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Resenha Crítica do Texto Manifesto do Partido Comunista

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UNIVERSIDADE SANTA ÚRSULA IPP - INSTITUTO DE PSICOLOGIA E PSICANÁLISE DEPARTAMENTO DE GRADUAÇÃO DE PSICOLOGIA

DISCIPLINA EST 215 – INTRODUÇÃO ÀS CIÊNCIAS SOCIAIS PROFESSORA AMANDA COSTA REIS

RESENHA CRÍTICA MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA

Resenha elaborada pelo aluno Silvio de Souza Aguiar Carvalho - Matrícula 081005368, como requisito para aprovação na Disciplina Introdução às Ciências Sociais.

Rio de Janeiro 2012.1

particularmente na França. Aos 24 anos começa a trabalhar como jornalista em Colônia. arte e literatura na Universidade de Bonn. que muito lhe ajudou durante toda a vida. mudou-se para Paris (1843) e posteriormente para Bruxelas (1845).br/biografias) O Cenário Quando o Manifesto do Partido Comunista foi publicado. Nesse período conheceu Friedrich Engels.RESENHA CRÍTICA DO TEXTO DE KARL HEINRICH MARX E FRIEDRICH ENGELS: “MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA”. Completou os seus estudos em Filosofia na Universidade de Berlin como discípulo de Hegel. integrando o Grupo dos Jovens Hegelianos. nasceu em Trier. de quem se torna amigo. então província da Prússia. bem como alguns dados biográficos de cada um. é descrito por Melo e Costa (1999): O ano de 1848 é marcado pelo avanço das ideias liberais e nacionalistas. filho de um rico industrial do ramo têxtil. O período. faz-se necessário uma breve introdução para contextualiza-lo no cenário político no qual os autores se inseriam na época da sua publicação. com a participação do proletariado urbano. Ainda como estudante vai trabalhar nos negócios de sua família em Manchester. Na França. conhecido como A Primavera dos Povos. transferindo-se para Universidade de Berlin para estudar filosofia de Hegel. onde toma contato com a difícil vida do trabalhador fabril. o movimento adquiriu características mais sociais. Nesse ano irromperam levantes por toda a Europa. 1 . Friedrich Engels (1820 – 1895). Estudou direito. Aderindo às ideias de esquerda encontra Karl Marx. na Inglaterra.edu. Os Autores Karl Heinrich Marx (1818 – 1883). com revoluções eclodindo em diversos países.dec. filho de um advogado bem sucedido.ufcg. INTRODUÇÃO Para que possamos analisar de forma crítica o referido texto. nasceu em Barmen. inclusive financeiramente. a Europa vivia um quadro político de intensa agitação. coautor em diversas obras e principal colaborador na luta pelos direitos dos trabalhadores. Por motivos políticos. pela consolidação da burguesia no poder e pela entrada no cenário político do proletariado industrial. na Renânia. filosofia. (http://www. também na Renânia.

Finalizando. P. com a burguesia consolidando o seu poder em diversos países da Europa. que havia se beneficiado pela acumulação primitiva de capital no período do mercantilismo. o proletariado industrial crescia na mesma proporção que a Revolução Industrial avançava. os autores articulam aquele que será o núcleo da questão: a luta entre as classes sociais. e a entrada do proletariado industrial como força política organizada. (d) a instabilidade política. e principalmente a Europa. acirravam os desentendimentos entre as classes sociais. (MELO. vivenciava alterações no sistema de produção. Burguesia x Proletariado Na sua primeira parte. de forma acelerada. seus fins e suas tendências”. 1999. fruto da Primeira Revolução Industrial. assume o poder econômico e busca fortalecer sua posição político-financeira junto ao Estado. a implantação de assembleias constituintes e pela unificação de regiões. apresenta-se como a necessidade dos comunistas darem ciência ao mundo “do modo de ver. intitulada “Burgueses e Proletários”. para emoldurar o quadro. 226) Para Melo e Costa (1999). provocada pelas lutas por maior participação popular nas decisões de governo. COSTA. (f) nasciam os partidos socialistas que reivindicavam direito de greve. como força política emergente. com redução do poder aquisitivo da população. baixos salários e condições insalubres de trabalho. redução da jornada de trabalho e melhores condições de vida. (e) no plano social. 1999) O MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA O texto. (MELO. é oportuno destacar os seguintes fatores sócio-políticoeconômico-ideológicos: (a) a burguesia. (c) de 1842 a 1846 a Europa enfrenta períodos de péssimas colheitas. conhecida como a “era do carvão e do ferro” que iniciara em 1760 e que se prolongaria até 1860. devemos entender as revoluções de 1948 como um prolongamento da Revolução Francesa de 1789. porém.enquanto na Itália e na Europa central as manifestações visavam à unificação e ao estabelecimento de governos constitucionais. produzindo um excedente na produção industrial e gerando falências e desemprego. (b) o mundo. escrito por Karl Marx e Friedrich Engels e publicado pela primeira vez em Londres em fevereiro de 1848. 2 . com jornadas de trabalho de 14 a 16 horas. alimentado pelo êxodo rural. como na Alemanha e na Itália. Burguesia X Proletariado. COSTA.

Focalizam a evolução histórica da divisão de trabalho e das relações de produção e troca. sob as seguintes acusações:      O Estado se caracteriza hoje como um comitê para gerir os negócios comuns de toda a classe burguesa. Revolucionou os instrumentos e as relações de produção. enfocando o acelerado enriquecimento da burguesia. Estabeleceu a livre concorrência. classificando a burguesia como opressora e o proletariado como a classe oprimida. comerciais e egoístas. da Idade Média à Revolução Industrial. Para Marx e Engels.     Levou a “torrente da civilização” às nações mais bárbaras. Globalizou sua influência imprimindo um caráter cosmopolita à produção. caracterizado pela conquista da “soberania política exclusiva no Estado representativo moderno” pela burguesia e seu papel como agente da “profanação” de tudo que era “sagrado. bem como o processo político e a dinâmica social no período. Despedaçou sem piedade os laços “superiores naturais” que uniam o homem. Transformou todas as categorias profissionais em seus servos. burguerisando todos os povos e culturas. 3 . às matérias primas e ao mercado. substituindo o antigo isolamento comercial dos países pelo intercâmbio e interdependência universal. articulando-se pela a centralização política e pala unificação de províncias em nações. com efeito nas relações sociais. secular e venerado” até então.Introduzem uma rápida análise explicativa do “como” e do “por que” das duas classes serem antagônicas. Centralizou os meios de produção e concentrou a propriedade em poucas mãos. com reflexo na produção intelectual e na cultura. levando à “destruição violenta de grande quantidade de forças produtivas” e “pela conquista de novos mercados e pela exploração mais intensa dos antigos”. a burguesia é caracterizada como o grande vilão. e subordinando o Oriente ao Ocidente. Criou a “epidemia da superprodução” que reconduz periodicamente a sociedade à um “estado de barbaria momentânea”. substituindo-os por laços frios. despedaçando os entraves que o regime feudal impunha aos meios de produção e troca. “esfumando” tudo que era sólido e estável.

Convocam os operários à “revolução aberta” onde o proletariado estabelecerá a “sua dominação pela derrubada violenta da burguesia” e tudo aquilo que lhe atribui a condição de classe dominante. Marx e Engels passam o foco para o proletariado. como subproduto do capital. são para Marx e Engels. os homens pelas mulheres e crianças. transformando as camadas inferiores da classe média (pequenos industriais. pequenos comerciantes. etc. constrangendo-os “a vender-se diariamente”. destruindo as mercadorias estrangeiras. Os pequenos comerciantes. em muitos casos. Banalizou o trabalho. Prosseguem traçando um paralelo entre a vida do proletariado e à ideologia comunista. O ódio comum une cada vez mais os trabalhadores que. o operário moderno. Essa luta se articula a princípio em motins isolados. cuja condição de vida “o predispõem mais a vender-se a reação”. tornando o operário um simples apêndice da máquina. aniquilando a concorrência dos pequenos produtores. artesãos e camponeses. por não ter nada mais a perder. sua organização como força política e para as razões pelas quais a burguesia deve ser aniquilada pelo uso da força. o proletário “logo que nasce começa sua luta contra a burguesia”. pequenos fabricantes. “liquidar a sua própria burguesia”. caracterizando os expurgos da classe média como conservadores. atacando os instrumentos de produção. o “lumpen-proletariado”. Enaltecem o proletariado como “classe verdadeiramente revolucionária” e como único “produto autêntico” do desenvolvimento burguês. possibilitando assim a redução dos salários. recomendando que o proletariado. Para os autores. preocupados exclusivamente com seus interesses futuros.  Produziu. transformando o homem em mercadoria. as máquinas. artesãos e camponeses) em proletários. substituindo. antes de tudo. do proprietário.   Utilizou o pagamento do trabalho em dinheiro tornando o operário “presa de outros membros da burguesia. se transformam na arma “que lhe darão a morte”. deva cada qual em seu país. Depois de caracterizar todos os males que a burguesia causa ao homem. pessoas que possuem renda. queimando as fábricas. do varejista.”. 4 . do usuário. Modernizou os meios de produção. os proletários. utilizando-se do progresso e da cultura criados pela própria burguesia. no esforço de retornar à sua condição de artesão da Idade Média.

O porquê dos Comunistas liderarem os Proletários Nessa parte do texto. serão “indispensáveis para transformar radicalmente todo o modo de produção”. político. Na concepção dos autores. rebatendo as críticas feitas à ideologia comunista quanto: ao modo de produção e apropriação do trabalho intelectual. a independência burguesa. do modo mais radical. como monopólio do Estado comunista. Com a extinção da burguesia e o proletariado assumindo o poder como única classe social existente. a liberdade burguesa” através do aniquilamento do “indivíduo burguês”. as medidas visam à centralização dos meios de produção. o controle social. para centralizar todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado. isto é. com as ideias tradicionais”. a extinção da ideia de pátria e nacionalidade. recomendando “efetivamente abolir a individualidade burguesa. a imposição da educação social. à abolição da família e os vínculos parentais. portanto. Em seguida. a abolição da religião. objetivando a “violação despótica do direito de propriedade e das relações de produção burguesas”. econômico. conquista do poder político pelo proletariado”. uma vez que “são a fração mais resoluta dos partidos operários” e seu alvo imediato “é o mesmo que o de todos os demais partidos proletários: constituição dos proletários em classe. os autores passam a justificar o porquê dos Comunistas serem a classe mais preparada para administrarem o processo de transição proposto pelo manifesto. “nada de estranho. denominado de “indivíduos associados”. passam à análise do antagonismo entre capital e trabalho. o mais rapidamente possível. a criação da comunidade das mulheres. explicando que apesar de parecerem “insuficientes e insustentáveis”. do proletariado organizado em classe dominante. iniciando pela supremacia política. ideia central da teoria comunista. Enumeram as dez ações econômicas que devem ser postas em prática “nos países mais adiantados”. e para aumentar. derrubada da supremacia burguesa. como justificativa para “abolição da propriedade privada”. Justifica que todas essas prerrogativas e ideias se aplicam apenas à classe burguesa e que o proletariado já não disfruta delas. o total das forças produtivas”. rompa. surgem as condições para extinção de todos os 5 . Marx e Engels passam então a descrever a estratégia para tomada do poder. o controle social e cultural. “arrancando pouco a pouco todo capital à burguesia. que no curso do seu desenvolvimento. assim. Dialogam com a burguesia.

Diferente do pensamento comunista de Saint-Simon e Owen que buscavam benefícios para todas as classes pelas vias políticas. no propósito de eliminar toda a concorrência político-ideológica. onde os benefícios devem ser direcionados apenas ao proletariado. pelas vias políticas. com destaque para o movimento político na Alemanha. reforçando a posição comunista como único movimento revolucionário autêntico. as importantes e necessárias mudanças nas relações de trabalho então vigentes. da Idade Média ao ano de 1848. que na visão dos autores se encontrava “nas vésperas de uma revolução burguesa” a qual eles acreditavam ser “o prelúdio imediato de uma revolução operária”. procurando me abastecer das informações que me levassem a entender e justificar a posição dos autores perante o cenário em que viviam. tendo como principal crítica o caráter pacifista. CONCLUSÃO Antes de iniciar o trabalho em questão. desde que esse movimento tenha como foco principal a questão da propriedade e a derrubada violenta de toda ordem social existente. procurei me desfazer de toda e qualquer posição prédefinida sobre as ideias marxistas. O porquê de o Comunismo ser o único socialismo autêntico Os autores passam à analise histórica das diversas correntes da ideologia socialista. substituindo as classes sociais por “uma associação onde o livre desenvolvimento de cada um é a condição do livre desenvolvimento de todos”. Muitos fatos recordados me ajudaram a clarificar grande parte das motivações que levaram os partidos operários europeus a buscar. Alianças partidárias O texto encerra enumerando as alianças que os comunistas mantinham na ocasião do manifesto. Deixa clara a posição comunista de apoio total e em toda parte. 6 . uma vez que todas as demais classes serão extintas. ridicularizando-as e atacando-as uma a uma. a “qualquer movimento revolucionário contra o estado de coisas social e político existente”.antagonismos. generalista e utópico das demais ideologias. Marx e Engels defendem uma posição radical revolucionária. base do texto em análise. Reli a história contemporânea.

MARX. já que o segundo só viria a se concretizar quase um século mais tarde. que de forma simplista creditava todo o mal da humanidade à existência da burguesia e do seu “maldito capital”. pois esse produzia no seu interior as armas e os algozes da sua própria destruição. os fins justificavam os meios. O caráter revolucionário e o tom belicista e odioso que o manifesto proclama.br/biblioteca/marx_engels_manifesto. Bibliografia COSTA. campos de concentração e extermínio de todos que a eles se opunham. não tinham dúvida da vitória do comunismo sobre o capitalismo. Porém. Friedrich. Em minha opinião. São Paulo: Scipione. Para Marx e Engels. ed. que visa manipular a massa operária que se organizava em busca dos seus direitos. resultaram apenas em regimes totalitários. que. Assim. História moderna e contemporânea. tendo como principal objetivo a tomada do poder por uma minoria intitulada “comunista”. 7 . Luis.Porém.pdf. Não vou aqui entrar no mérito do legado hediondo que o comunismo marxista deixou. reforçaram a minha convicção de que o marxismo foi um mal desnecessário. Disponível em: http://www. Karl. as mesmas informações. MELLO. repleto de estratagemas. Leonel. previsão essa que inclui a transposição do antagonismo entre burgueses e proletários. pois são fatos posteriores ao manifesto. proclamava a extinção de todas as classes com o pretexto de extinguir assim todo o antagonismo social. 1999. Acesso em: 06 jan 2012. 5. Manifesto do partido comunista. na busca desse poder.pstu. ao término da Segunda Grande Guerra Mundial. mesmo que esses levassem ao extermínio de todos que não se alinhassem ao idealismo comunista. a única coisa que se possa ser destacado como positivo no texto é a previsão de como o mundo iria se desenvolver de forma globalizada. para o antagonismo entre o Ocidente e o Oriente.org. em todos os países que adotaram o comunismo. ENGELS. o que fica da sua releitura é a imagem de um texto preparado habilmente.

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