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Resenha de "Crise da ditadura militar e o processo de abertura política no Brasil"

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Essa resenha pretende analisar brevemente os pontos levantados pelo texto "Crise da ditadura militar e o processo de abertura política no Brasil 1974-1985", de Francisco Carlos Teixeira da Silva. Resenha apresentada na disciplina História Econômica Política e Social do Brasil, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, para graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo.
Essa resenha pretende analisar brevemente os pontos levantados pelo texto "Crise da ditadura militar e o processo de abertura política no Brasil 1974-1985", de Francisco Carlos Teixeira da Silva. Resenha apresentada na disciplina História Econômica Política e Social do Brasil, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, para graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo.

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Published by: dcc138 on Jan 25, 2012
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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO

História Econômica Política e Social do Brasil

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quanto na política externa (reconhecendo países comunistas e opondo-se a Israel). gerenciando ditaduras violentas quando lhes convinha. Francisco Carlos Teixeira da Silva trata da influência da política americana e de seus governantes no quadro político sulamericano. Além disso. a crise energética debilitou a economia brasileira de tal forma que o processo de abertura fez-se necessário. especialmente se apresentavam indícios de possíveis laços com a União Soviética. foi a eleição de Jimmy Carter. segundo Teixeira.Crise da ditadura militar e o processo de abertura política no Brasil. esclarece também que o governo americano não foi o único fator que possibilitou a abertura progressiva do regime. Apesar de contra-argumentar diversos pontos levantados pelos militares do período. tanto no âmbito interno (torturas e desaparecimentos. Para iniciar seu texto. dado o poder que os militares tinham. algo que os EUA não poderiam apoiar depois da Guerra do Vietnã). em 1977. é difícil perceber alguma desconfiança por parte do historiador quanto aos planos do processo de abertura. pois nenhum dos depoimentos levantados pelo autor nos fazem acreditar que o militares não se consideravam legitimados no 2 . O principal ponto de mudança na postura americana com relação ao regime militar brasileiro. sempre clamado como um projeto do próprio golpe. havia alguma tentativa de “entregar” o poder. O autor deixa claro que o regime militar no Brasil não estava sendo útil para os interesses americanos. De qualquer forma. 1974-1985 Francisco Carlos Teixeira da Silva Resenha por Daniel Cavalcanti O texto traça uma linha contra-argumentativa das principais fontes que temos das entranhas de um fato histórico bastante recente no Brasil: os militares que comandavam a ditadura. É estranho imaginar que.

incompetente e corrupta. por sua parcialidade. mas ver que a instituição estava infectada desde sua origem é esclarecedor. nessa época já tendo exaurido os sindicatos e em constante retaliação de partidos políticos. mas é difícil levar tais depoimentos em conta. e que a redemocratização não era seu objetivo. De qualquer forma. de certa maneira.exercício de seu poder. o autor segue listando os principais conflitos internos apontados pelo autor como fatores de importância) que teriam possibilitado essa abertura. para investigação e espionagem de possíveis contraventores revolucionários (ou suspeitos) e um alargamento de operações da Brigada (ou Polícia) Militar. Já Teixeira. que garantiria que a abertura seguisse em ritmo desacelerado. É interessante o autor ter apontado que a PM ganhou fama de truculenta. quanto as dificuldades enfrentadas pela economia construída pelo regime são apontadas como fatores internos do regime. Esse momento. deixa claro que o objetivo era manter qualquer partido ou força política anteriores à ditadura fora do poder. O autor analisa Geisel como uma figura disciplinada. sem contar a pressão de alguns setores da sociedade civil para o fim do regime. todo esse planejamento acaba tomando um discurso 3 . obteve crescimento anual do PIB em torno dos 11%. Tanto as cisões ideológicas presentes no meio dos militares. como já dito. Geisel argumenta que o motivo para esse curso de ação era garantir a segurança de um novo regime. é o Milagre Brasileiro no início dos anos 1970. muito propício por uma política de industrialização e controle do mercado interno. podemos perceber uma certa crise no governo após o sequestro do embaixador americano: a Lei de Segurança Nacional vigora trazendo a pena de morte e o banimento contra dissidentes poíticos. Um ponto importante abordado no texto. Em seu depoimento. Não conheço estudos na área. apesar de defenderem a “abertura gradual”. com castelistas e liberalistas discutindo com frequência no âmbito político. O autor descreve que esse movimento foi gerido pelo estado. Vemos a criação dos DOI-Codis. De certa maneira. Em 1969.

Os atentados da ABI e da OAB. acaba sempre se colocando contra a própria mudança. preocupado com sua posição. e o regime cria o Proálcool. MDB. podemos perceber pelas eleições populares para o Parlamento em 1974. Tentativas de tomadas de poder. culpando a oposição de impedir uma abertura mais rápida nesse momento. contrário aos movimentos da oposição. o impacto da crise do petróleo de 1973 dá as caras em 75. com a linha de pensamento do corpo militar. então. O autor nos oferta. o autor aponta para os radicais do regime como responsáveis pela lentidão de sua abertura. encontramos algumas fagulhas de esperança: trazer a abertura seria possível com uma ação: anistia. O pensamento de que o governo que estava no comando deveria gerenciar a abertura do regime. nesse ponto. Além disso. mas o Poder Militar exercendo seu 4 . traço de um regime em pânico. com a posse de Figueiredo. Além disso. que é gradual pois tenta-se manter um mesmo grupo no poder. É a partir daí que os problemas estruturais da instituição começam a aparecer. marca de um regime em declínio. Se Thales Tamalho (presidente da MDB) está certo ou não em seu depoimento. embora o governo estivesse em constante conflito com a oposição. aliado aos problemas econômicos: atrasos na abertura política. além de procurar soluções energéticas em fontes como a energia nuclear e hidro-elétrica. vale perceber pelo que se sucede: a retaliação por parte dos “militares linha-dura” que se sucede demonstra o medo de perder o poder. O autor traça um paralelo entre o povo mantendo o discurso de anistia. Em 1977. também ganham destaque. Em 1979. o poder militar de Geisel entra em crise e fecha o Congresso Nacional. parecem bastante claros e justificáveis. De certa forma. e desafios ao poder de Geisel.parecido com o do Dia do Fico: é uma revolução que não muda muita coisa. perseguindo parlamentares do único partido de oposição: o Movimento Democrático Brasileiro. que havia um sentimento de insatisfação com o regime.

com a representação dos trabalhadores rurais e metropolitanos. podemos perceber que as tentativas de estabelecer algum processo de abertura. O PP. De qualquer forma. os militares preferem pactuar com a oposição. com a desconfiança característica dos militares de direita. em um momento pouco propício para o governo de Figueiredo. Tavares cita Guillermo O’Donell quanto às opções apresentadas ao Poder Militar nesse momento: uma queda à força. mantendo os conservadores do MDB e do PDS. a esquerda dos novos partidos na era pósditadura. acelerou a abertura do regime brasileiro. O atentado do Riocentro é apontado como amarra do governo Figueiredo e. De fato. foram tão pouco estruturadas que poderíam não ser feitas nunca sem um “empurrão” da oposição MDBista e das instituições civis. Embora não pareça uma opção.poder irrestrito e esmagador. Nesse momento. se não possibilitou. O Diretas já! chega. o autor aponta como Figueiredo não seguiu com planos de abertura por parte do poder militar e. É um argumento válido de que a ditadura talvez não merecesse essa “boa fé” do povo. garantindo sua anistia e evitando violência. O autor fala brevemente de Adolfo Suárez e sua estratégia para a saída do poder. mas também é preciso argumentar que a anistia. até o momento. começam novos atentados. fim da paciência por parte dos diversos grupos de oposição da época. Mas. O PT. É aqui que fica o impasse. Visto como um dos principais motivos para as campanhas do Diretas Já! nos anos seguintes. portanto. é interessante perceber que a ideia de Suárez cai como uma luva na mão do Poder militar. 5 . O PMDB (ex-MDB). garantindo que continuem com uma forte presença no governo após a redemocratização do país. para o autor. ou um pacto. é no movimento Diretas já! que o autor resolve marcar os personagens da próxima fase da história brasileira.

apesar de uma abertura pactuada. o autor percebe como os movimentos internos dos partidos se entrosam com a tentativa de conter problemas nessa transição por uma relação muito próxima de Maluf com o regime. 6 . especialmente com a entra de José Sarney . Ainda vemos um personagem importante para história do Estado do Rio de Janeiro crescendo no horizonte: o gaúcho Leonel Brizola. os políticos do PDS garantiam que a transição não acabasse em maus lençois para os militares. É o momento que a Assembléia Nacional Constituinte vai se colocar no movimento de abertura.ex-presidente do Arena e do PDS. em que o processo de abertura pode. finalmente. É assim que. onde os dirigentes dos regimes foram presos após a abertura. De qualquer forma. Esse é o momento em que o poder deixa as mãos dos militares. Tancredo Neves toma o lugar de Maluf. ainda com Sarney na posição de vice. Sem definir culpa a Maluf.passa a ter uma posição mais centrista e é visto pelo PT como aliado do antigo governo autoritário. Apontando Sarney como vicepresidente. em 1985. estar na mão de líderes civis com alguma participação popular. a candidatura de Paulo Maluf à presidência é apontada como solução para manter o delicado equilibrio dessa conturbada abertura. Tancredo se torna presidente do Brasil e começamos a Nova República. É importante perceber que o medo de uma retaliação era forte no regime e ninguém queria uma repetição de casos como o da Grécia de da Argentina. e uma aliança com o PDS se forma. Em conclusão.

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