UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ATENÇÃO À SAÚDE COLETIVA

ANTÔNIO CARLOS GARCIA JÚNIOR

CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA - ES.

VITÓRIA 2006

ANTONIO CARLOS GARCIA JUNIOR

CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA - ES.

Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Atenção à Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito parcial para obtenção do grau de mestre em Saúde Coletiva, na área de concentração Políticas, Administração e Avaliação de Saúde. Orientador: Prof. Dr. Luiz Henrique Borges

VITÓRIA 2006

Dados Internacionais de Catalogação na publicação (CIP) (Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil) Garcia Júnior, Antônio Carlos, 1956 – Condições de trabalho e saúde dos trabalhadores da Indústria do vestuário de Colatina – ES / Antônio Carlos Garcia Júnior – 2006. 123f.

G216c

Orientador: Luiz Henrique Borges Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Espírito Santo, Centro Biomédico. 1. Saúde Coletiva. 2. Saúde do Trabalhador. 3. Processo Saúdedoença. I. Borges, Luiz Henrique. II. Universidade Federal do Espírito Santo. Centro Biomédico. III. Título. CDU 614.2 ___________________________________________________________________

SP ________________________________________ Prof. Ildeberto Muniz de Almeida Faculdade de Medicina de Botucatu .ANTÔNIO CARLOS GARCIA JÚNIOR CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA . Aprovada em 7 de julho de 2006. COMISSÃO EXAMINADORA ______________________________________ Prof. Dr. Luiz Henrique Borges Universidade Federal do Espírito Santo Orientador _______________________________________ Prof. Dr. Dr.ES Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Atenção à Saúde Coletiva do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo. Aloísio Falqueto Universidade Federal do Espírito Santo . como requisito parcial para obtenção do grau de mestre em Saúde Coletiva.

que me incentivou a seguir a senda do conhecimento. . que me mostrou as estrelas.A Marisa e Maya portadoras dos archotes que iluminam meu caminho. e Maria da Penha Cabalini. Antônio Carlos de Assis Garcia. Aos meus pais.

é necessário externar a minha gratidão a algumas pessoas em especial. com enorme consideração e amizade contribuiu imensamente para a realização deste trabalho. agradeço ao meu orientador Prof. . com dedicação ao trabalho. que foram as grandes batalhadoras e amigas nos momentos mais difíceis e que. Primeiro. acreditando em nosso propósito de trazer luz às suas condições de vida e saúde ocupacional. pelas aulas maravilhosas e momentos de reflexão que mudaram meu enfoque sobre a saúde e a compreensão sobre o processo de adoecimento dos trabalhadores. Aos colegas da FUNDACENTRO do Espírito Santo pelo carinho e a compreensão em minhas ausências para participar das atividades acadêmicas. que sempre acreditou em minha capacidade e. Dr. Sou imensamente grato a FUNDACENTRO que me incentivou através de seu programa de pós-graduação a realizar este mestrado e pelo indispensável suporte financeiro que tornou possível concretizar esta dissertação. mesmo correndo o risco de esquecer alguém. demonstraram garra e compromisso com esta pesquisa. Solange Rodrigues da Silva.AGRADECIMENTOS Nesta hora. Lucimar Flaves Gonçalves. demonstrado pelo incentivo e interesse pelo meu trabalho. Luiz Henrique Borges. A todos os professores do Programa de Pós-Graduação em Atenção a Saúde Coletiva – PPGASC. Rosinéia Maria Cardoso e Maria Aparecida Freire de Almeida. Aos trabalhadores do setor do vestuário de Colatina que concordaram em conceder as entrevistas em seu tempo fora do trabalho. À equipe de entrevistadores de campo Simone de Oliveira Sepulcro. cuja atenção e empenho foram fundamentais para que o trabalho de campo fosse realizado no tempo programado e a todos os demais componentes do sindicato. Sou muito grato também à diretora Vilma Aparecida do Carmo do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário – SINTVEST.

cânhamo. dela geralmente resultarão perturbações que serão experimentadas por aqueles encarregados de sua preparação”.“A mãe natureza está bastante provida de recursos para proteger nossos corpos das agressões do ar. porque foi criada mais para cobrir os corpos dos homens e das mulheres do que para abrigá-los. . Conforme seja a matéria das várias indumentárias. assim como seda. como lã. algodão. As doenças dos Trabalhadores – 1700. se bem que possamos abster-nos dela. Bernardo Ramazzini. linho.

os que mais ocorreram seguidos dos problemas cardiovasculares (9. Saúde do Trabalhador. com média de 31 anos de idade. na indústria do vestuário de Colatina-ES. .0%). A prevalência de suspeita de DMM foi de 24. realizado através da aplicação de um questionário em visitas domiciliares a uma amostra aleatória de 432 trabalhadores.43 (IC95% 1. Os resultados apontaram que as condições de trabalho prejudicam a saúde dos trabalhadores.9% e a de LER foi de 16. com tarefas fragmentadas. Processo Saúde-doença. Os trabalhadores são preponderantemente do gênero feminino (66. Utilizaram-se dois métodos: primeiro.2%) e dos problemas das vias aéreas superiores (6. suspeita de apresentar transtornos mentais menores . A prevalência de queixas referidas de saúde foi de 24. um estudo descritivo com levantamento qualitativo das cargas de trabalho. sendo os problemas músculos-esqueléticos (14.9%.0075).65 (IC95% 1. Utilizou-se de regressão logística múltipla ajustada para estimar o odds ratio entre a função costureira e as demais.53) para DMM. movimentos repetitivos e de pouca valorização do intelecto do trabalhador. em particular dor na coluna e lombares.0142). em segundo. um estudo observacional com delineamento seccional.35%) e jovens. Os dados apontam que há um padrão de desgaste da saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário associado às condições de trabalho. queixas referidas à saúde nos últimos 15 dias. A função de costureira destacou-se das demais pela maior prevalência de queixas referidas (p=0. condição de trabalho.DMM (avaliada através do Self Reporting Questionnaire – SRQ-20) e a suspeita de lesões por esforços repetitivos – LER (através de um questionário de rastreamento).67-3.RESUMO Objetivou-se estudar as condições de saúde e trabalho em trabalhadores com vínculo empregatício com empresas do vestuário que produzem a mercadoria roupa em sua totalidade. O perfil foi obtido através de informações socioeconômicas.4%). encontrando-se OR=1.0001) e de LER (p=0. realizado em ritmos excessivo. Palavras chaves: Indústria do vestuário e saúde. controle rígido.3%. de suspeita de DMM (p<0. em relação às variáveis suspeita de DMM e suspeita de LER.57) para LER e OR=2. presentes no processo de produção desta indústria.06-2.

2%) and also problems on the superior breathing tract (6. health complaints filled on the 15 days previous to questions application.9% and of RSI 16.53) for MMD.0142). worker health.43 (IC95% 1. with repetitive moves and scarce valorization of the workers intellectual conditions. specially the back problems with major occurrences followed by cardiac and vascular problems (9.0001) and of RSI (p=0. finding OR=1. The profile was obtained through social and economic information. 35%). Logistic regression was used for odds ratio estimation among dressmakers and the other functions in relation to the variables with MMD and RSI suspicion. MMD suspicion (p<0. The dressmaker function was highlighted due to the major prevalence of referred complaints (p=0. raised with home collected questionnaires applied to a random sample composed of 432 workers. distributed in muscolosketal problems (14. Espírito Santo State.0075). The prevailing health complaints were 24. Two methods were used: first a descriptive study with the work loads qualitative definition within the production process of such industries. under stiff controls.65 (IC95% 1.67-3.ABSTRACT The objective was to study about the health and working conditions of the formal and legally employed workers from the garment industries in Colatina. The workers are mostly of the feminine gender (66. young with a 31 years age average. MMD prevailing suspicion was 24. an observational study with a cross section profiling. and second. Keywords: Collective Health.9%.4%).57) for RSI and OR=2. minor mental disorders suspicions – MMD (evaluated through the Self Reporting Questionnaire – SRQ-20) and the repetitive efforts injuries suspicions – RSI (through a tracking questionnaire). . health-disease process. The results pointed out that the working conditions do harm the workers health with fragmented tasks done in excessive rhythms. working conditions information.3%.06-2. 0%). that do make and assemble the clothes completely in their productive process.

..........................................................LISTA DE FIGURAS Figura 1: Figura 2: Figura 3: Fluxograma básico do processo de produção da indústria do vestuário.......... 84 ........... 69 Distribuição percentual das faixas etárias por sexo na indústria do vestuário de Colatina-ES............................................................................................ 2005................................. 58 Fluxograma da célula de produção......

.... : Função......................... atividades e carga de trabalho do setor de costura....................... : Função...... : Função.. atividades e carga de trabalho do setor de artesanato.......... : Função............. : Função..LISTA DE QUADROS Quadro 1 Quadro 2 Quadro 3 Quadro 4 Quadro 5 Quadro 6 Quadro 7 Quadro 8 Quadro 9 : Função.... : Função...................... atividades e cargas de trabalho do setor de criação e modelagem.......................... 60 62 63 66 72 73 75 77 79 .......... atividades e carga de trabalho do setor de corte............ : Função............................ atividades e carga de trabalho do setor de acabamento...................................... atividades e cargas de trabalho do setor de almoxarifado de tecidos e aviamentos.................... : Função......... atividades e carga de trabalho do setor de passadeira.. atividades e carga de trabalho do setor de embalagem e expedição............... atividades e carga de trabalho do setor de lavanderia...............................

LISTA DE SIGLAS CIPA CLT CNAE DMM DRT EPI FGTS FUNDACENTRO IBGE INSS LER LT MS MTE NR OIT OMS PCMSO PNAD PPRA PSF RAIS SAS SEBRAE SRQ-20 SESI SINTVEST SUS USB Comissão Interna de Prevenção de Acidentes Consolidação das Leis Trabalhistas Classificação Nacional de Atividades Econômicas Distúrbios Mentais Menores Delegacia Regional do Trabalho Equipamento de Proteção Individual Fundo de Garantia por Tempo de Serviço Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Instituto Nacional de Seguridade Social Lesões por Esforços Repetitivos Limite de Tolerância Ministério da Saúde Ministério do Trabalho e Emprego Norma Regulamentadora Organização Internacional do Trabalho Organização Mundial da Saúde Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional Pesquisa Nacional por Domicilio Programa de Prevenção de Riscos Ambientais Programa de Saúde da Família Relação Anual de Informações Sociais Statistical Analysis Software Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Self-Report Questionnaire Serviço Social da Indústria Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário Sistema Único de Saúde Unidade Básica de Saúde .

...... 2005......2005................. Morbidade referida.................LISTA DE TABELAS Tabela 1: Tabela 2: Tabela 3: Tabela 4: Tabela 5: Tabela 6: Tabela 7: Tabela 8: Tabela 9 Tabela 10: Tabela 11: Tabela 12: Tabela 13: Tabela 14: Tabela 15: Tabela 16: Tabela 17: Tabela 18: Tabela 19: Tabela 20: Tabela 21: Tabela 22: Número de empresas do setor do vestuário.......... Freqüência de queixas de saúde por setor e função na indústria do vestuário de Colatina-ES.............. Freqüência de consumo de bebidas alcoólicas entre trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES....... 2005................................. Principais fontes referidas de tensão e cansaço no trabalho em trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina–ES..... 2005................. 2005............... 2005.............. Distribuição dos trabalhadores da indústria do vestuário de ColatinaES....... Auto-avaliação do estado de saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina ES........ Principais cargas de trabalho referidas pelos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES.......................................................... segundo órgãos e sistemas acometidos....... Medicamentos calmantes referidos como utilizados pelos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina–ES................... 2005................................2005................ 2005... nos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES.................................2005.................................. 2005............ 2005.......................................................................................... Número de dias de afastamento do trabalho por queixa de saúde na indústria do vestuário de Colatina-ES..... Aspectos do trabalho que mais agradam os trabalhadores do setor do vestuário de Colatina-ES... Distribuição da amostra dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina por faixa etária.................. 45 45 79 82 84 85 87 88 89 90 90 91 92 95 95 96 98 99 100 101 102 103 ..................... Distribuição de trabalhadores por tempo de serviço na indústria do vestuário de Colatina-ES ..................... Distribuição dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina ES que fazem uso de calmantes por tempo de uso............... no Brasil e Espírito Santo .............................. por faixas de pessoal empregado... Distribuição de atendimento médico dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES por local....... 2005....................................................................... Distribuição por grau de escolaridade dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES .......... Percepção dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-ES sobre problemas de saúde decorrentes de seu trabalho.......... Causas de afastamento do trabalho na indústria do vestuário de Colatina-ES por órgãos e sistemas...................................... 2005.......................... 2005.......................................................................................... 2005............................................................................................................. 2005........ 2005........................... Prevalência de queixas de saúde com trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina-es por tempo de serviço........2004................. segundo a sensação que sentem ao sair do trabalho no final do dia... 2005................ Aspectos do trabalho que mais desagradam os trabalhadores do setor do vestuário de Colatina-ES.......... Número de empresas e empregados por CNAE-2004 Distribuição de trabalhadores por função e setor na indústria do vestuário de Colatina-ES .. 2005......

.. Análise dos Dados........................................1....1 3..........1 2....................................................................................................................2 3......1 1................................................................... Setor de Costura................3 2.........................................4 3 3..........4 4................. LEVANTAMENTO DE CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA – ES................ A INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA...........2 INTRODUÇÃO..........................................4 4 4.......................................... Procedimentos de Campo....................1.......1......... .............3...........................2 2 2........ AS CARGAS DE TRABALHO NOS SETORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA ........................................... Sujeitos da Pesquisa e Amostra.....1................1 4. Setor de Criação e Modelagem............4.......... OBJETIVOS.....1 Setor de costura e o trabalho em célula de produção...1......................................... CULTURA E SOCIEDADE.........................................................1 1...1............................................................ Instrumento de Pesquisa............................ CARGAS DE TRABAHO E DESGASTE................... ESTUDO DAS CARGAS DE TRABALHO NAS INDÚSTRIAS DO VESTUÁRIO DE COLATINA...3 4.......2 4..1............. Setor de Enfesto e Corte.........................................3............... O PROCESSO DE PRODUÇÃO E TRABALHO DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA........................... ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E SAÚDE DO TRABALHADOR......................................1 4............ 15 18 18 18 19 20 27 29 32 42 43 46 2.....................3.......................................................3...................... Setor de Almoxarifado de Tecidos e Aviamentos....................................................................... Objetivo Geral...........................SUMÁRIO 1 1...............................1 3...............................3 3.................................. METODOLOGIA............ Objetivos Específicos.. DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO-CONCEITUAL DO ESTUDO DAS RELAÇÕES ENTRE SAÚDE E TRABALHO................................................2 3....................................3 48 48 51 52 53 55 58 59 60 62 63 67 3...... AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE TRABALHO COM A SAÚDE: RISCOS...................................................... O CARÁTER CENTRAL DO TRABALHO NA MEDIAÇÃO ENTRE CORPO-MENTE-PSIQUISMO....... MARCO TEÓRICO.......................

CARTA DE APROVAÇÃO PELO COMITÊ DE ÉTICA............. INTERAÇÕES ENTRE AS CARGAS DE TRABALHO E DESGASTE DOS TRABALHADORES........................................ ......7 4.....1............8 4.1 7.... ANEXO D ..........CARTA DE APRESENTAÇÃO.................................................................................................................2 7...... ANEXOS..............................................................................................................................................1........................ ASPECTOS AGRADAVEIS E DESAGRADAVEIS NO TRABALHO..........1.. ANEXO B .......1..........................................................QUESTIONÁRIO......................................................4 6................3 6.. ANEXO E ........FORMULÀRIO DE ESTUDO DE CARGAS DE TRABALHO............ PREVALÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE OU MORBIDADE REFERIDA.......3 8 9 10 Setor de Acabamento.................. 70 72 73 75 77 78 80 82 86 86 89 91 92 95 97 100 101 102 105 110 115 116 117 118 126 129 ANEXO A ....................5 7 7......................... INDICADORES DE SOFRIMENTO PSÍQUICO E LER............. FUMO E MEDICAMENTOS CALMANTES................5 4..................................................... Setor de Passadoria...........4...... USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS.6 4......... SENSAÇÃO AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DA JORNADA DE TRABALHO.... PERCEPÇAO DOS TRABALHADORES SOBRE A RELAÇÃO SAÚDE TRABALHO........................ Setor de Artesanato......... PERFIL DE DESGASTE À SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA....................................................................TERMO DE CONSENTIMENTO DO ENTREVISTADO.............1 6................................. ANEXO C ...............................................2 4.. ABSENTEÍSMO E AVALIAÇÃO DE SAÚDE...................... Setor de Embalagem e Expedição........................................3 5 6 6.............................................9 4....................... ASPECTOS SOCIO-ECONÔMICOS DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA.................................... REFERÊNCIAS.................................... ATENDIMENTO MÉDICO E DOENÇA DO TRABALHO................ CONCLUSÕES........................................................................................................... Setor de Lavanderia..... FONTES DE TENSÃO E CANSAÇO NO TRABALHO...........................................................................1.......................................................................................................... DISTRIBUIÇAO DAS FUNÇÕES POR SETOR DE TRABALHO...............2 6........

realizados no Brasil.214/78 do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE. . específicas da legislação trabalhista. Este incremento de estudos da relação saúde-trabalho implica em estabelecer uma reflexão teórica e o aperfeiçoamento de metodologias de abordagem e intervenção na realidade sanitária dos trabalhadores.Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO e a NR 9 . Como o ambiente de trabalho e as condições de produção são muito particulares para cada local.FUNDACENTRO1. é desconhecida dos pesquisadores da área da Saúde do Trabalhador. são a NR 7 . através de pesquisa dos diferentes espaços. contidas na portaria 3. sobre seu cumprimento pelas empresas. que orientam a fiscalização por parte da Delegacia Regional do Trabalho – DRT. Verificamos nos últimos anos a criação de área de concentração de estudos e pesquisas em Saúde & Trabalho. A maior parte dos estudos sobre as condições sanitárias do ambiente de trabalho. nos programas de pós-graduação das áreas da Saúde Pública e da Saúde Coletiva. divulgar os resultados e capacitar profissionais para atuar no campo da saúde do trabalhador.Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA. pode-se. As normas que mais demandam estudos do ambiente de trabalho e seu controle. órgão federal do Ministério do Trabalho e Emprego cuja missão é desenvolver pesquisas e estudos sobre segurança e saúde no trabalho. por tornarem obrigatória a realização de estudos sobre o ambiente de trabalho pelas empresas. para fazer frente a esta escassa produção técnico-científica. para que se identifiquem seus determinantes e se proponha alternativas políticas e técnicas para sua superação. inseridos em diversificados processos produtivos. obter qual é o 1 Fundacentro – Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho. desde 1988.1 INTRODUÇÃO Na minha experiência profissional como pesquisador da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho . Estes estudos visam somente atender às exigências das Normas Regulamentadoras de Segurança e Saúde no Trabalho – NRs. tenho me deparado com o relativo e pequeno número de estudos publicados sobre as repercussões do ambiente de trabalho na saúde dos trabalhadores. a fim de preservar a saúde e promover a qualidade de vida no ambiente de trabalho. devido ao seu aspecto confidencial.

000 empresas no Brasil. podem estar localizadas em grandes galpões bem dimensionados ou. sendo. devido à sua grande heterogeneidade. que permite a economia de tecidos. comandado pela sazonalidade e pelas tendências da moda. trabalho no setor de mármore e granito. O setor de vestuário tem também sido o que mais participou do processo de reestruturação industrial. tendo desenvolvido estudos e projetos em áreas como: trabalho portuário.700 empresas que geram 17. As indústrias de vestuário. segundo o Serviço Social da Indústria – SESI. o setor tem cerca de 17. sobretudo das informais (COMIN. 2003). o setor da indústria do vestuário é um dos que mais empregam mão-de-obra no Espírito Santo e no Brasil.000 empregos formais. mais rapidez na produção das peças. Apesar da grande sofisticação de equipamentos ocorrida nos últimos anos. muitas delas transferidas pelas fábricas para o interior das residências. Há cerca de dois anos tem se voltado a identificar novas áreas de interesse de estudo. Segundo informações da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS. estarem instaladas em prédios comerciais improvisados e até em residências. A proliferação de empresas menores se dá pela utilização de . Isto ocorre pelo fenômeno da terceirização de partes do processo produtivo e das demandas do mercado. prática que é muito comum no ramo da indústria de confecções (SESI. em particular na área das pequenas e médias empresas e que envolvem um grande contingente de trabalhadores.padrão de mal-estar e adoecimento entre os trabalhadores ou a estrutura epidemiológica resultante da interação de fatores do meio ambiente físico e social do trabalho com o homem. criação de novos modelos. 11). como é mais comum. p. e outros. Dentre os segmentos econômicos compostos por pequenas e médias empresas. há ainda o uso de grande número de máquinas mais simples. 2003). responsável por 60% dos empregos na cadeia produtiva de têxteis e confecções (SESI. construção civil. entre os processos produtivos existentes no Estado. O Centro Estadual da FUNDACENTRO no Espírito Santo tem procurado subsidiar a sociedade capixaba nas questões relacionadas à saúde e segurança no trabalho. 2000. com eliminação rápida de parte importante das médias empresas e proliferação das unidades de menor porte. no Espírito Santo são cerca de 1.

testa os novos modelos e realiza o corte. bem como das lesões por esforços repetitivos (LER) em populações de trabalhadores. 2004. 2004). Em um terceiro nível está o trabalho a domicílio. situadas no segundo nível. por ser exigido maior esforço físico. a sociologia do trabalho no Brasil. Entre as doenças decorrentes do trabalho tem sido indicado por alguns autores (BORGES. Outro aspecto que caracteriza a indústria de vestuário é o elevado uso da mão-deobra feminina. como a nova “velha fórmula” de acumulação de capital. p. pinturas especiais e na operação de equipamentos mais sofisticados (LEITE. em si. O processo de trabalho desta forma pode ser determinante para o aparecimento de um padrão de saúde que pode ser compreendido e sobre ele se criar intervenções que promovam melhores condições de vida para este grupo social. Entretanto nos últimos tempos tem-se observado um aumento no uso de mão de obra masculina em alguns setores dessa indústria. adotou o temo Trabalho a domicilio como uma categoria que designa o trabalho sub-contratado exercido na residência do trabalhador (LEITE.unidades produtivas externas por empresas líderes e até mesmo do trabalho a domicilio2 . é caracterizado pela alta produção por cotas a serem atingidas a cada turno de trabalho. segundo a norma culta. é trabalho em domicílio. mas seguindo a recomendação da Organização Internacional do Trabalho – OIT. 2 . repassando para as empresas de facção ou oficinas. Esta cadeia produtiva se organiza de forma a que a empresa líder faz a concepção. como nas lavanderias. 2000) o aumento da prevalência dos distúrbios mentais e psicossomáticos. onde o pagamento é realizado por peças e determina uma dependência enorme das costureiras para com as empresas de facção. por serem consideradas mais precisas e delicadas na execução do trabalho. provavelmente. exigindo precisão na execução e qualidade no resultado final. em atividade de trabalho em processos repetitivos e com grande demanda de produção. apenas o trabalho mecânico da montagem das peças. que pagam valores extremamente baixos por cada peça montada. sem desconsiderar que no imaginário masculino a costura é tradicionalmente “trabalho de mulher”. fragmentado e realizado com ritmo acelerado. Trabalho a domicilio: Em português. 66). O trabalho.

ES.2 Específicos: . .Estimar a prevalência de queixas referidas à saúde em trabalhadores da Indústria do Vestuário de Colatina-ES.1 Geral: Estudar as condições de saúde e trabalho em trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES. desenvolvido em pequenas e médias empresas.Obter um inventário de fatores de riscos no processo de trabalho da indústria do vestuário de Colatina – ES. interessa estudar: Como o processo de trabalho na indústria de confecções de Colatina.1. .Estimar a prevalência de distúrbios mentais menores e de lesões por esforços repetitivos entre trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES. 1.Analisar as relações entre cargas de trabalho e o desgaste à saúde em trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina . .1.1 OBJETIVOS 1. se relaciona com o processo saúde-doença de seus trabalhadores? 1. .Assim.

identificando a importância da transformação biopsíquica dos seres humanos através das mudanças sociais. O modelo da determinação social da doença propõe que a relação saúde-doença é um processo social. p. Foi a epidemiologia que demonstrou que as doenças são eventos que não ocorrem por acaso. conforme o aporte teórico da Saúde . mas sim ao natural. a atividade de trabalho designa a maneira do ser humano mobilizar as suas capacidades para atingir os objetivos da produção. a seguir. 1989. 100). pois o biológico é em si mesmo histórico e social (LAURELL & NORIEGA. cada um destes aspectos. inclusive o trabalho. Segundo este autor. mas que têm relação com uma rede de outros eventos que podem ser identificados e estudados (MEDRONHO. 1998). Por outro lado. O efeito do trabalho sobre a saúde é muitas vezes silencioso e não apreendido pelo saber estritamente médico” (DEJOURS. serão apresentadas. p. 13). Esse campo tem interface com a Saúde Pública. configurandose como um dos espaços de vida determinantes na construção e na desconstrução da saúde (ASSUNÇÃO. as diferentes abordagens da relação entre saúde e trabalho. Não é uma objeção ao biológico. “o sofrimento dos trabalhadores nem sempre é visível ou objetivo como insistem algumas abordagens. Segundo Wisner (1994. freqüentemente inter-relacionados. 1986). construído a partir de 1970.2 MARCO TEÓRICO Foi utilizado o arcabouço teórico e metodológico do campo da Saúde do Trabalhador. 7). ”todas as atividades realizadas pelo homem. particularmente pela construção e utilização do modelo da determinação social da doença. pode determinar uma sobrecarga. Assim. cognitivo e psíquico“. a Medicina Social e a Saúde Coletiva. p. Tem-se como pressuposto que o trabalho convoca o corpo inteiro e a inteligência para enfrentar o que não é dado pela estrutura técnico-organizacional. como o trabalho constitui-se em fator central para a compreensão do processo saúde-doença dos trabalhadores. têm pelo menos três aspectos: físico. 2004. Para a escola de ergonomia francesa.

135). Segundo Laurell e Noriega (1989. varia ao longo da história da sociedade. A resposta que se dá comumente a estes incômodos ou alterações pelos serviços de saúde é o atendimento do indivíduo pelo médico. Este perfil. A doença é demarcada essencialmente pelo aparecimento. os estratos sociais de uma mesma sociedade apresentarão diferentes condições de saúde. discutir o que é saúde e doença.136).1 DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO-CONCEITUAL DO ESTUDO DAS RELAÇÕES ENTRE SAÚDE E TRABALHO. emprego. tanto pelo estrato social como por sua ocupação profissional. hábitos de vida. p. condições de moradia. violência urbana. A compreensão do que vem a ser saúde é mais ampla do que a de doença. de forma geral. Para entender este conceito de causalidade ou determinismo social é necessário antes de qualquer coisa. o processo saúde-doença é o modo específico pelo qual ocorre nos grupos humanos o processo biológico de desgaste e reprodução.do Trabalhador. que pode ser esperado não apenas no caso clínico individual. conseqüentemente. 3 . Para Laurell (1983. verifica-se a natureza social e histórica do processo saúde-doença ao se analisarem os dados de morbimortalidade de uma população. renda. como também. condições sociais que envolvem o padrão alimentar. 2. de alterações anatomofisiopatológicas que acarretam incômodos ou perda funcional. e como as formas de organização do trabalho se relacionam com a saúde. Esta forma de atenção à saúde Perfil de adoecimento ou morbidade: constitui-se pelo conjunto das patologias mais prevalentes e incidentes que determinado grupo humano apresenta em um dado momento da história (LAURELL. tem um perfil de adoecimento3 que pode ser compreendido em função de fatores como: faixa etária. diferentes perfis. A população que habita uma determinada região. como parte das condições de saúde de uma população. etc. mas que se evidencia no conjunto das pessoas ou na população que compartilha as mesmas condições de vida. em uma determinada época. 1983). p. condições de trabalho. no indivíduo ou nos grupos humanos. Este processo é o seguimento ou evolução de uma luta do organismo por manter a vida e o bem estar.

no qual a doença é o ponto focal e a razão de ser do sistema de saúde. não interferindo. os sintomas. mas somente nos efeitos finais. A epidemiologia pode ser definida como o estudo dos determinantes do processo saúde-doença em grupos populacionais (MEDRONHO. Para dar uma resposta ao modelo do atendimento clínico. 1983. no processo saúdedoença. definidos como uma população. isto é.8). 2004. é necessário investigar como ocorre o processo de saúde-doença no coletivo. A natureza social da doença não se verifica no caso clínico. o que lhe possibilita poder estimar . as doenças não ocorrem por acaso. porque é ela que possibilita as condições de vida e a forma de exposição aos fatores de riscos que irão estabelecer as probabilidades das pessoas adoecerem de determinada forma. no reflexo deste sobre o corpo dos membros de um grupo humano que compartilham as mesmas condições de vida. 2004. p. Portanto. sendo limitado à realização do diagnóstico e ao tratamento. p. a não ser para indicar se a pessoa é ou não portadora de determinadas características patológicas.caracteriza o paradigma médico-biológico. podendo ser identificados. A epidemiologia é a disciplina científica que se fundou na investigação não do “por que” e “como” o individuo desenvolveu uma patologia. Para a epidemiologia. A epidemiologia utiliza-se de um vasto arcabouço de métodos de pesquisa e o uso da estatística como ferramenta para análise das medidas de efeito e de associação entre as diversas variáveis envolvidas. mas no modo característico de adoecer e morrer dos grupos humanos (LAURELL.137). nas causas do processo.7). reforça-se a teoria de que o “caso clínico” tem limitações e especificidades próprias. Ao associar a relação da doença do grupo humano à variação biológica individual é que a história social torna-se importante. na maioria dos casos. mas sim em que característica difere a ocorrência de uma determinada doença entre grupos diferentes. p. Como os indicadores estatísticos não se manifestam no indivíduo. O atendimento individual não oferece solução satisfatória para os graves problemas de saúde que acometem as populações. estudados e sobre eles se criarem intervenções que poderão controlar o processo saúde-doença (MEDRONHO. são eventos entrelaçados com outros eventos que as precedem. daí haver certo esgotamento da medicina clínica como única resposta de atenção à saúde.

2006) e a taxa de fecundidade passou de 2. para 71. em 2000 (YAZAQUI. As conquistas da ciência médica e as melhorias nos padrões sanitários. entre outros aspectos.96). 2004. A saúde seria a capacidade de enfrentamento do organismo das pessoas a situações adversas. No Brasil. p. p. 2001. sendo influenciada de alguma forma pela vida social. nutricionais e de qualidade de vida das populações. mental e social.probabilidades de ocorrência de eventos e de analisar melhor os determinantes das doenças nas populações. em 2004 (IBGE. p. cuja transição demográfica é contemporânea ou retardada. Fatores como a queda da fecundidade. mas um estado de completo bem-estar físico.290). da dinâmica de mudanças da composição da população ao longo do tempo. fato relatado pela primeira vez em 1940 e que ficou conhecido como transição demográfica (VERMELHO & MONTEIRO. atendimento integral e participação comunitária (MENDES. como direito de cidadania e dever do Estado. Este conceito de saúde se liberta do vínculo da fisiopatologia e insere parâmetros de bem-estar social em um modelo que só é possível ser construído com a ampliação dos direitos dos seres humanos na sociedade. evidenciou-se um outro fenômeno: a transição epidemiológica.9 anos. organizado segundo as seguintes diretrizes: descentralização e mando único em cada esfera de governo. 2003. Os padrões de saúde são conseqüências. aliada aos .91). para 2. como de relevância pública e cujas ações e serviços devem ser providos por um Sistema Único de Saúde. aumento da perspectiva de vida das pessoas e a queda da taxa de mortalidade determinam um envelhecimento da população. em 1940 (SILVA JÚNIOR. como parte da seguridade social.20. 2003).59 anos.9 filhos por mulher em idade fértil. A saúde na Constituição é definida como resultante de políticas sociais e econômicas. a expectativa de vida média subiu de 44. a Carta Constitucional de 1988 teve forte influência dos grupos da área da saúde que participavam da discussão e construção de novos conceitos sobre a saúde. registrada em 1991. No Brasil. A Organização Mundial de Saúde – OMS a define não apenas como a ausência de doença. Simultaneamente à transição demográfica.

1991). ao centrar sua ação no indivíduo. A revolução industrial. o médico Bernardino Ramazzini (1633-1714) relacionou com precisão a origem de determinadas doenças em mais de 50 ocupações. traduzido em nossa língua como As Doenças dos Trabalhadores (MENDES & DIAS. as condições de trabalho mudaram radicalmente e os problemas de saúde relacionados com o trabalho se tornaram mais evidentes. 1997). concomitantemente às primeiras legislações de proteção aos trabalhadores. após 150 anos de sua morte.avanços da medicina preventiva. iniciada na Inglaterra no século XIX. proporcionaram uma diminuição das doenças infecciosas e um aumento das doenças crônico-degenerativas nas taxas de morbimortalidade (VERMELHO & MONTEIRO. oriundos da área rural ou de pequenas oficinas. Assim. Quando surgiu. Estes trabalhadores. Para não inviabilizar seu negócio. registradas em seu livro De Morbis Artificum Diatriba. colocou um médico para verificar o efeito do trabalho sobre a saúde de seus empregados e determinar meios que pudessem prevenir as doenças e diminuir o absenteísmo. Esta concepção foi conseqüência das descobertas da microbiologia que identificaram a origem das doenças infecciosas (FACCHINI. Segundo Facchini (1993). utilizou como paradigma a inferência unicausal. 1991). eram submetidos a um ritmo de trabalho acelerado. proprietário de uma fábrica têxtil inglesa. Robert Dernham. com cargas horárias desumanas acarretando grande incidência de acidentes e doenças (MENDES & DIAS. 2004. O fato histórico que determinou uma radical mudança na forma de se organizar o trabalho e de alocação da força de trabalho foi denominada de revolução industrial. em 1830. Nascia assim. como um dos fatores mais importantes na determinação do processo saúde-doença. 1993). A Medicina do Trabalho é caracterizada por ser uma abordagem centrada no médico. surgiram novas concepções e abordagens sobre o processo saúde-doença. o primeiro serviço de saúde no interior das fábricas e a Medicina do Trabalho. afirmando que somente . Todavia. necessitou do consumo da força de trabalho de grande contingente de trabalhadores. sua eficácia ficou comprometida. após a segunda guerra mundial. por não intervir no processo de produção material e de desgaste dos trabalhadores.92). cujo procedimento estabelecia que para cada doença houvesse uma única causa ou agente etiológico (MINAYO-GOMES & THEDIM-COSTA. desde a antiguidade. p. As condições de trabalho são percebidas. No século XVIII.

principalmente nos Estados Unidos da América. Este modelo tem forte influência da Higiene Industrial.um fator de risco não explicava a ocorrência de determinadas doenças. por ocasião do exame admissional. no Brasil. no seio dos Serviços de Engenharia e Medicina do Trabalho – SESMT e de empresas prestadores de serviços de Medicina do Trabalho. a fim de controlar os riscos ambientais. considerando as relações entre concentrações ambientais. Os trabalhadores têm pouca ou nenhuma participação no processo de controle e são sujeitos ao monitoramento biológico. que propôs intervir nos locais de trabalho. realizando exames médicos admissionais. são utilizadas as práticas dos dois modelos de saúde do trabalhador: o da Medicina do Trabalho e da Saúde Ocupacional. que podem afastar os trabalhadores da função e demiti-los posteriormente ou não os contratarem. através de exames médicos periódicos. Já a Saúde Ocupacional é uma concepção utilizada por algumas grandes empresas . que acabam denunciando seu estado de saúde. periódicos e demissionais. Na maioria das vezes este procedimento serve para resguardar os interesses das empresas. determinando os limites de tolerância à exposição a estes agentes. sua absorção pelo organismo humano e seus efeitos. Todavia. já que uma única disciplina não dá conta de todos os aspectos implicados neste processo. ela abriu espaço para que este controle fosse prioritariamente feito pelo uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e pelo controle do tempo de exposição do trabalhador aos agentes ou fatores de risco. A Medicina do Trabalho atua ainda no interior das fábricas. caso seja verificado que eles portem alguma alteração de saúde. onde a relação saúdetrabalho já há algum tempo estava sendo estudada. que relaciona o corpo do trabalhador com as condições físico-químicas presentes no ambiente de trabalho. Estes princípios foram os alicerces da concepção da Saúde Ocupacional. o que levou muitos pesquisadores a concluírem que o processo saúde-doença é a síntese de múltiplas determinações (modelo multicausal). Tiveram papel importante na discussão da Saúde Ocupacional as escolas de Saúde Pública. aumenta a importância das equipes multiprofissionais para o estudo da relação trabalho-saúde. Atualmente. No modelo multicausal. A Saúde Ocupacional introduziu formas modernas de intervenção em saúde no trabalho ao indicar o controle dos riscos nos ambientes de trabalho através de ações técnicas.

nas quais são desconsideradas a subjetividade dos trabalhadores articulada com o processo produtivo. A Saúde do Trabalhador tem sido discutida intensamente nos últimos 30 anos. ainda pretende apresentar alternativas que possam romper o processo de adoecimento.e entidades de pesquisa. o desafio que se apresenta neste campo é introduzir questões como: as crenças e idéias de mundo que unem o concreto ao imaterial. Na área da Saúde Pública. de estabelecimento de uma prática e a consolidação de uma área que fosse abrangida pela questão da saúde no trabalho deram origem ao campo da Saúde do Trabalhador. da Medicina Social e da Saúde Pública. A Saúde do Trabalhador tem como objeto de estudo o processo saúde-doença dos grupos humanos. sempre na perspectiva da apropriação destes métodos pela classe trabalhadora. a cultura no interior das organizações que estabelecem a hierarquia e o poder de mando e o lugar de cada um nessa sociedade urbanoindustrial. as tentativas de construção de um objeto de estudo. 1991). o avanço da Medicina Preventiva. executar ações de vigilância . No bojo de lutas sociais que levaram à democratização política. houve também melhoria na qualidade de vida e do acesso aos serviços de saúde. se constituindo como um dos temas importantes da Saúde Pública no Brasil. Na América Latina. sendo consagrada no artigo 200 da constituição federal. durante as décadas de 60 e 70 do século passado. que estabelece como uma das competências do Sistema Único de Saúde – SUS. 1991). Nos estudos desenvolvidos pela Saúde do Trabalhador. Assim. desencadeou o questionamento do modelo médico tradicional. atualmente. incorporando a prática da Medicina do Trabalho (MENDES & DIAS. ampliando o debate sobre o processo saúde-trabalho. há um esforço para romper ou superar a lógica da exposição aos fatores de riscos presentes no ambiente de trabalho como as causas únicas do processo de adoecimento. as representações sociais. o salário enquanto forma de acesso ao mercado de consumo de bens e serviços. em sua relação com o trabalho (MENDES & DIAS. Além de objetivar a compreensão do “por que” e do “como” ocorrem as doenças e os acidentes do trabalho.

bem como as de Saúde do Trabalhador (MINISTÉRIO DA SAÚDE. 2001). a promoção e a proteção à saúde dos trabalhadores. sendo responsáveis pela articulação das políticas e programas de interesse para a saúde. cuja execução poderá envolver áreas não ligadas diretamente ao âmbito do SUS. ligadas diretamente ao Conselho Nacional de Saúde. sejam sociais. No artigo 5º.080 de 1990 que dispôs sobre as condições para a promoção. Posteriormente. em que há a necessidade de. A Saúde do Trabalhador é considerada uma atividade especial das Comissões Intersetoriais. organizacionais e os fatores de riscos ocupacionais presentes no processo de produção. Esta complexidade torna a área de estudo da Saúde do Trabalhador um campo interdisciplinar. a Saúde do Trabalhador ficou definida como: “um conjunto de atividades que se destinam através de ações de vigilância sanitária e epidemiológica garantir a promoção e a proteção à saúde dos trabalhadores bem como a recuperação e reabilitação dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho” (MINISTÉRIO DA SAÚDE.sanitária e epidemiológica. Iniciativas de alguns órgãos governamentais indicam que as intervenções no processo saúde-trabalho-doença serão cada vez mais uma prioridade do governo que não pretende somente garantir os direitos universais de acesso à saúde e sim diminuir os custos sociais advindos do tratamento de acidentes e doenças bem como das aposentadorias e pensões precoces. A Saúde do Trabalhador é hoje uma importante área da Saúde Pública que tem como objetivo o estudo. parágrafo 3º. desta importante lei. tecnológicos. segundo Nunes (2002). proteção e recuperação da saúde. esta competência foi regulamentada pela Lei 8. conjugar saberes para uma abordagem mais profunda desta questão. . A saúde dos trabalhadores só é compreendida quando são considerados todos os aspectos que condicionam as vidas destas pessoas. 1990). a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes.

Esta foi a primeira forma rudimentar de planejamento. cerca de 12 milhões de anos. como pedras lascadas. 26). teve início a pré-história: o homem conseguia refrear seus impulsos naturais imediatos a fim de garantir o suprimento futuro. quando surgiu a primeira criatura que poderíamos identificar como um hominídeo.2 O CARÁTER CENTRAL DO TRABALHO NA MEDIAÇÃO ENTRE CORPO-MENTE-PSIQUISMO. 1982. p. O trabalho é um processo que ocorre entre o homem e a natureza. parece ter sido capaz de exercer alguma forma de previsão. Esta relação do homem com o trabalho e seu grupo social foi o motor do aperfeiçoamento e especialização que lentamente moldou o corpo e a arquitetura cerebral de nossa espécie. 2003. p. órgãos ou de seu corpo físico. a Saúde do Trabalhador precisa. A raça humana deu um significativo avanço em sua evolução. 211). Os estudos antropológicos demarcam este período pelos vestígios do uso pelo homem de ferramentas rudimentares criadas por ele. de progredir em suas bases científicas. ele também é constituído por seu componente cognitivo e psíquico. resistindo à tentação de partir a comida e comê-la onde estavam” (ROBERTS. psicológicos e sociais de desgaste e o surgimento das doenças. faz-se necessário apreender a complexidade da natureza humana já que o homem não é composto somente de músculos. Neste momento. construído cotidianamente ao longo de milênios da história de nossa espécie.Por outro lado. cada vez mais. os processos biológicos. A evolução da espécie humana já dura. 2001. . Para que se possa vislumbrar o processo de adoecimento no trabalho. machados de pedra e pontas de lanças que são os primeiros instrumentos de trabalho desenvolvidos pela inteligência humana. CULTURA E SOCIEDADE. quando “o Australopithecus: embora de forma rudimentar e vaga. segundo os antropólogos. 14). p. o Ramapithecus (LEAKEY & LEWIN. para desvendar como ocorrem nos grupos de trabalhadores. tendões. podendo-se mesmo afirmar que a humanidade evoluiu por si mesma através do trabalho (MARX. 2.

Nos 2 milhões de anos seguintes não parou mais de evoluir, até chegar ao início de nossa civilização, demarcada, segundo os historiadores, pelo desenvolvimento da linguagem. No entanto, a história só começa a ser contada, com a invenção da escrita, há cerca de 5.500 anos, através de pedras ou blocos de argila encontrados na Mesopotâmia. O fato é que a forma como nossa mente vê o mundo não surgiu de repente, como um flash de luz, quando em nossa primeira infância nos demos conta de que estávamos no mundo. A espécie humana desenvolveu sua consciência do mundo de forma vagarosa, laboriosamente, em um processo que durou um tempo infindável, até alcançar o estágio civilizado (JUNG, 1980, p. 23). O homem possui características psicossociais que foram moldadas ao longo de sua história, enquanto espécie, junto ao grupo onde foi criado, na sua relação com os outros e desenvolve seu sistema próprio de crenças e ideologias, formando o que os sociólogos denominam de cultura. O homem, quando em grupo, desenvolve um conjunto de características que torna este coletivo de pessoas diferente de qualquer outro. Constrói formas de comunicação através da linguagem e códigos de reconhecimento grupal, seja na forma de rituais próprios, arte, símbolos, crenças ou idéias. Este conjunto de produtos culturais é recheado de significados que garantem o equilíbrio entre a estrutura mental e comportamental do ser humano. Hosfstede (1980, apud TAMAYO, 2004, p. 19), define cultura como a “programação coletiva da mente que diferencia os membros de um grupo humano de outros”. Esta programação individual ou coletiva se faz através de condicionamentos que se auto-reforçam no interior do grupo, seja através de condutas previamente aprovadas ou reforçadas no interior da família. Entre estes condicionamentos estão os significados das coisas e onde entra o lugar de cada um no mundo social, fundamentalmente o do trabalho. A criança é condicionada a ter como objetivo de vida a ocupação de um posto de trabalho na estrutura produtiva da sociedade, desde sua participação no interior da família. O estímulo constante ocorre seja na forma lúdica de brincar com ferramentas de trabalho ou de uma profissão, ou com o reforço constante de seus pais, através de questionamentos ou afirmações, como: “O que você vai ser quando crescer?” “Se você não estudar não vai ser ninguém na vida!” Assim, o trabalho e a ocupação tomam importância central na vida das pessoas e delineiam seu futuro na sociedade (MENDES, 1989).

O trabalho ou a ocupação de cada um na sociedade tem importância relevante na formação psíquica de cada indivíduo, seja pelo reconhecimento do grupo mais próximo, pelo sucesso almejado com recebimento do salário, o poder sustentar-se a si e a família e o de sentir-se útil para a coletividade. Na determinação da classe social, a vida e a morte dos seres humanos guardam relação com a posição que estes ocupam dentro dos arranjos sociais das classes fundamentais: capitalistas e trabalhadores. Ou ainda segundo Karl Marx.

[...] o trabalho, como criador de valores-de-uso, como trabalho útil, é indispensável à existência do homem – quaisquer que sejam as formas de sociedade -, é necessidade natural e eterna de efetivar o intercâmbio material entre o homem e a natureza e, portanto, de manter a vida humana (Marx, 2003, p. 64).

Em função disso, dessa relação central na vida das pessoas, o trabalho influi sobre a vida e morte dos seres humanos (BERLINGUER, 1983 apud FACCHINI, 1993, p.46).

2.3

A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E SAÚDE DO TRABALHADOR

O trabalho por si só não seria a fonte de mal-estar e adoecimento do homem, mas sim a forma como ele é organizado e condiciona o homem na sua execução (COHN & MARSIGLIA, 1994). Segundo a visão marxista, o trabalhador, quando vende sua força de trabalho, tem que se submeter ao controle do capitalista, a quem pertence seu trabalho (MARX, 2003, p. 219); assim, é durante a execução das atividades que a força da gerência capitalista fará este potencial transmutar a matéria prima em produto4, de acordo com a base técnica e das relações sociais que pode lançar mão. Segundo Braverman (1987), o princípio norteador da produção capitalista é a divisão do trabalho. Diferente da divisão das tarefas nas sociedades anteriores, onde basicamente a divisão do trabalho estava vinculada aos papéis do sexo ou da hierarquia do grupo, na sociedade capitalista é vinculada à fragmentação da tarefa

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Trabalho vivo, segundo Marx, apodera-se das coisas da natureza para transformá-las de valores de uso possíveis em valores de uso reais e efetivos (MARX, 2003, p. 217)

em componentes simples a fim de aumentar a produção e diminuir o custo dos salários. As bases teóricas desta forma de organizar o trabalho foram estudadas e teorizadas pelo engenheiro americano Frederick Winslow Taylor (1856-1915), cujos princípios ele divulgou com a publicação em 1911 de seu famoso livro Princípios de Administração Científica. O modelo de gestão da produção criado por Taylor estabelece a expropriação do saber operário (a concepção do como fazer é atributo da gerência e a execução ao trabalhador), a fragmentação do trabalho em etapas simples, cabendo ao trabalhador executá-la o mais rapidamente possível sem a necessidade de pensar; esse relativo ganho de produtividade é recompensado com um salário extra. Era o início do processo de organização do trabalho moderno, ou de exploração da força de trabalho em larga escala, que proporcionou um grande desenvolvimento da humanidade e da acumulação de riquezas. Todavia, o custo humano deste desenvolvimento foi feito também com sofrimento da classe trabalhadora e uma grande incidência de acidentes e de adoecimento, pois esta forma de organização do trabalho, além de alterar as condições ambientais encontradas na natureza, insere um ritmo imposto externamente e a repetitividade da tarefa, retirando do trabalhador o planejamento da execução que passa a ser realizado pela gerência. A gerência significa, de fato, o controle das formas de trabalhar, ainda incluíndo todo o processo produtivo, o que fazer e o como fazer, a da apropriação mais adequada do trabalho alienado – isto é, a força de trabalho comprada e vendida (BRAVERMAN, 1987, p. 86). O controle retirado do trabalhador e a fragmentação do trabalho tornam o produto coletivo, a mercadoria, como algo alheio e estranho ao produtor. Este estranhamento causa a desrealização do ser social, atingindo sua subjetividade (ANTUNES, 1998, p. 124). Os modelos de organização do trabalho com o objetivo de fazer o trabalhador ser mais produtivo vêm sendo desenvolvidos por vários teóricos e se transformado ao longo do tempo. Entre estes foi desenvolvido por Henri Ford em 1913, o sistema de produção em grande escala de produtos padronizados, baseado na esteira rolante, destinados ao mercado de massa (MONTEIRO&GOMES, 1998). Esta forma de produção, Fordismo, trouxe sérios impactos sobre a saúde dos trabalhadores,

Este modelo denominado de Toyotismo pressupõe a polivalência. 1987. podendo haver alternância de funções entre os membros. p. somente os corpos adestrados. rotatividade de tarefas. p. maior valorização do trabalho em grupo do que o individual e a inserção de novas formas de gerência como o just-in-time. Este modelo embute também a terceirização e a flexibilização econômica das relações de trabalho e cria o sindicalismo de empresas. 54). que busca uma gerência industrial mais eficiente em uma organização mais flexível baseada no fim da divisão do trabalho pela prescrição das tarefas e do relacionamento autoritário.resultando em cansaço. 2003. p. Segundo Dejours. certa autonomia. com vistas a melhorar a produtividade (ANTUNES. 1992. apud MONTEIRO&GOMES. O grupo tem assim. Em 1940 surge na Inglaterra uma nova idéia de controle denominada de corrente sócio-técnica. com o compromisso produção. treinados e condicionados pela organização do trabalho (DEJOURS. 42). que se baseia na formação de equipes de trabalhadores que executam cooperativamente as tarefas designadas. Nas últimas décadas. São os denominados teamwork ou células de . o modelo de controle da produção desenvolvido pelos japoneses tem sido copiado pelo ocidente. A organização do trabalho faz desaparecer a atividade intelectual do operário no seu trabalho o que. doenças fisiológicas ou psicossomáticas. ocasionando o desequilíbrio entre as partes e favorecendo o aparecimento de doenças psicossomáticas. não resta mais nada. enfraquecendo a representação política dos de atingir as metas de produção (FLEURY. sempre mínimos no toyotismo e os Círculos de Controle de Qualidade (CCQs). o sistema kanban. após a desapropriação do know-how e desmantelada a livre organização do trabalho da classe operária. o trabalhador perdeu sua capacidade de controlar a economia do corpo e manter sua saúde. segundo Dejours. Por esta forma de organizar a produção. mental e psíquica do trabalhador. em especial as inovações organizacionais desenvolvidas por Ohno Toyota. acidentes e absenteísmo. constituídos por grupos de trabalhadores que são instigados pelo capital a discutir seu trabalho e desempenho. que através de placas e senhas de comando controla a reposição de peças e estoque. 54). causa um desastre na estrutura físico. que objetiva o melhor aproveitamento possível do tempo de produção.

trabalhadores. O trabalho é realizado agora para satisfazer as necessidades de produção estabelecida pelo grupo ao qual o trabalhador está inserido. A terceirização tem sido responsável pela precarização das relações de trabalho, já que é uma estratégia para a redução de custos. Este modelo favorece o desaparecimento das empresas com muitos trabalhadores empregados que são pulverizados em centenas de milhares de empresas pequenas. As pequenas empresas vivem para prestar serviços para as empresas líderes ou montadoras, sendo obrigadas a reduzir o custo da produção através do aumento da produção, com o conseqüente aumento da densidade do trabalho. Nestes novos tempos de globalização do trabalho e da produção, os capitalistas têm utilizado o que é denominado de reengenharia, como forma de reestruturar os processos empresariais, para o realinhamento dos custos operacionais e o enfrentamento da concorrência de produtos vindos do Japão e dos países denominados de tigres asiáticos, com a China surgindo mais recentemente. Apesar de pequenas diferenças o objetivo é sempre fazer a habituação do trabalhador de forma a aumentar a produção. Seja sob qual denominação que se encontre o modelo de gestão da produção, em sua essência, encontraremos lá os fundamentos do taylorismo e do fordismo, que sobrevivem ainda no seio das empresas, como forma de apropriação da capacidade dos trabalhadores produzirem a riqueza.

2.4

AVALIAÇÃO DAS CONDIÇOES DE TRABALHO COM A SAÚDE: RISCOS, CARGAS DE TRABALHO E DESGASTE.

O marco teórico para a compreensão da relação saúde-trabalho tem sido bastante desenvolvido nos últimos 35 anos, tomando-se como base a análise das cargas presentes no ambiente de trabalho como um todo complexo, cuja interação entre as partes se dá de forma processual, imprimindo-lhe uma qualidade específica (ASMUS&FERREIRA, 2004, p. 393). Estas cargas de trabalho se constituem em fatores de riscos que podem provocar acidentes e adoecimento, pois são elas

responsáveis por desgastar o corpo, a mente e as capacidades vitais dos trabalhadores (FACCHINI, 1993, LAURELL&NORIEGA, 1989). Sem o objetivo de levantar historicamente em detalhes ou de revisar criticamente os diferentes métodos empíricos de estudo dos fatores ou circunstâncias de riscos nos ambiente de trabalho, abordamos a seguir alguns modelos conceituais utilizados por vários autores e pela legislação brasileira. Inicialmente, no inicio dos anos 70, as causas dos acidentes e doenças foram definidas pela Engenharia de Segurança do Trabalho, através de conceitos que sobrevivem até hoje na NR-1 – Disposições gerais. São elas: a) “condições inseguras”, representadas por falhas em equipamentos, ferramentas defeituosas, arranjo físico deficiente, treinamentos inadequados ou inexistentes e a presença de agentes químicos, físicos ou biológicos no ambiente de trabalho5, com o potencial de provocar lesões ou enfermidades; b) “atos inseguros”, cometidos pelos trabalhadores ao burlarem as normas de segurança (TRIVELATO, 1998). Posteriormente, a Medicina do Trabalho se apropriou da categoria “risco” a fim de identificar os elementos nocivos presentes no ambiente de trabalho que podem, por suas características, causar danos à saúde dos trabalhadores, mas de uma forma isolada no esquema monocausal (LAURELL&NORIEGA, 1989, p. 109) A Higiene do Trabalho, que também utiliza o conceito de risco, desenvolveu a técnica de avaliação de risco e dos níveis seguros de exposição. O modelo de avaliação tem como etapas: a) Identificação do perigo; b) Avaliação de doseresposta; c) Avaliação da Exposição e d) Caracterização do risco. A higiene industrial estabeleceu os Limites de Tolerância (LT) de concentrações e do tempo de exposição do trabalhador aos agentes ambientais e reconheceu o papel sinérgico destes agentes entre si, levando em consideração as características genéticas dos indivíduos e com a forma em que o trabalho é realizado. Apesar deste avanço, sua abordagem ainda é a de causa e efeito num viés monocausal.

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Ambiente de Trabalho é definido, de acordo com Oddone (1986), como o conjunto de todas as condições de vida no local de Trabalho, abrangendo: características do local: dimensões, iluminamento, aeração, rumoriosidade, presença de poeira, gases ou vapores, fumaça, etc, além de elementos da atividade (tipo de trabalho, posição do operário, ritmo, ocupação do tempo, horário de trabalho, turnos, alienação, valorização intelectual e profissional).

A área da saúde, através da epidemiologia, introduziu o conceito de risco, agora sob a teoria do modelo multicausal, defendendo a necessidade da presença simultânea de vários fatores de risco para que se possa explicar a produção do adoecimento de uma determinada população. Segundo Trivellato (1988), o risco representa a possibilidade de um efeito adverso ou dano ou a incerteza da ocorrência, distribuição no tempo ou magnitude de resultado adverso. A epidemiologia introduziu também o conceito de “fator de risco” como sendo todas as variáveis presentes no ambiente de trabalho com o potencial de ao interagir com o corpo do trabalhador, causar um dano à saúde. Os fatores de risco, por suas características e especificidades, podem ser classificados de várias formas, havendo algumas variações de um modelo para outro. No Brasil, utiliza-se uma classificação que surgiu da NR-9 (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA) e posteriormente foi inserida na NR-5 (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA), que estabelece a obrigatoriedade dos componentes desta comissão fazerem o mapeamento dos riscos em todos os ambientes de trabalho da empresa, avaliando seu potencial de causar danos, na seguinte graduação: pequeno, médio ou grande. Este mapa de risco deve ser fixado de forma visível nos locais de trabalho e discutido com todos os trabalhadores a fim de que eles participem da gestão da segurança e saúde no trabalho. Por esta norma, os fatores de risco são classificados em: Riscos Ambientais (físicos, químicos e biológicos), Riscos de Acidentes e Riscos Ergonômicos. Sua definição pode ser mais bem compreendida de acordo com a exposição abaixo: Riscos físicos: São as diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, bem como o infra-som e o ultra-som. Riscos Químicos: São as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão.

ou que trazem constrangimento (contrainte) ao psiquismo do trabalhador. presença de animais peçonhentos. protozoários. foi classificado como risco mecânico e. 2005). chamado de Modelo Operário Italiano. trabalho com equipamentos energizados.17. posteriormente. Riscos de Acidentes: São todas as situações ou condições inadequadas no ambiente de trabalho que podem ser causa de acidentes com lesões nos trabalhadores como: piso de trabalho escorregadio. nos anos 60. enfim. item 17. p. vírus. queimaduras. manutenção inadequada de equipamentos. e abarca em sua abordagem.475) o restringe somente à natureza anatômica. bacilos. como: as bactérias. parasitas. entre outros. entre outros. insegurança e baixo desempenho. uso excessivo dos músculos e tendões. Segundo a Norma Regulamentadora 17. que podem levar o trabalhador à infecção ou ao parasitismo. p. Riscos Ergonômicos: São os fatores de risco que podem trazer: desconforto anatômico e fisiológico. picadas de animais peçonhentos. Desta forma. máquinas sem proteção. entre outros e se torna pouco representativo para situações de risco com eletricidade. inclusive os riscos ambientais e de acidentes.1 (ATLAS.391 e CÂMARA. uso inadequado de ferramentas. fisiológica e psíquica do homem. Este modelo foi o sustentáculo . já que a ergonomia por sua definição é um campo muito vasto e de caráter interdisciplinar. a ergonomia procura adaptar todas as condições de trabalho que podem entrar em conflito com as características psicobiológicas do homem causando-lhe desconforto. a falta de sinalização. que foi formulado por trabalhadores e profissionais em Turim. O mapa de riscos foi trazido para nossa legislação a partir da experiência dos sindicatos italianos. pressões excessivas da organização da produção. 2003. fraturas. porque o termo mecânico parece estar mais relacionado a acidentes com lesões no corpo que provoquem corte.Riscos Biológicos: São os microorganismos. foi mudado para risco de acidentes. os aspectos que os ergonomistas denominam de relação homem-máquina. daí a mudança de denominação. fungos. a utilização deste conceito pela NR-5 e por vários autores (ASMUS&FERREIRA. 2004. O termo ergonômico é utilizado de forma inadequada. a desvalorização intelectual. Por esta definição a ergonomia pretende estudar o trabalho como um todo a fim de estabelecer uma intervenção que possa melhorar a situação de trabalho. esmagamento. Inicialmente.

névoas. 3º Grupo: Está relacionado ao trabalho físico do corpo do trabalhador. a não-delegação e a validação consensual. repetitividade. que os classifica como: . 2º Grupo: São constituídos por fatores que surgem pelo consumo das matérias primas no processo de produção. como: poeiras. gases. como: luz. vibração. responsabilidade. perdeu sua importância devido ao desvirtuamento de sua confecção e utilização pelos trabalhadores como forma de gestão do meio ambiente de trabalho. em que o consumo de calorias e seus possíveis efeitos nocivos se relacionam com a fadiga. como: ritmos excessivos. O Modelo Operário Italiano estabelece em suas bases que os trabalhadores não podem delegar aos técnicos a definição dos padrões sanitários do ambiente de trabalho. posições incômodas. segundo suas características (ODDONE. Todavia. que o grupo de trabalhadores expostos de forma homogênea às mesmas condições de trabalho e com laços de união entre si valide os conhecimentos operários sobre os fatores de riscos consensualmente. seus conceitos principais continuam sendo utilizados na confecção dos Programas de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e nos estudos dos ambientes de trabalho. 1986. A experiência brasileira com os mapas de riscos não foi positiva. temperatura. vapores e fumaças. umidade e radiações. principalmente pelo recorte da gestão de riscos. utilizam algumas variações em suas denominações e classificação como o utilizado por Trivellato (1998).21-24): 1º Grupo: São os fatores que existem na natureza e que são alterados no ambiente de trabalho. a valorização da experiência ou subjetividade operária. ruído.da luta dos trabalhadores por melhores condições de saúde e tem 4 conceitos principais: o grupo homogêneo. monotonia. ventilação. tornando-se assim um modelo de construção do conhecimento operário sobre as condições de trabalho. p. Hoje. Outros autores que estudam os fatores de riscos. trabalho em turnos e noturno. 4º Grupo: Os fatores classificados neste grupo estão relacionados à forma como é organizada a produção. Por este modelo os riscos são classificados em 4 grupos.

Químicos: substância química. em seu estudo clássico sobre as condições de trabalho na principal siderúrgica mexicana. 110). fisiológicas e psíquicas. criticam estes modelos de identificação de risco por considerar que todos reduzem o risco ao ser caráter ambiental externo e analisam os fatores de forma isolada. c) Humano ou comportamental: decorrentes da ação ou omissão. por outro lado. Consideram o conceito de risco limitado e insuficiente para a caracterização do desgaste do trabalhador. que manifestará queixas ou patologias. vírus. . as cargas fisiológicas e psíquicas somente têm materialidade interna e são expressas pelo trabalhador. independentemente do trabalhador.a) Ambientais: . 1989. . adquirirão uma materialidade interna pelas transformações que causam nos processos intracorporais mais complexos. também. que pode ser verificado com a perda da capacidade potencial e efetiva corporal e psíquica do trabalhador (LAURELL&NORIEGA. assim. químicas. ruído. bactérias. sendo responsáveis pela adaptação do corpo do trabalhador a estas condições. ferramentas. As cargas externas. pág.Biológicos: microorganismos como fungos. vibração. névoas. poeiras. etc. como a sudorese e alterações hormonais. gases. mecânicas. constituindo mudanças que podem ser . o processo de desgaste. Como exemplo. biológicas e mecânicas têm materialidade externa ao corpo e podem ser avaliadas quantitativamente. químicas. materiais e operações a serem realizadas. b) Situacional ou de acidentes: situações inadequadas relacionadas às instalações. fumos metálicos. ao interatuarem sobre o corpo do trabalhador. Esta categoria de análise busca compreender o processo de trabalho e os fatores que interatuam dinamicamente entre si e no corpo do trabalhador. gerando. propondo outra categoria de análise denominada “carga de trabalho”. Baseados na concepção da determinação social do processo saúde-doença desenvolvido por Laurell e Noriega (1989). as cargas físicas. as cargas de trabalho de acordo com suas especificidades são classificadas como: físicas. o calor presente no ambiente de trabalho se expressa através dos mecanismos de termo-regulação.Físicos: radiação. equipamentos. etc. Segundo Laurell e Noriega (1989). Neste modelo. biológicas.

39) define estas cargas de trabalho como as demandas ou exigências psicobiológicas do processo de trabalho. etc. os pisos escorregadios. radiações e vibrações. adquirindo materialidade nos processo psíquicos e corporais. as escadas sem proteção.). a dependendo do tempo de exposição dos trabalhadores a estas condições. como o trabalho em altura. alternância de turnos de trabalho e os ritmos excessivos são exemplos. f) Cargas Psíquicas: relacionadas com manifestações somáticas. Por exemplo. feridas. alto ritmo de produção. Resumindo este conceito ou categoria de análise. desqualificação do trabalho. se expressando na fisiologia com mudanças nos corticosteróides (LAURELL&NORIEGA. 1989. fumaças. segundo Laurell e Noriega. consciência da periculosidade dos trabalhos. posição incomoda. fibras. As cargas de trabalho podem ser identificadas e classificadas como: a) Cargas físicas: ruído. líquidos. c) Cargas biológicas: presença de microorganismos: vírus. As cargas psíquicas. d) Cargas mecânicas: condições do ambiente de trabalho responsáveis pelos acidentes que causam lesões instantâneas no corpo do trabalhador (contusões. gerando ao longo do tempo as particularidades de desgaste do trabalhador. só têm existência na relação dos homens com os outros homens e com as coisas. pressão atmosférica. supervisão com pressão. o trabalho com substâncias perigosas. vapores. calor. . fumos metálicos.112). Subcarga psíquica: perda de controle do trabalho pela subordinação à máquina. e) Cargas fisiológicas: relacionadas ao dispêndio de energia e desgaste no interior do corpo humano: esforço físico pesado. a monotonia e a repetitividade podem causar a hipotrofia do pensamento e da criatividade humana. etc. bactérias e fungos. Facchini (1993. etc.temporárias ou não. sendo divididas em dois subgrupos: Sobrecarga psíquica: atenção permanente. separação entre a concepção e execução. umidade. b) Cargas químicas: poeira. p. p. etc. fraturas. fragmentação do trabalho que resulta em monotonia e repetitividade.

Almeida Filho (2004) critica o modelo de determinação social do processo saúdedoença tendo o trabalho como causa central. tendo significado e valorização do trabalho. decorrentes do que se denomina de sinergismo. entre os elementos do processo de trabalho. podem haver situações de atenuação. 182) Como as cargas de trabalho interagem de forma bastante complexa para cada ramo produtivo e para cada processo de trabalho. Em terceiro lugar. em segundo lugar. proposto por Laurell e Noriega. Outra questão que podemos levantar é o conceito de materialidade externa e interna que não traz benefício ao entendimento sobre a exposição do trabalhador às cargas . 180). acrescenta.A associação do desgaste com a reprodução determina a constituição de formas históricas biopsíquicas que são características e que determinarão o aparecimento de uma série de enfermidades particulares. Nesta análise. aponta que não há uma hierarquia entre as diferentes cargas. em primeiro lugar por questões epistemológicas e. p. um trabalhador realizando um trabalho pesado. em um local mal ventilado e em uma posição incômoda. o modelo teórico da determinação social da doença reduz a complexidade social a uma única dimensão. potencializando seus efeitos. é possível identificar um perfil de cargas de trabalho que conformam um determinado padrão de desgaste operário (FACCHINI. Por exemplo. as cargas de trabalho só podem ser entendidas como articuladas no processo de trabalho e que interagem com as demais cargas. in BUSCHINELLI. irá ter um desgaste derivado de cada um deles. Facchini. e por isso não se tornam amortecedores das cargas psíquicas somatizantes. isto é. in BUSCHINELLI. 1993. denominada por Laurell (1989) como o perfil patológico de um grupo social. mas sim. sendo que são a organização e a divisão do trabalho no interior das empresas que ocupam a hierarquia superior em termos de controle e consumo da força de trabalho (FACHINI. ao processo de trabalho. mas valores maiores. que não corresponde à sua simples somatória. que são compensadas pelo fato da atividade permitir a tomada de decisões. como no exemplo onde o trabalhador mantém alto ritmo de produção e situações de desconforto. p. Por outro lado. 1993. pela incapacidade deste modelo conseguir substituir o conceito de risco como ferramenta conceitual para expressar o caráter coletivo do processo saúde-enfermidade. No entanto.

pelo atrito entre os tecidos musculares e os tendões. mas de escravização. por exemplo. 169) . o modelo da determinação social trouxe algo de novo que é enxergar além das cargas de trabalho e não somente por elas. só são analisadas pelo aspecto do esforço do trabalhador em realizar o trabalho. o trabalhador exposto e sua vida em um mundo social que está sempre reforçando sua condição de ser produtivo.]desta maneira vem a ser não uma fonte de liberdade. mas do confinamento do trabalhador dentro de um círculo espesso de deveres servis. em particular nas indústrias de alta tecnologia. causando até mesmo certa confusão. a aproximação entre as funções de pensar e de executar. p. nas indústrias de produção em massa. Primeiro. as cargas internas. em segundo lugar. a própria organização da produção. rotatividade de funções. a partir da revolução industrial no século XIX e das modernas técnicas de administração da produção (Taylorismo. a questão dos mobiliários inadequados que não dispõem de regulagens ergonômicas que permitam uma postura mais adequada. por que as cargas externas só têm relevância no momento da interatuação com o corpo do trabalhador. retiram do trabalhador o planejamento do trabalho. entre outros). não do domínio. e não do alargamento do horizonte do trabalho. no qual a máquina aparece como a encarnação da ciência e o trabalhador como pouco ou nada (BRAVERMAN. 1987. que [. há um retorno de atividades de planejamento para o domínio dos trabalhadores ou. problemas que têm repercutido na saúde dos trabalhadores como causa da maioria das doenças crônico-degenerativas.de trabalho. robotizando seus movimentos e sua criatividade. Toyotismo. em especial as fisiológicas. como o gasto calórico. os trabalhadores perdem o controle sobre o trabalho com o desenvolvimento da maquinaria. dada às transformações no mundo do trabalho. ou pela postura incômoda necessária para a realização da atividade e não analisa. Alguns estudos têm demonstrado que no momento atual.. Apesar destas críticas. antes de se materializarem em desgaste no corpo. que em sua maioria também têm materialidade externa e podem ser analisados pelos técnicos ou pelos trabalhadores. antes. As mudanças na forma de organizar o trabalho. mas de desamparo. Fordismo. O fato é que. concepção próxima da execução.. a ausência de pausas.

Entre estas práticas está a flexibilização da produção. como: o 13o salário. FGTS. expresso pelas freqüências elevadas de distúrbios à saúde dos trabalhadores. férias. ao longo das últimas quatro décadas. . assim. entre outros (ASSUNÇÃO. principalmente para algumas categorias de trabalhadores.Atualmente. a qual consolidou. 2003). Daí se estabelece que as relações e o processo de trabalho são os fatores mais importantes na determinação social das doenças. a hipótese deste estudo de que as relações de trabalho e as formas de organização de trabalho encontradas nas indústrias do setor de vestuário de Colatina determinam um conjunto de cargas de trabalho que repercutirão em desgaste. Configura-se. Como parte das cargas psíquicas do dia-a-dia dos trabalhadores está o fantasma do desemprego. da sua gestão e as relações de emprego que se deterioram à medida que passam a serem entendidas como a possibilidade de se contratar trabalhadores sem os ônus advindos da legislação do trabalho. é importante considerar que o capitalismo tem ganhado força e ampliado suas formas de apropriação das riquezas produzidas pelo mundo do trabalho. direitos e garantias mínimas. além de todos os fatores de riscos já citados.

Estas informações são colhidas através dos seguintes instrumentos: a entrevista com o trabalhador. a investigação da relação entre a saúde e o trabalho compõese de três elementos: Levantamento e análise do perfil de saúde e dos riscos a que esteja exposto o trabalhador ou o grupo de trabalhadores. são utilizados largamente em todo o mundo e têm reconhecido poder de revelar o estado de saúde e doença da população (CAMPOS. meio ambiente.159). (. em função das normas estabelecidas pelo estado dos conhecimentos médicos. 1982. O resultado quantitativo que se quer alcançar nestes estudos é uma estimativa da medida de prevalência de alterações à saúde. antes de tudo. consumo.3 METODOLOGIA Segundo Rigoto (1993. que estão ocorrendo no corpo do trabalhador ou do grupo de trabalhadores. pois se pretende apreender a totalidade das interações do homem com o ambiente de trabalho que participam do processo saúde-doença. portanto. hábitos de vida. p. a morbidade diagnosticada é. existem várias formas de se obter a morbidade de uma população. O estudo e a pesquisa sobre as relações entre o perfil de saúde e de riscos e as alterações de saúde verificadas. por fim. de demanda em face do sistema de saúde. a morbidade comportamental reflete as implicações sócio-econômicas dos problemas de saúde bem como as atitudes e reações em face desses problemas.) a morbidade sentida permite principalmente abordar a noção de necessidade e. Segundo esta autora. p. 1993). 81) . ao nível da: produção. as entrevistas coletivas e o estudo dos locais de trabalho. comportamento na vida diária. De acordo com Gomes e Tanaka (1982).. a morbidade objetiva pretende ser uma medida de prevalência real dos fenômenos mórbidos em uma população.. Os estudos transversais. o reflexo do funcionamento do sistema de cuidados médicos. (GOMES&TANAKA. denominados também na década de 1970 como inquéritos de saúde. o objeto de estudo da saúde do trabalhador é complexo e multifacetário. Detecção e avaliação das alterações de saúde precoces ou manifestas.

Colatina consolidou seu pólo de indústria do vestuário a partir de 1990. Inicialmente como fábricas familiares que utilizavam poucos trabalhadores. podendo-se inclusive consultar os prontuários médicos das Unidades Básicas de Saúde.1 A INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA. que intermediavam a venda. possuíam acabamento quase artesanal e eram vendidas de porta-em-porta pelas denominadas “sacoleiras”. as queixas de saúde. melhoria das áreas físicas das empresas com a reforma e ampliação das instalações e a construção de novas e . a prevalência de morbidade referida tem sido confirmada como um indicador altamente confiável das condições de saúde populacional e com alta capacidade de revelar desigualdades entre grupos. com produção de poucas peças que se destinavam ao mercado local. desencadear o processo de adoecimento. No caso deste estudo. A detecção precoce dos sinais que possam caracterizar ou indicar a instalação das patologias é importante para a avaliação da eficácia dos controles dos agentes agressivos implantados pelas empresas e se os limites de tolerância adotados são compatíveis com a variabilidade das suscetibilidades dos trabalhadores. a mente e o psiquismo dos trabalhadores que podem. individualmente ou de forma sinérgica. Através da identificação das queixas de saúde. A indústria do vestuário surgiu no município de Colatina entre as décadas de 60 e 70 do século XX.Para estes autores. 3. da associação entre eles e das demandas da atividade exercida pelo conjunto de operários que atuam em um determinado setor produtivo. que o grupo de trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina – ES sentiram nos últimos 15 dias anteriores à coleta de dados. dos agentes de risco a que são expostos. Nos ambientes de trabalho são encontrados inúmeros fatores que entram em contato com o corpo. investimento em tecnologia de ponta com a aquisição de máquinas modernas. Segundo o sócio proprietário e fundador de uma das indústrias de confecções pioneiras no município. serão indicadores da morbidade. ocasião em que houve grande incremento do número de indústrias. pode-se determinar o perfil de saúde dessa população de trabalhadores.

modernas fábricas. fato que ocorre no setor devido a terceirização e para que estas empresas não percam os incentivos fiscais.11-1 . O perfil destas empresas. da seguinte forma: 18 . ou seja.BANDES e por instituições como o SEBRAE. em 2003. Este estudo abarcou apenas as empresas classificadas no CNAE 18.12-0 .Fabricação de acessórios para segurança industrial e pessoal. o que explica.145 trabalhadores. o avanço da produção em milhares de peças por dia e a conquista do mercado nacional e internacional. demonstra uma grande concentração nas empresas com até 4 empregados. A indústria do vestuário é identificada pela Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE.asp.Confecções de Artigos do Vestuário e Acessórios 18.gov.Confecção de peças interiores do vestuário 18.21-0 .br/bda/tabela/protabl.sidra.13-9 .13.22-8 . sendo 1. acessado em 02/12/2005).Fabricação de acessórios do vestuário 18.662 empresas no Estado do Espírito Santo ocupando 16. . existiam 75.12-0. as empresas de confecção de artigos do vestuário e acessórios.9).Fabricação de acessórios do vestuário e de segurança profissional 18. aliado ao incremento na capacitação da mão-de-obra pelas empresas.1 (18.ibge.Confecção de outras peças do vestuário 18.Confecções de roupas profissionais 18. e 18.Confecção de artigos do vestuário e acessórios 18.11-1. por faixa de pessoal ocupado total.1 . em boa parte financiada pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo .2 . No Brasil. 18. htpp://www. As empresas também desenvolveram técnicas próprias e criaram moda. em parte. veja Tabela 1.062 empresas do ramo de vestuário ocupando 563.223 trabalhadores (IBGE. visando garantir uma maior homogeneidade dos processos de trabalho estudados.

Dados mais recentes sobre o universo de empresas deste setor existentes no município de Colatina no ano de 2004 foram obtidos no cadastrado na Relação Anual de Informações Sociais .278 81 1. POR FAIXAS DE PESSOAL EMPREGADO. conforme a tabela 2.2004 CNAE 1811-2 1812-0 1813-9 1821-0 TOTAL Fonte: RAIS/MTE Nº EMPRESAS 19 160 4 1 184 Nº TRABALHADORES 265 4037 38 2 4342 .CLT. 2004.076 1.249 250 – 499 2.010 39 416 19 76 4 54.723 54 1.TABELA 1: NÚMERO DE EMPRESAS DO SETOR DO VESTUÁRIO. Constando neste cadastro em 31 de dezembro de 2004.638 8. NO BRASIL E NO ESPÍRITO SANTO. Faixas de pessoal empregado Região 0-4 Brasil ES 5 – 9 10 – 19 20 – 29 30 – 49 50 – 99 100 .798 6. no CNAE de nosso estudo 184 empresas que informaram a existência de 4. do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE.110 201 154 Fonte: IBGE/2005.RAIS. TABELA 2: Nº DE EMPRESAS E EMPREGADOS POR CNAE .342 trabalhadores contratados pelo regime da Consolidação das Leis Trabalhistas .

Para realizar estudos sobre o processo de trabalho Rigotto (1993. horasextras. matérias-primas utilizadas. radiações. os meios de produção (máquinas. salário e a relação com os sindicatos das categorias. recomenda que as informações necessárias a serem obtidas devam abarcar os seguintes aspectos: 1. . 2.Relação com o meio ambiente: como se dá a disposição de todos os resíduos sólidos e líquidos do processo de produção e qual é sua influência no ecossistema do entorno da fábrica. ventilação. refeitórios.Descrição das condições ambientais de trabalho: onde se estuda se no meio ambiente de trabalho existem elementos que possam ser agentes nocivos para os trabalhadores como os aerodispersóides (poeiras. 4Organização do Trabalho onde se verifica como ocorre a divisão das tarefas (concepção e execução). a presença de microorganismos que possam ser fonte de contaminação e as situações que podem provocar acidentes. Portanto. fumos metálicos.Identificação das empresas do ramo de atividade. a presença de energias como o ruído. bebedouros.) e o fluxograma da produção. produtividade. Para os propósitos deste estudo foram utilizadas as recomendações de Rigotto. 5.). considerando-se o fato do objeto de estudo ser o conjunto dos trabalhadores do setor do vestuário e não uma empresa específica. autonomia).162). 3.Aspectos históricos sobre como as empresas surgiram e o contexto sócio-econômico e como se organizam as representações de classe dos trabalhadores.Instalações da empresa: onde o espaço físico do local de trabalho é analisado no aspecto de divisão espacial (layout). importância econômica na região em que estão instaladas e o número de trabalhadores contratados direta e indiretamente. rodízios de funções). áreas de lazer. etc. 7.2 ESTUDO DAS CARGAS DE TRABALHO NAS INDÚSTRIAS DO VESTUÁRIO DE COLATINA. o mobiliário. ferramentas. os mecanismos de controle da produção (ritmos. tempo para pausas.O processo de produção onde se verificará o volume da produção. p. 6. a jornada de trabalho (turnos. tornou-se necessário conhecer os principais fatores de risco encontrados neste tipo de indústria que poderiam constituir cargas de trabalho para estes trabalhadores. gases e vapores).3. etc. equipamentos. vestiários. vibração. iluminação. conforto e higiene (banheiros. aspectos de estabilidade no emprego. incluída aí uma análise da gestão destes fatores de risco.

por similaridade. ocorreram no período de 15 de janeiro a 15 de fevereiro de 2006. que utiliza a categoria carga de trabalho. Neste levantamento. com o propósito de se obter informações sobre os seguintes fatos: como surgiram as primeiras indústrias no município.Para realizar esta etapa do estudo foi necessário realizar visitas aos locais de trabalho para observar in loco as formas de organização da produção e registrar em documento de campo (Anexo D) quais os principais fatores de risco à saúde dos trabalhadores que estão presentes no processo de trabalho da indústria do vestuário em Colatina. Não foram realizadas avaliações quantitativas dos fatores de riscos e nem de sua capacidade de causar danos aos trabalhadores. que possui maior número de atividades e de situações de risco podendo ser. suas características principais. mas um levantamento qualitativo preliminar. cujo objetivo foi identificar a presença de fatores de riscos que podem representar fontes de desgaste dos operários e contribuir para a formação do perfil de adoecimento. Durante este trabalho foram realizadas também entrevistas informais com diretores e pessoas ligadas a este ramo industrial que participaram do seu desenvolvimento no município de Colatina. Este trabalho foi realizado em quatro empresas do município de forma a observar todas as etapas de fabricação de duas empresas que costuram jeans e que dominam todo o processo de fabricação das calças e duas que fazem facção e costura roupas de menor qualidade. Este recorte do complexo ambiente de trabalho do setor abrange somente a estrutura técnica da produção da calça jeans. As visitas de campo. O estudo das cargas de trabalho não é um levantamento exaustivo para cada função existente no processo produtivo da indústria do vestuário. Foram entrevistados também encarregados de produção sobre: aonde aprenderam a gerenciar a produção. com este objetivo. como capacitaram a mão-de-obra. os fatores de risco foram agrupados de acordo com a concepção do modelo da determinação social da doença de Laurell e Noriega. aplicados nas situações que ocorrem na fabricação de camisas de malha ou de roupas íntimas. as observações . principais mercados consumidores e o desenvolvimento da mão-deobra. entre outros tipos de peças de roupa. Foram realizados por setor. época de consolidação do pólo industrial. rotatividade e quando aparecem os primeiros sinais de adoecimento e desgaste nos trabalhadores.

tendo ainda como vantagem o baixo custo e a rapidez em sua execução. 26) 6 .das atividades dos trabalhadores sendo registradas as fontes de risco. A amostra entrevistada foi retirada da listagem fornecida pelas empresas do setor do vestuário de Colatina ao Prevalência é definida como a freqüência de casos existentes de uma determinada doença (morbidade).3 LEVANTAMENTO DE CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA. p. 3.125). Isto significa que a coleta de dados dos indivíduos da amostra se dá no prazo mais curto possível em uma única visita. com filmagem e registro fotográfico para análise posterior. 3. privilegiando os aspectos qualitativos da realidade. p. O levantamento das condições de trabalho e saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina foi realizado através de um estudo com delineamento seccional ou transversal. como se fosse uma fotografia daquele momento estudado.1 Sujeitos da Pesquisa e Amostra Os sujeitos da pesquisa foram trabalhadores associados ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário – SINTVEST.3. já que o objetivo era trabalhar com segmentos da cadeia produtiva que expressassem os diferentes tipos de atividades exercidas pelos trabalhadores. em uma determinada população e em um dado momento (COSTA&KALE. característica do estudo epidemiológico de observação direta de determinada quantidade planejada de indivíduos em uma única oportunidade (MEDRONHO. O delineamento transversal é o método de escolha para estudos com a finalidade de estimar prevalências6. Salienta-se que esta amostra de empresas não teve finalidade estatística. já que a lógica da análise é como se todos os dados tivessem sido colhidos em um único instante. 2004. 2004.

o universo de trabalhadores a serem pesquisados foi reduzido a 1727 trabalhadores com vínculo empregatício e empregados em empresas do vestuário que produzem a mercadoria roupa em sua totalidade. Para a seleção da amostra utilizamos como condição de controle que os trabalhadores estivessem empregados nas empresas classificados no CNAE abrangido pelo nosso estudo conforme a tabela 2. Fixando-se o poder da amostra em 90% (z=1. havendo entre eles alguns informais. segundo o SINTVEST. método conservador.100 trabalhadores contribuintes. que contribuem diretamente ao sindicato. como os das lavanderias. o de pequenas fábricas de facção que realizam pequenos serviços para as empresas maiores. foram controlados os aspectos que diferenciam os trabalhadores das empresas que dominam todo o processo de produção das roupas daquelas que prestam serviços parcelados.60). Para determinar o tamanho mínimo da amostra necessário ao estudo. 2002). totalizando cerca de 95% dos trabalhadores com registro. pela dificuldade de sua localização. existiam cerca de 4. contra uma proporção aceitável de até 60% (p=0. que estão em dia com suas contribuições. Foram retirados também todos os trabalhadores informais e os trabalhadores sem endereço conhecido. .50 ou 50%.SINTVEST.96).342 empregados formais no município de Colatina. Os dados acima indicam um alto índice de sindicalização entre os trabalhadores da indústria do vestuário. Em agosto de 2005. que irá fornecer o tamanho máximo da amostra. confirmadas pela contribuição mensal em agosto de 2005. Estes dados foram confirmados pelo Ministério do Trabalho e Emprego em consulta a RAIS. adotando-se a referência pº=0.64). sendo eliminados da amostra os trabalhadores das destas últimas. considerando-se os seguintes parâmetros: Nível de confiança da amostra de 95% (z=1. em dezembro de 2004. Dessa forma. Para garantir que a amostra fosse a mais homogênea possível. utilizou-se o software estatístico Statistical Analysis Software . onde foram cadastradas 184 empresas com confirmação de 4. contribuindo para o SINTVEST no mês de agosto de 2005 e com endereço residencial conhecido.SAS e o procedimento proc power (CHERNICK&LIU. Distribuição binominal (proporção).

p.Início casual. diferença. sendo neste estudo sorteado o segundo nome que foi o primeiro elemento da amostra. 2.O intervalo casual foi k= 1727/432= 4. para formar os componentes da amostra. 2001. sorteou-se um número entre 1 e 4.A hipótese alternativa. 3. onde: 1. 149-155). A amostra foi pelo processo de amostragem sistemática (CASTELLOE&O’BRIEN. . a amostra final foi de 432 pessoas.E a partir deste foi retirado um indivíduo a cada intervalo de 4 nomes da lista em ordem alfabética. a partir da listagem por ordem alfabética da população total de 1727 pessoas. cuja fórmula para se obter o tamanho da amostra é: Fixando-se uma taxa de recusa possível de 10%.

é o critério de suspeita de L. apud BORGES. Foi avaliado como um bom indicador de morbidade. assim distribuídas: 1. p. 2.E. . 1986 apud BORGES. Este instrumento consta de sinais e sintomas de dor ou desconforto nos membros superiores.R. A avaliação da suspeita de presença de Distúrbios Mentais Menores – DMM foi realizada pelas perguntas 32 a 51. tais como: estados ansiosos. instrumento de rastreamento (screening) que detecta quadros suspeitos de distúrbios psiquiátricos menores. em sua grande maioria fechada. integrante de um instrumento de rastreamento destes distúrbios proposto por Ribeiro (RIBEIRO.3. sexo. O questionário é composto de três partes.3. condições inadequadas de trabalho que causam doenças. ritmos. 2. idade. e a pergunta 60 (A duração de 2 de qualquer dos sintomas acima é superior a 30 dias?). distúrbios à saúde mental e distúrbios muscoloesqueléticos). sendo que a resposta positiva simultaneamente às perguntas 56 (Sente dor ao pressionar ou ao movimentar algumas destas partes?). com sensibilidade de 83% e especificidade de 80%. ombros e pescoço. Este instrumento foi validado por Mari e Willians em um estudo com a população que procurava serviços de atenção primária à saúde. estado civil. 62). na cidade de São Paulo. fonte de tensões e cansaço). 2001. reprodução da versão em português do instrumento SRQ – 20 (Self-Report Questionnaire). e aplicado por entrevistadores treinados. estabelecendo como ponto de corte 7/8.Perfil de condições de saúde (queixas de saúde. 64).Caracterização das demandas das cargas de trabalho (função. raça. problemas de atendimento médico. tempo de trabalho. não psicóticos. naturalidade. 2 Instrumento de Pesquisa O instrumento de campo utilizado foi um questionário estruturado (Anexo C) contendo 83 perguntas. duração da jornada.Dados sócio-demográficos (local de trabalho. pausas. de maneira que 8 ou mais respostas positivas caracterizam a suspeita de DMM. em comunidades. 2001. A avaliação da presença de distúrbios muscoloesqueléticos é avaliada pelas respostas às questões 52 a 60. escolaridade e renda). p. depressivos e somatizações (MARI & WILLIANS.

responder às perguntas sem pressa. preferencialmente no domicílio do trabalhador. assinar a autorização para utilização das informações na presente pesquisa. não ocorrendo discrepâncias relevantes nas respostas. assim.3. Mas o mais comum era o entrevistado não estar em sua residência na hora da visita. Os entrevistadores foram capacitados previamente através de três encontros. podendo. A coordenação comprovou que os trabalhadores foram realmente visitados e entrevistados. fora do local do trabalho.3 Procedimentos de Campo As entrevistas foram realizadas no período de 19 de novembro a 20 de dezembro de 2005. A equipe de entrevistadores foi selecionada através de entrevistas com candidatos que reuniam os seguintes critérios: escolaridade mínima de segundo grau completo. c) Enfatizar a importância da colaboração do entrevistado e solicitar. Como forma de controle da qualidade das entrevistas. ocorrendo vários casos em que o trabalhador havia mudado de residência. as dificuldades para sua realização foram inúmeras.3. As mudanças de endereço eram resolvidas . conhecimento da comunidade a ser estudada e de disponibilidade para participar da fase de treinamento. vide Termo de Consentimento (Anexo B). foram escolhidas cinco pessoas. quando tomaram conhecimento do projeto de pesquisa. b) Esclarecer que as informações prestadas seriam confidenciais e os trabalhadores não seriam identificados por pessoas que não participassem da pesquisa. receberam uma cópia do questionário e aprenderam a conduzir a entrevista. a fim de garantir a liberdade de manifestação do entrevistado. boa comunicação. disponibilidade de trabalhar à noite e fins de semana. o pesquisador-coordenador entrevistou novamente. seguindo sempre o seguinte protocolo: a) informar aos entrevistados sobre os objetivos e a relevância do estudo. caso concordassem em ser entrevistado. Como em toda pesquisa deste tipo. já que os endereços cadastrados pelo sindicato e pelas empresas são de uma data cerca de um ano anterior ao período da pesquisa. sendo necessário o retorno ao local com hora marcada. para confirmação de sua realização e aferição da qualidade. evitando qualquer constrangimento ou pressões de chefias. uma amostra aleatória de 5% do que cada entrevistador fez.

Quando o trabalhador não era encontrado de forma alguma. informações que pudessem confirmar ou não a hipótese proposta pela pesquisa.4 ANÁLISE DE DADOS Os dados qualitativos foram ordenados conforme os setores existentes no fluxograma do processo produtivo. A variável queixa referida foi classificada de acordo com os diferentes órgãos e sistemas do organismo humano.3%). que o conseguia nas empresas em que os trabalhadores estavam empregados. o mesmo era substituído pelo trabalhador seguinte da listagem por ordem alfabética. ou havia abandonado o trabalho há mais de 15 dias. Os dados obtidos nas entrevistas com trabalhadores foram digitados em um banco de dados do programa Excell para Windows XP e posteriormente migrados para o SAS. após o cruzamento de variáveis. com apenas 10 recusas (2. contendo explicações sobre o objetivo da pesquisa e de sua importância para o conhecimento das condições de saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário. os entrevistadores foram bem recebidos. Das 432 entrevistas previstas foram realizadas 422. para todos os trabalhadores sorteados. A análise através dos programas estatísticos permitiu construir o perfil epidemiológico e dar ao pesquisador. As variáveis suspeitas de DMM e suspeita de LER foram tomadas como variáveis dependentes e utilizadas em modelos de regressão logística para verificar a contribuição de diferentes fatores de risco (variáveis independentes) na sua . 3. destacando-se as funções e os fatores de riscos presentes que podem participar do desgaste da saúde do trabalhador. Inicialmente foi verificada a freqüência simples das variáveis.através de informações colhidas com antigos vizinhos ou através do SINTVEST. já que foi usada uma estratégia de divulgação do trabalho através do envio de uma carta (Anexo A) quinze dias antes do início do trabalho de campo. De forma geral.

No processo de trabalho é onde são encontrados os componentes técnicos e sociais responsáveis pela produção do desgaste do trabalhador e que são sentidos no seu corpo através de desconforto. cansaço. em muitos casos. já que a forma de organização da produção das mercadorias – a produção da mais-valia – que se materializa no mundo real em determinada opção técnica especifica e nas formas particulares de gerenciamento do uso da mão-de-obra. tendo por base os conceitos de carga de trabalho e desgaste.explicação. . No processo de análise verificou-se a importância quantitativa e qualitativa do setor de costura no processo de produção da indústria do vestuário. 175). o que levou a opção de realizar análise comparativa do desgaste dos trabalhadores deste setor com os demais. A análise das relações entre fatores de risco e morbidade referida foi realizada. 2003). p. dores e tensão. Por esta perspectiva é que a análise do processo de trabalho tem importância para a saúde coletiva. tendo em vista que estes trabalhadores. é que determinará e se expressará em um nexo biopsíquico característico (LAURELL. 1989. A similaridade de relação de trabalho e exposição aos agentes nocivos (fatores de risco ou cargas de trabalho) determinará no conjunto dos trabalhadores um perfil de saúde típico de um determinado processo de trabalho. são uma parcela significativa deste coletivo (CÂMARA. Os testes estatísticos identificaram os principais fatores que diferenciavam os grupos e identificaram os riscos relacionados com o efeito. que também repercutirá no perfil de saúde da população em geral.

. são substituídos periodicamente. As empresas maiores freqüentemente oferecem cadeiras e assentos ergonômicos e as. os mobiliários disponibilizados para uso dos trabalhadores são diferenciados. de equipamentos já descartados pelas empresas maiores. Essas são denominadas “indústrias de facção”. mobilidade lateral. algumas em cômodos nas casas de seus proprietários que aproveitaram um quintal ou a laje da casa para instalar algumas máquinas e iniciar um negócio de prestação de serviços. como as lavanderias. de menor investimento oferecem cadeiras de madeira. com conseqüente desconforto para o trabalhador. na linha de fabricação. cuja produção segue a tendência do mercado.4 O PROCESSO DE PRODUÇÃO E TRABALHO DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA – ES. A indústria do vestuário de Colatina compreende um elevado número de empresas. inclusive com a utilização do trabalho informal de trabalhadores que atuam em suas residências. que produz o vestuário de uso cotidiano e que tem pouca oscilação da moda (como as calças jeans. enquanto que a maioria das empresas de facção ou oficinas de costura está instalada em locais improvisados. vendendo serviços para uma outra indústria maior. podendo ser dividida em dois tipos de segmentos: a) Vestuário padrão. As fábricas podem ter domínio total de todo o ciclo de produção ou realizar somente parte dele. têm equipamentos modernos e sempre investem em tecnologia. ou realizar parte de sua produção com a terceirização. que não permitem regulagem de altura. já que é necessário acompanhar as mudanças das estações e do mercado. a mão-de-obra é basicamente formada por familiares ou de alguns poucos empregados. de acordo com a estação do ano. sendo também produzidos em lotes menores. por terem mais capital. As empresas líderes estão instaladas em prédios modernos e seu layout é mais bem estruturado. enquanto as demais. espaldares reguláveis. Há em Colatina também grande número de empresas que só se dedicam a uma fase do processo de fabricação das roupas. em muitos casos. que constituem a maioria das empresas do ramo do vestuário. camisas de malha e social) sendo caracterizada pelo grande volume de produção e consumo e b) Vestuário da moda. As empresas líderes. Além das máquinas utilizadas na produção das roupas.

Como a maior parte das fábricas está instalada em prédios improvisados. Foi verificado que o tipo de produto fabricado define também o perfil do processo de produção através de sua qualidade.Nas empresas visitadas foi verificado que os trabalhadores só têm uma pausa de 15 minutos durante a jornada. O calor é um problema generalizado até nas empresas mais modernas. que não foram construídas com um sistema de ventilação eficiente. protetores auriculares de inserção e máscaras para poeiras. iluminação. pois quanto menor a qualidade das roupas produzidas maior é a quantidade produzida. o que exige mais esforço de movimentos do trabalhador para sua execução. como por exemplo. por ser destinada aos grupos sociais mais pobres. as empresas não fazem o controle dos agentes (físicos e químicos). bebedouros limpos e em número suficiente. sofrendo sobrecargas musculoesqueléticas mesmo nas cadeiras que dispõem de mecanismos de regulagem de altura do assento e do espaldar. Nas empresas mais modernas esta atividade pode ser realizada com o uso de dispositivos semi-automatizados que permitem a economia de movimentos do trabalhador. A diferença tecnológica entre as empresas ressalta as diferenças do uso do corpo do trabalhador na observação das atividades mais simples. os ambientes de trabalho não são confortáveis quanto aos aspectos de ventilação. enquanto que nas oficinas ou indústrias de facção a mesma atividade é realizada de forma totalmente manual. O trabalho na indústria do vestuário é organizado conforme a cartilha do Taylorismo e do Fordismo. no horário vespertino. para beber água ou ir ao banheiro. sendo o trabalhador selecionado de acordo com sua habilidade de . para tomar um café com pão. Verificaram-se nas visitas realizadas que as empresas que produzem os produtos de menor qualidade são em maior número e absorvem maior contingente de trabalhadores. Quanto aos agentes ambientais. optando em fornecer aos trabalhadores o EPI. apesar de não estimularem o seu uso pelos trabalhadores. como a de virar a calça ao avesso. tendo limitações para abandonar o posto de trabalho a qualquer tempo. instalações de banheiros adequados. de um modo geral. cujo mercado consumidor é menos exigente e necessita que o produto seja mais barato.

. a empresa oferece um adicional de produtividade que pode representar um acréscimo de até 36% no salário do trabalhador. O trabalho é fragmentado e organizado em uma linha de produção. etiquetagem. estamparia. almoxarifado (tecidos e aviamentos). manutenção mecânica e setor administrativo. em que o fluxograma básico de uma indústria que domina todo o processo da fabricação do vestuário pode ser constituído dos seguintes setores: criação. bordado. modelagem. lavanderia. corte. conforme fluxograma abaixo: ADMINISTRAÇÃO COMPRAS ENFESTO E CORTE ALMOXARIFADO COSTURA CRIAÇÃO E MODELAGEM ARTESANATO LAVANDERIA PASSADORIA ACABAMENTO E ETIQUETAGEM EMBALAGEM E EXPEDIÇÃO FIGURA 1: FLUXOGRAMA BÁSICO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.manter a produção em alto ritmo e com a qualidade requerida. costura. seguindo a lógica da esteira. enfesto. compras. revisão/acabamento. Para estimular o trabalhador a manter um alto ritmo de produção. embalagem e expedição. passadoria.

foi apontado pelos trabalhadores que a média de trabalho por semana é de 46. geralmente. quando os trabalhadores são dispensados do trabalho. Entretanto. e que. portanto com 2. 4. No estudo. Na identificação das cargas de trabalho utilizamos a mesma classificação do modelo da determinação social da doença de Laurell e Noriega. fisiológicas e psíquicas. A seguir. é definida pela gerência de produção e deve ser atingida por hora ou dia de trabalho. mecânicas. As atividades são realizadas quase que totalmente no horário diurno. as atividades realizadas e as cargas de trabalho mais importantes encontradas nas quatro empresas visitadas.3 horas. às vezes. que podem estar associadas ao desgaste da saúde dos trabalhadores. . substituiremos o termo mecânico por acidentes. conforme explicitado no marco teórico. havendo uma sobre jornada para compensar as 4 horas de sábado e os 15 minutos em média de paralisação para o lanche que é distribuído no período da tarde. as funções dos trabalhadores. por considerá-lo mais amplo que os demais modelos. Este modelo classifica as cargas de trabalho como sendo: físicas.3 horas extras em média. por ser um termo mais adequado. às 15 h. são utilizadas como banco de horas para compensar os dias úteis entre feriados e final de semana. são realizadas horas extras noturnas e nos sábados.A linha de produção das roupas é feita de forma que uma equipe de trabalho em postos fixos. químicas. O horário de almoço é de uma hora e realizado no período de 12 às 13 h. biológicas. desenvolve um mesmo tipo de serviço cuja meta de produção.1 AS CARGAS DE TRABALHO NOS SETORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. Em épocas de grandes encomendas. de segunda a sexta-feira. denominada por “célula”. são apontadas as características de cada setor. entre as 7 h e às 17h10min.

mesmo que o serviço possa ser feito por longo tempo em posição fixa.Postura sentada a maior parte do dia. .4. A ferramenta de trabalho é o computador. onde o profissional principal é o estilista que desenha os modelos das roupas de acordo com a tendência do mercado consumidor. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE CRIAÇÃO E MODELAGEM NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINAES. O estilista. precisa estar informado das tendências da moda no mercado e ao mesmo tempo ser capaz de propor novas idéias. o trabalhador tem liberdade para parar o serviço. FUNÇÃO Estilista ATIVIDADE Criar modelos novos e desenhálos conforme tendência da moda e da numeração padronizada.Qualidade do serviço.Má iluminação do local. ir ao banheiro ou tomar decisões. descansar. ficar em pé. FISIOLÓGICAS: . As cargas de trabalho encontradas para estes profissionais podem ser observadas no quadro 1: QUADRO 1: FUNÇÃO. fixação da vista. O trabalho do estilista exige mais demanda mental do que a fisiológica. .Fixação da vista na tela de computador. . PSÍQUICAS: .Pressão para criar sempre produtos novos e de aceitação no mercado.Postura sentada o dia todo. Modelista Responsável em costurar a peça piloto da produção em série. é o setor da concepção. é quem cria os modelos que irão ser fabricados. PSÍQUICAS: .1 Setor de Criação e de Modelagem O setor de criação de moda é onde são elaborados os modelos das roupas que entrarão no processo de produção. Posto de trabalho: Máquina de costura.1. .Postura de trabalho. portanto. Posto de trabalho: Mesa de riscagem. em pé encurvada sobre a mesa de modelagem ou sentada no computador. Posto de trabalho: Computador e cadeira.Fixação da vista. pois. Moldador ou Riscador Faz a riscagem das peças em papel e posteriormente faz a digitalização do molde padronizado pela numeração. ACIDENTES: . computador e scanner. CARGAS DE TRABALHO FISIOLÓGICAS: .Perfuração de dedos por agulhas. FISIOLÓGICAS: .

que trabalha bem próximo ao setor de criação. modelagem e encaixe onde se tem utilizado sistemas de desenho assistido por computador ou Computer Aided Design . 2004). as principais funções e as cargas a que estão submetidos os trabalhadores são indicados no quadro 2: . Neste setor. 4. também pode causar cargas fisiológicas devido ao esforço físico para a realização do carregamento manual das mercadorias até as prateleiras. pois o produto não é feito em série e o ritmo de trabalho é mais tranqüilo.CAD (LEITE. a balança para pesagem de matéria-prima e o carrinho manual para seu transporte. a seguir. sempre em quantidade suficiente para manter a produção. digitalizados pelo moldador/riscador a fim de se produzir os moldes que irão servir de guia para o corte do tecido. O setor de modelagem.1. geralmente. é responsável em produzir as peças-piloto para o futuro corte em série. em galpões fechados que. são mal ventilados e com instalações improvisadas. abastecendo os locais necessários e recebendo as novas matérias primas encomendadas. As instalações são geralmente próximas aos setores de produção. os trabalhadores têm um pouco mais de demandas fisiológicas. Neste setor. que será utilizado pela modelista para criar as peças piloto. Os moldes-piloto são riscados conforme o número padronizado da peça e. o que insere a possibilidade de acidentes de quedas de altura.Neste setor é onde tem havido nos últimos anos a inovação tecnológica: design. as máquinas utilizadas são: o computador. Neste estágio.2 Setor de Almoxarifado de Tecidos e Aviamentos É o setor responsável em administrar os estoques das matérias-primas. sendo que as situadas em altura exigem a utilização de escadas. mas ainda têm dirigibilidade sobre seu tempo. O trabalho de controle de entrada e saída de matéria prima do almoxarifado além de representar uma responsabilidade alta para o empregado.

FUNÇÃO Almoxarife ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO É o encarregado das entradas e FÍSICAS: saídas das matérias-primas.Calor. FISIOLÓGICAS: .Postura inadequada no acesso às prateleiras de estoque. . PSÍQUICAS: . ATIVIDADE E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE ALMOXARIFADO DE TECIDOS E AVIAMENTOS NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. Conferente Controla o estoque das PSÍQUICAS: mercadorias prontas e a saída das .Responsabilidade pelo controle do estoque. .Trabalho com diferença de nível. Auxiliar de Auxilia o almoxarife nas atividades FÍSICAS: almoxarife de estocagem de produtos.Posturas incômodas no acesso às prateleiras de estoque. ACIDENTES: .Levantamento de peso.QUADRO 2: FUNÇÃO. Revisor de Faz a revisão dos tecidos antes FÍSICAS: tecido de ir para o setor de enfesto. PSÍQUICAS: . .Levantamento manual de peso.Responsabilidade.Calor.Calor. . .Postura inadequada no acesso às prateleiras de estoque.Responsabilidade pelo controle da qualidade do tecido que será utilizado e do que é comprado. FISIOLÓGICAS: . mesmas. . FISIOLÓGICAS: .

Eventualmente pode também fazer o corte do tecido. se constituindo como a parte inicial do processo de fabricação das mercadorias. . dobrados em camadas. QUÍMICAS: . Auxiliar de Auxilia o cortador nas atividades de corte corte. conforme os moldes e a numeração padronizada para a produção em série das roupas. FISIOLÓGICAS: .Poeira de algodão. propriamente dito. .Poeira de algodão. Além de distribuir o tecido. FUNÇÃO ATIVIDADE Enfestador Espalhar e dobrar o pano sobre a mesa de corte. o enfestador. FISIOLÓGICO: . atividade que é denominada de enfesto. ACIDENTES: . fixando os moldes através de grampeadores ou fitas adesivas. Fixa os moldes sobre o tecido com o uso de grampeadores ou fitas adesivas. QUADRO 3: FUNÇÃO.Postura desconfortável para realização do serviço. FÍSICAS: . .Levantamento de peso.1.Calor. de forma manual ou através de equipamento elétrico. faz a fixação dos moldes sobre a camada superior do tecido. Cortador Faz o corte do tecido após o enfesto e colocação do molde com o uso de equipamento elétrico.Postura desconfortável para realização do serviço.Corte de dedos e mãos.Calor. FISIOLÓGICOS: . .Postura desconfortável. ATIVIDADE E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE ENFESTO E CORTE NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.Calor. FÍSICAS: .Ruído e vibração. de forma a aproveitar o material ao máximo. Inicialmente os tecidos são distribuídos sobre uma grande mesa. CARGAS DE TRABALHO FÍSICAS . QUÍMICAS: .Movimento repetitivo.3 Setor de Enfesto e Corte É responsável pelo corte dos tecidos. QUÍMICAS: -Poeira de algodão.4.

Neste local se concentra o maior número de trabalhadores. cuja meta de produção de peças acabadas.1. para isso. sendo medido através da cronometragem da tarefa por . sendo o ponto nevrálgico da produção. é constituída de mulheres. em muitos casos. representar 50% da força de trabalho da empresa e. Os serviços deste setor são constituídos por centenas de atividades. A organização da produção é feita em duas linhas. Em relação a acidentes existe o risco de cortes de mãos e dedos pela lâmina da máquina de corte dos tecidos. o Cortador fará o serviço de corte do tecido com a utilização de uma máquina elétrica de corte. os trabalhadores se expõem aos agentes ambientais relativos ao calor devido à má ventilação e à poeira de algodão produzida pelo corte dos tecidos. que pode causar lesões graves. assumir diversas posições incômodas para alcançar as partes a serem cortadas. A função com o maior número de trabalhadores é a de Costureira (o) que pode. devendo. outro grupo de trabalhadores será responsável em fazer a união das duas partes. Além das demandas fisiológicas para a realização da tarefa.Posteriormente. podendo em algumas empresas estar no mesmo espaço que o setor de acabamento. Uma das linhas costura a frente da calça e a outra a parte traseira. fragmentadas em várias etapas por trabalhadores organizados em grupos denominados por “células”. 4. nas quais as células são dispostas em série. A meta de produção é estabelecida por um cálculo que é realizado pelos encarregados de produção. em sua maioria absoluta.4 Setor de costura O setor de costura é o principal setor da indústria do vestuário. posteriormente. e ao ruído e vibração da máquina de corte de tecidos. tem que ser atingida coletivamente. estabelecida pela gerência de produção. como em uma esteira invisível. tesouras e com etiquetagem das peças.

Segundo os encarregados eles aprenderam esta técnica com a experiência ou em cursos do SEBRAE. Os ganhos de produção só ocorrem quando a célula atinge a meta. ao final da qual é assinalado qual foi à produção da última hora e estabelecida a meta da próxima hora.como passar a dobra do bolso traseiro. Neste setor. Outro agente causador de desconforto é o ruído das máquinas. . podendo o calor tornar-se insuportável em algumas épocas do ano. de quase todas as plantas industriais visitadas. solução adotada pelas empresas. Os serviços auxiliares . A utilização de ventiladores. em que fica claro o objetivo de se produzir em ritmo alto a fim de aumentar o lucro do capital. podendo inclusive agravar outro problema ambiental que é a presença da poeira fazendo sua dispersão no ambiente. assim. máquina para pregar presilha. quando um trabalhador não dá conta do serviço todos os demais perdem. verificando os problemas dos atrasos na produção de cada célula. o grande problema encontrado no setor de costura. abastecendo com o produto que vem do setor de corte ou de outras células anteriores ao processo. entre outras. podem se ausentar de seus postos para suprir suas necessidades fisiológicas. dificilmente. máquina de costura overloque. onde é escrito o número de peças a serem produzidas no período de uma hora. inclusive de ir ao banheiro.unidade produzida. é a ventilação. Os encarregados de produção estão sempre circulando entre o pouco espaço existente. já que isso não faz a renovação do ar. máquina de casear. servindo também água aos trabalhadores que. revisar a qualidade das peças e contar o número de peças produzidas . que não se restringe ao posto de trabalho do setor. Para realizar o controle da produção. em espaços insuficientes e mal organizados. sem economia das forças humanas. podendo atingir postos de trabalho dos setores próximos. São vários os tipos de máquinas utilizadas neste setor: máquina de costura reta. há grande número de ajudantes e abastecedores que irão servir a cada célula. máquina de costura galoneira. os encarregados utilizam um quadro de aviso. fixado na frente de cada célula. desvirar as calças. No aspecto do conforto ambiental.são realizados simultaneamente. Este artifício mantém uma pressão constante sobre os trabalhadores da célula em manter a produção alta.

. .Posição fixa sentada por longo tempo. . abastecedor. .Remuneração baixa.Ruído e vibração.Falta de sentido do trabalho. Pode.Controle rígido da produção. .Controle rígido da produção. formar as roupas: .Calor. .Trabalho que exige força no manuseio (trespontadeira).Perfurações com agulhas. overloque. às vezes . .Jornada de trabalho longa. . galoneira.Falta de sentido do trabalho.Remuneração baixa.Esforço físico pesado. . FISIOLÓGICAS: .Tensão pela necessidade de atingir as metas. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO DO SETOR DE COSTURA NA INDÚSTRIA DO VESTUARIO DE COLATINA-ES. . FUNÇÃO Costureira (o) ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO Efetuar o serviço de costurar FÍSICAS: os tecidos e adereços para . Auxiliar de Auxiliar no abastecimento de FÍSICAS: costura.Exigência de posturas inadequadas. .Iluminação inadequada.Calor.Ruído. FISIOLÓGICAS: .Posição fixa em pé por longo tempo.Fixação de vista no campo de trabalho por longo período.Movimentos repetitivos e com precisão. . PSÍQUICAS: . revisor e serviço feito.Poeira de tecido.Poeira de tecido. matéria prima e revisar o .Movimentos repetitivos.QUADRO 4: FUNÇÃO. PSÍQUICAS: . QUÍMICAS: Máquinas utilizadas: costura . . . ACIDENTES: caseadeira e prespontadeira. . substituir a costureira que vai QUÍMICAS: ao banheiro ou tomar água. reta. .Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico. .

como o de transferir o material trabalhado de um lado para o outro. seja de altura ou de encosto.Remuneração baixa. Com as exceções já citadas os mobiliários. doméstico ou industrial.Poeira de tecido.Movimentos repetitivos. atenção no movimento.Desvalorização ou de sentido do trabalho. ACIDENTES: . PSÍQUICAS: . FISIOLÓGICAS: . .Calor. para ser atingido. este tipo de movimento constante pode provocar desconforto e dores na coluna. Segundo os auditores da Sub-Delegacia Regional do Trabalho – DRT existe um problema grave na indústria do vestuário relacionada com o espaço físico destas empresas que geralmente estão instaladas em local improvisado.Posição em pé por longo tempo.Ruído. O nível de produção é alto e. sendo o setor de costura. que só podem ser amenizadas com cadeiras que tenham o assento rotatório. como as cadeiras. fixação .Trabalho com material aquecido (Queimadura).Esforço físico. . os trabalhadores utilizam estofados improvisados. algumas máquinas estão baixas demais. deve ser realizado com a repetição de movimentos até a exaustão. por ocupar o maior número de trabalhadores e de máquinas o mais prejudicado. não têm forma ou dispõem de controles que garantam um conforto ergonômico. . Instrumento: Ferro de passar QUÍMICAS: roupas. além disso. Para adaptar as cadeiras de madeira ao seu corpo e melhorar o conforto. No entanto. enquanto outras estão altas.Continuação QUADRO 4: Passador Passa a borda do bolso de trás FÍSICAS: da calça jeans. . . colocados no assento e no encosto. devendo o trabalhador se virar para conseguir a posição que lhe seja menos penosa.Controle da produção. . quando a tarefa exige rotação de quadril. . exigindo.

e paulatinamente vem sendo adotada por todas as empresas. A forma de produção em células foi introduzida na indústria do vestuário de Colatina em 1990. os revisores que inspecionam as peças prontas. entre vários outros movimentos sutis que compõem toda a complexa operação que é executada. com influência bastante marcante do modelo japonês (o just-in-time. Para produzir além da meta prevista e poder ganhar o adicional de produção para sua equipe. assim como o trabalhador que é responsável em desvirar as calças já terminadas para ser transferida para o setor de acabamento. onde a produção era controlada individualmente. como: esticar os braços. agora sendo organizado em “grupos de . Outros profissionais que trabalham no setor.1. em sua modalidade de “trabalho em grupo”. em substituição ao modelo anterior. 4. acionar o pedal do motor da máquina. com intensidade e densidade alta de trabalho.da visão e precisão a fim de garantir a qualidade.4. já que os postos de trabalho geralmente não dispõem de bancos. o trabalhador evita sair da linha de produção até para beber água ou ir ao banheiro. movimento lateral da perna para acionar o sistema que levanta as agulhas. A posição de trabalho da costureira (o) é permanentemente sentada.. O setor de costura é caracterizado pela fragmentação das atividades. torção do tronco para transferir peças de um lado para o outro. os ajudantes e abastecedores que ficam na linha de produção transferindo as peças acabadas de uma célula para outra.1 Setor de Costura e o Trabalho em Célula de Produção. mas exige do trabalhador vários tipos de movimentos. o kaizen e o 5S) ou o modelo lean-production. são: o passador que passa as dobras do bolso de trás das calças. Trabalham permanentemente na posição ortostática (em pé). Entre as formas de organização da produção. sendo marcante seu emprego no setor de costura. segundo Silva (2003) tem ocorrido uma grande disseminação dos denominados “grupos de trabalho” ou “células de produção”.

O trabalhador que não dá conta de produzir a meta planejada é denunciado pelo acúmulo de matéria prima ao lado de seu posto de trabalho. As células são organizadas de forma a obedecer ao fluxograma da produção. a realizar cada operação como se fossem em um processo continuo ou de esteira. a concepção deste modelo de produção foi pensada como uma alternativa ao trabalho fragmentado e especializado. e tem que dar conta de manter a produção. e está constantemente sendo avaliado pelos membros da célula. a fim de informar se o serviço está atrasado ou se está produzindo de acordo com a programação. Frente (Célula 1) Ilhas Traseiro (Célula 2) Junção (Célula 3) Figura 2: FLUXOGRAMA DA CELULA DE PRODUÇÃO Cada trabalhador que faz parte de uma célula recebe certa quantidade de matéria prima. especializadas em determinadas operações da linha de produção de roupas. sem que esta exista de fato. especialmente no setor de costura. numa forma de autocontrole de produção da célula. pois. que substituiria o modelo clássico taylorista-fordista.trabalho” ou “células de produção”. ou ilhas.. A produção de cada hora é anotada em um quadro que fica visível para todos. o quadro funciona como uma forma de catalisador ou um aviso de que é preciso aumentar o esforço para atingir a meta ou a cota diária. de hora-em-hora. Curiosamente. pelo encarregado. seguindo a disposição de 2 a 4 máquinas especializadas. que é controlada. se pretendia com ele a polivalência e o aumento da . previamente cortada.

o que parece ocorrer nas empresas pequenas e médias de alta produção de produtos de baixo valor. segundo Silva (2003). estas relações ficam sempre na balança inexorável da capacidade do trabalhador em manter a produção alta e do prêmio de produção. ou trocar de célula. como na indústria do vestuário de Colatina.competência do trabalhador. caracterizando. esta forma da organização da produção é uma das principais causas do processo saúde-doença destes trabalhadores. uma especialização do trabalhador. mas mesmo assim a célula consegue a cota. portanto. 2003). cada membro reforça no outro a necessidade de manter a produção alta. podendo. As células são determinadas pelo tipo de serviço que é executado pelas máquinas ali disponíveis. por um lado. Se. controle da produção e do como produzir (modelo sociotécnico) (SILVA. aumentar o ritmo individual para auxiliar quem está na dificuldade. com a permanência do modelo tayloristafordista e o uso da ferramenta do trabalho em grupo. Em muitos casos. daí. o salário produção perdido pelo trabalhador faltoso não é distribuído entre aqueles que trabalharam durante todo o período. por outro. No entanto. Como poderemos ver. . com os trabalhadores se penalizando quando as metas quase impossíveis não são alcançadas. Segundo o SINTVEST quando alguém falta ao trabalho. com pouca possibilidade de mudança de tarefa. ser mais fácil mudar de grupo de trabalho para operar a máquina que se está habituado. quando o grupo nota um problema não caracterizado como corpo mole ou ineficiência. o trabalho na célula aumenta a sociabilidade destes trabalhadores envolvidos com um mesmo objetivo. a própria costureira pede para sair. Neste modelo é dado ao grupo a autonomia consensual de manter ou retirar qualquer membro da célula que seja menos eficiente. sem supervisão. é um hibridismo. com a concepção do trabalho mais próxima da execução. com finalidade nítida de aumentar o controle social da mão-de-obra. A mudança de célula só é possível se houver domínio do trabalhador sobre as operações da outra máquina. Assim.

O processo de trabalho ocorre conforme o setor de costura. Citamos também o trabalho realizado pelos ajudantes de revisão. cases. com a fragmentação de atividades e pouca ou nenhuma exigência de capacitação. No entanto. que reforça algumas peças defeituosas. . com a altura da máquina muito baixa em relação ao piso. com ritmo de trabalho acelerado. que verifica se há alguma peça defeituosa. O trabalho é realizado permanentemente na posição sentada. o que obriga assumir uma posição encurvada para visualização do campo de trabalho. No setor de acabamento segue a mesma lógica do setor de costura. Como nos demais setores. como algum adereço ou a fixação de botões. pois acompanha a lógica de produção da indústria. posição fixa de trabalho. e o operador de máquinas especiais que faz o caseamento. encontramos também neste ambientes mal ventilados em que o calor e o ruído dos equipamentos (em particular o das máquinas de pregar botões) é uma constante fonte de desconforto e de tensão entre os trabalhadores. prega ilhoses e botões metálicos. realizam trabalho repetitivo durante toda a jornada de trabalho. em cadeiras sem controle de altura e encosto que se molde ao corpo do trabalhador. com pouca ou nenhuma possibilidade de decisão sobre o que se está fazendo.4. ilhoses e etiquetas. presilhas. Neste setor há o revisor de arremate. na posição sentada. conforme o quadro 6. visualização constante do campo de trabalho. prega botões ou etiquetas. desvalorização do serviço. o costureiro. em alguns casos.1. que requer precisão. este setor é uma continuidade do setor de costura e visa corrigir e acrescentar itens ainda não colocados. concentração. que fazem a retirada de linhas das calças com o uso de uma tesourinha de mão e que. mas que exige perícia.5 Setor de acabamento O setor de acabamento pode estar separado do setor de costura ou não. dependendo da estrutura física da fábrica.

Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico. de Faz o controle de qualidade do FÍSICAS: produto.Falta de sentido do trabalho. FISIOLÓGICAS: . .Calor. PSÍQUICAS: .Posição de trabalho fixa em pé ou sentado por longo período. .Remuneração baixa.Falta de sentido do trabalho. .Exigência de postura. de problemas a serem FISIOLÓGICAS: corrigidos.Jornada de trabalho longa.Perfurar dedos com agulhas. .Trabalho por produção. FUNÇÃO Operador máquina especial. . . fazem ACIDENTES: etiquetagem. . . . PSÍQUICAS: .Movimentos repetitivos. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE ACABAMENTO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.Falta de sentido do trabalho. prega . . PSÍQUICAS: .Calor.Remuneração baixa.Posição de trabalho fixa sentada por longo período. de Retira as linhas que sobram nos FÍSICAS: tecidos das roupas. botões metálicos. Revisor arremate Auxiliar arremate ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO de Operam máquinas automáticas FÍSICAS: ou semi-automáticas de . . . . caseamento e travete.Posição fixa sentada por longo tempo. .Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico.Ruído.Jornada de trabalho longa.Cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico.QUADRO 5: FUNÇÕES.Jornada de trabalho longa. FISIOLÓGICAS: . . . realizando a inspeção . . . .Movimentos repetitivos.Levantamento de peso.Calor.Controle rígido da produção.Remuneração baixa.

Remuneração baixa.Contato com produtos químicos. A lavanderia é responsável pelo serviço de lavagem e de tintura.4. centrifugação e fazer o carregamento das máquinas de lavar e das centrífugas.Calor QUÍMICAS: . ACIDENTES: . que devem fazer o serviço de dosar os produtos químicos utilizados no branqueamento do tecido. O produto químico mais utilizado é a barrilha . o que torna os locais bastante quentes.Pisos escorregadios. . manchas ou desgastes. CARGAS DE TRABALHO FÍSICAS: . . roupas das máquinas de lavar e das centrifugas. . ou para introduzir efeitos de fabricação como embranquecimento. QUADRO 6: FUNÇÃO.Levantamento de peso. enxágüe.Ritmo de produção.Posição fixa em pé por longo tempo. . .6 Setor de Lavanderia O setor de lavanderia não existe em todas as empresas que fabricam as roupas de jeans. Fazer as dosagens de produtos químicos e fazer o controle dos desgastes do tecido das calças de acordo com o modelo padrão. que existem em grande número no município de Colatina. geralmente à lenha. ATIVIDADES E CARGA DE TRABALHO NO SETOR DE LAVANDERIA NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.Ruído. que irão dar ao produto uma diferenciação no mercado. FUNÇÃO ATIVIDADE Lavador e seu Colocar e retirar as peças de auxiliar. O setor da lavanderia utiliza o vapor produzido por caldeiras.1. O trabalho da lavanderia é realizado pelo lavador ou auxiliar de lavanderia.Queimaduras químicas. sendo o calor e o ruído os agentes físicos que representam mais risco à saúde. FISIOLÓGICAS: . já que é um setor que necessita de grande investimento em equipamentos e controle ambiental de seus efluentes. PSÍQUICAS: .Jornada de trabalho longa. Quando necessário. as empresas que não dispõem deste setor contratam este serviço de empresas especializadas.

são apresentados os principais componentes das tarefas da passadoria com suas cargas de trabalho.1. A tarefa é executada pelo acionamento simultâneo de um pedal que abre a válvula do vapor d’água e pelo braço do trabalhador que abaixa a placa superior do equipamento sobre a área a ser passada. cargas físicas (temperatura elevada. . 4. muitas vezes é construído próximo ao setor de caldeiras. o calor do vapor que sai do equipamento é soprado sobre o peito do trabalhador. com movimentos repetitivos. falta de inspeção e manutenção periódica. que também se expõem às partes metálicas do equipamento. pouca valorização do serviço).7 Setor de Passadoria O setor é responsável em passar as calças antes de ir para o setor de embalagem. Quanto à questão ambiental. sendo realizada por equipamentos especializados que utilizam geralmente o vapor d’água da caldeira. cargas químicas (manipulação de produtos químicos). O auxiliar de passador abastece o setor com as peças a serem passadas. trabalho em posição ortostática). podendo sofrer queimadura. Este setor. . serviço pesado em jornadas longas e de grande produção. devido à precariedade das instalações. o sinergismo entre as cargas de trabalho é bastante evidente havendo exposição simultânea a cargas fisiológicas (trabalho físico de moderado para forte. cargas psíquicas (jornada de trabalho longa. Esta atividade é realizada pelo passador. ruído e umidade). também. também trabalha em pé e faz o serviço de transporte manual das roupas. que trabalha na posição ortostática (em pé).(carbonato de sódio). abaixo. ritmo de produção. conhecida como soda. No quadro 7. falta de treinamento de operadores das caldeiras. que tem pH básico e pode causar queimaduras graves em contato com os olhos. dobra e leva as calças passadas para o setor de embalagem. que pode se constituir em um risco de acidente de explosão. No setor da lavanderia.

ACIDENTES: . de Abastece o setor de passadoria de FISIOLÓGICAS: peças e dobra as peças passadas . .Movimentos repetitivos. e ao fato de haver pouca possibilidade de variação do serviço. embalagem. movimentos repetitivos. .QUADRO 7: FUNÇÕES. relacionadas ao calor.Remuneração baixa.Exigência de postura.Esforço físico pesado. Devido ao esforço físico necessário. .Falta de sentido do trabalho. . .Posição fixa em pé por longo tempo. as cargas de trabalho mais importante são: as fisiológicas determinadas pelo ritmo de trabalho.Jornada de trabalho longa. o que cria o preconceito sobre a função de passar roupas junto aos demais trabalhadores. . . FUNÇÃO Passador Auxiliar passador ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO Realiza a passagem da roupa e a FÍSICAS: dobra as peças passadas.Falta de sentido do trabalho. a atividade é realizada por homens. No setor de passadoria. . as cargas psíquicas.Calor. PSÍQUICAS: . trabalho na posição fixa em pé.Controle rígido da produção.Movimentos repetitivos.Jornada de trabalho longa. representadas pela pouca valorização da função dentro do processo de fabricação. PSÍQUICAS: . . as cargas físicas.Contato com partes quentes do equipamento de passar. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE PASSADORIA NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.Posição fixa em pé por e encaminha ao setor de longo tempo. . .Remuneração baixa. FISIOLÓGICAS: .

como as queimaduras de mãos e braços pelo contato com as partes quentes do equipamento de passar roupas. e a exposição à poeira do tecido e a tintas. Neste setor. sendo dotado de um sistema de exaustão que.1. além de não conseguir que o ar fique totalmente isento do material químico em suspensão no ar. na maioria das vezes de pouca gravidade e por isso não registrados. Para ser dado o efeito do envelhecimento ou de um detalhe de tintura. com uso de pistolas de ar comprimido.. pela diferenciação que ela dá.8 Setor de artesanato Outro setor que não existe em todas as empresas que produzem calças jeans é o de artesanato. devendo o trabalhador estar sempre se adaptando a novas exigências. os artesãos trabalham peça por peça. ou de envelhecimento. denominado de used (usado ou envelhecido). é utilizada a técnica de deposição de permanganato de potássio ou de tintas. . produz muito ruído e a atividade tem que ser realizada em pé com uma equipe de trabalhadores que fragmenta o serviço em pequenas etapas para acelerar a produção. através do lixamento manual ou de equipamentos elétricos utilizados no desgaste do tecido da calça. havendo ainda o serviço de envelhecimento (used).Outro aspecto a ser analisado são os acidentes. O local de trabalho do used é totalmente fechado. sobre o tecido da calça que posteriormente. O trabalho de lixamento é um serviço que exige a repetição de movimentos. há grande investimento no desenvolvimento de novas técnicas e na inserção de equipamentos modernos. 4. o trabalho contínuo na posição ortostática com o encurvamento do tronco e pescoço. será lavada com produtos químicos para fazer o desgaste do tecido. com a pulverização e permanganato de potássio. Como este é um setor que agrega valor à mercadoria produzida.

de pistolas de ar comprimido. Realizam a deposição de produtos FÍSICAS: químicos sobre o tecido com uso .QUADRO 8: FUNÇÕES. à poeira do tecido e à iluminação .Poeira de algodão e tintas. FISIOLÓGICAS: . Função Artesão Atividade Lixamento de peças de roupa com determinadas características definidas em um modelo préestabelecido.Falta de sentido do trabalho.Jornada de trabalho longa.Posição fixa em pé por longo tempo.Ruído.Jornada de trabalho longa.Névoas de tintas. .Choque elétrico. ACIDENTES: . QUÍMICAS: .Remuneração baixa. por lixamento manual ou uso de equipamento elétrico. .Movimentos repetitivos.Exigência de postura. ao ruído. Neste setor.Calor. . . Artesão Used Cargas de Trabalho FÍSICAS: . FISIOLÓGICAS: . podendo ser potencializada com cargas físicas devido ao calor dos locais pouco ventilados.Calor. a postura necessária para a realização da atividade) é o principal problema de desgaste.Posição fixa em pé por longo tempo. .Controle rígido da produção. .Falta de sentido do trabalho. . . PSÍQUICAS: . ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO DO SETOR DE ARTESANATO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. QUÍMICAS: Névoas de Permanganato de potássio.Trabalho em produção controlada.Movimentos repetitivos. PSÍQUICAS: . .Remuneração baixa. . alta produção incentivada por prêmios. as cargas fisiológicas (movimento repetitivo. .

havendo risco de acidentes. Na seqüência. . que é supervisionada constantemente pelo encarregado de produção. assim como o de carregamento deste material para a estocagem e carregamento de veículos. Soma-se a estas as cargas psíquicas.1. No setor de estocagem também pode haver a necessidade de uso de escadas para acesso a prateleiras altas. onde os embaladores e seus ajudantes colocam as roupas em sacolas plásticas. 4.insuficiente do campo de trabalho. Neste setor também como nos demais o problema ambiental mais encontrado é o desconforto térmico. e as cargas psíquicas relacionadas às responsabilidades relativas a manter a contabilidade dos produtos sempre certa e pela execução de um serviço monótono que pode não ter para o trabalhador um significado de realização profissional. Em algumas empresas estes setores podem ser os mesmos. não havendo separação física entre eles. de acordo com a encomenda que foi solicitada. oriundas do controle rígido da produção. ou ser menos importante na cadeia produtiva.9 Setor de embalagem e expedição Chegando ao fim da linha de produção. as peças acabadas vão para o setor de embalagem. exigência de um grande número de calças produzidas por hora. mas as cargas de trabalho mais importantes são: as fisiológicas encontradas no esforço físico para a realização do trabalho de embalagem e do enfardamento. com a qualidade semelhante à do modelo padrão. o material embalado vai para o setor de expedição onde o conferente faz o controle de estoque do produto e o faturista emite as notas fiscais e responde por ações administrativas necessárias para que o produto possa ser transportado para os clientes. e as acondicionam em caixas de maior volume.

Calor. . 4.Trabalho monótono. .Calor.Remuneração baixa. ACIDENTES: Trabalho em altura (quedas). de vendas.Falta de sentido do trabalho. . Emite notas fiscais e realiza PSÍQUICAS: atividades administrativas.QUADRO 9: FUNÇÕES.Falta de sentido do trabalho. não foram estudados. manutenção. .Trabalho repetitivo e monótono. limpeza. . das mesmas. Controla o estoque das FÍSICAS: mercadorias prontas e a saída . .Jornada de trabalho longa. DE FUNÇÃO Embalador seu auxiliar Conferente Faturista ATIVIDADE CARGAS DE TRABALHO e Embala manualmente as peças FÍSICAS: de roupas em sacolas plásticas .Exigência de postura. PSÍQUICAS: . sendo que a grande maioria se concentra no setor de costura.Responsabilidade. ou que não estão envolvidos diretamente na produção das roupas.Remuneração baixa. . FISIOLÓGICAS: Levantamento e carregamento de peso.Responsabilidade. e após em caixas de papelão. ATIVIDADES E CARGAS DE TRABALHO NO SETOR DE EMBALAGEM E EXPEDIÇÃO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO COLATINA-ES. onde a função predominante é a de costureira (o). FISIOLÓGICAS: . Os setores administrativos. . .Exigência de postura. PSÍQUICAS: .2 DISTRIBUIÇÃO DAS PRINCIPAIS FUNÇÕES POR SETOR DE TRABALHO A tabela 3 mostra a distribuição dos trabalhadores pesquisados por funções.

3 1.0 4.TABELA 3: DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHADORES POR FUNÇÃO E SETOR NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. FUNÇÃO e Modelista Moldador/Riscador/Pilotista Estilista Auxiliar de modelagem Almoxarifado Almoxarife Classificador e revisor de tecido Encarregado de estoque Auxiliar de almoxarifado Estampador Estamparia Desenhista Enfesto e corte Cortador Auxiliar de corte Enfestador Encarregado de corte Costura Costureira Auxiliar de costura Abastecedor Encarregada de produção Acabamento Revisão de arremate Operador de máquina Encarregado de revisão Passador Passadoria Auxiliar de passadoria Encarregado de passadoria Lavanderia Lavador Auxiliar de lavador Encarregado de lavanderia Expedidor Expedição Auxiliar de Expedição Embalador Conferente Auxiliar de faturamento Encarregado de expedição Artesanato Artesão used Auxiliar de artesão Mecânico de manutenção de máquinas Serviços auxiliares Operadores de caldeiras Limpeza e copa Administrativos Auxiliar de escritório e secretaria Gerente. vendedores Motoristas. contador.5 3.7 0.4 2. (**) 6 5 14 2 1 1 1 5 1 2 5 6 1 12 8 23 1 2 209 24 264 14 17 7 16 6 3 25 27 1 1 7 9 1 1 7 6 1 17 1 1 1 4 6 2 4 12 5 3 9 20 8 3 2 2 422 422 % 3. cobradores Outros Desempregados no período Total (*) Freqüência por função (**) Freqüência por setor SETOR Criação modelagem FREQ(*) FREQ.8 4.7 6.1 1.3 62.0 1.4 5.4 100 .3 2. 2005.

A carga de trabalho física imposta pelo calor é amplificada nas cargas fisiológicas demandadas pela atividade repetitiva. mas bem distante dos números do setor de costura. havendo.5% do total de trabalhadores estudados. cansaço muscular e problemas cervicais e dorsais.3 INTERAÇÕES ENTRE AS CARGAS DE TRABALHO E O DESGASTE DOS TRABALHADORES. simultaneamente. determinando o surgimento das doenças. comprometendo o sistema circulatório dos membros inferiores. sendo que os que trabalham neste setor representam 62. Para atingir a meta prevista e o ganho da equipe. repercutirão significativamente sobre o psiquismo do trabalhador que se sente em estado de sofrimento devido ao desconforto térmico e por não ter perspectiva de melhorar a condição ambiental do posto de trabalho. por conseqüência.A função de costureira representa 49. provoca a compressão dos vasos sanguíneos. como diminui a capacidade do corpo do trabalhador em reagir a estas cargas. o trabalhador evita sair da linha de produção até para beber água ou ir ao banheiro. podendo ocasionar inflamações. A repetição dos mesmos movimentos por longo período de tempo provoca o desgaste dos ligamentos e ossos pelo atrito. Em segundo lugar vem o setor de passadoria com 27 pessoas (6.3% do total). 4. in BUSCHINELLI. Conforme abordado anteriormente.5%. p. com aparecimento de varizes. O trabalho fixo na posição ortostática pode acarretar problemas de aumento de pressão arterial. com esforço físico e. Esta interação de várias cargas de trabalho atuando sobre o corpo. a mente e o psiquismo dos trabalhadores não só acelera o desgaste biopsicológico. não existe uma hierarquia entre as diferentes cargas.182). no entanto. A posição fixa por longos períodos em cadeiras inadequadas. 1993. podendo ainda as posições estáticas prolongadas acarretar desgaste de ossos e articulações. uma preponderância das formas de organização e da divisão do trabalho no interior das empresas no controle e consumo da força de trabalho (FACHINI. e sim. causando inchaço e o possível aumento do risco de trombose. Para o setor de vestuário de . O levantamento de campo verificou que a exposição aos fatores de risco ou às demandas do trabalho real que caracterizam as cargas de trabalho não ocorre isoladamente.

o sistema de organização da produção em células. A seguir serão analisados os resultados do levantamento realizado com trabalhadores. . pode ser considerado como determinante das formas de desgaste nos trabalhadores. riscos que necessitam de outro tipo de abordagem para serem trazidos à luz. Neste estudo não abordamos aspectos das cargas psíquicas relacionadas ao assédio moral e sexual.Colatina. no que diz respeito às expressões do desgaste relacionado a certas cargas de trabalho.

Faixa Etária < 20 anos 20 a 29 anos 30 a 39 anos 40 a 50 anos > 50 anos Total Freqüência 11 172 143 78 18 422 % 4.2 anos.9%) como pardo-morenos e somente 23 (5.9 18.3 95.3%).7%) se identificaram como brancos. ou 66.4 4. De acordo com o SINTVEST. TABELA 4: DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA POR FAIXA ETÁRIA.3 100 % Acumulada 4. Os trabalhadores da indústria do vestuário são predominantemente do sexo feminino: 280 pessoas.5 43.3%) como negros.7 100 100 Ao se analisar a variável idade segundo o sexo. inclusive no setor de costura.5 38. No setor de costura. O espectro etário dos trabalhadores abrange idades de 17 a 65 anos.4 77. mas com predomínio acentuado de trabalhadores com idades inferiores a 40 anos (77. 218 pessoas (51. a presença feminina é ainda maior. 2000). 89% dos trabalhadores. que pode ser explicada pelo acesso recente do homem neste setor produtivo e certa .4% da amostra que foi entrevistada. Esta distribuição é bastante semelhante ao perfil étnico encontrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD de 1995 (IBGE. Com média de 31 ±9.8 anos.9 33.5 ASPECTOS SÓCIO-ECONÔMICOS DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA.4 ±7. a população empregada é caracterizada por adultos bastante jovens e em franca capacidade produtiva. 2005. é visível uma concentração da população mais jovem no gênero masculino com média de 28. 181 (42. Quanto ao componente grupo racial desta população de trabalhadores. esta freqüência já foi maior no passado e vem diminuindo nos últimos anos com o incremento da mão-de-obra masculina em todas as áreas.

FIGURA 3: DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DAS FAIXAS ETARIAS POR SEXO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. 2005.9 anos.homogeneidade de distribuição etária no gênero feminino.9%) é casada ou vive maritalmente com alguém. encontrou-se o seguinte resultado: 81 (19.1 anos.3%) responderam que trabalhavam para o próprio sustento.9%) de 4 a 7 dependentes. 33 (7.6 ±9. a maioria 236 pessoas (55. Os dados coletados foram de anos estudados e concluídos.2%) são viúvos. conforme a tabela 5. com aprovação para a série seguinte.1%) são solteiros. ver figura 3. Sobre o aspecto de números de pessoas que dependem do trabalho assalariado do entrevistado.8%) divorciados ou separados e somente 5 (1. Em relação ao estado civil. A escolaridade dos trabalhadores da indústria do vestuário é em média de 7. 148 (35.8%) que tinham de 1 a 3 dependentes e 50 (15. 289 (68. . devido ao gênero estar inserido a mais tempo neste tipo de trabalho. média de 34. ou seja.

45). 2005. que é de 6.5 39.2 99. p.35 salários mínimos.1%) são migrantes de outros estados do país e 50 (11.3 10. Grau de Instrução Analfabetos 1º Grau incompleto 1º Grau completo 2º Grau Incompleto 2º Grau completo Curso Superior incompleto Curso Superior completo Não Informaram Total Freqüência 2 164 56 45 139 8 4 4 422 % 0. .2%) nasceram em Colatina. 233 pessoas (55.9 1.9 13.64 anos.4 96.9 100 % Acumulada 0.4 52. sendo que se estabeleceram na zona urbana nos últimos 15 anos.9 0. Nota-se que os homens têm um rendimento pouco superior: 1. Os salários líquidos. 51 (12.7 32. revelada pelo senso demográfico 2000 do IBGE.1 100 100 A média de escolaridade dos trabalhadores do setor é um pouco superior à média nacional das pessoas com 15 anos ou mais idade.47 salários mínimos contra 1. variaram de 1 a 5. Informaram ter nascido na zona rural 153 pessoas (36.7 63.TABELA 5: DISTRIBUIÇÃO POR GRAU DE ESCOLARIDADE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.5 38.7 ±2. fato que contribuiu para a migração do homem do campo para as cidades à procura de novas oportunidades de emprego e também com o crescimento da indústria do vestuário no município de Colatina.2%). com a média de 1.26 anos.9%) são oriundos de outros municípios do estado. Sobre o local de procedência. o que diferencia do estudo do IBGE que indica que as mulheres têm escolaridade maior do que a dos homens.8%) são de municípios do norte do Estado do Espírito Santo. 88 (20.3 salários mínimos das mulheres. e é um pouco inferior a dos homens que têm em média 8. 2001. período que coincide com a desvalorização da cultura cafeeira local. pela queda da cotação do produto no mercado internacional.9 0.2 anos (IBGE.3 98.5 ±3.6 salários mínimos. mencionados pelos trabalhadores. As mulheres têm média de escolaridade de 7.

2005. computadas a atual empresa e as anteriores. o que é pouco inferior ao tempo que exerce a atual função.2 100 Quanto ao tempo de trabalho na empresa atual. A tabela 6 mostra as faixas de tempo de trabalho e respectivas freqüências.8 10.5 7.O tempo de trabalho na indústria do vestuário desta população de trabalhadores varia de 6 meses a 33 anos de trabalho. verifica-se que o tempo médio de permanência é de 5. Tempo de serviço < 1 ano 1 a 5 anos 6 a 10 11 a 15 15 a 19 > 20 anos Total Freq 15 137 116 78 33 43 422 % 3.5 anos. . com a média de 6.5 32.5 18. com uma média de 9. TABELA 6: DISTRIBUIÇÃO DE TRABALHADORES DA AMOSTRA POR TEMPO DE SERVIÇO NA INDÚSTRIA NO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.03 anos.5 anos de trabalho na mesma função.5 27.

Por esta pesquisa. Os trabalhadores apresentaram um índice de queixas à saúde bastante alta. Não houve diferença significativa de prevalência de queixas por sexo (p=0.21). p. caracterizado pela prevalência de queixas de saúde (morbidade referida) existente na população nos últimos 15 dias anteriores à entrevista. tabagismo e uso de calmantes.9%) informaram ter tido algum problema de saúde. uso de bebidas alcoólicas.6% para mulher e um pouco superior para os homens 25. situação que conflita com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio – PNAD sobre acesso e utilização de serviços de saúde de 1998 (IBGE.1 PREVALÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE OU MORBIDADE REFERIDA Um dos objetivos deste estudo foi verificar qual era o perfil de adoecimento dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina. sendo 59 apenas uma queixa. O perfil de adoecimento que se configura é uma expressão do desgaste decorrente do processo de trabalho. . qual foi o tipo de acesso e utilização de serviços de saúde. com média de idade de 31 anos. O perfil de desgaste à saúde dos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina foi estudado com base no perfil de queixas de saúde referidas nos últimos 15 dias anteriores à pesquisa. a proporção de mulheres acima de 14 anos com queixas ou restrição de saúde é sempre maior do que a dos homens. Dos 422 trabalhadores entrevistados. considerando-se se tratarem de trabalhadores jovens.4%. 6. 30 duas queixas. já que os casos relativos ao número de trabalhadores deram resultados muito próximos 24. 105 trabalhadores (24.1264). à ocorrência de restrições de saúde que determinou a necessidade de afastamento do trabalho. 2000. a ocorrência de suspeita de DMM e LER.6 PERFIL DE DESGASTE À SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA. 10 três queixas e 6 casos com 4 sintomas ou desconforto o que totalizou 173 queixas. Alguns trabalhadores apresentaram mais de uma queixa de saúde.

com 25.Mancha de pele.Outros: a.Problemas visuais.Dores e dormência joelho.Estresse e tensão nervosas.Hemorróidas. c.Inchaço e dor nas pernas e pés. faringite. com alta freqüência de dores nas costas e na coluna. dores e inchaço nas pernas e pés. 2005.9 4. correspondendo a 56. 59 39 10 7 3 39 19 15 4 1 27 20 4 3 11 10 8 2 6 6 21 5 3 3 3 2 2 1 1 1 173 % (*) 56. mãos e punhos. c. para os quais a poeira do algodão.1% das queixas.Cistite. c.Diabetes.2% das queixas. h. 5. 2. d.6 2.Problemas cardiovasculares: a.2 25.Dores nos braços. b. os muscoloesqueléticos foram os mais citados. dos problemas de saúde informados pelos trabalhadores.2 % (**) 14. f. constituídas de gripes. Os problemas respiratórios.1 9.7 10.Problemas renais: a. rinite.0 37. 3. dispersa no .Pressão alta. ombro.Febre. lombar.Infecção renal e cólica. sentado ou em pé durante toda a jornada. em posição fixa. 6.5 5.7% das queixas.gripe. otite. b. 7.Problemas gastrintestinais: a. bursite.De acordo com a tabela 7. b.Cirurgias.5 100 24. taquicardia e desmaio.Dor de cabeça e enxaqueca.Auditivos.Estafa e cansaço. e.5 9. c.4 1. d. representam a terceira principal causa de queixas. já que há alta proporção de hipertensão. b.4 2. costas e pescoço.9 problemas cardiovasculares com 37. artrose e reumatismos. b.Problemas das vias aéreas superiores: a.7 6. i.Alergias. pé e calcanhar. ambos podendo estar ligados ao fato do trabalho ser realizado em ritmo acelerado.Dor de dente. a seguir vem os TABELA 7: MORBIDADE REFERIDA. Freq. d. inflamações e problemas alérgicos. Total (*) Referindo-se a 105 pessoas que responderam ter tido queixa de saúde (**) Referindo-se a 422 pessoas que participaram da pesquisa.Inflamação de garganta.LER. g.Dor no peito. PROBLEMAS REFERIDOS DE SAÚDE 1.Dor na Coluna.Acidentes (trajeto e trabalho).Problemas muscoloesqueléticos: a.4 19. SEGUNDO ÓRGÃOS E SISTEMAS ACOMETIDOS NOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. sinusite. 4.Dor e queimação no estomago.

De acordo com a tabela 8.8 1 1 5 5 4. SETORES Costura FUNÇÕES Costureira Auxiliar de costura Auxiliar de serviços gerais Abastecedor Encarregado de produção Revisor de arremate Operador de máquina Encarregado de produção Passador Artesão Auxiliar de artesanato Auxiliar de expedição Encarregado de expedição Embalador Auxiliar de faturamento Cortador Auxiliar de corte Desenhista Estilista Modelista Lavador Almoxarife Mecânico Operador de caldeira Queixas Freq Função.8 1 1 2 2 1. pode estar relacionada. contrasta com os indicativos observados no levantamento de cargas de trabalho onde foi verificada a existência de grande número de cargas psíquicas demandadas pela organização do trabalho.7 4 5 4. com 10. podendo estar associados à contenção da urina. As demais funções ficam com percentagens bem inferiores. O pequeno número de transtornos mentais.7 1 3 6 5. 2005. a função de costureira é a que mais apresenta queixas de saúde.5% das queixas.5%. encontrado nesta amostra. TABELA 8: FREQÜÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE POR SETOR E FUNÇÃO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. podem estar indicando sintomas inespecíficos de desgaste.0 1 1 1.9 1 1 1.0 105 105 100 Acabamento Passadoria Artesanato Expedição Enfesto e Corte Criação/ e Modelagem Lavanderia Almoxarifado Manutenção Caldeiras TOTAL .9% das queixas.0 1 1 1. Dores de cabeça e enxaquecas. pela dificuldade que os trabalhadores têm de parar o serviço para irem ao banheiro.7 1 1 1 1 3 2. 2. o que vem a dar ao setor de costura uma prioridade no controle das condições de trabalho: onde há o maior número de trabalhadores e maior risco de adoecimento. 63 pessoas ou 60% dos casos. 9. Freq. proporção que é superior à de costureiras em relação ao total de trabalhadores (49%). Verificou-se também um alto índice de problemas renais.5 4 3 2 2 4 3. Setor % 63 2 74 70.8 2 1 3 2.ambiente de trabalho.

a partir desta faixa de tempo de trabalho ocorre aumento progressivo da prevalência podendo-se inferir que as doenças têm associação com a contínua exposição às condições de trabalho.9 21. Segundo uma encarregada de produção.4 dias perdidos de trabalho por trabalhador.8 31. com média de 23. Dos 8 casos com trabalhadores com menos de 1 ano de serviço.6 21.9 A prevalência maior se deu com trabalhadores com menos de 1 ano no serviço. cinco foram devido a problemas alérgicos e respiratórios. motivou pedido de demissão. um caso. 6. considerado como perda. TABELA 9: PREVALÊNCIA DE QUEIXAS DE SAÚDE COM TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES POR TEMPO DE SERVIÇO. A tabela mostra a distribuição dos trabalhadores afastados.8 19. sendo que.2 100 Expostos 15 137 116 111 43 422 P (%) 53. revelando que a prevalência destas queixas cresce com o tempo de atividade no setor.5 dia ou até mais de 360 dias. 2005.2 ABSENTEÍSMO E AVALIAÇÃO DE SAÚDE A tabela 10 mostra que. informou que 5 anos é o tempo médio em que se agüenta trabalhar.5 37. Tempo de trabalho na atividade <1 1a5 5 a 10 10 a 20 > 20 Total Freqüência 8 23 23 35 16 105 % 7. Segundo a tabela. das 105 pessoas com queixas de saúde. alegando o trabalhador não suportar mais as condições de trabalho.4 15.2 24.A tabela 9 mostra o número de trabalhadores com queixas de saúde por tempo de serviço. após ter sido interrogada sobre o tempo de serviço médio de cada trabalhador na empresa. segundo o número de dias .3 16. Uma hipótese que pode ser feita a este respeito é de que as desgastantes condições como o trabalho é realizado acabam por selecionar aqueles que continuarão neste setor produtivo. 36 relataram que tiveram que se afastar do trabalho por um período que variou de pelo menos 0.9 33.

(*) 2 22 6 5 35 % 5. LER (1) e reumatismo (1) 2. dor de cabeça e enxaqueca (1) problemas no estômago (1). 2005. em que se destacam as infecções dos rins. o índice de absenteísmo é alto e indica um elevado custo humano para a realização da produção.3 11. p.de afastamento.Acidente do trabalho (2). seguidas por problemas cardiovasculares. em particular as dores na coluna. e os problemas renais com 11. sendo que 63% afastaram-se por um período que variou de 1 a 7 dias. sobre restrição ao trabalho nos últimos 15 dias para a população brasileira com idade de 14 a 64 anos.Pressão alta (2). Este dado é superior ao observado na pesquisa PNAD 1998 (IBGE. artrose (1).OUTROS: . sendo que 64. com 14.7% consideraram que este era bom ou muito bom .4 11. 2005.9%. TABELA 11: CAUSAS DE AFASTAMENTO DO TRABALHO NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES POR ÓRGÃOS OU SISTEMAS. dormência pernas (1) e hemorróidas (1) 3. 14 5 4 4 8 35 % 40.Infecção nos rins (4) 6. tensão nervosa (1) TOTAL Freq.9 100 A tabela 12 mostra o resultado da auto-avaliação do estado de saúde por parte dos trabalhadores.PROBLEMAS MUSCOLOESQUELÉTICOS: . Dor no peito (1).PROBLEMAS RENAIS .3%.68).4 22.4%. Dias de afastamento <1 1a7 8 a 15 > 15 Total Freq.3 100 (*) uma perda de informação por pedido de demissão. dor de gravidez (1). sinusite (1) e alergia (1) 4.0 14.9 17. gripe (1). As principais causas de afastamento do trabalho são os problemas muscoloesqueléticos. que foi de 5. TABELA 10: NÚMERO DE DIAS DE AFASTAMENTO DO TRABALHO POR QUEIXA DE SAÚDE NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.7 62. Como 35 trabalhadores representam 8.PROBLEMAS DAS VIAS AÉREAS SUPERIORES:. cirurgia (2).3% da população estudada. 2000. conforme a tabela 11. Problemas de saúde 1.PROBLEMAS CARDIOVASCULARES: .Bronquite (1). com 40% dos afastamentos.1 14.Dor de coluna (10) e dor nas costas (1).

TABELA 12: AUTO-AVALIAÇÃO DO ESTADO DE SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.3 35.1%) não procuraram atendimento médico. A tabela 13 mostra a distribuição dos atendimentos médicos segundo o local de atendimento.6 47.5 1.8 1.(índice de satisfação) e somente 2. 39 pessoas (37.8%.9%. enquanto para as mulheres. obtiveram um ou mais atendimentos. foi de 60.2 32. . sendo de 81.1%. p. 2005 Estado de Saúde Muito bom Bom Regular Ruim Muito Ruim Total (*) Uma perda feminina. resolvendo seu problema de saúde em farmácias ou fazendo automedicação. Os demais. o que totalizou 82 atendimentos.8% para os homens e de 76. 2000. tendo um caso em que o trabalhador recebeu 3 atendimentos nos últimos 15 dias.6 26.3 ATENDIMENTO MÉDICO E DOENÇA DO TRABALHO Dos trabalhadores com queixa de saúde. O índice de satisfação para os homens foi de 71. F 38 132 99 7 3 279 % 13.9%).5 2.1 0. 66 pessoas (62.7 100 A pesquisa PNAD 1998 (IBGE. 20) encontrou um índice de satisfação para a população geral brasileira de 79.2 67.8% disseram estar seu estado de saúde ruim ou muito ruim. 6.4% para as mulheres. Total 44 228 137 9 3 421 % 10.5 2.5 54.1 100 M 6 96 38 2 0 142 % 4.4 0 100 Freq.

os casos já diagnosticados alcançam 6.TABELA 13: DISTRIBUIÇÃO DE ATENDIMENTO MÉDICO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES POR LOCAL. a fim de melhorar a qualidade de vida destas pessoas e diminuir o impacto da demanda de atendimento médico.4 100 Nota-se que o SUS foi responsável por cerca de 52.R.PSF Unidade Básica de Saúde . entre todos os entrevistados. 6. Tipo de Atendimento Médico da empresa Programa Saúde da Família .9%) disseram que sim.4% dos atendimentos através das Unidades Básicas de Saúde e do Programa Saúde da Família.UBS Plano de Saúde Total Freqüência 19 8 35 20 82 % 23.INSS. ou cujo estágio precoce de adoecimento não teve o nexo causal bem estabelecido pelo médico.7 24.2 9. A pontuação de respostas positivas à aplicação das perguntas do SRQ-20 mostrou uma média de 4. Este indicador ressalta a importância de se investir em programas de prevenção e proteção da saúde do trabalhador nas empresas. o que é bastante expressivo. em ordem decrescente: .4 INDICADORES DE SOFRIMENTO PSÍQUICO E L. Mesmo desconsiderando que pode haver muitos trabalhadores ainda com um diagnóstico errado.7 42.8% da população trabalhadora da indústria do vestuário. As freqüências simples dos itens do SRQ mais referidos foram os seguintes. 2005.8 respostas positivas. tratamento e reabilitação que estes trabalhadores irão representar para o SUS e o Instituto Nacional de Seguridade Social . 29 trabalhadores (43. Perguntados se o médico que os atendeu relacionou o sintoma de sua doença com o trabalho.E.

0001).30% 25.57% 37.Tem sensações desagradáveis no estômago? 9. Este dado contrasta com o dado anterior de que apenas 2. vindo a seguir a dificuldade de tomar decisões (com quase 40% dos indivíduos) e ter se sentido triste ultimamente com cerca de 38%. dores de cabeça freqüentes e se assustam com facilidade. mostrando que o indicador de morbidade referida não foi sensível à identificação dos casos suspeitos destes problemas. Além disso.Assusta-se com facilidade? 5. de suspeitas de DMM. com aproximadamente 66% da amostra.1. tenso ou preocupado? 2. 105 trabalhadores. sensações desagradáveis no estômago.94 30. sente-se cansado o tempo todo. sendo maior entre os suspeitos de DMM (31.9% das queixas referiam-se a transtornos psicoemocionais.88% 39. sendo estatisticamente associado com o sexo (p=0.0006) (prevalência no sexo feminino de 30% contra 14.Tem dores de cabeça freqüentes? 7.44 34. enquanto foram apenas 16.0001).41%).8% no sexo masculino). .Tem dificuldade de pensar com clareza? 6.Tem se sentido triste ultimamente? 4. Houve associação significativa entre ter suspeita de DMM e a ocorrência de queixas à saúde (p<0.Sente-se cansado o tempo todo? 8. sendo que 51.Sente-se nervoso.12% 32. dificuldade de pensar com clareza.Tem dificuldade de tomar decisões? 3. tensão e preocupação.9%. Encontrou-se o índice de 24.1% dos que não tiveram queixas. O uso de calmantes também foi estatisticamente relacionado com a suspeita de DMM (p<0. vemos que pelo menos 25% das pessoas têm: dificuldade para dormir.43%) do que entre os não suspeitos (10.20% 26.9% 28.4% dos que tiveram queixas à saúde foram considerados suspeitos de DMM.83% Observa-se um alto índice para o sentimento de nervosismo.Dorme mal? 65.

. e a função exercida (p=0. a função de costureira tem 2. com a variável dependente apresenta suspeita de L. Sentir-se valorizado parece funcionar como uma proteção ao DMM.6%.0097).E.76% entre os que apresentaram queixas e de 13.R. 1= positivo e 0= negativo sendo ajustada pela variável independente função: para costureira (0) e outros. o uso de calmantes (p=0.Houve associação significativa entre as variáveis sentir-se valorizado pelo trabalho que realiza e suspeita de DMM (p=0. para o terceiro quartil (4.E.6% entre os que não apresentaram.6%.7%). e sexo (p=0.2% dos que responderam sentirem-se valorizados foram considerados suspeitos de DMM.0586) e valorização pelo trabalho que realiza (p=0. Assim.6524 (IC95%: 1. dos quais cerca de um terço são suspeitas de LER. se obteve o “Odds ratio” (Razão de chance) 2.0075). a função de costureira tem 1. sendo que 20.R.6 a 10 anos) a suspeita foi de 24.7% e para o último quartil (> 10 anos) a suspeita foi de 35. quando comparada à função de costureira (o) (21.R encontrou a prevalência de 16.0%) com as outras funções (11. assim.6 vezes mais chances de ter suspeita de L.0002).6%. Houve associação entre suspeita de LER e de queixas à saúde (p=0. sendo a suspeita encontrada em 24.R.43 vezes mais chance de ter suspeita de DMM do que as outras ocupações.9516).4%. cuja variável dependente srq8 1= positivo e 0= negativo ajustada pela variável independente função costureira (0) e outros e controlada pelo sexo. Este dado vem ao encontro de dado anteriormente relatado que apontou 14% de pessoas que tiveram queixas de saúde relacionadas ao sistema musculoesquelético. Houve associação significativa da suspeita de DMM com o tempo de trabalho na função. o índice de suspeitos de DMM foi de 40. que as outras ocupações. quando considerados os dados distribuídos em quatro quartis.0%. realizou-se a regressão logística múltipla ajustada.2599). ou 69 pessoas. Obtendo-se o “Odds ratio” 1.R. realizou-se a regressão logística múltipla ajustada. Houve associação entre suspeita de L. Não houve associação entre a suspeita de L.E. Para o primeiro quartil (< 2 anos) a suspeita de DMM foi de 16.E.E.53). Em relação à função. enquanto que para os que responderam não se sentirem valorizados.5 anos) a suspeita foi de 21. Em relação à função.06-2. e controlado pelo sexo.67-3.4328 (IC95%: 1. A aplicação de screening para levantamento de suspeita de L. para o segundo quartil (2 a 4.57).

6%. 15. em que 39.3 18. conforme a tabela 14. Consumo de bebidas alcoólicas Não usam < de uma vez por semana 1 a 2 vezes por semana 3 a 4 vezes por semana 5 ou seis vezes por semana Total Freqüência 282 56 77 6 1 422 % 66.2 1.4 0. Dos que disseram consumir bebidas alcoólicas. O uso do fumo foi relativamente baixo com 45 fumantes.1% de DMM.8 13. 66 pessoas. referiram ter feito ou estarem usando este tipo de medicamento nos últimos 6 meses.7%. TABELA 15: DISTRIBUIÇAO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES QUE FAZEM USO DE CALMANTES POR TEMPO DE USO. 2005. 2005.5 USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS. Tempo de Uso < 1 ano (*) 1 até 5 anos 5 até 10 anos > 10 anos Total (*) Incluídos os raramente ou às vezes. mas a ingestão de bebida alcoólica foi referida por 140 trabalhadores.Quando analisamos suspeitas de LER com DMM.2%. ou 33. somente 7 pessoas afirmaram que faziam o uso por mais de dois dias por semana.0028) entre as variáveis. 10. TABELA 14: FREQÜÊNCIA DE CONSUMO DE BEBIDA ALCOÓLICA ENTRE TRABALHADORE DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO E COLATINA-ES.2 100 Quanto ao uso de remédios calmantes. também são suspeitos de DMM enquanto que os não suspeitos apresentam somente 22.1% dos suspeitos de LER. FUMO E MEDICAMENTOS CALMANTES.0 16.4 8. 6.2 100 .4 16. constatamos que há associação (p=0. Freqüência 36 10 10 5 61 % 59.

geralmente do grupo dos benzodiazepínicos. veja tabela 14. Calmantes referentes (1).2% entre os homens. Navotrax (1). cuja principal finalidade é o tratamento dos transtornos de ansiedade.0% contra 6. Calman (1). Aplaz (2). Outras Referências (*) Uma perda. Foram maiores para os homens (p<0. Assert (1). Cefahim (1). Amitriplina (3). Os medicamentos referidos pelos trabalhadores foram basicamente ansiolíticos e antidepressivos. Valium (1) Freq. um diagnóstico e uma indicação feita por um médico. portanto. Gadernal (1). 46 Antidepressivos Fluoxetina (3). Pondera (1). TABELA 16: FREQUÊNCIA DOS PRINCIPAIS MEDICAMENTOS CALMANTES UTILIZADOS PELOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. Lexotan (4).6% entre as mulheres.0001) com 59. de forma limitada.4% contra 4. Sertralina (1). . Brumazepan (2).0001) com 21. Tipos Ansiolíticos Medicamentos Rivotril (16). Houve uma diferenciação entre os hábitos de fumar. Amytril (1).Em relação ao tempo de uso. Ansilive (1). 10 9 Afroditi (1). conforme mostra a tabela 16.9% contra 19. Tenadren (1) Os ansiolíticos são os tranqüilizantes mais utilizados. sendo necessário. enquanto para as mulheres foi maior o uso de calmantes (p<0. Captropil (1). (www. mesmo que não exista um distúrbio de ansiedade propriamente dito.5% das mulheres. para controlar tensão nervosa devido a algum acontecimento estressante. Somalium (4).br acesso realizado em 25/04/2006). Podem ser utilizados também. Alool (1). Diazepan (8) Olcadil (6). Liptril (1). beber e usar calmantes entre os sexos. Altrox (1).psicosite. e o uso de bebidas alcoólicas (p<0. cerca de 40% afirmam utilizar estes medicamentos há mais de 1 ano. 2005.0001) os hábitos de fumar com 19.com.

ritmos excessivos. pois se sentir valorizado pelo trabalho que faz pode significar um importante amortecedor que contribui para manter a saúde do trabalhador ou sua capacidade de resistir ao processo de adoecimento como veremos. umidade e ruído). controle para ir ao banheiro e baixos salários. como na máquina de corte.7 PERCEPÇAO DOS TRABALHADORES SOBRE A RELAÇÃO SAÚDE TRABALHO Quanto à percepção de que as condições de trabalho a que estavam submetidos poderiam prejudicar sua saúde. o mobiliário utilizado . a percepção dos trabalhadores sobre as cargas de trabalho que podem ser fontes de doenças em sua atividade estão associadas ao esforço do corpo em fazer as operações biomecânicas e o estresse psíquico introduzidos pela organização no controle da produção e pela péssima qualidade ambiental que aumentam o desconforto e as doenças. caldeira e lavanderia.fixação da vista e ficar na mesma posição (sentado ou em pé) por um tempo muito longo. seguem-se os agentes ambientais que constituem as cargas químicas com 22.5% (poeira. estão as cargas fisiológicas com 55. como: a posição fixa em que se realiza o trabalho.em especial a cadeira de madeira utilizada pelas costureiras . substâncias químicas e tintas) e as físicas com 16.3%.4%) que às vezes e somente 105 (24.7% de cargas psíquicas como conseqüência de fatores como a pressão pela produção. . Como se pode observar pela tabela 16.8% (calor. Esta informação é importante.9%) que não. Em relação aos fatores de risco mais citados. Perguntados também se sentem valorizados pelo trabalho que fazem 247 (58. mas houve a percepção de 3. Os demais grupos de cargas foram bem pouco referidos. 212 (50.2%) responderam que sim.7%) informaram que sim: 69 (16. hierarquia rígida. movimentos repetitivos. Foram citados também alguns riscos de acidentes. perfurações por agulhas.

13 Muito tempo na mesma posição. 2005. 1 Solda elétrica. 1 Responsabilidade. 49 30 Produtos químicos..3 13 3. 1 Ficar muito tempo sentado. 1 Máquina baixa.A= Freqüência absoluta. 36 Ruído. seguidos dos problemas respiratórios com 24. 2 Salário baixo. 22 Esforço repetitivo. 1 Subir escadas.TABELA 17: PRINCIPAIS CARGAS DE TRABALHO REFERIDAS PELOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. 1 Total F.R. Máquina perigosa e caldeira.7 351 100 F. Perguntados sobre quais os problemas de saúde poderiam decorrer das cargas de trabalho referidas como causas de doenças no seu trabalho.5%. 1 Água não é gelada. 10 Ficar muito tempo em pé. com predomínio dos problemas de coluna. 11 Esforço visual. 59 % 16.5 4 1. cheiro de tinta. 50 Posição inadequada. 1 Lavanderia.8 79 22. 3 Pausa curta ou inexistente. 3 Ritmo acelerado. 1 Pressão por produção. 3 Período curto para o almoço. 3 Controle para ir ao banheiro. 22 Cadeira sem regulagem. 9 Esforço na coluna. 1 Caldeira sem manutenção.1 194 55.A. 22 Umidade. 1 Poeira. Deve-se destacar que o grupo dos transtornos . 1 Esforço mental. 1 Variação de funções. Calor. 4 Atritos com chefias e colegas. 44 Carregar peso. em que as alergias foram predominantes. Cargas de trabalho Físicas Químicas Acidentes Fisiológicas Psíquicas Fator de risco F.R= Freqüência relativa e F. cerca de metade das referências disseram respeito aos distúrbios musculoesqueléticos.

Gripe-resfriado-garganta (4). apesar de poucas oportunidades de discutir suas condições de saúde e trabalho tem conseguido perceber de forma geral que há situações desgastantes em seu local de trabalho. fraqueza nos braços (1). dor no ouvido (1) 9 Renais Problema renal (4). ansiedade (1).7 24. Problema respiratório (20).2 2. cansaço (1) 10 inespecíficos Auditivos Surdez (8). 80 bronquite (2). 156 artrose (1). TABELA 18: PERCEPÇÃO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA – ES SOBRE PROBLEMAS DE SAÚDE DECORRENTES DE SEU TRABALHO. varizes (3).1 5. cansaço 23 mental (1) Cardiovasculares Problema de circulação (13). foram referidos aqui como 7% dos possíveis problemas de saúde relacionados com o trabalho. nos ombros (1).0 2. câncer (4). dor nas pernas (9). 2005. nervosismo (2) Depressão (3). pulso (2).psicoemocionais. pouco referidos enquanto queixa de saúde.5 3. sinusite (3) Psicoemocionais Estresse (14). O que demonstra que o trabalhador do setor do vestuário de Colatina – ES. constipação (2) 7 Total 327 (*) Em relação ao número de pessoas que responderam a pergunta. irritação nos olhos (1) 18 Desgaste Dor de cabeça (9). 20 inchaço (3). . falta de ar (3). o que demonstra que a percepção dos trabalhadores sobre a relação trabalho-saúde é alta. tonturas (1) Visuais Problema de visão (17). dor nas juntas (1). nas costas (2). dor muscular (2). LER (11). câimbras (1) Respiratórios Alergias (41).5 7. rinite (5). Órgãos e Sistemas Problemas de saúde Freq Músculoesquelético Dor na Coluna (121). %(*) 47.0 6. asma (2).1 100 Verifica-se que de uma forma geral os problemas de saúde referidos têm uma relação de causa e efeito bastante lógica com as cargas de trabalho referidas. bursite (1).7 1. dor nos braços (3). 4 Outros Doença de pele (3). perturbação mental (2).

nota-se que o que causa tensão ou cansaço é.1) 236 (56.Jornada prolongada e horas extras 4.Desconforto e inadequações mobiliárias 11. para mais da metade dos trabalhadores pesquisados: má remuneração.9) Considerando-se as respostas sim e às vezes.2) 195 (46.8) 224 (53.Improvisações no trabalho 13.Problemas com chefias 14. TABELA 19: PRINCIPAIS FONTES REFERIDAS DE TENSÃO NO TRABALHO EM TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.7) 164 (39.0) 160 (37.7) 10 (2.2) 299 (87. as principais situações estão indicadas na tabela 19. .Má remuneração 2.Falta de cooperação com colegas 12.6) 327 (77.4) 254 (60.9) 326 (77. calor excessivo. jornada de trabalho é longa.6) 66 (15.Ritmo de trabalho acelerado 10.3) 182 (43.Barulho excessivo 6.6) 21 (5.2) 255 (60.5) 195 (46.0) 210 (49.5) 11 (2.Calor excessivo 3.Trabalho noturno ou turnos SIM N (%) 249 (59.3) 88 (20.1) 292 (69.0) 3 (0.1 FONTES DE TENSÃO E CANSAÇO NO TRABALHO Questionados sobre quais as situações são fontes de tensão e cansaço no trabalho.4) 268 (63. Fontes de Tensão e Cansaço 1.1) 176 (41.Ameaça de demissão 8.0) 212 (50.Falta de treinamento 15.4) 144 (34.1) 22 (5.Falta de promoções ou oportunidades 9.2) 229 (54.9) 158 (37.0) 19 (4.2) 20 (4.7.Trabalhar por produção fixa 7. 2005.8) 38 (11.7) 145 (34.9) NÃO N (%) 150 (35.5) 241 (57.7) 315 (74.5) 75 (17.2) ÀS VEZES N (%) 23 (5.9) 82 (19.5) 15 (3.8) 25 (6.4) 46 (10. fazer horas extras e pouco tempo para pausas.9) 9 (2.8) 7 (1.Trabalho monótono ou desinteressante 15.Pouco tempo para pausas 5.1) 102 (24.4) 146 (34.1) 37 (8.2) 160 (38.7) 30 (7.

livre como um pássaro (5). às vezes bem às vezes estressado (2). e a má remuneração. com dor nos olhos (2). graças a Deus terminou (1). 7. Freq.4 50. estressado (7). 143 Aliviado (53). quase em correria.2 SENSAÇÃO AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DA JORNADA DE TRABALHO. Outra justificativa para este fato é a ansiedade para sair do local de trabalho – como uma liberdade alcançada e ou o fim do sofrimento. que aparece em primeiro lugar em importância para estes trabalhadores. animado/realizado/melhor (8). cujas falas aparecem em vários depoimentos dos trabalhadores. como “um sentimento de estar fugindo de uma gaiola. indicam que para cada ramo de serviço aparecerão formas de desgastes diferentes. Enquanto que para os caixas bancários a principal fonte de cansaço e desgaste foi o desconforto e a inadequação do postos de trabalhos. regular (1).7 100 . de alívio de estar saindo de uma situação de gasto de energia física e mental acima do suportável”. O motivo alegado por alguns é o de conseguir bater o ponto primeiro e arrumar um bom lugar no ônibus que a empresa oferece para transportá-los aos bairros mais distantes. Bem (80). 214 Total 422 % 33. feliz/alegre/satisfeito (15). Nervosa (1). 2005. dever cumprido (2). com dores (2). Na tabela 15 são apresentadas as respostas à pergunta sobre a sensação que sentem ao sair do local de trabalho no fim do dia. com caixas bancários de um banco estatal. uma benção (1). normal (28).9 15. 65 Cansado (202). os trabalhadores da indústria do vestuário indicaram esta carga como a 10ª em grau de importância. foi indicada pelos bancários como sendo a terceira. tranqüilo (12). Acompanhando o trabalho nas fábricas foi registrado que no apito do final do expediente os trabalhadores abandonam imediatamente seus afazeres e saem com bastante pressa do local.As cargas referidas pelos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina comparado com estudo semelhante realizado por Borges (2000). TABELA 20: DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO DE COLATINA – ES SEGUNDO A SENSAÇÃO QUE SENTEM AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DO DIA.

Patrões.Remuneração.1%.7%. consideração superiores.. colegas. qualidade do serviço.O ambiente de trabalho. A relação com os colegas foi o aspecto mais mencionado com 267. sentir-se útil. 3.Outros Total de aspectos mencionados Freq. a hora do almoço e da . a profissão. valorização. pagamento em dia. o fim do expediente. fim do expediente.Ter emprego.9% a de ter sensações que expressam bem estar. 6. As respostas dadas às perguntas abertas sobre as duas coisas que mais lhe agradam e as que mais lhe desagradam no trabalho. veja tabela 21 abaixo. 40. gostar de trabalhar. 2005. companheirismo. 5. ganhar o justo. gostar de trabalhar e do que faz. 7. 6. como por exemplo. obter boa qualidade nos serviços com 38 ou 5. da profissão e de sentir-se útil com 211. 2. patrões e encarregados como o ponto que pode repercutir positivo ou negativamente na avaliação dos trabalhadores. 31. união.7%.3 ASPECTOS AGRADÁVEIS E DESAGRADÁVEIS NO TRABALHO. 11.. das respostas encontradas.2%. COISAS QUE LHE AGRADAM NO TRABALHO 1. forma de tratamento. alguns aspectos contraditórios do trabalho como uma coisa que lhe agradam. 267 211 75 38 30 24 20 665 São indicados. etc. também. São importantes também as expressões de alívio e de liberdade. Em terceiro lugar e indicado o bom relacionamento com os patrões e em especial com os encarregados com 75. TABELA 21: ASPECTOS DO TRABALHO QUE MAIS AGRADAM AOS TRABALHADORES DO SETOR DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES.Amizades.Verifica-se que cerca de metade dos trabalhadores referiu sentir-se cansaço ao final da jornada de trabalho e somente 33. mas notam-se as relações pessoais entre os colegas. poder trabalhar. 4. vindo a seguir o ambiente de trabalho.Atingir as metas. concordando com o que foi registrado anteriormente na hora do apito que sinaliza o final do dia de trabalho. e ao fato de atingir as metas. foram muito variáveis. fim do mês.

2005. mentiras e falsidades.7 interpessoais Brigas. Fofocas. Outros Nada. retrabalho. produtos químicos. 77 Relações Falta de coleguismo. 26 6. cooperação e entrosamento. 409 contra 665 que agradam. má 9 9 2. 6 improvisações. intrigas. Valorização e 27 86 21. Tempo de pausa.pausa para o café. falta 14 Desconforto de higiene.3 Administração administração. remuneração Desigualdade salarial. A análise destes quadros demonstra que a organização do trabalho em células reforça a solidariedade do grupo de pessoas na obtenção das metas de produção. pegar ônibus.R= Freqüência relativa e F. 29 38 9. departamento de pessoal. Entre as coisas que mais desagradam os trabalhadores assinalaram um número menor de itens.1 Total 409 100 F. TABELA 22: ASPECTOS DO TRABALHO QUE MAIS DESAGRADAM OS TRABALHADORES DO SETOR DO VESTUÁRIO DE COLATINA-ES. 9 Relação ruim com patrões/chefes 15 Hierarquia Desconfianças/desrespeito/perseguições/normas. não 15 participação nos lucros. mau humor. 6 Trabalho repetitivo. atraso pagamento. Organização Tipo de trabalho que realiza 8 107 26. etc. 12 Má remuneração 45 Falta de valorização. o final do mês e o voltar para a casa com 30 indicações ou 4. mau cheiro. que é um dos itens importantes . falta de café da manhã.A= Freqüência absoluta. inveja. 21 5. 74 Muito trabalho. Agentes Ventilação/calor e barulho.1 Falta de médico 3 Distância da casa ao trabalho. 4 Demissões.R F. COISAS QUE MAIS DESAGRADAM NO TRABALHO F. segunda-feira. descontos. veja tabela 22.3 ambientais Poeira. produção alta.5% do total. cansaço. desunião.0 consideração. ignorância. rotina.1 do trabalho Horas extras. trabalho noturno e horário rígido. 12 101 24. cujos resultados garantem uma maior remuneração. ou seja. dificuldade para beber água.4 11 incompreensões.A % Pressão exagerada encarregada. fracasso. trabalhar em célula 13 e competitividade. igualdade tratamento. almoçar na marmita. 21 21 5.

a competitividade e o excesso de trabalho com 102 indicações (27. que quando não são harmônicas. . com vários agentes atuando simultaneamente. veja tabela 22.4%) e a má remuneração com 40 citações (10. a repetitividade. Por outro lado um bom entrosamento no trabalho reforça positivamente o enfrentamento do ritmo de trabalho e as cobranças constantes para manter a produção alta.5%). um ambiente de trabalho desconfortável. Este laço de solidariedade cria uma relação de identificação e de companheirismo. quebram a solidariedade intergrupal.2%) são os itens que mais desagradam seguidos pelas relações pessoais. tendo a fofoca.que desagradam os trabalhadores. onde o calor decorrente da má ventilação se sobressai com 23 indicações (6. a organização do trabalho em produção alta.6%). Os trabalhadores enfrentam também. a posição fixa de trabalho. intrigas e outros aspectos do relacionamento entre os que mais desagradam com 77 indicações (20. Assim. a grande maioria das respostas está ligada a sentimentos e crenças relacionadas ao mundo social. havendo inclusive certo estranhamento com trabalhadores de outros setores. seguido pela pressão pela produção com 69 (18. Como a relação interpessoal e grupal é um fator muito importante para este grupo de trabalhadores.1%) do total delas.

por novos trabalhadores treinados e com capacidades orgânicas em condições de manter a alta produção que alguns trabalhadores já não suportam mais. que se concentra nos bairros periféricos e nos morros da cidade. é substituída.SESC ou pelo Serviço de Ensino Nacional da Indústria – SENAI. A indústria do vestuário de Colatina tem sido desde 1990. seja pelo grande desenvolvimento destas empresas como pela retração do setor agropecuário baseado na monocultura do café e da pecuária de corte. A falta de opção de trabalho na região favorece a aceitação. como nos setores de costura. Os novos trabalhadores são capacitados pelo Serviço Social do Comércio . seja nas pequenas oficinas de facção ou no trabalho a domicílio. faz . por sinal praticado em todo o país. que ministram os cursos de formação. periodicamente. dependendo das metas atingidas durante o mês de trabalho. a opção de trabalho da grande maioria dos trabalhadores jovens da região. passadoria e de artesanato. Esta população jovem. Os trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina são constituídos por uma população empobrecida e de baixa escolaridade. sendo mais visível nos setores onde o trabalho vivo é mais atuante. com salário base fixado em convenção coletiva em torno de R$357. com média de 31 anos. Nestes locais é onde a organização capitalista se apropria de maneira mais severa do tempo e da capacidade do trabalhador de produzir os bens de consumo que se transformarão nas mercadorias que proporcionarão o lucro da atividade econômica. Os trabalhadores excluídos acabam sendo desviados para o mercado informal. É o mercado global que deprecia o salário para baixo. em casas simples de alvenaria ou de madeira. por parte dos trabalhadores e de seu sindicato.00 (trezentos e cinqüenta e sete reais) e com ganho de produtividade que pode variar de 2 a 36%. lavanderia. cabendo ainda às empresas o processo de seleção e formação complementar. acabamento. que são realizados em dias escolhidos pela empresa. do baixo padrão salarial do setor.8 CONCLUSÕES As relações sociais no interior das fábricas de vestuário têm marcas profundas sendo denunciada pela forma de organização da produção e pela divisão do trabalho.

4 dias. e os problemas cardiovasculares que representam 9. mas que não foi objeto de investigação deste estudo. que buscava o aumento da produtividade e da qualidade do produto.2% . dado superior ao encontrado em pesquisa semelhante do PNAD (IBGE. Estas queixas de saúde provocaram. por células de produção. No setor do vestuário de Colatina. a densidade do trabalho é alta e o trabalhador não tem tempo para fazer pausas. fato que talvez já esteja aparecendo podendo ser medido no aumento do número de auxílios doenças concedidas pelo INSS. mas quando incluídos o tempo total de afastamento. tendo que buscar a rentabilidade no aumento da densidade do trabalho. mesmo a ida ao banheiro é adiada constantemente a fim de garantir a meta da célula de produção. é servida por ajudantes. Considerando os últimos 15 dias anteriores à pesquisa. estes casos necessitaram em média de 5 dias de afastamento. 2000). como as dores nas costas e na coluna. Os trabalhadores inseridos neste formato de gestão de produção estão submetidos a uma tensão laboral mais intensa o que tem gerado novas doenças relacionadas aos transtornos musculoesqueléticos e aos distúrbios mentais.9%. o número médio de dias de afastamento sobe para 23. Isso demonstra que uma população mais antiga de trabalhadores já está no estágio final do processo da doença crônica incapacitante relacionada ao trabalho. A célula de produção impôs novo ritmo de trabalho. Na linha de produção. Este estudo mostrou que a prevalência de queixas de saúde nos trabalhadores da indústria do vestuário de Colatina é estimada em 24. no período da pesquisa.5% de afastamento do trabalho. o processo da flexibilização econômica e a reengenharia da produção tiveram início em 1992 quando uma nova forma de gestão começou a ser utilizada no meio fabril. As queixas de saúde mais referidas são as musculoesqueléticas. como é conhecida. a água que é ingerida pelo trabalhador.as empresas trabalharem cada dia com menor margem de lucro. com 14% de prevalência. em muitos casos. 8. A produção deixou de ser por cotas individuais e passou a ser contabilizada por grupos de trabalho ou.

Considerando os trinta dias de um mês. no setor de vestuário de Colatina (cerca de 4300 trabalhadores). à função de costureira e ao tempo que exerce a função. 66 pessoas (15. que existe no setor do vestuário de Colatina. Nos últimos 15 dias anteriores à pesquisa. Dos que apresentaram queixas de saúde e foram atendidos por médicos 6.9% disseram que suas queixas de saúde foram relacionadas com as condições de trabalho. em especial da saúde do trabalhador. seja pela diminuição . A intervenção deve ser feita em vários níveis e pelos atores sociais que atuam neste campo de trabalho. sendo que 43 atendimentos foram realizados pelo SUS. para cada período de anos trabalhados. Ao se analisar a queixa de saúde por tempo de atividade na indústria do vestuário. como em um processo de seleção natural dos mais aptos.A prevalência de suspeitas de distúrbios mentais menores – DMM.9%. sendo associada ao gênero. os que permanecem na atividade aumentam sua chance de suspeita de transtornos muscoloesqueléticos e de DMM. como os empresários do setor. pode-se estimar que a população de trabalhadores com vínculo empregatício. Demonstra também que.4% e não houve diferenças em relação ao sexo e a idade sendo associadas fortemente com a função e o tempo em que a pessoa a exerce. também foi de 24. As suspeitas de lesões por esforços repetitivos – LER teve prevalência de 16. Os resultados do estudo indicam que são necessárias ações para intervir nas causas do processo saúde-trabalho-doença. pode estar demandando cerca de 800 atendimentos médicos por mês para o SUS. Esta situação reforça a caracterização deste fator de risco como fator causal no processo de adoecimento destes trabalhadores. ao uso de medicamentos calmantes. e em todos os locais onde a indústria esteja organizada desta forma. os sindicatos de trabalhadores e os órgãos públicos da área do trabalho e da saúde. verificou-se que é no primeiro ano de trabalho que são selecionados os trabalhadores que se adaptam à forma de organização da produção. Os sindicalistas precisam colocar em sua agenda uma permanente discussão com os empregadores a fim de melhorar as condições de trabalho.6%) da amostra que tiveram queixas de saúde. demandaram 82 atendimentos médicos.

através do SUS. de sua rede de atenção primária à saúde. Neste aspecto. porém a solução para o assunto ainda esta longe de ocorrer. Na área legal do MTE. na gestão das cargas de trabalho existentes no ambiente de trabalho e não mais com o “objetivo vinculado à necessidade de reprodução da força de trabalho frente ao processo de produção econômica“ (DONNANGELO.da jornada de trabalho. introduzindo pausas periódicas. devem-se aprimorar as normas regulamentadoras que tratam das organizações internas das empresas voltadas para a questão da gestão de risco e controle da saúde (NR-4 e NR-5). O SUS tem que atuar prioritariamente na saúde do trabalhador no controle das causas das doenças. . a área da saúde. mas procurando sempre proteger o trabalhador onde há omissão nos textos legais. controle dos agentes ambientais. pode dar uma grande contribuição. 1976. com a mudança na classificação de risco do setor de vestuário. mesmo após a realização do 3ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador em 2005. isto é. discussão da produção e da remuneração. médico do trabalho. exercícios laborais e rotatividade de funções. Esta classificação obriga somente as empresas com mais de 500 empregados a ter um técnico de segurança e somente as com mais de 1000 empregados a constituírem SESMT com engenheiro de segurança. A ação conjunta entre os órgãos públicos da área da saúde e do trabalho tem sido tema de várias discussões e até de estudos acadêmicos (PINHEIRO. A DRT deve aumentar a fiscalização por um lado para fazer cumprir as normas de segurança existentes. Por outro lado. p. como forma de controle do desgaste operário. 2003.68). estas informações servirão de alerta aos órgãos de fiscalização e facilitarão sua ação de investigação. com a ação da Vigilância Epidemiológica e Sanitária. técnico de segurança do trabalho e auxiliar de enfermagem. no atendimento do Programa de Saúde da Família – PSF e da Unidade Básica de Saúde – UBS. a área da saúde. apud FRANCO&MERHY. tem papel fundamental na notificação de queixas de saúde que possam estar relacionados com o trabalho. 1996). redução do ritmo de trabalho. As empresas do setor do vestuário estão classificadas pela NR-4 – Serviços Especializados de Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho como sendo de grau de risco 2. melhoria do mobiliário utilizado.

encontrados pelo estudo. do MTE. o que obrigaria as empresas com mais de 100 empregados a constituírem um SESMT com pelo menos um técnico de segurança do trabalho. como no dizer da Agenda Nacional de Trabalho Decente. encontradas neste setor. com apenas 2 membros e somente a partir de 141 empregados aumenta sua constituição para 4 membros.5). Os inúmeros setores de trabalho e a grande quantidade de trabalhadores em situação de trabalho desgastante. 2006. na qual o setor de confecções está situado no grupo C-4. no qual a CIPA passa a ter 4 membros a partir de 80 empregados. com a exigência de constituir CIPA a partir de 30 empregados.Os inúmeros setores de trabalho e as situações de risco à saúde dos trabalhadores. prevista pela NR-5. e os resultados apresentados por este estudo indicam que é necessária a revisão da classificação de risco desta atividade econômica para o grau de risco 3. . deste ano de 2006. Este mesmo raciocínio se aplica para a constituição das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes CIPA. a fim de se ver cumprir os direitos dos trabalhadores por um ambiente de trabalho mais saudável ou. exercido em condições de liberdade. capaz de garantir uma vida digna (MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. indicam que a classificação mais adequada para o setor de confecções é o grupo C-6. p. Estas mudanças são necessárias para que as situações inadequadas de trabalho do setor do vestuário possam ser controladas pelos empregadores. eqüidade e segurança. que o define como sendo um trabalho adequadamente remunerado.

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Origens.17. De Taylor ao modelo japonês: modificações ocorridas nos modelos de organização do trabalho e a participação do trabalho. 1996. M. 1991. 1982. A. 21ª ed. René & DIAS. Epidemiologia. São Paulo: Melhoramentos. GOMES. Túlio Batista. P. 2001. 57-93. Eugênio Vilaça. n. et all. Cadernos de Saúde Pública. A construção do campo da saúde do trabalhador: percurso e dilemas. 2001. R. 21-32.C. Rio de Janeiro. São Paulo: HUCITEC. Lei orgânica 8. MINISTÉRIO DA SAUDE DO BRASIL. LEAKEY. Jorge da Rocha. A. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional. Revista de Saúde Pública. René. São Paulo: Hucitec. São Paulo. E. São Paulo. MARX. LEITE. Emerson Elias et al. Importância da ocupação como determinante de saúde-doença: aspectos metodológicos. Uma agenda para a saúde.LAURELL. MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Elizabeth Costa. Os grandes dilemas do SUS: tomo I. C & THEDIM-COSTA. MENDES. proteção e recuperação da saúde. R. 1997. Processo de produção e saúde – Trabalho e desgaste operário. In: MERHY. 2 (1): p. 1989. 1998. MONTEIRO. 25 (5): p. Brasília: Ministério da Saúde do Brasil. O capital: critica da economia política. a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providencias. 29-37.080. 2): p. 4ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional. Livro 1. São Paulo: Atheneu. v. MEDRONHO. Tecendo a precarização: trabalho a domicilio e estratégias sindicais na indústria de confecções de São Paulo. São Paulo: Hucitec. Trabalho decente. Da medicina do trabalho à saúde do trabalhador. Educação e Saúde.341-349. R. MERHY. S. 2004. Diário Oficial da União. Emerson Elias & FRANCO. 1989.93/94: p. Dispõe sobre condições para a promoção. Salvador: Casa da Qualidade.67. __________. 2004. MENDES. MENDES. dez. MINAYO-GOMES. v. Trabalho. _______________. Doenças Relacionadas ao Trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde. & LEWIN. O trabalho em saúde: experienciando o SUS no cotidiano.13 (supl. Karl.F. Márcia de Paula. n. 2006. Maria Silva. & NORIEGA. 1990. julago-set. . 2003. 2003. 55-123. 19 de set. Programa de saúde da Família (PSF): contradições de um programa destinado à mudança do modelo tecnoassistencial.M.

Investigando a relação entre saúde e trabalho. Dissertação de doutorado. Cultura e saúde nas organizações. 1993. São Paulo: Fundacentro. Como todo nosso conteúdo é de livre acesso. Saúde em Debate.psicosite. 62. Centro Biomédico. et al. São Paulo: SESI. Maria Zélia & ALMEIDA FILHO.SESI. Rio de Janeiro: Ediouro. Maria Zélia & ALMEIDA FILHO. ODDONE. Alfredo Rodrigues Leite da. A Inteligência no Trabalho. 2006. Álvaro et al. 2004. O livro de ouro da história do Mundo. C. n. In: BUSCHINELLI. 2003.NUNES. Everardo Duarte. set/dez. In: ROUQUAYROL. Rachel M. Manual de Segurança e Saúde no Trabalho. p. Universidade Estadual de Campinas. WISNER. 6ª ed. SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA . ROBERTS. 1983.br. MEDSI: Rio de Janeiro. A. Naomar. São Paulo: HUCITEC. Rio de Janeiro: v. Epidemiologia & Saúde. SILVA JÚNIOR. 2003.M. esperamos cooperar com a democratização da informática no Brasil.159-177. Ansiolíticos. 10ª ed. J.M. Vigilância em saúde do trabalhador no Sistema Único de Saúde: a vigilância do conflito e o conflito da vigilância. Responsável Dr. Petrópolis: VOZES. . Rodrigo Marot. O psicosite tem como principal objetivo proporcionar informações de base científica sobre psiquiatria e psicologia para leigos e profissionais. Jarbas Barbosa et al. 2003.M. Universidade Federal do Espírito Santo. 2001. Epidemiologia & Saúde. T. Acessado em 25 abr. doença e trabalho no Brasil. 6ª ed. isto é trabalho de gente? Vida. São Paulo: Global Editora. 1996. Medicina Social: aspectos históricos e teóricos. 2003. 249-258. Porto Alegre: Artmed. 26. 1994. São Paulo: Fundacentro. 2002. Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas. SILVA. Cultura em organizações: um estudo de caso sobre o discurso corporativo.com. Dissertação de mestrado. Interdisciplinaridade: conjugar saberes. TAMAYO. TRIVELLATO. 1998. ROUQUAYROL. ________________. J. PSICOSITE. Metodologias de reconhecimento e avaliação qualitativa de riscos ocupacionais. G. Naomar. Doenças e agravos não-transmissíveis: bases epidemiológicas. Ambiente de trabalho: a luta dos trabalhadores pela saúde. T. I. RIGOTO. p. PINHEIRO. Rio de Janeiro: Medsi. Disponível em: www. 1986.

São Paulo. São Paulo: Editora Atheneu. v. G. YAZAQUI. Transição demográfica e epidemiológica. Fecundidade da mulher paulista abaixo do nível de reposição. 66-86. 2003. Estudos Avançados. Epidemiologia. Mário F.VERMELHO. Lucia M. . Roberto. p. 2004. In MEDRONHO.17 (49). Letícia Legai & MONTEIRO.

10 ANEXOS A – CARTA DE APRESENTAÇÃO B – TÊRMO DE CONSENTIMENTO DO ENTREVISTADO C – QUESTIONÁRIO D – INSTRUMENTO DE ESTUDO DAS CARGAS DE TRABALHO E – TÊRMO DE APROVAÇAO DO COMITÊ DE ÉTICA .

Prezado trabalhador: A Fundacentro é um órgão do Ministério do Trabalho e Emprego que realiza estudos e pesquisas na área de saúde e segurança dos trabalhadores. novembro de 2005. a Fundacentro irá realizar atividades educativas que possam contribuir com a melhoria das condições de trabalho. Atenciosamente. levando-se em consideração a participação de cada um no resultado final do conjunto dos trabalhadores da indústria do vestuário. A resposta às questões do questionário e voluntária. visando instrumentalizar a discussão e proposição de normas para a melhoria das condições de trabalho nos diferentes processos produtivos. conforme sua percepção de sintomas que podem estar relacionados com sua saúde. por favor. Agradecemos sua atenção e colaboração.ANEXO A CARTA DE APRESENTAÇÃO Colatina. Os dados levantados junto aos trabalhadores e com as empresas serão submetidos a uma analise acadêmica que produzirá uma dissertação de mestrado junto ao Programa de Pós-graduação em Atenção em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo. O objetivo desta pesquisa é conhecer as condições de trabalho e saúde dos trabalhadores da Industria dos Vestuários no município de Colatina – ES. responda honestamente! Caso queira acrescentar algum comentário. Antônio Carlos Garcia Júnior Pesquisador da Fundacentro Coordenador da Pesquisa . Posteriormente. fale com o entrevistador que o escreverá no final do questionário. Portanto. As informações são confidenciais e serão analisadas somente pela equipe de pesquisadores. pela importância deste estudo. e sua repercussão sobre a vida dos trabalhadores.

_____DE_____________2005. APÓS SER INFORMADO DOS OBJETIVOS E A IMPORTÂNCIA DA PESQUISA SOBRE AS CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO EM COLATINA – ES. COLATINA. QUE MINHA ENTREVISTA SEJA UTILIZADA PARA A EXECUÇÃO DESTE ESTUDO.ANEXO B FORMULÁRIO DE CONSENTIMENTO DO ENTREVISTADO Nº__________ EU. AUTORIZO DE LIVRE E ESPONTANEA VONTADE. ______________________________________________________. ASSINATURA DO ENTREVISTADO______________________________________ ASSINATURA DO ENTREVISTADOR: ____________________________________ .

) OUTROS MUNICIPIOS DO ESTADO ) OUTROS ESTADOS ) OUTRO PAÍS . 7.GRUPO RACIAL ( ( ( ( ( ) BRANCA ) PARDA ) PRETA ) AMARELA ) OUTRO.ANEXO C QUESTIONÁRIO UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPIRITO SANTO – UFES CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE MESTRADO EM ATENÇÃO À SAÚDE COLETIVA – PPGASC Nº. 4.SEXO: ( ) MASCULINO ( ) FEMININO 5. QUAL?_______________________________________________________ 6.ESTADO CIVIL ( ( ( ( ) SOLTEIRO ) CASADO OU VIVE MARITALMENTE COM ALGUEM ) VIUVO ) DIVORCIADO.EM QUE REGIAO VOCE NASCEU? ( ( ( ( ( ) COLATINA ) MUNICIPIO DO NORTE DO ESTADO.IDADE: _____________ANOS. _____________ 1.FUNÇÃO/OCUPAÇÃO: ____________________________________________________________ 3.EMPRESA EM QUE TRABALHA ________________________________________________ 2.ATÉ QUE ANO ESTUDOU? _________________ANOS 8. DESQUITADO OU SEPARADO.

9.HÁ QUANTO TEMPO TRABALHA NA ATUAL FUNÇÃO? _________ANOS________MESES.SE NASCIDO NA REGIÃO RURAL.DURANTE A JORNADA DE TRABALHO. VOCÊ FAZ INTERVALOS PARA LANCHES OU REFEIÇÕES? ( ( ) SIM ) NÃO QUANTO TEMPO?__________MINUTOS 18.QUANTAS PESSOAS EM SUA FAMILIA DEPENDEM FINANCEIRAMENTE DE VOCE? (INCLUIDO O PROPRIO ENTREVISTADO) Nº DE PESSOAS: _______________ 11.EM MÉDIA. 13. HÁ QUANTO TEMPO MUDOU-SE PARA A CIDADE? N° DE ANOS: _____________ 10.DURANTE A JORNADA DE TRABALHO. 14.CONSIDERANDO O SALÁRIO MÍNIMO ATUAL DE R$ 300.HÁ QUANTO TEMPO TRABALHA NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO? _______ANOS_______MESES. 15.00 SUA RENDA MENSAL LÍQUIDA PROVENIENTE DO TRABALHO CORRESPONDE A QUANTOS SALÁRIOS MÍNIMOS? _________________________SALÁRIOS MINIMOS 12. 16.SEU HORÁRIO DE TRABALHO É: ( ( ( ) FIXO NO PERÍODO DIURNO (ENTRE 7 E 18 HORAS) ) FIXO NO PERIODO NOTURNO (ENTRE 18 HORAS E 6 HORAS) ) EM TURNOS ALTERNADOS (DIURNO E NOTURNO) 17. QUANTAS HORAS DE TRABALHO SEMANAL VOCÊ FEZ NO ÚLTIMO MÊS TRABALHADO? Nº DE HORAS: ___________________SEMANAIS.HÁ QUANTOTEMPO TRABALHA NESTA EMPRESA? _______ANOS_______MESES. VOCÊ REALIZA OUTRAS PAUSAS QUE NÃO SEJAM PARA ALIMENTAÇÃO? .

( ( (

) SIM ) ÀS VEZES ) NÃO

19- VOCÊ ACHA QUE A QUANTIDADE E DURAÇÃO DAS PAUSAS SÃO SUFICIENTES PARA RECUPERAR O SEU CANSAÇO DURANTE A JORNADA DE TRABALHO? ( ( ) SIM ) NÃO

20- DURANTE O SEU DIA DE TRABALHO, AS TAREFAS QUE VOCÊ REALIZA: ( ( ( ( ) SÃO SEMPRE AS MESMAS ) VARIAM UM POUCO ) VARIAM MUITO ) VARIAM DEPENDENDO DO DIA DA SEMANA

21- VOCÊ ACHA QUE SUA CHEFIA O PRESSIONA MUITO? ( ( ( ) SIM ) NÃO ) ÀS VEZES

22- COMO VOCE SE SENTE AO SAIR DO TRABALHO NO FINAL DO EXPEDIENTE?

23- COMO VOCÊ AVALIA SEU ESTADO DE SAÚDE. ( ( ( ( ( ) MUITO BOM; ) BOM; ) REGULAR; ) RUIM; ) MUITO RUIM

24- VOCÊ APRESENTOU ALGUM PROBLEMA DE SAÚDE, NOS ÚLTIMOS 15 DIAS? ( ( ) SIM ) NÃO (PASSE DIRETO PARA A QUESTÃO 30).

25- SE SIM:

QUAIS FORAM ESTES PROBLEMAS DE SAÚDE?
1)_______________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________

3)_______________________________________________________________________________ 4)_______________________________________________________________________________ 5)_______________________________________________________________________________ 26- ALGUM DESTES PROBLEMAS DE SAÚDE FEZ QUE VOCÊ NECESSITASSE AFASTAR-SE DO TRABALHO? ( ( ) SIM ) NÃO

SE SIM, QUAL DELES?_____________________________________________________________ POR QUANTO TEMPO?_____________DIAS. 27- AONDE FOI SEU ATENDIMENTO MÉDICO? ( ( ( ( ( ) MEDICO DA EMPRESA ) PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA (PSF), PRÓXIMA À RESIDÊNCIA. ) UNIDADE BASICA DE SAÚDE AMBULATÓRIO OU PRONTO-SOCORRO DO SISTEMA ) PLANO OU CONVÊNIO DE SAÚDE. ) OUTROS ESPECIFICAR: _________________________________________________

ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

28- O MÉDICO QUE TE ATENDEU RELACIONOU SEU SINTOMA COM SUAS CONDIÇOES DE TRABALHO? ( ( ) SIM ) NÃO

29- VOCÊ ACHA QUE SEU TRABALHO PODE PREJUDICAR SUA SAÚDE? ( ( ) SIM ) NÃO (PASSE DIRETO PARA A PERGUNTA 33)

30- SE SIM: O QUE NO SEU TRABALHO VOCÊ CONSIDERA QUE PODE PREJUDICAR A SAÚDE? (ESCREVA AS TRÊS PRINCIPAIS CAUSAS) 1)_______________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________ 3)_______________________________________________________________________________ 31- QUAIS PROBLEMAS DE SAÚDE VOCÊ CONSIDERA QUE PODEM DECORRER DO SEU TRABALHO? (ESCREVA OS 3 PRINCIPAIS PROBLEMAS DE SAÚDE). 1)_______________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________

3)_______________________________________________________________________________

VOU LER PARA O SENHOR (A) AS INSTRUÇÕES PARA AS PRÓXIMAS QUESTÕES (33 A 52). ESTAS QUESTÕES SÃO RELACIONADAS COM CERTAS DORES E PROBLEMAS QUE PODEM TÊ-LO (A) INCOMODADO (A) NOS ÚLTIMOS 30 DIAS. SE VOCÊ ACHA QUE A QUESTÃO SE APLICA A VOCÊ E VOCÊ TEVE O PROBLEMA DESCRITO NOS ÚLTIMOS 30 DIAS, RESPONDA SIM. POR OUTRO LADO, SE A QUESTÃO NÃO SE APLICAR A VOCÊ PORQUE VOCÊ NÃO TEVE O PROBLEMA NOS ÚLTIMOS 30 DIAS, RESPONDA NÃO. SE VOCÊ NÃO TIVER CERTEZA SOBRE COMO RESPONDER A ALGUMA QUESTÃO, DÊ A MELHOR RESPOSTA QUE PUDER.

QUESTÕES 32- TEM DORES DE CABEÇA FREQUENTES? 33- TEM FALTA DE APETITE? 34- DORME MAL? 35- ASSUSTA-SE COM FACILIDADE? 36- TEM TREMORES NAS MÃOS? 37- SENTE-SE NERVOSO (A), TENSO (A) OU PREOCUPADO (A)? 38- TEM MÁ DIGESTÃO? 39- TEM DIFICULDADE DE PENSAR COM CLAREZA? 40- TEM SE SENTIDO TRISTE ULTIMAMENTE? 41- TEM CHORADO MAIS DO QUE DE COSTUME? 42- ENCONTRA DIFICULDADES PARA REALIZAR COM SATISFAÇÃO SUAS ATIVIDADES DIÁRIAS? 43- TEM DIFICULDADES PARA TOMAR DECIÇÕES? 44- TEM DIFICULDADES NO SERVIÇO (SEU TRABALHO É PENOSO, CAUSA-LHE SOFRIMENTO)? 45- É INCAPAZ DE DESEMPENHAR UM PAPEL ÚTIL EM SUA VIDA? 46- TEM PERDIDO O INTERESSE PELAS COISAS? 47- VOCE SE SENTE UMA PESSOA INUTIL, SEM PRÉSTIMO? 48- TEM TIDO A IDÉIA DE ACABAR COM SUA VIDA? 49- SENTE-SE CANSADO (A) O TEMPO TODO? 50- TEM SENSAÇÕES DESAGRADÁVEIS NO ESTOMAGO? 51- SE CANSA COM FACILIDADE?

SIM

NÃO

OBSERVA PERDA DE SENSIBILIDADE TÁTIL OU DOLOROSA PERMANENTE EM ALGUMA DESTAS PARTES? 56.VOCÊ FAZ USO HABITUAL (OU USOU NOS ÚLTIMOS 6 MESES) DE MEDICAMENTOS CALMANTES? ( ( ) SIM ) NÃO QUAIS?___________________________________________________________________ . OMBROS.TEM AUMENTADO A DIFICULDADE EM FAZER MOVIMENTOS DE EXTENSÃO.SENTE DOR AO PRESSIONAR OU AO MOVIMENTAR ALGUMA DESTAS PARTES? 57.OS SINTOMAS ACIMA DESAPARECEM OU MELHORAM NOS FINS DE SEMANA.TEM SENSSAÇÃO FREQUENTE DE FORMIGAMENTO OU FISGADAS EM ALGUMAS DESTAS PARTES? 55. FLEXÃO OU ROTAÇÃO DO BRAÇO. CANSAÇO OU PESO EM ALGUMA DESTAS PARTES? 53.AS QUESTÕES SEGUINTES DEVEM SER CONSIDERADAS EM RELAÇÃO AOS MÚSCULOS E ARTICULAÇÕES (AS JUNTAS) DAS SEGUINTES PARTES DO CORPO: PESCOÇO.COM QUE FREQUENCIA BEBE SEMANALMENTE? ( ( ( ( ( ) MENOS DE 1 VEZ POR SEMANA (QUINZENALMENTE OU MENSALMENTE) ) UMA OU DUAS VEZES POR SEMANA ) TRÊS OU QUATRO VEZES POR SEMANA ) CINCO OU SEIS VEZES POR SEMANA ) TODOS OS DIAS. MÃOS E DEDOS.SUA CALIGRAFIA VEM SE ALTERANDO? 54.TEM SENSSAÇÃO FREQUENTE DE DESCONFORTO. FERIADOS OU QUANDO NÃO TRABALHA? 60. MÃOS OU DEDOS? 59.A DURAÇÃO DE 2 DE QUALQUER DOS SINTOMAS ACIMA É SUPERIOR A 30 DIAS? SIM NÃO 61.VOCÊ FAZ USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS? ( ( ) SIM ) NÃO SE SIM: 62. BRAÇOS.TEM APRESENTADO INCHAÇÕ EM ALGUMA DESTAS PARTES? 58. QUESTÕES 52. 63.

AMEAÇÃ DE CORTE DE PESSOAL E DESEMPREGO. SIM 67.TRABALHAR SOMENTE NO TURNO NOTURNO OU EM TURNOS ALTERNADOS (DIURNO/NOTURNO) 70.HÁ QUANTO TEMPO?______________________________________________________ 64. 72. 74. RESPONDA SE ESTAS SITUAÇÕES SÃO FONTES DE TENSÃO E CANSAÇO NO SEU TRABALHO. 69. DISCUSSÕES. 73.CALOR EXCESSIVO DURANTE O TRABALHO ÀS VEZES NÃO .TER QUE PROLONGAR A JORNADA DE TRABALHO E OU REALIZAR HORAS EXTRAS.NÃTO TER OPORTUNIDADE PARA PROMOÇOES NA EMPRESA 71. PERSEGUIÇÃO.TER PROBLEMAS COM CHEFIA (DISCRIMINAÇÃO. 75.FALTA DE COOPERAÇÃO ENTRE OS COLEGAS DE TRABALHO.MÁ REMUNERAÇÃO PELO TRABALHO QUE REALIZA.QUAIS AS 2 COISAS QUE MAIS LHE AGRADAM NO SEU TRABALHO? 1)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 65. CONTROLE EXCESSIVO. AUTORITARISMO).QUAIS AS 2 COISAS QUE MAIS LHE DESAGRADAM NO SEU TRABALHO? 1)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 2)_______________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 66.TER POUCO TEMPO PARA PAUSAS NO TRABALHO.VOCÊ SE SENTE VALORIZADO PELO TRABALHO QUE REALIZA? ( ( ( ) SIM ) ÀS VEZES ) NÂO NAS QUESTÕES DE NUMERO 68 A 83. 68.

81.RITMO DE TRABALHO MUITO ACELARADO. 79.FALTA DE TREINAMENTOS INADEQUADOS PARA O EXERCICIO DA FUNÇÃO. MUITO OBRIGADO POR SUA COLABORAÇÃO. 78. SINTA-SE A VONTADE CASO QUEIRA FALAR ALGO SOBRE SEU TRABALHO OU SUA SAUDE: ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ________________________________________________________________ O QUESTIONÁRIO ENCERRA-SE AQUI.O TRABALHO É MONOTONO E DESINTERESSANTE.INADEQUAÇÃO E DESCONFORTO NO POSTO DE TRABALHO (CADEIRA E BANCADA). 80. 82. .BARULHO EXCESSIVO DURANTE O TRABALHO 77.TRABALHAR POR PRODUÇAO PRE-DEFINIDA.76.IMPROVISAÇÕES NO DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES.

ANEXO D ESTUDOS DE CARGAS DE TRABALHO EMPRESA: ________________________________________________________ ENDEREÇO: ________________________________________________________ DATA: ___________________________ HORÁRIO: ______________________ SETOR: ____________________________________________________________ FUNÇÃO: __________________________________________________________ DESCRIÇÃO DA TAREFA: .

Biológicos a) Bactérias c) vírus d) Outros Observações: .Físicas a) Ruído b) Calor c) Vibrações d) Radiações e) Umidade Observações: Tempo de Exposição 2.Químicos a) Poeiras b) Substâncias c) Gases d) Vapores Observações: 3.Classificação Fonte 1.

Noturno Observações: 5.4.Fisiológicos a) Mobiliário b) Posições c) Ritmos d) Monotonia e) L.Psíquico a) Hierarquia b) Valorização c) Cultura Observações: SINERGISMOS ENTRE CARGAS – ANÁLISE . Peso f) Produção g) Turnos h) T.

ANEXO E .

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