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INFRAÇÃO PENAL I

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Infração penal: elementos, espécies. Sujeito ativo e passivo da infração penal.

Tipicidade Lúcio Valente

1. (CESPE/ESCRIVÃO E AGENTE DPF 2009) São elementos do fato típico: conduta, resultado, nexo de causalidade, tipicidade e culpabilidade, de forma que, ausente qualquer dos elementos, a conduta será atípica para o direito penal, mas poderá ser valorada pelos outros ramos do direito, podendo configurar, por exemplo, ilícito administrativo. Comentário: Considerando o estágio atual da Teoria do Delito, teremos como base de estudo a Teoria Finalista Tripartida de Welzel. Teoria ―tripartida‖ porque é divida em três partes - o crime como um fato típico, antijurídico e culpável. Conceito analítico (segundo a teoria finalista- tripartida, adotada pelo CESPE) CRIME = FATO TÍPICO + ILÍCITO + CULPÁVEL. Lembro que nas aulas de biologia do primário estudamos o corpo humano. A professora Mariquinha, então, dividiu o corpo humano em três partes: cabeça, tronco e membros. Será que podemos dividir o corpo humano de fato? Claro que não! O corpo humano é um todo indivisível. Existe corpo humano perfeito sem cabeça, tronco ou membros? Claro que não! O que a professora Mariquinha fez foi dividir o nosso estudo em partes. E para que ela fez isso? Para facilitar a abordagem da matéria. Assim como o corpo humano deve ser dividido pelo anatomista para seu estudo, assim o faremos com os elementos do crime. Para nós, o crime é um fato típico (cabeça), ilícito ( tronco) e culpável (membros). Observe o quadro a seguir: Crime é fato típico + antijurídico + culpável.

Cabeça

tronco

membros

O que vou te apresentar agora é a estrutura de toda a teoria do crime. Quero que você memorize essas informações, tudo bem?

fato típico
conduta

ilicitude
estado de necessidade

culpabilidade
imputabilidade

resultado

legítima defesa estrito cumprimento do dever legal exercício regular do direito

potencial consciência da ilicitude

nexo causal

exigibilidade de conduta diversa

tipicidade

Penso que essa estrutura é a primeira coisa que o aluno de direito penal deve aprender para caminhar firme no estudo da teoria do crime. GABARITO: ERRADO.

2. (CESPE/ESCRIVÃO E AGENTE DPF 2009) Os crimes comissivos por omissão — também chamados de crimes omissivos impróprios — são aqueles para os quais o tipo penal descreve uma ação, mas o resultado é obtido por inação. Comentário: As infrações penais podem ser praticadas por um ―não fazer‖. Nesse caso, podem ocorrer duas situações: a. Omissão Própria (pura) – a omissão própria gera os ―crimes omissivos próprios‖; b. omissão imprópria (impura ou comissiva por omissão) – a omissão imprópria gera ― os crimes omissivos impróprios, também chamados de crime comissivos por omissão. Não gaste seus neurônios para memorizar isso. Pense assim: a. Nos crimes omissivos próprios ou puros( omissão própria), a PRÓPRIA lei já descreve um não fazer (uma omissão).

A maioria dos tipos penais descreve uma conduta que dá a ideia de ação (homicídio, furto, falsificação). Ocorre que alguns tipos penais nos trazem a ideia de uma conduta omissiva. Quero dizer, existem alguns crimes que a omissão está descrita na própria lei. Quer ver um exemplo? “Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública.” (Art. 135 do CPB, Omissão de Socorro). A expressão ―deixar de‖ do crime de omissão de socorro no traz ideia de fazer ou não fazer? Não fazer. Então, como o crime de omissão de socorro já nos dá a ideia de ―não fazer‖, dissemos que esse crime é OMISSIVO PRÓPRIO (ou puro). Resumindo: NOS CRIMES OMISSIVOS PRÓPRIOS, A PRÓPRIA LEI DESCREVE UMA OMISSÃO. Observe, por fim, que nos tipos omissivos próprios, como a omissão de socorro, a lei não proíbe uma determinada conduta. Na verdade, ela exige que o sujeito pratique aquela conduta. Explico: o art. 121 (homicídio) descreve uma conduta proibida. A norma, então, é dita ―proibitiva‖. O art. 135 ( omissão de socorro), ao contrário, exige que o agente preste socorro. A lei não proíbe, ela manda. Essa norma é dita ―mandamental‖. Não se exige o resultado, basta a mera inatividade. Resumindo: na norma proibitiva, o sujeito faz o que a norma proíbe; na norma mandamental, o sujeito não faz o que ela manda que ele faça. Veja mais dois exemplos de crimes omissivos próprios: ― Deixar, sem justa causa, de prover a subsistência do cônjuge, ou de filho menor de 18 (dezoito) anos ou inapto para o trabalho, ou de ascendente inválido ou maior de 60 (sessenta) anos, não lhes proporcionando os recursos necessários ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada; deixar, sem justa causa, de socorrer descendente ou ascendente, gravemente enfermo.” Abandono material, art. 244 do CPB. “Deixar o médico de denunciar à autoridade pública doença cuja notificação é compulsória”. Omissão de notificação de doença, art. 269 do CPB. b. Omissão Impura (imprópria ou crime comissivo por omissão) é quando a lei descreve um fazer, mas o sujeito atinge o resultado por um não fazer. Exemplo: mãe, com vontade de dar fim ao seu filho neonato, deixa de alimentá-lo, levando-o à morte. Matou (―matar‖ traz a idéia de ação) por um não fazer (não dar alimentos). Perceba que o tipo de homicídio traz-nos à mente uma idéia de fazer. Pensamos no verbo ―matar‖ como algo que se faz por ação (desferir tiros, facadas, pauladas, etc.). Ocorre que a lei admite que o verbo ―matar‖ seja atingido por um ―não fazer‖, como no exemplo dado. Pense na seguinte proposição: É possível o sujeito responder pelo crime de estupro por um ―não fazer‖, aplicando-se o mesmo raciocínio utilizado no exemplo anterior?

Agora a situação fica mais estranha, não é? Preste atenção no seguinte exemplo. Uma professora de educação primária percebe que sua aluna Ana, com doze anos de idade, está triste e cabisbaixa, atitude incomum para ela. A professora passa a conversar com a criança, quando ouve desta uma revelação terrível. Seu padrasto, Jorge, de 35 anos de idade, pediu que Ana praticasse sexo oral nele, no que foi atendido. Ana morava em um pequeno barraco em uma favela de Brasília, juntamente com seu irmão ainda bebê, além de sua mãe Socorro. Durante as investigações, constatou-se que Jorge praticara tal ato diversas vezes com Ana, sendo que Socorro, mesmo consciente do que ocorria, nada fazia para evitar a violência sexual. Também se verificou que Jorge contava tudo a um amigo e vizinho seu de nome Carlos. Este, da mesma forma, nada fez em socorro à criança. Qual a situação jurídica de Jorge, Ana e Carlos? Jorge, sem dúvida, responderá pelo tipo hoje descrito como ―estupro de vulneráveis" (art. 217-A do CPB), provavelmente em continuidade delitiva. Como eu expliquei, Socorro, mesmo sabendo dos atos praticados por seu companheiro, nada fez para evitar o resultado. Então, deverá ela responder como partícipe dos estupros de Jorge. Mas por quê? Porque Socorro tinha em relação à Ana, por ser sua mãe, um dever especial de proteção ou de garantia. Socorro, mais do que qualquer outra pessoa, tinha o dever de evitar que sua filha sofresse tal violência. Tem ela, portanto, o dever legal de agir. Perceba que o tipo de estupro nos traz a ideia de ―fazer‖ (comissivo), mas Socorro responde não por ter praticado a violência, mas por não tê-la evitado quando devia e poderia fazê-lo (omissão imprópria). Por isso que a doutrina denomina essa espécie de crime de ―comissivo por omissão‖. Só quem pode cometer o crime é quem tem o dever legal de agir, chamado garante ou garantidor da não ocorrência do resultado (art. 13, parágrafo 2º, CPB). Por fim, Carlos, apesar de tomar consciência da violência, não tinha nenhuma relação de especial dever de proteção em relação à Ana, motivo pelo qual deverá responder pela mera omissão (omissão de socorro, art. 135 do CPB). Dever legal (garantes) Os crimes omissivos impróprios exigem do sujeito ativo certa qualidade, qual seja, uma especial relação de proteção com o bem juridicamente tutelado. Deve ele estar enquadrado em uma das hipóteses de omissão penalmente relevante descritas no CPB (art. 13, § 2º), quais sejam: a) quem tem o dever de cuidado, proteção e vigilância ex.: pais, médico, policiais, filhos em relação aos pais idosos, tutor, etc.

Imagine o exemplo de um delegado de polícia que tem conhecimento de que um preso recolhido na delegacia está para ser estuprado por outros internos, nada faz para evitar essa conduta. Como o delegado é garante ( ou seja, tem por lei o dever de cuidado proteção e vigilância ) do preso, caso não haja com possibilidade de ter agido para evitar o resultado, responde por estupro por omissão. Lembre-se do exemplo do estupro acima. A mãe era GARANTE da filha. Por esse motivo, caso não haja em condição de fazê-lo, deverá responder pelo resultado. b) quem com sua conduta anterior causou o perigo. Chamado de ingerência. Ex.: Alpinista que leva um grupo para explorar uma montanha sem os devidos preparos e equipamentos de segurança. Ocorreu um fato em Brasília que se enquadra nessa hipótese: Um grupo de escoteiros foi fazer uma atividade em um parque de Brasília. Nessa ocasião, o chefe dos escoteiros determinou que os garotos, todos menores, fizessem uma competição no lago. Ocorre que um dos escoteiros não sabia nadar muito bem, tendo comentado tal fato ao chefe deles. O tal chefe determinou que ele pulasse no lago mesmo assim, pois era a forma que aprenderia a nadar. O garoto acabou se afogando, sem ser salvo pelo chefe dos escoteiros. Perceba que ao determinar que o garoto pulasse no lago, o sujeito criou um risco para a vítima. Ao fazer isso, tornou-se seu garante. c) de qualquer forma, se comprometeu a evitar o resultado Imagine que você seja aprovado no concurso dos seus sonhos. Já no primeiro mês usa a grana para dar uma viajada e espairecer. Então, compra um pacote pra passar o fim de semana em Caldas Novas. Durante o banho do sol (parece coisa de presidiário, né?), é interrompida por um moleque correndo de um lado para o outro, gritando, fazendo bagunça e comendo ―cheetos bolinha‖. Que beleza! Quem é esse moleque? Ele mesmo. O Alceu Júnior, filho da Dagmar com o Alceu (supostamente). Alceu tinha saído para jogar bola com os amigos e Dagmar foi ao clube com o Alceuzinho. Mas como Dagmar, você sabe, era muito danadinha, começou a dar mole para o salva-vidas do clube. Dagmar pede, então, que você fique de olho no moleque por dez minutinhos para que ela vá comprar um refrigerante pra ele (Goianinho Cola, hehe). Na verdade ela foi paquerar o tal salvavidas. Você aceitou? Parabéns! Agora você é garante do Alceuzinho, porque você se comprometeu a evitar qualquer dano ao diabinho. Sacou?

Se ele cair na piscina, meu amigo, minha amiga, trate de pular para salvá-lo. Caso contrário, você poderá responder por homicídio por omissão. GABARITO: CORRETO

3. (CEPE/ESCRIVÃO E AGENTE DPF 2009) Com relação à responsabilidade penal da pessoa jurídica, tem-se adotado a teoria da dupla imputação, segundo a qual se responsabiliza não somente a pessoa jurídica, mas também a pessoa física que agiu em nome do ente coletivo, ou seja, há a possibilidade de se responsabilizar simultaneamente a pessoa física e a jurídica. 4. (CESPE_Procurador do MP_TC_GO_2007) A pessoa jurídica pode ser sujeito ativo de crime, dependendo da sua responsabilização penal, consoante entendimento do STJ, da existência da intervenção de uma pessoa física que atue em nome e em benefício do ente moral. Comentário: O poder constituinte originário é aquele que tem a prerrogativa de criar uma nova Constituição de um Estado. Quando a Assembleia Nacional Constituinte promulgou a nossa Constituição de 1988, achou por bem colocar ali duas situações em que pessoas jurídicas poderiam responder criminalmente por um determinado fato. E o constituinte poderia ter feito isso? Poderia sim, uma vez que uma das características do poder que elabora uma nova constituição é a liberdade total para fazê-lo. Lembre-se que o poder constituinte é ―originário, ―incondicionado‖ e ―ilimitado‖. Então, hoje, temos a seguinte situação: Pessoa Jurídica pratica crime? Resposta: para a Teoria do Crime, não. Para a nossa Constituição da República de 1988, sim. E o que você vai marcar na prova? Ora, o que está na Constituição Federal, pois é assim que o CESPE, por exemplo, tem cobrado. Como vimos, então, pessoa jurídica pratica crime, uma vez que a Constituição assim permite. Essa permissão ocorre em duas situações: 1ª hipótese: artigo 173, § 5º, CR. “173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei.” (...) “§ 5º - A lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos dirigentes da pessoa jurídica, estabelecerá a responsabilidade desta, sujeitando-a às punições

compatíveis com sua natureza, nos atos praticados contra a ordem econômica e financeira e contra a economia popular.” Essa situação ainda não pode ser aplicada porque, apesar de estar previsto na CR que pessoa jurídica pode responder por crimes contra a ordem econômica e financeira e contra a economia popular, ainda não existe uma lei que tenha complementado essa possibilidade na prática. Quero dizer que tem que existir uma lei infraconstitucional (inferior à Constituição) que instrumentalize essa hipótese prevista na Constituição Federal. 2ª hipótese: art. 225, § 3º, CR.
“Art.

225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.” (...) “§ 3º - As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados.” Ao contrário da primeira hipótese, o art. 225§ 3º da CR foi regulamentado pela Lei de Crimes Ambientais (Lei 9605/98). No Brasil, portanto, pessoas jurídicas podem responder criminalmente por crimes contra o meio-ambiente, senão vejamos: “(Art. 3º, Lei 93605/98) As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade.” “Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato.”

Previsão Constitucional para responsabilização criminal da Pessoa Jurídica

Crimes Ambientais

Crimes Financeiros

Muito importante esse parágrafo único. Para solucionar o que eu falei acima sobre a impossibilidade da pessoa jurídica praticar conduta foi que a Lei Ambiental determinou que as pessoas físicas responsáveis pela pessoa jurídica em questão responderão em coautoria ou participação pelo crime desta última.

A Lei sabe que quem praticou, de fato, a conduta criminosa foi uma pessoa física ou um grupo de pessoas físicas em nome da pessoa jurídica, simplesmente porque pessoas jurídicas não praticam condutas, como já dissemos. Explico, foi um funcionário da empresa que determinou que fossem jogados resíduos em um rio, agindo em nome da empresa e em seu benefício. Quem praticou o crime ambiental? O Funcionário em coautoria com a pessoa jurídica. É o que a doutrina denomina de TEORIA DA DUPLA IMPUTAÇÃO. Por essa teoria, sempre que uma pessoa jurídica responder por um crime ambiental, com ela responderá uma pessoa física. Essa teoria se justifica porque, muitas vezes, as decisões de uma pessoa jurídica são impessoais, dependendo do tamanho da empresa. É por esse motivo que a lei diz que a responsabilidade da pessoa jurídica vai ocorrer sempre que a infração for cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade. GABARITO 3: CORRETO GABARIO 4: CORRETO

5. CESPE_Procurador do MP_TC_GO_2007) De acordo com o ordenamento penal vigente, o homem morto pode ser sujeito passivo de crime. Comentário: Só quem pode ser sujeito passivo de crime é a pessoa viva ou o feto vivo. No delito de vilipêndio à cadáver, por exemplo, art. 212 CP, o sujeito passivo é a coletividade ou a família do morto. ―Vilipendiar cadáver ou suas cinzas” (art. 212 do Código Penal). Exemplo: escarrar sobre o cadáver. GABARITO: ERRADO

6. (CESPE_Procurador do MP_TC_GO_2007) No crime omissivo próprio, a consumação se verifica com a produção do resultado. Comentário: Nos crimes omissivos próprio, aqueles em que a própria lei descreve um ―não-fazer‖, a consumação se verifica no momento da conduta omissiva. Exemplo: O sujeito vê uma pessoa acidentada e, podendo, não a ajuda. O crime está consumado, independentemente de a vítima vir a falecer ou não.

GABARITO: ERRADO

7. (Delegado de Polícia/NCE-UFRJ/PCDF/2005) No direito penal entende-se como ingerência : a) o comportamento anterior que cria o risco da ocorrência do resultado, gerando o dever de agir, que torna a omissão penalmente relevante; b) a participação de menor importância, que importa em causa de diminuição de pena; c) o arrependimento que, nos crimes sem violência ou grave ameaça à pessoa, motiva o agente a reparar o dano ou restituir a coisa até o recebimento da denúncia ou da queixa; d) a utilização de agente sem culpabilidade para a realização de um crime, importando em autoria mediata; e) a obediência por subalterno à ordem não manifestamente ilegal emanada de superior hierárquico. Comentário: Crimes omissivos impróprios, também chamados comissivos por omissão, ocorrem quando o tipo descreve uma ação e o resultado é atingido por uma inação, por exemplo, a mãe que mata o filho neonato por não fornecer-lhe o peito. Para ser responsabilizado pelo resultado, o agente deve estar em uma das situações previstas no art. 13, § 2º do CPB, ocasião em que será garante da não ocorrência do resultado. Uma dessas situações previstas no citado artigo é justamente o que a doutrina convencionou chamar de ―ingerência‖, ou seja, quando o dever de agir incumbe a quem com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. GABARITO: A

8. ( CESPE – Agente de Polícia Federal 2004) Sujeito ativo do crime é aquele que realiza total ou parcialmente a conduta descrita na norma penal incriminadora, tendo de realizar materialmente o ato correspondente ao tipo para ser considerado autor ou partícipe. Comentário: O sujeito ativo pode cometer o crime como autor, coautor ou partícipe, conforme veremos em aula específica. Mas, não é necessário que o sujeito ativo pratique o verbo do tipo penal. Lembra-se do crime omissivo impróprio ou comissivo por omissão? Pois então. O partícipe, por exemplo, pode auxiliar alguém na prática do crime sem realizar o tipo material (ex.: José empresta sua arma de fogo para que João mate Maria). Assim, sujeito ativo não é só aquele que pratica a figura típica descrita na lei (subtrai, mata, ameaça etc.), como também aquele que colabora de alguma forma para a figura típica, sem, contudo, praticar atos de execução típica.

GABARITO: ERRADO

9. (CESPE – Agente de Polícia Federal 2004) A coação física e a coação moral irresistíveis afastam a própria ação, não respondendo o agente pelo crime. Em tais casos, responderá pelo crime o coator. 10.( CESPE - 2010 - TRE-BA - Analista Judiciário - Área Administrativa) A coação física irresistível afasta a tipicidade, excluindo o crime. Comentário: Conduta requer vontade. O que significa ―vontade‖? Significa que o ânimo que está em minha mente permanece íntegro quando eu o transfiro para meu corpo. Imagine que você deseje beber água para matar a sede. Para tanto, você pega um copo com água e passa a bebê-la. Veja que sua VONTADE foi a de beber água, mas a sua FINALIDADE foi de matar a sede. São duas coisas completamente diferentes. Já falaremos da finalidade no próximo tópico. Importante que eu fale agora de uma situação que se pode afastar a vontade livre de uma conduta. Como eu afasto a vontade livre de alguém praticar uma conduta? Posso fazer isso através de coação, mais especificamente através da COAÇÃO FÍSICA IRRESISTÍVEL. A coação física irresistível ( vis corporalis ou vis absoluta) A coação física ocorre quando a força física de alguém se sobrepõe à força física de outra pessoa. Veja o exemplo: Dagmar diz para seu esposo Alceu que vai para a casa de uma amiga estudar. Por volta das 23 horas, Alceu recebe uma ligação de um conhecido: - Alceu, cadê você? - Uai, to aqui assistindo ao jogo do Vasco! -Cara, cadê tua mulher, a Dagmar? -Uai, tá na casa de uma amiga estudando! Por que quer saber? -Deixa de ser trouxa, Alceu! A Dagmar tá aqui no Forró no maior assanhamento com um sujeito! Alceu inconformado com a possível traição de Dagmar vai até o forró dirigindo sua caminhonete. Ao chegar ao local, o segurança não deixa Alceu entrar prevendo uma confusão no recinto. Então, Alceu invade o bar utilizando sua caminhonete. Um sujeito que não tinha nada a ver com a estória, é atingido pelo impacto do veículo e acaba por acertar um golpe no rosto de uma moça, uma vez que ele segurava um copo de cerveja em uma das mãos. A moça fica gravemente ferida pela ―copada‖ dada por esse rapaz.

Pergunto: de quem é a conduta? Do Alceu (coator) ou do rapaz (coagido)? Claro que do Alceu. O rapaz estava sob coação física irresistível. Sobre ele foi exercida uma força física superior as suas próprias forças. Quem deve responder pela lesão corporal causada? O Alceu, por ter praticado a conduta criminosa e não o rapaz que estava sob coação física irresistível. Guarde uma coisa: TODA CONDUTA TEM VONTADE. NÃO EXISTE CONDUTA SEM VONTADE! Ao afastar a conduta, que é elemento do fato típico (ou tipicidade em sentido amplo), o fato torna-se atípico. Por fim, deve esclarecer que existe outro tipo de coação, a ―coação moral‖, que será estudada mais a frente em momento próprio. A coação moral irresistível afasta a CULPABILIDADE, como veremos.

GABARITO 9: ERRADO GABARITO 10: CORRETO

11. ( MPE-MG - 2010 - MPE-MG – PROMOTOR DE JUSTIÇA ) A pessoa pode ser, ao mesmo tempo, sujeito ativo e passivo de um delito em face de sua própria conduta. Comentário: Excepcionalmente, a pessoa pode ser sujeito ativo e passivo do crime, como ocorre no crime de Rixa (Participar de rixa, salvo para separar os contendores. Art. 137 do CPB). Neste caso, os participantes agridem-se mutuamente, sendo todos, ao mesmo tempo, agressores e agredidos. GABARITO: CERTO

12. (CESPE_Procurador do MP_TC_GO_2007) Excetuadas as exceções legais, o autor de fato previsto como crime só poderá ser punido se o praticar dolosamente. Comentário: Trata-se do princípio da excepcionalidade do crime culposo. Só haverá a possibilidade de punição por culpa se a lei expressamente trouxer isso por escrito. Exemplo: No homicídio é possível o crime culposo, porque o art. 121 do Código Penal traz a hipótese em seu parágrafo terceiro: Homicídio simples Art. 121. Matar alguém:

Pena - reclusão, de seis a vinte anos. (...) Homicídio culposo § 3º Se o homicídio é culposo: Pena - detenção, de um a três anos. Perceba que não existe furto culposo, por exemplo, porquanto o Código Penal não previu essa hipótese. GABARITO: CERTO

13. (CESPE_Procurador do MP_TC_GO_2007) No crime de falsificação de documento público o dolo é específico. Comentário: Basicamente, o estudo do dolo abrange apenas o dolo direto (quando o agente quer o resultado) e o dolo eventual (quando o agente assume o risco de produzir o resultado). Entretanto, existem outras classificações na doutrina e que devem ser estudadas para engolir as bancas examinadoras. Outras classificações do dolo: a. Dolo alternativo: o autor quer, de forma indiferente, um ou outro resultado ( Ex.: Caio atira em Mévio, pouco importando para matá-lo ou feri-lo). b. Dolo cumulativo: O agente pretende alcançar dois resultados, em sequência. O exemplo pode ser o de que o agente deseja espancar a vítima e, só depois, matá-la. No caso, a lesão ficará absorvida pelo homicídio se for meio para a realização deste. c. dolo de ímpeto (ação dolosa sem cogitação, sem premeditação): impulsivo, não presumido. Ocorre muitas vezes em discussões de trânsito em que o agente efetua um disparo na vítima após tomar uma fechada. d. Dolo específico: (também chamado de elemento subjetivo do tipo; delito de tendência) – quando a lei especifica o tipo de crime, ―com o fim de, com a finalidade de, com o intuito de, com a intenção de‖. Exemplo: ―Sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem, como condição ou preço do resgate‖ (Extorsão mediante seqüestro, art. 159 do CPB). e. Dolo geral (Ex. o sujeito quer matar por veneno, mas mata enforcado simulando o suicídio)

No dolo Geral teríamos uma só conduta, dividida em dois ou mais atos: o agente dispara contra a vítima, que desmaia; ele pensa que a vítima já morreu e joga seu corpo ao rio para encobrir o crime anterior; descobre-se depois que ela morreu não pelo disparo, mas sim pelo afogamento. Quis matar e, de fato, matou, respondendo pelo resultado normalmente. O dolo geral é também denominado ―erro sobre o nexo causal‖. Por que a denominação ―dolo geral‖? Porque o dolo do agente o acompanha até o resultado, mesmo que este não advenha da forma como imaginou inicialmente. RESUMINDO: QUIS MATAR, MATOU! f. Dolo de perigo: em verdade, não é propriamente o dolo que é de perigo, mas o tipo penal (tipo de perigo concreto ou de perigo abstrato). Os doutrinadores dividem os TIPOS DE PERIGO em: (a) perigo abstrato (ex.: omissão de socorro), onde o perigo não precisa ficar demonstrado, pois ele se presume; (b) perigo concreto (Ex.: Periclitação à vida ou à saúde de outrem), onde o crime só se consuma com a demonstração efetiva do perigo para pessoa(s) determinada(s).

DOLO DE PERIGO

Abstrato: se presume Concreto: não se presume

Imagine que o sujeito saiba que é portador de uma moléstia venérea, o que não impede de manter relações sexuais desprotegido com uma moça, sem alertá-la dessa situação. Bom, no caso, a vítima ficou CONCRETAMENTE em perigo. Mesmo que não lhe seja transmitida a doença, o agente responde pelo crime de ―perigo de contágio venéreo‖ (Expor alguém, por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso, a contágio de moléstia venérea, de que sabe ou deve saber que está contaminado, art. 130 do CPB). Referido crime é de perigo concreto, tendo de existir demonstração do efetivo perigo. Caso a doença seja transmitida à moça, o crime será de LESÕES CORPORAIS (Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem, ART. 129 do CPB), uma vez que o PERIGO se transformou em LESÃO. Diferente seria o caso de alguém andar armado. Não se faz necessário que fique demonstrado que determinada pessoa ou grupo de pessoas tenha sido concretamente colocado em perigo com essa conduta. Isso porque se presume que andar armado ilegalmente seja algo perigoso. Assim, porte ilegal de arma de fogo (art. 14, Lei 10.826/03) é crime de perigo abstrato, vez que o perigo se presume.

Dolo alternativo

Dolo de perigo

OUTRAS FORMAS DE DOLO

Dolo cumulativo

Dolo específico

Dolo geral

O dolo específico ocorre quando o tipo penal traz uma finalidade específica para que ocorra o crime. Exemplo: Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar fazer alguma coisa (Extorsão, art. 158 do Código Penal). O crime de Extorsão acima exige o ―dolo específico‖ para que ele ocorra, qual seja o intuito de obter a indevida vantagem econômica. Quanto ao crime de falsificação de documento, vejamos o que diz a lei: Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro (art. 297 do CPB). Como se vê, não existe dolo específico nesse crime.

GABARITO: ERRADO

14. (CESPE_Procurador do MP_TC_GO_2007) Para a configuração do crime de peculato-desvio, é necessária a presença do dolo genérico e do dolo específico. Comentário: O Peculato é um crime contra a Administração Pública previsto nos arts. 312 do Código Penal. “Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio” No peculato desvio a conduta consiste em desencaminhar, mudar o destino do valor público ou particular, de que tem a posse em razão da função pública. Exemplo: a merendeira desvia os

mantimentos que são destinados para a escola para a casa de um amigo, em seu proveito. Ou o Deputado Federal que tem um assessor lotado em seu gabinete e o desvia para ser jardineiro de sua casa. No peculato desvio exige-se o dolo específico de agir visando proveito próprio ou alheio. GABARITO: CERTO

15. (CESPE_JUIZ FEDERAL 2ª REGIÃO_2009) Nos crimes culposos, o tipo penal é aberto, o que decorre da impossibilidade do legislador de antever todas as formas de realização culposa; assim, o legislador prevê apenas genericamente a ocorrência da culpa, sem defini-la, e, no caso concreto, o aplicador deve comparar o comportamento do sujeito ativo com o que uma pessoa de prudência normal teria, na mesma situação. Comentário: O injusto penal culposo é uma modalidade dos TIPOS PENAIS ABERTOS, pois exige para sua interpretação o exame de elementos exteriores ao tipo para aferir sua adequação à conduta. Quero dizer, a lei não estabeleceu o que é imprudência, negligência ou imperícia. Então, deve haver um juízo de valor para que se chegue aos conceitos necessários. Exemplo de tipo aberto: No crime de ato obsceno, art. 233 do CPB, a norma diz: ―Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público‖. Pois muito bem, para se chegar ao conceito de ―ato obsceno‖, devemos lançar um juízo de valor sobre o termo. Beijar na boca em público é ato obsceno? Fazer sexo em uma encenação de teatro é ato obsceno? Depende do juízo de valor que se fizer. Em uma cidade do interior, um casal de namorados foi preso por estarem se beijando em frente à igreja. Será que eles teriam sido presos se tivessem em um shopping de uma grande cidade? Viu? juízo de valor! GABARITO: CERTO

16. (CESPE_PROCURADOR ESPECIAL DE CONTAS – TCE-ES_2009) A culpa consciente ocorre quando o agente assume ou aceita o risco de produzir o resultado. Nesse caso, o agente não quer o resultado, caso contrário, ter-se-ia um crime doloso. Comentário: Diz-se o crime culposo (ou não intencional) quando o agente não quer o resultado, nem mesmo assume o risco de produzi-lo, porém, por inobservância do dever de cuidado e diligência, na forma de imprudência, negligência e imperícia acaba causando um resultado criminoso. Em uma noite de sábado, José dirige seu carro para a casa de sua namorada. Durante o trajeto, utiliza-se de seu celular para enviar uma mensagem de texto para ela, avisando sua

chegada. Ao fazer isso, tira o foco da direção e acaba por atropelar uma velhinha que atravessava a rua em uma faixa de pedestres. Ao retirar sua atenção da pista para utilizar o celular, José quebrou um dever de cuidado a que todos os motoristas estão obrigados. Ao atropelar e matar a velhinha poderá responder pelo resultado, mesmo que não intencional. Na conduta culposa a vontade não é dirigida para algo criminoso. Veja que José, por exemplo, apenas queria mandar uma mensagem para sua namorada, mas por imprudência acabou causando um acidente. A culpa, portanto, é a quebra de um dever objetivo de cuidado. Como alguém pode quebrar o dever de cuidado? a. Por Imprudência: é um fazer descuidado Exemplo: acelerar o veículo acima da velocidade permitida. b. Por negligência: é um não fazer descuidado; Exemplo: deixar de fazer a manutenção do veículo. c. Por Imperícia: é um não saber fazer (falta de habilidade técnica). Exemplo: dirigir o veículo sem ter carteira de habilitação.

FORMAS DE CULPA

IMPRUDÊNCIA

NEGLIGÊNCIA

IMPERÍCIA

Classificação de Culpa Observe uma coisa. O Direito Penal nunca pune qualquer pessoa por resultados que ocorram extraordinariamente fora da possibilidade de previsão. Quero dizer que, se o resultado for imprevisível, o agente não se responsabiliza por ele. Muito bem. Se o resultado é previsível (leia-se, uma pessoa de mediana inteligência pode prever) pode ocorrer de o sujeito prever ou não esse resultado. Digo, pode prever ou não prever o previsível. Dentro desse raciocínio surgem dois tipos de culpa: a culpa consciente (com previsão) e a culpa inconsciente (sem previsão). Tenha calma e vamos lá!

A culpa pode ser consciente ou inconsciente. a. Culpa Consciente (com previsão): é aquele que o sujeito prevê o resultado, mas acredita sinceramente que não ocorrerá. Lembro que quando eu era criança, meu pai me levou ao circo no dia do meu aniversário de sete anos. Uma das atrações do circo era o atirador de facas. O sujeito atirava as facas em direção a uma moça presa a uma roda em movimento. Pense! O sujeito ao atirar facas em direção à moça não tinha intenção de matá-la, pelo menos é o que se espera. Ele até previu que um erro poderia ser trágico, mas acredita sinceramente que esse erro não ocorrerá, até porque ele treina esse número há anos. Ocorre que o pior acaba por acontecer, por erro no lançamento da faca, o atirador acerta o peito da moça, matando-a. Eis a culpa consciente! O sujeito acredita, sinceramente, que o resultado não ocorrerá, mas acaba causando esse resultado por imprudência, negligência ou imperícia.

Qual a diferença entre DOLO EVENTUAL e CULPA CONSCIENTE? O DOLO EVENTUAL se aproxima da CULPA CONSCIENTE, porém com ela não se confunde, por que: (a) no DOLO EVENTUAL há conformação com o resultado (seja como for, dê no que dê, não deixo de agir); ao passo que (b) na CULPA CONSCIENTE não se conforma com o resultado e acredita não sua não ocorrência. (até pode acontecer, mas não acredito que aconteça).

DOLO EVENTUAL X CULPA CONSCIENTE

DOLO EVENTUAL É O DANE-SE!

CULPA CONSCIENTE É O IH, DANOU!

b. Culpa Inconsciente (sem previsão): O sujeito não prevê um resultado que lhe seria previsível. Diga-se, não vê o resultado que poderia e deveria prever. Imagine que o sujeito deixe seu filho de um ano de idade dentro do carro enquanto vai ao banco pagar contas. Ao fazer isso, o pai não pensou que algo de mal poderia ocorrer com seu filho. Mas, qualquer pessoa medianamente inteligente poderia ter previsto que tal ato é de extremo perigo ao infante. Assim, podemos dizer que a eventual morte da criança era algo PREVISÍVEL para qualquer pessoa normal. Enfim, o pai não previu algo que seria perfeitamente previsível. Por isso, deve responder pelo resultado.

Ambas as formas de culpa (previsível e imprevisível) são equiparadas. Esse estudo é realizado, principalmente, para demonstrar a diferença entre culpa consciente (culpa com previsão) e dolo eventual (o agente assume o risco de produzir o resultado). Então vamos lá mais uma vez. Qual a diferença entre DOLO EVENTUAL CONSCIENTE? Dolo eventual – o agente vê o resultado como possível e aceita esse resultado; Culpa consciente – o agente vê o resultado como possível, mas acredita sinceramente que ele não ocorrerá. e CULPA

CULPA = QUEBRA DO DEVER DE CUIDADO

CULPA CONSCIENTE: CULPA COM PREVISÃO

CULPA INCONSCIENTE: CULPA SEM PREVISÃO

GABARITO: ERRADO

17. CESPE_PROCURADOR ESPECIAL DE CONTAS – TCE-ES_2009) A culpa imprópria ou culpa por extensão é aquela em que a vontade do sujeito dirige-se a um ou outro resultado, indiferentemente dos danos que cause à vítima. Comentário: O exemplo é de dolo alternativo, quando o agente quer um ou outro resultado (quero matar ou ferir). Culpa imprópria é aquela que reside (ocorre) no erro fático sobre as descriminantes putativas (putativo = falso, imaginário). Erro que recai no erro de tipo sobre as justificantes putativas (erro de tipo na cabeça é uma coisa e na realidade é outro). São casos de culpa imprópria as hipóteses previstas no art. 20, § 1º, 2ª parte (―... o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo‖), e art. 23, parágrafo único, parte final do Código Penal ( ―... responderá pelo excesso doloso e culposo‖). A culpa imprópria será mais bem estudada na aula sobre a TEORIA DO ERRO. GABARITO: ERRADO.

18. (CESPE_PROCURADOR ESPECIAL DE CONTAS – TCE-ES_2009) A compensação de culpas no direito penal, aceita pela doutrina penal contemporânea e acolhida pela jurisprudência pátria, diz respeito à possibilidade de compensar a culpa da vítima com a

culpa do agente da conduta delituosa, de modo a assegurar equilíbrio na relação penal estabelecida. Comentário: Algumas observações sobre o crime culposo são importantes Compensação de culpas – não é admitida no direito penal. Exemplo: vítima atravessa fora da faixa e motorista não para, pois está em alta velocidade. O motorista responde pelo resultado, apesar de a vítima também ter sido imprudente. Lógico que o juiz vai considerar isso no momento do art. 59 do CPB ( dosimetria da pena). Concorrência de culpas – é possível em direito penal. A compensação de culpas é incabível em matéria penal. Não se confunde com a concorrência de culpas. Suponha-se que dois veículos se choquem num cruzamento, produzindo ferimentos nos motoristas e provando-se que agiram culposamente. Trata-se de concorrência de culpas; os dois respondem por crime de lesão corporal culposa. Excepcionalidade do crime culposo - Em respeito ao disposto no art. 18, inciso II, parágrafo único do Código Penal, salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente. Trata-se do princípio da excepcionalidade do crime culposo, que determina que o crime culposo só seja punível se houver expressamente determinado pelo código penal, geralmente através de expressões como: ―se o crime é culposo, ―no caso de culpa‖. Essa previsão não existe para o crime de aborto (arts. 124 a 127 do CPB), por exemplo. Por esse motivo, não se admite a figura do aborto culposo. GABARITO: ERRADO 19. (CESPE_PROCURADOR ESPECIAL DE CONTAS – TCE-ES_2009) A autoria dos crimes culposos é basicamente atribuída àquele que causou o resultado. Com isso admite-se a participação culposa em delito doloso, participação dolosa em crime culposo e participação culposa em fato típico culposo. Comentário: Coautoria em crime culposo – a jurisprudência admite, mas não admite participação. Obs. Existe aqui uma grande confusão na doutrina e jurisprudência, mas a posição do STJ é nesse sentido explicado. APENAS MEMORIZE: CRIME CULPOSO – NÃO ADMITE PARTICIPAÇÃO, SÓ COAUTORIA. Não se preocupe, veremos a diferença entre coautoria e participação na aula sobre Concurso de Pessoas. GABARITO: ERRADO

20- ( FAE - 2008 - TJ-PR - Juiz Substituto) George Shub, conhecido terrorista, pretendendo matar o Presidente da República de Quiare, planta uma bomba no veículo em que ele sabe que o político é levado por um motorista e dois seguranças até uma inauguração de uma

obra. A bomba é por ele detonada à distância, durante o trajeto, provocando a morte de todos os ocupantes do veículo. Com relação à morte do motorista, George Shub agiu com: a) Dolo direto de primeiro grau b) Dolo direto de segundo grau c) Dolo eventual d) Imprudência consciente Comentário: O Código Penal prevê o conceito de dolo em seu artigo 18, da seguinte maneira:

“Diz-se o crime: I - doloso, quando o agente quis o resultado (dolo direto) ou assumiu o risco de produzi-lo (dolo eventual)‖. Art. 18 do CPB. Como se vê, a lei previu apenas duas hipóteses de ―dolo‖: o direto e o eventual. Há no conceito de dolo dado pelo artigo 18 do CPB duas teorias que o explicam: a teoria da vontade (querer o resultado) e a teoria do assentimento ou da aceitação (assumir o risco de produzir o resultado). Portanto, é doloso tanto quem, por exemplo, quer matar, como quem, mesmo não querendo, assume o risco de produzir o resultado morte.

TEORIAS DO DOLO

TEORIA DA VONTADE (DOLO DIRETO) Querer o resultado

TEORIA DO ASSENTIMENTO (DOLO EVENTUAL) Aceitação do resultado

Vamos iniciar o estudo a partir dessa classificação feita pela lei. Após, veremos classificações para o dolo dadas pela doutrina e que, por isso, são comuns em provas. Só gostaria de ressaltar que, basicamente, o dolo ou é direto ou é eventual. Qualquer outra classificação de dolo é meramente doutrinária. Preparado? Então, vamos lá! a) dolo direto (o sujeito quer o resultado) Sábado, dia 24 de dezembro, véspera de Natal. Imagine-se tentando estacionar seu veículo no Park Shopping. Dá stress só de pensar, não é mesmo? Um velho senhor chega com seu carro para comprar o presente do neto. Após rodar por mais de uma hora a procura por uma vaga, eis que surge uma luz de ré. É um carro saindo e liberando uma vaga.

Aquele senhor espera o carro sair com seta ligada, indicando que vai estacionar naquele local. Quando vai parar seu carro, outro sujeito acelera e coloca o carro na vaga que ele estava esperando. - Amigo, me desculpe, mas eu estava esperando essa vaga! - ―Qualé‖ tio, o mundo é dos ―eshhpertoshh‖! Procura outra vaga! Então, o rapaz sai caminhando rindo do velho senhor. Aquele senhor que nunca antes havia praticado qualquer crime em sua vida, acelera o carro e atropela o rapaz. Após, engata a marcha ré e o atropela novamente. Por fim, engata a primeira marcha e o atropela pela terceira vez para ter certeza que o matou. Aquele senhor quis matar a vítima? Bom, se ele não quis, eu não sei mais o que é querer! Como o diz o povão: ―ele quis DE COM FORÇA!‖ Esse é, portanto, o Dolo Direto. No caso, o agente dirigiu sua vontade final para o resultado criminoso. Diga-se, ele quis o resultado criminoso. DOLO DIRETO SIGNIFICA QUERER O RESULTADO. Nesse querer do dolo direto, estão implícitas duas situações: o resultado e o meio para esse resultado. Desse raciocínio nasce dois tipos de dolos diretos, o dolo direto de primeiro grau e o dolo direto de segundo grau. Vamos lá, então: O dolo direto pode ser subdividido em: DOLO DIRETO DE PRIMEIRO GRAU: a vontade abrange o resultado típico como fim em si; DOLO DIRETO DE SEGUNDO GRAU (OU DE CONSEQUÊNCIAS NECESSÁRIAS): o resultado típico é uma consequência necessária dos meios eleitos (escolhidos) para o cometimento do crime. O exemplo seria aquele em que o sujeito quer matar o presidente que está em um avião. Para isso, coloca uma bomba no avião e acaba matando, além do presidente, outras pessoas que ali estavam. Observe! O Dolo direto de primeiro grau existe em relação à morte do presidente. O Dolo direto de segundo grau existe em relação às outras pessoas que morrerão, porquanto era uma consequência necessária da conduta, dentro do que foi planejado. Igualmente, no caso do assassínio de irmãos xifópagos (siameses). Dentro do querer matar um dos irmãos, o autor, automaticamente, ―quer‖ indiretamente a morte do outro, sendo essa uma consequência necessária de seu ato.

DOLO DIRETO O AGENTE QUER O RESULTADO CRIMINOSO DOLO DIRETO DE PRIMEIRO GRAU = A VONTADE SE REALIZA COM A PRODUÇÃO DO RESULTADO FINAL DOLO DIRETO DE SEGUNDO GRAU = SÃO AS CONSEQUÊNCIAS NECESSÁRIAS DA AÇÃO DO AGENTE

Outro exemplo de dolo direto de 2º grau: O agente quer afundar seu barco para receber o seguro, o que configuraria fraude para recebimento de seguro (Art. 171, inciso V, do CPB). Ele tem certeza que quando fizer isso vai acabar matando seu funcionário que pilota a embarcação. Bom, se ao afundar o barco ele teve certeza que ia matar o funcionário, ele de certa forma também QUIS a morte do rapaz. Dolo direto de primeiro grau em relação à fraude e dolo direto de segundo grau em relação à morte. Mas, Valente, o dolo direto de segundo grau é muito parecido com o dolo eventual (quando o agente aceita ou assume o risco)! Sim, é verdade! Mas no dolo direto de segundo grau ele tem certeza que a consequência necessária para a finalidade dela ocorrerá. Já no dolo eventual, o resultado pode ―eventualmente ocorrer‖.

POR EXEMPLO, SE ACELERO O MEU CARRO A 160 KM/H EM ÁREA ESCOLAR E SOU INTERPELADO PELO CARONA QUE DIZ: “VALENTE, DESSE JEITO VOCÊ VAI ACABAR MATANDO UMA CRIANÇA QUE EVENTUALMENTE ATRAVESSE A RUA”. SE MINHA RESPOSTA FOR: “DANE-SE! SE OCORRER, TANTO PIOR PRA ELA!” ESTOU AGINDO COM DOLO EVENTUAL, OU SEJA, PODE SER QUE OCORRA OU NÃO.

DOLO DIRETO DE 1º GRAU X DOLO EVENTUAL

DOLO DIRETO DE 1º GRAU = É UMA CONSEQUÊNCIA CERTA DA MINHA FINALIDADE (GRANDE GRAU DE CERTEZA)

DOLO EVENTUAL = PODE SER QUE OCORRA OU NÃO (APENAS POSSIBILIDADE)

Bom, para que você compreenda isso melhor, vamos ao estudo do dolo eventual. b) dolo indireto (eventual) - (não quer o resultado, mas aceita correr o risco.) Caso dos mendigos Russos (Löffler): Durante a Revolução Russa (Revolução Socialista de Lênin, 1917), mendigos mutilavam seus filhos para aumentar a compaixão pública. Ao fazêlo o pedinte toma como possível a morte do filho, mas isso não o detém de praticar o ato – dolo eventual, portanto. Perceba que o mendigo não quer que a criança morra, até porque seria pior para conseguir esmolas, já que a cena de uma criança sempre toca as pessoas. Mas, no caso concreto, se você perguntasse ao mendigo: “Você não vê que esta criança pode pegar uma infecção em meio a tanta sujeira?” Ele pode responder: “Bom, se morrer, pior pra ela. Seja como for, não paro a minha conduta. Ou seja, DANE-SE!” Outro exemplo seria do médico que não possui especialidade em cirurgia, mas resolve, mesmo assim, submeter um paciente a cirurgia de lipoaspiração. O médico tem consciência que pode levar o paciente à morte, mas isso não impede de prosseguir, uma vez que receberá um bom dinheiro pela cirurgia. O médico pensa com ele mesmo: -“Bom, querer matar eu não quero, mas se a paciente morrer tanto pior para ela! Dane-se!” Nas duas situações o agente aceita a produção do resultado. Diga-se, percebe que é possível a ocorrência do resultado gravoso e assume o risco de produzir esse mesmo resultado. Como se vê, no dolo eventual, o agente prevê a possibilidade do resultado criminoso, mas não o quer diretamente. Em verdade, pode ser que o resultado criminoso seja até desinteressante para o agente (no caso do mendigo russo, perder a criança poderia significar menos esmolas), porém a previsão da ocorrência do resultado não impede que o agente prossiga em sua conduta. É como se dissesse para si mesmo: ―haja o que houver, ocorra o que ocorrer, não paro minha conduta‖.

DOLO EVENTUAL

PREVISÃO DO RESULTADO + ACEITAÇÃO DESSE RESULTADO PREVISTO

Neste momento, preciso te falar uma coisa importante! O posicionamento dos tribunais, em maioria, é de que o dolo direto e o dolo eventual são equiparados pela lei. Quero dizer, tudo que cabe para o dolo direto, cabe para o dolo eventual. Diz o Ministro Francisco Campos na Exposição de Motivos do Código de 1940:

“Segundo o preceito do art. 15, I, o dolo existe não só quando o agente quer diretamente o resultado (effetus sceleris), como assume o risco de produzi-lo. O dolo eventual é, assim, plenamente equiparado ao dolo direto. É inegável que arriscar-se conscientemente a produzir um evento vale tanto quanto querê-lo.” Assim, a lei equiparou o dolo direto ao eventual, não sendo correto dizer que um é mais grave do que o outro.” Valente, qual a importância disso? Isso é importante para você acertar questões como a seguinte: (CESPE - 2010 - DPU - Defensor Público ) Em se tratando de homicídio, é incompatível o domínio de violenta emoção com o dolo eventual. Antes de qualquer coisa, lembre-se que a assertiva está se referindo a uma causa de diminuição de pena existente no homicídio que é: “praticar o fato sob domínio de violenta emoção, logo após a injusta provocação da vítima” (Art. 121, § 1º, CPB). Realmente, é difícil pensar nessa causa de diminuição com dolo eventual. Mas, pense na situação do sujeito que tem seu inimigo em frente a seu carro, impedindo a passagem e, ao mesmo tempo, xingando a vítima de ―corno‖ na presença dos filhos deste. O motorista acelera o carro, dominado por violenta emoção provocada por ato injusto da vítima, assumindo o risco de matá-la. Ao praticar tal conduta, acaba por matá-la. Eu te disse que: “TUDO QUE CABE PARA O DOLO DIRETO, CABE PARA O EVENTUAL.” Então não tenha dúvida de marcar a questão como ERRADA. Ou seja, é plenamente compatível o dolo eventual como “domínio de violenta emoção”. Outra pergunta: cabe tentativa em dolo eventual? A doutrina se divide, mas marque na prova como te ensinei: TUDO QUE CABE PARA O DOLO DIREITO, CABE PARA O EVENTUAL. A resposta é sim, portanto. Dica: sempre que o cespe afirmar que ―cabe determinada situação para o dolo eventual‖, como nos exemplos acima, a resposta será CORRETA.

TUDO QUE COUBER PARA O DOLO DIRETO, CABERÁ PARA O DOLO EVENTUAL

Cabe tentativa em dolo eventual

O dolo eventual é compatível com qualquer qualificadora do homicídio

GABARITO: Letra ―b‖

21. (CESPE - 2008 - TCU - Analista de Controle Externo ) Durante um espetáculo de circo, Andrey, que é atirador de facas, obteve a concordância de Nádia, que estava na platéia, em participar da sua apresentação. Na hipótese de Andrey, embora prevendo que poderia lesionar Nádia, mas acreditando sinceramente que tal resultado não viesse a ocorrer, atingir Nádia com uma das facas, ele terá agido com dolo eventual. Comentário: Vimos que na culpa consciente o agente prevê o resultado como possível, mas acredita sinceramente que esse não irá ocorrer. Andrey, ao acertar Nádia, fala para si próprio: ―Hi! Danou-se!‖. Culpa consciente, portanto. GABARITO: ERRADO 22. (Magistratura – TJPI -2007 – adaptada) A consumação dos crimes formais ocorre com a prática da conduta descrita no núcleo do tipo, independentemente do resultado naturalístico, que, caso ocorra, será causa de aumento de pena. Comentário: A conduta dolosa ou culposa pode levar a um resultado. Às vezes esse resultado é físico (perceptível pelos sentidos humanos), como a morte no homicídio. É o que a doutrina denomina de ―resultado material‖. Outras vezes esse resultado não existe no mundo físico, porém existe no mundo do direito. É o que os juristas titulam de ―resultado jurídico ou formal‖. Imagine quando você é xingado por alguém. O resultado desse ato injurioso é ferimento de sua honra subjetiva. Isso não pode ser medido fisicamente. Ocorre que juridicamente (ou seja, para o Direito) houve um resultado relevante, apesar de não poder ser medido quão injuriado você foi. Basicamente, o crime pode ser classificado quanto ao resultado em resultado:

TIPOS DE RESULTADO

CRIME DE RESULTADO MATERIAL

CRIME DE RESULTADO FORMAL

CRIME DE MERA CONDUTA

Crimes Materiais O crime de resultado material é aquele em que o tipo penal (a lei) descreve um resultado físico (perceptível aos sentidos humanos), e sem esse resultado não há consumação do crime. Estava este professor ministrando aula em curso preparatório de Brasília em um dia de sextafeira, isso por volta das 22 horas. Nesse momento, outro professor interrompe minha aula: - Valente, vem comigo aqui correndo ao estacionamento!

-Poxa, amigo, eu não posso abandonar a turma assim! -Valente, o negócio é sério, meu! Percebendo a aflição do colega, resolvi descer para ver o que estava ocorrendo. Pense se a turma inteira não me seguiu de curiosidade! (hehe) Quando chegamos ao carro do professor, ele mostra o capô do veículo, onde havia riscos feitos a prego por uma ex-namorada. Bom, fora as questões particulares, houve sobre o carro do professor um crime praticado por sua ex-namorada. Você sabe dizer qual? Isso mesmo. Trata-se do crime de DANO, uma vez que ela danificou o veículo do tal professor. Veja o que diz o tipo penal: ―Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia‖ (Dano, Art. 163 do CPB). O crime de dano é exemplo de crime material, pois o tipo penal exige o resultado físico para a consumação. Outros exemplos de crimes materiais: homicídio (art. 121); Infanticídio (art. 122); Aborto (Arts. 124 a 127); Furto (art. 155); Roubo (art. 157). O CRIME DE RESULTADO MATERIAL EXIGE UM RESULTADO FÍSICO PARA SUA CONSUMAÇÃO. Crimes Formais No crime formal (de consumação antecipada ou de resultado cortado) os tipos penais descrevem uma ação e um resultado material possível, mas não o exige para sua consumação. É o que o ocorre na extorsão mediante sequestro (Art. 159, CPB). O tipo descreve a seguinte ação: ―Sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem, como condição ou preço do resgate‖. Note que o agente sequestra pessoa com uma determinada finalidade – obter vantagem como condição ou preço do resgate -, mas não há necessidade que o criminoso, efetivamente, receba o resgate para que se faça consumado o crime em tela (resultado material). A extorsão mediante sequestro consuma-se com a privação da liberdade da vítima, independentemente da obtenção da vantagem pelo agente. Nesse caso, um possível resultado material, apesar de não influenciar na adequação típica, poderá influenciar o juiz na dosimetria da pena (aplicação da pena). Esses dias eu estava vendo no noticiário que um médico cirurgião de um hospital conveniado ao SUS estava exigindo dinheiro dos pacientes para realização da cirurgia. Caso o valor não fosse pago, o paciente perderia a vez na fila. A cirurgia já seria paga pelo SUS, mas mesmo assim médico faz a sórdida exigência. Veja o que diz a lei: Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida (Concussão, art. 316 do CPB.)

Vamos supor que o paciente (no caso, vítima do crime) negue-se a pagar o valor exigido e comunica o fato à polícia. Você como Delegado o indiciaria pela Concussão consumada ou tentada? O caso é de Concussão consumada, por se tratar de crime formal. Perceba que se o resultado material (naturalístico) ocorrer será mero exaurimento do crime, leia-se, não poderá ser considerado para aumentar a pena. Outros exemplos de crimes formais: ―Deixar o médico de denunciar à autoridade pública doença cuja notificação é compulsória‖ (Omissão de notificação de doença, art. 269 do CPB) Conduta: ―deixar de realizar a notificação‖. Resultado material possível, mas não exigido par a consumação: a efetiva contaminação ou epidemia. ―Divulgar alguém, sem justa causa, conteúdo de documento particular ou de correspondência confidencial, de que é destinatário ou detentor, e cuja divulgação possa produzir dano a outrem‖ (Divulgação de Segredo, art. 153 do CPB). Conduta: ―divulgar o segredo‖. Resultado material possível, mas não exigido par a consumação: o efetivo dano a terceira pessoa. Crimes de Mera Conduta Os crimes de mera conduta não descrevem a possibilidade de um resultado naturalístico, como no crime de Violação de domicílio (art. 150). Um sujeito faz um churrasco em sua casa e convida Dicró. Dicró era um cara bacana, mas quando bebia ficava um tanto inconveniente. Após algumas horas, Dicró começa a paquerar as moças presentes, o que desagradou seus respectivos companheiros. O dono da festa determina que Dicró saia de sua casa imediatamente. Dicró se nega a sair e deita no chão. Veja o que diz a lei: ―Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências.‖ (Violação de Domicílio, art. 150 do CPB.) Conduta: ―entrar ou permanecer‖. Resultado material possível: não existe.

GABARITO: ERRADO 23. (Analista – MPU – 2007) João, dirigindo um automóvel, com pressa de chegar ao seu destino, avançou com o veículo contra uma multidão, consciente do risco de ocasionar a morte de um ou mais pedestres, mas sem se importar com essa possibilidade, João agiu com a) culpa b) dolo indireto c) culpa consciente d) dolo eventual Comentário: João viu o resultado como possível, mas disse a si mesmo: ―para mim tanto faz‖ (dane-se!). Trata-se de hipótese de dolo eventual. GABARITO: Letra ―d‖ 24. (CESPE – Procurador de Vitória-ES – 2007) Suponha que o motorista de um veículo, por negligência, deixe de observar a má conservação do sistema de freios de seu carro e, ao trafegar em via pública, atropele e mate um pedestre que tenha cruzado a pista em local inadequado. Nessa situação, caso se comprove que o evento danoso tenha decorrido da falta de freios no veículo atropelador, responderá culposamente o seu condutor pela morte do pedestre, mesmo diante da imprudência da vítima. Comentários: No direito penal brasileiro não se admite a compensação de culpas, quer dizer, a culpa do autor ser compensada pela culpa da vítima. O que pode ocorrer é culpa exclusiva da vítima, o que afasta a responsabilidade do autor. GABARITO: CORRETO

25.( NCE-UFRJ - 2005 - PC-DF - Delegado de Polícia; ) Segundo a redação do artigo 18, I, do Código Penal ("Diz-se o crime: I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo"), é possível concluir que foi adotada: a) a teoria do assentimento; b) a teoria da representação; c) as teorias do assentimento e da representação; d) as teorias do assentimento e da vontade; e) as teorias da representação e da vontade.

Comentário: O conceito de dolo pode ser variável conforme a teoria que se adote para conceituá-lo. Podem-se citar as seguintes teorias existentes na doutrina: a) Teoria da Vontade: O agente deve ter vontade e consciência para causar o resultado final. ―Quero matá-lo!‖. b) Teoria do Consentimento, assentimento ou aprovação: O agente aceita a possibilidade da ocorrência do resultado. ―Não quero matar, mas se morrer dane-se, não é por isso que vou deixar de agir!‖ c) Teoria da Representação: há previsibilidade (capacidade de previsão) da ocorrência do resultado, mas o agente acredita que ele não ocorrerá. Exemplo seria o médico que, sabendo das dificuldades de determinado procedimento cirúrgico, resolve realizá-lo, acreditando que o resultado pior não acontecerá por estar seguro de sua técnica, vindo o paciente a falecer. Na sistemática do CPB, poderá ocorrer aqui um tipo culposo, caso haja uma quebra do dever objetivo de cuidado por imprudência, negligência ou imperícia por parte do médico, aliada à não aceitação do resultado mais gravoso (culpa consciente) O CPB adotou as duas primeiras teorias para definir o que é dolo. Assim, a teoria da vontade indica o dolo direto (―quero matar!‖), e a teoria do assentimento representa o dolo indireto ou eventual (se morrer morreu, mas eu não cesso minha ação haja o que houver, doa a quem doer!). Resposta: letra ―D‖.

26 - ( FCC - 2010 - TRE-AL - Analista Judiciário-adaptada ) Há dolo eventual quando o agente, embora prevendo o resultado, não quer que ele ocorra nem assume o risco de produzilo. Comentário: No dolo eventual o agente assume o risco de produzir o resultado. GABARITO: ERRADO 27 - ( FCC - 2010 - TRE-AL - Analista Judiciário-adaptada ) Há culpa inconsciente quando, embora previsível o resultado, o agente não o prevê por descuido, desatenção ou desinteresse. Comentário: a culpa consciente é a forma básica de culpa – o agente não prevê um resultado, que devia e podia prever. GABARITO: CERTO 28. (CESPE_Analista Judiciário _Execução de Mandados_TJDFT_2008) Se o sujeito ativo do delito, ao praticar o crime, não quer diretamente o resultado, mas assume o risco de produzi-lo, o crime será culposo, na modalidade culpa consciente. Comentário: Depois de alguma prática, fica até boba a questão, não é mesmo? GABARITO: ERRADO

29. (CESPE_Analista Judiciário _Execução de Mandados_TJDFT_2008) Excetuadas as exceções legais, o autor de fato previsto como crime só poderá ser punido se o praticar dolosamente. Comentário: só poderá haver punição por crime culposo se a lei expressamente trouxer a hipótese em seu texto. GABARITO: C 30. (CESPE_ DPU 2010) Em se tratando de homicídio, é incompatível o domínio de violenta emoção com o dolo eventual. Comentário: A assertiva está se referindo a uma causa de diminuição de pena existente no homicídio que é: “praticar o fato sob domínio de violenta emoção, logo após a injusta provocação da vítima” (Art. 121, § 1º, CPB). O entendimento da doutrina e da jurisprudência é de equiparar as duas formas de dolo, assim tudo que se aplica ao dolo direto, tem se aplicado ao dolo eventual. GABARITO: ERRADO.

31. (CESPE – CONSULTOR LEGISLATIVO DO SENADO-2002) Diz-se que o crime é doloso, quando o agente quis o resultado; preterdoloso, quando, embora não querendo o resultado, o agente assumiu o risco de produzi-lo. Comentário: O crime preterdoloso é uma forma de crime agravado pelo resultado em que o agente pratica uma conduta antecedente com dolo, mas causa um resultado maior do que o desejado a título de culpa. É o caso da lesão corporal seguida de morte, na qual o agente quer ferir, mas acaba matando (CP, art. 129, § 3º). Exemplo: José desfere um soco em João com dolo de feri-lo, no entanto, João perde o equilíbrio, bate a cabeça e morre. No caso, ocorreu apenas um crime: lesão corporal dolosa, qualificada pelo resultado morte culposa, que é justamente o crime do art. 129, § 3º do CP. GABARITO: ERRADO

32. CESPE_Procurador 3ª Categoria_PGE_CE_2004) Para resolver o problema da relação de causalidade, o Código Penal adotou a teoria da tipicidade condicional, ou seja, existe nexo causal, em direito penal, quando, entre determinada conduta típica — correspondente à descrita por uma norma penal — e determinado evento, que consiste em particular modificação do

mundo exterior — também descrita na dita norma —, existe relação com os característicos de sucessão, necessidade e uniformidade.

COMENTÁRIO: Para resolver o problema da causalidade (nexo causal) a doutrina apresenta várias possibilidades. No Brasil, entretanto, o art. 13 do CP adotou a Teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais. Não foi adotada a Teoria da Tipicidade Condicional, como descreve a questão. De qualquer forma, o que é nexo causal? O que é a Teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais. Tome um fôlego e vamos lá! NEXO DE CAUSALIDADE É a relação (ou liame) de causa e efeito entre a CONDUTA e o RESULTADO. Todo resultado é gerado por uma ou mais causas. O estudo da relação de causalidade serve para determinar quais foram as causas de um determinado resultado. A pergunta que deve ser feita neste momento é: Quem deu causa ao resultado? Para responder a esta questão, o Código Penal, em seu art. 13, adotou a Teoria da ―Conditio Sine Qua Non‖, (também chamada de Teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais). Observe: Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. Primeiramente, notamos que o código penal exige um pré-requisito para que alguém possa responder por um resultado criminoso, ao determinar que somente seja imputado (responsabilizado) o causador desse resultado. Então, para a teoria da equivalência dos antecedentes causais, toda a ação ou omissão que contribui de alguma forma para o resultado é considerado causa. Para que sejam identificadas as condutas sem as quais o resultado não teria ocorrido, precisamos nos socorrer a um raciocínio criado pelo penalista sueco Thyrén. Trata-se do ―processo de eliminação hipotética‖. Como esse processo funciona? É simples, olhe bem.

Para descobrirmos quais são aquelas condutas que, de alguma forma, contribuem para o resultado, devemos retirá-las do processo causal (causa e efeito) e verificarmos se o resultado ainda seria o mesmo. Por exemplo, se o chinês que descobriu a pólvora não a tivesse descoberto, teríamos o assassínio de John Lennon por arma de fogo? A resposta só pode ser negativa, pois sem a pólvora não haveria arma de fogo, nem mortes por esse tipo de instrumento. Então, ao eliminarmos hipoteticamente o chinesinho da cadeia causal, chegamos à conclusão de que ele é, de fato, causa do homicídio de John Lennon. Puxa vida, Valente! Quer dizer então que o tal chinesinho poderia responder pelo resultado, caso estivesse vivo? Não! A primeira coisa que você deve entender é que dar causa não é a mesma coisa de ser responsável por determinado resultado. Dar causa é só uma ―conditio sine qua non‖ (condição fundamental) para responder para o crime, leia-se, é só uma condição necessária para tanto. Por exemplo, se alguém pretende tirar a carteira de habilitação qual é a ―conditio sine qua non‖? A condição básica é que essa pessoa deve ter 18 anos de idade. Mas, ter 18 anos de idade não significa ser habilitado. É apenas um pré-requisito. Então, dar causa ao resultado é só um pré-requisito (conditio sine qua non).

TEORIA DA CONDITIO SINE QUA NON

•Tudo que contribui considerado causa

para

o

resultado

é

Processo de Eliminação Hipotética de Thyrén

•Para encontrar as causas, realiza-se um processo mental de eliminação. Se retirarmos uma causa, o resultado deixar de ocorrer, aquela causa contribuiu para o resultado.

Bom, ocorre que esta eliminação poderia chegar ao infinito, concorda? Senão vejamos: O PROBLEMA DO REGRESSO AO INFINITO

Os críticos da teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais apontam que o regresso mental realizado para determinação dos causadores do resultado levaria sempre ao infinito. Veja o seguinte exemplo: Se o Criador, se dirigindo para Adão, perguntasse quem teria sido o causador do Pecado Original, este indicaria Eva. Ao ser questionada, Eva indicaria a serpente. A serpente, materialização do Príncipe das Trevas, informaria que Deus seria o causador do resultado, uma vez que todos que contribuíram são ―causa‖, inclusive Ele. O problema apontado pela doutrina, apresentado no exemplo acima, seria de que a teoria da equivalência dos antecedentes levaria sempre ao Criador como causa do resultado, o que se denomina regresso ao infinito (regressus ad inifinitum). Para limitar este regresso, o direito penal cria limites, filtros, para sua contenção. Estes limites são apresentados a seguir: LIMITES AO REGRESSUS AD INFINITUM Determinado quem foram os causadores do resultado, precisamos peneirar dentro desses causadores quem deve se responsabilizar criminalmente por aquele mesmo resultado. Para isso, são utilizados os seguintes ―filtros‖ (limites) de imputação: 1º Limite: Imputação subjetiva (dolo ou culpa) Só responde pelo crime quem deu causa por dolo ou culpa  ―Nullum crimen sine culpa‖. Ora, como dissemos, não basta ter dado causa ao resultado, pois senão todos os pais, avós, bisavós responderiam pelos crimes praticados por seus descendentes. Insisto que dar causa ao resultado é muito diferente do que responder por esse mesmo resultado. Então, pelo princípio da responsabilidade subjetiva, adotada pelo Código Penal, só poderá responder pelo resultado aquela pessoa (ou aquelas pessoas) que causou (saram) o resultado por dolo ou culpa.

1º Limite ao regresso infinito

Imputação Subjetiva

Dolo Culpa

2º Limite: Concausas Uma ―causa‖ nunca age isoladamente para a contribuição ao resultado. Sempre existem ―causas concomitantes‖ (concausas) que ajudam no desdobramento físico da conduta. Em sentido muito

amplo podemos dividir essas concausas em: a) aquelas que se somam às outras causas; b) aquelas que rompem o nexo causal das outras causas, por causarem, por si só, o resultado. Sobre a primeira hipótese, pense que várias ―causas‖ se somam até que se produza o resultado ―planta‖. A semente é uma causa; o adubo outra; a água outra; o sol outra; até que se chegue ao resultado final, o qual é a soma de todas as causas. Interessa-nos apenas o segundo grupo de causas, uma vez que somente elas funcionam como limite ao regresso ao infinito. Mas, por amor à didática, vejamos mais um exemplo do primeiro grupo: José, dirigindo imprudentemente seu veículo, atropela Maria, causando-lhe lesões corporais graves. Maria é levada ao pronto-socorro, local onde é atendida por um médico de plantão. O doutor, agindo com negligência em relação ao exame físico da paciente, não percebe um ferimento aberto a infecções. Por falta de assepsia adequada, ocorre uma infecção grave na vítima que a conduz ao óbito. Pergunto, quem deu causa? José com sua imprudência (causa) e o médico com sua negligência (concausa). As causas se somaram ou se excluíram? A morte da vítima foi o resultado da soma da imprudência de José com a negligência do médico. Ambos, dessa forma, deram causa ao resultado e vão responder por ele na medida da culpabilidade de cada um. Note que não há concurso de pessoas entre o médico e José, apenas concorrência de culpas. As causas que rompem o nexo causal são as seguintes: a. causas absolutamente independentes As causas absolutamente independentes sempre interrompem o nexo causal, pois são causas independentes. Observe: quem ingere veneno morre de desastre de avião? Claro que não. Então, caso José queira matar Maria, a qual viajará de avião. Para tanto, lhe ministra veneno. Durante o vôo, e antes de a substância fazer efeito, o avião cai. Não há relação entre a conduta de José e a morte de Maria. Caso José sobreviva ao acidente, deverá ele responder por tentativa de homicídio, porquanto o que CAUSOU a morte foi o desastre e não o veneno ministrado. Veja que a causa ―veneno‖ e a causa ―desastre‖ são absolutamente independentes uma da outra, tendo a consequência de se excluírem mutuamente. Arrematemos com os geniais ensinamentos de Hungria: “Se a causa superveniens se incumbe sozinha do resultado, e não tem ligação alguma, nem mesmo ideológica, com a ação ou omissão, esta passa a ser, no tocante ao resultado, uma 'não-causa'”.

b. causa superveniente relativamente independente que, por si só, causa o resultado (art. 13, § 2º) Pense que toda conduta inicia um desenvolvimento causal natural. A tendência é que o desenrolar dessa conduta seja mais ou menos previsível. Se o sujeito desfere uma facada na vítima, inicia com isso um processo causal que, dentro do que se espera comumente, levará ao resultado. A partir desse ferimento, por exemplo, a vítima pode ter algum órgão perfurado; pela lesão causada ao órgão poderá ocorrer hemorragia; por força da hemorragia a vítima pode entrar em choque hipovolêmico após a perda de cerca de um quinto da quantidade de sangue no organismo; e por força desse quadro clínico poderá entrar em óbito. Percebeu que o desenvolvimento do processo causal ocorreu de forma natural? Pois muito bem. Podem ocorrer situações em que outra causa (concausa) interfira nesse processo causal de forma tal grave, que mude drasticamente o seu curso. Vimos, primeiramente, a concausa absolutamente independente, em que as duas causas não guardam qualquer relação entre si. A segunda hipótese que mencionei é também uma concausa, porém relativamente independente da primeira causa. Leia-se, possui alguma relação com a causa primeira. As causas relativamente independentes guardam alguma relação com a causa inicial. O exemplo é a ambulância que capota (e vem capotando há anos no Direito Penal). O réu atira na vítima, mas esta morre em virtude do acidente que houve com a ambulância, portanto o réu responderá apenas por tentativa de homicídio e não pela morte da vítima. Está fora do desdobramento causal da conduta de atirar em alguém o acidente com o veículo. E qual é a relação que o acidente tem com o disparo? A relação é que a vítima só está na ambulância porque foi atingida pelo disparo. Caso não tivesse sido agredida, poderia estar em casa com seus familiares, por exemplo. A pergunta é a mesma: quem recebe tiro na barriga morre de traumatismo craniano? Claro que não. O que matou o tiro ou o capotamento? O capotamento. Então, esta é a CAUSA da morte. E o atirador? Responde por tentativa de homicídio.

O capotamento é relativamente independente ao tiro, uma vez que a vítima só foi colocada na ambulância por conta do disparo, como já dissemos. Outro exemplo seria da vítima, durante o assalto, corre para uma avenida de grande tráfico de veículos e é atropelada. A causa ―atropelamento‖ é relativamente independente do roubo, mas sozinha causou a morte da vítima. Houve apenas tentativa de roubo e não latrocínio. Importante ressaltar que a jurisprudência tem entendido que a infecção hospitalar é causa natural de um ferimento a tiros, por exemplo. Quero dizer que, se uma pessoa é alvejada por disparos de arma de fogo, tendo contraído infecção hospitalar durante seu tratamento, a causa inicial (tiro) não ficará afastada pela causa final (infecção). Isso porque infecção é uma consequência não extraordinária do ferimento. No caso, o autor dos disparos deverá responder por homicídio consumado.

2º Limite ao regresso infinito

Absolutamente independentes Concausas
concausa posterior relativamente independente que, por si só, causou o resultado.

3º Limite: Imputação objetiva - Teoria da Imputação objetiva A teoria da equivalência dos antecedentes causais tem resolvido satisfatoriamente a problemática da relação de causalidade física (material). Porém, os finalistas não avançaram muito no estudo do nexo causal, voltando suas forças primordialmente ao estudo da conduta. Com isso, algumas situações não são bem resolvidas, primordialmente nos crimes omissivos e formais. Imagine a seguinte hipótese: José andava displicentemente de bicicleta pelo parque. Ao aumentar a velocidade acima daquela de segurança do passeio público, acaba por atropelar uma velhinha que fazia sua caminhada matinal. O acidente não causou mais do que pequenos arranhões em um dos joelhos daquela senhora. Muito preocupado com a saúde da senhora, José insiste em levá-la ao hospital para ela fosse examinada por um médico, afinal a mulher já era bem idosa. Após insistência de José, a velhinha é levada ao pronto-socorro. No local, o médico faz uma rápida avaliação da paciente e constata não haver fraturas. Então, realiza uma incompleta limpeza dos ferimentos, enfaixando a perna da velha senhora em seguida. Ela, sob orientação do médico, não retira a proteção por vários dias.

Por não ter sido bem limpo, o ferimento vem a infeccionar e mata a velha em poucos dias. Se aplicarmos a Teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais não há dúvidas de que José responderá pelo resultado. Primeiro, porque deu ―causa‖ ao resultado. Segundo, porque a concausa existente (a negligência médica) não causa por si só o resultado. Ao contrário, se soma a ele. Ambos, o médico e José podem responder pelo resultado. Parece justo que José responda por este resultado? Para a teoria da equivalência não existe razão para este questionamento, vez que a análise de causalidade é apenas formal, não levando em conta aspectos de política criminal. Buscando a adequação do Direito Penal aos fins políticos por ele pretendido é que nasce, fruto do funcionalismo teleológico-funcional de Roxin, a Teoria da Imputação Objetiva. O fundamento teórico do que vamos falar agora é extremamente complexo. Como o fim do nosso trabalho é prepará-lo eficazmente para a prova do concurso, vamos ser o mais objetivo possível, abordando somente o conhecimento que tem sido cobrado em provas. Pois muito bem. Para sanar as falhas da Teoria da Equivalência dos Antecedentes causais, os penalistas que adotam a imputação objetiva exigem a análise de alguns critérios antes mesmo de se pesquisar a relação de causa e efeito entre conduta e o resultado. No exemplo dado, antes de perguntarmos se José causou fisicamente ou não a morte da velhinha, devemos analisar dois critérios, basicamente:

1. Se a ação do autor criou um risco proibido para a produção do resultado. Vivemos em uma sociedade de risco. Sair de casa é perigoso, ficar em casa é perigoso, dirigir é perigoso, correr no parque é perigoso, estudar é perigoso (risos). Tudo que se faz em sociedade carrega certo perigo. Ocorre que esses perigos são ―tolerados‖ por todos nós. O risco tolerado é aquele que ocorre normalmente no desenvolvimento da sociedade. Dirigir veículos, por exemplo, é um risco tolerado. Contudo, dirigir um veículo a 160 km/h perto de uma área escolar já eleva o risco a algo não tolerado. Risco não tolerado é o mesmo que risco proibido. Pode ocorrer de o agente não criar o risco, mas, ao contrário, diminuí-lo. Imagine o exemplo em que o sujeito, ao ver que a vítima vai ser atropelada, a empurre, causando sua queda. Apesar de tê-la lesionado, o risco foi diminuído e não aumentado. Vocês vão se lembrar do episódio ocorrido em uma universidade de São Paulo em que um estudante de medicina foi empurrado na piscina durante festa de calouros. O STJ absolveu os réus, pois entendeu que a vítima, ao ingerir bebida alcoólica e aceitar ser empurrada na piscina

sem saber nadar, tolerou o risco da conduta. Diga-se, a criação do perigo foi realizada não pelos autores, mas pela própria vítima.

2. Se o resultado produzido pela ação corresponde à realização do perigo. Diga-se, se a realização do resultado é proporcional ao risco criado.

3º Limite ao regresso infinito

Imputação Objetiva

Criação de risco proibido

realização do risco no resultado

No exemplo citado, José criou um risco proibido ao acelerar sua bicicleta além do limite de segurança. Contudo, segundo entende-se, o resultado morte foi desproporcional ao perigo por ele criado (simples arranhão). Não havendo que se imputar a José a morte da senhora.

Dolo Imputação Subjetiva Culpa

Limites ao regresso infinito

Absolutamente independentes Concausas
concausa posterior relativamente independente que, por si só, causou o resultado.

Imputação Objetiva

Criação de risco proibido e realização do risco no resultado

GABARITO: ERRADO

33.(CESPE_Procurador_RR_2004) No que se refere à teoria da conditio sine qua non, julgue os itens subseqüentes. Causa é toda circunstância anterior sem a qual o resultado ilícito não teria ocorrido. COMENTÁRIO: É a teoria acolhida neste art. 13, também chamada de conditio sine qua non (o mesmo que equivalência dos antecedentes causais), segundo o qual tudo o que contribuiu para o resultado é causa, não se distinguido entre causa, condição e concausa.. GABARITO: CORRETO

34.( CESPE - 2009 - DPE - ES ) Com relação a direito penal, julgue os seguintes itens. Considere a seguinte situação hipotética. Alberto, pretendendo matar Bruno, desferiu contra este um disparo de arma de fogo, atingindo-o em região letal. Bruno foi imediatamente socorrido e levado ao hospital. No segundo dia de internação, Bruno morreu queimado em decorrência de um incêndio que assolou o nosocômio. Nessa situação, ocorreu uma causa relativamente independente, de forma que Alberto deve responder somente pelos atos praticados antes do desastre ocorrido, ou seja, lesão corporal. COMENTÁRIO: Há tentativa de homicídio, uma vez que a causa posterior (incêndio) rompeu o nexo causal inicial, preservando, contudo, o dolo homicida do agente. GABARITO: ERRADO

35. (JUIZ-TO CESPE 2007-adaptada) Geraldo, na festa de comemoração de recémingressos na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Tocantins, foi jogado, por membros da Comissão de Formatura, na piscina do clube em que ocorria a festa, junto com vários outros calouros. No entanto, como havia ingerido substâncias psicotrópicas, Geraldo se afogou e faleceu. Considerando a situação hipotética acima e com base no direito penal e processual penal, julgue os itens 1. À luz da teoria da imputação objetiva, a ingestão de substâncias psicotrópicas caracteriza uma autocolocação em risco, circunstância excludente da responsabilidade criminal, por ausência do nexo causal.

2.Nesse caso, é necessária a demonstração da criação pelos agentes de uma situação de risco não permitido, segundo a teoria da imputação objetiva, fato que não ocorreu na situação hipotética mencionada, visto que é inviável exigir-se de uma comissão de formatura rigor na fiscalização das substâncias ingeridas pelos participantes da festa. 3.De acordo com a teoria da imputação objetiva, vigora o princípio da confiança, o que não ocorreu no caso em apreço, pois a vítima se afogou em virtude de ter ingerido substâncias psicotrópicas, comportando-se, assim, de forma contrária aos padrões esperados e, desse modo, afastando a responsabilidade dos membros da comissão de formatura. COMENTÁRIO: A teoria da Imputação Objetiva considera que o resultado só poderá ser atribuído ao agente, caso ele tenha criado um ―risco proibido‖. No caso apresentado, o risco foi criado pela própria vítima e não pelos autores (autocoloação em risco). O princípio da confiança dispõe que, como vivemos em sociedade, devemos confiar uns nos outros. Quando passo em um cruzamento com o sinal verde, confio que os outros motoristas vão parar ao sinal vermelho. Não há que invocar o Princípio da Confiança no presente caso, uma vez que a vítima, por sua própria imprudência, causou sua morte. GABARITO: As três assertivas estão corretas. 36. (Juiz Federal/TRF 5/CESPE 2007) Considere a seguinte situação hipotética. Fábio, vendo um carro em alta velocidade vindo em direção a Carlos, empurrou este, para evitar o atropelamento. Em virtude da queda sofrida em decorrência do empurrão, Carlos sofreu lesões corporais, ficando com a perna quebrada. Nessa situação, a conduta de Fábio é atípica, pois destinada a reduzir a probabilidade de uma lesão maior, consistindo, assim, em uma ação dirigida à diminuição do risco. COMENTÁRIO: Como vimos, na Teoria da Imputação Objetiva, o agente deve criar um risco proibido. No caso, o agente, ao contrário, diminuiu o risco da vítima, o que para a mencionada teoria afasta no nexo causal. GABARITO: CORRETO

37. ( CESPE - 2004 - Polícia Federal) Em cada um dos itens seguintes, é apresentada uma situação hipotética, seguida de uma assertiva a ser julgada. Marcelo, com intenção de matar, efetuou três tiros em direção a Rogério. No entanto, acertou apenas um deles. Logo em seguida, um policial que passava pelo local levou Rogério ao hospital, salvando-o da morte. Nessa situação, o crime praticado por Marcelo foi tentado, sendo correto afirmar que houve adequação típica mediata.

COMENTÁRIO: Correto, trata-se de tentativa de homicídio. A adequação típica da tentativa é dita mediata ou indireta, pois exige para a perfeita tipicidade a utilização do tipo de extensão do art. 14, II do CPB. A adequação típica, portanto, pode se dar com a relação da conduta a apenas um tipo penal. Neste caso, estaremos falando de adequação típica direta ou imediata. Pode ocorrer de termos que nos socorrer de mais de um tipo penal para perfeitamente adequarmos o comportamento ao modelo de conduta proibida. Por exemplo, se o agente, mediante grave ameaça, subtrai bens da vítima, estaremos falando de roubo consumado, que exige apenas um tipo penal (básico e/ou derivado). Agora, caso o agente não consiga subtrair a res, pelo fato de a vítima estar armada, teremos que nos socorrer do art. 14, inciso II do CPB, uma vez que não existe imediatamente um tipo descrevendo a conduta de ―tentar roubar‖. Exige-se, assim, a combinação do tipo do art. 157 com o art. 14, II do CPB, que geraria o que a doutrina denomina de adequação típica indireta ou mediata.

TIPICIDADE (ADEQUAÇÃO TÍPICA)

IMEDIATA OU DIRETA MEDIATA OU DIRETA

Somente um tipo penal Exige um "tipo de extensão".

GABARITO: CORRETO 38. ( CESPE - 2008 - STF ) Com base na parte geral do direito penal, julgue os itens abaixo. Ocorre tentativa incruenta quando o agente dispara seis tiros em direção à vítima sem, no entanto, causar qualquer lesão na vítima ou em qualquer outra pessoa, por erro na execução. COMENTÁRIO: A tentativa branca ou incruenta é aquela em o autor não consegue lesionar a vítima.

Tentativa Perfeita

o agente esgota a execução, mas não atinge o resultado

ESPÉCIES DE TENTATIVA

Tentativa Imperfeita

o agente não esgota os meios executórios

A vítima sai ilesa Tentativa Branca obs. : o contrário de tentativa branca é a tentativa vermelha GABARITO: CORRETO 39. ( MPE-MG - 2010 - MPE-MG - Promotor de Justiça; ) Não admitem a tentativa, EXCETO a) os crimes omissivos impróprios. b) os crimes culposos próprios. c) as contravenções penais. d) os crimes preterdolosos. e) os crimes unissubsistentes. COMENTÁRIO: Existe um macete para memorizar essa informação (CCHOUP).

Contravenções

INFRAÇÕES QUE NÃO ADMITEM TENTATIVA

Culpososo (salvo culpa imprópria)

C.C.H.O.U.P

Habituais

Omissivos Próprios

Preterdolosos

GABARITO: A 40. ( CESPE - 2007 - TSE - Analista Judiciário) Em relação aos pressupostos teóricos da figura da desistência voluntária, assinale a opção correta. a) Para que se possa falar em desistência voluntária, é preciso que o agente já tenha ingressado na fase dos atos de execução do delito, pois, caso o agente se encontre praticando atos preparatórios, sua conduta será considerada um indiferente penal. b) A desistência voluntária, para configurar-se, necessita que o ato criminoso não ocorra em circunstâncias que dependam diretamente da vontade do autor do delito. c) A concretização da desistência exige tanto a voluntariedade da conduta do agente quanto a espontaneidade do ato. d) Segundo a fórmula de Frank, quando, na análise do fato, se verificar que o agente pode prosseguir mas não quer, o caso é de crime tentado e quando o agente quer prosseguir, mas não pode, o caso é de desistência voluntária. COMENTÁRIO: No crime tentado, o autor inicia a execução do ato típico, contudo não atinge a consumação por circunstâncias alheias à sua vontade. Pode ocorrer, no caso concreto, de o agente iniciar a execução do crime e não atingir o resultado inicialmente pretendido, contudo não por circunstâncias alheias, mas por sua própria vontade. É disso que trata a desistência voluntaria e o arrependimento eficaz. O agente inicia a execução do crime, mas abandona tentativa do crime que inicialmente pretendeu praticar. Desistência voluntária Se o agente inicia os disparos de arma de fogo, tendo acertado um ou dois tiros, mas não o suficiente para matar a vítima. Após, atende aos pedidos da vítima para não ser morta. Ainda tem o autor munição para continuar a execução, mas resolve interrompê-la. Segundo a fórmula de Frank, é voluntário quando não quer, apesar de poder. Não é voluntário quando não pode, ainda que deseje. Arrependimento eficaz O agente desiste depois da execução, mas antes da consumação, impede seu resultado. Após fazer tudo que era necessário para matar a vítima, o autor resolve socorrê-la ao hospital para evitar sua morte.

Note, que em ambos os casos o resultado inicialmente pretendido deve ser evitado, sob pena de não beneficiar ao agente. Por exemplo, se o agente, ao disparar atinge a vítima na perna, desistindo de prosseguir nos atos executórios porque não quer mais a morte da vítima, tem que contar com o fato de que esta não morrerá, porque se isso ocorrer, estará desconfigurada a tentativa abandonada. Importante frisar que o motivo que leva o autor a desistir ou se arrepender não precisa ser nobre ou altruísta, bastante que não seja alheio à sua vontade. Se, por exemplo, o autor desiste de matar para economizar munição, basta que a vítima não morra para caracterizar o instituto ora estudado. Também, não se exige a espontaneidade da conduta, mas apenas a voluntariedade. 1 Ou seja, pode ser que o agente tenha sido orientado por um terceiro a desistir ou se arrepender a tempo de evitar a consumação. Se atender ao terceiro, podemos dizer que não houve espontaneidade, mas houve voluntariedade. Um ponto importante é que só podemos falar em desistência voluntária e arrependimento eficaz nas hipóteses em que seria possível, em tese, a tentativa. Deste modo, não será cabível nos crimes culposos e omissivos puros, por exemplo. O agente paraliza voluntariamente a execução e evita o resultado O agente termina a execução, mas impede o resultado

DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA (DV) OU ARREPENDIMENT O EFICAZ (AE)

DV

AE

Consequência Jurídica O agente só responde pelos atos já praticados (se forem típicos). É a chamada ―ponte de ouro‖, desaparecendo o crime cuja execução se iniciara. No caso de agente falsificar o documento, entregando à vítima com a intenção de praticar estelionato, mas desiste antes de obter a vantagem indevida, responde apenas pela falsificação. Natureza Jurídica Atualmente, a posição vencedora é de que a tentativa abandonada seria causa de exclusão da tipicidade. Welzel, contudo, ensinava tratar-se de escusa absolutória de caráter pessoal baseada em razões

1

Mayrink da Costa, Álvaro. Direito Penal: volume 1 – parte geral. 8 ed. Corrigida e atualizada. Editora Forense, 1594.

de política criminal quem no afirmar de Liszt, teria construído o autor uma ponte de ouro para retirada. Outra posição, defendida por Hungria, entendia que se trata de causa de exclusão da punibilidade. Comunicação aos coautores Apesar da discussão doutrinária, o melhor entendimento é que, como a desistência voluntária ou o arrependimento eficaz afastam a tipicidade, ela também pode beneficiar o coautor. Preste atenção nas hipóteses: a. Quem desiste é o partícipe: Dagmar empresta uma arma para Ricardão matar Alceu. Após, Dagmar desiste do crime, mas não consegue demover Ricardão da ideia de matar. Se o crime ocorrer, Dagmar responde. Então, o partícipe depende da desistência do executor. b. Quem desiste é o executor Neste caso, a desistência beneficia o partícipe, como no exemplo em que Dagmar empresta uma arma de fogo para que Ricardão mate Alceu. Ocorre que Alceu, após iniciar a execução, desiste voluntariamente de prosseguir na execução, o que evita o resultado. A desistência beneficia Dagmar.

Só responde pelos atos praticados

DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA (DV) OU ARREPENDIMENTO EFICAZ (AE)

gera exclusão da tipicidade do crime que queria praticar incialmente

beneficia o coautor ou partícipe se quem desiste é o executor

GABARITO: A

41. ( CESPE - 2007 - DPE - CE - Defensor Público) Considerando itens. Considere a seguinte situação hipotética. Flávio, réu primário e com bons antecedentes, furtou o telefone celular de Gina. Antes da prolação da sentença, Flávio restituiu a Gina o bem subtraído, por ato voluntário. Nessa situação, a pena de Flávio será reduzida de um a dois terços. COMENTÁRIO: O arrependimento posterior é uma estratégia de política criminal que tem por escopo estimular a reparação do dano nos delitos praticados sem violência ou grave ameaça à pessoa. Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços (Art. 16, CPB). Para que o autor se beneficie da redução de 1/3 a 2/3 permitido pela lei, deve: a) ter praticado um crime sem violência ou grave ameaça à pessoa. A lei não faz distinção entre crimes dolosos e culposos, sendo a causa cabível a ambos; b) reparar o dano ou restituído a coisa até o recebimento da denúncia; O limite para a restituição ou reparação do dano até a data do despacho de recebimento da denúncia. Caso isso ocorra posteriormente, o autor poderá ser beneficiado pela circunstância genérica de diminuição prevista no art. 65, III, alínea b, do CPB. Trata-se de causa obrigatória de diminuição de pena e não de mera atenuante. Por isso, ela não só pode reduzir a pena abaixo do mínimo legal, como ainda pode influir no cálculo da prescrição. Só ocorre posteriormente à consumação a parte geral do Código Penal, julgue os seguintes

ARREPENDIMENTO POSTERIOR

Gera a redução de 1/3 a 2/3 o limite é o RECEBIMENTO da denúncia ou queixa

GABARITO: ERRADO 42.( TJ-SC - 2009 - TJ-SC - Juiz Substituto) Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime." O excerto transcrito se refere ao crime impossível, causa de isenção de pena. COMENTÁRIO: Trata-se de crime impossível, causa de exclusão de tipicidade. No crime impossível, causa de exclusão da tipicidade, ação do autor voltada à consumação de um tipo penal não poderá, de forma alguma, alcançar o resultado. Isso pode ocorrer por dois motivos. No primeiro, o objeto é absolutamente impróprio. O que é o objeto do crime? É a pessoa ou coisa sobre a qual recai a conduta. Por exemplo, a pessoa é objeto do homicídio, o dinheiro é objeto do furto, o cheque é objeto da falsificação, e por aí vai. É absolutamente impossível afogar um peixe (hehe). No segundo, o meio (instrumento utilizado para o crime) é absolutamente ineficaz. Exemplo: Afogar alguém com um conta-gotas. Seria exemplo de crime impossível as hipóteses de flagrante preparado, conforme súmula 145 do STF, in verbis: Não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação.

GABARITO: ERRADO 43. ( FGV - 2008 - TJ-MS - Juiz de Direito ) Qual das seguintes condutas não constitui crime impossível? a) O furto de dinheiro guardado, cujas cédulas haviam sido marcadas para descobrir quem ia tentar a subtração. b) A tentativa de homicídio com revólver descarregado. c) A apresentação ao banco de cheque para sacar determinado valor, se a vítima já determinara a sustação do pagamento do cheque furtado.

d) Quando o agente pretendia furtar um bem que estava protegido por aparelho de alarme que tornava absolutamente ineficaz o meio empregado para a subtração. e) Quando o agente deu veneno à vítima, mas a quantidade não foi suficiente para matá-la. COMENTÁRIO: O entendimento pacífico na jurisprudência é de que sistemas de alarme não torna a consumação do furto impossível. A letra D, todavia, disse expressamente que, no caso concreto, o alarme tornava impossível o crime. Não discuta com a questão! Assim, a melhor resposta é a letra E. O fato de o veneno não ser suficiente para matar, torna o meio relativamente ( e não absolutamente) ineficaz. GABARITO: E

Lista de questões 1. (CESPE/ESCRIVÃO E AGENTE DPF 2009) São elementos do fato típico: conduta, resultado, nexo de causalidade, tipicidade e culpabilidade, de forma que, ausente qualquer dos elementos, a conduta será atípica para o direito penal, mas poderá ser valorada pelos outros ramos do direito, podendo configurar, por exemplo, ilícito administrativo. 2. (CESPE/ESCRIVÃO E AGENTE DPF 2009) Os crimes comissivos por omissão — também chamados de crimes omissivos impróprios — são aqueles para os quais o tipo penal descreve uma ação, mas o resultado é obtido por inação. 3. (CEPE/ESCRIVÃO E AGENTE DPF 2009) Com relação à responsabilidade penal da pessoa jurídica, tem-se adotado a teoria da dupla imputação, segundo a qual se responsabiliza não somente a pessoa jurídica, mas também a pessoa física que agiu em nome do ente coletivo, ou seja, há a possibilidade de se responsabilizar simultaneamente a pessoa física e a jurídica. 4. (CESPE_Procurador do MP_TC_GO_2007) A pessoa jurídica pode ser sujeito ativo de crime, dependendo da sua responsabilização penal, consoante entendimento do STJ, da existência da intervenção de uma pessoa física que atue em nome e em benefício do ente moral. 5. CESPE_Procurador do MP_TC_GO_2007) De acordo com o ordenamento penal vigente, o homem morto pode ser sujeito passivo de crime. 6. (CESPE_Procurador do MP_TC_GO_2007) No crime omissivo próprio, a consumação se verifica com a produção do resultado. 7. (Delegado de Polícia/NCEUFRJ/PCDF/2005) No direito penal entendese como ingerência : a) o comportamento anterior que cria o risco da ocorrência do resultado, gerando o dever de agir, que torna a omissão penalmente relevante; b) a participação de menor importância, que importa em causa de diminuição de pena; c) o arrependimento que, nos crimes sem violência ou grave ameaça à pessoa, motiva o agente a reparar o dano ou restituir a coisa até o recebimento da denúncia ou da queixa; d) a utilização de agente sem culpabilidade para a realização de um crime, importando em autoria mediata;

e) a obediência por subalterno à ordem não manifestamente ilegal emanada de superior hierárquico. 8. ( CESPE – Agente de Polícia Federal 2004) Sujeito ativo do crime é aquele que realiza total ou parcialmente a conduta descrita na norma penal incriminadora, tendo de realizar materialmente o ato correspondente ao tipo para ser considerado autor ou partícipe. 9. (CESPE – Agente de Polícia Federal 2004) A coação física e a coação moral irresistíveis afastam a própria ação, não respondendo o agente pelo crime. Em tais casos, responderá pelo crime o coator. 10.( CESPE - 2010 - TRE-BA - Analista Judiciário - Área Administrativa) A coação física irresistível afasta a tipicidade, excluindo o crime. 11. ( MPE-MG - 2010 - MPE-MG – PROMOTOR DE JUSTIÇA ) A pessoa pode ser, ao mesmo tempo, sujeito ativo e passivo de um delito em face de sua própria conduta. 12. (CESPE_Procurador do MP_TC_GO_2007) Excetuadas as exceções legais, o autor de fato previsto como crime só poderá ser punido se o praticar dolosamente. 13. (CESPE_Procurador do MP_TC_GO_2007) No crime de falsificação de documento público o dolo é específico. 14. (CESPE_Procurador do MP_TC_GO_2007) Para a configuração do crime de peculato-desvio, é necessária a presença do dolo genérico e do dolo específico. 15. (CESPE_JUIZ FEDERAL 2ª REGIÃO_2009) Nos crimes culposos, o tipo penal é aberto, o que decorre da impossibilidade do legislador de antever todas as formas de realização culposa; assim, o legislador prevê apenas genericamente a ocorrência da culpa, sem defini-la, e, no caso concreto, o aplicador deve comparar o comportamento do sujeito ativo com o que uma pessoa de prudência normal teria, na mesma situação. 16. (CESPE_PROCURADOR ESPECIAL DE CONTAS – TCE-ES_2009) A culpa consciente ocorre quando o agente assume ou aceita o risco de produzir o resultado. Nesse caso, o agente não quer o resultado, caso contrário, ter-se-ia um crime doloso. 17. CESPE_PROCURADOR ESPECIAL DE CONTAS – TCE-ES_2009) A culpa imprópria ou culpa por extensão é aquela em que a vontade do sujeito dirige-se a um ou outro resultado, indiferentemente dos danos que cause à vítima.

18. (CESPE_PROCURADOR ESPECIAL DE CONTAS – TCE-ES_2009) A compensação de culpas no direito penal, aceita pela doutrina penal contemporânea e acolhida pela jurisprudência pátria, diz respeito à possibilidade de compensar a culpa da vítima com a culpa do agente da conduta delituosa, de modo a assegurar equilíbrio na relação penal estabelecida. 19. (CESPE_PROCURADOR ESPECIAL DE CONTAS – TCE-ES_2009) A autoria dos crimes culposos é basicamente atribuída àquele que causou o resultado. Com isso admite-se a participação culposa em delito doloso, participação dolosa em crime culposo e participação culposa em fato típico culposo. 20- ( FAE - 2008 - TJ-PR - Juiz Substituto) George Shub, conhecido terrorista, pretendendo matar o Presidente da República de Quiare, planta uma bomba no veículo em que ele sabe que o político é levado por um motorista e dois seguranças até uma inauguração de uma obra. A bomba é por ele detonada à distância, durante o trajeto, provocando a morte de todos os ocupantes do veículo. Com relação à morte do motorista, George Shub agiu com: a) Dolo direto de primeiro grau b) Dolo direto de segundo grau c) Dolo eventual d) Imprudência consciente 21. (CESPE - 2008 - TCU - Analista de Controle Externo ) Durante um espetáculo de circo, Andrey, que é atirador de facas, obteve a concordância de Nádia, que estava na platéia, em participar da sua apresentação. Na hipótese de Andrey, embora prevendo que poderia lesionar Nádia, mas acreditando sinceramente que tal resultado não viesse a ocorrer, atingir Nádia com uma das facas, ele terá agido com dolo eventual. 22. (Magistratura – TJPI -2007 – adaptada) A consumação dos crimes formais ocorre com a prática da conduta descrita no núcleo do tipo, independentemente do resultado naturalístico, que, caso ocorra, será causa de aumento de pena. 23. (Analista – MPU – 2007) João, dirigindo um automóvel, com pressa de chegar ao seu destino, avançou com o veículo contra uma multidão, consciente do risco de ocasionar a morte de um ou mais pedestres, mas sem se importar com essa possibilidade, João agiu com a) culpa

b) dolo indireto c) culpa consciente d) dolo eventual 24. (CESPE – Procurador de Vitória-ES – 2007) Suponha que o motorista de um veículo, por negligência, deixe de observar a má conservação do sistema de freios de seu carro e, ao trafegar em via pública, atropele e mate um pedestre que tenha cruzado a pista em local inadequado. Nessa situação, caso se comprove que o evento danoso tenha decorrido da falta de freios no veículo atropelador, responderá culposamente o seu condutor pela morte do pedestre, mesmo diante da imprudência da vítima. 25.( NCE-UFRJ - 2005 - PC-DF - Delegado de Polícia; ) Segundo a redação do artigo 18, I, do Código Penal ("Diz-se o crime: I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo"), é possível concluir que foi adotada: a) a teoria do assentimento; b) a teoria da representação; c) as teorias representação; do assentimento e da

d) as teorias do assentimento e da vontade; e) as teorias da representação e da vontade. 26 - ( FCC - 2010 - TRE-AL - Analista Judiciário-adaptada ) Há dolo eventual quando o agente, embora prevendo o resultado, não quer que ele ocorra nem assume o risco de produzi-lo. 27 - ( FCC - 2010 - TRE-AL - Analista Judiciário-adaptada ) Há culpa inconsciente quando, embora previsível o resultado, o agente não o prevê por descuido, desatenção ou desinteresse. 28. (CESPE_Analista Judiciário _Execução de Mandados_TJDFT_2008) Se o sujeito ativo do delito, ao praticar o crime, não quer diretamente o resultado, mas assume o risco de produzi-lo, o crime será culposo, na modalidade culpa consciente. 29. (CESPE_Analista Judiciário _Execução de Mandados_TJDFT_2008) Excetuadas as exceções legais, o autor de fato previsto como crime só poderá ser punido se o praticar dolosamente.

30. (CESPE_ DPU 2010) Em se tratando de homicídio, é incompatível o domínio de violenta emoção com o dolo eventual. 31. (CESPE – CONSULTOR LEGISLATIVO DO SENADO-2002) Diz-se que o crime é doloso, quando o agente quis o resultado; preterdoloso, quando, embora não querendo o resultado, o agente assumiu o risco de produzi-lo. 32. CESPE_Procurador Categoria_PGE_CE_2004) 3ª

Considerando a situação hipotética acima e com base no direito penal e processual penal, julgue os itens 1. À luz da teoria da imputação objetiva, a ingestão de substâncias psicotrópicas caracteriza uma autocolocação em risco, circunstância excludente da responsabilidade criminal, por ausência do nexo causal. 2.Nesse caso, é necessária a demonstração da criação pelos agentes de uma situação de risco não permitido, segundo a teoria da imputação objetiva, fato que não ocorreu na situação hipotética mencionada, visto que é inviável exigir-se de uma comissão de formatura rigor na fiscalização das substâncias ingeridas pelos participantes da festa. 3.De acordo com a teoria da imputação objetiva, vigora o princípio da confiança, o que não ocorreu no caso em apreço, pois a vítima se afogou em virtude de ter ingerido substâncias psicotrópicas, comportando-se, assim, de forma contrária aos padrões esperados e, desse modo, afastando a responsabilidade dos membros da comissão de formatura. 36. (Juiz Federal/TRF 5/CESPE 2007) Considere a seguinte situação hipotética. Fábio, vendo um carro em alta velocidade vindo em direção a Carlos, empurrou este, para evitar o atropelamento. Em virtude da queda sofrida em decorrência do empurrão, Carlos sofreu lesões corporais, ficando com a perna quebrada. Nessa situação, a conduta de Fábio é atípica, pois destinada a reduzir a probabilidade de uma lesão maior, consistindo, assim, em uma ação dirigida à diminuição do risco.

Para resolver o problema da relação de causalidade, o Código Penal adotou a teoria da tipicidade condicional, ou seja, existe nexo causal, em direito penal, quando, entre determinada conduta típica — correspondente à descrita por uma norma penal — e determinado evento, que consiste em particular modificação do mundo exterior — também descrita na dita norma —, existe relação com os característicos de sucessão, necessidade e uniformidade. 33.(CESPE_Procurador_RR_2004) No que se refere à teoria da conditio sine qua non, julgue os itens subseqüentes. Causa é toda circunstância anterior sem a qual o resultado ilícito não teria ocorrido. 34.( CESPE - 2009 - DPE - ES ) Com relação a direito penal, julgue os seguintes itens. Considere a seguinte situação hipotética. Alberto, pretendendo matar Bruno, desferiu contra este um disparo de arma de fogo, atingindo-o em região letal. Bruno foi imediatamente socorrido e levado ao hospital. No segundo dia de internação, Bruno morreu queimado em decorrência de um incêndio que assolou o nosocômio. Nessa situação, ocorreu uma causa relativamente independente, de forma que Alberto deve responder somente pelos atos praticados antes do desastre ocorrido, ou seja, lesão corporal. 35. (JUIZ-TO CESPE 2007-adaptada) Geraldo, na festa de comemoração de recém-ingressos na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Tocantins, foi jogado, por membros da Comissão de Formatura, na piscina do clube em que ocorria a festa, junto com vários outros calouros. No entanto, como havia ingerido substâncias psicotrópicas, Geraldo se afogou e faleceu.

37. ( CESPE - 2004 - Polícia Federal) Em cada um dos itens seguintes, é apresentada uma situação hipotética, seguida de uma assertiva a ser julgada. Marcelo, com intenção de matar, efetuou três tiros em direção a Rogério. No entanto, acertou apenas um deles. Logo em seguida, um policial que passava pelo local levou Rogério ao hospital, salvandoo da morte. Nessa situação, o crime praticado por Marcelo foi tentado, sendo correto afirmar que houve adequação típica mediata. 38. ( CESPE - 2008 - STF )

Com base na parte geral do direito penal, julgue os itens abaixo. Ocorre tentativa incruenta quando o agente dispara seis tiros em direção à vítima sem, no entanto, causar qualquer lesão na vítima ou em qualquer outra pessoa, por erro na execução. 39. ( MPE-MG - 2010 - MPE-MG Promotor de Justiça; ) Não admitem a tentativa, EXCETO a) os crimes omissivos impróprios. b) os crimes culposos próprios. c) as contravenções penais. d) os crimes preterdolosos. e) os crimes unissubsistentes. 40. ( CESPE - 2007 - TSE - Analista Judiciário) Em relação aos pressupostos teóricos da figura da desistência voluntária, assinale a opção correta. a) Para que se possa falar em desistência voluntária, é preciso que o agente já tenha ingressado na fase dos atos de execução do delito, pois, caso o agente se encontre praticando atos preparatórios, sua conduta será considerada um indiferente penal. b) A desistência voluntária, para configurar-se, necessita que o ato criminoso não ocorra em circunstâncias que dependam diretamente da vontade do autor do delito. c) A concretização da desistência exige tanto a voluntariedade da conduta do agente quanto a espontaneidade do ato. d) Segundo a fórmula de Frank, quando, na análise do fato, se verificar que o agente pode prosseguir mas não quer, o caso é de crime tentado e quando o agente quer prosseguir, mas não pode, o caso é de desistência voluntária. 41. ( CESPE - 2007 - DPE - CE - Defensor Público) Considerando a parte geral do Código Penal, julgue os seguintes itens. Considere a seguinte situação hipotética. Flávio, réu primário e com bons

antecedentes, furtou o telefone celular de Gina. Antes da prolação da sentença, Flávio restituiu a Gina o bem subtraído, por ato voluntário. Nessa situação, a pena de Flávio será reduzida de um a dois terços. 42.( TJ-SC Substituto) 2009 TJ-SC Juiz

Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime." O excerto transcrito se refere ao crime impossível, causa de isenção de pena.

43. ( FGV - 2008 - TJ-MS - Juiz de Direito ) Qual das seguintes condutas não constitui crime impossível? a) O furto de dinheiro guardado, cujas cédulas haviam sido marcadas para descobrir quem ia tentar a subtração. b) A tentativa de homicídio com revólver descarregado. c) A apresentação ao banco de cheque para sacar determinado valor, se a vítima já determinara a sustação do pagamento do cheque furtado. d) Quando o agente pretendia furtar um bem que estava protegido por aparelho de alarme que tornava absolutamente ineficaz o meio empregado para a subtração. e) Quando o agente deu veneno à vítima, mas a quantidade não foi suficiente para matá-la.

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