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Auditoria de Fraudes

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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

A AUDITORIA NA PREVENÇÃO E DETECÇÃO DE FRAUDES NA GESTÃO PÚBLICA: Um Estudo à Auditoria no Combate às Fraudes e à Corrupção

por PAULO SERGIO SIQUEIRA BASTOS

2 0 0 7

EXAME DE DISSERTAÇÃO

BASTOS, Paulo Sergio Siqueira. A Auditoria em Fraudes na Gestão Pública: Um Estudo à Auditoria no Combate às Fraudes e à Corrupção. Dissertação apresentada no Programa de Mestrado em Ciências Contábeis. Universidade do Estado do Rio do Janeiro, primeiro semestre de 2007.

BANCA EXAMINADORA

_______________________________________ Professor L.D. Julio Sergio de Souza Cardozo _______________________________________ Professor Dr. Ricardo Bezerra Cavalcanti Vieira _______________________________________ Professor L.D. Lino Martins da Silva

Examinada a dissertação: Conceito Em: ____/____/ 2007.

A AUDITORIA EM FRAUDES NA GESTÃO PÚBLICA Um Estudo à Auditoria no Combate às Fraudes e à Corrupção

por PAULO SERGIO SIQUEIRA BASTOS Universidade do Estado do Rio de Janeiro Faculdade de Administração e Finanças

Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Ciências Contábeis – requisito parcial à obtenção do título de Mestre. Orientador Prof. L.D. Lino Martins da Silva

Rio de Janeiro, primeiro semestre de 2007.

alegria e paz no lar. pelas maravilhas que tem feito em minha vida.A Deus. pelo amor. Aos meus pais. À minha esposa Michele e meu pequeno Gabriel. . pelo incentivo e apoio nos estudos desde minha infância.

pois nada há de encoberto que não venha a ser revelado. e nada há de escondido que não venha a ser conhecido. in Mateus 10.“Não tenhais medo dos homens.” Jesus Cristo. 26 .

práticas e técnicas de auditoria direcionadas para a apuração dos fatos.RESUMO A fraude e a corrupção é um problema mundial que tem exigido maior atenção dos governos e dos órgãos de controle internos e externos. Palavras-chave: Auditoria. ganha importância neste contexto. Corrupção. . o ciclo de vida da fraude. Para tanto. Observou-se que os tipos de auditoria destacados em consultas bibliográficas não abordam a auditoria de fraudes como espécie do qual auditoria é gênero. novas ferramentas no combate às fraudes. sinais (indícios ou alertas) de fraudes. A auditoria passa a exigir um modelo desenvolvido especificamente para atuação no combate às fraudes e corrupção e. dentre outros assuntos correlatos. Os órgãos de controle precisam atuar de forma mais efetiva e ágil para a minimização de perdas. a atuação dos órgãos de controle. “Vampiros”. O objetivo desta dissertação é o estudo de melhores procedimentos e técnicas de auditoria que venham a proporcionar maior segurança dos controles e combater com mais veemência os tipos de fraudes e corrupção ocorridos no governo. “Sanguessugas”. São também abordados temas como: as causas e efeitos da fraude. são realizados estudos de dois casos de fraudes e corrupção recentemente ocorridos: “Fraude nos Correios” e a “Operação Vampiro”. Procedimentos de auditoria. ficou evidente a necessidade de atuação no combate às fraudes e à corrupção. denotando que a avaliação de fraudes somente tem sido realizada dentro de outros trabalhos específicos. Em casos recentemente ocorridos no Brasil. por sua natureza de independência da execução. Fraude. as expectativas em auditoria. os quais ficaram conhecidos por “Mensalão”. A auditoria. dentro deste modelo. prevenção e detecção de fraudes organizacionais. fases e peculiaridades da auditoria de fraudes.

there are evidences of the necessity of an action towards the combat the frauds and the corruption. . Corruption.ABSTRACT The fraud and the corruption are a worldwide problem that has demanded bigger attention of the governments and the internal and external agencies of control. The auditing starts to demand a model specifically developed to action against the frauds and corruption and. The auditing. denoting that the evaluation of frauds has only been carried through inside other specific works. the fraud cycle of life’. for its nature of independence of the operational actions. “Sanguessugas”. The objective of this dissertation is to study better auditing procedures and techniques that come to provide greater security of the controls and to vehemently fight the types of frauds and corruption ocurred in the government. amongst other correlate subjects. gains importance in this context. the expectations in auditing. Keywords: Auditing. the performance of the control agencies. They are also covered subjects such as: the causes and effects of the fraud. The control agencies need to act in a more agile and effective way to minimize losses. the signs of frauds or “red flags”. phases and peculiarities of the fraud auditing. prevention and detection in frauds organizations. practical and directed techniques of auditing for the verification of the facts. In cases recently occurred in Brazil. “Vampiros”. Thus. Auditing procedures. which had been known by “Mensalão”. Fraud. It was observed that the types of auditing pointed in bibliographical references do not approach the auditing of frauds as species of which auditing is sort. inside this model. new tools in the combat to the frauds. studies of two cases of fraud and corruption recently detected in Brazil are carried: Fraud in the Brazilian Post Office (“Correios”) and the “Operação Vampiro”.

Diferenças entre Auditoria Interna e Externa Quadro 4 – Estrutura do Controle Interno no Brasil em agosto/2006 Quadro 5 – Tipos de Auditoria e seus Objetivos Quadro 6 – Red Flags Quadro 7 – Classificação e Característica das Red Flags Quadro 8 – The Ten Commandments of Detecting Frauds Quadro 9 – Evidência Corroboradora: Tipos. Confiabilidade e Exemplos Quadro 10 – Sinais Típicos da Corrupção (Red Flags) Quadro 11 – Recomendações e Determinações do TCU Quadro 12 – Procedimentos de Auditoria x Pontos/Fragilidades Quadro 13 – RED FLAGS baseadas nos depoimentos prestados à CPMI dos Correios Quadro 14 – Principais Irregularidades Detectadas nas Auditorias do TCU nos Correios Quadro 15 – Procedimentos de Auditoria Utilizados – CGU e TCU Quadro 16 – Irregularidades Constatadas pela CPMI dos Correios 26 35 44 49 52 55 59 62 68 73 78 82 86 88 91 94 . Natureza.LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Motivations Towards Fraud and Corruption Quadro 2 – Alguns eventos históricos em Auditoria Quadro 3 .

.

Mapeamento das Red Flags e Demais Pontos de Auditoria – CGU 51 53 70 89 90 .TCU Figura 5 .LISTA DE TABELAS E FIGURAS Tabela 1 – Índice de Percepção de Corrupção .2005 31 Figura 1 – Artigo 74 da Constituição Federal Figura 2 – Ciclo de Vida de Fraude Figura 3 – Confiabilidade de Evidência Documentária Figura 4 – Mapeamento das Red Flags e Demais Pontos de Auditoria .

LISTA DE ABREVIATURAS OU SIGLAS ACFE ACL AICPA Association of Certified Fraud Examiners (Estados Unidos da América) Audit Command Language (programa informatizado para auditoria) American Institute of Certified Public Accountants (Estados Unidos da América) Audibra BID CFC CGRL/MS CGU CMN CNPJ COMEC Instituto dos Auditores Internos do Brasil Banco Interamericano de Desenvolvimento Conselho Federal de Contabilidade Coordenação Geral de Recursos Logísticos do Ministério da Saúde Controladoria Geral da União Conselho Monetário Nacional Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas Coordenação de Suprimento de Medicamentos e Correlatos do Ministério da Saúde COPEF Coordenação de Programação e Execução Orçamentária e Financeira do Ministério da Saúde .

Análise SAPA Coordenação de Suprimento e Controle Patrimonial do Ministério da Saúde Comissão Permanente de Licitação Comissão Parlamentar Mista de Inquérito Comissão de Valores Mobiliários Departamento de Contratação e Administração de Material da ECT.Técnicas Normas Brasileiras de Contabilidade – Técnicas – Interpretação Técnica Organização Não Governamental Organização das Nações Unidas Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento R-Responsável / E-Executor / C-Consultado / I-Informado Sistema de Acompanhamento de Processos em Andamentos do Ministério da Saúde SDE/MJ SEC Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça Security Exchange Comission (Estados Unidos da América) . Diretoria de Programas Estratégicos do Ministério da Saúde Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos Fundação Getúlio Vargas Fundo Monetário Internacional General Accounting Office (Estados Unidos da América) The Institute of Internal Auditors (Estados Unidos da América) International Federation of Accountants Instituto de Resseguros do Brasil International Standards on Auditing Ministério Público Federal Ministério Público da União National Audit Office (Reino Unido) Normas Brasileiras de Contabilidade .Profissionais Normas Brasileiras de Contabilidade .COSUP CPL CPMI CVM DECAM DPE ECT FGV FMI GAO IAA IFAC IRB ISA MPF MPU NAO NBC P NBC T NBC T – IT ONG ONU PNUD RECI.

Weaknesses (fraquezas) / O.Strengths (forças) / W. Análise S.Opportunities (oportunidades) / T-Threats (ameaças) TC TCE TCU Tomada de Contas Tribunal de Contas do Estado Tribunal de Contas da União .SWOT.

Atuação no Combate 5.2.4. METODOLOGIA 5.Expectativas em Auditoria 5.1.3.Detecção de Fraudes: Nova Demanda? 13 15 18 18 19 19 20 21 23 23 23 25 29 32 32 35 38 41 . DELIMITAÇÃO 2.Definições 5.1.2. OBJETIVO 2. RELEVÂNCIA DO TEMA 4.Síntese Histórica 5.2. HIPÓTESES DE PESQUISA 3. REFERENCIAL TEÓRICO 5. INTRODUÇÃO 1.3.1.2.1.1.1.3.2.2. FRAUDE E CORRUPÇÃO 5. PROBLEMA 2.1.SUMÁRIO 1.2.1.Diferenças de Expectativas 5. QUESTÕES A INVESTIGAR 2.Causas e Efeitos 5. A AUDITORIA 5.2.

Principais Irregularidades Detectadas nas Auditorias do TCU nos Correios APÊNDICE C – Principais Fragilidades Detectadas nas Auditorias da CGU nos Correios 44 47 49 51 54 62 70 76 76 76 78 83 83 85 85 87 95 100 104 112 120 125 . A AUDITORIA NA PREVENÇÃO E DETECÇÃO DE FRAUDES E CORRUPÇÃO 5.1.5.2. AUDITORIA INTERNA E EXTERNA NA GESTÃO PÚBLICA 5.SP 1.4.3.2. TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA 5. Histórico 6.6.5. “OPERAÇÃO VAMPIRO” 6. Atuação Prévia dos Órgãos de Controle e Procedimentos de Auditoria Utilizados 6.1.ATUAÇÃO EXIGIDA DOS ÓRGÃOS DE CONTROLE E PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA APLICÁVEIS 7.3. PRÁTICAS.Fraude Nos Correios e Mensalão 6.3. O EXEMPLO DA CIDADE DE RIBEIRÃO BONITO .2.2.Tipos de Auditoria na Área Pública 5.3.2.Trechos de Depoimentos Prestados à CPMI dos Correios Vinculados às Red Flags APÊNDICE B .4. “Red Flags” 6.1.Organização Brasileira 5. SUGESTÕES E RECOMENDAÇÕES REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS APÊNDICE A . Histórico 6.Atuação dos Órgãos de Controle e Auditoria no Brasil 5.2.3. Delimitação para o Presente Estudo 6.1.2.3.1. CONCLUSÕES.3. Atuação Prévia dos Órgãos de Controle e Procedimentos de Auditoria Utilizados 6.ESTUDO DOS CASOS PROPOSTOS 6.2.1.

por exemplo. que tem como função básica a promoção do bem estar social através de recursos arrecadados principalmente pela tributação. 2003”. alguns números destacados impressionam:  67% das empresas já foram vítimas de fraudes. cujo título é “Fraude e Corrupção no Brasil: A Perspectiva do Setor Privado. rotulado popularmente como “tudo acaba em pizza”. despertando maior mobilização no combate às fraudes e corrupção. Em 20/07/2005. Em se tratando do governo. os casos de corrupção têm sido explorados pela imprensa mundial. . aflorou em especial pela falta de crença de uma mudança ético-cultural radical para uma convivência harmônica e compromissada com a verdade.INTRODUÇÃO A indignação social decorrente dos mais diversos casos de corrupção divulgados pela imprensa tem sido crescente nestes últimos anos. a moral e o bem. O assunto tem tomado capas de jornais e revistas de todo o Brasil.1. a Revista Exame apresentou o assunto em sua capa com o seguinte título “Corrupção – o custo dessa praga para os negócios e para o País”. Os debates sobre fraudes e corrupção têm se tornado cada vez mais acalorados. O sentimento de impunidade. Na pesquisa realizada pela ONG Transparência Brasil (em colaboração com a Kroll The Risk Consulting Company). baseando-se em pesquisas realizadas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pela ONG Transparência Brasil.

Há um mito de que a corrupção é um problema dos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. Diante de um quadro mundial tão alarmante.. incluindo o Brasil. agilidade e ter como propósito o combate às maiores causas das fraudes e corrupção internas. por muito tempo. enquanto entre os mais corrompidos (passivos) encontram-se precisamente os subdesenvolvidos. 21% (apenas) corresponde à recuperação média das perdas com fraudes nas empresas. Os Estados Unidos. p. entretanto. Ribeiro (2004. As leis precisam ser revisadas para torná-las menos complexas e burocráticas. na eleição do presidente George Bush. conviveu com o crime organizado e corrupção daquela que ficou mundialmente conhecida por Máfia Italiana. Cingapura e na Coréia. 62% das empresas que já participaram de licitações públicas foram sujeitas a pedido de propinas. clareza e divulgação dos procedimentos e resultados. a corrupção desempenha hoje. discorda: (. . A Itália. entre outros países. a corrupção não é um problema estritamente do Brasil. São necessárias medidas em todas as funções de governo: o Poder Legislativo. Klitgaard (1994) realiza uma análise de alguns casos de corrupção ocorridos nas Filipinas.. dentre outros organismos internacionais passaram a desenvolver estudos e análises sobre o tema com desenvolvimento de políticas e programas anticorrupção.) Na Bélgica. A questão tomou proporção mundial e passou a receber maior análise da parte de vários organismos e governos. Os processos legais necessitam de maior agilidade. a Organização das Nações Unidas (ONU). grande parte da corrupção do Terceiro Mundo conta com uma importante participação do chamado Primeiro Mundo. o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). 53% das empresas já foram achacadas por parte de agentes públicos quanto à propina ou outros pagamentos indiretos com respeito a impostos e taxas. Hong Kong. fiscalizações técnicas. o Poder Judiciário e o Poder Executivo. o que demonstra ser difícil atribuí-la exclusivamente ao Terceiro Mundo. Certamente. fiscalizações tributárias e polícia. as ações do governo precisam de maior transparência. o Fundo Monetário Internacional (FMI). divulgação.. Ademais. apenas para citar alguns dos países que enfrentam problemas semelhantes. Itália. são várias as frentes de trabalho exigidas para combater esse mal. tanto nas instituições quanto na sociedade.) Os países tidos como os maiores corruptores (ativos) são exatamente os mais desenvolvidos. (.    Ao contrário do que muitos pensam. um papel mais preocupante do que em outras épocas de que se tenha memória recente. Rússia e Espanha. Mais de 82% das empresas consideraram que a cobrança de propinas e a prática de nepotismo é freqüente nas licitações. atravessaram sérios problemas por indícios de fraudes. Japão.. Enfim. 23).

Na primeira parte. os quais vinham a tornar mais morosos os sistemas administrativos. hão de revolucionar os sistemas de controle e auditoria dos órgãos governamentais. a aplicação da auditoria em fraudes com um exemplo da cidade de Ribeirão Bonito – SP. auditoria de gestão. 1992): auditoria operacional. passou a crescer a importância de controles salutares ao governo que pudessem acompanhar o início. auditoria de programas. Entretanto.Por muito tempo se confundiu que o combate às fraudes e corrupção no governo se daria através de fortalecimento de controles burocráticos internos.1. a auditoria na área pública. criar obstáculos temporais comprometedores à agilidade requerida. o presente estudo está dividido em duas grandes partes. e. Na segunda parte. nota-se que esta tem sido classificada geralmente nas seguintes modalidades (Lima & Castro. meio e fim das ações dos gestores públicos sem. 2003. identificar os casos recentemente divulgados e realizar um estudo criterioso com a finalidade de tornar as auditorias mais eficientes. até mesmo contrariamente ao objetivo almejado. utilizadas plenamente. Audibra. a Auditoria sozinha não há de resolver e sanar todos os casos de fraudes e corrupção. as . a origem da auditoria e as expectativas. por vezes. Um desses controles tem se dado pelo uso da tecnologia da informação e de poderosos programas informatizados que permitem o acompanhamento imediato das ações da gestão. em especial os efeitos e a atuação no combate. os quais são analisados para cumprimento do objetivo desta pesquisa. a Auditoria não compromete a ação da Administração por ter a natureza primária da independência da execução. auditoria de desempenho. contudo. aumentavam os gastos da máquina estatal e. Para tanto. Tais tecnologias. mas pretende-se avaliar as técnicas utilizadas no combate às fraudes e corrupção. eram criadas dificuldades que acabavam sendo resolvidas com a “venda de facilidades” (propinas). A Auditoria (mesmo diante das críticas mais inusitadas) ganha importância capital dentre as formas de atuação do controle interno no combate às fraudes e corrupção. de forma geral. são apresentados os estudos de dois casos de fraudes. em geral. A partir de então. auditoria contábil e auditorias especiais. PROBLEMA Observando a literatura especializada em Auditoria Governamental. Dentro de cada um dos trabalhos de auditoria tipificados. Peter & Machado. Certamente. será feita uma abordagem sobre: fraudes e corrupção. Isto porque. por fim. eficazes e efetivas e colaborar no combate às fraudes e corrupção. 2003. há exigência de avaliação quanto às práticas inadequadas que podem resultar fraudes e erros relevantes. auditoria de sistemas. 1.

seu costume. sua moral. antecedendo-se aos recentes casos de quebra de empresas e queda de cotação em bolsa (Enron. Talvez nunca se tenha aprofundado tanto na Academia. nota-se que a prevenção e detecção de fraudes não vem sendo tratada como um exame específico. À medida que o tema “corrupção e fraude” ganhou relevância mundial. “o fato de haver uma auditoria anual poderia atuar como fator dissuasório” (Normas Internacionais de Auditoria. mas que deve planejar seus trabalhos com vista a detectar fraudes e erros relevantes. buscou explicitar com mais detalhes a responsabilidade do auditor nas fraudes e erros. Fato é que a prevenção e detecção de fraudes passam a exigir trabalhos direcionados e de rotina com este objetivo específico. Xerox. as quais dispõem que não é objetivo precípuo do auditor a detecção de fraudes e erros. 2006). Parmalat. a respeito da necessidade de ser promovida maior ética em todas as instâncias organizacional. as normas de auditoria independente das demonstrações contábeis e a interpretação técnica dada a fraudes e erros (NBC P 1. Pode-se citar também. é a disciplina que tem por objeto de estudo os julgamentos de valor na medida em que estes se relacionam com a distinção entre o bem e o mal (Priberam ‘On-Line’. 1998). que sequer passaram por uma análise prévia dos órgãos de controle. empresarial e pública. A ética compreende a disposição natural do homem na vida. a de nº 240 editada pelo International Federation of Accountants (IFAC). WorldCom. desencadeou-se uma discussão de sua maior causa: a crise ética. sonegação fiscal e inculturação de atitudes imorais e antiéticas freqüentemente justificadas pelos indivíduos através do jargão “todo mundo faz”. como atualmente.auditorias são planejadas com um foco específico que acabam por não contemplar a possibilidade de ocorrências de fraudes. dentre as normas internacionais de auditoria. dentre outros) em que os auditores independentes acabaram sendo penalizados pelo mau planejamento dos trabalhos e pela falta de previsão de fraudes. pode-se destacar as normas profissionais de auditor independente. Em filosofia. titulada “Fraude e Erro”. noticiados pela imprensa brasileira. . Tais notícias têm efeito colateral devastador sobre a descrença nos governos. Dentre as normas de auditoria editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC). 2005). Outra questão que merece atenção é a quantidade de casos de fraudes e corrupção envolvendo agentes públicos. seu caráter. Ou seja. tendo sido revisada e atualizada imputando maiores responsabilidades ao auditor na obtenção de razoável certeza da inexistência de fraude ou erros relevantes e exigindo do profissional elevado grau de ceticismo (Normas Internacionais de Auditoria. NBC T 11 e NBC T 11-IT 03). A NBC T 11-IT 03. a qual ressaltava que embora o auditor não fosse o responsável pela prevenção de fraudes. conforme se pode verificar em documentos disponíveis na internet pelo The Institute of Internal Auditors (IAA) e pela Association of Certified Fraud Examiners (ACFE).

. As técnicas de auditoria exigidas não podem se restringir tão somente às análises de conformidade documental. 2003). sobretudo. em seus exames. com o propósito de serem desenvolvidas estruturas organizacionais e procedimentos de controle preventivos que permitam minimizar os riscos de fraude e de mensurar o desempenho ético da organização e seu efeito social (Raven. austeridade e força do governo. compromissada em apresentar informações fidedignas completas. as quais raramente são trazidas pela imprensa. em um novo campo que propicie auditorias mais completas e efetivas. e atitudes imediatas coercitivas e corretivas que demonstrem a seriedade. Os órgãos públicos de controle e auditoria precisam de uma postura mais investigativa.Também a auditoria. mas avançar. tem desenvolvido pesquisas quanto à ética organizacional para informar aos dirigentes sobre vulnerabilidades éticas.

Para a avaliação quanto às melhores técnicas e aos procedimentos de auditoria no combate às fraudes e corrupção foi considerada a literatura nacional e estrangeira. “Fraude nos Correios” e corrupção na cidade de Ribeirão Bonito. forma. conseqüência. as técnicas de auditoria utilizadas. estado de São Paulo ocorridos entre 2001 e 2005.2. foram analisados os que ficaram conhecidos como “Operação Vampiro”. 2. DELIMITAÇÃO Dentre os casos recentemente divulgados pela imprensa e que tiveram repercussão nacional. (2) identificar as falhas de controle que facilitaram os desvios. se possível. .OBJETIVO O objetivo principal desta pesquisa foi estudar melhores procedimentos e técnicas de auditoria que venham a proporcionar maior segurança dos controles e combater com mais veemência os tipos de fraudes e corrupção ocorridos no governo. Para atender ao objetivo principal foram estabelecidas algumas etapas: (1) avaliar alguns dos mais recentes casos em fraudes e corrupção ocorridos no governo quanto à origem.1. (3) consultar a atuação prévia dos órgãos de controle e auditoria e.

2. . de alguma forma. em comparação aos de avaliação de campo ou externa. ainda que realizado qualquer trabalho específico. HIPÓTESES DE PESQUISA Partiu-se da hipótese de que os casos de fraudes e corrupção sob análise não foram previamente detectados pelos órgãos de controle e auditoria do governo. como inspeção física e confirmação externa. em especial a Controladoria Geral da União (CGU).3. QUESTÕES A INVESTIGAR Pretende-se com esse trabalho responder às seguintes questões: (1) Os recentes casos de fraudes e corrupção no governo foram. dentre outros estritamente de conformidade.Para verificação das técnicas e procedimentos de auditoria adotados foram considerados os trabalhos realizados pelos órgãos de controle e de auditoria. o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios. previamente detectados pelos órgãos de controle e auditoria? Se afirmativo. as técnicas de auditoria aplicadas não foram suficientes para diagnosticar a existência de fraude e/ou corrupção. quais técnicas de auditoria foram aplicadas nesses casos? (2) Que procedimentos ou melhores técnicas poderiam ter sido adotadas nos casos em estudo como forma de atuação da auditoria? 2. Outra hipótese a ser avaliada é a de que os órgãos de controle e auditoria utilizaram-se demasiadamente do procedimento de auditoria de análise documental. 2. E.

A diferença de expectativas tem sido assunto de várias pesquisas realizadas no âmbito da auditoria (Almeida. 1998). O produto de auditoria tem sido alvo de críticas em decorrência do gap existente entre as expectativas dos usuários das informações e o desempenho idealizado e oferecido pelos órgãos de controle. uma das formas de monitoramento do fim que está sendo dado aos recursos arrecadados é a auditoria. Hojskov. 2004.AICPA . 2004. Os gestores de recursos públicos são exigidos a fazerem bom uso do dinheiro do povo e. para isso. . International Federation of Accountants – IFAC . podendo também ser encontrada em documentos disponíveis na internet (American Institute of Certified Public Accountants . Adams & Evans. The Institute of Internal Auditors – IIA).3. Com o presente trabalho pretende-se reduzir o gap existente e colaborar para que a auditoria proporcione maior valor público e efetivamente aja reduzindo os casos de fraudes e corrupção no governo.RELEVÂNCIA DO TEMA A sociedade tem exigido que a função de auditoria seja cada vez mais interveniente no diagnosticar de situações fraudulentas e atos ilegais.

podem ser classificados quanto aos fins e quanto aos meios. com maior segurança e economia. traçando o caminho a ser seguido. destacamos para essa pesquisa os métodos histórico e comparativo por colaborarem no estudo da auditoria no que tange aos seus primórdios. pela . pp. possui métodos específicos que contribuem de forma mais restrita em termos de explicação geral dos fenômenos (e menos abstratas) e que seriam etapas mais concretas da investigação. classificamos a presente pesquisa como aplicada. detectando erros e auxiliando as decisões do cientista. mediante a proposição de melhores técnicas e procedimentos de auditoria na prevenção e detecção de fraudes. seguindo a proposição de Vergara (2004. classificamos como: a) Investigação documental – por ser realizada em documentos de órgãos públicos. 4649).” A Contabilidade. Dentre esses. sem os quais não há ciência. p.4. 106) os denomina métodos de procedimento. permite alcançar o objetivo – conhecimentos válidos e verdadeiros –. Quanto aos meios. pois é motivada pela necessidade de resolver problemas concretos. como ciência social aplicada. Definem métodos como “o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que. Quanto ao tipo de pesquisa realizado. em especial em atas e relatórios disponibilizados pelo Tribunal de Contas da União (TCU). 83) ressaltam a importância dos métodos científicos. Quanto aos fins. seu principal foco de atuação em séculos anteriores e nos dias atuais. Lakatos & Marconi (1994. p.METODOLOGIA Lakatos & Marconi (1994. tendo finalidade prática.

Câmara e da 2a. revistas. da CGU e da CPMI dos Correios. da 1a. redes eletrônicas (internet). Câmara do Tribunal. 26). O universo dessa pesquisa está restrito às atuações do TCU. dentre outros. b) Pesquisa bibliográfica – pelo estudo desenvolvido com base em material publicado ou divulgado em livros. ou seja. Uma outra classificação dada à pesquisa é ser predominantemente qualitativa. jornais. através do Relatório Final dos Trabalhos divulgado. 2005. c) Investigação ex post facto – por referir-se a fatos já ocorridos.Controladoria Geral da União (CGU). O método qualitativo “é mais subjetivo e envolve examinar e refletir as percepções para obter um entendimento de atividades sociais e humanas” (Collis & Hussey. pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios. E a atuação do TCU mediante análise das Atas e Acórdãos das Sessões Plenária. e d) Estudo de casos – por encontrar-se circunscrita a duas ocorrências de fraudes no Brasil. . pois não foi possível acesso às informações protegidas por sigilo da Polícia Federal e Ministério Público da União. à exceção daquelas divulgadas pelas respectivas assessorias de imprensa dos órgãos. As atuações da CGU puderam ser verificadas com base em relatórios de auditoria. As atuações da CPMI dos Correios. Há que se considerar que a escolha deveu-se principalmente à adoção do método de estudo de casos. p. em todo material acessível ao público em geral.

que significa “obter.1. destaca-se a auditoria e as expectativas históricas.1.1. apresentam-se as subseções de auditoria na gestão pública. burla. Na segunda subseção. vantagem ilícita. para si ou para outrem. pode-se considerar que é o ato de utilizar-se de artifícios com a intenção de prejudicar outrem. a auditoria na prevenção e detecção de fraudes e os procedimentos de auditoria aplicáveis em fraude. em prejuízo alheio. Na primeira subseção. O Código Penal Brasileiro apresenta fraude como elemento típico do estelionato. é apresentado o problema fraude e corrupção. engano. A última subseção traz um exemplo de auditoria aplicada em um caso de fraude ocorrido na cidade de Ribeirão Bonito do Estado de São Paulo.Definições O termo fraude em seu sentido mais amplo significa dolo. contrabando (PRIBERAM. logro. Em seguida.REFERENCIAL TEÓRICO A presente seção encontra-se capitulada em seis subseções. FRAUDE E CORRUPÇÃO 5. Assim.5. 5. induzindo ou . 2006).

01) no qual estabelece as seguintes definições para os termos: Fraude: processo de enriquecimento privado por burla de normas públicas ou privadas. A diferença principal entre fraude e erro é a intenção dolosa existente somente no primeiro. A corrupção pode conduzir à fraude. a ONG Transparência Brasil em conjunto com a Kroll The Risk Consulting Company emitiu um relatório (2004. From an audit viewpoint corruption is more complex than fraud. Corruption can lead to fraud which is but one of the effects caused by corruption. as condições que favorecem a corrupção são mais complexas e difíceis de serem evidenciadas. Em contabilidade. passivos e resultados. mediante artifício. A corrupção sempre envolve um administrador público e um co-participante privado (empresa ou indivíduo). desvios de recursos. de modo a modificar os registros de ativos. 1993. Por corrupção pode-se inferir que são atos ou atitudes praticadas por um agente que se vale de sua posição ou cargo para interesses próprios ou interesse de outros com os quais esteja coadunado. Baseia-se em um estado de espírito do indivíduo que o leva a prejudicar alguém. sem participação da parte prejudicada. praticados por um ou mais indivíduos da administração da entidade ou por terceiros com o intuito de obtenção de vantagens injustas e/ou ilegais. p. e (e) aplicação de práticas contábeis indevidas. (c) supressão ou omissão de transações nos registros contábeis. Corrupção: processo em que um administrador público aufere vantagens ou rendimentos indevidos aproveitando-se de sua posição. A detecção de corrupção em uma rotina de 1 Tradução livre dada pelo autor desta dissertação: “A corrupção é de forma geral menos tangível que a fraude. (JONES. corrupção é mais complexa que fraude”. ardil.ISA 240) Na apresentação de “A perspectiva do setor privado. . (d) registro de transações sem comprovação. nepotismo. (b) apropriação indébita de ativos. a qual é apenas um dos efeitos causados pela primeira.mantendo alguém em erro. tráfico de influência e lavagem de dinheiro. It is a state of mind or ethos that can spread among individuals that make up an organization. 2003” quanto à fraude e corrupção no Brasil. ou qualquer outro meio fraudulento”(Art. fraude pode ser definida como ato intencional de omissão ou manipulação de transações. mas de forma geral é possível detectar sua existência. p. (NBC T 11 – IT 03 – Fraude e Erro / International Standards on Auditing . Diferentemente. falsificação ou alteração de registros ou documentos. o agente é sempre um cidadão privado. Do ponto de vista da auditoria. extorsão. adulteração de documentos. propinas. Representa um estado de espírito ou ética disseminada entre os indivíduos de uma organização. A corrupção difere da fraude por ser mais intangível. podendo ser caracterizado por: (a) manipulação. São exemplos: suborno. Corruption is usually less tangible than fraud. à empresa ou organização. registros e demonstrações contábeis. Na fraude. 171 do Código Penal Brasileiro). 3)1 Na fraude podem ser complexas as condições que a desencadearam.

” . Dessa forma. p. Confirmando a assertiva. e pelas quais o corrupto possui (5) autoridade. By contrast no one has yet made a realistic attempt to quantify the extent of corruption by reference to value or frequency of occurrence. e do custo que o fenômeno tem para a economia. as condenações contabilizadas nas instituições ligadas à esfera penal e as informações obtidas em pesquisas entre cidadãos. Speck (2000. p. even at times unnoticed. Favorecimento é uma das principais manifestações da corrupção que não são registradas. Uma das dificuldades em acompanhar e mensurar casos de corrupção deve-se à dificuldade de se encontrar uma definição universalmente aceita para o termo.g. Senior (2004. Occasionally fraud crime statistics are published on an industrial sector basis. enquanto não notadas. Sênior (2004) tece considerações quanto às definições apresentadas sobre corrupção e aponta como maior crítica o fato de a grande maioria delas apresentá-la como um fenômeno aplicável somente ao setor público.” 3 Tradução livre dada pelo autor desta dissertação: “Corrupção ocorre quando um corruptor: (1) dá cobertura (2) a um corrupto ou a um designado a influenciar (3) ações que (4) possam beneficiar o corruptor ou um designado. ao final da década de 90. a sociedade e a credibilidade das instituições políticas. Reino Unido. em especial quanto a experimentos de cálculo do “grau” de corrupção. do volume dos desvios. and for which the corruptee has (5) authority. computer fraud) or to geographical areas (e. (JONES. Jones (1993. 04)2 Entretanto.auditoria é extremamente difícil ou quase que impossível. mas que estatísticas sobre corrupção eram mais difíceis e ainda não quantificadas. 03) realizou uma revisão de dados provenientes de pesquisas empíricas sobre a corrupção e pôde notar uma mudança no debate sobre corrupção. Exemplos incluem o levantamento das fraudes por computador realizado aproximadamente a cada três anos pelo Comitê de Auditoria. cidade de Londres). O máximo que pode ser verificado são casos conhecidos de fraude que partiram de ações ilegais ou injustas de indivíduos corruptos. The quantifiable extent of fraud is sometimes estimated by writers who refer to types of fraud (e. USA.” 3 2 Tradução livre dada pelo autor desta dissertação: “O grau quantificável da fraude é algumas vezes estimado pelos autores os quais se referem a tipos de fraude (por exemplo: fraude por computador) ou por áreas geográficas (por exemplo: EUA. Notou ainda que as tentativas mais corriqueiras de quantificação encontram-se baseadas em três diferentes indicadores: os escândalos relatados na mídia. p. 1993. quando na verdade essa impacta também o setor privado. Ao contrário. p. 23) propõe uma definição composta de cinco condições que devem ser satisfeitas simultaneamente: “Corruption occurs when a corruptor (1) covertly gives (2) a favour to a corruptee or to a nominee to influence (3) action(s) that (4) may benefit the corruptor or a nominee. the city of London). 4) concluiu que havia institutos e organizações que procuravam classificar e mensurar os casos de fraude. Favouritism is one of the main manifestations of corruption that goes unrecorded. ainda não há nenhum grau quantificável da corrupção por valor ou freqüência de ocorrência da realidade. Examples include the Audit Commission survey of computer fraud which is done approximately every three years. The most that can be assumed is that the known cases of fraud form but part of the total illegal or unjust actions of corrupt individuals.g. Ocasionalmente estatísticas de crime por fraude são publicadas sobre uma base do setor industrial. UK.

Officers who feel they have been wronged may try to get even. A intenção está relacionada à motivação.5. Entretanto. Disgruntlement and malice: all but the smallest organization will have rivalries and ‘co-operation’ problems. Also in this category (and possibly partly under ‘Ego’) can be placed ‘Robin Wood’ motivations of fraud to redistribute wealth from the rich to the poor. p. cuja denominação em inglês é Ethical and Social Auditing. Also in this category come a wide variety of the under-rewarded pay and ‘perks’ motivations. This category is often the most complex and difficult to recognize. finanças e controles internos da organização. 02. No Quadro 1 são elencadas motivações relacionadas a fraudes e corrupção. usually including the perpetrator. problemas financeiros. honestidade e moralidade de forma a criar um ambiente desmotivante às ações fraudulentas por agentes da empresa ou organização. o qual poderíamos chamar de Auditoria Ético-Social Corporativa. This category may be relatively easy to recognize – overtime ‘fiddles’. Circumstances that are completely beyond the tolerance of one individual may be considered quite a minor problem by others. QUADRO 1. conduta ética corporativa de corrupção. Neste sentido tem crescido um tipo de auditoria. Ela tem como finalidade verificar como a companhia afeta seus 4 Tradução livre dada pelo autor desta dissertação para as motivações destacadas em negrito no quadro 1: motivações que conduzem à fraude e à corrupção: problemas financeiros pessoais. educação. A auditoria ético-social corporativa busca ir além da contabilidade. ideologia. Ego: beating the system by perpetrating fraud can represent a challenge. .Causas e Efeitos Fraude e corrupção ocorrem quando duas condições básicas as permitem: intenção e oportunidade. In general corrective action must be firmly taken from the top down. ego. 1993. These can get out of hand and bureaucratic point-scoring can become personal. MOTIVATIONS TOWARDS FRAUD AND CORRUPTION 4 Personal financial problems: particularly indebtedness.1.2. etc. even religious motivations. Ideological: these include political. Peer pressure: this is effectively part of the corporate culture category. Fonte: Jones. pressão interna. justiça. particularly in the area of computerrelated fraud. descontentamento e malícia. particularly if these have persisted for long periods of time. But with peer groups the pressures are usually more intensive and restricted to parts of an organization. sendo assunto de maior domínio e discussão dos campos da criminologia e psicologia criminal do que dos auditores e contadores. ainda pouco comentado no Brasil. família. corporativamente é possível que sejam estabelecidas políticas e cultura de ética. A motivação para fraude por um agente individualmente é de difícil mensuração pela cultura e pelos fatores que lhe são intrínsecos – ego. family and gambling-related problems. A corporate ethos conductive to corruption: the ‘everyone-else-is-doing-it’ syndrome. petty pilfering and so on – but is often very difficult to correct.

busca-se que sejam reveladas estruturas organizacionais e processos preventivos (envolvendo empregados). indução ao erro. como por exemplo. da Bolsa de Valores daquela cidade e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD-Brasil). processos. Através desse tipo de auditoria. O interesse específico da auditoria ética está relacionado com atitudes internas quanto princípios básicos morais como: verdade. lealdade. a auditoria ética auxilia instando uma cultura ética. Certamente este é o efeito mais degradante e fatal trazido pela fraude e corrupção. (Raven. ações de toda espécie. 2003. quando tomadas como comuns e inevitáveis. honestidade. discriminação.stakeholders (todo tipo de pessoas interessadas na empresa ou organização) e também como revela sua visão. decisões ou omissões e o comportamento de seus empregados ou outras pessoas ou organizações fechadas associadas à companhia. fraca regulamentação. (Encarte Rio Estudos nº 201 da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro). família e amizade – pela atuação da mundialmente conhecida Máfia Siciliana. comportamento. os mais adequados. falta de definição das responsabilidades. Os procedimentos de auditoria a serem estudados têm por finalidade exatamente minimizar “oportunidades” de ocorrência de fraudes e corrupção. valores e expectativas da sociedade como um todo. As oportunidades abrangem falhas de controle interno. Em conferência realizada em São Paulo. pois permite a aceleração do volume de casos e de outros efeitos. o professor Leoluca Orlando (ex-prefeito de Palermo – capital da Sicília – Itália) fez uma reflexão sobre a perversão dos valores tradicionais sicilianos – honra. de integridade e honestidade por toda a organização. Tanto a fraude como a corrupção. A auditoria ética pode também ser utilizada para mensuração do desempenho ético organizacional. bem como quanto às práticas de intimidação. O presente estudo se desenvolve basicamente dentro do segundo elemento condicionante de fraudes e corrupção: a oportunidade. tendem a gerar uma cultura de inversão de valores na organização e na sociedade. respeito. Já as auditorias sociais examinam o impacto na sociedade das operações. aos seus empregados de forma a minimizar os riscos de fraude e corrupção cuja causa provém da intenção (motivação) do agente. o objetivo principal da auditoria ética é informar os gestores quanto vulnerabilidades éticas na organização que favoreçam práticas delituosas ou desfavoráveis à organização. . em especial. em 26 de abril de 2006. roubo e fraude. atitudes. p. dentre outros problemas que hão de ser mencionados nesta pesquisa. integridade. 06) Assim. moral. seus stakeholders e. o aumento do risco para investimentos e a desconfiança dos investidores. a convite do Centro de Estudos Norberto Bobbio. Quando realizada efetivamente.

se nesse processo cumulativo de causas forem incluídas inúmeras distorções no ordenamento jurídico.. justiça. p. (. sem dúvida a corrupção tornar-se-á endêmica e imune aos meios clássicos de controle. muitos sicilianos se depararam com essa triste realidade.. o qual permitiria “recuperar a alma e a identidade de um povo”. 2000. Até mesmo porque os órgãos de governo. a qual passa a aceitar atitudes antiéticas e imorais que em outros lugares são tratadas com desprezo. econômicas e sociais. (. políticas e jurídicas nas quais ela [corrupção] tende a se proliferar”. a forma que encontrou para resgatar os valores sicilianos da honra. Bruning (apud RIBEIRO. O custo político é alto. Além da degradação sócio-cultural. aumentarão as chances de sua prática. lentidão nas investigações. como era o caso da Sicília. exclusão social dos negócios públicos. A inculturação de valores errôneos corrompem toda a sociedade. forem adicionados intransparência administrativa. existirem sérias injustiças sociais. ineficácia dos controles formais. mais se abrirão as portas à generalização do fenômeno. (SPECK.. A corrupção não somente desperdiça recursos públicos como também cria incentivos errados para o direcionamento dos investimentos econômicos. por exemplo. econômico-sociais. a corrupção e a fraude têm efeito sobre a economia e a política com a alocação ineficiente de recursos e pela deterioração da qualidade dos serviços públicos. 25) Em tese de doutoramento..) partindo-se das ‘causas naturais’ (imperfeições da natureza humana). Se. em que a máfia se infiltrava no governo e nas instituições jurídicas. impunidade e outros obstáculos à punição dos corruptos. destacou em sua conferência que. Por último. mais corrupção deverá ocorrer. se encontram demasiadamente corrompidos.A inversão de valores pôde ser claramente notada quando Leoluca citou logo ao início da conferência uma pergunta feita pela sua filha aos oito anos de idade: “Papai. congestionamento da Justiça. no caso de sua cidade. se os padrões culturais e éticos da nação propiciarem a corrupção. nesse quadro. . além disso. centralização do poder e outras atitudes antidemocráticas. Leoluca. Se. família e amizade foi através do resgate e desenvolvimento da cultura. p. segurança. A onda de corrupção e fraude em locais que a cultura encontra-se sensivelmente abalada por essa inversão de valores tende a ser muito maior e difícil de se conter com meros atos de repressão e justiça. dentre outros. 24) apresenta as causas da corrupção como “as condições culturais. porque instituições vistas como corruptas são desacreditadas e não terão o apoio da população. 2004. por que todos aqueles que respeitam a lei são tristes e choram sempre e aqueles que não a respeitam são alegres e vivem bem?” Certamente.) A idéia da associação política para realizar o bem comum torna-se um eufemismo para encobrir a convivência cínica de egoístas não assumidos. autoritarismo.

e o resgate da ética comentado anteriormente. exercido através de organizações da sociedade civil. etc. dos recursos humanos e materiais disponíveis para a atuação e da motivação dos seus integrantes para exercer a sua função. a imprensa. melhoria nas normas contábeis e de auditoria no setor privado. destacam-se aqueles exercidos pelos Tribunais de Contas. muitos enfatizam o aumento da eficiência destas instituições. em decorrência do efeito de um episódio condicionar novas “causas”. Por esse motivo. o que se verifica é exatamente que as causas e os efeitos das fraudes e de corrupção se confundem. buscam e mantém mecanismos para a identificação de falhas de eficiência. criação de órgãos de prevenção. No que tange à atuação dos órgãos de controle interno e externo. 5. transparência da informação pública quanto organização. a prestação de contas de políticos e administradores e o fortalecimento dos mecanismos de fiscalização e controle. sistemas de contratação transparentes e objetivos. bem como os controles internos e ouvidorias dos órgãos.3. alguns importantes assuntos têm sido destacados: a transparência do setor público. estão interessados em melhorar o seu desempenho e evitar a exposição a escândalos. a iniciativa privada ou cidadãos individuais.1. quando encaram a função com seriedade e zelo. códigos de conduta para funcionários públicos.Em verdade.Atuação no Combate No debate sobre políticas para combater a corrupção. política e sociedade. Ministério Público e Tribunais Judiciais. em Comissões Parlamentares de Inquérito. E a omissão das pessoas e autoridades para a quebra dessa viciosa corrente somente poderá gerar um ciclo contaminante na cultura. O governante e a administração. independência do poder judiciário e do ministério público. Outras frentes de atuação também têm sido enfatizadas. controles do Legislativo manifestado. economia. As iniciativas e medidas adotadas contra a corrupção têm sido enfatizadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) através de políticas e práticas de prevenção. Na área de fiscalização e controle. as novas tecnologias de informação podem ser diferenciais. A ONU estabeleceu em 09 de dezembro de 2003 a . funcionamento. medidas para prevenir lavagem de dinheiro. serviços prestados e processos de decisões da administração pública. O desempenho dessas instituições depende em muitos casos de sua independência. Para tais sistemas de controle interno. como o controle social. por exemplo. maior participação da sociedade na luta contra a corrupção.

penalidades severas tanto financeiras quanto a sentença de prisão dos corruptos e envolvidos culpados. p. selecionar e. a qual tem sido referendada por várias nações do mundo. conforme se pode perceber pelo ranking apresentado pela Transparency International – Tabela 1 (p. imprensa independente e livre. p. .. incluída a recuperação de ativos. (ARAÚJO JR.687/06 de 31/01/2006. A Convenção elenca as seguintes finalidades: a) Promover e fortalecer as medidas para prevenir e combater mais eficaz e eficientemente a corrupção. até mesmo. impedimento automático de cinco anos de empresas que ofertassem ou recebessem subornos. Dentro da proposta de se estudar melhores práticas contra a corrupção para que essas possam ser incorporadas por outras nações. A implementação de políticas anticorrupção a partir de 1960 foi essencial para que Cingapura ocupasse a posição de referência que ocupa atualmente quando o assunto é a atuação contra corrupção. Senior (2004. b) Promover. Adicionalmente. Quah (2001) realizou pesquisa que apresenta o que pode ser aproveitado da experiência de Cingapura no combate à corrupção. da gestão da qualidade total e de inteligência competitiva que podem e devem ser utilizadas no combate à corrupção. a obrigação de prestar contas e a devida gestão dos assuntos e dos bens públicos. 2001. 31). através do Decreto 5. como benchmarking. c) Promover a integridade. 246) Cingapura tem apresentado um dos melhores índices do mundo em relação à atuação contra corrupção. incorporar o que os concorrentes praticam de melhor.Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção. 27) ainda destaca dentre as ações para eliminar a corrupção: previsão legal para punição do corruptor e demais envolvidos culpados. Uma outra forma de combater a corrupção é a utilização das técnicas de planejamento estratégico. o referido autor considera que leis específicas deveriam possuir as seguintes características: nenhuma imunidade para políticos. Destaca que o sucesso de Cingapura em minimizar a corrupção no país pode ser atribuído a duas estratégias de reduzir concomitantemente as oportunidades e incentivos a atos corruptos. A técnica de benchmarking tem como objetivo principal auxiliar as organizações (e. dentre as quais o Brasil. uma nação). registro de ações de sucesso contra a corrupção. a identificar. facilitar e apoiar a cooperação internacional e a assistência técnica na prevenção e na luta contra a corrupção. funcionários públicos ou do setor privado. comparar. dentre outras já mencionadas. em especial nos níveis mais elevados. se for o caso. imunidade em juízo para o denunciante do ato de corrupção. Dentre os países asiáticos é o que ocupa a primeira posição no ranking.

5 3.7.2.8.1 32 Uruguay 5.3 .9 .TABELA 1 – ÍNDICE DE PERCEPÇÃO DE CORRUPÇÃO .7 1.7 16 Germany 8.7 62 Brazil 3.4 2.1 158 Bangladesh 1.5 17 USA 7.9 Ecuador 2.3 7.8.1 1.9.9.5 .3 2.8 14 Canada 8.3.7.2.3 .8 2.6 7.5 2.4.7 2 Finland 9.6 8.5 .5 .3.5 97 Argentina 2.3 .7 .2.5 3.5 .9.4 59 Cuba 3.6 9.9 .5 11 United Kingdom 8.7 Peru 3.0 3.7 Japan 7.9.0 21 Chile 7.7 .6 9. onde 0 seria o mais corrupto e 10 o menos corrupto (ou mais limpo).7 5 Singapore 9.5 .4 9.2 7.7.0 1.6 .8 .4 7.6 130 Venezuela 2.9 .6 .3 .4.2 2.4 55 Colombia 4.2 .8.2.1 .8 2.4 144 Paraguay 2.8.2.8 26 Portugal 6.3 .0 Surveys used 8 9 9 12 11 11 12 10 12 10 14 9 6 9 4 10 10 7 14 10 6 6 12 10 7 5 7 * CPI Score representa o índice de percepção de corrupção.8 .9 65 Mexico 3.9 126 Russia 2.3 6.3 6.1 117 Bolivia 2.7 New Zealand 9.2 -2.8 78 China 3.6.5 2.3 .4 .3.8.9 5.3.7 9.transparency.9 .7 3.org) .5 5.0 .8 15 Hong Kong 8.3. Fonte: Transparency International ( www.9 .2005 TI 2005 Corruption Perceptions Index Country Country 2005 CPI Confidence rank score* range 1 Iceland 9.3 151 Angola 2.2.

ATTIE. de Besta e outros estudiosos que nessa época vieram a sacudi-la do marasmo em que jazia. A AUDITORIA 5.5. A Auditoria evoluiu à medida que se desenvolviam economicamente os países. p. Em pesquisa realizada.2. principalmente. em investigações científicas que realizou no Museu de Louvre e no Museu Britânico: A necessidade de guardar memória dos fatos ocorridos com a riqueza patrimonial gerou critérios de escrita em formas progredidas mesmo nas civilizações mais . 21-22. p. 1984. cresciam as empresas e se expandiam as atividades produtoras. A dificuldade em se reconhecer um período de surgimento da contabilidade e auditoria deve-se em grande parte ao empirismo com que era empregada nos séculos anteriores.(..2. Embora haja divergências entre alguns estudiosos (CRUZ. DEFLIESE et al. foi sempre feudo dos práticos pois nunca mereceu atenção de pessoas com bastante saber e engenho bastantes para a tirarem do pântano do empirismo e das sistematizações precipitadas. uma vez que eles entendiam ser possível desenvolver uma atuação de apoio e proteção aos investidores.1. Gonçalves da Silva (1959. após realizar um levantamento e propor “Doutrinas Contabilísticas” observou: A Contabilidade nasceu na fúria dos negócios e até finais do século XIX. 2001. 02). LOPES DE SÁ. pode-se inferir que a Auditoria.) Antes de Villa. p. 21. de Cerboni. na forma atualmente concebida. pp.. pp. p. pp. no século XIX com o amadurecimento das indústrias e o aumento das relações comerciais. Cardozo (1997. apud LOPES DE SÁ. através do exame das demonstrações financeiras e outros processos técnicos. tendo sido pouco registrada e documentada por estudiosos. 1998. 27-28. 22). raros são os autores que merecem ser recordados por qualquer contribuição real para o seu progresso teórico. pois o exame documental e a escrituração contábil sempre foram o ponto de referência para legitimar a Auditoria (CRUZ. 27). 1998. 810) quanto à ocasião exata em que se iniciaram os primeiros trabalhos em auditoria. 27) considera que: Isto fez com que os contadores da época sentissem a necessidade de se organizarem para a prestação de serviços capaz de suprir aquele mercado profissional emergente.13) encontrou suficientes evidências de que povos bárbaros já tinham amplo desenvolvimento nas técnicas contábeis. 2002. p. p. “gerando crescente complexidade na administração dos negócios e de práticas financeiras como uma força motriz para o desenvolvimento da economia de mercado” (ATTIE.Síntese Histórica A origem da Auditoria pode ser associada à origem da Contabilidade. 2002. teve seu grande impulso com o desenvolvimento europeu no século XVI com as expedições marítimas e. 1998. Lopes de Sá (1994.

ao fim de muitas batalhas vitoriosas. Entretanto. Conta-se que a Espanha perdia muitas embarcações em decorrência de ataques piratas no século XVI. d. iniciou-se o pensamento científico da contabilidade como ciência social. para que ajudassem ao sucesso nas lutas com orações e missas de graças. sufrágio dos mortos e 5 Lopes de Sá. escrita pelo Frei Luca Pacioli em 1494.br/servlet_art. Ocorre que quando os tesoureiros reais pediram uma prestação de contas de como foram aplicados os recursos públicos.php?id=626 .000 anos. a contabilidade e a auditoria convencional. 2005. que expandiam seus escritórios para o Brasil e o resto do mundo. encontram-se já registros em peças de argila que indicam tais evoluções. encontrada na sala do Tribunal de Contas da Espanha. Dom Gonzalo apresentou um curioso balanço da missão. com as primeiras expedições marítimas ao nosso continente. evolução do mercado de capitais. relatado por Lopes de Sá 5. Disponível em: http://www. e f. e.. bem antes. “santos”. de forma simples. criação da Comissão de Valores Mobiliários e da Lei das Sociedades Anônimas em 1976.classecontabil. Provavelmente os registros contábeis e a auditoria das contas passaram a ser exigidos e a ganhar relevância após casos como o de Dom Gonzalo de Córdoba. Acesso em: 19 jan. usando os termos débito e crédito para o fenômeno patrimonial foi teoricamente estabelecido. 2006. há cerca de 6. pois o que modifica e gera um patrimônio é a ação humana. Ceará. 04 jun.. Dom Gonzalo recebeu para a campanha uma soma considerável de dinheiro e. Nos desembolsos continham despesas com “espiões”. c. em especial pela contribuição de Francisco D´Auria. retornou cheio de glórias com a missão cumprida. ainda que em apêndice de um livro de matemática. o Brasil passou a receber forte influência da escola norteamericana e das exigências trazidas pelas empresas de auditoria independente. criação das normas de auditoria promulgadas pelo Banco Central do Brasil em 1972. Através da obra de Pacioli. Portal da Classe Contábil. p. Foi nesta ocasião que o conhecido “método das partidas dobradas”. Segundo Attie (1998. A. para conhecer a tática do inimigo. Um dos marcos mais importantes da contabilidade foi a primeira literatura contábil. Em meados de 1960. Sinceridade nas Contas. sob influência da teoria contábil italiana. O Rei Fernando chamou Dom Gonzalo de Córdoba para combater os inimigos. financiamento de empresas brasileiras através de entidades internacionais. Depois de passado algum tempo. No Brasil.com. o estudo científico da contabilidade teve sua origem na primeira metade do século XX. 29): As principais influências que possibilitaram o desenvolvimento da auditoria no Brasil foram: a. Pequenas tábuas de barro cru serviam para gravar. Há registros que embarcações espanholas possuíam tesoureiro e contadores encarregados do registro das despesas relativas ao “exercício de uma nave mercantil”. filiais e subsidiárias de firmas estrangeiras. crescimento das empresas brasileiras e necessidade de descentralização e diversificação de suas atividades econômicas. fatos patrimoniais diversos. . ao menos na sua forma empírica. b. como a da Suméria.antigas. chegaram ao Brasil. com muita insistência do rei e ser ameaçado de confisco dos seus bens. cognominado “Grande Capitão”.

que instalou seu primeiro escritório no Rio de Janeiro. . em 1928. A primeira empresa de auditoria independente a se estabelecer no território nacional foi a atualmente denominada Deloitte Touche Tohmatsu. A regulação da atividade de auditoria independente ocorreu em 1965. mortos e santos não ofereceram comprovantes de gastos. denominado “Curso de Auditoria”. 2004. religiosos. Um dos primeiros artigos acadêmicos sobre auditoria foi publicado. ele não os possuía e logo não tinha como os apresentar. (RICARDINO & CARVALHO. posteriormente pelas resoluções nos 39/1966 e 88/1968. e o primeiro livro sobre Auditoria foi editado somente em 1957 de autoria do Prof.conserto de sinos. com o título “Contabilidade na Grã-Bretanha”. e a edição da conhecida lei das sociedades anônimas – Lei 6404/1976 – a qual estabeleceu a obrigatoriedade da Auditoria Independente para as Sociedades por Ações. O primeiro parecer de auditoria conhecido no Brasil foi emitido há um século pelos auditores canadenses Clarkson & Cross – atual “Ernst & Young” – após examinarem o balanço da São Paulo Tramway Light & Power Co. 20. em 1911. órgão regulador atual. Concluía que. No Quadro 2 apresentamos um resumo de eventos históricos em auditoria. relatórios e pareceres de auditores independentes registrados no Banco Central” (art. pp. Em 1976 se deu a criação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Antônio Lopes de Sá. pela Revista Paulista de Contabilidade. a qual estabeleceu competência ao Conselho Monetário Nacional para expedir normas relativas à “organização do balanço e das demonstrações de resultados. 24-25). padrão de organização contábil. b). referente ao período compreendido entre junho de 1899 e 31 de dezembro de 1902. O Conselho Monetário Nacional regulamentou a atividade dos auditores através da Resolução CMN nº 7/1965 e. após a edição da Lei 4728/65. como espiões.

p.C. 1921 Criação do GAO (General Accounting Office). p.500 a. na ocasião ainda denominado American Institute of Accountants (AIA). Fonte: Defliese et al. 1892 Publicação do livro Dicksee´s Auditing: A Practical Manual for Auditors. as quais começaram a demandar auditorias. como hoje conhecida. Foi com o surgimento dos auditores independentes que a Auditoria passou a receber status profissional e a ser estudada cientificamente. 1845 A Railway Companies Consolidation Act passou a adotar a verificação anual dos balanços por auditores.C. Revolução Industrial com o surgimento de grandes empresas. 1934 Criação do Security Exchange Comission – SEC – nos Estados Unidos. – 95 d. havendo registros de casos de “auditores” nas embarcações. órgão governamental de contabilidade dos Estados Unidos. 1854 Criação do primeiro conselho profissional na Escócia: Chartered Accountant (CA).C. 977 d. Evento Provas arqueológicas constataram existência de inspeções e verificações de registros realizados entre a família real de Urukagina e o templo sacerdotal sumeriano. Referências bíblicas de controle interno e auditorias. na cidade de Veneza – Itália. 1999.21-22 / Hendriksen & Breda. 1314 Criação do Cargo de Auditor do Tesouro na Inglaterra. são feitas referências sobre práticas de revisão. 1984. Cartas a Trajano.C – 117 d. 1773 – 1792 Criação das Bolsas de Valores de Londres e de Nova Iorque. p. 1903 Primeiro parecer de auditoria no Brasil que se tem conhecimento emitido pelos auditores canadenses Clarkson & Cross – atual “Ernst & Young”. Obra de Abu-Abdallah Al-Khawarismi. 1988. deve-se em grande parte ao desenvolvimento da Auditoria Independente ao final do século XIX e no século XX. 13 / Sá.2. 1887 Fundado o American Institute of Certified Public Accountants (AICPA). 1965 Regulação da atividade de auditoria independente no Brasil com a Lei 4728/65 1976 Criação da CVM e edição da Lei das Sociedades Anônimas (Lei 6404/76). 1957 Publicação do primeiro livro de auditoria no Brasil. o principal objetivo da contabilidade era produzir informação para o proprietário – geralmente proprietário único – conforme . 61 d.C.2. 5. Durante o período que se estende até o século XVI.000 a. No entanto.C. p. existem relatos de práticas de auditoria realizadas nas províncias romanas. os primórdios da Auditoria são bem anteriores. 1800 a. não sendo possível estabelecer com certeza um marco histórico. Auditoria na cobrança de impostos na Babilônia. 1640 Criação do Tribunal de Contas de Paris 1750 e ss.Expectativas em Auditoria A Auditoria. o jovem. 1494 Publicação da primeira literatura contábil pelo Frei Luca Pacioli 1500 e ss. conforme anteriormente mencionado. 1998. escritas por Plínio. 13-14.QUADRO 2 – ALGUNS EVENTOS HISTÓRICOS EM AUDITORIA Ano / Período 4. 1559 Sistematização e Estabelecimento da auditoria dos pagamentos a servidores públicos pela Rainha Elizabeth I. 1581 Execução de funções de auditoria pelo Collegio dei Raxonati. 1998. 1310 Execução de funções de auditoria por conselhos londrinos. 4. 38-49 / Attie. 1200 Auditoria em Londres – Inglaterra. 1928 Publicação do primeiro artigo científico no Brasil em auditoria pela Revista Paulista de Contabilidade. 1130 Auditoria de receitas e despesas por Órgão Governamental Inglês e Escocês. denominada Mafatih Al-Ulum (As chaves da ciência). Intensificação do comércio com as expedições marítimas. 28 / Motta.C.

A auditoria nascia modestamente com a principal função de fiscalizar as operações do negócio e proteger o patrimônio do proprietário. p. O próprio dono do negócio executava o papel de acompanhar. talvez. 40). poderiam ser fiscalizados quanto à quitação das obrigações (pagamento) pelo uso da água. cobiça. combinando a riqueza do capitalista com a vontade e disposição dos jovens mercadores (HENDRIKSEN. Um dos melhores e mais antigos exemplos de atuação da “auditoria fiscalizadora” são os coletores de tributos da antiguidade. BREDA. o proprietário já não possuía total controle de suas operações. tão imprescindível nas sociedades dos dias atuais. elevada ao grau de postulado de contabilidade. de forma que passava a exigir quem o fizesse. pouco era o interesse externo pela informação e não havia pressão pela divulgação como nos dias atuais. Ou seja. controlar e fiscalizar as operações.Hendriksen & Breda (1999. bem como os registros delas decorrentes”. Eles pagavam aos coletores de tributos com cereais e linhaça pelo uso de água para irrigação e recibos lhes eram dados desenhando-se figuras de recipientes de cereais nas paredes de suas casas. A informação produzida era mantida em sigilo pelo proprietário. Com a ampliação dos negócios e aumento das riquezas patrimoniais. 43). interesses alheios. nas quais o capital fornecido pelo sócio inativo (“commendator”) era como um empréstimo ao sócio ativo (“tractator”). Os recursos investidos e lucros eram recebidos com o retorno das embarcações e findo o negócio. ainda não havia a continuidade. Começavam a surgir as primeiras sociedades conhecidas por “commenda”. A Auditoria nasceu fruto da concentração da riqueza e do risco ao qual o proprietário se expunha em negociações realizadas por subordinados. Um exemplo da antiguidade citado por Hendriksen & Breda (1999. 1999. Império ou Estado). Cruz (2002.42) é o dos agricultores egípcios nas margens do Nilo. Assim. O uso de sociedades permitia o compartilhamento dos custos e riscos da navegação marítima de longo prazo. p. O aspecto fiscalizador da Auditoria foi o primeiro a emergir como forma de conter desvios. em especial na Itália. O desenvolvimento comercial europeu. subordinados ou por quem quer estivesse submetido a ordenamento superior (de um Reino. p. p. 26) destaca a “Auditoria fiscalizadora” como sendo a primeira etapa da evolução da Auditoria. único usuário. Tais sociedades se realizavam para empreendimentos por tempo limitado. atos corruptos e fraudulentos por parte de empregados. ocorrido nos séculos XII e XIII com as sucessivas cruzadas possibilitava a acumulação de riquezas e que a negociação individual fosse sendo substituída pelo comércio por meio de representantes e associações. a qual possui o objetivo de “fiscalizar as transações sob as óticas financeira e patrimonial. pois ele era o seu principal e. Certamente. O “commendator” encarregava alguém de sua confiança para vigiar e fiscalizar todos os recursos despendidos pelo “tractator” necessários ao .

a demanda por auditorias nas contas (demonstrações financeiras). de forma ainda incipiente. em 1792. Os ativos fixos (imobilizados) passavam a representar um custo significativo. do ponto de vista de sua relevância. Cristóvão Colombo chegou à América. ou seja. Ao final do século XVI e início do século XVII passaram a surgir as empresas de capital conjunto. Fazendas e fábricas maiores com novos equipamentos exigiam mais capitais. A demanda crescente para sustentar a população cada vez maior fez com que fossem desenvolvidas manufaturas. tipicamente fiscalizadora. fraudes e corrupção não eram a maior preocupação nos trabalhos em auditoria. Essas empresas caracterizaram-se pelos indivíduos reunirem-se para financiar um empreendimento e receber direitos de participação proporcionais aos seus investimentos. O final do século XVIII e o século XIX ficaram conhecidos pela Revolução Industrial ocorrida. BREDA. na Inglaterra. A Contabilidade passava a ser tratada com maior mérito e relevância. O século XX pode ser marcado pela Contabilidade como sendo aquele em que a Auditoria teve sua função elevada a níveis extremos em termos profissionais. A Contabilidade de Custos emergia na medida que aumentava a necessidade de informação gerencial. O proprietário deixava de ser o principal usuário da informação contábil. 46). tornando o conceito de depreciação mais importante. passando a tornarse também mais complexa. pp. Iniciava-se. as quais podem ser vistas como extensões das “commendas” italianas e predecessoras das sociedades por ações modernas (HENDRIKSEN. p. Diferentemente dos séculos anteriores. Em 1773 foi criada a Bolsa de Valores de Londres. conta-se que ele foi acompanhado em sua viagem por um auditor nomeado pela corte espanhola para fiscalizar quando começasse a calcular o custo do ouro e das especiarias que acumulasse (HENDRIKSEN. 1999. Sua principal função era não deixar que o “tractator” desviasse recursos em benefício próprio. o qual em 1800 já era de 400 em toda Inglaterra. especialmente. os investidores eram reembolsados segundo sua “participação de liquidação” no total dos resultados. 1999. Ampliava-se o número de bancos.retorno do investimento. Ao final do negócio. exceto se estes possuíssem caráter de vulto e . 45-46). Surpreendentemente. seguindo-se a de Nova Iorque logo depois. Em 1492. a preocupação com o desvio de recursos. navegando para oeste num galeão espanhol (o sucessor das caravelas). dividindo essa posição com os investidores (proprietários ausentes). BREDA. A Auditoria passou a assumir um novo e importante papel: assegurar aos investidores que as demonstrações financeiras apresentadas refletiam a realidade da empresa.

da mesma forma como nos deparamos na última década com escândalos financeiros. uma das formas de monitoramento do fim que está sendo dado aos recursos arrecadados é a auditoria. da mesma forma . Para isso. esses contadores e auditores.relevância que implicassem em distorções significativas nas demonstrações financeiras divulgadas. 2004).Diferenças de Expectativas em Auditoria A sociedade tem exigido que a função de auditoria seja cada vez mais interveniente no diagnosticar de situações fraudulentas e atos ilegais. Os contadores e auditores do tempo das caravelas são fruto da necessidade da época do descobrimento das Américas de que os “colombos” responsáveis pelas embarcações retornariam às suas origens com todos os ganhos obtidos em suas viagens. 2004. International Federation of Accountants – IFAC . 2004. Assim ocorreu no tempo das caravelas. WorldCom. A pressão das forças econômicas que acompanham a profissão de auditoria desde os seus primórdios.3. O produto de auditoria tem sido alvo de críticas em decorrência do gap existente entre as expectativas dos usuários das informações (investidores. 2004. Xerox. independente da forma como eram designados. só para citar alguns). respectivamente. Os gestores de recursos públicos e os dirigentes de empresas são exigidos a fazerem bom uso do capital que lhes é confiado por parte do povo e pelos investidores. nasceram em função de uma expectativa de que sua presença nas embarcações para fiscalizar os ganhos seria oportuna e valiosa. 2005). A diferença de expectativas tem sido assunto de várias pesquisas realizadas no âmbito da auditoria (ALMEIDA. fisco. The Institute of Internal Auditors – IIA). ADAMS & EVANS. a sua adaptabilidade à realidade econômica e às exigências da sociedade têm originado o desenvolvimento da auditoria (ALMEIDA. 5. acadêmicos e o cidadão em geral) e o desempenho idealizado e oferecido pelos órgãos de controle governamentais e pelas empresas de auditoria independente. falência de empresas e ineficácia de auditorias (Enron. CHOWDHURY & KOUHY. Mas. e ainda que tivessem uma conduta ética e moral no desempenho de suas atribuições.2. LIN & CHEN. Desta forma. certamente houve casos de fraudes e corrupção que não puderam ser constatados ou que o foram tardiamente. Ainda que esses primeiros profissionais de auditoria tivessem profundo conhecimento das práticas de auditoria e controle para detectar e prevenir desvios dos ganhos obtidos. podendo também ser encontrada em documentos disponíveis na internet (American Institute of Certified Public Accountants . como anteriormente destacado na história de Dom Gonzalo de Córdoba.AICPA .

de que um auditor falhou no desempenho do seu dever caso uma fraude não seja descoberta ou comunicada. A preocupação maior em auditoria era a posse de ativos. 82. e em relação à nossa capacidade de prevenir e detectar fraudes durante o normal desenrolar de uma auditoria.20) consideravam que a auditoria dava uma especial ênfase à detecção de fraudes na sua primeira fase.. com a repartição do capital das grandes empresas por investidores. Griffiths (1885)8 já alertava para um problema e para uma diferença de expectativas: Existe uma enraizada opinião do público e da imprensa. das sociedades anônimas e. são os profissionais de contabilidade ou de auditoria”. a percepção que os leigos têm sobre fraude é a de que quando esta ocorre os culpados. 2004. Accounting and Business Research. Somente com o desenvolvimento da indústria. 1993. Dicksee (18927) e Meigs (1974. p. Silva (2004. p. conseqüentemente. 23. 1840-1940”.. além de funcionários da própria empresa. 5) considera que “de um modo geral. R. 2004. 443-459. London. subtraindo o foco da auditoria na posse de ativos. o gap (diferença) de expectativas na auditoria se amplia e força uma resposta às novas demandas por parte dos órgãos de controle governamentais e por empresas de auditoria independente. Alguns estudiosos como Pixley (18816). . Porém tal normativo ainda encontra muita resistência na sociedade. a põe em evidência e demanda controles e auditorias mais eficazes e efetivas. Este tumulto é extremamente injusto e cruel. “Changing perceptions of the role of the company auditor.como se tem debatido atualmente. em decorrência da maior relevância do primeiro (ALMEIDA. 8 Ibid. do mercado de capitais. Reforçando a idéia de que o público dava grande importância à detecção de fraudes em auditoria no final do século XIX. et al. p. Vol. apesar de também acentuar as críticas existentes. deveria ser analisado em que medida somos responsáveis pela ignorância que certamente existe em relação aos nossos poderes de controle.. Certamente. p.. 1993. Lin & Chen (2004) realizaram um estudo empírico quanto às diferenças de expectativas em auditoria na República da China. No 92. ao invés dessas situações esvaziarem a relevância profissional do auditor. a necessidade de proteção do auditor no exercício de suas atividades e a delimitação de suas responsabilidades foram as principais motivações para que as normas de auditoria indicassem explicitamente que a responsabilidade por fraudes e erros é dos gestores do negócio. 82). O resultado desta ignorância foi que em casos onde fraudes foram descobertas. [Citado por ALMEIDA. A expectativa na auditoria aumenta. exigiu-se imediatamente a demissão do auditor.] 7 Ibid. Canhdler. A geração de lucros futuros passou a ser base do estabelecimento e previsão dos valores das ações. que alterou o comportamento e originou uma mudança nas linhas de orientação da auditoria. p. Aplicaram questionários em pessoas beneficiárias das 6 Referenciado por CANHDLER.

os grupos estão inclinados a considerarem que os relatórios não confirmam a existência de fraude de proporções materiais. aliada à instabilidade econômica gerada pelos recentes casos de auditorias mal sucedidas (Enron.auditorias (principalmente investidores) e em auditores propriamente ditos e acadêmicos de auditoria visando identificar. Em outra pesquisa realizada por Chowdhury & Kouhy (2005) em Bangladesh. considerando de um lado o órgão governamental de controle e auditoria e de outro lado os usuários dos relatórios: representantes do Parlamento e de agências internacionais que aplicam recursos no país. enquanto o grupo dos auditores somente concordou em torno de 40%. Nota-se que as diferenças de expectativas hão de existir sempre.). maior impacto e exigências sobre os trabalhos de auditoria demandados. Os representantes do Parlamento apresentaram algumas poucas diferenças de expectativas. A demanda social. Já os representantes de agências de fundos internacionais apresentaram maiores diferenças de expectativas em relação aos representantes dos órgãos de controle e auditoria de Bangladesh. embora as expectativas não tenham sido discrepantes. tem exigido auditorias mais eficazes e efetivas. sendo as mais relevantes quanto à oportunidade do relatório (tempo despendido até a divulgação) e quanto ao conteúdo apresentar contas com informações obrigatórias. Xerox. No que tange a fraudes no setor público. dentre as quais destacam-se os aspectos de accountability (prestação de contas) quanto aos relatórios serem mecanismos efetivos que asseguram a accountability do setor público e quanto ao conteúdo apresentar contas com informações obrigatórias. etc. Quanto maior essas diferenças. Verificaram que realmente existe uma diferença de expectativa entre os dois grupos ao constatarem que os beneficiários das auditorias consideraram a responsabilidade dos auditores na detecção de fraudes em mais de 80%. foi avaliada a diferença de expectativas em auditoria no setor público. WorldCom. . dentre outras coisas. opiniões quanto responsabilidade por detecção de fraudes.

(HENDRIKSEN. O desemprego alcançou a taxa de 24%. 57). A Enron era a maior empresa mundial do setor de energia e estava entre os dez maiores grupos empresariais dos Estados Unidos. A fraude e o pedido de concordata do grupo Enron desencadeou uma crise de credibilidade no mercado de capitais. A arrecadação de impostos reduziu a ponto de não ser possível ao governo pagar os salários de professores e funcionários. o fator chave que ensejou a descredibilidade da Arthur Andersen foi a mais declarada atitude antiética que uma empresa do seu setor poderia tomar: a destruição dos papéis de trabalho.5. que em 2005. Terminada a expansão. a Arthur Andersen foi inocentada pela Suprema Corte Americana. Os anos anteriores foram muito bons para a economia. O investimento privado caiu 90%. A administração da empresa havia escondido um passivo contendo dívidas milionárias e havia inflado seus lucros apresentando demonstrações contábeis com valores irreais. Ressalte-se. Numa tentativa de salvar sua imagem. 1999. (. A crise no mercado de capitais tem sido comparada com a crise americana ocorrida em 1929. com a quadruplicação do volume médio negociado de 1922 a 1929.. iniciou-se a Grande Depressão.2. tão logo começaram os rumores sobre problemas com a Enron (Borgerth. KPMG. BREDA. contudo. BREDA. O final da grande guerra em 1919 liberou uma demanda reprimida de bens de consumo. o mercado de capitais foi significativamente abalado. Tendo a imagem da empresa de auditoria sido afetada. . 2006). Porém.) Os investimentos na Bolsa de Nova Iorque cresceram em termos dramáticos. demitiu o sócio diretamente responsável pelo serviço de auditoria prestado. A produção diminuiu 56%. p. (HENDRIKSEN. Todos os bancos do país foram fechados até março de 1933. a extinção do grupo e a saída dos seus sócios e auditores para as demais quatro grandes empresas de auditoria do mundo – PricewaterhouseCoopers. A conhecida empresa de auditoria independente Arthur Andersen era a responsável pela auditoria das demonstrações contábeis do grupo. em decorrência de fraudes em grandes empresas globais. 1999. 57).4. A fragilidade do sistema em garantir confiabilidade aos investidores através de demonstrações contábeis verídicas ficou mais evidente pelo fato de investigações haverem confirmado o envolvimento da empresa de auditoria no caso e devido ao surgimento de novos casos de fraudes em balanços de grandes empresas (WorldCom e Xerox). p.Detecção de Fraudes: Nova Demanda? No final de 2001. Ernst & Young e Deloitte Touche Tohmatsu – foi a resultante do fato. mas este posteriormente acusou a empresa de saber das fraudes há pelo menos um ano antes do escândalo. a qual abalou o mundo.. instalações industriais e equipamentos que alimentou uma explosão de investimentos.

porém com conseqüências muito mais danosas. serviços de auditoria interna. antes do escândalo da Enron (2001) e da WorldCom (2002). visando dar maior credibilidade aos investidores. responsabilização à administração e garantia aos investidores quanto à real situação da empresa. pelo colapso financeiro que desencadeou a quebra de algumas instituições bancárias no Brasil. fato este que colaborou para grande desenvolvimento dos padrões contábeis nos Estados Unidos.De forma similar ao ocorrido na atualidade. serviços de perícia. Similarmente. dentre outros passíveis de posterior regulamentação. Em 1929. GIUNTINI. a partir de 1933. Essa normatização nasceu. banqueiro de investimento. atualmente verifica-se uma grande discussão da necessidade de harmonização das normas contábeis a nível global. Isto acarretou um grande aumento da oferta e a diminuição do valor de mercado das ações. concepção e implementação de sistemas de informação. Tal proibição incluiu: a contabilização ou outros serviços relacionados aos registros contábeis ou demonstrações financeiras. p. funções gerenciais ou de recursos humanos. de 14 de maio de 1999. No Brasil havia sido editada uma norma pela CVM. iniciando-se um grande movimento de venda de ações. a crise no mercado de capitais em 2001/2002 iniciou um movimento de discussão em torno de maiores controles e melhor evidenciação das demonstrações contábeis. portanto. e criado o Securities and Exchange Commission (SEC) em 1934. a qual vedara a prestação conjunta de serviços de consultoria e de auditoria para a mesma entidade auditada e exigira rodízio obrigatório de firmas de auditoria independente. Também de forma similar. órgão regulador do mercado de ações americano. No que tange às empresas de auditoria independente. Daí surgiu a tão comentada Lei Sarbanes-Oxley (SOX) com uma série de exigências que visam dar maior ênfase aos controles internos. não relacionados à auditoria. a lei SOX vedou a prestação de serviços de auditoria e consultoria à mesma entidade auditada. . Foi também para dar maior credibilidade aos investidores que passou a ser obrigatória a verificação das demonstrações contábeis por auditores independentes das empresas com ações negociadas em bolsa. serviços de conselheiro de investimento. alguns investidores perceberam que os valores de suas ações não correspondiam ao valor real das empresas que as emitiram. serviços atuariais. 2002. (MARAN. serviços de avaliação e laudos. as empresas foram acusadas de modificar seus balanços com o intuito de torná-los mais atrativos aos investidores. nos Estados Unidos. 97) Os próprios contadores foram duramente criticados pela falta de padrões contábeis à época. a Instrução Normativa nº 308. serviços jurídicos. de corretagem ou distribuição. PERINELI. um tanto.

deunojornal. . será aprofundado o debate auditoria interna e externa na gestão pública. A ONG Transparência Brasil. mediante uso de sistemas de auditoria na folha de pessoal. por exemplo. mantém um banco de dados de reportagens relacionadas à corrupção publicados em jornais e revistas no Brasil através do link: http://www. que tais ferramentas tecnológicas sejam cada vez mais utilizadas. órgão governamental responsável pelo controle interno geral das entidades governamentais nos EUA. Um outro importante ponto a ser ressaltado em relação aos auditores independentes. como o ACL (Audit Command Language). promovesse um estudo sobre os efeitos da aplicação do referido rodízio. utilizando técnicas de detecção de indícios de fraude. novas tecnologias têm permitido controle das variações excessivas na folha de pessoal. o GAO concluíra pela não recomendação da aplicação do rodízio de firmas. com relação à regra do rodízio de firmas. em uma de suas seções determinara que o General Accounting Office – GAO. Foi também em decorrência das fraudes ocorridas que passaram a ser debatidos maiores procedimentos de auditoria que visassem à detecção de fraudes nas demonstrações contábeis. nas avaliações de desempenho e de programas de governo. por exemplo. Denota-se que trabalhos de auditoria específicos em fraudes somente vêm sendo realizados após a detecção ter sido tornada pública.br/ . todavia. 5. Atualmente.Já a lei SOX. O desenvolvimento de sistemas informatizados tem ajudado bastante à auditoria na prevenção e detecção de fraudes. pela ênfase nos controles internos e. Em outras situações. Na administração pública. sob o pagamento individualizado de funcionários. processando trabalhosos cálculos estatísticos que apontam as áreas que precisam receber maiores testes em auditoria ou sistemas específicos de auditoria. mas apenas a rotação do sócio-auditor no prazo limite de 5 (cinco) anos. As demandas atuais passam a exigir uma resposta: a auditoria na prevenção e detecção de fraudes. ainda em pequenas proporções. principalmente. como a Lei de Newcomb-Benford. Os trabalhos de auditoria vêm se norteando na conformidade legal. diz respeito às determinações de guarda dos papéis de trabalho de auditoria por 7 (sete) anos. Na próxima seção.3. através de um setor de auditoria interna bem atuante.org. Em 2003. casos de corrupção e fraudes têm ganhado páginas de jornal e revistas cotidianamente. E a tendência é.

a menos que o exame do sistema de controles internos indique uma possibilidade razoável de ocorrência desses eventos e desde que possam afetar substancialmente as demonstrações contábeis sobre as quais deve opinar. entidade ou órgão público nos seus mais abrangentes aspectos. O Auditor Independente não tem a preocupação específica de descobrir erros ou irregularidades. de forma isolada ou associado. 1997. O Auditor Interno examina o sistema de controles internos visando o seu aperfeiçoamento e efetivo cumprimento tal como inicialmente planejado. Fonte: Cardozo. 34-35. será menor na auditoria externa. Outra questão diferencial é o volume de testes que. operações e controles existentes na entidade. pp. QUADRO 3 . KELL. e até que ponto se pode depositar confiança nas demonstrações contábeis. AUDITORIA INTERNA E EXTERNA NA GESTÃO PÚBLICA A auditoria interna e externa na gestão pública desenvolveu-se no mundo todo visando assegurar a legitimidade dos atos e fatos administrativos de cada organização. de forma que possui maior independência para a execução dos trabalhos. conforme Quadro 3. sem qualquer vínculo ou subordinação com a empresa auditada. a fim de determinar o escopo (extensão e profundidade) dos exames. O Institute of Internal Auditors (IIA) define auditoria interna como “atividade independente. O objetivo principal da Auditoria Interna é servir à direção da empresa. não se restringindo às demonstrações contábeis. JOHNSON. sujeitos à subordinação hierárquica. O principal objetivo da Auditoria Independente é expressar uma opinião independente sobre as demonstrações contábeis da empresa que a contratou. A auditoria externa é aquela realizada por empresa. em geral. p.5. 932). Diferenciando-se do auditor interno. O Auditor Interno está constantemente preocupado com a descoberta de erros e irregularidades. 34-35) estabelece algumas distinções entre a auditoria independente (externa) sobre as demonstrações contábeis e a auditoria interna. Cardozo (1997. o auditor externo não possui vínculo funcional ou empregatício com o auditado. 2002. AUDITORIA INDEPENDENTE (EXTERNA) A Auditoria Independente é executada por um profissional independente.4. controle e governança. por razões óbvias de tempo e recursos empregados. pp. ajuda-a a atingir seus objetivos” (BOYNTON. .DIFERENÇAS ENTRE AUDITORIA INTERNA E EXTERNA AUDITORIA INTERNA Auditoria Interna é executada por funcionários da própria empresa. programas. na implementação e policiamento das normas internas que foram traçadas por esta mesma direção. Trazendo para a organização uma abordagem sistemática e disciplinada para avaliação e melhora da eficácia de seus processos de gerenciamento de risco. O Auditor Independente examina o sistema de controles internos. A ação da auditoria interna estende-se a todos os serviços. órgão ou entidade independentes. de fornecimento de segurança objetiva e de consultoria que visa acrescentar valor a uma organização e melhorar suas operações. assessorando a direção na implementação de medidas imediatas de correção.

O Tribunal desempenha funções fiscalizadora e consultiva de maneira independente. as receitas e despesas dos projetos co-financiados por organismos internacionais. Em 1992. O Síndico Geral da Nação tem a atribuição de informar à Auditoria Geral da Nação – órgão máximo de controle externo – atos e condutas que indiquem irregularidades. 81-91) realiza uma explanação geral relativa a competências e formas de atuação dos órgãos de controle da administração pública dos seguintes países: União Européia. Na União Européia. pp.Baseando-se em uma série de publicações. além das despesas e receitas das instituições públicas. Polônia. Este possui a competência para fiscalizar qualquer órgão. Itália. para a gestão financeira e para a avaliação de programas governamentais. realizada pela Secretaria Federal de Controle entre 1997 e 2001. subordinado ao Poder Executivo. denominada “Domínio Público”. órgão normativo e executivo. entidade pública ou autoridade que administre recursos públicos. o órgão de controle interno é a Controladoria Geral do Canadá. o qual está subordinado ao Parlamento de Israel. órgão de controle externo. China. França e Cuba. Suas principais atribuições são auditar a implementação do orçamento público. Em Israel. pela orientação aos trabalhos de auditoria em todo o país e pela auditoria do Banco Central e outras instituições financeiras estatais: o Escritório Nacional de Auditoria. os quais a seguir destacamos. e suas unidades de Controle Interno estão vinculadas hierarquicamente às autoridades máximas de cada instituição pública. A Auditoria Geral da Nação está subordinada ao Congresso Nacional e goza de independência funcional e . Canadá. Na Argentina. 81-91) destaca a criação do Tribunal de Contas Europeu. Ribeiro (2004. o controle interno está a cargo da Sindicatura Geral da Nação. foi legalmente definida a obrigatoriedade de todos os órgãos e entidades públicas manterem unidades de auditoria interna. o patrimônio. No Canadá. Ribeiro (2004. Reino Unido. as contas dos projetos governamentais. o gerenciamento e uso de fundos extraorçamentários. lucros e perdas das empresas estatais. o qual tem por finalidade o estabelecimento e manutenção de políticas voltadas para essa forma de controle. organizando-se como um órgão colegiado composto por 15 (quinze) membros com experiência em fiscalização externa. Portugal. Vinculados a esse escritório estão os Escritórios Regionais e Ministeriais de Auditoria e os Escritórios Provinciais e Municipais. o principal órgão de controle e auditoria público denomina-se Controladoria do Estado. A China estruturou o seu controle externo em 1983 através de um órgão responsável pelo controle das instituições vinculadas ao poder central. naquela época ainda subordinada ao Ministério da Fazenda. com a missão de controlar as finanças européias e sugerir procedimentos para melhoria da gestão. Argentina. além de conselhos e sindicatos de trabalhadores. possuindo mandato de cinco anos. em sessão secreta. Os seus membros são escolhidos pelo parlamento. pp. Israel.

das empresas estatais e órgãos autônomos. a Corte mudou significativamente sua atuação a priori para a posteriori e possibilitou o desenvolvimento da auditoria de desempenho. inclusive aqueles provenientes de financiamentos da Comunidade Européia. Essas unidades de “auditoria interna” sofrem fiscalização da Câmara Suprema de Controle da Polônia (controle externo). Em 1994. normalmente a cargo dos setores de contabilidade. Suas principais funções são a verificação da legalidade das despesas do governo central e das empresas públicas e o monitoramento da administração financeira e patrimonial das autoridades locais. Na Itália. desde o ano de 1866. Sua atuação é abrangente. o controle externo é exercido pela Corte de Contas. o julgamento e a punição dos responsáveis por violações dos regulamentos financeiros e a fiscalização da execução do orçamento. bem como. da sigla em inglês) para dar apoio ao Controlador e Auditor Geral. Também estão sujeitas à inspeção as organizações privadas que recebem recursos públicos. que exerce função supervisora da despesa pública.financeira. haver sido criado o cargo de Controlador e Auditor Geral para exercer a posição superior de controle externo das contas públicas. em decorrência da mudança da legislação em auditoria. a qual encontra-se subordinada à Sejm (Câmara Baixa) do Poder Legislativo. o qual possui a missão de “ajudar a Nação a gastar . Já o controle interno encontra-se sob subordinação do Ministério das Finanças. A Corte de Contas foi estruturada inicialmente em 1862. englobando o exame das contas dos ministérios e órgãos do governo. em trabalho conjunto com a Assembléia Nacional. o controle interno da administração pública tem-se realizado por cada organização pública. das entidades privadas que exercem funções de governo. O Reino Unido destaca-se por. Em Portugal. em decorrência do forte regime socialista que se submeteu até 1989. relatando seus achados ao parlamento. Entre suas funções estão a emissão de parecer sobre o Relatório da Conta Geral do Estado. Seus membros são escolhidos pelo Congresso e seu presidente é nomeado por proposta do partido de oposição com maior número de membros no Congresso. Estão submetidos às auditorias do Tribunal: o Estado e seus serviços. associações públicas e os governos locais. o Tribunal de Contas é o órgão supremo de fiscalização da legalidade das despesas públicas. podendo determinar procedimentos técnicos e requerer auditorias. instituições da seguridade social. Na Polônia. É uma corte independente e soberana com competência definida pela constituição portuguesa. Já o controle interno é supervisionado pela Divisão Geral de Contabilidade do Tesouro. Estes se responsabilizam pela apresentação dos resultados financeiros. através dos Escritórios Centrais de Contabilidade e da Inspetoria Geral de Finanças. órgão auxiliar do governo. Em 1983 foi criado o Escritório Nacional de Auditoria (NAO. através principalmente das Inspetorias Gerais e da Direção Geral do Orçamento.

Artigo 71 – O Controle Externo. em nome desta. será feito. será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União(. assuma obrigações de natureza pecuniária.1. quanto à legalidade. o controle encontra-se organizado e definido pela Constituição Federal de 1988. destaca-se a criação em 2001 do Ministério de Auditoria e Controle. aplicação das subvenções. O controle interno na França é formado pelas Inspetorias Gerais e pelas Inspetorias Financeiras. a verificação da regularidade das contas e a avaliação da qualidade das políticas públicas. analisando a legalidade e os aspectos operacionais das ações de governo. orçamentária e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta.. assim como regular. mediante Controle Externo e sistema de Controle Interno de cada Poder. Cumprem também importante papel no fornecimento de informações ao parlamento a respeito da maneira como os órgãos públicos gastam os recursos. envolvendo os recursos da União Européia. e a auditoria governamental. Após a descrição das formas de controle interno e externo de auditoria em vários países. pelas avaliações produzidas voltadas para a assessoria na tomada de decisões e pela publicação de relatórios e acompanhamento de contratos de gestão firmados entre o governo central e os governos territoriais. renúncia de receitas. em especial na seção que cuida da Fiscalização Contábil. 5. será exercido pelo Congresso Nacional. a cargo do Congresso Nacional. financeira. legitimidade.4. guarde. Financeira e Orçamentária (artigos 70 a 75).. dirigir e controlar metodologicamente o sistema nacional de auditoria. na próxima subseção. Em Cuba. um estudo da organização brasileira de controle. executar e controlar a aplicação da política de Estado e Governo quanto a prevenir. tendo como função o controle e avaliação de gestão. ou que. economicidade. O controle externo é exercido pela Corte de Contas através das Câmaras Central e Regionais. cuja função é de dirigir. bens e valores públicos ou pelos quais a União responda. as quais são subordinadas ao Ministério da Fazenda. Dentre os trabalhos de auditoria realizados destacam-se os de auditoria de desempenho. Artigo 70 – A fiscalização contábil. eficiência e eficácia. arrecade. detectar e enfrentar atos de corrupção administrativa. organizar.) . vinculado ao Conselho de Estado. As Inspetorias Gerais realizam análises prévias das despesas ordenadas e auditorias específicas conforme relevância da área. Parágrafo Único – Prestará contas qualquer pessoa física ou Entidade Pública que utilize.Organização Brasileira Na administração pública brasileira. gerencie ou administre dinheiros.sabiamente”. os quais possuem o foco nos princípios da economicidade. Destaca-se também o Conselho Científico. a fiscalização e o controle governamental.

um órgão de controle interno ou auditoria. através do Tribunal de Contas (órgão auxiliar do Poder Legislativo). a qual era subordinada à pasta da Fazenda. Nos Estados e Municípios verificam-se iniciativas de criação de órgãos responsáveis pelas atividades de controle interno. controlando a si próprios. sejam relativos à defesa do patrimônio público e ao incremento da transparência da gestão. visitados aleatoriamente. por exemplo. órgão de controle interno. cada Estado possui um Tribunal de Contas auxiliando o Poder Legislativo.683. a Constituição Federal indica que será realizado por cada Poder. 49). No que tange ao Controle Interno. em 1993. diretamente vinculados ao chefe do executivo. e ouvidoria” (Lei n° 10. de 24 de janeiro de 2006). Até então somente se verificava função de controle interno exercida por inspetoria de finanças. No Brasil. correição. no âmbito do Poder Executivo. foi o primeiro a criar uma Controladoria.683. por meio das atividades de controle interno. a fiscalização será exercida por um Controle Externo. pode-se verificar que um percentual relevante – 36% – dos estados e cidades-capitais já possuem em sua estrutura.Como se verifica. “compete a Controladoria-Geral da União (CGU) assistir direta e imediatamente ao Presidente da República no desempenho de suas atribuições. com status de Secretaria Municipal. maiores cidades do País em população e produção interna. de 28 de maio de 2003 e o Decreto n° 5. auditoria pública. por cada órgão ou entidade que executa ações. quanto aos assuntos que. A pasta da fazenda ainda aparece como a responsável pelas funções de auditoria e controle interno em 40% dos estados e cidades-capitais. Observa-se também a existência de Tribunal de Contas nos municípios do Rio de Janeiro e São Paulo. . conforme apresentado no Quadro 4 (p. prevenção e combate à corrupção. Verificando a estrutura de 25 estados ou cidades-capitais do Brasil disponibilizadas em sites na internet nos dias 18 e 21 de agosto de 2006. Quanto ao controle interno. O município do Rio de Janeiro. ou seja.

VIII . dos Estados e Municípios. acordo.aplicar aos responsáveis.realizar. mediante parecer prévio. na administração direta e indireta. ressalte-se a existência de Ouvidoria Geral com status de Secretaria. Governo) Porto Alegre Pará (Sec. em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas. a qualquer título. operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas. a execução do ato impugnado.fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a União participe. IX .4. inspeções e auditorias de natureza contábil. que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento. será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União. extensivamente. por iniciativa própria. ou por qualquer das respectivas comissões. incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo poder público federal. Especial Governo) Recife São Paulo (Casa Civil) Rio Grande do Sul Sergipe (Sec. financeira. comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal. X . extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público. orçamentária. VI . Gestão Administrativa) Mato Grosso do Sul Curitiba (diluída entre pastas) Pernambuco Florianópolis (Sec. as sanções previstas em lei.Atuação dos Órgãos de Controle e Auditoria no Brasil A competência do Tribunal de Contas da União e. nos termos do tratado constitutivo. 5. a legalidade dos atos de admissão de pessoal. nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo. reformas e pensões.2. ajuste ou outros instrumentos congêneres.QUADRO 4 – ESTRUTURA DO CONTROLE INTERNO NO BRASIL – Agosto/2006 Estados / Capitais do Brasil – órgãos ou funções de controle interno / auditoria Subordinados diretamente ao Governador / Prefeito Aracaju (Sec. excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão. bem como a das concessões de aposentadorias. de forma direta ou indireta.julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros. por qualquer de suas Casas. do Senado Federal. 71.apreciar. VII . V . incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo poder público. bens e valores públicos da administração direta e indireta.fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União. financeira. II . Controle Interno) Belo Horizonte (Controladoria) Espírito Santo (Auditoria-Geral) Maranhão (Controladoria) Rio de Janeiro (Capital – Controladoria) Rio de Janeiro (Estado – Sec. a Estado. operacional e patrimonial. Controle/ Gestão) Rio Grande do Norte (Controladoria) Tocantins (Controladoria) Vitória (Controladoria) Subordinados à pasta da Fazenda Subordinados à outra pasta ou Finanças Bahia Acre (Sec. O controle externo. está prevista no artigo 71 da Constituição Federal. III .prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional.apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República. da Câmara dos Deputados. que estabelecerá. se verificada ilegalidade. a cargo do Congresso Nacional. ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório. de comissão técnica ou de inquérito. e demais entidades referidas no inciso II. multa proporcional ao dano causado ao erário. e as contas daqueles que derem causa a perda.assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei. ao Distrito Federal ou a Município. mediante convênio. sobre a fiscalização contábil. IV . Governo) Roraima Salvador * Santa Catarina São Paulo (Capital) 36% 40% 24% * Em Salvador. Executivo e Judiciário. se não atendido. entre outras cominações. orçamentária. . Art. para fins de registro. ao qual compete: I .sustar.

Além das atribuições previstas na Constituição. sancionadora. por solicitação da Comissão Mista Permanente de Senadores e Deputados. ou infração à norma legal ou regulamentar de natureza contábil. sobre despesas não autorizadas (art.XI . pela Lei de Licitações e Contratos e. As funções básicas do Tribunal de Contas da União podem ser agrupadas da seguinte forma: fiscalizadora. orçamentária. financeira. A Constituição Federal ainda prevê como atribuição do Tribunal de Contas da União: a fiscalização das aplicações de subvenções e renúncia de receitas (art. As regulares com ressalvas decorrem da existência de impropriedades ou faltas de natureza formal de que não resultem danos ao erário. economicidade. a legalidade. eficiência e eficácia (Princípios Constitucionais da Administração Pública).representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados. associação ou sindicato sobre irregularidades ou ilegalidades e. informativa. as atribuições conferidas ao Tribunal pela Lei de Responsabilidade Fiscal. legitimidade. CASTRO. de desfalque ou desvio de dinheiros. partido político. a legitimidade e a economicidade dos atos de gestão do responsável. irregulares ou iliquidáveis. parágrafo único). e fiscalizar a entrega dos recursos aos governos estaduais e às prefeituras (art. do Distrito Federal e dos Municípios. 72. 51). 22/08/2006) No desempenho de suas atribuições. antieconômico. 2003. regulares com ressalvas. bens ou valores públicos e de reincidência no descumprimento de determinações do Tribunal. corretiva. fixar os coeficientes dos fundos de participação dos Estados. . as quais podem ser verificadas na Figura 1 (p. (TCU. ilegítimo. As contas são julgadas regulares quando a prestação de contas expressa de forma clara e objetiva. 70). O caso de as contas serem julgadas irregulares advém da omissão no dever de prestá-las.]sob os aspectos de legalidade. da prática de ato de gestão ilegal. apuração de denúncias apresentadas pelo cidadão. 161. normativa e de ouvidoria. judicante. São julgadas iliquidáveis as contas que se apresentarem materialmente impossíveis de julgamento de mérito. Destacam-se entre elas. a exatidão dos demonstrativos contábeis. A Constituição Federal também estabelece no artigo 74 as finalidades do sistema de controle interno de cada poder. várias outras têm sido conferidas ao Tribunal por meio de leis específicas. consultiva. pela Lei de Diretrizes Orçamentárias. 60). e depois são julgadas regulares. as contas são analisadas pelo Tribunal: [.. p.” (LIMA. Algumas de suas atuações assumem ainda o caráter educativo. emissão de pronunciamento conclusivo. de dano ao erário decorrente de ato de gestão ilegítimo ou antieconômico.. anualmente. operacional ou patrimonial. §1º).

as quais. auditoria de sistemas. mediante auditoria. 1992. monitoramentos.Controlar Garantias Direitos e Haveres do Estado 5 . AUDIBRA. PETER & MACHADO. 2006): auditoria operacional. as atribuições dos órgãos de controle são amplas. auditoria de gestão. TCU. . auditoria de programas. 5.3. Humanos Operações de Crédito Avais 4 .Comprovar a Legalidade SISTEMA DE CONTROLE INTERNO Eficiência 3 . auditoria de desempenho. Indireta Como se verifica.Avaliar Execução Dos Programas de Governo Dos Orçamentos da União 2 .Tipos de Auditoria na Área Pública A literatura especializada tem classificado a Auditoria Governamental nas seguintes modalidades (LIMA & CASTRO. 2003. são realizadas mediante fiscalizações.FIGURA 1 – ARTIGO 74 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DO BRASIL / 1988 ART. Para esse estudo. em geral.Avaliar Resultados Eficácia Rec. inspeções. em suma. há que se restringir à atuação dos órgãos de controle e auditoria no que tange àquela contra fraude e corrupção. Direta Adm. auditoria contábil e auditorias especiais.Apoiar o Controle Externo no exercício de sua missão institucional Fonte: Constituição Federal da República Federativa do Brasil de 1988. Orçamentária Gestão Financeira Patrimonial Órgãos e Entidades da Adm. No Quadro 5 (p. 52) apresentamos uma síntese dos seus objetivos.4. 2003. 74 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL Cumprimento das Metas Previstas no Plano Plurianual 1 .

verificar a execução de contratos. examinar e avaliar a execução de programas e projetos Programas governamentais específicos. 43). procurando auxiliar a administração na gerência e nos resultados por meio de recomendações que visem aprimorar os procedimentos. 2) buscar evidências de indícios e provas relativas a fraudes e 3) adotar medidas corretivas quanto à punibilidade dos responsáveis e coniventes de fraudes comprovadas. 71) Fonte: Lima & Castro. aquisição. eficácia e equidade de sua implementação. 71) Auditoria de Objetiva acompanhar. convênios. 2003. Os mecanismos e ferramentas necessitam ser desenvolvidos e aperfeiçoados pela área de auditoria para que essa possa ser mais efetiva no combate às fraudes e corrupção. 2003. esse tipo de auditoria visa avaliar a efetividade dos programas e projetos governamentais. p. eficácia e economicidade. A auditoria de fraudes. Auditoria de Busca examinar em que medida as organizações governamentais estão operando de forma Desempenho econômica. eficiente e eficaz e trata de aspectos relacionados a práticas antieconômicas e ineficientes. 2003. a probidade na aplicação de recursos públicos e na guarda de administração de valores e outros bens. 2003. eficiência. a situação econômico-financeira do patrimônio. 76) em três macromomentos distintos: 1) prever a existência de fraudes enquanto da ocorrência das atividades normais da organização. projetos e atividades. . 2003. 1999. 2003 / TCU. PETER & MACHADO. de natureza incomum ou extraordinária. p. p. acordos e ajustes. 2003. privacidade dos dados e informações oriundas dos Sistemas sistemas eletrônicos de processamento de dados. (LIMA & CASTRO. melhorar os controles e aumentar a responsabilidade gerencial. exige um tratamento mais específico e direcionado. ela é realizada para atender à determinação expressa de autoridade competente (LIMA & CASTRO. p. bem como a aplicação de recursos descentralizados (PETER & MACHADO. cumprimento de metas previstas. assim como a economicidade. 71. p.(TCU. com a finalidade de emitir opinião sobre a gestão quanto aos aspectos da eficiência. (LIMA & CASTRO. observando as diretrizes estabelecidas e a legislação específica (PETER & MACHADO. Os órgãos de auditoria devem operar na concepção do “Ciclo de Vida de Fraude e projetos de busca e garimpagem de fraudes” (GIL. Denominada “Avaliação de Programas” pelo Tribunal de Contas da União. 22/08/2006) Auditoria de Objetiva assegurar a adequação. 2003. 45) Auditoria de Gestão Emitir opinião com vista em certificar a regularidade das contas.QUADRO 5 – TIPOS DE AUDITORIA E SEUS OBJETIVOS Tipos de Auditoria Auditoria Operacional Objetivos de Auditoria Avalia as ações gerenciais e os procedimentos relacionados ao processo operacional de um órgão ou entidade. (LIMA & CASTRO. Os órgãos de auditoria necessitam de previsão em suas estruturas de uma unidade de atenção ao combate às fraudes e corrupção. 2006. proteção e utilização dos recursos de órgãos e entidades públicas e cumprimento de dispositivos legais. de um programa de governo. p. p. 45) Auditorias Especiais Examina os fatos ou situações considerados relevantes. p. os resultados do período administrativo examinado e as demais situações nela demonstradas. 2003 / Peter & Machado. concebida dentro de cada um dos tipos de auditoria da área pública citados. 70) Auditoria Contábil Objetiva obter elementos comprobatórios que permitam opinar se os registros contábeis foram efetuados de acordo com os Princípios Fundamentais de Contabilidade e se as demonstrações que dele se originaram refletem adequadamente. em seus aspectos relevantes.

vulnerabilidades de programas e atividades específicas. p.5. inclusive os sistemas informatizados organizacionais.FIGURA 2 – CICLO DE VIDA DE FRAUDE Busca de indícios MUM MDOIS MZERO PCFI – Ponto de Controle de Fraude Instalado Confirmação de FRAUDES PCFC Ponto de Controle de Fraude Comprovado Providências em face de FRAUDES PCFEPonto de Controle de Fraude Eliminad o Comprovação Denúncias de FRAUDES Fonte: Gil. vulnerabilidad de programas y actividades específicas. 5. incluyendo la aplicación de políticas sobre conflictos de interés y códigos de conducta. La revisión de gastos e ingresos específicos con el fin de evaluar el posible riesgo de pérdidas en contratos seleccionados y las revisiones necesarias para evaluar el alcance y la índole del riesgo. com adaptação do autor desta dissertação. p. detecção e informação da fraude. pois a análise sistematizada (como parte de um ciclo – Figura 2) desses macromomentos acaba deixando de ser realizada. en caso de que lo haya. incluyendo la aplicación de políticas de gestión de riesgos. incluindo a aplicação de políticas sobre conflitos de interesse e códigos de conduta. 22. 9 • 9 Tradução livre dada pelo autor desta dissertação: “● Uma avaliação dos procedimentos de prevenção. 1999. detección e informe del fraude. A AUDITORIA NA PREVENÇÃO E DETECÇÃO DE FRAUDES E CORRUPÇÃO A auditoria na prevenção e detecção de fraudes busca examinar os controles internos adotados. identificar os stakeholders envolvidos. objetivando prevenir e detectar fraudes e corrupção na organização. 91) inclui como atribuição deste tipo de auditoria os seguintes pontos: • Una evaluación de los procedimientos de prevención. ● a . avaliar fatores exógenos que possam representar indícios de irregularidades. A falta de uma unidade organizacional de auditoria que cuide de atuar especificamente contra fraudes dificulta a busca e garimpagem de fraudes. incluindo a aplicação de políticas de gestão de riscos. Flores (2004. A auditoria somente tem observado casos de fraudes isolados dentro dos trabalhos desenvolvidos em outras áreas ou mediante denúncias.

da mesma forma como os demais tipos de auditoria. parâmetros que necessariamente devem utilizar a informática para a quantificação. terceirizados. A pesquisa da KPMG (2000) demonstra que 50% dos envolvidos na fraude ocupam posição de gerência e ou supervisão e 49% pessoal de suporte. nos casos em que haja”. Desse processo deriva a necessidade de se estabelecer áreas de risco. fica claro que a auditoria deve buscar atuar tanto na prevenção como na detecção de fraudes. estabelecer as áreas suscetíveis ou vulneráveis da entidade que se convertem em red flags (indícios de fraudes). e para isso o auditor deve aplicar técnicas que o permitam obter um conceito do sistema de controle interno e. c) Aplicação das técnicas de auditoria. Uma metodologia geral a ser seguida tem como ponto de partida o conhecimento da área ou do ente auditado e do seu entorno. a análise deve ser. Neste aspecto tornase fundamental o papel dos recursos humanos para verificação de antecedentes (“Background checks”). . são arquitetadas por profissionais que integram o quadro de funcionários e colaboradores da empresa. Quantitativa – deve antever a existência de fraudes e propor atuação com análise de risco. quantitativa e comportamental: Sistêmica – com conhecimento detalhado do modelo organizacional e sua respectiva tecnologia de controles e particularmente seu ambiente e sua plataforma de informática. como forma de minimizar tais ocorrências. por conseguinte. dimensionamento de sinais exteriores de riqueza. etc. e) Comunicação dos resultados (achados) às instâncias pertinentes. Comportamental – Os dados de pesquisa são consensuais em identificar que a maioria das ações fraudulentas são de origem interna. O que a difere das demais é o foco ou objetivo da auditoria e a adequação de algumas fases às suas peculiaridades. a auditoria de fraudes segue as seguintes fases: a) Conhecimento da entidade e seu entorno.De acordo com a tipologia dos enfoques a serem identificados para detecção de fraudes. também da atividade econômica da organização e sua relação com as demais instituições. gráficos de tendências de fraudes. Dentro desses enfoques. segundo Gil (1999. 92). d) Obtenção de evidência comprobatória e confiável. como por exemplo. métodos de avaliação que permitam obter evidência comprobatória e confiável nas quais o auditor basear-se-á nas suas opiniões e respectivas conclusões (FLORES. a necessidade de aplicação de medidas revisão dos gastos e ingressos específicos com o fim de avaliar o risco provável de perdas em contratos selecionados e as revisões necessárias para avaliar o alcance e a índole do risco. inclusive em relação a fornecedores. p. investidores. Assim. conseqüentemente. indicadores de qualidade operacional e da segurança. p. erros intencionais / não intencionais. sistêmica. Essas red flags orientarão a aplicação das técnicas de auditoria. 2004. estatísticas. ou seja. prestadores de serviço. a sinalização e mapeamento de áreas de risco e de indícios ou casos de fraude (red flags). b) Estabelecimento das áreas de risco. 91). Um grande número de fraudes ocorre com funcionários que detêm algum grau de confiança. quanto às técnicas de auditoria gerarem evidências corroboradoras de uma prática fraudulenta.

em especial em áreas de maior risco. 94): • • • • La negociación de los contratos con el fin de favorecer a amigos. fatores condicionantes de fraude já identificados. Registros contábeis não usuais. Desvios de recursos de caixa. Falta de segregação adequada de funções. p. 2004. como por exemplo (FLORES. Pagamento por material e serviços acima do preço de mercado. licencias. já tanto discutidos e abordados pela literatura ao tratar de auditoria. quando não planejado em cronograma de desembolso. vales. em especial. Dar información privilegiada. voucher´s e outros bens. Exigências da licitação (edital) aparentemente sem suporte técnico ou legal.preventivas. Aquisição de bens e materiais desnecessários. excessivos ou extraordinários. Subsídios ou outros repasses a entidades sem fins lucrativos às vésperas de eleições. Conflito de interesses. No Quadro 6 são apresentados alguns exemplos de red flags. Aquisição crescente de bens ou serviços de uma única empresa. Perdas ou subtrações contínuas ou relevantes de estoques.RED FLAGS Concentração de poderes em mãos de poucos funcionários. . Aprovação de pessoal de confiança dos primeiros escalões do governo em concursos públicos realizados na mesma esfera. familiares o conocidos. Favorecimentos. Excessiva rotação de pessoal. além das avaliações de controle interno e do conhecimento da organização e suas atividades. entre otros. sustracción o daño a bienes del Estado cuando hay conocimiento de liquidaciones o cierres del ente. Restrição da concorrência. Pérdida. QUADRO 6 . e medidas de recuperabilidade das perdas. Falta de aplicação de penalidades em situações de descumprimentos contratuais e/ou relevação de penalidades aplicadas sem sustentação ou com sustentação insuficiente. Casos ou suspeita de suborno. Falta de aprovações e autorizações para compras. Na auditoria de prevenção e detecção de fraudes deve-se adicionar na fase de conhecimento da entidade e seu entorno. Falta de controles e documentação. Soborno para la obtención privilegiada de servicios.

Lino Martins da. Segundo Flores (2004. em especial. licenças. Um modelo de matriz de risco geral que pode ser citado é o utilizado pela Auditoria do Município do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro. 2004. como fatores relevantes de risco. comprometimento dos gestores e tipos de certificados de auditoria emitidos anteriormente. pero la 10 Tradução livre dada pelo autor desta dissertação: “Negociação dos contratos com o fim de favorecer amigos. Em seguida.mensurada com base no orçamento e contratos. . aumentando a probabilidade de existência de fraude. dentre outros. estranhas e extraordinárias que agucem sua inteligência e levantem dúvidas quanto à efetividade e veracidade do observado. mas colabora para uma análise mais profunda da situação. com a habilidade de distinguir situações anormais. riscos de processo. subtração ou danos a bens do Estado quando há conhecimento de liquidação ou extinção do ente. familiares ou conhecidos. e os riscos de informação e da tomada de decisão. que afetam a viabilidade da prestação de serviços públicos internos ou externos. realizando os detalhamentos e aprofundamentos necessários. quando a mesma. baseando-se no conhecimento da entidade (atividade ou programa) e seu entorno e na análise de riscos. A confecção e atualização permanente de uma matriz de risco para a organização levando em conta os fatores mais relevantes no contexto de riscos. es sólo una alerta que se plantea el auditor ante una situación que percibe extraña o fuera de lugar. que tratam da relevância e da confiabilidade das informações que suportam o processo decisório11. cabe um mapeamento e gerenciamento do risco da organização considerando: riscos de ambiente. indícios ou meros alertas. perda. suborno para a obtenção privilegiada de serviços. Planejamento Estratégico em Auditoria: auditoria baseada em risco. impacto no cidadão. que afetam a execução do modelo de controle estabelecido. tende a se repetir e receber novas red flags. Rio de Janeiro: Controladoria Geral. As red flags podem ser caracterizadas por pontos suspeitos. p. Essa matriz de risco pode e deve orientar todos os trabalhos de auditoria e a auditoria de fraudes deve utilizála para direcionar seus trabalhos. entidades. certamente há de contribuir para uma análise sistematizada e parametrizada das áreas. erros cometidos propositadamente e que obrigam a organização a cancelar demandas ou acometê-la em processos legais.” 11 Silva. In prefácio da obra: RIO DE JANEIRO. Nesse modelo foram considerados. b) Vulnerabilidade – considerando aspectos de macroorientação do governo. dar informação privilegiada. A sinalização com red flags desses pontos não estabelece a existência de irregularidades ou fraudes. O auditor deve direcionar seus trabalhos. programas ou atividades. 2004). 10 No estabelecimento das áreas de risco. Prefeitura da Cidade do.• Errores cometidos a propósito y que obligan a la organización a cancelar demandas o verse inmersa en procesos legales. 95): No necesariamente deben ser significativas. ferramentas informatizadas e softwares de auditoria podem auxiliar o auditor. o auditor terá detectado uma red flag. duas questões: a) Materialidade da despesa . Para isso. ou parecida situação.

Se um auditor não está preparado para reconhecer as bandeiras vermelhas ou se falha ao assumir a responsabilidade da auditoria por fraudes. os preços pactuados. Red flags are indicators that the circumstances or conditions. pois em geral este é o maior suspeito de corrupção. Verificar minuciosamente os controles utilizados na área de compras. Once a red flag is recognized. If an auditor is not trained to recognize the red flags or fails to assume the responsibility to audit for fraud. o momento (oportunidade) da entrega. pois freqüentemente existe um grau de verdade. o auditor tem a responsabilidade de realizar procedimentos de auditoria para determinar se tem ocorrido fraude. 13 Tradução livre dada pelo autor desta dissertação: “Bandeiras vermelhas são como luzes de casa. a falha ou mau preparo do auditor em reconhecer red flags e em adotar procedimentos cabíveis. os quais são uma das maiores formas de corrupção: • • Atentar para rumores e queixas de empregados. Red Flags are like light houses. which are present. é somente um alerta que se denota o auditor diante de uma situação perceptivamente estranha ou fora do lugar. They provide the auditor with a warning.13 Wells (2003) apresenta algumas sugestões aos auditores para auxiliar a detecção e dissuasão de subornos ou comissões fraudulentas. observando a qualidade do material. p. a entrega dentro dos padrões. the auditor has a responsibility to design audit procedures to determine if a fraud has been committed. 46) oferece uma definição simples para as red flags ressaltando que depois de reconhecida uma red flag é responsabilidade do auditor a realização de procedimentos de auditoria que permitam verificar a existência e extensão da fraude e que. quanto àqueles que aparentam viver além de suas posses. pois quando há subornos ou comissões fraudulentas recebidas por funcionários da área de compras. fraudulent activity will probably not be detected. provavelmente não detectará uma atividade fraudulenta. . and if so. Elas suprem o auditor com uma advertência. • Empregar elevado grau de ceticismo quando examinar a razão dos materiais adquiridos pela organização. qual a extensão. Bandeiras vermelhas são indicadores de que circunstâncias ou condições. porém a acumulação de várias pequenas “bandeiras vermelhas” pode ser indicativo da presença de irregularidades”. 12 Em trabalho reconhecido pela Association of Certified Fraud Examiners – ACFE – titulado “Auditing for Fraud” – Dycus (2001. 12 Tradução livre dada pelo autor desta dissertação: “Não devem ser necessariamente significativas. provide the opportunity to commit a fraud.acumulación de varias pequeñas “banderas rojas” podría sí estar indicando la presencia de irregularidades. as quais estão presentes. Logo que uma bandeira vermelha seja reconhecida. em especial sobre o agente responsável pelas compras. a necessidade do material. atividades fraudulentas provavelmente não serão detectadas”. e adicionalmente. estas situações tendem a fugir do controle por motivo desses funcionários se verem impossibilitados de efetuar reclamações. to what extent. fornecem a oportunidade para acometimento de uma fraude.

“amizade” entre o fornecedor e o comprador. e outras situações de relacionamento estranhas à área de compras que venham a ampliar suspeitas de corrupção e fraude. . Uma classificação que pode ser estabelecida para as red flags encontra-se apresentada no Quadro 7 (p. Burgin Jr. Foi exatamente seguindo essas orientações e analisando suspeitas e indícios levantados (red flags). por exemplo. em especial casos de oferecimento de presentes e brindes.• Observar o relacionamento do pessoal de compras com os fornecedores. investigando um caso de corrupção no Senado de Mississippi nos Estados Unidos. como um representante. à prisão federal. pois alguns desses fornecedores corruptores nomeiam alguém para realizar o “trabalho sujo” e esse alguém pode ser uma ponte que irá fechar o elo entre o corruptor ativo e o passivo. que Joseph Wells (2003). levou o Senador William G. • Verificar se as transações de compras são realizadas diretamente com os fornecedores ou através de uma pessoa intermediária. 59). sucesso do fornecedor em grande parte das concorrências.

QUADRO 7 – CLASSIFICAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DAS RED FLAGS

Classificação das Red Flags
Documentais Pessoais Do processo Conceituais

Características
São aquelas encontradas em contratos, faturas, correspondências, extratos bancários, duplicatas, cauções, ações, debêntures, certificados, relatórios e todos os tipos de documentos externos e internos à organização. São aquelas que dizem respeito às pessoas, que podem se traduzir em atitudes, comportamentos estranhos ou pouco usuais. Quando se dão nos procedimentos administrativos das despesas. Necessitam de um elemento racional, ou seja, não derivam de uma observação direta dos fatos sem que requeiram um processo de raciocínio e análise por parte do auditor.

Fonte: Flores, 2004, p. 96.

Pode-se observar na auditoria de fraudes um avanço em uma área pouco explorada pela ciência contábil e controle interno: a área comportamental. Nesse sentido, a auditoria de fraudes tem desenvolvido procedimentos utilizando-se das práticas forenses e de investigação, em especial através de entrevistas e interrogatórios, e também se aprofundando nos campos da psicologia e sociologia. Dycus (2001) dedica grande parte do seu trabalho em auditoria de fraudes na questão das entrevistas e interrogatórios, abrangendo os métodos de entrevistas, táticas, percepções e análise de comportamento do suspeito. Destaca que “para pegar um ladrão................pense como um!” Após o episódio da Enron, que abalou todo o mercado de capitais e deu início à discussão da efetividade das auditorias contra fraudes, Baer (2002) realizou uma análise na qual considera que a utilização de práticas forenses contábeis na auditoria das demonstrações contábeis pode ser o melhor método para redução do gap entre as expectativas dos investidores e dos auditores para a prevenção e detecção de fraudes. Figueiredo (2000, p. 65-69) traça um paralelo entre a auditoria contábil e a criminalística e considera que “com o estudo de técnicas profissionais utilizadas pela Criminalística, aplicadas juntamente com os conhecimentos de auditoria contábil, o trabalho profissional do auditor contábil ficaria completo...”. Apesar da forte afirmação, que daria a entender que basta à auditoria o conhecimento contábil e de criminalística, Figueiredo considera em seu trabalho que “o auditor, no exercício da sua função, precisa utilizar conhecimentos de outras ciências e disciplinas, para melhor desempenho profissional”. Um outro ramo do conhecimento que tem contribuído e ainda tem muito a contribuir com a auditoria é a Informática. Pode-se destacar entre os produtos da Informática, a tecnologia da inteligência artificial, que é um programa ou função de um programa que fazem o computador

pensar de forma inteligente, como um cérebro humano, ou seja, tomar suas próprias decisões e aprender com seus erros. Dentro desse, inclui-se as Redes Neurais. As redes neurais têm sido utilizadas com relativo sucesso na prevenção e detecção de fraudes eletrônicas. Um exemplo, é o uso de rede neural pelas administradoras de cartão de crédito. Supondo que determinado cliente faça uso do seu cartão somente duas vezes por mês, basicamente para compras de mercado e despesas com restaurantes; que em determinado mês, aquele cliente tenha feito quatro ou cinco compras em um mesmo dia, ou tenha realizado diferentes tipos de despesa que o habitual, ou tenha utilizado o cartão em dois ou três locais diferentes e em curto espaço de tempo que levantariam a dúvida quanto ao deslocamento real. Dentre outros tantos possíveis indícios de fraude, por meio da análise do tipo de despesa, data, hora, local, a rede neural pode detectar uma fraude em menos de um minuto e suspender transações com o cartão de crédito. De forma similar, as redes neurais podem ser inicialmente alimentadas com os red flags identificados e de rotina e, realizando a leitura dos bancos de dados administrativos, contábeis e financeiros identificar fraudes ou casos que exijam ação imediata de auditoria pelo grande indício de irregularidade. A utilização de redes neurais tende a ser mais eficiente quanto mais próximo da ocorrência do evento puder ser detectada a irregularidade. Assim, a possibilidade de uma rede neural funcionar on-line com os sistemas contábeis, administrativos e financeiros amplia a sua eficiência e eficácia em prevenir e detectar fraudes. Lima (2005) desenvolveu sua tese de doutoramento com a aplicação de redes neurais no combate ao crime organizado e lavagem de dinheiro. Utilizou-se de dados e entrevistas junto ao mercado financeiro, em especial o Banco Central do Brasil, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. O desafio ao qual se propôs foi “como operacionalizar o treinamento ou aprendizagem de uma rede neural artificial, na perspectiva de generalização – e eficaz reconhecimento dos quarenta padrões de lavagem de dinheiro no sistema financeiro” (LIMA, 2005, p. 160). Em outro trabalho em redes neurais, Oliveira et al (2003) realizaram estudos da sua aplicação à auditoria em folhas de pagamento, visando analisar o comportamento temporal de cada verba e apresentar aquelas com comportamento suspeito.
Redes neurais são usadas para acompanhar a evolução mensal dos valores dessas verbas. Quando o valor previsto pela rede neural se afastar significativamente do valor observado num determinado mês, o auditor será notificado. Desse modo, ele poderá concentrar seus trabalhos na análise das verbas apontadas como suspeitas pelo sistema. (OLIVEIRA et al., 2003, p. 2)

Outra iniciativa de mapeamento de áreas com indícios de fraudes é a utilização da Contabilometria, através das distribuições de probabilidades esperadas (segundo a Lei de

Newcomb-Benford) e as observadas, adicionando-se, para medição do grau de significância, dos Testes de Hipótese (Z-Teste). Em estudo recentemente realizado em 20 municípios do Estado da Paraíba utilizando-se da Contabilometria, pôde ser verificado que alguns municípios apresentavam superfaturamento nas despesas e fracionamento de outras para fugir do limite da licitação (SANTOS; DINIZ; RIBEIRO FILHO, 2003, p. 13-14). A Lei de Newcomb-Benford pode ter seu uso ampliado na detecção de fraudes avaliando-se despesas, orçamentos, receita, etc. Encerrando esse tópico, apresentamos, no Quadro 8 (p. 62), algumas orientações para detectar fraudes.

Siga em frente. observing the consistency of numbers. Pay attention to documents themselves and the supporting paperwork. Develop relationships and pay attention to hints or rumors of wrongdoing. don't easily accept explanations. dates. 4. Use your knowledge of internal control to "think dirty" and then check out your suspicions. p. 3. primeiras impressões estão freqüentemente certas. especially adjustments. 8. it's unusual!) Fonte: Dycus (2001. Assuma que qualquer um pode cometer fraudes sob determinadas circunstâncias. Use statistical sampling to force you to look at items you would not generally otherwise examine. mas somente se alguém confirmar o ocorrido. 10. Considere a racionalidade dos saldos das contas e registros contábeis. não aceite explicações facilmente. Preste atenção em documentos internos e nos papéis de trabalho de suporte. Lembre-se que uma documentação regular não significa que algo aconteceu. Seja intrometido. Look for patterns of unusual transactions. Verifique pressentimentos. Perception increases with experience. 4. 6. tax. 5. only that someone said it happened. Use seus conhecimentos de controle interno para “pensar sujo” e depois verifique suas suspeitas. dollar amount. Use amostras estatísticas para te forçar a olhar os itens que geralmente não examinaria de outra forma. valores expressos em moeda. Observe modelos de transações não usuais. Have faith in yourself. datas. especialmente se você não as entender. 5. Desenvolva relacionamentos e preste atenção às pistas ou rumores de coisas erradas. (If you’re surprised. Be nosy. 6. type of ink used and the general condition of the document. first impressions are often right. Lembre-se que as pessoas estão freqüentemente divididas entre padrões morais e sua relutância em se envolver. especially if you don't understand them. Follow up. observando a consistência dos números. Remember that good documentation does not mean something happened. 2. 9. especialmente os ajustes. Assume anyone can commit fraud under the right circumstances. Consider the reasonableness of account balances and accounting entries. ela não é usual!)” . 7. Remember that people are often torn between their moral standards and their reluctance to get involved. 8. 7. 3. tipo de tinta usado e a condição geral do documento. Tenha confiança. Check out hunches. Elas raramente contam tudo que sabem na primeira entrevista. (Se você surpreender-se. 50) 14 Tradução livre dada pelo autor desta dissertação para o quadro 8: “Os dez mandamentos na detecção de fraude: 1. Percepções aumentam com a experiência. impostos. 2. They seldom tell all they know in the first interview. 10. 9.QUADRO 8 – THE TEN COMMANDMENTS OF DETECTING FRAUDS14 1.

140-141 / LIMA. (d) abrangência. basicamente. 1998.6. 72). 2003. p. Os procedimentos são os caminhos que levam à consecução dos objetivos” (ATTIE. adequadas. . manuais de controle interno. apresentação e divulgação. e b) determinar a natureza e a quantidade de erros que possam ter ocorrido na aplicação dos procedimentos de controles previstos no sistema. em testes de observância e testes substantivos. 37 / BOYNTON. O objetivo é a meta a ser alcançada. As técnicas de auditoria seriam. p. 1998. pp. 74 / ATTIE. Dividem-se em testes de transações e saldos e procedimentos de revisão analítica. Na aplicação dos testes substantivos nas demonstrações contábeis o auditor deve objetivar as seguintes conclusões (FERREIRA. este poderá estender e aprofundar seus exames. 210). p. as quais devem ser suficientes. 2002. pode-se elencar: a. 2002. (e) mensuração. 131). Os testes de observância são aplicados na verificação da existência. JOHNSON. p. “A aplicação dos procedimentos de auditoria precisa estar atrelada ao objetivo que se quer atingir. p. TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA Procedimentos de auditoria representam o conjunto de técnicas utilizadas pelo auditor para obtenção de evidências suficientes e adequadas para fundamentação de sua opinião sobre o objeto de auditoria. efetividade e continuidade dos controles internos. Com a avaliação do sistema de controle interno realizada pelo auditor. Dividem-se. CASTRO. atos formais. no momento certo.83): (a) existência. 2003. Os testes substantivos têm por finalidade a obtenção de evidências quanto à suficiência. Pode-se definir como sendo o conjunto de processos e ferramentas operacionais de que se serve o controle para a obtenção de evidências. 165 / ALMEIDA. conseqüência dos procedimentos de auditoria. CASTRO. conforme o sistema seja mais ou menos confiável. Realizando uma revisão das técnicas e procedimentos de auditoria mais usuais. KELL.5. relevantes e úteis para conclusão dos trabalhos (LIMA. Cardozo (1995. portanto. Análise documental (inspeção de documentos / exame dos documentos originais) – exame de processos. 76) os denomina testes de conformidade e considera que são dois os objetivos deste teste: a) verificar se o sistema funciona consistentemente conforme descrito pelos funcionários da empresa. p. b. fluxogramas. exatidão e validade das informações produzidas pelos sistemas de informações sob análise. 2002. (b) direitos e obrigações. (c) ocorrência. Indagação escrita ou oral (inquérito / questionamentos) – realizada através de entrevistas e/ou questionários (FERREIRA. p. p. 2003.

KELL. problemas ou deficiências que de outra forma seriam de difícil constatação (FERREIRA. 165 / ATTIE. Confirmação externa (confirmação com terceiros / circularização) – verificação junto a fontes externas ao auditado. 2003. 2003. pp. com a finalidade de revelar erros. 35-36 / BOYNTON. pp. 2003. 1998. geralmente no interior da própria organização (FERREIRA. JOHNSON. relatórios. Corresponde à verificação in loco da existência física do objeto ou item examinado (FERREIRA. p. 1998. p. p. para comprovar. 2002. 35 / BOYNTON. 56 / ATTIE. KELL. bem como da escrituração contábil no diário e razão (FERREIRA. 138-139 e 141-142 / LIMA. JOHNSON. p. KELL. f. p. pp. CASTRO. 1998. 165 / ALMEIDA. 3637 / BOYNTON. KELL. p. p. elaborados de forma manuscrita ou por sistemas informatizados. 136-137 / LIMA. 165 / ALMEIDA. por exemplo. da fidedignidade das informações obtidas internamente. Inspeção física (contagem física / exame físico) – exame usado para testar a efetividade dos controles. 2002. pp. 210). CASTRO. 155-156 / ATTIE. 2002. relatórios e outros documentos internos ou externos (FERREIRA. existência de bens. 165 / ALMEIDA. 36 / BOYNTON. JOHNSON. 2002. p. Exame dos registros (exame da escrituração) – verificação dos registros constantes de controles regulamentares. 2002. 56 / ATTIE. 1998. 133 / LIMA. p. 37-38). p. 2003. 210-211).demonstrações. 2003. p. 2002. Correlação das informações obtidas – cotejamento de informações obtidas de fontes independentes. 165 / ALMEIDA. 2003. 2002. CASTRO. p. mapas e demonstrativos. 165 / ATTIE. KELL. 165 / LIMA. pp. p. pp. . Conferência de cálculos (repetição) – revisão das memórias de cálculos ou a confirmação de valores por meio do cotejamento de elementos numéricos correlacionados. 211). 2002. de modo a constatar a adequação dos cálculos apresentados ou eventuais erros nas operações aritméticas e financeiras (FERREIRA. d. h. 134 / LIMA. 137-138 / LIMA. 1998. 40 / BOYNTON. particularmente daqueles relativos à segurança de quantidades físicas ou qualidade de bens tangíveis. 1998. 210-211). pp. p. JOHNSON. 211-212). e. recursos. p. p. p. autônomas e distintas. CASTRO. 56. p. 2002. direitos e obrigações (FERREIRA. CASTRO. 56 / ATTIE. p. 2002. g. 2003. c. 142-143). p. 2002. JOHNSON. 2003. 2003. CASTRO. Observação das atividades e condições – verificação das atividades que exigem a aplicação de testes flagrantes. 2003. pp. 2002.

(BOYNTON. 2002. de itens morosos ou obsoletos durante contagem de estoques. m. como por exemplo. p. p. as técnicas já citadas podem ser facilitadas e realizadas em maior amplitude. setores. pp. p. JOHNSON. l. 139-140 / LIMA. a dinâmica de um procedimento. 211). CASTRO. p. 1998. CASTRO. KELL. quanto à correta classificação contábil. unidades. um momento-chave de um processo (FERREIRA. 2002. dos conhecimentos e da experiência do auditor. 167 / LIMA. 40). 2002. em especial quando a verificação da totalidade do objeto de auditoria se torna impraticável (FERREIRA. como análise de regressão. 2002. KELL. 2003. quanto à uniformidade de obediência aos princípios de contabilidade. Amostragem – método aplicado como forma de viabilizar a realização de ações de controle em situações onde o objeto alvo da ação se apresenta em grandes quantidades e/ou se distribui de maneira bastante pulverizada. KELL. envolvendo o cálculo e a utilização de índices financeiros simples. ou seja. p. p. 2002. órgãos e procedimentos interligados. para determinação da validade e exatidão das transações contabilizadas” (BOYNTON. j. Revisão Analítica – estudo e comparação de relações entre dados. p. inclusive análise vertical de demonstrações. 2003. 210) o. e passivos não registrados (ATTIE. observação de despesas consideradas como disponível. possibilitará que sejam identificados quaisquer problemas no item em exame. 2003. p. p. p. JOHNSON. 165 / ATTIE. a conferência de cálculos e o exame dos registros. que. Técnicas de auditoria computadorizadas – quando a auditoria possui acesso à base de dados mantida em meio eletrônico. colocada em prática. 1998. visando dar segurança à opinião do responsável pela execução do trabalho sobre o fato observado (FERREIRA. com exame de documentos. 212) . KELL. JOHNSON. 2002.i. de forma seccionada. n. Vouching – “envolve (1) seleção de lançamentos nos registros contábeis e (2) obtenção e inspeção da documentação com base na qual os lançamentos foram efetuados. 2002. 165). JOHNSON. 211). (BOYNTON. 39). 37 / BOYNTON. Observação crítica – técnica que depende da argúcia. p. Corte das operações ou ‘cut-off” – corte interruptivo das operações ou transações para apurar. como por exemplo a revisão analítica. Rastreamento – investigação minuciosa. 143 / LIMA. CASTRO. comparação de quantias reais com dados históricos ou orçados e utilização de modelos matemáticos e estatísticos. k. A direção do teste é oposta a do rastreamento.

se é possível o aperfeiçoamento do trabalho desenvolvido em uma organização. Produto deve ser entendido como um bem.ROM).A utilização de indicadores de desempenho para mensurar os resultados almejados e alcançados pelos administradores é uma metodologia que está relacionada ao conceito de gerenciamento voltado para resultados (results oriented management . especialmente nos de cultura anglo-saxônica (EUA. efetividade e eqüidade. b.é a representação de um processo de trabalho por meio de um diagrama contendo a seqüência dos passos necessários à consecução de determinada atividade. quem é consultado e quem é informado. Indicadores de desempenho e mapa de produtos . entidade ou programa. mediante comparações de desempenho e de boas práticas. Como tais tipos de auditoria têm por finalidade a avaliação dos programas de governo e seus desempenhos sob os aspectos da economicidade.técnica voltada para a identificação. um serviço ou uma condição resultante de atividade(s) de uma organização ou de um indivíduo. O Tribunal de Contas da União apresenta as seguintes técnicas de auditoria de natureza operacional: a. avaliação e implementação de melhores práticas de gestão.Diferentes tipos de técnicas têm sido enfatizadas na realização das auditorias de natureza operacional – avaliação de programas e auditoria de desempenho operacional – como forma de alcançar o objetivo da auditoria. por exemplo: estradas conservadas. d. Exemplos de processos são: todas as sequências de tarefas para conservação de estradas. seja em relação a um órgão. Através da análise RECI é possível estabelecer a responsabilidade pelas decisões e pela execução das atividades. .ferramenta que ajuda a identificar quem é responsável pelas atividades desenvolvidas. O benchmarking pode contribuir na identificação de oportunidades de melhorar a eficiência e proporcionar economia. c. Benchmarking . eficiência. para atender pacientes e para realizar pesquisas. pacientes atendidos e pesquisas realizadas. Análise RECI . Seu propósito é determinar. quem as executa. Mapa de Processos . Processo deve ser entendido como a maneira pela qual se realiza uma operação. tornar mais clara a relação entre as partes envolvidas e conhecer a distribuição de poder. Austrália. seja no âmbito limitado de uma equipe de trabalho. Reino Unido). Esse conceito tem sido adotado nas administrações públicas de diversos países. Mapa de produtos é uma técnica utilizada para a obtenção de indicadores de desempenho. eficácia. algumas técnicas não utilizadas ou pouco utilizadas em outros tipos de auditoria passaram a ser destacadas e desenvolvidas. identificar o tipo ou grau de participação de cada agente em cada decisão.

Na análise das capacidades internas busca-se identificar as forças e as fraquezas da organização. sua natureza. pode ocorrer quando do diagnóstico estratégico. KELL. Portanto. A verificação de risco pode identificar se os recursos alocados ao gerenciamento do risco do programa ou projeto estão consistentes com o nível de risco dos objetivos da organização em termos de resultado e qualidade na prestação de serviços públicos e na entrega dos produtos almejados. 207-208). A utilização desses procedimentos permitirá ao auditor colher as evidências necessárias à sua opinião. é uma ferramenta facilitadora do diagnóstico institucional. No Quadro 9. A matriz de verificação de risco é útil como ferramenta de diagnóstico no estágio de formulação do problema de auditoria. Confiabilidade e Exemplos . Natureza. JOHNSON. como já mencionado. De qualquer forma. o acompanhamento e a avaliação de programas ou de projetos governamentais. Análise Stakeholder . são apresentados os tipos de evidência corroboradora.modelo analítico para orientar a formulação. A aplicação da técnica. evidência corroboradora (BOYNTON.e. dos seus interesses e do modo como esses interesses irão afetar os riscos e a viabilidade de programas ou projetos. grupos ou instituições com interesse em algum programa ou projeto e incluem tanto aqueles envolvidos quanto os excluídos do processo de tomada de decisão. Está ligada à apreciação institucional e à avaliação social. não só utilizando as informações oriundas destas abordagens. deve ser aplicada anteriormente à formulação estratégica de ação. segundo alguns autores. QUADRO 9 – EVIDÊNCIA CORROBORADORA: Tipos. após a definição da missão ou após o estabelecimento de objetivos. podendo ser usada também no âmbito da avaliação de programas. enquanto o ambiente externo no qual atua a organização deve ser analisado em termos das oportunidades e ameaças presentes.consiste na identificação dos principais atores envolvidos. visam atingir objetivos específicos. g. Marco Lógico . O auditor deve considerar a natureza da evidência que será colhida de forma a obter comprovação suficiente e válida. a execução. Os procedimentos e técnicas adotadas em auditoria.A técnica da análise SWOT integra as metodologias de planejamento estratégico organizacional. confiabilidade e exemplos. Esse modelo foi criado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID. Análise Swot e Matriz de Verificação de Risco . Stakeholders são pessoas. ou seja. 2002. pp. mas também contribuindo para a combinação de tais dados em um único cenário. sendo utilizado por todas organizações públicas que requerem financiamento ao BID . f.

• Relatórios gerados por computador Evidência eletrônica criada ou capturada por meios eletrônicos tais como scanners. • Faturas contra clientes. Confiabilidade: Direito confiável mas também considerado um procedimento de alto custo. • Faturas de fornecedores. Confiabilidade: Depende da relevância dos dados utilizados no desenvolvimento de valores esperados pelo auditor. Natureza: Informação produzida ou mantida em meio eletrônico.Tipo de evidência corroboradora Evidência analítica Evidência documentária Natureza e confiabilidade de evidência corroboradora Natureza: Comparações com expectativas desenvolvidas com base em experiência anterior. aumentam a confiabilidade de um documento interno. a solicitações específicas de informações factuais. sensores. tais como endossos. Recálculo de itens tais como: • Totais no diário. • Atas de reuniões do conselho de administração. • Razões. Confiabilidade: Documentos gerados externamente geralmente são mais confiáveis que documentos gerados internamente. por escrito. de valores utilizados na preparação das demonstrações contábeis. • Extratos bancários. Natureza: Tipo especial de evidência documentária que envolve respostas diretas de terceiros competentes. Também tem custo relativamente baixo. • Quantidade de ações ordinárias em circulação. Confiabilidade: Depende da confiabilidade de controles sobre a criação. Evidência eletrônica Confirmações Evidência matemática Natureza: Recálculo. Características físicas de documentos. • Cálculo de lucro pro ação. Exemplos Comparações de saldos de clientes ou índices financeiros principais com: • Resultados do ano anterior. • Contratos. assinaturas de terceiros em documentos preparados internamente ou carimbo de banco em um cheque. orçamentos. pelo responsável pelo armazém. pelo banco. Confiabilidade: Geralmente considerada confiável. • Bônus a pagar. • Orçamentos. • Estatísticas da indústria. pelo custodiante das ações. dados da indústria e conhecimento do negócio e da indústria. Natureza: Vários tipos de documentos muitas vezes se encontram em poder do cliente e podem ser inspecionados durante a auditoria. arrendador. pelo agente fiduciário dos bônus. • Outras expectativas desenvolvidas pelo auditor. • Pagamentos mínimos de arrendamento mercantis. • Contas a receber de um cliente. • Tabelas auxiliares. alternação e integridade de dados e competência de ferramentas de auditoria utilizadas para acessar a evidência eletrônica. • Estoque de um armazém geral. porque foi verificada independentemente pelo auditor. meios magnéticos ou mensagens de computador. • Conhecimentos de embarque com assinatura do transportador. • Termos de um arrendamento mercantil. . • Cheques cancelados. Confirmação de: • Saldo em um banco. pelo próprio. • Obrigações com fundos de pensão. pelo auditor.

Evidência Física Natureza: Evidência obtida em exame físico ou inspeção de ativos tangíveis. Casos de corrupção e fraudes. o auditor pode não ser qualificado para determinar qualidade. Deve-se também considerar o conceito de grupo econômico na segregação entre documentos internos e externos. Evidência verbal Natureza: O auditor muitas vezes recebe evidência verbal. Dentre as evidências corroboradoras deve-se destacar. pois há casos de fraudes ocorridas através de transações forjadas entre empresas de um mesmo grupo. avaliação de estimativa contábil feita por cliente. em especial. as evidências documentárias colhidas externamente em decorrência de sua maior confiabilidade. Johnson & Kell. condição ou valor. • Ativos imobilizados. Podem-se resumir os efeitos de circulação sobre a confiabilidade de evidência documentária através da Figura 3 (p. por escrito. reputação e independência dos indivíduos que fazem as representações. Entretanto. geralmente exige evidência corroboradora. • • Resposta verbal a pergunta do auditor. 2002. mais do que qualquer outro tipo de análise em auditoria. As evidências documentárias. e pode ter que recorrer a um especialista. 70). Cartas de representação de clientes. Seu valor principal encontra-se em dirigir o auditor a buscar outras fontes de evidências. . em reposta a perguntas dirigidas a executivos e empregados. Contudo. Confiabilidade: Depende das qualificações. Exame de: • Recebimentos não depositados. tendem a ganhar maior importância na detecção de fraudes. Fonte: Boynton. • Estoques. necessitam de evidências corroboradoras irrefutáveis. bem como da capacidade para corroborar outras evidências. para detecção de fraudes. pois os primeiros tendem a ser menos confiáveis em decorrência do poder de emissão ser da própria empresa e seus empregados. Confiabilidade: Geralmente muito confiável. Confiabilidade: Não considerada muito confiável. pp. Representações por Natureza: Declarações que abordam afirmações escrito da administração. pela sua natureza formal e escrita. cabe distinguir os documentos gerados internamente dos documentos gerados externamente. 207-208. • • Representação. de especialistas externos. assinadas por indivíduos responsáveis e competentes. Explicação de tratamento contábil.

Johnson & Kell. Extratos bancários normais. 209. enviados diretamente ao auditor. Em janeiro de 2002. O EXEMPLO DA CIDADE DE RIBEIRÃO BONITO – SP A cidade de Ribeirão Bonito em São Paulo passou recentemente por um movimento anticorrupção. que circulam externamente. . mantidos pelo cliente. o Tribunal de Contas emitiu relatório que dizia haver encontrado alguns indícios de irregularidades somente em parte das denúncias. concluindo que “nada se apurou”. Documentos gerados internamente. e junto ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. Cheques pagos. Extratos bancários de posições no final do período. Confirmações.FIGURA 3 – CONFIABILIDADE DE EVIDÊNCIA DOCUMENTÁRIA MAIS CONFIÁVEL Exemplos: Documentos gerados externamente. A ONG ingressou em novembro de 2001 com uma representação junto à Promotoria de Justiça da Cidade de Ribeirão Bonito. Documentos gerados internamente. Comprovantes de depósitos bancários. Faturas de fornecedores. MENOS CONFIÁVEL Fonte: Boynton. p. decorrente de desvios de dinheiro público e outros desmandos acometidos pelo prefeito da cidade. pedindo abertura de inquérito civil público. comprovando. Documentos gerados externamente. a ONG Amarribo requereu à Câmara Municipal a instauração de uma Comissão Especial de Investigações para apurar os fatos. iniciado através de uma organização não governamental. que não circulam externamente. 2002. contudo. A Comissão concluiu os trabalhos e apresentou o resultado no dia 13 de março de 2002. Duplicatas de faturas contra clientes. 5. Requisições de compra. De forma concomitante. com uma solicitação de realização de auditoria especial para apuração de desvios na prefeitura. A AMARRIBO – Amigos Associados de Ribeirão Bonito – agiu através dos órgãos de controle visando à investigação de indícios de irregularidades que haviam observado. que as denúncias eram verdadeiras.7.

sendo preso em agosto do mesmo ano. a qual posteriormente foi publicada visando subsidiar a luta contra as fraudes e corrupção nos municípios brasileiros. indícios e casos de fraude detectados. foram desviados dos cofres municipais cerca de R$ 1 milhão de reais e o esquema de corrupção era encabeçado pelo ex-prefeito e envolvia pelo menos um vereador. 2004). localizado em outra cidade a 160 quilômetros de distância. A primeira seria referente a um pequeno empreiteiro que estava recebendo por serviços que não realizara. A terceira denúncia dizia respeito à aquisição de combustível. a Amarribo decidiu divulgar seu exemplo para saneamento do município. Como a nota fiscal passou a ser a base de toda transação comercial no Brasil. que inexistem física ou juridicamente. solicitando o seu afastamento imediato do cargo. Com o conluio dos administradores públicos cúmplices do “esquema”. tais empresas vendem ao município produtos e serviços superfaturados. visando não levantar . as red flags mais comuns. Ficou detido por 09 (nove) meses. donos ou “laranjas” de empresas fantasmas e funcionários da prefeitura. tendo elaborado uma cartilha. Existem organizações criminosas com atuação a nível estadual e até nacional. foi criada uma indústria de venda de “notas frias” desse tipo de empresa. ou recebem contra a apresentação de notas que discriminam serviços não executados e produtos não entregues. Uma estratégia utilizada habitualmente em desvios de recursos públicos se dá por meio de notas fiscais fictícias ou “frias”. informando que a prefeitura comprava grande quantidade de carne por mês. o qual foi deferido em 08 de abril pela juíza da comarca. A segunda veio de uma funcionária que trabalhava com a merenda escolar. o Promotor de Justiça da cidade ingressou com uma ação civil pública contra o prefeito. A Amarribo recebeu algumas denúncias e passou a investigar por conta própria. (TREVISAN et al. para fornecimento de quantidade excessiva de combustível para a pequena frota de veículos oficiais. O trabalho foi titulado como “O combate à corrupção nas prefeituras do Brasil” (TREVISAN et al.No início de abril de 2002. 2004. Para este estudo deve-se destacar o padrão típico de corrupção nas prefeituras do Brasil e os sinais de irregularidades por eles destacados. 23-24) Os órgãos de controle interno e externo. ou seja. A Amarribo deu início a investigações que permitiram embasar a ação e o requerimento de maiores análises por parte dos órgãos de controle. pois determinados casos de fraudes se dão justamente em montar todo um processo licitatório nos moldes legais. p. não podem simplesmente se pautar em verificar formalidades. quando analisam indícios de fraude. teve sua prisão preventiva decretada e fugiu. Pelas apurações da Amarribo. ou seja. A burla pode ser feita com as chamadas empresas-fantasma. Em 24 de abril de 2002 o prefeito renunciou ao mandato. tendo a prefeitura contratado um posto de gasolina. após a exibição da matéria no Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão. que são aquelas nas quais os serviços declarados não são prestados ou os produtos discriminados não são entregues. mas que quase nada recebiam. Mas a fraude também utiliza empresas legalmente constituídas e com funcionamento normal. Baseando-se nas denúncias.

informações adicionais que não foram levadas ao conhecimento do TCE. Por ser excessivamente formal. embora se tenha maior independência. provavelmente. Quanto aos associados da Amarribo à frente das investigações. Quanto às notas fiscais. devem-se considerar as red flags e sugestões de investigações promovidas pela Amarribo tendo-as como foco de análise constante dos órgãos de controle. o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo foi duramente criticado pela organização Amarribo. a regularidade dos procedimentos de licitações é examinada apenas formalmente pelo TCE. Não se verifica se as firmas cadastradas ou participantes das concorrências existem física ou juridicamente. No Quadro 10. mais difícil sua apuração. A parte do relatório em que o Tribunal de Contas concluía que “nada se apurou” passou a ser usada publicamente pelo prefeito como prova de sua idoneidade. os quais tratamos por red flags: . 2004. sem perquirir sobre a existência das firmas emitentes das notas fiscais contabilizadas. p. porém o envolvimento dos auditores pode estar comprometido. Por outro lado. 73-74) Contudo. são detalhados alguns dos “sinais típicos da corrupção” destacados na cartilha. estes possuíam. o tribunal faz um exame somente do ponto de vista contábil. mais fácil verificar quando próximo. o Tribunal de Contas só conduz investigações se o denunciante entregar provas evidentes de fatos relacionados a desvios orçamentários. Buscando uma atuação mais efetiva e eficaz dos órgãos de controle.suspeitas. (TREVISAN et al. Contudo. Não se pode afirmar que o TCE de São Paulo tenha realizado procedimentos inadequados sem acesso e conhecimento da denúncia original que lhe foi apresentada. mas o objeto da despesa e a intenção dos agentes são totalmente viciados. cabe lembrar que quanto mais distante dos fatos. Por esse motivo. fato esse que deveria ser objeto de pesquisa e avaliação.

É uma artimanha utilizada para encobrir desvios de recursos e materiais. Notas de empresas diferentes. 4. Sinais exteriores de riqueza. 11. . Relutância em prestar informações. para dar aparência de legitimidade ao processo. Tecnologia das fraudes – Notas fiscais. educação e saúde. Favorecimentos com contraprestação 7. como os vereadores. A produção de notas fiscais “frias” se tornou uma profissão. água e esgoto. imóveis. Uma avaliação rigorosa dos controles internos nessas áreas é essencial. como manutenção das vias. e nas técnicas de abrir e fechar empresas de fachada com a utilização de “laranjas” e documentos falsos. merenda escolar e materiais de construção. 2. ostentação de bens adquiridos como carros. Prestar atenção nas datas de constituição das empresas e de seu protocolo na Junta Comercial do Estado e verificar se os nomes que constam como sócios são meros “laranjas”. direcionando a um determinado fornecedor. CARACTERÍSTICAS / EXEMPLOS Gastos excessivos do grupo de amigos da prefeitura e/ou parentes. Faltam registros das requisições e identificação dos requisitantes. participam do certame empresas já acertadas com o esquema as quais fornecem propostas perdedoras. notas fiscais de fornecedores distantes e desconhecidos para materiais e serviços que poderiam ser adquiridos na localidade. Falta de controle de estoques 10. pagamento de contas em restaurantes e bares para todos. dentre outros descontroles. para que sejam pagas as custas das eleições e/ou para que o esquema articulado possa ser usado durante o período de governo. 3. 6.QUADRO 10 – SINAIS TÍPICOS DA CORRUPÇÃO (RED FLAGS) RED FLAGS 1. Representam as montagens dos processos de licitação com vista a atender as formalidades. uso de cabos. 8. Nomeia-se uma comissão de licitação com funcionários envolvidos no esquema ou coniventes com a fraude. como por exemplo: carros para parentes. pessoas ingênuas e inocentes. etc. Fornecedores “profissionais” de notas frias. notas fiscais com visual simples. Os almoxarifados não registram entradas e saídas de materiais. praticada por alguns que se aprofundaram nas técnicas de obtenção desses documentos. notas fiscais seqüenciais. 5. falta de prestação dos serviços básicos. fornecedores permanentes e cativos. viagens e passeios com tudo pago. notas fiscais genéricas de prestação de serviço nas quais não estão especificados os serviços prestados. impressas na mesma gráfica. 9. excesso de gastos com combustíveis. Empresas constituídas em início ou fim de mandato. provavelmente.. etc. A avaliação do cumprimento do objeto e do preço pactuado encontrar-se dentro dos parâmetros do mercado são as duas principais medidas. Falta de qualidade na merenda ou consumo desproporcional ao número de alunos. por exemplo. são duas medidas que podem e devem ser utilizadas na auditoria. falta de transparência nas informações contábeis e financeiras. Criação de cláusulas restritivas nas licitações. utilizadas como “testas de ferro”. Fraude em licitações. Tem-se notado que diversas fraudes se dão no início ou no fim de um mandato. Falta crônica de verbas para os serviços básicos. restrição à concorrência de outros comerciantes e fornecedores. Abandono generalizado no atendimento às necessidades da cidade. Cessão de bens e serviços para os integrantes do esquema. mas evidentemente impressas com o mesmo layout e características e defeitos gráficos. dentre outras práticas fraudulentas na licitação. procura-se comprometer a todos que fiscalizam os gastos da prefeitura. definem-se condições restritivas visando direcionar a licitação para alguma empresa. tudo isso são formas de obterem-se vantagens mediante comissões fraudulentas coadunadas com os fornecedores. Resistência em prestar contas. tubulações e outros materiais de construção de forma incompatível com a dimensão e propriedades de seus empregos. padrão de vida muito diverso da condição precedente. obras nas propriedades desses. coleta de lixo. fornecedores de reputação suspeita ou de locais distantes. gastos pessoais incompatíveis com a renda. Convites de fornecimento direcionados. indicando que a empresa só fornece para a prefeitura. Consumo de combustível. quase todas com o mesmo layout. Verificar detalhes como: notas fiscais com valores redondos ou próximos de valor de R$ 8 mil.

aparentemente justas. 22. 20. 16. propagandas revistas. Pagamento com cheques não cruzados. Investigação de empresas “fantasmas”: é muito mais comum do que se pensa a figura de empresas “fantasmas”. fazem a partilha dos envolvidos no esquema sem transitar pelo banco visando não deixar pistas. Aconselha-se verificar: existência efetiva na Junta . gado e coisas que possam ser valorizadas. 18. Fonte: Trevisan et al. 19. o prefeito deve afixar. depois. 59-65) destacam algumas medidas que consideramos eficazes na detecção de fraudes: a. Inexistentes quer de direito. visando obstaculizar a fiscalização dos gastos públicos. ela vai a juízo e propõe um acordo. de modo a recepcionar a quantificação do enriquecimento ilícito. irrestrito ao seu governo visando manipular a opinião pública. Declaração de renda do prefeito. Depois de mapear as red flags deve-se passar a fase de apuração e investigação. Uma forma de dificultar a atuação dos órgãos de fiscalização e controle é justamente não atender aos seus pedidos. 2004. os agentes da fraude evitam ao máximo o uso de depósito bancário visando não deixar rastro sobre o destinatário final. A parte entra na justiça contra a prefeitura. Somente tem sido aceitável. pela Lei Orgânica do Município. Publicações Devem merecer especial atenção as contratações com as empresas de publicidade (jornais. Falta de atendimentos a pedidos de informações sobre despesas realizadas. até mesmo. 14. legislativo. 15. Em geral. Um prefeito que tem a intenção premeditada de apropriar-se dos bens públicos prepara. ou de qualquer outra fraude. 13.12. o movimento de caixa do dia anterior (boletim de caixa). dificulta suas atuações visando afastá-los da Câmara Municipal. ouro. As empresas promotoras desses eventos podem ser partícipes de um esquema de fraude pela difícil tarefa que é saber o cachê cobrado por artistas. quer de fato. Trevisan et al (2004. proteger-se daquele que o deveria fiscalizar. a declaração é cheia de bens semoventes. como obras de arte. deve ser examinada. no qual são especificados quais os pagamentos efetuados. administradores corruptos deixam que sejam causadas ações contra à prefeitura judiciais. Conluio em ações Por vezes.). incondicional às suas pretensões e. sacam o dinheiro em espécie e. pode realizar serviços e fornecimentos às custas da prefeitura ou nomear um parente ou amigo do vereador para algum cargo. que querem realizar sua função com responsabilidade e dignidade. dentre outras tantas facilidades. Comprometimento O prefeito procura envolver os vereadores com o esquema de corrupção visando o apoio de vereadores. Assim. por exemplo. na sede da Prefeitura. Alguns prefeitos realizam tais remanejamentos e sequer buscam dar transparência. diariamente. Parentes e amigos Os concursos públicos podem ser montados para beneficiar correligionários do prefeito. Falta de publicidade dos pagamentos efetuados. A aprovados em verificação dos candidatos aprovados e do seu grau de envolvimento com a Administração concursos públicos. Isso pode ser uma forma de retorno por vias transversas para o bolso do prefeito. Assim. o prefeito não atende aos seus pedidos e. até mesmo. sua declaração de renda. Notória especialização. A contratação de advogados e outros profissionais baseados no argumento de notória especialização a preços demasiadamente elevados em relação à tarefa a ser cumprida. De forma geral. o qual é imediatamente homologado pelo juiz. etc. antes de assumir o cargo. 17. Muitos trocam tais quantias por dólar e se utilizam de cofres ou realizam depósitos em contas no exterior. pois o prefeito pode estar favorecendo poucas empresas em troca do apoio e promoção. oficiais. 21. Transferências de O orçamento é uma lei. Promoção de festas públicas. No caso dos vereadores honestos. p. Assim. Esse acordo proporciona o ar de legalidade que se precisava em uma transação fraudulenta. O remanejamento de verbas orçamentárias deve ser submetido ao verbas orçamentárias. A utilização de notas frias e/ou superfaturadas na promoção de eventos públicos deve ser examinada. a autorização legislativa na própria lei do orçamento para o remanejamento de até 5%. Quando isto não acontece pode estar havendo acobertamento de fatos de interesse público. envolvidas no processo de corrupção.

registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). Ministério Público. Câmara de Vereadores e de Deputados. o Ministério Público poderá ingressar com ação civil pública visando à punição dos responsáveis e o ressarcimento dos recursos desviados. Polícia Federal. bem como. fotos. Constatação da existência física da empresa: por vezes a empresa apresenta todos os documentos. e. ir ao endereço indicado na nota fiscal e verificar se a empresa está instalada no local e no endereço especificados são medidas obrigatórias. como o Ministério Público. A verificação da existência da gráfica é outro exame essencial. gravações. Assim. Constatação da existência da gráfica impressora: todas as notas fiscais possuem indicação da gráfica que imprimiu o talonário da empresa. etc. junto à Receita Federal. b. por exemplo. Perícia nas aquisições de materiais e serviços prestados: quando se desconfia de pagamentos superfaturados ou de notas fiscais “frias” é necessário pormenorizar uma análise dos preços e inspeções físicas nos locais de entrega do produto ou de prestação dos serviços.Comercial por meio de certidão. etc. como por exemplo: laudos. documentos formais. cadastro da receita estadual junto à Secretaria de Fazenda Estadual. se faz necessária documentação comprobatória mínima e suficiente que representem indícios de fraude. . Conselhos Profissionais. mas não possui sequer sede física. Com base nos resultados da perícia. Obtenção de provas: para abertura de qualquer processo junto aos órgãos de controle. o envolvimento de todos os órgãos públicos competentes: Tribunal de Contas. É também destacada a mobilização popular como forma de apoio à apuração das denúncias e cobrança das autoridades encarregadas das investigações. c. Pode também ser solicitada ao Ministério Público uma perícia. d.

1. os procedimentos de auditoria aplicados. 6. Histórico A “Operação Vampiro”. Logo que foi identificada a fraude. com base nos casos estudados. A Polícia Federal verificou que funcionava um sistema de desvio no Ministério da Saúde. foram expedidos 17 (dezessete) mandados de prisão. sendo 06 (seis) para servidores do Ministério e 42 (quarenta e duas) ordens judiciais de busca e apreensão de documentos e computadores. o quanto possível. título derivado da descoberta de um esquema de fraudes em licitações na compra de derivados de sangue. “OPERAÇÃO VAMPIRO” 6.6. forma e conseqüência da fraude. Baseado em . segundo noticiado pela imprensa desde 1990. identificar as falhas de controle detectadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Controladoria Geral da União (CGU). teve início no dia 19 de maio de 2004. Buscou-se avaliar a origem. e.ESTUDO DOS CASOS PROPOSTOS Neste capítulo far-se-á uma análise dos casos propostos: “Operação Vampiro” e “Fraude nos Correios”. A última subseção aborda a atuação exigida dos órgãos de controle e os procedimentos de auditoria aplicáveis.1.1.

7 mil.br/DCS/index.mpf. fraude a licitações. tomando por base dados daquele exercício.gov. Humberto Costa. mediante informações privilegiadas repassadas por servidores do Ministério da Saúde.1. que em setembro de 2006 teve seu nome aditado à denúncia pelo Ministério Público Federal em função de novos elementos de prova trazidos ao processo. 2006.informações divulgadas pela Polícia Federal15. quando constatou diversas irregularidades. As investigações sobre o esquema pela Polícia Federal tiveram início em março de 2003.dpf. Disponível em: http://www.gov. Disponível em: http://noticias. em especial no que tange às restrições aos concorrentes. O pagamento de vantagens e propinas. Os crimes praticados que tem sido objeto de investigação são formação de quadrilha. Os lobistas acompanhavam as intenções de compra do Ministério. .br/search_form . 2006. 16 MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. Os trabalhos da Polícia Federal iniciaram-se em 2003. por meio de superfaturamento em compras no exterior de hemoderivados e insulina. lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva. foram encontrados por agentes federais com os presos.pgr. A fraude envolveu empresas fornecedoras de derivados de sangue. que não puderam ser confirmados nos relatórios técnicos e nas divulgações dos órgãos de controle e de governo. Sistema de busca de notícias do Ministério Público Federal.2. A empresa pagava aos lobistas que faziam o saque e contratavam pessoas para levar o dinheiro em malas até os destinatários. tendo sido divulgado pela imprensa um montante de R$ 2 bilhões desviados. 2006. 2004. Acesso em: 01 dez. lobistas e servidores do Ministério da Saúde. Operação Vampiro prende servidores do Ministério da Saúde. segundo o Ministério Público Federal (MPF)16 muitas vezes era transportado em espécie. Publicada em 16 nov. tal afirmação não foi confirmada. à época. combinação de preços e divisão dos lotes entre as empresas do cartel.html . Atuação Prévia dos Órgãos de Controle e Procedimentos de Auditoria Utilizados 15 Agência de Notícias do Departamento de Polícia Federal. US$ 120 mil e 7 mil euros. a pedido do Ministro da Saúde. Apesar da imprensa haver noticiado que os desvios seriam realizados desde 1990. O Tribunal de Contas da União (TCU) havia realizado Tomada de Contas em licitações ocorridas entre 1998 e 2003. tendo sido ampliada a análise dos órgãos de controle sobre a aquisição de outros medicamentos. Nota à imprensa do procurador Gustavo Velloso sobre denúncia da Operação Vampiro. A fraude nas licitações gerou grandes prejuízos aos cofres públicos. Acesso em: 10 out. R$ 29. e se organizavam para. de alguma forma. 6. Publicação em 19 mai. empresários. intervir no modelo da licitação.

13/2002 e 14/2002. inclusive quanto ao tempo necessário à realização dos certames e ao cronograma de pagamentos.2003. Câmara Recomendar ao Ministério da Saúde que: 1. de sorte a atender aos princípios da prevalência do interesse público e do zelo pela coisa pública.TCU . O TCU teceu uma série de recomendações e determinações com vista a tornar mais adequado e transparente o sistema de controle e gestão das compras e materiais. procedidas pelo Ministério da Saúde objetivando a aquisição de hemoderivados. elaborados para as diferentes etapas das atividades desempenhadas pela Coordenação de Programação e Execução Orçamentária e Financeira COPEF. 12/2002. objetivando o estabelecimento de rotinas e identificação de pontos críticos e oportunidades de melhoria. . Recomendar à Coordenação-Geral de Recursos Logísticos – CGRL/MS que: 1. levando em consideração margem de segurança quanto aos quantitativos e prazos estabelecidos. 2. o TCU. elabore fluxogramas relativos aos processos de aquisição da COMEC. suprimentos e de finanças. de 19.11.110/2003-0 . 2.COMEC objetivando efetuar um planejamento de médio/longo prazo para a aquisição de medicamentos adequados às necessidades vigentes.COSUP. estude a adoção de medidas para agilizar os procedimentos relativos à fase de homologação dos processos licitatórios.Há registros de atuação prévia do Tribunal de Contas da União (TCU) em três representações mediante Tomada de Contas (TC). bem como o risco de desabastecimento da rede de saúde. estabeleça prazos nos fluxogramas.2ª Câmara. estude mecanismo para viabilizar a conclusão do Projeto de Modernização e Ampliação da Capacidade do Almoxarifado Central. A TC 006.110/2003-0 trata de representação interposta pelo Ministério Público junto ao TCU. envolvendo as áreas de medicamentos. por parte de um dos participantes. à semelhança da Coordenação de Suprimento e Controle Patrimonial . considerando cada modalidade de licitação e os casos de dispensa e inexigibilidade de licitação. constituiu prova suficiente para a quebra do sigilo das propostas de preço. em 2003.TCU. QUADRO 11 – RECOMENDAÇÕES E DETERMINAÇÕES DO TCU – Acórdão 1077/2004 – 2a. 4. promova estudo com vistas ao mapeamento das atividades da COMEC. solicitando ao Tribunal a apuração de indícios de irregularidades cometidas no âmbito das Concorrências Internacionais nos 11/2002. Como resultado final dos trabalhos empreendidos.762/2003-9 e TC 006. 3. buscando estabelecer responsabilidades e prazos para cada etapa dos processos de aquisição. O plenário do TCU considerou que o conhecimento dos preços ofertados nas referidas licitações. A TC 005. por meio do Acórdão 1771/2003 . TC 012. promova uma ação integrada da Diretoria de Programas Estratégicos . de modo a evitar sucessivos termos aditivos a cada contrato.DPE e da Coordenação de Suprimento de Medicamentos e Correlatos .584/2003-0. No Quadro 11 são transcritas as recomendações e determinações referentes ao ACÓRDÃO 1. todas de 2003: TC 005.584/2003-0 trata de auditoria realizada na Coordenação Geral de Recursos Logísticos do Ministério da Saúde (CGRL/MS). resolveu determinar a anulação das Concorrências Internacionais nos 11 e 12/2002.077/2004 . na qual foram analisados procedimentos licitatórios conduzidos por aquela unidade.Plenário .

º 8. 67 da Lei n. atente para a correta publicação dos extratos dos contratos e dos termos aditivos no Diário Oficial da União.º 8. os quais devem estar devidamente autuados no processo. 7.666/93.666/93. da Lei n.666/93. 41. observe fielmente os termos do edital de licitação. observe a necessária coerência e a requerida correção. 30 do Decreto n. § 1º. 65. quando da celebração dos contratos. § 1°. em conformidade com o disposto no art. de emitir Notas de Empenho tipo "Estimativo" com valores muito inferiores ao custo total estimado da aquisição.666/93. caput. II e IV do citado dispositivo legal.666/93. alínea “b” e § 1º da Lei n. não ter condições de produzir maior quantidade no mesmo prazo anteriormente concedido. encaminhe as minutas dos contratos à Consultoria Jurídica. conforme o art. nas próximas contas. promovendo a numeração seqüencial das páginas dos processos licitatórios.872/86. crie um sistema de informações gerenciais para consulta sobre a atuação da CPL.666/93. no art.º 8. caso estejam disponíveis cálculos feitos pelo setor competente. 13.º 93. em desrespeito ao disposto nos artigos 60 e 61 da Lei n. aplicando-se aos contratados. bem como para os prazos entre a publicação e a data da abertura da licitação. as penalidades previstas nos arts.666/93. atenda ao prazo legal de até três dias úteis para julgamento e resposta ao pedido de impugnação. atente para o correto arquivamento dos comprovantes dos serviços adquiridos. no âmbito do Projeto “Melhoria da Visão Estratégica da COSUP”. parágrafo único. nas contratações envolvendo moeda estrangeira. 2. não elabore termos aditivos para prorrogação dos contratos realizados sem que haja a previsão de recursos para atendimento das despesas decorrentes deste.666/93. 57. índices de desempenho baseados nos fluxogramas elaborados para cada modalidade de licitação e para as situações de contratação direta. 54. conforme disposto no art. 9. observe o disposto no art. 60 da Lei n. de forma clara.º 8. 8. o acréscimo do objeto contratual. quanto aos contratos de fornecimento de bens (compras). 12.CPL. 38. 57. de tal forma que não gerem dúvidas sobre o recebimento dos mesmos. observe o disposto no art. quando da elaboração dos contratos e termos aditivos. 5. de sorte a justificar.784/1999 . se abstenha de celebrar contratos com efeitos retroativos. devendo ser empenhados valores compatíveis com os previstos. 11.º 8. previsto no caput do art. evitando a inserção de cláusulas equivocadas ou conflitantes que possam levar à interpretação dúbia quanto às disposições nelas estabelecidas.5. 15. informe. por escrito.º 9. 86 e 87 da Lei n. desenvolva. Determinar à Coordenação-Geral de Recursos Logísticos – CGRL/MS que: 1. 57. da Lei nº 8. 2º da Lei n. sobre a efetiva implantação do módulo do Sistema de Acompanhamento de Processos em Andamento –SAPA. 8.º 101/2000. informe. em caso de não cumprimento tempestivo do objeto avençado. nos termos do art. limitando a sua duração à vigência dos respectivos créditos orçamentários. § 1º. se abstenha. inciso I.º 8. 9. inclua nos processos licitatórios a portaria de designação de representantes da Administração para acompanhar e fiscalizar a execução do contrato. nos termos do art. 7. no âmbito do Projeto de Melhoria de Gestão implementado na CGRL. completa e precisa .em conformidade com o § 2º do referido artigo e com o princípio da motivação. nas próximas contas. .º 4. de forma a estabelecer parâmetros mínimos de desempenho em cada etapa do processo. se o contratado demonstrar. sobre a avaliação da implantação e funcionamento do “Projeto de Melhoria da Gestão”.320/64 e no art. objetivando tornar os processos de compra mais transparentes. consoante o disposto no art. promova a criação de um sistema de informações gerenciais para consulta sobre a atuação da Comissão Permanente de Licitação . 10.º 8. da Lei n. na formalização de contratos com terceiros que não possam ser enquadrados nas exceções previstas nos incisos I. informe. a fim de reduzir o número de recursos e representações impetrados pelos licitantes contra as decisões daquela comissão. nas próximas contas. inciso IV e § 2º do mesmo normativo. cumprindo o que determina o art. 3. observando especialmente o disposto no art.a extensão do prazo de vigência inicialmente acordado. da Lei n. 42 da Lei Complementar n.666/93. sobre a avaliação da implantação e funcionamento do Projeto “Melhoria da Visão Estratégica da COSUP” no exercício de 2003. da Lei n. 38 da Lei de Licitações. evitando o risco de simulação de cumprimento anterior de formalidades. implantado no âmbito da COPEF no exercício de 2003. § 1º e seus incisos. 21 da Lei nº 8. 6. só implicará prorrogação dos prazos contratuais. 6.666/93. 4. que efetue a prorrogação dos contratos apenas nos casos previstos no art.º 8. objetivando tornar os processos de compra mais transparentes. 14.

b) inobservância ao princípio da publicidade. e 61 da Lei de Licitações. com o objetivo de verificar as licitações destinadas à aquisição de medicamentos hemoderivados nos exercícios de 1998 a 2003. com enfoque na capacidade técnica.Primeira Câmara . f) preços praticados pelo Ministério da Saúde incompatíveis com o mercado. Por último. parágrafo único. Conforme informado no relatório da Representação TC 007. e) indícios de formação de cartel. b) descumprimento de requisitos fundamentais da Lei de Licitações e de Contratos. conforme divulgado pela Assessoria de Imprensa da CGU. Foram analisadas todas as licitações que envolveram a aquisição dos fatores VIII e IX de coagulação. do complexo protrombínico parcialmente ativado. d) quebra do sigilo das propostas. a TC 012. bem como solicitar a entrega dos bens ou prestação de serviços antes da celebração formal dos contratos. Relação de 17.TCU. c) falhas na apreciação dos recursos interpostos contra as decisões da comissão de licitação. e) superfaturamento na aquisição. 50% do total do lote). em observância ao disposto nos artigos 60. deixe de efetuar aquisições sem cobertura contratual. g) regularidade da habilitação ou inabilitação dos participantes. c) rateio dos certames a um restrito grupo de fornecedores. especialmente quanto ao tópico relativo à formação de cartel por laboratórios internacionais (Acórdão 215/2004 . Já a Controladoria Geral da União (CGU) somente veio a realizar suas auditorias no Ministério da Saúde sobre a aquisição de hemoderivados depois de tornada pública a “Operação Vampiro” da Polícia Federal. do complexo protrombínico. foram apresentadas respostas para todos os itens.762/2003-9 trata de auditoria realizada também na Coordenação de Recursos Logísticos do Ministério da Saúde (CGRL/MS) em 2003. do selante de febrina e do fator VIII para tratamento da doença de von Willebrand. Os trabalhos da CGU foram concluídos em abril de 2005.2004). posteriormente. Na auditoria foram analisadas as seguintes questões: a) possibilidade de limitação à concorrência ante a exigência de oferta parcial mínima (30% e. . d) quebra do princípio do sigilo das propostas e do caráter competitivo dos processos de licitação.16. As principais falhas e suas conseqüências confirmadas pela auditoria da CGU foram: a) ausência de pesquisas de preços e valores de referência nos processos de compra. em 2002.02.601/2004-5.

Acesso em: 10 mai.pdf . enquanto a que cotasse o maior preço ofereceria todo o lote. como solicitação de esclarecimentos e impugnações ao edital. o TCU verificou que houve mudança de comportamento por parte das empresas. g) aquisição em quantidades superiores às definidas pela área técnica e. 2004. Uma das estratégias adotadas. o fornecimento dos hemoderivados ao Ministério acabava sendo dividido entre os participantes da licitação. por exemplo. Outro ponto constatado é que os preços cotados pelas empresas também não apresentavam diferenças significativas entre as concorrentes. a SDE/MJ verificou indícios de acordo entre as empresas em licitações do período de 1998 a 2001. Apesar de não termos obtido acesso aos relatórios de auditoria propriamente ditos do TCU e da CGU. h) prejuízos aos cofres públicos. Disponível em: www. Dessa forma. houve queda de preços e os licitantes passaram a utilizar-se de atos que demonstravam uma real concorrência entre as empresas. Com base nas auditorias do TCU realizadas no período de 1998 a 2003 e no documento encaminhado pela Polícia Federal titulado “Consolidação de Informações do Relatório de Inteligência Policial atinentes à Operação Vampiro”. Brasília: SDE/MJ. No Quadro 12 é apresentado um relacionamento entre os pontos ou fragilidades constatadas pela auditoria da CGU e do TCU e os prováveis procedimentos de auditoria utilizados. A partir de 2002. A diferença entre o maior e o menor preço ofertados aumentou. ou seja. Relatório “Versão Pública” do Departamento de Proteção e Defesa Econômica.gov. Em “Versão Pública” divulgada pela Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (SDE/MJ)17. QUADRO 12 – PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA X PONTOS/FRAGILIDADES 17 In: SECRETARIA DE DIREITO ECONÔMICO DO MINISTÉRIO DA JUSTIÇA.br/SDE/temp/PA%20hemoderivados%20instauracao%20pública%20site. era fazer com que a empresa que cotasse o menor preço se dispusesse a ofertar apenas parte do que o Ministério da Saúde estava disposto a comprar. se todos procedimentos licitatórios e contratuais foram realizados dentro da formalidade e essência da lei. foi sugerida a instauração de processo administrativo contra as empresas participantes do suposto cartel formado. pode-se observar com base nos pontos e fragilidades apurados que foi realizada Auditoria Operacional ou Auditoria Especial. segundo o relatório do TCU. cujo escopo foi a conformidade processual. um revezamento entre as empresas que sairiam vencedoras numa licitação e as que ofereceriam as maiores cotações nas licitações seguintes. Ao que consta.f) perda de medicamentos. havia um padrão de comportamento entre as empresas para definir o resultado da licitação. Havia também.mj. 2006 .

Procedimentos de Auditoria

Pontos / Fragilidades de Auditoria
TCU Limitação à concorrência; Inobservância do princípio da publicidade; Falhas na apreciação dos recursos; Quebra do sigilo das propostas; Preços incompatíveis; Regularidade na habilitação ou inabilitação dos licitantes; Procedimentos e rotinas de execução e controle nas compras insuficientes ou não estabelecidas. Preços incompatíveis CGU Ausência de pesquisas de preços e valores de referência; Descumprimentos de requisitos da lei 8666/93; Quebra do sigilo das propostas e do caráter competitivo; Superfaturamento na aquisição; Aquisição em quantidades superiores às definidas.

Análise Documental

Correlação das Informações Obtidas

Superfaturamento na aquisição

Observação Crítica

Falhas na apreciação dos recursos; Quebra do sigilo das propostas e do Quebra do sigilo das propostas; caráter competitivo; Indícios de formação de cartel; Rateio dos certames a um grupo restrito. Procedimentos e rotinas de execução e controle nas compras insuficientes ou não estabelecidas Capacidade insuficiente para armazenamento no Almoxarifado Perda de Medicamentos Central Mau planejamento de médio/longo prazo para a aquisição de medicamentos adequados às necessidades vigentes; Procedimentos e rotinas de execução e controle nas compras insuficientes ou não estabelecidas Aquisição em quantidades superiores às definidas

Inspeção Física Exame dos Registros Vouching Conferência de Cálculos Indagação Escrita ou Oral Observação das Atividades e Condições

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6.2.FRAUDE NOS CORREIOS 6.2.1. Histórico A revista Veja, em sua edição nº 1.905, de 18 de maio de 2005, publicou uma matéria intitulada “O homem chave do PTB”, na qual são transcritos diálogos de que participava o Sr. Maurício Marinho, então diretor do Departamento de Contratação e Administração de Material da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Nesses diálogos pode-se denotar a existência de atos de corrupção no âmbito da ECT e de diversas outras irregularidades administrativas. Além disso, tornaram-se públicos supostos procedimentos de troca de apoio político, no Congresso Nacional, por cargos e funções estratégicas em empresas estatais e diversos órgãos públicos da Administração Direta e Indireta. (CPMI, 2006, p. 3) Através de espionagem industrial ou comercial, foi realizada a gravação de uma fita de vídeo em que o funcionário Maurício Marinho foi flagrado recebendo três mil reais e expondo o esquema de corrupção nos Correios, no qual citava o Sr. Roberto Jefferson, à época Deputado Federal, como co-responsável desse esquema. A CPMI dos Correios não concluiu se a espionagem teve motivação política, financeira ou se “por amor à Pátria”, como alegou, nesse último caso, um dos envolvidos na espionagem. Entretanto, com base nos depoimentos colhidos e divulgados pela imprensa no que tange aos levantamentos da Polícia Federal, existem fortes indícios de que a gravação foi inicialmente planejada com o intuito de determinada empresa obter vantagens comercial-financeiras e, posteriormente, haver ganhado conotação política. A partir da divulgação da fita, o então Deputado Federal Roberto Jefferson, Presidente Nacional do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que fazia parte da base de apoio e sustentação do Governo no Congresso Nacional, passou a apontar, em inúmeras manifestações na mídia nacional, a existência de um complexo sistema de financiamento ilegal dessa base de apoio, seja em processos políticos ou eleitorais, seja fora deles. Cunhou-se, então, o vocábulo mensalão para descrever esse esquema e apontar os que nele se envolveram, destacando a participação, sobretudo, de parlamentares de deputados federais. (CPMI, 2006, p. 4) A CPMI dos Correios desencadeou processos de investigação internos e externos em vários órgãos e entidades públicas, mediante auditorias, sindicâncias e procedimentos administrativos instaurados, bem como, teve como conseqüência a punição de empresas e afastamento de funcionários envolvidos. No Relatório Final da CPMI, inclusive, consta uma seção com todos os indiciamentos dos envolvidos em esquemas e os crimes por cada um praticados.

O Relatório Final da CPMI dos Correios também destaca a atuação da Receita Federal, Polícia Federal, Tribunal de Contas da União, Controladoria Geral da União e do Ministério Público Federal, por convergirem suas investigações na mesma direção e sustentarem as conclusões da Comissão Parlamentar. A CPMI dos Correios, instalada a partir de determinado fato, ocorrido naquela empresa estatal, ampliou o escopo de suas investigações quando identificou diversas outras áreas, no Estado brasileiro, com as quais se conectavam as irregularidades inicialmente apontadas. Assim, a Comissão Parlamentar focou sua análise em cinco áreas: contratos, movimentações financeiras, IRB, fundos de pensão e proposições legislativas. A área de análise de contratos da CPMI abrangeu aqueles de publicidade, da rede postal noturna, de informática, das franquias e do correio híbrido postal. A área de movimentações financeiras observou as atividades de Marcos Valério, publicitário, que ficou vulgarmente conhecida por valerioduto, desde a origem dos recursos até a destinação através do mensalão. No IRB foram analisados contratos, pagamentos, colocações no exterior e retrocessões no período de 2004 a 2005 (CPMI, 2006, p. 1131). Destaca-se a indenização de sinistro sem cobertura de contrato de seguro e sem recebimento prévio do prêmio, causando prejuízo ao erário em aproximadamente quinze milhões de reais e os fortes indícios de favorecimentos por parte dos gestores do IRB a determinadas empresas corretoras de resseguro. A área de fundos de pensão teve por objetivo principal “a identificação de desvios de recursos dos fundos de pensão, procurando desvendar e compreender os diversos mecanismos utilizados por determinadas instituições financeiras e grupos de interesse para receptar recursos das entidades de previdência complementar” (CPMI, 2006, p. 1527). Puderam ser identificados diversos problemas, os quais foram resumidos em três eixos: a) Interferência nos propósitos de boa governança, ampliando riscos, perda de eficiência e danos aos interesses legítimos das entidades, decorrentes de influência político-partidária, desqualificação profissional dos diretores dos fundos, rotatividade do corpo técnico, insuficiência de controles internos e compliance, relacionamento com intermediários financeiros e falta de rigor no acompanhamento dos investimentos; b) Insuficiência de fiscalização e de controles externos, por lei de responsabilidade da Secretaria de Previdência Complementar; c) Complexa estrutura e prática operacional do mercado financeiro e de capitais. A última seção do relatório, que cuida das proposições legislativas, coube a avaliação de todo o emaranhado de irregularidades, ilicitudes e imoralidades que puderam ser levantados no decorrer dos trabalhos da CPMI, vislumbrando a adoção de normas para o combate à corrupção.

Antônio Osório (diretor da área administrativa nos Correios). quanto ao IRB e os fundos de pensão. indícios de corrupção e fraudes nos Correios. Arthur). deixamos de considerar nesse estudo os levantamentos.3. porém subseqüentes: compras (licitação) acompanhamento dos contratos. os quais. “Red Flags” Com base nos depoimentos tomados dos senhores Maurício Marinho (funcionário dos Correios que aceitou o suborno na gravação divulgada na imprensa).2. Antônio Velasco (sócio do Sr. Além da avaliação do esquema de corrupção existente nos Correios. propiciado pelo esquema também apelidado valerioduto. que foi o objeto da gravação. Assim. Delimitação para o Presente Estudo Conforme se pode observar no Relatório Final da CPMI dos Correios (CPMI. a grande amplitude que tomou a CPMI dos Correios. seriam assuntos suficientes a serem desenvolvidos em outros trabalhos. Arthur Washeck Neto (empresário solicitante-responsável pelas gravações). 2006). 6. os quais sinalizamos com red flags. 110).6. a Comissão ampliou sua análise para verificar a existência do mensalão e avaliar a existência de corrupção no Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) e em fundos de pensão (previdência complementar). por si só. conforme Quadro 13. apontamentos e conclusões da CPMI quanto ao que ficou conhecido por mensalão.2. com base nos depoimentos colhidos (apresentados no Apêndice A. há que delimitar esse estudo de caso ao esquema de corrupção ocorrido nos Correios.2. e . culminando em um relatório final de 1857 páginas. Pode-se deduzir. Joel Santos Filho (responsável pela gravação) e Deputado Roberto Jeferson pode-se observar que a origem da corrupção e fraude nos Correios se deu em duas áreas distintas. em função dos diversos ilícitos com que se deparou após sua abertura. as investigações e análises promovidas pela Comissão Parlamentar tomaram uma dimensão muito maior que aquela inicialmente concebida. Dado o objetivo desse trabalho em avaliar e propor procedimentos de auditoria que visem prevenir e detectar fraudes e corrupção. p.

i) Concessão de reequilíbrio ou reajuste ao contrato sem embasamento jurídico. . l) Direcionamento de empresas. Trechos transcritos no Anexo A. c) Restrição da concorrência. para fins de avaliação. d) Relevação de penalidade aplicada. em especial de publicidade. 2006.QUADRO 13 – RED FLAGS BASEADAS NOS DEPOIMENTOS PRESTADOS À CPMI DOS CORREIOS a) Entregas de materiais fora das especificações técnicas b) Retardamento ou não aplicação de penalidade por atrasos de entrega e/ou descumprimento contratual. nas contratações realizadas por órgãos e entidades públicos. em decorrência de recurso. Todos os depoimentos estão disponíveis em: http://www.org. Acesso em: 10 set. j) Suspeita de diversos contratos e processos negociados com “vantagens ilícitas”. legal ou econômico. g) Sinais exteriores de enriquecimento. h) Contratos com preços majorados.br/. reprovadas por mais de uma vez sem que a empresa fosse inabilitada ou penalizada pelo retardamento.cpmidosCorreios. Fonte: Depoimentos prestados à CPMI dos Correios. f) Cargos de alto e médio escalão ocupados por pessoas com grande envolvimento político. e) Amostras de material exigidas pela Comissão de Licitação.

ou seja. se as red flags que puderam ser destacadas com base nos depoimentos prestados por investigados e testemunhas à CPMI dos Correios efetivamente colaboraram para a fraude e corrupção ocorridas. A partir da publicidade que teve o episódio de corrupção em jornais. os quais. No Quadro 14 (p. ressalte-se o desenvolvimento das ações da Polícia Federal e do Ministério Público. verificamos algumas atas das sessões do plenário do TCU e relatórios disponibilizados pela CGU quanto aos “achados” nos Correios. 88) são sintetizadas as irregularidades ou “achados” e no Apêndice B (p. não obtivemos acesso aos relatórios.694/2005-2. não foi objeto de planejamento anual da CGU e nem demandada por denúncia de irregularidades. mais especificamente quanto ao aspecto legal e econômico. adotando como critério a abertura de representações específicas a cada processo analisado com indício(s) de irregularidade(s) grave(s). restringiram-se a uma amostra de 51 processos de licitação e contratos escolhidos pela Equipe de Auditoria (que envolviam recursos da ordem de 5. de forma impressa ou através da rádio e televisão. abrangeram os exercícios de 1998 a 2005 (com ênfase nos três últimos anos). baseou-se nos documentos e processos que foram objeto de análise. reportagens. revistas. . Além da CGU e do TCU.6. 118) são detalhadas as representações ocorridas. transportes. Atuação dos Órgãos de Controle e Procedimentos de Auditoria Utilizados Em levantamento realizado junto ao site do TCU e da CGU quanto a trabalhos de auditoria concluídos antes da ocorrência do escândalo dos Correios e do mensalão divulgados pela imprensa em maio de 2005. ou seja. através da auditoria interna dos Correios.4. propaganda e marketing e suprimentos de materiais. nos serviços de transporte de carga postal no exercício de 2004. contudo. essa auditoria foi iniciada em função de uma comunicação do então Ministro de Estado das Comunicações de que a ECT havia estabelecido negociações contratuais que permitiram uma redução de R$ 64 milhões nas despesas anuais de transporte de carga. Entretanto. O TCU consolidou os trabalhos de auditoria realizados nos Correios em relatório constante da Tomada de Contas TC-007.2. apenas pudemos constatar a realização de trabalho de auditoria especial pela CGU.7 bilhões de reais). tendo sido subdivididos em grupos especializados nas áreas de informática. Visando confirmar. Os trabalhos do TCU foram realizados na sede dos Correios em Brasília. uma série de auditorias foram demandadas a esses órgãos de controle. A auditoria realizada foi de conformidade.

Aceitação de proposta comercial em desacordo com o edital. Subjetividade no julgamento das propostas técnicas.694/2005-2 . 2. 2. 6. 10. Fornecimento de bens que não atendiam às especificações editalícias. 10. 5. Apresentação de projeto básico inadequado. 1. 6. Subcontratação de serviços sem comprovação da sua prestação com cobrança de despesas vedadas no contrato. 4. l) Direcionamento de empresas indevidamente. Aquisição de licenças de software e respectivo treinamento em único certame. Superfaturamento de preços. de 22/02/2006 – TC-007. 9. 9. Contratação de treinamento por inexigibilidade de licitação. fundamentada. quando poderiam ser licitados separadamente. 5. 1. Contratação de consultoria sem a realização de licitação. Pagamento de serviços não-realizados. 2. Compra antecipada de mídia. Contratação. sem a comprovação da inviabilidade de competição e sem justificativa de preço. 8. Intempestividade na aplicação de penalidades. 8. Superfaturamento de preços. c) Restrição da concorrência h) Contratos com preços majorados i) Concessão de reequilíbrio ou reajuste ao contrato sem embasamento jurídico.QUADRO 14 – PRINCIPAIS IRREGULARIDADES DETECTADAS NAS AUDITORIAS DO TCU NOS CORREIOS Áreas IN FOR MÁ TI CA Principais Irregularidades Restrição à competitividade do certame licitatório. Contratação sucessiva. 5. Cometimento de ilícitos fiscais. 9. 3. 8. Elaboração inadequada de briefing. 12.Ata Plenária nº 08. Red Flags confirmadas b) Retardamento ou não aplicação de penalidade por atrasos de entrega e/ou descumprimento contratual. como caso de emergência. processos negociados com “vantagens 4. Prestação de serviço sem cobertura contratual. Realização de despesa sem amparo contratual. 6. c) Restrição da concorrência h) Contratos com preços majorados 3. Superfaturamento de preços. 7. Habilitação indevida. Não-absorção de conhecimentos técnicos quando da implementação da solução contratada. 12. 11. 4. 1. Ausência de avaliação posterior dos resultados obtidos pela ação promocional. em caráter emergencial. por dispensa de licitação. Direcionamento das linhas aéreas visando transporte de cargas j) Suspeita de diversos contratos e POR para determinadas aeronaves e empresas. Indícios da apresentação de propostas fraudulentas para respaldar a subcontratação de produtos/serviços. Recebimento de comissão pela agência sem a prestação de qualquer serviço. Subcontratação do objeto sem justificativa. Licitação global de serviços de impressão e acabamento em conjunto com outros produtos e serviços. Expedição de editais com cláusulas restritivas à competição. Ausência de critérios objetivos para fixação de preços. 1. 3. Concessão indevida de reequilíbrio financeiro. Direcionamento de certame licitatório. c) Restrição da concorrência h) Contratos com preços majorados j) Suspeita de diversos contratos e processos negociados com “vantagens ilícitas” l) Direcionamento de empresas h) Contratos com preços majorados j) Suspeita de diversos contratos e processos negociados com “vantagens ilícitas” l) Direcionamento de empresas PU BLI CI DA DE E PRO PA GAN DA TRANS 2. legal ou econômico. 10. Aceitação de bens sem a devida certificação de qualidade. Inexistência de projeto básico da ação publicitária produzida. 7. Fuga do objeto contratual / burla ao processo licitatório. ilícitas” TES 5. Sobrepreço na aquisição de bens ou na prestação de serviços intermediados pela agência de publicidade no âmbito do contrato. Realização de dispêndios em duplicidade. Intempestividade na aplicação de penalidades. 3. 4. 7. Fonte: TCU . j) Suspeita de diversos contratos e processos negociados com “vantagens ilícitas” l) Direcionamento de empresas SU PRI MEN TO DE MA TE RI AIS a) Entrega de materiais fora das especificações b) Retardamento ou não aplicação de penalidade por atrasos de entrega e/ou descumprimento contratual. 11. de partes de solução sem restar configurado tal situação.

relacionando-os com as red flags que puderam ser mapeadas através dos depoimentos prestados por alguns investigados e testemunhas à CPMI dos Correios.04 (04%) F . intempestividade na aplicação de penalidades.TCU A . superfaturamento de preços. dentre outros pontos. a Controladoria Geral da União (CGU) também constatou a existência de restrição à concorrência.09 (10%) A LEGENDA Contratos com preços majorados. Na Figura 5 (p. serviços prestados com capacidade ociosa ou objeto de contrato além do adequado. concessão de reequilíbrio indevidos.48 (51%) Corroborando com os achados de auditoria do TCU. Falta de prestação de serviços.MAPEAMENTO DAS RED FLAG´s E DEMAIS PONTOS DE AUDITORIA . Falta de aplicação de penalidade. superfaturados ou sem a adequada justificativa dos preços. C . morosidade na aplicação ou sanção desproporcional à falta cometida. .03 (03%) B C D E F G G . 123) apresentamos os pontos de auditoria da CGU. O tipo de auditoria realizado também foi de conformidade documental. No Apêndice C (p. direcionamento de empresas.Na Figura 4 apresentamos um mapeamento consolidado em macropontos das red flags com base nos pontos de auditoria (achados) do TCU nas representações junto aos Correios. Restrição à competitividade. entregas fora das especificações. 90) apresentamos um mapeamento consolidado em macropontos das red flags com base nos pontos de auditoria (achados) pela CGU nas Auditorias junto aos Correios. Baixa qualidade do material ou serviço ou impossibilidade de avaliação dos resultados Direcionamento de empresas Outros pontos e formalidades. objetivando uma visão consolidada dos maiores indícios de fraude constatados. FIGURA 4 .07 (07%) D -05 (05%) E . visando uma visão consolidada dos maiores indícios de fraude constatados.19 (20%) B .

licitações.17 (14%) E . superfaturados ou sem a adequada justificativa dos preços.10 (08%) D .03 (03%) F . análise documental e conferência de cálculos.50 (42%) LEGENDA A B C D E F G Contratos com preços majorados.MAPEAMENTO DAS RED FLAG´s E DEMAIS PONTOS DE AUDITORIA – CGU A . Falta de aplicação de penalidade. e amostragem para a seleção dos processos e contratos. Falta de prestação de serviços. serviços prestados com capacidade ociosa ou objeto de contrato além do adequado. morosidade na aplicação ou sanção desproporcional à falta cometida. reequilíbrios. entrevistas). .27 (23%) B . observação crítica.FIGURA 5 .06 (05%) C . contratos. questionários. execução orçamentária e financeira. Restrição à competitividade.06 (05%) G . dentre outros atos). em especial na revisão dos atos contidos nos processos (editais. os quais encontram-se listados no Quadro 15. Baixa qualidade do material ou serviço ou impossibilidade de avaliação dos resultados Direcionamento de empresas Outros pontos e formalidades. Foi verificado também a adoção de outros procedimentos de auditoria. Os procedimentos de auditoria e técnicas utilizadas nos trabalhos realizados pela CGU e pelo TCU foram basicamente: indagação escrita ou oral (notas de auditoria.

Relatório Parcial CGU n. Exame dos registros. 8 • • • • Análise documental. Correlação das informações obtidas. Revisão de relatório de auditoria interna da ECT. Revisão analítica. RESUMO DOS PROCEDIMENTOS Correlação das informações obtidas. Relatório Parcial CGU n. Inspeção física ao local alugado pelos Correios para servir de Centro de Distribuição . Conferência de cálculos. 3 Relatório Parcial CGU n. 12 • • • • • Relatório Parcial CGU n. Conferência de cálculos. Confirmação externa. Análise dos preços de mercado para comparação com o contratado e dos índices de correção para avaliação de reequilíbrio econômicofinanceiro. Consulta ao sistema de banco de preços no que tange a obras civis. Inspeção física. • Relatório Parcial CGU n. Correlação das informações obtidas. 20 • • • • .QUADRO 15 – PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA UTILIZADOS – CGU E TCU RELATÓRIO Relatório Parcial CGU n. Rastreamento. Amostragem das empresas subcontratadas para fins de verificação de regularidade fiscal. Levantamento de notícias veiculadas sobre os serviços de distribuição de medicamentos. conhecido pela sigla SINAPI. Revisão analítica. Revisão Analítica.Oeste. 1 • PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA Pesquisa na Internet quanto às especificações técnicas do produto ofertado. Análise dos preços de mercado para comparação com o contratado e dos índices de correção para avaliação de reequilíbrio econômicofinanceiro. das informações Conferência de cálculos. 2 • • • • • • Análise documental. Verificação de Acórdãos do TCU para dirimir dúvidas quanto à concessão de reequilíbrio econômicofinanceiro. mantido pela Caixa Econômica Federal. Revisão de relatório de auditoria interna da ECT. 9 Relatório Parcial CGU n. Levantamento de notícias veiculadas sobre impressão distribuída de dados. 4 • • • • • Correlação obtidas. • • • • • Relatório Parcial CGU n. Amostragem. Correlação das informações obtidas. Vouching. Revisão analítica. Verificação da situação do processo de diligência do TCU relacionadas às especificações técnicas do produto licitado junto ao site do TCU. Análise dos preços de mercado para comparação com o contratado e dos índices financeiros de correção para materiais e mão de obra na construção civil. Correlação das informações obtidas. 17 • • • • Relatório Parcial CGU n. Verificação junto ao sistema informatizado de recebimento de estoque quanto à entrada de material.

• • • • Revisão analítica. Revisão de relatório de auditoria interna da ECT e de Acórdãos do TCU. Técnicas de auditoria computadorizadas. Confirmação externa. • • • • • • • • • • • • Análise documental. Consulta ao Departamento de Aviação Civil (DAC) quanto às empresas de transporte aéreo de cargas. Análise dos preços de mercado. Revisão de manifestações do TCU e do Ministério Público Federal. Consulta ao INMETRO quanto à credenciamento institucional para certificação de qualidade de produto. . Correlação das informações obtidas. Revisão analítica. Revisão analítica. Visitas in loco ao DAC (Departamento de Aviação Civil) e ao Terminal de Cargas dos Correios para melhor compreensão do tipo de serviço prestado e as formas de tratamento e mensuração. Rastreamento. Correlação das informações obtidas. • • Verificação de regularidade fiscal de empresas subcontratadas junto à Fazenda Federal. Ata nº 38 de 28/09/2005 – Representação TC-016. 21 • • • • Relatório Parcial CGU n. Revisão analítica.938/2005-4 – TCU. Rastreamento. Confirmação externa. 27 • • Relatório Parcial CGU n. Análise documental. contido em relatório de auditoria (acórdão) do TCU. Confirmação externa.199/2005-6 – TCU. • Correlação obtidas. Extração de dados do sistema STAN sobre carga transportada. Revisão de cálculo do prejuízo. Consulta ao sistema de gerenciamento CNPJ da Secretaria da Receita Federal quanto aos sócios registrados para cada empresa licitante. Conferência de cálculo. das informações • • • • • • • Análise documental. Análise do custo médio de construção civil regionalizado junto ao IBGE. Rastreamento. Correlação das informações obtidas. Revisão de manifestações anteriores do TCU. Revisão de relatório de auditoria interna da ECT. Consulta ao cadastro de contribuintes do ICMS do Estado de Minas Gerais. Correlação das informações obtidas. Análise documental. Observação das atividades e condições.556/2005-5 – TCU.• • Relatório Parcial CGU n. Inspeção física. Correlação das informações obtidas. Pesquisa de preços no mercado local para fins de comparação com os preços pagos pelos serviços. 30 • • Ata nº 35 de 14/09/2005 – Representação TC-015. Análise dos índices de variação de preço. • • • • Ata nº 38 de 28/09/2005 – Representação TC-015.

418/2005-3 • • • Verificação de sites corporativos e de registro na internet. Pesquisa na Internet no que tange ao tipo de serviço de administração. no sentido de haver realizado maiores investigações sobre os recursos financeiros propriamente ditos através de quebras de sigilo bancário. No que tange à atuação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios deve-se destacar sua contribuição com base nos depoimentos tomados e sua intervenção junto aos órgãos competentes na obtenção de dados e informações.015. Correlação das informações obtidas. Obtenção de dados comparativos ao modelo de serviço licitado pelos Correios junto a outras empresas públicas. • • Correlação das informações obtidas. Rastreamento. controle e operacionalização de logística de fornecimento de medicamentos. • • Ata nº 43 de 09/11/2005 – Representação TC-017. entrevista e coleta de dados no Ministério da Saúde. Consulta a situação cadastral na Receita Federal das empresas participantes do processo com propostas de preços. Confirmação externa. em especial. Correlação das informações obtidas. 94).017.Ata nº 42 de 26/10/2005 – Representação TC. conforme Quadro 16 (p.676/2005-9 Ata nº 42 de 26/10/2005 – Representação TC. . endereços e outros dados das empresas e responsáveis que apresentaram propostas. Visita. • • • • • Revisão analítica. Confirmação externa. Nessas quebras de sigilo bancário pôde-se confirmar diversas irregularidades.714/2005-0 • Análise dos preços de mercado. A CPMI promoveu uma série de quebras de sigilo bancário de pessoas jurídicas e de pessoas físicas envolvidas que se encontravam sob investigação.

em 2002.00. pertenciam aos próprios sócios da Skymaster. o fato de que.000. das contratações para os serviços de atendimento à rede postal noturna (RPN). articulações com vista a promover fraude à licitação.00 . no dia 25/5/2005. posteriormente contratada.360. à época. a CPMI analisou os contratos da empresa Skymaster e da empresa Beta constatando: a) ligações entre o presidente. 2006. correspondente a R$ 3. 2.QUADRO 16 – IRREGULARIDADES CONSTATADAS PELA CPMI DOS CORREIOS 1. Saques em espécie (dinheiro) da Agência dos Correios Franqueada (ACF) Shopping Tamboré no período de 2000 a 2005 de mais de sete milhões e setecentos mil reais realizados por três agentes da polícia civil do Estado de São Paulo. 3.896.398. por exemplo. A Giacometti teve contrato firmado com os Correios até dez/2003 e a SMP&B foi uma das empresas que se sagrou vencedora na licitação ocorrida em 2003. correspondente a R$ 6. a subcontratar os serviços à outra parte na proporção de cinqüenta por cento. para fins de pagamento por arrendamento de aeronave que. Relações entre as empresas de publicidade Giacometti & Associados e SMP&B de 2000 a 2004. Diversas remessas para o exterior a título de pagamento por arrendamento de aeronaves a valor muito além dos praticados pelo mercado. totalizando mais de cinco milhões de reais. sob . em montante jamais verificado.855. A Giacometti repassou para a SMP&B recursos da ordem de 8% do faturado contra os Correios entre 2001 e 2004. não conta como autorizada pelo Departamento de Aviação Civil (DAC) para voar. 4. todas relativas a pagamento de parcelas de arrendamento já vencidas. configurando transferência ilegal de recursos. houve fechamento de operação de câmbio com vistas à remessa de dinheiro às empresas no exterior. data de aprovação da CPMI dos Correios. O total das operações de câmbio nessa data montaram em US$ 2. d) que as supostas empresas arrendadoras de aeronaves. No caso.568. dentre outras ilicitudes e imoralidades. b) que por quatro meses. e que. da Beta e da Skymaster. Fonte: Relatório Final da CPMI dos Correios. 5.00. dias antes da licitação em 2000. sócios e de suas participações das empresas contratadas pelos Correios. contudo. Destaque também deve ser feito à atuação da CPMI na tentativa de interpretar a teia das relações das empresas. que obrigava a adjudicada.000. Reforça o entendimento de que as empresas estrangeiras favorecidas eram vinculadas à Skymaster. c) a existência de um acordo entre as empresas. Pagamentos a beneficiários diversos (sócios ou funcionários da própria empresa Skymaster) contabilizados como se realizados à empresa estrangeira arrendatária dos aviões utilizados pela Skymaster. A CPMI efetuou uma análise detalhada e histórica dos presidentes. Pôde-se verificar uma série de interesses conflitantes que acabaram indicando conluio entre empresas que deveriam competir entre si. sediadas nas Ilhas Virgens britânicas (conhecido “paraíso fiscal”).745. montando em mais de seis milhões e seiscentos mil reais.00 . as duas empresas mantiveram-se dentro de um mesmo conglomerado econômico informal de empresas. lobistas e demais pessoas interessadas nos contratos com os Correios. Remessas para o exterior pela Skymaster em 17 parcelas mensais de oitenta mil dólares o que totalizam remessas de US$ 1.

3. a Análise RECI poderia apresentar os reais responsáveis e executores das atividades. possivelmente. Análise SWOT e Matriz de Verificação de Riscos da área. à época. Da mesma forma como as auditorias operacionais ou especiais são pautadas na conformidade processual. Se ainda agregarmos . Para melhor compreensão da área de compras e acompanhamento dos contratos é útil à Auditoria Interna do órgão / entidade manter sempre atualizada Análise Stakeholder . a limitação à concorrência e a inobservância da publicidade da licitação são indícios de erros ou fraudes. mas não identificam a existência de fraude.o manto dos contratos de arrendamento. a área de compras e acompanhamento dos contratos é uma das mais importantes dentro do contexto de risco de fraudes. bem como dos demais agentes envolvidos nas rotinas de licitações. ora eram de responsabilidade de um departamento. as quais pelos depoimentos contraditórios. na formalidade legal. esses remetiam dinheiro para o exterior de forma aparentemente legal. restando apenas a inserção específica dos agentes (stakeholders) e do ambiente (swot e matriz de risco) inerentes ao mercado de hemoderivados. Retornando ao caso dos “vampiros”. Maurício Marinho. ora de outro. por exemplo. ampliamos nosso conhecimento quanto aos motivos que ensejaram a restrição à concorrência e à falta de publicação do edital. mas dificilmente identificará a existência de fraudes. tenha ficado demonstrado que não havia nenhum “responsável” pela revisão do edital ou nenhum agente “executor” pela sua publicação. diretor do DECAM. A auditoria deve sempre realizar o exame da área considerando o risco inerente. Já no caso dos “Correios”. ou seja. a Análise Stakeholders poderia esclarecer quais os interesses do Sr. a Análise SWOT e a Matriz de Verificação de Risco poderiam apresentar descrições que pudessem subsidiar o conhecimento inicial pelos auditores do ambiente em que estariam realizando seus exames. a aplicação desses procedimentos de auditoria irá contribuir para o mapeamento dos riscos e. No caso dos “vampiros”. compras e acompanhamento dos contratos. em uma possível Análise RECI. Se agregarmos a isso o fato de que.ATUAÇÃO EXIGIDA DOS ÓRGÃOS DE CONTROLE E PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA APLICÁVEIS Certamente. Esta avaliação permitirá nos exames específicos uma análise mais profunda e detalhada. 6. identificar alguns indícios de erros ou fraudes. a auditoria realizada nos processos de aquisição de hemoderivados já teria um panorama geral do setor de compras do Ministério da Saúde. Análise RECI .

os quais por si só identificam elevado grau de probabilidade de existência de fraude. nos macropontos (figuras 04 e 05. mas geralmente não conclui os prováveis responsáveis e nem toma medidas para recuperação das perdas. falta de recebimento efetivo do material e/ou recebimento de material com baixa qualidade (fora das especificações). Contudo. A auditoria deve avaliar as fragilidades encontradas em conjunto. Tais ações ficam na dependência de atuação complementar do controle externo ou dos próprios dirigentes a quem se deve reportar a Auditoria Interna. Tem-se verificado que. E. a auditoria possui razoável certeza de que houve desvio. Possivelmente. Assim. pois quanto mais se distancia o momento da fraude . elemento de prova contundente e comprobatório de fraude é quase que impossível somente se restringindo à análise de ambiente. existem fortes indícios dessa existência. falta de aplicação ou morosidade na aplicação de penalidades. A rotina de confirmação de fraude na área de compras e acompanhamento dos contratos deve considerar a existência de: superfaturamento de preços. se considerá-las como indícios suficientes para uma análise da existência de fraudes. alguns desses pontos já terão sido alvos de exame anterior. a auditoria confirmou a ocorrência desses pontos (exceção dos dois últimos). No caso dos “vampiros”. propor que seja dada continuidade mediante rotinas de confirmação de fraudes.informações adquiridas por meio de uma possível Análise SWOT de que um dos pontos fracos do ambiente interno à área de compras é a baixa qualificação dos profissionais e por meio de uma Análise Stakeholder de que existem agentes envolvidos imotivadamente no processo. Maurício Marinho. O caso dos “Correios” somente foi objeto de auditoria depois da divulgação pela imprensa da gravação do Sr. direcionamento de empresas. mas não provam a fraude. podem ser postergadas. Assim. até esse ponto. procedimentos e riscos. recebendo propina. falta de prestação de serviços ou serviços prestados com capacidade ociosa e baixa qualidade do material entregue ou serviço prestado. comprometendo a questão da oportunidade. superfaturamento de preços. visando não cometer o engano de considerar todas como erros isolados. ampliamos ainda mais nossos conhecimentos dos motivos das fragilidades encontradas na área de compras. a atuação da CGU e do TCU foram muito mais abrangentes. ex-diretor do DECAM. as evidências de auditoria colhidas através de exames de conformidade ou dos controles internos são valiosíssimos como indícios em uma rotina de detecção de fraudes. dentro de uma rotina de confirmação de fraudes. faturamento de quantidades excessivas de material. contudo. pp. pôde-se verificar: restrição à concorrência. em especial. As ações. Entretanto. 89-90). Com base no estudo do caso realizado. as auditorias internas mais estruturadas têm atuado. com base na avaliação do auditor. perda do material contratado em estoque. Indiscutivelmente. restando à auditoria uma avaliação complementar.

quando sido provocado a realizar auditoria em todas as licitações do Ministério da Saúde ocorridas entre 1999 e 2003. em especial quanto à possibilidade de atender ao objeto contratual. se os dados que puderem ser colhidos na via administrativa não puderem esclarecer totalmente a fraude ocorrida. não justificaria uma atuação dos órgãos de controle em detecção de fraudes. incluindo: Ministério Público. mesmo porque esta já era pública. identificando. junto ao Ministério Público Federal e ao Departamento de Polícia Federal. avaliar e elaborar relatório com as proposições de encaminhamento devidas. Já dentro de uma rotina de confirmação de fraudes na área de compras e contratos. consideramos que o TCU agiu com grande coerência através do Relatório TC 007. A auditoria em fraudes possui uma linha limítrofe para sua atuação a partir da qual somente se pode prosseguir mediante investigação judicial. b) avaliar sinais exteriores de riquezas por parte dos agentes de compras e acompanhamento dos contratos. Evidentemente. passa a ser de suma importância os convênios de cooperação com esses órgãos visando à recuperação das perdas. portanto já em esfera judicial. elementos concretos acerca dos ilícitos apurados . a qual poderá principalmente requerer as quebras dos sigilos bancário e fiscal. e e) verificar junto aos órgãos fiscais e comerciais (Receita Federal e Estadual / Junta Comercial) a regularidade da situação e a atividade registrada da empresa. tal medida somente poderá ser realizada através da atuação em esfera judicial. Com base nos dados colhidos. c) inspecionar instalações da empresa contratada avaliada. Desta forma. Nesse caso. Polícia Federal. mas que deveria tentar ir além. no caso dos “Vampiros”. informando que não deveria atuar na repetição (duplicação) de auditoria que já estava sendo realizada pela CGU. O estabelecimento de convênios de cooperação com outros órgãos públicos como a Receita Federal. dentre outros órgãos competentes. Câmara dos Deputados ou Vereadores. bem como com as Juntas Comerciais. as Receitas Estaduais e as Municipais.601/2004-5. menor a chance dessa recuperação. d) avaliar relacionamentos da empresa contratada na figura dos sócios e/ou diretores.do momento de detecção e medidas de recuperação de perdas. também virá a auxiliar a auditoria na obtenção de dados mais rapidamente e confiáveis. Assim. a auditoria deve: a) realizar entrevistas com todos os agentes envolvidos no processo de compras e contratos com o objetivo de assegurar-se quanto ao recebimento de subornos ou propinas – lembrando também que dificilmente uma pessoa conta tudo que sabe na primeira entrevista. a atuação da Polícia Federal e do Ministério Público.

por aqueles órgãos para, a partir daí, adotar as providências da sua alçada, objetivando complementar as ações já desenvolvidas ou em andamento. Quanto aos “Correios”, devem-se destacar os trabalhos de investigação da CPMI na confirmação da fraude, os quais vieram a somar consideravelmente às apurações da CGU e do TCU. Consideramos que três pontos principais colaboraram para as apurações da CPMI: (1) a análise e investigações das relações de amizade e parentesco das empresas nas figuras dos sócios e diretores; (2) a quebra do sigilo bancário de empresas e envolvidos e; (3) a presença na mídia e, como conseqüência, a pressão social para apuração dos fatos e punição dos culpados, abreviando o tempo de resposta às solicitações da CPMI a outras instâncias. Pelos estudos de casos propostos, pudemos verificar que os órgãos de controle e auditoria precisam intensificar os procedimentos que busquem evidências externas, ou seja, não se pautar tão somente nas formalidades do processo licitatório e contrato. Dentro dessa rotina de confirmação de fraudes na área de compras e acompanhamento dos contratos devem-se ressaltar os procedimentos de auditoria de inspeções físicas, confirmação externa e correlação das informações obtidas como importantes aliados em trazer evidências comprobatórias e irrefutáveis. As inspeções físicas puderam auxiliar, por exemplo, na verificação pela equipe de auditoria do local alugado pelos Correios para servir de centro de distribuição com base nas especificações constantes do processo, como também utilizadas na verificação do atendimento a algumas especificações de produtos. As confirmações externas puderam verificar o credenciamento de empresas junto a órgãos competentes, por exemplo, junto ao INMETRO e ao antigo Departamento de Aviação Civil. E as correlações das informações obtidas de preços junto aos processos e faturamentos com os praticados no mercado ou estabelecidos no setor (construção civil, por exemplo) puderam diagnosticar a existência de superfaturamento nos preços. Outro importante procedimento de auditoria muito utilizado, mas aparentemente pouco estudado sob o ponto de vista técnico, são as entrevistas e questionários aplicados. As equipes de auditoria com atuação em fraudes devem procurar uma formação mais específica para o desenvolvimento e condução de entrevistas, considerando práticas forenses e de investigação, o estudo do comportamento humano, e valendo-se, em especial, dos estudos da psicologia e da sociologia. À exceção dos depoimentos colhidos pela CPMI dos Correios, não obtivemos acesso às demais entrevistas realizadas. Pudemos, contudo, perceber pouca objetividade nos questionamentos realizados, repetição de perguntas por parte de políticos e muita preocupação em usar o tempo concedido em formulação de teses que pouco tinham a ver com o depoente, com raras exceções.

Por fim, consideramos que a auditoria na detecção de fraudes deve valer-se das novas tecnologias aplicadas e do uso de métodos estatísticos, em especial, para levantar indícios e áreas de maior risco de fraudes.

7. CONCLUSÕES, SUGESTÕES E RECOMENDAÇÕES O objetivo principal desta pesquisa foi estudar melhores técnicas de auditoria que viessem a proporcionar maior segurança aos controles e combater com mais veemência os tipos de fraudes e corrupção ocorridos no governo. Foram avaliados dois dos mais recentes casos em fraudes e corrupção ocorridos no governo – “Fraude nos Correios” e “Operação Vampiro” – quanto à origem, forma, conseqüência; identificadas falhas de controle que facilitaram os desvios; consultada a atuação prévia e a posteriori dos órgãos de controle e auditoria; e, o quanto possível, as técnicas de auditoria utilizadas. As hipóteses inicialmente descritas eram de que os casos de fraudes e corrupção sob análise não teriam sido previamente detectados pelos órgãos de controle e auditoria do governo, a qual pôde ser parcialmente negada em função das auditorias do TCU em hemoderivados no Ministério da Saúde haver sido objeto de exame prévio pelo TCU. E, quanto às técnicas de auditoria aplicadas não terem sido suficientes para diagnosticar a existência de fraude e/ou corrupção, consideramos que a hipótese pôde ser confirmada, pois embora os relatórios do TCU sugerissem indícios de fraude, esta somente foi confirmada após atuação da Polícia Federal. A terceira hipótese – quanto aos órgãos de controle e auditoria utilizarem demasiadamente do procedimento de auditoria de análise documental, dentre outros estritamente de conformidade, em comparação aos de avaliação de campo ou externa, como inspeção física e

Com o estudo do caso “Fraude nos Correios” verificou-se que não houve atuação prévia direta da CGU e do TCU na área de compras e acompanhamento dos contratos. inclusive. os prováveis procedimentos de auditoria utilizados foram análise documental. previamente detectados pelos órgãos de controle e auditoria? Se afirmativo.confirmação externa – também pôde ser confirmada com base nos relatórios e procedimentos de auditoria observados. os principais procedimentos de auditoria utilizados foram indagação escrita ou oral. inspeção física. foi que o TCU e a CGU deram início a diversos trabalhos de auditoria junto aos Correios e foi instaurada a CPMI dos Correios. Após a divulgação da fita em que o diretor de administração à época. em especial das licitações e dos contratos. falta de aplicação de penalidade. restrição à concorrência. Pela análise nos relatórios da CGU e nas atas de Representações do TCU. e com a repercussão nacional que o caso teve. tendo sido detectados. exame dos registros. observação crítica e correlação das . vouching. O TCU e a CGU constataram em suas análises uma série de falhas de controle que coadunam com a existência de fraude nos Correios. Baseando-se nos pontos detectados nas auditorias. com forte conotação na conformidade documental. análise documental. após conhecimento de notícia divulgada pelo Ministro de Estado das Comunicações de drástica redução nas despesas com transporte de cargas por renegociação contratual. quais técnicas de auditoria foram aplicadas nesses casos? Através do estudo de caso da “Operação Vampiro” pôde-se constatar que houve atuação prévia do Tribunal de Contas da União (TCU). parlamentares. com forte conotação na conformidade documental. de alguma forma. A “Operação Vampiro” propriamente dita da Polícia Federal somente veio a ocorrer após os levantamentos realizados pelo TCU e a Controladoria Geral da União (CGU) somente realizou auditoria após divulgações na mídia. envolvendo. conferência de cálculos. Sr. direcionamento de empresas e baixa qualidade do material entregue. dentre outros pontos. Duas questões foram formuladas no início desse estudo para norteamento da pesquisa. Passamos a apreciá-las individualmente. observação crítica. aceitara propina de terceiros. Da mesma forma como na “Operação Vampiro”. (1) Os recentes casos de fraudes e corrupção no governo foram. as auditorias realizadas pelo TCU e pela CGU foram do tipo operacional ou especial. em especial das licitações e dos contratos. conferência de cálculos. Maurício Marinho. dentre as quais destaca-se superfaturamento de preços. Apenas houve atuação por parte da auditoria interna dos Correios. correlação das informações obtidas. prestação de serviços com capacidade ociosa. por demanda da CGU. As auditorias realizadas pelo TCU e pela CGU foram do tipo operacional ou especial. indagação escrita ou oral e observação das atividades e condições. fortes indícios de cartelização do setor de hemoderivados e superfaturamento de preços.

Assim. algumas medidas por parte dos órgãos de controle e auditoria que proporcionarão minimizar tais desvios: . o acompanhamento dos controles internos dos órgãos / entidades das áreas de compras e acompanhamento de contratos mediante utilização da Análise Stakeholder. Porém. sugerimos. rastreamento. inspeção física. (2) Que procedimentos ou melhores técnicas poderiam ter sido adotados nos casos em estudo como forma de atuação da auditoria? Esta foi a motivação principal dessa pesquisa: avaliar melhores técnicas ou procedimentos de auditoria no combate às fraudes e à corrupção.informações obtidas. Análise RECI. amostragem. deve-se considerar ainda. Por fim. mas sabe-se que a certeza absoluta é praticamente impossível. pôde-se constatar pelos casos estudados que não foram suficientes para a confirmação da fraude. Análise SWOT e Matriz de Verificação de Riscos. pôde-se constatar utilização de procedimentos de exame dos registros. embora não se tratem de procedimentos de auditoria. Diante dos casos apresentados e dos estudos realizados constantes do Referencial Teórico. vouching. revisão analítica. Os procedimentos de auditoria utilizados nas auditorias cujo enfoque principal é a conformidade à legislação continuam tendo importante papel na apuração dos indícios de fraudes. Recomenda-se também: o uso de ferramentas tecnológicas e estatísticas computadorizadas com vista à análise de grande base de dados. observação das atividades e condições e técnicas de auditoria computadorizadas. sociologia e no comportamento humano. Os principais procedimentos utilizados pelo TCU e pela CGU em suas análises diagnosticaram erros relevantes e sustentaram forte indício de fraude mediante visão conjunta das fragilidades apontadas pela auditoria. confirmação externa. e o desenvolvimento e estudo das técnicas de entrevistas considerando práticas forenses e de investigação baseados na psicologia. Na tentativa de contribuir com melhores práticas de auditoria na detecção de fraudes. recomenda-se aos órgãos de controle e auditoria a intensificação de procedimentos que busquem evidências externas como inspeções físicas. diante das maquinações humanas com vistas a burlar e corromper o sistema e fraudar os órgãos e entidades públicas. com base nos estudos realizados para o desenvolvimento dessa dissertação. a análise dos relacionamentos de amizade e parentesco das empresas na figura dos sócios e diretores. confirmação externa e correlação das informações obtidas. embora em menor grau. na prevenção de fraudes. Entretanto. ferramentas de planejamento estratégico que têm sido também utilizadas nas auditorias de desempenho e avaliação de programas. com tudo isso se espera que a auditoria possa ter uma atuação mais eficaz e efetiva na detecção de fraudes.

c) Estudo da utilidade de ferramentas informatizadas. Juntas Comerciais. disponíveis no mercado. dos servidores) e dos demais stakeholders. b) Aprofundamento do estudo das técnicas de questionário e entrevistas para contribuição nas rotinas de exame de fraude e corrupção.a) criação e desenvolvimento de um órgão de auditoria específico em detecção de fraudes. visando o aperfeiçoamento e aprofundamento das técnicas na detecção de fraudes. Receita Federal. No que tange às sugestões de novas pesquisas acadêmicas em assuntos correlatos ao desenvolvido nessa pesquisa. e c) estabelecimento de convênios para cooperação de outros órgãos e com outros órgãos públicos. mediante aplicação em casos específicos de auditoria. ao setor específico de atuação em fraudes. . b) criação e divulgação de mecanismos de denúncia de fraudes e corrupção diretamente ao órgão de controle e auditoria. Receitas Estaduais e Municipais. dentre outros. Conselhos Profissionais. preferencialmente. deve-se indicar: a) Auditoria ética social corporativa. Sindicatos. e da contabilometria em rotinas de detecção de fraudes. como forma de identificar o perfil ético da organização (em especial. Agências Reguladoras. em especial.

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Achados pelo TCU nas Representações junto aos Correios APÊNDICE C – Principais Fragilidades Detectadas nas Auditorias da CGU nos Correios .APÊNDICES APÊNDICE A – Trechos de Depoimentos Prestados à CPMI dos Correios vinculados às Red Flags APÊNDICE B .

Esta xícara é para chegar com 20 dias. RELATOR (Osmar Serraglio. bota para operador de triagem e tênis para carteiro. Chegou com 25 dias. empresas entregando material fora da especificação da norma técnica que prescreveu o edital.APÊNDICE A – Trechos de Depoimentos Prestados à CPMI dos Correios vinculados às Red Flags a) Entregas de materiais fora das especificações técnicas O SR. Ouvi dizer sim. Então.. O gestor operacional entra em contato conosco. Se ele infringiu o prazo.. O SR. PMDB – PR) – Ou seja. de que tenho conhecimento: mala postal. . senti que tinha alguma coisa errada. O SR. ÁLVARO DIAS (PDT – RN) – No entanto. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quais? Os das malas. ARTHUR WASCHECK NETO – Esse é um assunto que já abordei. você sabia que existia o esquema de propina na Empresa dos Correios e Telégrafos? O SR. O tênis para carteiro está sendo adquirido hoje via pregão eletrônico nos Correios. a aplicação da penalidade e a concessão do recurso para o fornecedor são feitos pela gestão administrativa.. Achei que havia. O SR. ele tem que levar uma penalidade. (. O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu digo dois. ou seja. o gestor operacional nos comunica. nem era suspenso. ninguém era multado.. V. se ele está sendo adequado ou não. O SR. b) Retardamento ou não aplicação de penalidade por atrasos de entrega e/ou descumprimento contratual. Num momento. as coisas começaram a acontecer diferente dentro dos Correios. Correto? Então.) O SR... MAURÍCIO MARINHO – A parte legal. PMDB – PR) – Falo o seguinte: dos fornecimentos cujas especificações técnicas não estão sendo atendidas. Sª tem poder para qualificar o cumprimento do contrato. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu digo três de que sei. RELATOR (Osmar Serraglio. O edital prescrevia pena de multa e suspensão.

Segundo. Acho que algumas pessoas já estão lá hoje fazendo isso e. nem em meu nome e muito menos – não sei. que esse alguém se justifique. essa e essa são indústrias”.. (. Não procedeu à entrega dos produtos. essa e essa”. é o que manda a lei. com certeza. em meu nome. porque o que fizemos. E tem mais: ele recebeu o recurso da empresa. em caracterizar uma empresa como a minha de “picareta”. concedeu novo prazo para ele. Esse contrato foi feito antes da minha chegada ao departamento. Tipo assim.) O SR. Está lá o contrato. como “firminha”. Ato contínuo: foi multado. para acertar esses negócios. tem que justificar. Então. A área operacional. Ele não cumpriu o segundo prazo. participaram da reunião oito pessoas – e não só o Sr. e inicia o processo de impedimento de licitar.. tem a ata da reunião de que participou o Sr. não eu. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Eu faço uma dedução e quero ter a sua posição sobre ela. ele está usando o nome do PTB. digamos assim. O SR.. se a propina.) O SR. isso fora da lei. Cancela-se o contrato – primeiro ato –. mas ele afirma no jornal que uma pessoa dos Correios esteve lá três vezes com ele. ANTONIO VELASCO – A forma mais simples de se saber é analisando os processos que estão lá. e a decisão foi tomada. por indústrias grandes. levei o caso ao Diretor de Administração. PMDB – PR) – Que era o seu. Ele foi até Brasília. Haroldo Marschner... porque não tinha condições de concluir a execução das caixetas operacionais. Nunca fui a ele. que alguém diga em nome de quem ele foi e para quem é esse dinheiro. Não foi mandar nenhum intermediário pedir dinheiro. (. Ato contínuo. primeiro. O senhor quer dizer que havia nos Correios um esquema. aplica-se a multa. Haroldo. Júlio deve ter que justificar. RELATOR (Osmar Serraglio. em decorrência de recurso.. Júlio Imoto. eu vou dar preferência para essa. Exªs verão. dizendo que o contrato seria cancelado e que ele seria multado. Não recorreu e desistiu. para preterir algumas empresas e dar preferência a outras? O SR. numa churrascaria. não sei nem onde fica a fábrica dessa pessoa. daí? O preço vai ser mais alto e eu tenho um produto tão bom quanto”. “E. “Por quê? Por que você vai dar preferência?” “Porque essa. MAURÍCIO MARINHO – Era o nosso departamento. c) Restrição da concorrência. alguém foi lá em nome de alguém. O SR. MAURÍCIO MARINHO – A página 44 do dossiê trata desse assunto. Ele tinha um prazo para entrega dos produtos. Haroldo. através do Sr. ARTHUR WASCHECK NETO – Bom. vão constatar isso. Ele tinha cinco dias de prazo para recorrer.. O que fizemos? Acionamos o Sr. se é verdade isso. ele pediu mais um prazo. V. porque. O gestor operacional acionou a área administrativa. d) Relevação de penalidade aplicada. . cancelado o contrato e processo de impedimento de licitar.. Ao participar da reunião.O SR. Agora. uma total preferência. tênis: “Ah.

ARTHUR WASCHECK NETO – Ele foi desclassificado em amostra umas três.. O Diretor Antonio Osório Menezes Batista – PTB. indicado por Roberto Jefferson. Essa é a nossa informação. e foi isso que começou a me preocupar muito. ANTÔNIO VELASCO – Ele citou o nome de uma empresa. está na quota também do PMDB e do próprio Ministro Eunício Oliveira. ANTÔNIO VELASCO – Parece que a pessoa tinha tido uma multa de R$800 mil e tinha sido perdoada. operações e tecnologia. as sete áreas da organização são distribuídas da seguinte forma – esse é o nosso conhecimento técnico dentro da organização. e) Amostras de material exigidas pela Comissão de Licitação.. são ligadas ao PT. que aqui está presente. para nós. uma coisa assim. O SR. ANTÔNIO VELASCO – Que estava sendo. Três. Ricardo Caddah.O SR. o Sr. Deputado. PMDB – PR) – Alguma vez. PMDB – PR) – É. para fins de avaliação. concluindo.) . Proteline. cujo responsável seria Silvinho Pereira – é o que me disseram.. quatro ou cinco vezes. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ele lhe disse em que sentido estava sendo beneficiada? O SR.. quatro ou cinco vezes. Não sei se faltou algum diretor. Deram três oportunidades de amostra para essa empresa. RELATOR (Osmar Serraglio. pois eu não o conheço. O SR. Não entendi bem. Que estava sendo beneficiada. f) Cargos de alto e médio escalão ocupados por pessoas com grande envolvimento político. PMDB – PR) – De uma empresa? O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. O SR. para nós. de calçados. Essa é a nossa visão. reprovadas por mais de uma vez sem que a empresa fosse inabilitada ou penalizada pelo retardamento. ANTÔNIO VELASCO – Sim. Esse tipo de coisa vinha acontecendo regularmente. MAURÍCIO MARINHO – Bom. não é influência política de ninguém: as duas diretorias de área. ele lhe fez referência de alguma empresa que estivesse sendo beneficiada ou prejudicada? O SR. O SR. o Diretor de Recursos Humanos – Ney Suassuna. O SR. não sei se é Silvinho o nome dele completo. o que é totalmente ilegal. (. RELATOR (Osmar Serraglio. o nosso Presidente. são ocupadas por funcionários de carreira e. Carlos Eduardo Fioravante – Senador Hélio Costa. ele citou o nome de uma empresa. João Henrique de Sousa – Michel Temer. O SR. o nosso Diretor Financeiro. o nosso Diretor Comercial.

em 2003. Sª comprou um apartamento. Mas. (. e era o Rondeau o Diretor Administrativo da Eletronorte. no Correio. O que eu tratei? A Diretoria do Dnit. que eu tenho trânsito”. e não conseguiu. O que ele fez? Me levou ao gabinete do Deputado José Chaves. era do PT. tratada com o Silvio Pereira. não foi nomeado para a Diretoria de Informática. RELATOR (Osmar Serraglio. para o colegiado. para depois verificarem. Quando o Senador Fernando Bezerra. Isso é bastante interessante. assim que todos tiverem na mão.. em primeiro lugar. mas. O SR.) g) Sinais exteriores de enriquecimento. tem a aqui “O caso Fortuna”. indicada pelo Sílvio Pereira.) O SR. é do PT.O SR. tinham vários diretores indicados por alguns partidos e que todos eles atuavam em consonância. da forma como era feito. José Carlos Martinez. na página 50 do dossiê. presidência.. E ele prontamente me atendeu. diretoria. Esse departamento. e toda a estrutura em baixo. disse à mídia que foi ele que havia me indicado para assumir a chefia do Departamento de Contratações. MAURÍCIO MARINHO – Só para situar depois. o que é verdade: foi ele que pegou o meu currículo na época. O Fortuna. O SR. O que eu entendi do que ele falou é que qualquer coisa que ele decidisse ali. Quando nós indicamos a estrutura lá na Eletronorte. passaria. JOEL SANTOS FILHO – Ele falou do esquema de licitação. tentou indicar o Dr. não é verdade. do PT. lá no Rio de Janeiro. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não posso lhe dizer isso. indicadas pelo Silvio Pereira. a Diretoria Financeira do Dnit foi tratada com o Silvio Pereira. Quando nós fizemos a diretoria da Eletronorte. PMDB – PR) – V. o Delegado Regional do Trabalho.. em baixo. Ezequiel. a Chefia de Fiscalização e a Chefia de Vigilância de Medicina do Trabalho. e só em dinheiro foram . e eu estava até panfletando o meu currículo. eu entrego o seu currículo e vou lhe ajudar. quero deixar claro isso aqui. Quando nomeamos o Presidente do IRB. Esse foi o meu entendimento. Ele falou que o esquema lá funcionava assim: na realidade. Sª disse que o seu capital é de duzentos mil. o Carlos Cotta. em vários lugares. até o gerente. quando decidiam em colegiado. de Pernambuco. salvo engano. porque havia essa concordância. Acidente e Medicina do Trabalho. que era o Diretor Antônio Osório. ainda vivo. se não me falha a memória. toda a estrutura foi costurada e montada pelo Sílvio Pereira. Quando nós fizemos. uma vez proposta para cima. toda a estrutura. quem é diretor de Recursos Humanos é do PTB”. Ele falou: “Vamos atrás de um Deputado do PTB.. Muito interessante essa pergunta. toda a estrutura em baixo nomeada pelo Sílvio Pereira. foi o Dr. do PTB. O Fortuna disse ter trânsito aqui. (. desde que houvesse interesse. Ele pegou o meu currículo e falou: “Meu amigo. eu estava sem uma função desse porte. no âmbito da diretoria dele. V. Nós fizemos o Diretor.

O SR. concursado. É repassado ao departamento jurídico para ver a legalidade e. uma pessoa que ganha R$140mil a R$150mil por ano não tem condição de comprar um ágil de apartamento? h) Contratos com preços majorados.45 e o Correio vem pagando à Skymaster no dólar a R$3. Devem apresentar uma planilha de custo na época em que ela sofreu desequilíbrio financeiro. funcionária da Receita Federal e ele funcionário dos Correios. Os técnicos financeiros a analisam. como ele foi pago e por quê... Vou deixar isso aqui. MAURÍCIO MARINHO – Não. Foi vendida uma casa no Paraná pelo meu filho e pela minha nora. guardar dinheiro.Se é reajuste. Esse apartamento está no meu nome. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não. MAURÍCIO MARINHO – Esse apartamento. O SR. da proposta. tanto que tenho dito desde o início: por que não vão investigar a Skymaster? São aviões de 18 toneladas que são pagos por terem 18 toneladas e que vão com 4 toneladas. Vai ao Diretor da área correspondente. em espécie. as empresas solicitam.. Eu compro e vendo carro. Eles venderam a casa. reduzindo a cona. o dólar cotado a R$3. Devem apresentar a planilha de custo inicial da época do contrato. tem que estar dentro do contrato. legal ou econômico. Hoje eu até pedi para trazer a escritura. O que eu tenho é um ágio. muito recentemente. Emitem um relatório. A palavra mais utilizada nos Correios. consegui trazer. Eu vou juntar ao dossiê dos senhores. não é reajuste. ganhei férias. Está aqui a escritura. que eu comprei esse ano. Nós vendemos um carro. Foi assim que foi comprado. eu usei trinta e poucos mil reais do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para completar o dinheiro e mais um empréstimo que foi feito junto ao Postalis. Só que o preço do apartamento na época era cento e sessenta e oito.. depois daquela remajoração(?) dos preços. é assinado pelo diretor e pelo presidente da empresa. que está dentro da declaração de Imposto de Renda.. saiu no meu nome o apartamento. i) Concessão de reequilíbrio ou reajuste ao contrato sem embasamento jurídico. Se está dentro do contrato. eu usei. Eles me perguntaram: você vive guardando dinheiro? Olha. na 409.cem mil reais. posteriormente. São as bases contratuais que estão no edital. está escrito aqui. Eu sabia dessa intervenção do ex-Ministro Miro Teixeira. Aí o reequilíbrio é feito. é reajuste também.. peguei todo o dinheiro do Correio. por R$80mil à vista. ninguém guarda dinheiro debaixo do colchão. O reequilíbrio. agora. Agora. que eu falei na Polícia e no Ministério Público..00. Nós trabalhamos. Está aqui dentro o contrato de compra e venda ao meu filho. você tem que reajustar. . quando a moeda está sendo cotada no dia a R$2. Tinha informação. transferiram.00. cem mil reais. A informação que eu tinha clara era a da Skymaster. O apartamento saiu no meu nome. com reajuste não. A palavra-chave é reequilíbrio. Relator. Qual a razão de pagar em espécie? O SR. Os contratos são em dólar. Sr.bom. se aprovado..

O SR. Hoje vinculado às agências franqueadas. vinculada 100% ao Bradesco. Sr. São pontuações. Obrigado. caixetas. Partidos e Parlamentares estão por trás dessas ACFs. MAURÍCIO MARINHO – Pois não.. É possível? O SR. Presidente. A empresa ganhou recentemente a manutenção de equipamentos de informática praticamente em todo o País. PMDB – PR) – Ou seja. O SR. Solicito. só vinculada ao Bradesco.. Isso é recurso que sai para pagar comissão a agência franqueada. RELATOR (Osmar Serraglio. de poder ser feito no interregno inferior a um ano. o Bradesco detém 22. seis mil motos. que hoje são exclusividade da empresa Marfinite. RELATOR (Osmar Serraglio. Levantar o envolvimento dos grandes clientes da ECT. Haroldo Marschner. dentro da ECT. Estou falando como empregado da empresa por todo esse tempo. Sª a possibilidade de reconhecer um desequilíbrio no segundo mês depois de contratado. A gestão administrativa é nossa. principalmente as de São Paulo. . todo esse relacionamento. em especial caixetas. O envolvimento do Bradesco com as agências de Correio franqueadas na postagem de objetos postais. j) Suspeita de diversos contratos e processos negociados com “vantagens ilícitas”. desde que você comprove – isto é lei – que o contrato sofreu um desequilíbrio financeiro.. o que pode atingir muitos dos Srs. A carta do fornecedor tem que entrar no meu departamento. é outro problema. Solicito avaliar. Se for comprovado. mas é para falar. Não consigo nem enxergar a malha que envolve a ECT e o Bradesco. aquisição de veículos em geral. PMDB – PR) – Esse equilíbrio tem a facilidade. que foram direcionados da ECT para as agências franqueadas. bicicletas. MAURÍCIO MARINHO – Há qualquer momento. Por último. MAURÍCIO MARINHO – No início do processo. Qual é o faturamento anual dessas agências? Qual é o percentual dessas agências em relação ao faturamento da nossa empresa? Que pessoas. as 1. que têm essa denúncia veiculada no Jornal O Globo sobre o Sr. diferentemente do reajuste.. Presidente. estava às mãos de V. MAURÍCIO MARINHO – É possível. levantar. O Bradesco também venceu toda licitação de cartão de compras dos Correios destinados. motocicletas. avaliar contratos. RELATOR (Osmar Serraglio. Correio Híbrido Postal. não é descrição de contratos. Veja bem. Deputados e Senadores neste caso. Solicito avaliar a aquisição dos equipamentos operacionais. Mas passa pela minha área sim. dali vai para cima. Onde são feitas as principais postagens desses grandes clientes. dez mil bicicletas. ainda.5% da American Bank Note. mil caminhões.. O SR. está sendo falado. Sr. temos.O SR. Correto? Banco Postal é um contrato. também. O SR. Se vai ser aprovado. qual é o ranking anual dessas franquias faturando milhões de reais por mês. PMDB – PR) – Onde a sua diretoria ou departamento entra nisso? O SR.. mil vans.550 agências de Correios. Scopus.

foi glosado da sua fatura R$1 milhão. que deixamos para o final. não tenho conhecimento das empresas que participaram e das que foram chamadas através dessa comissão especial. Eu não estou especificando a administração dos outros e as áreas dos outros. São dezenas de empresas. e o envolvimento do Bradesco em agências de Correios franqueadas. Com relação aos contratos efetuados com as agências de propaganda.. esta Comissão foi criada para investigar um fato determinado. o próprio Banco Postal. fluvial e terrestre. disse que houve qualquer tipo de acerto. esses são os principais processos. Fora isso. Só me lembro de uma. Deputado. O direito dela está sendo exercido. O caso da Precision. Nem esse depoimento do Sr. todo com a marca Bradesco – vencida a licitação pelo Bradesco. a partir da entrevista do Deputado Roberto Jefferson. mais de 1500. eu relatei os principais contratos e convênios que a empresa tem com a entidade Bradesco.) O SR. a SPMB.. É interessante avaliar esse processo atual. Aí nós temos o nome da pessoa que está à frente dos Correios. o Cartão Correios. o Correio Híbrido. através do American Bank Note. Todos os contratos de transporte de carga são da Diretoria de Operações. eu estou satisfeito com suas respostas. suposta corrupção dos Correios. São os principais contratos que nós verificamos que precisam ser mais bem avaliados. eu já disse que são três. com nenhuma empresa. obviamente –. uma .. que já foi amplamente dito aqui. mas não cumpriu o seu contrato e foi multada. Ela entrou com recurso e se julga no direito. No que se refere ao caso do Bradesco. que saiu hoje no Correio Braziliense. temos o envolvimento. mas dezenas de empresas que fazem toda a malha de transportes do Brasil.) O SR. que ele está como mandante da gravação. (. a aquisição dos cofres de 2002 da Coman. Mas. JEFFERSON PÉRES (PDT-AM) – Sr. que também veio a público no jornal. são várias empresas. Denilton. Essa é a informação corrente dentro da organização. lá em São Paulo.. Com relação ao caso dos tênis. Isso faz parte da nossa administração. que está ligada à Secom. MAURÍCIO MARINHO – Quanto aos contratos de seguros recentes na empresa. Em nenhum momento foi feito nenhum acerto. Marcos Valério. Agora eu quero me dirigir ao Presidente da Comissão e ao Relator.Sr. que está na mídia e que é do Sr. A Precision era um concorrente da Marfinite. Presidente. que é utilizado pelos funcionários. em que se diz que se solicita verba para repassar ao PTB. que é feito via empresa Scopus. As quatro empresas que foram chamadas são as últimas dos cinco anos. Por fim. Com relação às aquisições de equipamentos postais. e não creio que seja só ele. foi feita uma reunião dentro da Diretoria de Administração. que foi levantado pelo Ministério Público e Polícia Federal. Luiz Gushiken. Sr. O Departamento Jurídico deve opinar a curto prazo. de pessoas vinculadas às agências de Correios franqueadas. Não sabemos quem está por trás dessas pessoas. Eu só ouvi falar da Skymaster. (. Presidente. aéreo. Correto? Isso não está claro e precisa ser investigado.

Marcos Valério tem um contrato com os Correios. Sobre esses fatos. Marcos Valério.. alegou ao Relator que não foi questionado.entrevista sem provas. O Sr. milionário. por onde passariam os recursos que eram repassados a parlamentares. Recebia dinheiro do Correio com um contrato muito alto. como ele mesmo disse. os fatos foram aparecendo e se concatenando. a esposa do deputado recebeu a importância acima aludida [R$ 50. As empresas de propriedade do Sr. Ele se confessa amigo. Marcos Valério Fernandes.isso é um fato a investigar. Está provado que o Sr. segundo a agenda da secretária Fernanda Karina.. Confessa que foi quatro ou cinco vezes à Casa Civil e conversou com uma Srª Sandra sobre banalidades. Marcos Valério retirava dinheiro vivo. nove dias depois (15/09/2003). e. no dia seguinte. Nenhum! Isso é uma evidência do que disse o Deputado Roberto Jefferson.00]. Não importa se houve fraude ou não .) Outrossim.000.. nas contratações realizadas por órgãos e entidades públicos. amigo mesmo do Sr. l) Direcionamento de empresas.. (1º Relatório Parcial da CPI dos Correios) . vencida pelo publicitário. em especial de publicidade. Delúbio Soares. com o sr. no dia 03 de setembro de 2003. (. a Câmara lançou o edital oficial para escolher uma agência de publicidade para fazer as campanhas da Casa. o que é inverossímil. Mesmo que sejam R$21 milhões. Prova que ele tinha. nenhum empresário sério deste País movimenta tal quantia em dinheiro vivo. detentoras de contas publicitárias de diversos entes públicos. sobretudo a SMP&B Comunicação e a DNA Propaganda. seriam as instituições intermediárias. houve um café-da-manhã na residência oficial do Presidente da Câmara Federal. comprovando o que lhe havia dito o Deputado Roberto Jefferson.

Direcionamento do certame licitatório para determinada empresa. 2. 14/09/2005 – 2. Adoção de critérios inadequados de qualificação e pontuação técnica. Restrição à competitividade do certame licitatório: possibilidade do serviço em objeto ser 14/09/2005 – dividido permitindo a participação de maior número de empresas.554/2005-6 (REVOGADA EM 06/12/2005 – Ata nº 48 de 07/12/2005) Ata nº 35 de 1.008/2001. a qual por sua vez. Irregularidades detectadas na contratação do Rede Postal Aérea Noturna . Ausência de critérios objetivos para fixação de preços. em prejuízo ao princípio do julgamento objetivo das propostas 4. durante o exercício de 2002. 14/09/2005 – 2. A assinatura de contrato permitiria a aquisição de peças sem licitação pela empresa Medida Cautelar prestadora dos serviços. possibilidade do serviço em objeto ser dividido permitindo a participação de maior número de empresas e critérios de pontuação na seleção das melhores propostas sem correlação com o objeto da licitação.977/2005-2 fornecimento de peças. por conseguinte. 4. que se reflete na impossibilidade de verificação da completa conformidade dos preços cotados com os valores de mercado e. decorrente de serviços que poderiam ser licitados a parte dos demais. prazo exíguo. 015. 2. Restrição de caráter competitivo da licitação do Serviço de Correio Híbrido Postal. A Certificação Técnica da análise da combinação mecânica não atendia aos requisitos das especificações técnicas do contrato . poderia transferir os custos dos serviços para o TC-015.tipo mecânico previsto nas especificações técnicas.016. Ata nº 35 de 1. Superfaturamento de serviços contratados.022/2005-6 Pontos de Auditoria (Achados) 1.199/2005-6 3. Ata nº 35 de 1. Habilitação técnica da empresa indevida para fornecimento dos “cofres” .APÊNDICE B – Achados pelo TCU nas Representações junto aos Correios Documentos Ata nº 29 de 03/08/2005 – Medida Cautelar TC-013.572/2005-9 (REVOGADA EM 07/12/2005 – Ata nº 48 de 07/12/2005) 1. Restrição à competitividade do certame licitatório: exigência em edital de patrimônio líquido superior ao limite estabelecido na Lei 8666/93. permitindo a ocorrência de Ata nº 38 de 28/09/2005 – Representação TC- .RPN: 1. 3. Medida Cautelar TC-015. exigência de instalação de centros de produção nas dependências da própria ECT e na vedação sem justificativa ao somatório de atestados para qualificação técnica no caso de participação em consórcio. Aceite dos “cofres” sem a certificação de qualidade referente à combinação de segredos do Representação TC. Falta de providências e acompanhamento do desempenho do transporte de carga relativo ao Contrato nº 11. Apresentação de preços aparentemente inexeqüíveis pela empresa vencedora da licitação. constatado no item relativo à manutenção evolutiva do software GPDD e na previsão de repasse de valores à empresa Postel SPA a título de transferência de tecnologia. Qualidade do produto inferior ao exigido no edital Ata nº 38 de 28/09/2005 – Medida Cautelar TC.

): 1.016. 3. caso fosse considerado necessário. Achados referentes à contratação de empresa para fornecimento e serviços de solução integrada de gestão empresarial (ERP. Inexistência de publicação em jornal de grande circulação regional de aviso de convocação dos interessados para o Pregão. Achados referentes ao contrato de aquisição de licenças perpétuas. para respaldar a viabilidade da aquisição pela ECT de licença de uso perpétuo com número irrestrito de usuários. Recebimento de comissão pela agência sem a prestação de qualquer serviço. havendo indícios da prática de ato antieconômico. Achados referentes à aquisição de caixetas plásticas e porta-etiquetas: 1. Ausência de avaliação posterior dos resultados obtidos pela ação promocional. 4. suporte e manutenção do software OneWorld e prestação de serviço de treinamento de servidores: 1. Falta de amparo legal para a inserção da Cláusula de “Expansão de Direitos”. a qual garante à empresa pagamentos adicionais sobre o preço inicialmente contratado (da licença) em função do aumento do número de empregados da ECT.121/2005-8 Ata nº 42 de 26/10/2005 – Representação TC016. Morosidade na aplicação de multa por atraso na entrega do objeto contratual. 7. Ata nº 38 de 28/09/2005 – Representação TC015. Achados referentes à contratação de empresa de serviços de agenciamento de publicidade e promoção: 1. Objeto de contratação emergencial além do adequado. 3. sem a existência de um estudo detalhado e completo. Fraude ao caráter competitivo da licitação. Subcontratação de produtos/serviços sem a apresentação de três propostas. 3. Edital não estabeleceu que a exigência de qualificação técnica fosse compatível em quantidades com o objeto da licitação 4. Ausência de adequada justificativa do preço contratado. 4.570/2005-4 Ata nº 42 de 26/10/2005 – Representação TC015.938/2005-4 Ata nº 42 de 26/10/2005 – Representação TC016. onerando desnecessariamente o contrato. 2. durante a vigência da avença. Solução de gestão implantada parcialmente sem domínio da ECT e com risco de paralisação 5. 5. Ausência de avaliação posterior dos resultados obtidos pela ação promocional. Pagamento de despesas sem comprovação. 2. Valor contratado não guardou relação com a proposta apresentada pela contratada. suporte e manutenção do software “Enterprise One : 1. Sobrepreço na aquisição de bens ou na prestação de serviços contratados pela agência de publicidade no âmbito do contrato. Achados referentes ao contrato para aquisição de licenças perpétuas.714/2005-0 Ata nº 43 de 09/11/2005 – Representação TC- . 4. Subcontratação / apresentação de propostas de empresas em situação fiscal irregular. quando o instrumento contratual permitia o ajuste de carga contratada.676/2005-9 Ata nº 42 de 26/10/2005 – Representação TC017. 3.556/2005-5 capacidade ociosa na sua execução. 6. Aceitação de faturas em desacordo com o contrato 4. Achados referentes à contratação de empresa de serviços de agenciamento de publicidade e promoção: 1. 2.etc. CRM. Indícios da apresentação de propostas fraudulentas para respaldar a subcontratação de produtos/serviços. 4. Habilitação da empresa Precision e adjudicação do objeto do Edital à mesma com base em parecer técnico omisso e falho. Subcontratação do objeto do contrato sem justificativa. Montagem de processo e simulação de concorrência na dispensa de licitação nº 02/2001. Pagamento de despesas sem comprovação. Utilização da informação de que seria necessária a aquisição de mais 14. Ausência de justificativa da inexigibilidade de contratação do treinamento. Subcontratação do objeto do contrato sem justificativa. 6. Recebimento de comissão pela agência sem a prestação de qualquer serviço. Indícios da apresentação de propostas fraudulentas para respaldar a subcontratação de produtos/serviços. 3. 2. 2. 5. Procedimentos inadequados de concessão de reequilíbrio econômico-financeiro 2. Superfaturamento de serviços.294 licenças em 2004. Intempestividade na aplicação de sanções contratuais 3.

Achados referentes à contratação para aquisição de Solução Integrada para fornecimento de Endereço Eletrônico Permanente: 1. Achados referentes à contratação de serviços de manutenção de equipamentos de informática e periféricos: 1.000 sacos de Selos Lacres para Caixetas SLC-01: 1.122/2005-4 Ata nº 48 de 07/12/2005 – Representação TC018. sem justificativa plausível. contratado por inexigibilidade. Omissão do Departamento de Contratação e Administração de Materiais (DECAM) na aplicação de multas contratuais solicitadas pelas Diretorias Regionais em função de atraso no atendimento de chamados para reparos nos equipamentos em garantia nas agências. Projeto Básico em desacordo com as definições constantes da Lei 8. Aceite da ECT em retomar discussão acerca do percentual devido em função do reequilíbrio econômico-financeiro. Modalidade de licitação adotada inadequada para os serviços Ata nº 43 de 09/11/2005 – Representação TC017. 3. ausência de cobrança. Restrição à competitividade. com a instalação de equipamentos digitais conectados em rede: 1.4. 3. 2. sem chances de contestação. Concessão indevida de reequilíbrio econômico-financeiro. 3.3. 3. Quando da execução do contrato: 3.666/93. cobrança intempestiva e redução indevida de multas contratuais. vinculadas à definição do objeto e a exigências inadequadas para qualificação econômico-financeira. 2. 2. Ata nº 43 de 09/11/2005 – Representação TC018.020/2005-4 Ata nº 43 de 09/11/2005 – Representação TC018. Achados referentes à contratação para aquisição de 130. Irregularidades na contratação de serviços reprográficos de cópias em preto e branco. com acréscimo no valor global do Contrato.1. 3. Ausência de pesquisa de preços para justificar o custo do treinamento. Achados referentes à contratação de empresa especializada na administração. 5. Diminuição do período de garantia do objeto licitado em relação às licitações anteriores.900/2005-0 . 3. mediante a assinatura do 5º Termo Aditivo ao contrato. Quando da homologação do certame: aceitação de proposta comercial da empresa com superfaturamento do subitem de manutenção das aplicações desenvolvidas. assunto este que já havia sido completamente encerrado. controle e operacionalização de logística no fornecimento de medicamentos: 1. 4. fuga à licitação na contratação do desenvolvimento de uma nova solução através de um contrato aditivo. Inexistência de publicação em jornal de grande circulação regional de aviso de convocação dos interessados para o Pregão.015. Valor de referência para licitação acima de estimativa razoável. 2. Falta de embasamento técnico na modelagem e dimensionamento do projeto básico. Indícios de superfaturamento de preços. Quando da elaboração do edital: inclusão de cláusulas restritivas à competitividade do certame.775/2005-7 Ata nº 43 de 09/11/2005 – Representação TC017. mascaramento de aumento de custo acima de 25% no termo aditivo em relação a valores de referência.2. 2. 3.418/2005-3 2. utilizando como argumento súbita desvalorização do Real frente ao Dólar a partir de agosto de 2002. execução de serviços sem cobertura contratual e pagamento irregular de parcela do termo aditivo.934/2005-4 Ata nº 43 de 09/11/2005 – Representação TC018.016/2005-1 Achados referentes à contratação para aquisição e prestação de assistência técnica em equipamentos: 1. Ausência de justificativas para a variação a maior do custo originalmente orçado e aprovado pela Diretoria. Inobservância de recomendações técnicas do Comitê de Avaliação das Contratações Estratégicas. Morosidade na aplicação de multa por atraso na entrega do objeto contratual.

116/2005-1 Ata nº 08 de 22/02/2006 – Representação TC019. Direcionamento de edital e aquisição suplementar em data anterior à própria publicação da homologação do respectivo certame licitatório. Desconformidade na elaboração do briefing da Concorrência nº 003/2003. 3. tendo em vista que. 2o . Realização de licitação e posterior contratação de três agências de propaganda sem distinção de contas publicitárias. quanto a proposta da licitante. da exigência de apresentação do Certificado de Qualificação Técnica emitido pelo CENP. Duplicidade de investimentos para aquisição de sistema já em desenvolvimento. contrariando a Decisão TCU 650/1997 – Plenário. Ausência de definição da sistemática de avaliação de resultados das ações desenvolvidas. art. – Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Processamento de Dados Ltda. tendo em vista que os contratos celebrados até 31/10/2003.6%. 6. 9. Achados referentes à inspeção na Diretoria Regional da ECT no Estado do Paraná. médio/técnico e superior. 2. além de grave infração à norma legal.799/93. Ausência de avaliação da possibilidade de contratação de agências em condições mais adequadas à ECT. Aquisição de equipamentos de proteção individual por preço elevado da licitante classificada em 3º lugar no certame. caracterizando. 28 e 29/09/2004). não sofreram repercussão com o referido incremento. 49 e 50/2004). Celebração de contrato para prestação de serviços de armazenagem e distribuição de produtos advindos de contrato comercial pactuado com a TIMSUL. por parte das agências. Celebração de convênios pela DR/PR com pagamento de taxa de administração ao partícipe privado. Prestação de serviços sem cobertura contratual. fraude ao certame licitatório. 4. sem a devida motivação e ao arrepio da legislação vigente. Realização de três certames licitatórios (Pregão nºs 48. 6. Pagamento adicional de 15% atinente a despesas com Contribuição Previdência dos cooperados. Atestação de faturas e pagamentos por serviços não realizados. 8. celebrado com a Tecnocoop Sist.995/2005-9 Achados referentes à contratação para aquisição de sistemas de rastreamento de veículos. 2. 4. já estabeleciam que este valor estava incluído no valor contratado. Inobservância.Ata nº 48 de 07/12/2005 – Representação TC019. 24 da Lei nº 8666/1993. bem como conseqüente celebração de contrato com incrementos de valor. Prorrogação indevida do Contrato 028/2004. Contratações sucessivas por dispensa de licitação. fundamentadas. 8. Ausência. tendo em vista a expressa determinação para rescisão do mesmo após o seu término de vigência em decorrência de Termo de Conciliação Judicial firmado entre a Advocacia Geral da União e o Ministério Público do Trabalho. Aquisição de cursos “on line” sem o devido planejamento e comprovação da real necessidade. existindo relevante diferença nos preços de aquisição. 10. 2. 5. item 2. Pagamento indevido de valores decorrentes de aumento da alíquota da COFINS. Contratação da Fundação da Universidade Federal do Paraná para o Desenvolvimento da Ciência. e em confronto com o Decreto 4. 7. da Tecnologia e da Cultura – FUNPAR. Achados referentes à contratação da Fundação Universidade de Brasília – FUB: 1.202/2005-8 Ata nº 49 de 13/12/2005 – Representação TC019. que determina que as agências são responsáveis pela . para aquisição de mobiliários idênticos/similares para DR/PR.118/2005-6 Ata nº 48 de 07/12/2005 – Representação TC016. Achados referentes à contratação de serviços prestados por agências de publicidade e propaganda (consolidação): 1. para determinada empresa constituída sob a forma de Cooperativa. 2. na Licitação. Processo licitatório para contratação de serviços de hospedagem com inserção de cláusula restritiva no respectivo edital. escorada no inciso XIII do art. como casos de emergência. 3. Realização de contratos com objetos múltiplos. com o objetivo de verificar a regularidade das licitações e contratos realizados: 1. de 3% para 7. incluindo a manutenção e prestação de serviços necessários à operação de um sistema de comunicação de dados e controle da frota da ECT: 1. Desconformidade do planejamento para a realização das ações de publicidade. 3. do que preceitua a norma legal nas Normas-Padrão da Atividade Publicitária.. tanto o Edital de Licitação.6. 5. 7. em dias seqüências (27. com vistas à realização de serviços especializados inerentes ao concurso público para cargos de nível básico. com a ocorrência de uma série de irregularidades. em decorrência de “suposto” conluio entre as duas empresas que apresentaram propostas mais vantajosas. acarretando prejuízo aos cofres públicos. indevidamente.

Ausência de normativo para a definição de ações promocionais e os critérios para seu reconhecimento e concessão de verba. Utilização constante de agências de propaganda para a realização de ações de “promoção”. 9.verificação da regularidade de suas subcontratações no âmbito de contratos com entes do Poder Público (conforme 11. apesar da possibilidade de realizá-las diretamente.1. Fonte: Atas do TCU. sem essa intermediação. 10.3). .

para atendimento de situação alheia à de emergência. 9. Suspensão do certame. Ausência de estabelecimento. Contratação por Dispensa de Licitação.355/87 e Resolução DEST/MP 09/96. j) Suspeita de diversos contratos e processos negociados com “vantagens ilícitas” l) Direcionamento de empresas SUPRIMENTO Relatório Parcial nº 01 – Impressoras DE MATERIAIS / 1. sem a caracterização de situação emergencial e utilização das impressoras móveis. O projeto básico não atende às exigências da Lei 8. 12. 67 da Lei nº 8. 7. c) Restrição da concorrência h) Contratos com preços majorados i) Concessão de reequilíbrio ou reajuste ao contrato sem embasamento jurídico. 13. 8. celebrado entre a ECT e a Empresa Comam. O produto adquirido não atende plenamente a todos os atributos relacionados na Especificação Técnica do Produto . no âmbito da AC e das DR’s.APÊNDICE C – Principais Fragilidades Detectadas nas Auditorias da CGU nos Correios Áreas Principais Irregularidades Red Flags confirmadas a) Entrega de materiais fora das especificações técnicas.329/2002. em contrato. Falta de embasamento técnico na modelagem e dimensionamento do projeto. 15. Semelhanças entre o conteúdo da gravação divulgada e o do processo em análise. 10.666/93.328/2002 e nº 11.Configuração Mínima Exigida. de prazos para atendimento aos chamados de assistência técnica. b) Retardamento ou não aplicação de penalidade por atrasos de entrega e/ou descumprimento contratual.328/2002. adquiridos por dispensa.666/93. Restrição à competitividade. Assinatura de documento por funcionário sem competência regimental. Inexistência do ato de designação formal de representante da Administração para acompanhamento e fiscalização da execução dos Contratos nº 11. Exigência de documento de habilitação sem amparo legal. . 6. legal ou econômico. 14. Inobservância das regras do Edital e do Contrato quanto ao instituto da subcontratação do objeto. Relatório Parcial nº 06 – Cofres 11. Insuficiência de controles internos aplicáveis à gestão do Contrato n° 11. Vedação legal na contratação – DL 2. em afronta ao que preceitua o art. indicando possíveis interesses no atendimento a empresas. 9. 3. 4. 2. Relatório Parcial nº 03 – Medicamentos 5. extrapolando os limites de atribuições do cargo e convalidação do ato sem avaliação dos critérios de conveniência e oportunidade pelo superior hierárquico. Especificações Técnicas exigidas para o objeto da licitação somente EQUIPAMENTOS eram atendidas por produtos de um mesmo fabricante. Inobservância de recomendações técnicas do Comitê de Avaliação das Contratações Estratégicas.

329/2002. 20. fundada em parâmetros de custos apresentados pela própria contratada e mediante a dispensa de pesquisa realizada pela ECT. Inobservância da normatização interna dos procedimentos referentes à operacionalização dos cofres. ocasionando perda de desconto no montante de R$612. 23. 27. Ineficiência na gestão do Contrato nº 11. Processamento de licitação gerando diversas irregularidades: cerceamento ao caráter competitivo. constituído para orientar a execução. por força dos contratos nº 11. 26. Relatório Parcial nº 14 – Veículos Leves e Furgões 32. no Edital. 18. 31. 29. 24. beneficiando um único licitante – Pregões 029/2004 e 063/2004. dos contratos de Segurança Patrimonial. dentre outras atribuições. 19. Tramitação de decisão pelo pagamento de visitas técnicas ocorridas. 17. Restrição ao caráter competitivo da licitação por exigências injustificadas e inadequadas de dimensões mínimas do compartimento de carga. Inobservância por parte da Administração de cláusula do Contrato n° 11. Estimativa de preços inadequada e ausência de verificação da conformação do preço dos objetos licitados com o preço corrente de mercado.00. Relatório Parcial nº 10 – Locação de Notebooks 25. como manifesta renúncia ao exercício de direito da contratante. no julgamento das propostas. de critérios objetivos para verificação da adequação da “estrutura de produção” da licitante vencedora.000. de treinamentos. resultando em ônus adicional de R$78. 21. Inexistência de registros das avaliações e orientações levadas a efeito pelo Grupo de Trabalho. tratamento não isonômico às proponentes e adjudicação indevida de objeto. 33. Ineficiência na gestão do Contrato. em tempo hábil. respectivamente. nos termos da Portaria n° PRT/DIRAD-005/2003 e CI/GT-005/DIRAD001/2003-CIRCULAR. Resposta a questionamento do edital prestada além do prazo legal – Pregão 063/2004.evidenciada pela não rescisão do Contrato por inadimplência da contratada. Ausência. sob a argumentação da contratada de que estão fora da garantia. Relatório Parcial nº 11 – Tênis para Carteiro 28.15 (setenta e oito mil novecentos e cinqüenta e nove reais e quinze centavos).959. Prorrogação contratual além do prazo previsto no termo e assinatura extemporânea. por exigência de apresentação de amostra de tênis para carteiros em prazos inexeqüíveis para sua confecção. firmados com a empresa COMAM e com a FORTEX. referente a multas compensatórias. Resposta intempestiva a questionamento de licitante e exigência de carta de solidariedade. 22. no período de garantia. Substituição de característica do objeto do contrato para fornecimento de cofres e fechaduras por modelo comprovadamente mais barato. pela não realização. Autorização irregular para substituição de fechaduras da marca RWN por fechaduras da marca SAFETRONIC. Ausência de orçamento detalhado em planilhas. 16.328/2002-COMAM. manifestada pela morosidade na aplicação das multas por atraso na entrega dos cofres. firmado com a empresa FORTEX Comercial Ltda.329/2002. Restrição ao caráter competitivo.328/2002 e nº 11. Tramitação de decisão pelo pagamento de serviços de assistência técnica. Relatório Parcial nº 13 – Caminhões 30. .

Desconformidades na contratação de serviço de consultoria. Relatório Parcial nº 29 – Aquisição de Equipamentos – Projetos Corporativos 40.105/2004 (FIAT). Falta da verificação de que os preços das propostas de todos os objetos licitados estavam de acordo com os de mercado. por Sistema de Produção. Concessão indevida de reequilíbrio econômico financeiro no valor de R$ 5. que apresentou o menor preço.147/2004 (VOLKSWAGEN) e 13. 35.517. j) Suspeita de . Ineficiência na fiscalização do contrato. 44. além de conflito de informação relacionado ao procedimento de pagamento. 45. c) Restrição da concorrência h) Contratos com preços majorados i) Concessão de reequilíbrio ou reajuste ao contrato sem embasamento jurídico. ensejando recebimento de veículos em desacordo as condições contratadas.046.97.10 pelo não cumprimento do serviço de manutenção preventiva previsto contratualmente. Equipamentos comprados há 3 anos por R$10. por não possuir os moldes de injeção. prestados por consultor (pessoa física).407. vez que não constou tal exigência no Edital de Licitação.148/2004 (FIAT). não constante do edital. 47. Inobservância de cláusulas contratuais relativas aos contratos 13.888. TRANSPORTES Relatório Parcial nº 02 – RPN – Reequilíbrio Econômico.286. Aplicação de penalidades contratuais intempestivamente.687. Falta de justificativa consistente para as variações de quantidades da carga contratada. Ausência de aplicação de penalidade de multa no valor de R$ 1. Superestimativa do valor de referência.financeiro 1. Descumprimento do princípio da vinculação ao instrumento convocatório ao alterar. 43. Inobservância de preceito legal quanto à não identificação e elaboração de orçamento detalhado de serviços a serem licitados.56 por atraso na manutenção corretiva.191. Morosidade na tomada de decisão quanto à supressão da Linha BA02 (Petrolina/Salvador/Petrolina). 42. 48.768. Ausência de estudo técnico que justifique a supressão do valor do contrato.34. em decorrência da indefinição da área técnica da ECT. 38. 4. legal ou econômico. 3. Falta de justificativa consistente para as variações de preço por quilograma contratado. Ausência de aplicação de penalidade de multa no valor de R$ 22.00 sem uso por falta de integração com sistema de automação. 46. Desclassificação precipitada de empresa licitante.18 por atraso na manutenção corretiva de equipamentos. 39.191. 13. na Rede Postal Aérea Noturna – RPN. 37. desmotivadamente. manifestada pela inércia da ECT em garantir a execução da manutenção preventiva prevista contratualmente. Morosidade na aplicação de penalidade de multa no valor de R$ 137. 2. 41. Relatório Parcial nº 16 – Caixetas 36. 49.10 pelo não desenvolvimento e manutenção de banco de dados.868. requisito técnico de balança. 51. Inobservância de preceito legal quanto às formalidades na manutenção dos registros do processo licitatório. Ausência de aplicação de penalidade de multa no valor de R$ 1. Impossibilidade de mensuração do valor pago indevidamente pelo serviço de manutenção preventiva. 50. Desclassificação precipitada de empresa licitante.888. sendo que o equipamento entregue em decorrência desta alteração não é aprovado pelo INMETRO.

Relatório Parcial nº 17 – Obras no CTCE Campinas 11. cujo montante está acima do percentual praticado no mercado. Super dimensionamento de serviços na planilha licitada. (Contrato nº 13. Relatório Parcial nº 21 – RPN – Consolidado 7.026/2004). Pagamentos de serviços para elaboração de projetos. Relatório Parcial nº 19 – Obra no CTC Santo Amaro 15. (Contrato nº 13.247/2002) 9. nos contratos da Rede Postal Aérea Noturna – RPN.59) ao Contrato nº 080/2002 ASJUR/DR/SPI. Pagamento de serviços do Aditivo com sobrepreço. ensejando na não aplicação de multas. em relação ao valor original atualizado pelo INCC. 13. Estabelecimento de novo orçamento para serviços remanescentes ao Contrato 005/2001.2 milhões. Divergências entre os Atestados de Capacidade Técnica emitidos pela ECT para a Construtora Atlanta Ltda. majorando-se o valor contratual em R$9. valor: R$969.026/2004) 5. Rescisão consensual da obra efetuada em condições favoráveis à empresa contratada. por ocasião de celebração de acordo judicial para retomada da obra. Relatório Parcial nº 18 – Obra no CTC Saúde 12. legal ou econômico. diversos contratos e processos negociados com “vantagens ilícitas” l) Direcionamento de empresas b) Retardamento ou não aplicação de penalidade por atrasos de entrega e/ou descumprimento contratual. Majoração de preços desproporcional ao período decorrido entre as estimativas elaboradas pela ECT para as obras do Centro Cultural de São Paulo e do CTCE de Aparecida de Goiânia. Concessão de aditamentos contratuais com prorrogação de prazo.026/2004) 10. Indícios de combinação de preços e frustração do caráter competitivo do certame.257. 9. j) Suspeita de diversos contratos e processos negociados com “vantagens ilícitas” . 6. Duplicidade de serviços previstos na planilha orçamentária. Celebração de termos aditivos após o prazo de vigência contratual. no período de 2000 a 2005. Falta de transparência e objetividade nos critérios e métodos adotados para concessão de reequilíbrios econômico-financeiros. para conclusão da Reforma do Centro Cultural/AC Central de São Paulo. Elevação injustificada de preços contratados (superfaturamento). em razão de não aplicação de penalidades. elaborada pela ECT. Realização de Aditivos Contratuais celebrados após o prazo de vigência contratual haver expirado. 16. de 24/03/2004. (Contrato nº 13. (Contrato nº 13. vencedora do certame licitatório.247/2002) 3. Aprovação de Aditivo com aumento no preço unitário de serviços já previstos no contrato inicial. Incoerência das justificativas apresentadas pelo DEINF/ECT para aprovação de acréscimos de serviços ao Orçamento Base. na forma de restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro. 8. (Contrato nº 11. de 29/10/2002. Relatório Parcial nº 12 – Obra Centro Cultural São Paulo 2. em 2004. OBRAS Relatório Parcial nº 04 – Obra COA Santa Catarina 1. Pagamento de serviços sem comprovação pela construtora. Concessão indevida de aditivo (Quarto Termo Aditivo. 14. Mau dimensionamento da capacidade de carga contratada e não adoção de medidas corretivas. h) Contratos com preços majorados i) Concessão de reequilíbrio ou reajuste ao contrato sem embasamento jurídico. Concessão indevida de recomposição de preços para restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro de contratos.5. 7.247/2002) 4.026/2004) 6.. Reprogramação do cronograma físico-financeiro acima dos prazos concedidos em aditivo. (Contrato nº 11. (Contrato nº 11. 8.

Relatório Parcial nº 23 – Obra TECA Salvador 22. 8. Ausência de aplicação de multas contratuais no valor de R$44. dois meses após. por atraso na entrega da obra. 27.06 superior ao apurado. solicitado pela empresa. que foram calculadas por valores inferiores ao devido.666/93. Ausência de aplicação de multas contratuais. superiores ao prazo de paralisação dos trabalhos verificados no Diário de Obra.348.32. em razão de não aplicação de penalidades. quanto à rescisão do contrato. c) Restrição da concorrência h) Contratos com preços majorados j) Suspeita de diversos contratos e processos negociados com “vantagens ilícitas” . INFORMÁTICA Relatório Parcial nº 05 – Manutenção de Equipamento Banco Postal 1. Ausência de justificativas para a contratação do Consórcio Alpha ECT 042. 17. Super dimensionamento de serviços na planilha licitada. 2. Morosidade na tramitação de processo licitatório (Concorrência nº 13/2004) ocasionando contratação por dispensa de licitação (DL nº 074/2005).224. Rescisão consensual do Contrato. na Concorrência nº 13/2004. 24 da Lei nº 8. 18. devidamente comunicados pelo Departamento de Manutenção – DEMAN. (Contrato nº 148/2002) Relatório Parcial nº 24 – Obra São José dos Campos 25. Ausência nos autos do processo de publicação da dispensa na imprensa oficial dentro do prazo estipulado em Lei. Omissão na aplicação de multa por descumprimento de cláusula contratual. ensejando a não aplicação de multas. 4. em desacordo com o disposto no parágrafo único do art. Alteração no cronograma físico-financeiro da obra sem respaldo contratual. sem a devida motivação para o atendimento desse pleito. Ausência de comprovação de retenção de seguro-garantia na dispensa de licitação. Fragilidade na fixação do preço de referência que norteou tanto a concorrência quanto a dispensa de licitação. Reprogramação do cronograma físico-financeiro acima dos prazos concedidos em aditivo. Pagamento de equipamento (elevador) não fornecido pela Construtora. Reprogramação do cronograma físico-financeiro acima dos prazos concedidos em aditivo. 21. formado por duas empresas. (Contrato nº 095/2001). do art. 38 da Lei nº 8. 7. Ausência de prévia análise dos autos da Dispensa de Licitação nº 074/2005. Relatório Parcial nº 08 – Correio Híbrido Postal b) Retardamento ou não aplicação de penalidade por atrasos de entrega e/ou descumprimento contratual. Aprovação do pedido de alteração no cronograma físico-financeiro. com valor de R$ 408. por dispensa de licitação em detrimento de outras possíveis empresas interessadas. por atraso na entrega final da obra. 28. consistindo na inobservância de prazos para atendimento. previsto no contrato celebrado.666/93). Desconsideração dos valores devidos pela construtora quando da rescisão contratual. Morosidade nas decisões da Administração da ECT. por parte de unidade de assessoramento jurídico da ECT. Não aplicação da multa devida por descumprimento do cronograma físico-financeiro. 6. ensejando a aplicação de multas. efetuada em condições favoráveis à empresa. gerando pagamento indevido de custos fixos administrativos para a contratada. 26. 3. 5. Ausência de comprovação de regularidade fiscal. em caráter emergencial (inciso IV. Relatório Parcial nº 22 – Reforma da UNICO 19.em decorrência de chuvas. 24. (Contrato nº 095/2001). 20. 23.

a maior. 16. Pesquisa de preços insuficiente para definição do valor de referência do Projeto. 7. Aprovação da SECOM nas Planilhas de Ações de Divulgação posterior ao atesto do recebimento do serviço executado. Inexistência de aprovação da SECOM para a prorrogação dos contratos de Publicidade. Morosidade na cobrança de multa da contratada por parte do DECAM Relatório Parcial nº 28 – Banco Postal 15. 5. 8. com pagamento de honorários de intermediação desnecessária. 11. de 24/09/2001. ocasionando possível favorecimento a licitantes. Extensão das atividades financeiras postais a agências terceirizadas em desacordo com condições previamente estabelecidas. Avaliação das Propostas Técnicas subjetiva e pouco transparentes. contrariando normativo da SECOM.9. mediante o 1º Termo Aditivo.00. na aquisição de material promocional. Inconsistência das datas dos documentos.000. 10. Relatório Parcial nº 15 – Microcomputadores 14. 3. 11. Inconsistências contábeis na alocação das despesas publicitárias em 2004. Ausência de realização de audiência pública. Ocorrência de variação injustificada. 9. Inconsistência entre o primeiro e o segundo estudos de viabilidade econômico-financeira. 13.707/2000 e Parecer Jurídico da ECT. Indicativo de fraude na elaboração de propostas para cotação de preços. evidenciando a não realização das etapas previstas para o processo de prorrogação dos contratos. 2. 6. Descumprimento de cláusula contratual por subcontratação de empresas irregulares junto à Fazenda Pública. no valor contratado. 12. 13. Alteração injustificada dos percentuais e das bases de cálculo de multas da primeira para a última versão do Edital. c) Restrição da concorrência h) Contratos com preços majorados j) Suspeita de diversos contratos e processos negociados com “vantagens ilícitas” l) Direcionamento de empresas . Exigência de atestado de capacidade técnica de forma restritiva ao caráter competitivo do certame. 10. e descumprimento de cláusula contratual. Alteração de Peso de Critério de Julgamento das Propostas Técnicas. em desacordo com a Resolução do Conselho Monetário Nacional nº 2. 14. Contratos com objeto múltiplo geraram dispêndios financeiros adicionais. PUBLICIDADE E Relatório Parcial nº 20 – Publicidade e Propaganda PROPAGANDA 1.000. Comissão Especial de Licitação constituída posteriormente à publicação do Edital e à fase de habilitação dos licitantes. 15. na contratação de serviços de recepcionistas para estande promocional e na de serviço de alimentação oferecido durante o evento de inauguração do CD Oeste. em relação ao estimado. 4. Fonte: Relatórios de Auditoria da CGU. Sobrepreço na contratação de serviços gráficos. Superfaturamento na aquisição de material promocional (bandeiras) e material gráfico (manuais e cartilhas).805/2001. Alteração de exigência editalícia. Alteração dos termos do Contrato nº 10.77%. de pelo menos R$2. Divergência entre a despesa autorizada e a realizada. necessária em razão do valor da contratação. indícios de sobrepreço. de 400. Favorecimento à determinada empresa 12.

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