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ARQUITETURA DE CELEBRAÇÃO

Também atingida pela Crise de 1929, a França passou pela agitação dos comunistas e, em fevereiro de 1934, pela extrema direita. A vitória da Frente Popular e chegada de socialistas ao poder – Léon Blum (18721950), entre 1936 e 1937; e Édouard Daladier (18841970), entre 1938 e 1940 – aumentou nos conservadores o temor pela novidade, inclusive no campo estético. Havia o receio da carga política que era expressa pelas formas puras e ideais racionalistas, os quais traziam a “profecia de uma sociedade mais justa e igualitária”, com fortes conotações de esquerda. Daí incentivou-se avidamente a difusão de uma arte e arquitetura tradicionalistas, voltando-se ao neoclassicismo, cujo “caráter sóbrio e elegante tinha a dignidade de estar a altura da tradição monumental francesa”.

A restrição ao campo de trabalho dos modernistas e a pressão política de regimes ditatoriais, na década de 1930 e início dos anos 40, fizeram ressurgir nos países centrais da Europa um academicismo neo-decorativista, expresso pela ARQUITETURA DE CELEBRAÇÃO, tipicamente monumental e neoclássica.  Paralelamente, houve a absorção
dos preceitos formais e funcionais da arquitetura moderna pelo repertório eclético ainda presente em muitos países, diminuindo a polêmica em relação aos conteúdos e limitando a discussão a certos esquematismos representados pelo estilo Art Déco.

 São exemplos dessa recaída francesa
ao HISTORICISMO as seguintes obras parisienses que demonstravam o retorno a uma arquitetura convencional, de espírito essencialmente classicista:
 Palais de Caillot: Projetado para a Exposição Universal de Paris de 1937, por Léon Azéma (1888-1978), Louis-Auguste Boileau (1812-96) e Jacques Carlu (1890-1976), possui enormes alas de colunas em curva, além de esculturas de bronze e baixos-relevos neoclássicos. Hoje, aloja quatro museus – o Musée des Monuments Français, o de l’Homme, o de la Marine e o du Cinéma –, um teatro e a Cinémathèque Française, além dos jardins du Trocadéro.  Palais de Tokyo: Projetado também para a Exposição de 1937 por Jean-Claude Dondel (1904-89) e Marcel Dastugue (1881-1960), entre outros, funciona hoje como o Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, caracterizando-se por suas simétricas e esbeltas colunas, além de esculturas em Art Déco.

PLANO DE BERLIM (1938)

ARQUITETURA STALINISTA
Apesar da pesquisa moderna ter sido acelerada logo após a Revolução Russa (1917) – a qual derrubou o último czar Nicolau III (1894-1917) –, isto devido ao seu interesse coletivo e também à atuação radical dos construtivistas, o autoritarismo de Iossif Stalin (18791953), a partir dos anos 30, acabou por cercear o pensamento funcionalista e impor uma mediocridade oficial.

Em meados dos anos 30, nos ambientes europeus onde as ditaduras instalaramse, a arquitetura moderna não sobreviveu nem marginalmente, sendo totalmente substituída pelo CELEBRALISMO – em especial na URSSS stalinista, na Alemanha nazista e na Itália fascista, – o que acabou se refletindo em práticas urbanas tradicionais, por meio do retorno aos esquemas grandiloquentes.
 Na França, embora não tenha sido
dominada por regimes extremistas, a crítica conservadora atingiu o poder e houve uma forte reação acadêmica, através do ART DÉCO, contra a estética moderna, da qual surgiram várias acusações, como a de se tratar de uma arquitetura de inspiração estrangeira (alemã) e, portanto, prejudicial aos interesses da produção francesa; ou ainda a de ser uma arquitetura escrava da máquina, extremamente pobre e nua para satisfazer o refinado gosto burguês.

Em 1932, foi fundada a União de Arquitetos Soviéticos – SSA, que considerava contra-revolucionários todos os grupos isolados na URSS, impondo formalismos acadêmicos (simetria, monumentalidade, decorativismo, etc.). A arquitetura stalinista, cujo maior expoente foi Boris M. Iofan (1891-1976) – responsável pelo projeto do Palácio dos Sovietes (1933) – via nos estilos clássicos a conveniência das formas e símbolos associados às virtudes aspiradas pelo novo regime.

Quanto às teorias urbanas, embora por alguns anos as autoridades soviéticas tenham concedido um espaço marginal às experiências desurbanistas do esquema linear de Milyutin, acabaram voltando a valorizar, cada vez com maior decisão, os esquemas centralizadores.  Ao mesmo tempo, procuraram
limitar a dimensão tanto das cidades existentes como das novas (entre 1917 e 1965, foram fundadas na URSS mais de 900 cidades novas). A lógica do crescimento concêntrico impôs suas exigências e os urbanistas acabaram constrangidos a intervir com os instrumentos convencionais do urban planning, como o zoneamento funcional e a implantação da regularidade geométrica dos traçados.
Até o final dos anos 20, a URSS era um país de economia preponderantemente agrícola e, com o primeiro Plano Qüinqüenal (1928), passou-se a buscar o desenvolvimento da indústria pesada e a criação de novas zonas industriais nas regiões orientais, menos desenvolvidas. Com os novos planos qüinqüenais, iniciouse um amplo processo de urbanização e, entre 1926 e 1938, a população urbana cresceu 33%. Em 1935, foi aprovado o novo PLANO REGULADOR DE MOSCOU, tecnicamente notável pelo zoneamento perspicaz e pela abundância de zonas verdes, mas afligido por formalismos acadêmicos. Da Praça Vermelha às colinas de Lênin, foi traçado um eixo monumental de mais de 20 km, semeado de grandes praças e palácios imensos, como o Meyerhold Theater (1932), o edifício do Comissariado da Agricultura (1933) e o Moscow Hotel (1935), obras de Aleksei V. Shchusev (1873-1949).

Desde o início, a operação foi rigidamente controlada pelo governo e voltada a projetos de abrigos de emergência, resultando em obras racionalizadas, através de casas padronizadas de baixo padrão, este denunciado em 1948.  A partir daí, a Academia de Arquitetura
da URSS passou a ser encarregada de preparar os projetos, aprovando-se uma série de 50 projetos-tipo para moradias e 200 projetos-tipo para edifícios públicos, os quais mantiveram características clássicas, inclusive nas casas préfabricadas. Na década de 1950, somente após a morte de Stalin e o novo curso da política interna soviética, a situação alterou-se, quando se denunciou com clareza os excessos estilísticos da reconstrução stalinista e defendeu-se a eliminação do supérfluo.

ARQUITETURA NAZISTA
Embora a Alemanha tenha sido o berço fértil do modernismo, a ascensão do comunismo, facilitada pela então desorganização financeira promovida pela Crise de 1929, somada ao desemprego e à miséria, redundou na formação de um movimento de caráter radical e conservador, o NAZISMO ou NacionalSocialismo, que levaria ao nacionalismo exacerbado.  A subida ao poder de Adolf Hitler
(1889-1945) em 1933 estabeleceu um regime ditatorial e anárquico (III Reich), sustentado por uma política repressiva e um aparelho paramilitar. A arquitetura moderna que dependia inicialmente do poder político, viu-se, a partir dos anos 30, restringida totalmente pelo interesse nazista por uma arquitetura de celebração, tradicionalista e estritamente alemã.
A Bauhaus foi fechada em 1933; e professores e arquitetos modernos acabaram emigrando, principalmente para os EUA ou a URSS. Hitler levou o Pan-Germanismo (exaltação da superioridade da raça germânica em detrimento das estrangeiras, notadamente dos judeus) a limites extremos, acabando por desencadear a Segunda Guerra Mundial (1939/45).

 A idéia da unidade de habitação
sobreviveu somente como indicação quantitativa e transformou-se no conceito de super-bloco formado por edifícios tradicionais, empregado de agora em diante nos planos reguladores soviéticos. No segundo pós-guerra, a maior parte da reconstrução das edificações na URSS foi realizada durante o quarto Plano Qüinqüenal (1946/50), ainda em pleno regime stalinista (BENEVOLO, 2001).

PLANO REGULADOR DE MOSCOU (1935)

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 O principal expoente da arquitetura
nazista foi Albert Speer (1905-81), nomeado diretor-geral da construção civil de Berlim em 1937, produzindo um estilo neoclássico colossal, principalmente nos edifícios públicos.
Ele considerava a arquitetura sobretudo como um “instrumento do poder”, sendo nomeado em 1942 o Ministro dos Armamentos. Com o término do conflito, foi condenado a 20 anos por crimes de guerra. O Pavilhão Alemão da Exposição Universal de Paris (1937) e a proposta da Grosser Halle (1939) são exemplos do tipo de arquitetura defendida por Speer.

Na Alemanha Oriental, um dos mais importantes planos urbanísticos implantados foi o da reconstrução do centro de Dresden. De modo análogo, algumas novas cidades foram projetadas e construídas, tais como Schwarze Pumpe, Houerswerda, Schwedt e Halle-Neustadt. Destacaram-se também o projeto de expansão de Rostock (1957/60), o mais importante porto da Alemanha Oriental; e o plano de renovação urbana de Erfurt (FERRARI, 1991).

Os nazistas qualificavam a arte moderna como “degenerada” e incentivaram o retorno aos princípios acadêmicos. Muito características foram as esculturas de Georg Kolbe (1877-1947), Josef Thorak (1889-1952), Arno Breker (1900-91) e Fritz Berberich (1909-89), além da pintura de Karl Truppe (1887-1959), Adolf Ziegler (1892-1959) e Gisbert Palmie (1897-1986), entre outros.

ARQUITETURA FASCISTA
A Itália iniciou o século XX com certa estabilidade política, o que favoreceu a industrialização e uma política reformista, o que satisfez a direita nacionalista, uma corrente cuja força ansiosa por reconquistar as terras austríacas, conduziu o país para a Primeira Guerra Mundial (1914/18). Porém, nos anos 20, uma grave depressão econômica atingiu o país e os antigos partidos revelaram-se incapazes de enfrentar a situação.  Benito Mussolini (1883-1945),
com seus fascios, acabou sendo reconhecido como o único recurso “face à desordem”. Gradualmente, um novo regime ditatorial e corporativista, o FASCISMO, instaurou-se em torno do Duce que, devido a realizações internas, conseguiu a adesão popular.
O modernismo, que vinha se afirmando através da atuação do Gruppo Sette, liderado por Giuseppe Terragni (1904-42), acabou adquirindo um significado político, associando as características racionalistas aos ideais fascistas. Em 1931, foi fundado o Movimento Italiano pela Arquitetura Racionalista – MIAR, com 47 membros, aproximando ainda mais o debate arquitetônico ao político e tornando os encargos públicos cada vez mais frequentes.

 No segundo pós-guerra, a reconstrução alemã atrelou-se aos princípios da CARTA DE ATENAS (1933), os quais foram aplicados em 1945 nos planos de reconstrução de Hanover, de renovação de Kreuzkirche e de ampliação de HemmingenWesterfeld, além dos bairros residenciais de Hamburgo e de Berlim (Markisches Viertel, ao Norte; e BritzBuckow-Rudow, a Sudeste).
Foram realizados ainda muitos projetos de recuperação de áreas centrais, como aqueles ocorridos nas cidades de Munique, Essen, Bremem, Colônia, Kassel e Dusseldorf. O plano de Buckow-Rudow, a Sudeste de Berlim Ocidental, ficou conhecido como PLANO GROPIUS (1963/73), tendo sido iniciado pelo mestre alemão.
Outros planejadores que se destacaram na Alemanha Ocidental após a II Grande Guerra foram: Franz Reichel (1901-65), criador do plano da comunidade de Langwasser (1955), situada a Sudeste de Nuremberg, para 60.000 habitantes; Walter Schwagenscheidt (18861968) & Tassilo Sittmann, responsáveis pelo Plano de Frankfurt (1959); Fritz Eggeling (1913-66), que criou a nova cidade de Wulfen (1960); e Hans B. Reichow (1899-1974), que elaborou a proposta da nova cidade de Sennestadt (1956/73).

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Entretanto, entre 1930 e 1936, as críticas dos arquitetos Giuseppe Pagano (1896-1945) e Edouardo Persico (1900-36) publicadas na revista italiana Casabella, acabaram por abrir a consciência italiana para o movimento funcionalista europeu, tornando insustentável a aliança entre modernismo e fascismo. A situação agravou-se após o exílio de Pagano e a morte de Persico, estes considerados antifascistas pelo regime, que começou a pregar o conformismo neoclássico.

Já nos anos 40, iniciaram-se pesquisas pós-modernas dos processos de construção tipicamente italianos, em termos técnicos e funcionais, visando-se extrair uma teoria de projeto da prática corrente, o que conduziu, na década de 1950, a uma arquitetura chamada neorealista ou neo-historicista, defendida por arquitetos como Mário Ridolfi (1904-84), Ignazio Gardella (1905-99) e Franco Albini (1905-77), entre outros.

 Em 1942, foi promulgada a
primeira lei urbanística geral da Itália, a qual previa uma hierarquia de planos de várias ordens – territoriais, intercomunais, comunais e particularizados – e que se tornou um instrumento técnico novo e avançado para regular as cidades italianas. Posteriormente, no setor das construções populares, depois de várias experiências conduzidas com critérios principalmente quantitativos, instituiu-se, em 1949, o INA-Casa, um novo órgão responsável pelo controle técnico e econômico dos trabalhos.
Os primeiros bairros projetados no início dos anos 50 demonstraram uma grande liberdade concebida aos arquitetos, os quais procuraram se inspirar em organismos tradicionais, justificando-se através de teorias contextuais que inter-relacionavam os edifícios ao ambiente urbano. O maior exemplo foi o Bairro Tiburtino em Roma, projetado por vários arquitetos, como Carlo Chiarini (1925-) e Carlo Aymonino (1926-). Outros bairros feitos pelo INA-Casa entre 1949 e 1956 foram: o Tuscolano em Roma; o Ponticelli em Nápoles; o Cesate em Milão; o Falchera em Turim; o Villa Bernabó em Gênova; e o Borgo Paniale em Bolonha, entre outros.

A partir de 1937, a arquitetura oficial adquiriu contornos monumentais, planimetrias simétricas e projetos retóricos e academicistas. O maior expoente desses exercícios superficiais foi Marcello Piacentini (1881-1960), oportunista político, cuja atuação fez-se sempre ambígua. O maior exemplo italiano do CELEBRALISMO foi o projeto de Piacentini para o bairro da Esposizione Universale di Roma – EUR, planejada para 1942 e nunca realizada devido à guerra. O Palazzo della Civiltà del Lavoro e o Museo della Civiltà Romana, ambos situados no EUR, são as obras mais características dessa arquitetura monumental fascista (BENEVOLO, 2001).

No segundo pós-guerra, as destruições na Itália não foram muito graves – apenas cerca de 5% das habitações foram demolidas –, mas o abalo político e social foi bastante forte, já que o longo regime autoritário desmoronou e deixou à vista a precariedade de seus fundamentos, especialmente quanto à carência de construções e à fragilidade das instituições urbanísticas.  Mais do que sanar destruições, a Itália
viu-se em frente aos problemas trazidos pelo fim da longa ditadura e sua substituição por uma nova classe dirigente entusiasmada, mas ainda inexperiente. Surgiu a sensação de se ter retomado o contato com a realidade e “ver com novos olhos” – como se fosse a primeira vez – as coisas circundantes e, sobretudo, mais próximas, até então mascaradas pela retórica patriótica e pelo clima artificial de protecionismo fascista; ou ainda cobertas pelo véus dos lugares comuns.
Nascia o desejo de se aderir à realidade cotidiana, concreta e circunstanciada, com preferência pelas formas populares e o interesse circunscrito ao ambiente próximo. Refutou-se as abstrações e exotismos maneiristas, preferindo uma arquitetura que dialogasse com seu entorno e sua comunidade, atravessando a tradição: surgia assim o NEOREALISMO, cujos pressupostos podiam ser encontrados em todas esferas da arte italiana, como o teatro e o cinema, por meio das obras de Eduardo De Filippo (1900-84), Vittorio De Sica (190174), Roberto Rossellini (1906-77), etc..

Deste modo, nos anos 50, surgiu o tema da MEMÓRIA COLETIVA na arquitetura e urbanismo italianos, aparecendo experiências de reutilização de formas e esquemas urbanos tradicionais. A partir da década seguinte, a crítica mudou a ênfase das questões ditas técnicas para as relações entre o espaço construído e a sociedade, dentro de uma perspectiva mais cultural, dando origem ao movimento NUOVA TENDENZA, centralizado em Milão, que teve como seus expoentes Luigi Moretti (1907-73), Ernesto N. Rogers (1909-69), Saverio Muratori (1910-73) e Ludovico Quaroni (1911-87), entre outros.

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no qual várias correntes maneiristas procuraram questionar e inovar a estética funcionalista. propondo reformulações (MASSA.  O período que vai do final da Segunda Guerra Mundial (1939/45) até meados dos anos 60 ficou sendo conhecido como PLURALISMO. Cambridge MA. mas que procuravam ampliar seus horizontes técnicos e estéticos. cuja sutileza de proporções e riqueza material influenciaram toda uma geração de arquitetos. estabeleceu-se em Chicago. fez uma série de pesquisas sobre pré-fabricação. 1984). Frank (1939. sua obra prima foi o Seagram Building (1955. Farnsworth House (1950). embora flexíveis. Suas pesquisas tardias acabaram influenciando a formação e difusão das novas tendências pluralistas:  WALTER GROPIUS (1883-1969): Depois da Alemanha. Weyland). que variam de autor para autor. produzindo cerca de 70 projetos até 1953. produzindo obras como a Universidade de Bagdá (1960) e a Embaixada Americana em Atenas (1961). seus edifícios tornaram-se mais circunscritos em si. a partir de quando o controle da economia mundial passou para os EUA. os Promontory Apartments (1939). proliferaram-se nos anos 50 e 60.  LUDWIG MIES VAN DER ROHE (1886-1969): Tornando-se diretor do Illinois Institute of Technology – IIT em 1938. que se caracterizou pelo pragmatismo e extremo rigor técnicoconstrutivo. Influenciado pela escala americana e urgência de soluções econômicas e flexíveis. Entretanto. com soluções esquemáticas inapropriadas para todos os contextos. Denominou-se MANEIRISMO MODERNO o conjunto dessas atitudes pessoais de explorar a linguagem modernista. passando a criticar um repertório unitário.  A desagregação do Modernismo foi testemunhada pelos próprios mestres. voltou-se para uma arquitetura massiva de concreto armado e técnica exacerbada. aplicandoa em enquadramentos mais vastos e enriquecendo-a com originalidade e genialidade.  Várias correntes de designações parciais. As correntes maneiristas pós-45 deram prosseguimento à redefinição da arquitetura funcional. NYC). o novo centro de discussão da arte e arquitetura mundiais. sendo produzidas na Europa construções para eliminar os danos ocorridos e abrigar milhares de refugiados. Em 1938. destacando-se o próprio Harvard Graduate Center (1949/50). entre as quais as casas Ford (1938. Em 1945. juntouse a ex-alunos no grupo The Architecture Collaborative – TAC. No ambiente americano. Lincoln). inclusive do retorno a citações históricas. que já se processava desde os anos 30. Foi uma fase de crise da burguesia européia face à falência dos ideais de conquista do poder. estabeleceu-se nos EUA como professor em Harvard. Através de um ritmo uniforme e aplicação de estruturas metálicas com vedação em vidro ou alvenaria. precisão geométrica e perfeição técnica. 860 Lake Shore Drive Apartments (1951) e IIT Crown Hall (1956).MANEIRISMO MODERNO Os primeiros anos do segundo pós-guerra constituíram em um período de transição e preparação. Por fim. foi para a Inglaterra e colaborou com Edwin Maxwell-Fry (1899-1987) em uma arquitetura mais elástica e dinâmica (Impington School. 1936). onde iniciou uma rica experiência com aço e vidro. de modo a englobar o trabalho de artistas e arquitetos de formação moderna. Pittsburg) e Chamberlain (1940. através de suas experiências nas décadas de 1940 e 1950. Suas obras em Chicago mais destacadas foram: o novo Campus do IIT (1939/42). através de novas temáticas e experimentações. 1940 Neo-Realismo Neo-Racionalismo 1960 1980 Novo Realismo / Hiperrealismo / Figuração Narrativa 2000 Tecnicismo Pop Art / Op-Art / Mec-Art Slick-Teck / High-Tech / Ecotech Formalismo / Contextualismo / Regionalismo Green Architecture Desconstrutivismo Arte Permutacional / Video Art Blobismo Arte Concreta Arte Conceitual / Arte Processual / Arte Ambiental Informalismo / Esculturismo / Body-Art Estruturalismo / Brutalismo / Povera Neo-Expressionismo Neo-Organicismo International Style Neo-Purismo / Colorismo / Minimalismo 71 . influenciou uma corrente caracterizada pelo rigor disciplinar. ocorrendo uma ampliação do seu repertório formal e a apropriação inédita de novos meios expressivos.

Ronchamp). inclusive latino-americanos. além do uso de brise-soleil e materiais rústicos. Nas obras dos Dormitórios Baker do Massachusetts Institute of Technoloy – MIT (1947/48. A partir da reinterpretação do trabalho dos mestres modernos e de sua aplicação em novos contextos. Seus principais projetos franceses desta fase foram: a Chapelle de Nôtre-Dame du Haut (1950/54. Bazoches.  Na década de 1950. desvendou o que seriam os 07 (sete) “mitos” da arquitetura moderna: I. o Instituto de Pensões de Helsinki (1956). quando se analisou suas técnicas e modos de produção.  FRANK LLOYD WRIGHT (1869-1959): Mantendo a postura organicista e caminhando cada vez mais para o fantástico. Alexander (1907-77). fragilidade e rápido consumo arquitetônico. entre vários outros. o Helsinki Cultural Center (1958) e a Igreja de Vuoksenniska (1958. Procurou explorar novos sistmeas de construção e padrões funcionais. como a difusão dos meios de comunicação de massa. Pennsylvania) e do Centro Comercial Mary Contry de San Rafael (1959/61. inclusive resgatando simbolismos e até ornamentalismos. Também foram suas obras: Wolfsburg Cultural Center (1951/62. além da falta de identidade. Alemanha). realizando obras em vários países. Momento em que o Imperialismo americano estava em seu apogeu e as transformações socioeconômicas mundiais acabaram se refletindo sobre a arquitetura. culturais e sociais. sempre voltado porém à ideologia democrática ao invés de socialista. sua obra prima foi o Solomon R. Índia (1950/65). se comparados aos edifícios funcionalistas. LE CORBUSIER (1887-1965): Embora permanecendo na França.  Peter Blake (1932-). com o qual projetou vários grandes edifícios.  ALVAR AALTO (1898-1976): A partir do segundo pós-guerra. Também se destacaram os projetos da Igreja de Madison (1947/48. Imatra). a Princeton University (N. realizou a Prefeitura de Säynätsalo (1950/52. MITO DA FLEXIBILIDADE: Criticava a planta livre (ambiente amorfo). França) e a Essen Opera House (1961/76. quando se proclamou o PÓS-MODERNISMO. que revolucionou a circulação de espaços museológicos. Alemanha). em Nova York (1946/59). concentrou-se na exploração plástica do concreto armado e principalmente da superfície exposta de tijolos. VI. seu trabalho experimentou combinações espaciais e de continuidade volumétrica. projetou uma série de Unités d’Habitacion entre 1946 e 1957. o sistema de divisórias leves (esbanjamento de espaço e de energia) e a habitação coletiva (falta de privacidade). Wisconsin). Maison Luis Carré (1956/58. II. Na Finlândia. o Conjunto Residencial Jaoul (1954. o ensino acadêmico moderno perdurou até meados dos anos 60. a Columbia University (N. MITO DA FUNÇÃO: Alegava a superioridade dos resultados estéticos obtidos através da reciclagem de edifícios antigos. em seu livro Form follows fiasco (1977). associando serviços à habitação coletiva. em Argel). como na Europa. Villa Auxmathes (1935) e a Cittè des Affaires (1938. por exemplo. Jersey). o encontro e o intercâmbio. principalmente devido à imigração dos mestres europeus. MITO DA PUREZA: Mostrava que o uso do branco como aspiração intelectualista resultou na vulnerabilidade. que. antecipando também a concepção brutalista. Destacou-se também na pintura tachista de telas nos anos 60 e 70. sua intensidade profissional reforçou-se com a sociedade. mas que mantinham uma sólida aliança com o poder devido à sua identificação com a lógica produtiva do sistema. Desta fase. Guggenheim Museum. além de utilizar métodos construtivos semi-artesanais e materiais ásperos no interior e exterior das edificações. o qual perdurou até a década de 1970. III. que promoveram um rico debate arquitetônico. V. concluiu que estas negavam a relação entre as pessoas. Entretanto. 72 . Lyon). configurações espaciais e significados simbólicos das atividades de arquitetura e construção. o desenvolvimento da informática e a surpreendente evolução tecnológica. Igualmente válida foi a experiência urbanística do plano e arquitetura de Chandigarh. preconizando a corrente brutalista. VII. com o arquiteto Robert E. embora de menor qualidade que as abertas e elegantes casas realizadas por encomenda. com o controle da economia mundial por parte dos EUA. surgiram as primeiras críticas autodenominadas pós-modernas. Foi nas universidades americanas que a teoria funcionalista passou a ser examinada em termos de História Social e Antropologia Cultural. na 5th Avenue. da Price Tower de Bartlesville (1953/56. Oklahoma). MITO DA EFICIÊNCIA: Apontava que a idéia de que todos os problemas urbanos poderiam ser resolvidos pela circulação e sua eficiência resultava num dispêndio de energia mecânica e humana. através da adoção da estética agressiva do concreto aparente (beton brut). além de problemas de fluxo. da Sinagoga Beth Sholon de Elkine Park (1959. MITO DA TECNOLOGIA: Concluía que a industrialização fracassou na tentativa de produzir em série os edifícios. devido às diversidades climáticas. Em escolas como a Yale University (New Haven CT). como nas Villa Mandrot (1930). York) e a University of California (Berkley e Los Angeles).  RICHARD NEUTRA (1892-1970): Tendo trabalhado com sua esposa Dione e seu filho Dion. Apoiado pelo governo francês e visando superar as distâncias urbanas. Nauilly) e o Monastério de La Tourette (1957. entre 1948 e 1965. têm a vantagem da imprevisibilidade dada pelo estímulo das escolhas formais. IV. Finlândia). MITO DO DESIGN: Afirmava que o modernismo resultou em móveis e utensílios anti-humanos. somente possíveis nos ambientes históricos. sua arquitetura caminhou cada vez mais para o emprego de formas pesadas e maciças. Califórnia). MITO DO URBANISMO: Analisando as propostas modernas. a nova capital do Punjab. o ambiente cultural passou a ser marcado pela superação das posições rígidas dos modernos e a busca de novas diretrizes arquitetônicas. empenhou-se na divulgação do pensamento moderno por todo o mundo. Cambridge MA) e acentuou a imagem e exposição da estrutura. Lá. várias tendências pluralistas afirmaram-se nesse período de transição.

que passou a fundamentar quaisquer intervenções sobre a cidade desde então (FERRARI. que é etapa de um processo histórico. e. contudo. instituiu-se uma nova autoridade central em matéria de planificação inglesa. a GRÃ-BRETANHA é considerada a nação pioneira. o conceito de “cidade-satélite” surgiu dos estudos de planejamento regional. aprovou-se o New Towns Act. sociólogos e economistas. publicado em 1940.A. defendendo a formação de NEW TOWNS ou a expansão das cidades médias. já em 1909. o Royal Town Planning Institute. Com o surgimento e afirmação do urban planning. Tanto as idéias pioneiras das garden-cities como os princípios corbusierianos foram aproveitados mais tarde em algumas das NEW TOWNS inglesas. dinâmico e irreversível. como foi o caso de Wythenshawe. sintetiza de forma abrangente todas as correntes de pensamento urbanístico vigorantes até então (BENEVOLO. em 1913. Já em fins da década de 1920. os quais adquiriram feições multidisciplinares. sendo aplicado em algumas dessas “novas cidades”. passaram a desenvolver teorias para o estudo e análise do fenômeno urbano. políticas e econômicas que determinariam suas condições e características de desenvolvimento”. possibilitou a aplicação efetiva de vários planos. 1991). a cidade passou a ser encarada como o ponto crítico das relações políticas e socioeconômicas. a tradição das cidades-jardim. entre outros. Em 1947. satélite implantada próxima a Manchester. instalou-se uma metodologia de trabalho baseada na multidisciplinaridade de saberes. levaria. geógrafos. iniciada em 1941. de forças sociais. a cidade tornou-se objeto de investigação multidisciplinar.  A atividade do PLANEJAMENTO URBANO ou urban planning nasceu com o urbanismo moderno. preparar planos de uso do solo e construir bairros residenciais subvencionados e/ou new towns. além dos debates sobre a legislação urbanística. 2001). mais rápidas e profundas em alguns países. Entretanto. Charles B. Isto fez nascerem as correntes de DESENHO URBANO e o New Urbanism. Purdom (1883-1965) e Frederic J. sendo fundado. o que o limitava a compreender o espaço da cidade como reflexo e resultado. de saneamento básico e de proteção da estética urbana. descrevia as desvantagens da concentração demográfica e econômica ao redor das grandes cidades e sugeriu a criação de uma autoridade central que controlasse os terrenos edificáveis. perduraram durante todas as décadas de 1930 e 1940.  Na Inglaterra. Ao mesmo tempo. Em relação à legislação urbanística. independente das administrações locais e ligada ao governo central.  Composto pelos planos do Condado de Londres (London County Plan) e da Grande Londres (Greater London Plan). uma lei autorizou a expropriação de terrenos danificados para a reconstrução. Isto conduziu à grande experiência do PLANO REGULADOR DE LONDRES (1941/44). cujo relatório. Em 1944.13 PLANEJAMENTO URBANO A Segunda Guerra Mundial (1939/45) provocou uma destruição material muito maior que a primeira. que empreenderam um amplo processo de reconstrução e planificação urbana. contudo. era aprovada a nova Lei Urbanística inglesa que acabou unificando os métodos de planificação em todo o território nacional (N. Em 1937. sendo compreendida como a “estrutura física-espacial.). que poderia adquirir terrenos. 1  Principalmente a partir da década de 1940. Nos anos 40. a uma crise na participação do arquiteto no planejamento. no governo de sir Winston Churchill (1874-1965) até a criação em 1943 do Town & Country Planning Ministry. especialmente depois da década de 1960. por fim. uma vez que. o auxílio americano e o progresso da técnica moderna possibilitaram um período de expansão econômica que impôs grandes transformações sociais. que se disseminaram nos anos 50 e 60. quando se retomou a visão global do fenômeno urbano. surgia o Town Planning Act. devido à ausência da definição de seu enfoque sobre o fenômeno urbano. esse relatório deixou de ser apenas uma recomendação teórica e teve papel fundamental para a formação de novas leis 1 urbanísticas na Inglaterra . Osborn (1885-1978). lei que autorizava os governos locais a elaborarem planos de ordenação do solo. Com os maciços bombardeios de Londres e Coventry. em 1946. defendida pelos discípulos de Howard. elaborados respectivamente em 1943 e 1944. Tal abertura a outras disciplinas. 73 . nomeou-se a Barlow Real Commission com o intuito de estudar a distribuição da população industrial de Londres. surgindo nas primeiras décadas do século XX. Essa nova lei instituiu enfim a Development Corporation. entidade específica. de base geográfica. o quadro do segundo pós-guerra. Logo.

desordenado e degradante da cidade. em 1941.000 habitantes (densidade de 75 a 100 pessoas/acre). adotando-se o modelo howardiano de “cidade-célula”. inner e outer de Londres. como exemplo. encaixado no Inner Ring. Hemel-Hampsted. deixando as ruas locais livres da ação intrusiva do automóvel. mas de 07 (sete) new towns. Dentro da Greater London. ao mesmo tempo em que cresceu o desemprego entre os trabalhadores manuais não-especializados. fragmentava o tecido urbano londrino em uma série de bairros separados por zonas verdes interligadas. d) Outer Ring: que seria desenvolvido através de novos centros.  Baseando-se em uma minuciosa investigação sobre as edificações préexistentes. a região parisiense é caracterizada por sua posição de centralidade econômica e cultural no país. situado entre o Greenbelt e o Outer Ring. Contudo. quando as áreas centrais perderam cerca de 250. mas que exigia ser reordenada e disposta convenientemente (densidade de até 50 pessoas/acre). integrante do LCC. que. inspirada pelas gardencities. então professor de Town Planning na Univeristy College London – UCL (1935/46). procurando assim redirecionar a expansão industrial para diversas “cidades novas” construídas além do cinturão verde e que agora constituem a chamada Outer Metropolitan Area2. Crawley. a um eixo principal que atravessava o centro histórico (city) e as zonas industriais. correndo ao longo do rio Tâmisa. Nele. como um pente. além de sugerir a criação e localização de NEW TOWNS (novas cidades). para a qual converge toda a rede rodoviária e ferroviária. e por um anel externo. 2 Com esse plano de descentralização. Basildon e Bracknell (densidade de até 20 pessoas/acre). b) Suburban Ring: que consiste na zona dos subúrbios.NEW TOWNS Iniciado com uma proposta teórica do grupo MARS. cujo objetivo era canalizar o tráfego e fazê-lo contornar núcleos vitais da cidade. Entre 1965 e 1973. Sua implementação deu-se até os anos 60 (GUIMARÃES. os custos financeiros e sociais com as demolições e deslocamentos populacionais conseqüentes geraram protestos e preferiu-se fazer algumas intervenções radicais e projetos de revitalização de alto padrão em locais de habitações esparsas e/ou decadência física e econômica. acabando por atrair todas as indústrias. c) Greenbelt: que se constitui em uma vasta área verde (1/3 da Grande Londres). O principal objetivo do PLANO REGULADOR DE LONDRES (1941/44). era evitar o crescimento difuso. 74 . suficientemente grandes para terem uma vida auto-suficiente. além de permitir a circulação sem congestionamentos e não perturbar as células vitais da comunidade. que caracterizava muitos centros urbanos ocidentais. 2004). é possível distinguir 04 (quatro) zonas concêntricas: a) Inner Ring: que inclui toda a área do Condado de Londres (London County). junto a Abercrombie. a qual deveria ser progressivamente aliviada com afastamento de cerca de 40. afastava-se dos conceitos de regularidade geométrica e de toda intervenção demasiado radical nas zonas já construídas. foi concebido um extenso plano de ring roads (“rodovias de contorno’) nas regiões central (city). o PLANO REGULADOR DE LONDRES (1941/44) foi definido em 1943 a partir da adoção pelo London County Council – LCC do plano de sir Leslie Patrick Abercrombie (1879-1957).000 habitantes. que circundaria a cidade e deveria permanecer sem construções – exceto pequenas towns já existentes –. e a rede viária basear-se-ia em um sistema de vias expressas. devido à sua estrutura governamental altamente centralizada e a proeminência histórica de sua capital. Até os subúrbios da outer Londres apresentaram decréscimo de população. Eram estas: Stevenage. Basicamente. com uma densidade satisfatória. as zonas portuárias. caracterizada por excessiva densidade. propondo-se mais a inverter o processo de concentração. a densidade populacional da Greater London seria reduzida para um máximo de 136 pessoas/acre. por meio de uma série de providências em escala regional. VILLES NOUVELLES Na França. Hatfiel. elaborado por John Henry Forshaw (1895-1973). ligadas por um anel interno. o plano propôs a criação de subúrbios-satélites nas cidades existentes próximas ao greenbelt (cinturão verde) de Londres. Harlow. a população enfrentou mudanças substanciais entre 1967 e 1981. mas não em forma de subúrbiosdormitórios.

o que contribuiria para a autonomia de cada um e para o funcionamento da comunidade. que não pode ser confundida com a idéia americana ou brasileira de desenvolvimento suburbano.as quais somente foram concluídas nos anos 80. para onde a população poderia se transferir. mantendo certa reserva e distanciamento civilizado face ao outro. 3 Em 1962. das quais o dinheiro seria a mais importante.  Além da construção desses novos “bairros”. com a criação de atrações culturais e novas opções de lazer. sem lhe pertencer. na medida do possível. em contraste com as cidades novas. mas seria. os franceses enfatizaram a integração urbana e localizaram suas “cidades novas” em um corredor que as mantém ligadas a Paris (GUIMARÃES. caracterizada por formas abstratas. na França as villes nouvelles foram planejadas para funcionar como extensões de Paris. atraíram indústrias e escritórios. uma zona de concentração de estruturas e serviços terciários (N. no governo de François Miterrand (1916-96). e ligando-se a esta por meio de auto-estradas. a urbanidade seria uma mistura de indiferença e de tolerância. o ministro da cultura André-Georges Malraux (1901-76) iniciou um amplo programa de renovação urbana. foi a criação de novas cidades (villes nouvelles) aos arredores de Paris. Essas comunidades-satélite. Simmel analisou a interação entre consciências individuais e a cidade moderna. incluindo o Louvre e o Orsay. que ocupavam as áreas congestionadas de Paris. investiu-se na preservação do setor histórico de Paris3. que dizia haver traços essenciais que definiriam a organização social e personalidade urbanas.A. e as idéias de Patrick Geddes (18541932). adotada durante o governo de Charles De Gaulle (1890-1970). em uma distância de até 30 km. além de oferecerem melhores e mais baratas condições de moradia (baixos preços de aluguel e compra). na cidade. poucas residências e eram localizados em áreas de baixa densidade industrial. como Le Marais.Possuindo uma das mais altas densidades urbanas no mundo ocidental. Se os ingleses buscaram criar comunidades autônomas e desvinculadas. estudando a postura mental do homem que vivia na grande cidade e o modelo de relação que estabelecia com os outros. que formou a base do urban design. a vida tornar-se-ia altamente diferenciada: não possuiria mais um conteúdo fixo. criadas para atender prioritariamente ao crescimento de indústrias leves. os laços formais entre indivíduos substituíram os laços afetivos mais tradicionais. Assim.  Em The metropolis and mental life (1917). e com a ascensão da burocracia e da ciência. 75 . do centro (núcleo urbano) – o que é intensificado pela existência dos greenbelts e foi copiado pelos americanos –. as quais fundamentaram o chamado URBANISMO HUMANISTA. Enquanto em Londres as new towns são isoladas e distantes de 60-80 km do centro histórico. URBANISMO HUMANISTA A noção da existência de uma cultura especificamente urbana desenvolveu-se a partir dos escritos do filósofo e sociólogo alemão Georg Simmel (1858-1918). Tanto as new towns londrinas como as villes nouvelles parisienses representam métodos de direcionamento populacional e de desenvolvimento regional para locais específicos e previamente planejados.  De seus estudos. que reuniam. Bairros dilapidados. nos anos 60. Abandonando-se a concepção haussmanniana de Paris como único centro. concluiu-se que o habitante da metrópole seria uma espécie de “estrangeiro” que viveria na sociedade. Paris precisou de um plano urbano-regional que possibilitasse a descentralização tanto de moradias como de empregos (trabalho). antes. além do Parc de La Villette e o novo bairro de La Defense.). foram planejados pólos de crescimento ou centres restructeurs (centros reestruturadores). optou-se pela construção de multicentros urbanos. Para Simmel. caracterizandose como uma cidade densa e compacta.  A solução. assim como ampliados os acessos a monumentos. 2004). e a vida na cidade provocaria uma disposição psicológica fundamentalmente nova: a ATITUDE BLASEE.  Suas precursoras foram as teorias de Georg Simmel (1858-1918). representados de modo arquetípico nas metrópoles. Paralelamente. que seria o resultado da libertação do indivíduo do tempo da tradição e a imersão no tempo da cidade. enfatizando-se o transporte coletivo. fundando assim a SOCIOLOGIA URBANA. carente de áreas verdes para recreação e lazer nos bairros (arrondissements). que influenciaram a sociologia norteamericana no período entre-guerras. foram restaurados. exemplificando o PLANEJAMENTO URBANO E REGIONAL. Criou-se o Fórum Les Haulles e o Centre Beaubourg Georges Pompidou (1977).

4 A CHICAGO SCHOOL criou as bases para o estudo sociológico do ambiente urbano. Everett Hughes (1897-1983). ou seja. compreendida como um sistema que unia cidade e campo em um vasto conjunto. Seus maiores expoentes – William I. a metrópole seria um mosaico de grupos diferenciados. urbanização rural. Jacobs (19162006) e Kevin Lynch (1918-84). a reflexão urbana voltou-se principalmente para as relações estabelecidas entre os usuários e o espaço urbano de vivência e consumo. da sociologia e da ecologia. graças aos seus contatos com os geógrafos franceses na virada do século. na escala da região.).  A atitude humanista permitiu uma avaliação mais precisa da cidade pósindustrial. sociologia. cujas aplicações (levantamento regional. a cidade que é dirigida ao homem e não à máquina ou à indústria. etc. 1991). Louis Wirth (1897-1952). Patrick Geddes (1854-1932) Cientista escocês de múltiplas especialidades (sociólogo. depois republicado em 1949. Lewis Mumford (1895-1990). psicologia e história. mas que funcionasse como um todo.Foi a partir das pesquisas de Simmel e de seus discípulos que se formou. etc. Em 1910. naturalista. apontava para a importância do PLANEJAMENTO URBANO-REGIONAL. trabalho e moradia. Park (1864-1944). Os humanistas. cujo enfoque intenta até hoje compreender a reprodução da “sociedade urbana”. A necessidade de retomar o espaço como campo de atuação prática – e não somente de discussão multidisciplinar – fez surgir o DESENHO URBANO como instrumento de interpretação. Znaniecki (1882-1958). passaram a propor um sistema de POLINUCLEÍSMO urbano. Anunciando o nascimento de uma nova era industrial – a ordem neotécnica. McKenzie (1917-81) – colocaram o acento em uma sociabilidade no interior dos grupos. em que as estruturas tradicionais de educação. o qual chamou a atenção para o fato do planejamento urbano e regional necessitar de pesquisas multidisciplinares (FERRARI. associando as preocupações da geografia. economia e sociologia estética). por nomes como Gordon Cullen (1914-94). absorveu o credo do comunismo anarquista nas livres confederações de regiões autônomas. biólogo. Para eles. considerado o fundador do regional planning. do contexto urbano visando tanto objetivos estéticoformais como sócio-funcionais.). posteriormente. um grupo de sociólogos da University of Chicago que chamaram seu campo de estudos como ECOLOGIA HUMANA ou URBANA. Alguns de seus representantes escreveram uma série de artigos sobre a influência de situações sociais sobre o comportamento individual.A. Florian W. Thomas (18631947). projeto municipal. Muitas das idéias defendidas por eles somente foram refinadas ou rejeitadas nos anos 50 em diante.REGIONAL. fundamentando-se em avaliações estatísticas. através da denominada NOVA SOCIOLOGIA URBANA e do urbanismo pósmoderno da Los Angeles School (N. história. defendia a criação de PLANOS URBANOREGIONAIS. Baseavam-se no pressuposto de que a cidade possuía uma organização física e uma ordem moral que se interagiam mutuamente para se moldarem e se modificarem. Apoiando-se na crítica ao movimento progressista e ao urbanismo funcionalista através da antropologia. antropologia e ecologia.  Entre os anos 60 e 70. que viria substituir a anterior ordem paleotécnica –. Jane B. Tal postura abrangente e multidisciplinar foi complementada. guiadas essencialmente por valores quantitativos. durante os anos 20 e 30. urbanista.  Rejeitando os modelos propostos pelos urbanistas modernos. entre outros. que a organização física tem sua base na natureza humana. a partir da década de 1960. um organismo de múltiplos centros. 76 . na perspectiva de uma cidade regional. Robert E. comerciais e habitacionais. escreveu o livro Cities in evolution (Evolução das cidades). ou seja. procurando-se avaliar as ligações entre percepção e comportamento. que privilegiasse os métodos dos chamados sociological surveys (pesquisas e investigações baseadas na geografia. principalmente de áreas industriais. o URBANISMO HUMANISTA expandiu-se principalmente na década de 1950. nos quais deveriam ser levados em consideração os aspectos sociais através de uma metodologia multidisciplinar. seriam ultrapassadas por novas formas de organização e planejamento. ou melhor. Ernest W. Burgess (19112000) e Robert T.) tornar-se-iam os pensamentoschave para o atual desenvolvimento humano. e enfatizando-se aspectos relacionados à psicologia. entre os quais Patrick Geddes (1854-1932) e. defendendo a idéia da antrópolis. através da linguagem arquitetônica. dentro de cada qual se desenvolveria um espaço de identidade e relação mais forte. sexólogo. que contribuíram enormemente com as idéias humanistas através de seus textos. que passou a se desenvolver através uma metodologia multisciplinar: nascia assim o PLANEJAMENTO URBANO. que. que criticavam o zoneamento funcional e a perda da qualidade ambiental. A este grupo denominou-se Chicago School4.

através da expulsão de minorias. Defendia assim a complexidade urbana. Sem indicar nenhum modelo urbano. cidadão e forasteiro. as antigas divisões entre homem e natureza. Seu trabalho e de seus discípulos efetuou uma análise morfológica detalhada de sítios antigos e um estudo crítico das realizações tecnocratas como a versão atual do progressismo. zonas (distritos e bairros de mesmo caráter). reagindo às idéias dominantes no urbanismo moderno que limitavam as estruturas espaciais urbanas a requisitos funcionais. Jacobs mostrava-se convencida que a cidade grande expressava caos. Gordon Cullen (1914-94) Arquiteto inglês que foi precursor do urban design. 1985). até a menor vizinhança ou distrito urbano deveria ser planejado como um modelo funcional do mundo maior. acompanhada pela alta concentração. fundado nas Ciências Humanas. Para ele.Lewis Mumford (1895-1990) Jornalista-sociólogo norte-americano que foi capaz de dar uma forma coerente aos pensamentos de Geddes. Conseguiu detectar as qualidades espaciais das antigas cidades e codificálas sob novos tipos de espaços. após cerca de 50 anos de atividades. limites. 1960). de origem norteamericana. túneis e pontes. em primeiro lugar. que introduziu o conceito de “visão serial” e alimentava a polêmica entre a teoria de desenho clássica – que propunha a clareza como qualidade-síntese – e a teoria de desenho pictórica. A partir de um estudo de cinco anos sobre como as pessoas percebiam e organizavam as informações espaciais ao circularem pelas cidades de Boston. “o maior construtor da América”. Foi um dos expoentes do PSIQUISMO. sem contar as enormes parkways. e grego e bárbaro não teriam mais sentido no planeta agora transformado em aldeia. considerava que a cidade não deveria ser concebida. concluindo pela vitalidade urbana. baseada na diversidade funcional. analisou o crescimento capitalista das cidades ocidentais e concluiu que a “vitalidade” urbana estaria ligada à sua “diversidade”. que propunha a complexidade. Jacobs (1916-2006) Escritora e ativista canadense. bem representados nos esquemas de remodelação de áreas e implantação de vias-expressas. sujeira e abandono – frutos do esquematismo dos modos de vida moderna que os planejadores previam em seus modelos ideais –. Contra o bucolismo das “cidades-jardins” ou o funcionalismo corbusieriano. considerado por muito. Em Nova York. citadino e rústico. corrente de desenho urbano que abordava os aspectos psicológicos das relações entre os indivíduos e o ambiente urbano. especialmente ao zonning que. Privilegiando um enfoque cultural. valorização de ruas. que se formou e lecionou no MIT. que deveria ser buscada através de planos e projetos que reconhecessem as ações e situações capazes de gerar ou destruir a vitalidade de uma cidade. como um local de negócios ou de governo. seguindo a tradição do planejamento “de cima para baixo”. e multiplicidade de tipos de edificações. Sua metodologia soube fundirse às idéias intimamente correlatas de Howard e espalhou-se por toda a América e pelo mundo afora. em seu livro Death and life of great american cities (Morte e vida das grandes cidades americanas. Robert Moses (1888-1981) foi seu maior expoente. estilos e usos. concluiu que isto era feito de forma consistente e previsível. a partir da decodificação pelos indivíduos e de sinais comunicativos. Também foi expoente do PSIQUISMO como tendência em enfatizar os aspectos visuais do meio ambiente. por meio da Regional Planning Association of América – RPAA. o processo de renovação urbana teve início por volta dos anos 40. e observou uma vida rica e densa de significados no caos e microcosmos dos bairros populares. mas a qualidade da imagem mental que suscita nos habitantes (“forma sensível”). Jersey City e Los Angeles (“mapas mentais”). cujo principal trabalho foi o livro The image of the city (A imagem da cidade.A. Kevin Lynch (1918-84) Urbanista e escritor norte-americano. Jacobs identificou no cotidiano das metrópoles as razões de sua violência. nós (pontos focais ou intersecções) e marcos. para ela. tais programas de remodelação urbana foram amplamente aplicados. esquinas e percursos. o que promoveu um profundo processo de elitização. chegando à formulação de novos princípios de projeto. difundindo-o nos anos 50 e possibilitando a formação de um pequeno mas brilhante e devotado grupo de planejadores sediados em Nova York. especialmente com seu livro Townscape (Paisagem urbana. idosos. encarando o bairro a partir de uma visão button-up (“de baixo para cima”). através de mapas mentais compostos por 05 elementos: caminhos. mas como um órgão essencial de expressão e atualização da nova personalidade humana: a do “Homem de um Mundo Só”. dissociava a habitação das demais funções urbanas. construtivos e econômicos (KOHLSDORF. Usando o contexto do programa americano de renovação das áreas centrais baseado em megaprojetos5. baseado em critérios de desempenho técnico. Até a crítica empreendida por Jacobs.). 5 Nos EUA. considerando o meio ambiente como algo psíquico ou percebido. a qual trabalhou em inúmeras administrações públicas municipais e regionais. em que introduzia os conceitos de continuidade. que. acreditava que o planning deveria partir das ruas em suas interações econômicas locais. além de vários conjuntos habitacionais. locatários e a classe trabalhadora (N. Jane B. Lynch trabalhou com a idéia de que o objetivo final de um plano não deveria ser a forma física em si. 1961). elevados. 77 . legibilidade e identidade urbanas. construiu inúmeros viadutos. Assim. desenvolveu uma série de críticas ao urbanismo moderno. 1961).

tanto do capitalismo quanto do estatismo. levando a uma nova forma do capitalismo informacional caracterizado pela globalização das atividades econômicas centrais. 78 . enquanto os desenhistas urbanos passaram a estudar os aspectos de conformação física da cidade. concluiu que 03 processos independentes começaram a se formar no final dos anos 60 e princípios dos 70. enquanto seu cenário e suporte. ligada diretamente com o urbano. a políticojurídica. marcada pela heterogeneidade e associativismo. e as relações de produção. Henri Lefébvre (1901-91) Filósofo e sociólogo que foi um dos primeiros pensadores franceses a rediscutir as questões da Chicago School sob a ótica do materialismo histórico. resultante do capitalismo. O direito à cidade (1969). subordinando-a à lógica da reprodução do Capital. o “sistema urbano” não seria mais que a articulação de instâncias de uma estrutura social dentro de uma unidade reprodutora de força de trabalho que se reflete na sua estrutura espacial. Do rural ao urbano (1970). dos instrumentos de produção. assim como textos críticos dos problemas urbanos nos países subdesenvolvidos. com base na necessidade do poder industrial "modelar" a cidade de acordo com os seus interesses. os estudos urbanos foram amplamente impulsionados pelo geógrafo baiano MILTON SANTOS (1926-2001). através de sociólogos como Henri Lefébvre (1901-91) e Manuel Castells (1942-). realização e distribuição da mais-valia.  O florescimento de movimentos socioculturais. Depois. o qual teria uma importância igual ou superior à da Revolução Industrial . Além disto. Assim. compreendia a cidade como aglomeração da população. como o feminismo. que criariam uma contradição principal – o espaço produzido globalmente e suas fragmentações. uma flexibilidade organizacional e um maior poder para o gerenciamento em suas relações com o trabalho. a questão urbana possui 03 instâncias: a ideológica.URBANISMO NEOMARXISTA Entre as décadas de 1960 e 1970. mas sem excluir a influência de outros agentes sociais. entre outros. 1974) e prosseguiram até sua trilogia sobre La era de la información (A era da informação. e a econômica. Espaço e política (1972) e A produção do espaço (1974). em especial na França. Foram igualmente importantes seus estudos sobre uma teoria do espaço urbano que o colocava embasado na experiência individual do habitante. Com o NEOMARXISMO. Em La pensée marxiste et la ville (A cidade do capital. da qual viria a “cultura urbana”. Lefébvre antecipou como as forças produtivas atingiriam uma tal potência para a produção do espaço em escala mundial. o maior expoente do movimento de renovação crítica da geografia urbana e reconhecido internacionalmente por ter publicado trabalhos sobre a metodologia dessa disciplina. os quais se iniciaram em 1968 e reagiram de múltiplas formas contra o uso arbitrário da autoridade. já que a este conotaria os processos de reprodução da força de trabalho. sendo um dos maiores difusores do marxismo na França. Sobre o fenômeno urbano. Destacaram-se os trabalhos de Paul Vieille (1970) e Christian Topalov (1984). o ambientalismo. Destacaram-se seus livros sobre a vida cotidiana. enfatizando as categorias de produção. Seguindo Marx. 2007). que atuaria remodelando as bases materiais da sociedade e induzindo a emergência do informacionalismo. Para ele. No Brasil. particularmente por fazê-lo sob o foco marxista. que se caracterizaria por ser uma “superestrutura” que busca legitimar o sistema capitalista. Lefébvre escreveu O direito à cidade (1968). pulverizações e despedaçamentos –.  a crise dos modelos de desenvolvimento econômico. os advocacy planners passaram a intervir das mais variadas maneiras: ajudariam a informar o público sobre as alternativas urbanas. ao mesmo tempo em que os planejadores fixaram-se no ponto de vista socioeconômico. 6 Manuel Castells (1942-) Sociólogo catalão que se tornou uma das maiores autoridades na análise das novas tecnologias e seu impacto sobre as sociedades urbanas. considerando-a um problema novo. 1999). os quais convergiriam para a “gênese de um novo mundo”:  a revolução das tecnologias da informação. sobre o qual era necessário pesquisar. A partir de 1968. forçariam as secretarias de planejamento a competirem pelo subúrbio. Analisou a influência do capitalismo no espaço urbano. do mundo rural passou a pesquisar a cidade6. perseguindo os nexos existentes entre espacialidade e experiência. na sua acepção restrita e ampliada. A revolução urbana (1970). ocorreu um notável ressurgimento de estudos marxistas. 1972). trabalhou a propriedade do solo e a renda fundiária no quadro urbano. revoltando-se contra a injustiça e procurando a liberdade para a experimentação pessoal.  Os neomarxistas voltaram-se para a discussão materialista da cidade como local de reprodução do capital e redirigiram a atenção para as classes trabalhadoras e suas possibilidades de transformação socioeconômica. focalizando a formação. a defesa dos direitos humanos e das liberdades sexuais. ofereceu um instrumental heurístico importante para a análise dos mecanismos de democratização da cidade. dos prazeres e das necessidades. e ajudariam os críticos em realizar e implementar planos que fossem superiores aos oficiais. como: Fundamentos de uma sociologia do cotidiano (1961) e A vida cotidiana no mundo moderno (1968) (CASTELNOU. Suas contribuições iniciaram-se com La cuestión urbana (A questão urbana. o que fez com que ambos a se reestruturarem.

as transformações tecnológicas. a França foi o grande centro da arte moderna mundial. os artistas pós-modernos enveredaram para novas aventuras estéticas. Na ARTE PÓS-MODERNA. prensado. ao mesmo tempo em que Constantin Brancusi (1876-1957) eliminou o pedestal. os Happenings e as Performances. moldura e pedestal mantinham a obra de arte em sua aura. Com base no filósofo francês Maurice Merleau-Ponty (1908-61). Autônomos desde o Cubismo. gravura ou desenho. 1977). ela deixa de existir.).A. o que abriu o caminho para a participação do espectador.14 ARTE CONTEMPORÂNEA A introdução do elemento lúdico – a participação do espectador – iniciou a fase pós-moderna da arte. para se transformar em puro evento: a arte como atividade. Desaparecida a moldura. transformado. distanciada do público. alimentando-se do acaso e do aleatório. já preconizadas pelos 7 mestres do primeiro período . que se tornou o principal reduto das correntes de arte contemporânea. cujo signidicado está na estrutura do objeto criado (quadro. a forma desenvolvese à semelhança dos organismos vivos. que passou a ser convidado a tocar na obra (N. Se até a Segunda Guerra Mundial (1939/45). devido à energia atômica e à automação eletrônica. Criado. nos anos 50. porém as correntes de renovação mantiveram-se vivas. transvanguardas eclodiram em todas as partes. Até então. àquela multiplicidade de significados coexistindo em um único significante até que a própria noção de obra estourou. Pede-se para pegar. Inicialmente. acabou-se a distinção entre o externo e o interno – assim como no teatro a não-separação de palco e platéia coloca no mesmo plano atores e público –. da mesma forma como. buscando romper conceitos já cristalizados pela arte e arquitetura modernistas. o objeto pode ser um ready-made ou um objettrouvé. Pela primeira vez. tocando-a. cada vez mais a arte confunde-se com os processos vitais: o exercício da arte como a “vitalidade elevada”.). foi Piet Mondrian (1872-1944) quem preconizou a desintegração da arte na vida. etc. multiplicado. comprimido. a negação das categorias tradicionais. Está presente em correntes como a Pop Art e o Novo Realismo. que teria completado o ciclo moderno – uma vez que o pintor americano Jackson Pollock (1912-56) praticamente esgotou o processo convencional da pintura –. 79 . 7 Embora se considere o DADÁ (1916/25) a primeira manifestação de anti-arte no século passado. a vanguarda se mudava para os EUA. para o qual o corpo seria um “vasto campo central. acrescentado. ou existe parcialmente. isto é. sociais e culturais decorrentes dos processos de massificação. responde-se com um contínuo questionamento – o que é arte? O artista parte de certa organização mental até chegar a uma arte-mensagem. recriado. A ARTE FIGURATIVA – a “fotografia”. que é a crônica sublimada desta mesma paisagem e/ou realidade – ou a transcrição lírica de “estados d’alma” – ou ainda à ARTE CONCRETA. em que a obra é apenas intermediário entre dois mundos: real (vida) e mental. avançando da quadridimensionalidade da arte moderna para as n-dimensões de hoje. Como exemplos. Buscando deliberadamente o ambíguo.  Desde 1950. a ARTE PÓS-MODERNA está viva (W ALKER. midianização e globalização resultaram em uma verdadeira revolução nas artes em todo o mundo. o fio condutor foi a oposição ao Expressionismo abstrato.  CORPO: Relaciona-se à transformação do corpo humano como motor da outra ou meio de expressão. se o público não se dispõe a atender aos apelos da obra. ou seja. dividido.  Em aberturas simples. a expressão individual. no século XX. acumulado. e passaram a compartilhá-lo com seus espectadores. a Body-Art. Agora. Logo. mesmo deformada. glória ou decadência da sociedade industrial e de consumo. Os artistas contemporâneos abriram mão de seu dom maior. a ARTE CONTEMPORÂNEA deixou de ser quadro ou escultura. escultura. mas cada vez maiores. a arte chegou. Verifica-se na Arte Concreta e na Arte Conceitual. tornado coisa enigmática ou aterrorizante. Até hoje. a New York School of Abstract Expressionism destronou a École de Paris. contra a aceleração plástica. Na segunda metade do século XX. de paisagens “exteriores” ou “interiores” do homem – finalmente avançou em direção à ARTE ABSTRATA. expandido. ingressou-se na terceira fase da Revolução Industrial.  CONCEITO: Corresponde à idéia como arte. cheirar: a total interação entre arte e vida. aparecem 03 (três) novos estados da arte:  OBJETO: Trata-se da morte de toda especificidade. ao romper com a moldura. instalação. apalpar. fundamento de toda referência simbólica”.

na Video Art ou mesmo na Arte Cinética. Willem De Kooning (1904-97). logo se reduziram ao essencial sob a influência zen. Tachismo (1951) Tendência da pintura abstrata dos anos 50. A pintora norte-americana Joan Mitchell (1924-92). onde impera a improvisação e que “não é geométrica ou construtiva. a velocidade de execução torna-se lícita. marcadas de 1 a 5. Paralelamente. etc. Pela primeira vez no Ocidente.. O gráfico da página 84 pretende completar aquele disposto na página 34. os movimentos surgiram quase ao mesmo tempo na Europa e nos EUA. como o caos ou a crise. explorando com rigor o espaço e o vazio. mas também como processo ativo. que pode ser considerada a versão européia da action painting. em alguns casos não é possível marcar a data e o local de cada ismo. “brutos” –. Seus maiores expoentes foram: os franceses Michel Tapié (1909-87). a aceleração dos ismos. desapareceram: também à arte aplica-se a lei de obsolescência planificada. Por outro lado. Seus maiores expoentes. Para alguns críticos. o catalão Antoni Tàpies (1923-) e o belga Pierre Alechinsky (1937-). Arshile Gorky (1904-48). mantendo vivo o movimento. além de Abstracionismo Informal. daí também ser conhecida como Pintura Automática ou Gestual. deve-se observar que não existem nem o abstracionismo nem o concretismo como escolas propriamente ditas. mas do processo criativo: realizavam a livre aplicação da tinta. nem sempre acompanhados do lançamento de manifestos. inicialmente gestuais – e.Nos gráficos acima. seu maior expoente. da mesma maneira como não existe primitivismo – há sim pintores ingênuos. Os tachistas. Jean Degottex (1918-88) e Georges Mathieu (1921-). Clyfford Still (190480). apresentado como obra? O novo museu deverá ser um propositor de situações que se desenvolverão no espaço-tempo da cidade. criando uma espécie de automatismo. borrão). pode-se apresentar as seguintes como principais correntes de ARTE PÓS-MODERNA ou CONTEMPORÂNEA: Expressionismo Abstrato (1945) Corrente pintoríca norte-americana nascida no segundo pós-guerra que visava expressar a vida interior através da arte compreendida nãeo somente como produto da criação artística. Os museus estão sendo obrigados a rever antigos conceitos relativos à conservação e programação de atividades (incluindo a animação): a precariedade dos materiais e/ou o agigantamento das obras passaram a exigir cada vez espaços sempre maiores e especiais. como conservar um monte de terra (Land Art) ou o próprio corpo do artista (Body Art). Isto também determinou sua progressiva desvalorização econômica. abandonando qualquer préconcepção. de Chicago. em que pode não passar mais do que um simples jato de luz em uma sala escura. foram: Hans Hofmann (1880-1966). Franz Kline (1910-62). sem nenhuma referência à realidade visual (Action Painting). de preferência exteriores. sem nenhuma tentativa ou vontade de figuração”. O pintor alemão radicado em Paris Wolfgang Schulze. Dentro da ARTE CONCRETA ou da ARTE ABSTRATA. todos trabalhando nos EUA. 80 . ameaça todo o tempo transformar as galerias em antiquários. Jackson Pollock (1912-56). tratava-se da Arte Informal ou Informalismo. para alguns. Robert Motherwell (191591) e principalmente Pollock junto com sua esposa Lee Krasner (1908-84). o holandês Karel Appel (1921-2006). conhecido simplesmente por Wols (1913-51) foi quem inaugurou este estilo angustiado e fulgurante. Por isto. também o crítico de arte contemporâneo torna-se mais e mais engajado nos movimentos. E tão rapidamente como apareceram. a imagem não resultava de uma idéia pré-concebida. o gesto expressivo de Pollock ou o silêncio de Malevich. por exemplo. E assim como o espectador não é mais passivo diante da obra. a obra de arte foi sendo desmaterializada: de objeto “real e concreto” até chegar. Nas últimas décadas. Para seus pintores. impensada e automaticamente. pertence a uma segunda geração.  Em um processo gradual e contínuo. abordando a ARTE PÓS-MODERNA e suas condicionantes principais. como Henri Rousseau (1844-1910). Em um panorama de difícil categorização. caracterizada pela projeção de manchas e de cores escorridas (tache = mancha. pode-se encontrar vários comportamentos. que ele ajuda a criar como companheiro de aventura do artista. Excluem-se os croquis e a preparação: o artista lança a tinta diretamente sobre a tela. mais recentemente. como DORFLES (1991). desta vez. inventou um processo de gotejar a tinta sobre telas enormes (free canvas).

o termo Happening (“acontecimento”) teria sido cunhado pelo compositor John Cage (1912-96) e retomado em 1959 pelo pintor e assemblagista Allan Kaprow (1927-2006). Contrapunha-se ao Expressionismo Figurativo por. mas também “cinematográfica. erótica e psicoquímica”. conservando a figura apenas para dobrá-la à sua vontade.Expressionismo Figurativo (1950) Consiste no movimento artístico europeu que era contra a tendência dominante da abstração completa pós-45. o venezuelano Jésus Rafael Soto (1923-). limitadas pelas modificações recíprocas dos elementos e do espectador. o francês de origem polonesa Balthazar Klossowski. destacam-se: os alemães Lucian Freud (1922-). as quais podiam ser dividas segundo seu grau de previsibilidade em: máquinas (movidas por forças eletromagnéticas. Niki de Saint-Phalle (1930-2002) e Gérard Deschamps (1937-). Arte Ótica (1960) Também denominada de Op-Art. Novo Realismo (1960) Movimento lançado em outubro de 1960 pelo o crítico francês Pierre Restany (1930-2003). em 1965. mas a todos os seus sentidos [. Alguns falavam de uma “arte aberta”. política. Yves Klein (192862). o suíço Daniel Spoerri (1930-) e o búlgaro-americano Christo Javacheff (1935-). mantendo viva a figuração até os anos 60/70. Os artistas óticos procuravam usar métodos e materiais industriais. incluindo a participação lúdica do espectador ou desdobrando-se em manifestações de rua. com possibilidades de configurações diversas. Seus maiores artistas foram: o americano Alexander Calder (1898-1976). mas participa de seu desenvolvimento”. 8 Na América.] que não interpreta a vida.. o Cinetismo aceitava o precário e o instável. em que podem se desenrolar Happenings8 – como aqueles do suíço Jean Tinguely (1915-91) –. Na escultura. Enquanto o Novo Realismo e a Pop Art esforçavam-se por salvar os restos da sociedade de consumo. além do britânico Leon Kossoff (1926-). existia só no momento que era consumida. musical. adquiria por vezes características de Happening. Compunha-se de obras em movimento ótico e real. ligado a um fenômeno quantitativo de expressão: o real percebido em si e não através do prisma de uma emoção [. a mostra Homenagem a Nicéphore Niepce. alucinatória. Seus maiores expoentes foram: Gianni Bertini (1922-). destacou-se uma tendência autônoma. vendo-se como estrutura viva e enfatizando a participação da luz como matéria-prima. mas com o princípio de que a arte deveria expressar uma verdade além das aparências. sequer existia materialmente. tornando-se pura luz. em um mundo de contínuas metamorfoses. Freqüentemente ambiental. os maiores nomes foram os do inglês Henry Moore (1898-1986) e da francesa Louise Bourgeois (1912-). Arte Cinética (1960) A Kinetic Art surgiu no início dos anos 60. que afirmava que o Happening era arte plástica. transposições fotográficas sobre trama. estendendo-se da simples colagem ao decor de ambiente. considerava-o um “pequeno teatro”. social-dramática. Arte Mecânica (1965) O mesmo Pierre Restany (1930-2003) do Novo Realismo. Esta pretendeu cobrir toda uma série de pesquisas européias nas quais se utilizava procedimentos fotográficos com um mesmo fim: a elaboração mecânica de uma nova imagem bidimensional por meio de processos industriais ou fotomecânicos. Às vezes. simbolizava um mundo instável. Tratava-se de uma linguagem do movimento. Já seu introdutor na França foi Jean-Jacques Lebel (1936-). o húngaro Victor Vasarely (1908-97).. a dos cartazistas. 81 . A mais completa exposição de arte ótico-cinética foi realizada em Paris. outros integrantes do Nouveau Réalisme foram: os franceses Raymond Hains (19262005). François Dufrêne (1930-82). por vezes. tais como: retículas. Trata-se de uma arte que “não se dirige unicamente aos olhos do observador. dando início à Mec-Art. hidráulicas ou cibernéticas). foi uma corrente dos anos 60 que. estes dois últimos radicados nos EUA. cheiro ou ruído. com manifestações na Suíça. telas emulsionadas. o londrino Francis Bacon (1909-92) e o norte-americano Philip Guston (1913-80). para depois chegar à França (Groupe de Recherche d’Art Visuel – GRAV). a argentina Martha Boto (1925-2004). em 1967. poética. O artista Pop Robert Rauschenberg (1925-2008). tipografias. provocando. que a definiu como “atos que se tornam rituais e transformam nossa vida cotidiana”. além do norte-americano Lawrence Poons (1937-). propõs uma relação dinâmica quadro/espectador. tendo em Josef Albers (1888-1976) um de seus precursores (“menos expressão. procurando eternizar um mundo de aparências. Martial Raysse (1936-). móbiles e estábiles. inquietação e vazio: “now-you-see-it-now-you-don’t”.. com montagens irreverentes. A assemblage (ajuntamento) era uma das suas características principais. Dentro do movimento. Principais expoentes: a londrina Bridget Riley (1931-). o belga Pol Bury (19222005) e o italiano Gianni Bertini (1922-). adotando princípios estabelecidos pela ciência e pela produção em massa. suscetível a mutações de seus elementos. dito Balthus (1908-2001). passando pelas acumulações e compressões dos franceses Arman (1928-2005) e César Albertine (1921-98). realizou. Frank Auerbach (1931-). cujo trabalho consistia em dilacerar os grandes cartazes de rua. Georg Baselitz (1938-) e Anselm Kiefer (1945-). além do italiano Mimmo Rotella (1918-2006). Itália (Gruppi Gestatt N e T). 1964).] introduzindo-se um relais sociológico em estado essencial de comunicação”. com sua Art Brut (a arte em estado bruto). pretender “ser um gesto fundamental de apropriação do real. teatral. porém de natureza não exclusivamente pictórica. Destacaram-se: o francês Jean Dubuffet (1901-85). o polonês Julian Stanczak (1928-) e o japonês Tadasky (1935-). o italiano Bruno Munari (1907-98). Além dos citados. etc. Nikos Kessanlis (1930-2004) e Alain Jacquet (1939-). Holanda e Iugoslávia. 1964) e URSS (Dvijenié. Jacques Villeglé (1926-). mais visualização”). Alemanha (Group Zero) e finalmente EUA (The Responsive Eye. que buscava uma terceira posição entre o Não (Dadá) e o Zero (Tachismo). Entre os contemporâneos.. com o título de Lumiére et Mouvement. Vivendo no “horizonte provável” do aleatório e permitindo permutações. Em suas manifestações mais radicais.

era um ramo da arte conceitual. o corpo ou a memória.. do desenho. o catálogo. Jasper Johns (1930-). entre outros. tomando-se como tema o folclore urbano (publicidade. pintura que usava formas simples. o artista daria apenas uma indicação e o observador se veria impulsionado a refletir e imaginar. Popeye. mas baseada na expressão da grande cidade. defendia-se a “expressão simples do pensamento complexo”. além das esculturas de David Smith (1906-65). polidas e brilhantes (ausência de efeitos de matéria ou textura. suas esculturas (“instalações”) eram constituídas quase sempre por estruturas únicas. Frank Stella (1936-) e Richard Serra (1939). consumo e mitos políticos. e as “esculturas vivas” dos ingleses Gilbert Proersch (1943-) e George Passmore (1942-). celebrando a realidade do dia-a-dia e o quotidiano. quase de tamanho mural. resultando em superfícies lisas. conceitualista americano ligado ao grupo inglês Art & Lenguage. Os maiores expoentes do Minimalismo eram: Sol LeWitt (1928-2007). Pop lembraria tudo o que é popular. em que o fóco eram vastas extensões ou ”campos” de cor. informações) concentraram-se no final da década de 1960 e deram origem a inúmeras derivações. a Pop Art frutificou nos EUA no início dos anos 60. Aos poucos. pela abstração fria de Newmann e Reinhardt. da qual pertenciam Claude Viallat (1936-) e Vincent Bioulès (1938-). chassis e moldura). afirmou que “a arte é a definição da arte”. Alighiero Boetti (1940-94). destacou-se o movimento Support/Surface. revelando-se uma total liberdade de suportes. Jean Le Gac (1936-). Sendo sua execução impecável. busca um duplosentido de investigação e comunicação (Letrismo). entre vários outros.Pop Art (1955) Corrente artística equivalente à arte popular. em quadros minimalistas que pareciam ser feitos por máquinas. espouca e pula (Pop-corn. exigindo-se uma participação mental do espectador. Foi precedida. Robert Rauschenberg (19252008). caracterizando-se principalmente por sua fisicalidade. buscava o lado de fora. Ad Reinhardt (1913-67). Seus maiores expoentes foram: Richard Douglas Huebler (192497). Assim. cores puras e contornos rígidos. meios de comunicação de massa. Seus expoentes foram: Ellsworth Kelly (1923-). 82 . feitas com matéria-prima industrial. do sombreado e também do pincel. também denominada de arte redutiva. Carl André (1935-). Bernar Venet (1941-). Considerando o processo de criação artística mais importante que a peça acabada. o espaço onde é realizado e os objetos empregados convertem-se em protagonistas. que poderia ser qualquer um: a galeria. Para os conceituais. inclusive com a participação e interação com o público. Abrindo mão da textura. Seu objetivo era tornar a obra mentalmente interessante para o espectador. o Colorismo e o Minimalismo. cantando. Keneth Noland (1924-) e Frank Stella (1936-). Barnett Newman (1905-70). migra-se para o Happening. Tom Wesselmann (1931-) e Peter Blake (1932-). Quando há a inclusão de outras dimensões. sendo para alguns “o segundo estilo norte-americano” (o primeiro seria o Expressionismo Abstrato). em que trabalharam Yves Klein (1928-62). a sociedade de consumo e o kitsch. bem como toda referência lírica ou ideológica). cujos trabalhos (conceitos. Joseph Kosuth (1945-). Morris Louis (1912-62). musicais e cinematográficos) e a cultura da cidade (e da estrada). Claes Oldenburg (1929-). ora seus aspectos residuais (apropriação de objetos). com os trabalhos de Richard Hamilton (1922-) e David Hockney (1937-). serial ou modular. Daniel Buren (1938-). mas logo se tornou expressão estética de toda sociedade industrial e suas grandes cidades. Arte Comportamental (1969) Corrente também derivada da arte conceitual e também denominada de Arte Performática. Dan Grahan (1942-) e Fred Sandback (1943-2003). Andy Warhol (1928-87). Pop-star. Walter De Maria (1935-). Lawrence Weiner (1942-) e Jenny Holzer (1950-). Contra os “especialistas do bonito”. Arte Processual (1969) A Process Art inspirava-se no existencialismo e tinha como bases o Expressionismo Abstrato. não se dirigindo exclusivamente para os olhos do observador. Batizada pelo crítico Lawrence Alloway (1926-90) e nascida na Inglaterra dos anos 50. o telefone. seus artistas procuravam revelar a elegância do ordinário e do vulgar. processos. Hans Haacke (1936-). com emprego de elementos estandardizados e constituindo sistemas (escultura elementar. Entre seus defensores estavam: Mark Rothko (1903-70). Colorismo (1960) Corrente norte-americana considerada uma variante da “pintura de ação” a partir dos anos 50. opondo-se à introspecção e subjetivismo da arte abstrata. Donald Barthelme (1931-89). Dan Flavin (1933-96). Empilhar tijolos. programada. era caracterizada por eventos montados para apresentar o artista falando. exigindo assim que se use o corpo diante de um público. onde “um quadro grande era uma transação imediata”. Richard Arfschwager (1924-). que se caracterizava por duas linhas principais de pesquisas: a decomposição dos elementos materiais do quadro (tecido. além do mexicano Mathias Goeritz (1915-90). uma vez que se descobria ao fazer arte. tomando como base ora seu caráter icônico. gestáltica ou primária). tudo passava a ter uma intenção artística. a abstração espontânea e subjetiva tornou-se calculada e impessoal. Arte Mínima (1966) A Minimal Art foi uma corrente surgida em meados dos anos 60. Robert Morris (1931-). Concertos Pop). os alemães Joseph Beuys (1921-86) e Wolf Vostell (1932-). Destacaram-se: Shusaku Arakawa (1936-). cavar um buraco ou mandar mensagens pelo fax ou correio (Mail Art). Marc Devade (1943-83) e Louis Cane (1943-). Da mesma maneira. e a fisicalidade da cor. criando-se nos anos 60 a Hard Edge Painting. Arte Conceitual (1967) Termo que reúne uma série de experiências artísticas. niilista. eis porque o artista desejava que ela fosse emocionalmente seca. John Baldessari (1931-). Seus principais artistas foram: o norte-americano Chris Burden (1946-). Iain Baxter (1936-). Richard Diebenkorn (1922-94) e Helen Frankenthaler (1928-). em telas imensas. Paralelamente. formada geralmente por esculturas enormes. na França. enfim. Donald Judd (1928-94). ou seja. Principais artistas: Roy Lichtenstein (1923-97). no campo da pintura. dançando ou simplesmente parado (performances). situações. agride. e. mas a todos os seus sentidos – uma vez que cada espectador é parte da obra.

os americanos Dennis Oppenheim (1938-). sublinhando o papel determinante jogado pela fotografia. os alemães Eva Hesse (1936-70). com seu olhar gelado e fantasmático. Gilberto Zorio (1944-).Arte Ambiental (1967) Surgida entre 1967 e 1969. além de outros. Em geral. estopa. etc. Arte Povera (1967) Expressão cunhada pelo crítico italiano Germano Celant (1940-) para designar uma “arte pobre”. Richard Long (1945). grama. através do despojamento material da sociedade consumista. Jean Leering (1934-2005). e. a Arte do Corpo adquire a forma de ritual no “teatro de orgias” dos austríacos Otto Muel (1924-) e Hermann Nitsch (1938-). Richard Estes (1932-). Os trabalhos são perecíveis. interessando-se pela substância de um evento natural (nascimento de uma planta. sangue. Jan Dibetts (1941-). Luciano Fabbro (1936-2007). destacaram-se os norte-americanos Walter De Maria (1935-). além do búlgaroamericano Christo Javacheff (1935-). entre vários outros. Ou animais empalhados. A pintura torna-se assim uma película fina. destacam-se: o francês Gilles Aillaud (1928-). Os expoentes italianos foram o casal Mario Merz (1924-2003) e Marisa Merz (1931-). eclipsando o suporte. correspondeu à tendência conceitual de se trabalhar com (Earth-Art ou Earthwork) e na (Land-Art) terra. Audrey Flanck (1931-). tanto na Europa como nos EUA. autor do primeiro livro sobre a nova tendência. Esta arte. John De Andrea (1941-). segundo o pintor francês Jean-Olivier Hucleux (1923-) seria o de “captar um evento interessante em um momento preciso”. croquis.. mapas. no seu afã de perfeição e realismo. fazendas. resgantando tanto a pintura realista do século XIX como o realismo socialista da URSS. sugeriu que o realismo atual seria somente possível em sociedades como a americana ou em centros urbanos modernos. o olhar paralizado. não importando o lugar – em desertos. assim como recupera para o campo das artes plásticas práticas que existem em todos os tempos e em todas as sociedades: escarificações. Michelangelo Pistoletto (1933-). tatuagens. videotapes e fotografias. Em suma. Lowell B. Neesbitt (1933-93). operam em direções diferentes. renovando-se em contato com os novos conceitos de arte. Bob Flanagan (1952-96). ou de processos educativos (learning processes) no americano Dan Graham (1945-). além do grego Jannis Kounellis (1936-). Seus maiores expoentes americanos foram: Ralph Goings (1928-). no catálogo da mostra Relativist Realism (1972) enumerou uma dúzia de realismos e Udo Kultermann (1927-). reação química de um mineral. Logo. um “novo alfabeto para o corpo e a matéria”. nela o artista deixa o ateliê “para fazer incisões no mundo”. fitas. como sucata. mares. como observa Clay. e a profundidade na pintura. pretende ser a própria máquina. Robert Smithson (1938-73). em seu imediatismo e em seu distanciamento”. Também denominada de Arte Ecológica. revelaria um “panteísmo inconsciente”. em que objetos e figuras humanas situam-se. montanhas ou na própria cidade. Giuseppe Penone (1947-). principalmente em sua materialidade (suor. sua memória e seus gestos. Entre os europeus. filmes. Giovanni Anselmo (1934-). Chuck Close (1940-). eliminando o movimento na escultura. como consequência. tendo seu próprio corpo como um campo novo de possibilidades. lagos secos. o galês Barry Flanagen (1941-). restos (objet-trouvé). Hiperrealismo (1973) O retorno definitivo do realismo teve início no começo dos anos 70. como se fosse uma projeção imaterial. tenta-se realizar uma “fatura invisível” (fazer desaparecer a pincelada e a própria tinta). é o subsolo do Hyperrealism. o alemão Konrad Klapheck (1935-) e o austríaco Gottfried Helnwein (1948-). Entre os expoentes da Ambient Art. realizados sem a presença do público e deles restando apenas documentos: matéria orgânica ou mineral. Esta. Robert Bechtle (1932-). tratava-se de uma arte que propunha uma nova cultura dos sentidos (nomadismo dos hippies). químicas e biológicas da matéria. e mantendo-se como uma corrente viva até hoje. exposta em fotografias ou documentos de trabalhos realizados por artistas europeus e norte-americanoss interessados pelas artes conceitual e processual. química. Chris Burden (1946-). entre o déjà vu e o jamais vu: “em um mesmo movimento. com efeito. formalista para outros. trabalho e lazer mecânicos. movimento de um rio. ou ainda atuar diretamente na natureza. as esculturas hiperrealistas lembram justamente figuras de museu de cera.. que mostrou trabalhos cujo acento principal era o retorno à natureza. Prósima do Informalismo. o objeto se oferece na maior familiaridade e em sua estranheza mais desconcertante. Se suas pinturas parecem registros fotográficos. madeira queimada. Acreditava-se que “os produtos da natureza não se oporiam mais aos da cultura: a linguagem da arte obedeceria às mesmas leis que regulam a célula [. já que o artista. geleiras. Bruce Naumann (1941-). não há uma linguagem única e os artistas. face à vida e a si mesmo. Tal documentação era posteriormente exposta em galerias ou divulgada em revistas. Sua consagração deu-se em 1970 na Mostra del Museo Fisico de Turim. uma vontade de retorno ao Éden.). 83 . reportagens. buscava-se o precário contra o eterno. Pino Pascali (1935-68). O objetivo hiperrealista. trata-se de um gênero de performances que fazem intervir o corpo do executante enquanto medium único da arte – o artista se encontra só. através do qual o artista descobre a si mesmo. tanto europeus como americanos. e a ítalofrancesa Gina Pane (1939-90). romântica ou metafísica para alguns. baseada no desperdício. fazendo uso de materiais perecíveis e pobres. física). Reiner Ruttenbeck (1937-) e Franz Erhard Walter(1939-). Vito Acconci (1940-). Michael Heizer (1944-).] A arte faz convergir em uma substancial unidade a natureza e a cultura. O chamado Fotorrealismo retira o frêmito de vida. surgindo. Arte Corporal (1972) Também conhecida como Body-Art. terra ou neve. Outros expoentes foram: os austríacos Arnulf Rainer (1929-) e Rudolf Schwarzkogler (194069). Alighiero Boetti (1940-94). fezes. O efeito de uma tela hiperrealista é o de uma ”familiaridade desviada”. Don Eddy (1944-) e Denis Peterson (1951-). maquilagem e travestismos. em movimento ou como suporte para ritos e gestos. foi uma corrente artística Neo-Dadá dirigida para as possibilidades físicas. As proposições da Arte Povera coincidiam com os objetivos da Contra-Cultura e as formulações de seus principais críticos tinham pontos comuns com as idéias do filósofo alemão Herbert Marcuse (1898-1979) contra a opressão da máquina. Dennis Oppenheim (1938-). seu corpo. para alcançar maior intensidade realista. Influenciada pela arte comportamental.

isto é. Entre os precursores da Video Art. o sul-coreano Nam June Paik (1932-2006) e os norte-americanos Willoughby Sharp (1936-2008). do português René Bertholo (1935-) e do espanhol Eduardo Arroyo (1937-). aproximações. destacaram-se: o alemão Wolf Vostell (1932-98). Porém. Outros expoentes eram: o espanhol Eusebio Sempere (1923-85). decomposições e assim por diante. O húngaro Nicholas Schöffer (191296-) criou a expressão Cybernetic Art (Arte Cibernética) para designar a criação de programas puros e aleatórios. o ítalo-brasileiro Waldemar Cordeiro (1925-73). seus artistas explorariam métodos e recursos como o uso de grandes planos. Joan Jones (1936-). e sim de concepção ou “criação” da obra de arte. para designar uma nova tendência pictórica que não estaria fundada sobre uma base filosófica ou política qualquer. Em meados dos anos 70. além do islandês Erró (1932-). 84 . dos quadrinhos à imagem animada (cinema e televisão). os alemães Peter Klassen (1935-) e Jan Voss (1936-). Peter Campus (1937-) e Bill Viola (1951-). apontam-se: os franceses Bernard Rancillac (1931-). o italiano Gianni Colombo (193793). Esta Nova Figuração faria uso dos mais diversos meios de expressão. o essencial não estaria na automatização da fase de produção. imperceptíveis no seu aspecto visual. nada mais natural que os progressos muito rápidos verificados no campo dos computadores levassem os artistas a realizar certos esboços de criação artificial. - Figuração Narrativa (1965) Termo criado pelo crítico francês Gerald GassiotTalabot (1929-2002). um dos responsáveis pela mostra Bande Dessinée et Figuration Narrative (1965). Hervé Télémaque (1937-). vistas panorâmicas. utilizando-se o computador como ferramenta artística. Antonio Recalcati (1938-) e Mario Ceroli (1938-). inclusive aqueles de pensar ou de criar. Objetos de arte por computador são produzidos geralmente com aparelhos de emissão (out-put). inclusive recaindo na Video Art. entre outros. mas perceptíveis no seu desenvolvimento modificável. Entre seus maiores expoentes. plotters e alto-falantes. mas corresponderia a um modo de expressão artística que implicaria. Se são as máquinas de infomação que determinam cada vez mais nossos atos.Arte Permutacional (1970) A Teoria Informacional da Percepção Estética acabou incluenciando as artes plásticas contemporâneas que evoluíram das artes ótica e cinética para os novos rumos da Computer Art (Arte por Computador). às vezes. Influenciado por essas novas mídias da Era da Informação. o alemão Manfred Mohn (1938-) e os americanos Ronald Davis (1937-) e Joseph Nechvatal (1951-). passou-se a construir uma multiplicidade de formas novas a partir de um número limitado de elementos. e os italianos Valerio Adami (1935-). o francês François Morellet (1926-). em uma referência à dimensão temporal na elaboração da tela por aquele que a olha. Martial Raysse (1936-). Michel Macreau (1935-97). Jacques Monory (1934-). no seu aspecto temporal.

ligada aos problemas contemporâneos. 2002). esse estilo foi a negação dos próprios princípios modernistas. a arquitetura havia perdido sua especificidade disciplinar e seu caráter de mediação concreta entre a sociedade e determinada época (tempo) e lugar (espaço). Segundo o PÓS-MODERNISMO. com a Revolução Industrial (1750-1830). os arquitetos modernistas homogenizaram e despersonalizaram o ambiente construído na maioria dos lugares. individualidade e pureza. esse movimento não se considera contra o modernismo propriamente dito. Mies van der Rohe e Walter Gropius (1969). mas numa cultura incapaz de evolução e renovação. mas sim na geometria (formas primárias). Le Corbusier (1965). Em sua opinião. o International Style (COLIN. ele teria destruído uma continuidade morfológica da arquitetura. assumindo uma posição de reabilitar a história. em uma análise que “despedaçava” o todo em busca de uma equivalente mental. cuja influência na sociedade começou a diminuir nos anos 60. e não uma arquitetura cristalizada em valores formais e conceituais. que reúne uma série de experiências que mantêm diferenças apostas entre si. já que não colocava a origem de qualquer forma espacial na choça ou cabana pré-histórica. Assim.  Calhou ao modernismo uma ideologia organizada pela pequena coletividade intelectual das nações mais desenvolvidas. os quais pregavam uma arquitetura libertadora. Ele tornou-se insubstituível como a própria palavra “moderno”. A série de críticas à arquitetura resultante deste processo embasou o MOVIMENTO PÓS-MODERNO.  O pensamento funcionalista teria se perpetualizado através de uma ideologia de constante mudança sobre si mesmo para o novo. o que resultou na desorientação urbana e na falta de representatividade e alienação de culturas milenares. que significava a sua superação e o repúdio de uma continuidade. Ele não cumpriu a promessa de criar uma nova sociedade e reinventar a arquitetura sobre bases racionais. como na tradição teórica do classicismo. Limitava-se sim à experiência dos grandes mestres. ignorando a totalidade da realidade ambiental. separando a arquitetura da sua tradição material e local para aquela que seria resultado da mistura entre gênio. Além disso.15 PÓS-MODERNISMO O MODERNISMO em arquitetura pode ser considerado um movimento utópico e vanguardista. vital e dinâmica. segundo os críticos pós-modernos. para aquilo que é garantido por ser produto de uma invenção ou mesmo um ato criativo (MONTANER. que estabelecia um conjunto de regras universais para a pesquisa arquitetônica. do qual é estágio de sua evolução iniciada desde o século XVIII. criando apenas mais um estilo. desmembrava as coisas em partes. ao conjunto estilístico-formal que resultou do período entre-guerras. ou seja. reestabelecendo uma continuidade com as experiências do passado antigo e moderno. inclusive pela perda de direção moral e espiritual representada pela morte de seus principais mestres: Frank Lloyd Wright (1959).  Embora o termo “pós-moderno” contenha a idéia de ruptura com o moderno. no caso da arquitetura. 85 . não se indagava as modificações do ambiente visual e da cultura de imagens organizadas pelo impulso de novas realidades sobre a consciência e a produção coletiva. ou seja. Daí os críticos da segunda metade do século XX passarem a adotar o termo “pósmoderno”. superestimava a contribuição de grandes personalidades criativas e diminuía ou anulava o contributo coletivo para a transformação da cidade e o valor da cultura dos lugares. Centralizava a produção na arquitetura. Isto resultava numa revolução de idéias e métodos. O FUNCIONALISMO. Para os pós-modernos. mas sim. No fundo. mas que têm em comum a idéia de revitalizar a arquitetura como arte. 2004). como antítese ao INTERNATIONAL STYLE.

Como marco do pós-modernismo na arquitetura. em especial naqueles que delimitaram sua gênese com obras provocativas. que não vinham mais atender à logica do sistema. e Perry Anderson (1940-). EUA e Japão). 86 .  Suas bases teóricas concentraramse na filosofia. CD’s. cinema e música. 1997). Sua característica mais expressiva seria a diversidade de aproximação e tratamento dos problemas. formado por um conjunto de ecossistemas do qual o homem faz parte e é responsável pela manutenção de seu equilíbrio. passa a existir uma grande inter-influência entre os arquitetos de todo mundo devido aos meios de comunicação de massa (mass media). a arquitetura (JAMESON. O abandono de grandes modelos filosóficos explicativos. no qual constatava a “morte” do modernismo. a dança. em todos os níveis. além do filósofo francês Jean Baudrillard (1929-). através de Post-modernism (1991). que passa a fazer parte da realidade: a natureza passa a ser vista como algo limitado. diferente do International Style e do funcionalismo dos CIAM’s. do plano estético ao sócio-político. a música. como crítica da cultura ocidental.Em termos gerais. o teatro. em St. obra de Minoru Yamazaki (1912-86). recuperando certas dimensões que o modernismo havia desprezado. através de La condition post-moderne (1979). Fredric Jameson (1934-). paisagístico ou urbanístico. não centralizado nas reais exigências humanas.  Na arquitetura. particularizando este momento histórico em relação a toda história da humanidade. etc. DVD’s. Louis EUA. outros pensadores reforçaram a “condição pós-moderna”. tanto material como culturalmente. que se referia à natureza virtual ou irreal da cultura contemporânea (CASTELNOU.  Segundo alguns autores. e no cotidiano programado pela tecnociência (LYOTARD. alastrando-se na moda. da memória ou do ornamento. 2002). além da necessidade de se romper com os 9 valores universalizantes do projeto moderno foram as premissas assumidas pelos teóricos do PÓSMODERNISMO. finalmente. biotecnologia. resultado da progressiva crise ambiental. o qual se pretendia unitário e integrador. Guiado pela publicidade e marketing. vindo romper com padrões em vigor. Reagindo ao estabelecimento de um modelo universal. laser.  Despertar ecológico. e amadureceu nos anos 80 e 90. Ironicamente. estabelecia como marco o dia 15/07/72. em relação aos ideais universais do início do século XX. com seu The condition of postmodernity (1989). como as questões do contexto. estas teriam sido as principais causas do MOVIMENTO PÓS-MODERNO na arquitetura:  Descontentamento generalizado diante da estética e do pensamento modernos. mas em um mítico homem moderno. em 1977. desde os anos 50. Ela nasceu com a arquitetura neorealista na década de 1950 e tomou corpo com a Pop Art nos anos 60. 1997). com The origins of postmodernity (1998). como o francês Jean-François Lyotard (1924-1998). que se tornou famoso por seus conceitos de hiperrealidade. nas artes e nas sociedades avançadas a partir da segunda metade do século XX. o PÓSMODERNISMO influenciou a arte. desta vez mais voltada ao consumo (arquitetura como bem-de-consumo) e aos reflexos dos mass media (influências decisivas do marketing). Cresceu ao entrar na filosofia durante a década de 1970. a moda. A relação forma/função alterna-se com a relação forma/conteúdo. os pósmodernos se empenham em ressaltar diferenças (SANTOS. o ambiente pós-moderno é dominado pela tecnociência (PC’s. tais como David Harvey (1935-). representado pela maior conscientização da importância do passado e da memória para a manutenção da identidade cultural e limitação do desperdício energético (boom das revitalizações e reciclagens). cujo significado é muito mais perturbador que anteriormente. onde a tecnologia eletrônica passa a manipular a sociedade de massa através da saturação de informações.  Despertar histórico. Na Era da Informação. a literatura. em que apontava o crescente afastamento do Ocidente. a PÓS-MODERNIDADE passou a marcar as profundas contradições e ambiguidades do ato de produção arquitetônica no contexto social da atualidade. as correntes contemporâneas tentariam resgatar o status da profissão do arquiteto. 9 Ao mesmo tempo. pois passa a haver a intervenção de outros parâmetros diversos no projeto arquitetônico. 2005). os quais se autolegitimavam e supervalorizavam um alcance global. Charles Jencks (1939-) lançou seu livro The language of post-modern architecture. que vai influenciar todo o processo de produção e uso da arquitetura (Era da Informação).) aplicada à informação e comunicação. o design e. Além dele. PÓS-MODERNIDADE é o nome aplicado às mudanças ocorridas nas ciências.  Evolução tecnológica decorrente dos avanços trazidos pela informática. às 3h32min. diversões e serviços. por ocasião da demolição do Complexo Habitacional de Pruitt-Igoe (1955/61). em uma era de mutação e de busca. Típico das sociedades pós-industriais (Europa.

da prática contextual e/ou do retorno a tradições vernaculares. aborda as tendências que discutem uma nova modernidade. d) Um papel determinante que as transformações ambientais em seu conjunto tem sobre a produção cultural “oficial”. não reconhecendo gostos e tradições diversas da arte erudita. mas mantendo sua relação com a tecnologia. mediados por instituições e formas de agregamentos sociais novas. do país possibilitou uma discussão nacional sobre a cidade como lugar do coletivo. Exemplificam-se com os minimalistas e os desconstrutivistas. houve uma (re) aproximação entre a cultura popular e a erudita. adaptando-o a novas perspectivas. em um importante catalisador do debate cultural italiano entre as décadas de 1950 e 1960. a saber:  PÓS-MODERNISMO propriamente dito: projetando-se mais para o passado. 87 . entre outros. b) Uma produção coletiva de obras de interesse estético e que está ligada a processos subjetivos. São seus expoentes os tecnicistas e os brutalistas. Genova e Torino). MILÃO) NEO-REALISMO O ambiente italiano do segundo pós-guerra foi bastante propício ao debate crítico sobre a arquitetura e urbanismo modernos. que se converteu. criou-se em Milão o Movimiento Studi per l’Architettura – MSA. a reconstrução política. a arquitetura moderna. onde se passou a buscar uma reintegração à cotidianidade dos indivíduos. que devem ser reconhecidas e analisadas como fatores de identidade. que é produto de novos sinais e formas resultantes de novas necessidades e desejos da sociedade atual. As várias correntes que conformam o MOVIMENTO PÓS-MODERNO podem ser agrupadas. econômica e social. através de seus arquitetos e urbanistas.  NEOMODERNISMO: Retomando a relação com o presente. junto à revista Casabella. materializada através dos meios de informação e comunicação de massa. através de programas de renovação urbana. o que se intensificou com o NEOREALISMO. dispersando-a e tornando-as conjuntos de edifícios separados por amplas áreas verdes. incorporando questões como identidade cultural. que demoliram edifícios antigos para construir outros de qualidade geralmente inferior (atividade onerosa). ela teria falhado em vários pontos:  Eliminou a escala humana das cidades tradicionais. inclusive a “banal” – e não só a de “elite” –. Na opinião dos críticos pós-modernos. reflexão ecológica e tecnologia avançada. não mais representável esquematicamente como o “universo da máquina”. as premissas metodológicas da arquitetura e cidade pós-modernas foram as constatações por parte dos arquitetos da existência de: a) Diversas e diferentes culturas no mundo atual. Depois do período da ditadura fascista. mas influenciou a arte e a arquitetura. resgatando a relação com a história através do ornamento simbólico. a matéria e a técnica. os quais se diferenciam de acordo com a postura que mantêm em relação ao modernismo.  Impôs. que ignora tudo que a precedeu ou a circunda. nas quais os espaços públicos perderam seu significado devido à padronização. reúne as tendências que negam a arquitetura modernista. seus valores sobre os dos clientes. tirou da forma seu caráter simbólico e transferiu-o para a função. expressão da sociedade livre e patrimônio da cultura. a corrente neorealista foi relativamente efêmera.Com o PÓS-MODERNISMO. mostrou com o tempo ser a mais interessante para o uso do especulador imobiliário. TORRE VELASCA (1951/57. engloba as tendências que dão continuidade ao pensamento moderno. concretizando uma relação de simultânea influência entre o produtor cultural e a população em geral.  Falhou na tentativa de criar soluções de qualidade para o problema da habitação coletiva. em 03 (três) grupos. Segundo FISCHER (1985).  De bases romanas. Inicialmente proposta como a nova linguagem do proletariado. destacando valores populares que. c) Uma civilização industrial já madura. Destacamse os formalistas e os contextualistas. revestiu-se de um caráter mais elitista e dedicado à recuperação dos materiais e configurações neoracionalistas. Em 1944. no norte da Itália (Milano.  ULTRA ou TARDOMODERNISMO: Projetandose incisamente para o futuro. funcionalidade e universalismo. na sua busca pela simplificação e pureza.  Para PORTOGHESI (2002). mas como um conjunto contraditório e dinâmico. destruindo o estoque imobiliário.  Instituiu uma linguagem purista e autoreferente. em termos gerais. colocando em lados opostos o trabalho humano e o trabalho da máquina. presença histórica.

e sua relação com a sociedade e a produção industrial. através da superação do “esquematismo” abstrato da sua linguagem. o que se tornou comum a outros planos urbanísticos desenvolvidos nas décadas seguintes. segundo as diretrizes do Partido Comunista Italiano e dirigido por Pier Luigi Cervellati (1936-). cujas concepções sobre cultura e arte.  ERNESTO N. empregando os conceitos fundamentais de tipo. recusando-se a separar teoria e realidade. As idéias de Muratori repercutiram em Roma e seu método de trabalho. Diante da grande variedade de formas existentes. 1983). onde iniciou uma série de pesquisas. embora tenham sido realizados dentro do método racionalista. Dos mestres. contextualizando-o com a realidade italiana. Em 1952. influenciou muitos trabalhos de renovação urbana. cujo esforço foi para construir uma teoria da arquitetura que respondesse às exigências internas da disciplina e que. o marco histórico das iniciativas de REVITALIZAÇÃO URBANA e de criação de uma legislação para evitar as transformações de caráter espontâneo. a adotar o método tipo-morfológico para a análise da arquitetura e do projeto urbano. que promoveu a recuperação do centro histórico dessa cidade no Norte da Itália. 2002). reintegrando-se projeto e cidade. o qual tinha sido perdido com o modernismo. entre os quais Giancarlo Cataldi e Gian Luigi Maffei. Rogers participou. Enzo Bonfatti (1932-). Manfredo Tafuri (1935-94). fundamentadas em um estudo meticuloso sobre a evolução das formas e tipologias existentes no tecido urbano. Essa geração pós-moderna entendia a arquitetura como processo de conhecimento. Um de seus conceitos fundamentais foi a idéia de préexistências ambientais. devia-se aprender seus ensinamentos morais e metodológicos. incluindo os nomes dos contextualistas: Carlo Aymonino (1926-). culturais e políticos que a oposição esquerdista propôs como resposta ao crescimento do capitalismo do pós-guerra. mais do que suas propostas formais.  SAVERIO MURATORI (1910-73): Arquiteto italiano que foi o primeiro. Tratou-se de um plano implementado pelo governo municipal. 10 Considera-se a Operazione Bologna. tanto as naturais como aquelas criadas historicamente pelo homem. A partir de seu livro Progetto e destino (1965). acabando por levar ao progressivo empobrecimento da prática arquitetônica. Aldo Rossi (193197). ou mesmo na profícua experiência da OPERAZIONE BOLOGNA10. difundiu a expressão “tipologia arquitetônica” (tipologia architettonica). retomando o significado da área central como elemento irradiador de toda a ordenação urbana (CASTELNOU.Em meados dos anos 50. como aqueles empreendidos por Gianfranco Caniggia (1933-87) na análise da cidade de Como. tornaram-se básicas para sustentar muitas idéias pós-modernas. tornou-se catedrático em Veneza. objetivo e verificável. publicadas em Studi per una storia operante urbana di Venezia (1959). baseado na pesquisa histórica. procurou definir critérios para a identificação e sua classificação em algumas categorias analíticas. Milão. a uma visão global da arte e arquitetura. 2007). incorporando a história no projeto. ao mesmo tempo. defendendo que suas utopias e propostas universais deviam se atualizar com o modo de pensar e viver do seu tempo. conduzida por colegas e ex-alunos. Vittorio Gregotti (1927-).  Os arquitetos da Nuova Tendenza consideravam a HISTÓRIA como meio de reforçar o senso de continuidade da prática arquitetônica. adotaram referencias historicistas. em 1963. seus artigos tornaram-se referências para a cultura arquitetônica italiana dada a enorme coerência e lucidez de suas propostas. surgiu um grupo de arquitetos que resultou no movimento NUOVA TENDENZA. Giorgio Grassi (1935-). classificando a crítica e história como instrumentos de projeto (MONTANER. que.  GIULIO CARLO ARGAN (1909-92): Arquiteto e teórico italiano. integrando-a. Franco Purini (1941-) e Massimo Scolari (1943-). entre 1939 e 1969 – junto a Gian Luigi Banfi (1910-45). entre 1953 e 1964. consistindo em um conjunto de ações para a conservação do centro histórico de Bolonha. como a Torre Velasca (1951/57. grupo que se empenhou em atualizar o repertório modernista. A herança muratoriana do uso de procedimentos tipológicos acabou influenciando muitos projetos urbanos em cidades italianas e do norte da África. 88 . se alinhasse com os objetivos sociais. por meio da clareza de critérios metodológicos. nas quais reexaminou o centro da cidade. Esta geração empenhou-se em associar teoria e prática. Lombardia). além da idéia de planejar novos edifícios como continuidade da cultura construtiva do lugar. Lodovico Barbiano di Belgiojoso (1909-2004) e Enrico Peressutti (1908-76) – do STUDIO BBPR. Insistiu na perda da qualidade conceitual da cultura atual em função do pragmatismo e na defesa do artesanato (Storia dell’arte come storia della città. nos anos 50. O grupo realizou grande número de edifícios residenciais. criando uma nova estrutura teórica para a compreensão sistemática das leis históricas que deveriam ser aplicadas na arquitetura.  Uma terceira geração de arquitetos italianos acabou incorporando o estudo tipo-morfológico proposto pelo NEO-REALISMO dos anos 50 e 60 em seus trabalhos. acabando por influenciar a geração de arquitetos que introduziu a revisão dos princípios modernistas. Gae Aulenti (1927-). estas compreendidas como “presenças respeitosas” da cidade tradicional. organismo e história operante. escreveu alguns ensaios onde surgiram os conceitos de cidades como organismos vivos e como trabalhos coletivos de arte. ROGERS (1909-69): Arquiteto e editor da revista Casabella-Continuitá. Entre 1944 e 1946. A Operazione Bologna recolocou o centro histórico como definidor da política urbana da cidade como um todo. que negava ter referências culturais baseadas em raízes históricas. tecido. em fins dos anos 60.

frontões. 1997). o FORMALISMO pós-moderno mostrou uma concepção arquitetônica que acentuava a forma frente ao conteúdo.  Grafismo: Fascinação pelo poder evocativo de desenhos e maquetes. ironia e provocação. 1997). uso de convenções. os arquitetos formalistas usavam elementos inspirados na arquitetura popular e comercial de modo provocativo e atraente. que encontrou o apogeu entre 1966 e 1978. à volta de aberturas isoladas e ao emprego de elementos estilísticos. tendendo ao fechamento volumétrico.  Elitismo: Pré-definição do público-alvo e dos parâmetros de conforto e qualidade do ambiente construído. provocando surpresas e influindo no gosto. cúpulas e galerias. tais como arcos. às vezes em prol de significados simbólicos (metáforas) nem sempre legíveis aos leigos (JENCKS. já que é rico em significados e conotações simbólicas. isto é. Propagava a desconfiança para com o funcionalismo. passava a ser determinada estritamente pelas considerações estético-formais. os formalistas ainda usam muito o concreto armado. originalidade e importância de suas criações artísticas. na maior parte transformados através de uma estilização e/ou mudança de materiais. reforçando a idéia de estilo. os pósmodernistas formalistas perceberam a força criativa contida nos estilos do passado e ornamentos históricos.  O ORNAMENTO (plástica secundária) foi redescoberto e novamente aplicado pelos pós-modernistas porque. Na busca de efeitos cenográficos.  Sua arquitetura. fazendo uso amaneirado de suas soluções. em especial a composição modular como suporte para invenções decorativas. faziam uma cínica abdicação da função.  Interessados na produção massiva. que se expressava através de metáforas. Certos de que a arquitetura moderna deveria ser ultrapassada. ornamentalismo. expandindo-os para grande parte da sociedade e redirecionando a atenção arquitetônica para a história. a ARQUITETURA FORMALISTA voltava-se para a simbiose de efeitos compositivos. de vocabulário e princípios próprios e de uma linguagem simbólica. plenos de significados e distantes historicamente – bem mais do que os modernos – e. a cerâmica e a madeira. portanto. 89 . Além disto. sinais e aspectos emblemáticos.  Levantava expectativas. através da idéia de conseguir o máximo pelo mínimo esforço. menos preocupados em romper com o passado eclético. ênfase no tratamento gráfico.  Ajudava a reinterpretar a história.  Vanguardismo: Crença na beleza. absorviam os pressupostos da POP ART dos anos 50/60. materiais estes associados aos tradicionais. especialmente a pedra.16 FORMALISMO Corrente tipicamente norte-americana.  Hedonismo: Culto ao prazer e à beleza. para eles:  Tratava-se de um elemento formal que cria beleza e modifica espaços. Influenciados pela Teoria da Comunicação. Estes são associados a formas modernas e aos signos da sociedade de massa.  Os fundamentos gerais do FORMALISMO concentram-se em:  Formalismo: Preocupação quase absoluta com o aspecto visual da obra. policromia. tudo com a intenção de transmitir uma tensão entre estes elementos na mesma obra. Especulando formas sem ter motivos diretos para isso. na sociedade de consumo e nas leis mercadológicas – e inclusive no Kitsch –. vidro e aço. o ornamento e o ideal contemporâneo de beleza.  Antifuncionalismo: Rejeição da estética funcionalista e da idéia de proeminência da função utilitária. valorizava mais os invólucros que a essência. colunas. a ARQUITETURA FORMALISTA adota elementos do passado. à formação plástica de partes isoladas. anti-universalismo. comodismo. Enquanto o Movimento Moderno (1915/45) abandonou a decoração naturalista para modificar toda a arquitetura. os pósmodernos formalistas rechaçavam a arquitetura racional e objetiva sendo muito mais românticos e subjetivos. fachadismo. depurando-a e partindo assim do zero. que inevitavelmente se transformaram em referências ao passado (JENCKS. Inspirando-se na história.

fachada principal.As principais características da linguagem arquitetônica formalista eram: a) Buscava a criação de lugares ao invés de espaços. para ela. psíquicas e culturais do indivíduo. cor. A maior crítica sobre os formalistas recaiu no fato dos mesmos muitas vezes acabarem produzindo um NOVO ECLETISMO pela miscelânea estilística. atual Sony Building (1978/82. etc. baseava-se na criação de cenários. A ARQUITETURA FORMALISTA alterou a fórmula de que a forma segue a função. que defendia uma arquitetura complexa e contraditória.   90 .1977). realizada no Museum of Modern Art – MoMA de Nova York. que propunha uma atitude mais consistente com seu tempo. propondo a livre escolha da forma para satisfazer a função de modo criativo. Apresentando um decorativismo explícito. A solução da forma não nasce do problema utilitário. além das superfícies verticais e do ornamento simbólico. pois. guiadas por condicionantes funcionais. da autoria de Philip Johnson (19062005). A partir da década de 1970 e. de Charles Jecks (1939-). solucionando a forma mediante questões de gosto. comercial. organizada por Arthur Drexler (1925-). evitando empréstismos formais ou citações gratuitas de outro tempo ou lugar. O PÓS-MODERNISMO FORMAL incluiu uma diversidade de abordagens que abandonam o paternalismo e o utopismo de seu predecessor. auxiliada pelo conhecimento cultural.  Foram estes os principais acontecimentos. p. o “belo desenho”. mas que tinham uma linguagem duplamente codificada: parte moderna e parte não. ritmo e equilíbrio axial) e configurações espaciais (uso de ornatos e ênfase da fachada principal). uma vez que não usava os mesmos materiais e formas em toda ou qualquer parte do mundo.). Aqui. textura. a nostalgia e a memória. ambíguas e incoerentes). que resgatou a beleza e o poder de atração das convenmções arquitetônicas (simetria. etc. clima e topografia. que provocaram a difusão das idéias do FORMALISMO a partir dos anos 60 e 70:  A publicação de Complexity and Contradiction in Architecture (1966). apontando o valor estético da ambigüidade (presença simultânea de vários caracteres arquitetônicos) e da provocação (potencial comunicativo da transgressão e da ironia). que afeta outra mercadoria. uso de eixos. o conceito de função ampliase do conteúdo utilitário para as necessidades físicas. propiciador de redundância e de tensão (uso de formas contraditórias. New York). As razões dessa dupla codificação eram tanto tecnológicas quanto semióticas: os arquitetos procuravam usar a tecnologia atual. mas é criada na imaginação do arquiteto. e o impacto causado pelo uso de elementos historicistas no projeto do AT&T Building. d) Recriava códigos formais existentes do passado. mas pretendiam também se comunicar com um público em geral. o que provocou algum alvoroço na mídia. a arquitetura. que constatava o fim da arquitetura moderna. que estabelece associações simbólicas tão sutis que. articulação formal. principalmente 1980. e) Dava mais ênfase à representação do que propriamente à obra construída. Learning from Las Vegas (1972). na área da arquitetura. não raro.  O arquiteto formalista quer compor imagens que tenham a força de estímulos ao provocar emoções e reações no observador. reaproveitava elementos ornamentais de outros estilos eruditos e inspiração na arquitetura nãooficial (popular. b) Tinha uma atitude mais liberal para com a relação forma/função. c) Enfatizava a sensação estética subjetiva (emoção) em detrimento aos aspectos objetivos. podendo assim contrariar todas as normas ortodoxas que faziam a “boa forma” no modernismo (COLIN. de Robert Venturi (1925-). seguiu-se outro. ESPAÇO MODERNO (Abstração geométrica e anônima) Determinado por relações matemáticas e geométricas. A repercussão do livro The Language of PostModern Architecture (1977). A exposição The Architecture of the École des Beaux-Arts (1975. 2004). qualidade de iluminação. estruturais e/ou funcionais (razão). Pretendendo ser sedutora e efêmera. etc. transformando determinados princípios de ordenação (simetria. esta segue a moda. o gosto. começou a haver maior preocupação com o contexto da obra.). só ele próprio torna-se capaz de refazer. técnicas e econômicas X LUGAR PÓS-MODERNO (Local específico associado à cultura e à história) Determinado por elementos como material. daí a realização de várias exposições: o veículo de seu discurso era o desenho de arquitetura transformado em mercadoria. além de enfatizar o conteúdo histórico da arquitetura – vista como forma de comunicação –. Tanto o coroamento com frontão chipendale como a base com arco e colunata não possuíam justificativas funcionais. kitsch. A este livro. determinações subjetivas e associações simbólicas.

aprendendo com ele seu sentido de temporalidade. Univ. de Michigan). a arquitetura circundava o corpo e. e a partir de então a John H. quando. Foram estes os maiores expoentes norteamericanos da arquitetura formalista:  PHILIP C. Foi fundanmental a contribuição de seeu livro Complexity and contradiction in architecture (1966) Principais obras: Associação de Enfermeiros de Nort Penn (1960/62. St. Guild House (1960/63. Cruz).  ROBERT VENTURI (1925-): Arquiteto norteamericano que trabalhou até 1958 com Louis I. Portland OR). passou a procurar induzir a reativação de configurações do passado nas formas presentes. A maioria dos arquitetos formalistas começou então a depurar suas formas. Monica) e sua obra-prima Piazza d’Italia (1977/79. segundo ele.) e Newark Museum (1990. 91 . Assim. como as realizadas para Disney. além do Bervely Hills Civic Center (1992. Juntamente com sua esposa. passou a utilizar transformações complexas de imagens antigas. Nova York). Nantucket MA) e Tucker House (1975. tornando-a permeável a montagens irreverentes e criando espaços festivos cheios de provocações inusitadas. ávida por novidades formais. Chestnut Hill PA). passando a buscar a revitalização de arquétipos clássicos e empréstimos históricos de várias fontes. através de molduras e frisos. Katonah NY). o esgotamento das formas decorativas acabou acontecendo. Através de sua obra. graças ao seu conhecimento histórico. ou seja. Sta. Ambler PA). Kahn (1901-74). N. um espaço determinado e qualificado somente atingido a partir da presença ativa do homem. New York City) e Centro NCNB (1984. resultado de um processo de apropriação ao qual a arquitetura dá um valor de rito. inserindo-se assim no formalismo pós-moderno. e de John Rauch (1930-). Mother’s House (1962/65. Formado em Harvard.  MICHAEL GRAVES (1934-): Arquiteto norteamericano que foi o primeiro a abandonar o novo dogmatismo dos whites.Alguns dos formalistas ou neo-realistas americanos ficaram conhecidos como GRISES – em contraposição ao neopurismo dos WHITES* – e. associou-se a Richard T. da obtenção de uma beleza artificial e gratuita através da estilização histórica e do ornamento simbólico. Para ele. através de um tom romântico e saudosista que não negava as formas do passado. a cidade-território e a consciência ambiental. Univ. Depois da sua famosa Glass House (1949. expressa. Já em meados dos anos 70. girava sua arquitetura em torno do conceito de “lugar”. de 1964 a 1967. Houston TX. buscando a anulação da “falsidade modernista” através da criação da crise de sua eficiência. frontões partidos. Destacaram-se as seguintes obras: Krege College (1971. Foster (1919-2002). São obras suas: Ponte-Centro Cultural FargoMoorhead (1977. deveria ser pensada como pano de fundo de uma ação complexa. portanto. Trubek House (1971/72. buscando uma direção que. fosse capaz de exprimir uma grande beleza que pudesse ser apreciada por gerações futuras. da California. Orleans). Filadélfia PA). completando a analogia cenográfica. a partir de 1976. cada um num determinado ponto do percurso. AT&T Building. mas belo por causar o efeito de sublime. Denise Scott Brown (1931-).  CHARLES W. com base em academicismos. colunas e porticados. a perda de fé em um só princípio de integração. Seus espaços eram definidos como uma série de bastidores colocados de maneiras diferentes. ou seja. Burns House (1974. Burgee (1933-). como era de se esperar em uma sociedade de consumo. MOORE (1925-1993): Arquiteto norte-americano influenciado pelas idéias de Frank Lloyd Wright sobre o continuum urbano. Humana Corporation Building (1983. Minnesota). New Canaan CT). faziam sua releitura. Los Angeles CA) e a Lurie Tower (1995. tentou superar a arquitetura miesiana. entre outras. Houston TX). atual Sony Building (1978/82. buscando novas justificativas no ambiente em que suas obras se inseriam e dialogavam. c/John Burgee). Passou então a se utilizar do arco por considerá-lo um elemento contraposto ao utilitário no sentido construtivo. Louisville KY. O humor é parte integrante das obras de Graves. como o Art Déco e o vernáculo. parecendo uma celebração do Kitsch. isto é. optando por estudar arquitetura somente em fins dos anos 30. através de sua obra. JOHNSON (1906-2005): Arquiteto e crítico de arte norte-americano que inicialmente foi influenciado pela disciplina de Mies. Edifício de Serviços Públicos (1982. Iniciando com reelaborações neoplásticas. Outras obras: Penzzoil Place (1976. Moore procurou um centro vital do espaço habitativo e da função das paredes internas como diafragmas desenhados a luz e cor.

Hagmann em 1969. podem ser citados os seguintes arquitetos:  JAMES F.  CHARLES JENCKS (1939-): Arquiteto e crítico norte-americano em cujo livro The language of post-modern architecture (1977). Projetou-se através das obras da cadeia de Lojas de Departamentos BEST (1974. Hamden CT). Stuttgart Staatsgalerie (1977/84). Framingham MA). permeiava seus projetos de elementos simbólicos e ironia. Hiroshima. Houston TX). Los Angeles CA). Sacramento CA. a arquitetura é uma arte essencialmente comunicativa.  STANLEY TIGERMAN (1930-): Arquiteto norteamericano que se utilizava de metáforas abusivas e de representações explícitas. Todas suas obras têm uma qualidade linear e um rigoroso controle gramatical. cada qual descrevendo um problema – seja de “espaço” seja de “evento” – que ocorre repetidamente em nosso ambiente e que possibilita uma infinidade de combinações. inspirando-se na informática e na ecologia. etc. 1977) e Elemental House (1980/82. buildings. por serem suas regulamentações locais mais específicas. 1977. ROBERT A. metáforas anatômicas. Japão). edifícios e até jardins. Aos poucos. a Daisy House (1976/77. Boston MA). faz alusões históricas. Performing Arts Center da Cornell University (1983/88. Principais obras: Indeterminate Façade Showroom (1975. 92 . Chicago IL). em Berkeley. Associou-se em 1971 a Michael Wilford (1938-). Berlim). Armonk NY) e Point West Place (1983/85. Seus projetos desafiavam consistentemente a uniformidade do ambiente construído. Ghost Parking Lot (1978. etc.  CHRISTOPHER W. Em seus livros New directions in american architecture (1969) e Modern Classicism (1988). Sua principal obra A pattern language: towns. A partir da constatação de que as cidades medievais eram mais atrativas e harmoniosas. Ithaca NY) e a Bibliothèque de France (1988. influenciada pelo historicismo pós-moderno. procurando criar um elo de comunicação que consistiria no primeiro passo pós-moderno. bairros. na qual os edifícios devem ser simbólicos e os projetos processos de assimilação cultural. Alexander sugeria métodos e regras para designs mais belos e seguros. como a de fazer rir o usuário. partindo para uma arquitetura mais formalista. tque se tornou mundialmente famoso por suas contribuições teóricas. higiene ambiental e pureza de valor absoluto). M. Buscando razões lúbricas. Leicester. Seu trabalho procurou fundir a eloqüência visual do NY5 com o recurso desinibido e radical à memória das raízes americanas. Em conjunto com seus colegas do Center for Environmental Structure. Forest Building (1980. muitas vezes consideradas vulgares pelos críticos. Obras de destaque: Casa Própria em Westchester County (1974/76. c/James Gowan). defendia o classicismo pós-moderno. contrastes de cores e superfícies. tornando-se célebre com o prédio da Faculdade de Engenharia da Universidade (1959/63. Cambridge). Paris). como com as obras do búlgaro-americano Javacheff Christo (1935-) ou Robert Smithson (1938-). associando-se a John S. Embasando sua arquitetura no respeito ao contexto local. Centro de Ciências ou Wissenschaftszentrum (1979/87. ornamentação simplificadas. mobiliário e maçanetas. apresentou e validou um sistema arquitetônico ou pattern language (linguagem de padrões) que possibilitava qualquer um a projetar e construir em qualquer escala. STIRLING (1928-92): Arquiteto britânico que começou bastante influenciado pelo brutalismo. Londres). cujo nome significa Sculpture in the Environmet. Highway 86 da Exposição Universal de Vancouver de 1986 e Four Continents Bridge (1989. Suas obras de destaque são a Hot Dog House (1975/76. construction (1976) descrevia esta prática arquitetônica através de uma gramática generativa. Henrico VA). preocupando-se com a escala e tipologia do entorno de suas obras. Voltando a atenção dos arquitetos para a construção popular. confiando no poder da memória combinada com os novos usos. defendendo assim o saber popular. Fez uso de símbolos fálicos. Chicago IL). assim como a existênciado do mito da reforma social através da arquitetura. sua arquitetura intentava ser provocativa e até ridícula. Estabelecendo um paralelo entre arquitetura e escultura. Houston TX. Clore Gallery (1980/86. faz ainda referências à memória coletiva e à influência decisiva do usuário sobre o produto arquitetônico: Garagia Rotunda (Wellfleet MA. Rustic Canyon. procurava dar uma visão alternativa da arquitetura atual. ALEXANDER (1936-): Arquiteto de origem austríaca e professor da Universidade da Califórnia. Destacam-se: Biblioteca da Faculdade de História (1964/67.). Para ele. através de elaborações cenográficas e releituras coloniais. Indiana) e os Pensacola Place II Apartments (1978/81. Através de suas obras. aplicáveis da escala da cidade inteira. aponta a referência moderna constante a um número reduzido de conteúdos (racionalização da máquina e produção industrial. ele chegou a uma coleção de 235 “padrões”. Sackler Museum (1979/84. STERN (1939-): Arquiteto norteamericano que foi aluno de Venturi em Yale e trabalhou com Richard Meier. adquiriu maior sensibilidade contextual.  SITE GROUP (1970): Fundado pelos artistas plásticos norte-americanos James Wines (1932-) e Alison Sky (1946-). Entre os representantes do FORMALISMO pós-moderno na Europa. evitando a revolução política.

9999 (1967) e Global Tool (1973). difundiu-se o pós-modernismo. politizado e experimental. pela maior reflexão histórica e consciência ambiental. Através de grupos de Milão como o Studio Alchimia (1976/91) e o Gruppo Memphis (1981/88). o japonês Masanori Umeda (1941-). Em escala e conceito. trabalhando com ornamentos não-convencionais. constata que arquitetura moderna como estilo de uma época ou expressão de uma civilização tecnológica morreu. Em seu livro Dopo l’architettura moderna (1984). UFO (1967). grafismo. 1959/60). Saint-Quentin-enYvelines. 1997). o espanhol Javier Mariscal (1950-) e o austro-italiano Matteo Thun (1952-). RADICAL DESIGN Na área do desenho industrial. que pode se realizar em proporções exageradas. A partir da atuação de grupos como os de Turim Strum (1963) e Libidarch (1971). França) e Residencial de Abraxas (1978/82. Viena). Paris). Procura dar novas funções a formas antigas. usava cores ousadas e até ultrajantes. Städtisches Museum Abteiberg (1976/82. PAOLO PORTOGHESI (1931-): Arquiteto e crítico italiano. entre outros. Marne-la-Vallée). Além de do austríaco Ettore Sottsass (1917-2007). que surgiu na Itália em finais dos anos 60. suas principais características são a teatralização. seus maiores representantes italianos foram: Riccardo Dalisi (1931-). etc. frontões partidos. celebrada em Milão em 1970. recorrendo assim à história como fonte de inspiração. inspirando-se no kitsch e no ecletismo histórico. utiliza-se de uma ornamentação construída. tais como símbolos esotéricos e componentes kistch. Entre os expoentes estrangeiros. Andorra). Altamente crítico da tecnologia avançada e do consumismo. como galerias envidraçadas. espontâneos e criativos marcados pelo decorativismo. que tentava alterar a percepção geral do modernismo através de propostas e projeções utópicas. Alessandro Mendini (1931-). o ANTIDESIGN propunha o design da evasão. Em suas obras. Para ele. 93 . de bases brutalistas. Principais obras: Remodelação da Prefeitura de Perchtoldsdorf (1975/76).  HANS HOLLEIN (1934-): Arquiteto austríaco. Algumas obras: Projeto de Xanadu (1968).  A EURODOMUS 3. pois se prestam a um tratamento ornamental através da colagem simbólica de elementos e a intenção de criar um espaço desfrutável ao invés de um invólucro anônimo. Superestudio (1966). atacou o que se considerava de “bom gosto”. Residencial Les Arcades du Lac (1974/81. simbolismo. tridimensional. principalmente através de grupos italianos que exploraram o neo-historicismo. Mönchengladbach) e Museu de Arte Moderna de Frankfurt (1982/91). cuja principal característica é o ornamentalismo da produção massiva através de um estilo clássico monumental (Classicismo pós-moderno). criando objetos provocadores.  RICARDO BOFILL LEVI (1939-): Arquiteto espanhol. que iniciou seus primeiros trabalhos no final dos anos 60 como designer de interiores influenciado pela Pop Art. 1970) e Esboços para o Centro Comercial de Vallo di Diano (1980). ornamentação e ironia. Seu otimismo construtivo deve ser substituído. Charles Jencks e Peter Shire (1947-). que foi fundamental nas décadas de 1970 e 1980. os de Florença Archizoom Associatti (1966/74). entre outros (TAMBINI. em sua opinião. que desenvolveu importante papel como propagador de idéia. “a arquitetura é uma ordem espiritual que se faz realidade ao se construir”. a corrente pós-moderna formalista recebeu a denominação de RADICAL DESIGN ou Anti-Design. a tendência formalista passou cada vez mais a rejeitar os princípios racionais do modernismo e valorizar a expressão criativa individual no design. o uso de curvas barrocas e a exibição de formas rústicas. citam-se os norte-americanos Michael Graves. colunatas e arcadas. Como projetista. Casa Papanice (Roma. utilizando decorações como catalisadores de reações fantásticas e empregando formas naturais e históricas. Inspirando-se numa variedade eclética de fontes – do clássico à Pop Art e do Art Déco ao Kitsch –. permitiu apreciar novas avaliações do sentido decorativo dos móveis e dos objetos de uso cotidiano com forte intervenção de designers e uma particular atenção ao delineamento global da sala de estar que pode ser considerada como o núcleo da vivenda moderna. suas obras encontram-se a meio caminho entre arquitetura e mobiliário.  Com seu amadurecimento e difusão. dando mais ênfase ao visual e significado do objeto do que para seu uso. o qual defende o uso de tecnologias locais na finalidade de se obter novas formas. Formando o Taller de Arquitectura com Anna Bofill Levi (1944-). Piero Gatti (1940-) e Michelle De Lucchi (1952-). Projeto para a Ponte de Meritxal (1974. O RADICAL DESIGN foi um movimento teórico. Remodelação de Les Halles (1974/77. Principais obras: Casa Baldi (Roma. Andrea Branzi (1938-). resgatando a relação do homem comn a natureza. Agência de Viagens Austrian Airlines (1976/78. busca significados extravagantes.

e Celebration Disney (1997). da Merrill. expondo com o Studio Alchimia. Em arquitetura. e Cherry Hill Village. entre outros pós-modernos. da qual participaram Sottsass e Branzi. em Mashpee MA. 1969). próximo a Orlando FL. juntamente com Gilberto Corretti (1941-). criou a escola livre e experimental Global Tool. reafirmando conceitos antes menosprezados pelos modernos. Addison Circle. que eram contra o esquematismo. É conhecido pelo seu enfoque muldisciplinar. entre muitas outras (N. que nos anos 60 trabalhou com vários projetos experimentais de arte programa e cinética. propôs um desenho que desenvolvesse as potencialidades humanas mais além das necessidades técnicas. formas imaginativas em contraposição ao racionalismo e ao rigor funcionalista da Escola de Ulm. a circulação viária e a segregação funcionalespacial. excentricidade e ornamentalismo foram fundamentais na internacionalização do pós-modernismo. que apresentou uma nova abordagem urbanística sobre a criação e a remodelação das comunidades norte-americanas. destacase a Estante Suvretta (1982). Entre seus trabalhos. Pastor & Colgan (1990).). quando criou a série de cadeira Up. 1968. em Orlando FL. Mendini. 94 . a cadeira Animali Domestici (1985) e as cerâmicas para o Memphis. além de Gaetano Pesce (1939-) e outros.  ALESSANDRO MENDINI (1931-): Arquiteto e designer italiano muito influenciado pelas teorias de Robert Venturi. Nos anos 60. em Loreto CA. principalmente pela necessidade de recuperar a capacidade significativa do design. em Hillsboro OR. Criando formas vitais e lúdicas que opunham-se à frialdade da produção em série. suas propostas – como Seaside FL (1981) e Kentlands MD (1988). Suas fantasias formais e seus desenhos converteram-se paulatinamente em objetos. Mais tarde formou STUDIO ALCHIMIA (1976/91). em Rockville MD. destacam-se a: Poltrona de Proust (1978). além de Alexander. recebeu influências do Expressionismo Abstrato e da Pop Art. 11  GAETANO PESCE (1939-): Arquiteto e radical designer italiano. King Farm. a padronização e a supressão de valores culturais particulares em prol de modelos universais. Tal postura fez florescer nos anos 80 o NEW URBANISM MOVEMENT. além de outros conjuntos urbanos. Serenbe. Entre seus produtos. baseavam-se em:  Criação de “realidades” agradáveis (fuga dos problemas urbanos). criou um design mais racional para a Zanotta. Nos anos 80.A. a Cadeira Joe Colombo (1978). The Cotton District. Massimo Morozzi (1941-) e Paolo Deganello (1940-). introduzindo uma visão totalmente renovadora e desinibida do repertório industrial. Nos anos 90. pois enfatizava a criação de áreas novas. memória. Mashpee Commons. principalmente dos anos 80 em diante nos EUA. como Windsor Palms. em Montgomery AL. Em 1981. perceptiva e simbólica de todo objeto ou espaço. Archizoom. Celebration. predominam a epiderme – a película sensual. M. em Memphis TN. Sofá Tramonto a New York (1980) e cadeira Umbrella (1992/95). identidade. em Palmetto GA.  Desenvolvimento de modos de controle e segregação (território da exclusão) 11. Outras obras: Golgotha Suite (1973). lugar. Harbor Town. Começou a produzir mobiliário em 1968. Orenco Station. 1999). depois de abandonar o Studio Alchimia de A. Também chamado de Urbanismo Neo-Tradicionalista. Duany (1949-) e sua esposa Elizabeth Plater-Zyberk (1953-). Em 1973. Produziu muitas peças de mobiliário que tiveram grande influência (cadeiras Safari. ETTORE SOTTSASS (1917-2007): Designer austríaco que foi o primeiro europeu a utilizar. tais como Haile Village Center. Loreto Bay.  Tendo como seus maiores expoentes os arquitetos Andrés M. uso misto e qualidade ambiental (ELLIN. nos anos 50. tais como: comunidade.  ANDREA BRANZI (1938-): Arquiteto e designer italiano que foi co-fundador em 1966 do grupo de Radical Design. Estabeleceu-se em Milão em 1979. Em seu trabalho. como a cadeira Niccola (1992) NEW URBANISM MOVEMENT Para seus críticos. criou a No-Stop City (1972). de Robert A. a Cadeira Dorifora (1984) e o Museu de Arquitetura em Groningen (1990.  Reconstituição de ambientes do passado (uso de estilos múltiplos e grande variabilidade ambiental). em Canton MI. Holanda). Stern (1939-). em Addison TX. em Starkville MS. a estante Magnolia (1985). aglutinador de todo tipo de experiências no campo do desenho formalista.  Proliferação de comunidades fechadas criadas em pequena escala.  Ênfase em questões como segurança. Várias comunidades foram concebidas a partir destes pressupostos. Sottsass fundou em Milão o GRUPPO MEMPHIS (1981/88). nos EUA –. suas idéias foram inspiradas por Jacobs e Lynch. e Mies. Seu aspecto vibrante. conforto e tranqüilidade (sociabilidade vigiada). além de escrever artigos para a revista Casabella. móveis e casas. em Gainesville FL. incorporando mitos e símbolos para ampliar o marco da liberdade do indivíduo. o modernismo teve sua parte de responsabilidade na deterioração ocorrida nas cidades contemporâneas. Essa corrente pós-moderna passou a defender a requalificação e a revalorização de áreas urbanas através do resgate de formas e traçados tradicionais. aproximando-o dos gostos do usuário e da identidade com o ser humano. Defende que a arquitetura e o design são uma “representação da realidade e um documento dos tempos”. produziu o sofá Century (1982). The Waters.

Inicialmente. através do Gruppo Nuova Tendenza.  Liderada por Aldo Rossi (1931-97). foram os primeiros a discutir a questão da presença histórica e suas relações com a arquitetura moderna. além de contribuir com inovações ligadas à própria identidade e heterogeneidade de cada sociedade. Os italianos.  A partir dos anos 60 e 70.17 CONTEXTUALISMO O PÓS-MODERNISMO CONTEXTUAL não se apresentou como uma teoria que queria substituir o formalismo. a maior atenção à forma e a recuperação da autonomia da arquitetura enquanto profissão. A TEORIA CONTEXTUALISTA não representa uma particularidade exclusiva do pós-modernismo. eles apóiam a reflexão histórica. seus defensores fizeram pesquisas de materiais e tecnologias tradicioniais. que defendia o neorealismo e a adaptabilidade à tradição do lugar e às pré-existências ambientais. o despertar de uma nova sensibilidade e a recuperação da TRADIÇÃO. através da recuperação da presença histórica. cultural e histórica. mas como se orienta de forma historicista. as quais recaíram no Neo-Liberty. que se encontram no local onde a obra está inserida: trata-se do diálogo arquitetônico com o ambiente. Aos poucos. 2006). ocorreu a refutação das abstrações modernistas e do exotismo formalista. Trata-se de uma postura que outorga um lugar proeminente à TRADIÇÃO na qual se atua e o marco cultural geral do qual se situa a nova obra. 1997). menosprezados. não é também uma continuidade do modernismo. não conseguiam reconhecer a beleza que existia no artesanato e na relação do homem com a natureza. utilizando formas.  Existe assim uma convincente incorporação ao entorno e uma multiplicidade de elementos repletos de simbologias. Ela defende uma arquitetura que associa elementos tradicionais e contemporâneos. ao antiformalismo e à abertura multidisciplinar.  Para alguns. Contrários ao ahistoricismo. Considera-se PRÁTICA CONTEXTUAL a contaminação ou influência dos elementos e métodos típicos da linguagem moderna com elementos do repertório tradicional. técnicas e procedimentos tradicionais. utilizando-se de materiais. além da reutilização autônoma de estruturas antigas e uma exploração de “arquétipos” através de composições de uma ambigüidade substancial. mudaram a ênfase das questões ditas técnicas para as relações entre o espaço construído e a sociedade. além de releituras de formas e configurações urbanas. graças à rejeição do reducionismo formal e material do modernismo (JENCKS. Se os modernos haviam se maravilhado com a indústria. em uma perspectiva mais cultural e abstrata. materiais. preferindo uma arquitetura que dialogasse com seu entorno e sua comunidade local. reafirmando e valorizando harmoniosamente a força e a integridade de cada elemento construtivo. o funcionalismo passou a ser analisado sem preconceitos e se teorizou sobre uma arquitetura que fizesse uma releitura provocativa e estimulante dos monumentos do passado. é considerado uma revalorização da cultura arquitetônica. Mais tarde. e criando sua legitimidade formal (CASTELNOU. os contextualistas propõem soluções que se “encaixam” ao CONTEXTO. já em meados da década de 1960. Preocupados com a conservação de fortíssimos traços da condição natural. o que levou a um CONTEXTUALISMO RACIONAL que tentava explorar a contradição aparente entre uma geometria rigorosa – de bases classicistas – e o entorno cultural e/ou histórico. assim como da tipologia arquitetônica. texturas e cores para criar contrastes e combinações. tornando-se assim uma influência libertadora no meio profissional. sendo uma continuação das idéias do italiano Ernesto Nathan Rogers (1906-69). 95 . cabendo aos pósmodernos o resgate do “prazer” da arquitetura como arte. mas sim como a superação dos seus próprios problemas. Os arquitetos contextualistas aceitam a sociedade industrializada. essa vertente italiana contextualista voltou-se para o estudo morfológico da cidade. mas lhe dão uma concepção que ultrapassa à da Sociedade da Máquina.

além de Maurice M. O CONTEXTUALISMO intentava que a arquitetura voltasse a se situar entre os bens culturais do homem. cuja forma não era apenas uma conseqüência da função. o NEO-REALISMO sublinhou a importância da memória histórica. com Il significato delle città (1975). mas Rossi foi o primeiro a admitir a impossibilidade de desenvolvimento do Neo-Liberty fixando-se em “um mundo rígido e de poucos objetos”. Cerasi (1933-) e Manfredo Tafuri (1935-94). a morfologia urbana e a percepção ambiental (uma nova estruturação da paisagem a partiur de um processo operativo humano que afronta o espaço geográfico). no sentido concreto e fenomenológico da palavra. verificando se estes poderiam ser avaliados enquanto constantes no tempo e nas diversas condições históricas. que deveriam ser captadas pelo arquiteto contextualista. Projetando grandes conjuntos industriais e centros universitários. com Territorio della architettura (1966). Giorgio Grassi (1935-). etc. Enzo Bonfatti (1932-). como Vittorio Gregotti (1927-). entendendo-a como a criação de lugares significativos. esforça-se em entender a arquitetura como fato cultural que se fundamenta na sua capacidade em intervir no território para propor uma prática de absorção de elementos regionais. centro x periferia. em seu livro Collage City (1984). tais como: Luigi Moretti (1907-73). mas reflexo de condicionantes locais e culturais. Em seu livro Il significato delle città (1975). defendendo a reintegração do originário programa racionalista acrescentado pela preocupação contextual. retomou a teoria dos contrates urbanos que colocava os monumentos em oposição a um pano de fundo e criou uma série de conceitos para nortearem qualquer intervenção urbana. Luigi Snozzi (1932-). Seu livro L’Architettura della città (1966) classificava a cidade como um sistema espacial com experiência própria. como: regular x irregular. 2007). que colocava a cultura do lugar (genius loci) no centro do processo projetual. Colin Rowe (1920-99). Concentrando seu estudo nas praças – os elementos formadores e espaços coletivos por excelência. voltado a um método de análise do que à mera categorização. que permitia a intrevenção em espaços já existentes. outros teóricos vieram contribuir com seus estudos. a teoria contextualista serviu de crítica ao formalismo pós-moderno e encontrou novos fundamentos em uma vertente anglo-saxônica que se desenvolveu principalmente por meio dos estudos da Universidade de Cornell. diz que o significado da cidade. Aymonino concluiu que a cidade possui significado se puder ser encontrada uma relação precisa e homogênea entre sua forma urbana e a escala dos seus edifícios-símbolo (monumentos integrados na paisagem que são componentes validados pela experiência da cidade). é que se pode conseguir compreender o verdadeiro significado das cidades e promover uma atuação conscienciosa. Outro destaque foi a contribuição de Christian Norberg-Schulz (1926-2000). etc.Promovendo um diálogo entre os conhecimentos tradicionais e os modernos.  O pensamento de Aldo Rossi (193197) influenciou vários arquitetos italianos. possível de ser aplicado nas áreas cinzentas da estrutura urbana. acreditando que as formas de intervenção deverão variar conforme a escala. embora sempre inovando e controlando o resultado enquanto produto arquitetônico. formal x informal. e Carlo Aymonino (1926-). Em paralelo. Em seu livro Territorio della architettura (1966). Por exemplo. Franco Purini (1941-) e Massimo Scolari (1943-). Com base no neo-historicismo de Louis Kahn (1901-74). Ithaca NY. que são a máxima expressão da dimensão cívica e pública das cidades –. praças. Basicamente. bairros. Identificou 03 (três) disciplinas que auxiliariam o arquiteto: a geografia (descrição global de todas as partes que compõem um ambiente físico. preocupava-se mais com a sua qualidade e diferenciava-se pelo seu conceito de desenho aberto. somente a partir de uma série de análises específicas. sem atribuições estéticas). capazes de definir as transformações urbanas através dos tempos como testemunhas físicas de condicionamentos socioeconômicos. Uma das suas mais fortes motivações consistia em projetar dentro dos gostos da comunidade.). Dando à tipologia um caráter mais instrumental. 96 . que passaram a aplicar suas idéias contextualistas em seus projetos. Para ele. em seu âmbito físico. deriva da relação entre a análise morfológica do conjunto e a classificação tipológica dos seus componentes. procurou estabelecer uma relação entre morfologia e significado. esta corrente firmou-se por meio de estudos sobre a maneira em que as cidades formavam vários binários que lhe davam legibilidade e identidade: a oposição figura/fundo no tecido urbano. Carlo Aymonino (1926-) Arquiteto italiano cuja importância está no estudo que fez das relações existentes entre as características morfológicas da cidade e as identidades tipológicas de alguns fatos edilícios (prédios.  Com sua difusão internacional. entre outros (CASTELNOU. a partir dos anos 70 e 80. Seguindo a linha de Rossi. Gregotti apresentou propostas mais concretas e intensas que muitos de seus colegas da Nuova Tendenza. levantou todas as dualidades existentes na cidade. Vittorio Gregotti (1927-) Arquiteto italiano que abandonou a temática do neorealismo (Neo-Liberty) no final dos anos 50 pela vontade de se opor à desagregação pluralista do modernismo. Gregotti indaga-se em relação às dificuldades impostas pelas diferentes escalas ao projetar.

A ausência de estrutura ou elementos de referência leva à alienação do usuário: a identidade do usuário pressupõe a identidade do lugar em que ele habita. porém identifica aquelas escolas regionais recentes. seu caráter (o conjunto de características físico-geográficas e socioculturais – linguagem. tais como a memória. em especial devido à aspiração generalizada por uma forma de independência cultural. c) Contaminação e distorção das formas a partir do contato com o entorno. CONTEXTUALISMO CULTURAL Corrente pós-modernista que concebe o contexto como algo abstrato. teórico e historiador norueguês que foi aluno de Siegfried Giedion (1888-1968) e que propôs uma abordagem fenomenológica do ambiente e da interação entre lugar e identidade. cujo objetivo principal é o de refletir e servir aos limitados elementos constitutivos em que se baseiam.  Subdividido em 02 (duas) vertentes – o cultural e o físico –. tipologias e suas simbologias. 2002). através da continuidade visual-espacial. b) Leitura original. propõe uma releitura provocativa e estimulante da paisagem. resgatando em 1979 o conceito de Genius Loci (“espírito do lugar”). assim como a construção de cidades. em uma soma não-aritmética do sítio com a história. 2001). baseando-se na combinação entre centralidade e longitudinalidade. Seus maiores expoentes são os seguintes: 97 . Manter qualquer cultura autêntica no futuro irá depender da capacidade de gerar formas vitais de cultura regional enquanto se apropria de influências estrangeiras. procura impor elementos e teorias invariáveis (atemporais). incentivado pelos programas de renovação urbana e de habitação social que proliferam na Itália nos anos 60.  De acordo com FRAMPTON (2000). a tradição em usos e costumes. O encerramento seria a qualidade mais evidente do lugar artificial. hábitos e arquitetura – que caracterizam um lugar ou cidade). estas retiradas da geometria e da história. substituindo o sistema de zonning moderno por relações de figura-e-fundo. da cultura. procurando harmonizar-se com ele. mas sim algo que precisa. com forte vontade autoritária e racional São caraterísticas dessa vertente: a) Resgate da dimensão cultural da cidade. Ao mesmo tempo. já que é “a cidade que produz a arquitetura e não o inverso” (ROSSI. busca se opor à uniformização/unificação (padronização) da cultural geral. econômica e política de determinadas sociedades em relação ao centrismo do processo de universalização (COLIN. respondendo a ele e servindo de transição. o qual estaria relacionado ao que governa um locus simbólico para determinada comunidade. Ainda atuante. É justamente isto que a TEORIA REGIONALISTA se propõe. transformando-os. do mito e do artesanato como se produzia de forma espontânea. d) Reitegração da imagem urbana. projetando do espaço externo para o interno. Não se pode encarar a cultura regional de cada nação ou povo como algo dado e relativamente imutável. baseada na transformação volumétrica dos espaços interiores e na utilização autônoma de estruturas formais. pelo menos atualmente. Norberg-Schulz reforça a idéia de que o principal objetivo do arquiteto é transformar um sítio em um lugar. intensificada a partir dos anos 70. a convivência cívica e a conscientização política (MONTANER. Esta abordagem do espaço existiu desde os tempos romanos – para os quais nullus locus sine genio ("nenhum lugar é sem um gênio"). ou seja. através de um novo sentido de urbanidade (urbano definido pela presença física de objetos que mantêm relações de continuidade entre si) e de contextualidade histórica. linhas e áreas. além de buscar a criação de espaços que permitam a afirmação da identidade cultural. o CONTEXTUALISMO constitiui-se em uma corrente contrária à tendência de uma “civilização universal” (globalização). ser cultivado de forma autoconsciente. o termo REGIONALISMO CRÍTICO não se refere ao vernacular tal como era produzido antigamente pela interação combinada do clima. provocativa e estimulante de monumentos. através de estratégias de assimilação e reinterpretação do moderno.Christian Norberg-Schulz (1926-2000) Arquiteto. a da ARQUITETURA REGIONALISTA. sendo sua estrutura definida por nós. Deve-se compreender o contexto urbano. etc. 2004). na qual se privilegia um mesmo tipo de arquitetura e. Partindo do pressuposto de que o meio influencia os seres humanos. inicialmente explorando as potencialidades oferecidas pelo meio ambiente.  Baseado no uso e transformação de FORMAS ARQUETÍPICAS (configurações arquitetônicas básicas extraídas do passado). o que resulta na absorção de elementos ou aspectos mais abstratos do entorno – diga-se culturais. tem sua segunda versão. mas havia sido ignorada pelos modernos para ser retomada pelos pós-modernos. mantendo sua identidade no mundo globalizado.

Posteriormente. Fukuoka.  Os norte-americanos rejeitam a cidade. KAHN (1901-74): Arquiteto russoamericano formado na Pennsylvania. no qual procurava identificar imagens mentais da memória coletiva. onde se conservam fortes traços da condição natural. Para ele. Biblioteca/ Refeitório da Phillips Exeter Academy (1967/72. Eles mantêm uma relação física com o sítio (topografia. Sua arquitetura caracterizou-se pela aguda sensibilidade das variações espaciais e do hábil manejo da luz. como Carlo Aymonino (1926-) e Giorgio Grassi (1935-). Berlim). Teatro Del Mondo (1979/80. Teatro Carlo Felice (1983/91. Entre 1947 e 1957. Conhecido como o ”poeta das instituições”. entendia a arquitetura como a meditada construção de espaços que evocassem um sentimento de uso. sendo algumas de suas estruturas atemporais. sendo um todoo inseparável. Muratori e seus contemporâneos as preocupações historicistas. a questão do contexto coloca-se de forma concreta (forma física da área onde se intervém). o contexto nada mais é do que um sistema geométrico. Gênova) e Hotel Il Palazzo (1988/90. gerada pela desconfiança e temor no seu confronto. Charles Moore e Robert E. Para eles. que era repensada em função das atividades que ali deveriam ocorrer. conformada por paredes de usufruto de todos. Itália). caminhou para uma rigidez geométrica cada vez maior. geografia e paisagem natural). 98 . Dacca). devido à paixão intelectual pelo rigor loosiano e miesiano. simetria. Seu principal interesse girava em torno da questão da moradia e sua relação com o contexto urbano. Seu livro L’Architettura della città (Arquitetura da cidade. a beleza era determinada pela integridade. onde se tornou professor. a arquitetura seria a referência fixa da vida. campo de relações quase matemáticas. Stern). tiradas da geometria através do filtro da história.. LOUIS I. sendo assim “deformada” e “adaptada”. Maiores obras: Cemitério de San Cataldo (1971/84. fazia referência a um mundo idealizado. New Hampshire EUA). dando um caráter quase ritual à operação compositiva. a forma adaptava-se às funções que deveria satisfazer (se o modelo não fosse compatível. a praça era englobada pela rua. a escolha arquitetônica partia de uma forma retirada do repertório da memória e da geometria elementar. New Haven CT). defendia a definição de uma idéia sintética que desse origem à forma. Modena. recorrendo a seus conhecimentos pessoais. obra conjunta com Aldo Rossi. feito de formas volumétricas puras e rigorosamente geométricas. traduzindo-as a partir de critérios de ordem compositiva e de abstrações das formas clássicas. pois ao invés de partir da decomposição de funções. Formulou um programa de redução baseado em formas elementais (arquétipos). aos poucos.  GIORGIO GRASSI (1935-): Arquiteto italiano fundamentado na discussão neo-realista. lembrando os desenhos de Massimo Scolari (1943-) e a estética de De Chirico (1888-1978): objetos ideais. Univ. Richards Medical Research Center. Residencial Friedrichstadt (1981/88. realizando uma série de desenhos intitulada Casa Romana (1978/79). compactuando com Rogers. o ato de projetar era um ato criativo individual baseado em valores intersubjetivos e resultado de uma inspiração pessoal para determinada atividade humana. para eles. Conn. Veneza). incorporando a memória histórica e a tipologia urbana. paisagens abandonadas e ambientes sinistramente vazios. Nova Capital de Bangladesh (1962/74. No urbanismo. era necessário buscar uma nova forma). mas têm mais liberdade de decifrá-lo nas suas leis constitutivas e tipológicas. Japão). norte-americanos e latino-americanos:  Os europeus identificam-se com a cidade e. revolucionou a metodologia funcionalista. Para ele. Filadélfia). perfeição. Alcune forma della casa (1979) e L’Architettura didactica (1980).  FRANCO PURINI (1941-): Arquiteto italiano formado pela Universidade de Roma em 1971. Assim. perfeito e atemporal. Kahn acreditava na unidade entre opostos e no diálogo entre técnica e estética. fato urbano por excelência. Kahn foi professor na Universidade de Yale. influenciando toda uma geração de arquitetos. Trabalhou em conjunto com sua esposa Laura Thermes (1943-).M. da Pennsylvania (1957/64. feito de espaços determinados. tomando-a como algo virtual e abstrato. edifícios com identidade e volumetria próprias. publicou os livros Luogo e Progetto (1976). Defendia uma metodologia de projeto em que se relaciona a obra aos monumentos. principalmente os chamados grises (Robert Venturi. Maiores exemplos: Galeria de Arte de Yale (1951/53. participando de muitos concursos nacionais e internacionais. também reformulou conceitos: via a rua como espaço comunitário. que é considerado o grande precursor do contextualismo norte-americano. Em suas obras. New Haven. 1966) introduziu as preocupações contextualistas do pós-modernismo arquitetônico. Para ele. representando o poder e a harmonia entre homens. Identificou diferenças entre as concepções de contexto nos europeus.  Os latino-americanos têm com a cidade uma relação muito complexa e ambígua. e os edifícios eram espaços interiores em prol do bem-estar do homem (retomada do conceito de limite entre espaços). sublinhando aspectos como se quisessem desafiar a cidade. através da releitura de suas formas e significados.  ALDO ROSSI (1931-97): Arquiteto italiano inicialmente neo-realista que. Autor de inúmeros ensaios e artigos. proporções e luz. Destaca-se a Residência de Estudantes em Chieti (1976/80). podendo se transformar ao longo de distintas culturas. Filadélfia. com quem chegou a trabalhar. Para ele.

cujos elementos primários seriam a rua e a praça. criou ornamentos abstratos. Suíça). Fukuoka). Takasaki). Entre os trabalhos de Rob Krier. iniciou trabalhando nas linhas brutalista e neo-expressionista. cores e materiais. tais como escalas. Casa em Preggassona (1979/80.) e paras as vias Condotte e Corso de Rione (1978. devido a sua convicção que a perda da cidade histórica só pode ser compensada pelas “cidades em miniatura”. interferindo na ordem oriental. para depois questionar o contexto de seus edifícios. West Hollywood. A partir dos anos 70. Bunker Hill Project (1980. no entanto. Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles (1983). Traz de volta as axonometrias modernas frias e geométricas. Barcelona. Na década de 60. tendo sido inicialmente influenciado pelos metabolistas. Seus maiores trabalhos foram: Convento dos Capuchinos (1976/79. aparecem as referências simbólicas do contexto.). Sevilla. sacrificar sua identidade própria. desde os anos 60. contornos. Inicialmente. Londres GB) e os projetos particpantes dos concursos para o Parc de La Villette (1976. Luxemburgo). A partir do jogo inteligente de rasgos e aberturas.  ARATA ISOZAKI (1931-): Arquiteto japonês. indicadores de limites ou fronteiras. World Financial Center (1982/87. Espanha) e o Centro de Conferências Kitakyuschu (1990. Frankfurt). propõem o resgate de valores barrocos (dinamismo e variedade) e traçados neoclássicos de áreas verdes. Hotel Berlim (1980).Identificando-se com o contextualismo racional. Berlim) e Edifício da Administração da Feira de Frankfurt (1983/5). Suíça). NYC). Osaka). Los Angeles CA). Houston) e Canary Wharf Tower (1989/91. que foi aluno e depois trabalhou com Kenzo Tange (1913-2005). Os irmãos Krier defendem a criação de bairros ou distritos como unidades autônomas. assim como restrições aos automóveis – optando por garagens subterrâneas – para priorizar as ruas e as praças aos pedestres. Zona Central e Jardim de Inverno de Niagara Falls (1976/78). partem da idéia de articular espaços urbanos contínuos como volumes que fluem entre si e criam um entorno de edifícios visando a criação de ágoras. o Museo Nacional de Arte Romano de Mérida (1980/86) e o Edifício da Previsión Española (1982/87. onde trabalhou no escritório de Eero Saarinen. como um traçado mais orgânico. Ampliação do New York Museum of Modern Art (1977/84). Centro Artesanal de Balerna (1977/79.  CESAR PELLI (1926-): Arquiteto argentino emigrado para os EUA em 1950. Barcelona e também nos EUA. o Edifício Urumea (1969/73. Fortemente críticos ao modernismo. além dos terraços e galerias. A partir dos anos 70. ROB (1938-) & LEON KRIER (1946-): Arquitetos britânicos que têm em comum a paixão pela cidade européia entendida como continum. colocou que o prazer criativo estava na recombinação e transformação de temas. quando também abriu escritório próprio nesta cidade. Berlim) e os Novos Bairros do Mercado Comum Europeu (1978. Já as maiores obras de Leon são: as Royal Ment Square Houses (1974. Banco Estatal de Friburgo (1977/82. Obras: Embaixada Alemã no Vaticano (1965). formal e politicamente. reforçando suas bases racionalistas. Museu Alemão de Arquitetura (1979/84. destacam-se a Plaza de Toros de Pamplona (1966/67). trabalhou com VICTOR GRUEN (1903-1980) e. respondeu ao anonimato moderno através de uma arquitetura de referências.  OSWALD MATHIAS UNGERS (1926-2007): Arquiteto alemão em cuja obra. Prefeitura de Gifu (1975/77). principalmente em termos tecnológicos. sua arquitetura caracteriza-se pelo respeito às condições topográficas e à sensibilidade regional. Suíça). suas casas funcionam como marcos na paisagem. Depois. A partir de 1984. buscava voltar à neutralidade de Mies. Complexo Residencial na Lützowplatz (1983. Paris Fr. Londres). além de miolos de quadra públicos e semipúblicos. Londres GB). Buscando construções de boa qualidade técnica e preocupações de conforto ambiental. Absorveu elementos clássicos e formas plásticas do ocidente. Los Angeles). Palau d’Esports Sant Jordi (1988/91.). Em seu livro Arquitetura como tema (1982). Centro Cívico de Tsukuba (1980/83). através da renúncia ao efeito visual. De 1968 a 1976. Entre seus trabalhos. a Prefeitura de Logroño (1976/81).  MARIO BOTTA (1943-): Arquiteto suíço cuja obra apoia-se no gosto pela geometria pura através de um classicismo primitivo. em 1977. onde dirigiu a Escola de Design da Universidade de Harvard. 99 . Combinando superfícies metálicas planas com pesados arcos de concretos. em uma tentativa inversa a dos monofuncionalistas. Ticino). Principais obras: Pacific Design Center (1971/76. projetando edifícios formados por grandes volumes e superfícies nuas. projeta a partir de referenciais do contexto. assim como mini-cidades dentro da cidade-mãe. destacam-se a Praça do Complexo Residencial de Tower Bridge (1974. Lugano).  JOSÉ RAFAEL MONEO (1937-): Arquiteto espanhol tendo sido professor em Madrid. em relação aos quais os monumentos exerceriam a função de pontos de referência. Suas obras integram-se perfeitamente ao contexto sem. evoluiu para repetições de estruturas prismáticas. ao mesmo tempo em que usa metáforas a partir da reestruturação dos métodos de produção e dos elementos históricos ou contextuais. assumiu a direção da Faculdade de Arquitetura da Yale University (New Haven. dedica-se somente a projetos. Roma It. Conn. adotou fórmulas pós-modernas e um sentido historicista que o fez buscar nos elementos da arquitetura local a inspiração de algumas de suas obras. unida à ênfase na qualidade de execução e na ordem geométrica. San Sebastián). Espanha). Four Leaf Towers (1983/85. o Ritterstrabe (1977/80. Principais obras: Museu da Prefeitura de Gunma (1971/74. Tem uma preocupação constante com “construir o lugar”. e Casa Rotunda em Stabio (1981. Assim. como nos projetos da Biblioteca da Prefeitura de Oita (1962/66) e no Ambiente Cibernético da Expo 70 (1966/70.

Aos poucos. despontaram nas experiências da Bay Área School. a relação com o lugar deve ser uma constante. Em seu trabalho. mas sem o idealismo e objetivo liberal de melhoria social. Berlim). Tempe AZ). Chicago IL). composto por valores reais e concretos. e não como a redução do ambiente a uma série de episódios cenográficos e/ou racionalmente ordenados. Considerada como uma espécie de REGIONALISMO. inspirando-se na arquitetura anônima e típica de determinada região. transformando materiais e técnicas existentes no entorno. Obras mais importantes: Nelson Fine Arts Center. contornos e cores. tentando conectar presente e passado. a força dos espaços e as qualidades abstratas. orientação. as sensações de calor. a história e o vernáculo. as estruturas construtivas. possuindo alto sentido ecológico e procurando resgatando formas regionais de vida. e na obra de Harwell Hamilton Harris (1903-90). França) e a California Polytechnic University (1993. São caraterísticas dessa corrente: a) Busca de efeitos emocionais através da continuidade das tradições. inclusive texturas. associando-os a técnicas modernas. ANTOINE PREDOCK (1936-): Arquiteto norteamericano graduado pela Columbia University em 1962 e estabelecendo-se em 1967 em Albuquerque. senão menosprezados em prol de uma arquitetura internacional e universal. opondo-se à tendência de substituir a experiência pela informação: tornase sensível a percepções complementares como os níveis de luz. ventilação. CONTEXTUALISMO FÍSICO Corrente pós-modernista que concebe o contexto como algo não-abstrato.  HELMUT JAHN (1940-): Arquiteto alemão emigrado para os EUA em 1966. tais como disposições espaciais. onde se estabeleceu em conjunto com a C. freqüentemente acompanhada de historicismo vernacular.  Baseia-se na TRADIÇÃO LOCAL. que são associados a práticas convencionais e até vernaculares. fundada por William Wilson Wurster (1895-1973). visando o barateamento e a “democratização” da arquitetura.I. Kansas City MO). Para ele. agenciamentos e formatos. b) Valorização tanto do táctil como do visual. Chicago IL) e Sony Center (1995. aumentando a flexibilidade de seus projetos. além de símbolos que remetem a conteúdos históricos e culturais do sítio onde a obra se insere. o que favorece a realização da arquitetura como um fato tectônico – original e único –. Contra o formalismo pós-moderno. Ligase a tendências nacionalistas que fazem a pesquisa de técnicas de construção alternativas. Preocupa-se assim com a conservação de fortíssimos traços da condição natural e regional. Marnele-Vallée. trata-se de uma teoria que busca resgatar valores antes ocultos pela prática moderna. Illinois State Center (1985. técnicas construtivas e materiais naturais. no Novo México. Arizona State University (1986/89. além de relações geométricas e morfológicas. Lecionou na UCLA e na California State Polytechnic University. já que tem consciência de que o ambiente pode ser vivenciado em outros termos. Faz então uso de compenetrações de códigos sutis.). e usando-os nos novos edifícios como elementos. Richard Neutra (1892-1970) e Rudolph Schindler (1887-1953). foi abandonando a doutrina modernista para abraçar uma filosofia que valoriza o caráter intuitivo da criação racionalista. projetando alguns edifícios nos anos 60 com a conhecida expressão geométrica miesiana. Zuber House (1986/89. como cornijamento e frontão. Principais obras: Kemper Arena (1974. Pomona CA). A partir da década de 1960. Foi aluno de Mies van der Rohe no I. Southern Tower Bank (1982. cores. e a incorporção da mão-de-obra local. atuando principalmente na região sudoeste dos EUA. no sul da Califórnia. como Frank Lloyd Wright (18671959). Adotou finalmente uma linguagem variável.. perceptíveis através de técnicas e materiais. principalmente em renovações/revitalizações de centros históricos. Através do contextualismo. F. d) Combinação freqüente entre os novos materiais industriais e muito da sensibilidade moderna.  Nos EUA. Hotel Santa Fé. não visa copiar formas do passado. eixos de ordenação. que busca a relação do edifício com seu entorno. Sede da Rust-Oleum (1978. mas sim o sentimento. não somente através da visão. e) Emprego de elementos referenciais ao entorno próximo. Houston TX). Euro Disney (1992. MURPHY Associates em Chicago. Phoenix AZ). 100 . as preocupações regionalistas já se mostravam no trabalho dos arquitetos organicistas.T. umidade e deslocamento do ar. etc. isolamento. bem como a diversidade dos aromas e sons produzidos por materiais diferentes c) Ênfase em questões relacionadas ao conforto ambiental (iluminação. interessa-se mais pelo conteúdo e espírito da história. marcadas pelo uso minucioso e extremamente arquetípico de formas históricas. faz experiências com sistemas construtivos tradicionais.

o que é acentuado pelo uso dos materiais tradicionais (tijolos refratários. Barcelona) e Casa Canovelles (1979/81. Esplugues de Llobregat (1982/87. que se compõe dos Haras Las Arboledas (1961). formado em Oslo. Visando um projeto democrático. Barcelona). Outro elemento contextual foi a criação de espaços semi-enterrados entre as casas e a rua.São estes os principais expoentes da arquitetura pós-moderna regionalista:  HASSAN FATHY (1899-1989): Arquiteto egípcio pioneiro no resgate da construção em barro cru (adobe). com cores e volumetria única. fez ordenações pitorescas. P. cujos projetos expressam um prazer estético incomum. sem excluir a forma racional e a técnica moderna. destacam-se o Albergue Estudantil Wolluvé St. uma síntese entre cubismo. Guadalajara) – passou a fazer. Leça da Palmeira). em Kensington. Fundamenta seus edifícios na configuração da topografia específica e na refinada textura local.  SVERRE FEHN (1924-2009): Arquiteto norueguês. Noruega). Entre suas obras na Cidade do México. Los Clubes (1964) e San Cristóbal (1968). da Schreiner House (1963. segura de sua identidade cultural: de um lado a tradição da alvenaria catalã e do outro a influência do neorealismo italiano. Barcelona). e não somente formas simples. fez uma disposição oblíqua e não perpendicular em relação à rua. o jogo de cores e o emprego de elementos naturais (rochas. telhado inclinado e esquadrias em madeira pintadas em cores). superfícies brancas e formas puras. Recebeu o prêmio Pritzker de Arquitetura em 1997. Mark’s Road. o qual já introduzia questões contextualistas. cuja arquitetura adota e renova formas tradicionais. que se tornou conhecido a partir do seu premiado projeto para o Pavilhão Norueguês na Exposição Internacional de Bruxelas. Tredós (1967/68. uma arquitetura como imagem de uma sociedade aberta e democrática com direito à participação coletiva. procurando criar uma arquitetura atemporal. Sua obra mais famosa são as Casas Geminadas da St. Sua obra tem um forte sabor regional. etc. Apesar de ser contemporâneo. reconciliando homem e natureza. monótonas e absurdas. a arquitetura era conceito. surgindo como ato disciplinador do anarquismo que imperou nos anos 70. surpresa e encantamento. todos caracterizados pelas síntese de elementos modernos e tradicionais. Entre suas obras. Nos anos 60.  ÁLVARO SIZA VIEIRA (1933-): Arquiteto português cuja obra caracteriza-se por um purismo ímpar a nível mundial. Colégio Thau de Esplugues (1972/74. Londres (1975/80). Para ele. além de empregar materiais reciclados. Oslo) e do Hedmark Museum (1967/79. México). usa desde traçados reguladores até ritmos. denominados de “areas” ou pátios e que servem para a iluminação dos aposentos que estão no mesmo nível. Inspirado pelos racionalistas. Casa do Arquiteto em Tacubaya (1947). e explorando a pureza volumétrica. neoplasticismo e regionalismo. tornou-se o diretor de arquitetura da Escola de Belas-Artes do Cairo. a partir de quando passou a divulgar a prática regionalista. Suas obras caracterizam-se por uma volumetria pura com fluidez espacial. através da combinação entre poético e prático. Preocupado com a história do lugar – como nas obras de La Paz y Colinas e Casa Gonzalez Luna (1929. destacou-se através das obras do Pavilhão Nórdico da Bienal de Veneza (1962). ao mesmo tempo anônima e característica do lugar. Évora) e Faculdade de Arquitetura do Oporto. Hamar. Quinta da Malagueira (1977. Sua obra prima foi a Casa Gilardi (1980. privacidade de pátios e ligação com os vizinhos. Vall d’Arán). treinando mão-de-obra e realizando vários experimentos e sempre priorizando as condições climáticas e sociais da obra. áticos e balcões salientes. Vila Conde). Outros fatores consistem em sua deferência para com os materiais locais. em 1958. Bruxelas) e a Cidadela Francesa de Alençon (1982). Torres da Cidade Satélite (1957. e Villa Escarrer (1985/88.). Seu trabalho mantém um paralelo ao do inglês Ralph Erskine (1914-2005). que muda constantemente.  LUIS BARRAGÁN (1902-88): Engenheiro mexicano. nos anos 50. porém com preocupações mais contextuais.   Principais obras: Casa Hereder. Bloco Residencial Mollet (1983/87. Res. Em 1954. apoiando-se no legado de Antoni Gaudí e do modernismo catalão. principalmente na construção popular. a partir da variedade ambiental com jogos de luzes e relação entre água e texturas. magia. GRUPO MBM (1962): Sociedade espanhola formada pelos arquitetos Josep M. Casa de Caxias (1970/72. 101 . Pode-se fazer um paralelo com o trabalho do catalão José Antonio Coderch de Sentmenat (1913-84). Utilizando-se da tipologia tradicional da casa geminada londrina num terreno estreito e profundo. destacaram-se: Casa Figueroa (1940). de Mallorca). criar terraços habitáveis. Principais obras: Restaurante Boa Nova (1963. pátios internos e muros (Reforço a costumes latinos. que já nos anos 30 defendia a aplicação de práticas artesanais e vernaculares. o artesanato e as sutilezas da luz local. Desde 1989. Oriol Bohigas (1925-) e David Mackay (1933-). fornecendo segurança). Cid.  LUCIEN KROLL (1927-): Arquiteto belga que conhecido por defender o chamado romanticismo social. Edifício Nestlé. como unidade da moradia e trabalho no mesmo lugar. Martorell (1925-). o conjunto passa a impressão geral de ser do século XIX. Barcelona). mais apropriada às condições econômicas locais. isto é. com janelas de diferentes formatos e cores. como resposta ajustada à paisagem campestre e marinha. c/Mathias Goeritz) e sua Trilogia Eqüestre. JEREMY DIXON (1939-): Arquiteto inglês que se caracteriza por uma arquitetura regionalista. a fluidez espacial. água. trabalha com Edward James (1939-). Lambert (1974/76.

mas sim alternativas de encaminhamento. há o mundo vivencial e valorativo peculiar de seu povo. que penetram no destino da humanidade e. com seu ritmo próprio de desenvolvimento. Revisão da história como processo acumulativo de experiências. 102 Para GUTIERREZ (1989). mesclaram-se em grau e forma variáveis. através de vários mecanismos. Diante deste quadro. mas não de ideologia. no decorrer de sua história. envolvem todos os corpos históricos em quaisquer lugares (BROWNE. religião. a discussão contemporânea sobre a arquitetura latinoamericana vem girando em torno da questão de sua IDENTIDADE. marcando sempre nosso fazer arquitetônico. cujo conceito está ligado à preservação do seu patrimônio arquitetônico e cultural. a América Latina promoveu recombinações inéditas de elementos pré-existentes com formas importadas. em especial pela incompreensão de si. devido à utilização de critérios alheios de análise (teorias arquitetônicas importadas e/ou erocêntricas).). e suas relações com o projeto (qualidade criativa e programa funcional e técnico). no século XIX e XX. segundo os críticos regionalistas. c) Menosprezo das tecnologias ditas atrasadas. Substituição da subjetividade por uma objetividade no estudo arquitetônico. história e cultura. desde muito cedo. as quais variam conforme a criatividade e a diversidade de cada povo latino-americano. que é a da sua dependência cultural.REGIONALISMO LATINOAMERICANO Nos últimos 50 anos. conduzindo à negação da cidade como obra comum e à uma arquitetura caótica de especulação imobiliária.  As fontes culturais do mundo latinoamericano nunca chegaram a se fundir definitivamente em uma unidade completa e estável. levando a um complexo de inferioridade e de rejeição cultural. indígena e africana – ocorrida entre os séculos XVI e XVIII –. etc. Na verdade. De um lado. por sedimentação histórica e questões culturais. Deve-se analisar o contexto físico. abandonando a intuição e voltando-se a dados concretos.  Para os críticos regionalistas. social. assim como a sua própria realidade. ou seja. 1988). Ainda predominam as atitudes de importação de modelos comparadas às de resgate de nossa cultura. nossa dependência cultural contribuiu para a perda de nossa identidade cultural. b) Adoção de modelos universais (formais e tecnológicos) que provocaram a negação do passado e a destruição de nossa paisagem (degradação urbana e ambiental). os aspectos civilizatórios. pois ao invés de ser um mero receptáculo passivo. Essa MESTIÇAGEM CULTURAL transformou a discussão de nossa identidade cultural em tema constante da nossa história artística e cultural. no caso da arquitetura. assumindo a condição de periferia e entendendo que não há regras ou métodos. mas pode-se apontar caminhos como os possíveis para a valorização de nossa arquitetura:  Conhecimento de si própria. e do outro. é possível definir comose TRANSCULTURAÇÃO o processo de miscigenação que vem ocorrendo entre as culturas local e importada e que se baseia em estratégias de transferência. entre os quais: a) Importação de uma teoria arquitetônica que não contribuiu para a criação de algo autêntico e ligado à nossa realidade. segundo o tempo e a situação geográfica (folclore. Estudo da formação de nosso processo cultural. adaptação e transformação. a arquitetura latino-americana tem evoluído dentro de uma permanente tensão entre o chamado ESPÍRITO DO LUGAR (condicionantes locais) e o chamado ESPÍRITO DO TEMPO (época contemporânea). mas também contextualmente. Isto originou diferentes configurações culturais e variou de acordo com a sucessiva dependência aos sistemas internacionais mercantis e industriais. não só formal. analisando os mecanismos de conquista para se entender a construção de nossa cultura (fusão europeu/negro/indígena + contribuição de imigrantes). d) Desprezo de valores sociais e culturais.    . Ambos constantemente se interagem entre si. e) Produção de uma cidade elitista e exclusivista. a ARQUITETURA LATINO-AMERICANA é carente de teoria. nosso espaço e tempo marcados pela nossa paisagem. político e cultural. nas suas diversas regiões.  Contudo.  A AMÉRICA LATINA pode ser entendida como uma vasta área de absorção e fusão cultural ibérica. transformando-os para a obtenção de produtos culturais inéditos. produzidos por modelos internacionais. que foi incrementada pelos fluxos migratórios europeus. através da negação da participação e do pluralismo.

Na América latina. com a imposição do Estilo Neoclássico em todas as áreas artísticas. formação acadêmica baseada no uso de simetria e eixos. que durou dos finais do século XVIII até a Bauhaus. na segunda metade do século XIX. telhado oculto). Praticamente. Existiam sim sociedades tradicionais e agroexportadoras. à confusão eclética que ainda imperava nos países. a arte e a cultura mantiveram-se nos mesmos padrões coloniais. sem incorporar a modernidade como tema e as obras.  Casa Victoria Ocampo (Palermo Chico. a discussão confundia forma e conteúdo. que depois participou do projeto do prédio da ONU em Nova York (1947). a Nova Arquitetura introduziu-se na América Latina como estilo e não como movimento. Além disso. na verdade.18 ARQUITETURA LATINOAMERICANA A condição de colônia impôs à América Latina e Brasil a importação de modelos europeus. teto plano) e tradicionais (fechamento por muros. devido ainda ao ECLETISMO generalizado. Expressavam uma clara tensão entre os conceitos modernos (fachada nãoornamentada. segundo BROWNE (1988). onde ainda nem a industrialização havia se processado. o que pode ser explicado pelo seu proclamado universalismo.  Não existia aqui a tradição da ARQUITETURA MODERNA que havia na Europa nem uma sociedade que havia feito do progresso material uma das razões de sua existência como era o caso dos EUA. as correntes historicistas conduziram à difusão da arquitetura eclética em todos os países latino-americanos. caracterizado por revivais e por algumas referências aos estilos Art Nouveau ou mesmo Art Déco. simetria parcial e sem pilotis:  Casa da Rua Santa Cruz (Vila Mariana. 103 . Isto se tornou ainda mais evidente a partir do século XIX. São Paulo SP). que freqüentemente negavam a tradição histórica e até mesmo os usos e costumes locais. todas construídas entre 1928 e 1930. pois eram muito simples e puristas. assim como a adoção de estilos estrangeiros. também tiveram de contornar os obstáculos regulamentares (decorativismo obrigatório) e as condições culturais (isolamento da rua por meio de muros. etc. a arquitetura moderna chegou como importação civilizatória.  Casa Vilamajó (Montevideo). As primeiras casas modernas latinoamericanas aproximavam-se muito mais das obras de Adolf Loos (1870-1933) do que as de Le Corbusier (1887-1965).). em volumetria pura. Nesse ambiente. apareceu inclusive uma preocupação de resgate das raízes arquitetônicas. integravam-se. de Julio Vilamajó (1894-1948). mas se desenvolvendo somente até o término da Segunda Guerra Mundial (1939/45). O MODERNISMO LATINO-AMERICANO começou a se desenhar em meados dos anos 20 e 30.  Estas 03 (três) residências foram consideradas obras introdutórias do então chamado ESTILO MODERNISTA ou Futurista. inclusive o Brasil. a situação da América Latina diferenciava-se do ambiente de vanguarda europeu.  Mesmo com os processos de independência política gerados entre 1810 e 1825. com ares cultos ou folclóricos. até o final da década de 1930. projetada por Gregori Warchavchik (1896-1972). Além disso. teto plano. representadas pelo MOVIMENTO NEOCOLONIAL ou NEOINDIGENISMO. aqui. Buenos Aires). seus principais líderes eram estrangeiros – ou nasceram e se formaram em seus países de origem – ou ainda passaram períodos na Europa entre 1927 e 1932. o choque artístico substituindo o conflito sócio-político e o interesse demonstrado pelos governos progressistas. Assim. Enquanto que na Europa ele foi resultado de uma longa gestação. que resultou no surgimento de estilos nacionais – como o Neozteca no México e o Marajoara no Brasil. arquiteto russo formado em Roma e fixado no Brasil. obra de Alejandro Bustillo (1889-1982). Entretanto.

pastilhas. O problema era justamente conciliá-los na prática. resultando em sincretismos pouco profundos ou até mesmo em formalismos (BROWNE.  O emprego de elementos vazados (cobogós. principalmente através da criação de ambientes monumentais. universalismo espacial e ênfase tecnológica. preferiram se adaptar às condições socioeconômicas. fazendoos surgir bem mais tarde. converteu-se em pura retórica.  O revestimento cerâmico (azulejos. mas havia as imposições locais. reconhecendo a condição pré-industrial de suas sociedades e a forte presença de um patrimônio arquitetônico e cultural. cujas de maior repercussão foram o Brutalismo e o Contextualismo. ou simbólicas. e a de edifícios para empresas privadas. A realidade local encarregou-se por si própria de impor limitações às suas aspirações e apareceram verdadeiras recriações regionalistas. que eram radicalmente distintas das européias. em especial na sua versão regionalista. vários líderes declaravam ver a necessidade de certo equilíbrio entre o espírito moderno e as condições do lugar.Na América Latina. de fortes traços tradicionais. corredores alpendrados e galerias ventiladas. voltadas para a infra-estrutura social ou representativas politicamente. a de obras públicas.  Foram vários os representantes dessa arquitetura do desenvolvimento. amando os contrastes violentos e a psicologia do choque (acentuação dos elementos construtivos como forma de expressar tensões. 1988). Por isto. pois é importante saber de onde vêm todas as influências. era quase impossível abandonar os telhados cerâmicos em águas. Em outros casos. com telhas e amplos beirais. gelosias. Em alguns países. Entretanto.  Servindo como um grande laboratório de experiências internacionais. inclusive semi-artesanais). mas indispensável. estes promoveram verdadeiras reelaborações a partir de seus elementos próprios da tradição colonial. fazendo alusões à arquitetura pré-colombiana.) como regulador climático. pergolados. adotou-se progressivamente o International Style. Assim. à economia e à padronização. Devido às suas condicionantes políticas. 104 . econômicas e sociais.  A criação de varandas exteriores. caracterizando-se por sua lógica funcional. materiais e técnicas. a partir de 1936. em que se abriu para as tendências tardo e pós-modernistas. que era um campo experimental mais fácil. técnicas e culturais de seus países. muxarabis. como ocorria na Europa e EUA. o ESTILO MODERNISTA evoluiu basicamente em 03 (três) áreas: a de casas unifamiliares. Em alguns casos.  Até a década de 1950. como se enraizaram e em quê see recombinaram.). Todos os pioneiros buscavam aproximar-se ao máximo das normas ou modelos europeus. b)  No caso dos arquitetos regionalistas – os quais somente foram reconhecidos internacionalmente a partir da segunda metade do século XX –. Intensificação de referências culturais e contextuais. cuja eficácia havia sido comprovada através de gerações na construção popular. os países da América Latina têm na pesquisa de suas origens a possibilidade de uma maior conscientização da população e dos profissionais de arquitetura e urbanismo. a eloqüência estrutural e tecnológica do BRUTALISMO LATINO-AMERICANO foi considerada propulsora do desenvolvimento de alguns países e não seu efeito.  A continuidade do uso de coberturas cerâmicas em várias águas. Seus pontos mais relevantes relacionavam-se às características: a) Emprego de uma estética que valoriza a força. etc. o risco de terremotos tornou raro o uso de pilotis. houve sua internacionalização. especialmente a madeira e o tijolo aparente. Na sequência. tanto a nível social como cultural. inclusive no Brasil. entre os quais:  O uso de materiais tradicionais. muitos arquitetos da ÍberoAmérica pretendiam ser modernos e não europeus. evitando simultaneamente folclorismos ou indigenismos comuns ao ECLETISMO até então imperante. etc. lajotas. não houve uma distinção muito clara entre racionalismo e organicismo: a maioria dos profissionais dos anos 30 e 40 tentaram adaptar sistemas construtivos e tipologias. a exigência climática de varandas ou o revestimento em azulejos. o REGIONALISMO CRÍTICO veio contribuir para uma tomada de posição em relação ao mundoe a si mesmos.  Principalmente. por exemplo. A incorporação de fatores como a mestiçagem cultural e a permeabilidade às influências externas no estudo da arquitetura contemporânea latino-americana é uma tarefa complexa. assegurando um bom ajuste ao meio e aproximando-os das preocupações modernas em relação à funcionalidade. de superfícies ásperas e conotações ditatoriais. Na arquitetura latino-americana moderna.

Tendo participado no projeto do campus da UNAM (1949/51). Saavedra y Juan Martínez de Velasco. sendo posteriormente influenciado pelo organicismo. o Hotel Plaza (1945). 12 12  MARIO PANI DARQUI (1905-82): arquiteto e urbanista mexicano que propagou o racionalismo em uma coleção de obras entre os anos 30 e 60. Entre seus trabalhos. em 1949/51. 105 . Fez o projeto pioneiro do Sanatório de Huipulco (1929). Nos anos 70 e 80. mas que foi seguida por outros focos de revolta até meados da década de 1920. as quais aumentaram a intervenção estatal na 13 Economia até 1952 . que derrotou o socialista Salvador Allende (1908-73). Na pintura. Madero (1873-1913) contra o governo autocrata do general Porfirio Diaz (1830-1915). sociais e políticas. graças a dificuldades econômicas. México). escolas. mas foi deposto por um Golpe de Estado em 1973. juntamente com os arquitetos modernistas Enrique Del Moral (1905-87). que garantia direitos e reformas liberais e social (Reforma Agrária e Leis Trabalhistas). o Centro Urbano Presidente Alemán (1946) e o plano da Ciudad Satelite (1954). além do gigantesco painel. José Clemente Orozco (18831949). Universidade Pedagógica Nacional (1980. realizada em 1927. Na UNAM. destacando-se a poesia de Pablo Neruda (1904-73). testemunhadas principalmente na construções da Universidad Nacional Autónoma de México – UNAM. realizou uma série de escolas. representada através do rigoroso trabalho de vários artistas. da qual foi diretor. graças a sua atividade acadêmica na Escuela Nacional de Arquitectura da UNAM. Após o período das presidências do Partido Radical (1938/52). seguidas pela atuação brutalista e conjunta de Abraham Zabludovsky (19242003) e Teodoro González de Léon (1926-). entre os quais: David Alfaro Siqueiros (18961974). Sucederam-se presidências radicais. 13 A Revolución Mexicana foi um movimento armado que começou em 1910 com uma rebelião de bases socialistas. Zabludovsky e González de León fundaram uma corrente arquitetônica consumada no México baseada na honestidade do material. o Chile viveu um período de prosperidade. mantiveram o vigor da linha brutalista através de referências culturais muito fortes. que culminaram com um Golpe Militar em 1927 e a tomada de poder pelo general Carlos Ibáñez del Campo (18771960). de superfícies ásperas e conotações historicistas (Teotihuacán e Monte Albán). além de outros projetos no México e também na Venezuela A renovação arquitetônica mexicana deu-se graças às experiências de Luis Barragán (1902-88). México) e Museu Rufino Tamayo. realizadas entre 1949 e 1954. citam-se:  José Villagrán Garcia (1901-82): Arquiteto mexicano que é considerado um dos maiores difusores no funcionalismo em seu país.  O MODERNISMO nas artes floresceu justamente neste período. Para eles. influenciada pelas correntes cubista e expressionista. o qual deteve o poder até as eleições de 2000. liderada por Francisco I. e apresentando obras monumentais. o que levou a prolongadas lutas. a Casa Tomas Bay (1938). de inspiração précolombiana. Cid. Sua obra de destaque foi a Casa-Estúdio de Diego Rivera e Frida Kaho. que serviram de marco para uma arquitetura culturalmente consciente. na simplicidade da composição e na abstração.MÉXICO A Revolução Institucionalista Mexicana (1910/17) favoreceu a difusão e afirmação das tendências modernas no país. Principais obras: Embaixada Mexicana em Brasília (1973). Dos arquitetos modernistas. as quais vieram acompanhadas de muito nacionalismo e representadas por arquitetos como José Villagrán Garcia (1901-82). obra de Gustavo M. produzindo em 1917 uma nova Constituição para o país. hotéis. além de sua atenção como projetista. antecipando traços do contextualismo e do minimalismo. CHILE Durante a Primeira Guerra Mundial (1914/18). México). INFONAVIT (1973. que permaneceu como ditador até 1990. Parque Chapultepec (1980. edifícios públicos e planos urbanos. Diego Rivera (1886-1957) e sua esposa. Na sequência. incluindo moradias. rebatizado em 1946 como Partido Revolucionário Institucional – PRI. que ganhou o Prêmio Nobel da Literatura em 1971. Cid.  JUAN O’GORMAN (1905-82): Pintor e arquiteto mexicano que foi um dos introdutores da arquitetura corbusieriana no México. a renovação surgiu a partir de 1920 com o chamado MURALISMO. devido à exploração de suas riquezas minerais (cobre e nitratos). da Biblioteca Central da UNAM. liderado pelo general Augusto Pinochet (19152006). Frida Kahlo (1907-54). Esta Revolução desencadeou a criação do Partido Revolucionário Nacional em 1929. o general Ibánez Del Campo retornou à Presidência do Chile. uma arte popular. sendo apoiados pelo Estado. todas na Cidade do México: o Hotel Reforma (1935). mas isto não foi mantido nos anos 20. Allende tornou-se presidente somente em 1970. Juan O’Gorman (1905-82) e Mario Pani Darqui (1911-93). a arte devia ser universal com características locais. também projetou o Prédio de Arquitetura e o Museu Universitario de Ciencias y Artes – MUCA. Cid. Mario Pani (1911-93) e Domingos García Ramos (1911-). destacaram-se as seguintes. sendo sucedido em 1958 por Jorge Alessandri (1896-1986). tendo participado do Plano-Diretor da Cidade Universitária da UNAM. política e nacionalista. ambos com Alfonso Liceaga e Xavier García Lascuraín.

ocorreu em 1955. Santiago). este último discípulo direto de Le Corbusier. na qual s etornou professor e que explorou a tecnologia de alta sofisticação. uma grande prosperidade argentina. Las Condes). Viña Del Mar). Evolui da prática racionlaista até a incorporação de materiais tradicionais e regionais. as Hospedarias de Castro e de Ancud (1962. produziuse. além da cidade serrana de Temuco. liderado por Eduardo Lonardi (18961956).  Em 1946. Santiago do Chile) e a Escuela Naval Arturo Prat (1957/58). entre os quais Ricardo Judson e Ricardo Claro Cruz. e o arquiteto Alberto Prebich (1889-1970). Las Condes) e a Casa Zapallar (2002).  EDUARDO SACRISTE (1905-): Arquiteto e professor portenho. passou a publicar vários artigos e trabalhar com colaboradores. com as eleições de 1983. junto a sua terceira esposa. assim como os precursores da arquitetura moderna. além de Emilio Duhart (19172006). Com sua morte. A democracia argentina somente foi reestabelecida com Raúl Alsonsín (19272009). cujo governo foi marcado pela deterioração política que levou a mais um golpe em 1976. Lecionou também no London Polytechnic e no ITT. na Universidad de Chile. entre os quais a transformação das universidades em motores de mudança social. a Casa caracol (1985. Buenos Aires). todas em Santiago do Chile: Casas na Calle Charles Hamilton (1974). no qual destaca a possibilidade de uma linha arquitetônica latino-americana diversa das importadas. ambos em Buenos Aires Nas últimas décadas do século passado. em pleno segundo pós-guerra. c/Rogelio Di Paola). foi eleito o presidente Juan Domingo Perón (1895-1974) que. onde trabalhou com Le Corbusier e fez cursos com Theo van Doesburg. associando-os a elementos neovernaculares. 106 . em Cambridge MA. Contudo. inclusive derivando para o folclórico.  ENRIQUE BROWNE (1942-): Arquiteto chileno pela Universidad Católica de Chile (1965). o Teatro Gran Rex (1937) e sua casa em Vicente López (1939).Entre os arquitetos modernos. além de espaços semi-cobertos. Suas obras de destaque. Pós-graduado em Harvard. especialmente o uso de pátios associado à técnica de tijolos. Eva Perón (1919-52). como pesquisador (1969/75). Quando o peronismo estava no poder. explorando as condições locais em seus projetos. Reñaca e Concón.  ROBERTO DÁVILA CARSON (1899-1971): Arquiteto chileno que viveu na Áustria até a I Guerra Mundial. autor da primeira casa racionalista no país (Casa Victoria Ocampo – 1928/30. que leve em consideração as condições locais e culturais desses países. Reñaca) e Paróquia Santo Toribio (1940. Harris (1984). a Casa na Calle P. ARGENTINA Os argentinos viveram um período próspero e democrático no início do século XX. ingressando nos estudos de arquitetura em 1917. Buenos Aires). a Casa La Cerda (1938.  EMILIO DUHART HAROSTEGUY (1917-2006): Arquiteto chileno formado pela Universidad Católica de Chile em 1941. formado na Universidad de Buenos Aires em 1932 e pós-graduado nos EUA em 1945. 14 É autor do livro Otra arquitectura en America Latina (1988). Contudo. A partir de então e até 1960. considerando as características sísmicas do lugar. o Centro Comercial Vitacura-Manquehue (1980). o governo começou a ter dificuldades políticas e um golpe militar. Perón exilou-se na Espanha. o qual criou muitas críticas. autodenominado Proceso de Reorganización Nacional. agravados com a crise mundial e prolongados até a II Guerra. Na Argentina. crescimento progressivo e tecnologias intermediárias. encabeçou um movimento político e marcado pelo acento na justiça social (Peronismo ou Justicialismo). introduziu inovações em Santiago e nos balneários litorais de Viña Del Mar. depois de outro golpe em 1973. que ingressou no MIT. o engenheiro e arquiteto Antonio Ubaldo Villar (1889-1966). Nove de Julio (1936). entre outras. o que promoveu vários desenvolvimentos. os artistas de vanguarda tiveram suas bases também na Europa. viajou para Paris. Assim. em Palermo Chico. na época quando o modernismo finalmente aportou no país. Em 1930. entrando em contato com o grupo De Stijl. De volta ao seu país. a arquitetura chilena abriu-se para as referências contextuais e surgiram vários arquitetos que tentam resgatar valores nacionalistas e democráticos. principalmente com o fim da longa Ditadura de Pinochet (1973/90). Santiago). além de ministrar cursos em Nova Orleans (EUA) e Calcutá (Índia). o qual iniciou uma fase de grande repressão. e Roberto Dávila Carson (18991971). Influenciou muitos arquitetos latino-americanos através de suas obras. Chiloé) e o Ministério do Trabalho de Santiago (1970). Também lecionou na Universidad de Chile. tais como a Sede da CEPAL (1960/66. graças a suas exportações de carne e grãos às potências européias que se encontravam em debilidade econômica. com o Edifício Club Hindu (1932) e suas casas em San Isidoro (1936/97. os Estúdios de TV da Universidade Católica (1982). que realizou o Edifício Oberphauer (1930. debates e lutas pelo poder. em Cambridge MA. Utilizou-se da tipologia de pátios centrais. Suas obras mlodernas de destaque foram: a Casa na Calle Aribeños (1935) e o Edifício Kraft (1937/39. destacaram-se Sérgio Larraín García Moreno (1905-). Obras de destaque: Casa Flores e Restaurante Cap Ducal (1936. houve greves e problemas econômicos nos anos 20/30. conhecido por seu Obelisco na Av. De volta ao Chile em 1933. foi diretor do Facultad de Arquitectura da Universidade Nacional de Tucumán. Algarrobo. voltando quando o peronismo foi novamente legalizado. foi sucedido pela esposa. culminando com um sucessão de golpes e 14 um longo período ditatorial (1966/83) . conheceu e trabalhou com Waltyer Gropius. de traços brutalistas e contextualistas. entre os quais: o arquiteto Alejandro Bustillo (1889-1982). todas obras em Buenos Aires. o Colegio y Iglesia de Villa Maria (1992. vigas protendidas e fechamentos em concreto.

que trabalhou através de um brutalismo pessoal. Seu trabalho influenciou toda uma geração de latinoamericanos. Montevideo). todos em Buenos Aires. dotado de uma legislação social avançada e característica (Batllismo). Providence RI) e Edifício Acqua (2008. Javier Sánchez Gómez. considerados pela crítica como vanguarda latino-americana. graças aos altos índices sociais e a estabilidade política.Pedro de Durazno (1968) e do Depósito Herrera & Obes (1980). e Biblioteca Nacional de Buenos Aires (1962/84. revestido de um caráter constitucional e democrático. 15 O primeiro projeto de Vigñoly em Nova York foi o John Jay College of Cfriminal Justice. foi convidado a lecionar na Washignton University e depois em Harvard GSD. com forte caráter contextual. comparados aos europeus. ele ganhou o concurso internacional para o projeto do Tokyo International Forum. pelo seu isolamento termoacústico. Finalmente. La Pampa). José P. iniciou-se a exploração das jazidas de petróleo venezuelano. VENEZUELA A Venezuela começou o século XX sob a ditadura de Cipriano Castro (1856-1924). de origem napolitana. foram: a Igreja de Atlântida (1958). até sua morte em 1935. e como material de revestimento. construído até 1996. é considerado a primeira obra brutalista da Argentina. Entre suas melhores obras. Buenos Aires). No ano seguinte. houve um Golpe de Estado e passou-se a viver sob um 15 regime militar até fevereiro de 1985 . democrático e leigo. Carlos Sallaberry e Rafael Vigñoly (1944-). Porém. Banco de Londres (1959/66. 107 Consolidada a democracia.  URUGUAI Após a completa independência e organização como país no século XIX. o maior nome foi o arquiteto Júlio Vilamajó (1894-1988). apresenta uma arquitetura de pureza geométrica e volumes sólidos. S. quando uma crise atingiu o país e.  MIGUEL ANGEL ROCA (1940-): Arquiteto argentino. tanto que passou a ser conhecido como "A Suíça da América". Foi durante seu governo. todas no Uruguai. sem esquecer de adaptar as soluções às condições do entorno. Uruguai). Queens NYC). Entre os anos 30 e 40. Este sistema de prosperidade perdurou até os anos 70. caracterizando-se por uma prática de associação entre a arquitetura de qualidade tecnológica e o contexto cultural. Punta de Este. Brown University (2002. que explorava as possibilidades estruturais ou expressivas da cerâmica. Sendo professor nas universidades de Córdoba e Buenos Aires. graduado em 1965 pela faculdade de Arquitetura da Universidade Nacional de Córdoba. Batlle y Ordónez (1856-1929). na Argentina. Entre os trabalhos de Testa. escolas e hotéis. o Uruguai alcançou altos níveis de bem-estar. expressando majestade em obras de concreto aparente e fachada dupla. o Edifício CASFPI (1981) e o Edifício Reconquista (1981). que pôs em prática uma política externa agressiva e foi deposto em 1908 por Juan Vicente Gómez (1857-1935). Bronx Housing Court (1997. CLORINDO TESTA (1923-): Arquiteto argentino. Santa Rosa. Construiu nos anos 90 vários CPC’s (Centros de Participação Comunal) na Argentina. que.   ELADIO DIESTE (1917-2000): Engenheiro uruguaio com grande sentido de formas. sua firma foi uma das finalistas na competição pelo novo World Trade Center. completado em 1988. RAFAEL VIGÑOLY (1944-): Arquiteto uruguaio que estudou em Buenos Aires. construiu um Estado moderno. Suas obras mais destacadas. Bronx NYC). por sua textura e durabilidade). título que perdurou até os anos 60. abrindo definitivamente seu escritório em Nova York em 1983. que impôs a Ditadura Militar (1973/85). Justo Solsona. o que acabou conduzindo ao Golpe do prersidente Juan María Bordaberry (1928-). Aires. e o Conjunto Terrazas de Manantiales (1981. Uruguai). destacaram-se: o Centro Cívico e Terminal Urbano de Santa Rosa (1955/63. a Iglesia de N. participando do Estudio de Arquitectura até os anos 70. B. c/Héctor Lacana e Elena Acquarone). edifícios. interessados em explorar a técnica da cerâmica. como elemento de vedação. da Universidad de La Republica. com a textura rugosa do concreto. . destacando-se sua casa própria (1928/30. Montevideo. Reconstrução do Queens Museum (1994. Projetou residências. contribuíram para sua desestabilização. Outras obras de destaque: Banco da Cidade de Buenos Aires (1968). Em 1978. em 1973. fez mestrado em Desenho Urbano na Pensilvânia. T. armada com aço. Josefa Santos. na qual reuniu muitos discípulos racionalistas. em 1922. destacam-se: a Argentina Televisora Color – ATC (1978). Villa Serrana). a escassez de recursos minerais e energéticos. a carência de tecnologia e a queda do preço da lã e carne no mercado internacional. Seus componentes eram: Flora Manteola. a Facultad de Engenería (1935/38. presidente uruguaio de 1903 a 1907 e de 1911 a 1915. EUA (1966/67). Seu projeto premiado no concurso de La Pampa. graças à sua liderança na Facultad de Arquitectura – UdelaR. ESTUDIO DE ARQUITECTURA (1964): Grupo de seis arquitetos argentinos que defendiam a prática contextualista. Montevideo) e a Hospedaria El Ventorillo (1943. c/Francisco Bullrich e Alicia Cazzaniga de Bullrich). o Edifício Residencial na Calle Rodríguez Peña (1978. o qual se manteve no poder por 27 anos. usada de três maneiras básicas (como elemento estrutural. de Lourdes de Montevidéu (1967) e as remodelações da Iglesia S.

que somente aconteceria no segundo pósguerra. a arquitetura moderna brasileira inclinou-se para o debate das massas em concreto armado e empenho tecnológico. Residencial Alto Los Pinos (1981. e fazendo uma reinterpretação expressionista. Com seu retorno. da Universidad Central de Venezuela. Bogotá). e a Reforma Constitucional de 1968. São Paulo SP) e das obras de Gregori Warchavchik (1896-1972). além de uma volumetria baixa e variada com pátios centrais e espelhos d’água. cujos maiores expoentes foram: Lina Bo Bardi (1914-98). Também foi fundamental a contribuição do paisagista caiorca Roberto Burle Marx (1909-94). quando o Partido Liberal tomou o poder. Seus pontos fortes foram o uso da cerâmica em arremates quebrados. instalando-se a ditadura de Marcos Pérez Jiménez (1914-2001). Do decorrer de seu trabalho. Paulo Mendes Da Rocha (1928-). recebeu a incumbência do projeto da Ciudad Universidad de Caracas. Logo. o modernismo somente pôde se afirmar entre 1930 e 1946. escalonamentos. arquiteto brasileiro. entre outros. COLÔMBIA Foi apenas em 1930 que terminou a hegemonia conservadora existente no governo colombiano desde 1886. Nova Friburgo RJ). curvaturas e superfícies com luzes e sombras. o país se abriu para novidades.  SEVERIANO MÁRIO PORTO (1930-): Arquiteto mineiro formado no Rio de Janeiro que é considerado um dos expoentes do Regionalismo arquitetônico no Norte do país. regressando à França para concluir seus estudos.  Como ocorria nos demais países latinoamericanos. cuja construção começou em 1940 e foi até 1954. Superintendência do Porto Livre de Manaus (1971). As eleições livres ocorreram na Venezuela no final de 1947. o Estádio Olímpico (1952) e o Auditório Aula Magna (1952). BRASIL Após o pioneirismo da Semana de Arte Moderna (1922. embora nascido em Paris. Pertenceram à ESCOLA CARIOCA. Joaquim Guedes (1932-2008) e Ruy Ohtake (1938-). entre vários outros (BRUAND. o Bairro El Silencio (1945) e os edifícios da Ciudad Universitária de Caracas (1944/57). outros generais o sucederam no poder em um período de transição para a democracia. Com o Golpe de 64 e a instalação da Ditadura Militar. Cartagena de Índias). incluindo uma rica experimentação contextualista. Rio de Janeiro) ou no Hotel do Parque São Clemente (1944. o Museo de Bellas Artes (1935/38). a ARQUITETURA MODERNA somente pôde ser implantada após a industrialização. Reidy (1909-64) e os irmãos Marcelo (1908-64) e Milton Roberto (1914-53). 2002). Bogotá (1965). Seu precursor foi Carlos Raúl Villanueva (1900-75). porém logo a democracia venezuelana receberia novos abalos16. pedra e abóbadas de tijolos. ocorrida na segunda metade do século passado. responsável pela difusão do racionalismo no Brasil. João Vilanova Artigas (1915-85). Bogotá). promovida por Lúcio Costa (1902-98). além da Casa Robert Schuster (1978. Depois de uma recaída conservadora. a qual durou até 1958. entre 1948 e 1953. pioneiro na discussão funcionalista no país que sempre defendeu a conciliação entre os ideias modernos e a tradição nacional. 108 .  CARLOS RAÚL VILLANUEVA (1900-75): Arquiteto venezuelano nascido em Londres. Affonso E. Fundacion San Cristóbal. os arquitetos: Oscar Niemeyer (1907-). Procurou romper a monotonia racionalista. Campus da Universidade do Amazonas (1973) e Casa do Arquiteto (1974). Carlos Milan (1927-64). pérgolas de madeira. que defendia a arquitetura que transcende o fato construtivo e torna-se significativa para a comunidade. considerado o maior arquiteto venezuelano do século XX. que estudou em Paris e conheceu a Venezuela somente em 1928. considerado o “pai da democracia venezuelana”. houve a tentativa de reforma do ensino da Escola Nacional de Belas-Artes do Rio de Janeiro. ano em que o governo democrático foi retomado. Trabalha artesanalmente com a estrutura em pilotis de madeira lavrada com piso em pranchões e cobertura com troncos. o modernismo arquitetônico efetivou-se somente após a Revolução de 1930 e o governo progressista de Getúlio Vargas (1881-1954). uma revolta militar retirou Gallegos do poder. graças a Rómulo Betancourt (1908-81).  Em 1930. Bogotá). Principais obras em Manaus AM: Sede Administrativa da Portobrás às margens do Rio Negro (1963).  ROGELIO SALMONA (1929-2007): Arquiteto colombiano que trabalhou com Le Corbusier entre 1949 e 1958. usando a cerâmica como material predominante. destacando-se aqui a ESCOLA PAULISTA. como exposto na Casa Roberto Marinho (1937. considerada sua obra máxima. Tarumã-Açu AM) e a Pousada na Ilha de Silves AM (1979/83). onde ficou até meados de 1937. tais como o Hospital Universitário (1946). Automobil Club de Colômbia (1972. Villanueva passou do INTERNATIONAL STYLE para uma arquitetura marcada pelo virtuosismo tecnológico e pela flexibilidade espacial. 16 Em 1953. destacando-se inclusive os paulistas que incorporaram algumas das preocupações organicistas: Rino Levi (1901-65) e Osvaldo Arthur Bratke (1907-97). Residencial El Parque (1970. produzindo um moderno amaneirado. o Museo de Ciencias (1934/35).Após a morte de Vicente Gómez. Esta corrente encontrou representantes em todos os grandes centros. explorando as condições climáticas e aproveitando a habilidade e intimidade do caboclo com o manuseio das madeiras da região. levando ao poder o escritor e político Rómulo Gallegos Freire (1884-1969). nitidamente brutalista. Suas obras de destaque em Caracas foram: o Museo Bolivariano (1931). Bogotá) e Hospedaria de Colômbia (1981. combinando-o com características do meio físico e cultural onde se localizaria a obra. Principais obras: Residencial El Polo (1960.

mecanicidade. assim como na questão da legimitidade arquitetônica.). a tradição construtiva era a da alvenaria de pedra.  Enquanto os pós-modernistas esforçaram-se para chegar aos diversos usuários de seus edifícios – o que os fez utilizarem um amplo espectro de meios comunicativos. os tardomodernos propõemse a explorar as novas possibilidades da tecnologia contemporânea. levando ao extremo muitas das idéias estilísticas do modernismo (funcionalidade. duplicando os códigos –. etc. Assim. Pela fragilidade da base teórica dessa prática. projetando-se para o futuro. já que tal condição só pode ser fornecida pelo próprio trabalho do arquiteto dentro de determinadas regras da arte. mas ficaram sem um padrão comum para avaliar seus edifícios e sem uma base sólida para a legitimidade arquitetônica.  Assim. A lógica moderna é então exagerada. estas normas tornaram-se dogmas e não conseguiram mais atuar com a realidade em permanente modificação de hoje em dia. ao invés de negá-lo. mas podendo alcançar a sutileza da simplicidade ou surpreender mediante a descontinuidade e a autosuficiência (JENCKS. A partir dos anos 60. os arquitetos estavam quase libertados de dogmas. mecanizada e abstrata. 109 . inspirada na sociedade industrial.19 TARDOMODERNISMO O TARDOMODERNISMO é considerado um prolongamento do pensamento moderno que. hoje não é através de valores religiosos ou de status social que um objeto arquitetônico tornase arte. hoje se teria entrado para uma nova fase: a que se utiliza a estrutura em aço e concreto armado – uma novíssima tradição. de modo a ressuscitar uma linguagem até então entorpecida. ainda não muito bem compreendida e. Se antes os edifícios eram “legitimados” (considerados arquitetura) somente por seus objetivos. dever-se-ia procurar um terreno mais sólido. assim como também fala em funcionalidade e tecnologia industrial. Enquanto que. a partir da década de 1960. portanto. essencial para qualquer arquiteto.  Os arquitetos ultramodernista. estaria já marcado o término de seu valor como moda. tantos de projeto como de execução (materiais experimentais e metodologias computacionais) (DREXLER. 1999). que é atualizado em termos de métodos. Mantém assim o compromisso com a estética unificada e exclusiva – a Estética da Máquina –. Porém. 1980). mas respeitando praticamente todos os seus pressupostos e tendo inclusive nos próprios mestres modernos suas bases teóricas e experimentais. distorcida e transformada em algo belo por seu extremismo ou mordacidade (RAJA. Consistiu em uma corrente que defendia um realismo expresso através dos detalhes da sociedade industrial em constante transformação. para os tardomodernos. cujas vanguardas tentaram – e ainda tentam – quebrar (CASTELNOU. 2006). produzindo uma arquitetura modernista amaneirada. A falta dessa legimidade explicaria a busca de formas do passado na tentativa que estas transferissem um pouco de seu valor para o novo (pós-modernismo). repleta de oportunidades. dão continuidade ao INTERNATIONAL STYLE. prosseguindo a pesquisa moderna de atualização de métodos e renovação de processos. a preocupação crítica deve-se concentrar na relação entre a imagem (aspecto visual) de um edifício e sua realidade. respeita a linguagem e as teorias dos seus predecessores. o processo executivo. flexibilidade. os materiais e as formas de utilização ultramodernas. Atualmente. que seria dado pela relação básica entre a arte de nossos edifícios e seus sistemas construtivos. da Antigüidade egípcia até o século XIX. entre arquitetura e tecnologia. os tardomodernistas permanecem fieis à liguagem restrita e hermética dos modernos. ou seja. 1995). A ARQUITETURA TARDOMODERNA é pragmática e tecnocrática na sua ideologia. materiais e técnicas. O Movimento Moderno (1915/45) desenvolveu uma nova tecnologia e corpo de regras para legitimar seus edifícios. o TARDOMODERNISMO voltou-se para a tecnologia. Baseando-se na relação entre arquitetura e construção.

entre vários outros (ZEVI. Van Den Broek (1898-1978) e Jacob B. c) Arquitetura da perfeição técnica. que começaram a investigar a filosofia como uma forma de “discurso”. exigiram uma nova orientação ideológica para quase todas as práticas arquitetônicas. na França. entre os quais Jacques Lacan (1901-81). universalismo e anti-historicismo). o TEAM X. 1980). particularmente em meados da década de 1960. 1992). b) Lógica radical. Jacques Derrida (1930-2004) e Julia Kristeva (1941-). utilizandose de um vocabulário mais abstrato que convencional (anti-ornamentalismo). já em finais dos anos 50. os franceses Georges Candilis (1913-95) e Aléxis Josic (1921-). iniciando uma crítica sistemática ao International Style. em uma primeira tentativa de utilização de um aparato teórico mais sólido e até então estranho à arquitetura: a lingüística estrutural.. neopurismo (ou produtivismo). ao isolamento térmico e acústico. flexibilidade extrema utilizável ou não e uso amaneirado e quase decorativo da tecnologia. que se constituiu. esses arquitetos decretaram o fim do MODERNISMO e propuseram-se a encontrar novos caminhos para o funcionalismo através de uma maior exploração plástica dos meios expressivos do projeto. através de uma fantasia tecnológica levada ao extremo (funcionalismo e ênfase estrutural). as quais variaram de autor para autor em uma verdadeira “batalha de rótulos” (JENCKS. entre outras. 110 Paralelamente. Segundo ROBSON & GROVES (1999). monolitismo.  Além de Kahn e de Aldo van Eyck. informalismo e tecnotopismo.  Os anos do segundo pós-guerra europeu trouxeram uma série de questões que simplesmente inviabilizaram a continuação pura e simples da cartilha moderna ideologicamente neutra. o norte-americano Shadrach Woods (1923-73) e o italiano Giancarlo De Carlo (1919-2005). ESTRUTURALISMO Corrente tardomodernista holandesa formada em torno da Revista Fórum (1959/67) e liderada por Aldo van Eyck (1918-99). tecnicismo (ou mecanicismo). da Revolução Chinesa (1946/50). em 1956. Bakema (1914-81). assim como o sincronismo dos fatos ao invés de sua evolução.  Foi o lingüista Ferdinand de Saussure (1857-1913) quem inspirou os chamados críticos estruturalistas. surgiu um grupo de arquitetos mais jovens. da Guerra da Coréia (1950/53) e dos movimentos de libertação da Índia e da Indochina. ênfase circulatória e mecânica. etc. O início da época da GUERRA FRIA. os ingleses Peter (1923-2003) & Alison Smithson (1928-93). a corrente filosófica do ESTRUTURALISMO visava privilegiar a totalidade em detrimento do particular. No CIAM de 1959. Roland Barthes (1915-80) e Louis Althusser (191890). também participavam do TEAM X os arquitetos holandeses Johannes H. Seus seguidores. como: Jean-François Lyotard (1924-98). sendo consideradas as mais destacadas as seguintes: estruturalismo. .As principais características da linguagem arquitetônica tardomoderna são: a) Enfoque por demasiado pragmático. nascidos em torno dos anos 10/20. Buscava enfim compreender as relações que unem estes fatos bem mais do que os próprios fatos no seu caráter heterogêneo e anedótico. Dentro dos CIAM’s. Claude-Levi Strauss (1908-2009). esculturismo (ou neo-expressionismo). Existiu uma infinidade de denominações para as teorias tardomodernas. esse ponto de vista foi derrotado no fim dos anos 60 pelos chamados pósestruturalistas. viram o mundo organizado em sistemas que se entrosam. nas suas próprias gramáticas abertas à análise. brutalismo. Jean Baudrillard (1927-2007). do contexto urbano ou do domínio público (acontextualidade. aos sistemas e acabamentos. da produção sistemática e da experimentação essencialmente prática: desconsideração da memória histórica. que provocou uma cisão definitiva entre aqueles que achavam necessária uma nova orientação e aqueles que se conformavam com a continuação do racionalismo funcionalista. priorizando questões ligadas à proteção física. Gilles Deleuze (1925-95). ocorridos entre 1947 e 1950. aliados a estruturas profundas.

Hol. entre 1971 e 1982. Norfolk). etc. d) Antecipação da estética brutalista. embora incipiente. sendo bastante influenciado pelas idéias neoplásticas. também participou do Team X. criando uma disjunção entre a estrutura volumétrica-espacial e a apropriação espacial. partindo do estruturalismo para o brutalismo.). citam-se: do  ALDO VAN EYCK (1918-99): Arquiteto holandês que estudou na Inglaterra e foi um dos fundadores do Team X. assim como a interrelação das partes que sua manifestação isolada). estruturas físicas disciplindas. atacando também a frivolidade da arquitetura neoracionalista. assimilava as práticas do gosto tecnológico. Tendo sido co-diretor da Revista Forum (1959/67). b) Embora critique o reducionismo e a impessoalidade do Estilo Internacional. que não sobreviveu após a década de 1970 (COLIN. Watford). e a Prefeitura de Terneuzen (1963/72) e o Hospital Psiquiátrico de Middelharnis (1973/74. da exposição do conteúdo tecnológico dos edifícios e aspecto de mau-acabamento (Estética da Verdade). em cada um dos quais cada um de seus elementos somente pode ser definido pelas relações de equivalência ou de oposição que mantém com os demais elementos. objetividade (expressão verdadeira) e seriedade (utilização manifesta dos materiais). Na arquitetura estruturalista. a indiferença quanto ao contexto urbano (acontextualidade) e o excessivo rigor projetual. e com sócio Theo Bosh (1940-). Sugden House (1957. Esse conjunto de relações formaria a ESTRUTURA. presente e futuro nas ARCHEFORMS propostas. Sua teoria girava em torno de idéias fechadas – responsabilidade (obrigação do arquiteto diante da sociedade). ensejando a chamada clareza labiríntica. voltada para a personificação e hierarquização dos espaços internos (ênfase da estrutura organizativa interna em detrimento do aspecto exterior). de manejar o aparato teórico da lingüística e da antropologia estrutural (privilegia a totalidade sobre as manifestações parciais. desde 1943.. Piccadily. Driebergen Church (1965). Dr. Holanda). The Economist Building (1959/65. Suas obras demonstravam grande preocupação social e a busca de uma sensação intimista entre arquitetura e indivíduo. isto é. além da indiferença em relação ao sítio (acontextualidade). London) e a Escola de Arquitetura da Universidade de Bath (1988/89). realizou uma arquitetura de rara modéstia. 1983). Obras: Orfanato Municipal de Amsterdã (1957/60).  Procurando explorar as interrelações – as ditas "estruturas" – através das quais o significado é produzido dentro de uma cultura. calcado no emprego convencional da malha quadrangular do Estilo Internacional foram seus pontos neuvrálgicos no que se refere à superação dos princípios anteriores do modernismo (JOEDICKE.  Na arquitetura e urbanismo. A proposta de integração do passado. c) Tentativa. contribuiu para a difusão do estruturalismo e depois do brutalismo dos Smithson. Hubertus House (1973/78.  JACOB B. foi o principal ponto de ataque do movimento. Obras de destaque: o Centro Comercial Lijnbaan de Roterdã (1949/54). Em colaboração com sua esposa Hannie Van Eyck (198-).  Como os maiores expoentes estruturalismo arquitetônico. seus expoentes foram criticados por serem não históricos e por favorecerem forças estruturais determinísticas em detrimento à habilidade de pessoas individuais de atuar. BAKEMA (1914-81): Arquiteto holandês que.Os estruturalistas concebiam o mundo como um conjunto de sistemas. Participando do Team X. junto com seu sócio Johannes H. demonstraram insatisfação com o lirismo geométrico e apontaram para uma volta ao amor pelos materiais e restabelecimento da relação entre forma construída e as atividades humanas. 2004). Amsterdã) e Sede Central da ESTEC (1986.  PETER (1923-2003) & ALISON SMITHSON (1928-93): casal de arquitetos estruturalistas ingleses que fundou o conceito brutalista. que rechaçava o conceito moribundo do funcionalismo. foram essas as principais características da linguagem estruturalista: a) Abordagem introspectiva. materiais e técnicas industrializadas. Van Den Broek (1898-1978). Principais obras: Colégio Secundário Hunstanton (1949/54. mas muito criativa. ou seja. Noordiwiujk. 111 .

Asilo de Idosos De Drie Hoven (1972/74. a distribuição funcional. suas obras revitalizaram as formas modernistas através da incorporação de métodos informatizados. Amsterdã. Principais obras: Smithson High School (1949/54.  HERMAN HERTZBERGER (1932-): Arquiteto holandês que concedeu a máxima importância aos valores sociais na hora de projetar seus edifícios. foram tachados pela crítica como representantes de uma moda oportunista ou uma experiência estéril. Inglaterra). RALPH ERSKINE (1914-2005): Arquiteto inglês que trabalhou principalmente na Suécia a partir dos anos 40. moradias. cujos edifícios humanísticos e planos urbanos expressavam uma preocupação com a natureza dos materiais e o interrelacionamento humano. As técnicas priorizadas eram as de vidro estrutural (maiores vãos e montagem rápida) e de painelização (revestimento liso). quando divulgou suas idéias sobre o estruturalismo. Foi diretor da Forum.  Em 1969. Preferiu trabalhar com a multiplicidade celular extrema. Apeldoorn). que se propunha a superar os limites racionalistas através de uma abstração extremizada e “pós-moderna” levada até o virtuosismo gráfico. Lapônia). o volume e as circulações lineares. Casa Própria em Drottningholm (1963). De fundamentos estruturalistas. Além dos seus vários blocos residenciais na Suécia. Centraal Beheer Headquarters (1970/72. East London). Formado pela Universidade Técnica de Delft (1958). Delft). as diversas rotas e os elementos construtivos individuais. acrescentando-lhe um maior apuro técnico. Martinica) e o Plano Urbanístico de ToulouseLe-Mirail (1961. Fábrica Química em Gnests (1950). além de uma complexificação nos métodos projetuais (CEJKA. Oxford). NEOPURISMO Em meados dos anos 60. Biblioteca da Universidade de Estocolmo (1983) e Terminal Vasa em Estocolmo (1984). aspirando alcançar sua identidade própria. sobretudo no que se refere a materiais e acabamentos. as maiores obras de Erskine foram: o Hotel Turístico para Esquiadores em Borgafjäll (1948. produziu muitos bairros e conjuntos residenciais irregulares e complexos. Hilda’s College (1968. Hunstanton. o International Style seria entendido como fato do passado e seria atualizado por meio da ambigüidade espacial (W OLFE. seus expoentes – Richard Meier. levando-se em consideração questões como isolamento acústico e suficiência energética. Suas preocupações básicas eram: a estrutura espacial. ou seja. 112 . 1996.  GEORGES CANDILIS (1913-95): Arquiteto francês que trabalhou na reconstrução do segundo pós-guerra. Charles Gwatmey. a relação interior/exterior e a configuração plástica. o que conferia aos edifícios um caráter de “produto industrial”. estabeleceu escritório na sua cidade natal. o Bairro Residencial em Fort-de-France (1957. Avasjo. Norfolk). Centro Musical Vredenburg (1976/78. O grupo apresentou uma arquitetura branca e pura que parecia mais modelada em cartão do que construída. França). e o Kassel Housing Complex (1982. madeira e chapas metálicas. Amsterdã). Seu maior talento residiu em convertes idéias sociais em realidade arquitetônica. Além disso. Clare Hall em Cambridge (1968. fazendo uso amaneirado de suas soluções formais. Garden Building St. Fez uma série de estudos sobre edifícios auto-suficientes ou ainda dotados de redes de infra-estrutura de apoio. uma corrente tardomoderna norte-americana propagava a desconfiança para com o modernismo. Seus maiores trabalhos foram a Unidade de Habitação em Bagnols-Sur-Cèze (1956). Kassel Alemanha). John Hejduk e Michael Graves – todos na casa dos 30 anos. lecionando na Academia de Arquitetura da cidade entre 1965 e 1970. Diagoon House (1966/70. conjuntamente a Alexis Josic (1921-) e Shadrach Woods (1923-73). foi apresentado ao público o grupo NEW YORK FIVE ARCHITECTS – NY5.  O NEOPURISMO também foi chamado de produtivismo por defender o uso de sistemas industrializados tanto para a estrutura como para o tratamento mural e divisão interna. 1990). subtrai os núcleos. Ao invés de realçar a massa. entre 1959 e 1963. COLIN. Utrech). Passando a ser conhecidos como os whites. 2004). Empregando aço. Peter Eisenman. em uma exposição do MoMA de Nova York. Hobin Hood Gardens Housing Complex – Poplar (1969/72. Entretanto. buscava uma qualidade espacial. escolas e escritórios. repensando o modelo racionalista e aplicando-a a uma nova escala. Seu trabalho consistia em uma releitura da linguagem purista de Le Corbusier (1887-1965) dos anos 20. aplicou sua filosofia em edifícios.

Los Angeles CA). Gerrit Rietveld (1888-1964) e Giuseppe Terragni (1904-42). sensível e próximo das necessidades materiais e simbólicas das pessoas. A partir de 1967. experimentando metodologias compositivas sobre a trama cartesiana. Columbus OH). A fidelidade ao purismo corbusieriano projetou-o internacionalmente. East Hampton. Destacaram-se: a Casa I ou Pavilhão Bareholtz (1967/68.). New York. Enfatizando uma tecnologia controlada. Twin Parks Northeast (1969/73. mas que acabou abandonando o neopurismo para adotar a fantasia pósmodernista dos grises norte-americanos. Seus trabalhos mais recentes envolvem intervenções em entornos construídos. Através de colisões geométricas de planos e estruturas. Princeton NJ). Georgia) e Museu J. o Biozentrum (1987/89. a Casa III ou Miller House (1969/71. nos anos 80. Principais obras: One Half House (1966). resultado do emprego de retículas bi e tridimensionais.  PETER EISENMAN (1932-): Arquiteto norteamericano que criou o chamado objeto axonométrico. planos delgados recortados e estruturas desprendidas da modulação básica. d) Emprego abundante de superfícies envidraçadas (vidro estrutural) e de painelização com chapas de aço esmaltadas. The Atheneum (1975/79. Hardwick CT). associando-se a Robert H.). Bronx NY). Frankfurt-am-Main. recorte e interpenetração de volumes. Princeton NJ). plástico. N.). Darien. tornando-se. recentemente substituídas por ACM (Alumynium Composite Material). espaço. começando a atuar independente em 1963. Paul Getty (1984.Y.As principais características da arquitetura neopurista do NY5 eram: a) Rigor disciplinar e puritano. a obra arquitetônica entendida como um nó sintático que deslumbra a vista e confundem mente. Compartilha com o NY5 o interesse pela reciclagem dos modelos corbusianos através da experimentação gráfica. Columbia e Harvard. Le Corbusier (1887-1965). justaposições e superposições. Alemanha) e o Centro de Congressos de Ohio (1989. a Casa II ou Falk House (1969/71. b) Incrementação da complexidade compositiva através do jogo criativo dentro da “jaula conceitual”. em uma sintaxe dos espaços internos e externos através de sua estratificação horizontal e vertical. resultando em labirintos ceremoniosos e surrealistas. Conn. Para Eisenman. insere-se no tardomodernismo pelo uso de grandes superfícies de vidro.  JOHN HEJDUK (1929-2000): Arquiteto norteamericano que desenvolveu toda sua atividade experimental no campo do ensino na Cooper Union da Irwin Chanin Scholl of Architecture. Comparado ao outros integrantes do NY5. significando nada mais do que o próprio processo que a gerou. Museu de Artes Decorativas de Frankfurt (1979/85). vigamentos cruzam-se. expresso através de uma racionalidade sofisticada e aristocrática inspirada nas formas puristas e neoplásticas dos anos 20. um dos precursores da arquitetura desconstrutivista.  MICHAEL GRAVES (1934-): Arquiteto norteamericano que contribuiu com o NY5 através do projeto de sua Benacerraf House (1967/70. Inspirandose no neoplasticismo e cubismo.  Estes foram os expoentes do NY5:  RICHARD MEIER (1934-): Arquiteto norteamericano que trabalhou com o SOM e Marcel Breuer. especialmente as de Adolf Loos (1870-1933).  CHARLES GWATHMEY (1938-): Arquiteto norte-americano que foi catedrático nas Universidades de Yale. New Harmony Ind. Lakesville CT). c) Independência da arquitetura da paisagem e da história (acontextualidade e antiornamentalismo). retícula aplicada. High Museum of Art (1980/83. Principais obras: Smith House (1965/67. seguindo regras elementares. Wall House (1972). decompõe a arquitetura em suas formas geométricas mais simples e expressivas. Siegel (1939-) a partir de 1968. 113 . sendo que as plantas e fachadas marcam algumas transformações internas e aplicação de sistemas coordenadores. Bye House ou Wall House II (1973) e Casa NorteSul-Leste-Oeste (1975). seu método era muito mais empírico. emaranhado estrutural em angulações e sugestão de mecanismos. uma chapa de alumínio enrijecido com resina sintética (“luva produtivista”). perfis são rebatidos e superfícies cortadas. Atlanta. fez uma série de pesquisas nos projetos das casas I a XI. procura revelar contrastes. como a anexo do Guggenheim Museum de Frank Lloyd Wright. função e mobiliário devem ser estruturados a partir de um sistema mental coordenador. A partir do plano e da cor branca como elementos básicos. Gwathmey House (1965/67) e Tolan House (1970/71). Foffman House (1966/67. isto é. Destacaram-se também as casas de Amagansett NY.

entre 1963 e 1969. ou Benwell. Iniciados em 1969 e interrompidos em 1976. etc. através de programas de REABILITAÇÃO URBANA. Hamburgo. bares e restaurantes. no Beaubourg. d) Inauguração em 1989 da Ópera de Paris Bastille. gerando muitos protestos. as quais incluíram a transferência do Ministério das Finanças que ocupava a Ala Richelieu e a criação de uma nova entrada em forma de pirâmide. que procurou restaurar antigos monumentos. Em seu lugar. passaram por reestruturações. A orientação e controle do crescimento urbano foram de repente substituídos pela obsessão de encorajá-lo a todo custo (HALL. o Forum Les Halles. era o maior mercado atacadista de frutas e verduras de Londres para 1974 ser transferido e o local transformado um ponto de compras da moda e em uma concorrida zona turística. que foi totalmente remodelado. o que levou a várias iniciativas de reconstrução funcionalista. a política traçada para os centros históricos não pôde mais ser tratada de maneira autônoma e marginal à política territorial. 2002). feitas nos anos 80. cidades como Liverpool. Glasgow. Houve também reflexos no Brasil. para o qual foi construído o Royal Festival Hall. Os casos mais emblemáticos desse novo perfil de intervenção urbana foram as obras renovadoras das Docklands de Londres e Liverpool. ampliar seus acessos e reciclar suas estruturas. M. promovendo sua participação no planejamento urbano. a reestruturação do waterfront de Boston e o South Street Seaport de Nova York. projetado por Richard Rogers (1933-) e Renzo Piano (1937-). criada por uma equipe liderada por Eugènne Beaudouin (1898-1983). assim como o Inner Harbor Redevelopment de Baltimore. 114 . Lisboa e Porto. em Birmingham. os históricos pavilhões de vidro do mercado geral de gêneros alimentícios foram demolidos. 17  A partir de então. Miami e São Francisco. e o de Seebohm (1968) sobre serviços sociais – marcou a redescoberta oficial da pobreza por parte do establishment britânico. Toronto e Sidney. além do Parc de La Villette (1984) e do novo bairro de La Defense (1989). o Parc Olimpic de Barcelona. nasceu um complexo de lojas e lazer. projetada pelo arquiteto I. b) Ampliação e modernização do Mussé du Louvre. uma série de relatórios – o de Milner Holland (1965) sobre a habitação em Londres. além de Vancouver. no governo de François Miterrand (1916-96). nos anos 90. as experiências de Boston. que algumas obras foram concluídas. Grande parte de LONDRES foi arrasada por bombas na Segunda Guerra Mundial (1939/45).  Uma das primeiras áreas a ser remodelada foi a do antigo mercado de Les Halles. Gênova. c) Criação de novos museus. além de grandes eventos para o desenvolvimento da cidade. nos EUA. Veneza. quando Londres liderava o mundo da moda e da música popular. de Robert Matthew (1906-75) e Leslie Martin (1908-99). em 1981. Nova York. de Gae Aulenti (1927-). Florença. como os Jogos Olímpicos (1948) e o Festival da Grã-Bretanha (1951). frutos de reciclagens de prédios antigos em 1986. – com a conservação integrada. o polêmico edifício hightech. a receita mágica para a revitalização urbana passou a ser um novo tipo de parceria criativa entre o governo municipal e o setor privado. que desde o século XVII. e injetariam seu dinheiro em lojas. como ocorreu em Covent Garden. e do Centre Georges Pompidou (1972/77). As equipes que os implementavam proclamavam que o problema – de Saltley. em pleno coração do Le Marais. que funcionava no mesmo local desde 1183.REABILITAÇÃO URBANA Desde a Operazione Bologna e as demais experiências italianas – em Roma. com ações em São Luís. tanto na Europa como fora dela. Problemas de tráfego fizeram com que fosse transferido para os subúrbios e. Baltimore. criado por Ricardo Bofill (1939-) e que demorou dez anos para ser concluído. dando lugar a um complexo de uso misto inaugurado em 1979.  Em meados dos anos 60. Berlim. Curitiba e Rio de Janeiro. criada por Richard Meier (1934-). o de Plowden (1967) sobre escolas primárias. Também compuseram o PLANO DE RENOVAÇÃO DE PARIS as obras de: a) Construção da Tour Montparnasse (1958/73). como o Musée Picasso e o Musée d’Orsay. O processo de renovação de PARIS iniciou-se em 1962 e durou cerca de duas décadas. vários governos. a partir de um amplo programa dirigido pelo ministro da cultura André-Georges Malraux (1901-76). além de promover a revitalização de alguns bairros com base nas idéias difundidas pelo arquiteto Philippe Panerai (1940-). o Plano Estratégico de Lisboa e o Puerto Madero de Buenos Aires. Barcelona. passaram a renovar áreas urbanas problemáticas. em Newcastle-upon-Tyne. Entre as décadas de 1970 e 1980. por exemplo – era “estrutural”: a nova palavra em voga nas universidades e que passava a integrar o vocabulário urbanístico. Pei (1917-). Somente na década de 1980. que promoveu alguns projetos de renovação. Bilbao. Os chamados YUPPIES ou young urban professional people (“jovens profissionais urbanos”) elitizariam as degradadas áreas residenciais vitorianas próximas do centro de Londres. Em 1969. Recife.  Além dos centros históricos de Paris e Londres. Na América. serviram de referência para projetos 17 similares em todo o mundo . Salvador. os Community Development Projects – CDP visavam despertar a consciência das comunidades carentes locais. em fins dos anos 60. organizações municipais proporam a instalação de uma nova estação de baldeação da Rede Expressa Regional – RER.

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