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GALILÉIA, SAMARIA, JUDÉIA At 18.

Estrutura dos Atos dos Apóstolos

Em Atos 1,6-8, encontramos os grandes passos do caminho testemunhal


da
Igreja primitiva, os critérios da geografia, o material e os sumários que
permitem
distinguir dois grandes blocos da descrição desse caminho: um em que
predomina
a atividade na Palestina sob a direção de Pedro, os Doze e a Igreja de
Jerusalém
(1-12); e o outro, em que prevalece a atividade fora da Palestina e neste
Paulo é o
protagonista (13-28)80.
Há diversidade de estudos sobre a estrutura do Livro. Por isso, se torna
difícil enquadrar sua estrutura sobre uma única perspectiva. Com grande
predominância nos estudos sobre a composição dos Atos é a forma
apresentada por Fitzmyer81 que distribui a estrutura em sete divisões
principais, nas quais
explica gradativamente como o testemunho da palavra de Deus é levado
por
etapas, desde Jerusalém até Roma. Apresenta o itinerário marcante no
livro dos
Atos e por isso, muito pertinente ao nosso trabalho, apesar de longo e
detalhado.

Pedro e Paulo: os apóstolos dos gentios


• Os Atos dos apóstolos narram a história, não de todos os
apóstolos, senão de dois em particular, Pedro e Paulo. A figura de
Pedro domina a primeira parte do livro (1-12) que podia chamar-se
“Atos de Pedro” (ainda que também apareçam João, Estevão e
Felipe). Dos capítulos 13 ao 28 são os “Atos de Paulo” (ainda que
também apareçam Barnabé, Silas, Timóteo, Priscila e Áquila).
Ambos aparecem intercalados entre os dois relatos, como no
episódio do “Concilio de Jerusalém”.
• Para poder escrever o livro dos Atos dos apóstolos, Lucas recorreu
a certo número de fontes. Algumas delas se podem identificar
facilmente, como a fonte jerosolimitana, reunida em torno a Pedro,
ou a fonte antioquena, que narrava a conversão, as viagens e o
cativeiro de Paulo, a outras fontes como a “nós”, além de
numerosas suturas lucanas.

Os gentios
• O grande objetivo de Lucas ao narrar esta história é sinalar a
extensão progressiva do Reino de Deus pelo mundo inteiro, sua
manifestação a toda carne. Este é o programa que o mesmo Jesus
havia fixado a seus apóstolos no momento da Ascensão (At. 1, 8).
• A saída aos gentios nasce por ocasião da perseguição
desencadeada contra os cristãos depois da morte de Estêvão. Este
novo movimento, alcançado também pelo impulso do Espírito, leva
à Igreja a fechar de maneira definitiva a porta diferenciadora que
havia surgido com sua distinção dos judeus (11, 26; 14, 27)
• Paulo se converte em modelo e símbolo do missionário que leva
esta boa notícia aos confins do mundo.

Assim, diante destas propostas apresentadas, a divisão mais


freqüentemente usada é a que: o livro é separado em duas grandes
partes84 (alguns dividem até o capítulo 1285 e outros até o capítulo 15), e
estas fragmentadas em cinco secções que pormenorizam a estrutura do
livro, obedecendo a uma seqüência geográfica, com dados cronológicos
e personagens que nele aparecem86.
As duas grandes partes são assim distribuídas. A primeira parte (1,1-
15,35)
forma um mosaico de acontecimentos diversos, que servem para linear a
expansão e o crescimento do cristianismo; enquanto a segunda parte
(15,36-28,29) apresenta a jornada missionária de Paulo, que leva em
viagem o Evangelho deAntioquia até Roma. Porém estas partes se tecem
formando um conjunto87.
Sendo assim, dentro desta dupla estrutura, apresentamos cinco secções
que
são divididas da seguinte forma:

Estrutura do texto 1’
I. A primeira comunidade cristã (1, 1-26)
• 1. Missão das testemunhas e despedida de Jesus (1, 1-14)
– 1.1 O prólogo (1, 1-2)
– 1.2 Cenário: despedida de Jesus e missão (1, 3-8)
– 1.3 Ascensão de Jesus (1, 9-11)
– 1.4 A primitiva congregação em Jerusalém (1, 12-14)
• 2. Recomposição dos Doze (1, 15-26)

COMENTÁRIOS:

Introdução à obra.
-1,1-2: resume o caminho de Jesus desde seus começos até a
ascensão, depois de instruir aos Doze, movido pelo Espírito.
-1,3-11: desenvolve a última afirmação: os Doze e o Espírito são
os que garantem o caminho.
a) Aparições durante 40 dias. Jesus os instrui sobre o Reino de
Deus.
b) Última aparição, Jesus envia-lhes como testemunhas a
Jerusalém, Judéia, Samaria e até os confins do mundo, com a
assistência do Espírito.
c) Assunção de Jesus e fixação dos limites do tempo da Igreja:
entre a assunção e a parusia.
-1,12-26: eles se preparam na oração e reconstroem o grupo
dos Doze. Este capítulo explica teologicamente a traição de um
dos Doze e oferece a teologia dos Doze: testemunhos
qualificados de Jesus, de seu ministério e ressurreição.
II A missão do testemunho em Jerusalém (2, 1-8, 4)
• 1. Chamamento a todo Israel (2, 1-3, 26)
– 1.1 Acontecimento de Pentecostes: batismo no Espírito (2, 1-
13)
– 1.2 Discurso de Pedro à assembléia de Israel (2, 14-36)
– 1.3 Reação ao discurso de Pedro (2, 37-41)
– 1.4 Primeiro resumo maior: a vida da comunidade unificada
(2, 42-47)
– 1.5 milagre de Pedro no templo (3, 1-11)
– 1.6 Discurso de Pedro no templo (3, 12-26)
• 2. Vida e tribulações da comunidade de Jerusalém (4, 1- 8, 4)
– 2.1 Pedro e João ante o sinédrio (4, 1-22)
– 2.2 A oração dos cristãos de Jerusalém (4, 23-31)
– 2.3 Segundo resumo maior: uma comunidade solidária (4,
32-35)
– 2.4 Exemplos individuais de conduta cristã (4, 36- 5, 11)
– 2.5 Terceiro resumo maior. Uma comunidade compassiva (5,
12-16)
– 2.6 Outra perseguição aos apóstolos (5, 17-42)
– 2.7 Comunidade reestruturada: comissão dos Sete (6, 1-7)
– 2.8 Testemunho de Estêvão (6, 8- 7, 1)
– 2.9 Discurso Estêvão(7, 2-53)
– 2. 10 Redação ao testemunho de Estêvão; seu martírio (7,
54 – 8, 1ª)
– 2.11 Outra perseguição em Jerusalém (8, 1b-4)

COMENTÁRIOS:

introdução e a comunidade de Jerusalém (1,1-5,42)

Com a apresentação do prólogo do livro constituído por aparições do


Ressuscitado, suas instruções e o relato de sua ascensão (1,1-11). Em
seguida, a
composição da comunidade, a escolha de Matias, Pentecostes e o
discurso
inflamado de Pedro, convertendo 3.000 homens. Sublinha o messianismo
vigente
e a realidade da Igreja nascente, que estava no Plano Econômico
Salvífico de
Deus. Assim, as Escrituras se cumpriam.
Em suma, apresenta as origens da Igreja de Jerusalém, explicitando
todas
as dificuldades e também as maravilhas que o cristianismo realizava no
seio das
primeiras comunidades cristãs.

Início da Igreja em Jerusalém a partir de Pentecostes, aparição


do grupo dos helenistas.
-2,1-13: Pentecostes. O Espírito faz com que tenham
consciência da necessidade da missão e capacita-os para levá-la
a cabo. Lucas destaca a ação do Espírito. Somente se é discípulo
de Cristo quando se recebe o Espírito e se anuncia o Evangelho
do Senhor.

-2,14-47: começa o testemunho da Igreja em Jerusalém. Pedro


junto aos Doze predica que Jesus morreu e ressuscitou;
ensinamento apostólico, comunhão de vida, fração do pão e
oração comum.
-3,1-5,42: Os Apóstolos e a comunidade de Jerusalém dão
testemunho da ressurreição curando, predicando e sofrendo as
perseguições sob a orientação do Espírito.

-6,1-8,3: novo conflito com a autoridade judia. São designados


sete membros (diáconos) da comunidade para se encarregar do
serviço aos pobres. Testemunho do proto-mártir Estêvão ante o
Conselho e seu martírio por lapidação. Perseguição e dispersão
dos helenistas, grupo importante e o más aberto e dinâmico da
Igreja nascente. No desenrolar da obra lucana, os helenos são a
premissa histórica que possibilita o caminho aos confins da
terra.
III. A missão de testemunha em Judéia e Samaria (8, 5-40)
• 1. Felipe encontra com Simão em Samaria (8, 5-25)
• 2. Felipe e o Eunuco etíope no caminho de Gaza (8, 26-40)

COMENTÁRIOS:

-8,5-40: Felipe prega o anuncio fora de Jerusalém.

IV. A palavra é levada longe, incluso aos gentios (9, 1- 14, 28)
• 1. O perseguidor se converte em testemunha cristã. (9, 1-31)
– 1.1 O chamado de Saulo (9, 1-19ª)
– 1.2 Pregação de Saulo e problemas em Damasco (9, 19b-25)
– 1.3 Primeira visita de Saulo a Jerusalém (9, 26-31)
• 2. Pedro inicia a missão aos gentios (9, 31 -11, 18)
– 2.1 Milagres de Pedro em Lida e Jope (9, 32-43)
– 2.2 Conversão de Cornélio e sua família em Cesaréia (10, 1
-11,18)
• a) Visão de Cornélio (10, 1-8)
• b) Visão de Pedro (10, 9-16)
• c) Boas vindas de Cornélio aos mensageiros (10, 17-
23ª)
• d) Testemunho de Pedro em casa de Cornélio (10, 23b-
48)
• e) Auto-defesa de Pedro em Jerusalém (11, 1-18)
• 3. Propagação da Palavra aos gentios em outras partes (11, 19
-12, 25)
– 3.1 Gregos em Antioquia batizados por Barnabé (11, 19-26)
– 3.2 O profeta Ágabo e a coleta para Jerusalém (11, 27-30)
– 3.2 Perseguição de Santiago e Pedro por Herodes; morte de
Herodes (12, 1-23)
– 3.4 Resumo e sutura lucana (12, 24-25)
• 4. Primeira viagem missionária de Paulo aos gentios em Ásia
menor (13, 1 -14, 28)
– 4.1 Missão de Barnabé e Saulo (13, 1-3)
– 4.2 Evangelização de Chipre (13, 4-12)
– 4.3 Evangelização de Antioquia de Pisídia; discurso de Paulo
(13, 13-52)
– 4.4 Evangelização de Icônio (14, 1-7)
– 4.5 Evangelização de Listra e Derbe (14, 8-20)
– 4.6 Volta de Paulo a Antioquia em Síria (14, 21-28)

COMENTÁRIOS:

início das missões (6,1-12,25)

Esta seção apresenta a difusão do Evangelho para além das fronteiras de


Jerusalém88. A missão dos apóstolos estende-se ao universo (At 1,8; cf. Is
45,14).
As etapas, aqui assinaladas, traçam em linhas gerais o esquema
geográfico dos
Atos: Jerusalém, que era o ponto de chegada do Evangelho, é agora o
ponto de
partida (cf. Lc 2,38)89.
A figura central desta seção é Pedro, que abre as portas do Evangelho ao
mundo pagão90 (cf. 10,1-48). Porém também encontramos outras figuras
que
enriquecem estes relatos: os sete diáconos (6,1-7)91, dentre os quais
destacam-se
Estêvão (6,8-8-3)92 e Filipe (8,4-40)93.
Nesta seção, outro ponto de relevante destaque é a narrativa das
primeiras
perseguições ao cristianismo, episódios que culminam por propagarem o
Evangelho para as outras regiões. Percebemos o divino plano de Deus
(Economia
da Salvação) na difusão do Evangelho. Também nos deparamos com a
primeira
narrativa da conversão de Paulo. Assim, em três momentos, é resumida
a ação dos missionários nesta seção:
At 6,7: “E a palavra do Senhor crescia. O número dos discípulos94
multiplicava-se enormemente em Jerusalém, e considerável grupo de
sacerdotes
obedecia à fé”. A Igreja fortificava sua estrutura com a escolha de sete
diáconos
(6,1-7), o discurso de Estêvão anuncia o movimento “cristão” que se
apartava dos judeus e culminava com seu martírio, tornando-se uma
nova realidade de
testemunho, e iniciava a expansão abrindo perspectivas para novos
personagens
com novos rumos evangelizadores: Filipe, Pedro, Paulo, Barnabé. Eis um
pequeno
esquema: Filipe converte um eunuco da Etiópia na Samaria (8,4-40);
Saulo, o
outrora perseguidor dos que aderiam a Jesus, converte-se no caminho de
Damasco
e torna-se um novo propagador da Palavra de Deus, tendo como
companheiro
Barnabé (9,1-30); a figura de Pedro, que também inicia o processo
universal de
expansão da Igreja vivente, com uma visão que o leva a Cesaréia95 e ali
batiza a
família de um centurião romano, Cornélio96 (9,31-11,18). Em At 9,31:
“Entretanto, as igrejas gozavam de paz em toda a Judéia, Galiléia e
Samaria. Elas
se edificavam e andavam no temor do Senhor, repletas da consolação do
Espírito
Santo”.
At 12,24: “Entretanto, a Palavra de Deus crescia e se multiplicava”,
mesmo com o início das perseguições: Pedro é preso e Tiago, filho de
Zebedeu, é
decapitado (12,1-25).
-9,1-31: Conversão e vocação de Paulo.
-9,32-43: Pedro visita as comunidades de Judéia: Lida (Eneas) e
Jope (Tabita).
-10,1-11-18: Pedro, obedecendo o mandato divino, acolhe ao
pagão Cornélio no seio da comunidade cristã. Este
acontecimento prepara o caminho à difusão universal.
-11,19-30: começo da comunidade de Antioquia. Paulo e
Barnabé intervêm na coleta para remediar a fome. Antioquia
enviará a Paulo e a Barnabé.
-12,1-23: Lucas acaba esta parte referindo-se à Igreja de
Jerusalém, com a qual havia começado: perseguição da
comunidade primitiva em tempos de Herodes Agripa; prisão de
Pedro e libertação prodigiosa; castigo e morte do perseguidor.
-13,1-14,28: primeira viagem. Missão de Paulo e Barnabé: Chipre
(Pafos; pro cônsul Sergio Paulo). Galácia Meridional (Antioquia
de Pisídia, Icônio, Listra, Derbe). Regresso a Antioquia

At 10, nos versículos 34-35 mostram através da conversão de Cornélio


(centurião romano) a expansão étnica do cristianismo, pois, Deus não faz
acepção de pessoas.
91 Lucas não usa o termo diak, onoj, mas sim diakonia, , que significa
serviço. Eis os escolhidos:
Estêvão, Filipe, Prôcoro, Nicanor, Timon, Parmenas, Nicolau. Todos têm
nomes gregos. Assim, o
grupo dos cristãos helenistas recebe uma organização separada do grupo
hebreu. O ministério, de
certa forma, se expande para fora da raça judaica (cf. nota “i” – Bíblia de
Jerusalém, 8ª edição:
Atos dos Apóstolos, capítulo 6, versículo 5).
92 Primeiro mártir cristão. Por sua atividade missionária foi expulso de
Jerusalém e apedrejado até
a morte.
93 Segundo a tradição, foi martirizado na Frígia aos 87 anos de idade.
94 “Os discípulos” nova maneira, em certas seções dos Atos (nem antes de
6,1, nem depois 21,6:
indícios de fontes utilizadas por Lucas), de designar os cristãos, assimilados
assim ao pequeno
grupo de fiéis que aderiram a Jesus e que os Evangelhos designam por este
nome. (cf. nota “d” –
Bíblia de Jerusalém, 8ª edição: Atos dos Apóstolos, capítulo 6, versículo 1).

Porto que Herodes, o grande, construiu em honra a César Augusto na costa


do Mediterrâneo, a 40 Km de Samaria. Cornélio, o centurião romano, era de
lá (At 10. Paulo
esteve preso por dois anos nesta cidade (At 23,31-26,32).
96 Cornélio, um dos centuriões da corte itálica da Cesaréia (At 10,1), o
primeiro gentio a se
converter à fé cristã. As circunstâncias que acompanham este batismo
provaram aos cristãos de
origem judia que a circuncisão não era necessária à salvação. VICENTE, A.,
Dicionário Bíblico.
São Paulo: Edições Paulinas, 1969, p. 132.
97 Paulo, Barnabé e João Marcos foram à Ilha de Chipre, onde já havia
comunidades cristãs.
Pregaram em Sálamis, percorreram toda a ilha até Pafos. De Pafos seguiram
para Perge e Panfília,
onde João Marcos se despede e volta para Jerusalém. Paulo e Barnabé
seguem para Antioquia da
Pisídia, Icônio, Listra Derbe e redondezas. Depois retornaram por Listra,
Icônio e Antioquia da
Síria (anos de 44-49).

V. A decisão de Jerusalém sobre os gentios cristãos (15, 1-35)


• 1. Pré-história (15, 1-2)
• 2. Convocação e apelação de Pedro ao precedente (15, 3-12)
• 3. Confirmação de Santiago e propostas (15, 13-21)
• 4. A carta de Jerusalém às igrejas locais dos gentios (15, 22-29)
• 5. Repercussão da decisão de Jerusalém e carta (15, 30-35)

COMENTÁRIOS:

Barnabé e Paulo – A primeira viagem missionária e o


primeiro Concílio de Jerusalém (13,1 - 15,35).

Na terceira seção do livro, começa a narrativa da primeira viagem


missionária de Paulo97 (12,1-14,28), especificamente no capítulo 13,
enviados
como missionários a Antioquia, evangelizam Chipre e penetram até
Licaônia. Daí,
nos depararmos com a expansão do cristianismo que ultrapassa a
barreira do
mundo judaico e penetra a Ásia Menor, desbravando, com audácia e
convicção, a
dimensão territorial do Evangelho98.
Com a nova geografia de evangelização surgiram divergências de
culturas
e costumes, fazendo-se mister um maior esclarecimento da nova fé que
surgia no
mundo. Mesmo convertendo muitos a Cristo, Paulo e Barnabé são
convidados a
voltarem a Jerusalém para, esclarecerem os novos rumos do
cristianismo, antes
um patrimônio exclusivo do povo judeu. Os conflitos de identidade foram
debatidos e esclarecidos na primeira convocação da Igreja, para conciliar
propostas. Assim, surgiu o Concílio de Jerusalém (At 15; cf. Gl 2,1-10),
presidido
por Tiago99, então bispo da Igreja de Jerusalém. Convocação que tinha
como
encarte principal o colóquio entre os novos convertidos100.
Com o concílio está concluída a terceira parte desta seção. Assim, Paulo
tem mãos livres para levar, diante do mundo greco-romano a carga
gloriosa e
dolorosa do testemunho cristão, pois primeiro pregava aos judeus e, em
seguida,
aos pagãos101.

- 15, 1-35. Problema de relacionamento com os judeu-cristãos, resolvido


com a celebração do concilio apostólico de Jerusalém (decreto).
-15,36-18,22: segunda viagem de missão (Macedônia e Acaia): saída de
Antioquia; separação entre Barnabé e Paulo; por meio de Ásia Menor
(Galácia setentrional) até Trôade; em Macedônia (Filipos, Tessalônica,
Beréia); em Acaia (Atenas, Corinto) . Regresso a Antioquia passando por
Éfeso e Cesaréia.
-18,23-20,4: terceira viagem de missão (Éfeso): o alexandrino Apolo em
Éfeso e Corinto; atividade de Paulo em Éfeso; a alvoroço dos ourives
(Demetrio); marcha de Paulo, visita a Macedônia e invernada no Hélade
(Corinto).
20,5-22,21: última viagem a Jerusalém (passando por Filipos,Trôade e
Mileto onde Paulo pronuncia um discurso de despedida aos anciãos de
Éfeso, Cesaréia); sombrios pressentimentos e vaticínios.
-Chegada a Jerusalém e visita à comunidade primitiva; tentativa de
afastar o perigo que lhe ameaça por parte dos judeus.
-Entrada no templo e prisão. Testemunho de Paulo missionário, falando
aos judeus

VI. Missão universal de Paulo e testemunho (15, 36 -22, 21)


• 1. Ulteriores viagens missionárias de Paulo (15, 36 -22, 21)
– 1.1 Paulo e Barnabé diferem e separam-se (15, 36 -20,38)
– 1.2 Segunda viagem missionária de Paulo (15, 41 -18, 22)
• a) Em Derbe e Listra: Timóteo como companheiro (15,
41 -16,5)
• b) Paulo cruza Ásia menor (16, 6-10)
• c) Evangelização de Filipos (16, 11-40)
• d) Paulo em Tessalônica e Beréia (17, 1-15)
• e) Paulo evangeliza Atenas no Areópago (17, 16-34)
• f) Paulo evangeliza Corinto; Arrastado ante Galião (18,
1-17)
• g) Paulo volta a Antioquia (18, 18-22)
– 1.3. Terceira viagem missionária de Paulo (18, 23- 20, 38)
• a) Apolo em Éfeso e Acaia (18, 23-28)
• b) Paulo em Éfeso e discípulos do Batista (19, 1-7)
• c) Evangelização de Paulo de Éfeso (19, 8-22)
• d) Motim dos ourives de Éfeso (19, 23-41)
• e) Paulo sai para Macedônia, Acaia e Síria (20, 1-6)
• f) Paulo revive a Êutico em Trôade (20, 7-12)
• g) Viagem de Pablo a Mileto (20, 13-16)
• h) Discurso de despedida em Mileto (20, 17-38)
• 2. Paulo em Jerusalém (21, 1 -22, 21)
– 2.1 Viagem de Paulo a Jerusalém (21, 1-16)
– 2.2 Paulo visita a Santiago e aos anciãos de Jerusalém (21,
17-25)
– 2.3 Paulo é preso em Jerusalém (21, 26-40)
– 2.4 Discurso de Paulo à multidão de Jerusalém (22, 1-21)

COMENTÁRIOS:

as grandes missões da Igreja primitiva (15,36 - 19,20)

A segunda e a terceira viagens de Paulo são narradas nesta parte102, que


engloba a fundação das primeiras comunidades nos grandes centros da
Ásia
Menor, Macedônia e Grécia, dentre os quais estão Filipos, Tessalônica,
Beréia,
Corinto, Atenas e Éfeso. Ali, o Evangelho encontra-se em conflito com a
cultura
grega e com as autoridades e estruturas do Império103.
O autor dos Atos está bem informado sobre alguns personagens que
entram no universo de Paulo: Priscila, Áquila, que vêm de Roma; Apolo,
um
alexandrino eloqüente. Paulo parte com Silas e Timóteo de Listra. O
Espírito
Santo o conduz, contra a sua vontade, até Trôade. O relato da viagem
passa
repentinamente para a primeira pessoa do plural, o autor,
provavelmente se
encontra entre os companheiros de Paulo.
Lucas se interessa em narrar, particularmente, os acontecimentos em
Éfeso, esta “segunda capital” do mundo Paulino, onde Paulo chega
depois de sua
peregrinação e lá permanece por dois anos (primeira fase da terceira
viagem)104.

- 22,22-23,35. testemunho de Paulo missionário; cativeiro na torre


Antonia; ataques de fanáticos judeus e prisão; discurso ao povo; ante o
Sinédrio; conjura dos judeus; conduzido a Cesaréia.
- 24,1-26,32. Processo de Paulo ante o tribunal do governador;
comparecimento ante Felix; adiamento do processo; ante o tribunal de
Festo; Paulo apela a César; Festo informa sobre o processo ao rei Agripa
II; Paulo pronuncia um discurso de defesa ante Agripa.
- 27, 1-28.29. Paulo é conduzido a Roma; de Cesaréia Creta, passando
por Mira de Licia; temporal no mar; naufrágio cerca de Malta e
salvamento; invernada em Malta; de Malta a Roma.
-Paulo passa dois anos preso em Roma: prega primeiro aos judeus,
porém muitos deles são cépticos ao anúncio. Diz: “Sabei que a salvação
de Deus se envia aos pagãos; eles sim, escutarão.”
O sumário final (28,30-31), deixa claro que Paulo durante sua
permanência em Roma dedicou-se ao anuncio da Boa Nova. Lucas
apresenta a Paulo, como protótipo da missão universal da Igreja.

VII. Paulo preso pelo testemunho da Palavra (22, 22-28, 31)


• 1. Prisioneiro em Jerusalém e testemunho ali (22, 22 -23, 22)
– 1.1 Paulo levado aos quartéis romanos; o cidadão romano
(22, 22-29)
– 1.2 Paulo levado ante o sinédrio de Jerusalém (22, 30 -23,
11)
– 1.3 Conspiração do povo de Jerusalém para matar a Paulo
(23, 12-22)
• 2. Prisioneiro em Cesaréia e testemunho ali (23, 23 -26,32)
– 2.1 Traslado a Cesaréia (23, 23-35)
– 2.2 Processo ante o governador Félix (24, 1-21)
– 2.3 Prisão de Paulo em Cesaréia (24, 22-27)
– 2.4 Ante o governador Festo, Paulo apela a César (25, 1-12)
– 2.5 Festo convida a Agripa a escutar a Paulo (25, 13-27)
– 2.6 Discurso de Paulo ante Agripa e Festo (26, 1-23)
– 2.7 Reações ao discurso de Paulo (26, 24-32)
• 3. Prisioneiro em Roma, testemunho e ministério ali (27, 1 -28, 31)
– 3.1 Partida para Roma (27, 1-8)
– 3.2 Tormenta no mar e naufrágio (27, 9-44)
– 3.3 Paulo passa o inverno em Malta (28, 1-10)
– 3.4 Chegada de Paulo a Roma e prisão domiciliaria (28, 11-
16)
– 3.5 Testemunho de Paulo aos judeus principais de Roma (28,
17-31)

COMENTÁRIOS:

término das missões (prisão de Paulo) e chegada do


Evangelho a Roma (19,21-28,29).

A quinta e última parte do livro enfoca, principalmente, a prisão de Paulo


e
sua chegada a Roma, pois fora encarcerado em Jerusalém e depois em
Cesaréia.
Levado em escolta militar para Roma, sofreu naufrágio antes de chegar,
enfim a
Roma, apresentando a prisão de Paulo. A narração é relatada da forma
mais viva,
no próprio estilo de Lucas.
Deste modo, a divisão obedece a uma dinâmica geral da trajetória
estabelecida por Lucas considerando a dispersão do anúncio cristão,
distinguindoo
da expansão da Boa Nova, que se dilata do mundo eleito, onde a figura
de Pedro
predomina, e se propaga para o mundo pagão pela imposição e ímpeto
de Paulo.
Assim, o livro dos Atos pode ser considerado como um prólogo adequado
para o
resto da história da igreja vigente.
Estrutura dos Atos dos Apóstolos

Em Atos 1,6-8, encontramos os grandes passos do caminho testemunhal


da
Igreja primitiva, os critérios da geografia, o material e os sumários que
permitem
distinguir dois grandes blocos da descrição desse caminho: um em que
predomina
a atividade na Palestina sob a direção de Pedro, os Doze e a Igreja de
Jerusalém
(1-12); e o outro, em que prevalece a atividade fora da Palestina e neste
Paulo é o
protagonista (13-28)80.
Há diversidade de estudos sobre a estrutura do Livro. Por isso, se torna
difícil enquadrar sua estrutura sobre uma única perspectiva. Com grande
predominância nos estudos sobre a composição dos Atos é a forma
apresentada por Fitzmyer81 que distribui a estrutura em sete divisões
principais, nas quais
explica gradativamente como o testemunho da palavra de Deus é levado
por
etapas, desde Jerusalém até Roma. Apresenta o itinerário marcante no
livro dos
Atos e por isso, muito pertinente ao nosso trabalho, apesar de longo e
detalhado.

Pedro e Paulo: os apóstolos dos gentios


• Os Atos dos apóstolos narram a história, não de todos os
apóstolos, senão de dois em particular, Pedro e Paulo. A figura de
Pedro domina a primeira parte do livro (1-12) que podia chamar-se
“Atos de Pedro” (ainda que também apareçam João, Estevão e
Felipe). Dos capítulos 13 ao 28 são os “Atos de Paulo” (ainda que
também apareçam Barnabé, Silas, Timóteo, Priscila e Áquila).
Ambos aparecem intercalados entre os dois relatos, como no
episódio do “Concilio de Jerusalém”.
• Para poder escrever o livro dos Atos dos apóstolos, Lucas recorreu
a certo número de fontes. Algumas delas se podem identificar
facilmente, como a fonte jerosolimitana, reunida em torno a Pedro,
ou a fonte antioquena, que narrava a conversão, as viagens e o
cativeiro de Paulo, a outras fontes como a “nós”, além de
numerosas suturas lucanas.

Os gentios
• O grande objetivo de Lucas ao narrar esta história é sinalar a
extensão progressiva do Reino de Deus pelo mundo inteiro, sua
manifestação a toda carne. Este é o programa que o mesmo Jesus
havia fixado a seus apóstolos no momento da Ascensão (At. 1, 8).
• A saída aos gentios nasce por ocasião da perseguição
desencadeada contra os cristãos depois da morte de Estêvão. Este
novo movimento, alcançado também pelo impulso do Espírito, leva
à Igreja a fechar de maneira definitiva a porta diferenciadora que
havia surgido com sua distinção dos judeus (11, 26; 14, 27)
• Paulo se converte em modelo e símbolo do missionário que leva
esta boa notícia aos confins do mundo.

O contexto histórico dos Atos dos Apóstolos

Contexto social e político: é sabido historicamente que o povo de Jesus


era
dominado pelos romanos. Logo, a influência social e política eram
demasiadas.
Portanto, diante destes aspectos, podemos entender certas situações
nas quais
passavam os judeus.

a) A sociedade romana das cidades no tempo de Jesus era formada por


livres e
escravos. A classe dos livres era formada: por metecos127 e cidadãos128,
que
faziam parte da ekklhsia, ou assembléia.
Os escravos não possuíam direitos civis nem podiam constituir famílias,
eram tratados com muita dureza em Roma, considerados como animais
e
chamados de soma ou zwon, em latim: greges ancillarum, legionis
mancipiorum,
desenvolviam trabalhos agrícolas ou serviços domésticos. Entre os
escravos, o
cristianismo encontrou muitos adeptos, pois, na nova religião, eles eram
considerados filhos de Deus e irmãos de Cristo, adquirindo sua dignidade
humana. Uma lógica menção sobre o sentido da escravidão no Novo
Testamento,
conferir a Epístola de Filemon129.

Sobre a divisão administrativa, o império romano era dividido em


províncias (eparceia) que, por sua vez, eram divididas em categorias:
imperiais139
e senatórias140.
c) No sentido religioso, o fenômeno mais notável dentre as várias
manifestações
religiosas do mundo greco-romano era a religião imperial, ou seja, o
culto a Roma
e ao imperador. Seu culto oficial surgiu com Augusto, que recebeu forte
influência com a nomeação de Alexandre “o Grande” (ano 332) pelos
oráculos e
pelos sacerdotes como “filho de Amon” que equivalia em grego ao “filho
de
Zeus”. Augusto se intitulou herdeiro e sucessor de Alexandre. Já a partir
de 29
a.C., as cidades da Ásia Menor, Pergámo, entre outras, organizavam seus
cultos
ao imperador. Nestas cidades havia templos dedicados à deusa Roma.
Nero e Domiciano estimularam e exigiram a adoração a sua pessoa. Sob
Domiciano, o culto ao imperador ganhou sentido universal tornando-se
expressão
de lealdade do cidadão ao próprio império. O cristianismo encontrou
vários
problemas com relação ao culto imperial, como, por exemplo, o próprio
Jesus que
sofreu com esta acusação (Lc 23,2).
Assim, a situação do livro no seu contexto serve para mostrar as crises e
dificuldades dos primeiros cristãos e situá-los no momento atual, já que
a
narrativa teológica-histórica do livro abrange o período da ascensão de
Cristo, por
volta do ano 30 d.C., até a chegada de Paulo a Roma, por volta do ano
60 da era
cristã, e sua composição redacional se dá por volta dos anos 80/90 da
nossa era.

d) A Palestina nos tempos de Jesus: em relação à situação política, a


Palestina
estava sob ocupação romana. A cultura dominante no país era a judaica,
mas
também o grego é a língua dominante. Predominava a diversidade entre
as
culturas: hebraica, grega, romana. Roma respeitava bastante as
instituições e
peculiaridades dos povos que dominava. Havia um representante
romano que
governava ajudado de uma pequena guarda142.

A situação social da Palestina se compunha de dois grupos sociais


predominantes: os judeus, habitantes da própria Palestina, e os pagãos
romanos.
Havia muitos judeus na diáspora, ou seja, vivendo fora da Palestina.
Dentro do
grupo judeu, havia duas linhas do ponto de vista religioso influente: os
fariseus145
e os saduceus146.
Outras classes sociais: a grande maioria era de gente simples e religiosa.
Os sacerdotes eram quem cuidavam do templo e ofereciam os
sacrifícios,
ajudados pelos levitas147. Os guardas colocavam ordem no templo. Com
mais
recursos, havia os escribas, mestres e advogados. Os anciãos eram
determinantes
para as decisões importantes. Havia também os essênios ou monges de
Qunram,
espécie de ordem religiosa; os discípulos de João Batista. Não bem vistos
pelo
povo, os publicanos, unidos aos romanos, cobravam impostos, eram
ricos e
odiados; considerados pecadores, não obedeciam à lei; os herodianos
eram
revolucionários que desejavam que a família de Herodes tomasse o
poder na
Palestina148.

Lucas, provavelmente, esteve com Paulo em algumas de suas viagens,


pois
narra a seção “nós” (At 16,10-17; 20,5-21,18; 27,1-28,16)170 de
experiência
própria. Surpreendentemente, esta seção é narrada na primeira pessoa
do plural.
Outra hipótese plausível é a de que Lucas esteve com Paulo em Roma,
na época
de sua prisão. Isso explica os vários sermões e discursos de Paulo.

144 VICENT, A., Dicionário Bíblico. São Paulo: Edições Paulinas, 1969, p. 504. O sentido
primitivo é de zeloso (At 21,20; 22,3; Gl 1,14). Partido político de rebeldes fanáticos
contrários à
dominação romana; nacionalistas, fundamentalistas e violentos, queriam uma nação
livre e
governada em nome de Deus. Fundado por Judas de Gamala em 7 d.C., teve um papel
relevante
em 64-65, sob Gérsio Floro, e na revolta de Jerusalém contra Roma.

145KASCHEL, W.; ZIMMER, R., Dicionário da Bíblia de Almeida. Barueri: Sociedade Bíblica
do Brasil, 2006, p. 71. Era um grupo de maioria leiga, embora fizessem parte dele
alguns
sacerdotes. Obedeciam estritamente à Lei de Moisés. Respeitavam as tradições (o
sábado, os ritos
de purificação, as orações, a esmola, o dízimo etc), estudavam a Lei de Moisés, eram
influentes e
respeitados. Esperavam a futura vinda de um Messias libertador político, acreditavam
na
ressurreição final, desejavam a independência da Palestina. Embora vivessem com os
romanos,
não eram seus amigos. Paulo se dizia fariseu (At 23,6).

2.3. Finalidade do livro dos Atos dos Apóstolos

O autor dos Atos buscou, dentro de uma proposta teológica, unir e


significar o conjunto da obra175. Reconstruindo em grandes linhas uma
perspectiva
histórico-teológica que dá substância à missão e à fé oriundas das
primeiras
comunidades176. Tais como177:
a) Mostra a continuidade histórica e teológica entre a Igreja das origens
(a dos
Apóstolos que se une com a história de Israel) e as novas Igrejas,
surgidas fora da
Palestina, numa outra área cultural sem tradição e passado histórico;
b) Faz emergir as raízes históricas e espirituais da Igreja, que prolonga a
herança
espiritual de Israel – as promessas – e se abre ao mesmo tempo para o
mundo
ecumênico dos povos;
c) Sublinha, enfim, a unidade do desígnio salvífico de Deus, isto é,
daquela
salvação que se realiza na história, que foi prometida no AT, e é atuada
em Jesus e ainda se prolonga na Igreja.
O Livro dos Atos dos Apóstolos, enquanto relato, desperta grande
interesse em todos os cristãos, pois apresenta, de forma peculiar, as
questões
relativas às origens cristãs: da vida de Jesus até a chegada do Evangelho
em
Roma178. Como fonte de história, pensamento, experiência e teologia da
Igreja, a
obra proporciona exposições que nos ajudam a compreender as
primeiras
comunidades cristãs179.
Mesmo sem grande aprofundamento, a maioria dos cristãos já ouviu
algum
comentário sobre a historicidade desta obra lucana. Por exemplo, a
narração de
Pentecostes: o despertar da Igreja; a história do protomártir Estêvão que,
imbuído
pela força da conversão, doou sua vida pela glória da Igreja; as
narrativas do
outrora “anticristão” Paulo e de Pedro180.
Assim, diante desta dimensão apostólica, podemos perceber a influência
e
a eficácia desta obra para a história e o início missionário eclesial dos
cristãos da
primeira hora e dos novos convertidos. Portanto, a experiência dos Atos
dos
Apóstolos sempre teve grande autoridade em toda a vida da Igreja de
Deus181.
Assim, a dinâmica dos Atos inspira um modo comum de vida e
participação na
Igreja universal182.
Desta forma, a experiência viva e comunitária dos Atos serviu de
exemplo
para que a Igreja vivesse uma realidade completa de comunidade, de
modo que “a
multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém
considerava seu o
que possuía, mas tudo era comum entre eles” (At 4,32)183. Apesar de
Lucas se
concentrar nas atividades missionárias de Pedro e de Paulo, na realidade
o livro
descreve primeiro a ação do mistério do Espírito Santo, que adverte os
cristãos ao
impulso do querigma e do testemunho, através do qual a trajetória da
Boa Nova de
Deus, aos poucos, desloca-se de Jerusalém para Roma, conforme a
ordem dada
pelo Ressuscitado: “Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a
Judéia e Samaria, até os confins da terra”184.
Devido à práxis revolucionária descrita na obra lucana, sempre há
indagações sobre a mensagem apostólica, pois os fatos realizáveis no
“Corpus
Lucanum”, no qual aparecem momentos singulares das personagens e
suas
atividades, expõem a rica narrativa histórica da Igreja primitiva,
explorada sobre a
perspectiva da construção do “modus vivendi” dos primeiros passos do
cristianismo que brotou de uma “insignificante cidade”185, por um
“simples
homem” que vivia sob uma forte pressão cultural e política. Portanto,
quando nos
deparamos com a dimensão desta obra, nos interrogamos: qual a
intenção dos
Atos dos Apóstolos? Esta obra que, no início da Igreja, circulava anônima
e sem
título.
Assim, a partir da práxis da obra Lucana, nós podemos compreender a
estrutura e a intenção teológica de Lucas. Ele quer mostrar como o
Evangelho se
propagou no mundo, deslocando-se do mundo judaico para o mundo
pagão186, não por vontade humana, mas por ordem divina, pois o
universalismo da economia da salvação perpassa toda a perspectiva da
dupla obra Lucana.
185

1 ª VIAGEM MISSIONÁRIA DE PAULO

Paulo, que o nome hebreu era Saulo, nasceu em Tarso, uma cidade que está hoje no sul
da Turquia. Seus pais eram Judeus, embora um deles tivesse cidadania Romana . (Atos
22:25-28).

Contexto: Tarso é uma cidade que hoje está no sul da Turquia. Ela se localiza ao longo
da costa de um rio que provê acesso para a costa do Mediterrâneo. Ao norte da cidade se
erguem as montanhas Taurus. A estrada próxima de Tarso leva através de uma passagem
conhecida como Portões Cilicianos para o interior do país. Uma moeda Grega de Tarso,
mostra a cabeça de uma divindade, como na figura acima. Nos tempos Romanos a
cidade era o lugar de encontro de Antônio e Cleopatra. A cidade também se tornou num
importante centro de filosofia. Paulo nasceu em Tarso mas recebeu pelo menos parte de
sua educação em Jerusalém. (Atos 22:3)

Paulo nasceu em Tarso, mas gastou ao menos parte de sua juventude em Jerusalém. Lá
ele estudou as leis judaicas com o Rabino Gamaliel.

Contexto: Jerusalém tornou-se a capital do antigo Israel durante o reino de Davi, cerca
de 1000 a.C. Nos tempos romanos ela permaneceu como cidade central para a vida dos
Judeus. Este é um lado do templo, que era um lugar onde os sacrifícios podiam ser
oferecidos de acordo com a lei judáica.

DAMASCO:

Contexto: Damasco era a principal cidade da antiga Síria. Localizada na rota do


comércio da antiguidade, seu amplo suprimento de água fez dela uma importante cidade
para o comércio e agricultura. No primeiro século, Damasco estava debaixo do governo
romano, mas no tempo da conversão de Paulo estava aparentemente sendo governada
por um rei local chamado Aretas (2 Cor 11:32). Havia uma grande comunidade judia em
Damasco. Os judeus cristãos como Ananias, que ajudou Paulo, deveria estar associado
com a sinagoga de Damasco.

ANTIOQUIA:

Antioquia foi o lugar onde os Cristãos começaram fazer esforços para extender o
evangelho a não-judeus . Barnabé trouxe Paulo de Tarso para Antioquia para se juntar
ao ministério da congregação. Paulo e Barnabé também levaram a contribuição de
Antioquia para Jerusalém, onde havia um perigo de fome.

Contexto: Antioquia foi a terceira maior cidade no Império Romano. Foi construída
próxima à costa do Mediterrâneo no que é hoje o sudeste da Turquia. A rua principal foi
pavimentada com mármore e cercada por colunas. A população de Antioquia era
composta de muitos povos, incluindo gregos e judeus. Pedro batizou gentios em
Cesaréia (Atos 10:47-48), mas o primeiro esforço sustentado para trazer não-judeus ao
cristianismo teve lugar em Antioquia. Foi lá que os seguidores de Jesus foram
primeiramente chamados "Cristãos".

CHIPRE - SALAMINA: At 13

Paulo, Barnabé e um cristão chamado João Marcos navegaram de Antioquia para


Chipre. Eles desceram em Salamina, na costa oriental da ilha e falaram da Palavra de
Deus em vários lugares, inclusive sinagogas.

Contexto: Chipre é a maior ilha do lado oriental do Mediterrâneo que caiu debaixo do
controle romano no primeiro século d.C. Salamina era uma das maiores cidades da ilha.
Chipre tinha uma significativa comunidade de judeus nos tempos de Paulo. Judeus de
Chipre, que se juntaram a comunidade cristã de Antioquia, foram instrumentos para
extender o evangelho aos não-judeus.O companheiro de Paulo, Barnabé, foi um judeu
que se tornou cristão em Jerusalém (Atos 4:36) . Depois da desavença com Paulo,
Barnabé e João Marcos retornaram mais tarde para Chipre e Paulo foi para a Ásia
Menor.(Atos 15:36)
CHIPRE-PAFOS

Atos 13:6-12

Paulo, Barnabé e João Marcos atravessaram Chipre até a cidade de Pafos. Eles
receberam uma favorável recepção do administrador romano de lá, mas encontraram
resistência de um judeu mágico chamado Barjesus ou Elimas. Em resposta, Paulo o
feriu temporáriamente com um cegueira.

Contexto:
Pafos era uma das maiores cidades de Chipre. Situada no lado leste da ilha, ela foi o
centro administrativo romano para Chipre. Entre as divindades cultuadas em Pafos
estava Afrodite a deusa do amor e beleza.

PERGE
Atos 13:13

Paulo, Barnabé e João Marcos navegaram do norte de Chipre até a Panfília. Eles
pararam rapidamente em Perge. Lá João Marcos os abandonou e retornou para
Jerusalém. Por causa disso, Paulo o considerou não confiável e mais tarde se recusaria a
trabalhar com ele (Atos 15:38).

Contexto:

Perge era uma cidade da região da Panfília no sudeste da Ásia Menor. Possuia
impressionantes portais, torres, aquedutos e prédios públicos. O estádio e o teatro
contribuíam para a vida da cultura regional. Um ginásio, adornado com estátuas, foi
dedicado ao imperador Cláudio.

ANTIOQUIA DA PSÍDIA

Atos 13:13-52

Deixando Chipre, Paulo e Barnabé foram para Antioquia da Psídia. Paulo fez um sermão
na sinagoga de lá apresentando Jesus à luz da história de Israel. Alguns foram favoráveis
a mensagem, mas outros resistiram e os apóstolos partiram.

Contexto:

Antioquia da Psídia foi uma cidade no que é hoje a parte oeste da Turquia central. É
confundida com a Antioquia da Síria, de onde Paulo partiu. O imperador Augusto fez de
Antioquia na Psídia uma colônia romana em 25 a.C. A cidade era adornada de prédios
devotados ao culto do imperador. Alguns destes são mostrados acima. No meio do
primeiro século d.C., diversos membros de casa imperial tinham servido como
magistrados nesta cidade. Como muitas cidades na Ásia, Antioquia tinha uma sinagoga
de judeus. Aqueles que se reuniam incluiam judeus e outros, que reverenciavam ao Deus
de Israel, mas que não eram completamente convertidos ao judaísmo (Atos 13:16).

ICÔNIO:

Atos 14:1-7

Os apóstolos foram para o oeste da cidade de Icônio. Embora alguns estivessem abertos
para a mensagem, outros mostraram hostilidade. O povo tentou apedrejá-los.

Contexto:

Icônio foi uma importante cidade na provincia romana da Galácia, no que é hoje a
Turquia. Localizada ao longo de uma das maiores rotas que conectava o oeste das
províncias romanas da Ásia Menor ao leste, Icônio era uma cidade próspera. Sua riqueza
vinha do comércio e agricultura.

LISTRA:

Atos 14:8-23

Em Listra, Paulo curou um homem aleijado. O povo pensou que Paulo e Barnabé
fossem os deuses Júpiter e Mercúrio. Eles trouxeram touros e grinaldas para oferecer um
sacrifício, mas Paulo os impediu. Mais tarde o povo se revoltou contra Paulo. Eles o
apedrejaram e o arrastaram para fora da cidade.

Contexto:

Sacrifícios de touros eram comuns na prática da religião Grega. A imagem aqui é de um


ritual de sacrifício numa escultura Asiática. Júpiter (Zeus) era o deus supremo entre as
divindades gregas. Como Paulo era o orador, foi identificado como Mercúrio (Hermes) e
Barnabé com a figura de Júpiter. Na segunda viagem de Paulo, ele retornou para Listra
onde encontrou Timóteo, que se tornou um valioso companheiro.

DERBE:

Atos 14:20-21

Paulo e Barnabé deixaram Listra e foram para a cidade de Derbe, onde sua mensagem
encontrou recepção favorável. Mais tarde, eles voltaram pelo mesmo caminho para a
costa.

Contexto:

Derbe foi uma cidade no parte central do sul da Ásia Menor. A mensagem de Paulo foi
recebida favoravelmente em Derbe durante a primeira viagem. Ele visitaria Derbe em
sua segunda viagem (16:1) e provavelmente numa outra vez em sua terceira viagem
através da Galácia (Atos 18:23). Durante a terceira viagem, Paulo estava acompanhado
de diversas pessoas da Grécia e da Ásia. Entre eles estava Gaio que era de Derbe (Atos
20:4).

ATÁLIA:

Como Paulo e Baranabé completaram a fase inicial de seu trabalho na Ásia, eles
retornaram para Perge, próximo a costa. Eles tomaram uma navio próximo do porto de
Atália, que os levou de volta para a Antioquia na Síria e então para Jerusalém para uma
das mais importantes assembléias.

Contexto:
Atália era o porto chefe da região da Panfília. Foi fundada por uma rei de Pérgamo, a
cidade que dominou o oeste da Ásia Menor antes das conquistas romanas. A cidade
tinha torres e muros defensivos. Seu porto podia ser fechado com uma corrente.

CONCÍLIO DE JERUSALÉM:
Atos 15:1-29

Um grande número de não-judeus aceitaram a fé cristã. Isso levantou questões sobre a


necessidade dos Cristãos observarem os ritos judáicos. No encontro em Jerusalém, foi
decidido que os Cristãos não tinham necessidade de serem circuncidados.

Contexto:

O concílio determinou que não-judeus convertidos aos cristianismo não precisavam ser
circuncidados, mas outras práticas do judaísmo continuavam inalteradas. Atos 15:20 diz
que os Cristãos gentios eram aconselhados a se absterem de coisas sacrificadas aos
ídolos, da imoralidade sexual, de carne de animais sufocados e sangue.

2ª VIAGEM MISSIONÁRIA

FILIPOS:

Atos 16:12-40

Paulo seguiu o Caminho Egnatan de Neápolis a Filipos, que era uma colônia e principal
cidade da Macedônia. Lá permaneceu algum tempo.

Contexto: Filipos era uma colônia que estava localizada no Caminho Egnatan, que era a
principal estrada que cruzava a Macedônia. Por ser uma cidade cosmopolita, Filipos
misturava tradições gregas e latinas.
Clique abaixo para conhecer mais sobre Filipos
LISTRA NOVAMENTE:

Atos 16:1-5

Paulo e Silas viajaram na direção oeste de Antioquia até Derbe e Listra, onde eles
anteriormente pregaram a Palavra. Timóteo, um jovem cristão de Listra, tinha uma mãe
cristã-judia e um pai grego não-cristão. Paulo circuncidou Timóteo para evitar as críticas
dos judeus. Timóteo acompanhou Paulo e Silas na jornada missionária para as regiões
mais a oeste.

Contexto: A visita anterior de Paulo a Listra foi marcada por acentuado contraste.
Inicialmente, Paulo foi recebido favoravelmente depois que curou a um homem. As
pessoas de Listra pensaram que ele era um deus e quiseram sacrificar para ele. Depois,
as pessoas se voltaram contra ele o apedrejando e expulsando da cidade (Atos 14:8-20)

GALÁCIA:

Atos 16:6-7

Movendo-se em direção ao norte de Listra, Paulo viajou através das regiões da Frígia e
Galácia. Avisado pelo Espírito Santo para não entrar na região da Bitínia, que estava
mais ao norte, eles desceram para Trôade na costa da Ásia Menor e de lá foram para a
Europa.

Contexto: Frígia e Galácia eram regiões no que é hoje a Turquia central. A imagem
acima é uma área da galácia próxima a cidade de Ankara. No terceiro século a.C., Celtas
da Gália na Europa vieram para esta região.O nome Galácia lembra esses ancestrais dos
habitantes da região que vieram da Gália. A província romana da Galácia incluia a área
tradicional da Galácia incluindo as cidades de Icônio, Listra e Derbe ao sul. Diversas
congregações foram estabelecidas nesta região, embora sua localização exata seja
desconhecida.

Em sua carta para "as igrejas da Galácia" (Gal 1:2), Paulo mais tarde lida com questões
a respeito dos cristãos observarem práticas dos judeus, como a circuncisão.
TRÔADE:

Atos 16:8-10

Paulo parou em Trôade, no oeste da costa da Ásia Menor. Durante a noite ele teve uma
visão na qual um homem falou para ele ir à Macedônia, através da mar Egeu. Paulo
rapidamente embarcou para lá.
Contexto: Trôade era uma importante cidade-porto ao longo do mar Egeu. Construída
logo após o tempo de Alexandre, o Grande, ela estava situada ao noroeste da Ásia
Menor, sul da antiga cidade de Tróia. Paulo viajou através de Trôade diversas vezes.

SAMOTRÁCIA:

Atos 16:11

Paulo navegou no sentido oeste através do mar Egeu, parando à noite na ilha de
Samotrácia. No dia seguinte ele continuou a viagem, embarcando para Neápolis perto de
Filipos.

Contexto: Samotrácia é uma ilha montanhosa ao norte do mar Egeu. O ponto mais alto
da ilha cria uma visível marca para a navegação. Embora a ilha não tivesse um bom
porto, os navios sempre ancoravam nas práias. Samotrácia era o centro de um culto
grego misterioso que tinha uma deidade conhecida como Cabeiri. Pessoas pediam ajuda
para esses deuses durante rituais de iniciação. A importância de uma religião central na
ilha é evidente nos impressionantes santuários, um dos quais é mostrado acima. O mar é
visível abaixo.
NEÁPOLIS:

Atos 16:11-12

Depois de navegar de Trôade, Paulo atravessou o mar Egeu e aportou na cidade de


Neápolis na Macedônia. De Neápolis, Paulo iria viajar pelo interior do país até Filipos,
uma grande cidade na região.

Contexto: Neápolis é uma cidade-porto na Macedônia, na parte nordeste do que é hoje a


Grécia. A imagem aqui é uma baía próxima da cidade. Navios conectavam Neápolis a
outros portos do mar Egeu. Uma importante rota chamada "Caminho Egnatan" passava
através de Neápolis e a conectava com as cidades do leste e oeste.
Rio em Filipos
Atos
16:12-40

Num rio próximo a Filipos, uma mulher chamada Lídia ouviu a mensagem de Paulo e foi batizada. Mais
tarde, uma garota possessa que tinha um espírito de advinhação seguiu Paulo ao rio, gritando que Paulo
era servo do Deus Altíssimo. Paulo expulsou o demônio.

Contexto: Um pequeno rio flui próximo a cidade de Filipos. Perto do rio estava o
lugar de oração, que provavelmente era uma sinagoga. Lá Paulo encontrou Lídia,
que era uma mercadora de roupas de Tiatira na Ásia Menor.Depois de entrar para a
fé e ser batizada, ela convidou Paulo e Silas para se hospedarem em sua casa.

ACUSAÇÃO EM FILIPOS:

Atos
16:12-40

Os donos da garota possessa que foi curada por Paulo, levaram Paulo e Silas para a área do fórum. Eles
denunciaram Paulo e Silas aos magistrados da cidade, que bateram nos dois homens.

Contexto: O agora ou mercado era uma área central pública em Filipos. Mercadores
faziam seus negócios aqui e os espaços abertos eram usados para reuniões
públicas. Os magistrados da cidade também tinham seu lugar no agora para ouvir
os casos. Os donos da garota possessa estavam furiosos com Paulo por tê-la curado
e por não poderem mais ganhar dinheiro com ela. Eles acusaram Paulo e Silas de
serem perigosos para a ordem social romana. Embora Paulo e Silas não tenham
recebido julgamento, os magistrados tinham poder de bater nos prisioneiros em
favor da ordem ou para interrogá-los. Eles usaram seu poder contra Paulo e Silas
antes de os colocarem na prisão.
Prisão em Filipos

Atos
16:12-40

Depois de apanhar, Paulo e Silas foram aprisionados. Um terremoto atingiu a prisão durante a noite. O
carcereiro se converteu ao cristianismo e foi batizado. No dia seguinte, Paulo e Silas foram libertados.

Contexto: Uma prisão do tipo câmara em Filipos é mostrada aqui. Na antiguidade


as prisões não eram destinadas a longos períodos de punição. Eram quartos escuros
onde os prisioneiros eram mantidos até que pudessem ser julgados ou castigados
de outra forma. Os prisioneiros eram acorrentados durante o dia . Durante a noite ,
seus pés eram imobilizados para maior segurança (Atos 16:24).

Anfípolis e Apolônia
Atos 17:1
Deixando a prisão em Filipos, Paulo viajou em direção às cidades de Anfípolis e Apolônia. Sua próxima
parada seria Tessalônica, a principal cidade portuária ao longo da costa.

Contexto: As cidade de Anfípolis e Apolônia estavam localizadas na Estrada


Egnatan a oeste de Filipos. Anfípolis estava localizada na costa. Estas cidades eram
convenientes lugares de parada para os viajantes. A imagem acima mostra a região
em volta de Apolônia.

Tessalônica

Atos 17:1

Em Tessalônica várias pessoas se converteram. Mas, os oponentes do cristianismo criaram tumulto e


atacaram a casa de Jason, que foi preso e mantido brevemente antes de ser solto. Mais tarde, Paulo deixou
a cidade.

Contexto: Tessalônica foi a principal cidade na Macedônia, no que é hoje a Grécia.


O porto é mostrado aima. De acordo com Atos e I Tessalonicenses , havia muita
hostilidade contra a comunidade cristã em Tessalônica. Embora Atos 17:3-4 diga
que alguns judeus vieram para a fé cristã, I Tessalonicenses 1:9-10 indica que a
maioria dos cristãos tessalônicos vieram da religião grego-romana.

Beréia

Atos 17:10-13

Depois das dificuldades em Tessalônica, Paulo foi para Beréia. Lá, várias pessoas se converteram, mas a
oposição contra os cristãos começou novamente. Paulo rapidamente deixou a cidade.

Contexto: Beréia era a cidade líder da Macedônia, no que é hoje a Grécia. Próximo
a cidade está uma fértil planície que é ideal para a agricultura. O coração da cidade
está no centro da imagem acima. Ásperas montanhas aparecem atrás. Atos diz que
após ouvirem a mensagem de Cristo, os judeus de Beréia "examinaram as
escrituras todos os dias para verem se as coisas eram de fato assim". (Atos 17:11)

Costa da Grécia
Depois dos problemas em Beréia, Paulo viajou para o leste,
descendo a costa através das montanhas da figura ao lado.

Paulo, provavelmente chegou na costa próximo a cidade de Dion. De lá ele deve ter viajado em direção ao
sul por navio, ao longo as praias do mar Egeu, que aparecem na imagem.

A última parte da viagem deve tê-lo levado do continente a ilha de Euboea , mostrada na imagem. Depois
de desembarcar , Paulo foi para a cidade de

Atenas

Atos 17:16-34
Atenas era conhecida por seus templos dedicados a muitas divindades. Paulo trouxe o evangelho para os
lugares públicos de Atenas. Seu discurso encontrou resultados variados. Alguns eram curiosos, outros
eram céticos.

Contexto: Atenas era um renomado centro cultural Grego. A era dourada da cidade
foi no quinto século antes de Cristo, quando foi o centro do império. O comércio
marítimo do Mediterrâneo trazia grandes riquezas para a cidade. Templos e outros
prédios públicos davam a cidade um ar de grandiosidade. A filosofia floresceu na
cidade. Nos tempos romanos, Atenas perdeu a importância política mas continuou a
manifestar o idealismo da cultura Grega.

Discurso em Atenas

Atos 17:16-34

Atos 17 inclui um discurso que Paulo fez no Aerópago, que era o nome de uma montanha e um concílio.
Neste discurso, Paulo tentou levar seus ouvintes da idolatria para a fé no verdadeiro Deus.

Contexto: Atenas possuia templos de muitas divindades. A imagem acima mostra


estátuas na entrada de um dos santuários na acrópolis. Seguidores de tradições
gregas frequentemente constroem relicários para demonstrar a gratidão pela ajuda
de um deus ou divindade. O altar a "um deus desconhecido" (Atos 17:23 ; cf.
Pausanias 5.14.8) era aparentemente destinado a manifestação de gratidão por
uma ajuda divina recebida por uma pessoa, que não sabia a qual deus agradecer. O
discurso de Paulo dirige a atenção para o Deus verdadeiro, Criador de todas as
coisas, que não vive em santuários feitos por mão humana.

Corinto
Atos 18:1-18

Paulo viajou de Atenas para Corinto onde esteve com Aquila e Priscila. Em Corinto, Paulo se sustentou
fazendo tendas. Em Corinto, Paulo escreveu a primeira carta aos Tessalonicenses cristãos.

Contexto: Corinto estava localizada no istmo que conecta o nordeste ao sudeste da


Grécia. Pelo fato do istmo ser estreito, navios que viajavam do leste para oeste,
deveriam frequentemente transferir sua carga para o continente através de Corinto
a fim de retomar sua jornada no outro lado. As tendas feitas por Paulo e Aquila
deveriam ser usadas pelos negociantes e outros que precisavam de proteção e
cobertura durante a viajem.

Acusações em Corinto

Atos 18:1-18

Os oponentes de Paulo o denunciaram a Gálio, administrador romano em Corinto. Pelo fato das questões
terem haver com o relacionamento de Paulo com a lei judáica, Gálio se recusou a tomar qualquer ação
contra Paulo.

Contexto: A imagem acima é o "bema" corinto, uma plataforma onde uma pessoa
ou autoridade podia sentar-se para ouvir casos jurídicos. Atos diz que quando Gáio
se recusou a agir, os oponentes de Paulo bateram num homem chamado Sóstenes
que era um oficial da sinagoga. Gálio novamente se recusou a tomar partido. A
explicação para esta atitude era que os cristãos não estavam fora da lei, mas seus
oponentes estavam. Depois de trabalhar em Corinto por um ano e meio, Paulo
partiu para Cesaréia. Ele parou brevemente em Éfeso, então viajou para Cesaréia,
Jerusalém e Antioquia. Mais tarde ele ele retornaria a Éfeso para um longo período
de ministério.
Éfeso

Atos 18:1-18

Paulo partiu de Corinto pelo caminho próximo ao porto de Cencréia. Navegando para o lado oriental, ele
parou brevemente em Éfeso antes de continuar para Cesaréia e Jerusalém. Depois de uma pequena estadia
ele partiu para Antioquia.

Contexto: Éfeso era a maior cidade portuária no oeste da Ásia Menor. Paulo
retornou para Éfeso na sua terceira jornada, permanecendo lá por um longo período.