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Projeto ação da cabeça aos pés 1

Projeto ação da cabeça aos pés 1

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O pensamento de Max Weber integra variações interligadas sobre os

aspectos éticos das ações humanas. O sociólogo alemão constata que qualquer

ação eticamente orientada pode maximizar ações diferentes entre si, pois podem

orientar-se pela ética da convicção ou pela ética da responsabilidade.

A ética da convicção, de carácter deontológico3

, se apresenta submetida ao

respeito pelo imperativo categórico da lei moral. Orienta-se por normas e valores já

estabelecidos dos quais pretende aplicar na prática, independentemente de causas

e consequências destas ações. Trata-se, portanto, de uma ética do dever,

atendendo princípios que se traduzem em obrigações aos quais se deve obedecer.

É formalmente a ética do absoluto, na qual seus princípios se traduzem em normas

incondicionais. O que define o bem ou o mal nada mais é do que a tradução ou

concordância de valores ou princípios em práticas adequadas.

A ética da responsabilidade, de carácter teleológico4

, apresenta uma

tendência mais utilitária, pois orienta a sua ação a partir da análise das

consequências daí resultantes. Esta análise levará em consideração o impacto da

ação com a finalidade de beneficiar o maior número de pessoas possíveis.

Desta forma, espera-se que a ação se traduza na maior felicidade possível

para o maior número de pessoas possíveis. A ética da responsabilidade pode

apresentar também um vertente que difere do utilitarismo e que se prende com a

finalidade, ou seja, a bondade dos fins apresenta-se como justificativa para que se

tomem as medidas necessárias à sua realização. Trata-se assim, de uma ação

centrada na eficácia de resultados, na análise dos riscos, na eficiência dos meios e

procura conciliar uma postura pragmática com o altruísmo.

Ao contrário da ética da convicção não é uma ética de certezas, racional,

calculada, é uma ética contextualizada que pondera várias possibilidades de ação,

apoiada em certezas provisionais, sujeita ao dinamismo dos costumes e do

conhecimento.

_____________

3

Deontologia é uma das teorias normativas segundo as quais as escolhas são moralmente necessárias, proibidas ou permitidas. Portanto inclui-
se entre as teorias morais que orientam nossas escolhas sobre o que deve ser feito. A deontologia também se refere ao conjunto de princípios e
regras de conduta — os deveres — inerentes a uma determinada profissão. Assim, cada profissional está sujeito a uma deontologia própria a
regular o exercício de sua profissão, conforme o Código de Ética de sua categoria.

4

Teleologia é uma doutrina que estuda a finalidade da sociedade, humanidade e natureza.

37

Sendo assim, a ação social é uma modalidade específica de ação, ou seja,

de conduta à qual o próprio agente associa um sentido. É a ação orientada

significativamente por um agente conforme a conduta de outros e que acontece de

acordo com essa conduta. Para um melhor entendimento, a ação social se manifesta

como uma reação em cadeia, onde um indivíduo começa a mudar sua conduta de

acordo com a conduta de outro.

[...] podemos falar de uma “ordem econômica”, em termos dos conteúdos de sentido
das relações sociais referentes ao mercado, ou de uma “ordem social”, relativa aos
conteúdos de sentido das relações sociais referentes a uma concepção de honra e a
um estilo de vida dos agentes; ou ainda de uma “ordem política”, relativa aos
conteúdos de sentido referentes à apropriação e luta pelo poder. Se, por outro lado,
considerarmos os agentes sociais em termos da sua participação nas relações
sociais correspondentes a cada uma dessas ordens, teremos condições para definir
três conceitos fundamentais de referência coletiva, novamente sem atribuir às
entidades em questão qualquer existência fora das ações efetivas que lhes dão
vigência. Os conceitos em questão são os de classe, relativo à ordem econômica;
estamento, relativo à ordem social, e partido, relativo à ordem política (COHN, 1997,
p. 31).

Weber teria nomeado a interdependência que envolve o conceito de ação

social de cadeia motivacional: “Cada ato parcial realizado no processo opera como
fundamento do ato seguinte, até completar-se a sequência” (COHN, 1997, p. 27).

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