessidade e. ao nível da: produção.3 METODOLOGIA Segundo Rigoto (1993. hábitos de vida. 1982. 1993). De acordo com Gomes e Tanaka (1982). por fim. denominados também na década de 1970 como inquéritos de saúde. O resultado quantitativo que se quer alcançar nestes estudos é uma estimativa da medida de prevalência de alterações à saúde. antes de tudo. (. Estas informações são colhidas através dos seguintes instrumentos: a entrevista com o trabalhador. Segundo esta autora.. em função das normas estabelecidas pelo estado dos conhecimentos médicos. a investigação da relação entre a saúde e o trabalho compõese de três elementos: Levantamento e análise do perfil de saúde e dos riscos a que esteja exposto o trabalhador ou o grupo de trabalhadores. Detecção e avaliação das alterações de saúde precoces ou manifestas. de demanda em face do sistema de saúde.159). que estão ocorrendo no corpo do trabalhador ou do grupo de trabalhadores.

que intermediavam a venda. pode-se determinar o perfil de saúde dessa população de trabalhadores. com produção de poucas peças que se destinavam ao mercado local. que o grupo de trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES sentiram nos últimos 15 dias anteriores à coleta de dados. ocasião em que houve grande incremento do número de indústrias. A indústria do vestuário surgiu no município de Colatina entre as décadas de 60 e 70 do século XX. serão indicadores da morbidade.1 A INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA. a mente e o psiquismo dos trabalhadores que podem. individualmente ou de forma sinérgica. Nos ambientes de trabalho são encontrados inúmeros fatores que entram em contato com o corpo.Para estes autores. desencadear o processo de adoecimento. da associação entre eles e das demandas da atividade exercida pelo conjunto de operários que atuam em um determinado setor produtivo. Através da identificação das queixas de saúde. dos agentes de risco a que são expostos. A detecção precoce dos sinais que possam caracterizar ou indicar a instalação das patologias é importante para a avaliação da eficácia dos controles dos agentes agressivos implantados pelas empresas e se os limites de tolerância adotados são compatíveis com a variabilidade das suscetibilidades dos trabalhadores. possuíam acabamento quase artesanal e eram vendidas de porta-em-porta pelas denominadas “sacoleiras”. podendo-se inclusive consultar os prontuários médicos das Unidades Básicas de Saúde. No caso deste estudo. Colatina consolidou seu pólo de indústria do vestuário a partir de 1990. Inicialmente como fábricas familiares que utilizavam poucos trabalhadores. 3. as queixas de saúde. Segundo o sócio proprietário e fundador de uma das indústrias de confecções pioneiras no município. investimento em tecnologia de ponta com a aquisição de máquinas modernas. melhoria das áreas físicas das empresas com a reforma e ampliação das instalações e a construção de novas e . a prevalência de morbidade referida tem sido confirmada como um indicador altamente confiável das condições de saúde populacional e com alta capacidade de revelar desigualdades entre grupos.

Confecções de roupas profissionais 18. ou seja.223 trabalhadores (IBGE. demonstra uma grande concentração nas empresas com até 4 empregados. da seguinte forma: 18 .062 empresas do ramo de vestuário ocupando 563. A indústria do vestuário é identificada pela Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE. visando garantir uma maior homogeneidade dos processos de trabalho estudados.13-9 .Fabricação de acessórios do vestuário e de segurança profissional 18.Fabricação de acessórios para segurança industrial e pessoal.ibge.21-0 .modernas fábricas. O perfil destas empresas.145 trabalhadores. em 2003.Confecção de artigos do vestuário e acessórios 18.Confecção de peças interiores do vestuário 18.sidra.1 .gov. por faixa de pessoal ocupado total.12-0 . Este estudo abarcou apenas as empresas classificadas no CNAE 18. aliado ao incremento na capacitação da mão-de-obra pelas empresas.Confecções de Artigos do Vestuário e Acessórios 18.Fabricação de acessórios do vestuário 18. . em boa parte financiada pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo .22-8 . No Brasil. sendo 1.662 empresas no Estado do Espírito Santo ocupando 16.11-1 .9).asp. fato que ocorre no setor devido a terceirização e para que estas empresas não percam os incentivos fiscais. existiam 75.br/bda/tabela/protabl.1 (18.11-1. veja Tabela 1. as empresas de confecção de artigos do vestuário e acessórios. em parte. acessado em 02/12/2005).BANDES e por instituições como o SEBRAE. htpp://www. o que explica.13.Confecção de outras peças do vestuário 18.12-0. o avanço da produção em milhares de peças por dia e a conquista do mercado nacional e internacional.2 . 18. As empresas também desenvolveram técnicas próprias e criaram moda. e 18.

Constando neste cadastro em 31 de dezembro de 2004.278 81 1.342 trabalhadores contratados pelo regime da Consolidação das Leis Trabalhistas .110 201 154 Fonte: IBGE/2005. TABELA 2: Nº DE EMPRESAS E EMPREGADOS POR CNAE .2004 CNAE 1811-2 1812-0 1813-9 1821-0 TOTAL Fonte: RAIS/MTE Nº EMPRESAS 19 160 4 1 184 Nº TRABALHADORES 265 4037 38 2 4342 . 2004.249 250 – 499 2. POR FAIXAS DE PESSOAL EMPREGADO. Faixas de pessoal empregado Região 0-4 Brasil ES 5 – 9 10 – 19 20 – 29 30 – 49 50 – 99 100 .723 54 1.010 39 416 19 76 4 54. conforme a tabela 2.RAIS. no CNAE de nosso estudo 184 empresas que informaram a existência de 4.TABELA 1: NÚMERO DE EMPRESAS DO SETOR DO VESTUÁRIO.076 1.638 8.CLT.798 6. Dados mais recentes sobre o universo de empresas deste setor existentes no município de Colatina no ano de 2004 foram obtidos no cadastrado na Relação Anual de Informações Sociais . NO BRASIL E NO ESPÍRITO SANTO. do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE.

vibração. 4Organização do Trabalho onde se verifica como ocorre a divisão das tarefas (concepção e execução).Relação com o meio ambiente: como se dá a disposição de todos os resíduos sólidos e líquidos do processo de produção e qual é sua influência no ecossistema do entorno da fábrica. ferramentas. 5. a presença de microorganismos que possam ser fonte de contaminação e as situações que podem provocar acidentes.Descrição das condições ambientais de trabalho: onde se estuda se no meio ambiente de trabalho existem elementos que possam ser agentes nocivos para os trabalhadores como os aerodispersóides (poeiras. equipamentos.Identificação das empresas do ramo de atividade.Aspectos históricos sobre como as empresas surgiram e o contexto sócio-econômico e como se organizam as representações de classe dos trabalhadores. importância econômica na região em que estão instaladas e o número de trabalhadores contratados direta e indiretamente. 6. matérias-primas utilizadas. rodízios de funções). 2. 7. produtividade. os mecanismos de controle da produção (ritmos.2 ESTUDO DAS CARGAS DE TRABALHO NAS INDÚSTRIAS DO VESTUÁRIO DE COLATINA.3. 3. conforto e higiene (banheiros.162). .Instalações da empresa: onde o espaço físico do local de trabalho é analisado no aspecto de divisão espacial (layout). recomenda que as informações necessárias a serem obtidas devam abarcar os seguintes aspectos: 1. a jornada de trabalho (turnos. Portanto. vestiários. etc. o mobiliário. os meios de produção (máquinas. etc. gases e vapores).).) e o fluxograma da produção. radiações. Para realizar estudos sobre o processo de trabalho Rigotto (1993. autonomia). tornou-se necessário conhecer os principais fatores de risco encontrados neste tipo de indústria que poderiam constituir cargas de trabalho para estes trabalhadores. incluída aí uma análise da gestão destes fatores de risco. Para os propósitos deste estudo foram utilizadas as recomendações de Rigotto.O processo de produção onde se verificará o volume da produção. ventilação. salário e a relação com os sindicatos das categorias. bebedouros. horasextras. áreas de lazer. refeitórios. fumos metálicos. aspectos de estabilidade no emprego. iluminação. a presença de energias como o ruído. p. tempo para pausas. considerando-se o fato do objeto de estudo ser o conjunto dos trabalhadores do setor do vestuário e não uma empresa específica.

por similaridade. Foram realizados por setor.Para realizar esta etapa do estudo foi necessário realizar visitas aos locais de trabalho para observar in loco as formas de organização da produção e registrar em documento de campo (Anexo D) quais os principais fatores de risco à saúde dos trabalhadores que estão presentes no processo de trabalho da indústria do vestuário em Colatina. principais mercados consumidores e o desenvolvimento da mão-deobra. ocorreram no período de 15 de janeiro a 15 de fevereiro de 2006. cujo objetivo foi identificar a presença de fatores de riscos que podem representar fontes de desgaste dos operários e contribuir para a formação do perfil de adoecimento. As visitas de campo. Não foram realizadas avaliações quantitativas dos fatores de riscos e nem de sua capacidade de causar danos aos trabalhadores. os fatores de risco foram agrupados de acordo com a concepção do modelo da determinação social da doença de Laurell e Noriega. que utiliza a categoria carga de trabalho. com este objetivo. rotatividade e quando aparecem os primeiros sinais de adoecimento e desgaste nos trabalhadores. mas um levantamento qualitativo preliminar. Foram entrevistados também encarregados de produção sobre: aonde aprenderam a gerenciar a produção. aplicados nas situações que ocorrem na fabricação de camisas de malha ou de roupas íntimas. como capacitaram a mão-de-obra. que possui maior número de atividades e de situações de risco podendo ser. entre outros tipos de peças de roupa. época de consolidação do pólo industrial. Este trabalho foi realizado em quatro empresas do município de forma a observar todas as etapas de fabricação de duas empresas que costuram jeans e que dominam todo o processo de fabricação das calças e duas que fazem facção e costura roupas de menor qualidade. Durante este trabalho foram realizadas também entrevistas informais com diretores e pessoas ligadas a este ramo industrial que participaram do seu desenvolvimento no município de Colatina. com o propósito de se obter informações sobre os seguintes fatos: como surgiram as primeiras indústrias no município. Este recorte do complexo ambiente de trabalho do setor abrange somente a estrutura técnica da produção da calça jeans. as observações . Neste levantamento. O estudo das cargas de trabalho não é um levantamento exaustivo para cada função existente no processo produtivo da indústria do vestuário. suas características principais.

Isto significa que a coleta de dados dos indivíduos da amostra se dá no prazo mais curto possível em uma única visita.1 Sujeitos da Pesquisa e Amostra Os sujeitos da pesquisa foram trabalhadores associados ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário – SINTVEST. Salienta-se que esta amostra de empresas não teve finalidade estatística. característica do estudo epidemiológico de observação direta de determinada quantidade planejada de indivíduos em uma única oportunidade (MEDRONHO. 3.das atividades dos trabalhadores sendo registradas as fontes de risco. 3. tendo ainda como vantagem o baixo custo e a rapidez em sua execução. p.125). 2004. já que o objetivo era trabalhar com segmentos da cadeia produtiva que expressassem os diferentes tipos de atividades exercidas pelos trabalhadores. como se fosse uma fotografia daquele momento estudado. com filmagem e registro fotográfico para análise posterior. em uma determinada população e em um dado momento (COSTA&KALE. já que a lógica da análise é como se todos os dados tivessem sido colhidos em um único instante. p. O levantamento das condições de trabalho e saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina foi realizado através de um estudo com delineamento seccional ou transversal. privilegiando os aspectos qualitativos da realidade.3 LEVANTAMENTO DE CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA. A amostra entrevistada foi retirada da listagem fornecida pelas empresas do setor do vestuário de Colatina ao Prevalência é definida como a freqüência de casos existentes de uma determinada doença (morbidade). 2004. 26) 6 .3. O delineamento transversal é o método de escolha para estudos com a finalidade de estimar prevalências6.

confirmadas pela contribuição mensal em agosto de 2005. Dessa forma. Estes dados foram confirmados pelo Ministério do Trabalho e Emprego em consulta a RAIS. Para garantir que a amostra fosse a mais homogênea possível. onde foram cadastradas 184 empresas com confirmação de 4. totalizando cerca de 95% dos trabalhadores com registro.SINTVEST. como os das lavanderias. o de pequenas fábricas de facção que realizam pequenos serviços para as empresas maiores. . utilizou-se o software estatístico Statistical Analysis Software . contra uma proporção aceitável de até 60% (p=0. que estão em dia com suas contribuições. pela dificuldade de sua localização. considerando-se os seguintes parâmetros: Nível de confiança da amostra de 95% (z=1. Em agosto de 2005. Foram retirados também todos os trabalhadores informais e os trabalhadores sem endereço conhecido. Para determinar o tamanho mínimo da amostra necessário ao estudo. havendo entre eles alguns informais.SAS e o procedimento proc power (CHERNICK&LIU.60).96). que irá fornecer o tamanho máximo da amostra. método conservador. sendo eliminados da amostra os trabalhadores das destas últimas. Os dados acima indicam um alto índice de sindicalização entre os trabalhadores da indústria do vestuário.64). segundo o SINTVEST. o universo de trabalhadores a serem pesquisados foi reduzido a 1727 trabalhadores com vínculo empregatício e empregados em empresas do vestuário que produzem a mercadoria roupa em sua totalidade. Fixando-se o poder da amostra em 90% (z=1. 2002). que contribuem diretamente ao sindicato. Distribuição binominal (proporção). existiam cerca de 4. foram controlados os aspectos que diferenciam os trabalhadores das empresas que dominam todo o processo de produção das roupas daquelas que prestam serviços parcelados. em dezembro de 2004.100 trabalhadores contribuintes. contribuindo para o SINTVEST no mês de agosto de 2005 e com endereço residencial conhecido.342 empregados formais no município de Colatina.50 ou 50%. Para a seleção da amostra utilizamos como condição de controle que os trabalhadores estivessem empregados nas empresas classificados no CNAE abrangido pelo nosso estudo conforme a tabela 2. adotando-se a referência pº=0.

. sendo neste estudo sorteado o segundo nome que foi o primeiro elemento da amostra. 2001. para formar os componentes da amostra. diferença. a amostra final foi de 432 pessoas.Início casual. 2.E a partir deste foi retirado um indivíduo a cada intervalo de 4 nomes da lista em ordem alfabética.O intervalo casual foi k= 1727/432= 4.A hipótese alternativa. 3. sorteou-se um número entre 1 e 4. cuja fórmula para se obter o tamanho da amostra é: Fixando-se uma taxa de recusa possível de 10%. A amostra foi pelo processo de amostragem sistemática (CASTELLOE&O’BRIEN. a partir da listagem por ordem alfabética da população total de 1727 pessoas. 149-155). p. onde: 1.

reprodução da versão em português do instrumento SRQ – 20 (Self-Report Questionnaire).Dados sócio-demográficos (local de trabalho. estabelecendo como ponto de corte 7/8. 1986 apud BORGES.Caracterização das demandas das cargas de trabalho (função. duração da jornada.3. apud BORGES. e aplicado por entrevistadores treinados.3. pausas. tais como: estados ansiosos. O questionário é composto de três partes. 2. assim distribuídas: 1.R. em sua grande maioria fechada. distúrbios à saúde mental e distúrbios muscoloesqueléticos). . Foi avaliado como um bom indicador de morbidade. naturalidade. sexo. na cidade de São Paulo. problemas de atendimento médico. p. Este instrumento consta de sinais e sintomas de dor ou desconforto nos membros superiores. A avaliação da suspeita de presença de Distúrbios Mentais Menores – DMM foi realizada pelas perguntas 32 a 51.E. 2. sendo que a resposta positiva simultaneamente às perguntas 56 (Sente dor ao pressionar ou ao movimentar algumas destas partes?). 2001. p. 2 Instrumento de Pesquisa O instrumento de campo utilizado foi um questionário estruturado (Anexo C) contendo 83 perguntas. tempo de trabalho.Perfil de condições de saúde (queixas de saúde. raça. não psicóticos. em comunidades. A avaliação da presença de distúrbios muscoloesqueléticos é avaliada pelas respostas às questões 52 a 60. escolaridade e renda). ombros e pescoço. idade. condições inadequadas de trabalho que causam doenças. fonte de tensões e cansaço). instrumento de rastreamento (screening) que detecta quadros suspeitos de distúrbios psiquiátricos menores. Este instrumento foi validado por Mari e Willians em um estudo com a população que procurava serviços de atenção primária à saúde. estado civil. é o critério de suspeita de L. com sensibilidade de 83% e especificidade de 80%. 2001. depressivos e somatizações (MARI & WILLIANS. 64). 62). de maneira que 8 ou mais respostas positivas caracterizam a suspeita de DMM. integrante de um instrumento de rastreamento destes distúrbios proposto por Ribeiro (RIBEIRO. e a pergunta 60 (A duração de 2 de qualquer dos sintomas acima é superior a 30 dias?). ritmos.

disponibilidade de trabalhar à noite e fins de semana. preferencialmente no domicílio do trabalhador. evitando qualquer constrangimento ou pressões de chefias. ocorrendo vários casos em que o trabalhador havia mudado de residência. para confirmação de sua realização e aferição da qualidade. quando tomaram conhecimento do projeto de pesquisa. assinar a autorização para utilização das informações na presente pesquisa. vide Termo de Consentimento (Anexo B). Como forma de controle da qualidade das entrevistas. c) Enfatizar a importância da colaboração do entrevistado e solicitar. já que os endereços cadastrados pelo sindicato e pelas empresas são de uma data cerca de um ano anterior ao período da pesquisa. podendo. a fim de garantir a liberdade de manifestação do entrevistado. b) Esclarecer que as informações prestadas seriam confidenciais e os trabalhadores não seriam identificados por pessoas que não participassem da pesquisa. receberam uma cópia do questionário e aprenderam a conduzir a entrevista. não ocorrendo discrepâncias relevantes nas respostas. boa comunicação. responder às perguntas sem pressa. As mudanças de endereço eram resolvidas . as dificuldades para sua realização foram inúmeras. fora do local do trabalho. uma amostra aleatória de 5% do que cada entrevistador fez. o pesquisador-coordenador entrevistou novamente. sendo necessário o retorno ao local com hora marcada.3. assim.3. Como em toda pesquisa deste tipo. foram escolhidas cinco pessoas. seguindo sempre o seguinte protocolo: a) informar aos entrevistados sobre os objetivos e a relevância do estudo. Mas o mais comum era o entrevistado não estar em sua residência na hora da visita. Os entrevistadores foram capacitados previamente através de três encontros.3 Procedimentos de Campo As entrevistas foram realizadas no período de 19 de novembro a 20 de dezembro de 2005. A coordenação comprovou que os trabalhadores foram realmente visitados e entrevistados. A equipe de entrevistadores foi selecionada através de entrevistas com candidatos que reuniam os seguintes critérios: escolaridade mínima de segundo grau completo. conhecimento da comunidade a ser estudada e de disponibilidade para participar da fase de treinamento. caso concordassem em ser entrevistado.

após o cruzamento de variáveis. Inicialmente foi verificada a freqüência simples das variáveis. ou havia abandonado o trabalho há mais de 15 dias. para todos os trabalhadores sorteados. De forma geral. informações que pudessem confirmar ou não a hipótese proposta pela pesquisa. Os dados obtidos nas entrevistas com trabalhadores foram digitados em um banco de dados do programa Excell para Windows XP e posteriormente migrados para o SAS. 3. A análise através dos programas estatísticos permitiu construir o perfil epidemiológico e dar ao pesquisador. As variáveis suspeitas de DMM e suspeita de LER foram tomadas como variáveis dependentes e utilizadas em modelos de regressão logística para verificar a contribuição de diferentes fatores de risco (variáveis independentes) na sua . os entrevistadores foram bem recebidos. Das 432 entrevistas previstas foram realizadas 422. que o conseguia nas empresas em que os trabalhadores estavam empregados. já que foi usada uma estratégia de divulgação do trabalho através do envio de uma carta (Anexo A) quinze dias antes do início do trabalho de campo.3%). com apenas 10 recusas (2.4 ANÁLISE DE DADOS Os dados qualitativos foram ordenados conforme os setores existentes no fluxograma do processo produtivo. A variável queixa referida foi classificada de acordo com os diferentes órgãos e sistemas do organismo humano. o mesmo era substituído pelo trabalhador seguinte da listagem por ordem alfabética. Quando o trabalhador não era encontrado de forma alguma. contendo explicações sobre o objetivo da pesquisa e de sua importância para o conhecimento das condições de saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário. destacando-se as funções e os fatores de riscos presentes que podem participar do desgaste da saúde do trabalhador.através de informações colhidas com antigos vizinhos ou através do SINTVEST.

1989. 2003). A análise das relações entre fatores de risco e morbidade referida foi realizada. Por esta perspectiva é que a análise do processo de trabalho tem importância para a saúde coletiva. dores e tensão. A similaridade de relação de trabalho e exposição aos agentes nocivos (fatores de risco ou cargas de trabalho) determinará no conjunto dos trabalhadores um perfil de saúde típico de um determinado processo de trabalho. . cansaço. é que determinará e se expressará em um nexo biopsíquico característico (LAURELL. que também repercutirá no perfil de saúde da população em geral. em muitos casos. tendo por base os conceitos de carga de trabalho e desgaste. são uma parcela significativa deste coletivo (CÂMARA.explicação. 175). tendo em vista que estes trabalhadores. já que a forma de organização da produção das mercadorias – a produção da mais-valia – que se materializa no mundo real em determinada opção técnica especifica e nas formas particulares de gerenciamento do uso da mão-de-obra. No processo de trabalho é onde são encontrados os componentes técnicos e sociais responsáveis pela produção do desgaste do trabalhador e que são sentidos no seu corpo através de desconforto. No processo de análise verificou-se a importância quantitativa e qualitativa do setor de costura no processo de produção da indústria do vestuário. o que levou a opção de realizar análise comparativa do desgaste dos trabalhadores deste setor com os demais. p. Os testes estatísticos identificaram os principais fatores que diferenciavam os grupos e identificaram os riscos relacionados com o efeito.

na linha de fabricação. Essas são denominadas “indústrias de facção”. em muitos casos. As empresas maiores freqüentemente oferecem cadeiras e assentos ergonômicos e as. que não permitem regulagem de altura. de acordo com a estação do ano. enquanto as demais. cuja produção segue a tendência do mercado. As empresas líderes estão instaladas em prédios modernos e seu layout é mais bem estruturado. como as lavanderias. que constituem a maioria das empresas do ramo do vestuário. Além das máquinas utilizadas na produção das roupas. enquanto que a maioria das empresas de facção ou oficinas de costura está instalada em locais improvisados. algumas em cômodos nas casas de seus proprietários que aproveitaram um quintal ou a laje da casa para instalar algumas máquinas e iniciar um negócio de prestação de serviços. são substituídos periodicamente. mobilidade lateral. os mobiliários disponibilizados para uso dos trabalhadores são diferenciados. A indústria do vestuário de Colatina compreende um elevado número de empresas. . por terem mais capital. ou realizar parte de sua produção com a terceirização. a mão-de-obra é basicamente formada por familiares ou de alguns poucos empregados. têm equipamentos modernos e sempre investem em tecnologia. vendendo serviços para uma outra indústria maior. que produz o vestuário de uso cotidiano e que tem pouca oscilação da moda (como as calças jeans. com conseqüente desconforto para o trabalhador. sendo também produzidos em lotes menores. de equipamentos já descartados pelas empresas maiores. de menor investimento oferecem cadeiras de madeira. espaldares reguláveis. inclusive com a utilização do trabalho informal de trabalhadores que atuam em suas residências. já que é necessário acompanhar as mudanças das estações e do mercado. As fábricas podem ter domínio total de todo o ciclo de produção ou realizar somente parte dele. camisas de malha e social) sendo caracterizada pelo grande volume de produção e consumo e b) Vestuário da moda. podendo ser dividida em dois tipos de segmentos: a) Vestuário padrão. As empresas líderes. Há em Colatina também grande número de empresas que só se dedicam a uma fase do processo de fabricação das roupas.4 O PROCESSO DE PRODUÇÃO E TRABALHO DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA – ES.

para beber água ou ir ao banheiro. Verificaram-se nas visitas realizadas que as empresas que produzem os produtos de menor qualidade são em maior número e absorvem maior contingente de trabalhadores. tendo limitações para abandonar o posto de trabalho a qualquer tempo. pois quanto menor a qualidade das roupas produzidas maior é a quantidade produzida. O trabalho na indústria do vestuário é organizado conforme a cartilha do Taylorismo e do Fordismo. de um modo geral. sendo o trabalhador selecionado de acordo com sua habilidade de . para tomar um café com pão. Foi verificado que o tipo de produto fabricado define também o perfil do processo de produção através de sua qualidade. no horário vespertino.Nas empresas visitadas foi verificado que os trabalhadores só têm uma pausa de 15 minutos durante a jornada. Quanto aos agentes ambientais. Nas empresas mais modernas esta atividade pode ser realizada com o uso de dispositivos semi-automatizados que permitem a economia de movimentos do trabalhador. sofrendo sobrecargas musculoesqueléticas mesmo nas cadeiras que dispõem de mecanismos de regulagem de altura do assento e do espaldar. A diferença tecnológica entre as empresas ressalta as diferenças do uso do corpo do trabalhador na observação das atividades mais simples. apesar de não estimularem o seu uso pelos trabalhadores. O calor é um problema generalizado até nas empresas mais modernas. os ambientes de trabalho não são confortáveis quanto aos aspectos de ventilação. como a de virar a calça ao avesso. cujo mercado consumidor é menos exigente e necessita que o produto seja mais barato. as empresas não fazem o controle dos agentes (físicos e químicos). por ser destinada aos grupos sociais mais pobres. instalações de banheiros adequados. bebedouros limpos e em número suficiente. protetores auriculares de inserção e máscaras para poeiras. optando em fornecer aos trabalhadores o EPI. como por exemplo. o que exige mais esforço de movimentos do trabalhador para sua execução. que não foram construídas com um sistema de ventilação eficiente. Como a maior parte das fábricas está instalada em prédios improvisados. iluminação. enquanto que nas oficinas ou indústrias de facção a mesma atividade é realizada de forma totalmente manual.

seguindo a lógica da esteira. Para estimular o trabalhador a manter um alto ritmo de produção.manter a produção em alto ritmo e com a qualidade requerida. passadoria. em que o fluxograma básico de uma indústria que domina todo o processo da fabricação do vestuário pode ser constituído dos seguintes setores: criação. manutenção mecânica e setor administrativo. a empresa oferece um adicional de produtividade que pode representar um acréscimo de até 36% no salário do trabalhador. etiquetagem. embalagem e expedição. costura. . revisão/acabamento. O trabalho é fragmentado e organizado em uma linha de produção. conforme fluxograma abaixo: ADMINISTRAÇÃO COMPRAS ENFESTO E CORTE ALMOXARIFADO COSTURA CRIAÇÃO E MODELAGEM ARTESANATO LAVANDERIA PASSADORIA ACABAMENTO E ETIQUETAGEM EMBALAGEM E EXPEDIÇÃO FIGURA 1: FLUXOGRAMA BÁSICO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. corte. compras. lavanderia. modelagem. estamparia. enfesto. bordado. almoxarifado (tecidos e aviamentos).

1 AS CARGAS DE TRABALHO NOS SETORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. conforme explicitado no marco teórico. desenvolve um mesmo tipo de serviço cuja meta de produção. No estudo. As atividades são realizadas quase que totalmente no horário diurno. por considerá-lo mais amplo que os demais modelos. O horário de almoço é de uma hora e realizado no período de 12 às 13 h. 4. às 15 h. geralmente.3 horas. portanto com 2. quando os trabalhadores são dispensados do trabalho. as funções dos trabalhadores. Em épocas de grandes encomendas. de segunda a sexta-feira. mecânicas. . são apontadas as características de cada setor. às vezes. substituiremos o termo mecânico por acidentes. foi apontado pelos trabalhadores que a média de trabalho por semana é de 46. A seguir.A linha de produção das roupas é feita de forma que uma equipe de trabalho em postos fixos. fisiológicas e psíquicas. biológicas. denominada por “célula”. é definida pela gerência de produção e deve ser atingida por hora ou dia de trabalho. havendo uma sobre jornada para compensar as 4 horas de sábado e os 15 minutos em média de paralisação para o lanche que é distribuído no período da tarde. são utilizadas como banco de horas para compensar os dias úteis entre feriados e final de semana. que podem estar associadas ao desgaste da saúde dos trabalhadores. por ser um termo mais adequado. as atividades realizadas e as cargas de trabalho mais importantes encontradas nas quatro empresas visitadas. Este modelo classifica as cargas de trabalho como sendo: físicas.3 horas extras em média. químicas. Na identificação das cargas de trabalho utilizamos a mesma classificação do modelo da determinação social da doença de Laurell e Noriega. Entretanto. são realizadas horas extras noturnas e nos sábados. entre as 7 h e às 17h10min. e que.

1 Setor de Criação e de Modelagem O setor de criação de moda é onde são elaborados os modelos das roupas que entrarão no processo de produção. O trabalho do estilista exige mais demanda mental do que a fisiológica. FUNÇÃO Estilista ATIVIDADE Criar modelos novos e desenhálos conforme tendência da moda e da numeração padronizada.1. A ferramenta de trabalho é o computador. Posto de trabalho: Computador e cadeira. FISIOLÓGICAS: . em pé encurvada sobre a mesa de modelagem ou sentada no computador. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE CRIAÇÃO E MODELAGEM NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINAES.Qualidade do serviço. o trabalhador tem liberdade para parar o serviço.Má iluminação do local. computador e scanner. PSÍQUICAS: . é o setor da concepção. PSÍQUICAS: . As cargas de trabalho encontradas para estes profissionais podem ser observadas no quadro 1: QUADRO 1: FUNÇÃO. onde o profissional principal é o estilista que desenha os modelos das roupas de acordo com a tendência do mercado consumidor. ACIDENTES: . ir ao banheiro ou tomar decisões. mesmo que o serviço possa ser feito por longo tempo em posição fixa.4.Fixação da vista. portanto. Posto de trabalho: Mesa de riscagem. Moldador ou Riscador Faz a riscagem das peças em papel e posteriormente faz a digitalização do molde padronizado pela numeração. .Fixação da vista na tela de computador. CARGAS DE TRABALHO FISIOLÓGICAS: . pois. .Pressão para criar sempre produtos novos e de aceitação no mercado. precisa estar informado das tendências da moda no mercado e ao mesmo tempo ser capaz de propor novas idéias.Postura sentada o dia todo.Postura de trabalho.Perfuração de dedos por agulhas. . descansar. ficar em pé. FISIOLÓGICAS: . fixação da vista. é quem cria os modelos que irão ser fabricados.Postura sentada a maior parte do dia. O estilista. Posto de trabalho: Máquina de costura. Modelista Responsável em costurar a peça piloto da produção em série. .

1. que trabalha bem próximo ao setor de criação.CAD (LEITE. O trabalho de controle de entrada e saída de matéria prima do almoxarifado além de representar uma responsabilidade alta para o empregado.2 Setor de Almoxarifado de Tecidos e Aviamentos É o setor responsável em administrar os estoques das matérias-primas. Neste setor. Neste estágio. que será utilizado pela modelista para criar as peças piloto. o que insere a possibilidade de acidentes de quedas de altura. as principais funções e as cargas a que estão submetidos os trabalhadores são indicados no quadro 2: . O setor de modelagem. sendo que as situadas em altura exigem a utilização de escadas. abastecendo os locais necessários e recebendo as novas matérias primas encomendadas. mas ainda têm dirigibilidade sobre seu tempo. 4. as máquinas utilizadas são: o computador.Neste setor é onde tem havido nos últimos anos a inovação tecnológica: design. também pode causar cargas fisiológicas devido ao esforço físico para a realização do carregamento manual das mercadorias até as prateleiras. geralmente. pois o produto não é feito em série e o ritmo de trabalho é mais tranqüilo. Os moldes-piloto são riscados conforme o número padronizado da peça e. sempre em quantidade suficiente para manter a produção. é responsável em produzir as peças-piloto para o futuro corte em série. digitalizados pelo moldador/riscador a fim de se produzir os moldes que irão servir de guia para o corte do tecido. 2004). modelagem e encaixe onde se tem utilizado sistemas de desenho assistido por computador ou Computer Aided Design . Neste setor. em galpões fechados que. são mal ventilados e com instalações improvisadas. a balança para pesagem de matéria-prima e o carrinho manual para seu transporte. os trabalhadores têm um pouco mais de demandas fisiológicas. a seguir. As instalações são geralmente próximas aos setores de produção.

mesmas. PSÍQUICAS: .Responsabilidade pelo controle da qualidade do tecido que será utilizado e do que é comprado.Responsabilidade. . . ACIDENTES: .QUADRO 2: FUNÇÃO.Calor.Levantamento de peso.Levantamento manual de peso. . Auxiliar de Auxilia o almoxarife nas atividades FÍSICAS: almoxarife de estocagem de produtos.Posturas incômodas no acesso às prateleiras de estoque. PSÍQUICAS: . Conferente Controla o estoque das PSÍQUICAS: mercadorias prontas e a saída das . . FISIOLÓGICAS: . FISIOLÓGICAS: .Postura inadequada no acesso às prateleiras de estoque.Calor. .Calor. .Responsabilidade pelo controle do estoque. Revisor de Faz a revisão dos tecidos antes FÍSICAS: tecido de ir para o setor de enfesto. FUNÇÃO Almoxarife ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO É o encarregado das entradas e FÍSICAS: saídas das matérias-primas. ATIVIDADE E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE ALMOXARIFADO DE TECIDOS E AVIAMENTOS NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.Trabalho com diferença de nível. FISIOLÓGICAS: .Postura inadequada no acesso às prateleiras de estoque.

FISIOLÓGICAS: .1.Calor. QUADRO 3: FUNÇÃO. conforme os moldes e a numeração padronizada para a produção em série das roupas.Calor. FÍSICAS: . QUÍMICAS: . QUÍMICAS: . Cortador Faz o corte do tecido após o enfesto e colocação do molde com o uso de equipamento elétrico. Além de distribuir o tecido.Postura desconfortável para realização do serviço.Poeira de algodão.Poeira de algodão. FISIOLÓGICO: .Calor.Ruído e vibração. Fixa os moldes sobre o tecido com o uso de grampeadores ou fitas adesivas. .Postura desconfortável. .Corte de dedos e mãos. o enfestador. FÍSICAS: .4. QUÍMICAS: -Poeira de algodão. propriamente dito. FISIOLÓGICOS: . se constituindo como a parte inicial do processo de fabricação das mercadorias. . dobrados em camadas. ATIVIDADE E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE ENFESTO E CORTE NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. ACIDENTES: . Eventualmente pode também fazer o corte do tecido. Auxiliar de Auxilia o cortador nas atividades de corte corte.3 Setor de Enfesto e Corte É responsável pelo corte dos tecidos. FUNÇÃO ATIVIDADE Enfestador Espalhar e dobrar o pano sobre a mesa de corte. .Levantamento de peso. Inicialmente os tecidos são distribuídos sobre uma grande mesa. CARGAS DE TRABALHO FÍSICAS .Movimento repetitivo. faz a fixação dos moldes sobre a camada superior do tecido. atividade que é denominada de enfesto.Postura desconfortável para realização do serviço. de forma a aproveitar o material ao máximo. de forma manual ou através de equipamento elétrico. fixando os moldes através de grampeadores ou fitas adesivas.

outro grupo de trabalhadores será responsável em fazer a união das duas partes. A meta de produção é estabelecida por um cálculo que é realizado pelos encarregados de produção. estabelecida pela gerência de produção. Em relação a acidentes existe o risco de cortes de mãos e dedos pela lâmina da máquina de corte dos tecidos. representar 50% da força de trabalho da empresa e. em muitos casos. tem que ser atingida coletivamente. Além das demandas fisiológicas para a realização da tarefa. podendo em algumas empresas estar no mesmo espaço que o setor de acabamento.4 Setor de costura O setor de costura é o principal setor da indústria do vestuário. Neste local se concentra o maior número de trabalhadores. como em uma esteira invisível. sendo o ponto nevrálgico da produção. tesouras e com etiquetagem das peças.Posteriormente. para isso. os trabalhadores se expõem aos agentes ambientais relativos ao calor devido à má ventilação e à poeira de algodão produzida pelo corte dos tecidos. que pode causar lesões graves.1. assumir diversas posições incômodas para alcançar as partes a serem cortadas. Uma das linhas costura a frente da calça e a outra a parte traseira. nas quais as células são dispostas em série. e ao ruído e vibração da máquina de corte de tecidos. fragmentadas em várias etapas por trabalhadores organizados em grupos denominados por “células”. em sua maioria absoluta. A organização da produção é feita em duas linhas. Os serviços deste setor são constituídos por centenas de atividades. devendo. A função com o maior número de trabalhadores é a de Costureira (o) que pode. 4. o Cortador fará o serviço de corte do tecido com a utilização de uma máquina elétrica de corte. é constituída de mulheres. posteriormente. sendo medido através da cronometragem da tarefa por . cuja meta de produção de peças acabadas.

verificando os problemas dos atrasos na produção de cada célula.unidade produzida. máquina de casear. os encarregados utilizam um quadro de aviso. Este artifício mantém uma pressão constante sobre os trabalhadores da célula em manter a produção alta. servindo também água aos trabalhadores que.são realizados simultaneamente. máquina para pregar presilha. ao final da qual é assinalado qual foi à produção da última hora e estabelecida a meta da próxima hora. fixado na frente de cada célula. Neste setor. em espaços insuficientes e mal organizados. assim. podendo o calor tornar-se insuportável em algumas épocas do ano. há grande número de ajudantes e abastecedores que irão servir a cada célula. em que fica claro o objetivo de se produzir em ritmo alto a fim de aumentar o lucro do capital. Os encarregados de produção estão sempre circulando entre o pouco espaço existente.como passar a dobra do bolso traseiro. máquina de costura overloque. é a ventilação. revisar a qualidade das peças e contar o número de peças produzidas . podendo atingir postos de trabalho dos setores próximos. Os serviços auxiliares . de quase todas as plantas industriais visitadas. onde é escrito o número de peças a serem produzidas no período de uma hora. Os ganhos de produção só ocorrem quando a célula atinge a meta. . sem economia das forças humanas. que não se restringe ao posto de trabalho do setor. podendo inclusive agravar outro problema ambiental que é a presença da poeira fazendo sua dispersão no ambiente. Segundo os encarregados eles aprenderam esta técnica com a experiência ou em cursos do SEBRAE. já que isso não faz a renovação do ar. abastecendo com o produto que vem do setor de corte ou de outras células anteriores ao processo. quando um trabalhador não dá conta do serviço todos os demais perdem. desvirar as calças. Para realizar o controle da produção. solução adotada pelas empresas. Outro agente causador de desconforto é o ruído das máquinas. podem se ausentar de seus postos para suprir suas necessidades fisiológicas. entre outras. inclusive de ir ao banheiro. máquina de costura galoneira. A utilização de ventiladores. No aspecto do conforto ambiental. dificilmente. São vários os tipos de máquinas utilizadas neste setor: máquina de costura reta. o grande problema encontrado no setor de costura.

FISIOLÓGICAS: . .Ruído e vibração. ACIDENTES: caseadeira e prespontadeira.Remuneração baixa.Tensão pela necessidade de atingir as metas.Calor. . .QUADRO 4: FUNÇÃO. galoneira. .Falta de sentido do trabalho.Falta de sentido do trabalho. . FISIOLÓGICAS: .Posição fixa em pé por longo tempo. . .Fixação de vista no campo de trabalho por longo período. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO DO SETOR DE COSTURA NA INDÚSTRIA DO VESTUARIO DE COLATINA-ES. PSÍQUICAS: . overloque.Poeira de tecido. reta. . PSÍQUICAS: . . .Esforço físico pesado.Perfurações com agulhas.Remuneração baixa.Poeira de tecido. QUÍMICAS: Máquinas utilizadas: costura .Posição fixa sentada por longo tempo. . matéria prima e revisar o . .Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico. substituir a costureira que vai QUÍMICAS: ao banheiro ou tomar água.Calor. Pode.Trabalho que exige força no manuseio (trespontadeira).Ruído. revisor e serviço feito. abastecedor.Exigência de posturas inadequadas.Movimentos repetitivos.Movimentos repetitivos e com precisão.Iluminação inadequada. . FUNÇÃO Costureira (o) ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO Efetuar o serviço de costurar FÍSICAS: os tecidos e adereços para . .Controle rígido da produção. . . . às vezes . formar as roupas: . Auxiliar de Auxiliar no abastecimento de FÍSICAS: costura.Jornada de trabalho longa.Controle rígido da produção.

algumas máquinas estão baixas demais. além disso. não têm forma ou dispõem de controles que garantam um conforto ergonômico. . Para adaptar as cadeiras de madeira ao seu corpo e melhorar o conforto.Ruído. . FISIOLÓGICAS: . fixação . por ocupar o maior número de trabalhadores e de máquinas o mais prejudicado.Poeira de tecido. este tipo de movimento constante pode provocar desconforto e dores na coluna. ACIDENTES: . atenção no movimento. devendo o trabalhador se virar para conseguir a posição que lhe seja menos penosa. colocados no assento e no encosto. doméstico ou industrial. enquanto outras estão altas. .Continuação QUADRO 4: Passador Passa a borda do bolso de trás FÍSICAS: da calça jeans. como o de transferir o material trabalhado de um lado para o outro.Esforço físico. . que só podem ser amenizadas com cadeiras que tenham o assento rotatório. quando a tarefa exige rotação de quadril. PSÍQUICAS: .Calor. Segundo os auditores da Sub-Delegacia Regional do Trabalho – DRT existe um problema grave na indústria do vestuário relacionada com o espaço físico destas empresas que geralmente estão instaladas em local improvisado. No entanto. para ser atingido. seja de altura ou de encosto.Trabalho com material aquecido (Queimadura). deve ser realizado com a repetição de movimentos até a exaustão. . como as cadeiras. .Controle da produção. O nível de produção é alto e. exigindo. Instrumento: Ferro de passar QUÍMICAS: roupas. sendo o setor de costura.Desvalorização ou de sentido do trabalho.Posição em pé por longo tempo. Com as exceções já citadas os mobiliários. os trabalhadores utilizam estofados improvisados. .Movimentos repetitivos.Remuneração baixa.

acionar o pedal do motor da máquina. torção do tronco para transferir peças de um lado para o outro. o kaizen e o 5S) ou o modelo lean-production. assim como o trabalhador que é responsável em desvirar as calças já terminadas para ser transferida para o setor de acabamento. movimento lateral da perna para acionar o sistema que levanta as agulhas. os ajudantes e abastecedores que ficam na linha de produção transferindo as peças acabadas de uma célula para outra. Entre as formas de organização da produção. como: esticar os braços. agora sendo organizado em “grupos de . O setor de costura é caracterizado pela fragmentação das atividades. em sua modalidade de “trabalho em grupo”. segundo Silva (2003) tem ocorrido uma grande disseminação dos denominados “grupos de trabalho” ou “células de produção”. sendo marcante seu emprego no setor de costura. A forma de produção em células foi introduzida na indústria do vestuário de Colatina em 1990. 4. são: o passador que passa as dobras do bolso de trás das calças. Para produzir além da meta prevista e poder ganhar o adicional de produção para sua equipe. onde a produção era controlada individualmente. entre vários outros movimentos sutis que compõem toda a complexa operação que é executada. mas exige do trabalhador vários tipos de movimentos. A posição de trabalho da costureira (o) é permanentemente sentada. o trabalhador evita sair da linha de produção até para beber água ou ir ao banheiro.1.. Outros profissionais que trabalham no setor. e paulatinamente vem sendo adotada por todas as empresas.1 Setor de Costura e o Trabalho em Célula de Produção. os revisores que inspecionam as peças prontas. já que os postos de trabalho geralmente não dispõem de bancos. em substituição ao modelo anterior.4. com influência bastante marcante do modelo japonês (o just-in-time.da visão e precisão a fim de garantir a qualidade. com intensidade e densidade alta de trabalho. Trabalham permanentemente na posição ortostática (em pé).

Frente (Célula 1) Ilhas Traseiro (Célula 2) Junção (Célula 3) Figura 2: FLUXOGRAMA DA CELULA DE PRODUÇÃO Cada trabalhador que faz parte de uma célula recebe certa quantidade de matéria prima. e está constantemente sendo avaliado pelos membros da célula. o quadro funciona como uma forma de catalisador ou um aviso de que é preciso aumentar o esforço para atingir a meta ou a cota diária. ou ilhas. especializadas em determinadas operações da linha de produção de roupas. a fim de informar se o serviço está atrasado ou se está produzindo de acordo com a programação. se pretendia com ele a polivalência e o aumento da . que é controlada. seguindo a disposição de 2 a 4 máquinas especializadas. pois.. a concepção deste modelo de produção foi pensada como uma alternativa ao trabalho fragmentado e especializado. a realizar cada operação como se fossem em um processo continuo ou de esteira. previamente cortada. e tem que dar conta de manter a produção. O trabalhador que não dá conta de produzir a meta planejada é denunciado pelo acúmulo de matéria prima ao lado de seu posto de trabalho. Curiosamente. especialmente no setor de costura. que substituiria o modelo clássico taylorista-fordista. As células são organizadas de forma a obedecer ao fluxograma da produção. A produção de cada hora é anotada em um quadro que fica visível para todos. numa forma de autocontrole de produção da célula. de hora-em-hora. sem que esta exista de fato.trabalho” ou “células de produção”. pelo encarregado.

podendo. Segundo o SINTVEST quando alguém falta ao trabalho. com pouca possibilidade de mudança de tarefa. . por um lado. A mudança de célula só é possível se houver domínio do trabalhador sobre as operações da outra máquina. ou trocar de célula. o salário produção perdido pelo trabalhador faltoso não é distribuído entre aqueles que trabalharam durante todo o período. 2003). cada membro reforça no outro a necessidade de manter a produção alta. As células são determinadas pelo tipo de serviço que é executado pelas máquinas ali disponíveis. com a concepção do trabalho mais próxima da execução. No entanto. esta forma da organização da produção é uma das principais causas do processo saúde-doença destes trabalhadores. aumentar o ritmo individual para auxiliar quem está na dificuldade. ser mais fácil mudar de grupo de trabalho para operar a máquina que se está habituado. com os trabalhadores se penalizando quando as metas quase impossíveis não são alcançadas. Em muitos casos. Como poderemos ver. portanto. o que parece ocorrer nas empresas pequenas e médias de alta produção de produtos de baixo valor. caracterizando. como na indústria do vestuário de Colatina. estas relações ficam sempre na balança inexorável da capacidade do trabalhador em manter a produção alta e do prêmio de produção. o trabalho na célula aumenta a sociabilidade destes trabalhadores envolvidos com um mesmo objetivo. por outro. uma especialização do trabalhador. Neste modelo é dado ao grupo a autonomia consensual de manter ou retirar qualquer membro da célula que seja menos eficiente. é um hibridismo.competência do trabalhador. controle da produção e do como produzir (modelo sociotécnico) (SILVA. daí. sem supervisão. mas mesmo assim a célula consegue a cota. segundo Silva (2003). com finalidade nítida de aumentar o controle social da mão-de-obra. a própria costureira pede para sair. Assim. quando o grupo nota um problema não caracterizado como corpo mole ou ineficiência. Se. com a permanência do modelo tayloristafordista e o uso da ferramenta do trabalho em grupo.

O trabalho é realizado permanentemente na posição sentada. ilhoses e etiquetas. que verifica se há alguma peça defeituosa. No setor de acabamento segue a mesma lógica do setor de costura. Neste setor há o revisor de arremate. com a altura da máquina muito baixa em relação ao piso. realizam trabalho repetitivo durante toda a jornada de trabalho. dependendo da estrutura física da fábrica. prega ilhoses e botões metálicos. Citamos também o trabalho realizado pelos ajudantes de revisão. prega botões ou etiquetas. com ritmo de trabalho acelerado. Como nos demais setores. concentração. mas que exige perícia. e o operador de máquinas especiais que faz o caseamento. em alguns casos. conforme o quadro 6. que fazem a retirada de linhas das calças com o uso de uma tesourinha de mão e que. na posição sentada. cases. o costureiro. O processo de trabalho ocorre conforme o setor de costura. encontramos também neste ambientes mal ventilados em que o calor e o ruído dos equipamentos (em particular o das máquinas de pregar botões) é uma constante fonte de desconforto e de tensão entre os trabalhadores. com a fragmentação de atividades e pouca ou nenhuma exigência de capacitação. como algum adereço ou a fixação de botões. que requer precisão. o que obriga assumir uma posição encurvada para visualização do campo de trabalho.1. posição fixa de trabalho. visualização constante do campo de trabalho. em cadeiras sem controle de altura e encosto que se molde ao corpo do trabalhador. presilhas. desvalorização do serviço. que reforça algumas peças defeituosas. com pouca ou nenhuma possibilidade de decisão sobre o que se está fazendo. No entanto.4. pois acompanha a lógica de produção da indústria. este setor é uma continuidade do setor de costura e visa corrigir e acrescentar itens ainda não colocados. .5 Setor de acabamento O setor de acabamento pode estar separado do setor de costura ou não.

. . .Falta de sentido do trabalho. . . ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE ACABAMENTO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.Movimentos repetitivos. .Remuneração baixa.Calor. realizando a inspeção . .Falta de sentido do trabalho.Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico.Falta de sentido do trabalho.Jornada de trabalho longa.Exigência de postura. caseamento e travete.Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico. . PSÍQUICAS: . FUNÇÃO Operador máquina especial. .Trabalho por produção. de problemas a serem FISIOLÓGICAS: corrigidos. . FISIOLÓGICAS: .Movimentos repetitivos. . . .Posição de trabalho fixa sentada por longo período. . PSÍQUICAS: .Calor. . Revisor arremate Auxiliar arremate ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO de Operam máquinas automáticas FÍSICAS: ou semi-automáticas de .Calor. .Perfurar dedos com agulhas. de Faz o controle de qualidade do FÍSICAS: produto. prega . .Ruído.Remuneração baixa.Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico. PSÍQUICAS: .Controle rígido da produção. . . fazem ACIDENTES: etiquetagem. de Retira as linhas que sobram nos FÍSICAS: tecidos das roupas.Posição fixa sentada por longo tempo.Jornada de trabalho longa.Remuneração baixa.Posição de trabalho fixa em pé ou sentado por longo período.Jornada de trabalho longa. FISIOLÓGICAS: .QUADRO 5: FUNÇÕES. botões metálicos.Levantamento de peso.

enxágüe. que existem em grande número no município de Colatina.Remuneração baixa. que irão dar ao produto uma diferenciação no mercado. ou para introduzir efeitos de fabricação como embranquecimento. já que é um setor que necessita de grande investimento em equipamentos e controle ambiental de seus efluentes.Jornada de trabalho longa.Levantamento de peso. CARGAS DE TRABALHO FÍSICAS: . O produto químico mais utilizado é a barrilha .1. PSÍQUICAS: .Queimaduras químicas. o que torna os locais bastante quentes. FUNÇÃO ATIVIDADE Lavador e seu Colocar e retirar as peças de auxiliar. . ATIVIDADES E CARGA DE TRABALHO NO SETOR DE LAVANDERIA NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. as empresas que não dispõem deste setor contratam este serviço de empresas especializadas. Quando necessário. ACIDENTES: .Pisos escorregadios.4. QUADRO 6: FUNÇÃO. . O setor da lavanderia utiliza o vapor produzido por caldeiras. A lavanderia é responsável pelo serviço de lavagem e de tintura. O trabalho da lavanderia é realizado pelo lavador ou auxiliar de lavanderia.Posição fixa em pé por longo tempo. Fazer as dosagens de produtos químicos e fazer o controle dos desgastes do tecido das calças de acordo com o modelo padrão. que devem fazer o serviço de dosar os produtos químicos utilizados no branqueamento do tecido. . roupas das máquinas de lavar e das centrifugas. .Ruído. .Contato com produtos químicos.6 Setor de Lavanderia O setor de lavanderia não existe em todas as empresas que fabricam as roupas de jeans. centrifugação e fazer o carregamento das máquinas de lavar e das centrífugas. sendo o calor e o ruído os agentes físicos que representam mais risco à saúde. manchas ou desgastes. geralmente à lenha.Ritmo de produção.Calor QUÍMICAS: . FISIOLÓGICAS: .

que também se expõem às partes metálicas do equipamento. falta de inspeção e manutenção periódica. ruído e umidade). muitas vezes é construído próximo ao setor de caldeiras. o calor do vapor que sai do equipamento é soprado sobre o peito do trabalhador. que tem pH básico e pode causar queimaduras graves em contato com os olhos. No setor da lavanderia. Este setor. cargas químicas (manipulação de produtos químicos). A tarefa é executada pelo acionamento simultâneo de um pedal que abre a válvula do vapor d’água e pelo braço do trabalhador que abaixa a placa superior do equipamento sobre a área a ser passada. são apresentados os principais componentes das tarefas da passadoria com suas cargas de trabalho. No quadro 7. conhecida como soda. 4. trabalho em posição ortostática). serviço pesado em jornadas longas e de grande produção. dobra e leva as calças passadas para o setor de embalagem. também trabalha em pé e faz o serviço de transporte manual das roupas. sendo realizada por equipamentos especializados que utilizam geralmente o vapor d’água da caldeira. abaixo.7 Setor de Passadoria O setor é responsável em passar as calças antes de ir para o setor de embalagem. . também. cargas psíquicas (jornada de trabalho longa. ritmo de produção. Quanto à questão ambiental. pouca valorização do serviço).(carbonato de sódio). . que trabalha na posição ortostática (em pé). Esta atividade é realizada pelo passador. podendo sofrer queimadura. devido à precariedade das instalações. O auxiliar de passador abastece o setor com as peças a serem passadas. que pode se constituir em um risco de acidente de explosão. cargas físicas (temperatura elevada.1. falta de treinamento de operadores das caldeiras. o sinergismo entre as cargas de trabalho é bastante evidente havendo exposição simultânea a cargas fisiológicas (trabalho físico de moderado para forte. com movimentos repetitivos.

ACIDENTES: .Contato com partes quentes do equipamento de passar. FISIOLÓGICAS: .Esforço físico pesado. o que cria o preconceito sobre a função de passar roupas junto aos demais trabalhadores. as cargas psíquicas. e ao fato de haver pouca possibilidade de variação do serviço.Exigência de postura. .QUADRO 7: FUNÇÕES. de Abastece o setor de passadoria de FISIOLÓGICAS: peças e dobra as peças passadas . trabalho na posição fixa em pé.Controle rígido da produção. relacionadas ao calor. .Remuneração baixa.Movimentos repetitivos. PSÍQUICAS: . .Jornada de trabalho longa. .Falta de sentido do trabalho.Calor. Devido ao esforço físico necessário. . a atividade é realizada por homens.Movimentos repetitivos. embalagem. . FUNÇÃO Passador Auxiliar passador ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO Realiza a passagem da roupa e a FÍSICAS: dobra as peças passadas. PSÍQUICAS: . ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE PASSADORIA NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. .Posição fixa em pé por longo tempo.Jornada de trabalho longa. as cargas físicas. . representadas pela pouca valorização da função dentro do processo de fabricação. . .Remuneração baixa.Falta de sentido do trabalho. . No setor de passadoria.Posição fixa em pé por e encaminha ao setor de longo tempo. as cargas de trabalho mais importante são: as fisiológicas determinadas pelo ritmo de trabalho. movimentos repetitivos.

como as queimaduras de mãos e braços pelo contato com as partes quentes do equipamento de passar roupas.Outro aspecto a ser analisado são os acidentes. pela diferenciação que ela dá. O local de trabalho do used é totalmente fechado. e a exposição à poeira do tecido e a tintas. com a pulverização e permanganato de potássio. 4. produz muito ruído e a atividade tem que ser realizada em pé com uma equipe de trabalhadores que fragmenta o serviço em pequenas etapas para acelerar a produção. . será lavada com produtos químicos para fazer o desgaste do tecido.1. além de não conseguir que o ar fique totalmente isento do material químico em suspensão no ar. com uso de pistolas de ar comprimido. Neste setor. na maioria das vezes de pouca gravidade e por isso não registrados. é utilizada a técnica de deposição de permanganato de potássio ou de tintas. sendo dotado de um sistema de exaustão que. Como este é um setor que agrega valor à mercadoria produzida. ou de envelhecimento. há grande investimento no desenvolvimento de novas técnicas e na inserção de equipamentos modernos. O trabalho de lixamento é um serviço que exige a repetição de movimentos. denominado de used (usado ou envelhecido). os artesãos trabalham peça por peça. o trabalho contínuo na posição ortostática com o encurvamento do tronco e pescoço.8 Setor de artesanato Outro setor que não existe em todas as empresas que produzem calças jeans é o de artesanato. Para ser dado o efeito do envelhecimento ou de um detalhe de tintura. através do lixamento manual ou de equipamentos elétricos utilizados no desgaste do tecido da calça. devendo o trabalhador estar sempre se adaptando a novas exigências.. havendo ainda o serviço de envelhecimento (used). sobre o tecido da calça que posteriormente.

QUÍMICAS: .Ruído. por lixamento manual ou uso de equipamento elétrico. . . Neste setor. QUÍMICAS: Névoas de Permanganato de potássio.Jornada de trabalho longa.Falta de sentido do trabalho. a postura necessária para a realização da atividade) é o principal problema de desgaste.Movimentos repetitivos. ACIDENTES: .Remuneração baixa. Função Artesão Atividade Lixamento de peças de roupa com determinadas características definidas em um modelo préestabelecido.Posição fixa em pé por longo tempo.Calor.Falta de sentido do trabalho. . alta produção incentivada por prêmios.Choque elétrico. as cargas fisiológicas (movimento repetitivo.Controle rígido da produção. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO DO SETOR DE ARTESANATO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. PSÍQUICAS: . Artesão Used Cargas de Trabalho FÍSICAS: . FISIOLÓGICAS: . PSÍQUICAS: . . . à poeira do tecido e à iluminação .Movimentos repetitivos. Realizam a deposição de produtos FÍSICAS: químicos sobre o tecido com uso . . .Calor.Jornada de trabalho longa. . podendo ser potencializada com cargas físicas devido ao calor dos locais pouco ventilados. . de pistolas de ar comprimido.Trabalho em produção controlada. ao ruído.QUADRO 8: FUNÇÕES. . .Posição fixa em pé por longo tempo.Exigência de postura.Poeira de algodão e tintas.Remuneração baixa. FISIOLÓGICAS: .Névoas de tintas.

que é supervisionada constantemente pelo encarregado de produção. 4. e as acondicionam em caixas de maior volume.1. mas as cargas de trabalho mais importantes são: as fisiológicas encontradas no esforço físico para a realização do trabalho de embalagem e do enfardamento. onde os embaladores e seus ajudantes colocam as roupas em sacolas plásticas. oriundas do controle rígido da produção. de acordo com a encomenda que foi solicitada. assim como o de carregamento deste material para a estocagem e carregamento de veículos. Na seqüência. .insuficiente do campo de trabalho. havendo risco de acidentes. No setor de estocagem também pode haver a necessidade de uso de escadas para acesso a prateleiras altas. as peças acabadas vão para o setor de embalagem. não havendo separação física entre eles. o material embalado vai para o setor de expedição onde o conferente faz o controle de estoque do produto e o faturista emite as notas fiscais e responde por ações administrativas necessárias para que o produto possa ser transportado para os clientes. Soma-se a estas as cargas psíquicas. com a qualidade semelhante à do modelo padrão. Neste setor também como nos demais o problema ambiental mais encontrado é o desconforto térmico. exigência de um grande número de calças produzidas por hora. e as cargas psíquicas relacionadas às responsabilidades relativas a manter a contabilidade dos produtos sempre certa e pela execução de um serviço monótono que pode não ter para o trabalhador um significado de realização profissional.9 Setor de embalagem e expedição Chegando ao fim da linha de produção. Em algumas empresas estes setores podem ser os mesmos. ou ser menos importante na cadeia produtiva.

ou que não estão envolvidos diretamente na produção das roupas.Responsabilidade. . PSÍQUICAS: .Remuneração baixa. . ACIDENTES: Trabalho em altura (quedas). FISIOLÓGICAS: . das mesmas. DE FUNÇÃO Embalador seu auxiliar Conferente Faturista ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO e Embala manualmente as peças FÍSICAS: de roupas em sacolas plásticas .Falta de sentido do trabalho. FISIOLÓGICAS: Levantamento e carregamento de peso. de vendas.Calor. .Falta de sentido do trabalho.Responsabilidade. manutenção.Remuneração baixa. . não foram estudados.QUADRO 9: FUNÇÕES.Trabalho monótono. limpeza. . .2 DISTRIBUIÇÃO DAS PRINCIPAIS FUNÇÕES POR SETOR DE TRABALHO A tabela 3 mostra a distribuição dos trabalhadores pesquisados por funções. Controla o estoque das FÍSICAS: mercadorias prontas e a saída .Exigência de postura. . sendo que a grande maioria se concentra no setor de costura. . . PSÍQUICAS: . Os setores administrativos. 4.Exigência de postura. onde a função predominante é a de costureira (o). ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE EMBALAGEM E EXPEDIÇÃO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO COLATINA-ES.Trabalho repetitivo e monótono.Jornada de trabalho longa.Calor. e após em caixas de papelão. Emite notas fiscais e realiza PSÍQUICAS: atividades administrativas.

TABELA 3: DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHADORES POR FUNÇÃO E SETOR NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. (**) 6 5 14 2 1 1 1 5 1 2 5 6 1 12 8 23 1 2 209 24 264 14 17 7 16 6 3 25 27 1 1 7 9 1 1 7 6 1 17 1 1 1 4 6 2 4 12 5 3 9 20 8 3 2 2 422 422 % 3.7 6.1 1.0 1.5 3.3 62.3 1.8 4.0 4.7 0. vendedores Motoristas.3 2. cobradores Outros Desempregados no período Total (*) Freqüência por função (**) Freqüência por setor SETOR Criação modelagem FREQ(*) FREQ.4 2.4 5. FUNÇÃO e Modelista Moldador/Riscador/Pilotista Estilista Auxiliar de modelagem Almoxarifado Almoxarife Classificador e revisor de tecido Encarregado de estoque Auxiliar de almoxarifado Estampador Estamparia Desenhista Enfesto e corte Cortador Auxiliar de corte Enfestador Encarregado de corte Costura Costureira Auxiliar de costura Abastecedor Encarregada de produção Acabamento Revisão de arremate Operador de máquina Encarregado de revisão Passador Passadoria Auxiliar de passadoria Encarregado de passadoria Lavanderia Lavador Auxiliar de lavador Encarregado de lavanderia Expedidor Expedição Auxiliar de Expedição Embalador Conferente Auxiliar de faturamento Encarregado de expedição Artesanato Artesão used Auxiliar de artesão Mecânico de manutenção de máquinas Serviços auxiliares Operadores de caldeiras Limpeza e copa Administrativos Auxiliar de escritório e secretaria Gerente. 2005.4 100 . contador.

com esforço físico e. no entanto. in BUSCHINELLI. A repetição dos mesmos movimentos por longo período de tempo provoca o desgaste dos ligamentos e ossos pelo atrito.5%. mas bem distante dos números do setor de costura.5% do total de trabalhadores estudados. Esta interação de várias cargas de trabalho atuando sobre o corpo.A função de costureira representa 49. O trabalho fixo na posição ortostática pode acarretar problemas de aumento de pressão arterial. a mente e o psiquismo dos trabalhadores não só acelera o desgaste biopsicológico. p. não existe uma hierarquia entre as diferentes cargas. uma preponderância das formas de organização e da divisão do trabalho no interior das empresas no controle e consumo da força de trabalho (FACHINI. 1993. Para o setor de vestuário de . repercutirão significativamente sobre o psiquismo do trabalhador que se sente em estado de sofrimento devido ao desconforto térmico e por não ter perspectiva de melhorar a condição ambiental do posto de trabalho. como diminui a capacidade do corpo do trabalhador em reagir a estas cargas. A carga de trabalho física imposta pelo calor é amplificada nas cargas fisiológicas demandadas pela atividade repetitiva. A posição fixa por longos períodos em cadeiras inadequadas. causando inchaço e o possível aumento do risco de trombose. podendo ainda as posições estáticas prolongadas acarretar desgaste de ossos e articulações. e sim. simultaneamente.3 INTERAÇÕES ENTRE AS CARGAS DE TRABALHO E O DESGASTE DOS TRABALHADORES. comprometendo o sistema circulatório dos membros inferiores. provoca a compressão dos vasos sanguíneos.182). cansaço muscular e problemas cervicais e dorsais. O levantamento de campo verificou que a exposição aos fatores de risco ou às demandas do trabalho real que caracterizam as cargas de trabalho não ocorre isoladamente. determinando o surgimento das doenças. o trabalhador evita sair da linha de produção até para beber água ou ir ao banheiro. podendo ocasionar inflamações. Para atingir a meta prevista e o ganho da equipe. sendo que os que trabalham neste setor representam 62. havendo. Em segundo lugar vem o setor de passadoria com 27 pessoas (6. 4. por conseqüência. com aparecimento de varizes.3% do total). Conforme abordado anteriormente.

Colatina. no que diz respeito às expressões do desgaste relacionado a certas cargas de trabalho. o sistema de organização da produção em células. Neste estudo não abordamos aspectos das cargas psíquicas relacionadas ao assédio moral e sexual. A seguir serão analisados os resultados do levantamento realizado com trabalhadores. riscos que necessitam de outro tipo de abordagem para serem trazidos à luz. . pode ser considerado como determinante das formas de desgaste nos trabalhadores.

9 18. Com média de 31 ±9. esta freqüência já foi maior no passado e vem diminuindo nos últimos anos com o incremento da mão-de-obra masculina em todas as áreas. ou 66. Faixa Etária < 20 anos 20 a 29 anos 30 a 39 anos 40 a 50 anos > 50 anos Total Freqüência 11 172 143 78 18 422 % 4.7 100 100 Ao se analisar a variável idade segundo o sexo. O espectro etário dos trabalhadores abrange idades de 17 a 65 anos. De acordo com o SINTVEST. 218 pessoas (51.5 ASPECTOS SÓCIO-ECONÔMICOS DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA. 2000).3 100 % Acumulada 4. No setor de costura.9%) como pardo-morenos e somente 23 (5. inclusive no setor de costura. 181 (42. 2005.4 77.9 33.3 95.4% da amostra que foi entrevistada.3%) como negros. Quanto ao componente grupo racial desta população de trabalhadores.8 anos.7%) se identificaram como brancos.3%). TABELA 4: DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA POR FAIXA ETÁRIA.4 4. a presença feminina é ainda maior. 89% dos trabalhadores.5 38. mas com predomínio acentuado de trabalhadores com idades inferiores a 40 anos (77.4 ±7.5 43. Os trabalhadores da indústria do vestuário são predominantemente do sexo feminino: 280 pessoas. é visível uma concentração da população mais jovem no gênero masculino com média de 28. que pode ser explicada pelo acesso recente do homem neste setor produtivo e certa .2 anos. a população empregada é caracterizada por adultos bastante jovens e em franca capacidade produtiva. Esta distribuição é bastante semelhante ao perfil étnico encontrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD de 1995 (IBGE.

2005. devido ao gênero estar inserido a mais tempo neste tipo de trabalho. 148 (35.9 anos. FIGURA 3: DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DAS FAIXAS ETARIAS POR SEXO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.2%) são viúvos.9%) de 4 a 7 dependentes. . 33 (7. ver figura 3. A escolaridade dos trabalhadores da indústria do vestuário é em média de 7.8%) que tinham de 1 a 3 dependentes e 50 (15. conforme a tabela 5.6 ±9.8%) divorciados ou separados e somente 5 (1.1 anos. com aprovação para a série seguinte. Os dados coletados foram de anos estudados e concluídos.3%) responderam que trabalhavam para o próprio sustento.homogeneidade de distribuição etária no gênero feminino. Em relação ao estado civil. a maioria 236 pessoas (55.9%) é casada ou vive maritalmente com alguém.1%) são solteiros. 289 (68. Sobre o aspecto de números de pessoas que dependem do trabalho assalariado do entrevistado. ou seja. média de 34. encontrou-se o seguinte resultado: 81 (19.

88 (20.1%) são migrantes de outros estados do país e 50 (11.2 99. mencionados pelos trabalhadores.7 32. Nota-se que os homens têm um rendimento pouco superior: 1.4 96.9 13.9 0. e é um pouco inferior a dos homens que têm em média 8.1 100 100 A média de escolaridade dos trabalhadores do setor é um pouco superior à média nacional das pessoas com 15 anos ou mais idade. período que coincide com a desvalorização da cultura cafeeira local.3 10.5 ±3. .9 0. Sobre o local de procedência. 45).47 salários mínimos contra 1.9%) são oriundos de outros municípios do estado.2 anos (IBGE.64 anos. que é de 6.9 1. sendo que se estabeleceram na zona urbana nos últimos 15 anos.7 ±2. p.3 98. revelada pelo senso demográfico 2000 do IBGE.8%) são de municípios do norte do Estado do Espírito Santo. 51 (12. 2005. pela queda da cotação do produto no mercado internacional. As mulheres têm média de escolaridade de 7. 233 pessoas (55. Grau de Instrução Analfabetos 1º Grau incompleto 1º Grau completo 2º Grau Incompleto 2º Grau completo Curso Superior incompleto Curso Superior completo Não Informaram Total Freqüência 2 164 56 45 139 8 4 4 422 % 0.2%).7 63.6 salários mínimos. o que diferencia do estudo do IBGE que indica que as mulheres têm escolaridade maior do que a dos homens.2%) nasceram em Colatina.5 38. fato que contribuiu para a migração do homem do campo para as cidades à procura de novas oportunidades de emprego e também com o crescimento da indústria do vestuário no município de Colatina. Os salários líquidos. Informaram ter nascido na zona rural 153 pessoas (36.35 salários mínimos.9 100 % Acumulada 0. variaram de 1 a 5.26 anos.3 salários mínimos das mulheres. 2001.4 52. com a média de 1.TABELA 5: DISTRIBUIÇÃO POR GRAU DE ESCOLARIDADE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.5 39.

5 anos de trabalho na mesma função. .5 32. TABELA 6: DISTRIBUIÇÃO DE TRABALHADORES DA AMOSTRA POR TEMPO DE SERVIÇO NA INDÚSTRIA NO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. A tabela 6 mostra as faixas de tempo de trabalho e respectivas freqüências.5 7.O tempo de trabalho na indústria do vestuário desta população de trabalhadores varia de 6 meses a 33 anos de trabalho.5 anos. Tempo de serviço < 1 ano 1 a 5 anos 6 a 10 11 a 15 15 a 19 > 20 anos Total Freq 15 137 116 78 33 43 422 % 3.03 anos.2 100 Quanto ao tempo de trabalho na empresa atual. verifica-se que o tempo médio de permanência é de 5. 2005. com uma média de 9.5 27. o que é pouco inferior ao tempo que exerce a atual função.5 18. computadas a atual empresa e as anteriores.8 10. com a média de 6.

21). Não houve diferença significativa de prevalência de queixas por sexo (p=0.1264). . 105 trabalhadores (24. considerando-se se tratarem de trabalhadores jovens. sendo 59 apenas uma queixa. a ocorrência de suspeita de DMM e LER.6% para mulher e um pouco superior para os homens 25. a proporção de mulheres acima de 14 anos com queixas ou restrição de saúde é sempre maior do que a dos homens.9%) informaram ter tido algum problema de saúde. p. caracterizado pela prevalência de queixas de saúde (morbidade referida) existente na população nos últimos 15 dias anteriores à entrevista. já que os casos relativos ao número de trabalhadores deram resultados muito próximos 24. O perfil de desgaste à saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina foi estudado com base no perfil de queixas de saúde referidas nos últimos 15 dias anteriores à pesquisa. com média de idade de 31 anos. 6. 10 três queixas e 6 casos com 4 sintomas ou desconforto o que totalizou 173 queixas.4%. Dos 422 trabalhadores entrevistados. situação que conflita com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio – PNAD sobre acesso e utilização de serviços de saúde de 1998 (IBGE. 30 duas queixas.1 PREVALÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE OU MORBIDADE REFERIDA Um dos objetivos deste estudo foi verificar qual era o perfil de adoecimento dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina. à ocorrência de restrições de saúde que determinou a necessidade de afastamento do trabalho. O perfil de adoecimento que se configura é uma expressão do desgaste decorrente do processo de trabalho. uso de bebidas alcoólicas. 2000. Por esta pesquisa. tabagismo e uso de calmantes. qual foi o tipo de acesso e utilização de serviços de saúde.6 PERFIL DE DESGASTE À SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA. Os trabalhadores apresentaram um índice de queixas à saúde bastante alta. Alguns trabalhadores apresentaram mais de uma queixa de saúde.

Diabetes.Dor na Coluna.Problemas renais: a. 4.Outros: a.5 5.De acordo com a tabela 7. pé e calcanhar. os muscoloesqueléticos foram os mais citados. 5. em posição fixa. c. sinusite.Dores nos braços.Febre. b. d. Os problemas respiratórios. g.Hemorróidas. b.0 37.Alergias. lombar.1% das queixas. e. para os quais a poeira do algodão.2% das queixas.Dores e dormência joelho.Infecção renal e cólica.Dor e queimação no estomago.4 19. d. sentado ou em pé durante toda a jornada.9 problemas cardiovasculares com 37.Pressão alta.Mancha de pele. a seguir vem os TABELA 7: MORBIDADE REFERIDA.Inchaço e dor nas pernas e pés.Inflamação de garganta. costas e pescoço. h.Auditivos. ombro.4 2.Estresse e tensão nervosas. Freq.Problemas das vias aéreas superiores: a.Estafa e cansaço.Problemas visuais. dispersa no .Dor no peito.7% das queixas. constituídas de gripes. otite.Cistite. b. 7. 2005.Dor de dente. c. representam a terceira principal causa de queixas. artrose e reumatismos. b. b. taquicardia e desmaio. SEGUNDO ÓRGÃOS E SISTEMAS ACOMETIDOS NOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.Dor de cabeça e enxaqueca. correspondendo a 56.9 4. rinite.2 25. com 25.Acidentes (trajeto e trabalho). Total (*) Referindo-se a 105 pessoas que responderam ter tido queixa de saúde (**) Referindo-se a 422 pessoas que participaram da pesquisa. faringite. PROBLEMAS REFERIDOS DE SAÚDE 1.Problemas gastrintestinais: a.gripe.6 2. 3.2 % (**) 14. ambos podendo estar ligados ao fato do trabalho ser realizado em ritmo acelerado. c.4 1. 59 39 10 7 3 39 19 15 4 1 27 20 4 3 11 10 8 2 6 6 21 5 3 3 3 2 2 1 1 1 173 % (*) 56. c.5 9. 6.1 9. com alta freqüência de dores nas costas e na coluna. d. i. dos problemas de saúde informados pelos trabalhadores. f. já que há alta proporção de hipertensão. bursite.5 100 24. mãos e punhos.7 10. inflamações e problemas alérgicos. dores e inchaço nas pernas e pés. 2.Cirurgias.LER.Problemas muscoloesqueléticos: a.7 6.Problemas cardiovasculares: a.

0 1 1 1.0 105 105 100 Acabamento Passadoria Artesanato Expedição Enfesto e Corte Criação/ e Modelagem Lavanderia Almoxarifado Manutenção Caldeiras TOTAL . 63 pessoas ou 60% dos casos. encontrado nesta amostra. As demais funções ficam com percentagens bem inferiores. pode estar relacionada.7 1 1 1 1 3 2. Setor % 63 2 74 70.8 1 1 2 2 1. proporção que é superior à de costureiras em relação ao total de trabalhadores (49%). com 10. o que vem a dar ao setor de costura uma prioridade no controle das condições de trabalho: onde há o maior número de trabalhadores e maior risco de adoecimento. O pequeno número de transtornos mentais. Verificou-se também um alto índice de problemas renais. 2005. a função de costureira é a que mais apresenta queixas de saúde.8 1 1 5 5 4. podendo estar associados à contenção da urina. TABELA 8: FREQÜÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE POR SETOR E FUNÇÃO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. 9. pela dificuldade que os trabalhadores têm de parar o serviço para irem ao banheiro. Freq.7 4 5 4. De acordo com a tabela 8.7 1 3 6 5.0 1 1 1. Dores de cabeça e enxaquecas. contrasta com os indicativos observados no levantamento de cargas de trabalho onde foi verificada a existência de grande número de cargas psíquicas demandadas pela organização do trabalho.5 4 3 2 2 4 3.ambiente de trabalho. podem estar indicando sintomas inespecíficos de desgaste. SETORES Costura FUNÇÕES Costureira Auxiliar de costura Auxiliar de serviços gerais Abastecedor Encarregado de produção Revisor de arremate Operador de máquina Encarregado de produção Passador Artesão Auxiliar de artesanato Auxiliar de expedição Encarregado de expedição Embalador Auxiliar de faturamento Cortador Auxiliar de corte Desenhista Estilista Modelista Lavador Almoxarife Mecânico Operador de caldeira Queixas Freq Função.9 1 1 1.9% das queixas.5% das queixas. 2.8 2 1 3 2.5%.

Segundo uma encarregada de produção.4 dias perdidos de trabalho por trabalhador. 2005. Dos 8 casos com trabalhadores com menos de 1 ano de serviço.6 21.8 31. considerado como perda.2 ABSENTEÍSMO E AVALIAÇÃO DE SAÚDE A tabela 10 mostra que. sendo que. Tempo de trabalho na atividade <1 1a5 5 a 10 10 a 20 > 20 Total Freqüência 8 23 23 35 16 105 % 7. após ter sido interrogada sobre o tempo de serviço médio de cada trabalhador na empresa. Segundo a tabela. um caso. TABELA 9: PREVALÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE COM TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES POR TEMPO DE SERVIÇO.2 24.4 15.A tabela 9 mostra o número de trabalhadores com queixas de saúde por tempo de serviço. motivou pedido de demissão.8 19.5 dia ou até mais de 360 dias.2 100 Expostos 15 137 116 111 43 422 P (%) 53. informou que 5 anos é o tempo médio em que se agüenta trabalhar. cinco foram devido a problemas alérgicos e respiratórios.5 37.9 21. Uma hipótese que pode ser feita a este respeito é de que as desgastantes condições como o trabalho é realizado acabam por selecionar aqueles que continuarão neste setor produtivo. a partir desta faixa de tempo de trabalho ocorre aumento progressivo da prevalência podendo-se inferir que as doenças têm associação com a contínua exposição às condições de trabalho.3 16. A tabela mostra a distribuição dos trabalhadores afastados.9 33. revelando que a prevalência destas queixas cresce com o tempo de atividade no setor. 36 relataram que tiveram que se afastar do trabalho por um período que variou de pelo menos 0. com média de 23. alegando o trabalhador não suportar mais as condições de trabalho.9 A prevalência maior se deu com trabalhadores com menos de 1 ano no serviço. das 105 pessoas com queixas de saúde. 6. segundo o número de dias .

4 22.0 14. tensão nervosa (1) TOTAL Freq.9 17.9%. LER (1) e reumatismo (1) 2. 14 5 4 4 8 35 % 40.Infecção nos rins (4) 6. gripe (1).4%. dor de gravidez (1). em particular as dores na coluna. artrose (1).PROBLEMAS MUSCOLOESQUELÉTICOS: .PROBLEMAS CARDIOVASCULARES: .PROBLEMAS DAS VIAS AÉREAS SUPERIORES:. com 14. TABELA 11: CAUSAS DE AFASTAMENTO DO TRABALHO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES POR ÓRGÃOS OU SISTEMAS. Dias de afastamento <1 1a7 8 a 15 > 15 Total Freq. Problemas de saúde 1. cirurgia (2). em que se destacam as infecções dos rins.7% consideraram que este era bom ou muito bom .9 100 A tabela 12 mostra o resultado da auto-avaliação do estado de saúde por parte dos trabalhadores.3%. As principais causas de afastamento do trabalho são os problemas muscoloesqueléticos. Dor no peito (1). 2005. seguidas por problemas cardiovasculares.68). dor de cabeça e enxaqueca (1) problemas no estômago (1). que foi de 5.1 14. TABELA 10: NÚMERO DE DIAS DE AFASTAMENTO DO TRABALHO POR QUEIXA DE SAÚDE NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. 2000.Dor de coluna (10) e dor nas costas (1). sinusite (1) e alergia (1) 4. Como 35 trabalhadores representam 8.7 62. e os problemas renais com 11.3 11.de afastamento. sendo que 63% afastaram-se por um período que variou de 1 a 7 dias. p. sendo que 64.3% da população estudada.Pressão alta (2). Este dado é superior ao observado na pesquisa PNAD 1998 (IBGE. 2005. dormência pernas (1) e hemorróidas (1) 3. o índice de absenteísmo é alto e indica um elevado custo humano para a realização da produção. (*) 2 22 6 5 35 % 5.Bronquite (1). sobre restrição ao trabalho nos últimos 15 dias para a população brasileira com idade de 14 a 64 anos.4 11.Acidente do trabalho (2).OUTROS: .3 100 (*) uma perda de informação por pedido de demissão.PROBLEMAS RENAIS . conforme a tabela 11. com 40% dos afastamentos.

6.4 0 100 Freq. resolvendo seu problema de saúde em farmácias ou fazendo automedicação. Total 44 228 137 9 3 421 % 10.5 2.8 1. 20) encontrou um índice de satisfação para a população geral brasileira de 79. enquanto para as mulheres.2 67. . sendo de 81.6 26. F 38 132 99 7 3 279 % 13.6 47. O índice de satisfação para os homens foi de 71.3 ATENDIMENTO MÉDICO E DOENÇA DO TRABALHO Dos trabalhadores com queixa de saúde.1 0.9%. 2000. p.1 100 M 6 96 38 2 0 142 % 4.3 35.5 2.1%) não procuraram atendimento médico. 66 pessoas (62.5 54.9%). 39 pessoas (37.(índice de satisfação) e somente 2. foi de 60. TABELA 12: AUTO-AVALIAÇÃO DO ESTADO DE SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. A tabela 13 mostra a distribuição dos atendimentos médicos segundo o local de atendimento.8% disseram estar seu estado de saúde ruim ou muito ruim.1%. o que totalizou 82 atendimentos. 2005 Estado de Saúde Muito bom Bom Regular Ruim Muito Ruim Total (*) Uma perda feminina.8%. tendo um caso em que o trabalhador recebeu 3 atendimentos nos últimos 15 dias.4% para as mulheres.5 1. Os demais.2 32. obtiveram um ou mais atendimentos.7 100 A pesquisa PNAD 1998 (IBGE.8% para os homens e de 76.

7 42. entre todos os entrevistados.9%) disseram que sim.4 100 Nota-se que o SUS foi responsável por cerca de 52.R. 2005.7 24. Este indicador ressalta a importância de se investir em programas de prevenção e proteção da saúde do trabalhador nas empresas.E.8% da população trabalhadora da indústria do vestuário.4% dos atendimentos através das Unidades Básicas de Saúde e do Programa Saúde da Família. o que é bastante expressivo.2 9. A pontuação de respostas positivas à aplicação das perguntas do SRQ-20 mostrou uma média de 4.8 respostas positivas.INSS. tratamento e reabilitação que estes trabalhadores irão representar para o SUS e o Instituto Nacional de Seguridade Social .4 INDICADORES DE SOFRIMENTO PSÍQUICO E L. 29 trabalhadores (43.UBS Plano de Saúde Total Freqüência 19 8 35 20 82 % 23. Tipo de Atendimento Médico da empresa Programa Saúde da Família . a fim de melhorar a qualidade de vida destas pessoas e diminuir o impacto da demanda de atendimento médico. ou cujo estágio precoce de adoecimento não teve o nexo causal bem estabelecido pelo médico. os casos já diagnosticados alcançam 6. Mesmo desconsiderando que pode haver muitos trabalhadores ainda com um diagnóstico errado.PSF Unidade Básica de Saúde .TABELA 13: DISTRIBUIÇÃO DE ATENDIMENTO MÉDICO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES POR LOCAL. em ordem decrescente: . As freqüências simples dos itens do SRQ mais referidos foram os seguintes. Perguntados se o médico que os atendeu relacionou o sintoma de sua doença com o trabalho. 6.

0001). sendo que 51. Houve associação significativa entre ter suspeita de DMM e a ocorrência de queixas à saúde (p<0.44 34.20% 26. O uso de calmantes também foi estatisticamente relacionado com a suspeita de DMM (p<0.Tem dores de cabeça freqüentes? 7. Encontrou-se o índice de 24. enquanto foram apenas 16.12% 32.Tem dificuldade de tomar decisões? 3.57% 37. tensão e preocupação.Tem dificuldade de pensar com clareza? 6. vindo a seguir a dificuldade de tomar decisões (com quase 40% dos indivíduos) e ter se sentido triste ultimamente com cerca de 38%.41%).88% 39.Dorme mal? 65. Além disso.43%) do que entre os não suspeitos (10.0006) (prevalência no sexo feminino de 30% contra 14. 105 trabalhadores.Tem se sentido triste ultimamente? 4.0001). vemos que pelo menos 25% das pessoas têm: dificuldade para dormir. . sensações desagradáveis no estômago.94 30. dificuldade de pensar com clareza.8% no sexo masculino). tenso ou preocupado? 2. de suspeitas de DMM.30% 25. Este dado contrasta com o dado anterior de que apenas 2.Sente-se nervoso.4% dos que tiveram queixas à saúde foram considerados suspeitos de DMM.Tem sensações desagradáveis no estômago? 9. com aproximadamente 66% da amostra.1.9% das queixas referiam-se a transtornos psicoemocionais.Sente-se cansado o tempo todo? 8.9%. sente-se cansado o tempo todo. sendo maior entre os suspeitos de DMM (31.Assusta-se com facilidade? 5.83% Observa-se um alto índice para o sentimento de nervosismo.9% 28. sendo estatisticamente associado com o sexo (p=0.1% dos que não tiveram queixas. mostrando que o indicador de morbidade referida não foi sensível à identificação dos casos suspeitos destes problemas. dores de cabeça freqüentes e se assustam com facilidade.

o índice de suspeitos de DMM foi de 40. Não houve associação entre a suspeita de L. quando considerados os dados distribuídos em quatro quartis.E. realizou-se a regressão logística múltipla ajustada. com a variável dependente apresenta suspeita de L.R.0%.R.E.0075).06-2. a função de costureira tem 2.4328 (IC95%: 1. Obtendo-se o “Odds ratio” 1.0%) com as outras funções (11.E. para o terceiro quartil (4. ou 69 pessoas.9516). Assim.R encontrou a prevalência de 16. cuja variável dependente srq8 1= positivo e 0= negativo ajustada pela variável independente função costureira (0) e outros e controlada pelo sexo. Houve associação significativa da suspeita de DMM com o tempo de trabalho na função. a função de costureira tem 1.7%). enquanto que para os que responderam não se sentirem valorizados.R.R.7% e para o último quartil (> 10 anos) a suspeita foi de 35. Em relação à função. A aplicação de screening para levantamento de suspeita de L. . Em relação à função.0097). dos quais cerca de um terço são suspeitas de LER. quando comparada à função de costureira (o) (21.Houve associação significativa entre as variáveis sentir-se valorizado pelo trabalho que realiza e suspeita de DMM (p=0. Este dado vem ao encontro de dado anteriormente relatado que apontou 14% de pessoas que tiveram queixas de saúde relacionadas ao sistema musculoesquelético.67-3. Houve associação entre suspeita de LER e de queixas à saúde (p=0.0002).53).6 vezes mais chances de ter suspeita de L.6%.6 a 10 anos) a suspeita foi de 24.5 anos) a suspeita foi de 21. assim. realizou-se a regressão logística múltipla ajustada. Sentir-se valorizado parece funcionar como uma proteção ao DMM.0586) e valorização pelo trabalho que realiza (p=0. que as outras ocupações. se obteve o “Odds ratio” (Razão de chance) 2. e controlado pelo sexo.6% entre os que não apresentaram.E.2599).43 vezes mais chance de ter suspeita de DMM do que as outras ocupações. 1= positivo e 0= negativo sendo ajustada pela variável independente função: para costureira (0) e outros.6%.4%. Para o primeiro quartil (< 2 anos) a suspeita de DMM foi de 16. para o segundo quartil (2 a 4.6524 (IC95%: 1. sendo a suspeita encontrada em 24. e a função exercida (p=0. o uso de calmantes (p=0.2% dos que responderam sentirem-se valorizados foram considerados suspeitos de DMM.76% entre os que apresentaram queixas e de 13.6%. e sexo (p=0. Houve associação entre suspeita de L. sendo que 20.E.57).

2005. O uso do fumo foi relativamente baixo com 45 fumantes. 15.0028) entre as variáveis. TABELA 15: DISTRIBUIÇAO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES QUE FAZEM USO DE CALMANTES POR TEMPO DE USO. Tempo de Uso < 1 ano (*) 1 até 5 anos 5 até 10 anos > 10 anos Total (*) Incluídos os raramente ou às vezes. Consumo de bebidas alcoólicas Não usam < de uma vez por semana 1 a 2 vezes por semana 3 a 4 vezes por semana 5 ou seis vezes por semana Total Freqüência 282 56 77 6 1 422 % 66. em que 39.4 8.2 100 Quanto ao uso de remédios calmantes.6%. constatamos que há associação (p=0. mas a ingestão de bebida alcoólica foi referida por 140 trabalhadores.1% de DMM. conforme a tabela 14. também são suspeitos de DMM enquanto que os não suspeitos apresentam somente 22. 66 pessoas. Freqüência 36 10 10 5 61 % 59. somente 7 pessoas afirmaram que faziam o uso por mais de dois dias por semana.2%.2 1. 6. referiram ter feito ou estarem usando este tipo de medicamento nos últimos 6 meses. TABELA 14: FREQÜÊNCIA DE CONSUMO DE BEBIDA ALCOÓLICA ENTRE TRABALHADORE DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO E COLATINA-ES.2 100 .7%.0 16. ou 33.Quando analisamos suspeitas de LER com DMM.4 0.3 18. 10.8 13. Dos que disseram consumir bebidas alcoólicas. 2005.1% dos suspeitos de LER. FUMO E MEDICAMENTOS CALMANTES.4 16.5 USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS.

com. 10 9 Afroditi (1). Amytril (1).psicosite. . Diazepan (8) Olcadil (6). um diagnóstico e uma indicação feita por um médico.4% contra 4. Aplaz (2). conforme mostra a tabela 16. enquanto para as mulheres foi maior o uso de calmantes (p<0. de forma limitada.Em relação ao tempo de uso. cuja principal finalidade é o tratamento dos transtornos de ansiedade. Foram maiores para os homens (p<0. cerca de 40% afirmam utilizar estes medicamentos há mais de 1 ano.0% contra 6. geralmente do grupo dos benzodiazepínicos. Cefahim (1). 46 Antidepressivos Fluoxetina (3). Sertralina (1). Lexotan (4). Outras Referências (*) Uma perda.5% das mulheres. mesmo que não exista um distúrbio de ansiedade propriamente dito. e o uso de bebidas alcoólicas (p<0. portanto. Gadernal (1). Alool (1). Valium (1) Freq. Os medicamentos referidos pelos trabalhadores foram basicamente ansiolíticos e antidepressivos. Brumazepan (2). Amitriplina (3). beber e usar calmantes entre os sexos. para controlar tensão nervosa devido a algum acontecimento estressante. (www. Captropil (1).0001) os hábitos de fumar com 19.br acesso realizado em 25/04/2006).2% entre os homens. Tipos Ansiolíticos Medicamentos Rivotril (16). Calmantes referentes (1). Tenadren (1) Os ansiolíticos são os tranqüilizantes mais utilizados. Pondera (1). Podem ser utilizados também. Liptril (1).0001) com 21.9% contra 19. sendo necessário. veja tabela 14. Altrox (1). Navotrax (1). Houve uma diferenciação entre os hábitos de fumar.6% entre as mulheres. 2005. Calman (1).0001) com 59. Assert (1). Somalium (4). TABELA 16: FREQUÊNCIA DOS PRINCIPAIS MEDICAMENTOS CALMANTES UTILIZADOS PELOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. Ansilive (1).

como: a posição fixa em que se realiza o trabalho. perfurações por agulhas. Perguntados também se sentem valorizados pelo trabalho que fazem 247 (58.fixação da vista e ficar na mesma posição (sentado ou em pé) por um tempo muito longo.7%) informaram que sim: 69 (16. como na máquina de corte. a percepção dos trabalhadores sobre as cargas de trabalho que podem ser fontes de doenças em sua atividade estão associadas ao esforço do corpo em fazer as operações biomecânicas e o estresse psíquico introduzidos pela organização no controle da produção e pela péssima qualidade ambiental que aumentam o desconforto e as doenças.3%. pois se sentir valorizado pelo trabalho que faz pode significar um importante amortecedor que contribui para manter a saúde do trabalhador ou sua capacidade de resistir ao processo de adoecimento como veremos.8% (calor. Em relação aos fatores de risco mais citados. umidade e ruído). . Como se pode observar pela tabela 16. controle para ir ao banheiro e baixos salários. Foram citados também alguns riscos de acidentes.9%) que não. estão as cargas fisiológicas com 55. mas houve a percepção de 3. Os demais grupos de cargas foram bem pouco referidos. movimentos repetitivos. substâncias químicas e tintas) e as físicas com 16. 212 (50. seguem-se os agentes ambientais que constituem as cargas químicas com 22.7% de cargas psíquicas como conseqüência de fatores como a pressão pela produção.7 PERCEPÇAO DOS TRABALHADORES SOBRE A RELAÇÃO SAÚDE TRABALHO Quanto à percepção de que as condições de trabalho a que estavam submetidos poderiam prejudicar sua saúde. Esta informação é importante. o mobiliário utilizado . caldeira e lavanderia.em especial a cadeira de madeira utilizada pelas costureiras .4%) que às vezes e somente 105 (24.5% (poeira.2%) responderam que sim. hierarquia rígida. ritmos excessivos.

2005.1 194 55. seguidos dos problemas respiratórios com 24. 1 Caldeira sem manutenção.5%. 4 Atritos com chefias e colegas.R= Freqüência relativa e F. 10 Ficar muito tempo em pé.8 79 22.R. 9 Esforço na coluna. Cargas de trabalho Físicas Químicas Acidentes Fisiológicas Psíquicas Fator de risco F. Deve-se destacar que o grupo dos transtornos .3 13 3. 3 Ritmo acelerado. cheiro de tinta. 11 Esforço visual. 1 Poeira. 1 Água não é gelada. com predomínio dos problemas de coluna.7 351 100 F. 3 Período curto para o almoço. 2 Salário baixo. 22 Cadeira sem regulagem. 49 30 Produtos químicos. 3 Pausa curta ou inexistente.A= Freqüência absoluta. 1 Responsabilidade. em que as alergias foram predominantes. 1 Variação de funções.5 4 1. 36 Ruído. 44 Carregar peso. cerca de metade das referências disseram respeito aos distúrbios musculoesqueléticos. 1 Ficar muito tempo sentado. 1 Lavanderia. 1 Total F. 1 Esforço mental. 13 Muito tempo na mesma posição. 3 Controle para ir ao banheiro. 1 Subir escadas. 22 Esforço repetitivo. 1 Solda elétrica. Máquina perigosa e caldeira. Calor. Perguntados sobre quais os problemas de saúde poderiam decorrer das cargas de trabalho referidas como causas de doenças no seu trabalho.A. 59 % 16..TABELA 17: PRINCIPAIS CARGAS DE TRABALHO REFERIDAS PELOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. 1 Pressão por produção. 1 Máquina baixa. 50 Posição inadequada. 22 Umidade.

constipação (2) 7 Total 327 (*) Em relação ao número de pessoas que responderam a pergunta.5 3. Órgãos e Sistemas Problemas de saúde Freq Músculoesquelético Dor na Coluna (121). ansiedade (1). LER (11).7 24.0 2. 80 bronquite (2). foram referidos aqui como 7% dos possíveis problemas de saúde relacionados com o trabalho. nos ombros (1). cansaço 23 mental (1) Cardiovasculares Problema de circulação (13).1 5. nervosismo (2) Depressão (3). câncer (4).2 2. o que demonstra que a percepção dos trabalhadores sobre a relação trabalho-saúde é alta.0 6. perturbação mental (2). Problema respiratório (20). fraqueza nos braços (1). tonturas (1) Visuais Problema de visão (17).7 1. Gripe-resfriado-garganta (4). asma (2). dor muscular (2). câimbras (1) Respiratórios Alergias (41). .1 100 Verifica-se que de uma forma geral os problemas de saúde referidos têm uma relação de causa e efeito bastante lógica com as cargas de trabalho referidas. nas costas (2). sinusite (3) Psicoemocionais Estresse (14). rinite (5). 20 inchaço (3). 4 Outros Doença de pele (3). bursite (1). pouco referidos enquanto queixa de saúde. 2005. O que demonstra que o trabalhador do setor do vestuário de Colatina – ES. TABELA 18: PERCEPÇÃO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA – ES SOBRE PROBLEMAS DE SAÚDE DECORRENTES DE SEU TRABALHO. irritação nos olhos (1) 18 Desgaste Dor de cabeça (9). %(*) 47.psicoemocionais. dor no ouvido (1) 9 Renais Problema renal (4). 156 artrose (1). cansaço (1) 10 inespecíficos Auditivos Surdez (8). pulso (2). dor nas juntas (1).5 7. dor nos braços (3). varizes (3). apesar de poucas oportunidades de discutir suas condições de saúde e trabalho tem conseguido perceber de forma geral que há situações desgastantes em seu local de trabalho. falta de ar (3). dor nas pernas (9).

4) 46 (10. fazer horas extras e pouco tempo para pausas.6) 66 (15.5) 241 (57.1) 292 (69.1 FONTES DE TENSÃO E CANSAÇO NO TRABALHO Questionados sobre quais as situações são fontes de tensão e cansaço no trabalho.2) 160 (38.Ritmo de trabalho acelerado 10.Falta de cooperação com colegas 12.1) 176 (41.Desconforto e inadequações mobiliárias 11.Falta de treinamento 15.5) 15 (3.1) 22 (5.9) 9 (2.8) 224 (53. Fontes de Tensão e Cansaço 1.2) 299 (87.7) 10 (2.4) 146 (34.0) 19 (4.2) 20 (4. .3) 182 (43. nota-se que o que causa tensão ou cansaço é.Barulho excessivo 6.2) ÀS VEZES N (%) 23 (5.Problemas com chefias 14. as principais situações estão indicadas na tabela 19.4) 144 (34.2) 195 (46.9) 82 (19.1) 37 (8.2) 229 (54. calor excessivo. para mais da metade dos trabalhadores pesquisados: má remuneração.Falta de promoções ou oportunidades 9.0) 210 (49.Pouco tempo para pausas 5.7) 164 (39.5) 75 (17.8) 7 (1.1) 236 (56.6) 327 (77.Improvisações no trabalho 13. jornada de trabalho é longa.Ameaça de demissão 8.4) 268 (63.4) 254 (60.9) 326 (77.Trabalho noturno ou turnos SIM N (%) 249 (59.3) 88 (20.9) NÃO N (%) 150 (35.8) 25 (6.Má remuneração 2.Jornada prolongada e horas extras 4.Trabalhar por produção fixa 7.7) 30 (7.8) 38 (11. TABELA 19: PRINCIPAIS FONTES REFERIDAS DE TENSÃO NO TRABALHO EM TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.5) 195 (46.1) 102 (24.9) Considerando-se as respostas sim e às vezes.Calor excessivo 3. 2005.5) 11 (2.7) 145 (34.6) 21 (5.7) 315 (74.2) 255 (60.0) 3 (0.9) 158 (37.0) 212 (50.7.0) 160 (37.Trabalho monótono ou desinteressante 15.

2005. graças a Deus terminou (1). Acompanhando o trabalho nas fábricas foi registrado que no apito do final do expediente os trabalhadores abandonam imediatamente seus afazeres e saem com bastante pressa do local.7 100 .4 50. Freq. estressado (7). às vezes bem às vezes estressado (2). e a má remuneração. foi indicada pelos bancários como sendo a terceira. os trabalhadores da indústria do vestuário indicaram esta carga como a 10ª em grau de importância.As cargas referidas pelos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina comparado com estudo semelhante realizado por Borges (2000). regular (1). animado/realizado/melhor (8). cujas falas aparecem em vários depoimentos dos trabalhadores. feliz/alegre/satisfeito (15).9 15. 7. Bem (80). Nervosa (1). com dor nos olhos (2). com dores (2). indicam que para cada ramo de serviço aparecerão formas de desgastes diferentes. uma benção (1). Outra justificativa para este fato é a ansiedade para sair do local de trabalho – como uma liberdade alcançada e ou o fim do sofrimento. TABELA 20: DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA – ES SEGUNDO A SENSAÇÃO QUE SENTEM AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DO DIA.2 SENSAÇÃO AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DA JORNADA DE TRABALHO. dever cumprido (2). de alívio de estar saindo de uma situação de gasto de energia física e mental acima do suportável”. com caixas bancários de um banco estatal. 143 Aliviado (53). Na tabela 15 são apresentadas as respostas à pergunta sobre a sensação que sentem ao sair do local de trabalho no fim do dia. que aparece em primeiro lugar em importância para estes trabalhadores. como “um sentimento de estar fugindo de uma gaiola. tranqüilo (12). 214 Total 422 % 33. 65 Cansado (202). O motivo alegado por alguns é o de conseguir bater o ponto primeiro e arrumar um bom lugar no ônibus que a empresa oferece para transportá-los aos bairros mais distantes. livre como um pássaro (5). quase em correria. normal (28). Enquanto que para os caixas bancários a principal fonte de cansaço e desgaste foi o desconforto e a inadequação do postos de trabalhos.

concordando com o que foi registrado anteriormente na hora do apito que sinaliza o final do dia de trabalho. alguns aspectos contraditórios do trabalho como uma coisa que lhe agradam.9% a de ter sensações que expressam bem estar. valorização.Atingir as metas. 5. como por exemplo. COISAS QUE LHE AGRADAM NO TRABALHO 1. As respostas dadas às perguntas abertas sobre as duas coisas que mais lhe agradam e as que mais lhe desagradam no trabalho.. da profissão e de sentir-se útil com 211.7%. 40. fim do mês. etc. 6.3 ASPECTOS AGRADÁVEIS E DESAGRADÁVEIS NO TRABALHO. forma de tratamento.Patrões. 2005.Ter emprego. vindo a seguir o ambiente de trabalho. a profissão. o fim do expediente. 2. mas notam-se as relações pessoais entre os colegas. das respostas encontradas.O ambiente de trabalho. veja tabela 21 abaixo. A relação com os colegas foi o aspecto mais mencionado com 267. e ao fato de atingir as metas. colegas. 4. qualidade do serviço. poder trabalhar.Remuneração. São importantes também as expressões de alívio e de liberdade. a hora do almoço e da .Outros Total de aspectos mencionados Freq. Em terceiro lugar e indicado o bom relacionamento com os patrões e em especial com os encarregados com 75. 7. 267 211 75 38 30 24 20 665 São indicados. foram muito variáveis. TABELA 21: ASPECTOS DO TRABALHO QUE MAIS AGRADAM AOS TRABALHADORES DO SETOR DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. gostar de trabalhar e do que faz. patrões e encarregados como o ponto que pode repercutir positivo ou negativamente na avaliação dos trabalhadores.. união.Amizades. consideração superiores. gostar de trabalhar. 31.1%.2%. ganhar o justo. 11. obter boa qualidade nos serviços com 38 ou 5. companheirismo. 3.Verifica-se que cerca de metade dos trabalhadores referiu sentir-se cansaço ao final da jornada de trabalho e somente 33. 6.7%. pagamento em dia. sentir-se útil. também. fim do expediente.

R F. Agentes Ventilação/calor e barulho. mau cheiro. 74 Muito trabalho. rotina. fracasso. 2005. 9 Relação ruim com patrões/chefes 15 Hierarquia Desconfianças/desrespeito/perseguições/normas. ou seja. Organização Tipo de trabalho que realiza 8 107 26. mau humor. 409 contra 665 que agradam. atraso pagamento. dificuldade para beber água. etc. ignorância. Valorização e 27 86 21.A= Freqüência absoluta. cujos resultados garantem uma maior remuneração.R= Freqüência relativa e F. 6 Trabalho repetitivo.pausa para o café.1 Total 409 100 F.0 consideração. retrabalho. produção alta. produtos químicos. má 9 9 2. cooperação e entrosamento. almoçar na marmita. segunda-feira. pegar ônibus. trabalho noturno e horário rígido. veja tabela 22. 21 21 5. A análise destes quadros demonstra que a organização do trabalho em células reforça a solidariedade do grupo de pessoas na obtenção das metas de produção. 4 Demissões. mentiras e falsidades. Outros Nada. falta de café da manhã. não 15 participação nos lucros. Entre as coisas que mais desagradam os trabalhadores assinalaram um número menor de itens.5% do total. TABELA 22: ASPECTOS DO TRABALHO QUE MAIS DESAGRADAM OS TRABALHADORES DO SETOR DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. desunião. Fofocas. falta 14 Desconforto de higiene. o final do mês e o voltar para a casa com 30 indicações ou 4. 29 38 9. 26 6. intrigas. igualdade tratamento. trabalhar em célula 13 e competitividade.3 ambientais Poeira. Tempo de pausa.3 Administração administração.7 interpessoais Brigas. cansaço.1 do trabalho Horas extras. 12 Má remuneração 45 Falta de valorização. inveja.1 Falta de médico 3 Distância da casa ao trabalho. COISAS QUE MAIS DESAGRADAM NO TRABALHO F.4 11 incompreensões. 6 improvisações. descontos.A % Pressão exagerada encarregada. 77 Relações Falta de coleguismo. remuneração Desigualdade salarial. 21 5. que é um dos itens importantes . 12 101 24. departamento de pessoal.

2%) são os itens que mais desagradam seguidos pelas relações pessoais.5%).que desagradam os trabalhadores. Por outro lado um bom entrosamento no trabalho reforça positivamente o enfrentamento do ritmo de trabalho e as cobranças constantes para manter a produção alta. a grande maioria das respostas está ligada a sentimentos e crenças relacionadas ao mundo social.6%).1%) do total delas. Os trabalhadores enfrentam também. um ambiente de trabalho desconfortável. Este laço de solidariedade cria uma relação de identificação e de companheirismo. Como a relação interpessoal e grupal é um fator muito importante para este grupo de trabalhadores. veja tabela 22. a repetitividade. com vários agentes atuando simultaneamente. Assim. a competitividade e o excesso de trabalho com 102 indicações (27. onde o calor decorrente da má ventilação se sobressai com 23 indicações (6. a organização do trabalho em produção alta. a posição fixa de trabalho. intrigas e outros aspectos do relacionamento entre os que mais desagradam com 77 indicações (20. tendo a fofoca. . que quando não são harmônicas. havendo inclusive certo estranhamento com trabalhadores de outros setores. seguido pela pressão pela produção com 69 (18. quebram a solidariedade intergrupal.4%) e a má remuneração com 40 citações (10.

É o mercado global que deprecia o salário para baixo. cabendo ainda às empresas o processo de seleção e formação complementar. A falta de opção de trabalho na região favorece a aceitação. Os trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina são constituídos por uma população empobrecida e de baixa escolaridade. faz . com média de 31 anos. Os trabalhadores excluídos acabam sendo desviados para o mercado informal.00 (trezentos e cinqüenta e sete reais) e com ganho de produtividade que pode variar de 2 a 36%. periodicamente. dependendo das metas atingidas durante o mês de trabalho. que ministram os cursos de formação.SESC ou pelo Serviço de Ensino Nacional da Indústria – SENAI. seja pelo grande desenvolvimento destas empresas como pela retração do setor agropecuário baseado na monocultura do café e da pecuária de corte. Os novos trabalhadores são capacitados pelo Serviço Social do Comércio . é substituída. por parte dos trabalhadores e de seu sindicato. por sinal praticado em todo o país.8 CONCLUSÕES As relações sociais no interior das fábricas de vestuário têm marcas profundas sendo denunciada pela forma de organização da produção e pela divisão do trabalho. passadoria e de artesanato. que se concentra nos bairros periféricos e nos morros da cidade. Esta população jovem. em casas simples de alvenaria ou de madeira. lavanderia. por novos trabalhadores treinados e com capacidades orgânicas em condições de manter a alta produção que alguns trabalhadores já não suportam mais. sendo mais visível nos setores onde o trabalho vivo é mais atuante. seja nas pequenas oficinas de facção ou no trabalho a domicílio. com salário base fixado em convenção coletiva em torno de R$357. a opção de trabalho da grande maioria dos trabalhadores jovens da região. acabamento. do baixo padrão salarial do setor. como nos setores de costura. Nestes locais é onde a organização capitalista se apropria de maneira mais severa do tempo e da capacidade do trabalhador de produzir os bens de consumo que se transformarão nas mercadorias que proporcionarão o lucro da atividade econômica. A indústria do vestuário de Colatina tem sido desde 1990. que são realizados em dias escolhidos pela empresa.

o número médio de dias de afastamento sobe para 23. a água que é ingerida pelo trabalhador. mesmo a ida ao banheiro é adiada constantemente a fim de garantir a meta da célula de produção. Considerando os últimos 15 dias anteriores à pesquisa. Estas queixas de saúde provocaram. 8. em muitos casos. o processo da flexibilização econômica e a reengenharia da produção tiveram início em 1992 quando uma nova forma de gestão começou a ser utilizada no meio fabril.2% . A célula de produção impôs novo ritmo de trabalho. Os trabalhadores inseridos neste formato de gestão de produção estão submetidos a uma tensão laboral mais intensa o que tem gerado novas doenças relacionadas aos transtornos musculoesqueléticos e aos distúrbios mentais. dado superior ao encontrado em pesquisa semelhante do PNAD (IBGE. mas quando incluídos o tempo total de afastamento.9%.5% de afastamento do trabalho. Na linha de produção. é servida por ajudantes. Este estudo mostrou que a prevalência de queixas de saúde nos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina é estimada em 24. por células de produção. A produção deixou de ser por cotas individuais e passou a ser contabilizada por grupos de trabalho ou. como as dores nas costas e na coluna. e os problemas cardiovasculares que representam 9. As queixas de saúde mais referidas são as musculoesqueléticas. 2000). No setor do vestuário de Colatina. no período da pesquisa. Isso demonstra que uma população mais antiga de trabalhadores já está no estágio final do processo da doença crônica incapacitante relacionada ao trabalho. com 14% de prevalência. mas que não foi objeto de investigação deste estudo. que buscava o aumento da produtividade e da qualidade do produto. tendo que buscar a rentabilidade no aumento da densidade do trabalho. estes casos necessitaram em média de 5 dias de afastamento.as empresas trabalharem cada dia com menor margem de lucro. fato que talvez já esteja aparecendo podendo ser medido no aumento do número de auxílios doenças concedidas pelo INSS. a densidade do trabalho é alta e o trabalhador não tem tempo para fazer pausas. como é conhecida.4 dias.

como os empresários do setor. à função de costureira e ao tempo que exerce a função. em especial da saúde do trabalhador. sendo que 43 atendimentos foram realizados pelo SUS. que existe no setor do vestuário de Colatina.9% disseram que suas queixas de saúde foram relacionadas com as condições de trabalho. ao uso de medicamentos calmantes. 66 pessoas (15. verificou-se que é no primeiro ano de trabalho que são selecionados os trabalhadores que se adaptam à forma de organização da produção. Esta situação reforça a caracterização deste fator de risco como fator causal no processo de adoecimento destes trabalhadores. Dos que apresentaram queixas de saúde e foram atendidos por médicos 6.4% e não houve diferenças em relação ao sexo e a idade sendo associadas fortemente com a função e o tempo em que a pessoa a exerce. e em todos os locais onde a indústria esteja organizada desta forma. para cada período de anos trabalhados. sendo associada ao gênero. Ao se analisar a queixa de saúde por tempo de atividade na indústria do vestuário.A prevalência de suspeitas de distúrbios mentais menores – DMM. Nos últimos 15 dias anteriores à pesquisa.6%) da amostra que tiveram queixas de saúde. A intervenção deve ser feita em vários níveis e pelos atores sociais que atuam neste campo de trabalho. Demonstra também que. os sindicatos de trabalhadores e os órgãos públicos da área do trabalho e da saúde. como em um processo de seleção natural dos mais aptos. os que permanecem na atividade aumentam sua chance de suspeita de transtornos muscoloesqueléticos e de DMM. Considerando os trinta dias de um mês.9%. Os resultados do estudo indicam que são necessárias ações para intervir nas causas do processo saúde-trabalho-doença. Os sindicalistas precisam colocar em sua agenda uma permanente discussão com os empregadores a fim de melhorar as condições de trabalho. também foi de 24. pode estar demandando cerca de 800 atendimentos médicos por mês para o SUS. pode-se estimar que a população de trabalhadores com vínculo empregatício. no setor de vestuário de Colatina (cerca de 4300 trabalhadores). seja pela diminuição . demandaram 82 atendimentos médicos. As suspeitas de lesões por esforços repetitivos – LER teve prevalência de 16.

A ação conjunta entre os órgãos públicos da área da saúde e do trabalho tem sido tema de várias discussões e até de estudos acadêmicos (PINHEIRO.68). pode dar uma grande contribuição. controle dos agentes ambientais. As empresas do setor do vestuário estão classificadas pela NR-4 – Serviços Especializados de Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho como sendo de grau de risco 2. com a mudança na classificação de risco do setor de vestuário. 2003. como forma de controle do desgaste operário. introduzindo pausas periódicas. melhoria do mobiliário utilizado. discussão da produção e da remuneração. isto é. Neste aspecto. 1976. médico do trabalho. porém a solução para o assunto ainda esta longe de ocorrer. no atendimento do Programa de Saúde da Família – PSF e da Unidade Básica de Saúde – UBS. na gestão das cargas de trabalho existentes no ambiente de trabalho e não mais com o “objetivo vinculado à necessidade de reprodução da força de trabalho frente ao processo de produção econômica“ (DONNANGELO. 1996). redução do ritmo de trabalho. O SUS tem que atuar prioritariamente na saúde do trabalhador no controle das causas das doenças. . estas informações servirão de alerta aos órgãos de fiscalização e facilitarão sua ação de investigação. exercícios laborais e rotatividade de funções. Esta classificação obriga somente as empresas com mais de 500 empregados a ter um técnico de segurança e somente as com mais de 1000 empregados a constituírem SESMT com engenheiro de segurança. devem-se aprimorar as normas regulamentadoras que tratam das organizações internas das empresas voltadas para a questão da gestão de risco e controle da saúde (NR-4 e NR-5). com a ação da Vigilância Epidemiológica e Sanitária. mas procurando sempre proteger o trabalhador onde há omissão nos textos legais. mesmo após a realização do 3ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador em 2005. Por outro lado.da jornada de trabalho. tem papel fundamental na notificação de queixas de saúde que possam estar relacionados com o trabalho. A DRT deve aumentar a fiscalização por um lado para fazer cumprir as normas de segurança existentes. a área da saúde. técnico de segurança do trabalho e auxiliar de enfermagem. Na área legal do MTE. apud FRANCO&MERHY. através do SUS. de sua rede de atenção primária à saúde. a área da saúde. p.

capaz de garantir uma vida digna (MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. com a exigência de constituir CIPA a partir de 30 empregados. prevista pela NR-5. do MTE. o que obrigaria as empresas com mais de 100 empregados a constituírem um SESMT com pelo menos um técnico de segurança do trabalho.5). na qual o setor de confecções está situado no grupo C-4. indicam que a classificação mais adequada para o setor de confecções é o grupo C-6. p. que o define como sendo um trabalho adequadamente remunerado. encontradas neste setor. a fim de se ver cumprir os direitos dos trabalhadores por um ambiente de trabalho mais saudável ou. como no dizer da Agenda Nacional de Trabalho Decente. Os inúmeros setores de trabalho e a grande quantidade de trabalhadores em situação de trabalho desgastante. encontrados pelo estudo. exercido em condições de liberdade. e os resultados apresentados por este estudo indicam que é necessária a revisão da classificação de risco desta atividade econômica para o grau de risco 3. 2006. com apenas 2 membros e somente a partir de 141 empregados aumenta sua constituição para 4 membros. eqüidade e segurança. Este mesmo raciocínio se aplica para a constituição das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes CIPA. Estas mudanças são necessárias para que as situações inadequadas de trabalho do setor do vestuário possam ser controladas pelos empregadores. no qual a CIPA passa a ter 4 membros a partir de 80 empregados. . deste ano de 2006.Os inúmeros setores de trabalho e as situações de risco à saúde dos trabalhadores.

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F. 2): p. Trabalho. & LEWIN. 1982. Dispõe sobre condições para a promoção. Karl. MARX. proteção e recuperação da saúde. MINISTÉRIO DA SAUDE DO BRASIL. n. 2001. Elizabeth Costa. Doenças Relacionadas ao Trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde. MONTEIRO. São Paulo: HUCITEC. & NORIEGA. São Paulo. 1991. S. 1998. A construção do campo da saúde do trabalhador: percurso e dilemas. R. Tecendo a precarização: trabalho a domicilio e estratégias sindicais na indústria de confecções de São Paulo. LEITE.C. Salvador: Casa da Qualidade. Diário Oficial da União. 1997. 2004. _______________. 19 de set. De Taylor ao modelo japonês: modificações ocorridas nos modelos de organização do trabalho e a participação do trabalho. julago-set. Importância da ocupação como determinante de saúde-doença: aspectos metodológicos. MINAYO-GOMES.M. Trabalho decente. MERHY. 21ª ed. MEDRONHO. a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providencias. 1996. C & THEDIM-COSTA. MENDES. Brasília: Ministério da Saúde do Brasil. Epidemiologia.93/94: p. __________. 1990. MENDES. v. São Paulo: Atheneu. Túlio Batista. Jorge da Rocha. E. Livro 1. v. 2006. 2 (1): p. dez. Processo de produção e saúde – Trabalho e desgaste operário. René. R. René & DIAS. MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Revista de Saúde Pública.LAURELL. Márcia de Paula.341-349.13 (supl. Emerson Elias & FRANCO. n. Programa de saúde da Família (PSF): contradições de um programa destinado à mudança do modelo tecnoassistencial. O capital: critica da economia política. 55-123. 21-32. 25 (5): p. R. P.17. GOMES. São Paulo. et all. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional. M. Origens. 2003. Maria Silva. 2003. A. Educação e Saúde. 1989. Cadernos de Saúde Pública. A. 1989. Lei orgânica 8. 4ª ed. MENDES. LEAKEY. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. . São Paulo: Hucitec. Rio de Janeiro. Emerson Elias et al. O trabalho em saúde: experienciando o SUS no cotidiano.67. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional.080. 29-37. In: MERHY. Uma agenda para a saúde. Eugênio Vilaça. 2004. 57-93. Os grandes dilemas do SUS: tomo I. 2001. São Paulo: Melhoramentos. Da medicina do trabalho à saúde do trabalhador. São Paulo: Hucitec.

26. PSICOSITE. Alfredo Rodrigues Leite da. T. 6ª ed. RIGOTO. Medicina Social: aspectos históricos e teóricos. 2003. São Paulo: SESI. Dissertação de doutorado. 2003. 1994. 1986. ODDONE. ________________. et al. esperamos cooperar com a democratização da informática no Brasil. Disponível em: www. O livro de ouro da história do Mundo. 1983. ROUQUAYROL. Investigando a relação entre saúde e trabalho. 6ª ed. Porto Alegre: Artmed. Maria Zélia & ALMEIDA FILHO. Cultura em organizações: um estudo de caso sobre o discurso corporativo. Rio de Janeiro: v. Manual de Segurança e Saúde no Trabalho. ROBERTS. 2003. isto é trabalho de gente? Vida. A. Acessado em 25 abr. 2004. Rachel M.psicosite. TRIVELLATO. Centro Biomédico.M. In: ROUQUAYROL. Petrópolis: VOZES. MEDSI: Rio de Janeiro. J. . Rodrigo Marot. I. Universidade Estadual de Campinas. WISNER. Rio de Janeiro: Medsi. Rio de Janeiro: Ediouro. Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas. n. 1993.com.M. SILVA JÚNIOR. Jarbas Barbosa et al. SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA . C. 249-258. São Paulo: Global Editora. Vigilância em saúde do trabalhador no Sistema Único de Saúde: a vigilância do conflito e o conflito da vigilância. Doenças e agravos não-transmissíveis: bases epidemiológicas. Ambiente de trabalho: a luta dos trabalhadores pela saúde. Saúde em Debate. Ansiolíticos. doença e trabalho no Brasil. Responsável Dr. In: BUSCHINELLI. São Paulo: HUCITEC. Maria Zélia & ALMEIDA FILHO. Metodologias de reconhecimento e avaliação qualitativa de riscos ocupacionais. Universidade Federal do Espírito Santo. set/dez. 2001. Cultura e saúde nas organizações. Dissertação de mestrado. p. Como todo nosso conteúdo é de livre acesso. Interdisciplinaridade: conjugar saberes. Naomar.br. A Inteligência no Trabalho. Epidemiologia & Saúde. PINHEIRO. J. 1996.M. p. Naomar. T. O psicosite tem como principal objetivo proporcionar informações de base científica sobre psiquiatria e psicologia para leigos e profissionais. Álvaro et al. Everardo Duarte. SILVA.SESI. 10ª ed. São Paulo: Fundacentro. G. 1998. 62. São Paulo: Fundacentro.NUNES.159-177. 2006. TAMAYO. 2002. 2003. Epidemiologia & Saúde.

Roberto. Estudos Avançados. p. v. Mário F. São Paulo. São Paulo: Editora Atheneu. Lucia M. Fecundidade da mulher paulista abaixo do nível de reposição.17 (49). Epidemiologia. .VERMELHO. In MEDRONHO. G. 66-86. YAZAQUI. 2003. Transição demográfica e epidemiológica. Letícia Legai & MONTEIRO. 2004.

10 ANEXOS A – CARTA DE APRESENTAÇÃO B – TÊRMO DE CONSENTIMENTO DO ENTREVISTADO C – QUESTIONÁRIO D – INSTRUMENTO DE ESTUDO DAS CARGAS DE TRABALHO E – TÊRMO DE APROVAÇAO DO COMITÊ DE ÉTICA .

fale com o entrevistador que o escreverá no final do questionário. As informações são confidenciais e serão analisadas somente pela equipe de pesquisadores. pela importância deste estudo. levando-se em consideração a participação de cada um no resultado final do conjunto dos trabalhadores da indústria do vestuário. Antônio Carlos Garcia Júnior Pesquisador da Fundacentro Coordenador da Pesquisa . visando instrumentalizar a discussão e proposição de normas para a melhoria das condições de trabalho nos diferentes processos produtivos. a Fundacentro irá realizar atividades educativas que possam contribuir com a melhoria das condições de trabalho.ANEXO A CARTA DE APRESENTAÇÃO Colatina. O objetivo desta pesquisa é conhecer as condições de trabalho e saúde dos trabalhadores da Industria dos Vestuários no município de Colatina – ES. Agradecemos sua atenção e colaboração. Prezado trabalhador: A Fundacentro é um órgão do Ministério do Trabalho e Emprego que realiza estudos e pesquisas na área de saúde e segurança dos trabalhadores. e sua repercussão sobre a vida dos trabalhadores. A resposta às questões do questionário e voluntária. por favor. responda honestamente! Caso queira acrescentar algum comentário. conforme sua percepção de sintomas que podem estar relacionados com sua saúde. Atenciosamente. Os dados levantados junto aos trabalhadores e com as empresas serão submetidos a uma analise acadêmica que produzirá uma dissertação de mestrado junto ao Programa de Pós-graduação em Atenção em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo. novembro de 2005. Posteriormente. Portanto.

QUE MINHA ENTREVISTA SEJA UTILIZADA PARA A EXECUÇÃO DESTE ESTUDO. ______________________________________________________. ASSINATURA DO ENTREVISTADO______________________________________ ASSINATURA DO ENTREVISTADOR: ____________________________________ . _____DE_____________2005. COLATINA.ANEXO B FORMULÁRIO DE CONSENTIMENTO DO ENTREVISTADO Nº__________ EU. APÓS SER INFORMADO DOS OBJETIVOS E A IMPORTÂNCIA DA PESQUISA SOBRE AS CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA – ES. AUTORIZO DE LIVRE E ESPONTANEA VONTADE.

QUAL?_______________________________________________________ 6. _____________ 1.EMPRESA EM QUE TRABALHA ________________________________________________ 2.EM QUE REGIAO VOCE NASCEU? ( ( ( ( ( ) COLATINA ) MUNICIPIO DO NORTE DO ESTADO.FUNÇÃO/OCUPAÇÃO: ____________________________________________________________ 3.GRUPO RACIAL ( ( ( ( ( ) BRANCA ) PARDA ) PRETA ) AMARELA ) OUTRO.ANEXO C QUESTIONÁRIO UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPIRITO SANTO – UFES CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE MESTRADO EM ATENÇÃO À SAÚDE COLETIVA – PPGASC Nº.SEXO: ( ) MASCULINO ( ) FEMININO 5.ATÉ QUE ANO ESTUDOU? _________________ANOS 8. ) OUTROS MUNICIPIOS DO ESTADO ) OUTROS ESTADOS ) OUTRO PAÍS .IDADE: _____________ANOS. DESQUITADO OU SEPARADO.ESTADO CIVIL ( ( ( ( ) SOLTEIRO ) CASADO OU VIVE MARITALMENTE COM ALGUEM ) VIUVO ) DIVORCIADO. 7. 4.

15.9.QUANTAS PESSOAS EM SUA FAMILIA DEPENDEM FINANCEIRAMENTE DE VOCE? (INCLUIDO O PROPRIO ENTREVISTADO) Nº DE PESSOAS: _______________ 11.HÁ QUANTO TEMPO TRABALHA NA ATUAL FUNÇÃO? _________ANOS________MESES.SE NASCIDO NA REGIÃO RURAL.CONSIDERANDO O SALÁRIO MÍNIMO ATUAL DE R$ 300.DURANTE A JORNADA DE TRABALHO. HÁ QUANTO TEMPO MUDOU-SE PARA A CIDADE? N° DE ANOS: _____________ 10. VOCÊ REALIZA OUTRAS PAUSAS QUE NÃO SEJAM PARA ALIMENTAÇÃO? .EM MÉDIA.DURANTE A JORNADA DE TRABALHO. 13. VOCÊ FAZ INTERVALOS PARA LANCHES OU REFEIÇÕES? ( ( ) SIM ) NÃO QUANTO TEMPO?__________MINUTOS 18.SEU HORÁRIO DE TRABALHO É: ( ( ( ) FIXO NO PERÍODO DIURNO (ENTRE 7 E 18 HORAS) ) FIXO NO PERIODO NOTURNO (ENTRE 18 HORAS E 6 HORAS) ) EM TURNOS ALTERNADOS (DIURNO E NOTURNO) 17.HÁ QUANTO TEMPO TRABALHA NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO? _______ANOS_______MESES.00 SUA RENDA MENSAL LÍQUIDA PROVENIENTE DO TRABALHO CORRESPONDE A QUANTOS SALÁRIOS MÍNIMOS? _________________________SALÁRIOS MINIMOS 12. QUANTAS HORAS DE TRABALHO SEMANAL VOCÊ FEZ NO ÚLTIMO MÊS TRABALHADO? Nº DE HORAS: ___________________SEMANAIS. 16.HÁ QUANTOTEMPO TRABALHA NESTA EMPRESA? _______ANOS_______MESES. 14.

( ( (

) SIM ) ÀS VEZES ) NÃO

19- VOCÊ ACHA QUE A QUANTIDADE E DURAÇÃO DAS PAUSAS SÃO SUFICIENTES PARA RECUPERAR O SEU CANSAÇO DURANTE A JORNADA DE TRABALHO? ( ( ) SIM ) NÃO

20- DURANTE O SEU DIA DE TRABALHO, AS TAREFAS QUE VOCÊ REALIZA: ( ( ( ( ) SÃO SEMPRE AS MESMAS ) VARIAM UM POUCO ) VARIAM MUITO ) VARIAM DEPENDENDO DO DIA DA SEMANA

21- VOCÊ ACHA QUE SUA CHEFIA O PRESSIONA MUITO? ( ( ( ) SIM ) NÃO ) ÀS VEZES

22- COMO VOCE SE SENTE AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DO EXPEDIENTE?

23- COMO VOCÊ AVALIA SEU ESTADO DE SAÚDE. ( ( ( ( ( ) MUITO BOM; ) BOM; ) REGULAR; ) RUIM; ) MUITO RUIM

24- VOCÊ APRESENTOU ALGUM PROBLEMA DE SAÚDE, NOS ÚLTIMOS 15 DIAS? ( ( ) SIM ) NÃO (PASSE DIRETO PARA A QUESTÃO 30).

25- SE SIM:

QUAIS FORAM ESTES PROBLEMAS DE SAÚDE?
1)_______________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________

3)_______________________________________________________________________________ 4)_______________________________________________________________________________ 5)_______________________________________________________________________________ 26- ALGUM DESTES PROBLEMAS DE SAÚDE FEZ QUE VOCÊ NECESSITASSE AFASTAR-SE DO TRABALHO? ( ( ) SIM ) NÃO

SE SIM, QUAL DELES?_____________________________________________________________ POR QUANTO TEMPO?_____________DIAS. 27- AONDE FOI SEU ATENDIMENTO MÉDICO? ( ( ( ( ( ) MEDICO DA EMPRESA ) PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA (PSF), PRÓXIMA À RESIDÊNCIA. ) UNIDADE BASICA DE SAÚDE AMBULATÓRIO OU PRONTO-SOCORRO DO SISTEMA ) PLANO OU CONVÊNIO DE SAÚDE. ) OUTROS ESPECIFICAR: _________________________________________________

ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

28- O MÉDICO QUE TE ATENDEU RELACIONOU SEU SINTOMA COM SUAS CONDIÇOES DE TRABALHO? ( ( ) SIM ) NÃO

29- VOCÊ ACHA QUE SEU TRABALHO PODE PREJUDICAR SUA SAÚDE? ( ( ) SIM ) NÃO (PASSE DIRETO PARA A PERGUNTA 33)

30- SE SIM: O QUE NO SEU TRABALHO VOCÊ CONSIDERA QUE PODE PREJUDICAR A SAÚDE? (ESCREVA AS TRÊS PRINCIPAIS CAUSAS) 1)_______________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________ 3)_______________________________________________________________________________ 31- QUAIS PROBLEMAS DE SAÚDE VOCÊ CONSIDERA QUE PODEM DECORRER DO SEU TRABALHO? (ESCREVA OS 3 PRINCIPAIS PROBLEMAS DE SAÚDE). 1)_______________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________

3)_______________________________________________________________________________

VOU LER PARA O SENHOR (A) AS INSTRUÇÕES PARA AS PRÓXIMAS QUESTÕES (33 A 52). ESTAS QUESTÕES SÃO RELACIONADAS COM CERTAS DORES E PROBLEMAS QUE PODEM TÊ-LO (A) INCOMODADO (A) NOS ÚLTIMOS 30 DIAS. SE VOCÊ ACHA QUE A QUESTÃO SE APLICA A VOCÊ E VOCÊ TEVE O PROBLEMA DESCRITO NOS ÚLTIMOS 30 DIAS, RESPONDA SIM. POR OUTRO LADO, SE A QUESTÃO NÃO SE APLICAR A VOCÊ PORQUE VOCÊ NÃO TEVE O PROBLEMA NOS ÚLTIMOS 30 DIAS, RESPONDA NÃO. SE VOCÊ NÃO TIVER CERTEZA SOBRE COMO RESPONDER A ALGUMA QUESTÃO, DÊ A MELHOR RESPOSTA QUE PUDER.

QUESTÕES 32- TEM DORES DE CABEÇA FREQUENTES? 33- TEM FALTA DE APETITE? 34- DORME MAL? 35- ASSUSTA-SE COM FACILIDADE? 36- TEM TREMORES NAS MÃOS? 37- SENTE-SE NERVOSO (A), TENSO (A) OU PREOCUPADO (A)? 38- TEM MÁ DIGESTÃO? 39- TEM DIFICULDADE DE PENSAR COM CLAREZA? 40- TEM SE SENTIDO TRISTE ULTIMAMENTE? 41- TEM CHORADO MAIS DO QUE DE COSTUME? 42- ENCONTRA DIFICULDADES PARA REALIZAR COM SATISFAÇÃO SUAS ATIVIDADES DIÁRIAS? 43- TEM DIFICULDADES PARA TOMAR DECIÇÕES? 44- TEM DIFICULDADES NO SERVIÇO (SEU TRABALHO É PENOSO, CAUSA-LHE SOFRIMENTO)? 45- É INCAPAZ DE DESEMPENHAR UM PAPEL ÚTIL EM SUA VIDA? 46- TEM PERDIDO O INTERESSE PELAS COISAS? 47- VOCE SE SENTE UMA PESSOA INUTIL, SEM PRÉSTIMO? 48- TEM TIDO A IDÉIA DE ACABAR COM SUA VIDA? 49- SENTE-SE CANSADO (A) O TEMPO TODO? 50- TEM SENSAÇÕES DESAGRADÁVEIS NO ESTOMAGO? 51- SE CANSA COM FACILIDADE?

SIM

NÃO

CANSAÇO OU PESO EM ALGUMA DESTAS PARTES? 53.VOCÊ FAZ USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS? ( ( ) SIM ) NÃO SE SIM: 62.TEM AUMENTADO A DIFICULDADE EM FAZER MOVIMENTOS DE EXTENSÃO.A DURAÇÃO DE 2 DE QUALQUER DOS SINTOMAS ACIMA É SUPERIOR A 30 DIAS? SIM NÃO 61.SENTE DOR AO PRESSIONAR OU AO MOVIMENTAR ALGUMA DESTAS PARTES? 57.TEM SENSSAÇÃO FREQUENTE DE DESCONFORTO.COM QUE FREQUENCIA BEBE SEMANALMENTE? ( ( ( ( ( ) MENOS DE 1 VEZ POR SEMANA (QUINZENALMENTE OU MENSALMENTE) ) UMA OU DUAS VEZES POR SEMANA ) TRÊS OU QUATRO VEZES POR SEMANA ) CINCO OU SEIS VEZES POR SEMANA ) TODOS OS DIAS.VOCÊ FAZ USO HABITUAL (OU USOU NOS ÚLTIMOS 6 MESES) DE MEDICAMENTOS CALMANTES? ( ( ) SIM ) NÃO QUAIS?___________________________________________________________________ .SUA CALIGRAFIA VEM SE ALTERANDO? 54. MÃOS E DEDOS.OS SINTOMAS ACIMA DESAPARECEM OU MELHORAM NOS FINS DE SEMANA. MÃOS OU DEDOS? 59. FLEXÃO OU ROTAÇÃO DO BRAÇO. QUESTÕES 52.OBSERVA PERDA DE SENSIBILIDADE TÁTIL OU DOLOROSA PERMANENTE EM ALGUMA DESTAS PARTES? 56.AS QUESTÕES SEGUINTES DEVEM SER CONSIDERADAS EM RELAÇÃO AOS MÚSCULOS E ARTICULAÇÕES (AS JUNTAS) DAS SEGUINTES PARTES DO CORPO: PESCOÇO. FERIADOS OU QUANDO NÃO TRABALHA? 60. BRAÇOS.TEM SENSSAÇÃO FREQUENTE DE FORMIGAMENTO OU FISGADAS EM ALGUMAS DESTAS PARTES? 55. 63. OMBROS.TEM APRESENTADO INCHAÇÕ EM ALGUMA DESTAS PARTES? 58.

CONTROLE EXCESSIVO. DISCUSSÕES.TRABALHAR SOMENTE NO TURNO NOTURNO OU EM TURNOS ALTERNADOS (DIURNO/NOTURNO) 70.CALOR EXCESSIVO DURANTE O TRABALHO ÀS VEZES NÃO . 73.VOCÊ SE SENTE VALORIZADO PELO TRABALHO QUE REALIZA? ( ( ( ) SIM ) ÀS VEZES ) NÂO NAS QUESTÕES DE NUMERO 68 A 83. 75. RESPONDA SE ESTAS SITUAÇÕES SÃO FONTES DE TENSÃO E CANSAÇO NO SEU TRABALHO.QUAIS AS 2 COISAS QUE MAIS LHE DESAGRADAM NO SEU TRABALHO? 1)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 66.NÃTO TER OPORTUNIDADE PARA PROMOÇOES NA EMPRESA 71. 74.HÁ QUANTO TEMPO?______________________________________________________ 64.TER POUCO TEMPO PARA PAUSAS NO TRABALHO.TER PROBLEMAS COM CHEFIA (DISCRIMINAÇÃO.QUAIS AS 2 COISAS QUE MAIS LHE AGRADAM NO SEU TRABALHO? 1)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 65.MÁ REMUNERAÇÃO PELO TRABALHO QUE REALIZA. SIM 67. AUTORITARISMO). 68.TER QUE PROLONGAR A JORNADA DE TRABALHO E OU REALIZAR HORAS EXTRAS.AMEAÇÃ DE CORTE DE PESSOAL E DESEMPREGO.FALTA DE COOPERAÇÃO ENTRE OS COLEGAS DE TRABALHO. PERSEGUIÇÃO. 72. 69.

O TRABALHO É MONOTONO E DESINTERESSANTE. 80.RITMO DE TRABALHO MUITO ACELARADO.76. 82. MUITO OBRIGADO POR SUA COLABORAÇÃO.INADEQUAÇÃO E DESCONFORTO NO POSTO DE TRABALHO (CADEIRA E BANCADA).FALTA DE TREINAMENTOS INADEQUADOS PARA O EXERCICIO DA FUNÇÃO.BARULHO EXCESSIVO DURANTE O TRABALHO 77. . 78.TRABALHAR POR PRODUÇAO PRE-DEFINIDA.IMPROVISAÇÕES NO DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES. SINTA-SE A VONTADE CASO QUEIRA FALAR ALGO SOBRE SEU TRABALHO OU SUA SAUDE: ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ________________________________________________________________ O QUESTIONÁRIO ENCERRA-SE AQUI. 79. 81.

ANEXO D ESTUDOS DE CARGAS DE TRABALHO EMPRESA: ________________________________________________________ ENDEREÇO: ________________________________________________________ DATA: ___________________________ HORÁRIO: ______________________ SETOR: ____________________________________________________________ FUNÇÃO: __________________________________________________________ DESCRIÇÃO DA TAREFA: .

Classificação Fonte 1.Químicos a) Poeiras b) Substâncias c) Gases d) Vapores Observações: 3.Biológicos a) Bactérias c) vírus d) Outros Observações: .Físicas a) Ruído b) Calor c) Vibrações d) Radiações e) Umidade Observações: Tempo de Exposição 2.

4.Fisiológicos a) Mobiliário b) Posições c) Ritmos d) Monotonia e) L.Psíquico a) Hierarquia b) Valorização c) Cultura Observações: SINERGISMOS ENTRE CARGAS – ANÁLISE . Noturno Observações: 5. Peso f) Produção g) Turnos h) T.

ANEXO E .

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