P. 1
Monografia - Alice - Versão Final

Monografia - Alice - Versão Final

|Views: 406|Likes:

More info:

Published by: Sarah Cavalcante Sampaio on Jan 26, 2012
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

01/26/2012

pdf

text

original

Sections

  • 1.1 Introdução
  • 1.2 O júri como garantia constitucional
  • 2.1 Conceito
  • 2.2 Origens
  • 2.3 Evolução
  • 2.4 O tribunal do júri no Brasil
  • 2.5 O tribunal do júri no mundo de hoje
  • 2.6 Características processuais constitucionais do júri
  • 3.1 Conceito. Tipos de nulidades. Anulabilidade
  • 3.2.1 Pronúncia
  • 3.2.2 Preparo do processo para julgamento
  • 3.2.5 A acusação e a defesa na sessão de julgamento
  • 3.2.6.1 Quesito sobre o fato principal
  • 3.2.6.2 Quesito sobre absolvição
  • 3.2.6.3 Quesitos de defesa
  • 3.2.6.5 Quesitos sobre a desclassificação do crime
  • 3.2.6.7 Quesitos no concurso de pessoas e de crimes

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ – UECE ESCOLA SUPERIOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO - ESMP CENTRO DE ESTUDOS SOCIAIS APLICADOS – CESA Coordenação

do Programa de Pós-Graduação Lato Sensu Curso: Direito Penal e Direito Processual Penal

CRIMES FALIMENTARES ANÁLISE DAS DISPOSIÇÕES PENAIS DA LEI DE RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS E FALÊNCIAS – LEI Nº 11.101/2005

Alice Iracema Aragão

2

Fortaleza-Ce Março, 2010

ALICE IRACE ARAGÃO

CRIMES FALIMENTARES ANÁLISE DAS DISPOSIÇÕES PENAIS DA LEI DE RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS E FALÊNCIAS – LEI Nº 11.101/2005

Monografia

apresentada

ao

curso

de

Especialização em Direito Penal e Direito Processual Penal da Universidade Estadual do Ceará como requisito parcial para obtenção do grau de Especialista em Direito. Orientadora: Silvia Lúcia Correia Lima Paleni

Fortaleza – Ceará 2010

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ

ESPECIALIZAÇÃO EM DIREITO PENAL E DIREITO PROCESSUAL PENAL

Título do Trabalho: CRIMES FALIMENTARES - ANÁLISE DAS DISPOSIÇÕES PENAIS DA LEI DE RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS E FALÊNCIAS – LEI Nº 11.101/2005 Autor(a): Alice Iracema Aragão

Data da Defesa: __/__/__ obtido:________________

Conceito Nota obtida:___________________

BANCA EXAMINADORA

___________________________________________________________ Professora Sílvia Lúcia Correia Lima Paleni, Ms Universidade Estadual do Ceará – UECE Orientadora

___________________________________________________________ Professor Teodoro Silva Santo, Ms Universidade Estadual do Ceará – UECE

___________________________________________________________ Professor Bruno Queiroz de Oliveira, Ms Faculdade Christus

Apresenta-se historicamente o surgimento da união estável e os conceitos dispostos na Constituição Federal de 1988 até os dias atuais. Código Civil Brasileiro. finalmente. Esclarece sobre a formação do contrato de convivência da união estável enfocando as relações patrimoniais. no Código Civil de 2002. da necessidade da coabitação e a intenção da constituição de família. Palavras-chave: União Estável. demonstrando a necessidade que se teve em regularizar tal instituto dentro do sistema legal do Código Civil de 2002. Reconhecimento. Trata-se também da conversão da união estável em casamento. E. . como também a questão sucessória dos companheiros. de forma sucinta das diferenças entre a união estável e o concubinato dentro da legislação civil vigente através do conceito e espécies dos dois institutos. a união contínua e duradoura. Entidade Familiar. a convivência pública. discorre-se. Examinam-se. Conclui-se mostrando que a união estável é também uma forma de constituição de entidade familiar como o casamento.RESUMO A união estável e o reconhecimento como entidade familiar. os requisitos para configuração da união estável como entidade familiar – união heterossexual.

SUMÁRIO .

e ainda estimular o aprendizado dos inúmeros jovens advogados e colegas do Parquet. que despontam na arena da palavra.INTRODUÇÃO O presente estudo é requisito para a conclusão do Curso de Especialização em Direito Penal e Direito Processual Penal.690/2008. especialmente em razão da vigência das Leis nº 11. uma realização da Escola do Ministério Público e Universidade Federal do Ceará. analisando suas características e peculiaridades e ainda as possíveis nulidades que podem ocorrer durante a realização do seu rito processual.689/2008 e Lei 11. Tentamos neste ensaio aplicar os conhecimentos adquiridos ao longo do curso no esclarecimento de propostas para os diversos problemas profissionais vivenciados. A finalidade primordial deste estudo é mostrar que conhecer a instituição do Júri é extremamente interessante e apaixonante. objetivando mostrar quanto é importante e democrática é a instituição do Júri. Buscamos trazer um tema que estivesse estreita relação com o trabalho por nós desenvolvido em quinze anos representando o Ministério Público junto as Promotorias do Júri do interior de nosso Estado e três anos frente á 2ª Promotoria do Júri da Capital. .

A Lei Máxima do Brasil. aos 10 de dezembro de 1948. a Convenção dos Direitos Humanos. e ratificada pelo Brasil em 24 de janeiro de 1992. deste título. conhece limitações. Citemos algumas delas: Declaração dos Direitos Universais do Homem produzida na Assembléia das Nações Unidas. sendo que os direitos ali garantidos são essencialmente direitos de defesa do cidadão contra o próprio cidadão ou contra o Estado. respeitarem os direitos essenciais do indivíduo. também conhecida como Pacto de São José de Costa Rica. garantindo-lhes. acima de tudo liberdade e justiça. ratificada pelo Brasil em 25 de setembro de 1992. Assim os países ditos civilizados. subscrita em Roma em 10 de novembro de 1948. Estão delineados no capítulo I. os direitos e deveres individuais e coletivos quando se perceberá que a liberdade conferida aos brasileiros subordinados à tal Constituição. ali reconhecendo dignidade à pessoas humana.200 .1 DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS E O PROCESSO PENAL CONSTITUCIONAL 1. . em seus territórios. Outrossim os países firmaram declarações conjuntas onde os signatários assumem o compromisso de. em seu Título II enumera os Direitos e Garantias Fundamentais dos brasileiros estrangeiros residentes no País. em 16 de dezembro de 1966. a Convenção Européia para a Salvaguarda dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais.1 Introdução Com a evolução dos indivíduos na sociedade surgiu a necessidade de normas que garantissem os direitos fundamentais dos cidadãos humanos contra o poder do Estado. o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos adotado pela Resolução 2. passaram a inserir em suas Constituições regras que garantissem a observância destes direitos básicos.a (XXI) da Assembléia Geral das Nações Unidas.

que no dizer de Alexandre de Morais são “os chamados direitos de solidariedade ou fraternidade. limitam o poder (instituem as garantias). J.57) a.J. Fraternidade. Direito. Cit. p. do Título II. Este jurista separava as disposições declaratórias das disposições assecuratórias. uma saudável qualidade de vida. Título II. da CF/88. da Constituição Federal de 1988. de forma a evitar agressões lesivas por parte dos mesmos(liberdade negativa)”. num plano jurídicoobjetivo.9 Canotilho acredita que os direitos fundamentais cumprem “ a função de direito de defesa dos cidadãos sendo uma dupla perspectivas: 1. Atlas). a terceira. Os direitos fundamentais de primeira geração são os direitos e garantias individuais e políticos clássicos (liberdade pública). Constituem. a segunda dos direitos de igualdade. que são os interesses de grupos menos determinados de pessoas. Muitos doutrinadores diferenciam as garantias fundamentais.Ed. os doutrinadores pátrios têm classificado os direitos fundamentais em três gerações. ”primeira geração seria a dos direitos de liberdades. em sua obra Direitos Humanos Fundamentais (Ed. a autodeterminação dos povos e a outros direitos difusos. o poder de exercer positivamente direitos fundamentais (liberdade positiva) e de exigir omissões dos poderes públicos. . a paz. Chama-se direitos fundamentais de segunda geração os direitos sociais. proibindo fundamentalmente as ingerências deste na esfera jurídica individual: 2. Igualdade. normas de competência negativa para os poderes públicos. Gomes. O último destes direitos fundamentais são de terceira geração. Op. assim. completando o lema da Revolução Francesa: Liberdade. saraiva. num plano jurídico-subjetivo. previstos no Capítulo I. E na conclusão de Manoel Gonçalves Ferreira Filho. (Canotilho. 1995. acreditando que aquelas imprimem existência legal aos direitos reconhecidos (instituem os direitos) e estas últimas disposições são as que em defesa do direito. P. sendo que entre elas não há vínculos jurídicos ou fáticos muito precisos. sendo Rui Barbosa o precursor no direito brasileiro. ao progresso. Implicam. basicamente previsto no Capítulo II. 541) Hodiernamente. econômicos e culturais. que englobam o direito a um meio ambiente equilibrado.”(Alexandre de Morais – Direitos Constitucionais – 4ª Edição .

O processo. destina-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País. marca de maneira específica e própria. como órgão judicante. ficando no entanto assegurado: a plenitude de defesa. o sigilo das votações. estando claro que a Carta Magna somente assegura o gozo dos direitos fundamentais dentro do território nacional. Vale ainda ressaltar que ao estrangeiro em trânsito no território brasileiro é permitido acesso às ações. Sendo assim. etc. assim dizermos que o processo penal constitucional é o estudo do processo penal à luz da Constituição Federal. reflete valores sociológicos éticos e políticos de uma nação.2 O júri como garantia constitucional Está reconhecida no Capítulo dos Direitos e Garantias Individuais. no entender de Antônio Scarance Fernandes (Processo Penal Constitucional . A ligação analógica entre o processo e o Estado decorre da inclusão cada vez mais intensa nos textos constitucionais de princípios e regras de direito processual. é um órgão judiciário imprescindível para garantir o direito de liberdade do cidadão. como mandado de segurança e outros remédios constitucionais. é a sua qualificação de instituto destinado a tomar mais sólido e inquebrável o direito individual de liberdade. a instituição de Júri. Ensina-nos José Frederico Marques que “foi para garantir o direito da liberdade que o júri acabou mantido pela constituição vigente. 1.2° Edição). à propriedade. como garantia constitucional. No plano processual as garantias constitucionais. da CF/88.10 A proteção assegurada pelo artigo 5º. do artigo 5º.” (Marques. sendo sua organização estabelecida pela lei ordinária. Também as pessoas jurídicas são beneficiárias dos direitos e garantias individuais. à proteção tributária. José Frederico – A instituição de Júri – Bookseller – 1997). O Júri da forma como fora posto na Lei Maior. daí afirmarmos que o direito processual retrata a ideologia dominante em determinado país e as diretrizes básicas do seu sistema político naquele momento histórico. no inciso XXXVIII. dentre elas as contidas no artigo quinto. pois têm direito à existência. a soberania dos veredictos e a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. . a atividade jurisdicional. são um reflexo da necessária relação que liga o processo e Estado. a segurança.

são normas que visam melhor garantir a liberdade do réu ou o jus libertatis. não violam os preceitos constitucionais referente aos tribunais do Júri. prevê normas que tutelam este direito. . Portanto. embora que ordinária. no fim da primeira fase dos processos julgados pelo tribunal do júri e a revisão criminal em tais processo. e se outra lei.11 Existem doutrinadores que questionam se a absolvição sumária do réu. não maculam as exigências mínimas que a constituição consagrou na instituição do júri. a absolvição sumária e a revisão criminal se deferida. em especial a soberania dos veredictos e a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. seria um absurdo não aplicá-las sob a alegativa que ferem a Constituição. Acreditamos que isto não ocorra. posto que aqueles podem ser desrespeitados em nome de um direito maior. pois os elementos mínimos que o texto constitucional considerou indeclináveis para o legislador ordinário. o direito de liberdade do réu.

Brookseller – 1997. É de Arthur Pinto da Rocha(O júri e a sua evolução. 92 da Carta Maior. Entendemos pois que o Tribunal do Júri é um órgão que exerce a Justiça Penal ordinária (apesar de não está enumerado no art. nos dikastas. 92. II. XXXVIII. O eminente Hermínio Alberto Marques Porto (Júri – Procedimento e aspectos do julgamento – Malheiros. Alexis de Tocqueville. 7º Ed. Diz-nos este doutrinador que as leis de Moisés. na antigüidade foram as primeiras que interessaram os cidadãos nos julgamentos dos tribunais.2 O TRIBUNAL DO JÚRI 2.1 Conceito Muitas são as definições apresentadas pelos doutrinadores para conceituar o Júri. 15º Ed. p. ou ainda nas Ilhas Britânicas. nos centeni comites dos primitivos germanos. na Heliéia (Tribunal dito popular) ou no Areópago grego. consumado e tentado. todavia colocaram o órgão no Título dos Direitos e Garantias Fundamentais seguindo assim a tradição constitucional legislativa. está previsto no art. que tem a participação popular para realização de julgamento dos crimes dolosos contra a vida. p. 5º. 8 – 9) a argumentação de que o Tribunal de Júri tem sua origem na legislação mosaica. da CF/88. 28). a instituição do júri. o define como um certo número de cidadãos escolhidos pela sorte e revestidos momentaneamente do poder de julgar” (Alexis de Tocqueville . Vol.Le Démocretie en Amérique. 2. 1919. 179). .2 Origens Os estudiosos não têm muito certeza onde ele começou. No dizer de José Frederico Marques “o júri é a participação popular nos julgamentos criminais” (José Frederico Marques. p. no elenco das garantias fundamentais). mas os mais remotos antecedentes do Tribunal do Júri encontra-se na lei mosaica. Rio de Janeiro. – 1993) definiu-o como Órgão do Poder Judiciário acreditando que ocorreu na omissão enumerativa dos constituintes de 1988 por não elencá-lo no art. apesar dos julgadores estarem subordinados aos sacerdotes.

reputação libada e quitação plena do tesouro público. as ordálias (prova das águas e do fogo) e as conjurações (julgamento prestados em juízo pelos litigantes e seus pais. na simples linguagem do direito mosaico. existia o direito de recusa e a incomunicabilidade. Almeida (O Tribunal do Júri nos Estados Unidos – sua evolução histórica e algumas reflexos sobre seu estado atual – Revista Brasileira de Ciência Criminais – S. O Tribunal da inquisitio primitiva substituiu os duelos judiciários.P. Alguns autores no entanto. Seus integrantes (os arcondes) seguiam apenas os ditames da consciência. O Aerópago julgava os crimes de sangue. observando . – SP. após audição da defesa do réu. acreditam que o júri moderno encontra seu embrião no processo penal romano. seguindo-se a jurata. Entende o renomado doutrinador que o tribunal popular para julgar o ser humano integrante de uma comunidade. Eram duas instituições da Atenas Clássica que buscavam a restauração da paz social. 15/16). foram recebidas do britânicos. Revista dos tribunais. O juiz podia se pronunciar de acordo com a decisão do jurados ou em discrepância com esta. Todavia antes da composição deste tribunal. Rui Barbosa (Comentários à Constituição Federal Brasileira – Saraiva – 1934. 156). dentre os quais Rogério Lauria Tucci (Tribunal do Júri – Estudo sobre a mais democrática instituição jurídica brasileira. o Leviticio e os Números. do Conselho dos Anciãos e do Grande Conselho. 1999. Neste tribunal o magistrado presidente escolhia de 10 a 24 pessoas para deporem e depois julgavam em conjunto. p. p/ 119/120) acreditava que os primeiros traços da forma do júri. vizinhos e amigos). O Deuteronômio. após a conquista normanda. p. era mais um meio de apurar a verdade do que na forma de julgamento. que julgavam segundo suas íntimas convicção. nos falam do Tribunal Ordinário.13 Para fazer parte do grande tribunal os juízes populares tinha que ter 30 anos de idade. o povo da Grécia antiga era chamado em praça pública para decidir as grandes questões judiciárias. O nome inquisitio foi substituído pelo de recognitio e assisa. 1948. no reinado de Henrique II. A dupla Nádia de Araújo e Ricardo R. 1996 – RT 15:200) após aprofunda pesquisa concluiu que a origem do Júri está no Areópago e na Heliéia gregos. tinha que sua estrutura mesmo que rudimentar. era guiado pela prudência de um senso comum jurídico. A Heliéia era um tribunal popular integrado por 201 a 2501 cidadãos(os heliastas). ed. Concorda com este pensamento Carlos Maximiliano (Comentários a Constituição Brasileira – 4º Ed. O Êxodo.

“quaestio de iniuriis” (julgavam os que cometiam injúria grave e violavam a paz doméstica). . a “quaestio” fora composta de senadores. Várias outras “quaestiones” sucederam a primeira. escolhidos entre os senadores. Fora a primeira espécie de jurisdição penal que Roma conheceu. de 149 a. “quaestio ambitris” (julgavam os que praticavam corrupção eleitoral). cavaleiros e “tribuni aenarii”. podendo ser recusados. e assim foram denominadas de questiones perpetuae. As listas oficiais de jurados continham mil nomes de jurados. passaram de temporárias a permanentes. C. prévias e regularmente editadas. assim como os crimes de sua competência e as penas. falso testemunho ou atentados à segurança pública) “quaestio de parricidiis” (julgavam os homicidas). no máximo. “quaestio de peculatu et sacrilegio” (julgavam somente os que defraudavam a propriedade pública. que criou a primeira “quaestio”. dentre elas as “quaestio maiestatis” (julgamento crime de alta traição e de desobediência do Estado). Em 122 a. As quaestio com o correr do tempo. para serem indicados oportunamente. eram definidas em leis. Anos depois.C. eram colocados uma urna. sacras e religiosas). sendo que isso somente ocorreu em Roma.. com as chamadas quaestio.14 certas regras antes estabelecidas. 70 a. Fora a Lex Calpurnia. “Quaestio” eram órgão colegiados constituídos por cidadãos. propôs que também os cavaleiros compusessem a quaestio e fora aceita pela Lex Sempronia. “quaestio de adulteriis” (julgavam os adúlteros e os que seduziam donzelas de boa fama) e “quaestio de vi” (julgavam os que praticavam qualquer ato de violência). eventualmente. representantes do povo romano. que teve a finalidade de investigar e julgar casos em que o funcionário estatal estivesse causando prejuízo ao provinciano(quaestio repetundis). Caio Graco. “quaestio de sacariis at veneficiis” (julgavam os que cometiam assassinatos. C. “quaestio de falsis” (julgavam os falsificadores de testamento ou de moedas). A “quaestio” era composta de um presidente (praetor vel quaestor) e cinqüenta cidadãos(indices iurati). uma terça de cada ordem. cujo constituição e atribuições. presidido por um pretor. magia.

O acusado era citado. Comparecendo. vinculando-se a ela até o final do processo. presidir as discussões e fazer executar a sentença. Ao acusado cabia a investigação necessária para comprovar a acusação. contendo a indicação do crime imputado ao acusado e a lei violada. era interrogado. o presidente escolheria o mais idôneo ou o mais interessado. Na data antes estabelecida. receber o juramento das partes. votavam pela condenação do réu. o libelo permanecia guardado no erário público. sendo cancelado se este fosse absorvido. Todo cidadão podia acusar. No momento da acusação o acusador era posto defronte ao acusado. Aquele que pretendesse sustentar acusação deveria oferecer o libelo. o nome do réu era publicado numa tábua (embrião do rol das testemunhas). decidir sobre a competência. . escolher e convocar o corpo de jurados(indices iurati). se fosse réu confesso. Se o acusado negasse a prática do crime o pretor determinava que as partes voltasse a juízo trazendo suas provas.15 Ao presidente cabia examinar preliminarmente a acusação. inclusive indicando preposto para controlá-la. podendo as partes os recusarem livremente. podendo o acusado acompanhar esta atividade. exceto os incapazes (mulheres e libertos) e os indignos (pessoas reprováveis. sendo que assumia (o acusado) os deveres e direitos de parte no sentido processual. se não comparecesse seus bens eram confiscados após um ano da citação. Após falavam as partes. absolvição ou pelo alargamento da instrução. às quais se cominara a infâmia). sendo sorteado os jurados. podendo este último ser representado por um patrono (os oradores ou advocati). Os jurados deviam participar de todo o procedimento e ao final. O processo acusatório inaugurava-se pela proposta de acusação. não podendo dispor da acusação formulada. compunha-se o órgão julgador. tendo o acusado como réu convicto. Se vários fossem os acusados. Primeiro o acusador depois o acusado. Recebida a acusação. tudo terminava.

executava-se a sentença. Após a colheita de provas passava-se ao julgamento. As provas eram de três espécie. Após este relato percebe-se claramente. que a célula mater do júri brasileiro dormita nas quaestiones perpetuae do processo penal acusatório romano. depois passaram a fazê-lo supra tabellas: A (absolvido). exceto em casos graves. levaram os reis a substituí-los por escabinos (cidadãos idôneos e instruídos). julgavam a causa. Se o resultado fosse a condenação. A pena estava fixada na lei instituidora da quaestio. O julgamento era presidido por um conde. 2. C (condenado) ou NL (remessa para instrução mais ampla). dentre os homens livres. O mesmo acontecendo com o feudalismo. que era anunciado pelo presidente. como incompetência do tribunal e inobservância de garantias fundamentais à defesa do acusado. sendo que a decisão seria revisada por um magistrado superior. selecionados pelo Conde. a maioria decidia a resultado. admitindo-se a réplica. Contado os votos. e após a atuação acusatória e defensiva. “per tabulas” (documentais). que não participava da votação. havia um grupo de encarregados (compurgtoes). os abusos. estabeleceu-se que em cada cidade ou burgo. “per teste” (testemunhais) e “per quaestiones” (demais meios de provas. inclusive a confissão). A sentença não ficara sujeita a revisão. Preliminarmente os jurados votavam oralmente. de verificar a existência de fatos criminoso e a sua autoria.16 O tempo era limitado pela presidente.3 Evolução Com a invasão do Império Romano pelos bárbaros. Se fosse absolvição instaurava-se um processo contra o acusado. os escândalos produzidos pelas decisões de tais julgados. . em razão da coincidência das características entre duas instituições. Devido a dificuldade de comunicação entre os burgos.

Na Inglaterra o júri foi desenvolvido com tanto rigor que ultrapassou fronteiras atingindo toda Europa e as Américas. determinando-se que o júri funcionaria em causas criminais. o modelo de júri inglês chegou na América do Norte. que copiaram. à organização judiciária. Outrossim. regime de plena oralidade. o processo do júri generalizou-se como padrão comum. júri de acusação (composto de oito membros. assumindo caráter sigiloso apenas no momento de votação. levaram consigo a modalidade de atuação judicial popular. dos romanos. atingindo o resultado (necessariamente unânime). Todavia guardam semelhança ou suas formalidades. Antes de atingir a Europa. dentre as quais publicidade dos atos. sorteados numa lista de duzentos cidadãos. embora de maneira rudimentar. assim como na Inglaterra. Adotou-se a publicidade dos debates. pelos colonos de Plymouth (primeiro grupo de imigrante incumbido da civilização colonial). apesar de sua organização não ser idêntica nos diversos Estados. o cidadão tinha que ser eleito. se não se inscrevesse na lista de jurados. impedindo ainda o cidadão de ocupar. contraditoriedade real.17 Os normandos que invadiram a Inglaterra. A Constituinte Francesa de 1790 também admitiu a proclamação individual do voto (devendo o jurado julgar de acordo com sua consciência) além de admitir a condenação do . abrangendo o julgamento geral de todos as causas. bem como pela a dos Estados federados. Em 30/ABR/1790 esta mesma assembléia consagrou o júri criminal como instituto judiciário. A instituição do júri fora consagrado pela constituição norte-americana. debates e júri de julgamento (formado de doze membros. Fora colocado na Carta Régia em 1629. qualquer função pública. o processo penal passou a compor-se de três fases: instrução preparatória. por dois anos. o veredicto será publicado na sala do tribunal. A Assembléia Constituinte deliberou (03/NOV/1789) que a justiça seria totalmente remodelada. com direito a recusa de vinte pelas partes). No século XVII. sorteados de um lista de trinta cidadãos). Os ideais iluministas que inspiraram a Revolução Francesa afetaram. Estabeleceram-se ainda que para ser jurados. demasiadamente.

seria composto de juizes (que aplicariam a lei) e de jurados (que julgariam os fatos). deu ao Júri organização mais específica. estabeleceu em seu artigo 151. magistrados. Outros.18 acusado pela maioria dos votos. Haviam dois conselhos de jurados. vigários.P. escolhidos dentre os eleitores de reconhecido bom senso e probidade. comandantes de armas e dos corpos de primeira linha. que. A Constituição Política do Império. juizes eclesiásticos. A reforma do Júri. Segundo Enéas Galvão. de 29 de novembro de 1832. p. redator do Correio do Rio de Janeiro. Não podiam fazer partes deste conselho os senadores. e as suas decisões cabia apelação para o Príncipe Regente D. como o primeiro a comparecer perante o Tribunal do Júri. no entanto. apontam João Soares Lisboa. oficiais de justiça. ao revés da Inglaterra que somente aceitava uma condenação pela unanimidade de votos dos jurados. bispos. Este tribunal era composto de vinte e quatro jurados.09). deputados.4 O tribunal do júri no Brasil O Júri fora instituído na legislação brasileira pela Lei de 18 de junho de 1822. no Brasil. no Diário Fluminense. (Cândido de Oliveira Filho . e o segundo . seguindo o exemplo das leis inglesas. que o Poder Judicial independente.era composto de vinte e três membros. promulgada em 25 de março de 1824. aliás o teria absolvido. Pedro. O Código de Processo Criminal do Império. conselheiros e ministros de Estado. cabendo sua nomeação ao Corregedor e Ouvidores do crime. presidentes e secretários dos governos das Províncias.. Intendente Geral de Polícia da Corte.Júri de Sentença – era composto de doze. essa lei do júri foi aplicada pela primeira vez. com competência exclusiva para o julgamento dos crimes de imprensa. outorgou ao Júri atribuições muito amplas. o primeiro – Júri de acusação . injúrias essas que visaram à pessoa de Francisco Alberto Ferreira de Aragão. honrados. instituindo o Júri de Acusação e Júri de Julgação. dos nossos mais renomados juristas. o que lhe custou várias críticas. inteligentes e patriotas. em ação penal decorrente de carta injuriosa publicada com as iniciais R. em 1825. 1932.B. escolhidos dentre os cidadãos bons. . norte americanas e francesas. 2. Somente a Lei de 20 de setembro de 1830.

Criada a Justiça Federal. A Proclamação da República trouxe-nos o Decreto 848. que alteraram em grande parte o procedimento do Tribunal do Júri. parágrafo 18. quando em 05 de janeiro de 1938. de 03 de dezembro de 1841. foram publicadas as Leis 11. nem ao menos o instituiu em sua legislação. emenda Constitucional 01. manteve a instituição em seu artigo 72.690/2008. de 17 de outubro de 1969. criando também o júri federal. também para ela é previsto o júri (Decreto 848. . no artigo 150. enquanto não revogadas. de 11/10/1990). parágrafo 28. de 05 de outubro de 1988. de 24 de fevereiro de 1891. de 24 de janeiro de 1967. delegando aos juizes municipais e as autoridades policiais a incumbência da formação da culpa e da sentença de pronúncia. inciso XXXVIII) dispuseram sobre o júri no texto constitucional. neste singelo trabalho iremos analisar as possíveis nulidades que podem ocorrer neste procedimento diante das alterações legais. A Argentina nunca. apresentou modificações significativas a instituição do Júri. dentre as quais a extinção do Júri de Acusação. que declarava em vigor. de 16 de setembro de 1946. Na data de 09 de julho de 2008. que organizou a Justiça Federal. artigos 141. de 11 de outubro de 1890. A Carta de 1937.19 A Lei 261. omitindo-se a respeito da instituição. 2. A partir daí todas as demais Constituições da República (de 16 de julho de 1934. artigo 72. fez crer que ela se achava extinta. parágrafo 18.5 O tribunal do júri no mundo de hoje Na América do sul não existe composição semelhante ao Júri brasileiro. esclarecendo ainda que o tribunal popular do júri nunca fora extinto e fora mantido pelo preceito genérico do artigo 183. artigo 153. com re-instauração do regime democrático. da Constituição de 1937. disciplinando-o. parágrafo 31. as leis que explícita ou implicitamente.689/2008 e 11. artigo 5. não contrariassem as suas disposições. foi promulgado o Decreto-lei 167. A Carta Maior da República brasileira.

tem seu próprio procedimento. O voto é revelado. A Espanha o havia suprimido na constituição de 1936. a Argélia previu o seu Tribunal Criminal composto de três juízes e quatro assessores jurados. não existe a incomunicabilidade dos jurados nem o sigilo das votações. Na Holanda não existe a instituição do Júri. com necessidade de votação unanime para condenação. decidindo sobre a culpabilidade e a pena. Na Alemanha suprimiu-se da lei o júri tradicional em 1925. são os chamados escabinos. Importa mencionar que no mundo existem tribunais que apresentam semelhanças com o Tribunal do Júri que conhecemos. Na Inglaterra o júri é muitíssimo respeitado.20 Nos EUA o modelo que mais se assemelha ao brasileiro é o Trial Juries. Na Suécia. Estes estão em franca ascensão. composto de doze jurados. por exemplo. Imitando o sistema francês. sendo que na Escócia este número sobe para quinze. Em Genebra. Procedimentos semelhantes são encontrado por toda a África. compõem o Tribunal Criminal de Valais. . mas recentemente Constituição de 1978 previu a participação dos cidadãos na distribuição da Justiça. o tribunal dos escabinos só julga os crimes de imprensa. A França em 1941 suprimiu o Júri tradicional e instituiu o sistema escabinado. sendo que dois jurados são eleitos por quatro anos. sorteados para a sessão trimestral. cada grupo de pequenas cidades ou vilas. e são júris mistos onde se reúnem magistrados de carreira e leigos. todavia o sistema judiciário do deste último é muito semelhante ao adotado no EUA. e julgam ao lado de três magistrados. Na Ásia nem a Coréia do Sul nem o Japão possuem Júri. Já na Suíça. instituindo-se o escabino com a figura de assessores. composto de três juízes e nove cidadãos. doze jurados e três magistrados. Na Bélgica e na Dinamarca este é o sistema aplicado. no Reino Unido não é possível fazer uma comparação face a variantes possíveis na forma procedimental. Por outro lado. onde se reúnem doze jurados deliberam sobre a culpabilidade antes de reunirem-se com três magistrados para decidir a pena a ser aplicada. sendo doze o número de jurados.

Áustria. Noruega.689/2008. a soberania dos veredictos e a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. pois neste artigo coexistem dois princípios.21 Formas assemelhadas ao Júri existem ainda no Canadá. letra a. destinou a Seção III. 2. de ofício. estes últimos irão proferir o veredicto. sendo este procedimento dividido em duas fases. sorteio e escolha. no seu julgamento. Por esta razão se acredita que se exige mais do advogado no júri. Nova Zelândia. O legislador quis assegurar ao réu no júri além da ampla defesa geral de todos os acusados. a decisão dos jurados não é motivada. por prévio alistamento. acrescentando inclusive que a Lei 11. a plenitude de defesa. do Capítulo II (referente ao júri) com fase específica (“Da preparação do Processo para o Julgamento em Plenário”). O processo de competência do júri tem caráter público. Pode o juiz. nascendo daí a necessidade de se garantir a réu plenitude de defesa. a defesa plena levando-se em conta principalmente o fato de que. e parecidos com escabinado na Bulgária. O órgão julgador é composto de um juiz togado. admitir em favor do réu tese não apresentada pela defesa. .2008) que acredita que o procedimento do júri é composto de três fases e não apenas duas como afirma a maioria dos doutrinadores. sendo que o mesmo artigo assegura a todos os litigantes e aos acusados em geral a ampla defesa (inciso LV). Acreditam os doutrinadores que o legislador constitucional não fora redundante.6 Características processuais constitucionais do júri O Júri constitui-se de juizes tirados do povo. o sigilo das votações. e assim confirmou a existência de três estágios para atingir o julgamento de mérito. diferentemente das decisões judiciais nos processos em geral. A Constituição Federal reconhece plenamente esta instituição. Grécia. em votação secreta. que decidem pela sua convicção íntima e tratam exclusivamente de questões de fato. Tratando-se pois de uma garantia especial que aplica à fase do plenário. XXXVIII. Polônia. Rússia e Romênia. uma de formação da culpa (iudicium accusationis) e outra de julgamento (iudicium causae). contraditório e oral. Importante lembrar que o jurista Guilherme de Sousa Nucci anuncia na obra Tribunal do Júri (Editora Revista dos Tribunais – São Paulo . assegurando-lhe a plenitude de defesa. mas os jurados não podem. Garante o artigo 5°. que será seu presidente e juizes de fato.

mas também do restante da participação do jurado na sessão de julgamento decorre da necessidade de resguardar-se a independência dos jurados . ainda. sua pretensão à apreciação do juiz. XXXVIII. declarando.dirigir perguntas e solicitar esclarecimento ao juiz e por intermédio deste às partes (artigo 476 e 478. se for imprescindível. que é a deposição dos votos. Tampouco é absoluta a incomunicabilidade.22 Antônio Scarande Fernandes nos demonstra que o início do exercício da plenitude de defesa ocorre “no momento da escolha dos jurados e continua no plenário abrangendo: a formação do Conselho de sentença. ano 2000). submetendo. A forma sigilosa ou secreta da votação . vez que poderão os jurados desde que não externem opinião ou convicção. No nosso sistema legal traz a regra da incomunicabilidade adjunta ao princípio da imparcialidade. pois ao contrário da forma usada na Constituição Federal. para a defesa plena.Editora Revista dos Tribunais . Por fim realça. prefere o autor interpretar a regra em seu sentido mais amplo. o réu indefeso. os debates. 468.principalmente. O sigilo no julgamento pelo júri expressa-se sob duplo aspecto: sigilo das votações e incomunicabilidade dos jurados. (Processo Penal Constitucional . a de que o réu. em sentido positivo ou negativo. a tempo maior para os debates. dela resultando o veredicto e a sorte do acusado. Todavia Maurício Antônio Ribeiro Lopes (em seu trabalho denominado: Do sigilo e da Incomunicabilidade do Júri) acredita que devemos denominar tal princípio de princípio do sigilo dos jurados. para abarcar o sigilo como um princípio da função do jurado. Ao juiz incumbe o controle da defesa eficiente.no ato crucial do julgamento. quando se fizer necessário. destituídos de garantias . deve o juiz formular quesitos sobre todas as teses apresentadas pelo advogado e sobre defesas trazidas pelo réu em seu interrogatório”. Entende. é certo. a formulação e a votação dos quesitos.2° Edição revista e atualizada. CPP). como. a inovar na tréplica sua tese de defesa. além de inquirir testemunhas (art. quando for necessário para a defesa plena. prejudiciais à defesa a permanência do réu algemado em plenário ou a exibição dos antecedentes do acusado. Vigora no processo penal brasileiro o princípio do sigilo das votações. com direito a recusas e a possibilidade de conhecer os jurados. por exemplo. Extrai interessantes conclusões . CPP). tem direito : a ouvir mais testemunhas do que permite o rol. no artigo 5°. A incomunicabilidade que a lei quer assegurar diz respeito ao mérito do . ou admitindo. a tréplica ainda quando não houve a réplica. que.juízes leigos.

e 93. soberania dos veredictos traduz a impossibilidade de uma decisão calcada em veredicto dos jurados ser substituída por outra sem esta base. apesar de manter a instituição do Júri. O veredicto é composto de respostas monossilábicas que afirmam ou negam os quesitos que são formulados. O Júri decide exclusivamente pela livre convicção. que sem subtrair ao Júri o poder exclusivo de julgar a causa. É importante salientar que a Constituição Federal de 1988 não aboliu a denominada sala secreta. em face da faculdade que a parte final deste último dispositivo constitucional concede à lei de limitar a presença. A violação da incomunicabilidade dos jurados acarreta nulidade do julgamento (CPP. art.23 julgamento e tem como objetivo impedir que o jurado exteriorize sua forma de decidir e venha a influir. continuou o entendimento de que permanecia a soberania do júri. 564. em determinados atos. quer favorecendo. j). Os veredictos são soberanos. de 1969. O julgamento na sala secreta não viola o princípio da publicidade dos atos processuais e das decisões judiciais previstas nos artigos 5°. XXXVIII. LX. Na Emenda n° 1. III. 480 e 481 do CPP foram recepcionados pela atual Constituição Federal. IX. não podendo o Tribunal de Justiça alterar a decisão dos jurados. sendo que nas razões pelas quais o Júri responde aos quesitos consiste a soberania da sua consciência. A soberania do Júri significa a impossibilidade de outro órgão judiciário substituir ao Júri na decisão de uma causa por ele proferida. na impossibilidade de um controle sobre o julgamento. CF. porque só os veredictos é que dizem se é procedente ou não a pretensão punitiva. A soberania dos veredictos foi prevista preliminarmente pela Constituição Federal de 1946 e mantida na CF de 1967. Esta soberania não consiste todavia. O momento exato do início do sigilo das votações no júri ocorre quando da transposição dos jurados do Plenário à sala secreta. Os artigo 476. aos advogados e as partes. quer prejudicando qualquer das partes. todavia como a redação do Código de Processo Penal ficara inalterada. A soberania dos veredictos retornou na Constituição de 1988. permite a lei que se . consoante o disposto no artigo 5°. não se referiu à soberania de seus veredictos. havendo mantido a votação no referido recinto.

decidiu que aplicação de medida de segurança representa restrição de liberdade ao réu e.1989. entre duas garantia. uma vez cassada a decisão recorrida (Ac. o tribunal absolve réu condenado. do CPP) permitiu a absolvição sumária do acusado para evitar que seja submetido às delongas do julgamento pelo júri. No tocante a soberania dos veredictos o STF. em posição contrária à orientação que vinha prevalecendo nos tribunais.1989. não pode subtrair dos jurados a possibilidade de proferirem decisão absolutória mais ampla sem a necessidade de se constranger o réu ao cumprimento da medida de segurança. no caso a garantia da revisão sobre a garantia das soberanias dos veredictos. Assim.1994). transitada em julgado a sentença do Juiz Presidente. não impedindo que o legislador infraconstitucional lhe atribua outras diversas competências.24 examine se houve ou não um grosseiro error in judicando. mesmo aquelas proferidos pelo júri. . 71. bem como algumas exceções.271-0-SP – DJU 02. e o que foi decidido na esfera revisional Não fere a soberania do Júri.11. Em casos de revisão criminal. pois se assim não o fosse haveria de confundir-se essa soberania com onipotência insensata e sem freios. Ac.617-RS – DJU 22. Outro argumento seria de que a revisão criminal é garantia implícita da Constituição e. para que profira novo julgamento. Quanto a competência do Tribunal do Júri a quem compete julgar os crime dolosos contra a vida. assim. deve prevalecer a mais favorável ã liberdade. quando. sendo assegurada com a devolução dos autos ao Tribunal do Júri. em revisão criminal. Primeiramente a lei (artigo 411. tem entendido que em matéria criminal não pode haver decisão intangível. sendo aplicada pelo juiz medida de segurança ao acusado e. O Supremo Tribunal Federal.SC – DJU 30. em reiteradas decisões.531. HC 67. a CF prevê a regra mínima e inafastável.06. sendo que a soberania do veredicto dos jurados não exclui a recorribilidade de suas decisões.06. é cabível a revisão do processo findo (artigo 621. Ac. Ainda sobre esse tema há duas hipóteses que merecem destaque: quando há absolvição sumária em casos de inimputabilidade. CPP). HC 67. a soberania dos veredictos apenas tem seu sentido e seus efeitos restritos ao processo enquanto relação jurídico-processual não decidida.

25 Outra exceção à competência do júri é aquela apresentada pelos artigos 102. artigo 18. Vale salientar. a fim de que seja o segundo réu submetido a julgamento perante o Tribunal do Júri. Assim sendo. artigo 96. a. a. III e artigo 29. artigo 105. os deputados estaduais e os prefeitos municipais pela prática de crimes dolosos contra a vida é o Tribunal de Justiça do Estado. I. e c. que se o crime é cometido em co-autoria com terceiro sem prerrogativa de foro. I. os secretários de estado. apenas para exemplificar. biparte-se o processo. b. o tribunal competente para julgar os juizes de direito. VIII. . I. os membros do Ministério Público. que são as hipóteses de foro especial por prerrogativa de função.

em sua obra Nulidades no Processo Penal(Editora Revista dos Tribunais – Quarta Edição . Anulabilidade. Existem três categorias de atos processuais: os atos estritamente formais. As formalidades são regras de procedimento. A inobservância dos requisitos exigidos para os primeiros acarreta a ineficácia do ato processual ou o torna sem efeito.1 Conceito. Existem dois tipos de nulidades: as absolutas e as relativas. meio e fim. Os vícios ou defeitos com força de tornar ineficaz o ato ou o processo são as nulidades. caracterizam-se como meras imperfeições sem importância. mesmo que oportunamente apontados. Com relação aos atos meramente formais se a lei não estabelecer conseqüência alguma para sua inobservância. 3.689/2008. que nunca poderão ser sanadas. independente da vontade . Por derradeiro vêm os atos não formais que são os de forma livre. A regulamentação do processo é chamada de regra de conduta processual. os atos meramente formais e os atos não formais. Paulo Sérgio Leite Fernandes. sendo que as partes devem trilhá-lo superando todos os obstáculos apresentados. sem falhas ou irregularidades. Tipos de nulidades. a formalidade é apenas relativamente imperativa.1994) conceitua a nulidade processual como o efeito ou conseqüência da falta de cumprimento das disposições legais. sendo que o juiz deverá decretá-las a qualquer tempo.3 ALGUMAS NULIDADES NO PROCEDIMENTO DO JÚRI Á LUZ DA LEI 11. as irregularidades processuais somente serão declaradas se reclamados pelas partes e finalmente os defeitos. As nulidades absolutas são aquelas expressamente indicadas na lei. é um caminho com princípio. O processo é um conjunto de atos processuais.

não podem ser apontadas por quem lhes deu causa ou que para elas concorreu. ou pela aceitação dos efeitos do ato irregular. desde que o faça dentro do prazo determinado para tal fim. Importa mencionar a diferença entre nulidade relativa e anulabilidade. As diferenças entre os procedimentos começam a aparecer na audiência de instrução e julgamento no tocante ao tempo destinado as partes para manifestação derradeira. merecem ser decretada mesmo sem a motivação recursal original. impronunciar (artigo 414. As chamadas nulidades relativas são as que não podem ser decretadas de ofício. Pode argüí-las quem lhes tenha dado causa ou quem não tenha legítimo interesse na anulação. As nulidades relativas ocorridas durante a primeira fase do procedimento do Júri deverão ser argüidas na etapa das alegações finais escritas (artigo 571. Delas as partes não podem dispor. nesta última o ato nasce válido. bem ainda. do CPP).2 Algumas nulidades no procedimento do júri á luz da lei nº 11. sendo as nulidades sanadas pelo trânsito em julgado da sentença de pronúncia. do CPP). após as alegações finais quando o juiz de direito proferirá uma decisão. do CPP) ou desclassificar a infração cometida pelo réu. do CPP). São sanáveis pela oposição no momento oportuno. O rito adotado pelo Código de Processo Penal para a primeira fase do procedimento dos crimes julgados pelo Tribunal Popular do Júri é praticamente idêntico ao ordinário previsto para os crimes de reclusão. podendo ele pronunciar (artigo 413. e também no tocante a inquirição de testemunhas pelas partes. do mesmo dispositivo legal. Na primeira o ato processual nasce ineficaz.27 das partes ou da fase em que se encontra o processo. 3. mas pode ser afetado por vício posterior. perdendo sua eficácia. . somente poderá suscitá-las a parte que tiver interesse na observância do preceito. II e III. São também denominadas nulidades de sentido substancial. ainda que a infração a ser julgada pelo Júri seja apenada com detenção. as nulidades decorrentes do reconhecimento dos I. I .689/2008. do CPP) . absolver o réu (artigo 415. consideradas de ordem pública. hipótese em que processo será encaminhado ao órgão jurisdicional competente (artigo 419. e principalmente. do artigo 564. do CPP ou por omissão prevista no inciso IV. como por exemplo.

possíveis preliminares argüidas pelas partes nas alegações finais. não só pela previsão legal. também sob pena de preclusão (artigo 571. . letra “f”. analisar as qualificadoras que pesam sobre o réu. durante a sessão de julgamento. é o que prevê o artigo 413. ou no exame dos aspectos da personalidade do réu que pode terminar com vantagens ou prejuízos para as partes nos debates em plenário. do CPP. logo após anunciado o processo a pregoadas as partes (artigo 571. pois encerra a fase de formação da culpa. VIII. Entretanto continua a possuir formalmente a estrutura de uma sentença. impreterivelmente. mas sobretudo por representar garantia do réu diretamente relacionada ao sistema constitucional.2.1 Pronúncia O juiz se convencendo da existência do crime e de indícios de autoria proferirá a decisão de pronúncia e mandará o réu para o julgamento pelo Tribunal Popular. do CPP). V. Na decisão de pronúncia o juiz deve avaliar fundamentadamente. inciso III. e como tal deve atender os requisitos do artigo 381. todavia deve usar de moderação na linguagem empregada evitando assim alguma influencia na decisão dos jurados. deverão ser argüidas imediatamente depois de ocorridas e seu registro feito em ata. A jurisprudência tem considerado inválida a sentença de pronúncia que não declara os dispositivos em que o réu está incurso e também aquela que o magistrado exorbitou na análise das provas colhidas na instrução. mas simples decisão.28 Quanto as nulidades relativas ocorridas durante a preparação do julgamento deverão ser levantadas. As nulidades relativas que ocorreram em Plenário. sob pena reclusão. A pronúncia apesar de ter natureza de decisão interlocutória mista. 3. do CPP). que levará ao julgamento de mérito. A ausência da sentença de pronúncia nos processos do júri traz como conseqüência a nulidade absoluta (artigo 564. Não mais se denomina sentença de pronúncia. A partir de então iremos nos deter em comentários sobre os atos praticados após a decisão de pronúncia e também os vícios desta decisão. do CPP). inaugurando a fase de preparação do plenário. além da existência do crime e os indícios da autoria. do Código de Processo Penal.

a intimação deverá ser feita por publicação no órgão incumbido da publicidade dos atos judiciais da comarca. 3. CPP). bem como ao assistente do Ministério Público. corretamente. que deverá ser feita pessoalmente ao pronunciado. RT 558/7. TJSP. determina o comando do artigo 420. a ausência do acusado no plenário do Júri. ocorreu a extinção do libelo era uma peça oferecida pelo Ministério Público. seu defensor dativo e ao Ministério Público. Quanto ao defensor constituído.2 Preparo do processo para julgamento Com o advento da Lei n° 11. não será causa de adiamento da sessão colegiada. Portanto se o réu “A” foi acusado de ser co-autor e o réu “B” de ser partícipe. será intimado da pronúncia por intermédio de edital. TJMS. RT 586/08. dessa forma reconhecido na pronúncia. parágrafo 1°.689/08. por outro lado estando o réu preso sua intimação somente poderá ser pessoal. sendo crime afiançável ou não. Com a superveniência da reforma do Código de Processo Penal. tem sido menos rigorosa. Conseqüentemente o questionário a ser proposto aos jurados terá correspondência com o julgamento de admissibilidade da acusação e a tese exposta em plenário.29 No entanto. o nome do acusado (artigo 370. do CPP. sob pena de se violar o princípio constitucional da plenitude de defesa. A comunicação feita ao advogado dativo não supre a do réu. Se o réu estiver solto. O órgão acusatório não poderá extrapolar em suas teses no plenário do júri. que desdobrava em artigos a classificação penal fixada pela decisão de pronúncia. Hoje a pronúncia assume a missão de estabelecer fiel fronteira para a imputação feita pelo órgão acusatório. Da intimação da pronúncia. acreditando-se não ser aconselhável o uso de uma linguagem mais contundente utilizada pelo magistrado na prolação desta sentença. sob pena de nulidade. deve a acusação sustentar nesse prisma o concurso de agentes diante dos jurados e . salvo se este estiver preso e não for conduzido para plenário. todavia não se chega ao ponto de concluir pela nulidade da pronúncia. (STF. excetuando se houver pedido de dispensa de comparecimento subscrito por ele e seu defensor. a posição mais aceita na jurisprudência.2. e não for localizado no local constante nos autos. RTJ 23/23.

o processo será preparado para o julgamento no Tribunal do Júri. Alguns doutrinadores pátrios acreditam que. Após o oferecimento do parecer previsto no artigo 422. por configurar-se evidente cerceamento do direito de defesa. ofendendo-se a plenitude de defesa. Assemelha-se ao despacho saneador no processo civil. o órgão acusatório público ou particular. Do contrário.30 o mesmo constará no questionário. de ofício ou a requerimento das partes. Este despacho é de natureza ordinatória. À defesa este mesmo direito é garantido. A não intimação do acusado para a sessão de julgamento é um caso de nulidade relativa como previsto no artigo . não cabendo recurso. Houve uma inovação A falta de intimação dos jurados dará causa à anulação do julgamento por impedir que dele participem aqueles especialmente sorteados para esse ato. haverá surpresa para a defesa. A lei prevê que o réu deverá ser intimado da sessão do Júri.3 Intimações para as sessões de julgamento: réu. testemunhas e jurados Procedido ao sorteio dos jurados que devam participar do Conselho de sentença. do CPP pelas partes. quando não for permitido seu julgamento à revelia (quando este tiver cometido um crime afiançável e quando sua ausência ocorra sem motivo legítimo – artigo. do CPP). poderá juntar documentos relativos a lide penal. garantia constitucional. as diligências necessárias para o saneamento de irregularidades ou nulidades ainda subsistentes bem como esclarecimento de fato que interesse à decisão da causa (artigo 423. Dentro do qüinqüídio legal. 3. do mencionado estatuto legal. havendo também a possibilidade de ser sanada como prevê o artigo . O preparo é o ato do juiz que consiste em ordenar. estes deverão ser intimados a estar presentes à reunião do Júri. e naturalmente nulidade. bem como requerer a realização de diligencias. apesar do previsto nos artigos antes mencionados. CPP).2. do CPP. a não intimação do réu para sessão de julgamento acarreta nulidade absoluta. .

A falta de intimação destas testemunhas. implicará na nulidade do julgamento. que as partes indicaram o local onde poderiam terem sido encontradas e ainda as arrolarem sob cláusula de imprescindibilidade. do CPP as partes poderão apresentar testemunhas que tem interesse em serem ouvidas em plenário. . sendo que o juiz deverá ordenar a intimação destas para comparecimento na sessão de julgamento.31 No parecer do artigo 422.

32 3. característica essencial do Júri no sistema constitucional brasileiro (artigo 5. É bom lembrar que a jurisprudência tem reconhecido a nulidade do julgamento em que no Conselho de Sentença participa um jurado que funcionou no julgamento de co-réu (RT 624/301). Estando presentes quinze jurados e havendo impedimento ou suspeição de dois ou mais deles não impede a realização do julgamento. que o jurado exteriorize sua forma de decidir e venha influir.2. do CPP). A violação desta fórmula essencial no julgamento perante o Júri acarreta nulidade absoluta do mesmo. dentre os vinte e cinco que compõem o tribunal. bem como o sigilo das votações. CF). onde deverá constar o nome dos vinte um jurados que deverão funcionar nas sessão periódica. A falta de referência na Ata faz presumir o não cumprimento desta formalidade e ensejará a nulidade do julgamento. todavia. Durante o período do descanso os jurados não estão obrigados a permanecer mudos e isolados. Saliente-se. sorteio e incomunicabilidade dos jurados No dia e horário designados para realização do julgamento o juiz presidente abrirá a sessão e fará a conferência da urna. não constituindo causa de nulidade eventuais irregularidades ocorridas no referido sorteio. favorecendo ou prejudicando as partes. do CPP. . basta que não manifestem sua opinião sobre o processo. A verificação antecipada das cédulas antes da formação do Conselho de Sentença é uma formalidade que deve constar expressamente na Ata. por absoluta falta de previsão legal. O sorteio do Conselho de Sentença deverá ser realizado publicamente pelo juiz presidente. B. XXXVIII. todavia se ocorrer com recusas imotivadas (três para a acusação e três para a defesa) e motivadas número insuficiente para instalação da sessão. o júri será adiado para a primeiro dia desimpedido (artigo 466. após a leitura das advertências previstas no artigo 465. A incomunicabilidade do jurado representa a garantia de sua independência de convencimento. Para a realização da sessão é imprescindível a presença de no mínimo quinze jurados. que esta incomunicabilidade que a lei quer asseguarar diz respeito ao mérito do julgamento e tem como objetivo impedir.4 Presença.

também no caso do concurso de pessoas. A acusação e a defesa na sessão de julgamento são requisitos essenciais à validez da ação penal.” 3. não causará nulidade ao julgamento (RT 468/314). que se esta não foi posta em dúvida. quando diz que não poderão servir no conselho o jurado que tiver funcionado em julgamento anterior do mesmo processo. independente da causa determinante do posterior. sua isenção restou rompida. três situações compreendendo a incompatibilidade dos jurados como causa de nulidade do julgamento. A razão da primeira incompatibilidade esta assentada no fato de que já se sabe previamente qual foi a inclinação do tribunal do júri quanto ao julgamento anterior. sendo que o Ministério Público e seus eventuais assistentes terão uma hora e meia para pronunciamento. No Júri a atuação do Ministério Público e da defesa durante o julgamento é erigida em fundamental pressuposto de eficácia do ato. o juiz presidente anunciará a fase dos debates. No tocante a proibição do jurado compor o conselho de sentença. está na neutralidade. A título de inovação o legislador erigiu no artigo 449. acrescida de mais uma hora. todavia a orientação do STF é no sentido de que esta formalidade não é essencial. Tem plena aplicabilidade no que tange a matéria jurídica discursada. pois além de representar ofensa ao princípio . do CPP.2. houver integrado o Conselho de Sentença que julgou o outro acusado.33 O Código de Processo Penal reclama que a incomunicabilidade seja certificada na Ata. tiver manifestado prévia disposição para condenar ou absolver o acusado. pois no Júri o que realmente importa é a própria incomunicabilidade. bem como certificada pelos oficiais de justiça. logo em seguida a defesa se pronunciará por igual período de tempo. e se forem dois ou mais réus será acrescida de uma hora e elevado ao dobro o da réplica e tréplica. a Súmula 206 do STF: “É nulo o julgamento ulterior pelo júri com a participação de jurado que funcionou em julgamento anterior do mesmo processo.5 A acusação e a defesa na sessão de julgamento Terminada a instrução do processo em plenário do Júri. quando manifestou o seu convencimento no sentido de acolher ou não a pretensão punitiva pública ou privada.

é postular pela improcedência da pretensão punitiva. A jurisprudência tem decidido que não se pode caracterizar deficiência da defesa no Júri o fato do advogado não usar integralmente o período de tempo concedido para seu pronunciamento. todavia uma defesa consistente. do CPP). iniciados os debates. mesmo porque seu dever funcional.34 constitucional do contraditório. reflete prejuízo à formação do convencimento dos jurados. pois os juízes de fato não conhecem os fatos contidos nos autos nem as questões de direitos ali mencionadas. na qualidade de custos legis (artigo 257. necessitam destarte conhecer com amplitude as teses apresentadas pelas partes. como fora dito. No tocante a acusação. todavia é importante que se distinga o que vem a ser cada uma delas. Uma vez não haja elemento nos autos capazes de fazer com que seja sustentada a acusado. sendo causa de nulidade da sessão a falta desta fala. é nulo o julgamento realizado sem a presença do defensor escolhido pelo réu. sendo que constatada a ausência do defensor do acusado o julgamento deve ser adiado (artigo 449. do CPP. prevendo a lei processual a possibilidade do juiz presidente do Júri dissolver o Conselho de Sentença quando verificar que o réu estar indefeso. que se limite ao pedido de reconhecimento de certos benefícios legais. A defesa em plenário deve ser efetiva. o artigo 478. Outrossim. A falta de acusação ou de defesa em plenário é causa de nulidade absoluta do julgamento. deve ser considerada eficiente e consentânea com a exigência constitucional. prevê nulidade absoluta se durante os debates as partes fizerem referência a pronúncia ou acórdão que a confirmou ou que determinou a . ao Promotor de Justiça não é permitido desistir do uso da palavra para a acusação. por violar o imperativo da plenitude de defesa. todavia. que possam abrandar a pena ou afastar qualificadoras e agravantes propostas pela acusação. não é obrigatório ao Parquet pedir a condenação do réu em Plenário. que não é ausência de acusação o Representante do Ministério Público pedir a absolvição do réu no Plenário do Júri. Vale ressaltar. Não é permitido a concordância do defensor com a tese acusatória. De forma rigorosa. do CPP). desde que a prova indique que a sua atuação foi juridicamente perfeita e adequada às circunstâncias do caso (RT 564/367).

ao uso de algemas.6 Quesitos Do latim quaesitum (pergunta). O dispositivo cerceia o direito de qualquer das partes explorar as provas lícitas constantes nos autos.35 submissão do acusado a julgamento pelo Tribunal do Júri. O quesito. além de dizer respeito ao conteúdo da pronúncia. Seu conjunto é denominado questionário.689/2008. correspondentes ás questões de fato e de direito expostas pelas partes em plenário. o que não é vedado. destinados aos jurados para a realização do julgamento na sala especial. caput. ou uma tese de defesa . inciso LVIII. o legislador brasileiro segui o modelo francês de júri.2. Qualquer deficiência dos quesitos ou das suas respostas acarretará nulidade absoluta ao julgamento. O questionário é a peça elaborada pelo juiz presidente. Quanto ao silencio do acusado na ocasião de seu interrogatório. porque somente as ilícitas é que são vedadas pela Constituição Federal (artigo 5º. A proibição de menção de pronúncia tem como objetivo não permitir que o corpo de jurados seja influenciado por decisão proferida pela magistratura togada. cremos que também não se justifica. pois viciará a própria decisão popular. entende-se justamente a interrogação formulada pelo juiz-presidente do tribunal do júri para que seja respondida pelo conselho de sentença. apresentado pelo órgão acusatório. jamais poderá ser interpretado em prejuízo da defesa. contendo os quesitos. que é uma prerrogativa constitucional (artigo 5º. hoje extinto. A maioria dos doutrinadores acredita que o este dispositivo normativo é plenamente inócuo e inútil. uma vez que transgride e macula o direito do contraditório exercido pela acusação. se mostra inconstitucional. Este questionário é a maior fonte de nulidade de decisões oriundas do tribunal do júri. LVI). mesmo porque independentemente de a parte fazer menção ás algems. ao silencio do réu ou a ausência de interrogatório. No tocante ao uso de algemas. CPP). devia representar uma assertiva constante do libelo. pode tecer comentários negativos ou positivos em relação ao acusado. CF e artigo 186. antes do advento da Lei 11. 3.

2. 3. haverá nulidade absoluta do julgamento. ou que pronunciou o acusado. é vedado ao juiz de direito formular pergunta de sua livre escolha. Reiterando o que já restou anteriormente consubstanciado. completa e fáctica.1 Quesito sobre o fato principal O questionário que será submetido à apreciação do conselho de sentença. ela pode. Se isso não ocorrer. Em itens específicos será apontada a ordem cronológica para a sua formulação. cujo somatório constitui o questionário. consubstanciado no veredicto único em relação á culpa ou inocência. com isso solucionando a causa penal. O magistrado também está obrigado a formular os quesitos nos termos da pronuncia ou do acórdão que a confirmou. fonte insondável de nulidades. nos debates em plenário. quando da prolação da sentença. do CPP. por ausência de formalidade substancial (artigo 584. é por intermédio da votação dos quesitos. do CPP. deve ficar bem claro que os jurados decidem matéria fática e jamais de direito. No Brasil. CPP). Nessa ordem de consideração. Os quesitos. somente deverá versar sobre matéria de fato e se o acusado deve ser absolvido (artigo 482. . o modelo de votação do sistema norte-americano. é formalidade indeclinável que os quesitos sejam formulados de acordo com a ordem estabelecida nos incisos do artigo 482. devem ser organizados conforme determinação previamente estabelecida pelo legislador no artigo 483. que compete ao juiz togado. CPP). já que aquela envolvendo o direito está afeto ao juiz que preside a sessão. É esse o traço marcante da denominada competência funcional por objeto do juízo. inciso IV. Seguindo as pegadas do sistema Frances. relativamente. A reforma do Tribunal do Júri aproximou. que o tribunal do júri julga a pretensão punitiva e de liberdade submetida. bem como com suporte no interrogatório do acusado.6. Entretanto. e também de acordo com as teses sustentadas pela defesa em plenário. que deve também integrar o questionário. No caso da acusação. Os quesitos devem ser elaborados de forma clara. apontar circunstancias agravante. a partir da reforma passa-se a indagar se o réu deve ser absolvido ou condenado.36 sustentada em plenário.

O quesito principal também é denominado de quesito de acusação. passa-se a análise de outra infrações. parágrafo segundo. se a vítima provocou em si lesões corporais. É ele também considerado como sendo obrigatório. do CPP). . Não obstante o legislador fazer menção a um quesito. a autoria ou participação. há necessidade de desdobramento dos quesitos em tema de fato principal. indaga-se acerca da ocorrência do crime doloso contra a vida. Em sentido oposto. primeiramente. onde deve ser argüido. e finalmente. Somente após fixada a competência do Tribunal do Júri.37 A questão sobre o fato principal. Isso significa que de qualquer maneira ele deverá ser confeccionado. Fato principal. outros crimes passarão a analise do juiz togado. que é obrigatória. do CPP). quer de segunda instancia. Também nos casos em vários forem os delitos imputados. é aquele que diz respeito a materialidade do fato. deverá ser formulada em conformidade com a decisão que pronunciou o acusado. Em determinados crimes. É o que preceitua o legislador processual penal (artigo 483. passando-se a apreciação do quesito envolvendo a absolvição do acusado (artigo 483. se o acusado induziu a vitima a tirar sua própria vida. seja ele qual for. ao depois. afastando o reconhecimento da materialidade ou da autoria ou da participação (votação negativa) o julgamento será encerrado. do CPP). Se em relação aos quesitos principais houver votação por maioria. envolvendo. dando-se o acusado como absolvido (artigo 483. Afinal. materialidade e/ou nexo causal. caso seja negada a existência do delito doloso contra a vida. por exemplo. se aquela votação for positiva. inclusive facilita a votação pelos jurados. parágrafo primeiro. induzimento ao suicídio. se essas lesões foram causa determinante de seu óbito. em primeiro plano. o julgamento terá seu prosseguimento. nada impede que sejam feitas questões distintas no que tange à autoria. como é evidente o nexo causal ou etimológico. quer de primeiro grau de jurisdição.

quando não houver pedido ou qualquer tipo de manifestação a respeito. do artigo 483. Havendo os jurados. foi bastante oportuna e também essencial na sistemática de votação do conselho de sentença.38 3. o julgamento prossegue.2 Quesito sobre absolvição O legislador diz textualmente no inciso III. Essa novidade legislativa. devendo ser respondidos os quesitos na ordem cronológica estabelecida pelo preceito de regência.2. que acreditam que não é obrigatório ser proposto ao conselho de sentença a votação de mencionado quesito. é vedado ao magistrado analisar se houve excesso doloso ou culposo relativamente a elas. proclamado a absolvição em torno das excludentes ou dirimentes. Argumentando inclusive que a fonte do questionário da defesa são suas teses defensivas em plenário e também o que serviu de conteúdo para a versão dada pelo acusado quando de seu interrogatório frente à magistratura popular. do CPP. no que diz respeito ao excesso doloso e culposo. O assunto jurídico em questão envolve matéria que diz respeito ao assunto jurídico capitulado nos artigos 20 a 25 do Código Penal (discriminantes putativas. Em matéria. principalmente quando havia a imposição relativamente as excludentes ou dirimentes. sendo este o principio orientador dos quesitos de defesa. quando for o caso. inspirada no direito inglês (NOT GUILTY). como Heráclito Antonio Mossin. Decidindo os jurados pela condenação. A improcedência da pretensão punitiva está definida. coação irresistível. erro sobre a ilicitude do fato. que por sinal se revelou fonte insondável de nulidades. do artigo 26. do precitado estatuto. razão pela qual foi imperiosa a mudança de tratamento legal sobre a matéria de se questionar os jurados em torno dela. legitima defesa) alem de. que deve ser formulado um quesito sobre se os jurados absolvem o réu. estado de necessidade.6. . Existem alguns doutrinadores. caput. sempre se mostrou por demais complexa aos jurados. principalmente quando a prova colhida em instrução não admitir o reconhecimento de qualquer causa que conduza a improcedência da pretensão punitiva pública ou privada.

parágrafo terceiro. uma vez que sendo os jurados pessoas normalmente esclarecidas não. inciso I. como teses antagônicas de negativa de autoria e legitima defesa putativa. podem suportar antinomia dessa natureza. Conforme enunciado da Súmula 162 do Colendo Supremo Tribunal Federal. E será ele submetido à votação sempre que forem respondidas afirmativamente as questões concernentes à materialidade do fato e sua autoria. Tem havido questionamento quanto á inclusão no questionário de causa supralegal excludente de antijuridicidade ou de culpabilidade. muito embora. O STJ tem entendido ser admissível a quesitação dos jurados a respeito da excludente de culpabilidade de inexigibilidade de conduta diversa. CPP). Em sentido amplo.3 Quesitos de defesa Os quesitos sob consideração são aqueles relacionados com a diminuição da pena (artigo 483. essa contradição seja sumamente prejudicial ao acusado.39 Outros. 3. se requerida pela defesa. mesmo porque os jurados podem absolver o réu até mesmo por pura clemência. o magistrado está obrigado a fazer pergunta a respeito. as causas que conduzem a redução da sanção penal são as circunstâncias atenuantes encartadas no artigo 65 (atenuantes genéricas) e a causa de diminuição especial da pena está prevista no parágrafo primeiro. Tendo em vista o principio da liberdade da ampla defesa. negar a prática do fato típico e ao mesmo tempo aduzir que o praticou por erro. “é absoluta a nulidade do julgamento pelo júri quando os quesitos de defesa não precedem os das circunstancias agravantes”. como Guilherme de Sousa Nucci. do CP (homicídio privilegiado). do artigo 121. crêem que lei exige seja incluído o quesito referente à possibilidade de absolvição do réu em todos os questionários. sob o ponto de vista lógico e de capacidade de defesa. matéria que é alegada pela defesa com tese no plenário. permitem-se a defesa contraditória perante o júri. .6.2. Logo tendo sido argüida essa matéria na discussão plenária.

4 Quesitos sobre a qualificadora e a causa de aumento de pena . Nos casos em que a defesa apresentar tese nova durante o último momento de sua fala. cumpre ao magistrado fazer quesito a respeito. logicamente. Como ambas as situações que se agregam a teoria política-criminal. impregnando de nulidade o decisum levado a efeito pela magistratura popular. o iter criminis. nada mais evidente que nessa amplitude deixada pelo legislador. Como é evidente pela sistemática processual penal na formalização e resposta dos quesitos. a matéria tenha sido discutida em plenário. implicam exclusão da punibilidade. deverá então o magistrado fazer a quesitação pertinente. portanto. No que pertine a desistência voluntaria.6. 3. a verdade é que a doutrina e a jurisprudência a tem agasalhado de forma quase que uníssona. há possibilidade da verificação da desistência voluntária e do arrependimento eficaz.40 Embora não haja norma penal reconhecendo diretamente a inexigibilidade de conduta diversa como forma excludente da culpabilidade ou da antijuricidade. Sendo todos os crimes dolosos contra a vida de cunha material. entendeu o STJ que o quesito relativo se torna imperioso. sob pena de ocorrer cerceamento de defesa. bastando para a verificação consulta em matéria pertinente. que por sinal é bastante abundante. sob pena de nulidade do julgamento por cerceamento de defesa. pressupondo. Sendo o mesmo entendimento deve ser lavrado no que concerne ao arrependimento eficaz. cumpre ao magistrado formular pergunta a respeito. Portanto se a defesa sustentar no plenário qualquer fato ou circunstancia que por lei isente de pena ou exclua o crime. do CP). deve ser adicionada a inexigibilidade de conduta diversa. a causa precipitada dentre ser verificada nos lindes da questão: o jurado absolve o acusado? Outra matéria interessante a ser destacada diz respeito a possibilidade de ser discutida em plenário e integrar o questionário envolvendo desistência voluntária e arrependimento eficaz (artigo 15. dispensando qualquer indicação específica a respeito. se houver tese nesse sentido sustentada em plenário do júri. desde que. portanto matéria que é de apreciação da magistratura popular em termos fáticos.2.

do Código Penal. o legislador subordina a apresentação do quesito envolvendo a matéria de interesse da acusação. obrigatoriamente deve ser feita a votação. somente em duas situações previamente determinadas pelo legislador processual ela poderá ocorrer. Doutrinariamente as duas situações são denominadas de reformatio in peius indireta. todos do CP). Sua elisão a pedido da acusação implicaria desistência parcial da ação. do CPP. ou em acórdão que a confirmou ou que determinou que o acusado fosse julgado pelo júri popular. De outro lado. Como pacificamente se nota nos dizeres que compõem o preceito citado. desde que reconhecida na pronúncia. somente poderão ser propostas quando estiverem especificadas na pronúncia. Entretanto. que também são voluntários. No tocante a reformatio in peius.41 Seguindo a ordem cronológica determinada pelo artigo 483. é facultado à acusação apresentar no plenário do júri. e artigo 127. cabe uma advertência quanto aquele dispositivo. finda a cotação dos quesitos da defesa. do CPP. que são as circunstancias agravantes contidas nos artigos 61. CPP). em seguida deverão ser votados aqueles da acusação. 62 e 122. A outra está compreendida no parágrafo único do artigo 626. assunto jurídico envolvendo situação que pode acrescer à reprimenda legal. independentemente de constar ela de qualquer tipo de decisão. o magistrado está obrigado a fazer o quesito a respeito. que são elementares do crime. É que constando essa causa que torna o delito contra a vida mais grave. Outrossim. Uma delas é quando houver apelação unicamente da defesa (artigo 617. deverá ser feita a indagação sobre qualificadora mesmo quando a acusação tiver nessa oportunidade manifestada contrariamente a seu reconhecimento. que deixaria no momento do pedido de ser órgão acusatório. devolvendo ao parquet a titularidade da ação. sustentando esta causa de aumento da sanctio legis no plenário. Portanto. independentemente de ter havido debates sobre elas no plenário. . o título mesmo de novidade. em juízo constitucional ou natural. o que é vedado ao órgão do Ministério Público e também ao querelante. parágrafo segundo. para efeito de julgamento do recurso perante tribunal de segundo grau de jurisdição. incisos I e II. as questões referentes as qualificadoras (artigo 121. naquela sentença de pronúncia ou no acórdão.

e sendo o réu submetido a novo julgamento. Situação diferente ocorrerá no tocante a julgamentos perante o Tribunal do Júri. porquanto essa situação decorreu da soberania do veredicto. consagrado constitucionalmente no artigo XXXVIII. anulado o processo. inciso II. Assim sendo. c. serão submetidas aos jurados questões relativas ás agravantes. a exemplo do que acontece com as qualificadoras. não há previsão legal para que a mesma seja excluída do questionário em homenagem ao princípio da soberania dos veredictos. em processo do júri anulado em grau de recurso de apelação. sobrevindo condenação. motivo pelo qual mesmo que tenha sido no julgamento anterior afastada determinada qualificadora. bastando que tenha feito referência aquela por ocasião dos debates em plenário. para que seja formulado quesito a respeito de circunstancia agravante não é imprescindível que a acusação tenha se manifestado sobre ela quando da denúncia. in casu. O passo seguinte é analisar o questionamento sobre as causas de aumento de pena. Diante disso. pois se eventualmente o novo conselho de sentença reconhecer situação fática capaz de impor pena mais grave do que aquela imprimida no julgamento anulado. do CPP. deve ela ser novamente votada pelo conselho de sentença devido à sua soberania e. a nova pena imposta não pode ser mais gravosa do que aquela constante do processo cuja sentença condenatória foi objeto de revisão criminal. . ainda porque. quer constantes da Parte Geral e também da Especial do CP(artigo 12. da CF. incisos I e II).42 Por ela. desde que alencadas pela acusação publica ou particular. Não há. sobrevindo novo julgamento não há de se cogitar reformatio in peius indireta. Esse quesito é tido como voluntário. cumpre ao magistrado togado fazê-lo. como no exemplo anteriormente posto. absolutamente nenhuma violação ao reformatio in peius indireta. por não ser essa elementar do tipo penal. Obedecendo a ordem cronológica estabelecida pelo artigo 483. ultimada a votação sobre as qualificadoras e causas de exacerbação da pena. Na sentença de pronúncia ou no acórdão que determinou que o acusado fosse julgado pelo tribunal do júri não se inclui circunstância agravante.

cumprirá ao magistrado que preside a sessão. 3. sendo este da competência do Tribunal do Júri. Isso acontecendo. do CPP. posto que cumpre aos jurados decidirem se o crime é ou não doloso contra a vida.43 Outrossim. exponha tese que envolva a absolvição do acusado (ex. nada impede que o juiz faça o quesito da desclassificação após aquele sobre a absolvição. 3. no 3º quesito. para ser respondido após o segundo quesito. é indagado: “se o jurado absolve o réu?”. Pode ocorrer. . sem que haja pedido da acusação. Isso porque. Se isto acontecer.: sustentação de que não houve tentativa de homicídio mais crime de lesões corporais.6. Em havendo mais de uma circunstância agravante a ser apreciada pelos jurados. sendo certo que a prova em qualquer sentido caminha para a legítima defesa). que a defesa defenda a tese da desclassificação comentada e.6 Quesitos sobre a tentativa de homicídio ou de outro crime de competência do júri Diz o parágrafo quinto.5 Quesitos sobre a desclassificação do crime É possível que a defesa venha pleitear no plenário do júri que o fato típico imputado seja classificado para delito da competência do juízo singular (ex. para cada uma delas o magistrado deverá formular quesito. homicídio doloso para culposo). do artigo 483. Embora o legislador confira uma alternativa quanto a ordem de formulação deste tipo de quesito que diz respeito a autoria ou a participação. e nisto não há incompatibilidade. formular quesito a respeito.6.: tentativa de homicídio para lesões corporais. que sustentada a tese de ocorrência de crime na forma tentada ou havendo divergência sobre a tipificação do delito. concomitantemente. é necessário tornar claro que o magistrado não pode incluir no questionário essa circunstância majorante da reprimenda legal.2.2. entretanto. não podendo englobá-las em uma única questão. o juiz formulará quesito acerca destas questões.

não se constata.44 No que diz respeito sobre tese a cargo da defesa ou mesmo da acusação. cada acusação dever ser vista de forma independente. Esse procedimento se impõe uma vez que. a possibilidade de tal verificação. na hipótese sublinhada a pergunta pertinente deverá ser formulada e respondida após o segundo quesito. De outro lado. no sentido de sustentar ter ocorrido crime doloso contra a vida tentado. que expõe que havendo mais de um crime ou mais de um acusado. 3. para cada um deles deverá haver uma serie de quesitos.7 Quesitos no concurso de pessoas e de crimes O enunciado legal sobre esta forma diferenciada de quesitos se encontra no parágrafo sexto. de plano. se houver co-autoria e participação. para não causar perplexidade no espírito dos jurados. os tribunais pátrios têm decidido que quando se trata da prática de homicídio mediante paga ou promessa de recompensa (artigo .2. visando a garantia do julgamento. Em razão disso . ou seja. Seguindo os critérios traçados pelo legislador no que diz respeito a ordem cronológica em que os quesitos devem ser formulados e respondidos. não obstante a continência de causas. De outro lado.6. a matéria também deverá ser objeto de apreciação pelo colegiado popular. De outro lado. os quesitos serão formulados em series distintas. do artigo 483. Sob o ponto de vista processual esse mecanismo de votação facilita os jurado quanto a apreciação do questionário a eles submetidos a votação. para cada uma dessas situações deverá ser elaborado quesito separadamente. do CPP. para cada co-réu ou participe deve ser feita uma série de quesitos. que trata da autoria e participação. há de se convir que o preceito se mostra inaplicável. consumado ou tentado. Logo. serão formulados tantas series de quesitos quantos forem os réus. como se esse estivesse sendo unicamente julgado. Diante deste preceito sendo submetido a julgamento mais de um réu(co-autoria ou participação). caso não haja concordância sobre o tipo penal envolvendo crime doloso contra a vida.

uma vez eles já possuem concepção formada quanto a culpabilidade ou não do réu ou de partícipe. uma vez que o reconhecimento do concurso de crimes ou do delito continuado está afeto. desde que. Outrossim. para cada infração típica deve ser formulada série de quesitos de forma separada. evidentemente. Deve-se atentar. o executor. principalmente no âmbito da ampla defesa do acusado. fatalmente não ocorrerá prejuízo em termos de decisão aquele que executou o núcleo do tipo. ao depois. o que deve ser resolvido exclusivamente pelo juiz quando da sentença. desde que possível. trata-se de matéria relacionada com a aplicação da pena. deve ficar ressaltado. o que é legalmente possível tendo em vista que. que seu defensor deve defender a tese que proporcionar maior beneficio ao réu. o julgamento do feito criminal por juízes de fato distintos constitui motivo relevante (artigo 80. Havendo o desfazimento da continência. inciso I. em primeiro lugar deve ser submetido ao tribunal do júri o mandante e. que haja separação do julgamento. Essa inteligência se impõe. a fim de que a decisão quando a um dos réus não influencie a que deve ser tomada quanto ao outro réu. seja ela condenatória. CP). essa não pode ser submetida á apreciação dos jurados.45 121. principalmente quando hão a figura do mandante e do executor. do CP). Em primeiro lugar. deve o magistrado impedir que integrem o conselho de sentença jurados que participam do júri anterior. porem diante do magistrado e não do conselho de sentença. . que somente tem competência para resolver questões fáticas. outrossim. que a quesitação somente objetiva colher dos jurados dados relativos a pratica desses fatos típicos reunidos em concurso e não sobre as formas concursais(real e ideal) e sobre a continuidade delitiva. porque sendo matéria de cunho jurídico. Finalmente. Em segundo lugar. ao juiz presidente do júri. em sessão subseqüente. como a do crime continuado ou do concurso formal. precipuamente. Tangentemente ao concurso de crimes (material ou formal) ou mesmo delito continuado. Com esse providencia .

haja o juiz considerado a atenuante mais parecida aplicável ao caso. . Durante a votação ocorrendo contradição entre nas respostas dos quesitos. A Jurisprudência diz-nos que também acarretará nulidade ao julgamento se os quesitos forem formulados de maneira negativa. no tocante a ordem na formulação dos quesitos. Afirmada inicialmente a tese da defesa ficam prejudicados os demais quesitos acusatórios. sobre alguma irregularidade na quesitação. não causa nulidade a omissão do quesito específico. entretanto. pois sua inobservância trará nulidade absoluta ao julgamento. do CPP. sendo que neste último caso o reconhecimento da nulidade independe de protesto durante a sessão do Tribunal do Júri. pois decidiu que “positivado o quesito genérico sobre a existência de atenuantes. o STJ vem admitindo uma flexibilidade na aplicação deste entendimento. logo em seguida sobre as teses de defesa. bem como redigidos de forma prolixa e confusa. se tal fato não se verificar é um caso de nulidade absoluta. de acordo com o previsto no artigo 489. quando apesar dela. (RT 585/354). explicando aos jurados os motivos da contradição. nominando-a para diminuir a pena. Outro ponto importante a ser comentado é o que diz respeito a previsão do artigo 484. e ainda a falta de formulação dos quesitos referentes ao excesso doloso e culposo. por falta de quesito obrigatório. incisos I e III. a não ser que seja muito grave e que induza o Conselho de Sentença a erro ou perplexidade sobre o fato sujeito à decisão (RT 601/444). A Súmula 156 do STF acrescenta que é absoluta a nulidade do julgamento pelo Júri. do CPP. Aplicando o princípio do favor rei. primeiro os jurados devem ser questionados sobre o fato principal. o juiz presidente fará nova votação dos quesitos que receberam respostas antagônicas.46 O STF tem entendido que se as partes silenciarem. durante o julgamento pelo Tribunal do Júri. somente após estes é que serão formulados os demais quesitos da acusação. sanada está esta irregularidade.

” (Marrey Adriano – Teoria e Prática do Júri – Sexta Edição – SP 1997 – Editora Revista dos Tribunais). que ao nosso ver. deixemos pois esta tarefa aos estudiosos desta instituição. ao menos sobre a existência material do crime e a procedência da imputação. reconhecendo-se seja. implicitamente. é uma das mais democráticas existentes no país. Terminemos nosso trabalho com as palavras de Adriano Marrey que declara que “o Júri. que fora acolhida entre os Direitos e Garantias Individuais com o fim de permaneça conservado em seus elementos essenciais.CONCLUSÃO Abordamos em linhas gerais alguns pontos e aspectos desta apaixonante instituição processual penal que é o Tribunal do Júri. . um direito dos cidadãos o de serem julgados por seus pares. Esse ato de julgar o fato do crime e sua autoria é. direito inviolável do indivíduo e não função atribuída ao Judiciário. mais que um mero órgão judiciário. é uma instituição política. entre nós. É claro que neste trabalho não conseguiríamos delinear com precisão todos as suas variadas peculiaridades.

Malheiros. Andrey Borges de. MARREY. 2000. 2. 1993. Nulidades no processo penal. FERNANDES. rev. Hermínio. Marcus Vinicius Amorim de. 8. 2008. ampl. 6. Código de Processo Penal Comentado. OLIVEIRA. Revista dos Tribunais. FRANCO. São Paulo: Revista dos Tribunais. 4. Nova Reforma do Código de Processo Penal. Adriano. TUCCI. Guilherme de Souza. _______. 1990. ed. FERREIRA FILHO. 1997. 1996.ed. . 1997. 2003. MENDONÇA. 2008. Processo Penal Constitucional – 2. do inquérito ao plenário. 1999. Direitos Humanos Fundamentais. procedimentos e aspectos do julgamento. Rio de Janeiro: Forense. Revista dos Tribunais. 2. NUCCI. 2009. 2000. Saraiva. Júri: crimes e processo. ALBERTO. FERNANDES.REFERÊNCIAS BONFIM. São Paulo. Teoria e Prática do júri. 2008. ed. ed. Tribunal do Júri.Código de Processo Penal e sua interpretação Jurisprudencial – 2. Alberto Silva. Manoel Gonçalves. Júri. Estudo sobre a mais democrática instituição jurídica brasileira. Tribunal do Júri. Saraiva. 1995. Alexandre de. MARQUES Porto. Heráclito Antonio. Rui . Bookseller. MORAIS. _______. MOSSI. José Frederico. MARQUES. Direito Constitucional – Editora Atlas. Do Tribunal do Júri. Júri. ed. Curitiba: Juruá. Revista dos Tribunais. STOCO. Rogério Lauria. 1998. v. São Paulo: Revista dos Tribunais. A instituição do Júri. Tribunal do Júri Popular na ordem jurídica constitucional. Edilson Mongenot. 2008. ed. ed. Antonio Scarence. Revista dos Tribunais. 3. São Paulo: Método. Saraiva. Paulo Sérgio Leite. Revista dos Tribunais.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->