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Webjornalismo Cidadão - Thereza Gerhard

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Webjornalismo cidadão é a prática jornalística desenvolvida na internet em que qualquer cidadão pode produzir conteúdo informativo. É uma forma democrática de produção e acesso à informação em que há a oportunidade de fugir das pautas da grande mídia e ainda valorizar grupos que são negligenciados pela imprensa hegemônica.
Webjornalismo cidadão é a prática jornalística desenvolvida na internet em que qualquer cidadão pode produzir conteúdo informativo. É uma forma democrática de produção e acesso à informação em que há a oportunidade de fugir das pautas da grande mídia e ainda valorizar grupos que são negligenciados pela imprensa hegemônica.

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Webjornalismo Cidadão e Democracia: o caso blog do VQ

Thereza Gerhard1
“Você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem” (Como nossos pais – Belchior)

Resumo Webjornalismo cidadão é a prática jornalística desenvolvida na internet em que qualquer cidadão pode produzir conteúdo informativo. É uma forma democrática de produção e acesso à informação em que há a oportunidade de fugir das pautas da grande mídia e ainda valorizar grupos que são negligenciados pela imprensa hegemônica. Com esta prática obtêm-se mais uma opção de informação com outros pontos de vista e abordagens. Este artigo faz uma reflexão sobre se o Jornalismo Cidadão é realmente democrático e se há credibilidade nas notícias e analisa as motivações que levam um cidadão a escrever notícias do ponto de vista dos colaboradores do site estudado: o blog do Jornal Valença em Questão: blog do VQ. Palavras-chave: Webjornalismo Cidadão. Blog. Democracia. Valença em Questão. Abstract Citizen Webjournalism is a journalism usage that is developed on the internet, in which any citizen can produce informative content. It is a democratic way of information production and access in which is the opportunity to escape from the great media schedules and still valorize groups that are ignored by the hegemonic press. With this practice there are a further option of information with other points of view and approaches. This article makes a reflexion on whether the Citizen Journalism is truly democratic and if it has credibility in it's news and analyzes the motivations that move a citizen to write news in the point of view from the collaborators of the studied website: the Valença em Questão journal's blog: the Blog do VQ. Key Words: Citizen Webjournalism. Blog. Democracy. Valença em Questão. Resumen Webperiodismo ciudadano es la práctica desarrollada en la Internet en el que cualquier ciudadano puede producir contenido informativo. Es una forma democrática de la producción y el acceso a la información que existe es una oportunidad para escapar de los pentagramas de los medios de comunicación y también valorizar grupos que son ignorados por la prensa hegemónica. Con esta práctica, hay una nueva opción de información con otros puntos de vista y enfoques. Este artículo es una reflexión sobre si el periodismo ciudadano es verdaderamente democrático y si hay credibilidad en las noticias y se examinan las motivaciones que llevan a un ciudadano a escribir noticias desde el punto de vista de los trabajadores estudió el sitio: el blog de el periódico Valença em Questão: blog do VQ.
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Acadêmica em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pelo Centro Universitário de Barra Mansa (UBM). E-mail: therezacristinag@gmail.com

. Valença em Questão. Democracia. Blog.Palabras clave: Webperiodismo Ciudadano.

do interior do estado do Rio de Janeiro) há indícios de que haja democracia. Quem se apropria desses meios para informar é chamado de cidadão-repórter ou cidadão-jornalista e faz parte de uma prática que pode ser chamada de jornalismo cidadão. O artigo está organizado da seguinte forma.Introdução A internet. Os objetivos específicos do estudo se focaram no blog do VQ e na participação de seus colaboradores: traçar o perfil desses integrantes. discute-se se o jornalismo cidadão pode ser denominado jornalismo. Concluindo. Logo após. revisão e edição das matérias. em que qualquer internauta pode alterar o conteúdo de uma página. Há um capítulo posterior intitulado ‘Democracia’ em que há uma reflexão sobre o tema. do ponto de vista narrativo. os movimentos populares e culturais são divulgados e reconhecidos pelas matérias publicadas pelos integrantes do grupo do VQ (como são conhecidos os colaboradores do jornal e do blog). TADDEI. No caso do blog estudado (Blog do jornal “Valença em Questão”. ainda. Depois. os temas dos objetivos específicos da pesquisa de acordo com o blog estudado. Analisam-se. 2 Open source – fonte ou código aberto. são feitas as considerações finais. (FOSCHINI. discutir a credibilidade das notícias. Primeiro explica-se algumas denominações do jornalismo desenvolvido por cidadãos. discute-se o papel que pode desempenhar um blog. então. as novas tecnologias e a motivação de ser uma alternativa aos meios de comunicação de massa hegemônicos fazem com que um número cada vez maior de pessoas comece a produzir conteúdo. visto que há liberdade de expressão e as minorias. O objetivo principal deste estudo é descobrir se esta atividade é realmente democrática. open source2 ou grassroots journalism3.19) 3 Jornalismo grassroots – Refere-se à participação na produção e publicação de conteúdo na web das camadas periféricas da população. descobrir a motivação para produzir conteúdo informativo e. Logo após. participativo. identificar os tipos de notícias veiculadas. usado para definir o jornalismo feito em sites wiki. colaborativo. p. (idem) . mostrar como é feita a apuração. apresenta-se o estudo de caso: o Blog do VQ.

Webjornalismo cidadão: significações Os termos correntes para designar as notícias. de fonte aberta). FONSECA. reportagens. como o estudo de caso é o jornalismo praticado na internet. A seleção e a diferenciação dos dois termos utilizados no artigo foram feitas intuitivamente. uma simples sugestão que pode ou não ser seguida ou a uma contribuição temporária ou sem maiores vínculos. Já jornalismo . excluindo-se os termos em inglês e “jornalismo colaborativo”. à obrigatoriedade do diploma e à liberdade de comunicação e de informação que deveriam ser direitos de qualquer cidadão. (PRIMO. visto que não há nenhuma pesquisa científica sobre o webjornalismo cidadão. 86) é jornalismo colaborativo. A relevância do assunto se dá pela sua contemporaneidade e pela falta de debates sobre o tema no curso de graduação em Jornalismo do Centro Universitário de Barra Mansa. TRÄSEL. Os questionários foram enviados por e-mail. E. apenas seis responderam às perguntas. bem como ao papel do jornalista. grassroots journalism e jornalismo open source (isto é. 2006) Outro nome dado a esta “prática em que qualquer cidadão pode se tornar repórter” (LINDERMANN. O Jornalismo Cidadão é relevante também porque mexe com questões diretas relativas ao jornalismo e ao futuro desta profissão. foca-se a discussão no chamado webjornalismo ou jornalismo online.A metodologia utilizada para o desenvolvimento da pesquisa de campo foi a pesquisa quantitativa e qualitativa com o emprego de questionário misto e entrevistas sobre o blog e o tema tratado. 2007. jornalismo participativo. De doze integrantes do grupo do VQ. peças audiovisuais e imagens produzidas por qualquer interagente e distribuídas no ciberespaço são jornalismo cidadão. p. A denominação jornalismo colaborativo dá idéia de uma participação estreita. Neste artigo optou-se por utilizar duas das formas vigentes (jornalismo cidadão e participativo) e manteve-se a designação usada por cada autor.

mesmo abrindo espaço de interação para seus leitores. podem acabar não se modificando. cheios de genuína paixão. por outro lado. poetas. Ressaltase que há participação. até então receptores das mensagens. Os intelectuais e escritores que começaram a escrever a história do jornalismo opinativo com vontade de ser livre. Opta-se por usá-la nos casos de sites que possuem uma seção para que os leitores possam enviar textos. designa mais claramente a idéia de cidadania. nem autonomia na publicação do material. Esta. é verdade. o termo utilizado no artigo nos casos independentes. informam. Jornalismo cidadão. bem como outros mecanismos para filtrar o conteúdo enviado pelos cidadãos-repórteres. pois os cidadãos. portanto. já que não deixam que pontos de vista ou interesses muito divergentes aos seus permeiem suas páginas na web.participativo remete a uma participação real. linhas mercadológicas e editoriais. mas também lutam por causas. hoje são pessoas comuns. Grandes escritores. então. a profissão começou a ser desenvolvida por amadores e pode ser que esteja seguindo para o mesmo caminho agora no século XXI. denúncias e experiências? Os blogs atuais estão cheios de individualismo. há editores. críticas. religiosos. revolucionários. de que um cidadão comum realmente produz. Amadorismo. Amadores capazes. será a intitulação do jornalismo desenvolvido no website pesquisado: o blog do Jornal “Valença em Questão”. onde o intermediário não é uma grande empresa jornalística. Porém. seleciona. O que é mais apaixonado ou apaixonante do que a expressão individual de opiniões. corrige e publica as notícias. Portanto. blogs e participação cívica Considerando que no começo do jornalismo não existiam faculdades nem cursos de formação para a atividade. É. produzem efetivamente conteúdo informativo. denunciam. mas muitas vezes carregadas da mesma intensidade de paixões. . o mass media. No outro extremo. fotografias ou vídeos. os produtores de conteúdo não têm liberdade total de emissão de opiniões.

(PRIMO. comentarem. sem passar por representantes” . Democracia Segundo Lévy (1999. Entretanto. o ciberespaço poderia tornar-se o lugar de uma nova forma de democracia direta em grande escala. professores e coordenadores de cursos de Jornalismo. p. que não têm formação acadêmica na área do jornalismo ou mesmo da comunicação. é uma atividade irrefreável e que tem possibilidade de contribuir para a prática profissional. A questão fundamental desta democracia seria “dar a uma coletividade o meio de proferir um discurso plural. As pessoas que não observam nos meios de comunicação tradicionais os pontos de vista e as opiniões que procuram ou mesmo meios de interagirem. afirma que os blogs podem ser atos de participação cívica. fazer a diferença em meio ao jornalismo profissional. Muito além de meras páginas online com texto e conteúdo pessoal que só interessa ao próprio autor e seus conhecidos. p. defenderem pontos de vista. O jornalismo tradicional está cada dia mais abalado pela efervescência da internet e das novas tecnologias que possibilitam a produção de conteúdo informativo por pessoas comuns. informar e atender às necessidades dos leitores. (2005. 2006). ter utilidade pública. os blogs podem informar a sociedade. O jornalista e pensador sobre os novos meios de comunicação. Gillmor defende que o jornalismo cidadão não só é válido como pode mostrar a nós jornalistas novas maneiras de pensar. escrever. O fato dessas pessoas não possuírem diploma na área assusta alguns profissionais. colaborarem e co-produzirem conteúdo encontram na internet o meio perfeito para emitirem suas opiniões.O jornalista e professor Alex Primo condena a conceituação dos blogs como meros diários íntimos ou apenas páginas pessoais (o que excluiria as produções grupais). 64). 144). publicarem o que não vêem na mídia tradicional e denunciarem o que descobrem de errado na sociedade e na imprensa. SMANIOTTO. Dan Gillmor.

(ibidem. p. que esta é uma forma real de democracia. a fala do coletivo deveria estar ligada à sua respiração. É possível afirmar. é jornalismo? A idéia de uma comunicação democrática e do diálogo com diferentes grupos que não são ouvidos e retratados pela mídia tradicional é percebida no Jornalismo Cidadão. Já nos sites informativos que disponibilizam uma área para o jornalismo participativo. “para ser completamente livre. existe uma linha editorial que fixa uma barreira e muitas vezes não deixa os leitores expressarem suas opiniões nas notícias que publicam. uma mídia cidadã articulada por uma coletividade que afirme mensagens e práticas com base nas vivências desses grupos em contraste a estereótipos e sensos comuns a ela relacionados. 65-66). Afinal. deveria brotar incessantemente e inventar-se em tempo real”. (Vitor Monteiro de Castro. por e-mail). é preciso pensar em uma comunicação que preze pela cidadania. da dimensão humana mais profunda. então. Para Castro. a comunicação se revela emancipadora para esse coletivo – uma oportunidade para o exercício da cidadania – e transformadora para a sociedade como um todo. há editores que corrigem e selecionam o que entrará ou não na publicação. da reflexão social”.(idem. p. de se reconhecerem como querem ser reconhecidos. Porém. Ainda em depoimento por e-mail. Castro explica que uma mídia cidadã efetiva fortalece a sociedade por oferecer novas formas de comunicação e discursos diferentes dos ditados pela mídia tradicional. como mais um “produto” informativo sem que para isso tenha que contratar e remunerar mais um jornalista. “As mídias cidadãs podem ajudar a resgatar no imaginário social a idéia do ‘nós’. E há ainda o interesse financeiro das empresas que podem usar essas notícias como calhau. 67) Nos blogs em geral a informação e a forma de interação com outros leitores é construída em tempo real e sem intermediários. Quando esses grupos se tornam autônomos e produzem sua própria forma de comunicação. . de se verem. Ainda de acordo com o autor.

carente de publicações informativas. Para Gillmor. o modelo americano adotado até então é mais uma forma de ocultar que de informar. 80) . Vitor Monteiro de Castro. 67). no interior do estado do Rio de Janeiro. a proposta era fazer um trabalho prático como monografia. ainda era estudante de Comunicação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). sublead. Já na primeira edição. Quando seu editor. 19). em abril de 2005. De acordo com o jornalista Dan Gillmor. um grupo de pessoas começou a se aproximar do “Valença em Questão”. em Valença. (1999. O jornalismo cidadão poderia criar novas formas de escrever e se expressar a partir das vivências. pirâmide invertida. Nilo Sérgio Gomes. Detalhe: a tiragem do Jornal “Valença em Questão” é maior que o “Jornal Local”. profissões e áreas do conhecimento desses cidadãos-jornalistas. (2005. A publicação possui oito páginas sem editorias fixas. mestre e pesquisador. de fazer um jornal onde ele morava.alguns críticos se perguntam se esta prática deveria ser chamada de jornalismo. Para o jornalista. então. único . Surgiu a idéia. p. “as velhas regras de elaboração das notícias já não são as únicas com que temos de nos conformar” (2005. p. p. o jornalismo está sendo cada vez mais apropriado pelos grupos sociais e pelas redes de colaboração e as narrativas criadas por estas pessoas imprimem mais sentimento ao que é relatado. Mesmo que essa narrativa não exista teoricamente. Para Gomes. Estudo de caso: Blog do Jornal “Valença em Questão” Primeiro surgiu o jornal “Valença em Questão”. Lévy também defende que os enunciados do ciberespaço não precisam se inscrever em formas fixadas de antemão. deve-se preservar o que o sistema atual tem de melhor e estimular o emergente jornalismo de publicação pessoal “o do futuro”. Será que para ser considerada jornalismo teria que estar enquadrada em modelos pré-fixados e engessados de lead. A primeira edição contava com uma tiragem de 500 exemplares e hoje são dois mil com perspectiva de crescer para três mil. principalmente desvinculadas de interesses políticos.

o blog é um meio mais aberto e complementa o impresso. “perdia” alguns fatos do dia-a-dia. para deixar espaço para os outros.com> em setembro de 2007. todos são voluntários e quase todos contribuem financeiramente para a impressão do jornal. com tecnologia de rápida e simples apropriação”. a propensão ao diálogo e a repercussão que pode atingir” e por ser “um meio de baixo custo. dar voz à população pobre e outros grupos que são negligenciados pela mídia – e também começaram a colaborar. A distribuição. A meta é publicar. no entanto se limita ao município. interessantes de serem noticiados. Para acabar com essa lacuna e pela “facilidade para se criar e gerir um blog. não atingindo os seis distritos de Valença. Muito mais que apenas a versão online do jornal. Ninguém escreve todo o dia para o blog. por este motivo. <http://www. pelo menos. foi criado o blog do VQ. o jornal é enviado via e-mail e.jornal oficial da cidade de Valença com apenas mil exemplares. Hoje há doze integrantes no grupo que colaboram regularmente.blogdovq. Colaboradores O grupo foi formado inicialmente por universitários que moravam em Valença e iam juntos de van para universidades do Rio de Janeiro e debatiam sobre a política de Valença. Para quem tem acesso à internet e solicita. ainda. uma notícia por dia. é disponibilizado no blog. debater o desenvolvimento sustentável da cidade. O blog do VQ recebe ainda colaborações de . Outras pessoas foram se identificando com o objetivo do jornal – resgatar a história de Valença. a sua versatilidade. num grupo do Yahoo de livre acesso. O blog A publicação impressa é de periodicidade mensal e.blogspot. Há 30 pontos de distribuição na cidade e pessoas que ajudam financeiramente o jornal o recebem em casa.

formação dos grêmios das escolas e trabalhos de comunicação em ocupações rurais e urbanas. porque não há necessidade de edição dos textos ou exclusão por falta de espaço. Político apartidário A linha editorial do jornal procura dar visibilidade a grupos que não tem voz na cidade e região.com e não há qualquer filtro. textos que gostariam de ver no blog. que enviam. Porém. a idéia é formar novas pessoas interessadas na política do jornal que possam no futuro levar a bandeira adiante. Castro garante que as notícias que não são publicadas no jornal por estarem fora dos padrões de formatação de texto entram no blog. desde o início. Para publicarem notícias. mas o grupo espera retomá-las. essa formação não está sendo bem feita e ações neste sentido estão paradas.terceiros. os colaboradores tem acesso à postagem através do Blogger. Notícias veiculadas em outras mídias também são publicadas no blog. de acordo com Castro. como pela maior liberdade de conteúdo e dos colaboradores. via email. procurar dar espaço e visibilidade a ações e grupos que tradicionalmente não têm essa notoriedade. Voz e liberdade de expressão A proposta do jornal “Valença em Questão” foi. O jornal e o blog fazem parte de um todo bem maior. Esses textos passam pelo crivo editorial de algum colaborador. Capacitação Os colaboradores do blog do VQ não fazem nenhum tipo de capacitação nem são orientados da maneira como devem escrever para o blog. Algumas das ações realizadas em Valença para formar outros cidadãos-jornalistas foram oficinas de jornalismo em escolas públicas. formado por esse grupo que . com a devida indicação da fonte. tanto pela maior possibilidade de espaço. A idéia do blog é que ele siga a mesma linha editorial do jornal. é um espaço bem mais aberto. mas. Por falta de tempo e estrutura.

estes comentários podem virar notícia na página principal do blog. Embora possua membros de alguns partidos políticos. numa média de dez correspondências para cada edição.existe há quatro anos e busca alternativas e melhorias especialmente para Valença. de acordo com Castro. uma publicação política. É. No blog não há anunciantes e no jornal há apenas três: pessoas muito próximas ao grupo e o SEPE. divulgar eventos e denunciar fatos. Se causar interesse. portanto. Cabe frisar que estes poucos anunciantes não conseguem sustentar o jornal. Mesmo o fato de alguns membros participarem de movimentos e partidos e. caxambu. O movimento “Valença em Questão”. Castro assegura que estes anunciantes nunca tiveram influência na escolha das matérias. não tem ligação com nenhuma entidade ou instituição. ainda. mas muitos utilizam o meio para comentar outros acontecimentos. o Movimento Hip Hop e grupos culturais da cidade. entre eles estão o Movimento dos Sem Terra (MST). A linha de combate do grupo é contra as injustiças e a favor de movimentos populares. capoeira e teatro. como os de jongo. A maior parte do dinheiro para a impressão vem dos próprios colaboradores e de leitores que se identificam. O blog também não tem interesses financeiros ou mercadológicos que influenciem sua linha editorial. A maioria dos comentários é sobre as matérias publicadas. como PSOL e PCB. ajudam e motivam a continuidade da publicação. o Sindicato dos Profissionais da Educação (SEPE). Quando uma edição do jornal é distribuída na cidade. de acordo com Castro. a publicação se diz apartidária. trabalharem em empresas ou instituições não é levado em conta para as discussões internas do grupo. também há manifestações por meio de e-mails. A comunicação com . Comentários e e-mails Os leitores interessados em discutir as questões levantadas pelo VQ e suscitar outros debates se comunicam por meio de e-mails e pelo sistema de comentários do blog.

mas aos finais de semana quando grande parte do grupo está em Valença são realizadas reuniões sobre o grupo. não apenas se relacionar com Valença. Perfil dos cidadãos-repórteres Hoje. metade com renda mensal acima de R$ 1. p. que dispõem de aptidões técnicas e que têm meios que lhes permitem dispor do tempo e equipamento necessários’. o blog do VQ. Esse grupo é que produz efetivamente as notícias do jornal e do blog. mas há uma linha de ação do grupo que envolve além do blog e do jornal . 19) Dentro do grupo do VQ há um pouco dos dois lados sendo defendidos. de certo modo. A maior parte mora. defendidos pelo grupo e também com liberdade para publicar o que pensam no blog por meio de comentários ou e-mails que podem ser divulgados no blog. Tipos de notícias No blog do “Valença em Questão” não há pautas. muito reduzido da sociedade que tem acesso à universidade. o jornalismo de cidadão é em grande parte o domínio daqueles que formam. A decisão do que é ou não de interesse público depende de cada colaborador. mais recentemente. Para nosso descrédito. na opinião de Tom Stites. afetadas pela mudança e deixadas à margem do diálogo. segundo o editor Vitor Castro. não lhes temos dado a devida atenção.os colaboradores também se dá via e-mail. ‘um segmento muito reduzido da sociedade. 2005. estuda ou trabalha no Rio de Janeiro e se reúne nos finais de semana em Valença para discutir sobre o grupo que está junto há mais de quatro anos produzindo o jornal e. com idade entre 18 e 35 anos. São as pessoas comuns. o jornal e o blog. Um segmento.000. Os temas devem.00. aquelas pessoas com educação suficiente para participar numa conversação à distância. Os outros são as pessoas que estão a ser postas de lado pela ‘Admirável Economia Nova’. Muitos dos colaboradores estudam e/ou trabalham no Rio de Janeiro. O outro grupo que tem voz dentro do jornal e do blog são os movimentos sociais e culturais da cidade e pessoas da própria comunidade. mas levantar um debate que seja de interesse público. (GILMOR.

nacionais e internacionais são tratados no blog. também escrevem textos opinativos e reflexivos na página da internet. A maior parte das notícias é sobre acontecimentos locais. Os colaboradores. entretenimento. normalmente. principalmente. além de informar. representantes de movimentos populares e culturais ou outra personalidade que represente a cidade de Valença e a região. depoimentos e verificar se os fatos são verdadeiros. realização de eventos culturais e de educação. revistas e livros.impresso. Apuração Os colaboradores do blog do VQ não seguem regras para a apuração das notícias. Apenas um dos colaboradores disse entrevistar autoridades. Os entrevistados. Apenas um dos entrevistados . ações voltadas para cidadania em Valença: exibição de vídeos. Cultura. parcerias com movimentos sociais em diversas ações. mas cada um faz um pouco do que os jornalistas profissionais adotam para conseguir dados. Os assuntos mais discutidos são política e educação. mas os fatos regionais. Revisão A revisão dos textos se dá. Três respostas mostram que há entrevistas com especialistas para esclarecer os assuntos abordados. como jornais. Quatro pesquisam em fontes oficiais e também quatro pesquisam em veículos impressos. são pessoas comuns. Cinco dos entrevistados responderam que pesquisam na internet. com a correção dos erros de gramática e concordância e lendo e reescrevendo os textos várias vezes. Meio ambiente e os eventos que ocorrem na cidade e região também fazem parte das notícias publicadas pelo blog. economia e temas de utilidade pública e serviços também são muito divulgados. Há também muitas matérias que surgem como comentários sobre notícias de outros veículos. Dois entrevistados admitiram utilizar a opinião pessoal.

Além disso. o grupo sempre discute com exemplos práticos para que erros não sejam cometidos ou não se repitam. Se há algum erro mais grave. usam-se os comentários para dialogar com o colaborador. apenas gramática e concordância. O questionário utilizado na pesquisa identificou algumas dessas motivações. Apenas um dos . A maior parte (cinco entrevistados) começou a produzir notícias para emitir alguma opinião ou porque gosta de escrever. porém. As correções ficam em destaque na página para que os leitores identifiquem o que foi modificado posteriormente à publicação da matéria.disse usar o corretor ortográfico do programa de edição de textos e outro colaborador disse pedir para que outras pessoas lessem e apontassem os erros cometidos. As correções geralmente são realizadas pelo editor e jornalista Vitor Monteiro de Castro ou pelo engenheiro Carlos Alberto Fernandes Oliveira que são os únicos que têm acesso à postagem alheia. algumas coletivas outras individuais. que a proposta é que nada seja alterado. Se o erro fica muito tempo na página. Motivação Cada um tem seus motivos para ter começado a escrever notícias. Edição Os colaboradores têm liberdade para publicarem o conteúdo que quiserem e pouca coisa é modificada. são feitas erratas e pedidos de desculpas para os envolvidos. o erro é corrigido diretamente pelos editores e o colaborador é avisado. Quatro dos colaboradores iniciaram a vida de “repórter” para realizar algum tipo de denúncia e o mesmo número respondeu que gostaria de retratar a comunidade. Em caso de discordância de conteúdo. Castro ressalta. Divulgar eventos também é uma das motivações. evitando a alteração. se existirem “vítimas”.

a participação da sociedade é importante e necessária. Ela não acredita que caiba avaliar se é “confiável” porque notícias não confiáveis circulam em qualquer lugar. Já o colaborador de um site de jornalismo cidadão ganha mais com a liberdade de expressão e. “A informação é algo que tem que circular e. Outro colaborador. um jornalista. por meio dos comentários de outros leitores. afirma que há hoje a necessidade de se difundir notícias desvinculadas de interesses mercadológicos. Mas ele argumenta que no blog “outras pessoas poderão auxiliar na verificação das informações”. para ela. defende Gillmor. Uma terceira colaboradora argumenta que a questão central não é se as notícias são confiáveis ou não. produção e reflexão. na maioria dos casos. 18) Um dos colaboradores do blog do VQ. os jornalistas sérios”. Credibilidade Fazer com que outros leitores acreditem na credibilidade das notícias produzidas por cidadãos-jornalistas ainda é um obstáculo. “O público precisa de fontes credíveis. devese fazer mais: criar novos espaços de difusão. O importante. (2005. no caso do professor de sociologia. p. que não são divulgados pela mídia tradicional. Outra motivação foi educacional. para ela.colaboradores disse almejar obter experiência em jornalismo. Para isso. por isso. pode consertar possíveis erros. tem a possibilidade de dialogar com outros pontos de vista e descobrir dados novos sobre um fato. repensar as mídias que estão colocadas e a relação delas com os cidadãos é fundamental”. Aliás. O colaborador de um site de jornalismo participativo de uma grande mídia ganha com a edição dos erros por jornalistas profissionais. exige-as – e tais fontes têm sido. segundo ele. Ele lembra que as matérias do blog são apuradas para averiguar que a informação não seja falsa. . é o papel que as notícias de cunho alternativo desenvolvem socialmente. um engenheiro. pondera que não dá para confiar em tudo o que é noticiado.

segundo ele. Os objetivos específicos deste estudo também foram apresentados como a forma de apuração. Considerações finais De acordo com as características e as formas de funcionamento do blog pesquisado é possível concluir que o jornalismo cidadão é um meio democrático. governo ou instituição que interfira nas matérias. Ainda que a maior parte deste grupo trabalhe para empresas. edição e revisão em que há liberdade para a forma narrativa e de conteúdo. isso não interfere nas notícias veiculadas no blog nem no jornal. Cada integrante do grupo do VQ se expressa da maneira que acredita ser mais relevante. Nem os anunciantes intervêm no conteúdo das publicações. a lógica do blog do VQ é estar em “oposição aos interesses opressores da mídia burguesa”. realizar denúncias e retratar a comunidade. Além disso. . Os gêneros de notícias publicadas são: política. o fato de gostarem de escrever. embora o perfil dos colaboradores seja de pessoas de um segmento restrito da sociedade que tem acesso à universidade. mesmo que seja pessoal. só deve ser publicado se for de interesse coletivo. nenhum tipo de organização. Não há também. O professor de Sociologia concorda que sejam confiáveis. A motivação destes cidadãos-jornalistas também foi identificada: emitir opinião. pois parte do pressuposto de que “os interessados no blog estão saturados com as fontes hegemônicas de informação”. buscando-se sempre aprender com certos exemplos para que erros não sejam cometidos. sociais e de minorias que reconhecem e valorizam. E. há a democracia na maneira como se expressam e pelos grupos culturais. porque. educação e comentários sobre matérias de outras mídias. mas segue a linha de que todo assunto. Apenas um dos colaboradores que responderam ao questionário não soube dizer se as matérias produzidas por cidadãos são confiáveis ou não.Outro colaborador acredita que as notícias são confiáveis.

Essa liberdade é que está em questão.há predominância de textos opinativos e reflexivos. Nem os jornalistas. se não há ideologias institucionais. sem que por isso se esqueçam de informar predominantemente sobre assuntos locais. No entanto. como disse Dan Gillmor. não se pode ser livre totalmente. a própria ideologia. visto que ainda é um desafio fazer com que os leitores se baseiem nelas para tomar decisões. A “mídia livre” como alguns a intitulam. já que o mais importante é o direito à comunicação e de informar sem interferências nem manipulações devido a interesses políticos. há. Concluiu-se que pode ser uma maneira simplista de questionamento. A diferença é que neste último. pode-se estar a serviço do governo ou de partidos. econômicos ou ideológicos das grandes mídias. . quando se está livre da influência do poder econômico. não se alimenta tais ilusões. no jornalismo “do futuro”. por exemplo. Luta-se por uma objetividade que na verdade não existe nem no jornalismo profissional nem no jornalismo cidadão. p. Outra questão levantada foi se as notícias produzidas por cidadãos são confiáveis. conceitos. Disso ninguém pode se dissociar realmente. atualmente é um conceito difícil de ser praticado. preconceitos e opiniões. 9). Afinal. É na verdade um mito como afirma Clóvis Rossi (1998. obviamente.

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