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direito agrario

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O conteúdo do Direito Agrário Brasileiro na doutrina jusagrarista

Marcos Prado de Albuquerque*

Resumo
O artigo discute o conteúdo do direito agrário brasileiro na doutrina especializada sobre o assunto. Versa sobre a questão da historicidade e interdisciplinaridade do direito agrário, propondo uma nova dimensão em seu conteúdo, mais ampla que a visão tradicional da doutrina jusagrarista, para além de questões como a reforma agrária, abrangendo também o trabalho rural dentre outros. Palavras-chave: Dreito Agrário. Conteúdo do direito. Doutrina jusagrarista brasileira.

Abstract
The article discusses the content of the Brazilian Agrarian Law in the specialized doctrine about the subject. It is about the issue of historicity and interdisciplinary of the agrarian law, proposing a new dimension in its content, broader than the traditional view of the jusagrarista doctrine, beyond questions such as agrarian reform, also including the rural work among others. Keywords: Agrarian Law. Law content. Brazilian jusagrarista doctrine.

* Professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT. Membro da Associação Brasileira de Direito Agrário – ABDA. Doutor em Direito pela USP. Autor do livro Crédito rural, Cuiabá: EdUFMT, 1995.

Revista Amazônia Legal de estudos sócio-jurídico-ambientais

Cuiabá

Ano 1

n. 1

p. 69-82

jan.-jun. 2007

que compete privativamente à União legislar sobre Direito Agrário1. pois será a diretriz principal tanto do primeiro. As implicações que esses tópicos trazem para o conteúdo jusagrário consistem. Além disso. do objeto e das Fontes. tinha em mente um conjunto normativo existente ou por existir. compete privativamente à União legislar sobre aquilo que componha o Direito Agrário. ao tratar do conteúdo do Direito Agrário. Revista Amazônia Legal de estudos sócio-jurídico-ambientais. por exemplo. ao estatuir a regra do artigo 22 constitucional. quer entendido como livro didático. 2004. 2004. a natureza das normas agrárias. não inventou naquele momento o Direito Agrário. quanto do outro. assim. jan. n. ao falar em Direito Agrário. em grande medida. Marcos Prado de. Por outro lado. V. Assim. 69-82. mas que se delimitava de alguma forma. a Lei n. p. In: Scientia iuris: Revista do Curso de Mestrado em Direito Negocial da Uel. mesmo considerando somente a Constituição brasileira. o ordenamento jurídico brasileiro traz uma lista razoável de temas componentes do Direito Agrário Brasileiro. Conteúdo do direito agrário: implicações da natureza das suas normas. 1. O constituinte brasileiro. não se pode esquecer a implicação que o conteúdo traz para a doutrina jurídica.). do objeto e das fontes. Esta última. p. In: Scientia iuris: Revista do Curso de Mestrado em Direito Negocial da Uel. Isto é. o que se inclui no âmbito da expressão Direito Agrário? Diversas possibilidades de construção da resposta podem ser imaginadas. Qual o significado desse preceito. mas tinha em mente um contexto cultural e jurídico que lhe forneceu a idéia. esses tópicos não serão abordados especificamente neste trabalho2. 1 (2001-2002). n. V. 138 – 147. em tema importante para a configuração desse mesmo conteúdo. já foi publicada como parte do artigo do Autor denominado Conteúdo do direito agrário: implicações da natureza das suas normas.629 de 1993 (Lei da Reforma Agrária). T. o conteúdo jusagrário é fundamental para um curso.504 de 1964 (Estatuto da Terra – E. n.70 – Parte ii: Direito Ambiental Brasileiro 1 Introdução Em outra oportunidade já se disse que a Constituição da República Federativa do Brasil estabelece. Londrina: Editora da UEL. posto que um dos efeitos do estabelecimento do conteúdo é delimitar os temas 1 Esta Introdução. 1 (2001-2002). a questão não pode ser resolvida unicamente pelas normas positivadas. 138 – 147.171 de 1991 (Lei de Política Agrícola) e a Lei n. a Lei n. como. 5/6. o conteúdo jusagrário deve ser buscado na doutrina agrarista. Vale dizer que o constituinte. Uma delas é pelo conteúdo jusagrário. 4. Porém. Por fim. uma vez que ele se constitui em área de influências recíprocas entre a legislação. com freqüência. 2 Para contato mais aprofundado sobre o tema reportar-se a Albuquerque. o objeto dessa especialização jurídica e as fontes dessa normatividade. p. 2007 . 8. Ano 1. a jurisprudência e os valores intervenientes no campo que delimita. 8. quer entendido como unidade de ensino-aprendizagem.-jun. ou em outras palavras. Londrina: Editora da UEL. sendo imprescindível analisar a doutrina jurídica sobre o assunto. 5/6. Todavia. o conteúdo imaginado era aquele que a cultura jurídica apontava. Cuiabá. toca em assuntos que são acessórios ou complementares a ele. Neste sentido. no seu artigo 22.

É isto que se irá fazer.. Quais seriam esses assuntos.O conteúdo do Direito Agrário Brasileiro na doutrina jusagrarista – 71 ou aspectos em que um determinado logos deve imperar no pensamento jurídico. verifica-se. abundante e complexo. mesmo considerando uma análise do conteúdo somente baseado no ET. que a autora. qual o conteúdo? Pelo documento da ALADA. pois. dirigido ao Conselho Federal de Educação brasileiro. envolvendo.. a necessidade de se adentrar à doutrina para tentar esclarecer a questão do conteúdo do Direito Agrário Brasileiro. Não se pode negar que a doutrina jusagrarista brasileira está prenhe de posicionamento semelhante. Ainda a propósito da formação do pensamento jurídico peculiar para determinados assuntos. 1983. Cuiabá. o conteúdo do Direito Agrário Brasileiro seria aquele estabelecido pelo Estatuto da Terra – ET. 18). de diplomas legais. necessário que sobre determinados temas houvesse uma formação específica e esta seria fornecida pela disciplina Direito Agrário. grande legge agraria che esprime l’intento del legislatore di porre ordine nell’assetto della proprietà terriera e riflette il pensiero giuridico moderno attento alle questioni sociali. no original: “. que necessita de juristas capacitados para lhes dar conseqüências e para animálos. pois. Não se pode negar. Ano 1. 2007 . ao referirse à reforma agrária e ao ET. (Porru. Octavio Mello Alvarenga (1979. p. assim. 1.. p. É talvez um dos grandes motivos pelo qual a autora citada vai indicar que o conteúdo do Direito Agrário Brasileiro é a reforma agrária. citando Dante: “Aí temos as leis . 4 Tradução realizada neste trabalho. necessário saber como esse pensamento tem indicado qual seria o conteúdo do Direito Agrário Brasileiro. Seria.-jun.mas quem há de lhes ter mão? Ninguém”(Oração aos moços)”. T. além dos exclusivamente fundiários. onde é apontado que “a legislação agrária nacional constitui hoje um corpo orgânico. p. um dos fundamentos dados por Porru. sendo. 21-22). n. às questões agrárias e a todas as outras conexas a essas”2. inclusive. para chegar àquela visão. outros conteúdos. ainda. p. no original: Parlare di diritto agrario in Brasile significa parlare di diritto della riforma agraria. Isto pode significar alargamento ou redução da matéria apontada pela estrita análise das normas positivas. adota a compreensão da reforma agrária integral. 3 Tradução realizada neste trabalho. 18).. Assim. ao final. É. p. p.. 257-265) traz o documento da Associação Latino-Americana de Direito Agrário – ALADA. 1983. significa falar de direito da reforma agrária”3 (1983. 69-82. como queria Rui Barbosa. como se deduz da posição expressa nos termos: “falar de Direito Agrário no Brasil. Quanto ao E. 21-22) descreve-o como “grande lei agrária que exprime a intenção do legislador de pôr ordem em sede da propriedade da terra e reflete o pensamento jurídico moderno atento às questões sociais. jan. Revista Amazônia Legal de estudos sócio-jurídico-ambientais. alle questioni agrarie e a tutte le altre ad esse connesse” (Porru. trazendo os depoimentos de autores que versam sobre o tema e buscando apresentá-los segundo os aspectos que sobrelevam nos seus textos com referência ao assunto em foco. Paola Porru (1983.

-jun. E. Veja-se que nesta listagem de tópicos contidos pelo Direito Agrário Brasileiro não estão presentes. e nesta hipótese o agrarista estaria colocando-se. pelo menos explicitamente.as infra-estruturas. onde descobre uma larga normatividade. 1986.a nutrição das plantas e dos animais. 2007 . isso pode ser visto pelos programas dos cursos de Direito Agrário. 83). Ano 1. começar perguntando: “Pode-se falar hoje de Direito Agrário. de sucessivas invenções. conclui ele. conduzindo a um domínio gradualmente crescente do homem sobre o meio”. no original: “Si può parlare oggi di diritto agrario e di un suo contenuto?” (Graziani. 56) trata do conteúdo do Direito Agrário vinculando-o à definição que se faça do último. Revista Amazônia Legal de estudos sócio-jurídico-ambientais. g. nem a reforma agrária. essa negativa não é ontológica. A variabilidade da doutrina jusagrarista sobre o tema anuncia-se bastante grande. Graziani (1986. 69-82. continua o autor supracitado. b. segundo o autor. a ponto de Carlo Alberto Graziani (1986. p. envolve sempre a atividade agrária vista sob o prisma do princípio da função social.os sujeitos e os objetos. Zenun lista os seguintes tópicos como conteúdo do Direito Agrário Brasileiro: a. assim como pelos manuais. de ambos.a conservação dos recursos naturais renováveis.a preparação e a conservação do solo. nem o ET. de seu conteúdo?”5 Essa é uma pergunta assaz interessante.a reunião das forças produtivas em unidades criadas e comandadas pelos homens.o controle da água. 1. h. 83-87) parte da individuação das normas que se referem à agricultura. ora contínuo. jan. Porém. mas como momento de encontro de diversas disciplinas.a captação e utilização das fontes de energia. mais uma vez.72 – Parte ii: Direito Ambiental Brasileiro 2 Historicidade e Interdisciplinaridade Augusto Zenun (1984. d. c. 5 Tradução realizada neste trabalho. o processo cognitivo aqui seria o da interdisciplinaridade. que versa sobre assuntos díspares. 83). f. resta claro que os não há concordes sobre os temas abordados. compreendendo os resultados do “longo processo. Uma outra organização dos estudos jurídicos poderia levar a considerar o Direito Agrário não como uma disciplina em si. Necessariamente. Cuiabá. n. tratando do assunto de modo geral. A partir destes resta indagar se é possível adotar-se um mesmo método cogniscente. De modo prático. E. p. como vanguarda. e. mas persistente. p. Com isso o conteúdo do Direito Agrário seria determinado historicamente.as estruturas. ora sincopado. adaptações e realizações científicas e tecnológicas. p. prossegue. não existe uma disciplina Direito Agrário. e i. Donde. p.

o conteúdo estará ligado à atividade pecuária. em razão dos princípios. outros.O conteúdo do Direito Agrário Brasileiro na doutrina jusagrarista – 73 3 Influência da Visão Conceitual Nesta altura da exposição não há como não concordar com a seguinte fala de Antonio D. considerar os ditames da política agrária imperante na área do ordenamento considerado. p. deve-se. Ano 1. como fator ponderável do estabelecimento e da mutabilidade histórica do conteúdo jusagrarista. p. sementes 6 Tradução realizada neste trabalho. propriedade imobiliária rural. 282). 283) ao enumerar os temas típicos do Direito Agrário elenca os aspectos publicistas. objetos e atividade. Além desses vai apontar que o conteúdo pode ser resumido em: sujeitos. y que por outra parte tendrán mayor o menor importancia según la época a que nos refiramos” (Villar. Vincula ainda o conteúdo com as fontes jusagrárias. crédito rural. em razão do desenvolvimento da técnica. dos métodos de produção e dos produtos almejados. quanto o disciplinado pelas normas de direito privado. à atividade agrícola. certamente.-jun. Cuiabá. elementos. 56): “Ao refletir o critério dos autores sobre o conceito do mesmo [Direito Agrário] revela-nos claramente a preponderância de um ou outro tema. p. p. passa pela forma de se entender o próprio Direito Agrário. Alguns. direitos reais em que se pode basear a empresa. p. contratos agrários. Neste aspecto. dos que constituem as matérias que nele se estudam. assim como as normas relativas ao planejamento. seguridade social rural. Alberto Ballarín Marcial (1978. Segundo Marcial (1978. 2007 . assim como outras formas de associações). de los que constituyen las materias que en él se estudian. organização da empresa agrária. e que por outra parte terão maior ou menor importância segundo a época a que nos refiramos”6. Outro ponto a ser destacado é a historicidade do conteúdo. de maneira diferente em outros posicionamentos sobre o conceito do Direito Agrário. envolvendo o regulado tanto pelas normas de direito público. o conteúdo do Direito Agrário deve ser o mais extenso possível. jan. 1991. Soldevilla y Villar (1991. normas de capacitação e educação rural. Alguns temas aparecem. Assim. se nos revela claramente la preponderancia de uno u otro tema. 1. são modificados ou extintos. não excluindo nada que possa interessar à agricultura. no original: “Al reflejarse el criterio de los autores sobre la concepción distinta del mismo. por exemplo. 69-82. 277) é outro jusagrarista que relaciona o conteúdo com o conceito que se tenha do Direito Agrário.. Estes três vetores podem ser divididos em: empresários (pessoas físicas e jurídicas. A escolha de qual é a visão do Direito Agrário vai determinar o conteúdo e os critérios diretores para o estabelecimento deste. como direito instrumental. O estabelecimento do conteúdo do Direito Agrário Brasileiro. englobando as normas constitucionais atinentes. Revista Amazônia Legal de estudos sócio-jurídico-ambientais. também. p. se se vê o Direito Agrário como um direito da atividade agrária. 56). n. à atividade extrativa etc. Marcial (1978.

78). É com esse entendimento de instituto que os autores vão buscar todo instituto que tenha a agrariedade. como é o agrário. agrupadas en vista de un objetivo superior propio de las normas singulares que lo componen. de “ordenação” das relações. Marcial corrobora o posicionamento da historicidade do conteúdo. pois somente um conjunto de institutos ordenados sistematicamente forma o organismo do direito. 2007 . nesta visão. caça e pesca. a unidade mínima de análise. p. e não pela subordinação a princípios jurídicos gerais exclusivos. inclusive. no es la disposición aislada. sino el instituto al cual ella pertenece la unidad mínima de análisis y. como já acima alertado. Neste posicionamento. senão o instituto ao qual ele pertence. objetivo que debe ser homogéneo com respecto a todas ellas. Ano 1. sobretudo. proteção e conservação da exploração agrária.-jun. Revista Amazônia Legal de estudos sócio-jurídico-ambientais. é exemplar acabado da compreensão do Direito Agrário como direito da empresa agrária. Carrozza e Zeledón (1990. Cuiabá. En un sistema orgánico de derecho positivo. Outra forma muito utilizada para estabelecer o conteúdo do Direito Agrário é aquela que adota como parâmetro os institutos jusagraristas. Direito Processual Agrário. insumos químicos. sobretudo. aunque no todas ellas emanen del ordenamiento estatal. Ao vincular o conteúdo às fontes do Direito Agrário. envolveria os sujeitos agrários. E. 69-82. em síntese. p. sobre todo. expondo: Por outra parte não se compreende porque os estudiosos de um direito especial. 78). 7) não se conseguiu ainda provar a sua existência. 1990. p. pues solamente un conjunto de institutos ordenados sistemáticamente forma el organismo del derecho. o instituto jusagrário seria determinado pela agrariedade. 1990. jan. Em um sistema orgânico de direito positivo não é o dispositivo isolado. n. objetivo que deve ser homogêneo com respeito a todas elas.74 – Parte ii: Direito Ambiental Brasileiro . agrupadas em vista de um objetivo superior próprio das normas singulares que o compõem. O conteúdo do Direito Agrário. e. quando está demonstrado historicamente a extrema dificuldade de circunscrever e. 83-84) eximem os agraristas de procurarem a existência de princípios. de ‘ordenación’ de las relaciones. p. reforma agrária. expresado generalmente en un código o en uma amplia ley orgánica” (Carrozza & Zeledón. que segundo Antonio Carrozza (1974. 1. para compor o conteúdo do Direito Agrário. Lecionam: O nome de instituto deveria reservar-se para designar um conjunto de determinações normativas. os objetos agrários e as atividades agrárias. no original: “El nombre de ‘instituto’ debería reservarse para designar un conjunto de determinaciones normativas. ainda que nem todas elas emanem do ordenamento estatal. A compreensão de Antonio Carrozza e Ricardo Zeledón Zeledón de instituto vai ser importantíssima para a teoria de que o Direito Agrário é composto por institutos. e Direito Internacional Agrário. expresso geralmente em um código ou em uma ampla lei orgânica”7(Carrozza & Zeledón. p. Direito Penal Agrário. devem estar a sentirem-se obrigados a semelhante tipo de demonstração. de enumerar os princípios gerais 7 Tradução realizada neste trabalho.

aun cuando se afirme lo contrario. E. como es el agrario. ao mesmo tempo. p. también en el caso de las ramas mayores del ordenamiento. pois expõem: “Com efeito. os que. p. não foram tantos os princípios gerais quanto os seus produtos normativos (tanto de primeiro grau: normas. que gozam de uma autonomia consolidada e indiscutível. no original: “En efecto. o uso e a posse da terra particular ou pública. 1990. vale dizer. vale dizer que reconhecem a reforma agrária como conteúdo do Direito Agrário latino-americano. p.. os contratos agrários. no se comprende por qué los estudiosos de un derecho especial. que tratam da Colonização. Cuiabá. jan. 1990. nada impede de se apontar o conteúdo por meio dos institutos e. p. 4 Conteúdo não consolidado Ismael Marinho Falcão (1995. o conteúdo do Direito Agrário latino-americano. a reforma agrária. enumerou somente os temas dos Capítulos do ET vinculados ao Título Política de Desenvolvimento Rural. 69-82.. e finalmente toda a atividade emergente da própria atividade agrária”. quanto de segundo grau: institutos). do uso e posse temporária da terra.O conteúdo do Direito Agrário Brasileiro na doutrina jusagrarista – 75 que regem setores normativos. como se podrá apreciar más adelante. como de segundo grado: institutos).-jun. a colonização. 83s). adotar-se a tese da existência dos princípios jusagrários.. A história do pensamento jurídico deveria ensinar que. a atividade agrária. como se poderá apreciar mais adiante. 9 Tradução realizada neste trabalho. considerados pertinentes a um ramo determinado do direito e típicos dele. a reforma agrária como conteúdo do Direito Agrário Brasileiro. los que considerados pertinentes a una rama determinada del derecho y típicos de ella. 163) vão fazer contraposição ao que diz Porru.. no se há limitado a las leyes de la reforma agraria. textualmente: “O conteúdo do direito agrário é exatamente a matéria por ele disciplinada. Apesar de ser presente na teoria de Carrozza a ausência ou a negação da existência de princípios gerais. 8 Tradução realizada neste trabalho. Percebe-se que Falcão no seu rol de conteúdos jusagraristas elencou ao lado da atividade agrária (típicas e conexas) pontos do ET. deben estar y sentirse obligados a semejante tipo de demostración. incluso. diz. cuando está demostrada históricamente la extrema dificultad de circunscribir e. La historia del pensamiento jurídico deberia enseñar que. como parece ser a posição da grande parte da doutrina agrarista brasileira. n. Revista Amazônia Legal de estudos sócio-jurídico-ambientais.” (Carrozza & Zeledón. Carrozza e Zeledón (1990. 1.”9 É bom notar as palavras “não se limitou”. cingindo-se em grande medida aos aspectos relacionados à terra. quer como área onde aparecem diversos institutos. no fueron tanto los principios generales cuanto sus productos normativos (tanto de primer grado: normas. 83). quer como um instituto em si. Com relação à política agrícola. não se limitou às leis de reforma agrária. assuntos de cunho profundamente fundiários. no original: “Por otra parte. 49). Ano 1. também no caso dos ramos maiores do ordenamento. constituyen la manifestación más convincente de la autonomía conseguida” (Carrozza & Zeledón. constituem a manifestação mais convincente da autonomia conseguida8. tratando do conteúdo do Direito Agrário Brasileiro. de enumerar principios generales que rigen sectores nomativos que gozan de una autonomía consolidada e indiscutida. el contenido del derecho agrario latinoamericano. p. ainda quando se afirme o contrário. 2007 . logo.

como se vê nos próprios ditames constitucionais e na sua legislação regulamentadora.76 – Parte ii: Direito Ambiental Brasileiro Sublinhe-se que. e de reforma agrária. específico. quando indica que “a própria condição de ser um ramo do Direito que ressurgiu há pouco. portanto. já que a própria Lei que regula a reforma agrária expressa a necessidade da compatibilização desta com as outras espécies de política agrária. continua Falcão (1995. 69-82. conteúdo. p. 29-30) sugere programa e. implicando o planejamento compatibilizado dessa reforma agrária com a política agrícola. Isso é tanto mais verdadeiro no Brasil. jan. Uma outra vertente desse posicionamento pode ser vista em Alcir Gursen de Miranda (1989. hoje já chamada exclusivamente reforma agrária. em certo sentido. Quanto a este último ponto. Ela envolve elementos típicos de política agrícola. Por isso nomeada de integral. equivale. teria começado a ter existência em 1964 (ligado ao ET). Bastante interessante observar que a consideração de que o conteúdo do Direito Agrário será construído com o acúmulo da produção jurisprudencial e doutrinária. Cuiabá. e começa a ser ensinado em 1968. procurar-se-ia verificar a adaptação do D. Deste modo. 1. Comprova-se que o conteúdo do Direito Agrário Brasileiro não pode ater-se somente aos aspectos fundiários e de reforma agrária. 2007 . de Direito Agrário”. diante da sua aceitação quase que geral. seria desconsiderar o conceito da reforma agrária integral. É tradicional na doutrina jusagrarista brasileira o axioma de que a reforma agrária se realiza através de planejamento compatibilizado. Miranda (1989. n. 50). aquele imperante na América Latina. a tomar a tese da historicidade do conteúdo. dessa reforma agrária com a política fundiária. Vale dizer. dados que demonstram que será com o passar dos anos que haverá “de formar um conteúdo próprio. somente o que estiver contido nesses dois diplomas e contemplados na compreensão acima explicitada de conteúdo jusagrarista seria tema do Direito Agrário Brasileiro. 11). p. o autor especifica mais o conteúdo.a. Nessa terceira parte. Dizer que o Direito Agrário Brasileiro reduz-se a temas fundiários. Ano 1. Planejamento internamente e externamente considerado. que entende o Direito Agrário quase que um direito fundiário e da reforma agrária. faz com que haja um disparate muito grande entre estudiosos na definição do objeto e conteúdo do direito agrário e muito mais na elaboração de maneira metodológica de um programa para o ensino da matéria”. apontando que não envolve temas que não estejam regulados pelo ET e pela Lei 8629/93. p. disposto em três partes: “Teoria Geral do Direito Agrário. O Direito Agrário Brasileiro. nacional às peculiaridades regionais e a Revista Amazônia Legal de estudos sócio-jurídico-ambientais. conforme já aludido anteriormente. além dos exclusivamente fundiários. entre outros instrumentais. Porquanto. Direito Agrário Brasileiro e Direito Agrário na Região.-jun. p. reforma agrária integral envolve outros elementos.

72). essa extensão do conteúdo jusagrário. remete para a determinação do conteúdo segundo visão do Direito Agrário como conjunto de institutos jurídicos dotados de agrariedade. a. capital. Ou melhor. p. a determinação da sua matéria não era fácil. 1989. Entretanto. inicialmente. distingue conteúdo de objeto.] seria o termo mais apropriado para expressar toda a dinâmica campestre. concordando com Marcial (1978. trabalho e organização. 1989. lecionando: [. entretanto. e catalogou mais didaticamente os assuntos que pensou formarem o conteúdo daquele ramo. Essa eleição de conteúdos pressupõe anteriormente um conceito... o seu campo. Miranda (1989. Cuiabá. Trabalho e Ambiente Raymundo Laranjeira (1999... e que envolveria os elementos terra. 73). Mais à frente especifica mais a compreensão. O conteúdo do Direito Agrário Brasileiro abarcaria. 2007 . Os demais temas. jan. Como ponto de clivagem desse interesse estaria a agrariedade. que “[. Como não é possível abordar todo o conteúdo. 255-256) aponta que o Tratado de Direito Rural Brasileiro de Francisco Malta Cardozo aprofundou o estudo de Joaquim Luís Osório. que se poderia chamar de parte especial.. 65).] (Miranda. por sua vez. p.. o interesse que é capital para a determinação do conteúdo. É certo que a proposição colocada por Miranda é enriquecida pela previsão de conteúdo englobando as assim chamadas atividades vinculadas (1989. p. Ano 1. partidário da autonomia do (à época) Direito Rural considerava que. seriam os de interesse para o agro. será demonstrado pela agrariedade. e que a matéria rural. textualmente: O conteúdo de D. Esquema que. a teoria geral do Direito Agrário.. n. direta ou indiretamente. p. para que se possa ter uma listagem jusagrária de onde retirar a seleção. é toda matéria que. 1. para não deixar de fora nada que possa interessar à agricultura. em grande medida. seria considerada no seu aspecto econômico e social. são normas jurídicas que regem as relações jurídicas agrárias. Revista Amazônia Legal de estudos sócio-jurídico-ambientais. p. seja do interesse do homem do campo e da produção agrária (Miranda. p. 5 Empresa. ou seja. de maneira elástica.] o objeto é o que é disciplinado e o conteúdo é o que disciplina. 66-67). p. assim. Miranda (1989. 69-82.-jun. geral e caracterizadora [. haveria uma eleição de acordo com o interesse mais presente na região onde se situe o curso. não estava bem clara. Laranjeira tem opinião bastante favorável à sistematização da disciplina feita por Malta Cardozo.O conteúdo do Direito Agrário Brasileiro na doutrina jusagrarista – 77 legislação administrativa agrária do Estado sob estudo na organização do sistema fundiário”. Coloca em relevo o fato de que Malta Cardozo. 282). 71-72). p. propugna que os esquemas do conteúdo do Direito Agrário devem ser os mais extensos possíveis. o objeto é o normatizado e o conteúdo são normas jurídicas.

que teriam “como fim imediato a produção. Percebe-se. n. jan. et alli. enquanto que as normas de Direito do Trabalho funcionam de forma inversa. 1. Primeiramente. e “c” – para os três primeiros. com pequenas variações. e para comprovar arrola diversos institutos dos dois campos jurídicos. para mandar aplicar a legislação trabalhista”. ainda assim. nela não há referência a trabalho rural. também. parte do conteúdo do Direito Agrário Brasileiro? Saulo Emídio dos Santos (1993. 10 Brasil.78 – Parte ii: Direito Ambiental Brasileiro Esses elementos remetem à idéia da empresa agrária. neste trabalho. o Direito do Trabalho exterioriza-se via legislação. por isso expressos em dispositivos separados (no ET. existem fortes indicações de que o trabalho rural não seria conteúdo do Direito Agrário Brasileiro. p. Constituição da República Federativa do Brasil. Cuiabá. o início da década dos 50 do Século XX. salvo no tocante ao acento dado ao aspecto social em ambos. mas. 1-167. terão a mesma fonte motivo pelo qual se escusa de tornar a mencioná-la. fazendo apenas ligeiras referências sobre o trabalho subordinado. 40. atual. inclusive com certa freqüência. Estes valores não se confundem com a observância da legislação trabalhistas. a menção ao trabalho rural está presente. Em seguida. 2007 . Todavia. modo que a legislação infra-constitucional também adota. não se pode negar a estreita vinculação do assunto com o jusagrarismo. atingindo de forma mediata as melhores condições sócio-econômicas dos trabalhadores. São Paulo: Saraiva. alíneas “a”. 31-35) procura responder à questão supra. alude às finalidades das normas do Direito Agrário. p. naquelas normas que tradicionalmente são tidas por normas de cunho agrarista. ed. ou em outras palavras. As eventuais demais citações da Constituição brasileira. decorrência até da suma importância do tema para a produção agrária. § 1º. 2007. como pensamento dominante no assunto. no seu inciso III utiliza a seguinte fórmula: “observância das disposições que regulam as relações de trabalho”. O trabalho rural faz. arrazoa que os princípios e institutos dos dois ramos não se identificam muito. P. sob diversos fundamentos. ou não. especificamente10. como ponto fulcral e de conteúdo do Direito Agrário Brasileiro. a conservação dos recursos naturais. 69-82. Ano 1. In: Pinto. percorrendo diversos argumentos. a citar diversos juslaboristas e jusagraristas que indicam a pertinência do trabalho rural ao Direito do Trabalho.-jun. “b”. 137. p. quanto aos fins mediatos e imediatos”. mas há sempre vínculo com o Direito do Trabalho. Assim. Como exemplo pode-se citar o artigo 186 da Constituição brasileira. Não se pode negar que no ordenamento jurídico agrário brasileiro. artigo 2º. que ao estabelecer os requisitos da função social. em seqüência. ao passo que o “Direito Agrário se exterioriza via de normas que tratam da terra e seu aproveitamento. Antonio de Toledo. Quanto à materialização. e alínea “d” – para o último). e não a busca de aumento da produção. sentenças normativas e convenções coletivas. pelo menos. ou a seguridade e progresso social da comunidade rural. Passa. O valor a ser protegido parece ser o trabalho em si. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 05 de outubro de 1988. que a questão do trabalho – trabalho rural – já estava presente nas considerações dos jusagraristas desde. Revista Amazônia Legal de estudos sócio-jurídico-ambientais.

não fazem parte do arcabouço legal de Direito Agrário. em face da construção do chamado Direito Ambiental. apesar de restar dúvidas sobre a pertinência do tema ao âmbito jusagrário). Como se daria uma atividade agrária que não ocorresse com o aproveitamento dos recursos naturais renováveis? É extremamente difícil imaginar possibilidade de uma atividade agrária sem o aproveitamento de recurso natural renovável.-jun.] o conteúdo de Direito Agrário abrange as ações decorrentes da própria atividade agrária (exploração agrícola. o movimento ambientalista ganhou repercussões. como os contratos de trabalho agrário (como já se viu) e a previdência social rural (com grande vínculo com o trabalho rural. O assunto não apresenta dificuldades para os jusagraristas até a década dos 80 do Século XX. pois não é possível a exploração agrária. a conservação dos recursos naturais sempre fez parte do Direito Agrário. tem na utilização dos recursos naturais Revista Amazônia Legal de estudos sócio-jurídico-ambientais. Sulaiman Miguel Neto (1997. jurisprudência e doutrina tratando do assunto. 69-82. agro-industrial) com vistas às relações estabelecidas entre os sujeitos e os bens agrários. sem a utilização de recursos naturais. mesmo considerando as tecnologias que libertam essa exploração do fator terra. 2007 . 1. jan. p. inclusive no campo jurídico. com a tomada de consciência dos riscos ambientais por parte da Humanidade. Ano 1. Entretanto. pecuária.. bem como os contratos de trabalho agrário. extrativa. os seguros agrícolas e o crédito rural. Todavia. o denominado Direito Ambiental. temos que as normas destinadas a assegurar o aproveitamento e a conservação dos recursos naturais renováveis.. A conservação dos recursos naturais renováveis faz parte do conteúdo do Direito Agrário Brasileiro até por imperativo lógico. n. os seguros agrícolas e o crédito rural. tantas vezes apontado pelos doutrinadores jusagrários para a identificação das normas de Direito Agrário. 31-32) diz que: [. porquanto sempre considerado como um dos valores ínsitos nas normas jurídicas agrárias e. da previdência social rural. Entretanto. o ponto distintivo. p. Nesse estágio vai aparecer a possibilidade de confronto de conteúdos deste último direito especial com o Direito Agrário.O conteúdo do Direito Agrário Brasileiro na doutrina jusagrarista – 79 Outra questão de pertinência de um tema ao conteúdo do Direito Agrário é a relativa à proteção e conservação dos recursos naturais renováveis. embora guardem um inter-relacionamento absoluto. que gerou na seara jurídica a consideração de toda essa produção como elemento componente de um direito especial. quase todos os doutrinadores os incluem no conteúdo de Direito Agrário. Cuiabá. como uma rápida incursão pelos jusagraristas de qualquer época pode demonstrar. As outras exclusões feitas são bastante pertinentes. É bastante estranho dizer que o aproveitamento e a conservação dos recursos naturais renováveis não fazem parte do Direito Agrário. Ademais. que é a agrariedade. havendo proliferação de legislação. para aqueles que consideram a existência de princípios jurídicos gerais agrários.

por todos os seus ramos ou sub-sistemas normativos.-jun. e aquela vinculada aos institutos jusagrários. é possível chegar a alguns pontos que são integradores das diversas posições anteriormente apresentadas e que permitem. temas (como se queira) de interesse para a agricultura. para manutenção da capacidade produtiva do fundo agrário. a necessidade de se estabelecer um mínimo de conteúdo presente em todas as formas de se ver o Direito Agrário. Todas que tenham influência sobre o agro devem ser consideradas. Enfim. Não se pode deixar de fazer referência ao fato de que a conservação do ambiente em geral é valor transversal que abarca todo ordenamento jurídico. Cuiabá. Deve-se ter em mente que. também. ou fornecem. por outro lado. mesmo tendo posições diversas. Portanto. praticamente nada ficaria fora do conteúdo do Direito Agrário Brasileiro. vai implicar. O conteúdo do Direito Agrário Brasileiro listado pelos doutrinadores está na dependência da concepção possuída pelo doutrinador em exame do Direito Agrário em geral. Não se pode deixar. para que se produza eficácia. perpassando. aquela vinculada à empresa agrária. talvez não por todos. 1. aquela vinculada à atividade agrária. composta por leis orgânicas ou não. quando por nada mais. Esse campo é o conteúdo jusagrário aceitável para todos11. n. 6 Considerações Finais Pelo que foi exposto. ou a necessidade de se divulgar ou de se estabelecer um mesmo logos para todo esse pensamento jurídico incidente sobre essa normatividade. diversos pontos de seleção aparecem: 11 Aceitável para todos. diretrizes para o estabelecimento de um rol de assuntos pertencentes ao Direito Agrário Brasileiro. institutos. a necessidade de se ter ou de se fazer esse ensino. critério de triagem dos temas. p. E correlata e indissociável desta utilização está a conservação dos mesmos. é imperativo que se estabeleça o campo onde se dará a batalha entre os diversos contendores. Ano 1. pode-se verificar pelo menos quatro correntes sobre o conteúdo do Direito Agrário: aquela vinculada ao conjunto normativo da agricultura. com este critério. esse pensamento jusagrário terá que abarcar o maior número possível de normas. jan. Assim. de considerar que. A importância de se estabelecer o conteúdo jusagrário reside na necessidade de se ter disseminado um mesmo pensamento incidente sobre a normatividade que trata da agricultura. 69-82. Revista Amazônia Legal de estudos sócio-jurídico-ambientais.80 – Parte ii: Direito Ambiental Brasileiro fundamento inafastável. 2007 . Para a demonstração do interesse do tema para o agro. evidentemente. pelo menos para a realização de triagem.

-jun. é a de que naqueles ordenamentos em que o Direito do Trabalho aparece com autonomia. O método: possibilidade metodológica de conhecimento da normatividade considerada. segundo o instrumental fornecido pela teoria geral do Direito Agrário. o trabalho rural não deve ser tratado. A necessidade lógica e histórica de tratar do tema no âmbito do Direito Agrário indica que ele deve permanecer como conteúdo jusagrário. Revista Amazônia Legal de estudos sócio-jurídico-ambientais. compreendido. Daí deriva que assuntos serão incluídos. 1. é o relativo à conservação dos recursos naturais renováveis. Nesta última hipótese. e. a sua autonomia e tratam. como conteúdo do Direito Agrário. da política fundiária e da reforma agrária. Esta compreensão alargada do conteúdo do Direito Agrário implicará necessariamente a consideração de temas que são fronteiriços e de assuntos que são objetos também de outros ramos do Direito. da questão dos seus princípios. jan. e de acordo com as formas e os métodos adotados na produção agrária. que está presente em qualquer das concepções. que são tidos como regulamentadores. a agrariedade. É obrigatório ter sempre em consideração a historicidade do conteúdo. como é o caso brasileiro. Um tema que necessariamente faz parte do conteúdo do Direito Agrário é a teoria geral do Direito Agrário. a estrutura. o acúmulo de produções doutrinárias. políticas e jurídicas. o seu conteúdo. em que a discussão de pertinência ao conteúdo do Direito Agrário aparece. evolui de acordo com a realidade circundante. A agrariedade: as normas e os institutos jurídicos que revelem possuir esse elemento distintivo devem ser considerados como conteúdo de Direito Agrário. em função da Constituição – da política agrícola. Vale dizer que. vale dizer. 69-82. em correspondência às transformações econômicas. nesse sentido. entretanto. A sugestão. 2007 . o seu objeto.O conteúdo do Direito Agrário Brasileiro na doutrina jusagrarista – 81 As fontes: as normas derivadas de determinadas fontes ou pertencentes a diplomas legislativos. também. sociais. excluídos ou ganharão novas conformações no conteúdo jusagrário. tem-se como exemplo a questão do trabalho rural. Cuiabá. malgrado a sua influência muito grande nos elementos componentes do meio agrário. p. Outro tema. como forma de alargar os meios de inclusão de temas. n. diante da compreensão do próprio conteúdo enquanto aquilo que normatiza os objetos do jusagrarismo. o conteúdo. a atividade e a política agrárias (esses fazem parte do seu conteúdo). que fala sobre o seu conceito. também. sem desconsiderar. de acordo com a política agrária. como o próprio Direito Agrário. é um produto histórico. Os objetos: não se pode desconhecer. disciplinadores – no caso brasileiro. Ano 1. as possibilidades fornecidas pela interdisciplinaridade. o seu histórico. inclusive jurisdicional. que outro ponto de triagem serão os objetos do Direito Agrário. que é seu objeto. que se pode apresentar aqui. e das características de institutos próprios.

jurisprudência. Sulaiman. In: PINTO. MARCIAL. ALVARENGA. ed. CARROZZA.). Il contenuto del diritto agrario: spunti problematici. 251-293. p. Cuiabá. Analisi storico giuridica della proprietà fondiaria in Brasile. In: Scientia iuris: Revista do Curso de Mestrado em Direito Negocial da Uel. 1989. Raymundo. Londrina: Editora da UEL. 1. Estratto dalla Rivista Di Diritto Civile Anno XX – 1974 – n. A. 1978. 1986. São Paulo: Saraiva. MIGUEL NETO. Buenos Aires: Editorial Astrea de Alfredo y Ricardo Depalma. 2. Teoría general e institutos de derecho agrario. ed. L’individuazione del diritto agrario per mezzo dei suoi istituti. ZENUN. 5/6. A. 40.82 – Parte ii: Direito Ambiental Brasileiro Em situação oposta encontra-se a reforma agrária. In: REGHIZZI. 2007 . 1993. 1983. Constituição da República Federativa do Brasil. O direito agrário como ciência no Brasil. Valladolid: Antonio D. Uberaba: Editora Vitória. Fonti ed oggetto del diritto agrario: 5ª tavola rotonda italo-sovietica (Firenze. Ricardo Zeledón. Madrid: Editorial Revista de Derecho Privado. Gabriele Crespi. n. Trabalhador rural: relações de emprego. ou diretrizes é possível construir elenco bastante razoável de temas pertencentes ao conteúdo do Direito Agrário Brasileiro. Revista Amazônia Legal de estudos sócio-jurídico-ambientais. 2007. MIRANDA. Ano 1. Saulo Emídio dos. Padova: CEDAM. In: LARANJEIRA. Campinas: Bookseller. Bauru: EDIPRO. I (Parte General). FALCÃO. 1995. Questão agrária. 69-82. SANTOS. VILLAR. Com esses referenciais. BRASIL. Soldevilla y. atual. CARROZZA. 1979. Belém: CEJUP. Antonio de Toledo. Conteúdo do direito agrário: implicações da natureza das suas normas. Augusto. Derecho agrario. LARANJEIRA. 1991. jan. Octavio Mello. P. 1 (2001-2002). que é ponto indubitável do conteúdo do Direito Agrário Brasileiro. v.-jun. p. São Paulo: LTr. GRAZIANI. Milano. Brescia. do objeto e das fontes. Giuffrè Editore. Raymundo (Coord. 1999. Goiânia: AB. Dott. Rio de Janeiro: AGGS/Ed. legislação e prática. Referências ALBUQUERQUE. 1-167. Milano: Giuffrè editore. V. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 05 de outubro de 1988. 1974. Marcos Prado de. 1990. 6 – Parte Prima. Soldevilla y Villar. 138-147. p. Esplanada/CONSAGRA. critérios. O direito agrário e sua dinâmica. 1984. Alcir Gursen de. et alli. PORRU. Antonio D. Derecho agrario (lecciones para un curso). Antonio & ZELEDÓN. Teoria de direito agrário. Direito agrário brasileiro: doutrina. Sirmione 9-16 novembre 1982). Teoria e prática do direito agrário. Antonio. p. 2004. Direito agrário brasileiro: em homenagem à memória de Fernando Pereira Sodero. Ismael Marinho. Carlo Alberto. 1997. Ballarín. 83-87. n. Paola.

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